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                    <text>“CHEGA DE PAPEL”: A VANGUARDA DA ERA DIGITAL:
UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Célia Maria Gomes Maia1
Renzo Faccion Nocito2

RESUMO
As bibliotecas universitárias brasileiras há algum tempo vem abrindo espaço para
diferentes setores da sociedade, cumprindo, de alguma forma o seu papel social.
O Museu Nacional, unidade isolada da Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ, por meio de convênio com o Colégio Pedro II, abriu espaço em seus
laboratórios e serviços para treinamento de alunos do ensino médio através do
Programa de Iniciação Científica Júnior com o objetivo de fazer a interação entre
os profissionais da instituição e jovens adolescentes na fase de buscar uma
definição de carreira.
Com a falta de recursos das bibliotecas universitárias surgiu o conflito entre o
antigo e o moderno, convivendo em plena era digital, no mesmo espaço, fichas
catalográficas de papel e acervo informatizado. Nesse contexto, surgiu na
Biblioteca do Museu Nacional/UFRJ o projeto “Chega de papel”, idealizado pelo
estagiário Renzo Faccion Nocito, aluno do ensino médio do Colégio Pedro II, sob
a coordenação e orientação da bibliotecária Célia Maria Gomes Maia e com o
apoio do Setor de Informática. A metodologia constou de quatro etapas, pesquisa
do material bibliográfico, digitalização dos dados (criação do banco de dados),
elaboração do programa e conexão com o banco de dados (intranet).
Palavras-chave: banco de dados; catálogo informatizado; intranet.

1 INTRODUÇÃO
“Chega de papel” é fruto de um trabalho desenvolvido no Setor de
Processamento Técnico da Biblioteca do Museu Nacional/UFRJ, com profissionais
bibliotecários, analista de sistema e estagiários do Programa de Iniciação
Científica Júnior.
O Museu Nacional criado por D. João VI, foi fundado em 6 de junho de
1818, com a finalidade de coligir, classificar e conservar material de interesse ao

1

Bibliotecária/Documentarista do Museu Nacional. /UFRJ. Especialista em Ciência da Informação.
Quinta da Boa Vista – São Cristóvão, Rio de Janeiro, RJ, 20940-040. E-mail: celiamar@acd.ufrj.br
2
Aluno no ensino médio do Colégio Pedro II. E-mail: renzo.nocito@globo.com

1

�estudo das ciências naturais e antropológicas, organizando coleções e exposições
públicas.3
A partir de 1946 foi incorporado à Universidade do Brasil, hoje denominada
Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ4. Além de ser considerado o mais
importante estabelecimento do gênero na América do Sul, funciona como centro
de pesquisa da UFRJ, realizando estudos, pesquisas e ensino nas áreas das
ciências naturais e antropológicas, possuindo três Programas de pós-graduação
stritcto sensu (mestrado e doutorado) em Antropologia Social, Botânica e
Zoologia.
O Colégio Pedro II, fundado em 12 de dezembro de 1839, é uma instituição
federal de ensino fundamental e médio, considerada a mais tradicional do Rio de
Janeiro. Possui cinco unidades na cidade do Rio de Janeiro. Por meio de um
projeto político-pedagógico, com a participação de toda comunidade escolar,
educar para a cidadania é o seu lema.
A legislação federal para educação no Brasil estabelece que:
“... a preparação básica para o trabalho e a
cidadania

do

educando,

para

continuar

aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar
com flexibilidade a novas condições de ocupação
ou aperfeiçoamento posteriores”

“... a compreensão dos fundamentos científicotecnológicos

dos

processos

produtivos,

relacionando a teoria com a prática de cada
disciplina”. 5
“... a formação do aluno deve ter como alvo
principal a aquisição de conhecimentos básicos, a
preparação científica e a capacidade de utilizar as

3

CUNHA, Dulce da Fonseca F. da, 1966, p.19.
SILVA, Benedito, 1974, p. 144.
5
BRASIL. Leis decretos, etc. Lei de Diretrizes e Bases da Educação 9.394/96, seção IV art.35, al.
II e IV, 1996.
4

2

�diferentes tecnologias relativas às áreas de
atuação”. 6
Com base nessa legislação, O Museu Nacional/UFRJ e o Colégio Pedro II,
em parceria desde o ano de 2000, implementaram o Programa de Iniciação
Científica Júnior- PICJr, para treinar alunos cursando a partir da 2ª. Série do
Ensino Médio, de forma a atuarem, como estagiários sem remuneração, por um
período de quatro horas semanais, e selecionados sob critérios do próprio Colégio
Pedro II.

1.1 Programa de Iniciação Científica Júnior- PICJr

O Programa de Iniciação Científica Júnior - PICJr apresenta como objetivos:
•

Despertar e possibilitar aos estudantes o desenvolvimento e o interesse
pela pesquisa científica;

•

Permitir a vivência teórica-prática dos estudantes em laboratórios/salas de
pesquisa;

•

Oferecer oportunidade em desenvolver novas experiências no processo
ensino aprendizagem;

•

Contribuir para que os estudantes se orientem para futuras escolhas
profissionais; e,

•

Promover a familiarização de alunos do Ensino Médio, com as
características das carreiras de pesquisador e de ensino superior.
Nesse programa existem duas modalidades de estágio: Estágio Científico

compreende as áreas dos departamentos científicos do Museu Nacional:
Antropologia, Botânica, Geologia, Paleontologia e Zoologia e Estágio Profissional
compreende

as

Biblioteconomia,

áreas

técnicas

do

Museu

Restauração/Conservação,

Nacional

que

Museologia,

podem

ser:

Arquivologia,

Informática, etc.
Dentre essas modalidades para os objetivos desse trabalho destaca-se o
estágio técnico de alunos na Biblioteca do Museu Nacional.
6

BRASIL. Ministério da Educação e Cultura, 19 98, p.14.

3

�2 A BIBLIOTECA DO MUSEU NACIONAL
A Biblioteca do Museu Nacional, criada em 11 de julho de 1863, possui o
mais rico acervo da América Latina especializado em ciências naturais e
antropológicas e exerce função preponderante na instituição, disponibilizando o
conhecimento de modo a dar suporte informacional a todas as atividades
científicas a que o Museu se propõe7.
A Biblioteca do Museu Nacional com um acervo de aproximadamente
500.000 volumes entre livros e periódicos, é uma das quarenta e três bibliotecas
que compõem o Sistema de Bibliotecas e Informação da UFRJ - SIBI/UFRJ. Conta
com uma equipe de oito bibliotecários distribuídos nos seguintes Setores:
Referência circulação e empréstimo, Processamento técnico, Obra rara,
Periódicos e Material especial. Embora esteja o acervo informatizado, incluído na
base Minerva, base do acervo bibliográfico da UFRJ, ainda mantém alguns
catálogos em fichas. É o caso do Catálogo de assuntos do Setor de
Processamento Técnico onde se baseiam os bibliotecários para a indexação de
assuntos dos documentos bibliográficos.
Havia no passado a idéia de transformar esse catálogo manual em um
banco de dados, acessível em rede local para todos os Setores da Biblioteca, o
que não foi possível, à época, por falta de recursos, tanto de equipamento como
de pessoal.
A partir da entrada do estudante Renzo Faccion Nocito por meio do estágio
técnico do PICJR, localizado no Setor de processamento técnico, sob a orientação
e coordenação da bibliotecária Célia Maria Gomes Maia, foi possível desenvolver
o banco de dados. Essa iniciativa foi apoiada por toda equipe da Biblioteca.

7

SANTOS, M.J.V., TAKCHE, L., 2000.

4

�3 OBJETIVOS
O trabalho apresenta como objetivos:

3.1 Objetivo Geral
•

Criar um banco de dados de assuntos para consulta interna dos
bibliotecários no processamento técnico do material bibliográfico.

3.2 Objetivos específicos
•

Informatizar catálogo de autoridade de assuntos peculiares às áreas do
Museu Nacional/UFRJ transformando-o em um banco de dados;

•

Instituir uma rede local na Biblioteca do Museu Nacional para o
processamento técnico;

•

Agilizar a catalogação de documentos bibliográficos;

•

Dinamizar os serviços internos;

•

Dar apoio ao Programa de Iniciação Científica Júnior

4 METODOLOGIA

A metodologia do trabalho consistiu em quatro etapas distintas:
4.1 Primeira etapa - Análise do projeto

Essa fase consistiu em reuniões com a equipe da Biblioteca de forma a
julgar viabilidade do projeto.
Nessa fase também foi feita uma consulta ao SIBI/UFRJ que julgou o
trabalho como piloto na área de indexação de autoridade de assuntos para a base
MINERVA.

5

�4.2 Segunda etapa: Consultoria de Informática

Nessa fase foi firmada a consultoria do Setor de Informática do Museu
Nacional para a análise do material físico existente (computadores, e rede
interna), escolha do sistema operacional e identificação de problemas, como a
falta de um computador capaz de comportar um sistema cliente/servidor para
acesso simultâneo.

Foi recuperado então um computador (fig.1) e transformado em servidor.

Fig.1 computador sendo recuperado

4.3 Terceira etapa: Composição do Banco de dados e digitação dos dados

Nessa etapa foi escolhido o programa Microsoft Access 2.0 para a
modelagem dos dados que foram estruturados em tabelas de modo a garantir a
obtenção exata das informações (fig. 2), o aumento da produtividade durante o
desenvolvimento da aplicação, o ganho de memória no disco rígido, as consultas
e relatórios com execução mais rápida e a manutenção mais simplificada com
baixos custos.8
8

SILVA, Diller Grisson, 1997.

6

�Fig.2 Base de dados de assuntos – BDA em ACESS 2.0 (LC= Library of Congress Subject
Headings; TR= termo relacinado; TE= termo específico)
Os dados do catálogo manual de assuntos (fig.3) foram também digitados, pelos estagiários (fig.4
e fig.5), nessa fase.

Fig. 3 – Catálogo manual de assuntos

7

�Fig.4 estagiário Renzo incluindo registros na BDA

Fig.5 estagiária Gabrielle incluindo registros na BDA
4.4 Quarta etapa: Conexão da rede local

Essa fase só foi possível com a colaboração e orientação de Álvaro da
Paixão Marques, técnico em tecnologia da informação do Setor de Informática.

8

�Como na Biblioteca não havia recursos para a utilização de sistema
multiusuário – sistema ciente/servidor no qual vários usuários podem acessar o
banco de dados ao mesmo tempo, sem prejuízo de dano aos dados, o grupo de
informática optou então, pela implementação de uma LAN (Local Area Network)
(fig. 6) - Área de Rede Local, utilizando uma ferramenta nativa ao sistema
operacional escolhido, (Windows XP), interligando os computadores da Biblioteca
em seu ambiente físico, com os recursos disponíveis, a partir do qual foi possível
acessar o banco de dados por meio de um computador (servidor) remoto e nele
centralizar as informações do banco de dados.

Fig.6 exemplo de LAN

Foi escolhida a topologia (disposição da rede) tipo “estrela” com
características Ponto a Ponto (Peer-to-Peer) convencionalmente utilizada nesse
caso. Essa característica apresenta a desvantagem de máquinas interligadas sem
acesso simultâneo (sistema monousuário), podendo ocorrer a queda da rede se
não houver sincronismo entre os usuários.

O diagrama a seguir ilustra os passos a serem seguidos para a inclusão e a
consulta ao banco de dados de assuntos:

9

�ACESSO AO BANCO DE DADOS DE ASSUNTO (BDA)

► Iniciar.
► Programas.
►Acessórios.
►Comunicações.
►Conexão de área de trabalho
Remota.

► Número IP do servidor .
► Conectar.

►Nome do usuário .
►Senha.

► Catálogo de autoridade .
► Tabela: Assuntos.

► Menu Editar &gt; Localizar... ou
através do atalho CTRL+L.

Consulta

► Menu Editar &gt; Localizar... ou
através do atalho CTRL+L
Alterar
►Alterar o registro resultante.

►Adicionar novo registro
através do menu Inserir &gt; Novo
registroIncluir
ou pelo atalho CTRL++.

► Qual a próxima tarefa? CONSULTA – ALTERAÇÃO – INCLUSÃO – NENHUMA.

►Fechar arquivo BDA.

10

�5 ANÁLISE DOS RESULTADOS
Superando todas as dificuldades a rede local foi conectada, atendendo os
objetivos do projeto “Chega de papel”. Os bibliotecários acessam de seus próprios
computadores o catálogo de autoridade de assunto incluindo e corrigindo dados.
Embora não seja o ideal, o projeto em questão está servindo não só como piloto
de um projeto maior, como também, para mostrar que unindo esforços individuais
se concretiza um trabalho idealizado.
A digitação do banco de dados foi feita inteiramente por dois estagiários e
como resultado parcial, pode-se citar que os assuntos referentes à letra A somam
cerca de 760 entradas. As novas entradas são digitadas pelos próprios
bibliotecários atualizando e incluindo registros ao BDA, tornando os serviços
internos mais dinâmicos.

6 CONCLUSÃO

A Biblioteca do Museu Nacional vem procurando acompanhar os avanços
da catalogação informatizada, cujos produtos são os catálogos on line, que
agregados às possibilidades da tecnologia de comunicação constituem o
componente básico da “biblioteca do futuro”, caracterizada pelo acesso à distância
a seus catálogos, pela atualização mais dinâmica, pela rapidez e precisão no
atendimento a um número cada vez maior de usuários. 9
Nesse sentido, o banco de dados de autoridade de assunto – BDA, já em
pleno funcionamento e aprovação por parte da equipe técnica, veio contribuir para
maior dinamização da catalogação, uniformizando os assuntos a serem indexados
e facilitando a consulta, em rede local, por parte da equipe interna.
Espera-se, com esse trabalho, também contribuir para a formação de um
catálogo de autoridades de assuntos na base MINERVA da UFRJ.

9

SANTOS, M.J. V, 2001.

11

�Importante também se faz registrar a importância social do desenvolvimento
desse projeto que tem como resultado, também, o treinamento de alunos do
ensino médio, contribuindo dessa forma para sua formação profissional.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Leis decretos, etc. Lei de Diretrizes e Bases da Educação 9.394/96,
seção IV art.35, al. II e IV, 1996. Disponível em: www.mec.br. Acesso em: maio
2006.
BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Bases legais dos parâmetros
curriculares nacionais para o ensino médio: 1998.
Disponível em:
www.mec.br. Acesso em: maio 2006.
CUNHA, Dulce Fonseca Fernandes da. A Biblioteca do Museu Nacional: 1863 –
1963. Rio de Janeiro: Museu Nacional, 1966. (Série Livros do Museu Nacional, 3)
FERREIRA, Lusimar Silva. Bibliotecas universitárias brasileiras: análise de
estruturas centralizadas e descentralizadas. São Paulo: Pioneira; Brasília, INL,
1980.
GUMARÃES, C.A. Elaboração e apresentação de documentação científica.
São Paulo: 2001. Disponível em: www.Metodologia.org. Acesso em: fev. 2006.
MANZANO, Adré Luiz N.G. et al. Estudo dirigido de informática básica. São
Paulo: Érica, 1998.
SANTOS, Maria José Veloso da Costa. Acesso em linha ao catálogo da
Biblioteca do Museu Nacional/ UFRJ. Rio de Janeiro: Sibi/UFRJ, 2001.
SANTOS, Maria José Veloso da Costa, TAKCHE, Laura Maria Gayer.
Conservação e preservação do acervo de obras raras da Biblioteca do
Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro:
Museu Nacional, 1999.
SILVA, Alzira Karla Araújo da, et al. A biblioteca universitária, o profissional da
informação e os acervos digitais: a gestão dos suportes para a inclusão social. In:
SEMINÁRIO Nacional de Bibliotecas Universitárias 13, Natal, 2004. Anais... Natal,
2004. Disquete.

12

�SILVA, Benedicto. et al. Da documentação à informática. In: SEMINÁRIO sobre
Documentação e Informática, 1971. [Anais]. Rio de Janeiro, Fundação Getúlio
Vatgas, 1974.
SILVA, Diller Grisson. Manual de Informática. 2. ed. São Paulo: Ed. D’Livros,
1997.

13

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>As bibliotecas universitárias brasileiras há algum tempo vem abrindo espaço para diferentes setores da sociedade, cumprindo, de alguma forma o seu papel social. O Museu Nacional, unidade isolada da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, por meio de convênio com o Colégio Pedro II, abriu espaço em seus laboratórios e serviços para treinamento de alunos do ensino médio através do Programa de Iniciação Científica Júnior com o objetivo de fazer a interação entre os profissionais da instituição e jovens adolescentes na fase de buscar uma definição de carreira. Com a falta de recursos das bibliotecas universitárias surgiu o conflito entre o antigo e o moderno, convivendo em plena era digital, no mesmo espaço, fichas catalográficas de papel e acervo informatizado. Nesse contexto, surgiu na Biblioteca do Museu Nacional/UFRJ o projeto “Chega de papel”, idealizado pelo estagiário Renzo Faccion Nocito, aluno do ensino médio do Colégio Pedro II, sob a coordenação e orientação da bibliotecária Célia Maria Gomes Maia e com o apoio do Setor de Informática. A metodologia constou de quatro etapas, pesquisa do material bibliográfico, digitalização dos dados (criação do banco de dados), elaboração do programa e conexão com o banco de dados (intranet).</text>
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                    <text>A ATIVIDADE DE INDEXAÇÃO NAS PERSPECTIVAS DAS CONCEPÇÕES DE
ASSUNTO: O PROTOCOLO VERBAL COMO INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO
QUALITATIVA-COGNITIVA

Vera Regina Casari Boccato
Doutoranda do Programa de Pósgraduação em Ciência da Informação
da Faculdade de Filosofia e Ciências
da Universidade Estadual Paulista UNESP  Campus de Marília 
Av. Higyno Muzzi Filho, 737
Cidade Universitária
17525-900  Marília  SP - Brasil
SP  Brasil
vboccato@yahoo.com.br
Mariângela Spotti Lopes Fujita
Professora Adjunta do Departamento
de Ciência da Informação da
Faculdade de Filosofia e Ciências da
Universidade Estadual Paulista 
UNESP  Campus de Marília  Av.
Higyno Muzzi Filho, 737
Cidade Universitária
17525-000  Marília - SP - Brasil
goldstar@flash.tv.br

EIXO TEMÁTICO: As Bibliotecas Universitárias e a Produção do Conhecimento
- A preservação do conhecimento e os arquivos digitais
- As redes e virtualidades da pesquisa acadêmica

�RESUMO
A indexação, no desenvolvimento das atividades profissionais de um bibliotecário, deve ser
considerada como uma das mais importantes tarefas técnicas desempenhas em um Sistema de
Informação. Assim, este trabalho tem por objetivo avaliar, por meio da observação do
indexador/leitor profissional, a atividade de indexação com o intuito de verificar se o
desenvolvimento dessa tarefa, profissionalmente, vai ao encontro dos procedimentos
recomendados pela literatura científica na área de Organização e Representação da Informação.
A coleta de dados foi realizada com um indexador da Faculdade de Odontologia de Bauru da
Universidade de São Paulo  FOB-USP, com a aplicação da técnica do protocolo verbal,
permitindo a sua realização em tempo real e no próprio local de trabalho. Os resultados obtidos
após a realização da análise proporcionou subsídios para uma orientação quanto a realização da
indexação condizente com as necessidades informacionais do usuário. Concluiu-se que maior
atenção deve ser dada para a adoção de abordagens de análise de assunto pelo conteúdo e pela
demanda como também, a utilização mais adequada dos termos disponíveis na linguagem
documentária para uma representação mais efetiva dos conteúdos documentários.

Palavras-chave: Indexação; Avaliação; Leitura documentária; Análise de assuntos;
Representação da informação; Protocolo verbal.
1 INTRODUÇÃO

A indexação, no desenvolvimento das atividades profissionais de um bibliotecário,
deve ser considerada como uma das mais importantes tarefas técnicas desempenhas em
um Sistema de Informação. Esta, realizada com qualidade, proporcionará uma
recuperação da informação satisfatória ao usuário, indo assim, ao encontro de suas
necessidades de pesquisa.
Nesse sentido, a competente atuação do profissional da informação torna-se
fundamental por ter a responsabilidade de compreender o conteúdo de um documento
para a identificação, seleção e representação de conceitos visando realizar uma
indexação condizente com uma recuperação da informação satisfatória pelos usuários.
Assim, Chaumier (1988, p.63) apresenta a indexação como sendo a operação
que consiste em escrever e caracterizar um documento, com o auxílio da representação
dos conceitos nela contidos.
O referido autor coloca que a indexação é composta por quatro operações:
conhecimento do conteúdo do documento; escolha dos conceitos a serem representados;
tradução dos conceitos selecionados e incorporação dos elementos sintáticos eventuais.
Com relação a primeira operação, o conhecimento do conteúdo do documento ou
a análise do assunto, por vezes confunde-se com a indexação como um todo, entretanto,
é uma etapa do processo de indexação e a mais importante porque deverá resultar na
representação do assunto principal do documento. Para alguns autores, como veremos a
seguir, a análise de assunto implica em determinar a temacidade do documento mediante

�a identificação e seleção dos conceitos que comporão o assunto ou tema principal e
secundários.
Langridge (1977)

expõe que a análise de assunto compreende o [...]

conhecimento do conteúdo dos documentos e a determinação de suas características
significantes.
Segundo Fujita (2003), a análise de assunto é considerada como sendo uma das
fases de maior importância da atividade de indexação, [...] o objetivo da análise de
assunto é a identificação dos conceitos realizados durante a leitura pelo leitor
profissional/indexador.
De acordo com Vickery (1969, p.356) análise de assunto é vista pelo seu
produto, ou seja,
[...] a análise da informação significa derivar de um documento o conjunto de
palavras que servem como uma representação condensada desse documento.
Esta representação pode ser usada para identificar o documento, para prover
pontos de acesso na busca, para indicar seu conteúdo, ou como substituto para
o documento.

Portanto, considera-se que a avaliação da atividade de indexação, por meio das
opiniões do indexador/leitor profissional, torna-se fundamental para verificar até que
ponto o desempenho do Sistema de Informação fica comprometido ou não com os
procedimentos por ele utilizado na realização dessa atividade.
Nesse sentido, este trabalho tem por objetivo avaliar, por meio da observação do
indexador/leitor profissional, a atividade de indexação com o intuito de verificar se o
desenvolvimento dessa tarefa, profissionalmente, vai ao encontro dos procedimentos
recomendados pela literatura científica na área de Organização e Representação da
Informação.
2 O PROCESSO DE LEITURA DOCUMENTÁRIA E AS CONCEPÇÕES DE ANÁLISE
DE ASSUNTO
A leitura documentária é a fase mais importante dentro da análise documentária.
Esta,

realizada pelo indexador/leitor profissional, vai ao encontro dos objetivos da

indexação, isto é, num primeiro momento o indexador realizará a identificação e seleção
dos assuntos contidos no documento que está sendo indexado para, num segundo
momento, representá-los (traduzí-los) por meio da utilização de uma linguagem
documentária.

�Dessa maneira, os objetivos da leitura e do leitor profissional são diferentes com
relação à leitura e ao leitor comum. A leitura documentária realizada pelo indexador
constitui seu contexto de trabalho e portanto condiciona suas estratégias.
O processo de análise de assunto reveste-se de uma subjetividade característica,
dada as circunstâncias e elementos envolvidos, pois é realizado, a partir da leitura do
documento pelo indexador, um processo de comunicação interativo entre três variáveis:
leitor-indexador, texto e contexto. Cada uma dessas variáveis estará sujeita à diferentes
condições, mas é o indexador como leitor a variável mais influente nessa interação para
análise de assunto, porque, além de um leitor inato, é um indexador,ou seja, um leitor
com objetivo profissional que possui concepção de análise de assunto baseada em sua
formação e capacitação de acordo com seu contexto profissional.
Hutchins (1977, p.33) destaca que o indexador durante a busca pela
compreensão do texto, procura identificar assuntos familiares contrariamente ao leitor
comum que, durante a leitura normal, visa encontrar informações novas para ampliar o
seu conhecimento sobre o assunto. Na opinião da autora o indexador, no momento da
indexação, procura identificar primeiramente, até de maneira automática, temas
familiares ao conhecimento prévio que adquiriu sobre a área de assunto na qual trabalha
mas é também preciso atentar para os temas novos que possam interessar aos usuários
do documento ao mesmo tempo em que possibilitam ao indexador ampliar seu
vocabulário sobre a terminologia da área. O ideal é que haja uma equivalência entre a
relevância do assunto do documento tanto para o indexador como para o usuário.
Assim, de acordo com Fujita (2003) a leitura é uma atividade interativa, devendo
ser estudada e analisada sob três variáveis interligadas, isto é, o leitor, o texto e o
contexto. Dentro do processo de leitura profissional realizada pelo indexador/leitor
profissional, essas variáveis também devem ser consideradas.
Assim, no dia a dia da atividade profissional de indexação, pode-se

caracterizar

essas variáveis da seguinte maneira:
•

leitor: corresponde ao indexador/leitor profissional.

Este realiza uma leitura

objetiva visando a realização da atividade de indexação. Ele deve compreender o texto e
não interpretá-lo com o intuito da identificação e seleção dos conceitos para sua
representação. No momento dessa atividade de leitura, o leitor profissional recorre aos
seus conhecimentos prévios como a própria linguagem documentária utilizada e adotada
pelo sistema de informação, seus recursos intelectuais como o conhecimento lingüístico e
o seu conhecimento de mundo em que está inserido;
•

texto: representado pelo próprio documento que será indexado;

�•

contexto: esse refere-se ao meio físico, social e psicológico que se está inserido

no qual é identificado como sendo:
contexto

físico:

compreende

as

instalações

físicas

da

Unidade

de

Informação/Biblioteca em que o profissional da informação atua como
indexador, os equipamentos utilizados para o desenvolvimento dessa atividade
como o microcomputador e outros recursos físicos necessários para tal;
contexto social (sócio-cognitivo): refere-se ao usuário que irá utilizar o sistema
de informação para a realização de suas buscas bibliográficas, bem como os
instrumentos de trabalho utilizado pelo indexador como os manuais de
indexação. A política de indexação também influencia a leitura documentária,
pois os objetivos da leitura estão vinculados à política de indexação definida e
utilizada pelo sistema;
contexto psicológico: esse contexto contempla o estado psicológico de como o
indexador/leitor profissional está inserido/relacionado com o seu meio. Sua
saúde física e principalmente emocional geram grandes influências no êxito ou
não de uma leitura documentária eficaz, e consequentemente, a realização de
uma indexação de qualidade.
Assim, verifica-se que todo o processo de leitura documentária está intimamente
relacionado com o seu contexto, além das variáveis leitor e texto abordadas
anteriormente.
Para tanto, a leitura documentária requer uma a análise de assunto condizente
com a proposta conceitual do autor para atender as necessidades informacionais do
usuário no momento da recuperação da informação.
Além disso, os estudos de

Albrechtsen (1993, p.220-222) apresentam três

concepções de análise de assuntos que estão relacionadas com os objetivos
Institucionais, isto é, com os objetivos do próprio sistema de informação.
Segundo a autora, dependendo desses objetivos institucionais, percebe-se qual a
concepção de análise de assunto que o sistema de informação

segue e,

conseqüentemente, o indexador levará esse aspecto em questão. Considera-se, assim,
diferentes concepções de análise que, certamente afetam o desempenho do indexador
enquanto leitor. A esse respeito, a autora classifica os diferentes pontos de vistas em
três tipos de concepções: concepção simplista, concepção orientada pelo conteúdo e
concepção orientada para a demanda.

�2.1 Concepção Simplista
A concepção simplista (simplist conception of subject analysis) considera
os assuntos como entidades objetivas absolutas que podem ser derivadas de abstrações
lingüísticas de documentos, usando métodos estatísticos de indexação (dados que
podem ser somados). De acordo com esta concepção, a indexação pode ser feita
automaticamente. A concepção simplista lida com as informações explícitas dos
documentos, considerando o assunto como abstrações diretas dos documentos. Desta
forma, analisar e indexar com softwares significa o mesmo que extrair automaticamente
todas as palavras ou frases da documentação do software que realiza a indexação
automática.
Para Fraker, Gandels apud Naves (1996), o assunto para um software significa:
Uma representação do software é um mapa para traçar predicados e
termos que descrevem objetos individuais entre objetos para a
representação no mundo. O mundo da representação pode ser uma
elaboração do mundo representado, contendo predicados e termos
novos.

Discute-se que as técnicas estatísticas auxiliam o processo da indexação
automática, devido a uma terminologia difícil aplicada na produção dos documentos pelos
indexadores. Porém, de acordo com o autor, outras pesquisas sobre o tema mostraram
que existem assuntos freqüentemente percebidos pelos indexadores humanos que não
estavam explícitos no texto. Um exemplo disso se relaciona à indexação de metáforas.
Porém, isto não significa a total exclusão da indexação automática, mas verifica-se suas
limitações práticas.
2.2 Concepção Orientada para o Conteúdo
A concepção orientada para o conteúdo (content-oriented conception of subject
analysis) envolve uma interpretação do conteúdo do documento que vai além da
estrutura léxica e, às vezes, gramatical do texto, ou seja, envolve aspectos mais
complexos que o processo da concepção simplista. O conteúdo da análise de assunto
automatizada envolve a identificação de tópicos ou assuntos não explícitos na estrutura
textual do documento, mas que só podem ser percebidos na leitura pelo indexador
humano, envolvendo uma abstração indireta no documento, envolvendo uma
interpretação adicional do conteúdo além dos limites da estrutura léxica e gramatical. É
baseada nas informações explícitas e implícitas dos textos. Informação explícita do
assunto significa que é expressada na terminologia da mesma forma como no original.

�Verifica-se a particularidade desta concepção, pois defende a idéia de que um
documento pode também transmitir uma informação implícita que não está diretamente
expressada pelo autor, mas que necessita ser compreendida e interpretada pelo leitor
humano, permitindo a adoção de técnicas específicas para indexação e melhoria desta
técnicas profissionais, representando uma maior atenção à indexação individual.
2.3 Concepção Orientada para a Demanda
A concepção orientada para a demanda (requirements-oriented conception
of subject analysis) envolve os dados do assunto como instrumentos de transferência do
conhecimento, apontando um encontro pragmático da informação ou do conhecimento.
De acordo com esta concepção, os documentos são criados para comunicar o
conhecimento, e dados do assunto precisam funcionar como um instrumento para mediálo, sendo visível para usuários potenciais.
Ao analisar um documento, o indexador não deve se limitar a representar ou
resumir apenas a informação explícita no documento, indo além, devendo indagar-se
sobre as possibilidades de tornar o conteúdo do documento, ou parte dele, visível para o
usuário potencial e ainda sobre que termos deverão ser utilizados para levar esse
conhecimento até o leitor interessado. Esta concepção envolve questões de ordem
sociológica e epistemológica no processo de indexação, onde, durante a análise de um
documento, o indexador não se concentra na representação ou abstração explícita e
implícita da informação, mas na possibilidade deste documento ou partes dele serem
úteis às pessoas interessadas que ainda não tiveram contato com este documento.
Este tipo de indexação envolve um alto grau de responsabilidade por parte do
indexador, ao julgar a qualidade do documento para usuários potenciais, tornando-se
necessário antecipar a demanda, indo além das fronteiras que separam acervo e
usuários.
Verifica-se que as três concepções possuem vantagens e desvantagens. A
principal vantagem de adotar uma concepção simplista se refere ao barateamento de
computadores e de softwares, o que significa uma indexação automática a baixos custos.
Entretanto, seu principal inconveniente se refere à impossibilidade de transferência do
conhecimento do ponto de vista social. A concepção orientada para o conteúdo tem a
vantagem de ser uma técnica estabelecida para o aprimoramento das técnicas e o
trabalho do indexador, mas como a concepção simplista, pode ser simples ao apenas
focalizar a representação dos documentos, em vez de considerar seus possíveis usos. A
concepção orientada para a demanda tem a vantagem de permitir a transferência e a

�disseminação do conhecimento, mas envolve um alto grau de responsabilidade ao
distinguir a prioridade de determinados assuntos a usuários potenciais para assegurar
sua utilização. Torna-se necessário enfatizar o exame de como o texto é analisado,
definindo um assunto levando-se em conta o contexto onde ele está inserido, seja no
próprio documento ou social.
De acordo com Naves (1996), as duas últimas concepções - orientada pelo
conteúdo e orientada pela demanda - são complementares. Consideramos que as
concepções de números 2 e 3 são intrínsecas porque no momento em que o indexador
está lendo e procurando identificar e selecionar conceitos para a determinação do
assunto do documento, está objetivando encontrar o assunto que lhe é familiar devido à
sua prática de indexação e também sabe o que pode interessar ao usuário do sistema de
informação.
Neste momento, convém esclarecer a dupla função da seleção de conceitos que
ocorre em dois momentos diferentes da análise de assunto: durante a identificação de
conceitos para a determinação do assunto e após a identificação de conceitos, durante a
tradução dos termos que representam os conceitos para os termos da linguagem
documentária adotada pelo serviço de análise. Esse esclarecimento dará mais respaldo
e deverá iluminar a continuidade de novos estudos em análise documentária, porque
confirma que as concepções de leitura orientada para o conteúdo, e para a demanda
devem ser intrínsecas durante a leitura, caracterizando-a, de fato, como leitura
documentária. Para isso, a concepção de leitura orientada para o conteúdo deve orientar
a identificação de conceitos e a concepção orientada para a demanda, a seleção de
conceitos durante a leitura documentária.
Considerando o fato de que o conteúdo do documento estará melhor
representado se a identificação e seleção de conceitos for realizada dentro da concepção
orientada para o conteúdo e para a demanda, isso nos leva à necessidade de
compreensão de leitura pelo indexador porque a análise orientada para o conteúdo
pressupõe a explicitação do significado do texto, uma situação que não se resolve sem
que haja compreensão de leitura.
Para tanto, e indo ao encontro do objetivo, inicialmente proposto em avaliar a
atividade de indexação com o intuito de verificar se o desenvolvimento dessa tarefa,
profissionalmente, vai ao encontro dos procedimentos recomendados pela literatura
científica na área de Organização e Representação da Informação, empregou-se uma
metodologia qualitativa com abordagem cognitiva, isto é, por meio da observação do
indexador/leitor profissional, tendo como instrumento de coleta de dados o protocolo
verbal.

�3 METODOLOGIA QUALITATIVA COM ABORDAGEM COGNITIVA

A qualidade da atividade de indexação para a recuperação da informação é um
fator essencial na obtenção de informações satisfatórias para o usuário/pesquisador,
possibilitando a realização de investigações que contribuam para o desenvolvimento da
ciência brasileira, visando ao bem-estar da sociedade.
A busca da informação desejada pelo usuário e a obtenção desta, de acordo com
o assunto de sua pesquisa, é a realização de um trabalho integrado entre o
indexador/leitor profissional, o texto, o contexto, além de considerar-se também o sistema
de informação e o próprio usuário.
Os estudos qualitativos baseados em percepções e/ou opiniões devem ser
considerados

fundamentais,

visto

que

as

atitudes

e

opiniões

emitidas

pelo

indexador/leitor profissional devem ser consideradas de suma importância para o
aprimoramento de serviços de recuperação de informação e, conseqüentemente, da
atividade de indexação.
Assim, a metodologia adotada neste trabalho de pesquisa foi a abordagem
qualitativa-cognitiva utilizando-se para tanto, o instrumento introspectivo de coleta de
dados o protocolo verbal.
Os trabalhos pioneiros em âmbito internacional de Ericsson e Simon (1987) com a
aplicação da técnica do protocolo verbal na observação da atividade de leitura
documentária colaboraram com resultados promissores para os estudos de observação.
No Brasil, a pesquisa desenvolvida por Fujita, Nardi e Fagundes (2003), também
na observação da leitura documentária, apresenta excelentes resultados no uso do
Protocolo Verbal, demonstrando novos aspectos da leitura documentária entre outras
contribuições.
Na área de Ciência da Informação essa metodologia foi adotada para o
desenvolvimento de estudos experimentais em outros segmentos como na terminologia,
na recuperação da informação e na elaboração de resumos.
A técnica introspectiva do protocolo verbal é aplicada à estudos de avaliação
qualitativa-cognitiva onde os sujeitos, pensam em voz alta, emitindo suas opiniões e
comentários acerca do objeto avaliado, realizando uma avaliação cooperativa e
participativa: os sujeitos participam da identificação e entendimento de problemas da
tarefa desenvolvida no seu próprio ambiente de trabalho.

�3.1 Descrição dos Procedimentos para a Aplicação do Protocolo Verbal

A seleção do sujeito de pesquisa para este trabalho resultou na escolha de um
bibliotecário/indexador do Serviço de Biblioteca e Documentação da Faculdade de
Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo  SBD/FOB-USP.
Procedeu-se na escolha desse bibliotecário, considerando-se para tal, a
experiência acumulada durante sua trajetória na atividade de indexação em sistemas de
informação.
O contato com o indexador foi realizado pessoal e individualmente, no dia 27 de
setembro de 2005, às 10h, apresentando-se a proposta deste trabalho com a finalidade
de realizar o convite para participar como sujeito da coleta de dados.
3.1.1 Procedimentos que Antecederam à Aplicação da Técnica do Protocolo Verbal
•

conversa informal com o sujeito: foi realizada uma conversa informal com o
participante para reafirmar e esclarecer os objetivos deste trabalho; informar sobre
a atitude de se manter a sua identidade oculta, preservando-se, desse modo, a
sua idoneidade, bem como dos dados coletados;

•

familiarização com a técnica do protocolo verbal: antes do desenvolvimento da
técnica, foi realizada uma familiarização com a mesma, utilizando-se um texto
informal contendo instruções de procedimentos auxiliares para uma boa
participação na avaliação;

•

definição da tarefa: realização dos procedimentos referentes a

atividade de

indexação, utilizando-se como texto base:
Campos, D. L. et al. Prevalência de fluorose dentária em escolares de Brasília 
Distrito Federal. Revista de Odontologia da Universidade de São Paulo, São
Paulo, v. 12, v. 3. p. 225-230, jul./set. 1998. Disponível em:
&lt;http://www.scielo.br&gt;. Acesso em: 26 set. 2005.
3.1.2 Procedimentos Durante a Aplicação da Técnica do Protocolo Verbal

•

Gravação: durante a realização da atividade de indexação foi relembrado ao sujeito
que era necessário se Pensar Alto, exteriorizando seus pensamentos, expondo
suas opiniões e comentários sobre a atividade. A presença da observadora deveria
ser desconsiderada; inicialmente, a função da mesma é apenas estimular o Pensar
Alto e operar o gravador. A partir de então, foi iniciada a gravação e, portanto, as
tarefas;

�Entrevista retrospectiva: foi realizada pela observadora, logo após a aplicação da

•

técnica, uma entrevista para esclarecer, junto ao sujeito, alguns pontos que não
ficaram bem definidos durante a coleta.
3.1.3 Procedimentos Após a Aplicação da Técnica do Protocolo Verbal

As transcrições literais da gravação/dos dados coletados foram realizadas pelas
observadoras ressaltando o entendimento do sujeito/participante na aplicação da técnica
do protocolo verbal sobre a atividade realizada, respeitando o seu comportamento, suas
palavras proferidas e suas entonações durante a gravação, bem como suas dúvidas e
sugestões.
3.2 A Observação Participante

A observação participante pode ser entendida dentro de três universos
conceituais, conforme apresentados por Spradley (1980): a participação passiva onde o
pesquisador se comporta como mero observador da situação avaliativa; a participação
moderada tendo o pesquisador a função alternada de observador e participante ativo e a
participação ativa onde o pesquisador desempenha uma função de participante no mais
alto grau de atuação, isto é, procurar realizar a atividade que os outros participantes
estão fazendo (realiza a atividade avaliativa e analisa os dados do grupo).
Dentro desse contexto, a participação, neste trabalho,

na aplicação do

protocolo verbal individual foi a do tipo participante passiva onde a observadora atuou
apenas como operadora do gravador, não interferindo assim, em nenhum momento, junto
as declarações realizadas pelo sujeito.
3.3 Local e Infra-Estrutura da Realização da Coleta de Dados

A coleta de dados foi realizada no próprio ambiente de trabalho do sujeito,
previamente agendada pela pesquisadora, em consonância com a disponibilidade de dia
e horário do sujeito, conforme descrito a seguir.
•

Modalidade de aplicação do protocolo verbal: individual;

•

Local: Sala de reuniões do SBD/FOB-USP;

•

Dia/Data: 28/9/2005;

•

Horário: Início:- 14h40min; Término: 15h55min;

•

Duração: 15 min.

�4 ANÁLISE DOS RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1 Análise dos Resultados

A análise dos dados coletados foram os resultados provenientes da aplicação do
protocolo verbal individual e da entrevista retrospectiva, interpretados por meio da
utilização de subsídios teóricos provenientes da literatura científica da área de
Organização

e

Representação

da

Informação

aliados

às

experiências

práticas/acadêmicas dessas autoras, proporcionando um valioso conjunto de informações
que conduziu-nos à uma análise reflexiva sobre os procedimentos de indexação.
Dessa forma, como metodologia para a análise dos dados, dividiu-se as
declarações realizadas pelo sujeito em três grupos, intitulando-os e numerando-os,
seqüencialmente.
Para tanto, verificou-se as seguintes ocorrências levantadas pelo sujeito:
1)

predileção na utilização da análise de assunto pela abordagem simplista

Assim, diferentemente do procedimento de análise de assunto priorizado pelo
sujeito  concepção simplista -, tanto a experiência técnica-profissional quanto a
acadêmica dessas autoras, bem como as recomendações para o estabelecimento de
princípios básicos do processo de indexação realizadas pelo UNISIST (1981) apontam
divergências, não quanto aos elementos analisados, mas sim, quanto a sua ordem de
preferência para a realização da leitura documentária e conseqüentemente a
identificação de conceitos:
•

leitura da introdução, centrada principalmente nos objetivos do texto;

•

leitura das primeiras frases dos capítulo subseqüentes;

•

no capítulo de Material e Métodos a atenção maior é dada para as técnicas,
instrumentos, procedimentos adotados na realização da pesquisa, bem como
o local e ambiência em que esta se passa. Verifica-se também a população
que é estudada como cor, faixa etária e sexo, ilustrações, tabelas e/ou
gráficos;

•

a conclusão também é verificada com detalhes sendo muito importante para a
comprovação dos objetivos propostos.

•

o título, o resumo e as palavras-chave (ou unitermos ou descritores) são
normalmente verificadas mais atentamente numa etapa final para verificar se
estão adequados à temática proposta pelo autor.

�Ao analisar-se de imediato o título e/ou resumo de um documento é necessário
uma certa cautela, pois muitas vezes, esses elementos não refletem com veracidade o
conteúdo contido no documento:
Não se recomenda a indexação exclusiva e diretamente derivada do
título e de um resumo [...]. [...] tanto o título quanto o resumo podem ser
inadequados e em muitos casos nenhum dos dois será uma fonte segura
do tipo de informação requerida por um indexador. (UNISIST, 1981,
p.87).

2)

utilização da linguagem documentária como conhecimento prévio para a
seleção ou não de conceitos;

Durante a realização da leitura documentária, nota-se que o sujeito recorreu
muitas vezes ao seu conhecimento prévio, a linguagem documentária  Vocabulário
Controlado USP - adotada para a representação dos conceitos no sistema de informação
Banco de Dados Bibliográficos da USP  DEDALUS.
Dessa maneira, o recurso do indexador em recorrer ao seu conhecimento prévio,
isto

é,

à

linguagem

documentária,

muitas

vezes

prejudica

a

operação

de

identificação/seleção de conceitos representativos do conteúdo do documento pelo fato
desses não integrarem da terminologia disponível pela linguagem documentária e assim,
não serem selecionados pelo indexador.
3) dificuldade na representação de termos pelo fato da linguagem documentária não
contemplá-los igualmente.
No caso dessa ocorrência, observa-se que um conceito de valor potencial do
conteúdo do documento pode ser selecionado e assim, representado por um termo
mais genérico. Além disso, as linguagens documentária em sua maioria, permitem
expansões e atualizações terminológicas por meio de solicitações, em formulários
específicos, para a inclusão, alteração e/ou exclusão de termos em suas hierarquias.
4. 2 Discussão

Realizando-se uma breve discussão sobre os resultados obtidos em relação à
alguns autores apresentados nesse estudo, observou-se que apesar do indexador,
sujeito da pesquisa, apontar para uma preferência pela concepção de assunto simplista
no momento da realização da leitura documentária, estudos realizados por Fujita (2003),
demonstraram, por meio da aplicação de protocolos verbais, que as concepções
orientadas pelo conteúdo e pela demanda são de suma importância na fase da leitura
documentária, sendo essas mais do que complementares e sim, intrínsecas, pelo fato do

�indexador, no momento da realização da leitura, buscar um entendimento do texto com o
objetivo de identificar conceitos que mais se adequam aos propósitos do autor, sem
deixar de considerar as necessidades de informação dos usuários dos sistemas de
informação.
Quanto à representação dos conceitos, os princípios da garantia literária e da
garantia de uso norteiam para a concepção de uma linguagem documentária adequada
à terminologia científica das áreas do conhecimento. Caso isso não seja possível em sua
totalidade, recursos como a indexação pelo termo imediatamente superior devem ser
adotados para a realização da representação dos conceitos identificados e selecionados
nos documentos.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A abordagem metodológica qualitativa-cognitiva para o estudo de observação da
atividade de indexação mostrou-se adequada aos objetivos propostos, tendo sido o
protocolo verbal um instrumento de coleta de dados eficaz por proporcionar subsídios
necessários para a avaliação dessa atividade, no momento real e no próprio local de
trabalho de sua realização.
O indexador realiza a análise do assunto tratado em um documento para poder
representá-lo em termos de indexação. É nesse momento que se inicia a identificação de
conceitos, principal etapa da indexação, por meio da qual o indexador compreende os
conceitos tratados em um documento. É aqui que os aspectos lógicos, lingüísticos e
cognitivos envolvidos na indexação representam fatores de interferência, cabendo ao
indexador a habilidade necessária para poder realizar a análise conceitual efetiva do
documento.
A identificação de conceitos também está atrelada ao seu contexto, pois é
necessário que o indexador verifique, através da leitura, qual a importância dos conceitos
selecionados para o sistema de informação. Nesse sentido, a leitura do indexador está
condicionada a determinados objetivos e contexto do sistema de informação. Torna-se
difícil dissociar esses aspectos da atividade de leitura.
A leitura para fins de indexação difere da leitura tratada de modo geral por possuir
fins

pragmáticos,

no

entanto,

os

conhecimentos

necessários

para

um

bom

entendimento/compreensão de um texto são comuns a ambas. Para tal compreensão, é
necessário: conhecimento do assunto primário e estrutura do conhecimento. O leitor
documentalista deve conhecer o assunto e estrutura do conhecimento extra textual
tomando por base as instruções de uso do sistema (BEGHTOL, 1986).

�Portanto, a atividade de indexação depende de um texto bem escrito e bem
elaborado para a realização de uma leitura documentária de qualidade e bem feita (a
análise de assunto) para a representação apropriada dos conceitos identificados e
selecionados, utilizando-se uma linguagem documentária compatível com esses
conceitos e que atenda as necessidades de busca do usuário.
THE INDEXING ACTIVITY IN THE PERSPECTIVES OF THE SUBJECT
CONCEPTIONS: THE VERBAL PROTOCOL AS INSTRUMENT OF QUALITATIVECOGNITIVE EVALUATION
ABSTRACT
The indexing, in the development of the professional activities of a librarian, must be considered as
one of the most important tasks techniques you play in a Information Information. Thus, this work
has for objective to evaluate, by professional indexer observation, the indexing activity with
intention to verify if the development of this task, professionally, goes to the meeting of the
procedures recommended for scientific literature in the area of Organization and Representation of
the Information. The collection of data was carried through with a indexer of the School of Dentistry
of Bauru of the University of São Paulo - FOB-USP, with the application of the technique of the
verbal protocol, allowing its accomplishment in real time and the proper workstation. The results
gotten after the accomplishment of the analysis provided to subsidies for an orientation how much
the accomplishment of the indexing according with the user´s information necessities. It was
concluded that bigger attention must be given for the adoption of boardings of subject analysis for
the content and the demand as also, the use more adjusted of the available terms in the
documentary language for a representation more effective of the documentary contents.

Key-words: Indexing. Evaluation. Reading documentary. Subject analysis. Organization
and Representation of the Information. Verbal Protocol.

REFERÊNCIAS
ALBRECHTSEN, H. Subject analysis and indexing from automated indexing to dominion
analysis. The Indexer, London, v. 18, n. 4, p. 219-224, 1993.
BEGHTOL, C. Bibliographic classification theory and text linguistics: aboutness analysis,
interxtuality and the cognitive act of classifying documents. Journal of Documentation,
London, v. 42, n. 2, p. 84-113, 1986.
CAMPOS, D. L. et al. Prevalência de fluorose dentária em escolares de Brasília  Distrito
Federal. Revista de Odontologia da Universidade de São Paulo, São Paulo, v. 12, n. 3,
p. 225-230, jul./set. 1998. Disponível em: &lt;http://www.scielo.br&gt;. Acesso em: 26 set.
2005.
CHAUMIER, J. Indexação: conceito, etapas e instrumentos. Revista Brasileira de
Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v. 21, n. 1/2, p. 63-79, jan./jun. 1988.

�FUJITA, M. S. L. A identificação de conceitos no processo de análise de assunto para
indexação. Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v. 1,
n. 1, p. 60-90, jul./dez. 2003. Disponível em:
&lt;http://server01.bc.unicamp.br/seer/ojs/viewissue.php?id=1&gt;. Acesso em: 26 set. 2005
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LANGRIDGE, D. Classificação: abordagem para estudantes de biblioteconomia.
Tradução de Rosali P. Fernandes. Rio de Janeiro: Interciência. 1977.
NAVES, M. M. L. Análise de assunto: concepções. Revista de Biblioteconomia de
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SPRADLEY, J. P. Participant observation. New York: Holt, Rinehart &amp; Winston, c1980.
VICKERY, B. C. Classificação e indexação nas ciências. Rio de Janeiro: BNG/Brasilart,
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A indexação, no desenvolvimento das atividades profissionais de um bibliotecário, deve ser considerada como uma das mais importantes tarefas técnicas desempenhas em um Sistema de Informação. Assim, este trabalho tem por objetivo avaliar, por meio da observação do indexador/leitor profissional, a atividade de indexação com o intuito de verificar se o desenvolvimento dessa tarefa, profissionalmente, vai ao encontro dos procedimentos recomendados pela literatura científica na área de Organização e Representação da Informação. A coleta de dados foi realizada com um indexador da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo  FOB-USP, com a aplicação da técnica do protocolo verbal, permitindo a sua realização em tempo real e no próprio local de trabalho. Os resultados obtidos após a realização da análise proporcionou subsídios para uma orientação quanto a realização da indexação condizente com as necessidades informacionais do usuário. Concluiu-se que maior atenção deve ser dada para a adoção de abordagens de análise de assunto pelo conteúdo e pela demanda como também, a utilização mais adequada dos termos disponíveis na linguagem documentária para uma representação mais efetiva dos conteúdos documentários.</text>
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                <text>Marcondes, Márcia Regina Sevillano; Ravaschio, Juliana de Paula; Perroni, Raquel Coccato Ribeiro</text>
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                <text>A Seção de Serviços ao Público da Biblioteca da Área de Engenharia e Arquitetura (BAE) contempla em suas atividades a capacitação dos alunos das engenharias, visando a integração do aluno com a biblioteca e os recursos informacionais existentes na Universidade. Alguns destes alunos que passaram por este programa de capacitação, também fazem parte do Programa de Bolsa Trabalho, realizado em parceria com o Serviço de Apoio ao Estudante (SAE) e desenvolvem atividades de atendimento ao público na Biblioteca. O objetivo deste presente trabalho é avaliar as atividades desenvolvidas por estes alunos na biblioteca, bem como a contribuição deste conhecimento para a sua vida acadêmica. A metodologia adotada foi dinâmica de grupo, aliada às ferramentas da qualidade. Como resultado, os bolsistas que participaram da capacitação de usuários na Faculdade de Engenharia Mecânica, apontaram o seu diferencial no uso da biblioteca em relação a outros alunos, que não tiveram esta oportunidade e recomendaram que esta capacitação seja estendida a outras unidades acadêmicas diretamente atendidas pela BAE. Esta recomendação é feita considerando a autonomia.</text>
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                    <text>A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO APOIO À PRODUÇÃO DE
CONHECIMENTO ATRAVÉS DA DESCENTRALIZAÇÃO:
UMA EXPERIÊNCIA QUE DEU CERTO

Dirce Missae Suzuki Fernandes
Bibliotecária do Centro Odontológico Universitário (COU)
Universidade Estadual de Londrina (UEL)
Londrina, Paraná, Brasil
dirce@uel.br

Ilza Almeida de Andrade
Bibliotecária da Divisão de Circulação – Biblioteca Central
Universidade Estadual de Londrina (UEL)
Docente da Universidade Norte do Paraná (UNOPAR)
Londrina, Paraná, Brasil
ilza@uel.br

�1

A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO APOIO À PRODUÇÃO DE
CONHECIMENTO ATRAVÉS DA DESCENTRALIZAÇÃO:
UMA EXPERIÊNCIA QUE DEU CERTO

Resumo: O artigo propõe demonstrar o quanto a Biblioteca Universitária dá suporte as
atividades de ensino, pesquisa e extensão no mundo da globalização e das novas
tecnologias tanto pela informatização dos serviços quanto pela estrutura organizacional,
agilizando a busca da informação. Destaca a necessidade de descentralização de uma
unidade de informação em um mesmo campus, em função da distância, uma vez que o
tempo é fator preponderante aos usuários, e maior pontualidade na localização visto que
buscam a informação para desempenhar suas atividades acadêmicas e de pesquisa. Essa
necessidade de aproximação da unidade de informação dos centros de estudos, incentivou
o Sistema de Bibliotecas da Universidade Estadual de Londrina (SB/UEL), a criar a
Biblioteca Setorial de Ciências Humanas (BS/CH). Procura demonstrar comparativamente
por dados estatísticos de freqüência, consulta e empréstimo o aumento do uso da biblioteca
devido à descentralização e a estrutura informatizada. Considera-se que, empiricamente, a
satisfação dos usuários está ligada a facilidade de acesso aos materiais de informação em
um mesmo local.
Palavras-chave: Bibliotecas universitárias. Descentralização. Produção de conhecimento.

1 INTRODUÇÃO

O Sistema de Bibliotecas da Universidade Estadual de Londrina (SB/UEL),
coordenado pela Biblioteca Central (BC), é Órgão de Apoio da UEL, vinculado
administrativamente à Reitoria, por delegação ao Vice-Reitor. Criado em 1981, é
composto por cinco unidades: Biblioteca Central (BC), Biblioteca Setorial do Centro
de Ciências da Saúde (BS/CCS), Biblioteca Setorial da Clínica Odontológica
Universitária (BS/COU) e Biblioteca Setorial do Escritório de Aplicação de Assuntos
Jurídicos (BS/EAAJ) e Biblioteca Setorial de Ciências Humanas (BS/CH).
O SB/UEL tem por missão "promover o acesso, a recuperação e a
trans ferência da informação para toda a comunidade universitária, de forma
atualizada, ágil e qualificada, visando contribuir para a formação profissional do
cidadão, colaborando, dessa forma, no desenvolvimento científico, tecnológico e
cultural da sociedade c omo um todo".
Atualmente, SB/UEL até junho/2006 tem como comunidade universitária
potencial a ser atendida aproximadamente 32.633 usuários, um acervo composto de

�2

117.858 títulos e 201.759 exemplares, compreendendo a coleção de livros, folhetos,
teses, dissertações, monografias, trabalhos de conclusão de curso e multimeios, e
uma coleção de periódicos de 6.055 títulos e 346.109 fascículos. Do total do
sistema, a BC possui 67.767 títulos e 112.005 exemplares de livros e folhetos, e a
BS/CH, 34.185 títulos e 60.274 exemplares.
A BS/CH, objeto do estudo, foi inaugurada em agosto de 2005, para atender as
áreas de Humanidades, compreendendo quatro centros de estudos:
a) Centro de Letras e Ciências Humanas (CLCH), com os cursos de Filosofia,
Ciências Sociais, Letras e História;
b) Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA): com os cursos de
Biblioteconomia, Pedagogia, Arquivologia, Design Gráfico, Design de Moda,
Artes Cênicas e Música;
c) Centro de Educação Física e Desportos (CEFD): com o curso de Educação
Física; e
d) Centro de Estudos Sociais Aplicados (CESA): com os cursos de Direito,
Serviço Social, Administração, Economia, Secretariado Executivo e Ciências
Contábeis.
Os quatro centros concentram o maior número de usuários potenciais da UEL,
sendo 8.224 de graduandos, 1.228 de pós-graduandos, 650 de docentes, e 141 de
funcionários técnicos -administrativos.
A proposta da criação da BS/CH surgiu da falta de espaço físico na BC (2.800
metros) para abrigar a demanda de material bibliográfico já existente, doados por
várias instituições e alocados no Centro de Letras e Ciências Humanas (CLCH). O
projeto iniciou em 2003 com o Acervo Especial do CLCH, que organizou e
disponibilizou em março de 2004 os materiais para a comunidade do centro de
estudo. Posteriormente, em 2005, a BC descentralizou o acervo da área de humanas
no mesmo campus, dando origem a BS/CH (890 metros), contemplando o desejo
dos usuários, manifestado em estudo realizado em 2002 pelos alunos do curso de
Biblioteconomia, e seguindo exemplos de outras unidades de informação, como
USP, UNESP, UNICAMP, UNIVALE, entre outras.

�3

Como relatado anteriormente, o SB/UEL possui outras setoriais localizadas fora
do campus universitário, as quais foram criadas pela necessidade de atendimento
mais próximo dos centros de estudos.
A descentralização também foi possível em virtude das novas tecnologias, pois
em 2001 o SB/UEL, informatizou-se utilizando o software VTLS/Virtua, possibilitando
ao usuário acessar o catálogo online do acervo do sistema, sua localização física e o
status do item.
Assim sendo, neste artigo procura-se demonstrar através da coleta e análise
de estatísticas de freqüência de usuários, empréstimo, consulta e acervo, que a
descentralização parcial do acervo, permite maior acessibilidade aos materiais de
informação, e por analogia, a produção de conhecimento.

2 CONTEXTUALIZAÇÃO

A universidade tem como matéria-prima o conhecimento e existe para servir a
sociedade e contribuir para o seu desenvolvimento, objetivando a formação de
profissionais qualificados. Por isso, estruturam-se por meio de suas atividades
acadêmicas e administrativas, objetivando o funcionamento harmônico das funções
de ensino, pesquisa e extensão e, ainda, visando assegurar o pleno uso de seus
recursos humanos e materiais. (SILVA et al., 2004).
E para que haja funcionamento harmônico entre o ensino, a pesquisa e a
extensão, são necessárias a tecnologia da informação e a gestão de conhecimento
para a produção do conhecimento. O ideal é inter-relacionar os aspectos técnicos,
bem como ao fluxo, pessoas e informação.
A gestão do conhecimento é ativo intangível e segundo Sveiby (1998 apud
ROSSATTO, 2003) são classificados em três tipos:
a) O capital intelectual, sendo um conjunto de conhecimentos, normalmente
tácito, individual, experiências, habilidades, idéias, pensamentos, etc;

�4

b) O capital estrutural, regidos por normas e padrões, manuais e outros
desenvolvidos internamente ou advindos de conhecimentos adquiridos
fora da empresa;
c) O capital de relacionamento, que é a capacidade da organização manter
seus clientes e resolver os problemas, além de desenvolver projetos
sociais que de fato colaborem para o desenvolvimento local e,
conseqüentemente, do país.
Deste modo, entende-se que uma organização do conhecimento é aquela
voltada para a criação, armazenamento e o compartilhamento que possibilita a
agregação de valor e a geração de novos conhecimentos, e por conseqüência, a
produção do mesmo.
Então, cabe a universidade prover infra-estrutura básica, como bibliotecas,
redes de computadores, espaço físico para os laboratórios etc., para que, através da
pesquisa científica (básica e aplicada), principalmente, consiga gerar conhecimentos
novos úteis para o avanço da ciência, para aplicação prática e para solução de
problemas específicos.
Assim

sendo,

a

biblioteca

universitária

como

órgão

de

apoio

às

atividades/funções de ensino, pesquisa e extensão da universidade, exerce papel
fundamental na produção de conhecimento, uma vez que oferece a comunidade
universitária produtos e serviços que influem na produtividade científica.
De acordo com Muller (1984, p. 151),
[...] se é verdadeiro que grande parcela de produtividade é gerada por
associação e não por invenção, é pertinente, então, associar produtividade
científica com disponibilidade de informação e, por extensão, associar
produtividade científica universitária com bibliotecas universitárias.

No entanto, as bibliotecas universitárias para serem efetivamente apoiadoras e
facilitadoras no processo de produção de conhecimento, precisam se preocupar
constantemente com a melhoria da estrutura, dos serviços, dos recursos humanos,
da qualidade e quantidade dos acervos.
Nota-se que ao longo dos anos as bibliotecas universitárias têm investido não
só na automação com o objetivo de melhorar o atendimento ao usuário, por esse

�5

recurso possibilitar a rápida disponibilização da informação, mas também em
estrutura para suportar a demanda.
Contudo, Targino (2006, p. 181), alerta que a “informatização representa
apenas um recurso e jamais um fim em si mesmo, de tal forma que a prestação de
serviços continua como o objetivo central de todas as bibliotecas.”
Cabe ressaltar que na atual “Sociedade do Conhecimento”, a priorização da
acessibilidade, não mais a disponibilidade, é que faz a diferença em qualquer
organização cuja matéria-prima é o conhecimento, como é o caso das universidades.
Mazzoni et al. (2001, p. 29) argumenta que
Os ambientes universtários estão associados à produção e disseminação
de conhecimento, destacando-se a informação como um dos elementos
relevantes neste processo. Para todas as pessoas, ter o acesso à
informação é parte indissociável da educação, do trabalho e do lazer [...].

Com relação à estrutura da biblioteca universitária, Ferreira (1980) diz que “a
estrutura administrativa é muito importante, para que os serviços bibliotecários sejam
eficientes e satisfaçam às necessidades e exigências do usuário” (p. 18). Mas,
adverte que centralizar e descentralizar bibliotecas foram e são objetos de
discussões, e que não há ainda consenso quanto à forma mais adequada, e que o
próprio significado desses termos difere de pessoa para pessoa.
A esse respeito, em março de 2002 os alunos do 3º ano de Biblioteconomia
efetuaram coleta de dados junto à comunidade universitária com objetivo específico
de avaliar a estrutura da BC /UEL – a centralização. 1
Na análise dos dados coletados constatou-se que dos oito centros de estudo
localizados no campus universitário, quatro manifestaram na continuidade da
centralização por estarem localizados próximos a BC, e os quatro centros afastados
manifestaram-se favoráveis à descentralização, demonstrando que realmente não
há consenso com relação a centralização e a descentralização, reforçando a tese de
Ferreira (1980).

1

Coleta de dados para a disciplina “3BIB027 Estudo da comunidade e do usuário”, opção Informação
e Sociedade. O resultado final foi apresentado somente como requisito da disciplina para avaliação.

�6

Sendo assim, faz -se necessário destacar as vantagens e desvantagens da

Descentralização

Centralização

cent ralização e da descentralização (Quadro 1).
VANTAGENS
DESVANTAGENS
- produz uniformidade e facilita o controle.
- a a valiação de desempenho sempre
- os gerentes têm acesso rápido à
depende de critérios estabelecidos pela
informação e podem cuidar dos problemas à
hierarquia superior.
medida que ocorrem.
- a busca da uniformidade desfavorece a
- Reduz a duplicação de esforços.
competição.
- Tende a inibir a iniciativa e desestimular a
criatividade.
- permite avaliar os gerentes com base em
- o controle e o tratamento uniformizado de
sua capacidade de tomar decisões e
problemas são difíceis em um sistema
resolver problemas.
descentralizado.
- tende a aumentar a satisfação dos gerentes - Pode diminuir as vantagens da
com o sistema de controle e resultado.
especialização devido à tendência à auto - Produz um clima de competitividade positiva
suficiência.
dentro da organização.
- Favorece a criatividade e a engenhosidade
na busca de soluções para problemas.

Quadro 1. Vantagens e desvantagens da Centralização e Descentralização.
Fonte: Maximiano (1986 apud PINTO, 2002, p. 61).

Lasso de La Vega (1961 apud FERREIRA, 1980, p. 23) também apresenta
algumas vantagens com relação a centralização e a descentralização, no caso das
bibliotecas universitárias:
Centralização
a) oportunidade de haver uma biblioteca completa;
b) melhor qualidade de serviços, com menor custo;
c) uma só biblioteca poderá ter melhores instalações.
Descentralização
a) necessidade do material bibliográfico estar localizado próximo aos leitores;
b) maior rapidez de material bibliográfico solicitado.
A distância entre a biblioteca central e as unidades de ensino, segundo Ferreira
(1980, p. 68), pode ser considerada uma vantagem para descentralização
considerando-se o fator tempo, pois “a hipótese é de que quanto maior a distância
entre a biblioteca central e as unidades de ensino, menor o grau de centralização
das bibliotecas” (grifo da autora).
Ferreira (1980, p. 26) recomenda os seguintes modelos de estrutura
organizacional para as bibliotecas universitárias:

�7

a) centralização monolítica, e/ou
b) centralização parcial, em que apenas o acervo é descentralizado.
Enfim, não se pode afirmar que a estrutura totalmente centralizada é sempre
mais eficaz que a parcialmente centralizada, mesmo porque as universidades e as
unidades de informação possuem realidades diferentes uma das outras.

3 ASPECTOS METODOLÓGICOS

Neste estudo utiliza-se de abordagens empírico-analíticas, as quais se
caracterizam, segundo Martins (2000), por utilizarem técnicas de coleta, tratamento
e análise de dados quantitativos, buscando construir relações causais entre
variáveis dependentes e independentes. Adicionalmente procura-se validar os
resultados da pesquisa, utilizando-se fundamentalmente da perspectiva estatístic a,
que lida com probabilidades, ainda que indique uma margem de erro suas
conclusões mostram-se com grandes possibilidades de acertos.
Desta forma, um método de obtenção de estatísticas e os resultados obtidos
por seu intermédio constituem um todo indivisível. Como apontado por Martins
(2000), a eficiência de uma estatística está condicionada à veracidade e à
segurança com que ela representa o fenômeno estudado; e, desde o momento em
que se possa duvidar dos resultados, fica abalado todo o sistema, entrando então
em discussão o próprio método de trabalho.
De acordo com Andrade (1995, p. 23), “a manipulação estatística permite
comprovar as relações dos fenômenos entre si, e obter generalizações sobre sua
natureza, ocorrência ou significado. Um exemplo: pesquisa sobre a correlação entre
nível de escolaridade e número de filhos.”
No caso da Biblioteconomia, ao considerar
[...] os bibliotecários como gestores do conhecimento e da informação e as
bibliotecas [...] como organizações de serviços é fundamental que se
obtenham dados estatísticos, de modo, sistemático. Esses dados podem
ser investigados para apoio ao processo de planeamento, que deve ter

�8
como objectivos o melhoramento dos serviços, a produtividade e o
fornecimento de informação ao processo de decisão. (MELO, 2006).

Para Morales et al. (2004), “a avaliação de um serviço de informação pode ser
objetiva

ou

subjetiva.

A

avaliação

objetiva

está

baseada

em

resultados

quantificáveis, como é o caso dos dados estatísticos”.
As estatísticas apóiam o processo de decisão relativo à aquisição, recursos
humanos, a confirmação de orçamentos e atividades das bibliotecas; e a
identificação das tendências a desenvolver na utilização e no valor da informação
das bibliotecas. (MELO, 2006).
Para este estudo, foram coletad os dados de freqüência, empréstimo e consulta
dos relatórios anuais da Divisão de Circulação da Biblioteca Central, e na Divisão de
Processos Técnicos, o total de exemplares da BC, Acervo Especial do CLCH e da
BS/CH, relativo ao período de 2003 a 2006 (até junho).
Esses dados serviram para construção das variáveis consideradas na
comparação dos resultados, aliada a literatura da área de Biblioteconomia e Ciência
da Informação.

4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS

A direção de uma empresa depende de seu admin istrador que possui a
importante tarefa de tomar decisões, e o conhecimento e uso da estatística ajuda a
organizar, dirigir e controlar a empresa. (CRESPO, 1989).
Em bibliotecas universitárias é comum o uso de estatísticas para tomada de
decisão. Utilizam-se os dados de freqüência de usuários para subsidiar a
administração geral na manutenção de materiais, fluxo predial, recursos humanos e,
principalmente, adequação de espaço físico com relação ao número de usuários.
Carvalho (1981) estabelece padrões para auxiliar o desenvolvimento e eficiência das
bibliotecas universitárias considerando-se o acervo, o pessoal, a área física, a

�9

acomodação e o orçamento; além das normas estabelecidas pela Comissão de
Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior (CAPES).
Sabe-se que o usuário utiliza uma unidade de informação para inúmeras
atividades ligadas a sua vida universitária desde consulta ao acervo, empréstimo,
devolução, renovação, estudos, solicitação de serviços de referência, fotocópia, uso
do laboratório de informática, uso de sanitários e lazer.
Neste estudo, optou-se pela análise semestral da freqüência de usuários, pois
no 2º semestre de 2005 houve a descentralização do acervo área de ciências
humanas da BC para a BS/CH.
Observa-se que a partir de 2003, houve aumento de freqüência da BC do 1º
semestre para o 2º semestre de aproximadamente 9%, em 2004 de 16%, e em 2005
um decréscimo de 24%, 2006 tomando como parâmetro o 2º semestre de 2005 com
o 1º semestre de 2006, a freqüência decresceu aproximadamente 12.5%. (Gráfico
1).Cabe ressaltar que o ano de 2003 foi atípico em função de greve na instituição no
período de julho de 2001 a janeiro de 2002, alterando o calendário acadêmico e
refletindo na freqüência de usuários à BC, em 17% superior a 2004.

350000
317.273
300000

291.441
279.766
240.490

250000

243.130
196.235

200000

172.262

150000
100000
50000
0

2003

2004
1º SEMESTRE

2005

2006

2º SEMESTRE

Gráfico 1. Freqüência de usuários/ano da Biblioteca Central (BC).

�10

Com relação ao Acervo Especial percebe-se que houve aumento 25% na
freqüência do 1º semestre para o 2º semestre de 2004, comparando o 1º
semestre/2004 com o 1º semestre de 2005 houve 220% de aumento (Gráfico 2).

30.000
23.928

25.000
18.045

20.000
15.000
10.000

7.318

5.000
0
2004 AC. ESP.

2005 AC. ESP.

1º SEMESTRE

2º SEMESTRE

Gráfico 2. Freqüência de usuários/ano do Acervo Especial do CLCH.

120.000
108.879

100.000
78.724

80.000
60.000
40.000
20.000

18.045

23.928

7.318

0
2004 AC. ESP. 2005 AC. ESP.

2005 BS/CH

1º SEMESTRE

2006 BS/CH

2º SEMESTRE

Gráfico 3. Freqüência de usuários/ano do Acervo Especial do CLCH e BS/CH.
Comparando-se os dados anuais, pode-se afirmar que, mesmo com a
descentralização a freqüência à Biblioteca Central entre 2004 e 2005 decresceu
apenas 18.5% (Gráfico 4).

�11

281.141

537.449
545.619
608.714

TOTAL

BS/CH

AC. ESP.

108.879
76.724

21.369
25.363
172.262

439.356

BC

2003

2004

2005

520.256

608.714

2006

Gráfico 4. Freqüência total/ano de usuários por biblioteca.
Por essa análise, entende-se que a Biblioteca Central não suportaria a
demanda total sem que houvesse a descentralização, pois em 2004 recebeu
545.619 usuários acarretando inúmeros problemas como demora no atendimento,
dificuldade na localização de itens nas estantes e, principalmente, falta de espaço
físico para estudos, chegando a ponto dos usuários estudarem em escadas de
acesso, contrariando assim as normas de espaço físico versus demanda de
usuários. Em 2005, a freqüência foi de 439.356 usuários, e até junho de 2006, a
Biblioteca Central já recebeu 172.262 usuários.
O caos de 2003 e 2004, hoje, mes mo com a alta freqüência de usuários na BC
não ocorre, pois é visível que a localização dos itens desejados é mais pontual em
virtude da reorganização das estantes com a retirada de aproximadamente 40 mil
exemplares, e a readequação do espaço físico tanto das áreas atendidas quanto do
fluxo de circulação de usuários. Se não fosse descentralizada, a Biblioteca Central
teria que construir outra unidade com espaço físico adequado para comportar a
demanda de material de informação, usuários e serviços, como pode ser observado
nos Gráficos 5, 6 e 7, que demonstram a relação acervo versus uso/ano por unidade
de informação.

�12

2003

2004

2005

2006

Biblioteca Central (BC)
USO

227.252

ACERVO

112.005

USO

560.802
112.740

ACERVO

665.597

USO
ACERVO

152.224
676.961

USO
144.691

ACERVO
0

100.000

200.000

300.000

400.000

500.000

600.000

700.000

Gráfico 5. Relação acervo versus uso/ano - BC.

2003

2004

2005

2006

Acervo Especial do Centro de Letras e Ciências
Humanas (CLCH)
USO
ACERVO
13.776

USO

13.427

ACERVO

14.048

USO
4.529

ACERVO
USO
ACERVO
0

2.000

4.000

6.000

8.000

10.000

12.000

14.000

16.000

Gráfico 6. Relação acervo versus uso/ano – Acervo Especial do CLCH.

�13

Biblioteca Setorial de Ciências Humanas (BS/CH)

USO
2006

152.786
60.274

2005

ACERVO

119.260

USO

41.118

ACERVO

2004

USO

ACERVO

2003

USO

ACERVO

0

20.000

40.000

60.000

80.000

100.000 120.000 140.000 160.000

Gráfico 7. Relação ac ervo versus uso/ano – BS/CH.
Decidiu-se apresentar dados de acervo para demonstrar a relação volume de
uso (empréstimo e consulta) e acervo, mas a proporção não foi foco de análise, pois
o estudo sobre acervo versus uso deve ser realizado por métodos cientificamente
comprovados pela literatura, como por exemplo, os descritos por Lancaster (1996).
O que se observa, de modo geral, é que a descentralização possibilita maior
acessibilidade ao material de informação, tanto para consulta in loco quanto para
empréstimo domiciliar em uma unidade de informação.
Os dados de consulta e empréstimo por

semestre e por unidade de

informação/ano indicam que em 2003 e 2004, como unidade centralizada, a
Biblioteca Central houve mais a consulta do que o empréstimo; fato comum, uma
vez que o usuário tem a opção de escolha entre vários itens por ele consultado,
ressaltando que nas áreas saúde, biológicas, exatas e tecnológicas os alunos
permanecem mais tempo no recinto da biblioteca para estudos. (Gráficos 8 e 9).

�2006

14

50.847

CONSULTA

148.742
101.939

2003

2004

2005

EMPRÉSTIMO

78.510

CONSULTA

5.320

EMPRÉSTIMO

6.910

CONSULTA

1.870

EMPRÉSTIMO

1.819

165.692
160.580
164.050

133.399
155.349

CONSULTA
EMPRÉSTIMO

127.728
0

20.000

40.000

BC

60.000

80.000 100.000 120.000 140.000 160.000 180.000

ACERVO ESP. CCH

BS/CH

2005

2006

Gráfico 8. Empréstimo e consulta 1º semestre/ano por biblioteca.

CONSULTA
EMPRÉSTIMO

41.076

CONSULTA

135.192
78.184
99.338

2003

2004

EMPRÉSTIMO
CONSULTA

5.274

EMPRÉSTIMO

5.085

200.889
167.259
226.664

CONSULTA
EMPRÉSTIMO

170.220
0

50.000

BC

100.000

ACERVO ESP. CCH

150.000

200.000

250.000

BS/CH

Gráfico 9. Empréstimo e consulta 2º semestre/ano por biblioteca.
No entanto, em 2005 os dados já refletem parte da mudança, pois a consulta
da Biblioteca Central foi de 300.884 e o empréstimo de 259.918, diferença inferior
comparada aos anos anteriores. As consultas e empréstimos do Acervo Especial do

�15

CLCH, também apresentam dados que reforçam a tese de que acervo mais
específico contribui para o uso da informação. Na BS/CH tomaremos como ponto de
anál ise os dados de uso de agosto a dezembro, considerando-se que a mudança foi
efetuada em período de férias. A BS/CH no 2º semestre de 2005 emprestou 78.510
itens e a consulta foi de 41.078, representando o inverso do ocorrido nos anos
anteriores na Biblioteca Central, ou seja, maior consulta do que empréstimo. Isso
ainda ocorre com relação a BC que emprestou 78.510 itens para 100.932 consultas,
o 1º semestre de 2006, e a BS/CH, 50.847 consultas e 101.939 empréstimos.
Para concluir a análise dos dados, no Gráfico 10 tem-se a visualização da
evolução da contribuição da descentralização do acervo para a comunidade
universitária.
400.000
350.000
2003 BC

300.000

2004 BC
2004 AC.ESP

250.000

2005 jan./jul BC
200.000

2005 ago./dez BC
2005 jan./jul AC. ESP

150.000

2005 ago/dez BS/CH
2006 BC

100.000

2006 BS/CH

50.000
0
ACERVO

EMPRÉSTIMO

CONSULTA

Gráfico 10. Relação acervo versus empréstimo versus consulta
por biblioteca, 2003-2006.

�16

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após análise e discussão dos dados, cabe considerar que, com a
descentralização, o uso BC e da BS/CH cresceu significativamente.
Considerando-se então que a freqüência é uma medida de uso do recinto, as
bibliotecas estão atendendo para estudos e outras atividades um volume de
usuários satisfatório, visto que na BC e na BS/CH os usuários fazem a devolução do
material emprestado em guichê exclusivo, localizado no hall de entrada.
O uso da BS/CH é nitidamente maior em função da peculiaridade da área
reservada as devidas proporções.
A descentralização do acervo e a conseqüente concentração de algumas áreas
do conhecimento humano tornam a busca ao material de informação mais pontual e
precisa. A acessibilidade, a especificidade e visibilidade do acervo, são fatores que
interferem na localização, uma vez que a maioria dos itens procurados é encontrada
ou se tem a informação de onde, como e quando encontrá-los.
Outros fatores podem estar interferindo positivamente na utilização da
Biblioteca Setorial, como por exemplo, catálogo online, treinamento de calouros,
profissionais

treinados,

qualidade

de

acervo,

iluminação

da

biblioteca

e

dependências em piso único, layout claro, reeducação no uso de suportes,
proximidade da unidade de informação dos centros de estudos e, principalmente, a
qualidade no atendimento, por ser mais personalizado.
O aumento do uso das Bibliotecas traz também preocupações com relação a
recursos financeiros, humanos e materiais que poderão ser minimizados com
decisões diretivas administrativas da unidade. Os usuários sempre estão a procura
de facilidade, diminuição do tempo de busca e atendimento cordial, e cabe a cada
direção de unidade de informação, captar essa necessidade e tornar a unidade mais
aconchegante, leve e profissional.
Para a melhoria da qualidade do acervo, atendimento, espaço físico e,
principalmente, adequação do acervo às necessidades dos usuários com base na
bibliografia adotada pelos cursos, sugere-se a elaboração de estudos de

�17

investigação com métodos adequados e embasados na literatura científica, como os
estudos realizados por Di Chiara, Prazeres e Luz (1996) e por Lancaster (1996).
Acredita-se que a biblioteca universitária desempenhará melhor seu papel de
apoio a produção de conhecimento, se atuar não só na gestão da informação, mas
também na gestão do conhecimento para melhoria da qualidade de ensino e o
acréscimo da produção científica para benefício da sociedade na qual está inserida.
É evidente que os usuários estão sempre em busca de facilidades, por isso
sugere-se que os periódicos, as teses, as monografias e os trabalhos de conclusão
de curso da área de humanas também sejam alocados na BS/CH, pois acredita-se
que a acessibilidade a esses tipos de materiais é necessária para a produção de
conhecimento.

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�18

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Date</name>
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              <description>A language of the resource</description>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Fernandes, Dirce Missae Suzuki; Andrade, Ilza Almeida de</text>
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                <text>O artigo propõe demonstrar o quanto a Biblioteca Universitária dá suporte as atividades de ensino, pesquisa e extensão no mundo da globalização e das novas tecnologias tanto pela informatização dos serviços quanto pela estrutura organizacional, agilizando a busca da informação. Destaca a necessidade de descentralização de uma unidade de informação em um mesmo campus, em função da distância, uma vez que o tempo é fator preponderante aos usuários, e maior pontualidade na localização visto que buscam a informação para desempenhar suas atividades acadêmicas e de pesquisa. Essa necessidade de aproximação da unidade de informação dos centros de estudos, incentivou o Sistema de Bibliotecas da Universidade Estadual de Londrina (SB/UEL), a criar a Biblioteca Setorial de Ciências Humanas (BS/CH). Procura demonstrar comparativamente por dados estatísticos de freqüência, consulta e empréstimo o aumento do uso da biblioteca devido à descentralização e a estrutura informatizada. Considera-se que, empiricamente, a satisfação dos usuários está ligada a facilidade de acesso aos materiais de informação em um mesmo local.</text>
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                    <text>“A Biblioteca Universitária como fonte da produção do conhecimento científico”

Cicília Conceição de Maria1
Doracy Custódio Rossini2
A Biblioteca Central da Universidade Estadual de Maringá foi criada em 1974,
atende por ano aproximadamente cinco mil usuários reais, entretanto o número
de usuários que freqüentam a bce (biblioteca central) por dia é de
aproximadamente 2986.
A missão principal desta denominada instituição é contribuir efetivamente junto
instituição, a qual é subordinada, através do ensino, pesquisa e extensão.
Os produtos oferecidos para a comunidade cientifica local é: empréstimo,
catalogação na publicação (livros, dissertações, teses, cds, revistas),
normalização documentária, pesquisas em bases de dados, treinamentos em
fontes de pesquisas.
Pretende com esta pesquisa verificar se a informação prestada pela Biblioteca
Central da Universidade Estadual contribui efetivamente com a produção do
conhecimento cientifico de seus usuários.
Numa sociedade global, aonde o avanço tecnológico cresce em segundos em
paralelo às informações especificas de todas às áreas. A unidade de informação
(biblioteca), continua ser fonte de conhecimento dinâmico?
Inúmeras transformações passam instituições públicas, e obviamente a sociedade
sócio-econômica, sócia-política e tecnológica. Neste contexto, insere-se a
unidade de informação, que age, transforma e influência paulatinamente seu
processo evolutivo local. Conseqüentemente, a biblioteca como um dos
proponentes para a gênese da produção do Conhecimento Cientifico produzido
pelos seus usuários é fonte propulsora que emana a comunicação cientifica.
Destarte, os usuários interagem sendo co-responsáveis pela existência e a
manutenção e avaliação dos serviços prestados pela unidade de informação
(biblioteca), uma vez que estes são agentes essenciais de produção na cadeia
documental.
A metodologia para essa pesquisa é de natureza qualitativa e quantitativa. O
instrumento para mensuração dos dados será um questionário com perguntas
abertas e fechadas com intuito de verificar parcialmente os produtos de
conhecimento cientifico realizado pelos usuários. A tabulação destes dados será
feita pelo acess. A população a ser investigada será com os usuários que
freqüentam a biblioteca diariamente, através de uma amostra simples aleatória.
Palavras chave: Bibliotecas Universitárias, Formação do Conhecimento Cientifico,
Tipos de publicações Cientificas, Fonte de Informação.

1

Bibliotecária do Processamento Técnico da Biblioteca Central - Universidade Estadual de Maringá. Mestre
em Ciência da Informação pela Puccamp. Professora da disciplina de METEP da FAISA.
2
Técnico em Assuntos Universitários, da Biblioteca Central – Universidade Estadual de Maringá.
Especialista em Morfologia.

�INTRODUÇÃO

Falamos que as Universidades Públicas são “lócus” onde inicia
toda a pesquisa básica para prover a pesquisa aplicada. Ela é o ápice para toda
produção cientifica de nosso país.
Em nossa pesquisa, averiguamos se A unidade de informação
(biblioteca), continua sendo fonte de conhecimento cientifico?
Hoje ela age, transforma e influência paulatinamente o processo
evolutivo local e muitas vezes global, através de seus serviços de comutação
bibliográfica,

empréstimo

inter-bibliotecário,

empréstimo,

levantamento

bibliográfico, treinamento em fontes de informação.
Destarte, os usuários interagem sendo co-responsáveis pela
existência e a manutenção e avaliação dos serviços prestados pela unidade de
informação (biblioteca). Este estudo apresenta, a formação dos métodos
científicos, os tipos mais conhecidos de publicações cientificas e por ultimo o
resultado de nosso estudo.
Caracterização da Biblioteca Central
A Biblioteca Central ( BCE ) da Universidade Estadual de Maringá
tem como objetivo: apoiar as unidades universitárias e demais órgãos em suas
atividades de ensino, pesquisa e extensão. Criada em 1974, no campus
universitário, inicialmente contando com um prédio de 1.050 m2. Em virtude do
aumento expressivo do número de usuários, em 1977, foi necessária uma
ampliação de 400 m2. no espaço físico. Novamente, em 1981, ocorreu nova
ampliação da biblioteca, com mais 600 m2., totalizando uma área de 2.050 m2.
Em outubro de 1990, foi concluída a construção do primeiro módulo do novo
prédio para abrigar a BCE, com modernas instalações e um área de 4.472,98
m2. Por dia atende cerca de 3.000 usuários da comunidade interna e 1500 da
comunidade externa. Atualmente dentro da instituição está ligada diretamente a
Pro-reitoria de ensino e pesquisa. Possuindo aproximadamente um quadro de
aproximadamente 70, funcionários.

�Breves facetas da formação do Conhecimento Cientifico

Para Mattar (1999,),

a necessidade constante no homem por

aprender e conhecer pode ser satisfeita através de quatro diferentes formas de
adquirir conhecimento: popular, religiosa, filosófica e cientifica.
Conhecimento

popular:

É

o

modo

comum,

corrente

e

espontâneo de obtenção do conhecimento no trato direto com os seres humanos
e com as coisas. Ex.: do pai para filho, do professor para o aluno, da autoaprendizagem.
Conhecimento religioso: consiste em explicações sistemáticas
sobre os fenômenos e fatos do mundo, e compreende proposições e dogmas
sagrados, revelados por seres sobrenaturais.
Conhecimento filosófico:

parte da experiência e através de

processos de racionalização, indutivos ou dedutivos, procura estabelecer
hipóteses coerentes para a explicação dos fatos e fenômenos. No entanto, essas
hipóteses não são passíveis de verificação, pois não podem passar por
experimentações e, por isso, não podem ser aceitas nem rejeitadas.
Conhecimento cientifico:

é real (factual) porque lida com

ocorrências ou fatos, Isto é, com toda forma de existência que se manifesta de
algum modo...É sistemático já que se trata de um saber orientado logicamente,
formando um sistema de idéias (teoria) e não conhecimentos dispersos e
desconexos. Constituem-se um conhecimento falível, em virtude de não ser
definitivo, absoluto ou final, e, por este motivo, é aproximadamente exato: novas
proposições e desenvolvimento técnico podem mudar o acervo da teoria
existente. Precisa de um método cientifico. Por outro lado, quando o homem
sentiu a necessidade do conhecimento? Contudo sabemos que antes dos Présocráticos tudo era explicado a partir de forças sobrenaturais. Com os filósofos
pré-socráticos : Tales de Mileto, Anaximandro, Pitágoras, Heráclito, Parmênides,
Empédocles, Anaxágoras e Demócrito, precursores da ruptura com a mitologia.
Sendo estes, responsáveis por uma nova visão epistemológica, cujo os
fenômenos da natureza não poderiam ser simplesmente interpretados por
desencadeamento de forças espirituais sobrenaturais, mas , sobretudo pela
inteligência humana. Os pré-socráticos foram um dos primeiros a contribuírem

�com teorias racionais, que subjacente a ela estava o homem como sujeito de sua
própria história.
Platão (429-347 aC) , eu continuidade a essa visão racional, ele
foi um dos filósofos a dar forma ao Método cientifico racional, substancialmente
direcionado pela metodologia dialética. Segundo ele, o real é o pensado, o intuíto.
Nem a imaginação e nem a razão discursiva possibilitaria trabalhar com os
conceitos de números e quantidade, proporcionaria o verdadeiro conhecimento.
Platão refutava o valor da experiência empírica como fonte e critério de
julgamento da verdade, e valoriza a intuição racional como mecanismo para se
apropriar da essência do real, do ser.
Aristóteles (384 a 322 aC), discípulo de Platão, acreditava que a
ciência é o produto de uma elaboração do entendimento em íntima colaboração
com a experiência sensível. Cria o método Aristotélico (Método silogístico), que
consistia em analisar a realidade através de suas partes e os princípios que
poderiam ser observados, para em seguida, postular seus princípios universais. O
método Aristotélico é de natureza qualitativa, pois, desenvolvia a partir da
essência das coisas e das causas, este método está impregnado da dedução
propriamente dita. Foi um dos filósofos adeptos da teoria metafísica que rejeitou o
mundo platônico das idéias; Contrapondo com seu mestre, no que diz a respeito
da valoração da experiência sensível.
Mas, é Francis Bacon (1561-1626), o denominado pai do método
cientifico, que parte do pressuposto que o conhecimento não se dá somente do
racional, mas sim de um método, cujo o laboratório científico a natureza são
objetos fundamentais para o desenvolvimento cientifico. Conhecido como criador
da teoria da Interpretação da Natureza (Método Cientifico), isto é, ele interpretava
que a natureza é a grande mestra do homem. Para dominá-la era necessário
também obedecer à natureza. O caminho a percorrer seria: a) o homem deveria
libertar seu intelecto dos pré-conceitos, livres de todas as visões distorcidas,
poderia dedicar-se exaustivamente e metodicamente a observação dos
fenômenos. O caminho seria a indução experimental. Fases do seu Método
Cientifico compreendia: a) experimentação: é a fase em que o cientista realizaria
os experimentos sobre o problema investigado, para poder registrar metódica e
sistematicamente todas as informações que pudesse coletar. B) formulação de
hipótese, fundamentadas na análise dos resultados obtidos dos diversos

�experimentos, tentando explicar a relação causal dos fatos entre si; c) repetição
da experimentação por outros cientistas, em lugares distintos, com a finalidade de
acumular dados que pudessem servir para a formulação de hipóteses; d)
repetição do experimento para a testagem das hipóteses, procurando obter novos
dados

e

novas

evidências

que

as

confirmassem;

e)

formulação

das

generalizações e leis: pelas evidências obtidas, depois de seguir todos os passos
anteriores, o cientista formularia a lei que descobrir, generalizando suas
explicações para todos os fenômenos da mesma espécie. Segundo Boff (1998)
Bacon foi autor da expressão: saber é poder.
Já R Descarte (1596-1650), inverte a posição de Bacon, e cria o
Método racional-dedutivo. O mundo natural ou físico é objeto da ciência – nível do
sensível (fatos); o mundo humano ou espiritual seria objeto da filosofia – nível do
supra-sensível, em suma o ser humano deve ser dono da natureza.
Bacon da forma ao conhecimento cientifico, quando elabora o
manual de como aplicá-lo. Enquanto Descartes já possui uma visão mais
generalista, vê o conhecimento a partir da dedução.
Porém,

Galileu

(1564-1642),

responsável

pela

chamada

Revolução Científica Moderna, consegue estabelecer o diálogo experimental
como o diálogo da razão com a realidade, do homem com a natureza. Na
concepção de Galileu, a razão construiria uma armadilha experimental capaz de
forçar a natureza a fornecer respostas concretas, mensuráveis quantitativamente.
Essas respostas seriam utilizadas para avaliar a veracidade empírica do modelo
hipotético-quantitativo racionalmente construído. A realidade poderia, ser
resposta, através de seus números, dizer um sim ou não.

Galileu denominou de

Método quantitativo-experimental.
Newton (1642-1727), A interpretação newtoniana se aproxima da
interpretação de Bacon no que diz respeito ao método cientifico, ele parece ser
indutivista e positivista. Totalmente oposto a Galileu, recusava a hipótese
apriorística. Defendia, que suas leis e teorias eram tiradas dos fatos, sem
interferência da especulação hipotética. A ciência caberia aceitar apenas as que
evidenciam a certeza confirmada pelas provas empíricas produzidas pelo método
experimental. Seu método experimental, também conhecido por indutivoconfirmável. Para ele, as etapas que consolidavam seu método era: a) o sujeito
deveria ter as mentes limpas, livres de preconceitos, para que recebesse e se

�impregnasse das impressões sensoriais recebidas pelos canais da percepção
sensorial; b) as hipóteses seriam decorrentes do processo indutivo de uma
meticulosa observação das relações quantitativas existentes entre os fatos e o
conhecimento cientifico seria formado pelas certezas comprovadas pelas
evidencias experimentais de casos analisados.
Augusto Comte de Montpellier (1798-1857), Criador da teoria
positivista, sendo o positivismo uma filosofia determinista, de um lado, o
experimentalismo sistemático e, de outro, considera anticientífico todo o estudo
das causas finais. O método utilizado é o histórico genético indutivo, que o
denomina de Método subjetivo (dedução, indução, observação, analogia, filiação
histórica). Para os positivistas as sentenças que não puderem ser verificadas
empiricamente estariam fora da fronteira do conhecimento, ou seja, seriam
sentenças sem sentido. Portanto, os positivistas não estariam preocupados como
os cientistas pensavam, isto seria tarefa da psicologia ou sociologia, o que
interessavam eram relações lógicas entre enunciados científicos. A lógica da
ciência fornecia um critério ideal de como o cientista ou a comunidade cientifica
deveria agir, ou pensar, tendo, portanto, um caráter normativo em vez de
descritivo, objetivo central não era, portanto, o de explicar como a ciência
funcionava, mas justificar ou legitimar o conhecimento cientifico, estabelecendo
seus fundamentos lógicos e empíricos.
Pierre Duhem (1861-1916), Para ele o cientista constrói
instrumentos, ferramentas – suas teorias – para se apropriar da realidade,
estabelecendo com ela um diálogo permanente. A aceitação da validade dos
instrumentos de observação e quantificação, a seleção das observações de
manifestações empíricas e sua interpretação dependem da aceitação da validade
ou não dessas teorias. Os critérios utilizados no fazer cientifico, enquanto método,
para Duhem, devem ser entendidos, como condicionados historicamente. São
convenções articuladas no contexto histórico-cultural. E como tal, permite a
renovação e progresso das teorias, revelando o Carter dinâmico da ciência e a
historicidade dos princípios epistemológicos do fazer cientifico. A analise da
historia da ciência permite que Duhem discorde de Newton, desmistificando o
positivismo calcado no empirismo e na indução do método newtoniano.
Karl Popper (1902-1994), constrói sua visão a partir do método
cientifico

racionalismo crítico, que o denomina de Método das conjecturas e

�refutações.

Defende a idéia que a busca do conhecimento se inicia com a

formulação de hipóteses que procuram resolver problemas e continua com
tentativas de refutação dessas hipóteses, através de testes que envolvem
observações ou experimentos. As hipóteses, leis e teorias que resistiram aos
testes até o momento são importantes porque passam a fazer parte de nosso
conhecimento de base: podendo ser usadas como verdades provisórias, como um
conhecimento não problemático, que, no momento, não esta sendo contestado.
Mas a decisão de aceitar qualquer hipótese como parte do conhecimento de base
é temporária e pode sempre ser revista e revogada a partir de novas evidencias.
Popper, defende a posição que para o conhecimento progredir é necessário que
as leis e as teorias estejam abertas à refutação, ou seja, que sejam
potencialmente refutáveis. Portanto, para ele, para acelerar o progresso do
conhecimento devemos buscar leis cada vez mais gerais, uma vez que o risco de
refutação e o conteúdo informativo aumentam com amplitude da lei, aumenta a
chance de aprendermos algo novo. Portanto, a ciência deve buscar leis e teorias
cada vez mais amplas, precisas e simples, já que , desse modo, maior será a
refutabilidade, conseqüentemente, maior a chance de aprendermos com nossos
erros. Responsável pela criação do método denominado Racionalismo Critico
Popperiano , ou, Método Hipotético dedutivo.
E por último vamos lembrar de alguém do nosso século XX
Thomas Kuhn (1922-1996), este critica a visão proposta pelos positivistas lógicos
como o racionalismo critíco de Popper. Foi bastante criticado por defender uma
visão relativista da ciência. Mas mostrou ao mundo que toda avaliação cientifica
esta impregnada de influencia de fatores psicológicos e sociais de seus
pesquisador. Que toda teoria é formada por leis, conceitos, modelos, analogias,
valores, regras pra avaliação de teorias e formulação de problemas, princípios
metafísicos e ainda pelo que ele chama de exemplares, que são soluções
concretas de problemas ,isto é, Paradigmas. O paradigma é construído a partir do
consenso entre os cientistas.

Comunicação Cientifica e Publicações Científicas

�O termo comunicação cientifica, foi cunhado pela primeira vez
pelo físico, historiador irlandês John Bernal, por volta dos anos 40.
As associações criadas no século XVII, tiveram um papel
fundamental no fortalecimento da comunidade cientifica e sobretudo na
divulgação do conhecimento cientifico. Segundo Biojone (2001, p.14), relata que :

As primeiras sociedades foram a Academia dei
Lincei em Roma (1600 a 1630), a Academia
Del Cimento em Florença (de 1651 a 1657), e
depois a Royal Society de Londres (criada em
1622) e Académie Royale dês Science que
depois passou a ser chamada de Académie
dês Science na França. Essas academias
tinham como principal objetivo reunir os
especialistas de uma determinada área para
reuniões e discussões, favorecendo assim a
comunicação
entre
os
diversos
pesquisadores.[..] a Royal society de Londres
teve um papel importante na institucionalização
da comunicação cientifica, ao preocupar-se
tanto com a divulgação dos trabalhos de seus
associados quanto em mantê-los atualizados,
buscando informações em outros paises e
outras sociedades similares.

Como Biojone citou, o objetivo reunir os especialistas, as
associações eram um canal, onde novos conhecimentos eram partilhados. Foi
neste período que iniciou a estrutura que hoje temos das comunidades cientificas,
bem como a produção cientifica

�Tipos de publicações científicas:
Tipo

Conceituação

Estrutura

Classificação

Artigo Científico

trata-se de problemas científicos,
bem
como,
apresentam
abordagens atuais, às vezes
temas novos

Título do trabalho, autor,
credenciais do autor,resumo,
palavras – chave, corpo do
texto
(introdução,
desenvolvimento
e
conclusão) e parte referencial
(referencias,
apêndice,
anexos).

Formal

Artigo Analítico

descreve, classifica e define o
assunto, leva em conta a forma e
o objetivo que se têm em vista.
Sua característica principal está
em apresentar os aspectos
relevantes e irrelevantes do tema
estudado
existe
uma
ordenação
de
aspectos de determinado assunto
e a explicação de suas partes.

partes: definição do assunto,
aspectos
relevantes
e
irrelevantes,
partes,
e
relações existentes

Formal

Sua estrutura é a seguinte:
definem
o
assunto,
explicação
da
divisão,
tabulação
dos
tipos
e
definição de cada espécie
(
partes:
definição
do
assunto,
explicação
da
divisão, tabulação dos tipos e
definição de cada espécie).

Formal

Exige uma pesquisa profunda do
tema. Após
cada
enfoque
procede uma argumentação
A comunicação cientifica definese como a informação que se
apresenta
em
congressos,
simpósios , reuniões, academias,
sociedades cientificas.

( partes: exposição da teoria,
apresentação
dos
fatos,
síntese dos fatos, conclusão
introdução (formulação do
tema, justificativa, objetivos,
metodologia, delimitação do
problema,
abordagem
e
exposição exata da idéia
central). Folha de rosto(nome
do congresso,simpósio etc...,
local, data, titulo do trabalho,
nome do autor e suas
credenciais).

Formal

é uma exposição metódica dos
estudos
realizados
e
das
conclusões originais a que se
chegou após apurado exame de
um assunto.
Caracteriza-se
como
relato
escrito que divulga os resultados
parciais ou totais de pesquisa

Podendo ser escrito pela
primeira pessoa. Com intuito
de sobressair o espírito
crítico
do
autor
e
a
originalidade
É o mais breve dos trabalhos
científicos, pois se restringe à
descrição dos resultados
alcançados através de
pesquisa.

formal :seriedade dos
objetivos e lógica do texto;
Informal: marcado pela
liberdade criadora e da
emoção
informal

Artigo classificatório

Artigo argumentativo
(PAPER)

ENSAIO

INFORME
CIENTIFICO

Informal

Fonte: elaborado pelas autoras
Metodologia
Essa pesquisa é de natureza qualitativa e quantitativa. O
instrumento utilizado para coleta de dados foi um questionário com perguntas
abertas e fechadas com intuito de verificar parcialmente os produtos de
conhecimento cientifico realizado pelos usuários. Esta pesquisa foi realizada nos
dias 15 e 16 de julho e nos dias 20 e 21 de julho, no período da manhã e tarde,

�com os usuários que adentrava em nossa biblioteca. A tabulação destes dados foi
feita através do software Acess. O tipo de amostra não probabilística realizada foi
amostra aleatória simples.
A Biblioteca Universitária como fonte da produção do Conhecimento
Científico
O Conhecimento Cientifico e a biblioteca surgiu antes da
imprensa de Gutemberg, coexistem em sua gênese histórica. As bibliotecas
aparecem desde os anos de 250 aC. Calímaco de Cirene foi um dos primeiros
bibliotecários a se preocupar em registrar e armazenar o conhecimento humano.
Além de bibliotecário era poeta e professor. As bibliotecas coexistiam com as
primeiras escolas.
As primeiras bibliotecas nacionais
séculos XVII

surgiram na Europa nos

e XVIII. No continente americano elas surgiram no século XIX:

Library of Congress (1800), em Buenos Aires (1810). As bibliotecas estaduais, ou
chamadas bibliotecas circulantes apareceram no século XVIII tanto na Europa
como nos Estados Unidos. No Brasil, as bibliotecas estaduais começaram a surgir
no século XIX. A primeira foi na Bahia (1811), depois Sergipe (1851), Pernambuco
(1852), Espírito Santo (1855), Paraná (1857), Paraíba (1858), Alagoas (1865),
Ceará (1867), Amazonas e Rio Grande do Sul (1871) (FONSECA, 1979).
Fonseca (1979) relata também que no Brasil as bibliotecas
escolares, a exemplo da Europa, precedem
universitárias.

Os

primeiros

bibliotecários

as bibliotecas públicas e

foram

religiosos

Franciscanos,

Beneditinos e Jesuítas entre estes destacamos: Antônio Gonçalves (1550-1616,
ensinava

aritmética e cuidava dos livros), Mateus Afonso (1660-1729,

conservador e encadernador de livros), Manuel Pires (1669-1757, bibliotecário

�nos colégios da Bahia e Espírito Santo), Manuel da Mota (1696-1768 professor e
encadernador).
Em suma, se hoje podemos tomar ciência de como pensava os
filósofos pré socráticos, os filósofos que viveram antes e depois de Cristo, foi em
virtude que já na antiguidade já existiam bibliotecas. Como podemos constatar
através de Martins (2002, p.71) :

As bibliotecas medievais são , na realidade,
simples prolongamentos das bibliotecas
antigas, tanto na composição, quanto na
organização, na natureza, no funcionamento:
não se trata de dois tipos de biblioteca, mas de
um mesmo tipo que sofreu modificações
insignificantes decorrentes de pequenas
divergências de organização social. Mais
diferença existe, materialmente, na própria
antiguidade, entre as bibliotecas `minerais`,
compostas de tabletes de argila, e as
bibliotecas ´vegetais´e ´animais´, constituídas
de rolos de papiro ou de pergaminho[...]

Com o perpassar dos tempos as bibliotecas, foram se laicizando,
saindo das mãos do clero, indo paulatinamente se democratizando, chegando
mais perto do cidadão até então considerado “profano”.
Contudo, para nós, a biblioteca hoje não é simplesmente um
repositório de livros, mais é dinâmica, uma das fontes essenciais para a
produção de conhecimento cientifico.
Em nossa pesquisa, primeiramente levantamos a quantidade de
usuários que freqüentaram a biblioteca de janeiro a junho de 2006, cujo o
resultado foi:

�3176

3500
3000

2609

2561

2200

2500
2000
1500
1000

547

577

500
0
JANEIRO (26 FEVEREIRO MARÇO (27
DIAS)

(24 DIAS)

DIAS)

ABRIL (23

MAIO (26

JUNHO (25

DIAS)

DIAS)

DIAS)

Gráfico : 1 Quantidade de alunos que freqüentaram a biblioteca de jan. a jun. 2006

Participaram desta pesquisa 150 alunos sendo 8% mestrandos,
este grupo freqüenta a biblioteca

semanalmente, 0,6% alunos de doutorado

também utiliza a biblioteca semanalmente. Observamos que a a parcela mais
expressiva em nossa pesquisa foram alunos de graduação, chegando um
percentual de 82%. A comunidade externa atingiu um percentual de participação
equivalente aos alunos de mestrado de 9,4%, freqüentando a biblioteca
diariamente e semanalmente. Conforme ilustramos no gráfico 2 :

NÚMERO DE USUÁRIOS
UTILIZAM A BIBLIOTECA
49
45

50
40

29
30
20
10

2

55

010

5 54

diariamente
semanalmente
ocasionalmente

0
MestradoDoutorado
Graduação
Comunidade
Externa

Gráfico 2: Freqüência de uso da biblioteca

�Dos alunos pesquisados chegamos ao seguinte resultado: área
de Ciências Biológicas 9,5%,(14) , área de tecnológicas

9,5%(14),

área de

ciências exatas 13% (19), comunidade externa 13% (19), na área de ciências
humanas 26%,(39) ,Ciências da saúde 7%(10), Ciências Sociais Aplicadas
15%(22), Ciências agrárias 7%(10).
Uma das questões elaboradas foi para verificar qual o primeiro
passo frente a uma pesquisa, qual seria o comportamento dos alunos?
Constatamos, primeiramente os alunos buscam informação

na Internet,

perfazendo um percentual de 54%(80), enquanto àqueles que recorrem por
primeiro aos catálogos da biblioteca é de 40%(60), e uma pequena parcela, vai
primeiro buscar ajuda a um funcionário da biblioteca, este o percentual é de 3%
(5) e os que procuram outros recursos são 3% (5).
Atualmente a distância

é inexistente na rede mundial de

computadores, que por sua vez recebe sites novos por segundos, colocando a
disposição do mundo informações variadas em diversos níveis de compreensão.
Entre elas jornais de renome, revistas, livros, teses digitalizados, prontos para
serem lidos. O preço das assinaturas de jornais e revistas é hiper atrativo e
acessível, pois dispensa encargos financeiros dos custos dos serviços de correio
e outros. Por outro lado, nos chamou atenção o hábito dos alunos que freqüentam
nossa biblioteca, os dados coletados revelaram em nossa pesquisa, que o livro
impresso é o mais utilizado em nossa biblioteca. Como podemos observar:
MATERIAL MAIS UTILIZADO PELOS USUÁRIOS DA BCE
Tipo de Material
Livro
Jornais
Periódicos Especializados
Dicionários
Relatórios, Periódicos Gerais, Vídeos e DVD,

Material mais consultado
Primeiro Lugar
Segundo Lugar
Terceiro Lugar
Quarto Lugar
Quinto Lugar

Sumários Correntes
Normas técnicas e Microfichas
Sexto Lugar
CDS
Sétimo Lugar
Quadro: Rank de materiais utilizados pelos nossos alunos pesquisados

O sistema de biblioteca possui serviços para comunidade interna
da Instituição e para comunidade externa. Assim, escolhemos os 7 mais
procurados, para verificar sob a visão dos usuários.

�Dos serviços prestados pelo sistema de bibliotecas, temos os
seguintes resultados:
UTILIZAÇÃO DOS SERVIÇOS POR ÁREA
SERVIÇOS
C.
PRESTADOS
C. Bio
C.Tec.
Humana C. Exata
Com. Ext
Empréstimo
2º lugar 1º lugar
1º lugar 1º lugar
Não
Normalização
de Doc.
Não
Não
Não
4º lugar
2º lugar
Levantamento
Bibliográfico
3º lugar 3º lugar
3º lugar 4º lugar
1º lugar
Comut
4º lugar 3º lugar
4º lugar 3º lugar
3º lugar
Xerox
1º lugar 2º lugar
2.º lugar 2º lugar
4º lugar
Treinamento no
Portal/Capes
Não
Não
Não
4º lugar
Não
Catalogação na
Publicação
Não
Não
Não
4º lugar
Não
Quadro 2: Serviços utilizados pelos nossos usuários em relação a área.

C.
Ci. Soc.
Saúde
Apl
C. Agra
1º lugar 1º lugar 1º lugar
Não

Não

Não

2º lugar
Não
3º lugar

3º lugar
4º lugar
2º lugar

Não
3º lugar
2º lugar

Não

Não

Não

Não

Não

Não

Como observamos no quadro acima, sob visão dos pesquisados,
a prioridade é o empréstimo e o xerox. Para nós, o ponto crítico, incide sobre os
serviços que no nosso ponto de vista seriam importantes como: levantamento
bibliográfico, normalização e portal da capes. Dizemos ponto crítico, em virtude
para nós, serem serviços contundentes para o desenvolvimento da produção
científica.
Os dados demonstram que somente na área da Saúde, utiliza-se
o levantamento bibliográfico como prioridade para sua produção científica

�QUADRO GERAL DOS SERVIÇOS PRESTADOS
TIPOS DE SERVIÇOS
Empréstimo e Xerox
Levantamento Bibliográfico
Comut
Normalização
Treinamento no portal da capes
Catalogação na Publicação

RANK
Primeiro Lugar
Segundo Lugar
Terceiro Lugar
Quarto lugar
Quinto lugar
Sexto lugar

Quadro 3: Visão geral dos serviço sob os olhos dos pesquisados

O empréstimo e xerox para os nossos alunos são atividades
precípua para o estudo, provas e produção cientifica. Notamos que a fase
elementar de um estudo cientifico tem-se prioridade para esses usuários. Como
retrata o quadro acima, que mostra o levantamento bibliográfico como o segundo
colocado. Serviço este que faz parte inerente de qualquer estudo cientifico que as
denominamos

de

pesquisa

bibliográfica,

ou,

levantamento

bibliográfico.

Sucessivamente a busca nas redes de comutação, a importância em padronizar,
para propiciar ao conhecimento cientifico uma linguagem universal, e por ultimo
vem a Catalogação na Publicação, que dependendo do material dá um teor de
credibilidade para o material produzido. Para visualizarmos este quadro,
ilustramos com o gráfico 3:

�SERVIÇOS OFERECIDOS PELA BIBLIOTECA:

Catalogação na Publicação

Treinamento no Portal/Capes

Xerox

Comut

Levantamento Bibliográfico

Normalização de Doc.

Empréstimo
0

20

C. Bio

C.Tec.

C. Humana

40

C. Exata

60

Com. Ext

C. Saúde

80

Ci. Soc. Apl

100

120

C. Agra

Gráfico 3: Serviços oferecidos pela Biblioteca, grau de importância para o usuário

A biblioteca contribui para produção cientifica? Carvalho (2004),
responde adequadamente essa questão, quando relata que a universidade é um
dos elementos centrais para o desenvolvimento da pesquisa, da ciência e da
tecnologia; e que as bibliotecas universitárias incorporam modelos e tecnologias,
tendo um papel expressivo e decisivo no desenvolvimento do país.
Destarte, que o acesso á informação é um elemento facilitador
para gerar novos conhecimentos. No gráfico 4, observamos que de fato a
biblioteca é uma fonte para a produção cientifica:

9.25%

90.75%

NÃO CONTRIBUI
PARA PRODUÇÃO
CIENTÍFICA
CONTRIBUI PARA
PRODUÇÃO
CIENTÍFICA

Gráfico 4: Biblioteca como fonte da produção do conhecimento cientifico.

�Popper e Kun eram unânimes sobre a importância de que todo
trabalho cientifico, precisa ser colocado para avaliação de outros pesquisadores.
Para Popper as conjecturas precisavam passar pelos olhos críticos de inquiridos,
caso fosse refutadas, surgiriam novos problemas. E Khun com muita coragem,
expressa que os paradigmas se incorporam através da comunidade cientifica,
fortalecendo os canais formais e informais. Os que os dois tem de comum? Que o
conhecimento se solidifica quando é apresentado à crítica de outros profissionais.
O que seria então os canais formais e informais? Formais são
todas as publicações vinculadas nos veículos formais , que são comercializados.
Já os informais uma de suas essências que ainda não são comercializados.
Segundo Mueller (2003), a produção cientifica, engloba a comunicação formal e
informal. As que utiliza os chamados canais informais, inclui normalmente
comunicações de pesquisa em andamento, trabalhos de congressos. As formais
são publicações como livros e periódicos.
Corroboramos que os trabalhos dos participantes de nossa
pesquisa, faz parte na sua maioria da literatura cinzenta, mas, existem trabalhos
publicados nos canais formais.
Os trabalhos produzidos pelos alunos pesquisados, foram
eventos, tais como: Reunião anual Sociedade Brasileira de Zootecnia, Encontro
Anual de Iniciação Cientifica, Semana de Geografia, Encontro de Trabalhos
Científicos, Programas de energias alternativas, Congresso de Ciências
Biológicas, Projeto de Extensão – Direito da Criança e do adolescente, Semana
de História, Seminários de Ciências Sociais, Semana da Pedagogia, Encontro do
PIBIC, Semana de Letras, Jornada de Políticas Públicas,Semana da Biologia,
Semana

da

Educação

Física,

Congresso

de

Zoologia,

Congresso

de

Microbiologia, Congresso Brasileiro de Matemática, Congresso Brasileiro de
Engenharia Agrícola, Congresso Nacional de Irrigação e Drenagem, Seminário de
física.
Produziram também, Artigos Científicos nas seguintes revistas:
Revista Brasileira de Zootecnia, Acta Scientinarum, Boletim de Geografia,
Topologia, Revista do Mestrado de Direito(Universidade Estadual de Maringá),
Revista Brasileira de Analises Clínicas, Brazilian Journal of Microbiology, Arquivos
Venezuelanos de Nutrição, Revista Brasileira de Matemática. E um livro na série

�Cadernos de metodologia de pesquisa (Universidade Estadual de Maringá). No
gráfico abaixo, ilustra bem a publicação de nossos pesquisados:

70

60

50

40

30

20

10

0
Artigo Cientifico

Eventos
Área Técn

Com. Ext.

Ci. Saúde

Livro
Ci. Exatas

Ci.Soc. Apl

Ci. Bio

Agrarias

Gráfico 5: Produção Cientifica dos participantes de nossa pesquisa

Considerações Finais

Esta pesquisa constatou o que vários estudiosos comenta, sobre
a importância da biblioteca no desenvolvimento da pesquisa de um país.
Procuramos, através dessa pesquisa sob o olhar de quem está usando o serviço,
a importância ou não de nossos serviços. Porém, não com o intuito de avaliação
da qualidade total de nossos serviços, e nem com o olhar de gestão dos serviços
prestados pela biblioteca. Não era aqui nosso interesse. Porém, precisavamos
averiguar se de fato a biblioteca além de um organismo vivo e dinâmico ela é
fonte para produção do conhecimento cientifico.
Esta pesquisa teve algumas limitações por ser em período de
férias dos alunos, e o fator tempo incidiu sobre nosso trabalho, nos
impossibilitando testar nosso instrumento para validação do mesmo.
Contudo, nos impulsionou a continuar a estudar o assunto.Mas,
com uma nova proposta, mensurando não só conhecimento cientifico, mas o
conhecimento intangível? Por outro lado, temos que retificar nossa amostra, de

�aleatória simples para uma amostra estratificada com os professores da
instituição que possui uma vasta produção cientifica formal.

�REFERENCIAS

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documentos: NBR 10520. Rio de Janeiro, 2001.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, Apresentação de relatórios técnicocientíficos: NBR 10719. Rio de Janeiro, 1989.
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Paulo : Atlas, 2004. 96 p.

�Apêndice
Ao responder este questionário você estará contribuindo com um estudo que será apresentado no
Seminário Brasileiro de Bibliotecas Universitárias. Cujo título deste trabalho é “Bibliotecas
Universitárias como fonte do conhecimento cientifico”.
1) Você esta cursando:
() graduação () pós-graduação () outros ano de ingressou?...
2) Com que freqüência você utiliza a biblioteca?
() diariamente () Semanalmente () ocasionalmente () nunca
3) Quando o professor solicita um trabalho de pesquisa, sobre um determinado assunto,
você pesquisa primeiro em:
() Internet () Cataloga da biblioteca () Pede ajuda aos funcionários da Biblioteca () outros
meios, quais? ...
4) Dos serviços oferecidos pela biblioteca, assinale os serviços que você utilizou:
() Empréstimo () Normalização de documentos
() Levantamento Bibliográfico () Como () Xerox
() Treinamento no Portal da Capes () Catalogação na Publicação
5) Utilização do Material Bibliográfico:
Livros () Sempre () Nunca () outros
Jornais () Sempre () Nunca () outros
Relatórios Científicos () Sempre () Nunca () outros
Dissertações e teses () Sempre () Nunca () outros
Periódicos Especializados () Sempre () Nunca () Outros
Periódicos Especializados do Portal da Capes () Sempre () Nunca
Periódicos Gerais () Sempre () Nunca () Outros
Normas técnicas () Sempre () Nunca () outros
Vídeos e DVDS () Sempre () Nunca () outros
CDS () Sempre () Nunca () outros
Dicionários () Sempre () Nunca () outros
Material cartográfico () Sempre () Nunca () outros
Sumários correntes () Sempre () Nunca () outros
Microfichas () Sempre () Nunca () outros
6) Dos Materiais Bibliográficos acima, os quais você utilizou, ajudou a:
() Estudar para provas () Projetos de pesquisa () Produção Cientifica
7) Você já escreveu um Artigo Científico? () sim () não. Qual a Revista(s)?

8) Você já apresentou trabalhos em eventos de sua área? () sim () Não. Qual(s) os
eventos................................................................................................

�</text>
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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              <description>The topic of the resource</description>
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                <elementText elementTextId="51379">
                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Português</text>
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            <element elementId="51">
              <name>Type</name>
              <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <elementText elementTextId="51385">
                  <text>Evento</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
            <element elementId="38">
              <name>Coverage</name>
              <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                <elementText elementTextId="51386">
                  <text>Salvador (Bahia)</text>
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    </collection>
    <itemType itemTypeId="8">
      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
    </itemType>
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      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
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              <elementText elementTextId="61708">
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            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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                <text>Maria, Cicília Conceição de</text>
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                <text>Salvador (Bahia)</text>
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            <name>Publisher</name>
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            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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            <description>The nature or genre of the resource</description>
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            <description>An account of the resource</description>
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                <text>Essa pesquisa é de natureza qualitativa e quantitativa. O instrumento utilizado para coleta de dados foi um questionário com perguntas abertas e fechadas com intuito de verificar parcialmente os produtos de conhecimento cientifico realizado pelos usuários.</text>
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            <description>A language of the resource</description>
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                    <text>A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO FONTE DE INFORMAÇÃO PARA A
PRODUÇÂO DO CONHECIMENTO: um estudo com os docentes do Instituto
Lynaldo Cavalcanti – UNIPB em João Pessoa/PB

*Alba Lígia de Almeida Silva
**Elaine Cristina de Brito Moreira
***Maria de Lourdes Cardôso

RESUMO
A biblioteca universitária é considerada um suporte informacional para a produção
do conhecimento. Nesse estudo objetivou-se avaliar o uso da biblioteca do Instituto
Lynaldo Cavalcanti – UNIPB pelos seus docentes como fonte para a produção
científica. Como instrumento da pesquisa aplicou-se um questionário para a coleta
de dados identificando o perfil dos sujeitos pesquisados quanto ao uso, a freqüência
e os materiais utilizados por eles na biblioteca para a produção intelectual e as
atividades de pesquisas os quais estão envolvidos no momento. Como conclusão
verificou-se que a maioria dos docentes está envolvida em atividades e pesquisas
voltadas para o ensino e que os professores ainda utilizam a biblioteca e seus
suportes informacionais de maneira moderada, mesmo considerando a sua
importância.
Palavras-chave: Biblioteca universitária; Fontes de informação; Produção do
conhecimento

______________________________
*Bacharel em Biblioteconomia pela Universidade Federal da Paraíba - UFPB. Especialista em Gestão
de Unidades de Informação pelo Departamento de Biblioteconomia e Documentação da UFPB.
Bibliotecária do Instituto Lynaldo Cavalcanti e Bibliotecária coordenadora da Biblioteca da Faculdade
da Paraíba – FPB. albabibliotecaria@yahoo.com.br
**Bacharel em Biblioteconomia pela Universidade Federal da Paraíba. Especialista em Gestão de
Unidades da Informação pelo Departamento de Biblioteconomia e Documentação da UFPB.
Bibliotecária do Instituto de Educação Superior da Paraíba. elainecbm@yahoo.com
***Bacharel em Biblioteconomia pela Universidade Federal da Paraíba. Bibliotecária Coordenadora da
Biblioteca do Instituto Lynaldo Cavalcanti – Unipb. lurdesneta@hotmail.com

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�1 INTRODUÇÃO
Considerando a biblioteca universitária como fonte para a produção do
conhecimento, tanto para a sociedade em que está inserida, como para o seu corpo
docente, tendo a informação como produto, se faz necessário algumas mudanças
nos serviços de informação a fim de assegurar o aperfeiçoamento e disponibilidade
do acesso e uso da informação tanto no campo econômico, social e cultural como no
crescimento pessoal e profissional.
O professor universitário participa e interage nesse contexto como usuário da
informação, uma vez que utiliza os serviços oferecidos pela biblioteca para a
satisfação de suas necessidades de informação, sabendo, entretanto, da
importância da produção do conhecimento que é uma exigência crescente da
universidade, consolidando a satisfação profissional e o meio acadêmico.
Diante do exposto, objetivamos avaliar, o uso da biblioteca do Instituto Lynaldo
Cavalcanti/UNIPB pelos seus docentes como fonte para a produção científica.
De acordo com um estudo na literatura, procuramos tratar a produção do
conhecimento como uma forma de gerar, transmitir e publicar informação para a
construção de novos conhecimentos.
Sendo assim, as bibliotecas universitárias como fonte de informação e pesquisa,
disponibilizando recursos necessários para o desenvolvimento do ensino, pesquisa e
extensão.

2 BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO FONTE DE INFORMAÇÃO
No atual contexto, a biblioteca universitária como uma unidade de informação é
voltada a atender às necessidades informacionais dos seus clientes internos e
externos.
Assim sendo, o conceito de bibliotecas universitárias, segundo Fujila (2006, p.1-2),
“é um sistema de informação que é parte de um sistema mais amplo, que poderia

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�ser chamado sistema de informação acadêmico, no qual, a geração de
conhecimentos é o objeto da vida universitária”.
Neste sentido, o objetivo maior da biblioteca universitária é o desenvolvimento
educacional, social, político e econômico da sociedade.
Para Cunha et al (2006, p. 2), o objetivo principal das bibliotecas universitárias é
propiciar que as necessidades informacionais dos clientes sejam supridas de modo
eficaz e com agregação de valor. Partindo deste pressuposto, percebemos que a
biblioteca universitária é um ambiente de fundamental importância, visto que o seu
papel é o de gerar conhecimento, ofertando sempre produtos e serviços que venham
a contribuir para o desenvolvimento da produção científica da comunidade
acadêmica em que lá está inserida, bem como contribuir para o desenvolvimento
intelectual da sociedade a que ela pertence.
Segundo Pinheiro e Costa (2006, p. 11) destacam que a biblioteca universitária deve
ser também “revitalizada” pelos seus clientes e pela comunidade acadêmica, em
harmonia com a universidade a que pertence. Entretanto, essa dinâmica criativa e
renovadora pode torná-la responsável pelas necessidades emergentes de uma
comunidade acadêmica em constante evolução.
Neste universo, Carvalho (1981 apud ESTEFANO, 2006), destaca que as
bibliotecas universitárias são conceituadas tradicionalmente como “bibliotecas de
Instituição de Ensino Superior (IES), destinada a suprir as necessidades
informacionais da comunidade acadêmica, no desenvolvimento de suas atividades
de ensino, pesquisa e extensão”.

3 O DOCENTE COMO USUÁRIO DE INFORMAÇÃO
Tecendo algumas considerações sobre o docente como usuário da informação,
Sanz Casado (1994, p. 19) considera que “todo ser humano é usuário da
informação, uma vez que todos necessitamos de informação para alguma das
múltiplas tarefas que realizamos diariamente”. Cardoso (2004, p. 17) define como

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�usuário da informação “todo indivíduo que necessita, busca e usa informação para
exercer suas atividades profissionais e/ou pessoais”.
Neste sentido podemos definir o professor universitário como usuário da informação
uma vez que, necessita e utiliza os serviços oferecidos pelos centros de
documentação, biblioteca ou arquivo para a satisfação de suas necessidades de
informação.
O professor como profissional docente e como cidadão em busca de informação
para suas necessidades pessoais e profissionais participa do processo de formação
acadêmica de futuros profissionais, necessitando da busca e uso da informação
para a produção científica.
Para esta pesquisa, indagamos se os professores da UNIPB, como produtor, usuário
e transmissor de informação utilizam a biblioteca desta instituição como fonte de
informação e pesquisa, atendendo assim, suas necessidades informacionais para a
produção do conhecimento.

4 PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO
A produção do conhecimento pode ser vista de diversos aspectos. Neste estudo
abordamos a produção do conhecimento como uma forma de gerar, transmitir e
publicar informação para a construção de novos conhecimentos.
Segundo Gaspar (2001), a produção do conhecimento é “gerada e disseminada por
instituições de ensino e pesquisa, entidades científicas e organizações privadas”. A
universidade, especificamente, é vista como um suporte informacional de produção e
transmissão do conhecimento nas atividades de ensino, pesquisa e extensão.
No meio acadêmico, essa produção é uma exigência crescente tanto para a
consolidação do conhecimento como também na satisfação profissional do docente.
Ela pode ser transmitida através de canais formais como livros, periódicos e
informais como palestras, correio eletrônico e contatos pessoais.

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�5 A INSTITUIÇÃO E UNIDADE DE INFORMAÇÃO ESTUDADA
O Instituto Lynaldo Cavalcanti/UNIPB tem como missão, ser uma instituição
avançada de estudos e ações transdisciplinares sistemáticos, fundamentada na
produção, armazenamento e transmissão do conhecimento, formando profissionais a
partir do aprimoramento de talentos, seres humanos dotados de visão abrangente e
crítica da sociedade e do mundo, para o exercício consciente e ético da cidadania e
das profissões, buscando a excelência em todo e qualquer desempenho que forem
chamados a exercer, conjugando as competências teóricas e práticas, por meio de
procedimentos científicos, filosóficos e tecnológicos, em suas áreas de atuação.
A Instituição oferece no momento, três cursos de graduação (enfermagem,
engenharia ambiental e nutrição) e um curso técnico (gastronomia) além de estrutura
dentro dos padrões de qualidades com salas de aulas climatizadas, biblioteca e
laboratórios específicos.
Disponibiliza à sua comunidade acadêmica, uma biblioteca cujos objetivos principais
são o incentivo à leitura e à pesquisa científica; coleta, tratamento técnico,
desenvolvimento e disseminação da informação; seleção e aquisição de materiais
bibliográficos relacionados aos cursos oferecidos e de interesse; controle e avaliação
do material bibliográfico, entre outros. O acervo da biblioteca é composto por
diversos

suportes

informacionais, tais como livros, periódicos,

dicionários,

enciclopédias, jornais, anuários, CDs, CD-Roms e outros.
Os títulos disponíveis na biblioteca estão de acordo com o projeto pedagógico dos
cursos e em quantidade suficiente para atender ao número de alunos e professores
matriculados. A Política de Desenvolvimento do Acervo é feita periodicamente com o
objetivo de manter a biblioteca atualizada e capacitada oferecendo condições de uso
a toda comunidade acadêmica.
Os serviços oferecidos pela biblioteca são empréstimo, pesquisa virtual, catalogação
na publicação, orientação e normalização bibliográfica.

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�6 OBJETIVOS
A pesquisa teve por objetivo geral avaliar o uso da biblioteca do Instituto Lynaldo
Cavalcanti/UNIPB pelos seus docentes como fonte de informação para a produção
científica. Os objetivos específicos foram:
- Traçar o perfil dos professores;
- Conhecer os materiais utilizados por eles na Biblioteca;
- Identificar suas necessidades de informação e como adquirem essa
informação.

7 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Partindo das informações obtidas através de questionários aplicados diretamente
aos professores do Instituto Lynaldo Cavalcanti/UNIPB, o universo da pesquisa foi
composto por 20 professores, totalizando uma amostra de 11 entrevistados,
representando um percentual de 55% do universo pesquisado.
Para coleta de dados foi utilizado um questionário composto por 11 questões
abertas e fechadas, objetivando identificar o perfil dos sujeitos pesquisados quanto
ao uso, a freqüência e os materiais consultados por eles na biblioteca. O
questionário foi aplicado durante o mês de junho de 2006 e posteriormente a
tabulação dos resultados.

8 ANÁLISE DA PESQUISA
Para a apresentação da análise dos resultados abordamos o perfil dos professores e
suas necessidades de pesquisa para construção do conhecimento. Os resultados
apresentados representam os fatos mais relevantes da pesquisa. Com isso foi
considerada uma amostra de 11 professores dos cursos da UNIPB, para realização
das análises.

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�9%

91%

Feminino

Masculino

Gráfico 1 – Sexo
Fonte: Pesquisa direta, 2006

Observa-se que no gráfico 1, referente ao sexo, a maioria dos sujeitos pesquisados
é do sexo feminino, com um elevado índice.

18%
0%

36%

46%

20 a 30 anos

31 a 40 anos

41 a 50 anos

mais de 50 anos

Gráfico 2 – Idade
Fonte: Pesquisa direta, 2006

O gráfico 2, trata da faixa etária dos docentes e o resultado obtido foi que a maioria
dos sujeitos pesquisados pertencem a faixa etária de 31 a 40 anos, formando um
percentual de 46%.

9%

9%

82%

Graduação

Mestrado

Doutorado

Gráfico 3 – Formação Acadêmica
Fonte: Pesquisa direta, 2006

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�Quanto à formação acadêmica, no gráfico 3, verificou-se que a maioria tem
mestrado somando um percentual de 82% e apenas um docente possui doutorado,
somando um percentual de 9%. Com relação à área do conhecimento, percebe-se
que eles são de áreas dos cursos que a instituição oferece, entre eles, meio
ambiente, engenharia de software, nutrição, farmacologia, física, ciências e
tecnologia dos alimentos, fisioterapia, estatística e desenvolvimento.

0%

8%

8%

84%

Ensino

Extensão

Administração

Pesquisa

Gráfico 4 – Atividade que está desenvolvendo
Fonte: Pesquisa direta, 2006

Quanto às atividades que os docentes estão desenvolvendo, no gráfico 4,
verificamos que a maioria (84%) desenvolvem as atividades de ensino, 8% estão
envolvidos com a pesquisa científica e 8% em extensão. Esta análise demonstra que
a prática de ensino é a atividade mais desenvolvida no momento pela maioria dos
docentes.
Quanto a questão de número 5 do questionário, em relação às necessidades de
informação dos docentes em seu dia-a-dia, os resultados foram os seguintes:








Conhecimento para ministrar aula (24,4%)
Qualificação profissional (24,4%)
Conhecimento e crescimento pessoal (21,9%)
Resolução de problemas acadêmicos (9,8%)
Elaboração de pesquisa (9,8%)
Elaboração de textos, palestras, seminários etc (7,3%)
Preparar-se para concursos públicos (2,4%)

Percebe-se, entretanto, que a busca pela informação está mais voltada para
atividades em sala de aula e qualificação profissional, porém, tenham apontado

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�outros itens. Isso demonstra também que há uma diversidade na busca pela
informação.

26%

26%

15%
33%

Compra

Amigos

Biblioteca

Outros

Gráfico 6 – Aquisição de informações necessárias para realização de
suas atividades profissionais
Fonte: Pesquisa direta, 2006

O gráfico 6 aborda à aquisição de informações necessárias para realização de suas
atividades profissionais. Verificou-se que os professores destacaram biblioteca e
compra. Nesta questão foi possível para os sujeitos pesquisados assinalarem mais
de uma opção e que no item outros estão incluídos Internet e livros pessoais. Desta
forma, analisou-se nesta questão que a biblioteca é considerada um ponto de apoio
de pesquisa para estes profissionais.
6%

6% 6%

52%

18%
12%
Empréstimo
Bases de dados eletrônicos
Periódicos

Coleções especiais (relatórios, folhetos,
guias e outros)
COMUT (solicitação de artigos)
Não respondeu

Gráfico 7 – Serviços oferecidos pela Biblioteca da Unipb
Fonte: Pesquisa direta, 2006

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�Em relação aos serviços oferecidos pela biblioteca, o mais utilizado foi o
empréstimo, havendo desta maneira uma freqüência significativa pelos docentes na
biblioteca.
Quanto à questão aberta do questionário e de número 8, onde se questiona a
opinião dos docentes sobre os serviços prestados pela biblioteca, foram os
seguintes:







Bons serviços;
Funcionários capacitados;
Boa qualidade;
Acervo bom e atualizado;
Atende as necessidades;
Espaço adequado e eficiente.

0%

100%

Adequado

Inadequado

Gráfico 9 – Equipamento e espaço físico da biblioteca
Fonte: Pesquisa direta, 2006

Com relação aos equipamentos e espaço físico da biblioteca, o gráfico 9, mostra que
os professores consideram adequados, com 100% de respostas, demonstrando um
ponto positivo para biblioteca, o que justifica a satisfação dos mesmos quanto aos
serviços oferecidos.

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�9%

27%

18%

46%

Bom

Regular

Ótimo

Ruim

Gráfico 10 – Acervo da biblioteca
Fonte: Pesquisa direta, 2006

Em relação ao acervo da biblioteca, o gráfico 10 apresenta como resultado, que o
acervo é considerado regular (46%) e bom (27%). Este ponto pode também ser
relevante em se tratando do pouco uso dos serviços e pouca pesquisa em seu
acervo.

0%
18%

0%

55%

27%
Diariamente

Semanalmente

Quinzenalmente

Mensalmente

Outros

Gráfico 11 – Freqüência na biblioteca
Fonte: Pesquisa direta, 2006

Quanto à freqüência, gráfico 11, a maioria dos entrevistados freqüenta a biblioteca
semanalmente (55%). Percebe-se com isto que a biblioteca é procurada como fonte
de informação para a produção do conhecimento.

9 CONCLUSÃO
Baseado nos dados coletados, o corpo docente da Instituição é constituído de
mestres, em sua maioria, do sexo feminino, numa faixa etária entre 31 a 40 anos. A
maioria dos professores está envolvida em atividades relacionadas ao ensino e suas
necessidades de informação são voltadas para o conhecimento para ministrar aulas,

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�qualificação profissional e crescimento pessoal, evidenciando assim, o ensino e a
pesquisa.
Estes profissionais adquirem suas informações através da biblioteca ou compra, o
que favorece o ambiente da biblioteca como espaço para pesquisa e freqüência
regular destes usuários. Destaca o empréstimo como o serviço mais utilizado,
evidenciando a forma de aquisição da informação por estes profissionais.
Os docentes afirmaram que estão satisfeitos com os produtos e serviços oferecidos
pela biblioteca, atendendo as suas expectativas quanto ao atendimento e referindose aos equipamentos e ao espaço físico opinam como adequados para sua
permanência e consulta do material disponível, ponto este positivo para a unidade,
mesmo considerando o acervo regular para suas pesquisas.
Com isso, verificamos que a maioria dos docentes é envolvida em atividades e
pesquisas voltadas para o ensino, contribuem para a produção e transmissão de
novos conhecimentos. Os professores ainda utilizam a biblioteca e seus suportes
informacionais de maneira moderada, mesmo considerando a sua importância.
Concluiu-se que a biblioteca do Instituto Lynaldo Cavalcanti / UNIPB, atende as
necessidades informacionais dos seus docentes, disponibilizando informações
específicas para cada área do conhecimento, contribuindo desta maneira para o
desenvolvimento da produção cientifica.

ABSTRACTS
The university library is considerate an informational support to knowledge
production. This study has like objective to evaluate the library usages in Lynaldo
Cavalcanti Institute – UNIPB by professors like scientific production source. Like
research instrument was apply an questionnaire to collect dados identifying the
researched subjects profile like usages, frequency and materials used by them in the
library to intellectual production and research activities that are involved at the
moment. Like conclusion was certificated that all most professors are involved in
activities and research about teaching and the professors still use the library and their
informational supports in moderate way, even considering its importance.
Key-words: University library; Information source; Knowledge production

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�REFERÊNCIAS
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necessidades: um estudo com professores do curso de biblioteconomia
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Federal da Paraíba, João Pessoa, 2004.
CARVALHO, Gumercindo. Uma questão de competências. O melhor do RH:
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CUNHA, Miriam Vieira da et al. Os seminários nacionais de bibliotecas
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&lt;http://snbu.bvs.br/snbu2000/docs/pt/doc/t141.doc&gt;. Acesso em: 29 jun. 2006.
FUJILA, Mariângela S. L. Aspectos evolutivos das bibliotecas universitárias em
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GASPAR, Cristiane de Oliveira. A produção científica na pós-graduação do
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PINHEIRO, Edna Gomes, COSTA, Maria de Fátima Oliveira. Qualidade total em
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SANZ CASADO, Elias. Manual de estudos de usuários. Madrid: Pirâmide, 1994.

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Date</name>
              <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>A biblioteca universitária como fonte de informação para a produção do conhecimento: um estudo com os docentes do Instituto Lynaldo Cavalcanti- UNIPB em João Pessoa/PB.</text>
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                <text>Silva, Alba Lígia de Almeida; Moreira, Elaine Cristina de Brito; Cardoso, Maria de Lourdes</text>
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                <text>A biblioteca universitária é considerada um suporte informacional para a produção do conhecimento. Nesse estudo objetivou-se avaliar o uso da biblioteca do Instituto Lynaldo Cavalcanti – UNIPB pelos seus docentes como fonte para a produção científica. Como instrumento da pesquisa aplicou-se um questionário para a coleta de dados identificando o perfil dos sujeitos pesquisados quanto ao uso, a freqüência atividades de pesquisas os quais estão envolvidos no momento. Como conclusão os docentes está envolvida em atividades e pesquisas voltadas para o ensino e que os professores ainda utilizam a biblioteca e seus suportes informacionais de maneira moderada, mesmo considerando a sua importância.</text>
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                    <text>A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA DIANTE DOS DESAFIOS DA
GLOBALIZAÇÃO E A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO.

Profa. Dra. Maria de Fátima Garbelini
Universidade Federal de Goiás
Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia
Campus Samambaia, C.P. 131
CEP 74001.970 Goiânia - Goiás
E-mail: mgarbelini@hotmail.com

Profa. Dra. Maria Dolores Ayuso García
Universidad de Murcia
Facultad de Ciencias de la Comunicación y Documentación
Campus Universitario de Espinardo
30071 Espinardo – Murcia - Espanha
E-mail: mayu@um.es

�Resumo
As bibliotecas universitárias são o mais representativo de um país como canal de
comunicação para a produção do conhecimento, facilitando a integração e
cooperação científica tanto no país de origem como em âmbito internacional,
proporcionando uma formação acadêmica e científica através do acesso a
informação e o conhecimento na sua amplitude maior de produção. O trabalho
apresenta um estudo e uma análise contextual dos desafios da biblioteca
universitária na gestão da informação na sociedade contemporânea necessitando
uma nova dinâmica na localização, sistematização e divulgação, garantindo sua
utilidade na produção científica nas universidades, visando à plena utilização dos
recursos informacionais disponíveis nas bibliotecas e ou através das redes, a
partir das bibliotecas. Apresenta-se uma contribuição a reflexão e apontam
diretrizes quanto às políticas e aos novos desafios das bibliotecas universitárias
como agente disseminador e fomento no desenvolvimento a produção do
conhecimento através do acesso livre a informação científica na sociedade
contemporânea, transformando-se em organizações centradas no acesso a
informação e não somente nas coleções.
Palavras-chave: sistema de informação – globalização – biblioteca universitária informação científica.
Abstract
University libraries are a country’s most representative channel of communication
for the production of knowledge, facilitating integration and cooperation both in its
country of origin and in an international scope. It also presents a study of
information systems and makes analyses which include the contextualization of
new challenges, organisms, and integration policies in the global society. The work
presents a study and a contextual analysis of the challenges of the university
library in the management of the information in the society contemporary needing
a new dynamics in the localization, systematization and spreading, guaranteeing
its utility in the scientific production in the universities, aiming at to the full use of
the available information resources in the libraries and or through the nets, from
the libraries. A contribution is presented the reflection and points lines of direction
how much to the politics and the new challenges of the university libraries as
disseminating agent and promotion in the development the production of the
knowledge through the free access the scientific information in the society
contemporary, changed ding itself into organizations centered in the access the
information and not only in the collections.
Keywords: Information systems – globalization – university libraries. scientific
information.

�1 Introdução

Neste novo século, as atividades humanas tiveram grandes mudanças,
com a adoção de políticas econômicas de livre mercado com a globalização que
propiciou praticamente à totalidade das nações do mundo beneficiar-se das
infinitas possibilidades que oferece o desaparecimento das fronteiras estatais. A
globalização como fenômeno de nosso tempo e as tecnologias proporcionou o
avanço da ciência e o intercâmbio de experiências internacionais colaborando nas
soluções regionais e supranacionais.

As novas tecnologias e os novos usos e costumes (publicações eletrônicas,
canais diretos de comunicação entre os científicos) impõe uma situação que exige
a conveniência, assim como a integração das bibliotecas com outros sistemas. As
bibliotecas em especial as universitárias, necessitam acompanhar esta nova
dinâmica do gerenciamento da informação disponível para a produção do
conhecimento com este novo paradigma da acessibilidade da informação
científica.

Nos países desenvolvidos, as atividades relacionadas à produção,
tratamento e difusão da informação hoje ocupam uma posição destacada, em que
a utilização generalizada das novas tecnologias, característica da sociedade
global, tem contribuído para o fortalecimento e o valor da informação. A
informação é considerada atualmente como o mais famoso efeito da chamada
sociedade global, e os sistemas de informação são um dos mais representativos,
por sua natureza de recolher, tratar, armazenar e divulgar a informação em todas
as áreas do conhecimento. Para Ramalho (1999), a biblioteca tradicional como o
maior exemplo de um sistema de informação, não é mais o único canal de
comunicação entre os produtos de informação. Como todos os sistemas de
informação, a biblioteca universitária não pode ficar à margem dessa nova
realidade de integração e cooperação. Serão necessários, portanto, novos
projetos e programas para o estabelecimento de infra-estrutura informativas
nacionais, regionais e internacionais, com o principal objetivo de evitar

�duplicações desnecessárias dos recursos disponíveis e facilitar a integração entre
os sistemas de informação (Magán Wals, 2002).

As bibliotecas universitárias são os sistemas de informação mais
representativos de um país quanto à produção da informação e do conhecimento
no contexto da sociedade global e com muitas possibilidades para uma integração
diante dos desafios da globalização, proporcionando a competência necessária
ao seu usuário, no uso de seus recursos informacionais para facilitar a
comunicação científica.

2 As Unidades de Informação e a Sociedade Global

Para Miranda (1997) muitos aspectos necessitam ser revisados para se
adaptarem os sistemas de informação a esta sociedade pós-industrial e a este
novo cenário com muitas tendências ainda de desigualdades. Segundo Suaiden
(1993), em muitos países a biblioteca se desenvolve graças ao empenho dos
bibliotecários que acreditam em sua instituição como agente de transformação da
sociedade. Os sistemas de informação têm um papel muito importante e é um
grande meio de ajuda ao desenvolvimento do país, mas infelizmente os recursos
que o governo oferece a esses sistemas são insuficientes para atender à grande
demanda de informação.

Os sistemas de informação têm a sua função neste processo de difusão da
informação e conhecimento, no sentido de facilitar a cooperação para integração
em todos os âmbitos: regional, nacional e internacional. Para Argenti (1994), são
necessárias políticas de informação, nas áreas científicas e tecnológicas, para o
desenvolvimento da qualidade e competitividade, bem como estudos comuns e
pesquisas voltados para o benefício comum.

Os sistemas de informação tiveram grandes transformações até a chegada
dos modernos sistemas com bases de dados em registros magnéticos capazes
de enviar informações a qualquer parte do mundo. Para O`Brien (1999), sistema
de informação é qualquer combinação de uma fonte de informação junto com

�qualquer acesso e ou mecanismos da recuperação, manipulação ou uso da
informação, como também a conexão do usuário com uma fonte de informação
pertinente à necessidade de informação e conhecimento. Um dos maiores
desafios dos sistemas de informação é o crescimento exponencial de informação
iniciado no século XVI que chegou ao seu apogeu no século XX, com a chamada
explosão

da

informação,

fenômeno

esse

que

exige

dos

sistemas

o

acompanhamento das tecnologias apropriadas, para que possam processar e
recuperar a informação visando a uma interconexão global.

As organizações, segundo Killingworth et al (2001), enfrentam várias
tendências que exigem dos sistemas de informação mais eficiência, porque
existem uma economia global ativa, um uso aumentado das tecnologias e uma
melhor efetividade orgânica. Isso faz com que as organizações necessitam de
uma constante tomada decisão, para o acesso rápido ao conhecimento
necessário, de modo a responder de maneira eficaz a essas novas tendências.
Segundo Cunha (2000), o acesso à base de dados bibliográficos armazenados
em grandes bancos de dados, ao uso do CD-ROM e o nascimento da biblioteca
digital significa que os sistemas de informação, em especial as bibliotecas,
sempre acompanharam e parecem vencer esses novos desafios e paradigmas.
A Internet, uma das tecnologias mais representativas dessa nova
sociedade global, modificou as formas tradicionais de organização e de busca de
informação e possibilitou o acesso em linha, em tempo real de informações e
documentos. Assim, os sistemas de informação tiveram de introduzir novas
atividades, manejar novas ferramentas com as novas tecnologias de informação e
conhecimento, conhecer novas fontes de informação e organizar seus acervos e
recursos não somente para o usuário particular e específico senão para toda a
sociedade regional, nacional e internacional. Os sistemas de informação, em
especial as bibliotecas, durante séculos desempenharam um papel discreto na
transmissão de informação, orientando-se primeiro ao armazenamento e
conservação do patrimônio documental da humanidade. Com as novas
tecnologias interativas, as bibliotecas podem aumentar o grau de satisfação do

�usuário, desenhando sistemas de recuperação de informação mais interativos e
(Cole e Mandelbaltt, 2000, p. 25).
Para (Meyyapann et al 2000), os usuários estão enfrentando alguns
problemas com os sistemas de informação totalmente digitalizados: eles não
sabem que fonte de informação é apropriada; onde e como localizar e mesmo
recuperar a informação, de modo que os sistemas de informação esperam que os
usuários saibam o que eles querem e que formulem a pergunta para representar
a informação. Isso muitas vezes, acarreta perda de tempo e de energia, ao buscar
páginas web a outro recurso de informação. Esses, portanto, são alguns dos
desafios para os profissionais da informação nessa nova dinâmica na gestão dos
sistemas de informação.

Todas as mudanças das novas tecnologias da informação e comunicação
vividas hoje estão pressionando os sistemas de informação quanto às suas
estruturadas

consideradas

tradicionais,

porque

necessitam

ampliar

as

possibilidades de acesso à informação, diante da globalização dos acervos, para
permitir que qualquer usuário possa ser independente em suas buscas de
informação.

A biblioteca universitária não pode ficar a margem dessa nova

realidade e terá que buscar uma forma de acompanhar o seu entorno em
mudanças de seus usuários e outros sistemas de informação.

A utilização generalizada das novas tecnologias consolidou o valor da
informação transformada em elemento essencial para o progresso da ciência e da
tecnologia. O novo setor produtivo da sociedade contemporânea, o acesso à
informação, provoca o surgimento de estudos, análises e novas posturas
profissionais de pessoas e sistemas na produção do conhecimento.

3 A Biblioteca Universitária e a Produção do Conhecimento

Segundo a definição da American Library Asociation (ALA), a biblioteca
universitária é aquela estabelecida, mantida e administrada por uma universidade,
para cumprir as necessidades de informação de seus estudantes e apoiar

�programas educativos de investigação e outros serviços. Segundo Yankova
(2002), a biblioteca universitária é considerada o elemento fundamental nos
programas educativos e científicos no desenvolvimento da universidade, ou seja,
é o “coração da universidade”.

A relação da biblioteca e o conhecimento remota à suas origens e se
mantém durante séculos no estímulo, apoio e fomento no desenvolvimento à
produção do conhecimento através do acesso as redes de informação.
Atualmente estão sendo transformadas suas funções de organizações centradas
em coleções para o acesso a informação. A missão das bibliotecas não estaria
mudando, sempre foram vistas como elo de conexão dos investigadores com a
informação disponível.

Novas atividades e ferramentas foram implementadas e exigem novos
paradigmas na maneira de gerenciar e administrar toda a informação e
conhecimento disponível. Novos processos irreversíveis da globalização e da
informática trouxeram também uma nova dinâmica no trabalho e na postura do
profissional da informação - bibliotecário.

Assistimos à explosão da informação, no qual circula com mais agilidade,
tornando-se uma preocupação quanto a sua localização, sistematização e
divulgação a fim de garantir sua utilidade na produção científica e tecnológica
dentro das universidades, visando à plena utilização dos recursos disponíveis nas
bibliotecas de ou através das redes, a partir das bibliotecas. As universidades
devem introduzir os usuários ao universo informacional para que este possa se
formar e adquirir autonomia na busca e sistematização de informações, através
de procedimentos para busca e uso da informação, garantindo o acesso
igualitário à informação no processo da promoção e estímulo na produção do
conhecimento.

Para Norezo e Vaughan (2000), as bibliotecas universitárias, é um
fenômeno do século XXI no que diz respeito à educação superior, enfrenta
numerosos desafios, por passar por constantes mudanças dentro de si mesmas e

�por vivenciar uma realidade que oferece todos os recursos tecnológicos. A
biblioteca universitária, por assim dizer, deve possuir material de referência
bibliográfico e eletrônico; um serviço de informação para apoio a pesquisa e ainda
favorecer o acesso à cultura do seu entorno e época. Para Owusu-Ansah (2001),
é dever da biblioteca universitária contribuir para o êxito de aprender, para a
efetividade da pesquisa para a preservação dos futuros clientes da indústria da
informação, por meio de sua organização e recuperação da informação voltados
para os membros do corpo acadêmico da universidade.

Para acompanhar essas novas mudanças e desafios, a biblioteca
universitária deverá determinar novas estruturas e funções para adequar-se as
novas necessidades dos usuários em educação superior. Sugerimos para estas
novas políticas de procedimentos e processos os seguintes indicadores:
•

Adequação de serviços e produtos

•

Otimização do uso de recursos

•

Inovação tecnológica

•

Racionalização dos métodos de trabalho

•

Atenção à normalização internacional

Para a Association of College &amp; Research Libraries, American Library
Association (2001), a alfabetização em informação é um conjunto de habilidades
que capacitam os indivíduos a reconhecer quanto necessitam de informação e a
demonstrar capacidade de localizar, avaliar e utilizar de maneira eficaz a
informação adequada. A alfabetização da informação é atualmente uma nova
realidade nas universidades e também a base para a aprendizagem, porque
capacita os usuários para o domínio dos conteúdos e amplia suas investigações,
ao torná-las auto-suficientes e com possibilidade de assumir maior controle sobre
sua aprendizagem.

É necessária uma mudança na prestação de serviços informacionais por
parte dos profissionais da informação – bibliotecário com os novos modelos de
ferramentas, fontes e acesso as informações, tornando-se este agente

�disseminador da informação visando promover e incentivar o uso da informação
para a produção do conhecimento. Normalmente os usuários descobrem na
totalidade os recursos provenientes e que podem ser obtidos por meio das
bibliotecas. A biblioteca universitária segue sendo a depositária ou indicadora de
informação confiável que é igual a conhecimento.

4 Conclusão

Atualmente existe uma maior consciência do valor da informação e uma
grande circulação de informação científica e tecnológica que permite um maior
intercâmbio e cooperação através do livre acesso a informação. Existem ainda
muitos programas regionais e internacionais de informação, redes e sistemas de
informação que se disponibiliza através da Internet. O desenvolvimento
tecnológico como uma das vertentes da globalização é irreversível e está criando
uma nova dinâmica de trabalho nos sistemas de informação. Mudaram-se os
termos, processos, atividades e produtos, mas as bibliotecas seguirão auxiliando
os usuários no uso dos recursos disponíveis e manejo das buscas de fontes de
informação seja de maneira pessoal ou virtual.

As universidades compartem os destinos de um país, por ser o sistema
mais representativo quanto à produção da informação e do conhecimento. E as
bibliotecas universitárias, que apóiam a universidade nessa missão, atualmente
enfrentam grandes desafios em suas atividades, pelas mudanças tecnológicas e
os novos modelos e tendências no ensino e na pesquisa, bem como também
pelas novas habilidades de seus usuários na busca de informação.

As bibliotecas universitárias estão em processo de grandes transformações
em seus serviços com esta nova dinâmica de acesso a informações científica e
tecnológica exigindo uma maior concepção de participante no processo de
produção do conhecimento. Seguramente as bibliotecas seguirão auxiliando seus
usuários no uso dos recursos disponíveis, processos, atividades, produtos e o
manejo de buscas de fontes de informação. Existem grandes esforços e projetos
que estão sendo desenvolvidos pelas bibliotecas universitárias em muitos âmbitos

�dos serviços e produtos para acompanhar os novos desafios e exigências que
atualmente necessita a universidade e a sociedade. Novos modelos e tendências
no ensino superior, novos programas pedagógicos, usuários com habilidades para
busca de informação também se apresentam como desafios para os profissionais
da informação - bibliotecário no desenvolvimento de seus serviços informacionais
e coleções para atender este novo dinamismo ao acesso à informação e
produção do conhecimento nas universidades.

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                <text>As bibliotecas universitárias são o mais representativo de um país como canal de comunicação para a produção do conhecimento, facilitando a integração e cooperação científica tanto no país de origem como em âmbito internacional, proporcionando uma formação acadêmica e científica através do acesso a informação e o conhecimento na sua amplitude maior de produção. O trabalho apresenta um estudo e uma análise contextual dos desafios da biblioteca universitária na gestão da informação na sociedade contemporânea necessitando uma nova dinâmica na localização, sistematização e divulgação garantindo sua utilidade na produção científica nas universidades, visando à plena utilização dos recursos informacionais disponíveis nas bibliotecas e ou através das redes, a partir das bibliotecas. Apresenta-se uma contribuição a reflexão e apontam diretrizes quanto às políticas e aos novos desafios das bibliotecas universitárias como agente disseminador e fomento no desenvolvimento a produção do conhecimento através do acesso livre a informação científica na sociedade contemporânea, transformando-se em organizações centradas no acesso a informação e não somente nas coleções. </text>
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                    <text>EIXO TEMÁTICO: O IMPACTO DAS TECNOLOGIAS ELETRÔNICAS E SUA MEDIAÇÃO

A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA, A COMPETÊNCIA INFORMACIONAL E O ACESSO
A FONTES DE INFORMAÇÃO NA INTERNET: estudo na Biblioteca Central da Universidade
Estado da Bahia (Uneb)1
Flávia Ferreira2
Jussara Borges3
Helena Pereira da Silva 4
Othon Jambeiro5
Resumo: Este trabalho tem como objetivo investigar o acesso e uso da Internet como fonte de informação acadêmica
numa biblioteca universitária. Buscou-se evidenciar, à luz da literatura, o papel que desempenha o bibliotecário de
referência na mediação e na capacitação dos usuários para buscarem a informação nas fontes de disponíveis na Internet.
Para isso, fez-se um estudo de caso na Biblioteca Central da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), em Salvador. A
metodologia compreendeu a aplicação de questionários com usuários da Biblioteca e entrevistas com sua diretora, a
bibliotecária e funcionários do setor de referência, e estagiários que trabalham na sala de acesso à Internet. Os
resultados indicam que os usuários utilizam a Internet apenas como fonte complementar de suas pesquisas. Entre os
motivos apontados para esse não-uso é saliente o desconhecimento e a pouca familiaridade com fontes de informação
científicas na Internet. Conclui-se pela necessidade de o bibliotecário de referência agir mais eficientemente em seu
papel de educador e intermediador entre o usuário e a informação.
Palavras-chave – Bibliotecas Universitárias; Bibliotecário de Referência; Fontes Digitais de Informação; Educação de
usuários; Competência informacional.

1 INTRODUÇÃO
O acesso à informação disponível na Internet passou a ser condição essencial na sociedade
contemporânea, já que todas as atividades humanas estão sendo nela representadas. As bibliotecas,
em particular as universitárias, foco de interesse aqui, vêm buscando a capacitação dos seus
profissionais para lidarem com esse meio e oferecerem serviços de promoção do acesso às fontes
digitais de informação por parte dos usuários, antes restritas aos profissionais de informação e mais
especificamente aos profissionais de referência.

Observa-se, assim, que cada vez mais o uso da Internet se expande para todos os setores da
sociedade, incluindo-se as universidades e suas bibliotecas. Disso emergem:
[...] dois pontos principais de análise: como se dá a utilização da Internet e para que a rede é
utilizada. [...] o Brasil ainda é carente de trabalhos dessa natureza. Por tratar-se de evento
recente e como as bibliotecas universitárias são, no país, aquelas que mais se
desenvolveram na automação de serviços e uso da Internet, tornam-se o ambiente ideal para
o levantantamento dessa importante questão (CUENCA e outros, 2000, p.3).
1

Parte inicial desta pesquisa foi publicada no VI Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (Enancib) e no VI
Encontro Nacional de Ciência da Informação (Cinform).
2
Ex-bolsista de Iniciação Científica, Bacharel em Biblioteconomia e Documentação - Instituto de Ciência da Informação (ICI) na
Universidade Federal da Bahia (UFBA). flaviaccf@yahoo.com.br.
3
Mestre em Ciência da Informação, Professora do ICI/UFBA. jussarab@ufba.Br.
4
Doutora (UFSC), Professora Adjunta do ICI/UFBA. helenaps@ufba.br.
5
Orientador, Phd (University of Westminster, Londres), Professor Titular do ICI/UFBA. othon@ufba.br.

1

�É nesse sentido que os estudos sobre o uso e acesso à Internet, assim como a seus recursos
informacionais, ganham relevância na sociedade vigente. O presente estudo objetiva investigar o
acesso e uso da Internet como uma nova fonte de informação acadêmica, na Biblioteca Central da
Universidade do Estado da Bahia (Uneb), evidenciando o papel que desempenha o bibliotecário de
referência na mediação e na capacitação dos usuários para buscarem a informação nas fontes
disponíveis na Internet.

A Biblioteca Central da Uneb, localizada na cidade de Salvador, criou em 2002 uma sala de
acesso à Internet com 9 computadores, com a intenção de oferecer aos seus usuários o acesso a
fontes de informação on-line, somando-se aos serviços tradicionais de acesso à informação.

Este artigo traz inicialmente uma fundamentação teórica que trata das bibliotecas
universitárias, das competências do bibliotecário educador e da information literacy (competência
informacional), que favorece o desenvolvimento de habilidades ligadas ao uso da informação
disponível na Internet. Em seguida apresenta a pesquisa empírica e as considerações finais.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
O advento da Sociedade da Informação é reflexo dos avanços políticos, sociais e
econômicos ocorridos na sociedade contemporânea. Ela anunciou uma realidade pós-industrial,
caracterizada pela valorização de uma economia baseada na informação e no conhecimento,
demandando profissionais habilitados no criar, manejar e processar a informação (MOREIRO
GONZÁLES, 2005).

As tecnologias da informação, nesse contexto, por meio da integração do computador e das
redes de comunicação, se constituíram em poderoso instrumento pelo qual enorme variedade de
formatos e tamanhos de organizações sociais podem ser tornadas possíveis. Provocaram,
igualmente, grandes mudanças no mercado de trabalho, o que, além de alterar o perfil de diversos
profissionais, fez surgir e se desenvolver uma vasta gama de novas profissões (TARAPANOFF;
SUAIDEN; OLIVEIRA, 2002, p.1).

2

�Certamente esse novo modelo de sociedade traz uma nova lógica de acesso e uso da
informação, conduzindo a transformações em todas as atividades humanas, particularmente na
prestação de serviços de informação.

Mesmo os serviços que pareciam consolidados nas suas práticas estão se vendo forçados a
uma profunda revisão. Esse é o caso das bibliotecas universitárias, instituições tradicionais, que se
deparam com a agilidade da oferta da informação nos meios digitais e, em função disso, com
mudanças significativas no perfil de seus usuários.

A nova situação enfrentada pelas bibliotecas universitárias exige profissionais capacitados
para o uso das novas tecnologias e para o treinamento do usuário na sua utilização e no acesso às
fontes de informação on-line. Esta seria uma nova forma de participação da biblioteca no cotidiano
dos usuários e, conseqüentemente, na Sociedade da Informação.

2.3 COMPETÊNCIAS DO BIBLIOTECÁRIO EDUCADOR

A função educativa do bibliotecário é visualizada com o surgimento do serviço de
referência, que se amplia com a implementação da educação de usuários, conjunto de atividades
que, ao contrário do serviço de referência, apresentam uma característica proativa, realizando-se por
meio de ações planejadas de uso da biblioteca e de seus recursos (CAMPELLO, 2003).

Com o surgimento da atividade de educação de usuários, o bibliotecário assume o papel de
educador, ou seja, participante ativo da realidade dos usuários. Antes apenas atendia às questões
solicitadas pelos usuários na sala de referência. Hoje deve buscar acima de tudo conhecer as
necessidades de informação dos usuários reais e potencias e investir no desenvolvimento de
programas de capacitação, divulgando-os para todos os membros da comunidade universitária.

Nesse movimento de capacitação de usuários, o bibliotecário, acima de tudo, deve buscar
estratégias para realizar o desenvolvimento e aprimoramento contínuo do seu perfil de educador.
Somente assim poderá interagir de forma efetiva no processo de aprendizagem dos usuários,
permitindo-lhes que utilizem as fontes de informação on-line de modo a atender satisfatoriamente
suas necessidades informacionais.

3

�Tarapanoff; Suaiden e Oliveira (2002, p.3) salientam que: “os bibliotecários [...] devem,
assim como os professores, tornarem-se animadores da inteligência coletiva dos cidadãos e dos
estudantes, oferecendo ferramentas intelectuais para que os indivíduos cooperem e produzam
conhecimentos em grupo.”

O trabalho em conjunto com professores da universidade é o novo desafio para o
profissional da informação. Além das competências técnicas e gerencias, deve estar apto a educar e
a instruir para facilitar a aprendizagem e a construção de conhecimentos por parte dos educandos
(usuários). Esses devem ser conduzidos e estimulados a buscar a autonomia na construção do
conhecimento individual e coletivo.

Para participar ativamente do processo de construção do conhecimento dos usuários seja
individual, ou coletivo, o profissional deve assumir de fato o paradigma de educador, promovendo
práticas profissionais inovadoras, condizentes com as novas tendências da Sociedade da
Informação. Dessa forma será agente ativo “[...] dum processo de educação continuada que poderá
contemplar as exigências provindas de mutações tão rápidas, com habilidades e competências
específicas, compatíveis com as diversas áreas [...] como a Internet, a informação, e o
empreendedorismo” (BAPTISTA apud BORGES, 2004, p.65).

Lidar com equipes interdisciplinares e ser um empreendedor, buscando novas formas de
facilitar o processo de mediação e de capacitação para o uso das fontes de informação e das TICs,
são competências a serem incorporadas no fazer do bibliotecário educador. Além dessas
competências, Stripling (apud CAMPELLO, 2003, p.31) aponta que nesse novo paradigma a ser
assumido pelo profissional da informação se faz necessário que ele seja: orientador, elo de ligação
entre o usuário e as fontes de informação on-line e catalisador do processo de aprendizagem.
Portanto, algumas das funções que competem ao bibliotecário no processo de aprendizagem,
no qual o usuário participa sendo responsável pela construção do seu próprio conhecimento, podem
ser assumidas em conjunto com os professores das diversas áreas do conhecimento na universidade,
como por exemplo: a posição de estimulador da aprendizagem e a atividade de planejamento
curricular. Ambas, se trabalhadas em equipe multidisciplinares, levariam a uma melhor
compreensão das atividades curriculares, assim como das atividades extracurriculares.

4

�Quanto a isso Kuhluthau (apud CAMPELLO, 2003, p.32-33) afirma que o desafio do
bibliotecário na sociedade é educar o usuário “[...] para viver e aprender em ambiente rico em
informação. Os professores não podem fazer isso sozinhos. O bibliotecário desempenha papel
fundamental no enfrentamento desse desafio”.

Todas essas iniciativas, se devidamente adaptadas à realidade da biblioteca universitária e
ao fazer do profissional, poderão contribuir para o fortalecimento e reconhecimento do seu papel
na biblioteca e conseqüentemente na universidade. Para tanto, é indispensável que o profissional
da informação esteja apto para utilizar as TICs e as fontes de informação on-line como aliadas no
processo de busca, acesso e uso da informação na biblioteca universitária.

Tarapanoff, Suaiden e Oliveira (2002) reforçam o papel do bibliotecário educador no âmbito
da biblioteca universitária, salientando que ele deve constituir-se, acima de tudo, na competência de
educar a si próprio, ou seja, assumir a postura de manter-se atualizado, para educar os usuários.
Esse é um dos grandes desafios para o profissional da informação e um passo importante para a
capacitação de usuários no uso das fontes de informação on-line, na biblioteca universitária.

Agindo assim o bibliotecário deverá também aprimorar a sua competência no uso da
informação e das tecnologias, reafirmando o seu papel vital no processo de educação informacional,
transformando-se em membro participante na comunidade em que atua.

2.4 A INFORMATION LITERACY
A Sociedade da Informação, caracterizada pela rápidas e abundantes disponibilização de
informação, em grande uma variedade de formatos, é o espaço mais abrangente por onde trafega o
movimento da competência informacional. É um ambiente tão diferente e mutante que exige novas
habilidades para nele se sobreviver (ASSOCIATION ..., 1998, apud CAMPELLO, 2003, p.33).

Extensas listas de competências e atribuições são descritas na literatura para caracterizar o
que o bibliotecário, envolvido com a aprendizagem, deve ser e fazer. Nessa literatura é relembrado
repetidamente que o bibliotecário educador deve deslocar seu foco dos recursos da biblioteca para
os usuários, a fim de criar no âmbito da biblioteca uma comunidade de aprendizagem.

5

�A mudança de foco dos recursos informacionais da biblioteca para os usuários foi o primeiro
passo para a implantação da information literacy na biblioteca, que aliada à idéia da educação de
usuários, favoreceu o surgimento da information literacy education. Ela consiste na mediação e
promoção do acesso à informação, sendo“[...] antes de tudo, um processo que se inicia com a
percepção da necessidade de informação, de socialização do acesso físico e intelectual à
informação; acontece lentamente e envolve toda a comunidade educacional, tendo seu
desenvolvimento neste contexto.” (DUDZIAK, 2003, p.31).

O termo competência informacional, traduzido de information literacy, foi utilizado
inicialmente nos Estados Unidos. Designava habilidades ligadas ao uso da informação eletrônica.
No Brasil o termo está em fase de consolidação. Foi mencionado pela primeira vez por Caregnato
(2000 apud CAMPELLO, 2003, p.28), que o traduziu como “alfabetização informacional”, num
texto em que propõe a expansão do conceito de educação de usuários. Nesse texto ela ressalta a
necessidade de as bibliotecas universitárias se prepararem para disponibilizar novas maneiras de
incentivar os usuários a desenvolverem as habilidades informacionais necessárias para interagirem
no ambiente digital. Vários outros autores, entre os quais Dudziak (2003), que também enfocam a
information literacy no contexto digital, utilizam o termo no original.

Faqueti e Blattmann (2004) afirmam que a information literacy é também chamada de
letramento informacional e delineia-se em resposta ao desafio de uma sociedade que está em
constante mudança, onde o processo de aprendizagem deverá ser uma constante na vida de todos.

A aprendizagem do uso da informação no meio digital é o cerne do movimento da
information literacy. Para que o indivíduo seja considerado letrado no uso da informação deve estar
apto a buscá-la e utilizá-la no processo de criação de novos conhecimentos.

De acordo com a Association of College and Research Libraries (apud 2004 FAQUETI;
BLATTMANN, 2004, p.64) para um indivíduo ser considerado letrado no uso da informação deve
ser capaz de:
a)
b)
c)
d)
e)

determinar a extensão da informação que necessita;
acessar a informação eficaz e eficientemente;
avaliar as informações e suas fontes criticamente;
incorporar as informações selecionadas como seu conhecimento;
usar a informação efetivamente para realizar propostas específica;
f)
entender o alcance social, econômico e legal do uso da informação eticamente e
legalmente.

6

�A information literacy representa na vida do indivíduo um processo que está diretamente
ligado ao processo de aprendizagem. Ela favorece o desenvolvimento da autonomia e do senso
crítico do indivíduo na busca da informação, devendo para tanto ser contínua e fundamentada em
habilidades e atitudes necessárias à interação com o ambiente informacional, em meio digital.

O Quadro 1 mostra como se estabelece essa relação de aprendizagem entre o educador
(bibliotecário) e o educando (usuário). Segundo Dudziak (2003) essas ações conduzem a quatro
atitudes que devem ser assumidas por parte do bibliotecário: a intencionalidade, a reciprocidade, o
significado e a transcendência.

AÇÕES

OCORRÊNCIAS

1-Intencionalidade

ocorre quando o bibliotecário educador direciona a
interação e o aprendizado;

2- Reciprocidade

ocorre quando o bibliotecário está envolvido em um
processo de aprendizado e ambos aprendem;

3- Significado

ocorre quando a experiência é significativa para
ambos;

4- Transcendência

ocorre quando a experiência vai além da situação de
aprendizagem e extrapolada para a vida do aprendiz.

Quadro 1: Etapas do Processo de Aprendizagem
Fonte:Adaptado de Dudziak (2003, p.33).

O contexto mostrado no quadro acima deixa evidente que capacitar os usuários para serem
competentes na busca da informação envolve a promoção de programas de treinamento para utilizar
as TICs e acessar a informação por meio delas. A partir dessa atividade o bibliotecário é estimulado
a assumir atitude proativa, participando, assim, como membro ativo do movimento da information
literacy.

O processo de aprendizagem deve levar a altos níveis de utilização da informação disponível
na rede, pela comunidade universitária. Para tanto, o programa de treinamento empreendido pela
biblioteca universitária não deve conduzir somente à capacitação de usuários para realizarem seus
trabalhos acadêmicos, mas também ao desenvolvimento do conjunto de potencialidades dos
usuários, no que se refere à busca, seleção e uso da informação disponível na Rede.

7

�3 A PESQUISA EMPÍRICA
3.1 METODOLOGIA
Como anteriormente afirmado, o objetivo deste estudo foi evidenciar, à luz da literatura, o
papel que desempenha o bibliotecário de referência na mediação e na capacitação dos usuários para
buscarem a informação nas fontes disponíveis na Internet, ressaltando sua importância no processo
de letramento informacional. Para isso, fez-se um estudo de caso na Biblioteca Central da
Universidade do Estado da Bahia (Uneb), em Salvador.

A condução se deu em 3 etapas, a saber: 1 - Levantamento, descrição e avaliação dos
serviços oferecidos pela Biblioteca, mediante entrevista semi-estruturada com a diretora, a
bibliotecária e três funcionários do Serviço de Referência; 2 - análise do serviço de acesso à Internet
e levantamento do número de usuários que freqüentam a sala de acesso diariamente, mediante
entrevista com três estagiários que trabalham nesse serviço, totalizando assim, oito entrevistados,
dentre os que trabalham na Biblioteca; 3 - aplicação de questionários com perguntas objetivas e
subjetivas a 118 usuários , que compareceram à sala de acesso à Internet, nas três primeiras
segundas-feiras do mês de abril do ano de 2005. Nessa etapa, foram esclarecidos a respeito dos
objetivos da pesquisa e solicitados a colaborar, respondendo às questões relativas ao uso dos
serviços da Biblioteca.

3.2 A BIBLIOTECA CENTRAL DA UNEB
A Biblioteca está localizada no Campus 1, Cabula, em Salvador (BA). Na estrutura
administrativa da Uneb está vinculada à Pró-Reitoria de Graduação e é a unidade gerenciadora do
Sistema de Bibliotecas da Universidade, constituído por ela própria e 22 outras bibliotecas setoriais
localizadas também na Bahia.

São seus objetivos: a coordenação técnica dos serviços bibliotecários, o apoio na
implantação de novas bibliotecas e o processamento técnico das obras adquiridas. Seus principais
serviços são: planejamento, aquisição, processamento técnico, empréstimo interbibliotecário,
orientação à normalização dos trabalhos acadêmicos, serviço de comutação bibliográfica,
empréstimo domiciliar, consulta local ao acervo, reserva de livros, serviço de referência, acesso ao
Portal Capes e a outras fontes disponíveis na Internet.

O serviço de acesso à Internet é disponibilizado em sala própria para tal fim e dispõe de
nove máquinas, sendo que algumas com o Office para a realização de trabalhos acadêmicos. Essa
8

�sala foi fundada em 2002, financiada e mantida pela própria Universidade. Tem como objetivo
oferecer acesso a diversas fontes de informação disponíveis na Internet. Apesar de a Biblioteca
oferecer o acesso às fontes de informação na Internet, não disponibiliza um programa de
capacitação para acesso a essas fontes. A proposta ideal seria oferecer o serviço de referência na
sala de acesso à Internet, que teria como pressuposto básico disseminar a informação independente
do suporte em que ela se encontre, oferecendo treinamento de usuários e orientação monitorada
para possíveis dúvidas relacionadas ao uso das bases de dados e às diversas estratégias de busca.

3.3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
Os 118 questionários, aplicados aleatoriamente nas três primeiras segundas feiras de abril de
2005, atingiram 13 cursos de graduação da Uneb, conforme explicita a Tabela 1.
Tabela 1 - Usuários entrevistados na Biblioteca
Central da Uneb em 2005, por curso de graduação
Curso

Nº de usuários

(%)

Comunicação Social- Relações Públicas
Comunicação c/ habilitação em Jornalismo
Turismo e Hotelaria
Engenharia Civil
Letras c/ Inglês
Letras Vernáculas
Ciências Contábeis
Enfermagem
Administração
Fonoaudiologia
Pedagogia
Licenciatura em Química
Nutrição
Total

1
1
3
5
4
4
6
8
10
15
15
18
28
118

0,79
0,79
2,38
3,97
3,17
3,17
4,76
6,35
7,94
11,90
11,90
14,29
22,22
100,00

A tabela mostra que o curso com maior índice de freqüência foi o de Nutrição, com 22,22%
dos entrevistados. Depois dele, com freqüência de alguma significação, aparecem os cursos de
Licenciatura em Química (14,29%), Fonoaudiologia (11,9%) e Pedagogia (11,9%). Dentre os que
aparecem na amostra, os de menor índice foram: Comunicação, Turismo e Hotelaria, Engenharia
Civil e Letras, todos abaixo de 4%. Ressalte-se que estes índices têm pouco significado, uma vez
que os questionários foram aplicados em três segundas-feiras: como se sabe, a concentração de
alunos de um determinado curso numa universidade depende de variáveis que incluem os semestres
em que estão matriculados, os horários das aulas e os dias da semana em que é ministrada a maioria
das disciplinas de cada semestre.

Na Tabela 2 são apresentadas as fontes de informação que, de acordo com os usuários, são
prioritárias para o desenvolvimento de suas atividades acadêmicas.
9

�Tabela 2: Fontes de informação prioritariamente
utilizadas pelos entrevistados
Fontes de informação
Livros
Internet
Revistas e jornais
Periódicos científicos
Enciclopédias
Dicionários
Bases de dados
Total

Nº de usuários
100
9
6
1
2
118

(%)
84,75
7,63
5,08
0,85
1,69
100,00

Os números da Tabela 2 realçam o fato de que o serviço de acesso à Internet na Biblioteca
Central da Uneb não representou impacto considerável em relação ao uso de material impresso: dos
118 usuários entrevistados, 100 deram prioridade ao livro (84,75%), 9 à Internet (7,63%) e 6 a
revistas e jornais (5,08%), como principal fonte de informação para o desenvolvimento de trabalhos
acadêmicos. Nenhum deles citou enciclopédias ou dicionários, opções que constavam nas
possibilidades de resposta, e somente um citou periódicos científicos.

O fato de apenas 2 terem citado como prioritário o uso das bases de dados evidencia o não
conhecimento dessa fonte de informação essencial no auxílio à pesquisa, por parte da maioria dos
usuários. Fica também evidente que privilegiam as fontes em meio impresso (livros, revistas e
jornais perfazem 89,83%) como predominantes no desenvolvimento de suas atividades acadêmicas.
A Internet é, claramente, uma fonte secundária.

A Tabela 3 apresenta o número de usuários que utilizam o serviço de acesso à Internet na
Biblioteca Central da Uneb.
Tabela 3:
Acesso à Internet no Infocentro da Biblioteca
Categorias
Sim
Não
Total

(f)
97
21
118

(%)
82,2
17,8
100

É relativamente intensa a utilização do serviço de acesso à Internet por parte dos
entrevistados, uma vez que 82,2% o fazem regularmente. Mas em se tratando de um ambiente
acadêmico contemporâneo, com praticamente a totalidade dos alunos em plena juventude, deve-se
considerar alto o índice de 17,8% de alunos que, embora freqüentem a Biblioteca, ali não acessam a
Internet. Apesar do infocentro ter sido criado com o objetivo de favorecer o acesso da Internet como
10

�fonte de informação acadêmica, foi detectado que na prática a maioria dos usuários estavam
utilizando o acesso a Rede para consultar e-mail, sites de entretenimento e sites de busca.

Admitindo-se que são incluídos digitalmente, isto significa que esse acesso na Biblioteca
não representa para eles nenhum diferencial. Ou vão ali em busca apenas de material impresso,
realizando seu acesso em casa ou outro lugar, ou não reconhecem o mundo virtual na sua qualidade
de extraordinária fonte de informação. Em qualquer das hipóteses, mais particularmente na
segunda, os dados reafirmam a necessidade da intervenção do bibliotecário de referência como
educador e intermediário do usuário com as fontes de informação, já que disponibilizar o acesso à
informação on-line nas bibliotecas “[...] requer do bibliotecário o desenvolvimento de habilidades
necessárias a sua qualificação profissional, principalmente na intermediação e gerenciamento do
fluxo da informação digital no ambiente da rede de computadores”(BLATTMANN, 2003; RADOS,
2000, p.5).

A Figura 1 complementa a questão anterior, ilustrando as fontes utilizadas mediante o uso da
Rede, na sala de acesso à Internet da Biblioteca:
Sites de
Busca

48%

E-mail

36%

Periódicos
eletrônicos
Bases de
dados

15%

1%

0%

10%

20%

30%

40%

50%

60%

Figura 1:Finalidade do Uso da Internet na Biblioteca

Quando perguntados sobre a finalidade do acesso à Internet na Biblioteca, verificou-se que
bases de dados e periódicos eletrônicos são consultados por apenas 16% deles. Sites de busca, com
48% e e-mail, com 36% são os acessos preferidos. De todos, apenas 01 afirmou conhecer uma base
de dados, a Scielo, e nenhum conhece o Portal Capes. O que reafirma mais uma vez a necessidade
da atuação do bibliotecário de referência, promovendo programas de capacitação e divulgação das
fontes de informação científicas disponíveis na Rede.

11

�4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A biblioteca universitária, no contexto da Sociedade da Informação, está pautada em ações
que visam não apenas o acesso à Internet na Biblioteca, mas, acima de tudo, a divulgação dos
serviços e a capacitação dos seus usuários. Essa última deve estar voltada para ações que almejem o
letramento informacional dos usuários, favorecendo desse modo o acesso e uso da informação online, de modo eficaz.

Os dados empíricos reafirmam a necessidade do letramento informacional como prática
necessária, ao mostrarem o uso ínfimo de fontes importantes de informação on-line por meio do
serviço de acesso à Internet da Biblioteca da Uneb. A ausência de orientação e treinamento aos
usuários é, seguramente, a causa principal da subutilização dessas bases. Isso indica que na
Biblioteca e, conseqüentemente, entre seus usuários, ainda não existe uma cultura informacional
que leve os indivíduos a otimizarem o acesso e uso das fontes de informação on-line.

Evidenciou-se também que a implantação do acesso à Internet na biblioteca demanda que o
profissional da informação assuma novas formas de atuação para dar significado à oferta desse
acesso nas dependências da biblioteca, de acordo com o conceito de information literacy education.
Sem educação para o uso da informação, dificilmente este tipo de serviço cumprirá seu papel
acadêmico. Isto se reflete igualmente na formação do profissional de informação e nas atitudes,
habilidades e conhecimentos que deve ter, porque, ao mesmo tempo em que as novas tecnologias
ampliam seus espaços de trabalho, reconfigurando suas práticas profissionais, reforçam um atributo
tradicional de seu perfil, que é o de educador.

Essas mudanças vivenciadas atualmente deveriam conduzir os profissionais da biblioteca a
um processo de amplo questionamento. O novo contexto tecnológico sugere que a biblioteca e a
universidade devem rever seu papel, adequando os serviços de informação, particularmente os das
bibliotecas acadêmicas, já que na nova realidade informacional, cada vez mais as fontes de
informação migram para a Internet.

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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Documentação&#13;
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                <text>A biblioteca universitária, a competência informacional e o acesso a fontes de informação na internet: estudo na Biblioteca Central da Universidade Estado da Bahia (UNEB).</text>
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                <text>Este trabalho tem como objetivo investigar o acesso e uso da Internet como fonte de informação acadêmica numa biblioteca universitária. Buscou-se evidenciar, à luz da literatura, o papel que desempenha o bibliotecário de referência na mediação e na capacitação dos usuários para buscarem a informação nas fontes de disponíveis na Internet. Para isso, fez-se um estudo de caso na Biblioteca Central da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), em Salvador. A metodologia compreendeu a aplicação de questionários com usuários da Biblioteca e entrevistas com sua diretora, a bibliotecária e funcionários do setor de referência, e estagiários que trabalham na sala de acesso à Internet. Os resultados indicam que os usuários utilizam a Internet apenas como fonte complementar de suas pesquisas. Entre os motivos apontados para esse não-uso é saliente o desconhecimento e a pouca familiaridade com fontes de informação científicas na Internet. Conclui-se pela necessidade de o bibliotecário de referência agir mais eficientemente em seu papel de educador e intermediador entre o usuário e a informação.</text>
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A catalogação cooperativa e a conversão retrospectiva na formação e
alimentação do Banco de dados bibliográficos – ATHENA: uma
experiência da Biblioteca do Campus de Marília-UNESP
Maria Célia Pereira1

RESUMO: A catalogação cooperativa e a conversão retrospectiva de dados desempenham
papel preponderante no âmbito dos registros bibliográficos nas bibliotecas atuais. No entanto
esta questão merece ser demonstrada no contexto da UNESP, para que se propõe analisar a
cooperação do Banco de Dados Bibliográficos da UNESP – ATHENA com a Rede de
catalogação cooperativa brasileira BIBLIODATA. Utiliza-se uma amostra de livros
comprados pela Biblioteca da UNESP de Marília no ano de 2002 e inseridos no Banco
ATHENA através da catalogação cooperativa e da conversão retrospectiva, identificando
percentual de registros encontrados e importados do BIBLIODATA para verificar o índice de
cooperação com esta rede. Os resultados obtidos e analisados revelam que: a) em 28% do
material pesquisado já existia registro igual na base local, sendo preciso apenas incluir um
novo item ; b) 32% foi localizado na UEP01 (catálogo coletivo do Banco ATHENA) ; c) 33%
foi encontrado no BIBLIODATA ; d) 1% na LC (Library of Congress) e o restante dos livros
(6%), as páginas de rosto foram encaminhadas para o Laboratório de Tecnologias
Informacionais (LTI) para pesquisas na OCLC, sendo o material não localizado devolvido
para unidade (Marília) para a catalogação original, finalizando o processo de pesquisa e
inserção de registros na base. Tais aspectos permitem concluir que a maioria do material
pesquisado (65%) foi incluída na base através da catalogação cooperativa, demonstrando a
importância da adoção de formas cooperativas gerando rapidez na alimentação de um Banco
de Dados Bibliográficos.
Palavras-chave: Catalogação cooperativa. Conversão retrospectiva. Banco de
Dados Bibliográficos.
Introdução
Com a introdução dos microcomputadores em larga escala nas bibliotecas,
principalmente nas universitárias, e com os meios de comunicação mais ágeis, criouse a necessidade de informatizar as bibliotecas. Os usuários mais exigentes devido
a informatização de outros setores, também contribuíram para que houvesse uma
percepção por parte dos administradores da necessidade de automação das
bibliotecas.
O primeiro passo seria a automação dos catálogos de registros bibliográficos. Sem a
formação de um catálogo automatizado, o desenvolvimento de os outros serviços de
1

Bibliotecária da Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista – UNESP – Campus de
Marília. Av. Hygino Muzzi Filho, 737 – 17525-900 – Marília – SP E-mail: maceliap@marilia.unesp.br

�2

uma biblioteca, tais como, circulação, empréstimo, aquisição, entre outros, fica
comprometido.
A UNESP, através da Coordenadoria Geral de Bibliotecas - CGB, órgão que viabiliza
o funcionamento sistêmico das bibliotecas, sentiu essa necessidade e iniciou a
automação a partir da formação de um Banco de dados bibliográficos – ATHENA,
de suas 22 bibliotecas com a finalidade de otimizar e maximizar o acesso às suas
coleções.
Em 1997 a automação dos catálogos iniciou-se com a aquisição do software ALEPH,
um sistema desenvolvido pela empresa Ex-libris, com sede em Jerusalém, Israel,
sendo utilizado em 44 países.
Para a formação de uma base de dados de qualidade, a importação de registros de
outras bases, registros prontos ou semi-prontos com a finalidade de formar
rapidamente a base desejada era uma necessidade para colocá-la à disposição dos
seus usuários, e conseqüentemente para outros serviços oferecidos pela biblioteca e
que dependem da automação dos catálogos. Diante destas necessidades, a UNESP
passou a fazer parte do sistema de cooperação de registros da rede BIBLIODATA,
única rede de cooperação brasileira. Em 1998, foi celebrado um contrato com a
OCLC, rede de cooperação norte-americana, para a localização de registros não
localizados na Rede BIBLIODATA.
Este trabalho tem por finalidade destacar a importância da catalogação cooperativa
e da conversão retrospectiva

na formação e alimentação do Banco de dados

bibliográficos da UNESP – ATHENA, bem como, demonstrar a importância de fazer
parte da rede de catalogação cooperativa brasileira, o BIBLIODATA.
Pretende-se também, verificar por meio de uma amostra o percentual de registros
encontrados e importados do BIBLIODATA, isto é, identificar o índice de cooperação
e a quantidade de registros cooperados com esta rede.

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Rede BIBLIODATA2
Na década de 40, iniciou-se no Brasil, a evolução de modernas técnicas na área de
Biblioteconomia, especialmente voltada à catalogação. Pensava-se na criação de
um Serviço nacional de catalogação cooperativa. Com esse intuito foi criado o
Serviço de Intercâmbio de Catalogação (SIC) que tinha como finalidade ajudar
mutuamente as bibliotecas participantes do país. O SIC cresceu e que em 1970 foi
implantado o Projeto CALCO (Catalogação Legível por Computador), representando
um marco na automação dos registros bibliográficos no Brasil.
Em 1976, a Fundação Getúlio Vargas já incentivava programas que visassem
cooperação bibliotecária para que o controle bibliográfico nacional fosse realizado a
curto prazo facilitando a disseminação de informações em qualquer campo do
conhecimento.
Em 1977, iniciou-se o projeto BIBLIODATA/CALCO com o propósito de ser um
sistema de Utilidade bibliográfica para desenvolver e manter o Catálogo Coletivo da
Rede com o objetivo de definir e criar instrumentos de trabalho, gerando facilidades
e soluções para o compartilhamento de serviços e recursos entre as instituições
participantes.
Nos primeiros anos de funcionamento, a Rede BIBLIODATA/CALCO foi crescendo
lentamente, esperando-se a contribuição de novas bibliotecas participantes, o que
dificultou, de imediato, a sua autonomia financeira.
No período de 1994 a 1996 a Rede passou por processos de reorganização e
registros bibliográficos em CALCO passaram para USMARC em uma atualização
necessária para que os registros fossem compatíveis com diversos softwares de
automação de bibliotecas em âmbito nacional e internacional
Seguindo os processos de reorganização, a FGV passa a utilizar os softwares norteamericanos da VTLS (Vírginia Tech Library System) e representar os seus produtos.
Com o novo sistema em funcionamento, a Rede BIBLIODATA/CALCO passa a
denominar-se de Rede BIBLIODATA. A partir de então, concentraram-se os esforços

2

Extraído do histórico do site da FGV – http://www.bibliodata.fgv.br.

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na criação do CD-ROM de Catalogação da Rede e na venda de sistemas VTLS para
bibliotecas brasileiras. A FGV conseguiu vender alguns contratos, mas não houve
um retorno financeiro desejado e como conseqüência, decide cancelar o contrato.
Após essa trajetória, a Rede BIBLIODATA continuou firme no seu trabalho e
atualmente conta com a participação de 60 instituições, dentre elas a UNESP com o
objetivo de melhorar ainda mais o intercâmbio e a cooperação com as outras
bibliotecas, foram tomadas algumas iniciativas importantes, tais como:
-

criação de um website para a Rede;

-

desenvolvimento de cursos à distância para atualização dos profissionais da
Rede;

-

e um novo sistema para gerenciar o Catálogo Coletivo, a Catalogação
cooperativa on-line.

Catalogação Cooperativa
O uso de tecnologias na catalogação não é uma novidade na Biblioteconomia. Em
1846, Charles Coffins Jewett, bibliotecário da Smithsonian Institution nos Estados
Unidos, considerava que a melhor forma de atingir o objetivo proposto pelo criador
da Instituição seria fazer uma grande biblioteca nacional e nela formar um catálogo
coletivo de todas as bibliotecas públicas dos Estados Unidos.
Jewett acreditava que este seria o primeiro passo para a formação de um catálogo
universal. O chefe de Jewett discordou e o bibliotecário foi demitido. As duas ações
(catalogação cooperativa – ação bibliotecária e a estereotipia – desenvolvimento
tecnológico) propostas por Jewett tornariam viável a formação de um catálogo
coletivo nacional (BALBY, 1995, p.29).
Lançando esta idéia, Jewett criou as bases que dão sustentação à existência da
catalogação cooperativa atualmente. O primeiro passo que se deve dar ao catalogar
um material é verificar se ele já foi catalogado por outra biblioteca, se positivo,
aproveita-se esta catalogação, se não totalmente, pelo menos parcialmente, pois
segundo Balby (1995, p.30) “|...| uma biblioteca jamais deveria catalogar novamente
um material que já foi catalogado por outra biblioteca |...|”.

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A Library of Congress (LC), no início do século XX ampliou a idéia de Jewett,
produziu jogos de fichas catalográficas por uma outra tecnologia (processo
tipográfico) e vendeu-as por um preço de custo mais dez por cento às bibliotecas
que se interessassem. Com a difusão dessas fichas amplia-se a discussão sobre a
forma de catalogação e a necessidade de padronização para a representação de
dados bibliográficos e catalográficos, nesse momento a adoção e o desenvolvimento
de códigos de catalogação tornam-se uma realidade. No período de 1960-65,
iniciou-se um projeto piloto na LC denominado MARC – Machine Readable
Cataloguing, para a utilização de computadores no processo de catalogação.
Ainda encontramos resistências na padronização da representação descritiva,
mesmo com o uso de computadores, segundo Gusmão (2001, p.35),
A adoção de um formato local independente, ainda é rotina em muitas
bibliotecas, em pleno ano de 2001, não por causa da limitação técnica dos
equipamentos, mas por despreparo e inexperiência dos bibliotecários e
analistas de sistema, responsáveis pela automação.

Nenhuma biblioteca pode fazer tudo sozinha é necessário uma troca de recursos
informacionais para poder desenvolver e atender os serviços a ela solicitados.
Existem também as questões dos recursos financeiros e técnicos que no trabalho
cooperativo são compartilhados com os cooperados com o intuito de atingir os
objetivos comuns até mesmo com a efetivação de consórcios entre bibliotecas
(SANTOS; ALENCAR, 1999, p.114).
Consórcio para Brown (1998, apud SANTOS; ALENCAR, 1999, p.114),
é definido como uma associação de bibliotecas de uma mesma região ou
do mesmo tipo com interesses comuns e desejo de dividir custos. Rede
seria a interligação de bibliotecas independentes que usam ou constroem
uma base de dados comuns.

Com a globalização, a idéia de esforço individual se esgota dando início a idéia de
fazer mais com menos. A catalogação cooperativa como forma de compartilhamento
de recursos é a principal ferramenta para a formação e alimentação de um catálogo
coletivo informatizado.
Para Mercadante (apud SANTOS; ALENCAR, 1994, p.24), “|...| trabalho em rede
significa soma de capacidades para diminuir falhas e fraquezas; significa eliminar
barreiras em função de alvos comuns”.

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No trabalho compartilhado é preciso haver uma participação ativa de todos os
elementos que fazem parte das instituições e entre elas. É necessário um
entrosamento social entre os membros da rede, caso contrário ela não atingirá seus
objetivos e não se desenvolverá.
Conforme Santos e Alencar (1999, p.125),
A tendência mundial dos serviços de catalogação cooperativa é atingir o
usuário da forma mais eficiente possível. Com o grande crescimento da
produção do conhecimento, há necessidade sistemática de técnicas
modernas para a obtenção, tratamento e recuperação da informação.

Com a disponibilização dos catálogos on line das bibliotecas via Internet, mais
habilidades e mais responsabilidades são exigidas dos bibliotecários catalogadores,
pois ao definirem os pontos estratégicos de acesso à informação, definirão o grau de
recuperação da informação que estão sendo internalizados numa base de dados.
A catalogação cooperativa não torna o trabalho do bibliotecário catalogador menos
digno. Ao copiar um registro pronto, ao aproveitar um registro de outras bases para
construção de um que se pretende formar, não significa que não seja necessária a
analise no processo de catalogação e adaptações deste registro, que embora
apresente um mesmo formato, precise de adaptações.
Conversão retrospectiva
A grande produção bibliográfica depositada nas bibliotecas e livrarias e a dificuldade
de representação desses documentos na forma de representações descritivas
originais levaram a percepção pelos bibliotecários na década de 80 da necessidade
de um método que permitisse o aproveitamento de registros já existentes conversão retrospectiva
A conversão retrospectiva é um recurso amplamente utilizado pelas bibliotecas de
vários países para incrementar base de dados bibliográficos. Este processo consiste
em transformar dados bibliográficos contidos em uma ficha, ou em qualquer outro
suporte em dados legíveis por máquina.
Para Campbell (1994, apud HUBNER, 2002, p.5),

�7

A conversão retrospectiva busca a incorporação da totalidade dos registros
dos acervos das bibliotecas aos catálogos online, e desta forma eliminar o
problema de ter de conviver com catálogos manuais e automatizados ao
mesmo tempo, situação esta que ainda é encontrada em muitas
bibliotecas.

Metade do acervo do Brasil ainda não se encontra no formato MARC ou em meio
magnético, por este motivo a conversão retrospectiva apresenta-se uma excelente
solução

para

as

bibliotecas,

pois

seus

acervos

seriam

disponibilizados

automaticamente e de uma forma mais rápida (HUBNER, 2002, p.6).
Para Martinelli (1998, apud GATTI; FOGOLIN, 1999, p.34),
O processo de conversão consiste em pesquisar as fichas dos catálogos
das bibliotecas em bases de dados que servem como fonte de registros.
Quando encontrados os registros que se referem ao mesmo documento da
ficha, é feita uma cópia para um arquivo local. Esses registros são
adequados à situação da Universidade, passando por um processo de
edição para inclusão de informações da biblioteca, e importados para o
sistema local.

Na implantação de um projeto de conversão retrospectiva em uma biblioteca,
devemos ficar atentos para os seguintes pontos: - devemos ficar atentos é o formato
padrão, com a finalidade de garantir a transferência dos dados de um sistema para
dados sem perder informações, o formato MARC atende às especificações; - as
fontes de registros bibliográficos são fundamentais no processo de conversão
retrospectiva, pois a fonte escolhida deve oferecer facilidades, tais como: acesso
livre, cópia de registro no formato pela base em formação, etc... Estas fontes são
grandes Bancos de dados (no exterior: World Cat da OCLC e o Catálogo RLIN; no
Brasil: BIBLIODATA.
Aliada a todos estes pontos está a necessidade de verificar as particularidades do
sistema escolhido e as necessidades da biblioteca com relação a descrição
bibliográfica – campos obrigatórios, campos locais específicos, o sistema controla ou
não o catálogo de autoridades, etc... (HUBNER, 2002, p.6-8).
Segundo Balby (1994, p.42),
A coexistência de um catálogo automatizado e um catálogo manual
representando frações do acervo de uma mesma biblioteca, poderá
resultar na perda de acesso a partes significativas do mesmo, pois estudos
sobre o uso de catálogos automatizados mostram que muitas pessoas não

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vão além do primeiro catálogo que pesquisam. (CRAWFORD, 1989, apud
BALBY, 1994, p.42).

No caso da UNESP – Universidade Estadual Paulista, o projeto de conversão
retrospectiva foi e está sendo muito vantajoso, pois incorpora de uma forma rápida e
eficiente todos os dados dos catálogos em fichas ou dos catálogos localmente
automatizados ao catálogo online centralizado – Banco de dados bibliográficos –
ATHENA, conforme veremos em seguida.
Formação do Banco de dados ATHENA
A automação das bibliotecas da UNESP iniciou-se em 1994, depois da interligação
das suas unidades em uma rede computacional a partir da Reitoria em São Paulo.
Diante das inovações tecnológicas, agilização dos meios de comunicação e do
avanço das outras instituições, oferecendo novos serviços através dessas novas
tecnologias, a Coordenadoria Geral de Bibliotecas se preocupou em automatizar sua
Rede de bibliotecas e disponibilizar seu acervo bibliográfico

online, procurando

atender de forma mais eficaz as necessidades dos usuários.
Desde 1993, antes do processo de automação, a UNESP já fazia parte de uma rede
de catalogação cooperativa (BIBLIODATA) com o intuito de tornar disponível o
acervo da Universidade à comunidade em âmbito nacional, além de utilizar do
serviço de catalogação já desenvolvido e de dispor serviços em

rede, com a

produção de fichas e etiquetas para a manutenção dos catálogos das bibliotecas.
Em 1997, a UNESP decidiu comprar o gerenciador de bibliotecas ALEPH, sistema
integrado utilizado por bibliotecas internacionais e nacionais. Já havia um número
significativo de registros da UNESP no BIBLIODATA convertidos do formato CALCO
para o formato USMARC, prontos para serem inseridos em um banco de registros
bibliográficos.
O ALEPH foi adquirido com os módulos principais (OPAC – Online Public Acess
Catalog, Circulação, Empréstimo, Catalogação, Aquisição, Periódicos e DS1Disseminação Seletiva da Informação).
No início da automação em 1999, o módulo de catalogação foi instalado apenas na
CGB - Coordenadoria Geral de Bibliotecas – São Paulo, enquanto o OPAC foi

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disponibilizado para toda a rede com os registros da UNESP que foram convertidos
do BIBLIODATA para o Banco de dados bibliográficos da UNESP, o ATHENA. Nesta
fase inicial verificou-se o número de registros da UNESP contidos no BIBLIODATA e
realizou-se a conversão destes registros para o ATHENA.
A formação do ATHENA em sua primeira etapa realizou-se por aproveitamento de
registros bibliográficos do BIBLIODATA, como cooperante desta rede desde 1993.
Num segundo momento os registros não encontrados foram pesquisados nos
catálogos da LC-Library of Congress e da OCLC - Online Computer Library Center .
A catalogação original dos registros que não foram encontrados prontos ou semiprontos nas bases pesquisadas constituiu-se na fase final de formação da base..
Diante do fato de que a maioria das bibliotecas da Rede UNESP, no início do
processo de automação, tinha seus acervos representados em papel e em poucas
estavam automatizados, em MicroIsis, a qualidade dos registros e as poucas
informações, não encorajava um trabalho demorado e meticuloso de conversão, pois
os registros teriam que ser corrigidos e/ou completados. (FERREIRA; MARTINELLI,
1999, p.26)
Essa constatação encaminhou o trabalho para a pesquisa de registro por registro
nas bases e adoção do recurso de conversão retrospectiva, como um atalho. Não se
pode pensar em automação de bibliotecas, conseqüentemente na migração de um
catálogo online sem a utilização do processo de conversão retrospectiva de registros
bibliográficos e da catalogação cooperativa automatizada que, através de um
formato bibliográfico, proporciona o intercâmbio de registros.
É necessário, para um melhor entendimento, fazer uma distinção entre catalogação
original, catalogação cooperativa e conversão retrospectiva. A catalogação original
consiste na representação de itens documentários, criando-se registros a partir da
obra; catalogação cooperativa consiste na captação de registros bibliográficos
prontos em fontes servidoras, como o catálogo coletivo do BIBLIODATA, a partir da
própria

obra;

conversão

retrospectiva

consiste

na

captação

de

registros

bibliográficos prontos em fontes servidoras, a partir de fichas, xerox de páginas de
rosto, listagens geradas por sistemas diversos.

�10

Por falta de recursos humanos e financeiros e com a intenção de acelerar o
processo de conversão de registros bibliográficos, criou-se na UNESP/Marília, o
Laboratório de Tecnologias Informacionais (LTI), onde estagiários, alunos do curso
de Biblioteconomia da Unesp, desenvolvem pesquisas nas bases servidoras
gravando em arquivo os registros correspondentes às obras da Rede. Estes
estagiários tem o suporte de um monitor e supervisão de bibliotecárias do Grupo de
Automação da CGB.
Concomitantemente com a conversão retrospectiva iniciou-se o processo de
catalogação de registros originais. Deu-se preferência à produção científica da
UNESP, por meio das teses defendidas nas unidades universitárias. Algumas
unidades fazem a catalogação original de sua produção científica na própria
unidade, mas a maioria envia as páginas de rosto com os assuntos correspondentes
para que as bibliotecárias da CGB -Marília realizem a catalogação original.
Com a inserção de registros provenientes da catalogação original no Banco de
dados bibliográficos ATHENA, o bibliotecário da UNESP participa de forma mais
ativa disseminando seu trabalho tanto no Brasil como no mundo.
Nessa política de trabalho a CGB investiu muito em treinamento, no controle de
qualidade e no desenvolvimento de critérios que nortearam a conversão. Como era
impossível reunir os bibliotecários das 22 bibliotecas de uma só vez para
treinamentos e reuniões, optou-se pela formação de grupos replicadores,
distribuídos estrategicamente em cidades do interior e que estenderiam sua
influência sobre uma dada região. Esses grupos se reuniam em São Paulo, onde
eram dados os treinamentos e ao voltarem para suas cidades, levavam apostilas e
instruções para repassarem aos outros membros da Rede, mais próximos de sua
cidade (FERREIRA; MARTINELLI, 1999, p.27)
Quanto à questão da qualidade dos registros, através do conhecimento adequado
de normas e formato de catalogação foram ministrados cursos de aperfeiçoamento
(AACR2 e Formato MARC), pois os registros a serem enviados às bases
cooperativas

deveriam

estar

representados

catalográficos aceitos internacionalmente.

adequadamente

nos

padrões

�11

Com a chegada do CD-ROM da Rede BIBLIODATA e com estes treinamentos, as
bibliotecas passaram a pesquisar seus próprios acervos, enviando apenas os
disquetes para a CGB/SP com registros convertidos, para que fossem inseridos na
Base por meio do ALEPH.
Hoje as próprias bibliotecas pesquisam, copiam em disquete e inserem seus
registros ou fazem sua catalogação original diretamente na Base UEP01(Catálogo
Coletivo), em seguida carregam o registro em suas bases locais onde colocam a
informação de coleção, que enviam uma informação sobre a localização do registro
para a Base UEP01, de forma automática.
Quanto ao acervo de periódicos a UNESP que já era representado no CCN
(Catálogo Coletivo Nacional), teve sua conversão para o formato USMARC, através
de um programa, e depois estes registros foram transferidos para o ATHENA.
Metodologia
Para realização deste estudo foram utilizadas as estatísticas de pesquisa e inserção
de registros, no Banco ATHENA, dos livros comprados no ano

de 2002 pela

Biblioteca da UNESP- Campus de Marília.Foram inseridos 614 livros de um total de
1.444 comprados pela biblioteca, desta forma foram analisados os resultados de um
percentual de 43%.
Com base numa planilha de dados estatísticos relativos as bases, as quais, estes
registros cooperaram utilizou-se a seguinte classificação quanto a recuperação dos
registros: Identidade total (IT) quando os dados do registro da base servidora é
igual aos dados contidos no livro que se tem em mãos, o registro é gravado em um
arquivo e será adequado antes de sua importação para a base; Registro
aproveitável (RA) quando o registro tem alguns campos idênticos, mas apresenta
campos diferentes como, por exemplo, edição ou data, ele será um registro
aproveitável, serão aproveitados os campos iguais e os restantes serão alterados,
estes registros serão importados para a base como registro novo, para
posteriormente alimentarem a Rede BIBLIODATA ; e os Registros não localizados
(NL) os que não foram encontrados em nenhuma das bases servidoras.

�12

A pesquisa iniciou-se na Base local (BMA) com o objetivo de verificar se este
registro já existia na base. Em caso positivo realizou-se a inclusão de um novo item
no registro. Em caso negativo a busca passou a ser feita na UEP01-(catálogo
coletivo), que sendo encontrado fez-se uma cópia do registro para a base local,
incluindo o item correspondente. No caso do registro não ser encontrado na UEP01,
a pesquisa é feita no BIBLIODATA (CD e online). Os registros encontrados nesta
base foram gravados em um arquivo, e foram convertidos para UEP01, quando
foram feitas as adequações necessárias, para somente depois serem duplicadas
para a base local e serem inseridos os itens.
Os registros não localizados no BIBLIODATA , foram pesquisados e importados da
LC , os não encontrados nesta base foram encaminhados (xerox das páginas de
rosto) para o Laboratório de Tecnologias Informacionais (LTI) para a realização de
pesquisas e importações da base OCLC, pois a biblioteca de Marilia não possui o
CD desta base. Finalmente os registros não localizados foram devolvidos para a
biblioteca para a realização da catalogação original.
Análise dos resultados
Analisando os resultados verifica-se que foram realizadas 990 pesquisas: 479 na
BMA, 330 na UEP, 157 no BIBLIODATA e 34 na LC, conforme Tabela 1 e Gráfico 1.

Tabela 1: Quantidade de registros pesquisados em janeiro de 2003
ESTATÍSTICA DE PESQUISA
BMA

UEP

BIBLIODATA

LC

479

330

157

34

TOTAL
990

�13

ESTATISTICA DE PESQUISA

157

34
BMA
UEP

479

BIBLIODATA
LC

330

Gráfico 1: Demonstrativo de registros pesquisados em janeiro de 2003

Fazendo uma análise dos resultados da tabela 2 conclui-se que dos 479 registros
trabalhados 317 foram implantados e 162 não foram implantados, sendo 133 que
foram acrescentados itens e 29 não foram localizados para fazer a cooperação.
Tabela 2: Quantidade de registros importados em janeiro de 2003

ESTATÍSTICA DE IMPORTAÇÃO
Total Reg.
Total Reg.

Impl.

IT BMA

IT UEP

RA UEP

IT BIBL

RA BIBL

IT LC

NL

479

317

133

122

34

127

29

5

29

100%

66%

28%

25%

7%

27%

6%

1%

6%

O índice de recuperação nas bases servidoras (UEP, BIBLIODATA e LC) foi de 66%.
Sendo 32 % da UEP (IT UEP + RA UEP), 33% do BIBLIODATA (IT BIBL + RA BIBL)
e 1% da LC. A porcentagem de registros não localizados, mas que ainda vão ser
pesquisados na OCLC, é muito pequena apenas 6%, como pode ser visualizado no
Gráfico 2.

�14

ESTATISTICA DE IMPORTAÇÃO
6%
1%
6%

28%

27%

7%

25%

IT BMA
IT UEP
RA UEP
IT BIBL
RA BIBL
IT LC
NL

Gráfico 2: Demonstrativo de registros importados em janeiro de 2003

A existência de um percentual relativamente alto ( 28%) de registros que já existiam
na base local ( IT BMA ) se deu porque no processo de listagem dos pedidos de
livros para compra, não foi realizada a pesquisa com a finalidade de eliminação dos
livros que a Biblioteca já possuía. Este fato aconteceu devido a pedidos de
professores, pois sentiram a necessidade dos alunos da aquisição de mais
exemplares de uma mesma obra.
O trabalho de pesquisa e importação, resultando na implantação de 317 registros e
itens correspondentes a estes e aos registros já existentes na base local foi
realizado em 15 dias, por um bibliotecário em período integral e um estagiário em
meio período. Assim comprova-se o fato da catalogação cooperativa ser um
processo rápido e extremamente importante, possibilitando a economia de recursos
financeiros e humanos.
Estes resultados comprovam a literatura utilizada e consultada de que tanto a
conversão retrospectiva quanto a catalogação cooperativa são verdadeiramente
importantes na formação e alimentação de um Banco de Dados Bibliográficos.
Considerações finais
Apesar das resistências por parte de alguns bibliotecários, que não se adaptaram
com a automação das bibliotecas, os resultados obtidos são positivos, pois as metas

�15

e objetivos estabelecidos pela Coordenadoria Geral de Bibliotecas, com a finalidade
de formar e alimentar um Banco de Dados Bibliográficos estão sendo atingidos.
De um modo geral o profissional catalogador já aceitou e agradece a catalogação
realizada por um outro profissional. Atualmente, com algumas exceções, os
bibliotecários reconhecem a importância deste tipo de serviço, investem em
treinamentos e cursos de atualização e especialização. Os problemas mais comuns
que ocorrem em muitas bibliotecas estão relacionados à falta de recursos financeiros
e humanos.
Para os bibliotecários que executam o trabalho de catalogação cooperativa é uma
experiência enriquecedora, pois têm contato com bases de dados nacionais e
estrangeiras e aprendendo a manuseá-las e conseqüentemente contribuindo na
alimentação de um Banco de Dados Bibliográficos que transcendem barreiras
lingüísticas e geográficas.

Referências
BALBY, C. N.
Conversão retrospectiva: para consolidar a automação e a
cooperação nas bibliotecas brasileiras. In: SEMINÁRIO SOBRE AUTOMAÇÃO EM
BIBLIOTECAS E CENTROS DE DOCUMENTAÇÃO, 5., 1994, São José dos
Campos. Anais... São José dos Campos: UNIVAP, 1994. p.42-48.
______. Formatos de intercâmbio de registros bibliográficos: conceitos básicos.
Cadernos da F.F.C., Marília, v.4, n.1, p.29-35, 1995.
FERREIRA, M. M.; MARTINELLI, A. T. Formação da base de dados ATHENA. In:
SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE BIBLIOTECONOMIA “PROF.DR. PAULO
TARCÍSIO MAYRINK”, 3., 1999, Marília. Anais... Marília: UNESP, 1999. p.25-31.
FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS. Rede BIBLIODATA. Rio de Janeiro. Disponível
em: http://www.bibliodata.fgv.br/. Acesso em: 21 nov.2002.
GATTI, C.A. de S.; FOGOLIN, D.F. Utilização de bolsistas na conversão
retrospectiva: relato de experiência na UNESP. In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE
BIBLIOTECONOMIA “PROF. DR. PAULO TARCÍSIO MAYRINK”, 3., 1999, Marília.
Anais... Marília: UNESP, 1999. p.33-40.
GUSMÃO, A. O. de M. Avaliação da qualidade e determinantes de desempenho
do Aleph 500 em bibliotecas universitárias brasileiras. João Pessoa : UFPA,
2001. Dissertação. (Mestrado em Ciência da Informação). Universidade Federal da
Paraíba, 2001.

�16

HUBNER, E. Conversão retrospectiva de registros bibliográficos. In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 12., 2002, Recife. Anais...
Recife,
2002.
Disponível
em:
&lt;http://www.bibliodata.fgv.br/geral/modelos/notícias.htm&gt;. Acesso em: 13 nov.2002.
OLIVEIRA, N.M. et al. Compact Disc Cataloging – CatCD: análise de um instrumento
para conversão retrospectiva no Sistema de Bibliotecas da UNICAMP. Perspectivas
em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 3, n. 1, p. 41-46, jan./jun. 1998.
SANTOS, P. C. dos ; ALENCAR, M. de C.F. A dinâmica de funcionamento da Rede
Bibliodata e os profissionais da informação atuantes. Transinformação, Campinas,
v. 11, n. 2, p. 113-126, maio/ago. 1999.
SOUZA, T. B. de. Catalogação cooperativa na Rede BIBLIODATA/CALCO: a
repetitividade de registros bibliográficos no catálogo coletivo. In: SIMPÓSIO
INTERNACIONAL DE BIBLIOTECONOMIA “PROF. DR. PAULO TARCÍSIO
MAYRINK, 3., 1999, Marília. Anais... Marília : UNESP, 1999. p.247-258.
The cooperative cataloguing and the retrospective conversion in the formation
and feeding of the bibliographical database - ATHENA: an experience of the
Library of the Campus of Marília-UNESP

ABSTRACT: The cooperative cataloguing and the retrospective conversion of data play
preponderant part in the ambit of the bibliographical registrations in the current libraries.
However this subject deserves to be demonstrated in the context of UNESP, so that it intends
to analyze the cooperation of the Bibliographical of UNESP database - ATHENA with the
Net of Brazilian cooperative cataloguing BIBLIODATA. It uses a sample of books bought by
the Library of UNESP of Marília in 2002, that were inserted in the database ATHENA
through the cooperative cataloguing and of the retrospective conversion, identifying percentile
of found registrations and imported from BIBLIODATA to verify the cooperation index with
this net. The results obtained and analyzed reveal that: a) in 28% of the researched material
was already in the local base being just needed to include a new item; b) 32% was located in
for UEP01 (collective catalog of the database - ATHENA); c) 33% was found in
BIBLIODATA; d) 1% in LC (Library of Congress) and the remaining of the books (6%), the
title pages were guided for Laboratory of Information Technologies (LTI) for researches on
OCLC, the not found material returned for unit (Marília) for the original cataloguing,
concluding the research process and insert of registrations in the base. Such aspects allow us
to conclude that most of the researched material (65%) was included in the base through the
cooperative cataloguing, demonstrating the importance of the adoption of cooperative ways
providing quickness in the feeding of a Bibliographical database.
Keywords: Cooperative cataloguing. Retrospective conversion. Bibliographical
database.

�</text>
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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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            <name>Title</name>
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                <text>A catalogação cooperativa e a conversão retrospectiva na formação e alimentação do Banco de Dados Bibliográficos- ATHENA: uma experiência da Biblioteca do Campus de Marília- UNESP.</text>
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            <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <text>A catalogação cooperativa e a conversão retrospectiva de dados desempenham papel preponderante no âmbito dos registros bibliográficos nas bibliotecas atuais. No entanto esta questão merece ser demonstrada no contexto da UNESP, para que se propõe analisar a cooperação do Banco de Dados Bibliográficos da UNESP – ATHENA com a Rede de catalogação cooperativa brasileira BIBLIODATA. Utiliza-se uma amostra de livros comprados pela Biblioteca da UNESP de Marília no ano de 2002 e inseridos no Banco ATHENA através da catalogação cooperativa e da conversão retrospectiva, identificando percentual de registros encontrados e importados do BIBLIODATA para verificar o índice de cooperação com esta rede. Os resultados obtidos e analisados revelam que: a) em 28% do material pesquisado já existia registro igual na base local, sendo preciso apenas incluir um novo item ; b) 32% foi localizado na UEP01 (catálogo coletivo do Banco ATHENA) ; c) 33% foi encontrado no BIBLIODATA ; d) 1% na LC (Library of Congress) e o restante dos livros (6%), as páginas de rosto foram encaminhadas para o Laboratório de Tecnologias Informacionais (LTI) para pesquisas na OCLC, sendo o material não localizado devolvido para unidade (Marília) para a catalogação original, finalizando o processo de pesquisa e inserção de registros na base. Tais aspectos permitem concluir que a maioria do material pesquisado (65%) foi incluída na base através da catalogação cooperativa, demonstrando a importância da adoção de formas cooperativas gerando rapidez na alimentação de um Banco de Dados Bibliográficos.</text>
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                  <elementText elementTextId="53251">
                    <text>XIV SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS (SNBU)
Salvador, BA, 22 a 27 de outubro de 2006
Tema central: Acesso Livre à Informação Científica e Bibliotecas Universitárias
Eixo temático:
Sub-tema:
A CLASSIFICAÇÃO DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA BRASILEIRA ATRAVÉS DO
QUALISi
Eloísa da Conceição Príncipe de Oliveira
Dra. em Ciência da Informação
Coordenação de Ensino e Pesquisa/IBICT/MCT
Rio de Janeiro, RJ, Brasil
principe@ibict.br
Nanci Oddone
Dra. em Ciência da Informação
Instituto de Ciência da Informação/UFBA
Salvador, BA, Brasil
neoddone@uol.com.br
Resumo: A análise da produção científica abordada conforme diferentes
características e contornos possibilita a geração de indicadores que auxiliam na
promoção, no fomento e no desenvolvimento do setor de C,T &amp; I do País. Este
trabalho analisa, no período de 1999 a 2003, a comunicação científica dos
pesquisadores brasileiros da área de genética, através da identificação dos títulos de
periódicos utilizados na publicação e citação de artigos e o nível de classificação e
âmbito de circulação QUALIS desses veículos. Os dados da produção científica
foram levantados no Currículo Lattes e a qualificação QUALIS verificada na lista da
área de Ciências Biológicas I relativa aos dados de 2002. A partir dos resultados
obtidos pode-se admitir que os pesquisadores brasileiros da área estudada mantém
ainda os padrões tradicionais de publicação e citação, que apontam o uso
predominante de artigos de periódicos e que um número reduzido de títulos é
responsável por grande parte de trabalhos publicados e citados, preferindo-se o uso
de revistas estrangeiras, principalmente aquelas publicadas em inglês. A maioria dos
títulos de periódicos estrangeiros, citantes e citados, possui classificação QUALIS A
Internacional e os títulos nacionais concentram-se nas categorias B Nacional e C
Nacional.
Palavras-chave: indicadores em ciência e tecnologia; produção científica; genética.

�INTRODUÇÃO
A comunicação científica torna-se um objeto de estudo, de forma mais
intensa e sistemática, a partir da 2ª Guerra Mundial, em decorrência do aumento
significante do volume da literatura produzida. Ao longo do século XX, diferentes
estudos sobre o sistema de comunicação da ciência foram realizados, podendo-se
classificá-los em dois grandes grupos: (a) os que buscam elucidar aspectos gerais
sobre a natureza, os processos e a estrutura do sistema, avaliando como os
cientistas, em qualquer área do conhecimento, usam e disseminam a informação
através de canais formais e informais, inclusive o crescimento da informação
científica, as relações entre áreas e disciplinas, as necessidades e os usos da
informação e as distinções entre os veículos formais e informais de comunicação; e
(b) os que examinam aspectos mais específicos, para identificar problemas
particulares em áreas determinadas. Estes últimos estipulam objetivos e adotam
métodos diferenciados, sendo desenvolvidos por pesquisadores de áreas distintas,
tais como cientistas e tecnólogos, administradores de ciência, especialistas em
informação, bibliotecários e pesquisadores da sociologia e da história da ciência
(Meadows, 1992).
“Estudos de comunicação científica naturalmente se estendem até a
informação científica e tecnológica, ou vice-versa, por uma razão
principal: a informação científica e tecnológica é parte fundamental da
infra-estrutura de C&amp;T. Portanto, abordar a comunicação científica
significa não somente enfocar padrões de comunicação entre pares,
mas também englobar tanto a informação à qual recorrem para as suas
pesquisas quanto aquela que produzem e transmitem por diferentes
canais de comunicação e tipos de documentos. Comunicação e
informação científicas estão, ainda, estreitamente relacionadas às
políticas de C&amp;T.” (Pinheiro, 2003).

Nesse contexto, a análise da produção científica de uma comunidade
reflete a atividade científica desse grupo e, por conseguinte, os indicadores gerados
a partir dos resultados obtidos, auxilia na promoção, no fomento e no
desenvolvimento do setor (da C,T&amp;I) no País, em diferentes diretrizes e enfoques.
Partindo-se dessa premissa este trabalho analisa a produção científica
dos pesquisadores brasileiros da área de genética, no período de 1999 a 2003, através da
identificação dos títulos de periódicos utilizados na publicação e citação de artigos e o

nível de

classificação e âmbito de circulação QUALIS (Sistema de Classificação de
Periódicos, Anais e Revistas)ii desses veículos. As informações da produção
2

�científica foram levantadas no Currículo Lattes (CV Lattes) de cada pesquisador e a
qualificação QUALIS verificada na lista da área de Ciências Biológicas I relativa aos
dados de 2002iii, na qual a genética se insere.
Inicialmente, realizou-se um levantamento no Diretório dos Grupos de
Pesquisa do CNPq, de forma a identificar os grupos e de pesquisa e os
pesquisadores da área da genética que estudavam o genoma; a seguir foram
identificados os líderes de cada grupo e, através do link para o Currículo Lattes,
coletados os títulos de periódicos que haviam sido utilizados por este grupo para a
publicação de seus trabalhos no período determinado, a partir do item “Artigos
completos publicados em periódicos”. Em seqüência, foram coletadas as referências
citadas pelos líderes nos artigos listados nos periódicos nacionaisiv. Após a
elaboração das listas de periódicos citantes e citados, nacionais e estrangeiros,
procedeu-se a identificação da classificação e âmbito de circulação QUALIS desses
títulos.
O CV-Lattes é o componente da Plataforma Lattes desenvolvido para o
CNPq e utilizado por MCT, FINEP, CAPES/MEC e demais atores institucionais e
comunidade científica brasileira como sistema de informação curricular. No CNPq,
suas informações são aplicadas: “na avaliação da competência de candidatos à obtenção de bolsas e
auxílios; na seleção de consultores, de membros de comitês e de grupos assessores; no subsídio à avaliação da
pesquisa e da pós-graduação brasileiras”.

O QUALIS é o resultado do processo de classificação dos veículos
utilizados pelos programas de pós-graduação para a divulgação da produção
intelectual de seus docentes e discentes e foi concebido pela CAPES para atender a
necessidades específicas do sistema de avaliação e baseia-se nas informações
fornecidas pelos programas através do Coleta CAPES. Os dados estão disponíveis
na Internet1 para a maioria das áreas e podem ser consultados por título, por área de
avaliação e por ISSN do periódico. O site disponibiliza ainda uma lista completa em
excel para download, os critérios de classificação do QUALIS por área e os e-mails
dos representantes das áreas de avaliação.
O objetivo inicial do QUALIS limitava-se à classificação dos veículos
citados pelos programas de pós-graduação no sistema anual de coleta de dados
utilizado pela CAPES. No entanto, em decorrência de sua divulgação ou da
interpretação

dada

ao

instrumento

por

algumas

áreas,

o

QUALIS

foi

1 http://qualis.capes.gov.br/
3

�progressivamente incorporando duas outras finalidades:
– estimular a publicação em veículos enquadrados nas categorias mais
valorizadas do QUALIS da área a que se vincula o programa;
– indicar os veículos de maior relevância para a área, mesmo que não
tenham sido ainda citados no sistema de coleta da CAPES, cumprindo, assim, a
função de incentivar o uso de outros veículos valorizados pela comissão de área.
Dessa forma, um número cada vez maior de áreas passou a incluir em
suas respectivas listas QUALIS, além dos veículos que haviam sido citados pelos
programas, outros títulos, julgados importantes como opção de divulgação da
produção intelectual. A base QUALIS apresenta como principais características: (a)
atende a objetivos específicos e exclusivos do processo de avaliação da pósgraduação promovido pela CAPES; (b) é elaborado por comissões de consultores
coordenadas pelos respectivos representantes da área, respeitadas as diretrizes e
as orientações gerais estabelecidas pelo Conselho Técnico e Científico da CAPES;
(c) reflete os critérios de cada área de avaliação ou, quando possível, de cada
grande área; há, portanto, um QUALIS para cada área ou grande área; (d) constituise em classificação temporária, passível de ser atualizada ou revista.
As categorias de classificação estabelecidas pelo sistema QUALIS são de
dois tipos: as que indicam a qualidade do veículo – alta (A), média (B), baixa (C); e
as que indicam o âmbito de circulação do veículo – internacional (1), nacional (2),
local (3). A associação entre esses dois critérios permite a classificação da produção
dos programas em nove classes regulares: circulação internacional de alta (A1),
média (A2) ou baixa (A3) qualidade; circulação nacional de alta (B1), média (B2) ou
baixa (B3) qualidade; circulação local de alta (C1), média (C2) ou baixa (C3)
qualidade. A essas categorias são acrescidas outras três, destinadas à
caracterização de veículos citados e não classificados. A distribuição dos veículos
entre essas doze classes permite estabelecer o conjunto de indicadores e
parâmetros que tem servido às avaliações realizadas pela CAPES.
É tarefa de cada área classificar os veículos citados pelos programas de
pós-graduação. Assim, fica a seu critério decidir sobre a categoria dos veículos. Há
áreas que classificam apenas periódicos e há outras que, além dos periódicos,
classificam ainda veículos como anais, jornais e revistas. Através dos critérios
elaborados pela comissão específica, o QUALIS de uma área ou grande área
4

�expressa, portanto, a relevância potencial de cada veículo para a evolução do
conhecimento naquela área. Um mesmo veículo pode receber classificações
distintas, conforme sejam os padrões adotados pelas diversas áreas e grandes
áreas do conhecimento.
RESULTADOS
O resultado do levantamento no Diretório identificou 36 grupos de
pesquisa da área da genética que trabalhavam com genoma, distribuídos nas
diferentes regiões geográficas e inseridos em diversas instituições de ensino e
pesquisa. Esses grupos eram constituídos por 226 pesquisadores e representados
por 55 líderes. O total de artigos referenciados pelos líderes no CV-Lattes totalizou
612 referênciasv, publicadas em 260 títulos de periódicos, sendo 54 (21%) nacionais
e 206 (79%) estrangeiros. Em virtude da especialização dos pesquisadores e da
diversidade de estudos em genoma, constatou-se a presença de títulos de diferentes
áreas, especializados e multidisciplinares impressos e/ou eletrônicos.
A distribuição do número de títulos de periódicos estrangeiros e
nacionais utilizados pelos pesquisadores na publicação de seus trabalhos
de acordo com o nível de classificação e âmbito de circulação QUALIS da
área de ciências biológicas I relativa aos dados de 2002 está disposta nas
Tabelas 1 e 2.
Verifica-se que mais da metade dos títulos estrangeiros possui
classificação A Internacional o que demonstra que os pesquisadores
utilizam-se de publicações de qualidade e com índice de impacto
significativovi.

Do

total

de

títulos

36

(17%)

não

se

encontram

contemplados na lista de periódicos QUALIS da área, mas podem aparecer
em listas de outras áreas. Um mesmo periódico, ao ser classificado em
duas ou mais áreas distintas, pode receber diferentes avaliações,
expressando o valor atribuído, em cada área, ao que o veículo publica de
sua produção e a relevância da revista para a área.
Tabela 1 - Distribuição do número de títulos de periódicos estrangeiros citantes, de acordo
com o nível de classificação e âmbito de circulação QUALIS, Ciências Biológicas I, 2002
NÍVEL DE CLASSIFICAÇÃO E
ÂMBITO DE CIRCULAÇÃO QUALIS
A
B
C
C

INTERNACIONAL
INTERNACIONAL
INTERNACIONAL
NACIONAL

N° DE TÍTULOS
ESTRANGEIROS
141
11
14
1
5

�SEM CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL
2
SEM CLASSIFICAÇÃO SEM CIRCULAÇÃO
1
TÍTULOS NÃO INCLUÍDOS
36
TOTAL
59
Fonte: Qualis, Ciências Biológicas I, 2002

Tabela 2 - Distribuição do número de títulos de periódicos nacionais citantes, de acordo com
o nível de classificação e âmbito de circulação QUALIS, Ciências Biológicas I, 2002
NÍVEL DE CLASSIFICAÇÃO E
ÂMBITO DE CIRCULAÇÃO QUALIS

N° DE TÍTULOS
NACI

ONAIS
A INTERNACIONAL
6
A NACIONAL
4
B INTERNACIONAL
1
B NACIONAL
15
C INTERNACIONAL
1
C NACIONAL
17
TÍTULOS NÃO INCLUÍDOS
10
TOTAL
59
Fonte: Qualis, Ciências Biológicas I, 2002

Dos seis títulos estrangeiros que apresentam as três maiores
indicações de uso na publicação de trabalhos dos pesquisadores, quatro
possuem classificação A Internacional (American Journal of Human
Genetics, Fungal Genetics and Biology, Nature e Proceedings of the
National Academy of Sciences of the United States of America) de acordo
com os critérios QUALIS da área. A revista Protein and Peptide Letters
recebeu classificação B Internacional e a Drosophila Information Service
classificação C Internacional.
Em relação aos títulos nacionais, verifica-se que a maioria
concentra-se nas categorias B Nacional e C Nacional. Apenas quatro títulos
nacionais, cerca de 7%, enquadram-se na categoria A Nacional (Bragantia,
Iheringia. Série Zoologia, Anais da Academia Brasileira de Ciências e
Pesquisa Agropecuária Brasileira).
Os quatro títulos nacionais mais utilizados pelos pesquisadores
na publicação de seus trabalham - Genetics and Molecular Biology,
Brazilian Journal of Medical and Biological Research, Brazilian Journal of
Microbiology e Biotecnologia Ciência &amp; Desenvolvimento - apresentam a
seguinte

classificação

QUALIS:

os

três

primeiros

classificação

A

Internacional e o último título classificação C Nacional.
Em relação à classificação QUALIS das revistas publicadas
6

�exclusivamente em meio eletrônico as duas revistas nacionais - Genetics
and Molecular Research e Revista Brasileira de Saúde e Produção Animal receberam classificação B Nacional e C Nacional respectivamente. A
revista estrangeira publicada exclusivamente em formato eletrônico Electronic

Journal

of

Biotechnology

–

recebeu

a

classificação

C

Internacional.
As citações de artigos de periódicos totalizou 2865 itens, sendo
2367 (83%) citaçõesvii a artigos de periódicos, distribuídas em 594 títulos,
sendo 531 (89%) estrangeiros e 63 (11%) nacionais. As demais 498 (17%)
citações relacionavam –se a outros tipos de publicação.
A distribuição do número de títulos de periódicos estrangeiros e
nacionais citados pelos pesquisadores, de acordo com o nível de
classificação e âmbito de circulação QUALIS da área de Ciências Biológicas
I relativa aos dados de 2002 está disposta nas Tabelas 3 e 4.
Observa-se que a maioria dos títulos estrangeiros citados possui
classificação A Internacional no QUALIS, o que demonstra que os
pesquisadores utilizam publicações que obedecem padrões de qualidade e
com índice de impacto relevante para a área.
Os três títulos estrangeiros mais citados - Proceedings of the
National Academy of Sciences of the United States of America, Genetics e
Theoretical and Applied Genetic – estão nessa categoria. Os 256 títulos
estrangeiros que receberam apenas uma citação estão distribuídos nas
categorias A I (91 títulos), B I (11 títulos), C I (7 títulos), Sem Classificação
Internacional (2 títulos), Sem Classificação/Sem Circulação (1 título) e não
incluídos (144 títulos). Das citações eletrônicas, o Journal of Heredity é
classificado como A internacional e o Electronic Journal of Biotechnology C
Internacional.
Tabela 3 - Distribuição do número de títulos de periódicos estrangeiros citados, de acordo
com o nível de classificação e âmbito de circulação QUALIS, Ciências Biológicas I, 2002
NÍVEL DE CLASSIFICAÇÃO E
ÂMBITO DE CIRCULAÇÃO QUALIS
A INTERNACIONAL
B INTERNACIONAL
C INTERNACIONAL
SEM CLASSIICAÇÃO INTERNCAIONAL
SEM CLASSIFICAÇÃO / SEM

N° DE TÍTULOS ESTRANGEIROS
245
20
8
2
2
7

�CIRCULAÇÃO
NÃO INCLUÍDOS
TOTAL

236
59

Fonte: Qualis Ciências Biológicas I, 2002

Tabela 4 - Distribuição do número de títulos de periódicos nacionais citados, de acordo com
o nível de classificação e âmbito de circulação QUALIS, Ciências Biológicas I, 2002
NÍVEL DE CLASSIFICAÇÃO E
N° DE TÍTULOS NACIONAIS
ÂMBITO DE CIRCULAÇÃO QUALIS
A INTERNACIONAL
8
B NACIONAL
6
B INTERNCAIONAL
1
B NACIONAL
16
C NACIONAL
15
SEM CLASSIFICAÇÃO / SEM
1
CIRCULAÇÃO
NÃO INCLUÍDOS
12
TOTAL
59
Fonte: Qualis Ciências Biológicas I, 2002

A maioria dos títulos nacionais mais citados enquadra-se na
categoria B Nacional e C Nacional que concentram 52% dos títulos. Uma
parcela significativa dos títulos (20%) não foi incluída na relação de títulos
da QUALIS, área Ciências Biológicas I. De acordo com os critérios QUALIS.
As revistas mais citadas Genetics and Molecular Biology, Brazilian
Journal of Medical and Biological Research e Memórias do Instituto Oswaldo Cruz
estão classificadas como A Internacional.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir dos resultados obtidos pode-se admitir que os pesquisadores brasileiros da
área estudada mantém ainda os padrões tradicionais de publicação e citação, que
apontam o uso predominante de artigos de periódicos, seguidos de citações a outros
tipos de documentos, e que um número reduzido de títulos é responsável por grande
parte de trabalhos publicados e citados, preferindo-se o uso de revistas estrangeiras,
principalmente aquelas publicadas em inglês. A maioria dos títulos de periódicos
estrangeiros, citantes e citados, possui classificação QUALIS A Internacional, o que
demonstra que os

pesquisadores se utilizam de

publicações que

apresentam índice de impacto relevante para a área, e os títulos nacionais
concentram-se nas categorias B Nacional e C Nacional, representando, por um lado,
o perfil das publicações científicas brasileiras.
REFERÊNCIAS
CAPES. Diretoria de Avaliação. QUALIS: concepção e diretrizes básicas. Revista
8

�Brasileira de Pós-Graduação, Brasília, n. 1, p. 149-151, jul. 2004.
CNPq. O que é o Currículo Lattes? Disponível em:
http://lattes.cnpq.br/conheca/con_apres.htm. Acesso em: 25 jul. 2006.
MEADOWS, A. J.; BUCKLE, P. Changing communication activities in the british
scientific community. Journal of Documentation. v. 48, n. 3, p. 276-90, sept. 1992.
PINHEIRO (2003) apud PINHEIRO, Lena Vania Ribeiro. Comunidades científicas e
infra-estrutura tecnológica no Brasil para uso de recursos eletrônicos de
comunicação e informação na pesquisa. Ciência da Informação, v. 32, n. 3, 2003.
Disponível em:
&lt;http://www.ibict.br/cienciadainformacao/viewarticle.php?id=46&amp;layout=html&gt;.
Acesso em: 5 maio 2006.

9

�iNOTAS
Texto elaborado a partir de uma das seções da tese de doutorado defendida pela primeira autora em 2005
(Cf. OLIVEIRA, Eloísa da Conceição Príncipe de. Grau de adesão à comunicação científica de base
eletrônica: estudo de caso na área da genética. Rio de Janeiro: UFRJ/ECO – MCT/IBICT, 2005. 223f. Tese
(Doutorado em Ciência da Informação).
ii classifica os veículos de divulgação da produção intelectual dos pesquisadores que atuam em programas
de pós-graduação stricto sensu e é utilizada pela CAPES na fundamentação de seu processo de avaliação. A
base foi implantada em 1998 e desde então vem sendo utilizada pela agência para compor indicadores da
produtividade acadêmica.
iii Resultado QUALIS disponível e acessível na Internet na época do levantamento.
iv A opção de verificar as citações mencionadas apenas em artigos publicados por títulos nacionais deveuse, basicamente, à inviabilidade prática de obter acesso ao texto completo dos artigos publicados em
periódicos estrangeiros.
v 473 (77%) referências em títulos estrangeiros e 139 (23%) em títulos nacionais.
vi O índice de impacto é o indicador mais utilizado pela área de Ciências Biológicas I para a classificação
das publicações periódicas.
vii 2 189 (92%) foram publicadas em periódicos estrangeiros e 178 (8%) em periódicos nacionais.

�</text>
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>2006</text>
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                <text>A análise da produção científica abordada conforme diferentes características e contornos possibilita a geração de indicadores que auxiliam na promoção, no fomento e no desenvolvimento do setor de C,T &amp; I do País. Este trabalho analisa, no período de 1999 a 2003, a comunicação científica dos pesquisadores brasileiros da área de genética, através da identificação dos títulos de periódicos utilizados na publicação e citação de artigos e o nível de classificação e âmbito de circulação QUALIS desses veículos. Os dados da produção científica foram levantados no Currículo Lattes e a qualificação QUALIS verificada na lista da área de Ciências Biológicas I relativa aos dados de 2002. A partir dos resultados obtidos pode-se admitir que os pesquisadores brasileiros da área estudada mantém ainda os padrões tradicionais de publicação e citação, que apontam o uso predominante de artigos de periódicos e que um número reduzido de títulos é responsável por grande parte de trabalhos publicados e citados, preferindo-se o uso de revistas estrangeiras, principalmente aquelas publicadas em inglês. A maioria dos títulos de periódicos estrangeiros, citantes e citados, possui classificação QUALIS A Internacional e os títulos nacionais concentram-se nas categorias B Nacional e C Nacional.</text>
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        <src>http://repositorio.febab.libertar.org/files/original/47/4818/SNBU2006_010.pdf</src>
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                    <text>A CONSTRUÇÃO DE MECANISMOS ELETRÔNICOS E VIRTUAIS PARA
DISSEMINAÇÃO DE ACERVOS ARQUIVÍSTICOS DENTRO DA
UNIVERSIDADE: O CASO DO LABORATÓRIO DE FOTODOCUMENTAÇÃO
SYLVIO DE VASCONCELLOS
Leonardo Barci Castriota 1
Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais
Rua Paraíba, 697 – Funcionários (Belo Horizonte, MG – Brasil)
leobarci@hotmail.com.br
Carla Viviane da Silva Angelo 2
Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais
Rua Paraíba, 697 – Funcionários (Belo Horizonte, MG – Brasil)
carlaviviane@eci.ufmg.br
Dora Aparecida Silva 3
Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Minas Gerais
Avenida Antônio Carlos, 6627 (Belo Horizonte, MG – Brasil)
dsilva@ufmg.br ; dorabiblio@yahoo.com.br
Jacqueline Moterani Maia4
Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais
Rua Paraíba, 697 – Funcionários (Belo Horizonte, MG – Brasil)
jmoteranimaia@yahoo.com.br
Clara Urbano Fernandes5
Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais
Rua Paraíba, 697 – Funcionários (Belo Horizonte, MG – Brasil)
claraurbano@yahoo.com.br
Flavia Garcia Costa 6
Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais
Rua Paraíba, 697 – Funcionários (Belo Horizonte, MG – Brasil)
flaviagcosta@gmail.com

1

Doutor em Filosofia pela Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais UFMG.
2
Bacharel em Biblioteconomia pela Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais
3
Especialista em Gestão Estratégica da Informação pela Escola de Ciência da Informação pela Universidade Federal de
Minas Gerais - UFMG.
4
Graduanda em Arquitetura e Urbanismo pela Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais
5
Graduanda em Arquitetura e Urbanismo pela Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais
6
Graduanda em Arquitetura e Urbanismo pela Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais

�Resumo
A universidade é, por excelência, propício à formação ou recolhimento de acervos
de natureza arquivística, sejam eles acumulados em consonância com as
atividades desenvolvidas e com os objetivos da universidade, ou adquiridos no
ambiente externo para proporcionar oportunidades de pesquisa. Os profissionais
da informação se deparam freqüentemente com o gerenciamento de acervos dos
mais diversos gêneros e características. O entendimento da natureza desses
acervos é um aspecto crucial a ser levado em conta antes de serem definidas as
metodologias e os procedimentos para o seu gerenciamento. O acesso a estes
documentos é novo desafio, já que atualmente, temos o meio eletrônico como
recurso facilitador desse processo. A digitalização, aliada a uma política de
disseminação e promoção de acesso virtual, é um advento tecnológico eficaz aos
consulentes. O Projeto “Digitalização do Acervo de negativos do Laboratório de
Fotodocumentação Sylvio de Vasconcellos”, da Escola de Arquitetura da
Universidade Federal de Minas Gerais é descrito para exemplificar o
gerenciamento eletrônico de acervos iconográficos de natureza arquivística, como
mecanismo de pesquisa e preservação dentro da universidade, através da
participação de pesquisadores, profissionais e estudantes de graduação das
áreas de arquitetura, biblioteconomia, arquivística e da ciência da computação.
Palavras-chave: Digitalização; arquivo; acessibilidade; fotografia; preservação
1. Introdução
A informação é considerada recurso vital para o funcionamento, desenvolvimento
e sobrevivência das organizações de qualquer porte e missão, na chamada
sociedade da informação, ou, do conhecimento, como afirma alguns autores. Para
Rousseau &amp; Couture (1998) assim como qualquer outro recurso, a informação
deve ser gerida eficazmente, "o que necessita, como corolário, de um
reconhecimento oficial da empresa, e até de uma formalização estrutural que vá
tão longe quanto a que é geralmente concedida aos outros recursos." (p.63).
O uso da tecnologia digital traz novas perspectivas de trabalho para instituições
universitárias, que por excelência, são mantenedoras de fontes primárias de
informação como arquivos e bibliotecas. Esse novo papel da informação e do
conhecimento vem provocando modificações substantivas nas relações, forma e
conteúdo do trabalho, o qual assume um caráter cada vez mais “informacional”,
com implicações significativas no cenário informacional.
As oportunidades de conhecimento abertas pela comunidade de usuários da
Internet são significativas, mas sua viabilização depende da transposição de
importantes barreiras técnicas, culturais e de infra-estrutura. A rede revoluciona

�não só a noção de tempo e espaço como também os fundamentos
organizacionais de gerenciamento de acervos.
Através da diferenciação de sistemas, canais, redes e organizações de
tratamento e difusão de informações, tais avanços vêm permitindo uma expansão
sem precedentes dos contatos e de trocas de informações possíveis entre os
agentes, individuais e coletivos, além de viabilizarem do ponto de vista global a
rápida

comunicação,

processamento,

armazenamento

e

transmissão

de

informações. A acelerada disponibilização desses meios técnicos coloca-se como
a principal razão apontada por aqueles que argumentam que estamos vivendo
numa

era

de

crescente

globalização,

inclusive

tecnológica

ou,

mais

especificamente, de informacional.
Anteriormente a utilização dos meios digitais era para disponibilizar informações
sobre seus acervos. Atualmente além da disponibilização provêm-se os recursos
de armazenamento, preservação e recuperação dos conteúdos informacionais. A
digitalização é um processo utilizado em arquivos para promover o acesso e
disponibilização de seus acervos. Podemos dizer que a digitalização é um meio
de preservação do conteúdo informacional, mas alguns pesquisadores defendem
a teoria que a digitalização cumpre o papel de preservação documental, na
medida em que evita excessiva manipulação dos originais. Está discussão condiz
com questões da legislação vigente, e neste momento, seria incipiente
expressarmos alguma conclusão sobre o tema. Vale ressaltar a consulta ao Guia
sobre diretrizes básicas para os projetos de digitalização elaborado pela UNESCO
como instrumento de orientação.
2. O desenvolvimento de sistemas de gerenciamento de acervos
eletrônicos
A necessidade cada vez mais acentuada de criação de sistemas de informação
capazes de gerenciar, de forma integrada, diferentes tipos de dados complexos,
não convencionais, como texto livre, imagem, vídeo e som, é um desafio aos
especialistas em modelagem de dados e aos que desenvolvem sistemas
aplicativos. A utilização de imagens, principalmente em associação com
informações textuais, é relevante na maioria das áreas do conhecimento humano.

�O desenvolvimento de um sistema abrangente de informatização, busca
compatibilizar novas tecnologias com as necessidades tanto do consulente que
receberá o produto final informacional, como do profissional da informação, que
necessita de um sistema que possibilite o seu trabalho e expansão do conteúdo.
No desenvolvimento de um bom mecanismo informacional, procura-se modelar
um sistema voltado para a facilidade de uso e a flexibilidade na recuperação dos
documentos e informações correlatas. Conforme ANDRADE (1998) a observância
a estes princípios resultará em “um sistema que atendesse ao pesquisador com
profundo conhecimento do objeto pesquisado e também ao leigo, curioso sobre
um determinado assunto”.
Estabelecer as prioridades a serem seguidas para a realização dos objetivos
propostos no tratamento de um acervo documental eletrônico é essencial para um
bom desenvolvimento das atividades. Entretanto é preciso seguir alguns critérios
para desenvolvimento dessas atividades, tais como: condições de manuseio e
preservação do suporte documental, demanda de acesso aos documentos, valor
histórico representado, entre outros. Muitas das vezes a tecnologia existente na
instituição não possibilita a digitalização de certos materiais como: mapas, fitas de
áudio, fotografias, negativos, diapositivos e outros. É necessário acordar se a
infra-estrutura disponível possibilita ou não a digitalização deste acervo e se as
inadequações dos recursos tecnológicos podem acarretar em um resultado
insatisfatório do processo. Dessa forma, é preciso avaliar as características de
cada acervo e adequar os procedimentos à realidade constatada.
A preferência por softwares que permitem a interação de dados com outros
sistemas é outro ponto a ser observado na elaboração de um processo de
digitalização, já que sua utilização admitirá a compatibilidade e conversas
amigáveis com outros mecanismos, visando à transferência de equipamentos e
evolução de suportes.
Ao elaborar um projeto de implementação digital, a organização mantenedora do
acervo digital deve prever gastos com a aquisição de um sistema de
gerenciamento de banco de dados, que possibilite o acesso em rede local ou pela
Internet. A aquisição de um sistema de gerenciamento de banco de dados e
linguagem de programação para criação do mesmo deve ser concebida em

�consonância com os recursos disponíveis pela instituição, devido a estes
sistemas serem de alto custo na maioria das vezes. Uma alternativa viável para
minimizar esses custos de criação e gerenciamento de um banco de dados de
acesso a conteúdos digitais é o uso de softwares livres, que são gratuitos, mas
em contrapartida, exige um investimento por parte da organização em pessoal
capacitado para criar e administrar esses sistemas.
O uso de um sistema gerenciador de banco de dados confere também maior
dinamismo à aplicação já que cada novo documento incorporado ao banco de
dados torna-se imediatamente disponível para consulta.
A execução do projeto necessita de infra-estrutura técnica, que compreende a
estrutura física e humana. A estrutura física deve contemplar equipamentos
eletrônicos, tais como computadores, scanners, máquinas de microfilmagem,
fotografia digital, etc. A estrutura humana deve ser interdisciplinar, contemplando
várias

áreas

do

conhecimento,

como

analistas

de

sistema,

arquivista,

bibliotecários entre outros. Ressalta-se que a instituição deve buscar parcerias
dentro e fora dela, para a concretização do projeto.
A aquisição de equipamentos e organismos de armazenamento das imagens
geradas, bem como, as diretrizes para garantir a sua preservação em meio digital
são essenciais. A criação de cópias de segurança em equipamentos externos de
armazenamento - cd-rom, dvd, fita dat, fita dlt – são fatores estratégicos de
permanência de seu conteúdo informacional. Essas medidas de segurança são
para evitar transtornos e perdas de documentos, pois alguns cuidados devem ser
observados,

considerando-se

as

constantes

transformações

das

mídias

eletrônicas.
Os mecanismos de busca ou recuperação da informação dependem dos
metadados atribuídos na descrição dos conteúdos digitais, portanto os
profissionais da informação devem estabelecer parâmetros para tratamento
destes materiais de acordo com os conceitos arquivísticos internacionais vigentes.
De fato, conforme será demonstrado no próximo item do trabalho, a estrutura de
um sistema de gerenciamento eletrônico de dados, as diretrizes de um processo
de digitalização, bem como a construção de mecanismos que executem estas

�atividades, são complexas. Esses aspectos serão ilustrados no estudo de caso
apresentado a seguir.
3. O projeto de digitalização do Acervo do Laboratório de
Fotodocumentação Sylvio de Vasconcellos – uma concepção
interdisciplinar
O Laboratório de Fotodocumentação Sylvio de Vasconcellos, pertencente à
Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais. Criado em 1954
iniciou suas atividades com o registro fotográfico do acervo arquitetônico e
artístico de relevância, no Estado de Minas Gerais. Desenvolveu diversas
pesquisas na área de técnicas fotográficas recebendo inúmeros prêmios. Desde
sua criação tem prestado relevantes serviços à comunidade em geral,
principalmente à universitária, atendendo também a todo o processo didático e às
solicitações administrativas.
O acervo de negativos do Laboratório é composto por cerca de 50.000 negativos
p&amp;b, em acetato de celulose. Produzidos nas décadas de 50 e 60, esses
negativos encontram-se em situação precária em relação ao estado de
conservação, assim como as condições de armazenamento.
A composição deste precioso arquivo reflete o interesse teórico e o foco
historiográfico dos pesquisadores modernistas vinculados a esta instituição
naquele momento, que realizaram o levantamento expressivo do modo de viver
urbano e rural brasileiro, focando os temas arquitetônicos do período colonial
mineiro, nordestino, goiano, da arquitetura carioca, das primeiras décadas de Belo
Horizonte e da arquitetura modernista brasileira em seus primórdios, além de
outros temas políticos e sociais vinculados à vida acadêmica da instituição.
A percepção da necessidade de preservação e acesso do acervo do Laboratório
desde 1996 iniciou-se com um trabalho prévio de organização deste acervo
iconográfico. No ano de 2002, foram mapeadas e digitalizadas 2.500 imagens
referentes à Belo Horizonte em consonância com a pesquisa “Arquitetura numa
cidade Moderna – ensino e Produção (1930-1964)”. Com o desenvolvimento dos
trabalhos, constatou-se a necessidade da concepção de um plano de preservação
do conteúdo informacional dessas imagens, devido à degradação dos negativos
acometidos por um processo químico, denominado “síndrome do vinagre”, além

�da importância de provimento do acesso ao acervo do Laboratório. Desta forma,
originou-se

o

projeto

“Digitalização

do

Acervo

do

Laboratório

de

Fotodocumentação Sylvio de Vasconcellos”.
Previamente ao desenvolvimento das atividades do Projeto de digitalização do
Acervo do Laboratório, foi realizado um estudo para determinação das
metodologias adequadas para tratamento do acervo. Os documentos produzidos
pelo Laboratório são em decorrência do trabalho dos fotógrafos e pesquisadores
em consonância com as atividades de ensino, pesquisa e extensão da Escola de
Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais. São documentos únicos e
de caráter prova, sendo o acervo diagnosticado como um acervo arquivístico,
necessitando dessa forma, de mecanismos apropriados para seu tratamento.
Destacamos como principal objetivo do projeto prover o acesso e tratamento
informacional de 25.000 imagens do acervo de negativos do Laboratório de
Fotodocumentação Sylvio de Vasconcellos como mecanismo de preservação do
conteúdo informacional, disponibilizando-o para a comunidade acadêmica e o
público em geral.
3.1 Metodologia
Desde de sua concepção, a equipe do projeto constituiu um grupo de pesquisa
interdisciplinar (Arquitetura, História, Ciência da Conservação, Arquivística,
Biblioteconomia e Ciência da Computação), combinando-se ações das diferentes
áreas.

Para isso, recorreu-se aos recursos – humanos e de infra-estrutura de

pesquisa, já existentes na Universidade Federal de Minas Gerais, tais como:
CECOR (Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis;
LABCOM (Laboratório de Conforto) especialista em projetos de conforto térmico e
acústico; NPDI (Núcleo de Processamento Digital de Imagens) do Departamento
de Ciência da Computação do Instituto de Ciências Exatas da UFMG,
responsável pela construção do software de descrição e recuperação das
imagens.Tendo com base os parâmetros arquivísticos a equipe do projeto
recorreu-se a metodologia em aplicação no “Projeto Sistema de Arquivos da
UFMG – Projeto Piloto Faculdade de Farmácia”, no qual são responsáveis a
Profa. Dra. Vilma Moreira Santos e a bibliotecária Silvana Aparecida da Silva
Santos. A responsabilidade pela digitalização do acervo ficou a cargo do Arquivo

�Público Mineiro (APM), devido à parceria e tradição de execução em projetos
semelhantes.
Com a integração dos membros da equipe, foram discutidos os procedimentos
metodológicos, definidos no projeto original. Foram definidas, então, as seguintes
etapas de trabalho: inventariação do acervo; digitalização; desenvolvimento do
banco de dados e sistemas de pesquisa; descrição das imagens. Definiu-se,
ainda, que a determinação da estrutura de metadados utilizada para descrição
dos itens na base de dados, só poderia ser instituída após estudo inicial das
características de origem do acervo, preservando-se, assim, seus princípios de
proveniência. Nesse sentido, considerou-se também que, devido à natureza
arquivística do acervo, os métodos de tratamento da informação seriam
concebidos dentro da perspectiva da Arquivologia. As proposições metodológicas
adotadas pelo projeto foram: Norma Internacional Geral de Descrição Arquivística
(ISAD-G) e da Norma Internacional de Registro de Autoridade Arquivística para
Entidades Coletivas, Pessoas e Famílias (ISAAR-CPF).
A inventariação e descrição das imagens digitais do acervo tomaram por base as
escritas feitas pelos funcionários do Laboratório anteriormente. Dessas anotações
elegeu-se como instrumento informacional um caderno que contém informações
básicas de parte do acervo referentes aos levantamentos fotográficos realizados
em consonância com as atividades desenvolvidas pela Escola de Arquitetura.
Nessa atividade separou-se os negativos em duas dimensões, os negativos
6x6cm, que compreende as tomadas maiores como fachadas exteriores, vistas
internas de igrejas, atividades da instituição UFMG e vistas panorâmicas, e os
negativos

35x35mm,

que

correspondem

aos

detalhes

minuciosos

das

construções arquitetônicas e obras de arte. Das informações contidas nesse
caderno, foram retirados os títulos atribuídos aos negativos e a confecção de um
documento guia, que foi muito útil como controle no envio e no recebimento dos
negativos ao Arquivo Público Mineiro.
3. 2 Construção da Base Informacional para Descrição das Imagens
A equipe fez várias visitas em instituições com acervos com características
semelhantes, como o acervo do Arquivo Público Mineiro, que além de ter um
acervo de fotografias digitalizadas, já detinha o conhecimento da digitalização de

�fotografias e estava implementando um banco de dados desse acervo na sua
página

da

Web,

desenvolvido

em

parceria

com

o

NPDI

(Núcleo

de

Processamento Digital de Imagens) do Departamento de Ciência da Computação
do Instituto de Ciências Exatas da UFMG.

Após a análise dos sistemas

disponíveis no mercado e dos desenvolvidos especificamente para a instituição,
optou-se para a aquisição do software desenvolvido pelo APM e DCC. Para isto
foi instituída uma parceria entre a Escola de Arquitetura e as demais instituições.
Tendo em vista a definição da estrutura de metadados, passou-se, então, à
adaptação do sistema de informação que possibilitasse a recuperação dos dados
em formato multimídia e o acesso ao acervo através da Internet. O sistema foi
implementado utilizando a linguagem de programa PHP e sistema gerenciador de
banco de dados MySQL, ambos softwares livres. Os critérios que nortearam a
escolha do sistema foram os seguintes: as características do acervo, recursos
financeiros disponíveis, facilidade de operacionalização e inserção dos dados e
possibilidades de pesquisa através da Internet. A escolha do banco de dados foi,
portanto, posterior ao diagnóstico das necessidades e definição das diretrizes de
tratamento do acervo.
O projeto realizou a digitalização de 25.000. Os arquivos foram entregues à
Escola de Arquitetura da UFMG, nas extensões TIFF, sendo criado um conjunto
de cópias com resolução JPEG. Como mecanismo de preservação do conteúdo
digital a Escola manterá uma cópia das imagens em fita DLT, para futuras
migrações de sistema, frente a uma tecnologia em constante mutação.
Atualmente o Projeto de Digitalização do Acervo de Fotodocumentação Sylvio de
Vasconcellos, está na fase de tratamento da série “Fotografia”, especificamente a
sub-série “Negativos”, como mostra o quadro do arranjo físico a seguir:
Arranjo físico do arquivo do Laboratório de Fotodocumentação Sylvio de Vasconcellos
Séries
Sub-séries
A – Fotografia
A.1 – Negativos
A.2 – Positivos
B – Foto mecânica
A desenvolver
C – Gráfica
A desenvolver

A estrutura de metadados do banco de dados foi estruturada para o nível de item
documental, procurando-se explicar o conteúdo e contexto do conjunto a que

�pertence. A planilha de descrição dos documentos e de entrada de dados no
sistema é composta pelos seguintes elementos:
Identificação
-Série: Fotografia
-Sub-série: Negativos
-Código de referência: Pasta/ ponto/ nº do negativo - 0001.00001
-Título: A partir de uma pré-classificação feita pelos funcionários do Laboratório. Ex.:
Batisterio da Igreja Sao Francisco de Assis da Pampulha
-Data Limite: Campo destinado a data limite da imagem (caso não tenha a informação
da data exata). Caso a data real seja identificável, ela deverá ser expressa no campo.
Ex.: Data Limite: 1960 ou (Data Real): 1964. Caso seja especificada a data
corretamente: dd/mm/aaaa.
-Dimensão, suporte, cor: Refere-se às características físicas dos negativos.
-Data p/ Pesquisa: Delimita o âmbito de pesquisa temporal do sistema, ou seja,
determina a amplitude temporal (está sendo utilizado a referência de década) que a
imagem pode abranger. Ex.: 1960 a 1970
Âmbito e conteúdo (1)
- Local: Seguir as orientações vigentes nos Nomes geográficos: Normas de indexação
do IBGE. Ex.: Belo Horizonte (MG)
- Logradouro: Nome da rua, praça, beco, avenida, etc... Seguir as orientações vigentes
nos Nomes geográficos: Normas de indexação do IBGE. Ex.: Rua Paraíba, 697 (Belo
Horizonte, MG)
- Bem Cultural: Campo destinado a identificação do “Bem Cultural” referente a imagem.
Ex.: Catedral da Boa Viagem , Palácio da Liberdade.
- Pessoas: Seguir as orientações da ISAAR (CPF), norma vigente para denominação de
pessoas físicas e jurídicas. Ex.: LOBATO, Monteiro
Âmbito e conteúdo (2)
- Temática: Campo destinado a buscar a identificação das categorias às quais as
imagens se inserem, conforme agrupamentos temáticos. Ex.: Arquitetura Colonial
- Descrição do conteúdo: Descrição precisa do conteúdo visível da imagem (deve-se ater
aos limites apresentados pela imagem).
Notas
Quaisquer outras informações que devem ser registradas e que são pertinentes com o
conteúdo das imagens.
Contextualização
- Nome do Produtor: - Laboratório de Fotodocumentação Sylvio de Vasconcellos, Escola
de Arquitetura da UFMG
- Autoria: (Fotografo, estúdio ou agência) – MAZONNI, Marcos de Carvalho; MAZONNI,
Gui Tarcisio; ALMEIDA, Archimedes Correa de.
Fontes relacionadas
- Existência e localização dos originais: Laboratório de Fotodocumentação Sylvio de
Vasconcellos da Escola de Arquitetura da UFMG
- Notas sobre publicação: Campo destina-se a registrar as futuras publicações que
utilizarão as imagens pertencentes ao Laboratório.de Fotodocumentação
Controle de descrição
- Nome do responsável pela descrição: Identificação do responsável pela descrição
- Data da descrição: dd / mm / aaaa
- Regras ou convenções: Regras adotadas para nortear a execução do trabalho de
preenchimento do Sistema de descrição do laboratório de Fotodocumentação Sylvio de
Vasconcellos. ISAD(G); Nomes geográficos: Normas de indexação do IBGE; NBR 6023;
ISAAR(CPF). (No caso de imagens de pessoas, será acrescentada as normas da
ISAAR(CPF)).

�Os mecanismos de busca estão disponíveis no sistema e podem ser utilizados
por qualquer pessoa, desde que estejam conectados na Internet e utilizando um
browser atual. O sistema possui dois tipos de busca: Busca simples, na qual, foi
desenvolvida como ferramenta de consulta ao banco de imagens, oferecendo ao
usuário a opção de pesquisa em todos os campos; e busca avançada, onde foi
elaborada como ferramenta de consulta por cruzamento de informações ao banco
de imagens, oferecendo ao consulente uma gama maior de informações a serem
pesquisadas. Após a busca é mostrada ao usuário uma nova tela, contendo o
resultado da busca realizado; é esta tela contem o menu principal (presente em
todas as telas) e as imagens em tamanho reduzido com as suas respectivas
descrições de forma simplificada. As imagens reduzidas são links para as
imagens ampliadas, que permitem o consulente o acesso à imagem e a sua ficha
técnica.
4. Considerações finais
O projeto “Digitalização do acervo de Fotodocumentação Sylvio de Vasconcellos”
vem de encontro com as perspectivas arquivísticas e de acesso aqui
mencionadas. A influência da disponibilização desse acervo exercerá forte
impacto sobre a pesquisa na área de teoria e história da arquitetura. Com uma
equipe interdisciplinar o projeto demonstra a capacidade de a instituição
universidade gerenciar sua produção documental, seja qual for o suporte e aplicar
as devidas técnicas de tratamento de acervo, mediante as características dos
mesmos. A aplicação dos mecanismos de construção de sistemas informacionais
necessitam de um estudo prévio para a identificação dos acervos e a adoção dos
instrumentos metodológicos adequados para sua execução. Cabe ressaltar que
estes instrumentos são recentes, mas demonstram eficácia no gerenciamento,
processamento e na padronização das descrições dos dados, possibilitando
assim, à integração entre os acervos dos diversos tipos e principalmente os de
fundo arquivístico. Recomenda-se a criação de um instrumento de controle de
linguagem a ser adotado na descrição dos conteúdos, evitando-se assim a
utilização do uso da linguagem natural na indexação e atribuição de metadados
na busca dos conteúdos. No caso do Laboratório de Fotodocumentação a equipe
elaborou um instrumento próprio de linguagem denominado “Tesauro de

�Arquitetura e Urbanismo do Laboratório de Fotodocumentação Sylvio de
Vasconcellos”, que veio normalizar a indexação dos conteúdos informacionais das
imagens. Cabe ressaltar a importância de adoção de metodologias que não
somente prevêem o acesso e guarda desses documentos. Mas sim, recursos que
englobem o tratamento arquivístico preventivo e de conservação dos documentos,
já que uma das principais características dos documentos arquivísticos é sua
unicidade. Mediante a constatação do nível de deterioração dos negativos do
Laboratório, elaborou-se um projeto de preservação, conservação e restauração
dos negativos que contemple a transferência do acervo fotográfico para local com
mobiliário e climatização adequados; mudança do acondicionamento dos
negativos utilizando-se material com PH neutro; separação da parte do acervo já
contaminada pela “síndrome do vinagre”, estas atividades já estão em fase de
capitação de recursos. É preciso salientar a eficiência dos softwares para
processamento e recuperação da informação é fator determinante para o sucesso
de disponibilização de um acervo digital. A utilização de softwares livres para a
sua construção, portanto minimizando os custos de suas aquisições e produções
e a integração de linguagem com outros softwares, dinamizando o acesso entres
outras instituições informacionais, como já está previsto a

integração destes

softwares à plataforma Lotus utilizada pela UFMG. Espera-se que este trabalho
sirva como subsídios para outros projetos da mesma natureza, principalmente no
que se refere ao tratamento arquivístico adotado.

5. Bibliografia
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documentos fotográficos. 2 ed. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 1988.
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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              <elementText elementTextId="53252">
                <text>A construção de mecanismo eletrônicos e virtuais para disseminação de acervos arquivísticos dentro da universidade: o caso do laboratório de fotodocumentação Sylvio de Vasconcellos.</text>
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                <text>Castriota, Leonardo Barci; Angelo, Carla Viviane da Silva; Silva, Dora Aparecida; Maia, Jacqueline Moterani; Fernandes, Clara Urbano; Costa, Flávia Garcia</text>
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                <text>A universidade é, por excelência, propício à formação ou recolhimento de acervos de natureza arquivística, sejam eles acumulados em consonância com as atividades desenvolvidas e com os objetivos da universidade, ou adquiridos no ambiente externo para proporcionar oportunidades de pesquisa. Os profissionais da informação se deparam freqüentemente com o gerenciamento de acervos dos mais diversos gêneros e características. O entendimento da natureza desses acervos é um aspecto crucial a ser levado em conta antes de serem definidas as metodologias e os procedimentos para o seu gerenciamento. O acesso a estes documentos é novo desafio, já que atualmente, temos o meio eletrônico como recurso facilitador desse processo. A digitalização, aliada a uma política de disseminação e promoção de acesso virtual, é um advento tecnológico eficaz aos consulentes. O Projeto “Digitalização do Acervo de negativos do Laboratório de Fotodocumentação Sylvio de Vasconcellos”, da Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais é descrito para exemplificar o gerenciamento eletrônico de acervos iconográficos de natureza arquivística, como mecanismo de pesquisa e preservação dentro da universidade, através da participação de pesquisadores, profissionais e estudantes de graduação das áreas de arquitetura, biblioteconomia, arquivística e da ciência da computação.</text>
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                    <text>A CONSTRUÇÃO DO BALANCED SCORE CARD (BSC) NA DIVISÃO DE
BIBLIOTECA E DOCUMENTAÇÃO DA ESALQ - USP

Antonio Carlos Fabretti Facco
Técnico de Documentação e Informação
Divisão de Biblioteca e Documentação
Universidade de São Paulo
Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”
Avenida Pádua Dias, 11 – Caixa Postal 09.
Piracicaba – SP – Brasil
E-mail: facco@esalq.usp.br
Márcia Regina Migliorato Saad
Diretora - Divisão de Biblioteca e Documentação
Universidade de São Paulo
Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”
Avenida Pádua Dias, 11 – Caixa Postal 09.
Piracicaba – SP – Brasil
E-mail: mrmsaad@esalq.usp.br

RESUMO
Diante da complexidade das Unidades de Informação, os níveis de
exigências dos clientes, o uso de indicadores se tornou muito importante para o
acompanhamento global da biblioteca. Este trabalho conceitua o Balanced
ScoreCard (BSC), que foi desenvolvido com o intuito de auxiliar o futuro de uma
organização e demonstra como ele pode ser usado no Planejamento Estratégico
e na definição dos indicadores de desempenho. Descreve a experiência da
Divisão de Biblioteca e Documentação da Escola Superior de Agricultura “Luiz de
Queiroz” da Universidade de São Paulo na construção e implantação do seu
“Painel de Bordo”, do mapa estratégico, contendo as perspectivas mais
importantes para o seu “negócio”, os objetivos estratégicos, os indicadores de
desempenho e as metas de curto e longo prazo relacionadas com as estratégias.
O trabalho relata também todas as etapas de implantação do BSC.

Palavras-chave: Indicadores de Desempenho; Balanced ScoreCard (BSC);
Unidades de Informação; Planejamento Estratégico

1

�ABSTRACT
Facing the evident complexity of the Information Unitis and the requierment
level of our clients, the use of indicators has become a major tool to reach the
global management of the library. This work concerns the Balanced Scorecard
(BSC), which was developed with the main goal of helping the future of an
organization. Moreover, it shows how the BSC can be used in the Strategical
Planning and in the definition of the performance indicators. This paper describes
the experience of the Division of Library and Documentation of ESALQ, in the
University of São Paulo, in building and implementing its “Control Panel” of the
strategic map. Such panel contents the most important perspectives for its
“business”, the strategic aims, the performance indicators and the goals of short
and long term, related to the strategies. The work also describes all the steps of
BSC implementation.
Keywords: Performace Indicators; Balanced ScoreCard (BSC); Information Unit;
Strategic Planning

1 INTRODUÇÃO
O Sistema de Gestão da Divisão de Biblioteca e Documentação da
ESALQ/USP após 6 anos de implantação reviu alguns de seus processos,
levando em consideração os fundamentos do Prêmio Paulista de Qualidade de
Gestão - PPQG e do Premio Nacional de Qualidade - PNQ, cujos requisitos
incidem, na sua maioria em resultados.
Com base no Relatório de Avaliação do PPQG, edição de 2003, a DIBD
optou por outra metodologia para obtenção de seus indicadores, baseada no
equilíbrio organizacional e fundamentada em 4 diferentes perspectivas: financeira,
cliente, processos internos e inovação e aprendizagem.
O objetivo é buscar estratégias e ações equilibradas e balanceadas em
todas as 4 perspectivas.
1.1 Objetivo
O objetivo deste trabalho é descrever a experiência da construção de um
Balanced Scorecard na DIBD, através de um processo sistemático que busque

2

�consenso e clareza na tradução da missão e visão da biblioteca, em objetivos e
medidas operacionais.
2 O QUE É O BSC E SUA ADAPTAÇÃO PARA A DIBD
O BSC é uma ferramenta para avaliação do desempenho de uma
organização que leva em consideração que os indicadores financeiros por si só,
não refletem perfeitamente a efetividade da organização.
Os objetivos organizacionais são vários e muitas vezes conflitantes entre
si. Assim a redução de custos pode vir a conflitar com a qualidade dos serviços.
O propósito é fazer com que os múltiplos objetivos funcionem de modo
cooperativo entre si. Busca-se sinergia, ou seja, ação positiva de um objetivo
sobre os demais, proporcionando efeitos multiplicados e não apenas somados.
O BSC é baseado no equilíbrio organizacional e se fundamenta no
balanceamento entre as quatros perspectivas (Figura 1).

Figura 1 - As quatro perspectivas do BSC

1. Perspectiva Financeira: como a organização, neste caso neste caso a
DIBD é vista pelos seus acionistas (área financeira da ESALQ, ou mesmo da
USP). Os indicadores devem mostrar se a execução da estratégia está

3

�contribuindo para melhoria dos resultados: resultado do investimento em
informação e serviços, redução de custos operacionais, fluxo de caixa.
2. Perspectiva do Cliente: como a biblioteca central e as setoriais são vistas
pelo cliente e como podem atendê-los melhor. Os indicadores devem mostrar se
os serviços prestados estão de acordo com a missão da organização, a satisfação
dos clientes e a obtenção de clientes potenciais.
3. Perspectivas dos processos internos: quais os processos de produtos
em que a DIBD precisa ter excelência. Os indicadores devem mostrar se os
processos operacionais estão alinhados e se geram valores. Ex: Qualidade dos
processos, eficácia dos processos, produtividade.
O BSC busca estratégias e ações equilibradas e balanceadas em todas as
4 perspectivas, permitindo que esforços sejam dirigidos para as áreas de maior
competência. É um sistema voltado para o comportamento e não para o controle.
Seus indicadores estão direcionados para o futuro e para a estratégia
organizacional em um sistema continuo de monitoração.
O importante deste sistema é traduzir o mapa estratégico em objetivos
estratégicos – indicadores para medir resultados, bem como as metas específicas
e as respectivas ações individualizadas.
Alinhamento e foco são as palavras-chave; alinhamento significa coerência,
foco concentração. O BSC habilita a organização a DIBD a alinhar e focar suas
equipes de bibliotecários, administrativos e analistas para sua estratégia.
4. Perspectivas da Inovação e Aprendizagem: como tornar a organização
capacitada para a melhoria contínua e prepará-la para o futuro. Os indicadores
devem mostrar como a DIBD pode aprender e se desenvolver para garantir o
crescimento. Ex: Índice de renovação de novos produtos e serviços aos usuários,
desenvolvimento dos processos internos de tratamento da informação, inovação
das competências, mapeamento das competências, motivação das pessoas.

4

�3 O PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DO BSC NA DIBD
O processo de construção começou pela reestruturação no modelo de
formulação das estratégias e dos objetivos, a partir do Planejamento Estratégico.
O PE manteve o mesmo padrão anterior, usando-se a matriz swot mais o
levantamento de dados histórico, a análise do desempenho passado, e a análise
do meio externo.
Dessa forma, tendo como base a Missão, a Visão, e o resultado do
Planejamento Estratégico, as estratégias foram formuladas.
Vale lembrar que, a partir de 2006, a Missão e a Visão da DIBD passaram
ser a mesmas do Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São
Paulo, onde está inserida como umas das 40 bibliotecas que compõem o
SIBi/USP.
Missão
Promover o acesso e incentivar o uso e a geração da informação, contribuindo
para a qualidade do ensino, pesquisa e extensão, em todas as áreas do
conhecimento, com a realização eficaz dos recursos públicos;
Visão
Ser um modelo de excelência na gestão e disseminação da informação até 2010.
3.1 Montagem do Mapa Estratégico
As estratégias foram formuladas segundo suas perspectivas básicas
(financeiras, clientes, processos internos, inovação), desdobradas em objetivos
estratégicos com os respectivos indicadores e metas a serem atingidas nos
próximos 3 anos. Foram definidas também as ações que garantam sua execução.
Para que o desempenho seja mais que a soma de suas partes, as estratégias
devem ser interligadas e integradas, uma vez que a sinergia é o objetivo deste
novo desenho organizacional.
O foco nas estratégias deve vencer as barreiras departamentais e, portanto
exigem novos formatos. A Figura 2 mostra um novo mapa estratégico da Divisão
de Biblioteca e Documentação DIBD.

5

�As estratégias e seus desdobramentos, assim como os indicadores, metas e
ações foram transmitidos às chefias e líderes de UGBS* - Unidades Gerenciais
Básicas, de maneira consistente e significativa. Na verdade o que se fez, foi
traduzir a estratégia em termos operacionais para que ela seja implementada nos
níveis tático e operacional, de forma adequada.
O BSC cria um contexto em que as decisões relacionadas com as
operações cotidianas possam ser alinhadas com a estratégia e a visão
organizacional, permitindo divulgar a estratégia, promover o consenso e espírito
de equipe, integrando todas as áreas da Divisão de Biblioteca e criando
sistemática para envolver todos os planos de “negócio” (Figura 3), catalisar
esforços e motivar as pessoas e ainda, medir e avaliar o desempenho por meio
de indicadores.
4 DESDOBRAMENTO DOS INDICADORES ESTRATÉGICOS
Para compor os indicadores operacionais, cada UGB, definiu seus
produtos, a partir do mapeamento dos processos e, com base nos requisitos de
qualidade exigidos pelo cliente interno ou externo, estabeleceu seus indicadores
e, em comum acordo com a chefia propôs as metas.
Dependendo do tipo de produto/serviço da UGB, estes indicadores estão
ligados a uma das quatro perspectivas.
Assim os indicadores da UGB Empréstimo, por exemplo, podem refletir a
melhoria de um processo ou a satisfação do cliente. As Figuras 4, 5 e 6 mostram
os indicadores de Postura de Atendimento, Agilidade no Serviço Prestado e
Qualidade, que medem, respectivamente as perspectivas do cliente e dos
processos.
Para indicadores que reflitam a satisfação do cliente foram usadas 2
ferramentas: a pesquisa de satisfação do cliente e o QFD “Quality Function
Deployment”, este último que traduz em indicadores, as características de
qualidade exigidas pelo cliente.

* Menor célula da Divisão de Biblioteca e Documentação - DIBD

6

�Figura 2 – Mapa Estratégico da DIBD

7

�Figura 3 - Desdobramento dos Planos de Ação

8

�Meta da Post. de Atend. Anual - Meta: 12 Reclam .
18000
16000

Reclamações

14000
12000
10000

15.963

8000
6000
4000
2000

2

0

Total de Reclam.

Total de Atendim.

Postura de Atendim ento - Meta: 1 Reclamação/Mês
1,2
1
0,8
0,6
0,4

1

0,2
0
Janeiro

1

0

0

Fevereiro

M arço

A bril

0

0

0

0

0

0

M aio

Junho

Julho

A go sto

Setembro

Outubro

0

0

No vembro Dezembro

Figura 4 - Gráfico de postura de atendimento da UGB Empréstimo

Reclamações

Meta da Agilid. no Atend. Anual - Meta: 12 Reclam .
18000
16000
14000
12000
10000
8000
6000
4000
2000
0

15.963
3
Total de Reclam.

Total de Atendim.

Agilidade no Atendim ento - Meta: 1 Reclam ação/Mês por dem ora no atendim ento
1,2
1
0,8
0,6

1

0,4
0,2
0

0
Janeiro

Fevereiro

1
0

0

0

M arço

A bril

M aio

Junho

0

0

0

0

Julho

A gosto

Setembro

Outubro

0

0

No vembro Dezembro

Figura 5 - Gráfico de Agilidade no atendimento da UGB Empréstimo

9

�Qualidade no Serviço Prestado Anual - Meta: 2% de Falha admitida

20

Erro

15
10

18

5
0

9
0

1

Janeiro

Fevereiro

M arço

A bril

4

0

0

0

0

0

M aio

Junho

Julho

A go sto

Setembro

Outubro

0

0

Novembro Dezembro

Meta - Qual. no Serviço Prestado Anual - Meta 2%
18000
16000
14000

Total

12000
10000

15.963

8000
6000
4000
2000

0,20%

0

Porcent. da Meta

Total de Atendim.

Figura 6 - Gráfico de Qualidade de Serviço Prestado da UGB Empréstimo

5 INDICADORES “OUTCOMES” E “DRIVERS”
Os indicadores “outcomes” são aqueles referentes ao resultado, ou seja, já
aconteceram e não há nada a fazer sobre eles. No mapa estratégico, os
resultados obtidos a cada ano, dentro de cada um dos objetivos estratégicos nas
quatro perspectivas, são frutos do desempenho dos indicadores operacionais.
Já os “drivers” são os direcionadores, ou seja, aqueles que são
monitorados mensalmente nos meios operacionais, através do sistema de
informação e que direcionam a tomada de decisão e mudanças no rumo, ainda no
âmbito das UGBS.
Quando as medidas adotadas não atingem o efeito esperado, os itens
críticos são levados à reunião de análise crítica da alta administração para, com
base nas ferramentas da qualidade, seja encontrada a causa do problema.
As reuniões acontecem a cada 3 meses, mas o monitoramento pode ser
feito, tanto pelas chefias, quanto pelo funcionário, através do sistema de

10

�informação ou dos gráficos disponibilizados nos quadros de administração visível
de cada UGB.
6 RESULTADO ESPERADO
Este é o primeiro ano de implantação do BSC na DIBD e, portanto não há
um referencial comparativo com metodologia anterior.
O primeiro resultado poderá medido pela classificação que a DIBD obtiver
no próximo PPQG, edição 2006-2007.
7 CONCLUSÃO
Embora não se tenha resultado ainda, pode-se dizer que este formato
motiva a equipe, catalisa esforços, cria sinergia na medida em que envolvem
todos, em direção às metas.
A divulgação das estratégias da biblioteca proporciona o conhecimento
sobre os rumos da biblioteca.
A informação em tempo real sobre os indicadores dos processos e
produtos operacionais, permite a cada UGB monitorar seu próprio desempenho,
criando autonomia e autogerenciamento da rotina.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
BUCCELLI, D.O. Estratégia e medição do desempenho. São Paulo: IPEG,
2005.
CHIAVENATO, I.; SAPIRO, A. Planejamento estratégico. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2004.
KAPLAN, R.S. Mapas estratégicos - Balanced Scorecard: convertendo ativos
intangíveis em resultados tangíveis. Rio de Janeiro. Elsevier, 2004.
KAPLAN, R.S., NORTON D.P. A estratégia em ação. 12 ed. Rio de Janeiro,
Campus, 1997.
MINTZBERG, H. ET AL. Safári de estratégia: um roteiro pela selva do
planejamento estratégico. Porto Alegre. Bookman, 2000.

11

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>A construção do Balanced Score Card (BSC) na Divisão de Biblioteca e Documentação da ESALQ- USP.</text>
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                <text>Diante da complexidade das Unidades de Informação, os níveis de exigências dos clientes, o uso de indicadores se tornou muito importante para o acompanhamento global da biblioteca. Este trabalho conceitua o Balanced ScoreCard (BSC), que foi desenvolvido com o intuito de auxiliar o futuro de uma organização e demonstra como ele pode ser usado no Planejamento Estratégico e na definição dos indicadores de desempenho. Descreve a experiência da Divisão de Biblioteca e Documentação da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo na construção e implantação do seu “Painel de Bordo”, do mapa estratégico, contendo as perspectivas mais importantes para o seu “negócio”, os objetivos estratégicos, os indicadores de desempenho e as metas de curto e longo prazo relacionadas com as estratégias. O trabalho relata também todas as etapas de implantação do BSC.</text>
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            <description>A language of the resource</description>
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                    <text>A CONTRIBUIÇÃO DA BIBLIOTECA DIGITAL NO PROCESSO DE DIVULGAÇÃO
DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA DO
DEPARTAMENTO DE INFORMÁTICA DA PUC-RIO
Rosane Teles Lins Castilho
Departamento de Informática PUC-Rio
Rua Marquês de São Vicente, 225 – Gávea
22451-900 – Rio de Janeiro – RJ – Brasil
rosane@inf.puc-rio.br
RESUMO
Apresenta os procedimentos que vêm sendo adotados pela Biblioteca Setorial de
Informática - BS/INF para disponibilizar os textos completos, em meio digital, dos
relatórios de pesquisa e das teses e dissertações apresentadas ao programa de
pós-graduação do Departamento de Informática – DI da PUC-Rio em páginas
vinculadas a sua home-page, com o objetivo de divulgar a produção científica e o
conhecimento gerado pelo Programa, em seus mais de 35 anos do funcionamento.
A memória técnico-científica do DI sempre foi considerada importante pela
comunidade e pela biblioteca setorial e, com a sua divulgação, pretendeu-se
também dar maior destaque ao seu relevante valor histórico, pois apresenta um
panorama significativo da evolução da pesquisa científica e tecnológica na área,
através da análise dos temas e da profundidade do seu tratamento, desde as
origens do Programa, que é pioneiro na pós-graduação em Informática, na América
Latina, e classificado como o “melhor programa” em Ciência da Computação, no
país, pela avaliação trienal da CAPES de 2004. Para o alcance dos objetivos deste
trabalho a Biblioteca Setorial de Informática contou sua base de coleções digitais e
com as bases digitais de teses e dissertações digitais da Divisão de Bibliotecas e
Documentação e do Projeto Maxwell – Centro Digital de Referência da PUC-Rio. Os
resultados dessas ações, visando a divulgação da produção científica e do
conhecimento gerado no Departamento, já podem ser observados, através da
recuperação de informações e de documentos, em resposta a buscas realizadas na
World Wide Web e do crescimento em número de consultas às teses e dissertações
do DI, revelado por estatísticas do Projeto Maxwell.
PALAVRAS-CHAVE: produção científica; divulgação do conhecimento; coleções
digitais; PUC-Rio Departamento de Informática.

�1 Introdução
A Biblioteca Setorial de Informática - BS/INF vem disponibilizando na home-page do
Departmento de Informática da PUC-Rio os relatórios de pesquisa e as teses e
dissertações apresentadas ao Programa de Pós-Graduação do DI, em seus mais de
35 anos do funcionamento, com o objetivo de divulgar mais amplamente, a produção
científica e o conhecimento gerado pelo Programa. Pioneiro na pós-graduação em
Informática, na América Latina, e classificado como o “melhor programa” em Ciência
da Computação, no país, pela avaliação trienal da CAPES de 2004, esta é também
uma forma de dar maior destaque ao seu relevante valor histórico, apresentando um
panorama significativo da evolução da pesquisa científica e tecnológica na área,
através da análise dos temas e da profundidade do seu tratamento, desde as
origens do Programa.
Na área da Ciência da Computação, é uma tradição divulgar a produção técnicocientífica das comunidades através de séries de relatórios técnicos, ou de pesquisa,
memorandos, etc, como são também denominados. Esses relatórios integram o
conjunto da literatura cinzenta, seus métodos de divulgação vêm evoluindo, se
adaptando às novas tecnologias e mídias, e sendo incorporados ao cotidiano das
comunidades.
Neste trabalho, apresentamos os diversos estágios pelos quais passou o processo
de divulgação do conhecimento gerado pelo Departamento de Informática da PUCRio, realizado pela Biblioteca Setorial de Informática da PUC-Rio, até chegar à fase
atual, apontando elementos que sugerem o crescimento sensível das consultas aos
trabalhos produzidos pela comunidade, após a

publicação das referências e

resumos dos trabalhos, juntamente com a oferta de acesso aos textos completos, na
página criada especificamente para esse fim – Publicações -, vinculada à homepage do DI.

2 Um Pouco de História
A produção, o controle, a preservação e a divulgação da memória técnico-científica
do DI sempre foram consideradas atividades importantes pela Congregação e pela
biblioteca setorial. Assim, quando da sua criação, em 1971, foi conferida à Biblioteca

�Setorial de Informática – BS/INF a responsabilidade pelo tratamento e manutenção
da coleção de manuais técnicos do computador IBM e das coleções científicas
(livros, periódicos, etc.) pertencentes ao DI, dotando-a de ferramentas e padrões
internacionais para o tratamento da informação e de sistemas locais para seu
processamento técnico. Além disso, foi-lhe conferida também a responsabilidade:
- pela publicação da série de relatórios de pesquisa, nas mídias impressa e
(posteriormente) digital, e a sua divulgação às outras comunidades da área,
nacionais e estrangeiras;
- pelo repertório das teses e dissertações aprovadas pelo programa de pósgraduação do DI e, posteriormente, a sua gerência nos diretórios de servidores do
DI e, ainda;
- pelo inventário da produção acadêmica, visando principalmente à
elaboração de relatórios de atividades e estudos da produção, para própria
Universidade e para as agências de fomento à pesquisa científica, sobretudo,
CAPES e CNPq.
Essas decisões da Congregação refletem a sua percepção de que as atividades de
uma biblioteca acadêmica são indissociáveis àquelas relacionadas ao controle e a
divulgação da produção científica de uma unidade acadêmica.

Esse modelo,

naturalmente, não é exclusivo, tendo sido inspirado nos modelos dos departamentos
de pós-graduação de instituições estrangeiras, como por exemplo, Stanford
University (EUA), University of Waterloo (CA), Imperial College (GB), INRIA (FR),
entre outros, pelas quais passaram diversos membros da Congregação, em
cumprimento aos requisitos para sua formação pós-graduada, e posterior retorno à
PUC-Rio, nos primórdios do Programa.

3 A Literatura Cinzenta
A literatura cinzenta, denominada antigamente de publicação não convencional, cuja
principal característica é a não disponibilidade em esquemas comerciais de venda
(Gomes, 2000), “é constituída por relatórios técnicos e de pesquisa (material
predominante no conjunto de documentos que a integram), publicações não
governamentais, traduções avulsas, literatura originada em encontros científicos,
relatórios de projetos de pesquisa para instituições ou agências de fomento, teses e

�dissertações, preprints.

Na definição da Third Conference on Grey Literature,

organizada pela Grey Net (Grey Literature Network Services) é “aquela produzida
em todos os níveis de governo, nas áreas acadêmica, do comércio e da indústria,
nos formatos impresso e eletrônico, mas que não é controlada por editores
comerciais” (apud Gomes, 2000). São geralmente documentos de caráter provisório
ou preliminar e reproduzidos em número limitado de cópias, não recebem
numeração padronizada (ISSN e ISBN), assim como, não são objeto de depósito
legal. Outras de suas características, importantes para a comunicação e informação
científica e tecnológica, são: a veiculação de informação mais detalhada do que a
que aparece nos artigos de periódicos e nos livros, a sua atualização e rápida
disponibilização, não sendo determinada apenas por interesses comerciais.
No DI, do conjunto dessa literatura cinzenta, destacam-se os relatórios de pesquisa,
preprints, as teses e dissertações.
4 Visão, Produção e Tratamento Literatura Cinzenta no DI
A série de relatórios de pesquisa do DI, intitulada “Monographs in Computer Science
and Computer Applications”, foi lançada em 1969, um ano após a criação do
programa de pós-graduação do departamento. A partir de 1975, passou a ser
intitulada Monografias em Ciência da Computação e foi inscrita no ISSN (IBICT),
sob o número 0103-9741, em 1992. É uma tradição “importada” dos departamentos
de Computação estrangeiros, por onde boa parte da congregação esteve
completando a sua formação, no início das atividades do departamento, que visa à
rápida comunicação e divulgação do andamento dos resultados de pesquisas entre
os pares. Aqui, também, esses objetivos seguem a tradição, porém, nem sempre
são observadas todas as características descritas no capítulo anterior.
No DI, de um modo geral, todos os relatórios de pesquisa contêm informações sobre
pesquisas em progresso ou os resultados “finais” de pesquisas realizadas no
departamento. São trabalhos produzidos geralmente pelas equipes, são candidatos
a publicação em anais de conferências e em periódicos (preprints) e, mesmo, a se
tornarem livros. Assim, integram a série:
- resultados parciais de dissertações ou teses em andamento, condensações
de teses concluídas;

�- relatórios de projetos de pesquisa para agências de fomento, transformados
em literatura;
- compilação de resumos de trabalhos apresentados em eventos científicos
organizados pelo departamento;
- catálogos dos fascículos da série Monografias em Ciência da Computação,
catálogos dos trabalhos publicados na literatura branca e catálogos das teses e
dissertações apresentadas ao Programa;
- coletâneas em homenagem a pesquisadores do DI;
- trabalhos isolados cuja contribuição aos avanços da área seja reconhecida.
A série conta com um editor científico, um pesquisador sênior que cumpre o papel
de avaliador dos trabalhos, e com um editor técnico. Conta, ainda com numeração
padronizada (ISSN) e as cópias dos fascículos impressos são encaminhadas à
Biblioteca Nacional, em cumprimento Lei de Depósito Legal, e à Biblioteca Central
da PUC-Rio, na qualidade de depositária institucional da produção científica, para
processamento e incorporação ao acervo do sistema de bibliotecas
Desde 1971, a BS/INF está envolvida com a padronização, a produção, o controle, a
preservação, a divulgação e a distribuição dos fascículos da série, processos esses
que, ao longo dos anos, acompanharam a evolução nos campos da normalização,
da mídia

e das tecnologias de informação e comunicação.

Partindo-se, nos

primeiros anos de sua publicação, de um processo rudimentar em todas as suas
etapas – de texto manuscrito pelo autor e datilografado por secretárias, passando
pela produção dos fascículos na gráfica da Universidade, à divulgação através de
listas impressas contendo as referências e os resumos da produção enviadas a uma
extensa e seletiva mailing-list de instituições e de bibliotecas, nas

quais eram

assinalados os fascículos de interesse, e o envio do texto completo do trabalhos
através do correio tradicional -, conta-se atualmente com novas técnicas e
tecnologias

que

facilitam

e

agilizam

mais

ainda

a

comunicação

dos

desenvolvimentos das pesquisas entre os pares, cumprindo, dessa forma, uma das
suas principais funções, na qualidade de literatura cinzenta.

�Em 1969, a primeira dissertação de mestrado foi defendida no recém criado
Departamento de Informática – DI e, em 1975, demonstrando o amadurecimento e
a consolidação do Programa de pós-graduação, foi defendida a primeira tese de
doutorado. A preocupação local da equipe da BS/INF com a padronização da
apresentação desse tipo de produção é antiga e, por essa época, chegou ao
conhecimento da Vice-Reitoria Acadêmica – VRAc, surgindo dali um convite para a
elaboração das primeiras Normas para a Apresentação de Teses e Dissertações da
PUC-Rio (1976), trabalho esse que foi realizado em conjunto com a Biblioteca
Central. O repertório dessa literatura, cujos processos de controle, preservação, e
divulgação acompanharam a evolução da mídia e das tecnologias de informação e
comunicação, passou também a ser de sua incumbência.
5 Em tempos de Internet
No mundo do texto eletrônico, a edição e a distribuição de um documento estão
interligados, ou seja, o produtor de um texto pode ser ao mesmo tempo editor, no
duplo sentido daquele que dá forma definitiva ao texto e daquele que o difunde
diante de um público de leitores: graças à rede eletrônica, esta difusão é imediata.
Estas facilidades vem se traduzindo no aumento da produção de literatura cinzenta.
Através da World Wide Web, a Internet vem propiciando maior acesso à literatura
cinzenta. Assim, em 1993, a equipe da BS/INF deu início à montagem dos
repositórios de documentos eletrônicos de acesso público – ftp-site -, contendo as
versões eletrônicas dos relatórios de pesquisa e das teses e dissertações do DI,
visando à sua divulgação, difusão e acesso amplo e ainda mais rápido à
comunidade científica da área, seguindo o modelo dos sítios das instituições que
inspiraram as ações do DI, no passado, listados no final deste trabalho. Esses sítios
são visitados pelos robôs de busca, o que contribui decisivamente para a inclusão,
visibilidade e acesso à produção científica dessas instituições científicas.
No sítio da Escola de Ciência da Computação, da University of Waterloo, a seguir
observa-se a sua estrutura de apresentação gráfica e divulgação de sua produção,
destacando-se do conjunto documentos componentes da literatura cinzenta.

��Nesta página do sítio de Waterloo, entre os relatórios de pesquisa, pode-se
constatar a existência de um preprint (TR-CS-2006-01), ao se fazer a cópias
(download) do arquivo PDF.

5.1 Relatórios de Pesquisa do DI na Internet
Os relatórios de pesquisa do DI, série Monografias em Ciência da Computação,
seguem o padrão abaixo apresentado: um template, em DOC ou LaTex, que pode
ser copiado do ftp-site pelo interessado, ou solicitado à BS/INF por quaisquer vias.
Ao desejar (ou receber a recomendação de) “publicar” na série, o autor submete o
trabalho ao editor científico no padrão

recomendado e, mediante mensagem

autorizando a sua publicação, na BS/INF procede-se ao fornecimento do número do
trabalho na série e dá-se prosseguimento às demais etapas do processo de
publicação. Note-se que aos autores que submetem seus trabalhos a outras mídias,
da chamada literatura branca, com cláusulas de direitos autorais, é lhes

�recomendado efetuar pequenas alterações nos

títulos, resumos e, mesmo, nos

textos dos trabalhos, visando evitar problemas de copyright futuros.
Concluída a edição do trabalho e a geração dos arquivos PDF ou PS, a equipe da
BS/INF faz seu upload para o servidor de ftp, inclui a referência e o resumo do
trabalho em página HTML e insere o hiperlink do arquivo correspondente ao texto do
documento no ftp. Todo esse processo leva apenas alguns minutos para ser
completado, porém, os resultados dessa ação são de grande importância para o
autor e para a comunidade, uma vez que garante a sua autoria e é alcançada uma
mais ampla socialização do conhecimento gerado no DI.
Os exemplos abaixo mostram as folhas preliminares de um fascículo da série
Monografias em Ciência da Computação, conforme o padrão recomendado e,
adiante, a página Publicações / Relatórios de Pesquisa, vinculada à home-page do
DI, onde os resumos e os textos completos podem ser consultados e copiados.
Comparando-as

às

páginas

da

University

of

Waterloo,

percebem-se

as

semelhanças. Note-se que a coleção digital começa a ser produzida em 1993, assim
como o seu processo de disponibilização no ftp-site do DI, coincidindo com a
popularização da Internet e da Web no departamento, que sempre buscou
acompanhar os avanços tecnológicos das mídias. Atualmente, os fascículos da
coleção, anteriores a essa data, encontra-se em processo de digitalização,
remontando-se ao seu início, em 1969, e é somente através desta as páginas
Publicações / Relatórios de Pesquisa vinculadas à home-page do DI que se tem
acesso aos relatórios publicados a partir de 2001, já que a coleção em versão
impressa, desde então, não vem recebendo tratamento técnico pela Biblioteca
Central, devido a problemas atribuídos ao sistema Pergamum. A coleção em versão
digital, por sua vez, até o momento, não foi tratada tecnicamente pela Biblioteca
Central.

���5.2 Teses e Dissertações do DI na Internet
As teses e dissertações do DI percorrem um processo diferente dos relatórios
de pesquisa, até a sua incorporação à coleção digital disponibilizada em seu sítio.
A entrega do exemplar em meio digital passou a ser obrigatória apenas a partir de
2002, assim esses exemplares, acompanhados do tipo de autorização de acesso ao
trabalho, são enviados à Biblioteca Central, a partir de 2002, e ao Projeto Maxwell,
hospedado no Departamento de Engenharia Elétrica, a partir de 2000, antevendo o
impacto dessas ações para comunidade acadêmica.

O Maxwell é integrado ao

esforço da BDTD (Biblioteca Digital de Teses e Dissertações – IBICT) da NDLTD
(Networked Digital Library of Theses and Dissertations – Virginia Tech) e da
UNESCO (ETD Programs) e implementou o Open Archives Protocol for Metadata
Harvesting (OAI-PMH) que permite que os metadados das teses e dissertações
arquivadas em seu banco de dados sejam coletados automaticamente para
integração à base da BDTD. O Maxwell recebe uma cópia digital certificada de cada
tese ou dissertação, faz a sua catalogação de acordo com o padrão de metadados
de teses e dissertações brasileiros - MTDBR (compatível e mais abrangente que o
OETDMS/DBTD e o Dublin Core) e disponibiliza os objetos digitais em sua base de
dados. A principal diferença entre os dois sistemas, isto é, o da Biblioteca Central e
o do Maxwell, está na implementação do OAI-PHM pelo segundo, o que tem trazido
às dissertações e teses da PUC-Rio maior visibilidade, por sua integração
automática à BDTD e, dali, para o mundo acadêmico – e esta é uma questão de
importância crucial para quem faz Ciência no Brasil. Outras versatilidade do Maxwell
são que ele disponibiliza as teses mais rapidamente, produz quadros comparativos e
séries históricas da produção acadêmica e das consultas e acesso às teses e
dissertações da instituição, sendo esta sua última facilidade exemplificada adiante.
Nos mesmos moldes dos relatórios de pesquisa, a BS/INF efetuou o upload das tese
e dissertações que já se encontravam em meio digital, em 1992, sob a guarda da
BS/INF ou dos laboratórios temáticos do departamento, para o ftp-site do DI. Assim,
há hiperlinks para o fpt-site do DI – no caso, cópias digitais dos trabalhos não
existentes nas coleções do Maxwell ou da Biblioteca Central -, para a cópia digital
arquivada nos servidores da Biblioteca Central – depositária institucional das teses e

�dissertações da PUC-Rio - e para a cópia digital arquivada nos servidores do
Maxwell, considerando os benefícios da sua integração à BDTD e as opções de
levantamentos estatísticos da produção e de acesso que oferece.

7.3 Comentários finais
Aliada à satisfação da comunidade em ter os seus trabalhos mais amplamente
difundidos através da página Publicações, vinculada à home-page do DI, tem sido
possível observar também em que medida cresceu a incidência das consultas aos
relatórios de pesquisa, teses e dissertações. Os contadores de acesso, incluídos
nas páginas Web, demonstram o crescimento dessa incidência, no entanto, não
possibilitam obter uma medida confiável do tipo de aproximação e, mesmo, de sua
categorização. Através do Maxwell, testes revelam que isto é parece ser possível,
uma vez que o sistema dispõe de mecanismos que fazem essa identificação e tem
fornecido amostras interessantes de quadros comparativos e séries históricas das
consultas e dos acessos às teses e dissertações da instituição. Além disso, parece
ser bem simples produzir relatórios estatísticos variados através do sistema.

�Seguem alguns exemplos de informações sobre a produção do DI que puderam ser
levantadas junto ao Maxwell: em janeiro de 2006, 51 países fizeram consultas à
coleção, entre eles, os Estados Unidos consultaram 169 teses, o Brasil 96, Portugal
46; em junho, o número de países que fizeram consultas aumentou para 64, os
Estados Unidos consultaram 191 teses, o Brasil 132 e Portugal 57 – isto representa
cerca de 30 % de aumento das consultas no geral, 12% de aumento das consultas
dos Estados Unidos, 28% do Brasil e 23% de Portugal – aqui, é possível ainda saber
quais foram as teses consultadas. Segue outro exemplo de informação que pôde ser
levantada: uma tese depositada no Maxwell, há menos de 6 meses, recebeu 77
“visitas” dos Estados Unidos, 8 delas completas (copiadas). E, mais outro exemplo:
o trabalho na coleção com maiores índices de consulta é uma dissertação de
mestrado da área de Engenharia de Software, defendida em agosto de 2005 e
disponibilizada pelo Maxwell em setembro do mesmo ano. Vê-se, portanto, que há
possibilidades desse sistema vir a obter levantamentos úteis e confiáveis sobre a
produção científica da instituição para a comunidade.
7 Conclusões
A tradição de excelência do Departamento de Informática, no âmbito nacional
e internacional, exigia que o conhecimento gerado pela comunidade fosse mais
amplamente difundido e se tornasse mais acessível. Isto está sendo possível com a
a página vinculada à home-page do DI, contendo uma expressiva parcela da
produção acadêmica do DI: são, aproximadamente, 1000 relatórios de pesquisa e
1050 teses e dissertações, cujos resumos podem ser consultados e cujos textos,
em grande parte, já podem ser copiados integralmente, a partir de sua home-page.
A associação das atividades da biblioteca acadêmica às atividades
relacionadas à produção científica de uma unidade acadêmica, na realização de
trabalhos desta natureza, revela-se muito positiva, enriquecedora e possibilita novas
modalidades de interação, trazendo benefícios para toda a comunidade.
Finalmente, apoiada em ferramentas eficazes na construção de indicadores
da produção científica e de seu uso, a PUC-Rio poderá contar com informações
estratégicas sobre o conhecimento gerado pela comunidade que poderão subsidiar
ações em prol da manutenção da excelência dos seus programas.

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>A contribuição da biblioteca digital no processo de divulgação da produção científica do Departamento de Informática da PUC- RIO.</text>
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                <text>Castilho, Rosane Teles Lins</text>
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            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                <text>Salvador (Bahia)</text>
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            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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                <text>UFBA</text>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>2006</text>
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            <description>The nature or genre of the resource</description>
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            <description>An account of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="53295">
                <text>Apresenta os procedimentos que vêm sendo adotados pela Biblioteca Setorial de Informática - BS/INF para disponibilizar os textos completos, em meio digital, dos relatórios de pesquisa e das teses e dissertações apresentadas ao programa de pós-graduação do Departamento de Informática – DI da PUC-Rio em páginas vinculadas a sua home-page, com o objetivo de divulgar a produção científica e o conhecimento gerado pelo Programa, em seus mais de 35 anos do funcionamento. A memória técnico-científica do DI sempre foi considerada importante pela comunidade e pela biblioteca setorial e, com a sua divulgação, pretendeu-se também dar maior destaque ao seu relevante valor histórico, pois apresenta um panorama significativo da evolução da pesquisa científica e tecnológica na área, através da análise dos temas e da profundidade do seu tratamento, desde as origens do Programa, que é pioneiro na pós-graduação em Informática, na América Latina, e classificado como o “melhor programa” em Ciência da Computação, no país, pela avaliação trienal da CAPES de 2004. Para o alcance dos objetivos deste trabalho a Biblioteca Setorial de Informática contou sua base de coleções digitais e com as bases digitais de teses e dissertações digitais da Divisão de Bibliotecas e Documentação e do Projeto Maxwell – Centro Digital de Referência da PUC-Rio. Os resultados dessas ações, visando a divulgação da produção científica e do conhecimento gerado no Departamento, já podem ser observados, através da recuperação de informações e de documentos, em resposta a buscas realizadas na World Wide Web e do crescimento em número de consultas às teses e dissertações do DI, revelado por estatísticas do Projeto Maxwell.</text>
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            <description>A language of the resource</description>
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                    <text>1

A CONTRIBUIÇÃO DA PESQUISA DOS DOCENTES DOS PROGRAMAS DE PÓSGRADUAÇÃO EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO NOS SNBUs (2000-2004)

Daisy Pires Noronha
Professora Doutora do Departamento de Biblioteconomia e Documentação da
ECA/USP. Pesquisadora do Núcleo de Produção Científica (NPC).
Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443 – 05508-000 – São Paulo – Brasil
daisynor@usp.br

José Fernando Modesto da Silva
Professor Doutor do Departamento de Biblioteconomia e Documentação da ECA/USP.
Pesquisador do Núcleo de Produção Científica (NPC).
Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443 – 05508-000 – São Paulo – Brasil
fmodesto@usp.br

Vânia Martins Bueno de Oliveira Funaro
Bibliotecária da Faculdade de Odontologia da USP. Professora da Faculdade de
Biblioteconomia e Ciência da Informação/FESPSP. Doutoranda do PPGCI da ECA/USP
e membro do NPC.
Av. Prof. Lineu Prestes, 2227 – 05508-000 – São Paulo – Brasil
vaniamar@usp.br

Mery Piedad Zamudio Igami
Bibliotecária do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares IPEN/CNEN-SP.
Membro do NPC.
Av. Lineu Prestes, 2242 – 05508-000 – São Paulo – Brasil
mery@ipen.br

Sandra Regina Ponte da Costa Toledo
Aluna do curso de graduação em Biblioteconomia da ECA/USP. Bolsista de IC/CNPq
junto ao NPC.
srcosta@yahoo.com.br

�2

1

INTRODUÇÃO

Pesquisa, trabalho científico e investigação científica são termos utilizados para definir
“qualquer investigação metódica, desenvolvida para fornecer informações que possam
solucionar um problema” (VICKERY, 1972). Menezes (1993) define pesquisa cientifica
como o estudo sistemático e minucioso, com a finalidade de descobrir ou detectar fatos
ou princípios relativos às diversas áreas do conhecimento humano, gerando assim, a
produção científica de uma determinada área do conhecimento.

O desenvolvimento das pesquisas está concentrado nas universidades, especialmente
nos cursos de pós-graduação quer pelo seu fazer científico, quer pelo seu papel na
formação de professores e pesquisadores que irão atuar em outras entidades,
universitárias ou não (WITTER, 1997).

A partir da implantação dos primeiros cursos de mestrado (IBICT, 1970) e de doutorado
(USP, 1980), em Ciência da Informação (CI), a produção científica neles gerada vêm se
destacando, em crescente contribuição para a consolidação da área.

A exemplo de outras áreas, os pesquisadores em CI têm como preferência divulgar
suas pesquisas em artigos de periódicos científicos e em comunicações apresentadas
em eventos científicos da área. Os trabalhos apresentados em eventos podem não ser,
necessariamente, científicos e de qualidade geralmente muito variada dado que a
avaliação dos mesmos é efetuada de maneira menos rigorosa que os artigos
(MUELLER; MIRANDA; SUAIDEN, 2000). Mesmo assim as comunicações em eventos,
nem sempre de fácil identificação e acesso, constituem-se em “fonte muito fértil de
idéias e informações” (p. 346), contribuindo para o fortalecimento das linhas e grupos
de pesquisa dos programas onde são desenvolvidas.

As análises de avaliação produção das comunicações escritas, geradas por
pesquisadores dos Programas de Pós-graduação (PPGs), constituem-se em subsídios

�3

para construção de indicadores de produtividade científica voltados à realidade
brasileira.

Assim, o presente trabalho tem por objetivo, analisar a contribuição das comunicações
científicas dos docentes dos programas nacionais de pós-graduação na área da Ciência
da Informação e mais especificamente: a) identificar a sociabilidade entre os autores
identificada pelo tipo de autoria das comunicações e, b) correlacionar a temática
abordada nas comunicações em função das linhas de pesquisa dos programas
nacionais.

2

MÉTODO

2.1 Universo da pesquisa

O universo da pesquisa constituiu-se das comunicações apresentadas pelos docentes
dos Programas de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI) no evento
especializado Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias, realizado no período de
2000 a 2004.
2.2 População estudada

A população foi constituída por docentes vinculados aos Programas de Pós-Graduação
em Ciência da Informação (PPGsCI) das seguintes instituições: IBICT/UFF, USP,
UFMG, PUCCAMP, UFPb, UnB, UFBa, UNESP e UFSC. O Programa da UFPb está
atualmente em processo de revisão para seu recredenciamento junto à CAPES, mas foi
considerado neste trabalho pelo fato deste estudo envolver um período de avaliação em
que o referido curso encontrava-se em atividade.

A relação dos docentes foi

identificada em site disponível pelo Núcleo de Produção Científica (NPC) do
CBD/ECA/USP (www.eca.usp.br/nucleos/pc), acessado em dezembro de 2005..

�4

2.3 Coleta dos dados

As informações relativas às comunicações apresentadas nos SNBUs pelos docentes
dos PPGsCI constituem-se em amostra extraída da Base de Dados em Literatura
Cinzenta-Eventos-Ciência da Informação (BLC-E-CI), criada e mantida pelo NPC. O
período do levantamento restringiu-se às três últimas edições desse evento, a saber:
•

11º. SNBU, Florianópolis, SC, 2000

•

12º. SNBU, Recife, PE, 2002

•

13º. SNBU, Natal, RN, 2004

2.4 Análises dos dados

Os dados coletados foram analisados considerando-se a autoria e categoria temática
das comunicações.

Cada trabalho apresentado nos eventos foi categorizado segundo o tipo de
autoria em: única e múltipla. Para a autoria múltipla foi considerada a
procedência institucional dos autores, classificada em autoria intra-institucional e
inter-institucional. Com relação à temática, as comunicações foram classificadas
segundo as linhas de pesquisa mantidas pelos PPGs, onde os docentes/autores
estão vinculados, e em categorias temáticas genéricas que vêm sendo utilizada
nos estudos realizados no NPC.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foram identificados 114 docentes vinculados aos 9 Programas de Pós-Graduação em
Ciência da Informação, sendo que nos SNBUs,

produziram um total de 47

comunicações divulgadas nos anais dos SNBUs, das últimas três ocorrências, no
período de 2000 a 2004.

�5

3.1 Produção por evento

A distribuição do total das comunicações pelos eventos estudados e respectivas
temáticas, é verificada no quadro 1. Por ele verifica-se um aumento em mais de
100% no total de comunicações nos dois últimos eventos. Possivelmente a temática
do último SNBU realizado tenha atraído a atenção dos docentes da pós-graduação
para uma maior participação no evento.

Evento

Temática

Número total de
comunicações no
evento

No. de
comunicações
por docentes

87

12

143

10

192

25

422

47

11º. SNBU, Florianópolis, A biblioteca Universitária
do século XXI

SC, 2000

12º. SNBU, Recife, PE, Espaços de r(evolução)
do conhecimento e da

2002

informação
13º.

SNBU,

Natal,

RN, (Re) Dimensão da
bibliotecas universitárias:

2004

da gestão estratégica à
inclusão social
TOTAL

Quadro 1 – Número de comunicações apresentadas nos eventos realizados

3.2 produção dos docentes

Os resultados da Tabela 1 mostram o total das comunicações dos docentes de cada
PPG apresentadas em todas as edições dos três eventos estudados.

�6

Tabela 1 – Número de comunicações apresentadas nos eventos, realizados entre 2000 e 2004,
por docentes dos Programas de Pós-Graduação em Ciência da Informação
Número
Docentes

Comunicação
nos SNBUs

IBICT/UFF

18

5

Média das
comunicações por
docente
0,3

USP

12

10

0,8

UFMG

20

5

0,25

PUCCAMP

9

-

0

UFPb

8

4

0,5

UnB

13

3

0,2

UFBA

12

2

0,2

UNESP

11

8

0,7

UFSC

11

10

0,9

114

47

0,4

PPGsCI

Total

Ao se considerar a produção de comunicações segundo os PPGs (Tabela 2)
verifica-se que, embora com freqüência não muito expressiva, os docentes dos
PPGs vêm participando regularmente nos SNBUs.

Apenas os docentes da

PUCCAMP não marcaram presença, com trabalhos, nos últimos três SNBUs
realizados. O maior número de participações coube aos docentes da USP e UFSC,
com 10 comunicações apresentadas, e uma média de 0,8 e 0,9 trabalhos por
docente, respectivamente.

3. 3 Tipos de autoria

Ao se categorizar o tipo de autoria das comunicações dos docentes das PPGs nos
SNBUs, verifica-se o predomínio dos trabalho realizados em colaboração (95,74%).

A literatura tem mostrado que esse quadro é predominante em trabalhos nas áreas da
ciência e tecnologia, sendo que nas áreas humanas destacam-se os trabalhos de

�7

autoria única. Na área da CI, embora com predomínio de trabalhos de autoria única em
estudos realizados (POBLACIÓN; NORONHA, 2001) observa-se que existe uma
tendência ao trabalho em conjunto, principalmente nas comunicações em eventos,
como mostra o resultado do presente estudo que vêm ao encontro de outros
anteriormente realizados (MUELLER; MIRANDA; SUAIDEN, 2000).

Os trabalhos de autoria múltipla são constituídos pela presença de autores da mesma
instituição (intrainstitucional) e de instituições diferenciadas (inter-institucionais),
conforme os resultados da tabela 2.

Tabela 2 – Número de comunicações apresentadas nos eventos pelos docentes dos PPGs,
segundo o tipo de autoria
Autoria
PPGCI

Única

Autoria Múltipla

Autoria

Intrainstitu-

Interinsti-

Não

cional

tucional

identificado

TOTAL

Múltipla

GERAL

IBICT/UFF

-

2

3

-

5

5

USP

-

4

6

-

10

10

UFMG

-

3

2

-

5

5

PUCCAMP

-

-

-

-

-

-

UFPb

-

4

-

-

4

4

UnB

-

1

1

1

3

3

UFBA

1

1

-

-

1

2

UNESP

1

7

-

-

7

8

UFSC

-

10

-

-

10

10

TOTAL

2

32

12

1

45

47

Conforme foi constatado no presente trabalho, das 47 comunicações apresentadas em
colaboração, 32 contaram com a participação de autores da mesma instituição, isto é,
membros da comunidade institucional (intra) onde foi realizado o estudo, contando,
inclusive com a colaboração de outros elementos da instituição como docentes,
bibliotecários, alunos de pós-graduação e de graduação.

�8

3.4 Temática

Com relação à temática das comunicações procurou-se verificar a contribuição das
mesmas às linhas de pesquisa dos diferentes PPGs.

Pelos resultados da Tabela 3, verifica-se que 50% das linhas de pesquisa estão, de
uma forma ou outra, representadas nas comunicações dos 3 eventos estudados.
Tabela 3– Número de comunicações apresentadas nos eventos segundo as linhas de pesquisa
dos PPGs e categorias temáticas
Categorias Temáticas

Epistemologia

Linhas de Pesquisa
IBICT – Teoria,
Epistemologia,
Interdisciplinariedade
e Ciência da
Informação

Sub-Total

Representação da Informação

Sub-total

UnB – Processos de
linguagens de
indexação
IBICT –
Representação,
Gestão e Tecnologia
da Informação
UNESP – Informação
e Tecnologia

Docentes

Número de
comunicações

4

1

4

1

3

3

8

4

5

7

16

14

�9

Gerência de atividades da
informação

USP – Acesso à
Informação
PUCCAMP – Gestão
da Informação
UnB – Planejamento,
Administração,
Gerência e Avaliação
de Bibliotecas e
Sistemas de
Informação
UnB – Informação
Orgânica
UFMG – Gestão da
Informação e do
Conhecimento
UNESP –
Organização da
Informação
UFMG – Organização
e Uso da Informação
UFBA – Informação e
Conhecimento em
Ambientes
Organizacionais

Sub-total

Estudo do usuário, do documento,
transferência e uso da informação

Sub-total

UnB – Comunicação e
Informação
PUCCAMP –
Produção e
Disseminação da
Informação
UFSC – Fluxos da
Informação
UnB – Comunicação e
Informação
UFSC – Fluxos da
Informação

9

10

3

-

5
-

1

-

6

2

6
7

-

5

-

35

12
-

6

-

11
3
8
24

11

�10

Informação e sociedade

IBICT – Informação,
Conhecimento e
Sociedade
USP – Mediação e
Ação Cultural
UFMG – Informação,
Cultura e Sociedade
UFPB – Informação e
Cidadania
UFPB – Informação
para o
Desenvolvimento
Regional
UFBA – Informação e
Contextos Sócioeconômicos

Sub-total

Formação profissional

UFSC – Profissionais
da Informação
UnB – Formação
Profissional da
Informação e Mercado
de Trabalho

Sub-total
TOTAL

6

-

3

-

7

3

3

1

5
3

7
2
31
3

9
-

1

-

4
114

47

As contribuições foram classificadas individualmente seguindo as linhas de pesquisa
nas quais encontram-se engajados os docentes dos PPGs, agrupadas segundo
grandes categorias temáticas (Tabela 3).

A categoria de assunto “Gerência de atividades da informação” detém o maior número
de linhas de pesquisa (8), com um total de 12 comunicações, seguida da temática
“Informação e Sociedade” com 6 linhas de pesquisa (9 comunicações). Um número
bastante reduzido de pesquisas enfocou aspectos teóricos da Ciência da informação
como “Epistemologia” (apenas 1 comunicação)

As demais temáticas detiveram

percentuais bastante próximos.

Contando com maior número de docentes, a Linha de pesquisa “Gerência de atividades
da informação” teve a maior contribuição nas comunicações dos SNBUs.

�11

4

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por meio dos resultados obtidos, observa-se que a comunicação científica na
área da Ciência da Informação, no âmbito dos SNBUs,

não mostra números

expressivos.
Algumas variantes podem influenciar neste comportamento. É possível que o
forum das bibliotecas universitárias não tenha um alto grau de compatibilidade com as
atividades acadêmicas, visto que nos SNBUs, como era de se esperar, há uma grande
afluência de trabalhos com viés técnico, consolidando-se como um espaço para troca
de experiência dos profissionais que atuam em bibliotecas universitárias.
No entanto, seria altamente benéfico se houvesse nestes eventos (SNBUs)
espaço dedicado também para apresentação de trabalhos acadêmicos relacionados
com as bibliotecas universitárias, contribuindo, assim, para a construção de
conhecimento e o desenvolvimento e na área. Um espaço onde o teórico e prático se
unissem convergindo para o crescimento da área da Ciência da Informação.
Uma outra suposição, decorrente dos resultados obtidos, levam a acreditar que é
possível que os profissionais da área acadêmica não reconheçam o espaço dos SNBUs
apropriado para discussão de aspectos epistemológicos da Ciência da informação.
Um outro aspecto observado diz respeito à sociabilidade dos autores nos
trabalhos apresentados. Há uma grande tendência à apresentação de trabalhos com
autoria endógena, o qual denota um nível inexpressivo de sociabilidade dos grupos
atuantes na área de Ciência da Informação, provavelmente de origem cultural da
própria área, objeto de estudos mais profundos, não cabendo ser explorado no
presente trabalho.

�12

REFERÊNCIAS

BRAMBILLA, S. D. S.; VANZ, S. A. S.; STUMPF, I. R. C. Mapeamento de um artigo
produzido na UFRGS: razões das citações recebidas. In: ENCONTRO NACIONAL DE
PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO-ENANCIB, 6., 2005, Florianópolis, SC.
Anais... [CD-ROM]
MENEZES, E. M. Produção científica dos docentes da Universidade Federal de
Santa catarina: análise quantitativa dos anos de 1989 a 1990. 1993. Dissertação
(Mestrado) – Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Campinas, 1993.

MUELLER, S. P. M.; CAMPELLO, B. S.; DIAS, E. J. W.. Disseminação da pesquisa em
ciência da informação e biblioteconomia no Brasil. Ciência da Informação, Brasília, v.
25, n. 3, p. 337-51, set./dez. 1996.

MUELLER, S. P. M.; MIRANDA, A.; SUAIDEN, E. J. A pesquisa em Ciência da
Informação no Brasil – Análise dos trabalhos apresentados no IV Enancib, Brasília,
2000. Revista de Biblioteconomia de Brasilia, Brasília, v. 23/24, n. 3, p. 293-308,
1999/2000. Número especial.

POBLACIÓN, D. A.; NORONHA, D. P.. Ciência da informação no Brasil: produção das
literaturas branca e cinzenta pelos docentes/doutores dos cursos de pós-graduação. In:
CONGRESSO
NACIONAL
DE
BIBLIOTECÁRIOS,
ARQUIVISTAS
E
DOCUMENTALISTAS, 7º., 2001, Cidade do Porto, Portugal. Anais... Porto, 2001. p.115. [CD-ROM]

SILVA, E. L.; MENEZES, E. M.; PINHEIRO, L. V. Avaliação da produtividade científica
dos pesquisadores nas áreas de ciências humanas e sociais aplicadas. Informação &amp;
Sociedade: Estudos, João Pessoa, v. 13, n. 2, jul./dez. 2003. Disponível em:
www.informacaoesociedade.ufpb.br. Acesso em: 10 abril 2006.

VICKERY, B. C. The administration of research in institution. In: The advisory board on
research of the library association. London: The Library Association, 1972. p. 33-38.

WITTER, G. P. (Org.). Produção científica. Campinas: Átomo, 1997.

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A contribuição da pesquisa dos docentes dos programas de pós- graduação em ciência da informação nos SNBUs (2000- 2004).</text>
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                <text>Noronha, Daisy Pires; Silva, José Fernando M. da; Funaro, Vânia Martins B. de O.; Igami, Mery Piedad Z.; Toledo, Sandra Regina da C.</text>
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                <text>O presente trabalho tem por objetivo, analisar a contribuição das comunicações científicas dos docentes dos programas nacionais de pós-graduação na área da Ciência da Informação e mais especificamente: a) identificar a sociabilidade entre os autores identificada pelo tipo de autoria das comunicações e, b) correlacionar a temática abordada nas comunicações em função das linhas de pesquisa dos programas nacionais.</text>
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                    <text>A CONTRIBUIÇÃO DAS ATIVIDADES DE TREINAMENTO NA
CONSOLIDAÇÃO DO PORTAL .periodicos.CAPES

Rejane Raffo Klaes
UFRGS – Faculdade de Odontologia
Porto Alegre, RS - Brasil
klaes@ufrgs.br
Maria de Fátima Diniz Lobo
CAPES – Coordenação de Acesso à Informação Científica e Tecnológica
Brasília, DF - Brasil
fatima.lobo@capes.gov.br
Tutilla de Brito Aragão
CAPES – Coordenação de Acesso à Informação Científica e Tecnológica
Brasília, DF - Brasil
tutilla.aragao@capes.gov.br
Elenara Chaves Edler de Almeida
CAPES – Coordenação de Acesso à Informação Científica e Tecnológica
Brasília, DF - Brasil
elenara.almeida@capes.gov.br

RESUMO
O Portal.periodicos.Capes, criado em 2000, representa uma mudança de
paradigma no acesso à informação científica e tecnológica. Oferecendo mais de
10.300 títulos, o Portal consolida-se como uma importante ferramenta que agrega
valor à atividade acadêmica e de pesquisa do País, atendendo a uma
comunidade superior a 1,3 milhão de usuários em 182 instituições. A implantação
do Portal causou uma mudança de hábitos e necessidade de conhecimento das
novas ferramentas disponibilizadas para uso das informações, agora em formato
eletrônico. A divulgação do Portal em congressos especializados, reuniões de
associações científicas, de coordenadores de áreas de pós-graduação e, em
especial, os programas de treinamentos promovidos pela Capes em todas as
regiões do Brasil, contribuem efetivamente para consagrar o Portal como um
instrumento indispensável às atividades de ensino e pesquisa no País. Neste
trabalho é destacada a contribuição dos treinamentos na consolidação do
Portal.periodicos.Capes.
Palavras-chave: Bibliotecas eletrônicas : Brasil.
Treinamentos.

Portal.periodicos.Capes :

�1. INTRODUÇÃO

Desde 2001 a Coordenação de Acesso à Informação Científica e Tecnológica da
Capes (CAC) promove treinamentos na utilização do Portal.periodicos.Capes.

O objetivo deste trabalho, além de divulgar as atividades de treinamento
promovidas pela CAC, é fornecer uma visão abrangente da importância da
realização destas atividades, fruto de um trabalho conjunto da equipe da CAC,
editores,

bibliotecários,

usuários

e

instituições

participantes

do

Portal,

evidenciando sua contribuição na consolidação do Portal.periodicos.Capes.

1.1 Antecedentes do Portal.periodicos.Capes

Em 1990, com o objetivo de fortalecer a pós-graduação no País, o Ministério da
Educação criou programas para as bibliotecas de Instituições de Ensino Superior.
Em 1994, em parceria com a Capes, Finep, CNPq e Sesu, foram definidos novos
investimentos para as bibliotecas e, em 1995, foi criado o Programa de Apoio à
Aquisição de Periódicos – PAAP, que deu origem ao atual serviço de periódicos
eletrônicos oferecido à comunidade acadêmica das universidades brasileiras.
No ano de 2000, quando se discutia a mudança de paradigma no acesso à
informação técnico-científica, a Capes implantou um projeto inovador: um portal
brasileiro de revistas científicas, cujo conteúdo cobre periódicos nacionais e
internacionais

com textos

completos,

além de

bases

referenciais

-

o

Portal.periodicos.Capes (http://www.periodicos.capes.gov.br). Essa iniciativa, que
agora completa seis anos, permite aos seus usuários o acesso on-line a
documentos em formato eletrônico para downloads e consultas, a partir de
qualquer computador vinculado à rede das instituições autorizadas.

Até o ano de 2001 foram repassados recursos financeiros às IES para a
manutenção de suas coleções impressas e, a partir de 2002, a Capes passa a
investir maciça e exclusivamente nos recursos informacionais em meio eletrônico,

�que resultou no processo permanente de ampliação e atualização do conteúdo
do Portal.periodicos.Capes.

O PAAP tem como premissa básica a redução das desigualdades regionais,
permitindo o acesso de professores, pesquisadores e alunos das instituições de
ensino superior e de pesquisa do País à informação científica e tecnológica, em
igualdade de condições, através da distribuição de publicações eletrônicas pela
Internet. Sua regulamentação ocorreu em 2001, através da edição da Portaria
Capes Nº. 34, de 19/07/2001 que disciplina as normas para uso de publicações
eletrônicas disponíveis no Portal.periodicos.Capes. A partir de então, as IES
participantes assinaram um Termo de Compromisso com a Capes pelo qual se
comprometem a cumprir o Regulamento do Programa de Apoio à Aquisição de
Periódicos, as Normas para Uso das Publicações Eletrônicas disponíveis no
Portal .periodicos.Capes e outros dispositivos legais que vierem a ser adotados,
consolidando dessa forma sua integração ao Programa.
1.2 O Portal.periodicos.Capes
O lançamento do Portal.periodicos.Capes ocorreu em uma solenidade em 10 de
novembro de 2000, no MEC, da qual participaram o Ministro da Educação, o
Presidente da Capes, os membros da Comissão Brasileira de Bibliotecas
Universitárias (CBBU), representantes de instituições de ensino superior e dos
provedores de informação, ocasião em que foi assinado um protocolo de
entendimentos entre o MEC/Capes e os representantes dos editores/fornecedores
de informação eletrônica.

O Portal oferece acesso ao texto completo de revistas científicas e tecnológicas, a
bases de dados referenciais e de resumos, a patentes, estatísticas e a
importantes fontes de informação com acesso gratuito na Internet, cobrindo todas
as áreas do conhecimento. É importante ressaltar que o Portal não constitui um
banco de dados público, mas um conjunto de licenças adquiridas de empresas
estrangeiras para que um determinado número de instituições acessem as bases
de dados eletrônicas contratadas.

�Iniciado em 2000 com aproximadamente 1.500 títulos de periódicos com texto
completo e 10 bases referenciais, o Portal oferece hoje cerca de 10.400 títulos de
periódicos com texto completo e mais de 100 bases de resumos.

A Tabela 1 permite verificar o crescimento de títulos disponibilizados no Portal no
período compreendido entre 2001 e 2006.
Tabela 1 - Quantidade de títulos no Portal.periodicos.Capes: 2001-2006
Ano

Quantidade de títulos

Variação percentual

2001

1.852

-

2002

2.096

13,17%

2003

3.379

61,21%

2004

8.516

152,03%

2005

9.530

11,90%

2006*

10.337

8,47%

* junho/2006
Fonte: CAC/Capes

A inclusão de novos títulos no Portal é analisada pelo Conselho Consultivo
considerando os seguintes fatores:
- quantidade de cursos de pós-graduação na área no País: níveis, número de
professores e de alunos, produtividade e outras características;
- quantidade de títulos disponíveis no Portal sobre o assunto e total de consultas
destes títulos;
- quantidade de títulos disponíveis no Portal sobre o assunto em relação às
demais áreas representadas;
- fator de impacto da publicação, conforme o Journal Citation Reports;
- quantidade de indicações do título;
- disponibilidade de recursos financeiros por parte da ;
- viabilidade de formalização de contrato com o fornecedor;
- outros fatores que possam interferir na seleção do título.

�Além dos 10.337 periódicos com texto completo o Portal oferece ainda mais de
120 bases referenciais, 6 bases de dados de patentes com cobertura
internacional, 98 sítios com textos integrais de livros, 38 sítios com textos
completos de teses e dissertações, 8 sítios de arquivos abertos e redes de eprints, além de estatísticas e outras fontes de informação disponíveis na Internet.
A discriminação e o detalhamento dos seus conteúdos e editores podem ser
verificados no sítio do Portal http://www.periodicos.capes.gov.br.

A estrutura organizacional do Portal compreende a Coordenação, o Conselho
Consultivo do PAAP, as Instituições participantes que representam cerca de 1,3
milhão de usuários, de 182 instituições autorizadas envolvendo mais de 1.100
bibliotecas no País, sendo competência da Capes a coordenação geral e
operacional e a promoção da integração e da cooperação entre as instituições
participantes.

A Tabela 2 mostra a evolução das instituições autorizadas a utilizarem o Portal
entre os anos 2001 e 2006.

Tabela 2 - Quantidade de instituições usuárias do Portal.periodicos.Capes: 2001-2006
Ano

Quantidade de instituições

Variação percentual

2001

72

-

2002

98

36,11%

2003

99

1,02%

2004

135

36,36%

2005

163

20,74%

2006*

182

11,65%

* junho/2006
Fonte: CAC/Capes

O aumento na quantidade de títulos e de instituições usuárias também se reflete
no volume de uso do Portal. Em 2001 a média diária de acessos ao
Potal.periodicos.Capes era de 4.000 acessos, quantidade que atingiu a média de

�80.000 em 2006. Isto é conseqüência não apenas do aumento quantitativo, mas
especialmente da qualidade dos materiais selecionados para a inclusão no Portal,
seja através de compra ou pela incorporação de conteúdos gratuitos disponíveis
na Internet.

A importância do Portal.periodicos.Capes também pode ser avaliada pelo
reconhecimento de excelência em liderança de consórcio junto ao Institute for
Scientific Information (ISI) e pelo recebimento do selo de qualidade no serviço
público no Prêmio Nacional de Gestão Pública junto ao Programa da Qualidade no
Serviço Público.

2. O IMPACTO DO PORTAL.periodicos.CAPES NAS INSTITUIÇÕES
Do ponto de vista científico e tecnológico podemos afirmar que o Portal atende à
demanda de setores acadêmico, produtivo e governamental, propiciando o
aumento da produção científica nacional e o crescimento da inserção científica
brasileira no exterior.

Do ponto de vista econômico os investimentos são muito inferiores àqueles que
seriam necessários para equipar todas as instituições com os acervos de
periódicos impressos, resultando em uma economia de escala, além de
representar uma significativa redução de custo por usuário.

Do ponto de vista social o Portal representa a democratização da informação
científica e tecnológica, assegurando a todas as instituições acesso simultâneo ao
mesmo acervo.

A transição das coleções em papel (meio impresso) para meio eletrônico também
representou um impacto no comportamento dos usuários. Este processo por si só
provocou uma mudança não apenas de hábitos de uso da informação, mas
também criou uma necessidade de conhecimento das novas ferramentas
disponibilizadas para uso das informações.

�A produção científica disponível em meio eletrônico veio mudar a relação do
usuário com a biblioteca. O acesso individual, de uma maneira geral, distanciou o
usuário da biblioteca e deu independência no uso das informações científicas e
tecnológicas. O fato novo que ocorre a partir de então: o usuário passa a ter
acesso às coleções de periódicos também em sua mesa de trabalho; a
disponibilidade de uso das coleções passa a ser de 24 horas por dia, o uso é
simultâneo com outro usuário, o acesso à informação é automático, em tempo
real de publicação, sem a demorada espera da chegada dos fascículos na
Biblioteca e a disputa para ser o primeiro a ter em mãos o periódico. A partir daí
inicia-se o uso das informações diretamente no Portal.

Se por um lado isto representa uma mudança substancial do ponto de vista do
acesso, com facilidade de localização e disponibilização de títulos e a
permanência no uso dos títulos que lhe são familiares, por outro lado também
provoca dúvidas e curiosidade sobre como funciona.

Além da facilidade de uso estão disponibilizadas novas ferramentas de busca,
novas coleções em todas as áreas do conhecimento, ampliando ainda mais o
leque de opções para a pesquisa.

A informação continua acessível na ponta dos dedos, mas agora de uma forma
diferente: se antes se buscava na ponta do dedo deslizando pela página de um
sumário ou num pesado volume de uma obra de referência de resumos, numa
quantidade de volumes e horas intermináveis, agora o clicar no mouse traz em
segundos as informações requeridas com a possibilidade de variadas formas de
análise e refinamento da pesquisa.

Duas questões se apresentam: como utilizar as novas facilidades e como tirar
proveito de tudo isso? Esta mudança no paradigma de acesso à informação exige
posturas distintas tanto do usuário final quanto do bibliotecário.
Por parte dos bibliotecários cria-se a suposição de que grande número de
usuários ainda prefira buscar a informação diretamente na coleção de textos
completos, especialmente naqueles por demais utilizados e conhecidos, utilizando

�o Portal.periodicos.Capes apenas como se fosse uma estante eletrônica, ou seja,
o usuário continua a buscar determinada revista, já conhecida, seja por seu título
ou por assunto. Some-se a isto a suposição que, por desconhecimento dos
recursos oferecidos pelo Portal, os usuários deixam de utilizar bases referenciais
especializadas e multidisciplinares.

Ao mesmo tempo é necessário, independente da sua formação e conhecimento
dos processos de organização e uso da informação, que os bibliotecários se
familiarizem com o novo formato das coleções de periódicos e com os recursos e
facilidades oferecidos pelo Portal.

Ciente desta situação, a Coordenação de Acesso à Informação Científica e
Tecnológica da Capes (CAC) inicia, em 2001, um programa intenso de
treinamentos para os bibliotecários em todo o País.

3. OS TREINAMENTOS NO PORTAL.periodicos.CAPES

Após a criação do Portal.periodicos.Capes em novembro de 2000, no ano de
2001 foram oferecidos treinamentos no Portal em várias universidades no País.
Participaram destes eventos a Coordenadora de Acesso à Informação Científica e
Tecnológica da Capes juntamente com os representantes dos editores das
publicações eletrônicas disponibilizadas.

Em nosso entendimento, para além de “treinar” no uso, estas atividades serviram
para divulgar a nova ferramenta disponibilizada pela Capes, mostrando sua
potencialidade, e além disto discutir com bibliotecários e alguns usuários finais
presentes, as mudanças advindas da incorporação de uma nova modalidade de
acesso aos periódicos, agora em formato eletrônico, com a possibilidade de uso
fora da biblioteca tradicional.
Os editores mostravam os conteúdos, os recursos e as formas de pesquisa,
esclarecendo questões técnicas de cunho da informática. Em alguns momentos o
treinamento ministrado confundia-se com uma apresentação com a finalidade de

�venda, provavelmente, por se tratar de uma atividade nova faltando a experiência
de demonstrar apenas os recursos técnicos das bases. Entretanto, as primeiras
jornadas de treinamento foram importantes na consolidação e entendimento do
Portal por parte de bibliotecários e pesquisadores.

Durante a primeira jornada, ocorrida na PUC-RS, em janeiro de 2001, foram
instituídos os help desks regionais, em colaboração com as bibliotecas das
universidades que disponibilizam bibliotecários treinados para prestar informações
aos usuários, esclarecer dúvidas e facilitar o uso do Portal.

Além dos help desks, bibliotecários e usuários podem utilizar-se do serviço de
atendimento

aos

usuários

do

Portal,

na

CAC,

através

do

e-mail

cac@capes.gov.br que dispõe de uma equipe dedicada a tirar dúvidas e
esclarecer as dificuldades que surgem no uso dos recursos disponibilizados.
Dúvidas também podem ser esclarecidas na página inicial do Portal que contém
informações sobre conteúdo, instituições participantes, critérios, normas de uso,
bem como uma seção contendo as respostas para as perguntas mais freqüentes
(FAQ) referentes ao Portal.

No segundo semestre de 2001 houve interrupção nos treinamentos devido à
greve nas universidades federais.

O principal objetivo das jornadas de treinamento é a capacitação dos profissionais
da área de informação visando formar multiplicadores nas instituições de ensino e
pesquisa para que repassem aos usuários os conhecimentos adquiridos e, dessa
forma, melhorar a prestação de serviços, promover uma melhor e maior utilização
do Portal, tendo como conseqüência imediata a qualificação da pesquisa.
Os treinamentos são realizados em instituições que atuam em parceria com a
Capes, colocando a infra-estrutura local à disposição do evento. Participam dos
treinamentos representantes das instituições localizadas na Região, sendo a
quantidade de vagas disponibilizadas por instituição proporcional à capacidade do
laboratório de informática disponibilizado. A escolha da sede dos treinamentos

�considera os locais onde não foram realizados treinamentos no último ano, bem
como a quantidade de instituições no Estado/Região.

Todos os treinamentos são acompanhados por técnicos e representante da
Capes com o objetivo de monitorar e avaliar o desenvolvimento das
apresentações dos instrutores, além de prestar informações sobre assuntos
relacionados ao Portal e esclarecer dúvidas dos participantes. Durante os
treinamentos são distribuídos aos participantes, quando disponibilizados pelos
editores, documentos e manuais referentes às bases constantes do Portal.

Os participantes destes treinamentos eram, em sua maioria, bibliotecários, mas
em algumas instituições também houve a presença de técnicos, coordenadores e
professores, representando várias disciplinas.

3.1 Modificações no Formato das Jornadas

Ao final do primeiro semestre de 2004, após o término da VI Jornada de
Treinamento no Portal, a CAC realizou reuniões internas e também convidou
representantes de alguns editores para discutirem sobre conteúdo, carga horária
e material didático dos treinamentos. O resultado dessas reuniões foi uma nova
política de treinamento contemplando os seguintes itens:
- inclusão na programação do treinamento de uma apresentação do Portal por um
representante da Capes, constando, além do conteúdo do Portal, sua
contextualização no âmbito da ciência e tecnologia;
- redistribuição de conteúdo e de carga horária dos treinamentos;
- disponibilização do material didático utilizado nos treinamentos na página do
Portal para uso pelas instituições participantes.
Em 2005 a CAC passou a receber demandas específicas para treinamento
institucional, cuja primeira experiência ocorreu na Universidade Estadual do Rio
de Janeiro – UERJ com resultado satisfatório. A partir de então houve nova
modificação no formato dos treinamentos, com o atendimento a demandas
institucionais, contemplando também os usuários.

�Em 2006, um novo formato foi adotado com a realização de treinamentos
institucionais, não mais em laboratórios de informática, mas em auditórios,
integrando bibliotecários e comunidade da instituição, o que facilita a interação
entre ambos, propiciando, especialmente aos bibliotecários, conhecerem as
dúvidas e expectativas dos usuários com relação ao Portal.

3.2 Avaliação dos treinamentos

No período entre 2002 e 2006 a Capes capacitou 2.483 participantes para
atuarem como multiplicadores em suas instituições, conforme Tabela 3.
Tabela 3 - Pessoas capacitadas nas Jornadas de Treinamento 2002-2006
Ano

Pessoas capacitadas

2002

170

2003

517

2004

350

2005

633

2006*

813

Total

2.483

* jan./jun./2006
Fonte: CAC/Capes

Os quantitativos apresentados revelam o êxito e a importância da realização das
Jornadas de Treinamento, demonstrando o interesse despertado entre os
usuários no intuito de pleno acesso aos conteúdos do Portal.periodicos.Capes.
Os treinamentos, somados ao acréscimo constante de conteúdos e de instituições
usuárias do Portal, ao desenvolvimento científico e tecnológico do País e à
expansão do ensino superior, certamente contribuem para o crescente volume de
uso do Portal, conforme a Tabela 4.

�Tabela 4 - Acesso ao conteúdo do Portal 2001-2006
Ano

Acessos

Variação percentual

2001

3.078.345

-

2002

6.672.218

116,74%

2003

17.500.676

162,29%

2004

26.875.057

53,56%

2005

32.970.919

22,68%

2006*

13.214.789

*

* dados parciais jan./jun..2006
Fonte: CAC/Capes

Além das Jornadas de Treinamento a CAC promove apresentações sobre o
Portal para públicos específicos como Coordenadores de Áreas da pósgraduação e divulga o Portal em congressos, seminários e eventos e reuniões da
comunidade científica.

Em continuação é apresentada uma síntese das avaliações realizadas pelos
participantes dos treinamentos, assim como da consulta procedida junto aos
instrutores e aos help desks com a finalidade de colher subsídios para discutir a
contribuição

das

atividades

de

treinamento

na

consolidação

do

Portal.periodicos.Capes.

3.2.1 Avaliação dos treinamentos pelos participantes das Jornadas

Durante os treinamentos os participantes recebem uma ficha com o objetivo de
avaliarem o desempenho dos instrutores, fazerem comentários e encaminharem
sugestões à CAC.
Nesta ficha estão contemplados aspectos relativos ao conhecimento prévio do
participante, à contribuição do treinamento para o desempenho do seu trabalho e
ao atendimento de suas expectativas. Além destes aspectos é solicitada uma
avaliação sobre o conhecimento demonstrado pelo instrutor para cada base
apresentada, a clareza de sua apresentação, e sua interação com a turma.

�Em média, o conhecimento prévio dos participantes, no início do treinamento,
oscila entre regular e bom e, ao final do treinamento, os quesitos relativos às suas
expectativas e contribuição dos treinamentos variam entre bom e ótimo. Estes
resultados evidenciam a contribuição dos treinamentos realizados.

Com relação aos comentários e sugestões são abordados diversos aspectos
desde a infra-estrutura da instituição sede do treinamento, a postura e
conhecimento demonstrado pelos instrutores, o aprofundamento na abordagem
dos conteúdos e formas de busca e a qualidade dos materiais distribuídos.
Também são levantadas questões com relação ao tempo de duração dos
treinamentos.

As críticas e sugestões depois de processadas pela CAC são encaminhadas aos
respectivos instrutores como feedback de sua atuação.

No que diz respeito à duração dos treinamentos, há um entendimento que, devido
à carga horária de dois turnos de 4 horas e ao número expressivo de bases de
dados abordadas, os treinamentos tornam-se exaustivos. Esta situação vem
sendo contornada com a redução da carga horária/dia a partir do segundo
semestre de 2005.

Com relação aos instrutores há diversas sugestões de que os treinamentos
deveriam ser ministrados por bibliotecários. Neste sentido, a participação de um
bibliotecário representando a Capes e sua colaboração eventual com os demais
instrutores, assim como as sugestões a eles encaminhadas, levam a crer que o
formato adotado deva ser mantido.

Há um consenso de que os treinamentos devam ser mais pontuais, com mais
ênfase nas pesquisas, explorando ao máximo os recursos de cada base.
Também foi sugerida a participação de professores e pesquisadores nos
treinamentos, o que vem acontecendo a partir da nova modalidade posta em
prática em 2006.

�3.2.2 Avaliação dos Treinamentos do Ponto de Vista da Equipe de Treinamentos

Com a finalidade de conhecer a posição da equipe de treinamentos do Portal
(representantes da Capes e dos editores), foi encaminhada aos instrutores a
seguinte questão:
De que maneira os treinamentos ministrados pela Capes e pelos representantes
dos editores contribuem para a consolidação do Portal.periodicos.Capes?

Foram recebidas colaborações dos instrutores da Axonal, DotLib, EBSCO,
Elsevier, InfoLink, ProQuest e Thomson.

Os instrutores são unânimes ao reconhecerem a importância dos treinamentos
para a consolidação do Portal.periodicos.Capes.

Os treinamentos consolidam o Portal na medida em que mantêm a atualização
freqüente das bases em constante mudança, orientam e estimulam seu uso,
promovem o conhecimento do serviço. Possibilitam ao usuário conhecer as
ferramentas, compará-las e usufruir melhor os recursos oferecidos de forma
efetiva, tornando o Portal um instrumento indispensável às atividades de ensino e
pesquisa.

Os treinamentos também funcionam como um canal direto de comunicação dos
usuários com os editores, possibilitando a estes avaliarem a satisfação dos
usuários e aprimorarem seus sistemas, atendendo às demandas, sugestões e
reclamações recebidas. Da mesma forma, a comunicação bibliotecários-editores
não só promove a consolidação do Portal como também assegura a evolução de
sua qualidade.

A contribuição dos treinamentos para a consolidação do Portal inicia-se com a
própria divulgação, pois estimula a curiosidade de quem não conhece ou usa
pouco, continua durante a sua realização, pois neste momento a relação de
recursos de informação é vista pelos participantes.

Além de orientar sobre a

utilidade de cada base, o treinamento permite compor uma visão da inter-relação

�da informação fornecida, mostrando como os diferentes recursos se acham
disponibilizados de maneira integrada para resolver as necessidades de
informação que surgem com as pesquisas.

Os treinamentos são fundamentais, pois levam a uma maior promoção e uso do
Portal, além de divulgarem as características e recursos das bases, enfatizando
sua importância. Outro aspecto que merece ser destacado é que a participação
de usuários finais nestas atividades contribuiu para aumentar o interesse no
conhecimento da ferramenta e no seu uso, representando ainda um dos aspectos
de democratização do Portal.

3.2.3 Avaliação dos Treinamentos do Ponto de Vista dos Help Desks

Com a finalidade de conhecer a posição dos help desks do Portal foram
encaminhadas as seguintes questões:
1 - Quais são as suas atividades como help desk no sentido de divulgar o Portal?
2 - O que as instituições de sua região têm feito para divulgar o Portal?
3 - Em sua opinião, as bibliotecas que participam dos treinamentos da Capes têm
multiplicado o treinamento nas instituições em que fazem parte?
4 - Os treinamentos ministrados pela Capes devem atingir o usuário final ou bibliotecário?
5 - De que maneira os treinamentos ministrados pela Capes e pelos help desks
contribuem para a consolidação do Portal.periodicos.Capes?

Foram recebidas respostas dos help desks que atuam na UFPA, UFPE, UnB,
UFMG, UFPR e UFRGS.

Com referência às atividades desenvolvidas pelos help desks destacam-se a
divulgação do Portal nas home pages das bibliotecas, em folders, jornais
eletrônicos e em eventos. Fundamentalmente entendem sua função como
solucionadores de dúvidas, seja na própria biblioteca, por telefone ou e-mail.
Algumas instituições promovem treinamentos individuais ou em grupos, palestras
para alunos de graduação e pós-graduação.

�As relações com as outras instituições da região de cobertura de cada help desk
é quase nula, o que pode explicar o pouco conhecimento das atividades de
desenvolvidas pelas outras instituições. No entanto, existe o conhecimento de
demandas por treinamentos.

Os help desks entendem que os treinamentos devem ser oferecidos
periodicamente, tanto para os bibliotecários quanto para os usuários finais,
inclusive de forma on-line com exceção de um que entende que apenas os
bibliotecários devam ser treinados e serem os responsáveis pelo repasse de
informações aos alunos, professores e pesquisadores.

É consenso entre os help desks que os treinamentos são imprescindíveis para a
consolidação do Portal, pois através deles os pesquisadores reconhecem sua
importância. Contribuem também para divulgar as novas bases de dados,
atualizar o usuário sobre novas ferramentas e estimular o usuário no uso do
Portal em apoio ao ensino e pesquisa, promovendo um maior uso e avaliação
destas fontes pelo usuário final. Isto pode servir de subsídios para a Capes na
tomada de decisão referente renovações e/ou aquisições de novos periódicos e
bases de dados. Conseqüentemente, quanto mais usuários aptos e treinados,
maior o uso do serviço. Quanto mais utilizado o Portal mais consolidado ele fica.

3.2.4 Avaliação dos Treinamentos do Ponto de Vista da CAC

A Coordenação de Acesso à Informação Científica e Tecnológica da Capes
manifestou sua opinião sobre os treinamentos respondendo a dois itens:
1 - De que maneira os treinamentos ministrados pela Capes e pelos help desks
contribuem para a consolidação do Portal.periodicos.Capes?
2 - Em sua opinião, as bibliotecas que participam dos treinamentos da Capes têm
multiplicado o treinamento nas instituições em que fazem parte?

A

Capes,

no

momento

que

introduziu

o

Portal.periodicos.Capes

nas

Universidades, iniciou um programa de capacitação do profissional da informação
para habilitá-los no uso da coleção eletrônica, com a expectativa de prepará-los

�para divulgarem todos os recursos disponibilizados. Para isso, os treinamentos
visam contribuir na atualização dos bibliotecários e usuários em relação aos
conteúdos e ferramentas de acesso à informação científica e tecnológica.
O treinamento potencializa a utilização do Portal, principalmente em instituições
que até então não tinham acesso a um acervo expressivo do ponto de vista
quantitativo e qualitativo tal qual outras regiões do Brasil. Por meio dos
treinamentos, é possível inserir no cotidiano dos usuários o hábito de utilizarem as
ferramentas de pesquisa disponíveis.

As jornadas de treinamento, na medida em que divulgam o conteúdo do Portal e
orientam sobre o uso de todas as ferramentas disponíveis nos sites dos editores,
geram aumentos significativos nas estatísticas de uso das bases de dados
disponíveis, o que justifica os investimentos da Capes, tornando o Portal cada vez
mais essencial para os pesquisadores brasileiros.

Além disso, através dos treinamentos, criam-se vínculos que são de extrema
importância para a consolidação do Programa, uma vez que após os treinamentos
os usuários se tornam muito mais acessíveis e interessados, entrando em contato
constantemente em busca de auxílio e a fim de acompanharem as inovações no
Portal.
Ao longo dos seis anos os treinamentos foram se ajustando e passando por
transformações

para

atender

as

expectativas

identificadas.

Além

dos

treinamentos, a participação dos help desks é considerada peça de extrema
importância na estrutura do Portal. Funciona como um plantão especializado e
com certeza contribui para a consolidação do Portal junto à comunidade
acadêmica. Entretanto, falta um retorno à Capes, tanto das bibliotecas quanto
dos help desks, sobre sua atuação, contatos, dificuldades, observações e
sugestões, para que possa ser avaliada mais efetivamente sua contribuição para
a consolidação do Portal, ao longo do tempo.
De uma maneira geral as bibliotecas promovem treinamentos, mas essas
iniciativas ainda são muito tímidas. Elas também assistem os usuários no uso do

�Portal, mas não existe um canal sistemático de fluxo dessas informações. Esse é
um ponto que deveria ser revisto pela Coordenação do Portal junto às
Universidades. É importante um retorno informando sobre os programas de
treinamento promovidos, as metodologias adotadas, o tipo de divulgação que a
biblioteca promove e quantidade de participantes. A partir dessas informações a
Capes deveria acrescentar nas suas análises de uso das informações o que seria
necessário ser promovido para ampliar o acesso ao Portal nas universidades.

4 CONCLUSÕES

O Portal.periodicos.Capes, importante política pública de acesso à informação,
consolidou-se como uma ferramenta que agrega valor à atividade acadêmica e de
pesquisa do País. Todas as atividades de treinamento, sejam ou não promovidas
pela Capes, contribuem de forma efetiva na consolidação do Portal. Nesse
sentido há um consenso por parte de todos os envolvidos no processo: CAC,
instrutores, help desks e participantes das jornadas de treinamento.
Os resultados que evidenciam o crescimento constante no volume de uso,
também são conseqüência dos treinamentos efetivados que oportunizam um
maior conhecimento dos recursos e das formas de busca.

Entretanto, entendemos que os benefícios destes treinamentos poderiam ser
maiores e mais eficazes se houvesse a efetiva multiplicação das informações
recebidas durante as jornadas de treinamento e se os help desks tivessem maior
disponibilidade para trabalhar de forma mais dinâmica em suas regiões de
atuação e em suas próprias instituições de origem, além de suas atividades de
esclarecimento de dúvidas dos usuários.

Não obstante todo o esforço e colaboração por parte dos bibliotecários ainda falta
uma maior integração/interação entre a biblioteca/bibliotecário e o professor,
aluno, pesquisador, e também com os editores que possa ser traduzida no
compartilhamento de saberes que deve nortear todo o processo de disseminação
da informação.

�O desafio que se apresenta aos bibliotecários é integrar e multiplicar de forma
eficaz e eficiente os conhecimentos adquiridos nas jornadas de treinamento,
trabalhar em conjunto com os editores, seus pares e com a CAC, no sentido de
promover permanentemente atividades que oportunizem a aquisição de
informações que otimizem o uso do Portal.

Nesse sentido também é oportuna a integração das bibliotecas com as próreitorias acadêmicas oferecendo programas de treinamentos aos professores,
pesquisadores, alunos de graduação e pós-graduação, alcançando também os
bolsistas PIBIC, pesquisadores de amanhã.

As idéias estão lançadas. O desafio é de todos.

ABSTRACT
The Portal.periodicos.Capes, established in 2000, represents a new paradigm in
accessing scientific and technical information. Offering more than 10,300 serial
titles, the Portal is an important tool that aggregates value to the Brazilian
academic activity serving a community over 1,300,000 users in 182 academic and
research institutions. The Portal has changed the way teachers, researchers,
graduate and undergraduate students use the new search tools to get information
in electronic format. The divulgation of the Portal in seminars, scientific meetings
and for graduate programs coordinators and specially in training programs in all
Brazilian regions contribute to make the Portal a valuable instrument for academic
and research activities. This paper highlights the role of the training programs
sponsored by Capes to consolidate the Portal.periodicos.Capes as a successful
program.
Keywords: Electronic libraries : Brazil.
programs.

Portal.periodicos.Capes : Training

____________
Nota: Este trabalho foi elaborado a partir de informações contidas em documentos
internos da CAC/Capes, depoimentos dos instrutores e dos help desks.

�</text>
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          <name>Dublin Core</name>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O Portal.periodicos.Capes, criado em 2000, representa uma mudança de paradigma no acesso à informação científica e tecnológica. Oferecendo mais de 10.300 títulos, o Portal consolida-se como uma importante ferramenta que agrega valor à atividade acadêmica e de pesquisa do País, atendendo a uma comunidade superior a 1,3 milhão de usuários em 182 instituições. A implantação do Portal causou uma mudança de hábitos e necessidade de conhecimento das novas ferramentas disponibilizadas para uso das informações, agora em formato eletrônico. A divulgação do Portal em congressos especializados, reuniões de associações científicas, de coordenadores de áreas de pós-graduação e, em especial, os programas de treinamentos promovidos pela Capes em todas as regiões do Brasil, contribuem efetivamente para consagrar o Portal como um instrumento indispensável às atividades de ensino e pesquisa no País. Neste trabalho é destacada a contribuição dos treinamentos na consolidação do Portal.periodicos.Capes.</text>
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                    <text>A CONVERSÃO DIGITAL DE DOCUMENTOS ESPECIAIS
DE ACERVOS PÚBLICOS COMO INSTRUMENTO DE DESENVOLVIMENTO
DA CONSCIÊNCIA INFORMACIONAL.
ASPECTOS TÉCNICOS E TEÓRICOS NO ÂMBITO DA
CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO.
Rubens Ribeiro Gonçalves da Silva1
Lívia Ferreira Tosta2
Adelmária Ione dos Santos3
Lucas Andrade Souza Serra4
Aurora Leonor Freixo5
RESUMO
Pesquisa em andamento. A perspectiva teórica, materialista histórica, assume a
compreensão acerca do processo informacional pela ótica de uma teoria
marxiana da consciência, objetivando a investigação das correlações entre
informação, tecnologia e consciência. A vertente prática objetiva o
reconhecimento da documentação especial dos acervos públicos soteropolitanos
e de seus usuários, a formulação de abordagens adequadas à digitalização
destes documentos, detendo-se nos procedimentos orientados à preservação
digital e ao acesso remoto. A metodologia caracteriza-se pela abordagem
dialética materialista, associada a procedimentos estatísticos, comparativos, e
técnicas de documentação indireta e observação extensiva. Como resultados da
vertente prática, esperamos identificar instituições, esclarecendo contextos da
digitalização; identificar demandas de consulentes; reunir elementos para
conhecimento e análise das diferentes direções na pesquisa de conversão digital
e para a escolha das opções mais adequadas. Com relação à vertente teórica,
aprofundaremos reflexão sobre o conceito de informação, correlacionando-o à
tecnologia de acesso digital remoto e à expansão do que denominamos
‘consciência informacional’, clarificando pontos obscuros da
teorização e
modificando-a para o enfrentamento de novos problemas. Ao longo da pesquisa,
disseminaremos os resultados no âmbito da pós-graduação e da graduação no
ICI, e publicaremos quatro pôsteres e quatro comunicações em anais de eventos
e dois artigos em periódicos.
Palavras-chave: Digitalização; coleções e documentos especiais; acervos
soteropolitanos; consciência; tecnologia

1

Instituto de Ciência da Informação da Universidade Federal da Bahia (ICI/UFBA); doutor em Ciência da
Informação (2002, UFRJ-ECO/IBICT); rubensri@ufba.br ;
2
ICI/UFBA; graduanda de Arquivologia, bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica
da Universidade Federal da Bahia, em acordo com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia
(PIBIC/UFBA/FAPESB) no período 2005-2006; bolsista PIBIC/UFBA/CNPq no período 2006-2007;
liviaftosta@yahoo.com.br ;
3
ICI/UFBA; graduanda de Arquivologia, bolsista PIBIC/UFBA/FAPESB; adelmariaione@yahoo.com.br ;
4
ICI/UFBA; graduanda de Arquivologia, voluntário de iniciação científica; lucasdocontra@yahoo.com.br ;
5
ICI/UFBA; mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (POSICI); colaboração
em planilhas e gráficos.

�2

1 CARACTERÍSTICAS GERAIS DO PROJETO DE PESQUISA

1.1 Apresentação e principais objetivos

O projeto intitulado A conversão digital de documentos especiais de acervos
públicos e a consciência informacional: Aspectos técnicos e teóricos no âmbito da
Ciência da Informação, vem sendo executado no âmbito do Grupo de Estudos
sobre Cultura, Representação e Informação Digitais (CRIDI), desde agosto de
2005, com previsão de conclusão para o final do mês de julho de 2007.
Constituído por dois módulos, caracteriza-se por dupla vertente, teórica e prática.
A perspectiva teórica, de cunho materialista histórico, assume a compreensão
acerca do processo informacional pela ótica de uma teoria marxiana da
consciência, com o objetivo de investigar as correlações entre informação,
tecnologias digitais de acesso remoto e consciência. Esse enfoque fundamentase no entendimento da informação como processo orientado ao desenvolvimento
da consciência acerca das possibilidades de conhecimento e de ação num
determinado contexto social. A vertente prática, sócio-técnica, tem por objetivo o
reconhecimento de coleções/ documentos especiais (especificamente, discos,
fitas k7, fitas em rolo, fitas vhs, betacam, fotografias, álbuns fotográficos) dos
acervos públicos soteropolitanos, e de seus usuários, bem como a formulação de
abordagens adequadas à conversão digital desta documentação, detendo-se
especificamente nos procedimentos orientados à preservação digital e ao acesso
via internet.

Estaremos nos perguntado sobre: como relacionar informação e consciência,
memória e conhecimento, no contexto da conversão digital? Como proceder com
relação ao acesso remoto digital a materiais sonoros e audiovisuais de coleções
mantidas pela esfera pública, de forma a aprimorar a preservação do acervo, a
organização da memória social e a ação política de resgate e construção da
história? Quais as possibilidades de se converter discos de vinil, fitas k7, fitas em
rolos, vhs e betacam, de forma que o acesso via internet e a preservação digital

�3

sejam adequados? Considerando as limitações de aplicação do formato MARC
para materiais especiais como filmes, som, imagem em movimento, que
instrumentos de catalogação e gerenciamento de arquivos e coleções vêm sendo
desenvolvidos e/ou adotados? Que melhorias poderiam ser formuladas para o
acesso às versões digitais dos documentos? O que dizer dos procedimentos de
renovação de suportes de versões digitais eventualmente já produzidas? Como
pensar a preservação aliada ao acesso? Como proceder com álbuns fotográficos,
normalmente montados de forma aleatória no que se refere a contexto e
cronologia, muitas vezes apresentando fotos coladas umas às outras como opção
de estruturação estética original?

Desde o início do desenvolvimento da proposta a vertente prática vem sendo
enfatizada, tendo por objeto, num primeiro momento, o âmbito federal das
instituições públicas de Salvador. Nessa etapa, realizada no período de Ago/2005
a Jul/2006, conquistamos uma bolsa do Programa Institucional de Bolsas de
Iniciação Científica (PIBIC-UFBA/FAPESB). Atualmente está em andamento a
pesquisa junto às instituições soteropolitanas das esferas estadual e municipal,
além do desenvolvimento de um sítio eletrônico, para a disponibilização dos
dados de identificação das instituições das três esferas governamentais sediadas
na cidade do Salvador, sobre seus acervos e consulentes. Para a execução
dessas etapas atuais, conseguimos mais duas bolsas: PIBIC-UFBA/FAPESB e
PIBIC-UFBA/CNPq, para o período de Ago/2006 a Jul/2007. Neste momento, a
vertente teórica também está sendo mais amplamente desenvolvida, não obstante
a continuidade da vertente prática e da coleta de dados junto a responsáveis
pelos acervos e a seus usuários.

Entendemos que a conversão digital de itens constituintes de coleções
pertencentes ao acervo mantido pela esfera pública resulta em dimensões, em
grandezas quantificáveis e localizáveis no espaço virtual. Essas dimensões
constituem uma categoria específica de representações, a qual denominamos de
‘conteúdos informacionais digitais’. Esses conteúdos informacionais digitais
contribuem significativamente para a construção e a preservação da memória

�4

social e da história do cotidiano. Além disso, constituem, via acesso remoto,
elementos importantes para a promoção do desenvolvimento da consciência que
temos acerca das possibilidades de conhecer e de agir num determinado contexto
social. A esse tipo de consciência denominamos ‘consciência informacional’.

1.2 Justificativas

Entendemos que esta proposta está definitivamente associada à inovação, que
sempre envolve mudanças e incertezas. O ambiente de trabalho e as pessoas
que o constituem, assim como o comportamento daqueles que dele se favorecem
(usuários/consulentes, por exemplo), são modificados pelo processo de inovação
tecnológica, que traz novas ferramentas e possibilidades resultantes do
desenvolvimento do conhecimento. Expandindo o campo de ação previsto
inicialmente, idéias, invenções, técnicas são transpostas para o amplo espaço da
economia, com novos produtos e serviços derivados do uso da tecnologia. Seja
de forma incremental, trazendo poucas adaptações necessárias a processos já
existentes, seja de maneira radical, forjando novos conceitos e forçando a criação
de novos processos, a inovação sempre acaba por mostrar-se como elemento
que sugere a mudança de valores em uma organização.6

As muitas questões técnicas propostas no projeto não constituem, obviamente,
simples detalhes à margem dos objetivos científicos do estudo, baseados em
abordagens, teorias e métodos que julgamos recorrentes. A abrangência do tema
que propomos investigar, aparentemente extensa em seu enfoque técnico  o da
inovação trazida pela tecnologia de conversão digital  não prejudica o
aprofundamento da pesquisa científica que teoriza sobre as correlações entre
informação, consciência e acesso a conteúdos digitais resultantes de conversão
de documentação constituinte de coleções especiais pertencentes a acervos
públicos. Ao contrário, este é um terreno fértil para a clarificação da teorização,
seu aprofundamento, suas modificações, para o enfrentamento de novos
problemas, para especificações de caráter particular, para a busca de respostas
6

Cf. Rezende, 2003.

�5

aos pontos obscuros e, ainda, para a descoberta de novas soluções mais
diretamente associadas à especificidade da documentação.

Em termos técnicos, a variedade de espécies documentais envolvidas pela
pesquisa não apresenta grandes problemas para a investigação, já que
entendemos estarem presentes elementos aglutinadores comuns à maioria das
espécies de documentos. Quanto ao material sonoro, por exemplo, sejam
músicas ou entrevistas ou gravações com finalidade de atendimento a deficientes
visuais, registradas em discos, fitas k7 ou em rolo, trata-se exclusivamente de
som a ser convertido. Da mesma forma, formatos vhs ou betacam remetem
ambos à conversão da imagem em movimento, já com ampla aplicação prática na
internet em âmbito mundial, além de farto material de divulgação comercial
publicado sobre o assunto, inclusive disponível amplamente para o consumo
popular. Quanto à imagem fixa, particularmente a fotografia, mais investigada e
comportando soluções já mais fundamentadas e aplicáveis no tocante à
digitalização, é preciso atentar para os álbuns fotográficos como objetos, tamanha
a riqueza e o detalhamento destes itens constituintes do acervo de grande parte
das instituições públicas de guarda de acervos.

O exercício contínuo de idealização de novas formas de se disponibilizar versões
digitais de documentos do acervo mantido pela esfera pública será favorecido.
Trata-se de uma busca constante de aprimoramento, a fim de tornar o processo
cada vez mais direcionado aos usuários, e de modo a contribuir para que a
tecnologia favoreça o bom desempenho do ICI/UFBA e, particularmente, das
instituições públicas de guarda de acervos junto à sociedade. A eficácia
institucional requer a continuidade, mas também a atualização da disponibilização
digital remota de seus acervos para um amplo segmento da sociedade,
empreendida de forma adequada, fundamentada social, científica e tecnicamente,
maximizando sua utilização e satisfazendo necessidades e demandas, além de
possibilitar um re-conhecimento da memória social, da história e da própria
sociedade onde vivemos.

�6

Dentre os aspectos apontados no projeto, podemos destacar como justificativas
para seu desenvolvimento: a) a possibilidade de reunir subsídios para a
compreensão dos problemas relacionados à digitalização de som, fotografia e de
imagens em movimento, contribuindo com a ampliação deste conhecimento
técnico e de sua interpenetração no conhecimento científico; b) a relevância da
pesquisa acerca da criação de novos canais de distribuição de substitutos visuais
de imagens e sons pertencentes ao acervo público, facilitando seu uso na
educação, na pesquisa, no ensino, e favorecendo os processos de inclusão
digital, de importante dimensão política; c) Possibilidade de ocorrência de efeitos
significativos relativos à valorização e usos dos próprios acervos das instituições
que venham a participar da proposta.

Talvez possamos ainda dizer que, no âmbito da técnica, a investigação reunirá
elementos que pretenderão proporcionar condições aos pesquisadores para
conhecer e analisar diferentes direções na pesquisa de conversão digital e
escolher a opção mais adequada a seus projetos de trabalho.

1.3 Aspectos metodológicos

A metodologia caracteriza-se pela abordagem dialética materialista histórica,
associada a procedimentos estatísticos e comparativos e a técnicas de
documentação indireta (em bibliotecas e sítios eletrônicos) e de observação
extensiva (em instituições depositárias de documentos/ coleções especiais,
através de questionários dirigidos a responsáveis por instituições e aos usuários
da documentação).

Complexos em seu conteúdo e abrangência --- devido aos inúmeros aspectos
técnicos associados a espécies documentais como fitas magnéticas, suportes
fotográficos e sonoros --- os instrumentos de coleta de dados junto a instituições

�7

soteropolitanas detentoras de documentos/coleções especiais foram testados nas
três esferas governamentais.7

O desenvolvimento teórico materialista histórico, a dialética como postura e
metodologia, a reflexão em torno da produção, da disseminação e da utilização de
versões digitais do acervo mantido pela esfera pública, conduzem a aspectos
associados ao desenvolvimento do campo das ciências humanas e sociais
aplicadas, particularmente no domínio ainda jovem e, deve-se dizer, ainda
limitado a características marcadamente ‘empiricizantes’, da Ciência da
Informação. Naturalmente este processo de reflexão teórico-metodológico se dá
paralelamente ao componente técnico da investigação.

A

questão

básica

da

investigação

aqui

proposta

está

atrelada

à

evolução/superação de um modelo analógico, até então predominantemente
adotado (em materiais sonoros, por exemplo), através de um movimento de
transformação em um modelo digital. Uma importante mudança, representada
pelo binômio analógico/digital, apresenta-se como aparentemente irreversível na
sociedade e mesmo na relação do humano com a natureza. A abordagem
dialética favorece a observação e análise deste movimento de superação e de
transformação.

A dialética é uma postura, uma concepção de mundo, mas também um método
de investigação e análise que permite uma apreensão da realidade. Essa
abordagem, visando simultaneamente à totalidade e suas partes, e apresentandose ao mesmo tempo como análise e síntese, comporta sempre um abalo dirigido
7

Durante a elaboração dos instrumentos contamos com o auxílio, via email, de técnico da
Coordenação de Documentos Áudio-Visuais e Cartográficos do Arquivo Nacional, no Rio de
Janeiro. Em Salvador, para o teste prévio dos instrumentos, contamos com instituições de
diferentes esferas públicas. Na esfera federal, tivemos o apoio da Divisão de Coleções Especiais
da Biblioteca Central Reitor Macedo Costa, da UFBA; na esfera estadual, contamos com a
importante colaboração da Sub-Gerência de Recursos Áudio-Visuais da Biblioteca Pública do
Estado da Bahia; na esfera municipal o apoio da Gerência de Arquivos e Bibliotecas do Arquivo
Histórico Municipal de Salvador (AHMS) foi fundamental. Os testes resultaram num relevante
aperfeiçoamento dos instrumentos. Com relação ao instrumento de coleta de dados direcionado
aos usuários, no entanto, o teste só foi realizado na esfera municipal, já que nas outras instituições
não houve consulta de usuários finais aos acervos que são objeto de nossa pesquisa.

�8

a todo conhecimento rígido: nas causas internas de seu desenvolvimento
encontram-se as razões para a mudança.8

As exigências da investigação que defrontamos impõem a perspectiva dialética da
unidade de teoria e prática em busca de transformação e de novas sínteses dos
planos do conhecimento, da ação e da realidade histórica.9 Considerando a
ciência como categoria histórica, produto da ação humana, “fenômeno em
contínua evolução inserido no movimento das formações sociais”, entendemos
que os critérios de cientificidade desta pesquisa “se fundamentam na lógica
interna do processo e nos métodos que explicitam a dinâmica e as contradições
internas dos fenômenos e explicam as relações entre homem-natureza, entre
reflexão-ação e entre teoria-prática”.10

Ao refletir sobre as questões envolvidas pela problemática da pesquisa e ao
investigar processos de conversão do analógico para o digital, entendemos que
nada deverá ser analisado como objetos fixos, mas em movimento, em constante
transformação, em desenvolvimento, em atualização: findo um processo, inicia-se
outro.

As espécies documentais que serão objeto da investigação e de transformação,
por exemplo, sem dúvida resultarão em uma nova coisa ou propriedade, “uma
nova forma que suprime e contém, ao mesmo tempo, as primitivas propriedades”.
Que mudanças advêm da digitalização dos documentos? Indo além dos aspectos
técnicos, será “preciso indagar sobre o sentido histórico, social, político e técnico
da pesquisa”.11

A volumosa quantidade de documentos especiais constituintes do acervo público
é outro aspecto que conduz a uma mudança qualitativa. Entendemos que a
aplicação de procedimentos técnicos de conversão digital, antes de ser
8

Cf. Bruyne, Herman e Schoutheete, 1977.
Cf. Frigoto, 1989.
10
Gamboa (1989, p. 98 e 101)
11
Marconi e Lakatos (2003, p.102) e Frigoto (op.cit., especialmente p.79-83).
9

�9

contingente, é necessária: ainda que a quantidade registrada de itens
documentais

se

mantenha,

produzir-se-á

uma

conversão

qualitativa:

a

possibilidade do acesso remoto, a atualização do modelo de armazenamento, a
modernização do acervo, a redundância de novas cópias em novos formatos.
Naturalmente o processo ocorre e realiza-se de forma gradativa.

Uma abordagem que se proponha a seguir o caminho completo da conversão
(produção / preservação / acesso) não pode fixar-se em um produto final, deve
contemplar o circuito completo: o processo de produção e o contexto de
recepção. No primeiro caso será necessário ter em mente o que for levantado
acerca da descrição geral dos procedimentos de conversão digital associados aos
tipos documentais em questão no projeto; no segundo caso, do contexto de
recepção, o fundamental será observar o que ocorre com relação aos consulentes
da documentação.

2 RESULTADOS PRELIMINARES

Um plano de trabalho já executado, com bolsa PIBIC/UFBA/FAPESB, contribuiu
positivamente com o desenvolvimento do projeto, por meio da atividade de
identificação e reconhecimento das instituições públicas federais em Salvador,
depositárias de documentação especial, bem como de seus consulentes.

Depois de identificadas 81 instituições federais, os questionários foram
distribuídos a 44 instituições com documentos especiais em seu acervo. Dessas,
38 instituições nos responderam, sendo 27 da Administração Indireta e 11 da
Administração Direta.12 É preciso destacar que apenas uma instituição
investigada desenvolveu projeto de digitalização na própria instituição. Já
levantamos dados sobre temas predominantes nos acervos, formatos e suportes

12

Ao final da execução do projeto principal todo o material resultante do desenvolvimento dos planos de
trabalho será amplamente divulgado. Até lá, artigos contendo maior detalhamento da pesquisa e dos planos
de trabalho, vêm sendo publicados em anais de eventos e periódicos.

�10

existentes, controle e serviços disponíveis, formação de pessoal técnico,
equipamentos, atividades de digitalização, entre outros.

Nossa pesquisa não poderia deixar de contemplar o contexto dos usuários,
identificando suas demandas e suas reais necessidades, considerando variados
aspectos, como suas atividades profissionais, disponibilidade de infra-estrutura
tecnológica, níveis de escolaridade, procurando saber como utilizam o acervo,
dentre outros fatores. Levantamos dados referentes a gênero, temas e objetivos
das consultas, características pessoais de consulta, serviços solicitados, entre
outros.

Precisamos registrar que, além da falta de tratamento de conservação e
preservação da documentação, é constrangedor o desconhecimento de alguns
responsáveis com relação às espécies documentais constituinte do acervo
existente na própria instituição. As restrições e mesmo impossibilidades de
acesso de consulentes provocam o conseqüente impedimento para se efetuar
pesquisas que se utilizem dessa documentação: isso limita o reconhecimento dos
perfis dos cidadãos que as utilizam. Dessa forma, o levantamento de dados
relativos a consulentes vê-se limitado em sua abrangência, com dados relativos a
apenas 50 consulentes, em 13 instituições de um universo de 44 instituições e/ou
órgãos/unidades específicas das instituições depositárias da documentação
objeto da pesquisa. Isso não nos impede de deixarmos os instrumentos de coleta
destes dados nas instituições, pelo tempo que considerarmos necessário,
monitorando-os por um tempo maior, até que de fato possamos ter dados
significativos para nossas análises, que poderão ser efetuadas até que o projeto
principal de pesquisa seja integralmente concluído, em meados de 2007.

A organização dos dados coletados foi elaborada em planilhas eletrônicas, que
facilmente têm nos permitido criar representações visuais para divulgar com

�11

clareza nossas análises e conclusões.13 As planilhas, num total de seis unidades,
não têm “prazo de validade”, podendo ser utilizadas e/ou continuamente
aperfeiçoadas, se quisermos ampliar a pesquisa para outros municípios da Bahia
ou mesmo para todo o território nacional.

A constatação da ineficácia, da indisponibilidade, ou mesmo inexistência, de
instrumentos de busca específicos para a identificação de instituições públicas
federais em Salvador exigiu maior investimento de tempo e aprofundamento nas
ações práticas inicialmente previstas para o levantamento destes dados de
identificação, nos conduzindo à recorrência das mais variadas fontes de consulta
para o preenchimento das lacunas, reveladas apenas durante a pesquisa.
Percebe-se também o pouco conhecimento que os responsáveis de algumas
instituições têm acerca dos acervos sobre sua guarda institucional, seja no
aspecto técnico da espécie dos documentos, de sua identificação, de sua
conservação, de sua preservação, seja no aspecto de suas potencialidades como
recursos de ampliação do conhecimento individual e da memória soteropolitana e
nacional.

Como a pesquisa encontra-se em desenvolvimento, os resultados parciais
alcançados até o momento são os seguintes: iniciação à pesquisa de dois
bolsistas PIBIC/UFBA/FAPESB e uma bolsista PIBIC/UFBA/CNPq; bibliografias
(temática e por instituição de ensino superior onde foi realizada a pesquisa de
documentação indireta) sobre questões sócio-institucionais associadas à
digitalização de acervos e sobre procedimentos de seleção associados ao
levantamento de potenciais coleções para digitalização; listagem de instituições
federais de Salvador depositárias de coleções especiais (a pesquisa na esfera
estadual encontra-se em fase intermediária, com previsão de conclusão para
out/nov2006; na esfera municipal ainda estamos em fase inicial, com previsão de
conclusão para dez2006/jan2007); seis instrumentos de coleta de dados junto a
instituições e consulentes, já testados previamente; dados parciais de instituições
13

Para a elaboração das planilhas eletrônicas contamos com a inestimável colaboração de Aurora Leonor
Freixo, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (POSICI/ICI/UFBA), membro
do Grupo de Estudos sobre Cultura, Representação e Informação Digitais (CRIDI).

�12

e consulentes; dois relatórios para o PIBIC (parcial e final); duas apresentações
orais, duas exposições de pôsteres em eventos, duas publicações em anais de
eventos (8º Ciclo de Estudos em Ciência da Informação / CECI-RJ; XXIX
Encontro Nacional de Estudantes de Biblioteconomia, Documentação, Ciência e
Gestão da Informação / ENEBD-BA; XIV Seminário Nacional de Bibliotecas
Universitárias / SNBU-BA), e um artigo aprovado para publicação no periódico
TransInformação, da PUC-Campinas, registrado no Sistema Qualis (Categoria
Nacional A) .

Em junho de 2006 conquistamos mais duas bolsas PIBIC/UFBA (FAPESB e
CNPq), para a finalização da coleta e interpretação dos dados (esferas estadual e
municipal) e para a construção de um sítio eletrônico com os resultados das
pesquisas do Grupo CRIDI.

3 RESULTADOS ESPERADOS

As tecnologias de informação e comunicação vêm promovendo mudanças
significativas no cotidiano, nos hábitos e costumes da sociedade contemporânea.
Nesse cenário, onde há uma produção acelerada de informações e de canais
para sua disseminação, o que se observa em Salvador é a carência de ações
orientadas à preservação de documentos especiais originais e à conversão digital
dessa documentação para acesso remoto.

A realização da pesquisa permitirá a reunião de dados inéditos e esclarecedores
sobre as coleções especiais (sonora, áudio-visual e de imagem em movimento)
depositadas nas instituições públicas da cidade do Salvador, bem como das
demandas e necessidades de seus usuários. O conhecimento acerca dos reflexos
institucionais e sociais advirá da efetiva conclusão da análise dos dados coletados
durante a execução da pesquisa principal, com conclusão prevista para meados
de 2007.

�13

Como resultados conclusivos da vertente prática, esperamos: identificar
instituições federais, estaduais e municipais, na cidade do Salvador, e esclarecer
contextos de produção e recepção (atuais e almejados) da digitalização de
documentação fotográfica, sonora e áudio-visual (imagem em movimento);
identificar demandas de consulentes; reunir elementos para o conhecimento e
análise das diferentes direções na pesquisa de conversão digital e para a escolha
da opção mais adequada a projetos de trabalho dessa natureza; promover a
disseminação e absorção das reflexões desenvolvidas e dos resultados
alcançados no âmbito do currículo programático da pós-graduação e da
graduação no ICI; publicar resultados parciais e finais, relatórios e artigos em
periódicos e anais de eventos.

Com relação à vertente teórica, daremos continuidade ao aprofundamento de
reflexão teórica sobre o conceito de informação, correlacionando-o à tecnologia de
acesso digital remoto e à expansão do que denominamos ‘consciência
informacional’. O desenvolvimento desta reflexão, de ordem humanista e social
aplicada, vem sendo realizado desde 1998. Ao longo da continuidade da pesquisa
científica, esperamos clarificar a teorização, aprofundá-la, modificá-la para o
enfrentamento de novos problemas e para especificações de caráter particular,
para a busca de respostas aos pontos obscuros e, ainda, para a descoberta de
novas soluções mais diretamente associadas à especificidade da documentação,
mas também à universalidade dos contextos institucionais.

Depois de concluída a pesquisa, na sua integralidade, esperamos ter publicado os
resultados em um sítio eletrônico específico, e em pelo menos dois artigos em
periódicos da área e quatro comunicações em anais de eventos científicos, além
de divulgar a pesquisa em pôsters em pelo menos quatro eventos da área.
Esperamos também ter reunido subsídios para a criação e/ou aperfeiçoamento de
componentes curriculares do ICI/UFBA; ter estimulado e estabelecido as
condições para o desenvolvimento de características e compromissos individuais
e de equipe necessários à capacitação de estudantes de graduação para a
pesquisa e para o trabalho em equipe com mestrandos do POSICI.

�14

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Embora a observação leve a crer que é predominante a concepção empíricopositivista original segundo a qual a informação de que trata a Ciência da
Informação seja aquela resultante de noções, conceitos e categorias advindas de
campos caracterizados por perspectivas teórico-metodológicas relacionadas à
organização de livros, objetos ou documentos, na forma de registros acessíveis à
consulta para um resgate ou recuperação da fonte original, adotamos uma
abordagem diversa, assumindo uma concepção dialética marxiana para a reflexão
em torno do processo da informação e dos conteúdos digitais disponíveis
atualmente.

Nossa ótica não é a do sujeito como extensão do objeto, é a do sujeito como
ação, como ser social e histórico, já que “embora determinado por contextos
econômicos, políticos e culturais, é o criador da realidade social e o transformador
desses contextos” (Gamboa, op.cit., 103). Nossa categoria fundamental não é a
da lei, mas a da totalidade. Nossa perspectiva teórico-metodológica assume a
compreensão acerca do processo informacional pela ótica de uma teoria da
consciência, a partir do pensamento de Marx.14 Entendemos que o que importa é
favorecer

o

desenvolvimento

da

consciência,

utilizando,

no

processo

informacional, versões digitais de documentos constituintes de coleções especiais
mantidas pela esfera pública.

Com o surgimento e a popularização do acesso a versões digitais de imagens,
fixas ou em movimento, e também de sons, que anteriormente ficavam restritos a
consultas muitas vezes impossibilitadas pela distância, tem-se agora maiores
condições de relacionar o reflexo de realidade com a ação que poderia conduzir a
alterações em certo estado de conhecimento. O ciberespaço expõe a
14

Cf. Marx e Engles (1986); v.tb. Penna (1986).

�15

possibilidade do conhecimento através do conteúdo digital que disponibiliza.
Nossos computadores tornam-se porta de acesso a um enorme mundo de
imagens e sons, representações de nossas realidades humanas, reflexos do que
somos, do que pensamos, do que vemos, do que fazemos. Uma pequena
caverna no interior da caverna mundo, oferecendo-nos um inventário impossível
de relatar, tamanha sua vastidão e suas possibilidades.

Na pesquisa de doutoramento intitulada Digitalização de acervos fotográficos
públicos e seus reflexos institucionais e sociais: tecnologia e consciência no
universo digital procurou-se observar, em instituições da cidade do Rio de
Janeiro, reflexos da adoção de tecnologias de conversão de fotografias para o
formato digital e refletir sobre a possibilidade de desenvolvimento da consciência
dos indivíduos através da fotografia (SILVA, 2002; 2003). Para a pesquisa atual,
alguns dos mais importantes aspectos técnicos da revisão da literatura estão
amplamente amparados em Aubert &amp; Billeaud (2000) e em IASA Technical
Commitee (1997). Daremos continuidade e aprofundamento a essas reflexões,
agora tendo por base o acervo da cidade do Salvador.

Há a necessidade de se avançar de modo a estudar fatores que interferem nas
decisões sobre o quê e como digitalizar. Os resultados não devem ficar restritos a
uma situação particular sob estudo, devem ser generalizáveis. É preciso oferecer
/ produzir um conhecimento novo a respeito de um fenômeno (a conversão e o
acesso digitais) ou de uma área (a preservação), sistematizando esse
conhecimento novo em relação ao que já se sabe da área ou do fenômeno.

REFERÊNCIAS:

AUBERT, M.; BILLEAUD, R. (Dirs./Eds., 2000). Actes du Symposium
Technique Mixte - Archiver et communiquer l’image et le son: les enjeux du
3ème millénaire. Paris, France, Centre National de la Cinématographie avec le
concours de la Commission Supérieure Technique de l’Image et du Son et la
collaboration de l’Institute National de l’Audiovisuel et de la Bibliothèque National
de France , jan. 2000, 313 p.

�16

BRUYNE, P.; HERMAN, J.; SCHOUTHEETE, M. (1977). Dinâmica da pesquisa
em ciências sociais: os pólos da prática metodológica. Rio de Janeiro,
Francisco Alves, 252 p.
FRIGOTO, G. (1989). “O enfoque da dialética materialista histórica na pesquisa
educacional”. In: Fazenda, I. (Org.). Metodologia da pesquisa educacional. São
Paulo, Cortez, p. 69-90.
GAMBOA, S. (1989). “A dialética na pesquisa em educação: elementos de
contexto”. In: Fazenda, I. (Org.). Metodologia da pesquisa educacional. São
Paulo, Cortez, p. 91-115.
IASA TECHNICAL COMMITTEE (1997). The Safeguarding of the Audio
Heritage: Ethics, Principles and Preservation Strategy - version 1. Disponível
em www.llgc.org.uk/iasa/iasa0013.htm.
MARCONI, M.; LAKATOS, E. (2003). Fundamentos da Metodologia Científica.
São Paulo, Atlas, 2003, 311 p.
MARX, K.; ENGELS, F. (1986). A ideologia alemã. São Paulo, HUCITEC, 138 p.
PENNA, A. (1986). Cognitivismo, consciência e comportamento político. São
Paulo, Vértice.
REZENDE, D. (2003). Planejamento de sistemas de informação e informática:
guia prático para planejar a tecnologia da informação integrada ao planejamento
estratégico das organizações. São Paulo, Atlas, 185 p.
SILVA, R. (2002). Digitalização de acervos fotográficos públicos e seus
reflexos institucionais e sociais: tecnologia e consciência no universo
digital. Tese. Ciência da Informação. Orientadora: Lena Vania Ribeiro Pinheiro.
Rio de Janeiro, PPGCI; UFRJ/ECO; IBICT, 268 p.
SILVA, R. (2003). “Por um novo modo de olhar: Fotografia, Informação e
Consciência”. Anais do V ENANCIB – Encontro Nacional de Pesquisa em
Ciência da Informação: Informação, Conhecimento e Transdisciplinaridade,
Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais, 10 a
14 de nov., Belo Horizonte, MG. CD-Rom.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Pesquisa em andamento. A perspectiva teórica, materialista histórica, assume a compreensão acerca do processo informacional pela ótica de uma teoria marxiana da consciência, objetivando a investigação das correlações entre informação, tecnologia e consciência. A vertente prática objetiva o reconhecimento da documentação especial dos acervos públicos soteropolitanos e de seus usuários, a formulação de abordagens adequadas à digitalização destes documentos, detendo-se nos procedimentos orientados à preservação digital e ao acesso remoto. A metodologia caracteriza-se pela abordagem técnicas de documentação indireta e observação extensiva. Como resultados da vertente prática, esperamos identificar instituições, esclarecendo contextos da digitalização; identificar demandas de consulentes; reunir elementos para conhecimento e análise das diferentes direções na pesquisa de conversão digital e para a escolha das opções mais adequadas. Com relação à vertente teórica, aprofundaremos reflexão sobre o conceito de informação, correlacionando-o à tecnologia de acesso digital remoto e à expansão do que denominamos ‘consciência informacional’, clarificando pontos obscuros da teorização e modificando-a para o enfrentamento de novos problemas. Ao longo da pesquisa, disseminaremos os resultados no âmbito da pós-graduação e da graduação no ICI, e publicaremos quatro pôsteres e quatro comunicações em anais de eventos e dois artigos em periódicos.</text>
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                    <text>A DIGITALIZAÇÃO COMO FORMA DE CONSERVAÇÃO E DISSEMINAÇÃO DO
ACERVO DE JORNAIS DA BIBLIOTECA MONSENHOR GALVÃO

ANA MARTHA MACHADO SAMPAIO1
amms2004@yahoo.com.br

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA
Campus Universitário Km 03 da BR 116 Norte, Feira de Santana  Bahia - Brasil.
mcsertao@ig.com.br

RESUMO

Feira de Santana, infelizmente, não possui política cultural eficiente no que tange à
preservação da sua memória. Desta forma, o acervo de jornais da Biblioteca Setorial
Monsenhor Renato de Andrade Galvão (BSMG) é responsável pelo resgate da
imprensa escrita e da história social feirense, o que é concretizado através das
diversas monografias, dissertações, artigos, teses, entre outras produções realizadas
a partir das consultas nesta biblioteca. O artigo aborda a importância destes jornais
para a comunidade de Feira de Santana e região. Porém, o uso diário e a fragilidade,
que é peculiar ao suporte dos jornais, acarretaram o desgaste de tão importante
coleção para pesquisadores, alunos e comunidade regional. Desta maneira, se faz
mister a digitalização deste acervo, os quais muitos já se encontram sem condições
de disponibilização. O mais agravante é fato o de que tais edições de jornais são as
únicas conhecidas em toda a região e, portanto, no caso do desaparecimento destes
exemplares, informações sobre o cotidiano de Feira de Santana e região, estariam
1

Bibliotecária da Biblioteca Setorial Monsenhor Renato de Andrade Galvão do Museu Casa do Sertão (UEFS)
Universidade Estadual de Feira de Santana. Graduada em Biblioteconomia e Documentação (UFBA).
Especialista em Economia Financeira e Análise de Investimento. Aluna especial do mestrado em Ciência da
Informação (UFBA).

�fadadas ao completo desconhecimento pela sociedade local. Contudo, a digitalização
e conseqüente conservação da coleção de jornais da BSMG se fazem urgente e
necessária haja vista ser ela singular enquanto instrumentos de pesquisa e de
informação plural na infinidade de possíveis temas e interpretações por partes
daqueles que têm na mesma a renovação do conhecimento acerca da realidade
regional.

Palavras-chaves:

Digitalização

de

jornais.

Biblioteca

Monsenhor

Galvão.

Conservação de jornais. Disseminação de jornais.

INTRODUÇÃO

A digitalização de documentos vem se tornando um instrumento de fundamental
importância para a conservação e disseminação da informação de forma universal,
tornando esse processo um elemento que ajuda a reduzir custos, tempo e distância,
fazendo com que os usuários se encantem cada vez mais com novas tecnologias
que estão surgindo a cada dia, dando condições para eles acessarem a informação
desejada do lugar que estejam em questão de segundos. Através desse recurso as
bibliotecas, arquivos e/ou centros de documentação podem acompanhar o
desenvolvimento da tecnologia digital, proporcionando o acesso à informações
existentes e gerenciando as que estão surgindo por meio digital.

Compartilhando do ideal de tornar a Universidade Estadual de Feira de Santana
(UEFS) uma universidade integrada, ao cenário no qual está inserida, no contexto da
sua vocação múltipla e universal, contempla cada vez mais esta regionalidade, o
Museu Casa do Sertão e Centro de Estudos Feirenses, Órgão Suplementar desta
instituição, fundado há 28 anos, objetiva preservar a cultura sertaneja resguardando
aspectos do cotidiano do homem nordestino. Esse objetivo é colocado em prática a

�partir da realização de suas atividades de pesquisa e extensão dentre as quais
merece destaque a Biblioteca Monsenhor Renato de Andrade Galvão (BSMG),
composta por um acervo especializado em história regional e cultura popular,
abrangendo livros, documentos impressos e manuscritos, folhetos religiosos, pastas
de referências temáticas, periódicos, e em especial, os jornais feirenses, que datam
da década de 60 no século XIX ao século XX. Faz-se necessário destacar o acervo
de Literatura de Cordel existente na biblioteca, com aproximadamente 3000
exemplares, com obras de autores clássicos e modernos. O desenvolvimento da
pesquisa é realizado a partir deste rico acervo existente na BSMG que objetiva
preservar a cultura sertaneja resguardando aspectos do cotidiano do homem
nordestino. No Museu há também um grupo de pesquisa que tem por diretriz básica
a produção e divulgação de estudos e pesquisas de caráter histórico, sócioeconômico e cultural sobre Feira e região. Esse trabalho se faz presente também
através da publicação de instrumentos de pesquisa (inventários sumários e analíticos
etc.) elaboração de livros didáticos alternativos, entre outros.

Tais pesquisas se desenvolvem no acervo documental e bibliográfico do Museu
Casa do Sertão, bem como em arquivos públicos e privados de Feira de Santana,
Cachoeira e Salvador. A partir desse acúmulo de experiência, o Museu tornou-se um
espaço mais dinâmico atraindo um público bastante diversificado em busca de
informações culturais e de apoio à pesquisa.

Assim, a BSMG, busca incentivar a realização de novas pesquisas, mais
especificamente na área da cultura popular, resgatando, desta forma, informações
sobre a memória histórica e cultural da microrregião de Feira de Santana e,
sobretudo, valorizando o papel desempenhado pelo homem sertanejo na formação
do Estado da Bahia.

�Diante do exposto, o número crescente de pesquisas desenvolvidas no acervo dessa
biblioteca, sua coleção rara, principalmente de jornais, que é a fonte de pesquisa
mais utilizada e de maior valor existente nesse acervo, foram se desgastando e se
deteriorando com o passar do tempo e muitos exemplares hoje não podem ser
disponibilizados ao público por não terem mais condições de uso, pois se encontram
em estado de conservação lastimável. Isso se deu, também, devido à falta de
armazenamento correto, de limpeza adequada e de forma inadequada de uso. Com
isso, o processo de digitalização desses jornais surge como uma alternativa imediata
para conservar as informações contidas nessas páginas amarelecidas pelo tempo e
também como um meio de disponibilizar esse precioso acervo de forma universal.

BIBLIOTECA SETORIAL MONSENHOR RENATO DE ANDADE GLAVÃO

A Biblioteca Setorial Monsenhor Renato de Andrade Galvão (BSMG), criada junto
com o Museu Casa do Sertão no ano de 1978, possuía um pequeno número de
exemplares sobre Folclore, Cultura Popular e Literatura de Cordel. Em 1994, quando
da incorporação do Centro de Estudos Feirenses (CENEF), houve um aumento
considerável no acervo bibliográfico. O mesmo foi triplicado em 1995, com a doação,
em testamento, da biblioteca particular do Monsenhor Renato de Andrade Galvão.
Como tributo ao idealizador do CENEF e maior doador de livros e documentos da
BSMG, foi inaugurado, em 1998, nas dependências da mesma o Memorial
Monsenhor Renato de Andrade Galvão. E, em 2001, através da Resolução do
Conselho Universitário passou a ser denominada Biblioteca Setorial Monsenhor
Renato de Andrade Galvão (BSMG).

Ainda foi anexada, em 1998, a coleção de periódicos doada pela Biblioteca Central
Julieta Carteado, dentre os quais: Revista O Cruzeiro (1948-1974), Revista Manchete
(1952-1986), e o Jornal Feira Hoje (1970-1997).

�A finalidade da Biblioteca é reunir, organizar e preservar um acervo de valor histórico
e cultural sobre Feira de Santana e região. Essa biblioteca, especializada, está
integrada ao Sistema de Bibliotecas da Universidade Estadual de Feira de Santana,
abrigando materiais sobre folclore, cultura popular, literatura de cordel e história e
geografia regional.

A BSMG possui um acervo com 5.332 exemplares (livros), que atualmente estão
disponíveis na Base SISBI-UEFS que pode ser acessada através da home-page da
UEFS www.uefs.br

A BSMG tem sob a sua guarda um acervo especializado em história de Feira de
Santana e região, cultura popular e literatura de cordel. Sua coleção é composta de
livros de áreas afins, monografias, teses, dissertações, folhetos, livretos de cordel,
revistas, jornais, manuscritos, documentos impressos, anuários, cartazes, fotos entre
outros.

Entre os períodos que merecem maior destaque estão os jornais raros:

Cidade da Feira de 1888-1889, O Propulsor 1897-1902, Gazeta do Povo 1891-1893,
O Coruja de 1956, O Feirense de 1862 e 1919-1920; O Republicano de 1912; Feira
Hoje de 1970 1997; O Município de 1892, 1908-1911; O Progresso de 1900-1903,
1905 1908; Folha da Feira de 1933 1935 e Folha do Norte 1910-1980, sendo este
jornal mais antigo em circulação, editado e publicado em Feira de Santana desde
1909.

Figura 1: Jornal o Município

Figura 2: Jornal Gazeta do Povo

�Fonte: Biblioteca Setorial Monsenhor Renato de Andrade Galvão

DIAGNÓSTICO DO ESTADO DE CONSERVAÇÃO

A consciência de que os Bens Culturais vão desde o ambiente urbano, os
movimentos arquitetônicos, as obras de arte, bibliotecas, arquivos, culturas
populares etc, nos faz protegê-los e conservá-los com critérios pré-estabelecidos.

Uma empresa especializada em restauração elaborou o diagnóstico do estado de
conservação das 1.241 folhas inicias dos jornais do acervo de papel do Museu Casa
do Sertão, realizando o manuseio das obras para detectar os agentes de
degradação. À primeira vista este acervo apresentou os seguintes problemas em
nível de conservação:

�- Umidade relativa do ar inadequada, que favoreceu a proliferação dos
elementos detectados: insetos xilófagos, fungos, acidez, desintegração física dos
materiais que compõem este acervo em papel, material frágil e sujeito a
deteriorização, quando impropriamente acondicionado e manuseado.
- O papel, substância orgânica de fibras celulósicas, sofreu deteriorização de
causas intrínsecas, ou seja, decorrente do comportamento dos resíduos do preparo
da pasta química do papel, sob condições inadequadas de acondicionamento e
manuseio indevido, reagindo entre si, tornando o papel quebradiço, sofreu também
deteriorações por causa extrínsecas já citadas como os fatores do meio ambiente
não propício à conservação dos materiais.

DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES

Objetivando garantir o acesso às informações contidas nos jornais que se
caracterizam, enquanto importantes fontes da memória e história de Feira de
Santana e região, em especial da imprensa local, buscar-se-á a preservação dos
mesmos através do processo de digitalização. Esta intervenção garantirá acesso as
informações de estudantes de graduação, pós-graduação (especialização, mestrado
e doutorado), bem como, de pesquisadores e estudantes secundaristas do município
e de pessoas de qualquer localidade do país, como também de outros países que
desejam consultar esses jornais, pois os mesmos estarão disponíveis pela Internet
na Home Page da UEFS www.uefs.br.

Assim, com o intuito de instrumentalizar a Biblioteca Monsenhor Renato de Andrade
Galvão para promover a preservação e conservação da sua coleção de jornais
feirenses foram estabelecidas estratégias que culminaram com ações específicas,
tais como: a) converter os jornais da BSMG para o meio digital, num trabalho que
deverá ter a duração inicial de seis meses, para a digitalização dos jornais mais

�raros; b) os arquivos scannerizados serão gravados em CD-ROM no padrão ISO
9660. Esses arquivos serão recebidos em CD´s e copiados em um computador na
BSMG onde os mesmos receberão sua classificação no software de gerenciamento
fornecido pela empresa que desenvolverá o trabalho. Como procedimento de
segurança, os CD´s que contém o material digitalizado deverão ser armazenados em
lugar seguro, fora do prédio da biblioteca, resguardando-os de possíveis sinistros
que venha ocorrer nas instalações da biblioteca (incêndios, alagamentos etc.).

Com os arquivos scanneados e disponíveis em um servidor da biblioteca, eles
poderão ser recuperados para visualização, edição e plotagem em questão de
segundos por qualquer computador conectado à rede.

Mesmo com o processo de digitalização, os jornais raros da BSMG serão
preservados no suporte em papel, pois fazem parte da história de Feira de Santana e
região. O suporte papel requer armazenamento adequado, que demanda espaço
físico, e está sujeito a danos por manipulação incorreta ou armazenamento indevido.
Por isso, o acesso a esse material deve ser feito apenas por uma pessoa de cada
vez. Estando em meio digital, estes jornais em suporte de papel não serão mais
disponibilizados ao público, garantindo a preservação, com isso, conseqüentemente
poderão ter sua vida útil prolongada evitando com isso uma maior deteriorização. A
partir do momento que esses jornais forem digitalizados e disponibilizados poderá
haver uma maior disseminação dessa informação. Para que isso aconteça, será
necessária a utilização de um bom software para visualizar os jornais já escaneados
e até mesmo imprimi-los em um plotter de qualquer lugar do mundo, pois os usuários
da rede terão acesso simultâneo aos jornais por meio digital.
AÇÕES

•

Imunização de todo o acervo de jornais da BSMG;

•

Contratação de uma empresa especializada no processo de digitalização;

�•

Digitalização dos jornais relacionados abaixo (inicialmente);

•

Preservação e conservação dos originais em papel;

•

Aquisição de equipamentos de informática adequada;

•

Disponibilização do acervo digitalizado na home page da UEFS;

•

Preservação e conservação dos CD´s;

•

Treinamento dos funcionários e usuários;

•

Instrumentalização do quadro funcional da Biblioteca Setorial Monsenhor
Renato de Andrade Galvão
Nível Superior;
Nível Médio;
Estagiários.

•

Divulgação do acervo de jornais digitalizados ao público em geral;

•

Armazenamento dos CD`s.

Relação de jornais a serem digitalizados inicialmente:
O Republicano 1912;
O Porvir-1930-1937;
Folha Do Norte  1910-1912;
Folha Do Norte  1957-1958;
Folha Do Norte  1926-1928.

CONCLUSÃO
A imprensa sempre teve grande importância ao acompanhar o desenrolar dos fatos
cotidianos, sejam eles políticos, sociais e culturais da sociedade, onde a escrita
desempenha forte referência existencial. Na verdade a imprensa, notadamente, a
parcela conhecida por jornais, pasquins ou tablóide exerce o papel de documentar e

�estabelecer juízo de valor, ou seja, formar a opinião pública de acordo, muitas vezes,
com a verdade que lhe parece a verdadeira.

Nessa perspectiva, a preservação e conservação através da digitalização de tão
importante documento que são os jornais para a sociedade escrita, fazem necessária
haja vista a visão de mundo registrada em jornais que muitas vezes se tornam para
determinada localidade um referencial e, conseqüentemente um baluarte da
salvaguarda da memória histórica ou, em muitos casos, aspectos da história
contemporânea.

Feira de Santana, infelizmente, não possui uma política cultural eficiente no que
tange à preservação da sua memória. Porém, a Universidade Estadual de Feira de
Santana, através do Museu Casa do Sertão e Centro de Estudos Feirenses tem
empreendido esforços no intuito de garantir à população regional o direito de ter
acesso às informações contidas em jornais feirenses datados do século XIX e XX.
Tais documentos se constituem em elementos de suma importância para o
desenvolvimento de pesquisas acadêmicas e colegiais, o que tem permitido a
elaboração de projetos nas diversas áreas do conhecimento.

Dessa forma, a coleção de jornais da Biblioteca Setorial Monsenhor Renato de
Andrade Galvão, composta de 6.000 números, é responsável pelo resgate, não só da
imprensa escrita feirense, mas, sobretudo, da história social do município, o que é
concretizado através das diversas monografias, dissertações, artigos, teses, dentre
outras produções acadêmicas realizadas a partir das consultas diárias na referida
biblioteca.

A importância de tal coleção pode ser vista a partir dos registros de usuários do ano
2004, onde foram registradas 6.024 consultas e destas 4.439 se deram na coleção

�de jornais, representando assim uma porcentagem de 73,68 em relação às outras
fontes existentes na Biblioteca Setorial Monsenhor Renato de Andrade Galvão.
Ressaltando que se trata de uma biblioteca especializada, onde não há empréstimo,
e que atende a um público de usuários em sua maioria de pesquisadores.

Porém, o uso diário e a fragilidade que é peculiar ao suporte dos jornais, acarretaram
no desgaste de tão importante coleção para os acadêmicos desta Universidade e,
também, de outras que aqui pesquisam, bem como de alunos secundaristas e
comunidade regional. Dessa maneira, se faz mister a digitalização de tais
documentos, dos quais muitos já se encontram fora de uso, pois o estado que se
encontram não é permitido a sua disponibilização ao usuário. Por outro lado, tal
privação se constitui enquanto entrave ao desenvolvimento de novos trabalhos nas
áreas da História, Sociologia, Literatura, Antropologia, Filologia, dentre tantas áreas,
que tão bem poderiam usufruir as importantes informações contidas nas suas
páginas amarelecidas pelo tempo. O mais agravante é o fato que tais edições de
jornais são as únicas conhecidas em toda a região e, portanto, no caso do
desaparecimento destes exemplares as informações sobre o cotidiano de Feira de
Santana e região estariam fadadas ao completo desconhecimento pela sociedade
local.

Contudo, a digitalização e a conseqüente conservação e disseminação da coleção
de jornais da Biblioteca Setorial Monsenhor Galvão se faz urgente e necessária, haja
vista ser ela singular enquanto instrumentos de pesquisa e de informação e plural na
infinidade de possíveis temas e interpretações por partes daqueles que tem na
mesma a renovação do conhecimento acerca da realidade regional.

A digitalização do acervo de jornais da BSMG, surge como uma alternativa de
preservação e disseminação do seu acervo de forma digital garantindo o acesso a

�conteúdos veinculdores ou construtores de nossa identidade cultural de forma
universal.

Este artigo procura atender uma das indicações do Livro Verde da Sociedade da
Informação no Brasil que contém as metas de implantação do Programa de
Informação e constitui uma súmula consolidada de possíveis aplicações de
Tecnologia da Informação. Esta meta diz que: Os arquivos, bibliotecas, museus e
centros de documentação cumprirão papel estratégico. (...) Reproduzirão, na
internet, a função de operar coleções de conteúdos organizados segundo
metodologias e padrões de seleção e qualidade ( TAKAHASHI, 2000).

Temos consciência que o processo de digitalização envolve custos diversos e que
não é a melhor forma de conservação, pois os recursos utilizados podem se tornar
obsoletos no futuro como também, tal processo não ser reconhecido como forma
legal, mais como processo imediato, foi a melhor maneira encontrada dentro da
nossa realidade para que esses jornais preciosos não desapareçam por completo,
pois, consequentemente, resultaria no desaparecimento da história de Feira de
Santana e região, ressaltando que os mesmos são fontes únicas impressas de
referências para pesquisas existentes em nosso município.

A digitalização como forma de preservação e disseminação faz com que os jornais
digitalizados possam ser acessados, impressos, armazenados e manipulados com
maior facilidade e rapidez de qualquer parte do mundo através do computador, o que
não seria possível se fosse usado outros meios de preservação como, por exemplo,
a microfilmagem.

Preservação definida pelo International Institute for Conservation Canadian Grup e
pela Canadian Association of Profissional Conservators, inclui todas as ações

�tomadas para retardar a deterioração e prevenir o dano à propriedade cultural. A
preservação envolve o controle do ambiente e das condições de uso, podendo incluir
o tratamento para se manter uma propriedade cultural, tanto quanto possível, num
estado estável.

ABSTRACT

THE DIGITALIZAÇÃO AS FORM OF CONSERVATION AND DISSEMINATION Of
THE QUANTITY OF PERIODICALS Of THE LIBRARY MONSIGNOR GALVÃO

Feira of Santana, unhappyly, does not possess efficient cultural politics in that it
refers to the preservation of its memory. Of this form, the quantity of periodicals of the
Sectorial Library Monsignor Renato de Andrade Galvão (BSMG) is responsible for the
rescue of the written press feirense and the social history of the city, what it is
materialize through the diverse monographs, dissertações, articles, teses, among
others productions carried through from the consultations in the library. The article
approaches importance of these periodicals for the community of Fair of Santana and
region. However the daily use and the fragility that is peculiar to the support of
periodicals had caused the consuming of so important collection for researchers,
pupils and regional community. In this way if the digitalização of this quantity makes
necessity, of which many already meets without disponibilização conditions. More the
aggravation is fact that such periodical editions are the only ones known in all the e
region, therefore, in the case of the disappearance of these exemplary information on
daily of Fair of Santana and the region, would be predestinold to complete the
unfamiliarities for the local.Contudo society, the digitalização and consequence
conservation of the periodical collection of the BSMG if make urgent and necessary it
has seen to be singular while instruments of research and plural information and in
the infinity of possible subjects and interpretations for parts of those that she has in
same the renewal of the knowledge concerning the regional reality.

�Key-works: Digitalização periodicals. Library Monsignor Galvão. Conservation
periodicals.Dissemination periodicals.

REFERÊNCIAS

ARQUIVO PÚBLICO DO RIO DE JANEIRO Arquivo virtual. Disponível em:
http://www.Rio.Rj.gov.br/instal1.htm&gt;. Acesso em: 22 Abr. 2005.

FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL. Biblioteca virtual. Disponível em:
http://www.bn.br. Acesso em: 20 Maio 2005.

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preservação: um manual para auto-instrução de bibliotecas. Rio de Janeiro: Arquivo
Nacional, 2001. 139p.

LÈVI, Pierre. Tecnologias da inteligência. Tradução de Irineu Costa. Rio de
Janeiro, 1993. 208p.

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SILVEIRA, Sérgio Amadeu da. Exclusão digital: a miséria na era da informação.
São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo.

�TAKAHASHI, Tadao (Org.). Sociedade de informação no Brasil: livro verde.
Brasília: Ministério da Ciência e Tecnologia, 2000. 195p.

UNIVERSIDADE Estadual de Feira de Santana. Museu Casa do Sertão. Feira de
Santana. 2000. Folheto.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>Feira de Santana, infelizmente, não possui política cultural eficiente no que tange à preservação da sua memória. Desta forma, o acervo de jornais da Biblioteca Setorial Monsenhor Renato de Andrade Galvão (BSMG) é responsável pelo resgate da imprensa escrita e da história social feirense, o que é concretizado através das diversas monografias, dissertações, artigos, teses, entre outras produções realizadas a partir das consultas nesta biblioteca. O artigo aborda a importância destes jornais para a comunidade de Feira de Santana e região. Porém, o uso diário e a fragilidade, que é peculiar ao suporte dos jornais, acarretaram o desgaste de tão importante coleção para pesquisadores, alunos e comunidade regional. Desta maneira, se faz mister a digitalização deste acervo, os quais muitos já se encontram sem condições de disponibilização. O mais agravante é fato o de que tais edições de jornais são as exemplares,informações sobre o cotidiano de Feira de Santana e região, estariam fadadas ao completo desconhecimento pela sociedade local. Contudo, a digitalização e conseqüente conservação da coleção de jornais da BSMG se fazem urgente e necessária haja vista ser ela singular enquanto instrumentos de pesquisa e de informação plural na infinidade de possíveis temas e interpretações por partes daqueles que têm na mesma a renovação do conhecimento acerca da realidade regional.</text>
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                    <text>A EDUCAÇÃO CONTINUADA DOS BIBLIOTECÁRIOS NO ESTADO DO
RIO GRANDE DO NORTE
Ana Cláudia Carvalho de Miranda1
Antonia da Silva Solino2
Resumo
Descreve a importância e necessidade da educação continuada para os
profissionais bibliotecários que atuam no Estado do Rio Grande do Norte.
Entende-se que a análise dessa temática neste momento de aceleradas
mudanças frente aos avanços das novas tecnologias é essencial para o
redirecionamento e posicionamento desses profissionais no mercado de trabalho.
Os resultados da pesquisa evidenciaram que os profissionais reconhecem a
importância da educação continuada como um instrumento de aperfeiçoamento e
atualização, capaz de auxiliá-los na aquisição de um conjunto de habilidades,
atitudes e comportamentos necessários ao desempenho eficiente de sua prática
profissional.
Palavras-chave: Educação continuada. Perfil do profissional bibliotecário.
Tecnologia de informação.

1 INTRODUÇÃO
A rapidez com que a tecnologia e os processos de trabalho evoluem
diariamente gera um cenário de incerteza que afeta toda e qualquer ação
educativa, razão pela qual o planejamento, em qualquer área, deve ser
estratégico e inovador, capaz de garantir resultados favoráveis. Nesse sentido, os
educadores devem focalizar, no processo educacional, não apenas as
necessidades atuais, mas também as tendências e perspectivas futuras, criadas
pela sociedade do conhecimento e da informação e pelo mercado de trabalho.

1

Especialista em Gestão da Qualidade Total. Especialista em Gestão Estratégica de Pessoas.
Bibliotecária do Tribunal de Justiça do RN. Praça Sete de Setembro S/Nº - Cidade Alta – Natal-RN – Cep.
59.025-300. E-mail: anaclaudia@tjrn.gov.br.
2
Doutora em Administração de Empresas pela EAESP/FGV. Professora da UFRN (aposentada) e da
Faculdade de Ciências e Tecnologia Mater Christi. Rua Ferreira Itajubá, 7745 – Santo Antônio – MossoróRN. CEP. 59.600-005. E-mail: antoniasolino@yahoo.com.br.

�Diante dessa realidade, o profissional de biblioteconomia precisa utilizar
todos os recursos disponíveis para manter-se atualizado em seus conhecimentos,
técnicas e habilidades, a fim de conseguir seu aperfeiçoamento, capacitação e
qualificação profissional por meio de uma educação continuada, quer por iniciativa
própria,

quer

por

empreendimento

das

organizações

que

almejem

o

desenvolvimento do seu quadro de recursos humanos.

1.1 Contextualização do Problema
Analisando-se a situação dos profissionais bibliotecários em exercício no
Estado do Rio Grande do Norte, no transcorrer das últimas décadas, verifica-se
que, apesar do curso de graduação em Biblioteconomia ter sido criado em 1996 e
iniciado seu funcionamento no ano de 1997, oferecendo 30 vagas pela
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN),e a primeira turma o haver
concluído em 2001, os profissionais que atuavam no Estado do Rio Grande do
Norte até essa época eram formados em universidades localizadas em outros
estados.
O início da graduação em Biblioteconomia ampliou as oportunidades para a
qualificação profissional dos bibliotecários atuantes no Estado do Rio Grande do
Norte, pois foram ampliadas as oportunidades a partir de eventos locais,
promovidos pelo Departamento de Biblioteconomia da UFRN. Merece destaque,
a realização na cidade de Natal, em outubro de 2004, do XIII Seminário Nacional
de Bibliotecas Universitárias, promovido pela Bibliteca Central Zila Mamede da
UFRN, evento de repercussão nacional e internacional.
Ainda no ano de 2004, o departamento de Biblioteconomia da UFRN
instalou o primeiro curso de pós-graduação em nível de especialização em
“Gestão Estratégica de Sistemas de Informação”, sendo hoje, uma ferramenta
indispensável para a capacitação e qualificação dos bibliotecários, contribuindo
para o bom desempenho corporativo e profissional. Mas ainda não é o suficiente,
pois quem pretende cursar um mestrado ou doutorado só encontra essa
qualificação em outras áreas afins, uma vez que em Natal não há oferta de pósgraduação stricto sensu nesses níveis na área da Ciência da Informação ou
Biblioteconomia / Documentação.

�Considerando-se

todos

esses

fatores

anteriormente

mencionados,

formulou-se o seguinte problema de pesquisa: Quais as necessidades de
educação continuada dos profissionais bibliotecários que atuam no Estado do Rio
Grande do Norte?

1.2 Objetivos do Estudo

1.2.1 Objetivo Geral
•

Descrever as formas e as necessidades de educação continuada dos
bibliotecários em exercício no Estado do Rio Grande do Norte (RN).

1.2.2 Objetivos Específicos
•

Conhecer o perfil dos bibliotecários em exercício no Estado do RN;

•

Verificar os instrumentos utilizados pelos bibliotecários para se atualizarem
profissionalmente;

•

Levantar os tipos de Periódicos nacionais específicos utilizados pelos
bibliotecários;

•

Identificar os eventos mais freqüentados pelos bibliotecários;

•

Verificar o interesse dos bibliotecários em dominar as novas tecnologias;

1.3 Justificativa
É inegável que a globalização trouxe grandes mudanças com relação ao
mercado de trabalho, exigindo um novo perfil do profissional da informação, no
sentido de dominar as novas tecnologias e de se adequar às freqüentes
alterações geradas por uma sociedade em evolução. Para encarar esses
desafios, a educação continuada apresenta-se como instrumento fundamental
para o profissional de biblioteconomia inserir-se e obter sucesso no mercado de
trabalho. Nessa perspectiva, a relevância desta pesquisa está na contribuição
para o conhecimento de uma realidade ainda pouco estudada no Rio Grande do
Norte.
O Cenário atual modernizou consideravelmente as políticas de educação
continuada. Diante dos avanços tecnológicos, a multiplicidade de suportes e das
inovações nos meios de comunicação responsáveis pelo surgimento do espaço

�virtual requer dos bibliotecários maior amplitude de conhecimentos e habilidades.
Desse modo, acredita-se que o novo perfil do moderno profissional da informação
exige mais capacitação e qualificação para corresponder às exigências do
mercado de trabalho frente às transformações permanentes.

2 EDUCAÇÃO CONTINUADA: Aspectos conceituais e operacionais
A educação continuada do profissional busca corrigir distorções de sua
formação inicial, e também contribui como aprendizado permanente das
inovações e transformações que estejam ocorrendo na sociedade, que cogita na
mudança das atuais formas de pensar, sentir e agir das novas gerações.
Figueiredo e Lima (1986), consideram a educação continuada como
formação, aperfeiçoamento integral com transferência de conhecimentos e
práticas de usos e costumes, ou seja, é um procedimento amplo relacionado com
valores, atitudes e motivação. O profissional da informação precisa ter interesse
em buscar caminhos que o conduzam a uma melhor qualificação e, com isso,
manter-se atualizado frente às crescentes exigências do mercado de trabalho.
Macedo (1985) define a educação continuada como um processo
começado pelo individuo na infância e continuado durante toda sua vida, ou seja,
é um processo permanente de educação. De acordo com Prosdócimo e Ohira
(2000), a educação continuada prepara o indivíduo para executar melhor aquilo
que já realiza, focalizar o “como fazer”, capacitando-o para atuar na realidade
atual como também, para o futuro. Já Cunha (1984) define como qualquer
aprendizagem, formal ou informal, realizada após concluir a primeira graduação.
Nesse sentido, a educação continuada pode ser praticada de diversas
formas: participação em seminários, congressos, conferências ou ciclos de
debates; leitura de trabalhos de congressos publicados em anais, livros e
periódicos especializados nacionais e estrangeiros; cursos de características e
duração diversificada, teóricos ou práticos (ministrados por escolas e associações
profissionais); programas de pós-graduação; estudos individuais e em grupos com
colegas; visitas técnicas; conversas com colegas para troca de experiências;
participação em grupos de discussão. Deve-se salientar, também, que uma nova
oportunidade para reciclagem profissional são os cursos de educação à distância,

�permitida pela facilidade de rapidez no desenvolvimento das redes de
computadores, pertinente aos progressos das telecomunicações.
De acordo com Cunha (1984), a responsabilidade da educação continuada
dos profissionais da informação deve ser compartilhada pelas Escolas de
Biblioteconomia, oferecendo cursos de extensão e especialização, além de cursos
de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado); pelas Associações
Profissionais por meio de cursos de reciclagem e atualização, Bibliotecas –
Unidades de Informação, Empresas de Consultoria e pelo próprio bibliotecário. Já
Tarapanoff et al (1988) concordam que essa responsabilidade compete ao próprio
profissional a fim de eliminar lacunas de formação e de se atualizar / reciclar em
relação à demanda específica. Guimarães (1997) aponta como “maior serviço de
educação continuada”, a necessidade de produzir literatura na área da informação
para manter o profissional atualizado, de maneira a desafiá-lo, estimulá-lo, deixálo em contato permanente com o desenvolvimento cientifico voltado à sua área.

3 METODOLOGIA
Para desenvolver o tema proposto neste artigo, foram utilizados dois tipos
de pesquisa, a exploratória e a descritiva, na busca das evidências qualitativas da
educação continuada do profissional da informação no Rio Grande do Norte.
De acordo com Cervo e Bervian (2002): a pesquisa descritiva observa,
registra, analisa e correlaciona fatos ou fenômenos (variáveis) sem manipulá-los.
Sendo assim, pode assumir diversas formas, entre as quais se destacam os
estudos descritivos, que consistem na descrição das características, propriedades
ou relações existentes na comunidade, grupo ou realidade pesquisada. Já os
estudos exploratórios, conforme afirmam Cervo e Bervian (2002) não exigem a
elaboração de hipóteses a serem testadas no trabalho, enfocam a definição de
objetivos e a busca de mais informações sobre determinado tema, visando
alcançar nova percepção do mesmo e encontrar novas opiniões.
Este estudo foi realizado com base nessas duas abordagens tendo em
vista a falta de pesquisas sobre a educação continuada com os bibliotecários em
exercício no estado do Rio Grande do Norte, apesar da existência de alguns
estudos com os bibliotecários atuantes em outros estados da federação.

�3.1 População e amostra
Dos 134 (cento e trinta e quatro) registrados no CRB - 4ª Região, a
pesquisa abrangeu uma amostra de 72 (setenta e dois) profissionais bibliotecários
desses, 70 (setenta) estão com seus registros regulares no Conselho Regional de
Biblioteconomia da 4ª Região, isso equivale a uma amostra de 53,7%.

3.2 Coleta de dados
Para a coleta das informações necessárias ao desenvolvimento da
pesquisa, elaborou-se um questionário semi-estruturado, composto de duas
partes: a primeira corresponde aos dados pessoais dos sujeitos; a segunda
apresenta questões relativas à educação continuada dos bibliotecários. Alguns
foram entregues pessoalmente, e outros, encaminhados por e-mail aos
bibliotecários, acompanhados de um texto esclarecendo os objetivos da pesquisa.
Com essas informações foi possível delinear o perfil do bibliotecário, averiguando
seu nível de atualização, qualificação e sua atuação profissional, e descrever os
outros fatores relativos à educação continuada.

4 ANÁLISE DOS RESULTADOS
Para a operacionalização do problema e dos objetivos deste estudo,
explicitados anteriormente, foram pesquisados 72 bibliotecários que atuam no
Estado do RN. Os dados foram analisados e comentados, observando-se a
seqüência dos objetivos específicos e apresentados a seguir.

4.1 Perfil dos bibliotecários em exercício no Estado do RN
Inicialmente procurou-se verificar como estão distribuídos geograficamente
entre os municípios do RN, os bibliotecários participantes da pesquisa. Através da
análise dos questionários aplicados, constatou-se que 93,1% dos bibliotecários
atuam no município de Natal, 4,2% no município de Mossoró e 1,4% no município
de Açu e de Caicó, respectivamente.
Esses resultados confirmam estudos anteriores, como por exemplo,
Prosdócimo e Ohira (2000) constataram uma baixa concentração de bibliotecários
em cidades do interior. Em uma outra pesquisa realizada por Martucci et al (1990)
foi constatada uma enorme atuação de bibliotecários nas cidades consideradas

�mais desenvolvidas. Esse fato ocorre devido à existência de maior oferta de
empregos para bibliotecários nas grandes metrópoles, onde estão localizadas as
universidades, as indústrias, as organizações públicas, sistemas de bibliotecas
públicas etc.

4.1.1 Idade
De acordo com os informantes 37,5% possuem idade entre 36 a 45 anos,
31,9% entre 26 a 30 anos, 13,9% mais de 45 anos, 9,7% de 20 a 25 anos, e
somente 6,9% de 31 a 35 anos.
37,5%

31,9%

13,9%
9,7%

20 a 25
anos

6,9%

26 a 30
anos

31 a 35
anos

36 a 45
anos

Mais de 45
anos

Gráfico 1: Idade dos Informantes
Fonte: Pesquisa de campo realizada em junho de 2006.

4.1.2 Universidade que concluiu a graduação de Biblioteconomia
Analisando-se as respostas dadas pelos profissionais percebe-se que a
realidade do mercado de trabalho no Estado do RN mudou com a implantação da
Graduação de Biblioteconomia pela UFRN: anteriormente os profissionais
atuantes no Estado concluíam seus cursos superiores em outros Estados.
Observou-se que o mercado absorveu bastante os profissionais formados pela
UFRN, devido o surgimento de novas faculdades, concursos públicos, indústrias
etc.
O gráfico 2 mostra que o curso de Biblioteconomia da UFRN é responsável
pela formação de 68,1% dos profissionais atuantes no RN, seguido pela UFPB
com 12,5%. Em terceiro lugar aparece a UFC com 9,7%, em quarto lugar estão
empatados a UFBA, UFPA e UFPE com 2,8% e por último a UFF com apenas
1,4%.

�68,1%

UFRN
UFPE

2,8%
12,5%

UFPB

9,7%

UFC
UFF

1,4%

UFBA

2,8%

UFPA

2,8%

Gráfico 2: Instituição da Graduação
Fonte: Pesquisa de campo realizada em junho de 2006.

4.1.3 Tempo de atuação como Bibliotecário
Tratando-se do tempo de atuação dos bibliotecários em exercício no RN,
constatou-se que 43,1% estão no mercado de trabalho ente 1 a 3 anos, seguido
com 25% de 4 a 5 anos. Esse resultado reforça a afirmação da análise citada
acima, demonstra o mercado de trabalho empregando os recém-formados pela
UFRN, pois a primeira turma concluinte de biblioteconomia colou grau em 2001,
ou seja, há cinco anos.
Enquanto 2,8% atuam entre 07 a 10 anos, 15,3 % de 10 a 15 anos, 6,9%
de 16 a 20 anos e 4,2% já trabalham a mais de 20 anos como bibliotecário.
Mais de 20 anos
16 a 20 anos

4,2%
6,9%
15,3%

10 a 15 anos
7 a 10 anos

2,8%

4 a 6 anos

25,0%
43,1%

1 a 3 anos
Não atuantes

2,8%

Gráfico 3: Tempo de atuação
Fonte: Pesquisa de campo realizada em junho de 2006.

4.1.4 Tipo de Unidade de informação que atua como Bibliotecário
Os resultados demonstram que a maioria dos bibliotecários em exercício
no RN exerce suas atividades nas bibliotecas universitárias com 44,3%. Essa
quantidade expressiva é fruto do surgimento de muitas faculdades no Estado e de
concursos públicos realizados recentemente para universidades públicas. Sem

�falar que, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) exige que cada Instituição de
Ensino Superior contrate um bibliotecário para cada mil alunos matriculados. Em
segundo lugar aparecem com 34,3% as bibliotecas especializadas. Em terceiro,
com 11,4% arquivo, espaço se que tem se expandindo para contratação de
bibliotecários, devido à falta de profissionais graduados em Arquivologia no RN.
Em quarto, com 5,7% aparece biblioteca pública. E, por último, com 4,3%, a
biblioteca escolar, inexpressivo percentual, devido à falta de uma legislação que
obrigue as escolas a contratarem um bibliotecário para suas bibliotecas.
Universitária

Pública

44,3%

5,7%

Especializada

Escolar

34,3%

4,3%

Arquivo

11,4%

Gráfico 4: Tipo de Unidade de informação
Fonte: Pesquisa de campo realizada em junho de 2006.

4.1.5 Formação e qualificação profissional
Buscou-se conhecer o nível de qualificação profissional dos bibliotecários
em exercício no RN que participaram do estudo, procurando-se identificar se os
mesmos tinham pós-graduação (especialização, mestrado e doutorado).

Pós-graduação Stricto Sensu em
Biblioteconomia (Mestrado)

5,6%

Pós-graduação Lato Sensu em Biblioteconomia
(Especialização)

Pós-graduação em outra área

Graduação

Gráfico 5: Nível de qualificação profissional
Fonte: Pesquisa de campo realizada em junho de 2006.

27,8%

20,8%

45,8%

�Com relação à formação acadêmica dos pesquisados, constatou-se que
45,8% possuem apenas a graduação, a maioria, 54,2% já possuem pósgraduação, distribuídos da seguinte forma: 27,8% concluíram pós-graduação Lato
Sensu na área de Biblioteconomia, 20,8% terminaram pós-graduação em outra
área, enquanto 5,6% possuem mestrado em Biblioteconomia. Esse resultado
supera, em termos de qualificação, a pesquisa realizada por Prosdócimo e Ohira
(2000), em que a maioria dos bibliotecários em Santa Catarina possuía apenas
curso de Especialização, apesar do Estado ter dois cursos de Biblioteconomia,
um na UDESC e outro na UFSC, e os mesmos oferecerem cursos de pósgraduação, sem falar na oferta de outros cursos de especialização noutras áreas.
Dessa forma, ficam evidenciados os esforços dos profissionais de
biblioteconomia em exercício no Rio Grande do Norte para se qualificarem,
apesar

das

dificuldades

para

cursarem

uma

pós-graduação

na

área,

especialmente Stricto Sensu, devido à falta de oferta pela UFRN. Entretanto, deve
ser repensada a quantidade de bibliotecários que apenas possui graduação,
45,8%, tendo em vista que atualmente o mercado de trabalho requer profissionais
mais qualificados e capacitados diante da globalização e dos avanços
tecnológicos, dentre elas, a titulação dos profissionais.
Procurou-se ainda verificar se os bibliotecários concluíram outro curso de
graduação, além de Biblioteconomia, percebendo-se dentre os respondentes que
22% possuem outro curso de graduação, e 78% somente biblioteconomia.
Dentre os cursos concluídos destacam-se os seguintes: Administração,
Ciências Sociais, Letras, Educação Artística, Ciências Econômicas, Turismo,
História, Filosofia, Psicologia, Engenharia Têxtil e Comunicação Social. Vale
ressaltar que apenas um bibliotecário concluiu a segunda graduação após
terminar Biblioteconomia em Comunicação Social e outro ainda encontrava-se
cursando Direito.

4.2 Instrumentos de atualização utilizados pelos bibliotecários
Em relação aos instrumentos utilizados para atualização profissional,
destacam-se, primeiramente, leitura de livros ou revistas especializadas com
18,4%, seguido por consulta a sites específicos e participação em eventos, ambos

�com 17,6%, contatos informais com colegas e ex-professores com 14,2%,
evidenciando que a comunicação informal é praticada pelos bibliotecários, não
apenas no RN, mas também em outros estados como enfatizam Prosdócimo e
Ohira (2000), na sua pesquisa em Santa Catarina, e ainda cursos e mini cursos
em eventos com 12,9%. Observou-se ainda que dos profissionais pesquisados
6,3% possuem curso de aperfeiçoamento, 4,5% possuem curso de pósgraduação em outra área, e 4,2% pós-graduação em biblioteconomia e pratica de
cursos à distância.

18,4%

Leitura de livros e periódicos

17,6%

Consulta a sites específicos
Contatos informais com colegas e ex professores

14,2%
17,6%

Participação em eventos
12,9%

Cursos e minicursos em eventos
Pós-graduação em Biblioteconomia

4,2%

Pós-graduação em outra área

4,5%

Pratica cursos a distância

4,2%

Cursos de aperfeiçoamentos

6,3%

Gráfico 6: Instrumentos de atualização utilizados pelos bibliotecários
Fonte: Pesquisa de campo realizada em junho de 2006.

4.3 Periódicos nacionais específicos utilizados pelos bibliotecários
Tratando-se dos periódicos nacionais específicos mais lidos pelos
bibliotecários, os respondentes tiveram a opção de marcar mais de uma opção,
tendo em vista que o periódico é visto como o veículo formal mais atual e eficiente
para divulgação da produção cientifica. Ficou evidente que a Revista Ciência da
Informação é a mais lida com 29,6%, devido à qualidade dos artigos
apresentados e seu fácil acesso on-line, tanto no site do Scielo como na página
do IBICT, 13,8% buscam a Informação &amp; informação, 11,3% Informação &amp;

�sociedade, 10,4% com a Revista da Associação Catarinense de Bibliotecários
(ACB), 8,3% Revista de Biblioteconomia de Brasília, 5% consultam a
Transinformação e somente 2,1%, a Perspectiva em Ciência da Informação .
No estudo de Prosdócimo e Ohira (2000), confirma-se como periódico de
maior preferência pelos bibliotecários catarinenses a Revista Ciência da
Informação. Já na pesquisa comparativa entre os municípios de João Pessoa
(PB) e Recife (PE), realizada por Ferracin et al (1993), ficou constatado que os
meios

mais

utilizados

para

atualização

profissional

pelos

bibliotecários

identificados foram: leitura de revistas especializadas nacionais e de trabalhos de
congressos/eventos.

Periódicos

Quantidade

%

Ciência da informação - IBICT

71

29,6%

Informação &amp; Sociedade: estudos - UFPB

27

11,3%

Revista de Biblioteconomia de Brasília - ABDF

20

8,3%

Revista ACB - ACB

25

10,4%

Perspectiva em Ciência da Informação - UFMG

5

2,1%

Informação &amp; Informação - UEL

33

13,8%

Transinformação - PUCCAMP

12

5,0%

Encontros Bibli - UFSC

21

8,8%

Datagramazero

23

9,6%

Outros

3

1,3%

Total

240

100,0%

Tabela 1: Periódicos nacionais mais utilizados pelos bibliotecários
Fonte: Fonte: Pesquisa de campo realizada em junho de 2006.

4.4 Eventos da área mais freqüentados
No que se refere aos eventos da área de Biblioteconomia, os
pesquisados podiam escolher mais de uma alternativa. Observou-se que 37,5%
freqüentam eventos locais devido à facilidade de acesso e ao baixo custo. Em
segundo lugar aparece o Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU)
com 34%. Em terceiro, aparece o Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e
Documentação (CBBD) com 17,4%, por ser um evento nacional de grande
relevância na área. Em quarto lugar aparecem outros eventos com 6,9%, dentre
eles os mais apontados foram: treinamento do portal capes; encontro dos

�bibliotecários (da justiça eleitoral; da justiça do trabalho; do ministério público) e
por último, com 4,2% freqüentam o Seminário Internacional de Bibliotecas
Digitais. Apenas 2 (dois) bibliotecários deixaram essa pergunta sem resposta.
SNBU

34,0%
17,4%

CBBD
Seminário internacional de
Bibliotecas Digitais

4,2%
37,5%

Eventos locais

Outros

6,9%

Gráfico 7: Eventos da área mais freqüentados
Fonte: Fonte: Pesquisa de campo realizada em junho de 2006.

4.5 Grau de importância em dominar as novas tecnologias
Buscou-se verificar o grau de importância que os bibliotecários atribuem
em dominar as novas tecnologias: 91,7% consideraram extremamente importante
e 8,3% acharam importante. Diante das mudanças e transformações da
sociedade e do desenvolvimento veloz da tecnologia nas últimas décadas,
observa-se a preocupação e os esforços dos profissionais bibliotecários para se
ajustarem rapidamente às possíveis necessidades e demandas que o mercado de
trabalho exige.
Figueiredo e Lima (1986) abordam o valor da aplicação das novas
tecnologias nas bibliotecas, no desenvolvimento profissional do bibliotecário para
fazer frente aos desafios da era da informação eletrônica. Esse valor se justifica
em razão do aparato tecnológico, além de propiciar o desenvolvimento das
atividades cooperativas em rede, promovem também uma extensão no acesso as
informações trabalhadas no âmbito de unidade de informação.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Na atual conjuntura, percebe-se que a educação continuada dos
bibliotecários em exercício no estado do Rio Grande do Norte tem avançado na
última década, após o surgimento da Graduação em Biblioteconomia pela UFRN,

�pois a Universidade passou a oferecer um curso de especialização em “Gestão
Estratégica de Sistemas de Informação” com uma boa demanda pelos
profissionais da turma inicial, e já se encontra em processo de seleção para início
de uma nova turma.
Os bibliotecários estão cada vez mais convictos de que as novas
tecnologias têm contribuído com grandes mudanças e inovações na área da
Informação e Documentação, implicando numa dedicação e esforço em
atualização, capacitação, adaptação e aperfeiçoamento, e até mesmo novas
habilidades e atitudes comportamentais, indispensáveis a qualquer profissional
que almeja manter qualidade e competitividade ao seu desempenho profissional.
Nesse novo cenário, o bibliotecário precisa buscar alternativas para ampliar
suas competências e qualificações, a fim de começar a exercer papel chave nas
unidades de informação, agindo como um agente social de adaptabilidade social,
um comunicador, organizador e intermediário na recuperação da informação.
Para isso ele precisa buscar novas experiências bem como técnicas no manuseio
de novas tecnologias, isto se tornou um pressuposto indispensável ao perfil do
bibliotecário. A inércia nessas ações contribuirá para a rápida obsolescência
profissional, e tornará o bibliotecário despreparado para enfrentar os desafios na
era tecnológica, tendo em vista que os usuários da informação estão mais
exigentes no tocante a rapidez no acesso e na recuperação das informações
online, e assim, viabilizar os serviços prestados a comunidade.

ABSTRACT
This study aims to describe the importance and need to continued education of
professional librarians that work in the Rio Grande do Norte State. This is an
essential analysis due to the great number of changes related to technological
advances. It provides data related to the position that these professionals occupy
in the current work market. Results show that the librarians recognize the
importance of continued education as a valuable tool for better qualification and
acquisition of skills, attitudes, and behavior for efficient professional practice.
Key words: Continued Education. Librarian profile. Information Technology.

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continuada. Revista de Biblioteconomia de Brasília, Brasília, v.12, n.2, p. 145156, jul./dez. 1984.
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bibliotecário em João Pessoa (PB) e Recife (PE). Informação &amp; sociedade:
estudos, João Pessoa, v.3, n.1, 1993. Disponível em:
&lt;http://www.informacaoesociedade.ufpb.br/pdf/IS319310.pdf&gt;. Acesso em: 03 jul.
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FIGUEIREDO, Nice Menezes de; LIMA, Regina C. Montenegro de.
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Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Descreve a importância e necessidade da educação continuada para os profissionais bibliotecários que atuam no Estado do Rio Grande do Norte. Entende-se que a análise dessa temática neste momento de aceleradas mudanças frente aos avanços das novas tecnologias é essencial para o redirecionamento e posicionamento desses profissionais no mercado de trabalho. Os resultados da pesquisa evidenciaram que os profissionais reconhecem a importância da educação continuada como um instrumento de aperfeiçoamento e atualização, capaz de auxiliá-los na aquisição de um conjunto de habilidades, atitudes e comportamentos necessários ao desempenho eficiente de sua prática profissional.</text>
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                    <text>A ENGENHARIA DO CONHECIMENTO E SUAS POSSÍVEIS CONTRIBUIÇÕES
PARA A ÁREA BIBLIOTECONÔMICA:
ALGUMAS REFLEXÕES

Angélica C. D. Miranda1 angelicam@egc.ufsc.br - FURG  Rio Grande/RS
3
Fernando Antonio Forcellini forcellini@deps.ufsc.br - UFSC  Florianópolis/SC
1
Lourdes de Costa Remor lu@saude.sc.gov.br  SEESC  Florianópolis/SC
2
Roberto Martins da Silveira rmhotmail.com  ÚNICA  Florianópolis/SC
3
Roberto Pacheco pacheco@eps.ufsc.br  UFSC - Florianópolis/SC

Resumo : O presente trabalho trata de uma reflexão sobre as bibliotecas no
contexto atual e sua passagem na história da humanidade. Aborda a relevância
da informação na sociedade, relacionando o campo de atuação da
Biblioteconomia e da Engenharia do Conhecimento. Destaca aspectos da
integração dos sistemas de informação e aponta a importância da gestão do
conhecimento nesse contexto.
Palavras Chave: Biblioteconomia, engenharia, tecnologia.
1  INTRODUÇÃO

Desde os tempos mais remotos o homem já manifestava preocupação em
reunir o conhecimento. É bom também lembrar que, durante muito tempo,
somente os abastados tinham acesso à cultura e aos livros. Os reis tinham suas
bibliotecas como propriedade exclusiva (não podiam ser tocadas). Na Idade
Média, eram consideradas como organismos sagrados (monásticas), e seus
guardiões eram religiosos, de modo que somente os da mesma ordem tinham
acesso.

Durante muitos séculos, as bibliotecas significaram fonte de poder, objeto
sagrado, depósito de livros, entre outros tantos significados, e somente há poucas

1

Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento da Universidade
Federal de Santa Catarina.
2
Professor na FAAG/CESUSC (FACULDADE ANITA GARIBALDI - Complexo de Ensino Superior de
Santa Catarina) e aluno especial no Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento
da Universidade Federal de Santa Catarina.
3
Professor no Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento da Universidade
Federal de Santa Catarina.

�décadas tornou-se um centro de informações compartilhado e acessível para
muitos.

O homem passou por todos esses períodos, adaptando-se a cada um
deles e retirando dos livros a sabedoria que lhe interessava. Décadas, séculos de
existência em que os registros do conhecimento passaram por poucos, em
comparação com a época atual.
2  O ACESSO À INFORMAÇÃO E O EXCESSO DE INFORMAÇÃO

O século passado se fez muito importante pelas mudanças que trouxe,
mudanças significativas no que diz respeito ao acesso à informação. Na
sociedade contemporânea, o sucesso do desempenho econômico tem sido
caracterizado pela busca das melhores práticas técnicas e dados específicos,
pelas linhas de comunicação com fontes de conhecimento especificamente
relevantes, pela manutenção das capacidades e práticas para avaliação de
informações. Nesse contexto Bush, citado por Silva (2006), identificou como
explosão informacional o irreprimível crescimento exponencial da informação e de
seus registros, particularmente em ciência e tecnologia. De um universo em que a
informação era restrita, passou-se a outro em que houve, na verdade, um boom
informacional. É nesse contexto que queremos chegar, para então, falar da
realidade do profissional bibliotecário hoje.

Inicialmente um mundo controlável, onde se tinha domínio do que havia
na biblioteca, a realidade do profissional era reunir, organizar e difundir. Assim ele
era formado, para atuar nesta relação: reunião, organização e difusão. Nas
primeiras décadas do século passado, pouco se falava em usuário, visto que a
preocupação era com o acervo. Pressupõe-se que até hoje existam casos em que
o bibliotecário tem na sua mente a localização exata de um livro, tamanha é a
dedicação para com eles. Reclamações à parte sobre os usuários, dos números
extensos e incompreensíveis (para localização das obras) ou bibliotecas onde
não se pode (não deveria) fazer qualquer barulho. E assim, chegou-se a uma
nova etapa, em que as tecnologias apontam para uma série de controles, entre

�eles: de entrada do usuários, de acervo, onde o sistema  por meio de leitores
eletrônicos  pode realizar o inventário direto. Mas, irremediavelmente, este
mesmo mundo que possibilitou tais facilidades apresenta agora outras questões,
diferentes daquelas do passado: a insustentável condição de controlar o fluxo
informacional. Isso alterou a realidade dessa e das demais áreas. Muitas
informações, provindas de livros, periódicos, folhetos, CD-ROM, bancos de
dados, pen-drive e, claro, a grande facilitadora, a WWW (World Wide Web),
comumente conhecida como web ou Internet e os serviços que ela proporciona
(e-mails, listas de discussão, sites e outros).

Desta forma, passamos gradativamente de uma realidade em que os livros
eram considerados sagrados e poucos tinham acesso, até a presente, em que o
excesso de publicações, quer em papel, em meio magnético ou virtual, prejudica
a ponto de as pessoas não encontrarem o que procuram, portanto as mudanças
devem ser bem compreendidas, a fim de se visualizar novos caminhos,
abordagens e soluções. O mundo está em constante mudança, em constante
evolução.

Assim, aqueles que se formaram para atuar em bibliotecas e se tornarem
os organizadores do conhecimento passaram para uma outra visão da realidade
profissional. A Biblioteconomia cresceu muito, tornou-se valorizada pelo uso das
Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) e passou a colocar em prática
o conjunto de conhecimentos que propõem a reunião, a seleção/organização e a
disseminação da produção intelectual em qualquer suporte (livros, periódicos,
CDs etc.). Contudo, bem se sabe que as TICs resolveram muitos problemas,
facilitando a organização/acesso das informações, e em contrapartida trouxeram
consigo a possibilidade de disponibilizar muito lixo informacional.

De acordo com Miranda (2003),

A evolução dos suportes das fontes de informação do acervo,
percebida na década de 1990, mostra que a biblioteca tornou-se
mais do que um simples depósito de livros, periódicos, fitas cassete
e vídeos. Na década de 1980, passou a incorporar a informação

�digital residente em disquetes, CD-ROM, microcomputadores,
informação em rede de computadores, bases de dados, periódicos
on-line e páginas da web. Estas mídias surgidas e incorporadas no
cotidiano provocaram mudanças na gestão da informação.

Conforme essa autora, o avanço proporcionou muitas mudanças na gestão
da informação, podendo ser consideradas sob diversos pontos de vista. No
aspecto positivo, a abertura para todos, a facilidade de procurar informações na
web, em bancos de dados etc., a quebra (ou queda) de barreiras que dificultavam
o acesso em séculos passados. De um ponto mais pessimista, o excesso, que
confunde, complica e nada explica, a infinidade de sites, blogs, homepages
(tantos nomes para explicitar informação na web), que são jogados na rede,
esquecidos e lá ficam, simplesmente poluindo.

Pode-se então dizer que estamos numa grande era de transição. Mas
como reorganizar, para reunir e socializar?
3  UMA NOVA VISÃO NA RELAÇÃO DA INFORMAÇÃO VERSUS
ENGENHARIA DO CONHECIMENTO

Ao entrarmos na ciência da Engenharia do Conhecimento, percebemos o
quanto ela permeia as demais ciências, as profissões e os sistemas.

Conforme Pacheco (2006), a expressão Engenharia do Conhecimento
surgiu para definir a área científica de construção de sistemas especialistas.
Posteriormente veio a mudar seu significado, diminuindo um gap no sentido de
fazer do engenheiro um elemento de integração entre a tecnologia e a gestão e
reconhecendo a relevância da modelagem do conhecimento e da visão sistêmica.

Nesse sentido, pode-se afirmar que a EC se preocupa com as formas de
codificar, recuperar e explicitar o conhecimento existente. O universo das
bibliotecas deixou de ser considerado um depósito, passando a ser visto como
algo mais dinâmico. A EC, ao longo das mudanças, exterioriza a preocupação
com o acesso ao que existe.

�De acordo com Pacheco (2006), O processo de aquisição, modelagem e
representação do conhecimento que leva a um sistema especialista foi
denominado Engenharia do Conhecimento ainda na década de 60.

Mas, será que uma união da EC e do mundo bibliotecário tem futuro?
Se as bibliotecas sobreviveram ao tempo, adaptaram-se às TICs e na
atualidade enfrentam o boom informacional tendo diversos obstáculos pela frente,
diz-se da EC que ela deixou de dar significado somente à Inteligência Artificial
(IA), tornando-se muito mais abrangente e oferecendo novos conceitos à era
informacional. Ambas enfrentam barreiras nesse mundo, cada vez mais virtual.

Assim, pode-se dizer que a organização do mundo biblioteconômico, com
suas normas, tabelas, regras etc. poderá tornar-se parceiro da EC, entre cujos
inúmeros objetivos está a explicitação de significados e também a representação
do conhecimento por meio de taxonomias.

Sistematizar
♣ Dado

Reunir Biblioteconomia
Disseminar

♣ Informação

Interoperabilidade
Engenharia do
Conhecimento

Modelar

♣ Conhecimento

Codificar

Figura 1  Objetivos da Biblioteconomia e da Engenharia do Conhecimento
Fonte: os autores

De acordo com a figura acima, pode-se dizer que a Biblioteconomia tem a
preocupação de reunir, sistematizar e tornar possível o acesso, enquanto a EC
trabalha com a modelagem, a codificação e a interoperabilidade. O objeto de
ambas são os dados, a informação e o conhecimento. Tuoni, citado por Silva
(2004), diz:
os dados são simples fatos que se tornam informação, se
forem combinados em uma estrutura compreensível; ao

�passo que a informação torna-se conhecimento, se for
colocada em um contexto, podendo ser usada para fazer
previsões.
Uma
informação
é
convertida
em
conhecimento quando um indivíduo consegue ligá-la a
outras informações, avaliando-a e entendendo seu
significado no interior de um contexto específico.

Dentro dessa visão, o autor deixa clara a necessidade de trabalhar em
cima dos elementos citados para que possam ter um significado. Eles podem
existir dentro de um contexto, mas o fato de estarem soltos não significa sua
importância. À medida que são estruturados, passam a expressar valor.

Assim, pode-se perguntar: Qual o objetivo maior das áreas em questão?
Colocar à disposição das pessoas, formas de acessar o que procuram, ou seja,
encontrar subsídios para si, para seu trabalho ou o que for. De que vale ter um
mundo de dados se estes não forem acessíveis ou decodificáveis? Ou uma
avalanche de informações, quando o que interessa não é encontrado?

Dentro dessa análise, a Biblioteconomia e a Engenharia, conforme seus
pressupostos, procuram formas de colocar à disposição meios para o indivíduo
sair da sua ignorância e adentrar o mundo dos saberes. E, por sua vez,
conforme ilustra a figura abaixo, a EC pretende dar suporte à criação e ao
compartilhamento de conhecimento, possibilitando o acesso e a cooperação.

A EC demonstra um aprofundamento muito maior que a Biblioteconomia,
propondo todo um ferramental para facilitar a Gestão Informacional e possibilitar
uma verdadeira Gestão do Conhecimento.

4



A

ENGENHARIA

DO

CONHECIMENTO

E

A

GESTÃO

DO

CONHECIMENTO

Os conhecimentos precisam ser sistematizados, estruturados, porque nem
sempre estão acessíveis. E para que a gestão do conhecimento disponha de
instrumentos, ferramentas, enfim, usufrua e mantenha o conhecimento, necessita

�do suporte tecnológico da Engenharia do Conhecimento para que ele possa ser
materializado. A gestão precisa, além de saber, saber aplicar o conhecimento.

Como a engenharia se tornou a maior técnica de integração de informação,
para Studer et al (2000), ela representa a possibilidade também de integração,
necessária na gestão em saúde.

Dessa perspectiva, observa-se a existência de uma visão reduzida da
informação e das tecnologias a ela associadas, na qual a gestão da informação é
entendida como processar os dados de sistemas de informação e a informática
fica restrita à atividade de cuidar dos computadores (VASCONCELLOS;
MORAES; CAVALCANTE, 2002, p. 221).

Conforme Antunes (2000, p. 32), A proliferação de centros de ensino,
reunindo

cientistas

provenientes

dos

diversos

ramos

do

conhecimento,

possibilitou o trabalho interdisciplinar, organizando e direcionando, cada vez mais,
o conhecimento e sua busca em torno de áreas de aplicação. Assim, passou o
conhecimento de um fim em si mesmo para um recurso de atingimento de
objetivos.

Engenharia do
Conhecimento

Suporte
tecnológico à
criação e ao
compartilhamento
de conhecimento

Figura 2  A Engenharia e a Gestão do Conhecimento
Fonte: Pacheco (2006)

Gestão do
Conhecimento

�4.1  A integração dos sistemas

Todas as áreas demandam processos eficientes de negócios, requerendo
cada vez mais a integração de diferentes sistemas de informação. A integração
de informação não é uma tarefa fácil, pois exige um conhecimento muito
específico para resolver diferenças semânticas de dados residentes em dois
sistemas de informação. Basicamente, o papel de ontologias no processo de
Engenharia do Conhecimento é facilitar a construção de um modelo dominante
(STUDER et al., 2000).

Os sistemas de gestão do conhecimento deixam à mostra uma exigência
em integrar

modelos de

conhecimentos

e

componentes baseados

em

conhecimentos de acordo com as necessidades dos usuários. Contudo, a
comunidade de Engenharia do Conhecimento terá que se esforçar mais em
cooperar com outras disciplinas para fazer seus métodos e ferramentas
amplamente conhecidos e acessíveis (STUDER et al., 2000).

Hoje, a Engenharia do Conhecimento é a chave tecnológica na sociedade
do

conhecimento.

Empresas

estão

reconhecendo

a

necessidade

do

conhecimento em seus modos de produção, os quais precisam ser explorados e
protegidos numa época em que as mudanças são rápidas e em uma economia
que é global e competitiva. Essa situação facilitou a aplicação das técnicas da
Engenharia do Conhecimento em Engenharia de Gestão. A demanda por
eficientes processos de negócios requer a interconexão e a interoperação de
diferentes sistemas de informação (STUDER et al., 2000).

5  CONSIDERAÇÕES FINAIS

A cada dia que passa, mais nos tornamos cidadãos globalizados, vivendo
nossa realidade local e tendo acesso ao que acontece globalmente. Somente não
se informam aqueles que não querem. O mundo teoriza a multidisciplinaridade, a
rede proporciona condições para tal, mas a academia segue essa teoria, ou será
que ainda forma (deforma) cidadãos com uma visão micro, aquela que somente

�resolve problemas? Estamos preparados para uma ação pró-ativa no sentido de
investir na interdisciplinaridade e aprendermos com a socialização da informação,
via Internet?

Como resposta aos argumentos acima, pensemos que para as tecnologias
mostrarem sua utilidade faz-se necessário que sejam bem- explicadas e permitam
a promoção de estratégias para uma organização eficaz neste infinito mundo
informacional que é a Internet. A soma dos conhecimentos e experiências talvez
seja uma das formas de realizar esse aproveitamento.

REFERÊNCIAS
ANTUNES, Maria Thereza Pompa. Capital intelectual. São Paulo: Atlas, 2000.
BRANCO, Maria Alice Fernandes. Informação em saúde como elemento
estratégico para a gestão. . In: Ministério da Saúde. (Org.). Gestão Municipal em
Saúde - Textos Básicos. 1 ed. Rio de Janeiro - RJ: Ministério da Saúde, 2001, v. ,
p. 163-170.
ECO, Humberto. From Internet to Gutenberg. Disponível em:
&lt;http://www.inf.ufsc.br/~jbosco/InternetPort.html&gt; Acesso em: 10 dez. 2005.
MARTINS, Wilson. A palavra escrita: história do livro, da imprensa e da
biblioteca. 3. ed. São Paulo: Ática, 2002.
MIRANDA, Angélica Conceição Dias. Proposta metodológica para inovação de
produtos em unidades de informação/bibliotecas disponíveis na Internet,
focada no cliente: uma aplicação na Fundação Universidade Federal do Rio
Grande.2003. Dissertação [Mestrado em Engenharia de Produção) Progrma de
Pós Graduação em Engenharia de Produção, Universidade Federal de Santa
Catarina, Florianópolis, UFSC, 2003.
MORAES, Ilara Hammerli Sozzi de; VASCONCELLOS, Miguel Murat. Política
Nacional de Informação, informática e Comunicação em Saúde: um pacto a ser
construído. Saúde em Debate, Rio de Janeiro, v. 29, n. 69, p. 86-98, jan./abr.
2005.
PACHECO, R. Introdução à Engenharia e Gestão do Conhecimento. (Aula 4),
2006. Florianópolis, Ufsc.

�SILVA, Gerlandy Leão da. O papel do profissional da informação em meio às
transformações
na
identidade
cultural.
Disponível
em:
&lt;http://www.decigi.ufpr.br/anais_enebd/documentos/oral/identidade.doc&gt;. Acesso
em: 02 maio 2006.
SILVA, Sergio Luis da. Gestão do conhecimento: uma revisão crítica orientada
pela abordagem da criação do conhecimento. Ciência da Informação, v. 33, n. 2
, p. 143-151, maio-ago. 2004.
STUDER, Rudi et al. Situation and perspective of Knowledge Engineering. In: J.
Cuena, et al. (eds.), Knowledge Engineering and Agent Technology. Amsterdam:
IOS Press 2000, this volume.
VASCONCELLOS, Miguel Murat.; MORAES, Ilara Hammerli Sozzi de;
CAVALCANTE, Maria Tereza Leal. Política de saúde e potencialidades de uso
das tecnologias de informação. Saúde em Debate, Rio de Janeiro, v. 26, n. 61, p.
219-235, maio-ago. 2002.

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                <text>O presente trabalho trata de uma reflexão sobre as bibliotecas no contexto atual e sua passagem na história da humanidade. Aborda a relevância da informação na sociedade, relacionando o campo de atuação da Biblioteconomia e da Engenharia do Conhecimento. Destaca aspectos da integração dos sistemas de informação e aponta a importância da gestão do conhecimento nesse contexto.</text>
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                    <text>A formação de futuros pesquisadores pela
Biblioteca do Centro de Memória – Unicamp (CMU)
Rosaelena Scarpeline
Diretora da Biblioteca
Centro de Memória Unicamp
Rua Sérgio Buarque de Holanda 800 – Caixa Postal 6023
CEP 13083-970 -Campinas- Sp.- Brasil
rscarpel@unicamp.br

O que é o Projeto Ciências &amp; Artes nas Férias

A UNICAMP é responsável por cerca de 15% de toda a produção
científica do Brasil, porém muitos jovens da região, principalmente no sistema
público de ensino, sequer conhecem a universidade, não tendo uma idéia clara
do que significa trabalhar com pesquisa científica e artística e como funciona
uma universidade de pesquisa.
Por essa razão foi criado o Projeto Ciência &amp; Artes nas Férias, oferecido
pela Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP) da Unicamp que acontece durante as
férias escolares no mês de janeiro. O referido projeto tem como objetivo
desenvolver nos alunos das Escolas Municipais de ensino médio da cidade de
Campinas-SP a aptidão para pesquisa, através de um estágio em seus
Laboratórios e Bibliotecas. A Biblioteca do Centro de Memória participa a três
anos do referido projeto.
Acreditando no potencial desses jovens provindos das escolas publicas,
a Universidade traz ao campus os estudantes selecionados pelas Escolas
Públicas, sendo que as propostas de estágio são previamente enviadas à
escolas, que se inscreveram no Projeto Ciências &amp; Artes nas Férias.
Os projetos são divulgados para o corpo de professores da escola que
os repassam a seus alunos. Cada aluno escolhe a área de conhecimento que
tem interesse em conhecer e estagiar. Nesses projetos estão representadas
todas as grandes áreas do conhecimento ciências humanas, artes, ciências
exatas, ciências biológicas, saúde e tecnologia.

�Neste estágio os estudantes se envolvem com os desafios atuais da
ciência e da arte, com a metodologia do trabalho científico, de pesquisa e da
criação artística. Faz parte do Programa Ciência &amp; Artes nas Férias diversas
atividades paralelas no campo da ciências, cultura e arte, essas atividades são
realizadas semanalmente, em um dia pré-estabelecido.
O estágio no Centro de Memória da Unicamp (CMU)

A pesquisa ação, que ora apresentamos: Memória, Qualidade de Vida e
Cidadania: os Distritos de Campinas: Barão Geraldo, desenvolvida no Centro
de Memória Unicamp (CMU), foi realizada em janeiro de 2006 e buscou atuar
no Distrito de Barão Geraldo, pertencente a cidade de Campinas-SP, uma das
regiões mais desenvolvidas do Brasil. Nesta pesquisa a metodologia de história
oral foi transmitida aos adolescentes associada a oficinas de educação não
formal.
O objetivo foi desenvolver o talento dos jovens adolescentes na área de
criatividade, biblioteconomia, jornalismo, história oral, fotografia, orientação
profissional. Esses jovens, em sua grande maioria, vindos de famílias
migrantes e de baixa renda, têm pouco conhecimento da cidade e de sua
história. Com esse estágio procuramos melhorar sua auto estima fornecendo
informações que os ajudem a construir conhecimentos e os levem a
desenvolver um sentimento de pertencimento aos seus locais de moradia e à
cidade, dando inicio a construção de uma noção de cidadania.
A Biblioteca universitária como produtora de conhecimento levou os
adolescentes a ter contato com práticas típicas do universo da pesquisa. O
material oriundo do exercício desenvolvido pelos alunos do ensino médio no
acervo da Hemeroteca da Biblioteca do CMU, focada na cidade de Campinas,
forneceu subsídios para a elaboração dos roteiros para a coleta dos
depoimentos orais dos antigos moradores do distrito, permitindo aos
adolescentes constituírem-se como interlocutores válidos nesse processo

�A hipótese levantada foi de que a história oral associada à educação
não formal permite ao pesquisador/educador o papel de fomentador da
construção de memórias compartilhadas por diferentes gerações de uma
mesma cidade/bairro/distrito.
Procuramos transmitir aos adolescentes nesta pesquisa ação, noções
do trabalho técnico e bibliográfico, a interação com pesquisadores, além dos
procedimentos básicos para se realizar uma pesquisa
O

projeto

desenvolvido

pela

Biblioteca:

A

formação

de

leitores/pesquisadores através do acervo da Hemeroteca, foi desenvolvida
conjuntamente com os outros setores do Centro de Memória: Arquivo
Iconográfico, Arquivo Histórico e Laboratório de História Oral, onde diversas
atividades foram programamos: palestras, wokshops, visitas técnicas visando
a formação dos mesmos, promovendo um diálogo constante com os outros
jovens envolvidos no projeto e estagiando em nosso Centro
Atividades Desenvolvidas

As

primeiras

atividades

foram realizadas com todo o
grupo

de

adolescentes

designados para o nosso Centro.
No ano de 2006 esse grupo foi
composto de oito adolescentes.
Grupo de estudantes acompanhadas pela
Diretora do CMU, Profa. Olga von Simson

A palestra de abertura “Memória cultura e poder na sociedade do
esquecimento: as instituições de memória”, foi ministrada pela Diretora do
CMU, Profa. Dra. Olga R. Moraes von Simson, ela apresentou o Centro de
Memória enquanto uma instituição de memória de ensino e pesquisa, dando
um panorama dos acervos e dos trabalhos realizados pelos vários setores e
como os pesquisadores se valem de nossos acervos para desenvolverem

�seus trabalhos de pesquisa. Após a realização da palestra foi feita uma visita
monitorada a todos os Setores do Centro envolvidos no Projeto.
A segunda atividade, também em forma de palestra, foi realizada com o
grupo menor que desenvolveu o estágio na Biblioteca e teve como tema:
Biblioteca universitária e a produção do conhecimento, onde fizemos uma
explanação sobre a constituição da Biblioteca, a composição de seu acervo, bases
de dados-on-line, sistemas de busca local disponíveis, e o sistema de busca da
Universidade.
Apresentamos a biblioteca como produtora de conhecimento, salientando
sua relação com a comunidade acadêmica e da cidade, a importância da
composição diversificada do acervo, e a grande contribuição do acervo da
hemeroteca para o estudo do cotidiano sócio-politico-cultural.
Os pesquisadores envolvidos no projeto de pesquisa: Projeto Memória,
Qualidade de Vida e Cidadania: os Distritos de Campinas: Barão Geraldo, fizeram
uma explanação sobre a abrangência do projeto e a importância da pesquisa
bibliográfica na formação de base histórica e social que o compõe.
Programamos uma atividade de
leitura dirigida com livros, artigos da
hemeroteca e textos sobre a história da
cidade e do distrito a ser pesquisado,
também passamos artigos técnicos sobre
hemeroteca,

que

possam

dar

embasamento

para

o

início

das

atividade

foi

atividades.

Toda

essa

acompanhada por bibliotecários.

Alunas do Projeto Ciência &amp; Artes nas Férias, em atividade de leitura

dirigida
Deste ponto em diante redirecionamos
os adolescentes para o trabalho com

os jornais diários da cidade: Correio Popular e Diário do Povo, não sem antes
ensiná-los sobre a composição de um jornal e fornecer as noções de como deve
ser feita uma leitura técnica direcionada para o assunto em pauta.
Após esses exercícios iniciais passamos a desenvolver as atividades
propostas no projeto.

�Objetivos

Objetivos específicos do Projeto desenvolvido na Biblioteca:
1. Coleta e organização de material bibliográfico impresso, recortes
de jornais e revistas, com o objetivo de alimentar a coleção de
hemeroteca sobre o tema “Distrito de Barão Geraldo”;
2. Recuperação do documento através do levantamento de palavra
chave;
3. Uso do meio digital para disponibilização da informação tratada
tecnicamente, inserção em base de dados;
4. Projeção do uso do computador como suporte de divulgação e
recuperação da memória histórica
Todas as atividades foram acompanhadas pelos profissionais da
Biblioteca e por um ou mais pesquisadores envolvidos no Projeto, que ao
longo do processo tiram as duvidas e direcionam as pesquisas.
Metodologia aplicada

Atividades técnicas desenvolvidas pelos adolescentes:

1. Acompanhar a seleção de artigos, feitas nos jornais diários, a
serem incluídos na seção de Hemeroteca,
2. Proceder a rediagramação de cada artigo e sua colagem, após
terem recebido o tratamento técnico adequado;
3. Proceder à inserção dos artigos na base de dados, após
passarem pelo processo de indexação e normalização de
linguagem;
4. Acompanhar o processo de guarda do acervo já inserido nas
bases;

�5. Receber treinamento quanto ao uso das bases de dados
disponíveis on-line, realizando pesquisas orientadas;
6. Acompanhar o processo de digitalização dos artigos, texto
integral, para a serem disponibilizados na Biblioteca Digital da
Unicamp: Hemeroteca Digital, para a busca palavra por palavra,
recebendo orientação quando ao processo desenvolvido e sua
utilização na pesquisa
7. Receber treinamento para a localização de itens sobre temas
diversos dentro dos vários suportes que compõem um acervo
baseado na memória;
8. Orientação para elaboração de texto, em suporte de informática,
incluindo inserção de imagens
Todas as atividades realizadas são acompanhadas pelos profissionais
bibliotecários envolvidos no projeto.

Alunas
do Projeto
Ciências &amp;final
Artes nas
realizando as atividades
técnicas e de pesquisa
Como
atividade
as Férias
adolescentes
foram orientadas
dentroprogramadas.
dos

recursos de informática disponíveis para a confecção de um banner, que
retratasse as atividades desenvolvidas no projeto e que ficou exposto a
princípio

na

própria

universidade,

seguindo

depois,

em

exposições

temporárias, para todas as Escolas Públicas participantes do projeto.
Os alunos/estágiarios realizaram uma pesquisa e elaboraram um texto
final sobre o tema desenvolvido no Projeto, neste caso o distrito de Barão
Geraldo, Campinas-SP, utilizado no banner.

�As adolescentes também gravam um depoimento em fita K-7 onde
relataram a experiência adquirida no estágio, também apresentaram um
relatório final, que é encaminhado a sua Escola de origem.
O desempenho das atividades é acompanhado diariamente através da
ficha de controle de atividades. Um relatório final de desempenho e avaliação é
feito pelo orientador responsável pelo desenvolvimento do Projeto especifico.

Alunas do Projeto recebendo treinamento com o profissional bibliotecário quanto á inserção na base de dados e na
guarda dos artigos prontos e inseridos na base na Hemeroteca CMU

Banner

O texto produzido pelas adolescentes, Ana Carolina Vicentin e Bruna
Laís de Araújo Rodrigues, sobre o Distrito de Barão Geraldo, que fez parte do
banner, foi elaborado a partir das pesquisas com o acervo de hemeroteca da
própria Biblioteca. Ele foi discutido com os pesquisadores e os bibliotecários
envolvidos no projeto e também com os outros adolescentes em estágio no
próprio Centro. Apresentamos o texto abaixo:
O Distrito de Barão Geraldo
Zona de terra roxa, ideal para a cafeicultura, o distrito foi ocupado desde o
inicio por fazendas de cana de açúcar, a chegada do café fez da região um
pólo agrícola muito importante. Ele tem o nome de um Barão de Café, o
fazendeiro Geraldo Ribeiro de Souza Rezende. Barão Geraldo foi um dos
fazendeiros mais importantes nesta fase de sucesso da cafeicultura em nossa
cidade. Sua fazenda era a Santa Genebra, conhecida por suas técnicas de
cultura avançadas para a época, que ele utilizava em parceria com o IAC,
recém criado.
Primeiro foram os escravos, poucos africanos e muitos crioulos, mas com a
abolição foram instalados nas antigas fazendas as famílias dos imigrantes

�italianos, portugueses e espanhóis. Com a falência das fazendas de café, no
inicio do século passado às terras foram divididas em sítios, muitos deles
vendidos aos antigos colonos de origem européia, com a instalação dos
imigrantes foi se constituindo um bairro rural, eles plantavam além do café
legumes, frutas e verduras.
Barão Geraldo tornou-se distrito em novembro de 1953, por conta da luta
política liderada por Guido Camargo Sobrinho.
Em meados da década de 60 começou a construção a Unicamp, em terrenos
planos doados pela Fazenda Rio das Pedras. O progresso chegou assim ao
distrito que se desenvolveu e assumiu a feição atual, sendo considerado um
dos mais importantes pólos de excelência acadêmica, médica e tecnológica
da América Latina, atraindo profissionais do Brasil e do mundo que aqui
fixaram residências e trouxeram uma elevação da qualidade de vida na região.

Avaliação

A experiência realizada é muito positiva, tanto para os adolescentes
como para a Universidade, pois através desde trabalho a Biblioteca do Centro
de Memória pode desenvolver uma atividade de extensão de fundamental
importância, tendo como princípio que os alunos da rede pública, estão
distantes da biblioteca universitária e da experiência com a pesquisa
acadêmica.
Atualmente, na sua grande maioria, os alunos entendem a pesquisa
como uma tarefa sem nenhum significado a qual eles são obrigados a se
submeterem. Muitas vezes para desenvolverem suas pesquisas escolares,
eles recorrem a textos curtos e prontos, encontrado nas diversas enciclopédias
disponíveis em papel e on-line e se esquecem que a pesquisa deve ser
encarada como uma aventura pelo mundo do conhecimento. Para eles a
pesquisa é encarada como uma atividade de rotina, obrigatória e insípida.
Nosso objetivo, entre outros já citados é criar nos adolescentes o habito
de leitura e pesquisa, procurando dar a eles uma visão ampla dos
acontecimentos locais e regionais, através da leitura dos jornais. Partindo do
principio que para se criar o hábito da leitura é necessário começar a ler.
Assim,

interagindo

com

os

adolescentes,

procuramos

criar

leitores/pesquisadores/descobridores levando não só o conhecimento, como
também a possibilidade de uma profissão no futuro, bibliotecários e/ou

�pesquisadores, desconhecida para muitos deles. Mostrarmos também o rico
universo que envolve uma pesquisa, desde a pesquisa em fontes primárias,
principalmente jornais e na hemeroteca, nos livros e nas diversas bases de
dados.
Transformamos as atividades de leitura/pesquisa em uma atividades
prazerosas, de caráter informativo, cultural e de lazer, que produz novos
conhecimentos trazendo em seu contexto novas verdades.
Nosso papel, enquanto profissionais de informação é orientar esses
novos pesquisadores a traçar os caminhos da pesquisa, guiando seus passos,
mostrando a eles o leque de opções a ser desenvolvido em suas pesquisas e
também em suas leituras de lazer.
Como profissionais reflexivos devemos usar nossa prática como fonte
de investigação, estudo e conhecimento. Nossa experiência em fazer pesquisa
pode e deve ser repassada a esses adolescentes, o retorno deste trabalho é
rápido e visível, na formação desse futuro profissional e no estímulo aos
profissionais atuantes no projeto.
Os adolescentes passam a se identificar enquanto pesquisadores e os
trabalhos que realizam, no âmbito da biblioteca, como atividades de busca de
conhecimento, estudo e investigação..
.

�Bibliografia
FRANCO, Maria Amélia Santoro.
Pedagogia da pesquisa-ação.
Educação e pesquisa, São Paulo, v.31, n.3, set/dez 2005. p.480-502

In:

GIOVANNI, Luciana M. Do professor informante ao parceiro: reflexões sobre
o papel da universidade para o desenvolvimento profissional de professores e
as mudanças na escola. In: Cadernos Cedes, Campinas-SP, v. 29, n. 44,
abr. 1998. p. 46-58.
GOHN, Maria da Glória. Educação não formal e cultura política.
Paulo: Cortez, 2001.

São

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Educação
não-formal: contextos, percursos e sujeitos. Campinas, SP: Unicamp/CMU;
Ed. Setembro, 2005.
PIMENTA, Selma Garrido. Pesquisa ação critico colaborativa: construindo
seu significado a partir de experiências com a formação docente. In:
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projeto piloto. In: Anais . XII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias –
Recife – out. 2002
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cenários da criação. Campinas, SP.: Unicamp/CMU, 2001.
TRIPP David Pesquisa-ação: uma introdução metodológica. In: Educação
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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            <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <text>Relata a realização do Projeto Ciências &amp; Artes nas Férias, na UNICAMP. O projeto acontece durante as férias escolares no mês de janeiro. O referido projeto tem como objetivo desenvolver nos alunos das Escolas Municipais de ensino médio da cidade de Campinas-SP a aptidão para pesquisa, através de um estágio em seus Laboratórios e Bibliotecas.</text>
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                    <text>A GESTÃO DO CONHECIMENTO APLICADA EM SERVIÇOS DE
ALERTA DE BIBLIOTECAS DA ÁREA DE HUMANAS
Eliana Marciela Marquetis1
UNICAMP/Centro de Lógica e Epistemologia
Av. Sérgio Buarque de Holanda, 251
13083-970 – Campinas – SP
marciela@cle.unicamp.br
Gildenir Carolino Santos2
UNICAMP/Faculdade de Educação
Av. Bretrand Russell, 801
13083-865- Campinas – SP – Brasil
gilbfe@unicamp.br
Resumo
No mundo globalizado em que vivemos, a informação é de fundamental importância para
a geração de novos conhecimentos e desenvolvimento da sociedade, sendo necessária à
difusão e compartilhamento dessas informações. Para muitos autores o conhecimento é
a fonte de poder e a chave para a futura mudança de poder. Porém, essa máxima tem
mudado, a definição de que conhecimento é poder, transformou-se em compartilhar o
conhecimento é poder. Por essa definição de conhecimento, pode-se constatar que uma
unidade de informação, bem como os produtos gerados por ela, são fontes riquíssimas
que contêm conhecimento permitindo que as organizações façam uso do mesmo, de
modo a transformá-lo, transmitindo e gerando novos conhecimentos. Desse modo, toda
fonte de informação disponibilizada e compartilhada contribuirá para o processo de
geração do conhecimento, permitindo a troca de conhecimento entre os indivíduos.
Assim, o presente trabalho tem por objetivo demonstrar como a gestão do conhecimento
está presente em uma unidade de informação, relatando a experiência das bibliotecas da
Faculdade de Educação e do Centro de Lógica, Epistemologia na elaboração dos
sumários correntes on-line de periódicos como forma de compartilhar a informação entre
os usuários dessas bibliotecas, de modo a facilitar as pesquisas desenvolvidas,
contribuindo para a geração de novos conhecimentos.
Palavras-chave: Gestão do conhecimento–Compartilhamento; Bibliotecas universitárias–
Serviço de alerta.

1 Doutora em Educação, mestre e bacharel em Biblioteconomia, chefe da Biblioteca do Centro de
Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE) - UNICAMP
2 Doutorando e mestre em Educação, bacharel em Biblioteconomia, diretor técnico da Biblioteca
da Faculdade de Educação (FE) - UNICAMP

1

�1 INTRODUÇÃO
No mundo globalizado em que vivemos, a informação é de fundamental
importância para a geração de novos conhecimentos e desenvolvimento da
sociedade, sendo necessária à difusão e compartilhamento dessas informações.
Para muitos autores o conhecimento é a fonte de poder e a chave para a futura
mudança de poder.

De acordo com Davenport e Prusak (1998, p. 6):
Conhecimento é uma mistura fluida de experiência condensada, valores,
informação contextual e insight experimentado, a qual proporciona uma
estrutura para a avaliação e incorporação de novas experiências e
informações. Ele tem origem e é aplicado na mente dos conhecedores.
Nas organizações, ele costuma estar embutido não só em documentos ou
repositórios, mas também em rotinas, processos, práticas e normas
organizacionais.

O conhecimento “é a fonte de poder de mais alta qualidade e a chave para
a futura mudança de poder” (NONAKA; TAKEUCHI, 1977, p. 5). Para se obter
conhecimento, gerá-lo e conseqüentemente ter o poder, a informação é
necessária. Porém, essa máxima tem mudado, como coloca Chait (1999, p. 124)
“conhecimento é poder, transformou-se em ‘compartilhar o conhecimento é
poder’. Conseqüentemente, não se trata de mudar a cultura e sim modificar
algumas regras para que as pessoas ajam de maneira diferente”. Aqui ainda vale
ressaltar o que escreve Gohn (2005, p. 255) “o conhecimento é uma importante
ferramenta para orientar a existência e conduzir a humanidade na história.”

Por essas definições de conhecimento, pode-se constatar que uma
unidade de informação, bem como os produtos gerados por ela, são fontes
riquíssimas que contêm conhecimento permitindo que as organizações façam uso
do

mesmo,

de

modo

a

transformá-lo,

conhecimentos.

2

transmitindo

e

gerando

novos

�As novas tecnologias facilitaram o compartilhamento e o acesso à
informação, contribuindo para mudanças no comportamento quando da obtenção
da informação. Para Gonçalves Filho (2001, p.56):
O maior valor da tecnologia na gerência do conhecimento é o de estender
o alcance e aumentar a velocidade da transferência do conhecimento. A
tecnologia da informação permite que o conhecimento de um indivíduo ou
de um grupo seja utilizado por outros membros da organização ou por
seus parceiros de negócio em todo o mundo. A tecnologia também
contribui na codificação do conhecimento e, muitas vezes, na sua
geração.

Desse modo, toda fonte de informação disponibilizada e compartilhada
contribuirá para o processo de geração do conhecimento, permitindo a troca de
conhecimento entre os indivíduos. Assim, o presente trabalho tem por objetivo
demonstrar como a gestão do conhecimento está presente em uma unidade de
informação, relatando a experiência das bibliotecas da Faculdade de Educação
(FE) e do Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE) da
UNICAMP na elaboração dos sumários de periódicos correntes on-line como
forma de compartilhar a informação entre os usuários dessas bibliotecas, de
modo a facilitar as pesquisas desenvolvidas, contribuindo para a geração de
novos conhecimentos.
2 A GESTÃO DO CONHECIMENTO E O COMPARTILHAMENTO DE
INFORMAÇÕES NAS BIBLIOTECAS
A gestão do conhecimento é definida, segundo Rossatto (2003, p. 7) como
“um processo estratégico contínuo e dinâmico que visa gerir o capital intangível
da empresa e todos os pontos estratégicos a ele relacionados e estimular a
conversão do conhecimento.”

Teixeira Filho (2000, p. 97) entende a gestão do conhecimento “como uma
coleção de processos que governa a criação, disseminação e utilização do
conhecimento para atingir plenamente os objetivos da organização. Dessa forma,
ela está relacionada a processos e também a produtos na empresa.”
A gestão do conhecimento em seu sentido mais atual e de acordo com
Terra e Gordon (2002, p. 57) pode ser “considerada o esforço para melhorar o

3

�desempenho humano e organizacional por meio da facilitação de conexões
significativas”, significando, na opinião dos mesmos autores,
[...] garantir que todos dentro da organização tenham acesso ao
conhecimento da organização, quando, onde e na forma que eles
necessitam; ajudar e motivar que detentores de conhecimentos
importantes compartilhem seu conhecimento, tornando mais simples o
processo para esses indivíduos codificarem parte de seu conhecimento
e/ou colaborarem com outros. (TERRA ; GORDON, 2002, p.57).

Assim, Davenport (2002, p. 115) considera que o compartilhamento das
informações é o ato voluntário de colocar as informações à disposição de outros,
sendo diferente de relatar, pois isto é uma troca involuntária de informações. O
compartilhar implica em vontade.
Para Nonaka e Takeuchi (1977, p. 8):
Compartilhar a mesma compreensão a respeito do que a empresa
representa, que rumo está tomando, em que tipo de mundo quer viver, e
como transformar esse mundo em realidade torna-se muito mais
importante do que processar informações subjetivas.

Compartilhar, para Rossato (2003, p.14):
é a categoria que agrupa as ações relacionadas à socialização, as quais
objetiva, estimulam, facilitam ou proporcionam a troca de conhecimento
tácito entre os indivíduos”. Segundo a mesma autora “esses indivíduos e
seus conhecimentos, competências, habilidades, experiências e rede
social constituem o capital intelectual.

Nesse contexto, as organizações buscam conhecimento e, como bem
colocam Costa e Castro (2004)
Essa busca das organizações pelo conhecimento, como fonte de recurso
inesgotável, traz à tona a necessidade de gerenciar informações para
subsidiar a criação de conhecimentos, bem como de gerenciar os
ambientes para criação e compartilhamento deste bem intangível, chave
para a inovação e para a obtenção de um diferencial competitivo.

Portanto, podemos dizer que a biblioteca é uma organização do
conhecimento, uma vez que reúne, processa e disponibiliza informações,

4

�permitindo seu acesso e uso de forma que possibilita a geração de
conhecimentos.
Para Duarte e Silva (2004) “ao buscarem o desempenho, preservação e a
disseminação do conhecimento, a universidade e a biblioteca voltam-se para as
necessidades educacionais, culturais, científicas e tecnológicas do país,
esperando que a sociedade agregue valor à informações, compartilhem idéias e
produzam novos conhecimentos.”
Desde seus primórdios a biblioteca dissemina informação, uma vez que os
usuários utilizavam-se dos acervos nela armazenados. Em 1876, pela primeira
vez, fez-se alusão ao termo “auxílio aos leitores”, sendo percebido que estes
precisavam de auxílio para usar o acervo. Dessa forma, estabeleceu-se, naquele
ano, os princípios do que hoje conhecemos como serviço de referência, sendo
esse serviço o maior responsável pelo compartilhamento e disseminação das
informações que permitirão a geração e produção do conhecimento.
A disseminação da informação, em termos gerais, é definida por Barros
(2003, p. 56)
como divulgação ou propagação, quando ela se associa e se
complementa com informação – apresentando-se como disseminação da
informação, especificamente – passa a relacionar-se com dados,
informes, notícia, envolvendo conhecimento. [...] disseminação é ao
mesmo tempo, processo e ação, definida por atividades, serviços e
produtos informacionais, abrangendo tanto aqueles considerados
tradicionais ou conservadores quanto os mais atuais e/ou inovadores.

Dentre as várias atividades que compõem o serviço de referência temos a
disseminação da informação que é composta pela disseminação seletiva da
informação (DSI) e o serviço de alerta, o qual pode se dar através da publicação
de

sumários

correntes,

boletins

informativos,

circulação

automática

de

publicações etc.
Nesse sentido, Barros (2003, p.57) escreve que “ligadas à disseminação da
informação, podem ser referidas algumas atividades disseminativas importantes e
bem recebidas em diversas áreas, em diferentes unidades de informação em

5

�torno delas, destacam-se os serviços de alerta e a disseminação seletiva da
informação.”
Macedo (1990, p. 17) escreve que alerta e disseminação da informação
“tem em vista a atualização do usuário.” A autora continua
o bibliotecário tem que encontrar mecanismos de atração aos membros
da comunidade para que conheçam a biblioteca, ver o que ela possui,
como ela funciona, bem como, usando mídias, ir até a comunidade
mostrando que a informação existe para sua satisfação.

O alerta, para a mesma autora, engloba: murais com notícias de eventos
locais e externos; estantes para exibição de itens novos; sumários de periódicos
correntes, que são as transcrições de sumários de revistas para serem enviados
aos usuários. (MACEDO, 1990, p. 17-18)

Dada a importância da disseminação da informação e, como os sumários
de periódicos correntes são uma forma de disseminação, as bibliotecas da
Faculdade de Educação (FE) e do Centro de Lógica, Epistemologia e História da
Ciência (CLE) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) sentiram
necessidade de oferecer esse produto à sua comunidade de forma a compartilhar
as informações armazenadas nas bibliotecas, contribuindo para a produção do
conhecimento. Relatamos a seguir as experiências das bibliotecas.

3.1 SUMÁRIOS CORRENTES: INSTRUMENTO DE PESQUISA ON-LINE
3.1.1 Biblioteca da Faculdade de Educação
Inicialmente os sumários de periódicos correntes da Biblioteca Prof. Joel
Martins da Faculdade de Educação da UNICAMP (BFE) eram realizados de forma
artesanal, precisamente com uma montagem de um computador, um scanner e o
software para digitalização.
Como recursos humanos, tivemos para a realização deste serviço, que
logo se transformou em um produto da BFE, um funcionário que operava com
informática, mas como não se adaptou e foi providenciado em seu lugar um

6

�bolsista trabalho que realizava esta atividade no tempo de três horas por dia.
(SANTOS; PASSOS, 2000).
Os arquivos eram convertidos no formato JPG e inserido em texto para
abertura em link na plataforma HTML, conforme pode ser observado na figura 1.

Figura 1 – Site dos sumários correntes de periódicos on-line da FE anterior
Com a saída do bolsista responsável por esta atividade, os sumários
deixaram de ser compilados e teve sua interrupção no volume 12, número 6 de
2002.
Atualmente, com as possibilidades de gerenciamento de documentos em
novos formatos, como no caso PDF, achou-se necessário dar continuidade aos
sumários correntes em nova plataforma e com uma nova roupagem.
Verificando que o Open Journal System (OJS)/Sistema de Editoração
Eletrônica de Revistas (SEER), possibilita esta integração de publicação, seja ela
revista ou, em formato de sumários, optou-se na organização e continuidade dos
sumários correntes neste software, facilitando assim, a abrangência da área de
educação com os sumários nos respectivos indexadores e buscadores, tais como
Google, Altavista, etc, que destacam os sumários nas suas devidas áreas de
conhecimento.
7

�Enfatizando que o OJS/SEER, como software gratuito de gerenciamento de
publicações periódicas científicas, Márdero Aurellano, Ferreira e Caregnato (2005,
p.220) comentam que o software:
[...] apresenta inúmeras vantagens para o gerenciamento de periódicos
eletrônicos e a divulgação de artigos, em relação aos demais, ao permitir
completa autonomia na tomada de decisões sobre o fluxo editorial, a
publicação e o acesso por parte do editor. É este quem define as etapas
do processo editorial, seguindo a política definida pela revista, mas
dispondo de assistência e registro on-line em todas as fases do sistema
de gerenciamento. No que se refere ao autor, possibilita espaço para
comunicação com o editor e ao autor, possibilita espaço para
comunicação com o editor e também permite o acompanhamento da
avaliação e editoração do seu trabalho.

A seguir, destacamos na figura 2, a tela inicial do novo formato dos
sumários correntes da BFE com a plataforma OJS/SEER.

Figura 2 – Site dos sumários correntes de periódicos on-line da FE atual

3.1.2 Biblioteca do Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência
Os sumários correntes de periódicos do Centro de Lógica, Epistemologia e
História da Ciência (CLE) tiveram início em 1999. Até o ano de 2004, os sumários
eram digitalizados no formato de texto, usando o OCR que acompanha o scanner.
8

�Isso para facilitar o acesso do usuário, uma vez que se fosse digitalizado em
formato JPG a página demoraria em ser carregada, devido à capacidade do
servidor. Como digitalizar no formato de texto estava muito trabalhoso, pois vários
caracteres sofriam modificações sendo necessário corrigi-los e por não dispormos
de pessoal dedicado exclusivamente à elaboração dos sumários, o serviço foi
interrompido durante o ano de 2005, até que novo hardware fosse adquirido e
efetuássemos estudos de qual formato adotar ao digitalizar os sumários, de modo
a não demorar em carregar a página, bem como não ocupar muito espaço no
equipamento disponível.
Pela figura 3, podemos observar o formato dos sumários correntes da
biblioteca do CLE.

Figura 3 – Site dos sumários correntes de periódicos on-line do CLE

A partir do segundo semestre de 2006, os sumários são digitalizados em
PDF com a finalidade de manter o formato original dos periódicos. Estamos
estudando a plataforma SEER para editar os futuros números dos sumários
correntes.

9

�4 COMPARTILHANDO A INFORMAÇÃO COM OS USUÁRIOS

No início da disponibilização do produto, observamos um aumento na
consulta e empréstimo de periódicos. Muitos usuários chegavam às bibliotecas
comentando sobre o produto e muitas vezes diziam que não sabiam da existência
de determinado periódico na biblioteca, só tomando conhecimento por meio dos
sumários correntes.
Com o passar dos anos e devido à falta de pessoal, o produto foi
interrompido. Com a finalidade de reiniciar o serviço, fizemos uma pesquisa para
verificar a aceitação e importância dos sumários de periódicos correntes junto aos
usuários das duas bibliotecas.
Por se tratar de uma pesquisa exploratória, enviamos, aleatoriamente e por
e-mail, um questionário aos usuários das bibliotecas da FE e do CLE, com as
seguintes perguntas:
1.Você tem conhecimento do produto/serviço?
2. Você considera o produto/serviço importante?
3. De que forma o produto/serviço contribui para suas atividades de pesquisa e
docência?
4. Você tem alguma sugestão para melhoria do produto/serviço?

A análise dos resultados da aplicação do questionário foi feita baseada nos
pressupostos da pesquisa qualitativa a qual
[...] trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças,
valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das
relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à
operacionalização de variáveis. (MINAYO, 1997, p. 21).

Bogdan e Biklen (1994, p. 11) entendem a pesquisa qualitativa como uma
investigação que “enfatiza a descrição, a indução, a teoria fundamentada e o
estudo das percepções pessoais.”

10

�Assim, procuramos deixar os usuários livres para responderem às
perguntas, o que nos facilitou para verificarmos suas percepções pessoais e os
sujeitos puderam colocar suas experiências quanto aos sumários correntes.

4.1 Resultado sobre o grau de satisfação
Alguns usuários desconheciam o produto, só tomando conhecimento
quando enviamos o questionário para efetuarmos a pesquisa. Quando
perguntados se o produto é importante, todos os usuários, até aqueles que não
conheciam o produto, foram da opinião de que o mesmo é importante. Como
podemos observar por algumas respostas:
“Acho que é fundamental, principalmente porque fazemos, o tempo todo,
pesquisas sobre produção científica.”
“Sim, é relevante para os docentes e alunos de pós-graduação, pois coloca
imediatamente a informação ao seu alcance...”
Um dos usuários, mesmo com o Portal da Capes1, respondeu que o
produto continua sendo importante, uma vez que o serviço atende “aos usuários
da biblioteca que não tenham acesso aos textos completos e sumários ou aos
sites das publicações (e no caso das publicações ainda fora da internet).”
Em relação à contribuição que os sumários correntes trazem para as
atividades de pesquisa e docência, os usuários foram unânimes ao afirmarem que
o produto contribui de forma significativa para suas atividades, mesmo para
aqueles que desconheciam o produto, como verificamos por algumas respostas:
“A partir de agora, posso indicá-lo para os meus alunos e também me valer
dele como fonte bibliográfica, o que economiza tempo. Ainda mais pela
qualidade dos periódicos elencados.”
“Quando cobre a minha área de pesquisa, é bastante relevante, pois tomo
conhecimento das publicações relevantes.”

1

Para acessar o Portal da Capes: &lt; http://www.periodicos.capes.gov.br/portugues/index.jsp&gt;.

11

�“Acho positivo saber as novidades da biblioteca.”
Alguns usuários sugeriram melhorias nos sumários correntes, sendo duas
delas muito importantes: a inclusão de links apontando para o site de cada
periódico e a busca por palavras-chave. Um usuário sugeriu um serviço mais
personalizado que seria o envio de “um guia dos periódicos existentes por área.”
Com essa sugestão, verificamos que os usuários sentem a necessidade de uma
disseminação seletiva da informação.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Sem dúvida nenhuma os sumários de periódicos correntes on-line é um
produto que dissemina rapidamente a informação, possibilitando o acesso ao
documento que interessa ao usuário. Ele constitui um serviço de alerta que
possibilita o compartilhamento de informações e desse modo contribui para a
geração e produção do conhecimento.
Apesar da suposta independência dos usuários na busca pela informação,
percebemos que eles gostam de receber as informações do que existe na sua
área de atuação, isso contribui significativamente para suas atividades de
pesquisa. Dessa forma, é importante que a biblioteca se antecipe às
necessidades de seus usuários, compartilhando a informação de modo que novos
conhecimentos sejam gerados.
O serviço de alerta mantido pelas duas bibliotecas, através da publicação
dos sumários de periódicos correntes on-line, deve continuar a ser oferecido,
procurando

um

aprimoramento

seguindo

as

sugestões

dos

usuários.

Recomendamos que outras bibliotecas adotem o serviço, quiçá criando uma rede
de bibliotecas na área de humanas que ofereçam esse tipo de produto.
Além do mais, o gerenciamento dos sumários, através do OJS/SEER
facilitará muito na organização do serviço de digitalização dos sumários correntes
em relação aos sumários disponíveis hoje simplesmente no formato HTML.
O software proporciona justamente o que queremos passar neste artigo, a
gestão do conhecimento por meio de uma ferramenta que poderá unir
12

�futuramente os sumários correntes das demais bibliotecas de Humanidades,
favorecendo sempre o acesso à informação por parte do usuário.

REFERÊNCIAS

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NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 13., 2004, Natal. Anais...
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14

�</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Publisher</name>
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                <text>No mundo globalizado em que vivemos, a informação é de fundamental importância para a geração de novos conhecimentos e desenvolvimento da sociedade, sendo necessária à difusão e compartilhamento dessas informações. Para muitos autores o conhecimento é a fonte de poder e a chave para a futura mudança de poder. Porém, essa máxima tem mudado, a definição de que conhecimento é poder, transformou-se em compartilhar o conhecimento é poder. Por essa definição de conhecimento, pode-se constatar que uma unidade de informação, bem como os produtos gerados por ela, são fontes riquíssimas que contêm conhecimento permitindo que as organizações façam uso do mesmo, de modo a transformá-lo, transmitindo e gerando novos conhecimentos. Desse modo, toda fonte de informação disponibilizada e compartilhada contribuirá para o processo de geração do conhecimento, permitindo a troca de conhecimento entre os indivíduos. Assim, o presente trabalho tem por objetivo demonstrar como a gestão do conhecimento está presente em uma unidade de informação, relatando a experiência das bibliotecas da Faculdade de Educação e do Centro de Lógica, Epistemologia na elaboração dos sumários correntes on-line de periódicos como forma de compartilhar a informação entre os usuários dessas bibliotecas, de modo a facilitar as pesquisas desenvolvidas, contribuindo para a geração de novos conhecimentos.</text>
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                    <text>A IMPORTÂNCIA DA AUTONOMIA NA BUSCA DA CAPACITAÇÃO
PROFISSIONAL
Kátia M. de Andrade Ferraz ∗
Thais Cristiane Campos de Moraes∗∗
Sandra H.M.G. Ribeiro dos Santos∗∗∗

RESUMO
O Programa de Educação que está em implantação na Divisão de Bibliotecas e
Documentação - ESALQ/USP que tem como objetivo valorizar o ser humano,
estimular o desenvolvimento pessoal e profissional de seus funcionários e norteia
os seus colaboradores no “Conceito DIBD” referente à autonomia que cada
individuo pode ter na busca de sua capacitação e qualificação. Com uma
metodologia própria para a transferência desse conceito, cuja essência parte do
interior de cada um, apresenta uma dinâmica de grupo diferenciada com a
participação de todos os funcionários, de modo que a idéia seja disseminada de
forma agradável e ao mesmo tempo consistente. A elaboração de um gibi
ilustrado, denominado “Motorista de seu próprio destino”, cuja história tem como
cenário a biblioteca universitária, é a etapa inicial para a conscientização da
importância da autonomia na vida profissional. O tema requer a utilização de
recursos que estimulem a auto-reflexão em relação à postura profissional, aos
paradigmas existentes e às novas concepções que atualmente se impõem aos
profissionais da informação. A idéia de assumir iniciativas, ir além das suas
atribuições, gerenciar situações atípicas no trabalho, ser responsável pelo seu
desenvolvimento e capacitação, é condição essencial na busca da qualificação
dos funcionários da DIBD.
PALAVRAS-CHAVE: Programa de educação – Profissional da informação.
Motivação. Autonomia. Metodologia.

1 INTRODUÇÃO
O Programa de Educação que está em implantação na Divisão de Bibliotecas e
Documentação - ESALQ/USP que tem como objetivo valorizar o ser humano,
estimular o desenvolvimento pessoal e profissional de seus funcionários e norteia
∗

Bibliotecária chefe da Seção de Circulação e Empréstimo, Divisão de Biblioteca e Documentação - ESALQ/USP, Caixa
Postal 9, Piracicaba, SP, Brasil - kmaferra@esalq.usp.br
∗∗
Analista de Sistema – Técnica de Documentação e Informação, Divisão de Biblioteca e Documentação - ESALQ/USP,
Caixa Postal 9, Piracicaba, SP, Brasil - tcmoraes@esalq.usp.br
∗∗∗
Diretora Técnica de Serviço, Divisão de Biblioteca e Documentação - ESALQ/USP, Caixa Postal 9, Piracicaba, SP, Brasil
- shmgrsan@esalq.usp.br

1

�os seus colaboradores no “Conceito DIBD” referente à autonomia que cada
indivíduo pode ter na busca de sua capacitação e qualificação.
A autonomia profissional permite ao indivíduo tomar as melhores decisões frente
às dificuldades, gerenciar as suas atividades e assumir as responsabilidades pelos
resultados de suas atitudes e por sua atuação no processo de trabalho.
A capacitação e a qualificação no mercado de trabalho atual são indispensáveis à
gestão de recursos humanos no processo de aprendizagem organizacional,
considerando o aumento da qualidade e produtividade das atividades, sendo,
inclusive, um fator de satisfação do empregado (GONÇALVES, 2006).
A qualificação, juntamente com o treinamento, permite que o indivíduo se
conscientize cada vez mais da importância de seu papel dentro das organizações.
Assim, o investimento e o estímulo à capacitação, através de um ambiente para a
expressão individual dos funcionários, indubitavelmente, irão refletir positivamente
na instituição.
As organizações são dependentes das inovações e melhorias em seus sistemas e
produtos, e estas dependem da criatividade das pessoas (ANDRIANI, 2004).
Dentre os módulos abordados nos treinamentos da DIBD, destacou-se o
“Motorista do Destino”, que atendeu perfeitamente à idéia de estimular a equipe de
trabalho na busca do desenvolvimento de habilidades, na atualização dos
conhecimentos, na qualificação e conseqüentemente no crescimento pessoal e
profissional que determina o melhor desempenho e a competência do indivíduo.
De acordo com Andriani (2004), para ser “Motorista do Destino” o indivíduo
necessita assumir a direção de sua vida, e não delegá-la para a empresa, visando
seu desenvolvimento e ampliando a sua empregabilidade. Com isso, ele incorpora
ao seu patrimônio profissional o máximo de aprendizado, aliando a teoria à prática
(ANDRIANI, 2000).

2

�O indivíduo deve ser conscientizado de que a sua capacitação é condição
essencial para a construção de seu futuro, possibilitando maiores oportunidades,
valorização, reconhecimento profissional e, conseqüentemente, o sucesso.

2 TREINAMENTO
O treinamento teve caráter educativo, visto que englobou atividades de
aprendizado e educação.
A idéia foi proporcionar aos participantes maior consciência quanto ao uso de suas
vontades, à importância de estabelecer projetos de vida, à utilização de seu
potencial e de sua criatividade na vida pessoal e profissional.
Como afirma Machado (2006), “o segredo do sucesso é a constância ao objetivo,
ao projeto, ao plano que foi traçado para ser transformado em resultados”.

2.1 Metodologia
A metodologia foi definida tendo como parâmetro a motivação, pois, conforme
descreve Carvalho (2001), a assimilação de um determinado assunto é mais
eficiente e interessante quando os participantes sentem-se motivados em seu
aprendizado.
A reflexão desempenha um papel fundamental de provocar mudanças nas ações
individuais. De acordo com Ribeiro (2004), as reflexões contribuem para rupturas
de valores do ambiente organizacional, das pessoas, das atividades e do uso de
técnicas que se interagem, resultando em um processo contínuo de aprendizagem
do ser humano.

3

�O tema exigiu uma metodologia direcionada para a auto-reflexão, cuja mudança
individual e institucional de paradigmas é condição essencial para que os
participantes assumam uma postura de autonomia em relação ao seu
desenvolvimento.
O conteúdo do tema, por ser de âmbito comportamental, enfatizou as relações e a
postura do indivíduo no processo de aprendizagem. Dentre elas: a criatividade, a
autonomia, a ação reflexiva e crítica, a espontaneidade e a flexibilidade, de modo
que fizessem parte da reflexão sugerida na dinâmica do treinamento. Nos
objetivos instrucionais, foi importante destacar as atitudes a serem revistas e
modificadas.
As organizações que antes proporcionavam treinamentos aos seus funcionários,
considerando o homem um ser passivo, mais tarde, o homem como um recurso,
atualmente mudaram a sua concepção, enxergando o homem como uma pessoa
(Gonçalves, 2006).
Para a definição da metodologia, algumas questões sugeridas por Macian1 (1987)
apud Gonçalves (2006) foram consideradas. Dentre elas:
a) Por que treinar?
O mundo atual é caracterizado por mudanças, o que intensificou a velocidade e a
busca de conhecimentos na competitividade das organizações. Para tanto, a
aprendizagem tem um papel fundamental para o crescimento das instituições.
b) Em que treinar?
As organizações devem investir em treinamentos e na conscientização de seus
funcionários, enfatizar a importância do aprendizado para o mundo atual e
ressaltar que para aprender, o indivíduo deve estar interessado em aprender.
Estimular o aprendizado, propiciando um ambiente capaz de aumentar a
1

MACIAN, L.M. Treinamento e desenvolvimento de recursos humanos. São Paulo: EPU,
1987

4

�criatividade e a vontade na busca da capacitação, foi considerado de extrema
importância para a DIBD.
c) A quem treinar?
Toda a equipe da DIBD participou efetivamente.

2.2 Dinâmica
De acordo com Carvalho (2001), “o método de trabalho em grupo constitui uma
série de atividades envolvendo um determinado número de aprendizes, as quais,
sob determinadas condições, produzem resultados em resposta aos problemas
que lhe são encaminhados pelo processo de treinamento”.
Considerando esta afirmação, a participação de toda a equipe da DIBD seria
fundamental para o sucesso do treinamento. Desta forma, convites (Figura 1)
foram elaborados para estimular a presença dos colegas.

Figura 1 - Convite para o treinamento

No início do treinamento, marcadores de livros e mensagens referentes ao tema
(Figura 2 e 3) foram distribuídos aos participantes de modo a enfatizar a idéia
proposta. As mensagens foram sinalizadas com cores diversas, utilizadas

5

�posteriormente para a formação dos grupos de trabalhos, facilitando, assim, a
integração das equipes, independente da área de atuação.

Figura 2 - Marcador de livro

Figura 3 - Mensagem

Para motivação e envolvimento dos participantes na dinâmica do treinamento, foi
utilizada a técnica de “Brainstorming”, que significa “tempestade de idéias”,
definida por Carvalho (2001) como uma técnica criativa de treinamento em grupo,
visando selecionar questões ligadas ao processo de formação profissional. Esta
técnica possibilitou, ao instrutor, apreender o conhecimento ou idéia que cada
participante imaginava sobre o termo “Motorista de seu próprio destino”, que foi
lançado como tema para a discussão. O termo foi escrito na lousa e os grupos
tiveram alguns minutos para refletirem sobre o assunto, registrando através de
uma frase a idéia final da equipe, o que tornou possível agregar ao envolvimento
de todos a ênfase ao conceito da autonomia na busca da capacitação.
Para a transferência do conceito, no treinamento dos grupos, foi adotado um gibi
(Figura 4) elaborado pela equipe do Programa de Educação da DIBD, que teve
como referencial o material didático da Empresa de Consultoria Diagrama, no que
se refere ao formato e conteúdo, porém com adaptações pertinentes ao ambiente
de uma biblioteca universitária.

6

�Figura 4 - Gibi – Seja motorista de seu próprio destino

O material didático foi aplicado durante a dinâmica do treinamento e contou com o
apoio de alguns participantes. Os personagens do gibi possuíam características
opostas. Enquanto um enfatizava a postura autônoma e pró-ativa, o outro
demonstrava apatia e desânimo. A representação do gibi por alguns integrantes
do treinamento foi intercalada por um narrador que fazia a leitura do conceito do
“Motorista do próprio destino”.
Um banner (Figura 5) foi elaborado visando a assimilação dos paradigmas através
do estímulo visual, atraindo a atenção dos participantes e comunicando-lhe
imediatamente a idéia desejada. A sua apresentação foi realizada por um dos
integrantes do treinamento, o que valorizou ainda mais a dinâmica.

7

�Figura 5 - Banner

Para estímulo à auto-reflexão, uma planilha denominada “Projeto pessoal” foi
utilizada como exercício individual (Figura 6). Nesta planilha, os participantes
fizeram uma projeção de suas vidas. Após o exercício, estas planilhas foram
recolhidas pelo instrutor e guardadas, para serem entregues após doze meses, de
modo que os participantes pudessem avaliar os seus projetos e as suas
realizações no campo pessoal.

Figura 6 - Planilha pessoal

Posteriormente, esta planilha foi substituída por outra, denominada “Projeto
profissional” (Figura 7), que foi facilmente assimilada, devido ao exercício anterior.

8

�Este novo modelo serve de estímulo aos projetos profissionais de cada pessoa,
podendo ser aplicada no ambiente de trabalho, a exemplo de alguns setores da
biblioteca. Os participantes poderiam programar suas decisões a curto e médio
prazo, baseadas em sua experiência pessoal e em seus valores. Esta ferramenta
oferece oportunidades para planejamentos e perspectivas profissionais na área de
atuação, definidas pela própria pessoa que gerencia a rotina do trabalho, com o
apoio de sua chefia.

Figura 7 - Planilha – Projeto profissional

Após os exercícios, mensagens foram divulgadas através do datashow,
proporcionando um momento para reflexão e entendimento, com uma breve
revisão sobre o conteúdo do treinamento.

2.3 Instrutor
Para o treinamento dos funcionários, alguns itens foram cuidadosamente
considerados pelo instrutor:
• Exposição das vantagens efetivas do Programa de Educação, que tem como
meta a capacitação dos funcionários. Dentre elas: novos conhecimentos, novas

9

�habilidades, possibilidade de valorização e reconhecimento profissional,
aumento da qualidade do trabalho desenvolvido e oportunidade na carreira;
• Explanação clara sobre o objetivo do treinamento;
• Recursos audiovisuais, por serem excelentes auxiliares da exposição verbal;
• Material didático adequado à dinâmica do treinamento.
O instrutor seguiu o seguinte roteiro:
• Entrega de mensagens (para reflexão) com lacres coloridos (utilizados para a
formação dos grupos por cores)
• Apresentação do material didático: “Programa de Educação: seja motorista de
seu próprio destino”;
• Explanação ao grupo sobre a dinâmica do treinamento;
• Desenvolvimento de atividade em grupo: “brainstorming”, extraindo conceitos
referentes ao tema proposto: “Motorista do destino X Autonomia”, com anotação
das idéias no quadro;
• Apresentação de banner;
• Participação ativa de alguns colaboradores durante o evento;
• Representação da história contada no material didático;
• Desenvolvimento de atividade individual, para reflexão e planejamento pessoal,
como exercício para o planejamento profissional;
• Breve explanação sobre o Programa de Educação, com a exposição de alguns
slides intercalados à palestra;
• Exposição do modelo proposto no Programa de Educação como estímulo a
autonomia: “Motorista do Destino - Projeto Profissional”;
• Distribuição do questionário de avaliação do treinamento;
• Distribuição da Folha de verificação (comprovante de participação).

10

�2.4 Avaliação
A avaliação evidenciou os resultados referentes ao conteúdo, à exposição do
treinamento, ao comportamento dos participantes e ao aprendizado propriamente
dito.
Através da aplicação de um questionário (Figura 8) distribuído no final do
treinamento, foi possível verificar a receptividade dos participantes quanto ao
desenvolvimento da atividade, em relação ao conteúdo, à explanação do tema, à
postura do instrutor, ao tempo e aos recursos utilizados na metodologia.

Figura 8 - Questionário de avaliação do treinamento

A utilização da técnica de Brainstorming possibilitou a avaliação da aprendizagem
no decorrer do treinamento.
A avaliação do comportamento dos participantes, que normalmente ocorre através
de depoimentos, aconteceu naturalmente, na forma de elogios e de palavras de
estímulo recebidos pela equipe do “Programa de educação”. Considerações
descritas no item “comentários” do questionário de avaliação do treinamento,
reforçaram esta afirmação.

11

�3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
As atividades do treinamento visaram a transferência do conhecimento e das
informações para a consciência profissional, através de um ambiente criativo para
a motivação dos participantes e para a assimilação do conceito, e esse objetivo foi
alcançado com sucesso.
A

participação

dos

funcionários

durante

a

dinâmica

possibilitou

maior

envolvimento e interação do grupo e uma aprendizagem ativa. A sua eficácia foi
garantida pelo número de participantes e pelo dinamismo do treinamento,
considerando que situações estáticas não atenderiam às expectativas do tema.
A dinâmica proporcionou maior integração da equipe, independente das afinidades
pessoais, um envolvimento considerável e a satisfação dos participantes, cujo
momento vivenciado de maneira adequada evidenciou harmonia nas relações
interpessoais, que contribui para o desempenho das atividades compartilhadas no
ambiente de trabalho.
A comunicação entre instrutor e participantes foi facilitada e a mensagem foi
transmitida com sucesso, devido à diversidade de recursos utilizados na dinâmica
do treinamento, independente da heterogeneidade da equipe.
Os instrutores tiveram como responsabilidade conscientizar os participantes da
importância do assunto: a autonomia na busca da capacitação. A postura
adequada e positiva do instrutor foi condição essencial para que este objetivo
fosse alcançado.
Os resultados evidenciaram os efeitos do treinamento para os participantes e para
a organização, através de indicadores pontuais, como descrito no item anterior.
A assimilação do conceito pode ser comprovada através da participação dos
funcionários em cursos e treinamentos registrados no sistema de informação da
DIBD.

12

�4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A expectativa da DIBD, com a implantação deste Programa, é que cada
colaborador busque o seu desenvolvimento, tenha acesso aos novos conceitos e
paradigmas e reestruture o ambiente de trabalho, tornando-o mais humanizado,
menos paternalista.
Um dos desafios deste treinamento foi reforçar comportamentos positivos que
favoreçam o crescimento profissional e reestruturar conceitos já aprendidos e que
se tornaram maus hábitos dentro do ambiente da organização.
A DIBD vem trabalhando sistematicamente no desenvolvimento de sua equipe, na
valorização do ser humano e na disseminação do conceito de aprendizagem
contínua do indivíduo, uma vez que esta é a via pela qual se beneficia para
alcançar seus objetivos e metas, formuladas nas suas estratégias, na missão e na
visão.

ABSTRACT
Education Program at the present in implementation at the Division of Library and
Documentation - ESALQ/USP has the objective to valorize the human being,
stimulate the personal and professional development of collaborators and to
provide knowledge of the DIBD concept, looking forward the independence of each
collaborator concerning to the qualification and capability to realize their work. The
program has a particular methodology of teaching the DIBD concept based on
capture of each collaborator background and further application of a particular
group dynamic with the participation of every one in a group, in order to
disseminate the idea in a pleasant way and at the same time work properly.
Elaboration of an illustrated magazine called “Driver of his own destiny”, which
story has as scenery an university library, is a initial step to the awareness of the
importance of the independence in a professional life. This subject requires the use
of resources which stimulate a self reflection related to professional posture, to the
actual paradigms and learn new concepts that nowadays are imposed to the
information professionals. Idea of assuming initiative, going beyond attributions,
managing atypical situations at work, be responsible for the own development and
capability is the main condition to the qualification objective of the DIBD
collaborators.

13

�Keywords: Education Program – Professional of Information. Motivation.
Autonomy. Methodology

REFERÊNCIAS
ANDRIANI, C.S. Programa de educação e desenvolvimento pessoal. São
Paulo: COMMIT Comunicação e Marketing, 2000. 128p.
ANDRIANI, C.S. Gestão sistêmica com base nos valores humanos.
Campinas: Dialivros, 2004. 175p.
CARVALHO, A.V. Treinamento: princípios, métodos e técnicas. São Paulo:
Pioneira, 2001. 128p.
GONÇALVES, P.M. O psicólogo nas organizações de treinamento. Disponível
em: &lt;http://www.psicologia.com.pt&gt;. Acesso em: 15 jul. 2006
MACHADO, L. E o seu projeto de vida? Disponível em:
&lt;http://www.cidadedocerebro.com.br&gt;. Acesso em 05 jul. 2006
RIBEIRO, R.M.R. Motivação dos recursos humanos em bibliotecas universitárias.
Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, v. 2, n. 1, p. 7179, jul./dez.2004.

14

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>Ferraz, Kátia M. de Andrade; Moraes, Thais Cristiane C. de; Santos, Sandra H. M. G. Ribeiro dos</text>
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                <text>O Programa de Educação que está em implantação na Divisão de Bibliotecas e Documentação - ESALQ/USP que tem como objetivo valorizar o ser humano, estimular o desenvolvimento pessoal e profissional de seus funcionários e norteia os seus colaboradores no “Conceito DIBD” referente à autonomia que cada individuo pode ter na busca de sua capacitação e qualificação. Com uma metodologia própria para a transferência desse conceito, cuja essência parte do interior de cada um, apresenta uma dinâmica de grupo diferenciada com a participação de todos os funcionários, de modo que a idéia seja disseminada de forma agradável e ao mesmo tempo consistente. A elaboração de um gibi ilustrado, denominado “Motorista de seu próprio destino”, cuja história tem como cenário a biblioteca universitária, é a etapa inicial para a conscientização da importância da autonomia na vida profissional. O tema requer a utilização de recursos que estimulem a auto-reflexão em relação à postura profissional, aos paradigmas existentes e às novas concepções que atualmente se impõem aos profissionais da informação. A idéia de assumir iniciativas, ir além das suas atribuições, gerenciar situações atípicas no trabalho, ser responsável pelo seu desenvolvimento e capacitação, é condição essencial na busca da qualificação dos funcionários da DIBD.</text>
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                    <text>A IMPORTÂNCIA DA MEDIAÇÃO HUMANA NA CAPACITAÇÃO DE
USUÁRIOS DIANTE DA TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO:
O CASO DO SERVIÇO DE BIBLIOTECA E INFORMAÇÃO DO INSTITUTO DE
QUÍMICA DE SÃO CARLOS-SBI/IQSC
Clélia Junko Kinzú Dimário (1)
Eliana de Cássia Aquareli Cordeiro (2)
Sonia Alves (3)
Vitoria Atra Gonçalves (4)
Resumo: Os profissionais bibliotecários que lidam com a informação como
atividade finalística encontram-se, mais que nunca desafiados a inovar, mudar
sempre a forma de trabalhar tendo como foco principal o usuário. Novos papéis
devem ser assumidos por esses profissionais, atitudes que sejam compatíveis
com os novos paradigmas da informação. A velocidade, a aplicação das
tecnologias e as diversas ferramentas disponíveis hoje em dia são inúmeras, e
perguntamos: qual a melhor mediação a ser utilizada? Qual o melhor meio e o
mais eficaz de se transmitir todas estas informações para o usuário? Baseado
nisso, o presente estudo relata a experiência do SBI/IQSC de capacitação
oferecida aos usuários da graduação. Descreve os suportes utilizados na
capacitação de usuários mediada pelos meios da tecnologia da informação e
comunicação através do bibliotecário. Conclui-se que a mediação humana é
imprescindível no primeiro contato com o usuário, pois não adianta a tecnologia
da informação e comunicação se não houver a interação do bibliotecário com o
usuário, pois sem a parte humana o treinamento inexiste. Destaca-se que o mais
importante nessa mediação é o cuidado e atenção que é dispensado a cada
usuário a partir do primeiro momento em que ele é apresentado à biblioteca.

Palavras-chave: Capacitação de usuários. Mediação humana-capacitação.
Novas tecnologias de informação-metodologia.
(1)

Bibliotecária do Serviço de Biblioteca e Informação do Instituto de Química de São Carlos (USP). Discente
do curso de MBA em Gestão de Pessoas - UNICEP - São Carlos-SP- clelia@iqsc.usp.br
(2)
Bibliotecária do Serviço de Biblioteca e Informação do Instituto de Química de São Carlos (USP). Discente
do curso de MBA em Gestão de Unidades de Informação - UNICEP - São Carlos-SP eliana@iqsc.usp.br
(3)
Bibliotecária do Serviço de Biblioteca e Informação do Instituto de Química de São Carlos (USP)
sonia@iqsc.usp.br
(4)
Bibliotecária do Serviço de Biblioteca e Informação do Instituto de Química de São Carlos (USP).
vitória@iqsc.usp.br

�1 - Introdução

Com o crescente processo de informatização da sociedade, as bibliotecas,
que são instituições que trabalham com a disseminação e com o registro da
informação, precisam mudar a imagem de “depósito de fontes de informação”
para a filosofia de “acesso à informação”, independente do suporte que estejam
disponíveis essas informações, pois estamos passando por uma transformação
em todas as áreas da sociedade, através do impacto das Tecnologias da
Informação e Comunicação-TICs.

Os impactos das TICs são percebidos pelos bibliotecários em todos os
serviços de uma biblioteca como: no processamento técnico, no serviço de
referência e na administração da biblioteca. E em todos os momentos, o
computador e a Internet são os principais recursos que o usuário pode acessar.

Segundo Soares (2006) com a Internet, a comunicação evoluiu para um
modelo multilateral, pluridirecional e atemporal, de muitos para muitos, não há
restrições de espaço e tempo. A comunicação passa de um modelo horizontal
para um modelo de teia que significa o símbolo da própria Web.

Para tanto é necessário que a biblioteca inove em serviços e produtos e
que viabilize o acesso às fontes de informação on-line. Para isso, há necessidade
de capacitar os seus usuários para interagirem com essas fontes, e utilizar as
TICs na criação, disseminação e armazenamento de uma grande quantidade de
informações, no entanto, as TICs não possuem valor por si mesmas, somente
quando transformam-se em conhecimento.

Baseado nisso, pretende-se nesse breve relato demonstrar a necessidade
do profissional bibliotecário de referência, no caso das bibliotecas de instituições
de ensino superior, em assumir a responsabilidade na mediação e acesso às
informações aos usuários. De acordo com Soares (2006) “toda a tecnologia será
inútil se estiver em mãos de pessoas que não se disponham a compartilharem o

�que sabem, a aprenderem de outras o que não sabem, independentemente de
posições, hierarquias e graus acadêmicos”.

2 - A biblioteca universitária e os programas educativos
Educar é colaborar para que professores e alunos nas escolas e
organizações transformem suas vidas em processos permanentes
de aprendizagem. É ajudar os alunos na construção da sua
identidade, do seu caminho pessoal, profissional e do seu projeto
de vida, no desenvolvimento das habilidades de compreensão,
emoção e comunicação que lhes permitam encontrar seus
espaços pessoais, sociais e de trabalho e tornar-se cidadãos
realizados e produtivos (MORAN, 2003).

As universidades são chamadas também de organizações sociais, pois são
locais de produção do conhecimento com a finalidade de gerar o desenvolvimento
científico, tecnológico e social do país, através do ensino, pesquisa e extensão,
melhorando assim a qualidade de vida dos cidadãos. E as bibliotecas
universitárias por sua vez, estão diretamente ligadas às universidades, não
podem ser julgadas independentemente das organizações às quais estão
inseridas, pois facilitam e possibilitam o acesso à informação.

Baseado nisso, as bibliotecas universitárias como instituições também
sociais devem acompanhar o desenvolvimento científico, social e tecnológico. O
conceito de biblioteca está associado à educação e neste caso, a presença
humana é imprescindível, pois o bibliotecário em seu ambiente de trabalho
assume o papel educativo de ensino-aprendizagem informal, a partir do momento
que ele participa do processo de construção do conhecimento de outras pessoas.
Segundo Dudziak (2004) “como educador, o bibliotecário deve estar apto a
expressar-se e comunicar-se, criando um ambiente que estimule o aprendizado,
utilizando técnicas de transmissão de informação”. Ainda no processo de ensino
aprendizagem, destacamos o papel do aluno que geralmente ao ingressar na
universidade desconhece a importância de uma biblioteca em sua formação, uma
vez que no Brasil, a biblioteca escolar e a biblioteca pública inexistem.

�Assim, a biblioteca universitária deve levar em consideração esse fator,
pois não se pode deixar que o aluno passe por um curso de graduação sem
conhecê-la e usufruir sua utilidade. Esse problema obviamente encontrará uma
resposta negativa também na pós-graduação, quando os alunos deverão cumprir
tarefas de pesquisa mais adequada, pois não se pode duvidar da importância da
biblioteca na formação do aluno em qualquer nível de formação profissional e de
pesquisador. Portanto, para que se faça uso real dos recursos disponíveis em
uma biblioteca, é necessário que o aluno receba orientação adequada do
profissional bibliotecário, pois a quantidade de informação produzida na
sociedade como um todo, aumenta a cada dia. De acordo com Mota (2004)
percebe-se às vezes que muitas destas informações não são recuperadas por
diversos fatores, tais como: falta de mecanismo eficiente de busca (tanto off-line
quanto on-line), o uso inadequado ou ainda a falta de conhecimento acerca da
utilização de tais mecanismos.

Esse profissional bibliotecário de organizador de livros transforma-se em
um profissional da sociedade da informação, que lida com o conhecimento e com
a informação, participando do processo educacional, pois a ele cabe ensinar
como chegar à informação.

3 – Caracterização da biblioteca do IQSC/USP

Em 1971, o Departamento de Física e Ciências dos Materiais e o
Departamento de Química e Física Molecular da Escola de Engenharia de São
Carlos constituíram o Instituto de Física e Química de São Carlos (IFQSC),
criando junto as bibliotecas.

Em 1994, o IFQSC subdividiu-se formando o Instituto de Química de São
Carlos.

�O Serviço de Biblioteca e Informação que ocupava uma área de 533,50 m2
a partir de outubro/1999 passou a ocupar prédio próprio com área de 1441,77 m2,
divididos em 03 pisos, abrigando atualmente o acervo de livros (13.065),
fascículos de periódicos (79.230), teses e dissertações(1.660), trabalhos de
conclusão de curso (284) e outros tipos de materiais, além de ambientes para
estudo individual, cabines para estudo em grupo, estações de trabalho individuais
com microcomputadores para acesso às bases de dados nacionais e
internacionais, laboratórios de línguas, salas de estar e leitura das últimas
publicações. No último ano a freqüência total de usuários foi de 93.842, que
realizaram 115.035 consultas, com 7.393 usuários inscritos e 1.407 usuários que
utilizaram a Biblioteca, mas não puderam ser inscritos, pois não têm vinculo com
a USP.

Faz parte do Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São
Paulo (SIBi-USP) e teve sua estrutura organizacional aprovada em 31/05/1995
para Serviço Nível I, sendo composto por uma diretoria técnica e três seções.

Todos os serviços estão automatizados, proporcionando atendimento
rápido e preciso aos usuários. O serviço de referência virtual, a cada dia mais
presente e utilizado na home page do SBI/IQSC, varia de um simples link para um
e-mail de sugestões como também permite o acesso aos formulários on-line para
preenchimento de solicitação de artigos/livros em outras bibliotecas, permitindo
assim, o controle de andamento da solicitação.

De acordo com Soares (2006) a mediação desses softwares não substitui o
profissional bibliotecário, muito pelo contrário, exige que o bibliotecário se
capacite a cada dia, pois há dois tipos de usuários, os que sabem lidar com a
tecnologia e os que não tem familiaridade nem uma, mas ouvem e sabem dos
serviços prestados através da tecnologia, nesse caso o bibliotecário necessita ser
o mediador entre a tecnologia utilizada e o usuário, pois atualmente as bibliotecas
universitárias que são mantidas pelas mais conceituadas universidades a cada
dia evoluem para bibliotecas sem paredes, pois não se limitam mais ao tempo
(expediente da biblioteca) e pelo espaço (físico) das bibliotecas tradicionais.

�Ressaltamos neste sentido, que o mais importante, não é a técnica de
manuseio da máquina, da Internet ou a educação on-line e sim o da
aprendizagem, das carências ou motivos que mantém pessoas interessadas em
aprender.

4 - O programa educativo de usuários da graduação do Serviço de
Biblioteca e Informação do IQSC (SBI/IQSC)

Aqueles que lidam com a informação encontram-se, mais do que nunca
desafiados a inovar, mudar sempre a forma de trabalhar tendo como foco
principal o usuário. Novos papéis devem ser assumidos pelos bibliotecários de
referência, atitudes e comportamentos que sejam compatíveis com os novos
paradigmas da informação. Diante da velocidade, do uso das tecnologias e da
diversidade das ferramentas disponíveis atualmente, nos perguntamos: Qual a
melhor forma de utiliza-las? Qual o melhor e o mais eficaz meio de se transmitir
todas as informações para o usuário?

Baseadas nessas indagações descreveremos as experiências do Serviço
de Biblioteca e Informação do Instituto de Química de São Carlos.

O serviço de referência de uma biblioteca apresenta uma série de
atividades que se caracterizam por prestar um atendimento especializado com
qualidade aos seus usuários por meio de inovações. Anualmente o SBI-IQSC vem
empenhando-se em alcançar melhores resultados a fim de capacitar os usuários
a se tornarem autônomos para realizar as suas buscas de informações de forma
eficaz.

Com essa finalidade de capacitação, a primeira tentativa de treinamento
dos usuários foi uma visita organizada pela biblioteca no início de cada ano letivo
aos ingressantes. Primeiramente, essa visita tinha como finalidade transmitir aos
alunos ingressantes uma visão prática e concisa dos serviços e produtos

�(primeiros socorros) que a biblioteca poderia oferecer, assim como: a inscrição na
biblioteca, localização do material nas bases e bancos e dados e posteriormente
nas estantes. Por vários anos consecutivos, essa visita era realizada mais
formalmente, pois fazia parte das várias atividades que o Instituto oferecia como
recepção na semana dos calouros.

Nesse primeiro momento de treinamento, os ingressantes chegavam todos
juntos e apenas uma bibliotecária (de referência) transmitia o treinamento todo, ou
seja, apresentava a biblioteca (fazia uma visita pela biblioteca inteira), seus
produtos e serviços. Com tanta informação passada aos alunos, percebíamos que
não era tão proveitoso, pois ficavam demasiadamente eufóricos e perdidos diante
de tanta novidade.

Após essa tentativa, pensamos em trabalhar juntamente com os docentes
com a finalidade de pedir a colaboração e interação deles, assim atuaríamos
como co-autoras desse processo educativo. Solicitamos apenas uma aula em
classe para fazer a apresentação dos produtos e serviços da biblioteca, tendo
como recurso as TICs, que nos possibilitou a manipulação de diferentes mídias
(texto, imagem e som). Porém, percebemos que essa tentativa também não foi
satisfatória, pois ficou uma apresentação monótona, onde somente o bibliotecário
falava, não houve interação com os alunos.

Paralelamente a essas tentativas e sempre preocupadas em orientar e
capacitar os usuários a fim de aprenderem a utilizar os serviços e produtos da
biblioteca, confeccionou-se folders e manuais de como utilizar a biblioteca.
Porém, ainda precisávamos encontrar um método de treinar os usuários a fim de
divulgar o acesso à informação.

O processo de Educação de usuários, portanto será estreitamente
ligado à promoção do acesso à informação, sua comunicação e a
geração da informação, sendo uma das atribuições do serviço de
referência e informação. Seu objetivo é sem dúvida, promover a

�interação do usuário com a biblioteca e os recursos informacionais
(BELLUZZO, 1989).

Após essas duas tentativas, percebemos que os usuários precisavam ter
mais atenção individualmente no primeiro contato com a biblioteca, pois estamos
em novos tempos e hoje o papel do bibliotecário passa a ser o de estar entre o
usuário e a informação.

É necessário enfatizar que o bibliotecário é em sua essência um
mediador, um comunicador, alguém que põe em contato
informação com pessoas, pessoas com informações (SILVA,
2002).

Baseado nisso, juntamente com uma docente do Instituto de uma
determinada disciplina, planejamos um treinamento informal dentro da biblioteca,
porém dessa vez, dividimos em grupos de no máximo cinco alunos por
bibliotecária. Ressaltamos aqui, a importância do trabalho em equipe em uma
biblioteca. Pois na seção de referência e atendimento ao usuário trabalha apenas
uma bibliotecária e duas técnicas em documentação. Na semana do treinamento,
a maioria da equipe da biblioteca se mobiliza para direcionar atenção ao
treinamento, pois acreditamos que a razão principal da biblioteca é o atendimento
ao usuário com a máxima qualidade possível. Quanto ao treinamento oferecido,
cada grupo permaneceu nas respectivas salas de trabalho da bibliotecária
responsável pela apresentação. Após o treinamento, para quem demonstrasse
interesse a bibliotecária responsável apresentava a biblioteca inteira.

Pudemos perceber que o método do treinamento foi satisfatório, pois o
grupo era menor e com isso, possibilitou-nos dar mais atenção individualmente.
Percebemos que os usuários não ficaram constrangidos, pois questionavam a
todo o momento. Como foi em uma determinada sala dentro da biblioteca, não
houve dispersão dos usuários em relação ao espaço físico. Após esse primeiro
contato com os usuários, percebemos que no decorrer do ano letivo,
mantínhamos o contato com alguns usuários, mas a maioria já adquiria

�habilidades informacionais, demandando assim menor mediação da bibliotecária,
não que isso seja prejudicial para a biblioteca, porém isso demonstra que o
treinamento foi eficaz.

No último treinamento realizado em fevereiro de 2006, as tecnologias de
informação e comunicação proporcionaram mais uma vez a manipulação de
diferentes mídias (texto, imagem e som), confeccionamos um CD-ROM com o
objetivo de demonstrar aos novos alunos os principais serviços que a Biblioteca
oferece, bem como orientar a localizar material nesta Biblioteca e nas Bibliotecas
de outras Unidades da USP e a executar pesquisas bibliográficas em bases de
dados. Ao final do treinamento cada usuário recebeu uma cópia do CD, como
brinde.

Conteúdo do CD-ROM

Foi dividido em 4 partes:
1. A primeira parte contou com a apresentação da biblioteca com os
dados numéricos de acervo, localização por andar dos materiais
disponíveis, funcionários que ficam em cada andar, horário, o que é
necessário para inscrição, o material que pode ser emprestado e os
prazos diferenciados para cada categoria de usuário, os equipamentos
que podem ser utilizados e o que se pode ou não fazer na biblioteca, de
acordo com o regulamento existente;
2. Na segunda parte demonstrou-se como localizar um documento em

uma biblioteca da USP. Foi explicado passo-a-passo como efetuar um
dos vários tipos de busca no Banco de Dados Bibliográficos da USP –
Dedalus – Catálogo On-line Global. Este banco é de acesso público, a
partir de quaisquer equipamento, inclusive externo à USP, e contém
todo acervo das bibliotecas da USP. Com o documento sendo
localizado no SBI/IQSC, através do banco acima citado, explicou-se
como é feita a localização do material nas estantes e como são
organizados;

�3. Nessa parte foram demonstradas algumas bases de dados on-line mais
utilizadas pelos usuários do SBI/IQSC para pesquisa e para acesso a
textos completos de revistas científicas. São bases de dados com
acesso regulamentado, acessíveis através de equipamentos existentes
somente nos campi da USP;
4. E nessa última foram indicados mais alguns serviços que a biblioteca
presta aos usuários, dando-se ênfase ao serviço de solicitação de
cópias em outras unidades da USP e outras instituições e de
empréstimo entre bibliotecas. Este serviço de solicitação é on-line e
está disponível no site da biblioteca, utiliza um programa de
gerenciamento e acompanhamento da solicitação desenvolvido pela
Seção de Referência do SBI/IQSC e a equipe da Seção Técnica de
Informática do IQSC.

Material impresso auxiliar

Como auxiliares nos treinamentos foram publicados documentos no
formato de folders, manuais e guias. Dentre eles estão: A Biblioteca é sua:
colabore, você é quem ganha; CCN: Catálogo Coletivo de Publicações
Periódicas; Como localizar livros, Periódicos nas Estantes do SBI/IQSC; Scielo;
Como utilizar o CCN para localizar sua referência no Brasil (1999); Como
consultar o Chemical Abstracts; Dedalus : fácil e rápido; Dúvidas sobre a
biblioteca?; ERL; Kit Calouro 2005; Manual de solicitação/fornecimento online:
Ariel/Comut/EEB; Normas para elaboração de dissertações e teses do IQSC/USP;
Normas para apresentação de dissertações e teses do IQSC/USP 2005; Preserve
o acervo; Portal CAPES; Probe; Probe : Academic Press; Probe : Elsevier; Probe
Gale Group Info Trac; Probe : HighWire Press; Probe : Scielo; Referências
Bibliográficas; Referências bibliográficas: guia prático 2005; Regulamento –
SBI/IQSC; SBI/IQSC : algumas dicas, você vai precisar; SBI/IQSC : leia, é de seu
interesse; Você não sabe usar o DEDALUS? O

SBI/IQSC

ensina; Web of

Science.
Além do material já existente, no início de 2006 também foram publicados:

�•

Conhecendo a biblioteca: localizando material bibliográfico, que tem o
objetivo de orientar o usuário no procedimento para solicitação de material
bibliográfico;

•

Conhecendo a biblioteca: normas para empréstimo, que são as normas
que disciplinam o empréstimo do material bibliográfico da Biblioteca do
IQSC.

•

Conhecendo a biblioteca: pesquisando material bibliográfico, que tem
o objetivo de orientar o usuário, de forma objetiva, na execução de
pesquisa bibliográfica, acessando diversas bases de dados e periódicos
eletrônicos, pela Internet, a partir de equipamentos existentes na
Universidade. Foram abordadas as seguintes bases de dados: SciFinder
Scholar, Web of Science, SciELO e Periódicos CAPES.

5 – Considerações finais

A medida que os bibliotecários passam a empregar as TICs, de
forma ampliada, tais ferramentas passam a se constituir de
elementos de sua prática profissional. A amplitude do seu uso
passa a interferir na relação com os usuários da informação, bem
como nas formas de interpretar suas práticas, levando o
profissional a constituir novos modos de subjetivação de sua
profissão e suas práticas (MORIGI, 2004).

Pensaríamos assim, a relação entre tecnologia e sua mediação entre os
bibliotecários com os usuários, priorizando os princípios da condição humana, a
aprender a ser, a comunicar-se e a compreender as necessidades dos outros,
pois o que adiantará tanta tecnologia, se as pessoas que necessitam utilizá-las,
não saberão ou não terão acesso, se não forem devidamente capacitadas?

É necessário valorizar o profissional da informação – o bibliotecário como
mediador das novas tecnologias da informação, pois com a utilização mais
intensiva dessas tecnologias da informação e comunicação e o conseqüente

�aumento dos suportes eletrônicos da informação, a imagem desses profissionais,
aos poucos apresenta os primeiros sinais de rompimento de identificação com o
bibliotecário tradicional. Assim, faz-se necessário pensar a relação entre a
tecnologia e a sua mediação, percebida a partir da prática profissional, como
responsável pela construção da identidade profissional do bibliotecário.

Surge assim, uma nova forma de comunicação, proporcionando o
dinamismo e a rapidez na transferência da informação, o que não implica, no
distanciamento entre bibliotecário e usuário, pois o SBI/IQSC tem conseguido
adequar seus serviços e produtos às necessidades do usuário, pois sempre
houve a preocupação de trazê-lo à biblioteca para que ele pudesse usufruir e
familiarizar-se de todo ambiente tecnológico informacional. De acordo com
Cuenca (1999) “quanto mais tecnologia é disponibilizada, maior é o compromisso
das bibliotecas em capacitar e orientar seus usuários para esse fim”. A cada
avanço tecnológico, a educação de usuários torna-se mais importante, pois
cresce também a necessidade de adequação do sistema para os usuários, e o
bibliotecário é o mediador nesse processo de ensino-aprendizagem.

Referências

BELLUZZO, Regina Celia Baptista. Educação de usuários de biblioteca
universitária: da conceituação e sistematização ao estabelecimento de diretrizes.
1989. 107 f. Dissertação (Mestrado) – Escola de Comunicações e Artes,
Universidade de São Paulo, São Paulo, 1989.

CUENCA, A. M. B. O usuário final da busca informatizada: avaliação da
capacitação no acesso a bases de dados em biblioteca acadêmica. Ciência da
Informação, v. 28, n. 3, p. 293-301, 1999.

DUDZIAK, E. A. Tendências inovadoras em Bibliotecas Universitárias : rumo à
constituição de Learning Libraries. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS, 13., 2004, Natal. Anais... Natal : Universidade Federal do Rio
Grande do Norte, 2004. CD-ROM.

�MORAN, J.M. Ensino e aprendizagem inovadoras em tecnologias. Disponível em:
&lt; http://www.eca.usp.br/prof/moran/inov.htm&gt; Acesso em: 01 jun.2006

MORIGI, J. V.; PAVAN, C. Tecnologia de informação e comunicação: novas
sociabilidades nas bibliotecas universitárias. Ciência da informação, v. 33, n. 1,
p. 117-125, 2004.

MOTA, F. R. L.; JOB, I. O treinamento de usuários no contexto informacional
contemporâneo. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS, 13., 2004, Natal. Anais... Natal : Universidade Federal do Rio
Grande do Norte, 2004. CD-ROM.

SILVA, E. L.; CUNHA, M. V. A formação profissional no século XXI: desafios e
dilemas. Ciência da informação, v. 31, n. 3, p.77-82, 2002.

SOARES, Suely de Brito Clemente. Cibereduc: construção e desenvolvimento de
uma comunidade virtual de aprendizagem colaborativa das TICs, aplicadas ao
fazer diário de bibliotecários de referência de universidades brasileiras. 2006.
Dissertação (Mestrado) - Faculdade de Educação, Universidade de Campinas,
2006. 1 CD-ROM

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Os profissionais bibliotecários que lidam com a informação como atividade finalística encontram-se, mais que nunca desafiados a inovar, mudar sempre a forma de trabalhar tendo como foco principal o usuário. Novos papéis devem ser assumidos por esses profissionais, atitudes que sejam compatíveis com os novos paradigmas da informação. A velocidade, a aplicação das tecnologias e as diversas ferramentas disponíveis hoje em dia são inúmeras, e perguntamos: qual a melhor mediação a ser utilizada? Qual o melhor meio e o mais eficaz de se transmitir todas estas informações para o usuário? Baseado nisso, o presente estudo relata a experiência do SBI/IQSC de capacitação oferecida aos usuários da graduação. Descreve os suportes utilizados na capacitação de usuários mediada pelos meios da tecnologia da informação e comunicação através do bibliotecário. Conclui-se que a mediação humana é imprescindível no primeiro contato com o usuário, pois não adianta a tecnologia da informação e comunicação se não houver a interação do bibliotecário com o usuário, pois sem a parte humana o treinamento inexiste. Destaca-se que o mais importante nessa mediação é o cuidado e atenção que é dispensado a cada usuário a partir do primeiro momento em que ele é apresentado à biblioteca.</text>
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                    <text>A INTERAÇÃO DOS USUÁRIOS DE UMA BIBLIOTECA
UNIVERSITÁRIA COM OS SISTEMAS DE RECUPERAÇÃO DA
INFORMAÇÃO (SRIS)
CARLA CRISTINA VIEIRA DE OLIVEIRA
cvieira1@yahoo.com.br / cvieirao@ufmg.br
Mestranda em Ciência da Informação
Escola de Ciência da Informação  UFMG
Av. Antônio Carlos, 6627
31270.010 - Belo Horizonte - MG - Brasil

RESUMO

Pretende-se avaliar a interação dos usuários de uma biblioteca universitária com
os Sistemas de Recuperação da Informação (SRIs). Entende-se por Sistemas de
Recuperação da Informação, aqueles criados para facilitar o processo de busca e
recuperação de informação, por exemplo, podemos citar os mecanismos de
buscas na Internet, os catálogos automatizados de bibliotecas, os diretórios, as
bases de dados bibliográficas e etc. A presente pesquisa esta sendo desenvolvida
no âmbito de uma biblioteca universitária de Pós-Graduação, com intuito de
identificar a relação dos usuários com os SRIs automatizados, especialmente o
catálogo bibliográfico da biblioteca (Sistema Pergamum), visando o conhecimento
do comportamento do usuário no processo da busca e recuperação da
informação. Espera-se também identificar os recursos utilizados pelos estudantes
para satisfazer sua demanda de informação, saber quais são os sistemas de
recuperação da informação que os usuários pesquisam? Eles recuperam com
precisão o que necessitam? Qual a metodologia utilizada pelo usuário para
recuperar um documento? Objetiva-se com a análise de dados entender melhor o
processo de pesquisas dos graduandos e pós-graduandos e subsidiar os
bibliotecários na elaboração de estratégias que proporcionem maior interação do
usuário com os recursos informacionais disponíveis nos Sistemas de Informação.
PALAVRAS CHAVES
Sistema

de

Recuperação

da

Informação



Biblioteca

Universitária

Comportamento do Usuário  Estratégias de Busca - Sistema Pergamum



�INTRODUÇÃO

A biblioteca universitária tem o papel de subsidiar conteúdo informacional aos
estudantes, pesquisadores, professores, profissionais, funcionários, ou seja, ao
seu público alvo.

Cunha (2000, p.73) mostra que através dos séculos, o ponto focal da
universidade tem sido a biblioteca, com o seu acervo de obras impressas
preservando o conhecimento da civilização. Hoje mais do que preservar, a
biblioteca tem o papel de disseminar informações e orientar seus usuários no
processo de busca do conhecimento em seus diversos formatos: texto, gráfico,
som, representações digitais entre outros.

Acredita-se que a missão da biblioteca universitária em uma instituição de ensino
superior tem que ir além de manter um acervo organizado, incentivando e
ajudando o desenvolvimento de pesquisas científicas. Através de seu pessoal
especializado, ela deve interagir com seus usuários, sejam eles ditos como
usuários reais ou potenciais1, de modo a possibilitar que os mesmos recuperem a
informação que necessitam através do catálogo automatizado, de bases de
dados, diretórios ou motores de busca como o google, que consideramos neste
trabalho como os SRIs, Sistemas de Recuperação da Informação, que tem por
função facilitar o processo de busca e recuperação de informação. Segundo
Rowley (2002), os sistemas de recuperação da informação quase chegaram a ser
considerados como sinônimos dos computadores. Meadows2 (citado por
CENDÓN, 2005, p.61) considera que o processo de recuperação da informação
consiste em encontrar a informação desejada em um armazém de informação ou
base de dados.

1

Considera-se como usuário real aquele que já utiliza o serviço e como usuário potencial aquele
a quem o serviço se destina, mas não o utiliza ainda.
2

MEADOWS, Charles T. Text information retrieval systems. San Diego: Academic Press, 1992.

2

�O presente trabalho pretende conhecer como os usuários de uma biblioteca de
Pós-graduação interagem com os Sistemas de Recuperação da Informação
desta, assim como, identificar quais são as fontes que os usuários pesquisam? Se
as informações são recuperadas com precisão? Qual a metodologia utilizada pelo
usuário para recuperar um documento? Buscando entender o comportamento do
usuário no momento da busca de informação, a interação do usuário com a
estrutura da biblioteca, a mediação do profissional bibliotecário no momento da
busca de informação e se o usuário utiliza outro recurso para a satisfação de sua
necessidade de informação que não é explorado pela biblioteca universitária.

A biblioteca escolhida pertence a um sistema de bibliotecas, que compreende
mais três. O nome da instituição não será divulgado por falta de interesse da
mesma. Os usuários potenciais na realidade são todos os estudantes
matriculados na instituição (graduandos, tecnólogos e pós-graduandos), os
professores e os funcionários.

A questão central que norteia essa pesquisa é saber como os usuários da
biblioteca de pós-graduação utilizam os recursos de recuperação da informação,
ou seja, conhecer como estes usuários interagem no processo de busca de
informação com os sistemas de recuperação disponíveis pela biblioteca.

Acredita-se que o estudo proporcionará a compreensão do processo de busca
dos graduandos, tecnólogos, pós-graduandos e demais usuários. Fornecendo
subsídio aos bibliotecários na elaboração de estratégias que proporcionem maior
interação do usuário com os recursos informacionais disponíveis nas unidades de
informação.

IDENTIFICAÇÃO DO CENÁRIO, METODOLOGIA E RESULTADOS

Considerando que a biblioteca da Pós, possui uma localização central e um
acervo que tem atraído muitos alunos de graduação de outros campus optou-se

3

�por não limitar o universo da pesquisa e em estabelecer o período de um mês
para divulgação do questionário. Foram distribuídos 300 questionários no balcão
de atendimento e retornaram para a análise de dados apenas 65 %.

Na estrutura física, a biblioteca possui apenas um bibliotecário e dois funcionários
administrativo; um acervo composto por 3.856 títulos, muitos deles adquiridos
recentemente, o que tem sido um atrativo para os alunos de outras unidades; três
terminais exclusivos para consulta ao acervo e um disponível para pesquisa
acadêmica.

Buscando conhecer a comunidade usuária, adotou-se como metodologia um
estudo de usuários, que foi dividida em duas etapas. Na primeira etapa
pretendeu-se conhecer os usuários através da técnica do questionário, que foi
entregue para cada usuário que freqüentou a biblioteca. Esta fase foi finalizada e
será exposta ao longo do texto.

A segunda etapa da pesquisa, que ainda está em curso, utiliza a técnica da
observação, que pretende descrever o comportamento do usuário no momento
exato da busca de informação. Nesta fase, pretende-se principalmente observar
os usuários que estão na fase de levantamento bibliográfico para a elaboração de
monografias, neste caso a maioria são os pós-graduandos.

Processo de busca de informação

Como nos mostra Dudziak (2000)

A busca de informação é um processo intelectual que começa
com um problema do usuário, uma lacuna entre o que o ele sabe
e o que necessita saber, numa determinada situação. Tal estado é
dinâmico, mutável e o processo se inicia com questionamentos
que levam à busca de respostas, através de determinadas
estratégias, análises e tomadas de decisão.

4

�Sendo assim quando um usuário procura uma biblioteca ele possui um problema,
que muitas das vezes é o bibliotecário de referência que através da entrevista
traduzirá a questão para a linguagem utilizada na indexação dos itens no sistema,
assim o bibliotecário elabora a melhor estratégia de busca para recuperar a
informação demandada pelo usuário. Rowley3 (citado por CHAGAS et al., 2000,
p.3) menciona que a estratégia de busca é o "conjunto de decisões tomadas e de
procedimentos adotados durante uma busca".

Já GROGAN (1995) diz que pesquisas mostram que os usuários têm dificuldades
em elaborar estratégias de busca. Essa realidade, aliada ao medo que o usuário
tem de expor suas dificuldades, idéias e dúvidas, criam barreiras para que ele
tenha condições de realizar uma pesquisa satisfatória, com a ajuda do
bibliotecário de referência. Percebeu-se na análise de dados, que muitos usuários
sentem-se constrangidos em recorrer a um intermediário para elaborar melhor os
termos de busca ou para solicitar o auxílio ao terminal de consulta.

Chagas et al. (2000) alerta para a diferença entre pesquisar em bases de dados
tradicionais (material impresso), bases em CD-ROMs, bases de dados comerciais
online ou em mecanismos de busca da Web, principalmente advindas da
velocidade da recuperação dos dados obtidos e pelo uso de expressões de
busca, entruncamento de termos e seus adjacentes ou proximidade na
formulação da estratégia de busca. Mostrando a necessidade de antes de iniciar a
busca propriamente dita, definir o assunto, seja ele geral ou específico. A
dificuldade de delimitar o tema ou assunto a ser pesquisado, também foi
manifestada pelos usuários.

Constatou-se que 25% dos usuários que responderam o questionário não
possuem familiaridade com o computador, alguns ainda confirmaram sua
dificuldade na questão 12, onde assumiram que muitas vezes não recuperam a
informação por não saberem utilizar os recursos eletrônicos. Ao perceber esta
3

ROWLEY, Jennifer. Informática para bibliotecas. Brasília : Briquet de Lemos/Livros, 1994.

5

�dificuldade visível no meio acadêmico, pensamos na importância da inclusão
digital, capacitando estes usuários no acesso à informação na internet.
Considerando como nos mostra Silva et al (2005, p. 33) que a Internet é um
ambiente de informação complexo para quem não tem familiaridade ou
capacitação na busca e recuperação da informação.

100
80
60

Alunos de Graduação

40

Alunos Pos
Funcionários

20

Professores
0
Catalogo

Internet

Familiaridade com recursos eletrônicos

Alguns autores, como Bussato4 (citado por SILVA et al. 2005) tem discutido que
muito mais que trabalhar a inclusão digital, ensinando a pessoa a codificar e
decodificar a escrita, nós devemos desenvolver nessas pessoas a habilidade para
construir sentido, ou seja, o letramento digital que segundo o autor seria a
capacidade para localizar, filtrar e avaliar criticamente informação eletrônica,
estando essa em palavras, elementos pictóricos, sonoros ou qualquer outro
formato.
A interação do usuário com a consulta do Sistema Pergamum

A utilização do Sistema Pergamum, é considerada satisfatória pelos usuários,
quando os mesmos possuem alguma informação concreta do que necessitam
como manifestaram na questão 12, se a pesquisa é pelo título ou autor de uma

4

BUZATO, Marcelo E. K. Letramento digital abre portas para o conhecimento. EducaRede, 11
mar. 2003. Disponível em: http://www.educarede.org.br/educa/html/index_busca.cfm&gt;. Acesso em:
12 mar. 2004.

6

�obra, se a biblioteca possuir o material eles recuperam, agora quando a pesquisa
é por um tema, um assunto, aí eles manifestam dificuldades, sendo que 30 % dos
usuários consultados, afirmam que precisam de um intermediário ou mediador
para alcançar êxito na pesquisa.

Conforme mencionado acima, foi constatado que quando o usuário possui uma
referência do que procura, sua recuperação é tranqüila, mas quando se trata de
uma pesquisa por tema ou assunto, os obstáculos relatados dizem respeito a que
termo utilizar, principalmente quando se trata de palavra composta. Essa
dificuldade é minimizada quando encontra uma pessoa que conhece o acervo, ou
melhor, conhece os assuntos indexados no sistema.

Cabe ressaltar que essa dificuldade mencionada pelos usuários com o processo
de busca por assunto, deve ser estudada mais profundamente pela biblioteca,
pois ela não envolve propriamente o software utilizado, mas as políticas de
catalogação e indexação adotadas pela unidade, como também pode envolver
uma falha de comunicação na interação com os usuários.

De acordo com ROWLEY (2002) os sistemas de recuperação da informação são
formados por três etapas: indexação, armazenamento e recuperação. A
indexação é o processo de atribuir termos a um registro ou documento. Já o
armazenamento é realizado no próprio computador, armazenando arquivos de
documentos, arquivos de índices e manutenção de bases de dados. Já a etapa da
recuperação, depende muito das duas etapas anteriores, as quais determinam as
melhores estratégias para as buscas.

O módulo consulta do Pergamum possibilita a busca por Pesquisa Rápida, aonde
o usuário expressar o tema, parte do título, parte do nome do autor e recupera o
documento. Outra possibilidade é a Pesquisa Básica, que possui opção de busca
por autor, título, palavra-chave e termo livre. Se o material desejado for
multimeios ou periódicos, é disponibilizado um índice alfabético de títulos. Outra
opção fornecida pelo sistema é a relação das ultimas aquisições da biblioteca.
7

�Constatou-se que apenas 36% dos usuários que utilizam o modulo Consulta do
Sistema Pergamum, seja pelo terminal da biblioteca ou online, utilizam todos os
recursos disponibilizados pelo mesmo, 45 % utilizam apenas a pesquisa rápida e
básica, 19% utilizam apenas a pesquisa rápida.

A interação do usuário com os recursos na Web

Apesar das resistências ou desletramento virtual de alguns alunos, foi constado
neste trabalho que paralelo com as bibliotecas, a internet tem sido uma grande
fonte de informação. Na questão 6, que solicita ao usuário o recurso que ele
utiliza para realizar uma pesquisa, demonstrar que 70% utiliza a web como fonte
de pesquisa, ou recurso de recuperação da informação. A maioria utiliza como
fonte o mecanismo de busca, chamado google.

As buscas nos mecanismos de busca são realizadas pelo tema ou assunto.
Observou-se que eles não possuem uma metodologia de busca, existindo uma
predominância para a busca direta, utilizando o termo que julgam que procuram e
não utilizam recursos para filtrar ou facilitar a recuperação da mesma, como por
exemplo os termos sinônimos. Chagas et al (2000, p. 8), mostra que

A sentença de busca proporciona resultados diferenciados, a
partir dos quais o usuário poderia utilizar uma sentença diferente
de todas as palavras ou indicando ou excluindo termos. Cada vez
mais, os mecanismos de busca oferecem resultados
apresentando o grau de relevância dos termos conforme a
expressão utilizada.

A utilização de bases de dados como fonte para as pesquisas acadêmicas,
conforme relatado pela comunidade usuária, prevalece nas gratuitas e/ou
disponíveis na Internet, destacando a Scielo, Senado e a Lilacs.

8

�Frustração do usuário

Ao questionar à comunidade usuária se sente ou se já sentiu frustrada na
realização de uma pesquisa, obteve 75% das respostas afirmativas. Considera-se
como possíveis causas para a decepção na busca de informação ou dados
bibliográficos, a não localização na informação procurada, ou seja, a resposta da
questão feita inicialmente. A recuperação da informação, no caso dos recursos
disponíveis na internet, resulta de muitas respostas sem sentido, cheias de lixos,
necessitando de cuidados na abrangência e a profundidade da pesquisa.

Outro causa de frustração levantada pelos usuários é a localização do material
que necessitam e por algum motivo não conseguiram encontra-lo no acervo da
biblioteca ou por está emprestada ou por estar em restauração. Já na Internet,
isso ocorre mais frequentemente quando a página procurada não pode ser
acessada.

CONCLUSÃO

Apesar da pesquisa ainda está em andamento, já foi possível analisar os
resultados da primeira fase. Embora não tenhamos conseguido o retorno de todos
os questionários, essa abordagem possibilitou conhecer as características da
comunidade usuária e a utilização dos recursos e fontes de pesquisa.

A pesquisa mostrou que muitos dos usuários que não consultam o sistema
automatizado da biblioteca, não o fazem por não terem familiaridade com
computadores, mostrando a necessidade de um programa de inclusão digital na
academia.

Percebeu-se a necessidade de desenvolver treinamentos com os usuários, que
desconhecem muitos dos recursos disponíveis no módulo Consulta do Sistema

9

�Pergamum. Assim como cursos que capacitem os usuários na utilização dos
serviços de recuperação da informação disponíveis na biblioteca ou na web.

Acredita-se que a biblioteca pode e deve colaborar na formação de novos
pesquisadores.

10

�REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1.

CENDON, Beatriz Valadares. Sistemas e redes de informação. In:
OLIVEIRA, Marlene (Coord.). Ciência da informação e
Biblioteconomia: novos conteúdos e espaços de atuação. Belo
Horizonte: UFMG, 2005. cap. 4, p. 61-95.

2.

CHAGAS, Joseane, ARRUDA, Susana, BLATTMANN, Ursula.
Interação do usuário na busca de informações. In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIA, 2000, Florianópolis:
UFSC,
2000.
p.
113.
Disponível
em:
http://www.ced.ufsc.br/~ursula/papers/interacao.html&gt;. Acesso em:
26 jul. 2006.

3.

CUNHA, Murilo Bastos da. Construindo o futuro: a biblioteca
universitária brasileira em 2010. Ciência da Informação, Brasília, v.
29, n.1, p. 71-89. jan./abr. 2000. Disponível em: &lt;
http://www.ibict.br/cienciadainformacao/search.php&gt;. Acesso em: 14
jun. 2006.

4.

DUDZIAK, Elisabeth Adriana, GABRIEL, Maria Aparecida, VILLELA,
Maria Cristina Olaio. A educação de usuários de bibliotecas
universitárias frente à sociedade do conhecimento e sua
inserção nos novos paradigmas educacionais. In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIA, 2000, Florianópolis:
UFSC,
2000.
p.
119.
Disponível
em:
http://www.ced.ufsc.br/~ursula/papers/interacao.html&gt;. Acesso em:
26 jul. 2006.

5.

GROGAN, Denis. A prática do serviço de referência. Brasília:
Briquet de Lemos/Livros, 1995. 196 p.

6.

ROWLEY, Jennifer. A biblioteca eletrônica. Brasília: Briquet de
Lemos/Livros, 2002. 399 p.

7.

SILVA, Helena et al. Inclusão digital e educação para competência
informacional: uma questão de ética e cidadania. Ciência da
Informação, Brasília, v. 34, n.1, p. 28-36, jan./abr., 2005. Disponível
em: &lt; http://www.ibict.br/cienciadainformacao/search.php&gt;. Acesso
em: 14 jul. 2006.

11

�ANEXO Questionário  Estudo da Comunidade Usuária

1. Qual o seu vínculo com a instituição?
Aluno de Graduação ou

Aluno de Pós-Graduação

de Tecnólogo
Funcionário

Professor

2. Qual a freqüência que você utiliza a biblioteca da Pós-Graduação?
Diária

não é regular

Semanal

quinzenal

3. Você possui familiaridade com os recursos eletrônicos ( catálogo
informatizado, Internet, motores de busca na web e etc.)

4. Você sabe utilizar a Consulta ao acervo do Sistema Pergamum
disponível nos terminais da biblioteca?
Sim

Com a ajuda do funcionário

Não

Quando preciso de algo na
Bca vou a estante

5. Você utiliza o recurso de consulta ao acervo disponível no site da
instituição?
Sim

Não

Não conheço este recurso

6. Quando você tem uma pesquisa ou um trabalho acadêmico (por
exemplo: monografia) a fazer, que recurso você utiliza?

7. Você utiliza alguma base de dados para fazer um trabalho acadêmico?
Ex.: LILACS (base de dados de literatura na área das Ciências da
Saúde) Se a resposta for afirmativa, favor cita-la.

12

�8. Você solicita ajuda ao bibliotecário, ou qualquer outro mediador para
filtrar melhor sua pesquisa?

9. Você sempre encontra o que deseja quando utiliza o catálogo da
biblioteca ou outro recurso de busca de informação?

10. Você se sente ou já se sentiu frustrado quando precisa realizar uma
busca de informações, seja no catálogo da biblioteca, seja na internet
ou na utilização de alguma base de dados?

11. Você utiliza os operadores booleanos (and, or ,not) para fazer a
busca de maneira mais eficiente?

12. Descreva as dificuldades que você encontra no processo em que
você busca informações para solucionar alguma questão, ou fazer
algum trabalho acadêmico?

13. Você possui alguma crítica ou sugestão a fazer aos serviços
disponibilizados por este setor?

Favor entregar este questionário no Balcão de atendimento da Biblioteca da Pós

13

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Pretende-se avaliar a interação dos usuários de uma biblioteca universitária com os Sistemas de Recuperação da Informação (SRIs). Entende-se por Sistemas de Recuperação da Informação, aqueles criados para facilitar o processo de busca e recuperação de informação, por exemplo, podemos citar os mecanismos de buscas na Internet, os catálogos automatizados de bibliotecas, os diretórios, as bases de dados bibliográficas e etc. A presente pesquisa esta sendo desenvolvida no âmbito de uma biblioteca universitária de Pós-Graduação, com intuito de identificar a relação dos usuários com os SRIs automatizados, especialmente o catálogo bibliográfico da biblioteca (Sistema Pergamum), visando o conhecimento do comportamento do usuário no processo da busca e recuperação da informação. Espera-se também identificar os recursos utilizados pelos estudantes para satisfazer sua demanda de informação, saber quais são os sistemas de recuperação da informação que os usuários pesquisam? Eles recuperam com precisão o que necessitam? Qual a metodologia utilizada pelo usuário para recuperar um documento? Objetiva-se com a análise de dados entender melhor o processo de pesquisas dos graduandos e pós-graduandos e subsidiar os bibliotecários na elaboração de estratégias que proporcionem maior interação do usuário com os recursos informacionais disponíveis nos Sistemas de Informação.</text>
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                    <text>A LITERATURA DE CORDEL COMO FONTE INFORMACIONAL

Sale Mário Gaudêncio – Bacharel em Biblioteconomia UFRN – Bibliotecário da
Pastoral de Jovens – Parnamirim – RN – email salleh_mario@yahoo.com.br
Maria do Socorro de Azevedo Borba - Mestre em Biblioteconomia/
PUCCAMP/SP – Profª Departamento Biblioteconomia – UFRN - – email
sosborba@yahoo.com.br
– Eliane Ferreira da Silva – Doutora em Educação /UFRN, Profª Departamento de
Biblioteconomia / UFRN –email abílio_silva@uol.com.br
Antonia de Freitas Neta – Mestre em Biblioteconomia/UFPB- Profª Departamento
de Biblioteconomia / UFRN –email antonianeta@yahoo.com.br

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE – UFRN
Centro de Ciências Sociais Aplicadas – CCSA
Departamento de Biblioteconomia – Curso de Biblioteconomia
Campus Universitário Lagoa Nova
CEP 59072-970 Natal - RN – Brasil/ (84) 3215 3515/ 3215 3516
RESUMO
Apresenta uma caracterização geral da literatura popular objetivando analisar o
nível de importância que vem sendo dada à literatura de cordel como fonte
informacional no Rio Grande do Norte. Enfoca sua trajetória da Europa até o
Brasil, levando em conta seu fortalecimento no nordeste brasileiro. Descreve o
cordel a partir de um cenário que trata das décadas de ouro (1920-1950), do
cordel e sua forma de classificar, de sua influência nas belas artes e do cordel no
atual cenário potiguar. Mostra o que seja fonte de informação e a partir dessa
ótica, o cordel como fonte de informação e o papel bibliotecário neste processo.
Discorre sobre os procedimentos metodológicos trabalhados através uma
discussão em torno de como fôra trabalhada a pesquisa, seu universo, seus
atores, instrumentos (pesquisa bibliográfica, eletrônica e realização de entrevista
focalizada) e seus procedimentos. Trabalha a análise dos dados a partir da
relação cordel e cordelista e cordel e biblioteca. Com os dados, pôde fazer uma
analise qualitativa dos resultados e identificar a atual situação do cordel no estado
potiguar. Conclui apontando um parecer, as perspectivas e faz recomendações
para a literatura de cordel no RN.
Descritores: Literatura de Cordel. Fonte de Informação. Cultura Popular.
1 INTRODUÇÃO
Historicamente, o nordeste brasileiro tem se mostrado como um “berçário”
das mais variadas riquezas culturais existentes em sua região, e dentro desse
contexto está a literatura de cordel, que a partir da expansão européia no Brasil
torna-se uma manifestação artístico-cultural de extrema significância para o povo

�2

brasileiro. A literatura de cordel é de suma relevância para a sociedade brasileira,
podendo permear questões no âmbito econômico, social, religioso, histórico e
científico. Pensando nisso e atraído pelo que é postulado na ementa da disciplina
Organização e Tratamento de Materiais Especiais (OTME), em virtude do que
dizia respeito a literatura de cordel como material especial e da avaliação, foi
percebida a necessidade e a motivação de realizar uma pesquisa em torno da
literatura de cordel tendo como foco principal, Identificar sua importância socialinformacional e que conseqüentemente podesse contribuir para a produção
acadêmica. Tem como objetivo geral: analisar o nível de importância que vem
sendo dada à literatura de cordel como fonte informacional no estado do Rio
Grande do Norte e como objetivos específicos: Analisar o cordel, desde sua
chegada no Brasil até os dias atuais, percebendo sua importância no nordeste e
RN; Construir uma proposta do que seja fonte de informação, levando em conta o
cordel e o papel do bibliotecário nesse contexto; Fazer análise dos dados em
torno de cordelistas e instituições que lidam com cordel; Realizar parecer e fazer
recomendações, dando “norte” para ações práticas.
2 LITERATURA DE CORDEL
Entende-se por literatura de cordel, como sendo uma manifestação
artístico-cultural da cultura popular que registra a história e a trajetória de um
povo, assim como, caracteriza-se por uma ação poética que dá vida à sociedade.
É de fato, uma das mais ricas particularidades da cultura brasileira e mundial.
Segundo Viana (2005)1, “a poesia popular impressa, denominada literatura de
cordel, é uma das mais legítimas expressões culturais do povo nordestino”.
Cascudo (2001, p. 331) reitera dizendo que a também chamada literatura popular
é “[...] tipicamente impressa, não exclui a passagem à oralidade. É veiculada por
meio de folhetos que abordam os mais variados assuntos.
A partir de Leandro Gomes de Barros, no final do século do século XIX, o
cordel toma corpo, constrói um espaço de representação e de ampliação das
manifestações populares.

De acordo com Abreu (1999, p. 75) “embora não

fossem cantadores, [...] Leandro Gomes de Barros e Francisco das Chagas
Batista2, são pioneiros na impressão de folhetos. Ainda no século XIX, fora da

�3

serra do Teixeira, outros também cantavam e incorporaram-se à tradição3”. O
cordel se enraíza no nordeste brasileiro em função de diversos aspectos,
respectivamente: A questão étnica, que é de grande relevância desde a mais
tenra idade da devida colonização brasileira; a falta de acesso conhecimento
produzido, deixado apenas para os senhores de engenho, os coronéis, políticos e
seus familiares; de haver neste nordeste, marcado pela seca, um ambiente
basicamente ruralista, onde a forma e maneira de produzir, passavam
diretamente por uma cultura de subsistência humana e por que havia neste
espaço situações marcadas por um forte messianismo4, um patriarquismo ortoxo,
as peripécias do cangaço, do assistencialismo político, em especial com a
indústria da seca.

Desta maneira, o cordel não só, torna-se um grande

instrumento de apoio e de grito para a cultura popular brasileira, mas, é visto
como o refúgio, o aporte, o complemento para uma vida sofrida de mãos
calejadas pela “lida” camponesa.
Em virtude deste cenário, Abreu (1999), coloca que, entre o final do século
XIX e os anos 20, a literatura de folhetos consolida-se: definem-se as
características gráficas, o processo de composição, edição e comercialização e
constitui-se um público para essa literatura. Nada nesse processo parece lembrar
a literatura de cordel portuguesa. Aqui, havia autores que viviam de compor e
vender versos; os autores e parcela significativa do público pertenciam às
camadas populares; os folhetos guardavam fortes vínculos com a tradição oral,
no interior da qual criaram sua maneira de fazer versos; boa parte dos folhetos
tematizavam o cotidiano nordestino; os poetas eram proprietários de sua obra,
podendo vendê-la a editores, que por sua vez também eram autores de folhetos.
2.1 O CORDEL E SUA FORMA DE CLASSIFICAR
Objetivando facilitar o uso, o manuseio e fortalecer sua concepção
estrutural/organizacional, grandes personalidades da cultura popular também têm
contribuído para a construção de modelos de classificação. Um exemplo disso é a
concepção de Ariano Suassuna e Cavalcanti Proença, dois dos maiores
pesquisadores e escritores da contemporaneidade no campo da literatura de
cordel. Eles não são os únicos que escrevem sobre classificação cordelistica,

�4

porém, é acreditado segundo vários teóricos, que esta forma de classificar
condensa e sistematiza várias outras já propostas.
São inúmeras as possibilidades de utilizar as produções poéticas no
contexto das classificações, em especial desta. Leandro Gomes de Barros, a
partir desta proposição classificatória consegue se inserir em praticamente todas
as possíveis formas.
2.2 A INFLUÊNCIA DO CORDEL NAS BELAS ARTES
Na literatura dita elaborada, já através dos teatros de Gil Vicente, são
visíveis expressões do cotidiano popular, assim como em partes da obra Dom
Quixote de La Mancha de Miguel de Cervantes. Localmente se tem vários
trabalhos inspirados na literatura popular, como o Auto da Compadecida de
Ariano Suassuna, Macunaíma de Mário de Andrade, Jeca Tatuzinho de Monteiro
Lobato, Morte e Vida Severina de João Cabral de Melo Neto entre outros. No
cinema, filmes que retratam a tônica do cangaço, o paisagismo sertanejo e o
semblante popular são marcas nessa composição poética através das telas.
Segundo Maxado (1980, p. 122) o cordel foi tema exclusivo no filme no “Nordeste,
Cordel e Repente”, de Tânia Quaresma. Na música, são vários os estilos musicais
que ao longo da história vem retratando os folhetos dentro das composições
musicais. A exemplo disso, estão os estilos Regionalistas (Baião, Xaxado, Xote e
Forró), a MPB e o Mangue Beat. Quanto as artes plásticas, elas se desnudaram
para mostrar a face da cultura popular. Em muitos casos, o processo se deu pelas
vias da chamada cultura elaborada ou erudita. As xilogravuras, expressões
artísticas das capas de folhetos foram inspiradoras para vários pintores e
expositores no Brasil.
Mesmo tendo passado por uma fase não muito confortável, iniciada na
década de 1960 até o final do século passado, os cordéis e seus produtores tem
encontrado forças para resistir aos múltiplos acontecimentos que surgem em
torno da literatura de cordel. Mesmo assim, o cordel é no momento memória viva,
desmontando inclusive uma vaga teoria de que a literatura popular “iria acabar um
dia”. Os espaços mudaram, porém à vontade de trabalhar o elemento cordel

�5

tem, com o passar dos anos se intensificado. A cada dia novas pesquisas têm
surgido, o público se diversifica e conseqüentemente a difusão da informação
cordelistica tem se espalhado pelo Rio Grande do Norte, Nordeste e Brasil. A
exemplo disso, estão as pesquisas que são desenvolvidas no âmbito da
graduação e pós-graduação, através de grupos de estudo e pesquisa. O cordel é
presença no meio popular e a cada dia tem se colocado em situação de destaque
no contexto das construções científicas. Fortalecendo esta afirmação, Cardoso
(apud FERREIRA 2003), mostra que “[...] essa temática já é presença marcante
em vários congressos [...], fazendo da literatura popular um constante objeto de
estudo científico”. Nesse contexto, evidencia-se também o trabalho das escolas, a
figura dos cordelistas, dos grupos de estudos, da abertura de novos espaços para
a comercialização, das oficinas de iniciação ao cordel, das iniciativas
institucionais, do surgimento de tipografias (editoras) e do surgimento de novos
poetas.
3 O CORDEL COMO FONTE DE INFORMAÇÃO
Desde os inscritos rupestres à eletrônica, passando pela oralidade,
invenção da imprensa e explosão bibliográfica as sociedades participantes tem se
mostrado como sujeitos contribuintes no dinamizar, criar e/ou melhorar fontes
informacionais. Atualmente vem se dando conta que a informação é um
instrumento estratégico de apoio às ciências e as tomadas de decisão. Dessa
forma, segundo Galvão (2001, p. 182) “vários estudos [...] apontam a função
informativa como uma das mais importantes desempenhadas pela literatura de
cordel”. É visto que os folhetos são de fato uma fonte de informação real que de
uma maneira ou outra tem incansavelmente contribuído para ajudar no processo
de educação continuada, iniciação à instrução, por motivar a descoberta do lúdico
e do imaginário junto às camadas populares em especial. Mas também à aquelas
que usam do estruturalismo e da concepção do cordel para desenvolver
pesquisas/ trabalhos.

De acordo Galvão (2001, p. 184), o folheto também é,

sobretudo, uma fonte de informação capaz de divertir. A habilidade do poeta em
transformar a notícia em história, em narrativa, em fábula. Os folhetos têm
proporcionado para as camadas populares e de interessados uma alternativa
diferenciada e legítima de fazer com que estas fiquem por dentro dos fatos, de

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estarem alegres de terem forças para resistir às adversidades do seco nordeste
brasileiro e/ou de preservar viva a memória dos folhetos.
O teor da informação a partir dos folhetos tem proporcionado abrir um
leque de discussões, também em outros espaços, como da relação cordel com os
meios de comunicação de massa e sua industria cultural. Galvão (2001, p. 183),
coloca que “mesmo onde havia rádio, a literatura de cordel tinha um papel
importante na divulgação de informações5”. Não muito diferente disso, o fato é
que isso ocorre ainda hoje, ou seja, atualmente o cordel também tem se mostrado
um “poço” rico de informações. É por isso que, mesmo com as influências e
presença de agentes externos (rádio, televisão e internet), só os folhetos têm
conseguido falar a língua, decodificar símbolos e signos de um mundo para este
público bastante peculiar, o povo nordestino empobrecido ou os grupos sociais de
interesse. Nem sempre os meios de comunicação de massa passam uma
mensagem entendível aos olhos e ouvidos do povo sertanejo, do semi-árido
brasileiro. Para os leitores /ouvintes dos folhetos, apenas será verdade a
informação contida neles, caso contrário não valerá a pena dar atenção a outras,
que por ventura possam surgir. Desta forma, Galvão (2001, p. 183) coloca que o
sertanejo só acredita na notícia quando o folheto confirma. Essa também é a
opinião de Luyten (1992 apud GALVÃO, 2001, p. 183), que afirma que “‘o homem
do povo’ desconfia naturalmente das fontes oficiais de informação”.
Configurado estes espaços da leitura e edição de folhetos com a figura do
poeta repórter6, o povo poderia acompanhar tudo que ocorresse em torno do
mundo e da vida, mas com uma linguagem bastante peculiar. Havia maior
credibilidade do povo com o poeta repórter do que em relação aos jornalistas de
“canudo”, ou seja, os diplomados. E desta maneira, Suassuna (apud GALVÃO,
2001, p. 184) destaca que “na sua opinião, a dimensão propriamente literária e
estética dos folhetos é, de fato, a mais importante”. Portanto, a partir destes
elementos levantados, desde seu aparecimento até os dias atuais o cordel
precisa continuar sendo visto como mais uma fonte real de informação para a
sociedade.
3.1 O PAPEL BIBLIOTECÁRIO

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Desde as mais simples até as mais avanças fontes informacionais o papel
do bibliotecário é intenso, contínuo e extremamente importante. Do ponto de vista
da organização do conhecimento produzido e da grande demanda de informações
colocadas à disposição da humanidade o bibliotecário tem por característica
controlar, filtrar e difundir um produto cada vez necessário para a subsistência
humana, social e institucional, a informação. A idéia de construir uma sociedade
mais justa, do ponto de vista, do acesso eqüitativo a informação, ou seja, da
inclusão do indivíduo na sociedade da informação, passa necessariamente por
criar condições capazes de contribuir para uma maior democratização da
informação junto à sociedade atual. Este acesso, por conseguinte, não se dá
apenas pelas vias das fontes tecnológicas de informação, mas por toda e
qualquer iniciativa ou fonte que ajude no desenvolvimento da pessoa humana. É
então nesse contexto que entra a intervenção das instituições e seus profissionais
que lidam com informação. As bibliotecas e bibliotecários por exemplo, tem papel
fundamental no democratizar o acesso a informação. Muitas bibliotecas, dentre
seus acervos, estão hoje, pautando em suas tarefas trabalhar o cordel, e cada
vez mais, contribuir para o enriquecimento pessoal do cliente, através do
fortalecimento do trabalho lúdico (Ex. caso das peças teatrais que utilizam o
acervo como fonte inspiradora), da valorização do imaginário (criando e recriando
textos e histórias de ficção ou de cunho informativo), e do desnudamento
institucional (melhorando de fato a relação instituição – público – comunidade).
Sendo assim, e percebendo o poder “mutante” e de adaptação do profissional
bibliotecário junto ao meio que ele está inserido, cabe então a ele se apropriar
deste poço incessante de informação, conhecer e logo mais, difundir um produto
informacional que mesmo alternativo pode ser diferenciado na vida e formação de
muitos usuários da biblioteca, seja ela, pública, privada, escolar, universitária ou
outras.
4 METODOLOGIA
As investigações foram prioritariamente trabalhadas na Biblioteca Central
Zila Mamede-UFRN através das Bibliotecárias Maria do Socorro Nascimento e
Rildeci Medeiros7 e dos cordelistas potiguares José Acaci e Zé Saldanha. Todos
os pesquisados tem trabalhos desenvolvidos no campo da literatura de cordel.

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5 ANÁLISE DOS DADOS8
Foi feita a partir dos resultados da entrevista de José Acaci e Zé Saldanha,
ambos cordelistas. Portanto, o roteiro de entrevista girou em torno de sete
questões.
Tabela 1 – Como tudo começou? O que motivou a escrever cordel?
Cordelista A9
a) Inicialmente por Brincadeira;
b) Pelo fato de ver cordéis de terceiros
mal feitos (Métrica e Rima);
c) Herança paterna

Cordelista B10
a) Desde a meninice (Na escola todos
tinham um cordel);
b) De ver no cordel uma beleza
diferente.

Visualiza-se que em ambos os casos os ambientes são de extrema
importância para o fazer cordel e tornar-se cordelista. Pois enquanto o Cordelista
A cresceu vivenciando a prática do cordel a partir de seu pai, o mestre Chico
Ramalho, o segundo, Cordelista B tinha em seu espaço natural as condições
propícias para o produzir cordéis. Os cenários/períodos que os fatos ocorreram
foram diferentes, mais o fato de querer trabalhar com folhetos se dá na mesma
intensidade e com isso a satisfação de produzir cordéis contribui não apenas para
alimentar os anseios dos poetas, mas também engrandece e fortalece essa
manifestação da cultura popular.
Tabela 2 – qual a importância do cordel para a sociedade contemporânea?

a)
b)

Cordelista A
Cordelista B
De promover o cordel nas a) O cordel está infiltrado por toda a
comunidades;
literatura, por todas as ciências.
O cordel está sendo utilizado no
auxilio a educação formal.

Nesta, é preciso analisar três aspectos diferentes, mas complementes. O
cordelista A, diz que, o primeiro é o fator da promoção do cordel dentro das
comunidades, o segundo de criar junto às escolas, redes de parcerias a fim de
que cordel possa auxiliar o alunado na construção do conhecimento e da
descoberta do lúdico, do artístico. Por fim, quando o cordelista B, fala que o
cordel está infiltrado por toda a literatura, por todas as ciências, ele

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automaticamente, fortalece a importância dos folhetos não apenas para uma
geração passada, mas também para uma população presente e futura. O cordel
pode, segundo os cordelistas ampliar o leque de oportunidades quanto ao
encontrar uma determinada informação, de forma clara especifica para um
determinado público leitor, o cordel é uma alternativa diferenciada para a
construção e disseminação do conhecimento.
Tabela 3 – Que dificuldades o cordelista enfrenta/ou?
Cordelista A
Inicialmente:
a) Pelo fato de estar na “batalha” há
menos tempo que outros;
b) De não haver experiência com
edição de folhetos;
c) Por não existir pessoas suficientes
para produzir xilogravuras;
d) A confecção tornou-se um tanto
complicado.

Cordelista B
a) Com a chegada do rádio, TV e as
telenovelas, houve um decréscimo
significativo na propagação da
literatura de cordel no Brasil (séc.
XX);
b) De não haver uma maior proteção
dos Direitos Autorais;
c) Poucas são as tipografias, ou seja,
gráficas que querem imprimir
folhetos11.

Na tabela 3, são evidenciadas duas situações um tanto diferente, porém
importantes para entender os preâmbulos à vida cordelistica. O Cordelista A, ao
falar de sua experiência inicial como poeta, deixa claro o quanto é trabalhoso
iniciar um projeto como de um escritor e produtor de folhetos. Neste momento a
relação direta e indireta com terceiros é muito importante para escrever os
mesmos. É necessário construir espaços de interlocução e cooperação. Todavia,
o Cordelista B, além de retomar a questão (produção), percebe-se que uma das
grandes dificuldades enfrentadas, foi à necessidade de adaptar-se a chegada do
rádio, TV e as telenovelas, assim como lidar com a ausência de proteção autoral
e de políticas editoriais para editar folhetos.
Tabela 4 – Vale a pena produzir cordéis?
Cordelista A
a) Mesmo diante de eventuais
dificuldades que possam surgir, vale
a pena sim, produzir cordéis.

Cordelista B
a) Não compensa muito, contudo se
produz por amor a arte popular;
b) É melhor apreciado por “sulistas” do
que por potiguares.

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A partir desta tabela, percebe-se um choque de opiniões dos cordelistas,
mesmo assim todos os aspectos são de extrema importância para esta análise
com os poetas populares. Mesmo o cordelista A, falando o contrário do
cordelista B, num aspecto eles são complementares, à vontade de escrever.
Todavia, é importante fazer uma ressalva, ao responderem esta questão, olhar
dado pelos escritores, é em relação ao retorno “financeiro”. Fato que não impede,
o fazer cordel.
Tabela 5 – Como está a atual situação do cordel no estado?
Cordelista B
Atualmente melhorou bastante, pois os folhetos estão sendo lidos novamente por
escolas e por universidades.

Ao cordelista fazer esta afirmativa, logo coloca em cheque a inverdade do
cordel “acabar” como muitos assim o fazem e o chamam erroneamente de
subliteratura. Sua colocação faz ver, que o cordel no Rio Grande do Norte está
tão vivo como diversas outras manifestações culturais. Ao saber que o cordel
hoje, está cada vez mais presente em escolas, é objeto de estudo de pesquisas
em universidades, é instrumento de trabalho em instituições público/privado e que
o povo tem buscado conhecer mais e mais o folheto, logo, é possível entender o
quanto ele se fortaleceu, se espalhou e conseqüentemente tem se mostrado
como uma fonte de informação das ricas que contribuem para engrandecimento
dos mais variados atores sociais.
Tabela 6 – Qual é o sentimento/ recado ao produzir cordéis?
Cordelista B
a) Os professores públicos/privados de ensino fundamental/médio estão
cotidianamente necessitando e precisando de material para trabalhar em sala de
aula;
b) É preciso fazer um “negócio” mais avançado, algo que possa criar o hábito de
escrita e leitura pelas vias do cordel, como: Cordel e Contos; Aprendendo a Fazer
Cordel. Livros com um conteúdo mais denso;
c) “Não deixe o cordel morrer!”.

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Partindo da importância colocada na Tabela 5, e fortalecida pela Tabela 6,
é visto que o poeta apresenta para a sociedade um cenário bastante desafiador,
pois, agora além de escrever como antes, o cordelista deve criar junto às
comunidades locais, estratégias capazes de propagar o cordel por áreas não
conhecidas e intensificar trabalhos nas que são conhecidas. Fica evidente que
três ações concretas podem ajudar neste processo. A primeira é fortalecer as
oficinas (cordéis e xilogravuras), a segunda é aumentar o nível de produção de
folhetos e livros que tratam do assunto literatura de cordel e é preciso “dar as
mãos” e ampliar a rede de relacionamentos humanos e institucionais (produzindo
pesquisa, gerando conhecimento e disseminando informação).
5.2 CORDEL X BIBLIOTECA: BIBLIOTECA CENTRAL ZILA MAMEDE (BCZM)12
A BCZM órgão central executivo, responsável pela administração,
planejamento, coordenação e fiscalização das atividades do Sistema de
Bibliotecas-SISBI da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. A entrevista
foi efetuada na instituição, ocorrida a partir da Seção de Coleções Especiais e da
Direção da Biblioteca. Inicia com questionamento em torno de saber como tudo
começou. O que motivou a biblioteca trabalhar a questão cordel. Logo a
professora Medeiros (2005) coloca que “em 1980 o professor Diógenes da Cunha
Lima, Reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte adquiriu um
contingente de folhetos. Em 1998, sentindo a necessidade de sistematizar uma
organização biblioteconômica, a instituição decide trabalhar na perspectiva de dar
uma usabilidade maior quanto o acesso à coleção”. Anteriormente, professores
através do projeto memória já tinham feito uma espécie de classificação prévia,
trabalhada através dos “ciclos”. É justamente através destes trabalhos já
efetivadas que a BCZM propõe não apenas facilitar o acesso dos produtos em
suporte tradicional, mas também, em eletrônico. É a partir daí que surge a
proposta do projeto “LitCord”. Este, tem como finalidade básica, disponibilizar
através de CD-ROM e via WEB, todos os folhetos de cordéis existentes na
unidade informacional.
Em virtude do fôra colocado, é possível dizer qual a importância do cordel
para a sociedade contemporânea? Medeiros (2005) evidencia que hoje em dia “o

�12

cordel não seja visto apenas com foco a sua preservação e valorização, mas
também, em relação a sua difusão no meio social”, onde diversos agentes estão
diretamente inseridos no processo de disseminação informacional e do
conhecimento produzido.

De acordo com Medeiros (2005), três aspectos se

tornaram significantes a este processo e aos procedimentos trabalhados, que
foram à relação custo-benefício, a “ausência” de tecnologias de informação e o
não identificar da temporalidade de alguns folhetos13 Nascimento e Medeiros
(2005) colocam que “a instituição tem como público alvo alunos e pesquisadores”,
mas os maiores usuários são os pesquisadores. Todavia, alguns acadêmicos
infelizmente ainda não conhecem o que seja literatura de cordel14.

Desta

maneira, agora a questão é como se dá o processo de preservação e valorização
do cordel. A partir das experiências das bibliotecárias, o processo se dá
especialmente através do projeto LitCord, da organização do acervo e do
compromisso de pessoal presente na biblioteca. O acervo tem uma periodicidade
que varia entre 1911 e 1995. De acordo com Medeiros (2005) quantitativamente
“o acervo em folhetos de cordéis chegam hoje a cerca de 3000 exemplares”.
6 CONSIDERAÇÕES E RECOMENDAÇÕES FINAIS
Conclui-se que a importância da literatura de cordel como fonte real de
informação tem contribuído para o povo, desde sua chegada no Brasil até os dias
atuais. É por isso, que os folhetos têm se apresentado como um espelho que
reflete de maneira única o semblante de um povo, sua história, seus sofrimentos
sociais, suas angústias, seus conflitos sociais,

mas também, seus sonhos,

desejos, seu imaginário. Visualizar que através do cordel as relações
interpessoais são intensificadas, os conflitos de classes minimizam-se e
conseqüentemente o fator humano é aflorado.
Na relação cordel e biblioteconomia, o profissional bibliotecário tem papel
fundamental para o fortalecimento das discussões cordelistas no contexto das
instituições informacionais. Ficou evidente que o campo da pesquisa e do trabalho
lúdico-informacional-educacional é um grande nicho de mercado para este
profissional. Várias instituições já têm se mostrado como propagadoras de
iniciativas que tem procurado no bibliotecário um apoio para trabalhar a questão

�13

cordel. Com a monografia, felizmente foi possível ver que neste linear de século
os folhetos são e serão mais do que nunca, uma fonte de informação alternativa
que ajuda na transformação social, seja pelas vias dos versos lidos/cantados,
pelas escolas que estudam, pelos pontos de venda que acreditam no produto,
pelas publicações e/ou pesquisas efetuadas e por tantos outros. Tornou-se claro,
no decorrer do que foi transcrito, que apesar dos altos e baixos vividos pelos
cordelistas e suas produções, o folheto continua com a chama acessa, vivo,
presente e a cada dia, mostrando que o fator memória, cotidianamente vem se
vinculando a três outros qualificantes, que é da preservação, valorização e
difusão do conhecimento. Ao passo que se constrói um espaço pensando nestes
qualificantes, logo será possível ter no cordel um patrimônio imaterial
humanidade, dinâmico e presente, jamais estático. Fica com o desenvolvimento e
resultado deste trabalho, o sentimento de compromisso realizado, de orgulho por
escrever sobre uma temática que esta diretamente arraigada no seio do povo
potiguar, nordestino e brasileiro.
Contudo, em função desta monografia recomendações, como: Que o
discente tenha a curiosidade de pesquisar, entender e/ou escrever sobre o
assunto; Que mais instituições que lidam com informação, procurem também no
cordel a possibilidade de encontrar saídas para o desenvolvimento da pessoa
humana, pelas vias do lúdico, da informação e da educação continuada; Que os
cordelistas possam produzir mais, focando o público escolar/universitário e
possíveis novos poetas; E que seja ampliada uma rede de relacionamento entre
pesquisadores, instituições e cordelistas.
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�14

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VIANA, Arievaldo. Acorda cordel na sala de aula. Mossoró, RN: O mossoroense 2005.
Disponível em:&lt;http://www.queimabucha.com/ index.php?pagina=Artigos&amp;ida=2&gt;.
Acesso em: 18 de out. de 2005.
VILLAR, Sérgio. Zé Saldanha: memória viva do cordel. PREÁ Revista de Cultura, Natal,
n. 13, jul./ago. 2005.
XAVIER, Maria Virgínia. Xexéu, o caboclo sonhador. Jornal Acauã, Natal, v. 2, n. 6,
jun./jul. 2005.
1

Artigo recuperado na internet, a partir de: VIANA, Arievaldo. Acorda cordel na sala de aula.
Mossoró, RN: O Mossoroense, 2005. Disponível em: &lt;http://www.queimabucha.com/index.php?
pagina=Artigos&amp;ida=2&gt;. Acesso em: 18 de out. de 2005.
2
Precursores dos folhetos de cordéis.
3
Inácio da Catingueira, Manoel Cabaceira, Manoel Caetano, José Galdino da Silva Duda, Neco
Martins, Manoel Carneiro, Preto Limão, João Benedito e João Melchiades.
4
Caso de Antônio Conselheiro
5
Em si tratando do período que compreende entre as décadas de 30 e 50.
6
Homem, jornalista popular que tem como finalidade, dar suporte informacional ao povo.
7
Maria do Socorro Nascimento é chefe da seção de coleções especiais (BCZM/UFRN) e Rildeci
Medeiros é diretora (BCZM/UFRN) e professora do departamento de biblioteconomia da UFRN.
8
As maiorias das informações contidas no corpo do capítulo e em suas citações deram-se através
de entrevistas concedidas num período de 16 a 29 de outubro de 2005, nas cidades de Natal e
Parnamirim e por aplicação de questionários na WEB.
9
Trata-se de José Acaci Rodriguez (Acaci).
10
Trata-se de José Saldanha Menezes Sobrinho (Zé Saldanha).
11
Segundo o entrevistado elas dizem “que dá muito trabalho”.
12
As entrevistas realizadas com as bibliotecárias ocorreram em dias diferentes. Contudo, as
informações apresentadas são frutos de sistematização dos trabalhos efetivados. No que diz
respeito a apresentação da biblioteca, missão, compromissos institucionais e configuração de sua
estrutura (o que possui), todas as informações retiradas na integra do site:
www.bczm.ufrn.br/conteudo/bczm/abiblioteca.php em 24 de novembro de 2005.
13
Não identificado, infelizmente não se pode disponibilizar o documento no todo (caso da WEB).
14
Caso Identificado em uma visita programada a BCZM. Onde, ao olhar para um folheto de cordel
dizia nunca ter visto um trabalho uma fonte informacional como aquela.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Apresenta uma caracterização geral da literatura popular objetivando analisar o nível de importância que vem sendo dada à literatura de cordel como fonte informacional no Rio Grande do Norte. Enfoca sua trajetória da Europa até o Brasil, levando em conta seu fortalecimento no nordeste brasileiro. Descreve o cordel a partir de um cenário que trata das décadas de ouro (1920-1950), do cordel e sua forma de classificar, de sua influência nas belas artes e do cordel no atual cenário potiguar. Mostra o que seja fonte de informação e a partir dessa ótica, o cordel como fonte de informação e o papel bibliotecário neste processo. Discorre sobre os procedimentos metodológicos trabalhados através uma discussão em torno de como fôra trabalhada a pesquisa, seu universo, seus atores, instrumentos (pesquisa bibliográfica, eletrônica e realização de entrevista focalizada) e seus procedimentos. Trabalha a análise dos dados a partir da relação cordel e cordelista e cordel e biblioteca. Com os dados, pôde fazer uma analise qualitativa dos resultados e identificar a atual situação do cordel no estado potiguar. Conclui apontando um parecer, as perspectivas e faz recomendações para a literatura de cordel no RN.</text>
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                    <text>A MISSÃO DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS NO PROCESSO DE
GERAÇÃO DE CONHECIMENTO
Emanuelle Torino
biblioteca@grupointegrado.br
CEI - Centro Educacional Integrado
Av. Irmãos Pereira 670, centro  Campo Mourão  Paraná  Brasil
Lígia Patrícia Torino
ltorino@cm.cefetpr.br
UTFPR  Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campus Campo Mourão
Rodovia BR369, KM 0,5, Vila Carolo  Campo Mourão  Paraná  Brasil

RESUMO

O presente estudo buscando diagnosticar a contribuição das Bibliotecas
Universitárias na construção de conhecimento dos discentes, e com isso,
identificar entre os acadêmicos a capacidade de interpretar e operar um conjunto
de informações, a partir das relações que estabelecem sobre elas, agregando-as
às suas experiências e valores pessoais, e dando significado a este processo
para a construção do conhecimento estratégico. Para tanto utilizou-se da
pesquisa descritiva, por meio da realização de um estudo de caso, no qual tornouse possível verificar que a biblioteca universitária assume papel importante na
construção do conhecimento dos discentes de cursos superiores.
Palavras-chave: Bibliotecas universitárias; conhecimento; aprendizagem.

1 INTRODUÇÃO

As instituições comumente atentam-se na implantação de
sistemas e ferramentas administrativas visando a melhoria dos resultados, bem
como suas práticas buscam obter qualidade total e reengenharia. Atualmente a
ferramenta administrativa que conduz as instituições ao sucesso é a chamada
gestão do conhecimento.

A produtividade e produção concentram-se no uso, controle e
domínio da informação e do conhecimento, que são o novo motor da economia.
No entanto, para que a informação e o conhecimento sejam de fato instrumentos

�para obtenção de vantagens competitivas, faz-se necessário que os mesmos
sejam gerenciados e compartilhados entre os membros da organização. Neste
contexto, surge a gestão do conhecimento, cuja finalidade é identificar, coletar,
armazenar e disponibilizar o conhecimento relevante para a empresa ou
instituição.

A gestão do conhecimento habilita as instituições a identificarem o
conhecimento tácito que circula entre seus diversos setores, tornando-o explícito
em toda a organização. Desta forma ocorre maior aproveitamento dos recursos já
existentes, aplicando as melhores práticas sem que haja necessidade de
reinventá-las.
Recentes discussões acerca do tema em questão, impostas pela
velocidade das mudanças e pela competitividade do mercado, mostram-nos o
cenário de forma ampla e a necessidade de investir em conhecimento, capaz de
gerar vantagens para empregados e empregadores, já que o desenvolvimento
pessoal e profissional possibilitam olhar além do tempo presente, prever as
necessidades futuras do mercado e preparar-se para elas. Lopes (2001, p. 25)
salienta que o conhecimento humano é algo imensurável, e, com isso, inexistem
maneiras de diferenciá-lo.

Observa-se que no passado, o capital financeiro era muito
discutido e respeitado, contudo, hoje sobrepõe-se a ele o capital humano,
presente em uma nova dinâmica, na qual o grande diferencial que uma empresa
pode possuir é o conhecimento humano, capaz de gerar inúmeras vantagens
competitivas. Porém conforme citado anteriormente, o conhecimento humano é
algo imensurável, o que torna abstrata a possibilidade de diferenciação do saber
de cada indivíduo. Assim, Chiavenato (1996, p. 6) afirma que:
em uma era em que quase todos dispõem basicamente da mesma
informação ao mesmo momento, a vantagem será daqueles que
conseguirem tomar essa informação e puserem-na rapidamente em
prática. Isso quer dizer que é preciso ter gente com mente estrategista
[...] gente que possa criar uma vantagem competitiva [...] a partir do
conhecimento comum. Poucos nascem com essa habilidade. No entanto
ela pode ser desenvolvida e deve ser recompensada.

�Verifica-se

a

crescente

importância

da

aprendizagem

do

profissional, visto que os últimos anos trouxeram mudanças nas mais diversas
áreas do conhecimento, tornando a informação, sem dúvida, o principal recurso
do século 21. Insere-se neste contexto, a atuação das unidades de informação,
uma vez que as mesmas têm enfrentado uma revolução, mediante quantidades
imensas de informação conjugadas às tecnologias eletrônicas, em rede e um
intenso processo de aprendizagem.

Assim,

aprender

passa

a

constituir-se

como

elemento

fundamental e obrigatório para a convivência e competitividade no mundo atual.
Com isso, torna-se visível que a sociedade da informação foi sobreposta pela
sociedade do conhecimento.

De acordo com Moresi (2000, p.17) nesta

sociedade está implícita a idéia da existência de níveis hierárquicos (...) Seria
possível reconhecer quatro estágios dessa progressividade: 1) o dado, 2) a
informação, 3) o conhecimento e 4) a inteligência.

Assim, a competitividade presente no cotidiano das organizações
impulsiona as instituições de ensino superior a transmitirem conhecimentos de
forma a tornar seus acadêmicos indivíduos capacitados e capazes de atuar nos
mais diversificados segmentos e situações.

Deste

modo,

a

formação

acadêmica

é

de

fundamental

importância, uma vez que ela dará ao indivíduo a base necessária para engajarse de maneira eficaz no mercado de trabalho, e tornar-se empregável.

Nesse sentido, o presente estudo insere-se no contexto
educacional, buscando diagnosticar a contribuição das Bibliotecas Universitárias n
a construção de conhecimento dos discentes, e com isso, identificar entre os
acadêmicos a capacidade de interpretar e operar um conjunto de informações, a
partir das relações que estabelecem sobre elas, agregando-as às suas
experiências e valores pessoais, e dando significado a este processo para a
construção do conhecimento estratégico, que pode ser colocado à disposição do
mercado como diferencial competitivo.

�2 CONTEXTO EDUCACIONAL

A sociedade contemporânea caracteriza-se pela participação
crescente das transformações e inovações tecnológicas na mediação de todas as
dimensões das relações sociais. O que ocorre no âmbito de uma estrutura cuja
reprodução se processa sob a hegemonia do conhecimento técnico-científico,
que, por sua vez, desenvolve-se em uma dinâmica acelerada e crescente
complexidade.

Deste modo, a formação superior, para possibilitar a inserção do
profissional nesta realidade, exige a construção de relações com o conhecimento
que levem ao efetivo domínio de seus fundamentos e, não apenas à assimilação
de aplicações e conteúdos momentâneos. Neste sentido, à medida que o homem
se emancipa, ao relacionar-se com a ciência e a técnica de modo a interagir no
mundo, apresenta-se a necessidade da relação com o conhecimento que
incorpore em sua elaboração os contornos epistemológicos da área escolhida
para a atuação, bem como os impactos por ela exercidos sobre a cultura e a
sociedade como um todo.

Pode-se afirmar então que apenas com a formação crítica, com
base na reflexão sobre os seus fundamentos, a operação criativa acerca do
conhecimento existente, no sentido de acompanhar, intervir e avançar, tanto no
próprio desenvolvimento, quanto nos possíveis desdobramentos tecnológicos.

Assim, de acordo com Franco (1998, p. 107)
o ensino de graduação, voltado para a construção do conhecimento, sob
a ótica da realidade crítica, não deve orientar-se apenas por uma
estrutura curricular rígida, baseada unicamente no enfoque disciplinar e
seqüenciada a partir da hierarquização artificial dos conteúdos quando a
realidade se apresenta em multiplicidade interdependente.

Tal afirmação torna-se relevante se considerarmos que o
processo de construção do saber e a aprendizagem ocorrem a partir da reflexão

�sobre os fundamentos do conhecimento, mediada pela permanente interação com
a realidade.

Nesta ótica, segundo Libâneo (2006), a construção de uma
comunidade de aprendizagem requer:
consenso mínimo da equipe de docentes em torno de valores e
objetivos;
estabilidade do corpo docente e, no mínimo, regime de tempo parcial;
metas pertinentes, claras e viáveis;
capacitação de docentes para o trabalho em equipe e em habilidades
de participação;
promoção de ações sistemáticas de formação continuada visando o
desenvolvimento profissional.

Torna-se pertinente ainda mencionar que, neste cenário, em que
a formação ocorre sobretudo com base em conhecimento e investigação acerca
dos temas abordados e pertinentes à área de atuação, as bibliotecas
universitárias assumem papel relevante na formação discente à medida que, com
seu acervo, subsidiam os conteúdos ministrados em aula.

3 BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS

Os novos paradigmas apresentam uma sociedade cada vez mais
dependente de produtos e serviços de informação. A informação e o
conhecimento

tornaram-se

fator

indispensável

para

as

organizações,

necessitando de gerenciamento por métodos rápidos e precisos. Um dos grandes
desafios contemporâneos é o enfrentamento da expansão descontrolada da
informação, o sinal mais evidente da emergência de um tipo de sociedade que
parece conjugar a produção de quantidades gigantescas de informação, a
utilização intensiva de tecnologias eletrônicas em rede e um intenso processo de
aprendizagem permanente.

Rezende (2002) declara que o modelo mais antigo é o da
tradicional biblioteca, representada por uma estrutura limitada em espaço físico e
em recursos orçamentários, porém os avanços tecnológicos e o aumento do fluxo
de informação associados à dinâmica e exigências da sociedade, levaram as

�instituições a se preocuparem em possuir informações precisas e relevantes.
Nasce então um sistema de informação flexível e eficiente, que não se limita
apenas a localizar e acessar a informação, mas sim em analisá-la, interpretá-la e
adequá-la à realidade, transformando esta informação em conhecimento
relevante.

O conhecimento, por sua complexidade, pode refletir abordagens
diferentes, dependendo da concepção epistemológica que o sustenta. De todo
modo, parece haver consenso em relação à natureza dos três primeiros estágios
da progressão informacional, cuja perspectiva se inscreve no que se denomina
abordagem cognitiva.

Conforme tal concepção, o conhecimento só é entendido como tal
quando processado por uma estrutura mental a partir de um conhecimento prévio.
Dessa forma, a informação representa um elemento exógeno que corresponde à
matéria-prima a ser transformada em conhecimento por meio da interpretação e
compreensão de cada indivíduo.

Corroborando essa idéia, Barreto (2003) afirma que
as configurações, que relacionam a informação com a geração de
conhecimento, são as que melhor explicam a sua natureza, em termos
finalistas, pois são associadas ao desenvolvimento do indivíduo e a sua
liberdade de decidir sozinho. Aqui a informação é qualificada como um
instrumento modificador da consciência do homem. A informação,
quando adequadamente assimilada, produz conhecimento, modifica o
estoque mental de saber do indivíduo e traz benefícios para seu
desenvolvimento e para o bem-estar da sociedade em que ele vive.

Tornar a informação disponível, portanto, não é suficiente para
que se caracterize a sociedade da aprendizagem, pois o mais importante é o
desencadeamento de um vasto e continuado processo de aprendizagem
(ASSMANN, 2000, p. 9), que depende de um pensamento reflexivo e ético,
resultado da mudança na consciência humana que o conhecimento, gerado pela
informação, é capaz de promover.

�4 METODOLOGIA

Para a obtenção de dados relativos ao interesse deste estudo,
foram analisadas as Instituições de Ensino Superior situadas no município de
Campo Mourão, PR. São elas, UTFPR-CM  Universidade Tecnológica Federal
do Paraná, Campus Campo Mourão, ora denominada Caso A e CEI  Centro
Educacional Integrado, ora denominada Caso B. A primeira, em âmbito Federal,
conta com aproximadamente 700 alunos e dispõe de 3 cursos nas áreas de
Tecnologia em Alimentos, Ambiental e Construção Civil. A segunda Instituição, de
caráter privado, conta com aproximadamente 2200 alunos aos quais oferece os
cursos: Administração Geral, Administração com ênfase em Comércio Exterior,
Administração com ênfase em Marketing, Agronomia, Ciências Biológicas, Direito,
Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Medicina Veterinária, Pedagogia,
Tecnologia em Sistemas de Informação e Turismo.

Participaram da amostra deste estudo de caso 50 discentes de
cada Instituição, mediante o preenchimento de um questionário contendo
perguntas fechadas.
5 ANÁLISE DOS RESULTADOS

Este estudo abrangeu os discentes dos cursos de graduação das
Instituições de Ensino Superior da cidade de Campo Mourão, PR. Após a
aplicação do instrumento de coleta de dados, demonstra-se a seguir a visão dos
acadêmicos sobre o processo de construção do conhecimento.

Inicialmente buscou-se verificar o que motiva o aluno à
aprendizagem, no Caso A 57% e no Caso B 67% dos respondentes objetivam a
preparação para o mercado de trabalho.

Para tanto, utilizam-se com maior freqüência (37%) da Internet
como principal fonte de informação, no Caso A, enquanto no Caso B, assinalam a
utilização de livros e internet, na mesma proporção, com 34%.

�Há então uma menção ao advento das fontes eletrônicas em
detrimento das impressas, contudo, há ainda grande utilização dos livros como
ferramenta de apoio pedagógico no processo de ensino-aprendizagem.

Após o contato com diversas fontes disponíveis, verificou-se como
as informações recebidas são administradas, no Caso A 52% e no Caso B 50%
dos discentes recorrem a várias fontes de informação objetivando obter mais de
uma idéia sobre o assunto em questão.

Sabe-se que para fechar o ciclo, os dados e informações
recebidas precisam ser transformadas em conhecimento. Neste sentido, 49% dos
alunos do Caso A e 63% dos discentes do Caso B consideram que as
informações recebidas foram transformadas em conhecimento quando lêem
várias fontes e artigos sobre determinado assunto, interpretando-as de forma
crítica e colocando-as frente à realidade prática do dia-a-dia.

Neste sentido, com base nas informações coletadas, pode-se
afirmar que há uma interação entre as três subclasses do conhecimento
propostas por Miranda (1999, p. 286), em que a combinação do conhecimento
explícito com o conhecimento tácito gera o conhecimento estratégico.

Do mesmo modo, o sujeito, precisa atentar-se para a sua
formação, tornando-se co-responsável pelo processo de aprendizagem, assim,
cabe também a ele buscar informações complementares aos assuntos abordados
pelo docente em sala de aula. No Caso A 41% dos respondentes e 57% no Caso
B, afirmam utilizar-se de livros, periódicos e jornais disponíveis na Biblioteca para
se aprofundarem no conhecimento do tema abordado.

No que tange à percepção da contribuição da Biblioteca no
processo de aprendizagem e conseqüente construção do conhecimento, 55% dos
alunos do Caso A e 67% dos alunos do Caso B afirmam que a Biblioteca sempre
colabora no processo supra citado, por meio da infra-estrutura física e de acervo,

�cuja quantidade e atualidade de títulos é adequada ao desenvolvimento das
atividades propostas pelos cursos.
6 CONCLUSÃO

O estudo realizado na Universidade Tecnológica Federal do
Paraná, Campus de Campo Mourão e no Centro Educacional Integrado analisou
as ações dos discentes no que tange à construção do seu próprio conhecimento,
além de verificar a importância da biblioteca universitária como recurso de apoio
ao ensino, no que tange à disponibilização de informação e seus serviços.

De acordo com literatura, observa-se que a preocupação com o
conhecimento existe desde a antiguidade. Atualmente o conhecimento tornou-se
fator de produção, geração de lucros e riquezas. Observa-se que o domínio e
controle do conhecimento são o diferencial entre as organizações, uma vez que o
conhecimento é considerado o novo motor da economia, é o recurso que contribui
para o desenvolvimento, competitividade e sucesso das organizações.

Embora os sujeitos da pesquisa tenham sido escolhidos
aleatoriamente, estavam igualmente divididos entre homens e mulheres, em sua
maioria na faixa dos 18 a 25 anos. Uma população conduzida pelo fervor da
juventude na sede do saber, do conhecer e do conquistar seus anseios e
expectativas junto ao mercado de trabalho na área em que optaram. E que
utilizam estas características para buscar informações além do que o docente
propõe em sala de aula, e em sua maioria tornam-se capazes de analisar e
discutir criticamente os assuntos abordados por diversos autores e construírem
seu próprio conhecimento, desenhando-o de acordo com sua área de afinidade
dentro do curso escolhido.

Verificou-se que esta busca é também movida pelo olhar que
possuem da competitividade imposta pelo mercado de trabalho, no qual a
informação está igualmente disponível para todas as pessoas, tornando cada um

�o responsável pelo diferencial que funcionará como mola propulsora em sua
ascensão na carreira escolhida.

Neste sentido, a Biblioteca Universitária mostra-se como peça
fundamental, uma vez que dispõe de condições e suportes de informação que
certamente são a base do processo de aprendizagem. Assim, de acordo com os
resultados alcançados pela pesquisa, é grande a utilização de fontes impressas e
eletrônicas, fontes estas que estão dispostas e organizadas de maneira adequada
nos acervos das bibliotecas.

No que concerne às Bibliotecas analisadas, os discentes
consideram-nas relevantes na construção do conhecimento. É ainda pertinente
mencionar que as condições de estrutura física oferecidas pelas Instituições são
julgadas favoráveis ao aprendizado e conseqüente construção do conhecimento,
embora existam pontos a serem melhorados, tais como as condições climáticas.

Assim, verifica-se que a Instituição de ensino Superior possui
papel importante na formação dos acadêmicos, contudo, o sujeito deve também
participar de maneira ativa do seu processo formativo, com vistas à atuação no
mercado de trabalho. Para tanto, a informação presente nas bibliotecas
universitárias, bem como todos os serviços disponíveis aos usuários são
subsídios eficazes à construção do conhecimento individual, que será colocado à
disposição das organizações.
7 REFERÊNCIAS

ASSMANN, Hugo. A metamorfose do aprender na sociedade da informação.
Ciência da Informação, Brasília, v. 29, n. 2, p. 7-15, maio/ ago. 2000.
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HUCHENS, David. Aprendendo além dos lobos: sobrevivendo e prosperando
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universitária. Disponível em:
&lt;http://www.cardnet.tche.br/cardiologia/Templates/pdf/ensino%20de%20gradua%
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MORESI, Eduardo Amadeu Dutra. Delineando o valor do sistema de informação
de uma organização. Ciência da Informação, Brasília, v. 29, n. 1, p. 14-24,
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conhecimento como recurso estratégico para profissionais e empresas. São
Paulo: STS, 1998.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>O presente estudo buscando diagnosticar a contribuição das Bibliotecas Universitárias na construção de conhecimento dos discentes, e com isso, identificar entre os acadêmicos a capacidade de interpretar e operar um conjunto de informações, a partir das relações que estabelecem sobre elas, agregando-as às suas experiências e valores pessoais, e dando significado a este processo para a construção do conhecimento estratégico. Para tanto utilizou-se da pesquisa descritiva, por meio da realização de um estudo de caso, no qual tornou- se possível verificar que a biblioteca universitária assume papel importante na construção do conhecimento dos discentes de cursos superiores.</text>
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                    <text>A NORMALIZAÇÃO COMO INSUMO DA DOCUMENTAÇÃO
CIENTÍFICA
FERNANDES, Patricia V. N. D *
SANTOS, Jucilene Oliveira dos **
Faculdade Metropolitana de Camaçari
Rua Eixo Urbano s/n – Centro – Camaçari/Bahia/Brasil
biblioteca@famec.edu.br

RESUMO
Este estudo visa lançar um olhar a respeito da importância da normalização nas
publicações científica, aqui compreendida também por trabalhos acadêmicos
como monografias, dissertações, teses e artigos científicos. No que diz respeito à
documentação cientifica é necessário que haja uma atenção especial em relação
à informação, uma vez que esta, em grande quantidade, necessita de tratamento
e organização adequados para ser recuperada e utilizada com maior facilidade.
Sendo a normalização fundamental para a elaboração de trabalhos acadêmicos
em todas as áreas, deveria, portanto, ser oferecida a disciplina metodologia da
pesquisa científica para todos os cursos de graduação, uma vez que a pesquisa
cientifica não se restringe a determinadas áreas do conhecimento; como também
familiarizar os docentes e discentes com as normas propriamente ditas, em vez
da utilização de livros que nem sempre seguem os padrões da ABNT. Tal
omissão se reflete na pós-graduação, onde, freqüentemente, os discentes
produzem textos, artigos, dissertações e teses com incorreções que dificultam o
processo da comunicação científica.
Palavras-chave: Publicações científicas. Normalização de trabalhos acadêmicos.
ABNT. Ciência.

1 INTRODUÇÃO

Nas sociedades contemporâneas, o desenvolvimento de novas tecnologias
da informação e da comunicação vêm trazendo amplos benefícios para o
desenvolvimento dos cursos universitários de um modo geral. As mídias
interativas, utilizadas como recurso de pesquisa acadêmica, tem propiciado o
rápido acesso de informações e dados de investigações. Da mesma forma, o
contato com disciplinas, a exemplo de metodologia da pesquisa científica, ou
mesmo a elaboração de monografia para a conclusão de cursos de graduação e
ou pós-graduação, necessitam de maior utilização dessas mídias. Desta forma, o

�que se observa nos estudantes universitários, mesmo os de pós-graduação, é a
falta de experiência e conhecimento para identificar e usar adequadamente as
fontes de informação disponíveis, assim como para gerenciar o tempo no
processo de seleção das informações consideradas mais importantes, para a
pesquisa e assim poder transformar a informação obtida em conhecimento
sistematizado e tornar o conteúdo das pesquisas em fonte de pesquisa para
terceiros.

Diante destas considerações, este trabalho procura responder a partir da
pesquisa bibliográfica qual a importância das Normas de Informação e
Documentação da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, no
processo de comunicação do conhecimento científico? Como também objetiva
identificar a relevância da padronização na produção cientifica. Como resultado
propõe uma reflexão acerca os possíveis prejuízos para a comunicação do
conhecimento cientifico decorrente da utilização incorreta ou/e não utilização das
normas da ABNT, tal omissão se reflete na pós-graduação, onde freqüentemente,
os discentes produzem textos, artigos, dissertações e teses com incorreções
dificultando a comunicação do conhecimento produzido.

Sendo o conhecimento a representação significativa da realidade ele se
apresenta

nas seguintes

formas:

conhecimento

do

senso

comum e

conhecimento científico.

2 O SENSO COMUM

Para Kerlinger (1980) o senso comum constitui de noções superficiais,
gerais e assistemáticas sobre o mundo absorvidas pelo homem enquanto interage
com o mesmo. Este conhecimento vai do hábito à tradição, muitos deles,
aprendemos com os nossos pais que aprenderam com nossos avós, que
desconheciam de qualquer saber científico, e assim por diante, facilitando nosso
dia-a-dia. Seu perigo encontra-se no fato de que nem tudo que se presume, nem

�tudo que se pressupõe, nem tudo que intui como correto ou como errado
realmente o é. Carente de busca das causas, desprovido dos métodos, impotente
pela falta de provas e testemunhas a respeito de algo, suas deficiências logo
despontam como recursos insuficientes para se averiguar uma realidade, um
fenômeno, um sentido... Porém de seu bojo, de suas impressões, de suas
desconfianças surgem as grandes indagações humanas. Caso se possa
discriminar os conhecimentos em fase, certamente esta é a primeira delas em
direção à sapiência humana.
A forma mais usual que o homem utiliza para interpretar a si mesmo, o
seu mundo e o universo como um todo, produzindo interpretações
significativas, isto é, conhecimento, é a do senso comum, também
chamado de conhecimento ordinário, comum ou empírico. (KÖCHE,
1997, p. 26).

O senso comum possui algumas características que lhe são próprias, quais
sejam: é subjetivo, por exprimir sentimentos e opiniões individuais e de grupos,
variando de uma pessoa para outra, ou de um grupo para outro, desta forma
levam a uma avaliação qualitativa das coisas conforme os efeitos que produzem
em nossos órgãos dos sentidos ou conforme os desejos que despertam em nós e
o tipo de finalidade ou de uso que lhes atribuímos; é generalizador, pois, tende a
reunir numa só opinião ou numa só idéia coisas e fatos julgados semelhantes,
devido a essa generalização, tendemos a estabelecer relações de causa e efeito
entre as coisas ou entre os fatos; outra característica forte do senso comum é de
não se surpreender nem se admirar com a regularidade, constância, repetição e
diferença das coisas, mas, ao contrário, a admiração e o espanto se dirigem para
o que é imaginário como único, extraordinário, maravilhoso ou miraculoso, é
exatamente neste ponto que se justifica em nossa sociedade a propaganda e a
moda estarem sempre inventando o extraordinário, o nunca visto; nesta análise
está incluído ainda o caráter utilitarista, pois, o senso comum utiliza geralmente
conhecimentos que funcionam razoavelmente bem na solução dos problemas
imediatos, embora, não se compreenda ou se desconheçam as explicações a
respeito de seu sucesso.

�3 O CONHECIMENTO CIENTÍFICO

O homem é um ser condenado a viver a sua existência, e por ser
existencial, ele tem que interpretar a si mesmo e também o mundo em que vive.
Desta forma ele lhe atribui significações criando intelectualmente representações
significativas da realidade, a esta representação denominamos Conhecimento.
Muito cedo o ser humano sentiu a fragilidade do saber fundamentado na
intuição, no senso comum ou na tradição; rapidamente desenvolveu o
desejo de saber mais e de dispor de conhecimentos metodicamente
elaborados e, portanto, mais confiáveis (LAVILLE, 1999, p. 22).

A investigação científica se inicia quando se descobre que o conhecimento
existente, originário quer do senso comum, quer do corpo de conhecimentos
existentes na ciência, são insuficientes para explicar os problemas surgidos. O
conhecimento prévio que nos lança a um problema pode ser tanto do
conhecimento ordinário quanto do científico.
O espírito cientifico é essencialmente uma retificação do saber, um
alargamento dos quadros do conhecimento. Julga seu passado histórico,
condenando-o. Sua estrutura é a consciência de suas faltas históricas.
Cientificamente, pensa-se o verdadeiro como retificação histórica de um
longo erro, pensa-se a experiência como a retificação da ilusão comum e
primeira. Toda a vida intelectual da ciência move-se dialeticamente sobre
esta diferencial do conhecimento, na fronteira do desconhecido. A
própria essência da reflexão, é compreender que não se compreendera
(BACHELARD, 1968 apud KOCHE, 1997, p. 23).

O homem quer ir além da realidade imediatamente percebida e lançar
princípios explicativos que sirvam de base para a organização e classificação que
caracteriza o conhecimento. Através desses métodos se obtém enunciados,
teorias, leis, que explicam as condições que determinam a ocorrência dos fatos e
dos fenômenos associados a um problema, sendo possível fazer predições sobre
esses fenômenos e construir um corpo de novos enunciados, quiçá novas leis e
teorias, fundamentados na verificação dessas predições e na correspondência
desses enunciados com a realidade fenomenal, assim, o conhecimento cientifico
é um produto resultante da investigação cientifica.

�Conhecimento cientifico é a manifestação racional humana que busca a
causa dos fenômenos para explica-los, coloca à prova do raciocínio e da
testabilidade empírica as hipóteses formuladas para explicar os
fenômenos que circundam a humanidade, seja em seu aspecto
intrínseco, seja em seu aspecto extrínseco, depositando no método sua
capacidade de se distanciar da mera opinião pessoal, procura
universalizar respostas para satisfazer a inquietações e necessidades
humanas surgidas no inter-relacionamento e da vivencia mundana.
(BITTAR; ALMEIDA, 2002, p. 28).

4 A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA

A ciência é um sistema de conhecimento, a partir do qual cientistas,
através da curiosidade de descobrir o desconhecido (ou mesmo reavaliá-lo
quando já descoberto), têm a idéia de pesquisar a gênese dessas indagações e
curiosidades, ou seja, quer ir além das aparências dos fenômenos, buscando
respostas e tentando sistematizar o conhecimento científico. Essas inquietações
leva-os a um exercício de esforço racional para compreender e agir sobre a
complexidade dos fatos e dos fenômenos, através de observações, métodos e
análises sistemáticas.

A partir do momento em que os cientistas começam as suas investigações,
da formulação do problema até a apresentação dos resultados, já se observa um
longo processo de comunicação entre eles, ou seja, há uma troca de informações
sobre os trabalhos que estão sendo desenvolvidos, estimulando debates acerca
das opiniões que poderão ser levantadas sobre as interpretações de assuntos
afins. A essa troca de informações entre si, em que o desenvolvimento da ciência
depende do nível de comunicação estabelecido nesse processo, é dado o nome
de Comunicação Científica, a qual ocorre em todas as etapas da pesquisa,
visando facilitar a disseminação do conhecimento, não só em campos específicos,
mas em toda área do conhecimento e para toda sociedade.
Para Santana (2003) “a construção do conhecimento resulta tanto na
comunicação formal (periódicos e outras publicações), assim como da
comunicação informal (interpessoal, colégios invisíveis)”. Onde o pesquisador é

�ao mesmo tempo produtor e usuário das informações. Ainda conforme Santana
(2003) esses canais, “são considerados, pelo sistema global de informação
técnico-cientifica, como canais básicos de comunicação que se completam, nesse
sistema, para a transferência de informação.”

4.1 CANAIS DE COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA

A ampla exposição dos resultados de pesquisa ao julgamento da
comunidade científica e sua aprovação por ela propicia confiança nesses
resultados. Por essa razão, todo trabalho intelectual de estudiosos e
pesquisadores depende de um intrincado sistema de comunicação, que
compreende canais formais e informais, os quais os cientistas utilizam tanto para
comunicar os resultados que obtêm quanto para se informarem dos resultados
alcançados por outros pesquisadores. Assim, toda pesquisa envolve atividades
diversas de comunicação e produz pelo menos uma comunicação formal. Na
verdade, uma determinada pesquisa costuma produzir várias publicações,
geradas durante a realização da pesquisa e após o seu término. Tais publicações
variam no formato (relatórios, trabalhos apresentados em congressos, palestras,
artigos de periódicos, livros e outros), no suporte (papel, meio eletrônico e outros),
audiências (colegas, estudantes, público em geral) e função (informar, obter
reações, registrar autoria, indicar e localizar documentos, entre outras). O
conjunto dessas publicações, que chamamos de literatura científica, permite
expor o trabalho dos pesquisadores ao julgamento constante dos seus pares, em
busca do consenso que confere a confiabilidade.

4.1.1 Canais Informais de Comunicação Científica:
A comunicação informal utiliza os chamados canais informais e inclui
normalmente comunicações de caráter mais pessoal ou que se referem à
pesquisa ainda não concluída, como comunicação de pesquisa em andamento,
certos trabalhos de congressos e outras com características semelhantes.

�4.1.2 Canais Formais de Comunicação Científica:
A comunicação formal se utiliza de canais formais, como são geralmente
chamadas as publicações com divulgação mais ampla, como periódicos e livros.
Dentre esses últimos (sic), o mais importante para a comunicação é a literatura
cinzenta: A expressão literatura cinzenta, tradução literal do termo inglês grey
literature,

é

usada

para

designar

documentos

não

convencionais

e

semipublicados, produzidos nos âmbitos governamental, acadêmico, comercial e
da indústria. Tal como é empregada, caracteriza documentos que têm pouca
probabilidade de serem adquiridos através dos canais usuais de venda de
publicações, já que nas origens de sua elaboração o aspecto da comercialização
não é levado em conta por seus editores. A expressão se contrapõe àquela que
designa os documentos convencionais ou formais, ou seja, a literatura branca.
Inicialmente o conceito de literatura cinzenta compreendia apenas os relatórios
técnicos e de pesquisa, e a verdade é que eles constituem, ainda hoje, o material
predominante no conjunto de documentos que a integram, a saber: publicações
governamentais, traduções avulsas, preprints (é nome dado à versão original de
um artigo ainda não publicado oficialmente), dissertações, teses e literatura
originada de encontros científicos, como os anais de congressos. A nãodisponibilidade em esquemas comerciais de venda é sua principal característica.
São geralmente documentos de caráter provisório ou preliminar e reproduzidos
em número limitado de cópias, normalmente inferior a mil exemplares e algumas
vezes muito menos. Não recebem numeração padronizada (ISSN ou ISBN), além
de não serem objeto de depósito legal. Um dos maiores problemas na publicação
de periódicos científicos é o longo tempo que o artigo leva para se tornar
disponível e, portanto, ter possibilidade de ser lido e citado.

A comunidade cientifica exerce a comunicação, tanto nas redes de
organizações como nas relações sociais formais e informais, sendo de grande
importância o papel dessa comunicação, que consiste em assegurar a troca de
informações. Os pesquisadores têm necessidade de se manter em contato com
seus colegas para se informar e informá-los acerca de trabalhos de pesquisa em

�andamento ou concluídos.
Dentre os autores que abordam a Literatura Científica, Ziman (apud
RAMOS, 1994, p. 341) afirma que esta possui, dentre outras, três características
fundamentais:
É fragmentária, é derivativa e é editada. É fragmentária, devido à
veiculação de artigos em periódicos que são, na maioria das vezes,
fragmentos de trabalhos científicos ainda em andamento; é derivativa,
por se apoiar em trabalhos realizados anteriormente, o que é
evidenciado pela utilização de referências e citações; é editada, ou seja,
avaliada, desde a fase de publicação pelos editores e avaliadores
(referees), até a sua circulação em larga escala entre os pares (ZIMAN
apud RAMOS, 1994, p. 341).

Para ter valor, o trabalho científico tem que sair das mãos do seu produtor
e ser divulgado, passando antes por uma avaliação que pode ser feita de várias
maneiras. Para Demo (apud RODRIGUES; LIMA; GARCIA, 1998, p. 148) um dos
critérios pode ser a análise do trabalho sob duas formas: “o seu conteúdo e sua
forma, que ele traduz como qualidade política e qualidade formal”.
Uma certa contribuição científica quando é dada em determinada ciência, é
conhecida

como

qualidade

política

que,

ainda

segundo

Demo

(apud

RODRIGUES; LIMA; GARCIA 1998, p. 148), “coloca a questão dos fins, dos
conteúdos, da prática histórica. Já por qualidade formal, entende-se que é uma
propriedade lógica, tecnicamente instrumentada, dentro de padrões acadêmicos
usuais”, ou seja, o manuseio e uso de dados, capacidade de manusear
bibliografias e também a capacidade de redação e apresentação de trabalhos
escritos como artigos, dissertações, teses e outros, sendo que a qualidade formal
merece uma maior reflexão, pois, muitos trabalhos científicos que vêm sendo
publicados, ao passar pela avaliação, são rejeitados devido a sérios problemas
metodológicos, que podem interferir na qualidade do trabalho científico como um
todo.

�5 A NORMALIZAÇÃO

O fato de que a documentação é secundária em relação ao pensamento
que ela exprime, o qual é primário, conduz, como conseqüência do melhoramento
na apresentação e na publicação dos trabalhos científicos, à melhoria necessária
de todas as operações documentais posteriores.
Nas condições atuais, a produção científica, particularmente a dos
documentos, é livre, salvo exceções. Vela-se ciumentamente sobre essa situação
que tantos esforços custou no correr do tempo; entretanto, no próprio regime de
liberdade, assistimos à intervenção de Associações científicas, de academias e,
nos

níveis

superiores,

a

das

associações

internacionais

(Congressos,

Federações, Institutos, Comissões).
Constantemente intervêm acordos nos planos de pesquisa e de trabalho.
Paralelamente, são elaboradas recomendações, regras, códigos mesmo, que
determinam os métodos comuns a seguir.
É grande o interesse de ver elaborado “um código geral de documentação”,
por intermédio de partes desses diversos códigos, comuns a todos os ramos, ou
suscetíveis de se tornarem.
De acordo com Dantas (1999, p. 26), a normalização se constituiria em um
processo que visa a formulação e a aplicação de regras ou padrões tendo como
objetivo principal sistematizar de forma ordenada uma atividade repetitiva. Ainda
segundo o autor, este processo deve ser “para o benefício e com a cooperação
de todos os interessados e em particular para promoção da economia global,
ótima, levando na devida conta condições funcionais e requisitos de segurança”
(DANTAS, 1999, p. 26).
Normalização, segundo a ABNT (2002) é a “atividade que estabelece, em
relação a problemas existentes ou potenciais, prescrições destinadas à utilização
comum e repetitiva com vistas à obtenção do grau ótimo de ordem em um dado
contexto”. Nesses termos, Cunha aponta que todo pesquisador deve estar
consciente das exigências que a comunidade científica impõe com relação à

�normalização de toda documentação produzida:
Todo trabalhador intelectual precisa aceitar a responsabilidade de
comunicar adequada e amplamente os resultados de seus estudos e
pesquisas, adotando para tanto, a mesma seriedade, dedicação e
disposição de espírito com que encara a responsabilidade de planejar e
executar os estudos e as pesquisas que lhe cabem. (CUNHA, 1973, p.
62.).

A normalização é uma atividade que busca a qualificação de produtos e
serviços, de maneira organizada e padronizada, que o homem, através de
necessidades sociais, usou de sua criatividade para racionalizar e normalizar
situações incômodas que conseqüentemente se transformava em sérios
problemas no seu cotidiano. A normalização, por ser exemplo da própria
natureza, é uma invenção antiga, mas que vem se adequando de acordo com as
transformações sociais e conseqüentemente com as novas necessidades de cada
sujeito sendo esta disseminada através das normas técnicas, que são elaboradas
com vista à produção de bens e serviços que são usadas como ordem,
transformando-se em métodos práticos e até em lei.
A atividade de normalização tem lugar em diversos níveis, de modo a servir
a um propósito específico. Assim sendo, a classificação das normas quanto ao
nível se refere mais ao nível de sua utilização do que de sua elaboração, embora
quase sempre ambos coincidam. As normas podem ser elaboradas em quatros
níveis distintos, conforme sua abrangência:
Internacional - ISO, IEC; Regional - Mercosul, Copant; Nacional -ABNT, DIN,
ANSI, AFNOR, JIS; Empresa - Normas de empresas.

Toda atividade humana de caráter repetitivo supõe o uso de normas, que
visam a simplificar procedimentos, melhorar a comunicação, e no caso do setor
produtivo, garantir maior economia de recursos, prestar segurança à vida,
imprimir qualidade a produtos/bens/serviços, além de facilitar o intercâmbio, de
modo geral. No Brasil, a normalização é uma pratica usual nas áreas odontomédico-hospitalar, de mineração, de transporte, petroquímica, agricultura,
qualidade, só para citar algumas. Na área de documentação, entretanto, ainda é

�desconhecida na sua extensão e utilidade, sendo comumente alvo de muitas
dúvidas por parte dos pesquisadores e professores. Entenda aqui normalização
como o conjunto de procedimentos padronizados que se aplicam à elaboração de
documentos técnicos e científicos, de modo a induzir e retratar a organização de
seu conteúdo.

6 NORMALIZAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO CIENTÍFICA

No que diz respeito à documentação é necessário que haja uma atenção
especial em relação à informação, uma vez que esta, em grande quantidade,
necessita de um tratamento e organização adequados para ser recuperada e
utilizada com maior facilidade. Com a normalização isso se torna ainda mais
simples, pois, permite uma economia geral de esforços no tratamento da
informação, facilita a troca de informações, contribui para reduzir as dificuldades
econômicas e técnicas que se opõem à livre circulação da informação, tornando
possível uma melhora na qualidade dos serviços informacionais, através da
adoção de normas bem elaboradas.
Áreas de normalização no uso da informação:
a) No controle bibliográfico - possibilita que os materiais
bibliográficos como: catálogos de bibliotecas, as bibliografias nacionais
etc., sejam vastamente compreendidas e utilizadas.
b) Na análise e recuperação de assuntos (informação) - incluindo
também cabeçalhos de assuntos, tesauros, indexação e resumos e outros.
c) Na informação bibliográfica legível por máquina - por ser
essencial abrangendo o uso de equipamentos, a constituição de redes, a
interconexão de sistemas e também o modelo dos formatos bibliográficos
utilizados.
d) No gerenciamento de coleções documentais - deve ser
aplicada em algumas atividades da política de desenvolvimento de
coleções como: aquisição, armazenamento e segurança da preservação

�dos documentos, nos requisitos de espaço, entre outros.
e) Na preparação da informação - é necessário que a pontuação, o
uso de abreviações e a inclusão de referências, sejam normalizados na
apresentação ou publicação de informações.
f) Na apresentação e organização de textos - é necessário
também que haja normalização no modo ou forma de apresentar o texto;
no uso de citações e notas, na indexação e na leitura de provas.
g) Na produção /reprodução de documentos - a normalização é
necessária independente do formato onde se encontra a informação:
impressa, audiovisual ou meio eletrônico.
h) Na organização de sistemas e serviços de informação - a
utilização de normas devem ser aplicadas a políticas de informação, ao
planejamento e organização de serviços e redes, à educação, ao
treinamento e a avaliação de pessoal, tanto no gerenciamento como na
administração de serviços de informação.

A

documentação

cientifica

apresenta

três

processos:

construção,

comunicação e uso, que se sucedem e se alimentam, reciprocamente, do
comportamento dos cientistas, das suas necessidades e da utilização da
informação. Trata-se, portanto, da construção dos conhecimentos científicos e
tecnológicos, que, por sua vez registrados, em forma escrita ou oral, impressa ou
digital resultarão em informações cientificas e tecnológicas.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nós humanos, seres culturais pensantes, racionais, elaborantes, somos os
construtores/produtores do conhecimento. Cabe à linguagem, especialmente a
escrita, fundamental papel de registrar, preservar e difundir o conhecimento,
resgatando-o perpetuando-o como informações, devidamente codificadas.
O papel das Instituições de Ensino Superior – IES, consubstanciado nos

�cursos de graduação e pós-graduação é a formação de profissionais
competentes, éticos e criativos, que sejam capazes, minimamente, de pesquisar e
elaborar, são esses os predicados/objetivos essenciais ao metabolismo
acadêmico. Para realizar esses predicados/objetivos com efetividade, digo,
eficiência associada à eficácia é necessário o uso de normas e ritos para sua
elaboração, apresentação, encaminhamento e desenvolvimento. Apresentar aos
pares e à sociedade os resultados do que foi perquirido, investigado ou
pesquisado é a etapa natural, seqüencial aquela imprescindível à atividade
acadêmica. A mais universal e aceita forma de fazê-lo é através da elaboração de
textos científicos escritos.

As

múltiplas

percepções/concepções

de

mundo,

o

domínio

do

conhecimento em diferentes campos do saber e a prática de metodologias
adequadas e apropriadas, levam a adoção de caminhos próprios ou a utilização
de diferentes referenciais na elaboração e publicação de trabalhos científicos. Na
maioria das vezes esses procedimentos desencontrados, e muitas vezes
contraditórios, conduzem a confusões que desanimam os sujeitos envolvidos no
processo da aprendizagem, fragilizando o saber em si. É evidente que a busca da
normalização pela fonte geradora da informação – ABNT, não se dá de forma
sistemática e habitual, o que se vê com freqüências são livros de metodologia
cientifica onde cada autor determina de forma aparentemente aleatória os seus
critérios para a elaboração de trabalhos acadêmicos.

Podemos concluir que as normas e parâmetros rigorosos de notação,
referenciamento e citação permitem o cumprimento da função crucial da
comunicação cientifica, pois, esta padronização de regras facilita a identificação
de autores e de obras, viabilizando a localização das fontes primárias. Portanto,
deveria ser oferecida a disciplina metodologia da pesquisa científica para todos os
cursos de graduação, uma vez que a pesquisa cientifica não se restringe a
determinadas áreas do conhecimento; como também familiarizar os docentes e
discentes com as normas propriamente ditas, em vez da utilização de livros que
nem sempre seguem os padrões da ABNT.

�THE NORMALIZATION AS INSUMO OF THE SCIENTIFIC DOCUMENTATION

ABSTRACT
This study it aims at to launch a look regarding the importance of the normalization
in publications scientific, understood here also for academic works as scientific
monographs, dissertações, teses and articles. Therefore, in what it says respect to
the cientifica documentation is necessary that has a special attention in relation to
the information, a time that this, in great amount, needs treatment and
organization adjusted to be recouped and used with bigger easiness. Being the
basic normalization for the elaboration of academic works in all the areas, would
have, therefore, to be offered discipline it methodology of the scientific research for
all the graduation courses, a time that the cientifica research does not restrict the
definitive areas of the knowledge; as well as to make familiar the professors and
learning to norms properly said, instead of the book use that nor always follows
the standards of the ABNT. Such omission if reflects in the after-graduation,
where, frequently, the learning produce texts, articles, dissertações and teses with
incorreções that make it difficult the process of the scientific communication.
Key - Word: Cientificas publications. Normalization of academic works. ABNT.
Science.

�REFERÊNCIAS

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Belém: UFPA, 1995.
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KÖCHE, José Carlos. Fundamentos de metodologia cientifica: teoria da
ciência e iniciação à pesquisa. 20. ed. Petrópolis: Vozes, 2002.
LAVILLE, Christian; DIONNE, Jean. A construção do saber: manual de
metodologia da pesquisa em ciências humanas. Belo horizonte: artmed, 1999.
RAMOS, Marcos Gonçalves. Modelos de comunicação e divulgação
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n. 3, p. 340/348, set./dez. 1994.
RODRIGUES, Mara Eliane Fonseca; LIMA, Márcia H. T. de Figueredo; GARCIA,
Márcia Japor de Oliveira. A normalização no contexto da comunicação científica.
Perspectiva Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 3, n. 1, p. 147 a 146,
jul./dez. 1998.
SANTANA, Celeste Maria de Oliveira. “Colégios invisíveis” e gatekeepers da
ciência em uma comunidade científica de doenças infecciosas e parasitárias na
Bahia. In.____Informação: contextos e desafios. Salvador: instituto de Ciência da
Informação. Programa de pós-Graduação em Ciência da Informação, 2003.
p.101-117.

_______________________________
* Graduada em Biblioteconomia e Documentação pela Universidade Federal da Bahia; Especialista em
Metodologia da Pesquisa Científica; Bibliotecária da Faculdade Metropolitana de Camaçari e Bibliotecária
da Empresa Gráfica da Bahia.
** Graduada em Biblioteconomia e Documentação pela Universidade Federal da Bahia; Especialista em
Metodologia da Pesquisa científica; Bibliotecária da Faculdade Metropolitana de Camaçari e Coordenadora
das bibliotecas públicas de Camaçari.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
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              <elementText elementTextId="53540">
                <text>A normalização como insumo da documentação científica.</text>
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            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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              <elementText elementTextId="53541">
                <text>Fernandes, Patrícia V. N. D.; Santos, Jucilene Oliveiras dos</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
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            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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              <elementText elementTextId="53542">
                <text>Salvador (Bahia)</text>
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          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
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            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
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                <text>Este estudo visa lançar um olhar a respeito da importância da normalização nas publicações científica, aqui compreendida também por trabalhos acadêmicos como monografias, dissertações, teses e artigos científicos. No que diz respeito à documentação cientifica é necessário que haja uma atenção especial em relação à informação, uma vez que esta, em grande quantidade, necessita de tratamento e organização adequados para ser recuperada e utilizada com maior facilidade. Sendo a normalização fundamental para a elaboração de trabalhos acadêmicos em todas as áreas, deveria, portanto, ser oferecida a disciplina metodologia da pesquisa científica para todos os cursos de graduação, uma vez que a pesquisa cientifica não se restringe a determinadas áreas do conhecimento; como também familiarizar os docentes e discentes com as normas propriamente ditas, em vez da utilização de livros que nem sempre seguem os padrões da ABNT. Tal omissão se reflete na pós-graduação, onde, freqüentemente, os discentes produzem textos, artigos, dissertações e teses com incorreções que dificultam o processo da comunicação científica.</text>
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            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
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                <text>pt</text>
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                    <text>A participação do Serviço de Biblioteca e Documentação da
Faculdade de Medicina da USP, na disponibilização digital do
conhecimento gerado na Universidade

Maria Fazanelli Crestana
Mestre em Saúde Pública, Diretora Técnica do Serviço de Biblioteca e
Documentação

da

Faculdade

de

Medicina

da

USP

–

crestana@biblioteca.fm.usp.br

Suely Campos Cardoso
Bibliotecária do Serviço de Biblioteca e Documentação da Faculdade de Medicina
da USP, pós-gradua nda da FMUSP. suely@biblioteca. fm.usp.br

Serviço de Biblioteca e Documentação da Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo
Av. Dr. Arnaldo, 455
01246-903 São Paulo, SP, Brasil
Tel./Fax (0xx11) 3085-0901
sbd@biblioteca.fm.usp.br

�RESUMO

Aborda o papel assumido pela Biblioteca Central do Serviço de Biblioteca e
Documentação da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo –
BC/SBD/FMUSP para incentivar alunos e orientadores na submissão de suas
dissertações e teses ao Portal do Conhecimento – Saber, que abriga a Biblioteca
Digital de Teses e Dissertações. Corroborando o propósito da Biblioteca Digital de
disponibilizar o conhecimento gerado na Universidade e no intuito de dar
visibilidade às teses e dissertações defendidas na FM, a Biblioteca Central, desde
julho de 2005, tem procedido o encaminhamento e inserção desses trabalhos na
íntegra, bem como tem dado suporte operacional aos alunos que desejam fazer a
submissão. Relata o trabalho conjunto da BC, da Comissão de Pós-Graduação e
dos alunos, que resultou na inserção de aproximadamente 300 teses e
dissertações até maio de 2006, representando 7,33% do total inserido pelas 50
Unidades participantes: ensino e pesquisa, institutos, hospitais, museus, órgãos
externos e programas conjuntos. Os resultados evidenciam, além da participação
numérica da FM na Biblioteca Digital, a utilização e adesão por parte da sua
comunidade acadêmica ao Portal, como forma de divulgação e acesso ao
conhecimento científico e o SBD/FMUSP cumpre seu papel no apoio às
atividades de ensino, pesquisa e extensão.
Palavras-chave: Biblioteca digital. Conhecimento científico. Teses. Dissertações.
Eixo temático: As bibliotecas universitárias e a geração do conhecimento.
Sub-tema: A preservação do conhecimento e os arquivos digitais.

�O contexto da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP

A implantação da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade
de São Paulo (USP), em junho de 2001, deu-se no contexto em que, segundo
Rowley (2002, p.12),
[...] a competitividade e eficácia dos indivíduos, organizações e
sociedades dependem cada vez mais de sua capacidade de
processamento de informações e criação de conhecimentos, o
que significa que existe uma maior preocupação com a
competência dos indivíduos, organizações e sociedades em
relação à comunicação, processamento da informação e criação
do conhecimento.

A Biblioteca Digital da USP está associada a uma iniciativa global ligada à
Unesco (Organização das Nações Unidas pela Educação, Ciência e Cultura), a
"Networked Digital Library of Theses and Dissertations" (Biblioteca Digital
Reticular de Teses e Dissertações), com mais de 100 Universidades da Europa e
dos Estados Unidos cadastradas. (FOLHA ONLINE, 2001).
As notícias veiculadas nacionalmente, confirmam a preocupação dos órgãos
de educação com divulgação e utilização das dissertações e teses produzidas no
país,
A partir de março de 2006 o MEC determinou que as Instituições
de

Ensino

Superior

que

oferecem

pós-graduação

devem

disponibilizar na internet as dissertações e teses no Portal Domínio
Público do MEC. Essa iniciativa tem como meta dobrar a
publicação dos trabalhos de conclusão dos pós-graduandos, pois
esses trabalhos serão mais utilizados, mais citados e seu trabalho
mais valorizado. A USP, UNICAMP e UFPE, já disponibilizam para
consulta no portal às dissertações e teses de seus alunos”.
(GLOBO ONLINE, 2006).

�Masiero, Bremer, Coletta, Lirani, Kondo, Aragão, Mosconi e Salem (2001,
p. 34), explicam que o escopo da Biblioteca Digital engloba as áreas de humanas,
exatas e biológicas, com diferentes conteúdos, que vão do texto simples até
estruturas compostas de vídeos e imagens; recorrem a Fox e Marchionini para
enfatizar que,
[...] bibliotecas digitais envolvem a integração de sistemas
complexos, incluindo coleção de documentos com estruturas,
mídias

e

conteúdos

variados,

além

de

uma

mistura

de

componentes de hardware e software interoperando, ao longo de
diferentes estruturas de dados, algorítmos de processamento e
múltiplas pessoas, comunidades e instituições com diferentes
objetivos, políticas e culturas.

Os mesmos autores dão conta que, “A USP possui o maior sistema de pósgraduação do país e produz anualmente cerca de 1500 teses de doutorado e 2600
dissertações de mestrado, em 259 programas de pós-graduação”.
A Biblioteca Digital, foi o primeiro produto do Portal do Conhecimento da
USP (www.saber.usp.br), idealizado para receber outras bibliotecas digitais e
desde 2003, a USP faz parte da Biblioteca Brasileira Digital de Teses e
Dissertações, mantida pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e
Tecnologia – IBICT, órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia.
Segundo Marengo,
Bancos de Teses são hoje considerados um recurso diferencial e
competitivo nas universidades e bibliotecas, pois ampliam os
horizontes do ensino e da pesquisa, possibilitando a liberdade dos
usuários para a busca do material bibliográfico, sem a preocupação
de espaço e quantidade de acervos físicos disponíveis.

É inegável a relevância dessa iniciativa da Universidade de São Paulo, e a
importância do papel difusor de conhecimento e facilitador do acesso às
informações,

bem

como

da

sua

manutenção,

desenvolvimento do ensino e da pesquisa no país.

nas

perspectivas

de

�Para os autores das teses e dissertações, a Biblioteca Digital é
uma oportunidade única de exibição dos trabalhos para a
comunidade interna e externa à USP, de forma rápida e fácil. Esse
fator abrirá perspectivas de crescimento profissional cada vez
maiores. A mesma oportunidade será dada aos orientadores e
áreas de pós-graduação, que terão um aumento significativo no
impacto de suas pesquisas, tanto no Brasil, quanto em qualquer
lugar do mundo com acesso disponível à Internet. (PORTAL
SABER-USP).

Terenzi, Bremer e Masiero (2003) ao abordar os efeitos da disponibilização
das teses digitais, como a facilidade do aceso e recuperação, a preocupação dos
autores e orientadores com a qualidade e a visibilidade proporcionada, lembram
que,
A USP produz cerca de um quarto de toda a pesquisa produzida no
Brasil, medida por publicações em periódicos internacionais
indexados, e é responsável pela formação de cerca de quarenta por
cento dos doutores brasileiros. Ao tornar mais fácil o acesso a suas
teses, a USP amplia grandemente a oportunidade de acesso ao
conhecimento científico por ela produzido para professores
universitários, estudantes de pós-graduação e pesquisadores em
geral, no Brasil e no exterior, que são consumidores naturais desse
trabalho.

A inserção das dissertações e teses na Biblioteca Digital

A submissão é feita pelos alunos, que recebem uma senha com validade
temporária, usada e válida até que a tese ou dissertação esteja inserida no site,
onde os alunos encontram instruções para a submissão. Os dados das teses são
replicados dos bancos e sistemas institucionais, o DEDALUS e FENIX, de onde
são buscados metadados referentes à banca examinadora, data de defesa,
orientador e título; em seguida os alunos complementam com os resumos em

�português e inglês. Com a versão impressa disponível, a biblioteca da Unidade de
ensino na qual foi apresentada a defesa, completa dados bibliográficos como, o
número de tombo e a classificação para posterior localização Cabe às seções de
pós-graduação dessas Unidades, a geração de senhas para os alunos e a
conferência, que verifica se a tese submetida corresponde àquela defendidas. Às
bibliotecas cabe a inserção e conferência dos dados bibliográficos e dos arquivos
submetidos, para posterior liberação para consulta em http://www.teses.usp.br.
Automaticamente o sistema gera mensagens para os autores, sobre a
submissão e a liberação para consulta.
São indexados tanto os dados das dissertações e teses, chamados de
metadados: o título, o autor, a banca examinadora, a data, etc, como os
conteúdos das próprias dissertações e teses.

As ações do Serviço de Biblioteca e Documentação da Faculdade de
Medicina da Universidade de São Paulo

O Serviço de Biblioteca e Documentação da Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo - SBD/FMUSP, pela via da Biblioteca Central, desde
julho de 2005, tem procedido o encaminhamento e inserção desses trabalhos na
íntegra, bem como tem dado suporte operacional aos alunos que desejam fazer a
submissão. Ao assumir esses procedimentos, o SBD pretende, além de incentivar
alunos e orientadores na submissão de suas dissertações e teses ao Portal do
Conhecimento – Saber, contribuir para que o número de dissertações e teses
passíveis de consulta, aumente consideravelmente, corroborando com o propósito
da Biblioteca Digital de disponibilizar o conhecimento gerado na Universidade e
especialmente, no intuito de dar visibilidade às teses e dissertações defendidas
na FMUSP.

�Em pesquisa realizada no dia 08 de junho de 2006, estavam disponíveis no
Portal, 4.408 dissertações e teses, sendo 2.804 de mestrado, 1.587 de doutorado
e 17 de livre-docência.
Deste total constavam como sendo da FMUSP, 121 de mestrado, 191 de
doutorado e 04 de livre-docência (Gráfico 1).

Gráfico 1. Total de teses e dissertações da FMUSP no Portal SABER da USP.

191

200
150
121
100
50

4

0
Mestrado

Doutorado

Livre-docência

Através das áreas de concentração discriminadas no portal é possível fazer
um levantamento da produção das dissertações e teses da FMUSP que já estão
inseridas na Biblioteca Digital da USP, distribuindo-as nas respectivas áreas
(Tabela 1).

�Tabela 1. Total de dissertações e teses inseridas no portal por área.
Área
Alergia e Imunopatologia
Anestesiologia
Cardiologia
Cirurgia Plástica
Cirurgia Cardiovascular
Cirurgia do Aparelho Digestivo
Cirurgia Torácica e Cardiovascular
Clínica Cirúrgica
Comunicação Humana
Dermatologia
Distúrbios do Crescimento Celular,
Hemodinâmicos e da hemostasia
Distúrbios Genéticos de Desenvolvimento e
Metabolismo
Doenças Infecciosas e Parasitárias
Educação e Saúde
Emergências Clínicas
Endocrinologia
Fibromialgia
Fisiopatologia Experimental
Gastroenterologia Clínica
Ginecologia e Obstetrícia
Hematologia
Medicina Legal
Medicina Preventiva
Movimento, Postura e Ação Humana
Nefrologia
Neurologia
Oftalmologia
Oncologia
Ortopedia e Traumatologia
Otorrinolaringologia
Patologia
Pediatria
Pneumologia
Processos Imunes e Infecciosos
Processos Inflamatórios e Alérgicos
Psiquiatria
Radiologia
Ressonância Magnética
Reumatologia
Urologia
Total

Mestrado
01
01
08
05
-

Doutorado
02
22
03
06
10
02
-

Livre-docência
01
-

Total
01
02
22
01
01
11
06
10
07
-

-

-

-

-

02
39
03
06
03
14
02
05
01
04
11
08
04
04
121

05
07
04
20
02
01
04
10
04
04
04
02
01
07
19
11
05
19
08
03
06
191

01
01
01
04

08
07
04
01
59
05
08
07
24
06
09
04
03
05
07
19
22
05
27
08
07
10
309

�Há que se considerar que algumas áreas, tais como Movimento, Postura e
Ação Humana, Comunicação Humana, etc. são novas na Unidade e em outras o
aluno inscreve -se diretamente no Programa de Doutorado.
No Gráfico 2 estão representadas as 121 dissertações de mestrado
defendidas na FMUSP, disponíveis no Portal para acesso público através da
internet, sendo que estão consideradas as áreas para as quais constam mais de
cinco dissertações

Gráfico 2. Dissertações de mestrado distribuídas por área de concentração e que
excedem o número de cinco por área.

40
35
Cirurgia do Aparelho Digestivo

30

Dermatologia

25

Fisiopatologia Experimental

20

Ginecologia e Obstetrícia
Medicina Preventiva

15

Neurologia
Pediatria

10

Psiquiatria

5
0

Mestrado

O Gráfico 3 representa e relaciona as 14 áreas áreas de concentração que
possuem os maiores números de teses de doutorado inseridas.

�Gráfico 3. Teses de doutorado distribuídas por área de concentração e que
excedem o número de cinco por área.

25

Cardiologia
Cirurgia Torácica e
Cardiovascular
Clínica Cirúrgica

20

Doenças Infecciosas e
Parasitárias
Emergências Clínicas

15

Fisiopatologia
Experimental
Medicina Preventiva
Otorrinolaringologia

10

Patologia
Pediatria
Pneumologia

5
Psiquiatria
Radiologia
Urologia

0

Doutorado

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados evidenciam que a iniciativa da Biblioteca Central contribuiu
para que o número de teses/dissertações da FMUSP no Portal Saber aumentasse
significativamente: em 2004 foram inseridas 23, em 2005, 141 e em 2006, 121 até
junho, perfazendo um total de 308 teses/dissertações disponíveis online.
Além da participação numérica da FMUSP na Biblioteca Digital, houve um
incremento na utilização e adesão por parte da sua comunidade acadêmica no
Portal, como forma de divulgação e acesso ao conhecimento científico.
Além da execução de seus próprios processos e atividades de trabalho, o
SBD/FMUSP acredita que, ao contribuir e assumir iniciativas como esta, cumpre

�seu papel no apoio às atividades de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas
na Unidade, bem como colabora para dar visibilidade aos novos conhecimentos
gerados na Universidade.

REFERÊNCIAS

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Folha

Online,

São

Paulo,

28

jun.

2001.

Disponível

em:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u4885.shtml. Acesso em: 25
abr. 2006.
FOLHA Online. USP inaugura banco de teses na internet. Folha Online, São
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http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u4885.shtml. Acesso em: 25
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GLOBO Online. Dissertações e teses de todo o país poderão ser consultadas na
internet. Globo Online, Rio de Janeiro, 19 abr. 2006.

Disponível em:

http://oglobo.globo.com/online/educacao/plantao/2006/04/19/246877904.asp.
Acesso em: 25 abr. 2006.
MARENGO, L. Criação do banco de teses digitais da UDESC. Disponível em:
http://www.libdigi.unicamp.br/document/?view=8383. Acesso em: 25 abr. 2006.
MASIERO, P. C.; BREMER, C. F.; COLETTA, T. G.; LIRANI, M. L. R.; KONDO, R.
T.; ARAGÃO, A. C.; MOSCONI, E. P.; SALEM, A. D. C. A biblioteca digital de
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Disponível em: http://www.teses.usp.br/noticias/porquelerumatese.pdf. Acesso
em: 20 abr. 2006.
USP. Biblioteca Digital de Teses e Dissertações. Cooperação. Disponível em:
http://www.teses.usp.br/cooperacao.html. Acesso em: 24 abr. 2006.

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Aborda o papel assumido pela Biblioteca Central do Serviço de Biblioteca e Documentação da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – BC/SBD/FMUSP para incentivar alunos e orientadores na submissão de suas dissertações e teses ao Portal do Conhecimento – Saber, que abriga a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações. Corroborando o propósito da Biblioteca Digital de disponibilizar o conhecimento gerado na Universidade e no intuito de dar visibilidade às teses e dissertações defendidas na FM, a Biblioteca Central, desde julho de 2005, tem procedido o encaminhamento e inserção desses trabalhos na íntegra, bem como tem dado suporte operacional aos alunos que desejam fazer a submissão. Relata o trabalho conjunto da BC, da Comissão de Pós-Graduação e dos alunos, que resultou na inserção de aproximadamente 300 teses e dissertações até maio de 2006, representando 7,33% do total inserido pelas 50 Unidades participantes: ensino e pesquisa, institutos, hospitais, museus, órgãos externos e programas conjuntos. Os resultados evidenciam, além da participação numérica da FM na Biblioteca Digital, a utilização e adesão por parte da sua comunidade acadêmica ao Portal, como forma de divulgação e acesso ao conhecimento científico e o SBD/FMUSP cumpre seu papel no apoio às atividades de ensino, pesquisa e extensão.</text>
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                    <text>EIXO TEMÁTICO: A PRESERVAÇÃO DO CONHECIMENTO E OS ARQUIVOS
DIGITAIS

TÍTULO DO TRABALHO: A PRESERVAÇÃO DA IMAGEM FIXA COMO FONTE
DE INFORMAÇÃO
Eliane Ferreira da Silva  Doutora em Educação /UFRN Professora do
Departamento de Biblioteconomia / UFRN email abílio_silva@uol.com.br
Luciana Moreira Carvalho  Mestre em Biblioteconomia/ UFPB - Professora do
Departamento de Biblioteconomia / UFRN  email carvalho@ufrnet.br
Maria do Socorro de Azevedo Borba - Mestre em Biblioteconomia/
PUCCAMP/SP  Profª Departamento Biblioteconomia  UFRN -  email
sosborba@yahoo.com.br
Mônica Marques Carvalho - Mestre em Biblioteconomia/ UFPBProfª Departamento Biblioteconomia  UFRN -email mônica_mcg@hotmail.com

RESUMO : Análise da imagem resgatando a história da fotografia. Destaca o
tratamento da informação, abordando o ciclo documentário. Descreve a
metodologia da representação da informação quer seja a representação descritiva
quer seja a representação temática. Identifica o tratamento e a preservação deste
tipo de documento.
ABSTRACT: This work deals with image analysis. The history of photography is
seen as well as information treatment through the documentary cicle. This
treatment is done using tematic and descriptive representation. Treatment and
Preservation of this type document is dealtwith.
Palavras-chave: Palavras-chave: Documento; Organização; Informação;
Arquivo; Memória; Representação do Conhecimento.
1 INTRODUÇÃO
A fotografia é uma imagem registrada e fixa. Desse modo, é passível de
várias possibilidades de leituras e interpretações. Conta com dimensões de
análises, dentre elas a dimensão subjetiva e a dimensão técnica. O objetivo do
artigo em questão é o de enfocar a imagem fixa como um documento através da
Representação Descritiva e Temática. A seguir iremos focar o olhar na fotográfica
do ponto de vista histórico e representativo para a recuperação das informações

�contidas nas imagens, bem como aspectos ligados a sua preservação e
manutenção.
2 HISTÓRIA DA FOTOGRAFIA
A 1ª referência à câmara escura foi feita por Aristóteles ao deixar registrado
uma lei da física que enunciava sobre os raios do sol ao penetrarem numa caixa
fechada, através de um pequeno orifício, formavam uma imagem circular cujo
tamanho torna-se maior quando se aumenta a distância da parede com a imagem
do orifício. Séculos mais tarde, Leonardo da Vinci menciona que o olho humano
funciona como uma câmara escura. Nos nossos dias, diversos autores
reconhecem a invenção de Niepce, em 1815, mais tarde aperfeiçoada por
Daguerre e apresentada à Academia de Ciências de Paris, em 1839, como um
marco na história da fotografia. No entanto, um aspecto merece ser resgatado do
registro histórico, trata-se do trabalho de outro francês, radicado no Brasil,
chamado Hercules Florence. Conforme mostra Borba e Silva (2005), ele
permaneceu desconhecido por um bom tempo, mas foi resultado de sua pesquisa
e trabalho que, em 1833, em território brasileiro realizava-se a primeira fotografia
com uma câmara escura. A técnica foi denominada "Photographie" por Florence.
3 TRATAMENTO DA INFORMAÇÃO  Ciclo documentário
Entendendo que a preocupação pela conservação de documentos, todo o
mundo sabe, não é novidade: suas origens situam-se há mais ou menos 4.000
anos, quando os povos da Mesopotâmia conservavam em tabuletas de argila
cuidadosamente organizadas, registros contábeis, ordenanças de governo,
contratos e sentenças judiciais. Entretanto, a consolidação com certa cientificidade
das duas profissões que lidam com a guarda, conservação e manuseio dos
documentos, ou seja, a arquivologia e a biblioteconomia, somente aconteceu a
partir da segunda metade do século XIX.
A mudança de paradigma do documento como foco para o seu conteúdo,
ou seja para a informação, acontece ainda bem mais próxima de nós, com o

�surgimento da ciência da informação, a qual com o auxílio das novas tecnologias
da informação e da comunicação tem revolucionado e ampliado os horizontes do
que poderia ser chamado de ciências da documentação.
De acordo com Robredo (2005)1, quando faz o seguinte questionamento
Para onde apontam a(s) possível(eis) solução(ões)?
Em primeiríssimo lugar, para a indispensável conscientização das
lideranças de todos os setores envolvidos de que o um país só deixará de ser
dependente e vulnerável enquanto não seja dono e mestre de suas informações.
Neste ponto, a imprensa e mídia em geral têm um importante papel pela frente.
Em segundo lugar, para o investimento na formação de recursos humanos
capazes de discernir as boas soluções e aqueles profissionais e técnicos que as
podem implementar. Aqui, as universidades e as instituições de ensino e
formação, podem contribuir de forma decisiva com cursos intensivos de
atualização nas áreas críticas mais urgentes. Para que o profissional bibliotecário
faça a identificação e análise do conteúdo informacional dos documentos ou, de
forma mais genérica e precisa, dos suportes da informação e do conhecimento
registrados se faz necessário elaborar o ciclo documental, ou seja, trilhar pelos
seguintes processos:
A organização física e a preservação segura da memória documental
original;
A organização lógica dos dados, da informação e do conhecimento,
identificados na primeira etapa;
A

conversão

ou

codificação

desses

dados,

informações

e

conhecimentos de forma a permitir seu processamento informático
avançado e seu armazenamento digital organizado e seguro, assim
como a geração e contínua atualização de bancos de dados e
conhecimentos;
1

ROBREDO, Jaime. Organização dos documentos ou organização da informação: uma questão de escolha.
www.dgz.org.br. Acesso 05 junho 2005.

�A utilização de motores de busca avançados suscetíveis de
converter as questões e pedidos de informação dos usuários numa
linguagem codificada compatível com a linguagem de codificação
utilizada na etapa precedente;
A identificação dos documentos que contêm os dados, informações e
conhecimentos pertinentes às questões e solicitações formuladas;
A localização imediata desses documentos e o acesso e consulta
aos mesmos, seja esta física mediante extração do acervo onde
foram armazenados, ou virtual através de uma cópia digitalizada
devidamente autenticada e certificada.
4 PADRÕES DE NORMALIZAÇÃO INTERNACIONAL DE DESCRIÇÃO DE
DOCUMENTOS
O crescimento vertiginoso com que a produção de itens informacionais
alcançou a partir da invenção dos tipos móveis por Gutenberg (1470), provocou o
que hoje chamamos de explosão da informação.

Para tentar conhecer e

acompanhar os itens informacionais produzidos recorremos a normas que
proporcionam a padronização dos registros, denominada International Standard
Bibliographical

Description



ISBD

(Descrição

Bibliográfica

Padronizada

Internacional) e em especial a ISBD (NBM) de 1977, para material não
bibliográfico.
Já o Anglo  American Cataloguing Rules  AACR (atualmente na sua 2ª
edição revisada, denominando-se assim AACR2R), é bastante utilizado nas
bibliotecas para que o acervo siga um padrão de organização internacional,
passível de ser recuperado. Para tanto ele é dividido em capítulos que abordam
especificamente cada tipo de material bibliográfico e não bibliográfico. Essas
normas internacionais formam estruturas extremamente necessárias para que
haja uma organização e perfeita utilização das informações contidas em diferentes
suportes.
5 REPRESENTAÇÃO

�Representar significa tornar presente novamente, destacando os pontos
principais de um documento, em substituição ao original. As primeiras
tentativas de representação da informação datam do Segundo Milênio a.C.,
onde alguns mesopotâmios protegiam as obras em argila com envelopes que
possuíam informações concisas a respeito do conteúdo. Para a sistematização
da representação, desenvolveu-se ao longo dos anos a Análise Documentária
(A.D.), que inicialmente foi concebida e denominada por Jean Claude Gardin;
A Análise Documentária pode ser entendida como um conjunto de
procedimentos metodológicos para a representação de conteúdos
informacionais dos documentos com fins pragmáticos para
recuperar informação (KOBASHI, 1997).

A A.D objetiva tratar os textos através da condensação. A criação
destes

produtos

é

possível

após

a

aplicação

das

técnicas

de

REPRESENTAÇÃO da Informação;
Representação daquilo que se pensa ou como substituição,
descrição é representar como ato de reproduzir, descrever,
tornar algo presente, interpretar (FERREIRA, 1990)
A REPRESENTAÇÃO objetiva desconstruir para construir;
Destes

processos

são

gerados

a

INFORMAÇÃO

DOCUMENTÁRIA que é resultante de operações da natureza
semântica, construída a partir de um objeto presente, o
TEXTO ou DOCUMENTO (forma de representação simbólica)
que o substitui para certas finalidades.
São realizados ATOS DOCUMENTÁRIOS que são atos de
Comunicação que tem a finalidade de promover a circulação
de informação.
5.1 REPRESENTAÇÃO DESCRITIVA
Consiste em identificar elementos que personalizem e descrevam uma
determinada fonte de informação. Seu objetivo é fornecer o registro detalhado do

�item, para sua posterior recuperação. Especificamente para a representação das
imagens, o AACR2R, utiliza-se do seu capítulo 8, dedicado a materiais gráficos.
Segundo Ribeiro (2003) são representados por todos os tipos de materiais em duas
dimensões, opacos (originais ou reproduções de arte, quadros de pintura, gravuras,
fotografias, desenhos artísticos ou técnicos) ou transparentes, destinados a serem
vistos ou projetados sem movimento. (RIBEIRO, 2003, grifo nosso).
Cada material gráfico recebe uma designação, conhecida pela sigla dgm ou
designação geral do material. A ilustração é um tipo de dgm. No entanto para
especificar cada item dentre as várias ilustrações, usamos o termo dem, ou
designação específica do material.

No entanto é importante perceber que ao

catalogar uma fotografia, além do conhecimento técnico das normas é preciso ter a
sensibilidade de ler a imagem fixada no papel e dali extrair o máximo de
informações possíveis para sua identificação, sendo necessário muitas vezes um
verdadeiro trabalho de investigação, onde os indícios atribuídos àquela imagem irão
compor um corpo de informações a serem registradas, potencializando seu posterior
resgate.
5.1.1 Catalogação de Fotografias
Ao se pensar em fotografia, nos vem sempre a mente o jargão popular que
diz que uma imagem vale por mil palavras. No entanto podemos afirmar através de
Kubrusky (2003, p.77) que essa afirmativa perde o seu fundamento um vez que:
A palavra é racional, dissertativa, prolixa. A imagem, emocional,
sintética, direta. A palavra pode expor com clareza uma idéia,
conceituar com precisão. A imagem é de natureza mais [...] ilógica
e nebulosa. É insubstituível para transmitir, num relance, toda a
emoção de um evento, mas falha ao tentar analisálo.(KUBRUSKY, 2003, p.77).

Sendo assim, a catalogação de fotografias respeita a emoção da imagem,
mas atribui de forma imperativa determinadas informações necessárias ao seu
registro, seja para formar a memória de uma sociedade ou para subsidiar alguma
pesquisa científica.

�E dentro da perspectiva da catalogação de fotografias, iremos nos deter
neste momento a descrição técnica, iniciando pela forma, para posteriormente
descrever o conteúdo. Desta forma podemos iniciar a representação da imagem,
através da análise técnica. É de suma importância algumas informações sobre a
imagem para que seja possível recuperá-la. De acordo com Moreiro Gonzáles e
Arillo (2003, p.26), alguns detalhes são importantes para uma boa análise se
consolidar. Dentre eles estão o formato da imagem, sua disposição, a ótica
utilizada, o tipo de objetiva, filtros e revelações, velocidade de obturação, tipo de luz,
cores utilizadas, ângulo de tomada, escala etc. (MOREIRO; ARILLO, 2003, p.26).
Passada essa primeira etapa, segue-se o processo de codificação
fotográfica, onde se destacam duas fases: a de produção e a de pós-produção. Na
fase de produção ocorrem duas subfases: o ato da tomada de imagem (ponto de
vista, ângulo da tomada, cor, iluminação etc.) e as fases da revelação e cópia
(contraste, mudança de color. para p&amp;b etc.). Já a fase de pós-produção é válida
para todas as imagens em meio impresso e envolve como principais ações, o
reenquadramento, a determinação da resolução e cor, que implica na qualidade da
fotografia e a escolha da técnica de reprodução. (MOREIRO;ARILLO,2003).
Em relação as fotografias eletrônicas, após à tomada da imagem é feita a
edição dessas imagens digitais, permitindo alterações, correções no tom, brilho e
contraste, colagem de objetos e reenquadramento. Seja na fotografia impressa, seja
na eletrônica, a representação textual e seu uso durante a recuperação de uma
série restrita de códigos técnicos é útil para melhorar a precisão na recuperação de
imagens (MOREIRO; ARILLO, 2003, p.27), a exemplo do colocado pelos mesmos
autores, onde a busca é feita com a seguinte esoecificação: Fotos coloridas do
Papa com grande qualidade visual e nitidez[...] (MOREIRO; ARILLO, 2003, p.27).
Partindo agora para a descrição bibliográfica de fotografias, padronizadas
através dos já mencionados organismos como o AACR2R, há uma distribuição das
informações em oito áreas distintas e complementares. São elas:

�Título e indicação de responsabilidade - traz informações que
identifiquem autores  artistas ou fotógrafos.
Edição  muito específico para itens publicados.
Dados específicos do material, utilizados apenas para mapas e
publicações periódicas.
Área da publicação, distribuição - lugar onde está depositado/
armazenado o item informacional e na medida do possível, data e o
local de sua criação.
Descrição física - abrange questões como o tipo e a quantidade de
itens envolvidos, a cor, o tamanho.
Série  se pertence a alguma série e seu número.
Notas  detalhes que não foram possíveis mencionar nas áreas
anteriores, como curiosidades, procedência do material, dados
biográficos do autor etc.
Número normalizado e condições de aquisição.
Todas essas áreas têm a função de descrever em detalhes o tipo de suporte
e a informação que está nele contida. Porém nem todas devem, necessariamente
ser preenchidas, pela particularidade de certos materiais como a fotografia, aqui
tratada. Já outras são de extrema importância para o reconhecimento,
acondicionamento e resgate da obra, como a área 1 que trata do título e indicação
de responsabilidade, pois une em um mesmo espaço criador e criatura, muito
importantes para a valorização de ambos e construção de uma memória; a área 4
de publicação e distribuição, que em sua grande maioria consegue resgatar apenas
a data, devido a falta de registro de local de produção da fotografia; a área 5 é muito
rica em detalhes imprescindíveis para a escolha de determinado item em detrimento
e outro, pois leva em consideração dimensões, quantidade de itens disponíveis e
cor. Na área 7 que é representada pelas notas, é um espaço democrático que pode
em determinadas ocasiões ser o diferencial na escolha entre dois itens, pois é
nessa área que ocorrem as principais recomendações de uso, indicação de faixaetária, além dos já mencionados anteriormente. Porém, mesmo destacando essas
áreas, é necessário considerar o perfil do sistema de organização e recuperação

�dessas informações, a quem ele vai servir, qual o público destinado, pois é a partir
dele que haverá o destaque com maior detalhamento das áreas específicas.
O importante é perceber após essa explanação, que a representação
descritiva de qualquer item informacional deve ser feito com responsabilidade,
flexibilidade e integração com especialistas de outras áreas, tendo em vista que as
informações emanadas de uma imagem, são passíveis de várias leituras e
interpretações, unindo o aspecto técnico ao conceitual, como veremos a seguir com
a representação temática da fotografia.
Materiais Gráficos
São todos os tipos de materiais em duas dimensões, opacos (originais ou
reproduções de arte, quadros de pintura, gravuras, fotografias, desenhos artísticos
ou técnicos) ou transparentes, destinados a serem vistos ou projetados sem
movimento. (RIBEIRO, 2003).
Cada material gráfico recebe uma designação, conhecida pela sigla dgm ou
designação geral do material. A ilustração é um tipo de dgm. No entanto para
especificar cada item dentre as várias ilustrações, usamos o termo dem, ou
designação específica do material.
ILUSTRAÇÃO: envolve os seguintes itens: cartãopostal, cartaz, ilustração, fotografia, material estereográfico
(topografia,

estereotipia,

xilogravura),

radiografia,

transparência e gravura (este último pode usar também a
dgm reprodução de arte).
Terragno, Luis.
Dom Pedro II em traje de campanha durante a Guerra
do Paraguai [ilustração] / Luis Terragno.  Rio Grande do
Sul, 1865.  (Coleção Dom João de Orleans e Bragança).
1 fot. : p&amp;b. ; 13 x 17 cm.
1. Fotografia  Dom Pedro II. I. Título. II. Série.

�Esta fotografia é parte integrante do livro intitulado A fotografia no império,
de Pedro Karp Vasquez, publicado no Rio de Janeiro pela editora Zahar em 2002.

Sargo, João.
[Olhares] [ilustração] / João Sargo . _ 2005.
1 fot. : p&amp;b.,color. ; 13 x 17 cm.
Título fornecido pelo catalogador.
Acervo pessoal do autor.
1. Fotografia. I. Título.

6 REPRESENTAÇÃO TEMÁTICA
•

Trata da Representação de Informação em Documentos

baseados nas facetas de Temas, de Categorias de Informação.
•

A INDEXAÇÃO é uma linguagem documentária que pode ser

definida como:

�O processo de análise do conteúdo informacional de registros do
conhecimento através da expressão do conteúdo informacional em uma
linguagem de um sistema de indexação (BORKO, 1980).
•

Etapa voltada para o estabelecimento de índices ou noções do

conteúdo temático dos documentos visando corresponder à indagações ou
solicitações dos usuários (CARNEIRO, 1998).
•

A norma que rege a feitura de índices através de indexação é

a ISO 5963-1985 (E), que é a norma internacional sobre indexação de
assuntos;
•

Os

documentos

não

bibliográficos

exigem

diferentes

abordagens, o Indexador precisará identificar a matéria indexável que será
feito de acordo com as necessidades da comunidade usuária;
•

A Indexação deve ser feita a partir de idéias não de palavras

•

A Indexação envolve:

•

Selecionar

conceitos indexáveis

em um documento

e

expressar estes conceitos em uma linguagem para dar entrada em um
SISTEMA DE INDEXAÇÃO.
7 O INDEXADOR DEVE CONSIDERAR
•

O público alvo que irá consumir o produto;

•

As particularidades do assunto tratado

•

Adotar linguagem breve e clara;

•

Cobrir os termos significativos (adotar critérios);

•

Trabalhar em torno do objetivo do autor em relação ao

documento;
•

Avaliar o nível de leitura do produto final;

•

Considerar o tipo de informação presente no documento;

•

A escolha dos termos deve ser feita de maneira cuidadosa e

de forma consistente visando uma excelente

�•

Representação do documento;

•

O indexador deve se perguntar

Todos os itens significativos do texto podem ser localizados no índice?
•

Foi feito um julgamento de valor?

•

Existem inconsistências na representação?

8 PRESERVAÇÃO
A conservação de fotografias envolve uma ação que visa manter sua
integridade e longevidade. Por serem frágeis por natureza são necessárias
medidas cuidadosas para manter a estrutura físico-química dos materiais
fotográficos. Iniciamos o tratamento para a conservação com uma simples limpeza
mecânica, utilizando como utensílio uma trincha macia para a remoção da sujeira
superficial.
Entre os grandes inimigos da fotografia, de acordo com Burgi (1988, p. 9),
encontramos a incidência direta da luz, os acessórios inadequados para
acondicionamento, a umidade, os fungos e os insetos. Isso obriga a tomar um
conjunto de medidas para conter a deterioração através desses agentes. O ideal
seria uma sala totalmente climatizada, com a temperatura controlada e livre da
umidade do ar. Isso pode custar muito caro e pode estar fora do alcance. Por
outro lado, algumas escolhas relacionadas com os materiais a serem implantados
para acomodar a coleção talvez se tornem possíveis.
O mobiliário deve ser de aço esmaltado secado em estufa, localizado em
ambiente arejado, em um cômodo que bata sol. As embalagens plásticas devem
ser de poliéster ou polietileno de alta qualidade, livres de PVC. Normalmente, os
papéis usados para embalar devem ser neutros (pH 7,0). Para prevenir a
umidade, uma solução é utilizar pastilhas de formaldeído e carvão vegetal
acondicionada em copos de plástico, dentro de gavetas ou caixas plásticas.
Freqüentemente, deve-se abrir os compartimentos para arejar e renovar o ar.
(FILIPPI, 2005).

�9 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ressalta-se que estes processos de representação, tratamento e
preservação de documentos de imagem permitem o registro e recuperação e
perpetuação da memória histórica de uma sociedade, de um povo em
determinado contexto. Porém, para que este processo seja realizado deve-se
definir ciclo documentário através de suas análises, fazer a representação
descritiva, pois por ser matéria que se encontra em profundo estudo de pesquisa
por parte de pesquisadores de todos os continentes, se faz necessário ainda,
adequações para se adequar aos manuais que descrevem se forma minuciosa o
material

impresso,

diferentemente

das

imagens.

Da

mesma

forma,

os

bibliotecários também têm dificuldades de fazer o tratamento temático do material
imagético, precisando de uma análise detalhada para fazer a análise documental.
REFERÊNCIAS
BORKO, Harold. Toward a theory of indexing. Cambridge: Cambridge
Universuty Press, 1977.
BURGI, Sérgio. Introdução à Preservação e Conservação de Acervos
Fotográficos. Rio de Janeiro: FUNARTE, 1988.
FILIPPI, Patrícia de et al. Como tratar coleções de fotografias. 2. ed. São Paulo:
Arquivo do Estado: Imprensa Oficial, 2002.
KOBASHI, N. Y. . Organizacao do Conhecimento e Representacao da Informacao.
INFORMARE, Rio de Janeiro, v. 2, n. 2, p. 5-27, 1997.
KUBRUSLY, Cláudio Araújo. O que é fotografia. São Paulo: Brasiliense, 2003.
109p.
MOREIRO GONZÁLEZ, José Antonio; ARILLO, Jesús Robledano. O conteúdo da
imagem. Curitiba: Ed. da UFPR, 2003. p.17-125.
OLIVER, Paulo. Aspectos jurídicos - Direito autoral: fotografia e imagem. São
Paulo: Editora Letras&amp;Letras, 1991.
RIBEIRO, Antonia Motta de Castro Memória.
Catalogação de recursos
bibliográficos pelo AACR2R. Brasília : Ed. do autor, 2003. 1v.

�ROBREDO, Jaime. Organização dos documentos ou organização da informação:
uma questão de escolha. www.dgz.org.br. Acesso 05 junho 2005.

SANTOS, Newton Paulo Teixeira dos. A fotografia e o direito do autor: de acordo
com a Constituição de 1988. São Paulo: Editora Universitária de Direito, 1990.
VASQUEZ, Pedro Karp. A fotografia no Império. Rio de Janeiro: Jorge Zahar,
2002. 72p.

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Análise da imagem resgatando a história da fotografia. Destaca o tratamento da informação, abordando o ciclo documentário. Descreve a metodologia da representação da informação quer seja a representação descritiva quer seja a representação temática. Identifica o tratamento e a preservação deste tipo de documento.</text>
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                    <text>A PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA ATRAVÉS DAS COLEÇÕES
PARTICULARES DEPOSITADAS NA UFRJ : O CASO DA COLEÇÃO
AFONSO CARLOS MARQUES DOS SANTOS
José Tavares da Silva Filho
Bibliotecário Especialista em Gerenciamento da
Preservação e Acervos Raros – Universidade Federal do
Rio de Janeiro – Forum de Ciência e Cultura
e-mail: tavares@forum.ufrj.br
Rosane Cristina de Oliveira
Cientista Social e Mestre em Ciência Política pelo
Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ
Profa. Adjunta do Curso de Ciências da
Fundação Educacional Unificada Campograndense – RJ
e-mail: rosanecrj@aol.com

RESUMO:
O trabalho trata da Biblioteca como lugar de memória e preservação das coleções pessoais que vem sendo
depositadas em algumas bibliotecas da Universidade Federal do Rio de Janeiro a mais de meio século. Chama a
atenção para discutir os acervos particulares como cristalização da lembrança, garantindo a preservação desses
valiosos acervos documentais como fonte e forma de assegurar a pesquisa acadêmica resgatando, assim, a memória
individual dos colecionadores.
Palavras chave: Memória-Preservação, Coleções Pessoais, Bibliotecas pessoais–Memória.

ABSTRACT:
The work deals with the Library as place of memory and preservation of the personal collections that comes more
than being deposited in some libraries of the Federal University of Rio de Janeiro the last half of the XX century. It
calls the attention to argue the particular collection as the memory crystallization, guaranteeing the preservation of
these valuable quantities of documents as source and form to assure the academic rescuing research, thus, the
individual memory of the collectors.
Key words: Memory-Preservation, Personal libraries, Libraries collections - Memory

�Introdução
Os lugares de memória e de preservação da memória encontram nos acervos
particulares adquirido pelas universidades, conforme chamou a atenção Pierre Nora
(1993), mais um lugar de memória, “porque não há mais meios de memória”. A
problemática instala-se na dificuldade em lidar e cuidar desses “lugares de memória”, e
é neste sentido que o presente trabalho pretende trazer à luz para a discussão a
necessidade de se pensar melhores alternativas para o tratamento dos acervos
particulares recebidos pelas universidades, tendo como estudo de caso a Universidade
Federal do Rio de Janeiro.
Os profissionais da área de gestão da informação, geralmente encarregados de
receber e manipular esses acervos, em sua maioria estão distantes da discussão e da
importância desses lugares de memória e, em alguns casos o tratamento destinado a
esses acervos confundem-se com as demais obras da biblioteca.

Lugar, Memória e História
As questões que envolvem lugar, memória e história vem sendo objeto de vários
estudos, especialmente de historiadores, como Pierre Nora, Jacques Le Goff e Afonso
Carlos Marques dos Santos. Pierre Nora (1993) centralizou a discussão na
problemática dos lugares de memória, pois “há locais de memória porque não há mais
meio de memória”, e é com o advento da sociedade industrial que as tradições,
costumes e a repetição ancestral enquanto meios de perpetuar a memória perde
sentido e espaço.
Memória e história, longe de se confundirem, na concepção de Nora (1993), a
primeira é “a vida”, em permanente construção e evolução, e a segunda, é a tentativa

�de reconstrução incompleta do que não existe mais. A negatividade da história estaria
na destruição da memória espontânea e a destruição do “passado vivido”, uma vez
que, a cada movimento histórico, a sociedade que se forma e suplanta a anterior, ao
mesmo tempo destrói e reconstrói os meios de legitimar-se,
o movimento da história, a ambição histórica não são a exaltação
do que verdadeiramente aconteceu, mas sua anulação. Sem
dúvida um criticismo gereralizado conservaria museus, medalhas
e monumentos, isto é, o arsenal necessário ao seu próprio
trabalho, mas esvaziando-os daquilo que, a nosso ver, os faz
lugares de memória. Uma sociedade que vivesse integralmente
sob o signo da história não conheceria, afinal, mais do que uma
sociedade tradicional, lugares onde ancorar sua memória. (Nora,
1993: p. 9)

Mas, a partir do momento em que dizemos que algo simboliza a memória, para
Nora (1993), significa que aquela memória não existe mais e que já se transformou em
história. Neste sentido, a necessidade dos arquivos, acervos, entre outros lugares de
memória, um movimento contemporâneo que tenta preservar o passado e o presente.
O autor lança uma crítica interessante aos profissionais que cuidavam da preservação
da informação e aprenderam “a arte da destruição controlada”. Mas, reconhece que no
presente, os profissionais, especialmente os que atuam em instituições privadas,
recebem recomendações para guardar tudo. Se, no passado, os produtores de
arquivos eram as grandes famílias, a igreja e o Estado, atualmente cresce o número de
indivíduos que querem guardar e especialmente registrar sua memória. O arquivo é o
elemento principal quando se pensa em preservação da memória na sociedade pósmoderna. As bibliotecas, também, só se tornam lugares de memória se a imaginação
investir em uma aura simbólica. Daí a idéia da criação de campo simbólico, conforme
chamou a atenção Pierre Bourdieu (2000), e neste caso, as bibliotecas compõem um
universo simbólico de preservação da memória, individual e coletiva.

�Um lugar de memória: os acervos bibliográficos
A formação e o desenvolvimento dos acervos bibliográficos tiveram início com a
transferência da Corte portuguesa para o Brasil, em 1808, resultando transformações
que deram especificidade à História da América portuguesa, abrangendo não só o
âmbito econômico como também o cultural, com a fundação de uma série de
instituições. Entre estas instituições, desçamos a criação das primeiras Escolas
Superiores, como um elemento fundamental para o patrimônio1 cultural brasileiro.
Além das Escolas Superiores, o professor Maurício Joppert da Silva chamou a
atenção para o processo de criação de uma universidade no Brasil, como resultado da
instauração do Convento de Santo Antônio por religiosos franciscanos, destacando que
a primeira idéia de criação de uma universidade no Brasil parece
ter partido dos religiosos franciscanos, do Convento de Santo
Antonio, no Rio de Janeiro, no século XVIII, o qual deveria
compreender cursos de teologia, filosofia, retórica, hebreu, grego,
latim, entre outros. O plano foi aprovado por alvará de 11 de
junho de 1776, mas a idéia não teve andamento.

A segunda tentativa para a criação de uma universidade no Brasil encontramos
nos planos da Inconfidência Mineira. (Fávero, 2000) As referências podem ser
observadas nos documentos que integram parte dos Autos da devassa da
Inconfidência Mineira (Brasil, MES, 1936). Ainda em 1808, D. João VI criou os
primeiros Cursos ou Aulas, que mais tarde, em 1832, constituiriam a Faculdade de
Medicina. Após a criação dos cursos médicos, o imperador vislumbrou a necessidade
de instalação de um curso ou Escola que formasse militares e engenheiros (Lobo,
1980). Em 4 de dezembro de 1810, foi inaugurada a Academia Real Militar, que mais
tarde, em 1839, receberia o nome de Escola Militar, em 1858, Escola Central, e em
1874, após várias modificações, passou a chamar-se Escola Polythecnica. Em 1812,
formada pela Missão Francesa e chefiada por Joaquim Lebreton, foi criada a Escola
Real de Ciências, Artes e Ofícios, que após o processo de independência, passou a

�chamar-se Imperial Academia de Belas Artes. Já o Museu Nacional teve origem do
Gabinete de História Natural, fundado em 1782, pelo vice-rei D. Luís de Vasconcelos.
Em junho de 1818, D. João VI transformou em Museu Real, inicialmente sediado no
Campo de Sant´Ana e, em 1892, foi transferido para a Quinta da Boa Vista.
Nos últimos anos do império, em 1882 foi criada a Faculdade de Ciências
Jurídicas e Sociais, e em 1891, a Faculdade Livre de Direito da Capital Federal, ambas
de iniciativa privada, reconhecidas pelo decreto 639 de 31 de outubro de 1891. No Rio
de Janeiro, em 7 de setembro de 1920, foi a criada a Universidade do Rio de Janeiro,
sancionado pelo presidente Epitácio Pessoa, com sede na atual Faculdade de Direito
da UFRJ, iniciando com 3.117 alunos.
Após o breve comentário acerca da formação dos primeiros cursos ao longo do
regime imperial do século XIX, destacamos a criação da Universidade do Brasil, atual
Universidade Federal do Rio de Janeiro. Nesta universidade, estão abrigadas várias
coleções pessoais nas bibliotecas das unidades da instituição. Como testemunho da
lembrança, as coleções pessoais depositadas nas bibliotecas da UFRJ representam e
atuam como um instrumento de reconstrução da memória de bibliógrafos e
colecionadores, registrando o saber individual e subjetivo, transformando em social,
coletivo, materializando a memória e preservando o passado, democratizando as
informações até então dispersas e muitas vezes não preservadas.
Em um país como o Brasil, cuja preocupação com a questão da preservação e
os lugares de memória assumiu maior destaque em fins do século XX, observa-se que
não há como disciplina prática a importância das Instituições que hoje são detentoras
de coleções pessoais e o testemunho de um lugar material investido no simbolismo,
garantindo um acontecimento na lembrança, onde a interação história e memória o
constitui.

�Neste sentido, reportamo-nos a Pierre Nora,
O que nós chamamos de memória é, de fato, a constituição
gigantesca e vertiginosa do estoque material daquilo que nos é
impossível

lembrar,

repertório

insondável

daquilo

que

poderíamos ter necessidade de nos lembrar. ... À medida em que
desaparece a memória tradicional, nós nos sentimos obrigados a
acumular religiosamente vestígios, testemunhos, documentos,
imagens, discursos, sinais visíveis do que foi, como se esse
dossiê cada vez mais prolífero devesse se tornar prova em não
se sabe que tribunal da história... (Nora, 1993: p. 15)

As coleções pessoais na UFRJ: estudo de caso
Em 14 de outubro de 1950, as novas instalações da Biblioteca Central foram
inauguradas no Palácio Universitário da Praia Vermelha. A partir daí, o acervo foi
sendo formado por doações e aquisições de coleções pessoais, destacando-se as que
pertencem a Ramalho Ortigão, Afrânio Coutinho, Olegário Mariano, Rodolfo Garcia,
Adyr Guimarães e Antônio Monteiro de Barros.2 Destas coleções, a de maior
visibilidade é a de Adyr Guimarães, constituída por obras com dedicatórias de
personalidades renomadas na área de literatura e ciências sociais. Em 1969, a pedido
do Prof. Afrânio Coutinho, estas coleções foram transferidas para a Faculdade de
Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A coleção Adyr Guimarães está
depositada na Seção de Obras Raras da Biblioteca da Faculdade de Letras.
Ainda na biblioteca da Faculdade de Letras da UFRJ, outras coleções de valor
histórico-cultural estão separadas do acervo acadêmico, como a Coleção Celso Cunha,
adquirida em 1990 pelo valor de U$ 500.000,00 (quinhentos mil dólares). O acervo,
composto de 25.000 exemplares, entre livros periódicos, medalhas e diplomas,
abrangendo as áreas de filologia, lingüística, medievalismo, entre outras. As obras
raras estão sediadas em um espaço reconstituído com mobiliário do escritório do

�professor Celso Cunha. Sua biblioteca destaca-se, ainda, por possuir as primeiras
edições dos assuntos citados acima e os primeiros dicionários da língua portuguesa.
Outra coleção de peso, a Coleção Afrânio Coutinho, chegou à universidade em 1994 e
integra mais de 100.000 volumes incluindo livros, periódicos e artigos de jornais nas
áreas de literatura brasileira e universal, arte e literatura barroca, crítica literária,
manuscritos, documentos raros, obras raras e autografadas. A partir de um projeto
elaborado pela biblioteca da Faculdade de Letras da UFRJ e com financiamento da
Fundação Vitae, foi criado o Centro de Estudos Afrânio Coutinho – CEAC.
Reconhecida internacionalmente, a Biblioteca do Museu Nacional, fundada em
1863, abriga a Coleção Thereza Cristina, oriunda da Biblioteca de D. Pedro II, doada
ao Museu Nacional em fins do século XIX, quando partiu para exílio em 1889. Outras
obras da imperatriz chegaram à biblioteca por meio do acervo da Comissão Científica
de Exploração voltada para as ciências naturais. Atualmente, essa importante e rara
biblioteca pessoal está depositada na seção de obras raras da biblioteca.
No ano de 2004, a Biblioteca Pedro Calmon do Forum de Ciência e Cultura da
UFRJ, antiga Biblioteca Central da Universidade do Brasil, recebeu, através de doação,
o acervo particular do historiador Afonso Carlos Marques dos Santos, professor titular
da cadeira de Teoria e Metodologia da História do Instituto de Filosofia e Ciências
Sociais da UFRJ e coordenador no Forum de Ciência e Cultura desta universidade, no
período de 1999 a 2002, falecido em maio de 2004. A coleção é constituída de
aproximadamente 11 mil volumes de livros e documentos em diversos suportes, sendo
o resultado das aquisições realizadas ao longo de trinta anos de dedicação à docência
e à pesquisa histórica. O acervo reúne títulos de extrema relevância, em diversos
idiomas,

como o francês, o espanhol, o inglês, além do português,

cobrindo os

campos de estudo em torno da História do Brasil; História de Portugal; História do Rio
de Janeiro; História da Cidade e Patrimônio Cultural; Teoria, Historiografia e
Metodologia da História; História da Arte; Arquitetura, Urbanismo e Literatura ocidental
clássica. Há que se ressaltar no acervo obras de edições esgotadas e únicas

�adquiridas na Europa, Estados Unidos da América e Argentina e títulos de autoria do
próprio colecionador, constituindo assim uma coleção de preciosidades.
Posteriormente, foi desenvolvido um projeto cujo objetivo é garantir a
incorporação da coleção, como conjunto não-desmembrável, ao acervo da Biblioteca
Pedro Calmon do FCC, localizada no Campus da Praia Vermelha, integrada ao
Sistema de Bibliotecas e Informação-SiBI da UFRJ, segundo vontade expressa do
próprio professor. Trata-se de garantir a preservação de valioso acervo documental na
cidade do Rio de Janeiro e na Universidade onde ele atuou, de forma a assegurar
fontes para a pesquisa acadêmica no campo da história e da cultura, disponibilizando
via internet na Base Minerva - Sistema de Documentação da UFRJ do SiBI
(www.minerva.ufrj.br), bem como consulta local. O projeto está em fase de
desenvolvimento e recebe financiamento da Fundação Universitária José Bonifácio e o
apoio da Pró-Reitoria de Graduação, Sistema de Bibliotecas e Informação da UFRJ e
da Associação Nacional de História-RJ.
Atualmente, cerca de 60% da coleção de monografias, encontra-se
registrada com as respectivas descrições bibliográficas na Base Minerva da UFRJ.
Como forma de disseminar a coleção Afonso Carlos Marques dos Santos,
foi criado também, uma página dentro do site da Biblioteca Pedro Calmon
(www.forum.ufrj.br/biblioteca) com dados referentes à sua trajetória acadêmica,
trabalhos publicados e sua coleção particular.

Metodologia
A metodologia adotada, foi dividida em 6 fases, de acordo com o objetivo do
projeto.

�1ª. Fase
Identificação e seleção por tipo de documento.
Nesta fase, os documentos foram separados em duas categorias:
1ª. Documentos Pessoais: trabalhos publicados, fotos , diplomas , cartas,
quadros e medalhas.
2ª. Coleção Bibliográfica : livros, periódicos, separatas, folhetos, fitas de
vídeo e disquetes.
2ª. Fase
Pesquisa dos livros na Base Minerva da UFRJ (www.minerva.ufrj.br), para
verificar se as obras já foram incluídas na Base por outra biblioteca do Sistema.
Nesta fase, o livro pesquisado encontrado na Base Minerva, é incluído o exemplar da
Coleção Afonso Carlos Marques dos Santos (ACMS), com o respectivo número de
chamada referente à Biblioteca Pedro Calmon e à Coleção ACMS.
3ª. Fase
Os livros não encontrados na Base Minerva, foram pesquisados nos principais
catálogos online das bibliotecas universitárias voltadas para a área e idioma da coleção
e nas principais bibliotecas nacionais do mundo, identificando no verso da folha de
rosto da obra, as seguintes informações:
. Disponível em outra biblioteca universitária do Brasil
. Não disponível em outra biblioteca universitária do Brasil
. Disponível na Biblioteca Nacional do Brasil
. Não disponível na Biblioteca Nacional do Brasil
. Disponível somente em uma Biblioteca Nacional do exterior
. Não disponível nos acervos das Bibliotecas do exterior

�Além da base Minerva da UFRJ, as principais bibliotecas pesquisadas foram :
Fundação Biblioteca Nacional, Universidade de São Paulo, Universidade de Campinas,
Universidade de Brasília, Library of Congress,

The British Library, Bibliothèque

Nationale de France, Biblioteca Nacional de Portugal, Biblioteca Nacional de Espanha,
Biblioteca Nacional da Argentina e o Catálogo Virtual Karlsruher .
4ª. Fase
Após a pesquisa, é efetuado o processamento técnico da obra na Base Minerva
da UFRJ com a inclusão do ítem da Biblioteca Pedro Calmon e da Coleção Afonso
Carlos Marques dos Santos
5ª. Fase
Em seguida, são digitadas as etiquetas com o número de chamada do livro ,
colado o Ex-Libris e enviado para armazenamento.
6ª. Fase
Quanto ao espaço físico, a coleção ficará localizada no antigo salão de leitura da
Biblioteca Pedro Calmon, onde está armazenado o nosso acervo de obras raras. A
esse espaço foi instalada uma porta de vidro tipo blindex a fim de facilitar o controle
do uso da coleção bibliográfica e documentos pessoais do colecionador.
Com relação a preservação da coleção no ambiente de armazenamento, a
biblioteca foi contemplada pelo projeto SiBI/BNDES com

câmeras e monitor, para

controlar possíveis tentativas de furtos ou danos às obras.
Tendo em vista que o imóvel é tombado pelo IPHAN - Instituto do Patrimônio
HIstórico Nacional, está sendo elaborado um projeto para a instalação de um sistema
de refrigeração

em todo o ambiente da biblioteca, complementando o projeto de

preservação do acervo das coleções depositadas na Biblioteca Pedro Calmon.

�A proposta deste trabalho, mais do que pensar os lugares de memória, baseiase no interesse em chamar a atenção para discutir a cristalização da lembrança, tendo
os acervos pessoais, especialmente a Coleção do Professor Afonso Carlos, recém
chagado à universidade, como uma fonte importante para pensar novas alternativas de
preservação da memória.

1

A definição de patrimônio, no dicionário da língua portuguesa Hauaiss, diz respeito ao “conjunto de bens naturais
ou culturais de importância reconhecida num determinado lugar, região, país ou mesmo para a humanidade, que
passa por um processo de tombamento para que seja protegido epreservado”. (Hauaiss, 2004: p. 2151)
2

As informações sobre a vida e a obra destes letrados estão disponíveis na página eletrônica da Academia Brasileira
de Letras. (www.abl.br)

�Referências
BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. São Paulo: Bertrand Brasil. 2000.
CALMON, Pedro. O Palácio da Praia Vermelha. Rio de Janeiro: Gráfica da UB, 1952. p. 7.
FÁVERO, Maria de Lourdes de. A Universidade do Brasil: das origens à construção. Rio de
Janeiro: Ed. UFRJ, Comped, Inep, 2000. p. 17-25.
LE GOFF, J. (Coord.). Memória - História. Lisboa: Imprensa Nacional, Casa da Moeda, 1984.
p. 11-50. (Enciclopédia Einaudi, 1).
LOBO, Francisco Bruno. UFRJ: subsídio à sua história. Rio de Janeiro: UFRJ, 1980. p. 5-9.
NORA, Pierre. Entre memória e história – a problemática dos lugares. Tradução de Yara Aun
Khoury. Projeto História; Revista do Programa de Estudos Pós-graduados em História e do
Departamento de História da PUC/SP. São Paulo, n. 10, p. 7-28, dez. 1993.
SANTOS, Afonso Carlos Marques dos. Memória cidadã: História e patrimônio cultural. Anais
do Museu Histórico Nacional, n. 29, 1998, p. 37-55.
SILVA, Maurício Joppert da. As cidades universitárias: aula inaugural da Universidade do
Brasil, ano letivo de 1950. Rio de Janeiro: Escola Nacional de Engenharia, 1950. 54 p.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O trabalho trata da Biblioteca como lugar de memória e preservação das coleções pessoais que vem sendo depositadas em algumas bibliotecas da Universidade Federal do Rio de Janeiro a mais de meio século. Chama a atenção para discutir os acervos particulares como cristalização da lembrança, garantindo a preservação desses valiosos acervos documentais como fonte e forma de assegurar a pesquisa acadêmica resgatando, assim, a memória individual dos colecionadores.</text>
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                    <text>A PRESERVAÇÃO DE CONTEÚDOS DIGITAIS: A EXPERIÊNCIA DA BIBLIOTECA
DIGITAL DE TESES E DISSERTAÇÕES DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE
LONDRINA

Brígida Maria Nogueira Cervantes – e-mail: brigida@uel.br
Enidelci Aparecida Zaquia Pereira – e-mail: eni@uel.br
Izabel Maria de Aguiar – e-mail: aguiar@uel.br
Laudicena de Fátima Ribeiro – e-mail: laudi@uel.br
Maria Aparecida dos Santos Letrari – e-mail: masle@uel.br
Neide Maria Jardinette Zaninelli – e-mail: nemaza@uel.br

Universidade Estadual de Londrina - Sistema de Bibliotecas
Campus Universitário – Londrina - Paraná – Brasil
E-mail: bibdig@uel.br

Resumo
Relata o desenvolvimento do trabalho realizado na Biblioteca Digital da UEL,
apresentando os métodos de conservação dos conteúdos informacionais considerados
de controle preventivo e os resultados ao longo do tempo. O conhecimento produzido
pelos diferentes “atores" acadêmicos por uma Instituição transforma-se em patrimônio
valioso para a comunidade científica. O acesso livre aos conteúdos informacionais por
meio das Bibliotecas Digitais representa grande contribuição para o desenvolvimento
científico e tecnológico local e global. A preservação dos documentos em formato digital
dependerá da solução tecnológica adotada e dos custos que ela envolve. A tecnologia de
informação utilizada para a sua preservação é mais do que outra opção de formato de
arquivamento: transforma os conceitos da preservação tradicional em vez de garantir a
integridade física do objeto, passa a especificar a geração e sua manutenção cuja
integridade intelectual é sua característica principal. As alterações tecnológicas
promovem benefícios, mas ocasionam ameaças pela vida breve das mídias utilizadas,
pela rápida obsolescência dos hardwares, softwares e dos formatos. Tal aspecto adquire
especial importância à temática da preservação de conteúdos digitais que se apresenta
para propor políticas de prevenção e opções de ação a fim de impedir a deterioração dos
conteúdos informacionais.
Palavras-chave: Preservação Digital; Políticas de Preservação Digital; Tecnologia da
Informação; Biblioteca Digital; Teses e Dissertações.

�1 INTRODUÇÃO

A

partir

das

evoluções

tecnológicas

de

informação

e

comunicação, percebe-se diversas alterações, tanto nos modos de produção
quanto nos tipos de serviços e também na forma como eles são prestados. A
necessidade de otimização do tempo e o aumento da velocidade de comunicação
da informação pressionam a criação de novos suportes informacionais.
É fato reconhecido que a tecnologia sempre se faz presente no
âmbito das bibliotecas em diferentes momentos. Por esse motivo, a preservação
dos dados digitais se tornou uma necessidade, e não um luxo, uma vez que um
volume cada vez maior de documentos é criado em computadores.
Desse modo, os sistemas computadorizados são os meios mais
utilizados para processar, armazenar e disponibilizar informações, uma vez que
eles possibilitam a armazenagem de grande quantidade de informação eletrônica,
agilidade e precisão na recuperação das informações.
A preservação, conforme Conway (2001, p.14), “é uma palavra
que envolve inúmeras políticas e opções de ação, incluindo tratamentos de
conservação”. Ainda segundo o autor, “preservação é a aquisição, organização e
distribuição de recursos afim de que venham a impedir posterior deterioração ou
renovar a possibilidade de renovação de um seleto grupo de materiais.”
Reportando para o caso da experiência de implantação da
Biblioteca Digital da Universidade Estadual de Londrina, sentiu-se a necessidade
de preservação dos conteúdos informacionais produzidos pelos mestres e
doutores da Instituição.

2 A BIBLIOTECA DIGITAL E O ACESSO AO CONTEÚDO INFORMACIONAL

Os novos recursos tecnológicos, as redes de informação e
comunicação, a globalização, a explosão informacional, o acesso à informação
sem fronteiras, exigem por parte das unidades de informação um novo
comportamento, incorporando novas políticas no desenvolvimento de suas

�coleções, a disponibilização de novos produtos e serviços e a preocupação com a
preservação da herança cultural.
Partindo da premissa que a essência da universidade é gerar,
transmitir e construir conhecimentos e que, para este fim, depende dos recursos
informacionais, geridos pela biblioteca, pode-se dizer que há uma perfeita
simbiose entre a biblioteca e a universidade, que fecha um ciclo, no qual uma
produz e a outra registra a produção acadêmica e a divulga, promovendo a
transferência e a aplicação da informação (RUSSO, 1991).
A criação de bibliotecas digitais representa neste contexto a
possibilidade do aparecimento e reconhecimento em âmbito nacional e
internacional de novos projetos, gerados e produzidos pelas universidades.
Seguindo essa tendência, nos últimos anos, observou-se diversas
iniciativas

ligadas

a

projetos

de

implantação

de

Bibliotecas

Digitais,

especificamente, quanto a teses e dissertações. Muito se tem discutido e escrito
sobre Biblioteca Digital, seus conceitos, seus objetivos entre outros.
Rossetto (2002) descreve biblioteca digital sendo aquela que:
contempla documentos gerados ou transpostos para o ambiente
digital (eletrônico), um serviço de informação (em todo tipo de
formato), no qual todos os recursos são disponíveis na forma de
processamento eletrônico (aquisição, armazenagem, preservação,
recuperação e acesso através de tecnologias digitais)

Essas tecnologias possibilitam a utilização de recursos eletrônicos
que favorecem o aprimoramento e a agilização do processo de transferência de
informação.
Alvarenga (2001) define biblioteca digital como:
um conjunto de objetos digitais construídos a partir do uso de
instrumentos eletrônicos, concebidos como o objeto de registrar e
comunicar pensamentos, idéias, imagens e sons disponíveis a
um contingente ilimitado de pessoas, dispersas onde quer que a
plataforma www alcance.

Desse modo, Ferreira (2006) evidencia que as tarefas básicas de
uma biblioteca digital são:

�• criar um ambiente compartilhado que conecte os usuários às
coleções de informação pessoal, coleções encontradas em
bibliotecas convencionais e coleções de dados usadas por
cientistas;
• desenvolver

interfaces

de

informações

gerais

ou

especializadas relevantes aos seus usuários;
• prover acesso a um grande número de fontes de informação e
coleções de qualidade, ambas em versões on-line, integrandoas com os objetos físicos da informação;
• promover um ambiente que permita a experimentação e
incorporação de novos serviços e produtos;
• facilitar a provisão, disseminação e uso da informação por
instituições, grupos e indivíduos;
• armazenar e processar informação em múltiplos formatos,
incluindo texto, imagem, áudio, vídeo, 3-D, etc.;
• e intensificar a comunicação e colaboração entre
os sistemas de informação para benefício da
sociedade em geral.
Ferreira (2006) descreve ainda os benefícios de uma Biblioteca
Digital:
•

o acesso 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por
ano;

•

concessão

dos

mesmos

dispositivos

de

direitos

de

propriedade dos livros impressos;
•

proteção contra roubo ou mutilação de documentos;

•

permite atender, simultaneamente, diversos usuários com o
mesmo item;

•

o mecanismo de busca permite pesquisa de palavras em um
livro ou em uma coleção inteira de livros;

•

é a solução mais adequada para atender a alunos de cursos a
distância ou iniciativas de Inclusão Digital, que necessitam de
acesso a uma biblioteca completa.

�Dessa forma, são potencializados os recursos de acesso,
disseminação, cooperação e difusão do conhecimento, principalmente no âmbito
acadêmico, visto que o conhecimento gerado pelos diferentes "atores"
acadêmicos transforma-se em um acervo valioso para toda a comunidade
científica.
O acesso livre a estes conteúdos informacionais por meio das
Bibliotecas Digitais representa grande contribuição para o desenvolvimento
científico e tecnológico local e global.
No Brasil, uma das iniciativas foi a criação da Biblioteca Digital de
Teses e Dissertações (BDTD) - implantada em 1995, coordenada pelo IBICT,
sendo um consórcio nacional de bibliotecas digitais de teses e dissertações.
Desde então as principais Unidades de Informação têm procurado acompanhar
estas tendências tornando sua produção científica e tecnológica visível ao mundo
do conhecimento, buscando integrar-se com a BDTD.

3 BIBLIOTECA DIGITAL DA UEL: A QUESTÃO DA PRESERVAÇÃO

Diante dos novos recursos tecnológicos, da evolução dos meios
de comunicação e da demanda da comunidade cientifica, em 30 de junho de
2005, foi criada a Biblioteca Digital da UEL, através da Resolução CEPE/CA
116/05, por meio do projeto de pesquisa “Implantação da Biblioteca Digital da
Produção Científica Tecnológica Artística e Cultural da Universidade Estadual de
Londrina (BD/UEL)”, sendo disponibilizada para a comunidade em 19 de outubro
de 2005.
A princípio limitou-se a implantação da Biblioteca Digital de Teses
e Dissertações, mas com o objetivo de disponibilizar outras formas de produção
geradas pela instituição. A Universidade de Campinas (UNICAMP) é a grande
parceira do projeto, uma vez que a tecnologia de informação (software livre) NouRau, desenvolvido pela UNICAMP, está sendo utilizado na gestão da BD/UEL.
A disponibilização da BD/UEL contribui para a criação de um
serviço de referência virtual, divulgando os avanços científicos e tecnológicos,

�colaborando com os pesquisadores na acessibilidade aos trabalhos produzidos.
Permitindo assim, uma maior visibilidade à Instituição, geradora de conhecimento,
bem como possibilitando maior integração entre os pesquisadores da comunidade
interna e externa do país e do exterior, uma vez que as Bibliotecas Digitais
eliminam barreiras físicas e geográficas.
Os sistemas computadorizados são os condutores mais utilizados
para

processar,

armazenar

e

disponibilizar

informações,

porém

esses

documentos digitais necessitam de cuidados semelhantes aos dos documentos
tradicionais. Cuidados em relação à preservação e conservação, armazenagem,
manuseio, e principalmente com os sistemas computadorizados que estão em
constantes mudanças uma vez que eles possibilitam a armazenagem de grande
quantidade de informação eletrônica, agilidade e precisão na recuperação das
informações.
Apesar de todo desenvolvimento da tecnologia, a mídia digital
ainda oferece riscos quanto a sua preservação em longo prazo. Muitos estudos
têm sido conduzidos a respeito dos meios de preservação digital, enfatizando o
problema da obsolescência tecnológica e a preservação do conteúdo intelectual.
Segundo Cunha (1999), esta preocupação envolve tanto os
produtores dos dados quanto os órgãos detentores desta informação.
No início, as práticas relacionadas com a preservação digital
estavam baseadas na idéia de garantir a longevidade dos
arquivos, mas esta preocupação agora está centralizada na
ausência de conhecimento sobre as estratégias de preservação
digital e o que isso poderá significar na necessidade de garantir a
longevidade dos arquivos digitais.

Para Hedstrom (1996 apud SANT’ANNA, 2006), preservar é
“assegurar proteção à informação de valor permanente para acesso pelas
gerações presentes e futuras“.
Com base nas colocações anteriores, Hedstrom (1996

apud

SANT’ANNA, 2006) apresenta, de forma prática, uma definição para preservação
digital como “[...] planejamento, alocação de recursos e aplicação de métodos e
tecnologias para assegurar que a informação digital de valor contínuo permaneça
acessível e utilizável”. Essa definição evidencia a inquietação com a necessidade

�de envolver a preservação digital nos planejamentos e ações das unidades de
informação.
Nos últimos anos as bibliotecas passaram a receber objetos
digitais (disquetes, CD-ROM, DVDs, entre outros) e para preservar o acesso ao
conteúdo informacional contido nesses documentos por um longo prazo, faz-se
necessário promover algumas ações de preservação contra as ameaças que
sofrem os documentos digitais. Do mesmo modo que, “o papel se desintegra com
o passar dos anos, a informação gravada na superfície metálica magnetizada dos
dispositivos de armazenamento, pode-se tornar irrecuperável” (SANT’ANNA,
2006).
Para Conway (2001), o conceito de preservação tem assumido no
mínimo três diferentes significados:
•

possibilitar o uso a documentos impossibilitados de
manuseio (documentos valiosos ou deteriorados);

•

proteger o item original limitando o acesso direto a
documentos valiosos;

•

manter os objetos digitais preservando-os da deterioração
ou mesmo da destruição, centralizando-se na escolha da
forma de armazenamento, na expectativa de vida do
sistema de formação de imagens digitais e na preservação
com a migração dos arquivos digitais para futuros
sistemas, de modo a garantir o acesso.

O cuidado com a preservação é fator imprescindível na
implantação da Biblioteca Digital, uma vez que para funcionar adequadamente
faz-se necessário investir em infra-estrutura (redes, bases de dados, tecnologias
em alta velocidade), que suporte o acesso e possibilite a velocidade de resposta
aos usuários.
Outros aspectos a serem levados em consideração para a
conservação e preservação do conteúdo digital são os métodos de catalogação,
classificação dos recursos eletrônicos. É necessário qualidade nos serviços
oferecidos pela biblioteca digital para fazer dos serviços eletrônicos, meios de fácil

�recuperação da informação para assegurar que os conteúdos digitais possam ser
lidos no futuro.
É necessário observar se a mudança acarretará a perda de
informação, de formatos, de qualidade do documento, pois mudanças para um
formato mais recente sempre provocam novas perdas, e até que ponto modificará
o documento do seu formato original.

4 ALGUMAS AÇÕES PARA A PRESERVAÇÃO DO CONTEÚDO DIGITAL

Para os fins deste trabalho, documento digital compreende toda a
produção cientifica e tecnológica produzida pelos programas de Pós-Graduação
stricto sensu da Universidade Estadual de Londrina e disponibilizadas por meio
dos sistemas de computação provenientes do documento original existente em
outro suporte.
Desde a implantação da Biblioteca Digital da UEL, o cuidado com
a preservação do conteúdo digital se faz presente, uma vez que os mesmos
também necessitam de uma estratégia de preservação, sendo este assunto,
preservação digital, uma grande preocupação do momento.
Os desafios da preservação dos acervos digitais, segundo Valle
Junior (2003), são compreendidos quando caracterizados em três dimensões:
desgaste dos suportes da informação digital, a obsolescência da tecnologia, que
permite esta informação se tornar inteligível pelos usuários, e o conjunto de
fatores sócio/ambientais a que o acervo está sujeito (abrangendo desde riscos de
desastres naturais, até problema de vandalismo e adulteração intencional). As
três dimensões devem ser tratadas simultânea e satisfatoriamente para que um
acervo digital tenha chance de sobrevivência em longo prazo.
De acordo com a literatura, existe uma certa carência de uma
política definida na preservação dos arquivos digitais. Neste sentido, o Conselho
Nacional de Arquivos (Conarq), através da Câmara Técnica de Documentos
Eletrônicos, elaborou o Anteprojeto “Carta para a Preservação do Patrimônio
Arquivístico Digital: preservar para garantir o acesso”.

�Essa Carta tem como objetivo contribuir para que os países
possam preparar políticas nacionais que norteiem as ações voltadas à
preservação e acesso à herança cultural. Para tanto, teve-se como parâmetro
para preservação do acervo da Biblioteca Digital da UEL algumas ações
propostas nesse documento.
Baseou-se também na publicação “Preservação no Universo
Digital” de Paul Conway (2001), em que o autor recomenda que as mudanças das
coleções, em formato impresso para sistemas digitais, se façam por meio de
tecnologias consagradas, que assegurem sua preservação.
Nesse sentido, a Biblioteca Digital da UEL preocupa-se com a
preservação física do objeto digital, como uma das formas de preservar o
conteúdo informacional, garantindo a qualidade, a integridade e o acesso ao
documento disponibilizado.
Como não se pode prever quando um sistema se tornará
obsoleto, a biblioteca digital tem a tarefa de garantir este acesso estando atenta
aos novos recursos tecnológicos. Dada a necessidade da migração dos
conteúdos informacionais para um outro sistema de armazenagem e acesso, esta
decisão é reavaliada, envolvendo especialistas da área de informática, de
preservação em conjunto com o pessoal responsável pela Biblioteca Digital.
Para tanto, a preservação dos conteúdos intelectuais disponíveis
na Biblioteca Digital da UEL é garantida por meio do estabelecimento de
instrumentos de rotina, como o sistema de backup, dos programas e dos dados,
realizado pelo pessoal da área de informática. Além de serem realizadas cópias
dos dados em CD-ROM e DVD. As cópias de segurança são um recurso
importante para minimizar os efeitos da destruição intencional ou não intencional.
Por esse motivo, especial atenção é tomada durante o
armazenamento desse material. As cópias em CDR-ROM e DVD estão
acondicionadas em armários próprios, arranjados conforme normas estabelecidas
pela Biblioteconomia. A temperatura e umidade são controladas com base nos
indicadores de durabilidade propostos pelo Centro Nacional de Desenvolvimento
do Gerenciamento da Informação – CENADEN, entre 20º de temperatura e 40%
de umidade relativa do ar.

�À parte dos mecanismos de prevenção, tomadas pela Biblioteca
Digital da UEL, estuda-se a possibilidade de preservar uma cópia deste material
em suporte magnético no Sistema de Arquivos Central da UEL.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A importância dos acervos das Bibliotecas Digitais ganha extrema
relevância, e novos desafios, tais como: acesso, sustentabilidade (longevidade), e
a preservação da informação em longo prazo.
A preservação da informação digital é uma tarefa delicada, devido
à própria natureza dessa informação e aos rápidos ciclos de obsolescência da
tecnologia que a suporta. Entretanto, é possível estender a sua vida útil,
identificando e endereçando os fatores que levam à sua degradação:
principalmente a perda do seu contexto e a perda da capacidade de visualizá-la.
Recomenda-se

que

as

atividades

de

digitalização

sejam

interligadas às atividades de preservação digital ficando evidente que a
implementação de políticas de preservação é a forma mais efetiva de garantir o
armazenamento e que essas políticas estabeleçam medidas específicas
essenciais para que toda produção intelectual seja acessível a comunidade
nacional e internacional.
Vale destacar também que, nesse novo ambiente, é necessário
que os profissionais envolvidos tenham a responsabilidade de selecionar o
sistema adequado para a conversão de materiais de valor permanente e,
também, responsáveis por facilitar o acesso permanente às versões digitais. Esta
responsabilidade é contínua e muitas vezes realizadas por meio de ações
pontuais considerando que as decisões sobre a armazenagem e o acesso não
podem ser adiadas à espera de uma nova solução tecnológica.

�REFERENCIAS
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Ciência da Informação em Tempo e espaço Digitais. 2003. Disponível em:
&gt;http://www.encontros-bibli.ufsc.br/Edicao_15/alvarenga_representacao.pdf&gt;.
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RUSSO, M. Bibliotecas universitárias brasileiras: diretrizes para o próximo
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VALLE JUNIOR, Eduardo Alves. Sistemas de Informação Multimídia na
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A preservação de conteúdos digitais: a experiência da biblioteca digital de teses e dissertações da Universidade Estadual de Londrina.</text>
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                <text>Cervantes, Brígida Maria N.; Pereira, Enidelci Aparecida Z.; Aguiar, Izabel Maria de; Ribeiro, Laudicena de Fátima; Letrari, Maria Aparecida dos S.; Zaninelli, Neide Maria J. </text>
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                <text>Salvador (Bahia)</text>
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                <text>Relata o desenvolvimento do trabalho realizado na Biblioteca Digital da UEL, apresentando os métodos de conservação dos conteúdos informacionais considerados de controle preventivo e os resultados ao longo do tempo. O conhecimento produzido pelos diferentes “atores" acadêmicos por uma Instituição transforma-se em patrimônio valioso para a comunidade científica. O acesso livre aos conteúdos informacionais por meio das Bibliotecas Digitais representa grande contribuição para o desenvolvimento científico e tecnológico local e global. A preservação dos documentos em formato digital dependerá da solução tecnológica adotada e dos custos que ela envolve. A tecnologia de informação utilizada para a sua preservação é mais do que outra opção de formato de arquivamento: transforma os conceitos da preservação tradicional em vez de garantir a integridade física do objeto, passa a especificar a geração e sua manutenção cuja integridade intelectual é sua característica principal. As alterações tecnológicas promovem benefícios, mas ocasionam ameaças pela vida breve das mídias utilizadas, pela rápida obsolescência dos hardwares, softwares e dos formatos. Tal aspecto adquire especial importância à temática da preservação de conteúdos digitais que se apresenta para propor políticas de prevenção e opções de ação a fim de impedir a deterioração dos conteúdos informacionais.</text>
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                    <text>A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO ESTIMULADA PELA BIBLIOTECA
UNIVERSITÁRIA DO ITPAC/FAHESA, NO CONTEXTO DO
DESENVOLVIMENTO REGIONAL DO NORTE DO ESTADO DO TOCANTINS

MEIRILANE SOCORRO LEOCADIO E CASTRO
ITPAC – Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos Ltda
FAHESA – Faculdade de Ciências Humanas, econômicas e da Saúde de
Araguaína
Av. Filadélfia, 568 – Setor Oeste, Araguaína/TO – CEP. 77816-540 – Brasil
biblioteca@itpac.br
meirilane_leocadio@yahoo.com.br

�2

Resumo
O surgimento de uma Instituição de Ensino Superior ( IES ) em qualquer cidade
gera muito otimismo em relação ao desenvolvimento econômico, social e
cultural, mas para a cidade de Araguaína, norte do Estado do Tocantins, essa
iniciativa veio como um grande evento, retirando da cidade o título de “Capital
do Boi Gordo” para cidade universitária, geradora de conhecimento. Os
benefícios que a Biblioteca do ITPAC/FAHESA oferecem à comunidade são
inúmeros, além de ser referência local, também contribui para o
desenvolvimento regional, pois Araguaína faz divisa com os Estados do Pará e
Maranhão, Estados muito carentes, principalmente de informação, que fazem
uso de muitos serviços do Estado do Tocantins. O objetivo primordial deste
trabalho é mostrar que a Biblioteca Universitária também é responsável pelo
desenvolvimento das cidades, principalmente no caso apresentado, pois
atualmente, o referencial de modernidade e desenvolvimento está nos grandes
centros urbanos, das regiões sul e sudeste. A Biblioteca Universitária tem
compromisso com a sociedade, além de colocar a disposição de seus usuários
as informações necessárias para sua formação acadêmica, também é uma
aliada nas pesquisas científicas, que produzirão novos conhecimentos. Tornase importante apresentar toda a trajetória da Biblioteca do ITPAC/FAHESA,
suas dificuldades e sucessos desde sua fundação em prol da produção
acadêmica e científica. A Biblioteca do ITPAC/FAHESA tem a pretensão, de se
tornar uma Biblioteca Universitária dentro dos padrões nacionais e
internacionais, com a finalidade de trazer mudanças significativas para a
população do norte do Estado do Tocantins, contribuindo efetivamente com o
desenvolvimento econômico, social e principalmente cultural.
Palavras-chave:
ITPAC/FAHESA

Bibliotecas

Universitárias,

Desenvolvimento

regional,

INTRODUÇÃO
As abordagens acerca das bibliotecas universitárias, privadas ou públicas,
geram muitos debates, pois percebe-se que as bibliotecas têm sido o alvo
predileto das comissões de avaliação “in loco” do MEC, buscando sempre
analisar aspectos quantitativos e qualitativos, sendo um dos requisitos para o
reconhecimento dos cursos das Instituições de Ensino Superior – IES. Neste
aspecto torna-se importante mostrar a indignação de Milanesi (1993) “é um
absurdo que uma legislação obrigue a existência de bibliotecas em faculdades
quando nenhuma imposição seria mais forte que a própria evidência da
necessidade de bibliotecas em universidades”.

�3

Este breve estudo tem por objetivo apresentar os benefícios oferecidos pela
Biblioteca Universitária do Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos
Ltda ( ITPAC ), que mantém a Faculdade de Ciências Humanas, Econômicas e
da Saúde de Araguaína ( FAHESA ), à sua comunidade local, bem como,
mostrar

a realidade

atual

do

norte do Estado

do

Tocantins, mas

especificamente Araguaína, no que tange ao impacto da IES em relação ao
desenvolvimento da região.

A necessidade de abordar esta temática surge do interesse em mostrar o
desenvolvimento social que ocorre no Estado do Tocantins, em relação à
educação. Num estudo de 1997, a região Norte do país apresentava apenas
6,8% das Bibliotecas Universitárias ( BUs), enquanto que na região Sudeste o
percentual era de 47,7% ( Russo, 2003 ). Isso já é um grande motivo para este
a realização deste trabalho, pois nas regiões sul e sudeste ouve-se pouco
sobre o norte do país, diante desta realidade, torna-se necessário traçar um
panorama

das

ações

e

benefícios

oferecidos

pela

biblioteca

do

ITPAC/FAHESA, mesmo enfrentado tantas dificuldades, devido a distância dos
grandes centros.

BREVE HISTÓRICO DO ESTADO DO TOCANTINS

A luta para a criação do Estado do Tocantins, não é recente, historicamente o
processo de divisão do Estado de Goiás iniciou em 1821, período do Brasil
Colônia, com o desembargador Joaquim Theotônio Segurado, representante da
Coroa Portuguesa no Brasil, ele foi um dos responsáveis pela prosperidade da
região, porém, revoltou-se contra a pesada carga de impostos. Através de uma
rebelião, Segurado instalou um governo provisório na região, mas esta atitude
foi minguada devida a Independência do Brasil no mesmo período.

Mas por vários anos, várias personalidades políticas tentaram sem êxito a
divisão do Goiás, visando trazer mais desenvolvimento ao norte goiano, que
carecia de recursos de infra-estrutura, educação e saúde. Devido às dimensões

�4

do Estado, era evidente que grande parte do Estado não recebia esses
recursos.

O período mais marcante e decisivo da divisão ocorreu a apartir de 1978,
quando uma delegação de cidadãos do norte goiano, entregou ao Deputado
Ulyssses Guimarães, Presidente da Assembléia Nacional Constituinte, um
abaixo-assinado com mais de 70 mil assinaturas dos eleitores pedindo a
separação do Estado.

Com a promulgação da nova Constituição do Brasil, cria-se o assim o Estado
de Tocantins, em 05 de outubro de 1988, sendo Palmas a Capital, que seria
construída na região central do Estado e inaugurada em 1º de Janeiro de 1989.

Com a criação do Estado do Tocantins, torna-se necessário a organização
política e administrativa, o novo Estado foi invadido por emigrantes de várias
partes do Brasil, principalmente pelos Estados vizinhos, na busca de melhores
condições de vida, formando assim, o povo tocantinense, vários povos e
culturas.

O Tocantins ocupa uma área de 278.420,7 km², com uma população de
1.251.603 habitantes, sendo sua densidade demográfica de 4,08 habitantes por
km². Foram os silvícolas da tribo dos Karajás os primitivos habitantes da vasta
região de ricas terras� e luxuriante floresta compreendida entre os rios
Andorinhas e Lontra, afluentes do caudaloso Rio Araguaia.

Com 17 anos de existência, o Estado do Tocantins é muito jovem e em fase de
crescimento, tendo o setor industrial pouco desenvolvido por falta ainda de
infra-estrutura, que está sendo feita. O setor que mais cresce é o de serviços,
dentre eles o da Educação. Nos últimos anos, várias instituições de ensino
superior se instalaram na região, bem como o ITPAC/FAHESA, que escolheu o
norte do Estado como sede.

�5

Atualmente o Estado do Tocantins busca mais investimentos para continuar a
crescer, gerando mais empregos e melhorando a qualidade de vida de sua
população, percebe-se que isso só irá ocorrer com investimentos em saúde e
educação, por isso a importância da instalação das IES.

ITPAC/FAHESA EM ARAGUAÍNA
O Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos ( ITPAC) é o mantenedor
da Faculdade de Ciências Humanas, Econômicas e da Saúde de Araguaína (
FAHESA ), instalado em Araguaína, um dos de 139 municípios, situado na
micro-região do extremo norte do Estado, cidade que se desenvolveu a partir
da construção da rodovia Belém-Brasília na década de 70, conhecida como a
"Capital do Boi Gordo".

É a cidade do interior com a maior população do

Estado, localizada a 384 km da capital, Palmas.

Fonte: site: www.araguaina.com.br

�6

O autêntico desenvolvimento econômico-social de Araguaína começou na
realidade a partir de 1960 tendo como principal atividade econômica, a
pecuária. Mas com a divisão do Estado, houve uma estagnação da economia
em Araguaína, que a princípio seria a Capital do novo Estado, diante disto
parte da população migrou para Palmas, na busca de novas oportunidades.
Mas em 1998, surge o ITPAC/FAHESA, que cresceu rapidamente na região,
devido à carência de cursos de graduação nas áreas gerenciais e da saúde.
Pois até aquele momento a cidade contava apenas com cursos de licenciatura
(Letras, Matemática, Geografia, História) e apenas um bacharelado em
Medicina Veterinária, atualmente mantidas pela Universidade Federal do
Tocantins recém criada.

O ITPAC/FAHESA começa suas atividades efetivamente em 1999 com os
cursos de Pedagogia e Ciências Contábeis. Mas logo vão surgindo os cursos
de Medicina, Enfermagem, Farmácia/Bioquímica, Odontologia, Administração,
Sistema de Informação, Educação Física e Direito. Além da abertura de mais 4
cursos de pós-graduação, visando especializar seus ex-alunos e a comunidade
graduada em geral, pois os cursos de pós-graduação oferecidos em Araguaína,
são de instituições fora do Estado, com aulas semi-presenciais e sem recursos
físicos e didáticos, principalmente sem biblioteca local.

Para melhor expressar o desenvolvimento educacional da Estado do Tocantins,
segue a Tabela 1, na qual aparece o perfil da educação superior no Estado até
2002, ano em que o ITPAC/FAHESA já formava suas primeiras turmas.

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TABELA 1: Ensino Superior – número de professores, alunos, instituições
e cursos*
1999
Número de instituições
Número de professores
Número de curso
Número de alunos

4
584
57
8.812

2000
4
575
81
9.133

2001
7
859
138
11.851

2002
15
1.094
235
26.930

Fonte: INEP – Censo de Ensino Superior/SEPLAN-TO/DPI
* Os valores apresentados são referentes ao ensino presencial

O ITPAC/FAHESA em seus sete anos de existência oportunizou à Araguaína,
um desenvolvimento jamais visto, a vida da cidade mudou, a economia que
andava estagnada começou a se movimentar novamente, pois os alunos da
instituição são em sua maioria de outras cidades e até outros Estados, criando
assim uma nova população consumidora. Vários setores tiveram crescimento,
mas o da construção civil e serviços foram os mais beneficiados.

A BIBLIOTECA DO ITPAC/FAHESA NA PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO

A biblioteca como instrumento de ação cultural numa comunidade, também é
um fator importante, uma vez que a grande maioria dos municípios possuem
uma biblioteca comunitária. Flusser, 1983 diz que “a cultura é um acervo
formado pela natureza informada, isto é, pela matéria que adquire forma
através do trabalho humano (...)”. As próprias idéias do homem, a sua maneira
de pensar e agir, podem ser consideradas como sendo sua cultura. A
Universidade faz um elo entre cultura e conhecimento, sendo norteadora na
geração do conhecimento.

Uma das finalidades da Universidade é a produção do conhecimento que dará
impulso ao desenvolvimento social, econômico e tecnológico de uma

�8

comunidade. Para que isso ocorra é preciso entender como o conhecimento se
articula nesta dinâmica.

Cortella (2000) aponta que “o conhecimento é entendido como algo acabado,
pronto, encerrado em si mesmo, sem conexão com a produção histórica”. Essa
abordagem torna-se muito importante, pois essa idéia vem sendo disseminada
deste o início da vida estudantil, até a formação superior, momento em que se
descobre que a produção do conhecimento passa por várias fases até seu
resultado final.

A BU irá subsidiar a formação acadêmica, técnica e intelectual do cidadão, este
com uma formação de qualidade terá boas oportunidades de trabalho,
oferecendo ainda o seu conhecimento à comunidade. Neste contexto temos a
biblioteca de uma universidade como o alicerce do saber. Preocupados com
isso, Russo (2003) aponta uma das recomendações constantes dos relatórios
finais do Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU), que se
remete ao discurso de temas melhorassem o desempenho das BUs.

A produção acadêmica otimizada pela BU vem do trabalho de referência
oferecido pelos bibliotecários, que vai da entrevista com o usuário, passa pelas
pesquisas efetivamente até a entrega dos documentos, isso é uma longa
jornada para o bibliotecário que deverá utilizar os recursos informacionais,
principalmente a internet para dar agilidade ao processo.

Para Figueiredo (1996) a principal característica de qualquer biblioteca, é o
trabalho cooperativo, isso já atinge as BUs, que atuam como sistema de
informação, buscando sempre atender o mais rápido possível sua clientela.
Vale lembrar que, no Estado do Tocantins não podemos contar com uma rede
regional de informações, isso também é um obstáculo, mas com os recursos da
internet, é possível obter informações de várias partes do mundo com muita
rapidez.

�9

A maioria dos alunos só entendem a produção do conhecimento ao final da
graduação quando têm que fazer seu Trabalho de Conclusão de Curso ( TCC ),
compreendendo a metodologia científica e utilizando de maneira mais intensa
os recursos das BUs. A nova percepção do conhecimento vai exigir do
estudante muita pesquisa, por isso da organização da BU para a concretização
do conhecimento.

O Estado do Tocantins apresentou em 2000, 14 Bibliotecas Universitárias de
instituições privadas e públicas. Já em 2005 este número saltou para 21, sendo
descritas apenas as que possuem um bibliotecário graduado atuando. O
ITPAC/FAHESA já produziu aproximadamente 450 trabalhos, sejam de TCCs,
artigos científicos e trabalhos para eventos ( essas informações estão sendo
tabuladas pela Coordenadoria de Pesquisa e Extensão, que foi criada
recentemente ).Os dados apresentados demonstram a valorização da
educação, e a importância da biblioteca como uma ferramenta nas pesquisas.

A Biblioteca do ITPAC/FAHESA, desde sua fundação vem buscando cada vez
mais aprimorar sua coleção de livros, revistas, fitas de vídeo, DVDs etc, além
de ampliar seus serviços aos usuários e à comunidade, como acesso à Bases
de Dados on line, como Medline e Lilacs via Bireme, de modo a garantir a
produção científica e acadêmica. Com o avanço das tecnologias de informação
no ambiente das bibliotecas, o intercâmbio e a cooperação foram facilitados.

Buscar os pontos que relacionam o desenvolvimento e/ou as mudanças de
comportamentos otimizados pelo surgimento de uma IES numa comunidade
não é uma tarefa fácil, pois são vários os fatores que colaboram para as
mudanças, seja elas sutis ou de impacto. Vale lembrar que a função primordial
da BU tem enfoque no desenvolvimento de pesquisas, que infelizmente em
muitas outras instituições são repassadas à pós-graduação. ( Milanesi, 1993 ).

De acordo com Ruiz (2002) “a pesquisa científica é a realização concreta de
uma investigação planejada, desenvolvida e redigida de acordo com as normas

�10

da metodologia consagradas pela ciência”. É o método de abordagem de um
problema em estudo que caracteriza o aspecto científico de uma pesquisa.
Diante do exposto percebe a relevância das BUs estimuladora e geradora do
conhecimento científico.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
O desenvolvimento econômico e social do Estado do Tocantins apresenta-se
bastante avançado, são vários os fatores que o justificam. Mas o crescimento
do setor de serviços, mais precisamente a educação como foi abordado, é o
ponto mais forte e evidente.

A instalação do ITPAC/FAHESA em Araguaína vem de encontro aos interesses
da própria comunidade de se desenvolver e se tornar referência em educação
e saúde como tem ocorrido. A busca da excelência nos serviços prestados, é
uma constante para a instituição que se utiliza dos padrões de qualidade para
alcançar seus objetivos. A BU do ITPAC/FAHESA também almeja essa
qualidade, do ponto de vista gerencial Silva (1999) “sugere que os objetivos
organizacionais, especificamente os objetivos operativos, podem influenciar a
percepção da qualidade, pois representam a ação concreta dos grupos de
interesse sobre áreas estratégicas como planejamento, administração e
recursos humanos, infra-estrutura e serviços”.
O ITPAC/FAHESA sempre primou pela qualidade tendo em vista legitimar suas
ações no Estado e conquistar a confiança da sociedade, por isso dos
investimentos na infra-estrutura e principalmente na biblioteca, o setor
considerado mais importante sem restrições orçamentárias uma vez que, várias
bibliotecas disputam recursos com outros setores.
Apesar de todas as dificuldades, principalmente de localização, percebe-se
facilmente que o Estado tem se desenvolvido graças à democratização da

�11

educação superior e também às bibliotecas que subsidiam pesquisas, ajudam
na produção e multiplicação do conhecimento.
Bibliografia
CORTELLA, Mário Sérgio. A escola e o conhecimento: fundamentos
epistemológicos e políticos. 3.ed. São Paulo: Cortez, 2000. 166p.
FIGUEIREDO, Nice Menezes de. Textos avançados em referência e
informação. São Paulo: Polis, 1996. 124p.
FLUSSER, Victor. A biblioteca como um instrumento de ação cultural. Rev Esc
Bibliotecon. UFMG, Belo Horizonte, n. 12, v. 2, p. 143-144, set. 1983.
MILANESI, Luís Augusto. O que é biblioteca. 9.ed. São Paulo: Brasiliense,
1993.
RUIZ, João Álvaro. Metodologia científica: guia para eficiência nos estudos.
5.ed. São Paulo: Atlas, 2002.
RUSSO, Mariza. A biblioteca universitária no cenário brasileiro. Rio de
Janeiro: UFRJ, 2003.
SANCHES, Ana Maria Valente; SALES, Sílvia Mota ( Org. ) Guia de
bibliotecas do Tocantins. Palmas: SECULT, 2000. 40p.
SILVA, Sueli Maria Goulart. Qualidade nas bibliotecas universitárias: a
influência dos objetivos. In: SIMPÓSIO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, 6.,
1999. Bauru. Anais...Bauru: UNESP, 1999.
TOCANTINS ( Estado ). Secretaria do Planejamento e Meio Ambiente.
Indicadores socioeconômicos do Tocantins. Palmas: SEPLAN, 2003.
Disponível em: www.seplan.to.gov.br/desenvolvimento/dpi/bio/introducao.pdf.
Acesso em 23/05/2006.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>O surgimento de uma Instituição de Ensino Superior ( IES ) em qualquer cidade gera muito otimismo em relação ao desenvolvimento econômico, social e cultural, mas para a cidade de Araguaína, norte do Estado do Tocantins, essa iniciativa veio como um grande evento, retirando da cidade o título de “Capital do Boi Gordo” para cidade universitária, geradora de conhecimento. Os benefícios que a Biblioteca do ITPAC/FAHESA oferecem à comunidade são inúmeros, além de ser referência local, também contribui para o desenvolvimento regional, pois Araguaína faz divisa com os Estados do Pará e Maranhão, Estados muito carentes, principalmente de informação, que fazem uso de muitos serviços do Estado do Tocantins. O objetivo primordial deste trabalho é mostrar que a Biblioteca Universitária também é responsável pelo desenvolvimento das cidades, principalmente no caso apresentado pois atualmente, o referencial de modernidade e desenvolvimento está nos grandes centros urbanos, das regiões sul e sudeste. A Biblioteca Universitária tem compromisso com a sociedade, além de colocar a disposição de seus usuários as informações necessárias para sua formação acadêmica, também é uma aliada nas pesquisas científicas, que produzirão novos conhecimentos. Torna-se importante apresentar toda a trajetória da Biblioteca do ITPAC/FAHESA, suas dificuldades e sucessos desde sua fundação em prol da produção acadêmica e científica. A Biblioteca do ITPAC/FAHESA tem a pretensão, de se tornar uma Biblioteca Universitária dentro dos padrões nacionais e internacionais, com a finalidade de trazer mudanças significativas para a população do norte do Estado do Tocantins, contribuindo efetivamente com o desenvolvimento econômico, social e principalmente cultural.</text>
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                    <text>A Produção e geração do conhecimento dos profissionais do
Sistema de Bibliotecas da Unicamp nos Seminários Nacionais de
Bibliotecas Universitárias
Martins, Valéria dos Santos Gouveia – Bibliotecária
Mestre em Gestão da Qualidade-Coordenadora
Associada do Sistema de Bibliotecas da Unicamp e
Diretora da Biblioteca César Lattes
valeria@unicamp.br
Rodrigues,Célia Aparecida – Bibliotecária do Setor
de Planejamento da Biblioteca Central César Lattes
da Unicamp
celiar@unicamp.br
Truzzi, Marilda - Bibliotecária do Setor de
Planejamento da Biblioteca Central César Lattes da
Unicamp
marilda@unicamp.br
Vicentini, Luiz Atílio – Bibliotecário com
especialização em Gestão de Negócios e
Tecnologia da Informação-Coordenador do Sistema
de Bibliotecas da UnicampVicentin@unicamp.br
RESUMO:
As comunicações formais do conhecimento constituem fontes por excelência para o estudo
dos campos do saber e das transformações dessas idéias ao longo da história. Na área de
biblioteconomia observa-se que os SNBUs tem se destacado como fonte de informação para
os profissionais da área, visando dar maior visibilidade e contribuição para a base de
conhecimento da profissão, partilhando e divulgando as melhores práticas e experiências. O
presente trabalho tem como objetivo pesquisar e analisar a produção do conhecimento
gerada pelos profissionais do Sistema de Bibliotecas da UNICAMP (SBU) e a sua divulgação
nos Seminários Nacionais de Bibliotecas Universitárias (SNBU). A metodologia para o
desenvolvimento do trabalho pautou-se em etapas: levantamento da produção científica,
análise por eixo temático, crescimento no período analisado e as formas de recuperação das
comunicações publicadas nos Anais. Os resultados apresentados no trabalho demonstraram
um nível crescente de contribuição dos profissionais do SBU para os temas e eixos
temáticos propostos, de 1978 a 2004, demonstrando conscientização sobre a importância do
seu papel, a necessidade de atualização e divulgação de suas experiências para realimentar
o ciclo da geração do conhecimento.

Palavras-chave: Produção Científica; Produção de Conhecimento; Biblioteconomia; SBU.

�1 INTRODUÇÃO

No ambiente das organizações, a preocupação com o conhecimento vem se
estendendo do campo empresarial para as demais formas políticas de organizações.
É justificável essa transformação ocasionada pela realidade que as organizações
estão vivenciando na era da “Sociedade da Informação e do Conhecimento”, que fez
despertar para o entendimento de que o conhecimento deve ser gerenciado.
O

Seminário

Nacional

de

Bibliotecas

Universitárias

(SNBU)

tem-se

consolidado como o fórum principal de debates e intercâmbio de idéias na área de
Biblioteconomia e Documentação e através da participação nestes eventos os
profissionais de informação contribuem para a base de conhecimento da profissão
partilhando as melhores práticas e experiências, e continuando a aprendizagem
sobre produtos, serviços e práticas de gestão ao longo de toda a sua carreira.
Neste sentido o Sistema de Bibliotecas da UNICAMP tem procurado divulgar
suas melhores práticas e pesquisas, visando não somente a troca de experiências,
mas a contribuição para o crescimento e debate no contexto da área da Ciência da
Informação.
2 APRESENTAÇÃO DO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNICAMP (SBU)
A Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP é “uma autarquia,
autônoma em política educacional, mas subordinada ao governo estadual no que se
refere a subsídios para a sua operação. Assim, os recursos financeiros são obtidos
principalmente do Governo do Estado de São Paulo e de instituições nacionais e
internacionais de fomento” (A UNICAMP). A universidade está localizada no distrito
de Barão Geraldo, região noroeste de Campinas, e fica a 12 km do centro da cidade.
Dentre seus indicadores é importante destacar que a Unicamp possui 45.581
alunos matriculados, 57 cursos de graduação, 127 cursos de pós-graduação e 1.191
cursos de extensão.

�No contexto desta universidade, seu sistema de bibliotecas (SBU),
desempenha um importante papel como parte integrante do processo de ensinoaprendizagem, por meio do sistema de bibliotecas que a constitui.
A Biblioteca Central da UNICAMP foi criada em 11 de junho de 1989, como
órgão complementar da Universidade. Em 25 de novembro de 2003, pela
“Deliberação CONSU A-30/03“, foi criado oficialmente o Sistema de Bibliotecas da
UNICAMP, diretamente subordinado à Coordenadoria Geral da Universidade, tendo
como objetivo:
q

dar suporte aos programas de ensino, pesquisa e extensão;

q

definir a política de desenvolvimento dos diferentes acervos que compõem as
bibliotecas da Universidade;

q

possibilitar à comunidade universitária e à comunidade científica o acesso à
informação armazenada e gerada na UNICAMP;

q

promover intercâmbio de experiências e acervos.
Para atender à demanda informacional, a Universidade conta com 24

bibliotecas alocadas nas unidades de ensino e pesquisa, colégios técnicos, centros e
núcleos, distribuídos nas áreas de Humanidades e Artes, Tecnológicas, Exatas e
Biomédicas e arquivos alocados em centros de pesquisa.
Tendo em vista sua dimensão e amplitude, o SBU possui em sua composição
várias instâncias de representatividade da comunidade, tais como:
q

Órgão Colegiado, instância máxima do SBU, cuja função é deliberar sobre as
políticas de manutenção e desenvolvimento dos recursos do Sistema. É
constituído por membros docentes, bibliotecários e discentes da Universidade;

q

Coordenadoria do SBU, responsável pela implementação das políticas de
desenvolvimento e pela coordenação das atividades de interesse conjunto das
bibliotecas da Universidade. Constituída pelo coordenador, coordenador
associado, assessor técnico de planejamento, diretores técnicos de serviços e
grupos técnicos;

�q

Bibliotecas Seccionais, que têm como finalidade principal atender as
necessidades de professores, pesquisadores e estudantes da UNICAMP.
Para tanto, devem assegurar a difusão de informações culturais e científicas e
o desenvolvimento das políticas do SBU;

q

Comissões de Biblioteca, responsáveis pela aplicação dos recursos
financeiros alocados para materiais bibliográficos, apreciar o plano anual de
atividades, estudar e propor políticas de desenvolvimento das bibliotecas.
Constituída por docentes de departamentos e discentes das Unidades.

2.1 Serviços Prestados / Produtos Oferecidos
q

Acesso ao catálogo automatizado do Sistema de Bibliotecas da UNICAMP,
Base Acervus, englobando livros, teses, dissertações e títulos de periódicos
com suas respectivas coleções;

q

Acesso à Internet;

q

Acesso a bases de dados referenciais;

q

Acesso a títulos de periódicos eletrônicos com texto integral;

q

Acesso à Biblioteca Digital da UNICAMP;

q

Comutação bibliográfica;

q

Empréstimo entre bibliotecas;

q

Empréstimo domiciliar e consulta local;

q

Diretrizes

para

elaboração

de

trabalhos

científicos

e

normalização

bibliográfica;
q

Levantamento bibliográfico na Base Acervus e nas Bases referenciais;

q

Programa de Capacitação de Usuários (cursos e palestras):

q

Busca e uso da informação no Sistema de Bibliotecas da UNICAMP;

q

Pesquisa e acesso à informação utilizando as novas tecnologias;

q

Disseminação da Informação através de alertas bibliográficos (e-mail), guias
de bibliotecas, folders, etc;

q

Programação para visitantes provindos da própria Universidade assim como
de outras instituições.

�3 O REFLEXO DA GESTÃO DO CONHECIMENTO NAS ORGANIZAÇÕES
A geração do conhecimento dentro das empresas ocorre de forma
sistematizada ou não, e à medida que seus participantes interagem em seus
ambientes ocorre a absorção de informação, que rapidamente é transformada em
conhecimento, que acaba sendo combinado com as experiências, valores e regras
internas tanto da empresa quanto de cada pessoa. O ponto aqui seria abordar a
forma com o qual este procedimento acontece, visto que muitas empresas acreditam
que a gestão do conhecimento encerra-se com uma boa contratação de funcionários
capazes e com excelente potencial, o que não é verdadeiro. Assim, gera-se o
verdadeiro conhecimento através de: aquisição, recursos dedicados, fusão,
adaptação e rede de conhecimento.
Um dos maiores objetivos e o grande desafio para as empresas seria
justamente a codificação e coordenação do conhecimento. Eles garantem a
acessibilidade porque transformam o conhecimento em código, não de computador,
mas em um código inteligível, claro, portátil e organizado. Isto resulta que os
gerentes e usuários do conhecimento podem categorizá-lo, descrevê-lo, mapeá-lo,
modelá-lo, estimulá-lo e inseri-lo em regras e receitas. A codificação precisa ser feita
de tal forma que não transforme o conhecimento novamente em dados e não remova
o brilhantismo das informações, para tanto, seria necessário que os gerentes
decidam quais objetivos o conhecimento codificado deve atingir, devem ser capazes
de identificar o conhecimento existente em suas várias formas de apresentação,
devem avaliar o conhecimento segundo sua utilidade e adequação à codificação e,
aos codificadores, cabe identificar um meio apropriado para a codificação e
distribuição do conhecimento.
A convergência de Produtos e Serviços pelo alto poder e influência que o
conhecimento atingiu nas atuais organizações, cada vez mais são comercializados
por elas e traduzidos em idéias. Para adentrar no entendimento dos conceitos de
forma mais ampla, vale ressaltar que dado, informação e conhecimento se diferem,
ou seja:

�q

Dado, informação e conhecimento formam um elo cuja inter-relação dá-se por
um crescendo de refinamento, ou seja, o verdadeiro conhecimento é atingido
somente quando conseguimos a propriedade de transformar os dados em
informação.

DADO – INFORMAÇÃO - CONHECIMENTO

q

Dados: é um conjunto de fatos distintos e objetivos, relativos a eventos. São o
que chamamos de banco de informações onde são armazenadas as
ocorrências relativas a clientes, internos e externos às organizações, ou
mesmo sobre sua própria história. Os dados não são revestidos de
significação inerente, ou seja, mostram o antes e o depois sem qualquer
preocupação com seu nível de entrosamento ou correlação, não sendo,
portanto, suficientes para embasar qualquer decisão que se fizer necessária;

q

Informação significa dar forma à alguma coisa, equivale a tratar os dados
disponíveis para que eles passem a significar algo e fazer diferença, passem a
servir então como uma mensagem que contribui para a informatividade, para a
decisão ou solução de situações que se impõem ao dia a dia. A qualidade da
informação depende do emitente. Ao contrário dos dados, a informação possui
significado inerente, vez que ao atribuir forma aos dados, reveste-se com
propósito, relevância e finalidade. Para transformar dados em informação
agregando valor é necessário que haja: contextualizaçao, categorização,
cálculo, correção e condensação.

q

Conhecimento: encerra um entendimento mais amplo e profundo. Dificilmente
existe um documento com conhecimento ou com boa formação cultural.
Somente às pessoas cabe esta faculdade. Seu significado é bastante fluido
porque ele existe dentro das pessoas, depende da capacidade delas. Sua
maior ou menor percepção é que dará a verdadeira dimensão do
conhecimento de cada um. O conhecimento deriva da informação, que por
sua vez deriva dos dados. O trabalho para transformar tudo isto em

�conhecimento também ocorre através de palavras iniciadas com comparação,
conseqüências, conexões e conversação. O meio de propagação do
conhecimento pode ser estruturado como livros e documentos, ou informais
através de simples conversas ou observação de rotinas.
4 JUSTIFICATIVA
A economia global fundamenta-se na informação e no conhecimento, portanto,
os profissionais da informação e da documentação têm a responsabilidade de
gerenciar, tratar, representar e disponibilizar a informação em âmbito local,
institucional, nacional ou internacional, com equidade, utilizando as ferramentas e
soluções tecnológicas mais adequadas.
Há uma expectativa de que os profissionais da informação sejam qualificados,
mantenham-se atualizados, comprometidos ética e socialmente para sustentar o
avanço do conhecimento e manuseio crítico da informação.
Neste contexto, Guizalberth (2002), ressalta que a capacitação da equipe de um
sistema de bibliotecas está no processo de gestão do conhecimento, permitindo um
aprender constante, onde possibilita a padronização na qualidade do atendimento,
colocando as bibliotecas em lugar de destaque e levando à incorporação de novos
conceitos, novas palavras e novas ações na cultura profissional.
McGee e Prusak (2001) afirmam que, numa economia baseada na informação,
a concorrência entre as organizações baseia-se em sua capacidade de adquirir,
tratar, interpretar e utilizar a informação de forma eficaz. As organizações que
liderarem essa competição serão as grandes vencedoras do futuro, enquanto as que
não o fizerem serão facilmente vencidas por suas concorrentes.
McGee e Prusak (2001) ressaltam ainda, que a informação é capaz de criar
valor significativo para as organizações, possibilitando a criação de novos produtos e

�serviços, e aperfeiçoando a qualidade do processo decisório em toda a organização,
não sendo, entretanto um processo obrigatório.
Como capacitação da equipe do Sistema de Bibliotecas, o processo de gestão
do conhecimento permitiu um aprender constante, padronizou a qualidade do
atendimento e elevou-o a um nível que superou as expectativas de sua clientela.
Colocou as bibliotecas em lugar de destaque, bem como criou um ambiente em que
todas as pessoas tiveram e tem a oportunidade em participar, relegando a condição
de tarefeiro. Esta participação levou à incorporação de novos conceitos, novas
palavras e novas ações na cultura profissional.
5 OBJETIVOS
O presente trabalho tem como objetivo pesquisar e analisar a produção do
conhecimento gerada pelos profissionais do Sistema de Bibliotecas da UNICAMP
(SBU) e a sua divulgação nos Seminários Nacionais de Bibliotecas Universitárias
(SNBU).
O SNBU é um evento que se realiza a cada dois anos e discute temas
relacionados

às

Bibliotecas

universitárias.

Dele

participam

professores,

pesquisadores, estudantes de graduação, pós-graduação e profissionais ligados às
áreas de Informação.
A participação dos profissionais da Unicamp neste evento é altamente
representativa e percebe-se uma evolução quantitativa de trabalhos produzidos na
última década.
6 METODOLOGIA
A metodologia para o desenvolvimento do trabalho pautou-se em etapas:
levantamento da produção científica, análise por eixo temático, crescimento no
período analisado e as formas de recuperação das comunicações publicadas nos
Anais.

�7 RESULTADOS
Os resultados apresentados demonstraram um nível crescente de contribuição
dos profissionais do SBU para os temas e eixos temáticos propostos, de 1978 a
2004, demonstrando conscientização sobre a importância do seu papel, a
necessidade de atualização e divulgação de suas experiências para realimentar o
ciclo da geração do conhecimento, conforme pode ser observado no gráfico 1.
Observa-se, ainda que o ano de 1998, foi um marco significativo da evolução
da produção científica dos profissionais do SBU, pois demonstra, a partir de 1998,
um crescimento quantitativo/qualitativo, chegando no ano de 2004 com 35 artigos
aprovados.

Tabalhos do SBU apresentados de 1978 a 2004 nos SNBUs
35

1
1978

5

4

1990

1994

7

9

1996

1998

13

14

2000

2002

2004

Gráfico 1 – Histórico dos trabalhos apresentados de 1978 a 2004

A produção científica também foi analisada segundo os eixos temáticos
abordados nos SNBUs. Os resultados abaixo demonstram a divisão dos trabalhos
por eixo temático, onde podemos observar que o Sistema de Bibliotecas da Unicamp
tem atuado com tecnologia de ponta, novos conceitos e aprimorado seus serviços e

�produtos visando às novas tendências de mercado, atualização profissional, a
satisfação do usuário e a geração de conhecimento para a área de Ciência da
Informação.
I SNBU – Niterói-1978
Participação da UNICAMP – curso ministrado: A microfilmagem nas bibliotecas e
serviços de documentação.
Prof. Oscar Oswaldo Campiglia – Bibliotecário e Técnico de Microfilmagem da UNICAMP
VI SNBU – Belém – 1990
Plano Nacional de Bibliotecas Universitárias – PNBU-2
Política para prestação de serviços aos usuários - 3
VIII SNBU – Campinas – 1994
Cooperação na aquisição e tratamento da informação -2
Integração da universidade e sociedade na perspectiva de captação de recursos - 1
Integração da biblioteca universitária: redes e sistemas especializados-1
IX SNBU – Curitiba – 1996
A Biblioteca e a autonomia universitária - 2
Políticas de serviços e novas tecnologias - 3
X SNBU - Fortaleza – 1998
O capital humano e seu desenvolvimento contínuo - 1
Avaliação do custo/benefício de infra-estrutura, produtos e serviços. - 1
Integração das bibliotecas universitárias ao mundo virtual - 7

XI SNBU – Florianópolis - 2000
Recursos humanos da Biblioteca Universitária - 1
Captação de recursos financeiros/fontes financiadoras - 1
Técnicas e tecnologias na biblioteca universitária do século XXI - 7
Gerência da Biblioteca Universitária - 4

�XII SNBU – Recife –2002
Comunicação Oral
Gerenciamento organizacional de bibliotecas universitárias - 2
Gerenciamento de tecnologias em bibliotecas universitárias - 6
Gerenciamento e interação de serviços de extensão em bibliotecas – universitárias - 2
Poster
Gerenciamento organizacional de Bibliotecas universitárias - 2
Gerenciamento de tecnologias em bibliotecas universitárias - 1
Gerenciamento e interação de serviços de extensão em bibliotecas universitárias - 1
XIII SNBU –2004
Comunicação Oral
Redimensionamento de Cenários e Estratégias de Ação
Controle e Avaliação de Bibliotecas de Instituições de Ensino Superior - 1
Gestão em Serviços de Informação - 4
Gestão Pela Qualidade - 4
Planejamento da Estrutura Organizacional - 2
Redimensionamento de Recursos Humanos
Gestão de Pessoas e de Competências - 4
Redimensionamento de Recursos Informacionais
A Web e os Acervos Digitais - 7
Atividades de Cooperação em Redes-3
Avaliação do Uso de Serviços de Informação - 1
Gestão do Conhecimento em Serviços de Informação -1
Inclusão Digital Para Portadores de Necessidades Especiais - 1
Organização da Informação - 1

PÔSTER
REDIMENSIONAMENTO DE CENÁRIOS E ESTRATÉGIAS DE AÇÃO
Gestão em serviços de informação- 2
Planejamento da estrutura organizacional - 1
Avaliação do uso de serviços de informação - 1

�Gestão do conhecimento em serviços de informação - 1
Organização da informação - 1
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os autores das comunicações dos SNBUs mostram uma preocupação na elaboração
de seus trabalhos recorrendo a uma literatura atualizada e de ampla divulgação, valendo-se
mais da literatura convencional, livros e artigos de periódicos. A literatura cinzenta, pelas
suas características, não apresenta ainda um nível de competição com a literatura branca
(convencional). As comunicações em eventos parecem ter mais representatividade na
produção científica do que na sua própria utilização. Daí ressaltar-se a importância da
atualização de bases de literatura cinzenta, para proporcionar maior visibilidade da produção
científica, gerada na área da ciência da informação e permitir facilidades na sua utilização.
Examinando a literatura produzida pela comunidade científica brasileira, na área da
Ciência da Informação, verifica-se que a participação dos profissionais em eventos é
altamente representativa constituindo-se em um dos maiores índices de produção nessa
categoria. Os trabalhos são voltados para determinados temas, são agrupados de acordo
com os eixos temáticos propostos pelas comissões técnicas e oferecem a oportunidade para
se divulgar e conhecer os avanços ocorridos na área, através do conjunto de relatos que
divulgam as atividades, serviços e produtos relacionados com a geração e o uso da
informação.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GUIZALBERTH, A G. Gestão do conhecimento: o capital humano trabalhado em
bibliotecas como um diferencial qualitativo. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO, 20, 2002. Fortaleza. Anais... Fortaleza,
CBBD, 2002.
McGEE, James; PRUSAK, Laurence. Gerenciamento estratégico da informação:
aumente a competitividade e a eficiência de sua empresa utilizando a informação
como uma ferramenta estratégica. 9. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2001. 244p.
(Série Gerenciamento da Informação).

�NOROÑA, D.P.; POBLACIÓN, D.A.; SANTOS, C.B. dos Produção científica: análise
cienciométrica das comunicações apresentadas nos SNBUs: 1978-1988. In:
SEMINÁRIO

NACIONAL

DE

BIBLIOTECAS

UNIVERSITÁRIAS,

11,

2000,

Florianópolis 2000. Anais... Florianópolis, SNBU, 2000, 11p. (CD-ROM)
POBLACION, D..A; NORONHA, D.P. Produção das literaturas “branca” e “cinzenta”
pelos docentes/doutores dos programas de pós-graduação em ciência da informação
no Brasil. Ciência da Informação, Brasília, v. 31, n. 2, p. 98-106; maio/ago.2002

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>As comunicações formais do conhecimento constituem fontes por excelência para o estudo dos campos do saber e das transformações dessas idéias ao longo da história. Na área de biblioteconomia observa-se que os SNBUs tem se destacado como fonte de informação para os profissionais da área, visando dar maior visibilidade e contribuição para a base de conhecimento da profissão, partilhando e divulgando as melhores práticas e experiências. O presente trabalho tem como objetivo pesquisar e analisar a produção do conhecimento gerada pelos profissionais do Sistema de Bibliotecas da UNICAMP (SBU) e a sua divulgação nos Seminários Nacionais de Bibliotecas Universitárias (SNBU). A metodologia para o desenvolvimento do trabalho pautou-se em etapas: levantamento da produção científica, análise por eixo temático, crescimento no período analisado e as formas de recuperação das comunicações publicadas nos Anais. Os resultados apresentados no trabalho demonstraram um nível crescente de contribuição dos profissionais do SBU para os temas e eixos temáticos propostos, de 1978 a 2004, demonstrando conscientização sobre a importância do seu papel, a necessidade de atualização e divulgação de suas experiências para realimentar o ciclo da geração do conhecimento.</text>
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                    <text>A REDE DE INFORMAÇÃO AMBIENTAL DA UFPA
NO CONTEXTO AMAZÔNICO
Marise Teles Condurú 1
Bibliotecária pela Universidade Federal do
Pará - UFPA. Especialista em Documentação
Científica pela Universidade Federal do Rio de
Janeiro – UFRJ/ Instituto Brasileiro de
Informação em Ciência e Tecnologia - IBICT.
Mestre em Ciência da Informação pela UFRJ/
IBICT. Subcoordenadora de Informação
Ambiental do Núcleo de Meio Ambiente –
NUMA da UFPA. Integrante do Grupo de
Pesquisa Hidráulica e Saneamento/UFPA.
marise@ufpa.br
Nilzete Louzada Quemel
Graduanda em Biblioteconomia pela UFPA.
Bolsista do NUMA/UFPA.
nilquemel@yahoo.com.br

RESUMO
Coleta e organização da produção técnico-científica e demais informações na
área ambiental geradas na Universidade Federal do Pará (UFPA). Para tal, foi
implantada a Rede de Informação Ambiental da UFPA (RIAM), na qual é
disponibilizada esse tipo de informação à comunidade universitária e à sociedade,
consolidando a atuação do Núcleo de Meio Ambiente (NUMA), da UFPA como
unidade de integração para apoiar o ensino, pesquisa e extensão, ratificando o
que é preconizado na Agenda 21 brasileira, de que são imprescindíveis a coleta,
a análise e a disseminação de informações pertinentes e confiáveis, em tempo
hábil e em formato adequado para a tomada de decisões em todos os níveis. A
criação da RIAM também visa ser instrumento de disseminação do conhecimento
na região amazônica. Como resultados da RIAM já são oferecidos à comunidade
científica e sociedade em geral bases de dados com projetos de pesquisa;
projetos de extensão; grupos de pesquisa; pesquisadores; cursos de pósgraduação; trabalhos acadêmicos na temática ambiental. Ressalta-se, portanto,

1

Endereço: País: Brasil, Estado: Pará, Cidade: Belém, Bairro: Umarizal, Avenida Generalíssimo Deodoro, n.
146/1103, CEP: 66.055-240. e-mail: marise@ufpa.br. Fax: (91) 3201-7772.

�que a cultura da informação e de redes deve ser intensamente estimulada, pois
ela não só estabelece hábitos de disseminação da informação e de cooperação,
como possibilita o exercício de cidadania e a tomada de decisões participativas.

Palavras-chave: redes de informação; meio ambiente; produção científica;
projetos; Amazônia.

1 INTRODUÇÃO

A informação é um recurso estratégico para o planejamento e desenvolvimento de
municípios, estados, regiões, países etc. e deve ser produzida, selecionada,
organizada, armazenada e disseminada, para atender à demanda da sociedade
em busca da melhoria da qualidade de vida.

No capítulo 40 da Agenda 21 brasileira é observada que informação deve ser
disponibilizada para a tomada de decisões, o que reforça a necessidade de
coleta, de análise e de disseminação de informações pertinentes e confiáveis, em
tempo hábil e em formato adequado para a tomada de decisões em todos os
níveis, contando, para isso, com o apoio da sociedade em geral (BRASIL, 1997).

O conhecimento de estudos, pesquisas e investigações facilita o acesso e o uso
da informação, os quais são intensificados quando a coleta, organização e
disseminação da informação ocorrem em sistemas, redes, bibliotecas virtuais,
digitais e portais, que são meios eficientes de potencializar a disponibilidade e uso
da informação, permitindo acesso amplo, bem como o compartilhamento dos
recursos bibliográficos, técnicos e tecnológicos.

É importante ressaltar que a cultura da informação em redes é recomendada na
Agenda 21 brasileira, pois isso fortalece a cooperação, o exercício de cidadania e
a tomada de decisões participativas (BRASIL, 1997).

�Considerando sistemas e redes como sinônimos, a Organização das Nações
Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (apud PINHEIRO, 1995) os define
como “[...] o conjunto de componentes inter-relacionados, que de comum acordo
provém a transmissão de informação dos produtos a seus usuários, de
conformidade com normas e procedimentos”.

Para compreensão de redes e sistemas, tal como estudados na Ciência da
Informação, Balduino (1988) comenta os diferenciais básicos de sistemas e redes,
como: nos sistemas, os elementos são integrados, com objetivos específicos,
componentes interdependentes entre outros, e nas redes, os elementos são
interligados, com objetivos comuns, componentes autônomos etc.

Etimologicamente, sistema tem sua origem grega e significa estar junto, e rede,
de raiz indo-européia, é a tradução de conjuntos por nós, isto é por elos, ligação
(PINHEIRO, 1995).

Dessa forma, a rede é geralmente menos rígida e mais flexível, enfatizando a
cooperação e o compartilhamento, o que privilegia as relações de intercâmbio
entre seus componentes.

Pinheiro (1995) observa ser notório a hierarquização, a nitidez e a tendência à
centralização dos sistemas e a flexibilidade e descentralização das redes, e
propõe que sistemas e redes devem possuir a estrutura de sistema em rede, o
qual define:
processo que envolve profissionais, tecnologia (computadores e
telecomunicações), técnicas e recursos, com o objetivo comum de
coletar, selecionar, processar, recuperar, disseminar e intercambiar
informações, em uma ou mais áreas do conhecimento ou
missão/problema, para atender às necessidades e demandas de
informações de uma determinada comunidade (PINHEIRO, 1995, p. 2,
grifo nosso).

�Neste trabalho sistemas e redes são considerados sinônimos, uma vez que o
importante é que a informação seja disseminada de forma ampla, rápida e com
qualidade à sociedade.

A disseminação da informação na Amazônia tem sido dificultada pela grande
extensão territorial e pela pequena infra-estrutura do setor de informação, apesar
das pesquisas que são realizadas para o conhecimento da realidade local, que é
essencial para o desenvolvimento e benefício da própria região.

Portanto, intensificar os mecanismos que disponibilizam informações de
pesquisas é um dos desafios das instituições amazônicas, pois isso difundirá o
conhecimento técnico-científico, permitirá o acesso e aumentará a integração do
homem da Amazônia.

Nesse contexto, no Núcleo de Meio Ambiente (NUMA), da Universidade Federal
do Pará (UFPA), foi criada a Rede de Informação Ambiental (RIAM), para
contribuir com a missão da UFPA de garantir o acesso ao conhecimento
produzido e acumulado, visando à melhoria da qualidade de vida do ser humano
em geral, e em particular do amazônida, de modo a garantir o pleno exercício da
cidadania.

2 OBJETIVO

Analisar a Rede de Informação Ambiental (RIAM), coordenada pelo Núcleo de
Meio Ambiente (NUMA) da UFPA, na disseminação da informação ambiental
gerada na região Amazônica.

3 METODOLOGIA

O objeto de estudo deste trabalho é a RIAM, proposta em outubro de 2003 e
coordenada no NUMA da UFPA. Essa Rede tem o objetivo de reunir, organizar e

�tornar disponível a informação na área ambiental para apoiar as atividades de
ensino, pesquisa e extensão das demais unidades e para transmitir o
conhecimento técnico-científico para a sociedade, o que é essencial para o
desenvolvimento sustentável da Região Amazônica (CONDURÚ, 2003).

Na Rede inicialmente foram disponibilizadas informações referentes à UFPA.
Entretanto, desde o início de sua implantação, foi notada a importância da
integração com outras instituições da região, a fim de se divulgar a informação
ambiental ocorrida na Amazônia.

Atualmente, a Rede é operacionalizada por equipe formada por 1 bibliotecária, 1
auxiliar administrativo e 3 bolsistas de graduação, sendo 1 de Biblioteconomia e 2
de Ciência da Computação. Vale ressaltar que essa equipe desenvolve outras
atividades na Subcoordenação de Informação Ambiental do NUMA/UFPA, como
assessoria à coordenação do NUMA no que se refere à informação, normalização
e edição dos documentos publicados pelo Núcleo, organização do acervo da
Biblioteca, atendimento de usuários, elaboração de boletim eletrônico etc.

Este trabalho foi dividido em 4 etapas, apresentadas a seguir:
a) Descrição das partes que formam o conteúdo da Rede;
b) Análise do lay-out das páginas da Rede, no site do NUMA/ UFPA;
c) Avaliação da coleta e organização das informações registradas na
RIAM;
d) Análise do atual estágio da disseminação das informações na RIAM.

Etapa 1: Descrição das partes que formam o conteúdo da Rede

Foram identificadas as informações da área ambiental que compõem a Rede,
sendo elas:


grupos de pesquisas (com projetos de pesquisa e de extensão);



cursos de pós-graduação;

�

pesquisadores;



convênios e pesquisas;



bases de dados: geral e de trabalhos acadêmicos.

Etapa 2: Análise do lay-out das páginas da Rede, no site do NUMA/ UFPA

Nessa etapa foi analisada a apresentação, clareza e interatividade das
informações disponibilizadas no site da Rede (www.ufpa.br/numa/riam).

Etapa 3: Avaliação da coleta e organização das informações registradas na
RIAM

Essa avaliação foi realizada a partir do projeto de criação e do site da Rede.

Etapa 4: Análise do atual estágio da disseminação das informações na RIAM

Nessa etapa foram analisadas as formas de disseminação das informações
registradas na RIAM, que é disponibilizada em página própria, no site do
NUMA/UFPA.

4 RESULTADOS OBTIDOS

De acordo com as etapas estabelecidas para a realização deste trabalho, serão
analisados o conteúdo, lay-out, coleta, organização e disseminação das
informações que formam a Rede de Informação Ambiental.

4.1 CONTEÚDO E LAY-OUT DA RIAM

�Até o momento já foram disponibilizadas na Rede, informações de grupos de
pesquisas, com projetos de pesquisa, atividades de extensão e pesquisadores;
cursos de pós-graduação; convênios e pesquisas; e base de dados de trabalhos
acadêmicos. Na Imagem 1 é apresentada a primeira página da Rede de
Informação Ambiental.

Imagem 1 – Página de abertura da RIAM

As páginas da RIAM foram construídas com cores, imagens e textos curtos, para
facilitar a visualização das informações gerais e tem a finalidade de incentivar a
continuidade do acesso.

As categorias para inclusão dos grupos de pesquisa foram previamente
estabelecidas com base na tabela de áreas do conhecimento do CNPq.

Na Imagem 2 são apresentadas as categorias agrárias, biológicas, exatas e da
terra, humanas, social aplicada, saúde, engenharias e letras e artes da REDE,
enquanto na Imagem 3 é mostrado exemplo de página com a relação e
possibilidade de acesso aos grupos de pesquisa da categoria Agrárias.

�Imagem 2 – Página que apresenta as categorias em que são registrados
os grupos de pesquisa.

Imagem 3 – Exemplo de pesquisa por grupo de pesquisa.

Os cursos de pós-graduação (especialização, mestrado e doutorado) promovidos
na UFPA são relacionados em páginas próprias e podem ser acessados por tipo,
como os cursos de doutorado apresentados na Imagem 4.

�Imagem 4 – Exemplo com os cursos de doutorado existentes na UFPA

No link convênios e pesquisas são apresentados os formulários para solicitação
de financiamento de pesquisas por intermédio do NUMA/UFPA. Nesse caso, o
Núcleo reforça o de caráter integrador das questões ambientais na UFPA, por
facilitar o contato entre os pesquisadores interessados e os órgãos financiadores
de pesquisas.

Nas Imagens 5 e 6 são mostradas as páginas de abertura da base de trabalhos
acadêmicos e de um exemplo de pesquisa nessa base, respectivamente.

�Imagem 5 – Página das bases de dados

Imagem 6 – Página das bases de dados

4.2 AVALIAÇÃO DA COLETA E ORGANIZAÇÃO DAS INFORMAÇÕES

A coleta de informações que formam a Rede se dá diretamente no site das
Unidades da UFPA ou em contatos diretos da comunidade envolvida.

�Paralelamente, são realizadas pesquisas na Plataforma Lattes do Conselho
Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Na primeira etapa, a organização e o processamento das informações (grupos de
pesquisas, projetos e pesquisas, pesquisadores, cursos de pós-graduação,
trabalhos

acadêmicos)

foram

relacionadas

em

quadros.

Posteriormente,

resultarão em bases referenciais estruturadas, com lay-out variável, cumulativas,
coleta sistemática e atualização on-line.

As bases de dados, bibliográfica e referencial, das informações selecionadas,
estão em fase de construção e montagem, sendo objeto de trabalho de conclusão
de curso (TCC) de aluno do curso de Computação da UFPA para o 2° semestre
de 2006.

A Base Bibliográfica será estruturada, com lay-out variável, pois se trata de uma
base bibliográfica referencial, que indicará a referência bibliográfica e o resumo do
documento, não sendo disponibilizado o texto na íntegra. Como pontos de acesso
para a recuperação das informações são previstos: Tipo do Documento, Autoria,
Outras

Responsabilidades,

Título,

Título

Traduzido,

Idioma

e

Assuntos

(CONDURÚ, 2003).

Segundo Condurú (2003), as consultas nessas bases serão cruzadas para obter
informações dos diversos aspectos cadastrados na Rede, como:


pesquisadores que têm projetos de determinado assunto;



quais as pesquisas de determinado assunto e os pesquisadores
envolvidos;



quais os cursos de pós-graduação e o corpo de professores;



o que se tem produzido nos trabalhos acadêmicos da UFPA, em certa
temática;



quais as patentes ou outro tipo de documento gerado na UFPA nos temas
relacionados à Rede.

�As informações são também apresentadas em formatos gráficos, para
conhecimento resumido da situação ambiental na UFPA.

4.3 DISSEMINAÇÃO DA RIAM

Conforme mostrado na seção 4.1, as informações registradas permitem o
conhecimento das atividades que estão ocorrendo na UFPA e com elas podem
ser realizadas ações para a tomada de decisão em qualquer nível.

Dos 162 grupos de pesquisa da UFPA registrados na Plataforma Lattes do CNPq,
60 grupos são divididos nas 8 categorias definidas na RIAM, conforme mostrado
no Gráfico 1. Essa divisão em categorias facilita o acesso dos interessados, pois
a área ambiental é inter e multidisciplinar.

Gráfico 1 – Grupo de pesquisas da UFPA na área ambiental

Nesses

grupos

estão

cadastrados

322

pesquisadores,

sendo

que

84

pesquisadores participam de mais de um grupo. Aproximadamente, 78 % e 22 %
dos pesquisadores registrados na RIAM são da UFPA e de outras instituições,
respectivamente.

�O acesso à Rede é feito no site do NUMA/ UFPA, www.ufpa.br/numa/riam, sendo
previstas edições de catálogos, impressos e em CD-ROM, para ampliar a
disseminação das informações produzidas no âmbito da UFPA.

Atualmente, estão sendo articulados contatos para parcerias com outras
instituições e/ou de outras redes automatizadas do estado do Pará e dos demais
estados da região Norte.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com o trabalho foi verificado que a RIAM é um mecanismo de integração do
NUMA/UFPA e, simultaneamente, contribui para a comunidade técnico-científica
e à sociedade em geral, pois disponibiliza informações na área ambiental de
forma rápida e simples.

Isso tem provocado aumento do número de coordenadores de grupos e
pesquisadores que procuram o NUMA para o registro de sua produção. Contudo,
em que pese os benefícios já observados, alguns pontos ainda precisam ser
melhorados ou corrigidos, como estruturar melhor a equipe do RIAM, para evitar a
ocorrência de ações pulverizadas que acabam prejudicando a atualização da
Rede.

Na análise deste trabalho foi observado que:


a iniciativa de resgatar e difundir os conhecimentos na temática ambiental
gerados na Amazônia, por meio de rede eletrônica de dados, se faz
importante para o desenvolvimento da região, pois é possível constatar o
saber

acumulado,

evitando

pesquisas

repetidas

e

priorizando

a

complementaridade e o avanço de questões previamente estudadas;


as informações cadastradas, estão sendo pertinentes para o conhecimento
da situação ambiental da UFPA, das quais se pode constatar o número de
grupos de pesquisa que desenvolvem trabalhos na temática ambiental,

�porém esse cadastramento deve ser consolidado e permanentemente
atualizado;


o acesso à Rede é realizado por menu que facilita a consulta e a obtenção
das informações registradas;



é preciso concretizar parcerias para registro e atualização das informações,
bem como fortalecer a equipe envolvida para a continuidade e ampliação
das ações desenvolvidas na Rede.

Assim, a partir desse estudo é ratificada a importância de redes para integrar as
instituições, com o objetivo de promover ações que venham beneficiar a região
amazônica com informações confiáveis, seguras, rápidas e de grande interesse
regional, sendo, portanto, a RIAM uma das alternativas desse tipo de cooperação
que pode trazer resultados práticos para a sociedade.

REFERÊNCIAS

BALDUÍNO,

Patrícia.

Política

de

compartilhamento

de

recursos

de

informação: as redes e sistemas de informação do poder público brasileiro. 1988.
Dissertação (Mestrado em Biblioteconomia) – Universidade de Brasília, Brasília,
1988.

BRASIL. Senado Federal. Agenda 21: Conferência das Nações Unidas sobre
Meio Ambiente e Desenvolvimento. 2. ed. Brasília, 1997.

CONDURÚ, Marise Teles (Coord.). Rede de Informação Ambiental. Belém:
NUMA/UFPA, 2003.

PINHEIRO, Lena Vania Ribeiro. Redes e sistemas de informação: interação e
integração. [Rio de Janeiro: s. n., 1995]. Trabalho encomendado pela Biblioteca
Nacional.

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Coleta e organização da produção técnico-científica e demais informações na área ambiental geradas na Universidade Federal do Pará (UFPA). Para tal, foi implantada a Rede de Informação Ambiental da UFPA (RIAM), na qual é disponibilizada esse tipo de informação à comunidade universitária e à sociedade, consolidando a atuação do Núcleo de Meio Ambiente (NUMA), da UFPA como unidade de integração para apoiar o ensino, pesquisa e extensão, ratificando o que é preconizado na Agenda 21 brasileira, de que são imprescindíveis a coleta, a análise e a disseminação de informações pertinentes e confiáveis, em tempo hábil e em formato adequado para a tomada de decisões em todos os níveis. A criação da RIAM também visa ser instrumento de disseminação do conhecimento na região amazônica. Como resultados da RIAM já são oferecidos à comunidade científica e sociedade em geral bases de dados com projetos de pesquisa; projetos de extensão; grupos de pesquisa; pesquisadores; cursos de pós-graduação; trabalhos acadêmicos na temática ambiental. Ressalta-se, portanto, que a cultura da informação e de redes deve ser intensamente estimulada, pois ela não só estabelece hábitos de disseminação da informação e de cooperação, como possibilita o exercício de cidadania e a tomada de decisões participativas.</text>
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                    <text>1

A SATISFAÇÃO DOS USUÁRIOS DO PORTAL DE PERIÓDICOS DA CAPES *

Rose Cleide Mendes Monteiro
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior –
Ministério da Educação/Capes – Coordenação de Bolsas no ExteriorAnexo I – Sala 209 – Caixa Postal 365
70359-970 – Brasília – DF - Brasil
e-mail: rose.monteiro@capes.gov.br
Murilo Bastos da Cunha
Universidade de Brasília – UnB
Departamento de Ciência da Informação e Documentação
70910-900 – Brasília – DF – Brasil
e-mail: murilobc@unb.br

Eixo temático: As Políticas Públicas de Acesso à Informação.

�2

INTRODUÇÃO
É notória a importância da divulgação da produção científica para o
desenvolvimento da ciência e da tecnologia brasileiras. Um dos pilares desse
desenvolvimento é a informação, pois nem o ensino, nem a pesquisa de bom
nível são possíveis sem bibliografia atualizada e, nesse contexto, o periódico
científico é de fundamental importância para o desenvolvimento e o aumento da
produtividade científica e tecnológica. Não existe desenvolvimento em ciência e
tecnologia (C&amp;T) sem uma sólida indústria da informação (Valentim, 2002).
Assim, o conhecimento é o elemento central da estrutura econômica.
Com a finalidade de facilitar o acesso à informação científica e tecnológica
internacional e nacional às instituições de ensino superior e pesquisa do País, a
Capes criou um Portal (disponível em: www.periodicos.capes.gov.br), que entrou
em funcionamento em novembro de 2000. Ele é mantido com recursos do
governo federal desde 2000 e teve investimentos de, aproximadamente, U$
29.000,000 em 2005 (Capes, 2006).
Os estudos de uso e usuários têm auxiliado o entendimento e
aperfeiçoamento dos sistemas de informação, assim, “a percepção do cliente é o
instrumento por excelência para medir a qualidade dos serviços prestados e
subsidiar ações futuras de aprimoramento contínuo” (Grandi et al., 2002).
Portanto, é vital que o Portal seja alvo de contínuas avaliações para se identificar
qual é o seu uso efetivo, quais as dificuldades enfrentadas pelos usuários e,
sobretudo, conhecendo-as, medir a qualidade dos serviços prestados, já que o
aprimoramento do sistema de informação deve estar em sintonia com as
necessidades e expectativas dos usuários, para que entre estes e o sistema se
estabeleça uma relação profícua.
Nesse sentido, esta pesquisa pretendeu identificar a percepção da
satisfação no uso do Portal, uma vez que não se pode ignorar a premissa básica
de que os serviços e produtos oferecidos devem satisfazer as necessidades e
expectativas dos usuários. O objetivo geral foi identificar o grau de satisfação dos
usuários do Portal em relação à divulgação, seleção de títulos de periódicos em
sua área, velocidade de acesso, idioma dos títulos de periódicos e apresentação
gráfica. Os objetivos específicos foram verificar: a) as dificuldades enfrentadas
pelos usuários; b) o índice de relevância dos artigos copiados do Portal; c) o

�3

percentual de atendimento por parte do Portal às demandas dos usuários; d) se o
uso do Portal refletiu no aumento da produção científica dos usuários.
BASES TEÓRICAS
Para Targino (1998, p. 22), “a comunicação científica fundamenta-se na
informação científica. Esta gera o conhecimento científico. Este representa
um acréscimo ao entendimento universal até então existente sobre algum fato ou
fenômeno. Isto porque a ciência possui caráter evolutivo e mutável, o que faz da
pesquisa científica seu instrumento-mor e da comunicação científica seu
elemento básico. A informação é, em última instância, a essência da comunicação
científica. Cada pesquisador é, ao mesmo tempo, produtor e consumidor de
informação. Só a comunicação científica permite somar esforços, intercambiar
experiências, evitar duplicação de tarefas. O pesquisador, sistematicamente,
permuta informação com seus pares. Como um computador, recebe (input),
processa/apreende (processing) e repassa informações (output), consolidando um
ciclo contínuo de recepção e transmissão de dados” (negrito no original).
Assim como a biblioteca tem evoluído, também o periódico científico vem
se modificando ao longo dos anos, sempre acompanhando as inovações
tecnológicas, principalmente com o advento da Internet e do periódico eletrônico
(Cunha, 2000). O processo de comunicação científica tem recebido influências da
web e de sua linguagem e formato, passando a ter novas características, tais
como a interatividade, a hipertextualidade (interna e externa) e a hipermediação
(Simeão, 2003). Assim, o acesso à informação é fragmentado ou não linear.
Porém, Costa, Silva e Bezerra (2001) afirmam que a maioria dos periódicos
eletrônicos consiste numa imagem de uma publicação impressa e vários deles
não têm qualquer ferramenta de navegação.
Em relação à apropriação dos periódicos eletrônicos, Gomes comenta:
(...) acreditamos que é somente mediante a apropriação pelos
usuários potenciais dos esquemas interpretativos, facilidades e normas
previamente inseridas nos periódicos eletrônicos pelo produtor que este
canal pode, de fato, alcançar sua plenitude (relação entre meio e fim;
desenvolvimento de conhecimentos e comportamentos cognitivos e
sociais; conciliação de interesses) e passar a desempenhar um papel
transformador na organização e, conseqüentemente, exercer influência
no agir dos indivíduos. Os periódicos eletrônicos tornam-se inócuos ou
desprovidos de intencionalidade, portanto, incompletos em sua missão,
caso os usuários potenciais não os incorporem nas suas atividades
cotidianas (Gomes, 2000, p. 76).

�4

Tenopir e King (2001), num estudo de uso do periódico eletrônico,
constataram que preferências e usos variam conforme a área da ciência.
A satisfação do usuário refere-se ao conforto e aceitabilidade do produto,
medidos por meio de métodos subjetivos e/ou objetivos. As medidas objetivas de
satisfação podem se basear na observação do comportamento do usuário
(postura e movimento corporal) ou no monitoramento de suas respostas
fisiológicas. As medidas subjetivas, por sua vez, são produzidas pela
quantificação das reações, atitudes e opiniões expressas subjetivamente pelos
usuários (ISO 9241-11 de 1998). Para Kirakowski, Barry &amp; Bevan (1996, apud
Dias, C. 2002), a medida de satisfação do usuário é tão importante quanto seu
desempenho, ou seja, um sistema, mesmo sendo eficiente e capaz de gerar
resultados eficazes, não pode ser considerado aceitável se a reação do usuário
do sistema for negligenciada.
Cunha (2004, p. 15) adverte que “agora a biblioteca precisa deixar de lado
sua antiga postura relativamente passiva e identificar, compreender e atrair o seu
usuário, promovendo, de forma dinâmica e interativa, seus produtos e serviços”.
Isto também é válido para os sistemas de informação. Uma das formas de tornar
um produto/serviço conhecido no mercado é fazer a sua promoção. Segundo
Amaral (2004, p. 73), “a promoção consiste no uso de canais de comunicação
para informar a existência de algo, além de convencer os possíveis interessados
em usar ou adquirir aquilo que se promove”.
Sobre treinamento, Amaral (2004, p. 310) diz que é “ideal para assegurar
que os usuários aprendam a usar os produtos/serviços, contribuindo para que
usem mais e de melhor forma os recursos disponíveis e fiquem satisfeitos,
mantendo a lealdade com o provedor”.
Vários aspectos do Portal têm sido objeto de estudo em teses,
dissertações, artigos e trabalhos apresentados em eventos (cf. Bartholo e
Bursztyn (2004), Reis (2005), Simeão (2003), Soares (2004), França et al (2004),
Juric e Martins (2005), Damasio (2005), Dutra e Lapolli (2005)).
METODOLOGIA
O universo da pesquisa foi composto por pesquisadores (1,1%), docentes
(29%), alunos de pós-graduação (69,9%) e 3 bibliotecários, totalizando 248

�5

respondentes em duas universidades federais: a de Brasília (UnB) e a de Goiás
(UFG),

selecionadas por estarem situadas na região Centro-oeste do Brasil.

Foram escolhidos cinco programas de pós-graduação: Medicina Tropical,
Educação, Matemática, Engenharia Elétrica e Direito, que existem nas duas
instituições, sendo um curso de cada área do conhecimento, dentre as áreas mais
atendidas pelo Portal, considerando-se o número de periódicos por área, em
2005.
A coleta de dados foi realizada por meio de:
1) questionário auto-aplicável com perguntas abertas e fechadas;
2) entrevistas estruturadas com professores e/ou coordenadores de pósgraduação e com bibliotecários;
3) visita às bibliotecas da UnB e da UFG, para complementar dados.
Um dos instrumentos utilizado para coleta de dados foi um questionário
com 30 questões divididas em seis blocos e que foi enviado, no final de 2004 e
início de 2005, para mestrandos, doutorandos e docentes. Primeiramente,
realizou-se um contato com o(a) coordenador(a) do programa de pós-graduação
selecionado para melhor se definir a forma de distribuir e aplicar o questionário.
Em alguns programas, foi remetido via correio eletrônico (e-mail); em outros,
distribuído na turma ou deixado na secretaria do curso para aplicação. Os que
receberam o questionário por e-mail, puderam utilizar o meio eletrônico para o
preenchimento e devolução.
Na elaboração do questionário, tomou-se como base os seguintes estudos,
dos quais algumas questões foram adaptadas:
1) a Parte III do questionário de Cuenca (1999), cujo objetivo é a avaliação
do usuário quanto à utilização das bases de dados após a participação no
curso Medline/Lilacs;
2) o questionário conduzido pela Stanford University Libraries como parte
do E-Journal User Study (e-JUST..., 2002).
3) a pesquisa sobre o uso de bases de dados e publicações eletrônicas
acessados através da web pelo staff acadêmico das universidades de
Israel (Bar-Ilan, Peritz, Wolman, 2003).
4) a pesquisa sobre o uso de periódicos eletrônicos na Universidade de
Patras, Grécia (Monopoli, Nicholas, Georgiou, Korfiati, 2002).

�6

O questionário permitiu estabelecer vários cruzamentos de variáveis e os
dados foram tratados por meio de análises das médias das respostas e de
análises de correlação, relacionando-se variáveis. Assim, foram utilizadas as
técnicas de análise de dados univariada (tabela simples), bivariada (tabela
cruzada) e multivariada (tabela múltipla).
Os dados foram apresentados sob a forma de gráficos e tabelas. A
tabulação foi realizada de modo eletrônico, utilizando-se o pacote estatístico
SPSS (Statistical Package for Social Science) e o Excel (Microsoft).
Os dados coletados foram analisados em duas fases. A primeira consistiu
na análise estatística das questões fechadas do questionário e a segunda, na
análise do conteúdo das questões abertas do questionário e das entrevistas.
ANÁLISE DOS DADOS
Em relação à existência do Portal, dos 248 respondentes, 28,1% não
tinham conhecimento dele e 52,6% afirmaram conhecê-lo. Quanto à utilização,
7,5% declararam não saber utilizá -lo e 5,7% afirmaram que não ter fácil acesso
ao Portal. Se juntarmos as alternativas: conhece, mas não sabe usar; conhece,
mas não tem fácil acesso e não está ciente, o percentual de respondentes que
não estão usufruindo do Portal é de 41,4%.
Vale informar que não foi visto, em nenhum departamento ou biblioteca da
UnB e da UFG, cartaz ou qualquer propaganda do Portal. Nas entrevistas com as
bibliotecárias, elas relataram que utilizam mais a comunicação informal com os
usuários da biblioteca. Na Capes não há verba específica e nem é assídua para a
divulgação do Portal.
A maior freqüência de uso foi ocasionalmente (40%), seguida de
semanalmente (33%), sendo escrever projeto ou dissertação a principal razão,
uma vez que mestrandos e doutorandos para cumprirem essa atividade buscam
embasamento teórico.
Dos respondentes, 48,8% afirmaram preferir o formato eletrônico de uma
fonte de informação; 36,5%, o formato impresso; 14,7% informaram não ter uma
preferência clara. É interessante notar que, quanto maior a idade do respondente,
menor o grau de preferência pelo formato eletrônico. Na faixa etária de 26 a 30
anos, 60% preferem o formato eletrônico; de 51 a 55 anos, esse percentual cai

�7

para 37,5%; e de 56 a 60 anos, 60% preferem o formato impresso, enquanto 40%
declaram não ter uma preferência clara.
Algumas questões do questionário relacionam-se com os objetivos geral e
específicos da pesquisa, conforme pode ser visto a seguir:
Satisfação em relação a acesso, títulos, divulgação e apresentação
gráfica

Gráfico 1: Grau de satisfação

Esse grau de satisfação consta do gráfico 1, onde o aspecto divulgação do
Portal concentrou a maior porcentagem de “nada satisfeito” com 52,4%. “Pouco
ou razoavelmente satisfeito” ficou com a maior porcentagem (22,6%) no aspecto
seleção de títulos de periódicos em sua área, seguido de divulgação do Portal
(21,2%) e velocidade de acesso ao Portal (21%). A maior porcentagem em “muito
satisfeito” ficou em relação ao idioma dos títulos de periódicos, com 34,1%,
seguido dos aspectos velocidade de acesso ao Portal (19,9%) e apresentação
gráfica (19,5%).
Tanto na UnB, quanto na UFG, a maior quantidade de respostas foi para
“nada satisfeito” em relação à divulgação do Portal e para “muito satisfeito” em
relação ao idioma dos títulos de periódicos.
Juntando-se todos os aspectos, “nada satisfeito” teve 42 respostas, “pouco
ou razoavelmente satisfeito” obteve 576 respostas e “muito satisfeito”, 226
respostas. Portanto, o grau de satisfação com maior índice de respostas foi pouco
ou razoavelmente satisfeito para todos os aspectos avaliados.

�8

Dificuldades encontradas pelos usuários

Distribuição do nível de dificuldade na utilização do Portal
120
101

100
89

84

80

88
Sem resposta
Nenhuma dificuldade

60

Dificuldade média

49

48

40

36
35

29
20

47

30
20

18
6

0
Busca da informação de
que precisa

Cópia de artigos de texto
completo

Muita dificuldade

Download do artigo

4
Velocidade de conexão
com a internet

Q16 Qual é o nível de dificuldade na utilização do Portal em relação a:

Gráfico 2: Nível de dificuldade na utilização do Portal

No gráfico 2 encontram-se as respostas relacionadas com o nível de
dificuldade. Constatou-se que o item que teve maior freqüência em “muita
dificuldade” foi cópia de artigos de texto completo. Em “nenhuma dificuldade”, o
item com maior freqüência foi busca da informação de que precisa. Com
“dificuldade média”, a velocidade de conexão com a Internet foi o item que obteve
maior freqüência.
Os principais problemas, relatados pelos usuários, ao obter cópia de
artigos de texto completo do Portal são: lentidão no download; a não
disponibilidade do artigo, principalmente os mais antigos; problemas com a
impressora, custo do cartucho, cota de impressão; falta de papel e de tinta de
impressora; dificuldade em localizar o artigo; acesso somente da universidade;
figuras e tabelas não são impressas com qualidade quando não estão em
portable document format (pdf); acesso lento ao Portal ou site fora do ar.
Índice de aproveitamento e grau de relevância dos artigos copiados
do Portal
Quanto ao índice de aproveitamento dos documentos eletrônicos copiados
do Portal no último ano, apenas 10,8% dos respondentes marcaram a alternativa

�9

“nulo” ou “bem pequeno”, 44,3% marcaram a alternativa “razoável” e 44,9%, a
alternativa “muito bom”.
Dos 172 usuários que responderam sobre o grau de relevância dos artigos
do Portal para suas atividades de pesquisa, 86 (50%) atribuíram-lhe entre 90% a
100%; 53 (30,8%) avaliaram a relevância entre 70% a 89%, para 26 (15,1%) ele
representa 50% a 69% e somente 7 usuários (4,1%) consideraram a relevância
abaixo de 50%. É alto o grau de relevância dos artigos do Portal, pois 96% dos
usuários atribuíram-lhe grau acima de 50%.
Percentual de atendimento por parte do Portal às demandas dos
usuários.
Quanto à capacidade de atendimento das necessidades de informação dos
usuários (Gráfico 3), 13,9% dos respondentes deram nota abaixo de 50. 33,5%
entre 51 e 70 e 52,6% entre 71 e 100. Por área, nota inferior a 50 foi atribuída
por 38,5% dos respondentes de Direito e por 23,5% da Educação. Foram os mais
altos índices nessas duas áreas. Na Medicina, 10,5% atribuíram nota menor que
50, na Matemática, 9,7% e na Engenharia Elétrica, 5,3%.

Gráfico 3: Notas atribuídas ao Portal quanto à capacidade de atendimento de
necessidade de informação

Na UnB, 13 docentes e 24 alunos deram nota entre 71 e 100, na UFG, 22
docentes e 31 alunos deram nota também nesse intervalo.
As notas maiores (de 70 a 100) foram atribuídas por 79% dos
respondentes da área de Engenharia Elétrica, 56,1% da área de Medicina
Tropical, 45,1% da Matemática, 38,2% da Educação e apenas 15,4% do Direito.
Logo, conclui-se que neste estudo, as áreas com as necessidades de informação
mais atendidas pelo Portal são Engenharia Elétrica e Medicina. A área da Saúde
possui 15% dos títulos do Portal e as Engenharias, 12%, contra, por exemplo, 4%

�10

das Ciências Agrárias e 3% de Lingüística, Letras e Artes. O Portal atende
diferentemente as áreas do conhecimento.
Reflexos do uso do Portal na produção científica dos usuários
A maioria dos usuários (74%) pensa que os periódicos eletrônicos têm
influenciado suas atividades de pesquisa ou produtividade. As áreas de Medicina
Tropical, Engenharia Elétrica e Direito são as que mais acreditam na influência
dos periódicos eletrônicos nas suas atividades de pesquisa ou produtividade. A
que menos acredita nessa influência é a Educação, uma possível causa pode ser
porque existam poucos periódicos eletrônicos nessa área.
Dos docentes, 86% pensam que os periódicos eletrônicos têm influenciado
suas atividades de pesquisa ou produtividade, assim como 69% dos alunos.
CONCLUSÃO
O Portal de Periódicos propicia a pesquisadores e estudantes o acesso à
produção científica mundial atualizada, e, assim, almeja -se a democratização do
acesso ao conhecimento. Tem crescido o número de acesso ao Portal, porém
também aumentou o número de instituições, de usuários e de títulos e há uma
parcela da comunidade científica que não se beneficia do uso do Portal.
O investimento feito no Portal, no ano de 2005, foi de mais de 29 milhões
de dólares (Capes, 2006, p. 148). É um alto investimento, considerando que “...é
pouco válido criar sistemas de informação que não atuem para prover a
satisfação dos usuários” (Figueiredo, 1990, p. 14) e que “um sistema de
informação só tem razão para existir se é para ser utilizado” (p. 123). É
necessário evitar a subutilização do Portal constatada pela porcentagem de
respondentes que o desconhecem (28,1%), que não sabem utilizá -lo (7,5%) e,
consolidando-se as respostas dadas a várias questões, é possível afirmar que
41,4% dos respondentes não usufruem plenamente do Portal.
A grande maioria dos usuários (85,9%) da pesquisa não participou de
treinamento. As áreas que mais participaram foram Engenharia Elétrica (13%) e
Medicina Tropical (10%), as quais também são as maiores usuárias do Portal, o
que pode demonstrar uma possível relação entre o treinamento e maior uso do
Portal. De novo, revela -se a necessidade de se investir em treinamento de

�11

usuários, promovendo cursos de capacitação e atração dos não-usuários do
Portal. Estes devem ser alvo de preocupação em torná-los usuários efetivos.
Um sistema contínuo de avaliação do Portal poderá assegurar aos
usuários a promoção de produtos e serviços que eles considerem satisfatórios e,
conseqüentemente, aumentará o uso.
Pode-se pensar também em uma maior divulgação (promoção e marketing)
do Portal e na necessidade de treinamentos para habilitar os usuários a
usufruírem dos recursos que o sistema pode ofertar. Pode-se especular que as
estratégias de divulgação dos produtos e serviços para a comunidade científica
necessitam de revisão e que é preciso diversificar os meios: cartazes, eventos,
folhetos, e-mail, propaganda em revistas e jornais científicos. Este problema
demanda atitudes pró-ativas para se difundir, ampliar e otimizar o uso do Portal.
Uma parte dos recursos destinados ao Portal deve ser alocada na sua
promoção e marketing, uma vez que é alto o percentual de produtos e serviços
que permanecem desconhecidos ou que o usuário não sabe utilizar. Os
treinamentos devem demonstrar todas as possibilidades do Portal e como se
obter melhores benefícios, de modo que professores, alunos e bibliotecários se
apropriem, de fato, desta ferramenta e ela seja incorporada no cotidiano de
pesquisa e, assim, ocorra o retorno positivo dos recursos investidos. Dessa forma,
os programas de pós-graduação poderão, realmente, ter um ganho em qualidade,
produtividade e competitividade.
A Capes necessita da parceria com as bibliotecas universitárias do país. É
fundamental que possa contar também com os bibliotecários, unindo esforços no
sentido de maior divulgação e treinamento do Portal.
Vale ressaltar que a permanência do Portal, ou seja, a sua continuidade é
uma questão política e de segurança nacional, assim como a produção do
conhecimento e sua incorporação em inovações tecnológicas são instrumentos
cruciais para o desenvolvimento sustentável do país.
O Portal representa, indubitavelmente, um significativo avanço tecnológico,
porém, apesar dos esforços, permanecem alguns desafios e obstáculos a serem
vencidos.

�12

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* Este artigo originou-se da dissertação de mestrado defendida pela
autora no CDS/UnB, sob a orientação do co-autor (Ver Monteiro, 2005).
Rose Cleide Mendes Monteiro
Mestre em Política e Gestão de Ciência e Tecnologia pelo Centro de
Desenvolvimento Sustentável/CDS - Universidade de Brasília, Analista em
Ciência e Tecnologia da Capes.
Murilo Bastos da Cunha
Doutor em Biblioteconomia e Ciência da Informação pela Universidade de
Michigan/EUA, Professor da Universidade de Brasília – Departamento de Ciência
da Informação e Documentação.

�</text>
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                </elementTextContainer>
              </element>
            </elementContainer>
          </elementSet>
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    </fileContainer>
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                <text>Esta pesquisa pretendeu identificar a percepção da satisfação no uso do Portal de Periódcos CAPES, uma vez que não se pode ignorar a premissa básica de que os serviços e produtos oferecidos devem satisfazer as necessidades e expectativas dos usuários. O objetivo geral foi identificar o grau de satisfação dos usuários do Portal em relação à divulgação, seleção de títulos de periódicos em sua área, velocidade de acesso, idioma dos títulos de periódicos e apresentação gráfica. </text>
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                    <text>A Seção Memória da Biblioteca Central Reitor Macedo Costa e seu papel na
preservação da produção técnica científica e cultural da UFBA
Sônia Maria Ribeiro de Abreu
Ana Maria Boureau Machado
Maria de Fátima Cleômenis Botelho
Maria Alice Santos Ribeiro
Joana Barbosa Guedes
Vânia Cristina Souza Magalhães
Valdete Silva Andrade
Maria Ruth Saloes Rossas

Resumo
A história da UFBA nesses 60 anos de existência mostra a sua contribuição para o
desenvolvimento da ciência e da sociedade pela sua produção científica e cultural. Essa
história, construída através de fatos e ações, se traduz por uma vasta produção técnicocientífica e cultural, protagonizada por seus pesquisadores - verdadeiros construtores do
saber, dentro da instituição. Portanto, torna-se imprescindível, que toda essa riqueza
seja preservada. O presente trabalho contextualiza a Seção Memória da Biblioteca
Central Reitor Macedo Costa e seu acervo, resultantes de pesquisas e atividades
acadêmicas na UFBA. Realizou-se a coleta de informações histórica e organizacional da
seção. Elaborou-se formulário para identificar e quantificar a tipologia dos documentos
que a compõe, bem como as condições físicas, o arranjo e a organização. Com a
realização do mapeamento da produção de teses e dissertações depositadas na Seção,
constatou-se uma diferença considerável entre os indicadores de produção da
PRPPG/UFBA e cumprimento do depósito obrigatório da seção, segundo a Portaria n.
515/84. Tais resultados apontam para a formulação de estratégias que possibilitem a
coleta, manutenção, preservação e maior visibilidade da coleção.
Palavras-chave: memória institucional; preservação da memória; história; teses e
dissertações, UFBA.

1 INTRODUÇÃO
1. 1 Memória Institucional
Reter fatos e experiências do passado e retransmiti-los às novas gerações
através de diferentes suportes empíricos (voz, música, imagem, textos, etc.) é
próprio da capacidade humana – memória. Muitos aspectos podem ser
considerados quando se trata de memória. Contudo, nosso enfoque de memória
institucional se refere ao indivíduo e suas próprias vivências experiências, mas
que contém também aspectos da memória do grupo social, onde ele se formou

�ou foi socializado. A cultura de uma sociedade é formada pelos fatos e aspectos
julgados relevantes, que são guardados como memória oficial.

O conceito de memória institucional por ser amplo “toca em outros conceitos que
não devem ser esquecidos por aqueles que direta ou indiretamente lidam com o
tema” Costa (1995). Trata-se, portanto, de matéria subjetiva e complexa, que não
se detém no aspecto físico e sofre mudanças como a própria sociedade.

Na figura 1, Costa (1995) apresenta a complexidade de memória institucional,
demonstrando que entender seu conceito exige o estudo de várias áreas do
conhecimento humano.

Figura 1 – O círculo central representa a memória institucional. Os círculos periféricos
conceitos que se relacionam entre si e tangenciam o grande circulo central.
Fonte: Costa, 1995.

Embora seja aparentemente subjetivo, o conceito de memória institucional se
materializa na forma de documentos produzidos e estão focados nos
monumentos, obras literárias e artísticas que expressam a versão consolidada de
um passado coletivo de uma dada sociedade.

Para Bellotto (2004), integram a memória institucional “[...] os fatos e as reflexões
que podem envolver um ato administrativo ou a vida e atuação de um órgão
público, assim como as manifestações a respeito transcendem a própria natureza

�administrativa que os criou ou dele dependem”. A memória institucional se
constitui, portanto, essencialmente de documentos de arquivo, material técnicocientífico, invenções técnico-industriais e criações artísticas.

Bellotto (2004) propõe que é preciso saber do se compõe à memória de uma
instituição para organizá-la, sendo preciso responder às seguintes questões: “[...]
organizar para quê, por quem, para quem, como, onde e quais os meios de
divulgá-la”. A autora completa afirmando que devem ser considerados os
elementos externos como o que é veiculado na imprensa a respeito da instituição,
além da produção bibliográfica de terceiros, ligados direta ou indiretamente a ela.

A montagem da memória institucional passa, portanto, pelo processo se realizar
uma pesquisa ampla com a referenciação de todos os documentos significativos
produzido pela instituição e também os produzidos fora dela, mas de seu
interesse. Neste contexto, propõem-se parâmetros que indicam o que precisa ser
guardado ou preservado pela memória, e que poderá servir como experiência
válida ou informação importante para decisões futuras.

2 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA

2. 1 A Universidade Federal da Bahia

A Universidade da Bahia foi criada pelo Decreto-Lei 9.155, em 8 de abril de 1946
através do ato do Governo Federal da Bahia. Formada inicialmente por algumas
escolas e faculdades fundadas no final do século XIX, sua efetiva instalação
aconteceu no dia 2 de julho de 1946, no mais antigo centro de ensino superior do
país, a Faculdade de Medicina, no Terreiro de Jesus.
No dia 4 de dezembro de 1950, o governo federal sancionou a lei 2.234,
definindo o Sistema Federal de Ensino Superior, quando então, a Universidade
da Bahia passa ser denominada Universidade Federal da Bahia.

�2.2 Biblioteca Central Reitor Macedo Costa e Seção Memória
No mundo contemporâneo, cada vez mais se diversificam os suportes para o
registro da memória (escrita, falada, fotografada, áudio-visual, etc.). O enorme
volume de informações fez surgir instituições especialmente voltadas ao trabalho
de seleção, coleta, organização, guarda e manutenção adequadas e divulgação
da memória de grupos sociais ou da sociedade em geral.
Aos centros de documentação, (arquivos, museus, bibliotecas e centros de
memória), guardiões da memória, cabem a função de transmitir às novas
gerações de seu grupo social os fatos e experiências que foram preservadas
como fundamentais. Essas instituições, de forma profissional realizam uma tarefa
social.
A Biblioteca Central Reitor Macedo Costa da UFBA funciona como órgão
coordenador do Sistema de Bibliotecas para proporcionar serviços bibliotecários
e de informação à comunidade universitária, de modo a contribuir para o
desenvolvimento dos programas de ensino, pesquisa e extensão. É sua missão
também, reunir, organizar, manter e divulgar a produção intelectual da UFBA e
promover atividades culturais de interesse da comunidade. Foi criada em 1968,
como órgão suplementar da UFBA, subordinado ao Reitor. Em 12 de maio de
1975 teve seu Regimento Interno aprovado pelo Conselho Universitário e em
agosto de 1983 passou a ocupar edifício próprio no Campus de Ondina..
Para viabilizar a preservação da memória institucional e o acesso à informação
científica e técnica, em 20 de agosto de 1984 o Reitor Germano Tabacoff cria a
Seção Memória e estabelece “o depósito obrigatório de toda documentação
publicada, co-editada ou produzida pela UFBA” (Portaria Nº. 0515/84). Com a
proposta de “preservar e divulgar a documentação em defesa da memória da
UFBA desde a fundação” a portaria determina o depósito de 02 exemplares de
livros, teses, dissertações, publicações periódicas e folhetos (original ou cópia);
01 exemplar de documentos oficiais, outros impressos ou manuscritos de
interesse histórico para a universidade (original ou cópia) e 01 cópia de
produções gravadas, fotografadas ou filmadas de interesse cultural para a
universidade.

�Inaugurada em 22 de outubro de 1987, na gestão da diretora Thereza de Sá
Carvalho, a Seção Memória é instalada no segundo andar da Biblioteca Central
Reitor Macedo Costa e integra atualmente a Divisão de Coleções Especiais,
formada ainda pelas seguintes seções:

Acervos Especiais – Acervo formado coleções adquiridas por compra e
doação, que pertenceram a nomes ilustres ligados a UFBA e à Bahia.
Destaca-se nesse acervo a coleção de instrumentos musicais criados pelo
Professor Walter Smetac.
Obras Raras – Acervo formado por livros e periódicos identificados e
acordo com os critérios adotados e utilizados na identificação das mesmas
conforme normas internacionais e adaptados aos interesses institucionais
da UFBA.
Multimeios – Acervo formado por coleções de suportes midiáticos tas
como: CD-ROM, fitas VHS, slides, fitas K7 e materiais áudio-visuais como:
cartazes, gravuras, partituras e plantas arquitetônicas.
Manuscritos Baianos – Acervo formado pelas seguintes coleções de
textos manuscritos:
o Arquivo histórico – Documentos da Instrução Pública da Bahia,
o Espólio Godofredo Filho – documentos, manuscritos de textos
e poesias e objetos pessoais,
o Arquivo Privado Ildásio Tavares – documentos pessoais,
recortes de jornais, manuscritos de textos e poesias.
A Seção Memória tem como objetivo principal preservar e divulgar a memória da
UFBA, através da reunião, organização disseminação e socialização de suas
produções científicas, seus documentos históricos, e todo material produzido por
seu corpo discente/docente, e administrativo. Nesse ponto cabe a afirmação de
Santana (1993), citada por Santos (2002): “[...] as bibliotecas Centrais também
deverão ser depositárias, através de norma legal, da produção técnica científica e
cultural da Instituição de forma a preservar a memória”.

�Carvalho (1990) estabelece os seguintes tipos de documentos para compor o
acervo do setor:
•

Livros;

•

Catálogos de teses e da produção técnico-científica;

•

Folhetos publicados na UFBA;

•

Periódicos publicados na UFBA;

•

Trabalhos publicados por professores da UFBA publicados em outros
locais;

•

Recortes de Jornais (coletados pela Reitoria);

•

Dissertações e teses de professores da UFBA defendidas em qualquer
local;

•

Dissertações e teses defendidas na UFBA

•

Cartazes, convites, folders;

•

Produções gravadas, filmadas e fotografias;

•

Pinturas, gravuras esculturas e outras produções da UFBA no campo
das artes plásticas.

•

Plantas arquitetônicas da UFBA;

•

Documentos oficiais impressos e manuscritos;

•

Documentos históricos da UFBA;

•

Arquivos particulares de membros da comunidade universitária de valor
cultural e de interesse para a Memória;

Em suas diretrizes Carvalho (1990) estabelece que o acervo deva estar
tecnicamente processado e organizado “[...] segundo os tipos de coleção que irá
reunir - documentos oficiais, teses obras de referência, livros periódicos,
multimeios, etc. – dispostos de acordo com princípios e normas técnicas
apropriadas a cada um”.

Quanto à disseminação da informação armazenada no setor, a autora lembra
que o bibliotecário da Seção Memória deverá promover exposições para
divulgação das coleções mantidas no setor, além de elaborar boletins
informativos, catálogos, bibliografias, etc. (CARVALHO,1990). Tal iniciativa

�demonstra sua preocupação com a visibilidade da produção técnica cientifica da
UFBA.

Em 08 de julho de 2002 o reitor Heonir Rocha, cria a Portaria nº 332/02, que
estabelece que “[...] o depósito obrigatório de toda a produção científica da
Universidade, bem como das obras representativas das atividades acadêmica,
cultural e técnica da Instituição, editadas e co-editadas pela Editora da
Universidade (EDUFBA), pelas Unidades de Ensino [...]” (Universidade..., 2002).

A portaria define como objetos do depósito obrigatório os seguintes tipos de
documentos;
•

Livros (monografias e coletâneas) – 02 exemplares;

•

Periódicos – 01 exemplar;

•

Dissertações e teses – 01 exemplar em papel e 01 em CD-ROM;

•

Catálogos – 01 exemplar;

•

Produções gravadas, fotografadas e filmadas – 01 exemplar.

A portaria 332/02 recomenda ainda, em seu parágrafo 1º, que deverá ficar sujeito
à seleção pela Biblioteca Central o depósito dos seguintes documentos:
•

Programas, planos, projetos e relatórios – 10 exemplar;

•

Documentos oficiais (impressos ou em mídia eletrônica), como convites,
folhetos (folders), manuscritos, registros de premiações e troféus, aulas
magnas, entre outros – 01 exemplar (original ou cópia).

Esta portaria atualiza a de nº 515/84 ao incluir novos tipos de produção cientifica,
além de acompanhar a evolução tecnológica adaptando-se aos novos suportes
informatizados.

3 OBJETIVOS
3.1 Geral

O presente trabalho realizado na Seção Memória da Biblioteca Central Reitor
Macedo Costa, contextualiza o acervo histórico institucional mantido na Seção.
Tem como objetivo formular estratégias que incentivem a coleta, doação,

�conservação e preservação desse acervo, além de promover a visibilidade da
produção técnica, científica e cultural, produzida na UFBA.

3.2 Específicos
•

Mapear o acervo existente na Seção Memória;

•

Identificar os diversos tipos de documentos que compõem os acervos e
coleções especiais do setor;

•

Quantificar o acervo existente na seção e comparar os números obtidos
com os dados da produção técnico-científico e cultural, divulgados
oficialmente pela UFBA;

•

Verificar o cumprimento do Depósito Legal obrigatório.

4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Iniciamos a pesquisa com o levantamento de informações históricas, que
servissem de base para a discussão sobre a criação, aquisição, coleta e
evolução da Seção Memória. Estes dados permitiram a compreensão sobre a
finalidade e o perfil do setor estudado.

Para entendimento das fontes de informação a serem estudadas recorreu-se ao
diagnóstico do acervo cujo procedimento aplicado foi o levantamento quantitativo
e qualitativo dos documentos selecionados. Para sua realização foi utilizado
formulários na investigação que possibilitou o mapeamento dos documentos
indicados nas diretrizes (CARVALHO, 1990).

A

partir

de

conhecimentos

técnico-científicos

e/ou

empíricos,

obtidos

externamente e internamente, o desenvolvimento experimental buscou por meio
de comprovação da viabilidade técnica/funcional efetivar a realização da
pesquisa.

Conseqüentemente,

critérios

foram

previamente

definidos

e

estabelecidos que resultaram em atividades que envolveram a identificação,
quantificação e descrição das diversas fontes de informações depositado na
Seção Memória. Outro critério proposto foi delimitar a pesquisa pela tipologia do
documento cujo foco principal foram as teses, dissertações e livros em função do

�caráter representativo na Seção Memória, sem considerar o período já que na
seção encontra-se documentos anterior a criação da UFBA.

A investigação realizou-se segundo as possibilidades oferecidas pelo método
comparativo. Cada tipo de documento mereceu uma análise isolada, o que
permitiu um tratamento posterior de correlação dual entre os dados obtidos a
partir do mapeamento manual de contagem e os dados coletados pelo banco de
dados Sistema Q (www. sisQ.ufba.br) que faz parte do Sistemas Informatizados
de Pesquisa e Pós-Graduação da UFBA (e.PPG

O Sistema Q foi utilizado como banco de dados para coleta por se tratar de uma
base acadêmica, na qual permite a busca e visualização de produções científicas,
artísticas e técnicas da UFBA. O sistema usa tecnologia Java Server Pages e
EJB, possibilitando a importação de dados disponíveis na Plataforma Lattes.
Essa ferramenta também permite o acompanhamento da produção do
conhecimento na UFBA de forma quantitativa e qualitativa.
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Após análise dos dados, o resultado infere que a produção técnica, cientifica e
cultural da UFBA, em porcentagem, é maior do que a que compõe o acervo da
Seção Memória. O resultado do mapeamento demonstra que o depósito legal
exigido pela Portaria 332/02 não está sendo cumprido e em conseqüência, foi
percebido que os Catálogos publicados pela instituição (Produção Científica,
Tese, Geral da UFBA, Cursos de Extensão) assim como Anais de Eventos que se
constituem em importante fonte de pesquisa da evolução da produção da
universidade não estão sendo depositados na Seção.

O quadro 1 apresenta o mapeamento realizado na Seção Memória por tipologia
de documento, resultado do depósito legal de documentos produzidos na UFBA,
sobre fatos, relatos e eventos na UFBA, assim como documentos produzido por
pesquisadores/ professores da UFBA.

�Tipo de Documento

Quantidade

Anais

144

Cartazes

265

Convites

209

Catálogos

102

CD-ROMs

323

Disquetes (TCCs)

50

Discos

27

Dissertações
Documentos históricos da UFBA (Professores e Eventos)
Documentos oficiais impressos e manuscritos

5126
27 caixas
803

Fita cassete

02

Fitas de Vídeo

21

Folders

189

Folhetos

282

Fotografias

4035

Iconográficos - Cristais,

11

Iconográficos - Louças

32

Iconográficos - Medalhas

01

Iconográficos - Pinturas
Livros
Manuscritos Baianos - Arquivo Godofredo Filho; Arquivo Ildásio Tavares;
Arquivo Histórico
Monografias (especialização)
Periódicos (títulos)

957
3.474
223
150

Esculturas – Busto de Bronze

01

Partituras

96

Plantas arquitetônicas

186

Produções filmadas e gravadas

25 caixas

Recortes de Jornais

81 caixas

Teses
Trabalhos de Conclusão de Curso – TCCs

866
1064

Quadro 1 – Mapeamento do Acervo da Seção Memória
Fonte: Seção Memória da Biblioteca Centra da UFBA - Data : 25/06/2006.

Na análise de dados por área do conhecimento (gráficos 1-4), que cumpre as
determinações do depósito legal, podemos considerar que a área II representado
pelo curso Ciências Agrárias preserva maior volume de dissertações (382). Esta
constatação foi inferida por Andrade (2005) com relação à preservação e

�disponibilização das dissertações digitais na Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações (BDTD/UFBA). Quanto as quantidades de teses depositadas na
Memória, o curso de Medicina, as teses (183) . Na área I as dissertações (242)
são do curso de Química e as teses (50) do curso Geofísica. Na área III e IV,
Letras recolhe maior número de dissertações (333) e mantém o índice com
relação as teses (90). Esta variável pode ser justificada pelo fato da Biblioteca
Central ter incorporado a Biblioteca de Letras. Por fim, a área V que apresenta o
curso de Música com maior volume de dissertações (91) e teses (24) depositadas
na Seção Memória
Produção Científica por Área do Conhecimento
250

200

150

100

50

Dissertações

Química

Mecatrônica

Matemática

Geoquímica

Geologia

Geografia

Geofisíca

Fisíca

Eng Civil

Eng Química

Eng Produção

Eng Mecãnica

Eng Elétrica

Eng Ambiental

Arquitetura

0

Teses

Gráfico 1- Representação da produção científica de teses e dissertações da Área I
depósito legal na Seção Memória, período 1946 - 2005.
Produção Científica por Área do Conhecimento
450
400
350
300
250
200
150

Dissertações

Saude Coletiva

Patologia

Odontologia

Nutrição

Medicina Veterinária

Medicina

Mat Infantil

Imunologia

Farmácia

Enfermagem

Cirurgia

Ciências Agrária

0

Biologia

100
50

Teses

Gráfico 2- Representação da produção científica de teses e dissertações da Área II,
depósito legal na Seção Memória, período 1946 - 2005.

�Produção Científica por Área do Conhecimento

350
300
250
200
150
100

Dissertações

Antropologia

Letras

Filosofia

Psicologia

Sociologia

História

Ciência da
Informação

Educação

Direito

Comunicação

Administração

0

Economia

50

Teses

Gráfico 3- Representação da produção científica de teses e dissertações da Área III e
IV, depósito legal na Seção Memória, período 1946 - 2005.
Produção Científica por Área do Conhecimento

100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
Artes Cênicas

Artes Visuais
Dissertações

Música
Teses

Gráfico 4- Representação da produção científica de teses e dissertações da Área V
depósito legal na Seção Memória, período 1946 - 2005.

Quanto aos livros (Gráfico 5), o resultado é preocupante já que a diferença entre
o mapeamento da Seção Memória e os dados apresentados na Base de Dados do

�Sistema Q apresenta uma diferença de 86,6% em relação a produção científica da
UFBA.

Livros
7151
8000
7000
6000
5000
4000

957

3000
2000
1000
0

Sistema Q

Seção Memória

Gráfico 5- Representação quantitativa da produção científica de livros e capítulo de
livros do depósito legal na Seção Memória e do Sistema Q, período 1946 – 2006

O quadro 2 demonstra a distribuição da produção do conhecimento da UFBA
usando Sistema Q, sem determinar área, período, autoria. Na busca foi
considerada apenas a produção científica e o foco da investigação se restringiu
aos livros e capítulos de livro, teses e dissertações.
Produção Científica

Tipo de Documento

Quantidade

Textos em jornais ou revistas

4972

Livros e Capítulos de Livro

7151

Demais tipos de produção

4322

Teses de Doutorado

790

Dissertações de Mestrado

5048

Monografia e Trabalho de
Conclusão de Curso
Trabalhos em Eventos
Artigos Publicados

7508

Total
Quadro 2 – Produção do Conhecimento na UFBA
Fonte: Base de Dados Sistema Q (www. sisQ.ufba.br) Data: 28/07/2006

44250
23906
84601

�Em relação aos tipos de documentos (Gráfico 6) selecionados para investigação
inferimos que sendo uma produção científica resultante de atividades de colação
de grau, as teses e dissertações foram as que apresentaram maior índice de
preservação. Entre o mapeamento na Seção Memória e os indicadores na Base
de Dados do Sistema Q os resultados apresentam uma diferença de 1,52% em
relação às dissertações e 8,7% em relação às teses. Esta diferença refere-se a
dissertações e teses de docentes e pesquisadores que já não exercem atividades
na instituição.
Distribuição da Produção Científica da UFBA

8000
7000
6000
5000
4000
3000
2000
1000
0
Livros e Capítulos de Livro

Teses de Doutorado

Dissertações de Mestrado

Gráfico 6 - Representação da produção científica da UFBA no que se refere a livros,
teses e dissertações.
Fonte: Base de Dados Sistema Q (www. sisQ.ufba.br) Data: 28/07/2006

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Setor de Memória da UFBA é responsável por atender às demandas da
comunidade acadêmica no que diz respeito à preservação, integração de
investigações e questões relacionadas à pesquisa, Diante dos resultados
quantitativos apresentados, faz-se necessário a elaboração de um planejamento
estratégico que possibilite a investigação sobre as causas do não cumprimento
do depósito legal desses documentos que constituem o resultado imediato da
produção acadêmica. Dentre outras propostas a serem implementadas, propõese o estabelecimento de ações para coletar, tratar, recuperar, organizar e colocar

�à disposição da sociedade a memória da UFBA com a finalidade de atender aos
objetivos a que se propõe.

È imprescindível o incremento de marketing e divulgação do acervo, pois,
possibilitará que raridades históricas sejam conhecidas pela comunidade interna
e interna da UFBA, como é o caso do livro mais antigo da Seção de Obras Raras,
o “Pam Partido em Pequeninos ou Pam Mystico”, editado em 1726 (século XVIII)
confeccionado em pergaminho e que possui o carimbo da Real Biblioteca. Outro
exemplo importante é o do periódico Gazeta Médica da 1867(Figura 2) e o
convite de formatura de 1945 (Figura 3) e tantos outros documentos, cujo
conhecimento por parte da comunidade é importante para motivar o incentivo à
preservação.

Figura 2 Capa Revista Gazeta Médica,1867. Figura 3- Convite Formatura, 1945

Outro fator importante foi a comprovação de que a Seção Memória apresenta-se
como um acervo ainda a ser explorado e pesquisado sob diversos linhas de
pesquisa no que se refere a Ciência da Informação seja ela nos aspectos
biblioteconômicos, arquivísticos, ou da museografia.

REFERENCIAS
ALBUQUERQUE, Frederico L. de; LELLIS, Vera L. M.; SILVA, Cícera H. da.
Disponibilização da memória técnico científica do Instituto Nacional de
Tecnologia; relato de experiência. In: ENCONTRO NACIONAL DE CIÊNCIA DA
INFORMAÇÃO - CINFORM, 6.,2005, Salvador. Anais... Salvador, ICI/UFBA,
2005.

�ANDRADE, Valdete S. et al. Implementação da Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações da UFBA: informações da área de saúde. In: CONGRESSO
MUNDIAL DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE E BIBLIOTECAS, 9., Salvador, 2005.
Anais... Salvador, 2005. Pôster.
BELLOTTO, Heloísa L. Reflexões sobre o conceito de memória no campo da
documentação administrativa. In: _______. Arquivos permanentes: tratamento
documental. 2.ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: FGV, 2004. p. 271-278.
CARVALHO, Thereza Maria de Sá. Memória da UFBA: diretrizes gerais para o
funcionamento da seção. Salvador, 1990. 9 f. Mimeografado.
COSTA, Icléia Thiesen M. Memória institucional: um conceito em definição.
Informare: Cadernos do Programa de Pós-Graduação em Ciência da
Informação, Rio de Janeiro, v.1, n.2, p.45-51, jul./dez. 1995.
EDMONDSON, Ray. Memória do mundo: diretrizes para a salvaguarda do
patrimônio documental. New York: UNESCO, 2002.
SANTANA, Isnaia Veiga. Análise da situação das bibliotecas universitárias
do Nordeste. Salvador, UFBA, 1993.
SANTOS, Ubiraci Gonçalves dos. Aspectos gerenciais da Seção Memória da
Biblioteca Central da UFBA: interferência no registro das produções
acadêmicas. Salvador, 2002.
UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA. Plano de desenvolvimento
institucional 2004/2008. Salvador, 2004.
UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA. Portaria 0515/84 de 20 de agosto de
1984. Salvador, 1984. 1 f.
UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA. Portaria 332/02 de 08 de julho de 2002.
Salvador, 2002. 2 f.
UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA. Pro-Reitoria de Pos Graduação. Sistema
Q. Disponível em: &lt;www.sisQ.ufba.br&gt;.Acesso em: 28 jul 2006

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A seção memória da Biblioteca Central Reitor Macedo Costa e seu papel na preservação da produção técnica e científica e cultural da UFBA.</text>
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                <text>Abreu, Sônia Maria R. de ; Machado, Ana Maria B. ; Botelho, Maria de Fátima C. ; Ribeiro, Maria Alice S. ; Guedes, Joana Barbosa; Magalhães, Vânia Cristina S. ; Andrade, Valdete Silva; Rossas, Maria Ruth S.</text>
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            <description>An account of the resource</description>
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                <text>A história da UFBA nesses 60 anos de existência mostra a sua contribuição para o desenvolvimento da ciência e da sociedade pela sua produção científica e cultural. Essa história, construída através de fatos e ações, se traduz por uma vasta produção técnico-científica e cultural, protagonizada por seus pesquisadores - verdadeiros construtores do saber, dentro da instituição. Portanto, torna-se imprescindível, que toda essa riqueza seja preservada. O presente trabalho contextualiza a Seção Memória da Biblioteca Central Reitor Macedo Costa e seu acervo, resultantes de pesquisas e atividades acadêmicas na UFBA. Realizou-se a coleta de informações histórica e organizacional da seção. Elaborou-se formulário para identificar e quantificar a tipologia dos documentos que a compõe, bem como as condições físicas, o arranjo e a organização. Com a realização do mapeamento da produção de teses e dissertações depositadas na Seção, constatou-se uma diferença considerável entre os indicadores de produção da PRPPG/UFBA e cumprimento do depósito obrigatório da seção, segundo a Portaria n. 515/84. Tais resultados apontam para a formulação de estratégias que possibilitem a coleta, manutenção, preservação e maior visibilidade da coleção.</text>
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                    <text>A SEMANA DA PÓS-GRADUAÇÃO NA BIBLIOTECA:
RELATO DE EXPERIÊNCIA DE APOIO AO DESENVOLVIMENTO DA
PESQUISA E ORIENTAÇÃO PARA PUBLICAÇÕES NA EESC-USP
Rosana Alvarez Paschoalino
Teresinha das Graças Coletta*
Marielza Ortega Roma*
Elenise Maria de Araújo*
Elena Luzia Palloni Gonçalves*
*Universidade de São Paulo - Escola de Engenharia de São Carlos
Serviço de Biblioteca
Av. Trabalhador São-Carlense, 400
13566.5990 - São Carlos, SP - BRASIL
http://www.eesc.usp.br/biblioteca
rosana@sc.usp.br,coletta@sc.usp.br,maroma@sc.usp.br,
elenisea@sc.usp.br,elena@sc.usp.br

Resumo:
Relato da experiência vivenciada pelo Serviço de Biblioteca (SVBIBL) da Escola
de Engenharia de São Carlos, da Universidade de São Paulo (EESC-USP).
Apresenta a Semana da Pós-Graduação no Serviço de Biblioteca: um evento
com cinco dias de duração, 13 palestras de temáticas relacionadas à pesquisa,
com ênfase nos novos recursos informacionais disponíveis e também orientações
normativas para a publicação de trabalhos acadêmicos, com o objetivo de
confirmar aos 381 pesquisadores e profissionais, a participação efetiva do
SVBIBL-EESC na produção do conhecimento no âmbito da Escola. Descreve a
preparação do evento, as decisões que antecederam a experiência, o público
alcançado pela iniciativa, a divulgação exclusiva do evento e do conteúdo em
formato digital, bem como os problemas encontrados. Após a tabulação e análise
dos dados obtidos, propõe adaptações para os próximos eventos promovidos
pelo SVBIBL-EESC e conclui que a iniciativa é essencial para garantir que se
mantenham elevados os níveis das pesquisas acadêmicas atingidos pela EESC
diante das novas tecnologias e suportes informacionais, e também com vistas a
aumentar a visibilidade e preservação do conhecimento gerado pela EESC
através das redes virtuais.
Palavras-chave: Produção do conhecimento. Organização de eventos. Educação
de usuário.

1

�1 INTRODUÇÃO
O Serviço de Biblioteca da Escola de Engenharia de São Carlos da
Universidade

de

São

Paulo

(SVBIBL-EESC)

está

subordinado

administrativamente à Diretoria da EESC e tecnicamente ao Sistema Integrado de
Bibliotecas da USP (SIBi-USP). É de livre acesso e seu acervo é constituído
principalmente de obras didáticas e técnicas, especializado em Engenharia e
Arquitetura. Oferece, por meio de seus serviços, produtos e atividades, várias
oportunidades de integração com a comunidade de estudantes, pesquisadores,
docentes e funcionários.

O SVBIBL-EESC está organizado em uma Diretoria e três Seções
Técnicas: Atendimento ao Usuário, Tratamento da Informação e Biblioteca Ramal
(e Infra-Estrutura). Ocupa uma área física de 4020 metros quadrados na região
central do Campus USP São Carlos e conta com uma biblioteca ramal situada a
22 km da Cidade de São Carlos, no Centro de Recursos Hídricos e Ecologia
Aplicada - CRHEA. As duas Bibliotecas compreendem uma coleção de
aproximadamente 280 mil volumes de livros, periódicos e outras publicações
como mapas, atlas, teses, etc. (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 2005a).

Conta com uma equipe de trinta e dois colaboradores divididos em dez
bibliotecários, onze técnicos, quatro auxiliares, quatro monitores USP, dois
estagiários de Biblioteconomia e dois auxiliares de serviços gerais, tercerizados.
Possui oito mil usuários inscritos entre docentes, pesquisadores, alunos de
graduação e pós-graduação dos cursos oferecidos pela EESC e pelas demais
Unidades do Campus São Carlos, e oferece os serviços de consulta local,
empréstimo domiciliar, empréstimo entre bibliotecas, comutação nacional e
internacional, acesso a bases de dados nacionais e internacionais, entre outros.

2

�Dentre as atribuições previstas no Regimento da Biblioteca (Coletta et al,
2005), compete à Seção de Atendimento ao Usuário, orientar os usuários na
utilização da Biblioteca e recursos disponíveis e fornecer orientação bibliográfica
personalizada ou em grupos. Nesse sentido, o desafio de facilitar as iniciativas
para elevar os níveis das pesquisas e aumentar o conhecimento gerado através
dos cursos de graduação e pós-graduação da EESC-USP tem sido assumido pela
equipe de bibliotecários da Seção de Referência do SVBIBL-EESC, enquanto
membros de um dos maiores sistemas educacionais da América Latina.

Lancaster (1993) destaca a instrução bibliográfica como um elemento
extremamente importante, que transcende os serviços oferecidos pela biblioteca
universitária, e se constitui uma característica do programa de ensino, onde a
participação de alunos pode mudar o comportamento ou desempenho, obtendo
maior êxito na localização de materiais necessários para concluir de maneira
eficiente um trabalho de curso.

Segundo

Campello

(2000),

os

cursos

de

pós-graduação

visam

principalmente capacitar professores para o ensino superior, além de formar
profissional de alta qualificação em vários níveis. E, na EESC-USP um dos
requisitos para os alunos de Pós-Graduação é o desenvolvimento de um trabalho
de pesquisa que demonstre sua capacidade de sistematização e domínio do tema
e da metodologia científica, com revisão bibliográfica adequada e normalização
das informações existentes. Para desenvolver adequadamente as tarefas
elencadas pela autora, os pesquisadores devem necessariamente dominar
técnicas que garantam a qualidade do trabalho e é fundamental também que os
docentes estejam familiarizados com as melhores práticas da educação em
Engenharia para garantir o efetivo desempenho de seus alunos.

3

�Zancan (2000) aponta para uma situação ainda mais dramática, onde o
avanço explosivo do conhecimento marginaliza aqueles que não dispõem de uma
infra-estrutura de pesquisa associada à formação de recursos humanos de alto
nível e à uma educação científica universal. Tal situação só poderia ser
solucionada através da expansão da base de pesquisa acadêmica e da inovação
tecnológica.
Nesse contexto, está inserida a Unidade Educacional aqui descrita, que
atende a uma comunidade de 1745 alunos matriculados em 12 programas de
pós-graduação e 1713 alunos matriculados em dez cursos de graduação e
contribui ativamente com a produção científica, tendo publicado somente no ano
de 2004, 973 artigos científicos, no Brasil e exterior. (UNIVERSIDADE DE SÃO
PAULO, 2005a).

Dos 12 programas de Pós-Graduação da EESC-USP, dois são agraciados
com disciplinas didáticas, que contam com a colaboração dos bibliotecários,
prevista no Programa de Educação de Usuários (PEU). São eles: Engenharia
Mecânica; Arquitetura e Urbanismo. Segundo Coletta et al (1998), esses alunos
recebem por um semestre, orientações que os habilitam a:


comprovar a importância de observar metodologia lógica para acesso e
aplicação do conhecimento existente e, mediante sua utilização,
comprovar a originalidade de sua contribuição acadêmica evitando a
duplicação ou repetição desnecessária;



oferecer subsídios metodológicos para melhor nível de qualidade do
documento acadêmico, resultante dos trabalhos de mestrado e
doutorado;



propiciar maior habilidade no acesso às informações essenciais para a
pesquisa em nível de pós-graduação e na obtenção de documentos;

4

�

capacitar no domínio e habilidade para a redação de trabalhos
acadêmicos de "revisão da literatura e/ou bibliográfica" e relatórios de
"estado-da-arte";



fornecer subsídios para o planejamento, execução e gerência da
pesquisa.

Outros três Programas de Pós-Graduação que solicitam palestras em
temas específicos são: Engenharia Ambiental, Engenharia de Produção e
Geotecnia, no entanto o docente responsável ministra a maioria das aulas.

A Semana da Pós-Graduação na Biblioteca foi apresentada à Coordenação
da Pós-graduação (CPG) pela Diretoria do SVBIBL-EESC para suprir a demanda
apresentada pela comunidade que não freqüenta as disciplinas incluídas no PEU
e também outros interessados em informação técnico-científica na área de
Engenharia e Arquitetura, em temas cujos treinamentos não estavam previstos na
agenda.

O objetivo do evento era capacitar os participantes para: elaboração do
Currículo Lattes1; organização dos arquivos bibliográficos pessoais ou do grupo
de pesquisa em aplicativo Hot Reference2; apresentação adequada de trabalhos
acadêmicos e outras publicações técnico-científicas; publicação de teses e
dissertações na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade;
técnicas em apresentação oral3; utilização dos recursos essenciais de pesquisa
acadêmica na Internet; realização de pesquisas bibliográficas em bases de dados
bibliográficas referenciais e acesso a documentos completos.

1

http://lattes.cnpq.br/index.htm
http://www.hotreference.com
3
CINTRA, J.C.A. Técnica de apresentação: oratória aplicada às apresentações com o uso de
projetor multimídia, na Universidade, em eventos, em reuniões, e na empresa. Manaus:
Sonopress, 2006. 1 DVD.
2

5

�2 DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA
Organizar um evento compreende planejar, organizar, dirigir e controlar
recursos físicos, humanos, materiais e financeiros, visando atingir metas e
objetivos previamente definidos.

Canton (2002) divide a realização de um evento em três momentos que
interagem e são considerados:
•

antes: previsão, planificação, organização e mapeamento de recursos;

•

durante: direção, comando e execução;

•

depois: controle e avaliação.

Exceto a concepção do evento, já descrita, os momentos da Semana são
detalhados a seguir.

2.1 Divulgação

Com o objetivo de reunir a comunidade científica local e profissionais de
áreas relacionadas à pesquisa, através de atividades que incluiam palestras com
temas específicos e posterior discussão entre os participantes, o evento foi
promovido apenas no âmbito do Campus.

Assim, a divulgação, do evento foi financiada pelo SVBIBL-EESC e
aconteceu em forma de folders enviados a cada docente da Escola e entregues
também no balcão de Atendimento do Serviço de Biblioteca; 25 cartazes afixados
nos Departamentos, Laboratórios, Centros e Bibliotecas do Campus e CRHEA e
6

�divulgação eletrônica pela Agência USP de notícias (AGENCIA USP DE
NOTÍCIAS, 2005), nos seguintes termos:
Evento para capacitação de pós-graduandos na EESC
Acontece nesta sexta-feira (2), a partir das 9 horas, o último dia do
evento A Pós-Graduaçao da EESC na Biblioteca. Voltado para pósgraduandos, os objetivos da iniciativa passam por capacitar os
participantes a elaborar Currículo Lattes; organizar arquivos
bibliográficos; realizar apresentações orais, entre outras coisas.
Nesta ocasião, Marielza Ortega Roma fará palestra sobre
Periódicos Eletrônicos , Elenise Maria de Araújo sobre o tema
Celsius, e Rosana Alvarez Paschoalino encerra com NBR 10520 
Citações [...].

2.2 Palestras

Para

proferir

as

palestras

foram

convidadas

sete

pessoas

que

apresentavam estreito relacionamento com um tema específico a ser incluído na
agenda. Dentre eles um docente com vivência didática e experiência em oferecer
treinamento para apresentações em público, um analista acadêmico, especialista
em Currículo Lattes, e o desenvolvedor da ferramenta Hot Reference, utilizada no
meio acadêmico para gerenciamento de bibliografias. As demais palestras, sobre
normalização técnica, foram proferidas pelos Bibliotecários do SVBIBL-EESC. As
palestras proferidas foram:
•

Apresentação de citações

•

Apresentação de referências

•

Apresentação de Seminários

•

Bases de dados referenciais

7

�•

Biblioteca Digital de Teses e Dissertações

•

Celsius: gerenciamento eletrônico de comutação bibliográfica

•

Currículo Lattes

•

Estrutura de Artigos Científicos

•

Hot Reference: software de fichamento

•

Journal Citation Reports e Lista Qualis

•

Periódicos eletrônicos

•

Pesquisa no Dedalus e Catálogo Coletivo Nacional

•

Redação de resumos

Inicialmente foram oferecidas 30 vagas para cada uma das 13 palestras.
Posteriormente esse número foi estendido para 45 em função da demanda e do
número de acentos disponíveis na sala de aula. Ainda assim, algumas palestras
atingiram o número máximo de 45 interessados antes do término do prazo de
inscrição.

As palestras, com duração de duas horas cada uma, foram filmadas e
fotografadas pelo Centro de Tecnologia Educacional para Engenharia  CETEPE
e posteriormente essas gravações foram incorporadas ao acervo da EESC,
cadastradas no Banco de Dados Bibliográficos da USP - Dedalus (Figura 1) e
disponíveis para consulta. As fotos foram publicadas na Website do evento.

Uma semana após o término do evento, foram entregues certificados para os
participantes e palestrantes.

8

�Figura 1: Exemplo do registro de vídeo no Dedalus
Fonte: Universidade de São Paulo.Sistema Integrado de Bibliotecas, 2005b.

Os arquivos com as apresentações em PDF foram publicados no Website4
do Evento no formato de Anais Eletrônicos, o que propiciou o acesso imediato e
irrestrito ao seu conteúdo.

2.3 Investimentos
Inicialmente não foi previsto um aporte orçamentário para a realização do
evento. Entretanto, gastos foram assumidos pelo SVBIBL-EESC, relacionados a
seguir:

13 fitas de vídeos
Despesas

4

de

R$ 85,00
palestrante

externo

(combustível, pedágios, etc.)

R$ 180,00

Papel especial para folders e certificados

R$ 45,00

TOTAL

R$ 310,00

http://www.eesc.usp.br/biblioteca/palestras.htm

9

�3 RESULTADOS OBTIDOS

As 13 palestras foram ministradas para 381 ouvintes e tiveram uma freqüência
individual distribuída da seguinte maneira (Figura 2):

Figura 2: Freqüência das palestras

10

�4 CONCLUSÃO

Na opinião dos bibliotecários do SVBIBL-EESC, e autores desse trabalho,
essa primeira experiência cumpriu a finalidade e obteve vários aspectos positivos,
entre eles: a boa receptividade do público participante e o resgate do
comprometimento da equipe com a Instituição. Notou-se também o interesse dos
bibliotecários e funcionários administrativos do Campus, bem como dos alunos da
EESC e do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de São Carlos
(UFSCar), cuja participação no evento foi validada por um certificado.

Em algumas palestras, como o caso da Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações, a participação dos alunos de graduação da UFSCar correspondeu a
72% do público ouvinte e para o Currículo Lattes, 53%. Além dos alunos da
UFSCar, a Universidade Estadual Paulista (UNESP), Instituto de Física de São
Carlos (IFSC), Instituto de Química de São Carlos (IQSC) e o Instituto de Ciências
Matemáticas de São Carlos (ICMC) também prestigiaram o evento.

As gravações em vídeo, apontada como um outro ponto positivo, além de
serem recursos disponíveis ao usuário do SVBIBL-EESC, caracterizam-se
também como instrumentos de auto-avaliação para os palestrantes.

Entretanto,

falhas

na

organização

foram

observadas:

divulgação

inadequada, abrangência dos temas e até mesmo detalhes como a ausência de
solenidade de abertura e encerramento do evento e de padronização dos
documentos publicados na Website e o escasso investimento em marketing. Isso
poderia ter sido mais bem estruturado se houvesse maior aporte de recursos
financeiros. Tais recursos poderiam ter sido obtidos através de Projetos
apresentados à Agências de Fomento, que possuem linha de crédito exclusiva

11

�para financiamento de eventos. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de
São Paulo (FAPESP), por exemplo, pode apoiar parcialmente a organização de
Reunião Científica e/ou Tecnológica, com reconhecida importância para o
intercâmbio científico e/ou tecnológico para participação de pesquisadores do
Estado de São Paulo. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (CNPq) também possui uma linha de crédito para auxílio à Promoção
de Eventos Científicos  ARC destinado a realização no País, de congressos,
simpósios, seminários, ciclos de conferências e outros eventos similares de curta
duração relacionados à ciência, tecnologia e inovação.

Apesar dessas observações, que merecem especial atenção, a iniciativa foi
extremamente importante e enriquecedora. O elevado número de interessados e
os resultados obtidos justificam a reedição do evento inclusive aberto à outras
Instituições de ensino na Cidade e região.
Essencialmente, alguns pontos merecem destaque:
•

a aquisição do know how pela equipe do SVBIBL-EESC para criar e
aproveitar com segurança as oportunidades de capacitação prevendo
falhas e aprimorando cada vez mais a técnica;

•

tornar esse evento um instrumento para elevar os níveis das pesquisas
e aumentar o número de publicações na pós-graduação na EESC-USP;

•

disposição on-line do conteúdo para o acesso livre e gratuito,
propiciando a obtenção do conhecimento específico a um número
irrestrito de interessados, criando assim uma rede virtual.

REFERÊNCIAS

12

�AGÊNCIA USP DE NOTÍCIAS. Disponível
em:&lt;http://www.usp.br/agen/bols/2005/rede1701.htm&gt; . Acesso em: 2 set. 2005
CAMPELLO, B.S. Encontros científicos. In: CAMPELLO, B.S.; CENDON, B.V.;
KREMER, J.M. (Org.). Fontes de informação para pesquisadores e
profissionais. Belo Horizonte: UFMG, 2003. Cap. 4.
CANTON, A.M. Eventos: ferramenta de sustenação para as organizações do
terceiro setor. São Paulo: Roca, 2002.
COLETTA, T.G. et al. Programa de educação de usuários. In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 10., 1998, Fortaleza. Anais...
Fortaleza: TECTREINA, 1998. 3 Disquetes.
COLETTA, T.G. et al. (Org.). Regimento. São Carlos: EESC/USP, 2005.
LANCASTER, F.W. Avaliação de serviços de bibliotecas. Brasília: Briquet de
Lemos, 1996.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Anuário estatístico USP. São Paulo:
USP/CODAGE, 2005a.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Sistema Integrado de Bibliotecas. Banco
Bibliográfico Dedalus. 2005b. Disponível em:&lt;http//:www.usp.br/sibi&gt; .Acesso
em: 18 ago. 2005.
ZANCAN, G.T. Educação científica: uma prioridade nacional. São Paulo em
perspectiva, São Paulo, v.14, n.3, p. 3-7, jul./set. 2000.

13

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>Relato da experiência vivenciada pelo Serviço de Biblioteca (SVBIBL) da Escola de Engenharia de São Carlos, da Universidade de São Paulo (EESC-USP). Apresenta a Semana da Pós-Graduação no Serviço de Biblioteca: um evento com cinco dias de duração, 13 palestras de temáticas relacionadas à pesquisa, com ênfase nos novos recursos informacionais disponíveis e também orientações normativas para a publicação de trabalhos acadêmicos, com o objetivo de confirmar aos 381 pesquisadores e profissionais, a participação efetiva do SVBIBL-EESC na produção do conhecimento no âmbito da Escola. Descreve a preparação do evento, as decisões que antecederam a experiência, o público alcançado pela iniciativa, a divulgação exclusiva do evento e do conteúdo em formato digital, bem como os problemas encontrados. Após a tabulação e análise dos dados obtidos, propõe adaptações para os próximos eventos promovidos pelo SVBIBL-EESC e conclui que a iniciativa é essencial para garantir que se mantenham elevados os níveis das pesquisas acadêmicas atingidos pela EESC diante das novas tecnologias e suportes informacionais, e também com vistas a aumentar a visibilidade e preservação do conhecimento gerado pela EESC através das redes virtuais.</text>
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                    <text>A utilização das novas tecnologias na realização de inventário de acervos do
SB/UFMG e sua aplicação como ferramenta de gestão de bibliotecas.

Dora Aparecida da Silva1
Coordenadora do Grupo de Inventário - SB/UFMG
Bibliotecária Chefe da Divisão de Formação e Desenvolvimento do Acervo – DFDA
Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Minas Gerais
dfda@bu.ufmg.br

Ricardo José Miranda
Vice-Coordenador do Grupo de Inventário – SB/UFMG
Bibliotecário Chefe da Biblioteca da Faculdade de Educação da UFMG
biblio@fae.ufmg.br
Alaíde Maria Horta Fonseca de Oliveira
Relatora do Grupo de Grupo de Inventário – SB/UFMG
Bibliotecária Chefe da Biblioteca da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG
alaíde@face.ufmg.br
Jacqueline Pawloswski Oliveira
Setor de Automação da Biblioteca Universitária da UFMG
jackie@ufmg.br
Kátia Lúcia Pacheco
Bibliotecária Chefe da Biblioteca da Escola de Música da UFMG
katialp@ufmg.br
Maria Elisa Americano do Sul Barcelos
Bibliotecária Chefe da Biblioteca da Faculdade de Direito da UFMG
bib@direito.ufmg.br
Maurício Antônio Vieira
Setor de Automação da Biblioteca Universitária da UFMG
mvieira@ufmg.br
Vilma Carvalho de Souza
Bibliotecária Chefe da Biblioteca da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da
UFMG
bib@fafich.ufmg.br

Resumo:
Estudo sobre as diversas etapas e fases do planejamento e sistematização do
inventário de acervos do Sistema de Bibliotecas da UFMG – SB/UFMG utilizando o
software Pergamum. Identifica e qualifica os resultados de análises dos relatórios
Especialista em Gestão Estratégica da Informação pela Escola de Ciência da Informação pela
Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG

1

�do projeto piloto de inventário, realizado em três bibliotecas do SB/UFMG:
Biblioteca da Faculdade de Educação, da Escola de Música e da Faculdade de
Direito. As bibliotecas foram selecionadas a partir da definição de critérios como
tamanho do acervo, especificidade, localização, recursos de informática e
humanos. Os resultados do projeto piloto geraram: definição de uma política de
inventário que engloba todos os acervos do SB/UFMG; mudanças paradigmáticas
e metodológicas a serem adotadas pelo sistema de bibliotecas; melhoria dos
serviços prestados à comunidade universitária e a utilização do inventário como
importante ferramenta de gestão de bibliotecas.

1 INTRODUÇÃO
Durante o ano de 2002, foi consolidado o inventário geral do acervo bibliográfico do
Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Minas Gerais (SB/UFMG). Esta
atividade foi realizada em todas as 28 bibliotecas que compõem o Sistema, sendo
a UFMG a primeira Instituição Federal de Ensino Superior a prestar contas junto ao
Tribunal de Contas da União – TCU, do seu acervo bibliográfico, em termos
quantitativo e financeiro do acervo .
Entretanto, apesar do esforço reconhecido das bibliotecas e suas equipes, o
instrumental utilizado para a realização do inventário não oferecia recursos
suficientes para análise e utilização dos dados do inventário na melhoria dos
serviços das bibliotecas.
Em março de 2004 foi implantado o Pergamum, com o objetivo de suprir demandas
que

não

eram

respondidas

anteriormente.

A

instalação

deste

mostrou

efetivamente, a integração das Bibliotecas que não adotavam o software anterior
(Campus Saúde, Núcleo de Ciências Agrárias - NCA e Teatro Universitário),
permitindo a visibilidade integrada do acervo do SB/UFMG e, principalmente, a
utilização de instrumentos fundamentais ao gerenciamento dessas bibliotecas:
relatórios estatísticos, aquisição automatizada, inventário de acervos bibliográficos.

�Para obter subsídios para tomadas de decisão, o SB/UFMG necessitava de um
instrumento que mostrasse não só o tamanho da coleção, mas também o volume
de perdas em cada uma das Bibliotecas (roubo, extravio, material mutilado, etc.).
Chegou-se a conclusão que a melhor forma de realizar o inventário seria utilizar o
software Pergamum. Decidiu-se então, criar um grupo de trabalho com o objetivo
de desenvolver as metodologias a serem aplicadas no processo de inventário.
Definidas as metodologias, decidiu-se aplicá-las em 3 Bibliotecas do SB/UFMG
(Bibliotecas da Faculdade de Direito, Faculdade de Educação (FAE) e Escola de
Música), que foi acompanhado pela equipe da Rede Pergamum. Os testes feitos
mostraram ser perfeitamente viável e seguro a realização do inventário através do
software Pergamum.

2 O SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UFMG (SB/UFMG)
Sistema de Bibliotecas é um órgão suplementar da UFMG, vinculado à Reitoria. É
composto por um Conselho Diretor, pela Diretoria do Sistema de Bibliotecas, com
suas divisões técnicas e seções administrativas, pelas 28 bibliotecas setoriais, e
pelas Comissões Temporárias.
As Bibliotecas Setoriais são vinculadas administrativamente às respectivas
unidades acadêmicas e órgãos da UFMG e tecnicamente ao Sistema de
Bibliotecas.

As Bibliotecas Setoriais podem ser agrupadas pelas seguintes áreas do
conhecimento: Ciências Agrárias: Núcleo de Ciências Agrárias (Montes
Claros) e Escola de Veterinária; Ciências Biológicas : Instituto de Ciências
Biológicas; Ciências Exatas e da Terra : Instituto de Ciências Exatas,
Instituto de Geociências, Departamento de Química, Departamento de Física;
Ciências Humanas: Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas e

�Faculdade de Educação (FAE); Ciências Sociais Aplicadas: Escola de
Arquitetura, Escola de Ciência da Informação, Faculdade de Ciências
Econômicas,

Centro

Desenvolvimento

e

Planejamento

Regional

–

CEDEPLAR e Faculdade de Direito; Engenharias: Escola de Engenharia e
PCA – Pavilhão Central de Aulas; Lingüística, Letras e Artes:

Faculdade

de Letras, Escola de Belas Artes, Escola de Música; Ciências da Saúde:
Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Faculdade de
Farmácia, Faculdade de Odontologia e Campus da Saúde (Medicina,
Enfermagem, Fonoaudiologia e Nutrição); Unidades Especiais e de
Extensão: Colégio Técnico, Teatro Universitário, Centro Pedagógico, Museu
de História Natural e Carro Biblioteca; Biblioteca da Graduação (ICEX/ ICB)
- Biblioteca Central.

O SB/UFMG é o órgão responsável pelos seguintes acervos especiais: Obras
Raras (Reúne as coleções de obras raras das diversas Unidades UFMG);
Curt Lange (O arquivo pessoal do musicólogo teuto-uruguaio Francisco Curt
Lange, foi integrado à Universidade Federal de Minas Gerais em 1995,
recebendo então a denominação de Acervo Curt Lange – UFMG); Escritores
Mineiros (Financiado pelo CNPq, o projeto tem como finalidade principal a
organização e a preservação do acervo bibliográfico e documental dos
escritores Henriqueta Lisboa, Murilo Rubião, Oswaldo França Júnior e Abgar
Renault, além das coleções Alexandre Eulálio, Octavio Dias Leite, Aníbal
Machado e Ana Hatherly. O projeto realiza intercâmbios nacionais e
internacionais com projetos similares, permitindo a identificação e a
localização de documentos culturais existentes no país e no exterior. (O
acervo está à disposição de pesquisadores da área acadêmica e do público
em geral);

Memória da UFMG (Reúne a produção intelectual da UFMG:

livros, teses, periódicos e objetos como: troféus, medalhas, placas e
diplomas).

�O acervo do SB/UFMG ultrapassa a quantidade de 724.930 (setecentos e
vinte e quatro mil, novecentos e trinta) exemplares constituído de livros,
monografias, teses/dissertações e materiais especiais. O acervo conta com
coleção de periódicos impressa com mais de 20.420 (vinte mil quatrocentos e
vinte e sete)

títulos e oferece aos usuários consulta, empréstimos,

levantamento bibliográfico, comutação bibliográfica, visitas orientadas,
orientação e normalização bibliográfica, treinamentos de usuários, alertas,
sumários correntes e boletins informativos, exposições e promoções de
eventos. O SB/UFMG participa do Catálogo Coletivo Nacional do IBICT, Rede
de Informação em Educação Física e Desporto, Rede Brasileira de
Informação em Ciências da Saúde BDTD – IBICT.

3 OBJETIVOS
•

Padronizar ações e procedimentos no inventário;

•

Avaliar os resultados obtidos

•

Implementar políticas de desenvolvimento do acervo

4 O INVENTÁRIO DE ACERVOS DA UFMG – PROPOSTA DE NOVA
METODOLOGIA

O grupo temporário de inventário foi criado, por decisão da Diretora da BU (Portaria
1/2005), em decorrência da Reunião de Inventário realizada em 09/12/2004, pela
DFDA, com a participação dos representantes das bibliotecas da UFMG e que
gerou um documento, encaminhado à referida diretora onde, com detalhes,
relatava-se a situação das bibliotecas e seus respectivos inventários, destacandose o esforço despendido na manutenção de bases paralelas ao software instalado
e a ausência de uniformidade dentro Sistema.

�Na primeira reunião, datada de 24/01/2005, ficou determinado:
•

O uso do software Pergamum para inventário do SB/UFMG;

•

O desenvolvimento de metodologias a serem utilizadas nas bibliotecas do
SB/UFMG;

•

A realização do projeto piloto;

•

A aquisição de coletores para realização do inventário.

A partir destas determinações, o grupo de

trabalho

desenvolveu uma

metodologia, utilizando os recursos do software Pergamum, com os seguintes
itens:
•

Planejamento do inventário;

•

Organização da biblioteca (numeração das estantes, organização das
equipes, preparo da leitura, definição sobre geração dos relatórios);

•

Leitura do acervo;

•

Geração e análise dos relatórios gerados pelo Pergamum (estatística,
desaparecidos, anormais, conferência);

•

Avaliação do inventário piloto e alterações nas metodologias criadas.

4.1 A Realização do Projeto Piloto
Em julho de 2005 teve inicio a realização do projeto piloto. Participaram deste piloto
as seguintes bibliotecas:
•

Biblioteca da Faculdade de Direito;

•

Biblioteca da FAE;

•

Biblioteca da Escola de Música.

Os critérios para escolha destas bibliotecas foram:
• Terem representante no grupo de inventário, tendo participado da
elaboração das metodologias;

�• Dimensão e diversidade do acervo;
• Localização física (Centro e Campus Pampulha).
• A música por possuir parte significativa do acervo não incluído no
Pergamum, e por possuir grande quantidade de materiais especiais.
• Por último, o fato da Faculdade de Direito optar pela realização do inventário
com a biblioteca fechada e a FAE com a biblioteca aberta.
Ao final do piloto, considerado o êxito do empreendimento e, de comum acordo, o
grupo, a Diretoria da BU e a Auditoria da UFMG tomaram as seguintes decisões,
de grande impacto na gestão das bibliotecas:
•

Escalonamento das Bibliotecas do SB/UFMG para fins de realização do
inventário – 2 em 2 anos. Esta medida visava maior apoio da Divisão de
Formação e Desenvolvimento do Acervo (DFDA) e Automação; menor
impacto na geração de relatórios pelo servidor. Os Critérios para divisão das
bibliotecas por grupos foram o tamanho e características do acervo e a
localização (Centro e Campus Pampulha);

•

A eliminação de processos, especialmente o término da alimentação de
base paralela para controle patrimonial (denominada Patri);

•

Padronização de procedimentos para utilização de notas doações, termos
de baixas e transferências (em fase de estudo pelo grupo a utilização do
próprio software na emissão destes itens).

4.2 Metodologias Utilizadas
4.2.1 Planejamento do Inventário
•

Decidir sobre a forma de acesso (biblioteca aberta ou fechada);

•

Prever tempo de duração do inventário;

•

Determinar as coleções a serem inventariadas;

�•

Apresentar a proposta de inventário (forma de acesso e tempo de duração)
às instâncias superiores (Comissão de Biblioteca, Diretoria da Unidade,
Biblioteca Universitária) para análise e aprovação;

•

Comunicar à comunidade as informações sobre a realização do inventário,
utilizando para isto todos os recursos disponíveis: e-mail, cartazes, homepage, divulgação informal no recinto da Biblioteca.

4.2.2 Numeração das Estantes
•

Numerar seqüencialmente as estantes da biblioteca; em caso de estante
dupla, considerar cada lado como uma estante;

•

Numerar os computadores e coletores a serem utilizados no inventário;

•

Relacionar os computadores com as estantes.

4.2.3 Organização da Equipe Para o Inventário
Definir o número de duplas que trabalharão na leitura, por turno de trabalho.
ATENÇÃO: Bibliotecas que optarem pela realização de inventário com a forma de
acesso ABERTA deverão estabelecer;
•

a forma de acesso à coleção, se livre ou com restrições;

•

equipe mínima para atendimento ao público;

•

inventariar todos os livros antes de serem emprestados.

4.2.4 Preparo da Leitura
Os leitores de código de barras deverão ser configurados para viabilizar a leitura
com enter (caso necessário, solicitar ajuda do Setor de Automação).

�Criar no Windows Explorer, dentro do Drive C, uma pasta para inventário (Ex:
inventario 2006).
4.3 Leitura do Acervo
A leitura do acervo poderá ser realizada utilizando-se: coletor; scaner de fio curto
(leitor de código de barras); scaner de fio longo
•

coletar o registro;

•

conferir o registro coletado com a etiqueta;

•

assinalar o livro lido (conforme o procedimento da biblioteca) e retorná-lo
para seu lugar na estante.

4.4 Carga dos Dados no Pergamum
•

transferir para o Pergamum os arquivos coletados no Bloco de

4.5 Geração e Análise dos Relatórios no Pergamum
São quatro tipos distintos de relatórios, a saber: estatísticas; desaparecidos;
anormais e conferência.
4.5.1.1

Estatísticas

Subdivide-se em:
•

Dados dos coletores : representa o envio dos dados coletados do acervo
para o sistema e informa a data da coleta, o número de coletores, o
número do acervo, a pessoa que realizou a coleta, o nome do arquivo e a
quantidade de itens coletados.

�•

Dados incluídos no inventário: dá uma visão geral dos materiais
existentes na biblioteca e lidos no acervo e Informa o tipo de obra, a
situação, quantidade e localização do exemplar, a quantidade de títulos,
quantidade de computadores coletores, quantidade de materiais
emprestados, quantidade de materiais desaparecidos, exemplares lidos,
valor total dos materiais lidos e valor total dos materiais desaparecidos.

•

Dados excluídos do inventário: contém os dados que não serão
inventariados e informa o tipo de obra, a situação do exemplar, a
localização do material e os exemplares cadastrados.

4.5.1.2

Desaparecidos

Informa os materiais desaparecidos do acervo. O relatório pode ser feito em
relação: à biblioteca, ao tipo de obra, à situação do material e à localização do
exemplar.
Esse é o principal relatório, pois será através dele que se fará a consulta para
posterior baixa dos itens realmente desaparecidos.
4.5.1.3

Anormais

Relatórios pré-definidos que mostram informações de situações que fogem a regra
dos demais relatórios. São eles:.
•

Relatório dos materiais que tiveram a situação alterada depois da data do
inventário: mostra os itens que sofreram alguma alteração após o início do
inventário e informa a Biblioteca de origem, a situação, a localização, o
exemplar, o título e o número de chamada.

�•

Relatório dos materiais que tiveram a localização alterada depois da data do
inventário: informa a Biblioteca de origem, a situação, a localização, o
exemplar, o título e o número de chamada.

•

Relatório dos materiais lidos no inventário e que foram emprestados após a
data determinada pelo inventário: informa a Biblioteca de origem, a situação,
a localização, o exemplar, o título e o número de chamada.

•

Relatório dos exemplares que tiveram a devolução com alterações na data
de devolução: informa a Biblioteca de origem, a situação, a localização, o
exemplar, o título e o número de chamada.

•

Relatório dos exemplares que tiveram devoluções após a data de início do
inventário: informa a Biblioteca de origem, a situação, a localização, o
exemplar, o título e o número de chamada.

•

Relatório dos exemplares lidos que não foram carregados na definição da
carga dos parâmetros do inventário: aponta os registros lidos e que não
constavam dos parâmetros marcados para serem lidos. Serve para apontar
os materiais que estão guardados em local errado, para que possam ser
corrigidos. Informa a Biblioteca de origem, a situação, a localização, o
exemplar, o título e o número de chamada.

•

.Relatório dos exemplares lidos na biblioteca que não correspondem a
biblioteca original e não foram carregados na carga inicial dos dados.
Contem os registros lidos, que estão no bloco de notas e não pertencem a
biblioteca que efetuou a leitura. Relaciona todas as bibliotecas do SB/UFMG.

•

Relatório dos materiais emprestados que estão no acervo lido no inventário.
Informa a Biblioteca de origem; situação; localização; exemplar; título;
número de chamada.

�•

Relatório dos exemplares que não existem na base de dados. Números lidos
como registro. (Exemplares inexistentes na Biblioteca). Mostra os números
de registros lidos e que não constam da base Pergamum. Após o término da
leitura, o responsável pelo inventário deverá trabalhar com este relatório.
Estes registros só poderão ser localizados através dos arquivos do bloco de
notas, que mostra a estante onde os mesmos estão localizados.

4.5.1.4 Conferência

Destinado ao controle do inventário. Ele é mais detalhado que a estatística porque
permite a escolha do tipo de material por localização. Acrescenta ainda a opção de
busca por “Todo o material” ou “Apenas material lido”. O relatório de conferência
não muda, pois representa o relatório oficial do inventário realizado. Informa: o
exemplar, o número de exemplares, a situação, o material adicional, o volume, o
preço, o título.

4.5.2 Finalização do Inventário
Para o fechamento do inventário foram adotados os seguintes procedimentos:
•

Para as obras do relatório de Desaparecidos que a biblioteca não conseguiu
localizar, na tela de exemplar, alterar o campo Situação para Desaparecido,
com o motivo Desaparecido Inventário 2006;

•

Colocar a data de fechamento do inventário de sua biblioteca:
na tela do inventario Parâmetros Gerais, digitar no campo “Data de
Término” a data em que o inventário foi finalizado

•

Click no botão “gravar dados”

�5

RESULTADOS

O impacto do inventário pode ser sentido nos diversos processos da biblioteca:
•

Aquisição e controle patrimonial: através dos resultados do inventário é
possível verificar a quantidade de perdas e qual a parte do acervo foi mais
afetada com estas, permitindo uma avaliação da necessidade de
recuperação, através de aquisição, das áreas mais prejudicadas;

•

Processamento técnico: a partir da leitura e análise dos relatórios, as
Bibliotecas tiveram condições de saber o tamanho real do acervo; os
registros que “desapareceram” nas diversas migrações sofridas por causa
da troca de softwares; a falta de elo entre o registro bibliográfico e os seus
itens; livros com localização errada; a visão completa de seu acervo, tanto
do material cadastrado na base de dados, e aqueles que já estando
registrados, ainda não passaram pelo processo técnico.

•

Circulação: o inventário ofereceu a possibilidade de um controle maior dos
processos de circulação, detectando os livros devolvidos e localizados nas
estantes, mas que ainda constavam no cadastro do usuário e os livros
pertencentes a outras bibliotecas da UFMG que se encontravam no acervo
da biblioteca inventariada;

5 CONSIDERAÇÔES FINAIS
O inventário bibliográfico da UFMG, com término previsto para dezembro de 2007,
está sendo realizado de forma coletiva e participativa.
Houve por parte das equipes das bibliotecas uma releitura do inventário, a
atividade foi realizada de forma mais ágil, menos traumática e com mais
praticidade. Os resultados operacionais mais visíveis e com possibilidade de serem
utilizados no gerenciamento dos serviços da biblioteca.

�A realização do inventário de forma escalonada, via acordo com a auditoria da
UFMG, possibilitou um acompanhamento mais detalhado e participativa da Divisão
de Formação e Desenvolvimento do Acervo e do Setor de Automação. Isto refletiu
de forma positiva junto aos usuários, pela possibilidade de continuarem utilizando
as bibliotecas que não se encontravam em processo de inventário.
Houve uma interação entre a equipe da UFMG e a equipe do Pergamum, tornando
possível alterações no software, para atender as questões legais (procedimentos
legais para baixa de material) e para a melhoria do processo.

6 REFERÊNCIAS
BIBLIOTECA; multiplicadores do conhecimento; acervo variado e numeroso das
bibliotecas é fonte importante de pesquisas e renovações do pensamento. Diversa,
Revista da UFMG, Belo Horizonte, v.1, n.3, p. 11-13, ago. 2003.
MAIA, Carla. Patrimônio bibliográfico da UFMG vale R$ 10 milhões; inventário
apura perdas de 6% no acervo da Universidade. Boletim Universidade Federal de
Minas Gerais, Belo Horizonte, v. 29, n. 1382, p. 5, 30 jan. 2003.
NORONHA, Daisy Pires, et al. Inventário de livros e periódicos em biblioteca
acadêmica; estudo de caso. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS 4., 1989, Campinas, SP. Anais.... Campinas : UNICAMP, 1989.
p. 291-299.
SILVA, Dora Aparecida da, SOUZA, Vilma Carvalho de. Inventário do acervo
bibliográfico do Sistema de Bibliotecas da UFMG. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 13., 2004, Natal, [Anais eletrônicos...] Natal:
UFRN, 2004. 1 CD-ROM.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS. Biblioteca Universitária. Normas
para registro do acervo bibliográfico da UFMG. Belo Horizonte : UFMG/BU/DFDA,
1982. 7 f.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>A utilização das novas tecnologias na realização de inventário de acervos do SB/UFMG e sua aplicação como ferramenta de gestão de bibliotecas.</text>
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                <text>Silva, Dora Aparecida da; Miranda, Ricardo José; Oliveira, Alaíde Maria H. F. de; Oliveira, Jacqueline Pawloswski; Pacheco, Kátia Lúcia; Barcelos, Maria Elisa A. do Sul; Vieira, Maurício Antônio; Souza, Vilma Carvalho</text>
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                <text>Estudo sobre as diversas etapas e fases do planejamento e sistematização do inventário de acervos do Sistema de Bibliotecas da UFMG – SB/UFMG utilizando o software Pergamum. Identifica e qualifica os resultados de análises dos relatórios do projeto piloto de inventário, realizado em três bibliotecas do SB/UFMG: Biblioteca da Faculdade de Educação, da Escola de Música e da Faculdade de Direito. As bibliotecas foram selecionadas a partir da definição de critérios como tamanho do acervo, especificidade, localização, recursos de informática e humanos. Os resultados do projeto piloto geraram: definição de uma política de inventário que engloba todos os acervos do SB/UFMG; mudanças paradigmáticas e metodológicas a serem adotadas pelo sistema de bibliotecas; melhoria dos serviços prestados à comunidade universitária e a utilização do inventário como importante ferramenta de gestão de bibliotecas.</text>
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                    <text>A VOZ DO CLIENTE NA REMODELAÇÃO DA BIBLIOTECA VIRTUAL DO
SIBi/USP

Maria Imaculada Cardoso Sampaio – Coordenadora - e-mail: isampaio@usp.br
Adherbal Caminada Netto - e-mail: adherbal@usp.br
Adriana A. Barreiros - e-mail: adribar@bcq.usp.br
Adriana Cybelle Ferrari - e-mail: aferrari@usp.br
Cybelle Assumpção Fontes - e-mail: caf@fob.usp.br
Márcia Elisa Garcia de Grandi - megrandi@usp.br
Maria Cristina Olaio Villela - e-mail: cristina.villela@poli.usp.br
Rosa Maria F. Zani - e-mail: rmfzani@usp.br

Universidade de São Paulo
Sistema Integrado de Bibliotecas
Av. Prof. Luciano Gualberto, Trav. J. 374 – 1º Andar
Cidade Universitária
São Paulo – SP Brasil 05508-010
Telefone: (55 11) 3091-4194/5/7 - Fax: (55 11) 3091- 2142
www.usp.br/sibi

Resumo: O Programa de Avaliação da Qualidade (PAQ) firmou-se enquanto
instrumento de embasamento da gestão do Sistema Integrado de Bibliotecas da
Universidade de São Paulo (SIBi/USP). A primeira etapa, realizada em 2002,
focou os produtos e serviços oferecidos pelas bibliotecas. A segunda etapa do
PAQ foi efetuada em 2005, por meio de formulário eletrônico, e teve como objetivo
detectar as necessidades dos usuários quanto aos recursos da Rede de Serviços
do SIBi – SIBiNet (http://www.usp.br/sibi). A metodologia adotada incluiu a técnica
do incidente crítico para coleta de dados e as dimensões do SERVQUAL para a

1

�categorização dos resultados. A análise considerou as respostas dos usuários
USP, externos à USP e equipe técnica do Sistema. Os resultados apontaram para
a necessidade de implementação imediata de melhorias no website do SIBi e
reafirmaram a importância do Programa na adequação dos serviços oferecidos às
necessidades dos usuários e como ferramenta gerencial do Sistema.

A

estruturação das informações em banco de dados, e não em páginas estáticas,
como no modelo anterior, deu nova dimensão ao website, consolidando-o como a
Biblioteca Virtual do SIBi/USP.
Palavras-chave: Avaliação da qualidade. Bibliotecas Virtuais.

INTRODUÇÃO
Sistemas

de

informação

podem

servir

melhor

seus

usuários

se

implementarem serviços sob medida e adequados às suas necessidades. Essa
atitude: oferecer serviços de acordo com as necessidades da clientela implica,
muitas vezes, na intervenção e redesenho do sistema. Os sistemas de informação
não conseguem utilizar plenamente a tecnologia para promover melhorias como
estratégia na implementação de serviços especialmente dirigidos aos seus
usuários, segundo Dervin e Nilan (1986). Satisfazer necessidades dos usuários
exige soluções complexas, orientadas por um rol de soluções que variam de
acordo com o contexto e com a especificidade de cada comunidade.

Independentemente da técnica aplicada para captar a opinião do usuário
em relação ao que lhe é oferecido, o mais importante é utilizar os resultados
dessas pesquisas na gestão do sistema de informação, revertendo o que foi
declarado como insatisfatório em benefício do próprio usuário. Foi a partir dessa
perspectiva que o Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo
(SIBi/USP), estruturou, em 2002, um programa contínuo de avaliação,
denominado PAQ - Programa de Avaliação da Qualidade dos Produtos e Serviços
do SIBi/USP. Após a realização da primeira etapa, pôde-se verificar que o PAQ
confirmou-se como uma ferramenta eficiente e adequada para ouvir o usuário em
relação à prestação de serviços oferecidos pelas bibliotecas do sistema

2

�(SAMPAIO et al., 2004). O êxito do programa culminou com a efetividade do
processo de avaliação das bibliotecas, o que levou à proposta de uma nova etapa
do Programa.

PAQ : SEGUNDA ETAPA
A segunda etapa do PAQ teve como objetivo identificar as necessidades
dos usuários em relação à informação e aos recursos do site do SIBi –
denominado SIBiNet, contribuindo para a melhoria do relacionamento do usuários
com este importante recurso de recuperação de informação.
A mudança do ambiente das bibliotecas para o meio virtual exige que os
estudos de satisfação do usuário também se voltem para esse espaço. Furquim
(2004), adaptou um conjunto de critérios de avaliação para conduzir o estudo de
um site institucional, centrado no usuário. O objetivo do trabalho era a
identificação dos critérios determinantes na tomada de decisão pela opção de uso
do site, demonstrando a importância da pesquisa direta com o usuário quando se
deseja conhecer sua opinião.
Forsman (2004) descreve o desenvolvimento de uma pesquisa sobre
recursos eletrônicos de acesso à informação em biblioteca universitária,
concluindo que avaliar qualidade de fontes de informação é essencial, quando se
tem o foco no usuário, justificando a participação em consórcios que praticam a
avaliação de forma unificada, exemplificados pelo modelo LibQUAL+TM.

A importância da avaliação de websites centrada no usuário, em
contraposição ao foco no sistema, é apontada por Peterson e York (2003), em
relato sobre pesquisa de avaliação de uma coleção digital específica, que utilizou
como instrumento entrevistas individuais com usuários do sistema. Os autores
atestam a validade do método para situações onde os usuários devam participar
do processo de construção dos recursos oferecidos.

3

�Maquignaz e Miller (2002) destacam os esforços da Victoria University
Library na harmonização dos serviços presenciais e eletrônicos para atender às
necessidades e expectativas dos clientes. Nesse sentido, foi conduzida uma
avaliação do website da biblioteca, por meio de formulário eletrônico e
complementação com a técnica de grupos focais., resultando em projeto de
reestruturação do site a partir

das manifestações dos clientes em relação ao

design, navegação, usabilidade e serviços identificados como prioritários.

Inaugurada

em

1997,

a

SIBiNet

possibilita

o

uso

de

recursos

computacionais para acesso aos principais produtos e serviços do sistema: banco
de dados bibliográficos da USP (DEDALUS Global e Local); bases de dados de
acesso regulamentado ou público; periódicos eletrônicos; indicadores para outros
catálogos e repositórios etc. Busca-se com a SIBiNet a economia de esforços para
os profissionais que atuam nas bibliotecas e ampliação do universo de pesquisa,
estudo e ensino para os usuários.

Em termos de interface para recuperação da informação, a última
atualização do site foi efetuada em 2000, quando foram implementadas algumas
melhorias, idealizadas sem a participação efetiva do usuário. O modelo adotado,
embora com melhorias, ficou aquém das características das bibliotecas virtuais
atuais, onde as informações são reunidas em bases de dados e permitem buscas
complexas e simultâneas.

METÓDO
Buscando fidelidade em relação à captação da opinião dos usuários nesse
ambiente, elegeu-se a Técnica do Incidente Crítico como ferramenta para coleta
de dados. Segundo Flanagan (1973, p. 99), a Técnica do Incidente Crítico
“(...) consiste em um conjunto de procedimentos para a coleta de
observações diretas do comportamento humano, de modo a facilitar sua
utilização potencial na solução de problemas práticos e no desenvolvimento
de amplos princípios psicológicos, delineando também procedimentos para

4

�a coleta de incidentes observados que apresentem significados especiais e
para o encontro de critérios sistematicamente definidos”.

Assim, efetuou-se uma pesquisa para se conhecer as reais necessidades
de acordo com a sistemática do incidente crítico, enfocando a obtenção de
informações acerca dos produtos e serviços oferecidos aos usuários. O
levantamento de opinião é focado no usuário, uma vez que é ele quem deve
definir suas próprias necessidades, relatando suas experiências positivas e
negativas sobre o fato ocorrido recentemente e que se quer avaliar.

Após a delimitação da metodologia da pesquisa, definição do público alvo,
amostra e o período de aplicação estabeleceram-se os passos para a efetivação
da proposta. O primeiro passo foi o planejamento da entrevista, com elaboração
das questões para levantamento dos incidentes críticos, formulários e roteiros de
orientação. A entrevista foi realizada junto aos usuários das bibliotecas na qual os
integrantes do PAQ atuam. Em seguida partiu-se para a análise dos resultados da
entrevista e seleção dos principais incidentes críticos para formulação de
questionário. Os incidentes críticos foram categorizados de acordo com as cinco
dimensões do SERVQUAL, mantendo a sintonia com a primeira etapa. A tabela a
seguir apresenta a categorização dos incidentes.

DIMENSÕES

TANGIBILIDADE

INDICADORES

Links quebrados

Não funcionamento do browser

INCIDENTE

•

Links quebrados

•

Área técnica

•

Portal de periódicos

•

Incompatibilidade com alguns

browsers

5

�Morosidade/Rapidez da rede

Equipamentos

Ampliação dos serviços

•

Rede lenta

•

Acesso a banda larga/discado

•

Rede rápida

•

Dificuldade de acesso

•

Rede em tempo integral

•

Adequados

•

Teses online

•

Reservas online

•

Lista de títulos de periódicos

abreviados
•

EEB online

•

Acessibilidade aos deficientes
visuais e auditivos

•

Ausência de teses completas

•

Falta de anais eletrônicos

•

Aquisição de outros títulos

Conteúdo (Periódicos, Portal

•

Conteúdo adequado

Saber, UNIBIBLi)

•

Conteúdo insuficiente

•

Periódicos adequados

•

Integração dos Bancos de

CONFIABILIDADE

Dados

Confiabilidade da informação

RECEPTIVIDADE

Necessidade de treinamento
Equipe

•

“Back Issues”

•

Consistência

•

Precisão de informação

•

Incerteza do resultado

•

Aprender busca nos periódicos

•

Treinamento na SIBinet

•

Disponível

6

�DEDALUS

•

DEDALUS completo

•

Atualização

•

Treinamento

•

Layout

•

Nome da base seriados não

familiar

GARANTIA

•

Operadores boleanos

•

Sumário dos livros

•

Disponibilidade do acervo

•

Resultados precisos

•

Acesso livre

•

Ampliação do vocabulário

controlado
•

Texto completo (Prod Cient.)

•

Necessidade marketing

•

Acesso através de senha

•

Bases de dados suficiente

Número de Serviços (Tutorial,

•

Coleção de periódicos

Coleção)

•

Serviços suficientes

•

Tutorial acessível

•

Amigável

•

Letra pequena

•

Pouco atraente

•

Layout adequado

•

Número de cliques

•

Site bem definido

•

Site não claro, poluído

•

Barra de rolagem não agrada

•

Periódicos de fácil acesso

Melhoria das ferramentas de

•

Dificuldade de navegação

busca

•

Site em outros idiomas

Divulgação

Design

Layout
EMPATIA

7

�Com base nas informações categorizadas elaborou-se o primeiro
questionário para a aplicação de pré-teste junto aos usuários das bibliotecas onde
os integrantes do PAQ atuavam. Na fase de coleta de dados foi gerada uma base
para armazenar os resultados obtidos que eram exibidos automaticamente,
permitindo o acompanhamento da pesquisa em tempo real. O formulário eletrônico
ficou disponível durante o mês de novembro e início de dezembro de 2005.

Para efeito de organização dos itens identificados como importantes pelos
entrevistados na definição dos incidentes críticos, classificaram-se os incidentes
em quatro blocos:
•

Acesso ao site – analisou os itens referentes à velocidade da rede e a
compatibilidade com os browsers/navegadores utilizados para o acesso ao
site.

•

Conteúdo – considerou a facilidade de busca de informação nas bases de
dados, teses digitais e revistas em formatou eletrônico.

•

Serviços – questionou a respeito da facilidade em identificar portais de
outras universidades no Brasil e exterior, tutoriais, facilidade de pesquisar
conjuntamente em outros bancos de dados das Universidades estaduais
paulistas e o Empréstimo-entre-Bibliotecas.

•

DEDALUS – captou impressões sobre o principal instrumento para registro
e recuperação da informação dos acervos das bibliotecas da USP.

Para melhor definição das necessidades da comunidade optou-se por
segmentar as categorias de usuários em: comunidade USP (alunos, docentes e
pesquisadores), comunidade não-USP (todos os usuários que utilizam o site do
SIBi, sem possuir vínculo efetivo com a universidade) e equipe técnica do
SIBi/USP (funcionários que atuam nas bibliotecas).

RESULTADOS
Participaram da pesquisa 2304 usuários, sendo 1805 comunidade USP, 245
comunidade não-USP e 249 da equipe técnica do SIBi/USP. A análise da opinião

8

�das três categorias feita individualmente demonstrou que o nível de insatisfação
dos três grupos se manteve estável, ou seja, o grau de discordância em relação às
afirmativas sobre o bom desempenho da SIBiNet era uma constante para os três
grupos de usuários do site.

Partindo-se do objetivo proposto no trabalho, optou-se por criar um gráfico
capaz de ilustrar a não conformidade com o serviço oferecido, de acordo com a
opinião do usuário participante da pesquisa.
O método de análise de Pareto* permite dividir o problema em um grande
número de problemas menores de fáceis soluções, através do método de
soluções de problemas, por isso foi eleito para representação dos dados.

Gráfico de Pareto: Discordo + Discordo
Totalmente
1200

120%

1000

100%

800

80%

600

60%

400

40%

200

20%

0

0%
1

2

3

4

5

6

7

8

9

10 11 12 13 14 15 16

Índice das Questões
Ocorrências

Porcentagem Acumulada

A meta estabelecida pelo grupo do PAQ para a determinação da
inconformidade do usuário em relação ao índice de concordância (concordo e

*

Vilfredo Frederico Pareto, engenheiro, filósofo, sociólogo e economista italiano estabeleceu um princípio
chamado Princípio de Pareto*. que afirma que 20% das dificuldades são responsáveis por 80% dos problemas

9

�concordo totalmente) foi igual ou maior que 80%, ou seja, os itens do questionário
que apresentassem percentual inferior aos 80% demandavam melhorias.

Os dados analisados permitiram avaliar que os seguintes itens não
demandam melhorias: “é possível pesquisar simultaneamente nos catálogos USP,
UNICAMP e UNESP, por meio do UNIBIBLIWeb; a página abre rapidamente; as
mensagens: ‘Página não encontrada" e/ou’ ‘Página não pode ser aberta’
aparecem raramente; é fácil localizar a informação que necessito no DEDALUS;
as páginas abrem corretamente”.

A insatisfação do usuário foi evidenciada nos itens a seguir: “é fácil saber
quando se pode utilizar a base de dados em casa, ou apenas na USP; é possível
identificar com facilidade portais/links de outras universidades do exterior; consigo
informações de como retirar livros em outras bibliotecas a partir da SIBiNet;
"Ajuda" do DEDALUS é suficiente para realização da pesquisa; é fácil encontrar
um artigo de revista no site; é possível identificar com facilidade portais/links de
outras universidades do Brasil; Consigo encontrar tutoriais (instruções) para uso
dos recursos da SIBiNet; É simples saber por onde começar uma pesquisa;
Reconheço com facilidade as bases de dados da minha área. Consigo identificar
pela sigla a biblioteca que possui o material localizado; A navegação no site é
rápida.

SUGESTÕES LIVRES PARA O DEDALUS
O instrumento de pesquisa previu uma área para manifestação livre do
público participante. Os comentários registrados nessa parte do formulário foram
analisados e categorizados. Em relação ao DEDALUS foi mencionado como
exigência a mudança do software de gerenciamento do banco. O segundo item
mais apontado foi a necessidade de implementação do Empréstimo Unificado,
seguido da exigência de intensificar os treinamentos para o uso do DEDALUS. A
dificuldade em localizar o número de chamada foi apresentada como um dos
aspectos a serem aprimorados, assim como, problemas em relação à sigla das

10

�bibliotecas. Em seguida aparecem os problemas de acesso; mostra de resultados
em ordem decrescente de data; respostas inconsistentes do banco. Outro aspecto
destacado é a nomeação inadequada para os diferentes módulos do DEDALUS.
Foi mencionada, ainda, a lentidão do acesso ao banco de dados. As
preocupações corroboram com a diretiva já adotada pelo SIBi/USP que é a
mudança do software que gerencia o DEDALUS.

SUGESTÕES LIVRES PARA O SITE
Em relação ao site propriamente dito, foram apontadas as necessidades de
melhoria do design, navegabilidade e a interface mais amigável. Outros aspectos
considerados importantes foram: falta de treinamentos específicos, ausência de
“helps” e tutoriais e lentidão no acesso. Em uma escala menor de respostas
aparecem: dificuldade de acesso ao site, falta de informação sobre o acesso aos
conteúdos eletrônicos fora dos campi da USP e problemas de acesso aos
periódicos eletrônicos. Ainda foram mencionados os itens: dificuldade de localizar
o catálogo UNIBIBLI na página, desconhecimento da SIBiNET, dificuldades com o
Portal de Pesquisa, necessidade de tutoriais, problemas com navegadores
(Mozila/Netscape), problemas de acesso ao Portal de Teses e Dissertações,
ampliação da SIBiNet para versão bilíngüe, atualização do site, dificuldades no
acesso às revistas eletrônicas, manutenção da rede, ausência de diretórios de
bases de dados e periódicos por assunto, implementação de interface para
portadores de deficiência visual, sinalização de conteúdos (periódicos) novos
adicionados ou cancelados, revisão da área de “notícias da SIBiNet”. Foram
sugeridos a implementação de um mapa do site e aumento do número de teses
disponíveis no portal Saber.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
O PAQ apresenta-se como elemento de aproximação entre o usuário e as
bibliotecas do Sistema, assegura ao usuário a possibilidade de ser ouvido e tem
se mostrado como um elemento importante na gestão do SIBi/USP.

11

�Esta etapa do PAQ forneceu subsídios para o projeto de mudança completa
da SIBiNet, objetivando a consolidação da Biblioteca Virtual do SIBi/USP.

Esse é um bom exemplo de como um programa de avaliação da qualidade
pode reverter em ganhos imediatos para os usuários. Muitas vezes, as melhorias
na prestação de serviços não implicam em investimentos financeiros, mas
simplesmente na aplicação de medidas simples que geram intensa satisfação na
comunidade. Por outro lado, os resultados da opinião manifesta pelos usuários
subsidiam projetos e solicitações de recursos adicionais junto à alta administração
da Universidade.

Assim, reafirma-se a necessidade da manutenção constante dessas
iniciativas de avaliação. Tratando-se de um sistema amplo, como o SIBi/USP,
observa-se atualmente a necessidade de estabelecer uma equipe permanente
para melhor efetivação destas ações.

As bibliotecas e serviços de documentação e informação devem executar
programas de avaliação como ferramentas de gestão voltadas para identificar os
serviços que necessitam de melhorias, assim como os novos a serem
implementados. A credibilidade e respeito que o serviço de informação tem diante
da sua comunidade só podem ser certificados pelo verdadeiro auditor do sistema:
o usuário.

REFERÊNCIAS

DERVIN, B.; NILAN, M. Information needs and uses. Annual Review of
Information Science and Technology (ARIST), New York, v.21, p. 3-33, 1986.

FLANAGAN J. C. A técnica do incidente crítico. Arquivos Brasileiros de
Psicologia Aplicada, Rio de Janeiro, v. 25, n. 2, p. 99-141, 1973.

12

�FORSMAN, R. B. The evolution and application of assessment strategies at the
University of Colorado Health Sciences Center. In: HEALTH, F. M.; KRILLIDOU,
M.; ASKEY, C. A. Libraries act on their LibQUAL+TM findings: from data to
action. Binghamton: Haworth, 2004. p. 73-82.

FURQUIM, Tatiana de Almeida. Motivating factors in use of web site: a case study.
Ciência da Informação. v.33, n.1, jan./abril, p.48-54, 2004.

SAMPAIO, M.I.C. et al. PAQ - Programa de avaliação da qualidade de produtos e
serviços de informação: uma experiência no SIBi/USP. Ciência da Informação,
Brasília, v. 33, n. 1, jan./abril 2004. Disponível em: &lt;http://www.scielo.br/scielo&gt;

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2002.

Disponível

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&lt;http://vala.org.au/vala2002/2002pdf/24MaqMil.pdf &gt; . Acesso em: 27 Jul. 2006

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Information System (NRIS). D-Lib Magazine, v. 9, n. 7/8, Jul.-Aug., 2003.
Disponível em: http://www.dlib.org/dlib/july03/peterson/07peterson.html &gt;. Acesso
em: 27 Jul. 2006.

13

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>A voz do cliente na remodelação da Biblioteca Virtual do SIBi/USP.</text>
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                <text>Sampaio, Maria Imaculada C. ; Camida Netto, Adherbal; Barreiros, Adriana A. ; Ferrari, Adriana Cybelle; Fontes, Cybelle Assumpção; Grandi, Márcia Elisa G. de; Villela, Maria Cristina O. ; Zani, Rosa Maria F.</text>
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            <description>An account of the resource</description>
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                <text>O Programa de Avaliação da Qualidade (PAQ) firmou-se enquanto instrumento de embasamento da gestão do Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo (SIBi/USP). A primeira etapa, realizada em 2002, focou os produtos e serviços oferecidos pelas bibliotecas. A segunda etapa do PAQ foi efetuada em 2005, por meio de formulário eletrônico, e teve como objetivo detectar as necessidades dos usuários quanto aos recursos da Rede de Serviços do SIBi – SIBiNet (http://www.usp.br/sibi). A metodologia adotada incluiu a técnica do incidente crítico para coleta de dados e as dimensões do SERVQUAL para a categorização dos resultados. A análise considerou as respostas dos usuários USP, externos à USP e equipe técnica do Sistema. Os resultados apontaram para a necessidade de implementação imediata de melhorias no website do SIBi e reafirmaram a importância do Programa na adequação dos serviços oferecidos às necessidades dos usuários e como ferramenta gerencial do Sistema. A estruturação das informações em banco de dados, e não em páginas estáticas, como no modelo anterior, deu nova dimensão ao website, consolidando-o como a Biblioteca Virtual do SIBi/USP.</text>
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            <description>A language of the resource</description>
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                    <text>ACESSIBILIDADE DO DEFICIENTE VISUAL NAS BIBLIOTECAS DA USP
Elisabete da Cruz Neves 1
Alice Mari Miyazaki de Souza 2
Eliana Mara Martins Ramalho 3
Lilian Leme Bianconi 4
Maria Lúcia Beffa 5
Miguelina Alves Flexa 6

RESUMO
O presente trabalho descreve os procedimentos adotados pelo Projeto Lumière,
do Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo – SIBi/USP,
que tem como objetivo oferecer acesso às bibliografias básicas indicadas nos
cursos de graduação e de pós-graduação da Universidade, às pessoas com
deficiência visual. Para implementação do serviço, buscaram-se subsídios em
experiências bem-sucedidas, com especialistas da área, futuros usuários, análise
e seleção dos equipamentos necessários para esta atividade. Discutem-se
conceitos relacionados ao assunto acessibilidade, assim como, ao papel do
profissional da informação e das bibliotecas universitárias neste contexto. Mostra
os primeiros resultados do Projeto Piloto implantado na Biblioteca do Instituto de
Psicologia da USP. Como resultados futuros, espera-se que o serviço atenda não
só os usuários com deficiência visual desta biblioteca, mas também que sirva
como modelo para demais Bibliotecas do SIBi/USP.
Palavras-chave: Biblioteca Universitária – deficiente visual. Profissional da
Informação. Acessibilidade.

1 Introdução
A conquista tecnológica por meio da Internet e a utilização do microcomputador
na vida acadêmica e profissional possibilitam às pessoas com deficiência
acompanharem a evolução dos tempos de forma real. Hoje encontram-se no

1

Bibliotecária do DT/SIBi/USP, Coordenadora do Projeto Lumière, beteneves@sibi.usp.br.
Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo. Av. Prof. Luciano Gualberto,
Trav. J, nº 374, sala 135. Cidade Universitária. CEP 05508-010. São Paulo, SP, Brasil.
2
Bibliotecária da FSP/USP, alicemiy@usp.br.
3
Bibliotecária da FFLCH/USP, emmr@usp.br.
4
Bibliotecária do IP/USP, bianconi@usp.br.
5
Diretora de Biblioteca da FD/USP, beffa@usp.br.
6
Diretora de Biblioteca da FE/USP, lina@usp.br

1

�mercado uma série de programas e equipamentos destinados às pessoas com
deficiência visual, acessíveis à realidade das bibliotecas.
Nas bibliotecas universitárias compete ao profissional da informação superar as
adversidades para que as barreiras do preconceito sejam eliminadas, criando
infra-estrutura de acesso à informação, através de parcerias, compartilhamentos
de acervos virtuais, abrindo caminhos para o mundo globalizado da informação,
melhorando as condições de acesso dos cidadãos com deficiências.
A inclusão de pessoas com deficiência faz parte do compromisso ético de
promover a diversidade, respeitar as diferenças e reduzir as desigualdades
sociais, contribuindo assim para a superação de barreiras e preconceitos. A
formação da pessoa com deficiência visual na Universidade contribuirá para a
mudança de cultura e comportamento, tornando a própria sociedade mais
inclusiva.
De acordo com Masini
[...] os portadores de deficiência visual são divididos em dois
grupos:

cegos

e

portadores

de

visão

subnormal.

Tradicionalmente, a classificação tem sido feita a partir da
acuidade visual: sendo cego aquele que dispõe de 20/200 de
visão no melhor olho, após correção; e portador de visão
subnormal, aquele que dispõe de 20/70 de visão nas mesmas
condições. (MASINI, 1994, 9. 83).

Diante das várias possibilidades de uso das tecnologias de informação, o
profissional da informação tem condições de contribuir com seus conhecimentos
para a formação dos alunos com deficiência visual.
Nesse cenário, o Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo
(SIBi/USP) percebeu a necessidade de oferecer programas de acessibilidade aos
seus usuários, tendo como foco o acesso aos produtos e serviços oferecidos nas
Bibliotecas da USP.

2

�2 A acessibilidade na Universidade de São Paulo: um breve histórico
Em 1990, a Universidade de São Paulo, representada pela Rede de Informações
Integradas sobre Deficiências (REINTEGRA) da Coordenadoria Executiva de
Cooperação Universitária e de Atividades Especiais (CECAE) 7 , preocupou-se em
disponibilizar sua Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) à comunidade
com deficiências, criando serviços específicos de acesso à informação.
O Catálogo Coletivo Regional de Livros do Estado de São Paulo (CCL), que teve
origem na compilação das informações de acervos recebidas das bibliotecas
cooperantes e especializadas no assunto, tem como segmento o Catálogo
Coletivo de Livros em Braille e Livros Falados (CCL/Braille) 8 .
Assim, em 1994 inaugurou-se o Projeto Disque Braille, na Faculdade de
Educação da USP, com o objetivo de atender ao deficiente visual através da
implantação de um Catálogo Coletivo Informatizado, com informações sobre livros
em Braille e fitas de áudio dos acervos das bibliotecas do Estado de São Paulo e
a localização desses materiais.
Em 1999, surgiu a Rede SACI que tem como princípios a Solidariedade, o Apoio,
a Comunicação e a Informação e estimula a inclusão social e digital,
disponibilizando informações sobre a Deficiência 9 .
O ano de 2001 foi marcado pela criação do Programa USP Legal, que “Visa a
implementação de políticas e ações ligadas à inclusão e plena participação dos
estudantes, docentes e funcionários com deficiências em todos os aspectos da
vida universitária.” (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 2001).
No decorrer dos anos surgiram outras iniciativas isoladas em algumas Bibliotecas
da USP, mas foi em 2005 que o SIBi/USP, preocupado com o acesso das
pessoas com deficiência visual aos serviços e produtos das bibliotecas, com a

7

http://www.cecae.usp.br/sitececae/
http://www.usp.br/sibi/
9
http://www.saci.org.br
8

3

�questão da inclusão social e o compromisso do profissional da informação nesse
contexto, estabeleceu, dentro de seu planejamento estratégico, um projeto de
acessibilidade denominado Lumière.
A elaboração deste projeto justifica-se, principalmente, pela existência de alunos
com deficiência visual que freqüentam a Universidade e, conseqüentemente, as
suas bibliotecas e que necessitam dos seus serviços e produtos como apoio às
atividades acadêmicas.

3 Projeto Lumière: uma experiência do SIBi/USP
De acordo com o censo demográfico (IBGE, 2000), há cerca de 24,6 milhões de
brasileiros portadores de algum tipo de deficiência. “No total de dados declarados
de portadores de deficiências 8,3% possuem deficiência mental, 4,1% deficiência
física, 22,9% deficiência motora, 48,1% visual e 16,7% auditiva” (GIL, 2002, p.13).
São cerca de 16,5 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência visual, o que
conduziu o presente projeto a focar seus objetivos neste tipo de deficiência.
O Projeto Lumière propõe-se a atender às necessidades das pessoas com
deficiência visual nas Bibliotecas da Universidade de São Paulo, uma vez que
levou em consideração as demandas existentes em algumas bibliotecas da
Universidade para esta população. Sendo assim, pode-se colocar que o projeto
surgiu da necessidade observada por essas bibliotecas em prestar um
atendimento adequado aos seus usuários com deficiência visual, sobretudo, no
acesso às bibliografias indicadas nos cursos de graduação, pós-graduação e
extensão da Universidade, e também em disponibilizar os mesmos produtos e
serviços que são oferecidos aos demais usuários.
O Projeto Lumière, a partir do Projeto Piloto na Biblioteca do Instituto de
Psicologia, pretende ser um modelo a ser implantado em todas as bibliotecas do
Sistema, visando permitir, como escreve Amaral, o

4

�[...] direito à educação como necessidade fundamental para a
construção do ser humano, indispensável ao homem como ser
completo

onde

conhecimento

e

cultura

transformam

cotidianamente suas dimensões de vida. (AMARAL, 2000, p.
488).

Pode-se acrescentar que, as iniciativas previstas para este projeto são
fundamentadas pelo Decreto 3.298, de 20 de dezembro de 1999, que
“regulamenta a Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989, que dispõe sobre a
Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, consolida
as normas de proteção e dá outras providências” (BRASIL, 1999) e, pela Lei nº
10.098, de 19 de dezembro de 2000, que “estabelece normas gerais e critérios
básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência
ou com mobilidade reduzida” (BRASIL, 2000, p. 67).

3.1 Objetivos
O Projeto Lumière teve como objetivo geral oferecer à comunidade com
deficiência visual da Universidade de São Paulo, acesso aos produtos e serviços
das Bibliotecas do SIBi/USP, através de um projeto piloto implementado na
Biblioteca do Instituto de Psicologia da USP (IP/USP).
Os objetivos específicos propostos foram:
•

identificar e selecionar equipamentos adequados ao atendimento de

pessoas com deficiência visual;
•

destinar um espaço na Biblioteca do IP/USP, para disponibilizar os

equipamentos necessários;
•

orientar quanto à utilização das tecnologias disponíveis;

5

�•

promover o acesso aos textos recomendados nas bibliografias básicas

dos cursos de graduação, pós-graduação e extensão do IP/USP;
•

oferecer este projeto para que seja implantado, posteriormente, em

todas as Bibliotecas do Sistema.

4 Metodologia aplicada
A metodologia aplicada neste trabalho seguiu as seguintes etapas:
•

visitas às bibliotecas que possuem um atendimento especial às pessoas
com

deficiência

visual,

para

identificar

os

serviços,

produtos

e

equipamentos oferecidos 10 ;
•

levantamento do assunto na literatura;

•

consultas a especialistas, pesquisadores e usuários para aprofundamento
no assunto e conhecimento das necessidades reais;

•

análise e seleção de softwares e equipamentos específicos com os
respectivos orçamentos;

•

definição

de

espaço/local

adequado

na

Biblioteca

Piloto,

para

implementação do projeto;
•

capacitação dos participantes do Projeto Lumière para atendimento do
aluno com deficiência visual;

10

Biblioteca Braille do Centro Cultural São Paulo; Laboratório de Acessibilidade da Biblioteca
Central da UNICAMP; Biblioteca do SENAC de Santo Amaro.

6

�5 Resultados
Como resultados desse período de estudos da equipe do Projeto Lumière,
visando o atendimento da forma mais eficiente possível aos usuários com
deficiência visual, foram realizadas as atividades descritas abaixo, para a
implementação do Projeto Piloto na Biblioteca do Instituto de Psicologia:
1) seleção e aquisição de equipamentos de acordo com as necessidades e
objetivo do projeto:
-

uma licença do Software Virtual Vision (versão 4.0): apresenta o
sintetizador de voz e leitor de tela;

-

um computador: destinado para o aluno com deficiência visual acessar o
material digitalizado, revistas eletrônicas na SIBiNet, Catálogos On-line,
Bases de Dados e outros serviços.

-

um fone de ouvido;

-

um Scanner;

-

uma licença do Software Omnipage versão 5.0: faz o reconhecimento de
caracteres e reduz o trabalho de revisão e correção do material
digitalizado;

-

vídeo ampliador: destinado a usuários com baixa visão.

2) disposição de um estagiário para digitalização do material solicitado pelo
usuário com deficiência visual;
3) formação complementar:
-

participação em eventos específicos relacionados ao tema Acessibilidade e
Tecnologias de Informação e Comunicação, por integrantes do projeto;

7

�-

curso de Formação Continuada para utilização do Software Virtual Vision,
por integrantes do projeto.

5.1 Ações futuras
O projeto contará com a contribuição da CECAE na elaboração de um curso para
atendimento às pessoas com algum tipo de deficiência, que o Departamento
Técnico do SIBi pretende oferecer ao maior número possível de funcionários das
Bibliotecas da USP.
Outra iniciativa será estabelecer contato com editoras para solicitar acesso aos
arquivos dos livros publicados pelas mesmas, para utilização do usuário com
deficiência visual. Com relação a este serviço, a Lei 9.610, de 19 de fevereiro de
1998 que focaliza a questão do direito autoral, no capítulo IV, artigo 46, dispõe
que não constitui ofensa aos direitos autorias, a reprodução:
de obras literárias, artísticas ou científicas, para uso exclusivo de
deficientes visuais, sempre que a reprodução, sem fins
comercias, seja feita mediante o sistema Braille ou outro
procedimento em qualquer suporte para esses destinatários.
(BRASIL, 1998).

6 Conclusão
A inclusão do deficiente faz parte do compromisso ético de promover a
diversidade, respeitar as diferenças e reduzir as desigualdades sociais,
contribuindo assim para a superação de barreiras e preconceitos. A formação do
deficiente visual na Universidade contribuirá para a mudança de cultura e
comportamento a fim de tornar a própria sociedade mais inclusiva.

8

�Cabe ao profissional da informação a incumbência de fornecer o mesmo nível de
serviço aos usuários com deficiência visual que é oferecido aos usuários sem
deficiências (WADE, 2003, p. 307), embora este seja um longo caminho.
O Projeto Lumière é constituiu um avanço do SIBi/USP na difícil tarefa de tornar
acessíveis as informações existentes nas Bibliotecas do Sistema, não só pela
complexidade e diversidade de deficiências existentes, como também pela
magnitude dos recursos financeiros exigidos para oferecer os serviços aqui
propostos, mínimos para apoio às comunidades em questão. Neste contexto,
experiências bem-sucedidas como as relatadas por Pupo (2003) e Fernandez
(2003) apontam que este é um caminho para diminuir as dificuldades dos alunos
portadores de deficiência no contínuo processo de aprendizagem.
É com estes e outros serviços que o SIBi/USP vem demonstrando a sua
preocupação em tornar acessíveis os produtos e serviços das bibliotecas à
comunidade com deficiência visual da Universidade, assim como a outros
serviços disponibilizados na página da SIBiNet 11 , como o acesso ao Catálogo Online das Bibliotecas, à Biblioteca Digital de Dissertações e Teses, à Biblioteca de
Obras Raras e Especiais, às Revistas Eletrônicas, ao Portal CRUESP Bibliotecas
e às Bases de Dados, além de outros serviços e informações disponibilizados não
apenas pela SIBiNet como nas páginas locais das Bibliotecas integrantes do
Sistema.
Pode-se concluir que há uma preocupação, não apenas com a questão da
acessibilidade, mas também com o compromisso do profissional da informação,
neste contexto da inclusão social das pessoas com deficiência visual, assim como
com a responsabilidade social em tornar a biblioteca universitária acessível,
oferecendo suporte às atividades acadêmicas.
Wade (2003, p. 308) acredita que combinando soluções de alta tecnologia com
um genuíno desejo de servir, o profissional da informação tem condições de criar
um ambiente onde todos os usuários possam participar na busca pelo

11

http://www.usp.br/sibi/

9

�conhecimento. Somente com o comprometimento da equipe da Biblioteca em
servir o usuário com deficiência e ensiná-lo a utilizar a tecnologia disponível é que
esta poderá realmente ser útil, exercendo o papel de mediador no processo de
democratização do acesso à informação.

10

�ACCESSIBILITY FOR THE VISUALLY IMPAIRED USERS IN UNIVERSIDADE
DE SÃO PAULO LIBRARIES
ABSTRACT
The present work describes the procedures adopted for the Lumière Project, of the
Sistema Integrado de Bibliotecas of the Universidade de São Paulo (SIBi/USP)
which objective is to offer access to the visually impaired user to basic
bibliographies of graduation and undergraduated in the courses of the University.
For implementation of the service, we sought subsidies in successful experiences
with specialists of the area, potential users, analysis and selection of the
necessary equipment for this activity. Concepts related to accessibility are argued,
as well as, the role of the information professional and the university libraries in
this context. It shows the first results of the Pilot Project implemented in the Library
of the Instituto de Psicologia at USP. As future results, it is expected that the
service not only watch over the users with visual deficiency of the library, but also
sets a model for other libraries of the SIBi/USP.
Keywords: University library – visual disabilities. Information Professional.
Accessibility.

11

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14

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O presente trabalho descreve os procedimentos adotados pelo Projeto Lumière, do Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo – SIBi/USP, que tem como objetivo oferecer acesso às bibliografias básicas indicadas nos cursos de graduação e de pós-graduação da Universidade, às pessoas com deficiência visual. Para implementação do serviço, buscaram-se subsídios em experiências bem-sucedidas, com especialistas da área, futuros usuários, análise e seleção dos equipamentos necessários para esta atividade. Discutem-se conceitos relacionados ao assunto acessibilidade, assim como, ao papel do profissional da informação e das bibliotecas universitárias neste contexto. Mostra os primeiros resultados do Projeto Piloto implantado na Biblioteca do Instituto de Psicologia da USP. Como resultados futuros, espera-se que o serviço atenda não só os usuários com deficiência visual desta biblioteca, mas também que sirva como modelo para demais Bibliotecas do SIBi/USP.</text>
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                    <text>ACESSIBILIDAE EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: ANÁLISE DA BIBLIOTECA
JOAQUIM CARDOZO À LUZ DA NBR 9050.
Rodrigo Galvão
Bacharel em biblioteconomia pela UFPE
Bibliotecário da UFPE
rodsiq@yahoo.com.br
Gustavo Henn
Especialista em Gestão de Unidades de
Informação, UFPB
gustavohenn@gmail.com

Resumo

Analisa a acessibilidade da Biblioteca Joaquim Cardozo, do Centro de Artes e
Comunicação da UFPE, à luz da ABNT NBR 9050 - Acessibilidade a edificações,
mobiliários, espaços e equipamentos urbanos. Observa aspectos como entrada e
acesso à biblioteca, balcão de empréstimo/devolução, largura entre estantes, altura das
estantes, acesso ao acervo, disposição dos terminais de consulta, acesso à sala de
leitura e acesso à coleção especial. Identifica graves faltas à referida norma, no tocante
à inobservância de vários de seus pontos. Conclui que apesar de estar num centro que
abriga cursos que lidam diretamente com a questão de acesso, como Arquitetura,
Design e Biblioteconomia, a Biblioteca Joaquim Cardozo carece de mais atenção à
acessibilidade e usabilidade de seu acervo documental e informacional. Apresenta, por
fim, sugestões de melhoria para bem atender às necessidades do público com maiores
limitações.

1. Introdução

Os problemas de acesso não são diretamente ligados somente às pessoas que utilizam
cadeiras de rodas. Muitas outras limitações devem ser levadas em consideração ao

�analisar a “acessibilidade”, como pro exemplo, os portadores de deficiências visual e
auditiva, idosos, mulheres grávidas e até mesmo recém acidentados. Todos esses
necessitam de atenção especial.

De acordo Norma Brasileira 9050 da Associação Brasileira de Normas Técnicas
(ABNT/NBR 9050, 2004), promover a acessibilidade no ambiente construído é
proporcionar condições de mobilidade, com autonomia e segurança, eliminando as
barreiras arquitetônicas e urbanísticas nas cidades, nos edifícios, nos meios de
transporte e de comunicação. Isto constitui um direito universal resultante de conquistas
sociais importantes, que reforçam o conceito de cidadania.

Para Bittencout et al. (2004), Os portadores de deficiência física são

classificados

como parciais ou totais. Os parciais são aqueles que se movimentam com dificuldade
ou insegurança, usando ou não aparelhos ortopédicos e próteses. Dentre esses, se
encontra os hemiplégicos, amputados, pessoas com insuficiência cardíaca ou
respiratória, aquelas que levam cargas pesadas ou volumosas, os que levam criança
pequena nos braços, engessados ou com vendas, convalescentes de doenças ou
intervenções cirúrgicas, anciões e pessoas afetadas por doenças
ou mal formações que os impeçam de caminhar normalmente. Os portadores totais são
aqueles que utilizam, temporariamente ou não, cadeiras de rodas e incluem
paraplégicos, tetraplégicos, hemiplégicos, amputados, e pessoas afetadas fortemente
por doenças e malformações que as impossibilitam de andar.

Este estudo faz abordagens acerca da acessibilidade de bibliotecas universitárias e o
objeto de estudo é a Biblioteca Joaquim Cardozo, pertencente ao Centro de Artes e
Comunicação – CAC da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE.

2. Problema

Os prédios de uma universidade devem ser estruturados para receber todo tipo de
pessoas. Com necessidades especiais ou não. Alguns prédios apresentam em seus

�projetos, uma estrutura que possa atender à essas necessidades, outros projetistas não
imaginam que a universalidade possa ter alunos, funcionários e professores com
determinadas deficiências.

Antes de desenvolverem os projetos é importante lembrar que cada pessoa, que terá
acesso às construções, possui suas peculiaridades e por isso tem que ser feito de
acordo com algumas normas. Ou pelo menos, pensando nas limitações desses
usuários especiais.

3 Objetivos

Geral
Analisar a acessibilidade na biblioteca Joaquim Cardozo, no CAC à luz da NBR 9050.

Específicos

1 Identificar irregularidades no ambiente da biblioteca do CAC sob o ponto de vista
da NBR 9050;
2 Identificar dificuldades de acesso nos vários setores da biblioteca.
3 Propor recomendações de melhorias do ambiente da biblioteca.

4 Metodologia

Poderíamos falar sobre acessibilidade em relação às pessoas com as mais variadas
deficiências físicas, como visual, audição etc, porém, não seria possível em um artigo,
logo, neste texto foi avaliado apenas as limitações em relação aos cadeirantes, ou seja
deficientes físicos que utilizam cadeiras de rodas.

A análise da biblioteca foi feita a partir de alguns pontos escolhidos nma parte interna.
O critério de escolha foi baseado nos locais de maior utilização no ambiente da

�biblioteca. Os pontos observados foram: balcão de empréstimo/devolução; terminal de
consulta, acervo de livros e salão de leitura.

Após análise foi feita uma comparação com a NBR 9050 Acessibilidade a edificações,
mobiliário, espaços e equipamentos urbanos, Observando cada irregularidade de
acordo com a norma e apresentando algumas propostas de alterações para que possa
atender às necessidade especiais dos usuários.

5 Desenvolvimento

5.1 O Centro de Artes e Comunicação - CAC

O CAC foi fundado em 1975, surgiu da junção da Escola de Belas Artes, da Faculdade
de Arquitetura, do Departamento de Letras e do Curso de Biblioteconomia. Ocupa uma
área de 15.500 metros quadrados, distribuídos entre salas de aula, Biblioteca, teatro,
núcleos de pesquisas, laboratórios, hemeroteca e oficinas.

Atualmente abriga os departamentos de Arquitetura e Urbanismo, Ciência da
Informação, Comunicação Social, Desenho, Letras, Música, Teoria da Arte e Expressão
Artística e Design, e seus respectivos cursos.

O Centro está atualmente pondo em prática um antigo projeto de instalação de um
elevador mais de trinta anos depois de sua inauguração.

5.2 Acessibilidade

O termo acessibilidade é muito abrangente. Porém, todos os significados remetem ao
mesmo fim. Apresentar um conceito daquilo que possa auxiliar as pessoas com
algumas limitações a conseguir ter acesso a determinado local.

�Neste trabalho o termo acessibilidade refere-se às edificações, mobiliário, espaços e
equipamentos urbanos.

De acordo com a NBR 9050 acessibilidade é a Possibilidade e condição de alcance,
percepção e entendimento para a utilização com segurança e autonomia de
edificações, espaço, mobiliário, equipamento urbano e elementos.

O acesso ao meio físico por parte de portadores de deficiências é Direito fundamental.
O Decreto-lei 5296 de 2 de dezembro de 2004, diz em seu Art. 8º que acessibilidade é
condição para utilização, com segurança e autonomia, total ou assistida, dos espaços,
mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos serviços de transporte e dos
dispositivos, sistemas e meios de comunicação e informação, por pessoa portadora de
deficiência ou com mobilidade reduzida;

5.3 Avaliação

5.3.1 – O acesso ao CAC
Há três anos foi construída uma rampa de acesso ligando o prédio principal ao seu
estacionamento. Até então, a locomoção neste trajeto,

por parte de pessoas que

necessitassem de atendimentos especiais, por questões momentâneas ou não, era
bastante precária. Sempre tinham que solicitar ajuda a terceiros. Porém, ainda hoje, ao
chegar no interior do prédio, o necessitado continua dependente de outras pessoas
para ter acesso às salas de aula, que geralmente ficam nos primeiro e segundo
andares.

5.3.2 – Entrando na Biblioteca Joaquim Cardozo

O acesso à biblioteca se dá através de uma pequena escadaria composta por quatro

�degraus e uma rampa de acesso para os cadeirantes.

A Rampa de acesso ao salão da biblioteca obedece aos critérios estabelecidos na NBR
9050. Seu cumprimento, curto, ajuda nesta obediência, Não há uma inclinação que
necessite maior atenção sobre ela.

5.3.3 – Balcão de empréstimo/devolução

Esta é a vista do balcão da biblioteca
do CAC. O balcão não apresenta
nenhuma infra-estrutura para receber
cadeirantes. A altura é totalmente
superior ao indicado na norma. Não
há nenhuma parte da superfície do
balcão que tenha a altura, sequer,
aproximada da indicada na NBR
9050. Em todo seu cumprimento há
1,14 m de altura em relação ao solo,
não tenho possibilidade alguma de atender confortavelmente os usuários que utilizem
cadeiras de rodas. Também, não há nenhum recuo em relação a profundidade livre no
balcão.

Na NBR 9050, fica bastante evidente a altura necessária para atender bem esse tipo de
usuário. O balcão deve possuir o mínimo de 0,73 m de altura em relação ao solo e
uma profundidade livre de 0,30 m para acomodação das pernas, por exemplo.
Ou seja, balcão de atendimento peca em todos os sentidos.

Na figura abaixo segue o exemplo da Norma em se tratando dos critérios estabelecidos
para o atendimento confortável do cadeirante.

�5.3.4 – Terminal de consultas

Os terminais de consulta da biblioteca possuem um tamanho inferior ao o mínimo
exigido pela norma. Dificultando assim o posicionamento da cadeira de rodas frente ao
computador. O a altura dos terminais do CAC é de 0,69 m do solo. O posicionado para
a aproximação frontal, nesses terminais de consulta é livre.

De acordo com a Norma, As mesas ou superfícies devem possuir altura livre inferior de
no mínimo 0,73 m do piso, e o posicionado para a aproximação frontal, possibilitando
avançar sob as mesas ou superfícies até no máximo 0,50 m. Como mencionado, este
posicionamento não é problema no objeto de estudo

Pode-se fazer um comparativo visual através das figuras abaixo.

�5.3.5 – Acesso ao acervo
Há, também, uma rampa de acesso ao acervo da biblioteca. O comprimento da rampa
é de 41 m , logo a inclinação é inferior aos 6,25 % indicado na NBR 9050 e segundo a
Norma apenas para inclinação entre 6,25% e 8,33% devem ser previstas áreas de
descanso nos patamares, a cada 50 m de percurso.

5.3.6 - Estantes no acervo

Talvez o ponto mais crítico desta avaliação. A começar pela própria Norma e a
realidade das bibliotecas brasileiras em relação ao problema de espaços e
principalmente problemas financeiros. É muito difícil, se não impossível, encontrar uma
biblioteca que possua em sua estrutura, tanto física quanto pessoal, suporte para
atender às mais variadas necessidades de deficientes temporários ou não. Porém,
como trata-se, aqui, apenas de necessidades em relação aos cadeirantes, seguem
algumas abordagens.

Este item divide-se em dois pontos. Um trabalha a largura entre as estantes, outro, a

�altura.

Dentro da realidade da biblioteca do Centro de Artes e Comunicação a largura entre
estantes não segue nenhum padrão de espaço. Há uma grande variação entre a
distância das estantes de valores consideráveis. Existe corredores cuja distância é de
0,69 m, outros de 0,62 m e outros até de 1,15 m. nota-se que, de fato, não há nenhum
padrão. Existe algo que agrava mais ainda a situação. Os livros guardados na parte
inferior da estante, na última prateleira, ficam acomodados na horizontal pela lombada,
ocupando assim, mais espaço que poderia ser utilizado pela cadeira de rodas, talvez.
Por exemplo, em um corredor que possui uma distância entre as estantes de 0,62 m,
apresenta um espaço livre/útil de apenas 0,57 m. Com isso, torna mais difícil a
locomoção por parte do cadeirante. Já os corredores de estantes, têm em média 8,10
m não desobedecendo aos parâmetros da NBR citada.

A Norma diz que a distância entre estantes de livros deve ser de no mínimo 0,90 m de
largura, e nos corredores entre as estantes, a cada 15 m, deve haver um espaço que
permita a manobra da cadeira de rodas.

O outro problema, não somente desta biblioteca, é em relação à altura das estantes,
que geralmente é 1,75 m (úteis). A idéia de formar parâmetros para acessibilidade é
tornar os necessitados mais auto-suficientes possível, mas a realidade é que não há
condições para tal. A norma não faz menção a altura em nenhum dos seus pontos,
porém, é de grande dificuldade pra o cadeirante pegar os livros que estão na última
prateleira. Trabalha-se a locomoção, acesso às estantes entre outras, mas não trabalha
o principal, acesso ao produto final. A informação, ou livro em si. É evidente que o
deficiente não vai utilizar cadeiras de rodas até chegar perto do livro e quando chegar
vá levantar da cadeira e pegar o livro. É obvio que ele vai pedir ajuda para pegar o
material.

�Mas, sabe-se que é muito difícil solucionar este problema. Terá que ser feito muitos
estudos, inclusive arquitetônicos e ergonômicos para que se possa chegar na estante
ideal. Mas, será muito difícil, tendo em vista a falta de espaço nas bibliotecas em geral.
Segue abaixo figuras demonstrando a situação da biblioteca e a sugestão da norma.

5.3.7 - Catálogo topográfico

Os catálogos topográficos da biblioteca estão muito mal dispostos. Talvez não haja
muita preocupação em relação a ele pelo fato de ser possível a consulta aos dados dos
livros através dos terminais de consulta. Mas, eles devem permanecer bem dispostos
para melhor visualização.

Como é possível observar a figura abaixo, o catálogo é composto por varias colunas de
4 (quatro) gavetas cada, e a altura da ultima gaveta é 1,38 m, com isso, não fica
possível para o deficiente enxergar o conteúdo da fichinha desejada, caso esteja ela na
ultima gaveta e considerando que as fichas são fixas e não saem das gavetas.

�Na figura abaixo é comprovado que o usuário sentado sobre uma cadeira de rodas não
consegue visualizar as informações contidas nas fichas catalográficas da última gaveta.
Tendo em vista que o campo de visão segue ao seu limite em uma linha diagonal,
obviamente sem curvas.

5.3.8 – Salão de leitura

O salão de leitura apresenta um espaço ideal para que possa circular algumas cadeiras
de rodas. As mesas para estudos permitem que um deficiente possa ficar acomodado
com sua cadeira.

Segue abaixo a imagem da sala de leitura.

�5.3.9 – Cabines individuais

As cabines individuais foram construídas recentemente e já pecam bastante na
acomodação de cadeiras de rodas. A largura da entrada tem apenas 0,69 m, e em
média a largura, apenas, da cadeira de rodas, é de 0,60 m a 0,70 m.

Na norma não há nenhuma referência direta às cabines individuais, porém, em outras
cabines, deve ser respeitado e garantido um M.R. Modulo de Referência. Considera-se
o módulo de referência a projeção de 0,80 m por 1,20 m no piso, ocupada por uma
pessoa utilizando cadeira de rodas,

�6 Conclusão

Dentro do exposto é possível notar que a realidade da maioria das bibliotecas
universitárias ainda está bastante precária em se tratando do acesso para pessoas com
algum tipo de deficiência, momentânea ou não.

É visível a falta de estrutura especial para atender, pelo menos, de forma razoável,
esse público menor. Com pequenos ajustes seria possível minimizar alguns problemas
encontrados na Biblioteca do CAC, como reorganização do mobiliário, por exemplo.

É muito mais fácil desenvolver os projetos obedecendo alguns padrões e poder atender
os deficientes, do que refazer todo o projeto. Gastaria mais tempo e dinheiro.

O estudo apresentou a importância e a necessidade de seguir padrões estabelecidos
para edificações públicas e mobiliário, contidos, por exemplo, na NBR 9050. Esta
norma, inclusive, apresenta algumas contradições como foi colocado anteriormente.
Peca no tocante à altura das estantes, que, visivelmente fica inviável para o cadeirante
ter acesso ao seu material.

7 REFERÊNCIAS
ABNT. NBR 9050: Acessibilidade de pessoas portadoras de deficiência a edificações,
espaço, mobiliário e equipamento urbano. Rio de Janeiro: ABNT, 97 p., 2004.
ACESSIBILIDADE BRASIL. Home page da Acessibilidade no Brasil. Disponível em:
&lt;http://www.acessobrasil.org.br&gt; Acesso em 26 de junho de 2006.
Bittencout, L. S. et al. Acessibilidade e Cidadania: Barreiras Arquitetônicas e Exclusão
Social dos Portadores de Deficiências Físicas. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA, 2, 2004. Belo Horizonte Anais... Belo Horizonte, 2004.
CUTRIM FILHO, P. B. Acessibilidade ao meio físico como direito fundamental. São
Luis, 2004. 88 f. Monografia (Curso de Direito da Universidade Federal do Maranhão)
Departamento de Direito - Universidade Federal do Maranhão. São Luís, 2004.

�Drumond, V. R. P. Análise e reestruturação de espaço físico em bibliotecas: estudo de
caso da situação funcional e administrativa da biblioteca da ea/ufmg - proposição de
soluções emergenciais. In: SEMINARIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS, 11, 2000 Florianópolis. Anais... Florianópolis, 2000.

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                <text>Analisa a acessibilidade da Biblioteca Joaquim Cardozo, do Centro de Artes e Comunicação da UFPE, à luz da ABNT NBR 9050 - Acessibilidade a edificações, mobiliários, espaços e equipamentos urbanos. Observa aspectos como entrada e acesso à biblioteca, balcão de empréstimo/devolução, largura entre estantes, altura das estantes, acesso ao acervo, disposição dos terminais de consulta, acesso à sala de leitura e acesso à coleção especial. Identifica graves faltas à referida norma, no tocante à inobservância de vários de seus pontos. Conclui que apesar de estar num centro que abriga cursos que lidam diretamente com a questão de acesso, como Arquitetura, Design e Biblioteconomia, a Biblioteca Joaquim Cardozo carece de mais atenção à acessibilidade e usabilidade de seu acervo documental e informacional. Apresenta, por fim, sugestões de melhoria para bem atender às necessidades do público com maiores limitações.</text>
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                    <text>ACESSO A INFORMAÇÃO E A LEITURA: DESAFIOS DA INCLUSÃO.
Walter Clayton de Oliveira; Deuza Rodrigues da Silva; Daniele Angélica Borges.
Unemat – Universidade do Estado de Mato Grosso, Campus Universitário de
Tangará da Serra, Rodovia MT 358, km 07, Jardim Aeroporto, Brasil, Mato
Grosso. walter@unemat.br

INTRODUÇÃO
No cenário de exclusão social, situação verificada no Brasil, a
impossibilidade de amplos setores da sociedade de apropriar-se da informação e
do conhecimento, se comparada com outros indicadores sociais, tais como da
saúde, da educação, moradia etc, acaba tornando-se um fenômeno pouco visível
e de menor impacto. No entanto, o direito à informação insere-se nos direitos
sociais e desempenha importante papel no exercício da cidadania.
Transformar a realidade tem sido o objetivo do homem. Nesse processo
de transformação se apropria e se utiliza da informação e da leitura como
ferramentas. Da argila ao Pentium o homem vem se servindo de suportes e
tecnologias para registrar e comunicar pensamentos e sentimentos. Um lento e
decidido avanço nessa área se deu ao longo do tempo, avançando na utilização
do papel como suporte e na invenção da imprensa, que tornaram mais rápida e
democrática a circulação de idéias.
Assim, neste contexto de globalização em que o país vive profundos e
graves problemas, torna-se imprescindível criar serviços de informação que
possibilitem acesso ao conhecimento, de forma que os cidadãos possam produzir
conhecimentos próprios para resolver seus problemas. A fim de atender às
necessidades distintas de informação demandadas pelas comunidades em seu
dia a dia, para o desempenho de seus papéis na vida em sociedade, o projeto
“Acesso a Informação e a Leitura: Desafios da Inclusão” pode ser considerado de
grande relevância, pois está a fornecer serviços de informação e promover a
leitura em nível local/comunitário.
Ao concordarmos que, quem lê, amplia seus horizontes e
conseqüentemente está mais aberto para todas as artes e ciências,

�pode-se dizer que a pessoa é cidadã do mundo e precisa capacitar-se
para obter autonomia cultural e intelectual. E a leitura é uma janela no
tempo e no espaço, pois amplia horizontes e possibilita o fortalecimento
de idéias e ações. É necessário apontar projetos e programas de leitura
que o bibliotecário também necessita participar. (BLATTMANN;
VIAPIANA, 2006)

O projeto “Acesso a Informação e a Leitura: Desafios da Inclusão” tem
como cerne de seus objetivos garantir o acesso e a democratização da
informação e do conhecimento, a formação de leitores e a inserção cultural das
populações de baixa renda. Sob esta ótica, está sendo desenvolvido um trabalho
para que os diferentes atores adquiram uma visão e compreensão crítica da
realidade, de forma a possibilitar sua intervenção enquanto cidadãos no contexto
social em que vivem. O trabalho foi centrado sua atuação junto às camadas
populares, que em geral não dispõem de recursos para aquisição de livros ou
para locomoção à biblioteca pública localizada na região central de Tangará da
Serra/MT.
Assim, pretendeu-se atender as demandas e necessidades de informação
de crianças e adolescentes em atividade de pesquisa leitura e recreação, assim
como prover os adultos com leitura de lazer e informativa contribuindo, assim,
para o exercício da cidadania. Porque além de ser um direito, o acesso à cultura e
a informação permitiria a esses indivíduos estimular sua criatividade para que eles
próprios se representem, e assim possam ser protagonistas das suas próprias
ações. Do ponto de vista prático e político, sabemos da importância da leitura e
da informação no Brasil. Democratizar a informação e a leitura permite revelar as
reais identidades culturais das comunidades.
Uma sociedade justa pressupõe o respeito dos direitos humanos, e a
fruição da arte e da literatura em todas as modalidades e em todos os níveis é um
direito inalienável, (CANDIDO, 1987). Privar as camadas populares do acesso aos
clássicos e às leituras polêmicas é uma atitude violenta, autoritária e prepotente,
pois pressupõe a supremacia de uma parte da sociedade sobre a outra. O que faz
com que a grande massa não leia, não é a incapacidade, é a privação. Portanto, é
de um cinismo atroz dizer que pobre tem de ler “água com açúcar”. Não
conseguindo entender, por mais que se esforce.

�ACESSO, INFORMAÇÃO, LEITURA E INCLUSÃO
Em sociedades como a nossa, cujos traços característicos são a exclusão
e o autoritarismo, as oportunidades culturais não chegam de igual forma a todas
as camadas sociais1. E de maneira mais difícil à leitura, por se tratar da arte de
observar objetos e estabelecer uma ligação efetiva entre nós e esses objetos. E
considerarmos sua beleza ou feiúra, o ridículo ou a adequação ao ambiente em
que se encontra, o material e as partes que a compõem.
Isso tudo não acontece em um contexto isolado. Desde a colonização
sofremos um processo cruel de segregação das camadas sociais, o qual permitiu
(e ainda permite) a alguns, não só o acesso, mas a detenção dos produtos
culturais, e legou a outros, de maneira tirânica, apenas uma parte da cultura, a
qual chamou pejorativamente de popular.
No modelo de desenvolvimento sustentável, também um modelo
altamente comprometido com resultados, é fácil observar que os problemas
sociais aumentaram e que as verbas destinadas ao acesso à informação são
extremamente limitadas. O preço do livro associado à falta de tempo e motivação
para a leitura e obviamente a carência de bibliotecas públicas e escolares
conduzem ao processo de desinformação. Parte expressiva da população
brasileira ainda não tem noção de cidadania, ou mesmo de direitos e deveres, o
que aumenta o desemprego e os problemas sociais.
Alguns teóricos, como Antonio Candido (1995), dizem que as camadas
populares não lêem os clássicos porque não têm oportunidade de tê-los nas
mãos. E mais, que a literatura confirma e nega, propõe e denuncia, apóia e
combate, fornecendo a possibilidade de vivermos dialeticamente os problemas
(CANDIDO, 1987). Assim, a leitura propicia vivenciarmos e debatermos o nosso
tempo, à luz de vivências anteriores, buscando explicações nem sempre
possíveis. Como explicar, por exemplo, as chacinas colonialistas que dizimaram
1

A história recente tem nos mostrado que essa lógica - primeiro o econômico e depois o social - não
está conseguindo dar conta das crônicas desigualdades sociais no mundo todo. As questões
econômicas e de mercado, na nossa concepção, devem ficar subjacentes à questão social. E aqui a
questão da universalização do acesso é condição necessária mas não suficiente.

�nações indígenas inteiras? Com quais explicações justificar a escravidão negra?
É possível termos uma dimensão aproximada do holocausto? Do Napalm jogado
sobre as florestas do Vietnã? Dos estupros, dos choques, das unhas arrancadas
nos porões da ditadura? Mas há algo na leitura que possibilita o choque e a
reação: o efeito estético. Aqui, evocamos novamente Antonio Candido (1987),
dizendo-nos que nas mãos do leitor o livro pode ser fator de perturbação e
mesmo de risco.
Foi por perceber tal “periculosidade” que a parte da sociedade que detém
o conhecimento sempre procurou afastar as camadas populares do contato com
as obras de arte literária. Pois o livro, enquanto representação artística possui a
propriedade de sensibilizar, gerar conflitos e desencadear reações. Por isso, ao
reinventar, simular, imaginar, construir o real, a produção literária gera,
determinadas vezes, um conhecimento particular e que contribui para o
desvendamento da essência mesma do processo histórico brasileiro. É esse
desvendamento que torna o livro perigoso. Então, a solução é não permitir que
objeto tão ameaçador circule livremente nas mãos de babás, mecânicos, garis,
encanadores, pedreiros, garçonetes e toda a sorte de gente que faz parte das
chamadas camadas populares.
Ainda segundo Antonio Candido (1987), quando nos apropriamos da
poderosa força da palavra organizada, nos tornamos mais capazes de ordenar
nossa mente e sentimentos; e, conseqüentemente, mais capazes de organizar a
visão de mundo que temos. Ousamos a acrescentar um vocábulo e mais:
verbalizar. Pois apropriados do instrumento que facilita nossa ordenação mental e
nossa visão de mundo, a leitura, podemos, com maior habilidade e clareza,
verbalizar impressões, externar opiniões e tomar posicionamentos. Assim, tornase possível transformar as informações em conhecimento através da elaboração,
porque os sentimentos passam de um estado emotivo para um estado de
construção, funcionando como mola propulsora para o querer mais.
Então, as pessoas que nunca leram Dante, Shakespeare, Fernando
Pessoa ou Machado de Assis, quando têm oportunidade de tê-los nas mãos,
manuseá-los e efetuar sua leitura, encantam-se com esse algo nunca visto. É que

�o

poder

da

fruição

pode

ser

alcançado

por

qualquer

ser

humano,

independentemente do nível social.
Ampliar o acesso para as pessoas seja da periferia, por exemplo, aos
recursos culturais dentro e fora de sua comunidade, repercute em
direcionar ações como dinamizar sessões semanais de leitura com
acompanhamento de alguma autoridade sobre o assunto a ser estudado
(professores, padres, pastores, policiais e políticos entre outros),
fortalecendo a participação de todos os membros da família para
desenvolver a comunicação e o diálogo entre os participantes e de
acordo com as necessidades da base das comunidades. (BLATTMANN;
VIAPIANA, 2006)

A fascinação exercida pela leitura do texto literário é tão impactante
quanto á constatação do processo excludente das camadas populares. Conforme
Candido (1987, p.144): “[...] a literatura foi e continua sendo um bem de consumo
restrito [...] onde os públicos podem ser classificados pelo tipo de leitura que
fazem, e tal classificação permite comparações com a estratificação de toda a
sociedade.” Ao longo da nossa história somente foi permitido o acesso da
população segregada a uma parcela mínima da cultura, pois a mesma, sem
acesso aos bens materiais necessários para a sobrevivência, precisa abandonar
os bens espirituais para prover o sustento do dia a dia.
A leitura é um dos meios que o individuo tem de comunicar-se com o
mundo, de ter contanto com novas idéias, pontos de vistas e experiências que
talvez sua vida prática jamais lhe proporcionasse. Pensemos nos milhões de
cartazes, placas, revistas, anúncios que observamos diariamente.
Se queremos socializar o direito à leitura, não apenas como
correspondência entre sons e letras, mas como forma real de
conhecimento, interpretação e compreensão do mundo e do ser humano,
é imprescindível uma articulação contínua, intensa e harmoniosa entre
esses atores. (GARCEZ, 2000, p.582)

O acesso aos diferentes níveis de cultura possibilita confrontar pontos de
vista distintos e estabelecer critérios que mantêm ou rompem com aquilo que está
estabelecido, mas que de qualquer forma proporciona a multiplicidade de idéias.
Do ponto de vista autoritário isto é muito perigoso porque faz pensar e questionar
a estratificação social, levando os indivíduos a buscarem soluções coletivas.
Nesse processo, ler ou não ler faz a diferença para a mudança da sociedade.
Preterir as camadas populares é manter e justificar uma separação iníqua.

�A realidade criada ou recriada, inventada ou reinventada artisticamente,
tem a propriedade de impressionar por meio de imagens sensíveis e essa
sensibilização conduz a reflexões decisivas sobre conceitos de ética e
consciência, inclusive com respeito à capacidade de recepção e produção das
camadas populares.
Experimentar, através do ato de ler, a linguagem literária precisa passar
pela vivência concreta do/a leitor/a, precisa dar prazer, despertar o lúdico e,
através da fruição, provocar a construção e destruição do texto. É preciso ler e
fazer literatura para silenciar os silêncios. Ou, há que se ler literatura para romper
o silêncio, desentrevando, azeitando e retro-alimentando os sentimentos e a
inteligência do mundo. A fruição de um bom romance é como a produção de uma
escultura em mármore: transforma, fica.
Como foi dito anteriormente, ler ou não ler faz a diferença, pois é na
relação dialética de construir e destruir que o/a leitor/a faz seus acréscimos e é
acrescido. A lógica da hermenêutica funciona.
Aqui, utilizamos as palavras proferidas por Oded Grajew (2001), se nós
não acreditarmos que é possível transformar o mundo através das nossas
atitudes, então podemos encerrar o Fórum porque outro mundo não é possível.
Entrementes, a revista Caros amigos – literatura marginal – ato II publicou um
texto intitulado Uma carta em construção, escrita por José Rocha Albuquerque, do
qual transcrevemos os primeiros parágrafos:
Há algum tempo escrevo poemas com as mesmas mãos com que trabalho
de ajudante de pedreiro. Pra muita gente pode parecer exótico, pode
parecer surreal. Mas o que tem de estranho? Pobre não tem
sensibilidade? Não pode escrever, desenhar, pintar, interpretar?

Sensibilidade não escolhe proveniência social. Negar às camadas
populares o direito à inclusão através da leitura é negar às pessoas a condição de
seres de vontade, instigadas pelos fenômenos da vida, é privá-las do acesso à
apropriação da palavra como construção da identidade.

�RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise da experiência do Projeto de Extensão “Acesso a Informação e
a Leitura: Desafios da Inclusão” evidencia para a equipe de bolsistas e
bibliotecário a ele dedicado, que o projeto vem sendo confrontado com uma série
de desafios para conseguir efetivar seu objetivo principal de democratizar o
acesso à informação e à leitura, tendo em vista que as dificuldades que se
encontram presentes tanto no âmbito das comunidades quanto aquelas de ordem
institucional. A estes aspectos de caráter geral acrescenta-se, ainda, há limitações
que representam a concreta situação de exclusão social do país, o que demonstra
as dificuldades efetivas para o avanço e a transformação da sociedade.
No Brasil, inúmeras iniciativas ao longo das três últimas décadas têm
procurado chamar a atenção para a importância da leitura. As grandes
modificações pelas quais passou a sociedade brasileira nos últimos anos
exigiram que os programas de democratização da leitura também se
transformassem. Foi necessário intensificar a atuação, tornando-a mais
efetiva, para fazer frente aos apelos imediatos de um mundo cada vez
mais seduzido pela imagem, pela comunicação rápida, pela velocidade, e
ao mesmo tempo ampliar quantitativamente os esforços para incluir
parcelas cada vez maiores da população. (GARCEZ, 2000, p.583)

Assim, mesmo que o projeto venha realizando durante esse ano de
duração, de forma ininterrupta, o atendimento às comunidades, propiciando-lhes a
oportunidade de se tornarem leitores e terem suporte para as atividades
demandadas pelo processo educacional, hoje evidencia-se a necessidade de a
estes aspectos somar-se a incorporação das tecnologias de informação, de forma
a agregar-se a inclusão digital às próprias exigências que o contexto social vem
colocando para a inserção dos sujeitos no âmbito social.
Vale

ainda

ressaltar

que,

esta

visão

dialética

entre

possibilidades/limitações das tecnologias de informação, traz no seu bojo os
elementos de sua própria contradição, à medida que as exigências sociais – em
termos de empregos, acesso à informação, participação na esfera pública –
colocam a necessidade de domínio das referidas tecnologias como estratégia de
participação e como mecanismo através do qual poderão ampliar-se as chances
dos diferentes sujeitos na cena social. Porém, a sua outra face –
dificuldades/impossibilidades de acesso - mostra de forma concreta a existência
de uma sociedade excludente que não viabiliza para grande parte da população a
participação e o acesso ao modelo social preconizado, tornando visível à

�contradição instaurada no âmbito da sociedade.
Além da importância de utilização das potencialidades da Sociedade da
Informação, é imprescindível ressaltar que há uma etapa precedente, que requer
uma atuação efetiva daqueles que têm como preocupação uma sociedade com
maior equidade, ou seja, torna-se necessário investir numa ação concreta que
combine a dimensão básica de acesso à leitura e à informação, com a inclusão
digital, haja vista os desafios históricos do tempo presente.
Quanto ao caráter formativo e a participação acadêmica no contexto do
projeto, esta vem se realizando através do oferecimento de assessoria no âmbito
das comunidades no sentido de que as mesmas organizem bibliotecas
permanentes.
Como decorrência das considerações anteriores, coloca-se hoje para o
Projeto de Extensão “Acesso a Informação e a Leitura: Desafios da Inclusão” o
desafio de dar continuidade à sua ação efetiva de democratizar a leitura e o
acesso à informação, a realização de atividades de ação cultural, bem como o
processo de inclusão digital, de forma a ampliar o universo de inserção daqueles
que participam do projeto.

CONCLUSÕES
A leitura é a mola propulsora na libertação do pensamento e possibilita
desencadear reflexões e desenvolver ações para melhoria da cidadania e
desenvolvimento do ser humano.
Por ser assim tão complexa, a leitura nem sempre é um procedimento
fácil. Ela faz inúmeras solicitações simultâneas ao cérebro, e é necessário
desenvolver, consolidar e automatizar habilidades muito sofisticadas para
pertencer ao mundo dos que lêem com naturalidade e rapidez. Desde a
decodificação de signos, interpretação de itens lexicais e gramaticais,
agrupamento de palavras em blocos conceituais, identificação de
palavras-chave, seleção e hierarquização de idéias, associação com
informações anteriores, antecipação de informações, elaboração de
hipóteses, construção de inferências, compreensão de pressupostos,
controle de velocidade, focalização da atenção, avaliação do processo
realizado, até a reorientação dos próprios procedimentos mentais para a

�compreensão efetiva e responsiva, há um longo e acidentado percurso.
(GARCEZ, 2000, p.585)

Neste contexto, os profissionais da informação têm a responsabilidade
social de atuar como agentes mediadores destes serviços, com o compromisso
de possibilitar o acesso e a apropriação da informação pelas populações em
situação desfavorável, motivando e capacitando os indivíduos a buscá-la de forma
autônoma e independente.
Outro grande desafio é o da formação dos profissionais da informação, o
que exige a inter-relação do domínio técnico e da dimensão político-social. No
que se refere a um projeto de inclusão digital, os estudantes, e também os
bibliotecários, deverão adquirir treinamento específico de modo a atuarem como
agentes multiplicadores junto às comunidades, capacitando seus membros a
utilizarem os novos recursos de informação e comunicação.
Em verdade, a efetivação do projeto de inclusão digital, depende em seu
aspecto mais básico da obtenção de recursos financeiros para adquirir os
equipamentos e estagiários treinados para capacitar o público de crianças, jovens
e adultos das comunidades. Além disso, caso se obtenha o recurso financeiro
espera-se contar ainda com o apoio financeiro e técnico de órgãos da
administração regional da Unemat – Campus Universitário de Tangará da
Serra/MT para viabilizar o projeto, subsidiando recursos tecnológicos, servidor
gratuito e disponibilização de softwares livres.
Reconhece-se, no entanto, a imprescindível necessidade de manter os
esforços que vêm sendo empreendidos, haja vista o compromisso da equipe no
sentido de que o efetivo acesso à informação não se limite apenas à retórica.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
ALBUQUERQUE, José Rocha. Uma carta em construção. In: Caros Amigos
Literatura Marginal - Ato 2 , São Paulo, jun., 2002.
BLATTMANN, Ursula; Viapiana, Noeli. Leitura instrumento de cidadania.
Disponível em &lt;http://www.geocities.com/ublattmann/papers/ao55.html&gt; Acesso
em 29 de maio de 2006.

�CANDIDO, Antonio. Vários Escritos. 3.ed. São Paulo: Duas Cidades, 1995.
CANDIDO, Antonio. A educação pela noite e outros ensaios. São Paulo: Ática,
1987.
GARCEZ, lucília. A leitura na vida contemporânea. R. bras. Est. pedag., Brasília,
v. 81, n. 199, p. 581-587, set./dez. 2000.
GRAJEW, Oded. Da utopia à realidade: um outro mundo é possível. In: Caros
Amigos Fórum Mundial Social I, São Paulo, n.8, , mar., 2001.

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Oliveira, Walter  Calyton de; Silva, Deuza Rodrigues da; Borges, Daniele Angélica</text>
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                <text>O projeto “Acesso a Informação e a Leitura: Desafios da Inclusão” tem como cerne de seus objetivos garantir o acesso e a democratização da informação e do conhecimento, a formação de leitores e a inserção cultural das populações de baixa renda. Sob esta ótica, está sendo desenvolvido um trabalho para que os diferentes atores adquiram uma visão e compreensão crítica da realidade, de forma a possibilitar sua intervenção enquanto cidadãos no contexto social em que vivem. O trabalho foi centrado sua atuação junto às camadas populares, que em geral não dispõem de recursos para aquisição de livros ou para locomoção à biblioteca pública localizada na região central de Tangará da Serra/MT.</text>
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                    <text>ACESSO LIVRE À INFORMAÇÃO: UM PROJETO DE INCLUSÃO
DIGITAL
Heloisa Maria Ceccotti1
Danielle Dantas de Sousa2
Valéria Santos Gouveia Martins3
Universidade Estadual de Campinas
Biblioteca Central Cesar Lattes
R. Sergio Buarque de Holanda, 424
Cidade Universitária "Zeferino Vaz"
Caixa Postal 6136 - Barão Geraldo
13083-859 – CAMPINAS – SP

RESUMO
Diante das mudanças sociais e da evolução das tecnologias de informação, fazse necessário promover oportunidades de inclusão de maior número de pessoas
ao mundo informatizado. Não há como negar o impacto social que a Internet tem
exercido sobre a sociedade atual. Neste sentido, a Biblioteca Central Cesar Lattes
(BCCL) da UNICAMP estabeleceu uma parceria com o Portal Universia, que
consiste num ambiente de acesso à informação. A partir da observação de
número de horas de acessos e análise do cotidiano da BCCL, identificou-se
crescente demanda dos usuários internos (vinculados à Unicamp) e externos
(comunidade) de pontos de acesso livre à Internet, para realização das mais
diversas atividades de ensino, pesquisa, lazer, consultas a bancos, participação
em listas de discussão, acesso a conteúdos didáticos, informações institucionais e
acadêmicas etc. O levantamento de tais demandas apontou, então, a
necessidade de detectar quais as possibilidades para atender direcionadamente
as necessidades dos usuários. O objetivo do presente trabalho é identificar o perfil
destes usuários e apurar o conhecimento gerado a partir do livre acesso à
informação. Para isso foi aplicado um questionário nesta comunidade composto
por questões fechadas e aberta. Os resultados deverão nortear o aprimoramento
dos serviços, viabilizando ações de efetiva inclusão digital.
Palavras-chave: Serviços de informação, Redes
computadores, Inclusão digital

1

2

3

de

comunicação

de

Diretora Técnica de Difusão da Informação, Biblioteca Central Cesar Lattes/UNICAMP, Brasil heloisac@unicamp.br
Supervisora da Seção de Serviços ao Público, Biblioteca Central Cesar Lattes/UNICAMP, Brasil
- danielle@unicamp.br
Coordenadora Associada do Sistema de Bibliotecas da UNICAMP, Brasil - valeria@unicamp.br

�1 INTRODUÇÃO
No contexto das práticas sociais, a informação é um elemento de
fundamental importância, pois é por meio do intercâmbio informacional que os
homens se comunicam e tomam conhecimento de seus direitos e deveres e, a
partir deste momento, tomam decisões sobre suas vidas, seja de forma individual,
seja de forma coletiva. A construção da cidadania, ou de práticas de cidadania,
passam necessariamente pela questão do acesso e uso de informação, pois tanto
a conquista de direitos políticos, civis e sociais, como a implementação dos
deveres do cidadão, dependem fundamentalmente do livre acesso à informação
sobre tais direitos e deveres, ou seja, depende da ampla disseminação e
circulação da informação e, ainda, de um processo comunicativo de discussão
crítica sobre as diferentes questões relativas à construção de uma sociedade
mais justa e com maiores oportunidades para todos os cidadãos. Diante do
exposto, pode-se dizer que o acesso limitado ou o acesso a informações
distorcidas dificultam o exercício pleno da cidadania.
A informação deve ser vista como um bem social e um direito coletivo
como qualquer outro, sendo tão importante como o direito à educação, a saúde, à
moradia, à justiça e tanto outros direitos do cidadão. A tendência mundial para
que qualquer sociedade moderna e progressista valorize o ser humano tem sido
enfatizada e regulamentada na busca da preservação dos direitos universais do
homem, da criança, da mulher e de outros grupos minoritários por meio do
surgimento de programas destinados à assistência adequada e à integração
social de todos os grupos existentes na sociedade, mesmo que marginalizados.
A

biblioteca também

serve distintamente a diferentes interesses,

atravessando classes sociais e tornando-se um espaço onde se acumulam
contradições, oposições, afirmações, negações, tradições e inovações, ocupando
seus

espaços

segundo

as

necessidades

de

sua

comunidade;

enfim,

proporcionando um clima favorável à implementação de programas de ensino,
pesquisa e extensão, pois agrega valores nos serviços prestados a milhares de
pessoas que diariamente circulam em suas instalações, independentemente das
limitações de ordem econômica e social.

�É neste contexto que a Biblioteca Central Cesar Lattes (BCCL) da
UNICAMP acredita que deva ter capacidade de estender sua missão de apoio ao
ensino, pesquisa e extensão para novas fronteiras, com a perspectiva de
entender e atender às diferenças, ou seja, compreender os seres humanos na
sua singularidade, buscando os melhores meios para ultrapassar as barreiras de
locomoção, comunicação, pesquisa e acesso à informação impressa e eletrônica.
A partir de um processo de observação do número de horas de acessos e
análise do cotidiano da BCCL, identificou-se crescente demanda dos usuários
internos (vinculados à Unicamp) e externos (comunidade) de pontos de acesso à
Internet, para realização das mais diversas atividades de ensino, pesquisa, lazer.
O levantamento de tais demandas apontou, então, a necessidade de detectar
quais as possibilidades para atender direcionadamente as necessidades dos
usuários, sendo o objetivo do presente trabalho identificar o perfil destes usuários
e apurar o conhecimento gerado a partir do livre acesso à informação.

2 APRESENTAÇÃO
2.1 O Sistema de Bibliotecas da UNICAMP (SBU)
Para atender à demanda informacional, a Universidade conta com 24
bibliotecas alocadas nas unidades de ensino e pesquisa, colégios técnicos,
centros e núcleos, distribuídos nas áreas de Humanidades e Artes, Tecnológicas,
Exatas e Biomédicas e arquivos alocados em centros de pesquisa.
Tendo em vista sua dimensão e amplitude, o SBU possui em sua
composição várias instâncias de representatividade da comunidade, tais como:
Órgão Colegiado, Coordenadoria do SBU, Bibliotecas Seccionais e Comissões de
Biblioteca.
2.2 Biblioteca Central Cesar Lattes (BCCL)
A BCCL é uma biblioteca integrante do SBU e atua em conjunto com as
bibliotecas seccionais como fonte de referência e provedora de informação para
os cursos de graduação, pós-graduação e de extensão da Universidade,
atendendo diretamente a toda a comunidade interna da Universidade e
pesquisadores no Brasil e exterior.

�O prédio é composto de cinco pavimentos, totalizando 10.000m2 e possui
200 pontos integrados com a UNInet (rede UNICAMP) ativos, permitindo o acesso
à Internet. A circulação diária no prédio da BC é de aproximadamente 2.000
pessoas, entre alunos de graduação, pós-graduação, docentes, funcionários da
Universidade, pesquisadores, bem como usuários externos. No exercício de 2005,
de acordo com o Relatório Gerencial Estatístico - SBU4, a BCCL realizou 93.740
empréstimos à comunidade acadêmica e 92,412 consultas a seu acervo, entre
livros, jornais, periódicos e teses, totalizando 186.152 materiais bibliográficos em
circulação.
Com esse patrimônio, a BCCL desempenha papel de destaque no apoio ao
ensino e a pesquisa, atendendo à demanda regional, sendo procurada,
sistematicamente,

pela

comunidade

científica

brasileira

e

internacional,

destacando-se na América Latina.

2.3 Fundação UNIVERSIA
Universia5 é a maior referência nacional e internacional em portal de
educação, que desenvolve e integra conteúdo e serviços em língua portuguesa e
espanhola, direcionados à comunidade acadêmica. Por meio de parcerias com
mais de 840 instituições de ensino superior, na América Latina e na Península
Ibérica, a Universia é uma rede presente em dez países, congregando
aproximadamente 80% da comunidade universitária e representando cerca de 8
milhões e 700 mil alunos.
Sua missão visa promover o desenvolvimento e a integração do conteúdo
de alta qualidade gerado nas Instituições de Ensino Superior, através de uma
plataforma tecnológica robusta, para atender às mais diversas necessidades de
Informação e conhecimento da sociedade atual. Consiste também em oferecer à
comunidade acadêmica os melhores conteúdos e serviços para facilitar a criação
do Espaço Ibero-americano de Educação Superior, por meio da formação, da
cultura, pesquisa e colaboração com a empresa, contribuindo, dessa forma, para
o desenvolvimento sustentável dos países em que está inserida.
4
5

http://143.106.108.14/redner/index.php?op=rel_circul
http://www.universia.com.br/ SALAS/projeto.jsp

�2.3.1 Fundação Universia Brasil
O portal desenvolve e integra conteúdo e serviços de alta qualidade, a
partir das necessidades e propostas das instituições de ensino parceiras. Além de
notícias sobre o meio universitário são também divulgados temas relevantes para
o ciclo de vida acadêmica, como empreendedorismo, carreira, educação à
distância, bolsas de estudo e produção científica, entre outros.
2.3.2 Espaços Universia na UNICAMP
A UNICAMP recebeu do Portal Universia, em outubro de 2004, dois novos
espaços de acesso à Internet. Estes espaços são dotados de infra-estrutura com
27 novos computadores Pentium 4, conectados a rede linux de alta velocidade,
cuja configuração é contemplada com a tecnologia sem fio (sistema wireless).
Além dos equipamentos, recebeu, também, mobiliário compatível com as
necessidades locais, impressora laser e um servidor, que gerencia a rede.
Esta parceria entre a UNIVERSIA e a UNICAMP abriu caminho para a
integração da comunidade com diversos serviços e conteúdos de interesse
profissional e acadêmico disponíveis, tanto no Portal Universia como no Portal da
Universidade e na Internet.
Segundo o reitor da Unicamp, Prof. José Tadeu Jorge, esta iniciativa pode
tornar-se um modelo a ser seguido por outras instituições, além de qualificar os
serviços da Biblioteca e da Universidade.
O uso da sala tem demonstrado que a mesma tem se tornado um meio de
colaborar com a inclusão digital, pois além dos estudantes regulares e
ingressantes na Universidade, nota-se também o uso por parte de préuniversitários, que procuram informações sobre cursos, oportunidades, carreiras e
mercado. Além destes usuários este espaço atende aos mais variados interesses
e público diferenciado.

3 EVOLUÇÃO DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO / ESTUDO DO
USUÁRIO
As facilidades do uso das tecnologias de informação nas bibliotecas,
através de redes, documentos eletrônicos, disponibilidade de catálogos on-line,

�têm proporcionado aos usuários integrantes do mundo científico e tecnológico a
busca da informação, de maneira segura e flexível, fator que tem contribuído não
só para a sua individualidade e independência como para o crescimento da
pesquisa.
Com o advento da Internet e a sua possibilidade de acesso cada vez mais
popularizada, a comunicação inter-institucional e inter-pessoal, através de suas
ferramentas,

tem

refletido

mudanças

no

comportamento

do

usuário,

proporcionando novas rotinas de trabalho no âmbito das bibliotecas.
Sob este prisma, o Grupo de Trabalho Sobre Bibliotecas Virtuais do Comitê
Gestor da Internet - Brasil (1997) já salientava este panorama:
[...] Por um lado, as bibliotecas atuarão como usuárias e
intermediárias na operação das fontes de informação
disponibilizadas no espaço virtual da Internet por outras instituições
e, por outro lado, promoverão a organização e disponibilização
atualizada de suas próprias fontes de informação para atender
plenamente às necessidades de informação dos usuários internos
e externos ao seu entorno.

Contudo, a utilização dos serviços, correio eletrônico, o acesso remoto e a
transferência de arquivos, que compõem a tríade dos serviços básicos da
Internet, pressupõe um conhecimento prévio de sua utilização para localização da
informação. À medida que redes de computadores crescem e que o volume
armazenado de informações aumenta são desenvolvidas novas e engenhosas
ferramentas visando facilitar a localização e o acesso aos dados disponíveis.
Não são recentes os estudos que abordam o comportamento dos usuários
em bibliotecas; entretanto, pouca ênfase tem sido dada às reais necessidades de
informação desses usuários, já que os estudos têm avaliado principalmente o lado
quantitativo da informação recebida, relegando a um segundo plano o lado
qualitativo, que diz respeito ao uso que foi feito da informação recebida e à
satisfação ou não da necessidade que levou a se buscar os serviços.
As tecnologias emergentes têm influenciado o comportamento dos usuários
em bibliotecas, hoje conhecedores de parte desses mecanismos. Embora as
bibliotecas estejam se reestruturando e automatizando seus serviços, alguns

�cuidados devem ser tomados para que elas não acabem frustrando ao invés de
satisfazer seus usuários.
Ao observar o comportamento do usuário quando da necessidade de
localizar e acessar a informação, seja ele presencial ou não, verifica-se que os
níveis de expectativa e de dificuldade são os mesmos. Para o usuário não
presencial, a situação possui um agravante pela disponibilidade atual das
tecnologias e a falta de conhecimento no uso pleno das mesmas.

4 JUSTIFICATIVA
A inclusão digital é uma alfabetização digital, uma aprendizagem
necessária ao indivíduo para circular e interagir no mundo das mídias digitais
como consumidor e como produtor de seus conteúdos e processos. Para isto,
computadores conectados em rede e softwares são instrumentos técnicos
imprescindíveis. São suportes técnicos às atividades a serem realizadas a partir
deles no universo da educação, no mundo do trabalho, nos novos cenários de
circulação das informações e nos processos comunicativos.
De acordo com Feldmann (2003), ao analisar dados do IBGE, no Brasil, 21
milhões de pessoas (13% da população) são incapazes de ler e escrever.
Entretanto, ainda não se sabe quantos são os analfabetos digitais, aquela
categoria de pessoas despreparadas para viver a interação com as máquinas.
Feldmann (2003) salientou ainda que: apenas 27 milhões de brasileiros (15% da
população) são incluídos digitalmente; apenas 13% dos domicílios brasileiros têm
computador; somente 9% dos domicílios acessam a Internet; cerca de 75% dos
brasileiros nunca manusearam um computador; dos 5561 municípios brasileiros,
350 não dispõem de provedores locais de acesso à rede. Quanto à concentração
de renda, o autor afirmou que: a classe A (5% da população) é responsável por
42% dos internautas, a classe B (19% da população) é responsável por 48,7%
dos internautas e a classe C, D e E (73% da população) é responsável por
apenas 9,3% dos internautas.
O ingresso da humanidade na Era da Informação é um fato, mas
ainda apenas para uma pequena parcela da população. As novas
tecnologias, em particular a Internet, vieram para ficar e já
começaram a alterar o comportamento da sociedade – como um

�dia fizeram o telefone, o rádio e a TV. Há 100 anos, ninguém
imaginava que o desenvolvimento tecnológico nos daria a alcunha
de Sociedade da Informação. Agora temos uma infinidade de
soluções digitais cada dia mais surpreendentes e avançadas.
Entretanto, devemos estar atentos para não nos iludirmos
confundindo progresso com pirotecnia. Se esse conhecimento
acumulado não for compartilhado pela sociedade como um todo,
corremos o risco de ratificarmos o abismo que separa os ricos dos
pobres (BAGGIO, 2000).

A partir destes dois pontos de reflexão de Baggio (2000) é possível
destacar argumentos relevantes nessa discussão: existência dos analfabetos
digitais, ou seja, pessoas que não possuem a menor habilidade e conhecimento
para utilizar computadores; poucas são as pessoas que têm acesso a
computadores; o impacto social da Internet; a necessidade de acesso à
informação.
Diante das mudanças sociais e da evolução das tecnologias de informação
não há como negar o impacto social que a Internet tem sobre a sociedade atual
que, sem dúvida, está diretamente relacionada com o ambiente de qualquer
biblioteca, sobretudo as universitárias.
Seabra, em seu texto “Inclusão digital: algumas promessas e muitos
desafios”,

levantou

alguns

pontos

que

merecem

atenção

quando

do

desenvolvimento de projetos de inclusão digital: “[...] Inclusão digital pressupõe
uma série de outros objetivos conexos que não os meramente tecnológicos [...];
ao falar dos projetos voltados para o simples oferecimento de cursos, o autor
considerou que “[...] Este é o grande desafio: combater a “maldição” do formato
taylorista e fordista de transmissão de informações, que não assegura a
construção do conhecimento e, ao contrário, promete demagogicamente uma
capacitação que o formato de tempo disponível e a qualificação dos envolvidos
não atende [...]; em relação ao ambiente “[...] É fundamental que faça parte desse
espaço [de inclusão digital] uma outra sala sem computadores, com cadeiras e
mesas, com estantes e publicações, com murais de cortiça, com área para os
usuários esperarem e fazerem algo útil conexo às atividades ali desenvolvidas,
onde ocorra troca e socialização [...]”; “[...] é importante não esquecer que
qualquer ação completa deve ser integradora e potencializar outros segmentos da

�sociedade, pois a cidadania é alcançada digitalmente quando a rede é tecida
incluindo excluídos e não-excluídos [...]”.

5 METODOLOGIA
O instrumento utilizado nesta pesquisa foi um questionário, dividido em
questões fechadas e aberta. Foram aplicados 100 questionários em 15 dias, entre
9h e 21h, tendo como público alvo os usuários freqüentadores dos espaços da
sala Universia.

6 RESULTADOS
A Figura 1 demonstra que a população questionada variou de 13 aos 55
anos de idade, sendo que 45% possuem vínculo com a Unicamp e 55% não. A
maioria dos que não possuem vínculo encontra-se na faixa de 13 a 18 anos,
sendo estudantes dos ensinos fundamental e médio. A maioria dos que possuem
vínculo encontra-se na faixa de 19 a 24 anos, sendo principalmente estudantes de
graduação.
40
35
30
25
Idade

20

Vínculo

15
10
5
0
13-18
anos

19-24
anos

25-30
anos

31-36
anos

37-42
anos

43-48
anos

49-55
anos

Figura 1 – Faixa etária versus vínculo com a Universidade

As Figuras 2 e 3 demonstram a freqüência dos usuários nos espaços da
sala Universia e a faixa etária. Observa-se que, apesar de 33% utilizar

�esporadicamente a sala, 48% a utiliza ente 1 e 4 vezes na semana, destacando
maior freqüência para usuários até 30 anos de idade.

35
30
25
20
15
10
5
0
Diária

1-2 x sem. 3-4 x sem.

2 x mês

1 x mês

Esporádica

Figura 2 – Freqüência dos usuários nos espaços da sala Universia

15

12

13-18 anos

9

19 a 24 anos
25 a 30 anos
31 a 36 anos
37 a 42 anos

6

43 a 48 anos
49 a 55 anos
3

0

Diária

1-2 x sem.

3-4 x sem.

2 x mês

1 x mês

Figura 3 – Freqüência dos usuários versus faixa etária

Esporádica

�A Figura 4 apresenta os interesses e prioridades de acesso dos usuários
internos e externos, sendo o e-mail o mais citado dentre os interesses.

100
90
80
70
60
50
40
30
20
10

e-mail
orkut
mens.instant.
lazer
motores busca
conteudo didático
base dados/per.elet.
info inst./acad.
ativ.ensino
lista discussão
outros

0

Figura 4 – Interesses/Prioridades de Acesso dos Usuários (Internos e Externos)

As Figuras 5 a 9 apresentam os interesses e as cinco primeiras prioridades
de acesso dos usuários, divididos por categorias e nível de escolaridade. Alunos
de graduação apontaram como prioridades: e-mail, bases de dados e periódicos
eletrônicos, informações institucionais e acadêmicas, conteúdos didáticos e
científicos, além de orkut e pesquisa em motores de busca (Figura 5). Alunos de
pós-graduação apontaram como prioridades: conteúdos didáticos e científicos,
bases de dados e periódicos eletrônicos, informações institucionais e acadêmicas,
e-mail e pesquisa em motores de busca (Figura 6). Os funcionários apontaram
como prioridades: orkut, e-mail, lazer, mensagens instantâneas e atividades de
ensino (Figura 7). Usuários externos dos ensinos fundamental e médio apontaram
como prioridades: orkut, e-mail, mensagens instantâneas, lazer e pesquisa em
motores de busca (Figura 8). Usuários externos, excluindo-se dos ensinos
fundamental e médio, apontaram como prioridades: e-mail, orkut, lazer,
mensagens instantâneas e pesquisa em motores de busca (Figura 9).

�13
12
11
e-mail
orkut
mens.instant.
lazer
motores busca
conteudo didático
base dados/per.elet.
info inst./acad.
ativ.ensino
lista discussão

10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
1

2

3

4

5

Prioridade de acesso

Figura 5 – Interesses/Prioridades de Acesso - Usuários de Graduação

4

3
e-mail
motores busca
conteudo didático
base dados/per.elet.
info inst./acad.

2

1

0
1

2

3

4

5

Prioridade de acesso

Figura 6 – Interesses/Prioridades de Acesso - Usuários de Pós-Graduação

�5

4
e-mail
orkut
mens.instant.
lazer
motores busca
ativ.ensino

3

2

1

0
1

2

3

4

5

Prioridade de acesso

Figura 7 – Interesses/Prioridades de Acesso - Funcionários

9
8
7
e-mail
orkut
mens.instant.
lazer
motores busca
conteudo didático
ativ.ensino

6
5
4
3
2
1
0
1

2

3

4

5

Prioridade de acesso

Figura 8 – Interesses/Prioridades de Acesso – Ensino Médio e Fundamental

�22
20
18

e-mail
orkut
mens.instant.
lazer
motores busca
conteudo didático
base dados/per.elet.
info inst./acad.
ativ.ensino
outros

16
14
12
10
8
6
4
2
0
1

2

3

4

5

Prioridade de acesso

Figura 9 – Interesses/Prioridades de Acesso – Outros

Interesses de Uso: os mais diversificados (pesquisas gerais, tanto educacionais quando os professores solicitam pesquisa sobre algum tema - quanto de
pesquisas de interesse pessoal, sobre temas específicos); comunidade virtual –
Orkut; URL de bate-papo; MSN. No período letivo de 2005, a média mensal em
horas utilizadas na sala foi de 11.143h em: Navegador, Openoffice, Mensagem,
Home, Compactador, Imagem, Player; No 1º semestre de 2006 foram 28.871h de
acesso.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
É através da iniciativa das organizações que o impacto de socialização se
consolida no país, garantindo plena participação e igualdade de oportunidades
para as pessoas. Esses direitos são também valorizados quando a sociedade
reconhece que as pessoas devem ter o mesmo direito, que qualquer outro
cidadão, ao benefício dos serviços que são prestados pelo Estado e pela
sociedade em geral. O espaço digital proporciona estas oportunidades e permite

�novas possibilidades. É importante que este espaço seja utilizado para garantir
acesso aos conteúdos e para a ampliação de uma inteligência coletiva, aonde a
aprendizagem e o trabalho sejam enfocados para dar um sentido mais amplo à
melhoria social.
A busca constante da qualidade é também uma premissa para a BCCL,
pois compreende que o cliente e o produtor de serviços devem se corresponder
para que a satisfação contínua de suas exigências e expectativas quanto às
características de atributos de um produto ou serviço possam atender as
características, que normalmente dizem respeito à disponibilidade, à conveniência
de homogeneidade e à utilidade do produto ou serviço consumido.

REFERÊNCIAS
BAGGIO, Rodrigo. A sociedade da informação e a infoexclusão. Ci. Inf., Brasília,
v. 29, n. 2, p. 16-21, 2000.
FELDMANN, Paulo. Exclusão digital: um grande problema brasileiro. Bearing
Point, 2003. In: CONGRESSO DE INFORMÁTICA PÚBLICA, 2003, São Paulo.
São Paulo: CONIP, 2003. Disponível em: http://www.bearingpoint.com.pr/media/
Presentations/Exclusao_Digital.ppt&gt; Acesso em 27 jun. 2006.
GRUPO DE TRABALHO SOBRE BIBLIOTECAS VIRTUAIS DO COMITÊ
GESTOR DA INTERNET-BRASIL. Orientações estratégicas para implementação
de bibliotecas virtuais no Brasil. Ci. Inf., Brasília, v.26, n.2, p.177-179, maio/ago.
1997.
SEABRA, Carlos. Inclusão digital: algumas promessas e muitos desafios.
Disponível em: &lt;http://www.mhd.org/artigos/seabra_inclusao2.html&gt;. Acesso em
27 nov. 2004.

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Diante das mudanças sociais e da evolução das tecnologias de informação, faz- se necessário promover oportunidades de inclusão de maior número de pessoas  ao mundo informatizado. Não há como negar o impacto social que a Internet tem exercido sobre a sociedade atual. Neste sentido, a Biblioteca Central Cesar Lattes (BCCL) da UNICAMP estabeleceu uma parceria com o Portal Universia, que consiste num ambiente de acesso à informação. A partir da observação de número de horas de acessos e análise do cotidiano da BCCL, identificou-se crescente demanda dos usuários internos (vinculados à Unicamp) e externos (comunidade) de pontos de acesso livre à Internet, para realização das mais diversas atividades de ensino, pesquisa, lazer, consultas a bancos, participação em listas de discussão, acesso a conteúdos didáticos, informações institucionais e acadêmicas etc. O levantamento de tais demandas apontou, então, a necessidade de detectar quais as possibilidades para atender direcionadamente as necessidades dos usuários. O objetivo do presente trabalho é identificar o perfil destes usuários e apurar o conhecimento gerado a partir do livre acesso à informação. Para isso foi aplicado um questionário nesta comunidade composto por questões fechadas e aberta. Os resultados deverão nortear o aprimoramento dos serviços, viabilizando ações de efetiva inclusão digital.</text>
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                    <text>ACESSO LIVRE À INFORMAÇÃO: USANDO LTSP NA BIBLIOTECA DO
INSTITUTO DE FÍSICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

Ana Maria de Andrade
Bibliotecária, Universidade Federal Fluminense,
anamaria@if.uff.br
Irani Nemézio Brantes
Bibliotecária, Universidade Federal Fluminense,
irabrantes@if.uff.br
José Antonio Pereira do Nascimento
Bibliotecário, Universidade Federal Fluminense,
zetorio@ig.com.br

Resumo
Este trabalho apresenta um relato da experiência da Biblioteca do Instituto
de Física da Universidade Federal Fluminense na otimização de recursos para
disponibilizar aos seus usuários e a toda a comunidade acadêmica o acesso livre
e gratuito à Internet, Bases de Dados, Telnet, OPAC. O sucesso da implantação
deste serviço se deu, também, por uma ótima integração entre os analistas de
informática e os bibliotecários. Assim, foi criada uma rede, utilizando software
livre, onde foi empregado o projeto LTSP ( Linux Terminal Server Project), no qual
um computador de melhor porte trabalha como servidor disponibilizando seus
recursos para outras máquinas com menor poder de processamento, em geral,
desprovidas de HD, CD – ROM e outros recursos.
Palavras-chave: Software livre;
informação

Redes de computadores;

Bibliotecas – Redes de

�1 Introdução

Quem não tem problemas hoje em dia em alinhar avanço tecnológico com
recursos financeiros cada vez mais restritos nas universidades brasileiras? Foi
pensando nessa situação que nos propusemos a relatar a experiência da
Biblioteca do Instituto de Física da Universidade Federal Fluminense no que tange
à criação de uma rede de computadores visando disponibilizar aos seus usuários
e a toda comunidade acadêmica o acesso livre e gratuito à Internet, Bases de
Dados, Telnet, OPAC, otimizando recursos escassos e modernizando a biblioteca
bem como mantendo a qualidade no atendimento.
Primeiramente

apresentaremos alguns breves

conceitos, sem

nos

alongarmos muito na discussão teórica a cerca de cada um deles, já que muitos
textos se encontram disponíveis on-line ou nas próprias bibliotecas. Em seguida
explicaremos o que é o projeto LTSP, o histórico da biblioteca do Instituto de
Física da UFF e finalmente como se realizou nossa bem sucedida experiência.

2 Acesso livre X acesso gratuito à Internet

Para iniciar este capítulo gostaríamos de estabelecer as diferenças entre
acesso livre, acesso gratuito à Internet e até mesmo o conceito de software livre.
Assim sendo, acesso livre pode ter várias acepções desde o acesso livre
às estantes de uma biblioteca, até o acesso livre a periódicos científicos brasileiro
que o projeto Scielo proporciona. Em se tratando de redes de computadores o
acesso livre a que nos referimos, é aquele em que o usuário pode através de uma
biblioteca acessar à Internet, bases de dados, seus e-mails etc. utilizando-se de
uma rede própria conectada à Grande Rede.

�Este acesso pode ser livre, mas não necessariamente gratuito, pois
algumas bibliotecas universitárias poderiam até mesmo cobrar pelo tempo de uso,
já que muitas bases de periódicos, por exemplo, também cobram pelo acesso às
mesmas. No caso de bibliotecas universitárias públicas este acesso é livre e
também gratuito.
A UFF tem uma proposta interessante pois além de oferecer acesso livre e
gratuito, incentiva cada vez mais o uso de software livre.
Software livre se refere à liberdade dos usuários (neste caso, usuário de
informática e não necessariamente os utentes de biblioteca) executarem,
copiarem, distribuírem, estudarem, modificarem e aperfeiçoarem o software. Mais
precisamente ele se refere a quatro tipos de liberdade para os usuários do
software: a liberdade de executar o programa para qualquer propósito, a liberdade
de estudar como o programa funciona e adaptá-lo para as suas necessidades, a
liberdade de redistribuir, a liberdade de aperfeiçoar o programa e liberar os seus
aperfeiçoamentos de modo que toda a comunidade se beneficie, isto quer dizer
que o código fonte do programa estará sempre disponível.
Um programa é considerado um software livre se os usuários tem todas
essas liberdades. Portanto, você deve ser livre para redistribuir cópias seja com
ou sem modificações, seja de graça ou cobrando uma taxa pela distribuição para
qualquer um em qualquer lugar. Ser livre para fazer essas coisas significa (entre
outras coisas) que você não tem que pedir ou pagar pela permissão.
Você deve também ter a liberdade de fazer modificações e usá-las
privativamente no seu trabalho ou lazer, sem nem mesmo mencionar que elas
existem. Se você publicar as modificações, você não deve ser obrigado a avisar a
ninguém em particular, ou de nenhum modo em especial.

3 Open Public Access Catalogue (OPAC)

�Open Public Access Catalogue ou simplesmente OPAC é o catálogo do
acervo de uma biblioteca, automatizado e em linha, de acesso público, ou seja, é
a parte livre de um sistema integrado de bibliotecas. Tanto o pessoal técnico
quanto o público têm acesso às informações, via Internet, através dos terminais
instalados não só na biblioteca mas em qualquer outro lugar.
Em meados dos anos 80 na maioria das bibliotecas universitárias e
nacionais, os catálogos tradicionais (de fichas) foram substituídos pelo OPAC. A
partir de meados dos anos 90, as interfaces tipo texto baseadas em OPAC e
restritas a determinadas instituições foram substituídas pelo formato Web, ou
seja, podem hoje ser acessadas via Internet.
Em resumo, OPAC nada mais é que os catálogos eletrônicos que
normalmente utilizamos no nosso dia-a-dia.
São exemplos de OPAC: o catálogo da Library of Congress, o catálogo da
Biblioteca Nacional, catálogos gerais das Bibliotecas de universidades, etc. todos
disponíveis via Internet.
Geralmente, para estabelecer um sistema OPAC, é necessário um
microcomputador servidor, ou seja, um micro de grande capacidade de
armazenamento e processamento e outros microcomputadores de menor
capacidade para serem utilizados como terminais de consultas. Uma vez a OPAC
sendo disponibilizada no formato Web, a mesma pode ser acessada de qualquer
computador conectada à grande rede internacional de computadores.

4 O que é o Linux Terminal Server Project (LTSP)

LTSP é a sigla para Linux Terminal Server Project, um projeto que foi
criado pelo norte-americano James McQuillan e hoje é utilizado e mantido por
vários desenvolvedores em todo o mundo. O que faz este projeto ser um sucesso
é a possibilidade de se reutilizar computadores antigos na criação de redes de

�computadores, barateando os custos e renovando-se recursos. Como os
equipamentos não precisam de disco rígido e todos os programas ficam
instalados em um servidor, torna-se muito mais fácil a manuntenção e a
atualização da rede.
Hoje, em nossa realidade de universidade pública este é um projeto muito
promissor e adequado uma vez que a idéia central do LTSP é reunir tudo que
existe de melhor em GNU/Linux em um servidor completo de terminais, com alto
nível de gerenciamento.
Ultimamente, na área de TI o conceito de terminais vem sendo muito
discutido e vários projetos surgiram, alguns proprietários, outros livres como o
caso do LTSP.
O LTSP permite a utilização de um único computador (ou até mesmo mais
de um) para centralizar o processamento de aplicativos usando máquinas bem
menores como console (teclado, mouse e monitor).
Em alguns casos, LTSP tem sido utilizado inclusive com estações mais
novas apenas para facilitar o gerenciamento da rede.
Em relação a bibliotecas podemos citar o caso da Biblioteca Central da
Unicamp que já utiliza o LTSP em sua rede e já consolidou resultados tanto no
que tange a economia de recursos quanto de investimentos.

5 A Biblioteca do Instituto de Física da Universidade Federal Fluminense

5. 1 Histórico

A Biblioteca do Instituto de Física da UFF (BIF) foi criada em 1982, ligada
ao Curso de Pós-Graduação em Física e como do Valonguinho que abrange às

�áreas básicas da química, biologia, física e matemática.
Em 1985 a BIF, como é conhecida, integrou-se ao Sistema de Bibliotecas e
Arquivos do Núcleo de Documentação da UFF. Até 1994 ela tinha a característica
de ser uma biblioteca de pós-graduação e atender aos alunos do ciclo profissional
do Curso de Física. Porém, com a mudança de todo Instituto de Física para outro
Campus e conseqüentemente a transferência dos livros de física básica que
estavam na Biblioteca Central do Valonguinho, passou a concentrar toda a
coleção de física da UFF e a atender a alunos dos cursos de graduação
(Engenharia,

Matemática,

Química,

Farmácia,

Informática)

aos

quais

Departamento de Física oferece disciplinas.
Interessante, se faz ressaltar que buscamos sempre o melhor para o nosso
público usuário, intensificando a busca pela qualidade de nossos serviços, o que
é percebido por alunos e professores e inclusive comentado por colegas de outras
bibliotecas da UFF.

5.2 Objetivos

Fornecer informações, acesso a esta e recursos bibliográficos às
atividades de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas pela Universidade
Federal Fluminense e, especialmente, pelo Instituto de Física, bem como atender,
dentro do possível, a demanda por informações especializadas em Física da
comunidade em geral (estudantes de segundo e terceiro graus, pesquisadores de
outras instituições, outras bibliotecas etc.).

5.3 Acervo

�O acervo é composto de monografias (livros, dissertações e teses),
periódicos científicos e CD-ROMs especializados em Física, porém possuindo,
em menor número, obras tratando sobre

as seguintes áreas correlatas:

Matemática, Computação, Astronomia, Cosmologia, Historia da Ciência, entre
outras; possui também uma coleção de referência (dicionários e enciclopédias
gerais e especializados, tabelas, handbooks, bases de dados). Quantitativamente
são cerca: 7.700 livros e teses, e 19.000 fascículos de periódicos.

5. 4 Staff

A biblioteca conta com uma equipe de trabalho de três bibliotecários e três
auxiliares de biblioteca bem como, esporadicamente, a colaboração de dois ou
três estagiários.
A biblioteca é, ainda, auxiliada por uma comissão formada por um aluno e
um professor, além da chefia da biblioteca. A Comissão é uma instância
consultiva e deliberativa de caráter acadêmico e que tem a incumbência de
estabelecer

políticas

de

desenvolvimento

de

coleções,

diretrizes

de

funcionamento e serviços, bem como, programas e projetos objetivando o
aperfeiçoamento e a melhoria da qualidade da Biblioteca.
Quando, porém, surgiu a necessidade de se instalar uma rede de
computadores dentro da biblioteca para que a comunidade usuária pudesse
acessar o catálogo geral do Sistemas de bibliotecas da UFF, bem como os
catálogos de outras bibliotecas (OPAC), receber e enviar e-mails, pesquisar sites
na Web, foi necessário estabelecer uma aproximação maior e contar com a ajuda
dos responsáveis pela rede interna do Instituto de Física da UFF.

�6 O Projeto LTSP na BIF/UFF

Para atender a necessidade de disponibilizar aos seus usuários o acesso
às informações dos catálogos on-line da Biblioteca do Instituto de Física da UFF e
de todas as outras informações disponíveis na Internet (um dos nossos objetivos),
procuramos implementar uma solução viável que nos oferecesse segurança,
baixo custo de manutenção e o aproveitamento de microcomputadores com
pouca capacidade de processamento.
Para isso contamos com a ajuda de dois professores do Instituto de Física
da UFF, responsáveis pela manutenção de nossa rede interna, que nos
apresentaram a solução implantada.
Realizamos reuniões e discussões em conjunto para que ocorresse então
uma decisão institucional baseada em critérios tecnológicos e econômicos, sem
abrir mão, obviamente da qualidade dos serviços prestados que são marca da
Biblioteca, dentro da comunidade do Instituto bem como da Universidade como
um todo.
Decidimos, então, pela implantação do LTSP, realizamos pesquisas no
intuito de melhor conhecer o projeto, principalmente por parte dos bibliotecários
envolvidos, dirimindo dúvidas com os analistas conforme estas iam surgindo.
Uma vez que realizamos estes passos, o terceiro foi implantar o LTSP em
fase de testes (com apenas três micros), o que foi um sucesso, principalmente
porque, para os usuários, não houve diferença entre ter uma rede com
computadores novos ou com computadores obsoletos, pois a velocidade e o
acesso às informações, que é o primordial, foi alcançado.
Utilizamos como servidor um microcomputador com processador Sempron
3.000, memória RAM de 1Gb, HD de 80 Gb, utilizando o sistema operacional
Linux, no caso o UBUNTU (distribuição Linux baseada no Debian).

�Figura 1: Rede LTSP da BIF/UFF
01 Servidor com processador
Sempron 3.000, 1 Gb RAM, HD 80
Gb
Sistema Operacional Linux

01 Swicth

07 microcomputadores Pentium 100

Quando pensamos em oferecer aos nossos usuários acesso livre e público
à Internet através de uma rede, logo a questão dos recursos humanos também
veio à tona, afinal, teríamos microcomputadores sendo usados diariamente por
um número grande de usuários e o perigo de contaminação por vírus
disseminados através de diversos meios eletrônicos seria preocupante e, não
tínhamos pessoal especializado para executar a tarefa de fazer a manutenção
desta rede.
Fomos orientados a utilizar o Linux por este sistema nos oferecer total
segurança e proteção contra ataques de vírus e hackers. O que realmente se
constatou, haja visto que, desde que foi implantado, em janeiro de 2005, nunca
tivemos nenhum problema de funcionamento na rede.
Começamos com uma pequena rede de três microcomputadores e hoje,
utilizamos sete terminais conectados a um servidor (que também é utilizado para

�consultas).
Temos uma média diária de 15 usuários por máquina, cada um usando-as
por 45 minutos em média.
Instalamos em nosso servidor alguns softwares necessários para atender à
nossa proposta, um browser (Mozilla Firefox) e um editor de texto de pequeno
porte, pois não é nossa intenção que estes micros sejam usados para a digitação
de trabalhos acadêmicos.
Não há restrições quanto à utilização de e-mails, inclusive os alunos de
pós-graduação ainda utilizam muito o serviço de Telnet. Não estabelecemos limite
de tempo e nem reserva de horários. Este controle é feito pelos próprios usuários,
pois estes se auto-organizam e usam a rede de maneira democrática.
Obviamente que este autocontrole foi fruto de conscientização realizada
durante os treinamentos de usuários que ocorrem com as turmas ingressantes no
Instituto de Física a cada período.

7 Considerações finais

Esperamos com este relato oferecer subsídios para a expansão da
utilização de software livre em bibliotecas universitárias, uma vez que este
possibilita a redução dos custos de implantação, manutenção e atualização, além
de ser mais coerente com o caráter inovador e público das Instituições Federais
de Ensino superior.

�8 Bibliografia

CUNHA, Lelia Galvão Caldas da. Sistemas de bibliotecas e redes de informação
In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO,
8., 1973, Brasília. Anais... [S.l. : s.n.], 1975
LANCASTER, F. W. Ameaça ou oportunidade? O futuro dos serviços
bibliotecários à luz das inovações tecnológicas. Rev. Bibl. UFMG, v.23, n.1, p. 727, jan./jul. 1994.
MEY, E. S. A. Bibliotecários e analistas de sistemas: a convivência necessária.
Rev. Bibl. Brasília, v.16, n. 1, p.75-81, jan./jul. 1988.
OPAC. Disponível em: &lt;http://en.wikipedia.org/wiki/OPAC&gt; Acesso em: 18 maio
2006.
PROPUS. LTSP: Linux Terminal Server Project. Disponível em:
&lt;http://www.propus.com.br/corp/solutions/ltsp&gt;. Acesso em: 18 maio 2006.
ROBREDO, Jaime; CUNHA, Murilo Bastos. Documentação de hoje e de amanhã:
uma abordagem automatizada da biblioteconomia e dos sistemas de informação.
2a. ed. Brasília: Ed. Graf. Amorim, 1986.
ROWLEY, Jennifer. Informática para bibliotecas. Brasília: Briquet de Lemos, 1994.
WI 2001, Maebashi City, Japan. Anais... Berlin: Springer, c2001.

Abstract
This work presents a report of the Physics Institute Library of the
Universidade Federal Fluminense (UFF) in making better facilities to the resources

�disposed to its users, free and public access to the Internet, Databases, Telnet,
OPAC to all the academic community. The successfull implantation of this service
gave, also, an excellent integration between Computer Specialist and the
Librarians. The network was created, using a free software, LTSP (Linux Terminal
Server Project), in which a computer with a better capacity works as a Main
Computer, sending its resources to the others with a minor one - in general unprovided of HD, CD-ROM and other.
Key-words: Free software; Computer networks; Library – Networks.

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>Andrade, Ana Maria de; Brantes, Irani Nemézio; Nascimento, José Antonio Pereira do</text>
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                <text>Este trabalho apresenta um relato da experiência da Biblioteca do Instituto de Física da Universidade Federal Fluminense na otimização de recursos para disponibilizar aos seus usuários e a toda a comunidade acadêmica o acesso livre e gratuito à Internet, Bases de Dados, Telnet, OPAC. O sucesso da implantação deste serviço se deu, também, por uma ótima integração entre os analistas de informática e os bibliotecários. Assim, foi criada uma rede, utilizando software livre, onde foi empregado o projeto LTSP ( Linux Terminal Server Project), no qual um computador de melhor porte trabalha como servidor disponibilizando seus recursos para outras máquinas com menor poder de processamento, em geral, desprovidas de HD, CD – ROM e outros recursos.</text>
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                    <text>ACESSO LIVRE A PRODUÇÃO CIENTIFICA DE DEPARTAMENTOS E
FACULDADES: MIGRAÇÃO DE UMA BASE REFERENCIAL PARA UM
REPOSITÓRIO TEMÁTICO.
Fernanda de Souza Monteiro
Mestranda em Arquitetura da Informação,
Universidade de Brasília (UnB). Departamento de
Ciência da Informação e Documentação (CID).
Bolsista do CNPq Brasil.
Endereço eletrônico: fernanda.s.monteiro@gmail.com

Maria da Conceição Lima Afonso
Graduada em Biblioteconomia. Sistema Industria.
Área Compartilhada de Informação e Documentação
(ACIND). SBN, Quadra 1, Bloco C. Edifício Roberto
Simonsen, 4. andar
CEP: 70040-903. Brasília - DF
Endereço eletrônico: nikaboana@gmail.com

RESUMO

As universidades podem ser reconhecidas como espaços de produção e
disseminação da informação cientifica por auxiliarem no processo de construção
informacional. Com este intuito, o Departamento de Ciência da Informação e
Documentação (CID/ UnB), no ano de 2005, implementou uma Base de Dados
referencial que contém informações bibliográficas, como referências e resumos,
para favorecer o controle e recuperação de sua produção cientifica. Entretanto,
esta Base não permite acesso ao inteiro teor dos documentos, gerando entre
docentes e discentes a necessidade de recursos para a submissão e
disponibilização de conteúdo. Neste contexto, com base na Iniciativa dos Arquivos
Abertos, busca-se subsídios à migração da Base Referencial do CID para um
Repositório temático que facilitará a gestão desta produção em meio digital. A
proposta deste trabalho é fornecer informações teóricas e práticas para guiar esta
mudança de perspectiva.
Palavras-chave: Arquivos Abertos; Repositório temático; Base de dados
referencial.

�2

1 Introdução

As formas de produção e divulgação da informação científica encontram-se
em constante evolução. As novas tecnologias, principalmente as tecnologias da
informação (TI), ampliaram essas perspectivas provocando uma mudança rápida
do ambiente informacional e um aumento considerável na quantidade de
conteúdos.
Nas

universidades,

a

produção

científica

acadêmica

apresentou

crescimento acentuado e mudanças expressivas em sua forma de disseminação
que provocaram descontrole sobre o sistema de comunicação científica. Esta
produção que fora restrita às instituições de origem, como no caso da literatura
cinzenta, hoje pode ser valorizada e reconhecida como uma importante fonte de
conhecimento devido a utilização de mecanismos oriundos das novas TIs, como a
Internet,

que

permitem interatividade,

hipertextualidade

e

difusão

desta

informação em novos suportes e formatos. Elementos como Bases de dados
referenciais e Índices de citações se transformaram em formas de controle e
promoção do conhecimento acadêmico. Expressivamente, segundo Miranda e
Simeão (2003), a Internet aumentou as possibilidades quantitativas e qualitativas
para dispor informações.
O Departamento de Ciência da Informação e Documentação (CID) da
Universidade de Brasília (UnB), ciente deste importante recurso, no ano de 2005,
implementou uma Base de Dados referencial on line com informações
bibliográficas, como resumo e referências, para favorecer o controle

e

recuperação de sua produção científica. Porém, esse tipo de difusão não satisfez
as necessidades, no que diz respeito à recuperação do inteiro teor desses
documentos. Diante disso, este trabalho apresenta uma proposta de migração
dessa Base para um Repositório temático, tendo como incentivo a Iniciativa dos
Arquivos Abertos (Open Archives Initiative  OAI).

�3

2 A Base de dados referencial do CID/UnB

Base de dados com informações bibliográficas é um recurso para
disponibilizar documentos em meio acadêmico, ou demais ambientes de
pesquisa, com o propósito de aumentar sua visibilidade, acelerar o avanço da
ciência e disseminar amplamente os resultados das pesquisas (HARNARD,
2001).

A Base de dados de acesso on line elaborada pelo CID/UnB, visava

principalmente o controle e a visibilidade de sua produção. Esta foi implementada
no ano de 2005, com a utilização da Plataforma EVM.Net no Portal do CID,
contendo informações bibliográficas, como resumo e referências das monografias
do curso de graduação em Biblioteconomia.
A Plataforma utilizada, EVM.Net, é um sistema gerenciador de informações
que possibilita a comunicação em meio digital, o tratamento e a disponibilização
de conteúdos. Desenvolvida em 1997, no Departamento de Informática da
Assembléia Legislativa do Rio Grande, a EVM.Net é um sistema que utiliza ASP
como linguagem padrão e bancos de dados relacionais para a segurança de
acesso, agilidade e integridade. Esta Plataforma é gerada no modelo
cliente/servidor e subdividida em módulos. Vale ressaltar, que a mesma permite o
acesso externo seletivo para edição remota, favorecendo a organização dos
dados e a liberdade de edição desmembrada de cada módulo que compõe o
Portal, concebendo maior segurança e controle na inserção, exclusão ou edição
dos dados.
A Base, desenvolvida com arcabouço fornecido por esta Plataforma, possui
diretrizes para inserção dos dados, disponibilização das referências e acesso. O
Anglo American Catalogue Rules (AACR2 ) teve seu uso aplicado na definição de
seus campos, e a norma NBR 6023 , para a exibição das informações
recuperadas no formato padrão de referências bibliográficas. A submissão e o
monitoramento dos dados são feitos via internet (acesso on line), com o uso de
login e senha que permitem ao alimentador e demais usuários acesso somente ao

�4

módulo de sua responsabilidade. O controle de acesso é único e centralizado,
sendo o cadastramento da senha feito pelo supervisor de segurança do sistema.
Sayão (1996) afirma que a criação de bases de dados bem estruturadas e
com um nível de padronização satisfatório talvez seja a melhor forma de tornar
visível para a comunidade científica a atividade de pesquisa. Logo, a divulgação
da produção científica do CID em bases de dados on line mostrou-se como
excelente recurso de difusão do conhecimento produzido, já que o objetivo
principal dessa Base foi tornar a informação visível observando conseqüências
que afetam favoravelmente aqueles que possuem ou venham manifestar
interesse nos documentos que a constituí. Uma dessas conseqüências foi à
promoção do que vem sendo produzido pelos graduandos do Departamento,
esboçando a qualidade e o assunto que caracterizam seu trabalho.

3 A necessidade de acesso ao inteiro teor da produção científica acadêmica

O acesso à produção científica acadêmica contribui para que novos
conhecimentos sejam desenvolvidos e/ou aprimorados. Sendo assim, a
inacessibilidade desta informação pode ser considerada como uma ruptura do
ciclo informacional, tendo em vista que a comunicação (transferência) dessa
produção constitui um de seus processos fundamentais. Já no CID, essa
inacessibilidade à comunidade, provocou entre docentes e discentes do
Departamento a necessidade de recursos que permitam a sua popularização,
transferência, disseminação e acesso ao inteiro teor dos documentos,
impulsionando o desenvolvimento de projetos que auxiliem a recuperação e
tratamento da produção cientifica.
A possibilidade de contar com um espaço onde possa ser depositada a
produção científica de uma instituição propicia o ambiente necessário para a
discussão entre os pares e o intercâmbio de idéias (MORENO; ARELLANO,
2005). Segundo Leite e Costa (2006, p. 106), as universidades constituem um
dos principais elos da cadeia de produção do conhecimento no sistema científico.

�5

Portanto, o acesso livre ao inteiro teor dos documentos, contribui para o aumento
da visibilidade, prestígio e credibilidade dessas instituições na comunidade
científica.

3.1 Acesso livre e Repositórios temáticos

A concepção de acesso livre a informação teve como principal
impulsionador a OAI, instituída em 1999 na Convenção de Santa Fé realizada no
México. Essa Iniciativa oferece parâmetros para disponibilização de documentos
de livre acesso em meio digital. Segundo Sompel e Lagoze (2000), o objetivo da
OAI é contribuir de forma concreta para a transformação da comunicação
científica. O veículo proposto para esta transformação, segundo eles, é a
definição de aspectos técnicos e suportes organizacionais para uma publicação
científica aberta, em que as camadas livres possam ser estabelecidas. Os
principais aspectos estabelecidos pela OAI circundam: o auto-arquivamento,
possibilidade de o autor submeter o seu trabalho para publicação agilizando a
disponibilização da informação; a revisão entre os pares, que permite
transparência no processo de crítica e aprimoramento do trabalho desenvolvido; e
a interoperabilidade, padronização para o acesso irrestrito.
A filosofia empregada nesta Iniciativa surgiu como um mecanismo para que
outros tipos de repositórios fossem desenvolvidos com a premissa de armazenar,
preservar, divulgar e permitir o acesso aos documentos gerados pelas
instituições. Exemplos disto são os periódicos eletrônicos de acesso aberto,
repositórios de e-prints, repositórios institucionais e repositórios temáticos.
No que diz respeito aos repositórios temáticos, segundo Kuramoto (2006,
p. 83), são um conjunto de serviços oferecidos por uma sociedade, associação
ou organização, para gestão e disseminação da produção técnico - cientifica em
meio digital, de uma área ou subárea especifica do conhecimento. Em outras
palavras, preservam e disponibilizam em meio digital a produção de um grupo
temático, característica esta, que vem de encontro à necessidade de pesquisar e

�6

acessar o inteiro teor dos documentos referenciados na Base de Dados on line de
Monografias do CID. Neste momento, identifica-se uma potencial aplicação da
filosofia dos Arquivos Abertos na elucidação de um repositório temático do
Departamento.

4 Proposta de migração da Base de dados referencial do CID para um
Repositório temático

Como já foi observado, a proposta de disponibilizar a produção científica do
CID com a implementação de uma base de dados referencial, viabiliza a
divulgação do que é produzido, porém não permite o acesso ao inteiro teor deste
conteúdo.
Bases de dados referencias como esta, que disponibilizam informações e
indicadores sobre aquilo que vem sendo produzido, comumente fornecem um
panorama da produção bibliográfica de uma área ou instituição, mas não
satisfazem a necessidade de acesso aos textos completos. Isto, por muito tempo
justificou-se pela preservação dos direitos autorais que defendiam o pagamento
pela utilização dos resultados de pesquisa expressos em documentos científicos.
Fazer desta Base existente um Repositório temático, com busca e acesso
livre ao conteúdo integral dos documentos referenciados, releva a filosofia dos
Arquivos Abertos. Esta proposta almeja incorporar tal filosofia, adequando suas
premissas àquilo já temos como resultado de um esforço maior de difusão do
conhecimento produzido no Departamento.

�7

4.1 A filosofia dos Arquivos abertos como resposta à restrição de acesso ao
inteiro teor dos documentos

Em reunião promovida pelo Open Society Institute (OSI) em Budapeste no
ano de 2001, discutiu-se a questão do acesso à literatura científica. Como
resultado obteve-se um documento e uma iniciativa que definem os princípios e
estratégias para a disponibilização irrestrita desta literatura. Este importante
documento chamado Budapest Open Access Initiative (BOAI) define que Acesso
Livre significa a disponibilização livre na Internet de literatura de caráter
acadêmico ou científico, permitindo o acesso, leitura, cópia, utilização e
distribuição a quem interessar, sendo a única restrição a responsabilidade do
autor pela integridade do seu trabalho e o direito de ser devidamente citado
(BUDAPEST..., 2002).
Diante do exposto, a filosofia dos Arquivos Abertos acrescida a Base de
dados referencial do CID confere a postura necessária para eliminar o problema
de acesso e utilização do inteiro teor dos documentos outrora descritos. O fator
favorável a esta aderência são as características da Base em contrapartida com
as características de um Repositório Temático, que conforme mencionado é
adequado a este caso. As características desse, segundo Café et. al. (2003), são
o processamento automático dos mecanismos de discussão entre os pares, a
geração de versões de um mesmo documento, a tipologia variada de
documentos, o auto-arquivamento e a interoperabilidade entre todos os
repositórios temáticos e seus serviços agregados. Tais características serão
discutidas e avaliadas suas aplicabilidades, como um aspecto teórico ou prático
necessário à composição do repositório.

�8

4.2 Aspectos teóricos e práticos necessários à migração da Base de dados
referencial do CID para um Repositório temático

Como mencionado, este trabalho tem a premissa de utilizar a filosofia de
Arquivos Abertos, em que, neste caso, aproxima-se à aplicação de um
Repositório temático por se tratar de um conjunto de pesquisas de determinada
área do conhecimento. Portanto, nem todas as suas características serão
apreendidas na elucidação desta proposta.
O auto-arquivamento circunda o depósito de um documento digital, por seu
responsável, em um site na Web de livre acesso (SELFARCHIVING..., 2006).
Esta ação, que prescinde as diretrizes da OAI, requer ao autor informar,
juntamente com a localização de seu arquivo, o conjunto de metadados1 que o
define. Desta forma, o autor garante a visibilidade e acesso aos trabalhos de
pesquisa desenvolvidos. Este auto-arquivamento não restringe o ato de depositar
um documento exclusivamente ao autor do texto eletrônico, mas admite a
submissão por terceiros, desde que autorizada pelo autor (CAFÉ; LAGE, 2002).
No caso do CID, é possível que haja um responsável para inserir o texto completo
das monografias apresentadas pelos alunos de graduação, uma vez que estes
tenham autorizado sua divulgação e utilização conforme as condições expostas
pela filosofia dos Arquivos Abertos. Este procedimento pode contar com o uso de
uma concessão assinada pelo autor e a entrega de seu documento digitalizado.
Contudo, a ferramenta, que ainda não esta de acordo com os protocolos
estabelecidos pela OAI, não é capaz de armazenar e disponibilizar os metadados,
sendo para tanto, imprescindível sua adaptação.
O procedimento de discussão entre os pares e a geração de versões de
um mesmo documento alterado, não se aplica, neste caso, a documentos de
conclusão de curso. Contudo, é proposto o estabelecimento de um campo para a
inserção de comentários e sugestão de trabalhos futuros.

1

São informações que resumem, enriquecem ou complementam os objetos ou serviços
referenciados [...] (BORBINHA; FREIRE, 2002, p. 1).

�9

A interoperabilidade, segundo Marcondes e Sayão (2002, p. 47), é a
possibilidade dos acervos serem consultados simultaneamente, sem que um
usuário acesse cada site individualmente, ou melhor, é a capacidade de
comunicação de forma transparente entre sistemas semelhantes ou não. Mas,
para se atingir isso entre diferentes repositórios é necessário que aja a utilização
de diversos protocolos e tecnologias, além de padrões abertos. Triska e Café
(2001, p. 93) apresentam os seguintes aspectos, estabelecidos na Convenção de
Santa Fé, para se atingir a interoperabilidade: mecanismos de submissão;
armazenamento a longo prazo; política de gerenciamento da submissão e da
preservação dos documentos a serem inseridos no repositório; e, interface aberta
que permita a terceiros coletar os dados do repositório. Portanto, é necessário a
adequação

da

Plataforma

EVM.net

aos

diferentes

protocolos

de

interoperabilidade estabelecidos para OAI. Vale destacar que esta Plataforma é
uma ferramenta de código aberto que facilita a sua compilação às normas
preestabelecidas.

5 Considerações finais

Este trabalho mostra que além de existir a necessidade de controle e
divulgação do que é produzido existe a necessidade de acesso ao conteúdo
desses documentos.

Logo, são várias as possibilidades para disponibilizar à

produção científica acadêmica. Aqui, sugeriu-se a utilização do Repositório
temático como um mecanismo eficaz para a promoção e acessibilidade a essa
literatura. Os Repositórios temáticos, como já mencionados, são sistemas
informacionais que, além de preservar e promover a produção científica, permitem
o acesso ao inteiro teor dos documentos de uma determinada área temática. A
proposta de migração da Base de dados referencial do CID para um Repositório
temático teve como motivação a visibilidade da produção científica do
departamento e o aumento da qualidade técnica dos trabalhos produzidos. Essa
mudança de paradigma evidenciou, entre os pesquisadores do CID, que o

�10

compartilhamento de informação é um importante passo para a democratização
do conhecimento.

6 Referências Bibliográficas

BORBINHA, José; FREIRE, Nuno. Metadados: relevância para bibliotecas e
organizações relacionadas. 2002. Disponível em: &lt;http://metadados.bn.pt&gt;.
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>As universidades podem ser reconhecidas como espaços de produção e disseminação da informação cientifica por auxiliarem no processo de construção informacional. Com este intuito, o Departamento de Ciência da Informção e Documentação (CID/ UnB), no ano de 2005, implementou uma Base de Dados referencial que contém informações bibliográficas, como referências e resumos, para favorecer o controle e recuperação de sua produção cientifica. Entretanto, esta Base não permite acesso ao inteiro teor dos documentos, gerando entre docentes e discentes a necessidade de recursos para a submissão e disponibilização de conteúdo. Neste contexto, com base na Iniciativa dos Arquivos Abertos, busca-se subsídios à migração da Base Referencial do CID para um Repositório temático que facilitará a gestão desta produçãoo em meio digital. A proposta deste trabalho é fornecer informações teóricas e práticas para guiar esta mudança de perspectiva.</text>
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            <description>A language of the resource</description>
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                    <text>AÇÕES DE LETRAMENTO DIGITAL NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO

Ellys Regina Galindo Lima de Barros
Universidade Católica de Pernambuco
Rua do Príncipe, 526 Boa Vista – Recife – PE – Brasil CEP: 50050900
e-mail: ellysregina@yahoo.com.br

Simone Rosa de Oliveira
Universidade Católica de Pernambuco
Rua do Príncipe, 526 Boa Vista – Recife – PE – Brasil CEP: 50050900
e-mail: sro@hotmail.com

Andréa Batista
Biblioteca do Porto Digital
Avenida Barbosa Lima,149,sl 7,Bairro do Recife -PE -Brasil CEP: 50030917
e-mail: andreabatistape@yahoo.com.br

Resumo: O que vem a ser letramento digital? Estará a sociedade da informação
preparada para a virtualidade da leitura e da escrita? Este trabalho apresenta
alguns questionamentos a partir das ações de letramento digital realizados em
Recife, como exemplos, o Projeto Horizonte desenvolvido na Universidade
Católica de Pernambuco, voltado para crianças e adolescentes portadores de
Síndrome de Down e deficiência auditiva e, o Livron@uta, produto da parceria da
Universidade Federal de Pernambuco e o Porto Digital, que visa estimular a
leitura entre crianças e adolescentes de uma comunidade, analisar o
desenvolvimento educacional, através da elevação do nível de compreensão de
leitura das crianças e adolescentes; avaliar a leitura e compreensão do texto
impresso e digital em crianças e adolescentes; identificar e avaliar o Letramento
Digital e sua trajetória e aplicabilidade no Projeto Livron@uta e Projeto Horizonte.
De tal forma, este estudo busca entender como as novas tecnologias constituem
uma possibilidade de interação social, identificando o processo de
desenvolvimento educacional através da leitura de textos digitais que envolvem
links para outros textos, textos dinâmicos ou animados com o uso de imagens e
sons, ou seja, o Letramento Digital como fator que interfere diretamente no
comportamento social e processo de aquisição da linguagem.
Palavras-chave: Letramento digital; Leitura e escrita; Ensino-aprendizagem.

1

�1 Introdução

Atualmente, o computador está inserido no contexto educacional e social,
possibilitando experiências práticas e teóricas através da leitura e da
comunicação à distância com a utilização de um novo modo, com uma dinâmica
diferente, que requer um novo saber, um novo aprendizado, uma nova cognição.
Estes saberes são apresentados como sendo um novo letramento que ao mesmo
tempo, exige e amplia o “letramento tradicional” que se faz necessário para criar
novas trajetórias do conhecimento.

Ler, escrever e teclar constituem-se hoje, em atividades altamente
desafiadoras e necessárias, pelo que representam de possibilidade de inserção
maior do homem na sociedade, não como forma de submissão aos textos
existentes e às tecnologias disponíveis, mas como forma de conhecendo-as,
poder criticá-las, criar novas formas de ação com elas e para elas, novos modos
de ler e de escrever.

O Letramento Digital é uma possibilidade do pleno acesso à informação e
aos meios de criação cultural e compartilhamento e produção de conhecimento.
Porém, a inclusão digital não é somente através do computador, precisamos
capacitar as pessoas para usar as novas tecnologias de forma correta para que
acessem as informações e os meios de criação e produção. Por isso é necessário
fazer o Letramento Digital, não só como forma de conhecimento técnico, mas
também do uso de teclado, interfaces gráficas, dominando as tecnologias de
produção de textos, imagens, sons e também de comunicação através da
Internet.

Este estudo trata do impacto do Letramento Digital que envolve crianças e
adolescentes no Projeto Horizonte (UNICAP) e Projeto Livron@auta (UFPE). Em
ambos os projetos, busca-se entender como as novas tecnologias constituem
uma possibilidade de interação social onde as formas de conectividade
possibilitem conectar qualquer pessoa, a um reservatório de dados e a processos
de intermediação político-social.
2

�Apresenta diversas propostas que têm como objetivo estimular a cognição
das crianças e dos adolescentes, estes que já possuem um conhecimento prévio
da leitura e da escrita, isto é, sendo alfabetizados já compartilham dos materiais
escritos que circulam na sociedade.

O conhecimento das práticas sociais de leitura e de escrita está engajado
no processo de aquisição do sistema gráfico alfabético, assim, a escrita passa a
ter sentido, pois já possui funcionalidade. Observa-se que o ritmo das crianças
para esta aprendizagem é bastante variado, em especial por causa de sua
vivência cultural, que estimula ou não o desenvolvimento e evolução dos estágios
cognitivos. Investigando o desenvolvimento cognitivo referente à aquisição da
leitura e da escrita, Ferreiro e Teberosky (1984, p.35) constataram que as
crianças vão formulando, com regularidade, suas próprias histórias sobre a
natureza do sistema da escrita que as cerca.

Um dos impactos é a interligação e o acesso a muitos textos ao mesmo
tempo, onde um texto contém uma passagem que dá acesso a outro texto ou
imagem através de caminhos que se abrem. Esta forma de acessar a informação
proporciona uma nova cognição e percepção dentro da realidade.

2 Lições de letramento digital

Os projetos sociais que a UNICAP e UFPE desenvolvem são resultados da
experiência com crianças e adolescentes. Na UNICAP, o Projeto Horizonte visa
estimular as habilidades das crianças e adolescentes portadoras de deficiência
auditiva e Síndrome de Down. Atende na Biblioteca Central, crianças e jovens de
escolas públicas da Região Metropolitana do Recife, que apresentam dificuldades
no aprendizado. Em parceria com o Departamento de Pedagogia, o projeto
funciona também como pesquisa e estágio para os alunos do curso de
Pedagogia. São desenvolvidas atividades que estimulam a criatividade. As
crianças e jovens têm contato com tarefas que obrigam o uso da tecnologia,
dessa forma são incluídas no meio digital.
3

�Já na UFPE, o Projeto Livro@auta, que é um projeto de extensão do
Departamento de Letras da UFPE, em parceria com a Biblioteca do Porto Digital
e do Bandeprev, com o objetivo de promover o desenvolvimento educacional e o
acesso de crianças e adolescentes à Internet.

Esses projetos de Letramento

Digital em crianças e adolescentes diagnosticam os novos recursos didáticos,
compreendendo o incentivo da prática ao ensino/ aprendizagem através de meios
como Internet, softwares educacionais, sites.

3 Objetivos

Os Projetos Livron@auta e Projeto Horizonte buscam traçar um diagnóstico
da metodologia aplicada, e por conseguinte, contribuir para novos estudos que se
realizam em torno do Letramento Digital e a sua relevância para a inclusão digital
do maior número possível de pessoas na sociedade. Esses e outros são os
objetivos essenciais, bem como:
•

Análise do desenvolvimento educacional, através da elevação do nível de
compreensão de leitura das crianças e adolescentes;

•

Avaliação da leitura e compreensão do texto impresso e digital;

•

Identificação e avaliação do Letramento Digital e sua trajetória e
aplicabilidade nos projetos;

•

O acesso à tecnologia como meio de inserção social;

•

Investigação dos processos de Letramento Digital e a sua relação com a
alfabetização em crianças e adolescentes;

•

Os processos de Letramento Digital e alfabetização: influências no
processo de escolarização e na vida em sociedade;

•

Quais as alterações de comportamento social com o Letramento Digital?

•

Qual o nível de compreensão da tecnologia aplicada a Internet?

4

�4 Letramento digital a partir de um referencial teórico

O Letramento não é uma discussão recente dos estudiosos envolvidos em
várias áreas interdisciplinares, como a Lingüística, a Psicologia, a Pedagogia,
dentre outras que se envolvem com a aprendizagem e a inserção social do ser
humano. Entretanto, com o advento de novas tecnologias surgidas recentemente,
o seu conceito voltou a ser repensado e os cursos que envolvem as Ciências da
Linguagem serão de grande aplicação às recentes demandas dessas “novas
formas de aprender”.

O sistema de escrita apareceu como uma forma de representar a fala,
logo no inicio (ainda na época do homem primitivo) o que funcionava era
o sistema pictográfico, que consistia em representar a fala através de
linhas ou traços, até formar a escrita silábica, onde foram usados vinte e
quatro símbolos para representarem as palavras. (Gelb apud Kato, 2002,
p. 48)

Segundo Morin (2001, p. 25) a “Escola é um organismo vivo, composto de
pessoas que interagem entre si e com o meio em que estão inseridas
modificando-o e sendo modificadas constantemente”.

Para Soares (2003, p. 35):

O ensino (...) deve estar baseado em textos orais e escritos, que visem
ao Letramento, ou seja, ao aperfeiçoamento da prática social da
interação lingüística, através do desenvolvimento das habilidades de ler,
escrever, ouvir e falar, nas diversas situações discursivas.

O reconhecimento da importância do Letramento está definitivamente
consolidado para Kleiman (1995, p. 19) como “um conjunto de práticas sociais
que usam a escrita, enquanto sistema simbólico e enquanto tecnologia, em
contextos específicos, para objetivos específicos”.

O Letramento propõe tarefas de leitura e escrita, ampliando a compreensão
do mundo, pois nenhum ser pode estar isolado; assim sendo, é necessário
proporcionar às crianças e adolescentes pistas que os façam parar e refletir sobre

5

�a importância de cada um/a como sujeito/ leitor de mundo e da palavra que está
no mundo.

Na concepção de Soares (2003, p. 26), Letramento é a “condição de quem
se apropriou da leitura e da escrita, incorporando as práticas sociais que as
demandam”.

Sob o ponto de vista de Soares (2003, p.146)

(...) as práticas de leitura e de escrita digitais, o letramento na
cibercultura, conduzem a um estado ou condução diferente daquele a
que conduzem as práticas de leitura e de escrita quirográficas e
tipográficas.

Na opinião de Drucker (2000, p. 43):

o conceito de Tecnologias de Informação e Comunicação surge como
conjunto de conhecimentos, refletidos quer em equipamentos e
programas, quer na sua criação e utilização pessoal e empresarial. Das
várias ferramentas, métodos e técnicas que coexistem nas escolas no
domínio das Tecnologias de Informação, o computador destaca-se na
medida em que é o elemento em relação ao qual existe uma maior
interação com a componente humana das organizações (é também
comum a referência a estas tecnologias pela sigla” TI “ou por “TIC” –
Tecnologias da informação e Comunicação).

O letramento digital, segundo Lévy (1999, p. 17);

é um conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de
atitudes, de modos de pensamento e valores que se desenvolvem
juntamente com o crescimento do ciberespaço, que é o novo meio de
comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores.

Lévy (1999, p. 56) define o hipertexto como “um texto móvel, caleidoscópio,
que apresenta suas facetas, gira, dobra-se e desdobra-se à vontade frente ao
leitor”.

6

�Ferreiro e Teberosky (1984, p.15):

dão conta de que a grande parte das crianças está em contato com a
escrita por meio de seus diferentes portadores de texto, iniciando-se no
conhecimento destes materiais mesmo antes de ingressarem na escola.

O desenvolvimento da oralidade é de suma importância para a criação de
histórias escritas, pois primeiro se faz necessário que a criança organize suas
idéias, verbalize-as, discuta-as com os colegas, para que, quando for registrá-las,
esteja com idéias bem formuladas, facilitando assim a escrita.

Os instrumentos teóricos fornecidos pela epistemologia genética formulada
e desenvolvida por Jean Piaget, pela teoria sócio-histórica de L.S. Vygotsky e a
psicogênese de Emília Ferreiro, juntamente com seus seguidores são também
considerados fundamentais para o estudo em questão.

Segundo Vygotsky (1984, p.19)

todas as funções no desenvolvimento da criança aparecem duas vezes:
primeiro, no nível social; depois no nível individual; primeiro entre
pessoas, interpsicológica, depois, no interior da criança, intrapsicológica.

A teoria Interacionista Construtivista, que tem em Piaget seu principal
representante, concebe a criança como um ser ativo, inteligente, que constrói seu
conhecimento com base na interação com o ambiente.

Para Piaget, o desenvolvimento é uma construção que se dá em etapas,
resultando da maturação neurológica e do contato com o mundo físico e social. O
ser humano utiliza esquemas de ação já formulados para conhecer e modificar o
ambiente e, nesse processo, cria novas estruturas de pensamentos mais
avançados. Por intermédio dos processos mentais de assimilação e acomodação
o sujeito vai se modificando para se adaptar ao meio.

7

�Os estudos fundamentados na teoria Piagetiana focalizam e privilegiam o
conhecimento sobre o sujeito que constrói a linguagem, assim como o
desenvolvimento das habilidades cognitivas que interagem nesse processo.

Do ponto de vista do construtivismo, a interação do sujeito com o meio
físico e social é essencial para o desenvolvimento das estruturas lógicas que
possibilitam o conhecimento. Este conhecimento provém de construções
sucessivas com elaborações constantes e novas estruturas. Essas construções
resultam da relação do sujeito com o objeto. As relações de um sobre o outro são
recíprocas, provocando no sujeito um desequilíbrio que o faz esforçar-se para
adaptar-se, a fim de que se restabeleça o equilíbrio.

Para Ferreiro e Teberosky (1984, p.31),
o sujeito cognoscente, o sujeito que busca adquirir conhecimentos, o
sujeito que procura ativamente compreender o mundo que o rodeia, e
trata de resolver as interrogações que este mundo provoca.

A partir de Smolka (1999, p.14) sabemos que

a aprendizagem é uma conseqüência de múltiplos e complexos
processos cognitivos que os sujeitos vivem, e não processos meramente
motores, como querem e defendem alguns. Aprende-se a ler e a
escrever porque se pensa sobre esse objeto de conhecimento e não
porque se copia inúmeras vezes o que o professor determina. Aprendese porque cada um investe em seu tempo, esforço e desejo em
determinado objeto que deseja melhor conhecer. E inicia com este
objeto um jogo de pensamento. Envolve o procurar e o achar, mas
também o não encontrar e o perder. Ou perder-se. Um jogo que tem o
comando do cérebro e não, como se acredita tão firmemente, o
comando do olho, da mão ou do ouvido. Um jogo que precisa ter sentido
para quem nele se envolve. Um jogo que é determinado pelo próprio
jogador, e não por um outro exterior a ele, quer seja a professora, quer
seja o livro didático. Nesse jogo de aprendizagem da leitura e da escrita,
quem dita as regras é o aluno. E estas normas pessoais que estão
sempre em revisão, reelaboração, releitura de múltiplas interações e
interlocuções a que os sujeitos-aprendizes estão imersos.

A passagem da escrita espontânea para a escrita convencional depende
da instalação na criança do conflito cognitivo. O professor deverá saber colocar o

8

�conflito cognitivo adequado, que desestabilize, pelo confronto, a hipótese da
criança, provocando a busca de nova hipótese, num nível mais evoluído.

5 Considerações finais

Os projetos também serviram para incentivar a pesquisa de campo na UFPE e
UNICAP e através dos indicadores de impacto qualitativo e quantitativo,
permitiram:

1. Pesquisa bibliográfica em livros e periódicos para embasamento sobre o
letramento digital, Internet, aquisição da linguagem;
2. Construção do referencial teórico;
3. Entrevista qualitativa não estruturada com crianças e adolescentes e
pesquisadores envolvidos nos projetos;
4. Entrevistas qualitativas não estruturadas compreendendo os dados sóciodemográficos com as crianças e adolescentes e pesquisadores envolvidos
nos projetos;
5. Estudo de observação da autonomia e auto-estima dos participantes.

Através das entrevistas, é possível identificar o índice de desempenho das
crianças e adolescentes em suas atividades de pesquisa, levando em questão
alguns pontos importantes:

1. O nível de compreensão da leitura on-line;
2. O desempenho escolar (freqüência, participação, envolvimento em
pesquisa);
3. O interesse pela leitura nas crianças e adolescentes no seu ambiente de
convivência;
4. O enriquecimento de vocabulário.

Os resultados dessas práticas permitirão analisar o desenvolvimento
educacional, através do nível de compreensão de leitura do texto impresso e

9

�digital e também dos processos de Letramento Digital e a sua relação com a
alfabetização das crianças e adolescentes.

Afinal, para formar cidadãos participativos é preciso levar em consideração
a noção de letramento e não o de alfabetização. Letrar significa inserir a criança
no mundo letrado, trabalhando com diferentes usos da escrita quando ela interage
socialmente com práticas do letramento no mundo social.

Referências

CHOMSKY, N. Lingüística cartesiana. Petrópolis: Vozes, 1972.
DRUCKER, Peter. Uma era de descontinuidade orientação para uma sociedade
em mudança. 3.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2000.
FERREIRO, Emília; TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da língua escrita. Porto
Alegre: Artes Médicas, 1984.
GERALDI, João Wanderley. Culturas orais em sociedades letradas. Revista do
Instituto de Letras, Campinas, v.19, n.1-2, p.9-16, dez. 2000.
GOLDGRUB, Franklin W. A máquina do fantasma: aquisição de linguagem e
constituição do sujeito. Piracicaba: UNIMEP, 2001.
KATO, Mary A. No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística. 7. ed.
São Paulo: Ática, 2002.
KLEIMAN, Ângela. Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre
a prática social da escrita. Campinas: Mercado de letras, 2001.
LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1999.
MENYUK, Paula. Aquisição e desenvolvimento da linguagem. São Paulo:
Pioneira, 1975.
MORIN, Edgar. Os setes saberes necessários à educação do futuro. São
Paulo: Cortez, 2001.
PIAGET, Jean. A linguagem e o pensamento na criança. Rio de Janeiro: Fundo
de Cultura, 1973.
SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. 2. ed. Belo Horizonte:
Autêntica, 2003.

10

�SMOLKA, Ana Luiza Bustamente. A criança na fase inicial da escrita:
alfabetização como processo discursivo. São Paulo: Cortez, 1999.
TFOUNI, Leda Verdiani. Letramento e alfabetização. 2. ed. São Paulo: Cortez,
1997. 04 p.
TEBEROSKY, Ana. Psicopedagogia da linguagem escrita. São Paulo:
Trajetória Cultural, 1984.
VYGOTSKY, L.S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes,
1984.

11

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Documentação&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Ações de letramento digital na sociedade da informação.</text>
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                <text>Barros, Ellys Regina Galindo Lima de; Oliveira, Simone Rosa de; Batista, Andréa</text>
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            <name>Date</name>
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                <text>O que vem a ser letramento digital? Estará a sociedade da informação preparada para a virtualidade da leitura e da escrita? Este trabalho apresenta alguns questionamentos a partir das ações de letramento digital realizados em Recife, como exemplos, o Projeto Horizonte desenvolvido na Universidade Católica de Pernambuco, voltado para crianças e adolescentes portadores de Síndrome de Down e deficiência auditiva e, o Livron@uta, produto da parceria da Universidade Federal de Pernambuco e o Porto Digital, que visa estimular a leitura entre crianças e adolescentes de uma comunidade, analisar o desenvolvimento educacional, através da elevação do nível de compreensão de leitura das crianças e adolescentes; avaliar a leitura e compreensão do texto impresso e digital em crianças e adolescentes; identificar e avaliar o Letramento Digital e sua trajetória e aplicabilidade no Projeto Livron@uta e Projeto Horizonte. De tal forma, este estudo busca entender como as novas tecnologias constituem uma possibilidade de interação social, identificando o processo de desenvolvimento educacional através da leitura de textos digitais que envolvem links para outros textos, textos dinâmicos ou animados com o uso de imagens e sons, ou seja, o Letramento Digital como fator que interfere diretamente no comportamento social e processo de aquisição da linguagem. Palavras-chave: Letramento digital; Leitura e escrita; Ensino-aprendizagem.</text>
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                    <text>UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE - UFF
PRÓ-REITORIA DE ASSUNTOS ACADÊMICOS - PROAC
NÚCLEO DE DOCUMENTAÇÃO – NDC
DIVISÃO DE ARQUIVOS – DARQ
ARQUIVO CENTRAL - AC

ADAPTABILIDADE DO SISTEMA ARGONAUTA BIBLIOTECA PARA O SISTEMA
ARGONAUTA ARQUIVO

Rosale de Mattos Souza
Mestre em Ciência da Informação ( UFRJ/IBICT)
Chefe do Arquivo Central/DARQ/NDC
ac@ndc.uff.br

Solange Barbosa Bittencourt
Especialista em Planejamento, Organização, e
Direção de Arquivos (UFF)
Diretora da Divisão de Arquivos
solange@ndc.uff.br

RESUMO:

Relata uma experiência do Sistema de Informação do Núcleo de Documentação - NDC da UFF com
Bibliotecas e Arquivos, demonstrando como um Banco de Dados voltado para um ambiente
biblioteconômico

pode interagir com um ambiente arquivístico, disponibilizando ao máximo o potencial

informacional existente na universidade, favorecendo um melhor intercâmbio entre os órgãos de informação
universitários, contribuindo para a recuperação da informação e consequentemente para o desenvolvimento
de políticas públicas de informação. Partiu-se dos parâmetros do MARC e da Norma Internacional de
Descrição Arquivística ISAD(G) na compatibilização de um mecanismo automatizado adotado para um
Sistema de Bibliotecas denominado Biblioteca Argonauta para um outro Sistema de informação
denominado Argonauta Arquivo. Assim, promoveu-se a interação dos campos pré-existentes, trazendo para
o NDC novas áreas de informação.

�1 Considerações preliminares:

Hoje em dia nenhum profissional da informação razoavelmente atualizado não se
surpreende mais com os avanços e as mais diversas possibilidades das tecnologias da
informação, as interações que podem se dar entre aplicativos como uma Base de Dados,
a Internet, as câmeras de vídeo, o rádio, a televisão, a imprensa que já se utiliza dos
Blogs. Este mundo da comunicação, da informação precisa - do conhecimento virtual,
mundo de uma nova era do conhecimento , da competitividade empresarial, do
atendimento eficiente ao cidadão no seu direito ao acesso à informação gerada nos
órgãos públicos.
Pierre Levy no seu livro sobre as Tecnologias da Inteligência, analisou os diversos
momentos

em

que

a

humanidade

revolucionou

a

comunicação,

aumentando

potencialmente o conhecimento e a sua disseminação, portanto estabeleceu três
momentos principais: a Era da Escrita, a Era da Imprensa, e a Era do vitual ou das
Tecnologias da Informação, que hoje disseminam as informações em grande velocidade,
encurtando espaços geográficos e culturais. E é neste mundo novo que se encontram os
maiores desafios das agências de informação e/ou lugares (espaços) de memória, que
são as instituições que guardam e preservam os grandes acervos, ou seja, as Bibliotecas,
Arquivos, Centros de Documentação, Museus e etc. Estes grandes espaço físicos ou
virtuais de referencias informacionais estão desafiados pela produção geométrica de
dados e informações a serem identificadas, coletadas, selecionadas, classificadas e
disseminadas em grande escala. Para dar conta da administração de grandes volumes
de informação faz-se necessária a utilização de ferramentas ou sistemas administradores,
gerenciadores de informação como os Bancos de Dados e/ ou as Bases de Dados, e a
atualização constante dos profissionais da informação no entendimentos dessas
tecnologias da informação, a fim de organizar e disponibilizar o conhecimento.
Assinala-se como nas décadas de 1980 e 1990 o grande sistema de gerenciador
de informações em pauta era o ISIS, programa da UNESCO, que provocava grandes
discussões entre os profissionais da informação, em especial os Bibliotecários. Assim,
houve até a criação de um grupo de estudos que se encontrava no Centro de Pesquisas
Nucleares, em Botafogo, no Rio de Janeiro, a fim de discutir os recursos do CDS ISIS.

�No final da década de 1990 e início da década de 2000, houve um treinamento
dentro do Núcleo de Documentação da UFF com os Bibliotecários e Arquivistas na versão
do CDS- ISIS, em ambiente Windows, denominado WINISIS, que por sua vez trata-se de
um aplicativo capaz de possibilidades de interação e migração com outros sistemas.

Assim, a partir da gestão do Núcleo de Documentação da UFF, no período de 1998
a 2000 contratou-se os serviços da Cooperativa de Bibliotecários, Documentalistas e
Arquivistas - DATA COOP, a fim de criar e implementar um sistema de Informação que
viesse a satisfazer as necessidades do Sistema de Bibliotecas e Arquivos. A princípio,
ainda naquela gestão do NDC foi criado um Sistema Gerenciador de informações, o
BIBLIOTECA ARGONAUTA, que já conta com várias versões e adaptações.
Posteriormente, na Gestão atual do Núcleo de Documentação, vem sendo desenvolvido o
ARGONAUTA ARQUIVO, conforme um acordo firmado entre aquela empresa e a
Universidade Federal Fluminense, através do Núcleo de Documentação, Divisão de
Arquivos, e Arquivo Central. Este acordo de cooperação técnica visou a contribuição dos
Arquivistas da UFF na adaptação do BIBLIOTECA ARGONAUTA para o ARGONAUTA
ARQUIVO, compatibilizando campos, adequando outros, e acrescentando Áreas de
Informação que estão contidas na Norma Internacional de Descrição Arquivística – ISAD
(G). Futuramente, a médio prazo pretende-se fazer adequações às novas versões do
sistema com a Normas Nacionais de Descrição Arquivística.

2 Sobre a Cooperativa de Bibliotecários, Documentalistas, Analistas da Informação
e Arquivistas - DATA COOP

A Data Coop é uma Cooperativa de Bibliotecários, Documentalistas, Analistas da
Informação e Arquivistas que teve como iniciativa a criação de prestação de serviços
voltada para a organização da informação de um modo geral, com vários anos de
experiência, que soma atividades de consultoria e projetos com atividades de execução e
gerenciamento.

Linhas Biblioteca, Museu, Arquivo e Webnauta.

�2.1 Sobre os tipos de ARGONAUTAS

a) Biblioteca - gestão de CDIs, integrando acervos textuais, audiovisuais, tridimensionais
e de informações. Cadastra, recupera e dissemina informações, controla reserva,
empréstimo e devolução de acervo, publica na Intranet e na Web, exibe objetos digitais.
Atende aos padrões ISO, ABNT, AACR2, MARC21, ISBN, entre outros. Tesauros e
Controle de Autoridades integrado.

b) Arquivo - gestão de Arquivos Correntes, Intermediários e Permanentes. Controle de
temporalidade de documentos (TTD), descrição arquivística em todos os níveis do
ISAD(G), Plano de Assuntos do Cliente, circulação de documentos controlada.
Associação do registro a conteúdo digital. Compatibilidade com o Marc21, considerado
por (BARSOTTI, apud Arruda e Chagas, 2002) como catalogação legível por máquina, e
ainda Tesauros e Controle de Autoridades integrado.

c) Museu - gestão de Museus públicos e privados. Descrição e histórico de unidades ou
conjuntos. Registro de intervenções para preservação. Circulação de acervos na mesma
Instituição ou em outras. Tesauros e Controle de Autoridades integrado.
Webnauta-X – interface Linux ou Windows para consulta a banco de dados Argonauta,
desenvolvida em PHP. O cliente estará alinhando-se à tendência mundial que é oferecer
informações, de maneira rápida e fácil pela Web. Utiliza tecnologia de ponta para tornar o
trabalho de acesso ainda mais transparente.

Possui as seguintes buscas: Simples (Busca palavras contidas nos campos Titulo, Autor
e Assunto), Avançada (booleanas entre campos) e Técnica (para acervo teatral). Como
saida a interface fornece as seguintes visões: Simplificada, Detalhada e Marc, entre
outras.

�2.2 Principais funções dos software da Família Argonauta – Biblioteca, Museu, Arquivo e
Webnauta-X:

•

Cadastramento/Catalogação - Acervos bibliográficos, museológicos, arquivísticos e
de informação, de acordo com as normas do AACR-2 e ISAD-G.

•

Consulta/Pesquisa - Recuperação por palavra ou pedaço de palavras, números,
em campos indexados ou livres, com uso de operadores de comparação e
booleanos. Exportação do resultado da busca ou impressão em arquivo digital ou
texto.

•

Empréstimo/Circulação - Inventário e controle de circulação/movimentação com
utilização de leitores de código de barras e coletores. Reserva por título e por
exemplar. Permite políticas de circulação diferenciadas por unidade, de acordo
com o tipo de acervo e perfil do usuário.

•

Manutenção/Gerenciamento - Controle de configurações (etiquetas, parâmetros
dos usuários), ferramentas para auxiliar seleção de tabelas.

•

Relatórios/Disseminação da Informação - Disseminação Seletiva da Informação,
Boletins Informativos, Sumários On Line, Gráficos e Estatísticas para estudo da
coleção e do usuário, Relatórios de Gerenciamento, inclusive para órgãos
governamentais (MEC).

•

Aquisição - Controla pedidos de compra, por solicitante e por editor, efetua tomada
de preços, com controle em duas moedas e administra processo de decisão para
aquisição.

3 Sobre o Sistema Argonauta Biblioteca:

O Argonauta é um Banco de Dados, um sistema que foi idealizado primeiramente para
administrar Bibliotecas, Centros de Documentação e de Informação.

Este módulo

Biblioteca é capaz de tratar acervos em quaisquer suportes documentais, tais como livros,
vídeos, discos, filmes fotografias, e etc

Este sistema respeita os padrões do Código de

Catalogação Anglo-Americano – AACR2, e os formatos de exibição estão conforme o que
determina a Normas Internacionais - ISO e as Normas Técnicas Brasileiras - ABNT. Foi
criado a princípio com as seguintes características principais:

�–

Entrada de dados compacta e dentro dos padrões de catalogação universalmente
adotados;

–

Catalogação direta;

–

Interação numa única base de dados de informações dentro dos mais diversos
suportes físicos, tais como, imagens em movimento, sonoros, e multimeios;

–

Controle de Autoridades e construção de Thesaurus

–

Utilização de Tabelas, que evitam a digitação de termos ou assuntos reincidentes,
diminuindo a incidência de erros e promovendo a melhor entrada de dados;

–

Flexibilização para níveis profundos e simplificados;

–

Sistema interativo, podendo facilitar inclusive para a melhor comunicação com outros
sistemas utilizados pelos usuários.
O módulo Status é ativado neste aplicativo, com a denominação de Biblioteca

Argonauta e abre então uma janela de comunicação com o usuário para que ele coloque
a senha de acesso ao sistema, uma vez aceita liberará o gerenciador de rotinas,
aparecendo a Barra de Gerenciamento de Rotinas do Sistema com a Barra de Menu. Esta
última irá fornecer os comandos e opções pertinentes às tarefas desejadas, tais como:
Arquivo, Consulta, Manutenção, Relatório, Aquisição, que por sua vez ativarão outras
opções a partir dos respectivos botões de Acervo, Consulta, Empréstimo, Aquisição.
Existe um sistema de navegador, ferramenta capaz de navegar entre os registros de
todas as tabelas do sistema.
O Menu Arquivo tem as funções de inclusão, alteração, e exclusão de informações
da base de dados. Oferece as opções de Acervo (catalogação), Controle de Autoridades
(cadastramento e controle de nomes próprios e entidades),Thesaurus ( entrada de
descritores) e usuários ( cadastramento de usuários). Nas janelas do sistema as tabelas
poderão ser acionadas, evitando a redigitação de dados, pois trata-se de um recurso com
opções a serem selecionadas em cada campo.

Quanto ao controle de autoridade os nomes são pesquisáveis, e ainda aqueles que não
constarem nas tabelas poderão ser incluídos através do navegador de inclusão, e após
confirmada a operação. Existe a utilização do tipo remissiva usado para, indicando os
termos não autorizados do sistema, como por exemplo o emprego de pseudônimos ou

�abreviaturas.
No sistema de informação ainda existem as Janelas para Título, Imprenta,
Cadastro de Editores, Notas, Assuntos, Exemplares, In ( utilizada para descrever o todo
no qual uma parte está contida, ou seja, autor e título de por exemplo de um capítulo de
livro, artigo de periódico, etc.), consulta.
Caso seja necessário, se poderá pesquisar através da combinação de termos no sistema
booleano do sistema de informação Argonauta.
3 Sobre a Adaptabilidade do Sistema Argonauta Biblioteca para o Sistema
Argonauta Arquivo:

O Sistema de Informação ARGONAUTA ARQUIVO utilizou-se do Sistema
ARGONAUTA BIBLIOTECA naquilo que poderia ser oportunizado, como a Àrea de
Identificação, no qual percebe-se o Código de Referência, Idioma, Título, Datalimite(comparável à Imprenta), Dimensão e suporte. No módulo Arquivo o ARGONAUTA
a linguagem do sistema é controlada utilizando-se dos instrumentos: controle de
autoridades e controle de terminologia de indexação. O primeiro permite a normalização
de entrada de fundos, séries, sub-séries, grupos, sub-grupos, e dossiês. O segundo
permite o controle de terminologia da indexação através dos descritores, efetuando as
relações semânticas encontradas, diminuindo a incidência da polissemia e da sinonímia.
Foram realizadas algumas reuniões entre a Direção da DATA COOP , a Direção do
NDC, a Direção da Divisão de Arquivos, e o Arquivo Central para determinar os principais
campos a serem adequados à realidade Arquivística, tais como, os Campos relacionados
aos Quadros de Arranjo (sistema classificatório Arquivístico) e
seguintes Àreas de Informação provenientes da Norma ISAD(G):

–

Área de Contextualização:
Nome(s) do(s) produtor(es) pessoais;
Nome(s) do(s) produtor(es) entidades;
História administrativa/Biografia;
História Arquivística;
Procedência;

acrescentou-se as

�–

Área de Conteúdo e Estrutura:

Âmbito e conteúdo;
Sistema de Arranjo;
Descritores;
Identificadores entidades coletivas;
Identificadores geográficos;
Identificadores pessoais;

–

Área de Condições de Acesso e Uso:

Condições de acesso;
Condições de Reprodução;
Idioma;
Características Físicas e requisitos técnicos;
Instrumentos de Pesquisa;

–

Área de Fontes Relacionadas:

Existência e localização de originais;
Acesso e localização eletrônica;
Existência e localização de cópias;
Unidades de descrição relacionadas;
Notas sobre publicação;

–

Área de Gestão (acrescentada, como adaptação à Norma):

Tipologia documental;
Avaliação/Eliminação/Temporalidade

�–

Área de Controle da Descrição:

Nota do Arquivista;
Regras ou convenções;
Data(s) da(s) descrições.

4 Considerações Finais:

–

O ARGONAUTA ARQUIVO é um sistema de informação inovador, pois procura
oportunizar-se de alguns campos consagrados da Biblioteconomia como o
desenvolvimento conceitual das palavras e termos, promovendo o controle de
vocabulário, construção de Thesaurus, controle de autoridades – pessoas físicas ou
jurídicas etc;

–

A contribuição da Arquivística com campos relativos aos Quadros de Arranjo (modelo
classificatório da Arquivística para Arquivos Permanentes ou Históricos), inclusão de
campos para a Gestão de Documentos, e

das Áreas de Informação da Norma

Internacional de Descrição – ISAD (G);

–

Futura adequação da Norma sobre controle de autoridades, denominada ISAAR(CPF)

–

Os arquivistas hoje devem dialogar com os bibliotecários, documentaristas, informatas,
cientistas da informação e todos aqueles que possam manter uma dialética na
construção dos sistemas de informação;

�5 Referências Bibliográficas:

ARRUDA, Susana Margaret de e CHAGAS, Joseane. Glossário de Biblioteconomia e
Ciências afins. Florianópolis: Cidade Futura, 2002.

CONSELHO INTERNACIONAL DE ARQUIVOS. Comissão Ad Hoc de Normas de
Descrição. ISAAR (CPF) Norma internacional de registro arquivístico para entidades
coletivas, pessoas e famílias. Rio de Janeiro : Arquivo Nacional, 1998. 30p. (download)

CONSELHO INTERNACIONAL DE ARQUIVOS. Comissão Ad Hoc de Normas de
Descrição. ISAD(G) Norma geral internacional de descrição arquivística: segunda
edição. Rio de Janeiro : Arquivo Nacional, 2000. 119p. (download de 4 arquivos)
ias Bibliográficas:
COOPERATIVA DE BIBLIOTECÁRIOS, DOCUMENTALISTAS, E ARQUIVISTAS - DATA
COOP. Apostila do Sistema Argonauta: Módulos de cadastramento e consulta.
Niterói: UFF/NDC, 2002.
COOPERATIVA DE BIBLIOTECÁRIOS, DOCUMENTALISTAS, E ARQUIVISTAS - DATA
COOP. In: WWW.datacoop.br Rio de Janeiro: 29.07.006
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE.
www.ndc.uff.br, em 29.07.006

NÚCLEO DE DOCUMENTAÇÃO. In:

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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Relata uma experiência do Sistema de Informação do Núcleo de Documentação - NDC da UFF com Bibliotecas e Arquivos, demonstrando como um Banco de Dados voltado para um ambiente biblioteconômico pode interagir com um ambiente arquivístico, disponibilizando ao máximo o potencial informacional existente na universidade, favorecendo um melhor intercâmbio entre os órgãos de informação universitários, contribuindo para a recuperação da informação e consequentemente para o desenvolvimento de políticas públicas de informação. Partiu-se dos parâmetros do MARC e da Norma Internacional de Descrição Arquivística ISAD(G) na compatibilização de um mecanismo automatizado adotado para um Sistema de Bibliotecas denominado Biblioteca Argonauta para um outro Sistema de informação denominado Argonauta Arquivo. Assim, promoveu-se a interação dos campos pré-existentes, trazendo para o NDC novas áreas de informação.</text>
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                    <text>ADMINISTRANDO O CRESCIMENTO DE COLEÇÕES: PROJETO PARA A
POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO DO ACERVO DA BIBLIOTECA
FAUUSP

Letícia de Almeida Sampaio∗
Sibele Fausto∗
Resumo
A Biblioteca da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da
Universidade de São Paulo verificou um crescimento exponencial de seu
acervo nos últimos 10 anos, motivado pelo aumento de verbas para compra de
material bibliográfico, pelo aumento no número de doações recebidas e pelo
crescimento de teses defendidas na unidade, além de facilidades no tratamento
da informação, como a catalogação copiada (adotada pela USP em
cooperação com o Online Computer Library Center - OCLC) e do cadastro online. A média de documentos incorporados ao acervo é de 1.242
exemplares/ano, distribuídos em Folhetos, Livros Grandes, Livros Raros,
Livros, Teses/Dissertações e Referências, e a média de livros/teses é de 800
exemplares/ano.
O crescimento rápido da coleção acima descrito determinou a
diminuição drástica de espaço nas estantes, e também mostrou a necessidade
imperiosa de definição de critérios fundamentados para a administração desse
crescimento.
Esse trabalho tem como objetivo definir critérios e métodos de avaliação
do uso da coleção para o descarte/desbaste, que dará suporte à Política de
Aquisição e Desenvolvimento do acervo da Biblioteca da FAUUSP.

Palavras-chave: Desenvolvimento de coleções. Bibliometria. Estudo de Uso.
∗

Bibliotecárias – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – Universidade de São Paulo
Correspondência: Rua do Lago, 876 – Cidade Universitária
05508-900 – São Paulo - SP - Brasil
letícia@usp.br
sifausto@usp.br

�2
1 Introdução

As

bibliotecas,

historicamente,

sempre

acompanharam

o

desenvolvimento das tecnologias de comunicação, desde os papiros às novas
formas

de

disponibilização

da

informação

on-line,

paulatinamente

incorporando-as em suas rotinas. O avanço das tecnologias de comunicação
na Internet apontou para uma drástica mudança na idéia e no perfil das
bibliotecas, com novas denominações como bibliotecas digitais, bibliotecas
eletrônicas, bibliotecas virtuais, bibliotecas sem paredes, entre outras.
No entanto, conforme salienta Odlyzko (1997), “(...) as bibliotecas não se
encontram face a uma adaptação linear ao mundo digital, mas perante várias
décadas de mudanças constantes”. De fato, a realidade mostra que são
poucas as bibliotecas totalmente inseridas na nova ordem digital. Ainda se
verifica uma transitoriedade no fazer bibliotecário onde as tradicionais formas
de tratamento e organização ainda têm relevo, caracterizando uma duplicidade
de ações no trabalho bibliotecário, onde o profissional da informação
“(...) se encontra, na atualidade, como se em um ponto no presente
entre o passado e o futuro. Convive com técnicas tradicionais de sua
profissão, mas precisa atravessar para uma outra realidade, onde estão
indo seus clientes e aprender a conviver com o novo e o inusitado, numa
constante renovação da novidade” (BARRETO, 1997).

Oppenheim &amp; Smithson (1999) definem esta instituição transitória como
biblioteca híbrida, e o profissional da informação vê-se perante o desafio de
conciliar da melhor maneira essas duas realidades distintas, objetivando o
atendimento de seus usuários em busca da informação.
Assim, a despeito dos avanços tecnológicos, as bibliotecas ainda vêemse premidas a manter e desenvolver seus acervos em papel, através de
aquisições por compra e/ou doações, e, conseqüentemente, mantendo a
responsabilidade de administrar seu espaço físico.
Este trabalho apresenta como esta questão de dimensionamento do
espaço é sentida pela Biblioteca da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da
Universidade de São Paulo, e apresenta o projeto elaborado para solucionar o

�3
problema, que define critérios e métodos de avaliação do uso da coleção para
o descarte/desbaste, dando suporte à Política de Aquisição e Desenvolvimento
do Acervo da Biblioteca da FAUUSP.

2 A Biblioteca da FAUUSP
A Biblioteca surgiu com a fundação da Faculdade de Arquitetura e
Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP), em 1948. Desde 1969, o
curso de graduação está instalado em um prédio projetado pelo arquiteto
Vilanova Artigas, no campus da Cidade Universitária, em São Paulo. Este
edifício é um marco da arquitetura dos anos 60, tombado como patrimônio
cultural do Estado.
A Biblioteca é caracterizada como Universitária e Especializada, pois
seu acervo em Arquitetura e Urbanismo tem não apenas uma abrangência
humanística, como também tecnológica, impregnado tanto do conhecimento
milenar, com suas culturas, artes e técnicas, como do conhecimento mais
atual, das tecnologias de ponta. Seu acervo possui 32.479 exemplares de livros
e teses, 1.015 títulos de periódicos e 27.420 publicações seriadas. Além
dessas fontes convencionais, conta também com um grande número de
materiais especiais, em suportes variados, como diapositivos (82.981),
negativos de vidro (4.500), projetos de arquitetura (6.444) e fotografias (9.145).
É considerado o maior acervo nas áreas de Arte e Arquitetura em todo o
Hemisfério Sul (USP, 2000). Este trabalho limita-se ao acervo bibliográfico de
livros e teses, não considerando os outros tipos de suporte presentes na
Biblioteca da FAUUSP.
Em 1998, ao completar 50 anos, a Biblioteca passou por uma
reformulação completa de suas instalações, realizada com o apoio do
Programa de Restauração e Modernização de Bibliotecas da Fundação de
Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). O projeto de layout do
rearranjo do acervo previa um crescimento para dez anos, e definiu-se a
Política de Desenvolvimento de Coleção, considerando então a influência do
advento das novas tecnologias on-line, com a possibilidade do acesso aos
documentos sem sua posse efetiva.

�4
Na realidade, porém, o crescimento do acervo deu-se numa progressão
geométrica influenciado por diversos fatores: além das promessas do acesso
on-line não se concretizarem integralmente no médio prazo, houve o aumento
de verbas para compra de material bibliográfico - principalmente financiado
pela FAPESP; o aumento no número de doações recebidas e o crescimento de
teses defendidas na unidade (na década de 80 foram defendidas anualmente
em média 23 teses e dissertações, em 90 foram 48 e nos últimos 6 anos a
média atinge 107). Além disso, nos últimos cinco anos a incorporação de
documentos duplicou devido às facilidades da catalogação copiada (adotada
pela USP em cooperação com o Online Computer Library Center - OCLC) e do
cadastro on-line no DEDALUS – Banco de Dados Bibliográficos da USP.
A média de documentos incorporados ao acervo é de 1.242
exemplares/ano, distribuídos em Folhetos, Livros Grandes, Livros Raros,
Livros, Teses/Dissertações e Referências, sendo que a média de livros/teses é
de 800 exemplares/ano.
A Tabela 1 mostra a evolução numérica das aquisições da Biblioteca da
FAUUSP, de 1996 a 2005, segundo dados coligidos dos relatórios
administrativos:
Ano

Volumes incorporados

Compra

Doação

1996

472

137

549

1997*

2420

146

1681

1998

525

420

528

1999

518

26

1069

2000*

220

5

254

2001

1069

653

966

2002

1886

94

2108

2003

1294

196

1623

2004

821

93

1105

2005

1.141

263

1457

Total

10.366

2033

11340

Tabela 1: Relatórios anuais de aquisição (1996-2205) SBI-FAUUSP, 2006.

�5
* Observações:
- Em 1997 a Biblioteca contou com força tarefa que processou 1162
volumes.
- O ano de 2000 foi atípico devido à greve de três meses e a troca de
bibliotecário de processamento técnico.
- O ano corrente, 2006, não é contemplado na tabela por ainda não
dispormos de seus efetivos totais numéricos.

Nesta tabela pode-se observar que:
- De 1996 a 2000 a média de volumes incorporados ao acervo foi de 831
volumes/ano, e nos últimos 5 anos houve um salto para 1242 volumes/ano, ou
seja, um aumento de 50%. Portanto, se o espaço disponível das estantes
estava projetado para ser ocupado em 10 anos, este mesmo espaço, com o
incremento numérico observado na tabela, passa a ser totalmente ocupado em
apenas 5 anos.
– Na coluna Compra, a média da aquisição através desta modalidade,
nos cinco primeiros anos, foi de 146,8 volumes/ano e nos últimos 5 anos, a
média passa para 259,8. A estimativa para o ano corrente, 2006, é a compra
de 500 volumes.
– A média das doações anuais de 1996 a 2000 foi de 816,2 volumes e
no período de 2001 a 2005 esta média passou para 1.451,8 volumes.
– Considerando a somatória das colunas Compra e Doação, e
subtraindo-se desse total obtido a coluna Volumes Incorporados, resulta em
3.007 volumes por processar, determinando a necessidade de mais estantes
para acomodar os materiais a ser processados.
Assim, é imperiosa a definição de critérios fundamentados para a
administração do crescimento do acervo, lembrando que o fato de o prédio da
FAUUSP ser tombado como patrimônio cultural impede qualquer modificação
em sua estrutura física, impedindo uma possível ampliação de suas
instalações.

�6
2.1 O contexto do dimensionamento físico do acervo na Biblioteca da
FAUUSP
2.1.1 Espaço Físico
A distribuição espacial dos documentos bibliográficos está disposta
segundo a sua forma e conteúdo, assim temos:
Livros Grandes: em estantes apropriadas para o formato;
Livros Raros: em sala especial;
Referência, Folhetos e Bibliografias: em estantes de face única;
Livros e Teses: em estantes de dupla face, arranjadas em 17 fileiras.
Como este trabalho visa essencialmente o acervo de livros e teses, onde
a escassez espacial é percebida como de maior gravidade, as medidas
apresentadas a seguir foram calculadas considerando-se apenas o espaço
determinado para este tipo de material:
Uma estante = 10 prateleiras
Uma fileira = 6 estantes = 60 prateleiras
17 fileiras= 102 estantes= 1020 prateleiras
Uma prateleira = 92 cm, portanto, 92 cm x 1020, tem-se 93.840 cm de
espaço para livros e teses.
Um livro, em média, mede 2,5 cm de largura. Como o acervo de Livros e
Teses possui 32.479 exemplares, o espaço ocupado é de 81.197,5 cm.
Considerando 93.840 cm (espaço disponível) menos 81.197,5 cm
(espaço ocupado) = 12.642,5 cm de espaço livre para ser ocupado. Observese, porém, que de 12.642,5 cm obtém-se uma média de apenas 1,2 cm de
sobra por prateleira (visto que temos 1020 prateleiras).
Sendo a média de processamento de livros e teses de 800 volumes/ano,
multiplicando 800 por 2,5 cm (média da largura de um livro), temos o total de
2.000 cm, que seriam necessários ao espaço da biblioteca, por ano, para
permitir a incorporação da produção do processamento técnico.

�7
Se considerarmos que existem 12.642,5 cm livres, em 6 anos as
prateleiras estarão totalmente ocupadas, e não haverá mais espaços
disponíveis, dificultando a guarda, a localização e a conservação dos
documentos.
Porém, para a melhor organização e manipulação do acervo cada
prateleira deve ter 20 cm de espaço vazio, portanto, precisaremos de 7.758 cm
como sobra, além dos 12.642,5 cm disponíveis, ou seja, mais 11 estantes com
10 prateleiras para o momento.
Este total ideal estimado foi obtido com o seguinte cálculo:

1.020 (prateleiras) x 72 cm (92 cm da prateleira menos 20 cm de sobra) = 73.440 cm
73.440 cm – 81.198 cm (de livros) = 7.758 cm
7.758 cm ÷ 72 cm = 107,75 cm
107,75 cm ÷ 10 (prateiras por estante) = 10,775 estantes, isto é, 11
estantes.

Para os 3.007 exemplares de doações a ser processados, precisaremos
de 10,4 estantes.
A estimativa de compra para 2006 é de 500 itens, o que perfaz 1.250
cm. Para estas aquisições, serão necessárias 2 estantes.
Conclui-se, portanto, que para 2006, são necessárias 13 estantes para
espaçar o acervo atual e a aquisição prevista para este ano, além da compra
de pelo menos 11 estantes para alocar as doações.
Com a impossibilidade de expansão física do prédio, por ser tombado,
além dos altos custos envolvidos, uma opção para resolver este impasse é o
desbaste/descarte.

Mas,

para

essa

solução

ser

efetiva,

deveríamos

desbastar/descartar por volta de 3.103,2 obras, o que não parece viável em
curto prazo, sendo necessária a avaliação do uso do acervo a fim de definir
uma efetiva política de desenvolvimento, aquisição e descarte da coleção.

�8
3 Objetivos
O objetivo deste trabalho é definir critérios e métodos de avaliação do
uso da coleção do acervo de livros e teses da Biblioteca da FAUUSP,
permitindo subsidiar a atualização da Política de Aquisição e Desenvolvimento
de Acervo e orientar o descarte/desbaste de itens pouco ou nada consultados.

4 Justificativa
Atualmente a Biblioteca da FAUUSP possui 41.610 exemplares de
material bibliográfico, cadastrados no Banco Bibliográfico da USP – Dédalus
(dados até 30.05.2006), sendo que 32.479 destes materiais referem-se aos
livros e teses, configurando uma situação de crescimento rápido da coleção e a
diminuição drástica de espaço nas estantes.
Shera apud Figueiredo (1998), pontua que:
“As bibliotecas não podem crescer indefinidamente. Deve haver
um tamanho ótimo para toda a biblioteca que, indubitavelmente, varia de
situação para situação, e nós não sabemos o que vem a ser esse ótimo.
Sempre deverá, portanto, existir seleção, até nas maiores bibliotecas. Nem
todos os livros têm valor permanente, e muitos livros nem mesmo têm
valor. Somente grandes livros são clássicos, imortais. Livros, como
pessoas, têm ‘direito’ a morrer. A biblioteca é um ‘organismo em
crescimento’” (p. 68).

A Biblioteca Universitária é o suporte do ensino e da pesquisa da
instituição a qual está ligada, assim “toda biblioteca existe principalmente para
servir às necessidades de sua própria comunidade de usuários. É óbvio, então,
que uma avaliação completa de uma biblioteca deve ser baseada no fato de
quão bem ela serve àquelas necessidades” (Figueiredo, 1998, p. 97).
A literatura sobre desenvolvimento e seleção de coleções discorre, em
sua maioria, sobre a explosão bibliográfica versus a escassez de recursos
financeiros. Contudo, o que acontece hoje na Biblioteca da FAUUSP não é falta
de recursos para aquisições de livros ou doações, mas a falta de espaço nas
estantes e do espaço físico para alocar possíveis novas estantes. Portanto, é
necessária uma avaliação da coleção através do estudo de uso para o efetivo
descarte/desbaste e a pré-seleção das doações.

�9
5 Quadro teórico de referência
Segundo Vergueiro (1995):
“1) O bibliotecário conhece, ou deveria conhecer, o acervo sob sua
responsabilidade, sabendo melhor do que ninguém em que aspectos ele
está fraco, em que aspectos ele está forte, em que aspectos ele atingiu um
estágio ideal de desenvolvimento.
2) O bibliotecário conhece, ou deveria conhecer, o usuário cujas
necessidades informacionais tem por obrigação procurar atender, sabendo
avaliar objetivamente suas demandas e diferenciando aquelas que tem
características mais duradouras, ligadas às necessidades reais, daquelas
que são ditadas por tendências esporádicas, influência dos meios de
comunicação de massa ou modismo”(p.6).

A análise da real necessidade dos usuários e do estágio de
desenvolvimento da coleção pertence ao escopo de estudos desenvolvidos na
área de Biblioteconomia e Ciências da Informação desde os anos 40 do século
XX. Figueiredo (1979, 1985, 1998) faz um levantamento exaustivo dos estudos,
pesquisas e ações envolvendo metodologias fundamentadas no assunto,
destacando seus principais teóricos, entre os quais Bonn, Lancaster, Line,
American Library Association (ALA), Evans, McClellan, Fussler &amp;Simon e
Trueswell.
A autora pontua que para a correta compreensão do objeto de estudo, é
importante a definição de termos como desenvolvimento da coleção, seleção,
aquisição, avaliação de coleção, desbastamento, remanejamento, descarte e
seleção negativa, conservação e preservação (FIGUEIREDO, 1985). Nesta
tarefa de definição, nos atemos aos termos relevantes para este trabalho:
avaliação de coleção, desbastamento, remanejamento e descarte.
Segundo Figueiredo (1985, p.v) avaliação de coleção (collection
evaluation) é uma função do desenvolvimento da coleção, relacionada com
planejamento, seleção, revisão e desbastamento.
O desbastamento (pruning/weeding/de-selection) é definido como o
processo de extrair títulos ou partes da coleção, quer para remanejamento,
quer para descarte.

�10
O remanejamento (relegation/retirement) é o processo de retirar títulos
ou partes da coleção para outros locais menos acessíveis, enquanto o descarte
ou seleção negativa (discard/purging/negative selection) é o processo de
retirada de títulos ou partes da coleção, para fins de doação ou eliminação,
esta última decisão levando em consideração o aspecto físico da obra.
A autora afirma que é correntemente aceito que “qualquer avaliação da
coleção da biblioteca deve levar em consideração as metas estabelecidas pela
biblioteca, os seus objetivos, missão, ou o que quer que seja sua razão de ser,
no contexto (...) das metas, objetivos ou missão da organização relacionada
(FIGUEIREDO, 1979, p.11-12)”. Relata ainda que, através dos anos, variadas
técnicas foram desenvolvidas para proceder à avaliação da coleção da
biblioteca, sendo que tais técnicas atendem a dois escopos principais: a
determinação

quantitativa

da

coleção

(seu

tamanho

numérico)

e

a

determinação qualitativa (sua excelência relativa ou o seu valor ou mérito numa
situação particular), destacando que a avaliação quantitativa é relativamente
mais fácil do que a determinação da qualidade da coleção, sempre mais difícil
de ser julgada objetivamente (idem).
A literatura pesquisada pela autora (FIGUEIREDO, 1979) identifica os
seguintes métodos para avaliar coleções de bibliotecas, entre outros:
- Compilação de estatísticas da coleção, uso, gastos;
-Verificação de listas, catálogos, bibliografias;
-Obtenção de opiniões de usuários regulares;
-Exame direto da coleção;
-Aplicação de padrões usando vários dos métodos acima.
Mais recentemente, Figueiredo (1998) considera também os seguintes
critérios para a avaliação da coleção:
- Equilíbrio de Assuntos
“(...) estes estudos fazem análise proporcional por classes,
duplicatas, por autores, por datas e por relações com cursos oferecidos.
Tais análises revelam os assuntos fortes e possíveis más correlações com
as necessidades locais, com coleções ‘padrões’, com porcentagens

�11
recomendadas, ou com departamentos de ensino ou requisitos de
instituições educacionais” (p. 102).

- Circulação
“Estatísticas

de

circulação

proporcional

por

classes

de

assuntos

compiladas num período definido, são excelentes para verificação das
normas gerais da seleção e da média das aquisições, quando comparadas
com estatísticas das coleções proporcionais por classe de assunto”
(p.105).

Além desses métodos, Paula et al (2002) indica para o estudo de uso da
coleção, a Análise de Citações, considerando que
“(...) os dados sobre o uso real e o uso potencial das coleções podem
determinar se a coleção é relevante para atender às necessidades de
informação expressa pelos usuários, ou seja, apesar das limitações destes
estudos, que são medidas mais em função da demanda que em relação às
necessidades dos usuários, entende-se que o uso de um item do acervo é
a medida mais objetiva de sua utilidade para o usuário. Desta forma, podese afirmar que a qualidade e a sustentação de uma coleção estão
diretamente relacionadas com o seu uso e, qual medida de uso se
correlaciona melhor com estudo de citações”.

A Biblioteca Pública do Estado do Texas, nos Estados Unidos,
desenvolveu um manual para avaliação e descarte para bibliotecas públicas
(TEXAS..., 2006). Embora os objetivos sejam diferentes das bibliotecas
universitárias, algumas diretrizes e sugestões podem ser aproveitadas neste
caso, como as que levantam os benefícios do descarte no acervo, relativos ao
ganho de espaço, economia, tempo, atratividade da coleção e confiabilidade do
acervo.
Em relação ao espaço e à economia, armazenar significa gastar com a
limpeza, encadernação, restauro, mais estantes, catálogos e espaço na Base
de Dados (no caso, o DEDALUS). Com o descarte, não seria necessário
ocupar todas as prateleiras mais baixas, o que tornaria as estantes mais
ergonômicas e, no caso da Biblioteca da FAUUSP, livros que ultrapassam 30
cm não teriam suas lombadas prejudicadas.

�12
O descarte proporcionaria economia de tempo dos usuários e dos
bibliotecários. Estantes lotadas, cheias de livros desarrumados, com etiquetas
ilegíveis custam tempo para o usuário encontrar um determinado livro, para o
staff guardá-los e para o bibliotecário de referência localizar mais rapidamente
a informação.
O descarte também tornaria a coleção mais atrativa, removendo obras
deterioradas ou sujas, melhorando o aspecto visual das estantes, ainda que
com poucos volumes.
Aumentaria a confiabilidade do acervo, pois o descarte criterioso tornaria
a avaliação da coleção mais positiva tanto pela confiança quanto pela
atualização do acervo. Isto significa dizer que os usuários sentiriam que os
livros são selecionados por experts e que a obra está na biblioteca por ter
mérito para tanto.
6 Metodologia
A metodologia desta pesquisa visa definir critérios e métodos de
avaliação do uso da coleção do acervo de livros e teses da Biblioteca da
FAUUSP.
O desenho dessa metodologia prevê o uso de um pool de técnicas de
avaliação de coleções citadas no quadro teórico de referência, entre as quais a
análise do equilíbrio de assuntos (1), a análise de uso através da circulação
(empréstimo) (2), da consulta local (através das estatísticas de guarda nas
estantes) (3) e da análise das citações em teses e dissertações da instituição
(4).
Para viabilizar esta metodologia, privilegiou-se a coleta de dados através
de levantamento documental, nos relatórios estatísticos compilados pela
biblioteca.
Para o item equilíbrio de assuntos, considera-se que na Biblioteca da
FAUUSP, a classe 700 da Classificação Decimal de Dewey (CDD) representa
58% do total do acervo de livros e teses, pois nela predominam os assuntos
sobre Planejamento Territorial, Arquitetura, Design e Artes. O estudo de uso

�13
desta faceta da coleção é, portanto, necessário para o levantamento de
duplicatas irrelevantes, idiomas não consultados e a obsolescência das obras.
O levantamento do empréstimo de alunos e professores, por classes da
CDD, através da verificação da data do último empréstimo na ficha de bolso,
comparado com o item equilíbrio de assuntos, busca determinar se o número
de exemplares por assunto faz jus ao uso.
Além do levantamento numérico dos empréstimos, as estatísticas de uso
local também devem ser coligidas, pois na biblioteca da FAUUSP, obras que
versam sobre arte, mas não são obras de referência, podem ser apenas
consultadas devido às suas ilustrações ou inviáveis de ser levadas por
empréstimo. O uso local pode ser aferido através do registro diário de guarda
nas estantes, obtendo-se o levantamento das classes da CDD e os títulos mais
consultados do acervo de livros e teses no espaço da biblioteca.
Os dados coletados serão tabulados e analisados, comparando-se os
resultados dos itens 1, 2, 3 e 4 para verificar se o acervo atende o interesse
real da demanda informacional, isto é, se o acervo é um suporte real para os
usuários; e promover o desbaste e descarte da coleção.
Foram elencados, provisoriamente, os critérios que determinarão o
descarte:
- Ano do último empréstimo;
- Definição de classes da CDD que precisam de descarte;
- Obras escritas em idiomas diferentes do português, espanhol,
inglês e francês;
- Duplicatas de teses, exceto quando o autor for professor da
instituição;
- Estado físico da obra.
Para

o

desbaste

e

remanejamento,

foram

considerados,

provisoriamente, títulos importantes, pouco consultados ou que tenham muitos
exemplares, que formarão a Reserva Técnica.

�14
7 Considerações finais

A biblioteca da FAUUSP tem por objetivo subsidiar a pesquisa e o
ensino na área da arquitetura, urbanismo, paisagismo e design, envolvendo
também assuntos próximos da engenharia civil, tecnologia, psicologia
ambiental, comunicação visual, artes gráficas, história da arte, sociologia
urbana, cálculo, geometria, história, fotografia, cinema, teatro e geografia
urbana. Portanto, obras que versem sobre estes assuntos não devem, a priori,
ser descartadas. Contudo é preciso uma análise acurada para constatar se a
instituição atende e atualiza-se frente às necessidades informacionais de seus
usuários.
Para isso, a definição de critérios fundamentados para a administração
do

acervo

envolve

o

estudo

sistemático

de

avaliação

da

coleção,

proporcionando melhorias contínuas no seu desenvolvimento.
Com este projeto, pretende-se obter subsídios para avaliar o
balanceamento do acervo de livros, quanto ao interesse dos usuários; como
suporte para a pesquisa e ensino da graduação e pós-graduação; verificar
possíveis falhas da coleção; dar suporte na aquisição de material bibliográfico;
estender esta pesquisa para a avaliação da coleção de periódicos e promover
o desbaste do acervo em bases mais sólidas, isto é, em metodologias
fundamentadas e concretas.
Este projeto é um marco inicial para tornar a avaliação da coleção
rotineira, como o inventário, permitindo incrementar continuamente o uso da
coleção,

além

de

fornecer

subsídios

na

definição

da

Política

de

Desenvolvimento da Coleção da Biblioteca da FAUUSP.

Referências bibliográficas
BARRETO, Aldo de A. Perspectivas da Ciência da Informação. R.
Biblioteconomia Brasília,v.21,n.2, p.155-166, jul.-dez.1997.
FIGUEIREDO, Nice Menezes. Desenvolvimento e avaliação de coleções.
2.ed. Brasília : Thesaurus, 1998. 237 p.

�15
__________.Metodologias para avaliação de coleções: incluindo
procedimentos para revisão, descarte e armazenamento. Brasília: IBICT, 1985.
__________. Avaliação de coleções e estudos de usuários. Brasília:
Associação dos Bibliotecários do Distrito Federal, 1979. 96 p.
ODLYZKO, Andrew. Silicon dreams and silicon bricks: the continuing evolution
of libraries. Library Trends, Illinois, v. 46, n.1, p. 1-228, summer, 1997.
Disponível em: &lt;http://www.research.att.com/~amo/doc/silicom.drems.txt.&gt;
Acesso em 25.07.2006.
OPPENHEIM, Charles; SMITHSON, Daniel. What is the hybrid library? Journal
of Information Science, v.2, n.25, p.97-112, 1999.
PAULA, Tânia Maria Bueno; LIMA, Maria das Graças Ferreira de; MORAES,
Patrícia Regina V. de A. ; SILVA, Sandra Valéria da. Avaliação das citações em
dissertações e teses do Departamento de Ciência Política da FFLCH/USP
defendidas no ano de 2000: um estudo de uso. In: SEMINARIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 12, Recife, 2002. Anais... Recife: UFPE,
2002. Disponível em: &lt;http://www.sibi.ufrj.br/snbu/snbu2002/main.htm&gt;.
Acesso em 28.07.2006.
TEXAS STATE LIBRARY AND ARCHIVE COMMISSION. The CREW Method:
expanded guidelines for collection evaluation and weeding for small and
medium-sized public libraries. Disponível em:
&lt;http://www.tsl.state.tx.us/Id/pubs/crew/background.html#sixbenefits&gt;.Acesso
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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.
Informações Gerais &amp; Programas de Graduação (1999-2000). São Paulo:
FAUUSP, 2000.
VERGUEIRO, Waldomiro. Seleção de materiais de informação: princípios e
técnicas. Brasília: Briquet de Lemos, 1995. 110 p.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                <text>A Biblioteca da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo verificou um crescimento exponencial de seu acervo nos últimos 10 anos, motivado pelo aumento de verbas para compra de material bibliográfico, pelo aumento no número de doações recebidas e pelo crescimento de teses defendidas na unidade, além de facilidades no tratamento da informação, como a catalogação copiada (adotada pela USP em cooperação com o Online Computer Library Center - OCLC) e do cadastro online. A média de documentos incorporados ao acervo é de 1.242 exemplares/ano, distribuídos em Folhetos, Livros Grandes, Livros Raros, Livros, eses/Dissertações e Referências, e a média de livros/teses é de 800 exemplares/ano. O crescimento rápido da coleção acima descrito determinou a diminuição drástica de espaço nas estantes, e também mostrou a necessidade imperiosa de definição de critérios fundamentados para a administração desse crescimento. Esse trabalho tem como objetivo definir critérios e métodos de avaliação do uso da coleção para o descarte/desbaste, que dará suporte à Política de Aquisição e Desenvolvimento do acervo da Biblioteca da FAUUSP.</text>
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Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O trabalho enfoca o cotidiano da Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação do Sistema de Bibliotecas da Unicamp e gira em torno da administração da revista, que englobam desde as fases de avaliação até a publicação de um artigo. Dentro do relato dessas fases, será abordado como a gestão da informação e do conhecimento pode fazer parte desta rotina, visto que, a partir de literatura específica, existem várias características para se trabalhar com esta prática. Será relatado, no formato de fluxograma, o cotidiano desta administração e como trouxemos esta prática para nossa realidade. Procuramos neste trabalho, traçar um paralelo entre as estratégias da gestão do conhecimento, de forma a estabelecer relações com o cotidiano da administração de um periódico científico digital. Após essa etapa, destacaremos o relacionamento de tais aspectos, onde objetivamos transportar estas relações, através do fluxograma de serviços, detalhando os passos administrativos e mencionando as facilidades de se trabalhar com base nestas teorias. Finalmente, apresentaremos os frutos do sucesso deste periódico científico desde o seu lançamento em 2003, divulgado no universo das publicações digitais da área.</text>
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ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA DA
PRODUÇÃO CIENTÍFICA DA UNESP
ANA PAULA SANTULO CUSTÓDIO DE MEDEIROS
UNESP - Instituto de Biociências
Av. 24-A, 1515 – Bela Vista
13506-900 - Rio Claro – SP / Brasil
asantulo@rc.unesp.br
www.rc.unesp.br
LEANDRO INNOCENTINI LOPES DE FARIA
UFSCar – Universidade Federal de São Carlos
Rodovia Washington Luís (SP-310), km 235
13565-905 – São Carlos – SP / Brasil
leandro@nit.ufscar.br
www.ufscar.br

Eixo temático: As Bibliotecas Universitárias e a Produção do Conhecimento
Sub-tema: As redes e virtualidades da pesquisa acadêmica
Resumo
A Bibliometria tem a finalidade de medir por análises estatísticas a produção de
pesquisa científica e tecnológica na forma de artigos, publicações, citações,
patentes e outros indicadores mais complexos, possibilitando avaliar atividades de
pesquisa, laboratórios, cientistas, instituições, países, etc., auxiliando assim, nas
tomadas de decisões e no gerenciamento da pesquisa. A Bibliometria está sendo
aplicada cada vez mais em análises de produção científica, e portanto, foi
utilizada para analisar a Unesp, no período de 2000 a 2004, pois esta
Universidade possui campus em diversas cidades, abrangendo todo o Estado de
São Paulo, além de apresentar o maior crescimento em publicação científica entre
as universidades estaduais paulistas no período de 1998 a 2002. A principal fonte
de informações para a realização da pesquisa foi a base do Institute for Scientific
Information (ISI), a Web of Science. Por esta pesquisa, foi possível realizar
análises bibliométricas dos indicadores de publicação, tais como: a evolução e o
crescimento da produção científica nos últimos cinco anos, os periódicos mais
utilizados, as áreas do conhecimento em que mais se publicam e análises dos
indicadores de colaboração entre as cidades e os países.
Palavras-chave: Bibliometria; Produção Científica; Pesquisa Científica; Métodos
Estatísticos; Análises Estatísticas.

�2

INTRODUÇÃO
A Bibliometria está sendo aplicada cada vez mais em análises de produção
científica. No Brasil, foram realizados alguns estudos recentes sobre a produção
científica nacional (LETA; CRUZ, 2003; MENEGHINI, 2005; GREGOLIN, 2005),
os quais mostraram que não há uma homogeneidade entre as regiões, pois a
produção científica se concentra principalmente na região sudeste, no Estado de
São Paulo. Assim sendo, as universidades que mais se destacam são a
Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual de Campinas
(Unicamp), a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), a
Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e a Universidade Federal de São
Carlos (UFSCar).
No entanto, há poucos estudos específicos detalhados sobre a produção
científica dessas universidades. Dessa forma, realizou-se uma pesquisa com a
Unesp, pois se destaca por seus campi localizados nas mais diferentes cidades
paulistas, abrangendo todo o estado de São Paulo, e ainda, conforme Gregolin
(2005), a que possui maior crescimento em publicação científica das
universidades estaduais paulistas no período de 1998 a 2002.
A principal fonte de informações para a realização da pesquisa foi a base
do Institute for Scientific Information (ISI), a Web of Science, que abrange três
bancos de dados: o Science Citation Index (SCI), o Social Science Citation Index
(SSCI), e o Arts and Humanities Citation Index (AHCI). Essa base foi escolhida
por ser a mais abrangente em termos de áreas do conhecimento, número de
periódicos e possuir informações sobre os endereços dos autores, possibilitando
identificar as co-autorias das publicações.
Os dados foram quantificados pelo software VantagePoint, que transformou
as informações textuais em dados numéricos para a realização das análises
estatísticas, gerando listas, tabelas e matrizes. Os resultados foram importados
para o Excel possibilitando melhor análise e representação gráfica das
informações adquiridas.

�3

A pesquisa foi quantitativa, pois analisou o número de artigos publicados
pela universidade e que constam da base da Web of Science no período de 2000
a 2004.
O trabalho dividiu-se em três atividades principais:
•

Revisão bibliográfica;

•

Caracterização da Unesp; e

•

Análise bibliométrica.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
A revisão bibliográfica foi realizada, principalmente, para melhor conhecer a
produção e o uso de indicadores de produção científica a partir de bases de
dados bibliográficas e da bibliometria.
A Bibliometria tem a finalidade de medir por análises estatísticas a
produção de pesquisa científica e tecnológica na forma de artigos, publicações,
citações, patentes e outros indicadores mais complexos, possibilitando avaliar
atividades de pesquisa, laboratórios, cientistas, instituições, países, etc.,
auxiliando assim, nas tomadas de decisões e no gerenciamento da pesquisa
(OKUBO, 1997).
Conforme, Okubo (1997), as técnicas de bibliometria estão evoluindo,
originando diversos tipos de indicadores, tais como: Indicadores de publicação;
Indicadores de citações; Indicadores de co-publicações; Indicadores de cocitaçõe; Indicadores de patente; Indicadores de citações de patentes.
Os dados para as análises bibliométricas são extraídos de bancos de
dados com informações sobre a literatura, que na maioria das vezes, estão
disponíveis on-line ou em CD-ROM.

�4

As análises bibliométricas utilizam apenas as comunicações formais entre
os cientistas: artigos, livros, patentes, documentos. Todas as comunicações
informais (literatura cinzenta): oral, relatórios, conferências, comunicação
eletrônica, não são analisadas (OKUBO, 1997).
As diversas áreas do conhecimento diferem no tipo de publicação, na
quantidade de publicações de artigos, no número de periódicos e no tipo de
periódico: nacional ou internacional. Conseqüentemente, não se devem realizar
análises comparativas entre áreas diferentes do conhecimento. Portanto, é
necessária muita prudência na realização de análises bibliométricas, pois cada
indicador possui vantagens e limitações.
No entanto, “apesar de suas limitações, a bibliometria proporciona uma
medida quantitativa essencialmente objetiva da produção científica”. (OKUBO,
1997, p.23, tradução nossa). Além disso, ela auxilia as agências de fomento na
tomada de decisão, principalmente em distribuição de recursos destinados à
pesquisa e ao desenvolvimento.
De acordo com Okubo (1997, p.6, tradução nossa), “onde a ciência está
envolvida, os indicadores bibliométricos são indispensáveis”. A bibliometria pode
ser aplicada na avaliação da produção científica, pois os cientistas utilizam a
publicação para divulgarem seus trabalhos e mostrarem seus resultados. De
acordo com Okubo (1997), a publicação tem três objetivos: difundir as
descobertas científicas, proteger a propriedade intelectual e a fama.
As pesquisas desenvolvidas por Leta e Cruz (2003); Meneghini (2005) e
Targino e Garcia (2000) sobre a produção científica brasileira, revelaram grande
desigualdade entre as regiões: o Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste são os
territórios com menor quantidade de publicações, enquanto o Sudeste e o Sul
apresentam o maior número de pesquisadores e de cursos de pós-graduação,
evidenciando o maior número de produção de artigos nessas regiões. Seguindo a
mesma tendência, a distribuição por estado se concentra principalmente em São
Paulo, seguido do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Nas cidades, a maior produção

�5

está em São Paulo, principalmente pela atuação da Universidade de São Paulo
(USP) que possui as melhores médias de avaliação da Capes e abriga quase a
metade dos cursos de doutorado de nível internacional. Dentre as instituições, se
destacam a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Universidade
Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), a Universidade Federal do
Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Outro resultado das pesquisas foi sobre as publicações em co-autorias, o
que revelou maior parceria com os Estados Unidos, a França, a Inglaterra e a
Alemanha. Em relação aos países com produtividade menor, se destaca a
parceria com a Argentina e o Chile.
Em todas as pesquisas observou-se um crescimento da produção científica
brasileira, demonstrando, além de uma maior quantidade de artigos nas bases de
dados, uma maior representação da ciência nacional na produção científica
mundial.
Para a realização das análises bibliométricas, geralmente são utilizadas as
bases de dados nacionais ou internacionais como fontes de coleta dos dados.
Porém, os bancos de dados são diferentes no próprio conteúdo e critérios de
entrada, na quantidade de artigos que traz de cada assunto, tornando-se
indispensável a escolha do banco de dados que melhor se adapte na análise
bibliométrica que será realizada (OKUBO, 1997).
O Institute for Scientific Information (ISI), localizado na Philadelphia,
Estados Unidos da América do Norte (EUA), é uma companhia publicadora de
bases de dados que possui uma cobertura abrangente da mais importante e
influente pesquisa realizada em todo o mundo. Sua base de dados bibliográfica é
multidisciplinar e compreende: títulos de revistas, livros e anais de congressos
internacionais, nas áreas de ciências puras, ciências sociais, artes e
humanidades. O ISI foi criado em 1958 por Eugene Garfield, com o objetivo de
prover informações atualizadas e de qualidade aos pesquisadores de maneira

�6

rápida e eficiente. No entanto, ele resolveu avaliar as referências através da
análise de citação, criando assim, o banco de dados SCI (TARGINO; GARCIA,
2000; TESTA, 1998).
Os dados da Web of Science têm sido muito utilizados para análises
bibliométricas em todo o mundo, trazendo informações sobre a literatura mundial
publicada desde 1945 (LETA; CRUZ, 2003; MENEGHINI, 2005). Ela é constituída
pelas três principais bases de dados do ISI: Science Citation Index – SCI; Social
Science Citation Index – SSCI e Arts &amp; Humanities Citation Index – AHCI.
A Web of Science contém um grande volume de periódicos mundiais,
aproximadamente 8500 títulos. De acordo com Leta e Cruz (2003), os indicadores
mais usados da base do ISI em estudos bibliométricos são:
•

número de publicações: para análises da produção científica;

•

número de citações: para análises de impacto da atividade científica;

•

número de co-autorias: para análises de colaboração científica.

Segundo Leta e Cruz (2003) e Targino e Garcia (2000), a Web of Science é
uma ferramenta importante para o diagnóstico da produção científica, pois é a
mais abrangente base de dados de informações científicas do mundo. Dessa
forma, ela é a base mais utilizada atualmente por especialistas e pesquisadores
em estudos bibliométricos por sua maior abrangência de áreas, pelo grande
volume de periódicos e, principalmente, por compilar as citações que os artigos
da base recebem anualmente.

CARACTERIZAÇÃO DA UNESP1
A caracterização da Unesp foi realizada, por ser a entidade que teve sua
produção científica analisada. Primeiramente, fez-se um levantamento das
informações sobre essa universidade, com seu histórico, sua infra-estrutura, e em
seguida identificou-se a localização de seus 23 campi no estado de São Paulo, as

�7

unidades que abrangem e os cursos de graduação e pós-graduação que
oferecem.
A Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP foi
fundada em 1976 e é mantida pelo governo do Estado de São Paulo, assim como
a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas
(Unicamp).
A UNESP é uma das maiores e mais importantes universidades brasileiras,
com destacada atuação no ensino, na pesquisa e na extensão. Ela possui uma
diferenciação entre as outras universidades paulistas por estar presente em
praticamente todo o território do estado de São Paulo.
Ela oferece cursos de graduação (bacharelado e licenciatura) e cursos de
pós-graduação stricto-sensu (Mestrado e Doutorado) e pós-graduação lato-Sensu
(Especialização e Aperfeiçoamento Profissional), nas três grandes áreas do
conhecimento: Humanidades, Biológicas e Exatas.
Para tanto, possui uma infra-estrutura de 60 milhões de m2, sendo
aproximadamente 562 mil m2 de área construída, incluindo museus, hortos,
biotérios, jardins botânicos, fazendas, 1900 laboratórios e 30 bibliotecas com
aproximadamente 700 mil livros e 2,3 milhões de consultas/empréstimos anuais,
para atender seus quase 35 mil alunos. A universidade conta com um importante
Hospital de Clínicas, com 450 leitos e administra o Hospital Estadual de Bauru,
com outros 380 leitos, e além disso, possui também hospitais veterinários e
clínicas de odontologia, psicologia, fonoaudiologia e fisioterapia.
A UNESP se destaca nas pesquisas científicas e tecnológicas que
desenvolve, e conta com recursos das principais agências de fomento à pesquisa
do país: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP),
Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (CAPES) e
Centro Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ).
1

Dados retirados do site: &lt;http://www.unesp.br/perfil&gt;

�8

ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA
Os dados, para a realização da análise bibliométrica, foram coletados nas
três principais bases de dados da Web of Science: Science Citation Index (SCI),
Social Science Citation Index (SSCI) e Arts &amp; Humanities Citation Index (AHCI),
abrangendo o período de 2000 a 2004.
No levantamento da Web of Science, realizou-se inicialmente uma tentativa
de busca por cidade, pois a base não traz os nomes das instituições de forma
padronizada, podendo encontrar o nome da Unesp de diversas maneiras. Porém,
verificou-se que esse método era inviável, já que, em algumas cidades existem
outras entidades de pesquisas que são recuperadas por essa expressão de
busca, dificultando a organização e análises dos dados.
Portanto, resolveu-se buscar por Unesp e todos os outros nomes possíveis
dessa universidade. Para isso, elaborou-se primeiramente uma pesquisa no
campo de endereço da Web of Science, utilizando quatro maneiras diferentes de
escrever o nome dessa universidade. Em seguida, realizou-se uma pesquisa por
três cidades em que a Unesp é a mais representativa pesquisadora, e excluiu-se
o resultado da busca anterior, recuperando assim, os artigos com outros nomes
possíveis da Unesp. Após a verificação de alguns artigos, encontrou-se 13 nomes
diferentes para essa universidade que foram utilizados na expressão de busca
para a recuperação dos dados.
Dessa forma, realizou-se a coletas dos dados, conforme mostra a Tabela 1.
Por esse levantamento, verificou-se que existe um crescimento anual na
quantidade de artigos recuperados da Web of Science, exceto no ano de 2001.

�9

Tabela 1 - Quantidade de artigos recuperados da Web of Science
ANOS

QUANTIDADE DE ARTIGOS

2000
2001
2002
2003

860
808
1228
1307

2004

1349

TOTAL

5552

Na análise bibliométrica da Unesp, foram englobados os resultados de
todos os seus institutos e analisados a soma de todos os seus artigos publicados
nas revistas que são indexadas pela Web of Science.
Através dos resultados, pode-se verificar que a Unesp obteve um aumento
de publicações científicas nas revistas indexadas pelo ISI entre os anos de 2000 a
2003, representando um crescimento de 41,33% de sua produção. Em 2000,
foram contabilizados 929 registros, e em 2003, 1313 (vide gráfico 1). No entanto,
em 2004, apesar de ter entrado na base 1349 artigos, apenas 976 foram

30

1400
1200
1000
800
600
400
200
0

20
10
0
-10
-20
-30
2000

2001

Total publicações

2002

2003

Taxa de crescimeto (%)

Nº de publicações

publicados neste ano, ocasionando uma queda de 25,67% em relação a 2003.

2004

Taxa de crescimento (acumulado)

Gráfico 1 - Evolução e taxa de crescimento anual do número de
publicações da UNESP

A base de dados do ISI classifica as áreas do conhecimento em 22
classes. Assim sendo, pode-se verificar que as publicações da Unesp se

�10

concentram principalmente nas áreas de Medicina2 (23%), Botânica e Zoologia
(18%), Física (16%), Química (9%) e Biologia e Bioquímica (6%), conforme
mostra o gráfico 2. Além disso, ressalta-se o crescimento do número de
publicações nas áreas de Geociências (129%), Biologia e Bioquímica (119%),
Engenharia (104%) e Ciências Agrárias (83%) e um decréscimo nas áreas de
Medicina

(-49%),

Matemática

(-42%),

Ecologia

(-22%),

Biologia

150

25

125

20

100

15

75

10

50

5

25

0

0

% publicações

Outras

Geociências

Matemática

Ecologia

Neurociências/Comport.

Microbiologia

Farmacologia/Toxicol.

Biol.Molecular/Genética

Ciências Agrárias

Engenharia

Ciência Materiais

Biologia/Bioquímica

-50

Química

-10

Física

-25

Botânica/Zoologia

-5

Taxa de crescimento (%)

30

Medicina

Publicações (%)

Molecular/Genética e Física, ambas com –20%.

Taxa de crescimento (acumulado)

Gráfico 2 - Distribuição porcentual do número de publicações da Unesp e taxa de
crescimento, por áreas do conhecimento - 2000-2004 (acumulado).

2

A Medicina, termo utilizado por Gregolin (2005), engloba outras áreas da Ciência
Médica, tais como, a Odontologia.

�11

Muitos artigos são publicados em conjunto, ou seja, a Unesp publica com
outros institutos, com outras universidades, com outras entidades, com outras
cidades e com outros países. Como a base de dados do ISI é americana e o
maior número de artigos pertencem aos Estados Unidos, ele aparece como o
maior colaborador internacional da Unesp, em torno de 25,53% de toda a
contribuição internacional (vide gráfico 3). Mas também, pode-se destacar a
colaboração com a França (7,85%), Inglaterra (6,22%), Canadá (5,94%) e
Espanha (5,87%), que juntos somam 25,88%, ultrapassando o percentual dos
Estados Unidos.

Estados Unidos

361

França

111

Inglaterra

88

Canadá

84

Espanha

83

Alemanha

71

Italia

70

Portugal

48

Russia

48

Japão

40
0

50

100

150

200

250

300

350

400

Gráfico 3 - Número de publicações dos 10 principais países que colaboram
com a Unesp

Através do próximo gráfico (4), que mostra as 10 cidades que mais
possuem artigos da Unesp, pode-se observar que São Paulo aparece com o
maior número de registros. Em seguida, destacam-se as cidades de Araraquara e
Botucatu, cada uma contendo quatro institutos da Universidade Estadual Paulista
“Júlio de Mesquita Filho”. Além delas, há mais quatro cidades que possuem
campus da Unesp: Jaboticabal, Rio Claro, São José do Rio Preto e São José dos
Campos. As cidades de São Carlos, Campinas e Ribeirão Preto, possuem grande
colaboração com a universidade pesquisada.

�12

São Paulo

2222
1097

Araraquara
900

Botucatu
Jaboticabal

497

Rio Claro

481
452

São Carlos

327

Campinas
São José do Rio Preto

294

São José dos Campos

215

Ribeirão Preto

205
0

500

1000

1500

2000

2500

Gráfico 4 - Número de publicações das 20 principais cidades que publicam e
colaboram com a Unesp

O Instituto de Física Teórica de São Paulo foi o que obteve a maior
quantidade de artigos (vide gráfico 5), porém, houve um decréscimo de 20% em
suas publicações entre 2000 e 2004. Em seguida, tem-se o Instituto de Química
de Araraquara, a Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias de Jaboticabal,
os Institutos de Biociências de Rio Claro e Botucatu, e somente em sexto lugar
aparece a Faculdade de Medicina de Botucatu, sendo que todos apresentaram
crescimento no número de publicações durante o período analisado, destacando
o Instituto de Biociências de Rio Claro com 70%.
A Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação de Bauru e o Instituto de
Artes de São Paulo não publicaram nenhum artigo na Web of Science no período
analisado. Além desses, a Faculdade de História, Direito e Serviço Social de
Franca, a Faculdade de Filosofia e Ciências de Marília e as Faculdades de
Ciências e Letras de Assis e Araraquara, todas da área de Humanas, aparecem

�13

nas últimas posições, confirmando que a publicação de artigos da Unesp em
periódicos indexados na base de dados do ISI nesta área é menor.

834

São Paulo-IFT

809

Araraquara-IQ

541

Jaboticabal-FCAV

392

Rio Claro-IB
Botucatu-IBB

376

Botucatu-FM

364

OUTROS

358

Araraquara-FOAR

310

São José do Rio Preto-IBLCE

309
239

Botucatu-FMVZ

210

São José dos Campos-FOSJC

173

Araçatuba-FOA
Botucatu-FCA

140

Araraquara-FCFAR

138

Guaratinguetá-FEG

136

Rio Claro-IGCE

129

Bauru-FC

119
98

Ilha Solteira-FEIS

63

Presidente Prudente-FCT
Araraquara-FCLAR

21

Assis-FCL

20

Bauru-FEB

11

Marília-FFC

6

Sorocaba/Registro-UD

6

São Vicente

4

Franca-FHDSS

1
0

100 200 300 400 500 600 700 800 900

Gráfico 5 - Número de publicações dos institutos da Unesp

�14

CONCLUSÃO
A análise bibliométrica da produção científica da Unesp no período de 2000
a 2004 possibilitou identificar a sua evolução e seu crescimento anual, as áreas
em que mais se publicam, as cidades e os países que mais colaboram, além de
uma análise de seus institutos.
Dessa forma, comparando-se o número de artigos de 2000 a 2003 foi
possível verificar um aumento a cada ano, representando um crescimento de
41,33% neste período. No entanto, em 2004 a quantidade de publicações caiu
25,67% em relação a 2003.
No que se refere às áreas do conhecimento, as publicações da Unesp se
concentram principalmente em Medicina, Botânica e Zoologia, Física, Química e
Biologia/Bioquímica. Desta forma, verificou-se que a área de Ciências Biológicas
é a que possui maior número de artigos da Unesp indexados na Web of Science.
Analisando os países, os Estados Unidos aparece como o maior
colaborador da Unesp. Isso pode ser explicado por ele ser o país que possui o
maior número de registros indexados na Web of Science. Além dele, destacam-se
também a França, a Inglaterra, o Canadá e a Espanha.
Na análise das cidades, São Paulo aparece como principal publicadora,
seguida de Araraquara, Botucatu, Jaboticabal e Rio Claro. Nestas cidades estão
os institutos que mais publicam artigos pela Unesp: o Instituto de Física Teórica
de São Paulo, o Instituto de Química de Araraquara, a Faculdade de Ciências
Agrárias de Jaboticabal, o Instituto de Biociências de Rio Claro e Botucatu e a
Faculdade de Medicina de Botucatu. Também destacam-se as cidades de São
Carlos, Campinas e Ribeirão Preto, que possuem grande colaboração com as
publicações da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho.

�15

REFERÊNCIAS
GREGOLIN, J. A. R. (Coord.). Análise da produção científica a partir de
Indicadores Bibliométricos. In: FUNDAÇÃO DE AMPARO À PESQUISA DO
ESTADO DE SÃO PAULO – FAPESP. Indicadores de ciência, tecnologia e
inovação em São Paulo – 2004. São Paulo: FAPESP, 2005. cap. 5, p.5-1 – 5-44.
LETA, J.; CRUZ, C. H. B. A produção científica brasileira. In: VIOTTI, E. B.;
MACEDO, M.M. (Org.). Indicadores de ciência, tecnologia e inovação no
Brasil. Campinas: Editora da Unicamp, 2003. cap. 3, p. 125-168.
MENEGHINI, R. (Coord.). Produção Científica. In: FUNDAÇÃO DE AMPARO À
PESQUISA DO ESTADO DE SÃO PAULO – FAPESP. Indicadores de ciência,
tecnologia e inovação em São Paulo – 2001. cap. 6, p.6.1-6.22. Disponível em:
&lt;http://www.fapesp.br/indct/cap06/cap06.htm&gt;. Acesso em: 25 mar. 2005.
OKUBO, Y. Bibliometric indicators and analysis of research systems:
methods and examples. Paris: OECD, 1997. 69 p. (STI Working Papers, 1997/1).
TARGINO, M. G.; GARCIA, J. C. R. Ciência brasileira na base de dados do
Institute for Scientific Information (ISI). Ciência da Informação, Brasília, v. 29, n.
1, p. 1-20, jan./abr. 2000.
TESTA, J. A base de dados ISI e seu processo de seleção de revistas. Ciência
da Informação, Brasília, v. 27, n. 2, p. 233-235, maio/ago. 1998.
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” –
UNESP. Disponível em: &lt;http://www.unesp.br&gt;. Acesso em 12 mar. 2005.

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <description>The nature or genre of the resource</description>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Análise bibliométrica da produção científica da UNESP.</text>
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                <text>Medeiros, Ana Paula Santulo Custódio de; Faria, Leandro Innocentini Lopes de</text>
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                <text>A Bibliometria tem a finalidade de medir por análises estatísticas a produção de pesquisa científica e tecnológica na forma de artigos, publicações, citações, patentes e outros indicadores mais complexos, possibilitando avaliar atividades de pesquisa, laboratórios, cientistas, instituições, países, etc., auxiliando assim, nas tomadas de decisões e no gerenciamento da pesquisa. A Bibliometria está sendo aplicada cada vez mais em análises de produção científica, e portanto, foi utilizada para analisar a Unesp, no período de 2000 a 2004, pois esta Universidade possui campus em diversas cidades, abrangendo todo o Estado de São Paulo, além de apresentar o maior crescimento em publicação científica entre as universidades estaduais paulistas no período de 1998 a 2002. A principal fonte de informações para a realização da pesquisa foi a base do Institute for Scientific Information (ISI), a Web of Science. Por esta pesquisa, foi possível realizar análises bibliométricas dos indicadores de publicação, tais como: a evolução e o crescimento da produção científica nos últimos cinco anos, os periódicos mais utilizados, as áreas do conhecimento em que mais se publicam e análises dos indicadores de colaboração entre as cidades e os países.</text>
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                    <text>ANÁLISE DA PRODUÇÃO CIENTIFICA DOS DOCENTES DO INSTITUTO DE
BIOLOGIA DA UNICAMP PUBLICADA EM PERIÓDICOS NO PERÍODO DE 19922005
*Ana Maria Rabetti, Diretora da Biblioteca do IB/UNICAMP, rabetti@unicamp.br

*Roberta D.E.Tartarotti, Bibliotecária da Biblioteca do IB/UNICAMP, robertta@unicamp.br

*Silvia Celeste Sálvio, Bibliotecária da Biblioteca do IB/UNICAMP, sceleste@unicamp.br
*Profa. Dra. Marlene Aparecida Schiavinato, Coordenadora da Comissão de Biblioteca do
IB/UNICAMP , mschiavi@unicamp.br

RESUMO

Este trabalho tem como objetivo quantificar a produção bibliográfica científica dos
141 docentes, distribuídos em 6 Programas de Pós-Graduação do Instituto de
Biologia (IB) da UNICAMP: Biologia Celular e Estrutural, Biologia Funcional e
Molecular, Biologia Vegetal, Ecologia, Genética, Parasitologia e relacioná-la aos
periódicos disponíveis na Biblioteca IB.
Como metodologia, optou-se pela análise dos títulos de periódicos utilizando a
classificação de periódicos da Qualis/Capes, que subsidia o processo de avaliação
anual dos programas de pós-graduação das universidades. Foram utilizados os
dados de produção científica dos docentes em periódicos catalogados na Plataforma
de Currículos Lattes/CNPq, no período de 1992 a 2005.

Palavras-Chave: Produção científica; Periódicos científicos; Avaliação de periódicos

* Instituto de Biologia (IB) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Caixa
Postal 6109, CEP 13083-970, Campinas,SP,Brasil.

�APRESENTAÇÃO

O Instituto de Biologia (IB) é uma das três primeiras Unidades de ensino,
pesquisa e extensão criadas na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP),
que desde o seu início teve o privilégio de contar com excelentes profissionais no
quadro de servidores docentes e não docentes.

Ao longo dos seus 37 anos de existência, o IB passou por inúmeras
transformações, sempre visando o aprimoramento de sua organização e mantendo
seu compromisso com o saber, com a ética e com a sociedade, sendo uma
instituição respeitada dentro e fora do país.

Formada por onze Departamentos: Anatomia, Biologia Celular, Bioquímica,
Fisiologia Vegetal, Fisiologia e Biofísica, Genética e Evolução, Histologia e
Embriologia, Microbiologia e Imunologia, Parasitologia e Zoologia, o Instituto é
responsável pelos cursos de graduação em Ciências Biológicas, Bacharelado e
Licenciatura.

Sua Pós-Graduação abrange todas as grandes áreas das Ciências Biológicas,
sendo formada por seis diferentes programas, todos com nível de Mestrado,
Doutorado e Pós-Doutorado: Biologia Celular e Estrutural (conceito Capes 6);
Biologia Funcional e Molecular (conceito Capes 6); Biologia Vegetal (Conceito Capes
6); Ecologia (Conceito Capes 6); Genética e Biologia Molecular (Conceito Capes 7);
Parasitologia (Conceito Capes 3). Seus objetivos são a produção científica,
tecnológica e cultural e a formação de pesquisadores e profissionais de alto nível.

O Instituto ainda conta com mais quatro órgãos complementares: o Museu de
História Natural, o Herbário (que conta com a maior coleção de plantas da flora

�nacional, paulista em particular), a Biblioteca Setorial do IB e um Laboratório de
Microscopia Eletrônica.

A Biblioteca do IB conta com um acervo expressivo, dispondo de 732 títulos
de periódicos nacionais e internacionais na área de Ciências Biomédicas e
Ambientais.

Esta Biblioteca é consultada/visitada por usuários não só da UNICAMP,
como também por usuários de todo o país que participam dos mais diferentes
projetos de pesquisa com repercussão nacional e internacional. Pode-se constatar a
importância do acervo e dos serviços prestados pela Biblioteca do IB, por meio do
número de pedidos de consulta a periódicos atendidos por ela, via comutação
bibliográfica, em contraposição ao número de periódicos solicitados pela comunidade
do IB/UNICAMP a outras bibliotecas nos últimos 14 anos, conforme pode ser visto na
Figura 1.

2%
Atendidos
Solicitados
98%

Figura 1 - Comutação Bibliográfica do IB no período de 1992 a 2005. Fonte: Relatório
Estatístico Anual do SBU, 1992-2005.

Ciente de seu papel de sair da postura de armazenadora para a de provedora
da informação, oferece também produtos e serviços no ambiente virtual. Com o
incremento das novas tecnologias de comunicação e do uso da Internet, houve um

�aumento de produto disseminado em vários suportes impressos, eletrônicos e
digitais, favorecendo uma substancial alteração no processo de comunicação dos
produtos científicos.

Hoje, a comunidade usuária do IB tem acesso a 511 títulos de periódicos da
área biológica com artigos em texto completo, diretamente conectados aos Bancos
de Dados das Editoras Internacionais, ininterruptamente (24h). Esses periódicos
permitem ao usuário copiar (por meio de “download”) artigos a qualquer momento, de
qualquer equipamento conectado na rede da UNICAMP.

PRODUÇÃO CIENTÍFICA

A produção científica de um pesquisador/docente proporciona à comunidade
científica o conhecimento de novas descobertas, a projeção de sua carreira e,
também, da instituição à qual está vinculado. A produção científica vem sendo um
recurso de avaliação que proporciona, além do reconhecimento intelectual do
pesquisador, recursos financeiros junto às agências de fomento, identificação de
tendências temáticas e metodológicas (NORONHA; KIYOTANI, JUANES, 2003).

O meio mais comum utilizado pelos pesquisadores para divulgarem suas
novas descobertas é o periódico científico, pois ele tem como principais objetivos:
divulgar os resultados de novas pesquisas, preservar e conservar o conhecimento ao
longo do tempo, preservar a propriedade intelectual e manter o nível de qualidade na
ciência por meio da avaliação dos pares (MUELLER, 2000).

Essa divulgação por meio de artigos científicos juntamente com outros tipos
de documentos como livros e anais de congressos, resulta na produção científica dos
docentes.

�Para elaboração desse trabalho, optou-se por demonstrar a produtividade em
atividades de pesquisa e de divulgação de conhecimento por meio dos artigos
publicados pelos docentes do IB/UNICAMP divulgados na Plataforma de Currículos
Lattes/CNPq (http://lattes.cnpq.br) pelo fato desta ser, supostamente, atualizada e
reconhecida internacionalmente.

O intuito deste trabalho foi analisar os títulos de periódicos científicos,
selecionados pelos autores para publicação, por ser este o mais importante veículo
formal de comunicação, instituído pela CAPES nos Programas de Pós-Graduação
(níveis Mestrado e Doutorado).

OBJETIVOS

Identificar e quantificar a produção científica dos 141 docentes, distribuídos
em 6 Programas de Pós-Graduação do IB e relacioná-la aos periódicos disponíveis
na Biblioteca IB.

METODOLOGIA

Foram coletados os dados de produção científica dos docentes do IB em
periódicos catalogados na Plataforma de Currículos Lattes/CNPq, no período de
1992 a 2005.

Após este levantamento foram analisados os seguintes aspectos:
1- coleção de periódicos existentes na Biblioteca IB
2- identificar as publicações nacionais e internacionais
3- número de publicações produzidas por ano pelos docentes do IB
4- avaliação QUALIS/CAPES dos periódicos
5- periódicos nos quais os docentes mais publicaram

�6- publicações conforme as áreas de concentração de pós-graduação
7- formas de acesso das publicações periódicas (papel/on-line)

Para a análise acima, foram utilizadas as seguintes bases de dados:
CCN - Catálogo Coletivo Nacional de Periódicos/IBICT (www.ibict.br): para
verificação dos títulos existentes em bibliotecas brasileiras;
Base Acervus - Periódicos e PAI-e/ Programa de Acesso à Informação
Eletrônica do SBU/UNICAMP (www.sbu.unicamp.br): para verificação dos títulos em
papel e on-line disponíveis nas Bibliotecas do SBU;
SCIELO - Scientific Electronic Library Online (www.scielo.br): para verificação
dos títulos nacionais on-line;
COLIB - Coleções da Biblioteca IB, base local implantada pela Biblioteca IB:
para verificação dos títulos doados existentes na Biblioteca IB;
Relação de periódicos QUALIS/CAPES - classificação relativa a dados de
2004 Ciências Biológicas I, II e III (http://qualis.capes.gov.br): para verificação dos
conceitos, A, B e C.

ANÁLISE DOS DADOS

1. Coleção de periódicos existentes na Biblioteca IB:

A produção científica dos docentes do IB no período de 1992 a 2005 foi de
3417 trabalhos, distribuídos em 897 periódicos. Dentre estes, 411 fazem parte do
acervo da Biblioteca IB, 171 são assinados por alguma das bibliotecas do SBU, 06
pertencem ao IB e SBU e 310 pertencem ao acervo de outras bibliotecas do Brasil
(Figura 2).

�35%
45%

IB
SBU
IB e S B U
O u tras

1%
19%

Figura 2 – Distribuição de periódicos onde os docentes do IB publicaram entre 1992 e 2005
nos acervos das Bibliotecas IB, SBU e outras.

2. Publicações nacionais e internacionais

A pesquisa científica realizada pelos docentes do IB neste período resultou na
publicação de 827 artigos em 163 títulos nacionais e em 2590 artigos em 734 títulos
internacionais (Figuras 3 e 4).

18%

24%

Periódicos
nacionais

Artigos
nacionais

Periódicos

Artigos

internacionais
Figura 3 – Publicações dos
docentes do IB em periódicos no período de 1992
a 2005.
internacionais

82%

76%

Figura 3 - Porcentagem de publicação

Figura 4 - Porcentagem de artigos em

em periódicos no período 1992-2005.

periódicos no período 1992-2005.

�3. Número de publicações produzidas por ano

Segundo dados da Diretoria Geral de Recursos Humanos (DGRH) da
UNICAMP, houve um decréscimo no número total de docentes no Instituto, devido à
aposentadoria: 158 docentes em 1995 e 120 em 2004. Porém, alguns destes
docentes aposentados permaneceram como professores colaboradores voluntários
nas atividades de pesquisa e orientação, continuando a contribuir para a produção
científica. Deve-se considerar que os docentes, além de suas atividades, também
agregam outras funções como encargos administrativos, reuniões, relatórios, funções
gerenciais, bancas examinadoras, cursos e outras atividades exigidas pela carreira.
Apesar dos fatos citados acima, observa-se a elevação na produtividade científica
dos docentes do IB no período de 1992 a 2003, conforme Figura 5. A média foi de
1,7 artigos/ano por docente.
500
400
300
200
100
0
1992

1994

1996

1998

2000

2002

2004

Figura 5 – Publicação anual dos docentes do IB no período de 1992 a 2005.

�4. Avaliação QUALIS/CAPES dos periódicos

Foram avaliados os conceitos adotados pela Qualis/CNPq para as revistas
utilizadas pelos docentes do IB para a divulgação de seus resultados de pesquisa,
visto que esta classificação de periódicos subsidia o processo de avaliação anual dos
programas de pós-graduação das universidades. Esses periódicos são enquadrados
em categorias indicativas de qualidade A, B ou C no âmbito de circulação local,
nacional ou internacional. Pode-se observar que 286 periódicos possuem conceito A,
81 possuem conceito B, 57 possuem conceito C e 473 não possuem conceito ou não
pertencem às Áreas de Ciências Biológicas I, II e III, analisadas neste trabalho
(Figura 6).

32%
A
B
C

53%

Nenhum
6%

9%

Figura 6 – Publicação anual dos docentes do IB no período de 1992 a 2005.

5- Títulos mais citados

Conforme apresentado na Tabela 1, dos 20 periódicos nos quais os docentes
mais publicaram artigos no período de 1992 a 2005, 19 fazem parte do acervo da

�Biblioteca IB e apenas 01 deles (#) pertence ao acervo de outra Biblioteca da
UNICAMP. Dentre estes, 06 são nacionais e 14 internacionais.

Tabela 1 - Periódicos em que os docentes do IB mais publicaram artigos (1992-2005)
Títulos de Periódicos
Toxicon
Revista Brasileira de Botânica
Brazilian Journal of Morphological Sciences
Brazilian Journal of Medical and Biological Research
Phytochemistry (#)
Journal of Protein Chemistry
Genetics and Molecular Biology
Acta Botanica Brasilica
Biochimica et Biophysica Acta
Veterinary Microbiology
Memórias do Instituto Oswaldo Cruz
Journal of Submicroscopic Cytology and Pathology
Annals of Botany
Plant Systematics And Evolution
Febs Letters
Plant Molecular Biology
Revista Brasileira de Biologia
Tissue and Cell
Canadian Journal of Physiology and Pharmacology
Biota Neotropica

Nº de publicações
88
82
58
55
46
40
35
33
30
30
28
26
25
24
22
22
22
22
21
20

Fonte: Plataforma de Currículos Lattes/CNPq

6- Publicações conforme as áreas de concentração de pós-graduação do IB

A distribuição dos Departamentos do IB nos programas de Pós-graduação, o
número de publicações por programa no período 1992-2005, e o número de
publicações por docentes/ano em cada programa podem ser observados na Tabela
2. Para uma visualização geral, a porcentagem de publicações por programa de PósGraduação é apresentada na Figura 7.

�Tabela 2 – Número de publicações por programa de Pós-graduação no período 1992-2005 e
número de publicações por docentes em cada programa, por ano.
Programa de
Pós-Graduação
Biologia Celular e
Estrutural
Biologia
Funcional e
Molecular
Biologia Vegetal
Ecologia
Genética e
Biologia
Molecular
Parasitologia

Departamentos do IB
Anatomia
Biologia Celular
Histologia e Embriologia
Bioquímica
Fisiologia e Biofísica

No. de
docentes

Publicações Publicação
(1992-2005) anual/docente

27

580

21

29

815

28

Botânica
Fisiologia Vegetal
Zoologia

26

616

24

17

520

31

Genética e Evolução
Microbiologia e Imunologia

28

621

22

Parasitologia

17

265

16

Fonte: Plataforma de Currículos Lattes/CNPq

Biologia Celular e
Estrutural
Biologia Funcional e
Molecular
Biologia Vegetal

8%

17%

18%

Ecologia

24%

15%

Genética e Biologia
Molecular
Parasitologia

18%

Figura 7 - Porcentagem de publicações por programa de Pós-Graduação no período 19922005.

�7 - Formas de acesso

A coleção de periódicos na Biblioteca IB é formada por 732 títulos impressos,
dos quais 511 com acesso eletrônico. A partir de uma análise quantitativa,
constatamos que 411 dos títulos em papel em que os docentes do IB publicaram,
fazem parte do acervo da Biblioteca IB e, dentre estes, 168 estão disponibilizados
pelo IB eletronicamente.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados da análise dos periódicos científicos nos quais os docentes do IB
publicaram suas pesquisas nos últimos 14 anos demonstraram que, 19 dos 20 títulos
de expressão escolhidos para a publicação dos artigos científicos fazem parte do
acervo da Biblioteca IB.
Verificou-se um aumento anual do número de trabalhos publicados entre 1992 e
2005, em periódicos nacionais (827) e internacionais (2590), os quais foram
disseminados à comunidade acadêmica, às bibliotecas, por serem elementos
facilitadores dos controles bibliográficos, e à sociedade, favorecendo uma
diversidade de áreas, como as da agricultura, da produção de fármacos, da
medicina, da bioinformática, da preservação ambiental, e muitas outras.

Sobre o instrumento de coleta de dados, a Plataforma do Currículo Lattes,
observou-se que nem sempre os currículos dos docentes são atualizados com
freqüência. Notou-se também, que não há uma devida padronização nas referências
cadastradas, sendo que muitas estavam abreviadas inadequadamente, dificultando a
identificação dos títulos.

�O resultado deste trabalho servirá como subsídio na tomada de decisão no que
tange a cancelamentos de títulos de periódicos que não refletem as linhas e os
projetos de pesquisas desenvolvidos pelos docentes do IB, para assinatura de títulos
mais relevantes.

REFERÊNCIAS

COITO, M. I. et al. A importância da pesquisa científica como critério para avaliação
de periódicos em bibliotecas universitárias. In: Seminário Nacional de Bibliotecas
Universitárias, 13. Anais. Disponível em:
http://snbu.bvs.br/snbu2000/docs/pt/doc/t122.doc. Acesso em: 05 jul.2006.

FACHIN, G.R.B. et al. Publicação periódica: revendo padrões de publicação e
avaliação de artigos. Disponível em: portal.cid.unb.br/CIPECCbr/viewpaper.php?id=5
Acesso em: 13 jul.2006.

MELLO, M.L.S.,org. Abstracta/IB 7. Campinas, UNICAMP/Instituto de Biología,
2004.

MUELLER, S.P.M. O periódico científico. In: CAMPELLO, B.S.; CENDÓN, B.V.;
KREMER, J.M. Fontes de informação para pesquisadores e profissionais. Belo
Horizonte, UFMG, 2000. p.73-96. 319p.

NORONHA, D.P.; KIYOTANI, N.M.; JUANES, I.A.S. Produção científica de docentes
na área de comunicação. Informação Sociedade Estudos, João Pessoa, PB, v.13,
n.1, p.1-13, 2003.

OHIRA, M.L.B. Por que fazer pesquisa na universidade? Revista ACB:
biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v.3, n.3, p.65-76, 1998.

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Rabetti, Ana Maria; Tartarotti, Roberta D.E.Tartarotti; Sálvio, Silvia Celeste; Schiavinato, Marlene Aparecida</text>
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                <text>Este trabalho tem como objetivo quantificar a produção bibliográfica científica dos 141 docentes, distribuídos em 6 Programas de Pós-Graduação do Instituto de Biologia (IB) da UNICAMP: Biologia Celular e Estrutural, Biologia Funcional e Molecular, Biologia Vegetal, Ecologia, Genética, Parasitologia e relacioná-la aos periódicos disponíveis na Biblioteca IB. Como metodologia, optou-se pela análise dos títulos de periódicos utilizando a classificação de periódicos da Qualis/Capes, que subsidia o processo de avaliação anual dos programas de pós-graduação das universidades. Foram utilizados os dados de produção científica dos docentes em periódicos catalogados na Plataforma de Currículos Lattes/CNPq, no período de 1992 a 2005.</text>
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                    <text>1

ANÁLISE DE UMA EXPERIÊNCIA PRÁTICA A LUZ DA TEORIA DA GESTÃO DO
CONHECIMENTO: A LISTECA COMO FERRAMENTA DE UMA CONSTRUÇÃO
DE APRENDIZAGEM NA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA1.
Maria de Lourdes Teixeira da Silva2
Mônica Marques Carvalho3

“Se antes a terra, e depois o capital eram os fatores de
produção... hoje o fator decisivo é cada vez mais, o
homem em si, ou seja, seu conhecimento”
Papa João Paulo II

RESUMO
O estudo apresentado aborda uma experiência de Gestão do Conhecimento (GC)
em um ambiente de biblioteca universitária através do uso de uma Lista de
Discussão (LD), sob a análise comparativa da prática versus a teoria. Trata de uma
metodologia para a consecução de resultados positivos promovidos através do
compartilhamento de saberes, valorização do capital humano e intelectual, e na
criação de um ambiente colaborativo. Discorre ainda sobre este novo paradigma que
se configura na sociedade atual, onde apresentamos como elementos chave
propulsores, a informação, o conhecimento, a aprendizagem e as novas tecnologias.
Os resultados desta experiência evidenciam na prática as contribuições da GC no
ambiente da biblioteca, onde destacamos a evolução do grupo, no que se refere ao
aprendizado, a criatividade e ao relacionamento interpessoal.
Palavras-chave: Gestão do conhecimento. Aprendizagem colaborativa.
1 INTRODUÇÃO
A informação tem se configurado, na atual sociedade, como o principal
bem econômico do séc. XXI; o desenvolvimento, a conseqüente evolução e a
consagração da chamada sociedade da informação, que trouxe em seu bojo não
somente em relação à explosão informacional, mas um repensar de práticas, de
1

Artigo originalmente apresentado à Coordenação do Curso de Especialização em Gestão
Estratégica de Sistemas de Informação, como trabalho final para obtenção do grau de especialista.
2
Especialista em Gestão Estratégica de Sistemas de Informação. Bibliotecária Coordenadora da
Faculdade Natalense para o Desenvolvimento do RN – FARN. R. Prefeita Eliane Barros, 2000 – Tirol
– 59014-540 – Natal / RN – Brasil E-mail: farn@farn.br; lourdes@farn.br.
3
Professora orientadora – DEBIB, Mestre em Ciência da Informação.

�2

posturas, e de aprendizado. Ancorada em teorias de grandes pensadores como
Toffler, Massuda, Bel,4 entre outros, a sociedade da informação criou uma
necessidade de uma utilização consciente deste recurso (informação), de forma a
torná-lo o principal ativo de produção,

possibilitando o fortalecimento das

organizações e modificando o comportamento dos indivíduos.
Considerando o conhecimento como a palavra-chave que está diretamente
atrelada aos desafios modernos das organizações. É passivo afirmar que as grandes
transformações, advindas principalmente do avanço tecnológico, provocaram
mudanças significativas na sociedade pós-industrial, encaminhando-a para uma nova
visão, de uma sociedade fundamentada na informação e no conhecimento, onde
estes possuem o valor de agregação às corporações.
Nesta perspectiva, a informação precisa estar estruturada, registrada e
organizada. Assim, a Gestão do Conhecimento apresenta-se com o propósito de
tornar as experiências pessoais de cenários, costumes e o know-how compartilhados
e eternizados no âmbito organizacional.
Neste sentido, discorreremos a respeito da Gestão do Conhecimento,
conceitos, aplicações, importância, ferramentas utilizadas e o ambiente de
aprendizagem colaborativa que este proporciona.
Apesar de se tratar de um tema bastante discutido nos dias atuais, o
estudo do mesmo de certo refletirá diretamente sobre um contexto específico,
apontando as vantagens de promover a aprendizagem pela prática; a valorização do
capital intelectual interno; a utilização das novas tecnologias e a socialização do
conhecimento, além do que estudar a GC nos permitirá ampliar o raio da
compreensão sobre a teoria versus a práxis, e dada a importância do assunto,
parece conveniente dizer que as organizações de vanguarda estão utilizando a GC,
como uma estratégia para melhoria de seus processos e de um melhor desempenho
nos mercados de atuação. No caso específico desse estudo, optou-se pelo uso da

4

Teóricos pioneiros da abordagem sobre a sociedade da informação.

�3

Internet com a utilização de uma lista de discussão5, como ferramenta auxiliar no
processo de GC.
A Gestão do conhecimento constitui-se em estruturar, difundir e utilizar o
conhecimento das pessoas de uma organização, cujos propósitos giram em torno
das

experiências

dos

indivíduos

com

vistas

ao

compartilhamento

desse

conhecimento entre seus membros, em que o conhecimento tácito se transforma em
um elemento ponte para o explícito, e na medida em que ocorre a sistematização
deste fluxo, poderemos observar o desenvolvimento da GC. Corroborando com
nosso pensamento, Nonaka; Takaeuchi (1997 apud MEDEIROS, 2005, p. 4, grifo
nosso) discorrem que:
A Gestão do Conhecimento tem por objetivo principal caracterizar o fluxo do
conhecimento na organização através da interação do conhecimento
tácito - que é gerado e compartilhado entre os colaboradores da
organização – com o conhecimento explícito, presente na organização, sob
a forma de arquivos, de documentos [...]

Desta forma, ressaltamos ser de fundamental importância o ato de
compartilhar num ambiente, no qual se apregoa a GC, como instrumento para
realização de mudanças. E com vistas a estas afirmativas, objetivamos para fins
desse estudo confrontar a fundamentação teórica da Gestão do Conhecimento em
relação à práxis adotada pela LISTECA6, e em conseqüência disso, mais
especificamente analisar a relação existente entre a teoria da Gestão do
Conhecimento e a prática proposta na listeca, como também, aprimorar esta prática
utilizando a fundamentação teórica nos seus conceitos e ferramentas; tendo como
estruturação do estudo a presença da sociedade da informação na GC, a questão do
conhecimento tácito e explícito, o seu compartilhamento, como também, amparados
nos conceitos e históricos apresentamos uma metodologia própria enfocando os
pontos positivos e algumas reflexões de como melhor conduzir esta experiência

5

Sistema de e-mail semelhante ao correio eletrônico. Permite a formação de grupos com a finalidade
de discutir assuntos específicos, através de mensagens que são redistribuídas automaticamente para
os inscritos na lista.
6
Lista de discussão dos funcionários da Biblioteca da Faculdade Natalense para o Desenvolvimento
do Rio Grande do Norte.

�4

2 O CONHECIMENTO COMO SUSTENTAÇÃO À GC
A humanidade tem registrado seu conhecimento desde os tempos mais
remotos da sua existência. Estes registros são encontrados desde as figuras
rupestres, os ciclos da natureza, os saberes, enfim, consagram-se o registro de
informações, e estes registros têm contribuído significativamente para a evolução da
humanidade.
Na sociedade contemporânea o registro do conhecimento tem se tornado
uma prática cada vez mais utilizada no âmbito organizacional, despontando como
diferencial competitivo e estratégico para as corporações, que preocupadas em
registrar suas práticas busca na fundamentação e metodologia da GC o caminho
para consecução do sucesso. Diante dessa realidade há de se considerar o valor do
capital intelectual, este bem intangível, oculto no outro, no nosso parceiro de
atividades do ambiente de trabalho, onde convém ressaltar que definir o que seja o
capital intelectual tem sido alvo de diversos estudos. Para Stewart, (apud KARSTEN;
BERNHARDT, 2005, p. 3) o capital intelectual é formado pelo “conjunto de
conhecimentos e informações encontrado nas organizações, que agrega valor ao
produto/serviço, mediante a aplicação da inteligência e não do capital monetário ao
empreendimento”, corroborando com esta premissa Edvinsson; Malone (1988, p. 19
apud KARSTEN; BERNHARDT, 2005, p. 3), discorrem que:
O capital Humano corresponde a toda a capacidade, conhecimento, habilidade
e experiência individuais dos empregados de uma organização para realizar
as tarefas. Já o Capital Estrutural é formado pela infra-estrutura que apóia o
capital humano, ou seja, tudo que permanece na empresa quando os
empregados vão para casa.

Ao que reforçamos através da premissa de que o capital intelectual,
formado pelo dia-dia das experiências e pela acumulação do conhecimento explícito,
muitas vezes está à mercê de uma conscientização da sua importância, para de fato
merecer o reconhecimento e valorização no processo produtivo de uma organização.

�5

O fato é que o modelo que se desenha à luz da gestão do conhecimento,
concebe a estrutura de capital humano + capital estrutural = capital intelectual, cujos
insumos base serão a informação, o conhecimento e a aprendizagem.
Apontando para a tríade dado, informação e conhecimento, vemos que na
sociedade pós-moderna, a valorização da informação/conhecimento representa outro
pensamento diferentemente da sociedade capitalista, onde no contexto atual
ressaltamos o pensamento de Mariotti (1999, p. 15 apud BABITONGA, 2005, p. 1)
que diz ”É na combinação do conhecimento com a sabedoria que está o ponto
central da questão. Essa combinação forma o que chamamos de conhecimento
sábio”. Ao que questionamos, estaremos então diante de uma nova tríade? Parece
conveniente dizer que o conhecimento sábio estaria no terceiro nível do
conhecimento seria um estágio mais elaborado do conhecimento, onde a
transformação do conhecimento tácito, no explícito seria importante, mas não
determinante, a determinância estaria em saber como este seria utilizado de modo a
ser realmente algo transformador, de ambientes, processos e pessoas. E ainda no
pensamento de Montaigne (apud ANGELONI, 2003, p. 156) que ressalta “podemos
ser conhecedores com o conhecimento dos outros, mas não podemos ser sábios
com a sabedoria dos outros.” A junção destes três saberes, confluiria para a GC, de
forma a ser delineada na estrutura a seguir:

Conhecimento tácito
Conhecimento explícito

Gestão do conhecimento

Conhecimento sábio

A partir desta tríade apontamos o conhecimento tácito como a bagagem
individual de crenças e práticas advindas dos seu conhecimento diário. Já Polany
(1995 apud MEDEIROS, 2005, p. 2) descreve conhecimento tácito como “aquele
representado pelas experiências individuais, trocado e compartilhado [...]”. Para

�6

Melo, (2003, p. 34) “trata-se de um tipo de conhecimento incorporado ao seu ser que
muitas vezes sequer tem consciência da sua existência”.
Já do conhecimento explícito, podemos afirmar que este encontra-se
associado ao formal, estruturado, da escola, da universidade e das corporações.
Diante destas considerações é relevante buscar na história da GC a inter-relação dos
conteúdos já abordados, apresentado alguns conceitos e sua evolução.

2.1 Conceitos e histórico
O contexto histórico da Gestão do Conhecimento, vista como objeto de
estudos, data da década de 1990, onde destacam-se Hirotaka Takeuchi e Ikujiro
Nonaka, como os introdutores da Gestão do Conhecimento, no mundo das
corporações. Posteriormente, encontraremos estudos desenvolvidos por Schon e
Prax sobre a organização do conhecimento, destes estudos resultaram um modelo
alternativo para a construção de uma organização do conhecimento, baseada em
três dimensões, quais sejam: a dimensão infra-estrutura organizacional, a dimensão
pessoas e a dimensão tecnologia, tendo como embasamento teórico a contribuição
de diversos teóricos ligados ao tema, tais como: Hirotaka Takeuchi e Ikujiro Nonaka,
Jay K. Galbraith, Peter M. Senge, Thomas H. Davenport, entre outros autores
contemporâneos. É lícito supor que o ciclo da Gestão do Conhecimento se apresenta
ainda em seus estágios iniciais, o caráter evolutivo são constantes e o seu
panorama com certeza, terá o seu norteamento ligado a descobertas e adaptações,
sem entretanto perder de vista o artífice principal do processo que é o capital
humano e seus ativos intelectuais. O quadro a seguir representa uma linha de
pensamento da G C.
WIIG (1993)
Como as pessoas e
organizações
criam,
representam e utilizam
o conhecimento

NONAKA e TAKEUCHI (1995)
A criação do conhecimento
nas organizações: como as
empresas japonesas criam a
dinâmica da inovação.

QUADRO 1 – Estágios iniciais da Gestão do Conhecimento
Fonte: Adaptado a partir de Carvalho, (2005, p.2)

MYER (1996)
Gestão
do
Conhecimento
e
design
organizacional

O’DNELL (1998)
Se soubéssemos o que
sabemos:
a
transformação
de
conhecimento interno e
as melhores práticas

�7

Com o intuito de promover uma melhor compreensão a cerca dos conceitos,
iniciaremos conceituando a Gestão do Conhecimento como uma forma sistematizada
da valorização e compartilhamento do saber, seja este tácito ou explícito. Para
Murray (apud MELO, 2003, p. 35). A Gestão do Conhecimento é “uma estratégia que
transforma bens intelectuais da organização-informações registradas e o talento dos
seus

membros

em

maior

produtividade,

novos

valores

e

aumento

de

competitividade”. Para Melo, 2003, p. 36 “é uma disciplina que objetiva democratizar
o acesso aos conhecimentos obtidos por indivíduos, seja qual for o meio escolhido
pelo gestor, organizando, classificando e criando dispositivos para sua disseminação
conforme o interesse e o propósito do grupo”.
Muitas definições certamente aparecerão na literatura que trata do
assunto, entretanto, é passivo afirmar que as abordagens discutidas até o momento
se bailam intrinsecamente no conjunto de vários fatores onde destacamos:

Dado, informação, conhecimento, saber
Experiências, compartilhamento, metodologias

Pessoas

Aprendizagem, tecnologias

Para efeito das relações acima formuladas, há de se considerar um fator
primordial, que é a educação coorporativa, onde a visualizamos quando ocorre o
processo que engloba todos os ingredientes e cuja linha de abordagem destacamos
ao tópico seguinte.

3 NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO COORPORATIVA E O COMPARTILHAMENTO
Na existência do compartilhamento, condição sine qua non, para a
implantação de uma Gestão do Conhecimento, observamos outra condição essencial
que é a do aprendizado, onde destacamos o pensamento de Morin (1986, p. 125
apud BABITONGA, 2005, p. 1) que diz “hoje é vital não só aprender, mas sobretudo

�8

organizar nosso sistema mental para aprender a aprender”. Daí vemos a grande
necessidade de um aprendizado consciente, que não fique apenas no campo
puramente mecânico, sem reflexão, sem compartilhamento de dúvidas e saberes, sem
questionamentos é preciso ir além; para Babitonga (2005, p. 2), e ter a “capacidade
de aprender, não somente para nos adaptarmos, mas sobretudo, para transformarmos
a realidade para nela podermos intervir”. Corroborando com o pensamento acima,
trazemos ainda o pensamento de Mariotti (1999, p. 24 apud BABITONGA, 2005, p. 2),
que discorre sobre a educação:
Trata-se de um caminho de mão dupla. Ensinar é ensinar a ensinar e
aprender é aprender a aprender. Não estamos falando, portanto, numa
simples transmissão de conhecimento, na expectativa de sua aceitação
passiva. Até porque, sendo a educação um componente de cultura, seu
surgimento e evolução implicam mudança. Trata-se portanto de um fluxo
contínuo [...]

Partindo dessa visão, convém ressaltar nosso pensamento a respeito da
aprendizagem colaborativa, onde observamos que a mesma ocorre no campo da
discussão de duas ou mais pessoas, através do intercâmbio das idéias, visões de
mundo, experiências pessoais e conhecimentos, propiciando aos participantes um
“enxergamento” diferente das relações pessoais, profissionais e sociais.
Nesse sentido, a organização que deseje acompanhar as transformações
tecnológicas e o enfrentamento global de mercados, precisa que os seus
colaboradores possam ter acesso à educação e somente se destacará se puder contar
com trabalhadores educados. Isto posto, ressaltamos:
Já foi o tempo em que a meta da empresa era tornar-se competitiva. Hoje,
ela tem de se manter competitiva. Para tanto, empregados e empregadores, precisam se educar a cooperar entre si. Só é possível vencer a
guerra externa da competição, acabando-se com a guerra interna. A
cooperação intra-empresarial é essencial. (PASTORE, 1990, p. 24 apud
BABITONGA, 2005, p. 5, grifo nosso).

Nessa perspectiva, consideramos a aprendizagem colaborativa, como o
momento enriquecedor e a relevância da concretização desse processo é destacada
por Marques, (2004, p.127-128, grifo nosso).

�9

A aprendizagem colaborativa constitui-se em uma conseqüência natural do
trabalho em equipe nas organizações, instituindo-se em uma área rica de
possibilidades para demonstrar que novos conceitos de inteligência podem
ser úteis e inspiradores. Afinal a capacidade de aprender continuamente,
quer dizer modificar comportamentos e atitudes e manter-se aberto
para outras perspectivas, além das próprias, é uma arena que se, por
um lado provoca conflitos, ambigüidades, dúvidas e questionamentos, por
outro, desafia os participantes a verem o mundo, a realidade e as
relações sociais por outros prismas e óticas de compreensão.

Acreditando na diversidade dos recursos humanos presentes, temos a
visão de que as possibilidades de compartilhamento entre os participantes da listeca,
somente contribuirão na formação de uma educação colaborativa cada vez mais
consolidada, no que se reporta ao “aprender a aprender”. Nesta visão encontraremos
na tecnologia uma oportunidade de poder visualizar novas perspectivas para práticas
já existentes, entendendo aqui a tecnologia como uma aliada, não somente no
contexto evolutivo da GC, mas também no ambiente organizacional.

4 AS TECNOLOGIAS A FAVOR DA GESTÃO DO CONHECIMENTO
As tecnologias da informação e comunicação foram sem dúvidas as forças
que mais impulsionaram a Gestão do Conhecimento. As redes se consolidaram no
ambiente organizacional na década de 1990, e curiosamente observamos ser esta
época em que detectamos também o “boom” informacional. Dentre as dimensões
necessárias à implantação e desenvolvimento de uma GC, há de se considerar como
o grande canal impulsionador, o avanço das tecnologias da informação. O fator
tecnológico apresenta-se como uma das plataformas que darão a estrutura logística
ao desenvolvimento de um projeto de GC, onde a disseminação do conhecimento
ocorre de forma rápida e com uma maior abrangência de pessoas. Apesar de se
tratar de um canal de comunicação pouco interativo, as ferramentas advindas destas
tecnologias muito têm contribuído, dentre estas podemos citar: as redes de
computadores (internet, intranet e extranet), e ainda o groupware, , GED, Workflow e
dataware house, estas tecnologias possibilitam o armazenamento, a integração, a
disseminação e o compartilhamento da informação, modificando consideravelmente
as estruturas do ambiente organizacional, sendo utilizadas para diversos fins.

�10

5 RETRATANDO UMA EXPERIÊNCIA: A LISTECA EM AÇÃO
Na procura do aperfeiçoamento constante, o setor buscou na educação
colaborativa o caminho para a consecução de resultados positivos no que tange a
melhoria dos processos internos, da comunicação interpessoal e o desenvolvimento
da equipe de colaboradores.
A

listeca

surgiu

na

biblioteca

da

Faculdade

Natalense

para

o

Desenvolvimento do RN (FARN), no início do ano de 2003, como uma ferramenta na
viabilização do processo de melhoria no ambiente da biblioteca. Inicialmente, foi
solicitado ao setor de informática a criação de uma conta de e-mail que servisse de
canal distribuidor das questões discutidas, onde cada participante da listeca, tivesse
não só a oportunidade de enviar suas contribuições, mas também, de visualizar as
contribuições dos demais colaboradores.
A metodologia definida baseou-se num primeiro momento em circular via
listeca, um texto explicativo de como funciona uma lista de discussão, o propósito da
criação da nossa lista e um texto previamente selecionado, cujo conteúdo abordasse
questões referentes a bibliotecas universitárias ou ambientes de unidades de
informação, após a distribuição do texto, cujo envio continha um cronograma que
especificava as datas que fariam parte de todo o processo da discussão do texto
com os passos que seriam seguidos, a saber:
a) Envio de um texto previamente selecionado com data limite para
recebimento/ envio das questões relativas ao texto em questão;
b) Data para reunião / discussão geral das questões.
Ainda da metodologia, foi criada uma dinâmica para as reuniões que
seguiam os seguintes pontos:
1. Moderador: comenta resumidamente o texto;
2. Moderador: ler os pontos / sugestões individuais, enviadas pelos
participantes a partir do texto em pauta;
3. Discussão geral das questões apresentadas;

�11

4. Verificação dos pontos mais citados;
5. Recolher sugestões para resolução dos pontos mais citados;
6. Votação geral dos pontos que serão prioridades a serem adotados a
curto, médio e longo prazos.
7. Avaliar se o que foi implantado oriundo das discussões, melhorou,
resolveu parcialmente ou não adiantou para a melhoria do ambiente
O conjunto destes pontos norteadores das atividades desenvolvidas via
listeca tem contribuído de forma clara e objetiva com o propósito, e neste sentido
ressaltamos que:
Para minimizar os equívocos e desvios de trajetória, as decisões terão de
ser firmemente apoiadas no exame das controvérsias, no embate das
idéias, no diálogo e na aceitação de outros pontos de vista [...] onde a
riqueza das múltiplas inteligências presentes no tecido grupal em seus interrelacionamentos, podem ajudar no planejamento, implantação e avaliação
contínua no exercício da aprendizagem colaborativa. (MARQUES, 2004, p.
125).

É necessário ressaltar que a aplicação desta metodologia favoreceu
sobremaneira o rumo da proposta, contribuindo para o atual estágio da listeca, haja
vista que as abordagens selecionadas permitiam amplas visões sobre as temáticas,
permitindo aos participantes o embate das idéias e no planejamento futuro das
ações. Apresentamos a seguir os temas discutidos até o momento atual.

�12

TÍTULO DO ARTIGO

AUTOR DO ARTIGO

1 – Comunicação na
biblioteca: uma questão
interdisciplinar

Mary Stela Muller
Waldyr Gutierrez Fortes

2 – Ambiente de qualidade em
uma biblioteca universitária:
aplicação do 5 S e de um
estilo participativo de
administração

Nadia Vanti

3 – Novas bibliotecas para
novos leitores

Palestra de Morell D. Boone –
por LR (Publicada na rev.
Ensino Superior – jan.2004)

4 – Pesquisa de usuários: um
instrumento em busca da
qualidade no ambiente da
biblioteca

Mª de Lourdes Teixeira da
Silva
Ana Maria da Silva Souza

5 – Conversando sobre a
administração do tempo no
contexto das bibliotecas
universitárias

Edna Gomes Pinheiro
Mª Isabel de J. Souza

PROPOSTAS
APRESENTADAS
Realização de reunião
semanal (10 a 20 min.) com
colaboradores
Treinamento no sistema
automatizado de atendimento
Criar caixa de dúvidas e
sugestões interna
Reduzir canais intermediários
na comunicação interna
Sinalização dos ambientes,
dos usuários e dos
colaboradores
Padronização das sinalizações
pastas individuais
Eliminação do tempo “ocioso”
c/ leitura das
normas,procedimentos
Reutilização dos papeis
descartados, encaminhandoos para confecção de blocos
na gráfica
Reestruturação e maior
divulgação do projeto da DSI
Buscar maior contato com os
prof. do ensino médio e
promover visitas dirigidas c/
este público
Melhor utilização da videoteca
e do salão de exposições
Informatização do setor de
periódicos
Implantação de uma caixa de
sugestões p/ os usuários
Estimular a solicitação de
visitas dirigidas por parte dos
profs.
Criação de um programa de
mkt. para divulgação da
biblioteca junto a toda
comunidade acadêmica
Reeducação no modo de
realizar as tarefas
Otimização do tempo, nos
momentos de menos fluxo e
no horário de fechamento da
Bt.

Quadro 2 – Panorama geral dos temas abordados na listeca de 2003 a 2005
Fonte: Artigos selecionados a partir do moderador da lista de discussão.

�13

Diante do panorama acima apresentado, dos temas relacionados e das
sugestões discutidas, verificamos que o foco central da proposta tem seguido uma
metodologia pautada na discussão e aplicação dos resultados. E no que tange a
abordagem apresentada, pode-se dizer que ela está amparada na mescla de vários
pensamentos, a exemplo da abordagem formulada por Leonard-Barton (1995), que
considera o foco das atividades, no uso da criatividade para resolução, no
compartilhamento e na aplicação de novas metodologias para os processos já
existentes; da abordagem de Nonaka &amp; Takeuchi (1995), o uso da prática em
transformar o conhecimento tácito em explícito e vice-versa; de Barclay &amp; Murray
(1997), ainda na redefinição de processos; em Sveiby (1998) , a aprendizagem, a
definição e utilização de competências, e em Davenport (1998), a defesa do aumento
do conhecimento a medida que este é usado.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
À luz da teoria da Gestão do Conhecimento, verificamos que a listeca é
apenas um instrumento recursivo, dentro do que propriamente seria a Gestão do
conhecimento e, embora a prática condutora abrigue em seu âmbito os propósitos
propostos pela GC, que são basicamente, a conversão do conhecimento tácito para
o conhecimento explícito, o compartilhamento de saberes, a educação colaborativa e
a valorização do capital intelectual, fica demonstrando que o diferencial competitivo,
tão abordado na literatura, foi e está sendo construído e constatado a cada dia, no
ambiente da biblioteca.
Atualmente,

os

colaboradores

têm

conhecimento

das

atividades

desenvolvidas pelos colegas, sendo estas, apresentadas e discutidas nas mesas de
reuniões e nos seminários de integração, onde a oralidade do processo se
transforma em documentos escritos, constituindo-se em verdadeiros manuais,
possibilitando o acesso a todos, para que os mesmos saibam como realizar
determinadas tarefas; estes registros são utilizados com o intuito de padronizar as
rotinas/tarefas do cotidiano da biblioteca.

�14

Outro ponto observado, desde a implantação da listeca, é o nível das
discussões que surgem no ambiente. Percebe-se um amadurecimento profissional e
pessoal entre os membros envolvidos, quando é assumido o caráter criativo no
desenvolvimento das atividades, no compromisso em fazer bem feito, e do
compromisso para que o outro tome conhecimento do como fazer.
Em conseqüência do grau de evolução deste processo, foram adotadas
outras ações oriundas das discussões via listeca, onde destacamos a criação do
calendário anual de reuniões; o canal aberto “pergunte que eu respondo”, e o painel
motivacional.
Entretanto,
necessário

apontar

apesar
algumas

dos

resultados

considerações

positivos
sobre

apresentados,

fatores

faz-se

causadores

do

enfraquecimento da proposta, tais como: a resistência ao processo por parte de
alguns colaboradores, sendo que estas resistências giram basicamente em torno do
uso da tecnologia, ao ato de refletir para construir/ reconstruir conceitos; o acúmulo
das atividades desenvolvidas pelo moderador, dificultando um acompanhamento
mais detalhado do processo; e numa pequena proporção, pela falta de
comprometimento dos envolvidos, ficando evidenciado que o fator humano, conforme
vimos ao longo do texto, é sem dúvida um componente determinante para a
implantação, o desenvolvimento e o sucesso de um projeto de GC na organização,
seja num ambiente micro (setor/ departamento) ou macro (toda a organização) .
De qualquer modo, fica claro que a GC, traz grandes benefícios para seus
partícipes, e que quanto mais às organizações conseguirem transformar seus
conhecimentos tácitos em explícitos e, conseqüentemente, no conhecimento sábio,
mais esta terá conhecimento sobre o seu capital intelectual, podendo agir
estrategicamente num mercado cada vez mais globalizado e competitivo.

ABSTRACT
This study presents an experience on Knowledge Management (KM) in an academic
library enviroment. Thus, a diccussion list (DL) was used for comparative analisis of
practice versus theory. This work deals with a methodology for the consecution of

�15

positive results promoted through sharing of knowledge, valoring the human capitol,
and the creation of a colaborative environment. The work also deals with the new
paradigm that is related in the current society. Therefore information, knowledge, new
technology an learning are key elements in this process. Results show that the
practise makes KM a valorable technique in the academic library environment. This is
seen through staff evolution related to learning, creativity and inter-personal
relationship.
Key- Word: knowledge Management. Learning collaborative.
REFERÊNCIAS
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BABITONGA, Ariane. Aprender a aprender. Instituto Catarinense de PósGraduação. Disponível em:&lt; http://www.icpg.com.br/artigos/rev 01-06.pdf&gt;. Acesso
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curso de Especialização em Gestão Estratégica de Sistemas de Informação.
MARQUES, Juracy C. Usos da inteligência para o sucesso: aprendizagem
colaborativa e comunidades de aprendizagem. PSICO, v.35, n.2, p.125-132. jul. /
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O estudo apresentado aborda uma experiência de Gestão do Conhecimento (GC) em um ambiente de biblioteca universitária através do uso de uma Lista de Discussão (LD), sob a análise comparativa da prática versus a teoria. Trata de uma metodologia para a consecução de resultados positivos promovidos através do compartilhamento de saberes, valorização do capital humano e intelectual, e na criação de um ambiente colaborativo. Discorre ainda sobre este novo paradigma que se configura na sociedade atual, onde apresentamos como elementos chave propulsores, a informação, o conhecimento, a aprendizagem e as novas tecnologias. Os resultados desta experiência evidenciam na prática as contribuições da GC no ambiente da biblioteca, onde destacamos a evolução do grupo, no que se refere ao aprendizado, a criatividade e ao relacionamento interpessoal.</text>
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                    <text>ANÁLISE DOS SERVIÇOS E PRODUTOS DA BIBLIOTECA
DIGITAL DE TESES E DISSERTAÇÕES DO IBICT E DA UNICAMP
NO AUXÍLIO E DIVULGAÇÃO DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA
DEPTULSQUI , Merigdriani Piffer
Departamento de Ciências da Informação
Universidade Federal do Espírito Santo
megpiffer@yahoo.com.br
CARMO, Débora do
Departamento de Ciências da Informação
Universidade Federal do Espírito Santo
OLIVEIRA, Elias
Departamento de Ciências da Informação
Universidade Federal do Espírito Santo
Campus de Goiabeiras, Vitória - ES
29060 900 - Brasil
elias@npd.ufes.br

RESUMO
Com o avanço das novas tecnologias temos uma evolução das bibliotecas e seus
serviços que se tornaram mais dinâmicos e eficientes. O que antes era apenas
em um espaço físico ultrapassou as barreiras físicas chegando a fios, meio
ópticos e telas através de apenas um click. Os serviços antes oferecidos pela
biblioteca tradicional passam agora a serem oferecidos em meio digital, nas
chamadas bibliotecas digitais, melhorando, desta forma, o acesso à informação
de forma rápida e eficiente a vários tipos de documentos, como por exemplo,
fotografias, relatórios técnicos, tese e dissertações. A consulta a tais documentos
só era possível com a ida física à biblioteca depositária dos mesmos. Essa
evolução só foi possível devido à necessidade cada vez mais urgente das
comunidades científicas em identificar o que se produz nas universidades, para
então, promover novas pesquisas para o desenvolvimento da sociedade e o país.
Bibliotecas digitais, hoje, são muitas e cada uma usa uma base de software
diferente e oferece os mais diversos serviços e produtos. Neste trabalho, foram
analisados alguns dos serviços oferecidos por um conjunto de bibliotecas digitais,
verificando a qualidade da interface, sistema de indexação, entre outros aspectos.

Palavras-chave: Bibliotecas digitais. Produtos e serviços. Bancos de teses e
dissertações. Compartilhamento de informação. Informação Digital-Tecnologia.

�CONSIDERAÇÕES INICIAIS
O advento tecnológico da informação provocou e ainda provoca grandes
mudanças no mercado informacional gerando um salto quantitativo nos tipos de
materiais bibliográficos produzidos pela comunidade científica. Isso acabou
ocasionando a explosão da informação, caracterizada pela [...] publicação e
circulação de milhares de periódicos técnicos contendo os resultados das
pesquisas não somente relacionadas com o desenvolvimento da ciência, mas
também, com o desenvolvimento da tecnologia (ARAÚJO, 1991). Esse fenômeno
resultou no acúmulo de informações e gerou dificuldades de acesso no que
estava sendo produzido pelas comunidades científicas em outras instituições.
Envolvidos nesse dilema informacional, pesquisadores começaram a
procurar uma outra maneira de se manterem atualizados sobre o que estava
sendo produzido. A princípio os estudos que vão dar origens às chamadas novas
tecnologias informacionais são o telefone, o fax, o telex, o computador e a Internet
interligando o conhecimento produzido.
Esses instrumentos serão os grandes auxiliadores no processo de
disseminação da informação das comunidades científicas. Podemos afirmar como
é observado por todos, o computador com a Internet, entre todas as formas de
disseminação, foi a grande invenção e como alguns diriam uma nova
redescoberta de expressar as idéias produzidas só que agora em meio digital. A
partir desse momento, começa-se a criar unidades informacionais que propagam
essa informação em meios como as bibliotecas digitais.
Essa nova tecnologia, a biblioteca digital (BD), possibilita a utilização de
recursos eletrônicos que poderão favorecer o aprimoramento e a agilização do
processo de transferência de informação, [...] otimizando dessa forma o fluxo da
comunicação científica e reduzindo o ciclo da geração de novos conhecimentos
(MARCONDES; SAYÃO, 2002).
A divulgação dos documentos oferecidos por esse meio, permite ao
pesquisador solucionar eficazmente problemas em suas pesquisas, assim como a
oportunidade para a renovação de trabalhos acadêmicos.
Diante disto, este artigo propõe discorrer sobre o conceito da biblioteca
digital e identificar quais os produtos e serviços da biblioteca tradicional estão
presentes na biblioteca digital. A partir daqueles oferecidos pela Biblioteca Digital
de Teses e Dissertações do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e
Tecnologia (IBICT) e da Biblioteca Digital da Universidade Estadual de Campinas

�(UNICAMP), analisando a qualidade da interface, sistema de indexação, entre
outros aspectos.
BIBLIOTECA DIGITAL: CONCEITOS, PRODUTOS E SERVIÇOS
O fenômeno da biblioteca digital tem suas origens em Vannevar Bush,
considerado o precursor dessa inovação. Em 1945, ele já estava preocupado com
o crescimento da produção e do registro da informação, de seu armazenamento e
principalmente de como fazer a consulta e a seleção. Assim, propôs o Memex, um
dispositivo em que o indivíduo armazenara seus livros, seus registros, suas
anotações, suas comunicações. O dispositivo será mecanizado de modo a poder
ser consultado com extrema velocidade e flexibilidade (SILVA, SÁ, FURTADO,
2006 apud BUSH, 1945).
Na década de 80, temos o amplo desenvolvimento da Internet, utilizada
principalmente pela comunidade científica. Essa nova dimensão de rede
possibilitou a expansão do volume e da variedade de informações produzidas nos
meios acadêmicos e científicos.
Podemos dizer ainda que surgiram junto a esse fenômeno, a Internet, as
novas tecnologias de informação que trazem em si grandes benefícios para as
unidades informacionais como melhor acessibilidade, seletividade e rapidez na
disseminação da informação.
Inserido nesse processo de transformações temos, ainda, novos tipos de
terminologias para as bibliotecas assim denominadas de biblioteca eletrônica,
biblioteca virtual e a biblioteca digital que é o nosso tema em destaque.
A biblioteca digital utiliza a informação em um tipo de suporte que garante
uma nova estratégia para o resgate de informações onde o texto completo de
documentos está disponível on-line. Como diz Ohira (2002), a biblioteca ganha
nova dimensão: deixa de ter somente um espaço físico e ganha um novo espaço
 o ciberespaço.
Dentre os inúmeros conceitos de biblioteca digital sugeridos pela literatura
Kalinichenko et al. (2003) que a define como um campo de pesquisa e de
desenvolvimento que promove a teoria e a prática de processamento, de
armazenamento, de disseminação e de busca de vários dados digitais.
Outros autores, como por exemplo, Waters (1998) trabalha o conceito a
partir da Federation de Biblioteca Digital (DLF), mencionando que

�As bibliotecas digitais são organizações que proporcionam recursos,
equipe de funcionários especializados, para selecionar, estruturar,
oferecer o acesso intelectual, para interpretar, distribuir, preservar a
integridade e para assegurar a permanência das coleções e dos trabalhos
digitais de modo que estejam prontamente e economicamente disponíveis
para o uso da comunidade.

Para Rosetto (2002), biblioteca digital é
[...] aquela que contém documentos gerados ou transportados para o
ambiente digital (eletrônico), um serviço de informação (em todo tipo de
formato), no qual todos os recursos são disponíveis na forma de
processamento eletrônico (aquisição, armazenagem, preservação,
recuperação e acesso através de tecnologias digitais).

A partir da multiplicidade e variedade de enfoques apresentados na
literatura para o termo biblioteca digital, consideraremos que a abordagem de
Crespo (2004) e a que torna-se pertinente ao objetivo dessa discussão. Ao utilizar
o conceito de Habermas, esse autor insere as bibliotecas digitais numa esfera
pública disponível na Internet, propiciando a criação de novos serviços e
produtos, sendo, portanto [...] espaços abertos a todos os usuários que acessem
a Internet, que não exista forma restrita ou discriminação a qualquer indivíduo que
deseje utilizá-la e que o usuário tenha acesso ao texto na íntegra e não somente
a referência dos materiais que necessita.
Ao construir uma biblioteca digital devemos pensar no que queremos
disponibilizar, os equipamentos que serão utilizados, os softwares e as pessoas
que a irão gerenciar incluindo bibliotecário e o pessoal de informática. As
informações nela contidas, também, precisam ser pensadas dentro do contexto
digital sobre a forma de selecionar o material informacional e as técnicas de
tratamento, a preservação e os direitos autorais.
As bibliotecas digitais, assim como as tradicionais, ao planejarem seus
serviços e produtos, devem ter como foco o usuário, considerando suas
necessidades e especificidades na busca da informação. Nela, os usuários
poderão percorrer as coleções e poderão estar totalmente autônomos diante
dessa unidade. Ele passa a ser [...] o especialista que elabora sua própria busca
bibliográfica via novas tecnologias, sem intermediação do bibliotecário ou que o
bibliotecário faça a busca por ele. Esse usuário passa a formular sua estratégia
de busca e obter a informação desejada, diminuindo, desta forma, seu contato
com o bibliotecário para esse fim (CUENCA, 1999).

�Neste contexto, consideraremos as características de uma biblioteca digital
para mostrar seu grau de relevância no processo de disseminação da informação
baseado em Cunha (1999);
-

Acesso remoto pelo usuário;

-

Utilização simultânea do mesmo documento;

-

Acesso a texto completo;

-

Utilização de maneira que a biblioteca digital não necessite ser proprietária do
documento solicitado pelo usuário;

-

Utilização de diversos suportes de registro da informação tais como texto,
som, imagem e números.
Conforme as características expostas as bibliotecas digitais possuem as

vantagens de uma tecnologia que permite o armazenamento da vasta quantidade
de informação em formato digital; ser acessada dos mais diversos pontos do
continente; a busca da informação e a comunicação podem acontecer de
qualquer local como a própria casa ou o escritório; possui a facilidade e rapidez
na identificação e acesso ao texto integral, sendo esse transferível quantas vezes
forem necessárias; arquivos de multimídia, imagens digitais e audiovisuais. Tudo
isso facilita muito a vida do usuário, uma vez que essas bibliotecas ou bases de
dados são muito importantes para disseminação das informações e oferecem
serviços e produtos que estão dentro de uma biblioteca tradicional.
A criação de uma BD constitui-se em uma transformação nos produtos e
serviços que envereda a biblioteca, segundo Martins, Gonçalves e Nunes (2005)
a considerar: missão, objetivo, público alvo, tecnologias de informação e
comunicação a serem aplicadas, os profissionais envolvidos, a forma de controle
de acesso, visualização e impressão das informações depositada na rede e,
ainda, a garantia dos direitos autorais e patrimoniais.
A pesquisa Bibliotecas Digitais: um serviço para disponibilidade e
acessibilidade da informação produzida na Universidade Federal do Maranhão UFMA, sob a orientação da Professora Mestre Raimunda Marinho, realizada em
2002/2003 apresentada por Martins, Gonçalves e Nunes (2005), traz como parte
dos produtos de uma BD a disponibilidade de teses e dissertações, periódicos
eletrônicos, trabalhos de eventos, bases de dados, livros on-line, fotografias,
memoriais, monografias, catálogos on-line.
A consulta a esses documentos pode ser feita por autor, índice, título,
palavras-chave, assunto, ano, área e nível.

�Dentre os serviços a serem oferecidos conforme Martins, Gonçalves e
Nunes (2005) encontram-se:
1. Acesso a outras BDs;
2. Notícias correntes;
3. Lista de discussão;
4. Contador de usuários;
5. Serviços de correspondência;
6. Serviço de ajuda;
7. Links para ferramentas de busca;
8. Dados institucionais;
9. Buscador;
10. Estatísticas dos documentos mais usados;
11. Informação sobre data e hora.
Algumas bibliotecas, segundo a pesquisa, apresentam acesso restrito a
certos documentos. O autor que possui um documento nestas bibliotecas digitais
tem seu documento disponibilizado, através da senha que o próprio autor fornece.
Com base nesta pesquisa, podemos inferir que através das novas
tecnologias de informação e comunicação vêm crescendo os serviços e produtos
ofertados pelas bibliotecas digitais disponibilizadas na rede. Isso comprova que as
universidades estão preocupadas em prover o máximo de produtos e serviços
oferecidos pelas bibliotecas tradicionais nos meios digitais. Esse ato faz com que
a acessibilidade aos documentos produzidos nas instituições seja facilitada,
minimizando o tempo e espaço desse processo de pesquisa e download de um
documento informacional.
Considerando as vantagens apresentadas por Cunha (1999) podemos
concluir que uma BD deve oferecer serviços inovadores tomando as novas formas
de acessibilidade e disponibilidade baseadas nas características explicitadas por
Marchioni (2005):
Informações organizadas e controladas;
Facilidade e rapidez de acesso;
Controle de autoridade, respeitando o direito autoral;
Preservação das fontes de informação, garantindo sua permanência e
atualização;
Segurança e integridade dos dados trafegados na rede;
Variadas fontes de informação sobre o assunto na qual é especializada;
Permitir acesso ao texto integral através de download em seu computador;
Usabilidade  facilidade de acesso e interface amigável;
Equipe de profissionais qualificados para solucionar problemas tanto de
ordem tecnológica (técnicos, cientistas e engenheiros da computação) quanto

�de conteúdo ou serviço de referência (bibliotecários) disponível 24 horas por
dia.

O progresso tecnológico mudou a maneira das bibliotecas realizarem suas
atividades, mas não mudou sua razão de ser, ou seja, oferecer um conjunto
organizado de informações armazenadas com objetivo de consulta ou utilização
desses materiais para sanar as necessidades informacionais dos usuários. É
importante valorizarmos o conceito de biblioteca, entendida como segundo Lucas
(2005), [...] coleção pública ou privada de livros e documentos congêneres,
organizada para estudo, leitura e consulta, nas emergentes bibliotecas digitais.

AVALIAÇÕES DAS BIBLIOTECAS DIGITAIS DE TESES E DISSERTAÇÕES
DO IBICT E DA UNICAMP
A concepção de avaliação que assumimos nesse trabalho baseia-se na
descrição de Almeida Junior (apud RISTOFF, 1995, p. 45): Avaliar é importante
para impulsionar um processo criativo de auto-crítica, [...] uma forma de
restabelecer compromissos com a sociedade [...] firmar valores.
Continuando, Almeida Junior (2003, p. 103) destaca:
[...] por mais concretos que sejam os dados colhidos, por mais que se empregue
técnicas e instrumentos definidos, a subjetividade estará presente, [...] deve
enfocar atitudes, interesses, idéias, modos de pensar e agir, hábitos de trabalho,
bem como adaptação pessoal e social.

Por mais objetivos que sejam os critérios e os instrumentos de coleta, não
será possível isolar a avaliação de uma parcialidade e da subjetividade. A
avaliação não leva a solução absoluta e não está isenta de erros. Podendo ser
acertada ou adequada quantas vezes forem possíveis, pois ela direciona qualquer
mudança, transformação e realinhamento da ação.
Nesse estudo, nos propusemos identificar quais os produtos e serviços da
biblioteca tradicional estão presentes na biblioteca digital.
As avaliações apresentados neste trabalho partiram de uma análise aos
sites da Biblioteca Digital de Tese e Dissertações do IBICT e da Biblioteca Digital
da Unicamp disponíveis na web.
O primeiro passo foi identificar os produtos e serviços comuns aos dois
sistemas em análise. Após essa etapa, fizemos uma comparação com os serviços

�descritos no artigo Identificação de bibliotecas digitais universitárias brasileiras
(2005), nos quais estão descritos no Quadro 1 abaixo:

PRODUTOS

SERVIÇOS

IDENTIFICAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS OFERTADOS
PELAS BIBLIOTECAS DIGITAIS
1.
Acesso a outras bibliotecas
2.
Notícias correntes
3.
Lista de discussão
4.
Contador de usuário
5.
Serviços de correspondência (contato)
6.
Serviço de ajuda
7.
Link para ferramentas de busca
8.
Dados institucionais
9.
Estatísticas dos documentos mais usados
10.
Informação sobre data e hora
11.
Disponibilidades de teses e dissertações
12.
Periódicos eletrônicos
13.
Trabalhos de eventos
14.
Livros on-line
15.
Fotografias
16.
Memoriais
17.
Monografias
18.
Catálogos on-line
19.
Outros produtos e serviços
QUADRO 1: IDENTIFICAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS OFERTADOS
PELAS BIBLIOTECAS DIGITAIS
Fonte: Deptulsqui e Carmo, 2006.

A Biblioteca Digital da UNICAMP foi oficialmente instituída em 08/11/2001,
mediante a portaria nº. GR-85, que trata da estruturação da biblioteca. Ela
disponibiliza em formato eletrônico artigos, revistas, teses e outros documentos
de interesse ao desenvolvimento científico, tecnológico e sócio cultural. Contando
atualmente com 15.286 documentos e 8.378 teses em 19 de julho de 2006.
O software gerenciador é o Nou-Rau que permite a publicação de
documentos informacionais. É um sistema de arquivamento e indexação de
documentos desenvolvido pelo Instituto Vale do Futuro em parceria com o Centro
de Computação da Unicamp e é de uso livre e gratuito, distribuído sob a licença
GPL e podendo ser usado, distribuído e modificado livremente.
O sistema Nou-Rau possui módulos que lhe permitem a comunicação por
meio do protocolo Z39.50 de padrão norte-americano, que estabelece regras
visando a levar dois sistemas a se comunicarem e trocarem informações. O
sistema Nou-Rau realiza a captura da informação de cadastro de uma tese ou

�dissertação diretamente do sistema de bibliotecas da Unicamp, evitando desta
forma a redigitação das informações de cadastro do documento.
O objetivo da Biblioteca Digital da Unicamp é disponibilizar texto completo
dos documentos informacionais para facilitar:
-

Agilidade na divulgação e obtenção da informação;

-

Disponibilização

on-line

de

documentos

acadêmicos

e

científicos

produzidos na instituição, para a comunidade acadêmica interna e para
outras instituições de pesquisa nacionais e internacionais;
-

Uso simultâneo do documento por vários pesquisadores, nos seus próprios
ambientes de trabalho;

-

Acesso ininterrupto à coleção, biblioteca 24 horas, sete dias na semana;

-

Biblioteca distribuída e acessível por várias classes de usuários da Internet;
A biblioteca digital apresenta acesso livre a sua base, navegabilidade e

interface amigável. Possui, ainda, a possibilidade de cópia de documentos sem
custo.
Não existe restrição de visitas ou download aos documentos arquivados.
Exige-se somente o cadastramento de quem está fazendo download das teses.
Os dados solicitados são: nome completo, cadastro de uma senha, confirmação
da senha, nome da instituição ou empresa, e-mail válido.
A informação dos visitantes, domínios e do que é realizado download na
biblioteca digital fica restrita à Unicamp. Essa é uma forma de preservar as
informações cadastradas, e manter a confiança dos usuários do sistema.
Segundo Vicentini (2004), o controle de acesso permite visualizar quem
está e quais teses estão sendo acessadas, esse registro permitirá análises para
tomadas de decisões futuras.
A Biblioteca Digital da Unicamp está estruturada por tópicos: tipos de
documentos ou evento de arquivo de fotos, congressos e seminários,
dissertações e teses e periódicos eletrônicos da Unicamp.
Ela apresenta ainda, estatística das teses mais visitadas (acessados e
recentes), a tese que obteve o maior número de downloads, as unidade e
instituição que mais acessaram o site e acesso a quadros com resumos diário,
mensal e geral de arquivos.
O sistema de busca da Biblioteca Digital da Unicamp apresenta-se de
forma simples, sendo a busca por autor, palavra-chave, título, data, relevância
inversa, código e ainda por subtópicos, ou seja, pela área de pesquisa.

�O mecanismo de busca é provido pelo ht://Dig. Esta ferramenta mantém
uma base de dados própria, otimizada para fazer buscas. O sistema alimenta
essa base de dados com o conteúdo dos documentos e com a informação
associada, de maneira que todos os dados mantidos pelo sistema podem ser
pesquisados.
A Biblioteca Digital da Unicamp não está interligada a outras bibliotecas e
não oferece links para se ter acesso às mesmas. O pesquisador deverá conectar
a outras bibliotecas por meio de buscadores como Google, Yahoo, altavista ou
outros.
O portal do IBICT é uma ferramenta de pesquisa que permite o acesso a
um conjunto de teses e dissertações provenientes de instituições de ensino
superior (IES), por meio de bases de dados referenciais, concebida como
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD).
O sistema adotado pela BDTD é o Sistema de Publicação Eletrônica de
Teses e Dissertações (TEDE). Uma aplicação desenvolvida pelo IBICT em
ambiente de banco de dados voltado para Web, com o objetivo de apoiar as IES
que ainda não implementaram suas BDTD.
A BDTD do IBICT tem como objetivo principal a integração das iniciativas
brasileiras de publicação eletrônica e registro bibliográfico de teses e
dissertações, fornecendo aos usuários finais uma visão integrada dessas
iniciativas por meio de serviços e produtos de informação de valor agregado.
Atualmente, oferece o serviço de busca e recuperação de documentos de teses e
dissertações produzidos pelas instituições cooperantes do sistema. Usuários
interessados em encontrar teses e dissertações relevantes aos seus problemas
de informação poderão, a partir de um portal único, realizar buscas nessas
diversas iniciativas sem que para tal tenham que visitar cada uma delas
individualmente e realizar buscas nos repositórios locais dessas instituições
provedoras de dados.
A biblioteca trabalha com entidades cooperantes denominadas de
Provedores de Dados que produzem as informações. Nesses Provedores
ocorrem às publicações eletrônicas, que podem ser feitas no sistema distribuído
pelo IBICT, o TEDE.

Um procedimento automático denominado de Coleta

(Harvesting) disparado pelo IBICT, coleta os metadados dos provedores de dados
e insere na base de dados da BDTD nacional. Está contém os dados de todos os
provedores de dados da rede BDTD.

�A biblioteca adota um modelo distribuído utilizando-se das tecnologias de
arquivos abertos. As IES são responsáveis pela criação e manutenção de
bibliotecas digitais de teses e dissertações locais e pela publicação eletrônica das
teses e dissertações produzidas pela mesma.
A BDTD do IBICT apresenta as seguintes especificações técnicas:
-

Possibilita busca composta, utilizando os operadores lógicos e e ou;

-

Pode limitar as respostas da pesquisa por tela (5,10,15 e 25);

-

Exibe indicadores de atualização e número de registros na IES;

-

Exibe notícias correntes, Instituições cooperantes da BDTD e Glossário;

-

Exibe Links para sites que descrevam ou utilizem tecnologias que estão
sendo consideradas no âmbito do projeto.
A BDTD do IBICT oferece um número menor de serviços (ver Quadro 2) se

comparados com o sistema Nou-Rau. Isso ocorre devido ao limite que o sistema
oferece.
Segundo Southwiick et al. (2006), a customização do sistema envolve o
cadastro dos dados específicos da instituição receptora, da biblioteca virtual, dos
operadores do sistema, bem como de suas unidades, tais como programas de
pós-graduação e bibliotecas depositárias. A customização envolve também a
escolha de interfaces para o sistema local, a inclusão de logomarcas escolhidas
pela instituição para caracterizá-la e a identificação dos servidores de arquivos e
de e-mail geral utilizados pelo Sistema TEDE.
O Nou-Rau possui uma estrutura hierárquica de tópicos. O administrador
do sistema tem várias opções de configuração para cada tópico. Esses tópicos
podem aceitar arquivos em um formato pré-determinado (PDF, Postscript,
planilhas, etc.) e também pode impor limites ao tamanho desses documentos.
Como seu desenvolvimento original previa sua ampla utilização em
diversos contextos, evitou-se oferecer um número excessivo de recursos que
tornassem seu uso e configuração complicada. O objetivo básico foi apenas
oferecer um sistema computadorizado para armazenar e indexar o conteúdo de
documentos digitais.
Para as consultas, o usuário pode incluir termos livres para buscas nos
títulos, autor; assunto, contribuidor, instituição da defesa, biblioteca depositária e
resumo.
Quando se considera que os objetivos de qualquer estratégia de busca são
segundo Rowley (2002) [...] recuperar um número suficiente de registros
relevantes, evitar que se recuperem registros irrelevantes e evitar que se recupere

�um número excessivo de registros, constata-se que esses preceitos não
funcionam de maneira eficiente nos sistemas de busca disponibilizados pelas
bibliotecas digitais. Nos dois sistemas, busca simples e busca avançada, os
resultados são apresentados sem qualquer indicação de relevância, numa página
que contém as referências bibliográficas recuperadas, seguidas por seus resumos
e por uma série de links associados. Tal situação ocasiona quebra da linearidade
na disposição das informações, dificultando o trabalho do usuário e prejudicando
sobremaneira a usabilidade do sistema.
A literatura sobre bibliotecas digitais frisa a eficiência e qualidade da
mesma, sempre pensando no usuário final, na satisfação de sua necessidade
informacional.
No Quadro 2 ao estabelecer comparações entre produtos e serviços
oferecidos pelas bibliotecas digitais analisadas, temos que:

PRODUTOS

PRODUTOS E SERVIÇOS OFERECIDOS PELAS
BIBLIOTECAS DIGITAIS
Acesso a outras bibliotecas
Notícias correntes
Lista de discussão
Contador de usuário
Serviços de correspondência (contato)
Serviço de ajuda
Link para ferramentas de busca
Dados institucionais
Buscador
Estatísticas dos documentos mais usados
Informação sobre data e hora
Disponibilidades de teses e dissertações
Periódicos eletrônicos
Trabalhos de eventos
Livros on-line
Fotografias
Memoriais
Monografias
Catálogos on-line
Outros serviços e produtos

BDTD do
IBICT
X
X

BDTD da
UNICAMP

X

X

X
X

X
X
X
X
X
X

X

X

SERVIÇOS

X

QUADRO 2: PRODUTOS E SERVIÇOS OFERECIDOS PELA BD
Fonte: Deptulsqui e Carmo, 2006.

Ficou constatado que apenas quatro dos itens citados (Quadro 2) são
utilizados pelas bibliotecas descritas neste trabalho, sendo eles:
a) Serviços de correspondência (contato);

�b) Link para ferramentas de busca;
c) Dados institucionais;
d) Disponibilidades de teses e dissertações.
Os outros tipos de produtos e serviços ocorrem em ambas, sendo esses o
Glossário, Indicadores, Futuras defesas de teses, Registros por programas de
Pós-graduação, Pasta de trabalho, Instruções para submissão do trabalho ao
aluno e Secretarias dos programas de pós-graduação na BDTD do IBICT. No
sistema Nou-Rau, obtem-se Instruções para autores e o Manual para download
de teses e dissertações.
Outros tipos de serviços como Lista de discussão, Contador de usuário,
Buscador, Informação sobre data e hora não são acessíveis pelas bibliotecas.
O compromisso das bibliotecas digitais, com o processo de disseminação
do conhecimento, parece-nos estar justificado a partir da constatação de que os
produtos e serviços atingidos por essas tecnologias, de acordo com Martins,
Gonçalves e Nunes (2005) são elementos chaves na socialização do
conhecimento, destacando-se entre eles acesso as bases, acesso a outras
bibliotecas, disponibilidades de periódicos eletrônicos, trabalhos de eventos, livros
on-line, fotografias, memoriais e catálogos on-line.
Assim, entendemos que, para cumprir seu papel, as bibliotecas digitais
precisam reconhecer que não podem permanecer alheias aos valores, exigências
e necessidades de uma sociedade que busca, cada vez mais, precisão, eficiência,
simplicidade e personalização na informação que demanda.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Segundo Carvalho (2004), O conhecimento é um dos elementos
fundamentais à vida social, resultante do processo de aprendizagem e é
considerado como um dos fatores capaz de gerar a superação de desigualdades,
de proporcionar a agregação de valor, influir na condição de empregabilidade dos
indivíduos.
Acredita-se que a biblioteca digital atue neste mundo globalizado, estando
inserida no negócio da informação e do conhecimento, envolvendo produtos e
serviços que objetivem disponibilizar informações úteis para atender a
necessidade dos seus clientes/usuários objetivando assim seus anseios e

�desejos, prestando serviços de qualidade para conquistar a clientela e adotando
uma política de garantia do produto oferecido.
Mesmo diante desse cenário de desafios, procuramos mapear o processo
de disseminação da informação, através de produtos e serviços ofertados pelas
bibliotecas digitais, responsáveis por estoques informacionais crescentes, que
precisam estar adequadamente estruturados para responder às demandas
baseadas nos modelos personalizados dos usuários.
A biblioteca digital é uma realidade presente na vida de muitos acadêmicos
e pesquisadores, por isso, ao criá-las devemos pensar todos os aspectos
especialmente os que envolvem o documento e a tecnologia que será usada,
mas, sobretudo o usuário e suas necessidades de informação.
Com base na análise realizada podemos considerar que o planejamento é
uma etapa fundamental em bibliotecas digitais, uma vez que a interface deveria
utilizar mensagens convidativas para os campos de preenchimento para
pesquisa; possibilidade de três (03) idiomas para interface, que poderiam ser:
português, inglês e espanhol; oferecer todas as informações da interface
necessárias à interação na língua pedida pelo usuário; oferecer mensagens de
erro e as respectivas possibilidades de ajustes.
Enfim, com o advento das novas tecnologias, os profissionais da área da
informação devem adaptar seus métodos de disseminar a informação visando
rapidez e qualidade, pois a nova sociedade do conhecimento busca as novas
tecnologias devido às essas facilidades que pretensamente oferecem. Esse tipo
de comportamento leva esses indivíduos a modificarem as formas de registro,
acesso e consumo exigindo uma nova forma de atuação dos centros
informacionais e dos profissionais que atuam como intermediário desse processo
informacional.
Ao criar uma biblioteca digital devemos focar o usuário e seu
comportamento diante do processo de pesquisa. Desse modo, firmando um
compromisso com a sua eficiência e eficácia no atendimento.
Não se trata apenas de disponibilizar a informação sem tratá-la, mas
agregar-lhe valor, o que é preponderante para o desenvolvimento sócioeconômico e cultural de uma sociedade.

�REFERÊNCIAS
ALMEIDA JUNIOR, Oswaldo Francisco de. Biblioteca pública: avaliação de serviços.
Londrina: Eduel, 2003.
ARAÚJO, Vânia Maria Rodrigues Hermes de. Informação: instrumento de dominação e
de submissão. Ciência da Informação, Brasília, v. 20, n.1, p.37-44, jan./jun.1991.
CARVALHO, I. C. L. A socialização do conhecimento no espaço das bibliotecas
universitárias. Niterói: Intertexto, 2004.
CUENCA, Angela Maria Belloni. O usuário final da busca informatizada: avaliação da
capacitação no acesso a bases de dados em biblioteca acadêmica. Ciência da
informação, Brasília, v. 28, n. 3, p. 293-301, set./dez. 1999.
CUNHA, M. B. Desafios na construção de uma biblioteca digital. Ciência da Informação,
v.28, n.3, p.257-268, 1999.
CRESPO, Isabel M. Bibliotecas digitais e esfera pública. . In: CIBERÉTICA:
SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE PROPRIEDADE INTELECTUAL,
INFORMAÇÃO e ÉTICA, 2, 2003, Florianópolis. Anais eletrônicos... Disponível
em: &lt;http://www. ciberetica.org.br&gt;. Acesso em: 12 jan. 2004.
HABERMAS, Jürgen. Direito e democracia: entre facticidade e validade, II. Rio de
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Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Com o avanço das novas tecnologias temos uma evolução das bibliotecas e seus serviços que se tornaram mais dinâmicos e eficientes. O que antes era apenas em um espaço fÌsico ultrapassou as barreiras fÌsicas chegando a fios, meio ópticos e telas através de apenas um click. Os serviços antes oferecidos pela biblioteca tradicional passam agora a serem oferecidos em meio digital, nas chamadas bibliotecas digitais, melhorando, desta forma, o acesso à informação, de forma rápida e eficiente a vários tipos de documentos, como por exemplo, fotografias, relatórios técnicos, tese e dissertações. A consulta a tais documentos só era possÌvel com a ida física à biblioteca depositária dos mesmos. Essa evolução só foi possível devido à necessidade cada vez mais urgente das comunidades científicas em identificar o que se produz nas universidades, para então, promover novas pesquisas para o desenvolvimento da sociedade e o país. Bibliotecas digitais, hoje, são muitas e cada uma usa uma base de software diferente e oferece os mais diversos serviços e produtos. Neste trabalho, foram analisados alguns dos serviços oferecidos por um conjunto de bibliotecas digitais, verificando a qualidade da interface, sistema de indexação, entre outros aspectos.</text>
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                    <text>APLICAÇÃO

DO

SCIFINDER

SCHOLAR

COMO

FERRAMENTA

DE

MONITORAMENTO TECNOLÓGICO
Suzana Monteiro Huguenin de Carvalho1
Vera Lucia Maia Lellis2
Lídia Maria S. Schrago Mendes3

RESUMO
As organizações atualmente precisam, cada vez mais para se manterem
competitivas, estar a par do avanço do conhecimento em sua área de atuação, ter
visão estratégica de seu ambiente interno, através da gestão da informação, e
externo, através da gestão do conhecimento. A realidade de uma organização
pode ser fundamentada pela prospecção e monitoramento de informações
realizadas a partir do mapeamento de fontes de informações, que proporcionam a
coleta e o tratamento dos dados relevantes para seus negócios. Por outro lado,
esse avanço do conhecimento tem proporcionado um aumento no
desenvolvimento de ferramentas de busca, já que o volume de informações
cresce exponencialmente ano a ano. A realização de levantamentos, estudos
prospectivos e de monitoramento tecnológico realizados para clientes internos às
instituições e mesmo sob encomenda de clientes externos faz do profissional de
informação atualmente, um profundo conhecedor das ferramentas utilizadas para
fins de recuperação de informações. O uso constante da Internet, bases e bancos
de dados, cria o hábito da procura e o conhecimento das potencialidades das
ferramentas. Este trabalho visa mostrar o potencial oferecido pela ferramenta
SciFinder Scholar, disponível através do Portal da Capes, quando utilizada para
obtenção de informações próprias para a tomada de decisão. O foco principal do
trabalho é o tratamento e análise das informações coletadas, e as alternativas
possíveis para sua aplicação como ferramenta de prospecção.
PALAVRAS-CHAVE
Prospecção da Informação, tratamento da informação, recuperação da informação,
estratégia de busca em base de dados, SciFinder Scholar, Portal Capes.
1

Bibliotecária, Bolsista CNPq, suzana@int.gov.br. Instituto Nacional de Tecnologia, Av.
Venezuela, 82 – Rio de Janeiro – Brasil.
2
Doutora em Ciência da Informação, Chefe da Divisão de Informação e Prospecção
Tecnológicas, vlellis@int.gov.br. Instituto Nacional de Tecnologia, Av. Venezuela, 82 –
Rio de Janeiro – Brasil.
3
Bibliotecária, Tecnologista, lidiamar@int.gov.br. Instituto Nacional de Tecnologia, Av.
Venezuela, 82 – Rio de Janeiro - Brasil

�1- INTRODUÇÃO

As expressões “sociedade do conhecimento”, “era da informação” e
“inovação”, são percebidas constantemente, não só em textos acadêmicos, como
também na mídia impressa e titulando uma série de cursos de pós-graduação.
Esses rótulos nos chamam a atenção por representar um momento em que as
empresas, de maneira geral, estão se pautando, cada vez mais, no uso eficiente
da informação e do conhecimento em suas atividades, em busca da inovação.

As empresas em particular que desejam participar de um mercado cada
vez mais competitivo buscam ofertar produtos e serviços adicionados cada vez
mais de alto valor agregado, segundo Porter (1999).

Isto, em função das demandas que têm mudado em muito pouco tempo
devido à turbulência global em que se encontram os blocos econômicos mundiais.
A ciência, a engenharia e a tecnologia têm dobrado em quantidade e em
qualidade de inovação a cada ano, gerando um desenvolvimento tecnológico
cada vez mais rápido e em todos os setores industriais.

O ciclo da tecnologia está cada vez mais curto, ou seja, os bens chegam à
obsolescência antes de se deteriorarem e são substituídos em um prazo de
tempo muito curto.

Neste contexto, a informação tecnológica tem tido um papel predominante
no avanço tecnológico e, em função disto, a demanda por produtos de informação
com alto valor agregado tornou-se proporcional ao desenvolvimento acima citado.

A inovação é descrita por Freeman (1998), citado por Lemos (1999) como
sendo radical e incremental. A inovação radical é a criação de um novo produto,
processo ou forma de organização da produção baseada em uma atividade
inventiva. Enquanto a inovação incremental refere-se à introdução de qualquer
tipo de melhoria em um produto, processo ou organização da produção dentro de
uma empresa, sem alteração na estrutura industrial.

2

�A invenção dá origem a patente, que é um Direito concedido pelo Estado a
um inventor para exploração comercial de sua invenção. A patente é a maior fonte
de inovação dentre os documentos disponíveis em bases de dados públicas e
pode-se fazer uso delas para determinar o ciclo de vida de um produto, identificar
atores em determinado setor industrial, novas linhas de pesquisas ou tendências
tecnológicas, rede de inventores, assuntos ou empresas, parceiros potenciais ou
concorrentes, novos entrantes no mercado e empresas líderes atuais ou futuras.
As descrições de patentes contêm muita informação tecnológica e as bases de
dados de patentes, tem servido de complemento às fontes de informação
tradicionais.

Este trabalho visa apresentar os resultados obtidos a partir da coleta de
dados extraídos principalmente das bases de dados de patentes e seu
tratamento, utilizando o software SciFinder Scholar, ferramenta utilizada neste
estudo devido a sua potencialidade para tratamento de informação, além de seu
tradicional uso como fonte de informação em C&amp;T.

O SciFinder Scholar é uma versão online, disponível no Portal de
Periódicos Capes, de interface prática, intuitiva e interativa, desenvolvida pelo
CAS – Chemical Abstracts Service. Cobre as diversas áreas do conhecimento,
dentre as quais: Química Orgânica; Química Inorgânica, Físicoquímica, Química
Analítica; Engenharia Química e Processamento de Petróleo. É composto por
cinco bases de dados: CAplus (1907-presente), Registry (1907-presente),
Chemical Reactions (1840-presente), Substâncias Químicas Regulamentadas
(1778-presente), CHEMCATS. O software SciFinder Scholar permite a busca e a
recuperação simultânea de diversas fontes de informação, como patentes, teses e
dissertações, anais de congressos, livros, artigos científicos, notícias, relatórios
técnicos, entre outras publicações.

2-CONTEXTUALIZAÇÃO E REFENCIAL TEÓRICO

3

�Neste item será contextualizado o que entendemos por informação
tecnológica e prospecção de informação para tomada de decisão visando orientar
o leitor sobre as escolhas que nortearam os resultados aqui apresentados.

2.1 Informação Tecnológica
A informação tecnológica pode ser entendida como todo o conhecimento
de natureza teórica, econômica e mercadológica, gerencial, social, etc., que, por
sua

aplicação,

favoreça

o

progresso

de

aperfeiçoamento

e

inovação

(TARAPANOFF, ARAÚJO JÚNIOR, CORMIER, 2000).

O tratamento de informações tecnológicas geram conhecimento para
tomada de decisão sobre, entre outras possibilidades, os cenários e tendências
tecnológicas. A forma mais fácil de obter este quadro prospectivo é realizando
estudos prospectivos, pois estes possibilitam visualizar possíveis estados futuros
da tecnologia ou do ambiente em que está inserida a empresa.

2.2 Prospecção de Informação
Prospecção é o termo aplicado aos estudos que têm por objetivo antecipar
e entender as potencialidades, evolução, características e efeitos das mudanças
tecnológicas, particularmente a sua invenção, inovação, adoção e uso (Coates et
al, 2001). É essencial ao tomador de decisão, pois estabelece quadros futuros
importantes de serem conhecidos em momentos decisivos.
Alguns requisitos são básicos para a obtenção de bons resultados na
prospecção, segundo Albuquerque; Lellis; Silva (2004). É fundamental, por
exemplo, ter um bom conhecimento do tema a ser pesquisado. Este
conhecimento pode ser conseguido fazendo-se o planejamento da prospecção
junto com o especialista do projeto de pesquisa em questão. O trabalho a quatro
mãos, ou seja, o profissional de informação mais o especialista da área na
definição do escopo da pesquisa são fundamentais para os resultados que se
apresentarão posteriormente.
Outro conhecimento necessário é sobre as bases de dados a serem
utilizadas. A diversidade de bases de dados públicas, e mesmo os bancos de

4

�dados comerciais, possuem uma infinidade de recursos que, se utilizados
corretamente, possibilitam a recuperação de informações mais pertinentes à
pesquisa realizada. Outro ponto importante com relação às bases de dados diz
respeito a seu escopo de atuação. Estas ferramentas apresentam tipologias de
informações indexadas por determinado setor, assunto, formato, etc. Desta forma,
um bom conhecimento do planejamento da base nos dá subsídio para uma boa
definição da estratégia de busca.
Outro fator importante é a definição do objetivo da busca. Sem saber por
que buscamos, teremos o desprazer de não reconhecermos o resultado ou a
finalidade a que ele se propõe. Neste sentido, é importante definir a busca junto
com o especialista, que é a pessoa indicada para fazer a análise dos resultados
obtidos.

A busca de informação para prospecção tem como característica a
captação do maior número de registros encontrados possível, diferentemente da
busca bibliográfica, que tem como objetivo recuperar com precisão um
determinado assunto. No caso da prospecção de informação é importante que a
estratégia de busca seja feita de forma bem abrangente a fim de que seja
possível a recuperação de grandes volumes de informações, feito o download
destes registros que serão tratados automaticamente e oferecerão resultados,
sem que seja necessário ler um número reduzido de documentos.

Muito se fala em prospecção para tomada de decisão, mas é importante
esclarecer que a tomada de decisão não é um processo simples que pode
acontecer a partir da leitura de um mapa prospectivo ou de resultados inferidos
pelos especialistas. A tomada de decisão segundo MEGGINSON et al (1986), é
definida como a seleção consciente de um curso de ação dentre as alternativas
disponíveis para obter um resultado desejado. É um processo difícil e complexo,
pois envolve questões como que ações são possíveis, quais as conseqüências
futuras de cada alternativa, qual o valor das conseqüências para cada alternativa
e como será feita a escolha entre as alternativas em termos de valor das suas
conseqüências.

5

�A escolha das alternativas, seus valores e as conseqüências possíveis só
poderão ser definidos a partir da estruturação, coleta e tratamento da informação
tecnológica. Os dados recuperados nas mais diversas fontes de informação
tecnológica disponíveis atualmente devem ser tratados e contextualizados, de tal
forma que possam servir à tomada de decisão, melhorar processos e produtos e
garantir o desenvolvimento de novas tecnologias (ANGELONI, 2003).

3. DESENVOLVIMENTO METODOLÓGICO

O trabalho foi desenvolvido com base nos dados recuperados pelo software
Scinfinder Scholar, através do Portal da Capes, cumprindo as seguintes etapas:

3.1 – Monitoramento e Coleta de Informação em patentes

Fig.1: Montagem da estratégia de busca

A primeira etapa do trabalho foi realizar uma busca através do SciFinder
Scholar, utilizando-se a estratégia montada com base na exaustividade da
recuperação. Para fins de prospecção de informação, quanto mais documentos
forem recuperados mais possibilidades temos, de identificar o que ocorre em um
setor ou área de conhecimento e suas relações de negócios internas e externas.

As escolhas de parâmetros, então, devem ser as mínimas possíveis, afim
de não inibir a resposta. Em função de nosso objetivo, foi selecionado apenas o

6

�tipo de documento que queríamos recuperar para análise. O resultado encontrado
pode ser visto na figura 2.

Figura 2: Apresentação do resultado de busca

Com o filtro definido para recuperar somente patentes, apenas uma opção de
resultado foi disponibilizada pelo sistema. Normalmente o software apresenta três
tipos de resultados:
•

O total de registros recuperados quando se coloca frases completas na
estratégia de busca;

•

Quantos registros foram recuperados com todos os termos encontrados em
qualquer lugar do documento, não necessariamente na mesma frase, mas
com todas as palavras dentro do mesmo contexto da frase completa (esta
opção não apareceu no exemplo acima);

•

Quantos registros foram recuperados com todas as palavras, encontradas
em qualquer lugar do documento, não necessariamente num mesmo
contexto da frase completa usada como estratégia de busca (esta última
opção não apareceu no exemplo acima).

A figura 3 apresenta o formato disponível para os resultados de busca
sobre corrosão em implantes cirúrgicos em documentos de patentes.

7

�Fig. 3: Visualização dos resultados da busca

Para realização de prospecção tanto em documentos de patentes quanto
em artigos científicos, é imprescindível que se recupere também o resumo do
documento, pois a leitura e a análise dos documentos, após o tratamento
automático, é que vai confirmar se a resposta recebida está pertinente à
estratégia escolhida. Muitas referências recuperadas carregam no título e no
resumo as palavras empregadas na estratégia, mas, por vezes, são artigos que
nada apresentam do assunto desejado. A análise realizada pelo especialista da
área, do conjunto de documentos já tratados, é que vai dar sentido à prospecção.

Após a escolha da opção de recuperação desejada, pode-se ir delineando
as tendências, através da ferramenta “Refine” e da ferramenta “Analyze”. Tanto o
refinamento quanto a análise dos dados podem ser feitos segundo os critérios:
assunto, ano de publicação, nomes das organizações envolvidas com cada
registro, autor, tipo de documento, entre outros.

Para o tema pesquisado, foi escolhida a opção Analyze e solicitado uma
resposta por ano de publicação das patentes depositadas. O resultado obtido
apresenta-se na figura 4.

8

�Fig. 4: Análise por ano de publicação

O resultado apresentado mostra o ano de publicação dos documentos em
função da freqüência do tema. A apresentação do Rank só permite visualização
pela freqüência. Entretanto, com mais um passo, este problema pode ser
resolvido usando-se a exportação dos registros do SciFinder para o Excel ou
outro aplicativo deste tipo, que poderá ordenar a listagem por ordem crescente ou
decrescente, de acordo com as necessidades definidas na pesquisa. Neste ponto
da pesquisa, é imprescindível que o especialista do assunto pesquisado analise
os resultados obtidos afim de que a pesquisa caminhe sob a óptica do expert.

Outro formato interessante de ver os dados é o ranking das empresas
envolvidas com a pesquisa sobre o tema, o que pode nos mostrar quem está
pesquisando o quê, e qual intensidade da pesquisa no setor. A figura abaixo nos
mostra o rank das empresas que mais pesquisam sobre corrosão em implantes
cirúrgicos.

9

�Fig. 5: Análise por empresas/organizações que publicaram patentes sobre o tema

Uma outra opção do software é a análise por termos de indexação,
mostrados na figura 6:

Fig. 6: Análise por termos de indexação das patentes

Podem-se observar com a análise acima quais as principais aplicações de
implantes encontradas nas patentes por freqüência dos termos.

Em função da quantidade dos resultados obtidos, outra decisão pode ser
tomada. Se o resultado apresentar um universo de dados razoavelmente
pequeno, conforme opinião do especialista, é necessário pesquisar em outras
bases de dados de patentes ou diretamente nos sites próprios das instituições
que se encontram no topo do rank.

10

�3.2 Coleta de Informação em bases científicas
Em uma busca de informação utilizando o descritor “Corrosão de implantes
cirúrgicos”, foi obtido o seguinte resultado apresentado na figura 7.

Fig. 6: Resultado da busca no SciFinder

Neste resultado pode-se obter o total de registros recuperados com a frase
completa (Opção 1); quantos registros foram recuperados com todos os termos
encontrados em qualquer lugar do documento, não necessariamente na mesma
frase, mas com todas as palavras dentro do mesmo contexto da frase completa
(Opção 2); ou ainda, quantos registros foram recuperados com todas as palavras,
encontradas em qualquer lugar do documento, não necessariamente num mesmo
contexto da frase completa usada como estratégia de busca (esta última opção
não apareceu no exemplo acima).

Para o nosso estudo, escolhemos a opção 2, com 220 documentos, e
cujos registros se apresentam visualizados em formato de referencia bibliográfica,
com mostrado na figura 7.

11

�Fig. 7: Visualização dos resultados da busca

O refinamento feito em nosso estudo foi realizado pela seleção de
documentos em língua inglesa, cuja resposta obtida foi de 175 documentos e foi
solicitado a remoção dos documentos em duplicata, o que reduziu a pesquisa
para 150 documentos.

Após o refinamento, foi utilizada a ferramenta de análise do SciFinder
visando obter os documentos de acordo com o tipo de documento, ano de
publicação e empresas envolvidas com o tratamento para corrosão de implante
cirúrgico. A resposta obtida foi um rank por tipologia de documentos, conforme
mostra a figura 8.

Fig. 8: Rank por tipo de documento

12

�Esta estratégia nos mostrou que o tema pesquisado é mais divulgado em
revistas cientificas. Hipoteticamente, este quadro já nos possibilita inferir que o
assunto pesquisado ainda encontra-se em fase de pesquisa, pois não apresentou
um volume representativo de documentos de patentes. Solicitando ao soft um
refinamento por ano de publicação, o resultado obtido pode ser visto na figura 9.

Fig. 9: Análise por ano de publicação dos documentos

A figura 9 apresenta o ranking das empresas envolvidas com a pesquisa
sobre o tema. Esta formatação dos dados oferece ao especialista um panorama
da pesquisa sobre um monitoramento de documentos sobre corrosão em
implantes cirúrgicos de 1979 a 2005. Já a figura 10 apresenta o rank das
empresas que mais pesquisam este assunto.

Fig. 10: Análise das empresas/organizações que publicaram pesquisas sobre o
tema

13

�Os registros recuperados podem ser exportados em formato texto, necessário
para realização de tratamento de dados, nas seguintes modalidades:
•

em formato simples, somente com a referência do documento;

•

em formato expandido, com a referência e o resumo do documento ou;

•

em formato completo, com todo o texto do documento.

A vantagem da exportação é poder utilizar os rankings da análise do
SciFinder Scholar em outros softwares. Um exemplo é a transferência dos dados
obtidos na análise do SciFinder Scholar para aplicativos como o Excel, que
permitem a confecção de diferentes tipos de gráficos.

A desvantagem da exportação do texto completo é o fato das informações
virem em formato de referência bibliográfica, o que prejudica a exportação para
softwares como o Winisis, que exigem o formato etiquetado dos campos
baseados no formato 2709.

A coleta e exportação que podem ser feitas pelo SciFinder Scholar
favorecem a prospecção de informação, pois a análise dos registros recuperados
e refinados já permite a observação dos principais atores envolvidos com o tema
pesquisado. A opção de exportação dos registros completos do software permite
ainda que esses dados possam sofrer outros tratamentos na unidade de
informação, ou serem importados para uma base de dados criada para este fim.

Os resultados colhidos podem se importados para bases de dados criadas
na unidade de informação e disponibilizados para os pesquisadores da instituição
envolvidos com o tema pesquisado. Em um mundo globalizado, com tantas fontes
de informações disponíveis e a diversidade de informações disponíveis ora sim
ora não pela Internet, é importante oferecer ao usuário, o resultado de sua
solicitação transformado em produtos disponíveis passíveis de serem atualizados.
Esta medida vai facilitar o trabalho do pesquisador e ajudá-lo na tomada de
decisão, já que as informações estão concentradas, mostrando o ambiente
tecnológico e econômico passado, como vem evoluindo no presente e qual é a

14

�tendência de sua utilização no futuro. Este é o quadro que deve ser formar a partir
do tratamento de informação.

Desta forma, o resultado servirá de lição aprendida já que outra pesquisa
igual não será necessária realizar e utilizando-se um monitoramento tecnológico
constante de diferentes bases de dados e repositórios de informações, permitindo
a atualização das novas tecnologias e processos desenvolvidos em âmbito
mundial. O monitoramento tecnológico é, antes de tudo, a prospecção de
oportunidades de desenvolvimento, tanto no interior como no exterior da empresa.
“Essas oportunidades nunca são de tecnologia pura, mas também, de sinergia, de
novas estratégias, e de aberturas de novos espaços” (LAUTRÉ, 1992).

4- CONSIDERAÇÕES FINAIS

A prospecção é uma atividade cada vez mais presente nas unidades de
informação, e estas, devem se adaptar às tendências atuais quanto à exigência
de produtos de informação valorizados pelo setor produtivo.

A explosão da informação e a crescente busca de inovação em produtos e
serviços têm levado as instituições a buscar, cada vez mais, informação
consolidada que poupe o usuário de ler uma infinidade de documentos sobre o
assunto desejado. As unidades de informação devem se adaptar aos novos
tempos, oferecendo serviços de qualidade, onde o papel do profissional de
informação é fundamental para valorização da informação, transformando-a em
conhecimento.

As ferramentas de TI disponíveis, como o Scifinder, com o exemplo
apresentado neste trabalho, é mais uma opção, pela facilidade na sua utilização e
sua disponibilização através do Portal de Periódicos da Capes.

Além do uso das ferramentas é imprescindível a formação de uma equipe
formada não só por bibliotecários, mas também por profissionais das áreas

15

�envolvidas, que possam transformar as informações coletadas em inteligência,
cada vez mais necessárias para a tomada de decisão nos dias de hoje.

5 – REFERÊNCIAS
•

ALBUQUERQUE, Frederico Lellis, LELLIS, Vera Lucia Maia; SILVA,
Cicera, Henrique. Disponibilização da memória técnico-científica do
Instituto Nacional de Tecnologia: relato de experiência. In: Cinform, 6.
Salvador, 2005. Anais

•

ANGELONI, Maria Terezinha. Elementos intervenientes na tomada de
decisão. Ciência da Informação, Brasília, DF, v. 32, n. 1, p. 17-22,
jan./abr. 2003.

•

COATES, V. On the future of technological foresight. New York, Journal of
Technological forecasting and social change. New York, v.67, p.1-17,
2001. Disponível em: http://www.sciencedirect.com/science

•

LAUTRÉ, Evelyne. O monitoramento informativo: da definição ao conteúdo.
Ciência da Informação, Brasília, v. 21, n. 2, p. 132-135, maio/ago. 1992.

•

LELLIS, Vera Lúcia Maia et al. Análise bibliométrica automatizada de
acervos como suporte à política de aquisição e desenvolvimento de
coleções. TECBAHIA: Revista Baiana de Tecnologia. Camaçari, v. 12, n.
2, maio/ago. 1997.

•

LEMOS, Cristina. Inovação na era do conhecimento. In: LASTRES, Helena
M. M.; ALBAGLI, Sarita. (Org.) Informação e globalização na era do
conhecimento. Rio de Janeiro: Campus, 1999.

•

MEGGINSON, Leon C. et al. Tomada de decisão. Administração:
conceitos e aplicações. São Paulo, Harper &amp; Row do Brasil, 1986.

•

SCIFINDER SCHOLAR. Disponível em:
&lt;http://www.periodicos.capes.gov.br&gt;. Acesso em maio/junho de 2006

•

PORTER, M. Estratégia competitiva: técnicas para análise da
indústria e da concorrência. Rio de Janeiro: Campus, 1986.

•

PORTER, M. Vantagem competitiva. Rio de Janeiro: Campus, 1989.

•

TARAPANOFF, Kira; ARAÚJO JÚNIOR, Rogério Henrique de; CORMIER,
Patrícia Marie Jeanne. Sociedade da informação e inteligência em

16

�unidades de informação. Ciência da Informação, Brasília, DF, v. 29, n. 3,
p. 91-100, set./dez. 2000.
•

VALENTIM, M.L.P. Prospecção e monitoramento informacional no
processo de inteligência competitiva. Infohome, abr. 2003. Disponível em:
&lt;http://www.ofaj.com.br/colunas_conteudo.php?cod=71&gt;.

Acesso

em:

15/05/2006.

17

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>As organizações atualmente precisam, cada vez mais para se manterem competitivas, estar a par do avanço do conhecimento em sua área de atuação, ter visão estratégica de seu ambiente interno, através da gestão da informação, e externo, através da gestão do conhecimento. A realidade de uma organização pode ser fundamentada pela prospecção e monitoramento de informações realizadas a partir do mapeamento de fontes de informações, que proporcionam a coleta e o tratamento dos dados relevantes para seus negócios. Por outro lado, esse avanço do conhecimento tem proporcionado um aumento no desenvolvimento de ferramentas de busca, já que o volume de informações cresce exponencialmente ano a ano. A realização de levantamentos, estudos prospectivos e de monitoramento tecnológico realizados para clientes internos às instituições e mesmo sob encomenda de clientes externos faz do profissional de informação atualmente, um profundo conhecedor das ferramentas utilizadas para fins de recuperação de informações. O uso constante da Internet, bases e bancos de dados, cria o hábito da procura e o conhecimento das potencialidades das ferramentas. Este trabalho visa mostrar o potencial oferecido pela ferramenta SciFinder Scholar, disponível através do Portal da Capes, quando utilizada para obtenção de informações próprias para a tomada de decisão. O foco principal do trabalho é o tratamento e análise das informações coletadas, e as alternativas possíveis para sua aplicação como ferramenta de prospecção.</text>
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                    <text>Aprender a conhecer: o desafio do novo profissional da informação.
Cláudia Araújo Martins1

Resumo:
Aprender a conhecer tem sido um dos principais imperativos de nossa sociedade,
chamada de Sociedade da Aprendizagem, Sociedade do Conhecimento e por
uma variedade de denominações utilizadas para ilustrar o período da revolução
da informação, pelo qual estamos passando. Atualmente, possuímos acesso a
inúmeras fontes de informação em diferentes meios, o que por um lado, amplia a
coleta de dados que podem ser convertidos em conhecimento, mas por outro,
devido à excessiva oferta de informações, exige habilidades e comportamentos
específicos para utilizar a informação coletada. O profissional da informação tem
sido apontado como um dos atores mais importantes deste novo cenário, para
auxiliar alunos e pesquisadores no desenvolvimento de suas habilidades
informacionais. Este trabalho destaca o papel educacional do bibliotecário, e a
necessidade de desenvolver suas próprias competências informacionais, além de
aprimorar sua capacidade de ensinar para atuar de maneira plena e satisfatória.
Como embasamento teórico utilizamos alguns dos principais autores sobre os
temas abordados. As evidências demonstram que em decorrência da velocidade
das transformações tecnológicas, das necessidades do mercado de trabalho, e da
pouca oferta de cursos de educação continuada, o profissional da informação tem
sido obrigado a adotar uma postura autodidata, buscando se manter atualizado
sobre os produtos e as fontes de busca primordiais em sua área de atuação e
aprendendo a conhecer os melhores caminhos para se chegar à informação
relevante, e conseqüentemente ensinar.

1

Bibliotecária-chefe; Serviço de Biblioteca e Documentação Científica - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto
 FAMERP - Av. Brigadeiro Faria Lima, 5416 - Vila São Pedro  CEP 15.090-000 - São José do Rio Preto - São Paulo,
Brasil.
e-mail: biblioteca@famerp.br, claudia@famerp.br

1

�A multiplicação, num curtíssimo intervalo, de redes de computadores,
comunicações por satélite, cabos de fibras ópticas e mecanismos
eletrônicos de transferência de dados e informações em alta velocidade,
desencadeou uma revolução nas comunicações (...) (SEVCENKO,
2001, p.28)

Revolução que provocou e continua provocando inúmeras mudanças no
cenário mundial, e que está sendo chamada de Revolução da Informação, em
decorrência das modificações nas Tecnologias da Informação e Comunicação
(TICs). (CASTELLS, 2000)

Por TICs podemos entender o desenvolvimento de um conjunto de
tecnologias convergentes: microeletrônica, computação, telecomunicação e
eletrônica, (FREITAG, 2003) que proporcionam a aquisição, produção,
armazenamento, processamento e transmissão de dados na forma de imagem,
vídeo, texto ou áudio. (GUTIÉRREZ MARTÍNEZ, 2004, p.96)

Segundo o historiador Nicolau Sevcenko (2001) a taxa de crescimento dos
conhecimentos técnicos que impulsionam as mudanças e aprimoramentos das
TICs é de 13% ao ano, o que significa que dobra em 5 anos e meio. Alguns
teóricos calculam que em vista das novas possibilidades a tendência é que cresça
mais de 40% ao ano.
A aceleração das inovações tecnológicas se dá agora numa escala
multiplicativa, uma autêntica reação em cadeia, de modo que em curtos
intervalos de tempo o conjunto do aparato tecnológico vigente passa por
saltos qualitativos em que a ampliação, a condensação e a
miniaturização de seus potenciais e expectativas, tornam-o cada vez
mais imprevisível, irresistível e incompreensível. (SEVCENKO, 2001, p.
16)

Para Sevcenko (2001, p. 23), o diferencial do século que acaba de se
encerrar, em comparação com qualquer outro período, é, exatamente, a
tendência de incutir as mudanças tecnológicas e aplicá-las em praticamente
todos os campos do conhecimento e em todos os âmbitos da vida no planeta.
2

�Uma destas aplicações, pode ser notada na área da educação, que vêm
provocando discussões entre seus atores e multiplicando teorias sobre a
utilização dos recursos tecnológicos como instrumentos pedagógicos, conforme
afirma Brunner (2001, p. 21) ao dizer que a educação enfrenta, em escala
mundial, um período de mudanças e ajustes sem precedentes orientados para a
sociedade da informação.

Dentre os principais pontos discutidos encontram-se a acessibilidade a
estas novas tecnologias, a aplicação de políticas públicas e a qualificação da mão
de obra envolvida diretamente com o uso destas TICs, em especial o papel dos
educadores no processo de aprendizagem, que segundo Tedesco (2004) está
sofrendo significativa mudança sem ter definidos os caminhos para enfrentar o
desafio de sua formação e do seu desempenho neste novo cenário.

Estas indagações vêm se tornando mais pertinentes a cada dia,
primordialmente, no que diz respeito à informação, principal insumo para o
conhecimento, que de acordo com Brunner (2004), atualmente, constitui-se em
um problema para a educação, pois o grande desafio deixou de ser onde
encontrar a informação, e passou a ser como oferecer acesso a ela sem
exclusões.

Juan Ignácio Pozo (2005, p.11) complementa a idéia acima, destacando o
direito ao conhecimento, que ninguém mais discute como um bem social, mas a
acrescenta, contabilizando outro direito, o de adquirir (...) um kit de sobrevivência
cognitiva, composto de novos processos para aprender novos conhecimentos em
domínios específicos.

Pozo (2005) evidencia a distinção entre informação e conhecimento, e
conseqüentemente sobre as denominações empregadas para caracterizar os
tempos atuais: sociedade da informação e sociedade do conhecimento.
As mudanças aceleradas na sociedade do conhecimento (que, para
quem não dispõe dessas ferramentas cognitivas, é somente uma
sociedade da informação) exigem novas formas de aprender, de

3

�adquirir esse conhecimento, que são diferentes, quando não contrárias,
aos dispositivos da aprendizagem que todos nós temos, como
conseqüência da evolução. (POZO, 2005, p.12)

Reiterando suas afirmações Gutiérrez Martínez (2004, p.96) analisa que o
acesso a grandes quantidades de informações por meio da Internet, não significa
que serão convertidas em conhecimento. Esta tarefa é muito mais complexa, pois
envolve pensamento lógico, raciocínio e juízo crítico. O processo de buscar
informação pertinente no oceano de dados disponíveis na web exige
conhecimento básico do tema buscado, além de estratégias e referenciais para
identificar fontes de pesquisa seguras e confiáveis.

Bornheim (2003, p.118) atenta para os riscos de utilizar a web sem
critérios, ao colocar
(...) a ênfase na rapidez em detrimento da reflexão, na brevidade em
detrimento da complexidade; ao atribuir a preferência aos rudimentos de
informação e aos fragmentos de fatos, em vez de dar importância aos
discursos e análises elaborados; e ao submergir toda opinião informada
em páginas e páginas de estúpida tagarelice, de conselhos inúteis, de
fatos inexatos e de informações fúteis (...)

O destaque dado às habilidades de recuperação da informação traz à cena
o profissional da informação, um dos atores do cenário educativo, pois possui ou
deveria possuir, habilidades especiais destinadas à localização de fontes de
informação, a formulação adequada das perguntas para realizar buscas, a
decodificação da informação, a seleção de dados relevantes e a consulta de
documentos em diferentes formatos. (DIAS et al., 2004)

Convergindo com estas habilidades informacionais estão os valores éticos
e legais sobre o acesso e uso da informação, a destreza no uso das TICs (DIAS
et al., 2004) e sua proximidade com o público acadêmico, ao menos no ambiente
das bibliotecas universitárias, onde já possuem assegurado seu direito de
atuação, o que não se pode afirmar das bibliotecas escolares, especialmente as
localizadas em escolas públicas.

4

�Estas habilidades e destrezas adquiridas com sua experiência profissional
e os conhecimentos provenientes de sua formação acadêmica reafirmam o papel
de agente educacional do profissional da informação. (MARTUCCI, 1998)

O fato de que as bibliotecas são organizações imprescindíveis para o
processo de ensino-aprendizagem dos discentes e docentes eleva a atuação do
bibliotecário à condição de mediador do aprendizado (DIAS et al., 2004), seja por
meio do desenvolvimento de técnicas e serviços para facilitar o acesso à
informação, seja por meio do trabalho como educador, informal ou formal, em
suma, durante uma sessão de busca, orientando o usuário, ou em sala de aula,
explicando como encontrar informação essencial para o desenvolvimento do
conhecimento sobre temas específicos.

No entanto, não podemos agraciar o bibliotecário com o título de educador,
simplesmente por estar no lugar certo, no momento certo, com as habilidades
certas.

Muitos profissionais da informação não foram capacitados adequadamente
para esta função e precisam fazê-lo (SOUZA, 1996; OLIVEIRA, 1999; ARRUDA,
MARTELETO, SOUZA, 2000; CASTRO, RIBEIRO, 2004). Além disso, devem
possuir competências inatas, passíveis de serem desenvolvidas como, por
exemplo, a da

didática, que pode ser entendida como a capacidade de

expressar em linguagem, simplificada e compreensível, conceitos complexos que
demandam linguagens especializadas. (DIAS et al., 2004, p.3)

O objetivo deste texto não é discutir quais são os pontos frágeis que os
autores acima citados encontraram na formação bibliotecária, mas basear-se no
conhecimento gerado por eles ao afirmarem que o processo de ensinoaprendizagem em Biblioteconomia e Ciência da Informação possui falhas e
portanto precisa ser aprimorado.

Concomitantemente a esta afirmação, partimos da premissa de que o
processo educacional é contínuo e que a aprendizagem deve acontecer ao longo

5

�da vida (MORIN, 2001), para expor nossa idéia de que o profissional da
informação

deve

se

preparar

para

desempenhar

satisfatoriamente

sua

capacidade de ensinar e aprender, sempre.

Como demonstram as evidências, em razão da pouca oferta de cursos de
educação continuada, do volume crescente de fontes e recursos informacionais e
das exigências do mercado de trabalho, o profissional da informação tem sido
obrigado a adotar uma postura autodidata, buscando se manter atualizado sobre
as teorias, os produtos e as fontes de busca primordiais em sua área de atuação,
e sobretudo como aprender a conhecê-los.

A busca pelo conhecimento não deve estar focada apenas nas
universidades, pois as mesmas também estão sofrendo um processo de
transformação demandado pela revolução do conhecimento. Segundo Lima
(1997) essa nova dinâmica do conhecimento exige que as escolas abandonem a
noção de repasse de conhecimentos pré-determinados, utilizados até então em
muitas instituições de ensino, e que adaptem currículos e metodologias didáticas
de forma a propiciar a seus alunos o desenvolvimento do processo de autoaprendizagem, orientado-os pelo conceito de educação continuada.

Jacques Delors (1996) em seu Relatório para a UNESCO da Comissão
Internacional sobre a Educação para o século XXI, no livro entitulado Educação:
um

tesouro

a

descobrir,

estabeleceu

os

quatro

pilares

da

educação

contemporânea: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e
aprender a ser.
(...) aprender a conhecer, isto é, adquirir os instrumentos da
compreensão; aprender a fazer, para poder agir sobre o meio
envolvente; aprender a viver juntos, a fim de participar e cooperar com
os outros em todas as atividades humanas; aprender a ser, via
essencial que integra as três precedentes. É claro que estas quatro vias
do saber constituem apenas uma, dado que existem entre elas múltiplos
pontos de contato, relacionamento e permuta. (DELORS, 1996, p.77)

6

�Para Delors (1996, p.78) aprender a conhecer pode ser considerado como
um meio e um fim na vida humana. Os benefícios proporcionados pelo aumento
dos saberes, baseados no prazer de compreender, de conhecer e de descobrir
favorecem o despertar da curiosidade intelectual, estimula o sentido crítico e
permite compreender o real, mediante aquisição de autonomia na capacidade de
discernir.

Anterior ao desenvolvimento do aprender a conhecer encontra-se o
aprender a aprender que envolve o exercício da atenção, da memória e do
pensamento. (DELORS, 1996)

Restringindo nosso texto a apenas uma das formas de aquisição do
conhecimento, a leitura, citamos o educador Paulo Freire (2001, p. 261) quando
menciona a importância do ato de ler e sua significação:
Ler é uma operação inteligente, difícil, exigente, mas gratificante.
Ninguém lê ou estuda autenticamente se não assume, diante do texto
ou do objeto da curiosidade a forma crítica de ser ou de estar sendo
sujeito da curiosidade, sujeito da leitura, sujeito do processo de
conhecer em que se acha. Ler é procurar buscar criar a compreensão
do lido.

Complementado seu pensamento, o educador é categórico: Nas culturas
letradas, sem ler e sem escrever, não se pode estudar, buscar conhecer,
apreender a substantividade do objeto, reconhecer criticamente a razão de ser do
objeto (FREIRE, 2001, p. 266)

Paulo Freire (2001) adverte-nos sobre o hábito peculiar de alguns leitores
ao queixarem-se de leituras difíceis, rotulando textos como complexos e
ininteligíveis, sem aplicarem esforços para decodificá-los, sem utilizarem os
instrumentos disponíveis para tal, como dicionários, enciclopédias e textos
comparativos de outros teóricos.

7

�O autor enaltece a perseverança como uma das qualidades que um leitor
deve ter, pois a compreensão do que se está lendo, não estala assim, de
repente, como se fosse um milagre. A compreensão é trabalhada, é forjada, por
quem lê, sendo sujeito dela, se deve instrumentar para melhor fazê-la. Por isso,
ler é um trabalho paciente, desafiador, persistente. (FREIRE, 2001, p. 265)

Aliando a leitura, provocada pelo gosto de conhecer e de se manter
atualizado, à didática, o profissional da informação talvez esteja se munindo de
um importante referencial para a prática pedagógica, exigência de nossa
sociedade contemporânea.

Campello e Abreu (2005, p.179) sentenciam que para ser capaz de
participar da educação de pessoas competentes em informação o bibliotecário
deve antes de qualquer coisa, ser competente em informação.

Competência em Informação pode ser compreendida como um processo
contínuo de internalização de fundamentos conceituais, atitudinais e de
habilidades preciosos para a compreensão e interação permanente com o
universo informacional e sua dinâmica, de modo a proporcionar um aprendizado
ao longo da vida (DUDZIAK, 2003, p. 28)

Ademais estes profissionais, devem estar atentos para os ensinamentos de
Paulo Freire (2001, p. 259) e de outros renomados educadores, e não se
esquecerem que não existe fórmula para exercer a docência, e que ensinar e
aprender se vão dando de tal maneira que quem ensina aprende, além disso,
esta atividade exige que sua preparação, sua capacitação, sua formação se
tornem processos permanentes.

Para finalizarmos, citaremos Penniman (1993 apud LANCASTER 1994,
p.10), por entendermos que tal assertiva nos dá o termômetro da situação atual
da profissão de bibliotecário, mesmo tendo sido elaborada há 13 anos: (...) a
habilidade dos bibliotecários de serem criativos, de se moverem para fora da

8

�biblioteca e para dentro de papéis mais amplos da informação, nos dará a medida
do bibliotecário do futuro.

No mesmo artigo Lancaster (1994, p.8), ao falar do futuro das bibliotecas
instiga nossos ânimos ao dizer que:
(...) quase que sem exceção os autores afirmam que as inovações
tecnológicas, e outras mudanças que estão ocorrendo no mundo, tanto
podem ser vistas como uma ameaça à biblioteca ou como uma
oportunidade rara para a biblioteconomia tornar-se mais valiosa para a
sociedade do que tem sido até agora.

Dessa forma, cabe a nós, que abraçamos esta profissão, acalentar um
futuro onde o profissional da informação seja valorizado e reconhecido por seu
papel essencial no meio em que está inserido, graças a sua capacidade de
reverter as inúmeras oportunidades de acesso à informação em favor de seu
conhecimento e do conhecimento das pessoas de sua comunidade.

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9

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10

�LIMA, M. C. Conteúdo e didática frente a emergência da sociedade informacional:
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ENCONTRO

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11

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Aprender a conhecer: o desafio do novo profissional da informação.</text>
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                <text>Martins, Cláudia Araújo</text>
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            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>Aprender a conhecer tem sido um dos principais imperativos de nossa sociedade, chamada de Sociedade da Aprendizagem, Sociedade do Conhecimento e por uma variedade de denominações utilizadas para ilustrar o período da revolução da informação, pelo qual estamos passando. Atualmente, possuímos acesso a inúmeras fontes de informação em diferentes meios, o que por um lado, amplia a coleta de dados que podem ser convertidos em conhecimento, mas por outro, devido à excessiva oferta de informações, exige habilidades e comportamentos específicos para utilizar a informação coletada. O profissional da informação tem sido apontado como um dos atores mais importantes deste novo cenário, para auxiliar alunos e pesquisadores no desenvolvimento de suas habilidades informacionais. Este trabalho destaca o papel educacional do bibliotecário, e a necessidade de desenvolver suas próprias competências informacionais, além de aprimorar sua capacidade de ensinar para atuar de maneira plena e satisfatória. Como embasamento teórico utilizamos alguns dos principais autores sobre os temas abordados. As evidências demonstram que em decorrência da velocidade das transformações tecnológicas, das necessidades do mercado de trabalho, e da pouca oferta de cursos de educação continuada, o profissional da informação tem sido obrigado a adotar uma postura autodidata, buscando se manter atualizado sobre os produtos e as fontes de busca primordiais em sua área de atuação e aprendendo a conhecer os melhores caminhos para se chegar à informação relevante, e consequentemente ensinar.</text>
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            <description>A language of the resource</description>
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                    <text>APRESENTAÇÃO

DAS

COLEÇÕES

ESPECIAIS

DO

AEL/ IFCH/UNICAMP

Maria Helena Segnorelli
UNICAMP  IFCH
Arquivo Edgard Leuenroth
C a i xa P o s t a l 6 1 1 0
13083-970 Ca mpinas SP
h e l s i g n o @ u n i c a mp . b r

�APRESENTAÇÃO

DAS

COLEÇÕES

ESPECIAIS

DO

AEL/ IFCH/UNICAMP

Maria Helena Segnorelli1

Resu mo:

O presente trabalho apresenta as coleções especiais de livros
catalogados

que

f o r ma m

as

bibliotecas

particulares

de

r e n o ma d a s p e r s o n a l i d a d e s n a á r e a d e c i ê n c i a s s o c i a i s , t a i s
c o mo : L u i z C a r l o s P r e s t e s , O c t á v i o B r a n d ã o , e n t r e o u t r o s . A i n d a
são

relatadas

a:

organização,

p r o c e s s a me n t o

técnico,

a r ma z e n a m e n t o e a c e s s o à s c o l e ç õ e s , d i v u l g a ç ã o , i n c l u s i v e d a s
obras

raras,

e

o f e r e c i me n t o

de

subsídios

às

pesquisas

à

c o mu n i d a d e a c a d ê m i c a .

P a l a v r a s - c h a v e : C o l e ç õ e s e s p e c i a i s  p r e s e r v a ç ã o d a me m ó r i a

1

B a c h a r e l e m B i b l i o t e c o n o mi a p e l a P U C - C a m p i n a s , b i b l i o t e c á r i a
da Seção de Proce ssa mento Técnic o do AEL/IFCH/UNI CAMP 
h e l s i g n o @ u n i c a mp . b r

�Histórico do AEL:

O

Arquivo

Docu mentação

Edgard

Leuenroth
(AEL)2

Social





foi

Centro
criado

de
no

Pesquisa
Instituto

e
de

F i l o s o f i a e Ci ê n c i a s H u ma n a s 3, e m 1 9 7 4 , q u a n d o a U n i v e r s i d a d e
Estadual

de

C a mp i n a s

(Unica mp )4

adquiriu

da

f a mí l i a

do

mi l i t a n t e a n a r q u i s t a E d g a r d L e u e n r o t h o c o n j u n t o d o c u m e n t a l
a c u mu l a d o a o l o n g o d e s u a

vida. Co mposto por periódicos

( jo r n a i s e r e v i s t a s ) , p a n f l e t o s , c a r t õ e s p o s t a i s , ma n u s c r i t o s ,
l i v r o s , f o l h e t o s e r e c o r t e s d e jo r n a i s , p r o d u z i d o s e a c u mu l a d o s
(no

d e s e n v o l v i me n t o

de

suas

ati vidades

jo r n a l í s t i c a s

e

de

mi l i t a n t e p o l í t i c o ) p e l o t i t u l a r , o c o n j u n t o é b a s t a n t e r e l e v a n t e
para o estudo da esquerda política.

Ainda

nos

anos

70,

os

fundadores

do

AEL

buscara m

p r e s e r v a r e c a p t a r a d o c u m e n t a ç ã o e xi s t e n t e n o B r a s i l s o b r e a
história

do

mo v i me n t o

operário

e

procuraram

tornar

mais

acessível aos pesquisadores brasileiros a docu mentação sobre
o t e ma , q u e s e e n c o n t r a v a n o e xt e r i o r .

I s t o o c o r r e u t a n t o a t r a v é s d e c o mp r a , d o a ç ã o , p e r mu t a o u
r e c u r s o s d e p r o je t o s q u e p o s s i b i l i t a r a m a o b t e n ç ã o d e c ó p i a s d e
materiais estrangeiros.

N o s a n o s 8 0 , h o u v e u m a c o n s i d e r á v e l a mp l i a ç ã o t e m á t i c a
e d e v á r i o s g ê n e r o s d o c u me n t a i s n a c o mp o s i ç ã o d o a c e r v o d o

2
3
4

http:// www.ifch.unica mp.br/ael/
http:// www.ifch.unica mp.br/ho meifc h/principal.php
http:// www.unica mp.br/

�A E L . A i n s t i t u c i o n a l i z a ç ã o d o A E L , e m 1 9 8 6 , f i n a l me n t e p e r mi t i u
s u a d i v u l g a ç ã o , o q u e f a c i l i t o u c o n s i d e r a v e l me n t e a d i f u s ã o d o
trabalho desenvolvido e a obtenção de novos acervos.

Constituição do Acer vo de Livros:

O a c e r v o b i b l i o g r á f i c o d o A E L é c o mp o s t o p o r o b r a s q u e
a c o mp a n h a m

coleções

docu ment ais

e

fundos

arquivísticos

p r o v e n i e n t e s d e p e s s o a s o u i n s t i t u i ç õ e s , c u ja s a t i v i d a d e s t ê m
r e l a ç ã o c o m a s á r e a s d e c i ê n c i a s p o l í t i c a s e mo v i m e n t o s s o c i a i s
d e e s q u e r d a . S ã o e s t i m a d o s u m v o l u me d e 4 0 . 0 0 0 l i v r o s .

Co m o i níci o dos trabal hos de catal ogação do acervo foi
possível constatar que:

-

o AEL po ssui u ma de manda média de 70 % da s obras
p a r a i mp l a n t a ç ã o n o s b a n c o s d e d a d o s , d e mo n s t r a n d o
ser

um

acervo

diferenciado

em

relação

às

outras

bibliotecas que integra m o Siste ma;

-

d e n t r e e s s a s o b r a s u m g r a n d e v o l u me é c o n s i d e r a d o
raro ou especial.

Caracterizado

o

acervo,

detectou-se

a

necessidade

de

t r e i n a me n t o d a b i b l i o t e c á r i a r e s p o n s á v e l p a r a t r a t a m e n t o d o
mes mo. Apó s realização de curso s oferecidos pela Biblioteca

�Nacional

foram

estabelecidas

políticas

de

i denti fi cação,

t r a t a me n t o e a c o n d i c i o n a me n t o d a s o b r a s r a r a s e e s p e c i a i s .

Características das Coleções Especiais:

Fundo Elizabeth Souza Lobo (1943- 1991)

Foi

docente

em

várias

universidades

nacionais

e

estrangei ras, dentre el as a Uni camp. Este fundo foi doado e
contém cerca de 70 títulos que abordam as relações de gênero
d a s o c i e d a d e c a p i t a l i s t a e d i r e i t o s t r a b a l h i s t a s f e mi n i n o s .

C o l e ç ã o H e i t o r F e r r e i r a L i ma ( 1 9 0 5 - 1 9 8 9 )

F o i h i s t o r i a d o r , t r a d u t o r e e s c r i t o r , d e i xa n d o i mp o r t a n t e s
t r a b a l h o s s o b r e h i s t ó r i a e c o n ô mi c a b r a s i l e i r a . S e u a c e r v o f o i
doado

e

contém

cerca

de

1.700

títulos

sobre

e c o n o mi a ,

literatura brasileira e grandes coleções de clássicos de Mar x e
Lênin.

P r i me i r a s

edições

de

clássicos

da

literatura

são

e n c o n t r a d o s c o m d e d i c a t ó r i a s d o s a u t o r e s e a l g u ma s o b r a s
raras e especi ai s sobre hi stóri a do Brasi l , pol íti ca brasil ei ra e
e c o n o mi a .

C o l e ç ã o H e i n z O s t r o we r ( 1 9 1 3 - 1 9 9 2 )

�N a s c i d o n a P o l ô n i a , f o i o b r i g a d o a d e i xa r o p a í s p o r o p o r s e a o n a z i s mo , v i n d o p a r a o R i o d e J a n e i r o . M i n i s t r o u c u r s o s d e
f o r ma ç ã o m a r xi s t a e c o n f e r ê n c i a s s o b r e a s g r a n d e s q u e s t õ e s d a
história

c o n t e mp o r â n e a .

P o s t e r i o r me n t e

naturalizou-se

b r a s i l e i r o . N e s t a c o l e ç ã o , d o a d a p o r F a y g a O s t r o we r , h á c e r c a
d e 4 0 0 t í t u l o s s o b r e a a s c e n s ã o n a z i s t a , e c o n o mi a p o l í t i c a ,
histórias da revolução russa e francesa, histórias da China e
A l e ma n h a , b e m c o m o o b r a s s o b r e a h i s t ó r i a d a I d a d e M é d i a .
E s t a c o l e ç ã o d i v i d e - s e e m o b r a s e m l í n g u a i n g l e s a e a l e mã .

Coleção Her mínio Sacche tta (1909- 1982)

Bacharel em Ciências e Letras, dedicou 48 anos de sua
v i d a a o jo r n a l i s mo . E s t a c o l e ç ã o f o i d o a d a . D o s 1 . 3 0 0 t í t u l o s d e
livros

integrantes

desta

coleção

d e s t a c a m- s e

as

grandes

coleções clássicas de Mar x e Lê nin, be m co mo obras sobre
f i l o s o f i a , é t i c a , p o l í t i c a e e c o n o mi a . H á a l g u ma s o b r a s r a r a s
estrangei ras sobre fi l osofi a, ci ência pol íti ca, li teratura l ati na e
francesa, e obras especiais datadas do século XIX.

Coleção Hílio de Lacerda Man na (1 910-1987)

Foi

mé d i c o

e

professor

catedrático

da

Faculdade

F l u mi n e n s e d e M e d i c i n a e V e t e r i n á r i a . D e n t r e o s 4 5 0 t í t u l o s d e
livros doados é co mu m encontrar muitos grifos e marginálias e m
g r a n d e p a r t e d e l e s . P a r t e d e s t a c o l e ç ã o v e r s a s o b r e e c o n o mi a
política, com a particularidade das obras terem suas páginas de
rosto

arrancadas

encadernações

e

e

suas

títulos.

Esta

capas

trocadas

manobra

visava

por

outras

despistar

a

�polícia

pol íti ca

sobre

o

conteúdo

das

obras

possuídas.

É

i mp o r t a n t e o b s e r v a r q u e 1 0 % d e s t a c o l e ç ã o c o n t é m o b r a s r a r a s
e e s p e c i a i s s o b r e me d i c i n a .

Coleção Libório Justo (1902-2003)

Dedicou

parte

de

sua

vida

a

atividades

políticas

e

a

produção historiográfica. Grande parte dos 1.400 títulos de
l i v r o s d o a d o s r e l a t a m a s h i s t ó r i a s p o l í t i c a s e e c o n ô mi c a s d a
A r g e n t i n a e d a A m é r i c a L a t i n a . H á t a mb é m g r a n d e s c o l e ç õ e s
sobre

literatura

Argentina

e

biografi as

de

personalidades

políticas argentinas.

Fundo Luiz Carlos Prestes (1898-1990)

F o i e n g e n h e i r o e c a p i t ã o d o e x é r c i t o . I n i c i o u o mo v i m e n t o
que percorreria todo território brasileiro, a Coluna Prestes. Sua
v i d a f o i ma r c a d a p o r p r i s õ e s e e xí l i o s d e v i d o a s u a p o s i ç ã o
p o l í t i c a . S ã o a p r o x i ma d a m e n t e 1 . 0 0 0 t í t u l o s d e l i v r o s s o b r e
e c o n o mi a p o l í t i c a n a c i o n a l e e s t r a n g e i r a , b i o g r a f i a s d e p o l í t i c o s
brasi l ei ros,
histórias

de

das

Mar x,

Engels,

revoluções

Lênin,

francesa,

Hegel,

história

portuguesa

e

geral ,

chinesa,

l i t e r a t u r a s o c i d e n t a l e c o n t e mp o r â n e a , b e m c o m o a l g u ma s o b r a s
s o b r e a s p e c t o s s o c i a i s e e c o n ô m i c o s d e g r u p o s mi n o r i t á r i o s
(negros, índios).

Fundo Mário Carvalho de Je sus (19 19-1995)

�Foi

advogado

e

dentre

seus

trabalhos

atuou

para

o

Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. Os 1.500 títulos de
livros

doados

versam

sobre

psicologia,

religião,

e c o n o mi a

pol íti ca, di rei to (geral , trabal hi sta e CLT), bi ografi as de Gandhi
e doutrinas pacifistas.

Fundo Octávio Brandão (1896-1979)

Publicou

vários

trabalhos,

dentre

eles

o

Agraris mo

e

I n d u s t r i a l i s mo  , p r i me i r a o b r a n o B r a s i l s o b r e o t e ma . S ã o 1 . 1 0 0
títul os de l i vros sobre fil osofi a, rel i gi ão, hi stóri as da URSS,
Brasi l e revol ução francesa. Há ai nda cl ássi cos da li teratura
estrangeira

e

brasileira

com

dedicatórias

de

autores

consagrados e obras raras e espec i ai s sobre hi stóri a do Brasil ,
l egi sl ação brasi l eira e poesi a bra si l ei ra. Mui tas obras conte m
g r i f o s e ma r g i n á l i a s .

Coleção Paulo Ottoni (1950-)

Atua

co mo

docente

do

Departa mento

de

Lingüística

Aplicada no Instituto de Estudo s da Linguage m da Unica mp.
C o l e ç ã o c o n s t i t u í d a p o r a p r o xi m a d a me n t e 5 0 0 t í t u l o s d e l i v r o s
sobre

h o mo s s e x u a l i s mo ,

c i n e ma ,

teatro,

c o n t e mp o r â n e a , p o e s i a b r a s i l e i r a e e r ó t i c a .

Coleção Pasch oal Le mme (1904-19 97)

mú s i c a ,

literatura

�Foi consi derado o pi onei ro da Escol a Nova no cenári o da
educação
2.000

brasileira.

títulos

catalogação.

de
Até

Esta

livros
o

coleção
doados

mo mento

foi

possui

e

está

a p r o x i ma d a m e n t e
em

possível

processo

observar

de

grande

n ú me r o d e o b r a s s o b r e e d u c a ç ã o ( p s i c o l o g i a , p e d a g o g i a , t e s t e s
d e Q I ) , b e m c o m o s o b r e h i s t ó r i a d o B r a s i l , e c o n o mi a d o mé s t i c a
e literatura brasileira.

Coleção

Centro

de

Pesquisa

e

Docu mentaçã o

Social

(CPDS)

Esta coleção constitui-se de doações avulsas nas várias
á r e a s d o c o n h e c i me n t o . A t u a l m e n t e t e mo s c e r c a d e 2 . 0 0 0 t í t u l o s
d e l i v r o s c a t a l o g a d o s . N e s t a c o l e ç ã o t a mb é m s ã o e n c o n t r a d a s
obras raras e espe ciais sobre diversos te mas.

Organização

e

a c o n d i c i o n a me n t o ,

t r a t a me n t o

da

i n f o r ma ç ã o ,

divulgação, preservação e acesso:

O r g a n i z a ç ã o e a c o n d i c i o n a me n t o :

C o n f o r me r e c o m e n d a ç ã o d a S e ç ã o d e P r e s e r v a ç ã o d o A E L ,
a s o b r a s n ã o r e c e b e m c a r i mb o s o u q u a l q u e r a n o t a ç ã o f e i t a à
tinta,

utilizando-se

o

lápis

6B

para

as

anotações

de

c l a s s i f i c a ç ã o , t o mb o e o u t r a s q u e p o r v e n t u r a s e ja m n e c e s s á r i a s .

�Considerando-se que cada ite m integrante de u ma coleçã o
o u f u n d o é a e xt e n s ã o d a m e m ó r i a , p r o d u t o d e a c u mu l a ç ã o o u
s u b t r a ç ã o d e e xp e r i ê n c i a s e i d é i a s d e s e u d o n o , p o s s u i n d o
características

próprias

e

únicas,

fazendo

mais

sentido

se

integrada na coleção ou fundo arquivístico, para a guarda da
o b r a s ã o o b s e r v a d a s e s t a s q u e s t õ e s , a l é m, o b v i a me n t e , d a
classificação e cutter dentro de cada coleção ou fundo.

Utiliza-se

um

ar mário

deslizante

para

acondicionar

o

acervo. São confecci onadas cai xas para acondi ci onar as obras
raras.

T r a t a me n t o d a I n f o r m a ç ã o :

O

AEL

segue

as

reco men daçõ es

do

SBU

para

a

catalogação das obras, sendo: uso do Código de Catalogação
Anglo-Americano, 2ª ed., adoção da Classificação Deci mal de
D e we y p a r a c l a s s i f i c a ç ã o e d a T a b e l a C u t t e r p a r a d e f i n i r a
notação da autoria. O vo cabulário controlado da FGV ta mbé m é
adotado para assunto e autoridade.

Para a catalogação das obras raras é utilizado o Código de
C a t a l o g a ç ã o A n g l o - A me r i c a n o , 2 ª e d . , c o m n o t a s d e s c r i t i v a s ,
notas

de

preservação

e

reformatação

e

ter mo s

relatores,

c o mp l e m e n t a d o p e l o s m a n u a i s D C R B  D e s c r i p t i v e C a t a l o g i n g
of Rare Books (1991), Descriptive Cataloging of 19 th. Century
Books.

�Levando-se em conta a constituição do acervo e o perfil
dos pesquisadores do AEL, conclui-se que as obras deveria m
ter

seus

assuntos

descritos

na

catalogação

de

ma n e i r a

aprofundada, o que tem trazido eficiência na busca das obras do
a c e r v o . D e s c r e v e m o s e m c a m p o a p r o p r i a d o , t a mb é m , a s n o t a s
manus critas ou qualquer ou tra p articularidade observada na
obra.

Divulgação:

A s o b r a s c a t a l o g a d a s f i c a m v i s í v e i s n a we b , u s a n d o a b a s e
Virtua, pela interface Cha meleon.

D i s p o mo s

ainda

do

Cadernos

AEL

(publicação

para

d i v u l g a ç ã o d e e s t u d o s r e a l i z a d o s a p a r t i r d o s t e ma s a b r a n g i d o s
pelo

acervo

do

AEL)

e

e s p o r a d i c a me n t e

da

publicação

de

repertórios/catálogos das coleções e fundos.

A i n d a p r e t e n d e mo s r e a l i z a r e x p o s i ç õ e s t e m á t i c a d e o b r a s
d o a c e r v o , p o r é m , a t u a l m e n t e n ã o d i s p o mo s d e e s p a ç o f í s i c o
para isso.

Preservação:

�O a mb i e n t e d o a c e r v o é c l i ma t i z a d o , s e n d o a t e mp e r a t u r a
e

u mi d a d e

do

ar

mo n i t o r a d a s

pela

Seção

de

Preservação

através de equi pa mento espe ci al i zados.

O AEL adot a roti nas de hi gi eni zação e conservação, be m
c o mo o u s o d e m a t e r i a i s a d e q u a d o s a c a d a o b r a , c o n f e c ç ã o d e
invólucros e uso de mobiliários especiais para cada caso.

Acesso:

Caracterizado

co mo

instituição

de

preservação

da

m e m ó r i a , o A E L a d o t a o s i s t e ma d e a c e r v o f e c h a d o , p o r é m
qualquer pessoa pode pesquisar seu acervo utilizando-se da
b u s c a n o C h a m e l e o n , v i a we b , e a e s t r u t u r a f í s i c a n a S a l a d e
Pesquisa para consulta da obra.

O e mp r é s t i mo d o mi c i l i a r d a s o b r a s n ã o é p e r m i t i d o , b e m
c o mo c ó p i a s e l e t r o s t á t i c a s , v i s a n d o a c o n s e r v a ç ã o d o a c e r v o .
Em

alguns

casos

é

p e r mi t i d a

a

reprodução

por

processo

fotográfico, porém para isso é necessária autorização.

Considerações finais:

Com

o

aperfeiçoa mento

b i b l i o t e c o n ô mi c a s ,

a

e

qualidade

mode rnização
do

das

t r a t a me n t o

práticas
dado

à

i n f o r ma ç ã o , a f a c i l i t a ç ã o d o a c e s s o à s c o l e ç õ e s e f u n d o s e a
divulgação

dos

ma t e r i a i s ,

resultaram

no

interesse

da

�c o mu n i d a d e e m e f e t u a r n o v a s d o a ç õ e s d e a c e r v o s a o A E L . O
c o n ju n t o d e s t e s f a t o r e s r e s u l t a n o o f e r e c i me n t o d e s u b s í d i o s à s
pesquisas e produ ção do conheci me nto à co munidade na cional e
estrangeira.

Referênci as bi bl i ográfi cas:

BELLOTTO,

Heloisa

Liberalli.

pe rmanentes:

Ar q u i v o s

t r a t a me n t o d o c u m e n t a l . S ã o P a u l o : T . A . Q u e i r o z , 1 9 9 1 . 1 9 8 p .

LIBRARY OF CONGRESS ( EUA).
rare

books.

2.ed.

W ashington,

Descripti ve catalogi ng of
D.C.,

1991.

h t t p : / / w w w . i t s m a r c . c o m / c r s / r a r e 0 1 7 0 . h t m.

Disponível
Acesso

e m:
em

28/07/2006.

MIRANDA, Vâ nia R. P. de Reno vaçã o das práticas no trata men to
arquivístico

do

Arquivo

Edgard

Leuenroth.

In:

Encont ro

de

Arq ui vos Cie ntíficos, 1, Ri o de Ja nei ro: Fundação Casa de Rui
B a r b o s a e M u s e u d e A s t r o n o mi a e C i ê n c i a s A f i n s , 2 0 0 3 .

P I N H E I R O , A n a V i r g í n i a . Q u e é l i v r o r a r o ? : u ma me t o d o l o g i a
para o estabel eci mento de cri téri os de rari dade bi bl i ográfi ca.
Rio de Janeiro: Presença; Brasília: INL, 1989.

S E G N O R E L L I , M a r i a H e l e n a . R e d e f i n i n d o o t r a t a me n t o t é c n i c o
d o s a c e r v o s d e l i v r o s d a s c o l e ç õ e s e s p e c i a i s d o A E L / U n i c a mp .

�In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BI BL IOTECAS UNI VERSITÁRI AS,
1 3 . , 2 0 0 4 , N a t a l . An a i s . . . N a t a l : U F R N , 2 0 0 4 .

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O presente trabalho apresenta as coleções especiais de livros catalogados que formam as bibliotecas particulares de renomadas personalidades na área de ciências sociais, tais como: Luiz Carlos Prestes, Octávio Brandão, entre outros. Ainda são relatadas a: organização, processamento técnico, armazenamento e acesso às coleções, divulgação, inclusive das obras raras, e oferecimento de subsídios às pesquisas à comunidade acadêmica.</text>
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                    <text>APRESENTAÇÃO DE RESUMOS: Norma Brasileira Registrada 60281

Maria do Rosário Guimarães Almeida2
Maria Rosivalda da Silva Pereira3

RESUMO
Resumo como forma de comunicação da produção científica. Abordam-se, para
tanto, aspectos conceituais, estilo e redação para elaboração de resumos. Seguese a Norma Brasileira Registrada 6028 da Associação Brasileira de Normas
Técnicas (ABNT) para o desenvolvimento de resumo, enquanto fonte primordial
de informação.
Palavras-chave: Resumo. Comunicação científica. Fonte de informação.
ABSTRACT
The scientific production using abstracts as a means of communication. The
instruction of concepts, types, style and editing are presented for the elaboration of
abstracts following the 6028 Registred Brazilian Norms from Brazilian Association
of Technical Norms for the development of the abstract a source of information.
Key words: Abstract. Scientific communication. Source information.

1 INTRODUÇÃO

O resumo é um instrumento de trabalho acadêmico muito utilizado
por alunos, professores, pesquisadores, bibliotecários e todos os profissionais que
trabalham com localização e obtenção de informações.
Por ter o resumo grande importância para a comunicação científica,
é necessário que cumpra o papel de comunicador, de apresentador de uma
Artigo originalmente publicado no periódico Cadernos de Pesquisa, São Luís, v. 13, n. 1,
p.9-13, jan./jun. 2002.
2
Doutora em Ciência da Informação. Professora de Metodologia da Pesquisa Cientifica
das Faculdades São Luís/ Unidade de Ensino Superior Dom Bosco/Santa Teresinha/
prof. convidado do Mestrado em Ciência da Saúde da UFMA mrga@elo.com.br
3
Bibliotecária do Núcleo Integrado de Bibliotecas da Universidade Federal do Maranhão.
rosispereira@yahoo.com
1

�informação que nem sempre está próxima, mas que é procurada. Assim, para se
elaborar um resumo, é necessária a atenção para a sua estrutura e para detalhes
que o tornam um texto claro e objetivo, cumprindo, então, a sua função
comunicativa.

2 RESUMO: abordagem conceitual

Conceituar algo é sempre uma tarefa difícil e com o resumo não é
diferente. Cada autor, cada professor, cada pesquisador tem uma forma e uma
finalidade diferente para o resumo.
Então, o resumo assume forma, característica e importância a partir
do objetivo de uso, e seu conceito segue o mesmo princípio.
Para Medeiros (2000, p.123), o resumo “[...] é uma apresentação
sintética e seletiva das idéias de um texto, ressaltando a progressão e a
articulação delas”. Nesse conceito, o autor busca abranger o resumo de forma
geral, independente do uso que se vai fazer dele, não se prendendo ao tipo de
resumo nem à sua utilidade, mas à sua característica maior que é a de
compreender o texto lido.
O resumo é um novo texto que representa a proposta inicial do autor
do texto original (aquele que foi resumido), mas que demonstra o entendimento
do leitor sobre o material lido e entendido, ou como diz Lancaster (1993, p.88), o
resumo é “[...] uma representação sucinta, porém exata, do conteúdo de um
documento”. Isso aponta para a necessidade de o resumo ser uma representação
fiel ao texto original, pois o recria a partir do entendimento do leitor, sem esquecer
o propósito do autor.

�3 TIPOS DE RESUMO
O resumo pode ser de diversos tipos e, de acordo com o objetivo a
que se propõe, assume estruturas diferenciadas. O resumo de um artigo de
periódico, certamente, será diferente do apresentado à comissão editorial de um
congresso que pede somente o resumo do trabalho, que será avaliado
exclusivamente pelo conteúdo ali descrito.
De acordo com a NBR 6028 da Associação Brasileira de Normas
Técnica (2003, p. 1) apresentam-se três tipos de resumos, a saber:
a) Resumo

indicativo:

não

apresenta

dados

quantitativos

ou

qualitativos do trabalho, enfocando apenas as principais partes do
texto, os pontos mais relevantes do texto, tais como: importância,
finalidade, descritores do conteúdo formando frases e não itens
soltos sem elo. Deve ter no máximo 250 palavras.
PEREIRA, Maria Rosivalda da Silva. Publicações eletrônicas. 1999. 67f.
Monografia (Curso de Biblioteconomia) - Universidade Federal do
Maranhão, São Luís, 1999.
Publicações eletrônicas no âmbito da comunicação científica. Revisão de
literatura dos aspectos históricos e conceituais das publicações eletrônicas.
Abordam-se os diferentes tipos de publicações eletrônicas, destacando as
iniciativas pioneiras no âmbito internacional e brasileira e suas diferenciações.
Destacam-se ainda as vantagens e desvantagens da publicação eletrônica na
comunicação científica, tanto para os editores como para os usuários desse
tipo de publicação. Conclui-se o trabalho com as discussões atuais sobre
publicação eletrônica, direito autoral dessas publicações e autoridade para
publicá-las e divulgá-las.
Palavras-chave: Publicações eletrônicas. Comunicação cientifica. Direito
autoral.

b) Resumo informativo: é mais completo, pois fornece informações
sobre a finalidade, metodologia, os resultados e conclusões do
texto. Sua extensão pode estender-se até a 500 palavras.

ALMEIDA, Maria do Rosário Guimarães et al. Gerenciamento da Literatura
Cinzenta para construção de uma base de dados da Universidade

�Federal do Maranhão – UFMA e Universidade Estadual do Maranhão –
UEMA. São Luís, 2003.
Recuperação da Literatura Cinzenta na Universidade Federal do Maranhão
(UFMA) e na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Sabe-se que a
Literatura Cinzenta contém informação de grande importância para um
número considerável de usuários. Constata-se que o volume do material
científico coberto atualmente por esse tipo de literatura escapa aos circuitos
editoriais, e representa uma fonte extraordinária de riqueza de informações
inéditas. Classifica-se a pesquisa em três etapas: a primeira etapa é a
descritiva e tem por objetivo fazer um levantamento das teses e dissertações
dos professores e técnicos das universidades – UFMA e UEMA. Na segunda
etapa será realizada análise e digitação das variáveis: instituição, autor, título,
orientador, biblioteca, área, resumo e palavras chave, para fins de alimentação
da base de dados. A terceira visa a digitalização eletrônica do Projeto de
Bibliotecas Digitais em Universidades: um serviço para disponibilidade e
acessibilidade de teses /dissertações produzidas na UFMA e poder ser
acessado pelo Sistema de Literatura Cinzenta na Europa (SIGLE), Centro de
Informação para América Latina e Caribe (BIREME) e o Instituto Brasileiro de
Informação Cientifica e Tecnológica (IBICT) e a Networked Digital Library of
Thesis and Dissertations (NDLTD), dos documentos cinzentos (teses e
dissertações) indexados ou por indexar na UFMA e na UEMA que possibilite a
identificação dos produtores; estabelecer normas e padrões técnicos para o
controle, a divulgação e a transferência de informação cinzenta. Encontram-se
digitadas 78% (setenta e oito) dissertações e 15% (quinze) teses referentes
as áreas de: Ciências Humanas, Ciências da Saúde, Engenharias, Ciências
Exatas e da Terra, Ciências Biológicas, Ciências Agrárias Sociais Aplicadas,
Lingüística, Letras e Arte, correspondente , 27,27% do número total de
documentos cinzentos levantados na listagem disponibilizada pelo
Processamento Técnico da UFMA. Através da análise dos dados, verifica-se
que a área de maior registro de documentos é a de Ciências da Saúde com
39,29%. Contudo a que possui maior quantidade de Literatura Cinzenta
digitada é a de Engenharia com 9,92% dos documentos digitados. Identificouse que 100% dos documentos coletados encontram-se no suporte papel.
Palavras-chave: Literatura Cinzenta. Projeto de Pesquisa. Universidade
Federal do Maranhão. Universidade Estadual do Maranhão.

c) Resumo crítico: redigido por especialista no tema, é colocada a
interpretação dada ao texto analisado. Por ter uma característica de
análise, não se prende à quantidades de palavras. Também
chamado de resenha. Quando analisa apenas uma determinada
edição entre várias se denomina recensão. (ABNT, 2003). Os
resumos críticos, também chamados de resenhas, elaborados por
especialistas, com análise crítica de um documento na área em
questão, têm como objetivo divulgar aquela obra em algum periódico
técnico-científico, ou jornais de grande circulação. Nesse caso, o

�autor da resenha emite um parecer especializado sobre o assunto,
apresenta os capítulos que compõem a obra em análise e seu autor.

4 FINALIDADE DO RESUMO

O resumo pode ser considerado um texto intermediário que liga o
leitor ao texto original, e, por sua vez, representa o conteúdo informacional do
documento, servindo de apoio à sua escolha. Sua principal finalidade de um
resumo é anunciar uma informação vindoura. É dar uma visão global da idéia, dos
argumentos desenvolvidos pelo autor no texto.
O resumo das publicações técnico-científicas auxilia a divulgação do
documento, visto que é a chave de recuperação de informação em bases de
dados. Além disso, auxilia a elaboração da pesquisa bibliográfica no momento da
identificação das fontes de informação e é decisiva na escolha ou não de
determinado texto.
Com a tecnologia da Internet que tem viabilizado a comunicação
científica e tem sido um espaço de divulgação ágil, observa-se que os
instrumentos de busca mais amplos realizam suas pesquisas nas primeiras frases
do texto, que nem sempre são bem estruturadas e representam o conteúdo de
forma fiel. Assim, o resumo, se elaborado de forma correta e representativa, tem
maior possibilidade de divulgação e ainda será útil à pesquisa realizada em meios
eletrônicos (Internet).
Além disso, o resumo deve ser escrito de acordo com seu objetivo.
No caso de resumo de um artigo de periódico, assim como de monografias e
outros trabalhos que não precisam necessariamente de um resumo mais
abrangente, sugere-se que esses resumos informem o tema central de que trata o
texto. Esse tipo de resumo não precisa, necessariamente, apresentar todos os
itens e nem os resultados alcançados com o trabalho, mas informar quais os
aspectos abordados.

�Quando apresentados em dissertações e teses, os resumos, pela
própria natureza do trabalho, requerem uma elaboração mais abrangente que
inclua, além dos principais aspectos abordados no texto, o tema, o problema, a
metodologia, os resultados e a conclusão.
Já os resumos elaborados com a finalidade de inscrição de um
trabalho, em um congresso, além de seguirem as regras de apresentação do
próprio congresso, devem descrever os aspectos gerais do trabalho, a
metodologia

e

os

resultados,

mesmo

que

parciais,

encontrados

no

desenvolvimento do estudo, ou, caso ainda não esteja nesse nível de
detalhamento, que se apresentem os objetivos, as hipóteses e a metodologia. É
bastante semelhante ao resumo das dissertações e teses.
Os resumos críticos, também chamados de resenhas, elaborados
por especialistas, com análise crítica de um documento na área em questão, têm
como objetivo divulgar aquela obra em algum periódico técnico-científico, ou
jornais de grande circulação. Nesse caso, o autor da resenha emite um parecer
especializado sobre o assunto, apresenta os capítulos que compõem a obra em
análise e seu autor. Ressalta-se que os resumos são denominados de recensão
quando analisa apenas uma edição entre várias.
Como importância da leitura e divulgação da resenha, pode-se
atribuir a atualização profissional, visto que, com a velocidade vertiginosa com
que são publicadas as informações, fazem-se necessários alguns mecanismos de
identificação das fontes de informação interessantes para o pesquisador.
Assim, as resenhas podem ser excelentes fontes de informação
primária, em que se identifica a estrutura do assunto e a forma em que é
abordado em determinada publicação. É por isso mesmo, uma fonte de
informação de valor inestimável pela qualidade de informações que divulga.
Quando publicada em uma revista especializada, uma resenha,
embora tenha menos divulgação, certamente terá mais rigor científico que uma
publicada em um jornal diário, para os quais não se sabem os critérios de
aceitação dos artigos publicados, ao passo que as revistas científicas,

�geralmente, têm um conselho editorial que permite maior confiabilidade e
veracidade dos dados ali publicados.

5 CARACTERÍSTICAS DE UM RESUMO

De acordo com Vigner (1979, apud LIMA, 1994, p.6) um bom
resumo deve atender aos seguintes princípios:
a) princípio da fidelidade: ser fiel ao texto fonte, mesmo sendo o
resumo um novo texto; não se deve esquecer sua origem;
b) princípio da exaustividade ou da relevância: não omitir nenhum
aspecto relevante do texto e retirar tudo o que não seja
imprescindível;
c) princípio da objetividade: não emitir julgamento de valor, pois em um
resumo não cabem comentários paralelos;
d) princípio da sistematicidade: deve seguir regras que tornem o texto
coerente;
e) princípio da mensurabilidade: deve ser mensurável em temos
quantitativos de coerência e compreensão, ou seja, pode-se medir
sua qualidade através do entretenimento do resumo e de sua
relação com o texto original.

6 REDAÇÃO DO RESUMO

�Ao resumir-se um texto, faz-se necessária a ampla compreensão do
texto original, que será resumido e, ainda, da estrutura da Língua em que o texto
original está escrito e daquela em que se vai elaborar o resumo.
Por isso, o resumo deve ser redigido em uma seqüência lógica, de
acordo

com

o

texto

original,

com

frases

concisas

e

significativas,

preferencialmente com os verbos na voz ativa e na terceira pessoa do singular.
Essa seqüência pode não ser a mesma do texto original, que está sendo
resumido, desde que isso não prejudique a sua compreensão e a relação com o
texto resumido.
O objetivo, o método, os resultados e conclusões do trabalho devem
ser ressaltados, sem discussão, apenas apontando o que será encontrado no
texto original. Sua extensão se define pelo tipo de resumo escolhido.
Deve-se indicar, no resumo, após a primeira frase, o tipo de trabalho
que se apresenta: memória científica, estudo de caso, análise de situação,
pesquisa experimental, de campo, pesquisa-ação, dentre os mais diversos tipos
de pesquisa e estudos que se podem realizar no desenvolvimento da literatura
científica.
Assim, o resumo não deve constituir-se dos parágrafos da
introdução. Deve ser um novo texto, que anuncia um novo conteúdo construído e
que se pretende anunciar através dele, não o tornando repetitivo em relação ao
texto, mas seu próprio arauto. O título, síntese maior do texto escrito, não deve
ser a primeira frase do resumo visto que já é precedido na referência do trabalho.
Por esse motivo, a primeira frase do resumo deve diferir do título para não se
tornar redundante, mas deve ser uma frase significativa, explicando o tema
principal do documento.
Deve ser evitado o uso de parágrafos assim como a enumeração de
tópicos, a citação de equações, de fórmulas, de diagramas que não sejam
absolutamente indispensáveis ao entendimento do resumo, devem ser definidas
tão logo apareçam pela primeira vez. As frases negativas também devem ser

�evitadas, mesmo contradizendo uma teoria científica anterior, vem sempre como
a afirmação de algo.
Os símbolos e abreviaturas poderão ser utilizados quando forem de
domínio público, se não é preferível utilizá-los por extenso, atentando sempre
para que o texto não se torne confuso e incoerente.

7 CONCLUSÃO

O exercício constante da elaboração de resumos aprimora, além da
capacidade redacional (da escrita), a capacidade de leitura e compreensão. Para
se redigir um bom resumo, é necessário que o documento original tenha sido lido
na íntegra e plenamente compreendido pelo leitor, a fim de que, no momento da
escrita, haja a fidelidade ao escrito original e à coerência lógica de um novo texto.
O resumo deve, acima de tudo, comunicar o texto ao qual ele se
refere, informando a abordagem e as teorias desenvolvidas ao longo do texto
original.
Na elaboração do resumo, deve-se atentar para que ele seja a carta
de apresentação do texto e, portanto, deve ser bem elaborado e retratar
fidedignamente o conteúdo ali resumido. O resumo é decisivo no momento de
escolher ou não a leitura do texto integral, sua consulta à base de dados ou a
outras fontes de informação secundária.

REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6028: apresentação
de resumos: procedimento. Rio de Janeiro, 2003.
GONÇALVES, Hortência de Abreu. Manual de resumos e comunicações
cientificas. São Paulo; AVERCAMP, 2005

�LAKATOS, Eva Maria, MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia do trabalho
científico: procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica, projeto e relatório e
publicações e trabalhos científicos. 6. ed. rev. ampl. São Paulo: Atlas, 2001
LANCASTER, Frederic Wilfrid. Indexação e resumos. Brasília: Briquet de Lemos,
1993.
LIMA, Renira Lisboa de Moura. Como se faz um resumo. Maceió: Edufal, 1994.
MEDEIROS, João Bosco Redação científica: a prática de fichamentos, resumos,
resenhas... 6.ed. São Paulo: Atlas, 2004.
SALOMON, Délcio Vieira. Como fazer uma monografia. 10.ed. São Paulo:
Martins Fontes, 2001.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ. Sistema de Bibliotecas. Normas para
apresentação de documentos científicos. 2.ed. Curitiba: UFPR, 2000. v. 10.

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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Resumo como forma de comunicação da produção científica. Abordam-se, para tanto, aspectos conceituais, estilo e redação para elaboração de resumos. Segue-se a Norma Brasileira Registrada 6028 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para o desenvolvimento de resumo, enquanto fonte primordial de informação.</text>
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                    <text>APRIMORAMENTO DO TRATAMENTO TÉCNICO DAS COLEÇÕES CARTOGRÁFICAS
DA USP – PROJETO MAPEAR

Érica Beatriz Oliveira
Diretora, Serviço de Biblioteca e Documentação, Instituto de Geociências - USP,
Rua do Lago 562,
05508-080 - Cid. Universitária, São Paulo, SP - BRASIL
moreschi@usp.br
Adriana Domingos Santos
Bibliotecária, Sistema Integrado de Bibliotecas - USP,
Av. Prof. Luciano Gualberto, Trav.J, 374 - 1º andar
05508-010 - Cid. Universitária, São Paulo, SP - BRASIL
adrianads@sibi.usp.br
Maria Imaculada da Conceição
Bibliotecária, Serviço de Biblioteca e Documentação, Faculdade de Filosofia, Letras e
Ciências Humanas - USP,
Av. Prof. Lineu Prestes, Trav. 12, 350
05508-000 - Cid. Universitária, São Paulo, SP - BRASIL
imak@usp.br
Nelci Ramos Águila
Bibliotecária, Biblioteca, Instituto Oceanográfico - USP,
Praça do Oceanográfico 191
05508-120 - Cid. Universitária, São Paulo, SP - BRASIL
nraguila@usp.br
Sandra Aparecida Marques dos Santos
Diretora, Serviço de Biblioteca e Documentação, Instituto de Astronomia, Geofísica e
Ciências Atmosféricas - USP,
Rua do Matão, 1226
05508-090 - Cid. Universitária, São Paulo, SP - BRASIL
sandraam@adm.iag.usp.br
Virgínia Castilho
Diretora, Biblioteca, Centro de Biologia Marinha - USP, Rodovia Manoel Hipólito do
Rêgo, km 131,5 - Praia do Cabelo Gordo 11600-000 - São Sebastião, SP - BRASIL
bibcebimar@edu.usp.br

�APRIMORAMENTO DO TRATAMENTO TÉCNICO DAS COLEÇÕES CARTOGRÁFICAS
DA USP – PROJETO MAPEAR

Resumo: A partir das necessidades específicas das bibliotecas que desenvolveram
bases locais para o cadastramento e recuperação de material cartográfico, como a
FFLCH, IAG, IO e EESC e do planejamento estratégico do Sistema Integrado de
Bibliotecas da Universidade de São Paulo (SIBi/USP), definiu-se um projeto para
aprimorar a catalogação e indexação do material cartográfico existente e migrar as
bases locais para o Banco de Dados Bibliográficos da USP - Dedalus. O projeto foi
dividido em duas etapas, iniciando com a análise das bases de dados locais que já
continham campos importantes para recuperação das informações do material
cartográfico e análise da literatura sobre tratamento técnico de cartografia e sobre
georeferenciamento. Em seguida, procedeu-se a análise do Formato MARC para
ampliar os campos anteriormente utilizados. O resultado dessa etapa foi uma nova
planilha para cadastramento de material cartográfico, atendendo as demandas
específicas. A segunda etapa foi a análise da correlação entre os campos das bases
locais e do Dedalus, desenvolvimento de uma metodologia para importação das
bases locais e a normalização dos termos utilizados para indexação de assuntos de
acordo com o Vocabulário Controlado USP. O projeto foi concluído com a migração
das bases locais para o Dedalus.

Palavras-chave: Tratamento da informação; Bases de dados; Recuperação da
informação; Formato MARC; Mapas

�1 INTRODUÇÃO

O Sistema Integrado de Bibliotecas da USP – SIBi/USP – criado pela Resolução
2.226 de 08/07/1981, tem como missão “promover o acesso à informação, por meio
de programas cooperativos e de racionalização, com o estabelecimento de políticas,
compartilhamento de recursos e normalização de procedimentos, no âmbito das
bibliotecas da USP (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 2001). Nesse contexto, é de
extrema importância a automação das informações bibliográficas dos acervos de
suas bibliotecas, de forma sistêmica, ação consolidada através da criação do Banco
de Dados Bibliográficos da USP - DEDALUS.

O DEDALUS foi implementado em 1985, inicialmente desenvolvido em sistema ”inhouse”, com gerenciamento centralizado em equipamento Unysis (PASQUARELLI et
al., 1989).

Em 1997, o Banco foi implementado em plataforma UNIX e software Aleph-300 da
empresa israelense Ex Libris. Entre os módulos adquiridos estão incluídos o de
catalogação (Cataloguing) e o de recuperação da informação (OPAC).

O Banco DEDALUS se divide em 4 bases (Livros e Outros Materiais, Seriados,
Produção USP e Teses USP) e contém atualmente mais de 2.042.939 registros,
sendo que a base de Livros e outros materiais contém mais de 865.386 títulos
(BOLETIM, 2005).

A base de “Livros e Outros Materiais” utiliza o formato MARC para a catalogação dos
registros. O conteúdo desta base inicialmente era formado somente por livros, tanto
que era denominada de “Monografias”. Com o tempo, a necessidade de catalogar
materiais diferentes de livros fez com que fossem criadas planilhas para tipos de
materiais específicos, entre eles, materiais cartográficos.

�A catalogação de material cartográfico no Banco iniciou-se apenas no final de 2004;
até dezembro de 2005, havia cadastrados no Dedalus apenas 1030 títulos de
material cartográfico. O número de títulos cadastrado, considerado pequeno, era
reflexo das dificuldades encontradas pelas bibliotecas em incluí-lo no Banco, sendo
um dos problemas o fato da planilha de cadastramento não contemplar todos os
campos necessários para recuperação de informações consideradas essenciais. As
bibliotecas que possuíam este tipo de material continuaram a manter bases locais
para cadastramento e recuperação das informações do material cartográfico.

Diante deste problema, no Planejamento Estratégico do SIBi/USP para 2005, foi
proposto

o desenvolvimento de um projeto para aprimorar a catalogação e

indexação do material cartográfico existente nos acervos das bibliotecas do
SIBi/USP, tendo em vista a definição de uma metodologia que atenda a demanda de
recuperação das informações deste material e que possa ser utilizada por todas as
bibliotecas do SIBi/USP.

Assim, em junho de 2005 foi instituído o grupo de trabalho Aprimoramento do
Tratamento Técnico das Coleções Cartográficas da USP – Projeto MAPEAR.

2 EMBASAMENTO TEÓRICO

Desde a Antiguidade a humanidade tem a necessidade de registrar locais e acessos
de interesse para a ocupação e sobrevivência. Assim, surgiram no Oriente, os
primeiros mapas, ainda esboços simplificados, no Egito, Assíria, Fenícia e China.

A Associação Cartográfica Internacional (citado por SANTOS; SILVA, s.d.), define a
cartografia como:
O conjunto dos estudos e das operações científicas,
artísticas e técnicas que intervêm a partir dos resultados
de observações diretas ou da exploração de uma
documentação, em vista da elaboração e do

�estabelecimento de mapas, planos e outros modos de
expressão, assim como de sua utilização.

Há uma tendência de se utilizar os termos “Mapas” e “Cartas” na designação do
material, pois não apresentam uma diferença rígida. Perrota (1991, p. 77) esclarece
que:
Pode-se chamar de mapa a carta geográfica em escala
pequena, cobrindo um território mais ou menos extenso,
representando a superfície da terra nos seus aspectos
físicos e culturais e que se destina a fins culturais ou
ilustrativos, não tendo portanto caráter científico. A
“carta” é a representação dos aspectos naturais ou
artificiais da terra, similar ao “mapa”, mas de caráter
especializado,
constituída
com
uma
finalidade
específica, e geralmente em escala grande.

Os mapas podem ser de diversos tipos, de acordo com a finalidade que foram
preparados e o público a que se destinam; Santos e Silva (s.d.) os dividem em:

-

mapas gerais: atende a um grande número de usuários, geralmente são
mapas de orientação ou informações generalizadas, mas insuficientes para
muitas ou determinadas necessidades;

-

mapas especiais: destinados para um grupo específico de usuários, uma faixa
técnica/científica, está voltado quase sempre a fatos, dados ou fenômenos
específicos, tendo que se fixar nos objetivos do assunto ou atividade a que
está ligado, não sendo útil para outras áreas;

-

mapas temáticos: são aqueles mapas representados através de um fundo
geográfico básico, em quaisquer escalas, visando o estudo, análise e
pesquisa; representam fenômenos geográficos, demográficos, econômicos,
etc.

�Com a reputação de ser um material difícil de catalogar, mapas têm o formato com o
qual a maiorias dos bibliotecários não quer trabalhar e muitas vezes requerem
também conhecimentos e habilidades adicionais na área de Geografia e Cartografia,
além de que os livros são considerados prioridade na maioria das vezes. A descrição
bibliográfica de um mapa é muito específica, pois combina características de livros e
imagens (TENNER; WEIMER, 1998). As informações catalográficas não ficam em
locais específicos (como a página de rosto nas monografias), mas dispersos pelo
documento. Segundo Bastos (1978, p. 48), o “mapa, todo ele é uma página de rosto,
pois os dados estão impressos fora da área ocupada pelo desenho, distribuídos
pelos espaços vazios”.

Ao contrário dos livros, o ponto de acesso mais significativo para o mapa é a área
geográfica abrangida, o que implica que além da autoria, título e imprenta, outros
dados devem ser observados no momento da descrição: escala, coordenadas
geográficas, nomenclatura, datas de fotografias aéreas, reambulação e/ou trabalhos
de campo, articulação da folha; a área de notas em um registro bibliográfico de
mapas deve incluir todas as informações adicionais que o catalogador considerar
como ajuda para identificar o mapa.

A escala dá ao usuário a noção do tamanho relativo e o nível de detalhes que ele
encontra no mapa. A projeção refere-se ao sistema usado para representar
informações sobre a superfície esférica da terra em uma superfície plana e as
coordenadas são grades de linhas geográficas usadas para determinar com precisão
localizações na Terra (MOORE; HALL, 2001).

Segundo Bastos (1978, p.30), mapas modernos são o resultado de várias etapas,
executadas por uma equipe de profissionais, pertencentes a uma instituição oficial ou
empresa especializada, aparecendo o cartógrafo-chefe, como responsável pelos
trabalhos em seu setor.

�A questão das datas é outro ponto que merece destaque, pois existe a data de
publicação e a de reambulação. A data de reambulação geralmente é a mais
importante, pois se refere ao período de pesquisa e coleta de dados (Grandi et al.,
2004).

A importância de uma catalogação bem feita e mais completa possível, além de
facilitar a pesquisa pelos usuários, se deve a própria fragilidade física do mapa, que
usualmente se apresentam em formato grande (TENNER; WEIMER, 1998),
permitindo que a seleção correta do material seja feita no próprio catálogo, manual
ou on-line (BASTOS, 1978). Embora muitas instituições optem por um registro com
nível reduzido de informações é justamente o oposto que contribui para a sua
conservação e preservação, tendo em vista que o mapa é um material frágil e que
manuseio e armazenamento requerem maiores cuidados.

3 PROJETO MAPEAR

O Projeto MAPEAR tem como objetivo geral “Aprimorar o tratamento técnico das
coleções cartográficas das bibliotecas do SIBi/USP”.

Dentro dessa linha de atuação, o projeto pretende ainda atingir os seguintes
objetivos específicos:

-

Dimensionar e atender as demandas de recuperação das informações
contidas em diferentes tipos de materiais cartográficos;

-

Desenvolver uma metodologia comum para tratamento técnico destas
coleções, que possa ser utilizada nas bibliotecas do SIBi/USP;

-

Analisar a viabilidade de digitalizar os materiais cartográficos mais
representativos e/ou utilizados para cada biblioteca.

�Ao iniciarem as atividades, foram estabelecidas algumas premissas que nortearam o
desenvolvimento dos trabalhos:
•

Materiais

cartográficos

demandam

necessidades

especiais

para

sua

catalogação, armazenamento e manipulação;
•

a catalogação exige a descrição de informações específicas desse tipo de
material;

•

materiais cartográficos são documentos imprescindíveis para algumas áreas
do conhecimento;

•

o acervo de materiais cartográficos da USP deve ser catalogado de forma
sistêmica, utilizando o Banco de Dados Bibliográficos da USP – Dedalus;

•

o desenvolvimento de um banco de dados de georefenciamento comum, que
utilize dados já catalogados no Dedalus minimizará o trabalho das equipes
bibliotecárias do SIBi/USP e trará benefícios aos usuários que necessitam
deste tipo de informação.

O tratamento técnico de um material cartográfico é diferenciado de outros tipos de
documentos considerados mais tradicionais, como livros, periódicos e teses. Exige
uma descrição física e temática mais complexa e também mais completa para que o
manuseio do material seja o menor possível, pois são materiais cujo suporte muitas
vezes é frágil.

As informações disponíveis nos catálogos devem permitir aos usuários a seleção do
material desejado sem ter que manuseá-lo desnecessariamente, contribuindo para
sua preservação.

�Os materiais cartográficos são considerados “bibliografia básica” em diversos cursos
oferecidos pela Universidade, como Geografia, Geologia, Geofísica, Ciências
Ambientais, Astronomia, Oceanografia, entre outros.

Devido a sua importância, diversas bibliotecas da USP desenvolveram bases locais
para o cadastramento e recuperação desse material, como a FFLCH (9.104
registros), IAG (5.916 registros), IO (401 registros) e EESC (230). No entanto, de
forma geral esse material não foi cadastrado no Dedalus, com exceção de algumas
bibliotecas, como a do IGc que iniciou em 2004 o cadastramento dos mapas e, até
dezembro de 2005 havia inserido no Banco Dedalus 947 registros.

Diante dessa situação, as unidades que possuem esse tipo de material em seus
acervos sentiram a necessidade de aprimorar a catalogação e indexação deste tipo
de material. Este aprimoramento foi feito com base na análise das bases de dados
locais de material cartográfico (que já contêm campos importantes para recuperação
das informações destes materiais) e na análise da literatura disponível sobre
tratamento técnico de cartografia e sobre georeferenciamento. Pretende-se também
realizar uma análise do Formato MARC para ampliar os campos atualmente
utilizados.

Para atingir esse objetivo, o Grupo pretende:
•

Aprimorar a catalogação do material cartográfico no Dedalus;

•

exportar os registros de bases locais das bibliotecas do SIBi/USP para o
Dedalus;

•

elaborar uma base de dados comum a todas as bibliotecas da USP que
permita a realização de cálculos georeferenciados;

•

atualizar e complementar os descritores geográficos do SIBiX.

A execução das atividades previstas foi dividida em quatro etapas:

�Etapa 1
•

Análise dos campos necessários para a descrição dos materiais cartográficos
(tais como: escala, projeção, datum, coordenadas geográficas) e verificação
da existência ou não de campos ou subcampos correspondentes no Formato
MARC;

•

complementação

da

atual

planilha

para

cadastramento

de

material

cartográfico no Dedalus (ANEXO A);

•

identificação

dos campos para realização de busca pelos usuários e sua

existência ou não no Dedalus como ponto de acesso;

•

devido às características desse material sugere-se o desenvolvimento de
uma base específica no Dedalus para seu cadastramento (hoje os mapas são
cadastrados na base Livros e outros Materiais) e também de uma interface de
busca própria, o que facilitaria a pesquisa por parte dos usuários;

Etapa 2
•

Análise da correlação entre os campos das bases locais e os campos do
Dedalus;

•

desenvolvimento, junto com os analistas do DT/SIBi, de uma metodologia para
importar os registros das bases locais das bibliotecas da FFLCH e IO para o
Dedalus;

�•

normalização dos termos utilizados para indexação de assuntos de acordo
com o Vocabulário USP;

•

realização da importação dos dados;

-

verificação de quais registros das bases locais já estão cadastrados no
Dedalus, evitando-se duplicação na importação dos dados;

•

verificação da consistência dos dados importados e correção de possíveis
falhas, completando ou alterando dados .

Etapa 3
•

Análise

dos

campos,

linguagens

e

programas

necessários

para

o

desenvolvimento de um banco de dados que realize cálculos de coordenadas
geográficas, o que permitirá a recuperação através de um ponto geográfico
específico;
•

desenvolvimento de uma metodologia para exportação dos registros do
Dedalus para este banco de dados;

Etapa 4
•

Identificação dos materiais cartográficos mais representativos e/ou utilizados
para/por cada biblioteca participante do projeto;

•

verificação dos direitos autorais dos materiais selecionados como mais
representativos e /ou mais utilizados;

�•

análise da viabilidade de digitalizar estes materiais e a maneira de como
dispô-los em meio digital para o usuário;

•

proposição de integração das informações bibliográficas dos acervos
cartográficos do Estado de São Paulo e do estabelecimento de uma rede de
informações cartográficas.

Os trabalhos do Projeto iniciaram-se em junho de 2005, e até o presente momento
foram finalizadas as etapas 1 e 2. Foram importados para o Dedalus os registros
constantes das bases internas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências
Humanas (4.500 registros) e do Instituto Oceanográfico (400 registros), além da
continuação do cadastramento por outras unidades, totalizando atualmente 7443
registros de mapas no Dedalus.
A partir de agosto de 2006, o grupo de trabalho do Projeto iniciará as fases 3 e 4,
com o objetivo de fornecer subsídios para a implementação de uma interface de
busca específica para material cartográfico, que preveja a realização de pesquisas
por

coordenadas

geográficas

além

dos

campos

mais

tradicionais

como

Nomenclatura e Escala, além de realizar estudos sobre a possibilidade de
digitalização de parte desse material para que os usuários possam ter acesso além
da informação, ao documento na íntegra.

4 Considerações Finais

O tratamento técnico de coleções cartográficas apresenta desafios aos bibliotecários
por não serem comuns a maioria dos acervos e por possuírem características
próprias desse tipo de informação.

�A inclusão desse material no Banco Dedalus era um desejo antigo das unidades da
USP que possuem material cartográfico nos acervos de suas bibliotecas, o que
facilita a busca e localização da informação pelos usuários.

A conclusão das primeiras etapas do projeto, com a importação dos registros, não
significa o término das atividades; as bibliotecas envolvidas nas atividades de Grupo
pretendem ainda finalizar a inclusão dos materiais de seus acervos e também
realizar a consistência dos dados.

No entanto, esse foi um passo importante não apenas pela inclusão desse material
no Dedalus, mas também pelo aprendizado proporcionado a todos os envolvidos.

Referências bibliográficas
BASTOS, Z. P. S. M. Organização de mapotecas. Rio de Janeiro : BNG/Brasilart,
1978
BOLETIM do Departamento Técnico do Sistema Integrado de Bibliotecas da
Universidade de São Paulo: 2004. São Paulo: SIBi/USP, 2005. p. 7.

PASQUARELLI, M. L. R. et al. A informação bibliográfica automatizada na USP:
uma política para sua implantação. Ciência da Informação, Brasília, v. 18, n. 1, p.
58-61, jan./jun. 1989.
PEROTTA, M. L. L. P. R. [Org.]
Multimeios: seleção, processamento,
armazenagem, empréstimo. Vitória: Fundação Ceciliano Abel de Almeida, 1991.
SANTOS, S. A.; SILVA, M. B. Mapas: tratamento técnico de materiais especiais.
Disponível em &lt;http://www.sibi.ufrj.br/snbu/snbu2002/oralpdf/111.a.pdf&gt; Acesso em:
23 jun 2006.
TENNER, E.; WEIMER, K. H. Reference service for maps: access and the catalog
record. Reference &amp; User Services Quarterly, v. 38, n. 2, p.181-186, 1998.

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Sistema Integrado de Bibliotecas. Missão. São
Paulo, 2001. Disponível: &lt;http://www.usp.br/sibi&gt;. Acesso em: 28 jun. 2005

�ANEXO A
Sugestão de formulário para cadastramento de material cartográfico no DEDALUS
Campos

Campos MARC

Nomenclatura:
Autor pessoal
Autor entidade
Título
Tipo de material
Subtítulo
Responsabilidade
Variação do título
Local
Entidade publicadora
Data de publicação
Aerofotografias:
Reambulação:
Restituição:
Quantidade (nº de folhas)
Tipo de impressão
Dimensão
Título da série
Volume da série
Escala
Projeção
Coordenadas geográficas
Tipo da escala
Escala
Longitude Oeste
Longitude Leste
Latitude Norte
Latitude Sul
Datum horizontal:
Datum Vertical:
Sistemas de
coordenadas
Meridiano central:
Articulação da folha:
Notas
Assunto
Autor secundário pessoal
Autor secundário
entidade
Informações
complementares

024a (indicadores 80)
100a, 100d, 1004
110a, 110b, 1104
245a
245h
245b
245c
246a
260a
260b
260c

300a
300b
300c
440a ou 490a
440v ou 490v
255a
255b
255c
034a
034b
034d
034e
034f
034g
342a (primeiro identificador 0)4
342a (primeiro identificador 1)
342a
342g
500
500
650-7 a
700a, 700d, 7004
710a, 710b, 7104
945a, 945b, 945c

Campo a ser
criado no
Formulário de
entrada de
dados

Campo
específicop
para
indexação
e busca
pelo
usuário
X
X
X
X
X

X (utilização do
campo
repetitivo para
as outras datas

X
X
X
X

X

X

X
X
X
X
X

X
X
X
X
X
X
X

X

X
X
X
X
X
X
X

��</text>
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                </elementTextContainer>
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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              <description>The topic of the resource</description>
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                <elementText elementTextId="51379">
                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Description</name>
              <description>An account of the resource</description>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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              <name>Creator</name>
              <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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                <elementText elementTextId="51381">
                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Publisher</name>
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                  <text>UFBA</text>
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            <element elementId="40">
              <name>Date</name>
              <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                  <text>2006</text>
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              <name>Language</name>
              <description>A language of the resource</description>
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                  <text>Português</text>
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              <name>Coverage</name>
              <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Aprimoramento do tratamento técnico das coleções cartográficas da USP- Projeto Mapear.</text>
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                <text>A partir das necessidades específicas das bibliotecas que desenvolveram bases locais para o cadastramento e recuperação de material cartográfico, como a FFLCH, IAG, IO e EESC e do planejamento estratégico do Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo (SIBi/USP), definiu-se um projeto para aprimorar a catalogação e indexação do material cartográfico existente e migrar as bases locais para o Banco de Dados Bibliográficos da USP - Dedalus. O projeto foi dividido em duas etapas, iniciando com a análise das bases de dados locais que já continham campos importantes para recuperação das informações do material cartográfico e análise da literatura sobre tratamento técnico de cartografia e sobre georeferenciamento. Em seguida, procedeu-se a análise do Formato MARC para ampliar os campos anteriormente utilizados. O resultado dessa etapa foi uma nova planilha para cadastramento de material cartográfico, atendendo as demandas específicas. A segunda etapa foi a análise da correlação entre os campos das bases locais e do Dedalus, desenvolvimento de uma metodologia para importação das bases locais e a normalização dos termos utilizados para indexação de assuntos de acordo com o Vocabulário Controlado USP. O projeto foi concluído com a migração das bases locais para o Dedalus.</text>
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                    <text>1

APRIMORANDO A INTERFACE COM O USUÁRIO PARA A ESCOLHA DE
BASE DE DADOS OU PERIÓDICOS NO PORTAL.periodicos.CAPES: UMA
PROPOSTA
Ana Cristina de Freitas Griebler*
Ana Maria Mattos**

RESUMO

As tecnologias da informação e comunicação determinaram profundas
transformações no modo pelo qual transitam, no meio acadêmico, as publicações e
outras modalidades de informações científicas. Com o desenvolvimento destas
tecnologias, os veículos utilizados pelos pesquisadores para a realização de suas
investigações passaram a ser bastante diversificados. O periódico publicado na forma
impressa passou a compartilhar seu espaço com o periódico disponibilizado por via
eletrônica. A grande quantidade de informações disponíveis trouxe dificuldades em
sua recuperação, tanto para os pesquisadores quanto para os bibliotecários,
suscitando dúvidas: Como aprimorar a interface disponibilizada ao usuário para a
escolha da base de dados a ser consultada? Em qual base de dados pode ser
encontrado o título do periódico desejado? Este título periódico é indexado em mais
de uma base? Este periódico está disponível em texto completo ou somente através
de seu resumo? Qual base de dados deve ser consultada sobre um tema específico?
Bibliotecários de universidades norte-americanas propuseram soluções para estes
problemas, visando facilitar e otimizar a busca destas informações e sua vinculação
com a coleção descrita nos catálogos das bibliotecas (Online Public Access
Catalogue – OPAC). O presente trabalho propõe a aplicação da proposta norteamericana, em uma versão adaptada à realidade brasileira para os usuários das
bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), possibilitando,
assim, uma melhor interação destes usuários com o Portal.periodicos da
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), com a
coleção de periódicos impressos, disponíveis no Sistema de Bibliotecas da UFRGS e
com os periódicos e bases de dados gratuitos, disponíveis na Internet.
Palavras-chave: Biblioteca universitária. Periódico eletrônico. Base de dados.
Pesquisa bibliográfica. Recuperação da informação.
*

Bibliotecária Mestre em Gerência da Informação pela North Carolina Central University, USA.
Desempenha suas atividades como Bibliotecária de Referência na Biblioteca Setorial da Escola
Técnica da UFRGS e como Professora Substituta do Curso Técnico em Biblioteconomia da
mesma Escola. Rua Ramiro Barcelos, 2777 – térreo. Porto Alegre – RS – Brasil. Fone: 0 xx 51
3316 5260. http://www.etcom.ufrgs.br. e-mail: agrieble@etcom.ufrgs.br.

**

Bibliotecária Especialista em Gestão Universitária pelo PPGA/UFRGS. Atuou na Biblioteca
Central da UFRGS entre 1991 e 2004 como Bibliotecária Chefe do Núcleo de Aquisição de
Material Bibliográfico. Atualmente desempenha suas atividades na Biblioteca Setorial da Escola
de Administração da UFRGS. Rua Washington Luiz, 855 – térreo. Porto Alegre – RS – Brasil.
Fone: 0 xx 51 3316 3842. http://www.ea.ufrgs.br/home.asp. e-mail: ammattos@ea.ufrgs.br.

�2

1 ORIGEM E PANORAMA ATUAL: NOVAS TECNOLOGIAS, NOVAS MÍDIAS

O periódico científico surgiu em Paris, no ano de 1665. O francês Denis de
Sallo editou o Journal de Sçavans que informava sobre livros publicados na
Europa, resumindo seus conteúdos, divulgando experiências em Física, Química
e Anatomia, entre outros assuntos. Logo em seguida, em março do mesmo ano,
um grupo de filósofos ingleses, ligados à Royal Society, edita o Philosophical
Transaction – periódico publicado regularmente, que se propunha a divulgar as
correspondências trocadas entre os membros da sociedade e seus colegas
europeus (MEADOWS, 1999). Passados mais de 300 anos do nascimento do
modelo tradicional do periódico científico, a evolução da ciência, o modelo de
promoção adotado nas carreiras universitárias e os critérios de concessão de
verbas para fomento à pesquisa incrementaram o crescimento exponencial da
publicação de revistas científicas, fazendo surgirem alguns problemas: (a) demora
na publicação do artigo; (b) alto custo de aquisição e manutenção das compras
destas publicações, impressas; e (c) ineficiência dos instrumentos de pesquisa
para a localização de um assunto, dentre as múltiplas opções de periódicos
publicados (MUELLER, 2000). Face a estes problemas práticos, foi iniciada a
busca de alternativas para solucionar estas dificuldades:
[...] o meio eletrônico foi vislumbrado como a esperança da solução há
muito buscada, já que oferece mais rapidez na comunicação e
flexibilidade de acesso, tem largo alcance e baixo custo relativo,
disponibilidade imediata, é capaz de diminuir a necessidade de
manutenção de coleções, barateando os custos (MUELLER, 2000, p. 81,
grifo nosso).

No mundo inteiro, o desenvolvimento tecnológico ocorrido nos meios de
comunicação fez do periódico eletrônico uma ferramenta indispensável para os
pesquisadores.

Bibliografias especializadas surgiram na Europa, no final do Século XV e
no início do Século XVI. Porém, foi no Século XIX, com a intensificação do
mercado editorial dos periódicos científicos, que a necessidade de como e onde
encontrar a informação procurada passou a ser uma questão imperativa. Para
atender a esta demanda, surgiram os periódicos de indexação e os resumos,

�3

objetivando facilitar o acesso à informação dispersa em diferentes publicações,
reunindo-as e publicando-as em uma lista dos trabalhos produzidos sobre
determinado assunto ou área de conhecimento, permitindo assim, a identificação
de artigos de periódicos e outros trabalhos. “As primeiras áreas cobertas pelos
periódicos de indexação e resumos foram as ciências básicas e aplicadas, tais
como a Química, Engenharia, Zoologia e Medicina” (CENDÓN, 2000, p. 219). Na
década de 1970, diferentes empresas comerciais começam a produzir periódicos
de indexação e resumo, e outras áreas do conhecimento (Ciências Sociais e
Humanas) começam a ser indexadas.
O desenvolvimento da tecnologia dos computadores, na década de 60,
permitiu inovações nas formas como os serviços de indexação e
resumo atendiam sua clientela. [...] os serviços passaram a produzir e
comercializar os seus índices em forma de bases de dados. Hoje,
muitos dos serviços de indexação e resumos produzem índices, tanto em
forma impressa como em versão eletrônica [...]. Inicialmente disponíveis
apenas para consulta local, já na década de 60, as bases de dados
puderam ser acessadas remotamente, via redes de computadores de
comutação de pacotes. A partir de 1985, passaram também a ser
produzidas e disseminadas utilizando a tecnologia de CD-ROM. A
difusão da Internet, na década de 90, facilitou ainda mais o acesso
remoto às bases de dados (CENDÓN, 2000, p. 220-221, grifo nosso).

Atualmente, existem muitos tipos de bases de dados (de resumos, de
citações, de sumários, etc.), produzidas por diversos tipos de organizações
(grandes empresas, associações profissionais, órgãos governamentais, editoras
comerciais, etc.) buscando atender a todos os tipos de necessidade informacional
que qualquer pesquisador possa ter (CENDÓN, 2000). A base de dados
eletrônica tornou-se uma ferramenta fundamental para que o pesquisador
desempenhe suas atividades de investigação. Paradoxalmente, a quantidade de
bases de dados que existem atualmente, a exemplo das publicações periódicas,
torna a busca da informação desejada uma tarefa árdua e demorada. Passam a
ser comuns as situações em que os pesquisadores se perguntam: “Afinal, em
qual base devo pesquisar?”, ou “Qual o período de cobertura desta base?”, e “Ela
indexa que tipo de publicação?”. É necessário encontrar respostas rápidas e
eficientes para questões tão elementares quanto estas.

A Internet foi criada em 1969, patrocinada pelo Departamento de Defesa
Norte Americano, objetivando permitir o compartilhamento de computadores entre

�4

os diferentes pesquisadores norte-americanos que trabalhavam em projetos
militares. No Brasil, o início da conexão às redes internacionais foi dado pelo
Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) ao conectar-se com a
University of Maryland, em 1988. No mesmo ano, a Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) conectou-se com o Fermi National
Laboratory, em Chicago. No ano seguinte, a Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ) se conectou à University of California at Los Angeles, por
intermédio da rede Bitnet. O objetivo era a comunicação com pesquisadores de
outras universidades e centros de pesquisa, localizados no exterior. Em 1989, foi
implementada a Rede Nacional de Pesquisa, formando a espinha dorsal da rede
de computadores. O principal objetivo destas conexões foi o de promover e
incentivar o intercâmbio de informações entre cientistas brasileiros e estrangeiros
(TEIXEIRA; SCHIEL, 1997). Presentemente, a Internet faz parte do cotidiano do
ensino, pesquisa e extensão das universidades brasileiras.

As novas tecnologias de informação e comunicação (TICs), juntamente
com o crescimento exponencial do mercado editorial de periódicos e bases de
dados, fomentaram a criação de uma rede com muitas informações. Porém, a
desordem com a qual a informação está sendo disponibilizada traz elevados
custos de busca e, portanto, a abundância informacional pode levar ao
desperdício de tempo e de recursos, tanto financeiros quanto humanos e
materiais. Como os bibliotecários podem contribuir para otimizar este processo? É
preciso facilitar o uso de toda esta estrutura de comunicação.

2 NOVAS TECNOLOGIAS, NOVAS MÍDIAS, VELHAS DIFICULDADES

As TICs determinaram profundas transformações no modo pelo qual
transitam, no meio acadêmico, as publicações e outras modalidades de
informações científicas. Com o desenvolvimento destas tecnologias, os veículos
utilizados pelos pesquisadores para a realização de suas investigações passaram
a ser bastante diversificados. A grande quantidade de informações disponíveis
trouxe dificuldades em sua recuperação, tanto para os pesquisadores quanto para

�5

os bibliotecários, suscitando muitas dúvidas. Entre elas, podem ser citadas: (a)
que bases de dados estão disponíveis na biblioteca ou têm acesso restrito? (b)
qual(ais) base(s) de dados deve(m) ser consultada(s) para se obter informações
sobre um assunto específico? (c) em que base(s) de dados pode ser encontrado
o título do periódico desejado? (d) qual o período de cobertura da(s) base(s) de
dados em questão? (e) este periódico é indexado em mais de uma base de
dados? (f) está disponível o texto completo deste artigo ou somente o seu
resumo? (g) o arquivo deste artigo está disponível para download? (h) existe a
versão impressa deste artigo, disponível na biblioteca para consultas? (i) quais
bases de dados e periódicos eletrônicos estão disponíveis para acesso gratuito
via Internet? (j) como aprimorar a interface com o usuário, para facilitar a escolha
da base de dados a ser consultada? Paim e Nehmy (1998) observam que
A avaliação de sistemas de informação, em razão da crescente
disponibilidade de dados possibilitada pelas novas tecnologias, torna-se
hoje um dos temas mais relevantes para profissionais e pesquisadores
desse campo de interesse. A maior facilidade, tanto de provimento
quanto de acesso, desencadeia novos problemas com os quais os
praticantes da área se deparam ao propor desenhos ou avaliar o
uso de sistemas de informação [...] (PAIM; NEHMY, 1998, grifo
nosso).

Com o desenvolvimento das TICs, o comportamento dos usuários também
foi modificado. Eles se “auto-atendem” em casa, na sala de aula, no laboratório de
informática, na sala do pesquisador/professor. A biblioteca funciona, de certo
modo, em tempo integral, e sua localização e horário de atendimento já não são
mais tão fundamentais para a obtenção de determinado tipo de publicação.
Entretanto, tornou-se imperativo melhorar a interface de acesso do usuário à
coleção de bases de dados e de periódicos de que a biblioteca dispõe, sejam
estas impressas ou eletrônicas, pagas ou gratuitas na Internet, ajudando a
aumentar o êxito nesta busca da informação desejada.

A maioria dos periódicos científicos, impressos ou eletrônicos, tem sua
coleção descrita nos catálogos das bibliotecas (Online Public Access Catalogue –
OPAC). Mesmo com a existência de uma lista on-line dos periódicos eletrônicos e
de seus respectivos links, os usuários das bibliotecas exprimem a necessidade de

�6

acessar uma única lista, reunindo periódicos impressos e eletrônicos disponíveis
dentro das bibliotecas de uma mesma instituição. A indisponibilidade de
informação reunida e atualizada traz frustração ao usuário, em sua tentativa de
localizar o periódico desejado (EWING, 2005).

Baseadas em experiências internacionais, o presente trabalho busca uma
forma para facilitar o acesso à informação procurada (base de dados ou títulos de
periódicos) por meio de um sistema de informação que permita remeter o usuário
diretamente à base de dados ou ao periódico desejado. Tal sistema também deve
permitir a obtenção de respostas objetivas às suas reais necessidades, já no
início do seu processo de busca de informações.

3 APRIMORANDO A INTERFACE COM O USUÁRIO PARA A ESCOLHA DE
BASE DE DADOS OU PERIÓDICOS

Todo investigador tem como principal motivação a busca de respostas para
questões dentro de seu campo de atuação. Para que os seus objetivos sejam
atingidos, é fundamental haver a adequada vinculação de suas perguntas a
situações de cunho real e compreensível.
Atualmente, o acesso à informação eletrônica é um dos pontos altos das
tecnologias de informação e comunicação aplicadas às consultas a
bases de dados e bibliotecas. [...] Apesar de todas as vantagens que
podemos obter na utilização das estratégias interativas, baseadas nas
tecnologias da informação e comunicação, para apoiar a pesquisa
acadêmica, no caso em estudo, concluímos que apenas as estratégias
interativas que são categorizadas como estratégias de busca de
informações, e que são consideradas de menor grau de
interatividade
são
efetivamente
utilizadas
pelos
professores/pesquisadores (PALMEIRA; TENÓRIO; LOPES, [2005], p.
1, grifo nosso).

Com cada vez mais recursos informacionais técnicos e científicos
disponíveis na Internet, a falta de um processo de acesso a estes recursos de
modo rápido, fácil e correto pode ser desanimador e consumir muito tempo de
pesquisa. Diversos web sites são mudados sem que estas alterações sejam

�7

divulgadas, provedores de bases de dados adicionam e excluem revistas
científicas sem aviso prévio e os usuários esperam ter disponíveis serviços de
informação em tempo integral. Um banco de dados encaminhando aos endereços
precisos de sites na web pode simplificar o acesso aos recursos informacionais
oferecidos pela biblioteca. Eles são de fácil manutenção e atualização e
estabelecem uma maneira eficiente de eliminar erros sobre as múltiplas páginas
da web, significando maiores rapidez e eficiência nas pesquisas (DAVIS;
ROBBINS, 2003).

Na University of Florida, foi observado a semelhança nos padrões de
pesquisa dos usuários da biblioteca, estudantes das ciências sociais. Nesta
observação foi constatado, por exemplo, que estes usuários perdem algum tempo
distinguindo entre informação na web e informação distribuída via web, catálogos
de bibliotecas e índices de periódicos. Então, foram feitas tentativas para
desenvolver estratégias para resolver tal problema. Como exemplo destas
estratégias experimentadas, a biblioteca produziu um localizador de bases de
dados, onde os usuários podem, rapidamente, selecionar um assunto e receber
uma lista recomendando as bases de dados disponíveis para a pesquisa. Em sua
fase inicial, o projeto remetia os estudantes para uma lista de bases de dados
multidisciplinares

com

muitos

artigos

em

texto

completo

(FREEDMAN;

PICCININO, 2002).

No Dowling College, em Oakdale, New York, foram desenvolvidos o
Journal Locator e o Database Locator. O Journal Locator1 providencia uma lista
com todos os pontos de acesso que a biblioteca possui a um título de periódico,
esteja ele em uma base de dados eletrônica ou fisicamente, na biblioteca. O
Database Locator2 fornece uma lista com pontos de acesso as bases de dados,
iniciando a pesquisa a partir dos assuntos indexados por elas. Estes localizadores
são bases de dados dinâmicas, que promovem uma pesquisa precisa e
1

http://www.dowling.edu/library/journaldb/jrnl.shtml

2

http://www.dowling.edu/library/database/newtest/newdirectorypage.shtm

�8

atualizada em índices, criados com recursos interativos e que podem ser
manipulados (DAVIS; ROBBINS, 2003).

Mas, na prática, como isto é feito? Algumas experiências ilustram como
funcionam estas ferramentas de localização. Aqui serão brevemente descritas
quatro das muitas propostas utilizadas nos Estados Unidos da América. Todas
estas têm, como fator comum, o uso de bases de dados/interfaces com conteúdo
dinâmico, que permitem localizar com facilidade diferentes tipos de informações,
tais como: quais bases de dados indexam o assunto procurado, onde encontrar
determinado título de periódico – fisicamente, na biblioteca, ou em uma base de
dados na Internet, paga ou gratuita, com texto completo ou somente com o
resumo.

Até então era utilizado o HTML, que é estático e dificulta a atualização e
manutenção de bases de dados eletrônicas, como bem explica Davidson:
Web sites estáticos, por exemplo, apresentam sérios problemas quando
agrupados por disciplinas. Com um web site dinâmico, a centralização dos
dados garante que a atualização seja feita apenas uma vez. Todo o
sistema torna-se mais maleável e fácil de administrar, além de a base de
dados que é orientada ao web site também permitir customização
(DAVIDSON, 2001, tradução nossa).

Em 2001, a University of Arkansas apresentou sua solução3 utilizando o
programa Microsoft Access, aliado à linguagem de Script ASP (Active Server
Pages). Este modelo proporcionou muitas melhorias ao sistema, tais como as de
administração e de manutenção centralizada dos dados, além de proporcionar a
customização da interface de acordo com as necessidades da biblioteca. A
centralização dos dados passa a ser crucial, pois isto demandaria, por exemplo,
apenas uma atualização, que se refletiria em todos os links que estão
relacionados a um título. Uma base de dados com uma lista dinâmica também é
fácil de ser utilizada após sua implantação, pois ela não exige um conhecimento

3

http://libinfo.uark.edu/eresources/subjects.asp

�9

profundo de HTML ou de programação.

Davidson (2001) menciona que o processo de migração de uma base de
dados “estática” para outra, “dinâmica”, é custoso em termos de tempo e de
trabalho, mas que os inúmeros benefícios decorrentes desta migração
compensam os investimentos feitos. Ele enfatiza que, antes de tudo, é necessário
pensar quais informações deverão ser selecionadas para integrar a base de
dados.

O Dowling College, apresentou, em 2002, o Database Locator e o Journal
Locator, mencionados anteriormente, usando, como softwares para criar a sua
base de dados dinâmica, o Webserver – IIS (Internet Information Server),
Microsoft Access e ASP4 como o Middleware.

O terceiro exemplo vem da East Carolina University, onde era necessário
acessar quatro web sites diferentes para saber se a biblioteca possuía ou não
determinado título de periódico. A meta era facilitar, para os usuários, a
localização dos periódicos eletrônicos ou impressos. Atualmente, a busca é feita
através do título completo, palavra-chave do título ou do assunto. Esta melhoria
decorreu da criação do E-Journal Locator5, que é uma base de dados
desenvolvida em Microsoft Access, posteriormente aliada ao Cold Fusion, para
torná-la acessível via web. A utilização do Microsoft Access foi importante, na fase
inicial da implantação desta ferramenta de busca. Porém, a longo prazo, o uso de
servidores do tipo SQL garantiu a estabilidade e a condição para a atualização
simultânea da base e do acesso à consulta pelos usuários. O resultado da busca
traz uma lista com os títulos dos periódicos, o link para o site de seu fornecedor e
seu período de abrangência.

4

Deve ser observado que o ASP é um componente do Microsoft IIS. Para uso em outros
servidores de web, é necessária a compra de outro software, como o Sun ONE Active Server
Pages, que antes era conhecido como Chili!Soft ou iASP. (DAVIS, ROBBINS, 2002).

5

http://personal.ecu.edu/tedescol/EJournal.htm

�10

Em 2002, as bibliotecas do Massachusetts Institute of Technology (MIT),
apresentaram a sua solução para os referidos problemas com o VERA (Virtual
Electronic Resource Access). Através do VERA6, se pode recuperar a informação
apresentada em uma lista alfabética de títulos, palavras-chave ou assuntos, tanto
para as bases de dados quanto para os periódicos eletrônicos. Atualmente, a
busca permite recuperação de dados classificados em até 75 assuntos diferentes.
O resultado fornece o título completo do periódico ou da base de dados, e
direciona o usuário, através de um link, para a página eletrônica deste periódico
ou base de dados. Estes resultados também informam a abrangência da base de
dados, dos exemplares ou edições, etc., o formato e o acesso – se via web, CDROM, se há restrições ao uso – somente para usuários licenciados junto ao MIT
ou gratuito, se o título está disponível fora do campus, entre outras informações.

O catálogo OPAC também indica quais os periódicos, se impressos ou
eletrônicos, e quais as bases de dados que estão disponíveis ao usuário. Cada
resultado apresenta a localização do respectivo item na biblioteca, ou o link para o
seu endereço eletrônico. O VERA serve como um complemento de informações
ao citado catálogo.

As bibliotecas do MIT também disponibilizam um link para “Bases de
Dados Gerais” e um link para os “Guias de Assunto”, que são páginas da Internet,
selecionadas pelos bibliotecários, mas que não estão listados no VERA ou no
Barton7.

O VERA foi construído usando o programa FileMaker Pro. É administrado
por um bibliotecário e por um grupo de seis pessoas, que representam um
6

http://river.mit.edu/mitlibweb/FMPro?-db=RS_Items.fp5&amp;-Lay=web&amp;-format=ro_search.htm&amp;findany

7

nome dado ao catálogo OPAC no MIT

�11

subgrupo de mais 30 outras pessoas selecionadoras de assuntos. Atualmente, as
bibliotecas do MIT utilizam o Sistema Gerenciador de Bibliotecas da Ex Libris
como sistema gerenciador, e estão estudando a possibilidade de migrar os dados
do VERA para o Verde, uma ferramenta disponível no Ex Libris, como ilustra a
Figura 1.

Figura 1 – Representação da proposta configuração da interface VERA.

4 APRIMORANDO A INTERFACE COM O USUÁRIO PARA A ESCOLHA DE
BASE DE DADOS OU PERIÓDICOS NA UFRGS

Atualmente, grande parte da coleção de bases de dados e de periódicos da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), bem como das bibliotecas
das demais Instituições de Ensino Superior (IES) do país, está disponível no
Portal.periodicos da Capes. Pesquisa recente demonstra a limitação encontrada
pelo usuário no uso da
[...] ferramenta de busca disponibilizada pelo portal da CAPES, [que]
realiza pesquisa somente através de palavras e não através do contexto
no qual a palavra está inserida, o que torna o acesso à informação

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menos eficiente. [...] Concluímos que o processo de consulta não é
simples, ou seja, é necessário que o usuário esteja previamente
capacitado para utilizar a ferramenta, como o próprio portal orienta, e
também que este usuário tenha conhecimento dos assuntos, autores e
áreas a serem consultados para sua pesquisa (PALMEIRA; TENÓRIO;
LOPES, [2005], p. 19).

A página da Biblioteca Central da UFRGS disponível na Internet e o
Portal.periodicos da CAPES ilustram como esta diversidade de bases de dados,
de recursos eletrônicos gratuitos e de vários fornecedores deixam o usuário
confuso.

Segundo Walker:
[...] a grande maioria das bibliotecas universitárias tem meia dúzia ou mais
de subsistemas locais, além do catálogo, geralmente de vários
fornecedores, assim como acesso a centenas de bases de dados remotas,
muitas das quais têm sérios problemas de interface. O que os usuários
precisam não é de um OPAC com uma interface melhor. Eles precisam é
de interfaces simples, intuitivas, que integrem todos os nossos
sistemas. Softwares comerciais simplesmente não podem criar isso para
nós. O único meio em que as bibliotecas podem oferecer esta união é
através de APIs [Application Program Interface]. APIs permitem construir
um único sistema, com uma interface simples, focando nos objetivos do
usuário, que é simplesmente o de recuperar os dados disponíveis nos
vários sistemas e bases de dados da biblioteca. Nós podemos começar a
construir este sistema agora. Alguns, inclusive, já o fazem (WALKER apud
DURRANCEAU, 2005, tradução nossa, grifo nosso).

A Biblioteca Central da Universidade de Brasília (UnB) possui um recurso
simplificado de busca a títulos de periódicos, que é denominado de “Busca
Periódicos OnLine”8, onde é possível realizar, em uma busca por palavras do
título, a recuperação do título do periódico, do período de abrangência do mesmo
e da base de dados onde tal periódico pode ser encontrado.

Existem algumas limitações na proposta da UnB. Por um lado, ao ser feito
o acesso ao link do título do periódico, o sistema responde com a página da base
de dados como um todo, e deve ser repetida a pesquisa pelo título desejado, para
finalmente se obter o acesso à revista. Por outro, este resultado de busca não
8

http://www.bce.unb.br/

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mostra ao pesquisador a possível existência de uma coleção física, na biblioteca,
do título procurado.

Através dos casos relatados, foram apresentados alguns dos problemas e
propostas de soluções encontradas para facilitar a recuperação de informações
através de interfaces amigáveis. Os softwares utilizados nestas propostas são
conhecidos. Talvez, na UFRGS, visando a redução de custos. sejam necessárias
algumas adaptações para o uso de softwares livres, tais como o MySQL ou PHP,
Estudos indicam a existência de iniciativas – tais como a criação de repositórios
digitais temáticos – que garantam a interoperabilidade através do uso de
softwares com código aberto (KURAMOTO, 2005), que viabilizariam a proposta
apresentada no presente trabalho.

A utilização, pela UFRGS, do mesmo programa gerenciador de bibliotecas
utilizado no MIT – o Aleph/Ex Libris – aumenta esta possibilidade. É possível
vincular esta busca única tanto ao OPAC, que fornece a localização do exemplar
físico na biblioteca setorial, quanto ao Portal.periodicos. ou Internet, que exibe a
localização eletrônica disponível para o periódico ou base de dados pesquisada.

Atualmente, além de repetir a estratégia de busca várias vezes para se
fazer uma pesquisa, deve ser conhecido, de antemão, o periódico desejado ou as
bases de dados que indexam tais assuntos e títulos de periódicos, se estas bases
apresentam o texto completo ou apenas o resumo, e qual é o editor ou o
fornecedor responsável pela revista ou base de dados.

Para aprimorar a elaboração de uma interface mais adequada para a
escolha de uma base de dados e de periódicos, é aqui feita a proposta de
apresentação, aos usuários, de uma forma de pesquisar mais simples e intuitiva.
Deve ser permitido que estes saibam: (a) que bases de dados estão disponíveis

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na biblioteca; (b) qual(ais) base(s) de dados eles deveriam consultar sobre um
assunto específico; (c) em que base(s) de dados eles poderiam encontrar o título
do periódico desejado; (d) qual o período de cobertura da base de dados que eles
pretendem consultar; (e) se o periódico é indexado em mais de uma base de
dados; (f) se o periódico procurado encontra-se disponível em texto completo ou
se somente pode ser resgatado o seu resumo; (g) se o arquivo deste artigo
encontra-se disponível para download; (h) se existe a versão impressa deste
artigo na biblioteca; e (i) quais são as bases de dados e periódicos eletrônicos
disponíveis para acesso gratuito via Internet. Toda esta informação poderia ser
unificada em uma operação.

O início de tal proposta de aprimoramento de interface deveria ser feito
com a constituição de um grupo multidisciplinar de estudo (composto por
bibliotecários, analistas de sistemas, pesquisadores e estudantes), para listar
todas as necessidades dos usuários. Depois de analisar as opções existentes no
mercado e as geradas localmente, deve ser feita a decisão pela escolha de uma
ferramenta de busca e recuperação de informações indexadas que atenda às
necessidades locais detectadas.

“Em um mundo Googled, Ipoded e Blackberried, todas as bibliotecas
precisam repensar sobre como oferecer o seu conteúdo aos usuários – e o
conteúdo será predominantemente digital” (DURANCEAU, 2005). A palavra-chave
é: facilitar!

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GLOSSÁRIO

Active Server Pages – capacita a criação de páginas dinâmicas na web, usando HTML, scripts e
ActiveX. Geralmente essas páginas interagem com bases de dados.
APIs – ver Application Program Interface.
Application Program Interface – Conjunto de ferramentas de programação que predefinem
funções e rotinas utilizadas para permitir que um programa se comunique com outro, agrupando o
material de programação comum em blocos.
ASP – ver Active Server Pages
BlackBerry – aparelho portátil, sem fio, com recursos de e-mail, telefone, editor de texto e busca
na internet.
CD-ROM – ver Compact Disc Read Only Memory.
Chili!Soft ASP – linguagem de programação para computadores, usada principalmente para a
World Wide Web. Componente desenvolvido nos Estados Unidos da América, pela Chili!Soft

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(http://developers.sun.com/asp/whitepapers/chilisoft_asp_usersguide.pdf) que permite a execução
de páginas ASP em ambiente Unix ou LinuxCold.
Compact Disc Read Only Memory – Disco plástico revestido por uma camada de metal, que
permite o armazenamento e a leitura de dados utilizando-se da tecnologia óptica. Seu conteúdo é
gravado apenas uma vez e não pode ser alterado.
Ex Libris – grupo mundial pioneiro na área de soluções de software para bibliotecas e centros de
informação. O desenvolvimento do sistema ALEPH, por esta empresa, foi iniciado em 1980.
FileMaker Pro – é uma base de dados multi-plataforma da FileMaker, Inc. É reconhecida por ser
uma base que combina potência à facilidade de uso e pela estreita ligação da base de dados e a
interface gráfica, que permite que os usuários modifiquem a base de dados arrastando elementos
novos nos layouts/screens/forms.
HTML – ver Hyper Text Markup Language.
Hyper Text Markup Language – linguagem de formatação mais utilizada nos documentos
publicados na Internet, sendo capaz de dar formato a textos, imagens, sons e vídeos, e,
principalmente, de vincular diferentes tipos de arquivos, por meio de links.
iASP – ver Chili!Soft ASP
Internet – Qualquer conjunto de redes de computadores ligadas entre si por roteadores e
gateways.
Microsoft Access – um banco de dados relacional que permite o desenvolvimento rápido de
aplicações que envolvem tanto a modelagem e estrutura de dados como também a interface a ser
utilizada pelos usuários.
Middleware – software de interface que permite interação de diferentes aplicações de softwares,
geralmente sobre diferentes plataformas de hardware e infra-estrutura, para troca de dados.
MySQL – é um sistema aberto de gerenciamento de bancos de dados relacionais, baseado em
comandos SQL (Structured Query Language) ou linguagem estruturada para pesquisas.
Online Public Access Catalog – catálogo on line, versão automatizada do catálogo tradicional da
biblioteca.
OPAC – ver Online Public Access Catalog.
PHP – um acrônimo recursivo para PHP: Hypertext Preprocessor. É uma linguagem de
programação de computadores interpretada, livre e muito utilizada para gerar conteúdo dinâmico
na World Wide Web.
SQL – é uma sintaxe usada para a definição e manipulação de dados em um banco de dados
relacional. Desenvolvido pela IBM, em 1970, tornou-se um padrão industrial para linguagens de
consulta, na maioria dos sistemas gerenciadores de bancos de dados relacionais.
VERA – ver Virtual Electronic Resource Access.
Verde – é um novo sistema que foi desenvolvido para complementar a suíte Ex Libris de
ferramentas, que auxilia as bibliotecas e os centros de informação a gerenciar as fontes
eletrônicas de informação durante todo o seu ciclo de vida, além de fornecer acesso a essas
fontes.
Virtual Electronic Resource Access – Recursos eletrônicos de acesso virtual.
Web – Recurso ou serviço oferecido na Internet (rede mundial de computadores), e que consiste
de um sistema distribuído de acesso a informações, as quais são apresentadas na forma de
hipertexto, com elos entre documentos e outros objetos (menus, índices), localizados em pontos
diversos da rede.
Webserver–IIS – Internet Information Server, o software para servidores da Microsoft operando
nos sistemas Windows NT/2000.

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>As tecnologias da informação e comunicação determinaram profundas transformações no modo pelo qual transitam, no meio acadêmico, as publicações e outras modalidades de informações científicas. Com o desenvolvimento destas tecnologias, os veículos utilizados pelos pesquisadores para a realização de suas investigações passaram a ser bastante diversificados. O periódico publicado na forma impressa passou a compartilhar seu espaço com o periódico disponibilizado por via eletrônica. A grande quantidade de informações disponíveis trouxe dificuldades em sua recuperação, tanto para os pesquisadores quanto para os bibliotecários, suscitando dúvidas: Como aprimorar a interface disponibilizada ao usuário para a escolha da base de dados a ser consultada? Em qual base de dados pode ser encontrado o título do periódico desejado? Este título periódico é indexado em mais de uma base? Este periódico está disponível em texto completo ou somente através de seu resumo? Qual base de dados deve ser consultada sobre um tema específico? Bibliotecários de universidades norte-americanas propuseram soluções para estes problemas, visando facilitar e otimizar a busca destas informações e sua vinculação com a coleção descrita nos catálogos das bibliotecas (Online Public Access Catalogue – OPAC). O presente trabalho propõe a aplicação da proposta norte-americana, em uma versão adaptada à realidade brasileira para os usuários das bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), possibilitando, assim, uma melhor interação destes usuários com o Portal.periodicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), com a coleção de periódicos impressos, disponíveis no Sistema de Bibliotecas.</text>
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                    <text>AQUISIÇÃO DE LIVROS DE GRADUAÇÃO NA UNICAMP: POLÍTICA DE
ALOCAÇÃO E DIVISÃO DE RECURSOS
Luiz Atílio Vicentini
vicentin@unicamp.br
Maria de Lourdes F. Villas Boas
lvboas@unicamp.br
Roberto Orlando Pereira
renabc@unicamp.br
Eliana Marciela Marquetis
marciela@cle.unicamp.br
Heloisa Maria Ceccotti
heloisac@unicamp.br
Sueli de Fátima Faria
sulaff@fea.unicamp.br
Márcia Aparecida Pillon d’Aloia
pillon@ime.unicamp.br

Márcia Aparecida Gomes Ruggiero
márcia@ime.unicamp.br

Francisco Luiz Cazeiro Lopreato
lopreato@eco.unicamp.br
Márcio Ajudarte Lopes
malopes@fop.unicamp.br
Fernanda Paula Collares
fercolla@fea..unicamp.br
Valéria dos Santos Gouveia Martins
valeria@unicamp.br
Universidade Estadual de Campinas
Sistema de Bibliotecas
Cidade Universitária “Prof. Zeferino Vaz”
Barão Geraldo – Campinas – SP - Brasil

�Resumo
O acervo de livros relativos a disciplinas de graduação é um dos itens essenciais
para garantir boa qualidade de ensino. Tal acervo requer constante atualização,
renovação e manutenção e, para atender estes requisitos, é preciso adotar uma
política coerente de alocação de recursos. Tal política deve considerar fatores que
representem as reais necessidades de cada disciplina, dos alunos e dos
docentes. A partir de 2001, o Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU) passou a
ter em seu orçamento anual um valor específico para a aquisição de livros para
alunos de graduação. Este valor contemplava as 22 bibliotecas do Sistema na
época. A distribuição do recurso baseava-se no preço médio do livro e estabelecia
um número de exemplares para cada biblioteca, de acordo com a área do
conhecimento. Este critério, adotado até 2004, já não atendia mais de maneira
satisfatória às bibliotecas. Em 2005, foi estruturado um grupo de trabalho,
composto por professores e bibliotecários, para estudar uma nova fórmula de
distribuição de verba baseada em vários indicadores que influenciam diretamente
o desenvolvimento da coleção e o atendimento da demanda crescente de alunos
de graduação. Como resultado deste estudo, estabeleceu-se a política de
alocação e divisão de recursos para o SBU.
Palavras-chave: Desenvolvimento de Coleções – Aquisição, Desenvolvimento de
coleções – Livros didáticos, Desenvolvimento de Coleções – Distribuição de
verba.

Introdução
O Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU), criado em junho de 1989,
é composto por 18 bibliotecas seccionais de faculdades, institutos e colégios e 6
bibliotecas de centros e núcleos, abrangendo as áreas de humanidades e artes,
tecnológicas, exatas e biomédicas. Tem como missão prover o acesso,
recuperação e preservação da informação, de maneira a contribuir para a
educação universitária e para o desenvolvimento da sociedade em geral. Para o
cumprimento dessa missão é necessário estabelecer e garantir políticas de
acesso à informação, sendo uma delas a atualização contínua do seu acervo

�bibliográfico, o que requer uma política coerente de alocação de recursos e
análise dos diversos fatores que influem na seleção desse acervo para atender às
necessidades de seus usuários.
Segundo Silveira (2000), em seu trabalho sobre a priorização da
coleção de periódicos face às demandas dos programas de ensino,
às

bibliotecas

universitárias,

vistas

sob

sua

condição

inquestionável de suporte vital às atividades de ensino, pesquisa e
extensão, compete manter o desenvolvimento harmonioso de
suas coleções, isto é, em perfeita consonância com programas
educacionais daquelas instituições das quais dão subsistemas.

Dessa forma, as bibliotecas universitárias precisam acompanhar o ritmo
das mudanças provocadas pelo desenvolvimento da ciência e tecnologia para
poder proporcionar à sua comunidade produtos e serviços (informação) que
venham atender suas necessidades, visando o cumprimento da missão da
universidade.
Na era em que vivemos, a informação se multiplica em segundos e gera
a criação de novas disciplinas, o que exige a aquisição de novos livros, levando
docentes e bibliotecários a reverem conceitos e práticas para manterem seus
acervos atualizados. Assim, como afirmou Machado (2002) “[...] as bibliotecas
universitárias desempenham um papel de destaque no desenvolvimento da
ciência, pois são detentoras dos maiores acervos em Ciência e Tecnologia do
país.”
Formar e desenvolver acervo de uma biblioteca universitária requer um
estudo das reais necessidades de informação da comunidade, aliado ao fator
financeiro, que, como sabido, sempre foi muito escasso.
O Desenvolvimento de Coleções é uma parte muito importante para o
desenvolvimento e atualização do acervo. Silva (2004) esclareceu que
o processo de Desenvolvimento de Coleções foi, durante muito
tempo, considerado como uma soma das atividades de seleção e
aquisição [...]. Seu conceito foi ampliado para gerenciamento de
coleções, e é representado por um processo cíclico e dinâmico,
que envolve a análise da comunidade e dos programas

�acadêmicos, concretizando-se nas atividades de alocação de
recursos financeiros, seleção, aquisição [...].

Além do processo de Desenvolvimento de Coleções ser importante
para qualquer biblioteca, segundo Martins (2000)
[...] outros fatores têm contribuído para que o estudo de
Desenvolvimento de Coleções se intensifique nas organizações,
tais com: necessidade de atender as novas expectativas e nível
de exigência de usuário; a racionalização e otimização de
recursos financeiros disponíveis tendo em vista o aumento do
custo para aquisição da informação e redução de verbas;
otimização de recursos financeiros, humanos e de equipamentos;
explosão bibliográfica exponencial; racionalização do espaço
físico; custo versus benefícios, observando os objetivos e
tendências da instituição; aplicação das novas tecnologias na
biblioteca no acesso á informação e no desenvolvimento das
rotinas; compartilhamento de recursos e estabelecimento de
consórcios/redes; necessidade de uma política formal que norteie
as bibliotecas na formação e no gerenciamento de suas coleções.

No processo de Desenvolvimento de Coleções, a etapa que sucede a
seleção é a aquisição, sendo considerada como a atividade que implementa as
decisões da seleção. Assim, é importante a correta alocação de recursos de
modo a respeitar essas decisões. Como a seleção deve contemplar as demandas
dos usuários, principalmente no que concerne àquelas que dizem respeito ao
ensino e pesquisa, uma política de distribuição de verbas é fundamental, a partir
do momento que permite ao processo de aquisição satisfazer as demandas.
Nesse sentido, Guerreiro (1981), citado por Sacomano (1988, p.181)
definiu recursos financeiros como: “[...] distribuição dos recursos recebidos pela
biblioteca para aquisição de material entre as unidades de ensino da Universidade
[...]”. Esta alocação de recursos deve ser seguida por critérios pré-estabelecidos
de distribuição da verba, pois auxilia o bibliotecário na obtenção de uma coleção
equilibrada e estimula professores e pesquisadores, uma vez que estes têm
conhecimento dos recursos disponíveis e do uso que podem fazer deles.

�A verba destinada deve estar adequada às demandas existentes, de
forma que atenda às necessidades de cada disciplina e esta estar contemplada
no acervo da biblioteca. Para isso é preciso desenvolver critérios de distribuição
da verba, levando-se em consideração estes indicadores. Além disso, como
Instituição Pública que é, a UNICAMP deve zelar para que os recursos financeiros
empregados sejam executados da melhor forma possível, para que os objetivos
da instituição possam ser atingidos.
Por entender-se que os critérios expostos contemplam as demandas e
necessidades da universidade, pretende-se com este trabalho mostrar a
metodologia aplicada para a distribuição dos recursos para livros de graduação no
SBU, visando compartilhar conhecimentos e o aprimoramento de serviços na
busca de caminhos que possibilitem atingir de forma eficiente às exigências de
nossos usuários.

Experiências Anteriores
O SBU é responsável pelo gerenciamento da verba destinada à compra
de livros de graduação para todas as bibliotecas integrantes do sistema.
Após algumas experiências de aquisição diretamente com os editores e
aquisições pequenas no mercado nacional, somente em 1995 foi criado, através
de Deliberação CONSU-A-3, de 28/03/1995, o Programa de Apoio Didático, que
tinha por meta a compra de 10.000 livros didáticos por ano com recursos
advindos do Sistema de Restaurantes Universitários e do Sistema de Transporte
da Universidade. Este programa tinha como objetivo específico disponibilizar a
bibliografia de graduação aos alunos, de forma que todos os títulos integrantes
dessa bibliografia, assim como o número de exemplares, fosse adequado à
demanda dos estudantes.
A aquisição de livros deveria ser realizada levando-se em consideração
os seguintes aspectos:
a) número de alunos matriculados por disciplina;
b) número de exemplares existentes nas bibliotecas do SBU;

�c) demanda explicitada, tanto através de consulta e empréstimo, quanto pela
procura dos alunos (fila da coleção de reserva, uso do livro de consulta,
retenção do exemplar por prazo maior que o estipulado, etc);
d) freqüência da obra em várias disciplinas;
e) necessidade da atualização, tanto de novas edições de textos já adotados,
quanto à inclusão de novos títulos, considerando-se nesse aspecto as
características próprias de cada disciplina.
Ao final de três anos de execução, de 1995 a 1997, o total de recursos
disponibilizados ficou muito abaixo do previamente estabelecido e o programa foi
extinto, sendo que somente a partir de 2001 o SBU passou a ter em seu
orçamento anual um valor específico para a aquisição de livros de graduação.
Este valor, distribuído entre as bibliotecas do Sistema, deveria
contemplar as especificidades de cada uma e, para tanto, foi adotado um critério
baseado no preço médio do livro, estabelecendo um número de exemplares para
cada biblioteca, sendo 100 para as áreas de Exatas, Tecnológicas e Biomédicas e
150 para a de Humanidades.
Como esse critério, adotado até 2004, já não atendia, de maneira
satisfatória, toda a comunidade acadêmica, foi estruturado em 2005 um Grupo de
Trabalho, composto por professores e bibliotecários, para estudar uma nova
fórmula de distribuição de verba, baseada em vários indicadores que influenciam
diretamente a manutenção do acervo.

Política Atual – metodologia adotada
As decisões iniciais sobre a política de distribuição de recurso foram
as seguintes:
1. fixar um percentual de 2% do montante total da verba para a Biblioteca Central
e de 1% para Colégios Técnicos e Centros e Núcleos;
2. fixar 2% do montante total da verba como fundo de reserva para ser usado,
após aprovação pelo Órgão Colegiado do SBU, na criação de novos cursos ou
outras situações que justifiquem o uso;

�3. avaliar as reais necessidades de cada biblioteca de Unidades de Ensino para
estabelecer a distribuição dos recursos, considerando as disciplinas
ministradas por estas unidades de ensino e o total de alunos atendidos;
4. fixar para cada biblioteca de Unidade de Ensino um percentual mínimo de 2%
e máximo de 9% sobre a verba total.
Considerando a experiência de anos anteriores, foram identificados
os critérios mais importantes para estabelecer a política de alocação de recursos
para o item 3, que seguem
a) número de alunos matriculados em disciplinas oferecidas pela unidade de
ensino no ano anterior;
b) preço

médio

dos

livros

comprados

pela

biblioteca

correspondente,

considerando os valores dos livros solicitados entre os anos anteriores;
c) situação ideal de acordo com o MEC – 1 livro a cada 10 alunos (por disciplina).
A idéia central da proposta baseia-se em usar estes critérios para
estabelecer os pesos (porcentagens sobre a verba total) para cada biblioteca.
Desta forma, o procedimento para obter estes pesos requer inicialmente a
obtenção do valor necessário para que cada biblioteca atinja o ideal do MEC.
Considerando os dados de matrículas e preço médio do livro, este valor foi obtido
através de:
v= (nº de matrículas da unidade da biblioteca/10) * (preço médio do
livro).
Desta forma, foram levantados 21 valores v, cada um associado à
biblioteca correspondente.
Considerando, por exemplo, a alocação de recursos para ano 2006 e o
Instituto/Faculdade X, com os seguintes dados: 3334 matrículas no ano 2005 e
valor médio entre os títulos solicitados igual a R$ 209,89, tem-se valor associado
Instituto/Faculdade X igual a:
v_X = (3334/10)*209,89 = 69.977,33
Levantando estes valores para cada biblioteca e somando todos eles,
tem-se o que foi denominado como verba ideal:

�v_ideal = R$ 1.262.832,10.
Este valor ideal foi usado apenas para definir o percentual (p) de cada
biblioteca sobre o valor total, uma vez que a Universidade não pode alocar no
mesmo ano o total de R$ 1.262.832,10 para aquisição de livros de graduação.
Então, o peso do Instituto/Faculdade X é dado por:
p_X = 69977,33/1262832,10 = 0.0554.
A verba alocada para a aquisição de livros de graduação para o ano
2006, para as 21 bibliotecas, foi de R$ 510.000,00. Aplicando sobre este
montante os percentuais estabelecidos nos itens (1) e (2), a verba destinada para
as 21 bibliotecas das unidades de ensino resultou em:
v_2006 = R$ 474.300,00
Retomando o exemplo do Instituto/Faculdade X, cujo peso é 0.0554,
e considerando a verba efetiva para as Unidades de Ensino, tem-se que cabe ao
Instituto/Faculdade X, em 2006, o valor de:
v_X = 0.0554*(474300) = 26.276,22.
Resta ainda esclarecer que para atender ao item (4), uma vez obtidos
os percentuais p, estes são projetados no intervalo [2% 9%], e o procedimento
dos cálculos dos percentuais é refinado de modo que a soma dos percentuais
totalize de fato 100%.

Resultados Parciais
Esta política foi adotada nos anos 2005 e 2006, e espera-se atender
os alunos de graduação além do ideal estipulado pelo MEC. Foi considerado
também que a verba destinada a cada biblioteca deve atender à necessidade de
reposição de livros deteriorados, a renovação dos livros texto e também à
aquisição de literatura complementar das disciplinas, não ficando restrita apenas
ao livro texto.

�Considerações Finais

A atual metodologia para a aplicação de recursos financeiros para
aquisição de livros foi implantada a partir de 2005 e novos critérios encontram-se
em avaliação. Assim, é possível considerar que o estabelecimento de um valor
específico para cada biblioteca, de acordo com o número de alunos e outras
variáveis específicas da Unidade de Ensino, estimulou e proporcionou, tanto aos
docentes quanto aos bibliotecários, a possibilidade de uma atuação mais direta na
construção do acervo da Biblioteca, otimizando os recursos frente as necessidade
do ensino na Universidade.

Referências
GUERREIRO, Ivonne. Alocação de recursos financeiros para aquisição de
material bibliográfico em bibliotecas universitárias. Belo Horizonte: UFMG, 1981
107p. Dissertação apud SACOMANO, Claudete Cury; FERNANDES, Flávio
César; SILVA, Roberto Ribeiro da. Alocação de recursos financeiros e política de
aquisição de material bibliográfico. Revista de Biblioteconomia de Brasília,
v.16, n. 2, p 179-89, 1988.
MACHADO, R. N.; SILVA, Z. P. Desenvolvimento de coleções: uma análise a
partir dos anais SNBUs realizados na década de 90. In: SEMINÁRIO NACIONAL
DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 12., 2002, Recife. Anais... Recife: UFPE,
2002.
MARTINS, Valéria dos Santos Gouveia; URPÍ CÁMARA, Montserrat; VILLAS
BOAS, Maria de Lourdes Fernandes. Estabelecimento de uma política de
desenvolvimento de coleções no Sistema de Bibliotecas da Unicamp. In:
SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 11., 2000,
Florianópolis. Disponível em: &lt;http://libdigi.unicamp.br/document/?code=1110&gt;.
Acesso em 19 abr. 2006.

�SÃO

PAULO

(Estado).

Universidade

Estadual

de

Campinas.

Conselho

Universitário. Deliberação CONSU-A-3, de 28-3-95. Campinas, 1995. 3p.
SILVA, Dora Aparecida da et al. Política de formação e desenvolvimento de
acervo para o sistema de bibliotecas da UFMG. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 13., 2004, Natal. Anais... Natal: UFRN, 2004.
SILVEIRA, Júlia Gonçalves da Silveira et al. Análise da coleção de periódicos
técnico-científicos assinados para a UFMG visando a sua priorização face às
demandas dos programas e das atividades atuais de ensino, pesquisa e
extensão. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 10.,
2000, Florianópolis. Anais... Florianópolis, 2000.

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                <text>Aquisição de livros de graduação na UNICAMP: política de alocação e divisão de recursos.</text>
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                <text>Vicentini, Luiz Atílio et al.</text>
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                <text>O acervo de livros relativos a disciplinas de graduação é um dos itens essenciais para garantir boa qualidade de ensino. Tal acervo requer constante atualização, renovação e manutenção e, para atender estes requisitos, é preciso adotar uma política coerente de alocação de recursos. Tal política deve considerar fatores que representem as reais necessidades de cada disciplina, dos alunos e dos docentes. A partir de 2001, o Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU) passou a ter em seu orçamento anual um valor específico para a aquisição de livros para alunos de graduação. Este valor contemplava as 22 bibliotecas do Sistema na época. A distribuição do recurso baseava-se no preço médio do livro e estabelecia um número de exemplares para cada biblioteca, de acordo com a área do onhecimento. Este critério, adotado até 2004, já não atendia mais de maneira satisfatória às bibliotecas. Em 2005, foi estruturado um grupo de trabalho, composto por professores e bibliotecários, para estudar uma nova fórmula de distribuição de verba baseada em vários indicadores que influenciam diretamente o desenvolvimento da coleção e o atendimento da demanda crescente de alunos de graduação. Como resultado deste estudo, estabeleceu-se a política de alocação e divisão de recursos para o SBU.</text>
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                    <text>AQUISIÇÃO DE LIVROS NA BIBLIOTECA DO IFSC-USP ATRAVÉS DE
PREGÃO PÚBLICO
Natalina O. R. Ziemath; Luciana A. B. Martinez; Célia M.D. Martins
Serviço de Biblioteca e Informação - Instituto de Física de São Carlos- USP
Av. Trabalhador SãoCarlense, 400

(16) 3373-9779

13560-970 São Carlos  SP - Brasil
nziemath@if.sc.usp.br
labm@if.sc.usp.br
cmartins@if.sc.usp.br
Resumo: A Biblioteca do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São
Paulo possui um dos melhores acervos de livros e materiais especiais na área de
física do Brasil. Para tanto, sempre contou com verbas anuais destinadas pela
própria Universidade para este fim e também com recursos advindos de agências de
fomento como resultado da aprovação de projetos elaborados pela própria Biblioteca.
As atividades de aquisição de livros e materiais especiais importados e nacionais que
eram feitos pela Biblioteca juntamente com o setor de compras da Unidade através
da Modalidade Convite de Preços, tiveram sua rotina alterada a partir de 2003 com a
obrigatoriedade de procedimento licitatório na Modalidade Pregão Público. As
vantagens desta nova rotina são significativas principalmente com relação à
economia obtida que chega a 30%. Para os usuários o ganho também foi relevante,
pois passaram a ter acesso mais rápido a informação com um número maior de
obras. Este trabalho apresenta os procedimentos que foram implantados e que
servem de referência para Bibliotecas interessadas no processo de aquisição através
de Pregão.
Palavras-chave: Aquisição de Livros; Pregão público.

�1 INTRODUÇÃO

O objetivo maior da Universidade é desenvolver o ensino, acompanhando as
transformações na área do conhecimento e mantendo-se em constante diálogo com
a sociedade, numa vasta integração entre o ensino, a pesquisa e a extensão. Sendo
assim, a Biblioteca é parte integrante do processo educativo, detentora de um papel
essencial nos processos de pesquisa e inovação do país, pois viabiliza o acesso ao
conhecimento científico e tecnológico a seus usuários. Além disso, tem o papel de
servir como repositório e disseminador do conhecimento de uma universidade, de
uma especialidade ou de um centro de pesquisa. É o elo de ligação entre o
conhecimento e o usuário final, mesmo perante os atuais acervos digitalizados na
Internet, que contemplam parte do conhecimento especializado. Representa também
o respaldo teórico às pesquisas científicas e à extensão universitária, constituindo-se
num apoio a Universidade como um todo.

Assim, a formação e atualização do acervo são constantes e se faz mediante
a identificação de novas publicações, sugestões dos usuários e consultas periódicas
a professores do Instituto de Física de São Carlos. A Biblioteca gerencia todas as
rotinas do processo de aquisição, desde a sugestão até a disponibilização do
material.

Para a aquisição de material bibliográfico , atualmente a Biblioteca conta com
a nova modalidade de licitação: o Pregão, que vem sendo utilizada em todas as
esferas - federal, estadual e municipal: e que tem como principais vantagens a
rapidez e a economia nas compras.

�2 LEVANTAMENTO/OBTENÇÃO DE SUGESTÕES
O Instituto de Física de São Carlos  IFSC possui projetos de pesquisa nas
diversas áreas de física, sendo atuante, dinâmico e progressivo tanto no ensino de
graduação e pós-graduação, como na geração de pesquisas de ponta com alto
índice de publicações em periódicos de impacto internacional.

O acervo da Biblioteca tem que estar completo e atualizado, uma vez que
precisa atender as demandas bibliográficas de alunos, docentes e pesquisadores.
Diante dessa necessidade, a Biblioteca busca recursos para acompanhar o
crescimento da oferta do mercado editorial de interesse das áreas de física e
correlatas, contando com recursos do SIBi  Sistema Integrado de Bibliotecas da
USP, o qual libera verbas anuais para aquisição de material bibliográfico,
obedecendo critérios estabelecidos. Os índices de distribuição são calculados a partir
dos seguintes indicadores: nº de docentes por regime de trabalho; nº de alunos
(graduação e pós-graduação); total de cursos de graduação e pós-graduação;
produção intelectual gerada pela Unidade; títulos de pós-graduação (mestrado e
doutorado); circulação do acervo; preço médio do livro.
Além do apoio do SIBi, a Biblioteca elabora pedidos de auxílios junto às
agências de fomento tais como FINEP, FAPESP, CNPq e outras. Para isso, conta
com o apoio e colaboração dos docentes que fazem parte da Comissão de
Biblioteca.
As sugestões para novas aquisições chegam continuamente e são feitas por:
- professores/pesquisadores, funcionários, alunos de graduação e de pósgraduação, através de caixa de sugestões, correio eletrônico e formulário
online de solicitações;
- conversas informais no balcão de empréstimo;
- sugestões formais diretamente na Seção de Aquisição;
- estatística de títulos com demanda em listas de espera;

�- sugestões de funcionários do setor de referência;
- levantamentos de novos lançamentos das áreas de interesse do IFSC,
realizadas pela equipe da Seção de Aquisição em sites de Editoras e
Sociedades Científicas.
Todas as sugestões são cadastradas em uma base de dados e gerenciada
continuamente, objetivando mantê-la sempre atualizada para que a Biblioteca possa
sempre agir com rapidez e eficácia no uso dos recursos obtidos e/ou na obtenção de
novas verbas.

3 AQUISIÇÃO DE LIVROS E MATERIAIS ESPECIAIS NA BIBLIOTECA DO IFSC

A aquisição de material bibliográfico nacional e importado na Biblioteca do
Instituto de Física de São Carlos sempre foi um processo dinâmico, devido ao alto
nível do ensino e da pesquisa desenvolvidos no IFSC, que exigem rapidez na
disponibilização das obras aos seus usuários.

Anualmente são adquiridos aproximadamente 500 títulos/exemplares para
dar suporte à pesquisa e aos cursos de graduação da Unidade: Física; Licenciatura
em Ciências Exatas; Física Computacional e Ciências Físicas e Biomoleculares, bem
como aos cursos de Pós-Graduação: Física Básica e Aplicada e Interunidades.
Os recursos USP são direcionados à aquisição de obras para a graduação e
os recursos FAPESP, CNPq e outros são específicos para a compra de material para
a pesquisa e pós-graduação.
Havendo a disponibilização de verbas, são emitidos relatórios e enviados aos
chefes de grupo de pesquisa, Comissão de Graduação e de Pós Graduação para
selecionarem e priorizarem o material a ser adquirido. Estabelecida a prioridade, a
Comissão de Biblioteca faz o indicativo final do que deverá ser comprado.

�A aquisição com recursos USP é efetuada pelo setor de compras do IFSC e
compras com recursos FAPESP, CNPq e outros são efetuadas através de
importação direta pelo setor de Importação da Unidade. Cabe à Biblioteca fornecer
os arquivos com os materiais a serem adquiridos.

3.1 AQUISIÇÃO ATRAVÉS DA MODALIDADE CONVITE DE PREÇOS

Até o ano de 2002, a rotina de aquisição de materiais bibliográficos com
recursos USP era gerenciada através da modalidade convite de preços. A Biblioteca
enviava àquele setor o arquivo com a relação dos materiais a serem adquiridos de
acordo com a seleção já definida, necessidades dos usuários e verba disponível. Em
posse dessa relação a seção de Compras montava um processo de licitação na
modalidade

carta

convite,

o

qual

várias

empresas

eram convidadas

a

comparecerem na sessão pública na data e horário definidos para entrega de
propostas de preços em envelopes lacrados, além dos documentos para habilitação
das empresas participantes.
As obras eram adquiridas das firmas que oferecessem os menores preços de
acordo com os valores de mercado, os quais a Biblioteca já havia previamente
levantado em sites de editoras. As propostas eram classificadas em ordem crescente
de preços dos fornecedores habilitados.

O setor de Compras da Unidade executava e dava o devido suporte legal na
elaboração de contratos de compra e prazos a serem cumpridos dentro da lei. A
Biblioteca acompanhava o cumprimento do processo até sua finalização.

�3.2 AQUISIÇÃO ATRAVÉS DA MODALIDADE PREGÃO

As atividades de aquisição de livros e materiais especiais importados e
nacionais que eram feitos pela Biblioteca juntamente com o setor de compras da
Unidade através da modalidade Convite de Preços, tiveram sua rotina alterada a
partir de 2003 com a obrigatoriedade de procedimento licitatório na modalidade
Pregão.

Pregão é a modalidade de licitação para aquisição de bens e serviços
comuns em que a disputa pelo fornecimento é feita em sessão pública, por meio de
propostas e lances, para classificação e habilitação do licitante com a proposta de
menor preço. (FERNANDES, 2006)
Nessa nova rotina de aquisição, a Biblioteca envia à seção de Compras da
Unidade planilhas (Anexo I) com as informações das obras que deverão ser
adquiridas com todos os dados necessários: autor, título, ISBN, editora, edição, ano
de publicação, número de exemplares desejados e preço de capa acrescido em 10%
para as obras nacionais e 30% para as internacionais. Estes acréscimos foram
recomendados pela Consultoria Jurídica da Universidade e tem por objetivo cobrir os
custos de embalagem, transporte e envio das obras e também, devido às
dificuldades de se conseguir junto aos fornecedores as cotações de preços em
tempo hábil.

Neste tipo de modalidade os bens e serviços de interesse devem ser definidos
de forma objetiva em edital e por meio de especificações de uso corrente no
mercado. São aqueles que podem ser oferecidos por vários fornecedores e de fácil
comparação entre os mesmos, permitindo a pronta decisão de compra com base no
menor preço. Incluem-se nesta categoria aquisição de bens e serviços comuns

�qualquer que seja o valor estimado assim como: mobiliário, combustíveis, material de
escritório, manutenção de equipamentos, serviços como vigilância, limpeza e
conservação e em nosso caso específico os livros.

3.3 LEGISLAÇÃO DO PREGÃO

•

A partir de 17/02/2002, a lei federal 10.520 estabelece o pregão como
nova modalidade de licitação;

•

em 06/11/2002, o decreto estadual 47.297 prevê que deve ser adotado
preferencialmente;

•

em 16/07/2003, o decreto estadual 47.945:

estabelece

que as

licitações para o SRP  Sistema de Registro de Preços devem ser
realizadas nas modalidades concorrência e pregão, adotando-se o tipo
menor preço;
•

resolução CEGP-10 de 19/11/2002: aprova o regulamento para a
modalidade de licitação denominada Pregão, destinada à aquisição de
bens e à prestação de serviços comuns, pela administração direta e
autárquica do Estado.

•

em 21/08/2003: comunicado do Governador determinando aos órgãos
da administração direta e indireta que, em relação a bens e serviços
comuns, a aquisição deve obrigatoriamente ser precedida de pregão,
bem como o SRP deverá ser realizado por meio desta nova
modalidade.

•

lei 8666/93: aplicação subsidiária na parte não regulada pela nova lei e
desde que com ela compatível.

�3.4 VANTAGENS DESTA NOVA MODALIDADE DE COMPRA

•

a economia obtida chega a 30% ou mais;

•

dá oportunidade à competição aberta, permitindo o ajuste das propostas com
base no conhecimento mútuo das mesmas entre os participantes;

•

maior agilidade para a aquisição de bens e serviços, pois minimiza a
burocracia dos procedimentos para a habilitação e a condução do processo de
licitação;

•

o pregão é um evento público no qual a escolha da proposta vencedora
obedece ao critério de menor preço e se dá após a apresentação de lances
verbais pelos participantes, sendo assim um procedimento com bastante
transparência.

•

as oportunidades de participação são ampliadas, uma vez que o edital é
divulgado na imprensa e a participação é aberta a qualquer interessado;

•

os usuários passam a ter acesso mais rápido à informação com um número
maior de obras.

3.5 REALIZAÇÃO DO PREGÃO

A seção de Compras da Unidade é quem gerencia o Pregão, utilizando edital
elaborado pela Consultoria Jurídica da USP. A equipe é constituída por um pregoeiro
capacitado em curso específico e por membros de apoio, dentre eles, dois
bibliotecários.
As fases do Pregão são:

�1 - Fase preparatória ou interna, que compreende os atos requeridos para a
abertura do processo licitatório:
- Autoridade competente
- Instauração da licitação
•

justificativa, termo de referência e reserva orçamentária

•

edital

•

parecer jurídico

•

pregoeiro e equipe de apoio

2 - Fase externa
- Convocação
- Competição
•

credenciamento

•

recebimento dos envelopes

•

abertura das propostas

•

classificação dos licitantes de menor oferta

•

lances verbais

•

julgamento e classificação final.

- Habilitação
•

abertura de documentos

•

inabilitação

�- Indicação do vencedor

•

recurso

- adjudicação e homologação
- registro em ata e documentação
- sanções.

Em abril e maio deste ano foram realizados dois pregões presenciais. No
pregão para aquisição de material nacional, com o credenciamento de quatro firmas,
foram adquiridos 180 itens a custo médio de R$76,00. Houve uma economia de 32%,
tendo como referência o preço máximo estipulado. Foi determinado o prazo de 40
dias para entrega, todos as obras já foram recebidas, processadas e disponibilizadas
para os usuários, pois trata-se de material para uso nos cursos de graduação.

O segundo pregão foi para aquisição de livros importados e teve o
credenciamento de cinco firmas. Foram adquiridos 85 itens a um custo médio de
R$175,00, apontando uma economia de 39%. O prazo para entrega foi de 90 dias e
90% das obras já foram entregues.

O total de obras a serem adquiridas era de duzentos e setenta, apenas cinco
fracassaram, ou seja, não foi possível adquirir, pois o valor mínimo oferecido pelas
firmas credenciadas ultrapassou o limite máximo estabelecido.

Os próximos pregões para a Biblioteca do IFSC serão coordenados pelo
Departamento Técnico do Sistema Integrado de Bibliotecas da USP - DT/SIBi, que
montou desde o início do ano uma estrutura dedicada à realização dos mesmos e
todas as Bibliotecas do Sistema interessadas já estão participando.

�4 CONCLUSÃO

A aquisição de materiais bibliográficos através da modalidade de pregão é
uma rotina consolidada na Biblioteca, trazendo mais qualidade e eficiência a um
serviço essencial para o desenvolvimento do ensino e a pesquisa realizados no
IFSC/USP. E é claro que essa consolidação representa uma abertura para a
melhoria dos procedimentos normalmente adotados. Percebemos, cada vez mais,
que a revolução dos costumes promove a alavancagem dos conhecimentos
estratégicos para atingir a excelência.

Acreditamos que com o pregão, a Biblioteca mantem o comprometimento em
contribuir na busca e implementação de ações que contribuem para a rapidez e
eficiência no controle e disseminação das informações bibliográficas de seu acervo.

5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AQUISIÇÃO DE LIVROS: política. Disponível em:
http://www.usp.br/sibi/sobre/liv_politica.htm. Acesso em 28 jul. 2006.

CHEGOU O PREGÃO. Disponível em: http://www.cti.usp.br/geinfo/PREGAO.ppt.
Acesso em 24 jul. 2006.
FERNANDES, C. C. C. Pregão: uma nova modalidade de licitação. Disponível em:
&lt;http://www.comprasnet.gov.br/publicacoes/licitacao.pdf&gt;. Acesso em: 04 jul. 2006.

�NOTÍCIAS COMPRASNET: vantagens do pregão. Disponível em:
&lt;http://www.comprasnet.gov.br/noticias/noticias1.asp?id_noticia=177&gt;. Acesso em:
03 jul. 2006.
PORTAL DO GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO: legislação. Disponível em:
&lt;http://www.pregao.sp.gov.br/legislacao/legislacao.htm&gt;. Acesso em: 03 jul. 2006.
ZIEMATH, N R. et al. Base AQUILI : gerenciamento dos processos de aquisição de
livros permitindo a exportação para a base do acervo. IN: SEMINÁRIO NACIONAL
DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 13, 2004, Natal. Anais... Natal, UFRN, 2004.

�ANEXO I  Modelo de planilha Pregão IFSC  Livros e outros materiais

�</text>
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          <name>Dublin Core</name>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>A Biblioteca do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo possui um dos melhores acervos de livros e materiais especiais na área de física do Brasil. Para tanto, sempre contou com verbas anuais destinadas pela própria Universidade para este fim e também com recursos advindos de agências de fomento como resultado da aprovação de projetos elaborados pela própria Biblioteca. As atividades de aquisição de livros e materiais especiais importados e nacionais que eram feitos pela Biblioteca juntamente com o setor de compras da Unidade através da Modalidade Convite de Preços, tiveram sua rotina alterada a partir de 2003 com a obrigatoriedade de procedimento licitatório na Modalidade Pregão Público. As vantagens desta nova rotina são significativas principalmente com relação à economia obtida que chega a 30%. Para os usuários o ganho também foi relevante, pois passaram a ter acesso mais rápido a informação com um número maior de obras. Este trabalho apresenta os procedimentos que foram implantados e que servem de referência para Bibliotecas interessadas no processo de aquisição através de Pregão.</text>
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                    <text>AQUISIÇÃO JUST-IN-TIME: um modelo de suporte dinâmico durante o
momento do dilema no processo de seleção/aquisição em bibliotecas
universitárias

Marcos Hércules dos Santos
Elias Oliveira
Departamento de Ciências da Informação
Universidade Federal do Espírito Santo
Campus de Goiabeiras, Av. Fernando Ferrari, s/n,
Cx Postal 5011, 29060-970 – Vitória, ES.
mhercules@gmail.com
elias@inf.ufes.br

Eixo-temático:
O Impacto das Tecnologias Eletrônicas e sua Mediação

Resumo

Apresenta o problema do dilema na tomada de decisão, existente nos processos de
seleção/aquisição, tendo em vista a grande quantidade e os variados produtos
oferecidos hoje pelo mercado de informação. Destaca que, nesta atividade, apesar
de haver uma considerável quantidade de variáveis possíveis de serem trabalhadas,
não há uma metodologia capaz de precisar com bom nível de exatidão, quais itens
informacionais são os mais adequados para o atendimento de um grupo alvo de
usuário. Situa-se no paradoxo atual para esse tipo de serviço em que, de um lado,
tem-se o montante informacional enquanto que, de outro lado, o uso da Internet
como ferramenta ainda é de forma estática, e não dinâmica, como mostraremos que
1

�poderia ser. Assim, lança mão do uso de um protótipo de software construído a partir
da ferramenta MS-Excel, o qual explora o poder de metadados baseados em XML,
geralmente presente nas tecnologias Web Services. Através disso, obtem-se um
catálogo eletrônico com dados bibliográficos em tempo real de fornecedores, os
quais serão necessários à análise na tomada de decisão na aquisição just-in-time.
Palavras-Chaves: Seleção e aquisição de coleções, aquisição just-in-time, Tomada
de decisões, Metadados, XML, Web Service.

1 INTRODUÇÃO
O início deste século tem se destacado pelos mais altos níveis de produção e
disponibilização de informação, jamais vistos na história da humanidade. Com o
avanço das tecnologias de informação e comunicação (TICs), surgiram novos
formatos e ambientes de informação, acelerando assim o processo do trinômio:
acesso-consumo-renovação

da

informação,

justificando

mais

que

nunca

a

necessidade da existência de profissionais e meios competentes, que realizem o
processo de seleção das informações relevantes aos seus distintos contextos de
consumo.
Assim, este trabalho sintoniza-se com a quantidade, diversidade e velocidade da
disponibilização da informação, as quais têm forçado as unidades de informação a
acompanhar esse modelo, refletindo a mudança no nível de exigência dos usuários,
justificada pela demanda imprimida pelo acelerado ciclo de renovação da
informação, onde esta ganha significado nas diversas atividades que estes usuários
desenvolvem.
Este trabalho foi sistematizado da seguinte forma: na Seção 2, apresentamos alguns
elementos que pressentiram a importância do serviço de seleção. Na Seção 3 e 4,
destacamos as razões para o mercado editorial dar maior atenção a este serviço e
qual foi o diferencial oferecido por uma livraria virtual. Na Seção 5, Baseando-se
2

�nesse diferencial ofertado, demonstramos a construção e os resultados de nosso
protótipo, para viabilizar processos dinâmicos nos processos de tomada de decisão
no serviço se seleção/aquisição. Na Seção 6 apresentamos nosso parecer sobre o
protótipo e finalmente na Seção 7 as nossas conclusões.

2 UM PRESSÁGIO NA BIBLIOMETRIA
No intuito de prover seletividade informacional, o processo de seleção dos materiais
informacionais tornou-se um serviço essencial desde quando se percebeu que, a
realidade dos espaços físicos e dos orçamentos das bibliotecas havia mudado.
Alguns estudos, especificamente da Bibliometria já sinalizavam de forma antecipada,
ainda no inicio do século XX, a necessidade da existência de tal serviço.
Dentre eles, destacamos os estudos de Bradford, que no ano de 1934 “[...]
estabeleceu uma relação entre artigos de interesse para um especialista e os
periódicos onde podem ocorrer estes artigos” (Lima, 1984, p. 61); o estudo de
dispersão ou Lei de Bradford, utilizado para explicar o comportamento da literatura.
Um bom exemplo disto foi exposto por Trueswell, que “[...] propôs a distribuição de
Bradford para prever circulação em bibliotecas e constatou que 80% das demandas
feitas são atendidas por apenas 20% da coleção de uma biblioteca” (Lima, 1984,
p.62); Solla Price, quando este detectou na década de 50 que, “[...] a literatura
científica tenderia a aumentar a rapidez com que dobra de volume” (Vergueiro, 1993,
p.13); e ainda, a Lei de Zipf, preocupado com a freqüência de ocorrência de palavras
em um texto foi um outro estudo em sintonia com essa preocupação, do excedente
de informações disponibilizadas.
Se por um lado essas metodologias, de certa forma, preocupavam-se com o
fenômeno do crescimento exponencial da literatura, por outro lado, evidenciaram as
conseqüências que tal fenômeno produziu, justificando na prática a necessidade da
existência de um processo de seleção. Dentre elas destacamos;
3

�• O crescimento da interdisciplinaridade;
• A escassez de tempo do usuário para selecionar materiais de informação
de seu interesse;
• A disponibilidade física para o acervo e a realidade orçamentária das bibliotecas, diante da crescente escala editorial de produção bibliográfica.
Tais conseqüências, acrescidas do surgimento de variados formatos e suportes além
daqueles tradicionais, bem como da recente expansão dos ambientes eletrônicos de
publicação e acesso à informação, tem contribuído para um maior foco no processo
de seleção dos recursos informacionais.
Esse processo por sua vez, apesar de possuir inúmeras variáveis para a formação
de dados necessários a tomada de decisão, não se constituiu ainda como uma
Ciência. Sobre esse fato Isaacson (2004, p.1) expressa um desejo de que, se a
Biblioteconomia fosse tão rígida, prática e confiável como as Ciências Exatas, isso
implicaria numa prática razoavelmente confiável, de se obter recursos informacionais
necessários. Essa manifestação está embasada em um elemento que faz parte da
rotina do bibliotecário de seleção – O dilema entre o que adquirir e o que não
adquirir.
Como tal praticidade não existe, surge a figura do mediador como o agente capaz de
ser o canal de comunicação entre as necessidades dos usuários e os dados contidos
nos itens bibliográficos a serem adquiridos, denotando desta forma, o papel interativo
do bibliotecário nesse processo, ao trabalhar em conjunto com profissionais de cada
área para alcançar os objetivos do serviço.
Esse aspecto revela que, o desenvolvimento de coleções implica em, não somente a
seleção de materiais específicos, “mas também um plano-mestre, uma visão de
4

�como as bibliotecas, respondendo a esse conjunto único de circunstancias e
responsabilidades construirão essa coleção” (Suess, 2004, p. 102).
No que tange às ferramentas de apoio no processo de seleção e aquisição, é
inegável que a Internet revolucionou o processo de aquisição, especialmente na área
de identificação das fontes. Hoje é possível encontrar diversos catálogos de origem
estrangeira na Web, como o Bookfinder (http://www.bookfinder.com) e o AcWeb
(http://www.acWeb.com), que é um site mantido por bibliotecários de aquisição com
links indexados por localização geográfica, assunto, autor. (Lorenzen, 2004, p.36).
Reportando à realidade brasileira, nos parece que, nem os bibliotecários, nem as
livrarias on-line disponíveis na Web, atentaram ainda para a questão da oferta de
serviços centrados no processo de seleção bibliográfica das bibliotecas, que se
constituem em potenciais consumidores editoriais. A construção de páginas
eletrônicas disponibilizadas para a consulta de itens informacionais, se apóiam nos
modelos tradicionais da Web sem oferecer nenhum diferencial, onde o consultante
perde tempo saltando de uma pagina a outra, sendo esta apenas um complemento
da visita formal dos representantes de vendas às Instituições de ensino.

3 O PROCESSO DE SELEÇÃO E O MERCADO
Ao nos referimos a questão da seleção e aquisição, torna-se impossível não
levarmos em consideração o aspecto comercial. E neste assunto o mercado
acadêmico é consideravelmente atraente. Para se ter idéia dos números, as
bibliotecas universitárias da Finlândia gastaram cerca de U$ 4,6 bilhões no ano de
1998. Nos Estados Unidos, com cerca de 4.600 bibliotecas universitárias essas cifras
estão distribuídas por orçamentos que variam de U$100,000 a U$ 1 milhão (Suess,
2004, p.105).

5

�No Brasil, não temos estatísticas semelhantes que nos informem tais números, mas
podemos inferir a sua importância, se relacionarmos o faturamento médio de livros
técnicos, científicos e profissionais para o ano de 2003, que em Earp; Kornis (2005,
p. 34) atingiu 19,7 milhões, com a Sinopse para o mesmo ano, disponibilizada pelo
INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), onde
verificamos que o numero de Instituições de Ensino Superior vem crescendo, sendo
207 públicas e 1652 privadas (correspondendo a 88,86% do total).
Portanto, as cifras e tendências apresentadas aqui, são mais que convincentes para
justificar um interesse por parte de livrarias e editoras, no processo de seleção e
aquisição existentes nas unidades de informação, de modo a disponibilizarem dados
inerentes à tomada de decisão para uma aquisição em tempo ágil e seguro.
Nesse sentido, a livraria virtual Amazon.com decidiu oferecer este diferencial. Ao
adotar o padrão de metadados XML como formato padrão para comercializar
produtos, direcionou a questão do simples acesso estático e muitas das vezes pouco
informativo, para o acesso dinâmico. Tal iniciativa é reconhecida por Wallis (2004,
p.118), ao afirmar que para a área de saúde, a Amazon.com tem se tornado
crescentemente uma ferramenta popular de seleção para as bibliotecas indo além da
consulta a simples livros.
A criação pela Amazon.com de variáveis de consulta como as descritas em Bausch
(2003, p. 198.), para permitir consultas por produtos, títulos, autor, editora, ISBN, e
outros, não está somente focada para a consulta da forma como a conhecemos nos
Websites da Internet, mas por acesso remoto via Web Services.
Destacamos como algo de interessante, a adoção pela empresa Amazon.com, do
padrão ISBN como código padrão para identificação dos produtos comercializados,
reconhecendo assim, a questão da praticidade que o Sistema Internacional de
Numeração oferece ao tornar as relações comerciais mais racionais, tanto ao
fornecedor quanto à sua clientela, face aos processos administrativos e logísticos.
6

�4 WEB SERVICES COMO DIFERENCIAL NO PROCESSO DE SELEÇÃO
Atualmente, muitos serviços são invocados na Web através de formulários HTML,
sobre a qual se encontram dispostos a maioria dos dados existentes na Internet.
Essas estruturas HTMLs encontram-se embebidas dentro de strings, do tipo Uniform
Resource Locator (URL). A URL é algo como um,
http://www.google.com.br/search?q=Normalização+ABNT&amp;blng=google+search
Este exemplo ilustra como uma simples interação Web, em um processo de busca
através do Google, usa o termo Normalização+ABNT, que são acessados através de
parâmetros e palavras-chaves embebidas numa URL.
Uma URL então, nada mais é do que o uso das palavras-chaves Normalização e
ABNT como strings de busca de entrada no formulário HTML, que por sua vez, é
repassada pelo Google como solicitação de busca através de uma serie de outras
máquinas de busca, retornando listas de páginas com textos contendo as palavraschaves solicitadas que deverão posteriormente, ser consultadas uma a uma, até
encontrar o conjunto de informações contidas nessa paginas.
Ao falarmos de acesso remoto via Web services, na Seção 3, nos referimos às
aplicações baseadas no padrão de metadados XML para mapear programas, objetos
ou Banco de dados para compreensíveis transações de negócios no ambientes Web.
Por isso o conceito de Web service hoje, é visto como um “conjunto de dados
descritos em XML que, permite programas em separados servidores comunicarem e
compartilharem informações entre sí, através da Web” (Bausch, 2003, p. 190). Neste
caso as características de interoperabilidade e transporte dos dados, oferecidos pela
XML, tornam-se pontos essenciais obtenção dinâmica de dados na Web.
No caso de uma busca como a disponibilizada pela Amazon.com, descarta-se a
tarefa de acessar páginas e mais páginas até obtermos as informações desejadas, e
7

�lança-se mão do uso das variáveis que tratamos na Seção 3, como a busca por
ISBN. Neste caso teríamos como resposta, uma estrutura como a demonstrada na
figura 1, onde a URL localizaria a tag definida na busca e sua conseqüente variável
(ASIN), no padrão da Amazon.com, seguido do numero do ISBN especificado na
busca. Neste processo de consulta o programa “envia um pedido para um Web
service através de uma rede opcional, e através da mesma recebe uma resposta,
também no formato de documento XML” (Newcomer, 2000, p.7).

Figura 1 – Estrutura de metadados XML com dados da Amazon.com

Como nenhuma empresa controla esse padrão (XML) que permite a comunicação,
qualquer um pode construir uma ferramenta em qualquer plataforma tecnológica para
acessar vários serviços Web disponíveis.

5 O PROTÓTIPO
As aplicações baseadas na tecnologia XML, cresceram de tal forma, que os
proprietários de softwares se renderam a esse padrão assim que tomaram ciência de

8

�que a interoperabilidade, segurança e flexibilidade por ela oferecida, são essenciais
para transformar a atual Internet em um ambiente de negócios mais dinâmico.
Empresas como IBM e Microsoft têm abraçado abertamente a essa tecnologia, no
intuito de oferecer uma maior integração de seus produtos à realidade de seus
clientes, e principalmente no que diz respeito à dinamização das atividades com o
ambiente externo – a Web.
Assim, encontramos ambientes propícios para criar um protótipo capaz de auxiliar os
bibliotecários nos processos de seleção e aquisição, de forma dinâmica.
Recentemente, a empresa Microsoft criou a MSXML, um código para ser utilizado
juntamente com o Visual Basic Applicattion (VBA), que é um código para
programação existente no pacote de aplicativos Office, permitindo assim uma maior
interação entre esses aplicativos e a tecnologia XML.
Para que a realização dessa ferramenta fosse possível, decidimos escolher um dos
aplicativos Office que possibilitasse a organização dos dados obtidos, de modo a
serem re-trabalhados para outros propósitos. Desta forma optamos pelo aplicativo
Excel da versão Office2003, cujos recursos estão mais voltados para o trabalho com
a XML e cuja funcionalidade especifica está mais voltada para organização de dados
e cálculos, além de ser uma ferramenta comum em rotinas administrativas.
O próximo passo foi trabalhar um código-fonte do tipo VBScript, descrito em (Bausch,
2003, p. 210), o qual tivemos que rearranjar no macro do Excel (parte que possibilita
programar nos aplicativos do Office), pois o VBScrpt difere em alguns detalhes do
VBA (Figura 2). Como critério para consulta aos itens informacionais na livraria
virtual, foi definido consulta por ISBN.
Após este trabalho foram realizados alguns testes e finalmente conseguimos obter
dados bibliográficos acessados junto ao site da Amazon.com, porém os dados
obtidos em nossa planilha Excel, vieram dentro de uma estrutura XML, semelhante a
estrutura da Figura 1 acima. Por seguinte, exigiu-se a criação de mais um código
9

�para a extração dos dados recebidos na estrutura XML da figura 1, a fim de alocá-los
nas células do Excel, conforme a figura3.

5.1 DA AQUISIÇÃO JUST-IN TIME E ANÁLISE
Consolidada a construção do protótipo, realizamos os testes para conhecermos a
eficácia e o desempenho do método de acesso a serviços na Web. Para a consulta
dos itens informacionais, ficou estabelecido neste experimento, apenas consultas ao
formato livro, cuja busca ficou baseada pelo critério ISBN (definido pela variável
ASIN da Amazon.com). Procedeu-se a escolha sem mais critérios de algumas obras
de autores nacionais: Machado de Assis e Luiz de Azevedo. Em seguida buscou os
ISBNs destas obras a serem utilizadas neste experimento (Figura 3).

Figura 2 – Código de programação no macro do Excel para consulta a Amazon.com

10

�Assim foi definida uma linha em nosso código, por meio da variável amzURL, onde
uma URL envia uma solicitação do ISBN das obras selecionadas, ao Web service
que traz todas as informações pertinentes daquele(s) produto(s) desejados (Figura2).
Ao efetuarmos a consulta, a 10 (dez) obras dos autores pré-estabelecidos, obtivemos
uma resposta que durou poucos segundos para obtermos uma planilha pronta,
sendo os dados recebidos e distribuídos em suas respectivas células, conforme
critérios pré-estabelecidos, de modo a facilitar análises especificas e também na
reutilização dos dados obtidos (Figura3).

Figura 3 – Dados recebidos na consulta via Web Service

Esse tipo de tecnologia pode salvar muitas horas, fornecendo atalhos inerentes no
processo de tomada de decisão para a aquisição de novos itens informacionais.
Ainda, o uso associado dessas duas tecnologias (XML e Excel) pode ser melhor
explorada, ao se definir pastas e gráficos com cálculos pré-definidos, a fim de retrabalhar esses dados recebidos, já que esse é um dos pontos fortes do Excel.
11

�Assim procedemos, para efeito de demonstração, na criação de uma planilha
contendo dados sobre autor, titulo, preço e disponibilidade com prazo de entrega dos
títulos a ser impresso como relatório de valor orçamentário. Acrescentamos que,
muitos outros dados podem ser extraídos dessa estrutura XML da Amazon.com, por
exemplo, o elemento comentário (comments), que contêm dados refletindo o ponto
de vista dos autores e também dos leitores sobre as obras, podendo ser de grande
valia no momento do dilema, vivido por uma comissão de bibliotecas, envolvida no
processo de tomada de decisão dos itens a serem analisados.

5.2 VISÂO GERAL SOBRE A AQUISIÇÃO JUST-IN TIME
Justificado os motivos necessários para a existência dos serviços de seleção
informacional,

o

caminho

agora

é,

buscar

manter-se

nos

princípios

do

desenvolvimento de coleções servindo como agente de controle de qualidade. Neste
caso, bibliotecários de seleção e aquisição podem, além de se tornarem
conhecedores de leis relacionadas às questões de aquisição, ser conhecedores de
tecnologias, tornando-se assim, mais flexíveis para tomar decisões de forma ágil.
A existência de sistemas disponíveis como o da Amazon.com, conjugados com um
planejamento cuidadoso e o uso da rotina computacional, poderia eliminar
duplicações de esforços, reduzindo erros e re-trabalho, aumentando a produtividade
da disponibilidade de bons materiais àos usuários da informação. Ou seja, busca-se
respeitar uma regra geral existente na história da humanidade - quem tem mais
informação em menor tempo, vence.
Destacamos que muitos outros experimentos existem na literatura, visando dinamizar
esse processo de seleção e aquisição. Desses, muitos foram aplicados a fases que
antecedem o processo de seleção, essencial para se confrontar as necessidades dos
usuários em relação às coleções existentes. Destes, Oliveira (2004) nos fornece uma
metodologia de inferência e datamining para ajudar na aquisição de itens junto aos
12

�departamentos

acadêmicos.

Utilizando

a

técnica

de

bibliomining,

Santos;

Nascimento; Oliveira (2005) utilizam o padrão de metadados XML para gerar dados
automáticos, resultantes do cotejamento de uma coleção com programas de
disciplinas de uma IES, fornecendo assim, elementos de subsídio ao processo de
seleção.
Entende-se desta forma que, o uso dessas técnicas, em conjunto com a ferramenta
de Web Service proposta neste trabalho pode significar um salto na qualidade dos
serviços bibliotecários, diante de um cenário onde tempo e precisão tornam-se
essenciais. Portanto, pretende-se em um trabalho próximo, potencializar o processo
de Desenvolvimento de coleções através da XML utilizando de forma seqüencial
ambas as técnicas , ou seja, da avaliação à aquisição.

6 CONCLUSÕES
Neste trabalho, delineamos um procedimento voltado para agilizar os processos de
consulta das características intrínsecas dos itens informacionais no processo de
seleção e aquisição, bem como as características orçamentárias destes itens. O
nosso foco não se ateve à questão comercial, mas à questão do acesso dinâmico de
informações, de modo que possibilite uma tomada de decisão acertada sobre o que
adquirir e o que não adquirir. Evidenciamos que a aplicabilidade do padrão de
metadados XML utilizado em nosso protótipo1, é um diferencial para as unidades de
informação e para os profissionais que são os incumbidos de tomar decisões. E
mais, o uso de um aplicativo administrativo por sua vez, foi apenas um demonstrativo
do potencial que se pode alcançar, quando se agrega o poderio do uso de uma
metalinguagem como a XML com outras tecnologias.

1

Protótipo disponível para download em http://www.inf.ufes.br/~elias/marcos

13

�A tecnologia Web service apresentada neste artigo, representa a evolução de
princípios que tem direcionado a internet por anos, sendo a modalidade que mais se
aproxime daquilo que se pretende com a Web Semântica – agilidade e precisão.
Considerando o desempenho do protótipo apresentado, entendemos que o presente
trabalho pretende direcionar bibliotecas e livrarias na adoção conjunta de tal
tecnologia, visto que este protótipo situou-se na simbiose existente entre as partes.

7 REFERENCIAS
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15

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Aquisição Just-in-time um modelo de suporte dinâmico durante o momento do dilema no processo de seleção/aquisição em bibliotecas universitárias.</text>
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            <name>Type</name>
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                <text>Apresenta o problema do dilema na tomada de decisão, existente nos processos de seleção/aquisição, tendo em vista a grande quantidade e os variados produtos oferecidos hoje pelo mercado de informação. Destaca que, nesta atividade, apesar de haver uma considerável quantidade de variáveis possíveis de serem trabalhadas, não há uma metodologia capaz de precisar com bom nível de exatidão, quais itens informacionais são os mais adequados para o atendimento de um grupo alvo de usuário. Situa-se no paradoxo atual para esse tipo de serviço em que, de um lado, tem-se o montante informacional enquanto que, de outro lado, o uso da Internet como ferramenta ainda é de forma estática, e não dinâmica, como mostraremos que poderia ser. Assim, lança mão do uso de um protótipo de software construído a partir da ferramenta MS-Excel, o qual explora o poder de metadados baseados em XML, geralmente presente nas tecnologias Web Services. Através disso, obtem-se um catálogo eletrônico com dados bibliográficos em tempo real de fornecedores, os quais serão necessários à análise na tomada de decisão na aquisição just-in-time. Palavras-Chaves: Seleção e aquisição de coleções, aquisição just-in-time, Tomada de decisões, Metadados, XML, Web Service.</text>
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                    <text>ARQUITETURA DA INFORMAÇÃO E USABILIDADE DO PORTAL DA CAPES:
A AVALIAÇÃO DO USUÁRIO

Renata Gonçalves Curty∗
Marlene Gonçalves Curty∗∗
RESUMO: O ambiente hipertextual e a estrutura de interfaces promovida pela
World Wide Web incutiram, de forma quase sintomática, a preocupação com o
que convencionalmente se conhece por “arquitetura da informação”. Questões
como usabilidade, otimização do fluxo da informação e da navegação se tornam
latentes em um veículo que a cada dia incorpora novas tipologias de fontes de
informação com recursos tecnológicos cada vez mais avançados. Para fins de
análise dos princípios de usabilidade e da arquitetura da informação em fontes
eletrônicas, foi selecionado como objeto de estudo o Portal da Capes, pelo fato de
congregar documentos completos e resumos em todas as áreas do conhecimento
e de constituir-se, por isso, em um expoente para a comunidade universitária.
Avaliou-se a adequação de sua estrutura aos principais quesitos da arquitetura da
informação e da usabilidade sob a ótica do usuário. Foram eleitos, para tanto,
alunos de pós-graduação da Universidade Estadual de Maringá que haviam
recentemente passado por treinamento e que recorrem assiduamente ao portal
para o desenvolvimento de suas atividades acadêmicas. O formulário de avaliação
possibilitou recolher dados relativos às médias atribuídas pelos respondentes nos
quesitos de avaliação do Portal de acordo com suas experiências de uso. Os resultados obtidos apontaram para uma avaliação equiparada dos itens, na qual a
média de todos os quesitos resultou em 3,5 numa escala de 1 a 5.
Palavras-chave: Arquitetura da Informação. Usabilidade de Portais. Critérios de
Avaliação. Fontes Eletrônicas de Informação.

1 O INTANGÍVEL ARQUITETÁVEL
A hipertextualidade preconizada por Ted Nelson1 e alcançada, mesmo que
calcada em fundamentos e ideologias diferenciadas, anos mais tarde, por

Mestre em Ciência da Informação (UFSC), Universidade Estadual de Londrina (UEL), Paraná,
Brasil. E-mail: renatacurty@yahoo.com.br.
∗∗
Mestre em Ciência da Informação (Puccamp), Universidade Estadual de Maringá (UEM),
Paraná, Brasil. bce-sdi@uem.br.
1
Nelson fundou o projeto Xanadu em 1960, com o objetivo de criar uma rede de computadores com
uma interface simples. O autor considera que sua idéia de hipertexto foi distorcida e aplicada de
forma desordenada e equivocada nos projetos da atual web. Segundo Theodor Nelson, o projeto
web de Berners-Lee é extremamente insípido. Para maiores informações sobre o projeto Xanadu,
bem como as propostas de Ted Nelson, ver http://xanadu.com/xuTheModel/. Para acesso aos textos
do projeto Web de Berners-Lee, ver site do World Wide Web Consortium www.w3c.org.
∗

1

�Berners-Lee em seu projeto World Wide Web (WWW), veio modificar
sensivelmente a Internet, balzaquiana e de limites demarcados.

A textualidade dinâmica, iterativa, interativa, integrativa, ilimitada, virtual,
associativa, não-linear e dotada de multissemiose, cujas adjetivações2 são
responsáveis pelo acréscimo prefixal do termo, repercutiu em uma aproximação
constante da Web aos princípios do pensamento humano, dadas as possíveis
analogias referentes à caótica forma de operar e às infinitas conexões de nós que
partilha.

Analogias interessantes também são traçadas por Lara Filho (2003), que
relaciona a Web a um labirinto de limites não-visíveis e de diferentes caminhos,
depositária de um conhecimento planetário, rico e multilíngüe, ou então, a uma
colossal enciclopédia desprovida de pré-projeto, autoria, paginação, ou mesmo de
sumários ou índices.

Outras aproximações metafóricas recorrentes na literatura são os
comparativos da WWW à Torre de Babel – em razão da confusão bíblica relatada
no livro Gênesis que esta torre gerou para a humanidade –, ao rizoma, pelos seus
infinitos caminhos e interconexões, ou ainda a uma teia de aranha, em razão de
sua própria tradução literal; a grande teia de alcance global.

Fato é que a web, através de sua popularização, alcançou proporções e
dimensões tamanhas, que a “anarquia informacional” começou a apresentar
sintomas de necessidade de organização3. Há registro de que no início dos anos
1990 o mecanismo de busca - atualmente extinto - Wandex, desenvolvido pelo
Massachusetts Institute of Technology, surgiu como resposta às necessidades de
seus usuários de localizar melhor as informações desejadas. A evolução dos
2
3

Características atribuídas ao hipertexto por Marcuschi (1999).
Respeitando-se a máxima “nem tanto ao caos, nem tanto à ordem”, pois a obsessão pela
organização da rede pode promover a retomada da linearidade e instituir o que Lara Filho (2003)
designa como uma “camisa de forças” cujo fluxo de navegação se reduziria a apenas botões de
“próximo” e “anterior”, uma alteração que, segundo o autor, felizmente, o meio não permite.

2

�mecanismos de busca seguiu paralelamente e pelas mesmas motivações da
evolução da arquitetura da informação enquanto disciplina, campo ou - como
alguns autores a definem - área de atuação.

Wyllis (2000), contando a cronologia da expressão “arquitetura da
informação”, indica que esta foi cunhada por Richard Saul Wurman, um arquiteto
que atuava na área de editoração e organizava fontes de informação para
urbanistas e engenheiros. Em 1976, ao participar como organizador do American
Institute of Architecs National Conference, Wurman escolheu a arquitetura da
informação como um dos temas do evento, então nomeado The Architecture of
Information, e definia o conceito como a “ciência e a arte de criar instruções para
espaços organizados”.

A conjunção dos preceitos da arquitetura de projeção e idealização de
espaços com a organização da informação no ambiente Web e sua ampla adoção
ocorreu somente na segunda metade da década de 1990, com a explosão da rede e
com a necessidade de se desenvolverem interfaces mais interativas e amigáveis aos
usuários.

Deste ponto em diante, são inúmeras as definições acerca do termo no
contexto Web; entretanto esta pluralidade de conceitos sempre recai sobre a
mesma questão: a projeção de websites ergonômicos, funcionais, intuitivos e de
usabilidade assegurada aos seus usuários.

Sendo assim, a arquitetura da informação visa a organizar as informações e o
esquema estrutural do website de forma clara, intuitiva e significativa. Shiple (2003)
define a arquitetura da informação como o campo que envolve a investigação,
análise e implementação de sítios, definição que inclui a organização, navegação,
representação e mecanismos de busca. O objetivo é possibilitar que os usuários
encontrem e gerenciem a informação de forma efetiva.

3

�Nesta instância Louis Rosenfeld e Peter Morville (1998) se destacam como
autores-referência de obras mundialmente consultadas e referenciadas. Suas
publicações sistematizaram novos rumos para o pensar da arquitetura da
informação. Rosenfeld e Morville (1998) entendem que a Arquitetura da
Informação é uma disciplina emergente conciliada e impulsionada por uma
comunidade prática, direcionada ao resgate dos princípios do design e da
arquitetura para o contexto digital. É resultante da congruência entre as
necessidades de informação dos usuários, do contexto de aplicação e ainda dos
conteúdos que serão expressos no website/sistema. Segundo os autores, são
características da Arquitetura de Informação:

�

combinar esquemas de organização, nomeação e navegação dentro de
um sistema de informação;

�

projetar o design estrutural de um espaço de informação a fim de
facilitar a realização de tarefas e o acesso intuitivo a conteúdos;

�

estruturar e classificar websites a fim de ajudar as pessoas a encontrar
e a gerenciar a informação.

Os mesmos autores atribuem quatro elementos básicos ao estudo da
Arquitetura da Informação:
1.

sistemas de organização: maneiras como o conteúdo do site pode ser
agrupado;

2.

sistemas de rotulagem: forma como é denominado o conteúdo do grupo
informacional;

3.

sistemas de navegação: barras de navegação e mapas do site que
permitem ao usuário mover-se entre as partes do conteúdo ou fora dele;

4.

sistemas de busca: mecanismos que auxiliam o usuário a formular
consultas que podem resultar em documentos relevantes (ROSENFELD,
MORVILLE, 1998).

4

�Straioto (2002 apud SARMENTO e SOUZA; FORESTI; VIDOTTI, 2004), ao
analisar portais científico-acadêmicos, acrescentou dois elementos adicionais à
proposta de Rosenfeld e Morville: o conteúdo das informações (objetividade,
navegabilidade e visibilidade); e a usabilidade do site (interface amigável,
navegabilidade, funcionalidade, ajuda/suporte, feedback).

Com o aprofundamento dos estudos nesse segmento, institui-se um “braço
teórico”: a questão da usabilidade. Por ser considerada quesito indispensável na
projeção de websites e sistemas de informação, a usabilidade assumiu condição
de campo de estudo e de discussão.

2 A USABILIDADE EM PAUTA

Cogita-se que o termo “usability”, responsável pelo neologismo da língua
portuguesa “usabilidade”, em função de sua tradução, foi cunhado nos anos 1980
pelas áreas de Psicologia e Ergonomia, em substituição ao binômio “userfriendly”, aportuguesado como “amigável”. Presume-se que o termo user-friendly
não obteve aceitação por parte da comunidade científica e por isso caiu em
desuso. Anos mais tarde, a expressão usabilidade, já consolidada nas áreas
supracitadas, foi amplamente incorporada ao jargão técnico-científico da área de
Tecnologia da Informação para se tratar de aspectos voltados para a interação
homem-máquina e para os estudos de interface desse processo.
Martinez (2003, p.8) ressalta:
Curiosamente, apesar da Web ter popularizado a usabilidade,
acrescentou-lhe grandes desafios. A web constitui um novo meio de
comunicação e tem uma linguagem própria construída sobre um espaço
de hipermídia complexo, com características particulares de acesso
remoto a dados, publicação dinâmica de informações, interfaces gráficas
mutantes, velocidades de conexões variáveis, a rápida absorção de
novidades tecnológicas entre outras.

5

�A usabilidade é um conceito-chave para o aprofundamento em estudos de
interação homem-computador e está diretamente conexa com a busca de tornar
os sistemas, de modo geral, mais fáceis de aprender e de utilizar. Contemplada
como um dos requisitos para a determinação da qualidade de sistemas de
informação, a usabilidade é citada pela norma ISO/IEC 9126 como requisito
fundamental. Segundo a norma, a usabilidade é a eficiência, eficácia e satisfação
com a qual os públicos do produto alcançam seus objetivos determinados em
ambientes particulares (MARTINEZ, 2003, p.5).

Embora a norma seja dirigida aos softwares, suas orientações também
podem ser transpostas e utilizadas para orientar e delinear a metodologia de
estruturação, bem como processos contínuos de avaliação e reestruturação de
websites.

Na visão de Silva (2003, p.126), a usabilidade permite que um sistema de
informação seja avaliado, medido e sistematicamente melhorado. São seus
principais fatores:
- Que um usuário novato deva apreender a realizar as tarefas básicas do
sistema no menor espaço de tempo;
- Uma vez dominado pelo usuário, o sistema permite um alto grau de
produtividade;
- Um usuário que tenha ficado um período sem usar o sistema deve ser
capaz de usa-lo novamente sem ter de reaprendê-lo;
- O sistema deve permitir que os usuários realizem suas tarefas com
baixa incidência de erros;
-Deve ser agradável de usar e seus usuários devem subjetivamente
ficarem satisfeitos com sua utilização.

De forma semelhante, Jakob Nielsen, o precursor da Engenharia de
Usabilidade, aponta como princípios deste campo de estudo: a facilidade de
aprendizado, a eficiência de uso, a facilidade de memorização, a baixa taxa de
erros, a satisfação subjetiva, a consistência e a flexibilidade.

Na concepção de Terra et al. (2005), a usabilidade na web nada mais é do
que estruturar um site ou um portal pensando no usuário final, concentrando

6

�esforços para a facilidade do uso e criando um sistema transparente e de fácil
entendimento e operação. Em outras palavras, é integrar perfeitamente conteúdo,
design, serviços e interatividade, buscando a experiência do usuário final.

3 POR QUE O PORTAL DA CAPES?
A pós-graduação nas instituições de ensino superior (IES) é diretamente
responsável pelo incremento qualitativo e quantitativo da produção científica
nacional.

Atualmente, o Portal da Capes é o veículo mais importante de informação
científica no Brasil. Representa um recurso indispensável à produção científica e
tecnológica nacional, através da divulgação de conteúdo atualizado das diversas
áreas do conhecimento. Constitui uma das maiores bases eletrônicas de dados
do mundo,e oferece à comunidade acadêmica brasileira acesso a uma expressiva
coleção de bases de dados e obras de referência.

Dados confirmam a inserção brasileira no cenário científico internacional, a
qual que cresceu exponencialmente nos últimos anos. Hoje o Brasil ocupa o 17º
lugar no ranking das publicações científicas mundiais. A produção científica
cresceu 19% entre 2004 e 2005, segundo anunciou o presidente da Capes no dia
17 de julho de 2005. O sistema de pós-graduação cresce em redor de 15% ao
ano (FAGUNDES NETO; NADER; PACKER, 2006).

Sendo assim, a condição de expoente do Portal da Capes para a
comunidade científica nacional instiga a análise desse canal de informação
segundo os princípios da arquitetura da informação e da usabilidade, os quais
devem ser levados em conta para configurar qualquer portal web ou website que
vise a atingir com qualidade o público a que se destina.

7

�4 QUANTO AO PLANO E À COLETA DE DADOS

A pesquisa adotou como instrumento de coleta de dados o questionário,
aplicado aos alunos de cursos de pós-graduação (mestrado e doutorado) da
Universidade Estadual de Maringá (UEM). A escolha por esta comunidade
justifica-se por serem estes alunos, notadamente, os que, segundo as estatísticas
da Biblioteca Central, acessam e utilizam com mais freqüência informações do
Portal da Capes para as atividades de pesquisa.

Dentro dos propósitos do estudo, era quesito indispensável para a seleção
dos participantes envolver usuários que tivessem recentemente passado por
experiências de busca de informação através do Portal da Capes, pelo fato de
estes, presumidamente, terem maior discernimento e capacidade de julgar os
critérios apresentados pela investigação. Para tanto, ao se estipular o critério de
seleção dos respondentes, foram selecionados os cursos que receberam
treinamento no segundo trimestre de 2006, para acesso e uso do Portal da
Capes, através do Serviço de Disseminação de Informação (SDI) da UEM, sendo
eles os Cursos de Farmácia, Ciências Biológicas e Enfermagem.

Participaram da pesquisa 71 alunos que responderam ao formulário de
dados, constituído de 20 questões fechadas que buscavam conhecer as
experiências com a Web e recolher as impressões da usabilidade e da arquitetura
da informação do Portal da Capes. A fração de questões voltadas para a análise
do Portal foi elaborada segundo a escala semântica, que obedeceu a uma
graduação de 1 a 5 pontos.

O índice de resposta recai sobre a dificuldade de aplicação a este público,
visto que o período de coleta dos dados coincidiu com a época de recesso
acadêmico e que muitos alunos executam atividades paralelas ou experimentos
de suas pesquisas fora do âmbito da Universidade. Embora o e-mail tenha sido

8

�utilizado como forma alternativa de remessa dos questionários, poucos
retornaram através deste meio.

5 A PERCEPÇÃO DOS USUÁRIOS E A EXPERIÊNCIA COM O PORTAL
Dentre os 71 respondentes, 15 pertencem ao curso de Enfermagem, 25 ao
de Farmácia e 31 ao curso de Ciências Biológicas. Do total, 52 (73,24%) são
mulheres e 19 (26,76%), homens. Mestrandos totalizam 48 respondentes
(67,60%) e doutorandos 23 (32,40%).

Quanto ao hábito de freqüência de uso da Internet, foi possível observar
que 35 (49,30%) participantes utilizam-na várias vezes ao dia, 24 (33,80%)
utilizam a Internet ao menos uma vez ao dia e os demais 10 (14,80%) e 2 (2,80%)
recorrem à Internet, respectivamente, uma vez por semana e uma vez ao mês.

Ao serem argüidos sobre os conhecimentos de navegação e uso da Web
em uma escala de “avançado” a “fraco”, 66 respondentes (92,96%) afirmaram
dispor de um conhecimento relativamente bom, pois consultam diferentes bases
de dados e possuem certa autonomia de busca na informação na Web.
Consideraram limitados seus conhecimentos de busca e acesso a informações
relevantes na Web 3 respondentes (4,23%). Dois participantes (2,82%) não
responderam à questão e nenhum se enquadrou como um usuário da Web de
nível avançado, ou seja, que além de consultar a rede para acessar informações,
domine as linguagens de programação e construa páginas web, blogs etc.

Com relação aos itens voltados para a usabilidade e para a arquitetura de
informação do Portal, a partir da tabulação dos dados no Statistical Package for
the Social Sciences (SPSS), foi traçada uma média das respostas atribuídas, na
escala de 1 a 5, para os quinze itens avaliados, conforme a Tabela 1 abaixo:

9

�TABELA 1 – Médias obtidas na avaliação do Portal.
Itens de avaliação
1. Satisfação em relação ao uso do Portal
2. Em relação a sua expectativa de busca de
informação e o que obteve
3. O layout do Portal (aspecto visual) cooperou
4. Quantidade de informação mostrada na tela
5. Organização da informação (forma de
hierarquização e divisão dos conteúdos)
6. Seqüência de links e barras de navegação
7. Navegação pelas páginas web do Portal
8. Instruções para comandos ou funções
9. Encontrou o que tentava localizar para
prosseguir na busca
10. Aprendizado para navegar no Portal
11. Tempo para aprender a usar o Portal
12. Lembrança de nomes e usos de comandos
13. Tarefas podem ser executadas de maneira
direta e intuitiva
14. Número de passos para executar a pesquisa
15. Falhas ocorreram durante a busca (links
inativos, página indisponível etc.)

Nº
71

Média
3,56

70

3,26

70
68

3,54
3,79

68

3,85

69
67
69

3,57
3,46
3,35

71

3,45

68
69
67

3,68
3,64
3,63

69

3,36

68

3,28

68

3,31

A partir dos resultados obtidos podemos verificar que os 15 itens
apresentados para a avaliação dos respondentes obtiveram médias semelhantes.
Todas as situações expostas aos participantes da pesquisa, para que as
assinalassem com base em suas experiências de uso do portal da Capes,
receberam nota acima da escala 3, a qual pode ser considerada um ponto de
equilibro entre o pólo negativo e o pólo positivo de avaliação.
O cálculo da média entre os quinze itens avaliados resulta em uma dízima
periódica pouco acima de 3,5. As aproximações entre as médias obtidas não nos
permitem afirmar categoricamente qual item é julgado pelos participantes da
pesquisa como o mais significativo, tampouco os quesitos em que o Portal é
considerado mais deficiente, na visão dos respondentes, principalmente pelo fato
de algumas questões não terem obtido índice de resposta igual a 100%. Não
obstante, essas aproximações nos possibilitam inferir, para esta amostra, que os
critérios possuem importância quase equivalente, na visão dos participantes, e

10

�que a percepção destes no que tange à adequação do Portal da Capes aos
critérios de usabilidade e de arquitetura da informação está um pouco acima da
média da neutralidade.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A arquitetura da informação e a usabilidade, enquanto áreas de estudo,
emergiram como conseqüência do conjunto caótico experimentado pela
propagação da WWW. A web constitui-se uma grande rede de idéias, regida pela
complexidade da hipertextualidade, cuja necessidade de direcionamentos,
planejamento e estruturação de informações dos websites surge como forma de
torná-los inteligíveis e acessíveis aos seus usuários; um espaço de fluxos de
informação e de navegação não palpável, mas passível de se arquitetar; de se
arquitetar no sentido de planejar, projetar e tramar seu esquema estrutural.
A partir da aplicação dos questionários, constatou-se que o Portal da
Capes recebeu avaliação mediana para positiva, com relação aos principais
critérios de usabilidade e da arquitetura da informação, por parte de um público
que acessa com freqüência a Internet e que se autodenomina detentor de
conhecimentos razoáveis e desfruta de certa autonomia de busca da informação
na Web.

Sugere-se que estudos aplicados a um maior público de usuários
partícipes de diferentes áreas do conhecimento sejam realizados para respaldar
os dados obtidos nesta pesquisa, visto que a amostra trabalhada configura-se
como uma parcela reduzida de usuários, comparativamente ao público que
acessa o Portal a nível nacional.

A concepção de instrumentos que consigam detectar com precisão os
diferentes graus de experiência na utilização do Portal e que, como conseqüência,
permitam avaliar o impacto destas oscilações na percepção dos aspectos

11

�avaliados, também se faz necessária para identificar com exatidão os pontos de
insuficiência do Portal e, dessa forma, traçar propostas de melhoria para este
importante e abrangente canal de informação científica.

REFERÊNCIAS
FAGUNDES NETO, U.; NADER, H. B.; PACKER, A. L. O Portal Capes e o
impacto na ciência brasileira. Jornal da Ciência, São Paulo, 2006. Disponível em:
&lt;http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=39386&gt;. Acesso em: 27 jul.
2006.
LARA FILHO, Durval de. O fio de Ariadne e a arquitetura da informação na WWW.
Datagramazero, Rio de Janeiro, v. 4, n. 6, dez. 2003. Disponível em:
&lt;http://www.dgz.org.br/dez03/Art_02.htm&gt;. Acesso em: 8 abr. 2006.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Linearização, cognição e referencia: o desafio do
hipertexto. In: COLÓQUIO DA ASSOCIAÇÃO LATINO-AMERICANA DE
ANALISTAS DO DISCURSO, 4., 1999, Santiago. Anais... Santiago: [s. n.], 1999.
Disponível em:
&lt;http://www.uchile.cl/facultades/filosofia/Editorial/libros/discurso_cambio/17Marcu
s.pdf&gt;. Acesso em: 19 abr. 2006.
MARTINEZ, M. L. Usabilidade e Webdesign na Infoera. In: WORKSHOP
SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO: Benção ou maldição, São Paulo, 2003.
Disponível em: &lt;http://www.lsi.usp.br/~martinez/works/_artigos/martinez03b.pdf&gt;.
Acesso em: 2 maio 2006.
ROSENFELD, L.; MORVILLE, P. Information Architecture for the World Wide
Web. Cambridge: O´Relly, 1998.
SARMENTO e SOUZA, M. F.; FORESTI, M. C. P. P.; VIDOTTI, S. A. B. G.
Arquitetura da informação em web site de periódico científico. Educação Temática
Digital, Campinas, SP, v. 5, n. 2, p.87-105, jun. 2004.
SHIPLE, J. Information architecture tutorial. 2000. Disponível em:
&lt;http://www.webmonkey.com/webmonkey/design/site_building/tutorials/tutorial1.ht
ml&gt;. Acesso em: 4 maio 2006.
SILVA, S. V. Critérios da usabilidade: um auxílio à qualidade do software.
Vértices, Campos dos Goytacazes, v. 5, n. 2, p. 123-133, maio/ago. 2003.

12

�SOARES, H. Uma contribuição da Fenomenologia para a Arquitetura da
Informação. Repositório Acadêmico de Biblioteconomia e Ciência da Informação,
Brasília, DF, 2006. Disponível em:
&lt;http://www.bsf.tehospedo.com.br/ojs/viewarticle.php?id=4&gt;. Acesso em: 2 maio
2006.
TERRA, J. C. et al. Usabilidade: conceitos centrais. 2005. Disponível em: &lt;
http://www.terraforum.com.br/sites/terraforum/Biblioteca/libdoc00000132v003Usab
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WYLLIS, R. E. Information architecture. 2001. Disponível em: &lt;
http://www.gslis.utexas.edu/%7El38613dw/website_fall_01/readings/InfoArchitectu
re.html&gt;. Acesso em: 23 abr. 2006.

13

�ANEXO A - QUESTIONÁRIO
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14

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        <elementSet elementSetId="1">
          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <element elementId="50">
              <name>Title</name>
              <description>A name given to the resource</description>
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                <elementText elementTextId="51378">
                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
                </elementText>
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              <name>Subject</name>
              <description>The topic of the resource</description>
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                <elementText elementTextId="51379">
                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Description</name>
              <description>An account of the resource</description>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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              <name>Creator</name>
              <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Publisher</name>
              <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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                  <text>UFBA</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
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            <element elementId="40">
              <name>Date</name>
              <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                  <text>2006</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
            <element elementId="44">
              <name>Language</name>
              <description>A language of the resource</description>
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                <elementText elementTextId="51384">
                  <text>Português</text>
                </elementText>
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            <element elementId="51">
              <name>Type</name>
              <description>The nature or genre of the resource</description>
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                  <text>Evento</text>
                </elementText>
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            <element elementId="38">
              <name>Coverage</name>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Curty, Renata Gonçalves; Curty, Marlene Gonçalves</text>
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                <text>O ambiente hipertextual e a estrutura de interfaces promovida pela World Wide Web incutiram, de forma quase sintomática, a preocupação com o que convencionalmente se conhece por “arquitetura da informação”. Questões como usabilidade, otimização do fluxo da informação e da navegação se tornam latentes em um veículo que a cada dia incorpora novas tipologias de fontes de informação com recursos tecnológicos cada vez mais avançados. Para fins de análise dos princípios de usabilidade e da arquitetura da informação em fontes eletrônicas, foi selecionado como objeto de estudo o Portal da Capes, pelo fato de congregar documentos completos e resumos em todas as áreas do conhecimento e de constituir-se, por isso, em um expoente para a comunidade universitária. Avaliou-se a adequação de sua estrutura aos principais quesitos da arquitetura da informação e da usabilidade sob a ótica do usuário. Foram eleitos, para tanto, alunos de pós-graduação da Universidade Estadual de Maringá que haviam recentemente passado por treinamento e que recorrem assiduamente ao portal para o desenvolvimento de suas atividades acadêmicas. O formulário de avaliação possibilitou recolher dados relativos às médias atribuídas pelos respondentes nos quesitos de avaliação do Portal de acordo com suas experiências de uso. Os resultados obtidos apontaram para uma avaliação equiparada dos itens, na qual a média de todos os quesitos resultou em 3,5 numa escala de 1 a 5.</text>
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                    <text>ARQUIVOS CATARINENSES DE MEDICINA E A GESTÃO DE CONTEÚDOS
DE ACESSO LIVRE DA INFORMAÇÃO CIENTÍFICA
Dilva Páscoa De Marco Fazzioni
Bacharel em Biblioteconomia, Associação
Catarinense de Medicina - ACM,
e-mail: dilva@acm.org.br

Ursula Blattmann
Dra. Engenharia de Produção, Mestre e
Bacharel em Biblioteconomia, professora na
Universidade Federal de Santa Catarina,
e-mail: ursula@ced.ufsc.br

Rosemeri Maurici da Silva
Doutora em Medicina/Pneumologia.
Professora do Curso de Graduação em
Medicina da Universidade do Sul de Santa
Catarina. Diretora de Publicações Científicas
da Associação Catarinense de Medicina.
e-mail: rosemaurici@gmail.com

Resumo

A informação na área médica consiste em saber localizar imediatamente, acessar
e usar documentos técnicos e científicos atuais e relevantes para a comunidade
médica. Este artigo apresenta aspectos da gestão de conteúdos digitais da revista
Arquivos Catarinenses de Medicina – http://www.acm.org.br/revista/, publicada na
versão impressa a partir de 1957, passou em março de 2002 para a edição
eletrônica on-line, disponível na home-page da Associação Catarinense de
Medicina – ACM. A recuperação da informação ocorre pela Internet, via
indexação na Base de Dados LILACS desde 1983, disponibilizada no Portal de
Revistas Científicas da Bireme e também no Portal de Periódicos da Capes. O
1

�bibliotecário gerencia todo o processo de editoração eletrônica da publicação.
Apresenta as vantagens do livre acesso: agilidade na recuperação da informação,
disponibilidade on-line, redução de custos operacionais e incentivo a produção
científica na área médica.
Palavras-chave: Arquivos Catarinenses de Medicina; Arquivos abertos Medicina; Bibliotecário – gestão de conteúdos digitais; Publicações eletrônicas

Forma de apresentação: Pôster

1 Introdução

A informação da área médica consiste em saber localizar imediatamente, acessar
e usar documentos técnicos e científicos atuais e relevantes para a comunidade
médica.

Este artigo apresenta aspectos da gestão de conteúdos digitais da revista
Arquivos Catarinenses de Medicina - http://www.acm.org.br/revista/, publicada na
versão impressa a partir de 1957, passou em março de 2002 para a edição
eletrônica on-line, disponível na home-page da Associação Catarinense de
Medicina – ACM.

2 Revisão da Literatura

A disseminação de informação científica, considerada fator fundamental para o
avanço da ciência (LEITE, 2006), ganhou novos parâmetros a partir do
desenvolvimento das tecnologias da informação em redes de computadores.
Trata-se de um processo dialético e de retroalimentação, onde o conhecimento
adquirido e compartilhado por um cientista pode estimular e cooperar nas
pesquisas desenvolvidas por um colega seu, distante e desconhecido.

A disseminação e ampliação dos meios de comunicação, que facilitaram o
surgimento de publicações de cunho científico no pós-guerra pode ter sido o fator
2

�determinante para o amplo desenvolvimento científico e tecnológico na segunda
metade do século passado. Tanto é efetivo este raciocínio, que as estimativas
apontam que mais de 80% do conhecimento científico e tecnológico utilizados
atualmente foram produzidos depois da 2ª Guerra Mundial.

Para Crane (apud LEITE, 2006), a comunicação científica é a difusão de idéias
transmitidas de pessoa a pessoa, paralelamente a um processo de interação
social, que acentua o desenvolvimento do conhecimento científico. A amplitude
alcançada pela comunicação do conhecimento – seja de caráter científico ou
tecnológico – provocou o surgimento dos conceitos da gestão do conhecimento.

Segundo Leite (2006), o conjunto de aspectos que perfazem a comunicação
científica, entre os quais o compartilhamento da atividade intelectual e criativa,
trocas de informação e idéias, publicações, convergem interessam à gestão do
conhecimento. “Todos esses aspectos são de interesse para a visualização das
similaridades entre a comunicação científica e a gestão do conhecimento” (LEITE,
2006).

A percepção geral dos especialistas no assunto é que o número de publicações
periódicas científicos tenha se proliferado de forma exponencial. Para localizar e
identificar uma publicação periódica pode ser utilizado via registro do International
Standard Serial Number (ISSN), pois torna-o único e definitivo. Esse registro no
Brasil é feito pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
(IBICT).

Essa proliferação de títulos científicos tende a se ampliar com o advento de mais
modernas ferramentas da tecnologia da informação. As revistas eletrônicas estão
amplamente difundidas e cada título, se não for substituído, pelo menos terá a
versão on-line. A possibilidade de uma versão digital disponível on-line, com
acesso gratuito ou pago, abre um leque de alternativas para os serviços de
distribuição e afetam os custos de produção da publicação de periódicos.

3

�Embora as tecnologias digitais de armazenamento por si só poderiam promover
uma revolução em todas as áreas do conhecimento, o advento da Internet,
permitiu uma amplitude considerável a esta revolução. “A rede é, antes de tudo,
um instrumento de comunicação entre pessoas, um laço virtual em que as
comunidades auxiliam seus membros a aprender o que querem saber. Os dados
não representam senão a matéria prima de um processo intelectual e social vivo,
altamente elaborado” (LEVY, 1998, p. 3).

Lyman

e

Varian

(2003)

observam

que

a

World

Wide

Web

contém

aproximadamente 170 terabytes de informação, volume correspondente a 17
vezes o tamanho do acervo impresso da Biblioteca do Congresso dos Estados
Unidos. No respectivo estudo, os autores identificaram os canais de informação, o
fluxo da informação e o processo de distribuição dos conteúdos digitais, destacase que 92% de toda nova informação gerada em 2002 reside em mídia
magnética, principalmente em servidores (discos-rígidos), filmes (7%), papel (1%)
e mídia óptica (0,002%).

A Internet não pode ser vista apenas como um meio mais rápido, ágil e eficiente
de distribuição dos arquivos, mas é um sistema que modifica substancialmente a
forma de trabalho e principalmente de distribuição de conteúdos digitais. Por meio
da rede de computadores podem ser oferecidos “revistas, revistas individuais,
artigos individuais ou partes de artigos. Vários níveis de informação podem tornarse disponíveis para consulta, incluindo títulos, resumos, revisões do artigo, dados
complementares, apêndices etc. Conjuntos de artigos poderiam ser enviados
automaticamente para os leitores baseados em perfis de interesse dos usuários”.
(KING; TENOPIR, 1998, p. 178).

A disponibilidade on-line e gratuita de artigos facilita o acesso em diversas
maneiras, salienta Lawrence (2001), citando várias alternativas de provisão de
arquivos como as conexões diretas entre cientistas, ou grupos de pesquisa, emails, grupos de discussão, indexação em ferramentas de busca.

4

�Os periódicos digitais se mostram aptos a solucionar alguns antigos problemas
enfrentados pela comunicação do conhecimento. “Houve quem propusesse o fim
das revistas, pois os artigos seriam distribuídos como unidades independentes.
Reclamavam os cientistas que cada fascículo de uma revista continha apenas
uma minoria de artigos de seu interesse. Que assim estavam pagando por
material supérfluo” (LEMOS, 2005).

Da mesma forma, a tecnologia da informação pode auxiliar na avaliação das
informações disponíveis. “A qualidade dos artigos mais antigos pode ser medida
pelo número de citações de autores (antes ou depois da publicação), por
avaliações feitas pelos leitores ou por uma comissão de especialistas”. (KING;
TENOPIR, 1998, p. 178).

Outros aspectos da produção de periódicos científicos dizem respeito aos custos
das assinaturas (que podem mudar com o advento de novas tecnologias). Lemos
(2005) ressalta que, entre 1986 e 2004, as 123 bibliotecas afiliadas à Association
of Research Libraries, dos EUA, elevaram em 63% os gastos com a compra de
livros e em 273%, com a aquisição de periódicos. Segundo o autor, em 2003 e
2004, aquelas bibliotecas investiram 5,5 milhões de dólares com a assinatura de
periódicos.

Do ponto de vista do trabalho dos bibliotecários e de suas organizações, o
surgimento de novas tecnologias da informação para acesso a artigos científicos
apresenta repercussão em diversos aspectos do trabalho. Entre as mudanças,
Lemos (2005) cita a economia de espaço nas bibliotecas, acessibilidade;
divulgação ilimitada; rapidez de publicação; qualidade garantida pelos pares;
extensão ilimitada (sem limites para o tamanho do artigo); ligação automática do
artigo à rede de seus antecessores ou correlatos (links); utilização de cores sem
qualquer limitação; uso de diferentes métodos de indexação; buscas fáceis;
utilização de multimídia; interatividade; remissivas para outros recursos
disponíveis na rede; e o aumento da utilização de material publicado
anteriormente e agora disponível on-line.
5

�A modificação do trabalho, por sua vez, exige novos conhecimentos e habilidades
por parte dos profissionais. “Será preciso desenvolver aptidão literária –
“ciberliteratura” –, envolvendo uma prática holística, entendendo como a
tecnologia eletrônica (e a não-eletrônica) gerencia a informação para seu uso
efetivo. As mudanças devem ser apreendidas e consolidadas [...]. Este boom da
informação eletrônica demanda profissionais aptos para o desenvolvimento de
serviços específicos de seleção, tratamento e recuperação da informação”.
(TOMAÉL et al. 2001, p. 2).

A enumeração de atributos positivos da comunicação digital do conhecimento
pode deixar transparecer que não existam problemas ou dificuldades a serem
superadas nesta nova modalidade de transmissão do conhecimento. No entanto,
como alerta Tomaél (2001, p. 3), “alguém que passe certo tempo surfando na
Web acaba por encontrar o bom, o mau e o feio, isto porque, devido à abertura do
sistema, qualquer pessoa pode colocar qualquer tipo de informação na Internet”.

Neste aspecto se considera o surgimento de mais um desafio ao profissional
bibliotecário. Identificar ou criar mecanismos, metodologias e conceitos que
ajudem o usuário a selecionar o essencial, o relevante e o necessário. O
profissional deve buscar a constante atualização e o aperfeiçoamento devido à
evolução tecnológica e mudanças no processo de gestão, das atividades e tarefas
de seu cotidiano.

A seguir, apresenta-se a descrição da Associação Catarinense de Medicina.

3 Associação Catarinense de Medicina e a Produção Técnico- Cientifica

Empenhados na "fundação de uma sociedade médica que zelasse pelos
interesses morais e materiais da classe e fosse um laço de união entre todos os
colegas que mourejam na clínica dentro do Estado de Santa Catarina", médicos
de Florianópolis reuniram-se no dia 27 de maio de 1934, numa assembléia
presidida. Daquele evento resultou a criação do Sindicato Médico de Santa
Catarina, cujo primeiro presidente foi Carmosino Camargo de Araújo, seguido de
6

�Carlos Corrêa. A entidade foi dissolvida em 1937, quando sob a presidência de
Djalma Moellmann, foi dissolvida, para a criação da Associação Catarinense de
Medicina, ato efetivado em Assembléia Geral de Médicos do Estado de Santa
Catarina, presidida pelo Dr. Artur Pereira e Oliveira, foi criada a Associação
Catarinense de Medicina. A instituição foi declarada de utilidade pública pela Lei
Estadual 1551 e pela Lei Municipal 862, é filiada à Associação Médica Brasileira
(AMB).

O aprimoramento científico, a educação médica e a disseminação das
informações científicas sempre estiveram entre os principais objetivos da
mobilização da classe médica catarinense. Tanto é que, em 1953, a Associação
Catarinense de Medicina promovia seu primeiro Congresso Médico, seguido de
outros eventos de caráter científico, tais como a Jornada Bienal (que contou com
a presença de Euryclides Zerbini, que em 1968 faria o primeiro transplante
cardíaco da América Latina), o Seminário de Pediatria, entre outros. Em 1956,
surgiu a Faculdade de Medicina de Santa Catarina, que na década de 1960 seria
um dos embriões da Universidade Federal de Santa Catarina. Em 1957, a ACM
promovia o segundo Congresso Médico, no qual lançou o primeiro número da
revista “Arquivos Catarinenses de Medicina”.

O expediente ainda informava que seriam aceitos trabalhos nacionais e
estrangeiros, de procedência idônea. Entretanto, a revista destacava que não
assumiria a responsabilidade pelos conceitos emitidos. “Os trabalhos enviados
para publicação devem ser escritos em linguagem clara, obedecendo às regras
gramaticais e a ortografia oficial. Devem ser datilografados em papel tipo ofício,
com espaços duplos e largas margens” (ACM, 1957, p. 2). A primeira edição leva
a assinatura de médicos como Antônio Moniz de Aragão (Presidente da ACM à
época), Arthur Pereira e Oliveira, Roldão Consoni, Isaac Lobato Filho, Renato
Câmara e João Araújo (integrantes da Comissão Científica da Associação).

O fato de sua sobrevivência há 49 anos é um grande feito para a revista Arquivos
Catarinense de Medicina. Estudo realizado por Poblacion e outros (1980), citado
por Stumpf, descobriu que dos 2.099 títulos editados entre 1827 e 1978, apenas
7

�136 sobreviveram. Embora outra pesquisa, desenvolvida por Costa (1989),
também referenciado por Stumpf (1997), tenha concluído que muitos desses
títulos não desapareceram, mas mudaram sua denominação, é notável a
dificuldade de manutenção de periódicos científicos. “O desaparecimento das
revistas se dá por uma seleção natural das melhores”, escreve Stumpf (1997),
citando conclusão de Lemos (1982) de que a tendência de proliferação de títulos
segue característica comum nos países subdesenvolvidos, nos quais se observa
uma elevada taxa de natalidade e altos índices de mortalidade.

Os autores supõem que entre os motivos das altas taxas de desaparecimento das
revistas, estejam a falta de infra-estrutura para captação de artigos originais que
correspondam ao perfil editorial das revistas; a evasão dos artigos melhores para
as revistas estrangeiras; os recursos escassos e dispersos para custear a
editoração e impressão; a formação deficiente do corpo editorial e amadorismo na
execução de tarefas; as dificuldades com a distribuição; a falta de padronização
que dificulta a indexação das revistas; e a baixa qualidade gráfica.

A revista Arquivos Catarinenses de Medicina está indexada na Base de Dados
LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), na BVS
(Biblioteca Virtual em Saúde) do Centro Latino-Americano e do Caribe de
Informação em Ciências da Saúde (BIREME), órgão vinculado à Organização
Pan-Americana da Saúde e à Organização Mundial da Saúde. Desde 19 de
outubro de 2005, a revista Arquivos Catarinenses de Medicina integra o Portal de
Revistas Científicas da BIREME e, desde 25 de maio de 2006, o Portal de
Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(CAPES).

Sempre primando pelo rigor na seleção dos artigos, pelo respeito às normas
técnicas às quais se submeteu e pela qualidade científica, a revista Arquivos
Catarinenses de Medicina passou, ao longo de sua história, por muitas
mudanças. O objetivo foi o da melhoria do padrão técnico e de acompanhar as
tecnologias que surgiram e as tendências do design gráfico. Contudo, a mais
significativa e profunda modificação pela qual a revista passou ocorreu em 2002,
8

�quando deixou de circular no formato impresso e passou a ser editada
exclusivamente

no

modelo

eletrônico,

depositada

na

rede

mundial

de

computadores. A publicação está disponível, gratuitamente, com os textos
integrais e acesso livre ao público na Internet, no sítio da ACM, acessado pelo
endereço www.acm.org.br.

A iniciativa da instituição em transformar a revista do formato impresso para o
eletrônico foi fundamentada na possibilidade de ampliar a visibilidade e
universalizar o acesso à informação cientifica. Em decorrência, a instituição
obteve uma significativa redução de custos operacionais, gráficos e de
distribuição. A decisão levou em conta a relação custo-benefício de se manter
uma revista impressa que, a despeito de um alto custo financeiro, tinha a
distribuição limitada na quantidade de exemplares e na área geográfica de
abrangência. Em suma, com a mudança, a revista Arquivos Catarinenses de
Medicina deixou de ter o foco regional e passou a ser nacional. As vantagens de
revistas somente em formato digital on-line são: a recuperação da informação
indexada, o acesso rápido e o fato de não ocupar espaço físico.

Na versão eletrônica busca-se a qualidade de conteúdo e a forma de
apresentação, utilizam-se os hiperlinks para assuntos correlatos. Além disso, o
armazenamento da revista possibilita a criação de arquivos particulares com as
mais diversas formas de indexação e formatos de busca.

O profissional bibliotecário da Associação Catarinense de Medicina atua na
coordenação técnica do Departamento Científico e exerce papel central na
produção da revista. É o Departamento Científico, no qual funciona a biblioteca,
responsável pela coordenação técnica e a intermediação de todas as atividades,
por meio da bibliotecária Dilva Páscoa De Marco Fazzioni. Todas as
transferências de arquivos são realizadas via e-mail. O fluxograma a seguir
sintetiza a tramitação dos artigos na execução da revista Arquivos Catarinenses
de Medicina.

9

�Figura 1 - Fluxograma da revista Arquivos Catarinenses de Medicina

10

�A partir do momento em que o autor submete o artigo para a publicação na revista
Arquivos Catarinenses de Medicina, inicia-se um minucioso processo de trabalho
até que a revista seja publicada na Internet. As primeiras ações consistem em
acusar o recebimento, armazenar e catalogar os arquivos. Em seguida os artigos
são repassados ao Conselho Editorial, composto por representantes das
especialidades médicas de Clínica Médica, Cirurgia, Pediatria e Ginecologia e
Obstetrícia e coordenado pelo Diretor de Publicações Científicas da entidade,
cargo atualmente ocupado pela doutora Rosemeri Maurici da Silva. O Conselho
faz uma primeira análise do artigo e indica o nomes dos dois Consultores
Convidados, que farão a Revisão por Pares (Peer Review), que é feita de forma
anônima. Os Consultores são convidados pela Diretoria da ACM, cujo mandato de
duração de três anos.

O Departamento Científico faz a redistribuição dos artigos aos Consultores
Indicados pelo Conselho Editorial. Por meio do Departamento Científico, as
avaliações retornam ao Conselho Editorial para a consolidação. Caso o artigo
seja rejeitado, o Departamento Científico comunica a decisão ao autor. Nos casos
de aprovação, em geral o artigo retorna ao autor para alguma revisão (adaptação,
correção e modificações).

Após a revisão dos autores, os artigos retornam ao Conselho Editorial, para a
verificação e aprovação final. O Departamento Científico faz então a revisão do
artigo sob a adequação às normas técnicas, no caso, as de Vancouver. A
adequação às normas é um dos serviços prestados pela bibliotecária do
Departamento Científico da ACM aos médicos.

Em seguida, os artigos são encaminhados à revisão gramatical e ortográfica dos
idiomas Português e Inglês e, após, ao bureau de editoração eletrônica. Embora a
revista não seja mais impressa, a editoração mantém a diagramação e o projeto
gráfico original, para facilitar a impressão on-line pelos usuários e manter a
imagem tradicional da revista. O bureau de editoração gera um arquivo em
Portable Document Format (PDF). O Departamento Científico ainda faz uma
11

�revisão do layout antes do envio ao Conselho Editorial para a aprovação
definitiva. Se não forem necessárias novas correções, o arquivo eletrônico é
encaminhado ao Departamento de Informática da ACM, que o publicará na
Internet. Depois, o trabalho da bibliotecária consiste em fazer a indexação da
revista na base LILACS. Portanto, a atuação do profissional bibliotecário consiste
em promover o gerenciamento e a mediação dos conteúdos digitais on-line: do
processo de produção; recebimento dos originais; e a posterior indexação.

O número de acessos (hits) de março a julho de 2006 apresenta significativo
crescimento no mês de junho, na ordem de 24,5% sobre a média de acessos
registradas em março, abril e maio do mesmo ano, e apresenta tendência de
continuar acima da mesma média em julho. É necessário realizar estudos ou
pesquisas sobre os motivos do crescimento, a satisfação do leitor para a melhoria
contínua. A hipótese mais provável é de que a variação esteja associada à
inclusão do periódico no Portal de Revistas da CAPES. Os gráficos a seguir
demonstram o total de consultas dos meses de março a julho de 2006.

Acessos (hits) à página principal da revista Arquivos Catarinense de
Medicina - www.acm.org.br/revista - de outubro de 2005 a julho de 2006
634
531
500

496

478

443

349

340
294

out/05

nov/05

dez/05

jan/06*

fev/06

mar/06

abr/06

mai/06

jun/06

jul/06**

Fonte: Departamento de Informática da ACM.
* janeiro de 2006: inferior a 284 acessos – não contabilizado.
** até 24/7/2006.

12

�Número de acessos ou buscas a todas as páginas de Revista Arquivos
Catarinenses de Medicina - de outubro de 2005 a julho de 2006.

2114

1522

1545

1591

1546

1291
1011

1027

996
780

out/05

nov/05

dez/05

jan/06

fev/06

mar/06

abr/06

mai/06

jun/06

jul/06**

Fonte: Departamento de Informática da ACM.
* até 24/7/2006.

3 Conclusões

Com a inovação de novas tecnologias da informação e comunicação o
profissional da informação bibliotecário gerencia todo o processo de produção da
revista Arquivos Catarinenses de Medicina, do recebimento dos artigos à
publicação na Internet e posterior indexação.

A publicação da revista Arquivos Catarinenses de Medicina cumpre mais uma das
missões da ACM que é a valorização da produção científica de seus associados e
autores interessados em difundir seus conhecimentos.

Transformada do formato impresso para o digital, a revista obteve maior
amplitude, agilidade na recuperação da informação, disponibilidade on-line e a
redução de custos operacionais. Desta forma, a revista cumpre com maior
eficácia um de seus principais objetivos, que é o incentivo à produção e
visibilidade científica na área médica.

13

�Agradecimento

Agradecimento a Hudson Silva, Bacharel em Ciências da Computação, da
Associação Catarinense de Medicina, pela colaboração com os dados estatísticos
referente aos acessos na revista Arquivos Catarinenses de Medicina.

Referências

ASSOCIAÇÃO CATARINENSE DE MEDICINA. Arquivos Catarinenses de
Medicina. V. 1, N. 1. 1957. p. 2.
ASSOCIAÇÃO CATARINENSE DE MEDICINA. Resumo Histórico. Florianópolis,
2006. Disponível em:
&lt;http://www.acm.org.br/principal/index.php?Pagina=../sua_acm/historico.php&gt;.
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LEITE, Fernando César Lima. Gestão do conhecimento científico no contexto
acadêmico: proposta de um modelo conceitual. Disponível em
&lt;http://eprints.rclis.org/archive/00006259/01/Gest%C3%A3o_do_conhecimento_ci
ent%C3%ADfico_no_contexto_acad%C3%AAmico_-_Fernando_2006.pdf&gt;.
Acesso em 28 jul. 2006.
LEMOS, A. A. B. As revistas brasileiras no setor de saúde. Comunicação e
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LEMOS, Antonio Briquet. Periódicos eletrônicos: problema ou solução. (Palestra
pronunciada no X Encontro Nacional de Editores Científicos, São Pedro, SP, em
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&lt;http://www.briquetdelemos.com.br/briquet/briquet_lemos7.htm &gt;. Acesso em 28
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LEVY, P. Um sistema auto-regulador. Folha de São Paulo, São Paulo, 12 abr.
1998. Caderno Mais, p. 3.
14

�LYMAN, Peter; VARIAN, Hal R. How much information? Executive summary.
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STUMPF, I.R.C. O Uso da Internet na Internet na Pesquisa Universitária: o caso
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TOMAÉL, M. I, et al. Avaliação de fontes de informação na Internet; critérios de
qualidade. Informação &amp; Sociedade; estudos, João Pessoa, v. 11, n. 2, p. 1335, 2001.
CATARINENSES MEDICINE ARCHIVES AND THE MANAGEMENT OF FREE
ACCESS CONTENTS OF SCIENTIFIC INFORMATION
Abstract
The information in medical area consists knowing how to locate immediately,
access and use current and relevant documents for medical community, either
scientific or technical. This article presents aspects for digital contents
management

of

the

journal

‘Arquivos

Catarinenses

de

Medicina’

-

http://www.acm.org.br/revista/, first published in printed version in 1957, had is
electronic on-line version published in March of 2004 and is now available in
Associação Catarinense de Medicina - ACM (Catarinense Medical Association)
homepage. The recovery of the information occurs through Internet, indexation in
the Database LILACS since 1983, available in the Site of Scientific Magazines of
Bireme and also in the Site of Periodic of Capes. Due to the innovation of
technologies for information and communication the Information librarian
professional manages the process for electronic edit. He presents the advantages
of the free access: agility in the recovery of the information, availability on-line,
reduction of operational costs and incentive to scientific production in medical
area.

Keywords: Catarinenses Archives of Medicine; Open archives - Medicine;
Librarian - management of digital contents; Electronic publications.

15

�</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Arquivos Catarinense de Medicina e a gestão de conteúdos de acesso livre da informação científica.</text>
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                <text>Fazzioni, Dilva Páscoa De Marco; Blattmann, Ursula; Silva, Rosemeri Maurici da</text>
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                <text>A informação na área médica consiste em saber localizar imediatamente, acessar e usar documentos técnicos e científicos atuais e relevantes para a comunidade médica. Este artigo apresenta aspectos da gestão de conteúdos digitais da revista Arquivos Catarinenses de Medicina – http://www.acm.org.br/revista/, publicada na versão impressa a partir de 1957, passou em março de 2002 para a edição eletrônica on-line, disponível na home-page da Associação Catarinense de Medicina – ACM. A recuperação da informação ocorre pela Internet, via indexação na Base de Dados LILACS desde 1983, disponibilizada no Portal de Revistas Científicas da Bireme e também no Portal de Periódicos da Capes. O bibliotecário gerencia todo o processo de editoração eletrônica da publicação. Apresenta as vantagens do livre acesso: agilidade na recuperação da informação, disponibilidade on-line, redução de custos operacionais e incentivo a produção científica na área médica.</text>
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                    <text>1

AS BIBLIOTECAS DOS CENTROS FEDERAIS DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA
DO BRASIL E A POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO E GESTÃO DOS OPEN
ARCHIVES E REPOSITÓRIOS INSTITUCIONAIS.
Andréa Pereira dos Santos
Bibliotecária  Pós-Graduanda em Docência Universitária,
Coordenadora da Biblioteca CEFET-GO1, Professora Substituta do
Curso de Biblioteconomia  UFG andreaps@cefetgo.br.
Wilma Joaquim Silva
Bibliotecária - Pós-Graduanda em Educação Infantil - Coordenadora
da Biblioteca CEFET-GO UNED2-Jataí , wjs@cefetgo.br.
Suely Gomes
Doutora em Ciência da Informação, Professora adjunta do Curso de
Biblioteconomia - UFG3, suelyhenriquegomes@gmail.com

A comunicação científica entre pesquisadores foi facilitada através das conexões via
Internet. A pesquisa que antes precisava percorrer um longo caminho até ser disponibilizada
a outros pesquisadores, hoje pode ser acessada quase instantaneamente na rede mundial
de computadores por meio da Internet. Por um lado essa rapidez contribui para o acelerado
processo de produção do conhecimento; por outro, preocupa profissionais da informação
que, além da política de desenvolvimento de acervo impresso, precisam criar políticas para
gestão dos open archives e dos repositórios institucionais. O presente estudo teve como
objetivo principal identificar as iniciativas das bibliotecas dos Centros Federais de Educação
Tecnológica do Brasil em relação aos open archives e repositórios institucionais,
principalmente no que se refere a clareza na definição de Políticas de Desenvolvimento e
Gestão das informações disponibilizadas nestes arquivos. Como objetivos específicos,
busca-se saber também que tipo de arquivos são armazenados e disponibilizados, diretrizes
para exclusão de arquivos, aspectos relacionados à segurança contra alterações não
autorizadas. Ao final é apresentada uma proposta de política de gestão e desenvolvimento
dessas informações que poderá ser adotada às bibliotecas dos Centros Federais de
Educação Tecnológica.
Palavras-chave: CEFETs  Acesso à Informação; Open Archives - CEFETs; Repositórios
Institucionais  CEFEts

INTRODUÇÃO
A preocupação com o controle bibliográfico sempre foi um desafio para os
profissionais da informação desde antes mesmo do surgimento da imprensa. E se
antes era difícil ter esse controle, hoje com o advento da Internet, é quase
impossível controlar, organizar e disseminar a informação disponível na rede. Os
1

Centro Federal de Educação Tecnológica de Goiás  Rua 75 nº 46 Setor Central  Goiânia Goiás  CEP
74055-110  Brasil  www.cefetgo.br.
2
Centro Federal de Educação Tecnológica de Goiás Unidade Jataí  Rua Riachuelo nº 2090 Setor Samuel
Graham  CEP 75800-000 Jataí Goiás  Brasil  www.jatai.cefetgo.br.
3
Universidade Federal de Goiás  Campus II Samambaia Caixa Postal 131 CEP 74001-970 Goiânia Goiás 
Brasil  www.ufg.br.

�2

sites de busca da Internet tentam disponibilizar todo o tipo de informação produzida
no mundo. Porém, sabemos que muitas dessas informações não são confiáveis
por conta da sua origem duvidosa, pela falta de critérios no armazenamento. Nesse
sentido, as informações disponibilizadas por instituições já consolidadas e
credenciadas ganham mais credibilidade.
As instituições de ensino superior, em especial os CEFETs, objeto de nosso estudo,
hoje têm a preocupação de organizar virtualmente as informações produzidas pelos
pesquisadores de suas instituições. Porém são necessários critérios para nortear o
desenvolvimento de acervos para os repositórios institucionais de modo que as
informações disponibilizadas sejam confiáveis e de qualidade.
Pensando nisso, aplicamos um questionário a 26 bibliotecários dos CEFETs de
modo a diagnosticarmos existência de iniciativas para criação de repositórios e caso
positivo se as informações/estudos que suas instituições estão disponibilizando nos
sites passam por algum critério.
OS CENTROS FEDERAIS DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA
Segundo a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica  SETEC (2006),
A rede federal de educação tecnológica tem suas origens no início
do século passado, no ano de 1909, quando foram criadas 19
Escolas de Aprendizes Artífices, uma em cada estado da União, por
meio do Decreto n.º 7.566, pelo então presidente Nilo Peçanha.
Essas escolas foram, ao longo do tempo, destacando-se no
contexto educacional brasileiro por oferecerem formação geral e
específica de alta qualidade, sendo consideradas "ilhas de
excelência", especialmente nas regiões menos desenvolvidas do
país.

Essas escolas, desde o início, tinham como objetivo formar mão de obra rápida e
qualificada para atender a demanda necessária no desenvolvimento do país. Com o
passar dos anos, as escolas de Aprendizes Artífices, passaram a oferecer o ensino
técnico a nível de segundo grau em diversas áreas. Porém, a

Lei nº 9.394/96,

também chamada de Lei de Diretrizes e Bases da Educação ou simplesmente LDB,
estabeleceu novas diretrizes para o ensino brasileiro. Abrangendo todos os aspectos
do

ensino

formal

a

LDB

trata,

dentre

outras

modalidades,

do

ensino

profissionalizante. Este, por sua vez, foi regulamentado de forma detalhada pelo
Decreto nº 2.208/97.

�3

Paralelamente as essas mudanças, as Escolas Técnicas Federais tiveram seu perfil
alterado para acomodar todos os níveis de educação profissional preconizados.
Dessa forma elas foram transformadas em Centros Federais de Educação
Tecnológica ou, simplesmente, CEFET. Essas instituições existiam antes da atual
reforma do ensino e mostravam, já, a eficiência do modelo.
Os CEFETs hoje oferecem cursos de nível médio (ensino médio, antigo segundo
grau), cursos Técnicos ou pós médio; Tecnológicos (superiores) e alguns já
oferecem cursos de pós graduação Lato Sensu e Stricto Sensu. No quadro abaixo
são relacionados o quantitativo de Instituições que fazem parte das chamadas
Instituições Federais de Ensino Tecnolóigco  IFETs. Mas vale lembrar que nosso
estudo abrange somente os CEFETs.

Instituições Federais de Educação Tecnológica
Centros Federais de Educação Tecnológica
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Escolas Agrotécnicas Federais
Escolas Técnicas Vinculadas ás Universidades
Escola Técnica Federal
Total

Mantenedoras UNED Total
32
01
36
31
01
101

37
6
43

69
07
36
31
01
144

Fonte: SETEC 2006.

REPOSITÓRIOS INSTITUCIONAIS
O acelerado processo de produção do conhecimento vem contribuindo para o pleno
desenvolvimento científico e tecnológico de bens e serviços produzidos no Brasil. E
para que haja uma comunicação mais rápida entre estudos realizados e publicação,
as instituições vêm disponibilizando de forma quase instantânea os estudos
desenvolvidos pelos pesquisadores por meio dos repositórios institucionais.
Para Leite (2006)
A disseminação da informação e do conhecimento em uma
comunidade científica depende da rede de comunicação que nela se
estabelece, ou seja, como se organizam os seus fluxos de
informação e do conhecimento. Muitas comunidades possuem
sociedades científicas cuja função é facilitar a comunicação entre
seus participantes, promovendo a disseminação do conhecimento
científico e do intercâmbio de informações sobre trabalhos e

�4

pesquisas em andamento ou concluídos. A interação entre os
integrantes dessas sociedades favorece a construção do
conhecimento científico.

Tal interação favorece principalmente aquelas áreas em que as mudanças ocorrem
de maneira muito rápidas. No caso dos CEFETs, que formam profissionais para
atuarem em áreas específicas do conhecimento como por exemplo um químico
industrial, essa rápida interação é necessária para que este profissional tenha uma
formação atualizada.
Os repositórios institucionais disponibilizam tanto informações publicadas por
editoras, da instituição, já consolidadas como também informações tais como
relatórios técnicos e estudos produzidos pelas instituições sem intermediação por
terceiros. No caso de informações já publicadas por editoras consolidadas o critério
de inclusão leva em conta a pertinência do assunto da publicação, o custo e a
temporalidade daquele acesso. Já outras publicações técnicas das instituições têm
ou teriam que possuir critérios para sua incorporação ou não nos repositórios.
Um dos principais critérios a serem levados em consideração é a pré avaliação entre
os pares. Essa avaliação pode ser feita tanto antes da informação ser divulgada no
site da instituição como depois de ser divulgada por meio dos open archives. Sendo
ela feita depois, esta deve permitir que os pares avaliem e comentem sobre o
estudo.
Sendo assim, Leite (2006) estabelece algumas características a serem consideradas
em favor dos open archives:
1. processo automático de comentários; 2. geração de versões de
um mesmo documento: uma vez que o documento seja comentado,
o autor pode gerar novas versões do mesmo, atualizando a
informação; 3. heterogeneidade dos formatos contemplados no
sistema: inicialmente concebido para servir à divulgação de préprints, os arquivos de acesso aberto ampliaram sua tipologia de
documentos que podem ser arquivados; 4. auto arquivamento, que
devolve o direito ao autor de enviar seu texto para publicação onde
este decidir e sem intermediação de terceiros: os documentos
eletrônicos são inteiramente gerenciados pelos cientistas e são
suficientemente flexíveis tanto para coexistir com os sistemas de
publicação tradicional como para auxiliar os editores a se
envolverem com algo mais próximo das necessidades dos
pesquisadores; e 5. interoperabilidade no funcionamento dos
arquivos de acesso aberto: os arquivos/repositórios de acesso
aberto envolvem um conjunto mínimo de metadados, um tipo de

�5

arquitetura subjacente ao sistema, com abertura para a criação de
serviços de bibliotecas digitais compartilhados e medidas de uso e
de citação.

Essas características contribuem para a plena divulgação do conhecimento. E
também permite que os estudos sejam avaliados por um grande número de
pesquisados não se restringindo apenas a comissões editoriais pré definidas. Como
disse Sena (2000) os pares tornam-se seus próprios editores.
A divulgação das informações produzidas pela instituição nos repositórios além de
ter baixo custo, pois dispensa serviços gráficos e outros, contribui para que a
biblioteca otimize seu espaço físico. Isso porque sabemos que, principalmente
periódicos e trabalhos acadêmicos, fazem o acervo crescer e comprometer o espaço
físico.
Outro aspecto a ser considerado é o custo da informação para o pesquisador final.
As publicações em revistas técnico-científicas têm alto custo, porém as informações
disponibilizadas nos repositórios têm custo quase zero e é aberto a todos
pesquisadores interessados. Dessa forma, contribui-se para a democratização do
conhecimento.
METODOLOGIA
Foram enviados, por email, 38 questionários para bibliotecários de CEFETs sobre
os repositórios de suas instituições (conforme anexo). Entretanto só obtivemos
resposta de 3. No entanto entendemos que a justificativa para pouca resposta se
deu pelo fato de, na época do envio dos questionários, muitas instituições federais
de ensino estarem em greve.
Porém, aproveitando o II Encontro Nacional de Bibliotecas de CEFETs ocorrido em
julho do corrente ano no CEFET Ouro Preto - MG, aplicamos mais 30 questionários
para os bibliotecários presentes.
No total foram respondidos 26 questionários. No entanto ressaltamos que esse
número poderia ser maior se todos os CEFETs possuíssem em seu quadro de
servidores bibliotecários, pois, há alguns que não possuem.

�6

Além do questionário aplicado, foram colocadas algumas ponderações. Estas
ponderações foram obtidas por meio de conversas informais durante o II Encontro
Nacional de Bibliotecas de CEFETs.
Uma outra metodologia utilizada foi visitar as páginas principais dos 32 CEFETs,
para averiguar a existência ou não de informações científicas disponibilizadas. As
informações científicas que buscamos averiguar foram existência de teses,
dissertações, artigos e relatórios técnicos.
RESULTADO DO QUESTIONÁRIO APLICADO AOS CEFETs.
Marcondes (2002), salienta que no ciclo de comunicação científica, as bibliotecas
têm um papel fundamental. A elas cabem, neste ciclo, os papeis de coleta, registro,
estocagem e disseminação de informações.

Sendo assim, com esse novo

paradigma do ciclo da informação, as bibliotecas devem acompanhar e estabelecer
critérios para a disseminação das informações agora disponíveis virtualmente. Com
a publicação das pesquisas, relatórios e estudos da própria instituição, a biblioteca
acaba operando como editora da informação produzida. Por isso há a preocupação
tanto com a qualidade como para o processamento dessa informação para posterior
recuperação.
Não conseguimos a aplicar o questionário a todas bibliotecas de CEFETs, por
problemas de comunicação e tempo para a pesquisa. Responderam o questionário
26 bibliotecários, todos eles servidores dos CEFETs sedes ou unidades. O objetivo
deste questionário foi identificar iniciativas das bibliotecas dos CEFETs para
estabelecimento de diretrizes para open archives dentro dos repositórios de suas
instituições e saber se os bibliotecários já tiveram a oportunidade de conhecer outras
iniciativas.
O resultado do questionário aplicado aos bibliotecários dos CEFETs, mostra que a
maioria 61,50% ainda não tiveram oportunidade de conhecer estudos sobre as
iniciativas com relação as publicações institucionais disponibilizadas por meio dos
repositórios virtuais e 76,9% responderam não possuir ainda iniciativas para
disponibilização das informações produzidas por suas instituições.
A seguir o quadro com o resultado do questionário.
Sim

Não

Desconheço

�7

Você conhece algum repositório institucional

10

16

As informações científicas produzidas por sua instituição
estão disponibilizadas no site

06

20

Se não, há alguma iniciativa para disponibilização dessas
informações em repositórios

06

07

Com relação às informações científicas disponibilizadas pelo
site, há critérios de inclusão e exclusão

Que tipo de informação é disponibilizada

12

01

TCC

DS

TS

AR

OU.

X

X

X

X

X

Tcc (trabalho de conclusão de curso); DS (dissertação); TS (tese); AR (artigo científico); OU (outros)

Sim
Você tem ou teve acesso a algum documento de política
de desenvolvimento de acervo para informações
disponibilizadas na Internet?

Não

Gostaria de ter
26

Na primeira questão perguntamos ao questionado se ele conhecia algum repositório
institucional e caso a resposta fosse positiva pedimos que citasse alguns. Dos
entrevistados somente 10 disseram conhecer algum repositório institucional e estes
citaram algumas universidades e um bibliotecário citou o IRC  Information Resource
Center.
A questão de número dois perguntava sobre se as informações científicas
produzidas pela instituição eram disponibilizadas no site, e caso positivo que tipo de
materiais e a partir de quando. Seis responderam positivamente sobre a
disponibilização de informações científicas. Sobre o tipo de material responderam
que há relatórios, revistas científicas, Teses/Dissertações e TCCs (Trabalhos de
Conclusão de Curso). Quando ao período, percebemos que todos começaram após
o ano 2000.
Questionamos também para aqueles que ainda não disponibilizam informações, se
há alguma iniciativa e quais atores envolvidos. Apenas seis disseram que há
iniciativas e nas respostas sobre os atores envolvidos citou-se a participação do
pessoal da informática, diretor geral, biblioteca e professores. Ainda com relação a

�8

esta questão, doze disseram desconhecer tal iniciativa. E sete afirmaram não haver
no presente momento alguma iniciativa.
Na questão sobre se há critérios de inclusão e exclusão das informações
disponibilizadas pelo site, apenas um respondeu que estão sendo criados critérios,
mas não citou que tipo de critério. Um bibliotecário afirmou não haver critérios e o
restante respondeu desconhecer ou deixou a questão em branco.
E por último perguntamos se alguém teve ou tem acesso a algum documento de
política de desenvolvimento de acervo para informações disponibilizadas na Internet.
Todos responderam nunca ter tido acesso, mas gostariam de ter.
Por fim, visitamos as páginas principais de Internet dos 32 CEFETs. Nesta visita
constatamos que 23 delas realmente não possuem informações científicas
publicadas. Apenas 9 possuíam informações como teses, dissertações, alguns
relatórios técnicos, artigos e TCCs (Trabalhos de Conclusão de Curso).
O resultado do questionário mostra que a maioria dos bibliotecários dos CEFETs,
infelizmente ainda não tiveram a oportunidade de conhecer iniciativas para
disponibilização de open archives em repositórios de suas instituições. No entanto,
isso se justifica pelo fato de que faz pouco tempo que a maioria dos CEFETs se
transformou em instituições de ensino superior.
Um outro fato a ser esclarecido é que há CEFETs que ainda não possuem em seu
quadro de servidores profissionais bibliotecários.
Outro fato importante é que muitos CEFETs estão em pleno desenvolvimento de
seus acervos físicos e estruturando serviços especializados para atender ao público
de ensino superior e pesquisa.
Acreditamos que o questionário aplicado aos bibliotecários instigou a curiosidade e a
preocupação com relação aos repositórios das suas instituições. E se ainda não
havia alguma iniciativa com relação a esse assunto, pelo menos eles passaram a
refletir e pensar em alternativas.
SUGESTÕES

PARA

UMA

POLÍTICA

REPOSITÓRIOS INSTITUCIONAIS

DE

DESENVOLVIMENTO

DOS

�9

Além de um bom programa para armazenamento e posterior recuperação das
informações geradas pela instituição, deve-se atentar para o fato de que as
informações constantes necessitam, assim como o acervo impresso, de critérios de
aquisição, seleção e gestão.
As

revistas

científicas

produzidas

institucionalmente

e

disponibilizadas,

teoricamente, já passaram por avaliação do corpo editorial. Porém, é necessário que
se reflita sobre o tempo que os artigos ou fascículos permanecerão no site.
Com relação aos trabalhos acadêmicos, deve-se fazer a mesma reflexão. Talvez
seja importante a criação de critérios diferentes para trabalhos ao nível de
graduação para com aqueles de nível de pós-graduação.
Há de se pensar em uma política que aborde os objetivos da instituição
mantenedora e a relação desses objetivos com as informações a serem
disponibilizadas. Para avaliação das informações a instituição deve nomear uma
comissão

de

especialistas

que trabalharão

junto

com o

bibliotecário no

estabelecimento de critérios de inclusão e exclusão.
Estabelecer critérios de exclusão não é trabalho fácil. Os pesquisadores
especializados em cada área é que devem avaliar se determinada informação pode
ser um dia excluída ou remanejada para um acervo histórico virtual.
Entretanto haverá informações que sempre estarão em desenvolvimento pois,
conforme assinala Viana (2000) a capacidade de contar com um espaço, onde
possa ser depositada a produção científica de uma instituição, propicia o ambiente
necessário para discussão entre os pares (...) propiciando revisão constante das
versões de um documento.
Há grandes discussões acerca da preservação do documento digital. Principalmente
no que diz respeito a desatualização de software e hardware. Arrellano (2004),
propõem que devem ser usados padrões e converterem-se os documentos nos
formatos livres, para que eles sejam acessados após a obsolescência dos
equipamentos e programas informáticos em que foram criados.
São levantadas também algumas estratégias para preservação a longo prazo de
informações digitais. Beagrie &amp; Greenstein citados por Arellano (2004) chamam a

�10

atenção para algumas precauções a ser tomadas para reduzir o perigo da perda dos
materiais digitais:
•
•
•
•

•

Armazenar em ambiente estável e controlável
Implementar ciclos de atualização para cópia em nova mídia
Fazer cópias de preservação
Implementar procedimentos apropriados de manuseio
Transferir para uma mídia de armazenamento padrão.

Outra técnica levantada por Arellano (2004) é a emulação. Ela permite preservar o
dado em seu formato original que poderia imitar o comportamento de uma
plataforma de hardware obsoleta e emular o sistema operacional relevante.
Para o documento disponibilizado em repositórios institucionais em formato de open
archives, há de se pensar em estabelecimento de segurança para alterações não
autorizadas. Como sabemos, é muito difícil sentir-se seguro no que diz respeito a
informações disponíveis na Internet. Há vírus, rackers, e tudo mais que surge para
coletar ou alterar criminalmente alguma informação disponibilizada na rede.
Porém cabe estudar e viabilizar sistemas que sejam seguros e sempre que possível
trocar os sistemas desatualizados por outros mais atualizados.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Alguns assuntos relevantes infelizmente não puderam ser analisados com
profundidade nesse estudo, tanto por falta de maior tempo para a pesquisa como
também por falta de comunicação entre pesquisador e pesquisado.
Porém, nosso intuito foi o de instigar nos bibliotecários dos CEFETs a preocupação
em relação aos repositórios institucionais. E também levantar uma maior discussão a
partir das sugestões de políticas mencionadas, para podermos em conjunto
estabelecer regras para padronização das informações disponibilizadas pelos
repositórios institucionais.
Com o desenvolvimento de repositórios institucionais, as informações científicas
publicadas pelos CEFETs e disponibilizadas entre eles através da Internet
contribuirão ativamente para o fortalecimento dessas instituições e compartilhamento
de idéias, haja visto da familiaridade dos cursos e conseqüentemente dos assuntos.

�11

Por fim, convido todos os bibliotecários dos CEFETs no sentido de pensarmos em
políticas de gestão de acervos digitais e na possibilidade de compartilhamento
dessas informações.

THE LIBRARIES OF THE FEDERAL CENTERS OF TECHNOLOGICAL EDUCATION OF BRAZIL AND THE POLITICS OF DEVELOPMENT AND INSTITUCIONAL
MANAGEMENT OF OPEN ARCHIVES AND REPOSITORIES.

The scientific communication between researchers was facilitated through the connections
on InterNet. The research before retard so much until being available to other researchers,
today can be had access almost immediate in the world wide web. So, this rapidity contributes for the sped up process of production of the knowledge; but, it worries professionals of
the information because, they need to create politics for management of open archives and
institucional repositories. The objective of this study is identify librarian initiatives to create
politics for management of open archives in Federal Centers of Technological Education of
Brazil, mainly as for clarity in the definition of Politics of Development and Management of
the information available in these archives. As objective specific, search to know type of archives is stored and available, rules for exclusion of archives, aspects related to the security
against not authorized alterations. At last we presented a proposal of management politics
and development of these information that could be adopted to the libraries of the Federal
Centers of Technological Education.

Key words: CEFETs  Information access; Open Archives - CEFETs; Institutional Repositories  CEFETs

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARELLANO, Miguel Angel. Preservação de documentos digitais. Ciência da
Informação, Brasília, v. 33, n. 02, p. 15-27, maio/ago. 2004.
LEITE, Fernando César Lima; MÁRDERO ARELLANO, Miguel Angel; MORENO,
Fernanda Passini. Acesso livre a publicações e repositórios digitais em ciência da
informação no Brasil. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 11,
n. 01, p. 8294, jan./abr. 2006.
MARCONDES, Carlos Henrique; SAYÃO, Luis Fernando. Documentos digitais e
novas formas de cooperação entre sistemas de informação em C&amp;T. Ciência da
Informação, Brasília, v. 31, n. 03, p. 42-54, set./dez. 2002.
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA. Instituições
Federais De Educação Tecnológica  IFET. Disponível em :

�12

&lt;http://portal.mec.gov.br/setec/index.php?option=content&amp;task=view&amp;id=116&amp;Itemid
=233&gt;. Acesso em 22 de julho de 2006.
SENA, Nathália Kneipp. Open archives: caminho alternativo para a comunicação
científica. Ciência da Informação, Brasília, v. 29, n. 03, p. 71-78, set./dez. 2000.
VIANA, C. L. M; MÁDERO ARELLANO, M. A.; SHINTAKU, M. Repositórios
institucionais em ciência e tecnologia: uma experiência de customização do
DSPACE. Disponível em: &lt;http://bibliotecas-cruesp.usp.br/3sibd/docs/viana358.pdf&gt;.
Acesso em 22 de julho de 2006.

�13

ANEXO

QUESTIONÁRIO - Os arquivos abertos open archives são disponibilizados na Internet
através de repositórios com o objetivo de facilitar, democratizar e prover acesso a diversas
informações científicas produzidas por uma determinada instituição. Com base nesta
afirmação, gostaríamos que sua instituição respondesse ao seguinte questionário:
1. Você sabe o que são repositórios institucionais? ( ) sim

( ) não

2. As informações científicas produzidas por sua instituição estão disponibilizadas no site da
instituição? ( ) sim ( ) não ( ) de determinado período. Qual? _________________
3. Se não, há alguma iniciativa para disponibilização dessas informações em repositórios?
( ) sim

(

) não

(

) desconheço

4. Se sim, existe uma equipe estruturada para pensar na questão? ( ) sim

(

) não

( ) desconheço
5. Se sim, quais profissionais fazem parte da equipe?
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
6. Com relação as informações científicas disponibilizadas pelo site, há critérios de inclusão
e exclusão? ( ) sim

(

) não há critérios ( ) desconheço

Se sim, quais são esses critérios?
__________________________________________________________________________
7. As informações são avaliadas pelos pares? ( ) sim

(

) não

�14

8. Que tipo de informação é disponibilizada?
( ) TCC  Trabalho de Conclusão de Curso ( ) Dissertações ( ) Teses ( ) Artigos
Científicos ( ) outros. Especifique:________________________________________________

9. Você tem ou teve acesso a algum documento de política de desenvolvimento de acervo
para informações disponibilizadas na Internet? ( ) sim

( ) não ( ) não e gostaria de ter.

�</text>
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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              <name>Creator</name>
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                  <text>Português</text>
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              <name>Type</name>
              <description>The nature or genre of the resource</description>
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              <name>Coverage</name>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>As bibliotecas dos Centros Federais de Educação Tecnológica do Brasil e a política de desenvolvimento e gestão dos open archives e repositórios institucionais.</text>
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                <text>Santos, Andréa Pereira dos; Silva, Wilma Joaquim; Gomes, Suely</text>
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                <text>A comunicação científica entre pesquisadores foi facilitada através das conexões via Internet. A pesquisa que antes precisava percorrer um longo caminho até ser disponibilizada a outros pesquisadores, hoje pode ser acessada quase instantaneamente na rede mundial de computadores por meio da Internet. Por um lado essa rapidez contribui para o acelerado processo de produção do conhecimento; por outro, preocupa profissionais da informação que, além da política de desenvolvimento de acervo impresso, precisam criar políticas para gestão dos open archives e dos repositórios institucionais. O presente estudo teve como objetivo principal identificar as iniciativas das bibliotecas dos Centros Federais de Educação Tecnológica do Brasil em relação aos open archives e repositórios institucionais, principalmente no que se refere a clareza na definição de Políticas de Desenvolvimento e Gestão das informações disponibilizadas nestes arquivos. Como objetivos específicos, busca-se saber também que tipo de arquivos são armazenados e disponibilizados, diretrizes para exclusão de arquivos, aspectos relacionados à segurança contra alterações não autorizadas. Ao final é apresentada uma proposta de política de gestão e desenvolvimento dessas informações que poderá ser adotada às bibliotecas dos Centros Federais de Educação Tecnológica.</text>
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                    <text>AS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS E A MEDIAÇÃO DA INFORMAÇÃO NA
COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA
Marili Isensee Lopes1
Mestre em Ciência da Informação,
Bibliotecária da BU/UFSC,
Campus Universitário, Trindade,
Fpolis, SC, Brasil, marili@bu.ufsc.br.
Edna Lúcia da Silva2
Doutora em Ciência da Informação,
Professora do PGCIN/UFSC, Campus
Universitário, Trindade, Fpolis, SC,
Brasil, edna@cin.ufsc.br.
RESUMO
Diminuindo as distâncias e permitindo o transporte de informações de uma maneira
instantânea, a Internet reconfigurou a noção de espaço geográfico, criando um novo
espaço, que supera as fronteiras do mundo físico. Assim, a Internet libertou os
usuários da dependência de intermediários, eliminando barreiras e proporcionando
oportunidades para o acesso direto aos produtos de informação em qualquer hora
ou local e de forma independente. Esse fenômeno gerado pela autonomia dos
usuários na busca de informação tem sido rotulado de desintermediação da
informação.

Sendo

assim,

com

o

avanço

e

a

incorporação

das

TICs,

especificamente da Internet, nas atividades das unidades de informação ocorreu um
deslocamento de objetivos dessas instituições, pois passaram a visualizar a sua
atuação e o fluxo de suas atividades através de um novo paradigma, o paradigma de
acesso à informação, em substituição ao paradigma de posse da informação. Neste
sentido, este trabalho pretende discutir as mudanças proporcionadas pelas TICs nas
atividades exercidas pelos bibliotecários, especificamente no processo de busca da
informação, bem como no papel da biblioteca como mediadora da informação em
função do uso das redes eletrônicas nas comunidades científicas.

Palavras-chave: Desintermediação da informação. Bibliotecas universitárias.
Internet. Busca da informação. Comunicação cientifica.

1
2

Mestre em Ciência da Informação, Bibliotecária da BU/UFSC, Brasil, marili@bu.ufsc.br.
Doutora em Ciência da Informação, Professora do PGCIN/UFSC, edna@cin.ufsc.br.

�2

1 INTRODUÇÃO

Ao final do século XX, o mundo ingressou numa era que, baseada nas tecnologias
da informação e comunicação (TICs), passou e vem passando por transformações,
as quais têm provocado profundas mudanças em todos os setores da sociedade.
Essa nova era tem sido denominada de muitas formas, como por exemplo,
sociedade pós-industrial (BELL, 1977), sociedade pós-moderna (LYOTARD, 1990),
sociedade pós-capitalista (DRUCKER, 1994), sociedade em rede (CASTELLS,
1999) e sociedade da informação (MATTELART, 2002).

Embora não exista consenso na denominação desta nova sociedade, existe
consenso quanto ao papel desempenhado pelas TICs. Todos os autores são
unânimes em ressaltar o papel transformador das tecnologias na reorganização das
noções de tempo e espaço: a simultaneidade expandiu o espaço e lhe deu uma
dimensão global.

Segundo Castells (1999, p.49) “estamos vivendo mais um dos intervalos da história,
onde a característica principal é a transformação da nossa cultura material pelos
mecanismos de um novo paradigma tecnológico que se organiza em torno da
tecnologia da informação”. As características da sociedade em rede não são
essencialmente o conhecimento e a informação, pois estas já fizeram parte de
outras histórias, mas sim as tecnologias de informação e comunicação.

Assmann (2000, p.9), constatou a importância desse papel e destacou que as novas
tecnologias de informação e comunicação diferem das tecnologias tradicionais, pois
enquanto que estas serviam para ampliar os sentidos (braços, visão, movimento),
as novas tecnologias ampliam o potencial cognitivo do ser
humano (seu cérebro/mente) e possibilitam mixagens
cognitivas complexas e cooperativas. Uma quantidade imensa
de insumos informativos está à disposição nas redes (entre as
quais ainda sobressai a Internet). Um grande número de
agentes cognitivos humanos pode interligar-se em um mesmo
processo de construção de conhecimentos. E os próprios
sistemas interagentes artificiais se transformaram em máquinas
cooperativas, com as quais podemos estabelecer parcerias na
pesquisa e no aviamento de experiências de aprendizagem.

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Neste sentido, a Internet como representante mais importante das TICs na
sociedade da informação e do conhecimento, passou a ser um meio de
comunicação que reúne recursos tecnológicos e informacionais que agregam duas
características importantes: a interatividade e a massividade.

A Internet configura-se como uma rede de redes que globalmente cria um novo
mundo, o mundo virtual, e estabelece novas possibilidades de relações e interações
humanas disponibilizando tanto canais de comunicação e informação quanto
recursos informacionais úteis para a pesquisa científica. O uso da Internet é
diversificado e inesperado e as possibilidades criadas pela rede são inúmeras. A
massividade associada à interatividade e a facilidade de uso da rede possibilitam a
ampliação das formas de busca e acesso às informações. Além de diminuir as
distâncias e permitir o transporte de informações de uma maneira instantânea, a
Internet reconfigurou a noção de espaço geográfico, criando um novo espaço, não
geográfico, que supera as fronteiras do mundo físico.

Diante deste novo cenário surgem algumas questões que merecem ser discutidas.
Uma das questões mais importantes é que cada indivíduo pode ser um emissor e
um receptor de mensagens na Internet. Assim, ele pode ser, ao mesmo tempo, um
produtor e um usuário da informação. Como usuário da informação, pode escolher
entre as informações disponíveis as que lhe interessam em um universo
informacional amplo e diversificado e sem passar pelos filtros tradicionais tais como
bibliotecas, bibliotecários, editoras, editores.

Neste trabalho pretende-se discutir o papel da tecnologia, em especial da Internet,
na mediação da informação e o novo papel das unidades de informação, em
especial das bibliotecas universitárias nesse processo. A Internet libertou os
usuários da informação da dependência de intermediários isto porque eliminou
barreiras e propiciou oportunidades para o acesso direto aos produtos de informação
em qualquer hora ou local e de forma independente e isso criou um novo cenário
para a atuação dos profissionais da informação.

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2 AS REDES E A MEDIAÇÃO/DESINTEMEDIAÇÃO DA INFORMAÇÃO

A Internet possibilitando a divulgação de idéias e informação por qualquer pessoa
gerou mudanças igualmente nos processos tradicionais de comunicação e modificou
a relação entre os autores-editores-bibliotecas-leitores colocando em cheque a
cadeia tradicional de transferência de informação. Contudo, tais mudanças são
vistas ainda com ressalvas, pois existem questionamentos quanto à fidedignidade e
à consistência das informações disponibilizadas na rede, uma vez que estas na
maioria das vezes não passaram por um filtro que garanta a sua qualidade
(MEADOWS, 1999; TARGINO, 2002).

Para Wolton (2003), os recursos disponibilizados via Internet, simbolizam a liberdade
e expressam a capacidade de domínio de tempo e espaço, pois possibilitam que
usuários da informação possam agir sem intermediários, quando desejarem, sem
filtros, nem hierarquias e em tempo real. A expressão surfar na Internet, segundo
esse autor, sugere essa sensação de liberdade que envolve dimensões psicológicas
e provoca nos indivíduos uma grande atração pelas novas tecnologias.

Segundo Oddone (1998) a mudança de paradigma nos processos comunicacionais
foi influenciada pela virtualidade e pela instantaneidade da informação - da produção
ao consumo – e isso já é uma realidade. Sustentado por técnicas sofisticadas de
armazenamento e acesso por meio de ferramentas cada vez mais amigáveis, o
ciberespaço tem proporcionado para os indivíduos uma autonomia com relação ao
processo de busca e tem oferecido melhor opção de escolha para atender suas
necessidades de informação.

A Internet passou a ter um papel importante no processo da mediação da
informação. Ao relacionar mediação com as redes de informação, Vaz (2001) explica
que o termo rede no século passado estava relacionado a um fenômeno localizado.
Quando se referia a grupos sociais designava muitas vezes organizações de caráter
oculto, cujos membros obtinham vantagens ilícitas. Quando empregado em sentido
técnico, rede designava alguma forma de distribuição de um fluxo de canais fixos,
usualmente esse fluxo era produzido centralmente e apropriado localmente. O

�5

sentido adquirido pelo termo atualmente é diametralmente oposto ao seu sentido
anterior. Nos tempos atuais, o termo rede é usado como exemplo do que é aberto,
do que rompe hierarquias, do que transgride fronteiras, do que impede o segredo e
do que pode ser produzido e apropriado por qualquer um.

O surgimento da Internet transformou a rede em infinita encruzilhada, que subverte a
noção de espaço local e global, que rompe com sistemas de intermediação
tradicional entre emissores e receptores ao permitir que cada nó da rede possa
produzir e distribuir mensagens. A distribuição de informação na tipologia de rede
anterior caracteriza-se como de um para todos, e agora essa distribuição passa a
ser de todos para todos.
A Internet, considerando suas características, segundo Vaz (2001), coloca em crise
um tipo de mediador, mas necessariamente cria espaço para outros. Os primeiros
mediadores agiam de acordo com as necessidades dos espaços e das tecnologias
da época. Atuavam como especialistas do interesse comum ou do que disseminar
informações que fossem de interesse para um público amplo. Dentre as várias
atividades profissionais, segundo Vaz (2001, p.5), que assumiam a função de
mediador, destacam-se as dos jornalistas, editores e bibliotecários. Este mediador
aparecia como representante, “sabendo ou do bem comum ou do que vários
desejam”. A forma de mediar, neste período, pode ser caracterizada como piramidal,
pois “poucos produtores de informação difundiam a mesma mensagem homogênea
para vários”. Nesses novos tempos, o mediador na Internet, ainda segundo Vaz
(2001) terá um papel similar ao do corretor, pois aproximará os singulares de sua
singularidade. O mediador, em função das tecnologias disponíveis, será aquele que
facilitará as expressões individuais e, além disso, permitirá a cada um encontrar o
seu público.
Esse fenômeno gerado pela autonomia dos usuários na busca de informação tem
sido rotulado de desintermediação por Lévy (2000, p. 208). Para este autor, os
intermediários institucionais (como estações de televisão, rádio, editoras, escolas,
bibliotecas) até o surgimento do ciberespaço controlavam o espaço público de
comunicação e tinham como função a filtragem e a difusão entre os autores e os
consumidores da informação.

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A desintermediação é um fenômeno em processo de consolidação e, por isso,
existem algumas divergências quanto aos benefícios ou malefícios do mesmo para
os usuários, unidades de informação e serviços bibliotecários.

Froehlich (1998) considera que a ausência de intermediação humana entre usuários
e informação pode comprometer a qualidade da informação, enfatizando a ausência
de critérios de autoridade cognitiva como um sério problema para o uso das fontes
eletrônicas. Davenport (1998, p. 53) acredita que as pessoas ainda são “os melhores
meios para identificar, categorizar, integrar a informação”. Segundo esse autor, a
informação para ser valorizada precisa ser organizada, reestruturada, interpretada e
sintetizada, tarefas que o computador ainda não é capaz de executar de forma
satisfatória. Wolton (2003) considera que o problema não está somente no acesso,
mas sim na capacidade em saber o que procurar e nisso a competência está
envolvida. A possibilidade de acesso a tudo através de um mesmo terminal, desde o
fazer compras até acessar uma biblioteca, não possibilita o desenvolvimento de
competências abrangentes que garantam acesso à informação de todos os níveis ou
que requeiram estratégias mais elaboradas.

Targino (2000, p.23), por sua vez, alerta para o uso indiscriminado de informações
eletrônicas argumentando que isso agrava
a tendência de horizontalização da leitura, comprometendo o
processo de informação e conhecimento. Esvai-se a
probabilidade de uma visão totalizante do tema, e se abandona
o interesse por obras densas, básicas ou de conteúdo clássico
e vital à formação profissional em qualquer instância.

Por outro lado, Lévy (2000, p.210) refuta todos esses argumentos contrários à
desintermediação. Para esse autor os antigos processos de intermediação eram
“massivos e grosseiros” e os “novos processos de intermediação, em contrapartida,
resultam dos próprios indivíduos, e correspondem, de maneira fina, em função de
certo trabalho, às necessidades e aos interesses destes”. Enfatiza, ainda, que “a
essência da cibercultura está talvez nessa passagem entre seleções, hierarquias e
sínteses por toda parte diferentes e em constante mutação conforme as pessoas, os
grupos e as circunstâncias”.

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Para Fourie (2001), a desintermediação é uma tendência na sociedade. Cada vez
mais pessoas têm acesso à Internet, e os sistemas de informação e comunicação
estão sendo desenvolvidos de forma mais amigável, o que proporciona naturalmente
maior autonomia e independência para os usuários da informação.

O ciberespaço criou uma situação de desintermediação e isso já é aceito como um
fato. Já é uma evidência que a desintermediação tem afetado os processos
comunicacionais, a função das editoras, o papel dos sistemas e das unidades de
informação.

A dúvida que paira nesta questão refere-se à dimensão exata dos

desdobramentos e efeitos desse fenômeno nos processos comunicacionais,
culturais, sociais ou científicos.

3 A MEDIAÇÃO DA INFORMAÇÃO E O PAPEL DAS BIBLIOTECAS E DOS
BIBLIOTECÁRIOS

Barreto (1998), em seu artigo sobre as mudanças estruturais dos fluxos da
informação, fez uma comparação entre o fluxo da informação no ambiente impresso
e o fluxo da informação no ambiente eletrônico. Segundo ele, com relação ao
processo de mediação, no fluxo da informação tradicional, existe sempre a
mediação de um profissional que ele denomina de “profissional de interface”, seja na
fase inicial, ou na avaliação do produto final. Enquanto que, no fluxo da informação
no ambiente eletrônico ocorrem interações diretas, conversacionais e sem
intermediários, do receptor com a informação.

Embora se deva considerar a importância das demais atividades profissionais no
processo de mediação da informação, neste artigo procura-se focar particularmente
nas atividades exercidas pelos bibliotecários, especificamente no processo de busca
da informação, bem como no papel da biblioteca como mediadora da informação em
função do uso das redes eletrônicas nas comunidades científicas.

Por muitas décadas as bibliotecas tiveram o seu papel de guardiãs do
conhecimento, de preservadoras e organizadoras do acervo, bem como de servir de
intermediadora entre os provedores de informação e seus usuários. Contudo, nas

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últimas décadas, tem sido discutido plenamente o impacto das novas tecnologias da
informação, e, em especial a Internet tem sido um símbolo maior destas mudanças
na história das atividades exercidas pelos intermediários da cadeia de comunicação
científica.

Assim como as editoras, os serviços de informação e das bibliotecas passaram a
sofrer mudanças marcantes em suas atividades bem como nas formas de interação
com os seus usuários. Dentre os impactos da Internet nas bibliotecas pode-se citar:
o crescente número de publicações eletrônicas disponíveis, a acessibilidade do
próprio usuário na busca da informação, ausência do contato usuário/bibliotecário, a
diversificação das informações (CUNHA, 1999; MARCONDES; GOMES, 1997).
Além disso, as unidades de informação das universidades em especial fizeram
investimentos em tecnologia e passaram a atuar também como provedoras de
informação eletrônica.

O papel mais importante das unidades de informação, e, conseqüentemente, de
profissionais como os bibliotecários, até então, era constituído pela ação de
intermediação entre a informação produzida (publicadores) e os usuários da
informação. Com o avanço e a incorporação das TICs, especificamente da Internet,
nas atividades das unidades de informação ocorreu um deslocamento de objetivos
dessas instituições, pois passaram a visualizar a sua atuação e o fluxo de suas
atividades através de um novo paradigma, o paradigma de acesso à informação, em
substituição ao paradigma de posse da informação, o que as tornou vulneráveis ao
fenômeno da desintermediação.

Para Fourie (2001) a desintermediação é entendida com a busca de informação por
um usuário final sem a necessidade de envolvimentos de terceiros: mediadores ou
intermediários. Significa a eliminação do mediador entre a informação (ou qualquer
produto) e seus usuários finais o que, conseqüentemente, acarreta o que o autor
denomina de potencialização dos usuários. Quando aplicado às unidades de
informação (bibliotecas), o termo significa a evolução do acesso da informação que
se dava através de depósitos físicos centralizados para as fontes alternativas
acessíveis diretamente através de ordenadores e redes de informação.

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De maneira geral, as possibilidades oferecidas pelas TICs têm provocado mudanças
no comportamento das pessoas com relação ao acesso à informação e à
comunicação em vários níveis. O modelo de comunicação científica, cunhado por
Garvey e Griffth em 1979, que estabelecia diferenças significativas entre os canais
formais e informais, vem sendo drasticamente modificado. Para esses autores, o
sistema de comunicação científica tradicional englobava dois subsistemas e seus
respectivos canais: o informal e o formal. Os canais informais eram constituídos
pelos recursos informacionais proporcionados através de contatos pessoais
(conversas, telefonemas, mensagens, cartas, colégios invisíveis entre outros).
Enquanto que os canais formais eram constituídos pelos recursos informacionais
provenientes das fontes de informação primária (periódicos, relatórios, etc.),
secundária (resumos, índices, etc.) e terciária (tratados, livros-texto, etc.).

As TICs têm alterado o processo de comunicação científica e o comportamento de
usuários da informação, em relação a várias etapas e aspectos do processo e, por
isso, um novo modelo para o sistema de comunicação científica têm sido pensado.
Segundo Meadows (2001), as diferenças entre canais formais e informais estão
diluídas em função da mediação das novas tecnologias, uma vez que os resultados
de uma pesquisa podem estar disponíveis de várias formas, por exemplo, um
mesmo artigo de uma pesquisa pode ser localizado no website do autor, sob
discussão numa lista, em um periódico impresso e em um periódico eletrônico.

O advento das TICs também provocou igualmente sensíveis mudanças no perfil e no
comportamento dos usuários das unidades de informação. A autonomia no processo
de busca da informação ocorre de fato. Agora o usuário dispensa intermediários e se
torna autônomo elaborando sua própria busca bibliográfica, sem auxilio do
profissional da informação (CUENCA, 1999).

A esta ausência de contato usuário/bibliotecário denominou-se, como visto,
desintermediação da informação. O conceito desintermediação surgiu entre a
década de 1960 e 1970. A designação estava relacionada a algumas mudanças
ocorridas nos serviços oferecidos pelos setores financeiros e industriais; os bancos
foram os primeiros a adotar tal conceito quando passaram a oferecer seus serviços
de forma que seus clientes o fizessem sem a intermediação humana.

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O processo de desintermediação nas bibliotecas se deu com maior intensidade com
o surgimento da Internet. Os avanços tecnológicos na área de comunicação e
informação provocaram estas mudanças nas atividades das bibliotecas e
especificamente no papel do bibliotecário.

O fato das bibliotecas passarem a utilizar as novas tecnologias para a implantação
de novos serviços e a disponibilizarem por meio de seus websites, serviços remotos
e acesso a seus próprios catálogos, os chamados On-line Public Acess Catalogs
(OPACs), bem como o trabalho cooperativo para o fornecimento de informações de
forma mais atraente a seus usuários, como é o caso dos bancos de dados, a
exemplo dos Bancos de Teses e Dissertações, e dos Portais de Pesquisa, a
exemplo do Portal CAPES, e tantos outros, fez com que repensassem seus papéis
como provedoras de informação nesta sociedade da informação e da comunicação.

Pode-se afirmar que existem duas correntes quando se fala em desintermediação da
informação nas bibliotecas. Pode-se considerar que o acesso direto à Internet
provocou uma certa autonomia na busca da informação, a ponto de se dispensarem
os serviços de uma biblioteca bem como de seus profissionais. Mas, por outro lado,
pode-se considerar que as bibliotecas de certa forma estão evoluindo juntamente
com as novas tecnologias, a partir do momento que disponibilizam em seus sites
recursos informacionais tais como fontes de referência com texto completo e
serviços on-line para acesso ao seu acervo, que possibilitam a autonomia aos
usuários no processo de busca da informação e na utilização de seus serviços.

As bibliotecas, especificamente as acadêmicas, que já foram desafiadas pela
adoção das TICs para a realização de grande parte de suas atividades de
gerenciamento das informações, bem como no oferecimento de seus serviços,
enfrentam agora um novo desafio, ou seja, encontrar novas funções e um novo
papel no processo de transferência da informação.

Além do papel já assumido por tantas décadas, segundo Cuenca (2004), as
bibliotecas terão que atuar na construção de interfaces gráficas dos sistemas de
informação, bem como na capacitação da comunidade acadêmica para o uso da
Internet e de todos os aparatos tecnológicos disponibilizados em rede.

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A despeito disto, Gomes (2004, p.2) esclarece
que da mesma forma que intermediários humanos – editores,
bibliotecários e outros – filtram e processam a informação no
ambiente tradicional, oferecendo catálogos, índices e outros
modos de acesso à informação organizada, também no meio
eletrônico estão comprometidas com as mesmas práticas.

Para Gomes (2004) as bibliotecas e outras instituições acadêmicas de todo o mundo
têm buscado oferecer serviços de orientação aos usuários no processo de busca da
informação relevantes no meio eletrônico, especificamente, a Internet, de modo
eficaz e eficiente.

Produzir, processar e distribuir informações está ao alcance de todos, e parece uma
forma ilimitada, na qual a proximidade promovida pela ausência de um intermediário
na produção e transmissão da informação, sem nenhuma seleção prévia, leva à
crença de que a Internet não carece de mediação.

Embora, a rede apresente facilidades no acesso às informações, a Internet inclui em
seu manancial de informações, tanto informações de qualidade e relevantes, quanto
de pouca qualidade ou irrelevantes. As ferramentas de busca, apesar de seu avanço
nos últimos anos, ainda não oferecem resultados de qualidade na recuperação das
informações. Além do que, a quantidade de informações disponibilizadas na rede
dificulta a localização de uma fonte específica.

Vaz (2001) esclarece que a Internet tem provocado uma nova forma de limitação
que é a escassez das faculdades cognitivas de cada um em saber utilizar tudo o que
está disponível na rede. Para este autor, embora se considere que a Internet não
apresente limites físicos de estocagem de informação, não existem limites impostos
por alguma instância ou estrutura hierárquica de controle e transmissão e circulação
da informação, e também tenha ocorrido um aumento na velocidade e uma
diminuição drástica de custos; por outro lado o crescimento da rede tem produzido
um excesso de informação que se afigura como um limite às nossas capacidades
cognitivas de tomar conhecimento de tudo e de explorá-la em todo o seu potencial.
Sob esta perspectiva o autor conceitua o mediador, como um filtro necessário em
função do excesso de informações, pois diante de um manancial de informações e
serviços, na disputa pela atenção dos usuários da informação, o valor de

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credibilidade é o que garante aos provedores de informação o retorno dos usuários
sempre ao mesmo local.

Então, ao se pensar a biblioteca como um espaço público na rede, e a partir da
caracterização de interatividade da Internet, Vaz (2001) enfatiza que as novas
atitudes do mediador em relação a este meio serão a de proporcionar facilidades e
espaços, incluindo nestes espaços múltiplas informações para atender à diversidade
de demandas individuais, de forma rápida personalizada obtida pelos registros dos
usuários que utilizam esse espaço (o site).

Para Quadros (2001, p.34), baseado em considerações de Drabenstott (1997), o
novo grande papel do bibliotecário, será o de gateway ou gatekeeper, ou seja, será
responsável por guiar e orientar o usuário através dos vários meios e formas de
acesso à informação. O bibliotecário deverá, sobretudo, reafirmar sua posição de
“conselheiro intelectual” usando suas habilidades de seleção, análise e síntese da
informação com o objetivo de personalizá-la para os seus usuários, tornando o seu
trabalho muito mais proveitoso para a sociedade.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Assim pode-se concluir que as TICs poderão eliminar formas tradicionais de
mediação, mas abrem possibilidades para formas inovadoras de mediação.

Ao profissional bibliotecário, caberá, manter-se atualizado em relação ao uso das
TICs, que afetam tanto seu ambiente de trabalho bem como os usuários de
informação. Como mediador, passará atuar na orientação do uso das TICs, nos
procedimentos de acesso a mecanismos de busca, na seleção, análise e síntese de
conteúdos de informação, no desenvolvimento de sistemas especialistas para
responder a questões de referência, na capacitação por meio de instruções
bibliográficas, entre outras tarefas mais complexas (QUADROS, 2001).

�13

Para Ferreira (2005), os bibliotecários especificamente os de referência, deverão
integrar contextualmente as TICs e os instrumentos de referência tradicionais
tornando

assim

as

bibliotecas

competitivas

no

mercado

da

informação,

transformando-as num serviço. Ou seja, usar as TICs não como meros mecanismos
de acesso à informação, mas fornecer informação com valor agregado. Para esse
autor, as bibliotecas deveriam proporcionar o melhor serviço possível tanto high
touch (serviço de referência personalizado) como high tech (referência eletrônica). E
assim o conflito que ora vemos como ameaçador para bibliotecas e seus
profissionais, entre a cultura da tecnologia fria e impessoal, e a da biblioteca como
um espaço reconfortante e pessoal, poderá deixar de fazer sentido.

Sendo assim, acredita-se que as TICs tenham proporcionado novos desafios às
bibliotecas, bem como a seus profissionais, em função do crescimento exponencial
de recursos disponibilizados, das novas atitudes, expectativas e necessidades dos
usuários, mas, sobretudo têm proporcionado novas oportunidades, levando a uma
redefinição do papel dos bibliotecários e das bibliotecas na era da Internet
(FERREIRA, 2005).

No futuro, a Internet continuará a se desenvolver e a ser um meio de informação
cada vez mais importante. As bibliotecas operarão cada vez mais de forma remota e
preocupada com o acesso à informação. A superabundância de conteúdos
disponibilizados exigirá daqueles que lidam com a informação um controle de
filtragens, estratégias de pesquisa e ferramentas que permitirão navegar no
ciberespaço. E se as bibliotecas não assumirem este papel, outros o farão. Pôr uma
ordem no caos da Internet, será uma atividade altamente apreciada e reconhecida.
“As competências tradicionais dos profissionais da informação poderão acrescentar
valor aos serviços eletrônicos em rede já existentes ou em criação”. (RODRIGUES,
2005, p. 5).

As bibliotecas juntamente com seus profissionais, por meio de suas técnicas e
competências, ao contribuírem para organizar, localizar as informações existentes
no ciberespaço, estarão permitindo uma viagem mais segura em todas as estradas
da informação, poderão vir a ser o ponto de acesso ao qual os viajantes destas autoestradas sempre retornarão (RODRIGUES, 2005).

�14

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <text>Diminuindo as distâncias e permitindo o transporte de informações de uma maneira instantânea, a Internet reconfigurou a noção de espaço geográfico, criando um novo espaço, que supera as fronteiras do mundo físico. Assim, a Internet libertou os usuários da dependência de intermediários, eliminando barreiras e proporcionando oportunidades para o acesso direto aos produtos de informação em qualquer hora ou local e de forma independente. Esse fenômeno gerado pela autonomia dos usuários na busca de informação tem sido rotulado de desintermediação da informação. Sendo assim, com o avanço e a incorporação das TICs, especificamente da Internet, nas atividades das unidades de informação ocorreu um deslocamento de objetivos dessas instituições, pois passaram a visualizar a sua atuação e o fluxo de suas atividades através de um novo paradigma, o paradigma de acesso à informação, em substituição ao paradigma de posse da informação. Neste sentido, este trabalho pretende discutir as mudanças proporcionadas pelas TICs nas atividades exercidas pelos bibliotecários, especificamente no processo de busca da informação, bem como no papel da biblioteca como mediadora da informação em função do uso das redes eletrônicas nas comunidades científicas.</text>
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                    <text>AS COLEÇÕES DO CRUESP BIBLIOTECAS E A CONVERGÊNCIA
TECNOLÓGICA: GESTÃO E ACESSO
Adriana Cybele Ferrari
Sistema Integrado de Bibliotecas da USP
aferrari@usp.br

Luiz Atílio Vicentini
Sistema de Bibliotecas da UNICAMP
vicentin@unicamp.br
Margaret Alves Antunes
Coodenadoria Geral de Bibliotecas da UNESP
eti@reitoria.usp.br
Resumo
A política de desenvolvimento para as coleções do CRUESP Bibliotecas nos
formatos impresso e eletrônico e as influências da convergência tecnológica
são apresentadas no Portal de Serviços e Conteúdos Digitais. O Consórcio
CRUESP Bibliotecas, formado pelos três Sistemas de Bibliotecas das
Universidades Estaduais Paulistas, USP, UNESP e UNICAMP, têm procurado
oferecer serviços e produtos especializados para a comunidade acadêmica,
mediante construção, evolução e consolidação do produto de convergência, o
seu Portal de Serviços e Conteúdos Digital que universalizou o acesso à
informação, e garantiu o uso das coleções compartilhadas. Com a implantação
desse novo Portal o Consórcio consolida-se com iniciativas inovadoras,
políticas claras de gestão, parcerias estreitadas com constante troca de
conhecimento e, principalmente, atende aos ideais propostos por seus
membros: COOPERAÇÃO – COMPARTILHAMENTO – RACIONALIZAÇÃO
DE RECURSOS.
Palavras-chave: Convergência tecnológica; Portal de Serviços; Gestão de
consórcios; Conteúdo digital; Desenvolvimento de Coleções
1 Introdução
A

evolução

tecnológica

impactou

os

serviços

bibliotecários,

especialmente no ambiente das bibliotecas universitárias. Isso porque sempre
houve a preocupação de prestar serviços de alta qualidade, uma vez que a
biblioteca está inserida num contexto onde existem fortes investimentos na
pesquisa. Não raro grandes inventos são resultados de projetos desenvolvidos
nas universidades, com apoio de agências de fomento do Estado e/ou do
Governo

Federal.

Neste

contexto

as

bibliotecas

são

positivamente

pressionadas a acompanhar a evolução das tecnologias de informação.

�Nos anos 90 percebeu-se um grande investimento das bibliotecas na
seleção e identificação de produtos (softwares) que pudessem automatizar as
rotinas tradicionais, e com isso facilitar o acesso e localização de documentos.
Os catálogos públicos, OPAC, deveriam respeitar padrões internacionais de
forma a propiciar a cooperação e disseminação de informações entre as
bibliotecas.
Por outro lado temos as coleções do CRUESP que foram formadas a
partir da história de cada uma das Universidades, a USP com seus mais de 70
anos, a Unicamp que completa em 2006 40 anos e a UNESP que completa
também em 2006 seus 30 anos, e hoje se constitui num dos principais acervos
da América Latina.
Como base para o ensino e a pesquisa, o CRUESP tem investimento da
ordem de aproximadamente R$ 36 milhões anuais para aquisição de periódicos
e bases de dados nos formatos impresso e eletrônico, livros para as diversas
áreas.
Como forma de divulgar o acervo existente nas 3 Universidades e
estabelecer serviços e produtos compartilhados, em 1992 estabeleceu-se um
convênio do CRUESP com a preocupação na formação de um catálogo
coletivo das universidades estaduais paulistas. Desse modo foi realizada a
migração de dados dos catálogos bibliográficos e prensou-se um CD-ROM.
Esse produto recebeu o nome de Unibibli que possibilitou a pesquisa nos
acervos das Bibliotecas da USP, UNICAMP e UNESP.
O Unibibli em CD-ROM foi uma inovação, e sua primeira edição, contava
com os seguintes dados::
USP: 25.000 teses e 75% do acervo de livros
UNICAMP: 5.800 teses e 35% do acervo de livros
UNESP: 8.000 teses

�Hoje este trabalho é gerenciado através de um produto via WEB
denominado com a versão de 2006 de Portal de Serviços e Conteúdo Digital –
UnibibliWEB, com oferecimento de serviços a nossa comunidade e a busca
integrada em produtos on-line.
2 Sobre o Consórcio CRUESP/Bibliotecas
A filosofia do trabalho consorciado teve seu aparecimento em meados
dos anos 90 nos Estados Unidos, e em outras regiões do mundo menos
desenvolvidas, principalmente no segmento de bibliotecas universitárias e de
pesquisa como um contra-ponto na negociação com provedores de informação
científica e tecnológica, em resposta aos altos custos impostos por esses
provedores de informação. Giordano (2002)
A reunião das bibliotecas em consórcios traria uma força adicional para
que as mesmas pudessem intervir nas condições impostas por esses
provedores. Adicionado a este fator, a negociação conjunta traria vantagens
econômicas para as instituições participantes.
O consórcio também pressupõe atividades cooperativas entre bibliotecas
partícipes promovendo serviços e facilidades de interesse a comunidade
pertencente ao consórcio. Krzyzanowski (2006)
No Brasil, o primeiro consórcio de conteúdos eletrônicos, foi firmado em
1999, chamado PROBE – Programa Biblioteca Eletrônica, que reuniu 35
instituições do Estado de São Paulo para permitir acesso a periódicos em texto
integral. Esse consórcio finalizou suas atividades em 2001, com a implantação
do Portal de Periódicos da CAPES.
O Consórcio CRUESP/Bibliotecas foi instituído oficialmente em janeiro
de 2004, com a assinatura do “Termo de Instituição de Consórcio e
Cooperação Institucional para Acesso a Bases de Dados Referenciais e Textos
Completos”. Esse termo atualiza as funções estabelecidas na resolução

�CRUESP 149/99, que instituiu o CRUESP/Bibliotecas como um Grupo de
Trabalho para buscar soluções para serviços e produtos compartilhados.
O CRUESP/Bibliotecas reúne 92 bibliotecas, atendendo a cerca de
176.000 usuários (alunos, docentes e pesquisadores), contando com um
acervo de mais de 10 milhões de itens bibliográficos com uma freqüência de
usuários de 7 milhões ao ano nas bibliotecas.
Vários projetos são mantidos para o cumprimento dos objetivos do
consórcio, dentre eles podemos citar a aquisição planificada de coleções
digitais, preservação digital, capacitação das equipes, identificação de novos
produtos e serviços, com destaque para a consolidação do produto que reúne
as principais fontes de informação do Consórcio, disponíveis à comunidade
através do Portal CRUESP Bibliotecas.
3 Desenvolvimento de Coleções do CRUESP Bibliotecas
Um

consórcio

caracteriza-se

pelo

desenvolvimento

de

serviços

compartilhados, no qual cada participante aporta uma série de atividades que
podem ser utilizadas pelas outras instituições.

O consórcio de bibliotecas

pressupõe o impulso das atividades cooperativas entre as bibliotecas
partícipes, através da aquisição e administração de bases de dados e de
publicações

eletrônicas.

Deve

ainda

incrementar

o

desenvolvimento

cooperativo de coleções e o compartilhamento dessas coleções através de
recursos de transmissão eletrônica.
Vergueiro (1993), em seu artigo sobre desenvolvimento de coleções,
comenta:
as Bibliotecas Universitárias, devem atender aos objetivos
da

universidade,

isso

vai

exigir,

quase

que

necessariamente, uma coleção com forte tendência ao
crescimento, pois atividades de pesquisa exigem uma
variada gama de materiais de informação que possibilitem

�ao pesquisador ter acesso a todos os pontos de vista
importantes ou necessários para sua pesquisa.
Para que o desenvolvimento das coleções seja contínuo é necessário
estabelecer periodicamente a avaliação das coleções, em sintonia ao
desenvolvimento dos cursos de graduação e pós-graduação, principalmente
para as coleções de periódicos.
Uma característica constante do desenvolvimento das coleções é o alto
preço cobrado pelas editoras das coleções de periódicos, que independente do
formato impresso e/ou eletrônico, obrigam as bibliotecas a reverem seus
orçamentos e a estabelecerem políticas de seleção e aquisição que visem
manter os principais núcleos de suas coleções.
Desde 1994, a CAPES realizava um programa de aquisição de
periódicos científicos com o objetivo de apoiar os cursos de pós-graduação.
Com as restrições orçamentárias impostas aos órgãos públicos federais, em
1999 a CAPES realizou um profundo corte (cerca de 70%) nas verbas
destinadas à renovação dos títulos de periódicos.
O Programa de Aquisição de Periódicos da CAPES repassou às
Universidades Estaduais Paulistas uma verba de aproximadamente 25% do
total de recursos destinados para aquisição de periódicos, entre os anos de
1995 a 1999. Conforme a tabela abaixo, esta porcentagem significa que foram
realizadas 18.243 assinaturas de periódicos no valor de US$ 12.6222.178,82
através do Programa da CAPES. Observa-se ainda o crescimento do Programa
CAPES entre os anos de 1995 a 1998 e seu decréscimo acentuado no ano de
1999.

�Reitorias
Ano

N. Ass.

US$

CAPES
%

N. Ass.

Total Geral

US$

%

Total

US$

1995

16.540

8.984.696,53

80,27%

3.764

2.208.146,15

19,73%

20.304

11.192.842,68

1996

14.092

8.431.676,62

73,77%

4.484

2.997.420,71

26,23%

18.576

11.429.097,33

1997

14.788

9.707.348,93

76,39%

4.110

3.000.454,14

23,61%

18.898

12.707.803,07

1998

13.078

8.746.554,73

75,11%

4.031

2.898.128,57

24,89%

17.109

11.644.683,30

9.187.571,51

85,82%

1999
Total

11.104
69.602

45.057.848,32 78,12%

1.854
18.243

1.518.029,25
12.622.178,82

14,18%
21,88%

12.958
87.845

10.705.600,76
57.680.027,14

Figura 1: evolução das assinaturas de periódicos CRUESP

Por outro lado, é importante destacar que o Programa de Aquisição de
Periódicos pelas Universidades Estaduais Paulistas destinou uma média de
78% de seus orçamentos no período de 1995 a 1999. A diferença de repasses
das Universidades e da CAPES é visível no quadro acima e demonstra o
esforço e a importância auferidos ao Programa de Aquisição de Periódicos das
Universidades Estaduais Paulistas pelas Reitorias e Comunidade Científica. O
total de assinaturas desse período realizado pelas três Reitorias foi de 87.845,
incluindo-se a verba da CAPES. O gráfico a seguir ilustra através de dados
percentuais os investimentos realizados.

P e r c e n t a g e m r e c ur so di spe nd i d os p e l o C R U ES P e C A P ES pa r a
a ssi n a t u r a d e p e r i ódi c o s c i e n t í f i c o s no pe r í o do de 19 9 5 a 19 9 9

85,82%
80,27%
76, 39%
73, 77%

75,11%

26, 23%

24,89%

23,61%
19,73%

14,18%

1995

1996

1997

CRUESP

1998

1999

CAPES

Figura: evolução das assinaturas de periódicos CRUESP em %

A partir de 1999, quando não houve repasse de verbas do Programa de
Apoio a Aquisição de Periódicos da CAPES às universidades estaduais
paulistas, foi necessário que as três Universidades do CRUESP realizassem
um trabalho de recomposição orçamentária para assinatura das suas coleções

�de periódicos científicos. Essa recomposição permite hoje a USP, UNESP e
UNICAMP a continuidade de assinaturas de suas coleções impressas, a
assinatura de bases de dados eletrônicas referenciais e em texto completo de
forma consorciada, possibilitando realizar um trabalho de racionalização de
seus acervos evitando-se duplicidades de assinaturas, principalmente as
impressas, dos títulos que possuímos em formato eletrônico.
O aumento crescente dos custos de coleções impressas ou eletrônicas, em
muito tem preocupado as Universidades, não só as nacionais como as
internacionais. Em publicação recente, Soares (2004) apresenta em seu artigo
sobre o Portal de Periódicos da CAPES, dados de duas pesquisas sobre esse
assunto, reproduzidas a seguir:

-

uma pesquisa da Universidade de Iowa mostra que o custo
das revistas para as Universidades e outras instituições
acadêmicas aumentou 207% entre 1986 e 1998;

-

estudos da Association of Research Libraries (ARL) mostram
que houve um crescimento médio anual de 10% no preço das
publicações americanas e 13,5% no das européias.

A preocupação com o custo das coleções não é recente. No âmbito do
CRUESP, trabalhamos ano a ano com previsões de aumento em US$ entre 8 a
12% no custo total das coleções.
Desde a implantação do ProBE, e posteriormente o Portal de Periódicos da
CAPES, o CRUESP Bibliotecas manteve um nível de assinatura impressa
adequada à necessidade indicada pela comunidade acadêmica.
Outro aspecto preocupante que se observa no mercado de editores
científicos, principalmente nos comerciais, são as aquisições realizadas pelas
grandes editoras comerciais, adquirindo editoras de menor porte. Se esta
situação continuar ocorrendo teremos muito em breve um oligopólio de editoras

�científicas e talvez tenhamos que adquirir a nossa coleção somente de um ou
dois editores.
4 Sobre o Portal CRUESP/Bibliotecas
O Portal do CRUESP/Bibliotecas [www.cruesp.sp.gov.br/bibliotecas],
está disponível desde 2002, possibilitando o acesso da comunidade aos
seguintes produtos/serviços:
UnibibliWEB
Proporciona o acesso simultâneo via internet, com interface de
busca

unificada,

aos

bancos

de

dados

bibliográficos

DEDALUS/USP, ACERVUS/UNICAMP e ATHENA/UNESP, lista
unificada de títulos de periódicos eletrônicos e acesso a outros
recursos.
Bases de Dados Referenciais adquiridas pelo Consórcio
Acesso a 23 bases de dados referenciais, de várias áreas do
conhecimento, na WEB, a partir dos equipamentos conectados à
USP, UNICAMP e UNESP.
Biblioteca Eletrônica do CRUESP
Formada pelo arquivamento de conteúdos digitais provenientes
de parcerias com editores comerciais e institucionais.
Outro serviço compartilhado é o Empréstimo Entre Bibliotecas – EEB, o
usuário pode solicitar em sua própria biblioteca, sem nenhum custo, o
empréstimo de material bibliográfico para as unidades integrantes do
Consórcio.
Dentre os produtos e serviços oferecidos, o UNIBIBLIWeb é o que tem
demandado constantes implementações, visando sua melhoria, tanto na

�questão de acompanhamento da inovação tecnológica quanto no atendimento
às necessidades dos usuários.
A evolução tecnológica obrigou o CRUESP/Bibliotecas a reavaliar o
Unibibli CD-ROM, pois este suporte tem a desvantagem de não ser atualizado
como as bases de dados on-line disponíveis na internet, que são alimentadas
diariamente. Há sempre uma defasagem, ou seja, um “gap” fazendo com que o
usuário tenha que complementar a sua pesquisa nos sites específicos das
bibliotecas. Além disso, o Unibibli CD-ROM tinha a característica de ser
monousuário.
Dessa forma o modelo até então adotado pelo CRUESP/Bibliotecas
tornou-se obsoleto diante da evolução tecnológica. Por outro lado, continuava a
demanda, por parte de nossos usuários, de obter facilidades no acesso às
informações. Muitas vezes para obter a informação desejada é necessário
submeter a mesma estratégia de busca a várias bases/bancos de dados.
Essas transações demandam um tempo maior do pesquisador, tornando-se
premente o estudo de novo produto para agilizar a obtenção da informação e
posteriormente do documento.
Diante desta problemática e pesquisando soluções, identificou-se que os
catálogos bibliográficos instalados nos três sistemas de bibliotecas possuíam o
protocolo z39.50. Esse protocolo nunca havia sido explorado.
Iniciou-se um processo de estudo da potencialidade deste protocolo com
vistas ao desenvolvimento de uma interface única para busca simultânea aos
catálogos bibliográficos da USP – Dedalus, UNICAMP – Acervus e UNESP –
Athena, operado integralmente pela internet.
Diante dessa premissa os membros do CRUESP/Bibliotecas, efetuaram
uma prospecção no mercado para concretizar o projeto UNIBIBLIWeb (Projeto
inédito apresentado ao Conselho de Reitores das Universidades Estaduais
Paulistas, em 2002).

�Dentre as soluções encontradas, a que melhor atendia aos requisitos do
projeto foi a proposta apresentada pela Potiron Informática, empresa nacional,
produtora de software para gestão de bibliotecas (Ortodocs). Dessa forma,
projetou-se a versão 1.0 do UnibibliWeb, que após diversos testes foi lançada
em 2002, no XII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias – SNBU
realizado em Recife, Brasil.
4.1 Unibibliweb versão 1.0 e 2.0
Na versão 1.0 o concretizou-se a possibilidade de pesquisa simultânea aos
catálogos bibliográficos da USP, UNICAMP e UNESP, em tempo real, sem a
necessidade de replicação ou migração de dados.

Procurou-se oferecer

diversos formatos de exibição dos resultados:
Lista resumida: inclui informações resumidas da busca realizada,
apresentando: tipo de material, autoria, título, ano de publicação,
indicação de existência de referência para objeto digital.
Descrição completa do registro: visualização detalhada dos campos do
registro, incluindo hiperlinks, tanto dos atributos como de objetos digitais
identificados.
Análise bibliográfica do resultado da busca: compilação dos registros
encontrados em cada uma das buscas, extraindo-se os seguintes
quadros organizados: resultados por host provedor, abrangência
temporal, abrangência terminológica, abrangência autoral, tipos de
materiais, nível bibliográfico dos materiais e objetos digitais associados.
Registro MARC: visualização detalhada dos campos do registro, no
modelo tag-atributo (MARC), como entregue pelo host provedor.

�Ainda apresentava a estatística temporal de acesso: quantidade de hits
atendidos pelo UnibibliWEB através do protocolo Z39.50 Gateway por: horas
do dia, dias do mês e dias da semana, bem como os domínios originadores de
acesso.
Para a versão 2.0, o formato foi projetado para propiciar a catalogação
cooperativa. Pode-se selecionar os registros MARC dos conteúdos catalogados
pela USP, UNICAMP e UNESP, e efetuar a cópia desses para bases locais das
bibliotecas. Esse serviço é gratuito, sem restrições da quantidade de cópias, o
que favorece em muito outras bibliotecas no processo de formação de seus
catálogos automatizados. A aceitação do produto foi grande, motivando os
gestores do Consórcio a implementar novas facilidades.
O Consórcio adquire bases de dados referenciais e têm acesso a outros
programas que contém informações relevantes para os usuários, como o caso
do Portal Periódicos CAPES. Assim, agregou-se aos catálogos bibliográficos as
seguintes facilidades:
Busca simultânea nas 23 bases de dados referenciais que abrangem as
seguintes áreas: ciências biológicas e saúde, ciências agrárias, ciências
exatas e da terra, engenharias, ciências sociais, lingüística, letras e
artes.
Lista A – Z (conjunto dos títulos de periódicos e bases de dados
disponíveis para a comunidade do CRUESP/Bibliotecas), totalizando
cerca de 18.000 fontes de acesso.
Possibilidade de visualização das teses/dissertações digitais da USP,
UNESP e UNICAMP a partir dos catálogos bibliográficos.
A incorporação das novas funcionalidades provocou mudanças no
gerenciamento do produto. A lista A-Z tem que ser atualizada na medida em
que novos recursos de informação são adquiridos. Outro aspecto que dificulta a

�manutenção da lista é garantir que os “links” dos periódicos ou recursos
eletrônicos estejam operantes.
É importante ressaltar que até essa versão o único protocolo de
comunicação utilizado era o Z.39.50 e percebeu-se restrições na adoção de um
único protocolo, já que várias bases de dados não o possuem em protocolo
nativo nas suas bases, prejudicando o recurso de busca unificada.
Decorridos 4 anos de existência do produto, houve a necessidade de novas
implementações para permitir a inclusão de outros protocolos de comunicação
que auxiliassem na busca e também na agregação de serviços.
5 UnibibliWEB hoje
O produto que anteriormente caracterizava-se como serviço oferecido
pelo consórcio, disponível no Portal CRUESP/Bibliotecas, transformou-se no
elemento agregador dos recursos eletrônicos. Dessa forma, estruturou-se nova
versão onde o unibibliWEB tomou nova dimensão, ou seja, ser um Portal de
Serviços e Conteúdo Digital e não somente um metabuscador.
A principal característica do portal é a inclusão do protocolo OpenURL
com o padrão ANSI z39.88. Assim, o Portal tem mais de um protocolo de
comunicação nativo, e a tendência é que outros protocolos, que venham a
surgir, sejam integrados. Podemos dizer que a filosofia do portal hoje é ser um
portal híbrido.

Assim, somaram-se outras funções às existentes na versão

anterior:
Resolvedor de Links
A partir de um resultado de busca realizado nas fontes de informação do
CRUESP, em cada registro o usuário poderá identificar um “botão” denominado
“Serviços”. Ao clicar sobre o botão será apresentada uma tela com links para
outras fontes de informação (open source) listadas,

sobre o parâmetro de

busca utilizado pelo pesquisador. Essa tecnologia é a do OpenURL, como um

�facilitador e agregador de informações, implementado com objetivo de oferecer
uma maior completeza da busca realizada.
Biblioteca Pessoal do Pesquisador
Repositório de uso exclusivo do pesquisador, onde pode-se armazenar de
forma padronizada, os resultados das buscas realizadas nas diversas fontes de
informação, com possibilidade de geração de bibliografia segundo normas
nacionais e internacionais utilizadas pelas universidades.
Exportação de Registro MARC (Save MARC)
A possibilidade de cópia dos registros MARC dos catálogos bibliográficos
das 3 instituições já existente desde a primeira versão do UnibibliWEB, foi
aprimorada nesta versão, com a inclusão de um “botão” para que o usuário
possa salvar em sua estação de trabalho o(s) registro(s) no formato MARC.
Esse registro pode ser exportado para outros sistemas de catalogação,
utilizados pelas bibliotecas.
Biblioteca Eletrônica em Texto Completo
Trata-se de conteúdos da Editora Elsevier Science, adquiridos no período
de 1995 a 2001, provenientes do Programa Biblioteca Eletrônica – ProBE. Em
continuidade a esta proposta de trabalho, o Consórcio CRUESP/Bibliotecas
adquiriu os conteúdos de 2002 a 2005 e está selecionando outros conteúdos
relevantes.

Essa

medida

visa

fortalecer

ainda

mais

a

política

de

desenvolvimento de coleções do consórcio, fazendo com que as bibliotecas do
consórcio possuam coleções impressas e eletrônicas, com a posse desses
conteúdos e não somente o acesso.

�6 Considerações finais
Segundo Maloff (1997), a informação é de importância crítica para
organizações de todos os portes. Aquelas que descobrirem formas de operar
com alta eficácia, que tirarem vantagens de abordagens novas e benéficas,
serão as vitoriosas. É importante, porém, que nos certifiquemos de
compreender os custos e também as vantagens esperadas de qualquer
solução, antes que comecemos sua implementação.
Cruz (2002), afirma que a Universidade existe para fazer avançar o
conhecimento humano através da formação de pessoal capaz de criar
conhecimento e inovação.
Uma nova política de Desenvolvimento de Coleções deve ser
estabelecida com produtos eletrônicos até então a grande preocupação das
bibliotecas era no desenvolvimento de seus acervos, enfatizando o espaço,
armazenamento, conservação, processamento, acessibilidade e custo. Hoje a
diretiva utilizada deve ser do arquivamento e posse, acesso multiusuário e
despesas duplicadas pela aquisição do impresso e do eletrônico. A partir de
uma política de aquisição de conteúdos eletrônicos, deve-se rever o montante
das aquisições impressas, estabelecendo a política necessária para preservar
a continuidade da coleção com garantias de posse e acesso 24hs.
O grande desafio já explicitado por Valdomiro Vergueiro citado por
Andrade (1994), “afinal estão as coleções sendo realmente desenvolvidas com
critérios neste país?”. A partir desse questionamento, novas políticas devem
ser estabelecidas, e, como forma de definição de uma política compartilhada o
Consórcio CRUESP/Bibliotecas tem trabalhado no estabelecimento de
diretrizes que possa levar-nos ao estabelecimento de políticas claras e
objetivas.
À medida que novas implementações são realizadas no Portal aumentase o desafio em continuar satisfazendo os usuários. Até o momento registra-se

�cerca de 2,7 milhões de acessos, oriundos da comunidade local, do Brasil e do
exterior. Isso demonstra a aceitação do Portal como um elemento facilitador no
processo de busca e recuperação da informação para a comunidade de
pesquisadores com a satisfação dos usuários.
Um consórcio se consolida, a partir da implantação de serviços
compartilhados oferecidos através de portais unificados que possibilite o
compartilhamento dos recursos informacionais de cada instituição, sem
prejudicar o uso da plataforma individual através de seus OPAC, mas
proporcionar uma plataforma de acesso único a todos os recursos,
potencializando o uso da informação armazenada em seus diversos formatos e
aumentando a visibilidade de suas instituições.
Outro aspecto de destaque na consolidação do modelo de Consórcio de
Bibliotecas é cooperação e compartilhamento de produtos e serviços, com
maior oferta acomunidade sem aumento acentuado dos custos individuais.
A consolidação do Consórcio CRUESP/Bibliotecas, torna-se elemento
estratégico no desenvolvimento da pesquisa e do ensino nas Universidades
(USP, UNESP e UNICAMP), a partir da disponibilização de seus acervos,
serviços e produtos existentes nos 3 Sistemas de Bibliotecas de forma
compartilhada, favorecendo o desenvolvimento e a difusão de novos
conhecimentos em benefício da sociedade.
Diante de todas as perspectivas de inovação freqüentes no ambiente
das Universidades do CRUESP, e através de todos os trabalhos já realizados e
dos

projetos

que

estão

sendo

desenvolvidos,

o

Consórcio

CRUESP/Bibliotecas, consolida-se com iniciativas inovadoras, políticas claras
de gestão, parcerias estreitadas com constante troca de conhecimento e,
principalmente atende os ideais propostos por seus membros os de:
COOPERAÇÃO - COMPARTILHAMENTO –
RECURSOS.

RACIONALIZAÇÃO DE

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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              <description>An account of the resource</description>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                <text>Ferrari, Adriana Cybele; Vicentini, Luiz Atílio; Antunes, Margaret Alves</text>
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                <text>A política de desenvolvimento para as coleções do CRUESP Bibliotecas nos formatos impresso e eletrônico e as influências da convergência tecnológica são apresentadas no Portal de Serviços e Conteúdos Digitais. O Consórcio CRUESP Bibliotecas, formado pelos três Sistemas de Bibliotecas das Universidades Estaduais Paulistas, USP, UNESP e UNICAMP, têm procurado oferecer serviços e produtos especializados para a comunidade acadêmica, mediante construção, evolução e consolidação do produto de convergência, o seu Portal de Serviços e Conteúdos Digital que universalizou o acesso à informação, e garantiu o uso das coleções compartilhadas. Com a implantação desse novo Portal o Consórcio consolida-se com iniciativas inovadoras, políticas claras de gestão, parcerias estreitadas com constante troca de conhecimento e, principalmente, atende aos ideais propostos por seus membros: COOPERAÇÃO – COMPARTILHAMENTO – RACIONALIZAÇÃO DE RECURSOS.</text>
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                    <text>AS INTERFACES DO SERVIÇO DE REFERÊNCIA E A GERAÇÃO
DO CONHECIMENTO
Eliana Marciela Marquetis
Unicamp/Centro de Lógica e Epistemologia
Cx.P. 6133
13083-970  Campinas  SP - Brasil
marciela@cle.unicamp.br
Márcia Aparecida Schenfel Baena
UNICAMP/Instituto de Geociências
Cx.P. 6152
13083-970  Campinas  SP- Brasil
baena@ige.unicamp.br
Rita Aparecida Sponchiado
UNICAMP/Instituto de Física Gleb Wataghin
Cx.P.- 6165
13083-970  Campinas  SP- Brasil
library@ifi.unicamp.br
Márcia Regina Sevillano Marcondes
UNICAMP/Biblioteca da Área de Engenharia e
Arquitetura
Cx.P.  6136 - 13083-970  Campinas  SP- Brasil
marcia@bae.unicamp.br
Raquel Cocatto Ribeiro Perroni
UNICAMP/Biblioteca da Área de Engenharia e
Arquitetura
Cx.P.  6136 - 13083-970  Campinas  SP- Brasil
raquel@bae.unicamp.br
Heloísa Maria Ceccotti
UNICAMP/Biblioteca Central César Lattes
Cx.P  6136  13083-970  Campinas  SP- Brasil
heloisac@unicamp.br
Valéria dos Santos Gouveia Martins
UNICAMP/Biblioteca Central
Cx.P  6136  13083-970  Campinas  SP- Brasil
valeria@unicamp.br
Marilda Truzzi
UNICAMP/Biblioteca Central
Cx.P  6136  13083-970  Campinas  SP- Brasil
marilda@unicamp.br
Célia Aparecida Rodrigues
UNICAMP/Biblioteca Central
Cx.P  6136  13083-970  Campinas  SP- Brasil
celiar@unicamp.br

�RESUMO
O serviço de referência (SR) no âmbito das bibliotecas fornece suporte
informacional ao usuário para produzir o conhecimento. Dada a importância deste
contexto e na tentativa de avaliar e estabelecer um processo contínuo de melhoria
do SR, os objetivos do presente trabalho são: identificar e categorizar as questões
de referência apresentadas pelos usuários, visando melhor retratar as demandas
existentes; propor uma sistematização para coleta dos dados estatísticos do SR e
aplicar uma metodologia para avaliação do serviço. O desenvolvimento deste
trabalho está baseado em estudo anterior, quando foi proposta uma metodologia
para avaliação do SR, onde os dados estatísticos coletados são tratados através
de fórmulas matemáticas. Assim, com a participação de seis bibliotecas do
Sistema de Bibliotecas da UNICAMP, está sendo realizado um projeto piloto,
composto pelas seguintes etapas: identificação das questões de referência,
através de um formulário; tabulação dos resultados visando a categorização das
questões; aplicação das fórmulas matemáticas propostas e análise dos resultados
obtidos. Concluindo, este trabalho propõe apresentar a aplicabilidade da
metodologia de avaliação e a sistematização da coleta de dados no serviço de
referência.
Palavras-chave: Produção do conhecimento - Serviço de referência; Bibliotecas
universitárias  Avaliação de serviços; Serviço de referência  Avaliação;
Avaliação de serviços  Metodologia; Metodologia  Coleta de dados; Questões
de referência  Categorização.

1 INTRODUÇÃO
A produção do conhecimento está diretamente ligada à informação. É através
dela que o indivíduo, uma vez assimilando-a, consegue gerar o conhecimento.
Gasque e Tescarolo (2004, p. 36), afirmaram que a informação representa um
elemento exógeno que corresponde à matéria-prima a ser transformada em
conhecimento por meio da interpretação e compreensão de cada indivíduo.
Sob esse mesmo aspecto, Barreto (2001) afirmou que
As configurações, que relacionam a informação com a geração de
conhecimento, são as que melhor explicam a sua natureza, em que
termos finalistas, pois são associadas ao desenvolvimento do
indivíduo e a sua liberdade para decidir sozinho. Aqui a informação é
qualificada como um instrumento modificador da consciência do
homem. A informação, quando adequadamente assimilada, produz
conhecimento, modifica o estoque mental de saber do indivíduo e
traz benefícios para seu desenvolvimento e para o bem estar da
sociedade em que ele vive.

Duarte e Silva (2004) vão mais longe quando destacaram que

�A informação e o conhecimento são tão necessários à sobrevivência
das organizações como indispensáveis para toda e qualquer atividade
humana, sendo, cada vez mais, vistos como uma força importante e
poderosa a ponto de dar origem a expressões como: Sociedade da
Informação, indústria da Informação, Revolução da Informação, Era
da Informação e Sociedade da Informação e do Conhecimento e
Organizações de Conhecimento. Esta nova sociedade requer um
novo tipo de organização [...] aquela voltada para a criação,
armazenamento e compartilhamento do conhecimento.

Assim, a biblioteca encaixa-se nesse tipo de organização e como colocaram
Castro Filho e Vergueiro (2005)
...as bibliotecas têm uma grande vantagem sobre as outras
organizações sociais; constituem, intrinsecamente, ambientes nos
quais predomina a busca de conhecimento. Isto faz com que elas
sejam um espaço privilegiado para partilhar idéias, propostas, projetos
etc. Como se sabe, os objetivos da organização influem na constituição
da cultura organizacional; no caso das unidades de informação, estas
influências estão ligadas à livre circulação de idéias, ao incentivo à
criação, ao empreendedorismo ou proposição de novos serviços, bem
como ao comprometimento com as necessidades dos clientes.

Dessa forma, a biblioteca adquirindo, tratando, armazenando e disseminando a
informação, exerce papel importante na produção e geração do conhecimento. A
partir

do

momento

que

ela

dissemina

a

informação,

ela

contribui

significativamente para o desenvolvimento social, científico e tecnológico
fornecendo, através do Serviço de Referência (SR), suporte informacional ao
usuário para produzir o conhecimento. Nesse contexto, e dada a sua importância,
é necessário que o SR seja avaliado qualitativamente, de modo a verificar se os
seus objetivos e os da biblioteca estão sendo atingidos, para se estabelecer um
processo contínuo de melhoria dos serviços. Porém, é uma atividade difícil de ser
avaliada, pois não existe uma medida estabelecida para ser utilizada; além disso,
as variáveis envolvidas nesse serviço são muito pessoais.
Na tentativa de se avaliar o Serviço de Referência, partindo da coleta de dados
estatísticos, propusemos uma metodologia para avaliá-lo nas bibliotecas da
Universidade Estadual de Campinas (MARQUETIS, 1989). Muitas bibliotecas
coletam dados estatísticos no SR, porém, geralmente esses dados não são
trabalhados de forma a se avaliar o serviço. Assim, propusemos que os dados
estatísticos coletados sejam trabalhados através de fórmulas matemáticas, de
maneira a avaliar qualitativamente as atividades desenvolvidas no serviço.

�Quando realizamos um estudo sobre a aplicabilidade da metodologia proposta em
1989, constatamos que para a mesma ser aplicada, seria necessária a
categorização das questões de referência para poder mensurá-las, bem como a
revisão dos prazos médios estabelecidos para composição das fórmulas
matemáticas (MARQUETIS, 2004). Desse modo, estabelecemos um projeto
piloto, com a participação de cinco bibliotecas do Sistema de Bibliotecas da
UNICAMP (SBU), para testar as fórmulas matemáticas propostas. Para
operacionalizar, o projeto foi dividido nas seguintes etapas:
a) Categorização das questões de referência e tempo médio para resposta;
b) Determinação do tempo padrão para responder as questões de referência,
a partir do cálculo do tempo médio de respostas;
c) Estabelecimento de um tempo padrão para atender as solicitações de
comutação bibliográfica e empréstimo entre bibliotecas com a aplicação da
fórmula matemática proposta;
d) Verificação da aplicação das fórmulas propostas para avaliação das
atividades de normalização bibliográfica, levantamento bibliográfico e
capacitação de usuários.
Assim, o presente trabalho tem como objetivos identificar e categorizar as
questões de referência visando melhor retratar as demandas existentes, propor
uma sistematização para a coleta dos dados estatísticos do SR e aplicar a
metodologia proposta para avaliação do SR referente às atividades de comutação
bibliográfica e empréstimo entre bibliotecas.

2 O SERVIÇO DE REFERÊNCIA (SR) E SUA AVALIAÇÃO
Inúmeras são as definições de Serviço de Referência encontradas na literatura.
Para este trabalho, utilizaremos os autores mais citados. Uma das definições mais
usuais é a citada por Hutchins (1973, p.4), onde destacou que o serviço de
referência
... inclui a assistência direta e pessoal dentro da biblioteca a pessoas
que buscam informações para qualquer finalidade, e também as
diversas atividades biblioteconômicas destinadas a tornar a informação
tão acessível quanto possível.

�A definição que consideramos mais apropriada para o Serviço de Referência é
dada por Macedo (1984), onde o serviço de referência é a assistência pessoal,
especializada, dada pelo bibliotecário ao usuário que deseja obter informação
específica para propósitos que envolvem estudo e pesquisa.
A utilização das novas tecnologias em unidades de informação possibilitou a
realização do serviço de referência, sem a presença do usuário, como afirmou
Márdero Arellano (2001, p.8), principalmente no exterior os serviços de consulta
existentes atendem por meio eletrônico. O autor diz que:
atualmente muitos desses serviços estão reduzidos a consultas
enviadas por correio eletrônico, telefone ou formulários na Web,
consumindo tempo e exigindo um trabalho árduo de pesquisa. O longo
processo resulta muitas vezes no comprometimento da troca efetiva de
recursos e informações que permitam a colaboração entre diversos
tipos de serviços de referência.

Independente do emprego das novas tecnologias da informação no SR, Tyckoson
(2001, p.186) afirmou que as quatro funções primárias do serviço de referência
estabelecidas em 1876 por Green ainda permanecem até o presente. São elas:
a) Instruções aos usuários de como usar a biblioteca
b) Responder às questões dos usuários
c) Ajudar os usuários na seleção de recursos
d) Promover a biblioteca junto à comunidade.
Para medir o desempenho do Serviço de Referência e verificar se está atingindo
seus objetivos há necessidade de uma avaliação sistemática. Isso possibilita a
identificação de mudanças, se necessárias, e aponta para novas diretrizes e
planos de ação que viabilizem maior eficiência da biblioteca e dos serviços
prestados.
Lancaster (1996, p.1) afirmou que a avaliação é feita não como um exercício
intelectual, mas para reunir dados úteis para atividades destinadas a solucionar
problemas ou tomar decisões.
Figueiredo (1992) propôs várias recomendações para o aperfeiçoamento do
serviço de referência, sendo que duas delas consideramos muito importantes:
avaliar os serviços utilizando estatísticas e relatórios; realizar estudos das
demandas dos usuários.

�Marquetis (2004) obteve como sugestão em sua pesquisa sobre avaliação do SR
junto às bibliotecas universitárias da região metropolitana de Campinas, a
categorização da questão de referência de modo que a mesma pudesse ser
medida e assim o serviço de referência avaliado qualitativamente.
Mesmo diante do fato de ser difícil estabelecer medidas para avaliar o serviço de
referência, vários autores criaram métodos e modelos para avaliá-lo. Dentre eles,
destacaram-se Saxton (1997), Lancaster (1996) e Marquetis (1989, 2004), que
em seu trabalho sobre a avaliação do serviço de referência em bibliotecas
universitárias, propôs uma combinação de variáveis para se avaliar o citado
serviço.
Com o intuito de testar a metodologia proposta por Marquetis (1989, 2004),
demos início ao projeto piloto mencionado na introdução e que iremos detalhar a
seguir.

3 METODOLOGIA
Para a operacionalização do projeto piloto cinco bibliotecas do Sistema de
Bibliotecas da UNICAMP (SBU) testaram a metodologia proposta por Marquetis
(1989), seguindo as sugestões dadas por bibliotecários de várias bibliotecas
universitárias da região metropolitana de Campinas, quando fizemos uma
pesquisa sobre a avaliação do serviço de referência (MARQUETIS, 2004).
As bibliotecas que compõem o projeto são: Biblioteca Central César Lattes
(BCCL), Biblioteca da Área de Engenharia e Arquitetura (BAE), Centro de Lógica,
Epistemologia e História da Ciência (CLE), Instituto de Física Gleb Wattagin
(IFGW) e Instituto de Geociências (IG).
A etapa inicial do trabalho foi constituída para criar mecanismos de coleta de
dados na atividade de resposta a questões de referência, de modo que
pudéssemos categorizar essas questões e conseqüentemente aplicar as fórmulas
sugeridas para a avaliação. Além de categorizar as questões de referência, seria
importante determinar o tempo de resposta dessas questões a fim de
estabelecermos um padrão de tempo. Assim, foi criado um formulário (anexo 1)

�para que fosse anotada toda questão que surgisse durante o funcionamento da
biblioteca, feita pessoalmente, por telefone ou por e-mail.
O período de coleta foi de 40 dias nos meses de maio a junho de 2006. De posse
dos formulários preenchidos pelos funcionários, o grupo estabeleceu as
categorias das questões e o tempo médio padrão em minutos.
A fórmula demonstra que os dados a serem coletados são: número de questões
recebidas (S  solicitações), número de questões respondidas (R  respostas) e
tempo médio padrão (Tm) despendido para responder cada questão. Para
estabelecer um padrão para o tempo utilizado para responder cada questão,
deve-se somar o tempo despendido em todas as questões recebidas e que foram
respondidas e dividir pelo número de respostas.
Assim, teremos D = R ÷ (S × Tm)
O valor do desempenho varia entre um valor maior ou igual a 0 (zero) e menor ou
igual a 1 (um), sendo: 0 = serviço péssimo; 0,25 = serviço ruim; 0,5 = serviço
regular; 0,75 = serviço bom; 1 = serviço ótimo
A etapa seguinte do projeto piloto foi verificar o desempenho das atividades de
comutação bibliográfica e empréstimo entre bibliotecas. Para isso, foram
calculados quantos pedidos de comutação bibliográfica e empréstimo entre
bibliotecas foram atendidos nos meses de maio e junho de 2006 e em quantos
dias úteis, desde a entrada do pedido até a data de atendimento, estabelecendose aí o tempo padrão para atendimento.
Assim os dados coletados para aplicação da fórmula: número de pedidos
solicitados (PS), número de pedidos atendidos (PA), tempo prometido e a
proporção de solicitações satisfeitas com o tempo prometido. Ficando a fórmula
da seguinte maneira:
Assim, teremos: D = PA ÷ PS, onde D = Desempenho.
O resultado também varia de 0 a 1, como na atividade de resposta a questões de
referência.

�4 RESULTADOS
Diante dos dados coletados no formulário do anexo 1, foram estabelecidas as
categorias das questões de referência, de acordo com a tipologia a seguir:
Base Acervus  perguntas referentes à base de dados da Unicamp para
localização de material bibliográfico e questões referentes ao software utilizado
para catalogação e circulação de material bibliográfico. Neste tipo, encaixam-se
as seguintes questões:
Acesso a base pela internet  perguntas do tipo: como acessar a base pela
internet;
Busca de materiais na base Acervus  se existe determinado material na
Unicamp;
Cadastro de usuário  dados necessários para cadastro de usuário;
Movimentação do usuário  quantos livros o usuário tem emprestado;
Orientação para uso da base Acervus  orientação informal de como fazer
pesquisa na base de dados;
Prazos de empréstimo  quais os prazos de empréstimo;
Quantidade de material para empréstimo  qual a quantidade de material
que pode ser retirado;
Renovação de material  como fazer para renovar o material;
Reserva de material  como fazer para reservar o material que está
emprestado;
Suspensão  quantos dias de suspensão por atraso na devolução de
material.
Informações gerais  neste tipo encaixam-se todas as perguntas que a literatura
de SR coloca como não sendo questões de referência, porém as bibliotecas que
fazem parte do projeto piloto acharam melhor categorizá-las, pois o pessoal da
biblioteca as responde e para isso demanda tempo e às vezes consulta ao
diretório da Universidade, catálogo de ramais etc.. Desse modo, as categorias são
as seguintes:
Horário de funcionamento;
Localização de outras unidades;
Localização de pessoas;

�Localização de telefones;
Localização de e-mails;
Achados e perdidos.
Informações sobre serviços  neste tipo, encaixam-se todas as questões que
requerem consulta a fontes de informações específicas, existentes ou não na
biblioteca, para respondê-las e dar orientação aos usuários para utilização dos
recursos informacionais existentes. Neste tipo, as questões foram categorizadas
da seguinte forma:
Acessos eletrônicos (catálogos, bases de dados, periódicos eletrônicos,
biblioteca digital, e-books)  todas as perguntas que requerem acessar
catálogos eletrônicos de outras bibliotecas, bases de dados, periódicos
eletrônicos, e-books, biblioteca digital, orientação informal quanto ao uso
dessas fontes;
Capacitação/treinamento  informações sobre o programa de capacitação
e treinamento de usuários, quer no uso de fontes de informação ou outros
recursos da biblioteca;
Catalogação na fonte  informações sobre catalogação na fonte,
principalmente de teses e dissertações que é exigida pela universidade.
Comutação bibliográfica  informações sobre o serviço de comutação
bibliográfica;
Empréstimo entre bibliotecas  informações sobre o serviço de empréstimo
entre bibliotecas;
Institucional  dados institucionais para fins de relatórios, informações para
agências de fomento;
Materiais bibliográficos  informações sobre doação, publicação, compra,
localização nas estantes;
Normalização - orientações sobre normalização de referências, citação,
apresentação de documentos, ISSN, ISBN;
Regulamento  informações sobre o regulamento do Sistema de
Bibliotecas da Unicamp;
Identificação de tipos de documentos  quando o usuário não sabe
identificar a referência, no sentido de saber a que tipo de documento ela se
refere, se é um periódico, livro, relatório etc.;

�Visita técnica  informações de como proceder para visitas técnicas às
bibliotecas;
Orientação quanto ao acervo  informações sobre coleções específicas.
Durante o período de coleta de dados, as bibliotecas responderam a um total de
222 questões sobre localização de materiais bibliográficos na própria base de
dados da Unicamp, a base Acervus, utilizando um tempo médio de 4,45 min. Pela
tabela 1, temos uma visão geral das questões respondidas por categoria e o
tempo médio para respondê-las.
Tabela 1  Questões respondidas por categorias e o tempo médio, em
minutos, de resposta

Base
Acervus

Geral

Serviços

Tipo de questão
Acesso da base pela internet
Busca de materiais na base Acervus
Cadastro de usuário
Movimentação do usuário
Orientação para uso da base Acervus
Prazos de empréstimo
Quantidade de material p/ empréstimo
Renovação de material
Reserva de material
Suspensão
Horário funcionamento
Localização de outras unidades
Localização de pessoas
Localização de telefones
Localização de e-mails
Achados e perdidos
Acessos eletrônicos
Capacitação/treinamento
Catalogação na fonte
Comutação bibliográfica
Empréstimo entre bibliotecas
Institucional
Materiais bibliográficos
Normalização
Regulamento
Identificação de tipos de documentos
Visita técnica
Orientação quanto ao acervo

Total
Nº de questões Tempo médio
3
5,25
222
4,45
0
12
2,37
53
9,25
1
1
1
2
14
4,12
0
0
13
1
9
1,75
15
2,25
5
1,5
0
4
2
92
9,36
12
10,83
6
7,5
29
10
15
6,45
6
7
23
3,53
23
8,45
2
10
1
5
2
15
2
12,5

Como podemos observar, as questões que se referem à base Acervus requerem
menos tempo para responder do que as questões sobre serviços. Desse modo, é

�aconselhável estabelecer o tempo médio padrão por tipo de pergunta. Assim,
teremos:
Base Acervus  tempo médio padrão para resposta 10 minutos;
Informações gerais  tempo médio padrão 3 minutos;
Informações sobre serviços  tempo médio padrão 15 minutos.
Dessa forma, pode-se utilizar a fórmula proposta para avaliar a atividade de
resposta a questões de referência, desde que utilizados os padrões de tempo
médio acima.
Em relação à atividade de comutação bibliográfica, pela tabela 2, podemos
observar o número de pedidos e em até quantos dias os mesmos foram
atendidos.
Tabela 2  Pedidos de comutação bibliográfica
atendidos pelas bibliotecas e o tempo
médio, em dias, de atendimento
Biblioteca
BAE
BC
CLE
IFGW
IG
Total

Comutação Bibliográfica
Pedidos atendidos
Tempo médio
134
1,81 dias
91
0,91 dias
25
1 dia
128
1 dia
21
2 horas
399
De 2h a 2 dias

Pelos dados podemos determinar como tempo padrão para atendimento da
comutação bibliográfica dois dias. Durante a realização da coleta dos dados,
verificamos que se deve desconsiderar os pedidos que chegam, mas o material
não consta nos catálogos da biblioteca ou no catálogo coletivo nacional de
periódicos. Recebemos vários pedidos nessas condições e somos obrigados a
devolver. Devem ser desconsiderados também os pedidos cuja referência não
confere. Devemos considerar para aplicação da fórmula os pedidos recebidos,
mas que não foram atendidos devido ao extravio de materiais.
Assim, a fórmula deve ser aplicada da seguinte maneira: número de pedidos
atendidos (PA) no prazo máximo de dois dias, divididos pelo número de pedidos
solicitados (PS), excetuando os casos do parágrafo acima. Caso haja algum
pedido atendido, mas cujo prazo de atendimento excedeu dois dias, não deve
entrar no cálculo.

�Quanto à atividade de empréstimo entre bibliotecas, pela tabela 3 observamos
que as bibliotecas atenderam um total de 96 pedidos, levando de um a três dias
para atende-los.
Tabela 3  Pedidos de empréstimo entre bibliotecas
atendidos e tempo para atendimento
Empréstimo entre bibliotecas
Biblioteca
Pedidos atendidos
Tempo médio
BAE
36
2,66 dias
BC
38
1 dia
CLE
6
1 dia
IFGW
8
2 dia
IG
8
1 dia
Total
96
De 1 a 3 dias

Podemos determinar como tempo padrão de atendimento três dias para uma
resposta à biblioteca que solicitou o empréstimo. Durante a coleta de dados,
constatamos que muitas vezes o material solicitado encontra-se emprestado com
algum usuário ou está em reserva de curso, desse modo não podemos enviá-lo.
Diante disso, consideramos o tempo padrão para dar uma resposta à biblioteca,
quer enviando o material ou informando que o mesmo está emprestado ou em
reserva.
Dessa forma, para aplicação da fórmula deve-se considerar o seguinte: número
de pedidos respondidos (PA) no prazo máximo de três dias, divididos pelo número
de pedidos solicitados (PS).

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Descrevemos neste trabalho informações referentes à avaliação de uma parte do
serviço de referência. Durante o teste, as bibliotecas encontraram várias
dificuldades para coletar os dados necessários, a principal foi criar uma
sistemática para anotar todas as questões que chegam á biblioteca. Muitas vezes
esquecemos de anotar as perguntas, outras vezes o tempo despendido para
responder. Isso nos levou a definir que a coleta será feita por amostragem. Ainda
estamos estudando como ocorrerá a amostragem.
Também constatamos que para a aplicação da fórmula de comutação
bibliográfica não podemos considerar aqueles pedidos que nos chegam e o

�material não consta de catálogos ou a referência bibliográfica não confere, apesar
de despendermos um tempo tentando procurar o material, não será por falta de
empenho da biblioteca que o atendimento não se concretizará.
Outro ponto observado foi em relação ao empréstimo entre bibliotecas, quando o
material solicitado não está disponível. Nesse caso devemos considerar o
atendimento do empréstimo quando enviamos uma resposta para a biblioteca que
solicitou o material.
Ainda há muito a ser feito. Os próximos passos referem-se às outras atividades
do serviço de referência, tais como levantamento bibliográfico, treinamento formal
de usuários, normalização bibliográfica. As bibliotecas integrantes do projeto
piloto começarão a trabalhar nesses pontos e, esperamos, contribuir para o
estabelecimento de uma metodologia de coleta de dados no SR, bem como sua
avaliação.

REFERÊNCIAS
BARRETO, Aldo de Albuquerque. A informação em seus momentos de
passagem. DataGramaZero: revista de ciência da informação, v.2, n.4, ago.
2001. Disponível em &lt;http://www.dgz.org.br/ago01/F_I_art.htm&gt;. Acesso em 20
jul. 2006.
CASTRO

FILHO,

Cláudio

Marcondes

de,

VERGUEIRO,

Waldomiro.

A

permeabilidade das unidades de informação à gestão do conhecimento: o
ambiente das bibliotecas especializadas. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 21.,
2005, Curitiba. Anais... Curitiba: Associação Bibliotecária do Paraná/FEBAB,
2005. 1 cd-rom.
DUARTE, Emeide Nóbrega, SILVA, Alzira K. A. da. A biblioteca universitária como
organização do conhecimento: do modelo conceitual às práticas. In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 13., 2004, Natal. Anais...
Natal: UFRN, 2004. 1 cd-rom.

�FIGUEIREDO, N.M. de. Serviços de referência e informação. São Paulo: Polis :
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GASQUE, Kelley Gonçalves Dias, TESCAROLO, Ricardo. Sociedade da
aprendizagem: informação, reflexão e ética. Ciência da Informação, v.33, n.3,
p.35-40, set./dez. 2004. Disponível em &lt;http://www.scielo.br&gt;. Acesso em 17 jul
2006.
HUTCHINS, M. Introdução ao trabalho de referência em bibliotecas. Rio de
Janeiro : FGV, 1973.
LANCASTER, F.W. Avaliação de serviços de bibliotecas. Brasília : Briquet de
Lemos, 1996.
MACEDO, Neusa Dias. Em busca de diretrizes básicas para o serviço de
referência e informação em bibliotecas brasileiras. Rev. Bras. Bibliotecon. e
Doc., v.17, n.3/4, p.61-70, 1984.
MÁRDERO ARELLANO, Miguel Angel. Serviços de referência virtual. Ciência da
Informação, v.30, n.2, p.7-15, 2001.
MARQUETIS, E.M.. A avaliação do serviço de referência em bibliotecas
universitárias da Região Metropolitana de Campinas. In: SEMINÁRIO NACIONAL
DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 13., 2004, Natal. Anais... Natal: UFRN,
2004. 1 CD-Rom.
MARQUETIS, E.M. O serviço de referência no Sistema de Bibliotecas da
UNICAMP : uma proposta para avaliação. 1989. Dissertação (Mestrado em
Biblioteconomia)  Faculdade de Biblioteconomia, Pontifícia Universidade Católica
de Campinas, Campinas.
SAXTON, M.L. Reference service evaluation and meta-analysis: findings and
methodological issues. Library Quarterly, v.67, n.3, p.267-289, 1997.
TYCKOSON, D.A. What is the best model of reference service? Library Trends,
v.50, n.2, p.183-196, 2001.

�ANEXO 1
Formulário para coleta da questão de referência

Biblioteca:__________
Questões de Referência
Nome:_____________________________
Telefone:___________________________
E-Mail:____________________________
( ) Unidade:__________( ) Externo
Dados Solicitados:____________________
___________________________________
___________________________________
___________________________________
( ) Atendido
Fonte(s) utilizada(s):______________
( ) Não atendido
Motivo:_______________________
___________________________________
Informação foi solicitada:
( ) Pessoalmente( ) Por telefone
( ) Por e-mail ( ) Por correspondência
Tempo de atendimento:________________
Data:_____/_____/_____
Funcionário:_________________________

�</text>
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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              <name>Subject</name>
              <description>The topic of the resource</description>
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                <elementText elementTextId="51379">
                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
                </elementText>
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              <name>Description</name>
              <description>An account of the resource</description>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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                <elementText elementTextId="51382">
                  <text>UFBA</text>
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            <element elementId="40">
              <name>Date</name>
              <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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              <name>Language</name>
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                  <text>Português</text>
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              <name>Type</name>
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              <name>Coverage</name>
              <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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    <itemType itemTypeId="8">
      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
    </itemType>
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      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
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                <text>As interfaces do serviço de referência e a geração do conhecimento.</text>
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            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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                <text>Marqueti, Eliana Marciela</text>
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            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                <text>Salvador (Bahia)</text>
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            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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                <text>UFBA</text>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
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            <description>An account of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="54373">
                <text>O serviço de referência (SR) no âmbito das bibliotecas fornece suporte informacional ao usuário para produzir o conhecimento. Dada a importância deste contexto e na tentativa de avaliar e estabelecer um processo contínuo de melhoria do SR, os objetivos do presente trabalho são: identificar e categorizar as questões de referência apresentadas pelos usuários, visando melhor retratar as demandas existentes; propor uma sistematização para coleta dos dados estatísticos do SR e aplicar uma metodologia para avaliação do serviço. O desenvolvimento deste trabalho está baseado em estudo anterior, quando foi proposta uma metodologia para avaliação do SR, onde os dados estatísticos coletados são tratados através de fórmulas matemáticas. Assim, com a participação de seis bibliotecas do Sistema de Bibliotecas da UNICAMP, está sendo realizado um projeto piloto, composto pelas seguintes etapas: identificação das questões de referência, através de um formulário; tabulação dos resultados visando a categorização das questões; aplicação das fórmulas matemáticas propostas e análise dos resultados obtidos. Concluindo, este trabalho propõe apresentar a aplicabilidade da metodologia de avaliação e a sistematização da coleta de dados no serviço de referência.</text>
              </elementText>
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            <description>A language of the resource</description>
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        <src>http://repositorio.febab.libertar.org/files/original/47/4861/SNBU2006_032.pdf</src>
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            <name>PDF Text</name>
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                <name>Text</name>
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                <elementTextContainer>
                  <elementText elementTextId="53656">
                    <text>AS PUBLICAÇÕES PERIÓDICAS CIENTÍFICAS DA UFG TERÃO FUTURO SEM
FINANCIAMENTO INTERNO?

Cláudia Oliveira de Moura Bueno*
Edna Lúcia Rodrigues**
Maria Clorinda Soares Fioravanti***

1

Introdução

Os periódicos científicos são, por excelência, o meio de comunicação do
conhecimento científico. Por contarem com um conselho consultivo, conferem e preservam
um espaço confiável do estado da arte do campo de conhecimento, registrando êxitos,
limites e alcances das teorias produzidas, indicando novos indícios e caminhos para a
pesquisa. Eles oferecem um âmbito de monitoração preciso e confiável do progresso do
campo do conhecimento do qual eles tratam (PINO, 2002, p.38 ).
O papel das revistas científicas, segundo a ABEC, é o de promover a comunicação
dos resultados dos trabalhos científicos à comunidade científica e à sociedade; promover
a adoção de normas de qualidade na condução da ciência e na sua comunicação; fornecer
critérios para avaliação da qualidade da ciência e de instituições; contribuir para consolidar
áreas e subáreas de conhecimento; garantir a memória da ciência e a prioridade da
autoria através do arquivo das pesquisas científicas (ABEC, 1994, p.17 ).
______________________________________________________
*Bibliotecária/UFG, Biblioteca Central
** Revisora de textos/UFG – Centro Editorial e Gráfico
*** Professora da escola de Veterinária/UFG

�Nas últimas décadas ocorreu uma grande expansão da quantidade de periódicos
no Brasil, em função principalmente dos seguintes fatores: facilidades oferecidas pela
informática no processo de preparação das edições; aumento da titulação docente, que
passou a exigir dos titulares maior número de publicações; aumento do número de
pesquisas realizadas por universidades e centros de pesquisas; ampliação do número de
cursos de mestrados e doutorado, que, ao criarem seus próprios periódicos, passaram a
incentivar docentes e alunos a publicar seus trabalhos; imposições de padrões de
produtividade aos docentes (sistema de credenciamento de pós-graduação e avaliação
institucional); ampliação dos grupos de pesquisas (UHLE, 2002, p. 22).
A ABEC (1994, p. 40) aponta como mais recorrentes nos periódicos institucionais
os seguintes problemas: a dependência, principalmente financeira (os editores não
conseguem tornar esses periódicos auto-sustentáveis); a heterogeneidade, isto é, falta
de definição do tipo de periódico que se pretende editar; o corporativismo, uma vez que
os periódicos são reservados quase que exclusivamente para publicação de docentes da
instituição de origem; uma periodicidade irregular; pequena tiragem; fraca distribuição.

2

A situação dos periódicos da UFG

A situação dos periódicos da UFG, até 2002, assim como em outras instituições
nacionais, era preocupante. Entre os aspectos mais recorrentes detectados destacavamse: ausência de definição de uma política das unidades e da universidade para a publicação
de periódicos; falta de conhecimento sobre os procedimentos de edição de um periódico;
periódicos de identidade indefinida; periodicidade irregular; não-estabelecimento de
critérios rigorosos na seleção dos textos, o que resulta freqüentemente em periódicos
cujo padrão de qualidade não corresponde ao que se espera desse tipo de publicação;
artigos mal redigidos; ausência de um plano de utilização dos periódicos (às vezes, pela
falta de reflexão sobre sua finalidade); desconhecimento por parte de muitos editores
quanto aos recursos (estrutura para manutenção do período) necessários para editar o

�periódico; necessidade da criação de mecanismos de avaliação interna dos periódicos;
investimentos na formação de editores; e apoio da universidade para consolidação dos
periódicos.
Diante desse panorama, tornou-se necessário criar uma política de apoio aos periódicos.
Surgia, então, o Programa de Apoio às Publicações Periódicas Científicas (Proapupec),
que se propunha a conceder apoio financeiro aos periódicos científicos e assessoria no
processo editorial. E, em contrapartida, o programa solicitava,

num

primeiro edital, o preenchimento de um formulário, com o intuito de conhecer a história, a
estrutura e as metas do periódico (ANEXO A). Era um momento para reflexão, em que
deveriam surgir respostas para indagações tais como: qual é o perfil desejado da revista?
Qual é a sua missão? Qual é a periodicidade almejada? Quem é o público-alvo da revista?
Quem são os leitores em potencial? Os artigos são submetidos à avaliação por
pareceristas? Qual é a infra-estrutura para a editoração da revista? Quais são os
mecanismos para conferir visibilidade à revista? (OVERAL; TRZESNIAK, 2004).

3

Os editais do PROAPUPEC
Os editais do Proapupec deixavam claro que os recursos

concedidos,provenientes do Fundo Institucional, destinavam-se à aquisição de material
de consumo, à contratação de serviço de terceiros (pagamentos de pessoal especializado
em editoração eletrônica, em normalização, em tradução e em revisão lingüística) e à
impressão, que só poderia ser feita no Centro Editorial e Gráfico da UFG (CEGRAF/
UFG).
No primeiro edital, o objetivo maior do Programa consistia em fazer com
que as revistas regularizassem sua periodicidade – problema detectado em 80% delas.
Tratava-se do primeiro passo. Desse modo, na prestação de contas, as revistas que não
cumpriram a “tarefa” foram excluídas do edital seguinte.
No segundo edital no item “Observações complementares”, já estabelecia
que só poderiam concorrer aos recursos as revistas com periodicidade regularizada. Era

�uma maneira de estimular os editores a habituarem-se à agilidade necessária nos trâmites
editoriais.
Exigia-se também dos concorrentes os seguintes requisitos:
- ter mais de 50% de artigos científicos e/ou técnico-científicos, gerados a a
partir de pesquisas originais e não divulgadas em outras revistas;
- possuir abrangência nacional/internacional quanto a colaboradores, corpo
editorial e conselho científico, sendo este de alto nível;
- ter circulado regulamente nos anos imediatamente anteriores à data da
solicitação;
- ter publicado, no mínimo, seis artigos por fascículo;
- ter publicação de , pelo menos, dois fascículos por ano;
- atender aos padrões mínimos da ABNT;
- não ser uma revista departamental, institucional ou microrregional, que
publique predominantemente trabalhos localizados;
- possuir ISSN;
- as publicações podem apresentar-se em formato eletrônico.
Esclarecia-se também, no edital, que caberia ao editor: (1) apresentar um
relatório técnico; (2) prestar contas da aplicação dos recursos, caso estes lhe fossem
concedidos, em data estabelecida no cronograma; e (3) comprovar o envio de solicitação
de indexação do periódico em, pelo menos, uma base de dados.
Nos editais seguintes, as exigências foram basicamente as mesmas,
centrando-se, porém, o foco na indexação dos periódicos em bases de dados
conceituadas. Com essa medida, o Programa procurava elevar o padrão das revistas
científicas. A indexação passou a ser, então o grande desafio para os editores.

4 Metodologia

Foram observados em primeiro plano os editais; em seguida, os formulários e ,

�para a definição dos recursos, as planilhas financeiras de cada revista. Da análise das
planilhas verificou-se a quantia de recursos solicitada para a publicação da revista e a
soma liberada. Veja o quadro abaixo:

Quadro 1 – Recursos concedidos pelo Proapupec
Ano do

Recurso

Recurso

Nº de Revistas

Nº de Revistas

Programa

Solicitado R$

Liberado R$

Solicitantes

Atendidas

2003

110.050,00

88.907,69

15

14

2004

168.258,84

100.000,00

18

15

2005

174.451,97

120.000,00

15

14

2006

210.015,85

130.000,00

15

12

Em atendimento ao edital 2003, para a distribuição dos recursos utilizados formam
utilizados os seguintes critérios:
- a caracterização do periódico como publicação cientifica;
- as metas estabelecidas pelo editor;
- a não-duplicidade de títulos em uma mesma unidade acadêmica;
- a divisão das publicações em duas categorias: com periodicidade regular e com
periodicidade irregular;
- a vinculação das publicações novas a programas de pós-graduação;
- a aquisição de material de consumo, no caso de publicações eletrônicas.

A

liberação dos recursos para o edital de 2004, atendeu a três recomendações:90%, 70%
e 50% do valor solicitado, desde que preenchidos os seguintes requisitos:
- periodicidade atualizada;
- publicação de no mínimo dois fascículos por ano;
- publicação de no mínimo deis artigos originais por fascículo;
- envio de um projeto em atendimento ao edital CNPq 02/2004, que incentivava e

�apoiava a editoração e publicação de periódicos científicos.
Nos editais de 2005 e 2006 houve variação na definição da porcentagem,sendo
70%,60% e 50% e acrescentou-se aos critérios a avaliação Qualis da CAPES A e B
nacional, bem como a solicitação de duas indexações.

5 Os efeitos da implantação do Proapupec

5.1 Resultados observados

Com o Proapupec, alguns resultados se tornaram visíveis logo após os três anos
de efetiva implantação do Programa. Doze periódicos se reestruturaram, e quase 80%
deles cumpriram as metas propostas, dentre as quais regularizar a periodicidade e
indexaram-se em, no mínimo, uma base de dados. Isso já é um grande passo. Muitas
das revistas publicavam um fascículo anual e passaram a se deparar com o desafio de se
transformarem em publicações semestrais. Umas poucas que estavam mais consolidadas
já deixavam claro que perseguiam as metas estabelecidas pelo Dr. Lewis Joel Green,editor
do Brazilian Journal of Medical and Biological Research, numa palestra realizada na
Reunião da ABEC de 1994, expressas nas seguintes palavras: “Um trabalho não está
completo enquanto não for publicado em uma revista indexada”.
Estimulados pelos novos desafios, 45% dos editores resolveram adotar o formato
A4, apresentando, então, novos projetos gráficos e de capa.
Hoje, depois da publicação de quatro editais do Proapupec e do repasse dos
recursos prometidos, consideramos que os resultados têm sido bem-sucedidos. A
implantação do programa, com critérios bem definidos, de certa forma, exigiu que os
editores repensassem seus periódicos e se cercassem de todas as possibilidades para
aprimorá-lo.

�5.2 Periódicos apoiados

Ciência Animal Brasileira
Lançado em junho de 2000, propunha, no seu editorial, a tornar-se uma publicação
destinada a zootecnistas e veterinários. Em dezembro de 2001, após o quarto fascículo,
esse periódico foi indexado pelo CAB Abstracts. Em junho de 2002, duas novas
indexações se seguiram: pelo Agris e pelo Agrindex.

Revista de Patologia Tropical
Trata-se de um dos mais antigos periódicos científicos da UFG. Surgiu em 1972 e,
desde então, vem mantendo sua regularidade. Atualmente sua periodicidade é
quadrimestral. Em 2004, estabeleceu parceria com a Sociedade Brasileira de Parasitologia,
o que resultou numa distribuição mais ampla. É indexada pelo LILACS, pelo CAB Abstracts
e pelo Referativnyi Zhurnal (Rússia) (VINITI).

Pesquisa Agropecuária Tropical
Editado quadrimensalmente pela Escola de Agronomia e Engenharia de Alimentos
da UFG, é indexado pelo Agris, pelo Agrobase. No período de 1971 a 1998 era publicado
sob o título Anais das Escolas de Agronomia e Veterinária da UFG.

Inter-Ação
Publicada, desde 1975, pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da UFG,
é indexada pelo Iresie, pela Edubase e pela Bibliografia Brasileira de Educação.

Signótica
Publicação do Programa de Pós-Graduação em Letras e Lingüística da UFG,tormouse de periodicidades semestral desde 2003. Foi indexada pelo Latindex em 2006.

�História Revista
Criada em 1996, pelo Programa de Pós-Graduação em História, para dar
continuidade a Ciências Humanas Revista (História). É de periodicidade semestral desde
2003.

Sociedade e Cultura
Periódico do Departamento de Ciências Sociais, tornou-se de periodicidade
semestral a partir de 2003.

Música Hodie
Periódico do Programa de Pós-Graduação da Escola de Música e Artes Cênicas
da UFG. É de periodicidade semestral desde 2003.

Revista de Biologia Neotropical
Criada em 2003, como órgão oficial do Instituto de Ciências Biológicas, a RBN é
de periodicidade semestral.

Revista Solta a Voz
Publicada pelo Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação, essa revista,
que é indexada pela BBE, circula semestralmente desde 2003.

Pensar a Prática
Essa revista, publicada pela Faculdade de Educação Física da UFG, circula desde
1998. É indexada pelo Sibradid, pelo Latindex e pelo Sport Discus.

Comunicação e Informação
Circulando como órgão oficial da Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia
da UFG desde 1998, esse periódico é publicado semestralmente desde 2003.

�6

Considerações finais

Cabe-nos agora fazer considerações sobre o título deste artigo, apoiando-nos nos
dados apresentados. Ficou claro que os recursos financeiros advindos da Proapupec
foram a mola propulsora da manutenção da periodicidade dos periódicos e,
conseqüentemente, da indexação de muitas delas.
Constatamos que os editores se tornaram mais ambiciosos, estabelecendo metas
para o futuro de suas publicações. Tornaram-se, portanto, mais profissionais.
Buscaram outras fontes de recursos em órgãos federais como o CNPq (um título)
e em órgãos estaduais e municipais(quatro títulos). Além disso, sete títulos se valeram de
recursos de programas de pós-graduação. As assinaturas não constituem uma fonte de
recursos digna de consideração.
Estamos cientes, entretanto, que a quase maioria desses periódicos não se autosustenta e que, se o apoio financeiro da UFG deixar de ser repassado, poucos terão
envergadura suficiente para continuar sua tarefa na divulgação do conhecimento.

7

Referências

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EDITORES CIENTÍFICOS (ABEC). III Curso de
Editoração Científica. Brasília, DF, dezembro de 1994.

BRASIL. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Programa de
Apoio às publicações cientificas do CNPq.

Brasília,

2003.

Disponível em http://

www.cnpq.br/editais acesso em: abr. 2003.

CAMPELLO, Bernadete Santos; CALDEIRA, Paulo da Terra. Revistas cientificas da UFMG.

Disponível em

�FARIA FILHO, Luciano Mendes de. A arbitragem da produção científica: a editoração. In:
BUENO, Belmira Oliveira et al. Política de publicação científica em educação no Brasil

hoje. São Paulo: Peusp, 2002.

OVERAL, Wlliam Leslie; TRZESNIAK, Piotr. Questões para a reflexão dos editores e o

aperfeiçoamento dos periódicos científicos. Texto apresentado em reunião do Proapupec,
em Goiânia, GO, 2004. Mimeografado.

PINO, Ivany. Editoração de revistas científicas no campo da educação. In: BUENO, Balmira
Oliveira et al. Política de publicação em educação no Brasil hoje. São Paulo: Feusp,
2002.

SCIELO BRASIL. Critérios Scielo Brasil: política e procedimentos para a admissão e a
permanência de periódicos na coleção SciELO Brasil. 2003. Disponível em: &lt;http://
www.scielo.br/criteria/scielo&gt;. Acesso em: 24 set. 2005.

UHLE, Águeda Bittencourt. Sobre amantes e amadores de edição. In: BUENO, Belmira
Oliveira et al. Política de publicação científica em educação no Brasil hoje. São Paulo:
Feusp, 2002.

�ANEXO A

UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS
PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO
Programa de Apoio às Publicações Periódicas Científicas da UFG
PROAPUPEC
AVALIAÇÃO DA REVISTA

Título______________________________________________________________________
Periodicidade________________________________________________________
Referência(v, nº, mês e ano)____________________________________________

CARACTERISTICAS BÁSICAS

1. Menção do Conselho editorial
(

)Sim

(

)Não

2. Conteúdo pelo menos 50% de artigos originais
(

)Sim

(

)Não

___________________________________________________________________

3. Identificação dos autores _____________________________________________

4.Ter publicado, no mínimo, 6(seis) artigos por fascículo___________________
___________________________________________________________________

�___________________________________________________________________

5. Ter publicado, pelo menos, 2 (dois) fascículos por ano
(

) Sim

(

)Não

6. Atende aos padrões da ABNT
(

)Sim

(

)Não

7. Formato
(

) impresso

(

)eletrônico

(

) impresso e eletrônico

CARACTERÍSTICAS DE APRESENTAÇÃO DA REVISTA

8. Composição do conselho cientifico e corpo editorial (composição endógeno/
exógeno - porcentagem)
___________________________________________________________________

9 .Circulação anterior ( 2004 e 2005) ____________________________________

10. Identificação dos autores( externo/interno a UFG e porcentagem)
_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

11.Sumário com indicação de páginas
(

)Sim

(

)Não

12. Apresenta legenda em cada página

�(

)Sim

(

)Não

13. Recepção e aceitação de originais (data)
(

)

(

)Não

CRITERIOS DE GESTÃO E POLITICA EDITORIAL DA REVISTA

14. Possui ISSN
(

)Sim

(

)Não

15. Menção em cada fascículo do objetivo, cobertura temática e público alvo
(

)Sim

(

)Não

16. Qual o sistema de seleção dos originais _________________________________
____________________________________________________________________

17. Editorial
(

)Sim

(

)Não

18. Em quais bancos de dados a revista esta indexada _____________________
___________________________________________________________________

19. Periodicidade regular
(

)Sim

(

)Não

CARACTERÍSTICA DOS CONTEÚDOS

20. Conteúdo científico original

�(

)Sim

(

)Não

21. Existe instruções aos autores
(

)Sim

(

)Não

22. Inclusão em cada fascículo de instruções aos autores quanto a elaboração das
referências bibliográficas
(

)Sim

(

)Não

(

)Não

23. Apresenta resumos
(

)Sim

24.Apresenta resumos em duas línguas ou mais

(

)Sim

(

)Não

(

) mais de 2 línguas

25. Apresenta palavras-chave
(

)Sim

(

)Não

26. Apresenta palavras-chave em duas línguas ou mais
(

)Sim

(

Valor solicitado -

PARECER FINAL DA COMISSÃO

)Não

(

)mais de 2 línguas

��</text>
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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>As publicações periódicas científicas da UFG terão futuro sem financiamento interno?</text>
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                <text>2006</text>
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                <text>Apresenta os resultados do Proapupec, Programa de apoio à periodicos da UFG. Alguns resultados se tornaram visíveis logo após os três anos de efetiva implantação do Programa. Doze periódicos se reestruturaram, e quase 80% deles cumpriram as metas propostas, dentre as quais regularizar a periodicidade e indexaram-se em, no mínimo, uma base de dados. Isso já é um grande passo. Muitas das revistas publicavam um fascículo anual e passaram a se deparar com o desafio de se transformarem em publicações semestrais. </text>
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                    <text>AS TENDÊNCIAS TEMÁTICAS DO SNBU:
análise dos anais de 2002 e 2004

Murilo Artur Araújo da Silveira1
César Antonio Pereira2
Mara Janaina de Oliveira3

RESUMO
Ilustra o panorama das tendências temáticas dos trabalhos apresentados nos
Seminários Nacionais de Bibliotecas Universitárias (SNBUs) de 2002 e 2004.
Destaca a importância acadêmica e profissional deste evento para a comunidade
científica, assim como discute as contribuições dos anais na institucionalização do
campo e na divulgação de idéias e atividades desenvolvidas pelos bibliotecários no
país. Tem por objetivo, identificar a produção temática dos bibliotecários nos dois
Seminários. Tem como objetivos específicos: apontar e comparar os temas
predominantes, emergentes e de pouca incidência entre os seminários e; propor uma
tabela de assuntos para futuras análises temáticas. Os procedimentos metodológicos
foram: coleta das palavras-chave dos trabalhos apresentados; concepção da tabela
de assuntos, a partir de Teixeira (1997) e dos Grupos de Trabalho da Associação
Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação e; tabulação, análise e discussão
dos dados. Verificou-se que em 2002, os assuntos mais incidentes foram Gestão de
Bibliotecas, Avaliação de Serviços de Bibliotecas e Bibliotecas Digitais e, em 2004,
Bibliotecas Digitais, Automação de Bibliotecas e os Profissionais da Informação.
Conclui-se que nos dois eventos, houve uma grande preocupação da comunidade
com as bibliotecas digitais e as novas tecnologias, confirmando a tendência dos
últimos anos da área.

PALAVRAS-CHAVE
Tendências Temáticas; Anais do Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias; Produção
de Conhecimentos; Bibliotecários

1

Mestrando em Ciência da Informação pela PUC-Campinas. Bolsista CNPq. E-mail: muriloas@gmail.com.
Mestrando em Ciência da Informação pela PUC-Campinas. Bolsista CNPq. E-mail: cesar_biblio@yahoo.com.br.
3
Mestranda em Ciência da Informação pela PUC-Campinas. Bolsista CAPES. E-mail: mara.janaina@bol.com.br.
2

�INTRODUÇÃO

Os eventos científicos são um dos meios que a comunidade científica
divulgam o conhecimento produzido pela ciência. É o ambiente onde os
pesquisadores comunicam seus resultados de pesquisas, suas experiências
profissionais advindas do cotidiano, sua inquietações, suas críticas e comentários.
Estes encontros promovem palestras, apresentações de trabalhos, reuniões de
grupos específicos, debates, entre outros. Suas nomenclaturas variam de acordo
com sua abrangência, podendo ser congressos, conferências, simpósios, encontros,
fóruns, etc., e, na maioria deles, possuem periodicidade definida.
Para Fonseca (1992), os encontros profissionais são importantes para os
especialistas, muito mais do que as publicações periódicas, colocando-o com um
veículo de atualização profissional. Adiante, aponta que para algumas áreas do
conhecimento, os eventos representam o único instrumento de contato com as
novidades científicas. Souza (1993) também os classifica como instrumentos de
educação continuada, reconhecendo nestes a importância no processo de
hominização do especialista em seu campo de atuação.
Um dos produtos gerados pelos eventos científicos são os anais. São
considerados como publicações não convencionais, ou seja, se enquadram na
categoria denominada literatura cinzenta. Na concepção de Mello (1996) os anais de
eventos são fontes de informação que divulgam idéias, estudos e pesquisas recentes
para uma clientela reduzida e específica, produzidos em pequenas tiragens e com
responsabilidade

editorial

das

instituições

promotoras

do

evento.

Outras

características são a falta de padronização do conteúdo (texto completo ou resumos)
e pequena distribuição para bibliotecas e centros de informação (MOURA; MATTOS;
SILVA, 2002). Como alternativas para a maior disseminação destes documentos,

�temos o aumento das publicações impressas e em CD-ROM, bases de dados e a
Internet.
Para a área de Ciência da Informação, temos vários eventos que se
enquadram na categoria acima discutida. Um dos mais importantes é o Seminário
Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU). O primeiro SNBU aconteceu de 23 a
28 de julho de 1978 na Universidade Federal Fluminense (UFF), tendo como tema: a
biblioteca como suporte do ensino e da pesquisa no desenvolvimento nacional. O
intervalo de um para outro sempre foi de dois anos, com exceção entre o primeiro e o
segundo seminário que foi de três anos (DAMORIM; TOLEDO; CUNHA, 2002). Ao
longo destes vinte e oito anos, tal encontro vem tentando acompanhar as tônicas do
novo milênio no que se refere às praticas profissionais, tendências temáticas e
interdisciplinares do campo, ao crescimento do conhecimento científico e às novas
relações que a área estabeleceu com as tecnologias da informação e comunicação.
Quando da sua criação e institucionalização, o SNBU voltou-se para a
biblioteca universitária, como confirma a sua denominação enquanto evento e seus
temas. Há alguns anos, percebe-se um olhar mais abrangente deste seminário no
que se refere ao seu escopo. O crescimento no número de debates, da participação
da comunidade e de trabalhos apresentados são notórios. Muitos grupos de
interesses comuns reúnem-se para discutir idéias, pensamentos e pontos
problemáticos, no mesmo instante que traça estratégias de ações para melhorar o
desempenho de suas atividades. Os profissionais também têm contato com colegas
de outras localidades, ampliando sua rede de contatos, assim como o que há de
novo na literatura científica, em produtos e serviços informacionais e tecnológicos,
além do contato com os artefatos culturais do local que sedia o evento.
Seus temas procuram discutir os assuntos mais expressivos do campo de
forma crítica e imparcial, deixando de lado às questões pontuais que o caracterizava.
Esta pesquisa, que analisou os assuntos abordados e discutidos nos dois últimos
encontros, mostra uma diversidade de tópicos referentes ao universo temático da
área. Isso comprova a mudança de visão da comunidade no que tange aos

�interesses e preocupações da Ciência da Informação. No entanto, é preciso
visualizar se tais resultados contemplam tais interesses e inquietações da área, pois
para uma área que busca uma compreensão melhor do seu campo de atuação, suas
realidades, seus hábitos, limites e fronteiras, tais insumos revelam-se importantes e
necessários.
Dentro desta tônica, este estudo diagnosticou a produção científica dos
bibliotecários nos Seminários Nacionais de Bibliotecas Universitárias de 2002 e
2004, no que se refere às tendências temáticas. Trata-se da análise dos assuntos
presentes nos trabalhos elaborados pelos bibliotecários com o intuito de registrar e
discutir o que se produz pela comunidade no país. Quer ainda: apontar e comparar
os temas predominantes, emergentes e de pouca incidência entre os seminários e;
propor uma tabela de assuntos para futuras análises temáticas.

METODOLOGIA E RESULTADOS

O presente estudo se qualifica por ser de caráter bibliográfico e empíricoanalítico. Constitui-se em métodos de análises de conteúdo e técnicas de
quantificação da literatura científica em Ciência da Informação, para avaliação dos
temas contidos nos trabalhos dos anais de 2002 e 2004 do SNBU. Busca-se fornecer
informações sobre a produção científica na área, através dos elementos temáticos
dos referidos anais.
Os objetos de análise desta pesquisa foram as palavras-chave e os eixos
temáticos determinados pelas organizações dos eventos.
As etapas adotadas de acordo com a metodologia escolhida foram:
Levantamento das palavras-chaves dos trabalhos publicados pelos
bibliotecários no SNBU;

�Levantamento e Análise dos assuntos mais frequentes da produção;
Caracterização da produção segundo os Grupos de Trabalho da
ANCIB.

ANÁLISES DOS RESULTADOS

Foram analisados 169 assuntos com um número total de 270 freqüências
separadas em dois períodos: 2002 e 2004. Os dados coletados do evento serviram
para o aprofundamento dos temas de destaque da produção e auxiliaram a identificar
as tendências e futuras pesquisas do SNBU.
Para tanto, foram estabelecidos os critérios de freqüência/ocorrência dos
assuntos na produção e posteriormente foram comparadas de acordo com a
temática elaborada pela ANCIB (ANEXO I). Desta forma, ficou estabelecido como
está a produção científica dos pesquisadores no Seminário e caracterizado a
produção de acordo com o padrão nacional de Ciência da Informação e
Biblioteconomia.

A Produção do SNBU

A ocorrência de vários assuntos com freqüência igual e/ou inferior a dois
(2), tanto nos períodos de 2002 (ANEXO II) quanto no período de 2004 (ANEXO III),
se manteve em um nível de produção dispersa. A produção determinou 80% de
assuntos variados para o ano de 2002 e uma pequena queda representada por 78%
para o ano de 2004, e desta maneira não foram considerados para análise de
freqüência.
Com relação aos assuntos mais freqüentes, a produção para o ano de
2002 caracterizou-se como Administrativa (Gestão, Qualidade) das Unidades de

�Informação e Tecnológica (BDTD, Sites), ou seja, grande parte dos assuntos mais
freqüentes mostram-se fundamentados tanto na Tecnologia quanto na Administração
destes recursos, mostrando forte posicionamento frente às tendências futuras da
área.
Esta explanação pode ser confirmada através dos seguintes destaques:
Gestão de Bibliotecas representada por 5% de toda a produção do período;
Bibliotecas Digitais de Teses e Dissertações (4%). Sendo apresentado também:
Periódico Científico Eletrônico, Sites de BU, Desenvolvimento de Coleções,
Gestão da Qualidade em Bibliotecas, todos com 3% cada.
Para o ano de 2004, os assuntos de maiores ocorrências foram:
Automação de BU (6%); seguidos de BDTD (5%); um pouco menos recuado
Políticas de Desenvolvimento de Coleções (3%) alterando a terceira posição em
comparação com 2002.
Em se tratando da produção total, foram desconsiderados freqüentes os
assuntos com freqüência igual e/ou inferior a três (3), evitando novamente a
ocorrência de variados assuntos, numa mesma freqüência (ANEXO IV)
Sendo assim, para a elaboração dos assuntos preponderantes e mais
incidentes nos dois períodos, somente doze (12) se destacaram e não obtiveram
uma enorme variedade de assuntos na mesma freqüência. O Gráfico 1 apresenta
estes assuntos, numerando-os de acordo com o número de freqüência na produção
total.

�Gráfico 1. Assuntos mais freqüentes da Produção Total.
14

300

270
250

T
BD

D
Au t

om

a

d
ç ão

eB

U

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G
P
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S er

200

150

100

73
50

12
10
8
6
4
2
0

0

É importante destacar a participação do assunto BDTD perante a
produção. Sua ocorrência sempre esteve fortemente representada nos períodos e
sendo assim, o assunto obteve o primeiro lugar em número de freqüências (12). O
assunto Automação de BU foi o grande revelador, pois no ano de 2002 teve apenas
duas (2) ocorrências, aparecendo em 2004 nove (9) vezes, demonstrando em pouca
escala de tempo a preocupação da comunidade neste tema. Ainda, alguns assuntos
em destaque no período de 2002 impulsionaram em grande maioria a produção dos
destaques do ano de 2004.
O assunto Periódico Científico Eletrônico e Gestão de Bibliotecas
ficaram na terceira posição, mostrando a importância que a comunidade científica
está dando a este tipo de comunicação. A forma de trabalho e de gerência nas
Bibliotecas Universitárias, mostrou-se o grande desafio para a área, uma vez que

�essa segue as tendências impostas até mesmo pelos dois assuntos com maior
freqüência nesta produção (BDTD e Automação), variando o nível e a qualidade dos
serviços documentais.
A partir desta terceira escala dos assuntos, a comunidade participante do
SNBU mostrou-se interessada na Gestão das Unidades de Informação e da
Qualidade dos Serviços disponibilizados. Frente a essa explanação, destacam-se os
assuntos: Gestão da Informação em BU; Gestão da Qualidade em Bibliotecas;
Política de Desenvolvimento de Coleções em BU; Serviço de Referência em BU;
Gestão do Conhecimento em BU.
Percebe-se que a grande maioria da produção está voltada para questões
acerca das Tecnologias e da Administração tanto destes recursos como também dos
serviços que tais técnicas proporcionam aos serviços de informação. Nessa
premissa, o assunto Inclusão Digital que apresentou quatro (4) ocorrências ocupa
grande destaque nas atuais discussões, uma vez que tais tecnologias auxiliam na
disseminação da informação, quebrando barreiras e impondo abertura de
comunicação, mas também podem vir a excluir camadas menos favorecidas da
sociedade.

A Produção do SNBU X Grupos de Trabalho da ANCIB

Após o levantamento e descobrimento dos assuntos mais freqüentes no
Seminário, a produção foi separada de acordo com a tabela de classificação
proposta por este trabalho levando em consideração os Grupos de Trabalho da
ANCIB, visando estabelecer quais dentre os grupos temáticos da Ciência da
Informação foram mais influentes. Os assuntos foram separados atendendo a
especificação da Associação e distribuídos conforme sua tendência temática
(ANEXO V). O Gráfico 2 apresenta o resultado de acordo com o número de
ocorrência dos assuntos dentro dos grupos.

�Gráfico 2. Distribuição dos assuntos segundo a ANCIB.

90
80

G4 (78)

70
60
50
40
30
G2 (22)

20

G6 (22)

G3 (26)

10

G5 (9)

0

G7 (11)

G1(1)

É perceptível a massiva produção de assuntos do Grupo 4 (Gestão de
Unidades de Informação). Com 78 assuntos classificados neste grupo, pode-se
sustentar que durante o período estudado (2002 e 2004) a produção esteve
basicamente voltada para as práticas de Gestão das Unidades de Informação e da
Qualidades dos Serviços disponibilizados.
Alcançando a segunda posição, o Grupo 3 (Mediação, Circulação e Uso
da Informação) estabeleceu uma produção de 26 assuntos. A este grupo fica a
aparente importância das questões ligadas à circulação da informação, bem como
das tecnologias e novas formas de linguagem que permitem uma disseminação mais
expressiva.
Já nos Grupos 2; 6 (Organização do Conhecimento e Representação da
Informação; Informação e Trabalho), foram constatados 22 assuntos para cada,
mostrando a presente preocupação do Seminário nas questões referentes às teorias

�e práticas relacionadas à organização e preservação de documentos e da
informação. Ademais, ainda foram identificados como a informação se situa na atual
sociedade, suscitando acerca da formação do profissional da informação e de seu
mercado de trabalho.
Entretanto, para os Grupos 7; 5 (Informação para Diagnóstico,
Mapeamento e Avaliação; Política, Ética e Economia da Informação) a produção foi
considerada inexpressível. Sua produção alcançou 11 e 9 assuntos respectivamente,
mostrando grande desvantagem se comparados aos demais. Para o Grupo 1
(Estudos Históricos e Epistemológicos da Informação) a situação foi ainda mais
crítica, pois a produção obteve apenas 1 assunto, mostrando a fraca incidência dos
estudos ligados

aos

aspectos

teóricos da

Ciência

da

Informação

e

da

Biblioteconomia.

CONCLUSÃO

O SNBU é tido com um locus de debates, reflexões e disseminação de
idéias a ações concernentes acerca das bibliotecas e de questões profissionais
desempenhadas pelos profissionais da informação no país. Sua produção reflete as
tendências do setor e até mesmo rompe os limites disciplinares propiciando a
interdisciplinaridade com outras áreas do conhecimento.
As atividades de avaliação de produção científica e tecnológica, cada vez
mais são vistas como fatores determinantes na implantação de políticas que
administram o país. Saber como e o quê estão sendo discutidos sobre os assuntos
em determinada área do conhecimento são urgentes e necessários, pois tais
diagnósticos demonstram os caminhos percorridos pela comunidade profissional. É a
partir de Eventos como o SNBU, que fica evidente a preocupação com essas
questões, mostrando o interesse na compreensão de sua realidade e de seus
hábitos. E, mais ainda, dos esforços estendidos por este, a fim de comunicar e

�caracterizar a produção da Ciência da Informação e Biblioteconomia. Assim, o
presente trabalho se deteve na caracterização da produção dos bibliotecários
participantes do Seminário.
É interessante destacar a atenção dada pela classe ao assunto Inclusão
Digital, que requer cada vez mais preparação e discussão das mais diferentes áreas
do saber. As Bibliotecas são órgãos disseminadores de informação que auxiliam e
impulsionam o conhecimento, grande responsável pelo desenvolvimento sócioeconômico de qualquer país. Excluir ou até mesmo inibir o acesso à informação,
independentemente das condições sociais é um crime e aufere os direitos humanos.
Por outro lado, a produção se mostrou dispersa, disponibilizando uma
gama de variados assuntos com uma única freqüência, mostrando a abertura
conceitual em diferentes campos proposta pelo Evento.
Com relação à caracterização da produção acerca dos Grupos de
Trabalho propostos pela ANCIB, fica evidente que o SNBU concentrou maiores
esforços na Gestão das Unidades de Informação e na Qualidade dos Serviços
prestados. Nesta percepção, é claro a atenção da comunidade em assuntos que
demandem maiores discussões sobre as formas de gerenciamento da informação,
até mesmo sob o respaldo das novas tecnologias da informação. Entretanto, através
destes resultados, fica elementar que questões ligadas à teoria da informação não
foram debatidas, caracterizando a produção como técnica e não conceitual. Tal
situação é sabida pela área, mas parece que ainda não foi assimilada.
Para uma área que tenta se compreender melhor, é necessário refletir um
pouco mais sobre a teoria e não ficar somente no labirinto da prática. Reconhecemos
que a prática é necessária, porém agir em detrimento desta, relegando os aspectos
teóricos aos patamares inferiores do conhecimento é comprometer o estatuto
científico da Ciência da Informação e da Biblioteconomia.

�REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA DA
INFORMAÇÃO. Grupos de trabalho. Disponível em: &lt;www.ancib.org.br&gt;. Acesso
em: 01 jul. 2006.
DAMORIM, Maria da Conceição Torres; TOLEDO, Nanci; CUNHA, Paulo Carneiro.
SNBU: apresentação. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS, 12., 2002, Recife. Anais eletrônicos... Recife, 2002.
FONSECA, Edson Nery da. Introdução à biblioteconomia. São Paulo: Pioneira,
1992. (Manuais de estudos).
MELLO, Lina Laura Crivellari Cardoso de. Os anais de encontros científicos como
fonte de informação: relato de pesquisa. Revista de Biblioteconomia de Brasília, v.
20, n. 1, p. 53-68, jan./jun. 1996.
MOURA, Ângela Maria Saraiva de; MATTOS, Carla Vilella de; SILVA, Danielle
Castro da. Acesso e recuperação da produção científica pela biblioteca universitária:
os anais de eventos. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS, 12., 2002, Recife. Anais eletrônicos... Recife, 2002.
SOUZA, Francisco das Chagas de. Biblioteconomia, educação e sociedade.
Florianópolis: Ed. da UFSC, 1993.

�ANEXO I: Grupos Temáticos de assuntos segundo a ANCIB.
G1: ESTUDOS HISTÓRICOS E EPISTEMOLÓGICOS DA INFORMAÇÃO
Paradigmas da CI, constituição do seu campo científico e questões epistemológicas
subjacentes.
Inclui
discussões
sobre
disciplinaridade,
interdisciplinaridade
e
transdisciplinaridade da área, bem como a construção do conhecimentos em CI do ponto de
vista histórico.
G2: ORGANIZAÇÃO DO CONHECIMENTO E REPRESENTAÇÃO DA INFORMAÇÃO
Teorias e práticas relacionadas à organização e preservação de documentos e da
informação nos vários espaços institucionais: arquivos, museus, bibliotecas e demais
serviços de informação. Compreende, também, os estudos relacionados à linguagem de
organização da informação, mapas conceituais, ontologias, etc., uso de tecnologias na
organização da informação, além de aspectos relacionados às políticas de organização e
preservação da memória institucional.
G3: MEDIAÇÃO, CIRCULAÇÃO E USO DA INFORMAÇÃO
Informação e processos culturais e simbólicos na contemporaneidade. Mediação e
transferência da informação. Circulação da informação, redes sociais e formas de recepção
em diferentes espaços e ambientes institucionais. Usos e usuários da informação. Emprego
de tecnologias e novas formas de linguagem, autoria e textualidade. Redes de informação,
políticas de memória e de leitura.
G4: GESTÃO DE UNIDADES DE INFORMAÇÃO
Gestão, administração e gerência de sistemas de informação, incluindo a gestão de
unidades, serviços e produtos informacionais. Compreende, também, os estudos
relacionados à gerência de recursos informacionais (financeiros, tecnológicos, materiais,
espaciais e humanos), metodologias de identificação de competências e de comunidades de
prática (conhecimentos não registrados) e de análise de contextos institucionais (locus de
conhecimentos, inteligência competitiva).
G5: POLÍTICA, ÉTICA E ECONOMIA DA INFORMAÇÃO
Políticas públicas de informação. Economia da informação e da comunicação. Política
científica e tecnológica. Ética e informação. Inclusão informacional.
G6: INFORMAÇÃO E TRABALHO
Informação, educação e trabalho na sociedade contemporânea. Campo de trabalho
informacional: atores, cenários e estruturas. Formação e atuação do profissional da
informação.
G7: INFORMAÇÃO PARA DIAGNÓSTICO, MAPEAMENTO E AVALIAÇÃO
Bibliometria, cientometria, infometria e demais metodologias para o estudo dos fenômenos e
dos comportamentos das áreas do conhecimento. Indicadores de C&amp;T, avaliação da
atividade científica, com ênfase nas Ciências Humanas e Sociais e na Ciência da
Informação.

�ANEXO II: Pouca Incidência SNBU 2002.

ASSUNTOS

ASSUNTOS

FREQÜÊNCIA (1)
Descrição de Documentos para Arquivos; Pesquisa Escolar; Jornalismo e
Comunicação Interna; Biblioteca Digital; Organização de Mapotecas; RH
em Bibliotecas; Produção científica: Teses e Dissertações; Organização
de Núcleo de Documentação; Avaliação de Bibliotecas Universitárias;
Web Semântica; Biblioteca Universitária e Ensino à Distância; Bibliografia
de Cursos de Graduação; Impacto da Web nas Universidades Estaduais PR/ Bibliografia estrangeira; Fontes de Informação na Internet;
Institucionalização de Bibliotecas Universitárias; Ergonomia em
Bibliotecas Universitárias; Análise de Citações em Teses e Dissertações;
Perfil Profissional do Bibliotecário; Pesquisa na Internet; Produção
científica; Programas Sociais em Bibliotecas; Qualidade de Atendimento
em Bibliotecas; Arquivo de Fichas; Preservação e Restauração de
Acervos; Empreendedorismo em BU; Emergências em BU; Bibliotecas e
Ensino à Distância; Psicologia Social; Seleção de Periódicos em BU;
Organização e Tratamento de Coleções Especiais; Guias Informativos:
impresso e digital; Bibliotecários e Pesquisa científica; Gestão de Projetos
em BU; Avaliação de Desempenho em BU; Infra-estrutura de BU;
Bibliotecário e Indústria: competências; Programa Pergamum; Avaliação
de Programas em BU; Integração entre Bibliotecários e Professores
Universitários; Hemeroteca Digital; Serviços de Informação; Ética e
Bibliotecários; Bibliotecário - Exercício Profissional; Biblioteca
Personalizada; Consórcio entre BU de São Paulo; Banco de Dados para
Bibliotecas; Base de Dados para BU; Sistema de Informação  BU; Curso
de Pós-graduação latu sensu em Gestão da Informação; Portal de
Legislação Educacional; Tesauros; Integração Social; Preservação da
Informação; Catálogos Online de BU; Conservação Preventiva de Acervos
em BU; Incentivo à Leitura; Planejamento de Biblioteca Digital; Serviços
de Informação em BU; Gestão Organizacional em BU; Base de Dados
para Vocabulário Controlado; Gestão Eletrônica de Documentos;
Biblioteca Virtual Temática; Biblioterapia; Cabeçalhos de Assuntos;
Gestão do Conhecimento em BU; Memória Institucional por Acervo
Fotográfico; Avaliação de BU; BU Digitais; Avaliação de Coleções de
Periódicos.
FREQÜÊNCIAS (2)
Bases de Dados; Base de Dados para Web; Catalogação Automática:
MARC 21; Serviço de Comutação Bibliográfica; Automação de
Bibliotecas; Gestão da Informação em BU; Sistema de Automação em
Bibliotecas; Bibliotecário e Internet; Gestão de BU; Sistema de
Informação; Planejamento de Sistema de BU; Serviço de Referência em
BU; Avaliação de Serviços de BU.

�ANEXO III: Pouca Incidência SNBU 2004.
FREQUENCIA (1)
Inventário de Acervo em BU; Padronização de dados em BU;
Modernização de BU; Análise de Citações em Teses e Dissertações;
Direitos Autorais na Internet; Avaliação de BU pelo MEC; Sistema de BU;
BU e Ensino à Distância; Normalização de Documentos via Web;
Pesquisa Qualitativa em BU; Serviço de Comutação Bibliográfica em BU;
Implantação de Centro de Documentação; Informação em BU para
Indústria e Negócios; Disseminação Seletiva da Informação Eletrônica;
Avaliação do Serviço de Referência em BU; Arquitetura de Bibliotecas;
Espaço Físicio em BU; Planejamento Estratégico em BU; Futuro das
Bibliotecas; Revista Digital sobre Memória; Sistemas de Informações;
Avaliação de Qualidade em BU; Avaliação da Qualidade em Biblioteca
Digital; Avaliação da Coleção de Periódicos Científicos; Avaliação do
Serviço de Referência; Qualidade para Normalização Bibliográfica;
Preservação e Conservação de Acervos; Comportamento Organizacional
em BU; Inovação em BU; Planejamento e Gestão em BU; Biblioterapia e
Incentivo à Leitura; Bibliotecas Universitárias; História das BU;
ASSUNTOS Empreendedorismo na Internet; Empreendedorismo e Bibliotecas; Portal
Corporativo para Bibliotecários; Curso à Distância para Bibliotecários;
Produção Científica em Curso à Distância; RH em Bibliotecas; Qualidade
de RH em BU; Liderança em BU; Técnico em Biblioteconomia; Gestão de
RH em BU; Incentivo à Leitura; Bibliometria; Relacionamento entre
Bibliotecários e Professore; Desenvolvimento de Equipes em BU; Acesso
à Informação; Acervos Digitais em BU; Arquivo Fotográfico Digital;
Serviço de Referência Virtual; Biblioteca Digital; Bibliotecas Digitais
Universitárias; Avaliação de Tutoriais Online; Portal Acadêmico; Acervo
Fotográfico Digital; Livro Eletrônico; Catálogo Coletivo de Bibliotecas;
Consórcio entre Bibliotecas Universitárias; Hora do Conto na Internet;
Vocabulário Controlado; Indexação de Periódicos em Bases de Dados;
Avaliação de Coleções de Periódicos; Avaliação de Serviços de
Informação; Marketing em Bibliotecas; Instrução Programada de
Usuários  Tutorial; Assistência ao Usuário; Estudo de Usuário em BU;
Avaliação de Periódicos Científicos em BU; Qualidade de Serviços em
Bibliotecas; Qualidade de Serviços em BU; Preservação de Documentos
em BU; Pesquisa Bibliográfica de Periódicos; Bibliotecas e Ensino à
Distância; Gestão da Informação em Bibliotecas; Organização de BU;
Avaliação de Softwares para Bibliotecas; Inclusão Social; Inclusão e
Exclusão Social; Conteúdos Digitais e Padrões de Registros;
Organização da Informação; Fichamento Eletrônico de Leitura; Sites e
Organização da Informação; Biblioteca Digital Multimídia; Comunicação
Científica em BU; Revista Eletrônica; Cooperação de Ações Estratégicas
em BU.
FREQUENCIA (2)
Novas Tecnologias em Bibliotecas; Administração por Projetos em BU;
Serviços de Informação em BU; Gestão da Informação em BU; Literatura
ASSUNTOS Cinzenta; Serviço de Referência em BU; Sites de BU; Relacionamento
em BU; Clipping Digital; Inclusão Social e Digital em BU; Acervos
Digitais; Motivação de Bibliotecários; Gestão da Qualidade em BU.

�ANEXO IV: Pouca Incidência da Produção Total.

ASSUNTOS

ASSUNTOS

ASSUNTOS

FREQUENCIA (3)
Base de Dados para BU; Competências do Bibliotecário; Desenvolvimento de Coleções;
Educação Continuada de Bibliotecários; Portal de Periódicos da CAPES; Serviço de
Comutação Bibliográfica; Sistema de Informação  BU; Acervos Digitais em BU; Avaliação da
Coleção de Periódicos Científicos.
FREQUENCIA (2)
Incentivo à Leitura; Inclusão Social e Digital em BU; Literatura Cinzenta; Motivação de
Bibliotecários; Novas Tecnologias em Bibliotecas; Planejamento de Sistema de BU;
Bibliotecário e Internet; Bibliotecas e Ensino à Distância; Catalogação Automática: MARC 21;
Clipping Digital; Empreendedorismo em BU; Qualidade de Serviços em Bibliotecas;
Relacionamento em BU; RH em Bibliotecas; Sistema de Automação em Bibliotecas;
Administração por Projetos em BU; Análise de Citações em Teses e Dissertações; Avaliação
de Serviços de BU; Avaliação do Serviço de Referência em BU; Base de Dados para Web;
Biblioteca Digital; Avaliação de Bibliotecas Universitárias.
FREQUENCIA (1)
Acervo Fotográfico Digital; Acesso à Informação; Arquitetura de Bibliotecas; Arquivo de Fichas;
Arquivo Fotográfico Digital; Assistência ao Usuário; Avaliação da Qualidade em Biblioteca
Digital; Avaliação de BU pelo MEC; Avaliação de Desempenho em BU; Avaliação de
Periódicos Científicos em BU; Avaliação de Programas em BU; Avaliação de Qualidade em
BU; Avaliação de Serviços de Informação; Avaliação de Softwares para Bibliotecas; Avaliação
de Tutoriais Online; Banco de Dados para Bibliotecas; Base de Dados para Vocabulário
Controlado; Bibliografia de Cursos de Graduação; Bibliometria; Biblioteca Digital Multimídia;
Biblioteca Personalizada; Biblioteca Universitária e Ensino à Distância; Biblioteca Virtual
Temática; Bibliotecário - Exercício Profissional; Bibliotecário e Indústria: competências;
Bibliotecários e Pesquisa científica; Bibliotecas Digitais Universitárias; Bibliotecas
Universitárias; Biblioterapia; Biblioterapia e Incentivo à Leitura; BU Digitais; BU e Ensino à
Distância; Cabeçalhos de Assuntos; Catálogo Coletivo de Bibliotecas; Catálogos Online de BU;
Comportamento Organizacional em BU; Comunicação Científica em BU; Conservação
Preventiva de Acervos em BU; Consórcio entre Bibliotecas Universitárias; Consórcio entre BU
de São Paulo; Conteúdos Digitais e Padrões de Registros; Cooperação de Ações Estratégicas
em BU; Curso à Distância para Bibliotecários; Curso de Pós-graduação latu sensu em Gestão
da Informação; Descrição de Documentos para Arquivos; Desenvolvimento de Equipes em BU;
Direitos Autorais na Internet; Disseminação Seletiva da Informação Eletrônica; Emergências
em BU; Empreendedorismo na Internet; Ergonomia em Bibliotecas Universitárias; Espaço
Físicio em BU; Estudo de Usuário em BU; Ética e Bibliotecários; Fichamento Eletrônico de
Leitura; Fontes de Informação na Internet; Futuro das Bibliotecas; Gestão de Projetos em BU;
Gestão de RH em BU; Gestão Eletrônica de Documentos; Gestão Organizacional em BU;
Guias Informativos: impresso e digital; Hemeroteca digital; História das BU; Hora do Conto na
Internet; Impacto da Web nas Universidades Estaduais - PR/ Bibliografia estrangeira;
Implantação de Centro de Documentação; Inclusão e Exclusão Social; Inclusão Social;
Indexação de Periódicos em Bases de Dados; Informação em BU para Indústria e Negócios;
Infra-estrutura de BU; Inovação em BU; Institucionalização de Bibliotecas Universitárias;
Instrução Programada de Usuários  Tutorial; Integração entre Bibliotecários e Professores
Universitários; Integração Social; Inventário de Acervo em BU; Jornalismo e Comunicação
Interna; Liderança em BU; Livro Eletrônico; Marketing em Bibliotecas; Memória Institucional por
Acervo Fotográfico; Modernização de BU; Normalização de Documentos via Web; Organização
da Informação; Organização de BU; Organização de Mapotecas; Organização de Núcleo de
Documentação; Organização e Tratamento de Coleções Especiais; Padronização de dados em
BU; Perfil Profissional do Bibliotecário; Pesquisa Bibliográfica De Periódicos; Pesquisa Escolar;
Pesquisa na Internet; Pesquisa Qualitativa em BU; Planejamento de Biblioteca Digital;
Planejamento e Gestão em BU; Planejamento Estratégico em BU; Portal Acadêmico; Portal
Corporativo para Bibliotecários; Portal de Legislação Educacional; Preservação da Informação;
Preservação de Documentos em BU; Preservação e Conservação de Acervos; Preservação e
Restauração de Acervos; Produção Científica; Produção Científica em Curso à Distância;
Produção científica: Teses e Dissertações; Programa Pergamum; Programas Sociais em
Bibliotecas; Psicologia Social; Qualidade de Atendimento em Bibliotecas; Qualidade de RH em
BU; Qualidade para Normalização Bibliográfica; Relacionamento entre Bibliotecários e
Professores; Revista Digital sobre Memória; Revista Eletrônica; Seleção de Periódicos em BU;
Serviço de Referência Virtual; Sistema de BU; Sites e Organização da Informação; Técnico em
Biblioteconomia; Tesauros; Vocabulário Controlado; Web Semântica.

�ANEXO V: Tabela dos Assuntos segundo os Grupos de Trabalho da ANCIB.
G1: ESTUDOS HISTÓRICOS E EPISTEMOLÓGICOS DA INFORMAÇÃO
001  EPISTEMOLOGIA DA INFORMAÇÃO E DO CONHECIMENTO
002  TEORIA DA INFORMAÇÃO E DO CONHECIMENTO
002.1  CONCEITO DE INFORMAÇÃO
002.2  FUNDAMENTOS DA INFORMAÇÃO

003  ASPECTOS HISTÓRICOS DA INFORMAÇÃO E DO CONHECIMENTO
004  DISCIPLINARIDADE
005  INTERDISCIPLINARIDADE
006  TRANSDISCIPLINARIDADE
007  ASPECTOS METODOLÓGICOS DA INFORMAÇÃO
G2: ORGANIZAÇÃO DO CONHECIMENTO E REPRESENTAÇÃO DA INFORMAÇÃO
001  REPRESENTAÇÃO DESCRITIVA DA INFORMAÇÃO
001.1  DESCRIÇÃO BIBLIOGRÁFICA
001.2  CATALOGAÇÃO
001.3  CÓDIGOS DE CATALOGAÇÃO
001.4  CATÁLOGOS MANUAIS E AUTOMATIZADOS
001.5  NORMALIZAÇÃO DE DOCUMENTOS
001.6  ESTUDOS SOBRE CATALOGAÇÃO E DESCRIÇÃO BIBLIOGRÁFICA
001.7  FORMATOS BIBLIOGRÁFICOS (MARC, MARC21, entre outros)

002  REPRESENTAÇÃO TEMÁTICA DA INFORMAÇÃO
002.1  CLASSIFICAÇÃO BIBLIOGRÁFICA
002.2  SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO BIBLIOGRÁFICA
002.3  ESTUDOS SOBRE CLASSIFICAÇÃO BIBLIOGRÁFICA
002.4  LINGUAGENS DOCUMENTÁRIAS
002.5  INDEXAÇÃO (Manual e Automatizada)
002.6  RESUMOS
002.7  TESAUROS
002.8  VOCABULÁRIO CONTROLADO (Manuais e Automatizados)
002.9  LISTA DE AUTORIDADES (Manuais e Automatizados)
002.10  ONTOLOGIAS
002.11  MAPAS CONCEITUAIS

003  RECUPERAÇÃO DA INFORMAÇÃO
003.1  ASPECTOS TEÓRICOS DA RECUPERAÇÃO DA INFORMAÇÃO
003.2  ASPECTOS METODOLÓGICOS DA RECUPERAÇÃO DA INFORMAÇÃO
003.3  ASPECTOS TÉCNICOS E DE INFRA-ESTRUTURA
003.31  HARDWARE
003.32  SOFTWARE
003.33  OUTROS EQUIPAMENTOS
003.4  TÉCNICAS E ESTRATÉGIAS DE RECUPERAÇÃO DA INFORMAÇÃO
003.5  USABILIDADE E ACESSIBILIDADE À INFORMAÇÃO
003.6  ESTUDOS SOBRE RECUPERAÇÃO DA INFORMAÇÃO

004  POLÍTICAS DE ORGANIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO
004.1  POLÍTICAS DE REPRESENTAÇÃO DA INFORMAÇÃO
004.2  MANUAIS DE CATALOGAÇÃO
004.3  MANUAIS DE CLASSIFICAÇÃO
004.4  CONTROLE BIBLIOGRÁFICO UNIVERSAL

005  FONTES DE INFORMAÇÃO
005.1  FONTES PRIMÁRIAS
005.2  FONTES SECUNDÁRIAS
005.3  FONTES TERCIÁRIAS
005.4  LITERATURA BRANCA
005.5  LITERATURA CINZENTA

�G3: MEDIAÇÃO, CIRCULAÇÃO E USO DA INFORMAÇÃO
001  MEDIAÇÃO DA INFORMAÇÃO
001.1  PROCESSOS MEDIÁTICOS DA INFORMAÇÃO
001.2  INSTRUMENTOS MEDIÁTICOS DA INFORMAÇÃO

002  CIRCULAÇÃO DA INFORMAÇÃO
002.1  DISSEMINAÇÃO DA INFORMAÇÃO
002.2  PROCESSOS DE DISSEMINAÇÃO DA INFORMAÇÃO
002.3  INSTRUMENTOS E PRODUTOS DE DISSEMINAÇÃO DA INFORMAÇÃO

003  USO DA INFORMAÇÃO
003.1  RECEPÇÃO DA INFORMAÇÃO
003.2  NECESSIDADES DE INFORMAÇÃO
003.3  ESTUDOS DE USUÁRIOS
003.4  ESTUDOS DE USOS
003.5  ESTUDOS SOBRE IMPACTO DA INFORMAÇÃO
003.6  USO DA INFORMAÇÃO

004  REDES SOCIAIS DE INFORMAÇÃO
004.1  REDES DE INFORMAÇÃO
004.2  AUTORIA DA INFORMAÇÃO
004.3  FORMAS DE LEITURA DA INFORMAÇÃO
004.4  ESTRUTURAS TEXTUAIS
004.41  TEXTO
004.42  HIPERTEXTO
004.43  OUTRAS ESTRUTURAS TEXTUAIS
004.5  INFORMAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS
004.51  ARQUIVOS ABERTOS (OPEN ARCHIVES)
004.52  BIBLIOTECAS DIGITAIS
004.53  BASE DE DADOS ELETRÔNICAS (Temáticas ou não)

005  TIPOLOGIA DA INFORMAÇÃO
005.1  INFORMAÇÃO CIENTÍFICA
005.11  INFORMAÇÃO PARA A SAÚDE
005.12  INFORMAÇÃO PARA NEGÓCIOS
005.13  INFORMAÇÃO JURÍDICA
005.14  OUTROS TIPOS DE INFORMAÇÃO CIENTÍFICA
005.2  INFORMAÇÃO TECNOLÓGICA
005.3  INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA
005.4  INFORMAÇÃO DE UTILIDADE PÚBLICA
005.5  OUTROS TIPOS DE INFORMAÇÃO

006 - COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA
005.1  TIPOS DE COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA
005.11  COMUNICAÇÃO FORMAL
005.12  COMUNICAÇÃO INFORMAL
005.2  COMUNICAÇÃO DA INFORMAÇÃO
005.21  COMUNICAÇÃO DA INFORMAÇÃO CIENTÍFICA
005.22  COMUNICAÇÃO DA INFORMAÇÃO TECNOLÓGICA
005.3  COMUNIDADE CIENTÍFICA
005.4  LITERATURA CIENTÍFICA
005.5  PRODUÇÃO CIENTÍFICA

G4: GESTÃO DE UNIDADES DE INFORMAÇÃO
001  GESTÃO DE UNIDADES DE INFORMAÇÃO
001.1  ADMINISTRAÇÃO DE UNIDADES DE INFORMAÇÃO
001.11  ADMINISTRAÇÃO DE BIBLIOTECAS
001.111 - Seleção e Aquisição de Recursos Informacionais
001.112  Avaliação e Descarte de Recursos Informacionais

�001.113  Organização e Métodos de Administração
001.114  Automação de Bibliotecas
001.12  ADMINISTRAÇÃO DE ARQUIVOS
001.121 - Seleção e Aquisição de Recursos Informacionais
001.122  Avaliação e Descarte de Recursos Informacionais
001.123  Organização e Métodos de Administração
001.124  Automação de Arquivos
001.13  ADMINISTRAÇÃO DE MUSEUS
001.131 - Seleção e Aquisição de Recursos Informacionais
001.132  Avaliação e Descarte de Recursos Informacionais
001.133  Organização e Métodos de Administração
001.134  Automação de Museus
001.14  ADMINISTRAÇÃO DE CENTROS DE DOCUMENTAÇÃO
001.141 - Seleção e Aquisição de Recursos Informacionais
001.142  Avaliação e Descarte de Recursos Informacionais
001.143  Organização e Métodos de Administração
001.144  Automação de Centros de Documentação
001.2  PLANEJAMENTO DE UNIDADES DE INFORMAÇÃO
001.21  PLANEJAMENTO DE BIBLIOTECAS
001.22  PLANEJAMENTO DE ARQUIVOS
001.23  PLANEJAMENTO DE MUSEUS
001.24  PLANEJAMENTO DE CENTROS DE DOCUMENTAÇÃO
001.3  PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DE UNIDADES DE INFORMAÇÃO
001.31  EFICIÊNCIA E EFICÁCIA
001.32  PROJETOS
001.33  COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL
001.34  MARKETING EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO

002  GESTÃO DE SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO
002.1  PLANEJAMENTO DE SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO
002.2  SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO
002.21  COMUTAÇÃO BIBLIOGRÁFICA
002.22  DISSEMINAÇÃO SELETIVA DA INFORMAÇÃO (DSI)
002.23  LEVANTAMENTO BIBLIOGRÁFICO
002.24  INTERCÂMBIO DE DOCUMENTOS
002.25  PESQUISA DOCUMENTAL
002.26  NORMALIZAÇÃO DE TRABALHOS CIENTÍFICOS, ARTÍSTICOS E CULTURAIS
002.27  EMPRÉSTIMOS, DEVOLUÇÃO E RENOVAÇÃO DE DOCUMENTOS
002.28  GUIAS INFORMATIVOS
002.29  ATIVIDADES SOCIAIS, EDUCATIVAS E CULTURAIS (Biblioterapia, Hora do Conto, Incentivo à Leitura,
entre outros)
002.30  ASSISTÊNCIA AO USUÁRIO
002.31  SERVIÇO DE REFERÊNCIA VIRTUAL
002.32  OUTROS SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO
002.4  AVALIAÇÃO DE SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO
002.41  QUALIDADE DOS SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO

003  GESTÃO DE RECURSOS INFORMACIONAIS
003.1  GESTÃO DE RECURSOS INFORMACIONAIS
003.2  GESTÃO DE RECURSOS FINANCEIROS
003.3  GESTÃO DE RECURSOS MATERIAIS
003.4  GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS
003.5  GESTÃO DE RECURSOS FÍSICOS E ESPACIAIS
003.6  GESTÃO DE PROJETOS PARA RECURSOS INFORMACIONAIS

004  GESTÃO DA INFORMAÇÃO E DO CONHECIMENTO
004.1  SISTEMAS DE INFORMAÇÃO
004.2  GESTÃO DA QUALIDADE
004.3  TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
004.4  CAPITAL INTELECTUAL
004.5  INTELIGÊNCIA COMPETITIVA

005  INFORMAÇÃO ESPECIALIZADA

�G5: POLÍTICA, ÉTICA E ECONOMIA DA INFORMAÇÃO
001 - POLITICAS PUBLICAS DE INFORMACAO
001.1  POLÍTICA SOCIAL DE INFORMAÇÃO
001.2  POLÍTICA CULTURAL DE INFORMAÇÃO
001.3  INFORMAÇÃO COMO AÇÃO POLÍTICA
001.4  DIREITO INFORMACIONAL

002 - ETICA E INFORMACAO
002.1  DIREITOS AUTORAIS
002.2  DIREITOS AUTORAIS NA INTERNET

003 - ECONOMIA DA INFORMACAO E DA COMUNICACAO
003.1  GLOBALIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO E DA COMUNICAÇÃO
003.2  INDÚSTRIA DA INFORMAÇÃO E DA COMUNICAÇÃO
003.3  PRODUÇÃO DA INFORMAÇÃO E DA COMUNICAÇÃO
003.4  SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E DA COMUNICAÇÃO
003.5  ECONOMIA DA INFORMAÇÃO E DA COMUNICAÇÃO
003.6  ECONOMIA POLÍTICA DA INFORMAÇÃO E DA COMUNICAÇÃO

004 - POLÍTICA CIENTIFICA E TECNOLÓGICA.
004.1  GESTÃO DE CIÊNCIA &amp; TECNOLOGIA
004.2  ÓRGÃOS DE POLÍTICA E FOMENTO
004.3  ENSINO E PESQUISA EM C&amp;T
004.4  INOVAÇÃO TECNOLÓGICA

005 - INCLUSAO INFORMACIONAL
005.1  INTEGRAÇÃO SOCIAL
005.2  INCLUSÃO E EXCLUSÃO SOCIAL
005.3  INCLUSÃO E EXCLUSÃO DIGITAL
005.4  ACESSO À INFORMAÇÃO

G6: INFORMAÇÃO E TRABALHO
001 - INFORMACAO NA SOCIEDADE CONTEMPORANEA
001.1  SOCIOLOGIA DA INFORMAÇÃO
001.2  FLUXO DE INFORMAÇÃO NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
001.3  PARADIGMAS INFORMACIONAIS DA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA

002 - EDUCACAO NA SOCIEDADE CONTEMPORANEA
002.1  EDUCAÇÃO CONTINUADA
002.11  CURSOS DE CURTA DURAÇÃO
002.12  EVENTOS
002.2  EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA

003 - TRABALHO NA SOCIEDADE CONTEMPORANEA
003.1  MERCADO INFORMACIONAL
003.2  CONSULTORIAS EM INFORMAÇÃO; EMPREENDEDORISMO
003.3  E-COMMERCE

004 - FORMACAO DO PROFISSIONAL DA INFORMACAO
004.1  SISTEMA EDUCACIONAL EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
004.11 - GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
004.111  Graduação em Biblioteconomia
004.112  Graduação em Arquivologia
004.113  Graduação em Museologia
004.12  PÓS-GRADUAÇÃO EM CIENCIA DA INFORMAÇÃO
004.121  Cursos Lato Sensu
004.122  Cursos Strictu Sensu
004.2  FORMAÇÃO E DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL
004.21  ESTATUTO DO PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO
004.3  PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO
004.31  ATIVIDADE PROFISSIONAL
004.32  ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO

�004.33  CAMPO DE TRABALHO DO PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO
004.34  IMAGEM DO PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO
004.35  COMPETÊNCIAS DO PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO
004.36  PERFIL DO PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO
004.4  ASSOCIAÇÕES E ENTIDADES PROFISSIONAIS
004.41  ASSOCIAÇÕES PROFISSIONAIS
004.42  CONSELHOS PROFISSIONAIS
004.43  ASSOCIAÇÕES EDUCACIONAIS
004.44  SINDICATOS PROFISSIONAIS
004.45  OUTRAS ENTIDADES

G7: INFORMAÇÃO PARA DIAGNÓSTICO, MAPEAMENTO E AVALIAÇÃO
001 - INDICADORES DE CIENCIA &amp; TECNOLOGIA
001.1  INDICADOR DE AUTORIA
001.2  INDICADOR DE PRODUÇÃO CIENTÍFICA
001.3  INDICADOR DE PRODUÇÃO TECNOLÓGICA

002 - METODOLOGIAS DE ESTUDO PARA MAPEAMENTO DA INFORMACAO
002.1  BIBLIOMETRIA
002.11  LEI DE BRADFORD
002.12  LEI DE ZIPF
002.13  LEI DE LOTKA
002.2 - CIENTOMETRIA
002.3  INFORMETRIA
002.4  WEBOMETRIA

003 - AVALIACAO DA INFORMACAO
003.1  ANÁLISE QUALITATIVA DA INFORMAÇÃO
003.2  ANÁLISE QUANTITATIVA DA INFORMAÇÃO
003.3  ESTUDOS MÉTRICOS DA INFORMAÇÃO
003.4  ANÁLISE DE CITAÇÃO
003.5  AVALIAÇÃO DE PERIÓDICOS
003.6  ANÁLISE DE FREQÜÊNCIA
003.7  ANÁLISE DE MATERIAL
003.8  FATOR DE IMPACTO
003.9  AVALIAÇÃO DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA

�</text>
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <name>Title</name>
              <description>A name given to the resource</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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              <name>Creator</name>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Ilustra o panorama das tendências temáticas dos trabalhos apresentados nos Seminários Nacionais de Bibliotecas Universitárias (SNBUs) de 2002 e 2004. Destaca a importância acadêmica e profissional deste evento para a comunidade científica, assim como discute as contribuições dos anais na institucionalização do campo e na divulgação de idéias e atividades desenvolvidas pelos bibliotecários no país. Tem por objetivo, identificar a produção temática dos bibliotecários nos dois Seminários. Tem como objetivos específicos: apontar e comparar os temas predominantes, emergentes e de pouca incidência entre os seminários e; propor uma tabela de assuntos para futuras análises temáticas. Os procedimentos metodológicos foram: coleta das palavras-chave dos trabalhos apresentados; concepção da tabela de assuntos, a partir de Teixeira (1997) e dos Grupos de Trabalho da Associação Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação e; tabulação, análise e discussão dos dados. Verificou-se que em 2002, os assuntos mais incidentes foram Gestão de Bibliotecas, Avaliação de Serviços de Bibliotecas e Bibliotecas Digitais e, em 2004, Bibliotecas Digitais, Automação de Bibliotecas e os Profissionais da Informação. Conclui-se que nos dois eventos, houve uma grande preocupação da comunidade com as bibliotecas digitais e as novas tecnologias, confirmando a tendência dos últimos anos da área.</text>
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                    <text>ATENDIMENTO VIRTUAL: uma experiência do Sistema de Bibliotecas da
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

Dolores Rodriguez Perez
Bibliotecária - Diretora
Divisão de Bibliotecas e Documentação - DBD
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio
Rua Marquês de São Vicente, 225 – Gávea
22453-900 – Rio de Janeiro – RJ - Brasil
dolores@dbd.puc-rio.br

Giuliano Ferreira
Analista de sistema
Seção de Automação - Divisão de Bibliotecas e Documentação - DBD
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro –

Sandra Mendes Milman
Bibliotecária – Supervisora
Seção de Referência - Divisão de PUC-Rio
Rua Marquês de São Vicente, 225 – Gávea
22453-900 – Rio de Janeiro – RJ – Brasil
giuliano@dbd.puc-rio.br Bibliotecas e Documentação - DBD
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio
Rua Marquês de São Vicente, 225 – Gávea
22453-900 – Rio de Janeiro – RJ - Brasil
sandra@dbd.puc-rio.br

Resumo
O trabalho tem por objetivo relatar a experiência na informatização do
atendimento aos usuários do Sistema de Bibliotecas da Pontifícia Universidade
Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), com o desenvolvimento de um sistema
para administrar de forma mais eficaz a comutação bibliográfica e o atendimento

�virtual aos clientes das Bibliotecas da PUC-Rio.

Descreve os objetivos e o

planejamento do serviço, as equipes envolvidas, os meios utilizados para a
operacionalização do trabalho e seu fluxo. Relata o seu aperfeiçoamento, desde
que foi criado, em 2005, baseado nas avaliações recebidas dos usuários e nas
demandas administrativas e gerenciais das Bibliotecas. Apresenta os resultados
obtidos, até o momento, e as conclusões decorrentes da implantação dessa
modalidade de serviço eletrônico de biblioteca.

Palavras-chave

Comutação bibliográfica; atendimento virtual; referência virtual; biblioteca digital;
serviço eletrônico de biblioteca; Pontifícia Universidade Católica do Rio de
Janeiro. Sistema de Bibliotecas.

INTRODUÇÃO

Nas duas últimas décadas, as bibliotecas têm vivenciado transformações
profundas e rápidas desencadeadas pelas novas tecnologias da informação e da
comunicação, que as levaram a repensar os processos e seus meios de
execução.

Este fenômeno influenciou a administração e o desenvolvimento dos

serviços oferecidos, na busca da qualidade e da excelência. Diante deste novo
cenário, as bibliotecas tiveram de adequar-se para disponibilizar de forma eficaz
e ágil os recursos de informação. Surgiu a necessidade de profissionais com
novos perfis e usuários que, também, devem ser orientados nas suas demandas
e no acesso a todo esse potencial de informação.

As formas de interação e relacionamento com os clientes tornaram-se mais
diversificadas e facilitadas com o emprego das tecnologias da informação e da
comunicação.

A sua implantação exige planejamento e organização.

Os serviços de referência das bibliotecas foram sensivelmente beneficiados com
estas mudanças.

Com o aparecimento da Internet, as rotinas do serviço de

�referência tradicional, baseadas em um modelo tradicional de entrevista, com uma
conversação estruturada, passaram a utilizar-se dos meios de comunicação
eletrônica assíncrona.

Surgiram os serviços de referência digital, que apesar de

algumas variações nas suas transações, desempenham muitas das funções da
referência tradicional, quando se respondem, eletronicamente, as perguntas de
referência recebidas (POMERANTZ, J. et al., 2004).

A BIBLIOTECA DIGITAL E OS SERVIÇOS DE REFERÊNCIA VIRTUAL

A literatura é muito vasta em definições acerca de biblioteca digital, virtual,
eletrônica – conceitos da biblioteca do futuro.

Para Graham (1995) apud Cunha (1997) os fundadores da biblioteca digital
devem estabelecer um repositório de material eletrônico para a pesquisa e
implementar mecanismos para a sua plena utilização.

Graham já destaca as

mudanças nos serviços de referência tradicional e sua passagem para o
atendimento virtual e o acesso remoto à informação.

Segundo Meola e Stormont (1999) os softwares desenvolvidos para colaboração
entre redes de bibliotecas apontam para um conceito mais amplo de bibliotecas
digitais, que não incluem somente acesso eletrônico às fontes, mas também aos
serviços.

Os bibliotecários que têm a experiência na categorização e no conteúdo da
informação devem fazer a intermediação com os usuários, qualquer que seja o
formato da informação.

No caso das bibliotecas acadêmicas, estas exercem

papel relevante, contribuindo na criação do conhecimento, na aprendizagem, no
ensino

e na comunicação acadêmica, pois possuem

os meios integrados e

organizados do acesso eletrônico para recursos de informação dispersos.
(DOWLER (Ed.), 1997, p.99, 122).

�Os termos referência virtual, referência digital, serviços de informação pela
Internet, referência eletrônica, referência em tempo real são usados igualmente
para descrever serviços de referência que se utilizam de alguma forma da
tecnologia dos computadores, seja a referência por correio eletrônico, por chat
(bate-papo), ou por meio de um sistema de rotinas informatizadas, como na
Virtual Reference Canada (2004) onde a referência virtual tem uma influência
significativa no fornecimento de serviços de alta qualidade da Biblioteca.

Dentre os serviços de referência digital ou virtual, as bibliotecas utilizam o
telefone, o correio eletrônico, o formulário eletrônico, a videoconferência, o chat,
as páginas de perguntas mais freqüentes (FAQ) e o acesso à base de dados.
Há, ainda, com mais freqüência em bibliotecas estrangeiras, os serviços de
referência, denominados ASK-AN-EXPERT ou ASK A LIBRARIAN (ASK A), onde
bibliotecários especialistas ou voluntários especialistas respondem as perguntas
dos usuários, de acordo com o assunto das mesmas. São comuns os consórcios
de bibliotecas universitárias, que possuem projeto cooperativo de referência
virtual, por ex.

bibliotecas do estado de IIlinois, nos E.U.A. (MÁRDERO

ARELLANO, 2001).

O ATENDIMENTO VIRTUAL AOS USUÁRIOS DO SISTEMA DE BIBLIOTECAS
DA PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO (PUC-RIO)

Desde a informatização dos processos técnicos, iniciada em 1983, a Divisão de
Bibliotecas e Documentação (DBD/PUC-Rio), órgão coordenador do Sistema de
Bibliotecas da Universidade, vem acompanhando e utilizando as tecnologias da
informação e da comunicação nos serviços-meio, assim como nos serviços de
atendimento direto aos usuários e nos seus produtos.

Em julho de 1997, criou-se a página web do Sistema já com consulta ao catálogo
on-line e, ao longo do tempo, outros meios de interação e comunicação com os
usuários foram implementados: renovação de empréstimo e reserva on-line,
serviço de correio eletrônico para avisos automáticos aos usuários e recebimento

�de mensagens, acesso a documentos digitalizados para recuperação local ou
remota, via web, acesso remoto a periódicos eletrônicos e bases de dados,
através de um servidor proxy, serviço de chat, para referência interativa on-line e
página de perguntas freqüentes, na página web.

Em 2004, a necessidade de administrar de forma mais eficaz o atendimento à
clientela das Bibliotecas da PUC-Rio, prestado pela Seção de Referência da
DBD , levou ao estudo e planejamento de um serviço virtual, que resultou no
desenvolvimento de um sistema com rotinas informatizadas, pela equipe de
técnicos da Seção de Automação.

PLANEJAMENTO DO SERVIÇO

A IFLA (2004) desenvolveu diretrizes, com bases internacionais, para promover
os serviços de referência digital, resultado de workshops e eventos sobre o tema,
realizados ao longo de vários anos.

Inicialmente, na PUC-Rio, formou-se um grupo de trabalho, na Biblioteca, com
pessoal da área de Informática, bibliotecários e auxiliares, envolvidos nas
atividades de referência. Definiram-se os objetivos desse serviço:
•

Prestar um atendimento diferenciado aos usuários.

•

Organizar, agilizar e controlar o atendimento virtual das Bibliotecas.

•

Racionalizar e sistematizar as rotinas pertinentes às atividades do serviço.

•

Gerar relatórios estatísticos.

•

Obter feedback dos usuários e equipes de trabalho para avaliação e
aperfeiçoamento do serviço.

As etapas seguintes do planejamento consistiram de:
•

Identificar as necessidades dos usuários.

•

Rever procedimentos e práticas.

•

Definir políticas.

•

Desenvolver o sistema.

�•

Testar e implantar o sistema.

•

Treinar as equipes.

•

Avaliar e aperfeiçoar o sistema.

Ao longo do estudo e das discussões com as equipes, decidiu-se incluir nesse
sistema toda solicitação vinda dos usuários, seja por necessidade de uma
informação, formulada através de uma pergunta, seja pela demanda para
localização e obtenção de documentos disponíveis ou não nas Bibliotecas da
PUC-Rio, ou um pedido para elaboração de ficha catalográfica na publicação, por
alunos dos cursos de pós-graduação, de extensão e demais membros da
comunidade acadêmica.

A partir do Sistema desenvolvido, no segundo bimestre de 2005, ocorreu o
treinamento das equipes que operacionalizam os serviços de atendimento e
implantou-se o sistema, em caráter experimental.

O encaminhamento das solicitações se dá por meio do preenchimento e envio online, pelo usuário, de um formulário denominado Formulário para solicitações
(http://www3.dbd.puc-rio.br/sre/solicitacao.asp), disponível na página web da DBD
(PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO, 2006). Esse
formulário identifica primeiramente o tipo de solicitação: uma informação,
obtenção e envio de documentos disponíveis ou não nas Bibliotecas da PUC-Rio
ou elaboração de ficha catalográfica para publicação.

Em seguida,

vários

atributos devem ser preenchidos pelo usuário, requisitante do serviço, sendo
alguns itens obrigatórios, como nome, categoria de usuário, de acordo com o
critério da Biblioteca, telefone e correio eletrônico.

Os demais atributos são

descritos em função do tipo de solicitação: informação, documento ou ficha
catalográfica. Esses atributos permitirão ao sistema armazenar a sucessão de
perguntas e solicitações que chegam eletronicamente à Seção de Referência,
classificá-las e gerar relatórios de gerência do serviço para análise e avaliação.

�MODELO DO ATENDIMENTO VIRTUAL

De acordo com McClennen (2001) um modelo de referência digital se constitui de
três componentes fundamentais:
•

Processo: seqüência de passos/ações, com escolhas ao longo de sua
execução, através das quais o fluxo das solicitações/perguntas formuladas
ao Serviço de Referência passa enquanto estão sendo atendidas. Podem
ser expressas por fluxogramas.

•

Procedimentos: instruções fornecidas ao pessoal que executa as várias
funções no processo do atendimento, especificando as ações que devem
ser seguidas e as escolhas que devem ser feitas, de acordo com os vários
atributos das solicitações/perguntas.

•

Políticas: definições que orientam o pessoal na execução do processo. São
freqüentemente utilizadas em termos das funções e dos atributos das
questões.

Esses três elementos são interligados; o processo é definido em termos de
políticas e procedimentos.

Como políticas podem ser definidas o número de

solicitações atribuídas por dia para cada funcionário, o tempo de resposta às
informações solicitadas ou ao atendimento, taxas aplicadas pelo fornecimento de
cópia de documentos (comutação bibliográfica) aos usuários etc.

O processo do atendimento virtual nas Bibliotecas da PUC-Rio é intermediado por
bibliotecários, denominados administradores, que são habilitados no Sistema
para realizarem a triagem, distribuição e o acompanhamento do atendimento das
solicitações aos diversos funcionários, bibliotecários e auxiliares que executam o
serviço.

PROCESSO DO ATENDIMENTO VIRTUAL
¾ Administrador

�•

Define o responsável pelo atendimento à solicitação através de um filtro que
permite selecionar e combinar opções para atribuí-la a um executor, como:
status da solicitação, responsáveis pela execução etc.

•

Acompanha o status das solicitações, através dos filtros disponíveis, por
exemplo, selecionar as pendências com determinado responsável.

¾ Responsável pelo Atendimento
•

Recebe do administrador, por e-mail, a solicitação com o link para acesso ao
formulário.

O sistema passa a solicitação para o status ‘Execução de

Tarefas’, que pode ser visualizado pelo filtro.
•

Verifica a categoria do usuário,

pesquisa no sistema Pergamum, se o

usuário é da PUC-Rio e se está ativo, condicionantes para a aplicação da
política a ser seguida no atendimento.
•

Preenche os campos da descrição do documento, quando incompletos,
fazendo pesquisas nas bases de dados disponíveis.

•

Procede às pesquisas necessárias para a localização do documento,
cadastrando cada passo no campo “Tarefas executadas”.

•

Envia orçamento ao usuário de acordo com a política pré-definida.

O

sistema passa automaticamente a solicitação para o status “Aguardando a
aprovação do usuário”.
•

Recebe o aviso da aprovação do orçamento, por e-mail, e o sistema passa
automaticamente a solicitação para o status “Aguardando comprovação do
pagamento”. Caso o usuário recuse, o sistema cancela a solicitação.

•

Registra no formulário a opção “Pagamento confirmado” e envia o recibo
para o e-mail do usuário.

�•

Envia eletronicamente o documento por arquivo, em formato pdf, ou uma
resposta. Documentos com mais de cinqüenta páginas (caso das teses, por
exemplo) são retirados nas Bibliotecas ou enviados por correio;

•

Finaliza a solicitação, registrando a forma do atendimento.

•

Envia e-mail ao usuário, após a finalização da solicitação atendida ou
cancelada, com link para o preenchimento do grau de satisfação e
comentários, se desejar.

¾ Usuário
•

Pode avaliar o atendimento recebido, conceituando-o entre muito bom, bom,
regular e insatisfatório e, ainda, tecer comentários, remetendo a avaliação
pelo próprio sistema, que a armazena para uso futuro da Biblioteca.

•

Pode acompanhar o status da (s) sua (s) solicitação (ões), através do link
que o sistema gera automaticamente, quando ele envia o pedido.

A Figura 1 apresenta o fluxo do atendimento virtual executado no Sistema de
Bibliotecas da PUC-Rio.

�Fig. 1 – Fluxo do atendimento virtual

EQUIPES

As equipes envolvidas nos procedimentos do atendimento virtual abrangem cinco
setores da DBD:
•

Seção de Referência – dois bibliotecários, dois auxiliares e um estagiário.
Respondem às perguntas,

pesquisam e localizam documentos para

fornecimento eletrônico.
•

Seção de Circulação – dois bibliotecários e dois auxiliares. Administram o
empréstimo entre bibliotecas, decorrente da localização de documentos
não existentes nas Bibliotecas da PUC-Rio.

•

Seção de Processamento Técnico – cinco bibliotecários, que elaboram as
fichas catalográficas para dissertações, teses e outras publicações dos
membros da comunidade acadêmica.

�•

Seção de Automação – um analista de sistemas e um programador,
responsáveis pelo desenvolvimento, suporte e atualização do sistema
utilizado no atendimento virtual.

•

Biblioteca Setorial do Centro Técnico e Científico – um bibliotecário e um
auxiliar, que atendem as solicitações pertinentes às áreas de Ciências
Exatas e Tecnologia.

•

Seção de Aquisição Centralizada – procede às aquisições de material não
existente no acervo e indicado para compra ou solicitação de
doação/permuta, através do atendimento virtual.

TECNOLOGIAS UTILIZADAS

No desenvolvimento do sistema foram utilizadas diversas tecnologias, visando
otimizar a usabilidade e a interatividade com o usuário. Optou-se por desenvolver
em um “ambiente web” que possibilitasse o uso da ferramenta em qualquer
computador com acesso a Internet, que possua um navegador, independente do
sistema operacional utilizado pelo usuário, resultando em um sistema multiplataforma.
As principais linguagens de programação utilizadas foram: Active Server Pages
(ASP), JavaScript e HTML.

RESULTADOS

Desde que foi implantado o atendimento virtual aos usuários das Bibliotecas da
PUC-Rio, em abril de 2005, têm aumentado significativamente as solicitações de
informações, documentos e elaboração de fichas catalográficas.

Segundo Dee e Allen, 2006, apesar das interações do serviço de referência com
usuários estar muito difundido no ambiente da biblioteca digital, usando os
serviços de referência digital, ainda se observam bibliotecas onde parece que
esses serviços são subutilizados. Estudo abordando o conforto e a conveniência

�desses serviços para os usuários, em mais de 100 sites de bibliotecas
acadêmicas na área da saúde, na web, sugere que o acesso pouco amigável e a
dificuldade de uso podem ser a chave dessa força restritiva.

O sistema desenvolvido pela DBD para o atendimento virtual, apresentado de
forma simples e amigável, foi muito bem aceito pelos usuários, que rapidamente
passaram a utilizar o formulário eletrônico, disponível na página web, embora
continue o serviço de chat

e do correio eletrônico para comunicações e

mensagens, através do software gerenciador das demais funções das Bibliotecas.

O sistema está em constante aperfeiçoamento, para melhoria do atendimento e
sua operacionalização.

Para isto contribuem as avaliações recebidas dos

usuários e dos próprios funcionários que executam o serviço.

Destacam-se a

geração de novos relatórios gerenciais, o estudo para emissão automática de
boleto bancário para pagamento pelo fornecimento de documentos, atualização
de equipamentos, como scanners mais potentes.

Apresentam-se através das Fig. 2 a 5 alguns resultados do atendimento virtual do
Sistema de Bibliotecas da PUC-Rio, desde que foi implantado, em abril de 2005,
até junho de 2006.

Fig. 2 – Tipo de solicitação atendida

Fig. 3 – Solicitações atendidas e não
atendidas

�Fig. 4 – Total de solicitações por

Fig. 5 – Satisfação do usuário

categoria de usuário

CONCLUSÕES

Pelos resultados experimentados com a implantação do atendimento virtual aos
usuários pela DBD/PUC-Rio, pode-se depreender que o uso das novas
tecnologias causou grande impacto no serviço, observando-se a sua expansão,
maior usabilidade dos recursos de informação, agilização no atendimento,
conforto e comodidade, contribuição para maior facilidade e qualidade da
produção acadêmica.

Todos esses aspectos têm sido expressos, com

freqüência, pelos clientes, que podem avaliar e opinar sobre o atendimento
recebido, quando suas solicitações são finalizadas e enviadas.

Finalmente,

pode-se registrar a satisfação dos usuários, o estímulo que esses resultados têm
provocado nas equipes envolvidas e a credibilidade alcançada pelas Bibliotecas
com a prestação de serviços ágeis e eficazes.

REFERÊNCIAS

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anotada. Ci. Inf. [online], Brasília, vol.26, n.2, p. 1-32, maio/ago. 1997 Disponível
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&lt;http://www.collectionscanada.ca/vrc-rvc/s34-150-e.html&gt;. Acesso em: 17 jul.
2006.

Abstract

The work reports the experience on the automated service to patrons of the
Library System of Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio),
with the development of a system to manage efficiently the document delivery and
the virtual services to library users of PUC-Rio. Describes the planning of the
service, its aims, the engaged staff, the means used for operate the work and the
workflow. Relates its improvement, from its creation, on 2005 up till now, based on
the evaluations received from the patrons and the administrative requirements of
the libraries. Presents the results and the conclusions achieved the implantation
of the electronic service.

Keywords

Document delivery; virtual service; virtual reference; digital library; electronic
library service; Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
System.

Library

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                <text>O trabalho tem por objetivo relatar a experiência na informatização do atendimento aos usuários do Sistema de Bibliotecas da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), com o desenvolvimento de um sistema para administrar de forma mais eficaz a comutação bibliográfica e o atendimento virtual aos clientes das Bibliotecas da PUC-Rio. Descreve os objetivos e o planejamento do serviço, as equipes envolvidas, os meios utilizados para a operacionalização do trabalho e seu fluxo. Relata o seu aperfeiçoamento, desde que foi criado, em 2005, baseado nas avaliações recebidas dos usuários e nas demandas administrativas e gerenciais das Bibliotecas. Apresenta os resultados obtidos, até o momento, e as conclusões decorrentes da implantação dessa modalidade de serviço eletrônico de biblioteca.</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
    </itemType>
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      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
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                <text>Atividades de aprendizado extra-curricular. UFAL.Curso de Biblioteconomia. (Pôster)</text>
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            <name>Creator</name>
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                <text>Aguiar, Virgínia Bárbara de; Vieira, Leylane Michele; Paz, Carlos Alberto da; Silva, Elizangela Araújo da; Padilha, Núbia Waleska</text>
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            <name>Coverage</name>
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                <text>Salvador (Bahia)</text>
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            <name>Publisher</name>
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                <text>UFBA</text>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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            <name>Type</name>
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            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="54454">
                <text>Programa de capacitação de alunos nos conhecimentos relativos à Ciência da Informação, visando preencher lacunas na formação curricular do curso de Ciência da Informação.</text>
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                    <text>ATIVIDADES DE CAPACITAÇÃO DE USUÁRIOS DA BIBLIOTECA
CENTRAL DA UNIFESP/EPM

Alexandra Godoy Rosa∗
Andréia Cristina Feitosa do Carmo∗∗
Isabel Bueno Santos Menezes∗∗∗

Resumo
Atualmente existe um grande número de bases de dados disponíveis
eletronicamente, e estas, bem como seus recursos informacionais, são partes
indissociáveis da vida na comunidade acadêmica. Por isso, torna-se cada vez
mais necessário que os usuários de um serviço de informação se tornem
capazes de recuperar a informação que desejam de forma autônoma e
sistematizada, utilizando os diversos recursos que são disponibilizados por
estas bases.
Com vistas a isso, a Biblioteca Central da Universidade Federal de São Paulo,
desde sua criação, em 2000, e com maior ênfase a partir de 2002, tem tido a
preocupação de oferecer à sua comunidade um programa educativo que
oferece treinamentos no uso dos recursos informacionais disponíveis na
biblioteca. São oferecidos vários cursos por no, com enfoque e público-alvo
diferentes, procurando-se assim atingir uma grande parte da comunidade da
universidade, bem como os demais interessados. Até 2004 os treinamentos
eram presenciais, sendo que em 2005, procurando alcançar um número ainda
maior de usuários, foi lançado o primeiro curso totalmente on-line.
Este documento traz uma análise dos diversos treinamentos oferecidos pela
biblioteca, bem como sua aceitação, no período de 2002 a junho de 2006.
∗

Bibliotecária, alexandra.bc@epm.br
Bibliotecária, andreia.bc@epm.br
∗∗∗
Bibliotecária, isabel.bc@epm.br
∗∗

Universidade Federal de São Paulo
Biblioteca Central Prof. Dr. Antonio Rubino de Azevedo
Rua Botucatu, 862
Vila Clementino - São Paulo/SP
04023-062 Brasil

�Introdução

A comunicação consiste na transmissão de uma mensagem entre um ou
mais emissores e receptores. No processo de comunicação existe uma
infinidade de maneiras de transmitir uma mensagem: duas pessoas tendo uma
conversa face a face, utilizando linguagem de sinais e mensagens enviadas
através da rede global de telecomunicações. Estas, difundidas principalmente
nos últimos anos, tornaram-se fundamentais para atingir grupos com interesses
mútuos, ampliando e diversificando a transmissão do conhecimento humano
(WIKIPEDIA, 2006).

Estas novas tecnologias refletem em mudanças profundas no que se
refere ao armazenamento, geração, propagação, transmissão e a recuperação
da informação. Elas também mudaram enormemente o comportamento de
como buscamos estas informações, que sempre esteve disponibilizada em
papel, em índices como o Index Medicus e o Biological Abstracts, obrigando o
usuário a se dirigir a uma biblioteca, passou a ser disponibilizada através de
outros suportes informacionais (DAMAZIO, 2004).

Agregar valores e transmitir conhecimento são os verdadeiros alicerces
da sociedade moderna, portanto, criar formas de integrar habilidades e
conhecimento agregados a novas formas do uso estas tecnologias favorece a
oferta da transmissão da informação.

Propiciar a oferta da transmissão da informação de forma adequada
requer por parte dos profissionais da informação uma postura dinâmica,
inovadora e audaz. Gerá-la requer a criação de vínculos com potenciais
usuários conectados a estas novas tecnologias, e nada mais integrador que
capacitá-los de forma prática tornando-o independe em seus processos de
busca e recuperação da informação. Capacitar é uma das palavras mais
importantes

para

qualquer

profissional

da

informação,

pois

modifica

substancialmente a forma de como agimos e pensamos. Transmitir a
informação sempre foi uma das palavras-chaves do profissional da informação
e atualmente tornou-se um fator imperativo dentro da profissão.

�Uma das formas de se transmitir à informação consiste em capacitar o
usuário para que este possa manusear e recuperar a informação desejada e
sejam capazes de encontrá-la, de forma rápida, eficiente e precisa, com
autonomia e segurança. Para isto, é importante não só conhecer quais os
recursos disponíveis na biblioteca, mas também seu funcionamento e estrutura.

Neste contexto, é importante que as bibliotecas criem programas de
educação do usuário, através de treinamentos específicos. De acordo com
Córdoba González (1998), a capacitação de usuários é um valioso recurso
para o desenvolvimento da comunidade acadêmica, levando os usuários a
serem mais produtivos e capazes de usar com eficiência e eficácia os recursos
colocados à sua disposição.

Atualmente, existem três modelos que são os mais usados em educação
e treinamento: o ensino presencial, onde alunos e professores se encontram
em um espaço físico, a sala de aula; o ensino à distância, onde as aulas
acontecem

fundamentalmente

com

professores

e

alunos

separados

fisicamente no espaço e no tempo, mas juntos através das mais diversas
tecnologias da comunicação; e o ensino semipresencial, que acontece parte
em sala de aula convencional, e parte utilizando os recursos e tecnologias do
ensino à distância. Uma modalidade não exclui a outra, é perfeitamente
possível manter duas ou três modalidades ao mesmo tempo em uma mesma
instituição (MORAN, 2004).

De acordo com Córdoba Gonzalez (1998), a capacitação de usuários é
uma forma de provê-los de conceitos e ferramentas que lhes serão úteis tanto
para a vida acadêmica quanto para a vida profissional. Como diz Oliveira
(2000), a educação de usuários de bibliotecas é um processo no qual o ele
aprende e assimila um comportamento adequado na utilização dos serviços e
produtos de uma biblioteca.

A Biblioteca Central da UNIFESP/EPM foi criada em 2000, pela fusão
dos serviços locais da Bireme (Centro Latino-Americano e do Caribe em
Informação em Ciências da Saúde) e a BIBLAC (Biblioteca Acadêmica da

�UNIFESP/EPM) em um espaço único, integrando os serviços oferecidos pelas
duas bibliotecas. Uma das funções da Biblioteca Central da UNIFESP/EPM é
promover o treinamento e aperfeiçoamento contínuo de recursos humanos
visando o aprimoramento das atividades relativas a informação bibliográfica e
documentação na área da saúde (BIBLIOTECA..., 2006).

Este aperfeiçoamento não deve ser restrito apenas aos colaboradores
da biblioteca, mas estender-se também aos usuários, que podem ser
considerados os maiores interessados na busca científica em uma biblioteca ou
centro de informação, e por isso não devem ser deixados de lado nas
atividades de capacitação e treinamento, e sim serem colocados como atores
principais neste processo.

Mostra-se neste trabalho, a experiência da Biblioteca Central da
Universidade Federal de São Paulo na capacitação de usuários, principalmente
em bases de dados, através de cursos presenciais e, a partir de 2005, de
cursos à distância.

Os cursos oferecidos pela Biblioteca Central

Desde 2002, dois anos após a formação e consolidação da Biblioteca
Central da UNIFESP/EPM, têm sido oferecidos vários cursos para os usuários.
Estes cursos atendem tanto ao público interno, formado por alunos de
graduação, residentes, alunos de pós-graduação, estagiários, funcionários e
professores da universidade, quanto ao público externo, em geral alunos de
gradução, pós-graduação e residentes de outras faculdades e universidades.
Estes cursos foram estruturados de modo que todos os usuários aprendam em
primeiro lugar os fundamentos de uma pesquisa bibliográfica, sendo em
seguida abordado o assunto do curso em questão.

Os cursos são divulgados através de folders distribuídos na biblioteca,
cartazes, emails na rede da universidade e na home page na Biblioteca
Central. As inscrições são feitas pessoalmente, ou também pela home page.

�Figura 1 - Home Page da Biblioteca Central UNIFESP/EPM

As aulas são ministradas na sala “Prof. Dr. Cláudio Augusto Machado
Sampaio”

localizada

na

própria

biblioteca,

e

que

conta

com

10

microcomputadores os alunos, ou na sala Universia, montada através de
parceria com o banco Santander, que conta com 15 microcomputadores. As
duas salas contam com acesso à Internet, datashow e lousa.

Em todos os cursos, com exceção das visitas e demonstrações, são
oferecidas apostilas aos alunos. Este material foi elaborado pela equipe da
biblioteca de forma a ser adaptado ao cotidiano dos usuários da biblioteca, de
acordo com o conteúdo abordado em cada curso.

Ao final de cada curso o usuário preenche um formulário de avaliação,
onde são avaliados itens como carga horária, conteúdo do curso, recursos
físicos e professores/instrutores do curso.

�São oferecidos os seguintes cursos:

Curso de Pesquisa Bibliográfica: MEDLINE, LILACS, Portal de Revistas
Científicas, SciELO e CAPES - É um curso destinado a todos os usuários da
biblioteca que estejam interessados em conhecer as bases de dados Medline,
Lilacs, Portal de Revistas Científicas – BIREME, SciELO e porta periódicos da
CAPES. É oferecido aproximadamente uma vez por mês, e tem duração e oito
horas. Neste curso são abordadas as ferramentas mais importantes de cada
uma das bases de dados, bem como fundamentos da lógica booleana e a
recuperação dos artigos provenientes da pesquisa. De 2002 a dezembro de
2005 foram treinados 422 alunos neste curso.
Curso de Pesquisa Bibliográfica e Metodologia do Trabalho Científico
para os Alunos de Pós-graduação da UNIFESP-EPM - Este curso é
destinado somente aos alunos de pós-graduação regularmente matriculados.
Sua carga horária é de cerca de 96 horas, distribuídas em aproximadamente 6
semanas de aulas, que valem créditos no programa de pós-graduação da
UNIFESP/EPM. Tem como objetivo oferecer aos pós-graduandos uma visão
sistemática das bases de dados bibliográficas nacionais e internacionais e
respectivos mecanismos de busca, bem como orientá-los na elaboração da
metodologia de trabalhos científicos e teses de acordo com os padrões
internacionais de referências para a área médica, o estilo do International
Committee of Medical Journal Editors - ICMJE, mais conhecido como Estilo de
Vancouver. São oferecidas cerca de 5 turmas por ano, e de 2002 até junho de
2006 foram treinados 191 pós-graduandos.

Curso PubMed (National Library of Medicine - NLM) - Tem como objetivo
capacitar os interessados para elaboração de pesquisas bibliográficas através
da base de dados PubMed, utilizando corretamente as ferramentas disponíveis
na base. Destinado a todos os usuários da biblioteca, bem como demais
interessados, tem duração de 8 horas e é oferecido pela Coordenação de
Cursos da Biblioteca aproximadamente 2 vezes por mês. O curso de pesquisa
no PubMed foi iniciado em 2005, e até junho de 2006 foram capacitados 101
alunos.

�Diretrizes para Elaboração de Teses e Artigos Originais - A proposta deste
curso é oferecer uma visão sistemática das características de teses e artigos
originais baseados no estilo do International Committee of Medical Journal
Editors - ICMJE, mais conhecido como Estilo de Vancouver, formato utilizado
nas principais revistas biomédicas do mundo e atualmente adotado pela
UNIFESP/EPM. O curso é oferecido uma vez por mês, principalmente para
alunos de pós-graduação e docentes, embora não haja restrição formal de
público alvo. O curso foi dado pela primeira vez em 2002, sendo interrompido
após 2 turmas e teve 23 alunos capacitados. Foi retomado em março de 2006,
e até junho 51 alunos já assistiram à aula.
Curso On-line de Pesquisa nas bases de dados: Web of Science, Portal de
Periódicos da CAPES e diretrizes para normalização de artigos científicos
- Em 2005, junto com o Laboratório de Ensino à Distância do Departamento de
Informática em Saúde da UNIFESP/EPM, a Biblioteca Central lançou seu
primeiro curso na modalidade Educação à Distância. O curso tem como
objetivo dar os subsídios necessários à comunidade de profissionais de saúde
para que estes realizem pesquisas e recuperação de documentos através da
Web of Science e do Portal CAPES, e também aprendam a estruturar artigos
científicos utilizando o estilo de Vancouver. Aprender a pesquisar na base de
dados Web of Science e Portal de Periódicos da CAPES; adquirir
conhecimento sobre o estilo do International Committee of Medical Journal
Editors - ICMJE, mais conhecido como estilo de Vancouver. O curso é
realizado através da UNIFESP Virtual utilizando ambiente online de
aprendizagem, no qual o aluno aprende em seu próprio ritmo e horários, de
acordo com suas necessidades, sempre com a supervisão e apoio dos
professores/tutores. O curso está estruturado no formato mediador/tutor onde o
aluno é acompanhado constantemente. O modelo desenvolvido padroniza a
comunicação assíncrona feita por meio de fóruns de discussão, mensagens e
espaço para anotações pessoais. Apesar da comunicação não ser imediata
não foram constatados problemas na transmissão e assimilação do conteúdo
proposto. Até agora foram oferecidas três turmas, que treinaram até agora
aproximadamente 157 alunos.

�Figura 2 - Página inicial do curso on-line

Além dos cursos presenciais e on-line também são oferecidas
demonstrações e visitas orientadas:
Demonstração de bases de dados e serviços oferecidos pela biblioteca As demonstrações de bases de dados e serviços oferecidos pela biblioteca são
pequenos treinamentos de aproximadamente 2 horas, realizados na própria
biblioteca ou departamentos da UNIFESP/EPM, de acordo com a solicitação
dos docentes da universidade. Nestas demonstrações são ensinados, de forma
sucinta, os principais recursos das bases de dados disponíveis na Biblioteca
Central, ou de alguma base de dados específica, conforme solicitado. As bases
mais solicitadas para demonstrações são o PubMed e a Medline via Bireme.
No período entre 2002 e junho de 2006, 1133 alunos de graduação e pósgraduação,

docentes,

residentes

e

funcionários

participaram

das

demonstrações oferecidas pela biblioteca.
Visitas orientadas - Por meio de agendamento, visitas orientadas à biblioteca,
individuais ou em grupos, podem ser programadas. Nestas visitas são
mostrados todos os serviços oferecidos pela biblioteca, além de os usuários
receberem orientações de como proceder para o melhor aproveitamento dos

�recursos da biblioteca. Foram 2466 usuários em visitas orientadas de 2002 até
junho de 2006.

Novos projetos

Existe também, na Biblioteca Central, um esforço contínuo na captação
das necessidades dos usuários e subseqüente criação de novos cursos. Dentre
estes, o que mais se destaca é o Curso On-line de Pesquisa no PubMed, cujo
projeto foi iniciado efetivamente em julho de 2005 e que foi lançado em junho
de 2006, sendo a primeira turma terá inicio no final de agosto de 2006.

Considerações Finais

Com o advento das novas tecnologias da informação, houve uma
mudança significativa no modo como os usuários utilizam os serviços de
informação. Isto faz com que o profissional da área seja obrigado a adotar uma
postura mais dinâmica e audaz, criando estímulos para que o usuário utilize
estas tecnologias com auto-suficiência. Uma das formas de se estimular esta
auto-suficiência é através da oferta de treinamentos específicos, sendo que
estes devem ser estruturados de forma a atender os mais diversos perfis de
usuários.

As iniciativas de capacitação de usuários devem ser estimuladas, uma
vez que não devemos considerar que o usuário, mesmo com todas as
facilidades da tecnologia, seja obrigado a descobrir sozinho quais as
funcionalidades, muitas destas importantes e interessantes, que por vezes
estão ocultas nos novos recursos informacionais.

A Biblioteca Central da UNIFESP/EPM, através de seus treinamentos de
capacitação, procura assim seguir a tendência de tornar os usuários cada vez
mais capacitados a realizar de forma autônoma suas pesquisas, tendo também

�a preocupação de se manter em dia com o que há de mais novo nas novas
tecnologias de informação.

Referências

BEZERRA, F. M. P.; COSTA, R. M. Criatividade e inovação no treinamento
de usuário da biblioteca de ciências e tecnologia da Universidade Federal
do Ceará. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, [s.d.]. Disponível em:
&lt;http://www.biblioteca.ufc.br/artcriativi.html&gt;. Acesso em: 10 jul. 2006.
BIBLIOTECA Central da UNIFESP/EPM [sítio na Internet]. Desenvolvida pela
Universidade Federal de São Paulo. Disponível em:
&lt;http://www.biblioteca.epm.br&gt;. Acesso em: 17 jul. 2006.
BIREME – Centro Latino Americano e do Caribe de Informação em Ciências da
Saúde. Base de dados LILACS. São Paulo: BIREME, 2003. Disponível em:
&lt;http://www.bireme.br/abd/P/lilacs.htm&gt;. Acesso em: 18 nov. 2003.
CÓRDOBA GONZÁLEZ, S. La formación de usuários con métodos
participativos para estudiantes universitários. Ciência da Informação, Brasília,
v. 27, n. 1, p. 61-65, 1998.
DAMASIO, Edílson. A visão dos pós-graduandos em ciências farmacêuticas na
utilização do portal de periódicos da CAPES e recursos do diretório de bases
on-line da Biblioteca Central – UEM: a importância da capacitação realizada
por bibliotecários. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS, 13., Natal, 2004. Anais... Natal: UFRN, 2004.
MORAN, J. M. Propostas de mudança nos cursos presenciais com a Educação
On-Line. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA
DA ABED, Salvador, 2004. Anais... Salvador: ABED, 2004.
MENEZES, Isabel Bueno Santos. O desenvolvimento das fontes de
informação em ciências da saúde. 2003. 15 p. Trabalho de conclusão de
curso (Especialização em Informação em Ciências da Saúde para
Bibliotecários e Documentalistas) – Universidade Federal de São Paulo, São
Paulo.
NATIONAL LIBRARY OF MEDICINE. Fact sheet: MEDLINE. Washington:
NLM, 2003. Disponível em:
&lt;http://www.nlm.nih.gov/pubs/factsheets.medline.html&gt;. Acesso em: 18 nov.
2003.
OLIVEIRA, S. F. J. A contribuição dos esforços de educação de usuário para a
formação dos usuários de informação tecnológica. In: CONGRESSO

�BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO, 19., 2000, Porto
Alegre. Anais... Porto Alegre: ARB, 2000.
WIKIPÉDIA. Comunicação. Desenvolvido pela Wikimedia Foundation.
Apresenta conteúdo enciclopédico. Disponível em:
&lt;http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Comunica%C3%A7%C3%A3o&amp;oldid=
2568432&gt;. Acesso em: 17 jul. 2006.

�Anexo 1 - As bases de dados e recursos mais utilizados na Biblioteca
Central da UNIFESP/EPM

MEDLINE – É o maior componente do PubMed, a base de citações biomédicas
e abstracts da National Library of Medicine dos Estados Unidos (NLM), e que é
pesquisável na web (http://pubmed.gov) sem custos. MEDLINE cobre mais de
4800 revistas publicadas nos Estados Unidos e em mais de 70 outros países
de 1966 até o presente. MEDLINE inclui referências a artigos indexados com
termos do vocabulário controlado MeSH. As citações da MEDLINE são de
revistas selecionadas para a inclusão na base dados através de um comitê.
LILACS – Criada no final da década de 80, é uma base de dados da área
biomédica produzida de forma cooperativa pelas instituições que integram o
Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde –
BIREME.

Contém registros

de

aproximadamente

700

revistas

latino-

americanas da área da saúde, indexando também outros tipos de literatura
como teses, livros, anais de congressos, relatórios técnico-científicos, cobrindo
o período de 1982 até o presente.
Portal de periódicos BIREME – É um catálogo que oferece informações sobre
a descrição bibliográfica dos títulos de periódicos que fazem parte das coleções
das bibliotecas que cooperam com o catálogo coletivo SeCS (Seriados em
Ciências da Saúde). Abrange atualmente aproximadamente 12900 títulos.
SciELO - A Scientific Electronic Library Online (SciELO) é uma biblioteca
eletrônica que abrange uma coleção selecionada de periódicos científicos
brasileiros. Tem como objetivo o desenvolvimento de uma metodologia comum
para a realização de periódicos científicos em formato eletrônico. Atualmente
conta com mais de 300 revistas brasileiras e internacionais de todas as áreas
do conhecimento.

Portal .periódicos. CAPES – Foi desenvolvido no ano 2000 com o propósito
de universalizar o acesso à informação no meio acadêmico científico.
Atualmente é o maior banco científico da América Latina, e contém

�aproximadamente 10000 revistas com acesso ao texto completo e mais de 90
bases de dados com resumos de documentos em todas as áreas do
conhecimento
PubMed - PubMed é uma base de dados desenvolvida pelo National Center for
Biotechnology Information (NCBI) na National Library of Medicine (NLM)
disponível na web. É uma das diversas bases de dados que fazem parte do
sistema de recuperação Entrez do NCBI. O PubMed é formado por mais de 15
milhões de citações bibliográficas desde os anos 1950 e oferece acesso, sem
taxas, a MEDLINE que contém aproximadamente 13 milhões de registros de
1966 até o presente. Os registros da MEDLINE contêm citações bibliográficas
e, na maioria dos casos, resumos dos autores de mais de 4.800 jornais e
revistas biomédicos publicados nos Estados Unidos e em outros 70 países. O
PubMed inclui citações da base OLDMEDLINE com mais de 1,7 milhões de
citações que não possuem resumo e foram originalmente impressas nos
índices em papel (Index Medicus) publicados de 1950 a 1965. Também
disponibiliza citações recentes fornecidas eletronicamente por publicadores
para serem selecionadas, processadas e incluídas na MEDLINE. As Citações
que não entram na MEDLINE continuam disponíveis para pesquisa no
PubMed. PubMed também tem links aos textos completos dos artigos nos sites
de editoras participantes, dados biológicos, centros de sequenciamento, etc.

Web of Science – Foi desenvolvida pelo Institute for Scientific Information (ISI)
e permite, além da busca e recuperação da informação, analisar a geração e
propagação da informação científica. Possui atualmente cerca de 8.500
periódicos científicos indexados, cobrindo o período de 1945 até 2006. Além da
busca bibliográfica tradicional, na Web of Science é possível realizar buscas
por referências citadas, ou seja, saber quais os trabalhos que citaram um
determinado trabalho.

Uniform Requirements for Manuscripts Submitted to Biomedical Journals:
Writing and Editing for Biomedical Publication – Criado em 1978 por um
grupo de editores de revistas da área médica na cidade de Vancouver, tem o
objetivo de estabelecer diretrizes para o formato dos originais submetidos a

�suas revistas. O grupo ficou conhecido como o grupo de Vancouver, e o
formato passou a ser chamado de Vancouver Style. Seus requisitos para a
apresentação de originais, inclusive formatos de referências bibliográficas (que
foram desenvolvidos pela National Library of Medicine – NLM) foram
publicados primeira vez em 1979.

�</text>
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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Rosa, Alexandra Godoy; Carmo, Andréia Cristina Feitosa do; Menezes, Isabel Bueno Santos</text>
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                <text>Atualmente existe um grande número de bases de dados disponíveis eletronicamente, e estas, bem como seus recursos informacionais, são partes indissociáveis da vida na comunidade acadêmica. Por isso, torna-se cada vez mais necessário que os usuários de um serviço de informação se tornem capazes de recuperar a informação que desejam de forma autônoma e sistematizada, utilizando os diversos recursos que são disponibilizados por estas bases. Com vistas a isso, a Biblioteca Central da Universidade Federal de São Paulo, desde sua criação, em 2000, e com maior ênfase a partir de 2002, tem tido a preocupação de oferecer à sua comunidade um programa educativo que oferece treinamentos no uso dos recursos informacionais disponíveis na biblioteca. São oferecidos vários cursos por no, com enfoque e público-alvo diferentes, procurando-se assim atingir uma grande parte da comunidade da universidade, bem como os demais interessados. Até 2004 os treinamentos eram presenciais, sendo que em 2005, procurando alcançar um número ainda maior de usuários, foi lançado o primeiro curso totalmente on-line. Este documento traz uma análise dos diversos treinamentos oferecidos pela biblioteca, bem como sua aceitação, no período de 2002 a junho de 2006.</text>
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                    <text>ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL BIBLIOTECÁRIO NO
PROJETO DE ENSINO “NORMALIZAÇÃO DA REVISTA SEMINA”

Neide Maria Jardinette Zaninelli
Diretora da Editora da Universidade Estadual de Londrina, Londrina/Pr/Brasil.
Orientadora de campo deste Projeto de Ensino. Email: nemaza@uel.br.

Laudicena de Fátima Ribeiro
Diretora do Sistema de Bibliotecas da Universidade Estadual de Londrina,
Londrina/Pr/Brasil. Email: laudi@uel.br.

Vanessa Elaine Ribeiro
Aluna do Curso de Biblioteconomia da Universidade Estadual de Londrina,
Londrina/Pr/Brasil. Email: vanessaer2001@yahoo.com.br.

Resumo: O presente trabalho tem como foco principal abordar o papel da
biblioteca e do bibliotecário na prática profissional dos alunos do curso de
Biblioteconomia da Universidade Estadual de Londrina, oportunizando por meio
de projeto de ensino a prática de normalizar artigos científicos a serem publicados
pela Revista Semina, periódico publicado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e PósGraduação da Universidade Estadual de Londrina. Para execução das atividades
utiliza-se as normas de Documentação da ABNT. A Revista Semina é sub-dividida
em áreas, sendo: Agrárias, Biológicas/Saúde, Exatas/Tecnológicas e
Sociais/Humanas. Este Projeto de Ensino envolve três segmentos, inclui o
Departamento da Ciência da Informação, Pró-Reitoria de Pesquisa e PósGraduação e Biblioteca Central, sendo esta a responsável pela orientação e
supervisão na execução da normalização e demais tarefas. A Biblioteca Central,
através do profissional bibliotecário, atua no projeto como parceira fundamental
no processo de ensino-aprendizagem, pois por meio desse projeto proporciona ao
aluno desenvolver habilidades no campo de normalização, fortalecendo a teoria já
aprendida em sala de aula com a prática durante o estágio. Exemplo das
atividades executadas pela estagiária: conferências da estrutura do artigo, dos
dados de autoria, formatação do texto, conferência dos elementos textuais do
artigo e referências bibliográficas e demais atividades do serviço de normalização.
Palavras-Chave: Normalização documentária. Projeto de Ensino. Biblioteca
Universitária.

Introdução

Este texto apresenta relato de experiência do projeto de ensino
envolvendo bibliotecários da Biblioteca Central (BC), professores e alunos do
curso de Biblioteconomia do Departamento de Ciência da Informação da
Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Pró-Reitoria de Pesquisa e PósGraduação. O referido projeto de ensino teve como objetivo oportunizar aos

�alunos do curso de Biblioteconomia, a prática de normalizar artigos científicos a
serem publicados pela Revista Semina da UEL.
A Universidade Estadual de Londrina, assim como toda instituição de
ensino superior comprometida com a sociedade científica, direciona seus esforços
na construção de uma universidade democrática, competente, científica e
socialmente referendada, prepara seus alunos para serem profissionais críticos e
conscientes. Esta universidade não pretende ser uma “[...] mera consumidora e
repetidora de informações importadas para profissionalizar, mas sim um recanto
privilegiado onde se cultive a reflexão crítica sobre a realidade e se criem
conhecimentos com bases científicas (LUCKESI et al., 1997, p.29-30).
A questão em si é preparar o acadêmico para uma realidade profissional,
através da complementação e aprimoramento educacional, consolidando a união
entre o ensino teórico e prático, entre o saber e o fazer, na busca do
aperfeiçoamento profissional.
Assim é enfatizado que nas relações entre professor/aluno/bibliotecário de
referência, a integração do ensino norteia-se para o conhecimento teórico-prático,
permitindo consolidação de um e outro, promovendo a aplicação dos
conhecimentos teóricos, o aperfeiçoamento e o desenvolvimento de habilidades e
atividades indispensáveis ao desempenho profissional.
O profissional bibliotecário apresenta-se neste campo de estágio como
educador, desenvolvendo o papel de mediador da informação diante o aluno que
é sujeito da sua própria formação. Nesse contexto, o aluno é capaz de assumir as
funções que são inerentes no sentido de fortificar a formação adequada ao
estudante de Biblioteconomia, tornando-o profissional crítico e consciente da
importância de sua atuação enquanto profissional. Sendo assim, a prática
fundamenta-se na teoria e esta se sedimenta com a prática.

Comunicação Científica e o Periódico Científico
Rodrigues, Lima e Garcia (1998) enfatizam que “reconhece-se a Ciência
como o saber que detém a hegemonia discursiva na sociedade ocidental
contemporânea”. Assim sendo, a Ciência só se concretiza materialmente quando
o cientista publica os resultados de suas pesquisas, expondo-se ao debate e à

�crítica dos pares. Essa troca de informações entre cientistas denomina-se
comunicação científica, a qual inclui as atividades associadas com a produção,
disseminação e uso da informação. A publicação científica assume variadas
formas e utiliza diversos canais, entre eles, o periódico científico.
O periódico cientifico é o veículo de comunicação do conhecimento no
qual se registra oficialmente a informação para o saber científico. Segundo Merton
(apud MIRANDA; PEREIRA, 1996, p.375), o periódico é “o registro do
conhecimento cumpre ainda importante função de estabelecimento de prioridade
da descoberta científica - fator importante na motivação do cientista”.
O periódico científico é o meio de comunicação do saber mais utilizado,
portanto um precioso colaborador para a construção do conhecimento, em
diferentes áreas. Além disso, deve ser reconhecido como:
ü Um espaço de divulgação e registro de investigações;
ü Indicador da performance acadêmica;
ü Promotor da visibilidade de um pesquisador e de sua instituição;
ü Integrador entre os pesquisadores;
ü Respaldo teórico para a comunidade em geral, em especial
comunidade científica.
Entretanto, apresenta ainda importantíssima função, de definir e legitimar
novas disciplinas, campos de estudos, resultados de pesquisas, constituindo-se
em um legítimo espaço para institucionalização do conhecimento e para o avanço
de suas fronteiras. Dessa forma, permite ao cientista momento de ascensão para
efeito de promoção, reconhecimento e conquista em seu meio. (MIRANDA;
PEREIRA, 1996).
Para que um periódico possa cumprir as atribuições apontadas acima, é
necessário que acate determinadas normas e padrões. Para Rodrigues, Lima e
Garcia (1998, p.153) normas são:
[...] resultado de um processo de uniformização conduzido sob
princípios
estabelecidos
por
equipes
multidisciplinares,
convocadas pelos órgãos nacionais de normalização. No caso
brasileiro, o grande foro que congrega essas equipes
representativas dos segmentos interessados é a ABNT.

�Segundo

a

Associação

Brasileira

de

Normas

Técnicas

(ABNT),

normalização compreende:
[...] o processo de estabelecer e aplicar regras a fim de abordar
ordenadamente uma atividade específica, para o benefício e com
a participação de todos os interessados e, em particular, de
promover a otimização da economia, levando em consideração as
condições funcionais e as exigências de segurança (ABNT, 2006).

O crescente aumento do número de publicações científicas, em diferentes
suportes, tem preocupado os profissionais que se interessam pela qualidade da
informação, sejam eles autores, editores, publicadores, centros de documentação,
bibliotecas ou pesquisadores. Acompanhando esse volume de informações,
surgiram diversos problemas relacionados às publicações, problemas que têm
ensejado críticas com relação à qualidade da informação divulgada através dos
periódicos, nos âmbito internacional e nacional. Entre essas críticas, destacam-se
conforme descreve Ferreira e Krzyzanowski (2003):
[...] irregularidade na publicação e distribuição da revista; falta de
normalização dos artigos científicos e da revista como um todo;
problemas ligados à avaliação de conteúdo, tais como: corpo
editorial idôneo e processo de "peer review" inadequado.

Esses fatores negativos prejudicam o padrão de qualidade das revistas
científicas brasileiras, dificultando a sua aceitabilidade no meio técnico-científico
internacional, impossibilitando sua indexação em bases de dados.
De tal modo, a Biblioteca Central vem contribuindo com a Revista Semina
na questão de normalização dos artigos a serem publicados, buscando otimizar o
processo de uniformização da Revista, para que ela possa cada vez mais
responder aos parâmetros de qualidades determinados pelos sistemas que
mensuraram os periódicos científicos.
Portanto, neste projeto de ensino os bibliotecários vêm orientando e
supervisionando os alunos do curso de Biblioteconomia na atividade de
normalização e formatação dos artigos a serem publicados pela Revista Semina.

�Caracterização da Revista Semina

A Revista Semina é o periódico oficial da Universidade Estadual de
Londrina, criada em 1978, com a finalidade de divulgar trabalhos científicos dos
docentes da UEL. A partir de 1983, o periódico passou a divulgar também
trabalhos científicos de pesquisadores de Institutos de Pesquisa e de outras
Universidades. Devido ao seu crescimento, em 2001, a Revista Semina dividiu-se
em 04 (quatro) áreas do conhecimento, sendo: Semina Sociais e Humanas,
Ciências Biológicas e da Saúde, Exatas e Tecnológicas e Agrárias.
A publicação dos trabalhos depende de parecer da Assessoria Científica
"Ad hoc" da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da UEL. A Revista possui
em seu corpo editorial, cientistas de renome internacional, pertencentes às
universidades

e

institutos

de

pesquisa

de

diversas

regiões

do

Brasil;

apresentando as seguintes categorias de trabalhos: artigos e revisões no máximo
40 páginas; comunicações; divulgações e resenhas no máximo 20 páginas;
resenhas de livros e revistas no máximo quatro páginas.
A Revista atualmente está indexada nas seguintes bases de dados:
Latindex; Lilacs/Bireme, Medline, CAB, FSTA e CAS (Chemical Abstracts
Service). Encontra-se disponibilizada para acesso gratuito pela internet através da
homepage: http://www.uel.br/proppg/semina/.

TEORIA X PRÁTICA: atuação do aluno

A literatura em Biblioteconomia sobre a formação profissional está
estreitamente vinculada à temática do mercado de trabalho, com maior ênfase a
partir dos estudos para a reformulação curricular de 1982, quando a ABEBD
(Associação Brasileira de Ensino em Biblioteconomia e Documentação)
recomendou

a

realização

de

estudos

nas

escolas

para

identificar

as

características do mercado de trabalho. Essas preocupações e discussões
acentuam-se, sobretudo, na segunda metade da década de 1990, quando se

�intensificam as exigências por um profissional da informação mais qualificado e
atuante. (OLIVEIRA, 2006).
Tal discussão, sobretudo, buscava a adequação da formação dos alunos,
procurando formar um profissional para atuar nos mais diferentes cenários e
dentro de exigências diversas. A articulação entre teoria e prática, nas últimas
décadas, tem sido objeto de estudo dos educadores interessados em abrir
caminhos para uma prática pedagógica que atenda às exigências da
modernidade.
Nesse sentido, se faz necessário promover a união de teoria e prática,
para que alunos possam ter momentos de práticas profissionais, que gerem futura
emancipação profissional, visto que a atividade de estágio está intimamente
ligada à vivência dos conteúdos teóricos apresentados, oferecendo ao aluno
oportunidades de desenvolver suas habilidades e permitindo que o mesmo se
depare como situações reais no ambiente de biblioteca.
A compreensão do real, do presente, como ato de descortinar seu
conteúdo [...] resulta da mediação entre teoria e prática [...] (GIROUX, 1997,
p.154). Sustentado num preceito freireano, o autor destaca que a ‘teoria não dita
a prática’, preservando a possibilidade de se originarem formas próprias,
particulares de produção e práticas teóricas, no sentido verdadeiro de práxis.
Pressupondo-se que o nível de conhecimento (teoria) confere autonomia a quem
atua, sobre as suas próprias ações (prática), é possível inferir que a relação
teoria-prática condiciona a liberdade para estruturar as atividades para os futuros
profissionais. (GIROUX, 1997).
Estudo recente revelou que a maioria dos bibliotecários considera que as
experiências no trabalho e os conteúdos das disciplinas profissionais obrigatórias
sãos os aspectos e os meios que mais contribuíram para a aquisição de
conhecimentos, e são importantes ao desenvolvimento de sua atividade
profissional. Segundo Milanesi (2006) “é preciso conhecer a rotina do trabalho
bibliotecário porque é preciso executar tarefas (praticismo); é preciso executar
bem as tarefas para ser um profissional útil (profissionalmente); é preciso
aperfeiçoar as tarefas [...]”.

�As escolas de Biblioteconomia anualmente lançam no mercado de
trabalho centenas de novos profissionais, mas com certeza terá mais
oportunidade de trabalho aquele estudante que tenha adquirido o maior volume
de conhecimento pertinente à sua profissão, tanto na teoria quanto na prática.
Quanto mais habilidade em acessar e processar as informações sobre sua futura
carreira profissional, maior suas condições de ser um profissional competitivo. O
estágio também proporciona a empregabilidade, favorece a reflexão, a análise e a
avaliação das diferentes atuações do profissional no amplo mercado de trabalho
apresentado ao aluno.
Infere-se então que o processo ensino-aprendizagem é um conjunto
estruturado de situações variadas, que busca colocar o educando em contato com
a complexidade de conhecimentos e informações geradas pelas sociedades,
dando-lhe oportunidades de observar, analisar, refletir, adaptar-se e desenvolver
requisitos necessários ao seu crescimento em sociedade. Fazem parte desse
processo as práticas mediadoras do professor, e aqui neste trabalho, é colocado
também o bibliotecário como mediador não só do conhecimento, mas também de
sua experiência e prática. Ambos colocam o aluno diante do universo de saberes,
propiciando-lhe recursos de assimilação e aprendizado, porque só há ensino se
houver aprendizado.
Nesse sentido, o bibliotecário através de suas práticas, deveria fazer de
sua biblioteca um laboratório para os alunos de Biblioteconomia, tomando-o
sujeito aprendiz, tendo o professor e o bibliotecário como elo principal da cadeia
educativa, como aliados experientes e valiosos no processo interativo: ensinar e
aprender.
Durante os meses de estágio desenvolvido no Projeto de Ensino
“Normalização da Revista Semina”, o aluno deverá ter plenas condições de por
em prática o conteúdo aprendido em sala de aula, bem como, de se especializar
na área de normalização de documentos científicos. A rotina durante a execução
da normalização dos artigos apresenta- se muito mais ampla do que uma
disciplina, pois para realizar a correção dos artigos se faz necessária a prática
simultânea de outras áreas, como: o uso de fontes de informação, acesso a
banco de dados de bibliográficos, uso da rede internet, noções de entrada de

�autoria, conhecimento das normas de Documentação da ABNT, que o aluno terá
de lidar durante suas atividades no estágio.
As

atividades

a

serem

desenvolvidas

durante

o

estágio

deverá

obrigatoriamente propiciar ao aluno colocar em prática as abordagens teorizadas
e vivenciadas ao longo do curso.

Metodologia

Durante o estágio, o bibliotecário buscou mostrar ao aluno/estagiário o elo
teórico-prático em relação aos conhecimentos adquiridos em sala de aula através
do conteúdo da disciplina “normalização documentária”, em especial as normas
referentes à apresentação de publicações científicas. Procurou-se proporcionar
ao aluno de Biblioteconomia o conhecimento da realidade profissional, através da
aplicação de conceitos teórico-práticos em situações reais, durante a prática da
normalização dos artigos.
O aluno desenvolveu no estágio as seguintes atividades:
ü Apoio aos docentes na normalização dos artigos científicos;
ü Conferência da estrutura dos artigos que comporão a Revista Semina;
ü Conferências dos dados de autoria dos artigos;
ü Correção de formatação do resumo;
ü Padronização das palavras-chave e key-words;
ü Conferência dos elementos textuais do artigo;
ü Conferência das referências bibliográficas;
ü Uso de bases de dados para completar as referências, dados de autoria
e outras informações;
ü Formatação geral do artigo.

�Outra atividade importante foi a participação do estagiário na elaboração
do “Manual de Serviço de Normalização da Revista Semina”, uma vez que o
mesmo registrava as rotinas e práticas desenvolvidas.
Podemos dizer que o aluno desenvolveu também prática de atendimento,
pois os contatos realizados com o autor/docente do artigo ou com o editor da
Revista proporcionaram a aplicação de “entrevista de referência”, para solução de
questões referentes ao artigo. Essa situação para o aluno/estagiário apresentouse de forma mais complexa, pois houve necessidade de contato com profissionais
de outras área.

Considerações Finais

Dentro da filosofia que “só se aprende fazendo”, acredita-se que o Projeto
de Ensino “Normalização da Revista Semina” possibilitou aos alunos do curso de
Biblioteconomia a vivência, a oportunidade de contato com pesquisadores/autores
dos artigos, o manuseio das normas de documentação, o acesso a bases de
dados e também o desenvolvimento de outras habilidades da área da
Biblioteconomia.
As ações práticas, durante a normalização dos artigos, constituíram o
momento em que o aluno/estagiário encontrou o caminho para a concretização da
teoria-prática. Essa prática fez parte do compromisso da formação para a
transposição dos conhecimentos, havendo assim um aperfeiçoamento de práticas
que promoveram o desenvolvimento e formação profissional.
Importante que o aluno/estagiário também esteja ciente da importância da
realização do estágio para sua vida acadêmica e profissional, portanto deve ele
se esforçar por atingir aproveitamento e rendimento máximo durante o estágio;
dispor de horário para cumprir atividades previstas, sobretudo sendo assíduo;
executar as atividades previstas no planejamento de estágio, observando forma,
normas e padrões estabelecidos; resguardar o sigilo e a veiculação de
informações a que tenha acesso em decorrência do estágio; manter postura
acadêmica mas acima de tudo profissional. .

�O desafio foi fazer com que o aluno desenvolvesse um trabalho real. Esse
trabalho ofereceu possibilidade para que a teoria e a prática fossem articuladas
com intuito de construção/reconstrução de (novos) saberes sobre a realidade
profissional.
Alerta-se ao futuro bibliotecário que deseja ingressar no mercado de
trabalho, que este ambiente é tão competitivo, que deverá apresentar
conhecimentos, habilidades e atitudes para que possam se adequar ao ritmo
acelerado de exigências e mudanças.
Durante o estágio surgiram novas reflexões do profissional da informação,
tanto por parte do aluno como do próprio bibliotecário em relação à missão e
contribuição efetiva para o processo ensino-aprendizagem, visto que a prática traz
amplitude do conhecimento.
Considera-se, no entanto, que o objetivo do projeto foi atingido, sendo que
o mesmo proporcionou ao aluno/estagiário do curso de Biblioteconomia por em
prática seus conhecimentos adquiridos em sala de aula, bem como poder
experimentar a vivência do dia-a-dia da Biblioteca. Pode-se verificar a importância
da contribuição desta experiência de ensino, prática e teorização, no momento
que se percebe que houve a concretização de um ensino mais próximo da prática,
por parte do próprio aluno.

REFERENCIAS
ABNT. Normalização. Disponível em: &lt;www.abnt.org.br&gt;. Acesso em: jul. 2006.
FERREIRA, Maria Cecilia Gonzaga; KRZYZANOWSKI, Rosaly Favero. Scientific
periodicals: quality criteria. Pesquisa de Odontologia Brasileira, v.17 suppl.1,
p.43-48, May 2003,
GIROUX, Henry A. Os professores como intelectuais: rumo a uma pedagogia
crítica da aprendizagem. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.
LUCKESI, C. et al. Fazer universidade: uma proposta metodológica. São Paulo:
Cortez, 1997.

�MLANESI, Luís A. Forma / formação / fôrma do bibliotecário. ExtraLibris, 2006.
Disponível em: &lt;http://academica.extralibris.info/bibliotecario/
forma_formacao_forma_do_biblio.html&gt;. Acesso em: 22 fev. 2006.
MIRANDA, Dely Bezerra de; PEREIRA, Maria de Nazaré Freitas. O periódico
científico como veículo de comunicação: uma revisão de literatura. Ciência da
Informação, Brasília, v. 25, n. 3, p. 375-382, set./dez. 1996
OLIVEIRA, Jemima Marques de. Mercado de trabalho, currículo e movimento
docente em biblioteconomia no Brasil. 2006. Disponível
em:&lt;http://br.geocities.com biblioestudantes/texto_64.pdf&gt;.
RODRIGUES, Mara Eliane Fonseca; LIMA, Marcia H. T. de Figueredo; GARCIA,
Marcia Japor de Oliveira. A normalização no contexto da comunicação científica.
Perspectiva da Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 3, n. 2, p. 147 - 156,
jul./dez.1998
SILVA, Ana Maria Radaelli da. Trabalho de Campo: prática andante de fazer
Geografia. Educação Pública. Disponível em:
&lt;http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/geografia/geo03b.htm&gt;

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Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O presente trabalho tem como foco principal abordar o papel da biblioteca e do bibliotecário na prática profissional dos alunos do curso de Biblioteconomia da Universidade Estadual de Londrina, oportunizando por meio de projeto de ensino a prática de normalizar artigos científicos a serem publicados pela Revista Semina, periódico publicado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-graduação da Universidade Estadual de Londrina. Para execução das atividades utiliza-se as normas de Documentação da ABNT. A Revista Semina é sub-dividida em áreas, sendo: Agrárias, Biológicas/Saúde, Exatas/Tecnológicas e Sociais/Humanas. Este Projeto de Ensino envolve três segmentos, inclui o Departamento da Ciência da Informação, Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação e Biblioteca Central, sendo esta a responsável pela orientação e supervisão na execução da normalização e demais tarefas. A Biblioteca Central,  através do profissional bibliotecário, atua no projeto como parceira fundamental no processo de ensino-aprendizagem, pois por meio desse projeto proporciona ao aluno desenvolver habilidades no campo de normalização, fortalecendo a teoria já aprendida em sala de aula com a prática durante o estágio. Exemplo das atividades executadas pela estagiária: conferências da estrutura do artigo, dos dados de autoria, formatação do texto, conferência dos elementos textuais do artigo e referências bibliográficas e demais atividades do serviço de normalização.</text>
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                    <text>AVALIAÇÃO DA ESTRATÉGIA DE DIVULGAÇÃO DA
BASE ÍNDICE DE ARQUITETURA BRASILEIRA:
DESENHO DE PESQUISA
Dina Uliana∗
Emily Ann Labaki Agostinho*
Mônica de Arruda Nascimento*
Sibele Fausto*
Resumo

O Serviço de Biblioteca e Informação da FAUUSP elabora, desde 1950, o
Índice de Arquitetura Brasileira, publicação única em sua forma e conteúdo no Brasil,
e preciosa fonte de referência aos pesquisadores das áreas de Arquitetura,
Urbanismo, Paisagismo e Design (AUPD). São indexados atualmente 25 títulos de
periódicos nacionais nas áreas citadas. Até o ano de 1996, essa publicação existiu
em formato impresso, e a partir de 2003, foi disponibilizada on-line.
Este trabalho descreve o modo como a publicação impressa migrou para a
Base Índice de Arquitetura Brasileira acessada via www, e apresenta o desenho de
projeto da sua primeira avaliação, que abordará a estratégia de divulgação da base,
a fim de verificar a adequação das ações adotadas para sua disseminação, bem
como sua penetração na comunidade de usuários, após sua implantação.
Palavras chaves: Ciências da informação. Planejamento de pesquisa. Estudos de
usuários. Acesso a informações virtuais. Avaliação de bases de dados

∗

Bibliotecárias – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – Universidade de São Paulo
Correspondência: Rua do Lago, 876 – Cidade Universitária
05508-900 – São Paulo - SP - Brasil
uliana@usp.br
emilyfau@usp.br
monyfau@usp.br
sifausto@usp.br

1

�1 Introdução

Em 2002, no XII Simpósio Nacional de Bibliotecas Universitárias, realizado em
Recife, PE, tivemos a oportunidade de apresentar o projeto “Transformação do Índice
de Arquitetura Brasileira em uma Base de Dados acessada via www”, elaborado pelo
Sistema de Biblioteca e Informação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da
Universidade de São Paulo (SBI – FAUUSP).
Na ocasião, o projeto foi descrito detalhadamente, e sua implantação era
iminente. Hoje, temos a satisfação de, novamente presentes no SNBU, relatar a
experiência que levou a cabo o referido projeto, e dar continuidade ao seu
desenvolvimento. Este desenvolvimento implica que a base de dados do Índice de
Arquitetura Brasileira, já disponível on-line, seja avaliada, permitindo coligir
informações que norteiem sua melhoria.
Esta avaliação deve, necessariamente, ser integral, incluindo todos os
aspectos relativos à qualidade da base, pois, segundo Pereira et al (1999),
“(...) o controle de qualidade em bases de dados envolve todas as etapas do
tratamento da informação, desde sua criação até o uso final. A qualidade do
produto da informação é influenciada pelo software de processamento e
recuperação, hardware, telecomunicações, suporte ao usuário e qualidade do
conteúdo da base de dados”.

Torres et al (2002) acrescenta que a avaliação deste uso final de bases de
dados envolve sua acessibilidade pelo público usuário, e Bohmerwald (2005)
recomenda avaliar [também] a penetração, usabilidade e comportamento de busca,
por parte dos usuários.
Uma avaliação desta envergadura necessariamente deve dar-se por fases,
permitindo a adequada elaboração e aprofundamento do estudo de cada aspecto
qualitativo da base de dados.
Assim, decidimos, numa primeira etapa, avaliar a disseminação da base Índice
de Arquitetura Brasileira na comunidade de usuários, após sua disponibilização
2

�virtual. Este trabalho descreve o desenho da pesquisa a ser aplicada nesta primeira
fase de avaliação.
Para tanto, relatamos a trajetória da base Índice de Arquitetura Brasileira, em
seus aspectos históricos, estruturais, de conteúdo e tecnológicos, atingindo sua
conversão no atual modelo, disponível on-line. A seguir, apresenta-se o desenho de
pesquisa pretendido.

1.1 O Índice de Arquitetura Brasileira

O Serviço de Biblioteca e Informação da FAUUSP é responsável pela
elaboração, desde 1950, do Índice de Arquitetura Brasileira. Iniciativa visionária e
pioneira da bibliotecária Eunice Ribeiro Costa, já falecida, esta publicação é única em
sua forma e conteúdo no Brasil, e preciosa fonte de referência aos pesquisadores
das áreas de Arquitetura, Urbanismo, Paisagismo e Design (AUPD). São indexados
atualmente 25 títulos de periódicos nas áreas citadas.
Desde o ano de 1950, quando se iniciou a indexação de artigos de periódicos
nacionais para compor o Índice de Arquitetura Brasileira, foram publicadas as
edições: 1950-1970; 1971-1980; 1981-1983; 1984-1989; 1990-1991; 1992-1993 e
1994-1995.
Quanto aos documentos indexados, encontram-se dois tipos diferentes:
periódicos com texto de estrutura argumentativa e também descritiva, que
apresentam aspectos teórico/metodológicos de procedimentos ou estudos realizados
em arquitetura ou áreas do conhecimento afins (planejamento territorial; desenho
industrial; tecnologia da construção; história da arte); e periódicos com texto de
estrutura narrativa, que apresentam ilustrações, fotografias ou elementos visuais
para representar ações, experiências realizadas, ou conceitos aplicados por
profissionais da arquitetura e/ou áreas afins (arquitetura de interiores; arquitetura
paisagística, desenho industrial, programação visual).

3

�A indexação, portanto, é feita de maneira a acompanhar as características de
cada um dos tipos de documentos acima apresentados, o que se dá de modo a
retirar dos textos os elementos necessários para determinar seu conteúdo
informativo.
A edição em papel do Indice de Arquitetura Brasileira obrigava a uma limitação
de busca, não oferecendo ao pesquisador alternativas que agilizassem a localização
da informação desejada. Somava-se a esta dificuldade a dependência de recursos
da Faculdade para sua publicação regular, acarretando problemas na sua
periodicidade e, conseqüentemente, interferindo na qualidade do serviço de
atendimento aos usuários internos e externos da instituição. O Serviço de Biblioteca
e Informação da FAUUSP empreendeu então um esforço visando a melhoria da
disponibilidade dessa importante fonte de referência.
Com a implantação dos projetos de infra-estrutura da Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), nos anos de 1998-2003, o SBI –
FAUUSP promoveu a atualização dos equipamentos de informática e a ampliação do
acesso à informação via Internet, possibilitando o desenvolvimento de banco de
dados que otimizam a recuperação da informação, pela web.
De fato, com o advento da Internet e da facilidade de acesso à informação por
parte dos usuários, principalmente os ligados aos centros de pesquisa e unidades
acadêmicas, tem-se cada vez mais necessidade de tornar acessível ao público esta
informação organizada, de maneira rápida e eficiente. O não uso desta tecnologia
implicaria numa fonte de pesquisa com recursos limitados e de pouca abrangência,
como era o caso do Índice de Arquitetura Brasileira (NASCIMENTO &amp; AGOSTINHO,
2002).
Sendo assim, optou-se por transformar este importante recurso informacional
para a pesquisa em AUPD em uma base de dados, disponibilizada ao seu público
usuário através da Web. Na implantação dessa base de dados, foi utilizado o
programa WXIS 4.0, que é a versão para acesso via www do CDS/ISIS,
desenvolvido pela United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization

4

�(UNESCO) e distribuído pelo Centro Latino Americano e do Caribe em Informações
em Ciências da Saúde (BIREME).
É importante salientar que a adoção desta tecnologia, utilizando a estrutura de
dados do CDS/ISIS, permite o desenvolvimento de aplicações utilizando o protocolo
HTTP disponível em todos os navegadores conhecidos, o que o torna compatível
com qualquer sistema operacional, além de ser baseado na linguagem XML
(eXtensible Markup Language, Linguagem de Marcação Extensível, em inglês) IsisSCRIPT, tornando-a extremamente flexível e versátil no desenvolvimento de
aplicações para a web. Esta característica propicia, por exemplo, sua utilização na
criação de hipervínculos, possibilitando à base de dados do Índice de Arquitetura
Brasileira, no futuro, estabelecer conexões diretas de suas referências com o texto
completo dos periódicos nele indexados que já dispuserem de versões em texto
completo on-line.
O SBI–FAUUSP demonstrou comprometimento e visão ao adotar esta
tecnologia, pois,
[Um] elemento de grande importância é a adoção de bases de dados
bibliográficas eletrônicas, similares às tradicionais, que registram e indexam a
literatura científica, representando o mecanismo de controle da promoção e
visibilidade das publicações científicas. O estabelecimento destes serviços de
indexação, ao instaurar interconexões entre os registros bibliográficos e os textos
completos, permitindo acesso imediato, ao mesmo tempo em que estes
incorporam conexões para os registros bibliográficos, aumenta a visibilidade da
informação e consolida o papel das bases de dados bibliográficas (PACKER,
1998).

Atualmente a base conta com pouco mais de 41 mil registros (julho de 2006).
Esses registros estão disponíveis on-line através da URL (Uniform Resource Locator)
http://www.fau.usp.br/baseindice/, de forma direta, e também na página virtual do
SBI-FAUUSP (http://www.usp.br/fau/biblio/index.html). Além disso, a base

é

divulgada no portal especializado em AUPD Vitruvius (www.vitruvius.com.br), que
direciona seus usuários para a base através de link direto.

Essas ações de

divulgação precisam ser avaliadas a fim de determinar o impacto da base Índice de
Arquitetura Brasileira entre o público usuário.

5

�2 O Objeto do desenho de pesquisa
A penetração da base Índice de Arquitetura Brasileira na comunidade de
usuários, após sua disponibilização virtual.
2.1 O problema
Uma vez concretizadas as etapas de concepção, planejamento e implantação
da transformação do Índice de Arquitetura Brasileira em uma base de dados
disponível on-line, seu uso efetivo deve ser estimulado. Mas, para desencadear este
uso, seria necessário investigar sua disseminação junto à comunidade de usuários docentes, pesquisadores e estudantes da área - verificando o grau de conhecimento
que estes usuários têm em relação à base.

3 Justificativa
Para Segawa et al (2003) o Índice de Arquitetura Brasileira é “um conjunto
variável de publicações ao longo de meio século (revistas de 1950 até o presente),
[sendo] seu repertório de periódicos indexados [...] um sensível indicador do
dinâmico quadro editorial brasileiro da segunda metade do século XX”. Os mesmos
autores recomendam que “o desenvolvimento e o aperfeiçoamento do Índice de
Arquitetura Brasileira é uma resolução fundamental para o futuro da pesquisa em
AUPD no Brasil” (idem).
Neste sentido, o SBI–FAUUSP persiste nesta empreitada, e a decisão de
transformar este recurso informacional em uma base de dados acessível on-line foi
um importante avanço.
A continuidade deste desenvolvimento e aperfeiçoamento demanda ações para
o incentivo do pleno uso de tal recurso. A divulgação prévia do recurso existente
antecede este uso, daí a necessidade de pesquisar seu alcance junto aos usuários
da informação em AUPD. Sendo assim, pretende-se verificar seu conhecimento
sobre a base Índice de Arquitetura Brasileira virtual, suas expectativas, dificuldades e
necessidades em relação ao uso da base, avaliando a pertinência do planejamento

6

�posterior de um aprendizado sobre o recurso existente focado nas necessidades e
dificuldades que porventura fossem explicitadas na pesquisa, como indução para sua
maior utilização pelos usuários.
É importante lembrar que o usuário da Biblioteca da FAUUSP não dispõe de um
programa formal de treinamento para a utilização dos recursos informacionais
existentes. Ao aluno ingressante é oferecida uma visita monitorada ao acervo da
Biblioteca, com indicações gerais sobre os recursos disponíveis para pesquisa. A
orientação

mais

detalhada

de

como

utilizar

esses

recursos

é

oferecida

individualmente pelas bibliotecárias de referência, sempre que o usuário as solicita.
Esta pesquisa forneceria subsídios para a elaboração de um programa formal
de treinamento no uso dos recursos informacionais disponíveis para os usuários de
AUPD, incluindo o Índice de Arquitetura Brasileira, como parte das ações planejadas
para o desenvolvimento desta base.

4 Objetivos
4.1 Geral
Avaliar a disseminação da base de dados Índice de Arquitetura Brasileira entre os
estudantes, docentes e pesquisadores da área de AUPD.
4.2 Específicos
- Identificar o nível de conhecimento da existência da base;
- Verificar qual dos meios utilizados para divulgação da base foi mais eficaz;
- Levantar o número de vezes que o usuário acessa a base;
-Verificar se as orientações disponíveis para proceder às buscas são adequadas;
- Detectar o nível de satisfação alcançado durante a pesquisa.

7

�5 Procedimentos metodológicos
5.1 A Amostra
O público alvo é formado pelos alunos de graduação, pós-graduação,
docentes e pesquisadores que freqüentam a Biblioteca da FAUUSP.
5.2 A coleta de dados
Por tratar-se de uma pesquisa que investiga saberes (no conhecimento da
base), atitudes (na busca de informações) e nível de satisfação (em relação às
orientações disponíveis e aos resultados obtidos na pesquisa), todos pertinentes aos
usuários da biblioteca da FAUUSP, a pesquisa impõe-se como qualitativa
(ROBERTSON, 1999).
O instrumento de coleta de dados a ser utilizado, adequado a este tipo de
pesquisa, é a entrevista individual do tipo semi-estruturada, visando captar as
evidências presentes nas falas dos entrevistados, em suas ponderações relativas ao
objeto de estudo.
O roteiro da entrevista prevê elementos estruturados para caracterização do
entrevistado, com questões gerais de identificação, com dados sobre sua formação e
categoria (se graduando, pós-graduando, docente ou pesquisador); e elementos
estruturados para a aferição do conhecimento sobre a base, como a maneira pela
qual soube da existência da base e o número de vezes que acessou. Os elementos
não estruturados são focados em questões opinativas referentes à adequação das
orientações disponíveis para a pesquisa na base e à satisfação quanto aos
resultados obtidos com a pesquisa. A íntegra do questionário está disponível no
Anexo I.
5.3 Aspectos éticos
As entrevistas serão precedidas de um convite formal aos usuários,
explicitando os objetivos e a metodologia, e obtendo seu consentimento informado
(Anexo II) para a participação na pesquisa.

8

�5.4 Análise dos dados
Esta metodologia prevê a realização de um pré-teste, e a análise dos dados
obtidos, definida como "decompor um todo em suas partes componentes,
esquadrinhar, examinar criticamente” (MOROZ &amp; GIANFALDONI, 2002) se dará
através da tabulação dos dados obtidos nas entrevistas, com sua organização
(categorização) e análise de conteúdo, para a conseqüente interpretação dos
resultados.

6 Considerações finais
O desenvolvimento do Índice de Arquitetura Brasileira implica em avaliações
sistemáticas de seus diversos aspectos, tais como conteúdo, interface com o
usuário, tecnologia empregada, etc, subsidiando ações para sua melhoria num
processo contínuo e constante. Este processo materializa-se através de fases
progressivas, permitindo a adequada elaboração, planejamento e implementação
das ações, bem como o adequado aprofundamento do estudo de cada aspecto
qualitativo da base de dados.

A primeira fase eleita para avaliação privilegiou o estudo da penetração da
base na comunidade de usuários, após sua disponibilização on-line. Assim, o
desenho da pesquisa aqui descrito é parte das futuras ações pretendidas visando o
desenvolvimento do Índice de Arquitetura Brasileira.

A aplicação do questionário e a tabulação dos dados deverão permitir a
avaliação dos seguintes aspectos:
- Necessidade de estratégias de divulgação diferentes, voltadas para cada
categoria de usuário;
- Aprimoramento das formas de pesquisa na base, utilizando outros recursos
como disponibilidade de treinamento durante todo o ano para os interessados,
impressos, elaboração de tutorial para utilização da base, etc.

9

�Assim, procuramos garantir o contínuo desenvolvimento do Índice de
Arquitetura Brasileira, que deve ser encarado como um processo permanente,
agregando contribuições constantes para sua melhoria e plena assimilação junto à
comunidade de usuários em AUPD.

Referências bibliográficas

BOHMERWALD, P. Uma proposta metodológica para avaliação de bibliotecas
digitais: usabilidade e comportamento de busca por informação na Biblioteca Digital
da PUC-Minas. Ci. Inf. Brasília, vol.34, n.1, p.95-103, jan. 2005.
MOROZ, M; GIANFALDONI, M.H.T.A. O Processo de Pesquisa: iniciação. Brasília:
Editora Plano, 2002.
NASCIMENTO, M. A; AGOSTINHO, E.A.L. Transformação do Índice de Arquitetura
Brasileira em uma base de dados acessada via www. In: SEMINÁRIO NACIONAL
DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 12, 2002, Recife. Anais... Recife: UFPE,
2002.
PACKER, A. L. SciELO: uma metodologia para publicação eletrônica. Ci. Inf.
Brasília, v.17, n.2,s/p,1998.
PEREIRA, M. N.F. et al. Bases de dados na economia do conhecimento: a questão
da qualidade. Ci. Inf. Brasília,v.28, n.2,p.215-223, maio/ago.1999.
RICHARDSON, R.J. Pesquisa Social: métodos e técnicas. 3.ed. São Paulo: Atlas,
1999.
SEGAWA, H; CREMA, A; GAVA, M. Revistas de arquitetura, urbanismo, paisagismo
e design: a divergência de perspectivas. Ci. Inf. Brasília, v.32, n.3, p.120-127,
set./dez. 2003.
TORRES, E.F; MAZZONI, A.A; ALVES, J.B.M. A acessibilidade à informação no
espaço digital. Ci. Inf. Brasília, vol.31, n.3, p.83-91,set 2002.

10

�Anexo I - QUESTIONÁRIO

1-Identificação
(
(
(
(
(

) graduação
) pós-graduação
) docente
) pesquisador
) outro

2- Como conheceu o Índice de Arquitetura Brasileira on-line?
(
(
(
(
(
(

) não conhece o I.A.B. on- line
) pelo site da FAU-USP
) portal Vitruvius
) informação da bibliotecária
) informação de um amigo
) outro ______________________________

3- Quantas vezes utilizou o Índice de Arquitetura Brasileira on-line
(
(
(
(

) nunca utilizou
) 1 vez
) 2 a 5 vezes
) mais de 5 vezes

4-Considera as orientações para a pesquisa, disponíveis na página da Base
( ) suficientes
( ) insuficientes
5- Se insuficientes, por quê?

6- Considera o resultado alcançado em sua pesquisa
( ) satisfatório
( ) insatisfatório
7- Se insatisfatório, por quê?
____________________________________________________________________

11

�Anexo II -TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Titulo do trabalho: Avaliação da estrategia de divulgação da base Índice de
Arquitetura Brasileira
Estas informações estão sendo fornecidas para sua participação voluntária
neste estudo, que visa investigar o conhecimento dos usuários da biblioteca da
FAUUSP sobre a base de dados Índice de Arquitetura Brasileira, disponível on-line.
Trata-se de um estudo qualitativo e de campo, onde será pesquisada uma
população de usuários da biblioteca da FAUUSP e no qual será aplicado um
questionário com sete (07) questões, com o objetivo descrito acima.
Durante o desenvolvimento desta pesquisa não haverá qualquer desconforto ou
risco para os entrevistados, tampouco benefícios diretos aos participantes.
Em qualquer etapa do estudo, o acesso aos pesquisadores será aberto e livre
para esclarecimento de eventuais dúvidas. São quatro as pesquisadoras deste
trabalho – bibliotecárias da FAUUSP - identificadas a seguir e que poderão ser
encontradas na biblioteca, em seu horário normal de funcionamento:
Dina Uliana
Emily Ann Labaki Agostinho
Mônica de Arruda Nascimento
Sibele Fausto
É garantida a liberdade da retirada do consentimento a qualquer momento e a
cessação da participação no estudo, sem qualquer prejuízo, bem como o sigilo
quanto a dados de identificação pessoal.
Não haverá despesas pessoais para o participante em qualquer fase deste
estudo. O tempo estimado para o questionário será de aproximadamente trinta (30)
minutos, conforme a disponibilidade dos participantes e seguindo um roteiro
estruturado para a coleta de dados.
Será

também

de

direito

a

manutenção

de

atualizações

sobre

as

considerações/resultados do estudo.
Haverá o compromisso dos pesquisadores de utilizar os dados obtidos somente
nesta pesquisa.

12

�Acredito ter sido suficientemente informado a respeito das informações que li e
que descrevem o estudo “Avaliação da estrategia de divulgação da base Índice
de Arquitetura Brasileira”. Discuti com as pesquisadoras sobre a decisão em
participar deste trabalho. Ficou claro para mim o propósito do estudo e os
procedimentos a ele inerentes. Ficou claro também que a minha participação é isenta
de despesas. Concordo voluntariamente em participar desta pesquisa e poderei
retirar o meu consentimento a qualquer momento, antes ou durante a pesquisa, sem
penalidades ou prejuízo ou perda de qualquer beneficio.

---------------------------------------------

Data----/----/----

Assinatura do sujeito/representante legal

Declaro que obtive de forma apropriada e voluntária o consentimento livre e
esclarecido desta pessoa para a participação neste estudo.

---------------------------------------------

Data----/----/-----

Assinatura do responsável pelo estudo (pesquisador)

13

�</text>
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Publisher</name>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O Serviço de Biblioteca e Informação da FAUUSP elabora, desde 1950, o Índice de Arquitetura Brasileira, publicação única em sua forma e conteúdo no Brasil, e preciosa fonte de referência aos pesquisadores das áreas de Arquitetura, Urbanismo, Paisagismo e Design (AUPD). São indexados atualmente 25 títulos de periódicos nacionais nas áreas citadas. Até o ano de 1996, essa publicação existiu em formato impresso, e a partir de 2003, foi disponibilizada on-line. Este trabalho descreve o modo como a publicação impressa migrou para a Base Índice de Arquitetura Brasileira acessada via www, e apresenta o desenho de projeto da sua primeira avaliação, que abordará a estratégia de divulgação da base, a fim de verificar a adequação das ações adotadas para sua disseminação, bem como sua penetração na comunidade de usuários, após sua implantação.</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Avaliação da participação da BAE/UNICAMP na disciplina de metodologia do trabalho científico: um estudo de caso.</text>
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                <text>Ravaschio, Juliana de Paula; Marcondes, Marcia Regina Sevillano; Perroni, Raquel Cocccato Ribeiro</text>
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                <text>Avalia os resultados da participação de bibliotecários da Biblioteca da Área de Engenharia (BAE) da Universidade estadual de Campinas (Unicamp) na disciplina metodologia do Trabalho Científico, ofereida aos alunos de pós-graduação das faculdades de Engenharia Agrícola (FEAGRI) e Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC), no primeiro semestre ed 2006.A participação surgiu para atender as necessidades destes alunos no uso de recursos de novas tecnologias de informação disponibilizados pela Universidade. O universo de estudo foi constituído de 40 alunos da FEAGRI e 20 da FEC. A coleta de dados foi obtida através de questionário aplicado ao final da última aula. Os alunos opinaram sobre o conteúdo, metodologia, instrutor, duração, instalações e outros aspectos espec[íficos, pertinentes aos treinamentos, os quais foram divididos em 3 módulos, Recursos informacionais: Base de dados (Compendex), referências e citações bibliográficas. Conclui-se que a a participação da BAE, na disciplina mencionada é vista pelos alunos como apoio essencial an pós-graduação, precisndo de algumas adequações, que são apontadas neste artigo.</text>
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                    <text>AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DA BASE DE DADOS DE INFORMAÇÕES
JORNALÍSTICAS SOBRE A AMAZÔNIA: ciência, tecnologia e meio ambiente
– BDIJAm
Ana Rosa dos Santos Rodrigues da Silva1
Érika de Santana de Souza2
Anderson Luiz Cardoso Rodrigues3
RESUMO:
Investiga a qualidade da informação e dos serviços da Base de Dados de
Informações Jornalísticas sobre a Amazônia: ciência, tecnologia e meio ambiente
- BDIJAm, sistematizada pelo Museu Paraense Emílio Goeldi – MPEG e pela
Universidade Federal do Pará – UFPA, cujo resultado apontará caminhos para o
maior benefício, por parte dos usuários, no que diz respeito ao uso, estrutura e
funcionamento da BDIJAm com vistas ao melhor aproveitamento de seu conteúdo
e de seus serviços. Trata da experiência no Projeto de Pesquisa Ciência e
Comunidade: Comunicação e Educação para Preservação Ambiental e Cultural
na Amazônia Oriental Brasileira, que originou o Sub-Projeto Temáticas
Amazônicas: Dossiês Comentados e Qualidade da Informação sobre Ciência
Tecnologia e Meio Ambiente. A BDIJAm representa um passo significativo para a
democratização de informações estratégicas sobre a Amazônia e representa
ainda a conservação e divulgação do acervo de jornais. Com parte do acervo já
digitalizado, disponibiliza cerca de 20 mil registros, dos anos de 1992 a 2006 via
web, sobre informações estratégicas da Amazônia, conservação e divulgação do
acervo jornalístico (hemeroteca) do Museu Paraense Emílio Goeldi, além de
constituir um importante recurso pedagógico não só para a formação dos
professores, como também para utilização do seu acervo em sala de aula. A
BDIJAm representa um passo significativo da democratização da informação
sobre a Amazônia
Palavras-chave: Informação jornalística; BDIJAm; acervo digital; avaliação da
base de dados; qualidade da informação; Amazônia

1

Bacharel em Biblioteconomia, especialista em Implantação de Redes e Sistemas de Informação da Amazônia,
Coordenadora da Base de Dados de Informações Jornalísticas sobre a Amazônia (BIDIJAm). Universidade Federal do
Pará, Biblioteca Central, cedida ao Museu Paraense Emílio Goeldi - MPEG. Belém – PA, Brasil. E-mail: anarosa@museugoeldi.br
2
Bacharel em Biblioteconomia, Ex-bolsista do Programa de Capacitação Institucional - PCI/MPEG, do Ministério de Ciência
e Tecnologia, Bibliotecária da Fundação Cultural do Município de Castanhal - FUNCAST, Belém-PA, Brasil. E-mail:
akirereis@yahoo.com.br
3
Bacharel em Biblioteconomia, bolsista do Programa de Capacitação Institucional – PCI/MPEG, do Ministério de Ciência e
Tecnologia, Belém-PA, Brasil. E-mail: alrodrigues@museu-goeldi.br

�1 INTRODUÇÃO
O conhecimento de hoje é produto da acumulação, sistematização e uso
da informação precedente. A informação é o insumo básico para os tomadores de
decisão, instrumento essencial para o êxito de qualquer empreendimento. No
desenvolvimento da sociedade, a informação tem importância cada vez maior, em
função do crescimento acelerado do volume de informações derivadas do avanço
científico e tecnológico; do crescimento dos níveis educacionais da população; e
das necessidades de informação para a sobrevivência e o progresso em um
mundo cada vez mais complexo, competitivo e interdependente.

A informação jornalística, tenha ela como assunto as ciências ou qualquer
outro fato social, vem sendo utilizada como fonte de pesquisa para a produção de
conhecimento. O jornal, como prolongamento do discurso oficial, é procurado
pelos pesquisadores que buscam identificar a ideologia vigente. Além de utilizar, o
jornal como fonte de informação, os pesquisadores fazem do jornal seu objeto de
pesquisa ao analisarem sua participação nas formações da opinião pública e da
identidade nacional e na divulgação científica.

Desse modo, a Assessoria de Comunicação Social do Museu Paraense
Emílio Goeldi (MPEG), instituição vinculada ao Ministério de Ciência e Tecnologia
- MCT, em 1983 criou a área de Comunicação Social responsável pela divulgação
científica junto à mídia, desenvolvendo desde então, atividades na área do
Jornalismo Científico formando recursos humanos especializados, e mais
recentemente, desenvolve estudos sobre a relação ciência, sociedade e a
comunicação como instrumento para a preservação ambiental e cultural na
Amazônia Oriental Brasileira.

O objetivo deste artigo é apresentar resultados parciais do Sub-Projeto de
Pesquisa Temáticas Amazônicas: Dossiês Comentados e Qualidade da
Informação sobre Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente que, hoje, conta com dois
bolsistas apoiados pelo Programa de Capacitação Institucional - PCI/ CNPq/MCT,

2

�inserido no Projeto de Pesquisa Ciência e Sociedade: Comunicação e Educação
para a Preservação Ambiental e Cultural na Amazônia Oriental Brasileira.4

A pesquisa tem como propósito avaliar a qualidade da Base de Dados de
Informações Jornalísticas sobre a Amazônia: Ciência, Tecnologia e Meio
Ambiente (BDIJAm), através de levantamento de dados via questionário, cujo
intuito é avaliar o nível de satisfação dos usuários reais e potenciais da Base. No
primeiro ano da pesquisa foi elaborado um questionário piloto, sendo distribuído
para os usuários do próprio MPEG, que serviu como teste. Já no segundo ano
(2006), a partir do questionário definitivo, ampliou-se o universo de amostragem a
outras instituições para avaliar a qualidade da informação armazenada na
BDIJAm, cuja meta prioritária é proporcionar um melhor atendimento ao usuário
da Base a partir da sua opinião.
.
2
BASE DE DADOS DE INFORMAÇÕES JORNALÍSTICAS SOBRE A AMAZÔNIA
– BDIJAm

O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), criado em 1866 com o nome de
Associação Philomática, é a mais antiga instituição científica atuando na
Amazônia. Sua missão consiste em realizar pesquisas, promover a inovação
científica,

formar

recursos

humanos,

conservar

acervos

e

comunicar

conhecimentos nas áreas de ciências naturais e humanas relativas à Amazônia.

Desde a criação de sua área de Comunicação Social, em 1984, e antes
mesmo desse período, o MPEG vem organizando um acervo de recortes de
jornais e revistas sobre as ações institucionais do próprio Museu e também de
alguns aspectos do seu universo de pesquisa, a Amazônia. Entre os aspectos da
vida amazônica registrados nas páginas dos jornais, ressalta-se vivamente a
questão indígena, a preocupação com a perda de biodiversidade, as políticas
sobre o desenvolvimento sustentável na região, os conflitos pela ocupação do
território, o desmatamento, a fronteira e as populações tradicionais.

4

Coordenado pela jornalista Jimena Felipe Beltrão, Ph. D. em Comunicação.

3

�Com o objetivo de informatizar e disponibilizar esses dados a um público
mais amplo, foi que em 1996 um grupo de técnicos do MPEG e da Universidade
Federal do Pará (UFPA) apresentaram o Projeto ao Fundo Nacional do Meio
Ambiente (FNMA), do Ministério do Meio Ambiente (MMA), para financiamento
das atividades de implantação da Base de Dados de Informação Jornalística
sobre a Amazônia: Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente (BDIJAm), no MPEG,
como forma de preservar a memória nacional nas áreas de Ciência, Tecnologia e
Meio Ambiente na Amazônia.

No final de 1997, com apoio financeiro do FNMA, foi iniciada a implantação
da BDIJAm, tendo como insumo básico o Jornal de Recortes, o clipping service
da Instituição. A metodologia de seleção do material jornalístico, fruto do exercício
cotidiano dos profissionais da Comunicação do Goeldi, alimenta a Base. Como
forma de agilizar os serviços5 utiliza – se hoje do Clipping Eletrônico diário com
maior abrangência de fontes e diversidade de perspectivas, trabalho esse feito
pela reorganização dos serviços da Assessoria de Comunicação Social.

A equipe da BDIJAm então faz o registro bibliográfico (Catalogação
Descritiva, Indexação, Classificação) dos conteúdos e os disponibiliza ao público,
via Portal do MPEG (www.museu-goeldi.br/eva/basededados/bdijam), em formato
PDF. A busca pode ser realizada por assunto, fonte e períodos. As solicitações de
busca podem ser feitas através do e-mail bdijam@museu-goeldi.br e o material
não digitalizado é atendido através de cópia.

A BDIJam é coordenada por uma bibliotecária6 e auxiliada por estagiários
dos cursos de Biblioteconomia e Jornalismo da UFPA, um bibliotecário bolsista e
equipe da ACS/MPEG formada por jornalistas e web designer.

5

Fator associado ao uso do material eletrônico é a ausência de recursos financeiros para assinar periódicos de cunho
jornalístico como tradicionalmente era feito na casa.
6
Ana Rosa dos Santos Rodrigues da Silva (Coordenadora da BDIJAm), Jimena Felipe Beltrão (Coordenadora do Projeto
de Pesquisa e jornalista), Joice Bispo Santos, Maria Lucia Sabba-Srur de Moraes e Lilian Bayma Amorim (jornalistas),
Carlota Brito (Web Designer), Anderson Luiz Cardoso Rodrigues (bolsista PCI), Adriana Reis Vasconcelos, Eliane dos
Santos Loureiro e Daniel Nardin (Estagiárias do CNPq).

4

�Inicialmente, a BDIJAm foi gerenciada pelo software MicroISIS7, versão
WINISIS, que se mostrou no momento eficaz, devido o mesmo ser um sistema de
armazenamento e recuperação da informação, de fácil manipulação. Atualmente,
a BDIJAm é hospedada por outro software, o Lotus Notes, por dois motivos:
primeiro, pela falta de cultura no domínio do Isis pelo pessoal do Serviço de
Processamento de Dados (SPD) do MPEG e em segundo pela própria
necessidade de se ter um novo software que comporte a digitalização do acervo.

A BDIJAm está localizada no Portal do Museu Goeldi, no site da Escola
Virtual de Assuntos Amazônicos (EVA)8. Armazena um acervo jornalístico nas
áreas de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente, com cerca de 20 mil registros, dos
anos de 1992 a 2006, sendo que por volta de quatro mil estão digitalizados.

Tem como produtos Dossiês Comentados nos temas Fronteira e
Biodiversidade, já apresentados em eventos na área de Comunicação
3

BASE DE DADOS
Para potencializar a gestão da informação é indispensável o apoio das

tecnologias de informação e comunicação, de maneira que otimizem os
processos, que levam à comunicação efetiva da informação entre indivíduos e
grupos. Tal como avalia Braga (1996, p.5), “tecnologias de informação são os
instrumentos que vieram permitir a informação em novos moldes, agilizando o
fluxo das informações e tornando a sua transmissão mais eficiente”.

A gestão da informação, sob o enfoque da Ciência da informação, em sua
essência se ocupa:
do estudo da informação em si, isto é, a teoria e a prática que envolvem
sua criação, identificação, coleta, validação, representação, recuperação e
uso, tendo como princípio o fato de que existe um produtor/consumidor de
informação que busca, nesta, um “sentido” e uma “finalidade”
(MARCHIORI, 2002)

7

Desenvolvido pela UNESCO e distribuído anteriormente pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
(IBICT), hoje pelo Centro Latino-Americano de Informações em Ciência da Saúde na América Latina e Caribe (BIREME).
www.museu-goeldi.br/eva/basesdedados/bdijam

8

5

�No âmbito das tecnologias estão as bases de dados, consideradas por
Cianconi (1987, p.55) como “um conjunto de dados interrelacionados,
organizados de forma a permitir a recuperação de informações”. É também vista
por Lancaster (1993, p. 305) como “uma coleção de itens sobre as quais podem
ser realizadas buscas com a finalidade de revelar aqueles que tratam de um
determinado assunto”.

Nesse contexto, Albrecht e Ohira (2000, p. 133), afirmam que:
O objetivo de uma base de dados é fornecer informação atualizada
(recursos estruturais), precisa e confiável (não dar a informação pela
metade) e de acordo com a demanda (oferecer o que o usuário
necessita).

Com o desenvolvimento extraordinariamente rápido do conhecimento
científico na contemporaneidade que provoca, inevitavelmente, um acúmulo e um
congestionamento, sem precedentes, de informações, as bases de dados são
instrumentos valiosos para a pesquisa científica através de inúmeros recursos,
possibilitando facilidades de acesso até então inimagináveis para o pesquisador.
Segundo Sayão (1996, p.5):
As bases de dados são, pois, a metáfora da memória da ciência que se
pratica hoje. Elas reúnem os testemunhos dos pesquisadores com uma
linguagem própria, que parece ser mais um instrumento da eterna
busca da pedra filosofal, a ciência que é a busca da ordem, do
enquadramento, da classificação em um mundo cada vez mais
desordenado e entrópico.

Para os autores Guinchat e Menou (1994), o objetivo das Unidades de
Informação é transmitir ao usuário as informações de que demanda e/ou dar-lhe a
possibilidade de ter acesso a elas, o que implica divulgar os serviços e produtos
que ela oferece, contribuindo, dessa forma, para os conhecimentos de seus
próprios usuários. Para alcançar tais objetivos, torna-se necessário que essas
Unidades de Informação, que utilizam bases de dados elaborem metodologias de
qualidade para estruturar tais bases, como observa Valentim (2000, p.139),
quando diz que “o tratamento da informação deve contemplar novas metodologias
de análise, processamento e disseminação da informação”.

6

�Existem vários tipos de base de dados. Dentre elas, estão as bases de
dados de referências que, segundo Rowley (1994), encaminham ou orientam o
usuário para uma outra fonte, que pode ser um documento ou uma instituição ou
um indivíduo, a fim de obter informações adicionais ou conseguir o texto integral
de um documento. Essas bases referenciais abrangem outros tipos de bases de
dados, tais como: as bibliográficas, catalográficas e referenciais. As bases
bibliográficas incluem citações ou referências bibliográficas e, às vezes, resumos
de trabalhos publicados; as bases de dados catalográficas mostram o acervo de
determinada biblioteca ou rede de bibliotecas; enquanto que as referenciais,
armazenam informações ou dados, como nomes e endereços de instituições, e
outros dados cadastrais.

As bases de fontes contêm os dados originais e se constituem em um tipo
de documento eletrônico. Podem ser agrupadas segundo seu conteúdo, em:
bases de dados numéricos, contendo dados numéricos diversos como dados
estatísticos e de resultados de pesquisas; bases de dados de texto integral,
contendo notícias de jornal, especificações técnicas e programas de computador;
bases de dados textuais e numéricos, contendo uma mistura de dados textuais e
numéricos.
A BDIJAm é uma base de dados, inicialmente bibliográfica, visto que
oferece referências bibliográficas, um serviço de recuperação tematizada e
histórica de informações sobre o universo amazônico, com acervo registrado
desde o ano de 1992, sendo que os registros das matérias armazenadas a partir
de 2003 estão sendo digitalizados para que o usuário possa obter a íntegra do
texto. Portanto, hoje, a BDIJAm é uma base do tipo Referencial Bibliográfica e,
concomitantemente, fonte e texto integral.
4 AVALIAÇÃO DA QUALIDADE
Conforme já comentado, o objetivo desta pesquisa é realizar uma avaliação
da qualidade da BDIJAm a partir da aplicação de questionários cujo fim é obter a
apreciação dos usuários acerca dos conteúdos e serviços por ela prestados. Para
tanto, existem dois parâmetros de avaliação de base de dados, conforme

7

�recomendado por Pereira et al. (1999). Segundo os autores, as duas principais
vertentes para avaliar a qualidade de base de dados são: a qualidade das
estruturas de armazenamento e recuperação e a qualidade do conteúdo da base.

Em relação à estrutura de armazenamento e recuperação, Pereira et al.
(1999) afirmam que a participação do usuário é fundamental para que haja
qualidade. O usuário é autor fundamental no processo de avaliação, pois é ele
que avalia a qualidade dos serviços oferecidos, a partir do grau de sua satisfação.
Outro aspecto importante para tornar disponível a qualidade das bases de dados
é o estudo do conteúdo da base, pois uma base de dados com erros de conteúdo
pode trazer grande prejuízo para sociedade com dados e informações incorretas.

Atualmente, a pesquisa está em seu segundo ano, etapa em que se está
procedendo a aplicação do questionário definitivo e, estão sendo aplicadas
estratégias de divulgação9 da Base, como forma de estimular usuários a
responderem aos questionários. Até o momento, seis instituições foram
contactadas e como esforço de divulgação da Base, os jornalistas da ACS/MPEG
elaboraram texto de veiculação na mídia eletrônica, impressa e no rádio, com
informações sobre o estudo da avaliação da qualidade da BDIJAm e a
necessidade do usuário responder o questionário. Foram feitas apresentações em
algumas instituições pela coordenadora da BDIJAm no intuito de divulgar a
pesquisa. Entretanto, o universo de amostragem ainda se apresenta restrito, pois
o que se percebe é que as pessoas acessam, conhecem e realizam buscas na
Base, no entanto, não têm grande disposição em responder o questionário. Um
acompanhamento próximo, por parte, dos pesquisadores, com entrevistas
individuais, tem se mostrado eficaz para contornar essa dificuldade.

Nesse sentido, podemos dizer que a partir da divulgação da Base aos
usuários potenciais, há a possibilidade de eles se transformarem em usuários
reais pela via da familiarização e do conhecimento do instrumento. Ao conhecê-la,
serão neles criados o que Parasuraman, Zeithaml e Berry (1985 apud AROUCK,
9

Inicialmente, a divulgação dos serviços oferecidos da Base foi tímida por falta de infra-estrutura para atendimento aos
usuários externos. Já a questão da visibilidade foi apontada no estudo - piloto. Hoje, já é possível acessar a base através
da página inicial do Portal, pois fora criado recentemente um banner da BDIJAM com esse intuito.

8

�2001, p.14), chamaram de “expectativa” em relação à BDIJAm, e, no momento de
acesso à base, acontecerá o que aqueles autores denominam de “percepção” do
serviço prestado. Desse modo, o objetivo é verificar a diferença entre esses dois
valores – a expectativa e a percepção -, e, a partir disso, implicar em uma tomada
de decisão visando à melhoria dos serviços prestados pela base.

A avaliação da qualidade dos serviços de informação no Brasil é algo
recente. As investigações datam do início da década de 1990, quando os
primeiros relatos, segundo Valls e Vergueiro (2006, p.119), “eram, basicamente,
comunicações sobre a aplicação de fundamentos da qualidade nesses serviços.”
Um impulso foi dado quando em 1998, Valls e Vergueiro produziram uma revisão
da literatura, elaborando um panorama geral, com a sistematização do tema no
país e uma reflexão teórica sólidas. Até então, o tema era abordado
isoladamente, sempre focado em relatos de experiências, sem elaboração teórica
consistente. A partir de uma nova revisão da literatura realizada por esses autores
acerca de trabalhos publicados do período de 1997 a 2006, foi detectado que
50% deles já representam experiências teóricas, e onde 70% dos estudos se
dedicam à análise dos serviços de Bibliotecas Universitárias.

O que levou a se pensar na avaliação da qualidade em serviços de
informação no Brasil, segundo Valls e Vergueiro (2006), foram os fatos de que: as
pesquisas realizadas nessa direção fornecem informações relevantes e oportunas
para subsidiar o processo de tomada de decisão; evidenciam o nível de
comprometimento

dos

colaboradores

internos

e

externos;

estabelecem

estratégias tecnológicas, visto que a tecnologia é uma ferramenta essencial para
a questão da qualidade de serviços; e permitem verificar indicadores como
confiabilidade, surpresa, recuperação, integridade, cortesia, responsabilidade,
acesso,

credibilidade,

rapidez

de

resposta,

segurança,

comunicação

e

competência.

Valls e Vergueiro (2006, p.123) afirmam que como resultado da avaliação
da qualidade dos serviços de informação, há uma tendência em se rever seu
papel diante das instituições mantenedoras, passando a exigir “alinhamento aos

9

�objetivos estratégicos, otimização de recursos e níveis de qualidade que
justifiquem a própria manutenção do serviço”. Somando-se a isto, como o usuário
torna-se cada vez mais exigente, é necessário uma nova postura com os clientes
reais, visto que ele, muitas vezes, posiciona-se de maneira crítica em relação ao
serviço que ele utiliza. E, conforme os autores, “ para que este reposicionamento
tenha êxito, entretanto, é necessário que alguns paradigmas sejam quebrados,
que para Valls e Vergueiro (2006), talvez o principal seja que os bibliotecários, em
geral, acreditam conhecer todas as necessidades do usuário e que está “apto a
direcionar o planejamento e a execução dos produtos e serviços oferecidos, sem
que seja dada ao cliente a chance sequer de se posicionar”. Logo, é neste
argumento que esta pesquisa se apóia, é sua raison d’etre.

Para se obter garantia da qualidade, em serviços de informação, o
bibliotecário tem que desenvolver dentro das suas unidades padrões de medidas
e indicadores, assim como é necessário sensibilizar sua equipe, implantando
treinamento contínuo para que executem bem as atividades técnicas. Também é
válido utilizar dados estatísticos como parâmetro para avaliação, a partir de
indicadores bons ou ruins, transformando as expectativas dos usuários em
medidas qualitativa e quantitativa.

Há algum tempo a questão da avaliação dos serviços de informação tem se
focado na ótica do cliente, por isso há uma tendência ao estudo do usuário.
Martins et al. (2002) comentam que é necessário compreender a relação
fundamental

entre

a

qualidade

esperada

(expectativa)

e

a

qualidade

experimentada (percebida pelo cliente).

Um aspecto interessante desta análise, é que não basta conhecer e saber
o que o cliente quer, mas principalmente poder oferecer o que ele precisa,
algumas vezes, principalmente em grande parte das instituições financiadas
exclusivamente pelo Governo Federal, faltam recursos básicos, como por
exemplo, a mão-de-obra. No entanto, usando os argumentos de Igami et al (2004,
s.n.), para que um serviço de informação tenha sobrevivência e validação do seu
desempenho no âmbito da instituição em que está inserido “dependerá,

10

�fortemente, do grau de qualidade que os seus usuários lhe atribuem”, da
demanda e da importância que ele exerce para com a sociedade.

É nesse

sentido, que se torna necessário avaliar a BDIJAm, o que acontecerá de forma
integrada e simultânea a medida que a divulgação e o acesso pelos usuários
aumenta, dada a maior visibilidade.

A partir de 2000, vê-se uma nova linha de pesquisa nos estudos aplicados
à avaliação da qualidade de serviços, à teoria de processos. Tal teoria prevê uma
nova forma de enxergar as atividades em operação, destacando a eficiência do
processo, com a avaliação de todas as etapas.

Arouck (2001) produziu um artigo de revisão de literatura onde foram
estudados alguns teóricos estrangeiros acerca do tema avaliação da qualidade de
sistemas de informação. No entanto, é oportuno esclarecer que a BDIJAm não se
enquadra como um sistema de informação, mas uma base de dados que pode
tornar a ser um elemento desse sistema, apesar disso, entendemos que, na
maioria das vezes, os argumentos se aplicam de maneira similar (que não quer
dizer igual) à realidade de uma base de dados.

A qualidade de um sistema de informação depende de algumas
dimensões, tais como: desempenho do usuário, qualidade do sistema, qualidade
da informação, qualidade do serviço, satisfação do usuário, uso do sistema
(ZMUD, 1979; IVES; OLSON, 1984; MYERS; KOPPELMAN; PRYBUTOK, 1997;
DELONE; MCLEAN, 1992 apud AROUCK, 2001). Para medir a qualidade de
serviços, Parasuraman, Zeithaml e Berry (1995 apud AROUCK, 2001)
desenvolveram um modelo denominado de Gap Model, ou modelo das
discrepâncias, onde apontaram cinco diferenças que pode ocorrer na prestação
de serviço (tangibilidade, confiabilidade, atenção, segurança e empatia). A partir
desse modelo, elaboraram um instrumento de medição da expectativa e
percepção do serviço prestado, denominado SERVQUAL, organizado em três
partes, a 1ª para medir a expectativa, a 2ª direcionada a um serviço específico e a
última sobre o serviço como um todo.

11

�5

ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS

Nesta seção, são apresentados os resultados do primeiro ano de pesquisa
(2005), referente à aplicação de questionário piloto. A maioria dos entrevistados
(78,58%) é formada por técnicos10, em segundo lugar vem a categoria Outros
(14,28%) – que inclui profissional liberal, aposentado, e, por fim a categoria
pesquisador (7,14%). Conforme pode ser observado na Tabela 1.
TABELA 1 - CATEGORIZAÇÃO DOS USUÁRIOS DO SERVIÇO DA BDIJAM
Tipo de usuário

Quantidade

Percentual (%)

Pesquisador

1

7,14%

Técnico

11

78,58%

Outros

2

14,28%

TOTAL

14

100%

A partir dos dados coletados, observou-se que houve unanimidade com
relação à relevância dos temas disponibilizados na BDIJAm. Alguns entrevistados
enfatizaram a importância do uso da base não só para a Instituição MPEG, mas
para a sociedade. Eles afirmaram que, além de divulgar o Museu, a BDIJAm
representa uma nova fonte para pesquisas ambientais e sociais, com grande
potencial para o monitoramento de problemas e demandas nas áreas científica e
tecnológica.
TABELA 2 - A RELEVÂNCIA DOS TEMAS DISPONIILIZADOS NA BASE
Relevância

Usuários

Percentual (%)

Sim

14

100%

Não

0

0

TOTAL

14

100%

Os dados apresentado na Tabela 3 revelam que a maioria dos usuários
conseguiu recuperar o assunto desejado, apresentando grau de satisfação em um
percentual de quase 60%. Do total dos entrevistados, apenas um não obteve
sucesso em sua busca, justificado pelo fato da busca não ter sido realizada de
forma correta. Isso demonstra que há necessidade de maior esclarecimento para
10

Técnicos: pessoal de nível superior enquadrado na categoria de analista e tecnologista existente na carreira de MCT.

12

�que as buscas sejam conduzidas com sucesso. Com relação aos entrevistados
que recuperaram o assunto parcialmente, eles sugerem que seja melhorada a
estrutura de busca de forma a simplificá-la. Já outro usuário enfatizou a
necessidade de um maior controle dos termos indexados, não tendo sido
explicitado.
TABELA 3 - ASSUNTOS DE SEU INTERESSE FOI ENCONTRADO
Alternativas

Usuários

Percentual (%)

Sim

8

57,14%

Não

1

7,14%

Parcialmente

5

35,72%

TOTAL

14

100%

De acordo com os dados na Tabela 4, (80%) dos entrevistados não
enfrentaram qualquer dificuldade com relação à pesquisa na Base, posto que a
busca foi realizada pela equipe BDIJAm.

Com relação aos entrevistados que tiveram dificuldade, os mesmos
identificaram um problema quanto à disponibilização da Base na Internet. Para
eles a BDIJAm está “escondida” dentro do site Escola Virtual de Assuntos
Amazônicos - EVA e sem qualquer referência11 na página inicial do Portal,
justificando que, os usuários desse site talvez não busquem informações
jornalísticas e, se buscam, talvez não entrem num site com esse título. Como
importante serviço prestado pelo Museu Goeldi a BDIJAm, recomenda-se
constituir link independente no Portal do MPEG, o que certamente, ampliaria sua
visibilidade e o número de acessos.
TABELA 4 - DIFICULDADES NA FORMULAÇÃO DA BUSCA
Dificuldade

11

Usuários

Percentual (%)

Sim

4

28,57%

Não

10

71,43%

TOTAL

14

100%

Dificuldade sanada em 2006, com a publicação do banner no Portal Museu Paraense Emílio Goeldi.

13

�A maioria dos entrevistados afirmou que o material disponível na Base está
atualizado, principalmente por ser um acervo, oriundo de matérias jornalísticas
veiculadas nos principais jornais locais e nacionais, promovendo junto à
sociedade a preservação cultural e ambiental. Dentre os que responderam
negativamente, um destacou a necessidade de que o material correspondente
aos anos mais recentes deve ser digitalizado.
TABELA 5 - ATUALIZAÇÃO DO MATERIAL DISPONÍVEL NA BIDIJAM
Atualização

Usuários

Percentual

Sim

10

71,43%

Não

4

28,57%

TOTAL

14

100%

Ao levar em consideração os assuntos pesquisados pelos entrevistados, os
resultados mostram que mais de 30 assuntos foram solicitados e recuperados
junto à Base. Os temas que mais se destacaram foram Geociências, Meio
Ambiente, Zoologia, Antropologia, Museologia, Botânica e Ciências Políticas, tal
diversidade de temas demonstra a abrangência e o universo que a Base oferece
para a sociedade.

A Tabela 6 mostra que mais da metade dos entrevistados estão satisfeitos
com os serviços que a base oferece e atribuíram conceito Bom aos serviços
prestados pela Base, o restante da amostragem (42,86%) deram conceito
Excelente, o que pode-se afirmar a eficiência do serviço.

TABELA 6 - CONCEITO DE QUALIDADE PARA OS SERVIÇOS QUE BASE OFERECE
Conceito

Quantidade

Percentual

Excelente

6

42,86%

Bom

8

57,14%

Regular

0

0

Ruim

0

0

TOTAL

14

100%

Como mostra a Tabela 7, os entrevistados afirmaram que tomaram
conhecimento da existência da BDIJAm através de contato pessoal, o que indica

14

�a necessidade de se investir em uma divulgação mais elaborada e profissional da
Base, tendo em vista sua importância para a sociedade12. Alguns entrevistados
sugeriram que é necessária maior divulgação dos serviços que a Base
disponibiliza, principalmente, no Museu Goeldi, para que todos da comunidade
tenham o conhecimento da existência dos serviços que ela oferece.
TABELA 7 - MEIOS DE DIVULGAÇÃO DA BASE
Meios

Quantidade

Percentual (%)

Contato pessoal

14

100%

Multimídia

0

0

Mídia impressa

0

0

TOTAL

14

100%

Quase 80% dos entrevistados consideram que o atendimento é feito em
tempo hábil (78,57%). É importante ressaltar que o tempo de atendimento a que
se refere o questionário, é o tempo gasto pelo usuário para obter as informações
jornalísticas desejadas, seja através do setor da BDIJAm ou do site do EVA.
Conferir dados na Tabela a seguir:
TABELA 8 - TEMPO DE ATENDIMENTO DA SOLICITAÇÃO
Tempo

Quantidade

Percentual (%)

Hábil

11

78,57%

Razoável

3

21,42%

Lento

0

0

TOTAL

14

100%

A maioria dos entrevistados optou pelo atendimento direto feito através da
equipe da BDIJAm, como mostra a Tabela 9. Apesar de ser considerado um
instrumento ágil de acesso às informações, a Internet foi utilizada por apenas três
usuários. Os dados obtidos pelo questionário não foram suficientes para explicar
o porquê da preferência dos usuários pela solicitação direta ao setor da Base –

12

Tais providências, conforme relato anterior, vêm sendo tomadas, inclusive como forma de auxiliar a abordagem aos
usuários no segundo ano de pesquisa quando se vai a campo com o questionário definitivo.

15

�apesar da disponibilidade de todos os recursos como: Internet, telefone e E-mail.
Pode-se, porém, inferir que há um certo grau de comodidade em solicitar o
serviço, ao invés de executá-lo pessoalmente.
TABELA 9 - FORMA DE ATENDIMENTO
Atendimento

Quantidade

Percentual (%)

Direto

10

71,42%

Telefone

1

7,14%

E-mail

0

0

Internet

3

21,42%

TOTAL

14

100%

Os depoimentos colhidos aos usuários demonstram uma avaliação
positiva, ainda que haja críticas e sugestões em relação à disponibilidade,
divulgação e ao acesso à BDIJAm. A aplicação do questionário-piloto gerou a
possibilidade de elaboração de um definitivo mais adequado às demandas dos
usuários e à informação necessária ao desenvolvimento da pesquisa.
7 CONCLUSÃO
Ao se iniciarem as discussões sobre o tema para desenvolvimento de uma
pesquisa na área de comunicação/informação, apontou-se de imediato a
necessidade de saber como os usuários da BDIJAm avaliam os serviços que lhes
são ofertados.

Através da pesquisa, foi possível verificar que no Brasil a avaliação de
serviços de informação ainda se encontra em fase embrionária, apesar dos
esforços, principalmente no que tange ao suporte teórico. Assim, este estudo
pretende avaliar um caso específico, a BDIJAm, mas, para além disso, pretendese contribuir para as discussões teóricas acerca do tema. O que se percebeu
também, é que quanto à questão da avaliação de qualidade de serviços de
informação, os estudos se concentram na realidade de bibliotecas universitárias e
não, necessariamente, em base de dados. A BDIJAm é uma base de dados,
portanto, um serviço de informação, assim, não se pode avaliar da mesma forma
que se avaliam os serviços de uma biblioteca universitária ou não.

16

�Pode-se concluir nessa fase de apresentação de análise dos dados do
primeiro ano da pesquisa (2005), que os entrevistados têm dificuldades em
dominar as tecnologias de busca em Bases de Dados, o que impede, em alguns
casos, a obtenção de um resultado satisfatório. A ausência de maior domínio da
tecnologia demonstrada pelos entrevistados gera um quadro negativo, com o
baixo

aproveitamento

das

informações

recuperadas.

Apesar

disto,

os

entrevistados se consideram satisfeitos com o resultado de suas pesquisas na
Base de Dados, o que foi possível com auxilio da equipe da BDIJAm.

Diante dos resultados obtidos nesta fase preliminar do estudo constatou-se
que a BDIJAm, localizada fisicamente no Museu Paraense Emílio Goeldi, é de
suma importância para a realização de pesquisas na e sobre a Amazônia. A
BDIJAm se destaca como pioneira em especial por sua característica de reunir
informações de divulgação científica com conteúdos de Ciência, Tecnologia e
Meio Ambiente pertinentes à região, apta a servir como fonte de pesquisa.
Ademais, a BDIJAm representa laboratório para a formação de recursos
humanos, posto que envolve alunos de graduação e profissionais pesquisadores
do desenvolvimento regional, formam aliança com a tecnologia e o conhecimento
a serviço da sociedade e pela preservação da memória cultural e da gestão
sustentável dos recursos naturais amazônicos.

______________________
Os autores agradecem a valiosa colaboração da jornalista Jimena Felipe Beltrão, Ph. D. em
Comunicação, pela revisão textual e pela sua contínua orientação.

17

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19

�</text>
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <elementText elementTextId="51378">
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              <description>The topic of the resource</description>
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                <elementText elementTextId="51379">
                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Description</name>
              <description>An account of the resource</description>
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                <elementText elementTextId="51380">
                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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              <name>Creator</name>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Publisher</name>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Investiga a qualidade da informação e dos serviços da Base de Dados de Informações Jornalísticas sobre a Amazônia: ciência, tecnologia e meio ambiente - BDIJAm, sistematizada pelo Museu Paraense Emílio Goeldi – MPEG e pela Universidade Federal do Pará – UFPA, cujo resultado apontará caminhos para o maior benefício, por parte dos usuários, no que diz respeito ao uso, estrutura e funcionamento da BDIJAm com vistas ao melhor aproveitamento de seu conteúdo e de seus serviços. Trata da experiência no Projeto de Pesquisa Ciência e Comunidade: Comunicação e Educação para Preservação Ambiental e Cultural na Amazônia Oriental Brasileira, que originou o Sub-Projeto Temáticas Amazônicas: Dossiês Comentados e Qualidade da Informação sobre Ciência Tecnologia e Meio Ambiente. A BDIJAm representa um passo significativo para a democratização de informações estratégicas sobre a Amazônia e representa ainda a conservação e divulgação do acervo de jornais. Com parte do acervo já digitalizado, disponibiliza cerca de 20 mil registros, dos anos de 1992 a 2006 via web, sobre informações estratégicas da Amazônia, conservação e divulgação do acervo jornalístico (hemeroteca) do Museu Paraense Emílio Goeldi, além de constituir um importante recurso pedagógico não só para a formação dos professores, como também para utilização do seu acervo em sala de aula. A BDIJAm representa um passo significativo da democratização da informação sobre a Amazônia.</text>
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                    <text>AVALIAÇÃO DA USABILIDADE DO SISTEMA PERGAMUM DE
GERENCIAMENTO DE BIBLIOTECAS

Carolina Glayce Gomes
glayce2005@gmail.com
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais  Campus Arcos
Avenida Yolando Sebastião Logli, 255  Bairro Brasília  Arcos  MG - Brasil

1 INTRODUÇÃO

A biblioteca é caracterizada pelo seu dinamismo, devido ao seu constante
movimento de adaptação ao meio ambiente. Ela também se caracteriza pelo
evolucionismo uma vez que apresenta um processo gradual de desenvolvimento
possibilitando, assim, incorporar os novos padrões e costumes sociais, atender as
necessidades informacionais da sociedade e servir de alicerce para avanços futuros.
Quando se fala em automação de bibliotecas estamos discutindo aspectos
relacionados à utilização de computadores e software que gerenciam suas
atividades Estes sistemas computacionais se concentram nas atividades de
encomendas e aquisição de materiais, catalogação, catálogos em linha de acesso
público, controle de circulação, controle de periódicos e empréstimos entre
bibliotecas. Uma vez que estes sistemas auxiliam no processo de gestão de
bibliotecas, sua introdução auxilia no processo de padronização, aumento da
eficiência, cooperação e melhores serviços.
As principais razões que justificam a opção por um sistema informatizado, de
acordo com Rowley (1994), são que os sistemas informatizados podem ser mais
baratos ou mais eficientes. Os dados serão inseridos uma única vez e, daí por
diante, poderão se acessados e modificados. Outro motivo é que os sistemas podem
propiciar a introdução de serviços que não existiam antes e assim ajudar no
processamento de um volume maior de trabalho.
Uma das principais vantagens de um sistema informatizado é a facilidade de
reorganizar e selecionar registros para a produção de diferentes saídas.

�Todas as atividades de gerenciamento de bibliotecas estão voltadas para o
controle do acervo. O sistema de gerenciamento controla as atividades essenciais
de uma biblioteca, que são: aquisição, catalogação, circulação, empréstimo entre
bibliotecas, controle de publicações seriadas e catálogo em linha de acesso público.
Diversos fatores podem influenciar no processo de automação de biblioteca e,
conseqüentemente, no sucesso do projeto de automação acarretando desconfianças
e desilusões nos funcionários e usuários em relação aos equipamentos e sistemas
adquiridos, tais como, má qualidade técnica do projeto, má adequação do projeto à
instituição ou aos usuários, incompetência técnica dos membros da equipe envolvida
tanto no projeto quanto no processo de automação, entre outros.

1.1 Objetivo

Avaliar a qualidade do Sistema PERGAMUM no ambiente das bibliotecas com
o propósito de identificar se o software atende às necessidades e expectativas das
bibliotecas perante seus usuários bibliotecários e usuários clientes. Propondo
inicialmente definir o sistema de gerenciamento usado por elas e, finalmente, avaliar
a usabilidade do sistema PERGAMUM neste ambiente. Para isso será preciso:
avaliar a qualidade do sistema PERGAMUM no requisito Usabilidade realizada por
especialistas da área e avaliar as facilidades e dificuldades de utilização do sistema.

1.2 Justificativa

Contribuir com a melhoria do sistema e atendimento aos usuários, divulgar
para o público consumidor critérios de avaliação de usabilidade de software
bibliotecário, perceber como os usuários internos e externos estão aproveitando
todos os recursos oferecidos pelo sistema e de acordo com o resultado da pesquisa
servirá de treinamento para os mesmos, avistar problemas, acrescentar idéias que
venham aperfeiçoar o uso do sistema, conhecer o sistema de gerenciamento de
bibliotecas, visto que ele está sendo utilizado em várias instituições de ensino.

�1.3 Metodologia

A pesquisa foi realizada em 42 bibliotecas universitárias que utilizam o
PERGAMUM. A melhor alternativa metodológica de avaliação para esta pesquisa é
a aplicação de questionários. A alternativa escolhida justifica-se pela praticidade e
abrangência do sistema e quantidade dos membros da amostra. Para avaliar o
software e examinar o problema utilizou-se:
-

Questionários para avaliar a usabilidade do sistema nas diversas
bibliotecas, aplicados aos bibliotecários e auxiliares;

-

Questionários para avaliar as subcaracterísticas de qualidade de produtos
de software para gerenciamento de bibliotecas;

-

Questionários para avaliar a usabilidade do ponto de vista dos usuários do
sistema PERGAMUM.

1.3.1 Procedimentos Para Avaliação do PERGAMUM

Para avaliar o PERGAMUM em termos de usabilidade será necessário
identificar a importância do requisito e os procedimentos para avaliação do sistema.
Um software de boa qualidade produz resultados úteis e confiáveis na
oportunidade certa (Von Staa, 1983, p. 5) podendo-se eliminar erros, fazer
modificações e produzir novas versões. A qualidade de software pode ser avaliada
de acordo com alguns requisitos e sub-requisitos.
Especificamente neste trabalho, a qualidade do sistema de gerenciamento de
bibliotecas será avaliada de acordo com o requisito usabilidade.
A qualidade do software depende se o sistema atende às necessidades e
expectativas dos usuários e da facilidade de uso para obter estes serviços.

�1.3.2 Cenário Específico de Definição dos Requisitos de Qualidade

A construção deste cenário utilizou elementos das propostas de Rowley
(1994) e algumas contribuições vindas de experiência de profissionais, objetivando
descrever os requisitos de qualidade de produtos de software para gerenciamento
de bibliotecas e proceder a avaliação dos mesmos.
O cenário específico é composto por cinco características específicas e por
37 subcaracterísticas que são consideradas importantes como elementos de
definição de qualidade de produtos de software para gerenciamento de bibliotecas.

2 USABILIDADE

Existem diversas definições para Usabilidade: Trata da capacidade que um
sistema interativo oferece a seu usuário, em um determinado contexto de operação,
para a realização de tarefas, de maneira eficaz, eficiente e agradável (ISO 9241).
Segundo Rocha (2001) usabilidade refere-se ao esforço necessário para
usar um produto de software, bem como o julgamento individual de tal uso para um
conjunto explícito ou implícito de usuários.
Existem três maneiras de se medir a sua usabilidade: pela análise de suas
características requeridas num contexto específico de uso; análise do processo de
interação e análise da eficácia e eficiência que resulta do uso de um produto.
A usabilidade deve ser vista como um fator fundamental para o sucesso do
sistema uma vez que, quanto mais efetiva for a experiência interativa do usuário,
mais satisfeito ele ficará e, portanto, ela deve fazer parte de todo o ciclo de
desenvolvimento de um projeto web.

�2.1 Regras Básicas de Usabilidade na Rede

De acordo com Nielsen (2000) existem algumas regras básicas de
usabilidade na rede que devem ser seguidas:
Clareza

na

arquitetura

da

informação;

Facilidade

de

Navegação;

Simplicidade; A relevância do conteúdo; Manter a consistência; Tempo
Suportável e Foco nos usuários.

2.2 Entraves à Usabilidade

Jacob Nielsen (2000) aponta sete entraves à usabilidade na rede.
O primeiro entrave é irrelevância no uso de alguns termos no título da
homepage quando o utilizador obviamente sabe que está em todos esses contextos.
O segundo entrave descrito é a redundância, isto é, várias ocorrências de um
mesmo elemento em áreas diferentes.
O terceiro entrave é a ausência de conteúdos informativos válidos e
realmente importantes.
O quarto entrave é a inadequação discursiva que se pode verificar em
cabeçalhos de notícia muito longos e difíceis de ler on-line.
O quinto entrave é a inconsistência e a falta de coesão. A posição deve ser
consistente na interface de forma a ajudar o utilizador a dominar o processo.
O sexto entrave prende-se com o mau posicionamento e má organização de
elementos-chave e com a categorização e subcategorização de menus.
Por fim, o sétimo erro é a violação de convenções da web claramente aceitas
por todos como a alteração da cor padrão dos links.
Estes entraves fazem com que, por muitas vezes, o utilizador se sinta confuso
com uma multiplicidade de opções de navegação.

�2.3 Interação Homem-Máquina

A HCI (Human-Computer Interaction) ou simplesmente Interação HomemMáquina é o estudo de comportamento humano, da tecnologia computacional e das
maneiras pelas quais estes influenciam um ao outro através dos possíveis meios de
comunicação que inclui o projeto, implementação e avaliação de interfaces que
tornem o trabalho do homem confortável, saudável e produtivo.
Um bom projeto de interface é importante porque reduz o custo total e
decorrente do uso da interface. A interface deve aproveitar a experiência prévia do
usuário e permitir que ele aprenda através de exploração bem como deve executar
ações que podem ser reversíveis e quando acontecer de uma ação irreversível os
usuários devem ser avisados. A informação deve ser legível, fácil de localizar e
processar, deve ser agrupada e ordenada em partes significativas; o usuário deve
ser capaz de localizar a informação que necessita quando precisar.
A visibilidade da interface é uma das características mais importantes da
Interação Homem-Máquina já que ela é a primeira coisa que se nota assim que a
página de um site se abre.

3 SISTEMA PERGAMUM

O Sistema PERGAMUM contempla as principais funções de uma biblioteca
tornando-se um software de gestão de Bibliotecas podendo ser utilizado somente
pelos usuários internos e com senhas de acesso. Atualmente 108 Instituições
utilizam o PERGAMUM, sendo que 42 somente na área de educação superior.
O seu objetivo é aproveitar as principais idéias de cada Instituição a fim de
mantê-lo atualizado e atuante, tornando-o capaz de gerenciar qualquer documento.
O sistema permite o compartilhamento do conteúdo acadêmico das
instituições que compõem o sistema. Também permite, entre vários objetivos,
compartilhar os dados existentes entre todas as instituições que fazem parte deste
processo, minimizando o trabalho de catalogação e tendo uma linguagem única de
informação a ser distribuída a seus usuários.

�3.1 Características Técnicas

O servidor é composto de um banco de dados relacional que funciona nos
gerenciadores Sybase, Oracle e SQL Server, em ambientes Linux, Unix e Windows
NT. Já o cliente tem uma interface gráfica produzida no software de construção de
programas Delphi e desenvolvida para rodar no sistema operacional Windows.
O sistema é todo em língua portuguesa. Realiza pesquisa ou filtragem por tipo
de material bibliográfico; possui alta segurança e integridade dos dados, além de
alta capacidade de armazenamento. O sistema também possui arquitetura
cliente/servidor para acesso e atualização de dados em rede local e remotamente
bem como acesso simultâneo de usuários às bases de dados. Gerencia
integralmente dados e funções da Biblioteca, diferentes tipos de materiais bem como
emissão de relatórios internos e um módulo de parâmetros para customizar o
funcionamento do sistema.

4 ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS

Foram enviados dois modelos de questionários. O primeiro modelo foi para
avaliar a usabilidade do PERGAMUM e constou de 28 perguntas conclusivas. O
segundo modelo foi para avaliar os subitens específicos de qualidade e constou de
37

perguntas

conclusivas.

Dentre

os questionários

enviados,

apenas

33

universidades os responderam.

4.1 Avaliação da Usabilidade do PERGAMUM

Cobertura do Software: Capacidade das rotinas disponibilizadas pelo
sistema serem as necessárias para que a biblioteca atinja seus objetivos. Dos
questionários respondidos, 91% avaliaram altamente satisfatório e 9% insatisfatório.

�Integração com os Objetivos da Biblioteca: Contribuição do sistema para
os objetivos globais da biblioteca. Dos questionários respondidos, 95% avaliaram
este item como altamente satisfatório e 5% como insatisfatório.
Disponibilidade

da

Informação:

Capacidade

de

disponibilizar

as

informações para os usuários, no local onde são necessárias. Dos questionários,
76% avaliaram como altamente satisfatório, 21% satisfatório e 3% insatisfatório.
Navegação:

Facilidade

de

navegação

da

página

de

pesquisa

do

PERGAMUM. De acordo com os questionários respondidos, 73% avaliaram este
item como altamente satisfatório e 27% como satisfatório.
Acesso à Base de Dados: Facilidade de acesso à base de dados via
browser Internet ou Intranet. 58% dos questionários respondidos avaliaram este item
como altamente satisfatório e 42% como satisfatório.
Acesso Simultâneo de Usuários: Facilidade de acesso simultâneo de
usuários à base de dados. Dos questionários respondidos, 61% avaliaram este item
como altamente satisfatório e 39% como satisfatório.
Notação

Gramatical:

Facilidade

de

armazenamento,

recuperação

e

classificação correta dos caracteres da língua portuguesa. Dos questionários, 79%
avaliaram como altamente satisfatório, 15% satisfatório e 6% insatisfatório.
Correção para o Conteúdo dos Registros: Capacidade de fornecer
informações que representem corretamente o conteúdo dos registros. De acordo
com os questionários, 73% avaliaram como altamente satisfatório, 24% satisfatório e
3% como insatisfatório.
Completude para o Conteúdo dos Registros: Capacidade de fornece
informações que representem completamente o conteúdo dos registros. Dos
questionários respondidos, 70% avaliaram este item como altamente satisfatório,
27% como satisfatório e 3% como insatisfatório.
Interoperabilidade: Facilidade de o sistema ter interfaces com outros
sistemas em cd-rom, on-line, entre outros. De acordo com os questionários
respondidos, 61% o avaliaram como altamente satisfatório e 39% como satisfatório.
Segurança do Sistema: Capacidade de o software evitar o acesso não
autorizado, acidental ou intencional, a programas e dados, bem como a facilidade de
controle de acesso através de senhas. 76% dos questionários responderam
altamente satisfatório e 24% satisfatório.

�Recuperabilidade: Capacidade de o software restabelecer seu nível de
desempenho, recuperar o processamento interrompido e os dados diretamente
afetados, em caso de falha, no tempo e esforços necessários para tal. De acordo
com os questionários, 58% avaliaram este item como altamente satisfatório, 39%
como satisfatório e 3% como insatisfatório.
Flexibilidade: Capacidade de o software continuar operando, pelo menos
parcialmente, em condições ambientais e de uso adversas, sem produzir danos.
Entenda-se uso adverso como queda da rede ou execução de um comando por
engano ou acidente. Dos questionários, 24% avaliaram como altamente satisfatório,
46% como satisfatório, 27% como insatisfatório e 3% como altamente insatisfatório.
Disponibilidade: Capacidade de o software fazer quando solicitado aquilo
que o usuário quer. De acordo com os questionários respondidos, 58% avaliaram
este item como altamente satisfatório e 42% como satisfatório.
Determinismo: Capacidade de o software fazer sempre o que o usuário quer.
61% dos questionários respondidos avaliaram este item como altamente satisfatório,
24% como satisfatório e 15% como insatisfatório.
Compreensibilidade para Correção dos Dados: Capacidade dos usuários,
saberem utilizar o sistema e fornecerem corretamente os dados solicitados. Pelos
questionários, 92% avaliaram como altamente satisfatório e 8% insatisfatório.
Facilidade de Aprendizado: Facilidade com que os usuários aprendem a
utilizar o sistema. Dos questionários respondidos, 42% avaliaram este item como
altamente satisfatório, 55% como satisfatório e 3% como insatisfatório.
Facilidade de Uso: Facilidade com que os usuários usam e gerenciam o
sistema. Pela avaliação dos questionários respondidos, 36% avaliaram este item
como altamente satisfatório, 61% como satisfatório e 3% como insatisfatório.
Interatividade: Capacidade de o software possuir interfaces que podem ser
adaptadas para usuários vindos das mais diversas áreas de formação e a facilidade
de interagir com o sistema. De acordo com os questionários, 64% avaliaram como
altamente satisfatório, 33% satisfatório e 3% insatisfatório.
Rapidez: Baixo tempo de resposta e de processamento, em relação ao
volume de informações produzidas na execução de suas funções. Dos questionários
respondidos, 58% dos questionários avaliaram este item como altamente
satisfatório, 39% como satisfatório e 3% como insatisfatório.

�Atualização: Facilidade de atualização dos dados em tempo real. 61%
avaliaram este item como altamente satisfatório e 39% como satisfatório.
Restaurabilidade: Facilidade de modificar ou recuperar o sistema quando da
ocorrência de acidentes, defeitos, erros de uso, sabotagem, etc. Dos questionários,
64% avaliaram como altamente satisfatório, 30% satisfatório e 6% insatisfatório.
Clareza da Documentação: Existência de documentação produzida de forma
clara e adequada às características e necessidades dos usuários. Dos questionários
respondidos, 39% avaliaram este item como altamente satisfatório e 55% satisfatório
e 6% como insatisfatório.
Uniformidade de Terminologia na Documentação: Utilização, na sua
documentação, de um vocabulário de termos técnicos padronizado e adequados ao
conhecimento dos usuários. De acordo com os questionários, 55% avaliaram este
item como altamente satisfatório, 42% como satisfatório e 3% como insatisfatório.
Grafia: Aparecimento de algum erro de grafia nas palavras do texto. 70% dos
questionários respondidos avaliaram este item como altamente satisfatório, 27%
como satisfatório e 3% como insatisfatório.
Cores de Tela e de Fundo: Alto contraste das cores de fundo de tela e de
texto. Pela avaliação dos questionários respondidos, 73% avaliaram este item como
altamente satisfatório e 27% como satisfatório.
Tamanho de Fonte: Tamanho suficiente da fonte para que se possa ler o
texto. Dos questionários respondidos 76% avaliaram este item como altamente
satisfatório e 24% como satisfatório.
Distribuição de Informações: Distribuição das informações na página. De
acordo com os questionários respondidos, 76% avaliaram este item como altamente
satisfatório e 24% como satisfatório.

4.2 Avaliação das Características Específicas no Contexto Global

Os itens que representam as características específicas são: Circulação,
Catalogação, Catálogo em Linha de Acesso Público (OPAC), Aquisição e Controle
de Seriados.

�4.3 Avaliação Geral da característica Circulação

Esta característica descreve o processo referente às atividades ligadas a
empréstimos,

devoluções,

multas,

suspensões,

renovações

e reservas de

documentos, envolvendo usuários e acervo da biblioteca, em tempo real.
É subdividida em 10 subitens: Controle e Consulta da Situação dos
Documentos, Controle e Consulta da Situação dos Usuários, Controle de
Empréstimo aos Usuários, Renovação e Reserva Local e Remota dos Empréstimos,
Controle da Devolução de Documentos, Controle e Identificação dos Materiais
Vencidos, Controle de Multas e Contabilidade, Geração e Impressão de Informações
Referentes à Circulação e Segurança do Subsistema.
No geral, dos questionários respondidos, 67% avaliaram como altamente
satisfatório, 29% como satisfatório e 4% como insatisfatório.

4.4 Avaliação Geral da característica Catalogação

Esta característica controla e descreve os dados catalográficos de um
documento incluindo estes dados no acervo da biblioteca e consulta em linha.
Esta característica divide-se nos subitens: Catalogação em Linha de
Registros Locais; Importação de Registros; Exportação de Registros; Controle da
Lista de Autoridades e Segurança do Subsistema.
No geral, dos questionários respondidos, 61% avaliaram como altamente
satisfatório, 15% como satisfatório e 24% como insatisfatório.

4.5 Avaliação Geral da característica Catálogo em Linha de Acesso Público

Esta característica permite diversos tipos de pesquisa ao catálogo da
biblioteca e recuperação de informações em formato impresso ou eletrônico.

�Divide-se em: Acesso em Linha ao Catálogo da Biblioteca; Interface de
Acesso Público; Estratégias de Pesquisa em Linha; Indicação da Situação dos
Documentos e Recuperação e Envio dos Resultados da Pesquisa.
No geral, dos questionários respondidos, 61% avaliaram como altamente
satisfatório, 28% como satisfatório e 11% como insatisfatório.

4.6 Avaliação Geral da característica Aquisição

Esta característica permite controlar o processo de aquisição de documentos,
ou

seja,

sugestões

dos

usuários,

encomendas,

recepção,

reclamações,

contabilidade e consulta em linha.
Divide-se nos subitens: Controle e Consulta da Situação das Encomendas;
Controle e Consulta das Aquisições; Geração e Impressão de Informações Sobre a
Aquisição; Controle de Reclamações e Agradecimentos; Controle e Registro de
Fornecedores; Contabilidade de Custos e Segurança do Subsistema.
Dos questionários recebidos, o Centro Universitário Vila Velha (UVV) e a
Universidade Federal do Pará (UFPA) não utilizam este módulo em sua biblioteca.
No geral, dos questionários respondidos, 59% avaliaram como altamente
satisfatório, 18% como satisfatório e 23% como insatisfatório.

4.7 Avaliação Geral da característica Controle de Publicações Seriadas

Esta característica controla o processo de aquisição, tratamento da coleção,
contabilidade de custos, circulação e consulta em linha.
Divide-se nos subitens: Controle e Consulta da Situação das Encomendas de
Publicações

Seriadas;

Controle

das

Publicações

Seriadas;

Controle

de

Reclamações e Agradecimentos; Catalogação das Publicações Seriadas; Controle
de Circulação das Publicações Seriadas; Controle de Encadernação das
Publicações Seriadas; Contabilidade de Custos das Publicações Seriadas; Geração

�e Impressão de Listas e Relatórios Estatísticos sobre Publicações Seriadas;
Pesquisa em Linha das Publicações Seriadas e Segurança do Subsistema.
Dos questionários recebidos, apenas a Pontifícia Universidade Católica do
Rio de Janeiro (PUC-RIO) não utiliza este módulo em sua biblioteca.
No geral, dos questionários respondidos, 61% avaliaram como altamente
satisfatório, 27% como satisfatório e 12% como insatisfatório.

4.8 Avaliação Geral do Questionário para Caracterização dos Usuários

Esta seção é composta pelas perguntas dos questionários respondidos pelos
usuários externos do sistema PERGAMUM da PUC Minas Arcos. A população dos
usuários é composta por 25% do total de usuários da PUC Minas Arcos.
Freqüência da Utilização do PERGAMUM: 63% dos usuários pesquisados
utilizam freqüentemente o sistema PERGAMUM, 36% utilizam raramente enquanto
que apenas 1% não utilizam o sistema.
Finalidade da Utilização do PERGAMUM: Os módulos mais utilizados entre
os usuários são a Pesquisa Rápida com 94% dos usuários utilizando-o a e Acesso
ao Usuário com 46%. O menos utilizado são Consulta a Periódicos com 1%.
Projeto de Automação de Bibliotecas: Opinião dos usuários quanto à
automação de sistemas de bibliotecas. Dos usuários pesquisados, 87% consideram
o projeto de automação de bibliotecas um sucesso. Entre as justificativas, agilizar os
processos de empréstimos foi o mais citado entre os que disseram concordar.
Pontos Importantes na Utilização do PERGAMUM: De acordo com os
questionários, 52% acham que o sistema fornece as informações que realmente eles
estão procurando; 33% acham que é fácil utilizar o sistema; 32% acham que o
sistema possui uma interface que pode ser usada por usuários de diferentes classes
e tipos; 40% acham que o software possui uma qualidade de serviço satisfatória e
51% apontam que o software atende as suas necessidades e expectativas.

�Dificuldade em Utilizar o Sistema: Este item confirmou que o PERGAMUM
é muito fácil de utilizar. 98% dos usuários não têm nenhuma dificuldade em utilizá-lo.
Pontos Negativos em Relação ao Sistema: De acordo com os
questionários, 98% dos usuários não vêem nenhum ponto negativo. Entre os pontos
negativos, o mais indicado foi em relação ao processo de reservas via rede.
Sugestões e/ou Reclamações: Este item serviu para que os usuários
dessem as suas opiniões sobre o sistema. Dos usuários que responderam a este
item, a maioria gostaria que houvesse uma grafia correta da língua portuguesa, já
que o programa não aceita cedilhas, acentos, maiúsculas nem caracteres especiais.

5 CONCLUSÃO

O sistema de gerenciamento de bibliotecas baseia-se na prestação de
serviços de acesso à informação envolvendo armazenamento, identificação,
localização e a disponibilização de um documento da maneira mais eficiente
possível. Para a realização deste trabalho foi necessário avaliar a qualidade do
sistema PERGAMUM no requisito Usabilidade, avaliação esta realizada por
especialistas da área. Para isso, utilizaram-se questionários que foram enviados a
todas as bibliotecas universitárias que utilizam o sistema.
Os resultados obtidos permitem afirmar que o desempenho do sistema foi
avaliado como altamente satisfatório e, conseqüentemente, foi aprovado no contexto
das bibliotecas universitárias brasileiras como um bom sistema de gerenciamento.
Os principais méritos dados ao programa têm relação direta com a sua função
de suprir as necessidades das bibliotecas e permitir viabilizar um melhor uso e uma
maior eficiência das bibliotecas já que o sistema é fácil de aprender a utilizá-lo. Além
disso, o sistema avaliado possui uma interface que pode ser usada por diferentes
usuários vindos das mais diversas áreas de formação.
No geral, usuários externos e internos consideram que o sistema atende suas
necessidades e expectativas de um sistema de gerenciamento de bibliotecas
firmando, mais uma vez, o sucesso do projeto de automação.
Este trabalho avaliou somente o requisito Usabilidade podendo ser realizadas,
no futuro, avaliações de outros requisitos de qualidade.

�6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BATTLES, Matthew. A conturbada história das bibliotecas. Tradução João
Vergílio Gallerini Cuter. São Paulo: Planeta do Sul, 2003. 269p.
BIBLIOTECA PUC MINAS. Desenvolvido pela Pontifícia Universidade Católica de
Minas Gerais. Apresenta o Sistema de Bibliotecas da PUCMINAS e o sistema
Pergamum. Disponível em: &lt;http://www.pucminas.br/biblioteca&gt;. Acesso em: 21
mar. 2005.
GUSMÃO, Alexandre Oliveira de Meira. Avaliação da Qualidade e Determinantes
de Desempenho do Aleph 500 em Bibliotecas Universitárias Brasileiras. 2001.
213f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação)  Universidade Federal da
Paraíba, João Pessoa.
MARTINS, Wilson. A palavra escrita. São Paulo: Anhembi, 1957. 559p.
NIELSEN, Jacob. Projetando websites. Tradução Ana Gibson. Rio de Janeiro:
Campus, 2002. 416p.
OLIVEIRA, Ulysses de. Interação homem-máquina: material básico. Disponível
em: &lt;http://www.di.ufpb.br/ulysses/hci/index.htm&gt;. Acesso: em 29 abr. 2005.
PERGAMUM. Sistema de gerenciamento de bibliotecas. Apresenta o Sistema
Pergamum com todas as instituições que participam da Rede PERGAMUM. Disponível em &lt;http://www.pergamum.pucpr.br&gt;. Acesso: em 21 mar. 2005.
PRESSMAN, Roger S. Engenharia de software. Tradução Mônica Maria G.
Travieso. 5. ed. Rio de Janeiro: McGraw Hill, 2002. 843p.
ROBREDO, Jaime; CUNHA, Murilo Bastos da. Documentação de hoje e amanhã:
uma abordagem informatizada da biblioteconomia e dos sistemas de informação. 2.
ed. São Paulo: Global, 1994. 400p.
ROCHA, Ana Regina; MALDONADO, José Carlos; WEBER, Kival Chaves.
Qualidade de software. São Paulo: Prentice Hall, 2001. 303p.
ROWLEY, Jennifer. Informática para bibliotecas. Tradução de Antonio Agenor
Briquet de Lemos. Brasília: Briquet de Lemos/Livros, 1994. 307p.
SOUZA, Marcos Rogério de. PERGAMUM. [mensagem pessoal]. Mensagem
recebida por glayce2004@yahoo.com.br em 25 fev. 2005.
VON STAA, Arndt. Engenharia de programas. Rio de Janeiro; Livros Técnicos e
Científicos, 1983. 286p.

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Avalia a qualidade do Sistema PERGAMUM no ambiente das bibliotecas com o propósito de identificar se o software atende às necessidades e expectativas das bibliotecas perante seus usuários  bbliotecários e usuários clientes. Propondo inicialmente definir o sistema de gerenciamento usado por elas e, finalmente, avaliar  usabilidade do sistema PERGAMUM neste ambiente. Para isso será preciso: avaliar a qualidade do sistema PERGAMUM no requisito Usabilidade realizada por specialistas da área e avaliar as facilidades e dificuldades de utilização do sistema. Visa contribuir com a melhoria do sistema e atendimento aos usuários, divulgar ara o público consumidor critérios de avaliação de usabilidade de software bibliotecário, perceber como os usuários internos e externos estão aproveitando todos os recursos oferecidos pelo sistema e de acordo com o resultado da pesquisa servirá de treinamento para os mesmos, avistar problemas, acrescentar idéias que enham aperfeiçoar o uso do sistema, conhecer o sistema de gerenciamento de bibliotecas, visto que ele está sendo utilizado em várias instituições de ensino.</text>
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                    <text>AVALIAÇÃO DO IMPACTO DA BIBLIOTECA HÍBRIDA NA QUALIDADE DE
ENSINO DE GRADUAÇÃO EM DISCIPLINA NA UNICSUL: UM PROJETOPILOTO
Maria Isabel Santoro
Direção de Bibliotecas, Universidade Cruzeiro do Sul –
SP – Brasil isabel.santoro@unicsul.br
Inês Confuorto
Assessoria da Pró-Reitoria de Graduação, Universidade
Cruzeiro do Sul - SP – Brasil - ines.macedo@unicsul.br
RESUMO: (duzentas palavras)
A participação da biblioteca universitária nas questões acadêmicas está vinculada,
primeiramente, ao seu próprio status interno, isto é, sua vinculação hierárquica,
estabelecida pela Administração Superior da universidade, sua representatividade
junto aos órgãos colegiados e sua estrutura física e financeira. As universidades,
atentas aos programas de qualidade na formação de seu egresso, têm
implementado ações que envolvem o uso de novas metodologias de ensino e
adotam as inovadoras tecnologias de informação e comunicação (TICs). A
biblioteca, hoje funcionando de forma híbrida, considerando a coexistência da
biblioteca tradicional e da biblioteca digital, pode cada vez mais, exercer uma
interferência positiva nesse processo. Nessa perspectiva, apresenta-se o projetopiloto de uma experiência desenvolvida na UNICSUL, que vem envidando esforços e
fazendo grandes investimentos para identificar e dimensionar a aplicação dessas
metodologias, tanto em sala de aula como em ambientes virtuais, por meio de um
trabalho de equipe multidisciplinar, que vem apresentando um conjunto de ações
integradoras de incremento do uso dos recursos informacionais disponíveis. Assim,
relata-se a experiência do WebPlan (Plano de ensino automatizado com integração
ao catálogo on-line das bibliotecas) e de um
programa experimental de
acompanhamento, em disciplina especifica, para avaliar qual o resultado no ensino
de graduação, a partir do uso dessas novas ações metodológicas, integradas ao uso
das TICs.
Palavras-chave: Ensino Superior; Biblioteca Híbrida; Metodologia de Ensino;
Tecnologias de Informação e Comunicação.
1- INTRODUÇÃO

As

bibliotecas

universitárias

normalmente

estão

subordinadas

hierarquicamente à alta administração da universidade, seja à Reitoria ou Vicereitoria, à Pró-reitoria Acadêmica ou de Graduação ou, ainda, à área Administrativa.

�Em pesquisa em andamento, elaborada por GONZAGA FILHA et al. (2006),
48 % das instituições já estudadas estão vinculadas à Reitoria, o que reforça o grau
de importância que a Biblioteca tem no contexto destas universidades. Além dessa
vinculação, outro dado importante em relação à posição da biblioteca junto à
instituição é a análise das condições de estrutura física e financeira.
Quando a biblioteca possui orçamento próprio e sua estrutura física
acompanha não só o crescimento do acervo, mas também a atualização de
equipamentos (hardware e software) necessários à pesquisa, pode-se considerar
que ela exerce papel relevante e que é respeitada enquanto órgão vital para o
desenvolvimento da própria universidade.
Porém, esse status, por si só, não garante à biblioteca participação direta nas
questões acadêmicas, pois isto implica que ela esteja também inserida no âmbito
das reuniões dos órgãos colegiados ou no das Pró-reitorias, por meio da
representação da direção da Biblioteca (ou Coordenação do Sistema de Bibliotecas,
quando for o caso), ou seja, com a presença de um bibliotecário nessas reuniões.
Assim, ele estará acompanhando as inovações, os programas e as atividades em
desenvolvimento, ligadas à área de ensino e aprendizagem e poderá se integrar nas
atividades em que sua área de atuação permitir.
2- UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL (UNICSUL)

No contexto da UNICSUL, várias equipes estão voltadas ao trabalho
integrado e multidisciplinar com um grande objetivo: o desenvolvimento e a
implementação do ambiente de informação virtual, centrado, especialmente, no
atendimento ao corpo discente.
As áreas de Sistema e Biblioteca, o Núcleo de Educação a Distancia (NEAD)
e as Pró-reitorias de Graduação e de Pós-graduação, hoje, estudam e identificam
todas as necessidades de informação da comunidade acadêmica para implementar
ações que venham a propiciar a melhoria da qualidade do ensino. Essa equipe

�multidisciplinar vem evoluindo e, em cada área, estão sendo atualizados os
equipamentos e implementados treinamentos de Recursos Humanos.
Nesse sentido, o destaque é para o trabalho do NEAD que, desde 2001
desenvolve uma série de ações para dinamizar e propiciar o uso das novas
Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs).
Para uma melhor análise dos dados quantitativos do NEAD é necessário
conhecer algumas informações sobre a UNICSUL (considerada no todo):

QUADRO 1

Jun. / 06
No. Alunos

16.937

No. Docentes

535

No. Disciplinas

2.810

GRÁFICO 1
Evolução No. de Alunos Usuários(BlackBoard)

No. de Alunos

10000
8000

7553

8054
7004

6000
4000

3221

2000
0
2000

400
2001

553
2002

2003

2004

2005

2006

2007

Ano

Fonte: ARAUJO JUNIOR, 2006.

O Gráfico 1 aponta que mais de 41% dos alunos já são usuários do
BlackBoard e é relevante destacar que, quando o aluno adquire e se torna habilitado
a usar uma nova tecnologia, dificilmente ele retrocede nesse processo, uma vez que
ao absorver essa forma de acesso ao conhecimento, ele tem as facilidades de
espaço e tempo por ela proporcionada.

�GRÁFICO 2

No. de Professores
Usuários

No. Professores (BlackBoard)
700
600
500
400
300
200
100
0
2000

645

212
30
2001

2002

115

65

42

2003

2004

2005

2006

2007

Ano

Fonte: ARAUJO JUNIOR, 2006.

GRÁFICO 3

No. de Disciplinas

Evolução no No. de Disciplinas
1200
1000
800
600
400
200
0
2000

1030
856

209
31
2001

52
2002

50
2003

2004

2005

2006

2007

Ano

Fonte: ARAUJO JUNIOR, 2006.

Apesar do uso do BlackBoard pelo corpo docente, em relação aos alunos, ter
ocorrido de forma mais lenta (Gráfico 2), a situação atual é muito gratificante porque
o Gráfico 3 aponta que 37% das disciplinas já trabalham com essa tecnologia e a
UNICSUL também já oferece dependências online (em 2005, ofereceu 1.137
dependências).
Além das atividades do NEAD e, dando continuidade ao Projeto da Biblioteca
Virtual (BV-UNICSUL), já se encontram, em fase avançada, os estudos e definição
de campos para formatação da base de dados da produção acadêmica.

�Assim, com a produção acadêmica gerada pela comunidade local disponível
digitalmente e com parte da coleção de periódicos online, a biblioteca já convive com
usuários presenciais e virtuais.
Fica evidente que não existe volta nesse processo. O que prevalece é a
biblioteca híbrida, que reflete o estado transacional da biblioteca, isto é, a
biblioteca nem é mais tão convencional, que só usa material bibliográfico
impresso, nem é totalmente digital, existindo só virtualmente. Acredita-se que
por algumas décadas haverá a coexistência dessa situação de múltiplos
formatos e suportes da informação (SANTORO &amp; MACEDO, 2006, p. 326).

Retomando a questão da participação das bibliotecas universitárias junto a
área acadêmica, pode-se dizer que as atividades desenvolvidas pelas bibliotecas,
geralmente, são as que tratam da educação de usuários, cujos conteúdos se limitam
ao treinamento no uso dos recursos informacionais disponíveis, sejam eles os
serviços tradicionais ou os serviços online.
Estas atividades funcionam como apoio para a área de ensino e podem
apresentar resultados positivos, dependendo do aproveitamento que os docentes se
dispuserem a fazer em suas disciplinas, no sentido de usarem os recursos de
informação. Se os docentes exigirem, por exemplo, que seus alunos elaborem um
levantamento bibliográfico de um determinado assunto e apresentarem uma análise
do resultado, ou que seus alunos selecionem artigos científicos sobre um tema a
partir da análise dos sumários eletrônicos e se estas atividades forem avaliadas
pelos docentes, certamente os alunos absorveriam essas práticas e se tornariam
habilitados a acessar e usar os recursos de informação.
Enfim, a absorção e o efetivo aproveitamento do conteúdo dos treinamentos
que a biblioteca oferece só podem ser avaliados por parte dos docentes. Somente
essa avaliação poderá esclarecer sobre os resultados dessa atividade da biblioteca
e sua influencia no processo de ensino e aprendizagem do aluno.
Portanto, segundo SANTORO &amp; MACEDO (2006, p. 327)
A ação da biblioteca, como intermediária no contato com os agentes
educacionais, fica restrita ao atendimento das necessidades de informação
que o professor, por meio da sua exigência em termos de avaliação, solicita
ao aluno. Esse círculo, até certo ponto vicioso, pode sofrer uma interrupção

�no sentido de colaboração quando o bibliotecário, muitas vezes um agente
passivo, passa a propor, por iniciativa própria, uma ação de integração mais
próxima com os docentes.

O Projeto Piloto, apresentado no item 3, é resultado de um trabalho
cooperativo entre docente e bibliotecário com relevantes objetivos, o de facilitar o
acesso a informação em diferentes suportes e o de acompanhar o uso dessa
informação no processo de capacitação dos alunos da disciplina MELI.
3- DESCRIÇÃO DO PROJETO-PILOTO

O projeto piloto (Anexo 1) descrito na seqüência, elegeu, para uma primeira
análise, a disciplina Metodologia de Ensino de Língua Inglesa (MELI), parte
integrante do currículo do curso de Letras Hab. Português/ Inglês da UNICSUL. Os
objetivos precípuos da disciplina são: a) oferecer ao professor em formação as
diversas abordagens e metodologias utilizadas no ensino e aprendizagem de língua
estrangeira – inglês, nos Ensinos Fundamental e Médio, sustentadas por diferentes
teorias de aprendizagem, e b) propiciar a construção de uma visão crítica das
propostas oficiais, dos governos estaduais e federal, norteadoras do ensino e
aprendizagem de língua estrangeira.
Para a consecução desses objetivos, a disciplina lançou mão de diversos
recursos de ensino, principalmente os que privilegiam a leitura e discussão crítica de
textos. O desenvolvimento dessas habilidades é de suma importância na formação
de professores de língua uma vez que serão utilizadas como instrumentos
necessários tanto ao ensino quanto à aprendizagem.
É fato que o hábito de leitura dos estudantes é precário, seja pela inabilidade
de compreensão do texto lido seja pelo pouco tempo destinado a essa atividade.
Desde a década de 80, vários são os estudos (Silva, 2003, 1986 e 1981; Carvalho,
2005; Orlandi, 1988 e outros) que demonstram essa precariedade.
Carvalho (2005, p. 54) aponta, em suas pesquisas, a deficiência na formação
do professor relativa às suas práticas leitoras, como conseqüência de uma política

�educacional não comprometida com a leitura. A autora discorre ainda sobre dados
de estudo, realizado pelo MEC e divulgado pela mídia, em que apenas 5% dos
alunos da 4a série do ensino fundamental demonstram habilidades de leitura
compatíveis com a série que cursam. Ainda, a autora relata, com base em estudo
realizado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico
(OCDE), que 60% dos professores brasileiros não são afeitos à leitura. Esses
números impressionam e nos fazem questionar sobre o tipo de aluno formado por
tais professores. Como alguém que não tem o gosto pela leitura pode incentivar ou
estimular tal prazer em outros?
Silva (1986, p. 38) relata uma tese em que se prova que:
ao invés de formar leitores e de incentivar a leitura, a escola, através de seus
professores, de seus programas e de seus métodos, age exatamente em
sentido contrário, matando paulatinamente todo o potencial de leitura do
mundo e da palavra que as crianças trazem para o contexto escolar.

Segundo dados levantados pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação
Básica (SAEB) em 2001, a maior parte dos alunos brasileiros tem dificuldade para
ler e compreender textos. O estudo revela que, entre os alunos do terceiro ano do
ensino médio, apenas 5,34% têm habilidade de leitura compatível com a série que
cursam.
A falta do hábito de leitura na escola tem como conseqüência outro indicador
lamentável, que extrapola o universo escolar e assenta-se na sociedade: mais de
70% da população do Brasil não lê jornais nem revistas e o restante, 30%, varia
muito no grau de compreensão de texto, de acordo com notícias na mídia, em geral.
Compreendendo a leitura como prática social, ou seja, como um processo no
qual o leitor realiza um trabalho ativo de construção do significado do texto a partir
do que está buscando no mesmo, do conhecimento que já possui a respeito do
assunto e da socialização desse conhecimento, propôs-se o desenvolvimento do
presente projeto-piloto com a disciplina MELI, em um trabalho que privilegia a leitura
crítica e discussão de textos como instrumento de formação do professor a fim de
que o mesmo faça, também, uso dessas habilidades quando estiver no exercício de
sua profissão.

�Consciente de que o aluno lê pouco e dispõe de pouco tempo para a leitura, o
docente da disciplina MELI buscou alternativas para que o aluno pudesse acessar,
mais rapidamente e de qualquer lugar, às informações e os textos da disciplina,
utilizando diferentes recursos de tecnologias de informação e comunicação (TICs).
Desse modo, todos os documentos da disciplina foram disponibilizados no ambiente
virtual

de

aprendizagem

(AVA)

denominado

Blackboard,

plataforma

de

aprendizagem utilizada pela UNICSUL desde 2001, bem como enviados a um e-mail
coletivo da turma.
Nas atividades de avaliação da disciplina, entre elas pesquisa e apresentação
(seminários) de abordagens e métodos, verificou-se, também, em ação conjunta
com a Biblioteca, o empréstimo de livros pelos alunos da bibliografia indicada pelo
professor. Esse acompanhamento foi possível, pois a UNICSUL disponibiliza um
sistema denominado WebPlan, no qual o docente de qualquer disciplina, ao elaborar
o seu plano de ensino, acessa a base de dados da biblioteca para a indicação de
sua bibliografia (básica e complementar). Entre outras opções, o WebPlan permite
ao usuário, tanto docente quanto bibliotecário, acompanhar o uso do material
indicado, por meio de diferentes tipos de relatórios (para mais informações sobre o
WebPlan, consultar SANTORO &amp; MACEDO, 2006). Essa verificação teve como
objetivo avaliar o impacto do uso da biblioteca na qualidade da aprendizagem do
aluno. Ainda, a partir da apresentação dos seminários e dos trabalhos escritos, foi
feita avaliação das citações e referências feitas com a aplicação de formulário de
avaliação do uso da bibliografia (Anexo 2).
De uma amostra de 35 alunos, ultimanistas do turno matutino, apenas 23%
foram à biblioteca consultar as bibliografias indicadas. Apesar de ser um índice
pequeno, pode-se perceber que o aluno que teve maior busca à bibliografia foi o que
teve a melhor avaliação na apresentação do seminário. Ainda, supõe-se que os
outros 77% dos alunos tiveram outras fontes de pesquisa, tais como a Internet, por
exemplo. Pelos trabalhos escritos apresentados, puderam-se observar referências a
outras fontes que não as indicadas na bibliografia, bem como indicação de sites
pesquisados, numa proporção de cerca de 50%. Os outros 50% não mencionaram

�nenhuma citação. 24% dos trabalhos não indicaram bibliografia de consulta, o que
se considera preocupante, visto o grupo pesquisado estar no último ano do curso.

4. Considerações Finais
O trabalho desenvolvido na primeira fase desse programa experimental de
acompanhamento, em disciplina especifica da graduação, para avaliar o impacto do
uso das TICs ainda é prematuro, pois a própria implantação do ambiente virtual
híbrido na UNICSUL é recente.
Portanto, o estágio inicial de um trabalho integrado com a Biblioteca ainda
não se esgotou. Com os primeiros esboços de resultados, conclui-se que o trabalho
de conscientização de docentes, bibliotecários e alunos deva ser intensificado, uma
vez que se acredita que é a partir do discurso dos docentes sobre a importância de
buscar fontes fidedignas que os alunos buscarão, de fato, mais elementos para a
melhoria de seu aprendizado. Todas as estratégias utilizadas para facilitar o acesso
dos alunos às informações de uma disciplina a fim de instrumentalizá-los são
importantes e podem fazer com que eles reconheçam que o professor não exerce
mais o papel de detentor do conhecimento. Ainda, te r acesso a diferentes recursos
de ensino e aprendizagem pode, certamente, desenvolver um perfil de aluno mais
autônomo.
Da parte dos bibliotecários, acredita-se que deva haver também um esforço
mais concentrado não só no treinamento de usuários, como principalmente, no
envolvimento desses profissionais nas questões acadêmicas. Considerando o real
papel da Biblioteca na Universidade e com as facilidades das TICs, o bibliotecário
passa pelas mesmas transformações que o professor, no sentido de se atualizar e
se interar dessas novas tecnologias que possibilitam outras formas de acesso ao
conhecimento. E, dessa forma, ele é, mais do nunca, um agente educacional ativo,
tanto para atuar ao lado do docente oferecendo os novos recursos, quanto para
auxiliar os alunos a adquirirem as habilidades que os tornarão independentes no
acesso e uso da informação, isto é, alfabetizados em informação, com
oportunidades de aprendizagem constante.

�5. REFERENCIAS
ARAÚJO JUNIOR, C. F. Apresentação do Núcleo de Educação a Distância, em
Reunião do CONSU. São Paulo: UNICSUL, 14/06/2006. (Slides).
CARVALHO, A. M. S. de. O professor formador de leitores e escritores: saberes e
competências. In Leitura: teoria e prática. Associação de Leitura do Brasil. Ano 23,
no. 45, set. 2005, Campinas: ALB; São Paulo: Global Editora, 2005, p. 53-58.
GONZAGA FILHA, Z.; et al. Mapeamento de bibliotecas universitárias das IES
quanto à gestão e nível de informatização. São Paulo: UNICSUL, 2006 (pesquisa
em andamento).
ORLANDI, E. P. Discurso e leitura. São Paulo: Cortez/ Campinas: Editora da
UNICAMP, 1988.
SANTORO, M. I.; MACEDO, I. C. G. O real, o virtual e o digital: os caminhos para a
integração do ensino e da pesquisa com a biblioteca digital da UNICSUL. Simposium
Internacional de Bibliotecas Digitales, 4. Anais. Málaga, 21 a 23 de jun. de 2006.
Universidad de Málaga. p. 322-332.
SILVA, E. T. da. Leitura nos oceanos da Internet. Campinas: Cortez Editora, 2003.
SILVA, E. T. da. Leitura na escola e na biblioteca. 2 a. ed. Campinas: Papirus,
1986.
SILVA, E. T. da. O ato de ler. São Paulo: Autores Associados, 1981.

�ANEXO 1 – PROJETO PILOTO
Impacto do uso das TICs e dos recursos da Biblioteca Híbrida na qualidade de ensino e
aprendizagem da disciplina MELI no curso de Letras da UNICSUL

1.

JUSTIFICATIVA
Na formação do professor de línguas é constante a preocupação com o desenvolvimento de uma
habilidade importante: aprender a aprender. A aquisição dessa habilidade torna o professor em
formação independente e consciente de seu processo de construção do conhecimento.
Ao longo dos anos em que a disciplina Metodologia de Ensino de Língua Inglesa (MELI) vem
sendo ministrada no curso de Letras da UNICSUL detectou-se que a falta e a qualidade de leitura
e a resistência ao uso do computador como ferramenta auxiliar no processo de aprendizagem
limita o progresso do aluno numa área em que tanto a leitura como o uso das TICs é essencial no
exercício da profissão.
Nota-se, também, que o empréstimo de livros indicados na bibliografia e a utilização da Internet
para pesquisa na Biblioteca é restrito, o que vem reforçar a visão de que os alunos dedicam
pouco tempo a essas atividades.

2.

3.

OBJETIVOS
•

Conscientizar o professor em formação sobre a importância da leitura no processo de
ensino e aprendizagem;

•

Implementar uma metodologia de ensino que prioriza a leitura como elemento facilitador
na aquisição do conhecimento;

•

Utilizar as TICs e os recursos da Biblioteca Híbrida nas aulas de MELI como recurso
didático-pedagógico;

•

Avaliar o impacto dessa nova metodologia no processo de aprendizagem.

METODOLOGIA
A metodologia escolhida para esse projeto-piloto pode ser sintetizada por meio dos seguintes
passos:
3.1. Escolha de uma turma e semestre da disciplina MELI para implementar uma metodologia de
ensino que prioriza a leitura como elemento facilitador na aquisição do conhecimento;
3.2. Sensibilização da turma para a importância da leitura como instrumento de independência
em sua formação;
3.3. Disponibilização de material da aula em ambiente virtual de aprendizagem (AVA);
3.4. Implementação em sala de aula dessa metodologia para MELI;
3.5. Avaliação parcial, através de seminários, para verificação do uso da bibliografia;
3.6. Identificação dos empréstimos dos livros indicados na bibliografia, por aluno, na Biblioteca;
3.7. Elaboração de formulário para acompanhamento do uso das TICs e da Biblioteca;
3.8. Elaboração de questão específica, em prova escrita, para avaliação do grau de leitura do
aluno;
3.9. Avaliação final.

�4.

5.

CRONOGRAMA
ATIVIDADE

DATA

3.1

Janeiro/ 2006

3.2

Fevereiro e Março/ 2006

3.3

Fevereiro a Junho/ 2006

3.4

Fevereiro a Junho/ 2006

3.5

Maio e Junho/ 2006

3.6

Junho e Julho/ 2006

3.7

Agosto/ 2006

3.8

Outubro/ 2006

3.9

Novembro/ 2006

ACOMPANHAMENTO
5.1. Pela Biblioteca:
•

Análise, pelo RGM do aluno, do número de livros retirados que constam da bibliografia da
disciplina;

•

Análise do uso de revistas e ou cópias de artigos selecionados para leitura, por aluno.

5.2. Pelo professor:
•
•
•

6.

Análise do uso das indicações bibliográficas por meio das citações na exposição e no
texto escrito dos seminários;
Análise do número de acessos, por aluno, aos conteúdos de aula, disponibilizados no
Blackboard;
Avaliação do grau de leitura do aluno, por meio de análise de questão específica, em
prova escrita.

RESULTADOS ESPERADOS

Espera-se que, com a implementação dessa metodologia, os alunos desenvolvam a habilidade de
aprender a aprender, tornando-se independentes e conscientes de seu processo de construção do
conhecimento.

�ANEXO 2 – FORMULARIO DE AVALIAÇÃO DE USO DA BIBLIOGRAFIA
METODOLOGIA DE ENSINO DE LÍNGUA INGLESA
ANO ______ SEMESTRE ________ TURMA _____
RGM: ____________________
ALUNO: _________________________________________________________

1.

Seminário
1.1.

Citação - quantidade
•

Bibliografia Básica

•

Bibliografia Complementar

•

Indicada pelo professor

•

Indicada pelo aluno

1.2.

Referências - quantidade
•

Contemplam todas as citações?

sim

não

•

Seguem normas ABNT?

sim

não

2. Prova Escrita
•

3.

sim

não

Blackboard
•

4.

Identificação de leitura?

Número de acessos

Biblioteca
•

número de livros emprestados referentes à bibliografia

•

número de artigos utilizados

�</text>
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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Santoro, Maria Isabel; Confuorto, Inês</text>
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                <text>Salvador (Bahia)</text>
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                <text>A participação da biblioteca universitária nas questões acadêmicas está vinculada, primeiramente, ao seu próprio status interno, isto é, sua vinculação hierárquica, estabelecida pela Administração Superior da universidade, sua representatividade junto aos órgãos colegiados e sua estrutura física e financeira. As universidades, atentas aos programas de qualidade na formação de seu egresso, têm implementado ações que envolvem o uso de novas metodologias de ensino e adotam as inovadoras tecnologias de informação e comunicação (TICs). A biblioteca, hoje funcionando de forma híbrida, considerando a coexistência da biblioteca tradicional e da biblioteca digital, pode cada vez mais, exercer uma interferência positiva nesse processo. Nessa perspectiva, apresenta-se o projeto-piloto de uma experiência desenvolvida na UNICSUL, que vem envidando esforços e fazendo grandes investimentos para identificar e dimensionar a aplicação dessas metodologias, tanto em sala de aula como em ambientes virtuais, por meio de um trabalho de equipe multidisciplinar, que vem apresentando um conjunto de ações integradoras de incremento do uso dos recursos informacionais disponíveis. Assim, relata-se a experiência do WebPlan (Plano de ensino automatizado com integração ao catálogo on-line das bibliotecas) e de um programa experimental de acompanhamento, em disciplina especifica, para avaliar qual o resultado no ensino de graduação, a partir do uso dessas novas ações metodológicas, integradas ao uso das TICs.</text>
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                <text>Avaliação ergonômica do periódico científico Encontros BIBLI e propostas para melhoria do seu design da informação.</text>
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                <text>O periódico científico eletrônico é um canal formal de comunicação. Contudo, as publicações nesse formato são despadronizadas quanto ao design da informação. Isso dificulta o acesso pelos diferentes tipos de usuários. Este estudo questiona o design da informação do periódicos científico eletrônico sob o ponto de vista da ergonomia, acessibilidade e usabilidade. A revista Encontros-Bibli, da pós-graduação em Ciência da Informação é objeto de estudo. Avalia-se o site da revista observando aspectos gerais, como apresentação dos textos, tipos e tamanhos das fontes, espacejamento, apresentação do sumário, recursos hipertextuais, cores e contrates utilizados. O artigo propõe melhorias à revista Encontros-Bibli e pretende assim contribuir para as pesquisas de design da informação em periódicos científicos eletrônicos, a fim de torná-las mais acessíveis.</text>
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                    <text>BANCO DE DADOS  TOMBO  PATRIMONIAÇÃO DE PERIÓDICOS :
IMPLANTAÇÃO NA DBDCQ/USP

Fátima Aparecida Colombo Paletta *
fatima@bcq.usp.br

Débora Ferrazoli Penilha *
debora@bcq.usp.br

_______________________________
*UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - USP
DIVISÃO DE BIBLIOTECA E DOCUMENTAÇÃO
DO CONJUNTO DAS QUÍMICAS - DBDCQ
Av. Prof. Lineu Prestes, 950 - Cidade Universitária
05508-000 - São Paulo - SP - Brasil
Fone: (0xx11) 3091-3859 - Fax: (0xx11) 3812-8194
http://www.bcq.usp.br

�2

RESUMO
O presente trabalho descreve a implantação de um Banco de Dados para o
controle e registro de volumes tombados/registrados de periódicos da Divisão de
Biblioteca e Documentação do Conjunto das Químicas (DBDCQ) da Universidade
de São Paulo (USP). Foi desenvolvido um

Banco de Dados

em Access

denominado Sistema TOMBO. Objetivando facilitar o controle de dados sobre os
periódicos e sua procedência, possibilitando gerar etiquetas, código de barras,
bem como agilidade para consultas, emissão de estatísticas, relatórios solicitados
para conferências e inventário. Como resultado o serviço de patrimoniação de
periódicos tornou-se mais confiável, otimizando recursos humanos e melhorando
o desenvolvimento da rotina operacional.

Palavras-chave: Patrimoniação de periódicos; Banco de Dados Access; Registro
automatizado de dados.

Tema Central: Acesso Livre à Informação Científica e Bibliotecas Universitárias.
Eixo-temático: As Bibliotecas Universitárias e a Produção do Conhecimento.
Sub-temas: A preservação do conhecimento e os arquivos digitais.

�3

1 INTRODUÇÃO

Existem procedimentos específicos e obrigatórios para movimentação dos bens e
os processos de aquisição e baixa são os instrumentos formais para a
incorporação e desincorporação de um bem em relação ao patrimônio da
universidade. Porém, o material bibliográfico é considerado como um

bem

patrimonial que, pela sua configuração física, não é passível de receber plaqueta
de patrimônio, sendo então apenas catalogados e numerados.

Em 1965, ocorreu a integração das unidades Faculdade de Ciências
Farmacêuticas (FCF) e Instituto de Química (IQ), reunindo os dois acervos ,
formando assim a Biblioteca do Conjunto das Químicas. Nesta ocasião, o setor de
periódicos possuía vários livros de TOMBO contendo o controle de cadastro do
material bibliográfico, onde os dados eram registrados manualmente.

O procedimento do registro de dados no livro de tombo, era lento e apresentava
diversos obstáculos como incorreções, rasuras , letras ilegíveis, dificuldade em
obter dados estatísticos e relatórios. Esses fatores eram motivos de constante
preocupação para o setor de periódicos.

Em 1999, pretendendo aprimorar a patrimoniação ou registro de volumes de
periódicos, foi criado um Banco de Dados desenvolvido em Access denominado
TOMBO99IQ
TOMBO99FCF

(patrimoniação
(patrimoniação

para
para

acervo
o

do

acervo

Instituto

de

Faculdade

Química)
de

e

Ciências

Farmacêuticas). Conseqüentemente, foi facilitada a emissão de estatísticas,
relatórios, consultas e facilidade de inserção e exclusão de dados além da
digitação oferecer menos possibilidade de erro que o registro manuscrito.

O sistema implantado no Banco de dados (TOMBO99IQ e TOMBO99FCF) foi
desenvolvido sem custos para a biblioteca. O objetivo de agilizar o procedimento
de patrimoniação do material bibliográfico de periódicos foi alcançado.

�4

2 JUSTIFICATIVA

A Divisão de Biblioteca e Documentação do Conjunto das Químicas considerada
uma biblioteca de grande porte, possui atualmente 605 títulos de periódicos
correntes, sendo 476 títulos adquiridos por compra, 17 permuta e 112 recebidos
por doação.

O acervo de periódicos existente é constituído de 49.536 volumes encadernados
e tombados, sendo 19.633 pertencentes à Faculdade de Ciências Farmacêuticas
e 29.903 ao Instituto de Química. Existe, ainda, cerca de 131.200 fascículos
desencadernados (dado obtido por amostragem).

No período de 1965 a 1998, os dados de registros dos volumes de periódicos foi
realizado manualmente nos respectivos livros de tombo IQ e FCF.

O processo de tombamento em livros de tombo, como já fora citado, era feito
manualmente, com informações sobre cada registro bibliográfico adquirido e com
numeração seqüencial para os acervos das unidades IQ e FCF. A morosidade
desse procedimento oferecia diversas possibilidades de incorreções durante a
execução, porém, não era permitido rasuras nos livros e nem lentidão

na

obtenção dos dados estatísticos para relatórios.

O maior desafio enfrentado pelo setor de periódicos, para a realização da
patrimoniação automatizada foi a digitação um a um dos 48.445 registros, bem
como o armazenamento dos dados em um Banco de Dados em Access.

Para realizar a patrimoniação automatizada de registro, criou-se o Banco de
Dados desenvolvido em Access, TOMBO99IQ e TOMBO99FCF, que atendeu
plenamente as necessidades no procedimento operacional, agilizando a emissão
de estatísticas e relatórios, identificação de títulos e números de tombo das

�5

unidades IQ e FCF, tornando o serviço mais confiável, otimizando recursos
humanos e melhorando o desenvolvimento de rotina.

3 METODOLOGIA

O desenvolvimento da rotina operacional de patrimoniação ou registro dos
volumes de periódicos no período de 1965 a 1998 teve como objetivo registrar
todos os dados. O registro era armazenado em livro Tombo , cuja numeração era
em ordem crescente, conforme (FIGURA 1) contendo as seguintes informações:
• Data (Data do registro)
• Tombo (Número Seqüencial de Registro)
• Título (Nome completo do periódico)
• Ano (Período do periódico- volume)
• Procedência (Publicador ou Agente)
• Empenho (Invoice do pagamento)
• Data (Período do Pagamento)
• Preço ( Valor do periódico convertido para nossa moeda)
• Observações (No caso de ocorrer qualquer modificação, retificação no
tombamento, substituição ou subdivisão do volume).

Durante os anos de 1999 e 2000, foram inseridos no Banco de Dados em Access
TOMBO99IQ e TOMBO99FCF o total de 48.445 registros sendo 28.937 Instituto
de Química e 19.508 Faculdade de Ciências Farmacêuticas. Os dados de cada
registro foi incluído manualmente por 6 funcionários, totalizando 10 livros, sendo
6 do Instituto de Química e 4 da Faculdade de Ciências Farmacêuticas.

Com a implementação do software Access, visando atender a funcionalidade do
sistema com o objetivo de agilizar o procedimento operacional, houve acréscimos
de cinco campos, conforme (FIGURA 2).
•

Unidade (IQ - Instituto de Química e FCF  Faculdade de Ciências
Farmacêuticas)

•

Verba USP (Aquisição por verba RUSP)

�6

•

Verba Especial (Aquisição por verba especial como PADCT, FAPESP,
FINEP, BNDE, BNDS, etc)

•

Doação (Adquiridos por Doação)

•

Permuta (Adquiridos por Permuta)

O sistema automatizado do software Access atendeu a necessidade de gerar
etiquetas de procedências, etiquetas código de barras, etiquetas de tombo,
relatórios, além da facilidade de manutenção e confiabilidade das informações,
gerando diversos dados para a emissão de estatísticas e relatórios ( FIGURA 3 e
FIGURA 4).

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O aperfeiçoamento desse serviço permite rapidez; menos obtenção de erro;
emissão automatizada de relatórios detalhados sobre a patrimoniação dos
volumes de periódicos, dando subsídios para estatísticas, busca de procedência,
busca de título, número de tombo, ano, volume, assim como especificar a unidade
a que pertence IQ ou FCF.

Outro fator importante é o suporte de informações para o setor de periódicos e
aquisição , fornecendo dados precisos para o relatório anual da DBDCQ.

A utilização e obtenção de dados digitalizados garantem maior segurança na
obtenção de dados, maior qualidade do serviço, além de essa ferramenta permitir
maior facilidade de manuseio e confiabilidade.

Uma importante etapa para a automação do livro TOMBO foi concluída com êxito,
trazendo consigo os inúmeros benefícios do sistema automatizado: minimização
do tempo para disponibilização do material bibliográfico aos usuários da
biblioteca; atualização de dados de qualquer campo; agilização na emissão de

�7

relatórios, estatísticas, prestação de contas de acordo com as exigências
referentes ao patrimônio da Universidade.
5 ABSTRACTS

The present study describes an implementation of a data base for the register, in
other words, control of volumes of journals register at Library Division and
Documentation of Chemistry Assembly (DBDCQ) of the University of São Paulo
(USP). The data base was developed in Access. With focus on facilitating the data
control of the journal and its origin, making it possible to generate labels, bar code,
as well as agility for consultations, requested emission of statisticians, reports for
conferences and inventory. As a result of this initiative the service of journal
register became more trustworthy, optimizing human resources and improving the
development of the operation routine.

KEYWORDS: Journal Register; Data Base Access; Automatized Data Register.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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SEMINÁRIO NACIONAL de BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 13, 2004, Natal.
Anais...Natal : UFC , 2004. 1 CD ROM.

FLEGR, B. et al. Sistema Digitombo  solução para controle patrimonial integrada
ao sistema de automação de bibliotecas da Rede Sirius- Rede de Bibliotecas da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro. In: SEMINÁRIO NACIONAL de
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 12, 2002, Recife. Anais... Recife: UFC, 2002.
1 CD ROM.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Conjunto das químicas. Divisão de Biblioteca
e Documentação. Relatório de Atividades. São Paulo : DBDCQ/USP, 2005.

�8

FIGURA 1  Livro TOMBO com os respectivos campos, preenchido manualmente.

�9

FIGURA 2- Planilha do Banco de Dados - TOMBO FCF em ACCESS com os campos.

FIGURA 3 - Modelo de Relatórios que podem ser gerados.

�10

FIGURA 4 - Relatório de Etiquetas de Procedência,
etiquetas tombo e código de barras.

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                <text>Paletta, Fátima Aparecida Colombo; Penilha, Débora Ferrazoli</text>
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                <text>O presente trabalho descreve a implantação de um Banco de Dados para o controle e registro de volumes tombados/registrados de periódicos da Divisão de Biblioteca e Documentação do Conjunto das Químicas (DBDCQ) da Universidade de São Paulo (USP). Foi desenvolvido um Banco de Dados em Access denominado Sistema TOMBO. Objetivando facilitar o controle de dados sobre os periódicos e sua procedência, possibilitando gerar etiquetas, código de barras, bem como agilidade para consultas, emissão de estatísticas, relatórios solicitados para conferências e inventário. Como resultado o serviço de patrimoniação de periódicos tornou-se mais confiável, otimizando recursos humanos e melhorando o desenvolvimento da rotina operacional.</text>
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                    <text>BANCO ÚNICO DE USUÁRIOS DAS BIBLIOTECAS DO
CAMPUS USP DE SÃO CARLOS
Maria Helena Di Francisco; Maria Cristina Cavarette Dziabas; Marilza A.
Rodrigues Tognetti; Maria Neusa de Aguiar Azevedo
Instituto de Física de São Carlos-USP
Av. Trabalhador SãoCarlense, 400
13566-590 São Carlos SP Brasil
mhelena@if.sc.usp.br; mcdziaba@if.sc.usp.br; marilza@if.sc.usp.br,
mnaguiar@if.sc.usp.br
Gláucia Maria Saia Cristianini; Rosemari Pereira Casali
Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação-USP
Av. Trabalhador SãoCarlense, 400
13566-590 São Carlos SP Brasil
glaucia@icmc.usp.br; rose@icmc.usp.br
Teresinha das Graças Coletta; Rosana Alvarez Paschoalino
Escola de Engenharia de São Carlos-USP
Av. Trabalhador SãoCarlense, 400
13566-590 São Carlos SP Brasil
coletta@sc.usp.br; rosana@sc.usp.br
Vitória Atra Gonçalves; Eliana de Cássia Aquareli Cordeiro
Instituto de Química de São Carlos
Av. Trabalhador SãoCarlense, 400
13566-590 São Carlos SP Brasil
vitória@iqsc.usp.br; eliana@iqsc.usp.br
RESUMO: Apresenta o processo da criação de um banco único de usuários que atende
simultaneamente as Bibliotecas do Campus da Universidade de São Paulo  USP de São
Carlos, ligadas às suas Unidades de Ensino e Pesquisa nas áreas de Ciência da
Computação e Matemática, Engenharia, Física e Química. O aumento da demanda, a
partir da criação de novos cursos e do aumento de vagas dos já existentes, justificou o
projeto, que tinha como principal objetivo preservar a qualidade no atendimento aos
usuários. Dessa forma, a iniciativa proporcionou aos usuários a facilidade do
cadastramento exclusivo em sua Unidade de origem e automaticamente o cadastro se
ativar nas demais Bibliotecas do Campus. Demonstra os benefícios obtidos com a
otimização do trabalho, principalmente no início do ano letivo, evitando o
recadastramento de usuários nas quatro Unidades; as vantagens propiciadas pela
revisão das políticas de empréstimo das Bibliotecas, padronizando os prazos de
devolução e quantidade de itens a serem retirados; e o controle efetivo sobre a situação
dos usuários, permitindo atitudes corretivas no âmbito do Campus como suspensão de
retirada e ou renovação de material, para usuários em atraso em uma das Bibliotecas.
Apresenta fatores que podem contribuir para maior eficiência através da comunicação
efetiva com os demais bancos de dados corporativos da Universidade e conclui
constatando que a criação do Banco Único de Usuários das Bibliotecas do Campus USP
- São Carlos tornou o serviço de empréstimo mais ágil e eficiente, através do
compartilhamento de responsabilidades e benefícios.

�Palavras-chave: Banco de dados; Cadastramento de usuários

1 INTRODUÇÃO
O Banco de Dados Bibliográfico da Universidade de São Paulo - USP,
denominado DEDALUS, foi implantado em 1985 num sistema computacional
Unisys A15, apoiado em banco de dados DMS II, da mesma empresa Unisys,
sucessora da

empresa Burroughs. O aplicativo que fornecia a interface aos

usuários foi desenvolvido pelo Centro de Computação Eletrônica - CCE da USP.
Com a necessidade de rever seu sistema de apoio ao Banco DEDALUS,
a Universidade, através do Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de
São Paulo - SIBi/USP decidiu avaliar o que o mercado mundial oferecia, que seria
compatível às suas necessidades e, em 1997, inaugurou a SIBiNet - Rede de
Serviços do SIBi/USP. A Rede permitiu disponibilizar na World Wide Web  WWW
os diversos produtos e serviços oferecidos pelo Sistema, incluindo o DEDALUS Banco de Dados Bibliográficos da USP, implementado pelo software Aleph versão 300, adquirido junto à empresa israelense Ex Libris.
A SIBiNet proporcionava então a integração de atividades, serviços e
facilidades para o usuário no acesso às informações sobre mais de 1.300.000
itens do acervo das bibliotecas, teses apresentadas à Universidade e trabalhos
publicados por seus docentes/pesquisadores, reunindo de forma integrada, os
seguintes serviços de biblioteca: catálogo on-line para acesso público, aquisição e
empréstimo.
Em 1999

foi

estabelecido

um cronograma

para

treinamento

e

operacionalização do Subsistema de Circulação e Empréstimo do software Aleph
versão 300 experimentalmente em quatro bibliotecas do SIBi/USP: Conjunto das
Químicas - CQ, Escola de Comunicação e Artes - ECA, Escola Politécnica - EP e
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas - FFLCH.
Essa

experiência

apontou

problemas

no

cadastro

de

usuários,

especificamente, informações desatualizadas que dependiam de uma ação
conjunta entre as Seções de Alunos e funcionários das Unidades que

�gerenciavam esses dados. Outra dificuldade se referia a impossibilidade de
efetuar reserva e solicitação de Empréstimo entre Bibliotecas - EEB via WWW, o
que seria resolvido com a implantação do Subsistema em todas as Bibliotecas do
Sistema.
Inicialmente a base de usuários seria única, com parâmetros no nível
global, que possibilitaria ao usuário retirar material em todas as bibliotecas do
Sistema cujos controles seriam operacionalizados no nível local. Os dados dos
usuários seriam importados dos Bancos Corporativos da USP. Os status seriam
definidos no nível global com complementações para atender situações
específicas das bibliotecas. Infelizmente por falta de política sistêmica, não houve
a implementação do empréstimo unificado nas bibliotecas do Sistema e somente
algumas bibliotecas o implementaram localmente.

2 CONTEXTUALIZAÇÃO
O acervo das quatro Bibliotecas do Campus USP - São Carlos,
integrantes do SIBi/USP composto por 39 Bibliotecas, reúne mais de 134.175
livros; 6080 títulos de periódicos e 11.694 teses, incluindo materiais especiais,
audiovisual e multimídia, totalizando 708.779 volumes. São ligadas diretamente
às unidades de ensino e pesquisa, Escola de Engenharia de São Carlos - EESC,
Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação - ICMC, Instituto de Física de
São Carlos - IFSC e Instituto de Química de São Carlos  IQSC. Possuem infraestrutura física adequada, disponibilizando salas de estudo, de vídeo e
microcomputadores ligados à Internet que possibilitam oferecer os serviços de
circulação e empréstimo, reprografia, comutação bibliográfica, laboratório de
idiomas, acesso a bases de dados, microcomputadores com softwares científicos,
empréstimos entre bibliotecas dentre outros.
O avanço da tecnologia de informação impõe constantes desafios aos
gerentes de bibliotecas, administradores de redes e sistemas, requerendo o
estabelecimento

de

parcerias,

implementação

de

novos

aplicativos,

aprimoramento de seus recursos de tecnologia de informação e outros, visando

�atender a demanda de usuários e manter a qualidade dos produtos e serviços, em
sintonia com o panorama nacional e internacional.
Atualmente a comunidade do Campus USP - São Carlos tem mais de
7.600

usuários,

entre

alunos

de

graduação,

pós-graduação,

docentes,

pesquisadores, funcionários e outras categorias. Com a recente criação de novos
cursos, é previsto um considerável aumento dessa população nos próximos cinco
anos.
As Bibliotecas do Campus USP - São Carlos utilizavam bases de dados
locais de usuários de forma individual, impondo aos usuários a necessidade de
efetuar o cadastro e obtenção da carteira de identificação em cada biblioteca que
pretendiam utilizar.
A duplicação de trabalho entre as bibliotecas era evidente, a situação foi
acentuada com o aumento do volume de usuários decorrentes da abertura de
novos cursos, impondo uma revisão urgente nos procedimentos adotados para
gestão dos dados cadastrais de usuários e dos decorrentes da utilização dos
serviços de circulação e empréstimo, visando racionalização e otimização.
A criação do Banco Único de Usuários das Bibliotecas do Campus USP São Carlos foi a solução encontrada pelas referidas Bibliotecas para proporcionar
ao usuário a facilidade de efetuar o cadastro apenas na Biblioteca de sua Unidade
de origem e ter o direito de utilizar os serviços oferecidos pelas demais Bibliotecas
do Campus. Para as Bibliotecas as vantagens foram eliminar o recadastramento
de usuários, a emissão de carteirinhas específicas das Bibliotecas para os
usuários vinculados à USP, obter o controle efetivo sobre a situação dos usuários
em âmbito do Campus, possibilitar a adoção de políticas particulares e unificadas
de empréstimo, compartilhar responsabilidades, benefícios e promover a
comunicação efetiva com os demais bancos de dados corporativos da
Universidade.

�3 DESENVOLVIMENTO E IMPLANTAÇÃO DO PROJETO
A equipe formada pelas diretoras e responsáveis pelas seções de
atendimento ao usuário de cada biblioteca, reuniu-se em agosto de 2004 para
estabelecer uma metodologia de trabalho e dar início ao delineamento do projeto
para viabilizar a proposta da criação do Banco Único de Usuários das Bibliotecas
do Campus USP - São Carlos, utilizando o Subsistema de Circulação e
Empréstimo do software Aleph.
Inicialmente foram identificadas as categorias de usuários de cada
unidade e o prazo de empréstimo permitido para cada uma das categorias.
Levantaram-se propostas de períodos comuns para as categorias em todas as
bibliotecas que foram encaminhadas às Comissões de Bibliotecas de cada
unidade para a devida aprovação, necessitando alguns ajustes para atender as
novas sugestões.
Vale ressaltar que as bibliotecas possuíam categorias diferenciadas,
assim como prazos e quantidades de material permitido para o empréstimo, e
conseqüentemente não eram conformes ao regulamento de todas bibliotecas. A
saber: o caso de docentes aposentados e usuários externos à universidade que
podiam se cadastrar em uma das bibliotecas e em outras não eram aceitos; o
prazo para docentes da unidade em uma biblioteca era de cento e oitenta dias e
em outra o prazo era de trinta dias e outros casos, conforme Tabela 1.

�Tabela 1  Prazos e Limites de Empréstimos por Biblioteca antes da unificação
dos bancos de usuários
Categoria de
Usuários
Bibliotecas
Discentes de
Graduação da
Unidade
Discentes de
Graduação das
demais Unidades
Discentes de Pósgraduação da
Unidade
Discentes de Pósgraduação das
demais Unidades
Docentes da
Unidade
Docentes das
demais Unidades
Funcionários da
Unidade
Funcionários das
demais Unidades
Usuários Externos

EESC

ICMC

IFSC

IQSC

Prazo Quant. Prazo Quant. Prazo Quant. Prazo Quant.
15
99
15
05
15
80
15
99
08

05

10

05

15

10

7

10

08

05

10

05

7

10

7

10

15

10

30

10

15

30

15

15

15

10

30

10

15

30

15

15

30

15

180

99

130

80

180

99

30

15

30

10

30

10

30

10

08

05

07

05

30

10

30

10

08

05

07

05

15

10

30

10

-

-

30

10

20

10

7

10

Após consenso entre as equipes das Bibliotecas e suas Comissões foi
aprovada a uniformização dos períodos e categorias comuns entre as quatro
bibliotecas. Foram mantidos status e prazos distintos para as categorias não
comuns e criadas novas categorias, viabilizando as políticas individuais de cada
biblioteca e possibilitando a operacionalização integrada do Subsistema de
Circulação e Empréstimo do software Aleph versão 300.
Para cada categoria de usuários foi atribuído um código numérico,
denominado status. Foi criado um status especifico para irregularidade em cada
biblioteca possibilitando sanar problemas como atrasos, multas ou qualquer outra
penalidade prevista, permitindo bloquear o empréstimo para usuários com
pendências em determinada biblioteca. Ver Tabela 2.

�Tabela 2  Prazos e Limites de Empréstimos por Biblioteca praticados após a
criação o Banco Único de Usuários das Bibliotecas do Campus USP São Carlos
Status
35

Bibliotecas da USP

EESC
Prazo Quant.
20
5

45

Bibliotecas de outras Universidades

20

5

20

5

20

5

20

5

20

10

8

10

8

10

8

10

8

20

10

20

10

20

10

20

10

20

10

20

10

20

10

20

10

9

Discentes de Graduação do Campus
USP  São Carlos
Discentes de Pós-graduação do
Campus USP  São Carlos
Discentes de Pós-doutorado com Nº
USP do Campus USP - São Carlos
Docentes da EESC

30

15

30

10

30

10

30

10

7

Docentes do ICMC

30

15

180

40

30

10

30

10

10

Docentes do IFSC

30

15

30

10

30

10

30

10

8

Docentes do IQSC

30

15

30

10

30

10

90

40

30

Funcionários do Campus  São Carlos

20

10

20

10

20

10

20

10

21

-

-

-

-

-

-

-

-

99

Inativos
(alunos,
docentes
e
funcionários não mais vinculados a
USP, falecidos, etc..)
Irregularidade na EESC

-

-

-

-

-

-

-

-

11

Irregularidade no ICMC

-

-

-

-

-

-

-

-

22

Irregularidade no IFSC

-

-

-

-

-

-

-

-

33

Irregularidade no IQSC

-

-

-

-

-

-

-

-

41

Monitorias/Encadernação/Laboratórios

-

-

-

-

90

40

60

5

40

Seções/ Unidade

-

-

90

40

-

-

-

-

70

Servidores aposentados

20

10

20

10

20

10

20

10

89

Usuários Externos IFSC

-

-

-

-

20

10

-

-

94

Usuários Externos IQSC

-

-

-

-

-

-

20

10

97

Usuários Externos ICMC

-

-

20

10

-

-

-

-

74

Usuários Externos EESC

20

10

-

-

-

-

-

-

51

Supervisor IFSC

-

-

-

-

10

8

-

-

15
50

Categoria de Usuários

ICMC
Prazo Quant.
20
5

IFSC
Prazo Quant.
20
5

IQSC
Prazo Quant.
20
5

Como as Bibliotecas IFSC e a do IQSC, utilizavam o software EMP do
Centro Latino Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde BIREME e mantinham suas bases locais de usuários em CDS/ISIS, solicitaram ao
Departamento Técnico do SIBi a criação de suas Bases Locais de Usuários no
Subsistema de Circulação e Empréstimo do software Aleph versão 300 através da
importação dos registros referentes aos docentes, discentes e funcionários
vinculados às respectivas unidades e contidos nos demais bancos de dados
corporativos da Universidade.

�Foram estabelecidos os padrões de entrada de dados e cada Biblioteca
efetuou a revisão dos registros referentes às suas Bases Locais de Usuários,
visando eliminar inconsistências, excluir registros referentes aos usuários que já
não estão vinculados à Universidade e efetuar as alterações de status quando
necessário. Para tanto, utilizou-se listas de alunos de graduação, pós-graduação,
docentes e funcionários obtidas junto as Seções de Graduação, Pós-graduação e
de Pessoal de cada Unidade. Foi necessário fazer uma verificação criteriosa dos
registros importados dos Bancos corporativos da USP, uma vez que os objetivos
destes diferem do Banco Único de Usuários, pois necessitam manter a memória
de todas as pessoas que tem ou tiveram vínculo com a Universidade e enquanto
que, o Banco Único de Usuários necessita somente dos dados das pessoas
ativas na USP. Constatou-se as seguintes ocorrências:
•

duplicação de usuários;

•

usuários com dois códigos diferentes;

•

usuários com validade vencida;

•

usuários cadastrados em duas categorias diferentes;

•

usuários não mais vinculados à USP devido a demissão, colação
de grau e até mesmo falecimento;

•

campo de código de barras não preenchido;

•

endereços desatualizados;

A unificação das Bases Locais de Usuários da EESC, ICMC, IFSC e
IQSC, efetuada em janeiro de 2005 pelas Bibliotecas com o apoio técnico do
DT/SIBi, permitiu a criação do Banco Único de Usuários das Bibliotecas do
Campus USP - São Carlos. Foram estabelecidos os seguintes critérios:
- no caso de ocorrência de duplicidade de registros, a prioridade foi
manter os registros que tinham histórico decorrente do Subsistema de Circulação
e Empréstimo, independente da Unidade e desprezar os demais. Em decorrência
disto foi necessário efetuar revisão para manter apenas um registro sem prejuízo
de perdas de informações.

�- a adoção do cartão de identificação da USP e conseqüentemente o
emprego do número USP como código de identificação, visando eliminar a
emissão de carteirinhas de docentes, funcionários, alunos de graduação e de pósgraduação. Somente para os usuários externos são emitidas carteirinhas e fica a
critério da Biblioteca específica a que estão cadastrados.
A Biblioteca do IFSC optou por continuar a utilizar por mais um ano o
software EMP da BIREME, pois julgou ser necessário revisar os registros
referentes ao seu acervo no DEDALUS. Devido a este fato, a Biblioteca
desenvolveu um script para importação diária dos registros do Banco Único de
Usuários das Bibliotecas do Campus USP - São Carlos para a Base de Usuários
em CDS/ISIS, o que viabilizou a adoção dos procedimentos e padrões adotados
por todas as unidades mesmo utilizando softwares diferentes.
Em janeiro de 2006, a Biblioteca do IFSC passou também a utilizar o
Subsistema de Circulação e Empréstimo do Aleph. E a partir desta data as
Bibliotecas das Unidades do Campus USP - São Carlos passaram a solicitar
anualmente ao DT/SIBi, após o termino do período de matrículas, a importação
dos novos registros referentes aos docentes, discentes e funcionários vinculados
às respectivas unidades e contidos nos demais bancos de dados corporativos da
USP. Esta medida propicia o pré-cadastro dos novos alunos matriculados no ano
letivo, que é atualizado a medida que os mesmos procuram efetivar suas
inscrições na Biblioteca de origem.O Banco Único de Usuários das Bibliotecas do
Campus USP - São Carlos possui os mesmos campos definidos para Subsistema
de Circulação e Empréstimo do Aleph:
•

Data de inscrição;

•

Data de atualização do registro;

•

Sigla da Biblioteca Ramal;

•

Identificação do usuário;

•

Código de barras;

•

Identificação adicional;

•

Sobrenome;

•

Nome;

�•

Título;

•

Opção de endereçamento;

•

Endereço postal;

•

CEP (endereço postal)

•

Endereço permanente;

•

CEP (endereço permanente)

•

Endereço e-mail;

•

Telefone;

•

Status;

•

Data de vencimento;

•

Categoria;

•

Impressão de etiqueta (I/N/L)

•

Código do Departamento/Unidade;

•

Nome do Departamento/Unidade

•

Irregularidade

•

Nota

•

Idioma (p/cartas)

•

Método de entrega (R/E)

•

Permissão para: Reserva, Empréstimo, Fotocópia, Ignorar
bloqueio, Reservas múltiplas, Verificar
empréstimo, Bloquear remoção registro
usuário, renovação (S/N/I),Ignorar devolução
com atraso

Atualmente o Banco Único de Usuários das Bibliotecas do Campus USP São Carlos possui 7.517 registros conforme especificado na Tabela 3.

�Tabela 3  Usuários inscritos por Biblioteca
Categoria de Usuários

Bibliotecas

Usuários Vinculados à Unidade e Inscritos nas
Bibliotecas
Total por
EESC
ICMC
IFSC
IQSC
Categoria
198
198
198
198
198

Discentes de Graduação

1960

997

440

222

3619

Discentes de Pós-graduação

1745

240

217

254

2456

Docentes

214

111

78

42

445

Funcionários

338

74

149

110

671

121

128

1741

1210

Usuários Externos
Total por Unidade

4455

249
826

Total de Registros

7638

Desde janeiro de 2006 as Bibliotecas do Campus USP  São Carlos
utilizam o Subsistema de Circulação e Empréstimo do Aleph para gerenciar seus
Serviços de Empréstimos. A eficácia na manutenção do banco tem possibilitado o
controle efetivo sobre a situação dos usuários, permitindo atitudes corretivas no
âmbito do Campus como suspensão de retirada e ou renovação de material para
usuários em atraso em uma das Bibliotecas.

4 RESULTADOS OBTIDOS
A implantação do Banco Único de Usuários das Bibliotecas do Campus
USP - São Carlos possibilitou a agilização do registro de novos usuários nas
bibliotecas do Campus, a eliminação da emissão das carteirinhas devido a
utilização do cartão de identificação USP, e a otimização do trabalho quantificada
na Tabela 4, que evidencia redução de recadastramento de usuários.
Tabela 4  Representação percentual de Quantidade de Usuários
Biblioteca

Usuários
Cadastrados

EESC
ICMC
IFSC
IQSC
Registros comuns
Total de Registros

4257
1543
1012
628
198
7638

Percentual

55,73%
20,20%
13,25%
8,22%
2,59%
100%

Otimização Obtida com a
Implantação do Banco Único

44,27%
79,80%
86,75%
91,78%

�Aliados a estes fatores houve aumento do valor agregado ao Subsistema
Aleph com a implementação das funções previstas, a criação de modelo de
implementação com possibilidade de ser adotado em outras Bibliotecas do
Sistema e controle efetivo da situação dos usuários, que tornou o serviço de
empréstimo

mais

ágil

e

eficiente,

através

do

compartilhamento

de

responsabilidades e benefícios.

5 CONCLUSÃO
Os resultados apresentados demonstram que a criação do Banco Único
de Usuários das Bibliotecas do Campus USP - São Carlos foi um ganho para os
usuários e para as bibliotecas. Aprimoramentos necessitam ser feitos, para
possibilitar melhor interface WWW com os usuários, mas que dependerá da
política do SIBi para sua adoção ou não. De qualquer forma, a experiência foi
bastante positiva e demonstrou que é possível agregar mais valores aos serviços
prestados pelas Bibliotecas do Campus USP - São Carlos.

REFERÊNCIAS
FARIA, R. A. et al. Implantação do software Aleph, versão 500, na USP. São
Paulo: SIBi/USP, 2001. Disponível em: &lt;http://vega.sibi.usp.br/gestao/sdg/
documentacao/sdg_sistema_de_informacao_01.pdf&gt;. Acesso em: 17 jul. 2006.
KRYZANOWSKI, R. F. et al. Projeto de circulação automatizada em âmbito
sistêmico do SIBi/USP. In: SEMINARIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITARIAS,11,2000. Anais... Florianopolis: UFSC-BU-CIN, 2000.
1 CD-ROM.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Sistema Integrado de Bibliotecas.
Departamento Técnico. Dados estatísticos do Sistema Integrado de
Bibliotecas 2005. São Paulo: SIBi/USP, 2006. 169 p.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Sistema Integrado de Bibliotecas.
Departamento Técnico. SIBiNet - Rede de Serviços do SIBi/USP:
características, uso e funções. São Paulo: SIBi/USP, 1999. 1v.

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Banco único de usuários das bibliotecas do Campus USP de São Carlos.</text>
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                <text>Apresenta o processo de criação de um banco único de usuáriso que atende simultaneamente as bibliotecas dos Campus da Universidade de São Paulo - USP de São Carlos, ligadas às unidades de ensino e pesquisa nas áreas ed ciências da computação e matemática, engenharia, física e química. O aumento da demanda, a partir da criação de novos cursos e do aumento de vagas dos já existentes, justificou o projeto, que tinha por principal objetivo preservar a qualidade no atendimento aos usuários. Dessa forma, a iniciativa proporcionou aos usuários a facilidade do cadastramento exclusivo em sua unidade de origem e automaticamente o cadastro se ativar nas demais bibliotecas do Campus.Demonstra os benefícios obtidos com a otimização dos trabalhos, principalmente no início do ano letivo, evitando o recadastramento de usuários nas quatro unidades; as vantagens propiciadas pela revisão das políticas de empréstimo das bbilitoecas, padronizando os prazos de devolução e quantidade de itens a serem retirados; e o controle efetivo sobre a situação dos usuários, permitindo atitudes corretivas no âmbito do Campus como suspensão de retirada e ou renovação de material, para usuárioso em atraso em uma das bibliotecas. Apresenta fatores que podem contribuir para melhor eficiência através da comunicação efetiva com os demais bancos de dados corporativos da universidade e conclui constatando que a criação do Banco Único e Usuários das Bibliotecas do Campus da USP- São Carlos tornou o serviço de empréstimo mais ágil e eficiente, através do compartilhameto de responsabilidades e benefícios.</text>
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                    <text>BASE DE DADOS  EVENTOS na WEB : uma experiência na DBDCQ/USP

Fátima Aparecida Colombo Paletta *
fatima@bcq.usp.br
Débora Ferrazoli Penilha *
debora@bcq.usp.br

_______________________________
*UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - USP
DIVISÃO DE BIBLIOTECA E DOCUMENTAÇÃO
DO CONJUNTO DAS QUÍMICAS - DBDCQ
Av. Prof. Lineu Prestes, 950 - Cidade Universitária
05315-970 - São Paulo - SP - Brasil
Fone: (0xx11) 3091-3859 - Fax: (0xx11) 3812-8194
http://www.bcq.usp.br

�2

RESUMO

Este trabalho foi desenvolvido com o intuito de relatar a experiência da
implantação da Base de dados EVENTOS na WEB na Divisão de Biblioteca e
Documentação do Conjunto das Químicas da Universidade de São Paulo 
DBDCQ/USP. Essa base aborda os eventos publicados nas áreas de química e
ciências farmacêuticas. Enfoca a implementação da Base de dados  EVENTOS
na WEB , utilizando a interface IAH que é uma aplicação desenvolvida em
WWWISIS que possibilita a publicação da base de dados MICROISIS em
ambiente WEB. Dentre os resultados obtidos mostraram-se eficazes a
minimização de busca pelos usuários, atualização on line e divulgação desse
acervo para a comunidade acadêmica.

Palavras-chave: Base de dados  EVENTOS; EVENTOS na WEB.

Tema Central: Acesso Livre à Informação Científica e Bibliotecas Universitárias.
Eixo-temático: As Bibliotecas Universitárias e a Produção do Conhecimento.
Sub-temas: A preservação do conhecimento e os arquivos digitais.

�3

1 INTRODUÇÃO

Dá-se a designação genérica de eventos às realizações destinadas a congregar
especialistas em determinada área para apresentação e debate de tópicos de
atualização, com o fim de chegar a determinadas conclusões, resoluções ou
sugestões.

São abrangidos por este termo: congressos, conferências, simpósios, sessões,
assembléias, reuniões, jornadas, seminários, semanas de estudo, mesas
redondas, fóruns, workshops, meetings e similares.

Os eventos podem ser esporádicos (e neste caso são considerados e tratados
como livros), ou apresentar continuidade (revelada pela numeração consecutiva
ou por expressões indicativas de freqüência, por exemplo anual e bienal etc). É a
continuidade que lhes confere a característica de eventos.

Os eventos

publicados nas áreas de química e ciências farmacêuticas

suscitaram a preocupação da Divisão de Biblioteca e Documentação do Conjunto
das Químicas (DBDCQ) da Universidade de São Paulo (USP), pelo fato de estar
registrado no catálogo de periódicos e não estar disponível no Banco de Dados
Bibliográficos da USP - DEDALUS, não sendo disponível essa informação aos
usuários, sendo acessível localmente na biblioteca.

Tal fato foi determinante para que o setor de periódicos tivesse a iniciativa de
implantar uma Base de Dados local em Microisis e assim, para fornecer aos
seus usuários a disponibilização dos eventos existentes na Biblioteca.

Com o intuito de disponibilizar a base de dados

para acesso via WEB, foi

utilizada a interface IAH ( Interface for Access on Health Information ) que foi

�4

projetada para recuperar informação de bases de dados em MICROISIS que
possibilita a aplicação em ambiente WEB.
2 JUSTIFICATIVA

A DBDCQ integra o acervo de duas Unidades: Faculdade de Ciências
Farmacêuticas (FCF) e Instituto de Química (IQ). Considerada uma biblioteca de
grande

porte,

possui

um

acervo

de

periódicos

com

49.536

volumes

encadernados, sendo que 19.633 pertencem a Faculdade de Ciências
Farmacêuticas e 29.903 ao Instituto de Química. Existe, ainda cerca de 131.200
fascículos desencadernados (dado por amostragem).

Com a criação do Banco de Dados Bibliográficos da USP  DEDALUS, a
automação das informações bibliográficos dos acervos das bibliotecas do Sistema
Integrado de Bibliotecas da USP  SIBi/USP, possibilitou o uso de recursos
computacionais para acesso à informação.

Porém, os eventos não foram migrados para o DEDALUS devido as suas
especificidades. O recurso disponível na DBDCQ era o catálogo de eventos que
encontrava-se em fichário, sendo o apoio referencial para a comunidade
acadêmica.

O grande problema enfrentado pela biblioteca, para o atendimento dos seus
usuários, sempre foi a forma de busca e localização dos eventos das áreas de
química e ciências farmacêuticas.

Com a crescente demanda, foi desenvolvida uma Base de Dados - Eventos com
o software Microisis , que facilitou a manutenção dos dados e a inserção de novos
registros, estando a base disponível somente na biblioteca DBDCQ.

Em 2005, com o intuito de disponibilizar a base para acesso via WEB, utilizou a
interface IAH ( Interface for Access on Health Information ) que foi projetada para

�5

recuperar informação de bases de dados em MICROISIS

que possibilita a

aplicação em ambiente WEB. O sistema otimizou a atualização e divulgação
on-line desse acervo e minimização de busca pelos usuários.

3 OBJETIVO

A implantação da Base visou os seguintes objetivos:
•

Disseminação do acervo de eventos;

•

Disponibilização e agilização da base de dados via WEB;

•

Otimização do serviço de busca e atualização dos dados on line.

4 METODOLOGIA

Durante o desenvolvimento da primeira etapa utilizou-se, para entrada de dados,
o software Microisis CDS/ISIS versão 3.07 que teve como objetivo a automação
do catálogo de eventos.
Foram inseridos 620 títulos de eventos das áreas de química e ciências
farmacêuticas, conforme FIGURA 1 e FIGURA 2 , preenchendo os seguintes
campos com as informações que seguem:

Campo 05 - Identificação
•

Número seqüencial do evento, correspondendo ao número do MFN.

Campo 10  Número do Código da Avaliação ou Código ALEPH
•

Indicar neste campo o número do código da avaliação ou código Aleph.

Campo 20  Registro
•

Indicar neste campo se existe algum volume tombado. Caso positivo,
colocar S; caso negativo colocar N .

Campo 30  Título do Evento
•

Indicar neste campo o título principal do Evento.

�6

Campo 35  Mudança de Título
•

Indicar neste campo a mudança de título do Evento.

Campo 60  Título da Remissiva
•

Indicar o título original do Evento, quando tiver remissiva.

Campo 65  Nome Certo
Preencher este campo, quando tiver remissiva, com a palavra veja
tantas vezes quanto forem as remissivas.

•

Campo 70  Título Adotado
•

Preencher o título adotado no campo 30.

Campo 80  Número do Evento
•

Indicar neste campo o número do Evento.

Campo 90  Cidade/Estado/País
•

Indicar neste campo a Cidade, o Estado e o País em que ocorreu o
Evento.

Campo 100  Data
•

Indicar a data do Evento.

Campo 110  Título do Conteúdo
•

Indicar o volume e o conteúdo da obra.

Campo 120  Tipo do Evento
•

Preencher este campo com o tipo do Evento.

Campo 130  Título da Inserta (Evento/Periódico)
•

Indicar neste campo o título da inserta.

Campo 140  Coleção da Inserta
•

Indicar neste campo o volume, fascículo, página, suplemento e data da
Inserta.

�7

Campo 150  Entidade do Evento
•

Indicar neste campo a entidade responsável pela publicação do evento.

Campo 155  Sigla da Unidade
•

Indicar neste campo se a obra é pertencente à Faculdade de Ciências
Farmacêuticas, com FCF, ou Instituto de Química,com IQ.

Campo 160  Classificação
•

Preencher com o número de classificação, de acordo com a tabela que a
Biblioteca adota (CDD).

Campo 170 - Nacionalidade
•

Indicar neste campo NAC, para obra nacional, ou INT para obra
internacional.

Campo 180  Número de Registro da Obra (Tombo)
Indicar neste campo o número do tombo da obra, que deve ser seguido
pela sigla FCF ou IQ, de acordo com a unidade a que pertence mais
número do evento que corresponde ao tombo.

•

Campo 190  Endereço Eletrônico
•

Indicar o e-mail da entidade responsável pela publicação do evento.

Campo 200 - Publicadora
•

Indicar neste campo o nome da entidade responsável pela publicação da
obra.

Campo 210 - Telefone
•

Indicar o número do telefone da entidade responsável pela publicação do
evento.

Campo 215  Fax
•

Indicar o número do fax da entidade responsável pela publicação do
evento.

Campo 220 - Localização

�8

Indicar neste campo se a obra encontra-se no Acervo, na Biblioteca
Depositária ou na sala de Base de Dados, quando em CD-ROM.
Campo 230  Observação
•

Indicar neste campo situações diversas, como falhas na coleção, rasuras,
perdas, etc.

•

Campo 240  Analítica Monográfica
•

Indicar neste campo a analítica monográfica (Livros).

Campo 250  Título da Analítica Monográfica
Indicar neste campo o título da analítica monográfica. Caso seja analítica
com autor, é necessário digitar, antes da analítica , o conteúdo do título.

•

Campo 260 - Procedência
•

Indicar neste campo como o material foi adquirido pela Biblioteca. Ex.:
Compra, Doação, Permuta etc.

•

Campo 270  Data de Recebimento

•

Indicar a data de recebimento da obra (ddmmaa). Ex.: 12/01/2000.

Campo 280  Preço
•

Indicar neste campo o valor pago pela obra.

Campo 290  Data de Pagamento
•

Ver preenchimento do campo 270.

Em função da crescente necessidade e demanda dos usuários, a base
necessitava de implementações. Para disponibilizar a Base Evento através da
WEB, optou-se pela interface WWWISIS ,desenvolvida pela BIREME. Foi utilizado
a interface IAH (interface for Access on Health Information), projetada para
recuperar informação de bases de dados em ISIS de forma otimizada via internet.
É uma aplicação desenvolvida em WWWISIS que possibilita a publicação de base
de dados em Microisis em ambiente WEB. (FIGURA 3,4,5).

�9

O aperfeiçoamento desse serviço agilizou o atendimento aos usuários, a
atualização

on line da base e a divulgação desse acervo à comunidade

acadêmica.
5 CONSIDERAÇÔES FINAIS

As publicações de eventos são um material que não circula para empréstimo.

Com a implantação da base de dados EVENTOS via WEB , foi possível contribuir
para a agilização no atendimento aos usuários e para a atualização on line da
base.

O grande fluxo de usuários que consultam diariamente as dependências da
biblioteca,

traz

consigo

certas exigências.

Essa

ferramenta

de acesso

proporcionou a difusão desse importante acervo aos docentes, alunos e
comunidade em geral.

A base de dados EVENTOS encontra-se disponível no seguinte endereço
eletrônico http://www.bcq.usp.br/iah/P/bases/htm .

6 ABSTRACTS

This study reports the experience of implementation of EVENTS Data Base on
Internet at Library Division and Documentation of Chemistry Assembly of the
University of São Paulo - DBDCQ/USP. This Data Base approaches the events
published in the Chemistry Areas and pharmaceutical Sciences, using interface
IAH, that is an application developed in WWWISIS that makes possible the
publication of this data base MICROISIS in WEB environment. As a result of data
base had revealed a time reduction in user's search, on line update and spreading
of this information for the academic community.

Keywords: Data Base Events; Events in the WEB.

�10

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRITTES, J. G. et al. Um sistema WEB para divulgação de produção científica.
In: SEMINÁRIO NACIONAL de BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 12, 2002,
Recife. Anais... Recife: UFC, 2002. 1 CD-ROM.

CARDOSO, S. C. et al. Relato da experiência de se criar o WEB site do serviço
de biblioteca e documentação da faculdade de medicina da Universidade de São
Paulo. In: SEMINÁRIO NACIONAL de BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 12,
2002, Recife. Anais... Recife: UFC, 2002. 1 CD-ROM.

OLIVEIRA, R.M.V.B. et al. INDEX PSI : Recurso Informacional na área de
psicologia utilizando interface WWWISIS.
Disponível em :&lt;http://www.psicologia-online.org.br/index.html&gt;. Acesso em : 05
jun. 2006.

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Conjunto das Químicas. Divisão de Biblioteca
e Documentação. Relatório de Atividades . São Paulo : DBDCQ/USP, 2005.

�11

FIGURA 1  Tela de Entrada no Banco de Dados EVENTOS CDS/ISIS.

�12

�13

FIGURA 2  Planilha de Entrada de Dados de um registro.

FIGURA 3 - Tela de Busca na Base de Dados  EVENTO.

�14

FIGURA 4- Interface de Pesquisa da Base de Dados  EVENTO.

FIGURA 5 - Resultado da Pesquisa da Base de Dados  EVENTO.

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>Base de dados Eventos na WEB : uma experiência na DBDCQ/USP.</text>
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                <text>Este trabalho foi desenvolvido com o intuito de relatar a experiência da implantação da Base de dados EVENTOS na WEB na Divisão de Biblioteca e Documentação do Conjunto das Químicas da Universidade de São Paulo DBDCQ/USP. Essa base aborda os eventos publicados nas áreas de química e ciências farmacêuticas. Enfoca a implementação da Base de dados  EVENTOS na WEB , utilizando a interface IAH que é uma aplicação desenvolvida em WWWISIS que possibilita a publicação da base de dados MICROISIS em ambiente WEB. Dentre os resultados obtidos mostraram-se eficazes a minimização de busca pelos usuários, atualização on line e divulgação desse acervo para a comunidade acadêmica.</text>
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                    <text>EIXO TEMÁTICO: AS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS E A PRODUÇÃO DO
CONHECIMENTO
TÍTULO DO TRABALHO: BENCHMARKING: PARÂMETROS PARA QUALIDADE EM
BIBLIOTECAS: UM ESTUDO NAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS E FACULDADES
DE NATAL
Hadassa Daniele Silva Bulhões  Bacharel em Biblioteconomia/ Bibliotecária da
Universidade Potiguar UNP  email hadassa@unp.br
Luciana Moreira Carvalho  Mestre em Biblioteconomia/ UFPB - Professora do
Departamento de Biblioteconomia / UFRN  email lmoreirac@ufrnet.br
Maria do Socorro de Azevedo Borba - Mestre em Biblioteconomia/ PUCCAMP/SP 
Profª Departamento Biblioteconomia  UFRN -  email sosborba@yahoo.com.br
Mônica Marques Carvalho - Mestre em Biblioteconomia/ UFPBProfª Departamento Biblioteconomia  UFRN -email mônica_mcg@hotmail.com
RESUMO: Analisa a aplicabilidade da técnica do benchmarking para melhorias em
bibliotecas universitárias, bem como descreve as unidades de informação frente às
mudanças proporcionadas pela inserção das novas tecnologias de informação e
comunicação. Aborda a evolução do perfil do profissional da informação que também tem
sofrido modificações buscando adaptar-se as exigências do mercado de trabalho.
Destaca que os usuários de bibliotecas têm exigido produtos e serviços com, cada vez
mais qualidade, levando as unidades de informação a buscar apoio em inovações
tecnológicas e gerenciais para atender a esses usuários. Define benchmarking como o
processo através do qual as empresas podem monitorar e comparar seus métodos de
trabalho, seus produtos e serviços com outras organizações reconhecidas como líderes
na sua área de atuação ou com empresas tidas como excelentes em algo determinado.
Mostra que, aplicado à biblioteconomia, permite as unidades de informação a
enxergarem além de suas unidades, buscando o aprimoramento ou potencializar os
produtos e serviços oferecidos por elas. Aplicou-se questionários e entrevista com
bibliotecários em instituições.
Palavras-chave: 1 Unidades de Informação. 2 Bibliotecas universitárias. 3 Perfil do
bibliotecário. 4 . Benchmarking.

1 INTRODUÇÃO
Um novo paradigma tecnológico tem colocado a informação como
componente decisivo nas principais atividades da sociedade, exercendo um papel
chave para o crescimento das organizações, tornando-se insumo na tomada de
decisões. Os serviços de informações, atentos a essa realidade, devem
responder com qualidade ao mercado, apresentando produtos e serviços
eficientes e de valor aos seus usuários, buscando o aprimoramento contínuo de
suas unidades de informações. Dentro dessa perspectiva, a definição de
biblioteca como local onde se conserva grande quantidade de livros e
documentos, já não é mais símbolo de qualidade, surge à necessidade de mudar

�o perfil das bibliotecas, de guardiã de livros para disseminadora de informações,
onde se observa a preocupação em atender as necessidades cada vez mais
exigentes dos usuários por informações, visto que os mesmos passam a esperar,
cada vez mais, eficiência e qualidade na gestão desses serviços. Na busca pela
qualidade, as bibliotecas dão ênfase a ferramentas que auxiliem a acrescentar
qualidade aos serviços de informação, como métodos e técnicas administrativas,
a exemplo do benchmarking. Técnica usada como auxiliar no planejamento
estratégico, caracteriza-se como um processo de pesquisa, avaliação e
comparação de produtos, serviços ou práticas de negócios, de empresas líderes
que servirão para o aperfeiçoamento da organização e assim alcançar vantagem
competitiva no mercado.
Aplicado à Biblioteconomia, o benchmarking visa auxiliar no aprimoramento
dos produtos e serviços de biblioteca, com o objetivo de contribuir com algo novo,
bem como soluções para problemas existentes, através de investigações de
práticas e procedimentos realizados em unidades de informação. Deste modo, o
benchmarking

torna-se

uma

ferramenta

fundamental

para

orientar

os

bibliotecários a olharem para fora de suas unidades de informações, buscando
novas idéias e inspirações, adaptadas para suas bibliotecas, em busca do
aprimoramento contínuo. Assim através desse estudo, buscou-se analisar a
aplicabilidade do benchmarking em bibliotecas universitárias e de faculdades em
Natal.
Nesse sentido, diante de um cenário em que o profissional da informação
necessita de habilidades que lhe tragam um diferencial competitivo, faz-se
necessário questionar: que contribuição essa técnica traria para a área de
biblioteconomia? E como pode ser aplicado? Visto que, trata de uma pesquisa
que tem como foco analisar a aplicabilidade do benchmarking em bibliotecas
universitárias e faculdades de Natal. Para isso, objetivou-se especificamente,
caracterizar as unidades de informação, em especial a biblioteca universitária,
entendendo-se biblioteca, unidades de informação e/ ou serviços de informação
como sinônimos; verificar a evolução do perfil do profissional da informação,
frente às mudanças ocorridas pelo advento de uma nova sociedade e da inserção

�das novas tecnologias de informação e comunicação; bem como descrever a
ferramenta do benchmarking e sua aplicabilidade à área de Biblioteconomia.
2 UNIDADES DE INFORMAÇÃO
O aumento do volume e a rapidez com que a informação passou a ser
disseminada, decorrente dos avanços tecnológicos, fizeram surgir uma nova
sociedade, a chamada Sociedade da Informação. Nela, a informação cada vez
mais tem assumido valor fundamental em todas as atividades humanas, sejam
elas sociais, econômicas, culturais ou políticas. Nessa nova sociedade, a
informação passa a ter um valor mercadológico, podendo com isso ser
comercializada. Ela pode ainda ser considerado sinônimo de poder, pois
transformar informação em conhecimento faz gerar o desenvolvimento de toda
uma sociedade, tornando-a assim, mais forte. Cabe a biblioteca fornecer essa
ferramenta de incentivo ao desenvolvimento, devendo manter o intercâmbio da
informação com a sociedade, visto que fornecer informação é o papel principal
dos serviços de informação.
A explosão bibliográfica e a evolução das novas tecnologias de informação
e

comunicação

trouxeram

grandes

conseqüências

para

a

área

de

Biblioteconomia. A mudança no formato e armazenamento das informações faz
surgir uma nova filosofia, voltada para a disseminação da informação
independente de seu suporte.

A biblioteca que já teve a postura de

armazenadora de informação, passa a assumir uma postura centrada no acesso à
informação e ao conhecimento. Assim, novas denominações vão surgindo para
essas instituições que tem em seu objetivo central disponibilizar informação, como
a de unidade, centros ou sistemas de informação, entre outros. Percebe-se então
que atualmente, as unidades de informação são vistas de maneira a valorizar e
disponibilizar a informação, sendo pontos de acesso ao conhecimento.
Diante desse contexto de mudanças, o perfil do usuário de bibliotecas,
também sofre modificações. A competitividade faz com que eles passem a
esperar cada vez mais eficiência, eficácia e precisão nos serviços de informação,
exigindo das unidades de informação um contínuo aprimoramento de suas
atividades. Assim, os serviços de informação passam a adotar posturas que lhes

�favoreçam oferecer produtos e serviços de valor e significado aos seus usuários,
apoiando-se na otimização dos recursos e maior disseminação de informação
gerada e disponível e de valor aos seus usuários. Para isso, os serviços de
informação passam a adotar posturas competitivas e pró-ativas, buscando
inovações tecnológicas e gerenciais. A partir dessa realidade, as bibliotecas
universitárias, que atendem a um público diversificado, destacam-se como
disseminadora de informação em todas as áreas do conhecimento.
A biblioteca universitária a exemplo de outras bibliotecas, perde o perfil de
depositária de livros para assumir um importante papel de disseminadora do
conhecimento. Contribuem para o ensino e aprendizado, bem como para a
disseminação do conhecimento, inclusive da produção científica local, visto que
estabelece relacionamento direto com a comunidade acadêmica em todos os
seus níveis, sejam alunos, professores, funcionários ou administradores.
Carvalho (1981, p. 35) baseado na definição da UNESCO, descreve biblioteca
universitária como: Biblioteca dedicada primordialmente ao serviço dos
estudantes e do pessoal docente das universidades e outras instituições de
ensino superior. Podendo estar abertas ao público.
Segundo

Silva

(2000,

apud,

TARAPANOFF,

1982),

a

biblioteca

universitária constitui-se numa organização social prestadora de serviços. Deve
oferecer informação em todos os diferentes tipos de suporte, impresso ou
eletrônico, um acervo atualizado, pessoal qualificado para trabalhar com a
informação e o acervo, e devem promover o uso adequado dos recursos
informacionais e eletrônicos pelos usuários. Cabe ao profissional bibliotecário,
assumir posturas e atitudes de maneira a atender as necessidades informacionais
dos seus usuários, e também, as constantes inovações do mercado,
principalmente o acadêmico, onde se está sempre surgindo novas descobertas.
Sobre o papel do bibliotecário frente as mudanças, veremos a seguir.
3 PERFIL DO PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO
Com a explosão bibliográfica, a informação passou a ser disseminada de
forma mais fácil, porém passou a crescer num ritmo descontrolado. Guardar todas
as informações veiculadas passou a ser impossível, surgindo à necessidade de

�sistematizar a informação de maneira a ser recuperada mais facilmente. Nesta
realidade, o bibliotecário tem um papel de destaque. No entanto, até a década de
60, a formação do bibliotecário era predominantemente técnica. O objeto de
trabalho e estudo do bibliotecário era centrado no acervo, deste modo o
bibliotecário era preparado para trabalhar no paradigma da organização,
tratamento e armazenamento do material bibliográfico. Um marco importante
dessa década foi à regulamentação da profissão, quando ela passa a ser
reconhecida oficialmente.
O final da década de 80 é marcado pelas mudanças provocadas pela
chegada da era da informação, proporcionada pelas novas tecnologias de
informação e comunicação  TICs. A década de 90 é marcada então, pela
inserção das novas tecnologias de informação e comunicação nas bibliotecas, e
pelas mudanças provocas por elas, como no suporte, formato e armazenamento
da informação, bem como na maneira que o bibliotecário se porta frente ao seu
usuário.
Com a inserção das novas TICs no ambiente das bibliotecas, a Internet
surge como importante aliado, ela passa a ser instrumento básico no trabalho
dessas unidades, uma vez que os processos de seleção, processamento,
armazenamento, gestão e recuperação e ainda de disseminação passa a ocorrer
mais rapidamente e de maneira mais eficiente e eficaz. Assim, diante do cenário
atual, o modelo tradicional do bibliotecário tem sido afetado, e esta nova realidade
tem apresentado a este profissional um novo desafio: de romper com os velhos
paradigmas, para buscar um perfil interdisciplinar, dinâmico, pró-ativo e inovador,
buscando acompanhar e se adaptar a este novo cenário de constantes
mudanças.
Diante dessa nova realidade, o profissional da informação passa a atuar
como um instrumento intermediador e facilitador de acesso à informação,
devendo buscar atender as necessidades informacionais de seus usuários,
inovando e criando produtos e serviços com o objetivo de atrair e atender sua
clientela. Também adiciona ao processo de suas atividades novas características,
como a de gestor de pessoas e do conhecimento, acrescentando ao processo de
suas atividades novos métodos e formas de trabalho. Assim, são acrescentadas

�as atividades tradicionais, como a de catalogação, classificação, entre outros, as
atividades de administrador e gestor, deixando de lado o perfil de preservador,
para atuar como organizador do conhecimento, atuando como mediador entre a
informação e o usuário. Algumas medidas adotadas como, a avaliação dos seus
produtos e serviços através de padrões de desempenho, estudos de uso e
usuários, avaliação de coleções, análise da capacidade dos serviços da
biblioteca, entre outros, são utilizados como ferramentas extremamente úteis na
gestão e no processo de tomada de decisão, contribuindo para acrescentar
qualidade a bibliotecas, auxiliando e fornecendo dados para aplicar métodos de
comparação, bem como, para a monitoração do mercado.

Essa técnica de

monitoração é chamada de benchmarking e auxilia as empresas e instituições a
buscarem inovações em seus concorrentes, oferecendo aos seus usuários
produtos e serviços com maior qualidade.
4 BENCHMARKING: CONTEXTUALIZAÇÃO, CONCEITOS E APLICABILIDADE
Com a globalização e os novos paradigmas, as organizações têm sofrido
muitas influências, mudando assim seu perfil, principalmente no que se refere à
competitividade e a necessidade de constante aprimoramento, visando oferecer
qualidade a pequeno custo e com um máximo lucro. A inovação é um importante
aliado visto que há uma luta constante das empresas por estarem à frente,
lançando novos produtos e serviços, substituindo os anteriores, onde o moderno
logo se torna obsoleto. Deve-se considerar a inovação como diferencial na busca
pela melhoria contínua, visto que com a concorrência vem à competitividade e a
necessidade de oferecer novos produtos e serviços.
A inovação proporciona melhorias às empresas. De acordo Zairi (1997, p.
92), inovação significa [...] desenvolver a capacidade de apresentar ao cliente um
fluxo contínuo de novos produtos e serviços. Cardoso e Souza (1999, p. 14),
afirmam que A inovação surge a partir do momento em que novos métodos são
estudados, utilizados e otimizados para a realidade específica de uma empresa
[...]. As empresas, porém, precisam além de inovar aprender com a concorrência,
buscando monitorar o que as empresas oferecem de melhor para utilizar em sua
organização. Essa técnica de monitoração de mercado é chamada de
benchmarking. Segundo Ramos (2000, p. 9), [...] é um processo ético de

�comparação permanente de produtos, serviços e práticas do mais forte
concorrente ou de empresas tidas como líderes em seus mercados.
Concordando com Ramos (2000), Suaiden e Araújo Júnior (2001), afirmam que o
benchmarking pode ser definido como um exercício contínuo de comparação dos
produtos e serviços oferecidos pela concorrência, seja na sua área de atuação ou
não.

O benchmarking proporciona o aprendizado com a concorrência e a

capacidade de inovar, aumentando as chances de sobreviver num ambiente
altamente competitivo. Camp (1998), afirma que o benchmarking não é como uma
receita que combina ingredientes, nem é um modelo para ser seguido
rigorosamente, não se trata de uma simples imitação.

Destaca-se como um

processo de aprendizado com empresas concorrentes, buscando identificar as
melhores práticas, adaptá-las e absorvê-las em sua organização. Uma vez
aplicada, é necessário um contínuo monitoramento, objetivando manter o mesmo
padrão referencial de excelência.
Ramos (2000) afirma que é necessário considerar a técnica do
benchmarking para se assumir a liderança no mercado, devendo aprender com os
concorrentes buscando alcançar uma vantagem sustentável. A concorrência
normalmente é vista como uma ameaça para as empresas que já tem uma
posição elevada, porém deve-se olhar para os bons concorrentes com outros
olhos, buscando neles parâmetros para a melhoria contínua da empresa, ou seja,
deve-se olhar para eles de maneira a buscar o que eles oferecem de melhor para
adaptá-los

a realidade

da

sua organização.

Em busca

dos

melhores

desempenhos, o benchmarking torna-se extremamente importante a partir do
momento em que auxiliam [...] as organizações a identificar, comparar, selecionar
e, se for o caso, incorporar o que as concorrentes praticam de melhor no
mercado (ARAÚJO JÚNIOR, 2001, p. 246). A realização do benchmarking tem
foco na Inteligência Competitiva como técnica de apoio, que busca analisar
forças, fraquezas e atividades da concorrência, transformando informações
soltas em conhecimento estratégico para atuar no mercado. No benchmarking, a
identificação e comparação das melhores práticas, devem proporcionar o
desenvolvimento de estratégias que permitam levar sua empresa a uma posição
de destaque. A técnica do benchmarking pode ser definida, portanto, como o

�processo através do qual as empresas podem monitorar e comparar seus
métodos de trabalho, seus produtos e serviços com outras organizações
reconhecidas como líderes na sua área de atuação ou com empresas tidas como
excelentes em algo determinado. O benchmarking é um processo de pesquisa
que permite realizar comparações de processos e práticas para identificar o
melhor dos melhores, e a partir dessas informações, estabelecer estratégias que
permitirão as empresas se posicionarem na liderança em seu mercado de
trabalho. De acordo com Araújo Júnior (2001), a palavra benchmarking teve sua
origem na agrimensura, técnica utilizada para definir um marco no terreno, com
finalidade de permitir comparações de suas dimensões. Na tradução inglesa, ela
significa ponto de referência ou norteador. Segundo Camp (1997, p. 64), A
palavra japonesa dantotsu, que significa buscar ser o melhor entre os melhores,
capta a essência do benchmarking.
O benchmarking é composto basicamente de três etapas, sendo: 1)
conhecer suas operações internas, seus pontos fortes e fracos, documentar os
processos de trabalho e definir medidas de desempenho críticos, definindo, desde
então, os objetivos a serem alcançados; 2) conhecer as empresas concorrentes
para avaliação comparativa dos produtos e serviços; os parceiros do
benchmarking; e 3) adotar e exceder os pontos fortes da concorrência (ARAÚJO
JÚNIOR, 2001). O benchmarking é caracterizado por ser um processo contínuo,
visto que as empresas estão sempre se renovando, em constante movimento, e
sistemático; baseado na interatividade entre as organizações que trocam
informações; é também um processo investigativo, uma vez que monitora a
concorrência; deve ser baseado na aprendizagem com a concorrência e; na próatividade, visto que as informações subsidiarão ações futuras. Aplicando esses
conceitos às Bibliotecas Universitárias, percebemos que a biblioteca e seus
gestores buscam continuamente adequar os seus produtos e serviços às
necessidades dos seus usuários e as exigências do mercado. Para isso fazem
uso de técnicas que lhes permitam estar sempre atualizados e que atraiam seus
usuários, garantindo a sobrevivência no mercado. Sendo assim, nos últimos anos,
algumas bibliotecas vêm adotando o benchmarking como uma técnica que lhes
permite verificar, comparar e lhes posicionar no mercado para enfim, inovar e

�otimizar seus produtos e serviços, contribuindo com inovações e solucionando
problemas, através de investigações das práticas e procedimentos realizados em
outras unidades de informação. Essa técnica contribui para que os profissionais
da informação enxerguem para além de suas unidades, buscando potencializar
seus produtos e serviços com novas idéias e inspirações, adaptadas para
realidade de suas bibliotecas, buscando um aprimoramento contínuo e um
desempenho sustentável.
Baseando-se em Ramos (2000), ele destaca três motivações básicas para
aplicar o benchmarking em bibliotecas, destacando: o estabelecimento de um
padrão de qualidade interna por meio do benchmarking, de maneira que permita
ao usuário identificar diferenciais de outras unidades de informação, fazendo
comparações; criação de sinergia, onde o benchmarking é visto como processo
de comparação e adaptações a realidade da biblioteca; aprender com os
melhores desempenhos, o profissional da informação, deve colher informações
e verificar as competências das bibliotecas selecionadas para fazer parte do
benchmarking, para aprender com os melhores desempenhos.
O benchmarking aplicado em bibliotecas universitárias permite que se
conheça o mercado e seus concorrentes, determinando sua posição e seu nível
de desempenho em relação a outras bibliotecas. Tudo isso com o objetivo de
monitorar a concorrência e oferecer aos seus usuários melhores e novos produtos
e serviços, objetivando satisfazer as suas necessidades. O fator crítico de
sucesso das bibliotecas está baseado no bom atendimento dos usuários e
principalmente na qualidade desse atendimento, que está ligado a um bom
desempenho dos processos internos. Araújo Júnior (2001, p. 8) citando Rockart
(1979), afirma que o fator crítico de sucesso é definido como: [...] áreas
essenciais de uma organização ou empreendimento onde os resultados, se forem
satisfatórios, assegurarão o sucesso do empreendimento. Esse controle e
avaliação permitirão a implementação das melhores práticas, que resultarão em
benefícios a biblioteca e aos usuários.
5 METODOLOGIA

�Através da pesquisa de campo, foi realizado um estudo com o intuito de
identificar a aplicabilidade do benchmarking em Bibliotecas Universitárias e
Faculdades de Natal, bem como, o tipo de benchmarking mais utilizado; quais são
os seus parceiros; como levantam dados para a realização do mesmo; e em que
produtos ou serviços são aplicados. Foi realizada com profissionais bibliotecários
dirigentes de bibliotecas Universitárias e de Faculdades de Natal. Para a
realização da pesquisa, utilizou-se de questionário semi-estruturado, aplicado em
dois ambientes distintos, as bibliotecas universitárias, sendo uma pública e uma
privada e duas bibliotecas de faculdades. A amostragem das bibliotecas
escolhidas é composta pela Biblioteca Central Zila Mamede  BCZM da
Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN, a Biblioteca da
Universidade Potiguar  UnP, a Biblioteca da Faculdade Natalense para o
desenvolvimento do Rio Grande do Norte - FARN e, a Biblioteca da Faculdade de
Natal - FAL. Por questão de tempo, foi feito um recorte quanto às bibliotecas de
faculdades de Natal, selecionando apenas as duas já citadas. O questionário foi
aplicado aos dirigentes das referidas bibliotecas, sendo composto de perguntas
abertas e fechadas.
6 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Após realização da pesquisa, alguns resultados podem ser aqui resumidos.
Na primeira questão, que se refere ao gênero do sujeito, percebe-se que a
predominância é do sexo feminino. A esse respeito, Oliveira (1983, p. 34) em seu
trabalho sobre o bibliotecário e sua auto-imagem afirma que há uma proporção
muito elevada de profissionais do sexo feminino, destacando que 88% dos
profissionais de biblioteconomia são compostos por mulheres. Borba; Carvalho e
Borba (2005, p. 10) afirma ainda que:
[...] inicialmente, só existiam bibliotecários do sexo masculino. Após a
Revolução Industrial, teve início a inserção da mão de obra do sexo
feminino na profissão de bibliotecários. A importância foi acentuada com
a consolidação da Revolução Industrial, pois após o fim da 2ª Guerra
Mundial, houve carência de mão de obra masculina, então, as mulheres
começaram a se inserir no trabalho mecanicista nas fábricas, havendo
necessidade de trabalharem também em bibliotecas.

Observa-se que este dado já foi encontrado em outros estudos, o que
permite perceber que ainda no futuro, esse quadro permanecerá em sua maior

�parte, composto por mulheres.

Quanto

a

faixa

etária

temos

basicamente

bibliotecários com idade acima de 31 anos e a maior parte deles, ainda com idade
maior que 35 anos. Vale ressaltar que o questionário foi aplicado apenas aos
diretores das bibliotecas que compõem o universo dessa pesquisa. Entendemos
com esses dados, que esses profissionais já possuem maturidade profissional,
onde eles possuem acima de sete anos de formados, com um dos sujeitos
possuindo 24 anos de formado. Ainda nesta questão, é possível constatar que
três dos sujeitos se formaram na década de noventa, onde já estavam inseridas
nas atividades biblioteconômicas as novas tecnologias de informação e
comunicação  TICs, e as técnicas administrativas. A esse respeito Tarapanoff
(1997, p. 21) afirma que a: década de 90 trouxe mudanças de amplas
conseqüências [...]. A principal mudança é tecnológica, alavancanda a partir da
popularização e disponibilização para as massas, das novas tecnologias e da
telemática. Apenas 1 sujeito se formou na década de 80, possivelmente esse
sujeito teve, na graduação, menos oportunidade de ser contemplado com as
novas tecnologias.
Quanto a instituição em que se formaram, três dos sujeitos afirmaram
possuir formação pela Universidade Federal da Paraíba  UFPB, e apenas um
sujeito não se formou nesta Universidade, sendo formado pela Faculdade Tereza
DÁvila (FATEA) - SP. Esses dados possivelmente se dão pelo fato do curso no
Rio Grande do Norte ser relativamente novo, tendo sido criado em 1997. Portanto,
só a partir de 2001 é que a UFRN passou a lançar no mercado local.
Constatamos que todos os sujeitos afirmaram conhecer o termo benchmarking.
Isso mostra que independente da época de conclusão da graduação, todos eles
buscaram através da educação continuada, estar a par das inovações da área,
buscando se capacitar e incorporar a suas habilidades tradicionais, um novo
perfil, com novas habilidades e características.
Na questão seguinte, 3 dos sujeitos, afirmaram já ter aplicado a técnica
sem se dar conta que se tratava do benchmarking. Este é um dado conflitante,
visto que todos afirmaram conhecer o termo na questão anterior. Já na questão
seguinte, percebe-se que todos os sujeitos afirmaram querer conhecer mais sobre
o tema. Pode-se perceber, portanto, que há a necessidade de uma maior

�divulgação e estudo sobre a técnica e de suas potencialidades metodológicas na
área de biblioteconomia, para que os profissionais da informação tirem melhor
proveito da técnica. Quando indagados se aplicam ou não a técnica em suas
unidades de informação e o porque da resposta, todos afirmaram que aplicam a
técnica, destacando que buscam com isso monitorar sua área de atuação,
melhorar seus produtos e serviços, definir estratégias e buscar a qualidade para
suas bibliotecas.

E quando perguntado sobre os parceiros de benchmarking,

pergunta essa a apenas quem respondeu sim à questão anterior, os sujeitos
apontaram outras instituições de ensino superior, bem como bibliotecas virtuais.
Foi percebido que a USP foi à universidade mais citada como parceira para
realização do benchmarking. Isso pode ocorrer por ela ser uma instituição de
ensino superior renomada e nacionalmente conhecida. Esse dado mostra ainda,
que os sujeitos da pesquisa buscam monitorar sua área de atuação, conhecendo
seu mercado e concorrentes. Essa técnica de monitoração permite as unidades
de informação um aprimoramento contínuo de seus produtos e serviços, através
da inovação e da busca a avanços tecnológicos. Ao perguntarmos se as
instituições buscavam inspirações em outros ramos de negócios, todos afirmaram
que sim, destacando como inspirações: livrarias virtuais, sites empresariais, a
área de marketing, Petrobrás, Ministério da Saúde e até supermercados.
Compreende-se que são profissionais que buscam enxergar para além de
suas unidades de informação, objetivando potencializar seus produtos e serviços
com novas idéias e inspirações de acordo com a realidade de suas bibliotecas,
levando a um aprimoramento contínuo e um desempenho sustentável.
Na questão seguinte, quando perguntado como os sujeitos levantam dados
para realização do benchmarking, houve um empate nas opções que se referem a
Relacionamentos Profissionais e Pessoais e, Revistas e Jornais. Através dos
dados, podemos concluir que são profissionais que estão preocupados em
atualizar-se seja em sua área de atuação, através de relacionamentos pessoais e
profissionais, ou em ramos relacionados, buscando conhecer os novos nichos de
mercado.
A última questão, de número 14, constitui um espaço no qual foi
perguntado se o benchmarking proporciona melhorias quando aplicado nas

�unidades de informação e se os mesmos estão satisfeitos com os resultados.
Três dos sujeitos responderam estarem satisfeitos com os resultados e que os
mesmos lhes proporcionam melhorias. Apenas um sujeito, destacou não estar
satisfeito e que o mesmo não lhe proporciona melhorias, afirmando que a técnica
é aplicada superficialmente e por isso não lhe proporcionou resultados.
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES
Concluiu-se que na busca pela inovação, as bibliotecas têm buscado
ferramentas que lhe auxiliem a acrescentar qualidade aos serviços de informação,
monitorando seu ambiente e pesquisando novos produtos e serviços que se
traduzam em satisfação de seus usuários. O benchmarking constitui-se numa
ferramenta

que

performances

de

analisa,
modo

seleciona,
sistemático,

compara

e

incorpora

transformando-se

as

numa

melhores
importante

ferramenta para monitorar o mercado e buscar inovações que se traduzam em
qualidade e satisfação do usuário em bibliotecas. Através da pesquisa de campo,
baseado nos resultados obtidos, pode-se constatar que a maioria os sujeitos, os
diretores de bibliotecas, conhecem o termo benchmarking, e que os mesmos
afirmaram aplicar a técnica em suas unidades de informação. Porém, pode-se
perceber ainda através da análise dos dados, que eles querem e necessitam
conhecer melhor a técnica e seus procedimentos metodológicos para tirar melhor
proveito e resultados para suas unidades de informação. Eles mostraram na
pesquisa que monitora seu ambiente de atuação, bem como, mercados que
possam contribuir com inovações para sua área. Porém, não adianta conhecer
bem seus concorrentes e seu mercado, se não se sabe aprender e tirar bons
resultados da técnica.
Com isso, pode-se afirmar que a técnica ainda é aplicada superficialmente
nessas unidades de informação. A utilização e conhecimento da técnica devem
partir do princípio da educação continuada, indispensável para atualização
profissional. Objetivando-se oferecer maiores contribuições, recomenda-se um
melhor estudo e divulgação da técnica em bibliotecas. Como por exemplo, a
criação de uma metodologia para aplicação do benchmarking em bibliotecas
universitárias; e ainda aplicar a técnica de benchmarking, sobre o ponto de vista
da comparação dos produtos e serviços dos sites das bibliotecas de instituições

�de ensino superior, objetivando-se encontrar as melhores práticas, serviços entre
essas instituições.
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Documentação&#13;
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                <text>Bulhões, Hadassa Daniele Silva; Carvalho, Luciana Moreira; Borba, Maria do Socorro de Azevedo; Carvalho, Mônica Marques</text>
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                <text>Analisa a aplicabilidade da técnica do benchmarking para melhorias em bibliotecas universitárias, bem como descreve as unidades de informação frente às mudanças proporcionadas pela inserção das novas tecnologias de informação e comunicação. Aborda a evolução do perfil do profissional da informação que também tem sofrido modificações buscando adaptar-se as exigências do mercado de trabalho. Destaca que os usuários de bibliotecas têm exigido produtos e serviços com, cada vez mais qualidade, levando as unidades de informação a buscar apoio em inovações tecnológicas e gerenciais para atender a esses usuários. Define benchmarking como o processo através do qual as empresas podem monitorar e comparar seus métodos de trabalho, seus produtos e serviços com outras organizações reconhecidas como líderes na sua área de atuação ou com empresas tidas como excelentes em algo determinado. Mostra que, aplicado à biblioteconomia, permite as unidades de informação a enxergarem além de suas unidades, buscando o aprimoramento ou potencializar os produtos e serviços oferecidos por elas. Aplicou-se questionários e entrevista com bibliotecários em instituições.</text>
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                    <text>BIBLIOTECA CENTRAL – UFS
EVOLUÇÃO E DISSEMINAÇÃO DA INFORMAÇÃO

Nelma Maria Santos de Carvalho
Bacharel de Biblioteconomia pela UFBA
Especialista em Gestão Pública pela UFS
Universidade Federal de Sergipe
Biblioteca Central
Campus Universitário Prof. Aluísio Campos, Bairro Rosa Elze, São Cristóvão / Sergipe.
Cep: 49100-000
Nelma@ufs.br

1

�INTRODUÇÃO
A busca por um ambiente de qualidade é uma preocupação cada vez mais freqüente
nos administradores dos centros de informações, para alcançar essa qualidade é
necessário passar por inovações exigida pela modernidade e pelo novo perfil dos
usuários. A Biblioteca Central (BICEN) modernizou suas dependências, adotando
novas tecnologias e procurando torna-se cada vez mais atrativa para servir
eficientemente a sua comunidade. Estando inserida no contexto universitário cujos
objetivos são o desenvolvimento educacional, social, político e econômico.
As mudanças ocorridas no modo de produção e divulgação da informação no
mundo, vêm das tecnologias oriundas principalmente da telemática, que, leva o
pesquisador à necessidade de conhecer as ferramentas de trabalho disponíveis,
antes de dar inicio a sua pesquisa acadêmica, tais como: a internent (wrld wide web )
; bases de dados (tradicionais, on-line ou em CD-ROM). Tais ferramentas de busca
já fazem parte de realidade da BICEN.
A Biblioteca Universitária carrega a responsabilidade de corrigir as desigualdades do
processo injusto de educação na sociedade, esta despeja nas universidades um
grande contingente de estudantes sem a cultura de freqüentar bibliotecas, isso por
que em toda a sua vida escolar não desenvolveram o hábito de usar a biblioteca
para fazer seus trabalhos escolares e até mesmo como momento de lazer e
satisfação curiosidades. E os poucos estudantes que freqüentavam bibliotecas a
viam como depósitos de coisas velhas, hoje, ainda existe os estudantes que vão á
biblioteca com a intenção apenas de acessar a internet, com a prática do
copiar/colar. A BICEN preocupada com a democratização da informação incorporou
novas tecnologias e procurou tornar-se cada vez mais atrativa e essencial para seus
usuários.
CONTEXTUALIZANDO A BIBLIOTECA CENTRAL DA UFS

2

�Historicamente no Brasil o acesso à informação sempre foi definido pelo poder
aquisitivo, e durante o período colonial os Jesuítas tentaram corrigir essa exclusão
informacional trabalhando com o objetivo de facilitar o acesso à palavra escrita por
pessoas com pouco poder aquisitivo, mesmo sendo uma ordem religiosa com grande
poder político na época seus esforços foram isolado, pois a educação e a cultura
eram prioridades dos seguimentos dominantes da sociedade.
Essa exclusão informacional vem desde a vinda da Biblioteca e da Imprensa Real de
Portugal para o Brasil favorecendo apenas a burguesia. No entanto, em 5 de
fevereiro de 1811, Pedro Gomes Ferrão de Castello Branco encaminhou um projeto
ao governador da Capitania da Bahia, solicitando a aprovação de um plano para a
fundação de uma Biblioteca. Se tornando o primeiro projeto documentado na história
do Brasil com o objetivo de facilitar o acesso ao livro tendo como única preocupação
a educação. O plano foi aprovado, e a Biblioteca inaugurada no Colégio dos Jesuítas
em 04 de agosto de 1811, na Bahia, daí em diante todas as iniciativas para
implantação de Bibliotecas partiu de projetos governamentais.
O Estado de Sergipe foi colônia da Bahia por muitos anos e a educação ficava a
encargos das ordens religiosas do Estado da Bahia, e Sergipe não tinham permissão
para fundar Escolas de Ensino Superior por ordens do clero baiano. Essa
negociação durou anos, até que a Arquidiocese de Salvador / BA não suportando
mais as pressão das Dioceses de Aracaju / SE e da sociedade sergipana que já
detinha um grande poder aquisitivo determinou a criação do primeiro curso superior
na área das letras, aparecendo também à primeira Biblioteca de ensino superior
mesmo que não legalizada. A elite sergipana não satisfeita em depender da Bahia
para educar seus herdeiros, reivindicava a criação de faculdades de cursos
considerados de “elite”. Esse movimento era composta de senhores de engenhos e
grandes comerciantes que não aceitavam que seus filhos fossem para Salvador / Ba
ou Recife / PE estudar para “doutores”, medicina, advocacia e engenharias.

3

�A primeira Escola de Ensino Superior em Sergipe surgiu na década de 40 com a
Faculdade de Ciências Econômicas (1948), Faculdade de Química (1950), Direito e
Filosofia (1951), Serviço Social (1961). Três décadas depois da criação da primeira
Faculdade no Estado de Sergipe, o governo atendendo reivindicações populares
autorizou a criação da Universidade Federal de Sergipe aonde pudesse juntar as
escolas de nível superior já existente e criar novos cursos que atendesses as
necessidades de mercado, as reivindicações populares e diminuísse a exclusão
educacional. A criação da Universidade Federal de Sergipe contrariou a historia
política da época pois aconteceu em um período que o Brasil vivia os anos sóbrios
da Ditadura Militar.
A construção do Campus Universitário em 1968 com a junção de todas as
Faculdades já existente no Estado e a criação de outras contradizia o que acontecia
no restante do país aonde ocorria à descentralização com o objetivo de desmobilizar
os estudantes. Embora a perseguição política no Estado não tenha sido menos
perversa. Na estrutura do “Campus Universitário Profº. José Aloísio de Campos” já
existia o espaço para a Biblioteca Central aonde centralizaria todos os acervos das
faculdades que comporia a Universidade. Os acervos bibliográficos foram trazidos de
qualquer forma e amontoados em pequenos espaços até que o prédio da Biblioteca
Central ficasse pronto.
A Biblioteca Central foi inaugurada dez anos após a criação do Campus
Universitário, em 11 de agosto de 1979, com a finalidade de centralizar os serviços;
coordenar o processamento técnico, gerenciar de forma coerente a distribuição de
recursos materiais e humanos. Construída com uma área física de 3.351 m2,
distribuída em dois pavimentos. Com o passar dos anos e o aumento do número
cursos criados e a ampliação expansão dos números de vagas oferecidos pela UFS
nos cursos de graduação já existente, além do surgimento dos cursos de pósgraduação (especialização, mestrado e doutorado) nas diversas áreas do
conhecimento.

4

�Sua missão é dar suporte informacional às atividades educacionais, científicas,
tecnológicas e culturais da Universidade Federal de Sergipe, contribuindo para
elevar o nível socioeconômico e cultural da sociedade em geral.
Esse crescimento do fluxo de usuários fez o cervo triplicar em seu tamanho,
ocupando assim as áreas destinadas a pesquisa/estudo, diante de tal realidade a
Biblioteca precisou reestruturar seu espaço físico, e em 2001, a BICEN passou por
sua primeira reforma e ampliação, construindo o mezanino e retirando as portas das
cabines melhorando a visão e o controle da coordenação sob os usuários nos
espaços destinados ao estudo em grupo ou individual.
O acervo da Biblioteca Central da UFS que nasceu de coleções antigas (muitas
dessas obras compõem a Coleção de Luxo) hoje possui Coleções Circulante
(empréstimo, CD, Fita K7, DVDs); Coleção de Referência, Coleção de Periódicos;
Coleção de DVDs; Coleção de Documentação Sergipana; Coleção de Luxo e
Coleção de Obras Raras. Atende os currículos das áreas de ciências biológicas,
ciências humanidades, ciências sociais, ciências exatas e das artes.
As funções básicas da BICEN derivam da dinâmica social. Dentro dessa dinâmica,
visualizamos as funções de:
• Armazenagem do conhecimento: desenvolvimento de coleções, memória da
produção científica e tecnológica, preservação e conservação;
• Organização do conhecimento: qualidade de tratamento temático e descritivo
que favoreça o intercâmbio de registros entre as bibliotecas e sua recuperação;
• Acesso ao conhecimento: a exigência de informação transcende o valor, o lugar,
a forma e necessita de acesso. Por isso devemos pensar não só em fornecer a
informação, mas possibilitar o acesso simultâneo de todos.
Essas três funções estão presentes em toda a evolução do processo de socialização
do conhecimento realizado pela Universidade ao longo dos tempos, mesmo

5

�considerando a permanente mudança dos formatos documentários para registro do
conhecimento e seu modo de acesso.

DE FRENTE PARA A REALIDADE

O crescimento da Universidade e a mudança do perfil do usuário colocaram os
bibliotecários diante de um grande dilema, a Biblioteca que outrora era considerada
um modelo, hoje não conseguia atender em tempo hábil as solicitações dos usuários
e insatisfação dos profissionais. A grande demanda de procura por serviços
bibliográficos de alunos, professores, técnicos administrativos e comunidade em
geral, causavam frustrações e problemas administrativos por falta de pessoal e por
operar um sistema manual arcaico e defasado, dando a BICEN a triste característica
de um órgão que não funcionava já que não conseguia atender de modo satisfatório
seus usuários.
A frustração dos pesquisadores que necessitavam de informações atualizadas e no
menor tempo possível levava os bibliotecários a uma luta constante pela busca do
conhecimento, precisavam estar a par dos avanços tecnológicos e os processos de
automatização, aquisição de materiais em novos formatos, como mídia e bases de
dados eletrônicos. Diante de tal impossibilidade de atender satisfatoriamente a
grande demanda só existia uma saída, a automação.
AUTOMAÇÃO
Diante da realidade atual que a sociedade da informação está vivendo os
Bibliotecários da BICEN perceberam que o sistema de Bibliotecas da UFS era
inoperante, faltava pessoal para manter o catalogo atualizado, e por esse motivo não
poderia continuar com um catalogo manual.
Automatizar o acervo de uma biblioteca do porte da BICEN é uma tarefa que deve
ser planejado nos mínimos detalhes e envolver todos os profissionais que
6

�trabalhavam no local, pois sem a compreensão e a colaboração de todos os
envolvidos no processo operacional a tarefa seria árdua. Um dos grandes desafios
dos administradores de centros de informações esta na capacidade de conciliar o
tempo e a quantidade de informações disponíveis por intermédio das ferramentas de
informática. Na medida em que o conhecimento se torna um produto, é preciso saber
gerencia-lo. Observou-se a necessidade de lidar com a complexidade tecnológica e
dela extrair maiores benefícios para a população, sendo detectado que o acesso à
tecnologia não era o maior problema, o desafio maior estava em administrar as
mudanças organizacionais, a cultura de um povo que era fiel ao mito “sempre fiz
assim e deu certo porque mudar”, coordenar egos e administrar os recursos
humanos.
Cabe lembrar que cada ambiente informacional não exclui o outro, mas tem o
potencial de acrescentar informações. Portanto, o pesquisador necessita conhecer
as vantagens e limitações destes círculos informacionais. Segundo Clausen (1997,
p.182) a Internet está tornando-se gradativamente a mais importante ferramenta para
todas os tipos de pesquisas.
A BICEN diante da certeza que precisava modernizar seus serviços, a próxima etapa
era decidir qual Sistema de Biblioteca adotar, não é simples, tendo em vista que a
primeira dificuldade para se trabalhar nesse sentido diz respeito às controvérsias
sobre a compreensão de quais seriam as características determinantes de uma
automatização retrospectiva.
A unidade de coordenação da BICEN-UFS foi quem promoveu as atividades de
gestão da tecnologia da informação e a inclusão dos auxiliares na automação. Entre
elas estava o planejamento de investimentos, a especialização de sistemas, a gestão
de contratos de consultores especializados, a contratação de serviços de terceiros
para a conversão retrospectivas, o processo de aquisição de equipamento, o
planejamento de necessidades de treinamento na área de informática, o
planejamento das tarefas e cronogramas, a aquisição de outros tipos de infra-

7

�estrutura e instalações computacionais, o planejamento e a analise dos sistemas de
bibliotecas (software) disponível no mercado e que coubesse no orçamento do setor
público.
Os três passos que a BICEN – UFS passou:
a) Automatizações das rotinas internas, no sentido de proporcionar o acesso
público ao catálogo em linha, como pré-requisito da próxima fase;
b) Acesso á base de dados em linha para os usuários, incluindo o acesso a
Internet, conduzindo a;
c) Disponibilizar serviços através da pagina Internet da biblioteca, que è
acessível à distância.
Em 1995 a Biblioteca Central / Universidade Federal de Sergipe após analisarem os
benefícios da automação, perceberam que não tinha mais condições de atender a
demanda de procura por informação em tempo hábil, resolveram investir em
inovações dos serviços na Biblioteca Central e suas setoriais. Adquiriram o Sistema
de Biblioteca SAB – II (Sistema de Automação de Biblioteca), desenvolvido e doado
pela Universidade Federal de Santa Maria. Nesse momento iniciou a automação dos
serviços, mas, ainda continuavam os fichários manuais e percebeu-se que o sistema
não atendia a necessidades essenciais.
Começa-se uma nova batalha para diante da Administração Pública adquirir recursos
para a conversão retrospectiva e aquisição de um sistema mais eficiente. Os
Bibliotecários chegaram à conclusão de que possuir apenas um catálogo
automatizado não era suficiente para atender as necessidades dos usuários,
precisavam de um Sistema de Biblioteca que funcionassem em rede.
Em 1999 a BICEN-UFS adquiriu o BIBLIOTCH sendo uma nova versão do sistema
anterior, doado pela Universidade Federal de Santa Maria, esta versão era mais
moderna e funcionava em rede e o sonho parecia completo. Os usuários podem de
qualquer terminal conectado a internet fazer o levantamento bibliográfico, consultar o

8

�acervo, verificar se o livro desejado esta disponível e podendo então ir a biblioteca
fazer o empréstimo. De posse do livro, o usuário pode fazer a renovação do
empréstimo de um exemplar de um material bibliográfico (apenas uma vez) de
qualquer lugar pela internet.
Com a aquisição do Sistema BIBLIOTCH que funcionava em rede, o website das
bibliotecas foi criado, sendo hoje o centro e o cérebro, contendo um universo de
informações indispensáveis aos alunos desde a graduação até aos estudos de pósgraduação, abrangendo as exigências da pesquisa e publicação de trabalhos,
(monografias, dissertações, teses e artigos de periódicos). Além de atender a
comunidade em geral que busca conteúdos para concursos ou atualizações
pessoais.
A análise do impacto da tecnologia da informação na Biblioteca Central da UFS,
abrange aspectos relacionados à informatização, ao perfil dos bibliotecários e do
usuário diante da informática. O administrador precisou gerenciar a mudança
comportamental em frente à nova forma de gerenciar a gama de informações
disponibilizadas pela tecnologia da informação destacado, portanto, o poder da
automatização no processo de aprendizagem.
Depois de toda batalha para automatizar a Biblioteca descobre-se que o
BIBLIOTECH não atendia as necessidades administrativas, começa então novas
negociações para a aquisição de um novo Sistema de Biblioteca que atenda as
necessidades dos usuários, dos bibliotecários e da administração, ou seja, um
sistema com linguagem MARC2.
ETAPAS DE EVOLUÇÃO DA BIBLIOTECA CENTRAL – UFS
O Sistema de Biblioteca da UFS é composto por três Bibliotecas: Duas no Campus
Universitário Prof. Aloísio de Campos em São Cristóvão / SE sendo elas a Biblioteca
Central – BICEN que atende a todo o campus universitário da UFS, estudantes,

9

�professores e pesquisadores das Faculdades particulares UNIT e Pio X, já que a
BICEN é a única no Estado a dispor do serviço do COMUT e a comunidade em
geral; a Biblioteca Comunitária que fica dentro do Colégio de Aplicação – UFS,
atende aos alunos e professores do 1º e 2º grau e a Biblioteca da Saúde – BISAU
que fica no Hospital Universitário em Aracaju /SE.
O Sistema de Biblioteca é coordenado pela Diretora da BICEN, auxiliada pelo
Sistema BIBLIOTECH para automação dos serviços de aquisição, registro,
catalogação, empréstimo e controle de multas. O catalogo é on-line e interligado o
que facilita a administração dos empréstimos em qualquer uma das bibliotecas e a
pesquisa bibliográfica dos usuários via internet.
Atendendo as exigências do Governo Federal de modernização, a UFS visa ter seus
sistemas todos interligados, a fim de atender, de forma integrada as áreas de
atuação da Universidade: DAA, Restaurante e Biblioteca. Já dentro dos conceitos
estabelecidos no redesenho dos processos de disseminação e compartilhamento da
informação e o uso da tecnologia como ferramenta para ampliar e aperfeiçoar os
serviços que presta ao cidadão.
A Universidade e a Biblioteca procuraram equipar suas estruturas físicas de
equipamentos modernos em tecnologia e telecomunicações, ferramentas adequadas
que possibilitem o aperfeiçoamento dos perfis dos servidores dentro da nova cultura
de desenvolvimento de habilidades, aptidões pessoais. E os profissionais da
informação precisam aperfeiçoar e dominar as ferramentas tecnológicas para poder
melhorar os serviços técnicos referentes a bibliotecas, assim como auxiliar os
usuários na utilização dos terminais e na captura da informação adequada e de
qualidade.
Os Bibliotecários analisaram as necessidades e dificuldades dos auxiliares usuários,
adaptando a Biblioteca para:

10

�•

Providenciar o acesso democrático a toda a informação publicada;

•

Oferecer oportunidade de aprendizagem e utilização de consulta as bases de
pesquisa;

•

Garantir que os auxiliares soubessem trabalhar com computadores e que os
usuários tivessem acesso aos computadores e aos sistemas de que precisam;

•

Salvaguardar a identidade cultural num mundo em rápida mutação.

A tecnologia já tem a capacidade de proporcionar as respostas, mas é necessário
ultrapassar a dependência generalizada dos meios de comunicação tradicionais.
Este é um dos motivos para adquirir uma atualização mais moderna de um sistema
de biblioteca. Pois, mesmo que durante muitos anos, o livro permaneça o mais
importante veiculo da informação, as bibliotecas limitadas a materiais impressos
descobrirão que estão cada vez mais atrasadas em relação àquelas que
providenciam serviços modernos em rede com um êxito impressionante. Para atingir
sua finalidade, a BICEN-UFS teve de assumir o desafio, de redefinir o seu papel e
estabelecer estratégias para exigências sempre em mutação. O principal objetivo, no
contexto da sociedade da informação, a qualquer momento e em qualquer lugar.
O QUE A BICEN OFERECE HOJE A SEUS USUÁRIOS:
•

acesso ao conhecimento humano, independentemente da forma sob a qual foi
registado;

•

uma coleção de material impresso e multimédia para empréstimo;

•

acesso a redes e apoio à navegação em rede e à pesquisa de informação;

•

postos de trabalho para usuários (pontos de redes em locais estratégicos do
acervo para conexão de computadores manuais);

•

oportunidades de formação e aprendizagem aberta;

•

espaço climatizado, proporcionando oportunidades confortáveis de encontros
para estudo individuais ou em grupos (cabines não climatizadas);

•

serviços de disponibilização eletrónica de documentos.

•

renovação do material locado de qualquer computador com acesso a internet;

11

�•

videoteca com DVDs didáticos e cultura geral;

•

salas de projeções climatizadas, equipadas com aparelho de tvs, DVDs, vídeo
cassete, slaid, retro-projeto e data-show;

•

Comutação bibliográfica;

•

Catalogação na fonte de monografias, dissertações, teses e livros,
defendidos, publicados ou patrocinados pela UFS;

•

Acesso ao Portal de Periódicos da CAPES;

OBJETIVOS AINDA ALMEJADOS:
•

acesso a catálogos coletivos para empréstimo interbibliotecas;

•

fazer parte de uma rede mundial de bibliotecas;

•

cooperar

de

perto

com

outras

instituições

de

arquivo,

escolas

e

estabelecimentos de ensino;
•

ter espaço equipado para deficientes visuais, com acervo em brailler,
computador, impressora, etc.);

•

oferecer serviços especiais a grupos-alvo diversificados - desde informação
comercial a serviços para minorias étnicas e deficientes visuais e físicos;

•

ser uma biblioteca cooperante no sistema do COMUT.

•

receber de volta a galeria para maior liberdade/controle em eventos;

•

implantar sistema de auto-atendimento na devolução de livros;

•

alcançar 99% de satisfação do usuário.

GERENCIAMENTO DAS FILAS DE ESPERA
Uma linha de espera, conhecida pelos pesquisadores operacionais como fila ocorre
sempre que os números dos que chegam a uma instalação excede a capacidade do
sistema de atendê-los de imediato. O gerenciamento operacional das filas consiste
em racionalizar os métodos de trabalho, programando a oferta, atendendo
prontamente à demanda espontânea e antecipando a demanda programada,
minimizando, então, os custos em espera dos clientes e das instalações ociosas. O
principal objetivo do gerenciamento operacional das filas de espera é reduzir o

12

�congestionamento através de técnicas tais como: aproveitamento dos horários
ociosos, deslocamento de funcionários em horários de pique, aumento da velocidade
dos serviços, revisão de todos os processos, redução e conhecimento dos gargalos,
uso apropriado da tecnologia de informação, e treinamento da equipe de suporte.
Os administradores de serviços precisam gerenciar adequadamente estes tempos de
espera dos clientes para garantir tanto eficiência como impedir que os clientes não
sejam afetados tão negativamente pela espera. Para atingir este ponto, os
administradores necessitam reconhecer que o bom gerenciamento da fila de espera
consiste em dois principais componentes: o próprio tempo de espera real e o tempo
de espera percebido pelo cliente. Segundo a observação do filósofo William James,
“o tédio resulta de se estar atento à própria passagem do tempo”. Com base nessa
observação, David Maister formulou os princípios sobre o tempo de espera,
resumidos abaixo:
1. O tempo desocupado parece maior do que o tempo ocupado;
2. A espera no pré-processo parece mais longa do que a espera no processo
propriamente dito;
3. A ansiedade faz a espera mais longa;
4. A espera incerta é mais longa do que a espera previsível, finita;
5. A espera inexplicada é mais longa do que espera explicada;
6. A espera injusta é mais longa do que espera eqüitativa;
7. Quanto mais valioso o serviço, mais tempo o cidadão admite esperar;
8. A espera solitária parece mais longa do que a espera em grupo;
9. A espera incômoda é mais longa do que a espera confortável;
10. A espera parece mais longa para usuários recentes ou ocasionais do que
para os freqüentes.
Antes da automatização os usuários da BICEN ficavam horas na fila, pois, o serviço
de empréstimo e devolução era feito todo manual, hoje, com a automatização dos
serviços o usuário não fica mais que 30 minutos na fila, este tempo ainda é muito,
embora, o serviço de renovação do material locado já possa ser feito pela internet.

13

�Trabalhamos para que no futuro alguns serviços como renovação e devolução de
material locado seja feito pelo próprio usuário, através de sistemas de autoatendimento.
CONCLUSÃO
O objetivo desta pesquisa visa analisar a evolução do sistema de Biblioteca
Universitária da UFS, o surgimento da tecnologia que chega transformando a forma
de atuar dos Bibliotecários, dos auxiliares e dos usuários. Essas mudanças levaram
os bibliotecários a atuar de forma diferente com o objetivo de cativar o novo cliente,
pois, si assim não o fizesse corriam o risco de fecharem suas portas ou seriam
citadas como exemplo de “sistema arcaico de centro de informação”. A inovação
tecnológica é atualmente um dos mais importantes fatores de progresso e melhoria
da qualidade de vida dos serviços oferecidos nas Bibliotecas.
A atuação da rede de bibliotecas universitárias da UFS, nesta análise, caracteriza as
fases e os tipos de bibliotecas frente ao uso de tecnologias. Demonstra,
especialmente, que poderemos conviver por muito tempo com a presença da
biblioteca eletrônica em função da coexistência da coleção de documentos
impressos.
REFÊRENCIA
ALBAGLI, Sarita; Maciel, Maria Lucia. Informação e conhecimento na inovação e no
desenvolvimento local. Ci. Inf. V. 33, n. 3, Brasília, set./dez 2004.
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14

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Trad. Carlos Irineu da Costa. São Paulo. Ed. 34, 1993.
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15

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                    <text>UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOQUÍMICA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO PARA CIÊNCIA E TECNOLOGIA
NÚCLEO DE DOCUMENTAÇÃO
BIBLIOTECA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOQUÍMICA

HILDENISE FERREIRA NOVO1; LAFFAYETE ALVARES JUNIOR2;
DIEGO LEMOS RIBEIRO3

BIBLIOTECA DE PÓS-GRADUAÇÃO
Universo de suporte à pesquisa docente e
discente ou fonte de informação estratégica
para gestão de ciência e tecnologia?

1. BGQ/NDC/UFF
PPGCI/UFF - IBICT
deninovo@yahoo.com.br

2. BGQ/NDC/UFF
PPGCI/UFF- IBICT
laffa@pobox.com

3. PPGCI/UFF - IBICT
dlrmuseologo@yahoo.com.br

NITERÓI
2006

PDF Creator - PDF4Free v2.0

http://www.pdf4free.com

�Introdução

O presente trabalho apresenta um estudo exploratório da Biblioteca de Pósgraduação em suas atribuições e relacionamento com o programa ao qual está
associada. Além das funções comuns a todas as bibliotecas, nos deteremos no
que se refere às questões associadas à inteligência científica1 (GONZÁLEZ DE
GÓMEZ, 2003. p. 62), na gestão estratégica da informação para fins de influência
na tomada de decisão, na busca de validação e na construção da legitimidade no
sistema de Ciência e Tecnologia (C&amp;T).

Apresentamos a Biblioteca de Pós-

graduação em Geoquímica (BGQ) e o Programa de Pós-graduação em
Geoquímica (GPG) da Universidade Federal Fluminense (UFF), como campo de
observação do fluxo informacional no contexto da UFF, e que se configura entre
GPG e BGQ, com o objetivo de mapear a rede que se estabelece no
funcionamento interligado entre eles. Mais detalhadamente, vamos observar uma
peculiaridade da BGQ no fornecimento de dados estratégicos descritivos da
produção acadêmica do GPG – o que

consideramos dispositivos 2 de gestão

estratégica – uma vantagem na classificação do programa na CAPES, na
captação de recursos externos, no estabelecimento de parcerias e convênios
nacionais e internacionais etc. Esse é o diferencial que a BGQ apresenta: além de
cumprir a função da homologação da produção do GPG, preocupa-se com as
questões ligadas à Inteligência Científica ou a face adminstrativa das Ciências.
Para essa análise, usaremos uma abordagem híbrida da sociologia da ciência
(Latour) e da Teoria do Sistema Geral: Teoria da Modelização (TSG) (Le Moigne),
a fim de mapear a rede de atores que compõem os referidos domínios e para
formular um modelo desse funcionamento a fim de acompanhar o fluxo desses
dispositivos na gestão da informação.

1
Inteligência científica é uma noção citada por González de Gómez a partir de Weinberg ao se referir a dupla função da
cientista na atualidade: não só o controle de suas pesquisas e projetos, mas também a gestão de sua própria carreira, das
políticas públicas de Ciência e Tecnologia, a preocupação com a geração de recursos, validação de resultados, etc.; o que
freqüentemente é chamado também de Big Science.
2
op. cit. p. 7 .

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�3
A Biblioteca de Pós-graduação em Geoquímica – BGQ

A BGQ nasce junto ao GPG da UFF, em 1975. Desde sua fundação, a Biblioteca
assume relevante papel no contexto do curso, sendo notável a sua importância,
pois reúne em seu acervo, livros, periódicos, normas, mapas, dentre outros
materiais, funcionando inclusive como fiel depositária de toda a produção
intelectual do seu corpo docente e discente junot a CAPES. A partir de 1992
integra o sistema de bibliotecas do Núcleo de Documentação3 (NDC), passando a
funcionar de modo articulado, integrando bases de dados, acervos de periódicos e
cursos, bem como o sistema de arquivos e os recursos de referência, comutação
bibliográfica, informática, pessoal, laboratórios de recuperação e higienização de
documentos entre outros. A BGQ é responsável pela homologação da produção
científica do GPG no que se refere à teses e dissertações e menos formalmente
faz a normalização de artigos para periódicos, congressos entre outros.
O Programa de Pós-graduação em Geoquímica – GPG

O GPG possui um grau de excelência na pesquisa do País, buscando o
aprimoramento de seus recursos humanos, a constante melhoria de seu material
didático, planejamento e intercâmbio científico além de captação de recursos para
projetos institucionais da Universidade ou do próprio programa junto aos
Ministérios da Ciência e Tecnologia (MCT), do Meio Ambiente (MMA) e órgãos de
fomento como: FAPERJ, CNPq, FINEP, CAPES, PETROBRAS, além de acordos
em nível nacional e internacional. A partir de sua fundação, vem se configurando
com uma forte característica ambiental e interdisciplinar, aumentando a
penetração de seus estudos com resultados reconhecidos em âmbito internacional,
necessitando cada vez mais de prospecções biblioteconômicas, mapeamento de
sua produção e rastreamento de seus corpos docente e discente.

3

O Núcleo de Documentação é o Sistema de Informação da UFF, que reúne todas as bibliotecas, laboratórios de
restauração e conservação, reprografia e a Divisão de Arquivo.

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�4
Biblioteca em ação: uma abordagem latouriana para o mapeamento das
redes de relações.

A BGQ, explorando os recursos tecnológicos, gerencia e dissemina a informação
que compila através de dois pontos de vista: a gestão dos seus acervos e a
gestão da produção bibliográfica gerada pelo GPG. Do ponto de vista dos acervos
como um todo, procura estabelecer a comunicação com os diferentes grupos nas
Linhas de Pesquisa do Programa, buscando entender as interligações e
articulações existentes em suas atividades funcionais para a atenta reavaliação de
seus processos técnicos e de suas ações disseminatórias. Por outro lado – e é
esse o nosso diferencial –, fornece a descrição estatística e consolidada de toda a
produção do GPG, sob a forma de dispositivos de gestão estratégica desse
conhecimento para muitas finalidades, as quais são de fato o ponto de partida – e
de chegada – desse estudo.
No que se refere ao preenchimento do relatório CAPES, é produzido um catálogo
da produção bibliográfica com o qual a coordenação, através de seus assessores,
confere os formulários descritivos dos produtos fornecidos pelos docentes para o
preenchimento do relatório e atualiza o repositório legal desta produção (a própria
biblioteca). No que se refere à apresentação de dados para a promoção, captação
e gestão dos recursos financeiros e intelectuais, são produzidos gráficos,
relatórios, planilhas, resumos de toda a produção, classificados por tipos de
documentos e por professores, além de um relatório consolidado geral, os quais
são levados para as reuniões, palestras, apresentações e requerimentos de
recursos internos e externos à Universidade.
Nesse aspecto, é importante perceber que são muitos os actantes
envolvidos

(atores)

no processo. A partir do estudo da metodologia latouriana,

percebemos uma aplicação clara no mapeamento das redes de relações entre
tantos elementos heterogêneos – humanos e não humanos –, híbridos 4 de
4

O conceito de híbrido também encerra em seus significados uma possibilidade de saída ao que Latour denomina de
“Grande Divisão”. Essa divisão é o olhar que os “modernos” imprimem à produção científica. Uma produção purificada de
tudo o que não é científico, ou seja, emoções, senso comum, saberes locais, políticas e politicagens, todas essas simetrias
dicotômicas, arbitrárias e idealistas que de fato não se consegue excluir da ação de produção científica. Isso o leva a

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atributos, características e funções, mas que, no âmbito microssocial, são aqueles
com quem convivemos diariamente.
Para compreendermos melhor esses dispositivos analisamos a ciência no
momento de sua feitura, em ação e como diz Latour: quente.

O caminho

escolhido foi o acompanhamento das controvérsias que se formaram no momento
de fabricação desses artefatos – o que chamamos dispositivos –, antes que eles
se transformem em números e gráficos, compreensíveis somente para as pessoas
familiarizadas ao contexto de produção. Outro caminho possível para a reabertura
dessas caixas-pretas – gráficos, planilhas, catálogos, enfim, os dispositivos de
gestão estratégica – é a reconstituição dessas redes em busca dos dados, a fim
de comprovar e validar as informações apresentadas.
Observando o microssocial da BGQ, a concebemos aqui como um Centro de
Cálculos 5, o que pode ser entendido como: “qualquer lugar onde inscrições são
combinadas, tornando possível algum tipo de cálculo. Pode ser um laboratório, um
instituto de estatística, os arquivos de um geógrafo, um banco de dados etc.”
(Latour, 2001. p. 346) As informações coletadas no campo, diretamente dos
objetos em seu contexto no mundo fenomenal, são transformadas em inscrições
ou representações desses objetos, a fim de se tornarem móveis imutáveis. Estes
reúnem as observações colhidas em campo com as condições para uma
representação dos objetos do mundo, variando as escalas, facilitando o transporte,
a operação e a combinação com outros móveis imutáveis, outras “inscrições que
conservem, simultaneamente, o mínimo e o máximo possível, através do aumento
da mobilidade, da estabilidade ou da permutabilidade desses elementos.”
(LATOUR, 2000. p. 396)
Também sambemos que essas redes não são construídas com material
homogêneo mas que ao contrário, exigem a urdidura de inúmeros elementos
diferentes, o que torna sem sentido a questão de saber se elas são

afirmar que, de fato, jamais fomos modernos. No mundo real não se pode alocar um artefato em uma categoria mutuamente
exclusiva, simétrica e dicotômica. Os artefatos estão imersos no mundo e suas distinções não são claras.
5
Em “Vida de Laboratório” o autor trabalha mais a nomenclatura “Laboratório”, já em “A Esperança de Pandora “ e em
“Ciência em Ação” prefere o temo Centros de Cálculos.

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“científicas”, “técnicas”, “econômicas”, “políticas” ou “administrativas”.
(LATOUR, 2000. p. 377)

Reconhecendo a BGQ como um Centro de Cálculos, podemos transitar nessa
rede heterogênea e ilustrar os caminhos, fluxos e características tão peculiares
desses misteriosos centros de convergência. O mapeamento dessa rede é uma
reconstituição etnográfica6 (etnométodo) para entender como se dá a construção
de fatos científicos em seus microprocessos, geradores dos dispositivos que
fornecemos como ferramentas de gestão estratégica. Observando os cientistas
em seus laboratórios como quem observa uma tribo, Latour e Woolgar nos
mostram e desvendam esses locais onde os fatos científicos são manufaturados e
todas as redes que se formam nessas relações. Para tal, examinam em minúcias
seus movimentos levando em conta questões como: “que diabo esta gente está
fazendo? De que estão falando?

Para que servem estas divisórias, esses

tabiques?” (LATOUR &amp; WOOLGAR, 1997. p. 35). Em nossa abordagem essa é
uma característica a qual não nos deteremos, pois mais do que verificar essas
minúcias, nesse momento, nos interessa mapear os atores em busca da
formulação de um modelo que demonstre sua funcionalidade. Corremos o risco
da crítica, pois a representação de rede é impossível se tornada estática. Assim
observada elimina exatamente aquilo que lhe dá conformação e sentido: o
movimento.

Porém, levamos em consideração os aspectos do movimento

parcialmente, observando apenas seus elementos componíveis.
A figura 1 descreve alguns pontos da rede dinâmica, nunca estática, que
representa o fluxo entre biblioteca, GPG, no ambiente da UFF. Mostra alguns
obscurecimentos – e encerramentos que veremos mais tarde na figura 2, com o
modelo concebido. Vejam que ela apresenta uma base apenas esboçada para
cada grupo de pontos ligados.

Isso representa o próprio GPG e seus

componentes humanos, não humanos, dispositivos etc. O outro representa um
ponto marcado como biblioteca advindo de um grupo de outros pontos que são
justamente obscurecidos, condensados na etiqueta biblioteca. Quando falamos
6
Latour tem uma formação acadêmica de certa forma híbrida, que mescla Antropologia e Filosofia. O etnométodo parece
ser uma mescla da metodologia de cada uma das vertentes de onde parte o pensamento do autor.

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biblioteca não nos damos mais conta de todos os processos, pessoas, problemas,
computadores, acervos, toda uma infra-estrutura que é necessária para que todo
aquele aparato funcione. Assim, tentamos demonstrar uma potência das redes em
se obscurecer artificialmente sob a égide da linguagem, do símbolo e do discurso,
da classificação e da ideologia focalizando, apagando alguns elementos,
iluminando outros, calibrando a visualização com propósitos mais ou menos
explícitos e conscientes. (BOWKER &amp; STAR, 2000).

Figura 1 – Rede Latouriana: uma ousadia operacional

Concebendo o modelo de gestão da informação estratégica: uma abordagem
sistêmica.

Desmembrando a rede de Latour, não para desacreditá-la ou pô-la de lado, mas

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para simplificar os múltiplos pontos da rede, buscamos com a visão sistêmica de
Le Moigne as possibilidades de concepção de um modelo que represente em um
dado momento o nosso objeto: a função dos dispositivos de gestão estratégica.
Usando o desenho acima descrito (ver figura 1), podemos observar a quantidade
enorme de atores que podem ser reduzidos pelo poder da focalização inerente à
representação 7 . O poder de focalização, se olhado desta forma, pode ser
ampliador da compreensão através da restrição das percepções sensoriais,
culturais, emocionais, coletivas ou privadas, que influenciam no processo de
cognição.
Portanto, selecionar uma representação significa fazer um conjunto de
compromissos ontológicos8. Esses compromissos determinam o que pode
ser visto, enfocando alguma parte do mundo em detrimento de outras. Esta
forma de ver o mundo não é apenas um efeito colateral da escolha de uma
representação; ao contrário, o efeito focalizador é a parte essencial do que a
representação oferece, já que a complexidade do mundo real é esmagadora.
Assim, o comprometimento ontológico feito por uma representação pode ser
uma de suas mais importantes contribuições. (DAVIS apud CAMPOS, 2004)

Isso quer dizer que a partir da representação conceptual sistêmica, selecionamos
as características e atributos do objeto no mundo fenomenal, deslocando-o para
uma esfera de representação de modo a poder reconstituir algumas das múltiplas
redes de relações, que, sem tal focalização, seria mais difícil de compreender em
uma primeira análise. O modelo do objeto em estudo serve-nos a um propósito
pragmático, bem correlato a Latour, mas diferente no que tange à representação
da rede. Esse é o fator diferencial que nos habilita a usar ambas as abordagens
no estudo, pois ambas em nossa opinião são mais complementares do que
divergentes. A primeira oferece um ferramental que descreve os elementos a
outra oferece um ferramental que descreve o contexto sob a forma de concepção
de um modelo.
Para Le Moigne, a concepção do modelo, uma representação do objeto no mundo,
se dá pela descrição de sua essência, de sua finalidade e de sua evolução no
7

Observar na figura 1 o conjunto de nós na Imagem A que converge e se encerra no nó Biblioteca.
Compromisso ontológico é definido a partir de Davis como as escolhas que fazemos ao percebermos os objetos no mundo
fenomenal a partir de critérios previamente negociados ou instituídos que autorizam, desautorizam, validam e invalidam o
que selecionamos de nossas percepções.
8

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espaço-tempo. São os três pólos descritivos ontológico, genético e evolutivo, o
que ele chama de “o abre-te sésamo” da representação, senão mesmo do
conhecimento do objecto” (LE MOIGNE, 1977. p. 79). Eles posicionam o objeto
em relação ao que ele é, ao que ele faz e como ele evolui 9 . Outro ponto
importante da abordagem sistêmica é a própria idéia de caixa preta – ou máquina
negra – que em ambos os autores vemos descritos com ligeiras diferenças.
Vindas ambas as concepções do paradigma cibernético, não é difícil compreender
que é justamente o encapsulamento (ou o “obscurecimento” da rede de Latour ou
o “encerramento” das funções e dos elementos de Le Moigne) que permite que a
funcionalidade de um software ou sistema operacional por exemplo seja o mais
importante para o usuário. O papel de desencerrar ou clarear as redes e os
processos das caixas pretas é a tarefa para quem vem em busca da inversão da
infra-estrutura (BOWKER &amp; STAR, 2000) onde essas redes e suas caixas pretas,

processos, ferramentas, dispositivos, pessoas, máquinas etc estão imersos e
interagindo sem que muitos se dêem conta. Mas isso é vamos deixar para uma
outra oportunidade.
Algo mais a ser observado sobre sistemografia, ou análise de sistema sob a
perspectiva da TSG, é a questão da seleção das características com que dotar o
modelo para que este seja uma representação que expresse o mínimo da
essência e o máximo da semelhança com respeito ao objeto no mundo fenomenal.

O modelo deve ser isomorfo ao Objeto Sistema Geral (OSG), ou seja, deve
encerrar todas as características ótimas para a representação.

E deve ser

homomorfo ao objeto no mundo, ou seja, precisa ter ao menos uma característica

semelhante ao objeto no mundo fenomenal. Isso junto a uma descrição, levando
em consideração os três pólos acima mencionados promovem o que ele vai
chamar de triangulação, cujo baricentro mais ajustado é o que garantiria a maior
harmonia entre modelo e objeto.

9

No paradigma cartesiano, no qual se funda a “Modernidade” e a própria Ciência Moderna, muito é atribuído ao polo
ontológico, ou seja, o que o objeto é. Quando fixamos o mundo pelo ser das coisas, muitas vezes não nos damos conta de
que um mesmo objeto faz coisas diferentes e evolui de modo diferente em função mesmo desse fazer em diferentes
contextos. Assim, considerar os outros polos sugeridos não parece ser uma eliminação da natureza ontológica do objeto,
mas uma lembrança de que ela é apenas um dos polos de descrição possível.

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Redes e concepção: uma abordagem híbrida.

Com Latour vimos a dialética do microssocial, da sociologia etnográfica, as redes
planificadas e com densidades mal definidas e de contingência espaço-temporais.
Com Le Moigne, observamos as funcionalidades do GPG, a partir do
encerramento de elementos dessa rede e suas próprias redes: processos e tudo o
que não é necessário focar nesse momento, em uma “máquina negra” (LE
MOIGNE, 1977. p. 110.).

O lugar onde os processamentos se dão, onde as

rotinas e trabalhos são realizados mas que de tão eficazes, os seus processos são
ocultados por essa mesma funcionalidade. Abrimos tal caixa preta – ou máquina
negra – geralmente quando algo dá errado. Essa abordagem é funcionalista e nos
dá uma agilidade de observação dos processos10.
Segundo Le Moigne e também para Latour, a prática da modelização é operar no
modelo ao invés de no objeto do mundo fenomenal. Se pensarmos em Latour,
temos que lembrar uma das características ótimas de uma representação que é a
mobilização.

Com ela trazemos as nossas inscrições do campo (mundo

fenomenal) para o Centro de Cálculos (laboratórios). No Centro de Cálculos é que
processamos as inscrições, combinando-as com outras inscrições, analisando
essas combinações, testando na medida do possível amostras, extratos, modelos
a fim de elaborar novos conhecimentos sobre aquele objeto.

Se Latour está

preocupado com o microssocial sem perder de vista o contexto, Le Moigne parece
mais preocupado com o contexto sem perder de vista o microssocial. É aí que as
abordagens se complementam. Uma representação limitada das redes pode ser
compreendida em conjunto com o modelo que concebemos abaixo (figura 2).
Nosso modelo está de acordo com as funcionalidades do OSG quanto à sua
isomorfia à este e quanto à sua homomorfia ao objeto no mundo fenomenal.
Embora Le Moigne não seja tão enfático no que se refere as redes que se formam
a partir de um único elemento do sistema, a aproximação das duas abordagens
10
Estamos cientes das limitações desse tipo de abordagem, assim como estamos cientes de que há limites em qualquer
abordagem que se configure como um sistema de idéias. Como não admitimos qualquer sistema como uma única
realidade, utilizamos o que é útil em nossa análise para os propósitos e as finalidades que desejamos. Pode ser menos
grandioso, mas certamente é, como diz Le Moigne, muito menos pretensioso e muito mais honesto.

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nos sugere que os elementos selecionados do mundo fenomenal – seja por nossa
limitada percepção ou por nossa intenção de focalização – comportam seus
processos de manufatura, trajetórias no tempo, significações e simbologias
próprias que podem ou não nos interessar, mas devem estar disponíveis para que
possamos acessá-las quando necessário, o que de certa forma está explícito em
Latour.
O modelo assim concebido híbrido, quente e rico de complexidade, conserva suas
redes deixando entrever apenas o que é necessário à visualização de sua
aplicação contextual. É esse modelo que se transforma em artefato e possibilita
então operações sobre ele à distância, como diria Latour, ou em substituição,
como diria Le Moigne. Para usarmos as duas abordagens, sem excluirmos as
múltiplas redes que perpassam os tantos elementos componentes, selecionamos
as que são interessantes para as nossas finalidades, encerramos as outras em
caixas pretas às quais nomeamos de acordo com categorias e pontos de vista
com os quais fazemos compromissos ontológicos. Assim, permitimos operar com
alguma segurança, obtendo resultados aproximados os quais recombinados e
retestados em campo, nos permitem aferir os graus de harmonia e semelhança
entre o objeto e o modelo.
A partir da concepção do modelo do GPG no contexto da UFF, observado na sua
funcionalidade, percebemos os pontos de contato que são o próprio contexto de
produção dos dispositivos de gestão estratégica. A negociação entre biblioteca e
GPG (a partir de sua relação simbiótica com o NDC) é demonstrada no modelo
definindo a biblioteca como um ponto de convergência entre o NDC e o próprio
GPG. O primeiro oferecendo infra-estrutura de pessoal, técnica-operacional, e
institucional e o segundo oferecendo instalações, alimentando o acervo
principalmente com a própria produção, suprindo necessidades emergenciais e
ambos dividindo a responsabilidade sobre o aparato tecnológico.
Partindo do olhar da Biblioteca, vemos as múltiplas ações que envolvem de
alguma forma o corpo discente e docente, a própria coordenação, o órgão de

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assessoramento administrativo e suas relações com os diversos tipos de projetos
externos de vários componentes. Dentro de cada esfera encerram-se os muitos
elementos

em

forma

de

rede,

como

particularmente descrito: a coordenação

percebemos
11

no

exemplo,

mais

, a biblioteca e o órgão de

assessoramento administrativo. A abertura do sistema, no que se refere a essa
funcionalidade fica a cargo tanto da coordenação, quanto do corpo discente e
docente e até mesmo da biblioteca. É através da coordenação do GPG que a
virtualização 12 da biblioteca (enquanto produtora dos dispositivos de gestão
estratégica) se dá mais evidentemente, portando dentro da maleta do coordenador
ou de cada técnico, aluno ou professor, quando apresentam esses dados em
congressos, seminários e reuniões, é a biblioteca que apresenta seu trabalhocomponente, sua parcela de contribuição. Não mais mero repositório documental
de funcionamento mecânico, mas um híbrido, máquina-organismo sensível, ativo,
funcional e atuante no cenário da pesquisa do próprio programa.
A BGQ reúne as condições e as informações para a produção de tais dispositivos,
podendo funcionar inclusive como agente de mobilização externa, quando
apresenta trabalhos como esse que ora escrevemos, projetos de participação
acadêmica e técnica, quando reconstitui as redes que a posiciona em um espaçotempo contingente, quando realiza estudos taxionômicos, para melhor descrever
sua produção, melhor trabalhar com o nível de interoperabilidade ideal. Esse lugar
não é privilegiado pela posição na rede planificada, mas pela sua função de
Centro de Cálculo: local de convergência de todas as inscrições de enésima
ordem, combinando-as e recombinando-as a fim de ampliar o que se pode
conhecer sobre tal fato ou objeto.

11

A coordenação aqui está sendo entendida sob o ponto de vista da posição institucional da coordenação e não da ação de
coordenação partilhada por várias instâncias e dos nós das redes. Uma abordagem levando em conta inclusive o trabalho
de Callon no que se refere às redes sócio técnicas é uma possibilidade desejável para uma discussão futura, uma nova
etapa dessa análise que ora fazemos.
12
Entendemos virtualização como uma questão própria da representação. Estar presente à distância, não fisicamente mas
signifcada a partir de toda a rede de conexões que permitiram a realização simbólica de uma representação.

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Figura 2 – Concepção sistêmica

Os documentos que são formados a fim de descrever o acervo da produção do
GPG, são então as inscrições de 2ª ordem, os dispositivos de gestão estratégica,
os números mobilizadores, os gráficos esclarecedores e também obscurecedores
de certos aspectos da produção científica. O que produzimos é a metainformação,
ou seja, a informação sobre a informação (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2000),
produzida pelo GPG. É a partir daí que a captação de recursos, seja sob a forma
de dinheiro, de prestígio e validade se inicia de fato, pois essa mobilização13 é um
mapeamento das conexões internas, e uma antecipação das relações externas,
que se configuram nos projetos, acordos e convênios apresentados na figura 2
sob o título Projetos externos.

Figura 2 – Modelo de Funcionamento GPG/BGQ em Contexto: abordagem preliminar

Considerações finais

Com esse trabalho procuramos mapear os elementos de algumas redes
conceituais que nos interessam e que são formadas por autores, interlocutures,
interfaces

entre

máquinas

e

usuários,

gráficos,

catálogos,

planilhas,

pesquisadores discentes e docentes etc. As abordagens utilizadas nessa pesquisa
exploratória, nos habilitaram a narrar um certo número de eventos que não são
normalmente iluminados em abordagens científicas mais ortodoxas. São mesmo
colocados de lado, obscurecidos na rede, mas não de modo consciente, para
melhorar a focalização, mas esquecidos de fato, não valorizados apesar de
continuar a produzir efeitos, que sem o devido alerta podem afetar toda a pesquisa.

13

Nesse sentido, mobilização está utilizada nas duas vertentes usadas por Latour: uma onde os artefatos são inscrições
móveis imutáveis, ou seja, mobilizam o objeto do mundo para a mesa do laboratório, e na outra vertente angariam opiniões
favoráveis para conferir validade e prestígio à essas representações.

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Assim conseguimos mapear essas redes a partir de seus actantes, os mais
relevantes para o funcionamento dessas ações, que concebemos na forma de um
modelo que nos permite estudar os fluxos de informações, intenções que se
agregam aos modos de funcionamento das estruturas relacionais do GPG em seu
ambiente: a UFF e em interação com a BGQ e de acordo com seus projetos e
planejamentos. Esse mapeamento nos dá uma idéia da dimensão das relações
estabelecidas e nos permitirá classificá-las, observando as suas potências de
utilização para os projetos que ainda virão a agregar valor às ações já em
andamento. A criação do banco de dados que alimentamos para a confecção das
planilhas, relatórios, e os demais dispositivos de gestão estratégica; a concepção
da Homepage da Biblioteca integrada à do Programa, com a incorporação desse
banco

de

dados,

permitirá

a

visualização

desses

dispositivos

on-line,

potencializando a sua disseminação e mobilidade. Esses são alguns dos projetos
que pretendemos implementar até o final de 2006.
Um outro produto deste trabalho, cujo objetivo não havíamos antecipado foi a
observação de que ambas as abordagens – de Redes e Sistêmica –, embora não
sejam incompatíveis, freqüentemente não são utilizadas em conjunto, porém
apresentam mais pontos de convergência do que se poderia pensar.
Incorporando ainda a noção de Inteligência Científica de Weinberg a partir de
González de Gómez (2003), temos um bom ponto de partida para estudarmos as
redes e os modelos que se formam na gestão de C &amp; T no país. A investigação
sob o ponto de vista da Ciência da Informação sobre essas abordagens podem
realizar a sua aproximação compatibilizada e explorar seus potenciais não
conflitantes no mapeamento de ações e actantes, gerando diagnósticos para todo
o tipo de análise.

Essa compatibilização pode mesmo ser uma tarefa para a

Ciência da Informação, pois “por sua relação intrínseca com todos os outros
campos de produção cultural, a Ciência da Informação se desenvolve gerando
sempre novas zonas interdiscursivas.” (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2000)

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Bibliografia

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its consequences. Massachusetts : MIT, 2000.
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Português</text>
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              <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                  <text>Salvador (Bahia)</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
    </itemType>
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      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
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                <text>Biblioteca de pós-graduação: universo de suporte à pesquisa docente e discente ou fonte de informação estratégica para gestão de ciência e tecnologia?</text>
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            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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              <elementText elementTextId="54826">
                <text>Novo, Hildenise Ferreira; Alvares Junior, Laffayete; Ribeiro, Diego Lemos</text>
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          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                <text>Salvador (Bahia)</text>
              </elementText>
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          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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              <elementText elementTextId="54828">
                <text>UFBA</text>
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          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>2006</text>
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            <name>Type</name>
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                <text>Evento</text>
              </elementText>
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            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
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                <text>Esse trabalho procura mapear os elementos de algumas redes conceituais que nos interessam e que são formadas por autores, interlocutures, interfaces entre máquinas e usuários, gráficos, catálogos, planilhas, pesquisadores discentes e docentes etc. As abordagens utilizadas nessa pesquisa exploratória, nos habilitaram a narrar um certo número de eventos que não são normalmente iluminados em abordagens científicas mais ortodoxas. São mesmo colocados de lado, obscurecidos na rede, mas não de modo consciente, para melhorar a focalização, mas esquecidos de fato, não valorizados apesar de continuar a produzir efeitos, que sem o devido alerta podem afetar toda a pesquisa.</text>
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            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
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                <text>pt</text>
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                    <text>BIBLIOTECA DIGITAL DE TCCs DA UFPE: da concepção à prática
Giane da Paz Ferreira Silva1
Bibliotecária e Especialista em Informação Tecnológica

Roseane Souza de Mendonça2

Bibliotecária e Especialista em Gestão da Qualidade Total

RESUMO:
Descreve o processo de implantação da Biblioteca Digital do curso de graduação
em Engenharia da Produção da UFPE. O projeto piloto da biblioteca digital deu-se
na Biblioteca Setorial do Centro de Tecnologia e Geociências da UFPE com a
finalidade de disponibilizar eletronicamente a produção acadêmica dos discentes,
concorrendo assim, para divulgar e sociabilizar a produção científica a nível de
graduação. O objetivo do projeto é incutir, desde cedo, nos universitários, os
novos paradigmas de acesso, disponibilização e utilização da informação
científica calcados na era da tecnologia.

Palavras-chave: Biblioteca Digital. Implantação de Biblioteca Digital.

1

. UFPE. Biblioteca do CTG, Recife-PE-Brasil. E-mail: dapaz@ufpe.br

2

. UFPE. Biblioteca do CTG, Recife-PE-Brasil. E-mail: rose_pe@hotmail.com

�2

1 INTRODUÇÃO

A tecnologia traz facilidades e impulsiona à mudança. As bibliotecas
universitárias brasileiras são formadas, basicamente, por textos voltados para o
apoio ao ensino de graduação e pós-graduação e para a pesquisa.

Adaptando-se às necessidades da sociedade digital e impelidas pela
explosão informacional essas bibliotecas têm buscado disponibilizar seu acervo
para além das limitações de espaço físico, bem como, potencializar recursos de
acesso, disseminação, cooperação e socialização do conhecimento produzido,
criando assim, as Bibliotecas Digitais.

Nessa perspectiva cabe às Bibliotecas utilizarem as tecnologias da
informação através das quais possam prover o acesso aos repositórios
informacionais produzidos pelos diversos cursos de graduação da Universidade,
como forma de estimular a produção acadêmica e contribuir para a disseminação
do conhecimento de forma padronizada, visando garantir com eficácia a
recuperação dos conteúdos digitais.

Sob esse olhar, em parceria com o curso de Engenharia da Produção da
UFPE, a Biblioteca Setorial do CTG inicia de forma embrionária o projeto da
Biblioteca Digital da graduação. Incutindo assim, desde cedo, nos universitários
os novos paradigmas de acesso, disponibilização e utilização da informação
científica, calcados na era da tecnologia.

Entretanto, projetos dessa natureza devem ser integrados, com uma
equipe multidisciplinar, intermediadora do processo, e dispor de ferramentas
tecnológicas, com definições de padrões, visando tornar os dados compreensíveis
e compartilhados.

�3

Para alcançar esses objetivos, compete aos bibliotecários, segundo
Scherrer e Jacobson (2002), atuarem como facilitadores da informação, devendo
estar cada vez mais bem preparados no domínio das tecnologias da informação e
comunicação para auxiliar o leitor a filtrar a informação, trabalhar na elaboração
de conteúdos digitais e orientar no manuseio de informações oferecidas on-line
com eficiência e eficácia.

2 BIBLIOTECAS DIGITAIS E A PRESERVAÇÃO DO CONHECIMENTO: revisão
de literatura

A reflexão sobre Bibliotecas Digitais remonta ao período de criação do
Memex em 1945, quando Vannevar Bush cria esse dispositivo com o objetivo de
permitir ao indivíduo armazenar seus livros, seus registros, suas anotações, suas
comunicações (SILVA; SÁ; FURTADO, 2006).

Segundo Cunha (2002) são características comuns da biblioteca digital a
existência de coleções de documentos onde se pode acessar também o seu texto
completo. O acesso on-line a outras fontes externas de informação e sua
utilização ocorre de maneira que a biblioteca local não necessita ser detentora do
documento solicitado pelo usuário.

Fujita (2006) ressalta que
Entre o documento digital e o documento impresso existe, além da
diferença de formato, a diferença quanto ao acesso que nos
permite considerar o documento digital de modo mais
personalizado, embora seu acesso seja multiusuário, pois, o
documento impresso nunca estará acessível para todos ao
mesmo tempo e nem estará próximo de todos os usuários como o
documento digital que pode ser acessado por um computador
pessoal a qualquer tempo.

As peculiaridades da Biblioteca Digital continuam sendo colocadas por
Pavão et al (2005) quando lembram que
Diferentemente de um catálogo on line, que apresenta apenas a
descrição bibliográfica dos documentos, a biblioteca digital agrega
à descrição bibliográfica e temática, o conteúdo do documento,

�4

exigindo cuidados diferenciados para garantir sua integridade e,
também, a observância da legislação de direito autoral.

Esse novo cenário exige dos bibliotecários uma nova postura conforme
coloca Levacov apud Ohira e Prado (2002, p.67)
O aumento da procura por fontes eletrônicas de informação acaba
por exigir que desenvolvamos novas estruturas para organizar a
informação contida nestas novas ‘bibliotecas’, estruturas essas
que evoluem e se transformam conforme a tecnologia permite [...]
Encontrá-las, desenvolver políticas para identificá-las e indexá-las,
desenvolver procedimentos para compartilhá-las, repensar a
validade dos critérios existentes em face das necessidades da
comunidade virtual, arriscar-se além da etapa da comunidade
virtual, arriscar-se além da etapa determinada pela linearidade da
fala e da escrita, representa o grande desafio aos (ciber)
bibliotecários oferecido na época atual.

3 BIBLIOTECA SETORIAL DO CTG/UFPE

A Biblioteca Setorial do Centro de Tecnologia e Geociências (BIBCTG) é
integrante do Sistema de Bibliotecas (SIB) da Universidade Federal de
Pernambuco e inclui, também, as Bibliotecas Hervásio de Carvalho do
Departamento de Energia Nuclear (DEN) e a Biblioteca do Departamento de
Engenharia Química (DEQ), ambas funcionando nos respectivos Departamentos.

A Biblioteca tem como missão atuar como provedora de informação
contribuindo para o desenvolvimento do ensino, da pesquisa e da extensão na
UFPE, enfatizando a busca de soluções modernas que atendam às reais
necessidades de seus usuários.

A Biblioteca foi criada em 1995 e ocupa um espaço de 1.700 m2, onde
estão distribuídos os acervos (livros, periódicos e mapoteca) das áreas das
Engenharias, de Geologia e de Oceanografia. Há ainda espaços para leitura,
com capacidade para 250 usuários, balcão de empréstimos, hall de entrada, que
funciona também como sala de leitura informal, 13 (treze) salas de estudo em
grupo, 39 cabines para estudo individual, 1 (uma) sala de reunião, 1 (uma) sala

�5

de vídeo, 1 (uma) sala de coleções especiais, 1 (uma ) sala de pesquisa em
bases de dados, 1 (uma) sala de seleção de material

e 4 (quatro) salas

destinadas aos serviços administrativos.

O acervo é de livre acesso, com exceção dos livros de consulta, reserva,
coleção multimídia e coleção especial. O acervo informatizado soma 12.733
títulos de livros, periódicos especializados, correntes e não-correntes, e uma
coleção de multimeios que inclui vídeos, Cd-rom e mapas nas áreas de
Engenharia, Oceanografia e Geologia,

perfazendo um total de

74.385

exemplares/volumes.

A BIBCTG utiliza o Sistema de automação PERGAMUM e oferece os mais
variados serviços, como:
•

empréstimo domiciliar;

•

empréstimo entre bibliotecas;

•

acesso a Internet;

•

disseminação seletiva da informação junto aos docentes e pesquisadores
do Centro;

•

visitas dirigidas;

•

espaço reservado para exposições;

•

salas para estudo individual e em grupo;

•

sala para projeção de vídeo e reunião;

•

catalogação na fonte;

•

orientação na normalização de trabalhos técnico-científicos;

•

pesquisa bibliográfica em bases de dados nacionais e internacionais;

•

serviço de Comutação Bibliográfica eletrônica – COMUT;

•

acesso on-line ao catálogo do SIB;

•

helpdesk do Portal de periódicos da Capes para a região Nordeste;

•

busca eletrônica de artigos, livros e teses no Brasil e no exterior através do
Consórcio ISTEC - The Ibero-American Science and Technology Education
Consortium.

�6

Diante da variedade de serviços oferecidos participar de um projeto de
Biblioteca Digital caracterizou-se em mais um desafio a ser enfrentado pela
equipe de trabalho da BIBCTG, oportunidade surgida de forma integrada com o
curso de Engenharia da Produção da UFPE.

4 O CURSO DE ENGENHARIA DA PRODUÇÃO DA UFPE

Os cursos de graduação da UFPE apresentam uma estrutura curricular que
varia de um curso para outro. Para cada curso de graduação oferecido no país, o
Ministério da Educação, através das Diretrizes Curriculares Nacionais estabelece
um mínimo de matérias a serem estudadas para que o curso em questão possa
conferir um diploma de natureza profissional ou acadêmica.

O curso de Engenharia da Produção foi criado em 1999 e utiliza-se do
conhecimento especializado em matemáticas, físicas e ciências sociais, em
conjunto com análise e projeto de engenharia, para especificar, prever e avaliar
os resultados obtidos por tais sistemas.

Além das disciplinas básicas de Engenharia, o curso inclui disciplinas nas
áreas de atuação do Engenheiro de Produção que são as seguintes: Engenharia
de Produto, Ergonomia e Segurança do Trabalho Estratégia e Organizações,
Gerência da Produção, Gestão Ambiental, Gestão Econômica, Gestão da
Informação, Gestão da Tecnologia, Pesquisa operacional e Qualidade.

A Engenharia de Produção, como especialidade de engenharia, tem o
objetivo de dedicar-se à concepção, melhoria e implementação de sistemas
integrados de pessoas, materiais, informação, equipamentos e energia.

�7

5 BIBLIOTECA DIGITAL DE TCC’s DA UFPE: procedimentos para viabilização

A Biblioteca Digital de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC’s) consiste
em disponibilizar, de forma eletrônica, a produção científica dos cursos de
graduação oferecidos pelo CTG/UFPE. O projeto piloto deu-se com o curso de
Engenharia de Produção.

O procedimento para inserção de trabalhos ocorre com a entrega, pelo
aluno concluinte, de dois exemplares do seu trabalho, sendo uma versão
impressa e outra em meio digital em formato PDF.

O trabalho de conclusão de curso deve está de acordo com as Normas da
ABNT vigentes, atualmente a NBR 14724 Informação e documentação –
Trabalhos acadêmicos – Apresentação, de 2002; a NBR 6023 Informação e
documentação: elaboração de referências, de 2002 e a NBR 10520 Informação e
documentação – Citações em documentos - Apresentação, de 2002, e o aluno
deve estar sem nenhum débito junto às Bibliotecas do Sistema.

Em seguida cabe à Biblioteca, no ato do recebimento, confirmar se o
trabalho encontra-se em formato PDF e se a situação do aluno está regular.
Emite-se então um recibo em duas vias, onde uma o aluno deverá entregar na
secretaria do curso e a outra pertencerá à Biblioteca para efeito de depósito legal.
O aluno precisa especificar se vai disponibilizar o trabalho na íntegra para ser
consultado ou só partes do mesmo.

A cópia impressa é catalogada no Pergamum e disponibilizada para
empréstimo domiciliar, enquanto a cópia em formato PDF é descarregada no
servidor e acessada através do Pergamum na Web em: http://www.ufpe.br/sib.

�8

5.1 A Experiência do LÍBER como ponto de partida

Como uma das etapas de viabilização do processo de implantação da
Biblioteca Digital inicialmente trabalhou-se com a possibilidade de utilizar como
metodologia para disponibilização dos documentos eletrônicos a experiência do
LÍBER.

O LIBER é um laboratório de pesquisa do Departamento de Ciência da
Informação, filiado ao Virtus (Laboratório de Hipermídia da UFPE) e tem como
objetivo expandir a base de publicações eletrônicas e facilitar o acesso da
comunidade à produção científica e artística da Universidade Federal de
Pernambuco, com o desenvolvimento do sistema de gerenciamento eletrônico do
conhecimento.

O LÍBER é um sistema formado por áreas de armazenamento do
conhecimento, ferramentas de gerenciamento, busca

de informações e

assistência ao usuário, tudo isso com o propósito de disponibilizar as referências,
resumos e trabalhos de produção intelectual dos Programas de Pós-Graduação
da UFPE. Seu acesso pode ser feito pelo endereço: http://www.liber.ufpe.br

No Líber, a inserção de documentos depende do preenchimento de
formulário simples e a publicação se faz de forma rápida e fácil. O usuário conta
ainda com as seções de edição, nas quais poderá excluir ou alterar informações
relativas ao texto, e de acervo, onde qualquer usuário da Internet poderá,
mediante consulta, acessar e comentar todos os documentos inseridos no Líber.

Durante

a

implementação

da

Biblioteca

Digital

analisou-se

as

possibilidades que o Pergamum, enquanto Sistema de automação, poderia
oferecer como instrumental tecnológico racionalizando o processo e propiciando
ao usuário a busca através da mesma base de dados a mais uma fonte de
informação contida nos trabalhos de produção acadêmica.

�9

5.2 O Sistema Pergamum e suas possibilidades

A UFPE utiliza o PERGAMUM – Sistema Integrado de Bibliotecas – desde
2003, que consiste em um sistema informatizado de gerenciamento de Bibliotecas
e funciona de forma integrada da aquisição ao empréstimo.

O Pergamum funciona na rede interna da Universidade e possui um
servidor no Núcleo de Tecnologia (NTI). É uma importante ferramenta de
viabilização, padronização e busca, que trabalha com campos e códigos do
AACR2 e o formato MARC 21, atualmente reconhecidos pela maioria dos
sistemas implantados no país.

O acesso ao Pergamum está disponibilizado on-line permitindo aos
usuários a busca no catálogo do Sistema de Bibliotecas da UFPE. Outras opções
estão disponíveis, como a reserva e renovação de livros, além de conexão com
periódicos eletrônicos e em breve com a Biblioteca Digital.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O surgimento de bibliotecas digitais propiciará mudanças profundas,
sobretudo, no ambiente acadêmico onde a informação gerada ao ser disseminada
promove o conhecimento e o desenvolvimento. Dentro desse contexto a
Biblioteca digital do Curso de Engenharia da Produção da UFPE nasce
consciente de seu desafio como geradora, promotora e disseminadora do
conhecimento.

A Biblioteca digital encontra-se em fase experimental, já com cerca de 30
Trabalhos de Conclusão de Curso. Paulatinamente outros cursos estão se
integrando a exemplo do curso de Química Industrial que passou a utilizar os
mesmos procedimentos para entrega dos trabalhos pelo aluno da graduação.

�10

Acredita-se que esta iniciativa aos poucos integrará a rotina dos diversos
cursos de graduação da UFPE, considerando-se que as Instituições de Ensino
necessitam estar cada vez mais preparadas para prover e devolver à sociedade o
conhecimento produzido na esfera acadêmica.

Por outro lado, a metodologia utilizada embrionariamente já começa a ser
extensiva aos demais cursos existentes no Centro de Tecnologia e Geociências
da UFPE e nessa perspectiva encontram-se todos em consonância com o
objetivo maior que é dar apoio as atividades de ensino, pesquisa e extensão na
Universidade.

DIGITAL LIBRARY DE TCCs OF THE UFPE: of the conception to the practical
one
ABSTRACT
It describes the process of implantation of the Digital Library of the graduate
course in Production Engineering of the UFPE. The project pilot of the digital
library was given in the Sectorial Library of the Technology and Geosciences
Center of the UFPE, with the purpose of provide elecronic access to the academic
production of the learning, thus concurring, to divulge and to spread the scientific
production of the graduate-level courses. The objective of the project is to infuse,
since early, in the colleges' student, the new access paradigms, sharing and use
of the scientific information in the age of the technology.
Keywords: Digital library. Implantation of Digital Library.

�11

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em: &lt;http://dici.ibict.br/archive/00000825/01/T174.pdf&gt;. Acesso em: 23 mar. 2006.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Descreve o processo de implantação da Biblioteca Digital do curso de graduação em Engenharia da Produção da UFPE. O projeto piloto da biblioteca digital deu-se na Biblioteca Setorial do Centro de Tecnologia e Geociências da UFPE com a finalidade de disponibilizar eletronicamente a produção acadêmica dos discentes, concorrendo assim, para divulgar e sociabilizar a produção científica a nível de graduação. O objetivo do projeto é incutir, desde cedo, nos universitários, os novos paradigmas de acesso, disponibilização e utilização da informação científica calcados na era da tecnologia.</text>
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                    <text>BIBLIOTECA DIGITAL: ANÁLISE DAS COMUNICAÇÕES
APRESENTADAS NOS SEMINÁRIOS NACIONAIS DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS - SNBU’s: 2000, 2002, 2004
Fábia Porto Titão
Acadêmica do Curso de Biblioteconomia – Habilitação em Gestão da Informação
Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC
e-mail: fabfpolis2001@yahoo.com.br

Maria Lourdes Blatt Ohira, Ms
Professora do Curso de Biblioteconomia – Habilitação em Gestão da Informação
Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC
e-mail: f2mlbh@udesc.br
A mesma certeza que temos em poder remexer e reordenar nossas
vidas, clicar ou deletar nossas experiências e nossos arquivos
existenciais, também têm as Bibliotecas Universitárias, a certeza de
poder fazer o mesmo nas suas estruturas, na sua história e nos
seus cenários [...] frente ao impacto fulminante da era digital [...]
diante desse maravilhoso mundo novo (PINHEIRO et al. 2000, p. 11).

Conhecer a produção científica sobre o tema biblioteca digital, publicada nos Anais do Seminário
Nacional de Bibliotecas Universitárias – SNBU, realizados nos anos de 2000, 2002 e 2004, foi
objetivo da pesquisa. Analisa 37 comunicações que apresentam no título, no resumo e/ou como
palavras-chave o termo Biblioteca Digital, a partir dos seguintes aspectos: eixos temáticos
abordados, tipo de autoria, instituição de origem dos autores, número de referências bibliográficas
por comunicação, tipos e idioma dos documentos citados, eventos, periódicos, autores e
publicações citadas. Os resultados revelam que o SNBU realizado em 2004, destaca-se com o
maior número de comunicações apresentadas sobre o tema biblioteca digital. A autoria múltipla
prevalece nas comunicações apresentadas, sendo seus autores na maioria oriundos de
universidades. Para a produção das 37 comunicações foram utilizadas 465 referências, resultando
na média de 12,56 referências por comunicação, onde os artigos de periódicos publicados na
Revista Ciência da Informação destacam-se como o tipo de material mais citado. Na análise das
referências de eventos, constata-se que o Simpósio Internacional de Bibliotecas Digitais instituído
em 2003, contribuiu com 26% do total de referências citadas oriundas de eventos técnicocientíficos. As comunicações foram agrupadas nos seguintes eixos temáticos: revisão de literatura;
metodologias para implantação de bibliotecas digitais; tratamento de documentos digitais; serviços
e produtos de informação e desenvolvimento de pesquisas, resultando na maioria, em relatos de
experiências o que fortalece o SNBU como um foro de troca de experiências. O trabalho contribui
para o avanço e desenvolvimento de pesquisas na área de biblioteca digital nas bibliotecas
universitárias brasileiras.
Palavras – chave: Biblioteca Digital; Produção Científica; Análise de Citação; Seminário Nacional
de Bibliotecas Universitárias.

1 INTRODUÇÃO

Ultrapassando os antigos conceitos, as bibliotecas deixam de ser um
espaço estático para se tornar um espaço em constante mutação, passando de
organização totalmente ligada ao material impresso, para organizações que

�disponibilizam informações através de acesso eletrônico, provocando mudanças
na maneira de oferecer produtos e serviços de informação.
Os Seminários Nacionais de Bibliotecas Universitárias, eventos científicos
que ocorrem a cada dois anos, se constituem em verdadeiro foro de discussão
por proporcionar ao profissional o contato e o intercâmbio de idéias entre os
profissionais vinculados a bibliotecas universitárias, com as pesquisas mais
recentes da área, a partir do conjunto de relatos que divulgam as atividades,
serviços e produtos relacionados com a geração e uso da informação.
A presente pesquisa tem por objetivo conhecer a produção científica sobre
biblioteca digital, publicada nos Anais do Seminário Nacional de Bibliotecas
Universitárias, realizados nos anos de 2000, 2002 e 2004, complementada com
os seguintes objetivos específicos: analisar os eixos temáticos; identificar o tipo
de autoria, se única ou múltipla e a instituição de origem dos autores; levantar o
número de referências bibliográficas por comunicação; conhecer a temporalidade
e o idioma dos documentos citados; identificar os tipos de documentos citados; e
conhecer os autores, os eventos, os periódicos e as publicações mais utilizadas
pelos autores das comunicações apresentadas.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

O tema biblioteca digital é freqüente nos artigos de periódicos e nas
comunicações em eventos da área de Biblioteconomia e Ciência da Informação.
Destacam-se como artigos que reúnem a produção científica sobre Bibliotecas
Digitais o artigo de Cunha (1997), a pesquisa de Ohira e Prado (2002), o artigo de
Silva et al (2004), e a comunicação de Martins (2004), sintetizados a seguir.
O artigo de Cunha (1997) arrola uma bibliografia internacional seletiva e
anotada sobre bibliotecas digitais agrupada nos seguintes eixos temáticos:
principais autores que escreveram sobre a biblioteca do futuro no período de
1945-1985; conceituação de biblioteca digital; projetos em andamento em
diversos países; aspectos técnicos relativos à construção de uma biblioteca digital
e; principais fontes de informação.
A evolução da temática biblioteca digital como assunto em periódicos
brasileiros publicados no período de 1995-2000, foi objeto do estudo de Ohira e

�Prado (2002), sobressaindo com maior número de artigos o tema “metodologia
para implantação de bibliotecas digitais”. A análise revelou que no ano de 1997 foi
publicada 48,48% do total da produção do período, relacionando o volume da
produção à criação do Grupo de Trabalho sobre Bibliotecas Virtuais do Comitê
Gestor da Internet – Brasil, implantado em 1996, e a publicação em 1997 de um
número temático da Revista Ciência da Informação, abordando o tema Biblioteca
Virtual e Biblioteca Digital.
Silva et al (2004), apresentaram no II Simpósio Internacional de Bibliotecas
Digitais, um levantamento sobre o tema biblioteca digital, compreendendo o
período de 2001-2003. Os artigos foram agrupados nos seguintes eixos
temáticos: Conceitos; Tratamento da Informação e Metadados; Biblioteca Digital
Brasileira e a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações e; Implantação de
Bibliotecas Digitais. Para os autores,
A inserção da biblioteca no mundo virtual exige, a despeito da sua
complexidade, uma atitude distinta, bem como formas de pensar e agir
diferenciadas. Esse novo cenário demanda aprendizagem contínua,
ousadia e perspicácia dos profissionais da informação, além do
desenvolvimento de estudos interdisciplinares que contemplem a
diversidade exigida para implantação desse tipo de biblioteca (SILVA, et
al. 2004, p. 7-8).

Martins (2004), reflete sobre a evolução das bibliotecas da era mineral até
a era virtual, no sentido de pressentir como será o ambiente informacional do
século XXI. Perpassa abordando a biblioteca convencional, biblioteca polimídia,
biblioteca interativa, biblioteca digital, biblioteca eletrônica, biblioteca eletrônica
virtual, biblioteca virtual, biblioteca de realidade virtual, até formular um novo tipo
de biblioteca: a biblioteca universal, que tem como características principais,
A junção de vários tipos de suportes dentro da sociedade, na recuperação
da informação [...] A biblioteca universal aparece como modelo ideal para
recuperação da informação, onde quer que ela esteja, e, de automação
dos serviços da biblioteca. [...] A biblioteca universal seria a união dos
acervos reais e virtuais, seus paradigmas estariam ligados a realidade e a
virtualidade, seus objetivos passariam do processo impresso para o
processo impresso, visual, audiovisual, oral, fatual, multimídia e virtual,
respeitando uma existência pacífica entre todos os tipos de suportes
(MARTINS, 2004, p. 10).

Com o crescimento da Internet, as possibilidades de acessar e recuperar
informações aumentaram refletindo, segundo Cunha (1999), no aumento de
projetos de automação de bibliotecas, no número crescente de bases de dados
legíveis por máquina incorporando os conteúdos completos de livros, artigos de

�periódicos, relatórios técnicos e outros materiais, onde os conceitos e as
tecnologias

da

computadorizado

biblioteca
ao

digital

provêem

armazenamento

e

à

um

enfoque

recuperação

completamente
dos

materiais

bibliotecários, e constata que,
[...] dezenas de projetos de implementação estão em andamento em
diversos países, notadamente nos Estados Unidos, Reino Unido e
Austrália. Esses projetos de bibliotecas digitais entrarão em fase
operacional nos próximos anos, portanto, dentro em breve, estaremos em
uma fase híbrida, convivendo com a biblioteca tradicional que
conhecemos e com a futurística biblioteca digital (CUNHA, 1999, p. 267).

Para Bottentuit et al (2002), no Brasil a biblioteca digital ganha força
apenas em meados de 1980, principalmente na região Centro Sul. As
informações em suportes eletrônicos passam a ser usadas com intensidade,
permitindo a cooperação e o compartilhamento de recursos como os catálogos,
coleções e serviços mantidos pelas unidades de informação conectadas à
Internet.
A implantação de Bibliotecas Digitais no Brasil é uma realidade e pode ser
constada pelo projeto Biblioteca Digital Brasileira, representado pela sigla BDB,
coordenado pelo IBICT, que reúne acesso a várias Bibliotecas Digitais via um
buscador automático. Conceitua Biblioteca Digital e apresenta como objetivo
geral:
Coleção de serviços e objetos de informação que disponibiliza o seu
acervo direta ou indiretamente via meio digital e que se propõe a integrar
em um único portal os mais importantes repositórios de informação
digital de forma a permitir consultas simultâneas e unificadas aos
conteúdos informacionais destes acervos [...] contribuir para aumentar o
acesso aos documentos eletrônicos que sejam de interesse para o
desenvolvimento das atividades técnicas e cientificas, assim como para
os demais setores importantes para o desenvolvimento econômico e
social do país, tais como o de educação e o produtivo (IBICT, 2005).

Destaca-se como subprojeto a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações,
representado pela sigla BDTD, que busca integrar os sistemas de informação de
teses e dissertações existentes nas instituições de ensino superior (IES)
brasileiras, bem como estimular o registro e a publicação das mesmas em meio
eletrônico. Utiliza a tecnologia de arquivos abertos e reúne teses e dissertações
em formato

referencial e texto integral de várias instituições cooperantes e

pretende, ser a “base do conhecimento científico de teses e dissertações,

�registrado, organizado e armazenado em formato eletrônico, acessível pela
Internet” (IBICT, 2005).
No SNBU realizado em 2004, foram apresentadas duas comunicações que
avaliaram

o

desempenho

das

bibliotecas

digitais

implementadas

nas

universidades brasileiras e que integram o projeto BDTD. O primeiro, de Almada e
Santos (2004), demonstra como as Bibliotecas Universitárias através das
bibliotecas digitais podem facilitar o acesso ao conhecimento produzido nas
universidades, disseminando e democratizando a informação. Para os autores:
A implantação das bibliotecas digitais sem dúvida veio contribuir para a
qualidade das bibliotecas universitárias. Através dela a comunidade
acadêmica passou a ter acesso aos diversos documentos produzidos
pelos pesquisadores de uma determinada Instituição de Ensino Superior
em tempo real [...] (ALMADA E SANTOS, 2004, p. 9).

O segundo estudo da autoria de Oliveira e Aguiar (2004), apresenta o
panorama das bibliotecas digitais de teses e dissertações no Brasil, a partir da
análise dos sites das BU’s, identificando-se apenas oito IES com projetos
implantados e em pleno funcionamento. Para os autores ”espera-se que num
futuro próximo todas as BDTD estejam funcionando em um único portal
administrado pelo IBICT”, constatando-se pela análise das BDTD disponibilizadas
que nos sites que,
a maioria se encontra num estágio bastante embrionário e que os dados
são insuficientes e poucos sistematizados em relação à sua implantação,
no que se refere aos profissionais envolvidos, às tecnologias
empregadas, à questão dos direitos autorais, aos critérios e
procedimentos de inserção dos dados (OLIVEIRA e AGUIAR, 2004, p.2).

Infere-se que se estas informações estivessem disponíveis, possibilitaria a
outras instituições os esclarecimentos necessários e impulsionariam sua
integração ao programa nacional de bibliotecas digitais de teses e dissertações.

3 MÉTODO
A pesquisa tem como universo as comunicações publicadas nos Anais dos
três últimos Seminários Nacionais de Bibliotecas Universitárias: XI SNBU
realizado em Florianópolis no ano de 2000; XII SNBU realizado em Recife em
2002; e XIII SNBU realizado na cidade de Natal, no ano de 2004. O critério
adotado para seleção das comunicações foi a presença do termo “Biblioteca

�Digital” no título da comunicação, no resumo e/ou como palavras-chave. Para
análise das comunicações foram adotados os seguintes critérios:
Temática das Comunicações: as comunicações foram agrupadas em revisão de
literatura; metodologias para implantação de bibliotecas digitais; tratamento de
documentos digitais; serviços e produtos de informação; desenvolvimento de
pesquisas.
Autoria

das

Comunicações:

quantidade

de

autor(es)

por

comunicação,

classificados em autoria única e múltipla, sendo considerado, para identificação
do vínculo institucional, somente o primeiro autor de cada comunicação.
Referências das Comunicações Foram analisadas as seguintes variáveis: a)
Número médio de referências por artigo agrupados nos seguintes intervalos: sem
referências; 1 a 5 referências; 6 a 10 referências; 11 a 15 referências; 16 a 20
referências; 21 a 25 referências; mais de 25 referências; b) Tipologia dos
documentos citados nas referências agrupados em: livros e capítulos de livros;
artigos de periódicos impressos e eletrônicos; comunicações em eventos
impressos e eletrônicos; e outros tipos de documentos que são as teses,
dissertações, monografias e outros; c) Idioma das referências agrupados em
português, inglês e espanhol e outros idiomas; d) Temporalidade das referências
agrupada nos seguintes intervalos: até 2 anos; 3 a 5 anos; 6 a 10 anos; 11 a 20
anos; acima de 20 anos; e referências sem data; e) Autores, eventos, periódicos e
publicações mais citadas.

4 RESULTADOS
Nos Seminários Nacionais de Bibliotecas Universitárias, realizados em
2000, 2002 e 2004, foram apresentadas 37 comunicações sobre Bibliotecas
Digitais que se enquadraram nos critérios definidos na metodologia. As 37
comunicações analisadas na pesquisa estão incluídas na lista de Referências no
final do trabalho, identificadas com o termo (Pesquisa) no final de cada referência.

4.1 Temática das Comunicações
Os temas das 37 comunicações apresentadas no SNBUs estão agrupados
em: Revisão de literatura; Metodologias para implantação de Bibliotecas Digitais;

�Tratamento de documentos digitais; Serviços e produtos de informação e
Desenvolvimento de pesquisas, de acordo com a Tabela 1.
Tabela 1 – Distribuição das temáticas
TEMAS
Metodologias para implantação de Bibliotecas Digitais
Tratamento de Documentos Digitais
Serviços e Produtos de Informação
Desenvolvimento de Pesquisas
Revisão de Literatura
TOTAL

N.
11
8
7
6
5
37

%
29,74
21,62
18,92
16,21
13,52
100,00

Dentre os temas apresentados, aparece em primeiro lugar com 29,74%
comunicações sobre metodologias para implantação de bibliotecas digitais,
seguido do tema tratamento de documentos digitais com 21,62%, o que revela a
importância dos mesmos para o planejamento e implementação de bibliotecas
digitais, sendo que os demais temas apresentam praticamente o mesmo
percentual. As comunicações são analisadas resumidamente em cada grupo
temático.
a) Metodologias para implantação de Bibliotecas Digitais
O contexto da informação digital, seu papel e sua importância nas IES são
discutidos por Oliveira (2002), que apresenta um esboço da construção da
proposta de biblioteca digital da Universidade Potiguar de Natal, RN. Souza
(2004), apresenta a proposta de criação de uma biblioteca digital no Centro
Federal de Educação Tecnológica da Paraíba destinada a disponibilizar a
produção intelectual da referida instituição. Bottentuit et al (2002), apresentam
uma proposta para a construção da biblioteca digital, da produção cientifica dos
pesquisadores e docentes na Universidade Federal do Maranhão.
Metodologias para o desenvolvimento de sistema WEB, são apresentadas
por Vicentini e Milek (2000), no sentido de oferecer informações para implantação
de bibliotecas digitais e virtuais e apontam a necessidade de agregar novos
conhecimentos aos profissionais bibliotecários na estruturação de novos trabalhos
voltados para a WEB. Quatro comunicações descrevem metodologias utilizadas
no desenvolvimento de bibliotecas digitais: Ley et al (2004), relatam a experiência
da Universidade Federal Fluminense na implantação da Biblioteca digital de teses
e dissertações; Bianchi et al (2004), abordam as etapas vivenciadas quando da

�implantação da Biblioteca Digital na Biblioteca do Instituto de Química da
UNICAMP; Peres e Lima (2004), descrevem a metodologia utilizada no
desenvolvimento do acervo digital da Divisão de Bibliotecas e Documentação da
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, e Fujita et al (20004), relatam
o projeto de implantação da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da
Universidade Estadual Paulista.
A integração e acesso das bibliotecas digitais com as demais iniciativas de
instituições nacionais e internacionais visando a disponibilização eletrônica da
descrição e dos textos completos de teses e dissertações defendidas no âmbito
de cada IES é refletida no trabalho de Almeida et al (2004), quando da construção
de uma base de dados digital dos documentos cinzentos (teses e dissertações)
produzidas na Universidade Federal e na Universidade Estadual do Maranhão.
Dois projetos desenvolvidos na UNICAMP revelam a mesma preocupação: o
primeiro descreve o software livre e a sua utilização no gerenciamento de
conteúdos digitais através da biblioteca digital da referida instituição e o segundo,
apresenta o projeto Biblioteca Digital da Faculdade de Educação, ao disponibilizar
em meio eletrônico as dissertações e teses com link direto na base de dados
Acervus, gerenciada pelo software VIRTUA, utilizado na respectiva universidade
(VICENTINI, 2002).
b) Tratamento de documentos digitais
As etapas da geração da informação, como essa informação está
organizada, quais as fases da sua implementação e as soluções encontradas
para alguns problemas, quando da criação do acervo digital de teses e
dissertações no Instituto de Física da UNICAMP, são relatadas por Sponchiado e
Vicente (2004). A descrição de padrões de metadados utilizados para descrever
dados bibliográficos é o enfoque dos seguintes trabalhos: Gomes et al (2000),
analisam o USMARC e o Dublin Core; Rosetto e Nogueira (2002), apresentam os
elementos metadados do Dublin Core e a sua aplicação para a descrição
bibliográfica de documentos na Biblioteca Digital de Teses da Universidade de
São Paulo. Silva e Oliveira (2002), descrevem o gerenciamento do sistema
maxwell, os critérios necessários para se integrar nesse sistema e a metodologia
e o uso dos metadados, padrão Dublin Core, na Biblioteca Central da

�Universidade Católica de Pernambuco. Complementa-se com o trabalho de
Vicentini e Vicentini (2004), que analisam os padrões e indicadores de qualidade
que nortearam a implementação do Projeto Digital da Universidade de Campinas
para a disponibilização da sua produção cientifica, em texto completo na Internet.
A representação descritiva de documentos não textuais é o relato de Fujita
et al (2004), que detalham a representação de fotografias e a inserção das
mesmas na Biblioteca Digital da UNESP. A comunicação de Oliveira e Debois
(2004), apresentam a experiência da Biblioteca Digital Multimídia, desenvolvida
na PUC de Campinas. Os vínculos dinâmicos do Protocolo de comunicação
Z39.50 integrados a extensão Biblioteca YAZ da linguagem de programação PHP
na coleta automática dos índices utilizados no módulo de catalogação do
Software VIRTUA, focando a padronização dos dados bibliográficos MARC 21
visando o tratamento da informação na Biblioteca Digital da UNICAMP é o
enfoque do trabalho de Vicente et al (2004).
c) Serviços e Produtos de Informação
A gestão do Serviço de Referência na UNICAMP é analisada com foco em
duas abordagens por Vicentini et al (2004), na primeira, com foco no papel do
provedor de informação e a segunda centrada no usuário da informação,
enquanto que o estudo de Souto et al (2004), verificam o uso do e-mail como
ferramenta de interação com os usuários, a partir das demandas originárias da
biblioteca digital, para demonstrar que apesar dos acervos serem disponibilizados
em formato digital, isso não elimina a necessidade de um profissional capacitado
para orientar os usuários, demonstrando assim, a importância do Serviço de
Referência nesse novo paradigma do acesso à informação – intermediação e
mediação.
Visando a difusão de estoques de informação, atingindo assim maior
quantidade de usuários locais e remotos e contribuir para a socialização da
informação, Correia e Rostirolla (2004), focalizam a biblioteca digital brasileira
como parâmetro para atingir a interoperabilidade no acesso a fontes de
informação eletrônica, como forma de minimizar barreiras na comunicação e
socialização do conhecimento produzido. Almada e Santos (2004), demonstram
como as bibliotecas universitárias, através das bibliotecas digitais podem facilitar

�o acesso ao conhecimento produzido nas universidades, disseminando e
democratizando a informação.
A comunicação de Freire et al (2004), propõe a revitalização do Núcleo
Temático da Seca a partir de alguns projetos como oficina de memória, mapas
conceituais, biblioteca digital, enquanto que Santos (2004), apresenta a proposta
de implantação da hora do conto via Internet, utilizando a capacidade das
crianças juntamente com o professor de publicar na rede os trabalhos produzidos
em sala de aula, em forma de conto, para que uma maioria possa acessar e
realizar a leitura eletrônica navegando na Internet. Complementa-se com o
trabalho de Paschoalino et al (2004), que apresentam o manual de padronização
dos trabalhos científicos produzidos e disponibilizados na Biblioteca Digital da
USP, em especial a catalogação na fonte – com os termos específicos, para
recuperação do documento no ambiente virtual.
d) Desenvolvimento de Pesquisas
As informações disponibilizadas nos sites de Bibliotecas Digitais de Teses
e Dissertações – BDTD existentes nas IES que aderiram ao projeto do IBICT
foram analisados por Silva e Sá (2004), em relação à usabilidade, comunicação e
acessibilidade. Oliveira e Aguiar (2004), traçaram um panorama desses sites,
constatando que no Brasil as BDTD encontram-se num estágio embrionário sendo
relevante pesquisar a histórica implantação desse novo modelo de biblioteca.
Andrade et al (2002), pesquisaram os sites de instituições de ensino superior de
Minas Gerais, com cursos na área de Direito, verificando que a maior parte dos
mesmos não se constituem enquanto Bibliotecas Digitais.
A pesquisa de Guedes (2002), mapeou os catálogos oferecidos pelas
bibliotecas universitárias do Brasil na Internet, constatando que ainda não é
oferecido nos links dos catálogos o texto completo e a metodologia de uso é
diferenciada. A utilização da Biblioteca Digital da UNICAMP foi objeto de
pesquisa, demonstrando os dados de visitas e downloads, como também as
dissertações e as teses mais consultadas e os domínios que mais acessaram os
documentos digitais (VICENTINI et al, 2004). A produção cientifica sobre
biblioteca digital e biblioteca virtual, publicada nos periódicos e eventos da área
de biblioteconomia no período de 1995 a 2000 foram objeto de análise de Ohira et

�al, (2002), no sentido de conhecer os autores, os periódicos e os eventos que
contribuíram para o desenvolvimento da área.
e) Revisão de Literatura
O verdadeiro caldeirão tecnológico gerou nas bibliotecas universitárias
novos paradigmas capazes de fazê-las compreender os meios eletrônicos como
algo estratégico e não apenas operacional que mudou profundamente sua
identidade uma vez que, o paradigma da tecnologia fornece a base material para
que isso ocorra. Nesse sentido, Pinheiro e Virginio (2000), refletem sobre o
grande salto das bibliotecas universitárias no mundo dos meios eletrônicos, mais
especificamente, da Internet, no intuito de usufruir da diversidade dos serviços, a
fim de atender de forma rápida e precisa a demanda de sua clientela.
O papel das bibliotecas e dos bibliotecários no século XXI, a partir da
convivência entre as formas de informação impressa, virtual e digital foi tema de
reflexão de Santos e Passos (2004), com enfoque para a responsabilidade dos
profissionais diante desse novo momento, e estabelecem algumas diretrizes de
ação para que a biblioteca tradicional coexista dentro de um universo digital e
virtual tornando-se parte integrante dessa nova realidade. Gomes e Santos
(2004), discutem a contribuição da Biblioteca do futuro – digitais, virtuais e
híbridas – para o ensino a distância. Zafalon (2004), apresenta a partir da
literatura, uma proposta para implantação de biblioteca não física – entendida
como aquela em que o acesso não é feito fisicamente – mas utilizando-se de
meios tecnológicos, para as instituições de ensino superior. Complementando,
Martins (2004), apresenta a evolução das bibliotecas da era mineral até a virtual,
procurando pressentir como será o ambiente informacional do século XXI,
incorporando materiais, produtos e serviços eletrônicos digitais e virtuais às
bibliotecas tradicionais, formulando um novo tipo de biblioteca: A biblioteca
Universal que tem como características principais à junção de vários tipos de
suportes dentro da sociedade, na recuperação da informação.

4.2 Autoria das Comunicações
Na produção das 37 comunicações, identificou-se a presença de 110
autores, o que corresponde à média de 2,97 autores por comunicação, sendo

�84% das comunicações de autoria múltipla. A análise revelou uma diversidade de
autores e que somente o autor Luis Atílio Vicentini apresentou quatro
comunicações, seguido por Gildenir C. Santos e Regina A. B. Vicentini com três
comunicações cada um. A partir da análise do vínculo institucional do primeiro
autor de cada comunicação, constata-se que os mesmos são oriundos de 20
instituições e que a UNICAMP se destaca com quatorze (36,84%) das
comunicações apresentadas nos SNBU’s considerados neste estudo.

4.3 Referências das Comunicações
Para a produção das 37 comunicações, foram utilizadas 465 referências,
sendo que 51,34% das comunicações utilizaram de 6 a 15 referências por
comunicação, atingindo uma média de 12,56 referências por comunicação, em
sua maioria (84%) publicados em português.
Observa-se que o tema biblioteca digital começou a ser discutido com
maior ênfase no último SNBU, realizado em Natal, com 24 comunicações
apresentadas, em sua maioria relatos de experiências de implantação de
bibliotecas digitais do Programa do IBICT, enquanto que no XI SNBU realizado
em 2000, na cidade de Florianópolis, foram apresentadas quatro comunicações e
no XII SNBU realizado em Recife em 2002 foram apresentadas nove
comunicações.
A temporalidade dos documentos citados mostra que 37,85% foram
publicados até 2 anos antes de cada evento e 38,92% foram publicados de 3 a 5
anos antes de cada evento (Gráfico 1)

6%

15%

1%
38%

1%

39%

sem data

até 2 anos

3 a 5 anos

mais 20 anos

6 a 10 anos

11 a 20 anos

Gráfico 1 - Temporalidade das Referências

�Observa-se que 76,77% dos documentos citados são recentes, resultado
esperado, uma vez que o tema biblioteca digital exige tal atualização. A
atualização das referências, segundo Dutra (2005, p. 36), “pode ser considerado
um fator de qualidade dos artigos, pois demonstram a preocupação dos autores
em acompanhar o desenvolvimento da área”.
Os tipos de documentos utilizados pelos autores na produção das
comunicações, estão representados no Gráfico 2. Na categoria “outros” foram
computados as teses, dissertações, monografias, trabalho de conclusão de curso
dicionários, textos, manuais, apostilas, palestras, normas, relatórios, boletins,
jornais, sites, workshops, textos da internet.

25%

2%

13%

41%

19%

Livros/Capitulos

Artigos Periódicos

Comum. Eventos

Outros

Sem identificação

Gráfico 2 – Tipo dos documentos citados

Os artigos de periódicos destacam-se como o tipo de documento mais
utilizado, com 41%, seguido das comunicações em eventos publicadas nos
respectivos anais com 19% do total das referências. Este resultado pode ser
considerado significativo se comparado com estudos brasileiros que avaliaram a
produção científica de eventos. Infere-se que a disponibilização dos Anais de
forma eletrônica pode ter contribuído para o resultado revelado na presente
pesquisa. Em terceiro lugar aparecem os livros e capítulos de livros com 13%,
complementado por “outros documentos” com 25%.

Para identificação dos autores mais citados, foi considerado somente o
primeiro autor de cada referência. Os resultados revelam que 18 autores foram
responsáveis por 107 referências, o que representa 23% do total das referências
utilizadas na produção das comunicações, relacionados no Quadro 1, somente os
autores com quatro ou mais ocorrências.

�Quadro 1 – Autores mais citados
AUTORES
CUNHA, M. B da
MARCONDES, C. H
MARCHIORI, P. Z.
SANTOS, G. C.
OHIRA, M. L. B.
DINIZ, I. C. dos S.
ROSETTO, M.
VICENTINI, L.
BLATTMANN, U
TAKAHASHI, T.
MACHADO, R. N.
MASIERO
BAX, M. P
CHATAIGNIER, M. C. P
CASTELLS, M.

2000
2
1
0
1
0
0
0
2
0
0
0
0
1
0
0

2002
7
4
2
1
1
3
0
2
1
0
1
2
3
2
0

2004
12
11
5
5
4
2
5
0
3
4
3
2
0
2
4

Total
21
16
7
7
5
5
5
4
4
4
4
4
4
4
4

Murilo Bastos Cunha destaca-se como o autor mais citado, com 21
referências. Em segundo lugar, aparece Carlos Henrique Marcondes com 16
referências. Em terceiro lugar aparecem dois autores com 7 citações cada que
são Patrícia Zeni Marchiori e Gildenir Carolino dos Santos. Em quarto lugar
aparecem três autores com 5 citações cada, que são: Maria Lourdes Blatt Ohira,
Isabel Cristina dos S. Diniz e Márcia Rossetto, complementado com oito autores
com quatro citações cada

A partir da identificação dos autores mais citados foi possível identificar as
publicações que contribuíram para o desenvolvimento do tema, sendo
relacionadas no Quadro 2, somente as publicações que foram referenciadas
quatro vezes ou mais.
Dentre as publicações mais citadas, destaca-se o artigo de Murilo Bastos
Cunha “Desafios na construção de uma biblioteca digital”, publicado em 1999, na
Revista Ciência da Informação com nove citações. Em segundo lugar, aparecem
dois artigos de periódicos com sete indicações cada: um da autoria de Murilo
Bastos da Cunha, “Construindo o futuro: a biblioteca universitária brasileira em
2010”, e o artigo de Carlos Henrique Marcondes, intitulado “Integração e
interoperabilidade no acesso a recursos informacionais eletrônicos em C&amp;T: a
proposta da biblioteca digital brasileira”, ambos publicados na Revista Ciência da
Informação em 2000 e 2001, respectivamente.

�Quadro 2 - Publicações mais citadas
Autor
Cunha, Murilo
Bastos da
Cunha, Murilo
Bastos da
Marcondes, Carlos
Henrique

Título
Desafios na construção de uma biblioteca digital.

Construindo o futuro: a biblioteca universitária
brasileira em 2010.
Integração e interoperabilidade no acesso a
recursos informacionais eletrônicos em C&amp;T: a
proposta da biblioteca digital brasileira.
Marchiori, Patrícia
Ciberteca ou biblioteca virtual: uma perspectiva
Zeni
de gerenciamento de recursos de informação
Ohira, Maria Lourdes Bibliotecas virtuais e digitais: análise dos artigos
Blatt
de periódicos (1995/2000)
Marcondes, Carlos O impacto da Internet nas bibliotecas brasileiras.
Henrique
Diniz, Isabel Cristina
As expectativas dos bibliotecários diante da
dos S.
biblioteca virtual: o caso das bibliotecas centrais
das universidades federais do MA e da PB
Machado, Raimundo
Biblioteca do futuro na percepção de
Nonato.
profissionais da informação
Masiero, P.C.
A biblioteca digital de teses e dissertações da
Universidade de São Paulo.
Takahashi, T.
Sociedade da informação no Brasil: livro verde.

Chataignier, Maria C.
P.

Biblioteca Digital: a experiência do IMPA

Publicação/Ano
Ciência da
Informação 1999
Ciência da
Informação 2000
Ciência da
Informação 2001

N
9

Ciência da
Informação 1997
Ciência da
Informação 2002
Transinformação
1997
Dissertação –
2000

6

Transinformação
1999
Ciência da
Informação 2001
Livro MC&amp;T –
2000
Ciência da
Informação 2001

4

7
7

5
4
4

4
4
4

Em terceiro lugar destaca-se o artigo Ciberteca ou biblioteca virtual: uma
perspectiva de gerenciamento de recursos de informação, da autoria de Patrícia
Zeni Marchiori com seis citações e em quarto lugar com cinco indicações, o artigo
Bibliotecas Virtuais e Digitais: análise dos artigos de periódicos (1995/2000) da
autoria de Maria Lourdes Blatt Ohira, publicados na Revista Ciência da
Informação.
Do total das referências utilizadas na produção das 37 comunicações
identificou-se 43 referências oriundas de eventos técnico-científicos. Destaca-se
como evento mais citado o Simpósio Internacional de Biblioteca Digital, com 11
referências (26%). O evento foi instituído em 2003, é realizado anualmente com o
objetivo de integrar os profissionais de diversas áreas envolvidos com a temática
biblioteca digital, revelando desta forma sua importância como fonte de
informação e pesquisa (SIMPÓSIO, 2005).
Quando da identificação dos periódicos mais utilizados, aparece em
primeiro lugar a Revista Ciência da Informação com 80 ocorrências, seguido pela
Revista Transinformação com 17 citações.

Em terceiro lugar os seguintes

�periódicos: Revista de Biblioteconomia de Brasília, DataGramaZero e The
Eletronic Library. A Revista Ciência da Informação, publicada pelo IBICT, aparece
também como a mais citada na pesquisa de Ohira e Schmid (2002), de Dutra
(2005), e de Machado (2002). Para Alvarado (2004, p. 10), a Revista Ciência da
Informação, é “la única que se há mantenido constante a lo largo de sus 30 años
de existencia. Esta revista tiene tradición y penetración en el mercado
internacional de BCI”.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As pesquisas de produção científica são importantes para identificar e
mapear os autores e sua produtividade, conhecer as tendências e ou mudanças
que ocorrem no comportamento de determinada área e ou assunto, identificar as
temáticas de maior incidência e as fontes de informação presentes nos
documentos publicados.
Dentre

os

grupos

temáticos

destacam-se

com

maior

produção,

comunicações sobre “Metodologias para implantação de Bibliotecas Digitais”,
demonstrando a vivência e a experiência dos profissionais no seu dia-a-dia,
fortalecendo assim, o perfil do evento, considerado um espaço para reflexões,
troca de experiências e fortalecimento de idéias que contribuem para o processo
de gestão das bibliotecas universitárias, permitindo conhecer em quais IES foram
desenvolvidos projetos de BDTD.
A identificação das publicações mais citadas permitiu conhecer as que
contribuíram para o desenvolvimento da área e podem ser recomendadas como
sugestão de leitura aos acadêmicos e profissionais envolvidos com o tema
Biblioteca Digital. O estudo revela que documentos eletrônicos são utilizados, e
que apresentam crescimento gradativo com o passar dos anos, fenômeno
observado com a publicação dos Anais de eventos que mudaram seu suporte
passando do papel para o eletrônico e com isso, seu conteúdo começa a ter uma
maior divulgação e acesso. Porém, sua utilização como fonte de pesquisa ainda
pode ser considerada pequena se comparada a grande quantidade de eventos
que ocorrem e por conseqüências a quantidade de comunicações apresentadas
nos mesmos.

�Quanto à literatura cinzenta, sua pouca utilização deve-se à dificuldade de
acesso ao seu conteúdo, contudo a presente pesquisa revela que este quadro
está começando a se transformar, devido à implementação dos projetos de
Bibliotecas Digitais nas instituições de ensino superior brasileiras pelo Projeto
BDTD coordenado pelo IBICT – Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e
Tecnologia.
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científica: a gestão e o acesso às dissertações e teses. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
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informacionais: estratégia para o desenvolvimento da pesquisa na Unicamp. In: SEMINÁRIO
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disponibilização das teses e dissertações na biblioteca digital da Unicamp: estudo do caso. In:
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Documentação&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Conhecer a produção científica sobre o tema biblioteca digital, publicada nos Anais do Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias – SNBU, realizados nos anos de 2000, 2002 e 2004, foi objetivo da pesquisa. Analisa 37 comunicações que apresentam no título, no resumo e/ou como palavras-chave o termo Biblioteca Digital, a partir dos seguintes aspectos: eixos temáticos abordados, tipo de autoria, instituição de origem dos autores, número de referências bibliográficas por comunicação, tipos e idioma dos documentos citados, eventos, periódicos, autores e publicações citadas. Os resultados revelam que o SNBU realizado em 2004, destaca-se com o maior número de comunicações apresentadas sobre o tema biblioteca digital. A autoria múltipla prevalece nas comunicações apresentadas, sendo seus autores na maioria oriundos de universidades. Para a produção das 37 comunicações foram utilizadas 465 referências, resultando na média de 12,56 referências por comunicação, onde os artigos de periódicos publicados na Revista Ciência da Informação destacam-se como o tipo de material mais citado. Na análise das referências de eventos, constata-se que o Simpósio Internacional de Bibliotecas Digitais instituído em 2003, contribuiu com 26% do total de referências citadas oriundas de eventos técnico-científicos. As comunicações foram agrupadas nos seguintes eixos temáticos: revisão de literatura; metodologias para implantação de bibliotecas digitais; tratamento de documentos digitais; serviços e produtos de informação e desenvolvimento de pesquisas, resultando na maioria, em relatos de experiências o que fortalece o SNBU como um foro de troca de experiências. O trabalho contribui para o avanço e desenvolvimento de pesquisas na área de biblioteca digital nas bibliotecas universitárias brasileiras.</text>
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                    <text>BIBLIOTECA ESTAÇÃO DO TRABALHADOR LEVANDO LEITURA AOS
FUNCIONÁRIOS DAS EMPRESAS DE FORMIGA: UMA EXPERIÊNCIA

Regina Célia Reis Ribeiro
Bibliotecária/especialista
e-mail: rsbiblio@uniformg.edu.br
Virgínia Alves Vaz
Bibliotecária /especialista
e-mail: vxbiblio@uniformg.edu.br
Centro Universitário de Formiga – UNIFOR-MG
Av. Dr. Arnaldo de Senna n.º 328
Formiga – MG – Brasil
www.uniformg.edu.br

e-mail: uniformg@uniformg.edu.br

RESUMO:
Relata o desenvolvimento de um projeto de extensão universitária, que oferece uma
biblioteca itinerante às empresas do município de Formiga-MG. O projeto objetiva incentivar
o hábito da leitura, permitindo o acesso à informação e à cultura no local de trabalho, além
de propiciar a oportunidade de desenvolvimento pessoal e profissional às pessoas
envolvidas. Teve início com a captação de recursos e doações para o acervo. Um
questionário é aplicado em 20% dos empregados da empresa selecionada, a fim de levantar
os interesses de leitura, faixa etária e grau de escolaridade. Uma caixa-estante, com o
acervo de livros, revistas e fitas de vídeo é disponibilizada aos funcionários que podem fazer
o empréstimo destes materiais. O local e horário de funcionamento da mini-biblioteca é
determinado pela empresa, de modo a não prejudicar o desenvolvimento dos serviços. Os
resultados alcançados, verificados por avaliação feita com empresários e funcionários,
mostram que houve uma aproximação das pessoas envolvidas com a leitura e com a cultura,
além de um incentivo à busca por novos conhecimentos. A continuidade do projeto abre
perspectivas para a transmissão e a produção de conhecimentos em novos cenários, para a
ampliação da pesquisa acadêmica e para o fazer bibliotecário.

PALAVRAS-CHAVE: Biblioteca universitária; Responsabilidade social; BibliotecaEmpresa; Trabalhador-Leitura

�1 INTRODUÇÂO

“A informação é cada vez mais um componente da cidadania, devendo ser, por

princípio, de livre acesso para qualquer cidadão.” (LAGO, 200- p. 3).

Hoje as instituições de ensino superior através de suas atividades de extensão, têm
se preocupado em oferecer projetos para a melhoria de condições de vida da
comunidade.

Segundo Cavalcanti (199-) as bibliotecas universitárias possuem importante papel
na formação de alianças, atuando como parceiras de empresas. A parceria empresauniversidade torna-se cada vez mais valiosa e pode ser desenvolvida de várias
formas como: projetos específicos, trocas de experiências, compartilhamento de
idéias, informações e descobertas. É uma parceria onde lucram os dois.

O projeto Biblioteca Estação do Trabalhador consiste em uma caixa-estante que é
levada às empresas e fica em local e período pré-determinados. Nela há material
diversificado: livros didáticos e de literatura, revistas, etc. A Caixa-estante é uma
minibiblioteca e oferece um serviço simples e racional, com a finalidade de levar o
atendimento bibliotecário aos trabalhadores.

A produção do conhecimento é tarefa fundamental em uma instituição de ensino
superior e ela só atinge plenamente o seu objetivo tornando disponível à sociedade
o conhecimento produzido em suas dependências.

2 JUSTIFICATIVA
As empresas estão cada vez mais permeáveis à incorporação de novas tecnologias
e exigem trabalhadores dinâmicos e criativos.

�O hábito da leitura visa, de forma instigante, aumentar o desempenho oral e escrito
dos trabalhadores ao proporcionar-lhes flexibilidade e independência necessária à
adaptação ao mercado de trabalho

permitindo, dessa forma, o crescimento da

empresa.

A Biblioteca Estação do Trabalhador visa despertar o hábito de ler com prazer obras
literárias, livros de auto–ajuda e outros colaborando para qualificar as relações
sociais através do incentivo às práticas de leitura. Favorece, ainda, a remoção das
barreiras educacionais ao promover o

desenvolvimento da linguagem e de

treinamento intelectual, além de criar condições para que a comunidade se
conscientize da importância do convívio com o texto escrito e acentue a possibilidade
de ajustamento à situação pessoal do indivíduo.

O projeto pretende proporcionar uma experiência única, revelando novos mundos,
fazendo rir, chorar e sonhar, utilizando a Biblioteca como um instrumento de
responsabilidade social e marketing promocional levando cultura e lazer.

A incorporação deste projeto pelo UNIFOR-MG permite ao indivíduo benefícios
inerentes à implantação da Biblioteca Estação do Trabalhador nas empresas,
visando à eficiência e eficácia nos serviços desempenhados pelos trabalhadores.
Além de representar uma melhoria da qualidade de vida do indivíduo proporcionando
uma relação segura, interativa e prazerosa na comunidade.
2 OBJETIVO GERAL
-

Criar e implantar uma Biblioteca que atenda aos trabalhadores tornando a
leitura algo que represente uma quebra na rotina diária, um momento de
prazer.

2.1 Objetivos Específicos

�-

Incentivar o hábito e o gosto pela leitura, permitindo o acesso à informação
e a cultura.

-

Propiciar aos trabalhadores oportunidades de manusear livros, revistas
informativas, recreativas, e outros.

-

Facilitar o acesso à cultura nos locais de trabalho.

-

Valorizar a importância do livro na vida de cada trabalhador.

-

Facilitar a percepção de que nos livros estão registrados as idéias,
memórias e experiências dos homens.

-

Contribuir para educar, valorizar e preservar documentos inerentes às
empresas.

3 DESENVOLVIMENTO DO PROJETO

O aumento das alianças e parcerias entre organizações é uma das marcas
registradas das últimas décadas. Tem sido
educacionais

prática comum as instituições

trabalharem em parceria com o Comércio e Indústria trocando

benefícios.

O projeto Biblioteca Estação do Trabalhador consiste em uma caixa-estante que é
levada às empresas e fica em local e período pré -determinados. Nela há material
diversificado: livros didáticos e de literatura, revistas, etc. A Caixa-estante na
Biblioteca Estação do Trabalhador é uma minibiblioteca e oferece um serviço simples
e racional, com a finalidade de levar o atendimento bibliotecário aos trabalhadores.

Em fevereiro de 2005, foi realizada a primeira visita para apresentação do projeto. Já
no contato inicial o dinâmico empresário aderiu à idéia e com a proposta aceita foi
firmada parceria entre o UNIFOR-MG e a empresa Bazar Guri. Iniciou-se a
sensibilização dos envolvidos aplicando-se um questionário ao empresário para
levantamento das perspectivas e possibilidades do desenvolvimento do projeto. Em
seguida foi aplicado um questionário para 20% do total dos funcionários da empresa,
a fim de diagnosticar os interesses de leitura, faixa etária, nível educacional e

�profissional a ser atendido. A idéia foi muito bem recebida, sendo colhidos
depoimentos sobre as expectativas que eles tinham em relação à Biblioteca Estação
do Trabalhador.

Para continuação do projeto, foram escolhidas empresas que possuem mais de 50
funcionários

e que por sua versatilidade e dinamismo vislumbrem uma melhor

integração com a comunidade acadêmica. Geralmente

elas percebem que a

Biblioteca Estação do Trabalhador, poderá dinamizar os diversos setores inerentes
às suas propostas futuras dentro de seu segmento de atuação.

Inicialmente, o projeto implantou 1(uma) caixa-estante na empresa Bazar Guri, pela
sua localização central e por ser uma empresa que tem participado de projetos de
extensão do UNIFOR-MG.

A forma itinerante da Biblioteca Estação do Trabalhador permite realçar as
qualidades que são proporcionadas pela incorporação do projeto ao ambiente de
trabalho.

As estratégias de comunicação em termos de promoção e distribuição do projeto
visam divulgar à população, a existência de uma ação de incentivo à leitura para os
colaboradores das empresas de Formiga-MG. Através do Departamento de
Comunicação do UNIFOR-MG, foi realizada uma campanha no rádio, na TV e jornais
locais, a fim de conseguir doações para compor o acervo da caixa-estante.

O material doado foi selecionado levando-se em conta o público a ser atendido
conforme pesquisa realizada. Depois de carimbado, registrado, classificado e
catalogado, o material passou por um processo de preparo para o empréstimo,
recebendo determinados complementos, como papeletas que lhe darão condições
de ser emprestado ao leitor. Cada caixa-estante é acompanhada da relação dos
materiais nela contidos.

�A caixa-estante foi confeccionada em madeira marfim com as seguintes medidas:
90cm de altura, 54cm de comprimento e 60cm de profundidade. Nela cabem
aproximadamente 200 itens como: livros, revistas e fitas de vídeo.

Em maio de 2005 aconteceu a inauguração da 1ª caixa-estante da

Biblioteca

Estação do Trabalhador, no Bazar Guri com grande festa e a presença de vários
empresários da cidade.

A minibiblioteca foi colocada em local de fácil acesso para a comunidade atendida. A
princípio ela
prorrogado

ficaria

à disposição do usuário por 3(meses), mas este prazo foi

por mais 3 (meses)de modo a atender a demanda dos leitores. O

horário de funcionamento da minibiblioteca foi sugerido pela empresa.

O monitoramento da caixa-estante é realizado pela coordenadora do projeto e a
troca do acervo é realizada a cada três meses.

A minibiblioteca fica à disposição do trabalhador para empréstimo dois dias da
semana. O leitor pode escolher o livro que lhe interessar, mas só poderá retirar
quatro volumes de cada vez. O prazo para o empréstimo é de quinze dias. No final
do período do contrato, foi

premiado o trabalhador que pegou mais livros , no

período em que a biblioteca esteve na empresa.

A equipe que trabalha no projeto Biblioteca Estação do Trabalhador é composta por
duas bibliotecárias, três estagiários (acadêmicos do Curso de Biblioteconomia),
professores e alunos dos institutos para as atividades culturais.

Entende-se que a Biblioteca Estação do Trabalhador não será apenas uma biblioteca
onde se tenha acesso à produção cultural da humanidade, mas uma biblioteca onde
a “informação” viva se faz presente.

�Em local e data definidos pela empresa e com participação livre do trabalhador
acontecem atividades culturais como: palestras e ginástica laboral. Essas atividades
são realizadas de forma que não comprometam o funcionamento da empresa.

4 AVALIAÇÃO E RESULTADOS
A intenção do presente estudo é relatar esta experiência como forma de motivar uma
reflexão acerca das experiências vividas em uma Biblioteca.

A 1ª avaliação foi realizada em julho de 2005 e teve como ponto de partida
entrevistas filmadas. Antes de cada entrevista ser iniciada, foi explicado ao
entrevistado o objetivo e a relevância da pesquisa, além da importância de sua
colaboração. Com o resultado dessa avaliação, serão feitas alterações e melhorias
no desenvolvimento do projeto que irão beneficiar ainda mais aqueles que utilizam o
acervo e são nossos parceiros.

Foram entrevistados seis funcionários, uma estagiária

e dois empresários. Nas

entrevistas os funcionários exprimiram sentimentos e benefícios que os livros lhes
proporcionaram.

Após esta avaliação minuciosa da Biblioteca Estação do Trabalhador conclui-se que
o projeto é um sucesso e alcançou os objetivos propostos. Feita a transcrição das
gravações, apresentamos alguns relatos:
Remaclo Antunes Couto – Diretor do Bazar Guri

“O grande motivo para as empresas aderirem ao Projeto é o do conhecimento.”

“A sugestão é que continuasse a manter esse ideal [...]. Eu particularmente não
acreditava que fosse ter uma receptividade tão grande

por parte dos nossos

�funcionários. Aconselho a qualquer empresa que faça

esta parceria, invista

realmente, pois só assim é que a gente vai ter uma melhoria, através da leitura, do
conhecimento, teremos capacidade de melhorar o nosso dia-a-dia. “
Beatriz Ribeiro – Serviços Gerais

“A

Biblioteca Estação do Trabalhador trouxe mais conhecimento,

diversão,

esclarecimento e muitas coisas boas para mim.”

“Só veio acrescentar na minha vida. Eu gosto de ler e a gente encontra muitas
respostas, encontra alegria, sonhos e através da leitura a gente viaja e aprende
muitas coisas. A gente não tem muito tempo para ler, para buscar um livro para se
divertir, mas com a Biblioteca Estação do Trabalhador na nossa loja, isso veio
facilitar a nossa vida. A gente tem como se divertir sem precisa andar muito.”
Esdras Valter de Faria – Caixa

“Eu já era um freqüentador de Biblioteca só que devido ao trabalho, e a falta de
tempo para ler, foi uma ótima. A pessoa fica atualizada, e adquire mais cultura, o
que está faltando na convivência de uma empresa, faltando nas pessoas, que não
estão sabendo conversar. “

Orleans Lopes da Costa – Estagiária do Curso de Biblioteconomia

“Eu acho que a leitura leva as pessoas em vários lugares, elas conhecem coisas
como já foi falado aqui pelas usuárias. A leitura transforma e faz com que as
pessoas possam conseguir ver coisas como a Beatriz comentou.”
5 AÇÕES FUTURAS

�Com base no desenvolvimento e na avaliação do projeto as seguintes ações deverão
nortear sua continuidade:
•

Desenvolver parcerias.

•

Consolidar a Biblioteca Estação do Trabalhador em empresas no interior de
Minas Gerais.

•

Maior envolvimento da Biblioteca Ângela Vaz Leão disponibilizando o seu
acervo para o projeto.

6 CONCLUSÃO

Mesmo com todas as limitações existentes a leitura é o caminho mais seguro à
experiência de grupos e pessoas, desde que registradas, e nesse caso, independe
de hora marcada ou boa vontade e simpatia das pessoas envolvidas.

Está provado que a capacidade de ler desenvolve a capacidade de pensar,
enriquece a experiência humana, amplia horizontes do saber, do interpretar e do
julgar, forjando uma personalidade mais sensata, mais equilibrada e justa.

O ato de ler torna-se fundamental em um mundo onde a escrita é vista de maneira
absolutamente positiva e indispensável na circulação de idéias. Em nossa cultura, o
acesso à leitura é considerado como algo essencial, uma vez que torna possível ao
indivíduo a obtenção de benefícios indiscutíveis: aquisição de conhecimentos e de
aprimoramento cultural, forma de lazer e de prazer estético, ampliação das
condições de interação e de convívio social, entre outros.

Especial atenção deve ser dada aos benefícios que o projeto vai gerar para os
funcionários das empresas que encontram na Biblioteca Estação do Trabalhador
uma oportunidade de

mais acesso aos bens

culturais, mais conhecimento

especializado ou até mesmo pelo simples prazer de ler. Hoje mais duas empresas já

�fazem parte desta parceria o Supermercado

Ki Sacolão e a Loja Confecções

Fidalga, Proust Indústria e Comércio de Confecções Ltda.

Esta é mais uma iniciativa que ratifica o comprometimento da Biblioteca com ações
que promovam a educação e colaboram para que um grande número de cidadãos
que dependem do acesso gratuito aos livros, tenham a oportunidade de transformar
a leitura em um momento de aprendizagem, crescimento e entretenimento.

Não basta que existam livros: é necessário garantir o acesso a eles. Não basta que
publiquem livros, faz-se imprescindível desenvolver nas pessoas a capacidade de
ler. Aqui entra a missão da Biblioteca Estação do Trabalhador.

Só mediante o desenvolvimento das bibliotecas e outras formas de acesso aos livros
e demais materiais de leitura, poderemos fazer de nosso país um país de leitores.

Para continuidade do Projeto ele necessita de doações permanentes de entidades,
personalidades e demais pessoas comprometidas com a educação e a cultura.

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>2006</text>
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          </element>
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            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <text>Evento</text>
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            <description>An account of the resource</description>
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                <text>Relata o desenvolvimento de um projeto de extensão universitária, que oferece uma biblioteca itinerante às empresas do município de Formiga-MG. O projeto objetiva incentivar o hábito da leitura, permitindo o acesso à informação e à cultura no local de trabalho, além de propiciar a oportunidade de desenvolvimento pessoal e profissional às pessoas envolvidas. Teve início com a captação de recursos e doações para o acervo. Um questionário é aplicado em 20% dos empregados da empresa selecionada, a fim de levantar os interesses de leitura, faixa etária e grau de escolaridade. Uma caixa-estante, com o acervo de livros, revistas e fitas de vídeo é disponibilizada aos funcionários que podem fazer o empréstimo destes materiais. O local e horário de funcionamento da mini-biblioteca é determinado pela empresa, de modo a não prejudicar o desenvolvimento dos serviços. Os resultados alcançados, verificados por avaliação feita com empresários e funcionários, mostram que houve uma aproximação das pessoas envolvidas com a leitura e com a cultura, além de um incentivo à busca por novos conhecimentos. A continuidade do projeto abre perspectivas para a transmissão e a produção de conhecimentos em novos cenários, para a ampliação da pesquisa acadêmica e para o fazer bibliotecário.</text>
              </elementText>
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            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
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                <text>pt</text>
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                    <text>BIBLIOTECA NO AMBIENTE EDUCACIONAL E A SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
Magda Almada
Especialista em Gestão da Informação e
Inteligência Competitiva, Bacharel em
Biblioteconomia, Bibliotecária na Faculdade de
Belford Roxo – FABEL - http://www.fabel.edu.br
e-mail: magda.almada@gmail.com
Ursula Blattmann
Dra. Engenharia de Produção, Mestre em
Biblioteconomia, Bacharel em Biblioteconomia,
Professora na Universidade Federal de Santa
Catarina, e-mail: ursula@ced.ufsc.br

RESUMO
A biblioteca está cada vez mais presente simultaneamente nas modalidades de
ensino fundamental, médio e superior no sentido de organizar e administrar
fontes de informação seja de recursos didático-pedagógicos quanto aos de
suporte informacional para a atualização e pesquisa dos diferentes públicos. Os
gestores desse tipo de biblioteca precisam oferecer serviços e produtos para
atender os diferentes públicos (estudantes desde a pré-escola ao superior,
professores e demais membros dessa comunidade educacional), e
compreenderem as mudanças dos objetivos e das funções da biblioteca. As
diferentes necessidades e o uso intensificado da informação dos distintos
públicos (usuários/leitores) dinamizam o papel da biblioteca. A inserção de
novas tecnologias da informação e comunicação devem estar intercaladas no
cotidiano do bibliotecário para potencializar serviços e produtos da biblioteca.
Para isso é pertinente estabelecer diretrizes de planejamento para a gestão
interna e externa da biblioteca e contribuir nas ações da instituição educacional.
Entre os resultados pode-se mencionar que a biblioteca contribui positivamente
na qualidade do ensino e da pesquisa oferecidos na instituição educacional; no
processo de incentivo a leitura pois potencializa às atividades críticas e
intelectuais; e no papel da biblioteca presente na (in)form[ação] do cidadão para
sobreviver na era da globalização imposto pela Sociedade da Informação.
Palavras-chave: Acesso à Informação; Competência Informacional; Inclusão
Social; Leitura; Sociedade da Informação; Biblioteca.

Eixo temáticos: As Bibliotecas Universitárias e a Produção do Conhecimento
- As redes e virtualidades da pesquisa acadêmica

Apresentação oral

�1 INTRODUÇÃO
Segundo SILVA; CUNHA (p.79, 2002) a educação no século XXI deverá ser
uma educação ao longo da vida. Este conceito permite “ordenar as diferentes
sequências de aprendizagem (educação básica, secundária e superior), gerir as
transições, diversificar os percursos, valorizando-os”. A educação deverá se
preocupar com a formação do cidadão, da pessoa em seu sentido amplo, e não
somente com a formação profissional.
BLATMANN; CIPRIANO (2005) entre as mudanças e transformações
ocorridas no sistema educacional brasileiro na década de 1990, especificamente
após a implementação da lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, foram
estabelecidas diretrizes e bases da educação brasileira, conhecida como LDB,
proporcionando o crescimento das entidades educacionais que desenvolvem
estruturas atendendo alunos desde a pré-escola ao ensino superior.
No artigo 7 desta lei, constata-se que o ensino é livre à iniciativa privada,
desde que atendidas as condições:
I - cumprimento das normas gerais da educaação nacional e do
respectivo sistema de ensino;
II - autorização de funcionamento e avaliaçção de qualidade pelo Poder
Público;
III - capacidade de autofinanciamento, ressaalvado o previsto no art.
213 da Constituição Federal.

Cabe salientar que os estabelecimentos de ensino devem elaborar sua
proposta pedagógica, como visto no artigo 12:
Os estabelecimentos de ensino, respeitados as normas comuns e as
do seu sistema de ensino, terão a incumbência de: I - elaborar e
executar sua proposta pedagógica; II - administrar seu pessoal e seus
recursos materiais e financeiros. [...]

Também estão estabelecidos os seguintes princípios:

�Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão
democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as
suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios:
I - participação dos profissionais da educcação na elaboração do
projeto pedagógico da escola;
II - participação das comunidades escolar e local em conselhos
escolares ou equivalentes.

A educação escolar definida pela LDB explicita-se no artigo 21:
Art. 21. A educação escolar compõe-se de:
I - educação básica, formada pela educaçãoo infantil, ensino
fundamental e ensino médio;
II - educação superior.

A educação escolar pode ser entendida conforme:
Art. 32. O ensino fundamental, com duração mínima de oito anos,
obrigatório e gratuito na escola pública, terá por objetivo a formação
básica do cidadão, mediante:
I - o desenvolvimento da capacidade de aprrender, tendo como meios
básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo;
II - a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da
tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a
sociedade;
III - o desenvolvimento da capacidade de aprrendizagem, tendo em
vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de
atitudes e valores;
IV - o fortalecimento dos vínculos de famíllia, dos laços de
solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a
vida social.

Enquanto a educação superior tem, como exposto no artigo 43, entre as
finalidades de:
I - estimular a criação cultural e o desennvolvimento do espírito
científico e do pensamento reflexivo;
II - formar diplomados nas diferentes áreass de conhecimento, aptos
para a inserção em setores profissionais e para a participação no

�desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação
contínua;
III - incentivar o trabalho de pesquisa e innvestigação científica, visando
o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da
cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do
meio em que vive;
IV - promover a divulgação de conhecimentoss culturais, científicos e
técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o
saber através do ensino, de publicações ou de outras formas de
comunicação [...]

Ainda BLATMANN; CIPRIANO (2005), Considerando a lei de diretrizes e
bases da educação no Brasil e o contexto político-educacional brasileiro,
observa-se que instituições de educação básica estão se envolvendo com a
educação superior. As mudanças de mercado de ação são decorrentes dos
processos da globalização e principalmente da educação vista como um bem de
consumo, ou seja, a nossa velha conhecida oferta/procura, é a demanda do
mercado educacional.
Os estímulos na política educacional para o ensino superior, incentivada
pela expansão da rede privada, investindo na abertura de faculdades e escolas
de ensino privado tiveram um avanço significativo na última década. Instituições
de ensino que tinham como nicho de mercado a educação básica se motivaram,
entre os fatores de aproveitarem o espaço físico e a estrutura organizacional,
lançando-se para a educação superior, abrindo faculdades em diferentes áreas
do conhecimento.
Para o credenciamento das instituições de ensino superior, o Ministério da
Educação utiliza critérios de avaliação. Sobre bibliotecas, observa-se no artigo
18° do Decreto 2.036, de 19 de agosto de 1997, alínea b do 1° parágrafo que as
instituições de ensino superior também tornarão públicos:
b) a descrição dos recursos materiais à disposição dos alunos,
tais como laboratórios, computadores, acessos às redes de
informação e acervo das bibliotecas.

Enquanto ao credenciamento existem resoluções e portarias específicas,
cabe ao bibliotecário conhecê-las e aplicá-las para melhor avaliação perante o

�MEC. Verificam-se critérios como os estabelecidos na Resolução 10 do
Conselho Nacional de Educação – Câmara de Educação Superior, de 11 de
março de 2002, no Plano de Desenvolvimento Institucional, a biblioteca deverá
conter, conforme descrito no parágrafo 4°:
I - indicação do acervo, formas de sua atuualização e expansão,
identificando sua correlação pedagógica com os cursos e programas
existentes ou previstos, bem como as obras clássicas, dicionários e
enciclopédias, destacando em especial:
a) livros, periódicos acadêmicos e científicos e assinaturas de revistas
e jornais;
b) vídeos, DVDs, CD ROMS e assinaturas eletrônicas.
II - descrição do espaço físico incluindo as instalações para estudos
individuais e em grupo;
III - horário de funcionamento, pessoal técnico-administrativo e serviços
oferecidos, tais como, consulta e empréstimo, acesso a redes, a bases
de dados, a outras bibliotecas nacionais e internacionais, a consultas e
leituras eletrônicas.

Andrade e Amboni (1999, p. 12) apud BLATMANN; CIPRIANO (2005)
mencionavam que cabe ao gestor da biblioteca verificar e relacionar a
quantidade de exemplares dos livros-texto utilizados em todas as disciplinas do
curso

e

que

se

encontram

disponíveis

na

Biblioteca

(http://www.mec.gov.br/sesu/ftp/curdiretriz/administ/ad_reconh1.doc).
Enquanto os padrões, mencionados por Andrade et al. (1999), envolvem
“existência de no mínimo de dois livros citados na Biblioteca Básica dos Cursos
de

Graduação

em

Administração”

(http://www.mec.gov.br/sesu/ftp/curdiretriz/Administ/ad_padrao.doc ). Além disso
compete :
a) Fornecer a lista dos principais periódicos (revistas e
jornais) assinados pela Biblioteca.

�b) Indicar a política adotada para atualização do acervo de livros e
periódicos, bem como de pessoal especializado (bibliotecários e
outros).

c) Indicar a política e facilidade de acesso ao material
bibliográfico, fornecendo as seguintes informações:
d) Horários de acesso;
e) Forma de acesso e empréstimo;
f) Facilidades de reservas;
g) Qualidade da catalogação e disposição do acervo.
h) Acrescentar ainda as seguintes informações:
i) Reprografia e infra-estrutura para recuperação de informações:
j) Formas de acesso à base de dados: internet e outras:
k) Espaço físico para leitura e trabalho em grupo;
l) Área física disponível;
m) Planos de expansão.

Existe a preocupação na busca pela qualidade no ambiente educacional
perpassa

diretamente

pela

presença

das

bibliotecas

e

bibliotecários

[competentes]. Com isso surgem questões de como atender e oferecer suporte
informacional mais e melhor aos alunos da pré-escola, séries iniciais, ensino
fundamental, médio e superior em um mesmo ambiente? As possíveis respostas
estão centradas em como dar suporte as atividades de ensino, pesquisa e
extensão, priorizando a qualidade de produtos e serviços prestados pela
biblioteca e pelos bibliotecários para sua comunidade educacional.
2 A BIBLIOTECA NO SISTEMA DE ENSINO
Cabe aos dirigentes de cada biblioteca buscar compreender qual o
objetivo, a missão, as funções e traçar ações para atender as atividades
estabelecidos. Nas bibliotecas educacionais é necessário conhecer a proposta
pedagógica da instituição, caracterizar o ambiente (efetuar o diagnóstico da

�instituição) e identificar o perfil do uso e das necessidades da comunidade
educacional para estabelecer quais as demandas informacionais e propor
serviços e produtos qualitativos na instituição educacional.
Ao aproveitar a estrutura operacional, isto é, utilizar ao máximo o espaço
para os três turnos diários (manhã, tarde e noite), requer transform[ação]
envolvendo a gestão das pessoas (treinamento, horários e atividades), utilização
de recursos da tecnologia da informação para dinamizar os serviços e produtos
como o controle de empréstimos e reserva eletrônico, disponibilizar o catálogo
on-line para facilitar as consultas ao acervo e incrementar o atendimento da
biblioteca. Se antes eram crianças e adolescentes que freqüentavam este
ambiente, agora cabe ao bibliotecário planejar e saber administrar a biblioteca
para atender também aos estudantes e professores do ensino superior. Convém
lembrar da importância do acolhimento do bibliotecário para com seus leitores
em ser um momento agradável, educador, humano e pertinente.
De acordo com Ferreira (1980).
[...] assim como a universidade deve estar voltada para as
necessidades educacionais, culturais, cientificas e
tecnológicas do país, as bibliotecas devem trabalhar visando
esses objetivos, condicionada que são as finalidades
fundamentais da universidade. Por isso as bibliotecas
devam, participar ativamente do sistema educacional
desenvolvido pela universidade.

O processo de adaptação requer competências, habilidades e atitudes de
todos os envolvidos na gestão da biblioteca. Significa acompanhar as alterações
da realidade educacional, econômica, social e as demandas culturais.
O ambiente da biblioteca precisa estar adequado para oferecer
oportunidades de ampliar conhecimentos dos educandos, de planejar e executar
atividades para incentivo da leitura e da pesquisa de sua comunidade indiferente
se iniciantes ou pós-graduados.
As bibliotecas que prestam serviços e produtos tanto para a comunidade
da educação básica e do ensino superior são denominadas por Mattos (2005) de

�mistas (bibliotecas escolares-universitárias). Estas têm como funções priorizar
atividades para o desenvolvimento do ser humano. Isto significa que precisam
acompanhar as propostas do elenco das disciplinas, acompanhar as
necessidades informacionais da comunidade educacional. A finalidade da
instituição educacional consiste em preparar o educando para interagir na
sociedade, contribuindo para o seu desenvolvimento intelectual e pessoal.
Com a lei 10.861, ficou instituído o Sistema Nacional de Avaliação da
Educação Superior – SINAES, e a preocupação dos bibliotecários passa a
se concentrar na pontuação da avaliação (40%), assim recomendações de
como

preparar

a

biblioteca

para

avaliação

do

MEC

descritas

detalhadamente no artigo de Barcelos e Gomes (2004) auxiliam nesta árdua
e importante tarefa. Certamente quem ganha é a comunidade educacional.
Graça Maria Fragoso (2005, p 47) diz que a biblioteca “é o coração da
escola, concedendo vida à comunidade escolar, uma vez que permanece em
constante sintonia com o processo pedagógico.”
E para o bibliotecário, já 1994, Graça Maria Fragoso (1994) mencionava
que é necessário promover a produção de textos, incentivar o leitor a recriar o
que vivência e nesse ambiente dinâmico incorporar as novas tecnologias de
informação e comunicação. Certamente haverá espaço para bibliotecários próativos, envolvidos com ações e não tantos discursos ocos.
Assim, a biblioteca no ambiente educacional tem como função
desenvolver também atividades de ensino, cultura e lazer, além de despertar o
gosto pela leitura, preparando o indivíduo para assumir uma atitude crítica aos
problemas de uma sociedade mutante e trans-nacional. – in[form(ação)].

2.1 O perfil do profissional bibliotecário
SILVA; CUNHA (p.79, 2002) aprender a ser é um pilar que foi preconizado
pelo Relatório Edgard Faure, preparado para a Unesco, na década de 70. O
mundo atual exige de cada pessoa uma grande capacidade de autonomia e

�uma postura ética . Considera-se que os atos e as responsabilidades
pessoais interferem no destino coletivo. Refere-se ao desenvolvimento dos
talentos do ser humano: memória, raciocínio, imaginação, capacidades
físicas, sentido estético, facilidade de comunicação com os outros,
carisma natural, etc. Confirma a necessidade de “cada um se conhecer e
se comprrender melhor”.
O bibliotecário ativo na escola é aquele que participa da elaboração do
currículo da escola. Esse torna a sua biblioteca um diferencial, notado e
conseqüentemente faz a diferença e acaba atraindo investimento para a sua
biblioteca.
O bibliotecário no ambiente educacional precisa estar apto a desenvolver
o papel de educador quando criar políticas internas para incentivar a prática
cultural na biblioteca entre as quais em organizar mostras culturais, exposição
da memória da instituição, contação de histórias, sessões de teatro e cinema,
dia de autógrafo com autores, gincanas de leitura e interpretação, criação de
textos entre outros. Quando fizer da biblioteca um espaço divertido, agradável,
aconchegante, um ambiente prazeroso; assim mantendo leitores e
conquistando novos leitores. Com isso, envolvendo-os nas atividades e fazendo
que se torne um programa agradável e habitual em visitar a biblioteca para
realizar pesquisas e/ou efetuar leituras diversas. Esta será com certeza a
biblioteca sonhada por muitos, porém, realizada no momento por poucos.
O bibliotecário precisa [inter]agir para favorecer práticas de leitura de
diferentes fontes de informação, propiciar espaços de leitura e minimizar a
exclusão social. Lembrando a importância da aculturação digital para todos.
2.2 Biblioteca no Sistema de Ensino Barddal Biblioteca da FABEL (inserir as
informações da Biblioteca da FABEL)
2.3 A leitura no ambiente educacional
A leitura e a escrita são processos de aprendizagem singulares de cada
indivíduo. Não basta que o sujeito aprenda ler e escrever nos primeiros anos

�escolares e depois não faça uso da mesma para conviver na sociedade. É
necessário estimular estes processos ampliando as atividades pedagógicas do
ambiente educacional. Caso contrário haverá um déficit na capacidade do
sujeito em saber lidar com informações e consequentemente dificultar a
apropriação e a geração de conhecimentos, devido ao de(uso) da informação
fornecida.
Graça Maria Fragoso (2004, p. 168) expõe:
O processo de alfabetização de crianças e adultos é um exemplo das
diferenças entre leituras. Para a criança, a leitura das palavras é
novidade que abre as portas para o mundo do conhecimento. Para o
adulto, o aprender a ler as palavras é oportunidade de ordenar e
estabelecer uma lógica na organização do mundo, ampliar as
possibilidades de interpretação. Porém, para esse adulto, não é ponto
de partida.
Ler, portanto, é analisar e buscar compreender as mudanças. Objetiva
interpretar o que foi registrado. Entretanto, como se posiciona o leitor ,
hoje, em uma sociedade tão sobrecarregada de informações e
informatizada?

No Brasil são realizadas avaliações do ensino básico e superior. Cabe
destacar que a média de desempenho em Língua Portuguesa, entre os anos de
1995-2001, apresentou queda de 10% (SAEB/MEC 2004, p. 9). Conforme o
estudo do MEC/INEP esta situação expõe que:
Algumas características dos alunos brasileiros ajudam a entender o problema.
Os estudantes de desempenho “muito crítico”, em sua maioria, 76%, estão
matriculados no ensino noturno, 96% em escolas públicas, 48% conciliam
trabalho e estudo e 84% têm idade acima da considerada ideal para a série. São
filhos de mães com baixa escolaridade. O perfil dos estudantes com
desempenho “adequado” é quase o oposto. A maioria, 76%, estuda na rede
privada de ensino, 89% freqüentam aulas no período diurno, 87% somente
estudam e 84% não apresentam distorção idade/série. São filhos de mães de

�maior escolaridade: 80% delas têm, no mínimo, o ensino médio. O ensino é mais
ineficaz justamente para os estudantes mais carentes.
Pacheco e Araújo (2005) descrevem aspectos da avaliação apresentados no
quadro 2 referente ao SAEB/MEC de 2004.

AVALIAÇÕES DO SAEB/MEC 2004
4ª série do Ensino
Fundamental
Estágio

Muito crítico
Crítico
Intermediário
Adequado
Total

2001 (%)

22,2
36,8
36,2
4,9
100,0

2003 (%)

18,7
36,7
39,7
4,8
100,0

8ª série do Ensino
Fundamental
2001 (%)

1,9
20,1
64,8
10,3
100,0

2003 (%)

3ª série do Ensino Médio

2001 (%)

4,3
22,0
63,8
9,3
100,0

2003 (%)

4,9
37,2
32,5
5,3
100,0

3,9
34,7
55,2
6,2
100,0

Quadro 2: Adaptado do MEC/INEP/SAEB (2004)

Analisando o quadro 2, pode-se dizer que os estudantes desenvolvem
habilidades de leitura muito elementares e que nos diferentes níveis os mesmos
estão sendo acumulados déficits educacionais (como dificuldades de leitura e
interpretação de textos de gêneros variados) em longo prazo e isto certamente
influenciará no perfil dos estudantes do ensino superior.
Os “adequados” conforme o documento do INEP/MEC (2004, p.9)
[...] somam 5%. São os que demonstram habilidades de leitura de textos
argumentativos mais complexos. Relacionam tese e argumentos em textos
longos, estabelecem relação de causa e conseqüência, identificam efeitos de
ironia ou humor em textos variados, efeitos de sentidos decorrentes do uso de
uma palavra, expressão e da pontuação, além de reconhecerem marcas
lingüísticas do código de um grupo social.

�A importância da biblioteca no ambiente educacional deveria ser um
espaço para desenvolver e aprimorar as competências de leitura e escrita dos
educandos, isto é, a biblioteca tornar-se-á indispensável e contribuirá
positivamente no fortalecimento da aprendizagem e pesquisa na educação
básica e da educação superior.
3 COSIDERAÇÕES FINAIS
A leitura estimula a criatividade, desenvolve a compreensão e interfere no
desenvolvimento do ser humano. As bibliotecas são espaços de acesso e uso
da informação e também realizam ações para promover a leitura em diferentes
níveis conforme os perfis da comunidade.
A leitura possibilita a tomada de atitude crítica, cientifica e intelectual,
preparando o indivíduo para as diversidades da sociedade, e interfere
diretamente nas experiências de vida das pessoas, bem como na sensibilidade e
personalidade de cada pessoa.
O interesse pela leitura dar-se-á na infância, deve ser despertada no
educando pela escola na interação professor-bibliotecário, uma vez que estes
deverão indicar e incentivar o gosto pela leitura de toda a comunidade.
O conceito de bibliotecas mistas (bibliotecas escolares e de ensino
superior) surge da necessidade de atender no mesmo ambiente da biblioteca
usuários das séries iniciais ao ensino superior, tendo em vista a mudança de
cliente de algumas instituições de ensino. A biblioteca mista tem pôr prioridade
fazer do usuário a base de sua orientação e concepção direcionando o seu
acervo e seus recursos informacionais visando atender as necessidades
informacionais desse público.
Entre os problemas enfrentados pelas bibliotecas mistas destaca-se a
importância para atender com qualidade todos os níveis educacionais e faixas
etárias.

�Ao considerar os dados da avaliação realizada pelo MEC o bibliotecário
precisa saber como atender os déficits educacionais; gerenciar o espaço físico;
e, desenvolver atividades de incentivo à leitura e à escrita.
A biblioteca, indiferente se no ambiente educacional, empresarial, na
comunidade, precisa centrar ações para estimular o prazer da leitura nos
diferentes níveis.

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história sem fim. Revista ACB Biblioteconomia em Santa Catarina,
Florianópolis,
v.
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2004.
Disponível
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                <text>A biblioteca está cada vez mais presente simultaneamente nas modalidades de ensino fundamental, médio e superior no sentido de organizar e administrar fontes de informação seja de recursos didático-pedagógicos quanto aos de suporte informacional para a atualização e pesquisa dos diferentes públicos. Os gestores desse tipo de biblioteca precisam oferecer serviços e produtos para atender os diferentes públicos (estudantes desde a pré-escola ao superior, professores e demais membros dessa comunidade educacional), e compreenderem as mudanças dos objetivos e das funções da biblioteca. As diferentes necessidades e o uso intensificado da informação dos distintos públicos (usuários/leitores) dinamizam o papel da biblioteca. A inserção de novas tecnologias da informação e comunicação devem estar intercaladas no cotidiano do bibliotecário para potencializar serviços e produtos da biblioteca. Para isso é pertinente estabelecer diretrizes de planejamento para a gestão interna e externa da biblioteca e contribuir nas ações da instituição educacional. Entre os resultados pode-se mencionar que a biblioteca contribui positivamente na qualidade do ensino e da pesquisa oferecidos na instituição educacional; no processo de incentivo a leitura pois potencializa às atividades críticas e intelectuais; e no papel da biblioteca presente na (in)form[ação] do cidadão para sobreviver na era da globalização imposto pela Sociedade da Informação.</text>
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BIBLIOTECA SETORIAL DO NÚCLEO DE PESQUISAS EM LIMNOLOGIA,
ICTIOLOGIA E AQÜICULTURA – NUPÉLIA / UEM / PR: UMA UNIDADE
INFORMACIONAL DE REFERÊNCIA

Maria Salete Ribelatto Arita - salete@nupelia.uem.br
João Fábio Hildebrandt - jfh071@yahoo.com.br
Márcia Regina Paiva - mpaiva76@yahoo.com.br

Universidade Estadual de Maringá. Núcleo de Pesquisas em Limnologia, Ictiologia e Aqüicultura
(Nupélia) - Biblioteca Setorial
Fone: (0XX44) 3261-4660
Av. Colombo, 5790 – Bloco G90 – Campus Universitário CEP 87020-900 Maringá, Pr, Brasil

RESUMO
A Biblioteca Setorial (BSE-NUP) do Núcleo de Pesquisas em Limnologia,
Ictiologia e Aqüicultura (Nupélia) da Universidade Estadual de Maringá (UEM), foi
criada em 1996, com o propósito de ser uma biblioteca especializada nas
respectivas áreas e participação efetiva nas atividades de ensino e pesquisa do
órgão ao qual está vinculada, através da prestação de serviços de informação,
documentação e disseminação. Suas funções foram estruturadas nas seguintes
diretrizes: Programa Acadêmico do Curso de Pós-graduação em Ecologia de
Ambientes Aquáticos Continentais (PEA) e dos projetos de pesquisas em
ambientes aquáticos com concessionárias hidroelétricas desenvolvidos e
executados pelo Nupélia; perfil do usuário; implantação da política de
desenvolvimento de coleções; centro de referência Nacional nas áreas de sua
especialidade; disseminação seletiva da produção científica gerada. O seu
propósito social mais proeminente é o apoio informacional aos seus usuários na
cadeia produtiva científica.
Palavras-chave: Bibliotecas especializadas. Limnologia. Ictiologia. Aqüicultura.
Ecologia de água doce. Ecologia de ambientes aquáticos continentais.

�2

1 INTRODUÇÃO

Nas constantes transformações sociais atuais e das atividades profissionais do
bibliotecário, as unidades de referência de informação agregaram valor ao seu
perfil de organizações sociais e de prestação de serviços, a condição de
sistemas que prioriza a interação com o ambiente, o gerenciamento do
conhecimento nos diversos canais e suportes e viabilizar / potencializar a
informação em maior quantidade/qualidade em menor escala espaço-temporal.

Numa organização sistêmica, as bibliotecas especializadas devem exercer suas
funções de forma dinâmica e implementar/ajustar continuamente seus objetivos,
funções e programas aos da instituição na qual está inserida. Estabelecer a
ordem de integrar e interagir com os demais sistemas de informação disponíveis
em suas instituições e outras organizações, redes, sites e sistemas regionais,
nacionais e internacionais de sua magnitude.

Neste contexto, a BSE-NUP da Universidade Estadual de Maringá, Paraná,
Brasil, estruturou suas atividades/funções nas diretrizes do Programa do Curso
de Pós-Graduação em Ecologia de Ambientes Aquáticos Continentais e nos
projetos de pesquisa executados pelo Nupélia com as concessionárias
Hidroelétricas, e outros na área ambiental de recursos hídricos. Consolidou-se
como elo referencial na cadeia produtiva científica de ecologia de planícies
alagáveis e de reservatórios hidroelétricos de água doce.

2 OBJETIVOS
Consolidar a BSE-NUP no contexto acadêmico, técnico-científico e demais
segmentos da sociedade, como unidade de referência informacional;

Difundir e interagir com outros centros de informação nas respectivas áreas,
áreas correlatas e linhas de pesquisas multidisciplinares.

�3

3 CARACTERIZAÇÃO
Fundada em 1996 a BSE-NUP é um órgão suplementar, criada através das
resoluções nº 175/96 - CAD e 519/96 - CAD, vinculada administrativamente ao
Nupélia e tecnicamente à Biblioteca Central da UEM, na condição de Biblioteca
Universitária Especializada. Tem como missão consolidar-se como um centro de
referência para a interação e a integração técnico-científica no processo de
transferência do conhecimento e de informações nas áreas de Limnologia,
Ictiologia, Aqüicultura e nas suas interfaces.

UNIVERSIDADE
ESTADUAL DE MARINGÁ
UEM

Pró Reitoria de Ensino
PEN

Biblioteca Central
BCE

Centro de Ciências
Biológicas
CCB

Departamento de
Biologia
DBI

Núcleo de Pesquisas
em Limnologia,
Ictiologia e Aqüicultura
NUPELIA

Programa de Pós
Graduação em Ecologia
de Ambientes Aquáticos
Continentais PEA

BIBLIOTECA
SETORIAL
BSE NUP

4 FUNÇÕES E COMPETÊNCIAS DA BSE-NUP
I.Coordenar, reunir, organizar, armazenar e divulgar a coleção, visando otimizar
o uso dos acervos bibliográficos, multimeios e eletrônicos. Apoiar e
proporcionar

serviços

bibliográficos

e

de

informação

necessários

ao

desenvolvimento adequado de todas as atividades científicas do Nupélia e do
PEA;

II.Manter uma coleção atualizada conforme os programas de ensino e de
pesquisa;

�4

III.Manter intercâmbio com bibliotecas, centros de documentação, universidades e
outras instituições técnicas, científicas e culturais, nacionais e estrangeiras;
IV.Promover a racionalização dos recursos através do compartilhamento das
coleções com as instituições e núcleos de pesquisas similares;

V.Otimizar o uso da informação disponível localmente – Bacia do alto rio Paraná
(conteúdo regional);

VI.Maximizar a produção científica gerada através dos projetos desenvolvidos na
planície de inundação do alto rio Paraná e reservatórios de hidroelétricas.

5 PRINCIPAIS ÁREAS DA COLEÇÃO GERAL
Aqüicultura, Ictiologia, Ictioparasitologia, Limnologia, Biologia de peixes e
pesqueira,

conservação

e

manejo,

Biologia

aquática,

Hidrobiologia,

Desenvolvimento sustentável, Ecologia de ambientes aquáticos continentais,
Botânica aquática, Mata ciliar, Ornitologia, Geomorfologia fluvial, Genética de
peixes e Ecologia energética.

6 PERFIL DOS USUÁRIOS
Pesquisadores vinculados ao Nupélia, executores dos projetos de pesquisas
desenvolvidos pelo Núcleo; docentes e discentes do PEA (lato sensu e stricto
senso); discentes e docentes dos cursos de graduação e pós-graduação de
Ciências Biológicas, Zootecnia, Geografia, Agronomia, Farmácia, Direito,
Química, Engenharia Química, Economia, Análises Clínicas

e Biologia

Comparada da UEM; estagiários da UEM vinculados ao Nupélia e de outras
Instituições do Brasil; pesquisadores de instituições (nacionais e internacionais),
que mantêm intercâmbio com o Nupélia; discentes da graduação e pósgraduação de outras instituições de ensino do Brasil.

�5

7 PRINCIPAIS PROJETOS EM EXECUÇÃO DO NUPÉLIA
Agência / Concessionária
Projeto
CNPq / PELD
“A planície alagável do rio Paraná: estrutura e processos”
MCT / CNPq-FINEP PRONEX “Produtividade em reservatórios: relações com o estado trófico e
predação”
Itaipu Binacional
“Monitoramento da pesca no reservatório de Itaipu: estatística
pesqueira”
UEM/Nupélia/Departamento
Avaliação da viabilidade econômica e ambiental de tanques de rede
de Zootecnia
Itaipu Binacional
“Monitoramento de macrófitas aquáticas no reservatório de Itaipu”
COPEL
“Monitoramento da fauna de peixes em reservatórios hidrelétricos do
Estado do Paraná (COPEL)”
Itaipu Binacional
“Monitoramento populacional de Limnoperna fortunae, uma espécie
invasora da bacia”
FINEP
“Identificação de indicadores biológicos de eutrofização e poluição de
CT-Hidro
reservatórios na bacia do rio Paraná”

8

PRINCIPAIS

PARCERIAS

COM

GRUPOS

DE

PESQUISAS

DE

UNIVERSIDADES ESTRANGEIRAS COM A FINALIDADE DE EXPEDIÇÕES
CIENTÍFICAS
University of Glasgow – Scotland (Escócia) - GB;
University of Lodz – Poland (Polônia);
University State of Mississippi – USA (EUA);
Texas A&amp;M. University – USA (EUA);
University of Belgium – Koen;
University of Canada;
INALI – Argentina;
Universidad de Missiones – Argentina;
Universidade de Portugal.

9 ESTRUTURA ORGANIZACIONAL
9.1 SERVIÇOS DE NATUREZA ADMINISTRATIVA
a) Coordenação, planejamento, implantação e avaliação de todas as atividades e
serviços; b) gerenciamento de Recursos Humanos (RH); c) representatividade
da BSE-NUP

na comunidade

universitária

local,

estadual,

nacional

e

internacional; d) elaboração de proposta orçamentária para BSE-NUP; e)
organização dos acervos e dos serviços; f) apoio aos projetos de assessoria de

�6

natureza técnico-científica desenvolvidos pelo Nupélia e PEA; g) disseminação
da produção científica; h) elaboração de relatórios com dados quantitativos da
biblioteca (amostragem e análise) e das atividades desenvolvidas; i) assessoria
na implantação, criação e organização de bibliotecas, centros de documentação,
informatização de bibliotecas, editoração de publicação; j) elaboração de projetos
em geral.
9.2 PROJETOS E REDES
Elaboração do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) da Biblioteca do
Nupélia e do Sistema Integrado de Bibliotecas – SIB/UEM (BCE e demais
bibliotecas dos campi avançados)
Proposta de reformulação da estrutura organizacional da BCE para “Sistema
Integrado de Bibliotecas da UEM (SIB/UEM)”
Projeto de informatização – Sistema de Bibliotecas da UEM (SIB/UEM)
Projeto de modernização das Bibliotecas das Instituições de Ensino Superior
(IES) do Paraná, com apoio da Secretaria de Ciência e Tecnologia (SETI)
Projeto de implantação da Biblioteca Digital – SIB/UEM
Projeto de construção da área total da BCE (elaboração textual)
IAMSLIC – International Association of Aquatic and Marine Science Libraries
and Information Centers. A IAMSLIC é uma organização cujos membros
associados trocam idéias e debatem assuntos de interesse mútuo na área de
Ciências Aquáticas (Grupo latino-americano)
SMITHSONIAN – Institution Libraries

9.3 SERVIÇOS DE NATUREZA TÉCNICA
9.3.1 Política de desenvolvimento de coleções
A formação da coleção realiza-se mediante três modalidades: compra, doação,
permuta e produtos da Internet. A manutenção da biblioteca e a atualização dos
acervos são realizadas anualmente mediante recursos financeiros provenientes
dos projetos de pesquisas desenvolvidos pelo Nupélia, conveniados e/ou
contratados externamente (empresas do setor elétrico brasileiro) e outros órgãos
de fomento CNPq, Capes, FINEP, etc.

�7

A política de atualização dos acervos é embasada nos seguintes critérios: a)
suportes bibliográficos, multimeios e eletrônicos de acordo com a área de
concentração e linhas de pesquisas, dos projetos em desenvolvimento do
Nupélia e do PEA; b) bibliografia básica das disciplinas do PEA; c) núcleo básico
da coleção em geral.

9.3.1.1 Metodologia adotada
a) seleção de materiais bibliográficos, multimeios e eletrônicos, pelo Bibliotecário,
através de ferramentas de pré-seleção: Books reviews, Book received, catálogos
de editoras, Folders, fator de impacto das publicações periódicas (ISI),
Qualis/CAPES/CNPq, referências cruzadas e citações, sugestões dos docentes,
discentes e técnicos de nível superior do Nupélia e do PEA; b) serviço de
intercâmbio.

9.3.2 Tratamento da informação
a) Processo de tombamento: nº de registro da obra, procedência e carimbagem;
b) catalogação descritiva conforme AACR2 (características formais e técnicas),
controles de autoridades (autor - pessoa e entidade) e de cabeçalhos de
assuntos (Subject Library of Congress, Thesaurus Spines, Lista de Cabeçalho
de Assuntos do IBICT, dicionários e glossários de Ecologia entre outros); c)
classificação temática – Dewey Decimal Classification - CDD 22.ed.; d) notação
de autor - Tabela Cutter; e) indexação (Exaustiva e Seletiva); f) informatização
dos acervos e manutenção das bases gerenciadas pelo softwares MicroIsis,
versão 3.07 ©1993 Unesco até 2006 e atualmente o Sistema VIRTUA – VTLS
Américas em fase de implantação e manutenção dos catálogos (impresso e online); g) processamento técnico físico; h) assessoria técnica, orientação e
normalização de publicações técnico-científicas (livros, publicações periódicas,
relatórios técnicos, teses e dissertações), segundo a ABNT e também, conforme
as normas editoriais das publicações periódicas; i) catalogação-na-publicação
(CIP); j) Serviços de restauração, conservação e preservação dos acervos.

�8

9.3.3 Serviços de natureza de referência
a) Serviço de referência e orientação aos usuários na busca e na recuperação
da informação e do conhecimento para o desenvolvimento dos projetos de
pesquisas; b) revisão de literatura; c) consulta local; d) exposição das recentes
aquisições e painel para a divulgação de eventos e de cursos; e) empréstimo
dos materiais bibliográficos, multimeios e eletrônicos; f) sistema de reserva de
coleções (núcleo básico composto de obras mais consultadas); g) organização
e manutenção da coleção; h) Difusão de informações técnico-científicas à
comunidade científica; i) apoio a eventos científicos (Workshops, Encontros...);
j) visitas orientadas.

9.3.3.1 Serviço de disseminação seletiva de informação – SDI

a) Levantamento bibliográfico (Annual Review, Progress, State of the Art) através
do acesso eletrônico às bases de dados em CD-ROM, On-line, Internet e
impresso; b) programa de comutação bibliográfica – COMUT; c) levantamento da
produção científica do Nupélia e do PEA; d) solicitação de separatas a
pesquisadores nacionais e internacionais; e) orientação aos usuários no
encaminhamento da produção científica para publicação em periódicos
indexados em obras de referências de importância na área, classificação e fator
de impacto. Fontes utilizadas: Ulrich's on Disc Record List, Journal of Citation
Reports (JCR) – Science Citation Index (SCI) e Listagem de Classificação de
Periódicos da CAPES-QUALIS; f) assessoria à coordenação científica quanto
às classificações dos periódicos; g) assessoria à coordenação científica quanto
ao histórico da produção científica de cada membro do Nupélia.

9.3.3.1.1 Serviço de alerta “sumários correntes ecobibliográfico” (impresso)
O diferencial deste serviço compreende a temática geral: disseminar as
publicações de qualquer natureza adquiridas pela BSE-NUP (publicações
periódicas e seriadas, livros, teses, dissertações, folhetos, relatórios técnicos,
etc.; produção científica do Nupélia e do PEA; controle de citações dos

�9

pesquisadores do Nupélia pelos pares, relatórios mensal e anual das atividades
da BSE-NUP para a ASP/UEM, BCE e colaboração na elaboração do relatório
anual da CAPES para o PEA. A sua característica especial é por ser um
instrumento de divulgação geral e com circulação em todos os laboratórios do
Nupélia e juntamente oferece o serviço de reprografia. “É ação biblioteca indo
ao encontro do usuário.”

9.3.3.1.2 Fontes Bibliográficas Especializadas
9.3.3.1.2.1 Bases de Dados em CD-ROM para pesquisa bibliográfica
ANALYTICAL ABSTRACTS; ANUÁRIO ESTATÍSTICO DO BRASIL – IBGE;
ASFA – Aquatic Sciences &amp; Fisheries Abstracts; BIOLOGICAL ABSTRACTS;
BOOKS

IN

PRINT;

CAB

–

BEASTCD;

CAB

–

VETCD;

DERWENT

BIOTECHNOLOGY ABSTRACTS; ENVIRONMENT LIBRARY; FISH BASE;
LILACS; LIMNOLOGY &amp; OCEANOGRAPHY; MEDLINE; MEMÓRIAS DO
INSTITUTO OSWALDO CRUZ : an international journal of biological and
biomedical research; TECH INDEX; ULRICH’S ON DISC.

9.3.3.1.2.2 Catálogos em CD-ROM
BIBLIOTECA NACIONAL (BRASIL); EMBRAPA - Bases de Dados da Pesquisa
Agropecuária; JOURNAL OF CITATION INDEX (JCR); SCIENCE CITATION
INDEX (SCI); UNIBIBLI; USP – Produção Intelectual.

9.3.3.1.2.3 Catálogos On-Line
Biblioteca Nacional BN - (Brasil); Unibibli (USP, Unesp, Unicamp) – On-line;
Library of Congress.

9.3.3.1.2.4 Bases de Dados On-Line
ASFA – Aquatic Sciences &amp; Fisheries Abstracts; FISH BASE; Periódicos Portal
da Capes; Plataforma LattesUEM.

�10

9.3.3.1.2.5 Periódicos Base de dados ON-LINE
SCIELO - Scientific Electronic Library on Line
10 AMOSTRAGEM DA DINÂMICA DA BIBLIOTECA
Na Biblioteca Especializada, a análise quantitativa / qualitativa dos dados
estatísticos é substancial na representatividade da dinâmica de uso dos produtos
e serviços pelos diversos segmentos da comunidade científica. É também
instrumento primordial para a tomada de decisões no desenvolvimento /
gerenciamento das atividades do “organismo” biblioteca.

Empréstimo da Coleção

3500
3000
2500
2000
1500
1000
500
0

2.890
2.511
2.193

2.148

2.287 2.334
2.093

2.703
2.679
2.523
2.443
2.347
2.323
2.243
1.830

1.604
1.513
1.157 1.323

1.505
768
515
51

58

1995

1996

114

81

1997

174

1998

1999

Dissertações e Teses

265

189

2000

2001

424
173

2002

333

237

2003

Livros

2004

2005

Publicações Per. E Ser.

Consulta da Coleção
15000
10.444

10000
5000
0

7.865

1995

9.540

8.954
7.874

6.893

7.234
1.484
54

9.261
9.047

2.824
117

1996

4.023
3.308
105

1997

163

1998

Dissertações e Teses

3.844
3.964
306

1999

2.883
3.140
349

343

2000

2001

Livros

333

2002

3.477
435

2003

5.910

4.868
4.156
3.342
425
470

2004

2005

Publicações Per. E Ser.

�11

Para um Núcleo de Pesquisa os acervos mais representativos são publicações
periódicas, seguido de livros, teses, dissertações e relatórios técnicos.

Empréstimo da Coleção
200

178

150

150
117
101

100

100

99

66

50

57

59

60

57

0
1995

1996

1997

1998

1999

Folhetos
Relatórios Técnicos
CD ROM

2001

2002

2003

Gravação de vídeo
Separatas

2004

2005

Monografias de Espec.
Material Cartográfico

Disquetes

Consulta da Coleção

1000
800

2000

896
789
766
601

600

502

400

305
222

200

189

188

164

138

0
1995

1996

1997

Folhetos
Relatórios Técnicos
CD ROM

1998

1999

2000

2001

2002

2003

Gravação de vídeo
Separatas

2004

2005

Monografias de Espec.
Material Cartográfico

Disquetes

Num núcleo de pesquisas “grey literature” = literatura cinzenta é um acervo de
representatividade para o desenvolvimento da produção científica como
demonstra os gráficos de consulta e empréstimo.

�12

5.480 6.093

�

7.199 7.726

��
��
��
��
��
��
��
��
��
��
��
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5.420
5.040
1.893 2.541

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��
��
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�����
�����
�����
�����
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�

7.921

9.284

6.282

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��
��
�

��������

1996-2005 Crescimento exponencial da freqüência de usuários para uso dos
acervos e serviços da BSE-NUP, com pico negativo em 2000-2001 devido a
greve institucional e 2003 a não renovação das publicações periódicas. A
característica peculiar da freqüência de usuários da BSE-NUP é focada no uso
do acervo, e serviços. Não havendo demanda apenas para a ocupação do
espaço físico.

A relevância da integração do profissional bibliotecário X biblioteca X usuário na
cadeia produtiva científica é evidente nos gráficos no período de 1995 a 1999,
com o desenvolvimento de vários projetos e a disseminação dos resultados nos
diversos segmentos. A conclusão da maioria dos projetos com as hidroelétricas
acentua o declínio na curva da produção com reflexo nas atividades da BSENUP.

11 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A informação em seus diferentes aspectos, suportes e conteúdos, estabelece-se
de maneira pragmática e intrínseca no desenvolvimento científico, tecnológico e
para sociedade em geral. Sua recuperação em potencial é preocupação
constante para os profissionais cujo ofício é viabilizar o tratamento adequado e
com qualidade da mesma para atender as necessidades reais de seus usuários,
de forma rápida e precisa. O aspecto temático da geração do conhecimento
registrado e do ciclo documentário exige, portanto, dos sistemas envolvidos com
a organização da informação, a flexibilidade suficiente para comportar uma

�13

contínua e acelerada busca e atualização. Com as novas Tecnologias da
Informação (TI), permitiram mudanças substanciais relevantes nos serviços
prestados pela biblioteca. De acordo com o novo paradigma globalização x
informação x tecnologia, as unidades de referência e transferência da informação
incorporaram e agregaram uma neo-reengenharia de trabalho.

O propósito de apresentar o projeto para a criação da BSE-NUP foi o de prestar
serviços especializados para usuários especializados, que precisam encontrar
trabalhos nos campos de assunto, autoridade, (informação dos próprios
pesquisadores), atualização constante e visão sistêmica global. Os serviços
correspondem à realidade de um público cujo perfil é de um pesquisador que
possui um diferencial (especialistas - sabe o que quer e o que precisa /
necessidades reais de informação). Este tipo de usuário dispensa marketing,
cujo comportamento é altamente direcionado para o seu objeto de estudo. O
serviço de referência é personalizado, desde a elaboração dos projetos de
pesquisa, orientação quanto à revisão de literatura e dos termos adequados para
o desenvolvimento do seu projeto de pesquisas, revisão taxonômica, forma
adequada para controle de autoridade, etc. No contexto atual de acesso livre x
convivência x plano de contingência, o profissional Bibliotecário que atua em
biblioteca especializada, compromete-se a fornecer informação extremamente
confiável e de qualidade. E no trabalho ordinário deve aplicar cada vez mais os
princípios de gestão total da qualidade à sua dinâmica.

As bibliotecas especializadas ao incorporarem novos sistemas e tendências de
gestão do conhecimento, tecnologia informacional e operacional, atuam com o
“feedback” do custo-benefício de maneira instantânea, agente de integração no
processo de evolução das atividades. Fato que possibilita a constante melhoria
da qualidade na prestação dos serviços e dos produtos, através das novas
ferramentas com interfaces simples e interativas e no aprimoramento da sinergia
no trabalho, destacando-se o aspecto em que a tecnologia está a serviço do
homem.

�14

O Profissional da Ciência da Informação tem a obrigação e o compromisso de
estabelecer processos criativos e a busca de padrões – abordagem que implica
no processo de encontrar, criar e ser a parte interessada e participativa em todos
os ambientes do Portal do Conhecimento. Favorecer uma conexão entre o virtual
e o ambiente físico local e regional. No contexto da disseminação segundo
Rumjanek (2004)1
“Em princípio, todo trabalho científico estabelece uma fronteira
entre aquilo que é sabido e o que é desconhecido. Logo, o
avanço do conhecimento produzido pelo trabalho científico é, em
maior ou menor grau, sempre revolucionário. Não obstante as
aplicações práticas, a ciência de fronteira também é entendida
como aquela que modifica o pensamento. Aquela que traz novas
evidências e idéias.”

Segundo Pedro Demo (2004)2
“

(conforme Harding), diria que ciência é um procedimento de
pesquisa orientado pela ‘discutibilidade’ formal e política do que
propõe: em termos formais, trata-se de arquitetar um discurso
que tenha as marcas da formalidade científica (lógica, coerência,
consistência etc.); em termos políticos como verdade é apenas
pretensão de validade (conforme Habermas) trata-se de alcançar
consensos naturalmente falíveis, mas bem argumentar,
preferindo sempre a autoridade do argumento ao argumento de
autoridade.”

E o profissional bibliotecário executa na sua rotina e cotidiano, o exercício dessa
afirmação e descrição do que é o trabalho científico.

Portanto, consideram-se as ‘ameaças’ dos outros profissionais como um reflexo
da

constante

crise

do

nosso

referencial

e

da

nossa

identidade

e

conseqüentemente a representatividade por outras facções do mercado atual. O
discurso ‘pleno’ e a falta de respeito ao nosso código de ética, algo que interfere
no inconsciente coletivo da Biblioteconomia. O comportamento e a atuação dos
demais

bibliotecários

resultam

na

aceitação

de

qualquer

“projeto”

de

pseudofundamentação sobre a profissão, sem critérios de avaliação e uso
indiscriminado de modismos.
1

RUMJANEK, Franklin. Fronteiras da ciência: ética e desenvolvimento. Ciência Hoje, Rio de
Janeiro, v.35, n.206, p. 22-23, Jul. 2004.
2
DEMO, Pedro. A ciência vale relativamente, porque é práxis história. Entrevistadora: Mariana
Pezzo. Univerciência, São Carlos, ano 3, n. 7-9, p. 7-9, dez. 2004.

�15

Portanto, para a otimização das atividades de uma Biblioteca Especializada,
podemos pontuar alguns tópicos com algumas considerações: →acelerar
esforços; →cadeia de informação para o pesquisador; →vários níveis de
informação de forma moderada e uniforme; →bibliotecário no papel de gerente
no acesso ao conhecimento e a informação; →proporcionar ambiente sem
costura (multidirecional); →facilitar as novas descobertas no campo das ciências
(proporcionar serviços de apoio); →acesso / atender a pesquisa nesse ambiente
interativo; →novas tendências
conexão

com

a

cadeia

para o profissional Bibliotecário na gestão da
da

informação,

conhecimento,

pesquisador

(racionalização do tempo na busca da informação e maior tempo no uso da
informação – resultando em maior produtividade); →facilitar o acesso,
disponibilizar novas ferramentas de busca, apresentar novas plataformas de
trabalho,

migrar

para

novas tecnologias informacionais com

diferentes

arquiteturas; →produtos com perfis direcionados a esses usuários altamente
especializados: demanda e potencial para agregar mais valor a C&amp;T;
→disseminar conteúdos regionais: →ampliar e disseminar o nosso capital
produtivo científico neste contexto de mundo globalizado (diminuir as distâncias);
→qualidade da informação; →implantar Centros de geração do conhecimento
com cultura organizacional que possibilita: →acesso oportuno; →ampla
cobertura; →menor custo.
Todas essas considerações quando se trata de núcleo de pesquisa atende os
requisitos da Reunião Anual de Ministros de C&amp;T dos países da OCDE (2003)
que resultou na declaração
“según la cual la cooperación en ciencia y tecnologia, tanto
nacional como internacional, se considera de extrema
importancia para facilitar el desarrollo sostenible, favorecer la
movilidad de los investigadores y aumentar el acervo cultural y
científico de los participantes, condiciones estas imprescindibles
para alcanzar la indepencia socioeconómica de los países en
desarrollo.” (SANCHO et al., 2006)3.
_____________________________
3
SANCHO, R. et al. Indicadores de colaboración científica inter-centros en los países de América
Latina. Interciencia, Caracas, v.31, n.1, p. 284-292, Apr. 2006.

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Biblioteca Setorial do Núcleo de Pesquisas em Limnologia, Ictiologia e Aqüicultura – NUPÉLIA / UEM / PR: uma unidade informacional de referência.</text>
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            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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              <elementText elementTextId="54926">
                <text>Arita, Maria Salete Ribelatto; Hildebrandt, João Fábio; Paiva, Márcia Regina</text>
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            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                <text>Salvador (Bahia)</text>
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            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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                <text>UFBA</text>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>2006</text>
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            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
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            <description>An account of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="54937">
                <text>A Biblioteca Setorial (BSE-NUP) do Núcleo de Pesquisas em Limnologia, Ictiologia e Aqüicultura (Nupélia) da Universidade Estadual de Maringá (UEM), foi criada em 1996, com o propósito de ser uma biblioteca especializada nas respectivas áreas e participação efetiva nas atividades de ensino e pesquisa do órgão ao qual está vinculada, através da prestação de serviços de informação, documentação e disseminação. Suas funções foram estruturadas nas seguintes diretrizes: Programa Acadêmico do Curso de Pós-graduação em Ecologia de Ambientes Aquáticos Continentais (PEA) e dos projetos de pesquisas em ambientes aquáticos com concessionárias hidroelétricas desenvolvidos e executados pelo Nupélia; perfil do usuário; implantação da política de desenvolvimento de coleções; centro de referência Nacional nas áreas de sua especialidade; disseminação seletiva da produção científica gerada. O seu propósito social mais proeminente é o apoio informacional aos seus usuários na cadeia produtiva científica.</text>
              </elementText>
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          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="68508">
                <text>pt</text>
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                    <text>BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA NA ERA DIGITAL
Tatiane dos Santos Cruz ∗
Universidade Federal do Amazonas (UFAM). - Av. Gen. Rodrigo Otávio Jordão Ramos,
3000 Manaus - Am. - 69077-00 – Fone: 3647-4385 –
e-mail: cruztat@gmail.com, cruz_tat@yahoo.com.br,

RESUMO:

Com o aparecimento de novas tecnologias, faz-se necessária a utilização
das mesmas nas Unidades de Informação, logo, as bibliotecas universitárias
estão mudando de face no que se refere ao processamento, tratamento e
disseminação da informação para seu público alvo, tornando-a mais acessível e
comunicando em um tempo mínimo. O objetivo deste estudo foi verificar as
mudanças nas bibliotecas universitárias, uma vez que ela está inserida em um
campo repleto de informações das mais variadas fontes, que estão sendo
modernizadas e automatizadas a cada dia, bem como no aspecto benéfico da
tecnologia para o desenvolvimento das Unidades de Informação de Ensino
Superior.
Palavras-chave: Bibliotecas universitárias. Tecnologia da informação. Mudanças.

Introdução

Transformação positiva nas Bibliotecas Universitárias. É o que está
acontecendo nas Unidades de Informação desde a inserção das novas
tecnologias, as quais permitem a criação de um novo cenário para as bibliotecas
universitárias, estas que muito auxiliam no desenvolvimento de atividades de
ensino, pesquisa e extensão e presta serviço a toda comunidade acadêmica.

A biblioteca passa por um período em que bibliotecários e usuários não a
vêem mais sem a utilização dos equipamentos tecnológicos para uma melhor
comunicação e execução de um trabalho mais eficiente, ambos se deparam com
um novo padrão moderno.
∗

Graduando em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

�O emprego das tecnologias da informação e da internet favorecem as
bibliotecas para que seus objetivos sejam alcançados de forma mais efetiva, pois
facilita o tratamento, a recuperação e a disseminação da informação, tornando o
acesso a informação mais rápida.

É devido a esta mudança no contexto das bibliotecas que o presente artigo
se constitui de pesquisa bibliográfica e pesquisa de campo demonstrando dados
reais de uma pesquisa realizada por meio de visitas e entrevistas com diretores e
bibliotecários em seis bibliotecas universitárias da cidade de Manaus, onde visa
mostrar os benefícios que a tecnologia juntamente com os programas de
automação trouxeram para estas Unidades de Informação, uma vez que
vivenciamos a passagem do mundo tradicional para a era digital.

1 Biblioteca Universitária

Entendida como um importante espaço do saber onde se armazenam
muitas informações em fontes diversificadas, a biblioteca universitária é primordial
para o desenvolvimento acadêmico, ela é direcionada principalmente ao
acervamento dos conteúdos de natureza técnico-científicos e literários, os quais
são fundamentais na realização das atividades de pesquisa e extensão,
executadas

pela

comunidade

acadêmica,

contribuindo

assim

para

o

desenvolvimento social e cultural.
As bibliotecas são espaços comunitários onde se compartilham saberes.
Suas características são determinadas em função da comunidade para
qual foram planejadas (...). A diversidade das fontes e seus suportes
sejam impressos, digitais, ou virtuais, proporciona diferentes olhares e
motivos para o seu uso e acesso e interfere de maneira significativa no
processo de aprendizagem. (BLATTMANN, 2003, p. 34).

Percebe-se, pelas colocações do autor, que as bibliotecas são criadas para
um demanda específica de usuários e que o tipo de fonte existente naquela
Unidade de Informação pode motivá-lo para um bom aprendizado.

�A biblioteca Universitária no panorama de serviço de referência e
informação

possui

uma

missão,

destacada

pela

Revista

Brasileira

de

Biblioteconomia e documentação (1999) na qual ela deve:
Contribuir para capacitação do estudante e para a formação contínua do
professor,

no

sentido

de

torná-los

‘usuários

independentes

da

informação’, conscientizando-os de que, usando corretamente os
recursos informacionais e os princípios de pesquisa bibliográfica,
retornarão ao sistema de informação para contribuir com novas
produções de conhecimento, com apoio em normas documentais.

(REVISTA BRASILEIRA DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO,
1999, p. 49).

É certo que a biblioteca está executando sua missão, e a cada dia se torna
mais notável sua atuação dentro do contexto acadêmico e principalmente quando
a autoria coloca que o usuário deve ter uma autonomização da informação.

Para Amaral, s. d “A biblioteca universitária se defronta com o grande
desafio de ajustar-se aos padrões modernos, aprimorando suas condições de
acesso à informação com o uso de tecnologias avançada, tornando-se cada vez
mais eletrônica, digital e virtual”.

A colocação de Amaral é verdadeira no que de refere ao recurso
financeiro, entretanto, vê-se que mesmo com dificuldades financeiras a maioria
das

bibliotecas

estão

se

modernizando

e

automatizando

seu

acervo

disponibilizando-o ao usuário.

Nos tempos contemporâneos o usuário quando chega numa biblioteca e se
depara com um acervo composto de múltiplas fontes ele sente-se estimulado a
pesquisa, pois percebe que o ambiente evolui com as novas tecnologias criando
um espaço dinâmico, moderno e agradável onde o acervo é automatizado e
facilita a recuperação de qualquer fonte em um tempo mínimo seja ela tradicional
ou não; o usuário está em busca da informação necessária, e para isso o serviço

�oferecido pela biblioteca precisa ser todo automatizado, eficiente e eficaz capaz
de oferecer serviços e produtos no website tais como: o acervo, localização,
contato, serviços, horário de atendimento, catálogo on-line, regulamento de
empréstimos, aquisições recentes, e outro serviços visando o esforço mínimo e
satisfação do usuário universitário.

Carvalho, 2004 destaca aspectos da biblioteca afirmando-a ser muito
importante e que passa a ser reconhecida pela capacidade de acessar, recuperar,
comunicar, e intercambiar informações, independentes da sua localização
espaço-temporal e do suporte da informação agregando-lhe valor e até
viabilizando.

De certo, muitas bibliotecas universitárias já se encontram dentro desse
novo padrão destacado por Carvalho e das exigências tecnológicas exigentes.

Diferentemente da década de 80 em que a automação era quase
inexistente nas Unidades de Informação e hoje com uma gama de softwares de
automação de bibliotecas tornou-se uma realidade em muitas instituições de
ensino superior facilitando a vida do bibliotecário e do usuário.

Então todo o conjunto da biblioteca universitária é beneficiado cada vez
mais, porém exige uma adaptação de toda a comunidade universitária juntos aos
recursos tecnológicos nela aplicados provenientes de um novo mundo moderno e
digital.

2 Tecnologias da Informação como facilitadores nas Unidades de
Informação

O mundo vivencia uma era digital da informação em que os computadores,
redes eletrônicas e internet, predominam em muitos ambientes sociais sejam em
nossas vidas, no trabalho, no lazer, e nas relações entre os indivíduos, bem como
nas Unidades de Informação e se fazem imprescindíveis nas realizações de
tarefas importantes para o desenvolvimento do local em que é inserido.

�A palavra tecnologia, técnica ou técnicas é um termo cuja origem é do
grego téchne e seu significado é de fazer existir.

O conceito de tecnologia é definido por Castoriadis apud Carvalho, no qual
afirma que é: “[...] fabricar, produzir, construir [...] causar, fazer ser, trazer, à
existência [...]”, porém há outras derivações que se aplicam para o termo técnhe
destacado pelos autores Castoridis, 1997; Grispun, 1999; Picon, 1996 citado por
Carvalho em que ter “significado de método, maneira, o modo de fazer eficaz,
objetivando um determinado resultado”.

É certo que a aplicação das novas tecnologias nas Unidades de
Informação confirma o conceito de tecnologia que constantemente tem uma nova
interpretação e os autores acima, são felizes quando afirmam que é um “modo de
fazer eficaz” uma vez que os programas de computadores para bibliotecas, têm
contribuição surpreendente na realização eficaz dos serviços de bibliotecas.

Segundo Rosetto, 2002 a tecnologia da Informação e comunicação são
utilizadas nas Unidades de Informação desde a década de 40, marcada pela
“explosão da informação”, disponível ao usuário até o advento do computador,
tendo grande crescimento a partir dos anos 60. De acordo com Ching-chih apud
Rosetto

(1999),

houve

“mudanças

tecnológicas

(...)

a

informática,

as

comunicações, e os conteúdos (...) estão cada vez mais integrados e têm um
alcance e impacto quase mundial”.

É nesse contexto citado por Ching-chih que percebemos as modificações
das Unidades de Informação em diferentes aspectos, pois é comum a
disponibilidade de textos em formatos digitais, formas diferentes de indexação,
processamento, e utilização da internet.

2.1 Internet

�Houve-se falar muito em internet, os benefícios que ela tem, a constante
utilização da mesma para e realização de inúmeras tarefas em quaisquer que
sejam os ambientes onde ela esteja presente.

No conceito de Rowley (2002) “A internet é um conjunto de redes.
Atualmente conecta mais de um milhão de computadores e sua velocidade de
crescimento em termos de uso e novos assinantes aumenta a cada mês”.

Muito se sabe que é grande a capacidade de comunicação por meio da
internet e não somente pessoas físicas são assinantes desse primordial canal,
mas também instituições, e dentro deste contexto subordinado as instituições
estão as Unidades de Informação que se conectam mundialmente quebrando
barreiras geográficas para a otimização de recursos disponíveis on-line e que
podem ser aplicados nas mesmas.

Ainda na concepção de Rowley (2002, p.187) ele ressalta que:
Historicamente, era, em essência, uma rede acadêmica, mas seu uso
em atividades econômicas cresceu tanto que deixou de ser uma mera
rede etilista de comunicação em grandes centros de pesquisa,
tornando-se acessível a pequenas faculdades e empresas, além de
bibliotecas do mundo todo. A internet abre acesso em linha a uma
miríade de bases de dados, catálogos e acervos de bibliotecas,
arquivos de programas de computador e documentos, além de serviços
de mensagem de uso freqüente, como o UserNet News e correio
eletrônico (ROWLEY, 2002, p.187).

Como aborda o autor, a característica principal da internet era acadêmica,
porém sua utilidade em outros ramos políticos e econômicos se desenvolveu
favorecendo que outras instituições de pouco poder aquisitivo tivessem também
acesso e bibliotecas pequenas, beneficiando bibliotecários no intercâmbio da
informação e acesso ao acervo e referência por parte dos usuários em bibliotecas
digitais, ou somente o acervo automatizado.

�A internet é um veículo de comunicação que só trás vantagens ao
processamento e disseminação da informação dentro das Unidades de
Informação permitindo que o usuário possa conectar-se ao portal da Instituição na
qual estuda e acessar o link da biblioteca.

Rowley (2002) afirma que: “A internet atual interliga mais de dois milhões
de computadores e mais de 10.000 redes, estendendo-se por mais de 50 países.
Calcula-se que atenda a mais de 15 milhões de usuários (...) possibilitando-lhes
compartilhar informações”.

Em meio a um mundo recheado de informações, podemos hoje tê-las
acesso, através de um processo mais ágil e interativo, pois de acordo com a
colocação do autor a internet só tem se proliferado contagiando todos os tipos de
usuários de todo o mundo, podendo ainda compartilhar qualquer tipo de
informação que esteja em rede.

2.2 Serviços e recursos disponíveis na internet.

A internet presta muitos serviços que são utilizados diariamente, os
principais entre eles estão:


Correio eletrônico – permite aos usuários enviar mensagem ou
arquivos entre si.



Notícias – informam aos usuários sobre informações disponíveis.



Ligação remota – permite aos usuários a ligação com sítios remotos.



Transferência de arquivos – permite aos usuários acessar e
recuperar arquivos localizados em sítios distantes.

2.3 Utilização dos serviços prestados pela internet e dos programas de
automação de seis Bibliotecas Universitárias da cidade de Manaus do
Estado do Amazonas.

O Centro Universitário do Norte (UNINORTE) possui cinco bibliotecas
universitárias setoriais e uma central – Setorial Administração, Setorial Direito,

�Setorial Huascar, Setorial da Recife e Setorial da Ramos, a instituição dispõe de
um acervo todo automatizado e registrado pelo programa de biblioteca
denominado Sica. Biblioteca, o qual auxilia nos serviços de:
 Empréstimos, devoluções, pesquisa e inserção de documentos no
banco de dados, emissão de relatórios, estatísticas, ficha do usuário
eletrônica entre outros.

No portal da instituição está disponível o catálogo geral para todos que
queiram acessar e consultá-los e ainda verificar a localização do documento
quanto a unidade em que ele está.

Os bibliotecários comunicam-se pelo “bibliotecários em samba”, ferramenta
criada a partir do recurso tecnológico chamado de intranet.

Rowley, (2002) afirma que: “A definição genérica de intranet é: ‘sistema de
comunicação interna de uma organização que emprega tecnologia da internet’. As
intranets utilizam (...) navegadores da Rede, com suas interfaces gráficas e o
correio eletrônico”.

Diante do exposto, é correto afirmar que a intranet se utiliza
principalmente da internet, é fácil se usar e permite a realização de pequenas
atividades biblioteconômicas.

O Centro Universitário Nilton Lins (UNINILTONLINS) possui quatro
bibliotecas universitárias setoriais – Setorial Campus do Japiim, Setorial Campus
do Parque das Laranjeiras, Setorial de Humanas e Setorial de Saúde, tem um
programa chamado Biblioteca Uniniltonlins para os assuntos relacionados a
biblioteca e funcionários e um sistema para alunos que permite:


Solicitar o empréstimo on-line e imediato dentro da biblioteca através
de um terminal de consulta.

�

Catálogo on-line que pode ser acessado de qualquer computador
conectado a internet, estes estão separados por curso, coleções, autor,
assunto, título, localização (estante e prateleira) e por biblioteca setorial.



Renovação de livros.



Reservas de livros



Catalogação eletrônica em planilhas

Os funcionários do UNINILTONLINS e da biblioteca em especial utilizam a
internet para:


Comunicar sobre reuniões, convites para eventos, justificativas da
ausência no trabalho.



Solicitar equipamentos para biblioteca.



Interagir virtualmente sobre o que acontece na Unidade de Fortaleza,
CE.



Comutação Bibliográfica (COMUT)

A Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica
(FUCAPI) Possui uma biblioteca presta serviço aos alunos universitários, pósgraduação, e escolares, desde 1990 possui um sistema de bibliotecas
responsável pelo controle de registro e automação do acervo que é composto
desde livros até multimídia, o nome do sistema de automação é EXTRA
desenvolvido pelos próprios analistas de sistemas da Fundação, a biblioteca
possui um sistema próprio de classificação, não utilizando assim a CDD e nem a
CDU para a classificação dos documentos que compõe o acervo, que não está
disponível no portal da Fundação.

Os analistas de sistemas da própria fundação já estão desenvolvendo um
novo sistema para biblioteca capaz de disponibilizar on-line catálogos para o
acesso de seus usuários e que permita um intercâmbio entre outras bibliotecas e
por fim a adoção do sistema de Classificação Decimal de Dewey (CDD),
(informação verbal) ¹.
¹ Informação fornecida pela Talita Mendes Lins, 25 anos, bibliotecária da Fundação Centro de Análise,
Pesquisa e Inovação Tecnológica (FUCAPI), em jul. 2006.

�A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) possui cinco bibliotecas
universitárias setoriais – Setorial da Escola de Arte e Turismo, Setorial da Escola
Normal Superior, Setorial de Ciências da Saúde, Setorial de Ciências Sociais,
Setorial de Tecnologia – com um acervo diversificado entre livros, periódicos,
dissertações e outras fontes que estão todas automatizadas pelo Sistema
Integrado de Bibliotecas – Pergamum, a universidade utiliza as novas tecnologias
em benefício dos usuários e dos próprios bibliotecários para:


Disponibilizar o catálogo on-line para seu público alvo e toda sua
comunidade acadêmica.



Renovação dos documentos emprestados.



Reservar documentos desejados por parte da comunidade acadêmica
(universitários e funcionários).



Comunicar via e-mail e on-line utilizando o Messenger para tirar
possíveis dúvidas quanto aos serviços prestados aos usuários,
aquisição de material e processamento técnico entre outros.



Comutação Bibliográfica (COMUT).



Pesquisar sobre assuntos desconhecidos, para que se permita fazer
uma indexação e classificação correta.



Economizar tempo no processamento técnico.

A Universidade Federal do Amazonas (UFAM) possui oito bibliotecas
universitárias setoriais – Setorial Norte, Setorial Sul, Setorial da Faculdade de
Direito, Setorial da Faculdade de Enfermagem, Setorial da Faculdade de
Farmácia, Setorial da Faculdade de Tecnologia Setorial de Ciências da Saúde
(Medicina e Odontologia), Setorial do Museu Amazônico, possui o Sistema
Integrado de Bibliotecas, o Pergamum e através dele está automatizado um
grande acervo das mais formas de fontes; semelhante em alguns aspectos da
Universidade Federal do Amazonas utiliza as tecnologias de informação para:


Disponibilizar o catálogo on-line para seu público alvo e toda sua
comunidade acadêmica.



Renovação dos documentos emprestados.

�

Comutação Bibliográfica (COMUT)



Catalogação Cooperativa interagindo com 100 (cem) bibliotecas no país
através do Pergamum.



Ter mais agilidade nos serviços de empréstimos e devolução

A Universidade Lutero Brasileira (ULBRA) tem uma biblioteca central
automatizada pelo programa ALEPH 500 próprio da ULBRA e permite aos seus
usuários e bibliotecários por meio da tecnologia:


Interagir e trocar informações com outras Unidades relacionadas
localizadas em Santarém, PA e com a Central, localizada em Canoas,
RS.



Comunicação via e-mail entre funcionários para a divulgação de
eventos, convocações de reuniões e novos cursos de aperfeiçoamento
para bibliotecários.

3 Mudanças benéficas nos serviços e cenário das bibliotecas universitárias

A constante presença das novas tecnologias tem revolucionado os meios
informacionais existentes, principalmente dentro das Unidades de Informação; as
bibliotecas universitárias apresentam uma nova face, ela está mais dinâmica,
versátil, mais procurada por seus usuários, devido ao acompanhamento e
implantação de software de bibliotecas, uso dos serviços da internet e outros.

Pinheiro, (2002) comenta sobre a própria tecnologia que vem criando
condições e cenários propícios à geração de novos produtos e serviços de
informação. E vem acontecendo desde a invenção do papel, imprensa,
computadores e hoje a internet e web.

Hoje em dia não se pode imaginar uma biblioteca sem um computador, as
tecnologias agilizam o trabalho e portanto, são fundamentais (informação verbal)².
² Maria Alice Farias Palheta, 49 anos, Centro Universitário Nilton Lins, bibliotecária.

�Muito se sabe vivenciamos um processo de mudanças e os inventos e
aperfeiçoamento das tecnologias apontadas acima têm mudado a rotina do
próprio bibliotecário, saindo de um contexto tradicional para um moderno e
promissor.

Souto, (2005) afirma que a biblioteconomia caracterizou desde o primórdio
pelo domínio das técnicas de organização e acesso aos documentos, bem como
pela passividade, o caráter feminino da profissão e o ambiente tradicional da
biblioteca, sempre silencioso.

De acordo com Souto é correto afirmar à predominância do papel feminino
dentro da biblioteca em que a mesma atua, é vista como um ser de muita
passividade, porém esse aspecto está modificando, ela está aparecendo de forma
mais dinâmica e têm se preocupado muito com o desenvolvimento de serviços e
instrumentos inovadores que satisfaçam às necessidades do usuário, além do
melhor uso da internet para divulgações de eventos e outras informações
importantes relacionadas à biblioteca e a comunidade acadêmica.

Especialmente ao que se refere o processamento técnico, espaço,
processo de busca, velocidade da informação e disseminação, Milanesi destaca
que,
Espaço de armazenamento e velocidade de disseminação e de acesso
foram problemas que encontraram respostas, pelo menos parciais, no
transcorrer do século XX, mas, outros ficaram sem respostas. (...) o
desenvolvimento tecnológico permitiu a criação de computadores (...)
que de início substitui a máquina de escrever e depois para
desempenhar outras atividades (...) o catálogo, para a maioria das
bibliotecas parecia insubstituível. (MILANESI, p. 30-31)

Conforme aponta o autor o computador auxiliava apenas em alguns
aspectos voltados para as atividades biblioteconômicas e não se podia imaginar a
substituição dos catálogos e os usuários e bibliotecários tinham dificuldade de se
relacionar com máquina, porém com um treinamento e conhecimento das funções

�da tecnologia percebe-se a primordial utilização dos novos equipamentos
auxiliando nos desdobramentos de fichas, consultas, empréstimo, devolução e
renovação dos documentos, registros dos mesmos em um banco de dados,
melhor facilidade e rapidez nas pesquisas e recuperação do documento por
autoria, título, assunto, bem como na disseminação das informações por meios
multimídias.

CONCLUSÃO

O desenvolvimento da tecnologia teve destaque importante na melhoria
das Unidades de Informação, principalmente em seis bibliotecas Universitárias da
cidade de Manaus, as quais foram alvos da pesquisa apresentada neste artigo;
por permitirem que os conhecimentos compartilhados cheguem aos usuários
instantaneamente.

Como comprova Dowbor (l995, p. 15) anuncia que: “de alguma forma, a
integração informação/informática, a automação de catálogos, a criação de bases
de dados (...) os avanços em armazenagem e recuperação eletrônica das
informações estão mudando a natureza dos serviços de uma biblioteca”.

Os programas de automação se fazem presente e são necessários para
um ótimo desenvolvimento dos serviços de informação prestados aos usuários de
bibliotecas.

Contudo, a execução deste trabalho junto às seis bibliotecas universitárias
descritas no corpo deste trabalho tem grande relevância para compreensão de
que as bibliotecas vivenciam a era digital e ulitilizam dos seus recursos, ainda só
na automação e talvez com um pouco mais de tempo e recursos se reflita a
questão da digitalização para disponibilização da informação mais rápida sem que
o usuário precise sair de casa como acontece com o catálogo on-line facilitando a
vida do usuário.

�REFERÊNCIAS

AMARAL, Sueli Angelica do; GUIMARÃES, Tatiara Paranhos. Sites das
bibliotecas universitárias brasileiras: estudo das funções desempenhadas.
[S.l.: s.n.], s.d. Disponível em: &lt; http://www.google.com. &gt;. Acesso em 15 de jun.
2006.
BLATTMANN, Ursula; FRAGOSO, Graça Maria (Org.). O zapear a informação
em bibliotecas e na internet. Belo Horizonte: Autêntica, 2003.
CARVALHO, Isabel Cristina Louzada. A socialização do conhecimento no
espaço das bibliotecas universitárias. Niterói, RJ: Intertexto; Rio de Janeiro:
Interciência, 2004.
DOWBOR, Ladislau. Novos espaços do conhecimento. Transinformação.
Brasília, DF, v.7, n. 1, p. 15, 1995.
MACEDO, Neusa Dias; MODESTO, Fernando. Equivalências: do serviço de
referência convencional a novos ambientes de redes digitais em bibliotecas parte
I. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v. 1, n.
1, p. 38-54, semestral. 1999.
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SOUTO, Leonardo Fernandes (Org.). O profissional da informação em tempos
de mudança. Campinas, SP: Alínea, 2005.

Abstract
With the growing of new tecnologies, it is necessary the use of the sames in
Information Unit. The university libraries are changing the face when we talk in
processment, treatment and showing of information for the bases public, becoming
it more acessable and having communication in minimum time. The purpose of

�this research was verifying the changing in public universities because it is
ensered in a place full of information with different bases, that are being
modernizaded and automatic day by day and the benefits of tecnology for the
developing of college teaching.

Key Words: University Libraries, Information Tecnology, Changings

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Com o aparecimento de novas tecnologias, faz-se necessária a utilização das mesmas nas Unidades de Informação, logo, as bibliotecas universitárias estão mudando de face no que se refere ao processamento, tratamento e disseminação da informação para seu público alvo, tornando-a mais acessível e comunicando em um tempo mínimo. O objetivo deste estudo foi verificar as mudanças nas bibliotecas universitárias, uma vez que ela está inserida em um campo repleto de informações das mais variadas fontes, que estão sendo modernizadas e automatizadas a cada dia, bem como no aspecto benéfico da tecnologia para o desenvolvimento das Unidades de Informação de Ensino Superior.</text>
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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA NA ERA PLANETÁRIA
Heloisa Helena Anzolin1
Lucia Izabel C. Sermann2
RESUMO
Analisar a biblioteca universitária como organização complexa, sob a ótica das teorias de Edgar
Morin, constitui o foco deste artigo. Considerando as mudanças que estão ocorrendo da sociedade
atual e que tem alterado o modo de ser e fazer das universidades e conseqüentemente de suas
bibliotecas, tendo em vista que as mesmas são subsistemas das universidades. A Biblioteca
passou de guardiã da informação para disseminadora do conhecimento, e mediadora entre o
usuário e a informação. Hoje as informações estão disponíveis em grandes portais na Internet e
oferecem oceanos de informações, com documentos full-text e hiperligados a outros
documentos. Uma quantidade imensa de informações está à disposição no ciberespaço. O
conhecimento humano está atualmente disperso no espaço, desdobrando-se num tempo
descontínuo. Morin em seus estudos sobre a complexidade na era planetária, afirma que tudo está
interligado no planeta. A instantaneidade é algo muito presente, e soluções que até agora
atendiam às necessidades de acesso aos documentos, hoje já não satisfazem mais o usuário. O
bibliotecário necessita estar consciente dessa nova realidade planetária e complexa, preparandose de forma contínua para poder dar conta de atuar nesse cenário de incertezas e diversidades.
Deve achar mecanismos para inserir-se nesse contexto e não ficar isolado em ilhas de
informação.

Palavras-chave: Biblioteca universitária;
Universidades; Sociedade da Informação.

Organizações;

Complexidade;

1 INTRODUÇÃO
A sociedade contemporânea é marcada por grandes transformações em
suas estruturas sociais com reflexos em todas as manifestações humanas.
Fatores como o desenvolvimento científico e tecnológico, desenvolvimento das
comunicações, telecomunicações, a Internet que trouxe o mundo para dentro de
casa com um oceano de informações, a globalização. Globalização essa que foi
preconizada por McLuhan quando escreveu sobre aldeia global, segundo sua
afirmação o mundo seria constituído,
pelos meios ultra-rápidos de informação à distância, como rádio,
telefone, televisão, que poderiam ligar os povos do mundo em redes de
circuitos elétricos. Cada evento seria pertinente a todos, já que a
humanidade estaria novamente organizada como uma tribo, uma tribo
elétrica.De certo modo, então todos seríamos responsáveis (ao menos
conscientes) pelos problemas do mundo, misturando culturas de povos
que conservam aspectos pré-históricos como o universo mercadológico,
povos iletrados com centros de pesquisas espaciais (DUARTE, 1998, p.
22-23).

1
2

Bibliotecária da PUCPR, Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação da PUCPR.
Professora Doutora do Programa de Pós-Graduação em Educação da PUCPR.

�2

Essas mudanças no mundo afetam o modo de ser e fazer da universidade
e de suas bibliotecas. Ao longo dos séculos as bibliotecas passaram por
mudanças significativas. A história mostra livros acorrentados, guardados em
porões, temas censurados, acervos fechados em locais sombrios, e o acesso
para poucos intelectuais letrados. No século XXI, estamos na chamada era virtual,
que Browning chamou de bibliotecas sem paredes para livros sem páginas. A
Biblioteca

passou

de

guardiã

da

informação

para

disseminadora

do

conhecimento, e mediadora entre o usuário e a informação. Hoje as informações
estão em grandes portais, muitas com acesso livre, em acervos virtuais
interligados por hiperlinks. Uma quantidade imensa de informações está à
disposição no ciberespaço.

Sendo assim, para que os indivíduos possam participar da sociedade atual,
em permanente evolução e incertezas, necessitam não apenas serem
alfabetizados, mas também ter acesso às tecnologias de informação e
comunicações. Um computador e uma conexão telefônica dão acesso a quase
todas as informações do mundo, imediatamente ou recorrendo a redes de
pessoas capazes de remeter a informação desejada (LÉVY, 2000, p. 199).

Além de estar informado sobre os fatos que acontecem no mundo, porque
a informação é a matéria para os indivíduos serem partícipes de mudanças na
realidade social, organizacional e, consequentemente, em sua própria realidade
(DIAS; BELLUZZO; PINHO; PIRES, 2004, p. 2). O conhecimento das informações
ou dos dados isolados é insuficiente. É preciso situar as informações e os dados
em seu contexto para que adquiram sentido (MORIN, 2005, p. 36).

A informação terá valor na medida em que seja devidamente tratada e
comunicada para um público capacitado informacionalmente, ou seja, um público
que seja preparado para usar a informação recebida para tomada de decisão e
resolução de problemas (DIAS; BELLUZZO; PINHO; PIRES, 2004, p. 2).

Edgar Morin (2005, p. 35) faz a seguinte reflexão sobre conhecimento na
era planetária:

�3

O conhecimento do mundo como mundo é necessidade ao mesmo
tempo intelectual e vital. É o problema universal de todo cidadão do novo
milênio: como ter acesso às informações sobre o mundo e como terá a
possibilidade de articulá-las e organizá-las? Como perceber e conceber
o Contexto, O Global (a relação todo/parte), o Multidimensional, O
Complexo? Para articular e organizar os conhecimentos e assim
reconhecer e conhecer os problemas do mundo, é necessária a reforma
do pensamento: é a questão fundamental da educação, já que se refere
à nossa aptidão para organizar conhecimento.

2 SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E DO CONHECIMENTO
Estamos vivendo a chamada Sociedade do Conhecimento, Sociedade da
Informação ou ainda Era da Informatização, onde a informação é considerada
vantagem competitiva, é poder. Belluzzo comenta que,
cada vez mais intensamente estamos ouvindo falar sobre a sociedade
do conhecimento e, nem sempre conseguimos entender o significado
deste momento da civilização humana. O conhecimento considerado
como a principal moeda de troca, um bem de valor que um indivíduo,
uma instituição ou uma comunidade podem possuir. O fluxo de
informações hoje, cada dia mais, o espaço privilegiado da economia, da
política e das relações sociais (BELLUZZO, 2005, p. 29)

Sociedade da Informação segundo o Glossário da Sociedade da
Informação é uma etapa no desenvolvimento da civilização moderna que é
caracterizada pelo papel social crescente da informação, por um crescimento da
partilha dos produtos e serviços de informação no PIB e pela formação de um
espaço global de informação, essa definição é complementada pela expressão
Sociedade do Conhecimento, caracterizada por uma proporção alta de
trabalhadores do conhecimento (profissionais que criam, modificam e/ou
sintetizam conhecimento como parte integrante das suas ocupações), e onde a
educação constitui a pedra angular da sociedade.

Isto posto, fica claro que a Sociedade da Informação não é um modismo.
Que representa uma profunda mudança na organização da sociedade e da
economia, havendo quem a considere um novo paradigma técnico-econômico. É
um fenômeno global, com elevado potencial transformador das atividades sociais
e econômicas, uma vez que a estrutura e a dinâmica dessas atividades
inevitavelmente serão, em alguma medida, afetadas pela infra-estrutura de
informações disponível (Livro Verde, 2000, p. 5). Período esse caracterizado pela
instantaneidade e virtualidade, (...) era em que a informação flui a velocidades e

�4

quantidades há apenas poucos anos inimagináveis, assumindo valores sociais e
econômicos fundamentais (Livro Verde, 2000, p.3).
3 BIBLIOTECA E COMPLEXIDADE
Nesse contexto de grandes transformações, turbulências e incertezas,
encontra-se a biblioteca universitária, tendo que se adaptar, integrando-se ao
novo cenário, atendendo um usuário muito mais exigente, com necessidades e
interesses específicos, urgência na obtenção das informações, com acervos reais
e virtuais, e com recursos financeiros cada vez menores. Tendo ainda que
corresponder às expectativas da comunidade que serve e da instituição que está
vinculada. Atualmente não se concebe uma biblioteca universitária, que não
esteja com seus serviços e produtos informatizados, ligados a redes de
comunicações. Deve oferecer além de estoques informacionais, bibliotecas
virtuais e digitais, acesso aos E-books, serviços on-line, como os catálogos,
reservas e renovações de materiais, etc. Os acervos devem ser diversificados
para atender à complexidade cultural necessária aos futuros profissionais e
demais usuários.

Esse contexto global da informação e do conhecimento traz consigo novas
exigências de habilidades necessárias para usuários e bibliotecários. Por
exemplo, como navegar na Internet, estar inserido em listas de discussões
nacionais e internacionais, estar atendo para o uso da tecnologia da informação,
criando novos serviços virtuais, produtos mais interativos como visitas orientadas
virtuais, tutoriais web para uso de base de dados, e uso do catálogo, links de
outras instituições e sites relacionados com textos na íntegra selecionados,
exposições virtuais, dicas de leitura, etc.

Complexidade é definida por Morin à primeira vista como um tecido
(complexus: o que é tecido em conjunto) de elementos heterogêneos
inseparavelmente associados, que apresentam a relação paradoxal entre o uno e
o múltiplo. A complexidade é efetivamente a rede de eventos, ações, interações,
retroações, determinações, acasos que constituem nosso mundo fenomênico
(MORIN, 2003, p. 20).

�5

Instituições de ensino superior são organizações complexas. As bibliotecas
universitárias são interdependentes dessas instituições mantenedoras, que por
sua vez, formam um subsistema igualmente complexo.

Organização segundo a definição de Simon (1976 apud AGOSTINHO,
2003, p. 31) refere-se ao complexo padrão de comunicação e de relacionamentos
em um grupo de seres humanos.
Considerando essas definições, as ações que tornam a biblioteca
universitária como organizações complexas são:

a) Interdependência da Universidade;
não pode atuar com políticas e ações desvinculadas da missão da
Instituição;
grande maioria não tem verba própria definida anualmente dentro do
planejamento orçamentário da Universidade; para acervo e equipamentos,
em conseqüência desse fato, os acervos estão desatualizados e
equipamentos que mais parecem sucatas;
pouca autonomia ou nenhuma para administração da Biblioteca;
diretores das bibliotecas raramente são bibliotecários, ou escolhidos de
com a participação do pessoal da Biblioteca;
ações que melhorem o funcionamento da Biblioteca, raramente são
apoiadas pela Universidade;
normas e procedimentos aprovados pela Universidade;
prédios construídos ou instalações adaptadas sem a participação de
bibliotecários;
escolha e aquisição de software para gerenciar os serviços da Biblioteca,
muitas vezes pelo preço e não pelo benefício e facilidade para o usuário
interno e externo;
expressão Coração ou cérebro da Universidade, muitas vezes só no
discurso.

b) Subsistema da Universidade formada por outros subsistemas internos;
como subsistema da Universidade, é um órgão avaliado pelo MEC;

�6

qualidade na prestação de serviços, nem sempre é possível quando
depende de verba - por exemplo, oferecer acesso a base de dados, tem
um custo elevado para as Universidade que não possuem o Portal da
Capes.

c) Conhecimento e atuação em concordância com o projeto pedagógico da
Universidade;
falta de entrosamento entre bibliotecário e professor;
professores em geral não consultam a Biblioteca para verificar bibliografias
solicitadas em trabalhos de turmas inteiras;
não pode atuar com políticas e ações desvinculadas dos programas de
aprendizagem dos cursos. Por exemplo, formar um acervo sem considerar
as áreas de conhecimento em que os cursos são ofertados.

d) Atende públicos variados, com expectativas e necessidades diferentes:
alunos de graduação, pós-graduação (Lato Sensu e Stricto Sensu);
professores, pesquisadores;
usuários presenciais e virtuais;
comunidade externa e interna;
usuários com necessidades especiais:
oferecer acesso igualitário à informação a toda comunidade acadêmica,
sem qualquer discriminação;
e) Deve ser pensado como uma unidade de negócio;
planejamento estratégico que raramente consegue por em prática, porque
depende da Universidade para algumas ações;
fazer mais com menos;
recursos financeiros e humanos insuficientes;
funcionários remanejados (às vezes em fim de carreira) de outros setores
da Universidade,
funcionários desmotivados;
baixos salários;
falta de incentivo para capacitação continuada dos profissionais;

�7

gestão de pessoas (pessoal interno-funcionários e pessoal externousuários).
f) Ambiente externo
oferece serviços que depende de atendimento por terceiros. Ex.
Intercâmbio de publicações, empréstimo entre bibliotecas, malote entre
campi, etc.;
seguir padrões e normas internacionais, considerando o atendimento das
necessidades de seu público local;
participar de redes nacionais e internacionais (dificuldade para conseguir
participar efetivamente);
estar atento às novas tecnologias, inclusive para poder participar de redes,
compartilhar serviços e recursos;
responsabilidade social e ética na formação do cidadão.

Bibliotecas são basicamente prestadoras de serviços que atuam como
organizações complexas. Prestam serviços a um público diversificado e cada vez
mais exigente, que não está preocupado com nossa estrutura administrativa,
financeira ou como nosso plano estratégico. Está interessado, sim, em resultados,
isto é, o valor que lhes oferecemos (DRUCKER, 1997, p. 43).
4 BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO INTELIGÊNCIA DA UNIVERSIDADE
Bibliotecas não existem de forma independente da sociedade e das
instituições às quais se vinculam. Elas acompanham as tendências que se
verificam na vida social, em especial aquelas relacionadas ao campo do
conhecimento e da educação (LEITÃO, 2005, p. 24). São instituições que existem
desde que o homem sentiu necessidade de registrar sua história, sua cultura,
para transmitir a outras gerações.

Biblioteca universitária por definição é aquela que atua em instituições de
ensino superior, como, centros universitários, universidades e faculdades, dentre
outros. Tem por finalidade dar suporte informacional, complementando as
atividades curriculares dos cursos, oferecendo recursos para facilitar a pesquisa
científica. Sua missão é prover informação para o ensino, a pesquisa e a

�8

extensão, de acordo como a política, projeto pedagógico e programas da
universidade a qual está inserida. As diretrizes do ensino superior reforçam a
necessidade de participação ativa das bibliotecas em programas de ensino,
pesquisa e extensão.

O papel na biblioteca universitária é fundamental para a produção do
conhecimento, como articuladora entre o professor, alunos e complementação de
conteúdos trabalhados em sala de aula, não somente isso, mas também como
local para auxiliar o desenvolvimento da cidadania e valores para a vida do
cidadão. Como por exemplo, proporcionar um espaço para grupos de discussões,
promover exposições com assuntos polêmicos da atualidade, envolver os alunos
nas campanhas educativas lançadas pela Biblioteca, como por exemplo,
preservação de material bibliográfico, nesse caso atuando como educadora,
promover o gosto pela leitura, dentre outras atividades que podem ser oferecidas
pela biblioteca.

A biblioteca vista como organização, deve estar aberta para novas
possibilidades de atuação, porque ela existe em função de prestar serviços para a
comunidade da qual está inserida. Organização não existe sem informação.
Conforme diz Morin, quando propõe:
propõe que a organização é conjunção. Encontramos apoio para refletir
sobre a informação e a organização, na conjunção da informação e da
ação, onde diz que do mesmo modo que podemos interpretar a relação
da matéria e a energia como mediatizada pela ação, podemos propor
uma representação da relação da informação e da organização como
mediatizada pela ação. Daí ocorrer uma conjuntura fecunda: a matéria é
para a energia o que a informação é para a organização (MORIN, 2004,
p. 235).

Segundo

esse

entendimento,

a

biblioteca

universitária

deve

ser

considerada uma extensão da sala de aula, porque nela também acontece à
ação, sendo o local que seleciona, reúne, organiza, identifica, disponibiliza e
possibilita o acesso a informação, em uma coleção real ou virtual, como resultado
de uma pesquisa.

Mas não basta apenas reunir, organizar e disponibilizar a informação (...) é
preciso competência para transformar informação em conhecimento. A educação

�9

o elementochave para uma construção de uma sociedade da informação e
condição essencial para que as pessoas e organizações estejam aptas a lidar
como o novo, a criar e, assim, a garantir seu espaço de liberdade e autonomia
(Livro Verde, 2000, p. 7).

A educação não acontece somente no espaço de sala de aula, é na
verdade um esforço de muitas pessoas. O ensino e aprendizagem acontecem em
vários espaços, dentre eles a biblioteca. Os bibliotecários e sua equipe estão
inseridos no contexto educacional, portanto cabe a eles capacitar o usuário no
uso da informação e transformá-la em conhecimento, gerando assim um novo
conhecimento, que é uma das finalidades da universidade.
5 RE-DESENHO DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO ORGANISMO VIVO
A sociedade da informação traz paradigmas da economia, como
produtividade e qualidade, cria novos caminhos para o desenvolvimento e exige
uma nova postura das mudanças sociais. Gerar, obter e aplicar conhecimento
passa a ser item básico para enfrentar essas mudanças (VALENTIM, 2002, p. 1).
Mudanças estas que causam grande incerteza e desordem nos ambientes
informacionais. Podendo ser pensado pela ótica das três teorias: a teoria da
informação, a cibernética e a teoria dos sistemas.

A teoria da informação é uma ferramenta que trata da incerteza, da
surpresa, do inesperado. Desse modo, a informação que indica o vencedor de
uma batalha resolve uma incerteza; aquela que anuncia a morte súbita de uma
personalidade traz o inesperado e, ao mesmo tempo, a novidade. O que significa
que em um universo que existe paralelamente a ordem e a desordem, se permite
extrair o novo, ou seja, a informação.

A cibernética é onde a informação torna-se, aquilo que controla a energia e
aquilo que dá autonomia a uma máquina. Norbert Weiner (1948), rompe o
princípio de causalidade linear e introduz a idéia de círculo causal. Onde a causa
age sobre o efeito e o efeito sobre a causa.

�10

A teoria dos sistemas traz a lição sistêmica que o todo é mais do que a
soma das partes. Isso significa que existem qualidades emergentes que nascem
da organização de um todo e que podem retroagir às partes (MORIN, 2004, p.
201-202).

A biblioteca universitária vista como organização e subsistema da
Universidade, está sujeita as mudanças e incertezas causadas por fatores vindos
do ambiente externo. A sua forma de atuação, portanto precisa ser ajustável as
transformações e mudanças impostas pelas novas exigências atuais. O novo
cenário é extremamente dinâmico.

Ranganathan (1931) definiu cinco Leis da Biblioteconomia, onde a quinta
lei dizia que: Uma biblioteca é um organismo em crescimento. Trazendo essa
idéia para as teorias de Morin, quando diz que as organizações são organismos
vivos e compara com o funcionamento do corpo humano. A biblioteca universitária
como organização deve atuar como organismo vivo, ou seja, deve criar
mecanismos para se auto-organizar, auto-ajustar e auto-gerir, diante das novas
imposições da sociedade atual. Novas formas de atuar na biblioteca devem surgir
de acordo com as necessidades, tendo em vista que a biblioteca é uma
organização.

Belluzzo (2006, p. 18) define alguns parâmetros para mudanças nas
formas de gestão em bibliotecas na atualidade:
Foco no cliente e não no patrimônio (acervos e espaços físicos);
Gestão de todo o sistema bibliotecário e não apenas de divisões/setores;
Microgestão (vantagem nos detalhes) em primeiro lugar e não a
macrogestão (processos e procedimentos como um todo);
Foco no tempo e não apenas no custo/investimento;
Organização em torno da cadeia de valor, não em torno de funções;
Aprender com os erros e não repeti-los;
Ser local, não central;
Prontidão em lugar e decisões adiadas;
Cooperação, não competição interna.
As bibliotecas, no entanto precisam levar em conta as principais tendências
do mundo moderno, destacados no quadro a seguir:

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Quadro 1  PRINCIPAIS FATORES DE TENDÊNCIAS NO MUNDO MODERNO
INSTANTANEIDADE
Tempo menor
Compreensão do tempo
Just-in-time
Informação em tempo real
Flexibilidade organizacional
Agilidade na prestação de serviços

VIRTUALIDADE
Espaço menor e portabilidade
Compreensão do espaço e da dimensão
Sistema enxuto
Organização em equipes e em redes
Unidades estratégias de negócio

Fonte: BELLUZZO (2006, p. 18)

A biblioteca universitária, portanto deve ser pensada como uma
organização prestadora de serviços, tendo em vista o contexto no qual está
inserida e pelo momento de mudanças e transformações que passa a vida
planetária, onde tudo está interligado.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Tendo como base as teorias da complexidade de Morin, tentamos uma
aproximação de suas reflexões, relacionando ao ambiente da biblioteca
universitária. Percebe-se que conhecimento é vital para o homem, e que o novo
milênio trouxe uma necessidade cada vez maior de informação para produção do
conhecimento. Mas que nada pode se dado como verdade e certeza, pois são
provisórias.Tudo é interdependente de tudo, em todo lugar. em um mundo onde
as diversidades devem ser consideradas.
Conforme já dito a biblioteca é uma prestadora de serviços, e como tal
precisa ser entendida como uma organização, com uma missão a cumprir, uma
visão de futuro, além de flexibilidade e criatividade para sobreviver na Sociedade
da Informação. A biblioteca já não é mais o único e possível espaço do saber
acumulado com antigamente. Hoje temos como concorrente a Internet, o telefone
celular, os E-Books, etc. O conhecimento humano está atualmente disperso no
espaço, desdobrando-se num tempo descontínuo (LEVACOV, 2000, p. 263).

Podemos e devemos utilizar a tecnologia da informação e da comunicação
como uma aliada para criar, oferecer, divulgar serviços que vão de encontro às
necessidades desse novo usuário, de forma atrativa e eficaz. A presença das
novas tecnologias da informação e comunicação, é um fato consumado, no nosso
cotidiano, gostemos ou não. Portanto já que não se pode ignorar e nem mudar

�12

esse fato, temos que estar inseridos nesse meio, como atores e não como
figurantes. Usufruindo desses recursos para antecipar serviços e produtos aos
usuários, colaborando para a formação não somente profissional, mas também
para a vida do cidadão planetário.

Devido à rapidez e velocidade com que estas tecnologias tornam-se
obsoletas, fica praticamente impossível prever quais serão as necessidades de
uma biblioteca daqui a uma década. Fato que dificulta enormemente o
planejamento da unidade.

O bibliotecário convive atualmente com indagações, do tipo: que acervo
formar, coleção ou acesso?, sendo que coexistem em um mesmo ambiente
usuários presenciais e remotos, a questão de preservação também é outra fato
que preocupa, porque a mudança do suporte da informação impressa para mídia
digital, resolve o problema de espaço físico, mas cria novos problemas, como a
obsolescência das tecnologias de preservação, armazenamento e recuperação.

A instantaneidade é algo muito presente, e soluções que até agora
atendiam às necessidades de acesso aos documentos, como o intercâmbio de
cópias, hoje já não satisfazem mais o usuário. Os grandes portais disponíveis na
Internet oferecem oceanos de informações, com documentos full-text e
hiperligados a outros milhares de documentos. No entanto o usuário precisa ser
capacitado para não se afogar nesse oceano de informações. Saber reconhecer
o que realmente vale a pena.

O bibliotecário de biblioteca universitária necessita estar consciente dessa
nova realidade planetária complexa, preparando-se de forma contínua para poder
dar conta de atuar nesse cenário de incertezas e diversidades. Deve achar
mecanismos para inserir-se nesse contexto e não ficar isolado em ilhas de
informação.

�13

REFERÊNCIAS

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autônoma. São Paulo: Atlas, 2003.
BELLUZZO, R.C.B. Gestão de bibliotecas. Curitiba, 2006. 32 f. (não publicado).
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DIAS, M.M.K.; BELLUZZO, R.C.B.; PINHO, F.A.; PIRES, D. Capacitação do
bibliotecário como mediador do aprendizado no uso de fontes de informação.
Revista digital de biblioteconomia e ciência da informação, Campinas, v. 2, n.
1; p.1-16, jul./dez. 2004. Disponível em: &lt; http://server01.unicamp.br/seer/ojs&gt;.
Acesso em: 08 abr. 2006.
DUARTE, F. Global e local no mundo contemporâneo: integração e conflito em
escala global. 1. ed. São Paulo: Moderna, 1998.
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navegar no século XXI: tecnologias do imaginário e cibercultura. Porto Alegre:
EDIPUCRS, 2000. p. 261-286
LÉVY, P. A revolução contemporânea em matéria de comunicação. In: MARTINS,
F.M.; SILVA, J.M., Orgs. Para navegar no século XXI: tecnologias do imaginário
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_____. Introdução ao pensamento complexo. 4. ed. Lisboa: Instituto Piaget,
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Acesso em: 05 abr. 2006.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Analisar a biblioteca universitária como organização complexa, sob a ótica das teorias de Edgar Morin, constitui o foco deste artigo. Considerando as mudançass que estão ocorrendo na sociedade atual e que tem alterado o modo de ser e fazer das universidades e consequentemente de suas bibliotecas, tendo em vista que as mesmas são subsistemas das universidades. A Biblioteca passou de guardiã da informação para disseminadora do conhecimento, e mediadora entre o usuário e a informação. Hoje as informações estao disponÌveis em grandes portais na Internet e oferecem "oceanos de informações", com documentos full-text e hiperligados a outros documentos. Uma quantidade imensa de informações esá à disposição no ciberespaço. O conhecimento humano está atualmente disperso no espaço, desdobrando-se num tempo descontÌnuo. Morin em seus estudos sobre a complexidade na era planetária, afirma que tudo está interligado no planeta. A instantaneidade é algo muito presente, e soluções que até agora atendiam as necessidades de acesso aos documentos, hoje já não satisfazem mais o usuário. O bibliotecário necessita estar consciente dessa nova realidade planetária e complexa, preparando-se de forma contínua para poder dar conta de atuar nesse cenário de incertezas e diversidades. Deve achar mecanismos para inserir-se nesse contexto e não ficar isolado em ilhas de informação.</text>
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                    <text>BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA, TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E DIREITOS
AUTORAIS: QUANDO O ECO DAS PERGUNTAS FAZ SENTIDO
Edna Gomes Pinheiro
Mestre em Ciência da Informação. Profª da
Universidade Federal da Paraíba.Brasil.
ednapi@bol.com.br
Patrícia Silva de Morais
Bacharel, Centro Proteção de
Primatas/IBAMA,Brasil.
moraispat@yahoo.com.br
Enfatiza que no mundo contemporâneo, a informação está à disposição dos
indivíduos através das tecnologias da informação e comunicação (TIC’s)
responsáveis pelas transformações ocorridas nas relações do homem com a
ciência, a tecnologia, o conhecimento e o trabalho. Reconhece que as bibliotecas
universitárias são organizações direcionadas para o conhecimento, portanto é
natural que sejam afetadas pelos rápidos e múltiplos progressos das TIC’s. As
novas tecnologias estão criando bibliotecas sem paredes para livros sem páginas,
conhecidas como bibliotecas digitais. Estas bibliotecas estão redefinindo os
paradigmas da informação e da comunicação. À medida que se avança na Era da
informação, surgem necessidades de repensar modelos éticos, culturais e legais
das demandas informacionais que surgem na Web. O objetivo do estudo é
discorrer sobre direitos autorais na internet, especificamente no que se refere à
inserção da Biblioteca Digital Paulo Freire (BDPF), da Universidade Federal da
Paraíba, nesse contexto e no que diz respeito às determinações da lei 9.610/98
que trata dos direitos autorais (LDA). Como pano de fundo analisa se a criação e
a formatação dos conteúdos estão baseadas nas determinações legais. Conclui,
que os fios condutores da BDPF se propõem esboçar idéias que permitirão
entender a biblioteca universitária articulada com a dinâmica das bibliotecas sem
paredes, em um tempo incerto e numa sociedade conhecida como sociedade da
informação, sociedade do conhecimento.
Palavras-chave: Biblioteca universitária. Biblioteca digital. Direitos autorais.

1 INTRODUÇÃO
...Poucas coisas parecem tão invulneráveis à invasão tecnológica quanto
o bom e o velho livro. Fácil de manusear, barato, dotado para muitos de
um apelo que beira o fetichismo, ele é uma das poucas coisas que
atravessaram os últimos séculos sem substituto.
(Fernades)

�A disparada da evolução tecnológica a partir de 1970, acompanhada pela
descoberta da miniaturização, que permite a produção de mais com menos
trabalho, energia e matéria-prima, e a propagação da informática na vida
cotidiana, criaram as condições básicas das transformações recentes do mundo
capitalista. Passamos, a viver numa época de transformações e incertezas, cujas
mutações ocorrem num ritmo acelerado, como nunca foi visto antes, levando-nos
a repensar clássicas categorias de interpretações de processos sócio-cultural,
político e econômico e a criar outras novas. O que muito se sabia passa a ser
pensado de outra forma e visto com outros olhos, diante da nova Era das
Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC’s). Assim, a sociedade na Era
das TIC’s passa a ser marcada pela abundância de informação e inovações
tecnológicas, responsável pelas transformações ocorridas nas relações do
homem com a ciência, a tecnologia, o conhecimento, e o trabalho.

Neste contexto a Universidade compreendida como instituição social apoiada no
reconhecimento público e destinada à produção de conhecimento crítico e
reflexivo, juntamente com seu ponto focal “a Biblioteca” foram afetadas pelos
rápidos e múltiplos progressos das TIC’s, e levadas a reverem sua
responsabilidade social e suas funções. Um bom exemplo que podemos dar
sobre essa chamada “tecnologia da informação” são as Bibliotecas Digitais (BD’s)
que em muitos casos estão inseridas dentro do ambiente Universitário, pois
muitas são as Universidades que possuem a sua própria Biblioteca Digital.

Sem dúvida as BD’s começam a se expandir exponencialmente. Todavia,
necessitam ser analisadas e tratadas sob o enfoque dos aspectos legais.
Questões sobre os direitos autorais (copyright) precisam ser esclarecidas, haja
vista serem essenciais para a aquisição, armazenamento e disseminação dos
conteúdos à medida que se populariza o uso da informação digital ou digitalizada,
das redes eletrônicas abertas (internet notadamente) e das ferramentas e
produtos

da

multimídia.

Provocam,

assim,

questionamentos

fundamentos ou justificativas das reivindicações dos titulares de direito.

sobre

os

�É, pois, no meio desses questionamentos que surge nossa preocupação com os
direitos autorais em BD’s, em especial a Biblioteca Digital Paulo Freire (BDPF).
Assim, considerando as condições favoráveis, às vivências e experiências à
frente

da

BDPF,

decidimos

realizar

uma

pesquisa

sobre

o

assunto,

amadurecendo as idéias, desenhando-as gradativamente, a fim da nossa decisão
ser efetivada . Cremos que nenhuma idéia, nenhum projeto por si só, não mudam
nada. É preciso ações para concretizá-las.

O presente artigo tem como objetivo analisar como são tratadas as questões
relativas à proteção dos direitos autorais na BDPF. Para tanto buscamos
especificamente identificar a legislação existente que regulamenta e aplica a Lei
dos Direitos Autorais (LDA) e identificar a aplicação da LDA com relação à
autorização para digitalização das obras literárias, áudios, vídeos e imagens
disponibilizadas pela BDPF.

2 PELAS TRILHAS DA BIBLIOTECA DIGITAL

Cada vez mais o aceso à informação torna-se vital para que o individuo interaja
na sociedade e possa se realizar como cidadão. No Brasil, como em outras
nações, convive-se com diferentes categorias de analfabetos seja da escrita (da
palavra), funcionais e tecnológicos. E conseqüentemente surgem questões de
como enfrentar esta realidade para que todos sejam beneficiados.

Pode-se dizer que as novas tecnologias alteram profundamente o comportamento
do ser humano na sociedade da informação, utilizando-se de técnicas que são
oriundas das necessidades e cada tecnologia tem sua história social –
educacional – política e econômica.

Nesse cenário as bibliotecas digitais vêm ganhando espaço na rede Internet,
como uma referência às informações de qualidade e um novo campo de
possibilidade à cultura. Um dos desafios, neste momento, é estimular os usuários

�a explorarem suas potencialidades e assim tirarem maior proveito destes
sistemas, realizando consultas de maneira mais eficaz e criando um novo
ambiente de leitura. Nesse sentido Morais (2003,p.12) afirma:
As bibliotecas digitais mudaram a forma de disseminar a informação e o
conhecimento, tornado-se com isso uma ferramenta de inclusão digital.
Elas são sem dúvida uma infovia, pois foram concebidas como um
sistema que permitiu proporcionar a todos a informação de que
necessitem, quando e onde desejarem. Essencialmente, as infovias
podem ser definidas como ponto de convergência das tecnologias da
informação e da comunicação.

O conceito BD aparenta algo revolucionário, mas, na verdade, ele é resultado de
um processo gradual e evolutivo. No Brasil o interesse pela biblioteca digital é
crescente. O periódico Ciência da Informação1 publicou um número especial
sobre o assunto.

No Brasil as bibliotecas digitais têm se convertido em um dos tópicos mais atuais
entre os profissionais da informação. É um fato reconhecido que as bibliotecas
digitais revolucionarão a maneira como estudantes, professores, pesquisadores e
cidadãos comuns acessarão e usarão a informação.
As bibliotecas digitais, portanto, diferem das demais bibliotecas porque suas
informações existem somente em formato digital (disquetes, discos rígidos, CD’s,
Internet, etc), não possuindo livros na forma convencional. Elas vêm ganhando
espaço na rede Internet, como uma referência às informações de qualidade e um
novo campo de possibilidade à cultura. No Brasil as BD’s têm se convertido em
um dos tópicos mais atuais entre os profissionais da informação.
Podemos destacar alguns benefícios proporcionados pelas BD’s, que são:
onipresença; facilidade de pesquisa; compartilhamento de informação; facilidade
de manutenção da informação; disponibilidade da informação; diminuição efetiva
de custo; não há desgaste do material de consulta; economia de espaço físico e
facilidade e acesso. Entretanto, é grande a quantidade de dúvidas que giram em
1
Ciência da Informação. Brasília, v.2, n.2, mai/ago 1997, p.113-228. URL: http://www.ibict.br/cionline/ Número especial
sobre bibliotecas virtuais.

�torno de questões relacionadas aos direitos autorais, formato de dados,
capacitação dos recursos humanos, etc. Esses questionamentos, entre tantos
outros, podem ser organizados em cinco categorias: processos de organização;
aspectos tecnológicos; agentes; aspectos legais e comerciais e infra-estrutura.

As BD’s exercem um papel importante no que diz respeito ao ensino e a
aprendizagem. Pois potencialmente podem suportar e implementar diversas das
atividades pedagógicas e servir como um ambiente de aprendizagem, ou mesmo
apoiar os já existentes, mesmo remotamente. Para estudantes e para as
universidades, oferecem a capacidade de busca pela informação desejada por
área do assunto, acessar conjuntos de dados científicos, interagir com pares, etc.
Facilitando assim o ensino e aprendizagem.

É por essa e outras razões que não podemos nos desligar das questões que
dizem respeito aos direitos autorais nas bibliotecas digitais. Pois o que podemos
observar é que a tecnologia de produção de documentos digitais desenvolveu-se
mais rapidamente do que os instrumentos legais para protegê-la. É, pois, no
momento em que todas essas considerações são feitas que começa a grande
inquietação sobre como responder e o que fazer diante das interrogações que nos
cercam sobre os direitos autorais nas bibliotecas digitais, mais especificamente na
BDPF.

2.1 BIBLIOTECA DIGITAL PAULO FREIRE
O Projeto da Biblioteca Digital Paulo Freire (BDPF) (www.paulofreire.ufpb.br),
coordenado pela Profª Drª Edna Gusmão de Góes Brennand (Programa de PósGraduação em Educação – PPGE/CEAD/UFPB) e pelo Prof. Dr. Ed Porto Bezerra
(Departamento de Informática – DI), teve origem no ano 2000 em parceria com o
Centro Paulo Freire – Estudos e Pesquisas, contando, inicialmente, com o apoio
da Coordenação Institucional de Educação a Distância (CEAD) e Coordenação de
Informática – CODEINFO/PROPLAN/UFPB e posteriormente do CNPq.

�A BDPF tem por objetivo principal disponibilizar pressupostos filosóficos,
sociológicos e pedagógicos do pensamento freireano, para suportar ações
educativas coletivas facilitadoras da inclusão dos sujeitos educacionais na
sociedade da informação.

Seu acervo está constituído por produções tanto nacionais quanto internacionais
relacionadas à vida e obra de Paulo Freire. Está delineada por três categorias
distintas, a saber:
a) a obra – Contempla toda a produção intelectual feita por Paulo Freire. (livros,
textos didáticos e outros);
b) a crítica – Entendida como toda produção sobre Paulo Freire feita por outros
autores. (artigos de jornais, de revistas, correspondências, dissertações, livros,
palestras, resenhas, resumos, seminários, teses, textos didáticos e outros).
c) multimídia – dividida em duas subcategorias, abrange vídeos áudios e
imagens de Paulo Freire.
� a obra – contempla áudios, imagens e vídeos com a presença de Paulo Freire;
� a crítica – compreende áudios e vídeos com depoimentos relacionados a obra
Paulo Freire, feita por outros autores.

3 SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS DE PROTEÇÃO À INFORMAÇÃO
Na tentativa de proteger às informações digitais, tem-se utilizado mecanismos de
criptografia2 e autenticação de dados, tais como:
� Algoritmo de chave publica - remetente e receptor da mensagem possuem
um par de chaves, uma privada e outra pública. Assim, uma chave não pode ser
dissociada da outra, garantindo maior segurança nas transições via rede.
� Assinatura digital - serve para testar a autenticidade de um endereço de email, de uma mensagem, ou mesmo de um individuo ou empresa.
Além destes mecanismos, alguns editores3 estão adotando outras soluções
alternativas como, por exemplo, o sistema pay-per-view (pagamento-por-visão)
2

Consiste basicamente, na transformação de uma mensagem em uma forma ininteligível.Assim a mensagem transmitida
via rede, somente será lida pelo destinatário que possuir a “chave” capaz de recompor a estrutura inicial da mensagem.

�que, mediante o pagamento de uma taxa mensal, permite o acesso a livros e
periódicos.
4 DIREITOS AUTORAIS: BIBLIOTECAS DIGITAIS E INTERNET
A questão dos direitos de autor, de reprodução de obras e, de forma mais ampla,
do direito à informação ganha hoje uma importância considerável, à medida que
se populariza o uso da informação digital ou digitalizada, das redes eletrônicas
abertas (internet notadamente) e das ferramentas e produtos da multimídia. Esta
questão, tradicionalmente resolvida por meio do estabelecimento de regras
coletivas e da adoção de convenções internacionais, assume uma atualidade
particular nesse momento em que surge uma verdadeira sociedade da
informação.
As novas tecnologias de produção, de processamento, de difusão e de
exploração da informação digital modificam profundamente as práticas sociais e
profissionais relativas ao uso da informação; elas modificam igualmente de
maneira radical, a própria economia dessa “indústria” da informação, provocando,
assim, questionamentos sobre os fundamentos ou justificativas das reivindicações
dos titulares de direitos.
Atualmente, uma das formas mais populares de difundir informações em formato
digital é através da Internet, o que gera uma problemática envolvendo três pontos
chaves: a) a Internet não pode ser definida como mídia impressa. Se assim fosse,
estaria sujeita aos regulamentos correspondentes; b) a Internet não possui um
proprietário definido, um autor ou um órgão central. Sendo assim, qualquer
pessoa que possua o equipamento necessário pode inserir material nela e utilizar
material disponibilizado por outros sem qualquer tipo de autorização ou
responsabilidade perante a lei; c) a Internet, a medida em que rompe fronteiras,
desvincula a quaisquer tipos de regulamentos alfandegários, vem tornando a
proteção territorial dos direitos autorais obsoleta.

Corroborando com essa

assertiva encontarmos Stuber (1999, p.20), que afirma:
3

Vide exemplo da Faxon Company (http://www.faxon.com) oferece artigos técnicos em diversas áreas.

�O fato das obras e informações transmitidas através da Internet estarem
sob a forma digital não retira delas a característica de criação humana,
passíveis de proteção jurídica, garantindo ao criador ou autor destas
obras o direito exclusivo de reprodução, divulgação e utilização de seus
trabalhos, e o direito à remuneração por sua utilização, seja através da
aplicação das normas de direito do autor, seja através da aplicação de
normas de proteção à propriedade industrial.

Sendo assim, em princípio, os direitos autorais continuam a ter sua vigência no
mundo on-line, da mesma maneira que no mundo físico. Todas as obras
intelectuais, mesmo quando digitalizadas, não perdem sua proteção, portanto,
não podem ser utilizadas sem prévia autorização. O Direito Autoral é um direito de
cunho especialíssimo, que tem abrigo não somente no direito real, mas também
nos direitos inerentes à personalidade. As primeiras palavras a respeito do direito
autoral foi a partir do Estatuto da Rainha Ana4 vários países editaram leis
protegendo os direitos de autor.

Em setembro de 1886 realizou-se em Berna a terceira conferência diplomática
sobre direitos autorais. A ata dessa conferência é que vem a ser, finalmente, a
“Convenção de Berna para a proteção das obras Literárias e Artísticas”. Pela sua
amplitude e constante atualidade, é modelo que tem servido de base para as
legislações sobre direitos autorais em vários países do mundo, inclusive no Brasil.
A história dos direitos autorais no Brasil vem de longa data. Pode-se, mesmo,
dizer que o nosso problema não reside na falta de diplomas legais, mas no seu
cumprimento.
Em 19 de fevereiro de 1998 foi sancionada uma nova Lei de Direitos Autorais, que
recebeu o número 9.610. Como todo diploma que consagra direitos, ela é fruto
de um longo processo de discussões, procurando refletir interesses nem sempre
convergentes. A nova lei tem virtudes e, embora de forma genérica, contempla
algumas questões de palpitante atualidade. É um avanço apreciável. Porém não
trata muito de questões que dizem respeito aos direitos autorais e a Internet. Algo
a ser estudado. Embora no texto as modificações sejam pequenas, elas são, em
4

Em 1720, na Inglaterra, surgiu o Estatuto da Rainha Ana. Referia-se ao direito de venda de livros. Esse direito era concedido aos
editores. Era um privilégio real. A partir do Estatuto da Rainha Ana, o autor passou a ter direitos sobre a sua obra.

�muitos casos, decisivas e significativas, impondo a necessidade de novas
relações jurídicas entre as partes interessadas, tornando imprescindível a análise
de seus diferentes artigos.
5 O CAMINHO PERCORRIDO
Levando em consideração que a metodologia deve ser entendida como um
conjunto detalhado e seqüencial de métodos e técnicas científicas a serem
executadas ao longo da pesquisa, de tal modo que se consiga atingir os objetivos
inicialmente propostos e, ao mesmo tempo atender aos critérios de menor custo,
maior rapidez, maior eficácia e mais confiabilidade de informação. Assim sendo,
essa pesquisa tem um caráter exploratório, do tipo qualitativo, porque levamos em
consideração que “a opção pelo método e técnica de pesquisa depende da
natureza do problema que preocupa o investigador, ou do objeto que se deseja
conhecer ou estudar.” (PINHEIRO, 2001, p.81).

Utilizamos à técnica de observação não participante, que para Richardson (1999
apud BENÍCIO 2003, p.71): “é uma técnica indicada para estudos exploratórios,
considerando que ela pode sugerir diferentes metodologias de trabalho, bem
como levantar novos problemas”.

A técnica utilizada permitiu a exploração virtual da BDPF. Na operacionalização
da pesquisa, garimpamos “garimpamos” todo o site da BDPF, comparando com a
lei que rege os direitos autorais no Brasil, conhecida como Lei 9.610/98, a fim de
detectarmos até que ponto a BDPF obedeceu aos critérios estabelecidos na lei
supracitada.

Diante dessa abordagem exploratória qualitativa restringimos nosso universo de
pesquisa às duas categorias, a saber: a) a obra; b) a multimídia (subcategoria obra). Para melhor entendimento, gostaríamos de esclarecer que: a obra é todo
material intelectual produzido por Paulo Freire e a crítica abrange todo repertório
produzido sobre Paulo Freire, feito por uma outra pessoa.

�Assim, operacionalizamos nosso estudo da seguinte forma: inicialmente fizemos o
levantamento dentro da categoria denominada “A OBRA”, abrangendo livros,
textos didáticos e outros. Constatamos que no link dos textos didáticos e outros
não constavam nenhum tipo de informação o que nos fez recuar e restringirmos
apenas às quinze (15) referências/informações contidas no link livros. Em seguida
fizemos o levantamento na categoria “MULTIMÍDIA”, especificamente na
subdivisão “a obra” por ser objeto da nossa análise. Neste item pudemos
encontrar: vinte (20) áudios, seis (06) vídeos e trinta oito (38) imagens.

6

ANÁLISES DOS DADOS: DESAFIANDO O SILÊNCIO

Em estudo feito na Lei dos Direitos Autorais (LDA), observamos que infinitos
problemas de ordem jurídica surgem dia a dia com relação aos direitos autorais
na internet. Tomemos como exemplo as BD’s que estão se alastrando no mundo
cibernético. São sites onde estão disponibilizados centenas de obras de autores
sem a autorização prevista em lei, unicamente com fim educacional e científico. A
BDPF se insere nesse contexto como exemplo dessas BD’s que não tem intuito
lucrativo. Tão somente educacional sua finalidade.

Face a nossa legislação vigente, essa prática de publicação, ou seja,
comunicação ao público de obra alheia sem autorização constitui ofensa
aos direitos de autor, mesmo não havendo intuito de lucro. (LIMA, 1997,
p.4)

Nossa Carta Magna5, em seu artigo 5º que trata dos direitos e garantias
individuais e coletivos garante aos autores o direito exclusivo de utilização,
publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo
que a lei determinar; e o art 29 da Lei 9.610/98 dispõe:
Art 29. Depende de autorização prévia e expressa do autor a utilização da obra
por quaisquer modalidades. (grifo nosso).

5
Carta Magna é a Constituição Brasileira que rege todo o Estado Democrático, destinada a assegurar os direitos sociais e
individuais, a liberdade, a segurança, o bem estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de
uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, sob s proteção de Deus.

�Ao analisarmos as obras literárias inseridas no acervo da BDPF, pudemos
constatar que havia negligências dos direitos autorais do autor, pois, não tivemos
conhecimento na época da digitalização, de nenhuma autorização autor Paulo
Freire ou dos seus herdeiros para disponibilizar as mencionadas obras do acervo
da Biblioteca Digital Paulo Freire.

A Lei dos Direitos autorais está corporificada na Lei 9.610/98, sendo taxativa no
caput do seu artigo 29 onde submete à “prévia e expressa” autorização do autor a
utilização da obra por quaisquer modalidades, e à referida utilização fornece,
ainda, em seus incisos, exemplos de contrafação6 no ciberespaço: a reprodução
parcial ou integral (I); a edição (II); a tradução para qualquer idioma (IV); a
distribuição, quando não intrínseca ao contrato firmado pelo autor com terceiros
para uso ou exploração da obra (VI); a utilização direta ou indireta, da obra
literária, artística ou científica mediante emprego de sistemas ópticos, fios
telefônicos ou não, cabos de qualquer tipo e meios de comunicação similares que
venham a ser adotados (VIII); inclusão em base de dados, o armazenamento em
computador, a microfilmagem e as demais formas de arquivamento do gênero
(IX); quaisquer outras modalidades de utilização existentes ou que venham a ser
inventadas (X).

Conforme exposto e justificado nos parágrafos supra citados, é exigência legal a
necessidade da autorização do autor da obra para que esta seja reproduzida
parcial ou integralmente, em seu idioma original ou não, editada ou não, através
de qualquer meio (existente ou que venha a ser criado) que exponha a obra ao
público. Fica claro que o plágio ou mesmo a simples veiculação não-autorizada da
obra representa, num primeiro momento, prejuízo financeiro ao autor. O Capítulo
IV da LDA trata das limitações aos direitos autorais. Seu artigo 46 é taxativo
quando cita fatos que não constituem ofensa aos direitos autorais.

Inciso I, alínea a: a ressalva se aplica somente à imprensa diária ou periódica.
Há, portanto, a preocupação do legislador de que cópia da obra não seja retida
6

Contrafação – a reprodução não autorizada

�para fim de ser disponibilizada ao público como fonte de consulta relativa ou
absolutamente constante, concorrendo com a original. A questão aqui é o prejuízo
que certa forma de disponibilidade da obra venha a causar ao autor.

Inciso III: “citação de passagens de obras para fins de estudo”. Quando uma obra
é transcrita para fins de estudo, o propósito obviamente requer rigor teórico do
conteúdo (revisto e atualizado de forma apropriada), consistência e completude
de informações, bem como método específico para disponibilização, etc.. A forma
de elaboração e o direcionamento do site devem dar espaço a um material que,
especificamente,

fomente

trabalho

literário

ou

científico

acerca

de

um

determinado assunto. Resguardando-se, sempre, vínculo moral de autoria à obra.

Inciso VII: “sempre que a reprodução em si não seja o objetivo principal da obra
nova e que não prejudique a exploração normal da obra reproduzida, nem cause
prejuízo injustificado aos legítimos interesses dos autores”. Contrafacionando [*] o
conteúdo pertencente ao autor da obra.

[*] LDA, Art. 5º Para os efeitos desta Lei, considera-se: VII - contrafação é a
reprodução não autorizada. Portanto, assim estão internacionalmente protegidos,
independente de registro, os mais variados tipos de conteúdos lançados à rede
mundial de computadores.

Obedecendo, os mesmos procedimentos, passamos a analisar as informações
contidas nos áudios e vídeos do acervo da BDPF. Nesse caso, constatamos que
os mesmos não seguem as recomendações contidas no parágrafo 2º da LDA, que
reza: “em cada cópia da obra audiovisual, mencionará o produtor: o título da obra
(I); os artistas interpretes (IV); o ano de publicação (V); o seu nome ou marca que
o identifique.” A BDPF, em momento algum deixou de citar tais campos de
“créditos” aos autores/produtores/intérpretes dos áudios e vídeos nela contidos.

�Isto posto, observamos que as análises relativas às imagens (fotografias),
mostraram que a BDPF não violou a LDA, pois as mesmas seguem as
recomendações contidas na lei, que dispõe o seguinte no caput do artigo 79: “o
autor de obra fotográfica tem direito a reproduzi-la e colocá-la à venda,
observadas as restrições à exposição, reprodução e venda de retratos, e sem
prejuízos dos direitos de autor sobre a obra fotografada, se de artes plásticas
protegidas”.

§1º A fotografia, quando utilizada por terceiros, indicará de forma legível o nome
do seu autor.
§2º É vedada a reprodução de obra fotográfica que não esteja em absoluta
consonância com o origina, salvo prévia autorização do autor.
E além do mais, todas as fotos foram doadas pelo Centro de Paulo Freire Estudos
e Pesquisa7, dono e titular dos direitos de autoria pelas fotografias.

7 ACERTO DE CONTA...E AGORA?
Compreender a importância das Bibliotecas Digitais é instantaneamente reportarse a necessidade de democratização das Tecnologias da Comunicação e da
Informação em todos os segmentos da nossa sociedade. Faz-se necessário lutar
com destemor pela inclusão digital.
A BDPF têm se projetado no cenário tecnológico e pedagógico como uma saída
possível ao emaranhado de informações desorganizadas e desqualificadas na
web, que criam tanto certa tensão na validação de dados disponibilizados para os
mais diversos usuários quanto à qualidade e a veracidade das informações.

Nesse ambiente caótico que se tornou a web, as bibliotecas digitais, as virtuais,
as híbridas, as temáticas, as multimídias bem como as diversas formas de
agregação da informação tem se sobressaído como uma possibilidade de
organização de caoticidade da Internet, o que não vem isento de riscos,
7

Localizado no sitio: http://www.paulofreire.org.br/asp/Index.asp

�sobretudo quanto ao poder que uma biblioteca ou site pode dar aqueles que
detêm no universo digital os dados e as informações num servidor restrito, o
perigo da comercialização de conteúdos públicos e da utilização para fins antiéticos dos mesmos dados.

É nesse contexto que se inscreve a biblioteca como uma ousada empreitada na
busca da democratização do pensamento, da vida e da obra de Paulo Freire,
disponibilizando pioneiramente textos, áudios, vídeos e imagens na íntegra, não
somente para visualização, mas para download na própria Internet para o seu
computador pessoal, na sua casa, no lugar em que se está.

Mesmo indo de encontro, em alguns momentos a LDA, reconhecemos que a
BDPF conta com representação documental, que em verdade é o agenciamento,
a mobilização, o esforço do trabalho de pessoas que enfrentaram o descrédito e
apatia, que tiveram coragem de dizer que têm um sonho e que estão dispostas a
lutar por ele, por isso a BDPF não é apenas um histórico datado de uma
experiência, mas fundamentalmente um sonho que está dando certo.

ABSTRACTS
He emphasizes that in the world contemporary, the information is to the disposal
of the individuals through the technologies of the information and communication
(TIC’s) responsible for the occured transformations in the relations of the man with
science, the technology, the knowledge and the work. He recognizes that the
university libraries are organizations directed for the knowledge, therefore is
natural that they are affected by fast the e multiple progress of TIC’s. The new
technologies are creating libraries without walls for books without pages, known as
digital libraries. These libraries are redefining the paradigms of the information and
the communication. To the measure that if advances in the Age of the information,
necessities appear to rethink ethical, cultural and legal models of the information
demands that appear in the Web. The objective of the study is to discourse on
copyrights in the Internet, specifically as for the insertion of the Digital Library
Paulo Freire (BDPF), of the Federal University of the Paraíba, in this context and
in what it says respect to the determination of law 9.610/98 that deals with the
copyrights (LDA). As cloth of deep it analyzes if the creation and the formatting of
the contents are based on the legal determination. It concludes, that the
conducting wires of the BDPF if consider to sketch ideas that will allow to
understand the university library articulated with the dynamics of the libraries

�without walls, in an uncertain time and a known society as society of the
information, society of the knowledge.
Key-Worlds: University library. Digital library. Copyrights.

REFERÊNCIAS
ASCENÇÃO, José de Oliveira. Direito Autoral. Lisboa: AAFDL, 1980.477p.
A INFORMAÇÂO: tendências para o novo milênio. Brasília: IBCT, 1999. 211p.
AQUINO, Mirian de Albuquerque. O Campo da Ciência da Informação: Gênese,
Conexões e especificidades. João Pessoa, EDUFPB, 2002.264p.
BENÍCIO, Cristine Dantas. Do livro impresso ao e - book: o paradigma do suporte
na biblioteca eletrônica. João Pessoa, 2003.143f. Monografia (Graduação em
Biblioteconomia).Centro de Ciências Sociais Aplicadas.Universidade Federal da
Paraíba.João Pessoa.
BEZERRA, Ed Porto; BRENNAND, Edna G. Góes. Projeto Implementação do
Pólo Produtor de Capacitação em Conteúdos Digitais Multimídia no Estado da
Paraíba. João Pessoa, 2002. (Projeto de Iniciação à Pesquisa)
BIBLIOTECA digital. Revista Ciência da informação. Brasília, DF: IBCT,
2001.v.30, n.3.
BILTRA, Carlos Alberto. Contornos atuais do Direito do Autor. São Paulo: RT,
1999.
BRASIL. Lei 9.609, de 19 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre a proteção da
propriedade intelectual de programa de computador, sua comercialização
no País, e dá outras providências. Diário Oficial da República Federativa do
Brasil. Poder Executivo, Brasília, DF, 20 fev. 1998. Seção 1, p.1.
BRASIL. Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Altera e consolida a
legislação sobre direitos autorais e dá outras providências. Diário Oficial da
República Federativa do Brasil. Poder Executivo, Brasília, DF, 20 fev. 1998.
Seção 1, p.3.
BRENANND, Edna G.Góes et al. Concepção e Implementação da Biblioteca
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Acesso em: 16 maio 2005.
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da Informação, Brasília,DF, v. 28, n.3, p.257-268, set./dez. 1999.
LIMA, George Marmelstein. A reprodução não – autorizada de obras literárias na
internet. Jus Navigandi, Teresina, ano. 2, n.21, nov. 1997. Disponível em:
&lt;http://www1.jus.com.br/doutrina/texto.asp?id=1792&gt;. Acesso em: 16 maio 2005.
MORAIS, Patrícia Silva de.Concepção e Implementação da Biblioteca Digital
Paulo Freire.João Pessoa:[s.n.],2003.30p.(Relatório parcial das atividades do
PIBIC)
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Disponível em: http://www.jcampos.com.br/info2. ht. 1999. Acessado em: 28 out.
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Enfatiza que no mundo contemporâneo, a informação está à disposição dos indivíduos através das tecnologias da informação e comunicação (TIC’s) responsáveis pelas transformações ocorridas nas relações do homem com a ciência, a tecnologia, o conhecimento e o trabalho. Reconhece que as bibliotecas universitárias são organizações direcionadas para o conhecimento, portanto é natural que sejam afetadas pelos rápidos e múltiplos progressos das TIC’s. As novas tecnologias estão criando bibliotecas sem paredes para livros sem páginas, conhecidas como bibliotecas digitais. Estas bibliotecas estão redefinindo os paradigmas da informação e da comunicação. À medida que se avança na Era da informação, surgem necessidades de repensar modelos éticos, culturais e legais das demandas informacionais que surgem na Web. O objetivo do estudo é discorrer sobre direitos autorais na internet, especificamente no que se refere à nserção da Biblioteca Digital Paulo Freire (BDPF), da Universidade Federal da Paraíba, nesse contexto e no que diz respeito às determinações da lei 9.610/98 ue trata dos direitos autorais (LDA). Como pano de fundo analisa se a criação e a formatação dos conteúdos estão baseadas nas determinações legais. Conclui, que os fios condutores da BDPF se propõem esboçar idéias que permitirão ntender a biblioteca universitária articulada com a dinâmica das bibliotecas sem paredes, em um tempo incerto e numa sociedade conhecida como sociedade da informação, sociedade do conhecimento.</text>
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                    <text>BIBLIOTECA VIRTUAL:
ANÁLISE DAS COMUNICAÇÕES DOS SEMINÁRIOS NACIONAIS
DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS 1996 - 2004
Gladis Maria Barneche Rosado
Acadêmica do Curso de Biblioteconomia – Habilitação em Gestão da Informação.
Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC
e-mail: gladis_rosado@yahoo.com.br

Maria Lourdes Blatt Ohira, Ms
Professora do Curso de Biblioteconomia – Habilitação em Gestão da Informação.
Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC
e-mail: f2mlbh@udesc.br
Analisa 25 comunicações sobre o tema Biblioteca Virtual, apresentadas nos Seminários Nacionais
de Bibliotecas Universitárias no lapso temporal de 1996 a 2004. Na fundamentação teórica,
apresenta a importância da avaliação da produção científica, a relevância do SNBU como fórum
de discussões dos principais problemas inerentes às bibliotecas universitárias brasileiras e as
contribuições do uso das tecnologias de informação e comunicação em prol do desenvolvimento
das mesmas. Em relação aos resultados, apresenta uma reflexão em torno da definição do
conceito de Biblioteca Virtual a partir dos conceitos apresentados pelos autores das
comunicações. O comportamento dos autores na produção do conhecimento revela que 68% das
comunicações são de autoria múltipla, sendo a UNICAMP a instituição que se destaca com maior
número de comunicações no período. No que se refere as referências, os resultados revelam que
das 359 referências citadas nas comunicações, os artigos de periódicos foram os mais utilizados,
predominando na bibliografia o idioma português, com uma média de 14,36 referências por
comunicação. Dentre os autores mais citados, destaca-se Murilo Bastos da Cunha e como
publicação mais referenciada, o artigo Ciberteca ou biblioteca virtual: uma perspectiva de
gerenciamento de recursos de informação da autoria de Patrícia Zeni Marchiori. Independente de
se consolidar um consenso para a definição do nome da biblioteca criada no ambiente web, é
inexorável sua contribuição para a democratização da informação, provocando o crescimento da
produção científica e fomentando a gestão do conhecimento.

Palavras-chave: Biblioteca Virtual; Produção Científica; Seminário Nacional de Bibliotecas
Universitárias; Análise de Citações.

1 INTRODUÇÃO

A revolução causada pela utilização das tecnologias da informação e
comunicação (TIC’s), em especial com o advento da internet, provocou uma
explosão

informacional

transformando

os

modelos

de

aprendizagem.

A

comunidade universitária hoje globalizada se conecta às redes, excluindo
expressivamente as fronteiras geográficas e políticas. Os recursos das TIC’s
modificaram significativamente os métodos utilizados no processo de produção da
informação, agilizando sensivelmente a sua recuperação.

�A comunicação escrita e impressa que imperou por séculos como veículo
para as novas descobertas, cedeu espaço às publicações eletrônicas que
passaram a ser aceitas universalmente como um fenômeno inexorável para
produção científica. A multiplicidade de informações científicas, associada a
massificação de informação disponíveis na rede, exigiu a criação de páginas
estruturadas afim de que se organize a informação de forma segmentada nas
diversas áreas do conhecimento, processo que proporciona maior interação da
comunidade universitária, aproximando virtualmente os usuários.
O novo paradigma voltado para o ambiente virtual, levou as bibliotecas
universitárias a realinharem seus produtos e serviços e criarem suas Bibliotecas
Virtuais. Esta revolução eletrônica provocou uma transformação sem precedentes
nas bibliotecas, implicando inclusive na reformulação dos currículos dos cursos de
Biblioteconomia, exigindo do profissional da informação habilidades no uso das
tecnologias, emergindo neste contexto a necessidade de remodelação da postura
gerencial.
Neste novo contexto e considerando a relevância das comunicações
escritas dos SNBU’s como veículo de disseminação da produção científica, a
presente pesquisa buscou revelar as características das comunicações que
abordam a temática biblioteca virtual, sua contribuição no contexto das Bibliotecas
Universitárias (BU’s), bem como comprovar o papel que as mesmas vem
desempenhando na construção do campo científico nas áreas da Biblioteconomia
e da Ciência da Informação.
O Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU), consiste num
fórum bi-anual de debates de idéias onde os profissionais ligados à ciência da
informação interagem fazendo reflexões e análises das problemáticas inerentes
as Bibliotecas Universitárias, sempre tendo como tema, o momento históricosocial. Considerando esse fato e acreditando que as Bibliotecas Virtuais no
contexto das Bibliotecas Universitárias trouxeram uma grande contribuição para a
sociedade brasileira, valida-se esta pesquisa que teve como como objetivo geral
analisar as comunicações sobre o tema Biblioteca Virtual apresentadas nos
Seminários Nacionais de Bibliotecas Universitárias no lapso temporal de 1996 a
2004, complementado com os objetivos específicos: agrupar e discutir as
temáticas abordadas; identificar os autores das comunicações e seu vínculo

�institucional; identificar o tipo de autoria, se única ou múltipla; conhecer os autores
que atuam nesta área, como também as publicações mais citadas; quantificar as
referências por artigo; identificar o idioma dos documentos citados; verificar a
temporalidade dos documentos e apontar os tipos de documentos que subsidiam
a produção científica sobre Bibliotecas Virtuais.
A análise das comunicações proposta neste trabalho é uma das técnicas
mais expressivas para caracterizar a geração e o uso da informação técnicocientífica, razão que motivou o presente projeto de pesquisa. De acordo com a
metodologia definida, foi identificado no presente estudo o comportamento da
produção científica no evento SNBU, e dentre as comunicações analisadas, a
contribuição das Bibliotecas Virtuais no contexto das Bibliotecas Universitárias
brasileiras; como também, os recursos que elas estão utilizando diante das TIC’s.

2 REFERENCIAL TEÓRICO
Os Seminários Nacionais de Bibliotecas Universitárias, para a área da
Biblioteconomia constituem-se num fórum de excelência para reflexão e
discussão dos principais problemas inerentes às bibliotecas universitárias. Vieira
et al. (2000), destacam a relevância desse evento para os bibliotecários, “pois
possibilita momentos de reflexão, de tomada de decisão, de reciclagem; enfim,
momentos oportunos para mudança de hábitos”.
As comunicações orais apresentadas nos eventos estão reunidas nos
Anais e hoje, com os benefícios das tecnologias da informação e comunicação,
disponíveis

em

sites

na

Internet,

contribuição

significativa

para

o

compartilhamento das comunicações e disseminação do conhecimento. A
relevância de eventos deste tipo é destacada por Ohira (1997, p. 92), ao ressaltar
que,
As comunicações em congressos e similares permitem ao docente a
oportunidade de manter contatos com seus pares, apresentando e
discutindo assuntos de interesse, aliados à facilidade e a eficácia em
atingir o público alvo, além de permitir uma atualização dinâmica e
publicação do trabalho garantido em anais.

A análise das comunicações apresentadas em eventos, além de apresentar
resultados da produção científica, traduz um momento histórico-social, sendo

�portanto, uma contribuição relevante para a comunidade afim e um veículo de
disseminação da produção científica. Verifica-se que os temas centrais dos
Seminários Nacionais de Bibliotecas Universitárias, realizados no período de 1996
a 2004, refletem a preocupação com a adoção das tecnologias de informação e
comunicação pelas Bibliotecas Universitárias Brasileiras:
•

O IX SNBU realizado em Curitiba, no ano de 1996, abordou o tema A
Biblioteca Universitária e a sociedade da informação.

•

Em 1998, no X SNBU, com sede na cidade de Fortaleza, foi discutido o
tema Gestão de Bibliotecas Universitárias: estratégias para um novo
tempo.

•

No XI SNBU realizado em Florianópolis, no ano de 2000, o tema foi A
Biblioteca Universitária do século XI.

•

Em 2002, por ocasião do XII SNBU realizado em Recife, foi debatido o
tema Bibliotecas Universitárias: espaços de ®evolução do conhecimento e
da informação.

•

No XIII SNBU, realizado em Natal, a abordagem perpassou sobre o tema
Dimensão de Bibliotecas Universitárias: da gestão estratégica à inclusão
social.
Este novo cenário virtual, no contexto das BU’s, veio contribuir de forma

significativa, principalmente por ser contemporâneo a um período crítico de
escassez de recursos monetários, observado por Miranda (1993), onde as
Instituições Federais de Ensino Superior vivenciavam “um quadro de miséria
bibliográfica”. No mesmo trabalho, o autor vislumbra que a modernização será o
melhor aparelhamento das bibliotecas com a inserção de novas tecnologias,
subsídios que irão proporcionar à comunidade acadêmica sofisticados serviços
como: disseminação seletiva de informação, buscas em linha nas bases de dados
internacionais, CD-ROM, catálogos coletivos e etc, aliando a estes serviços a
comutação bibliográfica e o empréstimo bibliotecário, jamais esquecendo que os
acervos devem multiplicar em quantidade e qualidade (MIRANDA, 1993).
Neste contexto evidencia-se a grandiosa contribuição que as bases de
dados com texto completo, vêm prestando frente a este déficit de acervo existente
nas BU’s. A disponibilização desses documentos na página da biblioteca
incrementa a quantidade de exemplares para um número infinito, possibilitando o

�uso concomitante de um mesmo item informacional a um número expressivo de
usuários, uma vez que ele se multiplica a cada acesso remoto.
Não se pode deixar de enfatizar a criação dos sistemas cooperativos de
bibliotecas, contribuição que só se tornou viável a partir das tecnologias e da
criação das bibliotecas virtuais. Além de integrar acervos de unidades longínquas,
trazem uma economia as bibliotecas, uma vez que, de certa maneira, amenizam a
carência do item físico frente às dificuldades financeiras que assolam as
universidades

públicas

brasileiras.

A

cooperação

da

informação

traz

sustentabilidade ao principal foco de uma unidade de informação, ou seja, suprir a
necessidade de informação do seu usuário independente do lugar que ela esteja,
cumprindo

desta

forma

seu

papel

primordial,

o

de

acessibilidade

à

obra/informação solicitada. Para Gomes (1998, p. 3), “a Biblioteca Virtual, [...] é
vista como um instrumento imprescindível para integrar a infra-estrutura básica da
ciência, apoiando o desenvolvimento científico, na medida em que responde à
emergente mudança que se processa da informação impressa para a eletrônica”.
As hemerotecas das bibliotecas universitárias públicas brasileiras sofreram
um incremento substancial a partir da criação em 2000 do Portal Capes. Esse
disponibiliza grande quantidade de títulos de periódicos de fontes nacionais e
internacionais de nível acadêmico, é considerado um dos maiores do mundo e
está disponível para universidades e institutos de pesquisa com programas de
pós-graduação recomendados pelo MEC (PORTAL CAPES, 2005). Este acesso é
uma

contribuição

inestimável

das

tecnologias

da

informação

para

o

desenvolvimento técnico-científico, a grande maioria de nossas bibliotecas
universitárias possui link para este Portal. Para Nascimento (2005, p. 5),
A biblioteca universitária atual não é mais sustentada pelo modelo
tradicional. As coleções de periódicos científicos impressos misturam-se
com as coleções eletrônicas; o espaço físico restrito se expande para o
infinito; o trabalho anteriormente isolado do bibliotecário se propaga para
a parceria com fornecedores, com outras bibliotecas e, mais do que
nunca com os usuários.

Para debater os recursos das tecnologias de informação e comunicação
no contexto das Bibliotecas Universitárias, tem que se evidenciar a relevância da
Internet no âmbito das pesquisas e da ciência da informação. Com o advento da
internet a disseminação da informação atingiu uma velocidade nunca imaginada,
e as bibliotecas foram submetidas a mudanças, tanto na forma de oferecer

�produtos quanto na oferta de serviços. Conforme Oliveira e Bertholino (2000, p.
1),
A apropriação da variedade de recursos da internet ainda consiste em
desafio para as bibliotecas universitárias, para as quais disponibilizar
informação não basta mais, é necessário tornar acessível o documento e
resolver questões de referência onde quer que o usuário esteja.

Nesse sentido, Diniz et al (2000, p 3), complementam “é imprescindível
lembrar que o avanço científico e tecnológico, no qual se inserem a emergência e
o desenvolvimento da biblioteca virtual, está ele próprio, imerso no fenômeno da
globalização”.
A comunicação via web trouxe grande contribuição ao Serviço de
Referência, o qual é caracterizado por um dueto de perguntas e respostas,
englobando neste processo a construção do questionamento formulado pelo
usuário, perpassando pela entrevista, formulação dos mecanismos de busca,
apresentação dos resultados e, por fim, o feedback. No contexto da virtualidade, o
balcão da biblioteca se mudou para a internet, onde é realizado através de um
formulário on-line, a entrevista virtual momento em que o usuário pode expor suas
necessidades sem sair de casa, no horário que melhor o convier.
É indispensável para este fazer o perfil do bibliotecário. A busca por
parcerias com profissionais de outras áreas é de extrema importância. A
interdisciplinaridade e a gestão pró ativa são condições sine qua non para este
processo, lógica que é fortalecida por Drabenstott e Burman (1997), quando
refletem sobre as novas formas de atuação do bibliotecário no futuro.
A um bibliotecário competente do futuro, pontuam-se agora algumas
habilidades e conhecimentos, quanto a contactos interpessoais;
processos cognitivos, psicológicos; políticas de informação, pesquisa
interdisciplinar e desenvolvimento; sofisticação tecnológica; análise e
síntese; melhoria no gerenciamento a questões de planejamento
estratégico e financeiro; articulação aos papéis profissionais e
sensibilidade para o trabalho com diversos grupos étnicos e culturais.
Levando em conta as constantes mudanças de ambientes, sugestões
são apresentadas para o cultivo de disposições pessoais do bibliotecário,
como perspicácia política, ponderações, disposição para enfrentar riscos,
qualidade de melhor ativista, contínua mudança e com novas idéias
(DRABENSTOTT E BURMAN 1997).

Diante da relevância das tecnologias de informação e comunicação e dos
recursos que as mesmas oferecem, faz-se necessário que as bibliotecas
universitárias brasileiras revejam a postura gerencial.

�3 METODO
Este trabalho consiste numa pesquisa bibliográfica, exploratória das
comunicações dos Seminários de Nacionais de Bibliotecas Universitárias, em um
recorte temporal de nove anos, compreendendo o período de 1996 a 2004, com a
finalidade conhecer a produção científica sobre o tema Biblioteca Virtual. Foram
selecionadas as comunicações em que o termo Biblioteca Virtual configure
presente no título, no resumo e/ou como palavras chaves.
Para análise das comunicações e das referências foram utilizados os
seguintes procedimentos:
a) Temática: Efetuou-se uma reflexão em torno do conceito de biblioteca virtual
segundo os autores das comunicações.
b) Autoria: As comunicações foram agrupadas por tipo de autoria, considerandose a autoria única e a autoria múltipla e a vinculação institucional do primeiro
autor de cada comunicação.
c) Temporalidade: A temporalidade dos documentos foi agrupada nas seguintes
categorias: até 2 anos; de 3 a 5 anos; de 6 a 10 anos; 11 a 20 anos; mais de 20
anos (NORONHA,2000).
d) Referências: Para quantificar as referências, as mesmas foram agrupadas em:
até 5 referências; de 6 a 10 referências; de 11 a 15 referências; de 16 a 20
referências e; mais que 20 referências
e) Tipologia documental: Os documentos foram separados nas seguintes
categorias:

livros

e/ou

capítulo

de

livros;

artigos

de

periódicos

(impresso/eletrônico); comunicações em eventos (impresso/eletrônico) e; outros
tipos de documentos.
f) Idiomas: Para classificar o idioma dos documentos citados os mesmos foram
agrupados em português, inglês e espanhol.

4 RESULTADOS
Nos Seminários Nacionais de Bibliotecas Universitárias realizados no
período de 1996 a 2004, foram apresentadas 588 comunicações sobre diversos
temas, tendo sido selecionadas 25 comunicações que se enquadram nos
parâmetros fixados nesta pesquisa, conforme Tabela 1.

�Tabela 1 – Distribuição das comunicações apresentadas nos SNBUs (1996-2004)
SNBU/LOCAL
IX CURITIBA
X FORTALEZA
XI FLORIANÓPOLIS
XII RECIFE
XII NATAL
TOTAL

ANO
1996
1998
2000
2002
2004

%

N. comunicações

%

13,6%
13,4%
16,5%
24,3%
32,2%
100 %

00
06
09
04
06
25

00%
24%
36%
16%
24%
100%

Nº
80
79
97
143
189
588

Os resultados da análise dos dados são apresentados e discutidos em dois
grandes itens: o que as comunicações revelam e o que as referências revelam, no
sentido de conhecer o comportamento da produção científica sobre biblioteca
virtual nos referidos eventos. A relação das comunicações analisadas constam da
Lista de Referências, identificadas no final de cada referência pelo termo
(Pesquisa).
4.1 O que as comunicações revelam
As discussões relacionadas com as mudanças conceituais inerentes ao
tema Biblioteca Virtual já foram material de estudo de vários autores ligados à
área de Biblioteconomia e Ciência da Informação. Nesta pesquisa, são analisados
os conceitos apresentados pelos autores das comunicações, observando-se que
não houve convergência de conceitos para Biblioteca Virtual. Os termos biblioteca
do futuro, eletrônica, polimídia ou interativas deixaram de ser usados. Atualmente
os mesmos só se fazem presentes nas comunicações como um dado histórico,
demonstrando um momento de indefinição do que seria esse novo espaço.
Observa-se no universo estudado que, dentre tantos termos utilizados para este
novo ambiente, atualmente se destacam dois: Biblioteca Virtual (BV) e Biblioteca
Digital (BD).
Na tentativa de verificar consenso nas definições citadas pelos autores das
comunicações no contexto do SNBU’s, montou-se um quadro comparativo
(APÊNDICE A), onde se descreveu em campos, as principais características
existente em uma estrutura de biblioteca tradicional, visando à comparação dos
mesmos com a Biblioteca Virtual e a Biblioteca Digital. Foram analisados os
conceitos de Gomez et al (1998), de Gomes et al (2000), de Diniz et al (2000), de
Andrade e Baraúna (2002) e de Rosetto et al (2004).

�Gómez et al (1998, p. 7), frente à multiplicidade de definições encontradas
na literatura, entendeu por dividir as Bibliotecas em duas categorias a fim de
caracterizar os arcabouços sócios-técnicos dessa migração.
a) Bibliotecas digitais: quando as bases de dados catalográficos digitais
são disponibilizadas para acesso local e remoto via internet, visando
o uso do acervo por diferentes formas de consultas e empréstimo
incluídos os serviços de comutação.
b) Bibliotecas virtuais: quando além das bases de dados catálograficos
de acesso on-line (local ou remoto) através de links e de repositórios
de informação de primeiro grau, disponibiliza o acesso e uso de
informações que alargam o ambiente informacional da universidade
além das fronteiras de seus acervos e seus espaços organizacionais
e locais de consulta e interação.

A comunicação apresentada por Gomes et al (2000), buscou a partir de
uma arquitetura de informática utilizando a tecnologia de Banco de Dados e de
Engenharia de Software, a criação de uma Biblioteca Virtual. Para desenvolver o
seu trabalho perpassou pela literatura em busca dos conceitos sobre biblioteca
convencional, eletrônica, digital e virtual. Partindo das informações obtidas e do
conhecimento adquirido, conceituou: “Biblioteca Virtual como um conjunto de
documentos e dados bibliográficos armazenados em bases digitais, com acesso
por meio de redes, e que não existe fisicamente” (GOMES et al, 2000, p 5).
Por meio de uma revisão de bibliográfica Diniz et al (2000), apresentam um
levantamento conceitual sobre o tema, constatando que:
Diante da impossibilidade de posições consensuais, adotamos uma
visão macro, segundo a qual, na expressão – biblioteca virtual – o termo
virtual opõe-se ao físico. Através de um terminal conectado às redes
eletrônicas, o usuário percorre “estantes” e “folheia” os documentos
desejados, onde quer que estes estejam, sem necessidade de
locomoção, o que proporciona o encurtamento ou a extinção de
distâncias geográficas. É o fim do espaço físico. É a ênfase, como
discutido, ao acesso à informação e não mais à dimensão do acervo,
como nas demais bibliotecas (DINIZ et al, 2000, p. 10)

Andrade e Baraúna (2002, p. 1), refletem sobre o tema Biblioteca Virtual se
posicionando da seguinte forma:
Entende-se por Biblioteca Virtual o serviço que reúne informações
dispersas na Grande Rede e que são capturadas, organizadas,
sistematizadas, integradas e disponibilizadas na internet. Estas
informações podem conter ainda metadados de documentos, pessoas,
instituições, serviços e objetos, originalmente na forma impressa,
multigrafada ou eletrônica, mesclando texto e multimídia (imagem, som e
movimento), abrangendo inclusive bibliotecas digitais e, eventualmente,
informações coletadas fora da rede.

�Rosetto et al (2004, p. 18), descrevem os vários estágios de biblioteca que
a tecnologia proporciona definindo-as como:
Biblioteca tradicional: Local específico com uma coleção “finita”;
Biblioteca que transformou parte de seus canais de provimento da
informação em formato eletrônico (catálogo on-line); Usuário não precisa
comparecer a biblioteca para obter informações do acervo.
Biblioteca virtual ou eletrônica: Que se utiliza de meios eletrônicos
para acesso à informação em todos os níveis; Nenhum acervo, nem
salas, mas dissemina informação seletiva ao usuário, geralmente por
meios eletrônicos
Biblioteca digital: Aquela que contempla documentos gerados ou
transpostos para o ambiente digital (eletrônico); Um serviço de
informação (em todo tipo de formato) no qual todos os recursos são
disponíveis na forma de processamento eletrônico (aquisição,
armazenagem, preservação, recuperação e acesso são via tecnologias
digitais)

Da análise do quadro, verifica-se no conceito de Biblioteca Virtual
apresentado por Gómez et al (1998), que o acervo além de digital e disperso na
rede,

se

encontra

em

suporte

físico

digital.

A

consulta/pesquisa,

a

recuperação/acesso e a localização, podem ser realizadas presencialmente e
remotamente a partir de redes de computadores. Entendimento que se opõe aos
autores citados anteriormente, uma vez que, nas citações os serviços de que dão
acesso, recuperam e permitem a consulta, estão somente em meio virtual. Da
mesma forma o acervo, verifica-se que os demais autores não colocam a
possibilidade de existir um espaço físico repositório deste material.
Nas duas definições de BD, da autoria de Gómez et al (1998) e de Rosetto
et al (2004), vê-se que convergem os entendimentos de serviços on-line para
consulta e recuperação, no entanto na citação de Rosetto, não ficou esclarecido,
se existe um espaço e informação digital em suporte físico, uma vez que as
autoras descrevem “em todo tipo de formato”, como também não ficou claro se é
permitido consultar no local.
Da análise, vê-se um pouco ambígua as definições destes dois espaços,
ocorrendo por vezes sobreposição de conceitos, ou ainda a contradição,
caracterizando-os como conceitos complementares. Diante do levantamento
bibliográfico realizado no contexto do SNBU, bem como das demais leituras
realizadas no decorrer do processo desta pesquisa, entendemos que o termo
Biblioteca Virtual possa ser definido da seguinte forma:

�É aquela constituída no ambiente da web, onde as informações são
organizadas dentro dos padrões biblioteconômicos, assegurando ao
cliente localizar informações acessando o catálogo on-line, permite
recuperar informações na íntegra quando estas se encontram
armazenadas em texto completo, oferece links para as mais diversas
organizações de interesse do seu cliente, e por fim através de um
serviço de referência on-line, responde as questões que dizem afetas ao
seu público alvo.

Visando conhecer o comportamento dos autores das comunicações
apresentadas nos SNBU’s, foram analisadas a quantidade de autores por
comunicação, o tipo de autoria e o vínculo institucional dos mesmos. Identificouse que 68% das comunicações são de autoria múltipla, seguido do percentual de
32% para autoria única. Na produção das comunicações, ocorreu o envolvimento
de 60 autores, o que representa uma média de 2,4 autor/por/comunicação.
Embora seja representativo a quantidade de trabalhos produzidos por um autor, é
evidente a tendência da autoria múltipla. Acredita-se que este crescimento,
advém do novo perfil do bibliotecário, que necessita interagir com outros
profissionais, sejam esses da própria área, ou de campos diversos da ciência,
traduzindo uma característica interdisciplinar, exigida na era do conhecimento.
Para análise do vínculo institucional dos autores, foi considerada a
Instituição do primeiro autor de cada comunicação. Em primeiro lugar, com 28%,
estudos de autores provenientes da Universidade de Campinas (UNICAMP),
seguido dos autores da Universidade de São Paulo (USP) com 12%. Em terceiro
lugar aparecem três Universidades: Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ), Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Pontifícia Universidade
Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), com um percentual de 8% cada. As demais
instituições presentes nas comunicações analisadas, apresentaram um trabalho
cada uma.
4.2 O que as referências revelam
Para a produção das vinte e cinco comunicações os autores das mesmas
utilizaram 359 referências, sendo demonstrado no quadro 1, os autores com cinco
ou mais ocorrências.

�Quadro 1 - Autores mais citados
Nomes dos autores
CUNHA, Murilo Bastos da
MARCHIORI, Patrícia Zeni
GOMES, Sandra Lúcia Rebel
LEVY, Pierre
LAVACOV, Marília
NASCIMENTO, Maria Alice Rebello do

N. ocorrências
11
09
08
08
07
05

Murilo Bastos Cunha foi o autor mais citado, num total de 11 vezes. Duas
publicações se destacam como as mais consultadas recebendo três indicações
cada uma: As tecnologias de informação e a integração das bibliotecas
brasileiras e a outra, Desafios na construção de uma biblioteca virtual.
Ambas são artigos de periódicos publicados na revista Ciência da informação,
publicação do IBICT, cujos títulos estão em consonância com o contexto em
estudo, pois trata do tema biblioteca virtual no âmbito nacional.
Patrícia Zeni Marchiori recebeu 9 citações, no entanto sua obra
“Ciberteca” ou Biblioteca virtual: uma perspectiva de gerenciamento de
recursos de informação, também artigo de periódico publicado na revista
Ciência da Informação, foi 7 vezes referenciada, se constituindo como a mais
citada. Esta publicação discute a quebra de paradigma do modelo tradicional de
biblioteca com o advento das tecnologias da informação, remodelando as formas
de acesso, busca e disponibilização da informação, provocando os profissionais
bibliotecários repensar suas atividades e atitudes.

Para avaliar a média de obras utilizadas no desenvolvimento das comunicações,
o número de referências foi agrupado de acordo com o descrito no método e
representados no Gráfico 1. Constata-se que seis trabalhos utilizaram em torno
de 11-15 referências, representando um percentual de 24%. Seguindo a análise,
vê-se que no parâmetro de 20% foram utilizadas tanto as médias de 1 a 5
referências, como também a de 6 a 10 citações por trabalho, totalizando em cada
faixa cinco comunicações. A análise dos dados da quantidade de referências
utilizada revela uma média de 14,36 referências por comunicação

�4%

8%

20%

12%

12%
20%
24%

Sem Ref

1a5

6 a 10

11 a 15

16 a 20

21 a 25

Mais de 26

Gráfico 1 – Distribuição das referências por comunicação

A análise revela que os autores das comunicações do SNBU’s, utilizaram
expressivamente as bibliografias no idioma português, representando 77,4% das
359 referências contabilizadas, sendo o inglês a segunda língua nos documentos
citados com 18,1%. Infere-se que esta predominância na utilização de
documentos na língua mãe, advém de duas prerrogativas. A primeira está
relacionada com a natureza do evento em estudo, o qual está atrelado a questões
inerentes às Bibliotecas Universitárias Brasileiras, sendo normal que os autores
das comunicações, procurem bibliografias que abordam informações relativas às
temáticas relacionadas a estas unidades. A segunda, esbarra na dificuldade do
profissional bibliotecário diante de um idioma estrangeiro, principalmente o inglês,
dado que deve ser avaliado pela classe, haja vista a grande produção científica
nesta língua na área da Ciência da Informação, reforçando a necessidade de uma
educação continuada.
Com a finalidade de conhecer a temporalidade dos documentos, o estudo
fez uma análise da data de publicação em relação a cada evento. Considerando
que o tema da pesquisa é biblioteca virtual, o resultado estatístico para o quesito
temporalidade das referências consultadas não surpreendeu, uma vez que todos
os processos que demandam uso de tecnologias se tornam obsoletos num lapso
temporal muito curto. O percentual representativo de 44% na utilização de
bibliografias publicadas no período de 3 a 5 anos vem corroborar que, no mundo
das tecnologias da informação, os conceitos têm que ser revistos numa

�periodicidade efêmera. O ano de 1997, foi bastante representativo no todo
pesquisado. Das 359 referências consultadas, 87, ou seja 24,2%, foram
publicadas neste ano, na seqüência observa-se que 43 bibliografias foram
publicadas no ano de 1998. Resultado encontrado no estudo de Ohira &amp; Prado
(2002, p. 69), onde as autoras constatam que dois fatores contribuíram para o
número significativo de publicações sobre o tema: a criação do Grupo de Trabalho
sobre Bibliotecas Virtuais Gestor da Internet – Brasil em 1996, e a publicação da
Revista Ciência da Informação, em 1997, com a temática centrada no tema
“Biblioteca do Futuro”.

Dentre os documentos citados, constata-se que os artigos de periódicos
foram o tipo de documento mais utilizado, representando 41,8% (n = 150) do total
das bibliografias utilizadas. Os livros e capítulos de livros, aparecem em segundo
lugar perfazendo um total de 25,1% (n = 90). Seguido pelas comunicações de
eventos, e outros tipos de documentos que, representam 16,7% (n = 60) e 16,4%
(n = 59) respectivamente (Gráfico 2).

150

100

50

0
Livros ou Capítulos

Artigos de Periódicos

Comunicações de Eventos

Outros

Gráfico 2 - Tipos de documentos citados nas bibliografias referenciadas

Justifica-se o destaque na utilização de artigos de periódicos, se for
considerado a natureza do tema. Esta tipologia documental contempla a
necessidade de atualização das informações que demanda a comunidade
acadêmica, visto que é característico deste segmento da sociedade, o novo. Este
veículo é o um grande canal para a divulgação do produto das pesquisas.

�É de grande relevância, o percentual de citações oriundas das
comunicações de eventos, o que demonstra a contribuição que estes encontros
proporcionam à comunidade universitária, fazendo destes eventos verdadeiros
fóruns de discussão de temáticas atuais. Vê-se neste crescimento, o impacto
positivo das bibliotecas virtuais uma vez que, anterior a construção deste
ambientes os Anais tinham sua divulgação limitada as entidades de classe, não
estando disponíveis no comércio livreiro, e que atualmente são disponibilizados
em sites na Internet.
Foi

classificado

como

outros

documentos:

monografias;

teses;

dissertações; informações da internet; textos eletrônicos disponíveis em sites
institucionais; jornais; catálogos de bibliografias. Esta nova fonte de consulta vem
reforçar a necessidade de um profissional da informação com habilidades
biblioteconômicas, à frente dessas páginas possibilitando a organização das
informações dispersas na web, visando priorizar o seu público alvo. Conforme
Tarapanoff et al (2000), “a informação dispersa não constitui inteligência”,
portanto

precisa

estar

estruturada

para

gerar

conhecimento.

Com

a

implementação das Bibliotecas Virtuais, grande parte dessas constatações
deixaram de existir.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante da análise das vinte cinco comunicações, publicadas nos Anais dos
Seminários Nacionais de Bibliotecas Universitárias realizados no período de 1996
a 2004 constata-se que, no universo estudado que não houve convergência de
conceitos para Biblioteca Virtual, e verifica-se que dentre tantos termos utilizados
para este novo ambiente web, atualmente se destacam dois: Biblioteca Virtual
(BV) e Biblioteca Digital (BD). Na conclusão, vê-se um pouco ambígua as
definições destes dois espaços, ocorrendo por vezes sobreposição de conceitos,
ou ainda a contradição, caracterizando-os como conceitos complementares.
A utilização das tecnologias da informação e comunicação, no ambiente
das Unidades de Informação, agregaram valor aos produtos e serviços das
bibliotecas

universitárias,

trazendo

agilidade

aos

processos

técnicos

biblioteconômicos. Ainda facilitam a recuperação/acesso, permitindo que o

�profissional identifique com mais precisão a real questão de referência,
negociando com seu usuário até chegar à resposta certa.
O Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias, obteve um crescimento
nos percentuais de citações com destaque para dois aspectos relevantes neste
resultado. Um diz respeito à acessibilidade aos Anais após sua disponibilização
em sites na Internet e o outro do novo perfil exigido do profissional. Denota-se que
os Bibliotecários das universidades estão discutindo amplamente o novo cenário
trazido pelo ambiente web.
Lastima-se não se ter recuperado uma quantidade maior de material para
pesquisa, uma vez que, identificou-se através da leitura dos resumos que outros
trabalhos abordavam o tema biblioteca virtual, no entanto, o termo não se fez
presente no título, no resumo nem como palavra-chave, critérios utilizados para a
seleção do material da presente pesquisa. Constata-se portanto, que os resumos
e a indexação por vezes não sintetizam a essência do trabalho.
Frente aos novos paradigmas impostos pelas TIC’s, resta o desafio para
organizar e sistematizar a informação, urge a necessidade da habilidade
gerencial, a capacidade de se apropriar da informação relevante, necessária para
intervir no processo de desenvolvimento social, e na sustentabilidade deste
processo. Se setores da sociedade se unissem envidando esforços para a
integração da informação, neste momento, se consolidaria uma sociedade cidadã.
Independente de se consolidar um consenso, para a definição do nome da
biblioteca criada no ambiente da web, é inexorável sua contribuição para a
democratização da informação, permitindo que os pares a cada dia mais
interajam, provocando o crescimento da produção científica, fomentando a gestão
do conhecimento.

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disponíveis nas home pages das Bibliotecas Universitárias. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 11., 2000, Florianópolis. Anais. Florianópolis: UFSC, 2000. p.
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interface WWWISIS. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 11., 2000,
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Biblioteca da área de engenharia BAE/UNICAMP. In: : SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
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PEREZ, D. R.; LIMA, P. Acervos digitais: a experiência da PUC-RIO. In: SEMINÁRIO NACIONAL
DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 12., 2004, Natal. Anais. Natal: UFRN, 2004. p. 1 - 15. [CDROM]. (Pesquisa)
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ensino e pesquisa: o papel das bibliotecas virtuais. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
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SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 12., 2004, Natal. Anais. Natal:
UFRN, 2004. [CD-ROM] (Pesquisa)
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contribuir para o aprendizado do aluno off-campus. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
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XXI: considerações sobre a convivência da informação impressa, virtual e digital. In: SEMINÁRIO
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VICENTINI, L. A.; MILECK, L. S. Desenvolvimento de sites na web em unidades de informação:
metodologias, padrões e ferramentas. In: : SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
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VICENTINI, R. A. B. et al. A gestão do serviço de referência na otimização dos recursos
informacionais: estratégia para o desenvolvimento da pesquisa na UNICAMP. In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 12., 2004, Natal. Anais. Natal: UFRN, 2004. p.
1 - 15. [CD-ROM]. (Pesquisa)
ZAFALON, Z. R. Biblioteca digital X biblioteca virtua: aspectos norteadores para proposta de
implantação em uma IESl. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 12.,
2004, Natal. Anais. Natal: UFRN, 2004. p. 1 - 11. [CD-ROM] (Pesquisa)

�APÊNDICE A
TABELA COMPARATIVA DA ESTRUTURA

BIBLIOTECA VIRTUAL
Suporte
da informação

GÓMEZ
(1998)

Digital Tbém suporte físico

GOMES (2000)

BIBLIOTECA DIGITAL

Consultas/ Recupe Locali Emprés
Pesquisa ração zação
timo
/Acesso
do
acervo

Digital

Local
e
on-line
on-line

Local
e
on-line
on-line

Local
e
web
web

DINIZ (2000)

Digital

on-line

on-line

web

Nada
consta

ANDRADE (2002)

Digital

on-line

on-line

web

Nada
consta

ROSETTO (2002)

Digital

on-line

on-line

web

Nada
consta

Nada
consta

Suporte
da
informação

Consultas Recupe Locali
/Pesquisa ração zação
/Acesso
do
acervo

Local
e
on-line

Local
e
on-line

Digital Tbém suporte físico

♦

Local
e
on-line

Emprés
timo

Local
e
web

Local
e
comutação

♠

Nada consta

Nada
consta

on-line

♦ Quanto à consulta local não ficou esclarecido.
♠ Infere-se que existe documento digital em suporte físico face a descrição (em todo tipo

on-line on-line

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Coverage</name>
              <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Biblioteca virtual: análise das comunicações dos Seminários Nacionais de Bibliotecas Universitárias 1996 - 2004.</text>
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                <text>Rosado, Gladis Maria Barneche; Ohira, Maria Lourdes Blatt</text>
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                <text>Analisa 25 comunicações sobre o tema Biblioteca Virtual, apresentadas nos Seminários Nacionais de Bibliotecas Universitárias no lapso temporal de 1996 a 2004. Na fundamentação teórica, apresenta a importância da avaliação da produção científica, a relevância do SNBU como fórum de discussões dos principais problemas inerentes às bibliotecas universitárias brasileiras e as contribuições do uso das tecnologias de informação e comunicação em prol do desenvolvimento das mesmas. Em relação aos resultados, apresenta uma reflexão em torno da definição do conceito de Biblioteca Virtual a partir dos conceitos apresentados pelos autores das comunicações. O comportamento dos autores na produção do conhecimento revela que 68% das comunicações são de autoria múltipla, sendo a UNICAMP a instituição que se destaca com maior número de comunicações no período. No que se refere as referências, os resultados revelam que das 359 referências citadas nas comunicações, os artigos de periódicos foram os mais utilizados, predominando na bibliografia o idioma português, com uma média de 14,36 referências por comunicação. Dentre os autores mais citados, destaca-se Murilo Bastos da Cunha e como publicação mais referenciada, o artigo Ciberteca ou biblioteca virtual: uma perspectiva de gerenciamento de recursos de informação da autoria de Patrícia Zeni Marchiori. Independente de se consolidar um consenso para a definição do nome da biblioteca criada no ambiente web, é inexorável sua contribuição para a democratização da informação, provocando o crescimento da produção científica e fomentando a gestão do conhecimento.</text>
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BIBLIOTECA VOLANTE TRAMPOLIM DA VITÓRIA

Antonia de Freitas Neta (Coord.) (Mc)
Profª. do Departamento de Biblioteconomia-UFRN
antonianeta@yahoo.com.br
Aliny Fábia S. Miguel
Arquitetura-UFRN
Aliny_arq_urb@yahoo.com.br
Eliane B. de Morais
Biblioteconomia-UFRN,
ebmoraisufrn@yahoo.com.br
Eliane Leal Duarte
Biblioteconomia-UFRN
eldduarte@yahoo.com.br
Eunice C. de Oliveira
Biblioteconomia-UFRN
eunicamara@yahoo.com.br
Gino Augusto B. Costa
Empresa de Transporte Trampolim da Vitória
Gino@digizap.com.br
Maria Claudia Gouveia Cosmo
Biblioteconomia-UFRN
gouveiacosmo@yahoo.com.br
Maria Conceição de A. Moreira
Biblioteconomia-UFRN,
2315551@bol.com.br
Maria Solange D. de Medeiros
Biblioteconomia-UFRN
sosodantas@interjato.com.br

RESUMO: Trata-se de um serviço de extensão para o funcionamento de uma Biblioteca Volante,
na cidade de Parnamirim-RN, estruturada em um ônibus, adaptado com estantes, computadores
interligados a INTERNET, e outros recursos necessários para desenvolvimento do referido
serviço, a ser executado pela UFRN, em parceria com a Empresa de Transportes Trampolim da
Vitória. Objetiva incentivar o conhecimento da biblioteca, do livro, e da leitura, através de
atividades informais tais como contação de histórias, oficinas de artes, apresentação de cordéis,
palestras, exibição de filmes, etc. direcionado a um público diversificado, leitores e não leitores. O
Departamento de Biblioteconomia será Coordenador e responsável pela implantação e
desenvolvimento das atividades e o Departamento de Arquitetura pelo projeto de adaptação do
ônibus, de acordo com a filosofia da proposta. No que diz respeito à parceria externa, ela será
responsável por toda infra-estrutura. Em princípio, o funcionamento da Biblioteca Volante, será
aos sábados, em bairros previamente cadastrados, que oferecerão o apoio para o
desenvolvimento das atividades. Espera-se que com a continuidade, as escolas da cidade
requisitem a biblioteca volante, para desenvolverem atividades conjuntas. Assim, o serviço de
extensão proposto, assume o compromisso de lançar com a experiência piloto, a semente do
interesse pela leitura nas comunidades de Parnamirim.
Palavras-Chave: Biblioteca Volante. Leitura. Serviços.

�2

1 INTRODUÇÃO

O Brasil, ainda é considerado um país em desenvolvimento diante do
alto percentual de analfabetos, evasão escolar significativa e cambaleante
consciência social. E certo que sempre existiu, uma certa preocupação com a
educação brasileira através da implantação de determinados projetos que tentam
universalizar o acesso ao processo educacional.
Contudo, nem sempre ocorreu uma política governamental no mesmo
patamar no que se refere à biblioteca; uma vez que a mesma ainda não é
considerada parte essencial do referido processo. Entretanto, como templo
sagrado do saber, representa um dos aparelhos ideológicos do Estado, e
continua de forma velada, como um dos suportes da ideologia dominante, voltada
para atender as necessidades de uma elite alfabetizada. Não existe uma
preocupação com o povo, com os não letrados, com os não leitores.
A situação referenciada retrata a existência de um certo elitismo na
Biblioteconomia Brasileira, como um produto da herança da importação de
modelos curriculares implantados nos cursos de graduação, que de certa forma
influenciam o perfil do profissional, uma vez que o seu fazer, se reflete na
biblioteca em que atua, independente de sua categoria e região em que se situa.
Contudo, apesar da situação onde se valorizam demasiadamente as
novas tecnologias, está havendo uma tentativa por parte dos teóricos da
biblioteconomia brasileira em dar a biblioteca novos paradigmas atinentes a
programas sociais, levando-se em consideração indicativos teóricos, diferenças
regionais, e outros aspectos considerados relevantes, neste novo cenário
brasileiro onde a biblioteca deve ser inserida.
Tal

postura é observada tanto no bibliotecário comprometido

politicamente com a função social da biblioteca, como também por parte de
determinados segmentos da sociedade uma vez que cidadãos, com uma visão
ampla e consciente, independente de doutrina política ou partidária, estão
preocupados com comunidades formadas pelas classes menos favorecidas; e
com seus direitos ao conhecimento, ao livro, a biblioteca.

�3

Quando se fala em bibliotecas, o pensamento volta-se para o habito de
leitura, para a formação de uma consciência crítica. De acordo com Fiori (2004)1 ,
vários fatores interferem no referido processo, tanto no indivíduo como em uma
população. Contudo, considera de maior relevância o indivíduo ter como origem
uma família de leitores, ter passado por um sistema escolar preocupado com o
estabelecimento do hábito da leitura, ter tido fácil acesso ao livro, seja através de
compra ou outras formas de aquisição, inclusive bibliotecas.
Assim, de acordo com o autor, os fatores referenciados devem ser
trabalhados em conjunto, possibilitando um aumento da massa critica de leitores,
visto que a biblioteca precisa ser compreendida em qualquer faixa etária, como
um instrumento capaz de incentivar o hábito da leitura, que diminui quando o
individuo conclui sua trajetória escolar, principalmente a educação básica.
Diante do quadro apresentado, é de responsabilidade da sociedade,
dos órgãos públicos municipal, estadual e

federal, e principalmente dos

bibliotecários, desenvolverem programas permanentes que proporcionem a
população excluída de biblioteca, o acesso à leitura, situação gerada muitas
vezes por não pertencer a um ambiente que lhe despertasse o interesse pela
compreensão da língua escrita.
As reflexões sobre a importância da estreita relação existente entrem a
sociedade, biblioteca e processo educacional, nos lembra que a biblioteconomia
brasileira, já vem buscando articulações com a esfera educacional, no que se
refere à prática social. Para tanto, ressaltamos os objetivos do 14º Congresso
Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação, quando sugere:

[...] despertar o bibliotecário brasileiro para o papel que a biblioteca pode
e deve desempenhar no sistema formal e não formal de educação e
conscientizar os profissionais da área de educação de que, sem
bibliotecas, o processo educativo não atingirá sua eficácia. (CBBD, 1982,
p.278). Grifo nosso.

Nestas perspectivas, serviços bibliotecários vêm procurando abranger
um público considerado não leitor, os excluídos das letras, fundamentando-se nas
1

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necessidades reais de comunidades menos favorecidas, ás vezes econômica e
social, às vezes de bibliotecas, não de forma paternalista, determinando o que é
bom, mas, aproveitando todo o conhecimento que existe em cada individuo, na
troca de saberes, com leituras diferenciadas.
As discursões acerca das práticas leitoras avançam cada vez mais,
tanto em eventos das organizações educacionais como em outras esferas
interessadas com o tema.Tais procedimentos se fazem necessários, pois as
concepções tradicionais de leitura, entendidas somente como decodificação de
signos lingüísticos já não se sustentam mais por si só. Sobre essa nova visão do
processo da leitura, Silva (1985, p. 23), afirma que:

E, por ser um instrumento de aquisição e transformação do
conhecimento, a leitura, se levada a efeito critica e reflexivamente,
levanta-se como um trabalho de combate à alienação (nãoracionalidade), capaz de facilitar ao gênero humano a realização de sua
plenitude (liberdade).

Dessa forma, para que exista uma leitura que contemple o mundo e a
prática social, em que o sujeito tenha liberdade para agir de acordo com suas
convicções, exercitando sua cidadania e também resgatá-la em comunidades
desprovidas de bibliotecas, é indispensável um redimensionamento das práticas
educacionais que garantam a autonomia desses sujeitos.
Assim, saber utilizar a informação para a construção do conhecimento
é um dos fatores que irá favorecer a inclusão social dos indivíduos na sociedade
em que vivem, onde a produção do conhecimento é cada vez mais veloz, e
preocupar-se com a inclusão social implica em eliminar barreiras que afastam
alguns grupos sociais do acesso ao conhecimento, instrumento capaz de
provocar transformações em qualquer realidade social. Sobre a questão, Vaz
(1994)2, apresenta o seguinte posicionamento.

A dificuldade de acesso à leitura é um problema básico para a
formulação e implantação de qualquer política cultural. Os elevados
2

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preços dos livros, a inexistência de bibliotecas públicas na maioria dos
bairros periféricos das cidades brasileiras e os altos custos de instalação
de novas bibliotecas são obstáculos que se somam a todos os fatores
sociais que roubaram da população o direito a ler.

A posição do autor ainda é bastante pertinente nos dias atuais, pois se
percebe que ainda existe uma carência muito grande de bibliotecas, apesar de
estarmos em plena era da informação e da tão decantada inclusão digital. De
acordo com Freitas Neta (2000), um dos veículos que poderá ultrapassar as
barreiras sociais e intelectuais, aproximando grupos excluídos do conhecimento,
seria a Biblioteca Pública, que nem sempre consegue atender à demanda
crescente de informações da sociedade, seja pelo seu distanciamento físico, seja
pela ausência de investimentos na atualização de acervos, ou em serviços que
gerem conhecimentos.
Ainda sobre a atuação da Biblioteca Pública, Antunes (2000 p. 20),
sugere que:

A biblioteca deverá estar preocupada para oferecer todo o tipo de
informações úteis aos cidadãos: sobre os órgãos públicos ou
particulares, serviço de emergência, serviço médicos, habitação,
transporte, oportunidades de trabalho e emprego, abastecimento,
serviços públicos (água, luz), serviços de apoio e assistência que as
pessoas têm à sua disposição e que, por desconhecimento, nem sempre
deles se beneficiam: sindicatos, cooperativas, associações, [...].

Contudo, para que a mesma possa atender de fato suas funções
precisa redefinir conceitos, desenvolver estudos que determinem o perfil de
usuários e de comunidades, visto que diante dos avanços tecnológicos,
ocorreram mudanças significativas nas sociedades, que devem ser observadas
em qualquer proposta de trabalho. Entretanto, mesmo que a Biblioteca Pública
proponha desenvolver atividades para melhoria de uma comunidade, tendo o
cuidado de abordar os indicativos apresentados, infelizmente não consegue fazêlo ao nível de transformação, visto que esquece o grosso da população, composta
pelos não cultos e pelos analfabetos.

�6

Diante

do

cenário

apresentado

é

importante

para

qualquer

comunidade, a implantação de uma biblioteca diferente, como alternativa para
ajudar a população e fazer com que as pessoas percebam o valor do livro, da
biblioteca e da leitura, como também possibilitar que o bibliotecário que irá atuar
na mesma, seja visto como um profissional inserido no processo de ensino e
aprendizagem.

2 BIBLIOTECA VOLANTE TRAMPOLIM DA VITÓRIA

Atualmente, definir biblioteca foge dos tradicionais conceitos, pois com
a evolução dos suportes, biblioteca abrange todo um espaço, do concreto ao
virtual ou híbrido, que abriga uma coleção de informações de quaisquer tipos
desde o impresso ao digital, que segundo Santos (1999)3, representa:

[...] uma coleção pública ou privada de livros e documentos congêneres,
organizadas para estudo, leitura e consulta. A palavra biblioteca originase do latim que, por sua vez, deriva do termo grego biblos, que significa
livros. O significado moderno da palavra faz referência a qualquer
compilação de dados registrados em muitas outras formas, e não só em
livros: microfilmes, revistas, gravações, slides, fitas magnéticas e de
vídeo, assim como outros meio.

Assim, de acordo com cada sociedade e como resultado de sua
evolução através dos tempos, a biblioteca tenta implantar uma infra-estrutura
diferente que viabilize o acesso de todos os indivíduos a informação, seja através
de ações governamentais ou de empresas privadas. E é dentro desse contexto,
na tentativa de ultrapassar muros institucionais, quebra de códigos elitistas, que
se visualiza a Biblioteca Volante, atuando como um instrumento formador de
cidadania, visto que se constitui um excelente meio de inclusão social, já que
disponibiliza seu acervo para comunidades distantes de um centro informacional,
independente de faixa etária e grau de escolaridade.
3

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Sobre, a origem da Biblioteca Volante pouca se conhece, apenas
alguns fragmentos de informações onde Sá (1983, p. 28), afirma que:

A biblioteca móvel ou volante tem sua origem em Portugal, na cidade de
Braga em 1942 e atuou por oito anos (até 1950), publicou catálogos com
critérios e levava o seu acervo por todo o país até as ilhas ao redor do
continente. Continha um acervo de 150 obras. Teve um papel importante
no campo da divulgação cultural. Hoje só resta como testemunho do seu
desempenho seis catálogos publicados, circulares, inquéritos aos leitores
e suas respostas, como também referências aos jornais da época.

De acordo com Fiori, (2004)4, no Brasil, a idéia foi introduzida
provavelmente por Mário de Andrade e recebeu várias denominações, dentre elas
ônibus biblioteca. A experiência que começou no estado de São Paulo e que
ainda funciona, presta excelentes serviços às comunidades, dentre eles o Leia
Brasil, um empreendimento desenvolvido em parceria e, financiado pela
Petrobrás, atuando principalmente nas escolas de municípios sem bibliotecas.
Assim, a idéia de desenvolver um trabalho de promoção da leitura,
utilizando-se de um ônibus biblioteca, partindo da empresa privada Trampolim da
Vitória, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte,
constituirá um elo entre comunidades carentes de bibliotecas, configurando-se
como uma atividade de extensão destinada a atender uma clientela diversificada.
Tal processo refletirá na prática, a busca da Biblioteca em cumprir sua
função sócio cultural, como instituição democrática da educação, cultura,
informação e lazer, saindo dos limites do seu espaço físico, ampliando horizontes,
rompendo barreiras elitistas com ousadia e determinação, preenchendo lacunas
deixadas pela Biblioteca Pública
O objetivo geral da proposta é desenvolver ações através de atividades
informais e lúdicas, que possibilitem o acesso à informação, e por sua vez a
construção do conhecimento, visando despertar o gosto pela biblioteca, pelo livro
e pela leitura, que proporcionem um exercício de cidadania, pois de acordo com
Araújo (1999, p. 155).

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A construção da cidadania ou de práticas de cidadania passa
necessariamente pela questão de acesso e uso de informação, pois
tanto a conquista de direitos políticos, civis e sociais, como a
implementação dos deveres do cidadão dependem fundamentalmente
do livre acesso à informação sobre tais direitos e deveres, ou seja,
depende da ampla disseminação e circulação da informação e, ainda de
um processo comunicativo de discussão crítica sobre as diferentes
questões relativas à construção de uma sociedade mais justa e com
maiores oportunidades para todos os cidadãos.

Para a formação do acervo inicial da Biblioteca Volante Trampolim da
Vitória, que funcionará na cidade de Parnamirin-RN, será desenvolvida uma
campanha de arrecadação de material informacional de todos os tipos (livros,
periódicos, filmes, etc.), com pontos de entrega devidamente indicados, através
de cartazes, distribuído em pontos estratégicos, tanto na cidade sede, como em
outras circunvizinhas, dentre elas Natal, onde esta situada a UFRN.
Após a seleção do material recebido, onde serão observados critérios
previamente estabelecidos de acordo com os objetivos da proposta, o mesmo
será tratado tecnicamente de acordo as técnicas da biblioteconomia associadas a
filosofia da proposta. Na preparação final serão utilizadas cores, ou outros
recursos que possibilitem um produto visual capaz de atrair uma clientela ainda
não trabalhada composta por alfebetizandos, crianças, idosos, donas de casas
entre outros que por algum motivo não conheçam ou freqüentam uma biblioteca.
O departamento de Biblioteconomia será coordenador e responsável
pela implantação e desenvolvimento dos serviços meios e fins, através de
professores e alunos do curso de graduação em Biblioteconomia.
O departamento de Arquitetura será responsável pelo o projeto de
adaptação do ônibus que terá estantes especiais e computadores interligado a
INTERNET, bancada especial para a equipe de trabalho, forração do piso com
material especial, tela para exibição de filmes etc. Na parte externa, serão
disponibilizados mesas, cadeiras e condições para exibição de grupos folclóricos
regionais, oficinas de leituras e artes, exposições cordéis, etc.
A empresa de Transporte Trampolim da Vitória será responsável pela
disponibilidade e adaptação do ônibus, como também pela infra-estrutura no que

�9

se refere ao fornecimento de mesas, cadeiras, recursos audiovisuais, e
ambientação.
As atividades serão programadas de acordo com as necessidades
informacionais da clientela detectadas através de consulta prévia com as
comunidades onde a biblioteca irá atuar. Tais atividades, que poderão despertar
habilidades educativas e artísticas constarão das seguintes ações: acesso livre ao
material informacional existente, manuseio da internet, orientação de trabalhos
escolares,

palestras

sobre

direitos

do

cidadão,

concurso

de

poesias,

apresentação da literatura de cordel com cordelistas presentes, exibição de filmes
educacionais, apresentação de grupos folclóricos da região, desenvolvimento de
oficina de mamulengos, contação de história utilizando os mamulengos
produzidos, orientação sobre o meio ambiente, sobre a conscientização da coleta
seletiva do lixo, e outras.
Em princípio o funcionamento da Biblioteca Volante será aos sábados
das 9:00 às 17:00 horas, na sede da empresa Trampolim da Vitória, e em bairros
previamente cadastrados na coordenação do projeto, que oferecerão uma infraestrutura para o desenvolvimento das atividades previstas, tais como energia e
outros suportes de apoio para a equipe que irá atuar na mesma.

Dessa forma o serviço de extensão proposto assume o compromisso
de lançar a semente do interesse e o gosto pela leitura, pela biblioteca, pela
cultura literária nas comunidades de Parnamirim carentes de biblioteca, e espera
que com a continuidade, as escolas requisitem a Biblioteca Volante, para juntas,
desenvolverem atividades que possibilitem o desenvolvimento do hábito de
leitura.

REFERÊNCIAS

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desenvolvimento. Porto Alegre: Artes médicas, 1987.

�10

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Trata-se de um serviço de extensão para o funcionamento de uma Biblioteca Volante, na cidade de Parnamirim-RN, estruturada em um ônibus, adaptado com estantes, computadores interligados a INTERNET, e outros recursos necessários para desenvolvimento do referido serviço, a ser executado pela UFRN, em parceria com a Empresa de Transportes Trampolim da Vitória. Objetiva incentivar o conhecimento da biblioteca, do livro, e da leitura, através de atividades informais tais como contação de histórias, oficinas de artes, apresentaçãoo de cordéis, palestras, exibição de filmes, etc. direcionado a um público diversificado, leitores e não leitores. O Departamento de Biblioteconomia será Coordenador e responsável pela implantação e desenvolvimento das atividades e o Departamento de Arquitetura pelo projeto de adaptação do ônibus, de acordo com a filosofia da proposta. No que diz respeito a parceria externa, ela ser responsável por toda infra-estrutura. Em princÌpio, o funcionamento da Biblioteca Volante, será aos sábados, em bairros previamente cadastrados, que oferecerão o apoio para o desenvolvimento das atividades. Espera-se que com a continuidade, as escolas da cidade requisitem a biblioteca volante, para desenvolverem atividades conjuntas. Assim, o serviço de extensão proposto, assume o compromisso de lançar com a experiência piloto, a semente do interesse pela leitura nas comunidades de Parnamirim.</text>
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                    <text>BIBLIOTECÁRIO: DESCOBRINDO CAMINHOS PARA DESTACAR-SE E TER
SUCESSO PROFISSIONAL

Márcia Maria Palhares.
UNIUBE  Universidade de Uberaba.
Avenida Nenê Sabino, 1801.
Bairro Universitário
Uberaba (MG)  Brasil
Cep: 38055-500
Home page: http://www.uniube.br

Mônica Geralda Palhares Gomes.
IPTAN - Instituto de Ensino Superior
Presidente Tancredo de Almeida
Neves
Avenida Leite de Castro, 1101.
Bairro Fábricas
São João Del Rei (MG)  Brasil.
CEP: 36.301-182
Home page: http://www.iptan.edu.br

SNBU  UFBA
2006

�BIBLIOTECÁRIO: DESCOBRINDO CAMINHOS PARA DESTACAR-SE E TER
SUCESSO PROFISSIONAL

Márcia Maria Palhares
Mônica Geralda Palhares Gomes

RESUMO
Apresenta informações sobre a necessidade da formação continuada do
bibliotecário para a construção de sua identidade profissional. Indica as
transformações sociais decorrentes das mudanças no cenário educacional, bem
como nas políticas educacionais e práticas pedagógicas como desafios a serem
superados para a auto-formação desse profissional. Mostra que as novas
tecnologias da informação são meios de facilitar o ensino-aprendizagem. Afirma
que: para se destacar no mercado de trabalho e ter sucesso profissional; antes de
tudo, tem que ser diferente, e, ser diferente nesse caso, é ter identidade própria,
constituída basicamente do esforço próprio advindo da formação continuada.

Palavras-chave: Educação. Informação. Tecnologia. Profissão. Identidade.

Bibliotecária de Seleção e Aquisição do Sistema de Bibliotecas da UNIUBE- Universidade de
Uberaba  Uberaba (MG)  Especialista em Educação Especial para Talentosos e Bem Dotados 
marcia.palhares@uniube.br
Bibliotecária Diretora da Biblioteca do IPTAN Instituto de Ensino Superior Presidente Tancredo
de Almeida Neves  São João Del Rei (MG)  Especialista em Paradigmas Emergentes nos
Serviços Informacionais em Gestão, Indexação e Disseminação  monnica@uai.com.br

�1 INTRODUÇÃO

A necessidade constante de auto-formação leva a refletir sobre a formação
profissional do bibliotecário, sua atuação no mercado de trabalho, suas
perspectivas diante dos desafios que surgem no dia-a-dia.

A educação continuada e a utilização eficaz dos meios de informação,
comunicação e conhecimento torna-se um coringa para a construção da
identidade profissional do bibliotecário; bem como, um meio de mantê-lo em
posição competitiva no mercado.

As constantes transformações decorrentes das mudanças no cenário
educacional indicam a necessidade de o bibliotecário estar preparado para
atender às exigências do mercado globalizado, e através dessas, aproveitar as
possíveis oportunidades que surgem em seu campo de trabalho.

Com isso, o mundo do trabalho tem modificado o perfil do profissional
bibliotecário. Pois, para encarar esse mundo, o bibliotecário deve ser criativo,
flexível, inovador, empreendedor, ter visão ampla do universo em que atua e das
novas possibilidades que poderão surgir, e, sobretudo, estar disposto a se
adequar às mudanças decorrentes das inovações tecnológicas, e se atualizar
sempre, no que diz respeito ao conhecimento, às técnicas e métodos de trabalho.

2 A CRIAÇÃO DA IDENTIDADE

Com um perfil flexível, o bibliotecário será valorizado em diferentes campos
de atuação, de forma que poderá explorar suas habilidades assumindo o desafio
maior que é mudar a visão estigmatizada do antigo bibliotecário.

�Diante disso, torna-se visível a necessidade desse profissional de
acompanhar as mudanças tecnológicas e adequá-las ao seu dia-a-dia, sobretudo
quando se percebe que elas universalizam o conhecimento e neutralizam as
diferenças humanas e sociais.

A necessidade de se ter uma educação continuada, é sobretudo uma meio
de se adequar às mudanças que as novas tecnologias provocam, pois a
informação globalizada em velocidade acelerada, altera a percepção de tempo e
espaço e transforma o mundo real em virtual e vice-versa.

Os efeitos da educação continuada reflete-se no mercado de trabalho, pois,
nem mesmo o profissional qualificado está isento de pressões, e por isso o
profissional busca qualificação por conta própria, o que abre caminhos para a
melhor atuação profissional.

Com a formação continuada o profissional bibliotecário cria possibilidades
de construir novos meios de viver e de pensar, ter habilidades de lidar com as
novas tecnologias. Esse profissional tem que se movimentar para construir a
própria aprendizagem, adquirir autonomia e independência utilizando um conjunto
de ferramentas, suportes e canais para o acesso à informação que geram novos
modelos de expressão e trabalhe melhor o desenvolvimento do conhecimento.

A auto-capacitação deve ser incorporada no dia-a-dia das atividades em que
o profissional realiza ou está envolvido, seja no ambiente real de trabalho, seja
nas atividades que o mercado oferece, de forma que aprenda a manipular as
diversas fontes de informação, as quais ampliarão seus conhecimentos,
sobretudo, no que consiste em saber como aplicá-los de forma que garantam uma
formação de qualidade e diferenciada.

�3 COMO SER DIFERENTE

As diversas formas de aprender fazem a diferença no processo de autoformação. Seja nas estratégias de busca, na organização do conhecimento, no
processamento, utilização e disseminação das informações.

O uso das novas tecnologias como meio de atualização profissional, conduz
a transformação pessoal e construção do conhecimento apropriado diante da
contemporaneidade. E, promove o desenvolvimento das capacidades de autoaprendizagem, sobretudo capacitando-os à manusearem as ferramentas que a
sociedade atual indica como nova perspectiva de formação pessoal.

A demanda crescente de formação continuada voltada para o trabalho
coloca em destaque os paradigmas educacionais, tendo em vista a ampliação e
aplicação do conhecimento, nesse caso, quem se dedicar, automaticamente
estará criando uma identidade de destaque e exclusiva.

A educação continuada aguça a capacidade do bibliotecário de produzir,
gerar, processar e utilizar bem as informações. Pois, numa escala global de
atuação, a revolução tecnológica implica em transformações organizacionais,
institucionais e pessoais que fazem a diferença na qualificação desse profissional.

4 A NECESSIDADE DO MERCADO

A

valorização

dos

profissionais

bibliotecários

envolve

diferentes

competências, sobretudo redefinindo e enfrentando problemas do cotidiano de
seu universo de atuação.

�Moraes (1996 apud MARÇAL, 2000, p. 4) disse que:

[...] aprender a aprender, que se manifesta pela capacidade de refletir ,
analisar e tomar consciência do que se sabe, dispor-se a mudar os
próprios conceitos, buscar novas informações, substituir velhas verdades
por teorias transitórias, adquirir novos conhecimentos que vêm sendo
requeridos pelas alterações existentes no mundo, resultantes da rápida
evolução das tecnologias da informação.

Marçal (2000) disse que a auto-aprendizagem parte do contexto de inserção
do profissional adulto capaz de ser sujeito de seu próprio processo de
aprendizagem, processo que irá se desenvolver ao longo de sua vida e de forma
colaborativa.

Segundo Silva e Cunha (2002), o diploma passa a não significar
necessariamente uma garantia de emprego. A empregabilidade está relacionada
à qualificação pessoal; as competências técnicas deverão estar associadas à
capacidade de decisão, de adaptação a novas situações, de comunicação oral e
escrita, de trabalho em equipe. O profissional será valorizado na medida da sua
habilidade para estabelecer relações de assumir liderança.

O profissional qualificado possui vantagens em relação ao trabalhador
menos favorecido, no entanto, não garante sua inserção no mercado de trabalho.
O diferencial está em aprender sempre, ser criativo, dinâmico, flexível e perspicaz
num universo altamente competitivo.

De acordo com Milanesi (2002), o bibliotecário nessa nova circunstância,
para não ser um bibliófilo, deverá assumir novas funções que exigirão dele
conhecimento diversificado nas diferentes áreas do conhecimento humano, bem
como diferentes ramos de atuação como mostra a seguir:

4.1 Tipos de serviços realizados pelo bibliotecário com nova identidade
profissional

�Assessoria em consulta a base de dados.
Automação de bibliotecas.
Catalogação.
Consultoria.
Cursos sobre normalização bibliográfica.
Cursos técnicos.
Digitalização de documentos.
Disseminação de informação.
Editoração.
Elaboração de projetos.
Ensino.
Estudo de viabilidade de mercado.
Gerenciamento de bibliotecas.
Gestão documentária.
Gestão empresarial.
Implantação de bibliotecas.
Implantação de centros de documentação.
Normalização de documentos científicos e técnicos.
Organização de acervos particulares e empresariais.
Organização de arquivos.
Organização de bibliotecas.
Pesquisa.
Processamento técnico.

4.2 Competências do bibliotecário com a nova identidade profissional

Agilidade na execução do trabalho.
Capacidade de decisão.
Capacidade de identificação das necessidades do cliente.
Competência.

�Conhecimento da área de atuação.
Conhecimento da organização contratante.
Conhecimento da realidade socioeconômica.
Conhecimento das ferramentas de trabalho.
Conhecimento das tecnologias da informação.
Conhecimento de áreas afins.
Conhecimento de outra língua.
Conhecimento de programação.
Conhecimento de sistemas de informação.
Conhecimento gerencial.
Criatividade.
Cultura geral.
Determinação.
Flexibilidade nas ações e tomada de decisões.
Identificação com a área.
Liderança e trabalho em equipe.
Objetividade.
Predisposição para atualização permanente.
Proatividade.
Relacionamento interpessoal.
Rigor na qualidade dos serviços.
Saber buscar a informação.
Visão estratégica.
Visão sistêmica.

Conforme Milanesi (2002), há ainda, um aspecto que não pode ser
esquecido: a maior parte do conhecimento registrado, principalmente na área de
humanidades, ainda está em papel e continuará assim. Os acervos precisam ser
administrados e integrados. Ele deverá estar apto a resolver os problemas de
linguagem e compatibilidade de toda a produção do conhecimento gerada durante
séculos, integrando-a em grandes banco de dados e disponíveis para todos os

�cidadãos. Essa é uma tarefa que a ele cabe desenvolver e que lhe dá um vasto
espaço de atuação.

Dessa forma, afirmou Milanesi (2002, p. 21):
A biblioteconomia que nasceu da necessidade de se organizar
bibliotecas, desaparece. Não que as bibliotecas ou os livros
desaparecerão, mas passam a fazer parte de um conjunto e o que
interessa é esse conjunto. Poderá haver, ainda, especialistas em,
unicamente, organizar acervo, mas eles serão menos administradores da
informação e mais biblioteconomistas, vinculados à bibliofilia. O
profissional especialista em achar a informação que se precisa, no tempo
mais curto, ao menor custo e com maior precisão face à necessidade faz
parte de uma profissão a ser recriada. Pode ser o gerente, o
administrador, o gestor, o engenheiro ou o arquiteto da informação. Ou,
simplesmente o informador.

5 CONCLUSÃO

Diante do que foi apresentado, verifica-se que em qualquer profissão ou
ramo de atuação profissional é necessário empenho pessoal e dedicação para
descobrir caminhos próprios e eficazes para destacar-se e ter sucesso
profissional.

ABSTRACT

Presents informations about the necessity of continuous formation of librarian
to the contruction of your professional identity. Indicates the socialities
transformations decurrents of changes on the educational, as well as in the
educational politics and pedagogics practices as challenges to be overcome for
the self-formation of this professional. Show that the news tecnologies of the
information are means to facility the teaching-learning. Asserts that: to be
detached in the work market and has professional success, first of all, it has to be

�different, and, be different in this case, is possess own identity, composed
basically of own effort succeeding of continuous formation.

Key-words: Education. Information. Technology. Profession. Identity.

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Documentação&#13;
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                <text>Apresenta informações sobre a necessidade da formação continuada do bibliotecário para a construção de sua identidade profissional. Indica as transformações sociais decorrentes das mudanças no cenário educacional, bem como nas polÌticas educacionais e práticas pedagógicas como desafios a serem superados para a auto-formação desse profissional. Mostra que as novas tecnologias da informação são meios de facilitar o ensino-aprendizagem. Afirma que: para se destacar no mercado de trabalho e ter sucesso profissional; antes de tudo, tem que ser diferente, e, ser diferente nesse caso, é ter identidade própria, constituída basicamente do esforço próprio advindo da formação continuada.</text>
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BIBLIOTECAS DIGITAIS DE TESES E DISSERTAÇÕES BRASILEIRAS:
PARADIGMA DO ACESSO LIVRE À INFORMAÇÃO CIENTÍFICA
“A biblioteca é um conceito, tanto quanto, um
lugar – é função, não apenas forma”
D. Marcum

Raimundo Muniz de Oliveira1

Resumo

A evolução da comunicação científica ao longo do tempo e o impacto causado pela
Internet na comunicação, disponibilização e acessibilidade de informações técnicocientífica têm proporcionado diversos debates e discussões. Neste contexto, buscase analisar as contribuições da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD)
para a comunicação científica atual, destacando possibilidades emergentes e
desafios a serem superados. Apresenta uma breve evolução da comunicação
científica ao longo do tempo; discute os impactos causados pela Internet na
comunicação, disponibilização e acessibilidade de informações técnico-científicas; e
caracteriza BDTD destacando os desafios a serem superados. Dentre eles estão, a
questão dos direitos autorais que ocasionam a baixa adesão dos autores ao projeto
piloto do IBICT para disponibilizar teses e dissertações no meio eletrônico. Para este
desafio, são apontadas sugestões.
Palavras-chave: Biblioteca digital de teses e dissertações; Comunicação científica;
Internet.

INTRODUÇÃO

Na sociedade atual a comunicação transpõe as fronteiras. O advento
da telemática cria um novo paradigma informacional, caracterizado pela agilidade,
flexibilidade, interatividade, velocidade e por novos modos de armazenamento,
disponibilização e acesso às informações. Essas transformações fazem emergir um
novo tempo, um momento de convivência do analógico com o digital, em que,
constantemente, nos defrontamos com o novo, com o desconhecido. Essa nova
sociedade que está sendo delineada é a chamada Sociedade da Informação. “A

�2

sociedade sempre esteve em mutação. Hoje está sendo moldada em meios
turbulentos, pois há, ao mesmo tempo e em constante interação, diferentes
condições socioeconômicas, culturais e tecnológicas” (OLIVEIRA, 2005, p. 2).
No atual contexto, o desenvolvimento tecnológico e a quebra de
barreiras

na

comunicação

proporcionados

pela

Internet,

ocasionaram

a

intensificação da explosão informacional, com a disponibilização a um grande
público de fontes informacionais dos mais variadas tipos, nas diversas áreas do
conhecimento e com padrões de qualidade profundamente discrepantes. Por outro
lado, as pessoas de um modo geral sentem cada vez mais que necessitam de
informações. Com isso, faz-se necessário que haja na Internet fontes de
informaçãos seguras e de qualidade, voltadas para as diversas áreas de
conhecimento e para diversos públicos. Neste sentido, merecem destaque as
bibliotecas digitais e, mais especificamente voltadas para o público acadêmico, as
bibliotecas digitais de teses e dissertações.
O objetivo geral deste artigo é analisar as contribuições da Bibloteca
Digital de Teses e Dissertações (BDTD) para a comunicação científica atual. De
modo específico, objetiva-se traçar uma breve evolução da comunicação científica
ao longo do tempo, discutindo os impactos causados pela Internet na comunicação,
disponibilização e acessibilidade de informações técnico-científicas. Além disso,
caracteriza a BDTD destacando os desafios a serem superados. O interesse em
pesquisar as Bibliotecas Digitais de Teses e Dissertações – BDTD brasileira teve
inicio na graduação, onde foi apresentada uma monografia na conclusão do Curso
de Biblioteconomia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN),
traçando o panorama brasileiro das BDTD. Posteriormente, no Curso de
Especialização em Gestão Estratégica de Sistemas de Informação, com a intenção
de retomar o tema sob outra perspectiva, foi elaborado este artigo, que está
estruturado da seguinte forma: após a introdução, o enfoque é a comunicação
científica, enfatizando sua evolução ao longo do tempo; Posteriormente, analisa-se a
Internet como um elo para pesquisadores e usuários de informações e, também,
como ferramenta causadora de um impacto na comunicação científica, trazendo
significativas

mudanças

no

meio

acadêmico,

diminuindo

as

barreiras

de

espaço/tempo entre pesquisadores, revolucionando o fluxo informacional. Por fim, é
1

Bacharel em Biblioteconomia pela UFRN; Especialista em Gestão Estratégica de Sistemas de Informação;
Chefe da Seção de Informação e Referência da Biblioteca Central Zila Mamede da UFRN.

�3

feita uma breve conceituação e evolução das bibliotecas, destacando seu importante
papel nessa nova sociedade, a qual vivência um novo paradigma: o tecnológico,
fazendo uso das Novas Tecnologias de comunicação e Informação (NTIC).
Destaca-se, ainda nesta seção, a implantação da BDTD brasileira,
bem como sua importância para pesquisadores e usuários de informação,
apontando alguns desafios a serem superados.
2 COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA: DA CAVERNA AO COMPUTADOR

Os primeiros registros do conhecimento foram feitos nas paredes das
cavernas, pela intuição, ou talvez, pelo desejo de se comunicar com futuras
gerações. Conforme Oliveira (2003), “a comunicação é uma necessidade vital das
sociedades, responsável, desde o princípio dos agrupamentos humanos, pelo
desenvolvimento e organização da espécie”. (OLIVEIRA, 2003, p. 19). O homem
sempre teve essa ansiedade de se comunicar, por mais isolados que fossem de
outros grupos, ou até mesmo sem saber da existências destes, ele sempre registrou
os acontecimentos diários, nos mais variados suportes disponíveis na época (argila,
folhas de plantas e nas paredes das cavernas) da época.
Posteriormente, esses registros eram feitos nas peles de animais e nos
pergaminhos, até chegar ao papel, essa formidável invenção chinesa que até hoje
predomina no processo da comunicação formal.
No princípio essas informações grafadas, foram agrupadas em
enormes rolos, livros manuscritos, dificultando o seu manuseio. Esses documentos
ficaram muito tempo em domínio das mesquitas, sinagogas e mosteiros, até
surgirem as primeiras universidades.
Até meados do século XVII a comunicação científica ainda era
informal, ou seja, na forma oral (reuniões, debates e discussões) ou escrita através
de correspondências pessoais. Isso, dificultava o desenrolar das pesquisas, pois
requeriam muitos esforços e tempo dos pesquisadores, que buscavam manter-se
atualizados sobre determinado assunto. Porém, ao longo do tempo, a comunicação
científica foi se aperfeiçoando e tornando mais fácil e rápido o acesso às
informações.

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A REVISTA CIENTÍFICA

Em 1665, a revista entra em cena como um importante suporte na
evolução da comunicação. Em París, “[...] Denis de Sallo começou um periódico
dedicado a publicar notícias sobre o que acontecia na Europa e na ‘república das
letras’.“ Foi intitulado Journal des Sçavans e é considerado como a primeira revista.
“[...] Seu primeiro número foi publicado em 05 de janeiro de 1665”. (MEADOWS,
1999, p. 8).
Desde então, a comunicação científica passou a ser mais formal, de
forma impressa, reunindo em um só documento vários assuntos possibilitando
alcançar um público maior de pesquisadores e usuários de informação sempre no
intuito de propiciar um resultado coletivo.
Ao longo do tempo, a comunidade científica foi se expandindo e o
volume de informações crescendo exponencialmente. Com isso, surge a
necessidade de contato num menor tempo possível, com as informações
produzidas. Por essa razão a comunidade científica foi desbravando o campo da
comunicação para quebrar as barreiras existentes entres os pesquisadores e
usuários de informação.
Meadows(1999, p. 14) afirma que “cada geração contribuiria com uma
quota idêntica de tijolos de informação para o edifício da ciência, e assim o volume
de comunicação de pesquisas cresceria em velocidade constante”. Essas parcelas
de contribuições das sociedades fizeram com que, hoje tenhamos uma comunicação
científica na maioria dos casos, em tempo real, independentemente de onde
estejamos. Portanto, são as gerações em busca do novo, capacitando-se, para
enfrentar essa evolução tecnológica, evitando os labirintos causado por ela, se
protegendo do enorme volume de informação que nos são disponibilizadas no meio
eletrônico, às vezes de forma desordenada, dificultando sua acessibilidade.
Como o tempo não pára, e tudo se transforma, o mundo vem passando
por profundas evoluções num curto espaço de tempo. As populações crescem e os
suportes da comunicação acompanham essa evolução no campo do conhecimento,
impondo aos indivíduos alterações radicais.

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Pode-se imaginar a ciência como um balão em expansão. A película
do balão é a frente da pesquisa, onde novas informações estão
sendo produzidas. Se a área da superfície do balão que o
pesquisador pode abarcar permanecer constante com o tempo a
proporção da superfície que pode ser abrangida necessariamente
cai. Embora a analogia seja obviamente rudimentar, ela aponta para
uma conseqüência importante do crescimento exponencial.
(MEADOWS, 1999, p. 20).

Por isso, a busca incessante pela maneira mais adequada de se
comunicar e obter conhecimentos continua. A cada dia surgem formas diferentes de
comunicação. Esses avanços contribuem sobremaneira para as produções técnicocientíficas, tanto de maneira qualitativa, quanto na quantitativa.

OS COLÉGIOS INVISÍVEIS

Os colégios invisíveis são outra maneira encontrada por pesquisadores
para diminuir o tempo/espaço na comunicação, pois, isolados, o aprendizado tornase mais difícil. Por isso, é que as comunidades científicas sempre mantiveram esses
canais para se comunicarem, seja de maneira formal ou informal. Conforme Kneller
(1980),
um colégio invisível é um grupo ou escola de cerca de dez a uma
centena de cientistas trabalhando numa tradição de pesquisa. Os
seus membros mantém-se em contato assíduo, usualmente verbal, e
evitam os canais mais lentos de comunicação formal. O grupo pode
ser um de muitos que aplicam um programa abrangente de pesquisa
a diferentes classes de fenômenos e problemas, como na ciência
normal kuhniana. Ou pode ser uma das várias tradições que
competem dentro de uma especialidade, como no caso dos grupos
de Bohr, Rutherford e Fermi na física nuclear. Ou poderá ser
deliberadamente revolucionário, lançando uma nova tradição de
pesquisa contra uma já estabelecida. (KNELLER, 1980, 183)

A comunicação científica passou um longo tempo dependendo do
canal impresso para a inter-relação entre os pesquisadores. Mas os colégios
invisíveis sempre foram um meio muito utilizado por pesquisadores, na utilização da
comunicação informal, socializando o saber, mesmo quando há uma mudança no
paradigma, como é o caso dessa nova sociedade.
Pode-se inclusive perceber, atualmente, as novas possibilidades que
as NTIC e, principalmente a Internet oferecem para os colégios invisíveis. Os

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serviços de correio eletrônico, de mensagens instantâneas, as listas e grupos de
discussão possibilitam uma interatividade em tempo real, facilitando a comunicação
científica em todos os aspectos, inclusive sua produção e disseminação.
TESES E DISSERTAÇÕES
A literatura cinzenta (grey literature) é considerada como uma
importante fonte de informação para a comunidade científica. É constituída de
documentos científicos produzidos no âmbito das instituições de ensino superior
(IES), bem como nos institutos de pesquisa. Muito se ouve falar na produção
cientifica das universidades de todo o mundo, essa produção é constituída por
monografias, teses, dissertações, relatórios e projetos de pesquisas, etc.
Desde o século XII, as teses e dissertações já circulavam nas
universidades medievais como pré-requisitos de obtenção de graus acadêmicos, da
mesma maneira como os programas de pós-graduação fazem atualmente. As teses
constituem o mais elevado nível dos trabalhos científicos. São elaboradas durante os
cursos de doutorado e representam o apogeu da originalidade das pesquisas,
apresentando um tema único contribuindo de forma geral para a ciência. As
dissertações, por sua vez, são elaboradas ao longo dos cursos de mestrado e estão
compreendidas entre as monografias e as teses. “Uma monografia é a abordagem
de um só tema, como tal se opondo a uma ‘história de’, a um manual, a uma
enciclopédia” (ECO, 1999, p. 10). São projetos especiais, uma contribuição técnica
para o saber acadêmico, já as dissertações resultam em uma contribuição científica,
de forma inédita, apresentando alguma inovação.
As teses e dissertações são tipos de documentos que apresentam
uma pesquisa original sobre determinado tema. Observe-se que a
terminologia brasileira é o contrário da norte-americana. Nos EUA
utiliza-se o termo dissertação (dissertation) para o trabalho de
conclusão de doutorado e tese (thesis) para o mestrado (CUNHA,
2001, p. 31).

Após a exposição e apresentação destes trabalhos em bancas
examinadoras é que esses documentos tornam-se públicos. Os pesquisadores se
utilizam desses documentos para embasarem suas investigações. As teses e
dissertações são elaboradas através de estudos reflexivos e teóricos, com
fundamentação de qualidade cientifica, pois, sua produção é acompanhada por um

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Programa de Pós-graduação, onde doutores e mestres orientam a elaboração dos
documentos e, posteriormente, atestam sua qualidade no momento da defesa.
Gracelli e Castro (1995 apud QUEIROZ; NORONHA, 2004, p. 132), afirmam que

a partir da segunda metade do século XX, três grandes ciclos da
pós-graduação brasileira: o primeiro, nas décadas de 50 e 60, que
enfatizava a formação de corpo docente; o segundo, na década de
70, com a institucionalização dos cursos de pós-graduação; o
terceiro a partir da década de 80, quando ocorreu a consolidação dos
cursos e o desenvolvimento maciço da pesquisa na pós-graduação.

A ciência está sempre em mutação, ela busca, através das pesquisas
científicas aprimorar os conhecimentos humanos. A produção desse conhecimento,
em especial, as teses e dissertações, têm como objetivo, contribuir para o
desenvolvimento técnico-científico do país. “[...] O que era secundário em 1968 é,
hoje, tão prioritário quanto os demais objetivos da pós-graduação – a formação de
profissionais altamente qualificados para o mercado de trabalho” (MOSTAFA, 1989,
p. 21).

Portanto, essa produção intelectual deve estar ao alcance de todos os

indivíduos que dela necessitam. Para tanto, será preciso uma divulgação,
disseminação e a possibilidade de amplo acesso a esses conteúdos informacionais.
O conhecimento, alegava-se, pelo menos algumas áreas do esforço
humano, era cumulativo. Podiam ser acrescentadas novas
observações e idéias ao que já se conhecia de modo a criar um nível
mais elevado de conhecimento. Foi nesse sentido que Isaac Newton
apropriou-se de uma metáfora então existente para proclamar: ‘Se
enxerguei mais longe foi porque me apoiei nos ombros de gigantes’ ”
(MEADOWS, 1999, p. 8).

As teses e dissertações são documentos considerados de suma
importância para as pesquisas, tanto por bibliotecários, alunos, pesquisadores, bem
como outros profissionais que buscam informações consistentes no âmbito de suas
áreas do conhecimento de interesse. Esse material é produzido nas IES com a
finalidade de obtenção do título de mestre ou doutor, se limitando às vezes a
algumas poucas cópias distribuídas entre departamentos e bibliotecas, as quais são
pouco utilizadas, devido à forma pela qual são produzidas, armazenadas e
disseminadas.
É notório que o mercado editorial não se preocupa em publicar esse
tipo de documento acadêmico (teses e dissertações), preferem os que lhe dêem um

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retorno financeiro mais significativo, pois no processo de editoração são
despendidos muitos recursos financeiros, então, eles preferem não arriscar.
Portanto, um outro canal de disseminação e acessibilidade se faz necessário para
que seja disponibilizada essa fonte informacional tão valiosa para o desenvolvimento
cientifico e tecnológico de um país.

INTERNET: UM ELO
INFORMAÇÕES

ENTRE

PESQUISADORES

E

USUÁRIOS

DE

A Internet pode ser entendida como sendo uma grandiosa rede mundial
de computadores, que possibilita a existência de um oceano informacional, onde o
fluxo é contínuo e em altíssima velocidade.
Embora nos Estados Unidos a Internet já estivesse liberada desde
1987 para fins comerciais, no Brasil e no restante do mundo, só a partir da década
de 1990 é que se inicia seu uso, predominantemente nos meios acadêmicos.
Segundo Cedón (2000, p. 279), “até 1995, a quase totalidade das cerca de
quinhentas instituições brasileiras com presença na Internet consistia de
universidades e institutos de pesquisa”.
A criação da Rede Nacional de Pesquisa (RNP) pelo Ministério de
Ciência e Tecnologia (MCT) objetivou propiciar o uso da Internet pela comunidade
acadêmica brasileira através da disponibilização gratuita da Internet para IES e
institutos de pesquisa vinculados ao Ministério da Educação (MEC) “A Implantação
da sua primeira espinha dorsal (ou backbone), em 1991, possibilitou a interligação
das principais universidades e centros de pesquisa do país e de algumas
organizações não-gorvernamentais”. (CEDÓN, 2000, p. 279). Os backbones se
expandiram e entre 2000 e 2001 houve uma evolução nos suportes. “Desde então, o
backbone RNP2, como é chamado, possui pontos de presença em todos os estados
brasileiros.” (REDE..., 2005)
Conforme notícia divulgada na página eletrônica da RNP em 13 de
maio de 2005, “internet acadêmica brasileira vai atingir novo patamar de velocidade.”
Os enlaces que interconectarão os primeiros 10 pontos dessa nova
rede foram licitados em pregão eletrônico no último dia 13 de maio.
Quatro deles terão capacidade de 10 Gbps, enquanto os outros
atingirão 2,5 Gbps. A nova rede, de altíssima capacidade, permitirá o
desenvolvimento tecnológico do país em áreas críticas como

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telecomunicações e tecnologias da informação e comunicação, bem
como o suporte de aplicações estratégicas para a solução de
problemas nacionais em educação, saúde, clima, meio-ambiente,
agricultura e espaço, entre outras. (INTERNET..., 2005).

Essas conexões permitem um maior e mais ágil fluxo de informações,
facilitando as pesquisas, como também a comunicação entre os indivíduos que de
qualquer parte do planeta podem ter acesso a uma infinidade de informações. Tudo
isso contribui decisivamente para a realização das pesquisas científicas.

Tendo em vista que uma das características da Internet é possibilitar
a qualquer pessoa, teoricamente, disponibilizar informações, estas
carecem de utilização cuidadosa, principalmente as fontes que estão
tornando-se cada vez mais instrumentos de uso constante de
estudantes e profissionais. (SILVA, 2004, p. 5).

No contexto atual, as redes eletrônicas de informação crescem
vertiginosamente, proporcionando novas maneiras de recuperar informações, além
das formas tradicionais. Assim, a Internet possibilita o acesso a uma quantidade de
informações considerada até pouco tempo inimaginável.
No entanto, é visível que o conteúdo informacional disponível na
Internet não está bem organizado, dificultando a navegabilidade dos usuários,
apresentando uma baixa taxa de precisão, devido à maneira pela qual as
informações estão disponibizadas, ou seja, dispersas nesse oceano virtual, onde
muitas vezes a navegabilidade torna-se difícil e ás vezes perigosa, se o navegador
não souber a rota a seguir.
Com o advento das NTIC, o uso do computador tornou-se corriqueiro,
servindo como o veículo de comunicação, disponibilização e acessibilidade às
informações. Considera-se esse novo paradigma o mais revolucionário de todos os
tempos, bastando apenas uma conexão na Internet, para que se tenha uma
comunicação de alcance global.

A partir principalmente da década de 90, estudos sobre os impactos
que a introdução de tecnologia da informação no ambiente
acadêmicos provoca na comunicação científica vêm contribuindo para
o enriquecimento do debate a respeito das questões pertinentes ao
tópico e que são, por conseguinte, relevantes para estudo. (COSTA,
2005, p. 167).

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Recentemente, esse debate entre a comunidade cientifica das IES e
dos Centros de Pesquisas vem à tona, analisando o impacto causado pela
introdução das NTIC, crescendo a cada dia, mais ainda com a coexistência do meio
impresso e do eletrônico para o processo da comunicação. Vale salientar, que
amplamente, “o conceito de comunidade científica inclui os pesquisadores, os
bibliotecários, os provedores de acesso à Internet, os centros de computação,
editores, agências de fomento etc.” (COSTA, 2005, p. 168). Portanto, esse nível
atual da comunicação científica é considerado como um novo modelo para os
pesquisadores, pois eles, cada vez mais se familiarizam com as tecnologias digitais,
utilizando-as como ferramenta facilitadora no processo de elaboração de suas
pesquisas.
Pode-se, então, afirmar que à medida que o meio eletrônico, gradual
e crescentemente, substitui o meio impresso no contexto da
publicação eletrônica, as mudanças na comunicação aumentam
também, provocando crescimento e diversidade nas interações entre
pesquisadores e no desenvolvimento do conhecimento. (COSTA,
2005, p. 176).

Costa e Moreira (2003 apud COSTA, 2005), nos revelam que a análise
dos trabalhos apresentados na 7ª International Conference on Eletronic PublishingElPub2003, aponta o meio eletrônico como um novo e importante cenário, tanto para
a pesquisa, quanto para o desenvolvimento, sendo a comunidade científica o seu
ator. “Aceitamos que

há dois caminhos de fundamental importância para

examinarmos essas tendências: a natureza do meio empregado para transmitir
informações e as necessidades dos membros da comunidade científica, tanto como
produtores quanto como receptores de informação (MEADOWS, 1999, p. 1).
Fervorosos debates também direcionam o foco das discussões para
uma outra vertente, o seja, os Arquivos Abertos (Open Archives Initiative-OAI). As
idéias principais discutidas na ElPub2003 revelaram uma tendência da comunicação
eletrônica para uma filosofia aberta, “levantando questões sobre software aberto,
acesso aberto, arquivos abertos e outras” (COSTA; MOREIRA, 2003 apud COSTA,
2005, p. 177). Os Open Archives são o marco da revolução na disseminação da
informação científica em nível mundial.

�11

Os Open Archives (OA) são uma iniciativa que data do início da
década 90, quando surgiu a Internet. Ela foi desenvolvida no
Laboratório Nacional de Los Alamos, nos Estados Unidos, onde
pesquisadores criaram um repositório de acesso livre para as áreas
de física, matemática e ciência da computação. A intenção era
oferecer exatamente uma alternativa para a comunicação científica
na qual o próprio pesquisador publicasse sua produção e seu
trabalho pudesse ficar armazenado em uma Biblioteca Digital, para
que os leitores conhecessem as pesquisas e pudessem submeter
comentários àquele trabalho publicado. Conceitualmente, os Open
Archives operam a partir de código livre e, por isso, promovem
padrões de interoperabilidade para facilitar a disseminação pública
de informações científicas (KURAMOTO, 2005).

Essa iniciativa tem a finalidade de permitir aos pesquisadores maior
facilidade na publicação de seus trabalhos e, conseqüentemente, maior visibilidade
e acesso por parte do público em geral aos conhecimentos produzidos nos centros
de pesquisas e nas universidades. Essa disseminação do conhecimento promove o
desenvolvimento científico do país. Quando se dissemina a informação científica, ela
gera novas pesquisas, e, conseqüentemente, novas informações, isto é, a
informação está num fluxo contínuo, realimentando o processo do conhecimento
científico. Numa perspectiva de atualização das cinco leis do bibl.iotecário indiano
Ranganathan, conhecida mundialmente como as cincos leis da biblioteconomia. Ao
substituir a palavra livro e biblioteca, pela palavra informação, pode-se dizer que a
informação é para ser acessada. A informação, não é apenas conceito físico, ela é
relacional, é insumo para adquirir conhecimento. Para cada informação, seu usuário,
para cada usuário, sua informação. Poupe o tempo do usuário de informação. A
informação está sempre em mutação.
A BIBLIOTECA DIGITAL DE TESES E DISSERTAÇÕES: POSSIBILIDADES E
DESAFIOS A SEREM SUPERADOS
Desde seu surgimento, na antigüidade, até os dias atuais, a biblioteca
vem passando por profundas transformações, sempre acompanhando as mudanças
das sociedades em que estava inserida.

Pode-se dizer que uma biblioteca tradicional é uma organização
aberta, pois se acha inserida no meio ambiente que a cerca,
influenciando-o e, ao mesmo tempo, sendo influenciada por ele,
composta de funções e atividades relacionadas com a formação,

�12

desenvolvimento e organização de coleções (funções meio) e com a
disseminação e recuperação da informação (funções-fim),
produzindo produtos e serviços que satisfaçam às necessidades
informacionais de seus usuários. (MENDONÇA, 2005, p. 227).

Na história das bibliotecas , ela passou por várias evoluções até chegar
na era da imprensa, revolução iniciada por Gutemberg. Hoje, o momento é de
convivência, do impresso para o digital, pois, as bibliotecas e as unidades de
Informação, auxiliadas pela Internet, intensificaram o uso das tecnologias digitais
como um fator de impacto elevado, no sentido de disponibilizar e disseminar
informações. Situando as bibliotecas nesse novo paradigma, “atualmente, a
tendência mundial das unidades de informação é dispor seus acervos de forma
eletrônica/digital, visando à conservação e/ou à disponibilização de seus conteúdos
e o compartilhamento de recursos informacionais” (VICENTINI, 2005, p. 244).
Às universidades, que têm como objetivo primordial desenvolver o
ensino, a pesquisa e a extensão, muito se beneficiariam com o uso das NTIC em
suas bibliotecas. Uma vez que haveria benefícios na produção e difusão dos
trabalhos acadêmicos, bem como na melhora do fluxo de comunicação entre
pesquisadores. Portanto, a biblioteca digital pode ser o suporte que irá inovar e
difundir esse conhecimento.
No Brasil, a implantação BDTD “[...] remonta a 1995 quando o IBICT
integrou, numa única base de dados, as referências bibliográficas de teses e
dissertações de 17 universidades brasileiras” (CUNHA; McCARTHY, 2005, p. 25).
Em 2001, o IBICT formou um grupo de estudo para analisar questões
tecnológicas e de conteúdo relacionadas com a publicação de teses e dissertações
na Internet. As informações contidas nesse novo modelo de biblioteca forçaram
instituições a encontrarem soluções para que essa massa documental de tamanhas
proporções não ficassem à deriva nesse oceano informacional.
A Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), portanto,
integrará em uma só base de metadados não só dados que remetem
ao texto completo de teses e dissertações como também dados
bibliográficos para aquelas teses e dissertações que não tenham sido
publicadas em meio eletrônico. [...] A BDTD constitui-se na única fonte
de informação integrada sobre teses e dissertações no Brasil.
(REUNIÃO..., 2002).

�13

A BDTD, especificamente, tem como objetivo primordial disponibilizar a
produção acadêmica das IES, e em especial, as teses e dissertações. Essa
possibilidade de visualizar, acessar, de forma gratuita, o texto completo das teses e
dissertações resulta em várias vantagens. Neste sentido, Oliveira (2003, p. 35),
destaca algumas vantagens das BDTD:

•

Agilidade na divulgação e obtenção da informação;

•

Uso simultâneo do mesmo documento por vários usuários, no próprio
ambiente de trabalho;

•

Acesso ininterrupto;

•

Preservação dos originais, eliminando o empréstimo e/ou reprografia do texto
em papel;

•

Facilidade e flexibilidade para atualização e manutenção do banco de dados
das bibliotecas digitais;

•

Redução de custo com reprografia e correios.
Ao disponibilizar em rede as teses e dissertações, surge um

questionamento em relação aos direitos autorais, que é forma pela qual se preserva
os direitos econômicos dos autores. Até que ponto os autores dos trabalhos
científicos, produzidos no âmbito das IES brasileiras têm direito integral dessas
produções? Por se tratar de informações produzidas num setor público, financiadas
por instituições públicas,

vem à tona uma discussão a respeito da questão do

acesso livre às informações científicas no meio eletrônico.
Recentemente, em nível mundial, há movimentos a respeito do acesso
livre à essas informações no meio eletrônico. O IBICT, acompanhando as evoluções
que ocorrem no mundo, lançou em 13 de setembro do ano em curso, o Manifesto
Brasileiro de Apoio ao Acesso Livre à Informação Científica. O evento de lançamento
do referido manifesto foi transmitido via web, facilitando as comunicações entre os
pesquisadores

que

estavam

em

ambientes

preparados,

propiciando

uma

comunicação em tempo real, através de uma Videoconferência.
Neste sentido, vendo a possibilidade de disponibilizar documentos
eletrônicos com textos completos, as instituições do mundo todo iniciaram ações em

�14

busca de concretizar esta idéia, criando padrões tecnológicos com a finalidade
intercambiar informações entre repositórios. Essa mudança do suporte impresso
para o digital, que no momento vivenciamos, além de preservar o documento
original, permite a inserção do documento em rede, disponibilizando a informação
com mais rapidez e para várias pessoas ao mesmo tempo e 24 horas por dia.

A convergência e o uso integrado das tecnologias de comunicação,
de computação e de conteúdo em formato digital, cujo paradigma é a
Internet, tem contribuído nos anos recentes para criar um novo
ambiente de acesso, disseminação, cooperação e promoção do
conhecimento numa escala global. [...] Estas transformações têm
exercido uma profunda influência sobre a concepção e
funcionamento dos sistemas de informação automatizados,
especialmente aqueles voltados para a atividade de pesquisa
(SAYÃO, 2002, p. 530).

Em termos gerais, o projeto da BDTD promove a difusão das
produções acadêmicas nacionais em nível global, além de gerar uma capacitação no
uso das tecnologias de informação e comunicação na construção de bibliotecas
digitais.
No campo das teses e dissertações digitais geradas pelas IES e
institutos de pesquisa do Brasil, muitos desses trabalhos não estão disponíveis em
BDTDs por vários motivos. Dentre eles, podemos citar o mais importante, ou seja, a
resistência por parte dos autores de teses e dissertações, em torná-las disponíveis,
motivados pelo interesse em preservar os direitos autorais do seu trabalho científico.
Como

proposta

para

solucionar

este

problema,

pode-se

estabelecer

um

compromisso entre o autor e instituições responsáveis pela divulgação do trabalho,
no sentido de resguardar a sua produção intelectual, através da conversão do seu
trabalho em e-book , com registro no International Standard Book Number (ISBN).
Para tanto, será necessário uma alteração no formulário/modelo de adesão através
do qual os autores manifestam sua autorização para a disponibilização de sua obra.
Neste documento deverá constar essa sugestão, como proposta de gratificar e
incentivar o autor pela disponibilização da sua produção intelectual.
Este procedimento, pode incentivar a adesão por parte dos autores das teses
e dissertações, tendo em vista que eles terão seus direitos reservados e que a

�15

disponibilização de seus trabalhos em meio digital não inviabilizará mas possibilitará
sua publicação, através de um e-book, o que atenderá aos interesses dos autores.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A comunicação científica passou por profundas transformações ao
longo do tempo. Atualmente, em face das NTIC e, em especial da Internet, vivencia
um momento novo, repleto de possibilidades até então inexistentes. Dentre essas
novas possibilidades, destacam-se as BDTDs, que objetivam oferecer amplo acesso
às produções das universidades e institutos de pesquisa. Esta iniciativa gera um
impacto positivo na produção acadêmica, tendo em vista que se constitui num
repositório de informações de qualidade que podem ser utilizadas como insumo para
novas pesquisas.
Embora vivenciemos a convivência do analógico com o digital, a
perspectiva é de que cada vez mais os pesquisadores e usuários de informações
utilizem com mais freqüência as informações disponibilizadas em meio eletrônico.
Desse modo, as reflexões construídas ao longo desse artigo refletem uma
preocupação em relação a pouca quantidade de teses e dissertações disponíveis
com texto na íntegra no meio eletrônico, em razão da baixa adesão dos autores ao
projeto piloto do IBICT. Nesse sentido, além de se colocar a questão em uma
perspectiva atual, se buscou sugerir alternativa para a superação dos desafios.

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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Bibliotecas Digitais de Teses e Dissertações brasileiras: paradigma do acesso livre à informação científica.</text>
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                <text>A evolução da comunicação científica ao longo do tempo e o impacto causado pela Internet na comunicação, disponibilização e acessibilidade de informações técnico-científica têm proporcionado diversos debates e discussões. Neste contexto, busca-se analisar as contribuições da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD) para a comunicação científica atual, destacando possibilidades emergentes e desafios a serem superados. Apresenta uma breve evolução da comunicação científica ao longo do tempo; discute os impactos causados pela Internet na comunicação, disponibilização e acessibilidade de informações técnico-científicas; e caracteriza BDTD destacando os desafios a serem superados. Dentre eles estão, a questão dos direitos autorais que ocasionam a baixa adesão dos autores ao projeto piloto do IBICT para disponibilizar teses e dissertações no meio eletrônico. Para este desafio, são apontadas sugestões.</text>
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                    <text>BIBLIOTECAS DIGITAIS DE TESES E DISSERTAÇÕES DAS UNIVERSIDADES
ESTADUAIS PAULISTAS: a estrutura de categorias de assunto pela análise da
home page e interface de busca
Flavia Maria Bastos  Universidade Estadual Paulista  UNESP  Campus Marília 
São Paulo  Brasil Av. Hygino Muzzi Filho, 737 flavinha@reitoria.unesp.br
Mariângela Spotti Lopes Fujita  Universidade Estadual Paulista  UNESP Av.
Hygino Muzzi Filho, 737 Campus Marília  São Paulo Brasil - goldstar@flash.tv.br
Resumo
A organização da informação em bibliotecas digitais é o tema deste trabalho
que pretende investigar os princípios teóricos e metodológicos utilizados pelas
Universidades Estaduais Paulistas: Universidade de São Paulo1 (USP), Universidade
Estadual Paulista2 (UNESP) e Universidade Estadual de Campinas3 (UNICAMP) para a
elaboração da estrutura de categorias de assunto das bibliotecas digitais de teses e dissertações
mediante a análise da home page e interface de busca disponibilizada por essas instituições.A
produção da literatura científica em teses e dissertações é fundamental para o desenvolvimento
da ciência e quanto mais rápido e diversificado o desenvolvimento, maior será a necessidade
de informações específicas e atualizadas. A organização do conteúdo em bibliotecas digitais
de teses e dissertações é necessária, tendo em vista a ampliação crescente desse acervo e o
caráter especializado de seus assuntos. Com a análise realizada nos sites das bibliotecas
digitais, pode-se identificar as formas de acesso on-line desses documentos, bem como, o
histórico, desenvolvimento e implantação onde observou-se que essas bibliotecas digitais
seguem uma organização estruturada pelas grandes áreas do conhecimento ou pelos
Programas de Pós-graduação de cada Instituição.
Palavras-chave: Organização da informação; Categorização de assuntos; Biblioteca
digital.
1

http://www.saber.usp.br
htpp://www.biblioteca.unesp.br
3
http://libdigi.unicamp.br
2

�1. Introdução
Nossa investigação apresenta como tema a organização da informação no ambiente
das bibliotecas digitais, com enfoque nos princípios teóricos e metodológicos
utilizados pelas universidades estaduais paulistas para o desenvolvimento e
elaboração da estrutura de categorias de assunto das Bibliotecas Digitais de Teses e
Dissertações (BDTD) mediante a análise da home page e interface de busca dessas
instituições.

A facilidade de armazenagem de documentos em Bibliotecas Digitais (BD),
atualmente viável pelos recursos da digitalização proporcionados pelo grande avanço
tecnológico na infraestrutura dos hardwares e softwares que gerenciam internamente
o armazenamento desses documentos, tem demonstrado um desempenho
satisfatório, mas no que tange a recuperação do conteúdo informacional que o
usuário tanto necessita, estudos em desenvolvimento apresentados na literatura
internacional e nacional de diversas áreas demonstram sua preocupação na
descrição e inserção das informações dentro do banco de dados.

Nesta vertente, destaca-se a importância da organização do conteúdo em BDTD,
tendo em vista a ampliação crescente do acervo e o caráter especializado dos
assuntos, por serem um dos pontos de acesso e recuperação para esses
documentos em texto completo além de servirem de parâmetro para a inserção das
teses e dissertações pelos funcionários dessas instituições. Tem-se como
pressuposto que o estabelecimento de uma estrutura de categorias de assuntos em
bibliotecas digitais de teses e dissertações facilitará a adequação e a inclusão
desses documentos, propiciando o acesso ao conteúdo que o usuário busca na
recuperação de informação. Assim, este trabalho se propõe investigar os princípios
teóricos e metodológicos aplicados na elaboração da estrutura de categorias de
assunto das BDTD das Universidades Estaduais Paulista, com o objetivo de
identificar e analisar as formas de acesso, histórico, desenvolvimento e implantação
dessas bibliotecas mediante a análise da homepage e interface de busca
disponibilizada por essas instituições.

�2. O acesso à informação científica no contexto das Universidades
A mudança no cenário da informação redimensionou o uso e a definição da relação
tempo e espaço, pois as interações instantâneas, no colapso do espaço e tempo da
rede de comunicação, ocorrem em demanda, em qualquer lugar e a qualquer
pessoa, gerando múltiplas perspectivas individuais que acabam por modelar as
virtudes de uma interação multicultural sem precedentes. Isso gera, portanto, uma
grande rede de conhecimento coletivo que acaba se multiplicando e se expandindo a
cada troca de informações entre os próprios indivíduos influenciando profundamente
o ciclo da informação na sociedade.

No contexto da universidade, tem-se a geração e a transmissão de conhecimentos
por meio da informação científica, que promove a circulação das conquistas
científicas, tecnológicas e sociais, sendo influenciadas pelo contexto social,
econômico, político e cultural. Tal avanço propicia o conhecimento da cultura
universal de várias ciências, atingindo assim a universidade no cumprimento da sua
missão: ensino, pesquisa e extensão e contribuindo para o desenvolvimento do país.

3. O avanço e o desenvolvimento das bibliotecas frente às novas tecnologias
da informação
A biblioteca no contexto da universidade sempre manteve seu papel de suprir as
necessidades informacionais do meio acadêmico, além de resguardar a produção
intelectual da instituição. Entre os serviços oferecidos pela biblioteca, destaca-se o
intercâmbio do seu acervo e o de outras instituições, criando assim, uma rede
dinâmica para a circulação da informação, visando promover meios para o fluxo da
comunicação científica se expandir.

A biblioteca como foi citada anteriormente é uma realidade consolidada ao longo
destes anos por meio de suas práticas embasadas em fundamentos teóricos e
conceituais, adquiridos e aplicados pelos profissionais e pesquisadores da área da
Ciência da Informação. Na trajetória da biblioteca, verifica-se a evolução nas formas

�de representação dos conteúdos. As técnicas bibliográficas documentárias
influenciaram as técnicas de representação descritiva e temática em formatos
impressos em papel, que passaram a ser consolidadas em códigos, normas,
esquemas classificatórios de assunto e manuais estabelecidos como ferramentas
para a recuperação da informação.

Dentre as formas de acesso para os usuários conseguirem os materiais na biblioteca
tradicional, no caso específico dos exemplares das teses e dissertações impressas,
estão disponíveis dois recursos: o contato com a própria instituição que possui o
exemplar, por meio do COMUT (Sistema de Comutação Bibliográfica) em que as
cópias de interesse seriam solicitadas e pelo serviço de empréstimo.

Assim, os recursos utilizados pela biblioteca tradicional no tocante ao tratamento,
armazenagem e disseminação da informação passam, hoje, a ser potencializados
pelo avanço tecnológico das funções e serviços oferecidos pela biblioteca, o que
antes só era possível por meio da tradição oral para o armazenamento, transmissão
ou difusão da informação que muito contribuiu para o avanço social, passa a ter
paralelamente o desenvolvimento tecnológico de outros meios de comunicação,
diminuindo as distâncias espaciais e promovendo um centro cultural global.

A evolução das bibliotecas tem merecido grande destaque ao longo destes anos, no
que se refere ao desenvolvimento e uso dessas novas tecnologias que se
potencializam por meio dos novos recursos de acesso e formatos de intercâmbio.

Em função do papel social, acompanhado das diversas mudanças estabelecidas
pelas civilizações por meio do avanço das redes de computadores e mídias digitais,
as bibliotecas são hoje chamadas de bibliotecas digitais, fortalecendo ainda mais a
noção de preservação, conservação e principalmente acesso às informações através
do tempo.Pode-se considerar que a diferença entre a biblioteca tradicional e a
biblioteca digital está na potencialização do suporte eletrônico que, por meio dos

�avanços tecnológicos amplia as possibilidades de tratamento, acesso e recuperação
dos recursos informacionais.

Convém ressaltar que o tratamento dado ao conteúdo informacional pelos
profissionais da informação, seja na biblioteca tradicional ou na biblioteca digital,
passa pelo fenômeno da informação, como consideram Barreto e Smit (2002, p.13) e
dessa forma se organizam baseados em:
Duas funções básicas: a) a construção dos estoques de informação e
b) a transferência ou comunicação da informação e três fluxos
básicos: a) um fluxo, interno ao sistema, de captação, seleção,
armazenamento e recuperação da informação; b) um fluxo de
passagem da informação de seus estoques para a realidade onde
habitam os receptores da informação  é onde se processa a
assimilação e o conhecimento a partir dessa informação e c) um fluxo
de entrada onde a criação do autor se consolida em uma inscrição de
informação.

4. As Bibliotecas Digitais das Universidades Estaduais Paulistas
4.1 Saber: Universidade de São Paulo  USP
Com o propósito de facilitar o acesso remoto à parte da produção intelectual,
implantou-se em junho de 2001, a BDTD da USP, que engloba teses e dissertações
nas áreas de Humanas, Exatas e Biológicas, comportando textos. Para o
desenvolvimento da BD da USP foi constituída uma Comissão de Implementação,
que se filiou à iniciativa internacional da Networked Digital Library Theses and
Dissertations (NDLTD) e que apóia o desenvolvimento de bibliotecas digitais.

Desta forma, a USP passou a utilizar o software e o aplicativo da NDLTD para o
gerenciamento dos documentos digitais, bem como a adoção do formato PDF para
os arquivos.A BDTD encontra-se armazenada no Portal do Conhecimento da USP
(http://www.saber.usp.br), desenvolvido para abrigar diversas bibliotecas digitais da
Universidade.

�O site oferece, ainda ao usuário informações sobre as datas previstas de defesa de
teses, as últimas teses inseridas e outras informações gerais sobre a universidade.
Existe a possibilidade do usuário se cadastrar e receber informações sobre as novas
teses inseridas em áreas de sua escolha. A BD da USP tem sua interface de busca
dividida nas funcionalidades, acervo e busca, que seguem descritas abaixo:

ACERVO
A busca pelo Acervo oferece ao usuário três opções de pesquisa: área de
concentração, autor e unidades:
Área de concentração - refere-se às áreas do conhecimento relacionadas a uma
área geral, na qual podemos selecionar uma das três grandes áreas do
conhecimento: Biológicas, Exatas e Humanas. Dentro de cada grande área, o
usuário encontra as áreas de concentração que, em alguns casos se encontram
subdividid0as (Fig.1), como por exemplo, as áreas de concentração de Física, que se
subdividem em Física, Física Aplicada, Física Básica, Física do Estado Sólido, Física
Nuclear, Físico-Química e Físico-Química. Na última subdivisão, a área se repete,
isto porque cada área pertence a uma unidade de ensino da Instituição, relacionada
à grande área, o que possibilita a visualização de uma lista das publicações
ordenadas alfabeticamente por autor, e informando dados de autoria, de título, de
área e de data. Nessa etapa, o usuário tem a opção de acessar a publicação
desejada pelos links do campo autor ou da unidade a que pertence a publicação, o
que permite o acesso às informações sobre a descrição física da publicação com o
link para o acesso ao texto completo.
Autor  o usuário seleciona esta opção e escolhe uma das letras do
alfabeto. Ao acessar esta modalidade, aparece uma lista com as publicações em
ordem alfabética de autor. Nesta lista aparecem todos os autores da letra
selecionada com as informações dos campos de autor, título, unidade e data,
permitindo que o usuário, por meio do link para o campo de autor e unidade possa
ter acesso à descrição física da publicação com o link para o texto completo;.

�Unidades  apresenta uma coluna com as unidades de ensino e pesquisa
que possuem a publicação e outra coluna com as siglas das unidades depositárias
das publicações. Nessa opção, o sistema apresenta uma lista das unidades de
ensino e pesquisa em ordem alfabética com links para que o usuário possa
selecionar a unidade desejada, dirigindo-se para a lista de publicações disponíveis e
suas informações dos campos de autor, título, unidade e data, que permite do
usuário através do link nos campos do autor e unidade ter acesso à descrição física
da publicação e ao texto completo da tese ou dissertação.

Figura 1  Tela das áreas de concentração na área de exatas

BUSCA
Busca em Teses e Dissertações  apresenta um campo em branco para que o
usuário possa digitar a informação desejada;
Busca no site  apresenta um campo em branco para que o usuário possa digitar a
informação desejada.

A organização da informação presente na BD da USP é composta por alguns índices
que são construídos com base no formulário de autorização, para disponibilização no
site em formato digital, preenchido pelos autores de teses e dissertações. Esse
formulário é composto por campos que descrevem informações sobre o material,

�como: autor, orientador, resumo, unidade na qual o material foi defendido, palavraschave, entre outros. Entre as buscas oferecidas pelo site, destaca-se a realizada
pelas áreas de concentração, segundo a concepção dos Programas de PósGraduação e as unidades que oferecem o curso na Instituição. Dentro de cada área
de concentração, apresenta-se uma lista das teses e dissertações disponibilizadas
para acesso ao texto completo.

Ressalta-se que na estrutura desse site não existe uma organização para recuperar
a informação que contemple a especificidade do conhecimento gerado pelas teses e
dissertações, de forma que todas as teses e dissertações produzidas por
determinada unidade, independente da abordagem ou enfoque dado aos assuntos
desenvolvidos estão em uma única classe, em ordem alfabética de autor. Para
ilustrar, demonstra-se a seguir, o encaixe do assunto Fótons dentro da estrutura
atual da USP.

Estrutura de categorias de assunto da Biblioteca Digital da USP
Título: Efeitos de superfícies de contorno na orientação de cristais líquidos
liotrópicos
Acervo
- áreas de concentração
- Exatas
- Física
- Fótons
- Física Aplicada
- Física Básica
- Física do Estado Sólido
- Física Nuclear
- Físico-Química
- Físico-Química
4.2 Biblioteca Digital da Universidade de Campinas  UNICAMP
A Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UNICAMP foi implantada em 2001,
com a proposta não só de armazenar as teses e dissertações, mas também de
possibilitar à comunidade científica da Universidade, de divulgar parte de sua

�produção acadêmica, via Internet. A BD da UNICAMP (http://libdigi.unicamp.br/)
surgiu de uma parceria entre o Sistema de Bibliotecas e o Centro de Computação da
Unicamp, órgão responsável pelo desenvolvimento de tecnologias para softwares
livres para gerenciar documentos digitais.

O software adotado para gerenciar a BD da Unicamp é chamado Nou-Rau. Com a
tecnologia utilizada foi possível a integração e interoperabilidade das informações
dos documentos digitais, a partir de metadados que possibilitem a captura e
disponibilização dos dados com outros bancos digitais.De acordo com trabalho
apresentado por Vicentini (2004), o Banco Digital de Teses e Dissertações da
Unicamp contava, então, com 3035 documentos em texto completo, representando
21,980% do total de teses e dissertações defendidas nos últimos 10 anos (13.810) e
13% do total de teses já defendidas na Universidade (22.000).

O acesso à BD é livre tanto para consultas aos documentos arquivados como para
downloads. Há necessidade de um cadastramento dos usuários para se fazer
downloads. O site da BD da Unicamp oferece também ao usuário informações sobre
as teses e dissertações mais acessadas, informações precisas sobre a quantidade
de teses e dissertações enviadas e downloads realizados por áreas do
conhecimento, permitindo que se trace o perfil dos usuários interessados no
conhecimento gerado pela Universidade.

A BD da Unicamp tem sua interface de apresentação estruturada por tópicos (tipos
de documentos ou eventos)  arquivo de fotos; congressos e seminários;
dissertações e teses; hemeroteca e periódicos eletrônicos da universidade. O tópico
referente às teses e dissertações está organizado por área de ensino e pesquisa da
Universidade (Fig.2). Dentro deste tópico existem os subtópicos em que são
relacionados os cursos oferecidos pela instituição, em ordem alfabética, com o nome
da Faculdade onde foi realizada a defesa da tese ou dissertação, seguido do número

�de documentos digitalizados dentro de cada curso, possibilitando ao usuário fazer o
download.

Pelos links o usuário pode selecionar o curso desejado e obter uma lista em ordem
alfabética das teses/dissertações defendidas no mesmo. Também há a opção para
se conseguir a publicação em arquivo PDF. Como todas as teses/dissertações
possuem links, o usuário pode acessar a publicação desejada e verificar a descrição
física da publicação, bem como ter acesso ao texto completo. A organização da
informação presente na BD da UNICAMP é composta por índices que indexam todos
os campos dos formulários de autorização preenchidos pelos usuários, como os
campos de autor, data, título, unidade de defesa, os quais, permitem a busca por
qualquer palavra dentro dos índices formados pela BDTD.

Figura 2  Tela com os subtópicos

Uma outra forma de organização existente na BDTD da UNICAMP é estruturada
pelas áreas que oferecem o curso de Pós-Graduação na Instituição. Desta forma, os
cursos são ordenados alfabeticamente com um link que apresenta ao usuário uma
lista alfabética dos títulos das teses ou dissertações referentes ao curso de uma
determinada área, que ao ser selecionado disponibilizam acesso ao texto completo
desses materiais.Assim, verifica-se que a estrutura da organização da informação

�existente não acompanha a especificidade do conhecimento gerado pelas teses e
dissertações, pois independente da abordagem ou enfoque dado aos assuntos
desenvolvidos nas teses e dissertações, elas são agrupadas dentro de uma mesma
categoria, o que é uma forma bastante genérico.
Estrutura de categorias de assunto da Biblioteca Digital da UNICAMP
Título: Calculo da dose de radiação através de convoluções em meios
heterogêneos para aplicações em radioterapia
- Teses e dissertações
- Física
- Fótons
4.3 Cáthedra  Universidade Estadual Paulista  UNESP
A Biblioteca Digital de Teses e Dissertações  BDTD da UNESP, denominada
Cáthedra, entrou em funcionamento em maio de 2003, contando atualmente com
900 teses e dissertações em texto completo no formato PDF. O software escolhido
para o gerenciamento dos documentos digitais é o Nou-Rau, em convênio realizado
com a UNICAMP. Os esforços para implantação e implementação da BDTD são
compartilhados pelas duas Instituições.

A disponibilização dos textos integrais da BDTD, bem como o seu acesso ocorrem
por meio do Portal de Bibliotecas da UNESP (http://www.biblioteca.unesp.br),
visando à divulgação e compartilhamento de parte da produção científica gerada na
UNESP. Futuramente, pretende-se disponibilizar outros tipos de materiais gerados
pela comunidade unespiana, tais como: fotografias, coleções especiais, obras raras,
entre outros.

Em trabalho apresentado no II Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
(2004) foram mostradas as etapas do desenvolvimento da Biblioteca Digital da
Unesp e, segundo Fujita et al. (2004) os recursos implantados já estão sendo
utilizados de forma ágil e rápida. Os autores também esclarecem que o mecanismo
de busca é provido por uma ferramenta que mantém uma base de dados própria,
otimizada para fazer busca. O sistema alimenta essa base de dados com o conteúdo

�dos documentos e com a informação associada, de maneira que todos os dados
mantidos pelo sistema podem ser pesquisados. O site da BDTD da Unesp oferece
ainda, ao usuário, informações sobre as teses e dissertações mais recentes.

Pretende-se a implantação de novas funcionalidades como o DSI Disseminação
Seletiva da Informação, com o intuito de aprimorar a comunicação com os usuários
internos e externos do sistema, por meio do envio de emails, sempre que houver a
inclusão de um documento novo.

A organização da interface da BDTD da Unesp é feita por tópicos e subtópicos
(Fig.3) que representam um assunto específico e agrupam documentos relacionados.
Para a estruturação dos tópicos da BDTD da Unesp foi utilizada a tabela das Áreas
de Conhecimento  código CAPES. Assim, os tópicos aparecem com a opção de
link, no qual o usuário pode selecionar a área de interesse, obtendo uma outra lista
com a opção de link para os cursos relacionados à área selecionada. Após a
escolha, há exibição de uma tela com a lista dos títulos das teses/dissertações em
ordem alfabética, juntamente com as opções para visualização e download do
arquivo. Como cada título possui um link, o usuário pode selecionar a publicação e
visualizar a descrição física da mesma, bem como fazer seu download.

Figura 3  Tela com os subtópicos existentes na área de Exatas

Estrutura de categorias de assunto da BDTD da UNESP

�Título: Deflexão de fótons pelo sol no contexto da teoria de gravitação R+R POT.2
- Teses e dissertações
- Ciências Exatas e da Terra
- Matemática Probabilidade e Estatística, Astronomia, Física, Química,
Geociências, Oceanografia
- Física
- Fótons
A organização da informação existente na estrutura atual da BDTD da UNESP
baseia-se na Tabela de Áreas da Capes para a criação dos tópicos e sub-tópicos
com a finalidade de facilitar a divisão das áreas do conhecimento das teses e
dissertações que são agrupadas também pela unidade de ensino em que foram
defendidas. Todas as teses e dissertações para serem incluídas no site da BDTD
precisam estar catalogadas no Banco de Dados Bibliográfico da Unesp  ATHENA,
pois é pelo registro bibliográfico do documento que são preenchidas as informações
para o cadastro na BDTD. Com isso as entradas de autor, assunto, título seguem a
padronização do Banco de Dados Bibliográfico que posteriormente recebem um link
para a BDTD, visando ao acesso em texto completo.

Mesmo com a comunicação da organização da informação existente no Banco de
Dados Bibliográfico com a BDTD da Unesp, a estrutura de categorias continua pouco
adequada para o crescimento do acervo e o acompanhamento do conhecimento
gerado pelas teses e dissertações.
5. Análise da estrutura de categorias de assunto mediante a homepage e
interface de busca das bibliotecas digitais de teses e dissertações
Como se observa, a criação e o desenvolvimento de BDTD ainda são muito
recentes, mas o constante e inevitável crescimento desse tipo de material, de grande
importância

no

meio

acadêmico,

conseqüentemente

levará

a

um

rápido

desenvolvimento e aprimoramento das Bibliotecas Digitais. Assim, esse crescimento,

�aliado à preservação, ao acesso e, especialmente, à divulgação da produção
científica em formato eletrônico, aproxima as Bibliotecas Digitais cada vez mais e
auxilia a universidade a cumprir sua missão:  ensino, pesquisa e extensão.

A estrutura de categorias apresentada por essas bibliotecas digitais se encontra
estabelecida pelas tabelas de subdivisão de áreas do conhecimento das agências de
fomento à pesquisa e nomes de áreas de concentração dos Programas de PósGraduação. Esses recursos utilizados na elaboração das divisões de áreas
apresentam categorias muito genéricas para a adequação da especificidade do
conhecimento gerado pelas teses e dissertações, como foi exemplificado pelo
assunto Fótons  Física, dentro da estrutura de categorias das três Instituições
analisadas.

Considerando que tanto a inclusão, como o acesso às teses e dissertações nas
bibliotecas digitais das três Instituições passam pela seleção dos usuários para
encontrarem a informação desejada, acredita-se que a falta de uma descrição
adequada dos recursos que estruturam uma determinada área do conhecimento
pode dificultar a inclusão, o acesso e a recuperação da informação pelos usuários.

6. Conclusão
As Universidades Estaduais Paulistas, disponibilizam em texto completo, às teses e
dissertações em formato digital, em suas bibliotecas digitais, bem como serviços
personalizados para os usuários cadastrados. A organização da informação desses
documentos, dentro dessas bibliotecas digitais de acordo com análise realizada
mediante a interface de busca das universidades estaduais paulista seguem uma
organização estruturada pelas grandes áreas do conhecimento ou pelos Programas
de Pós-graduação de cada Instituição, apresentando uma generalização das
subdivisões de áreas em relação à especificidade do conhecimento gerado pelas
teses e dissertações.

�A especificidade desses documentos demanda um entendimento geral do campo de
conhecimento, proporcionando uma interpretação do surgimento e organização da
estrutura interna em um universo de conceitos que identifica uma macroestrutura
temática. Dessa forma, é indiscutível a necessidade de se propor subsídios teóricos
e metodológicos no contexto da Ciência da Informação adequados para a elaboração
de uma estrutura de categorias de áreas de assunto, que considere a influência do
contexto de uma determinada área do conhecimento, bem como o levantamento dos
conceitos que compõem esse campo do conhecimento e as relações entre eles.

Bibliografia
BARRETO, A. de A.; SMIT, J. Ciência da Informação: base conceitual para a
formação do profissional. In: VALENTIM, M. L. (Org.). Formação do profissional da
informação. São Paulo: Polis, 2002.

FUJITA, M. S. L. et al. Implantação da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da
Universidade Estadual Paulista  UNESP: a customização do software para a
identidade

acadêmica.

In:

SEMINÁRIO

NACIONAL

DE

BIBLIOTECAS

UNIVERSITÁRIAS, 13., 2004, Natal. Anais... Natal, 2004. 1 CD-ROM.

VICENTINI, L. A. Biblioteca Digital da UNICAMP como veículo de divulgação da
produção científica: a gestão e o acesso às dissertações e teses. In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 13., 2004, Natal. Anais... Natal:
UFRN, 2004. 1 CD-ROM.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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              <elementText elementTextId="55177">
                <text>Bastos, Flavia Maria; Fujita, Mariângela Spotti Lopes</text>
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            <name>Publisher</name>
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            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="55183">
                <text>A organização da informação em bibliotecas digitais é o tema deste trabalho que pretende investigar os princÌpios teóricos e metodológicos utilizados pelas Universidades Estaduais Paulistas: Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (UNESP) e Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) para a elaboração da estrutura de categorias de assunto das bibliotecas digitais de teses e dissertações mediante a análise da home page e interface de busca disponibilizada por essas instituições. A produção da literatura científica em teses e dissertações é fundamental para o desenvolvimento da ciência e quanto mais rápido e diversificado o desenvolvimento, maior será a necessidade de informações especÌficas e atualizadas. A organização do conteúdo em bibliotecas digitais de teses e dissertações é necessária, tendo em vista a ampliação crescente desse acervo e o caráter especializado de seus assuntos. Com a análise realizada nos sites das bibliotecas digitais, pode-se identificar as formas de acesso on-line desses documentos, bem como, o histórico, desenvolvimento e implantação onde observou-se que essas bibliotecas digitais seguem uma organização estruturada pelas grandes áreas do conhecimento ou pelos Programas de Pós-graduação de cada Instituição.</text>
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            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
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                    <text>BIBLIOTECAS DIGITAIS: FERRAMENTAS DE AUXÍLIO NA FORMAÇÃO DE
PROFISSIONAIS DA ÁREA DE SAÚDE.
Francisca Rosaline Leite Mota - rosemota@yahoo.com.br
Doutoranda em Ciência da Informação  ECI/UFMG
Professora do Curso de Biblioteconomia da UFAL
Marlene de Oliveira  marlene@eci.ufmg.br
Dra. em Ciência da Informação  UNB
Coord. Do Programa de Pós-Graduação da Escola de Ciência da Informação
Universidade Federal de Minas Gerais  Brasil.

Eixo Temático:
As bibliotecas universitárias e a produção do conhecimento
Tipo de Apresentação:
Comunicação oral
Resumo:
A existência de canais de comunicação que divulguem a produção científica é essencial
para o fortalecimento de qualquer área. A biblioteca, em especial a universitária, exerce
papel de destaque e progressivamente incorpora as Novas Tecnologias de Informação e
Comunicação no intuito de promover a disseminação e o uso do conhecimento e contribuir
para a formação profissional dos sujeitos. O advento das bibliotecas digitais trouxe
vantagens como o acesso remoto pelo usuário, utilização simultânea de documentos,
recuperação de textos na íntegra, etc. Contudo, desafios se fazem presentes e a
implementação das mesmas perpassa por questões relacionadas às instalações físicas,
formação e desenvolvimento de coleções, processamento técnico, treinamento de pessoal e
mecanismos para disponibilizar e disseminar os conteúdos. Na área da saúde, sabe-se que a
produção de informação é gigantesca e é premente a existência de um número maior de
bibliotecas digitais. Este artigo trata das questões relacionadas à origem e evolução das
bibliotecas digitais na área de saúde. Discute e apresenta o conceito de bibliotecas digitais e
as contribuições das mesmas para a formação dos profissionais desta área bem como o
papel do profissional da informação enquanto mediador do processo de disponibilização e
recuperação das informações nos ambientes digital e virtual.
Palavras-Chave: Biblioteca Digital. Sistemas de Informação. Formação Profissional. Área
da Saúde.

�1 INTRODUÇÃO

A existência de canais de comunicação que divulguem a produção científica é essencial
para o fortalecimento de qualquer área. A biblioteca, em especial a universitária, exerce
papel de destaque e progressivamente incorpora as Novas Tecnologias de Informação e
Comunicação no intuito de promover a disseminação e o uso do conhecimento e contribuir
para a formação profissional dos sujeitos. O advento das bibliotecas digitais trouxe
vantagens como o acesso remoto pelo usuário, utilização simultânea de documentos,
recuperação de textos na íntegra, etc. Contudo, desafios se fazem presentes e a
implementação das mesmas perpassa por questões relacionadas às instalações físicas,
formação e desenvolvimento de coleções, processamento técnico, treinamento de pessoal e
mecanismos para disponibilizar e disseminar os conteúdos. Na área da saúde, sabe-se que a
produção de informação é gigantesca e é premente a existência de um número maior de
Bibliotecas Digitais.

Discute-se o tecer de relações entre a área da saúde e a Ciência da Informação, apresenta-se
os principais tipos de informação na área da saúde. Nos capítulos que se apresentam, trata
da evolução da Biblioteca Tradicional à Digital, enfocando a importância da produção e
comunicação cientifica. Por fim, apresenta de forma sucinta as principais contribuições da
Biblioteca Digital para a formação dos profissionais da saúde e o papel do bibliotecário
como mediador da relação usuário/informação.

2 CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO E CIÊNCIAS DA SAÚDE

Uma forte contribuição para o surgimento da Ciência da Informação foi a crescente
produção de conhecimentos científicos e tecnológicos nas várias esferas sociais e nos
diversos campos do conhecimento humano. Conforme Oliveira (2005, p.10) a Ciência da
Informação nasceu no bojo da revolução científica e técnica que se seguiu à Segunda
Guerra Mundial e sofreu conforme estudos da autora a Ciência da Informação influência
da Documentação e da Recuperação da Informação.

�A CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO é um campo dedicado às questões científicas e à prática
profissional voltadas para os problemas de efetiva comunicação do conhecimento e de seus
registros entre os seres humanos, no contexto social, institucional ou individual do uso e das
necessidades de informação. No tratamento destas questões são consideradas de particular
interesse as vantagens das modernas tecnologias da informação. (SARACEVIC, 1999, p.47).

A Ciência da Informação ocupa-se dos processos que envolvem a produção, organização,
armazenagem, disseminação, gestão e uso da informação e do conhecimento. Deste modo,
os conhecimentos gerados pelos mais diversos campos do conhecimento necessitam passar
por todas as etapas do processo de tratamento para serem recuperados de forma a atender as
demandas daqueles que deles necessitam. Ressalta-se que a Biblioteconomia e
Arquivologia são disciplinas que, embora, de cunho mais técnico são envoltas e abrigadas
pela a Ciência da Informação. Não existe consenso quanto à conceituação de informação,
sabe-se, porém que esta se constitui enquanto insumo para as práticas diárias da
humanidade como um todo. Progressivamente, a informação passou a ser importante e
decisiva no contexto da chamada Sociedade da Informação1. Percebe-se que, na busca por
maior entendimento sobre as questões que permeiam o uso da informação, a pesquisa em
Ciência da Informação, vem ao longo das últimas décadas, consolidando-se e abrindo
novos horizontes de discussões.

De acordo com Mota (2005) no âmbito das Ciências da Saúde é constante a preocupação
com questões relativas a produção do conhecimento, divulgação das pesquisas e uso da
informação e a progressiva inserção de tecnologias da informação em seus domínios já é
uma realidade. Do mesmo modo que a Ciência da Informação, segundo Wersig &amp;
Nevelling (1975), possui a responsabilidade social de transmitir o conhecimento para
aqueles que dele necessitam, as Ciências da Saúde possuem a responsabilidade social de
promover melhorias nas condições de vida dos indivíduos. Assim, o diálogo estabelecido
entre a Ciência da Informação e as Ciências da Saúde pode e deve se tornar mais estreito.

1

De acordo com Melo (2004, p.01) o termo sociedade da informação representa uma profunda mudança na organização
da sociedade e da economia, havendo quem a considere um novo paradigma técnico-econômico. É um fenômeno global,
com elevado potencial transformador das atividades sociais e econômicas, uma vez que a estrutura e a dinâmica dessas
atividades inevitavelmente serão, em alguma medida, afetadas pela infra-estrutura de informações disponíveis.

�3 INFORMAÇÃO NA ÁREA DA SAÚDE

A sistematização de informações na área da saúde, assim como em todas as outras áreas, é
essencial e determinante. Conforme Stair &amp; Reynolds (2002) para a informação ser
considerada valiosa é necessário que ela seja precisa, completa, econômica, flexível,
confiável, relevante, simples, pontual, verificável, acessível e segura. No que tange a área
da saúde tais características são indispensáveis. De acordo com Mota (2005) as
informações produzidas no âmbito da saúde podem ser: 1) técnicas - dizem respeito
basicamente às práticas e procedimentos adotados na área da saúde; 2) administrativas estão relacionadas ao processo de administração e tomada de decisão; 3) contábeis e
financeiras - dados levantados, consolidados e centralizados pelo Serviço de Arquivo
Médico - SAME e, em parte são transmitidas pelos diversos serviços (folha de pagamento,
compras, despesas com limpeza e manutenção, etc.); 4) tecnológicas - dizem respeito ao
uso de tecnologias para cuidados na atenção ao paciente e ainda nos processos
administrativos e; 5) científicas - são produzidas em laboratórios e oriundas de pesquisas
realizadas em centros especializados, hospitais universitários, institutos, etc..

No âmbito das Ciências da Saúde a preocupação com as questões relativas a produção do
conhecimento, divulgação das pesquisas e uso da informação têm sido constante. Sadana &amp;
Pang (2004) afirmam que, atualmente, uma das principais preocupações da Organização
Mundial de Saúde - OMS é a de promover a cooperação entre grupos científicos e
profissionais que possam contribuir para o avanço da área da saúde. Neste sentido, é mister
definir e analisar com mais objetividade o que é considerado como pesquisa em saúde, (isto
é, os tópicos reais cobertos), saber quem está fazendo a pesquisa em saúde (isto é,
instituições e indivíduos) e quem são os usuários da pesquisa (fabricantes de política,
comunidades, doadores, indústria), quais são os custos e quem os financia. Ter clareza das
potencialidades e dos limites da pesquisa na área contribuirá, sobremaneira, para o avanço
do conhecimento científico e para a obtenção de melhorias na área da saúde.

Morel (2002) diz que tão importante quanto definir as prioridades nacionais na pesquisa em
saúde é garantir que o conhecimento gerado e as intervenções sanitárias resultantes sejam

�efetivamente incorporados em políticas e ações de saúde pública. A transformação da
pesquisa em ações de saúde é um processo complexo, árduo, dispendioso, e algumas vezes
extremamente demorado. Ressalta-se que o uso das informações oriundas da realização de
pesquisas na Área da Saúde pode acontecer de várias formas.

O uso da informação, segundo Pimentel (2003), vai muito além da disseminação de
conteúdos gerais. É necessário que o público tenha acesso às informações oriundas dos
sistemas de saúde. Mas, sobretudo, é necessário que essas informações sejam transmitidas
de maneira clara e confiável. Os esforços no sentido de conhecer as opções de sistemas de
saúde em seus distintos níveis assistenciais ainda são pequenos e não alcançam toda a
população. O mesmo ocorre quanto ao conhecimento sobre as possibilidades e
oportunidades para utilização sustentável desses sistemas, em nível educativo, tanto formal
quanto informal. No Brasil já existem algumas iniciativas que visam potencializar a
comunicação e o intercâmbio de informações no âmbito da saúde por meio da utilização de
tecnologias da informação. Podemos citar projetos como o Paciente Virtual, o Hospital
Universitário Virtual, etc. Vale ressaltar que o sucesso de tais programas não deve se
circunscrever ao atendimento do paciente. Mas, à sistematização de informações que
possibilitem ao paciente maior conhecimento da área de saúde para que tal segmento possa
apropriar-se dos resultados de pesquisas por meio de políticas públicas.

4 CONTRIBUIÇÕES DAS BIBLIOTECAS DIGITAIS PARA A FORMAÇÃO DOS
PROFISSIONAIS DA ÁREA DE SAÚDE

A produção cientifica é base para o fortalecimento de qualquer área do conhecimento e,
está calcada na realização de pesquisas que subsidiem a construção do conhecimento nos
mais diversos campos do saber humano. Comunicar é tão importante quanto produzir
conhecimento cientifico. A Comunicação Cientifica é uma das mais importantes estratégias
utilizadas pelas universidades para a consolidação do conhecimento cientifico e para o
fortalecimento do tripé que fundamenta as atividades universitárias, ou seja, a pesquisa, o
ensino e a extensão. É imprescindível para a memória de qualquer instituição, sobretudo, às
de cunho universitário, o registro do conhecimento produzido em seu seio.

�A formação de comunidades cientificas é condição sine qua non para o desenvolvimento e
consolidação de qualquer área do saber humano. Isso já é bastante evidente com os planos
de avaliação docente e com os programas de pós-graduação.

É através da publicação científica que o saber científico se torna público e passa a fazer
parte do corpo universal do conhecimento denominado ciência. Os cientistas necessitam de
acesso constante ao conhecimento já registrado para produzir novos conhecimentos, e desta
forma, fazem referência a outros autores que os precederam. Num processo de pesquisa e
construção de novo conhecimento, a literatura promove a divulgação, disseminação e
compartilhamento dos resultados. O cientista necessita ter contato com colegas e com a
literatura para se manter informado sobre o que está sendo feito na área, pois as pesquisas
evoluem do conhecimento já registrado por outros.

Para Mueller (1995), a comunidade científica é estruturada com base em algumas
instituições formais, tais como sociedades científicas, ou informais, como os colégios
invisíveis. A autora destaca que o relacionamento dos membros de uma comunidade
científica pode se dar por meio de um sistema complexo de comunicação, que tem regras
para a produção e divulgação de suas publicações: que regulamenta o papel de autores,
editores e avaliadores e que estabelece convenções rígidas no estilo e formato dos trabalhos
científicos. A autora destaca que as quatro normas propostas à comunidade científica são a
universalidade, compartilhamento, imparcialidade e ceticismo. Sendo que alguns autores
acrescentaram ainda a racionalidade, a neutralidade emocional e a originalidade. A
Biblioteca é um importante veículo não só para a Comunicação Cientifica, mas,
sobretudo, para o fortalecimento e a consolidação das Comunidades Científicas.

Ohira e Prado (2002) dividem a história e evolução das bibliotecas em três momento: 1) A
Biblioteca Tradicional contemplando os registros do conhecimento formados por outros
tipos de materiais (tabletes, papiro, argila, pergaminho) e posteriormente o suporte
impresso; 2) A Biblioteca é automatizada e passa a utilizar tecnologias de computadores
para a realização de atividades básicas como catalogação, indexação e organização do

�acervo; 3) A Biblioteca Contemporânea que utiliza a informação no suporte digital que com
o advento da Internet passou a disponibilizar on line textos completos de documentos.
Cunha (2000, p.75) apresenta a evolução das bibliotecas na figura abaixo:

Figura 1: Evolução da Biblioteca
Fonte: CUNHA (2000, p.75)

Observa-se que houve ao longo dos séculos uma grande (re) evolução na estrutura física e
conceitual do modelo de biblioteca. Aqui interessa tratar a Biblioteca Digital que, de acordo
com Cunha (1999) é também conhecida como biblioteca eletrônica, biblioteca virtual,
biblioteca sem paredes e biblioteca conectada a uma rede. A terminologia, qualquer que
seja, implica em um novo conceito para a armazenagem da informação e para a sua
disseminação. São características da biblioteca digital: o acesso remoto pelo usuário;
utilização simultânea de um mesmo documento; inclusão de produtos e serviços de uma
biblioteca ou centro de informação; possibilidade de acesso a textos completos e não
somente a referências bibliográficas; provisão de acesso em linha a outras fontes externas
de informação; não há necessidade premente do documento solicitado pelo usuário ser de

�propriedade da biblioteca local; utilização de diversos suportes de registro da informação
tais como textos, som, imagem e números; existência de unidade de gerenciamento do
conhecimento, que inclui sistema inteligente ou especialista para ajudar na recuperação dae
informação mais relevante. Neste contexto, o periódico eletrônico consolida-se. Os livros
eletrônicos ou e-book ainda são pouco divulgados e além de possuir um custo mais elevado
também implica em dispensar maior tempo para sua leitura. Por mais interessante que seja
e, por mais variados os recursos ora aplicados (como dispositivo que imita o folhear do
livro impresso) os e-books ainda não adquiriram adeptos suficientes capazes de popularizálo mesmo que em meio virtual, ou seja, nas aldeias globais virtuais ora consolidadas. Hoje
o periódico eletrônico é um dos protagonistas no acervo das Bibliotecas Digitais.

Os profissionais na área da saúde, geralmente, são criteriosos, estudiosos e muito
dedicados. Necessitam de uma enorme gama de informações que promovam atualização
constante em suas especialidades. Sabe-se que todos os dias são lançados no mercado
diversos produtos, fórmulas, novos procedimentos de diagnóstico e terapêutica que podem
contribuir significativamente para a forma de conduzir um determinado tratamento. Estes
profissionais devem estar atentos e utilizarem os conhecimentos e descobertas cientificas
no sentido de melhorar o atendimento aos seus clientes/pacientes. A educação continuada é
fundamental e conta como grande aliada as Bibliotecas Digitais.

Podem-se eleger como contribuições das Bibliotecas Digitais para a formação dos
profissionais na área da saúde:

1. Facilidade do acesso remoto a textos completos que servem como fontes de
atualização e pesquisa;
2. Promoção de intercâmbio de informações;
3. Divulgação do conhecimento cientifico produzido;
4. Promoção do acesso eqüitativo ao conhecimento e à informação cientifica;
5. Fortalecimento das comunidades cientificas;
6. Educação continuada dos profissionais da saúde.

�Em meio a estas contribuições é mister falar que a área da saúde tem sido um importante
campo de atuação para o profissional da informação, sobretudo, o Bibliotecário. São
apontadas como possibilidades de atuação nesta área o

Processamento de informações (utilização de descritores, metadados,
definição de linguagens de indexação e terminologias),
desenvolvimento e gerenciamento de Sistemas de Informação, como
os Registros Eletrônicos em Saúde e Prontuários Eletrônicos do
Paciente, no gerenciamento bases de dados estatísticas e bibliográficas,
por exemplo, sobre epidemias, cuidados com a saúde, no fornecimento
de informações que possam subsidiar políticas públicas na área da
saúde e promover programas de prevenção de doenças. (MOTA e
OLIVEIRA, 2005, p.105).
Perante todas estas possibilidades o Bibliotecário deve estar atento para acompanhar os
avanços nas mais diversas áreas e, mediar, a interação entre o usuário e a informação. O
Bibliotecário de Referência, tem importante papel neste novo cenário de interfaces
tecnológicas. Cunha (1999, p.264) diz que O bibliotecário ainda continuará a ter uma
responsabilidade docente, ao ensinar as pessoas como utilizar com proveito os recursos
informacionais existentes em uma determinada biblioteca ou mesmo na Internet. Métodos
e enfoques mudaram e torna-se essencial adaptar-se, atualizar-se e interagir com os novos
veículos e formas de produção, comunicação, armazenamento, disponibilização e
recuperação do conhecimento cientifico produzido.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

É necessário atentar para o fato de que cada vez mais é importante investigar como o
conhecimento é gerado e é transformado em intervenções e ações de saúde. Observa-se
que, o processo de criação de conhecimento na área da saúde, está em consonância com as
principais características do conhecimento cientifico, tratadas por Zilles (1998), qual seja,
a) o conhecimento científico é fático; b) o conhecimento cientifico transcende os fatos; c)
A ciência é analítica; d) A investigação científica é especializada; e) o conhecimento
científico é claro e preciso; f) o conhecimento científico é comunicável; g) o conhecimento
científico é verificável; h) A investigação cientifica é metódica; i) o conhecimento

�científico é sistemático; J) o conhecimento científico é geral; l) o conhecimento científico
orienta-se em leis; m) A ciência é explicativa; n) o conhecimento científico é predicativo;
o) A ciência é aberta; E, SOBRETUDO E MAIS IMPORTANTE p) A ciência é útil.

Damásio (1996) diz que a emoção e o sentimento são indispensáveis para a racionalidade,
pois, a ausência de emoção pode destruir a racionalidade. Vale ressaltar que o
compartilhamento de conhecimento e de informação na área da saúde é decisivo para a vida
das pessoas. A criação do conhecimento na área da saúde é fundamental para a manutenção
da vida. A preocupação social com a comunicação e o compartilhamento deste
conhecimento deve ser, obrigatoriamente, levado a sério. As tecnologias são de grande
valia, mas, o lado humano, é e sempre vai ser a chave de sucesso neste empreendimento. Os
estudos na área da Ciência da Informação e o profissional bibliotecário ainda têm muito que
contribuir para o avanço desta temática.

Por fim, concordamos com Minayo (1996) quando da afirmação abaixo.
A saúde enquanto questão humana e existencial é uma problemática compartilhada
indistintamente por todos os segmentos sociais. Porém as condições de vida e de
trabalho qualificam de forma diferenciada a maneira pela qual as classes e seus
segmentos pensam, sentem e agem a respeito dela. Isso implica que, para todos os
grupos, ainda que de forma específica e peculiar, a saúde e a doença envolvem uma
complexa interação entre os aspectos físicos, psicológicos, sociais e ambientais da
condição humana e de atribuição de significados. Pois saúde e doença exprimem
agora e sempre a relação que perpassa o corpo individual e social, confrontando com
as turbulências do ser humano enquanto ser total. Saúde e doença são fenômenos
clínicos e sociológicos vividos culturalmente, por que as formas como a sociedade os
experimenta, cristalizam e simbolizam as maneiras pelas quais ela enfrenta seu medo
da morte e exorciza seus fantasmas. Neste sentido saúde/doença importam tanto por
seus efeitos ao corpo como pelas suas repercussões no imaginário: ambos são reais
em suas conseqüências (MINAYO, 1996, p.17)

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Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Bibliotecas digitais: ferramentas de auxílio na formação de profissionais da área de saúde.</text>
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                <text>A existência de canais de comunicação que divulguem a produção cientÌfica é essencial para o fortalecimento de qualquer área. A biblioteca, em especial a universitária, exerce papel de destaque e progressivamente incorpora as Novas Tecnologias de Informação e Comunicação no intuito de promover a disseminação e o uso do conhecimento e contribuir para a formação profissional dos sujeitos. O advento das bibliotecas digitais trouxe vantagens como o acesso remoto pelo usuário, utilização simultânea de documentos, recuperação de textos na íntegra, etc. Contudo, desafios se fazem presentes e a implementação das mesmas perpassa por questões relacionadas às instalações fÌsicas, formação e desenvolvimento de coleções, processamento técnico, treinamento de pessoal e mecanismos para disponibilizar e disseminar os conteúdos. Na área da saúde, sabe-se que a produção de informação é gigantesca e é premente a existência de um número maior de bibliotecas digitais. Este artigo trata das questões relacionadas a origem e evolução das bibliotecas digitais na área de saúde. Discute e apresenta o conceito de bibliotecas digitais e as contribuições das mesmas para a formação dos profissionais desta área bem como o papel do profissional da informação enquanto mediador do processo de disponibilização e recuperação das informações nos ambientes digital e virtual.</text>
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                    <text>BIBLIOTECAS HOLANDESAS
UM PANORAMA DOS ÚLTIMOS DEZ ANOS: 1997-2006

Celina Leite Miranda
Mestre em Ciência da Informação pela
Pontifícia Universidade Católica de Campinas.
Bibliotecária-chefe da Escola de Enfermagem
da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Rua São Manoel, 963, Porto Alegre, RS, Brasil.
E-mail: celina@ufrgs.br
Isabel Merlo Crespo
Mestre em Comunicação e Informação pelo
Programa de Pós-Graduação em Comunicação
e Informação da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul.
Bibliotecária da Pontifícia Universidade Católica
do Rio Grande do Sul.
Av. Ipiranga, 6681, Porto Alegre, RS, Brasil.
E-mail: icrespo@pucrs.br
Ana Vera Finardi Rodrigues
Mestre em Ciência da Informação pela
Pontifícia Universidade Católica de Campinas.
Bibliotecária-chefe da Faculdade de Veterinária
da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Av. Bento Gonçalves, 9090,
Porto Alegre, RS, Brasil.
E-mail: anavera@ufrgs.br

�2

RESUMO

Estudo

comparativo

resultante

de

visitas

técnicas

a

bibliotecas

universitárias e públicas da Holanda, nas cidades de Amsterdam, Breda,
Eindhoven, Rotterdam, Tilburg e Utrecht, entre 1997 e 2006. Em forma de pôster,
visa apresentar as principais características dessas bibliotecas. A análise foi
realizada através de visitas periódicas, com observação local, coleta de material e
ensaios fotográficos. Baseado em bibliografia sobre bibliotecas holandesas,
universitárias e públicas, descreve os fatores utilizados para obter ampla procura
pelo público, facilidades de localização e de acesso, diversidade de recursos e
serviços

oferecidos,

padronizações

em

sistemas

automatizados

e

de

classificação, busca em propiciar a independência do usuário através de selfsevices, onde ele próprio pode fazer cópias, empréstimos, devoluções, usando
serviços presenciais; além dos oferecidos virtualmente. Há preocupação em
tornar o ambiente agradável, através de projetos arquitetônicos voltados para
bibliotecas, buscando designs modernos e arrojados sem perder o atendimento
humano, mesmo utilizando tecnologia de ponta. Além disso, observa-se
preocupação constante com a segurança dos usuários, acervo, e sinistros.
Conclui-se, entre outros fatores, que além do interesse em captar o usuário e
tornar a informação, através da tecnologia, cada vez mais de acesso público e
irrestrito, há preocupação de manter-se inserida na comunidade local, cumprindo
o seu papel.

Palavras-chave: Bibliotecas universitárias. Bibliotecas públicas. Serviços de
biblioteca: tendências.

1 INTRODUÇÃO

Através de visitas técnicas no período de 1997 a 2006, inclusive, este
trabalho resulta de um estudo comparativo sobre bibliotecas universitárias e

�3

públicas em províncias do centro e do sul da Holanda, nas cidades de
Amsterdam, Breda, Eindhoven, Rotterdam, Tilburg e Utrecht. Os objetivos da
observação e comparação das bibliotecas visitadas foram: apresentar suas
características principais e definir seu perfil, nesses últimos dez anos.

2 METODOLOGIA

Foram selecionadas seis cidades holandesas para visitas técnicas:
Amsterdam, capital do país; Breda; Eindhoven, cidade universitária; Rotterdam,
maior porto marítimo do mundo e a segunda cidade mais populosa do país;
Tilburg, cidade universitária; e Utrecht. A análise dessas bibliotecas foi feita
através de visitas periódicas em dias e horários variados, com observação local,
anotações e coleta de material informativo e ensaios fotográficos autorizados. As
primeiras visitas ocorreram em fevereiro de 1997 e, dez anos depois, em março
de 2006, as mesmas bibliotecas foram visitadas. Através de consulta às páginas
eletrônicas das bibliotecas e seus catálogos automatizados, e à busca
bibliográfica sobre o tema, foi possível complementar o trabalho.

3 SOBRE O PAÍS

A Holanda é conhecida de diversas formas. Em Inglês, The Netherlands,
Holland, Pays Bas; em Português, Holanda, Países Baixos; e em Holandês,
Koninkrijk der Nederlanden (Reino da Holanda), ou Nederland. Situada no oeste
da Europa, faz fronteira com Alemanha e Bélgica, tem uma área de 41.526 km2
(ALMANAQUE..., 2006), incluindo as águas dos canais - para que se tenha uma
idéia, o Estado do Rio de Janeiro tem quase 43.700 km2 (INSTITUTO
BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, [2006]).

�4

Um país onde não há registros de analfabetismo, na Holanda a leitura é
vista em todos os lugares: cafés, trens, ônibus, metrôs de superfície e parques,
etc. Assim que os holandeses se alfabetizam oficialmente em Holandês, passam
a estudar Inglês, que os acompanhará por toda a vida estudantil. Os jovens, em
geral, falam Inglês e Alemão. A população mais idosa, no entanto, foi educada
pelo sistema anterior, quando Francês era primordial. É um país que não está
isolado pela barreira do idioma - interage com o mundo inteiro, facilitando o
desenvolvimento do país, abrindo fronteiras comerciais e industriais, e recebendo
pessoas de outros países, sejam elas moradoras ou turistas.

O benefício desse modelo de ensino, portanto, é coletivo, e isso se reflete
nos sistemas de bibliotecas: no relacionamento e na prestação de serviços. O
idioma Inglês está presente em todas as bibliotecas universitárias e públicas, e
em muitas páginas eletrônicas e catálogos automatizados. Outra vantagem é que
o acervo nas bibliotecas universitárias pode, portanto, ser composto por obras em
Inglês com muita tranqüilidade. Os jornais diários que as bibliotecas públicas
assinam são de diversos países e, portanto, em vários idiomas.

Embora conste em algumas fontes que a invenção dos tipos móveis tenha
ocorrido na Coréia, em 1392; e, em 1447, o alemão Johann Gutenberg tenha
inventado a prensa de impressão, “processo que viria possibilitar a produção em
massa da palavra impressa” (ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE JORNAIS, [2003?]),
na Holanda, porém, há outros registros. A Holanda (Foto 1) orgulha-se de sua
História relacionada ao tema, e conta que a invenção da imprensa de tipos
móveis, ou tipografia, é creditada a Lourens Janszoon Coster (1405-1484),
quando morou em Haarlem entre 1436 e 1483, e lançou a primeira obra impressa
do mundo, em 1446, denominada Speculum humanae salvationes (COSTER,
2002). Na praça principal de Haarlem, a cidade presta sua homenagem ao
inventor, através de um monumento (Foto 2). Alguns autores questionam esses
registros, outros consideram o tema de uma polêmica sem fim. Dos mais antigos
jornais do mundo, ainda em circulação, o Haarlems Dagblad, (Diário de Haarlem)

�5

é o segundo mais antigo e nasceu em 1656, na Holanda (ASSOCIAÇÃO
NACIONAL DE JORNAIS, [2003?]).

Foto 2 – Estátua em homenagem a Lourens
Foto 1 – Mapa da Holanda com algumas
Coster (1405-1484) em Haarlem.
cidades.
Fonte:www.lonelyplanet.com/destinations/eur Fonte: www.euronet.nl/~jonkr/haarlemweb/
pages/haarlhl.htm.
ope/netherlands.

Incontestável, porém, é que na Holanda nasceram importantes empresas
do ramo biblioteconômico, tais como, Springer-Verlag, Elsevier, Kluwer, Swets,
Brill e EBSCO. A própria IFLA (International Federation of Library Associations
and Institutions) tem sua sede nesse país, em Den Haag (Haia).

Há pelo menos 512 bibliotecas governamentais na Holanda (VAN
VLIMMEREN, 2003, f. 2) e o sistema de bibliotecas públicas é integrado e
unificado ao da Bélgica. Em geral, é composto por uma biblioteca central que
abriga o acervo mais antigo e completo, e bibliotecas de bairro que, com acervo
atualizado, facilitam o acesso dos cidadãos e atendem às suas necessidades
diárias. Os horários variam: muitas abrem aos sábados e fecham às segundasfeiras pela manhã, e algumas abrem aos domingos. Os cafés das bibliotecas
podem ter entrada e horários independentes e oferecem: jornais diários; mesas
para leitura ou consumo; central de informações culturais da cidade (UITpunt) e
terminal para consulta ao catálogo da biblioteca. Destacam-se algumas
curiosidades: os usuários fazem grandes retiradas a cada visita à biblioteca (de
livros, CDs, DVDs, discos em vinil, partituras, fitas) de gêneros variados e para a
família toda. As bibliotecas dispõem de dicionários especializados em Palavras
Cruzadas; obras sobre imposto de renda (se estrangeiro, com dicionário); guias
turísticos, obras temáticas e atlas para planejamento de viagens; etc. Para idosos

�6

e pessoas com alguma deficiência visual, obras com tamanho de fonte maior que
o habitual, com codificação colorida na lombada. Conforme ilustra o Quadro a
seguir, em geral, as bibliotecas preocupam-se em: ampliar a procura pelo público,
buscando-se lugares de fácil acesso para sua localização física; diversificar
recursos e serviços; primar por padronizações em sistemas automatizados e de
classificação, nacionais e internacionais; propiciar a independência do usuário
através de self-services; planejar seu espaço físico visando tornar agradável o
ambiente (através de projetos arquitetônicos específicos para seu fim, arrojados e
modernos, enfocando a humanização do atendimento, sem deixar de acompanhar
a tecnologia); observar a segurança de usuários, da equipe, do acervo, prevendo
sinistros, o que se reflete na adequação de prédios, ambientes e sistemas
automatizados.
Características - oferecem informações sobre acesso, endereço, vias próximas, e transporte;
- facilitam o acesso através de rampas, elevadores, entradas e corredores
gerais
amplos;
- instalam-se em locais de grande circulação pública, fácil acesso, e
providas de estacionamentos em suas proximidades, para automóveis e
para bicicletas;
Localização
- as públicas, junto a Teatros, Correios, Telefônica, Estação de metrô,
Centros Comerciais, pontos turísticos;
- as universitárias, em pontos centrais do campus, junto ao restaurante
universitário, etc.;
- históricas ou de arquitetura moderna e arrojada;
Fachadas
- mobiliário moderno e arrojado:
- as públicas, com:
-mobiliário apropriado ou adaptado, conforme a faixa etária;
-salas especiais, com isolamento acústico, que permitem ao
usuário tocar estrofes de partituras para decidir se vai efetuar o
Interiores
empréstimo;
-setores adaptados, por ex., com podium para crianças
devolução de jogos em Breda e em Eindhoven;
-espaço de integração com escolas, ex.: Galeria de arte infantil;
-exposições temáticas, de peças de museus, peças em cartaz
nos teatros da cidade ou da região;
- recursos tecnológicos especiais demarcando áreas e funções, ex.:
computadores diferentes, conforme a finalidade de utilização;
- páginas da Internet e recursos tecnológicos bilingües – Inglês e
Holandês.
Área técnica - material de divulgação da biblioteca bilingüe – Inglês e Holandês.
- as públicas, com: catálogo padronizado e integrado Holanda e
Bélgica; sistema de classificação pictográfica padronizado para a
área de literatura; etiqueta colorida para Identificação de obras
para usuários com dificuldade visual parcial.
Continua...

�7

continuação.
Auto-serviços Serviços
virtuais
-

empréstimo e devolução com comprovante impresso;
cópia reprográfica, impressão, guarda-volumes;
aquisição de crédito para uso de Internet e Office;
workshops pela Internet;

nas públicas:
- vínculo com a vida cultural da região através de setor de
informações onde também podem ser feitas reservas para teatros,
cinemas e museus (UITpunt).
- espaço de convivência com café, que oferece;
- mobiliário moderno e arrojado;
Outros
- espaço integrado com o acervo;
serviços
- apelo ao público infantil para jogos eletrônicos e Internet ;
- integração com os eventos culturais da cidade;
- integração com o público de outros países e culturas através de
seus jornais diários;
- pode ter horário maior e entrada independente da biblioteca –
estimula a freqüência à biblioteca.
Quadro – Panorama das bibliotecas holandesas, em linhas gerais.

Moderna e dinâmica sim, tradicional, também. É comum na Holanda haver
o Dia de Compras. Trata-se de um dia fixo na semana, onde boa parte do
comércio fica aberto até mais tarde. O dia varia de uma cidade para outra e
muitas bibliotecas fazem parte dessa tradição secular, bem como alguns postos
de correio, bancos, etc. O consumidor holandês é exigente e aprecia a novidade e
a tecnologia, o que se reflete na automação: bilhetes de trem emitidos em
máquinas nas calçadas, Internet nas ruas (Foto 3), portos e transportes coletivos
automatizados. Em 1994, os condutores de ônibus já dispunham de rádio (úteis
quando há: engarrafamento, usuários em busca de conexão com outro ônibus,
pessoas perdidas, etc.) e controle remoto de semáforos, usados para abrir o sinal
e garantir pontualidade dos ônibus.

Foto 3 –Internet e telefone públicos na
calçada, Amsterdam, 5 maio 1997.

Foto 4 – Bicicletas sob neve junto à estação de
trem, em estacionamento público, Delft,
3 março 2006.

Dos meios de transporte individuais, a bicicleta é tão ou mais importante
que o automóvel, com 13 milhões de bicicletas no país (Foto 4). Por exemplo, “um

�8

em cada três deslocamentos na Holanda é de bicicleta [e] o país tem milhares de
ciclovias vedadas a carros” (HOLANDESES..., 2006, f. 1). A legislação de trânsito
para elas exige dos ciclistas muita atenção em sua manutenção e condução, tais
como, dar sinal de conversão à direita ou à esquerda, acionamento de faróis
conforme horário e condições climáticas, espelho retrovisor, obediência aos
semáforos, respeito aos pedestres, estacionamento em locais permitidos, etc.
Aqueles que têm alguma dificuldade de locomoção, tais como, idosos e
deficientes, contam com cadeiras e macas eletrônicas onde o próprio usuário é o
condutor. É um meio de locomoção respeitado pelos condutores de outros
transportes e igualmente tem regras a seguir no trânsito (espelho, iluminação,
obediência a sinais).

Para saber mais, a página eletrônica http://www.nederland.starttips.com/ traz
links para páginas oficiais de cidades e de bibliotecas da Holanda.

3.1 Amsterdam

Capital da Holanda, sua população é de mais de 715 mil pessoas
(ALMANAQUE..., 2006). Nas bibliotecas públicas, uma central e 24 de bairro
(Foto 5), o sistema de classificação para literatura segue o padrão nacional (Foto
6).

Foto 5 – Uma das 25 bibliotecas públicas em
8 maio 1997.

Foto 6 – Sistema pictográfico na seção
infantil, 8 maio 1997.

�9

3.2 Breda

Com mais de 120 mil habitantes, o transporte coletivo interno conta com
linhas de ônibus e, para sair da cidade, linhas de trens. O final das linhas de
ônibus situa-se junto à estação de trem. O Dia de Compras é quinta-feira e a
cidade conta com a universidade pública Open Universiteit Nederland.

As novas instalações da Centrale Bibliotheek Breda (pública) datam de
1998, e o projeto arquitetônico de Herman Wertzberger é moderno e dinâmico
(Fotos 7 e 8). Nas segundas-feiras, apenas o Café da Biblioteca abre. Nesse dia,
a Biblioteca oferece cursos e palestras especiais. De terça a sexta, seu horário é
das 11 às 20h e, aos sábados, das 11 às 16h. Sua localização é privilegiada, no
ponto mais central da cidade, junto à principal rua comercial, shopping, prefeitura,
igreja matriz (transformada em museu) e nova catedral, bares, cafés e lojas de
souvenirs para turistas. Festas e reuniões populares de grande aglomeração
ocorrem junto à rua da Biblioteca, tais como: feiras semanais, carnaval e desfiles
de moda. Situa-se ainda junto ao Correio, à Telefônica, e ao prédio que abriga o
Teatro e o Cassino. A Biblioteca é cercada de estacionamentos para bicicletas:
coberto e fechado, público e gratuito.

Foto 7 – Centrale Bibliotheek Breda, em
março 2006.

Foto 8 – Interior da mesma biblioteca, em
março 2006.

�10

3.3 Eindhoven

Com mais de 200 mil habitantes (EINDHOVEN, 2006), o transporte coletivo
de Eindhoven ocorre por meio de trens e ônibus, e não por metrô de superfície,
como ocorre em Amsterdam e Den Haag. Assim como trens ocupam
provisoriamente uma plataforma em sistema de rodízio e o usuário controla,
através de painel eletrônico, plataforma e horário de partida, na mesma Estação
Central de Trens, encontra-se o ponto final dos ônibus, com painel próprio. O Dia
de Compras da cidade é sexta-feira.

Embora a história da cidade comece por volta de 1232, Eindhoven
desenvolveu-se por estar na rota comercial e, especialmente, séculos depois,
quando lá instalou-se uma indústria eletrônica, a Philips, que gerou outras
necessidades para a população (EINDHOVEN, 2006). A cidade cresceu em torno
dela, com escolas, estádio de futebol, comércio, etc. A empresa, com o tempo,
fundou uma universidade a fim de formar e qualificar técnicos e engenheiros que
trabalhariam, principalmente, na própria indústria. Dessa necessidade, foi criada a
Technische Universiteit Eindhoven. No Campus universitário, os prédios são
interligados por passarelas e suas bibliotecas compõem um sistema: uma
biblioteca central e seis departamentais.

A biblioteca pública principal (Foto 9) mudou-se recentemente para um
ponto mais central, e ocupa dois andares de um prédio que já existia, adaptados
para abriga-los. A classificação pictográfica segue o padrão nacional (Foto 10).

Foto 9 – Openbare Bibliotheek Eindhoven quando Foto 10 – Sistema de classificação na
mesma biblioteca, 3 maio 1997.
era em shopping, em 3 maio 1997.

�11

3.4 Rotterdam

Em uma cidade com o maior porto do mundo e quase 600 mil habitantes
(ROTERDÃO, 2006), justifica-se ter sua Biblioteca Pública Central com uma
arquitetura que lembre um navio (Foto 11). Essa biblioteca, em 1972, era tão
automatizada, que um robô buscava os livros nas estantes. Porém, a população
local sentiu falta do ser humano e solicitou o retorno ao sistema antigo, o que lhe
foi atendido. As 24 bibliotecas públicas usam a classificação pictográfica (Foto
12).

Foto 11 – Biblioteca Pública junto à estação de trem, Foto 12 – Mesma biblioteca, sistema
em 22 janeiro 1997.
pictográfico, em 22 janeiro
1997.

3.5 Tilburg

Tilburg situa-se a 10km da fronteira com a Bélgica, na Midden Brabant, ou
seja, na Brabante Central, tem mais de 200 mil habitantes (TILBURG, 2006), e
seu Dia de Compras é sexta-feira. O sistema de bibliotecas públicas é composto
por uma biblioteca principal e 13 de bairro. O horário da Biblioteca Central, a
Bibliotheek T’WEB koningsplein (Foto 13), é: de segunda a quinta-feira, das 11 às
20h; sextas-feiras, das 11h às 17h; sábados, das 11 às 20h e domingos, das 13
às 17h.

�12

D

D

Foto 13 – Openbare Bibliotheek (Biblioteca
Pública), 28 março 1996.

Foto 14 – Máquina de auto-devolução na
biblioteca pública., 16 fevereiro 1996.

Da Katholieke Universiteit Brabant (KUB), hoje, Universiteit van Tilburg,
surgiu o TICER (Tilburg Innovation Centre for Electronic Resources), importante
centro de tecnologia com cursos modulares oferecidos e conhecidos através do
International Summer School on the Digital Library (hoje, International TICER
School), atualizando bibliotecários e publicadores. Sua Biblioteca, cujo novo
prédio foi inaugurado em 1992 com 250 estações de trabalho (para consulta ao
catálogo, às bases de dados e redação de textos), utiliza o software PICA (Project
for Integrated Catalogue Automation), uma rede criada em 1972 com onze
bibliotecas holandesas (GELEIJNSE, 1992). A biblioteca estimula os bibliotecários
da equipe para o desenvolvimento de pesquisa científica no setor em que atuam.
Voltada à automação, possui serviços de auto-empréstimo (Lendomat – máquina
de auto-empréstimo) e de auto-devolução (Foto 14). A auto-retirada pode ser feita
em máquinas dispostas em vários locais da biblioteca e funciona com o cartão do
usuário, que possui chip. O sistema desmagnetiza a obra e emite comprovante de
retirada com: nome do leitor, título da obra, data em que deverá ser devolvida. A
auto-devolução também pode ser feita nessas máquinas que podem ainda
bloquear uma retirada e informar a situação “bancária” do usuário. As obras
devolvidas nesse sistema devem ser acomodadas em coletoras próprias.
Instalado no hall da Biblioteca Central há um serviço de auto-devolução que
consiste em um sistema, onde o próprio usuário posiciona a obra no
compartimento, que se fecha através de porta acrílica transparente e a obra é
afastada do indivíduo (Foto 14). Uma vez posicionada corretamente, o sistema lê
e reconhece a obra devolvida dando baixa automaticamente através do código de

�13

barras, magnetizando-a e emitindo, nesse instante, um comprovante impresso.
No caso de haver taxa por atraso, esta vai se somando a outras despesas do
usuário relativas a qualquer outro serviço que a universidade ofereça, como por
exemplo, de impressão, máquinas de café e refeições da cantina. O horário
normal dessa biblioteca, excetuando períodos de recesso escolar e feriados
nacionais, é: de segunda a sexta-feira das 8 às 21h 30min e aos sábados, das 9
às 16h.

3.6 Utrecht

A população é de mais de 250 mil pessoas e a Universidade de Utrecht é a
maior da Holanda, com mais de 60.000 estudantes (UTRECHT, 2006). A
Biblioteca Pública Central (Fotos 15 e 16) e doze, das quatorze bibliotecas de
bairro, podem ser vistas na página eletrônica da cidade com opção de texto em
Inglês (UTRECHT, 2006). Os usuários adultos podem retirar até 15 itens, as
crianças, até 10 itens, e o valor das taxas variam conforme a idade (há casos de
gratuidade para crianças e descontos para idosos). Seu horário é: segunda-feira,
das 13 às 21h; terças e quartas, das 11 às 18h; quinta, Dia de Compras, das 11
às 21h; sexta-feira, das 11h às 18h; e sábados, das 10 às 17h.

Foto 15 – Gemeentebibliotheek Utrecht - Biblioteca
Municipal de Utrecht, em 15 janeiro 1997.

Foto 16 – Exemplo de mobiliário
dessa biblioteca, 15
janeiro 1997.

�14

4 CONSIDERAÇÔES FINAIS

Observou-se que os recursos utilizados nas bibliotecas visitadas:
incentivam a freqüência de leitores; facilitam o acesso; respeitam a identidade de
cada grupo de usuários; facilitam a busca, virtual ou de sinalização da biblioteca,
integrando acervos em um mesmo sistema. Embora todas sigam o mesmo
padrão, cada biblioteca mantém sua identidade. De acordo com a observação
realizada de 1997 a 2006, os sistemas evoluíram sem perder sua essência.
Algumas mudanças implementadas, observadas, foram: investimento em
automação e equipamentos de auto-serviços; busca de conforto de usuários e
melhores condições físicas através de novos prédios; adaptação e previsão de
crescimento

de

acervos.

Conclui-se

que,

através

do

acompanhamento

tecnológico implementado, há uma forte convicção em atrair o usuário e tornar a
informação cada vez mais de acesso público e irrestrito. Além disso, constata-se
a preocupação em manter-se inserida social e culturalmente, na comunidade
local, cumprindo seu papel, seja ela universitária ou pública.

REFERÊNCIAS

ALMANAQUE minicopa 2006. Magnum, 2006. Disponível em:
&lt;http://www.magnum.com.br/hotsites/minicopaburitis/pdf/holanda.pdf&gt;. Acesso
em: 2 maio 2006.

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE JORNAIS. Jornais: breve história. Brasília, DF,
[2003?]. Disponível em: &lt;http://www.anj.org.br/files/Arquivos/historiadojornal.pdf&gt;.
Acesso em: 14 jun. 2006.

COSTER, Lourens. In: CANAVEIRA, Rui. Dicionário de tipógrafos e litógrafos
famosos. [Lisboa], 2002. p. 34. Disponível em:
&lt;http://www.paginagrafica.com/pdf/dicionario.pdf&gt;. Acesso em: 14 jun. 2006.

�15

EINDHOVEN. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. 2006. Disponível em:
&lt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Tilburg&gt;. Acesso em: 2 maio 2006.

GELEIJNSE, Hans. La nueva biblioteca universitaria de Tilburg. El Profesional
de la Información, Granada, n. 7, Set. 1992. Disponível em:
&lt;http://elprofesionaldelainformacion.com/contenidos.html&gt;. Acesso em: 2 maio
2006.

HOLANDESES criam sistema de navegação para bicicletas. Reuters, 2006.
Disponível em: &lt;http://tecnologia.terra.com.br/interna/0..Ol1068662El4799,00.html&gt;. Acesso em: 14 jun. 2006.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Estados@ :
unidades da federação. Rio de Janeiro, [2006]. Disponível em:
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ROTERDÃO. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. 2006. Disponível em:
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TECHNISCHE UNIVERSITEIT EINDHOVEN. About the TU/e Library.
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TILBURG. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. 2006. Disponível em:
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UTRECHT. Utrecht: Gemeente Utrecht. Utrecht, 2006. Disponível em:
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VAN VLIMMEREN, Ton. Welcome to Utrecht Public Library . In: INTAMEL
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September 2003, Rotterdam. Reinventing metropolitan libraries. Rotterdam:
IFLA, 2003. 8 f. Disponível em: &lt;http://www.ifla.org/VII/s46/conf/utrecht.pdf&gt;.
Acesso em: 3 maio 2006.

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Miranda, Celina Leite; Crespo, Isabel Merlo; Rodrigues, Ana Vera Finardi</text>
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                <text>UFBA</text>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>2006</text>
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          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="55263">
                <text>Evento</text>
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            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="55264">
                <text>Estudo comparativo resultante de visitas técnicas a bibliotecas universitárias e públicas da Holanda, nas cidades de Amsterdam, Breda, Eindhoven, Rotterdam, Tilburg e Utrecht, entre 1997 e 2006. Em forma de pôster, visa apresentar as principais características dessas bibliotecas. A análise foi realizada através de visitas periódicas, com observação local, coleta de material e ensaios fotográficos. Baseado em bibliografia sobre bibliotecas holandesas, universitárias e públicas, descreve os fatores utilizados para obter ampla procura pelo público, facilidades de localização e de acesso, diversidade de recursos e serviços oferecidos, padronizações em sistemas automatizados e de classificação, busca em propiciar a independência do usuário através de self-sevices, onde ele próprio pode fazer cópias, empréstimos, devoluções, usando serviços presenciais; além dos oferecidos virtualmente. Há preocupação em tornar o ambiente agradável, através de projetos arquitetônicos voltados para bibliotecas, buscando designs modernos e arrojados sem perder o atendimento humano, mesmo utilizando tecnologia de ponta. Além disso, observa-se preocupação constante com a segurança dos usuários, acervo, e sinistros. Conclui-se, entre outros fatores, que além do interesse em captar o usuário e tornar a informação, através da tecnologia, cada vez mais de acesso público e irrestrito, há preocupação de manter-se inserida na comunidade local, cumprindo o seu papel.</text>
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            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
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                <text>pt</text>
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                    <text>BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS E AS FONTES DE INFORMAÇÃO
ELETRÔNICA: O BIBLIOTECÁRIO E AS NOVAS DEMANDAS

Isabel Merlo Crespo
Mestre em Comunicação e Informação pelo
Programa de Pós-Graduação em Comunicação
e Informação da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul. Bibliotecária da Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
Av. Ipiranga 6681, Prédio 16, Porto Alegre/RS Brasil
E-mail: icrespo@pucrs.br

Ana Vera Finardi Rodrigues
Mestre em Ciência da Informação pela Pontifícia
Universidade Católica de Campinas. Bibliotecária
Setorial da Faculdade de Veterinária da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Av. Bento Gonçalves, 9090, Porto Alegre/RS Brasil
E-mail: anavera@ufrgs.br
Celina Leite Miranda
Mestre em Ciência da Informação pela Pontifícia
Universidade Católica de Campinas. Bibliotecária
Setorial da Escola de Enfermagem da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
R. São Manoel, 963, Porto Alegre/RS - Brasil
E-mail: celina@ufrgs.br

1

�RESUMO

Descreve o papel a ser desempenhado pelo bibliotecário, especialmente os que
atuam em bibliotecas universitárias, em função da adoção das tecnologias da
informação e comunicação, bem como, algumas das principais fontes de
informação utilizadas em bibliotecas universitárias nacionais e centros de
informação acadêmica, e disponíveis na Internet. Para isso, realizou-se uma
revisão nos fundamentos contextuais das atuações deste profissional, frente às
perspectivas apresentadas, em decorrência das mudanças ocorridas no âmbito
da comunicação científica, especialmente das fontes de informação disponíveis,
tais como: periódicos científicos eletrônicos, e-books, bibliotecas digitais,
publicações de acesso livre e bases de dados. Entre outras considerações,
verifica-se que este profissional deve estar capacitado a atuar com fontes de
informação de qualquer tipo, em qualquer suporte, elegendo-as e adequando-as
de acordo com as necessidades de seu usuário. A formação do profissional da
informação deve focar-se no desenvolvimento de um perfil que lhe permita
adaptar-se e dominar as mudanças decorrentes do avanço tecnológico, tornandoo, assim, apto a atender o usuário remoto (via on-line) que, diante da globalização
e da sociedade digital, apresenta-se com um grande potencial de crescimento.

Palavras-chave: Bibliotecário. Bibliotecas universitárias. Fontes de informação
eletrônica.

1 INTRODUÇÃO

Com a revolução das tecnologias da informação e o advento da Internet o
texto escrito, como tem acontecido desde a invenção da escrita, com a introdução
do alfabeto grego (cerca de 700 a.C.), tem sofrido modificações inclusive
alterando a cultura humana a partir do momento em que aparece a cultura
letrada. (MARTINS FILHO, 1998). O surgimento de novas tecnologias, permitindo
um novo espaço de comunicação (mídia eletrônica), caracteriza-se pela

2

�capacidade de consolidar grandes estoques de informação, acompanhada da
facilidade de tratamento e recuperação de dados.

As bibliotecas, desde o início de sua história, aproximadamente no século
VII a.C., passam por uma constante adaptação, seguindo a evolução da
sociedade, sofrendo influência e vinculando-se diretamente às mídias existentes
e ao desenvolvimento tecnológico. Inicialmente utilizavam-se tábuas de argila
para registrar a informação produzida, evoluindo para papiro, pergaminhos, couro
de animais e posteriormente, no século XV, com os tipos móveis. Assim, abriu-se
a possibilidade de levar às mais diversas camadas da população, a informação
impressa. O barateamento de custos, proporcionado pela montagem de matrizes
e pelo uso do papel vegetal, mais barato e de fácil manufaturamento, e a
possibilidade de grandes tiragens de uma mesma obra, impulsionou a
disseminação da informação. O crescimento editorial gerou, ainda, entre outras
questões, a ampliação de acervos em bibliotecas e a criação de muitas outras,
trazendo como conseqüência, uma maior transferência de informação para a
sociedade. A partir de então foi necessário que as bibliotecas se adequassem à
demanda emergente. (MILANESI, 2002; BURKE, 2003).

A década de 90, marco do surgimento da Web e das Tecnologias de
Informação e Comunicação (TICs), especialmente nas bibliotecas universitárias,
facilitou a disseminação do conhecimento, exigindo das bibliotecas e do
profissional que nela atua, uma adaptação aos novos conceitos, trazendo a
necessidade de um posicionamento convergente com as mudanças, de maneira
a, além de não perder, conquistar novos espaços.

Neste contexto percebeu-se a necessidade de uma visão dinâmica das
bibliotecas universitárias, que se direcione a este cenário e adote novas
estruturas que permitam o uso de recursos e ferramentas tecnológicas. As
bibliotecas necessitam desenvolver e reordenar sua estrutura, trabalhos e
métodos gerenciais, de maneira a oferecerem respostas rápidas e eficientes às
demandas da sociedade, na qual estão inseridas, e também aos seus usuários.

3

�As bibliotecas universitárias são aquelas que refletem as características da
instituição à qual vinculam- se, a Universidade, buscando orientar-se através
destes objetivos e seguindo diversas funções voltadas para o ensino, pesquisa e
extensão. Maciel e Mendonça (2000, p. 2) destacam que elas “não são
organizações autônomas, e sim organizações dependentes de uma organização
maior - a Universidade, portanto sujeitas a receberem influências externas e
internas do ambiente que as cercam.” São caracterizadas como centros de
informação e pesquisa, especializados ou não, preocupados com o avanço
científico e tecnológico e, ao mesmo tempo, com a manutenção da história e
acompanhamento das ciências.

Quanto aos serviços que as bibliotecas universitárias oferecem, segundo
Tarapanoff (1982, p. 82) estão envolvidos em três atividades básicas que seriam:
“adquirir e armazenar materiais [...]; identificar e localizar os materiais e
apresentar estes materiais para os usuários da biblioteca, numa variedade de
formas.” Estas atividades e serviços passaram, com a evolução tecnológica, a
utilizarem-se de canais diretos proporcionados pelas Tecnologias da Informação e
da Comunicação (TICs) para o tratamento, armazenamento e recuperação de
dados, com o uso de fontes em novas mídias e para o contato com seus usuários.

As bibliotecas universitárias fazem uso intenso das fontes de informação
em meio eletrônico, especialmente quando possibilitam o acesso direto e ágil ao
conteúdo completo das informações. Os recursos disponíveis hoje possibilitam
obter o documento, em curto espaço de tempo, de qualquer lugar, bastando para
isso fazer o acesso remoto, diretamente de sua máquina.

Outro fator importante é a adequação das bibliotecas e bibliotecários às
novas exigências do meio acadêmico, em decorrência do uso das tecnologias. A
partir desta evolução, as bibliotecas universitárias necessitaram adaptar seus
recursos e serviços a esta situação, na intenção de dar suporte às atividades de
ensino, pesquisa e extensão.
4

�Em decorrência das mudanças oriundas do avanço tecnológico, ao papel
do bibliotecário agregam-se novas demandas. De acordo com as considerações
de Souto (2005, p. 30) o profissional irá atuar: “[...] de forma significativa no
desenvolvimento/gerenciamento e serviços informacionais, assumindo, assim,
uma notória participação no desenvolvimento industrial, social, econômico,
cultural, científico e tecnológico”. Complementando essa idéia, Bueno e Blatmann
(2005, p. 4) destacam que é necessário que este profissional conheça,

[...] os recursos informacionais disponíveis para desempenhar com
habilidade a pesquisa de conteúdos e tomar atitudes específicas quanto
ao uso ético da informação (leal, sigiloso e confidencial). Ao reportar as
atividades desenvolvidas utilizando as novas tecnologias da informação
e comunicação na formação profissional espera-se buscar satisfação dos
usuários no centro da informação.

A orientação e o treinamento dos usuários, na era eletrônica, são
atribuições do bibliotecário que se tornam, cada vez mais, vinculadas à sua
formação. Adquirem contornos relevantes, uma vez que a evolução do
“treinamento em recursos bibliográficos” está exigindo conhecimentos cada vez
mais específicos em recursos online, especialmente na busca e recuperação de
informação. Faz-se necessário um planejamento no intuito de voltar-se às
necessidades dos usuários, quando do seu treinamento, visando a sua
capacitação de forma adequada. Figueiredo (1996, p. 43) aborda este contexto,
enfatizando a importância do bibliotecário desenvolver e oferecer “[...] programas
de instrução que forneçam suficiente informação para que o usuário possa
escolher o instrumento de pesquisa mais apropriado às suas necessidades”, bem
como “a [...] de treinamento contínuo, à medida que novas bases de dados são
incorporadas”. (FIGUEIREDO, 1996, p. 43).

Complementando esta idéia pode-se colocar que o profissional da
informação, de acordo com Araújo e Dias (2005), necessita desenvolver um perfil
pró-ativo capaz de antecipar-se às exigências do seu usuário, dispondo, para
tanto, de tecnologias de educação à distância, oferecendo treinamentos remotos,
com a troca de informações em tempo real, tutoriais e outros. Assim, torna-se
5

�visível o envolvimento dos bibliotecários na adoção de padrões de indexação e
descrição bibliográfica, no processo de alimentação de bases de dados (MARC,
metadados, protocolos de comunicação entre computadores facilitando a
pesquisa e recuperação de registros).

Além disso, para atuar neste contexto que surge, este profissional deve ter
uma postura compatível aos recursos decorrentes do acesso livre à publicação
científica. A disseminação da informação está sendo democratizada, quebrando
barreiras de acesso e modificando o modelo tradicional de publicação, que
demandava, anteriormente, trâmites burocráticos, desde a sua publicação, até o
usuário final. Considera-se, ainda, o aspecto custo das assinaturas, que acabava
por limitar o acesso à informação. (RODRIGUES, 1999).

Para desempenhar as funções já descritas, o bibliotecário deverá
desenvolver algumas habilidades de cunho profissional. Entre elas destaca-se o
empenho em desenvolver parcerias entre bibliotecas ou outras instituições, a
formação de redes visando globalizar os conhecimentos, proporcionando o
acesso à informação em nível mundial, dedicar-se ao desenvolvimento de bases
de dados e, por fim, voltar-se para a adoção de protocolos e padrões técnicos.
(TARAPANOFF, 1997).

Desse modo, pretende-se, no decorrer deste trabalho, levantar algumas
questões a respeito das mudanças por que passam as bibliotecas universitárias,
especialmente dos novos serviços adotados e do papel a ser desempenhado pelo
bibliotecário, em função das mudanças tecnológicas. Para tal, buscou-se fazer
uma revisão nos fundamentos contextuais a respeito dos serviços e produtos das
bibliotecas universitárias, das fontes de informação disponíveis, seus novos
recursos tecnológicos bem como as perspectivas apresentadas em decorrência
da comunicação científica e do bibliotecário neste cenário.

2 SERVIÇOS E FONTES DE INFORMAÇÃO ELETRÔNICA

6

�Neste levantamento são apresentados alguns dos principais serviços e
fontes de informação utilizados em bibliotecas universitárias nacionais e centros
de informação acadêmica, disponíveis na Internet.

2.1 SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO ELETRÔNICA

Atualmente é uma tendência e uma necessidade o desenvolvimento de
serviços que sejam acessados através do website das bibliotecas. Os websites
são utilizados para diversos fins, como: informar sobre os serviços oferecidos,
acervo, horário de funcionamento, contatos, além de reunir as fontes de
informação, auxiliar os usuários através de tutoriais, FAQs (Frequently Asked
Questions) entre outros.

Estes serviços tendem a complementar os já oferecidos presencialmente
ou apresentar-se como um novo serviço, vinculado, de modo especial, somente
ao meio eletrônico. Destaca-se, por exemplo, a comutação bibliográfica, para a
obtenção de documentos, que atualmente pode ser realizado totalmente por meio
eletrônico.

Os serviços de referência, que atualmente também se denominam serviços
de referência digital, adotam as facilidades oferecidas pela tecnologia. Utilizam-se
dos mais variados recursos, como chats, ouvidoria eletrônica, blogs, acesso
remoto a bases de dados e fóruns de discussão. Márdero Arellano (2001) destaca
alguns dos serviços de referência virtual que são oferecidos via e-mail: Ask A
Service, ou o Ask-A-Scientist; Ask-A-Librarian e Ask-An-Expert (serviço prestado
por especialista no assunto).

Alguns dos serviços, comumente denominados, serviços de informação
eletrônica, são descritos a seguir (Quadro 1).

7

�Serviços

Descrição

Para atendimento imediato a questões do usuário que substitua a
tradicional entrevista de referência realizada pelo bibliotecário face
a face com o usuário. Pode funcionar em horários prédeterminados ou em tempo integral, conforme a estrutura que a
biblioteca possui. Também são utilizados recursos de voz e
imagem, através de webcams e microfones, com maior interação
entre bibliotecário e usuário.
DSI eletrônico
Serviço de mala direta eletrônica. É utilizado para avisar novas
aquisições, eventos e fazer comunicações em geral.
Os blogs institucionais de bibliotecas trazem informações gerais,
Blog
com atualizações diárias e a participação dos usuários.
Tutorial
Serve para dar treinamento ou maiores informações sobre o uso
ou funcionamento de um recurso ou fonte. Desenvolvido em
softwares específicos, pode permitir inclusive a interação com o
usuário.
Apresenta respostas, previamente elaboradas, a questões
FAQ
recorrentes, sem necessitar a mediação humana no momento.
Visita virtual
Apresenta um tour pelas instalações e ou recursos oferecidos pela
biblioteca. Através de áudio, vídeo etc.
E-mail (Pergunte ao Para respostas rápidas sobre dúvidas em questões de referência,
bibliotecário)
serviços prestados e funcionamento da biblioteca. Adota padrões
de atendimento como tempo de retorno etc.
Chat

Quadro 1 – Serviços de informação eletrônica

2.2 FONTES DE INFORMAÇÃO ELETRÔNICA

As fontes são dotadas de aspectos cuja tendência prima pela facilidade de
acesso por parte do pesquisador. A publicação eletrônica nem sempre
compartilha as suas características com os documentos impressos. (LEGGETT;
NÜRNBERG; SCHNEIDER, 1996). Sua disseminação pode dar-se de forma fácil,
possibilitando modificações e múltiplas versões, permitindo, inclusive, que estas
sejam armazenadas e referenciadas.

Destaca-se que algumas das fontes de informação tendem a unificar seus
serviços e recursos, uma vez que juntam características que anteriormente faziam
parte de apenas um único tipo de fonte, como os índices impressos. Assim podese obter, com um único recurso, a busca, localização e obtenção do documento,
distinguindo-o do panorama anterior onde, para cada passo, utilizava-se uma
ferramenta diferente. Segundo Taubes (1996) as vantagens da publicação

8

�eletrônica em relação à impressa, abrangem recursos de áudio e vídeo,
ferramentas de busca variadas (através das estratégias de busca), links para
artigos relacionados e citações e serviços de alerta por e-mail, entre outros.

Abaixo são apresentadas algumas fontes de informação eletrônica (Quadro
2) :

Fontes

Descrição

Periódicos científicos
eletrônicos

o periódico eletrônico é aquele “cujo texto pode ser acessado
diretamente por transferência de um arquivo de um computador
[...], cujo processo editorial é facilitado pelo computador e cujos
artigos são também disponibilizados na forma eletrônica.”
(SWEENEY, 1997, p. 9)
Bases de dados
São recursos que apresentam muitos modos de se pesquisar,
com diversos pontos de acesso, possibilitando a busca por
campos específicos, como palavras-chave, pelo(s) nome(s)
do(s) autor(es), utilizando-se de lógica booleana, escolhendo o
período de cobertura, e outros recursos que permitem buscas
muito específicas. Normalmente, fornecem apenas as
referências, mas também podem trazer os textos completos
(CAMPELLO; CENDÓN; KREMER, 2000).
Bibliotecas digitais
São definidas, como as bibliotecas que “combinam recursos
tecnológicos e informacionais para acessos remotos,
quebrando barreiras físicas entre eles.” (BLATTMANN, 2001, p.
93).
Bibliotecas digitais de São ferramentas de pesquisa em meio eletrônico e on-line, que
teses e dissertações
contêm os trabalhos oriundos de cursos de pós-graduação. As
teses e dissertações são consideradas um tipo de literatura
cinzenta, por não possuírem um sistema de publicação e
distribuição comercial (CAMPELLO; CENDÓN; KREMER,
2000).
E-book
Livro em formato eletrônico que pode ser visualizado na tela do
computador ou baixado através de download, via Internet,
podendo ser acessado de forma gratuita ou mediante
pagamento.
Ferramentas de busca São definidas como um facilitador para a localização de
na Internet
informações em buscas gerais, servindo, por exemplo, para
identificar o que é desenvolvido sobre um determinado assunto.
Destacam-se recursos como o Google, Cadê, Lycos e Yahoo.
Publicações de acesso Caracterizam-se por permitir o acesso sem barreiras, surgindo
livre
como uma alternativa ao modelo tradicional de publicação
científica, podendo dispensar a necessidade de pagamento ou
senhas. Como exemplo, arquivos abertos (open archives) arquivos online de acesso público, nos quais o próprio autor
deposita o documento no meio eletrônico, garantindo a
visibilidade sem as barreiras impostas pelos sistemas
tradicionais. (CAFÉ; LAGE, 2002).

Quadro 2 – Fontes de informação eletrônica
9

�Frente a todas essas novas fontes eletrônicas, ampliam-se as funções do
bibliotecário. Redefine-se seu papel, transcendendo sua atuação de mero
intermediário entre usuário e informação.

Segundo Souto (2005, p. 47), “O domínio das técnicas de acesso às bases
de dados é uma importante característica de qualquer profissional da informação”.
Cabe ao bibliotecário organizar o acervo digital, na busca constante de novas
fontes, testando novos caminhos e monitorando canais de informação existentes.
Por exemplo, ferramentas de referência virtual, tais como chats, fóruns de
discussão, atendimento online em tempo real, inclusive valendo-se de recursos
multimídia como som e imagem. Além disso, pode fazer uso da busca na Internet
em sites de editoras de publicações científicas e de instituições de pesquisa.
Insere-se, ainda, nas suas atribuições, divulgar as fontes eletrônicas e seus
serviços, preparar tutoriais, guias que auxiliem os usuários em suas consultas e
dúvidas.

A análise e a observação dos usuários potenciais permitem ao bibliotecário
trabalhar no intuito de adequar as interfaces, como websites de bibliotecas e em
ferramentas de busca, inclusive colocando-as à disposição do usuário conforme
seus interesses. O bibliotecário atua, cada vez mais, em um contexto no qual o
acesso do usuário às informações independe do horário de funcionamento da
biblioteca, podendo beneficiar-se dos serviços remotos que lhe são oferecidos.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em todas as áreas do conhecimento, a tecnologia avançou e trouxe
vantagens. A Ciência da Informação se beneficia das ferramentas eletrônicas e
aceita os desafios que se apresentam através de produtos e serviços inerentes às
fontes eletrônicas.

10

�A formação do bibliotecário deve focar-se em um perfil capaz de adaptar-se
e dominar as mudanças decorrentes desses avanços tecnológicos. Dele é exigida
uma atualização constante, aprimorando suas habilidades, visando o atendimento
e capacitação do usuário, para atuar com fontes de informação de qualquer tipo,
em qualquer suporte, elegendo-as e adequando-as ao seu público. Os cursos de
graduação em Biblioteconomia merecem especial atenção, acompanhando
através de seus currículos este enfoque, formando profissionais capazes de
atuarem como mediadores, orientadores e instrutores nesta nova demanda. Além
disso, a educação continuada assume papel fundamental na intenção de manter o
profissional atualizado.

O profissional, neste contexto, deve desenvolver consciência crítica e
analítica, demonstrar interesse em descobrir novos caminhos e estar atento à
tecnologia emergente, refletindo sobre a evolução dos serviços, assumindo o
papel de intermediário no acesso à informação e influenciando na criação e
desenvolvimento de novas oportunidades.

REFERÊNCIAS

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bibliotecário no contexto da sociedade da informação. In: Oliveira, Marlene de.
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Descreve o papel a ser desempenhado pelo bibliotecário, especialmente os que atuam em bibliotecas universitárias, em função da adoção das tecnologias da informação e comunicação, bem como, algumas das principais fontes de informação utilizadas em bibliotecas universitárias nacionais e centros de informação acadêmica, e disponíveis na Internet. Para isso, realizou-se uma revisão nos fundamentos contextuais das atuações deste profissional, frente às perspectivas apresentadas, em decorrência das mudanças ocorridas no âmbito da comunicação científica, especialmente das fontes de informação disponíveis, tais como: periódicos científicos eletrônicos, e-books, bibliotecas digitais, publicações de acesso livre e bases de dados. Entre outras considerações, verifica-se que este profissional deve estar capacitado a atuar com fontes de informação de qualquer tipo, em qualquer suporte, elegendo-as e adequando-as de acordo com as necessidades de seu usuário. A formação do profissional da informação deve focar-se no desenvolvimento de um perfil que lhe permita adaptar-se e dominar as mudanças decorrentes do avanço tecnológico, tornando-o, assim, apto a atender o usuário remoto (via on-line) que, diante da globalização e da sociedade digital, apresenta-se com um grande potencial de crescimento.</text>
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                    <text>BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS E PERIÓDICOS ELETRÔNICOS: NOVAS
POSSIBILIDADES NO GERENCIAMENTO DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA

Regina Maria Duarte Moreira dos Santos
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia – Ibict
SAS, quadra 5, lote 6, bloco H, CEP. 70.070-914 Brasilia-DF, Brasil
reginaduarte@ibict.br
Miguel Angel Márdero Arellano
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia – Ibict
SAS, quadra 5, lote 6, bloco H, CEP. 70.070-914 Brasilia-DF, Brasil
Miguel@ibict.br

Resumo
O presente tem como objetivo propor uma reflexão sobre a relação biblioteca
universitária/periódico científico eletrônico, que atribuiu a esta biblioteca uma nova
configuração, alterando inclusive as políticas de desenvolvimento de coleções. Aborda a
passagem da biblioteca universitária tradicional para biblioteca digital. Salienta e articula
a evolução do Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas – OJS/SEER. Procura
analisar as transformações que os periódicos eletrônicos provocaram na área da
informação, envolvendo mudanças que atingiram, autores, editores, avaliadores,
bibliotecários e usuários.

Palavras – chave: Biblioteca universitária; Periódico científico eletrônico; Políticas
de desenvolvimento de coleções.
Introdução

As transformações recentes na área de economia mundial através da
globalização e da explosão de novos produtos, expandindo mercados no ramo
das telecomunicações e de serviços de informações e um inquestionável aumento
na produtividade nas últimas décadas, trouxeram alterações sensíveis ao
contexto das universidades e ao meio educacional em todos os níveis. Uma das
áreas afetadas foi o da aquisição de publicações científicas em bibliotecas – como
continuação do processo histórico que se iniciou nas décadas de 60 e 70, naquela
ocasião, exclusivamente devido ao “boom” do crescimento exponencial da
ciência, e conseqüentemente da produção bibliográfica (PRINCE, 1997).

1

�Estima-se que se encontram disponíveis no mercado nacional (há tempos)
globalizado mais de 12.000 periódicos eletrônicos pagos ou de acesso livre
segundo o Portal Brasileiro de Informação Científica – CAPES. Em comparação,
para se ter uma idéia mais exata do crescimento desse mercado, segundo o ISSN
International Center (2006), temos atualmente mais de 1.200.000 periódicos
correntes no mundo. É oportuno salientar que a definição dada pelo ISSN
International Center abrange um escopo de publicações mais largo ao estrito
objeto deste trabalho embora não menos importante: os jornais ou revistas
cientificas eletrônicas brasileiras.

O mercado de periódicos científicos é caracterizado pela ação de grandes
empresas transnacionais atuantes num mercado globalizado, exercendo formas
de oligopólios de poder, as quais podem estar alternando acentualmente os
resultado e metas esperadas pelas bibliotecas universitárias brasileiras, por
intermédio do gerenciamento de suas políticas de desenvolvimento de coleções.
Dentre as metas principais inseridas nestas políticas (e que deveriam estar sendo
cumpridas) está a democratização do acesso à informação científica – gerando
novos conhecimentos – e, em última instancia, a promoção do bem comum por
nossa sociedade.

A proposta de realização deste trabalho originou-se de uma constatação
inicial de que fatores de contexto como a mudança para uma cultura digital e o
uso intensivo da Internet, passam a exercer influências, a médio e longo prazo
sobre o processo de desenvolvimento de coleções.

Em se tratando especificamente de periódicos eletrônicos, Gardel Amaral
coloca-nos uma questão relevante (1997, p. 125):
...estão os periódicos tradicionais em processo de migração para o meio
eletrônico ou os editores apenas adotam a mídia eletrônica para efetivar
suas estratégias de marketing? Alguns autores acreditam que não há como
proceder a essa suposta migração.

2

�Responder a estas e outras questões se tornaram mais que um importante
desafio, mas também, uma necessidade para todos que trabalham diretamente
com a publicação cientifica e eletrônica. Sobre a razão desta migração já existem
estudos indicando que a preferência pelos periódicos eletrônicos se dá por razões
pragmáticas e culturais (administração e gerenciamento do processo editorial online, manipulação facilitada do texto digital, transportabilidade, capacidade de
duplicação exponencial, acesso livre a informação cientifica), e não pelo simples
fato de substituir e/ou solapar o texto impresso.

Por fim, outra justificativa para este trabalho advém de nossa atividade
profissional. Sentimos incentivados a desenvolvê-la, pois a nossa atividade
profissional nos últimos dois anos, esteve sempre atrelada a atividades de
repasse do sistema OJS/SEER – Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas,
às instituições de ensino superior no País. Nessa atividade, surgiram indagações
e motivação pessoal para buscar contribuir, mesmo que de forma indireta, para o
processo de construção de uma maior equidade social em nosso país, através da
democratização do acesso à informação cientifica.

O Open Journal Systems - OJS é um software desenvolvido pela Public
Knowledge Project da University of British Columbia no Canadá para a construção
e gestão de uma publicação periódica eletrônica. Este sistema permite completa
autonomia na tomada de decisões sobre o fluxo editorial, a publicação e o acesso
por parte do editor; define as etapas do processo editorial, de acordo com a
política definida pela revista, dispõe de assistência e registro on-line em todas as
fases do sistema de gerenciamento. Na etapa de submissão , o OJS disponibiliza
um espaço para comunicação com o editor e, permite o acompanhamento da
avaliação e editoração do trabalho.

Em 2003, O Ibict no projeto de Biblioteca Digital Brasileira customizou o OJS
e, em 2004 disponibilizou o sistema à comunidade de editores científicos
brasileiros, com a denominação de Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas
– OJS/SEER. É o único software no Brasil que possui o protocolo OAI para

3

�intercâmbio de dados essenciais (metadados), além do mecanismo para
preservação de seu conteúdo do projeto de preservação digital LOCKSS (Lots of
Copies Keeps Stuff Safe) e uma ferramenta de apoio à pesquisa (Research
Suport Tool) acompanhando todos os textos publicados para acesso a recursos
de informação científica na Internet. Atualmente mais de 90 revistas científicas
brasileiras já estão utilizando o sistema, ente elas, a primeira a usar o sistema em
2004, foi à revista Ciência da Informação editada pelo Ibict.

Desenvolvimento
1. Fundamentação Teórica

Ao construir um modelo teórico que dê conta de todos os fatores
envolvidos nas políticas de desenvolvimento de coleções eletrônicas, toma-se
como ponto de partida a constatação, de que as instituições de nossa sociedade
estão vivendo um novo contexto político, econômico, social e cultural, sobretudo
aquelas que fazem uso da informação mais diretamente e entre elas estão as
bibliotecas.

A biblioteca digital, embora seja uma realidade recente, pode ser
considerado um processo de evolução gradual da biblioteca tradicional
acompanhando os avanços das novas tecnologias, conforme ressalta Cunha
(2000, p. 16), que conceitua as bibliotecas digitais de uma maneira simples porem
adequada, como sendo “... um conjunto de mecanismos eletrônicos que facilitam
a localização da demanda informacional, interligando recursos e usuários”.

As bibliotecas digitais parecem caminhar no sentido de terem uma coleção
diversificada, com sua faceta digital tendo como característica especifica
(estrutura, serviços disponíveis), movendo-se cada vez mais de acordo com os
interesses e preferências de seus usuários.

Um conjunto de fatores arrolados – tecnológicos, sociais, econômicos,
comunicacionais, aponta para uma realidade vista em dois momentos históricos

4

�claramente distintos, podendo ser caracterizados conforme expõe o TABELA I –
Evolução do Processo de Aquisição do Conhecimento, a seguir:

TABELA 1 – Evolução do Processo de Aquisição do Conhecimento
CENÁRIOS

Natureza do
Fator

Anos 80 até primeira
metade da década de 90
(Bibliotecas tradicionais)

Segunda metade da década de 90 até
os dias atuais (Bibliotecas Digitais)

Social

Relativa distribuição de
renda e explosão do
consumo; Crescimento do
emprego, sobretudo nos
paises membros do G-8.

Diminuição do consumo e degradação
das condições de vida nas cidades;
Desemprego; Infoexclusão

Econômico

Economias ainda locais,
dominadas por impérios
regionais e centrais
(sobretudo dos Estados
Unidos e Japão); produção
“just in case”.

Economia e empresas globalizadas,
fortalecimento de alianças comerciais
regionais e de industrias de paises em
desenvolvimento; produção “just in time”.

Tecnológico

Surgimento e expansão de
novas tecnologias e
sistemas em rede

Consolidação da Internet e ambientes
corporativos; alto tráfego de dados
(“broadcasting”, ênfase em conteúdos).

Comunicação
Cientifica

Comunicação cientifica
preponderantemente ainda
impressa, inicio dos projetos
de divulgação ultraveloz de
trabalhos científicos;
comunicação unidirecionada
(um para um).

Publicações eletrônicas veiculadas e/ou
comercializadas através da Rede,
diminuição de tempo no processo de
transmissão do conhecimento;
comunicação multidirecionada (muitos
para muitos); hipertextualidade;

Serviços de
Bibliotecas

Projetos locais de aquisição
centralizada; diminuição de
orçamentos; aumento de
custos; investimentos em
serviços de empréstimo
interbibliotecas; baixo
incentivo ao treinamento de
funcionários.

Fortalecimento de consórcios regionais,
visando o acesso cooperativo de
documentos eletrônicos; intensificação
empréstimos inter-bibliotecas como nova
fonte de renda; fortes investimentos em
pessoal, incluindo cursos à distância e
ensino de línguas

2. O mercado de publicações cientificas

5

�Não foi apenas a hipertextualidade que, a partir de um determinado
momento histórico, outorgou às publicações periódicas eletrônicas um lugar de
destaque nas comunidades cientificas. Fatores econômicos impulsionaram os
grandes agentes distribuidores ou agregadores a contribuir para que o mercado
de publicações periódicas impressas entrasse em uma crise sem precedente
mundo afora e aflorassem as publicações eletrônicas.

Como relatam diversos autores, tal comportamento econômico do mercado
ocorreu, sobretudo nos últimos anos. Entre estes trabalhos, podemos citar os
relatos de Brakel (1995), Schauder (1990) Collins &amp; Berge (1994), Meyer (1997) e
Rogers &amp; Hurt (1990), que levantam as possíveis causas para esta crise das
publicações impressas e a explosão de sua contrapartida eletrônica:
- a ineficiência do modelo tradicional, as informações cientificas
chegam ao seu público alvo através de outros meios antes de sua
efetiva publicação. Assim quando o artigo é publicado este não
representa uma novidade (BRAKEL, 1995);
- limites físicos: alguns artigos, que poderiam trazer informações novas
e relevantes, acabam não sendo publicados, por falta de espaço nos
periódicos impressos (SCHAUDER, 1994);
- alta especialização e baixa circulação;
- altos e crescentes custos. Vide os trabalhos de Brakel (1995),
Schauder (1994) e Meyer (1997) e, sobretudo Odlyzko (1997);
- falta de espaço para armazenamento nas bibliotecas (CUNHA, 1997).

No caso dos grandes agentes distribuidores, encontram um mercado
globalizado caracterizado pela existência de um oligopólio ou monopólio onde
exercem o poder duas ou mais empresas distribuidoras fornecendo diversificados
serviços de informação, entre eles periódicos científicos.

Na literatura especializada encontramos uma preocupação e interesses
crescentes sobre a publicação eletrônica, destacamos os estudos de Meadows
(1979); Harrinson &amp; Stephen (1995); Barreto (1998); ou ainda uma bibliografia
extensiva publicada periodicamente por Bailey Jr. (2001).

6

�Como exemplo, o estudo de Olsen (1994) fez uma pesquisa de campo
onde foi analisada uma amostra de quarenta e seis estudantes e pesquisadores
de uma grande universidade norte americana cobrindo três grande áreas do
conhecimento (humanas, exatas e sociológicas), sendo composta pos estudantes
de literatura, química e sociologia, respectivamente. Entre os resultados do
estudo, Olsen (1994, p. 15) descobriu como principais razões para o crescimento
do uso de periódicos eletrônicos as seguintes razões, arroladas na TABELA 2 –
Razões para o uso de literatura de periódicos científicos, a seguir:

TABELA 2 – Razões para o uso de literatura de periódicos científicos
Razões para o uso de literatura de periódicos científicos
Fatores

Químicos
(n-16)

Sociólogos
(n-16)

Humanistas
(n-16)

Reunir conhecimento
para a sua formação
em dado assunto

16

16

14

Manter
permanente
consciência de novos
fatos /estudos

16

16

14

Busca de informações
especificas

16

16

14

Os resultados comprovaram, para a totalidade dos entrevistados, a alta
importância da literatura periódica, considerada “indispensável” para seus
trabalhos acadêmicos. Sua utilização foi justificada pelos pesquisadores,
conforme expôs Olsen (1994, p. 14), para mantê-los atualizados com o que outros
pesquisadores vem fazendo, para formar novas idéias para reunir conhecimento
para a formação em sua área, para observar novos fatores, atos e métodos de
trabalho.

7

�Sobre periódicos científicos, Khouri (1997), citando Payne (1997), define a
coleção digital ou eletrônica como sendo composta por: a) registros bibliográficos
on-line descrevendo coleções físicas da biblioteca; b) produtos informacionais
eletrônicos organizados localmente; c) pontes de acesso (recursos hipertexto) e
outros recursos on-line remotos avaliados e disponibilizados; e d) coleções
digitais locais.

3. Agentes distribuidores

Os periódicos científicos eletrônicos são apresentados em sites próprios ou
em base de dados de texto completo também chamadas bibliotecas digitais que
surgiram como complemento às bases de dados bibliográficas, com o objetivo
principal de amenizar os problemas de acesso ao documento original, tendo como
vantagem facilitar o acesso integrado a recuperação e a geração de indicadores.

No

Brasil,

a

SciELO

–

Scientific

Eletronic

Library

Online

&lt;http://www.scielo.org&gt;, foi a primeira base de dados de texto completo de
periódicos científicos eletrônicos. Apesar ser criada em 1995, começou a ser
operacionalizada em 1998, fruto de uma parceria entre a BIREME/OPAS/OMS –
Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde e a
FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo,
atualmente conta com o apoio do CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento
Cientifico e Tecnológico.

Em 2000, a CAPES lança na Internet o Portal Brasileiro da Informação
Cientifica http://periodicos.capes.gov.br, com a finalidade de oferecer aos
professores, pesquisadores, alunos e funcionários de 182 instituições de ensino
superior e de pesquisa em todo o País o acesso imediato à produção cientifica
mundial corrente.

Destacamos outras experiências regionais como: African Journals Online
&lt;http://www.ajol.info/&gt;, do International Network for the Availability of Scientific
8

�Publications

(INASP/JCSV),

medND

–

Biomedical

Journals

from

Índia

&lt;http://medind.nic.in/&gt;, e RedALyC – Red de Revistas Cientificas de América
Latina y el Caribe, España e Portugal&lt; http://www.redalyc.org/&gt;.

Em nível internacional, as principais bases de dados de texto completo são:
Biomed

Central

&lt;http://biomedcentral.com/&gt;,

&lt;http://www.plos.org/&gt;,

Public

Library

of

Science

PubMED Central &lt;http://www.pubmedcentral.gov/&gt;, e

Highwire Press &lt;http://.int.highwire.org/&gt;.

4. O desenvolvimento de coleções

Em sua ultima edição, revista e ampliada, Evans (1995, p. 16) extende sua
definição acrescentando que ”... o desenvolvimento de coleções é o processo de
identificação das necessidades de informação de uma população (um serviço à
população) de uma maneira temporal e economicamente adequada usando-se
dos recursos de informação localmente armazenados, bem como dos de outras
organizações ou bibliotecas”.

As

razões

que

norteiam

a

elaboração

de

uma

política

para

o

desenvolvimento da coleção, segundo Feng (1979, p. 40) são:
1) o próprio processo de elaboração do documento propicia oportunidade
de auto-avaliação e reflexão;
2) tal documento garante uma coleção consistente e crescimento
balanceado dos recursos da biblioteca.

Ou seja, a política irá funcionar como diretriz às decisões do bibliotecário
em relação à própria administração dos recursos informacionais. É ela que ira
prover uma descrição atual da coleção, apontar o método de trabalho para
concepção dos objetivos e funcionar como elemento de argumentação ao
bibliotecário, dando-lhe subsídios para discussão com autoridades superiores,
tanto para a obtenção de novas aquisições como para recusa a imposições
estapafúrdias.
9

�O documento de política de desenvolvimento de coleções exige bom
planejamento e ótimo conhecimento do acesso e área do conhecimento em que
se encontra inserida a biblioteca, bem como o tipo de biblioteca para o qual tal
política é elaborada (pública, especializada ou acadêmica). Atualmente, alem das
diretrizes estabelecias desde 1977 e revista pela ALA – American Library
Association , existem outras que merecem destaque e duas dela são o RLG
Conspectus, escrito pelo Research Libraries Group (GWINN e MOSHER, 1983, p.
128-40),

é

responsável

por

orientar

inúmeros

projetos

em

bibliotecas

universitárias espalhadas pelo mundo; e a elaborada por EVANS (1995), que
difere-se pouco das da associação americana de bibliotecas – American Library
Association - ALA.

5. Políticas de desenvolvimento de coleções de periódicos eletrônicos

Atualmente, as políticas de seleção deverão ser definidas não só em
relação

aos

critérios

de

custo-benefício

(aquisição

e

manutenção

de

equipamentos, de pessoal especializado para manuseio, da gravação em papel
ou em disquete), do tempo de conexão á rede (pois a instituição, está arcando
com os custos da rede de informação que a biblioteca universitária utiliza), mas
também, com as características inerentes ao campo do conhecimento no qual a
seleção ocorre, às particularidades específicas dos usuários e do próprio
ambiente no qual a biblioteca se localiza.

A informação deverá estar disponível, seja em que suporte for, no momento
em que o interessado desejar e a um custo que lhe seja conveniente. É
necessário refletir sobre as repercussões que a informação eletrônica terá em
relação ao usuário dos serviços. Na

maioria

das

bibliotecas

universitárias

brasileiras, o usuário tem acesso irrestrito a um título, sem qualquer ônus
adicional. A definição dos custos da informação obtida por meio de redes
eletrônicas ainda é mais ou menos incerta, mas até quando, será possível às

10

�bibliotecas universitárias manterem indefinidamente essa prática de nãocobrança direta ao usuário, quando da utilização de meios eletrônicos.

A decisão entre acesso e posse de documentos primários sempre ocorreu,
ou deveria ter ocorrido, levando-se em conta as condições específicas
vivenciadas por cada biblioteca universitária.

Na década de 90 surgiram várias iniciativas de consórcio de bibliotecas,
tanto em âmbito nacional como internacional, com o objetivo de juntar recursos
para a aquisição de periódicos eletrônicos tendo em vista o alto custo das
assinaturas de periódicos. Um exemplo de iniciativa foi o Programa de Bibliotecas
Eletrônicas (PROBE) que era um consórcio entre as universidades publicas do
Estado de São Paulo e o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em
Ciências da Saúde (BIREME) criado e mantido com o apoio da FAPESP.

A aquisição de periódicos internacionais das bibliotecas universitárias
federais era patrocinada pelo Programa de Apoio a Aquisição de Periódicos
(PAAP), da Coordenação de Apoio ao Pessoal de Nível Superior (CAPES),
vinculada ao Ministério da Educação e Cultura, criado no inicio dos anos 90 e que
abrangia 9700 títulos os quais eram distribuídos às instituições Federais de
Ensino Superior (IFEs) através de 33.000 assinaturas. Esse programa mostrou-se
ineficiente devido à dificuldade de controle e ausência de articulação entre seus
usuários.

A partir de 1999, devido às restrições orçamentárias impostas pela
desvalorização do Real, tornou-se inviável a manutenção do PAAP que sofre
algumas modificações passando para a competência das IFEs a aquisição dos
periódicos com verba oriunda da CAPES e oferecendo como inovação o acesso a
bases referenciais como a Web of Science (WOS) e a Silverplater.

A realidade de grande parte das bibliotecas de universidades publicas,
hoje, em relação ao seu acervo de periódicos, é a de existência de uma grande

11

�coleção de periódicos impressos não atualizados e o Portal da CAPES
disponibilizando um grande número de periódicos eletrônicos que passaram a ser
considerado como integrantes da coleção da biblioteca, ainda que fisicamente
não disponíveis. É, ainda, parte dessa situação, a impossibilidade de manutenção
das coleções impressas em função da indisponibilidade de recursos para sua
aquisição organização, armazenamento e conservação.

Os recursos de hardware necessários para disponibilizar o acesso são
caros e necessitam ser permanentemente atualizado devido as freqüentes
inovações, e este custo precisa ser adicionado ao valor da assinatura do periódico
eletrônico quando se processam a uma avaliação da relação custo/beneficio de
ambos os suportes. Outro fator de custo a ser adicionado é o da impressão dos
artigos que costuma ser repassado par o usuário porem que também pode estar a
cargo da biblioteca.

A avaliação do uso do periódico tanto na forma eletrônica como na
impressa é importante, para que possa ser medido o custo/beneficio de
manutenção da coleção. Além do uso recomenda-se observar alguns critérios na
avaliação da manutenção de coleções impressas como a completeza da coleção
e sua relevância para a comunidade acadêmico/cientifica.

Nos websites a biblioteca deve ser disponibilizada uma relação dos títulos
de periódicos eletrônicos, tanto os assinados na sua versão eletrônica como nos
de acesso livre, visando facilitar seu acesso pelo usuário. Ao mesmo tempo, é
importante que se façam links no catalogo eletrônico da biblioteca do registro
correspondente à coleção em foram impressa com a coleção efêmera de muitos
recursos da Internet, devem ser incluídas somente fontes consideradas de
qualidade ou que possuam uma certa segurança de acesso e confiabilidade.

O atendimento à demanda de pesquisadores por cópias de artigos
científicos continua e devera continuar sendo feita pelas bibliotecas universitárias
através de suas coleções retrospectivas de periódicos na forma impressa ou com

12

�base nas publicações disponibilizadas no Portal da CAPES, de acordo com os
procedimentos permitidos em lei, com o aporte do Catalogo Coletivo Nacional
(CCN) e dos programas de comutação bibliográfica como o COMUT do Ibict e o
SCAD da BIREME.

Conclusão

A recente proliferação de publicações eletrônicas, vem trazendo à tona
uma série de mudanças no contexto das bibliotecas universitárias, este fator
interfere diretamente na construção e reformulação do modelo até então adotado
por essas bibliotecas em suas políticas de desenvolvimento de coleções, e as
quais, dependendo da política institucional ditada pela Universidade à qual a
biblioteca encontra-se subordinada, tendem a facilitar o acesso à informação
cientifica de modo mais amplo (pela idéia da informação enquanto bem publico),
ou não.

Cada instituição vem buscando adaptar os seus serviços oferecidos –
diversificando-os a medida do possível - a realidade criada pelo periódico
eletrônico. Essa modificação é uma reação das bibliotecas para manterem as
suas próprias sobrevivências financeiras, agravadas pela alta dos preços dos
títulos e, conseqüentemente, a inelasticidade da demanda do uso.

O agravamento das dificuldades de gerenciamento das políticas de
desenvolvimento de coleções de periódicos praticadas nas universidades
brasileiras está intrinsecamente relacionada ao surgimento e crescimento
acelerado do mercado de publicações eletrônicas. Isto se devem a uma série de
fatores que agem de maneira simultânea, como: a mudança do modelo centrado
na posse para o de uma política centrada no acesso ao documento primário,
alterando

sobremaneira

a

atividade

profissional

do

bibliotecário

de

desenvolvimento de coleções e, principalmente, o de referencia, impondo a este
ultimo a necessidade de uma revisão de seu papel e funções junto aos usuários.

13

�Uma

das

investigações

importantes

que

necessita

de

maior

aprofundamento é como o uso das coleções eletrônicas por parte das bibliotecas
universitárias está alterando fortemente a atividade de bibliotecários de referência,
que agora necessitam trabalhar muito mais próximo e sintonizado com o
bibliotecário responsável pela atividade de desenvolvimento de coleções.

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15

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Santos, Regina Maria Duarte Moreira dos; Arellano, Miguel Angel Márdero</text>
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                <text>O presente tem como objetivo propor uma reflexão sobre a relação biblioteca universitária/periódico científico eletrônico, que atribuiu a esta biblioteca uma nova configuração, alterando inclusive as políticas de desenvolvimento de coleções. Aborda a passagem da biblioteca universitária tradicional para biblioteca digital. Salienta e articula a evolução do Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas – OJS/SEER. Procura analisar as transformações que os periódicos eletrônicos provocaram na área da informação, envolvendo mudanças que atingiram, autores, editores, avaliadores, bibliotecários e usuários.</text>
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                    <text>BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: gerenciamento de
materiais informacionais.
Ana Cláudia Carvalho de Miranda1
RESUMO
Aborda o gerenciamento da política de desenvolvimento de materiais informacionais
nas

bibliotecas

universitárias.

Enfatiza

a

necessidade

de

as

instituições

estabelecerem normas e padrões que orientem o processo decisório, a fim de
determinar a conveniência de se adquirir, manter e descartar coleções. Finaliza
relacionando os critérios de seleção para formação ideal de um acervo, que atenda
às reais necessidades da comunidade acadêmica.
Palavras-chave: Biblioteca universitária. Desenvolvimento de coleções. Política de
seleção. Materiais informacionais – gerenciamento.

1 INTRODUÇÃO
No cenário atual, a sociedade da informação é marcada pelo fluxo constante
de informações que possibilitam a produção de novos conhecimentos, em virtude do
grande volume informacional e do desenvolvimento tecnológico, podendo, assim,
atuar nas várias áreas do conhecimento, contribuindo na tomada de decisão nos
vários grupos sociais.
De acordo com Dias e Pires (2003), o fornecimento de informações é a
principal função social dos serviços de informação. Le Coadic (1996, p.5) define
informação como: “um conhecimento inscrito (gravado) sob a forma escrita
(impressa ou numérica), oral ou audiovisual”. A informação empregada, nesse
contexto, envolve diversos tipos de fontes de informações: artigos de periódicos,
jornais, monografias, dissertações, teses, relatos de experiências, obras de
referências (dicionários, enciclopédias etc), materiais especiais (fotos, partituras
musicais, atlas etc), bases de dados etc.
No limiar das últimas décadas, a informação tornou-se a mais poderosa força
de transformação do homem, encontrando-se presente no cotidiano do indivíduo

1

Especialista em Gestão da Qualidade Total pela UFRN. Especialista em Gestão Estratégica de Pessoas pela
Facex. Bibliotecária do Tribunal de Justiça do RN. Praça Sete de Setembro S/Nº - Cidade Alta – Natal-RN –
Cep. 59.025-300. E-mail: anaclaudia@tjrn.gov.br.

�através das relações sociais, econômicas e culturais e, adquirindo, neste sentido,
um caráter decisivo para o alcance da cidadania, das metas e dos objetivos
propostos pelo próprio homem, que cria um vínculo de dependência com a
informação para sua melhor adaptação ao meio em que vive. A informação, quando
usada sabiamente, contribui como instrumento formador da consciência crítica do
indivíduo, podendo levá-lo à conquista do sucesso intelectual e profissional, caso
contrário, pode levá-lo ao fracasso e à própria estagnação.
Barreto (2003) reforça essa idéia ao afirmar que a informação, quando
assimilada adequadamente, gera novo conhecimento, alterando o estoque mental
de informações do indivíduo e traz ganhos ao seu progresso e ao desenvolvimento
do seu grupo.
A informação hoje adquire uma característica de mercadoria, ou seja, algo
que pode ser capitalizado e que proporciona diversidade de oportunidades;
enquanto mercadoria, assume força de poder.
No tocante à formação de acervos de biblioteca o diferencial se dá pela
filtragem adequada das informações obedecendo a padrões estabelecidos de
seleção que garantam a disponibilidade de obras confiáveis nos diversos suportes
informacionais. Assim sendo, é imprescindível conhecer as necessidades da
comunidade a fim de permitir um planejamento com qualidade e eficácia no
desenvolvimento e formação das coleções.
Para que a informação tenha qualidade é necessário que seja relevante,
confiável, atual, acessível, precisa, oportuna e deve ser ajustada às demandas e
expectativas dos usuários. O valor da informação está associado à utilidade que ela
apresenta para o público a quem se destina.
Para Dias e Pires (2003), a visão atual da biblioteca como centro ou unidade
de informação difere de sua idéia convencional. Essa mudança origina-se da
valorização da informação em todos os campos de atividades no mundo
contemporâneo. A informação é considerada por autores das diversas áreas do
conhecimento como “recurso indispensável” e, no entanto, deve estar à disposição e
a serviço de todos: sociedade, instituições, indivíduos etc.

2 BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
As

bibliotecas

universitárias

atuam

como

órgãos

de

apoio

informacional, dando suporte às atividades de ensino, pesquisa e extensão, com

�seus acervos quer centralizados ou descentralizados (bibliotecas setoriais). Seus
objetivos provêm da finalidade da própria universidade.
Prado (1992) considera a biblioteca universitária como a universidade em si
mesma. As universidades são centros transmissores do saber por meio do ensino e
dos materiais informacionais. A biblioteca sempre trabalhou em parceria com a
universidade, desempenhado a função de preservar e disseminar o conhecimento.
Dias e Pires (2003) apresentam outras funções da biblioteca universitária: prover
informações referenciais e bibliográficas específicas, essenciais ao ensino e à
pesquisa. O seu diferencial com relação a outras unidades de informação ocorre em
virtude de a educação ser a base do planejamento e seus usuários serem
heterogêneos.
O principal papel da biblioteca universitária é atender as necessidades
informacionais da comunidade acadêmica (corpo docente, discente, pesquisadores
e técnico-administrativo), direcionando sua coleção aos conteúdos programáticos ou
em projetos acadêmicos dos cursos ministrados pela universidade a qual encontrase inserida.
Machado e Silva (2002) ressaltam em nível nacional que o acervo das
bibliotecas universitárias é detentor das maiores coleções em Ciência e Tecnologia
do país. Mas apesar da sua relevância, essa instituição tem passado por uma série
de crises, salvo algumas exceções, que vêm crescendo ao longo dos anos.
Partindo desse pressuposto, os acervos também enfrentam dificuldades, pois
apresentam em quantidade insuficiente para atender a demanda, com coleções
incompletas e desatualizadas. Geralmente esse quadro é característico de
universidades públicas, pois nas instituições privadas em virtude do controle do
Ministério da Educação e Cultura (MEC) e da exigência da clientela, reverte a uma
realidade menos deficitária, onde a preocupação com a manutenção e preservação
de uma coleção que satisfaça a demanda é uma meta constante.
Porém, em relação a formar e desenvolver coleções de materiais
informacionais das bibliotecas universitárias no cenário da globalização, quando a
informação se multiplica em passo acelerado, e aí surge uma dúvida: como manter
e desenvolver uma coleção atualizada e adequada? Isto, por sua vez, conduz o
bibliotecário a redefinir e esquecer antigos paradigmas, para estabelecer normas
para seleção, aquisição e descarte de materiais, tendo como base critérios
previamente definidos para a formação de uma coleção ideal.

�3 PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES

Antigamente ocorria uma enorme preocupação, por parte dos responsáveis
pelas bibliotecas, arquivos e outras unidades de informações, em aglomerar
matérias bibliográficos, uma vez que acervos com grande quantidade de volumes
representavam garantia de status e poder, e o foco estava centrado na oferta de
documentos e não na qualidade.
Com a explosão da informação e a evolução das tecnologias da informação,
a produção e circulação do conhecimento aumentaram vertiginosamente, tendo
como conseqüência: a impossibilidade de manter uma coleção completa e autosuficiente; a impossibilidade de atender todas as demandas e necessidades
informacionais da clientela com recursos próprios, em razão dos orçamentos
escassos. No entanto, torna-se essencial a realização de um planejamento eficiente
no tocante ao crescimento dos acervos, e assim, entra em ação o processo de
desenvolvimento das coleções. Desenvolver coleções implica em sistematizar e
criar procedimentos para seleção, aquisição, avaliação e desbastamento do acervo.
As coleções precisam evoluir harmoniosamente em todas as áreas do
acervo, para evitar que o mesmo cresça desordenadamente, sem metas ou
objetivos definidos. Entretanto, Figueiredo (1999) recomenda que a coleção precisa
ser equilibrada, tomando por base os relatórios estatísticos em coleta regular: onde
for constatado maior uso, a coleção deverá ser fortalecida; em caso contrário,
poderá ser mais fraca, e para área de assunto sem demanda, não é preciso manter
acervo algum. O importante é ter conhecimento de outras bibliotecas onde os
usuários possam ser encaminhados e atingirem a plena satisfação de suas
necessidades informacionais.
Conforme apresenta Vergueiro (1989), o processo de desenvolvimento de
coleções é ininterrupto, uma atividade regular e permanente, respeitando a
especificidade de cada tipo de unidade de informação em função dos seus objetivos
e público, sem que uma etapa chegue a se distinguir das outras.
A determinação de normas para seleção e aquisição de materiais
informacionais disciplina esse processo, tanto em quantidade como em qualidade,
segundo a realidade de cada biblioteca, direcionando o uso racional dos recursos
financeiros.

�Depois de concluído o diagnóstico, serão tomadas algumas decisões das
políticas que conduzirão o processo de formação do acervo. Dentre as quais Maciel
(2000), destaca as seguintes:
•

determinação das áreas que farão parte do acervo;

•

indicação do tipo de material que irá compor o acervo, independente do seu
suporte físico;

•

estabelecimento dos critérios e prioridades que orientarão todo o processo,
incluindo

as decisões nas etapas de seleção, aquisição, e também o

desbastamento da coleção, indicando o que deve ser transferido para depósitos
especiais ou mesmo serem descartados;
•

estabelecimento de diretrizes para a avaliação das coleções, até mesmo com
indicação da periodicidade com que deverá ser realizada;

•

definição da quantidade de exemplares por título, especialmente para as
coleções de uso correntes;

•

estabelecimento de diretrizes para a preservação e conservação do acervo,
contendo informações sobre as condições ambientais ideais para cada tipo de
documento;

•

determinação de prazos para revisão das políticas.
Finalizada

a

elaboração

das

políticas,

obteremos

um

documento

administrativo oficializado perante os dirigentes da instituição designado “Política de
Desenvolvimento de coleções”, que deverá ser revisada a cada 02 (dois) anos, pela
Comissão de Biblioteca com a finalidade de garantir a sua adequação à comunidade
acadêmica e aos objetivos da instituição. Romani e Borszcz (2006) recomendam
que esta comissão seja composta por:
•

1 bibliotecário, responsável pela unidade de informação;

•

1 representante das principais áreas de atuação (ou departamentos acadêmicos)
da instituição à qual está diretamente subordinada;

•

1 representante da área administrativa (setor de compras).
Recomenda-se que a coordenação dessa comissão seja de responsabilidade

do bibliotecário, o qual precisará convocar os demais membros para reuniões
periódicas e/ou reuniões extraordinárias. Quando ocorrer impossibilidade de agrupar
a comissão, o bibliotecário tem o poder de decisão.
Para efetivação do processo como um todo, faz-se mister a elaboração e
adoção de parâmetros através da criação de critérios sólidos que estabeleçam

�critérios para garantir a qualidade no gerenciamento das tomada de decisões
relacionadas com a incorporação ou a retirada definitiva de materiais pertencentes
ao acervo.
4 POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES
Segundo Vergueiro (1989), a política de desenvolvimento de coleções irá
funcionar como parâmetros que contribuirá na tomada de decisão dos bibliotecários
em relação à escolha do material a ser acionado ao acervo e à própria
administração dos recursos informacionais. A política fornecerá uma exposição do
estado geral da coleção, demonstrando o método para alcançar os objetivos e dar
subsídios para os bibliotecários argumentarem com as autoridades superiores, tanto
para a liberação de novas aquisições como para recusas incoerentes.
Para elaboração da política é imprescindível ter ciência de alguns dados para
apreciação tais como: o estado atual da coleção; quais áreas do conhecimento são
de maior interesse; as necessidades informacionais da clientela a ser servida; o
conhecimento dos objetivos da universidade em que a biblioteca está inserida.
Na preparação da política é necessário que sejam estabelecidos os objetivos
para dar um maior direcionamento do acervo, visando:
•

possibilitar um crescimento racional e equilibrado do acervo de forma qualitativa
e quantitativa;

•

garantir a continuidade e a adequação necessárias à formação da coleção;

•

determinar os critérios para duplicação de títulos;

•

estabelecer as prioridades de aquisição de material;

•

conhecer as necessidades dos usuários, através da análise de uso das coleções
e sua atualidade;

•

estabelecer critérios para intercâmbio de materiais informacionais;

•

acompanhar o surgimento dos novos suportes de informação, não se limitando
apenas, ao suporte em papel;

•

buscar atender a todos as sugestões, deixando o solicitado informado da
aquisição ou não do item sugerido;

•

identificar

critérios para recebimento de doações, descarte e reposição de

material;
Uma das etapas mais importante da política de desenvolvimento de coleções
é o processo de seleção, pois através dele são estabelecidos os critérios que

�garantem a qualidade e o ajustamento para atender a contento as reais
necessidades dos usuários.

5

PROCESSO DE SELEÇÃO DO ACERVO

Conforme salienta Vergueiro (1995) “a seleção é um momento de decisão”,
momento em que apenas, num simples ato, o bibliotecário decide o universo de
informações a que seus usuários terão acesso, ou seja, o bibliotecário detém o
poder de compor a coleção. No entanto, na biblioteca universitária esse
procedimento ocorre baseado nos planos de ensino e suas respectivas bibliografias.
Segundo Figueiredo (1991), este processo quando bem executado irá
garantir que a qualidade e o tamanho da coleção estejam em concordância com as
necessidades informacionais dos usuários. É, portanto, uma atividade meramente
intelectual que precisa ser executada por um profissional competente no assunto,
em co-participação estreita com os usuários.
A seleção numa biblioteca universitária deve ser feita em parceria dos
bibliotecários com corpo docente, pois estes dominam a literatura nas suas
respectivas áreas e podem assim, selecionar criteriosamente o material a ser obtido,
arrolando-os através dos Planos de Ensino. Os bibliotecários devem permanecer
cientes das exigências do MEC para composição do acervo no que se refere à
qualidade e à quantidade mínima de títulos e exemplares. No tocante à quantidade,
deve ser determinado um percentual de exemplares destinados à literatura básica e
outro para a literatura complementar.

5.1 SELEÇÃO DA LITERATURA BÁSICA
A literatura básica, como o próprio nome já destaca, é imprescindível para o
andamento das atividades acadêmicas, ou seja, é obrigatória na formação da
coleção, devendo ser adequada, pertinente, atualizada e com relevância
acadêmico-científica. Recomenda-se para material nacional, que em cada 10 (dez)
alunos, 01 (um) exemplar deverá ser adquirido, sendo importante acompanhar o
crescimento da instituição, verificando o surgimento de novos cursos, como também
a ampliação na oferta de vagas. A biblioteca precisará formar seu acervo destinado
à consulta local, onde 01 (um) exemplar da coleção básica permanecerá na
coleção.

�Quanto à literatura estrangeira aconselha-se adquirir quando não existir uma
tradução em português ou espanhol. Nesse caso, o indicado em relação ao livrotexto estrangeiro, sua aquisição não obedece aos critérios estabelecidos para
nacionais. Essa redução ocorre devido este material ser destinado principalmente
ao corpo docente e discente da pós-graduação, os quais constituem um grupo de
usuários reduzidos e com necessidades específicas, além do baixo número de
leitores que dominam outros idiomas.

5.2 SELEÇÃO DA LITERATURA COMPLEMENTAR
O acervo de literatura complementar é formado por materiais informacionais
essenciais à complementação e atualização voltados para pesquisa e ensino nas
várias áreas do conhecimento, indicados nos planos de ensino. Para composição
dessa coleção é sugerido adquirir 03 (três) exemplares desse material, respeitando
a demanda, porém quando a procura for expressiva que justificar a necessidade de
uma quantidade superior de exemplares.
Também podem fazer parte dessa coleção obras nacionais e estrangeiras
não mencionadas nos planos de ensino, mas que complementem o acervo de
acordo com as exigências do MEC e sugestões e demandas da comunidade
acadêmica. A duplicação desse acervo fica a critério de cada biblioteca estabelecêla dentro da sua realidade,

5.3 SELEÇÃO DE PERIÓDICOS
Os periódicos são considerados uma fonte de informação primária, pois
abordam informações novas, fatos, acontecimentos ou novas interpretações de
teorias, sendo indispensáveis na divulgação dos resultados de pesquisas e relatos
de experiências recentes, facilitando o acompanhamento constante dos avanços em
cada área, favorecendo a necessária realimentação do ciclo de geração de
comunicação e disseminação mais rápida de novos conhecimentos. Os periódicos
podem abordar assunto específico ou abranger mais de uma área do conhecimento,
dependendo da limitação de sua cobertura.
Prado (1992, p. 103) adverte:
o periódico caminha muito mais a par da ciência do que os livros, pois
pesquisas, descobertas ou observações chegarão, através dos periódicos,
no mesmo mês ou na mesma semana às mãos, ao passo que o livro,

�embora com mais detalhes e estudo mais profundo só será obtido, na
melhor das hipóteses, meses depois.

Diante dessa realidade, o periódico representa um material importante para a
comunidade acadêmica; deve-se adotar um compromisso com a sua continuidade
na coleção, após assiná-lo. Vergueiro (1997) adverte que esse compromisso é por
tempo indeterminado, e também compromete um percentual considerável do
orçamento da biblioteca, sendo essencial avaliar permanentemente os custos.
As bibliotecas universitárias precisam compor sua coleção com periódicos
que abordem assuntos gerais e específicos (locais, regionais, nacionais e
internacionais), porém como são muitas as publicações, cada biblioteca deverá
determinar seus critérios que contemplem a prioridade de aquisição das mesmas,
relacionados aos planos de ensino, aos cursos oferecidos pela instituição e aos
cursos

em

fase

de

reconhecimento,

implantação,

credenciamento

ou

recredenciamento.
Atualmente, as bibliotecas acadêmicas assinam portais eletrônicos que
implicam a atualização mais rápida da coleção de periódicos, propiciando, também
economia de espaço. As bibliotecas das universidades públicas e dos CEFET’s
(Centro Federal de Educação Tecnológica), possuem acesso a Portal de Periódicos:
uma biblioteca virtual de informação científico-tecnológica mundial, oferecido pelo
Governo Brasileiro e mantido pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior). O Portal disponibiliza conteúdo atualizado e de alta
qualidade, permitindo consultas e acesso aos artigos científicos completos. São
mais de nove mil títulos de artigos científicos, com 181 instituições de educação
superior usuárias do serviço.
Para julgar a qualidade de um periódico, Vergueiro (1995) destaca dois
indicadores: primeiramente, a opinião de um especialista e segundo, a análise das
informações da contracapa ou das páginas iniciais.
É indicado realizar uma avaliação no acervo dos periódicos correntes, no
intervalo de 05 (cinco) anos, buscando a obtenção de dados que justifiquem a
continuidade ou interrupção da assinatura dos memos, ou até assinar um outro título
que satisfaça mais ao público. O relatório elaborado após essa análise deverá ser
encaminhado aos departamentos para julgamento dos professores e, assim, ser
tomada a medida mais recomendada para cada título em questão.

�5.4 CRITÉRIOS PARA SELEÇÃO
Para garantir a qualidade na aquisição de novos materiais é necessário que
sejam estabelecidos critérios para seleção, estes devem tomar por base dois fatores
decisivos: o interesse da comunidade a ser servida e os recursos financeiros
destinados para a aquisição.
A determinação dos critérios assegura que o acervo seja produto de um
planejamento voltado para as diretrizes e objetivos da Universidade/Faculdade.
Seguem abaixo, alguns critérios de seleção para o desenvolvimento do acervo:
•

adequação do material às ementas e ao projeto pedagógico dos cursos;

•

autoridade do autor e/ou editor;

•

atualidade técnico-científica dos conteúdos;

•

qualidade técnica;

•

escassez de material sobre o assunto na coleção da Biblioteca;

•

aparecimento do título em bibliografias e índices;

•

cobertura/tratamento;

•

custo justificado;

•

idioma acessível;

•

relevância/interesse acadêmico-científicos;

•

número de usuários potenciais que poderão utilizar o material;

•

condições físicas do material.
Estes critérios são somente uma sugestão e nem sempre são adotados em

todos os documentos, sendo necessário um ajuste para cada biblioteca, conforme a
sua realidade e seus objetivos. Uma das etapas subseqüentes é a do processo de
aquisição.

6

PROCESSO DE AQUISIÇÃO

O processo de aquisição é a execução das decisões tomadas no processo de
seleção, ou seja, é o procedimento destinado à obtenção dos documentos.
A aquisição pode ocorrer através de três modalidades: compra, doação e
permuta. A concretização deste processo por compra requer um criterioso trabalho
por parte do profissional encarregado, para sua devida concretização e
correspondência perfeita com o material selecionado. Já em relação à doação e a
permuta não exige tanto empenho do profissional, porém todos os materiais

�originários destas modalidades devem ser analisados antes de incorporá-los ao
acervo, para não criar uma coleção imensa, porém fora da realidade aos interesses
a que se destina.
As atividades relativas à aquisição por compra são bastante complexas,
como podemos observar no relato abaixo:
À aquisição caberá o trabalho minucioso de identificação, localização dos
itens e sua posterior obtenção para o acervo, qualquer que seja a maneira
de tornar isto possível. E não è uma tarefa assim tão automática, pois,
infelizmente para os profissionais, os títulos selecionados não se encontram
acenando para eles ao dobrar da esquina, a gritar ‘olha eu aqui, olha eu
aqui’ e quase implorando para serem adquiridos. Muitas vezes, realizar um
trabalho de aquisição assemelha-se a procurar uma agulha em palheiro,
tantas são as possibilidades e dificuldades existentes. É uma atividade que
exige perseverança e atenção a detalhes, de maneira a evitar um
descompasso entre o que foi escolhido primeiramente para aquisição e
aquilo que chega às mãos do usuário. (ANDRADE, 1996, p.6).

A aquisição envolve dois itens básicos: orçamento e alocação de recursos.
Antes da compra devem ser previamente definidos os recursos financeiros, para
permitir uma visão concreta do que se pode contar. Andrade (1996) salienta que, na
prática, o orçamento previsto para aquisição de materiais nem sempre corresponde
aos recursos liberados, ocasionando que nem todas as necessidades consideradas
prioritárias serão atendidas.
Vale advertir que parte da verba para aquisição de materiais informacionais
deve ser reservado para assinatura de periódicos, compra de multimeios, obras
raras, assinaturas de bases de dados, entre outros.

7

AVALIAÇÃO DA COLEÇÃO
A avaliação da coleção deve ser sistemática e entendida como um processo

empregado para determinar a importância e a adequação do acervo com os
objetivos da Biblioteca e da instituição, possibilitando traçar parâmetros quanto à
aquisição, à acessibilidade e ao descarte.
Ao iniciar-se a avaliação do acervo deve ser verificado:
O que a biblioteca deveria possuir e não possui, e o que possui mas não
deveria possuir, tendo em vista fatores de qualidade e adequação da
literatura publicada, sua observância, as mudanças de interesses dos
usuários, e a necessidade de otimizar o uso de recursos financeiros
limitados. (LANCASTER, 1996, p. 20).

Os métodos utilizados para avaliar o acervo são: quantitativos (tamanho e
crescimento) e qualitativos (julgamento por especialistas, análise do uso real), em

�que os resultados são comparados e analisados, assegurando o alcance dos
objetivos da avaliação da coleção, garantindo uma melhor qualidade da política de
desenvolvimento de coleções.
A avaliação qualitativa por meio do julgamento por especialistas num assunto
pode trazer alguns problemas, conforme destaca Lancaster (1996): o especialista
talvez não seja completamente imparcial, como também, não está familiarizado com
a comunidade que a biblioteca atende.
Figueiredo (1991) enfatiza que um meio para realizar a avaliação é através da
análise comparativa do que é comprado, verso o uso subseqüente; esta análise
favorece o melhoramento da seleção, quer pela identificação dos tipos de material
com pouca chance de ser utilizado, quer pela alteração no processo de seleção que
acarreta em compra de materiais desnecessários para a clientela.
Na avaliação do acervo são sugeridos os seguintes critérios:
a) Distribuição percentual do acervo por área
A análise das estatísticas de uso do material consistirá na determinação dos
títulos que requerem mais exemplares e daquele cuja duplicação é desnecessária.
Em

contrapartida,

se

for

confirmada

a

sub-utilização

dos

recursos

bibliográficos em alguma área, a Biblioteca deverá averiguar a causa do problema,
que pode estar na falta de qualidade do material existente, desatualização, falha de
interesse, desconhecimento da existência da obra, etc.
A análise comprovará quais as áreas que devem ter a suas coleções
inovadas (seja em exemplares, títulos nacionais ou internacionais etc.) e quais as
áreas de pesquisa encontram-se desprovidas de materiais informacionais que
necessitam de providências.
b) Sugestões dos clientes
A sugestão do usuário é um parâmetro seguro para se avaliar as coleções e,
portanto, através da mesma poder-se-á:
•

verificar se a coleção satisfaz aos usuários;

•

determinar os tipos e níveis de necessidade em relação às coleções;

•

coletar sugestões e indicações para futuras aquisições;

•

verificar as mudanças de interesse por parte da clientela.

c) Comparação das coleções com planos de ensino, catálogos e bibliografias
recomendados.

�O emprego desse método incidiu na comparação do acervo com planos de
ensino, bibliografias recomendadas e/ou adotadas, para examinar os itens não
existentes na biblioteca e quais devem ser adquiridos.

8
DESBASTAMENTO DE MATERIAL INFORMACIONAL
DESBASTAMENTO DE
Desbastamento é o processo pelo qual se exclui do acervo ativo, títulos e/ou
exemplares, partes de coleções, quer para remanejamento, descarte ou
conservação (restauração). É um processo contínuo e sistemático, para conservar a
qualidade da coleção, ocorrendo sempre devido a necessidade de um processo
constante de avaliação da coleção e deve ser feito de acordo com as necessidades
da Biblioteca e com o julgamento da Comissão de Biblioteca num prazo que varia
entre 03 (três) a 05 (cinco) anos.
O desbastamento não se refere apenas a um simples expurgo de materiais,
apesar de englobá-lo no descarte.
8.1 DESCARTE
É a retirada definitiva dos materiais que não possuem nenhuma justificativa
para continuar pertencendo ao acervo.
Processo pelo qual, após ser avaliado criteriosamente, o material
desatualizado ou inadequado é retirado ou não incluído na coleção ativa, não tem
fundamento guardar material que não correspondam mais aos interesses dos
usuários, além de possibilitar a economia de espaço, maior facilidade de acesso ao
acervo e mais eficiência no atendimento ao usuário.
Dentre todas as atividades inerentes ao desbastamento, a que exige maior
cuidado e segurança, por parte do bibliotecário é o descarte, conforme Vergueiro
(1989, p.75) enfatiza bem esta dificuldade.
Afinal – pergunta-se o bibliotecário -, quando se descartar? E para quê?
São perguntas quê, deve-se reconhecer, constituem reais dilemas para
profissionais que tiveram toda uma educação (não apenas a superior)
para conservar os materiais informacionais, sob sua responsabilidade, da
melhor forma possível, a fim de que os mesmos pudessem vir a ser
utilizados pela coletividade – ou, ao menos, conservados para uma
geração futura.

Para uma maior eficácia desta atividade é recomendado que se apliquem os
mesmos critérios usados no processo de seleção, no momento da apreciação para
exclusão dos materiais informacionais pela comissão responsável, pois da mesma

�forma como seleciona os materiais que devem incorporar ao acervo também é
imprescindível que sejam selecionados os propensos à retirada definitiva.

9

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com base nas reflexões propostas, pode-se confirmar que o papel da
biblioteca universitária é munir o corpo docente, discente e técnico-administrativo de
informação para dar suporte às atividades de ensino, pesquisa e extensão, voltados
aos planos de ensino ou em projetos acadêmicos de cada departamento.
Na atual conjuntura, a informação se multiplica rapidamente, possibilitando a
produção de novos conhecimentos: em virtude do grande volume informacional,
surge uma dúvida: como manter uma coleção adequada e atualizada que atenda a
demanda e as necessidades do público.
Nesse cenário, o desenvolvimento de coleções deve ser um processo
ininterrupto permanecendo em constante evolução. No entanto, é necessário
elaborar uma política de desenvolvimento da coleção que conglomere os objetivos
dos planos de ensino da instituição, no tocante a englobar a literatura básica e
complementar, com a finalidade de subsidiar a tomada de decisão no processo de
seleção, considerando todos os fatores relevantes aos interesses da comunidade
acadêmica, como também avaliar a coleção periodicamente para preservar a
qualidade e a idoneidade do acervo.
A atribuição de critérios na seleção assegura que a coleção é produto de um
planejamento totalmente adequado às ementas, aos projetos pedagógicos dos
cursos e aos objetivos da Universidade/Faculdade.
A qualidade no gerenciamento de materiais informacionais encontra-se
fundamentada na elaboração de uma política de desenvolvimento de coleções,
condicionada à flexibilidade para alterar ou ajustar as mudanças nos planos de
ensino sempre que for constatado que a biblioteca não está satisfazendo aos seus
usuários, buscando adequá-la às atuais necessidades acadêmicas.

University Libraries: Informative material management
ABSTRACT
Studies the management related to the development of informative material in
university libraries. Emphasizes the need that institutions have to establish norms

�and patterns to guide the decision making process, in order to determine the
convenience to acquire, maintain and discard collections. Finalizes relating the ideal
selection criteria to organize an asset, which provides the real necessities of the
academic community.

Key words:

University library. Collection Development. Selection Politics.

Informative Materials – Management.

REFERÊNCIAS
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informação. Brasília: Briquet de Lemos, 1996.
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competências. Florianópolis: Ed. Da UFSC, 2006.
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______. Seleção de materiais de informação. 2. ed. Brasília: Briquet de Lemos,
1997.

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                <text>Aborda o gerenciamento da política de desenvolvimento de materiais informacionais nas bibliotecas universitárias. Enfatiza a necessidade de as instituições estabelecerem normas e padrões que orientem o processo decisório, a fim de determinar a conveniência de se adquirir, manter e descartar coleções. Finaliza relacionando os critérios de seleção para formação ideal de um acervo, que atenda às reais necessidades da comunidade acadêmica.</text>
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                    <text>BIBLIOTECAS VIRTUAIS BRASILEIRAS:
análise dos serviços oferecidos
Maria Rosivalda da Silva Pereira1
UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO
BIBLIOTECA SETORIAL DE PÓS-GRADUAÇÃO- CENTRO DECIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA
AV. DOS PORTUGUESES S/N, CAMPUS DO BACANGA
CEP65085-580  SÃO LUÍS, MA - BRASIL

Vanessa Alexsandra Souza Gomes2
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO MARANHÃO  FORUM DES. SARNEY COSTA

AV. PROF. CARLOS CUNHA, S/N - CALHAU,
CEP 65010-905 SÃO LUÍS, MA - BRASIL

Resumo: Serviços em bibliotecas virtuais. Analisam-se os serviços oferecidos
pelas bibliotecas virtuais brasileiras cadastradas no GT Bibliotecas Virtuais.
Apresenta-se o total de bibliotecas virtuais cadastradas no sitio do GT por suas
respectivas categorias. Para efeitos deste estudo, elege-se como categoria de
análise as Bibliotecas Universitárias por representarem um contingente maior em
relação às demais categorias, inclusive por distribuição geográfica, possibilitando
assim realizar uma coleta de dados mais diversificada sobre os serviços
oferecidos, e efetuar a comparação destes serviços entre elas. Restringe-se à
referida análise somente as bibliotecas virtuais que apresentam seus respectivos
links de endereços válidos.
Palavras-chave: Bibliotecas Universitárias. Serviços. Web sites.

1 INTRODUÇÃO

Dados do INEP mostram que o Brasil conta, em julho de 2006, com um
total de 2.384 instituições de ensino superior, sendo 244 públicas e 2.140
privadas (BRASIL, 2006). Estas, com os constantes avanços no campo das
tecnologias de informação e a popularização crescente do uso dos recursos
providos pela Internet, mais especificamente da web, em decorrência da sua
abertura em 1994 para fins comercial no país, deixaram de utilizar a rede apenas
como instrumento de divulgação institucional e passaram a utilizá-la também
como importante canal de prestação de serviços, de comunicação e de
disseminação de informações através de seus web sites.
1
2

Bibliotecária  Universidade Federal do Maranhão  bibliotecaccet@ufma.br
Bibliotecária  Tribunal de Justiça do Maranhão / Fórum Desembargador Sarney Costa 
vagomes@tj.ma.gov.br.

�Com isso, as bibliotecas tradicionais foram impelidas a também se
colocarem nesse novo espaço e explorá-lo, sem necessariamente ter que
abandonar sua forma tradicional e estrutura física (deixando com isso de existir no
mundo real, da forma como a conhecemos) e a disponibilizarem seus serviços
aos usuários de forma on-line através de web sites.

Pelo fato de estarem vinculadas diretamente às universidades, espaço
onde primeiramente a Internet se desenvolve em caráter inicial estritamente
acadêmico e experimental, as bibliotecas universitárias foram as primeiras a
disporem do ciberespaço para proverem os seus serviços à sua clientela. Dessa
forma, assumiram novos conceitos/denominações conforme o grau em que
empregavam estas tecnologias e seus recursos na disponibilização de seus
produtos e serviços, quais sejam: digital, virtual, eletrônica, polimídia ou híbrida.

Decorre já 10 anos da utilização deste novo espaço. No entanto,
observa-se que os serviços oferecidos via web pelas bibliotecas universitárias
brasileiras ainda são reduzidos, sendo em grande parte os mesmos oferecidos
tradicionalmente no espaço físico das universidades. Nota-se ainda que todo o
potencial oferecido pelas redes de comunicação, suas tecnologias e recursos não
foram, até este momento, devidamente explorados para ampliar os serviços
oferecidos à comunidade acadêmica e promover um avanço em sua
diversificação.

Para identificar os serviços que estão sendo oferecidos pelas
bibliotecas universitárias brasileiras no momento e verificar a evolução ou não em
termos dos serviços oferecidos por essas bibliotecas, utilizou-se como universo
neste trabalho a lista de bibliotecas universitárias cadastradas no sitio do Grupo
Temático de Bibliotecas Virtuais (GTBV) do Comitê Gestor da Internet no Brasil,
coordenado pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
(IBICT). Tal escolha, deu-se em função de esta ter sido uma iniciativa pioneira
lançada em 1997, logo assim que tiveram início ações de criação desses tipos de
bibliotecas na rede. Este site possui informações atualizadas até o ano de 2002
sobre as bibliotecas virtuais brasileiras em diversas categorias.

�Foram analisados somente os serviços oferecidos pelas bibliotecas
universitárias através de seus web sites que apresentavam seus links válidos. Na
categoria eleita para análise, bibliotecas universitárias, foram identificados 107
links, mas foram considerados apenas 96 por estarem válidos no momento da
pesquisa. Nesse universo de 96 links observou-se, durante a realização do ckeck
list para identificação dos serviços oferecidos, que a maioria das bibliotecas
setoriais apresentam os mesmos serviços das bibliotecas centrais em uma clara
referência à unidade de serviços institucionais. Por este motivo excluiu-se da
análise as bibliotecas setoriais, ficando o estudo desse modo restrito à análise de
somente 50 links.

Os dados de cadastro de bibliotecas do site do GTBV criado em 1997 e
atualizado somente até o ano de 2002 foram utilizados nesta pesquisa por
considerar-se que este é um intervalo de tempo razoável para se fazer uma
análise da evolução dos serviços oferecidos pelas bibliotecas no ambiente virtual.

Para levantamento dos dados criou-se um checklist, preenchido
individualmente por site visitado com os serviços listados e validados pelos
pesquisadores.
2 REVISÃO DA LITERATURA

As bibliotecas são as instituições sociais mais antigas do mundo de
que se tem notícia. Elas remontam à Antigüidade e foram evoluindo
simultaneamente à escrita e aos suportes criados para registro da mesma.

A sua evolução histórica sempre esteve atrelada e foi determinada pelo
desenvolvimento das tecnologias da informação vigentes em cada época, que
Cunha (2000, p. 75) classificou em quatro eras: Era I  Tradicional Moderna, Era
II  Automatizada, Era III  Eletrônica; e Era IV  Digital e Virtual.

A biblioteca da época ou momento atual é a digital/virtual originada dos
avanços tecnológicos das redes de comunicação e do surgimento da

�Internet/Web que lhe legou um novo espaço para atuação além do tradicional
espaço físico  o ciberespaço.

Esse novo espaço/ambiente de atuação impôs alterações significativas
a vários aspectos dessa instituição, mas sobretudo, às suas coleções e aos seus
serviços, principalmente aqueles voltados para o público. Dentre esses destacase o serviço de referência que tem como missão atender às necessidades de
informação dos usuários por intermédio do bibliotecário provendo-lhes de
resposta imediata às suas perguntas/questões, quer pessoalmente, quer através
de produtos e serviços.

As bibliotecas universitárias foram as primeiras a ter a oportunidade de
se colocar nesse novo espaço e disponibilizar aos seus usuários variados
serviços3. O primeiro deles foi o acesso ao catálogo on line e em seguida os
serviços de referência virtual (síncronos e assíncronos), parte principal da
evolução dos serviços de bibliotecas na Internet.

Com a Internet, o Serviço de Referência evoluiu, possibilitando ao
usuário a exploração direta de um universo maior de ferramentas ou fontes de
informação. Para isso, vale-se tanto de recursos externos de outras bibliotecas,
disponíveis gratuitamente ou não, além de um contato maior e mais fácil com o
bibliotecário com certa comodidade (hora, local, identidade), colocando-lhe ainda
nas mãos o controle sobre esse processo. Assim o que antes era operado de
modo independente pelo bibliotecário conforme sua conveniência, vem privilegiar
o usuário [...] preservando anonimato, selecionando fontes, descartando e
buscando outros SR(s). (OLIVEIRA; BERTHOLINO, 2000 apud SILVA;
BEUTTENMÜLLER, 2005, p. 80).

Dentre os principais recursos utilizados pelas bibliotecas que oferecem
serviços de referência em tempo real (síncronos) estão: [...] acesso à base de

3

A oferta de serviços de referência eletrônica ou virtual começou no final da década de 1980 com
as bibliotecas americanas (MÁRDERO ARELLANO, 2001, p. 8).

�dados, telefone, e-mail, formulário na Web, videoconferência, Internet chat,
páginas de FAQs ou Mural. (MÁRDERO ARELLANO, 2001, p. 8).

Outro tipo de serviço de referência virtual em prática nos EUA há
bastante tempo que é disponibilizado nos sites das principais bibliotecas é o
AskA, também chamado de Ask-An-Expert, um serviço de consulta a
especialistas da informação (voluntários, orientadores, bibliotecários e outros) que
funciona 24 h, orientando os seus usuários em pesquisas e direcionando-os para
as melhores fontes, especialistas, ou serviços de outras instituições.

Serviços de referência desse tipo são operados tanto por empresas
para atender aos interesses financeiros de seus investidores -- de natureza
comercial  quanto os financiados por centros de pesquisa, para atendimento de
estudantes, pais, educadores e outros  de caráter não comercial. Segundo
Márdero Arellano (2001, p. 8) esses serviços costumam oferecer [...] dois tipos
de especialidade, informação sobre temas práticos e informação de referência
instrutiva.

Os serviços virtuais da natureza daqueles providos pelas principais
bibliotecas americanas em seus sites ainda não estão disponibilizados no Brasil e,
a maioria desses, mesmo nos EUA, ainda se encontram restritas a [...] consultas
enviadas por correio eletrônico, telefone ou formulários na Web, consumindo
tempo e exigindo um trabalho árduo de pesquisa. (MÁRDERO ARELLANO,
2001, p. 8). É importante ressaltar que o índice de bibliotecas possui algum tipo
de serviço de referência virtual nos Estados Unidos é bem maior com relação a
outros países, pois em 2001, 97,3% das bibliotecas universitárias americanas já
contavam com serviços nessa condição.

Há, doravante, uma tendência geral de crescimento dos serviços de
bibliotecas na Internet através da referência virtual. Entretanto, vários estudos
(AMARAL; GUIMARÃES, 2002, 2004; OLIVEIRA; BERTHOLINO, 2000; SILVA;
BEUTTENMÜLLER, 2005) mostram que esses serviços aqui no Brasil ainda se
desenvolvem lentamente pela iniciativa de algumas bibliotecas universitárias em

�seus web sites, [...] sendo que a maioria apenas direciona o usuário para a
utilização local da biblioteca ou oferecem informações básicas gerais sobre a
biblioteca, seus serviços e produtos. (OLIVEIRA; BERTHOLINO, 2000 apud
SILVA; BEUTTENMÜLLER, 2005, p. 80).

Esse cenário traz o reflexo de que as bibliotecas ao migrar para o
ambiente

virtual/digital

precisarão

contar

com alto

nível

de

mediação,

considerando as características dos seus usuários remotos na administração de
recursos informacionais, bem como questões envolvendo: [...] flexibilidade e
adaptabilidade às novas mídias e ao perfil do usuário, educação no acesso a
recursos on line, cooperação, rapidez e eficiência das coleções. (OLIVEIRA;
BERTHOLINO, 2000, p. 2).

Desse modo, consideramos como produtos/serviços de informação
indispensáveis nas bibliotecas virtuais universitárias, os seguintes:
•

Catálogo online;

•

Renovação e reserva online;

•

Extrato de conta dos usuários;

•

Atualização de cadastro;

•

Consulta a bases de dados com acesso restrito;

•

Sumários correntes;

•

Biblioteca Digital;

•

Tutorial de uso do site;

•

Visita virtual;

•

Boletim Informativo;

•

Notícias;

•

Links;

•

Perguntas freqüentes (FAQs);

•

Novas aquisições;

•

Sugestões de aquisições;

•

Regulamento de uso dos serviços;

•

Regimento Interno da Biblioteca;

�3

•

Guia do usuário;

•

Legislação interna (portarias e resoluções); e

•

Modelos de documentos acadêmicos / Manual de normalização.

SERVIÇOS

OFERECIDOS

EM

WEB

SITES

DE

BIBLIOTECAS

UNIVERSITÁRIAS

Os serviços de bibliotecas oferecidos no formato on-line, através de
web sites, em geral são atividades já oferecidas freqüentemente no balcão de
referência das bibliotecas. Sharma, Kumar e Sing (2004) apresentam em estudo
realizado alguns serviços que podem ser oferecidos em web sites, citando
inclusive exemplos de uso bem como vantagens e desvantagens de oferta de tais
serviços, quais sejam: serviço de referência através de e-mail; serviços de
perguntas direcionadas, tal como, pergunte ao bibliotecário; tutorial de uso de
serviços; chat.

Em outro estudo, Amaral e Guimarães (2002) categorizaram as
funções dos web sites de bibliotecas em seis: informacional, promocional,
instrucional, referencial, de pesquisa e de comunicação, para mostrar que uma
vez explorados adequadamente os recursos oferecidos pela web, as bibliotecas
poderiam desempenhar melhor as suas funções nesse novo ambiente, além de
ampliar os serviços oferecidos.

Embora esta seja uma classificação interessante, não fez parte dos
objetivos desse estudo utilizar tais categorias, mas apenas verificar os serviços
que são disponibilizados nos web sites das bibliotecas para avaliar o seu grau de
evolução entre as bibliotecas universitárias brasileiras cadastradas no sitio do
GTBV.

Cunha (2002) destaca quatro funções para web sites de bibliotecas
universitárias: a) ferramenta de promoção; b) informações sobre os serviços
disponíveis; c) guias e auxílios; e d) portal para fontes de informações. Esses

�serviços abrangem plenamente o que se caracteriza por serviço de referência em
uma biblioteca.

Ao se analisar os sites das bibliotecas selecionadas, percebeu-se que
os serviços que mais são disponibilizados nos web sites são os catálogos on-line
das bibliotecas (96%), seguido pelo serviço de renovação de documentos (62%).
O serviço de reserva é oferecido apenas em 56% dos sites pesquisados. Esses
serviços são básicos em bibliotecas e se percebe que apesar do discurso acerca
de tecnologia ser corrente, conforme demonstra a literatura, ainda não foi
incorporado à prática biblioteconômica, o uso da tecnologia em favor do serviço
de atendimento ao usuário.

Opinião similar pode ser encontrada no estudo realizado por
Guimarães e Amaral, (2002), no qual consideraram que a [...] oferta de serviços
por meio de sites das bibliotecas universitárias brasileiras ainda é pobre e
incipiente, e mesmo quatro anos após a pesquisa, se verifica que quase nada
mudou, e se continua sem diversificar os serviços oferecidos. Vale ressaltar que a
implantação de um serviço de renovação online implica na diminuição de filas nos
setores de atendimento, e o pessoal locado nestes setores pode ser direcionado
para a criação e implementação de outros produtos e serviços que atendam às
necessidades dos usuários.

A conveniência de uso de algo certamente molda a escolha de usar ou
não determinado serviço (SHARMA; KUMAR; SING, 2004). No entanto, nem
sempre é possível escolher entre usar um ou outro serviço ou biblioteca. Cita-se
a exemplo disso, os serviços de reserva e de renovação, que nem sempre se
encontram presentes no formato on-line em bibliotecas brasileiras. Entretanto, a
oferta desses serviços implica diretamente na melhoria do atendimento, e,
consequentemente, na satisfação do usuário, que pode escolher ir fisicamente à
biblioteca para utilizar o serviço, ou, simplesmente fazê-lo ao alcance de um click,
de onde lhe for mais confortável.

�Concernente ao atendimento, tem-se como serviço, o extrato de conta
e a atualização do cadastro do usuário. Esses serviços permitem o controle por
parte do usuário de toda a sua conta, evitando assim problemas de atrasos e
punições no uso dos serviços da biblioteca. Dessa forma, pode ser gerenciado os
serviços na biblioteca pelo próprio usuário, fortalecendo a parceria com
responsabilidades compartilhadas.

Sobre o relacionamento biblioteca  usuário normalmente definidos em
instrumentos institucionais, como regulamentos de uso dos serviços e guias de
usuários, tem-se o registro de 38% dos sites disponibilizam seu regulamento, e
24% o guia de usuário. A baixa disponibilidade desses documentos deixa claro
que a preocupação de estabelecer os critérios de uso dos espaços e dos serviços
da biblioteca ainda não está bem definida em muitas instituições. Essas relações
quando bem definidas e de amplo conhecimento, tal como em uma relação
comercial, evitam conflitos entre usuários e funcionários por delimitar a função de
cada um desses atores no ambiente da biblioteca, e asseguram ainda uma
relação de cordialidade.

Outras normas de extrema relevância neste ambiente são o regimento
da biblioteca  instrumento que apresenta em detalhes a estrutura hierárquica, a
constituição, as competências e atribuições e; as legislações internas (portarias e
resoluções), que aprovam e legitimam todas as relações da biblioteca com os
seus funcionários e usuários. A preocupação em evidenciar esses instrumentos
mostra-se ainda incipiente nas bibliotecas pesquisadas, posto que, cada um deles
foi encontrado em apenas 6% dos sites pesquisados.

Quando se trata de conteúdos disponibilizados nos sites das
bibliotecas pesquisadas, tem-se primeiramente apontados os links (60% dos
sites), que se apresentam de forma aleatória ou classificada por áreas,
normalmente, dentro das áreas relativas aos cursos atendidos pela biblioteca e de
conhecimento geral, tais como links institucionais de organizações profissionais.
As bibliotecas digitais também são bem destacadas, e não somente a de teses e
dissertações da instituição, como também o repositório da produção científica

�institucional. Outro item de grande destaque são as bases de dados de acesso
restrito (52%), muitas dessas se referem ao Portal .periódicos., mantido pela
CAPES para instituições federais de ensino superior e institutos de pesquisa. O
baixo índice em relação às bases de dados de acesso restrito pode ser explicado,
por, em alguns sites de bibliotecas não constar o link ou a marca de
disponibilização desse acervo, embora, no site da instituição seja disponibilizado.
Nesse caso, não foram contabilizados por não estar disponibilizado o acesso
diretamente no web site da biblioteca.

No que se refere à disponibilidade de informações sobre o uso do site e
seus serviços, poucas bibliotecas se preocupam com esse serviço. Para tanto,
são oferecidos com as mais diferentes denominações, que são: guia do usuário
(24%); perguntas freqüentes (10%), que se referem não apenas aos serviços
oferecidos via web, mas também a questões relacionadas ao funcionamento da
biblioteca; e à visita virtual (4%). Essa comunicação é fundamental para o bom
relacionamento usuário  biblioteca, otimizando a utilização desta, pois, conforme
ressaltam Amaral e Guimarães (2002, p. 10), Disponibilizar instruções sobre o
uso da biblioteca e seus produtos e serviços significa ampliar as condições do uso
desses recursos informacionais, missão precípua da biblioteca. Esses recursos
tecnológicos possibilitam um maior alcance no uso dos serviços da biblioteca,
oferecidos pelo site ou não, podendo ser utilizados no momento em que surge a
necessidade informacional.

Outro

serviço

de

destaque

em

bibliotecas

universitárias,

principalmente, é o serviço de normalização. Em bibliotecas é comum a oferta
desse tipo de serviço, seja pela orientação imediata do bibliotecário ou, através de
formulários para encaminhamento de dúvidas ou solicitação do serviço, sobretudo
quando a instituição preza pela fixação de um modelo condizente com padrões
nacionais e internacionais para suas produções acadêmicas. Entretanto, apenas
algumas bibliotecas (26%) disponibilizam em seus web sites modelos de
documentos acadêmicos normalizados, o próprio manual de normalização
institucional, ou em alguns casos, um software de elaboração de referências
bibliográficas (um dos itens que mais gera dúvidas de normalização no usuário).

�Essas ferramentas auxiliam grandemente o usuário na elaboração de seus
trabalhos, dirimindo as dúvidas mais simples e deixando o auxílio bibliotecário
para casos mais complexos. É um serviço vultoso, principalmente quando se trata
de usuários iniciantes no processo de comunicação científica.

3 CONCLUSÃO

As bibliotecas, com o auxílio da Internet e seus recursos têm maiores
possibilidades de desempenhar melhor aquela que é considerada sua principal
função: possibilitar o acesso à informação solicitada pelo cliente em tempo hábil,
e, até mesmo de ampliar os serviços que são tradicionalmente por elas
oferecidos, através dos recursos das denominadas bibliotecas virtuais que
armazenam e dão acesso remoto por meio das redes a grandes volumes de
informação multimídia, paralelamente à existência de documentos em papel.

O oferecimento de serviços via web é um grande avanço para
bibliotecas, que ganham em tempo e variedade de serviços. No entanto, observase que essa ainda não é uma realidade brasileira, quando se constata que a
disponibilidade de OPACs é uma variedade incerta nos web sites de bibliotecas,
apesar da literatura retratar a automação em bibliotecas brasileiras desde a
década de 1970.

SERVICES IN VITUAL LIBRARIES: analysis of the services offered

Abstract: Services in virtual libraries. It is analyzed the services offered for the
Brazilian virtual libraries registered in the GT Virtual Libraries. It is showed the total
survey of virtual libraries cadastre in the GT for its respective categories. For the
purpose of this study, it is chosen as category of analysis the University Libraries
for representing a bigger contingent in relation the others categories. It survey
analysis only the virtual libraries that present its links of valid.
Keywords: University libraries. Services. Web sites.

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brasileiras: estudo das funções desempenhadas. In.: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 12., 2002. Recife. Anais... Recife: UFPE,
2002. 1 CD-ROM.
AMARAL, S. A. do.; GUIMARÃES, T. P. Sites da bibliotecas universitárias
brasileiras como instrumentos de relações públicas. In.: SEMINÁRIO NACIONAL
DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 13., 2004. Recife. Anais... Natal: BCZM,
2004. 1 CD-ROM.
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Serviços em bibliotecas virtuais. Analisam-se os serviços oferecidos pelas bibliotecas virtuais brasileiras cadastradas no GT Bibliotecas Virtuais. Apresenta-se o total de bibliotecas virtuais cadastradas no sitio do GT por suas respectivas categorias. Para efeitos deste estudo, elege-se como categoria de análise as Bibliotecas Universitárias por representarem um contingente maior em relação às demais categorias, inclusive por distribuição geográfica, possibilitando assim realizar uma coleta de dados mais diversificada sobre os serviços oferecidos, e efetuar a comparação destes serviços entre elas. Restringe-se a referida análise somente as bibliotecas virtuais que apresentam seus respectivos links de endereços válidos.</text>
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                    <text>BIBLIOTECONOMIA COMPARADA: O FUTURO DAS BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS NO BRASIL, NA ESPANHA E NOS EUA

Gustavo Henrique do Nascimento Neto*
Geysa Flávia Câmara de Lima Nascimento**

RESUMO

Apresenta uma análise comparativa entre visões de futuro para Bibliotecas Universitárias. Os
artigos estudados foram Visions: the academic library in 2012, de James Marcum;
Construindo o futuro: a biblioteca universitária brasileira em 2010, de Murilo Bastos da
Cunha, e Possibles escenaris per a les biblioteques universitàries del futur, de Lluís Ma
Anglada i de Ferrer. Foram abordados os seguintes aspectos: a Universidade, a comunidade
acadêmica, tendências das bibliotecárias universitárias, funções das bibliotecas universitárias
e acervo. Conclui-se que embora o presente dos três autores seja diverso, suas visões de
futuro convergem para o mesmo tipo de Biblioteca Universitária, que será uma unidade de
informação pronta para fomentar o conhecimento em uma época de auto-aprendizado.

Palavras-Chave: Biblioteca Universitária. Auto-aprendizado. Modernidade.

1 INTRODUÇÃO

O presente trabalho faz uma abordagem comparativa, por meio dos artigos
“Construindo o futuro: a biblioteca universitária brasileira em 2010”, do pesquisador
brasileiro Murilo Cunha (2000), “Possibles Escenaris per a les Biblioteques Universitàries

___________________
*Especialista em Gestão em Unidades de Informação/UFPB, Bibliotecário da Procuradoria Regional do Trabalho 13ª
Região – Av. Desembargador Souto Maior, 244 – Centro – João Pessoa - Paraíba – Brasil – CEP:58013-190.
(gustavohenn@gmail.com)
** Especialista em Gestão em Unidades de Informação/UFPB, Bibliotecária do Centro de Ciências, Humanas, Letras e
Artes/UFPB - Campus I - Cidade Universitária - S/N - João Pessoa - Paraíba - Brasil - Cep: 58.059-900.
(geysaflavia@yahoo.com.br)

�del Futur”, do bibliotecário espanhol Lluís Mª Anglada i de Fer rer (1997), “Visions: The
Academic Library in 2012” (2002) do bibliotecário americano, da Fairleigh Dickinson
University, James W. Marcum.
Escritos em anos diferentes, apresentam algumas semelhanças na forma de observar
as transformações pela qual a Universidade e a Biblioteca Universitária deverão passar nos
próximos anos. Um fator que incentivou esta pesquisa é o fato de, apesar de tratarem do
mesmo tema, os autores não se citarem.
Por serem de países diferentes, localizados em continentes distintos (América do
Norte, América do Sul e Europa), pode-se ter uma panorâmica das Bibliotecas
Universitárias ocidentais, e, também, saber o que esperar delas no cenário futuro.

2 UNIVERSIDADE: criação e produção de conhecimento

O fator determinante das mudanças na Biblioteca Universitária será, sem dúvida, a
mudança da instituição Universidade. Os pesquisadores Cunha, (2000) e Anglada, (1997)
apontam a principal mudança: o foco não será mais no docente, será no estudante.
Consequentemente, o ensino dará lugar à aprendizagem. É aí que entra a Biblioteca
Universitária, como facilitadora da auto-aprendizagem e da aprendizagem em grupo.
Mas afinal o que é Universidade? A universidade deve ser concebida não apenas
como o locus onde se transmite o conhecimento estocado, mas, sobretudo como uma
instituição voltada para a dialética e a renovação do saber. Chamo de dialética a arte do
diálogo, da discussão ou argumentação.
Nesta perspectiva, em geral, a universidade tem sido concebida historicamente
segundo Silva (1994, p.31)
Como agência do saber voltada para o cumprimento da tarefa de proporcionar, em
nível superior, o ensino, a pesquisa e a extensão, com uma visão critica, de acordo
com os objetivos que pretende realizar no seio da sociedade da qual faz parte [...]
cabendo-lhe a missão de preparar os quadros qualificados para as carreiras de
caráter intelectual, científico, técnico e artístico, condizentes com as necessidades
da sociedade.

A universidade ocupa um papel preponderante, sem dúvida, na preparação de

�profissionais das mais diversas áreas, de maneira que possui uma importância peculiar
enquanto propiciadora de recursos humanos para o atendimento a sociedade. Isto porque,
dentre muitas de suas funções, encontra-se a social, entendida de acordo com Demo (1983,
p. 27), como “[...] o esforço planejado de reduções das desigualdades sociais [...]”.
Além de ocupar um papel fundamental na preparação de profissionais, a
universidade é uma agencia produtora de ciência e de tecnologia, assim como configura um
lugar de produção de imaginário coletivo capaz de articular, prática e simbolicamente, a
sociedade política e a sociedade civil.
Porém, para Anglada (1997, p. 21), alguns pontos devem ser considerados para se
imaginar o futuro da Universidade. "O primeiro é a democratização do ensino superior. A
universidade elitista dos fins dos anos 60 se massifica a partir de então e, sobretudo, amplia a
base social de seus estudantes". Esse fenômeno pode ser observado no cenário brasileiro,
com os debates em torno das políticas de cotas para universidades públicas, e bolsas para
estudantes carentes em universidades privadas (PROUNI). Continua Anglada (1997, p.31),

[...] em segundo lugar, as demandas da sociedade à universidade também
mudarão. Acabará a demanda para que as universidades formassem as elites
dirigentes [...] para se tornarem responsáveis pela educação continuada de seus
egressos bacharéis, mantendo assim um vínculo longo com esses profissionais.
Em terceiro lugar, o método docente da universidade tem variado pouco desde a
fundação: aulas magistrais, apontamentos, no melhor dos casos algum debate [...]
A universidade desde seu início tem sido, como é agora, presencial. Quer dizer,
ecigia a presença simultânea do ensinante e do ensinado. [...] Finalmente, a
universidade será forçada a transparecer e racionalizar os seus recursos. Isso irá
incentivar o uso das tecnologias, cada vez mais acessíveis, e a formação à
distância, a fim de economizar recursos físicos das instalações universitárias.

Cunha (2000) concorda em muitos desses aspectos, e ambos, assim, acabam
prevendo o mesmo futuro para a universidade. Mas também concordam no presente:

No atual paradigma, as faculdades e universidades estão centradas no
corpo docente. Os professores decidem o que lecionar, como, quando e
onde o aprendizado ocorrerá. Os estudantes precisam viajar até o campus
para aprender; precisam vencer os obstáculos burocráticos do vestibular,
das limitações nas ofertas de disciplinas e dos rígidos horários escolares.
Se cumprirem todos os requisitos, podem, finalmente, receber o certificado
de reconhecimento do aprendizado.

Logo, a evolução para uma educação centrada no aprendiz é irresistível e

�desafiadora. Como resultado, a educação superior poderia transformar-se em um sistema de
faculdades e universidades, que, de fato, poderiam organizar-se em uma verdadeira
“indústria” do conhecimento e aprendizado, pois a universidade se configura com uma
instituição indispensável para o desenvolvimento da própria sociedade.
Em suma, pode-se prever as universidades do futuro mais como formadoras do que
como educadoras. Será uma instituição democrática, preocupada com o desenvolvimento
contínuo do indivíduo, oferecendo formação à distância. O foco será o aprendizado, não
mais o ensino.

3 A COMUNIDADE UNIVERSITÁRIA

A comunidade universitária foi uma grande preocupação de Cunha (2000) em seu
artigo. Ele coloca que, em 2010, a geração de universitários será bastante hábil em internet, e
em conseguir informações por meio dela, o que forçará uma biblioteca universitária melhor
preparada de pessoal e de acervo.
Anglada (1997) é mais direto, e coloca que

O futuro não será tão diferente do presente. A biblioteca é prescindível já hoje
para quem tem o dinheiro suficiente para substituí-la por meios próprios. O acesso
à informação no futuro continuará tendo as duas grandes barreiras que apresenta
na atualidade: a do custo econômico de adquiri-la ou usá-la e a do curso de tempo
para organizá-la, colecioná-la e processá-la.

Esse público futuro, da biblioteca universitária, de experts em busca por informações
na internet, por um lado, e de usuários com barreiras intransponíveis, por outro, irá
determinar o tipo de serviço que a biblioteca universitária deverá oferecer no futuro. Como
será visto a seguir.

4 TENDÊNCIAS DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA

Cunha (2000) prevê bibliotecas híbridas, em que os usuários terão uma enorme
quantidade de informação, em diversos suportes e diversas formas de acesso. O que, para

�ele, obrigará as bibliotecas a fundirem-se para alcançarem uma excelência em todos os
aspectos (algo que o Edson Nery já visiona quando pede por apenas uma Biblioteca Central
nas Universidades).
Essa centralização trará benefícios além da economia, pois também transformará a
biblioteca universitária como o principal ponto de encontro da universidade, responsável
pela socialização de alunos e mestres. Mas não só isso será também um local para interação
com estudantes e professores de outras universidades ao redor do globo.
Para Anglada (1997), a biblioteca universitária, por ser cada vez mais centralizada e
com melhores serviços e espaços, terá importante papel de socialização, reunindo in loco
seus intelectuais. O que também Marcum (2002) concorda, ao prever espaços para estudo e
trabalho adaptáveis na biblioteca universitária, facilmente montáveis, que irão favorecer
tanto conferências virtuais quanto apresentações reais. Marcum (2002) comenta ainda sobre
a (re) criação digital de personagens da história e da ficção, inclusive ficção científica, para
estarem presentes neste espaço, o que já acontece em alguns museus, entre outras novidades
que permitirão que a biblioteca universitária seja um local mais atraente do que as salas de
aula. Cunha (2000) corrobora com essa visão da utilização do espaço da biblioteca
universitária como alternativa às salas de aula, quando propõe: “[...] haverá uma mudança
radical: da sala de aula síncrona para assíncrona, baseada numa rede de aprendizados que irá
utilizar variada e complexa rede de tecnologias de informação”.
Anglada (1997) coloca uma série de contraposições passado/futuro que deverão nortear
as bibliotecas universitárias:
•

Acessibilidade x Propriedade: não é preciso ter o documento para acessar seu conteúdo.
Os consórcios de bibliotecas, as bibliotecas digitais, costumam adquirir uma única vez
determinado material, e permitir seu acesso on-line. Essa tendência de futuro já pode ser
encontrada nos EUA e na Europa.

•

Eletrônica x Papel: o formato digital dominando quase que totalmente. Por ser
facilmente disseminado, o formato digital prevalece. Porém, não há risco, para nem um
dos três autores, de que o papel perca sua importância.

•

Competência x Cooperação: melhoria da gestão das bibliotecas universitárias e reforço
na aplicação de métodos e técnicas empresariais nas bibliotecas.

•

Transgressão x Evolução: as mudanças serão rápidas, profundas e radicais.

�Anglada (1997) ainda coloca mais dois contrapontos, menos importantes a seu ver, mas
que podem influenciar as bibliotecas universitárias:
•

Livre x Pago: a tendência é que sejam favorecidos os que conseguirem informação
gratuitamente;

•

Progressista x Conservador: associando implicitamente o primeiro termo com o acesso
eletrônico, competitivo e rupturista e um certo ar reacionário em relação ao proprietário
de papel que coopera num mundo em evolução.

5 A TECNOLOGIA NO FUTURO DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS

As bibliotecas universitárias compreendem hoje basicamente estas quatro funções:
•

a de facilitar o estudo;

•

a de adquirir, organizar e oferecer acesso a documentos atuais ao estudo e pesquisa;

•

a de recolher, conservar e oferecer acesso a documentos retrospectivos para as mesmas
funções, e

•

a de informar, orientar e formar no complexo mundo do material bibliográfico existente.
Essas funções não irão mudar nesse futuro próximo, mas terão que se adaptar à nova

realidade.
Marcum (2002) coloca que o que marcará essa adaptação é o rol de serviços
ofertados (tanto face a face quanto à distância), para guardar documentos eletrônicos e
recursos gerados primeiramente por bibliotecários no lugar de editores comerciais. A
disseminação seletiva da informação e sistemas de alerta ligados ao gerenciamento do curso
por conta do estudante e suportado por referência virtual irão engrandecer os serviços
bibliotecários no futuro. A biblioteca será ubíqua(onipresente) e o alcance de seus serviços
dramaticamente superará os serviços relativos à tradicional visão de biblioteca como `lugar´.
Segundo Marcum (2002), a biblioteca universitária deixará de ser um lugar na
universidade para ser uma função e a tecnologia estará antecipando mudanças nas funções
básicas das bibliotecas.
Os bibliotecários trabalharão mais próximos a outros profissionais da informação

�para atender às necessidades dos estudantes. O que obrigará as bibliotecas universitárias a
focarem a gestão da informação como um procedimento interdisciplinar.
Marcum (2002) ainda vai mais além quando coloca customização e personalização
como chave para agregar valor. Publicação de arquivos e depositórios de experiências são
resultados de uma habilitação para os estudantes entenderem culturalmente a distinguir
caminhos de conhecimento e criar informações bio-pessoal e bio-social e portfolios de
busca, ajudados por agentes inteligentes.
Isso também foi previsto por Cunha (2000, p.54):

No futuro “balcão” de referência eletrônica, existirá um programa de computador,
denominado “agente inteligente”, que, de acordo com Ronald J. Heckart (1998, p.
253), extrairá palavras-chave da expressão de busca elaborada pelo usuário
remoto, adicionará sinônimos, organizará o resultado em uma estrutura
hierárquica e enviará o resultado preliminar para o usuário. Este poderá fazer
alterações e adicionar novos parâmetros, por exemplo, o período coberto e o tipo
de documento desejado. Após isto, o “agente inteligente” realiza a busca e
apresenta os resultados com o grau de relevância para cada item recuperado. O
usuário, por sua vez, pode então assinalar o que deseja: referência bibliográfica,
resumo, sumário ou o texto completo. Finalmente, o pedido do usuário é
encaminhado para o seu computador ou sua caixa postal eletrônica.

Para Anglada (1997), o formato digital vai praticamente dominar as bibliotecas. O
que também previu, Cunha (2000, p. 8) , que fala em “empréstimos eletrônicos” de
documentos. Já Marcum (2002), diz que as coleções sofrerão transformações dramáticas.
Para ele, elas, as coleções, serão amplamente selecionadas, o que caracteriza recursos
multimídia e bases de dados, algumas providas colaborativamente através de consórcios
com outras bibliotecas e provedores de informação.
Pois uma vez com as bibliotecas fundidas fisicamente, ou em consórcios eficientes,
poderão ter acesso ao acervo umas das outras em tempo real.
Anglada (1997) destaca ainda a preocupação com a memória institucional
universitária (a produção docente, em especial), e coloca dois pontos cruciais para as
bibliotecas universitárias do futuro: em primeiro lugar, a conservação de coleções únicas.
Uma vez que a acessibilidade irá aumentar, conseqüência disso, o uso também vai aumentar,
e a conservação vai ganhar maior importância simbólica e estratégica. E em segundo lugar, a
preocupação com a conservação e preservação digital da produção universitária.
GUISA DE (IN) CONCLUSÕES

�Os três autores concordam com um futuro em que o ensino universitário estará
focado no estudante e no auto-aprendizado. Apesar das diferenças culturais, sociais e
econômicas entre EUA, Espanha e Brasil, o futuro das universidades aponta para o mesmo
caminho.
O futuro da Biblioteca Universitária está diretamente ligado ao futuro da
Universidade. Uma vez que esta será democratizada, com amplo acesso à sociedade, aquela
será a responsável por prover estes novos alunos de material de pesquisa.
Pode-se extrair ainda que as tecnologias da comunicação e da informação terão papel
fundamental, já começam a ter esse valor, pois através delas o acesso se tornará real e
conveniente para os estudantes.
Os bibliotecários, por seu turno, deverão estar em condições de prestar um serviço de
referência e assistência de alto nível a estes estudantes, e serão, fatalmente, recompensados
por isso.
Os próximos anos das Bibliotecas Universitárias prometem.

REFERÊNCIAS

�ANGLADA I DE FERRER, Lluís Ma. Possibles escenaris per a les biblioteques
universitàries del futur. Métodos de Información (MEI), v. 4, n. 20, p. 41-47, 1997.
CUNHA, Murilo Bastos da. Construindo o futuro: a biblioteca universitária brasileira em
2010. Ci. Inf., v.29, n.1, abr. 2000.
DEMO, Pedro. Função social da universidade. Educação brasileira, Brasília, v.5, n.11,
p.21-39, jul./dez., 1983.
MARCUM, James W. Visions: the academic library in 2012. D-Lib Magazine, v. 9, n. 5,
maio. 2002. Disponível em: &lt;http://www.dlib.org/dlib/may03/marcum/05marcum.html&gt;.
Acesso em: 25 maio 2006.
SILVA, Luiz Eduardo P. de Carvalho et al. Proposta para uma universidade no terceiro
milênio. Rio de Janeiro: Fundação Universitária José Bonifácio, 1994.

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                <text>Apresenta uma análise comparativa entre visões de futuro para Bibliotecas Universitárias. Os artigos estudados foram Visions: the academic library in 2012, de James Marcum; Construindo o futuro: a biblioteca universitária brasileira em 2010, de Murilo Bastos da Cunha, e Possibles escenaris per a les biblioteques universitàries del futur, de Lluís Ma Anglada I de Ferrer. Foram abordados os seguintes aspectos: a Universidade, a comunidade acadêmica, tendências das bibliotecárias universitárias, funções das bibliotecas universitárias e acervo. Conclui-se que embora o presente dos três autores seja diverso, suas visões de futuro convergem para o mesmo tipo de Biblioteca Universitária, que será uma unidade de informação pronta para fomentar o conhecimento em uma época de auto-aprendizado.</text>
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                    <text>Busca Monitorada: o serviço de Information Broker ao alcance dos usuários
do Comut

Shirley Lopes dos Santos
Instituo Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia  IBICT
SAS Quadra 5 Lote 6, Bloco H, sala 206, CEP 70070-914 Brasília-DF, Brasil
shirley@ibict.br

Resumo

O objetivo deste trabalho é apresentar e divulgar o serviço de Busca Monitorada
oferecido pelo Programa de Comutação Bibliográfica  COMUT. Aborda a
transição do antigo formato do sistema para o novo, e tem como principal foco os
novos serviços oferecidos: Busca Monitorada no Brasil e Busca Monitorada no
Exterior. Define os conceitos de Busca Monitorada e Information Broker e discute
os serviços oferecidos por ambos, estabelecendo o novo perfil do profissional
ligado ao atendimento às pesquisas. A qualidade e a quantidade de informações
disponíveis, tanto em papel, quanto em meio eletrônico, gerou a necessidade de
um facilitador que estabelecesse um canal de comunicação entre usuário e
informação. Criado e implantado pelo COMUT, o serviço de Busca Monitorada
transformou as atividades dos profissionais, que se dispuseram a se tornar
verdadeiros Information Brokers, ou seja, agentes capazes de localizar e
disponibilizar exatamente o que o usuário solicita. Estabelece, ainda, um paralelo
entre as atividades de um Information Broker e as atividades dos profissionais que
fazem o atendimento das solicitações encaminhadas à Busca Monitorada. Conclui
apresentando um estudo dos principais portais, tanto nacionais quanto
internacionais, utilizados para o atendimento de tais solicitações e cases que
demonstram a importância do trabalho do Information Broker.

Palavras-chave: 1. Profissional da informação  novo perfil; 2. Busca monitorada;
3. COMUT

�Introdução

Na última década, a globalização, aliada às novas tecnologias, afetou
completamente as atividades dos profissionais da informação, exigindo uma nova
postura, muito mais ativa, no que diz respeito à satisfação das necessidades
informacionais dos usuários. De maneira geral, tais mudanças provocaram
também alterações nos hábitos dos profissionais, num processo de modernização
que visa oferecer maior agilidade na prestação de serviços à comunidade usuária.
Assim, quanto maior o empenho para efetuar o atendimento com eficiência e
eficácia, maior a satisfação dos clientes com os serviços prestados.

A idéia para a realização deste trabalho surgiu da proposta de divulgar os
serviços da Busca Monitorada, antes prestados a uma pequena parcela da
comunidade acadêmica e cujo crescimento foi significativo nos últimos dois anos,
bem como as atividades desempenhadas pelos profissionais responsáveis por
esse trabalho, que por muitas vezes desempenham papel de verdadeiros
Information Brokers para atender às demandas informacionais daqueles que
optam pelo serviço.
O Comut

Em 1980 foi criado o Programa de Comutação Bibliográfica  Comut , com
o objetivo de permitir o acesso ao documento requerido independentemente de
sua localização, mediante a celebração de convênios de prestação de serviços
com Bibliotecas-Base, sob a forma de comutação bibliográfica descentralizada,
uma maneira simples e desburocratizada, do ponto de vista administrativo e
contábil, que utiliza bônus como moeda única para o pagamento de cópias. O
bônus é a moeda do Comut e foi criado com a finalidade de facilitar e
desburocratizar o processo de aquisição de cópias. Cada bônus dá ao usuário o
direito de obter até cinco páginas de informação, ou seja, se o cliente faz uma
solicitação com oito páginas ele pagará à Biblioteca-Base dois bônus.
As bibliotecas cadastradas no Comut, chamadas de Bibliotecas Solicitantes,
são as bibliotecas/centros de documentação demandantes de informação
documentária, necessárias para as tarefas de ensino, pesquisa ou gerenciamento.

2

�Quando uma biblioteca possui acervo e infra-estrutura adequados aos propósitos
da comutação bibliográfica - que é atender com rapidez as solicitações dos
clientes - ela assina um convênio com o Instituto Brasileiro de Informação em
Ciência e Tecnologia  IBICT e recebe o status de Biblioteca-Base. Cada
Biblioteca-Base tem um Padrão de Atendimento, equivalente à sua capacidade
diária de atendimento (quantidade de pedidos/dia), que varia de acordo com a
infra-estrutura que a instituição possui.
A modernização do Comut

No decorrer de duas décadas e meia, o Comut sofreu alterações à medida
que o desenvolvimento das tecnologias ia avançando. Até 1996, todos os
procedimentos operacionais e administrativos do sistema eram manuais, usando
formulários impressos. Os bônus eram chamados de cupons e remetidos às
instituições concomitantemente ao envio do respectivo formulário de solicitação via
correio. As cópias também eram encaminhadas por via postal aos usuários, ou,
eventualmente, por fax.
Em meados de 1996, com o objetivo de otimizar as atividades, as
solicitações de cópias foram informatizadas. Mas somente a partir de 2002 iniciouse o processo de modernização do Comut, agregando-lhe os recursos
tecnológicos disponíveis.
A implantação do novo formato do Comut trouxe algumas alterações
significativas no processo de comutação bibliográfica. A primeira mudança foi a
disponibilização do sistema para pessoas físicas, chamadas de Usuários
Solicitantes, demandantes de informação documentária que passaram a operar
diretamente o Comut, sem a interferência de uma Biblioteca Solicitante, podendo,
inclusive, monitorar todas as suas solicitações de cópias.
Outra mudança, já em fase de implantação, é a aquisição de bônus com
cartão de crédito, tornando desnecessário o deslocamento a uma agência bancária
e facilitando o pagamento. A utilização do cartão de crédito possibilitará o
atendimento direto dos clientes no exterior, hoje feito por intermédio do Serviço de

3

�Busca Monitorada. O Comut já oferece o novo serviço a clientes do Panamá,
Polônia, Peru, Chile e Portugal.
A Busca Monitorada

O serviço de Busca Monitorada é outra novidade decorrente da
modernização do Comut. Esse novo serviço permite localizar, solicitar e receber
documentos existentes em instituições localizadas no Brasil ou no exterior. Ele é
acionado quando o usuário deixa de optar por uma Biblioteca-Base, preferindo a
Busca Monitorada no Brasil e/ou Busca Monitorada no Exterior, ou ainda, quando
as Bibliotecas-Base do Comut não dispõem do documento desejado.

A vantagem para o cliente ao autorizar a Busca Monitorada por meio do
Formulário de Solicitação de Cópias é poder utilizar todos os mecanismos
operacionais e financeiros do Comut sem preocupar-se com o preenchimento de
novos formulários ou com o uso de outras formas de pagamento para acessar
outros serviços.
Os serviços prestados pela Busca Monitorada têm preços diferenciados
daqueles cobrados pelo atendimento feito diretamente pelas Bibliotecas-Base. A
Busca Monitorada no Brasil tem o custo de dois bônus, enquanto a Busca
Monitorada no Exterior exige quatro bônus, acrescidos ao valor normal e mediante
autorização no formulário de Solicitação de Cópias. Por exemplo: se o cliente
solicita um documento com 12 páginas ela pagará à Biblioteca-Base três bônus; se
autoriza a Busca Monitorada no Brasil, ele pagará cinco bônus, enquanto que para
solicitar Busca Monitorada no Exterior ele despenderá sete bônus. O prazo de
recebimento das cópias pode ser alterado conforme as dificuldades de localização
do documento e de obtenção das cópias.

A Busca Monitorada funciona como uma Biblioteca-Base do Comut, ou
seja, é uma biblioteca que atende as solicitações dos usuários, porém com alguns
diferenciais:
1. É uma biblioteca virtual, não dispõe de acervo próprio;
2. Não está limitada a um Padrão de Atendimento, portanto não há limite na
sua caixa de entrada, que recebe diretamente todas as solicitações;

4

�3. Não se obriga a atender às demandas em prazo determinado,
comprometendo-se, no entanto, em fazê-lo o mais breve possível.
Os serviços pertinentes à Busca Monitorada consistem em receber os
pedidos, pesquisar, localizar, solicitar, receber e enviar ao cliente o documento
solicitado por intermédio do Comut, em qualquer formato ou suporte e em
qualquer lugar do Brasil ou do mundo. As pesquisas são realizadas nas mais
diversas instituições nacionais, públicas ou privadas, tais como universidades,
faculdades, centros de pesquisa, inclusive aquelas que não participam do Comut
na qualidade de Bibliotecas-Base, mas se dispõem a colaborar com o
fornecimento do material necessário. Muitas vezes uma instituição não é
participante do Comut porque não tem pessoal suficiente para o atendimento
constante de pesquisas, mas tem um acervo excelente em determinada área do
conhecimento e tem possibilidades para atendimentos eventuais.
Com a crescente demanda à Busca Monitorada no Exterior, a gerência do
Comut, responsável por esse serviço, sentiu a necessidade de firmar um convênio
com a Online Computer Library Center - OCLC para atender às pesquisas
solicitadas. A OCLC é uma organização dedicada a prestar serviços bibliotecários
computadorizados e de pesquisa, com o propósito de facilitar o acesso à
informação. Milhares de bibliotecas utilizam os serviços da OCLC para localizar,
adquirir, catalogar, compartilhar e preservar material bibliotecário por intermédio
do FirstSearch, um serviço on-line que oferece acesso a uma rica coleção de
bancos de dados de referência.

O ponto central do FirstSearch é o WorldCat, a fonte bibliográfica mais
abrangente disponível no momento e que consiste no catálogo coletivo da OCLC.
Por meio do FirstSearch é possível acessar o WorldCat e solicitar o material às
bibliotecas provedoras, ou seja, aquelas que fazem o atendimento de acordo com
o permitido pelo convênio. Algumas instituições chegam a fazer uma espécie de
empréstimo interbibliotecário e enviam o material original para ser reproduzido, em
qualquer suporte, como livro ou microficha. Esse convênio possibilita à Busca
Monitorada o acesso ao acervo de mais de 10.000 bibliotecas espalhadas por todo
o mundo.

5

�Os caminhos para o atendimento das pesquisas variam de acordo com a
solicitação. Em se tratando de periódicos, os pontos de partida são o Catálogo
Coletivo Nacional  CCN (http://www.ct.ibict.br/ccn/owa/ccn_consulta), que reúne
as informações sobre as coleções de periódicos técnico-científicos distribuídas nas
diversas bibliotecas do país; e a British Library  BL (http://www.bl.uk/), onde é
possível consultar o Current Serials para a confirmação de título, em caso de título
abreviado, bem como o Integrated Catalogue para localização de outros tipos de
materiais.
Quando se trata de tese ou dissertação, o caminho mais curto é buscar a
instituição onde a mesma foi defendida, pois é ela a biblioteca depositária do de
material produzido. Outra opção é a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações 
BDTD (http://bdtd.ibict.br), que busca integrar os sistemas de informação de teses
e dissertações existentes nas instituições de ensino superior brasileiras. A BDTD
conta com um número significativo de instituições participantes e as publicações já
estão disponíveis em texto completo.
Os outros tipos de documentos, tais como anais de congressos e partes de
documentos, são pesquisados nos catálogos das bibliotecas e instituições de
pesquisa em geral, ou de acordo com o assunto solicitado. Por exemplo, um
trabalho apresentado num congresso de biblioteconomia pesquisa-se primeiro na
biblioteca do IBICT.
Outros sites imprescindíveis para pesquisa e atendimento das solicitações
são os seguintes:
-

Portal Brasileiro de Informação Científica (http://www.capes.gov.br):
conhecido como Portal da CAPES, tem o objetivo de oferecer aos
clientes, entre eles pesquisadores, bibliotecas, instituições de ensino
entre outros, acesso imediato a periódicos científicos;

-

Portal

da

Comissão

Nacional

de

Energia

Nuclear

-

CNEN

(http://cin.cnen.gov.br/catalogos/busca/): inclui dados bibliográficos de
todo tipo de anais de eventos, como conferências, simpósios,
congressos, reuniões e outros, realizados no Brasil ou no exterior, e que
se encontram disponíveis nos acervos de bibliotecas brasileiras e de
algumas latino-americanas;

6

�-

Portal da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa
(http://bdpa.cnptia.embrapa.br): composto por diversas bases de dados,
em agricultura, que viabilizam o acesso à literatura técnico-científica
produzida e colecionada pelas unidades de pesquisa da Embrapa em
todo território nacional.

-

Bireme (http://www.bireme.br): tem como objetivo a promoção da
cooperação tecno-científica em saúde entre os países da América
Latina e do Caribe (denominada Região), com o intuito de desenvolver
os meios e as capacidades para proporcionar acesso eqüitativo à
informação tecno-científica em saúde, relevante e atualizada, de forma
rápida, eficiente e com custos adequados. Seu portal dispõe de diversos
recursos para a recuperação de informações da área de saúde.

-

Google

(http://www.google.com.br):

site

de

busca

que

atualiza

diariamente sua base de dados. O portal disponibiliza uma série de
ferramentas

de

busca,

entre

elas

o

Google

Acadêmico

(http://scholar.google.com.br/schhp?hl=pt-BR), uma ferramenta simples
que permite realizar abrangentes buscas por literatura acadêmica. É
possível pesquisar várias disciplinas e fontes em um só lugar: artigos
revisados por especialistas (peer-rewiewed), teses, livros, resumos e
artigos de editoras acadêmicas, organizações profissionais, bibliotecas
de pré-publicações, universidades e outras instituições acadêmicas. Por
meio do Google é possível confirmar os dados constantes nas
referências solicitadas e muitas vezes acessar o próprio documento, na
íntegra.

A Busca Monitorada parece ser um serviço bastante simples, e seria, se os
dados contidos nos formulários fossem exatamente aquilo de que se necessita
para prover a informação requerida. Entretanto, as formas truncadas como as
solicitações chegam à Busca Monitorada transformam a rotina de uma simples
pesquisa para a localização dos documentos. Cerca de 40% das solicitações
encaminhadas à Busca Monitorada têm algum dado errado ou inexistente, tais
como títulos abreviados, pedidos de documentos sem título e sem autoria, erro de
numeração de página, título do artigo no lugar do título do periódico, livro solicitado

7

�como se fora periódico, por exemplo, e demais absurdos inimagináveis ou até
imagináveis, para aqueles que fazem atendimento a clientes.

O Information Broker

O trabalho de pesquisa e obtenção de material por meio da Busca
Monitorada transformou a rotina dos bibliotecários responsáveis pelo atendimento
das solicitações, tornados mediadores do processo de acesso aos documentos
para prover os clientes com as informações de que necessitam.

A diversidade das atividades de pesquisa desenvolvidas pelos bibliotecários
levou à percepção de que estavam ultrapassados os limites da rotina comum dos
serviços de atendimento ao cliente, e que na prática esses profissionais estavam
atuando como verdadeiros Information Brokers.
O termo Information Broker pode ser definido como caçador de
informações. Trata-se de uma espécie de detetive, que procura, vasculha e faz o
que for necessário para alcançar a informação demandada por seu cliente. A
literatura brasileira pouco discorre a respeito do Information Broker. No entanto,
nos Estados Unidos, o assunto é bastante discutido e facilmente encontrado na
literatura. Um Information Broker tem qualificação acadêmica prévia, ou seja, é
graduado em área específica de conhecimento e, posteriormente, adquire
habilidades e especializa-se em cursos de pós-graduação na área de Ciência da
Informação e Biblioteconomia.
Todavia, a realidade brasileira é outra e aqui é o bibliotecário quem exerce
tal função, pois é ele quem faz o contato presencial ou virtual com o cliente,
captando as informações necessárias ao atendimento. O Information Broker é um
agente capaz de localizar e disponibilizar exatamente aquilo que o cliente solicita,
podendo definir ou indicar fontes de informação, o tipo de informação a ser
buscada, a sua qualidade e atualidade.
Dentre as inúmeras atribuições de um Information Broker, os bibliotecários
que fazem o atendimento da BM desempenham as seguintes:

8

�-

Recebem as solicitações;

-

Fazem buscas on-line;

-

Acessam e obtêm documentos;

-

Coletam informações;

-

Escolhem fontes de informações;

-

Utilizam bases de dados e coleções externas;

-

Respondem e suprem demandas de informações; e

-

Comercializam e gerenciam as informações.
Para garantir a qualidade dos serviços oferecidos pela Busca Monitorada,

faz-se necessário que os bibliotecários estejam constantemente em reciclagem de
conhecimentos, para que o trabalho esteja sempre em consonância com o objetivo
principal do serviço que é o provimento da informação.

Por fim, a demanda por informações é consequência do mundo globalizado
e o grande desafio para o Information Broker é fazer a interface entre cliente e
informação utilizando criatividade, flexibilidade, capacidade de análise e visão
interdisciplinar, bem como fontes e recursos tecnológicos para atender aos seus
clientes, que possuem uma extensa cultura informacional e, por serem cada vez
mais exigentes, requerem qualidade, eficiência, eficácia e precisão no atendimento
das suas as necessidades informacionais.

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11

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Ciência da Informação&#13;
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Busca Monitorada: o serviço de Information Broker ao alcance dos usuários do Comut.</text>
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                <text>O objetivo deste trabalho é apresentar e divulgar o serviço de Busca Monitorada oferecido pelo Programa de Comutação Bibliográfica - COMUT. Aborda a transição do antigo formato do sistema para o novo, e tem como principal foco os novos serviços oferecidos: Busca Monitorada no Brasil e Busca Monitorada no Exterior. Define os conceitos de Busca Monitorada e Information Broker e discute os serviços oferecidos por ambos, estabelecendo o novo perfil do profissional ligado ao atendimento às pesquisas. A qualidade e a quantidade de informações disção. Criado e implantado pelo COMUT, o serviço de Busca Monitorada transformou as atividades dos profissionais, que se dispuseram a se tornar verdadeiros Information Brokers, ou seja, agentes capazes de localizar e disponibilizar exatamente o que o usuãrio solicita. Estabelece, ainda, um paralelo entre as atividades de um Information Broker e as atividades dos profissionais que fazem o atendimento das solicitações encaminhadas à Busca Monitorada. Conclui apresentando um estudo dos principais portais, tanto nacionais quanto internacionais, utilizados para o atendimento de tais solicitações e cases que demonstram a importãncia do trabalho do Information Broker.</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>As bibliotecas representam verdadeiros templos de conhecimento e se estruturam com políticas e diretrizes voltadas para a democratização da informação e o apoio ao desenvolvimento educacional dos indivíduos e das sociedades. Diante da necessidade de torná-las plenamente utilizadas, a IFLA, por iniciativa da American Library Association (ALA), lança campanha de valorização e uso de todas as categorias de biblioteca no mundo, disseminada através da logo @ Your Library a ser adaptada em diferentes países. No Brasil, com o apoio da FEBAB – Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários foi adotada a logo n@ Sua Biblioteca. Este estudo, realizado na disciplina ICI 193 - Bibliotecas Públicas e Escolares, no Instituto de Ciência da Informação da UFBA objetiva investigar o grau de conhecimento e de utilização da Campanha no universo das bibliotecas públicas e bibliotecas universitárias de Salvador. A metodologia consiste de revisão de literatura para a construção do referencial teórico e aplicação de instrumento de investigação aos bibliotecários das instituições objeto do estudo. Resultados preliminares apontam que o reduzido conhecimento da campanha se deve a uma limitada divulgação. Como considerações preliminares, aponta-se que uma maior divulgação serviria como incentivo ao melhor uso das bibliotecas e o estímulo para a implantação de políticas públicas de acesso à informação.</text>
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                    <text>CAPACITAÇÃO DE EQUIPES: UM PROCESSO CONTÍNUO NA GESTÃO DO
SIBI/USP
Adriana Cybele Ferrari – aferrari@usp.br
Márcia Elísa Garcia de Grandi – megrandi@usp.br
Mariza Leal de Meirelles Do Coutto – marizadc@sibi.usp.br
Universidade de São Paulo
Sistema Integrado de Bibliotecas
Av. Pro. Luciano Gualberto, Trav. J, n. 374 – 1º andar - Cidade Universitária São Paulo – SP – Brasil – 05508-010

Resumo
Descrevem-se as ações efetivadas pelo Sistema Integrado de Bibliotecas da
Universidade de São Paulo dentro do Processo de Capacitação de Equipes
recentemente institucionalizado. O SIBi/USP entende que a capacitação contínua
é um meio de promover mudanças organizacionais, e neste sentido, tem atuado
no desenvolvimento de competências para aprimorar a qualidade dos produtos e
serviços oferecidos à comunidade. Para atingir esses objetivos são oferecidos
cursos (remotos e/ou presenciais), sessões de treinamento, eventos, entre outras
atividades. Desde o início deste processo, em 2002, foi possível propiciar 6.466
oportunidades de capacitação para as equipes bibliotecárias dos diferentes níveis
funcionais que constituem o SIBi/USP (básicos, técnicos e superiores). Espera-se
incrementar esse processo com o estabelecimento de indicadores que permitam
avaliar mais precisamente os impactos da capacitação no desempenho das
equipes bibliotecárias, consolidando o processo perante a alta administração da
Universidade.
Palavras-chaves: Capacitação de equipes. Gestão de pessoas. Programa de
treinamento

1 Introdução
O Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo (SIBi/USP)
tem suas equipes bibliotecárias distribuídas em 40 bibliotecas especializadas,

�situadas nas Unidades de ensino e pesquisa, Centros, Hospitais e Museus da
USP, bem como em seu próprio Departamento Técnico. O quadro funcional
totaliza 789 funcionários, sendo 322 bibliotecários, 282 técnicos e 185 auxiliares
de documentação e informação.

Desde a criação do SIBi/USP, a preocupação com a capacitação das equipes
bibliotecárias acompanhou as atividades desenvolvidas no estabelecimento de
procedimentos sistêmicos padronizados para os processos instituídos na área de
desenvolvimento de coleções, tratamento e acesso à informação.

No Planejamento Estratégico do SIBi/USP para 2002, estabeleceu-se a área de
capacitação como uma das estratégias sistêmicas, resultando na proposição do
Projeto CRESCER – Institucionalizar procedimentos para capacitação contínua de
equipes. Para operacionalização do Projeto foi designado um grupo de trabalho
composto por bibliotecários de diferentes unidades do Sistema.

O projeto resultou nos documentos “Diretrizes para a capacitação de equipes do
SIBi/USP”

e no

“Fluxo do processo”. Detalhes sobre o conteúdo dos

documentos, assim como das premissas e estratégias do projeto podem ser
verificados em: http://www.usp.br/sibi .

A partir do quadro de necessidades de capacitação identificadas nos estudos
mencionados, foi proposto pelo Grupo de projeto e implementado pelo
Departamento Técnico do SIBi/USP um Plano de Capacitação como teste para a
formalização do processo, com desdobramentos nos anos posteriores.

2 Referencial teórico
O documento sobre “Competências para os profissionais de informação do século
21”, da Special Library Association, identifica quatro áreas principais nas quais o
profissional deve demonstrar habilidades, a saber: gestão de serviços de
informação, gestão de recursos de informação e domínio da tecnologia de
informação. (PIGGOTT, 2005).

�Leong (2006), em pesquisa com bibliotecários de referência em ambiente
universitário, aponta como pontos fortes as habilidades relacionadas ao
atendimento e atitude flexível frente à tecnologia. Entre os pontos que precisam
de aprimoramento, destacam-se as habilidades gerais nas áreas de marketing,
liderança, capacidade de influenciar pessoas e manejo de algumas ferramentas
específicas de informática.

Os desafios impostos aos profissionais que atuam em bibliotecas especializadas
exigem

atributos

adaptabilidade,

que

incluem

persistência,

a

curiosidade

empreendedorismo,

intelectual,

flexibilidade,

compromisso

com

a

aprendizagem continuada e desenvolvimento profissional. (ASSOCIATION, 2000).

Dias et al. (2004) mencionam a formação geral e habilidades exigidas ao
profissional que atual na área de disseminação da informação: conhecimento
interdisciplinar e especializado; habilidade de comunicação interpessoal oral e
escrita; habilidades gerenciais (criatividade, flexibilidade, otimismo, trabalho em
equipe); habilidades na exploração e tratamento de fontes de informação;
comprometimento com a aprendizagem contínua e com o planejamento da
carreira pessoal; habilidades para lidar com sistemas automatizados.

Além do compromisso individual de aprendizagem continuada, há também, por
parte das organizações, a preocupação crescente na implementação de
programas de capacitação de equipes, como atestado na publicação dos anais da
6th World Conference on Continuing Professional Development and Workplace
Learning for the Library and Information Professions, realizada em Oslo, em
agosto de 2005, que teve como tema o novos papéis e perfis do profissional da
informação. (GENONI; WALTON, 2005).

Dias et al. (2004), apresentam proposta metodológica para criação de programas
de capacitação, formada por quatro fases: conhecimento do ambiente
organizacional

e

suas

necessidades,

elaboração

de

planos

de

ação,

apresentação do modelo e implementação das ações, avaliação de desempenho
após execução das ações.

�Smith (2002) apresenta resultado de pesquisa sobre capacitação em bibliotecas
australianas, que evidencia a importância do tema para os gestores dos serviços
de informação, onde a aprendizagem continuada é tratada como prioridade
estratégica, com estabelecimento de políticas e programas específicos nas
diversas instituições analisadas.

3 Iniciativas de capacitação do SIBi/USP: 2002-2005
Dentro das Diretrizes aprovadas em 2002, havia recomendação quanto à
necessidade de criação de uma infra-estrutura administrativa para coordenação
da área de capacitação do SIBi/USP. Dessa forma, foi definida uma equipe dentro
do Departamento Técnico, que é responsável pelo planejamento, implementação
e monitoramento das atividades de capacitação das equipes do Sistema.

A abrangência e diversidade das necessidades apontadas pelas equipes vêm
sendo atendidas gradativamente em sintonia com as diretrizes e estratégias
sistêmicas, a curto e médio prazos. Assim, foram implementadas e/ou
subsidiadas várias ações de capacitação, contemplando áreas específicas da
biblioteconomia e ciência da informação, destinadas às três categorias
profissionais que atuam no Sistema: bibliotecários, técnicos e auxiliares.

Os cursos e/ou eventos promovidos cobriram as seguintes áreas: Gerencial,
Capacitação para Serviços (Operacional) e Tecnologia da Informação. O número
de ações e sessões oferecidas nos últimos quatro anos pode ser verificado no
quadro a seguir. No Anexo A há o detalhamento dos conteúdos abordados nos
eventos promovidos ou apoiados pelo Sistema.

Tabela 1 - Panorama das ações de capacitação: 2002-2005
Área

2002

2003

2004

2005

Total

Gerencial

04 cursos

08 cursos

10 cursos

17 cursos

39 cursos

11 sessões

10 sessões

17 sessões

24 sessões

62 sessões

Capacitação para

03 cursos

14 cursos

14 cursos

21 cursos

52 cursos

serviço

04 sessões

41 sessões

33 sessões

42 sessões

120 sessões

(Operacional)

�Tecnologia da

01 curso

-

-

04 cursos

05cursos

Informação

02 sessões

-

-

04 sessões

06 sessões

TOTAL

08 cursos

22 cursos

24 cursos

42 cursos

96 cursos

17 sessões

51 sessões

50 sessões

70 sessões

188 sessões

Em 2003 programou-se um curso com o objetivo específico de reunir as três
categorias de profissionais do Sistema no sentido de criar um espaço para troca
de reflexões e experiências sobre atitudes que evidenciem e estimulem o
comprometimento institucional e de inovação. Os resultados desses fóruns
subsidiaram o planejamento estratégico do ano seguinte.

Em 2004 iniciou-se a primeira experiência do SIBi/USP utilizando as ferramentas
de EAD. Dessa forma, promoveu-se o curso Qualidade em Serviços de
Informação, em parceria com a Associação Portuguesa de Bibliotecários,
Arquivistas e Documentalistas (APBAD) cujo conteúdo trabalhado deu origem ao
livro “Qualidade em Serviços de Informação: uma experiência em EAD”.
(FERRARI; GRANDI; SAMPAIO, 2005)

No mesmo ano, o Seminário Interno do SIBI/USP, realizado nos dois anos
anteriores, tomou nova dimensão e transformou-se no “I Seminário de
Compartilhamento das Experiências das Bibliotecas do CRUESP 1 ”. O SIBi/USP
participa do Consórcio CRUESP/Bibliotecas, que reúne os sistemas de bibliotecas
das três universidades estaduais paulistas (USP, UNESP e UNICAMP). A
abertura para a participação dos bibliotecários do CRUESP/Bibliotecas ampliou as
possibilidades de intercâmbio de experiências e integração entre os profissionais.
A partir dessa experiência, em 2005, projetou-se um curso em EAD, na área de
indexação, voltado para os profissionais das instituições partícipes do consórcio.

Como o ambiente virtual tem sido extremamente utilizado para promover
treinamento em serviço, todos os manuais e recursos necessários utilizados pelos
profissionais para manutenção e gerenciamento do banco de dados bibliográficos

1

Conselho de Reitores das Universidades Paulistas

�da USP – Dedalus estão armazenados e disponíveis em espaço criado no site do
SIBi/USP, denominado “Área Técnica” ( http://www.sibi.usp.br/areatecnica ).

A partir da demanda identificada no levantamento das necessidades de
capacitação, priorizou-se a execução de ações voltadas para a melhoria da
qualidade dos serviços e produtos oferecidos pelas bibliotecas, como resultado do
Programa de Avaliação da Qualidade do SIBi/USP, iniciado em 2002. Nesse
sentido, foram oferecidas várias oportunidades de capacitação em qualidade no
atendimento às três categorias funcionais.

A orientação para qualidade e produtividade adotada pelo Sistema desde 1995
está alinhada à estratégia da Universidade. Com essa diretiva procurou-se
incrementar iniciativas para capacitar as equipes em relação aos princípios e
ferramentas gerenciais da qualidade. A partir da experiência da Divisão de
Biblioteca da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/USP, foi iniciado
projeto denominado “Sistema de Gestão para a Qualidade” que tem a
participação de 14 bibliotecas e do Departamento Técnico. O modelo adotado
neste projeto tem como premissa estimular o comprometimento com a melhoria
da qualidade dos serviços e produtos oferecidos, fazendo emergir o potencial e
habilidades das equipes.

4 Impacto no cotidiano das bibliotecas
Todos os eventos promovidos no período tiveram a avaliação dos participantes.
Analisando-se as manifestações dos profissionais nota-se a grande receptividade
e aceitação do programa de capacitação, evidenciando a pertinência das ações
desenvolvidas.

A principal inovação do programa está na premissa de atingir a equipe das
bibliotecas como um todo, independentemente do cargo ou atividade exercida,
constituindo-se em um aprimoramento da tendência observada até então, mais
voltada para bibliotecário. Essa diretriz teve um impacto positivo sobre a
receptividade e envolvimento dos profissionais nas ações propostas, contribuindo
favoravelmente para o clima organizacional.

�Houve também um crescimento gradativo do número de participantes nas
iniciativas de treinamento, totalizando 6.466 profissionais entre 2002 e 2005,
conforme explicitado no quadro que se segue:

Tabela 2: Total de Funcionários treinados
Ano

Total de funcionários treinados

Total Geral *

Superior

Técnico

Básico

2002

466

255

102

823

2003

1.336

289

170

1.795

2004

1.039

231

110

1.380

2005

2.012

360

96

2.468

TOTAL

4.853

1.135

478

6.466

*Inclui 1.212 participações de público externo ao SIBi/USP

Deve-se ressaltar que as estatísticas apresentadas no presente trabalho referemse a iniciativas sistêmicas, ou seja, conduzidas pelo Departamento Técnico e
dirigidas a todas Bibliotecas. No entanto, cada Unidade mantém, também,
atividades de treinamento em serviço ou de educação continuada para as suas
respectivas equipes.

Os bibliotecários do SIBi/USP têm como tradição a apresentação e publicação
de relatos de experiências nos eventos e revistas especializadas. Entretanto,
evidencia-se nos últimos quatro anos

um aumento no número de trabalhos

publicados pelos profissionais do Sistema em relação aos anos anteriores,
conforme pode ser verificado no endereço: http://www.usp.br/sibi - Conhecimento
gerado pelo SIBi/USP e demonstrado na figura a seguir:

�120

97

100
80
60
40

25

17

40

41

1997

1998

28

51
30

37

37

2000

2001

53

44

20
0
1994

1995

1996

1999

2002

2003

2004

2005

Gráfico 1: Evolução do número de trabalhos publicados pela equipe do
SIBi/USP (1994-2005)

Outro indicador positivo do programa de capacitação foi percebido durante o
Programa de Desenvolvimento na Carreira, implementado pela Reitoria da
Universidade, em 2005. Um dos critérios para a atribuição de promoção foi o
comprometimento pessoal com o aperfeiçoamento contínuo, traduzido na
participação em cursos, eventos, treinamentos e publicações.

Embora este

programa não tenha sido concluído em todas unidades, manifestações de
gerentes de bibliotecas do Sistema sinalizam o bom desempenho das equipes em
relação a outros setores acadêmicos e administrativos da Universidade.

5 Iniciativas de capacitação do SIBi/USP: 2006-2009
A exemplo do que ocorreu em 2002, quando a equipe do Projeto Crescer efetivou
levantamento de demandas individuais, que subsidiou os planos de capacitação
do SIBi/USP nos anos subseqüentes, acrescido de consultas posteriores até
2005, conduziu-se novo levantamento com vistas ao planejamento 2006-2009.

Renovada a identificação da demanda de capacitação de recursos humanos junto
às Bibliotecas, de acordo com o plano de trabalho de cada uma, verificou-se a
necessidade de detalhamento de alguns aspectos, com vistas a um atendimento
mais específico. Para isso, foi realizado um Workshop de Capacitação 2006 com
os diretores das Bibliotecas, cujo resultado (Anexo B) complementou os
parâmetros necessários às ações pretendidas para o quadriênio, desdobrado em
planos anuais. O plano de trabalho para 2006 foi elaborado, de modo a:

�a)

proporcionar

o

desenvolvimento de competências, com respeito às

características culturais e individuais, estimulando um processo de educação
permanente, centrado

no comprometimento e no

trabalho de equipe, na

qualidade, com foco na percepção do usuário;
b) ser de responsabilidade de todos os níveis e instâncias integrantes do Sistema;
c) ter como pressupostos as transformações comportamentais, o aprimoramento
de habilidades e resultados tangíveis nos serviços biblioteconômicos prestados na
USP.

O Plano de Capacitação 2006 encontra-se em andamento e tem as ações
direcionadas para:
a) capacitação e aperfeiçoamento de pessoal;
b) cobertura de pessoal nos três níveis funcionais: superior, técnico e básico;
c) distribuição equilibrada dos recursos financeiros pelas ações previstas;
d) aproveitamento das competências do Sistema e da Universidade para
dinamização das ações de capacitação e contratação, no mercado externo, se
necessário;
e) uso de recursos de tecnologia de programa para educação a distância - EAD.

De acordo, ainda, com as recomendações do projeto Crescer, encontra-se em
fase de desenvolvimento um sistema automático, em forma de banco de dados,
para gerenciamento das informações decorrentes da execução dos planos anuais
de capacitação de equipes bibliotecárias do SIBi/USP. A partir dos relatórios
desse banco será possível obter, de forma automática, indicadores que subsidiem
o nível de tomada de decisão, tais como:
a) número oportunidades de capacitação/funcionário;
b) número oportunidades de capacitação/nível funcional (S/T/B);
c) número horas de capacitação/funcionário;
d) número horas de capacitação/nível funcional.

Além dos indicadores, pretende-se obter, ainda, relatórios com informações sobre
professores/instrutores, dados coletados pelos instrumentos de avaliação,
natureza das ações promovidas, entre outros.

�Algumas desses dados já se encontram disponíveis, no momento, a partir de
outros mecanismos de controle. Entretanto, a proposta em desenvolvimento
proporcionará maior agilidade na obtenção dos resultados pretendidos.

6 Considerações finais
O desenvolvimento e resultados imediatos do programa evidenciam a relevância
do tema de capacitação contínua para as organizações em geral e,
especificamente, para as bibliotecas e serviços de informação.

Assim, as diretrizes e iniciativas adotadas no processo de capacitação das
equipes do SIBi/USP coadunam-se com as tendências atuais de criação de um
ambiente de aprendizagem permanente, revelando o comprometimento da
instituição e de seus componentes com o aprimoramento contínuo pessoal e
organizacional, com foco na qualidade dos produtos e serviços oferecidos.

A avaliação dos resultados até agora obtidos aponta para algumas tendências e
diretrizes futuras, tais como o crescimento da adoção dos recursos da web e
educação à distância, definição e implementação de indicadores para aferir a
eficácia dos treinamentos promovidos.

O estabelecimento de indicadores de desempenho não é uma tarefa simples.
Primeiramente, é necessário que haja alinhamento do programa de capacitação
com o perfil do profissional que se espera contar na instituição. No caso da USP,
existe uma descrição genérica dos grupos de profissionais que atuam nas
bibliotecas, a saber: auxiliares e técnicos de biblioteconomia, bibliotecários e
ainda profissionais ligados à área de tecnologia da informação (técnicos e
analistas de sistemas).

Se por um lado, o plano de capacitação procura estimular o desenvolvimento
pessoal e o comprometimento com o trabalho, por outro lado impõe-se o desafio
de definir instrumentos e técnicas de avaliação dos impactos das ações de
capacitação na prestação de serviços, o que envolve aspectos qualitativos. Nesse
sentido, o Programa de Avaliação contínua da Qualidade (PAQ), com foco na

�percepção do cliente, poderá fornecer evidências objetivas sobre a eficácia do
programa de capacitação contínua das equipes do SIBi/USP.

Referências
ASSOCIATION OF SOUTHEASTERN RESEARCH LIBRARIES. Shaping the
future: ASERL’s competencies for research librarians. 2000. Disponível em:
&lt;http://www.aserl.org/statements/competencies/competencies.htm&gt;. Acesso em: 18 Jul.
2006.
DIAS, M. M. K.; BELLUZZO, R. C. B.; PINHO, F. A.; PIRES, D. Capacitação do
bibliotecário como mediador de aprendizado no uso de fontes de informação.
Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, v. 2, n. 1, p. 1-16,
2004.
FERRARI, A. C. ; GRANDI, M. E. G. ; SAMPAIO, M. I. Qualidade em serviços
de informação: uma experiência em EAD. São Paulo: SIBi/USP, 2005.
GENONI, P; WALTON, G. Continuing professional development: preparing
for new roles in libraries: a voyage of discovery: 6th World Conference on
Continuing Professional Education for the Library and Information Science
Professions. München: Saur, 2005.
LEONG, J. Competencies for reference and faculty librarians. 2006.
Disponível em:
&lt;http://www.quloc.org.au/working_parties/staffing_issues/reports/leong%20.ppt&gt;.
Acesso em: 18 Jul. 2006.
PIGGOTT, S. E. A. “Competency based training: a Special Library Association
(SLA) strategic professional development tool for the 21st centtury”. In: GENONI;
P, WALTON, G. Continuing professional development: preparing for new roles
in libraries: a voyage of discovery: 6th World Conference on Continuing
Professional Education for the Library and Information Science Professions.
München: SAUR, p. 198-205, 2005.
SMITH, I. W. Staff development &amp; continuing professional education policy
and practice in Australian academic &amp; research libraries. 2002. Disponível
em: &lt;http://www.lib.latrobe.edu.au/about/publications/sd&amp;cpe.pdf &gt;. Acesso em: 18
Jul. 2006.

�ANEXO A - Conteúdo dos Cursos/Eventos: 2002-2005

Área

Conteúdo / Temas

Gerencial

Bibliometria e Ciencitometria / Bibliotecas
digitais

/

Bibliotecas

Universitárias

/

Comprometimento / Editoração científica /
Gestão

de

Pessoas

Conhecimento

/

/

Gestão

Indicadores

do
de

desempenho / Inovação / Liderança /
Marketing / Papel social do bibliotecário /
Política de desenvolvimento de coleções
Qualidade

/

Relações

interpessoais

/

Sistema de Gestão / Trabalho em equipe
Capacitação para Serviço (Operacional)

AACR2 / Acesso a bases de dados on-line
Catalogação / Conservação &amp; Preservação
de documentos / Direitos autorais / E-books
Ferramentas para EAD / Indexação /
Metadados / Técnicas de apresentação oral

Tecnologia da Informação

Front-Page / Flash Design / PHP básico /
PHP avançado / Excel avançado

Eventos

Seminário

Nacional

Universitárias

/

de

Bibliotecas

Seminário

Interno

do

SIBi/USP / Seminário Cruesp/Bibliotecas
Ala

Annual

Brasileiro

Conference
de

Documentação

/

Congresso

Biblioteconomia
/

IFLA

Pre

e

Meeting

Marketing / Seminário Internacional de
Bibliotecas Digitais

�ANEXO B - Workshop de Capacitação 2006
Objetivos:
Apresentar o panorama do processo de capacitação do SIBi/USP: 2002-2005.
Comunicar o resultado do levantamento de demanda para o período de 20062009, efetivado junto ás bibliotecas.
Detalhar tópicos da demanda identificada para aprimoramento do plano de
capacitação 2006-2009

Responsáveis: Adriana Cybele Ferrari, Diretora Técnica do SIBi/USP e Equipe de
Capacitação do SIBi/USP (Divisão de Gestão de Desenvolvimento e Inovação)

Desenvolvimento
A apresentação para consecução dos dois primeiros objetivos seguiu o roteiro constante
em material anexo (arquivo em power point), que integra esse relatório. Para alguns
itens, houve esclarecimento sobre o público indicado pelas bibliotecas, em especial na
área de gerenciamento, ficando acordado que, exceto sobre o aspecto de relações interpessoais/trabalho em equipe, os demais tópicos serão destinados ao nível funcional
Superior.
Após, conforme ainda o mesmo roteiro, para consecução do terceiro objetivo foi realizada
dinâmica com vistas ao desdobramento de alguns itens do levantamento efetivado para
identificação de demandas, período 2006-2009. Os participantes fizeram sugestões de
detalhamento para oito itens específicos, além de mais um item, denominado Outros.
A dinâmica constou de colagem de post-it, com propostas de detalhamento sob os
respectivos itens. Em seguida, as sugestões foram agrupadas por categorias dentro de
cada um dos itens, de modo que o plano de capacitação seja aprimorado e atenda aos
clientes com maior precisão.

Resultados
1) Ações educativas
a. Técnicas de Apresentação/Oratória, para os níveis Técnico e Superior.
b. Qualidade no atendimento ao usuário – manter, de forma contínua, os cursos
que vêm sendo oferecidos nessa área, para todos os níveis.

�2) Aquisição
a. Atualização de procedimentos para público específico da área de atuação,
podendo ser envolvidos os níveis Superior, Técnico e Básico.
b. Workshop, encontros, reuniões para troca de experiências para público
específico da área. O envolvimento do nível Técnico na participação de
cursos/encontros, dirigidos inicialmente ao nível Superior, ficará a critério da
biblioteca, mediante justificativa.
Obs. Essa sugestão se estende a outras áreas de atuação da biblioteca, tais como:
catalogação, referência, etc.
3) Arquivo
a. Gerenciamento de arquivos não, que estão sob a responsabilidade das
bibliotecas em algumas Unidades, como fotos, objetos, etc., para o nível
Superior.
b. Conceituação/parceria com o SAUSP com vistas aos arquivos administrativos
das próprias bibliotecas para níveis Técnico e Básico.
4) Catalogação
a. Encontro de catalogadores para discussão de termos específicos
b. Manter os treinamentos em serviço da área técnica, como já ocorrem
c. Noções gerais de catalogação para níveis Técnico e Básico. Essa abordagem
constará do conteúdo de curso a ser oferecido para níveis Técnico e Básico,
com recursos de EAD – escopo do Projeto Conteúdos Digitais, aprovado pelo
PE 2006.
d. Tratamento de Acervo Notório (coleções especiais) para nível Superior
5) Conhecimento de assunto de acordo com a área de especificação da biblioteca
Ficou estabelecido que esse aspecto será tratado de forma local pelas próprias
bibliotecas, de acordo com as necessidades específicas.
6) Indexação
a. Manter o curso de indexação, já oferecido com recursos de EAD para o nível
Superior.
b. Noções gerais de indexação para níveis Técnico e Básico. Essa abordagem
constará do conteúdo de curso a ser oferecido para níveis Técnico e Básico,
com recursos de EAD – escopo do Projeto Conteúdos Digitais, aprovado pelo
PE 2006.

�7) Prática de busca em base de dados
a. Manter os treinamentos efetuados pelos fornecedores/editores, conforme já
ocorrem.
b. Noções sobre lógica booleana e sobre a própria busca para níveis Técnico e
Básico. Essa abordagem constará do conteúdo de curso a ser oferecido para
níveis Técnico e Básico, com recursos de EAD – escopo do Projeto
Conteúdos Digitais, aprovado pelo PE 2006.
c. ERL- treinamento após mudança da plataforma
8) Redes eletrônicas
a. Treinamento para manutenção de redes locais nas bibliotecas: noções gerais
para funcionários que atuam nessa área junto às bibliotecas.
b. Open Access e Open Archives – conhecimento básico sobre o assunto para o
nível Superior
9) Outros
a. Treinamento em aplicativos para desenvolvimento de homepage para
funcionários que atuam nessa área junto às bibliotecas.
b. Palestras para Comissões de Bibliotecas sobre as atividades do SIBi/USP.
Entendeu-se que isso se refere à divulgação do Sistema e não à capacitação
de equipes.

Considerações Finais
As sugestões, assim como depoimentos ocorridos durante o encontro, ratificaram a
relevância do processo de capacitação para as bibliotecas.
Cabe registrar, ainda, que apenas parte da demanda identificada pelo levantamento
efetivado foi detalhada, sendo mantidos os demais itens apontados pelo Sistema.
Entretanto, nesse momento, não cabe priorizar as ações, pois as mesmas ocorrerão de
acordo com a disponibilidade dos recursos, de contratação de instrutores, de
oportunidades disponíveis ou de contingências verificadas, entre outras variáveis que
determinarão o desenvolvimento do plano, sempre buscando manter o equilíbrio para
atendimento aos três níveis funcionais.

�</text>
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        </elementSetContainer>
      </file>
    </fileContainer>
    <collection collectionId="47">
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="1">
          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
          <elementContainer>
            <element elementId="50">
              <name>Title</name>
              <description>A name given to the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="51378">
                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
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            <element elementId="49">
              <name>Subject</name>
              <description>The topic of the resource</description>
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                <elementText elementTextId="51379">
                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
            <element elementId="41">
              <name>Description</name>
              <description>An account of the resource</description>
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                <elementText elementTextId="51380">
                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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            <element elementId="39">
              <name>Creator</name>
              <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="51381">
                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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            <element elementId="45">
              <name>Publisher</name>
              <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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                <elementText elementTextId="51382">
                  <text>UFBA</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
            <element elementId="40">
              <name>Date</name>
              <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <elementText elementTextId="51383">
                  <text>2006</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
            <element elementId="44">
              <name>Language</name>
              <description>A language of the resource</description>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="51384">
                  <text>Português</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
            <element elementId="51">
              <name>Type</name>
              <description>The nature or genre of the resource</description>
              <elementTextContainer>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Ferrari, Adriana Cybele, Grandi, Márcia Elísa Garcia de; Coutto, Mariza Leal de Meirelles do</text>
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                <text>Descrevem-se as ações efetivadas pelo Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo dentro do Processo de Capacitação de Equipes recentemente institucionalizado. O SIBi/USP entende que a capacitação contínua é um meio de promover mudanças organizacionais, e neste sentido, tem atuado no desenvolvimento de competências para aprimorar a qualidade dos produtos e serviços oferecidos à comunidade. Para atingir esses objetivos são oferecidos cursos (remotos e/ou presenciais), sessões de treinamento, eventos, entre outras atividades. Desde o início deste processo, em 2002, foi possível propiciar 6.466 oportunidades de capacitação para as equipes bibliotecárias dos diferentes níveis funcionais que constituem o SIBi/USP (básicos, técnicos e superiores). Espera-se incrementar esse processo com o estabelecimento de indicadores que permitam avaliar mais precisamente os impactos da capacitação no desempenho das equipes bibliotecárias, consolidando o processo perante a alta administração da Universidade.</text>
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                    <text>CARTOGRAFIA DE DISSERTAÇÕES E TESES: UMA APLICAÇÃO À ÁREA DE
CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO.
Nair Yumiko Kobashi
Escola de Comunicações e Artes – USP-Brasil
Email: nykobash@usp.br
Raimundo Nonato Macedo dos Santos
Programa de Pós-graduação em Ciência da Informaçãp – PUC-Campinas - Brasil
Email: rnsantos@puc-campinas.edu.br
José Oscar Fontanini de Carvalho
Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação – PUC-Campinas - Brasil
Email: oscar@puc-campinas.edu.br
Resumo
Os repositórios de dissertações e teses, produzidas e gerenciadas por bibliotecas de instituições
de ensino superior, são fontes imprescindíveis para mapear a ciência produzida no país. Para uma
primeira abordagem do objeto, foram consideradas as dissertações e teses da área de Ciência da
Informação, no Brasil (1977-2004), para cuja análise foram utilizados os métodos bibliométricos.
Por meio de técnicas bibliométricas avançadas - como as de análise multidimensional -, podem ser
identificadas: áreas de concentração, orientadores, linhas e temas de pesquisa, redes de
cooperação e de produtividade científica. A análise bibliométrica foi antecedida de consolidação
dos dados bibliográficos, procedendo-se, em seguida, à representação de suas relações por meio
de mapas. Obtém-se, com esses recursos, visão global de conjuntos de informações, como
também as relações de natureza diversa entre eles. Além dos resultados específicos do estudo,
que poderão ser úteis para avaliar e direcionar a política de pesquisa em Ciência da Informação,
do país, foram sistematizados referencial teórico, metodológico e técnico para a exploração de
bases de dissertações e teses, com vistas à produção de indicadores. Esse referencial poderá ser
útil também para apoiar os processos gerenciais de produção, avaliação e controle das bases de
dados, como também para a concepção de novos tipos de interfaces visuais de recuperação de
informação.

Introdução
O presente estudo é parte integrante de projeto temático desenvolvido
cooperativamente entre pesquisadores vinculados a programas de pós-graduação
em Ciência da informação, da Universidade de São Paulo e PUC-Campinas1, com
o objetivo de mapear aspectos da institucionalização cognitiva e social da ciência
brasileira. O objeto empírico da pesquisa é constituído de dissertações e teses
produzidas no país.

Esta abordagem foi motivada pela constatação de que os estudos de produção
científica tradicionais, realizados com artigos científicos referenciados em bases
1

Institucionalização da pesquisa científica no Brasil: cartografia temática e de redes sociais por meio de
técnicas biblométricas (Projeto que conta com auxílio do CNPq (2006-2008)

1

�de dados internacionais, com vistas aos estudos de impacto, são altamente
questionáveis quanto à sua validade para conhecer a ciência efetivamente
produzida em cada país. Do ponto de vista teórico, esta pesquisa insere-se no
campo dos estudos sociais da ciência, tendo como objetos empíricos bases de
dados referenciais de dissertações e teses, cuja exploração se faz por meio de
métodos

bibliométricos

avançados,

os

quais

fornecem

as

estruturas

e

representações para análise e interpretação.

Para desenvolver o trabalho, partiu-se da hipótese de que as bases de dados de
dissertações e teses, produzidas e mantidas pelas bibliotecas das universidades
brasileiras, são fontes imprescindíveis para mapear a ciência produzida no país.
Com efeito, são essas bases permanentemente atualizadas, constituindo-se nas
mais exaustivas inscrições deste tipo de produção, sendo elas hoje mais
completas do que os repositórios mantidos pela CAPES (Coordenadoria de
Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior) e IBICT (Instituto Brasileiro de
Informação em Ciência e Tecnologia). As referidas bases de dados recebem
tratamento específico, por várias razões, dentre as quais podem ser destacados
os seguintes aspectos: disponibilizar informação sobre a produção científica da
universidade, manter atualizada a memória da instituição sobre a produção dos
programas de pós-graduação, prestar contas à CAPES e apresentar dados de
produtividade científica em projetos apresentados aos órgãos de fomento.

Deve-se assinalar, ainda, que a produção de dissertações e teses dá-se em
contextos altamente institucionalizados e controlados, Um exemplo pode ser dado
para ilustrar a magnitude dos dados disponíveis: a Base de Dados de
Dissertações e Teses, da Universidade de São Paulo, que cobre o período 1934 2006, acumula mais de 70.000 registros. Essa massa de dados não foi, ainda,
analisada sistematicamente para gerar indicadores de pesquisa científica.

A análise desses repositórios pode fornecer diversos tipos de representações, tais
como: distribuição quantitativa de temas de pesquisa, linhas de pesquisa e áreas

2

�de concentração, quantidade de trabalhos produzidos pelos programas de pósgraduação, número de orientadores de dissertações e teses, quantidade de
trabalhos orientados, redes de cooperação entre programas/pesquisadores,
produtividade dos programas por comparação, etc. Obtém-se por meio desses
dados e seus cruzamentos, cartografias que permitem fazer inferências sobre a
institucionalização cognitiva e social da pesquisa científica no país.

A representação gráfica de informações justifica-se por sua funcionalidade para
obter visualização global de informações, como também para destacar relações
estruturais e contingentes entre os dados. Deve-se salientar, ainda, que tais
formas de visualização vêm sendo propostas como poderosas interfaces para
serem utilizadas em sistemas de recuperação da informação, de modo a tornar
mais amigáveis os processos de busca de informação (Herrero-Solana e Hassan,
2005; Freitas et al, 2001; Nascimento e Ferreira, 2005).

Metodologia

Elegeu-se como método de abordagem dos dados a análise bibliométrica. A
bibliometria avançou teórica e metodologicamente, nas últimas décadas, apoiada
nas tecnologias da informação e da comunicação. Esse fato tornou possível sua
aplicação ampla em estudos para a produção de indicadores da ciência. A
construção de mapas da ciência é uma das aplicações que mais cresce, por sua
eficácia para monitorar a produção científica, base importante para orientar a
elaboração de políticas científicas. (Braam, Moed and Van Raan, 1991). Os mapas
obtidos por métodos bibliométricos configuram-se, pois, como instrumentos de
apoio ao planejamento, na medida que permitem elaborar tanto retratos
instantâneos de determinada atividade científica, como também mapas que
privilegiam a diacronia (Noyons, 1990).

Para a abordagem preliminar do objeto, por ora de natureza exploratória, foi
selecionado como campo de teste, as dissertações e teses da Ciência da

3

�Informação, pelo fato de os pesquisadores terem familiaridade com esta área,
aspecto importante para analisar o corpus. Para o desenvolvimento do estudo, foi
realizado, inicialmente, exaustivo trabalho de coleta de dados, do período 19772005, visto não existir no país base de dados de âmbito nacional sobre estes tipos
de documentos. O recorte temporal adotado deve-se ao fato de as bases
referenciais sistemáticas sobre dissertações e teses, no país, terem tido início em
1977.
Via de regra, os registros bibliográficos de dissertações e teses apresentam a
seguinte estrutura: orientador, grau acadêmico, autor, título, palavras-chave,
resumo, localização, instituição, área de conhecimento e ano de defesa. Para os
fins específicos deste estudo, os seguintes dados foram considerados: grau
acadêmico, palavras-chave, instituição e área de conhecimento. Em seguida, os
dados foram padronizados, para fins de tratamento bibliométrico.

Para garantir a consistência dos resultados, procedeu-se, inicialmente, à
identificação de erros nos registros considerados no corpus e sua correção.
Dedicou-se atenção especial à padronização das palavras-chave, com o fim de
evitar dispersões que pudessem comprometer a análise e a validação dos
resultados.

Uma das condições mais importantes do trabalho bibliométrico refere-se à
confiabilidade dos dados. Deve-se apontar aqui que muitos estudos bibliométricos
têm dado maior importância aos procedimentos técnicos e uso de softwares,
dedicando pouca atenção aos dados de partida, fato que compromete a validade
dos resultados obtidos. Neste trabalho, verificou-se que as bases de dados de
dissertações e teses, de forma geral, apresentam inconsistências em praticamente
todos os campos bibliográficos: não há padronização do nome do orientador,
nome da instituição que abriga o programa, nome do programa. O problema mais
espinhoso detectado refere-se ao campo das palavras-chave. Observa-se grande
variação na atribuição de descritores, que são ou muito genéricos ou muito
específicos,

utilizam-se

diferentes

formas

de

expressão

para

conceitos

4

�equivalentes, há atribuição excessiva ou insuficiente de descritores para identificar
os assuntos tratados nos trabalhos. enfim, há ausência de padronização temática
das bases. Semelhante situação impede a utilização direta das bases de dados, o
que requer a elaboração de base de dados ad hoc para garantir a fidedignidade e
validade dos estudos.

Os dados utilizados no estudo, ora apresentado, cobrem o período 1977-2001.
Não foram considerados dados de anos posteriores, visto termos obtido dados
efetivamente atualizados, dos anos 2002- 2005, de apenas duas instituições:
Universidade de São Paulo (USP) e Puc-Campinas.

Para assegurar a acurácia do estudo, foram utilizados os seguintes softwares:
Infotrans, VantagePoint,. Dataview, Excel / Statistica. Esses aplicativos permitiram
reformatar os dados de partida e transformá-los em registros bibliométricos,
contabiliza-los e representá-los em forma de matriz e/ou distribuição por
freqüência, para fins de tratamento estatístico e geração automática de clusters.
Apresentamos, a seguir, os gráficos das análises realizadas.

5

�Figura 1: Número total de titulados por instituição
350

300

PUCCAMP; 262
250
UFRJ/IBICT; 228
200

150

UFMG; 118

ECA/USP; 115

100
UFPB; 82
UnB; 63
50

UNESP; 9
0

-50

A Figura 1 mostra o número global de dissertações e/ou teses produzidas por
cada programa de pós-graduação em Ciência da informação do país, no período
1977 - 2001. Observa-se que a Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ/IBICT) e a Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas)
são as que formaram o maior número de pós-graduados da área, no período
considerado.

6

�Figura 2: Número de dissertações e teses por instituição

275
262
250
210

225

200

175
81
110

150

59

73
125
4

42

100

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Un

1

B
FP
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75

A
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8

50

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25

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18

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0

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0

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PU

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do

o
ad
or
ut
do

a
tr
es

A Figura 2 mostra que a PUC-Campinas formou o maior número de mestres,
nesse período, seguida de perto por UFRJ/IBICT. O maior número de doutores da
área foi formado pela ECA-USP, seguida pela UFRJ/IBICT.

7

�Figura 3: Número de dissertações e teses por ano.
80

78

70

72
60
61
60

61

50

40
44
40

36

34

30

35

35

39

34

31
20
19
10
6
1

5

6

1

5

5

1

0

2
2

13
3

4
4

1

7

1

1

9
6

1

1

7

1

01
20

do o
tra rad
es to
m ou
d

00
20

99
19

98
19

97
19

95

96
19

94

19

93

19

92

19

91

19

90

19

19

89
19

88
19

87
19

86
19

85
19

3

84
19

82

8
19

81

19

19

80
19

79
19
8

7
19

1

Percebe-se, pela Figura 3, que o número de doutores da área é bastante
incipiente, se comparado com o número de mestres. É urgente identificar as
razões pelas quais os mestres formados não se dirigem ao doutorado. Não há
vagas suficientes nos programas? Não estão interessados no doutorado da
própria área os que obtiveram o grau de mestre da área? Não são os mestres
estimulados a prosseguirem para obter a formação doutoral? Os mestres
formados no país preferem fazer o doutorado fora do país? São, enfim, inúmeras
as questões colocadas por este gráfico, que exigem respostas rápidas para
reverter o quadro de formação de doutores para a área, no país. É bastante
conhecida a dificuldade para preencher as vagas docentes, para cursos de
graduação e pós-graduação, em Ciência da Informação, das instituições de ensino
superior do país.

8

�Figura 4: Temas das dissertações e teses
0

20

40

60

80

100

BIBLIOTECA ESPECIALIZADA
ESTUDO DE USUARIO

86

INFORMACAO ESPECIALIZADA

85

BIBLIOTECA UNIVERSITARIA

68

CIENCIA DA INFORMACAO

63

BIBLIOTECONOMIA

47

SISTEMA DE RECUPERACAO DE INFORMACAO

43

SISTEMA DE INFORMACAO

41
36

DISSEMINACAO DE INFORMACAO
PROFISSIONAL DA INFORMACAO

36

SERVICOS DE INFORMACAO

34

INFORMACAO

33

TECNOLOGIA DA INFORMACAO

32

BIBLIOMETRIA

26

PRODUCAO CIENTIFICA

24

AVALIACAO

23

COMUNICACAO CIENTIFICA

23

LEITURA

23
21

INDEXACAO
AUTOMACAO

20

INTERNET

20
18

INFORMACAO TECNOLOGICA
ARQUIVO

17

PERIODICO CIENTIFICO

17
16

FONTES DE INFORMACAO

16

LINGUAGEM DOCUMENTARIA
GESTAO DE INFORMACAO

15
14

DOCUMENTACAO

13

CIDADANIA
FLUXO DE INFORMACAO
MUSEOLOGIA
DESENVOLVIMENTO DE COLECAO
SOCIEDADE DA INFORMACAO

120
105

13
12
11
10

O gráfico acima (Fig. 4) foi elaborado com base nos descritores constantes do
campo de palavras-chave do corpus, limitados, no entanto, a um subconjunto dos
descritores, tendo em vista a abordagem ainda exploratória do estudo. Observa-se
que os temas Bibliotecas, Bibliotecas universitárias e Bibliotecas especializadas
foram amplamente abordados. Pode-se perguntar se esses temas não refletem
mais a perspectiva de resolução de problemas locais, por meio de estudos de
caso, do que preocupação efetivamente acadêmica, de desenvolver teórica e
metodologicamente a área. Percebe-se, por outro lado, que os descritores
referentes aos temas Ciência da Informação e Biblioteconomia começam a
aparecer nesse conjunto, indicando, talvez, a emergência de preocupações
epistemológicas. Da mesma forma, os descritores Sociedade da Informação e
Cidadania podem indicar a ampliação dos interesses da área, sinalizando para
uma possível preocupação com a contextualização dos temas abordados. Há,
ainda, a presença de descritores como Arquivologia e Museologia, que podem ser
indicativos de que estes duas disciplinas começam a se identificar como
constitutivas do campo da Ciência da Informação.

9

�70

70

70

Figura 5: Evolução temporal da denominação dos cursos.

50

60

38

50

35

41

40

12

2

3

30
17

8

1

20

15

9
19
94
19
93
19
92
19
91
19
90
19
89
19
88
19
87
19
86
19
85
19
84
193
8
192
8
191
8
190
8
199
7
198
7
19

2

27

23

14

3
4

2

30

24
21

13

1

4

2

1

23
17

10
11

5

1

4

27

24
19
19

21

23

11

14
11
10

bi
io
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ao
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no r m
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01

en

20

ci

00
20
99

19

98
19
97

19

96
19
5

0

A Figura 5 mostra que há a gradativa modificação do nome dos cursos de
Biblioteconomia para Ciência da Informação. Esse fenômeno, fato empiricamente
conhecido, indica que a Ciência da Informação no Brasil constituiu-se a partir de
cursos de Biblioteconomia, majoritariamente pela modificação do nome deste
último para uma denominação mais contemporânea. Requer maior investigação o
fato de não terem sido criados novos cursos na área, aspecto que pode ser indício
de estagnação do campo científico, ou de ausência de iniciativas adequadas para
consolida-lo e faze-lo crescer.

Considerações finais
Diversas questões ficaram evidenciadas neste estudo, embora, tenham aqui sido
analisados apenas parte dos dados coletados. Uma primeira questão refere-se à
qualidade das bases de dados de teses e dissertações e teses do país. Verificouse que elas devem ser objeto de maior cuidado, quanto à padronização e
consistência, por parte das instituições que as produzem e as mantêm. Do modo
como se encontram, atualmente, comprometem tanto a recuperação da
informação quanto a produção de indicadores. Com efeito, as bases de dados,
que se configuram, atualmente, como dispositivos plurifuncionais, destinados a
10

�perpetuar a memória científica do país, sendo igualmente fontes de consulta para
fomentar novas pesquisas e de suporte à produção de indicadores da atividade
científica, somente poderão servir a essas funções se tiverem confiabilidade. A
ausência desses cuidados compromete, por outro lado, a construção da sonhada
base de dados nacional de dissertações e teses, na medida que tal base foi
concebida, pelo IBICT, para ser constituída cooperativamente, por meio da
captura dos dados referenciais produzidos localmente por cada universidade ou
institutos de pesquisa.

Quanto à análise proporcionada pelas representações gráficas, duas questões
saltam aos olhos: primeiro, o número incipiente de doutores na área, fato que
indica a necessidade de estabelecer políticas específicas para reverter o quadro;
segundo, os dados sobre as temáticas mais freqüentes das dissertações e teses
merecem estudos mais aprofundados. No entanto, essa tarefa será árdua, na
medida que a continuidade dependerá da análise de cada trabalho (ao menos do
título e resumo), para a padronização dos descritores, porque, em várias
ocorrências, os descritores atribuídos não refletem nem o título nem o resumo das
dissertações e teses. Fica claro, portanto que, na atual situação, os estudos de
mapeamento da produção científica devem ser precedidos da construção de
bases de dados ad hoc para que as análises sejam válidas. Com os olhos
voltados para uma Base Digital de Dissertações e Teses, de cobertura nacional,
além da padronização dos dados bibliográficos, urge que seja atualizado o
Tesauro de Ciência da Informação, instrumento que servirá para parametrizar a
atribuição de descritores à produção científica da área. Para esta tarefa específica,
foi estabelecido um acordo de cooperação, entre IBICT e Universidade de São
Paulo, para atualização do Tesauro de Ciência da Informação.

Além dos resultados específicos obtidos, foi possível, com esta experiência,
aprimorar referencial teórico e metodológico imprescindível para fazer incursões
em outras áreas do conhecimento. Foi possível, também, aprimorar as
competências do grupo de pesquisa, constituído de pesquisadores seniors, alunos

11

�de pós-graduação e estudantes de graduação, de modo a fortalecer as condições
de produzir novas pesquisas que sirvam de bases efetivas para avaliar a produção
científica nacional.

Finalmente, a indicação de como prosseguirá este estudo: serão feitas análises de
co-ocorrência de descritores para obter maior clareza sobre os temas estudados,
na medida que os objetos de estudo se expressam, via de regra, pela
coordenação de descritores. Em seguida, serão feitas experiências de construção
de mapas dinâmicos de representação da informação, com base nos estudos
desenvolvidos no campo da Interação Humano Computador (IHC).
Agradecimentos: Manifestamos nossos agradecimentos a Antonio Carlos da Silveira
Junior (aluno de mestrado em Ciência da informação), Cesar Antonio Pereira (aluno de
mestrado em Ciência da informação), Oscar Eliel (aluno de mestrado em Ciência da
informação), Regiane Alcântara Eliel (aluna de mestrado em Ciência da informação),
Rubenildo Oliveira da Costa (aluno de mestrado em Ciência da informação), Tatiana
Santana (bolsista de Iniciação Científica - PIBIC) e Vanessa Evelyn Costa (bolsista de
Iniciação Científica PIBIC). Este trabalho não teria sido possível sem o dedicado trabalho
de coleta e padronização dos dados por eles realizada.

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12

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13

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Os repositórios de dissertações e teses, produzidas e gerenciadas por bibliotecas de instituições de ensino superior, são fontes imprescindíveis para mapear a ciência produzida no país. Para uma primeira abordagem do objeto, foram consideradas as dissertações e teses da área de Ciência da Informação, no Brasil (1977-2004), para cuja análise foram utilizados os métodos bibliométricos. Por meio de técnicas bibliométricas avançadas - como as de análise multidimensional -, podem ser identificadas: áreas de concentração, orientadores, linhas e temas de pesquisa, redes de cooperação e de produtividade científica. A análise bibliométrica foi antecedida de consolidação dos dados bibliográficos, procedendo-se, em seguida, à representação de suas relações por meio de mapas. Obtém-se, com esses recursos, visão global de conjuntos de informações, como também as relações de natureza diversa entre eles. Além dos resultados específicos do estudo, que poderão ser úteis para avaliar e direcionar a política de pesquisa em Ciência da Informação, do país, foram sistematizados referencial teórico, metodológico e técnico para a exploração de bases de dissertações e teses, com vistas à produção de indicadores. Esse referencial poderá ser útil também para apoiar os processos gerenciais de produção, avaliação e controle das bases de dados, como também para a concepção de novos tipos de interfaces visuais de recuperação de informação.</text>
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                    <text>CARTOGRAFIA TEMÁTICA POR MEIO DE TÉCNICAS BIBLIOMÉTRICAS:
CONTRIBUIÇÕES
ÀS
PRÁTICAS
DE
REPRESENTAÇÃO
E
DE
RECUPERAÇÃO DA INFORMAÇÃO NAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
Oscar Eliel
Mestrando em Ciência da Informação/PUC-Campinas. Bolsista CAPES.
Supervisor de Processos Técnicos da Biblioteca do Instituto de Estudos da
Linguagem/Unicamp. E-mail: oscar@iel.unicamp.br
Raimundo Nonato Macedo dos Santos
Doutor em Ciência da Informação - Universite d'Aix-Marseille, 1995.
Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da PUCCampinas. E-mail:
rnsantos@puc-campinas.br
Regiane Alcântara Eliel
Mestranda em Ciência da Informação/PUC-Campinas. Bolsista CAPES.
Diretora da Biblioteca do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas/Unicamp. E-mail:
regiane@unicamp.br
Discute a cartografia temática como dispositivo das técnicas bibliométricas aplicadas
nas práticas de representação e recuperação da informação, por meio da utilização de
recursos de linguagens documentárias e de padrões de metadados de entrada. O
aparecimento das tecnologias dos OpenURL, objetivadas para integrar distintos
repositórios de informação, permite que usuários realizem pesquisas bibliográficas por
meio de uma única interface a catálogos (OPACs), base de resumos, base de textos
integrais etc. remotamente, sem auxílio de profissionais da informação. No entanto, para
que as tecnologias dos OpenURL produzam resultados objetivados, considerando que o
uso de tais tecnologias promovem o distanciamento físico entre a biblioteca e seus
usuários, faz-se necessário que a biblioteca desenvolva competências em tecnologias de
informação para gerar, operar e intermediar, com qualidade, recursos de linguagem e de
estruturas de representação da informação que harmonizem os estoques com as
demandas informacionais a um alto índice de revocação. Conclui-se que as técnicas
bibliométricas, além de oferecerem cartografia da área, representando seu estado da
arte, contribuem para o desenvolvimento das práticas de representação e recuperação da
informação. Considera que a ênfase à qualidade dos dados armazenados é fator
primordial para confiabilidade, consistência e padronização dos dados, contrariamente à
prática corrente que enfatiza o fator quantitativo. Indica, ainda, que as técnicas
bibliométricas constituem-se recursos eficazes para identificação de incorreções e
inconsistências presentes nas bases de dados. Por fim, aponta que a aplicação desses
recursos requerem novas formações e novas competências profissionais.

Introdução

O presente trabalho discute a aplicação da cartografia temática, por meio das
contribuições práticas das técnicas bibliométricas, como recurso para a
representação e recuperação da informação nas bibliotecas universitárias. Na

1

�atualidade, aplicações de cartografia vêm se constituindo como técnicas
apropriadas para mapear a ciência do ponto de vista temático, já que ela, em sua
constituição, elabora conceitos e sistemas conceituais que são integrados aos
tesauros, taxonomias e ontologias. Os mapas gerados a partir desses dados e
métodos são representações da produção científica da área expressa por meio de
conceitos produzidos e utilizados pela própria área. Tem-se, portanto, neste caso,
garantia

literária

na

geração

das

representações

cartográficas

da

institucionalização cognitiva de um dado campo do conhecimento.

Macias-Chapula (1998, p. 136) corrobora com essa idéia ao apontar que “[...] a
ciência pode ser considerada como um amplo sistema social, no qual uma de
suas funções é disseminar conhecimentos. Sua segunda função é assegurar a
preservação de padrões e, a terceira, é atribuir crédito e reconhecimento para
àqueles cujos trabalhos têm contribuído para o desenvolvimento das idéias em
diferentes campos”. Assim, para que a ciência se configure como um amplo
sistema social, faz-se necessária a padronização das informações bibliográficas
descritivas e temáticas do corpus considerado com base em comparações de
semelhança parametrizadas por vocabulários controlados adotados pela própria
fonte de dados.

A visualização da informação por meio de mapas baseia-se nos estudos sobre a
percepção que mostram que o ser humano tem primeiro uma percepção global de
uma cena antes de atentar para os detalhes (TUFTE, 1983 e BERTIN, 1977). Tais
estudos abriram caminhos para explorar as características da percepção global e,
conseqüentemente, aplicá-las aos sistemas de informação, particularmente nos
aspectos relacionados à recuperação de informação, tais como:

1. Exploração rápida de conjuntos de informações desconhecidas;
2. Evidenciação de relações e estruturas nas informações;
3. Fornecimento de alternativas de acesso a informações pertinentes;
4. Classificação interativa de informação.

2

�O fenômeno da explosão da informação e da implosão do tempo, resultou no
aparecimento de elevados fluxos de informação, ou seja, circulação de
consideráveis quantidades de informação por unidade de tempo (LE COADIC,
1996). Os computadores atingem altas velocidades de processamento de dados;
os sistemas de telecomunicações chegam às mais distantes regiões do mundo
em poucos segundos; os sistemas eletrônicos encurtam o tempo necessário para
coleta, tratamento e utilização da informação.

É factível que hoje as tecnologias da informação e da comunicação trabalham em
prol do desenvolvimento dos sistemas de recuperação de informação, que são
sistemas que permitem colocar em correspondência uma representação de
necessidade de um pesquisador ou de uma comunidade científica com uma
representação do conteúdo dos documentos. O objetivo de tais sistemas consiste
em otimizar a recuperação de informações, com maior rapidez e revocação
possíveis.

Assim, a recuperação da informação é um vasto domínio interdisciplinar de
estudo, compreendido, particularmente, pelas ciências da informação, da
computação, da lingüística e das matemáticas. O advento da Internet modificou
completamente o mundo da informática documentária e a expansão de
possibilidades para os sistemas de recuperação de informação. A WEB permitiu a
implantação dos OPACs, das bibliotecas digitais, dos motores de busca, dos
portais etc., o que deu origem a multiplicação, aliada a diversificação de usuários
e, ao mesmo tempo, a expansão crescente da heterogeneidade e do volume de
documentos.

Neste sentindo, é patente a importância da interoperabilidade, que permite a
integração de diferentes fontes de informação. A interoperabilidade torna-se
facilitada com o aparecimento das tecnologias dos Open Archives, mais
especificamente com o aparecimento das tecnologias dos OpenURL.

De acordo com Rowley (1994), as tecnologias Open são sistemas compatíveis
entre si e que se comunicam com outros sistemas. Assim, as tecnologias

3

�OpenURL são objetivados para integrar distintos repositórios de informação,
permitindo que usuários realizem, remotamente, pesquisas bibliográficas por meio
de uma única interface a catálogos (OPACs), base de resumos, base de textos
integrais etc., sem o auxílio de profissionais da informação.

Toda essa evolução, no entanto, não modificou o objetivo fundamental da
recuperação da informação que continua sendo o de obter informação pertinente
com o máximo de precisão e o menor grau de inconsistência. Para que as
tecnologias produzam resultados objetivados, considerando que, via de regra, o
uso de tais tecnologias promove o distanciamento físico entre a biblioteca e seus
usuários, faz-se necessário que a biblioteca desenvolva competências em
tecnologias de informação para gerar, operar e intermediar, com qualidade,
recursos de linguagem e de estruturas de representação da informação que
harmonizem os estoques com as demandas informacionais a um alto índice de
revocação.

Nessas condições, oferecer um acesso eficaz aos recursos de informação e de
conhecimento à comunidade acadêmica, comprometida com a atividade de
pesquisa para a produção do conhecimento, constitui um verdadeiro desafio para
os profissionais de informação e gestores dos recursos informacionais,
particularmente, das bibliotecas universitárias.

Das técnicas bibliométricas

A bibliometria tem evoluído para uma disciplina científica com vários subcampos e
estruturas de comunicação científica correspondentes desde o começo da década
de 80. Diversos são os conceitos dos subcampos da bibliometria, informetria,
cientometria e tecnometria não existindo, no entanto, uma fixação terminológica
na área. O campo está se constituindo como disciplina científica, incluindo todos
os aspectos estatísticos e matemáticos relacionados aos problemas da
biblioteconomia, da documentação e da informação, com fortes vínculos com os
aspectos teóricos da recuperação da informação (WORMELL, 1998).

4

�Atualmente, o campo da bibliometria como um todo inclui todos os aspectos
quantitativos e os modelos da comunicação científica e do armazenamento,
disseminação e recuperação da informação científica. Esse conceito de
bibliometria é muito mais amplo do que as definições usuais do termo e objetiva
incorporar todas as orientações correntes, como também suas aplicações à
política científica e à recuperação da informação (WORMELL, 1998).

Os métodos bibliométricos, por sua vez, vêm sendo aplicados não somente aos
estudos cientométricos e à avaliação da pesquisa em ciência e tecnologia (C&amp;T),
mas também à análise de suas relações sociais e econômicas. Com efeito, a
ciência, por ser uma força vigorosa na sociedade contemporânea, seu
mapeamento e avaliação são questões consideradas cruciais. Uma forma de
avaliação da pesquisa científica é aquela feita por pares. Essa avaliação é de
natureza qualitativa, usada para julgar propostas de pesquisa, avaliar grupos de
pesquisa, entre outros aspectos. Os indicadores bibliométricos, por sua vez,
representam o aspecto quantitativo da atividade de avaliação.

Deve-se considerar, no entanto, que os aspectos quantitativos também estão
presentes na avaliação por pares, já que se levam em consideração o número de
publicações e as atividades acadêmicas próprias de áreas institucionalizadas
(VAN RAAN, 2003). Esse método se configura, ao nível dos programas de
pesquisa, como um instrumento indispensável para a tomada de decisão na
política

científica,

particularmente

em

relação

às

prioridades

a

serem

estabelecidas e a fazer balanços retrospectivos.

A análise bibliométrica pode ser feita em nível macro ou micro, ou seja, podem-se
fazer avaliações dos campos como um todo, por exemplo, avaliar a performance
do país em termos de áreas científicas. A atividade de pesquisa pode ser
analisada sistematicamente, no nível intermediário, em termos de grandes
instituições, tais como universidades e institutos de pesquisa.

Além disso, a

análise pode ser restringida para um nível micro, isto é, ao nível da prática
concreta de pesquisa: departamentos, grupos de pesquisa e programas entre
universidades e grandes instituições (VAN RAAN, 2003).

5

�O princípio básico subjacente às abordagens bibliométricas é a idéia de que a
comunicação dos resultados da pesquisa é um aspecto central da ciência.
Embora as publicações não sejam os únicos indicadores da atividade científica,
elas são, certamente, elementos muito importantes do processo de troca de
conhecimento.

O uso de indicadores bibliométricos deve ser avaliado de forma equilibrada e
objetiva, particularmente nas Ciências Sociais e Humanas, considerando-se que
os métodos clássicos utilizados nas ciências exatas e biológicas não podem ser
universalizados, tendo em vista os hábitos e valores presentes em cada
comunidade. No entanto, como afirma Van Raan (2003, p. 8) “devemos nos
acautelar contra a aceitação fácil e a persistente caracterização das Ciências
Sociais e Humanidades como sendo “bibliometricamente inacessíveis”.

Estudos rigorosos devem, no entanto, qualquer que seja o campo considerado,
estabelecer padrões de comparação com grupos de áreas similares. A pesquisa
não poderá avançar sem ter padrões normalizados. Outro aspecto a ser
considerado é o tamanho do corpus e a dimensão temporal porque a análise de
tendências deve estar fincada em parâmetros adequados para cada campo do
conhecimento, tendo em vista o seu grau de institucionalização. Segundo Van
Raan (2003), “fotos instantâneas” de atividades científicas não são úteis, já que
grupos de pesquisa requerem tempo para estabelecer suas posições. Desse
modo, seria incorreto julgar a performance de pesquisa com base em número
restrito de anos.

Quanto ao tipo de documento a ser considerado, Meertens et al (1992), por
exemplo, afirmam que livros e capítulos de livros constituem em torno de um terço
de todas as publicações holandesas em psicologia social. Além disso, um campo
de pesquisa pode ser definido por várias abordagens: com base em códigos de
classificação e/ou seleção de palavras-chave em uma base de dados específica,
conjunto selecionado de revistas, uma base de dados de publicações de campo
específico, ou alguma combinação dessas abordagens. Deve ser revisto, no

6

�entanto, o método tradicional de tratamento lingüístico computacional aplicado a
títulos e resumos para derivar temas.

Outra alternativa seria trabalhar com informações constantes dos campos de
descritores de bases de dados. Parte-se aqui do princípio de que a indexação
realizada

com

base

em

tesauros

fornece

informações

temáticas

mais

padronizadas do que as ocorrências estatísticas de palavras de um texto integral.
Deve-se lembrar que a organização da informação por meio de tesauros,
taxonomias e ontologias vem sendo reconhecida como imprescindível para tratar
grandes massas de informações, mesmo no ambiente da Web.

Da representação da informação

Estudos realizados pelo nosso grupo de pesquisa em bases de dados de teses e
dissertações dos programas de pós-graduação em Ciência da Informação de
universidades brasileiras sinalizam uma expressiva quantidade de pesquisas
enfatizando a solução dos problemas - estudos de caso. Tais estudos privilegiam,
portanto, a performance das técnicas, dos métodos e das tecnologias, em
detrimento de um melhor entendimento do fenômeno objeto de estudo, de uma
maior discussão e reflexão sobre os aspectos subjacentes ao problema.
Particularmente, nos estudos bibliométricos a ênfase concentra-se na relevância
às técnicas e aos softwares, sem dar importância à natureza, a origem, o contexto
e a consistência dos dados de partida, como se os mesmos pudessem ser
considerados como verdades absolutas, gerando, assim, análises inconsistentes
e passíveis de inexatidão.

No entanto, a confiabilidade de uma análise bibliométrica é proporcional ao grau
de confiabilidade, consistência e padronização dos dados utilizados. Assim, as
análises bibliométricas e as cartografias temáticas produzidas a partir dessas
análises só fornecem resultados consistentes se os dados de partida estiverem
devidamente representados e padronizados.

7

�A despeito de que a qualidade da base de dados deve ser iniciada no processo
de tratamento da informação, essa preocupação com os dados, que inclui,
obviamente, o trabalho de padronização de entradas de dados, principalmente o
de descritores, deve ser observada como atividade primeira na análise
bibliométrica, tendo em vista o fato de que parte considerável das bases
apresentam inconsistências.

Todavia, a análise bibliométrica baseada no estado original da base, permite
identificar incorreções e inconsistências, que, por sua vez, possibilita que o
trabalho de padronização e reformatagem sejam executados sobre problemas
reais.

Todo este trabalho, que é indispensável à aplicação de métodos bibliométricos,
viabiliza o desenvolvimento de cartografias temáticas para definição de conceitos
na ciência, que podem ser utilizados no desenvolvimento de instrumentos de
linguagens documentárias. É aí que está a colaboração da bibliometria e das
cartografias temáticas para as práticas de representação e recuperação da
informação nas bibliotecas universitárias.

As nossas pesquisas, desenvolvidas no âmbito de um projeto cooperativo,
envolvendo os programas de pós-graduação em Ciência da Informação da
Universidade de São Paulo e da PUC-Campinas, têm como objetivo mapear os
aspectos da institucionalização cognitiva e social da ciência brasileira.

Com a intenção de realizar um trabalho preliminar, o grupo tem desenvolvido
estudos sobre a institucionalização da Ciência da Informação no Brasil, a partir do
levantamento de teses e dissertações produzidas na área no período de 1977
(ano de implantação das bases referenciais de teses e dissertações no Brasil) a
2005. É importante ressaltar que, no momento, os estudos estão compreendidos
apenas aos dados produzidos até o ano de 2001, uma vez que somente os
registros das teses e dissertações da Universidade de São Paulo e da PUCCampinas foram atualizados até 2005.

8

�Nos dados obtidos, nossas análises identificaram que os registros bibliográficos
apresentavam os mais variados tipos de erros e inconsistências, tais como: não
padronização dos nomes das Escolas, dos programas e dos orientadores;
atribuição de descritores muito genéricos; utilização de diferentes formas de
expressão para conceitos equivalentes e atribuição excessiva ou precária de
descritores.

Assim, foi necessário realizar um trabalho exaustivo de reformatagem e
padronização dos elementos bibliográficos, constituindo uma base ad hoc. Este
trabalho consumiu cerca de 5 meses para a organização dos dados e, finalmente,
as primeiras análises bibliométricas puderam ser realizadas.

Os resultados produzidos são muito significativos e fornecem a cartografia da
área, mostrando a distribuição de teses e dissertações produzidas por cada
programa de Ciência da Informação, a distribuição diacrônica dos temas
estudados, as linhas de pesquisa e áreas de concentração, as redes de
cooperação entre programas e pesquisadores etc.

O trabalho preliminar realizado pelo grupo de pesquisa explicitou que a não
uniformização dos dados é um fator que compromete todo trabalho de análise de
dados, além de comprometer seriamente a recuperação da informação.

Tal

problema deve ser objeto de maior atenção da área e dos seus profissionais.
Afinal, a recuperação da informação é considerada como principal resposta social
da Ciência da Informação para a sociedade e, pelo que foi constatado, esta
atividade tem sido seriamente prejudicada pela não padronização dos dados
bibliográficos.

Considerações finais

Diante do fenômeno da explosão da informação e implosão do tempo, da
aplicação das novas tecnologias da informação e da comunicação ao
armazenamento e aos sistemas de recuperação da informação, nossos estudos
evidenciam a necessidade e a importância das aplicações das técnicas

9

�bibliométricas e das cartografias temáticas como meios para exploração rápida de
conjuntos de informações desconhecidas; evidenciação de relações e estruturas
nas informações; fornecimento de alternativas de acesso a informações
pertinentes e classificação interativa de informação.

Dessa forma, a experiência empírica do grupo de pesquisa sinaliza que as
técnicas bibliométricas, além de oferecerem a cartografia da área, representando
seu estado da arte, contribuem para o desenvolvimento das práticas de
representação e recuperação da informação. Essa colaboração se dá a partir do
momento em que os conceitos mapeados são aplicados na elaboração das
linguagens documentárias, que são instrumentos utilizados para garantir a
padronização dos dados de entrada. Cabe considerar que a ênfase à qualidade
dos dados armazenados é fator primordial para confiabilidade, consistência e
padronização dos dados, contrariamente à prática corrente, que enfatiza o fator
quantitativo.

Verifica-se também, que as técnicas bibliométricas constituem-se recursos
eficazes para a identificação de incorreções e inconsistências presentes nas
bases de dados. Este trabalho deve ser realizado sobre o estado original da base.

Os estudos realizados evidenciam, ainda, que tais métodos de representação dos
mapas da ciência só poderão ser estendidos a outras áreas do conhecimento se
os

dados

a

serem

analisados

estiverem

devidamente

padronizados

e

uniformizados. Assim, essa questão deve ser alvo de maior preocupação da
Ciência da Informação e de seus profissionais, principalmente no contexto das
tecnologias Open Archives, mais especificamente dos OpenURL, que promovem
o distanciamento físico entre a biblioteca e seus usuários, exigindo que os
sistemas de recuperação da informação sejam elaborados a partir de
instrumentos que harmonizem os estoques com as demandas informacionais.

Reconhecemos, no entanto, que o uso e as aplicações desses recursos requerem
novas formações e novas competências, no âmbito da interdisciplinaridade,
constituindo, assim, desafios de monta a serem enfrentados pelos profissionais da

10

�informação e gestores de recursos informacionais das unidades de informação,
particularmente das bibliotecas universitárias.

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11

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Discute a cartografia temática como dispositivo das técnicas bibliométricas aplicadas nas práticas de representação e recuperação da informação, por meio da utilização de recursos de linguagens documentárias e de padrões de metadados de entrada. O aparecimento das tecnologias dos OpenURL, objetivadas para integrar distintos repositórios de informação, permite que usuários realizem pesquisas bibliográficas por meio de uma única interface a catálogos (OPACs), base de resumos, base de textos integrais etc. remotamente, sem auxílio de profissionais da informação. No entanto, para ue as tecnologias dos OpenURL produzam resultados objetivados, considerando que o uso de tais tecnologias promovem o distanciamento físico entre a biblioteca e seus usuários, faz-se necessário que a biblioteca desenvolva competências em tecnologias de informação para gerar, operar e intermediar, com qualidade, recursos de linguagem e de estruturas de representação da informação que harmonizem os estoques com as demandas informacionais a um alto índice de revocação. Conclui-se que as técnicas bibliométricas, além de oferecerem cartografia da área, representando seu estado da arte, contribuem para o desenvolvimento das práticas de representação e recuperação da informação. Considera que a ênfase à qualidade dos dados armazenados é fator primordial para confiabilidade, consistência e padronização dos dados, contrariamente à prática corrente que enfatiza o fator quantitativo. Indica, ainda, que as técnicas bibliométricas constituem-se recursos eficazes para identificação de incorreções e inconsistências presentes nas bases de dados. Por fim, aponta que a aplicação desses recursos requerem novas formações e novas competências profissionais.</text>
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            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
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                <text>pt</text>
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                    <text>CATALOGAÇÃO RETROSPECTIVA DE LIVROS NAS BIBLIOTECAS DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

Janise Silva Borges da Costa
janise@cpd.ufrgs.br
Caterina Groposo Pavão
caterina@cpd.ufrgs.br
Lais Freitas Caregnato
lais@cpd.ufrgs.br
Zita Prates de Oliveira
zita@cpd.ufrgs.br
Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS
Centro de Processamento de Dados
Rua Ramiro Barcelos, 2574
90035-003 Porto Alegre, RS, Brasil
Tel: +55 (51) 3316-5029/3316-5071
Fax: +55 (51) 3316-5962
E-mail: comissao@cpd.ufrgs.br

RESUMO
Relata a concepção, etapas e metodologia adotada na implementação do projeto
de catalogação retrospectiva de livros no Sistema de Bibliotecas da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, desenvolvido pela Comissão de Automação, em
parceria com a Biblioteca Central e o Centro de Processamento de Dados. O
principal objetivo do projeto é ampliar o conteúdo informacional disponível no
SABi, catálogo on-line das bibliotecas da UFRGS, com a inclusão do acervo de
livros ainda não processado, ou processado manualmente, visando agilizar o
serviço de circulação de documentos e qualificar o processo de recuperação da
informação.
Palavras-chave: Catalogação retrospectiva; Automação de bibliotecas; Bibliotecas
universitárias.

�1 BREVE HISTÓRICO

A história da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS tem
início com a fundação da Escola de Farmácia e Química, em 1895 e, em seguida,
da Escola de Engenharia. Ainda no século XIX, foram fundadas a Faculdade de
Medicina de Porto Alegre e a Faculdade de Direito que, em 1900, marcou o início
dos cursos humanísticos no Estado. Em 28 de novembro de 1934, foi criada a
Universidade de Porto Alegre, integrada incialmente pela Escola de Engenharia,
com os Institutos de Astronomia, Eletrotécnica e Química Industrial; Faculdade de
Medicina, com as Escolas de Odontologia e Farmácia; Faculdade de Direito, com
sua Escola de Comércio; Faculdade de Agronomia e Veterinária; Faculdade de
Filosofia, Ciências e Letras e pelo Instituto de Belas Artes. Em 1947, passou a ser
denominada Universidade do Rio Grande do Sul - URGS e em dezembro de 1950
foi federalizada, passando à esfera administrativa da União (1).

Ao longo de seus 111 anos de existência a Universidade reuniu um acervo
que, em 2005, registrava 686.343 volumes de livros, 17.256 títulos de periódicos,
50 títulos de bases de dados e 341.231 itens de outros materiais, que incluem
discos, disquetes, CD’s, mapas, partituras, fitas de vídeo, diapositivos, entre
outros, totalizando 1.044.880 itens de informação (2). Neste total estão
contabilizados os documentos de produção intelectual (PI), gerados por
professores, alunos e servidores técnico-administrativos da Instituição.

Com o intuito de garantir o controle e difusão da produção científica,
técnica, artística e administrativa da Universidade, bem como subsidiar a
Administração Central na tomada de decisões como, por exemplo, no processo
de alocação de vagas docentes, as bibliotecas têm priorizado o registro de
documentos de PI no Sistema de Automação de Bibliotecas - SABi
comprometendo a inclusão do acervo retrospectivo na base de dados, devido ao
grande número de documentos produzidos no âmbito da UFRGS. Em julho de
2006 a base SABi totalizava 139.154 registros bibliográficos de produção
intelectual correspondendo a 27% do total de registros nela incluídos.

�Desde a implantação do SABi na UFRGS foram incorporados à base de
dados 493.352 livros do acervo das suas 33 bibliotecas disponibilizando, via
internet, o rico acervo de informação especializada reunido pela Universidade.

2 O PROJETO

Em 2002 foi implementado um projeto com o objetivo suprir o quadro de
pessoal das bibliotecas, em decorrência de aposentadoria ou exoneração de
bibliotecários no Sistema de Bibliotecas da UFRGS - SBU. Foram contratados 20
profissionais e foi sugerido às bibliotecas que priorizassem o processamento
técnico do acervo retrospectivo de livros, mas muitos deles foram alocados para
outras atividades consideradas mais importantes pelas bibliotecas contempladas
pelo projeto. Ao final dos dois anos de duração do projeto foi constatado que a
quantidade de livros por processar ainda era muito grande, segundo os dados
informados pelas bibliotecas no relatório anual da Biblioteca Central (Anexo 1) (3).

Com a crescente necessidade de incluir o acervo de livros não
processados na base SABi, visando sua divulgação à comunidade e também para
agilizar o controle da circulação deste material nas bibliotecas, em 2004, foi
apresentado à Administração Central um novo projeto denominado Resgate do
Acervo Histórico &amp; Ampliação da Oferta de Informação Especializada no Sistema
de Bibliotecas da UFRGS com duração de dois anos e possibilidade de
prorrogação por igual período, com a finalidade específica de inclusão do acervo
retrospectivo de livros no SABi.

2.1 Objetivos

Na maioria das bibliotecas há a tendência de julgar que somente os
serviços de referência têm impacto direto sobre a satisfação dos usuários e as
atividades internas, como o processamento técnico, são dissociadas do
atendimento ao usuário. Não são somente os processos "da linha de frente" que

�causam impacto na satisfação dos usuários e essa nova dimensão deve ser
considerada pelos gestores dos serviços de informação, integrando todas as
funções e processos na elevação dos níveis de satisfação dos usuários e,
principalmente, na otimização dos processos como um todo, que tendem a ser
mais ágeis e eficazes (4).

Por considerar o processamento técnico um conjunto de atividades que
transformam a entrada de informação na base de dados no produto final
disponível para o usuário e um dos meios para atingir a excelência no
atendimento, é que o processamento retrospectivo de livros foi considerado uma
prioridade desta Administração.

Os principais objetivos do projeto foram:
- ampliar o acervo de livros disponíveis na base SABi em, no mínimo,
63.000 registros e possibilitar o acesso à informação especializada armazenada
no SBU;
- facilitar o empréstimo automatizado de livros pelo módulo de circulação,
eliminando o uso da catalogação rápida, recurso disponível no SABi para efetuar
o empréstimo de livros não incluídos na base de dados;
- responder de forma rápida a pedidos de informação da Administração
Central e do Ministério da Educação sobre o montante de acervo de livros
existente no SBU, considerando que a obtenção de tal dado dependia do
somatório de informações manuais e informatizadas;
- implantar o inventário automatizado do acervo das bibliotecas reduzindo
o período de fechamento das bibliotecas e de deslocamento dos funcionários para
realizar tal atividade;
- aumentar de 9 para 15 o número de bibliotecas da Universidade com
todo acervo de livros registrado no SABi.

�2.2 Custos

O levantamento de custos foi realizado com base nas necessidades de
recursos humanos, material de consumo e equipamentos.

2.2.1 Recursos humanos

A contratação de recursos humanos em instituições públicas é o aspecto
mais difícil de ser gerenciado, devido às normas que regulamentam uma
contratação legalizada. Neste caso foi feito um contrato de prestação de serviços,
através da Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
(FAURGS).

Para definir os custos com pessoal a primeira decisão foi em relação à
forma de remuneração dos bibliotecários: valor fixo mensal ou por produtividade.
A opção escolhida foi por produtividade, visando garantir a meta de processar
63.000 livros proposta pelo projeto, diferindo do padrão adotado até então para
pagamento de qualquer serviço contratado pelo SBU.

Para trabalhar sistematicamente na produtividade de uma instituição é
necessária uma estratégia para cada um dos fatores de produção. O primeiro
fator sempre é o pessoal. Não se trata de trabalhar mais duro; aprendemos isso
há muito tempo. Trata-se de trabalhar de forma mais inteligente e, acima de tudo,
de colocar as pessoas onde elas possam realmente produzir. O segundo fator é o
dinheiro. Como obter um pouco mais do recurso financeiro disponível? E o
terceiro fator é o tempo (5).

Para estabelecer o número mínimo e máximo de registros bibliográficos a
serem incluídos mensalmente por bibliotecário e definir o número de profissionais
necessários, visando atingir os objetivos do projeto, sem comprometer a

�qualidade do produto e a disponibilidade de recursos, foram considerados os
seguintes tópicos:
- média mensal de livros processados pelos bibliotecários do SBU, com
dedicação exclusiva para processamento técnico;
- média de dois exemplares de cada obra, já que os itens deveriam ser
incluídos pelos bibliotecários, na seqüência do registro bibliográfico;
- complexidade do acervo a processar (obras em outros idiomas como
russo e alemão e de acervos contendo obras raras ou preciosas);
-

campos

mínimos

necessários

para

recuperação

da

informação

qualificada, sem detalhar excessivamente a catalogação. Foi elaborada uma
planilha com os dados mínimos exigidos para registro destes livros (ISBN, idioma,
autoria, título, edição, descrição física, série, secundárias de assunto e de autor);
- utilização da indexação já existente no catálogo topográfico ou uso do
assunto geral, reduzindo o tempo de processamento, visto que os bibliotecários
contratados não teriam conhecimento aprofundado das áreas de assunto em que
iriam trabalhar.

Com estes parâmetros foi definida a contratação de 10 bibliotecários, com
uma produtividade mínima de 220 e máxima de 290 registros bibliográficos por
mês, considerando os recursos alocados mensalmente para o projeto.

Foi

estipulado o valor de R$4,00 por registro bibliográfico incluído na base de dados,
e não por quantidade de itens, valor esse compatível com o mercado e com os
salários pagos pela Universidade. A carga horária de trabalho ficaria a critério de
cada bibliotecário, cabendo-lhe gerenciar o número de horas necessárias para
atingir a meta mínima exigida.

As bibliotecas contempladas pelo projeto receberiam também pessoal
auxiliar para evitar o remanejamento de funcionários para esta atividade. Para
não onerar o projeto, facilitar a contratação e o pagamento a opção foi pelo
contrato de alunos da própria Universidade para a realização das tarefas
auxiliares. Este procedimento veio ao encontro de um dos objetivos institucionais
que é o de proporcionar locais de aprendizado e treinamento para o corpo

�discente e é sempre considerado nos projetos da Biblioteca Central e do Centro
de Processamento de Dados. O pagamento dos alunos bolsistas não seria por
produtividade, mas sim um valor fixo mensal por 20 horas semanais de trabalho.

2.2.2 Material de consumo

O material de consumo foi estimado com base nos dados de acervo a
processar informado pelas bibliotecas no relatório anual da Biblioteca Central e
contabilizado para a duração inicial do projeto. Foi previsto o uso de luvas e
máscaras, uma vez que várias bibliotecas possuíam acervo em depósito, em
condições inadequadas de higiene e armazenamento. A tabela 1 apresenta as
quantidades e gastos previstos com material de consumo para os dois anos do
projeto.

Tabela 1 - Relação de material de consumo e seu custo
Item

Quantidade

Etiqueta de código de barras
100.000
Etiqueta adesiva p/lombada
140.000
Cotovelo auto-adesivo
70.000
Máscara protetora
500
Luva (par)
500
Bolso do livro
70.000
Papeleta de data
70.000
Ficha para topográfico
70.000
Total geral

Custo
Custo
unitário
total
(em Reais) (em Reais)
0,06
6.000,00
0,025
3.500,00
0,55 38.500,00
0,57
285,00
0,171
85,50
0,01
700,00
0,03
2.100,00
0,01
700,00
51.870,50

2.2.3 Equipamentos

Os equipamentos de informática necessários para o desenvolvimento do
projeto, um microcomputador e um leitor de código de barras para cada
bibliotecário,

foram

disponibilizados

pela

Biblioteca

Central,

Centro

de

Processamento de Dados e por algumas bibliotecas contempladas no projeto.
Desta forma, não houve investimento financeiro para aquisição de equipamentos

�de informática o que se constituiu em vantagem, visto que iria onerar o projeto e
retardar sua implantação, devido aos trâmites exigidos para aquisição de bens no
serviço público.

2.3 Metodologia

O projeto foi concebido para contemplar somente a catalogação
retrospectiva de livros excluindo, portanto, o processamento de documentos de
PI, o registro de analíticas e de outros tipos de material.

O processamento técnico seria realizado por uma equipe itinerante,
formada por dois bibliotecários e um bolsista, permanecendo em cada biblioteca
somente o tempo necessário para concluir a atividade e, em seguida, deslocada
para outra.

Para garantir o sucesso do projeto e facilitar seu gerenciamento foram
definidas competências e atribuições para as equipes responsáveis pelo mesmo:
Coordenação geral: Diretora da Biblioteca Central;
Coordenação técnica: Comissão de Automação;
Coordenação administrativa: Centro de Processamento de Dados;
Execução: Bibliotecários e bolsistas contratados, e
Apoio na execução: Bibliotecas contempladas pelo projeto.
O detalhamento das competências e atribuições está descrito no Anexo 2.

2.4 Contratação e distribuição das equipes de trabalho

A chave do sucesso do projeto estaria em conseguir que as equipes de
trabalho funcionassem adequadamente sob as condições propostas e atingissem
os resultados no tempo previsto.

�Dois requisitos foram considerados para a seleção dos bibliotecários: sua
experiência em processamento técnico e uso do SABi, com conhecimento do
formato MARC e dos formatos bibliográfico e de autoridades adotados pelo SBU,
e a concordância com o caráter itinerante das equipes.

Após a seleção foi realizada uma reunião para expor os objetivos do
projeto, a metodologia de trabalho e a forma de pagamento, condições aceitas por
todos os bibliotecários selecionados.

Os bolsistas seriam prioritariamente do Curso de Biblioteconomia mas,
devido à dificuldade de deslocamento do campus onde se localiza o curso para os
outros campi da Universidade, também foram contratados bolsistas de outros
cursos.

Para a execução do projeto foram montadas 3 equipes de trabalho
itinerantes e 2 fixas, cada equipe formada por 2 bibliotecários e um bolsista.

Com base no acervo a processar, conforme o Anexo 1, foram selecionadas
as cinco primeiras bibliotecas a serem contempladas pelo projeto.

Tabela 2 - Bibliotecas selecionadas
Biblioteca

Acervo a
processar

Farmácia
Arquitetura
Educação Física
Economia
Ciências Sociais e Humanidades

2.654
2.752
3.516
24.409
52.679

Equipe do projeto
Bibliotecários Bolsistas
2
1
2
1
2
1
1
1
3
1

As três primeiras foram selecionadas com base nos critérios de menor
acervo a processar, considerando a rapidez com que a tarefa seria concluída e a
infra-estrutura disponível nas bibliotecas, a qual permitiria receber imediatamente
as equipes. As equipes fixas foram alocadas nas bibliotecas da Economia (maior

�percentual de acervo não processado em relação ao seu acervo total) e das
Ciências Sociais e Humanidades (maior acervo de livros do SBU). Entretanto,
como a biblioteca da Economia não dispunha de acervo selecionado para
processamento, o que dificultaria o trabalho de dois bibliotecários, recebeu
apenas um profissional e um bolsista, sendo o segundo bibliotecário remanejado
para a Biblioteca Setorial de Ciências Sociais e Humanidades, que apresentava
todos os requisitos para receber a equipe proposta.

2.5 Desenvolvimento das atividades

De acordo com o princípio "enfoque por processos", um resultado desejado
é alcançado mais eficientemente quando as atividades e os recursos relacionados
são gerenciados como um processo. Segundo a NBR ISO 9000, processo é o
"conjunto de atividades inter-relacionadas ou interativas que transformam insumos
(entradas) em produtos (saídas)" (6).

Os bibliotecários foram instados a seguir as políticas de registro
bibliográfico adotadas pelo SBU e a realizar o processamento técnico na seguinte
ordem: catalogação das entradas de autoridade, catalogação do livro, registro do
item, emissão e revisão dos produtos, preparo para circulação e colocação na
estante. Isto possibilitaria verificar se os registros incluídos na base SABi estavam
em conformidade com as normas e padrões adotados e assim tomar medidas
preventivas e corretivas quando necessário, bem como facilitaria o levantamento
da produtividade.

Antes de iniciar as atividades foram realizadas reuniões com as chefias das
bibliotecas, nas quais foram informadas as responsabilidades de cada uma das
partes envolvidas e acertados os aspectos gerenciais do projeto, tais como:
- número de etiquetas utilizado pela biblioteca em cada obra para fornecer
o material necessário ao preparo dos livros para circulação;
-

estado de conservação do acervo a processar para identificar a

necessidade do uso de luvas e máscaras para seu manuseio;

�- quantidade de acervo a processar, já que o número de volume de livros
usado para definir as bibliotecas contempladas pelo projeto foi retirado do
relatório anual da Biblioteca Central referente ao exercício de 2004.

2.6 Controle e avaliação

O controle é o processo que permite verificar e garantir que as atividades
levadas a cabo correspondam com as planejadas e, portanto, conduzam às metas
e objetivos estabelecidos (7).

Os indicadores de desempenho têm adquirido transcendência a partir do
auge dos sistemas de gestão de qualidade total. São importantes ferramentas de
gestão que provêem um valor de referência a partir do qual pode-se estabelecer
uma comparação entre as metas planejadas e o desempenho conseguido (8).

A meta do projeto, incluir na base SABi 63.000 registros bibliográficos em
dois anos, não podia relegar a um segundo plano a qualidade dos mesmos.

Para avaliar a qualidade dos registros bibliográficos foram emitidas
listagens contendo os números de sistema dos registros incluídos por
bibliotecário. A revisão foi feita por amostragem, tendo sido considerada a
completeza do registro bibliográfico e a correção das entradas, bem como a
existência das mesmas no catálogo de autoridades. Também foram verificadas
possíveis inconsistências que prejudicassem a recuperação da informação e erros
de precisão, ortográficos e de digitação, que poderiam impossibilitar a localização
de um determinado registro bibliográfico. Para evitar esses tipos de incorreções
foi ressaltada a obrigatoriedade do uso do catálogo de autoridades, sempre que
pertinente.

O índice de qualidade verificado foi satisfatório, houve baixa incidência de
erros e praticamente não foram observadas incorreções dignas de nota, ou seja,

�os bibliotecários utilizaram corretamente a planilha de entrada de dados proposta,
as entradas de autoridades foram registradas corretamente e o catálogo de
autoridades utilizado por todos.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após 12 meses de execução constatamos que o projeto superou as
expectativas no que se refere ao número de registros incluídos no SABi e de
bibliotecas com a catalogação retrospectiva de livros concluída.

Quadro 1 - Números do projeto, maio 2005 - abril 2006
� Registros incluídos na base SABi: 33.434
� Média mensal de registros incluídos: 2.786
� Bibliotecas com acervo de livros processado: 9 (Arquitetura, Artes, Biociências,
Educação Física, Farmácia, Física, Geociências, Ciências Básicas da Saúde e
Tecnologia de Alimentos)
� Bibliotecas com acervo de livros em processamento: 5 (Agronomia, Ciências
Sociais e Humanidades, Economia, Educação e Medicina)

Ao final do primeiro ano, 9 bibliotecas das 15 previstas no projeto já estão
com todo seu acervo de livros registrado na base SABi. Mantendo o ritmo de
catalogação observado até o momento e contando com a redução do acervo a
processar que tem sido verificada nas bibliotecas, ao final do projeto, haverá um
número maior de bibliotecas com todo o acervo de livros disponível na base SABi,
qualificando o processo de recuperação da informação e agilizando o serviço de
circulação de documentos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Relatório de gestão
UFRGS:

exercício

2004.

Porto

Alegre.

Disponível

em:

�&lt;http://www.ufrgs.br/ufrgs/a_ufrgs/relatorios/relatorio-gestao-2004.doc&gt;.
Acesso em: 30 jun. 2006.
2 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Biblioteca Central.
Dados estatísticos - 2005. Disponível em: &lt;http://www.biblioteca.ufrgs.br/
sbunumeros2005.pdf&gt;. Acesso em: 30 jun. 2006.
3 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Biblioteca Central.
Dados para informações gerenciais e administrativas - DIGA 2004. Porto
Alegre, 2005.
4 GOMEZ MUJICA, Aleida y ACOSTA RODRIGUEZ, Heriberto. Acerca del trabajo
en grupos o equipos. ACIMED, La Habana, v. 11, n. 6, nov./dic. 2003.
Disponível

em:

&lt;http://scielo.sld.cu/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1024-

94352003000600011&amp;lng=es&amp;nrm=iso&gt;. Acesso em: 10 maio 2005.
5 DRUCKER, Peter F. Administração de organizações sem fins lucrativos:
princípios e práticas. 4.ed. São Paulo: Pioneira, 1997. 166 p.
6 VALLS, Valéria Martins. O enfoque por processos da NBR ISO 9001 e sua
aplicação nos serviços de informação. Ciência da informação, Brasília, v. 33,
n. 2, p. 172-178, 2004.
7 MANGIATERRA, Norma Ethel. Clase 6: Processos y componentes de la
gestión: el control y la evaluación. [Buenos Aires, 2005]. Trabalho
disponibilizado em meio eletrônico para alunos do Curso de Posgrado Gestión
de Bibliotecas y Centros de Documentación, da Facultad Latinoamericana de
Ciências Sociales, Sede Académica de Argentina, realizado em 2005, Buenos
Aires.
8 STUBBS, Edgardo Alberto. Indicadores de desempeño: naturaleza, utilidad y
construcción. Ciência da informação, Brasília, v. 33, n. 1, p. 149-154, 2004.

�ANEXO 1 - Acervo de livros (volumes) no SBU, 2004
Biblioteca

ADM
AGR
APL
ARQ
ART
BC
BIO
BOT
CBS
CECLI
CPD
CSH
DIR
ECO
EDU
ENF
ENG
ESEF
ETC
FAR
FBC
FIS
GEO
ICTA
INF
IPH
MAT
MED
ODO
ONU
PSICO
QUI
VET
TOTAL

Livros
Acervo total
18.535
24.490
24.176
18.157
15.043
52.116
15.920
2.616
4.576
3.944
1.206
113.110
39.208
33.370
41.265
13.741
33.351
13.940
9.615
7.345
23.171
17.653
19.407
2.987
13.823
15.427
20.501
18.401
8.745
7.246
14.299
9.201
5.787
662.422

Livros
processados
no SABi
9.507
10.996
9.505
15.405
8.399
15.554
6.845
2.647
5.112
3.179
1.193
60.431
10.977
8.961
24.871
11.209
20.073
10.424
4.393
4.691
19.671
13.719
14.126
2.359
15.768
9.277
13.240
11.594
7.859
4.937
10.747
8.703
5.385
381.757

Livros
a processar
no SABi
9.028
13.494
14.671
2.752
6.644
36.562
9.075
550
765
52.679
28.231
24.409
16.394
*
13.278
3.516
*
2.654
*
3.934
5.281
628
6.150
7.261
6.807
*
2.309
3.552
*
402
276.746

% Livros
a processar
no SABi
49
55
61
15
44
70
57
10
19
47
72
73
40
40
25
36
22
27
21
40
35
37
32
25
7
42

*Embora haja diferença entre os números do DIGA e do SABi, a biblioteca informa que não há
acervo a processar no SABi.

�Anexo 2 - Competências e responsabilidades dos participantes do projeto
Órgão

Atividades
- Definir as bibliotecas a serem contempladas no projeto

Biblioteca Central

- Definir, em conjunto com a Comissão de Automação, a metodologia de trabalho dos bibliotecários e bolsistas
- Selecionar e distribuir, em conjunto com a Comissão de Automação, os bibliotecários e bolsistas
- Adquirir e distribuir o material de consumo às bibliotecas (etiquetas de lombada e registro, luvas, máscaras, etc.)
- Definir o cronograma de distribuição e de permanência dos bibliotecários e bolsistas nas bibliotecas
- Emitir relatórios de produtividade para fins de análise e avaliação de desempenho dos bibliotecários
- Calcular os valores de pagamento dos bibliotecários

Comissão de
Automação

- Habilitar as senhas dos bibliotecários e dos bolsistas nos módulos do sistema
- Distribuir as etiquetas de código de barras a serem colocadas nos itens
- Controlar, por amostragem, a qualidade dos registros bibliográficos e de itens incluídos pelos bibliotecários
- Informar a Direção da Biblioteca Central acerca do andamento de projeto
- Elaborar relatórios trimestrais de prestação de contas para a Administração Central da Universidade

Centro de
Processamento de
Dados

- Proporcionar suporte de rede, software e hardware às bibliotecas
- Gerenciar a contratação e pagamento dos bibliotecários e bolsistas

�Anexo 2 - Competências e responsabilidades dos participantes do projeto (continuação)
Órgão

Atividades
Bibliotecário responsável

Bibliotecário contratado

- Indicar um bibliotecário da área de
processamento técnico para
acompanhar o trabalho da equipe

- Catalogar a obra usando a planilha
de monografia impressa

- Disponibilizar, quando possível, 2
microcomputadores para
processamento técnico
- Disponibilizar 2 pontos de rede
para instalação dos equipamentos
- Disponibilizar espaço físico e
mobiliário para acomodar a equipe

Bibliotecas

- Disponibilizar o CCAA2 e os
manuais técnicos do sistema
- Identificar os livros a serem
processados, tendo como parâmetro
para seleção: estar em condições de
uso, assunto, número de exemplares
necessários para atender a demanda
- Relacionar os macrodescritores
com o respectivo número de
classificação adotado pela biblioteca,
caso a biblioteca não possua
catálogo topográfico ou o livro não
possua número de chamada
- Adequar, se necessário, a
classificação e indexação dos livros,
após a conclusão da atividade

- Classificar e indexar a obra
conforme a ficha do catálogo
topográfico, quando houver, ou
adotar o macrodescritor e o
respectivo número de classificação
fornecido pela biblioteca
- Incluir os itens

Bolsista
- Retirar os livros do acervo
- Reunir todos os exemplares e
edições da obra
- Retirar as fichas do catálogo
topográfico e de registro e juntá-las ao
livro
- Verificar a existência da obra no
SABi e anotar o número de sistema

- Encaminhar os livros processados
para emissão dos produtos

- Emitir os produtos dos livros
catalogados (etiquetas de lombada e
de registro)

- Revisar os produtos

- Preparar os livros para circulação

- Encaminhar os produtos ao
bolsista para o preparo dos livros e
reposição na estante

- Repor os livros na estante

- Informar ao bibliotecário
responsável pelo processamento
técnico da biblioteca as obras
processadas para adequação da
classificação e indexação, se
necessário.

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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Relata a concepção, etapas e metodologia adotada na implementação do projeto de catalogação retrospectiva de livros no Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, desenvolvido pela Comissão de Automação, em parceria com a Biblioteca Central e o Centro de Processamento de Dados. O principal objetivo do projeto é ampliar o conteúdo informacional disponível no SABi, catálogo on-line das bibliotecas da UFRGS, com a inclusão do acervo de livros ainda não processado, ou processado manualmente, visando agilizar o serviço de circulação de documentos e qualificar o processo de recuperação da informação.</text>
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                    <text>CATALOGO RAGIONATO DEI LIBRI D’ARTE E D’ANTICHITÀ:
marco fundamental da bibliografia sobre história da arte (séculos XIV-XIX) Biblioteca CICOGNARA, Biblioteca Central Cesar Lattes, UNICAMP

Joana D’Arc S. Pereira
Especialista em Planejamento e Administração de Sistemas de Informação
Biblioteca Central Cesar Lattes
Diretoria de Coleções Especiais /Obras Raras,
UNICAMP, Campinas, São Paulo, Brasil
joanads@unicamp.br
RESUMO
Este trabalho analisa o processo de construção do catálogo analítico: Catalogo ragionato
dei libri d’arte e d’antichità, do conde italiano Francesco Leopoldo Cicognara (1767-1834),
onde estão reunidas informações de aproximadamente cinco mil obras de sua biblioteca
particular, dos séculos XVI a XIX. Desde 1824 esta coleção faz parte do patrimônio da
Biblioteca Vaticana, sendo que, em 1989, passou por um processo de microfilmagem
(quarenta mil microfichas) pela University of Illinois at Urbana-Champaign (EUA). No
Catalogo ragionato Leopoldo Cicognara insere o elenco de publicações e comentários
sobre textos que vão desde tratados sobre arquitetura, pintura e esculturas, até guias de
arte, guias artísticos de cidades, de museus, pranchas de desenhos para aulas de arte,
textos teóricos sobre música e artes plásticas, contendo ainda comentários sobre
numismática e estética. O traçado metodológico do Catalogo ragionato, objeto deste
estudo, é investigado nos seguintes itens: idade da coleção, língua das obras, tipologia
dos documentos, traduções dos livros, sumário, índice e prefácio do autor. O Catalogo
apresenta uma organização temática segundo um modelo intelectual onde são
destacados os aspectos relevantes sobre as artes e suas relações com o conjunto das
Humanidades, ocupando um lugar de destaque e influência na historiografia artística
mundial.
Palavras-chave: Historiografia, Bibliografia

INTRODUÇÃO
“A arte de colecionar livros certamente nasceu com o livro, na
antiga Suméria. Na Roma Imperial, com suas inúmeras oficinas de
copistas, particulares e de livreiros, Sêneca investe contra aqueles
que juntam rolos de papiro e pergaminho, que em toda a sua vida
não conseguirão ler. Na baixa Idade Média chega a extremo
refinamento a arte dos copistas e ilustradores. Richard de Bury
escreve Philobiblon, onde fala de sua coleção, oferecendo os
primeiros rudimentos da bibliofilia. Petrarca é o ”pai da bibliofilia
moderna”. MARTINS (2002)

1

�O século XIX assiste o auge do colecionismo de livros. Em toda a Europa
cresce a paixão colecionadora. Nos leilões os livros são “disputados a peso de
ouro”. Criam-se clubes, “uma espécie de confraria de grã-finos, unidos pelo
mesmo culto quase religioso pelos livros antigos e raros”. Os proprietários de
bibliotecas consideravam-nas verdadeiros tesouros e as tratavam com o maior
cuidado. O valor de um livro era, para um homem de saber, simultaneamente
simbólico e material. Cuidadosamente conservados dentro de um cofre ou
armário, os livros proclamavam a ciência de seu proprietário, representava uma
forma de entesouramento, um capital tanto intelectual quanto financeiro.

Se na Idade Média existia o problema da carência de livros, no século XVI a
questão era o excesso. Antonfrancesco Doni, escritor italiano, em 1550 já se
queixava da existência de “tantos livros que não temos tempo para sequer ler os
títulos”. Livros eram uma “floresta” na qual os leitores poderiam se perder, como
diz Basnage em CAVALLO &amp; CHARTIER (1999). Jean Calvin em BURKE (2003)
afirma “...eram um oceano pelo qual os leitores tinham de navegar, ou uma
inundação de material impresso em meio a qual era difícil não se afogar”.
Estas questões foram parcialmente resolvidas com o surgimento das
bibliografias. Em FERREIRA (2001) encontram-se as seguintes definições para o
vocábulo:1- Ciência que trata da história, descrição e classificação dos livros,
considerados como objetos físicos; Inventário metódico dos livros; 2- Seção de
uma publicação periódica destinada ao registro das publicações recentes.

É

ressaltado por FIGUEIREDO (1969) que “no sentido largo da palavra, a
bibliografia tem tido, sempre, por finalidade, a transcrição dos títulos dos livros,
segundo a significação etimológica do termo: biblio= livros e graphein= descrever
(do grego).” É da época da Revolução Francesa a primeira definição de
bibliografia, talvez não formulada explicitamente, mas admitida implicitamente:
conhecimento do livro sob todos os seus aspectos.

2

�As primeiras bibliografias impressas foram especializadas, dedicadas a
livros sobre um único assunto. Entretanto, podem ser consideradas internacionais
pelo fato de mencionarem livros de todas as procedências, sendo a maioria em
latim. O primeiro repertório de caráter geral foi a obra de Conrad Gessner,
naturalista e filósofo de Urich, “Bibliotheca universalis”, cuja publicação constitui o
fato mais importante da bibliografia no século XVI.
Às bibliografias logo se juntaram estantes de outros livros de referência.
Tinham títulos tais como “castelo”, “compêndio”, “corpus”, “catálogo”, “floresta”,
“inventário”, biblioteca”, “espelho”, “repertório”, “teatro” ou “tesouro”, e ofereciam
informações sobre palavras (dicionários), pessoas (dicionários biográficos),
lugares

(dicionários

geográficos

e

atlas),

datas

(cronologias)

e

coisas

(enciclopédias). Havia também coleções de muitos volumes de textos sobre
tópicos específicos — leis, tratados, crônicas, decisões de concílios da Igreja,
descrições de lugares exóticos feitas por viajantes etc. Em 1758 apareceu até um
dicionário de dicionários, publicado em Paris e ridicularizado pelo literato alemão
exilado Melchior Grimm (1723-1807), mas que mesmo assim satisfazia a uma
necessidade real, era o livro: Table alphabéthique des dictionnaires de Durey de
Noinville (1683-1768).
Em 1810, a bibliografia começou morosamente a trilhar seu caminho. Os
livreiros já tinham uma visão mais definida sobre a importância e necessidade de
investimento nas bibliografias. Nessa fase da história da bibliografia, um livreiro
pariense, Charles-Jacques Brunet publicou um repertório clássico no gênero: o
Manuel du libraire et de l’amateur des livres, em 1810. O forte movimento científico
do século XIX transformou sensivelmente as condições da atividade intelectual. A
conquista de novos países, a evolução da educação pública, a criação de notáveis
escolas, a fundação de sociedades eruditas e o aparecimento das bibliotecas
abertas ao público, todos estes são fatores que provocaram o crescimento da
quantidade de obras impressas. Desde então a bibliografia adquiriu considerável
autoridade, revelando-se inestimável instrumento de propagação. Entre 1820 e

3

�1899, apareceram, na Europa, inúmeras bibliografias especializadas em todos os
campos da ciência, atividade que prosseguiu, embora pouco sistematicamente,
até 1914.

Exatamente neste período, na Itália, o Conde Francesco Leopoldo

Cicognara lançou, em 1821, o Catalogo ragionato dei libri d’arte e d’antichita
posseduti dal Conte Lepoldo Cicognara, um marco fundamental da bibliografia e
da bibliofilia.

FRANCESCO LEOPOLDO CICOGNARA
Às vezes, quando se consulta um catálogo de livros impressos à procura de
uma certa obra, nem sempre se dá conta que este volume possa ter pertencido a
uma determinada pessoa. No entanto, quando o título indica que é um catálogo de
uma coleção particular, aguça-se a curiosidade para saber: qual seria a sua
formação profissional? Quais seriam suas áreas de interesse pessoal? Qual sua
atividade profissional? Ainda mais quando esta pessoa carrega um título de
nobreza européia...
O Conde Francesco Leopoldo Cicognara nasceu em Ferrara em 1767 e
morreu em Veneza em 1834. Crítico, teórico e historiador da arte, além de
bibliófilo e pintor, Cicognara foi educado no Collegio dei Nobili de Modena entre os
anos 1776 e 1785. Completada sua primeira educação, partiu aos 21 anos para
Roma, onde residiu até 1790. Os dois anos em que vive em Roma são
importantes para a formação do jovem teórico, logo admitido como membro da
Società dell’Arcadia e dos círculos neoclássicos dos anos ’80, gravitantes em
torno de Angelica Kauffmann (1741-1807), profundamente marcados pelo estilo do
pintor alemão, há pouco falecido, Anton Raphael Mengs (1729-1779) e dos
teóricos Johnann J. Winckelmann (1717-1768) e Francesco Milizia (1725-1798).
Graças a esta experiência romana, Cicognara supera definitivamente todo
traço de erudição provincial e já em seus escritos juvenis sucessivos àquela
estada _ os poemas didascálicos Le Belle Arti (1790), Il Mattino, il mezzo-giorno,
La sera e la notte (1790), além do diário de viagem pela Sicília _ Cicognara não
4

�revela interesses meramente eruditos pelos testemunhos artísticos, mas a
curiosidade por enquadrá-los em um amplo horizonte de cultura. Estabelecido em
Veneza em 1808, quando é nomeado Presidente da Accademia di belle Arti da
Sereníssima, publica neste mesmo ano sua primeira obra importante, Del bello, na
qual retoma sistematicamente os princípios da estética iluminista e neoclássica,
assente igualmente sobre os ideais da educação estética da humanidade e do
conceito de sublime. Neste mesmo ano é confirmado como Presidente da
Accademia di Belle Arti di Venezia, cargo que manterá até 1826. Entre suas
realizações neste período, sempre inspiradas na idéia de educação estética,
conta-se a abertura ao público, em 1817, da Galleria dell’Academia.
Entre 1813 e 1818, Cicognara publicou a obra que o tornou célebre, a
Storia della scultura dal suo risorgimento in Italia sino al secolo di Canova (6
volumes), na qual o ponto de partida, o retorno da escultura aos modelos antigos
em meados do século XIII, era fornecido por Nicolas Pisano, e o ponto de
chegada, por Canova, considerado como a máxima expressão do clássico nos
tempos modernos. Concebida como uma continuação das obras de Winckelmann
e de Séroux d’Argincourt, a obra procurava também explorar os vínculos entre a
arte, a literatura e mesmo a história política, nela integrando as pesquisas de
Edward Gibbon (1737-1794), Charles-François Dupuis (1742-1809), entre outros.
Em seu gênero, a obras mantém-se insuperável.
Algumas obras sobre arquitetura (De’ propilei, 1814) e sobre o perfil
monumental de Veneza (Le fabbriche e i monumenti copiscui di Venezia, 1813),
além de uma Biografia di Antonio Canova, aggiuntivi il catalogo completo delle
opere (Veneza, 1823), entre outras, complementam sua obra de escritor e erudito.
Tendo ainda publicado, em 1831, um estudo sobre a impressão da gravura sobre
cobre, foi ele convidado pela Duquesa de Parma, Marie-Louise a vir a seu Ducado
assisti-la na montagem do que é hoje a Galleria Nazionale di Parma. Após Vasari,
no século XVI, Cicognara é hoje reconhecidamente, ao lado de Luigi Lanzi, um
dos mestres fundadores de um inteiro campo de estudos, a História da Arte.

5

�A Biblioteca CICOGNARA
Em 1824, Cicognara vendeu à Biblioteca Apostólica Vaticana a totalidade
de sua Biblioteca, composta de aproximadamente cinco livros (além de um
excepcional conjunto de gravuras), cujo Catalogo ragionato dei libri d’arte e
d’antichita posseduti dal Conte Lepoldo Cicognara, ele havia publicado em 1821.
A Biblioteca do Vaticano foi organizada em meados do século XV e é um dos mais
belos testemunhos da Renascença. Não foi a primeira biblioteca papal, mas desde
a época dos papas Nicolau V e Sisto IV tinha uma peculiaridade essencial: o
acervo era especializado em obras de cunho secular, como os clássicos gregos e
latinos, além de possuir obras teológicas e de direito canônico. Ciência, Arte, a
Reforma Protestante, a Contra-Reforma católica são alguns dos principais
assuntos cobertos por essa biblioteca. Possui um patrimônio amplo e
diversificado: 1.600.000

volumes

impressos,

antigos

e modernos, 8.300

incunábulos (65 dos quais em pergaminho); mais de 150.000 mil códigos
manuscritos e volumes de arquivo; além de 100 mil impressos e incisões; 300 mil
moedas e medalhas e numerosos objetos de arte.
Pode-se considerar a Biblioteca CICOGNARA como a mais importante
biblioteca de fontes da história, que confere atualmente à Biblioteca Apostólica
Vaticana o estatuto de centro de excelência de estudos em Humanidades,
especialmente em artes, arqueologia clássica, literatura, assim como estética e
história do gosto. Dessa perspectiva MARQUES FILHO (2003) revela “... a
Biblioteca CICOGNARA permite, como nenhuma outra, adentrar, em uma
reconstituição livro a livro, no conjunto de temáticas e controvérsias sobre a
natureza, a dignidade, os conceitos, os vínculos com o Antigo e as práticas
artísticas dominantes desde Vitrúvio até os anos iniciais do século XIX...” Além de
um impressionante conjunto de tratados, livros, manifestos, poemas, orações e
programas relativos às artes da pintura, escultura e arquitetura, e sua história e
relações com a literatura, música, retórica, teologia, filosofia, etc., a biblioteca
contém tudo o que de impresso Cicognara pôde reunir sobre a prática e o ensino
das artes.

6

�Programa BIBLIOTECA CICOGNARA
O Programa BIBLIOTECA CICOGNARA iniciou como um Projeto Temático
da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), 20022006, realizado pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) com a
aquisição, em 2002, de um conjunto de microfichas (The Cicognara Library:
Literary Sources in the History of Art and Kindred Subjects)

que reproduz a

Biblioteca CICOGNARA (iniciativa da University of Illinois, EUA, em associação
com a Biblioteca Apostólica Vaticana), pertencente ao Vaticano. Este acervo dota
a

universidade

brasileira

dos

recursos

bibliográficos

fundamentais

ao

desenvolvimento de pesquisas sobre a tradição clássica. O Prof. Marcos Tognon,
em entrevista a FAVA (2002), informa: “... esse acervo pertencente à Biblioteca
Apostólica Vaticana, foi reproduzido pela Universidade de Illinois, EUA, que o
colocou à disposição de instituições interessadas. Já foram repassadas mais de
100 reproduções da Biblioteca CICOGNARA para diversas universidades da
Europa e dos Estados Unidos e a universidade campineira é a primeira da
América

do

Sul

a

receber

a

Biblioteca.”� A

Biblioteca

CICOGNARA

(aproximadamente quarenta mil microfichas) encontra-se armazenada na
Biblioteca Central Cesar Lattes da UNICAMP, onde está disponível aos
pesquisadores e atualmente passa pelo processo de descrição bibliográfica e
digitalização.
O desenho intelectual da BIBLIOTECA CICOGNARA
Mais que um precioso patrimônio de livros e imagens sobre a história da
cultura, a Biblioteca CICOGNARA organiza-se tematicamente segundo um
paradigma intelectual, em que se modelam aspectos essenciais da reflexão sobre
as artes e suas relações com o conjunto das Humanidades (história, historiografia,
mitologia,

retórica, filologia,

poética, munismática, inscrições,

periegética,

bibliografia, etc.). Do ponto de vista metodológico, a organização tópica deste
saber, estabelecida no Catalogo ragionato de 1821, desempenha, para as
humanidades, aproximadamente o mesmo papel exercido pelo Systema Naturae
de Carl von Linné de 1735 para a emergência da moderna taxonomia. Com

7

�Cicognara, o sistema das artes e dos saberes arqueológicos, filológicos, poéticos
e retóricos, que têm por objeto os monumentos da Antiguidade, atinge sua
primeira exposição sistemática. Desta forma a Biblioteca CICOGNARA pode ser
comparada a Histoire Naturelle de George Buffon (1752-1802), composta de 44
volumes, considerada a primeira obra moderna a tentar abranger o conjunto do
cognoscível na natureza.
Organização e arranjo do Catálogo
O Catalogo ragionato apresenta um traçado metodológico próprio, dividido
similarmente em 42 tópicos: classificação temática específica, criada pelo próprio
Conde Cicognara, procurando organizar o conjunto da memória das formas
herdadas da Antiguidade, sendo composto por 2 volumes encadernados em um
volume físico:
- 1º volume (Parte prima) (Tabela 1- Apêndice) : 415 páginas
- 2º volume (Parte seconda) (Tabela 1- Apêndice- colunas em destaque) :
333 páginas + Índice Alfabético de Autor (Indice del catalogo per ordine alfabetico)
+ Apêndice (Appendice)
O catálogo é ordenado alfabeticamente pelo nome dos autores e títulos,
com entrada precedida de um número, em ordem seqüencial. Pode-se verificar
que houve empenho na transcrição das informações bibliográficas básicas: autor,
título, local e ano de publicação, e ainda o número de figuras existentes na obra. O
que ainda acrescenta mais valor à descrição do registro são, sem dúvida alguma,
os comentários feitos pelo Conde Cicognara, sobre todas as obras relacionadas
no catálogo.
exemplo:
2400

VENTURI Gio. Batt. Memoria intorno alla vita, e alle opere del Capitano
Francesco Marchi. Modena 1816 4. fig.
Con un bel ritratto in fronte al volume intagliato da Rosaspina, e quattro grau tavole al
fine. È interessantissima ogui produzione dell’ab. Venturi. In questa rimarcasi
um’aggiunta di molti anticoli alle Bibliografia di fortificazione inserita nell’edizione di Roma
del Marchi.

8

�A curiosidade fica por conta das transcrições feitas, integralmente das
páginas de rosto das obras. Fato este que pode ser considerado de relevância
para a história do livro. Segue o exemplo de uma obra, com as informações
bibliográficas básicas: Lomazzo, Giovanni Paolo. Idea del tempio della pittura.
Milano: Gottardo Pontio, 1590. No Catalogo Ragionato a indicação é:
Lomazzo, Gio. Paolo Milanese Pittore Idea del tempio della pittura, nella qualle egli
discorse dell’origine, &amp; fondamento delle cose contenute nel suo trattato
dell’arte della Pittura. In Milano per Gottardo Ponto (sic); in fine per Gott.
Pontio 1590.

Metodologia
Esse estudo sobre o Catalogo ragionato não tem a pretensão de ser
exaustivo e, sim, uma investigação incipiente que possa estimular futuras
pesquisas. Foi realizada uma pesquisa documental no próprio catálogo, utilizando
uma amostragem probabilística, do tipo amostra aleatória simples, “...em que cada
elemento da população tem uma chance, conhecida e diferente de zero, de ser
selecionado” (MATTAR, 1996). A amostra aleatória simples é selecionada por
meio de sorteio de pelo menos 10% do universo da pesquisa, neste caso
empregou-se 30% (1.440 obras) do universo da pesquisa (4.800 obras).
Resultados
É importante ressaltar BURKE (2003) sobre a relação de alguns dados
estatísticos conhecidos, para lembrar a escala das mudanças que aconteceram no
início das comunicações modernas: “Por volta do ano de 1500 havia impressoras
em mais de 250 centros europeus e elas já haviam produzido cerca de 27 mil
edições. Fazendo uma estimativa conservadora de 500 exemplares por edição,
haveria então algo em torno de 13 milhões de livros em circulação no ano de 1500
numa Europa de 100 milhões de habitantes (excluindo-se o mundo ortodoxo, que
escrevia em grego ou russo ou eslavo eclesiástico). Já para o período entre 1500
e 1750, foram publicados na Europa tantos volumes cujos totais os estudiosos da
história do livro não conseguem ou não querem calcular (com base no índice de
9

�produção do século XV o total estaria ao redor de 130 milhões, mas de fato o
índice de produção aumentou dramaticamente)”.
Em relação à idade da coleção, Tabela 2, tem-se a predominância das
obras na língua italiana (44%), língua materna do autor do catálogo; seguida de
29% das obras na língua francesa; 15% na língua latina; 9% na língua inglesa, e
os demais 3%, nas línguas alemã e espanhola. Segundo VERGER (1999), “...os
estudos bem precisos fazem-nos pensar que, por volta de 1480, a parte da
impressão nas "bibliotecas do saber" francesas não passava dos 6% e que foi
apenas por volta de 1500 que ela passou para mais de 50%”. A evolução parece
ter sido a mesma por todo lado, anterior em dez ou quinze anos na Itália, mais
lenta ainda na Inglaterra.
Tabela 2 – Catalogo ragionato: língua
língua
alemã
espanhol
francês
inglês
italiano
latim
total

nº de obras
96
48
1.392
432
2.112
720
4.800

%
2%
1%
29%
9%
44%
15%
100%

A história do livro tem cerca de 6.000 anos, desde o papiro, o pergaminho,
passando pelo papel manufaturado, a partir de trapos até os sofisticados papéis
industriais feitos da pasta da madeira. Para relacionar com a idade da coleção
CICOGNARA vale ressaltar MARTINS (2002), que afirma “...existem três grandes
aspectos desta história: 1º: a técnica da gravura, 2º: a técnica da fundição manual
e 3º: a técnica da fundição mecânica”:
- 1460 - Tipografia: composição através de tipos móveis e prensa manual – Gutenberg.
- 1500 - Incunábulos: livros impressos no século XV desde a invenção da tipografia.
- 1590 - Renascimento: os tipógrafos constituem uma dinastia de verdadeiros humanistas.
- 1790 - Industrialização: inicia os séculos mais longos da história, que termina em 1914.

10

�- 1814 - Prensa mecânica, cilíndrica e movida por força motriz: a composição ainda é
manual.

Expressando a idade da coleção, Tabela 3, verifica-se o alto percentual de
46% de obras do século 18; seguido de 21% do século 16. Os 16% de obras do
século 19 podem ser compreendidos pela data de edição do Catalogo ragionato
em 1821. As obras do século 15 representam 2%. É prudente considerar as
condições de acesso a estas obras, como também as circunstâncias da época da
aquisição da coleção.
Tabela 3 – Catalogo ragionato: idade da coleção
século
Sec. 15
Sec. 16
Sec. 17
Sec. 18
Sec. 19
total

nº de obras
96
1.008
720
2.208
768
4.800

%
2%
21%
15%
46%
16%
100%

O catálogo ainda se sobressai pela diversidade na tipologia dos
documentos

primários

e

secundários,

apresentando:

livros,

dissertações,

catálogos, bibliografias, índices, tratados, discursos, conferências, almanaques,
guia de viagens, além de um numeroso acervo de gravuras, sobretudo de
Escultura Antiga, Arquitetura e Perspectiva. Inclui vários conjuntos encadernados
de gravuras com textos indicativos de como desenhar e pintar, traçar perspectivas,
projetar arquiteturas, pontes, fontes, máquinas em geral, etc. Entre outros temas,
destacam-se também obras sobre museus e coleções privadas e seus acervos,
guias de viagem sobre cidades artísticas, gravuras de esculturas e pinturas
modelares, etc.
No Sumário do Catalogo Ragionato, visualizado na Tabela 1 (Apêndice), é
nítido o propósito do Conde Cicognara em relacionar os assuntos de modo a
facilitar a consulta dos leitores. Atualmente, na Biblioteca Central Cesar Lattes –
Unicamp, nas investigações realizadas pelos pesquisadores, pode-se reconhecer
11

�a racionalidade do arranjo temático do catálogo pela rapidez com que os assuntos
são localizados. É interessante verificar a relação dos tópicos com o número de
obras abrangidas. Os assuntos que englobam um número maior de obras são:
Tratados de arquitetura, Hábitos e costumes antigos e modernos, Dicionários e
abecedários, Grandes museus, galeria e obras de pintura, Obras de escultura dos
gêneros Antigo e Moderno, Roma antiga e moderna, Panoramas de cidades e
descrição de monumentos e Guias ilustrados. Devido ao arranjo temático pode-se
inferir que o Catalogo Ragionato é uma relevante base de dados bibliográfica,
sendo que, para transforma-se em base de dados virtual seriam necessárias,
unicamente, alterações de suporte, de impresso para eletrônico.
Outra faceta a ser distinguida é o Índice (Índice del Catalogo per ordine
alfabetico), que reproduz a estrutura do catálogo e ocupa 77 páginas da obra.
Certamente, com o objetivo de investir na eficácia quanto à rapidez e objetividade,
o Conde Cicognara “abrevia” os títulos das obras, preservando os itens mais
importantes para a recuperação da informação. Segue o exemplo da obra nº
2.400: VENTURI Gio. Batt. Memoria intorno alla vita, e alle opere del Capitano
Francesco Marchi. A indicação do autor apresenta-se em ordem alfabética de
sobrenome, seguido pelos títulos existentes do autor em questão, indicando o nº
da obra. Com precisão o pesquisador recupera as informações bibliográficas
completas da obra: nome do autor, título, local e ano de publicação, editor, título(s)
da(s) obra(s) encadernadas com a obra indicada e o comentário do Conde
Cicognara.
exemplo:
Venturi G.B Essai sur les ouvrages de Lionard di Canova, 3561
_ Indagine Fisica sui colori, 228
_ Rapporto sulla misura lineare, 1820
_ Memmoria sulla vita ed opere del Marchi, 2400

Mais um aspecto a ser considerado é o interesse nas diversas edições das
obras. Por exemplo: as mais de cinqüenta edições de um único volume do Vitrúvio
– texto clássico reeditado a partir do Renascimento, período em que se deu

12

�verdadeira explosão de criações artísticas, literárias e científicas, inspiradas na
Antiguidade greco-romana. Outro destaque é De Reaedificatoria, de Leon Battista
Alberti, com nove edições, desde 1485 até a tradução italiana de 1726. Há ainda
14 distintas edições dos tratados de Andrea Palladio, desde 1570 até a tradução
francesa de 1785, entre outras.
No Prefácio do Catalogo ragionato, o conde Cicognara enuncia que
chegando à sua idade, 54 anos, ficou muito honrado em contribuir com o seu país,
a Itália, através do lançamento do Catalogo ragionato, onde pôde deixar para a
juventude um manifesto sobre a erudição das Artes. Essencial se faz advertir que,
na época do lançamento do catálogo, a idade do conde Cicognara, 54 anos, era
considerada muito avançada, daí as inúmeras citações que o autor faz à sua
própria velhice. Ainda expressa a importância que tiveram os seus amigos e
conhecidos, especialistas nos diversos assuntos compreendidos no catálogo, na
conclusão da obra. É notória a sua preocupação em explicar que também se
esmerou em procurar obras que não fossem conhecidas, porém que tinham
importância, igual ou até superior, às consideradas ilustres. Apresenta explicações
detalhadas sobre a classificação das obras nos temas, considerados por ele, os
mais adequados. Na época ainda tinha a intenção de continuar na sua busca
incessante por livros raros e relevantes ao estudo das Artes, pretendendo reeditar
o Catalogo ragionato com um apêndice. Interessante é a sua inquietação em
relação à expectativa que os leitores pudessem ter com o conteúdo do catálogo.
Num rompante entusiástico afirma que, durante a elaboração do catálogo, teve os
melhores anos de sua vida. Na última frase do prefácio esclarece que deu
preferência às obras que tinha mais estima e que entendia serem de maior
importância, julgando ser melhor esta conduta a calar-se. Ainda finaliza desejando
saúde aos leitores.

Conclusão
Como, entre o fim da Idade Média e o século XIX os homens tentaram
ordenar o multiplicado número de textos que o livro manuscrito – e depois o
13

�impresso – colocou em circulação? Arrolar os títulos, classificar as obras,
estabelecer os textos: tantas operações graças às quais tornava-se possível o
ordenamento do mundo escrito... O Catalogo ragionato dei libri d’arte e d’antichita
posseduti dal Conte Lepoldo Cicognara é um exemplo de uma base de dados que
disponibiliza, em um único local, de fácil e rápido acesso, as informações
essenciais aos pesquisadores das áreas de Estudo da Arte e Arquitetura.

A

inteligência e arrojo do conde Cicognara propiciam aos estudiosos dos assuntos
tratados no catálogo, como também aos bibliotecários, um exemplo de uma
estrutura de organização da informação através da qual é possível armazenar e
recuperar a informação, nos moldes nas modernas ferramentas atuais disponíveis.
Entretanto, é imperioso salientar que essa obra foi concebida no início do século
XIX com todas as dificuldades e limitações da época.
THE CATALOGO RAGIONATO DEI LIBRI D’ARTE E D’ANTICHITÀ: a fundamental
landmark of the bibliography about art history (XIV-XIX centuries) - CICOGNARA
Library, Central Library Cesar Lattes, UNICAMP, SP, Brazil
ABSTRACT
This paper analyses the process of organizing the analytic catalog: Catalogo ragionato dei
libri d’arte e d’antichità, of the Italian count Francesco Leopoldo Cicognara (1767-1834),
where the information of approximately five thousand pieces of his private library - from
XVI to XIX centuries, is gathered. Since 1824 this collection is a property of the Vatican
Library, and in 1989 it was submitted to a process of microfilming (forty thousand
microfiches) by the University of Illinois at Urbana-Champaign (EUA). In the Catalogo
ragionato Leopoldo Cicognara, is inserted the list of publications and comments about
texts, from architecture, painting and sculptures treaties, to art guides, artistic guides of
cities, museums, sketches for drawings used in arts classes, theoretical texts on music
and fine arts, besides comments on numismatics and aesthetics. The methodological plan
of the Catalogo ragionato, objective of this study, is to investigate the following items:
collection age, language of the pieces, kind of documents, books translation, summary,
indices and prefaces of the author. The Catalogo presents a thematic organization
according to an intellectual model where the relevant aspects about art and its relations
with Humanities are emphasized, taking an outstanding and influencing place in the artistic
world historiography.
Keywords: Historiography, Bibliography

14

�Referências bibliográficas
BURKE, P. Uma história social do conhecimento: de Gutenberg a Diderot. Rio de
Janeiro: Jorge Zahar, 2003.
CAVALLO, G.; CHARTIER, R. História da leitura no mundo ocidental. São Paulo:
Ática, 1999.
FAVA, R.F. Pequenas grande obras: Unicamp recebe microfichas do acervo que
pertenceu à biblioteca do crítico italiano Conde Francesco de Cicognara. Jornal da
UNICAMP, Campinas, v. 17, n. 191, 2002.
FERREIRA, A.B.H. Novo dicionário da língua portuguesa. 3. ed. Curitiba: Positivo,
2001.
FIGUEIREDO, L.M.; CUNHA, L.G. Curso de bibliografia geral. São Paulo: Record,
1969.
MARQUES FILHO, L.C. País terá acesso a 500 anos de tradição clássica. ItaliaOggi, 02
abril 2003. Disponível em:
&lt;http://www.italiaoggi.com.br/not04_0603/ital_not20030402h.htm&gt;. Acesso em: 02 de abril
de 2003.
MARTINS, W. A palavra escrita: historia do livro, da imprensa e da biblioteca. 3. ed.
São Paulo: Ática, 2002.
MATTAR, F. Pesquisa de marketing. São Paulo: Atlas. 1996.
VERGER, J. Homens e Saber na Idade Média. Bauru: EDUSC, 1999.

15

�Apêndice
Tabela 1- Catalogo ragionato: Sumário
Nº
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
37
38
39
40
41
42

Tópico
Delle Belle Arti in generale
Trattati della Pittura
Dell’Intaglio in rame e in legno
Trattati della Scultura
Elementi, Proporzioni, Anatomia
Trattati dell’Architettura
Architettura Teatrale moderna
Architettura Teatrale antica
Prospettiva
Edificj di vario genere, Ponti, Strade, Fontane, Giardini…
Poemetti Didascalici sulle Arti
Scrittori del Bello
Poemi, Drammi, e Autori Classici figurati
Favoleggiatori
Lettere Pittoriche e Antiquarie
Descrizioni, Relazioni, e Memorie
Orazioni Pittoriche, Statuti Accademici, Almanacchi…
Feste, Ingressi, Trionfi, Spetaccoli, e Funerali
Miscellanee
Abiti e Costumanze Antiche e Moderne...
Emblemi
Biblie figurate, Vite istoriate, Collezioni di Ritratti antiche…
Dizionarj e Abededarj
Biografia
Autori di Fisionomia
Delle Antichità in genere
Antichità, Egizie, e Indiche ec.
Antichità Etrusche, e Italiane avanti I Romani
Antichità Greche, Greche-Italiche, ed Ercolanensi
Numismatica, e Pietre Intagliate
Iscrizioni
Erudizione varia
Grand Musei, Gallerie, e Opere di Pittura
Opere di Scultura d’ogni genere Antiche e Moderne
Roma Antica e Moderna
Vedute di Città e Descrizioni di Monumenti, e Antichità...
Guide e brevi Illustrazioni delle singolarità, che trovansi…
Cataloghi
Equitazione
Alcuni Libri di Bibliografia
Mitologia, Imagini Sacre, e Costumi Religiosi …
Appendice

TOTAL

nº de
obras
60
177
23
17
82
336
35
18
73
97
73
32
44
10
99
55
83
176
5
281
123
167
36
239
55
33
45
90
81
311
72
179
343
92
321
205
244
182
35
38
92
41
4800

%
1%
3,9 %
0,5%
0,4%
2%
7%
1%
0,4%
1,5%
2%
1,2%
1%
1%
0,2%
2%
1%
2%
3,9%
0,1%
6%
2,4%
3,1%
1%
5%
1%
1%
1%
2%
2%
6%
1,4%
4%
7%
2%
6%
4%
4%
4%
1%
1%
2%
1%
100%

16

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Catálogo Ragionato Dei Libri D’arte e D’antichita: marco fundamental da bibliografia sobre história da arte (séculos XIV-XIX) - Biblioteca CICOGNARA, Biblioteca Central Cesar Lattes, UNICAMP.</text>
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                <text>Este trabalho analisa o processo de construção do catálogo analítico: Catalogo ragionato dei libri d’arte e d’antichità, do conde italiano Francesco Leopoldo Cicognara (1767-1834), onde estão reunidas informações de aproximadamente cinco mil obras de sua biblioteca particular, dos séculos XVI a XIX. Desde 1824 esta coleção faz parte do patrimônio da Biblioteca Vaticana, sendo que, em 1989, passou por um processo de microfilmagem (quarenta mil microfichas) pela University of Illinois at Urbana-Champaign (EUA). No Catalogo ragionato Leopoldo Cicognara insere o elenco de publicações e comentários sobre textos que vão desde tratados sobre arquitetura, pintura e esculturas, até guias de arte, guias artísticos de cidades, de museus, pranchas de desenhos para aulas de arte, textos teóricos sobre música e artes plásticas, contendo ainda comentários sobre numismática e estética. O traçado metodológico do Catalogo ragionato, objeto deste estudo, é investigado nos seguintes itens: idade da coleção, língua das obras, tipologia dos documentos, traduções dos livros, sumário, índice e prefácio do autor. O Catalogo apresenta uma organização temática segundo um modelo intelectual onde são destacados os aspectos relevantes sobre as artes e suas relações com o conjunto das Humanidades, ocupando um lugar de destaque e influência na historiografia artística mundial.</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O objetivo deste trabalho é apresentar os procedimentos de catalogação dos “recursos eletrônicos”, em CD-ROM e e-book, atualmente utilizados na UNICAMP, além dos estudos que resultaram nesses procedimentos. Esse trabalho, foi elaborado pela Diretoria de Tratamento da Informação da UNICAMP, responsável pelas práticas de catalogação da Universidade e teve como base: a tradução do AACR2, revisão de 2002, especialmente o capítulo nove, que apresentou várias modificações e, então, passou a ser chamado de “Recursos eletrônicos”, algumas emendas feitas pelo Joint Steering Committee for Revision of AACR2 em 2004, o trabalho já realizado pela UNICAMP e o Formato MARC21. Além dos procedimentos para a catalogação dos recursos eletrônicos, em CD-ROM e e-book, esse estudo inclui os resultados das consultas a instituições da área e bibliotecas nacionais e estrangeiras, que tornaram possível uma maior compreensão das características das novas mídias digitais, as quais precisam ser incorporadas rapidamente aos processos de catalogação, com o fim de garantir a integridade das informações, necessárias à preservação digital dos acervos. Nesse contexto, fica evidente a importância da qualificação dos profissionais, no sentido de se especializarem na catalogação de determinadas mídias e conhecerem os novos meios de comunicação e acesso à informação.</text>
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                    <text>Classificando Automaticamente Documentos
Digitais no Site de Notı́cias do UOL
Elias Oliveira, Patrick Marques Ciarelli,
Marcos Hercules Santos e Bruno Oliveira da Costa
Departamento de Ciências da Informação
Universidade Federal do Espı́rito Santo
Campus de Goiabeiras, Av. Fernando Ferrari, s/n,
Cx Postal 5011, 29060-970 – Vitória, ES.
http://www.inf.ufes.br/∼elias
elias@inf.ufes.br
Resumo
O crescente volume de documentos tem trazido preocupações metodológicas
entre os profissionais da área de Ciências da Informação. Se por um lado
temos o difı́cil problema da escolha acertada de documentos contendo a informação desejada pelo usuário/cliente, de outro lado temos o árduo trabalho da pré-organização destes mesmos documentos para posterior recuperação.
Acrescenta-se a esse contexto a falta de pessoal em que, em geral, vivem as
unidades de informação neste paı́s. Este trabalho apresenta um modelo de
representação algébrica de documentos textuais, o qual pode ser uma alternativa metodológica para o problema de classificação de documentos. Utilizamos
como forma de comparação de nosso processo automático, documentos já classificados por especialistas em site de notı́cias UOL. Os resultados se mostram
promissores indicando que tal metodologia poderia ser utilizada na organização
de documentos em uma biblioteca digital.
Palavras-chave: Classificação automática, Modelo vetorial, Recuperação da
informação, Biblioteca Digital.

1

Introdução

O volume de informação codificada disponı́vel ao público, de maneira geral, vem
crescendo vertiginosamente desde a iniciativa da imprensa de Gutemberg (CHARTIER,
1998). Hoje, o fato de termos maior acesso à diversas informações via a grande rede
Internet e a facilidade de publicarmos o que quisermos nesta rede, vem inundandonos de informação de uma forma jamais vista na história da humanidade (TEIXEIRA;
SCHIEL, 1997).
1

�Por outro lado, o excedente informacional produzido nestes últimos anos, em
particular na Internet, trouxe junto consigo uma nova dificuldade aos usuários da informação eletrônica (MARCONDES; SAYÃO, 2002). Em conseqüência disso, vemos que
cada vez mais torna-se crı́tico o problema de identificação da informação especificamente relevante para um usuário alvo. Isso nos leva ao caos organizacional provocado
por essa enxurrada de documentos disponı́veis na rede e, ainda, a falta de ferramental
apropriado para o tratamento dessa informação. Essa carência temos evidenciado nos
atuais sistemas de busca que ainda produzem uma alta revocação e baixa precisão
na informação recuperada.
Neste contexto apresenta-se um dos grandes desafios aos profissionais da informação de hoje (CUNHA, 2005): lidar de forma produtiva com a informação dispersa
na Internet. Não temos como ignorar este grande repositório de informação que é a
Internet, mas não podemos deixar somente por conta do usuário o árduo trabalho
de garimpar pedras preciosas, por ele almejadas, neste moderno repositório digital.
Mesmo nesta nova estrutura do mundo moderno, devemos nos preocupar em fornecer
a cada livro seu leitor (GIGANTE, 1995), como nos diz a terceira lei fundamental de
Ranganathan (1996), ou reformulando esta lei para os novos meios eletrônicos: a cada
porção de informação o seu consumidor.
Assim, este artigo trata da apresentação de uma metodologia que vem sendo utilizada para lidar automaticamente com uma grande massa de documentos no que diz
respeito a indexação destes, utilizando-se da extração dos termos relevantes do documento. A partir desta metodologia, utilizaremos um modelo vetorial de representação
dos documentos para avaliarmos similaridades entre os mesmos. Com isso produziremos classes de documentos segundo seus enfoques temáticos. Compararemos estes
resultados, produzidos de forma automática, com aqueles gerados pelo especialista
humano para avaliarmos a eficácia e eficiência desta metodologia automática.
Este artigo está organizado da seguinte forma: Na Seção 2 fazemos uma breve
revisão da literatura relacionada com o trabalho desenvolvido aqui. Apresentamos
alguns modelos para representação abstrata de documentos para manipulação automática. Nossos experimentos são apresentados na Seção 3. Nossa conclusão é
apresentada na Seção 4, onde também lançamos algumas idéias para futuros trabalhos.

2

Lidando com Documentos Digitais

Muitas iniciativas têm surgido nos últimos anos no sentido de disponibilizar uma
larga quantidade de materiais bibliográficos. Mais recentemente tivemos, também,
iniciativa como a Google Book Search (http://books.google. com) com o projeto de digitalizar o acervo de várias bibliotecas de universidades Norte-Americanas,
incluindo algumas no Brasil. Indo em sentido semelhante, já a algum tempo importantes editores de jornais cientı́ficos vêm disponibilizando seus acervos em meio
digital.
A parte esses projetos milionários, podemos constatar o crescente número de
bibliotecas digitais de dissertação e teses que estão sendo implantadas recentemente
2

�(CUNHA; MCCARTHY, 2006) no Brasil. Entretanto, para realmente tirarmos proveito
desse imenso acervo digital que está sendo formado aqui e no mundo, será necessário
que processemos, de forma mais inteligente (POLTRONIERI; OLIVEIRA, 2005) as muitas
páginas de esforço intelectual que estão sendo disponibilizadas e, também muitas
outras que estão à caminho.
O processo manual de organização documental pode ser feito por profissionais
da informação, como bibliotecários, ou por especialistas da área de conhecimento
do corpus (FUJITA, 2003). Entretanto este processo é lento e requer a presença
constante de um especialista, esse nem sempre disponı́vel. Packer (1998) aponta o
elevado tempo gasto para a extração de elementos da estrutura de um documento
para a construção dos metadados na publicação de uma revista eletrônica.
Além disso, mesmo utilizando uma equipe de profissionais qualificados e uma
polı́tica de indexação consistente para a organização documental, a subjetividade
desse processo pode levar à situações em que um mesmo documento poderá ser representado de diferentes formas (FERNEDA; PINHEIRO, 2005). Em conseqüêcia destes
inconvenientes, a alternativa do uso de uma metodologia automatizada pode auxiliar
o profissional da informação a realizar o tratamento técnico documental trazendo,
dessa forma, várias vantagens, como por exemplo poupar do indexador o trabalho de
realizar uma leitura exaustiva dos documentos para a escolha de descritores dos mesmos (DZIEKANIAK; KIRINUS, 2004, pag. 32). Diante disso precisamos repensar o fazer
tradicional de organização bibliográfico para que possamos dar conta de acompanhar
o crescimento dessa massa documental.
Nas próximas seções introduziremos o assunto do tratamento automático de texto.
Para isso começaremos com o processo de indexação. Os modelos que iremos apresentar ainda estão longe de reproduzirem o especialista humano quando fazendo a mesma
tarefa, porém o que desejamos é alcançar um resultado com qualidade aceitável em
um tempo bem inferior àquele quando tendo um humano na realização da mesma
tarefa.

2.1

Indexação Automática

A indexação é uma etapa importante do tratamento técnico documental para facilitar
a recuperação da informação (PIEDADE, 1977). Esta etapa consiste em extrair termos
de um documento que melhor represente seu conteúdo. Há décadas os profissionais
da informação vêm desempenhando essa atividade. Porém, com a explosão documental surge a necessidade destes profissionais utilizarem métodos mais automatizados
para a indexação (LANCASTER, 2003). Soma-se ao alto desempenho do processo
automático a redução da subjetividade nos processos manuaias de indexação (MAMFRIM, 1991, p. 191). Indexação automática é, segundo Robredo apud (SILVA; FUJITA,
2004), qualquer procedimento que permita identificar e selecionar os termos que representem o conteúdo dos documentos, sem a intervenção direta do documentarista.
Como no processo manual, os métodos automáticos de indexação consistem também
em extrair os termos que se encontram em certa posição de um documento, como por
exemplo no tı́tulo ou no resumo (LANCASTER, 2003). Um outro método alternativo
3

�de indexação consiste em se escolher os termos de indexação através da contagem
de palavras que ocorram com uma determinada freqüência, em um documento como
todo.
A indexação automática baseada na freqüência de termos surgiu na década de 50
(LANCASTER, 2003). Contudo, não são quaisquer palavras que servem como termo
de indexação. O sistema automático utiliza-se de uma lista de palavras proibidas,
as quais possuem pouco significado semântico. Tais palavras, portanto, não serão
consideradas como termos de indexação. Às palavras relevantes para a indexação
devemos encontrar pesos apropriados para distinguir umas das outras no contexto
em estudo. Buscar os melhores pesos para tais termos não é uma tarefa trivial,
entretanto com ajuda de modelos Matemáticos e técnicas de Inteligência Artificial
poderemos obter bons resultados, como veremos a seguir neste trabalho.
Na seção seguinte iremos apresentar uma metodologia de representação algébrica
de documentos. Nesta metodologia, os documentos são representados de forma vetorial baseados na freqüência de ocorrência de seus termos. Como conseqüência desta
representação seremos capazes de lidar com uma base de dados de documentos com
instrumentos vindos da Matemática e Estatı́stica.

2.2

Alguns Modelos de Representação de Documentos

Em virtude da grande massa documental existente no mundo contemporâneo, urge
utilizarmos alguma forma abstrata para representação destes documentos para então
tratarmos. A literatura (BAEZA-YATES; RIBIERO-NETO, 1998) é rica em apresentar
modelos de representação de documentos textuais. Entre muitos outros modelos de
representação podemos citar as Redes Neurais Artificiais (HAYKIN, 1998), os processos estatı́sticos Bayesianos (PEARL, 1988), a técnica Latent Semantic Indexing (LSI)
(BERRY, 2003; BERRY; DUMAIS; O’BRIEN, 1995), entre outras.
A maioria dos métodos utilizados, em particular o escolhido para os experimentos nesta pesquisa, fazem uso da comparação lexical entre as palavras existentes no
ı́ndice dos documentos para a realização do processo de classificação dos documentos
ali representados. Isto acontece por ser ainda muito custosos, do ponto de vista computational, técnicas como as de extração automática de ontologia formal e análise
conceitual destes documentos como as apontatas por Alvarenga (2001), ou mesmo da
extração dos sintagmas como propõem outros autores (KURAMOTO, 2002).
Neste trabalho estaremos adotando o modelo vetorial de representação de documentos textuais. Escolhemos este modelo pela simplicidade de implementação e por
atender bem aos propósitos ilustrativos deste trabalho.
2.2.1

Representação Vetorial de Documentos

No modelo por nós adotado neste trabalho, o vetorial, os documentos são representados por vetores no espaço Rn (BAEZA-YATES; RIBIERO-NETO, 1998). n representa
o número de termos-palavras nos documentos considerados. Cada documento é considerado portanto um vetor de termos. Formalizando o que foi dito acima, consideremos um conjunto de documentos D = {d1 , d2 , . . . , dj , . . . , dn }, onde di é um dos
4

�elementos deste conjunto. O documento di será representado portanto por um vetor
de pesos di = [w1 , w2 , . . . , wk , wk+1 , wk+2, . . . , wn ], sendo que k é o número de todos
termos {t1 , t2 , . . . , tk } distintos que aparecem no documento di . Os demais termos
{tk+1 , tk+2 , . . . , tn }, associados aos pesos [. . . , wk+1, wk+2, . . . , wn ], são termos que aparecem em outros documentos. Portanto, {t1 , t2 , . . . , tk , tk+1 , tk+2 , . . . , tn } são todos os
termos do vetor do documento di e a freqüência dos termos tk+1 = tk+2 = . . . tn = 0
neste vetor. Assim, podemos concluir que um termo (palavra no documento) pode
aparecer em mais de um documento. Portanto, a cada termo será atribuı́do um
peso wi . Este peso será relativo a ocorrência do termo ti , tanto no documento onde
ele aparece em relação aos demais termos deste mesmo documento, como também
quanto ao número de documentos do conjunto em que o termo aparece. Através disso
ponderamos a importância deste termo no conjunto de documentos onde o mesmo
aparece. Uma das propostas de ponderação desta importância apresentada na literatura (BAEZA-YATES; RIBIERO-NETO, 1998) é dado pela função idfi = log nNi , onde
idfi (inverse document frequency) é o valor desta ponderação para o termo ti , N é o
total de documentos no conjunto D e ni o número de documentos em que o termo
ti aparece. Com esta função queremos tornar sensı́vel o fato de que se um termo
aparece em todos os documentos, esta função assumirá valor próximo de zero.
Tabela 1: Representação vetorial de um documento.
Índice i Peso wi
Termo ti
d1
1
3
campeonato
2
1
brasileiro
3
1
próximo
4
1
fim
5
1
foi
6
1
prejudicado
7
1
desorganização
8
2
times
9
1
famosos
10
1
poderão
11
1
rebaixados
12
1
entrando
13
1
justiça
14
1
pedir
15
1
anulação

Para dar uma ilustração do formalizado acima, vejamos este exemplo dos procedimentos de construção do vetor representativo do documento dado a seguir. Considere
que tenhamos a seguinte notı́cia na área de esporte: – d1 : O campeonato brasileiro
está próximo ao fim. Tal campeonato foi muito prejudicado pela desorganização e
times famosos poderão ser rebaixados. Alguns times estão entrando na Justiça para
5

�pedir a anulação do campeonato.
Primeiramente devemos excluir as palavras sem muito significado: os artigos e
preposições, por exemplo. São as stop words (BAEZA-YATES; RIBIERO-NETO, 1998).
Ficamos com a seguinte lista de palavras apresentada na Tabela 2.2.1 quando analizarmos o documento d1 . Para facilitação do entendimento, neste exemplo estaremos
considerando a influência dos idf = 1 para todos pesos dos termos. Outra estratégia
que estaremos adotando neste trabalho será a de utilizarmos na representação vetorial do documento apenas as palavras que tiverem peso maior que 50% do termo de
maior peso. No caso da Tabela 2.2.1 o termo de maior peso é a palavra campeonato,
com peso 3. Assim somente utilizaremos aquelas palavras com peso igual ou superior
a 3/2 = 1, 5. Com isso ficamos somente com campeonato e times para a representação
vetorial deste documento.
Agora considere outros dois documentos que depois do procedimento acima teriam
os seguintes termos representativos:
1. d2 : peso 5 para o termo campeonato, 4 para brasileiro e 3 para times;
2. d3 : peso 2 para o termo campeonato, 3 para brasileiro e 1 para times;
Através deste exemplo ilustrativo criado e a representação descrita acima é possı́vel
agora visualizar os três documentos de forma gráfica. Na forma gráfica podemos ver a
relação de distância que existe entre os documentos quando olhamos o ângulo que um
vetor tem com o outro. Este conceito de distância será muito utilizado mais adiante
neste trabalho.
Figura 1: Representação gráfica de três documentos de acordo com o modelo vetorial.
T1

T1

3

T3

3 0 2 d1
5
3
2

d1

T2

d2
d3

1
2

5 4 3 d2
2 3 1 d3

3 4
T2

T3
Na Figura 2.2.1 apresentamos a representação vetorial, de forma gráfica, de três
documentos ilustrativos desta metodologia. Os termos T1 = campeonato, T2 = brasileiro e T3 = times representam os termos que aparecem nos documentos d1 , d2 e d3
6

�representados em vermelho, azul e cinza, respectivamente. No gráfico, o peso dado
ao termo T1 no documento d2 foi 5, enquanto em d3 foi 2, o que significa que este
termo tem uma importância maior para o segundo documento em relação ao terceiro.
Notamos que o termo T2 não ocorre em d1 , por isso está com valor nulo na segunda
posição do vetor representativo deste documento.
Esta forma de representar um documento nos mostra que enquanto nós seres
humanos pensamos, as máquinas fazem contas. Portanto, o que está por trás de um
modelo como esse é o fato de transformar o processo de indexação e classificação em
um processo de contagem para que o computador possa nos auxiliar a tratar grandes
volumes de documentos.
Desta forma, considaremos a pequena base ilustrativa D = {d1 , d2, d3 } de documentos. O que queremos agora é saber precisamente quão similar é um documento
do outro. O que desejamos é calcular o valor de sim(di , dj ) entre quaisquer dois documentos da base. Uma vez tendo a representação vetorial dos documentos da base,
como já feito acima, a conta que agora devemos fazer é a seguinte (BAEZA-YATES;
RIBIERO-NETO, 1998):
di • dj
=
| di | × | dj |
Pn
j
i
k=1 wk × wk
qP
= cos(θ)
= pP
n
n
j 2
i 2
{w
}
×
{w
}
k
k
k=1
k=1

sim(di , dj ) =

(1)
(2)

Onde, | di | é o módulo do vetor di . cos(θ) é o cosseno do ângulo entre os vetores
que representam os dois documentos di e dj . O valor do cosseno de um ângulo varia
em um intervalo de 0 à 1. Esse fato nos dará uma interpretação de distância entre os
documentos, onde 0 significará o mais alto grau de dissimilaridade e 1 de completa
similaridade. Já o valor wki indica o peso referente ao termo tk , no documento di ,
como descrito anteriormente.
Vamos exemplificar utilizando os três documentos ilustrativos acima. Para os
documentos d1 e d2 , a conta é a seguinte:
sim(d1 , d2 ) = √

21
3×5+0×4+2×3
√
=
= 0.82 = cos(θ1,2 )
25.49
3 2 + 02 + 22 × 5 2 + 42 + 32

sim(d1 , d3 ) = √

8
3×2+0×3+2×1
√
=
= 0.59 = cos(θ1,3 )
13.49
3 2 + 02 + 22 × 2 2 + 32 + 12

sim(d2 , d3 ) = √

5×2+4×3+3×1
25
√
= 0.94 = cos(θ2,3 )
=
24.49
5 2 + 42 + 32 × 2 2 + 32 + 12

As contas realizadas acima nos indicam que os documentos d2 e d3 têm o mais
alto grau de similaridade entre os três documentos, 0.94. Note que intuitivamente
podemos visualizar este resultado no gráfico da Figura 2.2.1.
7

�O exemplo acima foi criado de forma a ilustrar as partes importantes do modelo
que estamos abordando, por isso escolhemos situações em que apenas três termos
foram utilizados. Na próxima seção estaremos trabalhando com documentos de mais
de 600 termos, o que não nos permitirá a representação gráfica destes documentos.

3

Pondo à Prova o Modelo Apresentado

Esta seção está dividida em duas partes. Na primeira, Seção 3.1, mostramos como
o modelo escolhido neste trabalho pode ser ajustado com documentos corretamente
classifiados. A expressão corretamente classifiados se refere ao que o(s) especialista(s),
ou grupo social local de indivı́duos, concordam com a diferenciação/similaridade entre
documentos que servirão de parâmetro para o modelo. É com base nesta escolha
inicial que nosso modelo fará as futuras escolhas, agora sim de forma automática. Na
Seção 3.2, fazemos a validação do modelo introduzindo novos documentos para serem
testados de acordo com o modelo de classificação automática.

3.1

Calibrando o Modelo

Os experimentos realizados neste trabalho tiveram como objetivo principal a exemplificação das metodologias algébricas de indexação e de representação de documentos
textuais, como mais uma ferramenta para o profissional da informação. Além disso,
nosso sub-objetivo vai no sentido de mostrar que este conjunto de técnicas pode ser
utilizado para classificar documentos de forma automática (ou semi-automática em
certas circunstâncias em que a máquina não conseguir ter certeza) e, em conseqüência
disso, muito mais rápido do que faria um ser humano. Entendemos que, em muitas
situações do dia-a-dia a máquina não será capaz de superar o especialista humano.
Porém, também entendemos que o especialista está muitas das vezes assorberbado de
pequenas tarefas que, nos dias de hoje, a máquina poderia realizar mais rápido e com
um bom nı́vel de qualidade. Advogamos que agrupamento de documentos textuais,
de interesse de um usuário particular, ou mesmo para outros fins (SANTOS; COSTA;
OLIVEIRA, 2005), seja uma destas atividades.
Utilizamos o repositório de notı́cias RSS do UOL para realização de nossos experimentos. A escolha deste repositório, assim como outros similares, deveu-se ao
fato de caracterizar-se como uma boa fonte de documentos publicamente disponı́vel
e já classificados por especialistas humanos. Desta forma, poderemos comparar os
resultados da classificação de documentos produzidos em nossos experimentos com
os existentes no repositório. Deste repositório extraı́mos, manualmente e ao acaso,
cinco documentos de notı́cias de cada um dos seguintes assuntos: cinema, economia
e esporte.
Como os textos, por vezes são longos, apenas indicamos aqui os hiperlinks onde
os mesmos poderão ser encontrados.

8

�1. Na área de economia:
eco1:
eco2:
eco3:
eco4:
eco5:

http://noticias.uol.com.br/ultnot/economia/2005/11/04/ult35u44044.jhtm
http://noticias.uol.com.br/ultnot/economia/2005/11/04/ult1767u53812.jhtm
http://noticias.uol.com.br/ultnot/economia/2005/11/04/ult1767u53813.jhtm
http://noticias.uol.com.br/economia/ultnot/efe/2005/11/04/ult1767u53802.jhtm
http://noticias.uol.com.br/economia/ultnot/afp/2005/11/04/ult35u44037.jhtm

2. Na área de esportes:
esp1: http://noticias.uol.com.br/ultnot/esporte/2005/11/05/ult1777u36742.jhtm
esp2:http://www.gazetaesportiva.net/ge_noticias/newsarch/ch_119/noticia.php?wt=
uolnot&amp;p=bndpZC0zODk5MDQtbm51bS0g
esp3: http://noticias.uol.com.br/ultnot/esporte/2005/11/05/ult1777u36727.jhtm
esp4: http://noticias.uol.com.br/ultnot/esporte/2005/11/04/ult1777u36710.jhtm
esp5: http://noticias.uol.com.br/ultnot/esporte/2005/11/04/ult1777u36707.jhtm
3. E, por último, na área de cinema:
cin1:
cin2:
cin3:
cin4:
cin5:

http://cinema.uol.com.br/ultnot/2005/11/04/ult32u12544.jhtm
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0411200531.htm
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq3110200520.htm
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq3010200518.htm
http://cinema.uol.com.br/ultnot/2005/10/16/ult831u1924.jhtm

Os tı́tulos eco1, eco2, eco3, eco4 e eco5 são os documentos da área econômica. Já
os da área esportiva são esp1, esp2, esp3, esp4 e esp5 e os da área de cinema como
cin1, cin2, cin3, cin4 e cin5, respectivamente.
Os algoritmos para extração dos termos de indexação dos documentos foram todos
implementados na linguagem de programação Java. Para a indexação desconsideramos as palavras sem muito significado, como por exemplos: artigos e preposições;
conhecidas na literatura como stop words (BAEZA-YATES; RIBIERO-NETO, 1998).
Após a indexação dos documentos geramos, para cada uma das áreas acima, um
documento artificial contendo somente os termos com freqüência superior a 50% em
relação ao termo de maior freqüência no documento no qual ambos aparecem. Cada
um destes documentos artificiais são dinâmicos, ou seja, sempre que um novo documento vier a ser agrupado em uma dada classe seus termos serão considerados para,
possivelmente, comporem os termos já existentes no documento artificial daquela
classe. Dessa forma, buscamos acompanhar a linguagem correntemente utilizada em
cada área, naquele tempo, uma vez que consideramos a linguagem como um sistema
vivo e, portanto, dinânmico.
A idéia por trás da criação destes documentos artificiais veio de uma técnica muito
conhecida na Estatı́stica como Análise Discriminante de dados (JOHNSON; WICHERN,
1992, cap. 11). Ou seja, estamos dizendo que os termos existentes em cada um
destes documentos artificiais são termos que discriminam, ou separam, os documentos
da classe relacionada ao documento de outras. No modelo por nós adotado neste
trabalho, o vetorial, os documentos são representados por vetores, como descrito na
Seção 2.2.1.
9

�Para sabermos quão similar um documento será do documento discriminante, nós
utilizaremos um procedimento que consiste em se calcular o produto vetorial entre
dois vetores (veja Equações (1) e (2), na Seção 2.2.1).
Com esta metodologia, transformamos o procedimento de análise de documentos em um procedimento de cálculo. Portanto, o espaço de busca por documentos
similares se torna um sub-espaço do Rn , onde estaremos interessados em encontrar
vetores que mais se assemelhem a um dado vetor, que no nosso experimento será o
vetor representativo da classe, o documento discriminante.
Tabela 2: Cálculo de similaridade entre os documentos analizados e os discriminates
das classes – parte I.

Classes de Documentos

cin1
cin2
cin3
cin4
cin5
eco1
eco2
eco3
eco4
eco5
esp1
esp2
esp3
esp4
esp5

cinema
0.499
0.417
0.408
0.512
0.399
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
0.03
0.0
0.0

economia
0.0
0.0
0.0
0.0
0.053
0.415
0.626
0.357
0.409
0.643
0.0
0.0
0.0
0.01
0.0

esporte
0.0
0.039
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
0.419
0.418
0.467
0.552
0.370

Os resultados obtidos com estes experimentos estão apresentados na Tabela 2.
Nesta tabela, as colunas cinema, economia e esporte representam os documentos discriminantes citados acima. As linhas da tabela representam os documentos utilizados
para este experimento. Assim, podemos ver que os documentos se agrupam com mais
alto grau de similaridade em torno dos documentos discriminantes de suas respectivas
classes. Por outro lado, o grau de similaridade deste com respeito à outras classes
é bem mais baixo, quando não é nulo. Por exemplo, o documento cin5 tem uma
similaridade de 0.399 com o documento cinema enquanto, por outro lado, tem uma
similaridade de 0.053 com a classe de economia. Uma similaridade bem baixa como
podemos ver. Um outro exemplo é o documento eco2 que tem uma similaridade de
0.626 com o documento discriminante de economia, economia, e zero com as demais
10

�classes.
Em dados não apresentados na tabela mencionada acima, pudemos constatar que
o documento eco4 obteve uma alta similaridade com eco1, 0.418, maior do que o valor
apresentado em relação ao documento discriminante de economia. O que pudemos
perceber analisando os dois documentos é que eco1 e eco4 falam sobre o mesmo
assunto: bolsa de valores.
Um outro exemplo curioso foi com respeito ao documento esp2. Este documento
apresenta similaridade zero em relação à todos os outros documentos utilizados como
exemplos, inclusive alguns da classe de esporte. Em nosso entendimento, isso foi
possı́vel dado a grande variedade de esportes e modalidades dos mesmos. Portanto,
ao analisar a notı́cia existente neste documento, esp2, descobrimos que o assunto se
tratava de handebol, enquanto os documentos esp1, esp4 e esp5 relatam futebol e
esp3 motovelocidade. Porém, isso não nos trouxe nenhuma dificuldade em classificálo corretamente como sendo de esporte, com um alto grau de similaridade de 0.418
como mostra a Tabela 2.
Para considerarmos um documento como pertencente à uma determinada classe,
adotamos um ponto de corte pc. Desta forma, bastará calcularmos a similaridade
do novo documento em relação aos documentos discriminantes, se a similaridade
deste documento for menor que este pc, significará que este documento pode, ou
não, pertencer à classe do documento discriminante. Se este dado documento estiver
abaixo do valor de pc de todos as outras classes, pode-se adotar a alternativa de
se deixar a cargo do especialista humano a decisão de escolher a que classe esse
documento melhor se enquadraria. O valor pc é calculado através do procedimento
descrito a seguir.
Considere a média mc , onde c representa a classe sendo avaliada, de similaridade
dos documentos corretamente classificados em uma classe. Por exemplo, no caso
apresentado na Tabela 2, nós temos cinco documentos corretamente classificados em
economia. A média de similaridades destes documentos é portanto calculada da
seguinte forma:
0.415 + 0.626 + 0.357 + 0.409 + 0.643
= 0.49
5
Agora temos que adotar um limite inferior de similaridade que representará nosso
ponto de corte pc. Para isso calculamos o desvio padrão através da fórmula:
meconomia =

dp =

�

(d1 − mc )2 + (d2 − mc )2 + . . . + (dn − mc )2
n

�1/2

Finalmente, o ponto de corte é calculado da seguinte forma:
pc = mc − dp = 0.370
Para o exemplo mostrado na Tabela 2, temos na Tabela 3 os respectivos valores
de ponto de corte para cada uma das classes.
Note que estes pontos de corte conseguem decidir que, cin2 com similaridade 0.417
com a classe de cinema, pertence a esta classe e não a classe de esporte, com uma
11

�Tabela 3: Cálculo dos valores de ponto de corte para cada uma das classes consideradas nos experimentos.

Ponto de Corte para as Classes

pc:

cinema
0.399

economia
0.370

esporte
0.384

similaridade de 0.039, já que o ponto de corte para esporte exigiria que o documento
tivesse um grau de similaridade maior que 0.384. Neste sentido é interessante é
notar que o documento esp5 estaria fora da classe de esporte por ter um grau de
similaridade com o documento discriminador da classe inferior ao ponto de corte
para esta classe, de apenas 0.370. Este seria o caso onde o especialista humano
deverá tomar a decisão de escolher a que classe esse documento melhor se enquadraria.
Todavia, este especialista humano tem agora uma pré-análise deste documento em
que, de acordo com esta pré-análise o documento teria mais chances de pertencer à
classe de esportes e não as outras, as quais este documento não tem nenhuma aparente
afinidade (ver Tabela 2).
Nessa metodologia, quanto maior o número de documentos representativos de
cada classe melhor será o processo decisório para os novos documentos. Isso é devido ao fato de que os documentos já classificados corretamente servirão de base,
no tocante a variabilidade de seus termos, para os cálculos feitos acima. Portanto,
como já dissemos anteriormente, a cada novo documento que é classificado em uma
determinada classe, este novo documento ensina ao modelo novas lições, através da
introdução de novos termos ao documento discriminante da classe.
Para validar o processo descrito acima, na próxima seção escolheremos outros três
documentos e avaliar se a técnica apresentada consegue distinguı́-los em uma das três
classes apresentadas acima.

3.2

Classificando Novos Documentos

Uma vez tendo gerado uma base de dados com documentos classficados corretamente,
podemos agora utilizar o modelo/sistema para tentarmos classificar automaticamente
outros documentos. Desta forma, escolhemos outros três documentos, dentre as três
classes, para mostrarmos como se daria o processo como um todo.
Os documentos escolhidos foram:
cin6: http://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2005/01/30/ult1817u2706.jhtm
eco6:http://noticias.uol.com.br/economia/ultnot/efe/2006/04/20/ult1767u65477.jhtm
esp6:http://espnbrasil.uol.com.br/scripts/noticia/artigo.asp?idArtigo=38669

O cálculo de similaridade foi suficiente para determinar a classe para dois dos três
documentos acima selecionados. Os documentos nas áreas de economia e esportes,
12

�Tabela 4: Cálculo de similaridade entre os documentos analizados e os discriminates
das classes – parte II.

Classes de Documentos

cin6
eco6
esp6

cinema
0.296
0.000
0.120

economia
0.000
0.575
0.000

esporte
0.000
0.000
0.541

eco6 e esp6, respectivamente, têm seus valores de similaridades acima do ponto de
corte determinado na tabela 3. Todavia, vemos que o modelo não foi capaz de
identificar, com alto grau de precisão a classe para o mesmo. O documento cin6 tem
um grau de similaridade com a classe cinema de 0.296, quando o ponto de corte para
a classe de cinema é de 0.399. Este é o momento onde, como já apontamos em outro
caso anterior, a interferência humana se faz necessária.
Mesmo quando não conseguimos com grande grau de certeza apontar uma classe
para um determinado documento, o modelo que apresentamos aqui indicará qual das
classes tal documento terá maior afinidade. Assim, o especialista humano terá uma
sugestão a mais para sua tomada de decisão. Quando este especialista decidir colocar
o documento cin6 associado a classe cinema, ele estará fazendo com que o modelo
aprenda. Isto se dá pelo fato de que uma nova contagem deverá ser realizada com os
termos existentes entre os documentos da classe e, em decorrência disso, o ponto de
corte pc será alterado, dando assim uma dinamicidade ao modelo.

4

Conclusão

Diante do crescimento vertiginoso de repositórios de informação no Brasil e também
no mundo. O problema que surge daı́ é no como recuperarmos de forma mais inteligente a informação necessária para o nosso usuário/cliente. Os métodos tradicionais
de tratamento da informação não são mais compatı́veis com repositórios do tamanho
da Internet. Portanto, para novos problemas devemos buscar novas soluções.
Este artigo discute a representação abstrata de documentos. A representação
vetorial escolhida neste trabalho é tal que, nos permite representar graficamente um
documento e visualizá-lo, quando em até três dimensões. Desta representação extraise os termos que servirão de ı́ndices para tais documentos.
Os documentos sendo representatos através de vetores, nos permite utilizar o
cálculo do ângulo entre vetores como medida de similaridade entre quaisquer dois
documentos. Com isso obtemos uma forma, automática, de agrupamento destes
documentos em classes de semelhança.

13

�Para testar o modelo apresentado neste trabalho, escolhemos um conjunto de
documentos já previamente classificado pelo especialista humano. Com isso submetemos os documentos ao modelo de indexação e, posteriormente, a classificação. Os
resultados nos mostraram que o modelo trouxe, de forma automática, a mesma classificação dada pelo especialista humano. Entendemos que mais testes precisarão ser
realizados, entretanto, os experimentos nos mostrou da possibilidade de utilização
desta ferramenta para auxı́lio ao especiliasta de classificação.
Esperamos em breve estarmos avaliando esta mesma ferramenta em uma comparação com a classificação manual de dissertações e teses em nossa biblioteca digital.

Referências
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e Metadados no Contexto das Bibliotecas Tradicionais e Digitais. DataGramaZero
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14

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15

�</text>
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          <name>Dublin Core</name>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Classificando automaticamente documentos digitais no site de Notícias do UOL.</text>
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                <text>Oliveira, Elias; Ciarelli, Patrick Marques; Santos, Marcos Hercules; Costa, Bruno Oliveira da Costa</text>
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            <description>The nature or genre of the resource</description>
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            <description>An account of the resource</description>
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                <text>O crescente volume de documentos tem trazido preocupações metodológicas entre os profissionais da área de Ciências da Informação. Se por um lado temos o difícil problema da escolha acertada de documentos contendo a informação desejada pelo usuário/cliente, de outro lado temos o  ́arduo trabalho da pré-organização destes mesmos documentos para posterior recuperação.Acrescenta-se a esse contexto a falta de pessoal em que, em geral, vivem as unidades de informção neste país. Este trabalho apresenta um modelo de representação algébrica de documentos textuais, o qual pode ser uma alternativa metodológica para o problema de classificação de documentos. Utilizamos como forma de comparação de nosso processo automático, documentos já  clasificados por especialistas em site de notícias UOL. Os resultados se mostram promissores indicando que tal metodologia poderia ser utilizada na organização de documentos em uma biblioteca digital.</text>
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            <description>A language of the resource</description>
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                    <text>COLEÇÃO DE PERIÓDICOS DA BIBLIOTECA CENTRAL DO UNIPÊ:
ANÁLISE DE USO

AUTORES: ANA MARIA NASCIMENTO HENRIQUES E SILVA
RACHEL ABATH DE ATAÍDE

CENTRO UNIVERSITÁRIO DE JOAO PESSOA - UNIPE
CAMPUS UNIVERSITARIO BR 230 – KM 22. CAIXA POSTAL: 318
CEP: 58.053.000
FONE PARA CONTATO – (83) 2106-9296 – 2106-9247
FAX – (83) 3231-1130

ENDEREÇO ELETRONICO - anahenriques1@hotmail.com
rachelabath@hotmail.com

�INTRODUÇÃO

A Biblioteca Central do Unipê tem como principais objetivos o apoio à pesquisa,
ao ensino e extensão , bem como organizar e preservar a memória institucional.
A biblioteca é considerada de vital importância na estrutura da Instituição visto
que o seu principal objetivo é promover o acesso e a disseminação da
informação, colaborando assim para o desenvolvimento político-social da
comunidade acadêmica. A Biblioteca do Unipê

ocupa um espaço físico de

aproximadamente 1.809,96m2. Seu acervo está distribuído nas diversas áreas
do conhecimento num total aproximado de 100.000 exemplares entre livros,
teses, dissertações, monografias, obras de referência, fitas de vídeo, cd-rom e
periódicos, dando suporte ao conteúdo das disciplinas

dos diversos cursos

oferecidos pela Instituição. É organizado com base na Classificação Decimal
Universal – CDU e na Tabela Cutter e sua Catalogação é pautada no Código de
Catalogação Anglo-Americano - AACR2.

Está organizada dentro dos mais

modernos padrões e técnicas bibliográficas e conta com um sistema de
recuperação da informação automatizado facilitando o acesso ao acervo
documental e aos serviços oferecidos aos usuários ( empréstimo domiciliar ,
reserva de publicações , consulta , pesquisa local e acesso à internet. Sua
estrutura organizacional compreende: Uma Diretoria administrativa e seis setores
distribuídos em três grandes unidades: Unidade de tratamento da informação
(Setor técnico), Unidade de atendimento ao usuário ( Setor de referência, Setor
de circulação , Setor de periódicos e Setor de produção científica ) e Unidade de
tecnologia da informação (Setor multimídia ). Dá-se neste trabalho uma grande
relevância ao acervo de periódicos da Biblioteca Central do Unipê, sendo este, o
objeto de estudo desta pesquisa.
Para Denizot (1982, p. 82) “o periódico é reconhecidamente considerado como
importante veículo de comunicação e atualização no meio técnico-científico. Em
geral pode-se medir o acervo de uma biblioteca de empresa ou instituição pela
qualidade da coleção de periódicos, pois a utilização da Biblioteca se deve em
grande parte, a necessidade de atualização e o interesse pela educação

�continuada por parte dos seus usuários, haja vista que estes já possuem
formação básica”. Miranda (2004, p. 1) chama a atenção para o seguinte aspécto:
Os periódicos podem abordar assunto específico ou abranger mais de
uma área do conhecimento, dependendo da limitação de sua cobertura.
Os periódicos são considerados uma fonte de informação primária, pois
abordam informações novas, fatos, acontecimentos ou novas
interpretações de teoria, sendo indispensáveis na divulgação dos
resultados de pesquisas e relatos de experiências recentes, facilitando o
acompanhamento constante dos avanços em cada área, favorecendo a
necessária realimentação do ciclo de geração de comunicação e
disseminação mais rápida de novos conhecimentos.

O periódicos tem como principais características : a periodicidade, publicações
em partes sucessivas, variedades de assuntos e continuidade da publicação.
Estes precisam contar com o apoio de uma Comissão, Comitê ou Conselho
Editorial formado por especialistas e autoridades científicas que irão avaliar e
apreciar os artigos enviados para publicação e verificar se os mesmos estão
enquadrados nas normas e requisitos por eles exigidos. Os mesmos confirmarão
que a publicação trabalha com critério de autoridade, além de ser uma garantia de
qualidade internacional. Contribuindo assim para que o periódico possa
desempenhar uma de suas mais importantes missões que é a preservação do
conhecimento.
Um dos primeiros periódico surgiu em 1665, intitulado Journal de Sçavans,
fundado pelo francês Denis de Sallo , sendo de grande aceitação por
pesquisadores, levando ao aparecimento de novos periódicos publicados através
de sociedades de cientistas. A partir daí inicia-se um processo de divulgação
formal, amplo, rápido e preciso da comunicação científica.

O trabalho com a coleção de periódicos requer um conjunto de atividades
minuciosas devido a sua periodicidade e necessita de controle permanente de
recebimento na vigência da assinatura e correção de possíveis falhas na coleção.
Miranda (2004, p. 4 ), diz que:
Para a formação e manutenção de uma coleção de periódicos que tenha
qualidade e satisfaça as necessidades dos usuários é suma importância
termos continuamente uma política de avaliação do acervo considerando
a possível escassez dos recursos financeiros, ocasionando
cancelamento de assinaturas.

�Assim sendo , mesmo com as inovações tecnológicas e a vasta possibilidade de
acesso às informações, a Biblioteca Universitária não pode deixar de manter e
desenvolver coleções que sejam fortes e adequadas para atender as
necessidades de informação de seus usuários. Segundo Souza (2004, p. 2) “são
vários os fatores que determinan a adequação de um coleção, depende da
categoria da biblioteca, seus objetivos, o público que atende... porém é o uso que
evidencia o seu desempenho”. Para avaliar uma coleção faz-se necesário uma
análise do seu uso dentro de um intervalo de tempo significativo.
Este trabalho surgiu a partir da necessidade de se obter dados a respeito da
frequência de uso de periódicos científicos e não-científicos da Biblioteca Central
do Unipê. Trata-se de uma pesquisa preliminar na qual se utilizou a análise direta
das estatísticas diárias de consulta feitas pelo setor, por títulos de periódicos ,
aplicando padrões quantitativos. Este servirá como base para

futuras

contribuições e melhorias à referida coleção.

UNIVERSO DA PESQUISA

Coleção de Periódicos da Biblioteca Central do UNIPÊ

O Setor de Periódicos surgiu de forma informal, sendo sua organização mais
sistemática apenas iniciada no ano de 2000. Em 2002 o Setor foi ampliado,
dividindo o mesmo espaço com o Setor de Coleções Especiais, ocupando uma
área física de aproximadamente 144m2 ,

criando-se assim objetivos claros,

como: processamento técnico do acervo, política de aquisição, política de
atendimento e ambiente de estudo. A coleção de periódicos da Biblioteca do
Unipê é composta de 644 títulos nacionais e internacionais de cunho científico ou
não. Sendo 124 assinaturas e o restante

adquirido através de doação e/ou

permuta. Tem como principal objetivo: organizar, divulgar, preservar e atualizar o
acervo de periódicos . A sua coleção é composta de títulos de nas áreas de
Ciências humanas, Ciências sociais, Ciências Exatas Ciências da Saúde, e
Línguas, Letras e Artes, servindo de suporte para pesquisa de discentes e
docentes dos diversos cursos oferecidos pela instituição.O idioma predominante é

�a língua portuguesa

com 90,68% do acervo e o restante, 9,32% em língua

estrangeira, sendo predominante o inglês. Esta coleção é de livre acesso ao
usuário , sendo as consultas feitas com apoio ou não do funcionário do setor. A
disponibilização do acervo se dá através de:
-

Lista alfabética de títulos de periódicos recebidos por doação e /ou permuta.

-

Lista de títulos de periódicos recebidos por assinatura e por área do
conhecimento.

O Setor de periódicos faz diariamente estatística de uso da coleção. O mesmo
não dispõe, no momento, de recuperação através da indexação de assuntos
dos periódicos e controle de registro(recebimento) de todos os títulos de
periódicos em ficha Kardex. Este serviço foi reiniciado em Fevereiro de 2005.
Mantém permanentemente exposição títulos de periódicos

e promove,

mensalmente, doação da duplicatas de periódicos recebidos por meio de
assinatura, doação e ou/ permuta.
Conta com a colaboração de profissionais capacitados para atender a
comunidade acadêmica e usuários externos e desenvolver atividades
necessárias ao bom desempenho dos serviços oferecidos

pela Biblioteca.

Atualmente, o acervo está sendo reestruturado e avaliado, novas aquisições
estão sendo feitas, além de suas funções estarem sendo redefinidas. Neste
contexto a presente pesquisa pode trazer contribuições para a administração da
biblioteca e mesmo para um repensar do ensino que vem sendo ministrado.

OBJETIVOS

Analisar o uso da coleção de periódicos da Biblioteca Central do Unipê e dar
prosseguimento à atividades visando o desenvolvimento do referido acervo.

METODOLOGIA

Foi realizado um levantamento

quantitativo de consultas com base nas

estatísticas diárias de uso feitas no Setor de Periódicos realizadas no período
de outubro a dezembro de 2004 e de fevereiro a abril de 2005 por títulos de
periódicos científicos e não-científicos nas diversas áreas do conhecimento . O

�mês de janeiro de 2005 não foi incluso na pesquisa pelo fato de o Setor não
estar aberto ao público no período de férias dos alunos da Instituição. A
instituição conta com

professores e alunos dos quais estão regularmente

inscritos na biblioteca usuários. Os não inscritos têm acesso ao acervo mas só
podem fazer consulta no local.

RESULTADOS
Os resultados obtidos nesta análise foram distribuídos por áreas do
conhecimento ( de acordo com a tabela de áreas do conhecimento do Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) ,

conforme

tabelas abaixo:
Tabela 1 -

Análise quantitativa de uso da coleção de periódicos da

Biblioteca Central do Unipê ( outubro a dezembro / 2004)

ÁREAS

MESES
OUTUBR NOVEMBR DEZEMBR TOTAL

DE

O

O

O

CONSULTAS %

CIÊNCIAS EXATAS

-

02

-

0,68%

CIÊNCIAS HUMANAS

02

13

-

5,07%

APLICADAS

07

43

13

21,28 %

CIÊNCIAS DA SAÚDE

06

44

03

17,90%

04

07

10

7,09%

27

80

35

47,97%

CIÊNCIAS

LÍNGUAS,

SOCIAIS

LETRAS

E

ARTES
PERIÓDICOS
CIENTÍFICOS

NÃO

–

TOTAL GERAL

99,11%

A tabela 1 mostra que os títulos mais consultados são os de periódicos nãocientíficos com 47,97 % do total de consultas. Em segundo lugar ficaram as
consultas aos periódicos na área de ciências sociais aplicadas (21,28%) e em
terceiro os da área de saúde (17,90%).

�Tabela 2 -

Análise quantitativa de uso da coleção de periódicos da

Biblioteca Central do Unipê( fevereiro a abril / 2005)

ÁREAS

MESES
FEVEREIR MARÇO

ABRIL

O

TOTAL

CONSULTAS
%

CIÊNCIAS EXATAS

03

12

08

3,67%

CIÊNCIAS HUMANAS

08

37

10

8,79%

APLICADAS

49

66

32

23,48%

CIÊNCIAS DA SAÚDE

28

61

16

16,73%

07

11

01

3,04%

47

124

101

44,25

CIÊNCIAS

LÍNGUAS,

SOCIAIS

LETRAS

E

ARTES
PERIÓDICOS
CIENTÍFICOS

NÃO

DE

–

TOTAL GERAL

99,96%

A tabela 2 mostra que os títulos mais consultados continuaram a ser os
periódicos não-científicos com 44,25 % do total de consultas, como no período
anterior analisado, Ciências Sociais aplicadas ficou em segundo lugar (23,48%)
seguida das Ciências da Saúde (16,73%) sendo muito baixa as demais
ocorrências. A análise correlacional do uso dos periódicos nos dois períodos
resultou em r o= 0,83 (n.sig =0,05, N=6, re =0,71), permite concluir que se
manteve estável a hierarquia de uso dos periódicos por área. O crescimento do
uso do primeiro para o segundo período foi estatísticamente superior à margem
de erro que X2o = 122,43 (Xc = 3,84, para n.g.l = 2 e n.sig =0,05), podendo-se
concluir que a diferença tem valor significativo para o planejamento não só da
atividade e aquisição de material para a biblioteca, como também há que
considerar o seu significado para o ensino-aprendizagem.

�DISCUSSÃO

Os resultados obtidos mostram, considerando o total de alunos e docentes da
instituição, que é muito baixa a frequência ao setor de periódicos nos dois, nos
dois trimestres estudados. Como a correlação mostra a constância da área de
periódico estudada é bastante preocupante o baixo uso face a importância
científica e didática deste material (BURITI, 1999; GARAGANTINI,2000).
A quantidade de consultas realizadas no período da pesquisa demostrou que o
uso da coleção de periódicos da Biblioteca do Unipê é mais elevado em relação
aos títulos de periódicos não-científicos, justificando, assim, a manutenção de
títulos, como os das revistas: Veja, Isto é, Super interessante, Casa Cláudia, Info
Exame, Época. Os periódicos científicos são pouco utilizados, sendo estes
apenas solicitados quando condição para se obter um melhor resultado na
elaboração de alguma atividade acadêmica. Faz-se necessário portanto: uma
maior divulgação da coleção , promovendo atividades para traçar melhor o perfil
de seus clientes(usuários), suas opiniões,

interesses e expectativas; adquirir

títulos condizentes com os programas dos cursos ministrados na instituição , uma
avaliação permanente da coleção e recomenda-se estratégias mais sofisticadas
de análise. Há também evidente necessidade de detectar as variáveis que podem
levar os alunos e docentes a serem melhores usuários da biblioteca. É necessário
estimular alunos e professores e estes incluírem a informação e a leitura de
periódicos como atividade intrínseca no planejamento do processo ensinoaprendizagem e sem o hábito bem estabelecido de consulta à periódicos há
perdas enormes na produção científica e na formação de futuros pesquisadores
(WITTER, 2004, 2005). A responsabilidade da biblioteca aqui é organizar o acervo
e difundi-lo, mas é maior a responsabilidade dos pesquisadores e professores.

�REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: Informação e
documentação: referências – elaboração. Rio de Janeiro, 2002. 23p.
BURITI, Marcelo de Almeida. Produção científica em psicologia do esporte e
educação física: prevenção. Tese de doutorado na psicologia, PUC – Campinas,
1999.

DENIZOT, Eliane Ribeiro. Análise e divulgação de periódicos em biblioteca de
empresas, Revista da Escola de biblioteconomia, v.11, n.1. p. 82-91, mar.1982.

FRANÇA, Junia Lessa. Manual para normalização de publicações técnicocientíficas. 6.ed. Belo Horizonte: UFMG, 2003.

GARGANTINI, Maria B. M. Produção científica: gagueira. Tese de doutorado em
psicologia, PUC – Campinas, 2000.

GATO, Rubenise Farias. Gestão da Informação na Embrapa Amazônia Oriental:
uso relativo versus uso efetivo da literatura técnico científica agropecuária – 19901999. Ciência da Informação , v.33, n.2. 2004.

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4.ed. São Paulo:
Atlas, 2002.

MIRANDA, Ana Cláudia Carvalho de. Critérios de avaliação para coleções de
periódicos. IN: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS,
13., 2004. Anais... Natal: UFRN, 3M, DOT.LIB, 2004. 1 CD-ROM.

�SOUSA, B. A. S.; LIMA, L.C. de.; ARAÚJO, J. N. de. Uso da coleção de
periódicos da Biblioteca Nilo Peçanha – CEFET/PB. IN: SEMINÁRIO NACIONAL
DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 13., 2004. Anais... Natal: UFRN, 3M,
DOT.LIB, 2004. 1 CD-ROM.

TABELA

de

áreas

do

conhecimento

CNPq.

Disponível

em:

&lt;http://www.cnpq.br/tabconhecimento. Acesso em: 2 abr. 2005.
UNIPÊ. Catálogo Unipê. João Pessoa: Unipê, set. 2004. p.41-51.

WITTER, Geraldina P. (Org.). Educação e psicologia. São Paulo: Ateliê editorial,
2004.
_______. Metaciência e psicologia. Campinas: Alínea, 2005.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Foi realizado um levantamento quantitativo de consultas com base nas estatísticas diárias de uso feitas no Setor de Periódicos realizadas no período de outubro a dezembro de 2004 e de fevereiro a abril de 2005 por títulos de periódicos científicos e não-científicos nas diversas áreas do conhecimento.</text>
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                    <text>COLEÇÕES ESPECIAIS EM SALVADOR: QUE REFLEXOS SOCIAIS E
INSTITUCIONAIS DA DIGITALIZAÇÃO DE ACERVOS PÚBLICOS.
Lívia Ferreira Tosta 1
Rubens Ribeiro Gonçalves da Silva 2

RESUMO
Refere-se a plano de trabalho (com apoio de bolsa PIBIC/UFBA/FAPESB) que
integra projeto mais amplo, desenvolvido no ICI/UFBA (que investiga reflexos
sociais/institucionais da adoção de tecnologias de conversão digital de acervos
especiais da esfera pública federal em Salvador, BA). Neste sentido, no plano de
trabalho identificamos instituições federais depositárias de documentação sonora,
fotográfica e audiovisual. Metodologicamente, adotamos técnicas de
documentação indireta e de documentação direta. Destacamos alguns resultados
alcançados: bibliografia sobre questões sócio-institucionais associadas à
digitalização de coleções/documentos especiais; listagem com 82 instituições
públicas federais em Salvador, das quais 44 possuem coleções/documentos
especiais; dados de 50 consulentes destas coleções; um artigo, duas
apresentações orais e de dois pôsters, todos já aprovados para publicação e/ou
apresentação em anais/eventos científicos da área. Outros aspectos importantes:
constatada a precariedade de instrumentos de busca eficientes para a
identificação de instituições públicas federais soteropolitanas; desconhecimento
dos responsáveis com relação à tipologia do acervo existente na própria
instituição; apenas uma instituição depositária de coleções especiais desenvolveu
projeto de digitalização na própria instituição; a necessidade de um tratamento
especial, prévio à digitalização, para essas coleções, particularmente
caracterizadas por grande valor sócio-histórico cultural; em apenas 13 instituições
houve consultas de usuários no período da coleta dos dados.
Palavras-chave: Digitalização. Coleções especiais. Instituições Públicas Soteropolitanas.

INTRODUÇÃO

Já é elemento de consenso que o acesso universal a conteúdos informacionais,
através das tecnologias de informação e comunicação, é um valioso serviço de
auxílio nas tomadas de decisões e nas atividades cotidianas dos cidadãos. Neste
sentido, as versões resultantes da digitalização de textos, fotografias, materiais
1

Instituto de Ciência da Informação da Universidade Federal da Bahia (ICI/UFBA); graduanda de
Arquivologia, bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica da Universidade Federal
da Bahia, em acordo com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (PIBIC/UFBA/FAPESB);
liviaftosta@yahoo.com.br
2
ICI/UFBA; doutor em Ciência da Informação (2002, UFRJ-ECO/IBICT); rubensri@ufba.br

�2

audiovisuais e sonoros, antes existentes somente no formato impresso,
contribuem imensamente, por exemplo, para soluções de questões vinculadas à
acessibilidade e à preservação no universo digital.

A acessibilidade no espaço digital consiste em tornar disponível ao usuário, de
forma autônoma, todo conteúdo informacional que lhe for franqueável, sem
prejuízos de sua integralidade. Ao falarmos de preservação, particularmente com
relação à preservação dos conteúdos digitais para o futuro, queremos nos referir
a um problema relacionado à nossa própria organização ao longo do tempo como
sociedade, e não apenas a aspectos de ajuste de variáveis técnicas. Inúmeros
fatores estão envolvidos neste esforço de organização, mesmo se levarmos em
consideração os modelos que vêm sendo propostos. 3

Procurando

atuar

neste

universo

de

pesquisa,

estamos

finalizando

o

desenvolvimento do plano de trabalho intitulado “Coleções especiais de
instituições públicas federais em Salvador: que reflexos sociais e institucionais a
digitalização pode promover?”. No contexto de um objetivo geral, mais amplo,
caracterizador da abrangência do projeto principal, de analisar reflexos sociais e
institucionais da conversão digital de coleções especiais depositadas em
instituições públicas soteropolitanas, nosso objetivo específico foi o de identificar
bibliotecas, arquivos, museus e centros de documentação, da esfera pública
federal, depositárias de documentos especiais do tipo sonoro, fotográfico e de
imagens em movimento. A seguir veremos as características da proposta e
alguns dos resultados já obtidos.

1 O PROJETO PRINCIPAL: CARACTERÍSTICAS BÁSICAS E VINCULAÇÃO
AO PLANO DE TRABALHO

O projeto de pesquisa principal, intitulado A conversão digital de documentos
especiais de acervos públicos e a consciência informacional. Aspectos técnicos e

3

Sobre acessibilidade, cf. Torres, Mazzoni e Alves (2002); sobre preservação veja Conway (1997) e Arellano
(2004).

�3

teóricos no âmbito da Ciência da Informação 4 , constitui-se por dois módulos, com
execução prevista para o período 2005-2007. Sua perspectiva teórica, de cunho
materialista histórico, assume a compreensão acerca do processo informacional
pela ótica de uma teoria marxiana da consciência, com o objetivo de investigar as
correlações entre informação, tecnologias digitais de acesso remoto e
consciência. Este enfoque fundamenta-se no entendimento da informação como
processo orientado ao desenvolvimento da consciência acerca das possibilidades
de conhecimento e de ação num determinado contexto social. 5 A vertente prática,
sócio-técnica-aplicada,

tem

por

objetivo

o

reconhecimento

de

coleções/documentos especiais (especificamente, discos, fitas k7, fitas em rolo,
fitas vhs, betacam, fotografias, álbuns fotográficos) dos acervos públicos
soteropolitanos, e de seus usuários, bem como a formulação de abordagens
adequadas à conversão digital desta documentação, detendo-se especificamente
nos procedimentos orientados à preservação digital e ao acesso via internet.

O plano de trabalho também foi desenvolvido tendo como característica uma
vertente de iniciação teórica, cujos objetivos estavam no levantamento
bibliográfico e na realização de leituras e fichamentos correlatos ao tema dos
reflexos sociais e institucionais da adoção de tecnologias de conversão digital de
acervos públicos, e uma vertente prática, que teve como objetivos identificar
instituições da esfera FEDERAL de governo, localizadas na cidade do Salvador,
depositárias de coleções/documentos especiais, e coletar, organizar, analisar e
representar os dados relativos às referidas coleções e a seus consulentes.

Com a execução do plano de trabalho vimos verificando, de forma cada vez mais
patente, o desconhecimento que se tem acerca destas coleções em Salvador, de
seu estado, de suas potencialidades, das ações que visam à sua conversão
digital. A justificativa que mais fortemente legitimou nossa proposta foi a de
conhecer e divulgar o estado da arte das coleções/documentos especiais de
Salvador e de sua necessária conversão digital.

4

De autoria do Prof. Dr. Rubens R.G. Silva (ICI/UFBA).

�4

2 O PLANO DE TRABALHO: ASPECTOS METODOLÓGICOS

O plano de trabalho teve início em agosto de 2005 objetivando reunir elementos
para uma posterior investigação, no âmbito geral do projeto de pesquisa principal,
dos reflexos sociais e institucionais da adoção das tecnologias de conversão
digital de acervos especiais da esfera públicas federais em Salvador. Começamos
ralizando leituras de iniciação sobre a constituição de uma pesquisa científica,
definindo

abordagens

Concomitantemente

metodológicas,

identificamos

procedimentos

instituições

federais

e

técnicas. 6

depositárias

de

coleções/documentos especiais localizadas na cidade do Salvador. Foram
adotadas as seguintes técnicas: a) documentação indireta para o levantamento de
fontes de estudos referente aos possíveis reflexos sociais e institucionais
resultantes de ações de digitalização de acervos públicos; b) documentação
indireta para a identificação das instituições públicas federais em Salvador
depositárias de documentação sonora, fotográfica e audiovisual; c) documentação
direta, configurada na observação intensiva nessas instituições; d) documentação
direta, na observação extensiva por intermédio de instrumentos de coleta de
dados dirigidos aos responsáveis pela documentação e aos consulentes de cada
tipologia documental nas diferentes instituições.

Após realizarmos os devidos testes prévios, os instrumentos de coleta de dados
foram ajustados para o formato “questionário” (que não exigem a presença do
pesquisador no ato da coleta dos dados). Esta decisão foi acertada, sem dúvida,
mas não para todas as instituições. Algumas delas solicitaram a presença da
pesquisadora (da bolsista) para seu preenchimento, basicamente por motivos de
insegurança e/ou de desconhecimento técnico do responsável pelo acervo.

Para a construção dos instrumentos destinados à documentação sonora e à
documentação áudio-visual contamos com o auxílio, via email, de técnico da
5

Ver Silva, 2002.
Sobre abordagem dialética ver Konder (2004), sobre estatística ver Barbetta (2005); para ampliar a
compreensão do tema que pesquisamos ver Almeida (2004); Amaral (2004); Castro (2005); Cunha (1999);
Morigi (2004); Neto et alii (2004); Silva et alii (2005); Silva, F. (2005); Silva, R (2005);
6

�5

Coordenação de Documentos Áudio-Visuais e Cartográficos do Arquivo Nacional,
no Rio de Janeiro. 7 Em Salvador, para o teste prévio dos questionários, contamos
com instituições das três esferas públicas. Na esfera federal, tivemos o apoio da
Divisão de Coleções Especiais da Biblioteca Central Reitor Macedo Costa, da
UFBA; na esfera estadual, contamos com a importante colaboração da SubGerência de Recursos Áudio-Visuais da Biblioteca Pública do Estado da Bahia; na
esfera municipal o apoio da Gerência de Arquivos e Bibliotecas do Arquivo
Histórico Municipal de Salvador (AHMS) foi fundamental. A etapa dos testes
prévios foi imprescindível para a validação, revisão e aperfeiçoamento dos
instrumentos de coleta de dados, permitindo-nos incorporar inúmeras sugestões e
decidir por relevantes aspectos relativos à sua aplicação prática.

3 RESULTADOS

O

plano

de

trabalho

desenvolvido

contribuiu

positivamente

com

o

desenvolvimento do projeto ao qual está vinculado, executando parte relevante da
vertente prática prevista em seu primeiro módulo, através da atividade de
identificação e reconhecimento das instituições públicas federais em Salvador,
depositárias de documentação especial, bem como de seus consulentes.

Organizamos as instituições em três categorias: as autarquias, as vinculadas à
UFBA e as demais. Depois de identificadas 88 instituições federais, os
questionários foram distribuídos a 44 instituições com as características
específicas para o levantamento dos dados para a pesquisa, ou seja, com
documentos especiais em seu acervo. 8

7

Registramos nosso agradecimento especial ao técnico Fernando Jose Fonseca Rocha.
Efetivamente trabalhamos com 37 instituições, já que uma delas permaneceu por longo período em greve e
outras seis não preencheram o questionário. Ao final da execução do projeto principal todo o material
resultante do desenvolvimento dos planos de trabalho será amplamente divulgado. Até lá, artigos contendo
maior detalhamento da pesquisa e dos planos de trabalho, serão publicados em periódicos.

8

�6

Durante a Mesa Redonda Nacional de Arquivos, realizada em julho de 1999,
identificou-se a necessidade de uma decisão sistematizada sobre o uso e os
usuários dos arquivos,
“...seja qual for o conceito de informação adotado, reconhece-se que os processos de
transferência e uso da informação em seus diversos matizes constituem um dos
cernes da contemporaneidade. Considera-se ainda que tais processos envolvem
diversos sujeitos informativos, em especial o profissional e o usuário da informação,
sendo a satisfação das necessidades deste último uma variável fundamental na
avaliação de qualquer serviço de informação.” (JARDIM, 1999, p.1, apud JARDIM e
FONSECA, 2004)

Nossa pesquisa não poderia deixar de contemplar o contexto dos usuários,
identificando suas demandas e suas reais necessidades, considerando variados
aspectos, como suas atividades profissionais, disponibilidade de infra-estrutura
tecnológica, níveis de escolaridade, procurando saber como utilizam o acervo,
dentre outros fatores.

E aqui precisamos registrar: além da falta de tratamento de conservação e
preservação da documentação é constrangedor o desconhecimento de alguns
responsáveis com relação à tipologia do acervo existente na própria instituição.
As restrições e mesmo impossibilidades de acesso de consulentes a essa
documentação provocam o conseqüente impedimento para se efetuar pesquisas
de utilização dessa documentação: isso limita o reconhecimento dos perfis dos
cidadãos que as utilizam. Desta forma, o levantamento de dados relativos a
consulentes vê-se limitado em sua abrangência, com dados relativos a apenas 50
consulentes, em 13 instituições de um universo de 44 instituições e/ou
órgãos/unidades específicas das instituições depositáiras da documentação
objeto da pesquisa. Isso não nos impede de deixarmos os instrumentos de coleta
destes dados nas instituições, pelo tempo que considerarmos necessário,
monitorando-os por um tempo maior, até que de fato possamos ter dados
significativos para nossas análises, que poderão ser efetuadas até que o projeto
principal de pesquisa seja integralmente concluído, em meados de 2007.

A organização dos dados coletados foi elaborada em planilhas eletrônicas, que
facilmente nos permitiram criar representações visuais para divulgar com clareza

�7

nossas análises e conclusões. 9 As planilhas, num total de seis unidades, não têm
“prazo de validade”, podendo ser utilizadas e/ou continuamente aperfeiçoadas, se
quisermos ampliar a pesquisa para outros municípios da Bahia ou mesmo para
todo o território nacional.

Vale destacar a importância do projeto principal de pesquisa para o conhecimento
e/ou re-conhecimento de coleções/documentos especiais depositados em
instituições públicas de Salvador, visto que o mesmo possui uma ampla
abrangência de investigação, cobrindo não somente a esfera federal (que foi
desenvolvida com este plano de trabalho), mas também as esferas estadual e
municipal, as quais vêm sendo pesquisadas por outros graduandos do Grupo
CRIDI, voluntários nesta pesquisa.

A constatação da ineficácia, da indisponibilidade, ou mesmo inexistência, de
instrumentos de busca específicos para a identificação de instituições públicas
federais em Salvador exigiu maior investimento de tempo e aprofundamento nas
ações práticas inicialmente previstas para o levantamento destes dados de
identificação, nos conduzindo à recorrência das mais variadas fontes de consulta
para o preenchimento das lacunas, reveladas apenas durante a pesquisa.
Percebe-se também o pouco conhecimento que os responsáveis de algumas
instituições têm acerca dos acervos sobre sua guarda institucional, seja no
aspecto técnico da tipologia dos documentos, de sua identificação, de sua
conservação, de sua preservação, seja no aspecto de suas potencialidades como
recursos de ampliação do conhecimento individual e da memória soteropolitana e
nacional.

As tecnologias de informação e comunicação vêm promovendo mudanças
significativas no cotidiano, nos hábitos e costumes da sociedade contemporânea.
Neste cenário, onde há uma produção acelerada de informações e de canais para
sua disseminação, o que se observa em Salvador é a carência de ações
9

Para a elaboração das planilhas eletrônicas contamos com a inestimável colaboração de Aurora Leonor
Freixo, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (POSICI/ICI/UFBA), membro

�8

orientadas à preservação de documentos especiais originais e à conversão digital
desta documentação para acesso remoto.

A realização da pesquisa e a execução deste plano de trabalho, e dos que se
seguirem, permitirão a reunião de dados inéditos e esclarecedores sobre as
coleções especiais (sonora, áudio-visual e de imagem em movimento)
depositadas nas instituições públicas da cidade do Salvador, bem como das
demandas e necessidades de seus usuários. O conhecimento acerca dos reflexos
institucionais e sociais advém da efetiva conclusão da análise dos dados
coletados durante a execução da pesquisa principal, com conclusão prevista para
meados de 2007. Deste plano de trabalho, além do que já indicamos
anteriormente, é preciso destacar que apenas uma instituição investigada
desenvolveu projeto de digitalização na própria instituição e que é grande o
desconhecimento dos responsáveis com relação à tipologia do acervo existente
na própria instituição, ficando clara a necessidade de treinamentos, cursos, além
de um tratamento especial, prévio à digitalização, para essas coleções,
particularmente caracterizadas por grande valor sócio-histórico cultural.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conforme reconhece Wilson (1995) quando transcreve um trecho do relatório, de
1986, do Comitê sobre Objetivos e Prioridades da Sociedade de Arquivistas
Americanos:
“Arquivistas tendem a pensar no seu trabalho na ordem em que ele é feito.
Inevitavelmente, o uso por último. Desde que o uso dos documentos é objetivo de
todas as outras atividades arquivísticas, os arquivistas precisam reexaminar suas
prioridades.” (WILSON, 1995, p.71, apud JARDIM e FONSECA, 2004)

Para Silva (2002), novas possibilidades conduzirão os usuários à descoberta de
novas relações existentes entre os diferentes documentos, permitindo a
participação do usuário comum em atividades que anteriormente eram domínio
exclusivo de curadores e outros profissionais especializados. Para o autor há dois

do Grupo de Estudos sobre Cultura, Representação e Informação Digitais (CRIDI).

�9

caminhos possíveis nesse contexto de mudanças tecnológicas: a aquisição de
uma tecnologia visando à solução de um problema específico ou sua adoção
como uma opção de preservação (neste caso, faz-se necessário um prolongado
compromisso institucional).

O esforço exigido para a organização dos grandes estoques de conteúdos
informacionais do futuro é enorme. Somente assim tornar-se-ão viáveis usos mais
adequados. Aspectos ideológicos do processo informacional podem exacerbar-se,
determinando rumos e âmbitos institucionais. Silva (op.cit.) argumenta que a
dicotomia existente em princípios tão arraigados na ideologia profissional vigente
dos chamados ‘especialistas da informação’, tais como geral/ particular,
centralizado/

descentralizado,

coordenado/

autônomo,

normalizado/

não

normalizado, livre acesso/ acesso controlado, será questionada em função de
uma mudança de paradigma que exige diferentes abordagens teóricometodológicas e novas práticas e tecnologias de ciclo de vida e reformatação de
documentos.
“Há, ainda, a necessidade de uma permanente atenção às questões relacionadas a
recursos e fundos para a realização de ajustes institucionais, já que as bibliotecas e
arquivos terão de suportar, nesse período de transição, e ainda por um longo tempo,
dois sistemas diferentes, o tradicional e o digital, cujos requisitos conflitantes,
despesas e modificações necessárias poderão de fato ser difíceis de conduzir. A
participação da equipe envolvida nos projetos será fundamental para o sucesso do
empreendimento. Para isso serão necessários investimentos que possibilitem a
aquisição de um elevado nível de competência técnica e de experiência que permitam
o desenvolvimento de projetos e a execução das novas iniciativas a serem
incorporadas. O treinamento e o crescimento profissional, por si só, já atuam
favoravelmente junto aos técnicos como um verdadeiro incentivo à participação e,
seguramente, constituem parte dos custos da institucionalização da preservação
digital, que deverá prever o estabelecimento de novas responsabilidades para os
membros da equipe. Serão necessários novos modelos institucionais de espaços
informacionais, atentando para o fato de que no contexto do universo digital um
espaço informacional digital público é também um dispositivo institucional, no sentido
de que refletem relações de sociabilidade, comunicação e saber.
A especificidade documental de coleções especiais exige um modelo de espaço
informacional digital que não apenas atenda ao experiente consulente deste segmento
documental, mas que seja rico em estímulos cognitivos direcionados àqueles que
procuram conhecer através de itens especiais do acervo público – aos jovens,
sobretudo – e, ainda, que reúna elementos de apoio para o desencadeamento de
eventuais processos de cooperação interinstitucional.” (SILVA, 2002, p.194-195)

Vale ressaltar que a experiência vivenciada ao longo da pesquisa contribuiu para
o desenvolvimento de novas competências e habilidades da bolsista, relacionadas
tanto ao saber científico, especificamente no campo da Arquivologia, quanto ao

�10

seu desenvolvimento pessoal, ao rever algumas posturas que a permitiram
compreender melhor todas as etapas caracterizadoras de uma pesquisa e a
importância da experiência da iniciação científica. Considerando que o curso de
Arquivologia tem como objetivo formar profissionais aptos a atuar no
planejamento, organização e direção da área de documentação, assim como na
orientação da avaliação e seleção de documentos para fins da preservação, os
resultados deste plano de trabalho poderão trazer contribuições em dois sentidos:
a) no sentido de permitir um melhor conhecimento do acervo público de
documentação de som, foto e imagem em movimento, e b) no sentido do estímulo
a discussões em torno da importância dos conteúdos informacionais disponíveis
nas coleções especiais mantidas pelas instituições públicas e de sua necessária
conversão digital, a partir de procedimentos orientados à preservação dos
originais e de suas versões digitais. Sem dúvida trata-se de um debate técnicocientífico que amplia significativamente as possibilidades de uso da coleção, de
grande relevância para a memória baiana e nacional e para a identidade
soteropolitana.

Neste sentido, com o intuito de dar continuidade à pesquisa, concorremos com
novo plano de trabalho ao PIBIC/UFBA, aprovado com uma bolsa CNPq para o
período 2006-2007, com proposta de elaboração de um sítio eletrônico que venha
a disponibilizar os dados de identificação e sobre os acervos e consulentes
objetos da pesquisa na esfera federal, mas também os que ainda estão sendo
coletados nas esferas estadual e municipal de governo em Salvador. Registramos
que uma segunda bolsa foi aprovada para outro plano de trabalho no âmbito do
projeto principal (PIBIC/UFBA/FAPESB).

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Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Refere-se a plano de trabalho (com apoio de bolsa PIBIC/UFBA/FAPESB) que integra projeto mais amplo, desenvolvido no ICI/UFBA (que investiga reflexos sociais/institucionais da adoção de tecnologias de conversão digital de acervos especiais da esfera pública federal em Salvador, BA). Neste sentido, no plano de trabalho identificamos instituições federais depositárias de documentação sonora, fotográfica e audiovisual. Metodologicamente, adotamos técnicas de documentação indireta e de documentação direta. Destacamos alguns resultados alcançados: bibliografia sobre questões sócio-institucionais associadas à digitalização de coleções/documentos especiais; listagem com 82 instituições públicas federais em Salvador, das quais 44 possuem coleções/documentos especiais; dados de 50 consulentes destas coleções; um artigo, duas apresentações orais e de dois pôsters, todos já aprovados para publicação e/ou apresentação em anais/eventos científicos da área. Outros aspectos importantes: constatada a precariedade de instrumentos de busca eficientes para a identificação de instituições públicas federais soteropolitanas; desconhecimento dos responsáveis com relação à tipologia do acervo existente na própria instituição; apenas uma instituição depositária de coleções especiais desenvolveu projeto de digitalização na própria instituição; a necessidade de um tratamento especial, prévio à digitalização, para essas coleções, particularmente caracterizadas por grande valor sócio-histórico cultural; em apenas 13 instituições houve consultas de usuários no período da coleta dos dados.</text>
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                    <text>COLEÇÕES ESPECIAIS: ORGANIZAÇÃO E PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA
INSTITUCIONAL.

Arlete Braz Gonçalves dos Santos
Bibliotecária Setor Coleções Especiais e Obras Raras CRB4 1000

Email: arlete@unicap.br
Universidade Católica de Pernambuco – UNICAP
Rua do Príncipe, 526, Boa Vista, Recife-PE – Brasil
CEP 50050-900

www.unicap.br

Pollyanna A. de A. C. Ferreira
Bibliotecária Setor Coleções Especiais e Obras Raras

Email: polly@unicap.br
Universidade Católica de Pernambuco – UNICAP
Rua do Príncipe, 526, Boa Vista, Recife-PE – Brasil
CEP 50050- 900

www.unicap.br

Catarina Maria Drahomiro Duarte
Bibliotecária Chefe: Setores Coleções Especiais e Obras
Raras, Processos Técnicos CRB-4 463

Email: catarina@unicap.br
Universidade Católica de Pernambuco – UNICAP
Rua do Príncipe, 526, Boa Vista, Recife-PE – Brasil
CEP 50050- 900

www.unicap.br

�2

Coleções Especiais :organização e preservação da memória institucional.

Resumo

O trabalho descreve numa primeira etapa o processo de organização, o
tratamento e a disponibilização das Bibliotecas Particulares que compõem as
Coleções Especiais, doadas por familiares à Universidade Católica de Pernambuco –
UNICAP. Seus acervos são formados por livros e periódicos considerados de rico
valor informacional em diversas áreas do conhecimento humano, adquirido ao longo
dos anos, bem como, da produção intelectual que pertenceram a personalidades
ilustres da história institucional da UNICAP e de Pernambuco, tais como: Potiguar
Figueiredo Matos, Rubens Gondim Lóssio , Pe. Aníbal de Souza Melo, S.J., Pe.
Machado e do acervo da Residência dos Padres. Após breve histórico sobre sua vida
e suas obras, descreve as ações iniciais para integração do acervo ao patrimônio da
Universidade,

os

procedimentos

relativos

ao

tratamento

(higienização

e

conservação) e processamento técnico do acervo bibliográfico, numa segunda etapa
será o processamento eletrônico de imagem – Digitalização, voltados para a captura
e conversão de documentos a partir do formato tradicional (papel) para o formato
digital, observando fatores essenciais aos trabalhos de digitalização tais como:
tecnologias de Reconhecimento Óptico dos Caracteres (OCR) e avaliação das
características do acervo a ser digitalizado. Objetivando com isso diversificar os
serviços, criando pontos de acesso à informação e disponibilizando documentos que
resgatam a memória institucional e do Estado de Pernambuco.

Palavra Chave: Coleções Especiais – organização.

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1 Introdução

A Biblioteca Central Pe. Aloísio Môsca de Carvalho S.J., é um órgão
suplementar da Universidade Católica de Pernambuco, vinculada a Pró-reitoria de
Graduação e Extensão – PROGRADE, tem como objetivo proporcionar suporte
informacional às atividades de ensino, pesquisa e extensão. Fundada em 1943, teve
sua origem na primeira Biblioteca da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras
Manoel da Nóbrega, ocupando na época uma área de aproximadamente 500 m².
Atualmente a Biblioteca Central está localizada num prédio de quatro
pavimentos numa área de 7.110,29 m² , marcando assim uma nova etapa na vida
acadêmica da Universidade. A Biblioteca é constituída de quatro Setores: Processos
Técnicos, Assistência ao Usuário, Aquisição e Multimeios e Periódicos.
Seu acervo reúne aproximadamente 117.883 títulos, num total de 261.214
exemplares referentes a livros, teses, dissertações; 3.786 títulos de periódicos, 4.316
materiais especiais, (fitas de vídeo, cd-rom, cd-play, DVD, disquetes, slides,
ilustrações e outros), 145 manuscritos, 22 títulos em braile e bases de dados on-line
e em cd-rom.
Além desse acervo a Biblioteca possui uma massa documental de
aproximadamente 50 mil volumes, reunida ao longo dos anos através de doações,
denominada de Coleções Especiais.

2. Revisão de literatura

Os acervos das coleções especiais e obras raras são distintos das demais
bibliotecas, por causa da natureza dos materiais dessa coleção: documentos únicos,
escassos, raros, com valor no mercado livreiro ou valor como artefatos, significado
histórico, ou fragilizados. Esses fatores afetam a administração desses materiais.
As coleções geralmente são formadas num longo período de tempo e devem
ser mantidas, o mais possível conservadas para as futuras gerações, pois seu valor

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intelectual ou artesanal é permanente. Ao preservar a memória científica, para tal “a
universidade e a biblioteca, trabalhando na mais íntima reciprocidade, têm
desempenhado a importantíssima função de preservar e disseminar o conhecimento”
(PRADO, 2003, p.13). Enquanto espaço disseminador de informações para a
produção do conhecimento, a biblioteca universitária tem que criar subsídios para a
conservação e preservação de sua massa documental.
É preciso que hoje direcionemos todas as nossas atenções para a melhor
forma de se conservar todo o saber que foi produzido e registrado pelo
homem, sob forma de manuscritos ou impressão em suporte de papel
(SPINELLI JUNIOR, 1997, p. 15).

Criar políticas de conservação preventiva é ainda a melhor forma de
preservação dos documentos, o principal segredo está em conservar bem para não
precisar restaurar. Conservando seus acervos as bibliotecas universitárias
asseguram vida longa ao patrimônio documental, estabelecendo critérios que irão
sanar o processo de degradação dos documentos, diminuindo tanto quanto possível
à necessidade de qualquer intervenção futura, uma vez que a restauração atinge
apenas o suporte físico e não a informação.
Captar e monitorar informações são uma das funções exercidas pela
biblioteca, informações estas que deverão responder satisfatoriamente as novas
demandas de mercado, porque a informação sempre se reproduz quando é
consumida.
Atualmente existem vários suportes de armazenamento e de recuperação da
informação, fazendo com que a biblioteca universitária seja um nicho importante na
vida acadêmica e no assessoramento da produção do conhecimento, com isso
surgiu à necessidade de analisar e organizar as Coleções Especiais da UNICAP,
delineando iniciativas que promovam o resgate, a preservação, a conservação e a
difusão dos conhecimentos existentes em seus documentos.
Com base nesse enfoque foi feito esse trabalho, que tem como objetivo
apresentar, fazendo um breve relato das biografias de algumas personalidades que
fizeram a história da Universidade Católica de Pernambuco, suas coleções e em
linhas gerais mostrar as principais atividades realizadas por ocasião da aquisição do

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acervo, bem como, os procedimentos concernentes a sua organização, tratamento e
disponibilização.

3. Breve Biografia das Personalidades

3.1 Potiguar Matos
Nascido em Pesqueira, Pernambuco (1921). Bacharel e Licenciado em Geo-História
pela Universidade Católica de Pernambuco (1945). Bacharel em Ciências Jurídicas e
Sociais pela Faculdade de Direito da UFPE. Ex-professor de História
de vários colégios do Recife; professor aposentado da Escola Técnica Federal de
Pernambuco; ex-professor

da UNICAP, da UFPB, da Faculdade de Filosofia do

Recife, da Faculdade de Formação de Professores de Nazará da Mata; ex-Reitor da
UNICAP (1969/1971); ex-presidente do Serviço Social Agamenon Magalhães
(1972/1975); editorialista do Diário de Pernambuco.
Trabalhos publicados: “Da história americana: possíveis sugestões em torno de
uma interpretação” (Tese de concurso -1965), “Exercícios de história : alguns temas
sugestivos”, 1983, “A face na chuva : artigos e crônicas”,

1997,

“Gente

pernambucana”, 1986, “Gilberto Freyre : presença definitiva”, 1988
Ensaios: Considerações à margem de um humanismo
História: O problema da natureza, cultura luso-brasileira e ecumenismo, Atualidades
dos estudos históricos, Em torno de uma teoria do simbolismo.
Prêmio de poesia Othon Bezerra de Melo – 1982 da Academia Pernambucana de
Letras com o livro “A face e o tempo”.
Condecorações: Medalhas Classe Ouro do Mérito de Pernambuco, do Mérito
Educacional de Pernambuco e do Mérito da Cidade do Recife. Cidadão do Recife.

3.2 Padre Aníbal de Souza Melo, S. J.
Padre Aníbal de Souza Melo, S. J., nasceu no dia 19 de outubro de 1922. Na cidade
do Crato. Filho de Francisco de Paula e Quitéria de Souza Melo. De profunda

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religiosidade, desejavam imenso que todos da numerosa prole se consagrassem a
Deus. Em 1934 ingressou no Seminário Diocesano do Crato. No período de 1935 a
1942 obteve formação na Escola Apostólica dos Jesuítas, em Baturité, no Ceará. No
período de 1943 a 1946 no Colégio Anchieta, RJ, estudou Ciências e Filosofia. No
período de 1950 a 1952 no Colégio Cristo Rei-Faculdade Pontifícia São Leopoldo,
RS, estudou Teologia. Em 21 de dezembro de 1952, ordenação sacerdotal na Escola
Apostólica de Baturité. No período de 1957 a 1958 conclui na UNICAP, o curso de
Letra Neolatinas. A partir de 1959 é convidado a ensinar na mesma Universidade ,
onde ocupou posteriormente o cargo de Pró-reitor Comunitário e Acadêmico.
Trabalhos publicados:,

“Anotações fonético-etimológicas ao "Faral da Guarda",

1964, “J. Mattoso Câmara Júnior : um perfil”, 1997, “A língua estrangeira e a
formação humanística do homem”, 1973, artigos publicados na Revista Symposium.

3.3 Rubens Gondim Lóssio
Nascido em Jardim, Ceará (1924), Bacharel e Licenciado em Filosofia pela
Universidade Católica de Pernambuco (1970); Curso de Filosofia (1942-43); Curso
de Teologia (1943-47) no Seminário Maior de Fortaleza; Professor de Ensino
Religioso, Filosofia, Antropologia, Teologia etc., em várias unidades de ensino médio
e superior no estado de Ceará e de Pernambuco. Titular e Fundador da Disciplina
Filosofia da Faculdade de Filosofia do Crato (CE), Vice-reitor do Seminário
Diocesano do Crato; Diretor Fundador da Fundação S. Francisco do Crato; Diretor do
Colégio de Aplicação Pe. Abranches da UNICAP; Diretor do Instituto de Letras e
Ciências Humanas da UNICAP; Reitor da Universidade Católica de Pernambuco.
(1971).
Trabalhos publicados: “O desafio da Universidade nova”, 1971; “A serviço da
palavra sob o impacto da mudanças, 1973; “UNICAP em resposta ao desafio do
nordeste”, 1973, “Caracterização geral dos candidatos ao vestibular unificado”, 1977,
“Ensino superior em Pernambuco: sistema de acompanhamento”, 1970, “Nossa
Senhora da Penha de França: padroeira do Crato”, 1961, Renúncia : de Cura da

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Catedral e Pároco de N. S. da Penha, 1969,

e diversos trabalhos publicados em

revistas científica, seminários, encontros, e reuniões.
Menções Honrosas: Diplomas, Certificados, Medalhas pelos relevantes serviços
prestados a educação e a sociedade dos Estados de Pernambuco e do Ceará.

3.1.5 Padre Machado
Nascido na Serra do Cariri, Ceará (1914), Padre Machado destacou-se em vários
campos de atividade, conhecia várias línguas além do português, entre elas o russo,
alemão, hebraico, árabe, latim e grego. Seus estudos foram realizados no juniorado
de Baturité, onde se aprofundou em matemática e nos clássicos gregos e romanos.
A filosofia fez em Braga (Portugal) e a teologia em São Leopoldo, onde se ordenou.
Viajou à Paris para estudar matemática em Sorbone, depois volta a Recife para a
Universidade Católica de Pernambuco, onde se dedicou ao ensino da matemática e
da física, objeto de sua verdadeira paixão. Como jesuíta aceitava qualquer missão ou
destinação que lhe dessem seus superiores, por ser esquerdista teve problemas com
sua ordem. Após o golpe de 1964, os militares exigiram que Machado saísse de
Recife, quando então se mudou para Fortaleza, onde a Superintendência de
Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE foi buscá-lo para organizar os estudos
físicos e matemáticos na recém fundada Universidade do Piau, realizando excelente
trabalho. Nos anos 70 Padre Machado volta a UNICAP.
Publicações: Padre Machado não gostava de publicar só um ou outro artigo, e
algumas traduções, entre as quais se destaca a “Filosofia da Natureza” de Hegel.

3.1.6 Coleção Residência dos Padres
A Coleção da Residência dos Padres, consiste no aglomerado de publicações entre
livros, periódicos, folhetos, jornais etc, oriundas de diversas partes do mundo,
enfocando várias temáticas do conhecimento, que pertenceram a padres da
Companhia de Jesus que faziam ou fazem parte da comunidade dos jesuítas da
Universidade Católica de Pernambuco – UNICAP.

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4. Coleções que foram e que estão sendo incorporadas ao acervo

A Biblioteca da UNICAP buscando ampliar progressivamente seus recursos
informacionais, não só com o produto do conhecimento interno, mas também a partir
de aquisições de acervos importantes, com o fim de servir à comunidade e preservar
a memória Institucional e Nacional, incorporou ao seu acervo as bibliotecas
particulares que pertenceram a renomados nomes que contribuíram para o
desenvolvimento da Instituição, alguns deles foram Reitores e Pró-reitores da
UNICAP e outros participaram ativamente do cenário cultual de Pernambuco. A
aquisição de tão valioso acervo atendeu a dois grandes propósitos:
a) no âmbito da Universidade, prestar serviços informacionais relevantes a
comunidade acadêmica;
b) no âmbito pessoal atender a vontade expressa desses personagens de que esse
acervo fosse mantido, na Universidade Católica de Pernambuco – UNICAP.
Através dessas doações a Biblioteca reuniu ao seu acervo uma massa
documental, de aproximadamente 50 mil volumes, entre livros, folhetos e periódicos,
sobre as mais variadas temáticas, com destaque nas áreas de Teologia, Filosofia,
História, Literatura, Matemática e Física. Documentos de grande valor histórico
estavam armazenados sem nenhum tratamento e ou possibilidade de acesso pelos
usuários, foram hoje as Coleções Especiais, a saber:
•

Coleção Professor José de Moura Rocha

•

Coleção Professor Nailton Santos

•

Coleção da Congregação Mariana

•

Coleção da Residência dos Padres

•

Coleção Padre Aníbal

•

Coleção Professor Rubens Lóssio

•

Coleção Professor Potiguar Mattos

•

Coleção Padre Machado

•

Coleção de Obras Raras

�9

O Projeto de Organização, Tratamento e Disponibilização das Coleções
Especiais, surgiu da necessidade de organização dessa massa documental e teve
início no ano de 2001 com a preparação da Coleção do Profº. Dr. José de Moura
Rocha e do Profº. Nailton Santos, através da contratação de uma equipe de
prestadores de serviços. Com o término do contrato, a diretora da biblioteca Jaíse da
Costa Leão, fez ver a Pró-reitoria de Graduação e Extensão - PROGRADE, a
necessidade urgente da contratação de três bibliotecárias para trabalharem
exclusivamente na organização e tratamento das coleções especiais, perfazendo um
total de 160 horas mensais cada.
Para agilizar o preparo e disponibilização do acervo, no ano de 2005 foi
contratada uma equipe de cinco bibliotecárias por tempo determinado, com uma
jornada de 80 horas mensais cada.

Coleções incorporadas ao acervo

Coleção Prof. José de Moura Rocha
Coleção Profº. Nailton Santos
Coleção da Congregação Mariana

Coleções que estão sendo incorporadas ao acervo

Coleção Profº. Rubens Gondim Lóssio
Coleção Profº. Potiguar Mattos
Coleção Pe. Machado
Coleção da Residência dos Padres.

4.1 Atividades Desenvolvidas

4.1.1 Transferência do acervo bibliográfico

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O acervo das coleções especiais encontrava-se disperso, em vários
cômodos, no prédio da Universidade Católica e aparentemente desprovido de uma
organização formal. Foi criado um espaço, na Biblioteca Central em condições de
abrigar as coleções e facilitar os trabalhos de higienização e processamento
técnico.
A transferência para o prédio da Biblioteca Central da Universidade Católica
de Pernambuco foi supervisionada pela bibliotecária chefe do Setor de Processos
Técnicos Catarina Duarte e pela bibliotecária chefe do Setor de Aquisição, na
ocasião Neide Oliveira, visando, sobretudo, à instalação adequada e ao conforto
ambiental necessário às atividades.

4.1.2 Coleções incorporadas ao acervo

Das coleções incorporadas ao acervo foram realizadas as seguintes atividades:
•

Preparação técnica;

•

Preparação física;

•

Higienização e acondicionamento adequado das obras segundo seu estado
de conservação;

•

Identificação de obras antigas, raras e/ou preciosas;

•

Identificação de Ex-Libris e Superlibris na coleção;

•

Organização do espaço físico;

•

Disponibilização para consulta;

•

Consulta on-line

4.2 Atividades em andamento

4.2.1 Seleção

O processo de seleção dos acervos que compõe as coleções especiais,
segue a política adotada pela biblioteca, obedecendo estado de conservação, teor
informacional dos documentos e duplicidade de títulos.

�11
4.2.2 Higienização das obras

Os documentos passam por uma higienização mecânica, sendo retiradas
todas as sujidades, folha a folha, com uso de trinchas apropriadas e mesa de
exaustão. Concluída a higienização mecânica, os livros que apresentam maior
processo de deterioração são acondicionados em caixas de cartão de 410
gramas/m ou “polionda” e envoltos em papel alcalino e os que apresentam
melhores condições em jaquetas de poliéster.

4.2.3 Processamento técnico

O processamento técnico das obras é feito seguindo as normas de
catalogação do Anglo-American Cataloguing Rules, 2nd edition - AACR2, em nível
três de descrição bibliográfica, no formato USMARC. O cadastramento das obras
é feito através da utilização do Pergamum – Sistema Integrado de Biblioteca,
programa desenvolvido pela Divisão de Processamento de Dados da Pontifícia
Universidade Católica do Paraná, adquirido pela Biblioteca em 2002.
Utiliza-se do sistema de Classificação Decimal Universal – CDU. No controle do
vocabulário é utilizado a Library of Congress, Biblioteca Nacional e Rede
Pergamum.

4.2.4 Disponibilização do acervo

Todos os esforços estão sendo direcionados para que, até o final do ano de
2006 o acervo das coleções especiais estejam incluídos na base.
Atualmente à medida que esse material está sendo incluído é possível fazer
pesquisa e consultas on-line. Com essa proposta pretende-se preservar e
futuramente disponibilizar os acervos provenientes de toda essa coleção, que
reúne a documentação desses personagens ilustres.
Quanto a disponibilização dessa massa documental faz-se necessário criar
uma

política

de

uso,

um

ambiente

adequado

para

recepção

dos

�12
usuários/pesquisadores e definir normas e procedimentos quanto ao manuseio
das obras das coleções especiais, devendo esta política ser realizada através de
uma comissão formada pela direção da biblioteca, chefia de processos técnicos e
profissionais envolvidos com o tratamento e organização dessas coleções.

5. Considerações Finais

A meta inicial do Projeto de Organização, Tratamento e Disponibilização de
Coleções Especiais, vem sendo realizada gradativamente, a trajetória a ser
percorrida é longa, tendo em vista, o volume documental a ser trabalhado.
A medida em que as obras foram sendo incorporadas ao acervo foi
detectado um grande número de livros raros ou com características especiais,
datados dos séculos XVII, XVIII, XIX, XX. Obedecendo aos critérios de
antiguidade, estado de conservação, peculiaridades físicas ou de conteúdo, não
permitem o acesso irrestrito de pesquisadores em geral ao acervo raro e especial.
Numa próxima etapa a equipe que liderou a criação dessas coleções na
biblioteca tem a expectativa de que este núcleo seja expandido futuramente com a
digitalização dessas obras, garantindo o acesso de estudiosos e leigos a um
patrimônio cultural de inegável valor para o desenvolvimento de pesquisas e de
intercâmbio de informações entre especialistas e a comunidade em geral. Para
isso deverão ser submetidos projetos a órgãos de fomento nacionais e buscados
recursos sob a forma de doações e patrocínios culturais.

6 Benefícios

A organização, conservação e preservação da memória documental é
apenas a primeira fase desse processo. De que adianta ter um legado tão lindo,
se é um legado que ninguém pode consultar. A digitalização das obras raras
propiciará aos amantes de livros raros e ao público em geral a oportunidade de

�13
apreciar obras, que, em alguns casos chegam a quase 400 anos de idade, e
produz um aumento no número de consultas locais e o surgimento de novos tipos
de usuários.
Democratizar o acesso à massa documental formada por essas coleções
especiais são benefícios que incluem a UNICAP no cenário cultural brasileiro,
divulgando a memória intelectual, dessas personalidades, e a promoção ao
acesso às informações sobre vários temas pertinentes a cultura brasileira.

7. Referências

CUNHA, Murilo Bastos da. Construindo o futuro: a biblioteca universitária brasileira
em 2010. Ciência da Informação, Brasília, DF, v. 29, n. 1, p. 71-79, jan./abr.
2000.

LUCCAS, Lucy; SERIPIERRI, Dione.

Conservar para não restaurar: uma

proposta para preservação de documentos em bibliotecas. Brasília: Thesaurus,
1995. 125 p.

GOMES, Sônia de Conti; MOTTA, Rosemary Tofani. Técnicas alternativas de
conservação: recuperação de livros, revistas, folhetos e mapas.

2. ed. Belo

horizonte: Ufmg, 1997. 108 p.

PINHEIRO, Ana Virgínia Teixeira da Paz. Que é livro raro? : uma metodologia
para o estabelecimento de critérios de raridade bibliográfica. Rio de Janeiro: INL,
1989. 70 p.

PRADO, Heloísa de Almeida. Organização e administração de bibliotecas. São
Paulo : T.A. Queiroz, 2003. 221p.

�14
SARMENTO, Adriana Godoy da Silveira. Preservar para não restaurar. In:
CIEBERÉTICA, 2., 2003, Florianópolis. Anais eletrônico...Florianópolis:[s.n.],
2003. Disponível em: http://www.ciberetica.org.br. Acesso em: 10 maio. 2005.

SILVA, Neusa Cardimda; DIB, Simone Faury; CAAMANO, Adriana Campos Jaña.
Coleções especiais: acessibilidade e preservação da memória. In: CIEBERÉTICA,
2., 2003, Florianópolis. Anais eletrônico...Florianópolis:[s.n.], 2003. Disponível
em: http://www.ciberetica.org.br. Acesso em: 10 maio. 2005.

SPINELLI JUNIOR, Jayme. A conservação de acervos bibliográficos &amp;
documentais. Rio de Janeiro : Fundação Biblioteca Nacional, 1997. 90 p.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O trabalho descreve numa primeira etapa o processo de organização, o tratamento e a disponibilização das Bibliotecas Particulares que compõem as Coleções Especiais, doadas por familiares à Universidade Católica de Pernambuco – UNICAP. Seus acervos são formados por livros e periódicos considerados de rico valor informacional em diversas áreas do conhecimento humano, adquirido ao longo dos anos, bem como, da produção intelectual que pertenceram a personalidades ilustres da história institucional da UNICAP e de Pernambuco, tais como: Potiguar Figueiredo Matos, Rubens Gondim Lóssio , Pe. Aníbal de Souza Melo, S.J., Pe.Machado e do acervo da Residência dos Padres. Após breve histórico sobre sua vida e suas obras, descreve as ações iniciais para integração do acervo ao patrimônio da Universidade, os procedimentos relativos ao tratamento (higienização e conservação) e processamento técnico do acervo bibliográfico, numa segunda etapa será o processamento eletrônico de imagem – Digitalização, voltados para a captura e conversão de documentos a partir do formato tradicional (papel) para o formato digital, observando fatores essenciais aos trabalhos de digitalização tais como: tecnologias de Reconhecimento Óptico dos Caracteres (OCR) e avaliação das características do acervo a ser digitalizado. Objetivando com isso diversificar os serviços, criando pontos de acesso à informação e disponibilizando documentos que resgatam a memória institucional e do Estado de Pernambuco.</text>
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                    <text>COMISSÕES ESPECIALIZADAS DE ESTUDO DO SB/UFC: RELATO DE
EXPERIÊNCIA
GURGEL, Nadsa Maria Cid (1); LIMA, Diana Maria Flor de (2);
MARTINS, Ana Lúcia (3); SOARES, Francisco Jonatan (4).

RESUMO
As bibliotecas de um modo geral e em especial as universitárias têm evoluído
concomitantemente às tecnologias de automação, exigindo dos profissionais
bibliotecários constante aquisição de novos conhecimentos. Em face disso, o Sistema de
Bibliotecas da UFC, implementando ações traçadas no planejamento estratégico para o
quadriênio 2003-2007, constituiu Comissões Especializadas de Estudo (CEEs) para
aprofundar questões relativas ao seu fazer cotidiano. Objetiva relatar a experiência de
trabalho das 06 comissões (Catalogação Retrospectiva, Acervo, Eventos, Automação,
Pessoal, e Infra-estrutura), dando ênfase especial à produção de conhecimentos e à
atuação em face do novo paradigma do acesso livre à informação científica. Adota o
método qualitativo e a pesquisa documental, a fim de verificar a evolução do trabalho
integrado e cooperativo das CEEs. Ressalta mudanças de comportamento dos
bibliotecários, que, motivados pela perspectiva de participação nas decisões gerenciais
da BU, buscam aprendizagem e contribuem com criatividade para solução de problemas.
Recomenda a continuidade dos estudos das CEEs aprimorando sua metodologia de
trabalho, para certificar qualidade e eficiência aos serviços desenvolvidos pelo SB/UFC.
Palavras-chave: Educação continuada; Educação permanente – Bibliotecário (a);
Biblioteconomia – Estudo e Ensino; Comissão de Estudo de Serviços Bibliotecários.

_______________________________________
1 - Especialista em Tecnologias Aplicadas ao Gerenciamento da Informação, Universidade
Federal do Ceará, nadsa@ufc.br
2 - Bacharel em Biblioteconomia, Universidade Federal do Ceará, dianamfl@ufc.br
3 - Especialista em Tecnologias Aplicadas ao Gerenciamento da Informação, Universidade
Federal do Ceará, alucia@ufc.br
4 - Especialista em Sistemas de Automação de Informação em Ciência e Tecnologia, Universidade
Federal do Ceará, jonatan@ufc.br

�INTRODUÇÃO

Consolidando uma característica democrática de gestão, onde o(a)
Diretor(a) da Biblioteca Universitária é eleito pela maioria dos funcionários lotados
no sistema, a gestão administrativa que se iniciou em junho de 2003 buscou
ampliar a participação efetiva dos bibliotecários na gestão do Sistema de
Bibliotecas. A partir dessa visão, foram constituídas Comissões Especializadas de
Estudo (CEEs), concretizando uma das ações previstas no planejamento
estratégico para o quadriênio 2003-2007. Além de descentralizar as decisões
administrativas, objetivava-se também diagnosticar e analisar as necessidades de
mudanças para a solução de problemas técnicos e estruturais, de maneira
científica, aprofundando questões relativas ao fazer cotidiano, com ênfase
especial à produção de conhecimentos e à atuação em face do paradigma do
acesso livre à informação científica.

Tendo como missão “...dar suporte informacional às atividades
educacionais, científicas, tecnológicas e culturais da Universidade Federal do
Ceará, contribuindo para elevar o nível socioeconômico e cultural da sociedade
em geral.” (http://www.biblioteca.ufc.br/), o Sistema de Bibliotecas SB/UFC,
denominado Biblioteca Universitária – BU, é composto por 14 Bibliotecas Setoriais
que atendem aos alunos dos 54 cursos de graduação, 43 cursos de
especialização, 44 mestrados, alunos dos 18 cursos de doutorado, 1.603
professores, 3.409 técnico-administrativos, além dos alunos das 06 Casas de
Cultura Estrangeira estando todos esses usuários potenciais, distribuídos em 03
campi, existindo ainda algumas unidades fora dos campi, caracterizando-se numa
organização complexa de ser administrada.

Esse artigo pretende relatar a experiência das referidas comissões de
trabalho na Biblioteca Universitária, destacando avanços alcançados após 03
anos de sua implementação. Além da análise dos documentos administrativos
gerados a partir das reuniões e trabalhos das comissões, constam nesse texto, a
experiência dos referidos agentes.

�COMISSÕES DE ESTUDOS - BUSCANDO IDENTIFICAÇÕES

No início de 2003, o SB/UFC já estava com seu acervo parcialmente
automatizado e havia adquirido recentemente o software Pergamum, o que
facilitava sobremaneira os trabalhos técnicos. A partir de então, buscou-se uma
forma de estimular o corpo bibliotecário a se envolver nas questões
administrativas, valorizando assim o capital intelectual. A perspectiva era de
estabelecer uma administração participativa compartilhando responsabilidades
com o corpo técnico, vislumbrando uma forma de pensar estrategicamente,
fortalecendo a cultura do trabalho cooperativo e a qualificação profissional de
forma continuada.

Como já foi mencionado acima, a automação que a princípio constituíase em um obstáculo, foi gradativamente equacionada, ficando evidente a
necessidade de dar um salto qualitativo no desempenho da BU. A formação das
comissões era então um convite a uma nova postura profissional, abrindo a
possibilidade de todos tornarem-se sujeitos das decisões, de atuarem de forma
propositiva e não meramente opinativa, ampliando a visão de biblioteca como um
sistema inserido numa universidade pública com responsabilidades sociais.
“As alterações no perfil profissional não se restringem ao âmbito
da qualificação profissional e da gestão do trabalho, mas
abrangem o conteúdo e a forma como o trabalho é realizado,
como o trabalhador se relaciona e se socializa no ambiente de
trabalho. Atingem a subjetividade do sujeito, invadindo seu espaço
social, seu comportamento individual e coletivo. Necessita-se de
um profissional flexível, apto a atuar em situações de trabalho
diferenciadas e a mobilizar seu conhecimento em prol da
organização.” (AMARAL, 2005)

Eleitas algumas áreas prioritárias consideradas estratégicas para o
Sistema, a Direção junto com a Coordenação de Bibliotecas alinharam objetivos
identificando os fatores internos que demandavam a busca de melhorias ou

�inovações, sendo elencados: Catalogação Retrospectiva, Acervo, Eventos,
Automação, Pessoal, e Infra-estrutura.

Definidas as comissões, a meta seguinte era obter a participação do
maior número possível de bibliotecários com representantes de todas as unidades
setoriais. Enfrentava-se o desafio de buscar reunir diferentes pontos de vista
sobre questões administrativas e técnicas para obter tomadas de decisão mais
democráticas, o que aumentaria a responsabilidade dos mesmos sobre os
resultados obtidos no trabalho desenvolvido, corroborando com o que diz
Almeida:
A escassez de recursos tem levado bibliotecas e serviços de
documentação a fazerem muito com pouco. Essa é uma das
principais razões para a avaliação contínua dos serviços e a
identificação de fatores que possam contribuir para a maior
produtividade e a melhoria da qualidade. (ALMEIDA, 2000, p. 13)

COMPOSIÇÃO, ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO

Foram apresentadas as áreas temáticas, os objetivos que seriam
perseguidos e, em seguida, o ingresso nessas comissões, que se daria de acordo
com o tema de interesse de cada bibliotecário. Não havia restrições quanto à
participação em mais de uma comissão. A Direção estabelecia um prazo para as
inscrições, em seguida era marcada reunião dando início aos trabalhos. Foram
escolhidos, dentre os participantes, um coordenador e um relator para cada
comissão. Logo depois, os objetivos eram discutidos e traçados os planos de
trabalho. De acordo com Maciel,

O profissional competente deve estar, constantemente, envolvido
num processo de: planejar, implantar, acompanhar e avaliar cada
nova ação que, num movimento contínuo, fornecerá subsídios
(feedback) para o planejamento de outras ações e assim
sucessivamente.

Em princípio cada equipe realizava levantamentos bibliográficos,

�verificando o estado-da-arte naquele assunto. A partir de então, eram montadas
as estratégias de ação tanto para a solução de problemas quando para propor
inovações. Foi estabelecido um cronograma de reuniões com a Direção e
Coordenação para discutir propostas e tomar as decisões finais.
No decorrer dessa experiência, algumas adequações tornaram-se
necessárias, evidenciando o caráter flexível das CEEs, tanto no que diz respeito à
participação das equipes quanto ao temário, sendo suprimidos, mesclados e
acrescentados.
Como resultado do esforço empreendido nas CEEs, destacamos
algumas ações implementadas:

Comissão de Catalogação Retrospectiva

•

Apresentou alternativas para realizar a catalogação retrospectiva com
pessoal interno, uma vez que não foi possível contratar empresa ou
pessoal especializado;

•

Suplementou a Política de Desenvolvimento do Acervo, detalhando
procedimentos relativos ao descarte e desbastamento;

•

Elaborou o documento Diretrizes para a catalogação Retrospectiva,
visando a padronização e qualidade dos registros;

•

Identificou a necessidade de treinamento e propôs capacitação dos
servidores para a catalogação e

•

Acompanhou e avaliou a catalogação retrospectiva nas bibliotecas
setoriais.

Apesar das dificuldades de infra-estrutura, funcionários insuficientes e
carência de equipamentos, a inserção de dados do acervo retrospectivo foi
equacionada de forma a não comprometer a implementação do empréstimo
automatizado. Hoje grande parte do material demandado está no catálogo
automatizado, sendo o restante inserido a medida que é solicitado pelos usuários.
Comissão de Acervo

�•

Elaborou a Política de Desenvolvimento do Acervo, com a parceria do
Curso de Biblioteconomia da UFC;

•

Obtenção junto à Coordenação do Curso de Biblioteconomia dos
programas atualizados das disciplinas com as respectivas referências
bibliográficas, confrontando o acervo da biblioteca com a bibliografia
indicada, observando os parâmetros de exemplar/usuário, estabelecidos
pelo MEC. O referido estudo servirá de base para os demais cursos da
universidade e

•

Estabeleceu prioridades para entrada de material na base Pergamum.

A comissão viabilizou o intento da BU de definir sua Política de
Desenvolvimento

do

Acervo,

oportunidade

que

resultou

também

no

estabelecimento de interação com o Departamento de Biblioteconomia.

Comissão de Eventos

•

Realizou campanhas educativas de preservação do acervo;

•

Promoveu

exposições

alusivas

a

datas

comemorativas,

tanto

as

pertinentes às áreas das bibliotecas setoriais, quanto as de caráter geral,
com o objetivo de divulgar o acervo existente nas bibliotecas da UFC;
•

Dotou a biblioteca de estrutura necessária à realização de exposições;

•

Deu continuidade à realização do Seminário de Avaliação do Sistema de
Bibliotecas;

•

promoveu encontros de integração dos funcionários como forma de
melhorar o relacionamento interpessoal.
Essas iniciativas ampliaram a comunicação com os usuários,

despertaram o interesse da mídia pelo que acontece no âmbito da Biblioteca
Universitária e conferiram maior visibilidade ao acervo.

Comissão de Automação

�•

Viabilizou a Implantação da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações
(TEDE) e

•

Realizou estudos para a reformulação do site do Sistema de Bibliotecas.
Por envolver agentes externos à Biblioteca, foi necessário fazer um

trabalho de sensibilização junto a esses agentes, demandando empenho e
determinação. Após essa implementação a comunidade tem contribuído para a
expansão da TEDE.

Comissão de Pessoal

•

Criou o banco de conhecimentos, obtendo informações dos funcionários
sobre as habilidades, grau de capacitação, opiniões e sugestões sobre a
administração da BU, compondo o perfil dos mesmos;

•

Elaborou critérios para participação em cursos e treinamentos técnicos e

Firmou parceria com a Superintendência de Recursos Humanos da UFC

•

para viabilizar treinamentos específicos para o Sistema de Bibliotecas,
buscando também sugestões nos LNTs (Levantamentos das Necessidades
de Treinamentos).

As informações obtidas através do Banco de Conhecimentos já
permitiram

a

elaboração

de

propostas

de

capacitação

submetidas

a

Superintendência de Recursos Humanos, de cursos específicos da área que não
são oferecidos pelo Setor de Treinamento. Já estão agendados alguns desses
cursos.

Comissão de infraestrutura

•

Foi realizado levantamento junto às bibliotecas sendo diagnosticados os
problemas relativos à infraestrutura: sinalização, climatização, mobiliário,
mudança de layout das divisões, reforma, adequação, manutenção e

�segurança dos prédios.

Chegou-se à conclusão que a solução desses problemas deveriam
ficar a cargo da direção, visto que dependiam de negociação com a
Administração Superior da Universidade. Em função disso, extinguiu-se a
Comissão.

Comissão de Normalização

Em função da dinâmica dessas comissões, foi sugerida, pelos
bibliotecários, a criação de mais uma Comissão com os objetivos abaixo:

•

Revisão e atualização do Guia de Normalização de Trabalhos Acadêmicos
da BU;

•

Divulgação do guia e das normas de documentação da ABNT;

•

Pesquisa sobre os métodos de normalização utilizados na UFC.

�CONCLUSÕES

O Sistema de Bibliotecas da UFC ao longo de sua trajetória, oscilou entre
momentos de maior e menor envolvimento dos profissionais na participação da
administração. A partir da implementação do trabalho em equipe nas comissões
especializadas, observou-se nos bibliotecários, a visão mais ampla do conjunto
do sistema, por meio da troca de informações com as diversas unidades setoriais.

Abordando realisticamente os problemas, apontando soluções criativas e
otimizando os recursos existentes, a tônica das discussões nas comissões
passou a ser: compartilhar, otimizar recursos e aperfeiçoar processos internos.

Em dado momento, observamos que o paradigma do bibliotecário de
formação técnica ainda é muito presente em nosso ambiente de trabalho,
afirmação que é comprovada pelo fato de que a Comissão de Catalogação, a
mais caracteristicamente técnica, mobilizou o maior número de funcionários,
chegando a contar com 11 (onze) integrantes em determinados momentos.

Apesar da cultura tecnicista ainda arraigada, os grupos de estudo
trouxeram, positivamente, nova feição para o Sistema, desencadeando no corpo
técnico a necessidade de continuamente voltar-se para a aquisição de novos
conhecimentos, assim como estar atento à novas perspectivas do fazer cotidiano,
resultando na mudanças de comportamento.

Esse artigo - apenas um estudo inicial - demonstra que o investimento feito
no capital humano é essencial para o desenvolvimento das organizações. Os
resultados positivos alcançados por esse modelo de gerência participativa
evidenciam que a iniciativa é válida e precisa ser continuada.

�REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Maria Christina Barbosa de. Planejamento de bibliotecas e serviços
de informação. Brasília: Briquet de Lemos, 2000.
GUIMARÃES, José Augusto Chaves. Moderno profissional da informação:
elementos para sua formação no Brasil. Disponível em: &lt;http://www.congresoinfo.cu/UserFiles/File/Info/Info97/Ponencias/007.pdf&gt;. Acesso em: 19 julho 2006.
MACIEL, Alba Costa. Planejamento de bibliotecas: o diagnóstico. 2, ed. Niterói:
EDUFF, 1997.
MARCONI, Marina; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de metodologia
científica. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2005.
SILVA, Edna Lúcia da e CUNHA, Miriam Vieira da. A formação profissional no
século XXI: desafios e dilemas. Ci. Inf., set./dez. 2002, v.31, n.3, p.77-82. ISSN
0100-1965.

�ABSTRACTS

The libraries in general and in a special way the colleges student have evolved
concomitantly to the automation technologies, demanding of the professional
librarians constant acquisition of new knowledge. In face of this, the System of
Libraries of the UFC, implementing actions traced in the strategical planning for
the period of 2003-2007, constituted Specialized Commissions of Study (CEEs) to
deepen relative questions to its daily work. Objective to tell the experience of work
of the 06 commissions (Retrospect Cataloguing, Collection, Events, Automation,
Staff, and Infrastructure), giving special emphasis to the production of knowledge
and the performance in face of the new paradigm of the free access to the
scientific information. It adopts the qualitative method and the documentary
research, in order to verify the evolution of the work integrated and cooperative of
the CEEs. It standes out changes of behavior of the librarians, who, motivated for
the perspective of participation in the managemental decisions of the BU, search
learning and contribute with creativity for solution of problems. It recommends the
continuity of the studies of the CEEs improving its methodology of working, to
certify quality and efficiency to the services developed by the SB/UFC.

Keywords: Continued education; Permanent education - Librarian; Librarianship Study and Education; Commission of Study of Librarian Services.

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>Gurgel, Nadsa Maria Cid; Lima, Diana Maria Flor de; Martins, Ana Lúcia; soares, Francisco Jonatan</text>
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                <text>As bibliotecas de um modo geral e em especial as universitárias têm evoluído concomitantemente às tecnologias de automação, exigindo dos profissionais bibliotecários constante aquisição de novos conhecimentos. Em face disso, o Sistema de Bibliotecas da UFC, implementando ações traçadas no planejamento estratégico para o quadriênio 2003-2007, constituiu Comissões Especializadas de Estudo (CEEs) para aprofundar questões relativas ao seu fazer cotidiano. Objetiva relatar a experiência de trabalho das 06 comissões (Catalogação Retrospectiva, Acervo, Eventos, Automação, Pessoal, e Infra-estrutura), dando ênfase especial à produção de conhecimentos e à atuação em face do novo paradigma do acesso livre à informação científica. Adota o método qualitativo e a pesquisa documental, a fim de verificar a evolução do trabalho integrado e cooperativo das CEEs. Ressalta mudanças de comportamento dos bibliotecários, que, motivados pela perspectiva de participação nas decisões gerenciais da BU, buscam aprendizagem e contribuem com criatividade para solução de problemas. Recomenda a continuidade dos estudos das CEEs aprimorando sua metodologia de trabalho, para certificar qualidade e eficiência aos serviços desenvolvidos pelo SB/UFC.</text>
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                    <text>Universidade Federal de Santa Catarina
Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento
Disciplina – Introdução às Tecnologias de Informação e Comunicação

Lourdes de Costa Remor– UFSC/Brasil1
lu@saude.sc.gov.br
Gregório Varvakis – UFSC/Brasil2
grego@deps.ufsc.br
Rogério Cid Bastos – UFSC/Brasil3
rogerio@inf.ufsc.br
Carlos Augusto Monguilhott Remor4
cremor@mbox1.ufsc.br
Angélica Miranda – URGS/ Brasil5
angelicam@furg.br

COMO AS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO
PODEM CONTRIBUIR PARA A EQUIDADE NO SUS –
O USO DA TELEMEDICINA

Junho de 2006

1

Graduação em enfermagem; mestrado em Engenharia de Produção; doutoranda em Engenharia e Gestão do
Conhecimento, todos pela UFSC. Funcionária da Secretaria de Estado da Saúde – SES, Santa Catarina.
2
Doutor - Professor. do Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento da UFSC.
3
Doutor - Professor. do Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento da UFSC.
4
Doutor - Professor do Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento da UFSC.
5
Graduação em Biblioteconomia pela URGS; mestrado em Engenharia de Produção; doutoranda em
Engenharia e Gestão do Conhecimento, ambos pela UFSC.

�2

Resumo

Aborda a importância das tecnologias de informação e comunicação e seus
efeitos na área da saúde. Discute como os gestores do Sistema Único de Saúde –
SUS estão tentando cumprir o princípio de eqüidade, buscando reduzir as
desigualdades de acesso às informações e aos serviços, através do uso dessas
tecnologias. Expõe como o Conselho Federal de Medicina conceitua telemedicina
e a utilização de metodologias interativas de comunicação audiovisual e de
dados, com o objetivo de assistência, educação e pesquisa em Saúde.

1 – Introdução
O artigo pretende mostrar como os gestores do Sistema Único de Saúde –
SUS estão tentando cumprir o princípio de eqüidade, buscando reduzir as
desigualdades de acesso em saúde, através do uso das tecnologias de
informação e comunicação. Apresentaremos um breve histórico do SUS,
conceitos e a contextualização das tecnologias de informação e comunicação e
seus efeitos no SUS. Aqui, especificamente, falaremos da Telemedicina,
implantada em Santa Catarina, no ano de 2005, para a leitura de exames de
imagem e diagnóstico.

2 – Breve Histórico do SUS
Como as tecnologias da informação e Comunicação podem contribuir para
a eqüidade no SUS e promover o cumprimento dos princípios constitucionais,
pelos gestores do SUS — Ministro e Secretários de saúde das 3 esferas de
governo?
O Estado Brasileiro incluiu a saúde na Constituição Federal de 1988, como
um direito do cidadão e dever do Estado e assegura o seu financiamento no artigo
194 da Constituição (1988) correspondente à Seguridade Social.
A inclusão da saúde na Constituição, que resultou no Sistema Único de
Saúde – SUS deu-se em decorrência de vários movimentos anteriores entre os

�3

quais destacam se: a criação de um Fórum Nacional de Debates sobre Saúde em
1937 – Conferência Nacional de Saúde, instituída pela Lei nº. 378 de 13 de
janeiro; a realização da 8ª Conferência Nacional de Saúde, de 17 a 21 de março
de 1986, que ampliou as idéias discutidas na 3ª Conferência e inspirou a criação
do SUS. Seu relatório final recomenda a reestruturação do Sistema Nacional de
Saúde e propõe uma nova concepção de saúde.
Em 20 de julho de 1987, o presidente da República assinou o decreto nº.
94.657 que criou o Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde – SUDS, que
se sustentou por convênios, entre a União e os estados.
A concretização do SUS deu-se com a efetiva transferência, para os
estados, da gestão de hospitais públicos federais, pertencentes ao INAMPS.
Entretanto, como o SUS foi concebido em 1988 e somente regulamentado em
1990, vigorou no período de 1987 a 1990, o SUDS.
O SUS foi regulamentado pelas Leis 8.080 de 19 de setembro de 1990 e
8.142 de 28 de dezembro de 1990.
Com

a

implantação

do

SUS,

tentava-se

resgatar

os

princípios

constitucionais de universalidade (acesso à saúde a toda a população) e
eqüidade.
O Dicionário Eletrônico Aurélio traz como conceito de eqüidade “disposição
de reconhecer igualmente o direito de cada um”. (FERREIRA, 1999)
Sobre o setor saúde, o art. 196 da Constituição (1988) define: “A saúde é
direito de todos e dever do Estado, garantida mediante políticas sociais e
econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao
acesso universal igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e
recuperação”.
E quanto à organização da saúde, a Constituição (1988), art. 198 diz “As
ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e
hierarquizada e constituem um sistema único, organizado de acordo com as
seguintes diretrizes:
I - descentralização, com direção única em cada esfera de governo;

�4

II - atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem
prejuízo dos serviços assistenciais;
III - participação da comunidade”.
O termo hierarquização tem aqui um sentido não usual, conotando uma
ordem de complexidade dos serviços e não de importância (BRASIL,
NOAS/SUS/01/02).
A forma regionalizada tenta integrar os municípios de maneira que os
serviços disponíveis em um, compensem os não disponíveis em outro,
objetivando o atendimento integral dentro de um limite territorial (BRASIL,
NOAS/SUS/01/02).
E, para efetivar a transferência de recursos financeiros do Ministério da
Saúde para as secretarias estaduais e municipais e para organizar o SUS, após a
promulgação das Leis Orgânicas da Saúde, o Ministério da Saúde editou Normas
Operacionais Básicas – NOB’s, o que se configurou numa espécie de manual.
A NOB/SUS/93 considerou os diferentes estágios de cada município, na
estruturação do SUS, criando para isso, tipos diferentes de gestão. Considerou
também, as diferenças entre os municípios, capacidade e a complexidade dos
serviços, deixando a cargo do estado e da União algumas atribuições, para as
quais o município não pudesse se responsabilizar (BRASIL, NOB/SUS/93).
O SUS, em Santa Catarina, objeto de estudo, desse artigo, possui 293
municípios, sendo que desses, 86 possuem cardiologistas no seu quadro de
pessoal. Mas praticamente todos possuem o eletrocardiógrafo (Brasil, 2006a).
Em 1996, o Ministério da Saúde editou a Norma Operacional Básica NOB/SUS/96, estabelecendo novos modelos de gestão para estados e
municípios, considerando os estágios alcançados pelos municípios na construção
de uma gestão plena.
Gestão está conceituada pela NOB/SUS/96 como “a atividade e a
responsabilidade de dirigir um sistema de saúde (municipal, estadual ou
nacional), mediante o exercício de funções de coordenação, articulação,
negociação, planejamento, acompanhamento, Controle, Avaliação e Auditoria.
São, portanto gestores do SUS, os Secretários Municipais de Saúde, os

�5

Secretários Estaduais de Saúde e o Ministro da Saúde, respectivamente nas suas
esferas de governo” (BRASIL, NOB/SUS/96).
A relação de prestação de serviços dentro de cada região se dá através da
PPI – Programação Pactuada e Integrada. “A PPI é um processo que visa definir
a programação das ações de saúde em cada território e nortear a alocação dos
recursos financeiros para saúde a partir de critérios e parâmetros pactuados entre
os gestores” (BRASIL, 2006b).
O SUS integrou todos os serviços públicos de saúde (federal, estadual e
municipal), prevendo o acesso universal, igualitário e com atendimento integral
em todos os níveis de atenção à saúde. Contudo, dado que o Estado não
comportaria toda a estrutura necessária para o cumprimento dos dispositivos
constitucionais para a assistência à saúde, a Constituição também previu a
participação da iniciativa privada no SUS.
Desde a sua implantação, os gestores do SUS tentam promover a
eqüidade através da implantação de novas políticas públicas de saúde,
procurando reduzir as desigualdades dos usuários dentro do Sistema. Entretanto,
essas políticas estão longe de proporcionar os efeitos buscados, considerando o
descontentamento dos usuários, observados na mídia e nas práticas diárias. A
julgar pelos resultados, podemos colocar em questão a intencionalidade.
Por outro lado, as tecnologias de informação e comunicação, parecem
apontar para soluções. As tecnologias não têm amigos, influências políticas,
preconceitos, além de conseguir uma abrangência maior, porque o virtual não
sofre as restrições do espaço, num país de dimensões continentais.
Em Santa Catarina, em 2005, foi iniciada a implantação dos complexos
reguladores, dentre os quais, está a telemedicina.

3 – Contextualização das Tecnologias da Informação e Comunicação e seus
efeitos no SUS
Os complexos reguladores implantados na Secretaria de Estado da Saúde
– SES, Santa Catarina – SC, objetivam a análise de exames para a autorização
prévia de procedimentos de alto custo; a pertinência na realização de

�6

procedimentos e o fornecimento de laudos de exames de imagem, ambos, via
telecnologias de informação e comunicação. Com a iniciativa da SES, o programa
para a implantação dos complexos reguladores foi elaborado pela Universidade
Federal de Santa Catarina, em convênio.
Para Vasconcellos, Moraes e Cavalcante (2002), “centrais de regulação
das ações de saúde são Instrumentos que tem por objetivo garantir à
integralidade da assistência a saúde a qualquer cidadão, independente do local
de atendimento e da complexidade assistencial necessária”. Neste artigo, nos
limitaremos à avaliação da implantação do serviço de telemedicina em SC, e
apresentamos algumas considerações sobre os benefícios advindos para os
usuários e para os gestores do SUS.
Telemedicina é definido pela Organização Mundial de Saúde como
“a oferta de serviços ligados aos cuidados com a saúde, nos casos
em que a distância é um fator crítico; tais serviços são providos por
profissionais da área da saúde, usando tecnologias de informação e
de comunicação para o intercâmbio de informações válidas para
diagnósticos, prevenção e tratamento de doenças e a contínua
educação de prestadores de serviços em saúde, assim como, para
fins de pesquisas e avaliações; tudo no interesse de melhorar a
saúde das pessoas e de suas comunidades” (OMS, 2006).
O Conselho Federal de Medicina conceitua telemedicina como “o exercício
da Medicina através da utilização de metodologias interativas de comunicação
áudio-visual e de dados, com o objetivo de assistência, educação e pesquisa em
Saúde”. (CFM, 2002)
O financiamento da saúde bem como os esforços na implantação de novas
políticas de saúde não tem dado conta de reduzir as desigualdades em saúde,
sugerindo que “as novas formas de relacionamento e conceito advindos do
avanço das tecnologias de informação e comunicação se colocam compatíveis
com os princípios do SUS”. (VASCONCELLOS; MORAES; CAVALCANTE, 2002,
p. 233)

�7

A telemedicina, ao proporcionar serviços à longa distância, vencendo
barreiras territoriais, aos usuários, possibilita o cumprimento da eqüidade, um dos
princípios constitucionais do SUS.
Vale ressaltar que Moraes e Vasconcellos (2005, p.93) afirmam que “a
opção de qualificar esta ou aquela área de aplicação (como por exemplo, uma
tecnológica, outra política), na busca de afirmação de saberes, empobrece a
construção do campo da informação, informática e comunicação em saúde”.
Para proporcionar uma maior clareza, destacando a idéia do conteúdo e
não do instrumento, Moraes e Vasconcellos (2005, p.93) salientam que “pode-se
adotar uma visão ampla e inclusiva da expressão “informação em saúde” como
sendo a gestão da informação que se origina no uso sistemático e intensivo de
dados quantitativos e qualitativos". E adotam a expressão “tecnologias de
informação, comunicação, computação e telecomunicação, na formulação,
implementação e avaliação de políticas de saúde; promoção da saúde;
planejamento, regulação, administração e provisão de serviços de saúde de
populações e do ambiente; na avaliação dos serviços de saúde e no diagnóstico e
tratamento de doenças”.
A coordenação da telemedicina na SES/SC concentra, além dos
equipamentos, recursos humanos que possam prestar esse tipo de serviço para o
Estado todo. Através de uma rede de computadores, instalados na SES/SC em
Florianópolis, os municípios, que possuem o serviço de telemedicina instalados,
enviam o exame por imagem e nessa central é fornecido o laudo.
Inicialmente, o Serviço de Telemedicina de santa Catarina oferece laudos
para diagnóstico de eletrocardiograma. Ainda que inicialmente, a prestação de
serviço pareça incipiente, ela é relevante em termos de custos e satisfação ao
usuário, haja vista que esse tipo de diagnóstico requer um cardiologista no
município e, em Santa Catarina, como já citamos acima, dos 293 municípios,
somente 866 possuem cardiologistas, requerendo com isso, o deslocamento do
usuário, para outros locais para a realização do exame ou o envio do laudo,
fisicamente, para a leitura em outro município o que demanda tempo e
insatisfação ao usuário.
6

Dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNES, Março. 2006.

�8

A intenção da SES é, posteriormente, estender o serviço para outros
exames e formas de regulação.
Em SC, a implantação da telemedicina objetiva: reduzir o transporte de
pacientes para outros municípios e/ou a capital, através de ambulâncias; oferecer
suporte médico especializado a regiões remotas do Estado, através do
telediagnóstico; otimizar a utilização de equipamentos já instalados nos
municípios; reduzir o tempo de espera para a realização de exames e
procedimentos de alta complexidade.
Avaliação do Projeto econômica e socialmente:
Epstein e Buhovac (2006) ressaltam que ”o retorno de investimentos em
Tecnologias de Informação não são calculados com o mesmo rigor que outros
investimentos empresariais. Enquanto, gerentes de TI estão convictos que elas
agregam valor e geram lucros, se medidas apropriadamente, os mesmos têm
dificuldades para provar determinado enunciado”.
Um projeto de Tecnologias deve ser calculado antes do seu início, para
estimar a eficácia do custo potencial e após o projeto, para fazer a avaliação dos
resultados e, anualmente durante a vida do projeto. É recomendado o uso, de
pelos menos, dois métodos de avaliação de retorno de investimentos em cada
projeto. (EPSTEIN; BUHOVAC, 2006).
Embora, não se calcule o retorno do investimento, com todo o rigor, ou
mesmo, que esse retorno não fosse significativo, no serviço público, deve-se
considerar o retorno social e a própria legislação. A Constituição do Brasil (1988)
prevê a eqüidade para os serviços de saúde e, conforme mencionado, as políticas
tradicionais não tem dado conta de cobrir a oferta de serviços.
Na utilização da tecnologia de informação e comunicação, no SUS, o
retorno do investimento parece ser imediato, considerando que dispensa a mão
de obra médica no local da prestação do serviço, dispensa gastos com transporte
do usuário e dispensa o encaminhamento do exame para outros centros, para o
fornecimento de laudos acarretando em maior tempo.

Benefícios e/ou Economias

�9

Diretos
1. Redução de custos de transportes e diárias de usuários para deslocamento
fora do município de residência;
2. Dispensa da mão de obra médica no local de residência do usuário.
Indiretos
1. Cumprimento do princípio constitucional de eqüidade;
2. Aumento da satisfação dos usuários pela rapidez no fornecimento dos
laudos/prestação de serviço; na não necessidade de deslocamento;
3. Retorno social para os gestores do SUS.
É pertinente que gestores públicos e conselheiros de saúde, se apropriem
criticamente das implicações da sociedade da informação para o sistema de
saúde, vislumbrando a curto, médio e longo prazos, estratégias que superem a
defasagem tecnológica e direcionem os esforços para a melhoria da saúde da
população. (VASCONCELLOS; MORAES; CAVALCANTE, 2002, p. 233)

4 – Considerações Finais
As tecnologias de informação e comunicação estão se apresentando como
a alternativa para proporcionar o cumprimento do princípio de eqüidade e o
efetivo cumprimento das responsabilidades do Estado com o dever em
disponibilizar serviços de saúde para a sociedade. Elas retiram dos gestores de
saúde, a forma de fazer saúde, por meio de políticas compensatórias,
beneficiando ora um segmento, ora outro segmento.
Vasconcellos (2000), citado por Vasconcellos; Moraes; Cavalcante (2002,
p.221) “alerta para a defasagem existente entre o avanço do conhecimento no
campo das tecnologias de informação e a incorporação destas tecnologias no
processo de gestão em saúde no Brasil”. Contudo, como a “engenharia do
conhecimento dá suporte à gestão e se tornou a maior técnica de integração de
informação”, afirma Studer et al, (2000), as tecnologias de informação e
comunicação devem ser os substratos da integração da engenharia com a

�10

gestão, no desenvolvimento de ferramentas e instrumentos para viabilizar planos,
projetos e políticas.

5 – Referências
– BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil.
Brasília, DF: Senado, 1988. Arts. 194 -200.
–

BRASIL. Lei nº. 8.080, de 19 set. 1990.

–

BRASIL. Lei nº. 8.142, de 28 dez. 1990.

– BRASIL. Ministério da Saúde. Datasus. Cadastro Nacional de
Estabelecimentos de Saúde (CNES), 2006a.
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(NOAS-SUS 01/02). D.O.U.; Brasília, DF, 28 fev. 2002.

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EPSTEIN, Marc J.; BUHOVAC, Adriana Rejc. What’s in IT for you and your
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In: J. Cuena, et al. (eds.), Knowledge Engineering and Agent Technology. IOS
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Documentação&#13;
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                <text>Aborda a importância das tecnologias de informação e comunicação e seus efeitos na área da saúde. Discute como os gestores do Sistema Único de Saúde – SUS estão tentando cumprir o princípio de eqüidade, buscando reduzir as desigualdades de acesso às informações e aos serviços, através do uso dessas tecnologias. Expõe como o Conselho Federal de Medicina conceitua telemedicina e a utilização de metodologias interativas de comunicação audiovisual e de dados, com o objetivo de assistência, educação e pesquisa em Saúde.</text>
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                    <text>COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO: BASES DE DADOS ELETRÔNICAS
COMO FERRAMENTA DE RECUPERAÇÃO, AVALIAÇÃO, E PRODUÇÃO DA
INFORMAÇÃO E DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO E TECNOLÓGICO NA
UFRJ
Vânia Lisbôa da Silveira Guedes1

Patrícia Rosas2

Ana Maria de Carvalho Carreiro3

RESUMO

Este estudo refere-se ao conteúdo do curso intitulado Competência em
Informação: busca, acesso, avaliação, organização e difusão da informação e do
conhecimento científico e tecnológico na UFRJ, ministrado para os alunos de pósgraduação da Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro,
integrantes do projeto PRH13 da Agência Nacional de Petróleo (ANP).
Inicialmente, discorre-se sobre a pesquisa bibliográfica científica e sua
importância como tópico de metodologia científica, no desenvolvimento de
projetos científicos e tecnológicos. A seguir, mencionam-se conceitos de
informação, informação científica, metadado, conhecimento, ciência, tecnologia,
periódico científico, patente, gestão da informação e do conhecimento. Logo após,
destaca-se a competência em informação, seu conceito, relevância e dinâmica e
as áreas que a integram. A partir daí, conceituam-se Sistema de Informação,
evidenciando seu objetivo, input/output, e apresenta-se o Sistema de Busca
Bibliográfica, sob a gestão do SiBI, que permite a recuperação, o acesso, a
avaliação, organização e difusão do conhecimento científico e tecnológico na
UFRJ, em bases de dados referenciais e textuais. Nesse ínterim, são
apresentados e utilizados: o Portal de Periódicos da Capes, destacando o
Science Direct, Base Scirus, Web of Science, Derwent World Patents Index, Open
Archives, o Portal de Livre Acesso da CAPES, a Rede Scielo, e as principais
bases de dados e portais científicos e tecnológicos na web, como por exemplo, o
Google Scholar, Google Acadêmico, Biblioteca Digital do Portal Domínio Público
do MEC, Base de Patentes do INPI, Base Lattes e as bases de dados oferecidas
pelo Instituto Brasileiro de Informação Científica e Tecnológica (IBICT) e do
Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq). Finalmente, discorre-se sobre a
ferramenta de busca em desktop, SciFinder, apresentando detalhadamente as
1

Vânia Lisbôa da Silveira Guedes, M.Sc. em Ciência da Informação – UFRJ, Doutoranda em Lingüística –
UFRJ, Membro da Comissão de Implantação do CBG e Coordenadora das Atividades da Biblioteca da Escola
de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Cidade Universitária – Centro de Tecnologia – Bloco
E, Rio de Janeiro – RJ – Brasil, guedes@eq.ufrj.br
2

Patrícia Rosas, M. Sc. Em Biblioteconomia e Ciência da Informação. Doutoranda em Clínica Médica –
UFRJ, Membro da Comissão de Implantação do CBG, Gerente de Informações da SaBE – Saúde Baseada
em Evidências, Responsável pela BIBLIDT – Biblioteca do Instituto de Doenças do Tórax da Universidade
Federal do Rio de Janeiro, Cidade Universitária – CCS, Rio de Janeiro – RJ – Brasil, patrosas@terra.com.br
3

Ana Maria de Carvalho Carreiro, M. Sc. em Ciência da Computação – UFF, Coordenadora de Informática
da Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Cidade Universitária – Centro de
Tecnologia – Bloco E, Rio de Janeiro – RJ – Brasil, carreiro@eq.ufrj.br

1

�bases que a integram, Chemical Abstracts Service e Medline, com destaque para
seus recursos e sua excelência como instrumento de busca e recuperação da
informação, nas ciências químicas e áreas afins, especificamente, nesse curso,
na engenharia de petróleo.
PALAVRAS-CHAVE:
Pesquisa Bibliográfica. Competência em Informação. Bases de Dados
Referenciais e Textuais. Sistema de Recuperação da Informação. Informação
Científica e Tecnológica.

2

�ABSTRACT

This study is on the content of a course on: Competence in Information: search,
access, evaluation, organization and diffusion of information and of scientific and
technological knowledge at UFRJ,offered to graduate students at EQ/UFRJ who
take part in the PRH 13 program of the ANP. It starts with the scientific literature
search and its importance as a topic of the scientific method in the development of
scientific and technological projects. It is followed by concepts of information,
scientific information, metadata, knowledge, science, technology, scientific journal,
patent, knowledge and information management. After that emphasis is on
competence in information, its concept, relevance and dynamics and the areas
that are included. Then comes the concept of information systems, evidencing its
objective, input/output, the UFRJ Library and Information System is presented,
and, in this context, the Bibliographic Search System managed by SiBI, that allows
the recovery, access, evaluation, organization and diffusion of scientific and
technological knowledge at UFRJ, in reference and textual databases. Meanwhile,
the CAPES Portal de Periódicos, with emphasis on ScienceDirect, the Scirus
base, Web of Science, Derwent World Patent Index, Open Archives, the free
access portal of CAPES, the Scielo Network, the databases and portals on the
Web, such as, for example, Google Scholar, academic Google, the digital library of
the MEC public domain portal, the INPI patent database, the Lattes database and
the databases offered by IBICT are covered. Finally, SciFinder, the desktop
search engine, is presented in detail along with the bases it comprises, Chemical
Abstracts Service and Medline, with emphasis on its resources and its excellence
as an instrument for information search and recovery, in the chemical sciences
and related areas, specifically, in this course, in petroleum engineering.

KEYWORDS:
Bibliographic Search System. Information Literacy. Referential and Textual
Databases. Information Research System. Scientific and Technology Information.

3

�1 TÍTULO

Competência em Informação: busca, acesso, avaliação, organização, produção e
difusão da informação e do conhecimento científico e tecnológico na UFRJ.

2 INTRODUÇÃO

No final do ano 2000 e início de 2001, enquanto, no âmbito da Escola de Química
da Universidade Federal do Rio de Janeiro, se discutia como melhor capacitar
alunos para a busca e a recuperação de informações relevantes e pertinentes a
seus focos de estudo, desenvolviam-se, internacionalmente, a área de Information
Literacy (Competência em Informação) e as sub-áreas que a integram. Nessa
época, o aluno da Escola de Química que quisesse fazer pesquisa, necessitava
de paciência, tempo e dinheiro para o levantamento bibliográfico, restrito a
orientações individuais e à disponibilidade dos computadores instalados na
Biblioteca da EQ/UFRJ, e no Laboratório de Informática da EQ/UFRJ.

O conceito de Information Literacy, que tem sua origem associada à
Biblioteconomia e ao surgimento da Sociedade da Informação, tem sido
amplamente adotado e difundido em países como os Estados Unidos, Canadá e
Austrália e pode ser definido como processo de interiorização de valores,
conhecimentos e habilidades ligadas ao universo informacional e à competência
em informação. No Brasil, a Federação Brasileira de Associações de
Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições (FEBAB) criou o Grupo
Brasileiro de Estudos sobre Information Literacy e vem acompanhando o
desenvolvimento desta área desde 2003. Segundo Dudziak (2006), Information
Literacy refere-se ao “domínio sobre o universo informacional, incorporando
habilidades, conhecimentos e valores relacionados à busca, acesso, avaliação,
organização e difusão da informação e do conhecimento”. Em verdade, ela
“envolve desde questões relacionadas às bibliotecas, seu papel no ensinoaprendizagem, conceitos e princípios de alfabetização informativa, habilidades e
competência [...], até o planejamento e implementação de programas de
desenvolvimento de competências informativas na sociedade contemporânea”

4

�(REITZ, 2006). O Presential Comittee on Information Literacy da American Library
Association (apud DUDZIAK, 2006) ressalta que, para ser competente em
informação, uma pessoa deve ser capaz de reconhecer quando uma informação é
necessária e deve ter habilidade de localizar, avaliar e usar efetivamente esta
informação. Desta forma, temos o processo de construção conhecimento se
desenvolvendo a partir da busca, recuperação e uso da informação.

Figura 1 Representação espacial da information literacy como uma área do
conhecimento que agrega "multi-literacies“.
Fonte: OTIS College of Arts and Design, [s.d.]. Disponível em:
http://library.otis.edu/informationliteracy.html. Acesso em: 03/03/2006
Com essa perspectiva, a partir de março de 2001, iniciavam-se, na Escola de
Química, como tópicos das disciplinas Introdução aos Processos Químicos e
Bioquímicos (EQW-112) e Metodologia da Pesquisa Científica (EQE-040), aulas
sobre competência em informação. Os docentes, então responsáveis por essas
disciplinas, a coordenadora da biblioteca e a coordenadora de informática da EQ
sentiram a necessidade de orientar os alunos, recém-chegados ao ambiente
universitário, sobre a infra-estrutura universitária disponível para a realização de
pesquisas bibliográficas. Essas aulas tinham, então, como objetivo, apresentar
aos alunos o sistema de buscas bibliográficas e de acessos físico e eletrônico à
informação científica e tecnológica, sob a gestão do SiBI/UFRJ, e implantar o
treinamento periódico e sistemático desses alunos, contribuindo para um maior
nível de competência no desenvolvimento de buscas bibliográficas, acesso,
avaliação, uso e produção de informações científicas e tecnológicas, na Escola de
Química.

5

�Este estudo refere-se ao conteúdo do curso intitulado Competência em
Informação: busca, acesso, avaliação, organização, produção e difusão da
informação e do conhecimento científico e tecnológico na UFRJ, ministrado
para os alunos de pós-graduação da Escola de Química da Universidade Federal
do Rio de Janeiro, integrantes do projeto PRH13 da Agência Nacional de Petróleo
(ANP). Trata-se de uma evolução da aula, acima mencionada, intitulada Sistema
de Busca Bibliográfica: o acesso físico e eletrônico à informação científica e
tecnológica na UFRJ, oferecida pela primeira vez no ano de 2001. A partir dessa
experiência, vivenciada em 5 anos, fomos convidadas pelo Coordenador do
Programa PRH13 da Agência Nacional de Petróleo, para desenvolver um curso
visando à capacitação dos alunos de pós-graduação, para a busca, acesso,
avaliação, organização, produção e difusão da informação e do conhecimento
científico e tecnológico. A palestra inicial, acima mencionada, evoluiu para um
curso com dois dias de duração, focando especificamente a questão da
competência em informação e as demais áreas que a integram, a importância da
pesquisa bibliográfica no desenvolvimento de projetos em ciência e tecnologia, os
sistemas de informação, o Sistema de Busca Bibliográfica de acesso físico e
eletrônico à informação científica e tecnológica na UFRJ e, finalmente, com
especial destaque, o Portal de Periódicos da CAPES, o Portal de Livre Acesso da
CAPES e a ferramenta de busca em desktop, SciFinder.

3 OBJETIVO

O principal objetivo deste curso é proporcionar aos alunos conhecimento teórico e
técnico sobre a pesquisa bibliográfica, evidenciando a técnica e as estratégias de
busca, de recuperação e de avaliação da informação científica e tecnológica,
sobre seus temas de pesquisa, em bases de dados físicas e eletrônicas,
disponíveis na UFRJ.

4 METODOLOGIA

O curso foi desenvolvido em 4 módulos de 2 horas/aula cada um, sendo
apresentados dois módulos por dia. Em cada dia, o primeiro módulo consiste em

6

�aula teórica, abrangendo os tópicos relacionados no programa, enquanto que o
segundo módulo consiste em aula prática de acesso físico e eletrônico à
informação científica e tecnológica, em bases de dados disponíveis na página do
Sistema de Bibliotecas e a Informação (SiBI) da UFRJ e na web, assim como nas
bases CAS e MEDILINE, que utilizam o SciFinder, como ferramenta de busca.

No primeiro módulo, discorre-se sobre a pesquisa bibliográfica e sua importância
como tópico da metodologia científica. Ela consiste, como diria Alessio (2004), em
pesquisar o que está disponível, em termos de informações e conhecimentos
sobre determinada área do conhecimento, em artigos de periódicos, livros,
monografias, dissertações, teses, anais de congressos e publicações avulsas. A
pesquisa bibliográfica evita a duplicação de trabalhos já realizados, minimiza o
consumo de tempo, os recursos materiais, humanos e financeiros. Além disso, ela
pode servir para a criação ou para o desenvolvimento de uma idéia, ou seja,
como fonte de inspiração para o aluno, professor ou pesquisador (MEADOWS,
1999). O uso regular e efetivo de fontes de informação apropriadas, impressas ou
eletrônicas,

é

a

chave

para

se

alcançar o sucesso na pesquisa e

desenvolvimento, como também em quaisquer outras atividades ligadas à ciência
e à tecnologia. Mas, segundo Dudziak (2006), diante da atual explosão
informacional, torna-se cada vez mais necessário “dominar” o universo
informacional. Para que possamos construir conhecimento e aprender, algumas
tarefas

tornam-se

imprescindíveis:

reconhecer

nossas

necessidades

informacionais, definir essas necessidades, buscar e acessar a informação, física
e intelectualmente, avaliá-la, organizá-la, transformá-la em conhecimento,
aprender a aprender e aprender, ao longo da vida. Face a esses aspectos,
admite-se que uma pessoa competente, em nível de information literacy, deve ser
capaz de saber quando a informação é necessária, como localizá-la, recuperá-la,
avaliá-la, utilizá-la, transformando-a em conhecimento de maneira eficaz.

Ainda neste primeiro módulo, para fins de contextualização, apresentam-se os
conceitos de informação, informação científica, metadado, conhecimento, ciência
e tecnologia, periódico científico, patente, gestão da informação e do
conhecimento. Seguindo a linha de Dante (2004), definimos Gestão da

7

�Informação como o processo mediante o qual se obtêm, se desdobram e se
utilizam recursos básicos (econômicos, físicos, humanos e materiais) para
governar a informação, tanto internamente quanto para o meio ambiente em que
determinado sistema de informação está inserido. Dante (2004) explica ainda que
tanto a informação como o conhecimento têm a ver com as pessoas, porém em
diferentes níveis ou dimensões. A informação depende dos dados, que se
convertem em informação, ao adquirir significado a partir de diferentes processos
de agregação de valor e de uma determinada contextualização. O conhecimento
é a informação transformada em crença, conceitos e modelos mentais, mediante
raciocínio e reflexões. A função da Gestão do Conhecimento é planejar, implantar,
operar e monitorar todas as atividades que se baseiam no conhecimento e nos
programas que se fazem necessários, para uma gestão efetiva do capital
intelectual.

Dando seguimento ao curso, conceitua-se Sistema de Informação, focado na
Recuperação da Informação, evidenciando seu objetivo, input/output. São
exemplificados um modelo de engenharia de busca conceitual em um Sistema de
Informação (figura 2), isto é, interpreta as buscas em linguagem natural, processa
as palavras que têm vários significados, busca palavras-chave, avalia a
quantidade de informação em cada palavra-chave, expande a busca por
thesaurus e indica o nível de relevância de cada página, e um modelo de buscas
focadas na necessidade do usuário (figura 3).

Figura 2 Representação espacial da engenharia de busca conceitual de um
Sistema de Informação. Fonte: GAUCH, S.; MADRID, J M.; INDURI, S,
RAVINDRAN, D et al, [s.d.]. Disponível em: http://www.ittc.ku.edu/
keyconcept/home.html. Acesso em: 20/11/2005
8

�Figura 3 Representação espacial de um Sistema de Recuperação da Informação,
focado na busca e na necessidade de informação do usuário.
Fonte: APPLE. Adding search to your application (preliminary):
formulating a query, [s.d.]. Disponível em: https://developer.apple.com/
documentation/UserExperience/Conceptual/SearchKitConcepts/SearchKi
tConcepts.pdf. Acesso em: 20/11/2005
Dando seqüência ao primeiro módulo, apresenta-se o Sistema de Bibliotecas e
Informação (SiBI) da UFRJ e, os sistemas de busca bibliográfica por ele gerido,
que permitem a recuperação, o acesso, a avaliação, a organização, a produção e
a difusão do conhecimento científico e tecnológico na UFRJ, em bases de dados
referenciais e textuais. Dentre as bases de dados, apresenta-se com maior nível
de exaustividade o Portal de Periódicos da Capes, destacando o ScienceDirect,
Base Scirus, Web of Science, Derwent World Patents Index, Open Archives, O
Portal de Livre Acesso da Capes e a Rede Scielo. Este portal recebe especial
destaque, pois se tornou, nos últimos 5 anos, uma ferramenta essencial para a
busca, recuperação, acesso, avaliação, produção e divulgação da informação
científica e tecnológica, atualizada e on-line, em Instituições de Ensino e Pesquisa
(IFES).

Cada base de dados, aqui mencionada, é apresentada com detalhes,
evidenciando suas características em relação à retroação na obtenção dos dados,
o que muitas vezes determina o volume de informações contidas, em cada uma
dessas bases. Inicia-se a apresentação pela Base Minerva (www.minerva.ufrj.br),
que integra o acervo das 46 unidades de informação da UFRJ. Essa base,
referencial e textual, oferece a busca por bibliotecas, periódicos, teses, coleções
9

�especiais, autores, títulos, assuntos, entre outros, através da utilização do
Software Aleph, específico para serviços de biblioteca, em ambiente de pesquisa
e ensino. Segue-se o Portal de Periódico da CAPES, com especial atenção ao
Science Direct (http://www.sciencedirect.com), base textual com maior acervo de
artigos científicos disponível na Internet, com cerca de 1.500 títulos de periódicos
em ciência de tecnologia. Logo após, apresenta-se a base de dados referencial
Web of Science (http://isiknowledge.com/), com retroação a 1945, contendo
artigos publicados em mais 8.700 periódicos especializados, em todas as áreas
do conhecimento, e através da qual é possível o acesso ao texto integral de
alguns documentos, mediante uma rede de citações. Outras bases citadas, que
são de grande importância dentro do estudo das Engenharias, são as bases de
patentes. Nesse curso, são apresentadas a Derwent World Patents Index®
(http://scientific. thomson.com/products/dwpi/), que possui cerca 13,5 milhões de
registros de patentes, com a inclusão de cerca de 1,5 milhão de patentes por ano
e a Base de Dados de Patentes, disponibilizada pelo Instituto Nacional da
Propriedade Industrial (INPI) (http://www.inpi.gov.br/MarcaPatente/jsp/servimg/),
com informações científicas e tecnológicas sobre mais de 20 milhões de
documentos em patentes.

Outro tópico, também apresentado neste curso, refere-se à iniciativa do Open
Archives, ou arquivos abertos. A iniciativa pode representar uma revolução na
disseminação da informação científica e tecnológica, no Brasil e no mundo. Ela
oferece aos pesquisadores maior facilidade para publicar seus trabalhos, ao
mesmo tempo em que permite, ao público em geral, acesso ao conhecimento,
produzido nas universidades e centros de pesquisa. Desenvolvida a partir de
programas de código aberto (software open source), oferece o acesso livre às
informações armazenadas em suas bases, utilizando padrões que permitem sua
interoperabilidade. Segundo o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e
Tecnologia (IBICT), responsável por comandar essa iniciativa no Brasil, somos o
quarto país do mundo a implantar repositórios digitais, para base de Open
Archives. O IBICT acrescenta que caminhamos, rapidamente, para ampliar essas
fontes de informação, liberando o acesso a revistas eletrônicas, a teses e

10

�dissertações, a relatórios técnicos e a anais de congressos científicos. É uma
porta aberta para toda e qualquer informação tecnológica e científica.
As primeiras iniciativas de Open Archives são contemporâneas ao surgimento da
Internet, na década de 90. O objetivo era oferecer uma alternativa de
comunicação científica, onde os próprios pesquisadores publicassem seus
trabalhos, armazenados e disponibilizados em formato digital, permitindo que a
comunidade, como um todo, tivesse acesso às pesquisas realizadas e pudesse
tecer comentários àqueles trabalhos publicados. Essa iniciativa foi desenvolvida
nos Estados Unidos, no Laboratório Nacional de Los Alamos. Dando continuidade
a esse trabalho, a CAPES disponibilizou o Portal de Acesso Livre da CAPES. Por
meio do portal, é possível acessar, gratuitamente, periódicos com textos
completos, bases de dados referenciais com resumos, patentes, teses e
dissertações, estatísticas e outras publicações de acesso gratuito na Internet,
selecionadas pelo nível acadêmico e mantidas por instituições científicas e
profissionais e por organismos governamentais e internacionais. Outra iniciativa
de Open Archive, apresentada no curso, é a Rede Scielo, que disponibiliza um
conteúdo bibliográfico de abrangência internacional.

No segundo módulo, temos a parte prática do curso, onde se faz o treinamento do
uso dessas bases, com exemplos de buscas relacionadas aos temas de trabalhos
dos alunos participantes do curso. Nesse momento, os alunos têm a oportunidade
de utilizar as bases e as técnicas de busca, até aqui apresentadas, para recuperar
documentos, que poderão ser utilizados posteriormente, em sua pesquisa, na
elaboração de dissertações ou teses.

Os dois últimos módulos do curso ficam reservados para tratar de uma ferramenta
de busca em desktop: SciFinder Scholar. Trata-se de um serviço de acesso ao
Chemical Abstracts On-line, base de dados da American Chemical Society – ACS,
para pesquisa científica publicada, em especial, na área de química e outras,
como: Engenharia, Física, Ciências Médicas, Polímeros, Ciências dos Materiais,
Ciências Geológicas, Agricultura. Sua cobertura retroage a 1907, incluindo
referências de artigos de periódicos, patentes, palestras, teses, relatórios técnicos
entre outros. A base de dados contém mais de 25 milhões de substâncias

11

�orgânicas e inorgânicas, milhões de seqüências de aminoácidos e de proteínas,
fontes comerciais de mais de 6 milhões de substâncias químicas e mais de 228
mil registros de substâncias catalogadas, em inventários de diversos países.
Diferente das demais bases de dados, apresentadas até o momento, que utilizam
a interface web para seu acesso, o SciFinder consiste em uma ferramenta de
busca em desktop, ou seja, um software especial, disponibilizado para as
instituições devidamente cadastradas como usuárias do sistema. Este software
deve ser instalado, localmente, em um computador pertencente à rede de
computadores das instituições cadastradas e, assim, o usuário terá disponíveis,
os recursos especiais, que proporcionam, por exemplo, a busca na base de
dados, a partir de estrutura e subestrutura de molécula das substâncias, entre
outros. O módulo adicional, que permite a pesquisa de estruturas e subestruturas
químicas (SSM – SciFinder Substructure Module) (figura 4) é um diferencial nesta
base, em relação às demais apresentadas, pois ele oferece aos usuários a
possibilidade de desenhar uma estrutura química e recuperar documentos que,
por exemplo, tratem da própria estrutura desenhada, ou de estruturas mais
complexas, que possuam a estrutura desenhada, ou ainda reações que envolvam
esta estrutura. Além das possibilidades de buscas tradicionais, por nome de autor,
título do documento, assunto, etc, esta base permite a recuperação de
informação, a partir de nome de empresas, organizações, institutos e
universidades. O Software SciFinder Scholar recupera as informações contidas
nos bancos de dados produzidos pelo Chemical Abstracts Service (CAS) e pelo
MEDLINE®, da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos. Todos os
registros estão em idioma inglês. O banco de dados CAplus contém mais de 23
milhões de documentos, de mais de 9.000 periódicos, de 150 países.

Assim, o terceiro módulo do curso trata principalmente das questões teóricas
sobre a utilização desta ferramenta, apresentando sua interface e as várias
possibilidades de recuperação da informação, utilizando a variedade de recursos
para o refinamento da busca e a apresentação dos resultados. Esta ferramenta de
busca, apesar de se tratar de uma base de dados referenciais, nos permite o
acesso a alguns documentos de texto completo, através do portal ChemPort. Ela
realmente impressiona pelo volume de informação disponível e pela sua
12

�versatilidade, da qual podemos ressaltar inclusive a rede de citações. É
interessante observar que esses resultados podem e são utilizados como
indicadores de produção e status científico, em sistemas de avaliação científica e
tecnológica. Assim, esses resultados de buscas são, não somente insumos para a
produção de informação científica, mas também instrumentos de avaliação,
utilizados pelos órgãos e instituições, privadas e governamentais, de ciência e
tecnologia.

Figura 4 Janela do módulo de pesquisa por estrutura e subestrutura química do
SciFinder
Fonte: SciFinder Guia do Usuário, 2005. Disponível em:
http://www.periodicos.capes.gov.br/portugues/documentos/CAS/guiaUs
uario.pdf. Acesso em 20/03/2006.
Finalmente, no quarto módulo, os alunos são incentivados a praticar o uso da
ferramenta SciFinder, para a realização de buscas relacionadas aos temas de
seus trabalhos acadêmicos e, desta forma, fixando o conhecimento adquirido na
aula teórica. Segue, abaixo, o cronograma com a distribuição em módulos dos
tópicos relacionados no programa do curso:

5 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Inicialmente, foram oferecidas vinte vagas aos alunos bolsistas do projeto PRH13
da ANP. Entretanto, foram aceitas inscrições de alunos não participantes do

13

�referido programa, inclusive de um professor da Escola de Química. Ao
propormos

o

curso,

nossos

objetivos

constituíam-se,

basicamente,

em:

proporcionar aos alunos o conhecimento teórico e técnico de pesquisa
bibliográfica e de técnicas de busca e de recuperação da informação, em bases
científicas e tecnológicas de dados. Após o término do curso, constatamos que as
atividades desenvolvidas com os participantes permitiram que os objetivos fossem
alcançados. Através das aulas práticas, observamos que os alunos selecionaram
as bases de dados, desenvolveram estratégias de busca e recuperaram
informações relevantes, de acordo com seus temas de trabalho. Além disso, a
análise dos levantamentos bibliográficos, apresentados como trabalho final de
curso pelos alunos, evidenciou essa avaliação.

Além desse objetivo, a experiência revelou o quanto tais treinamentos, aulas ou
cursos podem contribuir para maior qualidade do processo de educação na UFRJ.
Com muitas pessoas sendo treinadas para o uso otimizado das bibliotecas, dos
laboratórios e das bases de dados eletrônicas, o empréstimo de livros e o uso das
bases cresceu sensivelmente. Nessas aulas, destacamos os resultados de
buscas bibliográficas como indicadores de produção e status científico, em
sistemas de avaliação cientifica e tecnológica. Em sistemas de comunicação
científica, servem de feedback para o tipo de informação a produzir, assunto,
frente de pesquisa em determinada área, periódicos mais relevantes, entre outros.
Ainda sobre a questão da avaliação, destacamos o sistema QUALIS da CAPES,
com o ranking e conceitos dos periódicos científicos mais relevantes, nacionais e
internacionais, em cada área de assunto, que servem de informação norteadora
para buscas, uso e publicação de artigos científicos e tecnológicos.

6 CONCLUSÃO

Após o término do Curso, constatou-se que as atividades desenvolvidas com os
participantes permitiram que os objetivos fossem alcançados. Através das aulas
práticas, observou-se que os alunos, com competência, souberam selecionar as
bases de dados e desenvolveram estratégias de busca e recuperaram
informações relevantes, de acordo com seus temas de trabalho. Além disso, a

14

�análise dos levantamentos bibliográficos, desenvolvida pelas autoras desse
trabalho, em parceria com os professores orientadores dos alunos, apresentada
como trabalho final de curso, evidenciou essa avaliação.
Além desse objetivo, a experiência revelou o quanto tais treinamentos, aulas ou
cursos podem contribuir para maior qualidade do processo de educação na UFRJ.
Com uma equipe mais abrangente sendo treinada para o uso otimizado das
bibliotecas e do laboratório de informática, o número de usuários, o acesso à base
de dados eletrônicos e o empréstimo de livros também se intensificaram.

7 REFERÊNCIAS
ALESSIO, P. A. Informação e conhecimento: um modelo de gestão para
potencializar a inovação e a cooperação universidade-empresa. 341 f. Tese
(Doutorado em Engenharia de Produção) – Programa de Pós-graduação em
Engenharia de Produção, UFSC, Florianópolis, 2004.
APPLE. Adding search to your application (preliminary): formulating a query.
Disponível
em:
https://developer.apple.com/documentation/UserExperience/
Conseptual/SearchKitConcepts/SearchKitConcepts.pdf. Acesso em: 20/11/2005.
CHEMICAL ABSTRACTS SERVICES. SciFinder: guia do usuário. Washington,
DC: American Chemical Society, 2005. Disponível em: http://www.periodicos.
capes.gov.br/portugues/documentos/CAS/guiaUsuario.pdf. Acesso em: 20/03/2006.
DUDZIAK, E. A. Information literacy education: integração pedagógica entre
bibliotecários e docentes visando a competência em informação e o aprendizado
ao longo da vida. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS, 12., Recife, 2002. Anais. Recife: UFPE/SIB, 2002. Disponível
http://www.sibi.ufrj.br/snbu/snbu 2002/main.htm. Acesso em: 20/03/2006
GAUCH, S.; MADRID, J M.; INDURI, S, RAVINDRAN, D et al. Key concept: a
conceptual search engine, information and telecommunication technology Center,
Technical Report:ITTC-FY2004-TR-8646-37, University of Kansas. Disponível em:
http://www.ittc.ku.edu/keyconcept/home.html. Acesso em: 20/11/2005
OTIS College of Arts and Design. Millard Sheets Library : Information Literacy.
What is it?. Disponível em: http://library.otis.edu/informationliteracy.html. Acesso
em: 03/03/2006
REITZ, Joan M. ODLIS Online Dictionary forLibrary and Information Science.
Disponível em: http://lu.com/odlis/. Acesso: 20/03/2006

15

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Este estudo refere-se ao conteúdo do curso intitulado Competência em Informação: busca, acesso, avaliação, organização e difusão da informação e do conhecimento científico e tecnológico na UFRJ, ministrado para os alunos de pós-graduação da Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro, integrantes do projeto PRH13 da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Inicialmente, discorre-se sobre a pesquisa bibliográfica científica e sua importância como tópico de metodologia científica, no desenvolvimento de projetos científicos e tecnológicos. A seguir, mencionam-se conceitos de informação, informação científica, metadado, conhecimento, ciência, tecnologia, periódico científico, patente, gestão da informação e do conhecimento. Logo após, destaca-se a competência em informação, seu conceito, relevância e dinâmica e as áreas que a integram. A partir daí, conceituam-se Sistema de Informação, evidenciando seu objetivo, input/output, e apresenta-se o Sistema de Busca Bibliográfica, sob a gestão do SiBI, que permite a recuperação, o acesso, a avaliação, organização e difusão do conhecimento científico e tecnológico na UFRJ, em bases de dados referenciais e textuais. Nesse ínterim, são apresentados e utilizados: o Portal de Periódicos da Capes, destacando o Science Direct, Base Scirus, Web of Science, Derwent World Patents Index, Open Archives, o Portal de Livre Acesso da CAPES, a Rede Scielo, e as principais bases de dados e portais científicos e tecnológicos na web, como por exemplo, o Google Scholar, Google Acadêmico, Biblioteca Digital do Portal Domínio Público do MEC, Base de Patentes do INPI, Base Lattes e as bases de dados oferecidas pelo Instituto Brasileiro de Informação Científica e Tecnológica (IBICT) e do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq). Finalmente, discorre-se sobre a ferramenta de busca em desktop, SciFinder, apresentando detalhadamente as bases que a integram, Chemical Abstracts Service e Medline, com destaque para seus recursos e sua excelência como instrumento de busca e recuperação da informação, nas ciências químicas e áreas afins, especificamente, nesse curso, na engenharia de petróleo.</text>
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COMPETÊNCIA INFORMACIONAL DO BIBLIOTECÁRIO QUE ATUA COM O
PORTAL DE PERIÓDICOS CAPES: ESTUDO NAS IFES DA REGIÃO
NORDESTE
Mônica de Paiva Santos1
Eliany Alvarenga de Araújo2

1 INTRODUÇÃO
No contexto da atual sociedade, onde a escassez de informação tem sido
substituída pelo excesso, um dos desafios a ser enfrentado pelo indivíduo é o de
ser capaz de utilizar, de forma eficiente e eficaz os conteúdos informacionais
disponíveis.

Para o profissional da informação, notadamente o bibliotecário, é
imprescindível ter fluência com as novas ferramentas de trabalho, as quais estão
fortemente ligadas às tecnologias de informação. Nesse sentido cresce o
interesse desses profissionais pela Competência Informacional  área de
estudos que trata, basicamente, do desenvolvimento de habilidades em torno do
acesso e uso da informação.

No âmbito das bibliotecas universitárias brasileiras, novas modalidades de
suporte e acesso à informação surgiram, a exemplo dos periódicos científicos
eletrônicos, especificamente o portal de periódicos CAPES, em que novas
competências são requeridas no processo de busca da informação. Exige-se
bibliotecários capazes de uma intermediação (usuário/fonte de informação) mais
avançada devido a complexidade dos novos recursos.

Diante desta nova realidade essa pesquisa tem como principal objetivo
analisar as competências informacionais demandadas por bibliotecários que
trabalham com o portal de periódicos CAPES nas bibliotecas centrais das IFES da
1
2

Bibliotecária/Biblioteca Central/Portal de Periódicos CAPES/UFPB. E-mail: monikkah@yahoo.com.br
Profª do Departamento de Biblioteconomia e Documentação da UFPB. E-mail: y.alvarenga@gmail.com

�2

região nordeste do Brasil e, de forma mais específica, caracterizar o perfil
profissional desses bibliotecários e identificar as principais dificuldades no uso do
portal.

2 COMPETÊNCIA INFORMACIONAL: abordagem histórico-conceitual

De seu surgimento, na década de 70, até os dias de hoje, é possível
encontrar tanto na literatura nacional quanto internacional, várias definições sobre
competência informacional e acerca do que é ser uma pessoa competente em
informação.

A seguir apresentamos algumas das definições de autores estrangeiros
extraídas dos estudos de Hatschbach (2002) e Dudziak (2003):

Década de 70  Enfoque na utilização eficaz de fontes de informação visando a
solução de problemas.
Pessoas treinadas para a utilização de fontes de informação em seu
trabalho, podem ser chamadas de competentes em informação
(information literates). Elas aprendem técnicas e habilidades para lidarem
com um grande número de ferramentas informacionais, bem como com
fontes primárias, para encontrarem informação visando a solução de
seus problemas  (ZORKOWSKI, 1974 apud HATSCHBACH, 2002);
Ser competente em informação requer uma série de novas habilidades,
incluindo como localizar e usar a informação necessária para a solução
de um problema e para a tomada de decisão eficiente e efetivamente. 
(BURCHINAL, 1976 apud HATSCHBACH, 2002);

Década de 80  Ênfase no ser humano e na aprendizagem.
Um conjunto de habilidades (estratégias de pesquisa e avaliação),
conhecimentos de ferramentas e recursos, desenvolvidos a partir de
determinadas atitudes (BREIVIK, 1989 apud DUDZIAK, 2003, p. 25).
Para ser information literate a pessoa deve ser capaz de reconhecer
quando a informação é necessária e ter a habilidade de localizar, avaliar
e usar efetivamente esta informação (...) Pessoas information literate
são aquelas que aprenderam como aprender. Elas sabem como
aprender porque sabem como a informação é organizada, como
encontra-la e como usar a informação de forma que os outros também
possam aprender com ela. (ALA, 1989 apud HATSCHBACH, 2002);

�3
A information literacy não é apenas uma questão de possuir habilidades,
mas, sobretudo, uma maneira de aprender: a busca de informação é um
processo de construção que envolve a experiência de vida, os
sentimentos, bem como os pensamentos e as atitudes de uma pessoa.
(KUHLTHAU, 1989 apud HATSCHBACH, 2002);

Década de 90  Focaliza atitude crítica com relação à informação e habilidades
no uso de tecnologias de informação
Um conjunto integrado de habilidades, conhecimentos e valores ligados
à busca, acesso, organização, uso e apresentação da informação na
resolução de problemas, utilizando, para tanto, o pensamento crítico.
(DOYLE, 1990 apud DUDZIAK, 2003, p.26);
A Information Literacy é uma nova área de estudo que engloba tanto o
conhecimento de como usar computadores e acessar informação quanto
a reflexão critica sobre a natureza da informação, sua infra-estrutura
técnica e seu impacto no contexto sociocultural-filosófico. (SHAPIRO;
HUGUES, 1996 apud HATSCHBACH, 2002);

Apresentamos, agora, as definições de autores brasileiros:
A Competencia em Informação é uma área de estudos e de práticas
que trata das habilidades acerca do uso da informação em relação à sua
busca, localização, avaliação e divulgação, integrando a utilização de
novas tecnologias e a capacidade de resolução de problemas de
informação. (HASTCHBACH, 2002, p. 51);
É o processo contínuo de internalização de fundamentos conceituais,
atitudinais e de habilidades necessárias à compreensão e interação
permanente com o universo informacional e sua dinâmica, de modo a
proporcionar um aprendizado ao longo da vida. (DUDZIAK, 2003, p.28);
Procedimento contínuo de interação e internalização à compreensão da
informação e de sua abrangência, em busca da fluência e das
capacidades necessárias para a geração de conhecimentos novos e sua
aplicabilidade ao cotidiano das pessoas e das comunidades ao longo da
vida. (BELLUZZO, 2005, p. 22)

A partir dos conceitos citados é possível depreender que a ênfase é no
contexto educacional, enfocando o indivíduo e a aprendizagem contínua, na
direção do desenvolvimento de competências para o domínio do universo
informacional e conseqüente, sucesso na sociedade da informação.

2.1 Tipologias de Competências Informacionais

�4

Miranda (2004, p. 120), num estudo muito interessante, a partir das
diversas tipologias de competências abordadas por diferentes autores, seleciona
as especificidades das competências informacionais, a seguir:

Em termos das
tipologias de:

Nordhaug (1998)

Miranda seleciona as seguintes esecificidades:
Competências informacionais técnicas  relacionadas aos métodos e
técnicas utilizados para lidar com as diversas fases do ciclo informacional e
habilidades de lidar com as tecnologias da informação e suas ferramentas;
Competências informacionais interpessoais e as conceituais  ligadas à
habilidade de mediação que o profissional que trabalha com a informação
deve ter para realizar o encontro entre a informação e seu usuário;

Doz (1994) e
Fleury e Fleury
(2001)

Competências informacionais individuais  correspondem ao conjunto de
competências nominadas por Nordhaug;
Competências informacionais organizacionais  correspondem ao conjunto
de competências informacionais individuais consubstanciadas nos processos
organcizacionais de modo a construir competências especificamentes ligadas
às atividades informacionais essenciais à organização.

Prahalad e Hamel
(1990)

Competências-chave  correspondem a competências informacionais
desenvolvidas em uma organização com o objetivo específico de se
diferenciar ou melhorar sua competitividade no mercado.

Zarifian (2001)

Wood Jr. (1999)

Saberes gerais e profissionais (referências de um dado universo profissional)
 ligados à formação característica de um profissional de informação;
Competências informacionais de fundo (adquiridas em situação educativa e
formalizada em conquistas cognitivas e comportamentais necessárias para
enfrentar as categorias de situações-problema)  ligadas ao que se
desenvolveria ou se mobilizaria em organizações ou atividades específicas,
para resolver os problemas informacionais específicos enfrentados em cada
caso.
Competências interacionais  trabalhar produtivamente com os outros;
Competências de solução de problemas  identificar, formular e executar
soluções criativas para problemas;
Competências de capacitação  reconhecer a necessidade de mudar e
empreender a mudança;
Competências de comunicação  comunicar eficaz e eficientemente.

Quadro 1: Especificidades de Competências Informacionais
Fonte: Miranda (2004, p. 120)

Para Dudziak (2006, p. 4) a competência informacional envolve toda a
atuação da biblioteca e dos bibliotecários, levando-os a assumir uma postura mais
presente e ativa na comunidade acadêmica.

Sendo assim, a competência informacional se apresenta como requisito
necessário aos profissionais da informação, notadamente o bibliotecário - figura

�5

central nesse movimento  uma vez que os novos serviços e produtos de
informação vêm revolucionando a rotina de bibliotecários, demandando novos
conhecimentos e habilidades para atuarem nesse novo ambiente. São desafios
trazidos por uma nova cultura.
Dias e Belluzzo (2003, p.59) também afirmam sobre a necessidade de se
desenvolver competências através de programas de capacitação.
A complexidade da produção do serviço, a relação face a face com o
cliente e a necessidade de atendimento personalizado, requerem que
uma unidade de informação conte com equipes que tenham habilidades
e competências, desenvolvidas por meio de programas de formação e
capacitação que enfatizem: cultura geral e conhecimentos específicos da
área de atuação.

Nas unidades de informação o bibliotecário exerce importante papel de
mediador entre o universo informacional existente e o usuário deste. Tarapanoff et
al. (2002 apud MIRANDA, 2004, p.118) diz que os cientistas da informação
devem ser mediadores da informação:
[...] eles devem atuar como mediadores entre o mundo digital e a
capacidade real de entendimento do receptor da informação, garantindo
a efetiva comunicação e a satisfação da necessidade informacional do
usuário dessa tecnologia.

Tão importante quanto o papel de mediador é o seu papel educativo, no
sentido de desenvolver as competências necessárias ao usuário para lidar com os
múltiplos recursos de informação, tornando-o autônomo em suas pesquisas.
Nesse cenário, um dos serviços que vem movimentando o meio acadêmico
e as bibliotecas universitárias é o portal de periódicos CAPES - portal de acesso a
informação científica e tecnológica. Seu vasto conteúdo predominantemente em
inglês e seus múltiplos recursos de tecnologia de informação (TI) requerem
competências específicas para seu manuseio.

A seguir, mais considerações

sobre esse novo serviço.

3 PORTAL DE PERIÓDICOS CAPES: apresentação

O Portal de periódicos CAPES, é um portal brasileiro de informação
científica e tecnológica, fornecido pelo governo federal ao sistema de educação

�6

do Brasil e mantido pela CAPES, instituição de fomento a pesquisa ligada ao
Ministério de Educação  MEC.

Lançado no ano 2000 para a comunidade acadêmica, o portal de
periódicos permite o amplo acesso a produção científica mundial, atualizada e de
qualidade. Sua finalidade é promover a democratização do acesso à informação.
O Portal.periodicos.CAPES democratiza o uso da informação
científica, contribuindo para a redução das desigualdades regionais e
permitindo que o País avance com maior rapidez no desenvolvimento
da educação e da pesquisa científica e tecnológica. (BRASIL, 2005)

O portal beneficia, com livre acesso, todas as Instituições Federais de
Ensino Superior  IFES, estaduais e municipais (com programas de pósgraduação recomendados pela Capes) e particulares (com pós-graduação com
conceitos 5, 6 ou 7 na avaliação da Capes). Outras instituições custeiam seu
acesso ao portal: empresas privadas, entidades e institutos de pesquisa ligados a
órgãos governamentais. (BRASIL, 2005).

O portal que iniciou com aproximadamente 1.800 periódicos com textos
completos e quase 14 bases de dados de resumos, atualmente, disponibiliza mais
de 10.000 bases de dados de textos completos e cerca de 100 bases de dados
referenciais, nacionais e estrangeiras em todas as áreas do conhecimento
científico, além de fornecer uma seleção de fontes de informação acadêmica de
livre acesso na internet, bases de dados de patentes, estatísticas, banco de teses
e dissertações, livros etc. (BRASIL, 2005).
Embora apresente um índice de seu tutorial logo em sua página inicial, a
navegação no portal exige outros conhecimentos e habilidades para uma
pesquisa com resultados satisfatórios. Os bibliotecários, como mediadores da
relação portal/usuário, precisam conhecer os múltiplos caminhos do portal e saber
utilizar suas respectivas ferramentas.

Segundo Reis (2006) esses profissionais precisam saber interagir nesse
ambiente, saber usar e orientar.

�7
O uso destes recursos informacionais por bibliotecários para as
comunidades que atendem, implica em conhecer os diversos recursos,
as fontes disponíveis, identificar as características dos formatos,
entender os requisitos técnicos de software (ambiente de interação) e
também do hardware. Além disto, é preciso saber como interagir nesse
ambiente,utilizar maneiras diversificadas das buscas e apresentar os
resultados. Cabe ao bibliotecário saber usar e orientar!

Com apenas seis anos de existência o portal CAPES se apresenta como
um divisor de águas da pesquisa e do ensino da pós-graduação no Brasil. Seu
vasto conteúdo informacional, até bem pouco tempo inimaginável, encanta
pesquisadores veteranos, ao passo que os iniciantes nem imaginam a pesquisa
sem ele.

Os investimentos com o portal são altos e sua existência justifica-se,
também, pelo seu uso. As 20 instituições maiores usuárias do portal concentramse nas regiões sul e sudeste do país, ficando os três primeiros lugares para USP,
UNESP e UNICAMP respectivamente. Na região nordeste, entre as instituições
que mais acessam o portal estão UFPE, UFBA e UFC. As estatísticas de acesso
revelam números surpreendentes de consultas e de textos baixados no portal,
entretanto é preciso ampliar sua divulgação.

Com base nesses estudos e a partir dos dados levantados busca-se
identificar quais as competências demandadas ao bibliotecário que atuam com o
portal CAPES, visando a maximização de seu uso e a eficácia do serviço.

4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

A metodologia de um trabalho de pesquisa é um conjunto de etapas
ordenadamente dispostas que você deve vencer na investigação de um
fenômeno. (GIL, 1991)

4.1 UNIVERSO E AMOSTRA DA PESQUISA

�8

O universo constitui de 13 (treze) IFES localizadas na região nordeste do
Brasil. Desse universo formamos uma amostra de 11 (onze) IFES, relativa
àquelas que deram retorno positivo em colaborar com a pesquisa. As 11 (onze)
IFES que formam a amostra são: Universidade Federal de Alagoas  UFAL;
Universidade Federal do Ceará  UFC; Universidade Federal de Campina Grande
 UFCG; Universidade Federal da Bahia  UFBA; Universidade Federal do
Maranhão  UFMA; Universidade Federal da Paraíba  UFPB; Universidade
Federal de Pernambuco  UFPE; Universidade Federal do Rio Grande do Norte 
UFRN; Universidade Federal Rural do Semi-Árido  UFERSA; Universidade
Federal de Sergipe  UFS; Universidade Federal do Piauí  UFPI. Vale salientar
que, nas 11 (onze) IFES, identificamos 19 sujeitos trabalhando com o portal. Esse
número corresponde aos bibliotecários que trabalham nas ilhas de acesso ao
portal localizadas nas Bibliotecas Centrais. Desse total, 16 sujeitos responderam
ao questionário enviado,representando 84,2 % do universo contactado

4.2 ETAPAS E TÉCNICAS DE PESQUISA

Iniciamos a coleta dos dados a partir dos contatos telefônicos e e-mails
enviados aos sujeitos que deveriam participar da pesquisa, de acordo com a
amostra definida (bibliotecários das Bibliotecas Centrais das IFES, atuando junto
ao portal de periódicos CAPES, na região NE). Numa etapa posterior enviamos o
questionário definitivo, também via e-mail. Os dados quantitativos foram
organizados através de porcentagens e tabelas e os dados qualitativos,
organizados por categorias temáticas. Para análise e interpretação dos dados nos
apoiamos na técnica de mapas conceituais. Um mapa conceitual tanto pode ser
elaborado de várias maneiras, assim como mapas de uma mesma área, traçados
por

diferentes

especialistas

podem apresentar

pequenas

diferenças

de

interpretação entre os conceitos dessa área. De acordo com Moreira (1980, p.
475) um mapa conceitual deve ser visto como um mapa conceitual e não o
mapa conceitual de um determinado conceito, visto que outras representações
podem ser feitas.

�9

5 CARACTERIZAÇÃO DOS PESQUISADOS

Os resultados revelam que 93,75% dos sujeitos pesquisados são do sexo
feminino. Quanto ao nível de formação dos sujeitos pesquisados, 68,75% são
especialistas, e, apenas, 12, 50%, são mestres. Os dados evidenciam que
68,75% dos sujeitos pesquisados concluíram seus cursos de graduação há mais
de 10 anos. Os sujeitos , 56,25%, exercem a profissão há mais de 10 anos..
Verificamos uma maior concentração dos sujeitos com mais de 4 anos de atuação
no portal, o equivalente a 68,75%. Sendo assim, considera-se que esses
profissionais já têm uma certa experiência com esse serviço, visto que o portal
tem, apenas, 6 anos de existência.

6 PRINCIPAIS DIFICULDADES NO USO DO PORTAL

Um dos objetivos desse estudo foi identificar quais as principais
dificuldades no uso do portal. Os resultados revelam que as diferentes interfaces
de bases de dados, aparecem em primeiro lugar no rol das dificuldades, tendo
sido citadas 9 (nove) vezes, o equivalente a 47,37%. Em seguida veio conteúdo
em Inglês, citado 7 (sete) vezes (36,84%) e, por fim, as Técnicas de Busca,
citadas 3 (três) vezes (15,79%).
7 COMPETÊNCIAS INFORMACIONAIS DEMANDADAS

Neste item, analisamos as competências informacionais demandadas por
bibliotecários que atuam com o portal de periódicos CAPES, objetivo geral desse
estudo. De natureza aberta, essa questão, solicitou que o sujeito respondesse
sobre o que o bibliotecário deve saber/conhecer para trabalhar com o portal de
periódicos CAPES. A partir das colocações dos sujeitos, extraímos as palavraschave e geramos o mapa conceitual das Competências Informacionais mais
demandadas por bibliotecários do portal de periódicos CAPES.

�10

BIBLIOTECARIOS DO
PORTAL CAPES

COMPETÊNCIAS
INFORMACIONAIS
DEMANDADAS

Querer sempre
aprender

Espanhol

TECNOLOGIA DE
INFORMAÇÃO

TÉCNICAS DE
BUSCA

Ter perfil
pesquisador

LÍNGUA
INGLESA

Ser multiplicador /
capacitar usuário

Figura 9: Mapa conceitual das Competências Informacionais

Fonte: Dados da pesquisa, 2006

Diante do exposto, temos que Tecnologia de Informação, Técnicas de
Busca e Língua Inglesa, formam as Competências Informacionais mais demandas
para se trabalhar com o portal de periódicos CAPES. Outras competências foram
citadas com menos freqüência, como: querer sempre aprender (atualizando-se
através de treinamentos da CAPES, conhecer e ter informações sobre novas
bases); ser multiplicador (capacitando usuários através de treinamentos); saber
espanhol e ter perfil de pesquisador. A seguir, interpretações sobre as
Competências Informacionais demandadas:

Entendemos que o motivo de Tecnologias de Informação - TI ter sido,
consideravelmente, a competência mais citada, está relacionado, antes de tudo,
ao fato destas representarem um paradigma da sociedade atual; depois pelo
portal ser um serviço eletrônico, o que obrigatoriamente, já se exige um
conhecimento básico de hardwares e softwares para poder operá-lo.

�11

Englobamos em TI todas as ações do portal que envolve o uso de
ferramentas de internet, interfaces gráficas de Windows, Word, interfaces das
bases de dados e outros recursos do portal. O conceito de TI, de Oliveira (1996
apud REIS, 2006) contribui para qualificar essa idéia.
Um complexo que inclui computadores (hardware) e (sotware), redes de
comunicação públicas e privadas, subprodutos de interpenetração das
tecnologias de computação e comunicação, além de todos os produtos e
serviços de automação.

Para Miranda (2004, p. 120) essa competência esta incluída na
especificidade de competências informacionais técnicas, relacionadas entre
outras coisas às habilidades de lidar com as tecnologias da informação e suas
ferramentas. Nesse contexto, é imprescindível o domínio de TI para o
bibliotecário tornar-se competente em informação e explorar amplamente os
recursos do portal.

O termo Técnicas de Busca  TB entendido também como estratégias de
busca, pode ser conceituado por Lopes (2002) como uma técnica ou conjunto de
regras para tornar possível o encontro entre uma pergunta formulada e a
informação armazenada em uma base de dados.

Englobamos em TB, todas as ações que envolvem uso de descritores,
operadores booleanos, símbolos de truncagem etc. A competência Técnicas de
Busca foi a mais citada após TI. Consideramos que tal feito relaciona-se ao uso
intensivo dessas técnicas durante todo o processo de busca de informação no
portal de periódicos Capes.

De acordo com os estudos de Miranda (2004, p. 120) a competência em
Técnicas de Busca pode ser incluída em duas das especificidades das
Competências Informacionais: nas Competências informacionais interpessoais e
conceituais, que dizem respeito à habilidade de mediação que o profissional que
trabalha com a informação deve ter para realizar o encontro entre a informação e

�12

seu usuário e; nos Saberes Gerais e Profissionais, ligados a formação
característica de um profissional de informação.

A terceira competência mais citada foi a Língua Inglesa - LI,
provavelmente por ser a língua predominante do conteúdo do portal. Lembrando
que o termo conteúdo serve para identificar os produtos e serviços de informação
(dados, textos, imagens, software etc) na rede. De acordo com Takahashi (2000,
p.59), conteúdo é tudo o que é operado na rede.

É importante trazer aqui, dados de uma enquete do Babel Team, de julho
de 1997, os quais revelam que no território da internet, a língua corrente é o
inglês, estando em 1º lugar, com

84% de conteúdo.

A língua portuguesa,

aparece em 8º lugar, com 0,7%. (TAKAHASHI, 2000, p. 61).

Sendo assim, o desconhecimento dessa língua se caracteriza como uma
barreira idiomática à informação, sendo, portanto, fundamental aos bibliotecários
do portal de periódicos CAPES o seu conhecimento. O domínio de línguas
estrangeiras, também favorece o processo comunicacional, que Miranda (2004,
p.120) classifica como competências de comunicação, ato de comunicar eficaz e
eficientemente.
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Iniciamos esta pesquisa indagando sobre as competências informacionais
demandadas por bibliotecários que atuam junto ao Portal de Periódicos da
CAPES, no contexto de bibliotecas universitárias de IFES localizadas na região
nordeste.Os resultados revelam que Tecnologia de Informação, Técnicas de
Busca e Língua Inglesa são as Competências Informacionais mais demandadas,
pelos bibliotecários pesquisados, para trabalhar com o portal de periódicos
CAPES. Em relação ao uso de TI, consideramos que o uso incorreto da mesma
gera

sua subutilização.

Entendendo

que

o

domínio

das

competências

�13

informacionais identificadas seja essencial à máxima utilização do Portal de
Periódicos CAPES, percebe-se a necessidade do desenvolvimento dessas
Competências Informacionais nos bibliotecários pesquisados, a fim de otimizar o
uso desse instrumento.

Diante dessa realidade, emerge uma nova indagação: A quem compete a
responsabilidade

do

desenvolvimento

de

competências

informacionais

identificadas? Acreditamos que essa responsabilidade seja o resultado de uma
ação conjunta, englobando: dirigentes da CAPES, administração superior das
IFES, gestores de bibliotecas universitárias e, principalmente os bibliotecários.

Em termos de estratégias, objetivando melhorias na atuação dos
bibliotecários no contexto do Portal de Periódicos CAPES temos algumas
sugestões que apresentamos a seguir:

a) Estudar a possibilidade de padronização de interfaces das bases de
dados do portal;
b) Criar programas de capacitação que visem o desenvolvimento de
Competências Informacionais desses bibliotecários, a fim de que possam oferecer
serviços com qualidade e exercer a função social do bibliotecário de modo mais
efetivo;
c) Incentivar e apoiar a participação em cursos de pós-graduação,
capacitação, treinamentos, participação em eventos, visando a educação
continuada desses bibliotecários;
d) Estimular a realização de pesquisas sobre o portal, através da
realização de concursos que elejam os melhores trabalhos.
e) Criar Reuniões Anuais, para que todos tenham conhecimento dos
resultados das pesquisas sobre o portal, bem como, do que cada instituição vem
fazendo em prol da ampliação desse serviço.

�14

Concluímos que, apesar dos sujeitos pesquisados apresentarem uma
preocupação com a educação continuada e demonstrarem certa familiaridade
com os recursos do portal, ainda há um longo caminho a ser percorrido até que
adquiram

a

necessária

fluência

informacional.

O

desenvolvimento

das

competências informacionais desses bibliotecários, contribuirá para um melhor
aproveitamento do uso desse precioso serviço de informação, chamado portal de
periódicos Capes.

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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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              <name>Creator</name>
              <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Publisher</name>
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              <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>Competência informacional do bibliotecário que atua com o Portal de Periódicos Capes: estudo nas IFES da região nordeste.</text>
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            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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              <elementText elementTextId="55825">
                <text>Santos, Mônica de Paiva; Araújo, Eliany Alvarenga de</text>
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            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                <text>Salvador (Bahia)</text>
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            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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                <text>UFBA</text>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>2006</text>
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            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
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            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
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                <text>O trabalho conclui que apesar dos sujeitos pesquisados apresentarem uma preocupação com a educação continuada e demonstrarem certa familiaridade com os recursos do portal, ainda há um longo caminho a ser percorrido até que adquiram a necessária fluência informacional. O desenvolvimento das ompetências informacionais desses bibliotecários, contribuirá para um melhor aproveitamento do uso desse precioso serviço de informação, chamado portal de periódicos Capes.</text>
              </elementText>
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            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
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                    <text>1
COMPETÊNCIA INFORMACIONAL: perfil dos profissionais da informação bibliotecário de instituições de ensino superior privando do município de
João Pessoa – PB
INFORMATION LITERACY: profile of the information professional – librarian
woman. private College-degree teaching institutions in the city of João
Pessoa in the Brazilian State of Paraíba.
Eliany Alvarenga de Araújo - Universidade Federal da Paraíba/UFPB/Brasil
E-mail: y.alvarenga@gmail.com
Maria Meriane Vieira Rocha – Faculdades de Ciências Médicas da Paraíba/Brasil
E-mail: meriane.vieira@gmail.com
RESUMO
Atualmente, na sociedade da informação, o perfil do profissional da informação bibliotecários mudou em decorrência, entre outros motivos, do uso intensivo das
tecnologias de informação e comunicação. Para atuar neste novo contexto, este
profissional deve ter a habilidade de solucionar problemas, de aprender a
aprender, de aprender independentemente, de questionar, de desenvolver
pensamento lógico, ou seja, deve ser competente em informação. Assim esta
pesquisa objetiva identificar e analisar as competências informacionais
demandadas pelos profissionais da informação - bibliotecários que atuam junto a
Instituições de Ensino Superior Privadas no Município de João Pessoa – PB,
mediante pesquisa de campo feita por meio de questionário semi-estruturado. Os
dados coletados e analisados sugerem que as principais competências
informacionais exigidas são: educação continuada, qualificação frente às novas
tecnologias de comunicação e informação, domínio de outras línguas, capacidade
de identificar e repassar as informações necessárias ao usuário com agilidade e
precisão. As competências informacionais demandadas sugerem a necessidade
de uma inserção mais proativa do profissional da informação no mercado de
trabalho, uma vez que, com a globalização as oportunidades de atuação
profissional são variadas, entretanto exigem atualização, postura gerencial e
compromisso contínuo com o usuário da informação no sentido de obter as
informações demandadas no tempo e com a atualização necessária.
Palavras-chave: Competência informacional. Profissional da informação.
Bibliotecas Universitárias.

�2
ABSTRACT

Nowadays, in the information society, the profile of the information professional has
changed because of, among other reasons, the intensive use of new information
technologies. In order to work in this new context, this professional must have the
ability of solving problems, of learning how to learn, of learning independently, of
questioning, of developing a logical reasoning, meaning they must be informationcompetent. This research has the objective of identifying and analyzing the
informational competences an information professional must have—these
professionals are librarians who work in Private College-degree teaching
institutions in the city of João Pessoa in the Brazilian State of Paraíba—and the
field research was made through semi-structured questionnaires. The collected
and analyzed data suggest that the main informational competences are:
continuing education, qualification due to the new communication and information
technologies, foreign language knowledge, and ability to identify and communicate
the necessary information with agility and precision. The required information
competences suggest a need of a more proactive insertion of the information
professional in their working field; since globalization in one hand offers more
working opportunities, on the other hand it also demands current awareness of
emerging technologies, managerial posture and continuous commitment with the
client.
Key words: Information professional. Information literacy. University University
Library.
1 INTRODUÇÃO

Nos dias atuais as exigências do mercado de trabalho em relação aos
profissionais da informação - bibliotecários, têm aumentado muito, devido ao
advento da globalização que gera entre outros fatos – a ampliação e a velocidade
do fluxo de informação entre países e mercados e das novas tecnologias de
informação e comunicação (TICs). Partindo dessa premissa algumas perguntas se
fazem necessárias: Estariam estes profissionais capacitando-se para essas novas
exigências do mercado de trabalho? Qual o atual perfil exigido pelo mercado de
trabalho em termos dos profissionais da informação - bibliotecários? Que
competências devem ter esses profissionais para atender a tais demandas?
Espera-se que respostas a estas questões possam ajudar a inserção mais efetiva

�3
dos profissionais da informação no mercado de trabalho, uma vez que, com a
globalização as oportunidades estão crescendo e abrindo novas perspectivas
constantemente. Dessa forma no contexto dessa pesquisa objetivamos identificar
e analisar as competências informacionais demandadas pelos profissionais da
informação – bibliotecários de instituições de ensino superior privadas do
município de João Pessoa – PB.
2 COMPETÊNCIA INFORMACIONAL – ABORDAGEM CONCEITUAL
A transferência à aplicabilidade da aprendizagem é um requisito básico
para que os profissionais da informação – bibliotecários tenham como facilitador
das condições de trabalho integrado entre educadores e bibliotecários para o
desenvolvimento da competência informacional. Deve ser levado em consideração
que para ser competente em informação esse profissional tenha um aprendizado
ao longo da vida. Belluzzo (2005, p. 22) acrescenta que competência
informacional é:
procedimento contínuo de interação e internalização à
compreensão da informação e de sua abrangência, em busca da
fluência e das capacidades necessárias para a geração de
conhecimentos novos e sua aplicabilidade ao cotidiano das
pessoas e das comunidades ao logo da vida.

Conforme Bruce (1998); Bundy (2001 apud CAMPELLO, 2003, p. 2), o
termo competência informacional (information literacy) começou a ser usado nos
Estados Unidos com o intuito de:
designar habilidades ligadas ao uso da informação eletrônica, ele
foi assimilado pela classe bibliotecária e atualmente insere-se de
forma vigorosa no discurso dos bibliotecários americanos, sendo
alvo de interesse crescente por parte de bibliotecários de outros
países.

Diante dos conceitos acima entendemos competência informacional, como
sendo o conjunto de conhecimentos profissionais que possam estar ligadas ao

�4
perfil do profissional da informação. Esses conhecimentos podem ser expressos
em como o profissional pode ter atitudes, em aprender a lidar com as novas
tecnologias, em aprender a aprender, em desenvolver suas habilidades, ou seja, o
profissional deve, diante das novas exigências do mercado ser competente nos
seus aprendizados e atitudes profissionais. Diante disso o bibliotecário passaria do
profissional que antes era um técnico, para ser um profissional que tem perfil de
natureza mais interdisciplinar, produzindo e defendendo conhecimentos, como
também refletindo sobre a realidade que o envolve.
A competência informacional segundo Campelo (2003, p. 6) “foi bandeira
erguida pela classe bibliotecária americana para tirar a biblioteca do estado de
desprestígio em que se encontrava” dessa forma Reis (1999 apud CAMPELLO,
2003, p. 6) acrescenta “os bibliotecários são incitados a tomar atitude proativa, a
fim de participar do esforço educativo que requer mais do que a visão ingênua e
simplista do processo de busca e uso da informação”.
No Brasil, segundo Campelo (2003, p. 2), o termo está em fase de
construção e foi usado pela primeira vez por Careganato (2000, apud CAMPELLO,
2003, p. 2) que o traduziu como “alfabetização informacional”. A própria Campelo
(2002, p. 3) traduziu o termo information literacy - competência informacional,
como catalisador das mudanças do papel da biblioteca em face das exigências da
educação no século XXI e acrescenta “devemos ter em mente a necessidade de
integrar, em nossas ações, os avanços teóricos e práticos já alcançados nos
estudos sobre competência informacional no Brasil”.
A competência informacional deve ser o requisito básico que o
profissional da informação deve ter para atuar bem em suas atividades, dessa
forma ele vai estar agregando valor ao seu conhecimento e fazendo um diferencial
competitivo. Deve ser levado em consideração que a competência informacional
está ligada também as habilidades de lidar com as tecnologias da informação e
suas ferramentas específicas.

�5
Para Dudiziak (2003, p.1) a competência é “o processo contínuo de
internalização

de

fundamentos

conceituais,

atitudinais

e

de

habilidades

necessárias à compreensão e interação permanente com o universo informacional
e sua dinâmica, de modo a proporcionar um aprendizado ao longo da vida”. Este é
o conceito adotado no contexto desta pesquisa
Após essas considerações, vemos que o conceito de competência tem
sentido multidimensional e abrange: iniciativa, responsabilidades, inteligência
prática, conhecimentos adquiridos e compartilhamento. O conhecimento existe
somente no ser humano e somente pode ser mobilizado pelas pessoas, o mesmo
acontece com a competência.
3 PROCEDIMENTOS METODÓLOGICOS:
3.1 Delimitação do Campo de Pesquisa
Existe hoje no Município de João Pessoa um total de quatorze IES
privadas. São elas: Institutos Paraibanos de Educação – UNIPÊ, Instituto de
Educação Superior da Paraíba – IESP, Faculdade de Enfermagem e Medicina
Nova Esperança – FACENE/FAMENE, Faculdade Paraibana – FAP, Faculdade de
Ciências Médicas da Paraíba, Associação de Ensino Renovado da Paraíba ASPER, LUMEN, Faculdade de Ensino Superior da Paraíba - FESP, Faculdade
Santa Emília de Rodat, Faculdades Unidas da Paraíba – UNIPB (antes Instituto
Linaldo Cavalcante), União dos Institutos Brasileiros de Tecnologia - UNIBRATEC,
UNIUOL, Faculdade Paraibana - FPB e Faculdade de Enfermagem São Vicente
de Paula. Estão distribuídos entre estas IES privadas vinte e sete profissionais de
informação - bibliotecários.
Considerando a amplitude deste universo, criamos uma amostra constituída
pelas seguintes IES privadas: Institutos Paraibanos de Educação – UNIPÊ,
Instituto de Educação Superior da Paraíba – IESP, Faculdade de Enfermagem e
Medicina Nova Esperança – FACENE/FAMENE. A escolha por estas três IES
privadas foi por que estas são as mais antigas e consolidadas no mercado e

�6
também por que elas têm em seus quadros um número maior de profissionais da
informação – bibliotecários, do que as onze IES privadas restantes. Vale salientar
que nesta amostra tivemos como sujeitos pesquisados treze bibliotecários.
Entretanto dentro desse contexto, apenas nove responderam ao questionário
enviado.
3.2 Etapas e Instrumentos de Pesquisa
A coleta de dados foi composta por um questionário semi-estruturado, que é a
junção de questões abertas e dirigidas. Minayo(2004, p.108)considera que o
questionário “combina perguntas fechadas (ou estruturadas) e abertas, onde o
entrevistado tem a possibilidade de discorrer o tema proposto, sem respostas ou
condições prefixadas pelo pesquisador”. A organização dos dados foi feita através
de técnicas quantitativas e qualitativas. Assim, no contexto desta pesquisa
utilizamos técnicas quantitativas (porcentagem – regra de três simples, utilizando
tabelas e quadros) e qualitativa (categorias temáticas ou reunião de significados
semelhantes, das falas coletadas, visando posterior análise e interpretação).
Nesta fase utilizamos a técnica de análise de conteúdo. Esta técnica é definida
como:
conjunto de técnica de análise de comunicação visando obter, por
procedimento sistemático e objetivo de descrição do conteúdo das
mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a
inferência de conhecimentos relativos a condições de
produção/recepção dessas mensagens. Bardin (1979 apud
MINAYO,2004,p.199).

Segundo Minayo (1994, p. 75) “cronologicamente, a análise de conteúdo
pode abranger as seguintes fases: pré-análise, exploração do material, tratamento
dos resultados obtidos e interpretação”.
4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS
4.1 Caracterização dos pesquisados

�7
Num primeiro momento, apresentamos o perfil dos profissionais da
informação – bibliotecários pesquisados das IES privadas do município de João
Pessoa, em particular: UNIPÊ, IESP, FACENE/FAMENE. Em termos médios os
pesquisados foram mulheres (100%), em faixas etárias variadas (20 a 30 anos –
33,3%; 30 a 40 anos – 33,3%; 40 a 60 anos 33,3%). Em termos do nível de
formação temos que 88,9% tem especialização e o tempo de trabalho varia da
seguinte forma: 5 a 10 anos – 44,4%; 1 a 4 anos – 22,2%, 10 anos ou mais –
22,2%; e menos de 1 ano – 11,1%. A faixa salarial varia de 2 a 3 salários mínimos
– 33,3%; 3 a 4 salários – 22,2%;5 a 6 salários – 22,2%, 4 a 5 salários – 11,1% e 1
a 2 salários – 11,1%.
4.2

Profissionais

da

informação

–

bibliotecários:

educação

continuada,

competência informacional e habilidades demandadas.
A segunda parte do questionário relaciona-se a questões discursivas, onde
abordaremos se os profissionais da informação – bibliotecários têm uma educação
continuada, se a instituição contribui para que este profissional tenha uma
educação continuada, quais as competências informacionais mais demandadas
por eles e quais as habilidades mais utilizadas para se tornar um profissional
competente.
TABELA 1 – Educação continuada
Educação continuada

Valores
absolutos

Valores
percentuais

Sim

07

77,7

Não

02

22,2

Total

09

100,0

Fonte: Pesquisa de campo, 2006

A Tabela acima nos mostra que a maioria dos profissionais tem uma
educação continuada, pois 77,7% do total dos pesquisados tem curso de pós-

�8
graduação, estão sempre participando de eventos da área: seminários,
congressos etc. Isto nos leva a considerar que estes profissionais além de se
esforçarem pela construção de um novo perfil estão atentos às novas
exigências do mercado de trabalho.
Na questão 8, temos dados sobre possíveis incentivos institucionais para que
os profissionais da informação – bibliotecários desenvolvam uma educação
continuada:
TABELA 2 – Apoio institucional para a educação continuada
Educação continuada

Valores
absolutos

Valores
percentuais

Não

06

66,6

Sim

03

33,3

Total

09

100,0

Fonte: Pesquisa de campo, 2006

A tabela acima nos mostra claramente, com 66,6% das respostas, que as
IES privadas não contribuem ou não incentivam os profissionais a desenvolverem
uma educação continuada. Isto é um fator que desestimula os profissionais a se
dedicarem a exercer bem suas atividades; conseqüentemente a desenvolverem
habilidades voltadas para as necessidades da empresa. Esta questão nos leva a
observar também que este desinteresse por parte das instituições impede que os
profissionais

da

informação

–

bibliotecários

desenvolvam

plenamente

competências informacionais. Para o profissional ter tais competências, ele
certamente necessita se aperfeiçoar ao longo de toda sua vida, desenvolver
habilidades e conseqüentemente disseminar as informações aprendidas através
de participações em eventos da área. Evidentemente ficaria mais fácil e
conveniente se este crescimento profissional tivesse uma parceria mais efetiva
das instituições.

�9
A questão 9 diz respeito às competências mais demandadas pelos
profissionais por ordem de importância, como mostra o quadro a seguir:
Competências mais demandadas conforme freqüência de citação
Trabalho em equipe
Habilidade frente às novas tecnologias de informação
Postura gerencial (planejamento, administração de recursos humanos,
liderança).
Postura proativa
Postura ética
QUADRO 1 – Competências enumeradas por ordem de importância
Fonte: Pesquisa de campo, 2006

Neste quadro temos os dados dos profissionais da informação –
bibliotecários em relação às competências mais demandadas. Assim vemos que,
por ordem de importância, o trabalho em equipe foi o mais citado. Depois as
habilidades desenvolvidas, em seguida a postura gerencial (planejamento,
administração de recursos humanos, liderança, etc), posteriormente postura
proativa e em seguida postura ética, dentre outras competências citadas.
Buscando uma correlação com a literatura citada e as respostas dos sujeitos
pesquisados, temos que Belluzzo (2005, p. 22) coloca que competência
informacional é: procedimento contínuo de interação e internalização à
compreensão da informação, das capacidades necessárias para geração de
conhecimentos novos e sua aplicabilidade ao longo da vida, saber agir e tomar
decisões, desenvolver habilidades. Complementando essa visão Walter (2004, p.
264) afirma que o profissional competente deve “ter qualificação, envolvimento e
participação social, com capacidade de trabalhar em equipes inter, multi e
transdisciplinar”. Vemos assim que, o trabalho em equipe é sinônimo de
envolvimento, participação, aplicação e compartilhamento de conhecimentos.

�10
Num segundo momento temos como uma das competências mais
demandadas a habilidade no manuseio das novas de tecnologia de informação.
Em relação a esta competência Tarapanoff (2002 apud MIRANDA, 2004, p. 9)
ressalta que os profissionais da informação devem atuar como mediadores
“...entre o mundo digital e a capacidade real de entendimento do receptor da
informação, garantindo a efetiva comunicação e a satisfação da necessidade
informacional do usuário dessa tecnologia”. Dessa forma os profissionais utilizam
e dependem das tecnologias de informação, mas com a preocupação de
disponibilizar, criar e analisar informações e conhecimentos.
A postura gerencial foi citada como uma competência importante para o
profissional da informação – bibliotecário. Como ressalta Guimarães (1996 apud
Araújo, 2004, p. 7) para esse profissional ter uma postura gerencial ele deve
“saber planejar racionalizando procedimentos e gastos, indo em busca e
compartilhando recursos, estabelecendo parcerias e integrando sua unidade de
informação a sistemas mais amplos”.
A postura proativa citada pelos pesquisados envolve a atuação profissional
em equipes inter, multi e transdisciplinar, conforme a visão de Walter (2004, p.
264), citado anteriormente.
A postura ética foi citada pelos pesquisados. Na literatura consultada não
encontramos reflexões sobre a mesma. Apesar dessa lacuna devemos salientar a
importância de tal competência uma vez que a mesma representa a postura dos
bibliotecários enquanto classe profissional e desses profissionais em relação aos
usuários da informação. Ainda em relação à competência - postura ética, podemos
citar o código de ética do profissional, onde segundo o Conselho federal de
Biblioteconomia, na Resolução n° 153, de 06 de março de 1976, onde dispõe
sobre o ensino de ética do bibliotecário, ressalta que “a ética bibliotecária deve ser
ensinada aos estudantes de Biblioteconomia ao longo de todo o seu curso”, desta
forma poderão interpretar e ter consciência dos princípios éticos inerentes à
profissão.

�11
Desta forma entendemos a importância da competência ética na formação
do profissional bibliotecário e consequentemente aos profissionais que já exercem
wo papel de profissional da informação na sociedade.
A questão de número 10 do questionário trata das habilidades que o
profissional da informação – bibliotecários, mais utiliza para ter competência
informacional, conforme quadro a seguir:

Habilidades mais utilizadas pelos profissionais

Educação continuada
Compartilhamento de conhecimentos
Qualificação frente às novas tecnologias de informação
Aprendizagem de novas línguas
QUADRO 2 – Habilidades mais utilizadas pelos profissionais
Fonte: Pesquisa de campo, 2006

Em relação ao quadro 2, referente a habilidades mais utilizadas temos que,
todos os itens colocados convergem para o processo de educação continuada, ou
seja, aprendizagem de novas línguas, a qualificação frente às novas tecnologias
de informação, compartilhamento de conhecimentos, evidenciam um processo de
educação continuada. O profissional que desenvolve habilidades e desenvolve
estas é um profissional competente. Levando em consideração essa afirmativa,
Miranda (2004, p. 12) classifica as competências em categorias, vamos citar as
que se relacionam com as respostas dos sujeitos pesquisados, como citamos
abaixo:
•

competência interacionais: trabalhar produtivamente com os outros, onde
se relaciona com o trabalho em equipe;

�12
•

competências de comunicação: comunicar eficaz e eficientemente, onde
podemos relacionar a compartilhamento de conhecimentos e aprendizagem de
novas línguas;

•

competências tecnológica: saber manusear as novas tecnologias da
informação, onde podemos relacionar com a capacidade dos profissionais da
informação – bibliotecários estarem sempre se atualizando frente a esta
ferramenta de trabalho.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesta pesquisa analisamos a competência informacional sob a óptica dos
profissionais da informação – bibliotecários. Neste sentido objetivamos identificar
as competências informacionais demandadas por estes profissionais de IES
privadas do município de João Pessoa, de modo a que venham desempenhar
bem suas atividades profissionais.
Os dados coletados e analisados sugerem que as principais competências
informacionais exigidas são: educação continuada, qualificação frente às novas
tecnologias de informação e comunicação, domínio de outras línguas, capacidade
de identificar e repassar as informações necessárias ao usuário com agilidade e
precisão e ênfase a postura ética. As competências informacionais demandadas
sugerem a necessidade de uma inserção mais proativa do profissional da
informação no mercado de trabalho, uma vez que, com a globalização as
oportunidades

de

atuação

profissional

são

variadas,

entretanto

exigem

atualização, postura gerencial e compromisso contínuo com o usuário da
informação no sentido de obter as informações demandadas no tempo e com a
atualização necessária.
Assim seria importante, realizar estudo similar em cidades maiores e com
um maior número de IES privadas e que tenha um mercado de trabalho mais
competitivo e com outra clientela.

�13
Seria interessante ainda realizar este estudo em todas as IES privadas do
município de João Pessoa, para que pudéssemos ter um quadro completo do
perfil do profissional da informação – bibliotecário, conseqüentemente poder
identificar as competências informacionais demandadas por profissional da
informação - bibliotecário, no contexto de bibliotecas universitárias de instituições
privadas, no município de João Pessoa – PB.
Cabe ainda uma última reflexão, relativa à divisão de responsabilidades na
formação de profissionais com competência informacional. Considerando ainda
que cabe aos profissionais da informação – bibliotecários uma postura proativa no
sentido de desenvolverem um processo de educação continuada. Por outro lado,
cabe as instituições educacionais da área gerarem oportunidades de ensino e de
desenvolvimento de habilidades nesta e em outras temáticas.
Consideramos que tal configuração possibilite aos profissionais da
informação – bibliotecários desenvolverem plenamente seu potencial, crescendo
profissional e intelectualmente, fazendo assim com que esta profissão se renove e
possa participar de forma proativa da Sociedade da Informação.
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Brasília, DF, 11 de jan. 2002. Disponível em: www.cfb.org.br. Acesso em: 3 jul.
2006.
Brasil. Resolução nº 153, de 6 de março de 1976. Dispõe sobre o ensino de ética
bibliotecária. Conselho Federal de Biblioteconomia, Brasília, DF, 6 de mar.
1976. Disponível em: www.cfb.org.br. Acesso em: 3 jul. 2006.
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informacional e formação do bibliotecário. Perspectivas em ciência da
Informação. Belo Horizonte, v.10, n. 2, p. 178-191, jul/dez. 2005.
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Curitiba: Associação Bibliotecários do Paraná - ABPR e FEBAB. 1 CD-ROM

�15
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Ciência da Informação, Brasília, v. 32, n. 1, p. 23-35, jan./abr. 2003.
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www.scielo.br/scielo.php... Acesso em: 13 de fevereiro de 2006.
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criatividade. 20 ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1994.
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poder da identidade profissional: os bibliotecários subsistem na era da
informação? Em Questão. Porto Alegre, v. 10, n. 2, p. 287-299, jul/dez. 2004.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Atualmente, na sociedade da informação, o perfil do profissional da informação - bibliotecários mudou em decorrência, entre outros motivos, do uso intensivo das tecnologias de informação e comunicação. Para atuar neste novo contexto, este profissional deve ter a habilidade de solucionar problemas, de aprender a aprender, de aprender independentemente, de questionar, de desenvolver pensamento lógico, ou seja, deve ser competente em informação. Assim esta pesquisa objetiva identificar e analisar as competências informacionais demandadas pelos profissionais da informação - bibliotecários que atuam junto a Instituições de Ensino Superior Privadas no Município de João Pessoa – PB, mediante pesquisa de campo feita por meio de questionário semi-estruturado. Os dados coletados e analisados sugerem que as principais competências informacionais exigidas são: educação continuada, qualificação frente às novas tecnologias de comunicação e informação, domínio de outras línguas, capacidade de identificar e repassar as informações necessárias ao usuário com agilidade e precisão. As competências informacionais demandadas sugerem a necessidade e uma inserção mais proativa do profissional da informação no mercado de trabalho, uma vez que, com a globalização as oportunidades de atuação profissional são variadas, entretanto exigem atualização, postura gerencial e compromisso contínuo com o usuário da informação no sentido de obter as informações demandadas no tempo e com a atualização necessária.</text>
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                    <text>COMPETÊNCIA NA BUSCA E NO USO DA INFORMAÇÃO:
uma experiência na UERJ
1

Nadia Lobo da Fonseca
nadialoboxxi@yahoo.com.br
2

Nysia Oliveira de Sá
nysiasa@yahoo.com.br

3

Regina Ribas Costa Sardenberg
4

reginarcs@gmail.com

Regina Serrão Lanzillotti
lanzillotti@uol.com.br

1

Bacharel em Biblioteconomia e Documentação (UFF). Especialista em Organização do
Conhecimento para a Recuperação da Informação (UNIRIO). Bibliotecária. Rede Sirius – Rede de
Bibliotecas UERJ. Universidade do Estado do Rio de Janeiro. R. São Francisco Xavier, 524. S.
3002, Bl.C. Maracanã. Rio de Janeiro. RJ. CEP: 20530-013. Brasil.

2

Bacharel em Biblioteconomia e Documentação (UNIRIO). Mestre em Memória Social e
Documento. Conselheira (CFB). Coordenadora da Biblioteca Euclides da Cunha (Fundação
Biblioteca Nacional). R. da Imprensa,16. 4°andar. CEP: 20030-120. Centro – RJ. Brasil.

3

Bacharel em Biblioteconomia e Documentação (UNIRIO). Bibliotecária. Rede Sirius – Rede de
Bibliotecas UERJ. Universidade do Estado do Rio de Janeiro. R. São Francisco Xavier, 524. Sala
2002, Bl.C. Maracanã. Rio de Janeiro. RJ. CEP: 20530-013. Brasil.

4

Doutora em Engenharia de Transporte (COPPE/UFRJ). Docente IME/UERJ. Universidade do
Estado do Rio de Janeiro. R. São Francisco Xavier, 524. Sala 6001, Bl. A. Maracanã. Rio de
Janeiro. RJ. CEP: 20530-013. Brasil.

RESUMO
Discorre sobre curso de extensão proposto por bibliotecárias à Empresa Junior
vinculada ao Instituto de Matemática e Estatística da Universidade do Estado do Rio de
Janeiro, para atender a demandas informacionais de docentes e graduandos de
Estatística vinculados ao programa de pesquisa (iniciação científica) e extensão
(projetos), o que estimulou a revisão das práticas de treinamento de usuários. Modelouse um piloto de atividade fundamentado na literatura, experiência profissional, e vivências
comuns, nas possibilidades de promoção do fazer técnico-científico propiciadas pelas
tecnologias de informação e comunicação, no conceito de competência informacional, e
suas implicações na produção do conhecimento, e no serviço de referência. Vinte alunos
de Estatística e Atuária e uma docente serão estimulados a se auto-desenvolverem em
termos de busca, avaliação e emprego de recursos informacionais, construindo seu
conhecimento em torno da comunicação científica e da compreensão dos princípios
básicos que a regem. As bibliotecárias atuarão como facilitadoras e partícipes desse
aprendizado. Com esta iniciativa pretende-se contribuir para ampliar, no âmbito
acadêmico, o conjunto de saberes que instrumentalizam o ser humano para fazer melhor
uso de suas capacidades e ressaltar tanto o papel educativo inerente ao ser bibliotecário,
quanto a beleza subjacente ao ato de produzir e compartilhar conhecimentos.
Palavras–chave: Competência Informacional; Treinamento de usuários; Curso de
extensão – Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

�2

1 Pensar a Educação ...

Face aos múltiplos desafios do futuro, a educação surge como um trunfo indispensável à
humanidade na construção dos ideais da paz, da liberdade e da justiça social.
DELORS, Jacques

Das instituições criadas pelo homem, tem-se a escola como aquela que menos se
alterou ao longo dos séculos. Pode-se afirmar o mesmo da biblioteca. O fato é
que, em plena era da Sociedade da Informação, em que preponderam as
tecnologias da informação e comunicação (TICs), são favorecidos a aproximação,
o diálogo, a superação de barreiras físicas e temporais. No entanto, a
modernização, nesses ambientes, se restringe, quase que exclusivamente, à
incorporação de tecnologias. Conceitos como criatividade e inovação (esta como
sendo um fator de promoção do bem-estar das pessoas) vêm sendo
disseminados, mas sem que a interatividade se efetive nas agências sociais
enfocadas neste trabalho – escola e biblioteca.

Especialmente em países como o Brasil, com grandes diversidades regionais, e
poucos projetos de longo prazo para a educação e a cultura, parcelas
significativas da população mantêm-se à margem, sem alcançar ao menos
direitos básicos, tais como condições satisfatórias de saúde e educação.

No que tange à essa última, avaliações promovidas pelo Ministério da Educação
(MEC) indicam um aproveitamento escolar sempre muito aquém do esperado.
Especialistas chegam mesmo a afirmar que a intensa busca pelo ingresso na
universidade significa muito mais um esforço para obter uma formação
equivalente a que deveria ser oferecida pelo Ensino Médio, do que propriamente
habilitar-se para uma carreira de nível superior1 (CASTRO, 2006).

1

Há estatísticas que comprovam essa afirmação, mostrando que, dos graduados por
universidades brasileiras, apenas uma pequena parte exerce a profissão para a qual está
habilitada. Embora isso não seja um privilégio do Brasil, o prolongamento dos anos de escola tem
um custo social bastante alto, quando se destina a suprir falhas de uma educação fraca.

�3

Se no Ensino Fundamental, de maneira geral, não se instrumentaliza o aluno para
pensar, buscar informações e solucionar problemas, também é notório o número
insuficiente de bibliotecas escolares. Assim, não se desenvolvem competências e
habilidades que, se incorporadas, promovem a auto-formação, ao longo da vida: o
gosto pela leitura, senso de observação, a capacidade de análise, síntese,
transferência de conhecimentos, e crítica.

Formam-se nos diferentes níveis educacionais, pessoas despreparadas para
enfrentar uma realidade cada vez mais dinâmica, mutante, acelerada. Esse
quadro exige de todos os agentes sociais envolvidos com a Educação uma
atitude de enfrentamento das dificuldades. Na universidade, esse enfrentamento
se traduziria, entre outras medidas, pela parceria docentes/bibliotecários, com a
finalidade de estabelecer estímulos para a efetiva inserção dos ingressantes, no
ambiente acadêmico.

A oportunidade de realizar a experiência aqui relatada decorreu, justamente, de
uma antiga parceria, em trabalhos de pesquisa e extensão, entre bibliotecárias da
Rede Sirius – Rede de Bibliotecas UERJ – e a comunidade do Instituto de
Matemática e Estatística (IME/UERJ), em particular, o Departamento de
Estatística2. Dentre esses trabalhos, destaca-se a pesquisa para o Conselho
Regional de Biblioteconomia da 7ª. Região, sobre perfil do bibliotecário do RJ,
que evidenciou um número significativo de profissionais com formação
pedagógica (CONSELHO REGIONAL DE BIBLIOTECONOMIA, 2005).

Uma investigação paralela entre os 87 bibliotecários da Rede Sirius, mostrou que
cerca de 37 % possuem formação pedagógica. Pelo menos em tese, essa
condição é mais que favorável ao estabelecimento de programas de educação e
treinamento de usuários, também citados na literatura como Orientação
Bibliográfica, Procedimentos para Busca e Uso da Informação, entre outras

2

Essa parceria vem se consolidando e propiciando, desde 1998, diversas realizações
multidisciplinares, trazidas ao público em eventos da área de Biblioteconomia, Ciência da
Informação, Estatística e Educação.

�4

denominações (PASQUARELLI, 1996), reafirmando a função educativa da
Biblioteca.

Em conseqüência, cabia a indagação: em que medida conhecimentos inerentes a
essa formação estariam sendo agregados e direcionados à prestação de serviços
à comunidade acadêmica da UERJ?

A experiência das bibliotecárias, autoras deste trabalho, indica que treinamentos
de usuários são práticas implementadas por iniciativa de alguns bibliotecários da
Rede Sirius – Rede de Bibliotecas da UERJ, e ainda restritas a determinadas
áreas do conhecimento. Entenda-se, neste caso, essa atividade como aquela em
que os bibliotecários apresentam aos alunos, em geral calouros, a biblioteca, seus
recursos informacionais, e os serviços e produtos disponíveis, objetivando
fornecer-lhes um mínimo de independência na busca da informação. Tem caráter
instrucional, tende a ser direcionada para recursos locais, e não atinge a
totalidade dos usuários.

Há opções instrucionais um pouco mais sofisticadas, como treinamento para o
acesso a bases de dados on e off line, que são oferecidas a comunidades para as
quais a informação atualizada é primordial tanto para o seu desempenho
profissional quanto para a atividade acadêmica, em sua vertente pesquisa:
docentes e discentes de pós-graduação, em geral vinculados a áreas como a
Biomédica e Jurídica. Essas comunidades não economizam investimentos em
“suas bibliotecas”, e em conseqüência, usufruem de ambientes, e recursos
(materiais e humanos), que as distinguem das demais, possibilitando-lhes dar
retorno à academia, sob a forma de sucesso na captação de recursos, junto às
agências de fomento, por intermédio dos docentes, e prestígio nacional e
internacional.

No entanto, no que se refere ao ensino de graduação, basta examinar, ainda que
superficialmente, os relatórios de atividades das bibliotecas para inferir que o
efeito de tais treinamentos parece não afetar, tanto quanto seria esperado, os

�5

quantitativos representativos do serviço de busca e comutação bibliográfica, da
normalização, e catalogação na fonte. Esses resultados pouco significativos,
considerando o porte da Universidade3, induzem a julgar que o serviço prestado
pelas bibliotecas, que é efetivamente reconhecido pelos usuários, ainda é a
tradicionalíssima circulação do acervo. Mesmo que não seja exclusividade da
UERJ, mas prepondere no Brasil como um todo, tal situação deveria se constituir
em elemento instigador para a reflexão dos bibliotecários comprometidos com a
Educação.

Assim é que, em paralelo às suas atividades de rotina, as autoras deste trabalho
realizaram buscas na literatura da área de Biblioteconomia, Ciência da
Informação e Educação, enfocando os temas: competência informacional, papel
do bibliotecário em bibliotecas universitárias (BU’s), serviço de referência (em
especial, treinamento de usuários). De forma concomitante, interagiam com seus
parceiros do IME, registrando-lhes as demandas informacionais.

De todo esse trabalho de investigação resultou uma proposta à Sub-Reitoria de
Extensão da UERJ (SR3), aqui relatada, de uma atividade com carga horária de
20 horas: Competência na Busca e no Uso da Informação: princípios básicos sob a coordenação da professora parceira e por meio da qual os envolvidos
(docentes, discentes e bibliotecários) pretendem intervir na realidade acadêmica,
de forma afirmativa, estimulando outros questionamentos, e quem sabe, outras
intervenções.

2 Pensar o ser bibliotecário...

Nas bibliotecas universitárias, pensar o fazer biblioteconômico implica em
considerar os quatro pilares de um novo tipo de educação, para o século XXI,
estabelecidos pela Unesco, por meio de sua Comissão Internacional sobre a
Educação, e fundamentados no pensamento de seu presidente Jacques Delors:
3

A UERJ tem 22.520 alunos de graduação cadastrados (UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE
JANEIRO, 2006).

�6

“só a educação conduzirá a um desenvolvimento humano mais harmonioso, mais
autêntico, de modo a fazer recuar a pobreza, a exclusão social, as
incompreensões, as opressões e as guerras...” Os quatro pilares são: aprender a
conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos, e aprender a ser (SILVA;
CUNHA, 2002).

Esses pilares exigem um embasamento sólido – competências e habilidades –
que determinará o nível de informação, conhecimento e sabedoria passíveis de
serem alcançados por alguém.

Competência informacional é um dos termos correspondentes, em português, a
idéia de information literacy, que emerge, nos anos 70, com o advento das TIC’s
e, cada vez mais, se sedimenta o reconhecimento de que é uma competência
essencial para o século XXI.

A expressão foi cunhada, segundo Hatschbach (2002), pelo bibliotecário
americano Paul Zurkowski, no relatório intitulado The information service
environment relationships and priorities, no qual sugere que: “pessoas treinadas
para a utilização de fontes de informação de modo mais eficaz em seu trabalho,
podem ser chamadas de ‘competentes em informação’ (information literates)”.

Os bibliotecários vinculados a instituições de ensino desfrutam do privilégio de
atuar no cenário onde se engendra esse desenvolvimento humano, que pode ser,
em última instância, o seu próprio desenvolvimento. Mas os do Ensino Superior
também vivem o dilema de testemunhar a cada dia, todos os dias, o efeito
devastador das deficiências educacionais cumulativas.

O Serviço de Referência (SR), pelo contato direto com o usuário, propiciado pelas
atividades que lhe são inerentes, constitui-se, em si mesmo, em objeto potencial
de pesquisa, com foco na Educação. Nele deságuam todas as carências
acumuladas nos níveis escolares anteriores: de familiaridade com elementos da

�7

cultura (como livros, bibliotecas), de expressão oral e escrita (dificuldade de
expressar o pensamento), de valores orientados para a preservação do bem
público (vandalismo, desprezo pelo patrimônio, desconhecimento de que direitos
implicam em deveres).

A função treinamento de usuários destaca-se, dentre as demais do SR, como
aquela que poderá contribuir para, em alguma medida, minorar tais deficiências,
em paralelo às salas de aula e laboratórios, desde que preponderem iniciativas
focadas na formação do usuário da biblioteca.

Essa clientela necessita mais do que os tradicionais e restritos roteiros de
visitação às bibliotecas. Trata-se de oferecer, em paralelo ao acesso a fontes
locais e remotas, o indispensável suporte técnico para que haja atendimento do
padrão exigido à comunicação científica, a exemplo de “como fazer” um resumo,
um relatório, ou artigo de cunho técnico-científico. Mas trata-se também de
mostrar o porquê fazê-lo. Caso contrário, a formação desses futuros
pesquisadores, profissionais, professores, ficará prejudicada, pois a universidade,
nem sempre sistematiza os temas abordados na metodologia da pesquisa.

Embora desintermediar4 pareça ser há tempos - ou pelo menos desde que os
computadores se tornaram acessíveis a um maior número de pessoas - a palavra
de ordem, constata-se que as tecnologias, ao contrário do que pensava, não
vieram substituir o papel do bibliotecário, mas sim lhe exigir maior capacitação,
pois a Internet se ganha no alcance, perde no poder de concentração e análise:
“qualquer pessoa, medianamente informada ou sem informação alguma, pode
manter uma fonte de notícias ou comentários com responsabilidade zero,
credibilidade zero, coerência zero” (CONY, 2006).

3 Pensar, a ação ...
4

Este termo citado por Vergueiro (1997, p.113), com o sentido que lhe atribuiu Atkinson, diz
respeito a fortalecer “o receptor para que estabeleça conexões que antes só poderiam ser feitas
com auxilio de um intermediário humano, o que era mais dispendioso para a instituição e mais
limitante para o receptor”.

�8

A proposta, como já citado, decorreu de uma parceria, o que pressupõe
confiança, compartilhamento de saberes, respeito mútuo. Na parceria, todos
ganham (KANTER, 1999).

Efetivamente, a interação da docente, alunos e bibliotecários lhes permitiu
delinear, de forma participativa, o programa da atividade, esperando-se obter
resultados positivos e minimizar as dificuldades dos alunos em termos de
competência informacional. A contribuição da professora decorreu de sua
experiência, como pesquisadora e docente5, há mais de uma década, na UERJ.

Tratando-se de uma atividade com propósito experimental, durante a sua
implementação, as bibliotecárias facilitadoras contarão, entre os alunos, com a
presença da docente, como observadora, o que favorecerá uma avaliação
multifacetada (alunos, facilitadoras, e professora), e eventuais ajustes na
abordagem dos temas e/ou formatação da atividade.

Às bibliotecárias será facultado ir ao encontro de demandas informacionais dos
usuários, exercendo o papel de educadoras, consoante sua formação6 e os
estudos que vêm realizando, tendo em vista que:
Ao apreender e adaptar-se a esta realidade, o
bibliotecário se reconhece ele mesmo um
aprendiz
levado
a
rever
e
ampliar,
continuamente, suas competências e habilidades
profissionais, em todos os seus aspectos (de
comunicação e expressão, técnico-científicas,
gerenciais e político-sociais), para estar apto a
atuar em um mundo híbrido de mídias impressas
e eletrônicas, acelerado e mutante (SÁ, 2005).

5

A professora ministra as disciplinas Projeto Final, Tópicos Especiais em Lógica Fuzzy, disciplinas
da Estatística, atuou como coordenadora do Curso de Estatística, Orientadora nos projetos de
Extensão, Graduação e no Programa de Iniciação Científica (PBIC). É responsável técnica da
Solução Estatística Junior/UERJ (SEJ), que ajudou a organizá-la.
6

As facilitadoras possuem formação pedagógica.

�9

Como em outras ocasiões em que atuaram, os parceiros da atividade relatada
detêm a percepção de que posicionamentos momentâneos como professores ou
alunos constituem-se em oportunidades educativas de exercitar o aprender (a
conhecer, a fazer, a viver juntos e a ser).

A atividade também favorecerá o retorno tão almejado, quanto difícil de se obter,
nas ações usuais do SR, nas bibliotecas.

3.1 ... o programa

O programa experimental (QUADRO 1) foi elaborado coletivamente, e a partir de
necessidades detectadas, ou verbalizadas na convivência das bibliotecárias com
os parceiros (mais especificamente, a docente e os bolsistas vinculados a
projetos de pesquisa, extensão e ensino). O objetivo era que ele se ajustasse aos
interesses mais imediatos do público em foco: o auto-desenvolvimento em termos
de busca, avaliação e emprego de recursos informacionais, construindo seu
conhecimento em torno da comunicação científica, e da compreensão dos
princípios básicos que a regem. Além disso, que estimule o espírito investigativo,
e o exercício de habilidades requisitadas para a inserção no mercado de trabalho
(autonomia, postura profissional, iniciativa), nem sempre pleiteadas, de forma
integral, na vivência estudantil.

Tendo em vista esses objetivos, a atividade não se restringirá à exploração dos
recursos informacionais das bibliotecas da UERJ. Dada a interdisciplinaridade,
que é característica da Estatística, e as facilidades propiciadas pelas TIC’s, os
alunos serão levados a identificar e utilizar recursos remotos, e em diferentes
suportes. A atividade se desenvolverá a partir de quatro temas básicos (QUADRO
1).

�10

QUADRO 1 – Conteúdo Programático
UNIDADES

TEMAS
INFORMAÇÃO: necessidade, busca e acesso

1

Prática I:
Na biblioteca da área,
automatizados disponíveis.

identificação

dos

recursos

manuais

ANÁLISE CRÍTICA DAS FONTES E DA INFORMAÇÃO COLETADA
2

3

4

Prática II:
Comparação de documentos diversos, análise das fontes de informação.
ORGANIZAÇÃO DAS INFORMAÇÕES
Prática III:
Registros manuais e automatizados das informações coletadas.
A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA: formal e informal
Prática IV:
Resumos, exercícios de normalização (referências, citação, etc.).

A carga horária, inicialmente proposta, é de 20 horas/aula, igualmente distribuídas
entre aulas interativas, práticas, estudo de casos, utilizando como motivadores:
As expectativas do grupo, em relação ao curso;
Experiências anteriores dos participantes e
A aplicabilidade dos conteúdos ministrados.

A previsão é de que a atividade aconteça ainda em 2006, para vinte alunos de
Estatística e Atuária, tanto dos períodos iniciais, quanto em final de curso, como
os integrantes da Solução Estatística Junior vinculada ao Departamento de
Estatística do IME/UERJ.

A carga horária e o nível de aprofundamento dos temas foram estabelecidos,
considerando a disponibilidade dos envolvidos, de forma a não conflitar com suas
atividades de rotina. Ainda que não seja a ideal, é a possível, no momento.

Pretende-se ainda, apresentar a comunicação cientifica, e a própria produção
técnico-científica, como atividades que podem ser prazerosas, estimulando os

e

�11

alunos envolvidos com a elaboração de relatórios e Trabalhos de Conclusão de
Curso (TCC’s) a agregarem valor a esses trabalhos.

4 . Pensar a avaliação ...

O estabelecimento de padrões e indicadores de desempenho em competência
informacional tem como objetivo nortear Instituições de Ensino Superior (IES),
docentes e bibliotecários na avaliação do desempenho dos estudantes, no
contexto acadêmico.

Contudo, apesar da atualidade e relevância desse tema, no Brasil, se tem
conhecimento apenas da pesquisa desenvolvida por Belluzzo7 (2000) para
estabelecer padrões básicos a serem aplicados em programas de formação de
professores. Mas a própria autora ressalta a necessidade de se considerar as
características de cada país, tipo de programa de formação, e as especificidades
das áreas do conhecimento, para determinar padrões e indicadores de caráter
nacional. Sendo assim, foram realizadas adaptações para que tais padrões se
ajustassem aos objetivos pretendidos neste trabalho (QUADRO 2)

7

A autora se baseou na pesquisa da ASSOCIATION OF COLLEGE AND RESEARCH LIBRARIES
(ACRL). Information Literacy Competence Standards for Higher Education, 2000 e Bay Area
Community Colleges Information Competency Assesment Project Standards, Performance
Indicators and Outcomes. Disponível em: &lt;http://www.topsy.org.&gt;.

�12

QUADRO 2 – Avaliação de desempenho do aluno competente em informação

PADRÃO 1

Quanto à natureza e a extensão da NI

Indicadores de Desempenho

Resultados desejáveis

Define e reconhece a NI.

Identifica conceitos, palavras-chave e a NI.

Identifica tipos e formatos de FI.

Reconhece o valor e diferentes potenciais dos tipos de FI.

Indicadores de Desempenho

PADRÃO 2

Quanto à efetividade da busca e acesso à informação
Resultados desejáveis

Reconhece potencialidades de SRI tradicionais, e das fontes
Seleciona métodos e SRI eletrônicas.
de acordo com NI.
Solicita ajuda para pesquisar em diferentes instrumentos
informacionais.
Desenvolve um roteiro de busca.
Constrói e implementa
Identifica palavras-chave, frases, sinônimos e termos
EB.
relacionados com a NI.
Usa FI impressas e eletrônicas.
Utiliza fontes eletrônicas, Distingue, pelas citações, os tipos de documentos.
pessoais e uma variedade Recupera a informação necessária através de serviços on-line
de métodos.
ou pessoas especializadas.
Consegue localizar as FI.
Retrabalha e melhora a Avalia resultados e determina alternativas de recuperação e
EB, se necessário.
metodologias.
Extrai, registra e gerencia Registra as informações necessárias para referenciação
a informação e suas
bibliográfica.
fontes.
Compreende como organizar e tratar a informação obtida.
PADRÃO 3

Quanto à avaliação da informação e as suas fontes

Indicadores de Desempenho

Resultados desejáveis

Compreende a informação

Seleciona o que é relevante.
Examina e compara a informação obtida de várias fontes.
Sabe informar-se sobre a autoridade e qualificação de autores
e/ ou editores.
Interpreta referências bibliográficas para acessar informação
precisa e válida.

Articula e aplica critérios de
avaliação

PADRÃO 4

Quanto ao uso efetivo da informação

Indicadores de Desempenho

Resultados desejáveis

Comunica os resultados com Utiliza as normas de documentação, o formato e estilo da
efetividade.
comunicação científica.
Legenda: NI = necessidade de informação; FI =fontes de informação; EB = estratégias de busca;
SRI = Serviços de Recuperação de Informação

O padrão 5 indicado por Belluzzo diz respeito às questões econômicas, legais e
sociais da ambiência do uso da informação. Embora não tenha sido incluído, no

�13

quadro acima, a informação pertinente a este padrão, por sua importância, será
mesclada ao longo do curso e avaliada em conjunto com os outros itens.

5 Pensando o futuro ...

Todas as grandes descobertas e invenções foram sonhos no início. O que se pressente
hoje se realiza amanhã.
UNGER, Hellmuth

Na UERJ, como em outras IES, alunos oriundos de escolas públicas e integrantes
de minorias estão ingressando, em busca de um sonho. Querem e precisam
ascender socialmente. No entanto, via de regra, pode-se aplicar a esses alunos, o
perfil descrito por Pasquarelli, relativo aos alunos de 1º. e 2º. graus brasileiros:
são marginalizados, quando não esquecidos, pela fragilidade e deficiência do
sistema educacional brasileiro, que não agrega as bibliotecas às suas escolas e,
quando o faz, não leva o aluno a utilizá-la (PASQUARELLI, 1996, p.36).

A demanda é por um Serviço de Referência mais voltado para a formação do que
para o treinamento dos usuários das BU’s. O conceito subjacente a essa ação
deve ser o da aprendizagem como construção, ação coletiva, decorrente do
relacionamento inter-pessoal, em que, como já citado, todos ganham na parceria
docentes/bibliotecários.

Preparar as pessoas para atuarem como cidadãos8, para enfrentarem e
superarem os desafios dessa nova realidade cambiante, por vezes paradoxal, é
essencial para a sua afirmação como indivíduos e seres políticos. A magnitude da

8

Para Edgard Morin (2004).ser cidadão pressupõe o envolvimento na comunidade e a
conscientização dos direitos e deveres, a capacidade de escolher e tomar decisões conscientes,
tanto individualmente como de forma coletiva, para exercer sua responsabilidade de modo a
construir uma sociedade mais igualitária

�14

tarefa exige o comprometimento de todos os profissionais envolvidos com a
educação.

Os proponentes da atividade aqui relatada pretendem, com essa iniciativa,
posicionarem-se lado a lado com aqueles que lutam para fazer a diferença. Ainda
que possam contribuir apenas minimamente, não ficarão a repetir, como no coro
imaginado pelo poeta:
Onde está a vida que perdemos vivendo?
Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento?
Onde está o conhecimento que perdemos na informação?
T.S. Eliot (The Rock, 1934)

ABSTRACT

It discourses on an extension course proposed by librarians to the Junior company
linked to the Institute of Mathematics and Statistics of the Universidade do Estado do Rio
de Janeiro to provide informational demands for statistics’ professors and students related
to the Research Program (Scientific Initiation) and the Extension program (Projects), what
stimulated the revision of the users training practices. A pilot of activity model was created
based on the literature, professional knowledge, and common experiences in the
possibilities of promotion of the technician-scientific making propitiated by the
technologies of information and communication, on the information literacy concept and its
implications in the production of knowledge and in the reference service. Twenty students
of Statistics and Actuarial and a professor will be stimulated on their self development in
terms of search, evaluation and informational resources use, constructing their knowledge
around the scientific communication and of the understanding of the basic principles that
conduct it. The librarians will act as helpers and participants in this learning. With this
initiative it is intended to contribute to extend, in the academic scope, the set of knowledge
that instruments the human being to make better use of his capacities and emphasize the
educational role inherent in being a librarian as much as underlying beauty in the act of
producing and sharing knowledge.
Key - Words: Informational ability; Training of users; Course of Extension - University of
Estado do Rio de Janeiro.

REFERÊNCIAS

BELLUZZO, Regina Célia Baptista; KERBAUY, Maria Teresa Miceli. Em busca de
parâmetros de avaliação da formação contínua de professores do ensino fundamental
para o desenvolvimento da information literacy. ETD – Educação Temática Digital,
Campinas, v.5, n. 2, p.129-139, Jun. 2004.

�15

CASTRO, Cláudio de Moura. O brasileiro da Nokia. Veja, São Paulo, ed. 1965, v.39, n.
28, 19 jul. 2006. p. 22.
CONSELHO REGIONAL DE BIBLIOTECONOMIA 7ª. REGIÃO. Sobre o perfil dos
bibliotecários do Estado do Rio de Janeiro e sua inserção no mercado de trabalho:
investigação exploratória (relatório de pesquisa). Rio de Janeiro, 2005. 145 f. (Coleção
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CONY, Carlos Heitor. Mentira e verdade. Folha Online. Disponível em:
&lt;http://www.folha.com.br/&gt;. Acesso em: 11 abril 2006.
ELIOT, T. S. The rock. In: Collected Poems. [S.l.] : Faber and Faber, 1963, pág. 161.
HATSCHBACH, Maria Helena de Lima. Information literacy: aspectos conceituais e
iniciativas em ambiente digital para o estudante de nível superior. Dissertação (Mestrado
em Ciência da Informação) – Escola de Comunicação, Universidade Federal do Rio de
Janeiro, Rio de Janeiro, 2002.
KANTER, R.M. Vantagem colaborativa: a arte das alianças In: Alianças estratégicas e
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Mind Quest, 1999.
MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. 7. ed.
Rio de Janeiro : Bertrand Russel, 2002.
PASQUARELLI, Maria Luiza Rigo. Procedimentos para busca e uso da informação:
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SÁ, Nysia Oliveira de; FONSECA, Nadia Lobo da; SARDENBERG, Regina R. C. ;
LANZILLOTTI, Regina Serrão. Sobre o perfil do bibliotecário do Estado do Rio de Janeiro,
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BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 21. , 2005,
Curitiba. Anais... Curitiba, 2005. 1 CD.
SILVA, Edna Lúcia da; CUNHA, Miriam Vieira da. A formação do profissional no século
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Acesso em: 24. jan. 2006.
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. UERJ em números. Disponível: &lt;
http://www.uerj.br/&gt;. Acesso em: 24 jun. 2006.

VERGUEIRO, Waldomiro. Seleção de materiais de informação: princípios e técnicas. 2.
ed. rev. Brasília, DF: Briquet de Lemos/Livros, 1997.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Competência na busca e no uso da informação: uma experiência na UERJ.</text>
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                <text>Fonseca, Nadia Lobo da; Sá, Nysia Oliveira de; Sardenberg, Regina Ribas Costa; Lanzillotti, Regina Serrão</text>
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                <text>Discorre sobre curso de extensão proposto por bibliotecárias à Empresa Junior vinculada ao Instituto de Matemática e Estatística da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, para atender a demandas informacionais de docentes e graduandos de Estatística vinculados ao programa de pesquisa (iniciação científica) e extensão (projetos), o que estimulou a revisão das práticas de treinamento de usuários. Modelou-se um piloto de atividade fundamentado na literatura, experiência profissional, e vivências comuns, nas possibilidades de promoção do fazer técnico-científico propiciadas pelas tecnologias de informação e comunicação, no conceito de competência informacional, e suas implicações na produção do conhecimento, e no serviço de referência. Vinte alunos de Estatística e Atuária e uma docente serão estimulados a se auto-desenvolverem em termos de busca, avaliação e emprego de recursos informacionais, construindo seu conhecimento em torno da comunicação científica e da compreensão dos princípios básicos que a regem. As bibliotecárias atuarão como facilitadoras e partícipes desse aprendizado. Com esta iniciativa pretende-se contribuir para ampliar, no âmbito acadêmico, o conjunto de saberes que instrumentalizam o ser humano para fazer melhor uso de suas capacidades e ressaltar tanto o papel educativo inerente ao ser bibliotecário, quanto a beleza subjacente ao ato de produzir e compartilhar conhecimentos.</text>
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                    <text>COMPORTAMENTO DOS BIBLIOTECÁRIOS DOS CEFETS* NO QUE SE
REFERE À FORMAÇÃO CONTINUADA
Eixo temático: O impacto das tecnologias eletrônicas e sua mediação
Sub-tema: A educação continuada dos profissionais da informação
BEATRIZ ALVES DE SOUSA CRB4/ 1090 – CEFET/PB
e-mail: beatrizalvesjp@bol.com.br
IVANISE ALMEIDA – CEFET/PB
e-mail: ivanisealmeidajp@bol.com.br
JOSINETE NÓBREGA DE ARAÚJO – CEFET/PB
e-mail: josinobrega@yahoo.com.br
ÂNGELA CARDOSO -Estagiaria do Curso de Biblioteconomia -UFPB
e-mail: angcardoso@ig.com.br

Resumo
Apresenta pesquisa realizada com os bibliotecários que trabalham nos
CEFETS com o objetivo de identificar os meios utilizados, bem como os fatores
que influenciam a formação continuada dos referidos profissionais. Trata-se de
uma pesquisa de campo, de caráter descritivo, com abordagens quantitativa e
qualitativa. O instrumento de coleta de dados constitui-se de questionários
compostos de perguntas abertas e fechadas, enviados por e-mail, e autoadministrados. Os resultados mostram que os bibliotecários estão conscientes da
necessidade de qualificação profissional, apesar de apontarem alguns fatores que
dificultam o processo de formação continuada. Identificou-se que os meios mais
utilizados para a atualização desses profissionais são: leitura de literaturas da
área; participação em cursos de capacitação; participação em eventos e por meios
eletrônicos (Internet); constatou-se também, que as áreas em que os mesmos
precisam de mais capacitação são: Tecnológica, Administrativa, de Relações
humanas e Técnica.

Palavras-chave: Profissional da Informação. Bibliotecário. Formação continuada.
* CENTROS FEDERAIS DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA

�2
1 INTRODUÇÃO
Costuma-se definir o atual estágio de desenvolvimento como a era do
conhecimento, dada a importância do conhecimento em todos os setores da
sociedade. Este novo momento traz uma grande dimensão para a informação que
passa a ser percebida como um bem de valor, haja vista a possibilidade de vir a
se transformar em conhecimento e conseqüentemente em inovação tecnológica
(ARRUDA; MARTELETO; SOUZA, 2000, p. 15). Nesse novo contexto, houve uma
(re) definição do processo de trabalho, tendo como princípio às inovações
tecnológicas, seguidas pela globalização da economia e por elementos de gestão
administrativa, que demanda um novo perfil profissional, não apenas, do
profissional da informação, que passa a ter seu campo de atuação ampliado e
redimensionado, mas, de todo trabalhador.
Verifica-se que à medida que as sociedades vão se modernizando, o
mercado de trabalho vai se tornando mais dinâmico, mais competitivo e mais
exigente. De acordo com Arruda; Marteleto; Souza (2000, p.7), esse processo de
transformação

“requer,

além

de

maior

qualificação

profissional,

maior

envolvimento emocional e social do trabalhador.” A forma como este se relaciona
e se socializa no ambiente de trabalho é fundamental para o desenvolvimento das
organizações. Para os autores o trabalhador precisa dentre outras coisas integrar
conhecimentos profissionais e aptidões tácitas, ser flexível, apto a atuar em
situações de trabalho diferenciadas, saber trabalhar em equipe e ser capaz de
mobilizar seu conhecimento em prol da organização.
A relevância da informação na sociedade contemporânea, como foi
mostrado anteriormente, tem como conseqüência a intensificação do trabalho do
profissional da informação, vez que novas atividades são acrescidas a sua área de
atuação, o que aumenta a demanda por maior capacitação e maior envolvimento
intelectual.
Le Coadic (1996 p. 105-106) mostra que, com o progresso da ciência e da
tecnologia, o profissional da informação, além das atividades clássicas, passou a
exercer outras funções, tais como:

�3
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•

Avaliar, planejar, vender e implementar redes locais de comunicação de
informação em uma empresa industrial;
fazer buscas manuais e informatizadas no serviço de documentação de um centro
de pesquisa e desenvolvimento;
implantar programas de gerenciamento de informação na informatização de
bibliotecas, museus ou centros de informação;
implantar serviços eletrônicos de comunicação oral (videoconferência) e escrita
(correio eletrônico) em empresas;
preparar, resumir e editar informações, por exemplo, sobre novos medicamentos
em uma empresa farmacêutica; o que implica saber recuperar e avaliar informação
científica e médica, interpretar e redigir documentos técnicos;
produzir programas audiovisuais e ser capaz de implantar sistemas de informação
multimídia para um conjunto de estabelecimentos escolares;
administrar as aquisições, formar os acervos de unidades de informações e
informatizá-los;
dirigir a redação de revistas científicas numa empresa editorial;
implantar a política orçamentária e a política de seleção de pessoal em um centro
de documentação;
administrar o arquivo médico, preparar prontuários analíticos, implantar gestão
informatizada da informação médica em hospitais.

Assim, para acompanhar as mudanças decorrentes do modelo de trabalho
vigente, o profissional da informação, em particular o bibliotecário, precisa
incorporar várias qualificações a sua formação.
Como mostra Martins (2005, p.3-4)
Domínio das tecnologias de informação; aquisição de mais de um
idioma; capacidade de comunicação e de relacionamento
interpessoal; capacidade gerencial e administrativa; administração e
planejamento estratégico; educação continuada; adaptabilidade
social; trabalhar em equipe de forma globalizada e regionalizada.
[...] Deve ser participativo, flexível, inovador, criativo, delegar
poderes facilitando a interação entre os níveis hierárquicos e a
comunicação entre eles.

A esses elementos acrescentam-se: saber planejar e gerenciar sistemas de
informação, ser pró-ativo, ter habilidades para coordenar e organizar projetos,
interdisciplinaridade, dinamismo, profissionalismo, persistência, responsabilidade,
motivação pessoal e capacidade para atualizar-se, tendo em vista que “a
atualização é o elemento-chave para sobrevivência do profissional e da profissão
em qualquer instância.” (TARGINO, 2006, p 169 e 172)

�4
Na análise dos autores Arruda; Marteleto; Souza (2000, p.10), é difícil
estabelecer um consenso quanto ao perfil profissional do bibliotecário diante da
diversidade de áreas de atuação desse profissional, porém, destaca para
composição desse perfil a valorização das capacitações tácitas, competências e
atitudes comportamentais.
Diante do exposto, o bibliotecário precisa estar consciente da necessidade
de qualificar-se, de imprimir mudanças de atitude e de postura profissional,
desenvolver aptidões e habilidades necessárias para responder às exigências
requeridas pelo mercado e, principalmente saber que O conhecimento não está
acabado. Por isso, precisa estar sempre se renovando, seja através da educação
continuada, que além de reforçar sua formação acadêmica, possibilita novos
saberes, seja por meio de um aprendizado autônomo.
Christóvam (2004, p.179) quando refere-se à formação continuada do
educador diz que “a única certeza que se tem hoje, em relação a aquisição do
conhecimento, é a da aprendizagem contínua”. Para o autor, essa formação se dá
de várias maneiras: “conhecimentos variados, ecléticos e acumulados de diversas
formas; por meio de leituras, troca de experiências, vivencias pessoais, etc.; por
meio da internet, de correspondências, outros meios de comunicação, e batepapos informais.” A estas é conveniente acrescentar a educação continuada.
Zanaga (1989, p. 62 citado por PROSDÓCIMO; OHIRA, 2000 p.2) agrupou
os meios de atualização profissional da seguinte forma:
Leitura - de revistas especializadas acionais e estrangeiras e de
trabalhos de congressos publicados em Anais; Informais –
conversa com colegas; participação em congressos e outros
encontros; reuniões associativas gerais e participação em grupos
de trabalho; Cursos curtos – ministrados/realizados por escolas,
associações, no próprio local de trabalho; em outras instituições.

O rápido desenvolvimento das redes de computadores associadas aos
avanços das telecomunicações tem possibilitado a educação à distância que
representa uma nova alternativa de reciclagem profissional, (Naves 1998 citado
por PROSDÓCIMO; OHIRA, 2000, p.2). Dentre as novas tecnologias da

�5
informação, a Internet é, sem dúvida, uma grande aliada no processo de formação
continuada, em todas as áreas, por apresentar e integrar várias ferramentas de
busca recuperação e troca de informação. Gasque e Costa (2003, p.56), em
estudo sobre a formação continuada de docentes apontam, entre outras
vantagens das novas tecnologias da informação, “os cursos de educação à
distância, que podem favorecer os professores que não têm oportunidade de fazer
um curso presencial”.
Nessa perspectiva, observa-se que a formação profissional vai além da
educação formal e que não há nem tempo, nem forma e nem lugar próprio para
aprendizagem na sociedade do conhecimento. Cabe, portanto, à parte
interessada, ou seja, ao bibliotecário que precisa manter-se atualizado encontrar
os meios que proporcionem sua qualificação de forma contínua.
Diante do exposto, o grande desafio para o momento é garantir a
qualificação do capital humano. Mas, a quem recai a responsabilidade dessa
tarefa? - As organizações que precisam de pessoal capacitado e competente para
enfrentar a competitividade do mercado; ou, ao próprio profissional que precisa
garantir seu emprego?
Segundo Cavalcante (1998, p. 5) as organizações devem investir na
qualificação de seus recursos humanos já que depende deles o sucesso das
mesmas.
Para uma organização tornar-se competitiva e de qualidade, não
basta investir em tecnologia e em equipamentos de última
geração. O processo de definição de estratégias de mudanças
passa, necessariamente, pelo fator informação e investimentos na
qualificação de recursos humanos como elementos essenciais ao
desenvolvimento e crescimento organizacional.

Autores como Cunha (1984); Tarapanoff et al (1988); Zanaga (1989)
(citados por PROSDÓCIMO; OHIRA, 2000, p. 2-3), em estudo sobre a formação
continuada dos bibliotecários, colocam além de parcerias com Escolas de
Biblioteconomia, Associações de Classe, Governos etc., a necessidade de uma
reflexão do próprio bibliotecário em assumirem a responsabilidade do seu

�6
desenvolvimento pessoal e profissional, investindo na aquisição de novos
conhecimentos.
Considerando a formação continuada como toda ação ou prática que busca
a capacitação profissional, foi realizada uma pesquisa com os bibliotecários dos
CEFETS, com o objetivo de identificar os meios utilizados, bem como os fatores
que influenciam para a formação continuada dos referidos profissionais.
2 PESQUISA

2.1 Metodologia
Trata-se de uma pesquisa de campo de caráter descritivo, com abordagens
qualitativas, embora tenha resultados quantitativos. A pesquisa fundamentou-se
na literatura sobre a importância da formação continuada para o profissional da
informação, tendo como sujeitos os bibliotecários que trabalham nos CEFETS
localizados em todo o território brasileiro. O universo da pesquisa é formado por
34 Instituições, com o número aproximado de 46 bibliotecários.
2.1.1 Material
O instrumento de coleta de dados constitui-se de um questionário composto
de perguntas abertas e fechadas, por meio das quais buscou-se averiguar a
percepção dos bibliotecários com relação à formação continuada, os meios
usados pelos mesmos para se atualizarem, o nível de qualificação, e as áreas em
que eles (os bibliotecários) precisam de uma maior qualificação.
Os questionários foram enviados por e-mail, e auto-administrado (no caso
dos pesquisadores que também fizeram parte da pesquisa). Foram enviados 46
questionários, dos quais somente 17 foram respondidos. Portanto, 37% dos
bibliotecários participaram da pesquisa.
Os dados foram analisados e discutidos, observando-se a ordem dos objetivos.

3 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS

�7
Para uma melhor compreensão dos resultados, os questionamentos foram
divididos em duas partes:
1a. Parte: Comportamento dos bibliotecários no que se refere à formação
continuada.
No item da (pesquisa) relativo à percepção desses profissionais no que se refere
ao tema proposto, obteve-se o seguinte resultado:
•
•
•
•

•
•
•

•
•
•

•
•

A formação contínua é o segmento que o profissional dá aos seus estudos, após a
graduação. É algo necessário, e envolve estudo, planejamento e educação
continuada;
a partir das novas demandas, ampliação e criação de novos cursos, automação de
serviços, manuseio de novas tecnologias - a atualização tornou-se necessária
para o bibliotecário;
o profissional deverá sempre manter-se atualizado para aprender a dominar novos
conhecimentos e novas tecnologias, contribuindo com sua capacidade e
experiência para melhor servir à coletividade;
acredito que é sempre necessário que o bibliotecário esteja comprometido com
sua formação contínua. Essa formação pode ser tanto em nível de cursos de pósgraduação, como de participação em eventos, leitura de artigos recentes, e
conversas com outros profissionais;
como o profissional da informação atua com conhecimento e participa diretamente
da construção deste, a formação continuada deve ser uma constante na sua
carreira;
a aquisição de novos conhecimentos e habilidades se faz tão necessária quanto à
prática biblioteconômica diária;
vivemos em uma sociedade, denominada Sociedade da Informação, em que o
processo formativo do profissional torna-se necessariamente contínuo, buscando
cada vez mais um melhor aprimoramento para o seu fazer cotidiano. Por isso, o
Profissional da Informação/Bibliotecário precisa capacitar-se para tentar responder
às necessidades inerentes à sua profissão;
a formação continuada é imprescindível não só para os bibliotecários, mas para
todos os profissionais, uma vez que a estagnação compromete o desenvolvimento
e engessa as melhorias dos serviços e do atendimento;
para se inserir nesse novo contexto, o bibliotecário precisa estar atualizado aberto
a mudanças e a novos aprendizados;
a verdade é que não só o bibliotecário, mas qualquer profissional de bom senso,
tem que estar ligado às constantes transformações que o mercado de trabalho
sofre, caso contrário, estará fora da corrida. A educação continuada vem,
exatamente, suprir essa necessidade, servindo como combustível necessário para
manter o profissional nessa disputa, concorrendo de igual pra igual com os demais
profissionais antenados;
o bibliotecário deve buscar sua qualificação profissional, adaptando-se às
exigências do mercado, tornando-se um profissional dinâmico, criativo, atuante e
flexível às mudanças;
no momento em que estamos vivendo, qualquer tipo de profissional precisa
manter-se atualizado, tendo em vista as constantes mudanças tecnológicas, bem

�8

•

como a globalização da informação - que exige cada vez mais que os profissionais
acompanhem pari passu as transformações técnicas e sociais, visando, cada vez
mais, oferecer serviços e atitudes condizentes com a comunidade para a qual
trabalha;
a formação continuada é muito importante, porém, às vezes, outros fatores
contribuem para que isto não aconteça.

De acordo com os depoimentos descritos pode-se afirmar que há um
entendimento desses profissionais no que diz respeito à atualização profissional
para acompanhar as tendências desse novo mercado de trabalho e que esta
qualificação deve se dá através da formação continuada. Fato retratado também
na literatura consultada.
2a. Parte: Qualificação Profissional

Considerando a Formação Continuada como toda ação ou prática que busca a
capacitação profissional, buscou-se através da pesquisa:
•

Identificar os recursos utilizados para atualização profissional, e o
nível de capacitação/titulação desses bibliotecários. Questões 1, 2 e 3.

1 Quais os meios usados para a atualização?
Nesta pergunta foram colocadas algumas opções de marcar, deixando uma
lacuna para que o participante pudesse acrescentar outros meios por ele utilizados
para sua capacitação profissional.

12%
41%
72%

Leituras da
literatura
Cursos de
capacitação
Eventos da área

53%
59%

Gráfico 1 Meios usados para atualizar-se

Meios
eletrônicos
Não participam
de nada

�9
No que diz respeito aos meios utilizados para efetivar sua formação, 72%
dos participantes da pesquisa responderam que lêem literatura especializada;
59% participam de cursos de capacitação, oficinas, treinamento etc., 53%
participam de eventos da área: congressos, simpósios, encontros, etc.; 41%
utilizam-se de meios eletrônicos, lista de discussão, fórum, bate-papos etc.; e
12% não se atualizam. A leitura apareceu como o recurso mais utilizado pelos
pesquisados, isto se justifica por ser a forma mais disponível no momento, porém,
o uso da Internet no processo de aprendizagem contínua por esses profissionais
destacou-se como ponto positivo, haja vista a potencialidade dessa ferramenta
como instrumento de busca, recuperação e troca de informação o que representa
um grande avanço quanto à formação continuada. O percentual de 12% que não
busca nenhuma forma de atualização demonstra a falta de motivação pessoal.
2 Quais os eventos de que participou nos últimos três anos?

12%

Não participou
de eventos
CBBD

12%
47%
18%

Treinamento
/CAPES
SNBU
I ENBCEFETs

24%

35%

Outros

Gráfico 2 Eventos de que participou nos últimos três anos

Como mostra o gráfico, o último Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e
Documentação (CBBD) foi o evento de maior participação por parte dos
pesquisados (35%); o treinamento do Portal da CAPES (24%); e 18% participaram
do Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU). Foi mencionado
ainda o I Encontro Nacional de Bibliotecas dos CEFETS (I ENBCs) e outros
eventos, ambos citados por 12% dos respondentes. Porém, um percentual de 47%
dos participantes da pesquisa não participaram de nenhum evento da área no

�10
período questionado, justificando essa ausência pelos seguintes fatores: falta de
condição financeira, falta de apoio institucional e falta de tempo.

3 Fez ou faz algum curso de pós-graduação (especialização, mestrado e
doutorado)?

0%
29%

Especialização
Mestrado

6%

71%

Só graduação
Doutorado

Gráfico 3 Nível de formação/titulação

Referindo-se à formação formal dos bibliotecários, obteve-se o seguinte
resultado:
71% dos respondentes da pesquisa ou está cursando ou já concluíram uma
Especialização. Somente um dos bibliotecários pesquisado tem Mestrado, o que
representa 6% dos participantes da pesquisa; (29%), tem somente graduação e
nenhum possui Doutorado. Considerando as tendências do mercado de trabalho,
que dentre as várias exigências, destacam a titulação como requisito para
inserção do profissional nesse novo contexto, o resultado obtido na pesquisa é
bastante promissor, devido o número de especialistas; apesar ainda, da pouca
representatividade nos graus de mestre e de doutor.
•

Identificar os fatores que dificultam a formação continuada dos
bibliotecários pesquisados e quais as áreas de atuação que esses
profissionais precisam de uma melhor qualificação. Questões 4 e 5.
Nessas questões foram dadas algumas opções de marcar, deixando

�11
espaço para que os pesquisados pudessem acrescentar suas
opiniões.

4 Que fatores dificultam sua qualificação profissional?

12%
23%
76%
29%

29%
47%

Falta apoio da
Instituição
Poucos cursos
oferecidos
Falta de tempo
Falta de
motivação
Faltam recursos
financeiros
Falta de
substituto

Gráfico 4 Distribuição das dificuldades encontradas pelos bibliotecários quanto à
formação continuada.

Destacou-se em primeiro lugar a falta de apoio da Instituição, o que atingiu
o índice de (76%). 47%; acham que são poucos os cursos oferecidos; a falta de
tempo e a falta de motivação dos profissionais para a educação continuada
apareceram em terceiro lugar, ambos citados por 29% dos respondentes; 23%
alegaram a falta de recursos financeiros; e em razão de que, na maioria das
vezes, o bibliotecário trabalha sozinho na biblioteca, não podendo se ausentar
para fazer cursos; 12% colocaram falta de substituto.
Este resultado, em parte, reafirma a preocupação de Prosdócimo e Ohira,
(2000, p. 23), quando assinalam que os cortes nos orçamentos das Instituições
Públicas impedem as mesmas de arcarem com os custos de capacitação de seus
funcionários e que, portanto, o esforço maior para este fim deve ser do
profissional em investir em si próprio. Quanto à escassez de cursos e
treinamentos direcionados à qualificação profissional foi mencionado na literatura
consultada. Diante disso é preciso que as Organizações (Cursos de
Biblioteconomia, Associações e Bibliotecas) atentem para esse problema e

�12
procurem desenvolver programas de treinamentos contínuos, de acordo com as
necessidades da área.

5 Áreas de maior necessidade de atualização do bibliotecário.
18%
18%
76%
47%

Organizacional/admini
strativa
Tecnológica
Relações humanas
Técnica
Idiomas

53%

76%
Outras

Gráfico 5 Necessidades de atualização por áreas detalhadas

As áreas Tecnológica e a Organizacional/administrativa aparecem em
primeiro lugar, ambas citadas por 76% dos respondentes; 53% consideram a área
de Relações humanas; 47% colocaram a área Técnica.

Foi manifestada a

necessidade de atualização em línguas (inglês, espanhol e português) por 18%
dos participantes da pesquisa; e ainda 18% citaram outras áreas do conhecimento
(Pedagógica, Arte, Educação, Empreendedorismo etc.)
Comparando o resultado obtido nesta pesquisa com o da pesquisa
realizada pela FID (Federação Internacional de Informação e Documentação)
sobre o perfil do profissional da informação verificou-se que as necessidades de
qualificação requeridas por estes profissionais para ascensão no mercado de
trabalho são praticamente as mesmas. “Domínio das tecnologias, aquisição de
mais de um idioma, capacidade de comunicação e de relacionamento
interpessoal, e gerenciamento” (ARRUDA; MARTELETO; SOUZA, 2000, p. 11).

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

�13
Constatou-se uma preocupação desses profissionais com relação à
formação continuada. Todos os participantes demonstraram-se conscientes da
necessidade de estarem em permanente formação. No que diz respeito aos
meios utilizado para atualização profissional colocaram: Leitura, participação em
cursos, eventos, meios eletrônicos, entre outros; dentre as principais barreiras
encontradas pelos bibliotecários para se atualizarem, as mais citadas foram a
falta de oferta de cursos na área e a falta de apoio da Instituição; quanto à
necessidade de qualificação desses profissionais, foram mencionadas todas as
áreas proposta na pesquisa (Tecnológica, Organizacional e administrativa,
Relações humanas e Técnica) sendo acrescentadas mais outras como:
Pedagógica, Artes, Educação e Empreendedorismo. Este resultado não
surpreendeu em virtude das grandes transformações que vêm ocorrendo no
mundo do trabalho e que afetam o campo de atuação do bibliotecário, que exige
um profissional atualizado, com conhecimentos diferenciados, muito mais
comprometido com a missão da instituição, e com maior capacidade de
relacionamento interpessoal.
Referências
ARRUDA, Maria da Conceição Calmon; MARTELETO, Regina Maria; SOUZA,
Donaldo Bello. Educação, trabalho e o delineamento de novos perfis profissionais:
o bibliotecário em questão. Ciência da Informação, Brasília, v.29, n.3, p. 1424, set./dez. 2000
CAVALCANTE Lídia Eugenia. Educação e aprendizagem contínua em
unidades de informação.In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIA, 18.,1998. Fortaleza. Disponível em:
www.biblioteca.ufc.br/arteducacao.html . Acesso em: 30 maio 2006.
CHRISTÓVAM, Maria Carmem Tavares. A formação permanente do educador e o
processo ensino-aprendizagem.In: COLOMBO, Sonia Simões (org.). Gestão
educacional: uma nova visão. Porto Alegre: Artmed, 2004.
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Comportamento dos professores da educação básica na busca de informação
para formação continuada. Ciência da Informação, Brasília, v.32, n.3, p. 5461, set./dez. 2003

�14
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Lemos. 1996.
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em: http://www.sindibrj.com.br/artigos/0001.htm. Acesso em: 30 maio 2006.
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bibliotecário em exercício no Estado de Santa Catarina: necessidade de educação
continuada. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E
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dos Bibliotecários do Rio grande do Sul. 2000 CD-ROM
TARGINO, Maria das Graças. Quem é o profissional da informação. In: ____.
Olhares e fragmentos: cotidiano da biblioteconomia e ciência da informação.
Teresina: EDUFPI, 2006. 266p. P161- 178.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Apresenta pesquisa realizada com os bibliotecários que trabalham nos CEFETS com o objetivo de identificar os meios utilizados, bem como os fatores que influenciam a formação continuada dos referidos profissionais. Trata-se de uma pesquisa de campo, de caráter descritivo, com abordagens quantitativa e qualitativa. O instrumento de coleta de dados constitui-se de questionários compostos de perguntas abertas e fechadas, enviados por e-mail, e auto-administrados. Os resultados mostram que os bibliotecários estão conscientes da necessidade de qualificação profissional, apesar de apontarem alguns fatores que dificultam o processo de formação continuada. Identificou-se que os meios mais utilizados para a atualização desses profissionais são: leitura de literaturas da area; participação em cursos de capacitação; participação em eventos e por meios eletrônicos (Internet); constatou-se também, que as áreas em que os mesmos precisam de mais capacitação são: Tecnológica, Administrativa, de Relações humanas e técnica.</text>
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COMPRA AUTOMÁTICA DE BIBLIOGRAFIAS DE CURSOS, ADEQUADAS ÀS
EXIGÊNCIAS DO MEC
Zely Siqueira Gonzaga Filha
Bibliotecária, Universidade Cruzeiro do Sul – SP – Brasil
zely.gonzaga@unicsul.br
Ivone Haruyu Oogusuku Carvalho
Bibliotecária, Universidade Cruzeiro do Sul – SP – Brasil
ivone.carvalho@unicsul.br
Jenildo Soares Santos
Analista de Sistemas, Universidade Cruzeiro do Sul – SP –
Brasil jenildo.santos@unicsul.br
Maria Isabel Santoro
Direção de Bibliotecas, Universidade Cruzeiro do Sul – SP
– Brasil isabel.santoro@unicsul.br
Inês Confuorto G. Macedo
Assessoria da Pró-reitoria de Graduação da Universidade
Cruzeiro do Sul - SP – Brasil - ines.macedo@unicsul.br
RESUMO: (duzentas palavras)
O departamento de Sistemas da UNICSUL optou por utilizar o software ORACLE, e
desenvolver com a equipe local, programas integrados para atender à demanda de
toda a Universidade. Assim, a Biblioteca pôde adotar um sistema específico de
compra automática, a partir da indicação bibliográfica de cada disciplina (cerca de
2.000, dos 40 cursos existentes). Os dados bibliográficos digitalizados pelo docente,
no plano de ensino passam a ser comparados com os do catálogo on-line das
bibliotecas. Como o sistema mostra o número de alunos, é permitido ao
Coordenador do Curso analisar o número de exemplares a ser adquirido, por
Biblioteca, conforme exigências do MEC em relação às bibliografias. Este trabalho
descreve cada uma das etapas que abrange desde a comparação do dado
bibliográfico, filtrando os títulos identificados para compra até as demais etapas
relacionadas à cotação, fornecedor, mapa, confirmação de compra, recebimento,
entre outras. A dinâmica imprimida neste fluxo permitiu que, desde a entrada única
do dado pelo docente, fosse possível acrescentar e / ou corrigir informações, em
campos específicos, para realimentar a própria base do catálogo online. Ao receber
o livro, ele é automaticamente tombado e encaminhado para a área de tratamento
da informação, sendo um título novo, e, caso contrário, para o setor de preparação.
Palavras-chave: biblioteca universitária, tecnologias de informação e comunicação,
ensino e pesquisa, aquisição automatizada, cooperação de dados.

�2

1 INTRODUÇÃO

As bibliotecas universitárias brasileiras em especial, as vinculadas às
universidades privadas, precisam constantemente manter uma coleção de livros de
graduação atualizada e totalmente adequada às bibliografias dos cursos, uma vez
que o próprio Ministério de Educação (MEC) faz essa exigência.
Esse fato torna-se uma das questões centrais da graduação visto que a
biblioteca tem papel essencial e interage como elemento facilitador na aquisição do
conhecimento.
Para cumprir essa meta, a Universidade Cruzeiro do Sul (UNICSUL), que
trabalha com seriedade e determinação na busca pela qualidade do ensino, passou
a estudar uma forma de agilizar todo o processo de compra, juntamente com a área
de Sistema e da Pró-reitoria de Graduação (PROGRAD).
A UNICSUL hoje conta com 3 Campi, localizados nos bairros Liberdade,
Tatuapé e São Miguel Paulista em São Paulo e, em cada um deles funciona uma
biblioteca. No Campus São Miguel está instalada a Biblioteca Central e nos outros 2
(dois) as Bibliotecas Setoriais (ver página www.unicsul.br/biblioteca).
A Biblioteca Central é responsável tecnicamente pelas Bibliotecas Setoriais e
centraliza os serviços de aquisição, processamento técnico, alimentação e
manutenção da base de dados (catálogo on-line).
O Sistema de Bibliotecas possui orçamento próprio que é liberado
semestralmente, o que permite efetuar a compra de todo o material solicitado.
Segundo pesquisa em andamento, Gonzaga, et al (2006) 68% das bibliotecas
pesquisadas também possuem orçamento próprio o que é uma grande conquista
para as bibliotecas universitárias brasileiras.
A estrutura acadêmica da UNICSUL se constitui de quatro Centros,
relacionados com as diferentes áreas de conhecimento: Centro de Ciências
Humanas e Sociais (CCHS), Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS),

�3

Centro de Ciências Exatas e de Tecnologia (CETEC) e Centro de Ciências
Administrativas e de Negócios (CCAN).
Na composição desses Centros (ver página www.unicsul.br), encontram-se os
40 (quarenta) cursos oferecidos pela Universidade. Nesse conjunto de cursos são
ministradas aproximadamente 2.200 (duas mil e duzentas) disciplinas.
A manutenção atualizada dos Planos de Ensino de cada uma dessas
disciplinas sempre representou um desafio para a PROGRAD, pois nem todos os
docentes respeitavam os prazos determinados para entrega dos Planos, além de
não existir total coerência nas informações quanto a conteúdo e apresentação.
Ainda, a necessidade de gerar relatórios, com mais agilidade e facilidade,
para as visitas de avaliação do MEC, foi outro aspecto desencadeador para o
desenvolvimento de um sistema que pudesse executar essa tarefa, uma vez que as
exigências do MEC passaram a ser cada vez mais detalhadas, como, por exemplo, a
relação entre número de exemplares de uma indicação básica por número de
alunos.
Essas demandas e a falta de uma sistemática de entrega de pedidos de livros
na Biblioteca, pela Coordenadoria de Cursos, justificou um trabalho conjunto da
própria PROGRAD, da direção da Biblioteca e da área de Sistemas, que resultou na
criação do Sistema WebPlan.
Com esse Sistema, a área de compras da Biblioteca deixou de receber listas
específicas de cada curso, enviadas em diferentes datas, apesar da Biblioteca
sempre indicar prazos.
Estas listas (arquivos), ao serem recebidas na Biblioteca, eram retrabalhadas,
sofrendo correções de referência e análise de números de exemplares, além das
solicitações serem, em muitos casos, de livros já existentes. Tudo isto resultava em
duplicação de trabalho, o que gerava maiores gastos de tempo e recursos
financeiros.

�4

2 CRIAÇÃO DO SISTEMA WEBPLAN

O departamento de Sistemas da UNICSUL optou por utilizar o software
ORACLE e desenvolver, com a equipe local, programas integrados para atender à
demanda de toda a Universidade.
A Biblioteca, a partir de março de 1996, teve sua base de dados implantada e
desenvolvida em Forms 3.0 e com relatórios na linguagem Cobol. Esse Sistema foi
sendo aprimorado e, atualmente, a versão está em Oracle Forms 6.0 e os relatórios,
em Oracle Reports 6.0.
A Base de Dados da Biblioteca está integrada com os Sistemas da Secretaria,
Egressos, Recursos Humanos e Tesouraria, para atender à demanda de empréstimo
(cadastro de usuários, professores, ex-alunos e controle de multas). Isso mantém
um alto nível de atualização e desburocratização de cadastro. O aluno, ao se
matricular, por exemplo, pode ir diretamente para a Biblioteca e emprestar um livro;
é somente necessário que ele se identifique com documento que contém foto.
Voltando à questão das indicações bibliográficas, devido à grande quantidade
de bibliografias adotadas nos Planos de Ensino, houve necessidade da UNICSUL
racionalizar este processo, implantando um sistema informatizado para registro
desses planos que recebeu o nome de WebPlan.
Com os estudos para o planejamento do WebPlan, considerou-se que a
PROGRAD alimentaria o Sistema, com os seguintes dados: horário e grade
curricular de cada curso, nome da disciplina e professor responsável (uma vez que
existem vários professores para uma mesma disciplina e somente um deles deve
alimentar o WebPlan).
O Sistema, objetivando facilitar a vida do docente, possibilitou o acesso via
Internet ao WebPlan. Os dados a serem digitados estão descritos no item 3 e
constam da Figura 1.

�5

Com a implantação do WebPlan, foi possível desencadear a compra
automatizada, na qual o professor, ao indicar um item da bibliografia, consulta
automaticamente o catálogo online da biblioteca. A bibliografia pode ser atualizada a
cada semestre, acrescentando ou não títulos novos e sempre seguindo o padrão
para referência da ABNT (Norma 6023).

3 PROCESSO DE COMPRA DE LIVROS VIA WEPPLAN

O Sistema WebPlan foi concebido para que, por meio da Internet, cada
docente responsável por uma determinada disciplina pudesse incluir todos os
elementos que integram o Plano de Ensino, isto é: ementa, objetivos, conteúdo,
estratégias, avaliação e bibliografias básica e complementar.
Primeiramente, o próprio docente digita todas as informações que o Plano
deve conter e inclui, também, cada item da bibliografia (seja ela básica ou
complementar). Quando ele preenche o campo de autor e / ou título, o Sistema
automaticamente acessa o catálogo online da Biblioteca para checar a existência ou
não daquele item. Em seguida, o Plano da disciplina passa pela aprovação da
Coordenação de Cursos e pela PROGRAD. No nível da coordenação de Cursos
determina-se o número de exemplares para compra, atendendo às exigências do
MEC para a relação número de exemplares e quantidade de alunos.
A partir da adoção do WebPlan, a Biblioteca alterou completamente as rotinas
de compra de livros. Atualmente, o processo encontra-se com todas as etapas
automatizadas. Os bibliotecários que trabalham na aquisição de livros utilizam
senhas para entrar no Sistema, exatamente nas etapas de acesso à bibliografia
básica e complementar disponibilizada para compra. Apresenta-se, a seguir, cada
uma dessas atividades, iniciando pela própria bibliografia básica e complementar,
por curso, que é o resultado da integração das bibliografias de cada disciplina, por
semestre.
Nessa operação, é importante destacar que o Sistema efetua as seguintes
etapas:

�6

-

Verificação da existência do título;

-

Para títulos não existentes, o professor digita a referência completa do
livro;

-

Para títulos já existentes, verificação do ano de publicação;

-

Quando a indicação bibliográfica for de ano anterior ao do livro existente
na biblioteca, o próprio sistema faz a conversão para o ano mais recente e
absorve todos os campos da referência, no formato ABNT (assim, no
Plano de Ensino, as bibliografias estão sempre atualizadas), e

-

No caso de ano de publicação mais recente, o professor indica o ano
desejado.

Relação de Bibliografia por curso e semestre: acesso às bibliografias básica e
complementar (Figura 1) com a informação de número de exemplares a ser
adquirido, por Biblioteca, em função do número de alunos matriculados por curso.
Esta etapa consiste em conferir os títulos que estão zerados para verificar se não há
erro. A conferência é feita pela comparação da referência com a informação que
consta da base de dados da Biblioteca (o erro mais comum, por parte dos
professores, tem sido a entrada de autor coletivo).

Figura 1 – WebPlan – Consulta ao Plano de Ensino
Acertos em Bibliografias do Plano de Ensino: este processo consiste em verificar
e corrigir qualquer dado que esteja incorreto, como autor, título, local de publicação,
editora e ano. A referência precisa estar correta para facilitar a identificação pelo

�7

fornecedor, no momento da cotação de preço da obra exata, e para facilitar a
conferência no momento em que o livro chega à biblioteca, para ser cadastrado no
pedido de compra.

Solicitação de compra pela Biblioteca: nesta etapa, a biblioteca insere a
quantidade de livros autorizada para comprar, separada por Campus (os exemplares
de cada título são calculados automaticamente pela quantidade exigida pelo MEC,
em função do número de alunos matriculados). (Figura 2)

Figura 2 – Solicitação de Compras pela Biblioteca

Relação de acervo solicitado por Centro para compra: nesta etapa, a solicitação
de compra de livros sofre análise para verificar a duplicação de títulos entre cursos
do mesmo Centro. Neste caso, são redefinidos os números de exemplares.
Geração de pedidos de cotação: após ser inserida a quantidade para ser
comprada, geram-se os arquivos com a lista única de títulos, com as quantidades
necessárias para todos os Campi. Este arquivo é anexado ao e-mail para os
fornecedores, com o ofício estabelecendo regras e prazo para o retorno da resposta
da cotação. Normalmente, é solicitada cotação para aproximadamente 8 (oito)
fornecedores.

�8

Retorno da Cotação: os fornecedores retornam, por e-mail, o arquivo com a
cotação de preço de cada título e as informações adicionais quando necessário, tais
como alteração de título, autor, editora, prazo de validade da cotação e prazo para
entrega. Para cada cotação é gerado um código para o curso e cadastro para o
fornecedor. Neste momento, o sistema automaticamente separa e calcula os valores
totais para cada Campus.
Mapa de Cotações: depois do término do prazo estipulado para o retorno das
cotações e todos os valores serem repassados para as tabelas, são geradas as
planilhas com um código identificando o mapa de cotação separado por curso e
Campus. O sistema seleciona automaticamente o fornecedor que cotou preço mais
baixo e efetua o fechamento total de despesas por curso. O valor total da despesa
de cada curso é separado por Campus e repassado para outra planilha onde há um
controle total de quanto está sendo gasto por curso (Figura 3).

Figura 3 – Mapa de Cotações

Geração de Pedido de Compra: com a cópia do mapa de cotação, a biblioteca
pode ter uma visão geral de todos fornecedores e selecionar no WebPlan os títulos
que deseja comprar. A partir da seleção, é gerado um arquivo com a referência
completa e com os dados, tais como data da geração do pedido, prazo de entrega, à
qual Biblioteca pertence o pedido, o nome do curso e o valor total da despesa com
fornecedor. Este arquivo é enviado por e-mail para confirmação de compra (Figura
4).

�9

Figura 4 – Geração de Pedido de Compra

Recebimento e cadastro de pedido de compra: com a entrega, por parte dos
fornecedores, dos pedidos de compra, os livros são conferidos com a nota fiscal e o
pedido de confirmação de compra. Após a conferência no WebPlan, digita-se o
número do pedido e, automaticamente, aparece a planilha com os títulos solicitados
e confirma-se o recebimento digitando-se a quantidade recebida e a data (Figura 5).
Nesta etapa, destaca-se uma importante atividade que é a geração automática de
tombos e relatório. Os livros novos (não existentes no acervo) são separados para
processamento técnico. Os demais livros são encaminhados para preparação física
(carimbo, etiqueta magnética, número de tombo e etiqueta com número de
chamada).

Figura 5 – Recebimento e Cadastro de Pedido de Compra

�10

Relação de livros não cotados: após a confirmação de compra, imprime-se um
relatório para verificar quais os títulos não foram cotados. Esta listagem sofre análise
criteriosa do Bibliotecário para identificar, ainda, possibilidade de compra (pode
ocorrer de se tratar, por exemplo, de uma Editora Universitária).
Relação de livros pendentes: após um determinado tempo, imprime-se um
relatório de livros por fornecedor, com todos os títulos de todos os cursos e dos três
Campi que foram solicitados para compra, quantos foram entregues, quantos estão
pendentes. A biblioteca envia esta planilha com todos os títulos que estão pendentes
cobrando dos fornecedores a informação de possível entrega ou livro esgotado,
enfim, dados para finalizar o processo.
Com esta atividade encerra-se o processo de compra automatizado pelo
WebPlan. Ainda, a Biblioteca mantém:
Controle de despesa por curso: um controle das despesas contendo as segui ntes
informações: número da nota fiscal, nome da livraria, quantidade de títulos,
exemplares, valor da nota -fiscal e total geral da despesa por curso.
Solicitação de pagamento das notas fiscais: esta solicitação é feita em outro
Sistema automatizado, que é RM Nucleus, utilizado por todos os departamentos da
Universidade.
Considerando-se que a finalização de compra pelo WebPlan já inclui o
tombamento de livros e a pré-catalogação na base de dados, somente os livros
novos são encaminhados para o Setor de Processamento Técnico.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

As vantagem do novo Sistema WebPlan são inúmeras, mas vale destacar as
que representaram de fato uma grande economia e racionalização de tarefas:

�11

a) Para a PROGRAD:
-

o

Sistema

WebPlan,

no

caso

de

bibliografia

básica,

efetua

automaticamente o cálculo de números de exemplares necessário ao
atendimento das exigências do MEC;
-

Com o acesso ao Catálogo online, ao indicar uma bibliografia, o docente
sabe, de imediato, se é uma obra já existente ou não na biblioteca;

-

Uniformização das referências nos Planos de Ensino;

-

As bibliografias do plano mantêm um nível de atualização constante;

-

Eficiência e eficácia na elaboração de relatórios para Avaliação de cursos
realizada pelo MEC;

-

Acompanhamento da compra da bibliografia facilitado para a Coordenação
de Cursos.

b) Para a Biblioteca:
-

Melhoria da qualidade do pedido de compra em período pré-determinado,
por semestre (as referências no Sistema são completas, em formato
ABNT);

-

Recebimento de solicitações de compra em período pré-determinado, por
semestre (maior garantia de cumprimento de prazos);

-

Verificação automática da existência dos títulos indicados na bibliografia
nas três Bibliotecas (processo ágil com resultado muito positivo para as
Bibliotecas, sistema anterior feito manualmente, portanto, muito lento);

-

O

Sistema

automatizado

impõe

junto

aos

fornecedores

maior

confiabilidade e garante cumprimento de prazos nas respostas (agilidade
nas cotações);
-

Os dados da referência no WebPlan, digitados pelo docente, são
conferidos pela Biblioteca e são incorporados à base de dados quando da
compra efetivada, no ato do tombamento automático (dados digitados uma
única vez, o que gera economia de tempo e exatidão de dados);

-

Agilidade no processo como um todo.

�12

REFERÊNCIAS

GONZAGA FILHA, Z.; et al. Mapeamento de bibliotecas universitárias das IES
quanto à gestão e nível de informatização. São Paulo: UNICSUL, 2006 (pesquisa
em andamento).
SANTORO, M. I.; MACEDO, I. C. G. O real, o virtual e o digital: os caminhos para a
integração do ensino e da pesquisa com a biblioteca digital da UNICSUL. Simposium
Internacional de Bibliotecas Digitales, 4. Anais. Málaga, 21 a 23 de jun. de 2006.
Universidad de Málaga. p. 322-332.
www.unicsul.br/biblioteca
www.unicsul.br

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Compra automática de bibliografias de cursos, adequadas às exigências do MEC.</text>
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                <text>O Departamento de Sistemas da UNICSUL optou por utilizar o software ORACLE, e desenvolver com a equipe local, programas integrados para atender à demanda de toda a Universidade. Assim, a Biblioteca pôde adotar um sistema específico de compra automática, a partir da indicação bibliográfica de cada disciplina (cerca de 2.000, dos 40 cursos existentes). Os dados bibliográficos digitalizados pelo docente, no plano de ensino passam a ser comparados com os do catálogo on-line das bibliotecas. Como o sistema mostra o número de alunos, é permitido ao Coordenador do Curso analisar o número de exemplares a ser adquirido, por Biblioteca, conforme exigências do MEC em relação às bibliografias. Este trabalho descreve cada uma das etapas que abrange desde a comparação do dado bibliográfico, filtrando os títulos identificados para compra até as demais etapas relacionadas à cotação, fornecedor, mapa, confirmação de compra, recebimento, entre outras. A dinâmica imprimida neste fluxo permitiu que, desde a entrada única do dado pelo docente, fosse possível acrescentar e / ou corrigir informações, em campos específicos, para realimentar a própria base do catálogo online. Ao receber o livro, ele é automaticamente tombado e encaminhado para a área de tratamento da informação, sendo um título novo, e, caso contrário, para o setor de preparação.</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O presente trabalho pretendeu identificar o nível de comprometimento dos trabalhadores da Biblioteca Central da UnB. O instrumento de pesquisa foi uma versão reduzida do questionário de "Comprometimento organizacional". Foram envolvidos todos os servidores, prestadores de serviços e estagiários que trabalham na biblioteca, perfazendo m total de 178 sujeitos, obtendo um total de 103 questionários respondidos. Investigamos também a presença de correlações significativas entre o fator "Comprometimento" e as variáveis demográficas dos participantes da pesquisa. Os resultados encontrados nesta pesquisa não podem ser generalizados, entretanto, espera-se que eles possam contribuir para o aumento do conhecimento na área.</text>
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                    <text>COMUNIDADE VIRTUAL DE PESQUISA: NA BUSCA DE CONCEITOS PARA
APRIMORAR O COMPARTILHAMENTO DE CONHECIMENTO

Rejane Ramos Machado
Mestre em Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz, Centro de Informação
Científica e Tecnológica. rejane@cict.fiocruz.br

Viviane Santos de Oliveira
Mestre em Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz, Centro de Informação
Científica e Tecnológica vsantos@cict.fiocruz.br

Maria Elisa Andries dos Reis
Mestre em Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde
Pública Sérgio Arouca, elisar@fiocruz.br

Resumo: A Internet tem participação na publicação de artigos e no desenvolvimento de
pesquisas, integrando cientista e áreas do conhecimento. A produção científica assume
novas características; o texto, antes estabilizado, nas páginas de livros, revistas, jornais é
agora, o hipertexto – colocado em movimento no fluxo, desterritorializado. Comunidade
Virtual de Pesquisa (CVP) surge como novo agrupamento social cognitivo para práticas
científicas coletivas, interativas e interdisciplinares. È neste espaço virtual que se dão
trocas de experiências, compartilhamento de informações e a colaboração mútua. O
objetivo deste trabalho é mapear a literatura escrita sobre comunidades e comunidades
virtuais a fim de traçar conceitos e características que correspondam a CVP, não
encontrados de forma específica na literatura e analisar a comunicação entre os
pesquisadores, seu entendimento e uso de comunidades virtuais e sua predisposição no
compartilhamento de informações. A metodologia utilizada foi o levantamento bibliográfico
da literatura em suas várias formas sobre comunidades e comunidades virtuais;
exposição dos diversos conceitos em torno da temática; e entrevista com os
pesquisadores em Unidade da Fiocruz. Esse estudo servirá para nortear o delineamento
de metodologia de organização de uma CVP, visando compartilhar informação e
conhecimento que contribua para a otimização da comunicação científica entre os
pesquisadores e suas produções.

�A influência das tecnologias da informação e da comunicação na sociedade
contemporânea traduz-se em um novo paradigma, resultando em inéditas formas
de interação humana. A expansão do uso do computador e das telecomunicações,
o desenvolvimento de interfaces amigáveis e o crescimento da Internet romperam
as barreiras impostas pelo tempo e pelo espaço, transformando o cotidiano de
cidadãos da elite, especialmente no que se refere à comunicação e ao
armazenamento e à recuperação de dados.

Uma nova cultura, ainda encoberta pelo nevoeiro informacional, deverá
emergir da interação das atividades humanas e do uso intensivo de inovações
tecnológicas. Para Lévy, pela primeira vez a humanidade tem a oportunidade de
levar a cabo um projeto transformador da existência, baseado no saber e no
imaginário coletivo. Este projeto, que ele batiza de inteligência coletiva, teria como
referência a velocidade de evolução dos saberes, a massa de pessoas
convocadas a aprender e a produzir novos conhecimentos e o surgimento de
novas ferramentas.

A revolução tecnológica e informacional, caracterizada principalmente pelo
processo de democratização da produção e da divulgação de saber, confere
novas especificidades aos espaços de circulação das informações científicas.
Além de novos integrantes participando do processo de produção de pesquisas,
aspectos definidores da estrutura do campo científico foram alterados, como o
trabalho em contexto interdisciplinar (Freitas, 1998).

Nesse sentido, a Internet tem participação significativa, promovendo
diversas facilidades, como a publicação de artigos e o desenvolvimento de
pesquisas,

integrando

cientistas

de

diferentes

localidades

e

áreas

do

conhecimento. A produção científica assume novas características; o texto, antes
estabilizado nas páginas de livros, revistas, jornais é agora o hipertexto - colocado
em movimento, tomado em fluxo, desterritorializado.

2

�No contexto da Internet surge a comunidade virtual como um novo
agrupamento social cognitivo para práticas científicas coletivas, interativas e
interdisciplinares. É neste espaço virtual que se dão as trocas de experiências, o
compartilhamento de informações e a colaboração mútua em pesquisas. Os
cientistas têm a chance de tomar parte de comunidades de pesquisa que não
existem no campo físico, mas apenas no meio virtual.

Como um dos objetivos das comunidades virtuais está o compartilhar
conhecimento - no sentido de disseminar para os pares – como sendo
indispensável para a ciência e necessário no processo de construção do
conhecimento; seria o elemento norteador da comunidade científica – entendida
aqui como um conjunto de relações sociais no seio das quais se assimila, produz
e propaga conhecimentos, cuja identidade é sócio-cognitiva e também política.

Segundo Freitas, “os requisitos necessários para a participação do cientista
na comunidade científica virtual não se apresentam de forma tão rígida nem
relacionada, intensamente, a elementos que caracterizam a posição do cientista
na estrutura institucional hierárquica do campo de produção do conhecimento
científico”. As comunidades virtuais de pesquisa são novas arenas para produção,
circulação e apropriação de sentidos. Nelas, os indivíduos não são meros
emissores e/ou receptores de informação, mas interlocutores ativos.

A comunicação mediada por computador é apontada como “ferramenta de
características notáveis”. Agrega conceitos de solidariedade e democracia ao
impedir a concentração de poder associado à informação. De certa forma, a
comunicação eletrônica recupera a interatividade da comunicação face a face e
amplia seu campo de ação (Pinheiro, 2003).

3

�Mapeando a literatura

Para a consecução deste trabalho foi feito levantamento inicial das fontes
documentais mapeou-se a literatura escrita sobre o tema e assuntos relacionados.
Esse mapeamento possibilitou identificar diversos estudos sobre comunidades e
comunidades virtuais e também temáticas relacionadas a essa questão com
diferentes abordagens.

Adquiriram-se algumas publicações que apontaram a sua utilização como o
cerne do estudo, outros documentos foram conseguidos via comutação
bibliográfica e outros foram baixados via Internet. Cabe destacar alguns autores
que serviram de base para o estudo, conforme quadro abaixo:

AUTORES

ESPECIALIDADE

Alex Fernando Teixeira Primo

Comunidades virtuais

André L. M. Lemos

Cibercultura

Marcos Palácios
Etienne Wenger

Cibercultura
Gestão do conhecimento
Comunidades de prática

Francisco Menezes Martins e
Juremir Machado da Silva

Comunicação e tecnologias

Francisco Rüdiger

Cibercultura

Howard Rheingold
Jayme Teixeira Filho

Organização do conhecimento

José Cláudio Cyrineu Terra

Gestão do conhecimento

Pierre Lévy

Cyberespaço

Raquel Paiva

Comunidade

Elaborado por Rejane Machado

4

�O termo comunidades virtuais foi popularizado por Howard Rheingold
(1996), para nomear grupos socioculturais que surgem na internet quando um
número suficiente de indivíduos participa de discussões públicas, durante algum
tempo, em redes de relações humanas no ciberespaço. Para Castells, trata-se de
redes eletrônicas de comunicação interativa autodefinidas, organizadas em torno
de um interesse ou finalidade compartilhada, embora algumas vezes a própria
comunicação se transforme no objetivo (Castells;1999:385).

Para Primo (2005), nas comunidades virtuais existe o relacionamento entre
as pessoas com um espírito de compartilhamento e o sentimento de pertencer a
um grupo.

Mapeando os sites

Para melhor entender o funcionamento das Comunidades Virtuais, fez-se
um mapeamento de algumas Comunidades virtuais identificadas na Web. No
levantamento inicial selecionou-se 6 (seis) comunidades virtuais, com temas
distintos, mas com foco em pesquisa, listadas abaixo:

Comunidades

Localização

Comunidade Virtual Acolhimento
e Redes de Conversações

http://cv-acolhimento.bvs.br/

Comunidade Virtual de
Cooperantes da BVS

http://cvirtual-bvs.bireme.br/

Comunidad Virtual en Salud

http://cvirtual-colombia.bvsalud.org/

Comunidade Virtual Vigilância Sanitária
do Estado do Ceará
Comunidade Virtual Doenças
Inflamatórias Intestinais
Comunidade Virtual em Vigilância
Sanitária

http://cvirtual-conasems.bireme.br/
http://cvirtual-bvs.bireme.br/
http://cvirtual-bvs.bireme.br/

Elaborado por Viviane Santos

5

�As Comunidades acima relacionadas têm seus objetivos explicitados em
suas páginas, a seguir citados:
1. um

espaço

de

comunicação,

compartilhamento,

trabalho

colaborativo, documentação e divulgação do “Projeto Acolhimento e
Redes de Conversações: o desempenho dos serviços de saúde da
perspectiva da Inteligência Coletiva (relação entre capital social,
cultural e tecnológico)”;
2. promover o compartilhamento de informação relevante para o
fortalecimento dos trabalhos em cooperação na Biblioteca Virtual em
Saúde – BVS;
3. compartilhar e gerar informação e conhecimento em saúde;
4. propiciar meio de comunicação efetiva e eficiente sobre as ações de
Vigilância Sanitária, promover e facilitar a disseminação de
informação, Criar ambiente de colaboração e parceria e constituir
um meio de capacitação dos Vigilantes Sanitários;
5. compartilhar informações sobre doenças inflamatórias intestinais;
6. contribuir para a comunicação entre profissionais do sistema
proporcionando

intercâmbio

de

experiências

e

permitindo

o

acompanhamento das políticas da ANVISA que estão sendo
implantadas e implementadas;

As páginas principais dessas comunidades são apresentadas em
linguagem formal, sendo que quatro são categorizadas, ou seja, organizam seus
conteúdos em categorias, apresentando links para Noticias; Galeria de imagens;
Galeria de arquivos; Fóruns; Blogs; Wiki;Links interessantes; FAQs; Comunicados;
Bibliografia; Cadastramento; Instituições parceiras. As outras duas que não são
categorizadas apresentam links para documentos, notícias, cadastramento e
busca no site.

Deve-se destacar que todas as comunidades aqui apresentadas possuem
acesso restrito às listas de discussão e os conteúdos de acesso livre são:

6

�Manuais, Relatórios de oficinas, Artigos, Notícias e Bibliografia. Para se navegar
em outros links e conteúdos é necessário cadastrar-se, criando login, senha com o
registro de um endereço eletrônico válido.

A partir deste mapeamento identificamos que todas as Comunidades
Virtuais

identificadas

possuem

uma

linguagem

formal

em

seus

textos.

Percebemos também que a maioria das comunidades virtuais mapeadas organiza
a sua página principal em categorias (71%) enquanto a minoria (29%) não
organiza de forma categorizada.

As notícias e os artigos são os conteúdos que mais se apresentam
acessíveis

para

os

usuários-visitantes

(que

não

estão

cadastrados

na

comunidade), conforme quadro abaixo:
Conteúdos disponibilizados (acessíveis)

Fale conosco

1

Enquete

1

Paginas
interativas

1

blog

1
3

Busca no site
2

Bibliografia

5

Notícias
4

artigos
Relatorios de
oficinas

2

Manuais

2
0

1

2

3

4

5

6

7

�A entrevista
A Unidade da Fiocruz, objeto desse estudo abarca profissionais em seus
Departamentos que executam pesquisas. Essas pesquisas representam os temas
relacionados às atividades dos respectivos Departamentos. Para esse estudo
trabalhou-se com os Departamentos que têm grupos de pesquisa identificados e
certificados pela Instituição e constantes da tabela do CNPq.

A partir dos grupos de pesquisa registrados no CNPq identificaram-se os
membros integrantes da população sob análise de acordo com os seguintes
critérios: estar desenvolvendo pesquisa; pertencerem a um grupo de pesquisa
certificado pela instituição e estar registrado no Diretório do CNPq.

Para

referendar este parâmetro foi utilizado o Currículo Lattes como fonte de consulta e
os dados fornecidos pelos gestores de projetos da Unidade, com isso
estabeleceu-se 14 pesquisadores com integrantes da população de entrevistados.

A partir da indagação do uso da comunicação científica e as práticas de
produção da pesquisa, recorreu-se a entrevistas para conhecer o entendimento
dos entrevistados a respeito desse processo.

Os pesquisadores pertencentes à população de entrevistados contribuíram
para se conhecer o processo de comunicação entre os mesmos, à expectativa em
relação à construção de comunidades virtuais e compartilhamento de informação.

Constatou-se a partir das respostas dos entrevistados na questão da
comunicação entre os pesquisadores foi unânime afirmativa dessa existência.
Apurou-se que os pesquisadores estabelecem tanto a comunicação formal quanto
a informal com resposta da aplicação das duas formas de comunicação, doze dos
quatorze entrevistados responderam que estabelecem os dois tipos de
comunicação.

8

�Na abordagem da existência de demandas do conteúdo dos seus achados,
doze dos quatorze entrevistados responderam afirmativamente. Constatou-se a
existência de demandas externas com doze respostas afirmativas e cinco
respostas ‘ambas’. Cabe ressaltar que nove dos quatorze entrevistados participam
de listas de discussão, os outros cinco não participam.

Quanto ao entendimento de comunidades virtuais doze dos quatorze
entrevistados possuem algum entendimento do que seja uma comunidade.

Quanto à importância de se disponibilizar os relatórios com fonte de
consulta os entrevistados consideram importante disponibilizar os relatórios de
pesquisa em uma Comunidade Virtual, nove dos quatorze entrevistados
responderam afirmativamente e cinco negativamente sobre essa questão. Existe
por parte dos pesquisadores o interesse em documentos disponibilizados na
comunidade. Prevaleceu a disponibilização de outros documentos com nove
afirmativas, quatro não disponibilizariam e um não sabia bem a respeito.

A respeito das possibilidades de compartilhamento e disponibilização de
informação tendo o pesquisador como produtor de informação buscou-se saber o
que o mesmo compartilharia em uma Comunidade virtual. Neste caso dez dos
quatorze entrevistados responderam que compartilhariam tudo, três que não
compartilharia e um compartilharia de forma parcial.

Quanto à qualidade da informação compartilhada nas comunidades virtuais
cinco pesquisadores acham de boa qualidade, oito não sabem a respeito e um
não considera de boa qualidade. Por fim, buscou-se a opinião sobre se criar um
modelo de comunidade virtual de pesquisa para os pesquisadores, quatro
responderam afirmativamente, cinco não têm opinião e os outros cinco a princípio
não concordam com a iniciativa.

9

�Considerações finais

Por ser um assunto ainda recente o que ocorre é que o entendimento do
que é uma comunidade virtual, incluindo conceitos estão em processo de
construção e sedimentação. Com esse pressuposto entende-se que temos mais
questionamento a respeito do que respostas.

Pretendemos que esse estudo que está em andamento sirva para ser
utilizado como um norte no delineamento de metodologia de organização de uma
CVP, visando compartilhar informação e conhecimento que contribua para a
otimização da comunicação científica entre os pesquisadores e suas produções.

Referências bibliográficas
CASTELLS M. A sociedade em rede. 6 ed. São Paulo: Paz e Terra; 1999
PINHEIRO, Lena Vânia Ribeiro. Comunidades Científicas e infra-estrutura
tecnológica no Brasil para uso de recursos eletrônicos de comunicação e
informação de pesquisa. Ciência da Informação, Brasília, v.32, n.3,2003.
FREITAS, Christiane Soares. Ciência na Internet: Novas Práticas e Relações no
Campo Científico. Brasília. 1998. Mestrado em Sociologia. Universidade de Brasília.
PRIMO, Alex Fernando Teixeira. A emergência das comunidades virtuais. Disponível
em: &lt;http://lec.psico.ufrg.br/~aprimo/pb/comuni.htm&gt;. Acesso em: 12 maio 2005
RECUERO, Raquel da Cunha. Comunidades virtuais: uma abordagem teórica.
Disponível em: &lt;http://www.bocc.ubi.pt/_esp/autor.php?codautor=750&gt;. Acesso em: 31
ago. 2005.
RHEINGOLD, Howard. A comunidade virtual. Lisboa: Gradiva Publicações, 1996. 367 p.

10

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Comunidade virtual de pesquisa: na busca de conceitos para aprimorar o compartilhamento de conhecimento.</text>
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                <text>Machado, Rejane Ramos; Oliveira, Viviane Santos de; Reis, Maria Elisa Andries dos</text>
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                <text>A Internet tem participação na publicação de artigos e no desenvolvimento de pesquisas, integrando cientista e áreas do conhecimento. A produção científica assume novas características; o texto, antes estabilizado, nas páginas de livros, revistas, jornais é agora, o hipertexto – colocado em movimento no fluxo, desterritorializado. Comunidade Virtual de Pesquisa (CVP) surge como novo agrupamento social cognitivo para práticas científicas coletivas, interativas e interdisciplinares. È neste espaço virtual que se dão trocas de experiências, compartilhamento de informações e a colaboração mútua. O objetivo deste trabalho é mapear a literatura escrita sobre comunidades e comunidades virtuais a fim de traçar conceitos e características que correspondam a CVP, não encontrados de forma específica na literatura e analisar a comunicação entre os pesquisadores, seu entendimento e uso de comunidades virtuais e sua predisposição no compartilhamento de informações. A metodologia utilizada foi o levantamento bibliográfico da literatura em suas várias formas sobre comunidades e comunidades virtuais; exposição dos diversos conceitos em torno da temática; e entrevista com os pesquisadores em Unidade da Fiocruz. Esse estudo servirá para nortear o delineamento de metodologia de organização de uma CVP, visando compartilhar informação e conhecimento que contribua para a otimização da comunicação científica entre os pesquisadores e suas produções.</text>
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                    <text>Eixo Temático: As Bibliotecas Universitárias e a Produção do Conhecimento
- As redes e virtualidades da pesquisa acadêmica
COMUTAÇÃO BIBLIOGRÁFICA NA BIBLIOTECA DA FACULDADE DE CIÊNCIAS
MÉDICAS DA PARAÍBA: da necessidade ao uso da informação*
Alzira Karla Araújo da Silva
Profa. do DBD/UFPB. Ms. em Ciência da Informação/UFPB.
alzirakarla@click21.com.br
Joseane Amaral de Lucena
Bacharel em Biblioteconomia/UFPB. Bibliotecária da FCM/PB
joseanelucena@yahoo.com.br

RESUMO
Serviços de informação em rede vêm sendo disponibilizados nas bibliotecas
universitárias com informação qualitativa em diversas áreas do conhecimento.
Todavia, a Comutação Bibliográfica (COMUT), rede que complementa e amplia os
acervos físicos dessas bibliotecas vem sendo, em alguns casos, sub-utilizada ou
secundarizada, por desconhecimento do usuário ou por barreiras lingüísticas,
tecnológicas, técnicas, entre outras. Parte dessa problemática o objetivo de analisar
o uso do COMUT na Biblioteca da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba,
identificando perfil, expectativas e barreiras dos usuários frente a esse serviço. Para
tanto, adota-se uma abordagem quanti-qualitativa, desenvolvida a partir de um
estudo de campo do tipo exploratório. Os sujeitos são os usuários deste serviço e os
dados foram coletados por meio de um questionário. Os resultados indicam o
desconhecimento do COMUT. Contudo, os sujeitos que utilizam esse serviço
afirmam sempre recuperar a informação que procuram, cujo objetivo é atender as
necessidades informacionais para elaboração de Trabalho de Conclusão de Curso e
a busca de artigos científicos. Barreiras são encontradas no tocante a língua,
questões econômicas e de tempo. A principal expectativa oriunda do uso é a de
localizar a informação demandada. Uma das vantagens apresentadas é a
diversidade de informação científica. Conclui-se que é necessário planejar uma
política de educação de usuário e de marketing, em especial de promoção,
baseando-se no estudo de usuário realizado, que divulgue o COMUT como um
serviço que dispõe de informação pertinente à área da saúde e outras, intensificando
a busca e o uso do COMUT na biblioteca.
Palavras-chave: Comutação Bibliográfica. COMUT. Estudo do Usuário. Biblioteca
Universitária. Uso da Informação.

*

Artigo originado de trabalho de conclusão de curso concluído em 2006. – DBD/UFPB.

�2

1 INTRODUÇÃO
Os avanços na tecnologia da informação e comunicação (TICs) contribuíram
para o desenvolvimento das bibliotecas, com destaque às universitárias, bem como
ampliaram o alcance da informação, inovando infra-estruturas, rotinas de trabalho e o
relacionamento usuário e biblioteca, facilitando o fluxo informacional. Destacamos a
necessidade das bibliotecas não apenas contarem com um serviço de informação
eletrônico

para

disponibilizar

a

informação,

como

também

disseminá-lo,

possibilitando acesso e uso amplo por diversos usuários.
A problemática do estudo surge quando percebemos que, mesmo quando a
informação encontra-se organizada e disponibilizada em um sistema de informação,
muitas vezes ela é sub-utilizada ou secundarizada por buscas manuais. Estamos
falando de serviços de informação como a comutação bibliográfica (COMUT), serviço
já consolidado nas bibliotecas por complementar e ampliar os acervos físicos
existentes e permitir a cópia de artigos em diversas áreas ou em áreas específicas
do conhecimento. No entanto, seu uso ainda pode ser ampliado.
Considerando esse contexto, questionamos: Os usuários conhecem o
COMUT? É necessária uma disseminação mais efetiva para promover o seu uso?
Existem barreiras que dificultam ou impedem esse uso? O COMUT vem atendendo
as necessidades e expectativas de seus usuários? Para responder a esses
questionamentos objetivamos analisar o uso do COMUT e as expectativas dos
usuários da Biblioteca da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCM/PB.
Para tanto, pretendemos: traçar o perfil dos usuários da Biblioteca; identificar os
motivos que levam ao uso do COMUT; conhecer as barreiras quanto ao acesso/uso
do serviço e; levantar as expectativas dos usuários.

2 INFORMAÇÃO E TECNOLOGIA: o bibliotecário mediando o acesso e uso da
informação

�3

A palavra informação nos remete a vários significados. Para Barreto (2002) ela
constitui-se um instrumento transformador da consciência do ser humano e de seu
grupo social, por manter o homem interligado com a memória do seu passado e com
as perspectivas de seu futuro, estando ligada ao conhecimento e sua produção. Com
as TICs surgiram novas formas de transmitir, receber, usar e conservar a informação,
marcando um período de grande fluxo, onde as ferramentas tecnológicasdeixam-na
pronta para acesso e uso em segundos, mundialmente. Nesse período “O Acesso é
a palavra-chave” (FIGUEIREDO, 1999, p.12).
Na visão de Figueiredo (1999, p.11), “cada avanço tecnológico tem
implicações maiores para os serviços de informação e, sem dúvida, oferece acesso
aperfeiçoado a informação e maior flexibilidade para seu uso”. Essas mudanças
fizeram com que a informação se propagasse e fizeram surgir novos modos de
disseminação como catálogos bibliográficos on-line, portais de periódicos científicos,
bancos de teses, programas de comutação bibliográfica, bibliotecas digitais etc.
Mas como tornar útil a informação, sem antes detectar a necessidade do
sujeito? Sem questionar de onde deriva sua necessidade informacional? Sem
analisar quais os seus desejos de informação. Após esta identificação, o profissional
da informação – bibliotecário saberá onde atuar diante de certa necessidade. A ele
cabe orientar o usuário para que desenvolva estratégias de buscas, facilitando a
localização da informação almejada e tornando-se o mediador que irá auxiliar no
“enxugamento” dessa necessidade e assim, satisfazer a verdadeira demanda. Afinal,
“[...] uma boa estratégia de busca assegura resultados mais relevantes de citações
recuperadas” (CUENCA, 1999, p.296).

2.1 INFORMAÇÃO CIENTÍFICA E DIGITAL
A informação científica definida como “[...] o conhecimento resultante da
pesquisa que se acrescenta ao entendimento universal existente” (DIAS;
BELLUZZO, 2003, p.35) é uma informação com seleção criteriosa, sendo necessário

�4

uma linguagem rebuscada, precisão terminológica, acessibilidade da linguagem para
entendê-la e interpretá-la, devido a sua especificidade científica. Sua linguagem,
geralmente, não é de fácil acesso, sendo rebuscada e totalmente técnica. Contudo,
as TICs têm contribuído para a sua propagação, pois é preciso incentivar o seu
acesso para que se incentive o desenvolvimento científico e a pesquisa.
A tecnologia trouxe recursos que promoveram acessibilidade, disseminação e
recuperação da informação de forma hábil. O serviço de referência virtual, o acesso
a catálogos on-line, a comutação bibliográfica, dentre outros serviços foram
alavancados pela aplicação da tecnologia. Assim, a vantagem para o uso da
informação digital se dá pelo acesso instantâneo a uma variedade de bibliografias, e
ainda o acesso a documentos de difícil localização em uma unidade de informação
física por meio de pesquisas instantâneas. Uma das desvantagens é a falta de
documentos mais antigos e a necessidade de instrumentos próprios para se ter
acesso à informação digital, como terminais de consulta, modens, etc.
A informação digital hoje é sinônimo de acesso a infinitos e variados tipos de
informações. Aplicada em biblioteca virtual, eletrônica, digital ou mesmo física pode
ser utilizadas, de acordo com Landoni e Catenazzi (1993 apud ROSETTO, 1997),
para administrar coleções, no processo de aquisição, na catalogação e indexação,
no sistema de empréstimo e nos serviços oferecidos aos usuários. Dentre esses, os
autores indicam, a exemplo, a possibilidade de solicitação eletrônica do material, o
fornecimento de cópias, a troca de material entre bibliotecas conectadas e a
identificação do perfil dos usuários on-line etc.

3 ESTUDOS DE NECESSIDADE DOS USUÁRIOS: desejos, demandas e
expectativas
Para

compreendermos

o

papel

da

informação

científica

e

digital

disponibilizada nos sistemas de informação – bibliotecas – e os desejos, demandas e
expectativas de acesso e uso pela comunidade e seus usuários, precisamos,
primeiramente, definir usuário da informação, que para Sanz Casado (1994, p.19),

�5

“[...] é aquele indivíduo que necessita de informação para o desenvolvimento de suas
atividades”. Dessa forma, estudo de usuário é “um conjunto de estudos que tratam
de analisar qualitativa e quantitativamente os hábitos de informação dos usuários
através de aplicação de diferentes métodos [...]” (SANZ CASADO, 1994, p. 19).
Existem fatores que merecem atenção no quesito informação, estudo do
usuário e uso da informação, que são desejo, necessidade e demanda. São pontos
imprescindíveis para que se possa analisar a informação e permitir que ela tenha seu
principal fim que é o de uso. Demanda é um desejo expresso, ou seja, quando o
indivíduo solicita o que precisa (SANZ CASADO, 1994). Desejo é a expressão da
vontade de satisfazer aquilo que o indivíduo gostaria de ter (SANZ CASADO, 1994).
E, finalmente, necessidade é uma demanda em potencial, o que o indivíduo
realmente precisa (BETTIOL, 1990), que mudam em função da natureza e evolução
das tarefas que o indivíduo realiza (GUINCHAT; MENOU, 1996).
O fator uso, por sua vez, é ligado diretamente ao fator acessibilidade, que
pode envolver algum tipo de barreira. Segundo Araújo (1998) sempre haverá
barreiras que dificultem o fluxo da informação entre os indivíduos, qualquer que seja
o meio de informação utilizado e ela as classificam como: de idioma, ideológicas,
eficiência, intraorganizacionais, capacidade de leitura, interpessoais, terminológicas,
geográficas, econômica, legais, de tempo, de consciência e conhecimento da
informação, de responsabilidade independente dos estudos. A esse respeito,
Guinchat e Menou (1996) destaca obstáculos de comunicação, lingüísticos e
psicológicos.
Para identificar as necessidades ou mesmo os obstáculos informacionais, os
estudos de usuário podem seguir diferentes abordagens. Segundo Ferreira (1997),
temos a abordagem tradicional que procura examinar o sistema de forma que se
saiba como essa unidade serve ao seu usuário e a abordagem alternativa que
preocupa-se em identificar os processos de uso da informação de forma particular,
centrada no usuário.

�6

4 BIBLIOTECA E PROGRAMA DE COMUTAÇÃO BIBLIOGRÁFICA
No que concerne aos recursos adotados pelas unidades de informação para
garantir melhor qualidade de seus serviços e de suas informações, Cunha (1999,
p.84) afirma que “[...] a biblioteca universitária extrapolará os assuntos técnicocientíficos e poderão colaborar nas outras necessidades informacionais diárias de
sua clientela”. A comutação bibliográfica (COMUT) é um desses recursos que a
biblitoeca universitária pode adotar em prol de satisfazer a necessidade de seus
usuários e otimizar seus serviços, uma vez que trabalha com a informação científica.
O COMUT foi instituído junto à Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento
de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e a secretaria de Educação Superior (SESU),
do Ministério da Educação e junto ao IBICT e à Financiadora de Estudos e Projetos
(FINEP) do Ministério da Ciência e Tecnologia. Foi uma iniciativa do Prof. Antônio
Miranda, juntamente com colaboradores, que participaram dos primeiros momentos
de criação.
Tem como seu maior desafio, e também como perspectiva, facilitar o acesso
de informação produzida no país e no exterior, permitindo a obtenção de cópias de
documentos técnico-científicos disponíveis nos acervos das principais bibliotecas
brasileiras e em serviços internacionais. Para tanto, utiliza o Catálogo Coletivo
Nacional (CCN) para identificar as bibliotecas que possuam os documentos
solicitados.
Para participar do COMUT, o usuário deve cadastrar-se no Programa via
Internet. Feito isso, pode solicitar cópias de documentos, dirigindo-se a uma
biblioteca pertencente à rede COMUT ou solicitar diretamente pela Internet sem usar
uma biblioteca como intermediária, comprando Bônus COMUT (IBICT, 2005).
O COMUT tem quase 1700 bibliotecas contribuintes. Na Paraíba,
precisamente na cidade de João Pessoa, das 14 Faculdades de ensino superior da
Rede Privada existentes em 2006, 07 trabalham com o COMUT em suas bibliotecas,
são elas: Faculdade de Enfermagem e Medicina (FACENE/FAMENE), Centro

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Universitário de João Pessoa (UNIPÊ), Faculdade de Enfermagem Santa Emilia de
Rodat, Instituto de Ensino Superior (IESP), Faculdades Unidas da Paraíba (UNIPB),
Faculdade Paraibana (FPB) e Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba, nosso
campo de estudo. Ainda temos na rede pública em João Pessoa, a Universidade
Federal da Paraíba (UFPB) que é a pioneira na parceria com o COMUT na Paraíba.

5 TRILHA METODOLÓGICA
A trilha metodológica tem uma abordagem qualitativa e quantitativa, uma vez
que o estudo apóia-se na análise da lógica do conteúdo do material coletado na
pesquisa, orientado por dados estatísticos. A abordagem qualitativa, segundo Laville
e Dionne (1999, p.226), desperta interesse para o pesquisador porque “[...] conserva
de forma literal os dados. Na abordagem quantitativa, por sua vez, segundo Minayo
(2004, p. 102), “busca-se um critério de representatividade numérica que possibilite a
generalização dos conceitos teóricos que se quer testar”. A pesquisa caracteriza-se
como um estudo de campo do tipo exploratório tendo em vista que, na coleta de
dados, houve interação entre o pesquisado/pesquisador no ambiente da pesquisa.

5.1 CAMPO DE PESQUISA: Biblioteca da Faculdade de Ciências Médicas da
Paraíba
O campo do estudo é a Biblioteca da Faculdade de Ciências Médicas da
Paraíba – FCM/PB, por esta representar uma das 07 bibliotecas que dispõe do
serviço de comutação bibliográfica em João Pessoa/PB.
A FCM/PB, criada em 2002, oferece os cursos de Fisioterapia, Medicina e
Nutrição, em nível de graduação e dispõe de cursos em nível de pós-graduação especialização. A instituição também mantém atividades de extensão. No tocante a
Biblioteca da FCM/PB esta atende a comunidade acadêmica e clientela externa,
disponibilizando material informacional relacionado às disciplinas dos Cursos

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oferecidos pela Faculdade. É coordenada por uma Bibliotecária, Especialista em
Organização de Arquivos e em Gestão de Unidades de Informação. Com uma área
de 265,56 m2 seu acervo na área de saúde possui mais de 1000 (mil) títulos e mais
de 3500 (três mil e quinhentos) exemplares, além de mais de 200 (duzentos)
periódicos nacionais e estrangeiros e mais de 100 (cem) vídeos e CD-ROMS. Dispõe
ainda de teses, dissertações, acesso a Internet, serviço de orientação à
normalização, bases de dados e Comutação Bibliográfica.

5.2 SUJEITOS DA PESQUISA: universo e amostra
A pesquisa tem como universo os usuários da biblioteca da FCM/PB, quais
sejam os 953 (novecentos e cinqüenta e três) alunos ativos, matriculados nos cursos
da FCM/PB. Para definição da amostra, consideramos 10,0% do universo,
constituindo em 95 alunos, trabalhando com os usuários que freqüentam e usam a
biblioteca. A amostra é probabilista do tipo aleatória simples, “[...] composta a partir
de uma escolha ao acaso, tendo todos os elementos da população uma chance real
e reconhecida de serem selecionados” (LAVILLE; DIONNE, 1999, p.170).

5.3 INSTRUMENTO E PROCEDIMENTOS PARA COLETA DE DADOS
Para a coleta de dados, utilizamos o questionário, considerando ser o mais
comum para coleta de dados, principalmente em estudos de usuários (CUNHA,
1982) e pelo fato dos sujeitos ficarem mais à vontade de se expressarem e ainda
considerando que se aplicam vários questionários no mesmo instante. Este compõese em duas partes: a primeira, identificação do perfil dos usuários da biblioteca da
FCM/PB, com questões que caracterizam o usuário; a segunda trata do uso da
Biblioteca, em particular do uso do COMUT.
Após a análise do pré-teste aplicado a priori, a fim de verificar a relevância das
questões e realizado os devidos ajustes no questionário, iniciamos a sua aplicação in

�9

loco, ou seja, no recinto da biblioteca. O período da coleta de dados foi de uma
semana, iniciando em 05 de Junho e concluindo em 12 de Junho de 2006, nos três
turnos.

6 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
No tratamento dos dados utilizamos a abordagem quanti-qualitativa, apoiandonos em instrumentos estatísticos e na significação do conteúdo. Para a interpretação
dos resultados procuramos auxílio da análise de conteúdo, visto que essa técnica
“[...] pode adotar um caminho quantitativo, bem como um caminho qualitativo”
(LAVILLE; DIONNE, 1999, p. 223).
No primeiro momento, identificação dos sujeitos, apresentamos o perfil dos
usuários da Biblioteca da FCM/PB:
No tocante ao sexo 75,8% (72) são do sexo feminino, enquanto que 24,2 (23)
do sexo masculino. Esse dado, pode, em algum momento, ser considerado, se não
para a biblioteca, para a Faculdade, por exemplo, em campanhas de marketing. Com
relação à faixa etária, temos um percentual de 97,9% de sujeitos menores de 31
anos. Esses jovens são atraídos pela dinamicidade, criatividade e estão, geralmente,
conectados com o novo e sendo estimulada por ele. Assim, a exemplo, a Biblioteca
pode criar e/ou intensificar serviços e produtos que façam uso da Internet, das bases
de dados e da informação digital. Outro aspecto identificado é o grau de
escolaridade onde apenas 1,05% (01) já havia concluído uma outra graduação e
está cursando uma segunda Faculdade. A biblioteca, sabendo dessa característica
pode intensificar alguns serviços, a exemplo das visitas dirigidas que orientam esses
usuários para o uso da biblioteca; da alocação de bibliotecários ou estagiários de
Biblioteconomia experientes e treinados para o serviço de referência e informação;
dentre outros que precisam da orientação/auxílio de um bibliotecário.

�10

No segundo momento identificamos o uso da biblioteca da FCM/PB,
especialmente sobre o COMUT:
Acerca da(s) a(s) área(s) de interesse dos usuários da Biblioteca temos como
destaque as áreas de saúde e nutrição clínica, com 14,8% (14) cada. Em seguida,
com 4,2% (04) vem as de neurologia, cardiologia, dermato-funcional e saúde pública.
Sabendo a biblioteca qual a área que mais interessa ao seu usuário, poderá
melhorar seu acervo, atendendo com mais efetividade a demanda dos usuários. A
importância dessa utilidade é destacada por Le Coadic (1996) quando ressalta o
objetivo final da informação, em termos de uso e dos efeitos que dele resultam.
Questionados sobre o conhecimento do COMUT, 77,9% (74) afirmaram não
conhecer esse serviço e apenas 22,1% (21) afirmaram conhecer. Esse resultado é
preocupante, visto que embora sua divulgação não está sendo satisfatória. A
biblioteca deve, portanto, pensar nos meios de divulgação desse serviço. Na opinião
de um sujeito, “poderia se utilizar cartazes por toda a faculdade, não só na
biblioteca.” A biblioteca pode também usar o site da Faculdade e da biblioteca no
intuito de se intensificar seu uso, visto que como afirma Cunha (1999), com o
surgimento da informação digital, a Comutação Bibliográfica, passou a ser uma peça
fundamental na organização bibliotecária. Em contrapartida, dos 22,1% dos sujeitos
que afirmaram saber da existência do COMUT na biblioteca da FCM/PB, o maior
índice de respostas indica que isso ocorre por meio da biblioteca (66,7% - 14) e por
intermédio de professores (14,3% - 03).
Os sujeitos foram questionados sobre o uso do COMUT. Nessa pergunta, se
a resposta fosse ‘sim’ o usuário continuaria respondendo ao questionário e, caso
fosse ‘não’, iria para a penúltima pergunta. A maioria, (92,6% - 88) não utiliza o
serviço COMUT. Em contrapartida, apenas 7,4% (07) o utilizam. Os que não utilizam
o serviço informaram que o motivo é pelo desconhecimento, com 42,1% (37),
intensificando resultados anteriores e a necessidade de divulgação intensiva e
detalhada. Possíveis barreiras podem estar existindo que impedem uma maior
acessibilidade ao serviço, podendo ser Barreiras de eficiência que seria o que ocorre

�11

tanto por parte de quem é o mediador da informação quanto do usuário da
informação, no que concerne a estratégias de buscas (ARAÚJO, 1998).
Os 7,4% sujeitos que informaram usar o COMUT e que continuaram
respondendo as demais questões afirmaram que o motivo pelo uso do COMUT,
com 57,1% (04), é em decorrência da necessidade de informações para a
elaboração dos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC), seguido da procura por
artigos científicos, com 42,9% (03). Esses são os desejos dos sujeitos, considerando
que desejo é a expressão da vontade de satisfazer o que gostaria de ter (SANZ
CASADO, 1994) e também a necessidade, uma vez que esta é o que devemos ter
para um trabalho, pesquisa, instrução, recreação (PAISLEY, 1968 apud BETTIOL,
1990).
Questionados sobre o tipo de informação que procuram no COMUT, temos
que 100,0% (07) dos sujeitos procuram informações científicas. Esse resultado
comprova a qualidade da informação que o COMUT oferece, visto que um dos
objetivos do serviço está, em particular, em atender as necessidades da comunidade
com o foco na área científica e tecnológica (IBICT, 2005). Acerca das barreiras, cada
uma com 28,6% (02), temos: idioma, econômica e tempo. Araújo (1998) explica que
na barreira de idioma o documento foi escrito numa língua que não é a do usuário.
Isso ocorre porque a maioria das informações científicas do COMUT é em língua
estrangeira, com destaque para o inglês. A barreira econômica para a autora é
quando o uso da informação é comercializável, ou seja, depende do pagamento de
um determinado valor. A barreira foi a de tempo se refere ao tempo gasto na busca
pela informação, é o que Figueiredo (1999) chama de “restrição de tempo”, ou seja,
dedica-se pouco tempo para procurar informações.
Os sujeitos apontaram também as suas expectativas quanto ao serviço e ao
uso do COMUT. De acordo com os resultados 57,1% (04) esperam “localizar a
informação

demandada”

e

28,6%

(02)

”satisfazer

minhas

necessidades

informacionais”, sendo a segunda resposta, conseqüência da primeira. A “rapidez e
gratuidade” do programa de comutação bibliográfica, com 14,3% (01), foi outra

�12

expectativa apresentada. Nesse sentido, podemos dizer que os sujeitos em sua
maioria esperam que o COMUT satisfaça seus desejos e demandas.
Questionamos, ainda, acerca das vantagens na utilização do COMUT,
sendo apontado que o serviço “dispõe de uma diversidade de informações” (36,4% 08); “minimiza o tempo de busca” (22,7% - 05); tem “recuperação precisa do que se
procura” (18,2% - 04) e; oferece “comodidade e agilidade” na busca (18,2% - 04). A
vantagem menos citada (4,5% - 01) foi a “orientação do profissional na busca”,
demonstrando a necessidade de um foco na orientação (educação) do usuário no
uso do serviço.
Perguntamos como a biblioteca da FCM/PB poderia promover o uso do
COMUT. Essa questão foi respondida pelos 95 sujeitos. Temos a opção “informando
na visita a biblioteca” em primeiro lugar, com 34,6% (44), demonstrando que os
sujeitos esperam que a biblioteca dissemine seus serviços. Outros 23,6% (30)
mencionam a necessidade de uma “parceria entre bibliotecas e professores” para
promoverem o serviço.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante dos resultados acerca do serviço COMUT disponibilizado pela
biblioteca da FCM/PB, obtivemos uma grande incidência para o “desconhecimento
do serviço”, uma vez que 77,9% não conhecem o Programa. Esse desconhecimento
foi relacionado à falta de divulgação, o que sugere uma maior ênfase da biblioteca na
demonstração e orientação no uso do COMUT. Os usuários sugerem, dentre as
ações possíveis, a menção do programa pelos professores quando orientam seus
alunos e nas aulas de Metodologia Científica.
Identificamos também que os usuários quando usam o COMUT é mediante a
necessidade de informação para elaboração de trabalhos acadêmicos e a busca de
artigos científicos. Barreiras são encontradas no tocante a língua, econômica e de

�13

tempo. A principal expectativa oriunda do uso é a de localizar a informação
demandada e uma das vantagens apresentadas é a diversidade de informação
científica.
Cabe a Biblioteca, com foco no usuário, providenciar medidas que ampliem
seus serviços, como a utilização do COMUT, gerando a satisfação dos usuários. Fazse necessário elaborar uma política de marketing e planejar programas de educação
de usuário, em especial de promoção, que o divulgue como um serviço que dispõe
de informação pertinente à área da saúde e outras, intensificando sua busca e uso.
Para tanto, sugerimos as seguintes ações:
a) de educação de usuário: treinamento no uso do COMUT destinado a todos os
alunos e professores da Faculdade, com aulas práticas e com demonstrações de
como realizar o processo de busca no serviço. As aulas serão ministradas pela
bibliotecária e auxiliada por estagiários de Biblioteconomia. Terão uma periodicidade
regular, com cronograma previamente divulgado, atendendo, a priori, turmas
ingressas na Faculdade e nas aulas de Metodologia Científica, ampliando-se para
outros perfis, sempre que for demonstrada necessidade. Inicialmente, as aulas serão
planejadas com foco no professor e em suas necessidades específicas de conteúdo,
na intenção de transformá-los em multiplicadores no uso do COMUT e num segundo
momento, o público-alvo serão os alunos. Para estes, será observado o perfil da
turma, assim como suas áreas de interesse, possibilitando que as aulas sejam
personalizadas. No tocante ao conteúdo programático, teremos a integração de
teoria e prática, priorizando as demonstrações no uso do serviço e apresentando
estratégias de busca. As aulas realizar-se-ão na biblioteca, podendo, caso
necessário, ser usado os laboratórios da Faculdade.
b) de marketing: divulgação do COMUT por meio de ferramentas de marketing em
toda a Faculdade, atingindo todos os alunos e professores. Poderá ser usado o
folheto ou um boletim informativo, que deve ser confeccionado em cores, papel claro,
com formato criativo, letra legível e sem excesso de informações, ilustrado, tornado
atrativa a sua leitura e atendendo ao objetivo da campanha de marketing que

�14

pretende atingir. Pode ser enviado por mala-direta, pelo Correio ou deixado em locais
estratégicos para que o usuário se interesse por ele ou mesmo distribuído. O cartaz
também pode ser usado, elaborado para ser exposto nos corredores e em pontos
estratégicos da Faculdade, devendo apresentar ilustrações e informações relevantes
sobre o serviço. A confecção de um banner também pode ser usada para uma
divulgação no recinto da biblioteca, no local em que o usuário realiza a pesquisa no
COMUT, apresentando informações rápidas e úteis de como usar o serviço. O site da
Faculdade é uma outra forma de divulgação, de modo que a biblioteca precisa ter um
link próprio. Nele pode criar um espaço do tipo “Fique conhecendo” inserindo o
COMUT como um serviço de destaque da biblioteca. Esse espaço pode ser usado
para demonstrações com a visualização da página do COMUT com uma busca
sendo efetivada.
A parceria entre bibliotecários e professores também deve ser estabelecida,
considerando que estes devem ser mediadores da informação. Com essa parceria, a
política de marketing e o programa de educação de usuário, o COMUT passará a ser
mais conhecido, seu uso ampliado e a biblioteca estará intensificando o seu papel de
disseminadora e educadora na busca da informação.
REFERÊNCIAS
ARAÚJO, Eliany Alvarenga de. A Construção Social da Informação: análise das
Praticas Informacionais de Organizações Não Governamentais [ONGs] Brasileiras.
1998. Tese (Doutorado em Ciência da Informação). Universidade de Brasília, 1998.
BARRETO, Aldo Albuquerque. Transferência da informação para o conhecimento. In:
AQUINO, Mirian de Albuquerque (Org.). O campo da ciência da informação:
gênese, conexões e especificidades. João Pessoa: Ed. Universitária, 2002.
BETTIOL, Eugênia Maranhão. Necessidades de informação: uma revisão. Rev.
Bibliotecon. Brasília, v.18, n.1, p.41-58, jan./jun.1990.
CUENCA, Ângela Maria Belloni. O usuário final da busca informatizada: avaliação da
capacitação no acesso a bases de dados em biblioteca acadêmica. Ciência da
Informação, Brasília, v.28, n.3, p. 293-301, set./dez. 1999. Disponível em:
&lt;http://www.ibict.br/cienciadainformacao&gt;. Acesso em: 16 abr. 2006.
CUNHA, Murilo Bastos da. Desafios na construção de uma biblioteca digital. Ciência
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�15

____. Metodologias para estudo dos usuários de informação científica e tecnológica.
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DIAS, Maria Matilde Kronka; BELLUZO, Regina Célia Baptista. Gestão da
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FERREIRA, Sueli Mara S. P. Estudos de necessidade de informação: dos
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FIGUEIREDO, Nice. Usuário. In: ______. Paradigmas modernos da ciência da
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FRÓES, Teresinha. Sociedade da informação, sociedade do conhecimento,
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&lt;www.ibict.br&gt;. Acesso em: 20 abr. 2006.
LAVILLE, Christian; DIONNE, Jean. A construção do saber: manual de metodologia
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LE COADIC, Yves-François. A ciência da informação. Brasília: Briquet de Lemos,
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MEDEIROS, João Bosco. Redação científica: a prática de fichamentos, resumos,
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MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisa
qualitativa em saúde. 8.ed. São Paulo: Hucitec, 2004.
ROSETTO, Márcia. Os novos materiais bibliográficos e a gestão da informação: livro
eletrônico e biblioteca eletrônica na América Latina e Caribe. Ciência da
Informação, Brasília, v.26, n.1, p.54-64, jan./abr. 1997.
SANZ CASADO, Elias. Manual de estudos de usuários. Madrid: Fundacíon
Ruipérez, 1994. p. 19-31. (Tradução da Profa. Francisca Arruda Ramalho).

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                <text>Comutação bibliográfica na Biblioteca da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba: da necessidade ao uso da informação.</text>
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                <text>Silva, Alzira Karla Araújo da; Lucena, Joseane Amaral de</text>
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                <text>Serviços de informação em rede vêm sendo disponibilizados nas bibliotecas universitárias com informação qualitativa em diversas áreas do conhecimento. Todavia, a Comutação Bibliográfica (COMUT), rede que complementa e amplia os acervos físicos dessas bibliotecas vem sendo, em alguns casos, sub-utilizada ou secundarizada, por desconhecimento do usuário ou por barreiras lingüísticas, tecnológicas, técnicas, entre outras. Parte dessa problemática o objetivo de analisar o uso do COMUT na Biblioteca da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba, identificando perfil, expectativas e barreiras dos usuários frente a esse serviço. Para tanto, adota-se uma abordagem quanti-qualitativa, desenvolvida a partir de um estudo de campo do tipo exploratório. Os sujeitos são os usuários deste serviço e os dados foram coletados por meio de um questionário. Os resultados indicam o desconhecimento do COMUT. Contudo, os sujeitos que utilizam esse serviço afirmam sempre recuperar a informação que procuram, cujo objetivo é atender as necessidades informacionais para elaboração de Trabalho de Conclusão de Curso e a busca de artigos científicos. Barreiras são encontradas no tocante a língua, questões econômicas e de tempo. A principal expectativa oriunda do uso é a de localizar a informação demandada. Uma das vantagens apresentadas é a diversidade de informação científica. Conclui-se que é necessário planejar uma política de educação de usuário e de marketing, em especial de promoção,baseando-se no estudo de usuário realizado, que divulgue o COMUT como um serviço que dispõe de informação pertinente à área da saúde e outras, intensificando a busca e o uso do COMUT na biblioteca.</text>
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            <description>A language of the resource</description>
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                    <text>COMUTAÇÃO BIBLIOGRÁFICA NA UNESP: AVALIAÇÃO DO SCADUNESP E
COMUT GRUPO

Maria Ferraz Souto1

1

Universidade Estadual Paulista - UNESP - Coordenadoria Geral de

Bibliotecas/Reitoria - mferraz@reitoria.unesp.br

Alameda Santos, 647 – 10º andar
São Paulo – SP - BRASIL
CEP 01419-901

�RESUMO: A Comutação Bibliográfica consiste no fornecimento de cópias
xerográficas, em sua grande maioria de artigos de publicações periódicas a seus
usuários, independente de onde a publicação se encontre fisicamente, permitindo
assim, o acesso a toda coleção existente nas Bibliotecas componentes da Rede
UNESP. Atualmente a Rede de Bibliotecas UNESP está utilizando dois sistemas
para executar a comutação bibliográfica, o Scadunesp e o Comut Grupo. O
Scadunesp com a finalidade atender gratuitamente a Rede de Bibliotecas foi
implantado em 2001. O Comut Grupo, que é uma adaptação feita no sistema
COMUT, para funcionamento nas bibliotecas de uma mesma rede, também sem
ônus, está em funcionamento desde janeiro de 2006. Com o objetivo de avaliar,
dentro da Rede UNESP o uso dos dois sistemas para solicitação de cópias de
anais de congresso, partes de documentos, periódicos, teses e partes de
monografias e selecionar o sistema para a comutação bibliográfica da UNESP, a
Rede de Bibliotecas foi consultada apontado as facilidades e dificuldades em
utilizar os dois sistemas. Com a análise dos resultados obtidos optou-se por usar
apenas o Scadunesp, que aponta um formulário mais rápido para o
preenchimento das solicitações.
Palavras-chave: comutação; avaliação; facilidades; dificuldades

1 – INTRODUÇÃO
A Universidade Estadual Paulista-UNESP, criada pela lei Estadual nº 952 de
30/01/1976, resultado da reunião dos Institutos Isolados de Ensino Superior do
Estado de São Paulo, que se tornaram então unidades universitárias situadas em
diferentes cidades do interior paulista. Abrangendo as diversas áreas do
conhecimento.
Uma das suas grandes realizações é a disseminação do ensino superior de alta
qualidade por todo o interior do Estado de São Paulo, respeitando-se as
características específicas de cada região e provendo-as de mão de obra
especializada.

2

�Atualmente o seu quadro é composto de 4.690 professores, 31.171 alunos
matriculados nos 166 cursos de graduação e 9.620 nos 104 programas de pósgraduação recomendados, ministrados nas diferentes áreas do conhecimento e
9.189 técnicos administrativos.
A Rede de Bibliotecas UNESP é composta por 29 Bibliotecas distribuídas em
suas 27 Unidades Universitárias e 2 Unidades complementares, dispersas
geograficamente em 23 diferentes cidades do Estado.

A Coordenadoria Geral de Bibliotecas tem como atribuições: coordenar o
desenvolvimento das atividades da rede de Bibliotecas da UNESP, criando
condições para seu funcionamento sistêmico, mediante assessoramento do
Fórum deliberativo dos Diretores de Biblioteca e Presidentes de Comissão de
Biblioteca e Coordenação; servir de apoio aos programas desenvolvidos na
Universidade, proporcionando colaboração técnico por meio da Rede de
Bibliotecas; propor políticas compatíveis com o planejamento estratégico que
atendam às necessidades informacionais da Universidade e estabelecer
diretrizes, normas e procedimentos para a Rede de Bibliotecas.

3

�A UNESP atua de modo contínuo no desenvolvimento e promoção da ciência e
da cultura através do ensino e da pesquisa, formando recursos humanos para o
exercício da investigação artística, científica, humanística, além de investir na
extensão de serviços à comunidade.
O fato de ser geograficamente distribuída pelo interior do Estado de São Paulo
colabora positivamente no que se refere à formação de profissionais, prestação
de serviços à comunidade e no campo das pesquisas cientificas, suprindo as
deficiências de cada região, mas isto traz problemas de altos custos
orçamentários para a Universidade devido distância na localização física das
Unidades.
A Coordenadoria Geral de Bibliotecas participa ativamente deste processo de
desenvolvimento desde a criação da Biblioteca Central, com sede em Marilia,
criada em 1977.
Em 1989, a Resolução UNESP nº 50, fixa uma nova estrutura administrativa para
a Reitoria, na qual a Biblioteca Central passa a denominar-se Coordenadoria
Geral de Bibliotecas - CGB com sede na Reitoria, tendo reformulado a sua
estrutura e atribuições.
A permuta da informação ocupa um papel importante entre as Bibliotecas, pois
estas não podem garantir sozinhas as necessidades dos seus usuários.
Reconhecendo

as

limitações

orçamentárias

com

as

quais

vivem

hoje

principalmente as Instituições publicas de ensino e todas as dificuldades de
ordem econômica impostas pelo crescimento acelerado da informação, na
manutenção de uma coleção completa e atualizada, as bibliotecas têm utilizado
sistemas cooperativos para troca de informações e documentos.
A palavra comutação utilizada para expressar a idéia de permuta ou troca de uma
coisa por outra, foi assimilada ao linguajar dos bibliotecários e cientistas da
informação, na segunda metade da década de 70. Ainda que, com alguma
resistência

nos

setores

mais

conservadores,

o

termo

foi

rapidamente

institucionalizado na literatura profissional.

4

�A informação é recurso básico e significa todo o conhecimento científico,
tecnológico e cultural, registrado em qualquer forma que viabiliza a transferência
de conhecimento, através dos diferentes canais de comunicação. Com isso, as
bibliotecas, como instituições sociais, têm o compromisso de promover a
organização e o pleno uso da informação.
A Coordenadoria Geral de Bibliotecas, adquiriu em 1998 o Software SCAD Serviço Cooperativo de Acesso ao Documento, desenvolvido e comercializado
pela BIREME.

Após configuração na UNESP, por indicação da BIREME, o serviço passou a se
chamar SCADUNESP, que foi inicialmente implantado como projeto piloto em
2001 com dez Bibliotecas. As Bibliotecas UNESP utilizam gratuitamente o serviço
SCADUNESP, sistema que viabiliza a comutação bibliográfica automatizada,
entre todas as Unidades, independente de onde a publicação se encontre
fisicamente, permitindo assim, o acesso a toda coleção existente nas Bibliotecas
componentes da Rede UNESP.

O Scadunesp ainda não disponibilizou o modulo de inscrição individual para os
usuários das Bibliotecas da Unesp, as solicitações ainda são feitas pelas
bibliotecárias da Referência.
O COMUT, Programa de Comutação Bibliográfica, serviço oferecido pelo IBICT
permite que qualquer pessoa, através de uma biblioteca ou de sua inscrição
pessoal, possa solicitar e receber cópia de artigos publicados em periódicos
técnico-científicos, teses e anais de congressos existentes nas melhores
bibliotecas do país.
Desde janeiro de 2006, o usuário do COMUT conta com um novo serviço: o
COMUT GRUPO que é uma adaptação feita no sistema COMUT para que as
bibliotecas pertencentes a uma mesma instituição possam atender entre si, sem
ônus, utilizando o formulário do COMUT e todas as vantagens do sistema.

5

�O COMUT GRUPO, assim como o Comut tradicional, permite a inscrição de
usuários, na categoria individual, podendo ele mesmo fazer sua solicitação.

2 – OBJETIVOS
- Objetivo Geral
- Avaliar qual é o sistema mais adequado para se fazer a Comutação Bibliográfica
na Rede Unesp, tendo como instrumentos o SCADUNESP e COMUT GRUPO.
- Objetivos Especificos
- Agilizar o serviço de Comutação Bibliográfica na Rede de Bibliotecas UNESP;
- Minimizar o tempo gasto no preenchimento da solicitação dos pedidos;
3 - JUSTIFICATIVA
Um dos serviços promovidos pelas Bibliotecas da Rede é a Comutação
Bibliográfica, que consiste no fornecimento de cópias xerográficas, em sua
grande maioria de artigos de publicações periódicas, capitulo de monografia e
teses a seus usuários, independente da localização da publicação ou do usuário
fisicamente, permitindo assim, o acesso a toda coleção existente nas Bibliotecas
da Rede UNESP.
As bibliotecas da Rede UNESP têm hoje, à disposição os dois sistemas para
fazer a Comutação Bibliográfica, ambos tem a mesma função, solicitar e atender.
Os dois serviços são gratuitos dentro da Rede.
Após a disponibilização do COMUT GRUPO, janeiro de 2006, para as Bibliotecas
da Rede, foi solicitado aos responsáveis pela comutação bibliográfica nas
Bibliotecas.

As informações e os formulários para utilização dos sistemas estão disponíveis
nos endereços http://www.biblioteca.unesp.br/ e http://www.ibict.br.

6

�No SCADUNESP, diferente do COMUT GRUPO é possível emitir estatística de
usuário, que é gerenciada pelo Comutador Central, no caso a Coordenadoria
Geral de Bibliotecas.
A proposta deste trabalho é avaliar os dois serviços oferecidos dentro da Rede
UNESP, o SCADUNESP adquirido pela UNESP e o COMUT GRUPO serviço
oferecido pelo IBICT, com relação a facilidade no uso dos sistemas, agilidade na
comunicação entre as Bibliotecas e a integração sistêmica das mesmas.

4 - RESULTADOS
Solicitamos às bibliotecas da Rede que utilizassem por 30 dias os dois sistemas
para avaliar a funcionalidade, no que diz respeito a facilidades, dificuldades e
tempo gasto para preenchimento dos formulários dos sistemas avaliados.
Separamos nas tabelas abaixo as respostas por itens, a) facilidades, b)
dificuldades e c) tempo gasto para preenchimento e listamos as respostas
apresentadas para SCADUNESP e COMUT GRUPO.

a) Facildades

SCADUNESP

COMUT GRUPO

7

�- rapidez no preenchimento do

- atualização constante do software

formulário;

- formulário vem identificação para

- defaul do formulário de solicitação

arquivo/atendimento e outra para

- mesmo com a referencia incompleta o malote/artigo a ser enviado
sistema aceita o pedido

- recuperação de informações sobre a

- facilidade em separar o modo de

biblioteca

envio

- material personalizado para

- formulário simples, objetivo e

atendimento

funcional

- facilidade de controle dos pedidos

- formulário ser em uma única pagina

solicitados e dos fornecidos
- está sempre no ar
- poder cadastrar usuário individual
- imprime relatórios satisfatórios
- poder rastrear o pedido
- estatísticas separas

b) Dificuldades
SCADUNESP
- software não recebe atualização

COMUT GRUPO
- formulário muito longo e demorado

- fica fora do ar freqüentemente

para preencher

- falta pessoal para fazer manutenção

- precisar da referencia completa

do software

- não repassar pedido se as bibliotecas

- custos para a Reitoria manter o

estiverem com as cestas cheias

software funcionando

- só inscrever usuário individual se ele
estiver inscrito no Comut tradicional
- formulário pede informações
desnecessárias
- não poder acessar os pedidos já
atendidos

C) tempo gasto para preenchimento do formulário
SCADUNESP

COMUT GRUPO

8

�- 40 segundos

- 3 minutos

- 3 minutos

- 3 minutos

- 1 minuto

- 5 a 7 minutos

- inferior a 2 minutos

- 2 minutos

- 2 minutos

- 5 a 10 minutos

5 CONCLUSÕES
O objetivo deste trabalho numa primeira fase é reunir informações suficientes
para a Coordenadoria Geral de Bibliotecas e as Bibliotecas da rede poderem
optar por um dos sistemas de solicitação de Comutação Bibliográfica na Rede
Unesp disponíveis atualmente na Rede de Bibliotecas.
Observamos que, excluímos da nossa apuração, as bibliotecas das Unidades
Experimentais, 7 no total, pois estas ainda não utilizam os sistemas de maneira
expressiva. Sendo assim, das 22 bibliotecas consolidadas, 14 responderam à
nossa consulta.
As respostas apresentadas para o COMUT GRUPO mostram várias facilidades
em relação ao SCADUNESP, mas em contrapartida apresenta algumas
dificuldades que são vitais no funcionamento do sistema que deve ser ágil para a
satisfação dos usuários da biblioteca e não um dificultador.
A próxima etapa do projeto será discutir com os responsáveis pela comutação
bibliográfica da Rede qual será o sistema que será utilizado.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

COORDENADORIA GERAL DE BIBLIOTECAS. Universidade Estadual Paulista.
[on-line] Disponível na Internet: http://www.cgb.unesp.br

9

�.
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA. [on-line] Disponível na Internet:
http://www.unesp.br

INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA.
[on-line] Disponível na Internet: http://www.ibict.br

MIRANDA, ANTONIO. Os conceitos de organização baseada na informação e no
conhecimento e o desenvolvimento de serviços bibliotecários. {on line} Disponível
na Internet:
http://www.antoniomiranda.com.br/ciencia_informacao/art_comutacao_bibliografic
a.pdf
RELATÓRIO ANUAL DE ATIVIDADES DA REDE DE BIBLIOTECAS DA UNESP.
Coordenadoria Geral de Bibliotecas da Universidade Estadual Paulista. 2005

10

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Comutação bibliográfica na UNESP: avaliação do SCADUNESP e COMUT Grupo.</text>
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                <text>A Comutação Bibliográfica consiste no fornecimento de cópias xerográficas, em sua grande maioria de artigos de publicações periódicas a seus usuários, independente de onde a publicação se encontre fisicamente, permitindo assim, o acesso a toda coleção existente nas Bibliotecas componentes da Rede UNESP. Atualmente a Rede de Bibliotecas UNESP está utilizando dois sistemas para executar a comutação bibliográfica, o Scadunesp e o Comut Grupo. O Scadunesp com a finalidade atender gratuitamente a Rede de Bibliotecas foi implantado em 2001. O Comut Grupo, que é uma adaptação feita no sistema COMUT, para funcionamento nas bibliotecas de uma mesma rede, também sem ônus, está em funcionamento desde janeiro de 2006. Com o objetivo de avaliar, dentro da Rede UNESP o uso dos dois sistemas para solicitação de cópias de anais de congresso, partes de documentos, periódicos, teses e partes de monografias e selecionar o sistema para a comutação bibliográfica da UNESP, a Rede de Bibliotecas foi consultada apontado as facilidades e dificuldades em utilizar os dois sistemas. Com a análise dos resultados obtidos optou-se por usar apenas o Scadunesp, que aponta um formulário mais rápido para o preenchimento das solicitações.</text>
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                    <text>CONCURSOS PÚBLICOS EM BIBLIOTECONOMIA: ÍNDICE BIBLIOGRÁFICO

Maria José Moreira
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNI-RIO)
e-mail: mjmoreira@unirio.br
Neusa Cardim da Silva
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
e-mail: ncardims@gmail.com; cardim@uerj.br
Simone Faury Dib
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
e-mail: sdib@uerj.br; sfdib@hotmail.com

Resumo
Trata-se de um índice bibliográfico contendo referências indicadas em concursos públicos para
bibliotecários no âmbito federal, estadual e municipal, realizados no Rio de Janeiro, no período de
2001 a 2005. São ao todo 309 referências que arrolam os grandes assuntos da área
biblioteconômica, tais como: análise descritiva, análise temática, gestão da informação, sociedade
da informação, o moderno profissional da informação, desenvolvimento de coleções, linguagens
documentárias, entre outros. A elaboração do índice justifica-se tendo em vista o número
crescente de concursos sem indicação, nos seus editais, de fontes de estudo para os programas
apresentados. No corpo do trabalho, as referências estão organizadas por assunto e dentro de
cada um, em ordem alfabética de autor. Inclui, ainda, índices de autor, título e assunto, com o
objetivo de facilitar a busca da informação desejada.
Palavras-chave: Biblioteconomia. Concursos públicos. Referências bibliográficas

INTRODUÇÃO

Em decorrência das mudanças, provocadas pelo aparecimento de novas
tecnologias, pela globalização econômica, social e cultural, o processo de
abertura comercial e a modernização dos setores de produção e serviços foram
alavancados.

Para suprir as novas demandas desse mercado emergente, a oferta do
mercado de trabalho foi ampliada, tanto no setor privado, quanto no setor público.
Isto

gerou

uma

maior

concorrência,

especialmente

na

área

privada,

transformando o concurso público em fonte de segurança e estabilidade
profissional.

�Acompanhando as mudanças, dois acontecimentos marcaram a abertura
do mercado de trabalho nas instituições públicas: a) a promulgação da
Constituição de 1988, que instituiu a obrigatoriedade de concurso para o ingresso
no serviço público; b) a primeira reformulação nas regras da aposentadoria feita
na década de 90, no governo do presidente Fernando Collor de Melo, que
provocou a aposentadoria de muitos profissionais - para não perder ou manter os
privilégios e/ou direitos adquiridos -, o que gerou mais vagas nos cargos públicos.

Foi nesse contexto que a oferta de concursos públicos na área de
Biblioteconomia se expandiu e o profissional bibliotecário começou a ter mais
espaço no mercado de trabalho. Foi ao acompanhar essa trajetória e ao verificar
que nos últimos concursos os editais apresentavam programas sem indicação de
bibliografia, que surgiu a idéia de organizar este Índice bibliográfico.

No Estado do Rio de Janeiro, de 2001 a 2005, período coberto pelo estudo,
dos concursos públicos oferecidos, em níveis federal, estadual e municipal, 50
editais foram analisados, e, 35 serviram de base para este trabalho por possuírem
bibliografias.

A finalidade precípua do Índice é auxiliar os profissionais da área, que
pretendem se habilitar a um cargo de bibliotecário, mediante concurso, nos
diversos setores do serviço público.

OBJETIVO
Este estudo visa apresentar os procedimentos adotados na elaboração do
Índice, a sua estrutura e uma breve análise dos dados da bibliografia, como a sua
atualidade, a tipologia dos documentos e os assuntos mais requeridos.

�JUSTIFICATIVA

O número crescente de concursos públicos oferecidos na área de
Biblioteconomia sem indicação de fontes de estudo foi o principal motivo para a
elaboração deste instrumento de pesquisa.

Uma bibliografia, por menor que seja, representa uma orientação na
realização de qualquer plano de estudo. A falta dela, gera, muitas vezes, o
desânimo, a incerteza, e a insegurança. Questiona-se como, em que fontes e de
que forma começar? O que estudar?

Em se tratando de concurso, o problema ainda se torna mais conflitante,
tendo em vista a concorrência, que é acirrada.

Assim, além de servir de guia para os candidatos aos concursos públicos, o
presente Índice constitui-se em uma fonte de referência da literatura publicada na
área de Biblioteconomia por contemplar um número significativo de documentos
nessa área, tanto de origem nacional como estrangeira.

METODOLOGIA
Para desenvolver o Índice Bibliográfico com precisão e coerência foi de
fundamental importância a utilização de uma metodologia de trabalho. Assim, a
organização do índice obedeceu às seguintes etapas:

a) Definir local e período de abrangência do estudo;

b) Coletar os editais dos concursos:
- identificar os concursos para bibliotecários;
- fazer o levantamento desses concursos em fontes: Internet, D.O.,
CRB, etc;
- imprimir / reproduzir os editais.
c) Definir critérios para a organização das referências:

�- relacionar as referências indicadas nas bibliografias;
- selecionar as referências específicas da área de Biblioteconomia;
- cotejar as referências para evitar duplicidade;
- identificar os artigos dos fascículos de periódicos indicados no todo.
d) Normalizar as referências:
- proceder a normalização de acordo com a norma da Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), vigente na NBR 6023/2002;
- referenciar cada artigo dos fascículos de periódicos indicados no todo.
e) Definir procedimentos para a organização do Índice:
- definir o instrumento de classificação;
- classificar as referências em grandes assuntos e, dentro destes, em
subassuntos, tendo por base o instrumento definido;
- organizar as referências, dentro dos assuntos, em uma única ordem
alfabética, de autores e títulos - na falta de autoria.
f) Selecionar, nas obras dos autores indicados no Índice, enunciados que
servissem de epígrafe para cada grande assunto e seus subassuntos;

g) Elaborar os índices de autor, título e assunto, de acordo com a normas
da ABNT;
h) Atualizar a bibliografia da área de Biblioteconomia:
- realizar pesquisas em editoras da área para atualizar obras da
bibliografia e coletar novos títulos;
- ordenar as referências alfabeticamente por autor ou título, quando for o
caso.

i) Organizar os apêndices:
- listar as instituições participantes do estudo;
- referenciar e listar a bibliografia atualizada.

�ESTRUTURA DO ÍNDICE

Quanto à sua estrutura, o índice apresenta-se organizado e ordenado
alfabeticamente por grandes assuntos e, dentro destes, em ordem alfabética de
autor, e título (quando não há autoria). Precedendo os assuntos, incluiu-se uma
epígrafe que sintetizasse o assunto abordado.

Optou-se por elaborar as referências, no caso de autor pessoal, com o
sobrenome seguido das iniciais do nome, porém, no índice de autor, incluiu-se o
nome por extenso, exceto aqueles cujo prenome e/ou sobrenome não foi
identificado. (Figura 1)

2.1.2 Bibliotecário
“A profissão de Bibliotecário [...] se exerce na órbita pública e na
órbita privada por meio de estudos, pesquisas, análises, relatórios,
pareceres, sinopses, resumos, bibliografias sobre assuntos
compreendidos no seu campo profissional, inclusive por meio de
planejamento, implantação, orientação, supervisão, direção, execução
ou
assistência
nos
trabalhos
relativos
às
atividades
biblioteconômicas,
bibliográficas
e
documentológicas,
em
empreendimentos públicos, privados ou mistos, ou por outros meios
que objetivarem, tecnicamente, o desenvolvimento das bibliotecas e
centros de documentação”. (Conselho Federal de Biblioteconomia,
1998)
ARRUDA, M. C. C.; MARTELETO, R. M.; SOUZA, D. B. de. Educação,
trabalho e o delineamento de novos perfis profissionais: o bibliotecário em
questão. Ci. Inf., Brasília, DF, v. 29, n. 3, p. 14-24, set./dez. 2000.
CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA. Bibliotecário e técnico em
biblioteconomia: legislação. Recife, 1998.
FERRAZ, M. C. C. O valor do trabalho de conclusão de curso para o
ingresso do profissional de informação nas empresas. Perspectivas em
Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 8, n. 1, p. 88-95, jan./jun. 2003.
GUIMARÃES, J. A. C. Moderno profissional da informação: elementos para
sua formação no Brasil. Transinformação, Campinas, v. 9, n. 1, p. 124-137,
jan./abr. 1997.
McGARRY, K. Aspectos éticos e profissionais da informação. In: ______. O
contexto dinâmico da informação: uma análise introdutória. Tradução de
Helena Vilar de Lemos. Brasília, DF, Briquet de Lemos/Livros, 1999. p. 173202.
VALENTIM, M. L. (Org.). Formação do profissional da informação. São
Paulo: Polis, 2002.

Figura 1 - Parte textual do Índice

Ao final das referências, estão arranjados os índices de autor, título e
assunto. Ressalta-se que as referências das obras indicadas determinaram os
assuntos do índice, que foram padronizados com base no Tesauro da Unesco e

�no Tesauro de Biblioteconomía y Documentación. Observe-se que as entradas
das referências obedecem à norma da ABNT (NBR6023/2002).

O índice de autor é instrumento fundamental, tendo em vista que no corpo
do trabalho a ordenação alfabética não é única, pois os autores estão
relacionados segundo os grandes assuntos e subassuntos. (Figura 2)

ÍNDICE DE AUTOR
ABNT, 8
AGUIAR, Sônia, 16
AITCHINSON, Jean, 12
ALCAIDE, Grabriel Santos, 34
ALENCAR, Maria de Cleófas Faggin, 41
ALMEIDA, Ieda Maria Muniz de, 13
ALMEIDA, Maria Christina Barbosa de,24
ALMEIDA, Maria do Rosário Guimarães, 9
ALVARADO, Rubén Urbizagástegui, 18
AMARAL, Sueli Angélica do, 31
ANDRADE, Diva, 22
ANTUNES, João Francisco Gonçalves, 13
ARAÚJO, Eliany Alvarenga
ARAÚJO JÚNIOR, Rogério Henrique de
ARAÚJO, Tânia Bacelar de, 12
AROUK, Osmar, 45
ARRUDA, Maria da Conceição Calmon, 26
ASSMANN, Hugo, 21
Associação Brasileira de Normas Técnicas ver ABNT
ATIENZA, Cecília Andreotti, 33
AUN, Marta Pinheiro, 19

Figura 2 - Índice de autor

O índice de título obedece a ordenação alfabética indicada pela ABNT
(NBR6033/89), não levando em consideração os artigos iniciais, definidos e
indefinidos. Estes artigos são considerados quando no subtítulo. (Figura 3)

�INDICE DE TÍTULOS
AACR2 Anglo-american Cataloguing Rules: catalogação de recursos
bibliográficos, 20
AACR2 Anglo-american Cataloguing Rules: descrição e pontos de acesso, 20
AACR2 catalogação descritiva de monografias, 21
Ações de conservação e preservação da memória no contexto digital, 16
Ainfo: a experiência da Embrapa na disponibilização e recuperação da
informação, 43
Ambivalências da sociedade da informação, 41
Ameaça ou oportunidade? futuro dos serviços bibliotecários à luz das
inovações tecnológicas, 46
Análise comparativa e de consistência entre representações automática e
manual de informações documentárias, 32
Análise da revista Ciência da Informação disponibilizada na SciELO a partir do
seu vocabulário controlado, 35
Análise de redes sociais: aplicação nos estudos de transferência da
informação, 47
Análise dos indicadores de inovação tecnológica no Brasil: comparação entre
um grupo de empresas privatizadas e o grupo geral de empresas, 52
Análise e representação de assunto em sistemas de recuperação, 13
Armazenamento e manuseio de fitas magnéticas,39
Arquivos abertos: subprojeto da Biblioteca Digital Brasileira, 22

Figura 3 - Índice de Títulos

O índice de assuntos segue uma única ordem alfabética com os grandes
assuntos e seus subassuntos que dessa forma podem ser localizados de maneira
rápida e precisa. (Figura 4)

ÍNDICE DE ASSUNTOS

Administração de bibliotecas, 6
Bibliotecário, 7
Bibliotecas, 8
Biblioteca escolar, 8
Biblioteca universitária, 9
Biblioteca virtual, 11
Biblioteca digital, 11
Biblioteca eletrônica, 11
Biblioteconomia, 6
Catalogação, 13
Ciência da informação, 27
Classificação , 16
Comunicação científica, 42
Conservação de documentos, 21
Controle bibliográfico, 14
Desenvolvimento de coleções, 12
Estatística, 31
Estudo de usuários, 37
Fontes de informação, 32
Gestão da informação, 45
Indexação, 18
Inteligência competitiva, 49
Linguagens documentárias, 18

Figura 4 – Índice de assuntos

�Deve-se ressaltar que em virtude de o trabalho estar em fase de editoração
gráfica, a numeração das páginas que foram incluídas servem apenas como
ilustração.

Os apêndices arrolados no trabalho, num total de três, correspondem às
instituições responsáveis pelos editais, com bibliografias e sem bibliografias, e à
bibliografia atualizada.
APÊNDICE A - INSTITUIÇÕES RESPONSÁVEIS PELOS EDITAIS DO ESTUDO
Aeronáutica Brasileira*
Agência Nacional do Petróleo (ANP)
Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES)
Casa da Moeda (CM)
Centro Federal de Educação tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET)
Colégio Pedro II (CP II)
Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU)
Companhia de Limpeza Urbana (COMLURB)
Departamento de Aviação Civil (DAC)
Empresa Brasileira de Agropecuária (EMBRAPA)*
Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ)
Prefeitura municipal de Guapimirim
Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)*
Marinha do Brasil*
Prefeitura municípal de Angra dos Reis
Prefeitura municipal de Itaocara
Prefeitura municípal de Barra do Piraí
Prefeitura municipal de Macaé
Prefeitura municipal de Maricá
Prefeitura municipal de Miracema
Prefeitura municípal de Paracambi
Prefeitura municipal de Rio das Ostras
Prefeitura municípal de São Gonçalo
Prefeitura municípal de São João da Barra
Prefeitura municípal de Tanguá
Tribunal Regional Federal (TRF)
Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF)
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Universidade Federal Fluminense (UFF)
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UNIRIO)
* Instituições que ofereceram mais de um concurso no período de 2001-2005

APÊNDICE B – INSTITUIÇÕES COM EDITAIS SEM BIBLIOGRAFIA
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANSS)
Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF)
Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ)
Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (INFRAERO)
Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB)
Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Medicina e Segurança do Trabalho
(FUNDACENTRO)
Instituto Nacional do Câncer (INCA)
Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI)
Instituto de Pesquisas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (IPJBRJ)
Ministério de Educação e Cultura (MEC)
Ministério Público da União (MPU)
Polícia Federal (PF)
Superior Tribunal de Justiça (STJ)
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

�RESULTADOS

O Índice Bibliográfico contém 309 referências, extraídas de 35 editais com
bibliografias. Cabe ressaltar que algumas instituições, no período estudado,
ofereceram mais de um concurso, como pode ser visto no Apêndice A.
O levantamento permitiu coletar dados que serão apresentados a seguir
com o intuito de enriquecer esse estudo. Aspectos analisados:

a) Tipos de documentos solicitados:

1%
4% 2% 1%

Artigos
Livros
49%

Normas
Sites

43%

Capítulos de livros
Legislação

Constata-se que 49% dos tipos de documentos solicitados nos programas
de concursos são artigos de periódicos (147), disponíveis em papel e/ou meio
eletrônico, e comunicações apresentadas em eventos (5).

É importante ressaltar que, no caso de artigos de periódicos, algumas
bibliografias, indicavam o fascículo do periódico no todo. No estudo definiu-se que
os artigos seriam referenciados separadamente, isto pode ser uma das razões da
grande quantidade desse tipo de documento.

Os livros aparecem com 43%, prevalecendo a indicação da literatura
nacional (113), em relação à estrangeira (21 traduções). O livro configura-se num
instrumento básico para os concursos.

�Os outros tipos de materiais representam, ao todo, 8%, como normas,
sites, capítulos de livros e legislação.

b) Atualidade dos documentos
74

76

51
38
Artigos de
periódicos

0

4

60

1

6

70

Livros

10 12

80

90

2000

Décadas

O gráfico acima revela a atualidade dos documentos mais solicitados, ou
seja, dos livros e artigos de periódicos. Pode-se constatar que os artigos de
periódicos são os mais atualizados, o que configura uma tendência dos últimos
concursos a solicitarem esse tipo de documento.
Em relação aos livros, nota-se que as indicações, em sua maioria, referemse ao que foi produzido na década de 90, o que revela um período fértil da área e
indica a necessidade de atualização e/ou produção de documentos.

c) Assuntos mais solicitados

�5% 4%
6%

20%

7%
8%

16%

10%
10%

14%

Tecnologias da Informação
Processos técnicos
Serviço de referência
Bibliotecas
Sociedade da Informação
Administração e planejamento de bibliotecas
Normalização de documentos
Gestão da informação
Comunicação científica
Desenvolvimento de coleções

Foram contemplados nesta análise os assuntos que apareceram, no
mínimo, em 10 indicações bibliográficas. Cabe ressaltar que os subassuntos
foram agrupados no assunto correspondente.

Tecnologias da Informação, Processos Técnicos e Serviços de Referência
foram os assuntos mais indicados nas bibliografias, conforme apresentado no
gráfico acima.
Considerando que a partir da década de 90, as Unidades de Informação
vêm utilizando recursos eletrônicos para disseminar e recuperar informações,
otimizando o fluxo da informação e possibilitando a geração de novos
conhecimentos, o resultado comprova a preocupação com as competências do
profissional da informação, em relação ao domínio dessas tecnologias.

O assunto Tecnologia da informação respondeu por 20% das referências,
seguido do assunto Processos técnicos, que, em estudo realizado em 2004,

�encabeçava a lista dos mais solicitados 1 revelando, à época, o perfil tecnicista
exigido do profissional da informação.

O baixo índice apresentado pelos assuntos Desenvolvimento de Coleções
e Gestão da Informação é preocupante, na medida que as competências
relacionadas a estes tópicos são fundamentais ao profissional enquanto gestor
dos recursos informacionais.
Percebe-se, de uma maneira geral, que há uma diversidade temática
exigida nos concursos atuais, o que se constitui em fator positivo para o
profissional, que deve sempre buscar o aprendizado contínuo, procurando se
adequar às novas demandas de uma sociedade em constante mudança, onde a
informação é fator primordial para o desenvolvimento econômico, político e social.

CONCLUSÃO
O índice bibliográfico apresenta, em conjunto, documentos importantes da
literatura biblioteconômica, revestindo-se de importância como instrumento de
referência para concursos, para as escolas de Biblioteconomia e Ciência da
Informação, como também para os alunos que pretendem conhecer, no todo ou
em parte, o que há de mais recente na literatura.

O estudo envolveu concursos públicos realizados no Estado do Rio de
Janeiro, entre 2001-2005, procedentes das esferas federal, estadual e municipal.

Considera-se que a iniciativa só poderá alcançar resultados permanentes,
se o índice for sempre atualizado. A idéia fica lançada como base para que haja
continuidade, mantendo-se atualizada uma obra de referência de interesse
nacional para os profissionais bibliotecários brasileiros.

1

MOREIRA, Maria José; SILVA, Neusa Cardim da. A literatura indicada em concursos públicos
para bibliotecários: um estudo bibliométrico. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS, 13., 2004, Natal. Anais eletrônicos... Natal: UFRGN, 2004. 1 CD-ROM.

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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Trata-se de um índice bibliográfico contendo referências indicadas em concursos públicos para bibliotecários no âmbito federal, estadual e municipal, realizados no Rio de Janeiro, no período de 2001 a 2005. São ao todo 309 referências que arrolam os grandes assuntos da área biblioteconômica, tais como: análise descritiva, análise temática, gestão da informação, sociedade da informação, o moderno profissional da informação, desenvolvimento de coleções, linguagens documentárias, entre outros. A elaboração do índice justifica-se tendo em vista o número crescente de concursos sem indicação, nos seus editais, de fontes de estudo para os programas apresentados. No corpo do trabalho, as referências estão organizadas por assunto e dentro de cada um, em ordem alfabética de autor. Inclui, ainda, índices de autor, título e assunto, com o objetivo de facilitar a busca da informação desejada.</text>
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                    <text>1
CONFLITOS DE PODER NA INTERNET:
Lei do Direito Autoral e Sociedade da Informação
Regina França Cutrim
Graduada em Biblioteconomia
Universidade Federal do Maranhão
regina@uol.com.br
Raimunda Ramos Marinho
Profª Ms.Departamento de Biblioteconomia
Universidade Federal do Maranhão
dbibrai @ufma.br

RESUMO
Aspectos da relação entre Direito Autoral e Sociedade da Informação na Internet.
Caracteriza a Sociedade da Informação como formada por indivíduos que super valorizam
o conhecimento e os recursos tecnológicos, apresentando o crescente desenvolvimento da
tecnologia como resultante de necessidades humanas e responsável pelo advento da Era da
Informação. Exibe peculiaridades da história da tecnologia da informação e comunicação,
dando maior enfoque às origens do computador pessoal, ao surgimento da Internet e à
problemática advinda da ampla utilização dos recursos em constante crescimento;
ocasionando a dependência tecnológica, o princípio e a multiplicação do crime digital.
Narra a evolução do direito autoral no mundo. No Brasil, a noção de direito autoral resulta
da instituição de cursos jurídicos, sendo intensificada através das Convenções
Internacionais. Particulariza o direito moral e o patrimonial segundo a Lei 9.610/98. Expõe
concepções de poder na sociedade, associando-as aos entraves na aplicação da lei de
direitos autorais na Internet e ao conflito decorrente desta relação.
Palavras-chave: Direito autoral. Internet. Sociedade da informação. Poder.

ABSTRACT
Aspects of the relation between Copyright and Information Society in the Internet. It
characterizes the Information Society as formed for individuals that super value the
technological knowledge and resources. It presents the increasing development of
technology as resultant of human being necessities and responsible for the sprouting of the
Age of the Information. It shows peculiarities of the information and communication
technology history, emphasizing the origins of the personal computer, the sprouting of the

�2
Internet and the problematic happened by the ample use of the resources in constant
growth, which generates the technological dependence, the principle and the multiplication
of the digital crime. It tells about the evolution of the copyright in the world. In Brazil, the
notion of copyright results of the institution of legal courses, being intensified through
International Conventions. It distinguishes the moral and patrimonial right in accordance
with Law 9.610/98. It displays conceptions of power in the society, associating them to the
impediments in the application of the law of copyrights in the Internet and to the resulting
conflict from this relation.
Keywords: Copyright. Internet. Information society. Power.

1 INTRODUÇÃO

Na Sociedade da Informação a Internet assumiu papel de grande destaque, pois
a estrutura pública que faz uso do computador ou simplesmente a unidade produtora da
informação consiste em redes informacionais, funcionando em tempo real e em locais
diferentes do planeta, pois o longínquo se avizinhou, trazendo para perto o virtual, em que a
produção é o quociente de análises, pesquisas, investimentos revertidos em capital
puramente intelectual (OLIVEIRA, 2003).
É importante salientar que a Internet recebe notoriedade, em suma, pela sua
característica globalizante, em que limites territoriais não existem e assim, usuários podem
ter acesso de qualquer lugar do mundo. Destarte, em estudos sobre os efeitos da internet em
processos de aplicação legal, Bruno e Blum (2001, p. 1) observam que [...] para muitos, a
princípio, pode parecer que a Internet e o meio eletrônico como um todo, seja uma terra
sem lei, um verdadeiro velho oeste, onde tudo é permitido [...].
A assertiva dos autores possibilita notar o surgimento da problemática referente
à aplicação da Lei de Direito Autoral na Internet, posto que a mesma [...] derrubou
fronteiras com suas características peculiares, sem dono, sem espaço, sem bandeira, sem
controle, até um certo anonimato. Tais características têm gerado preocupações relativas
aos direitos autorais[...] (REMOR, 2000, p. 2).
Este artigo configura-se em uma exposição teórica acerca das concepções da
Sociedade da Informação, das tecnologias de informação e comunicação, do Direito

�3
Autoral, tendo como ponto central uma explanação sobre a relação conflituosa entre a Lei
nº 9.610/98 e a Internet. O estudo expõe, ainda, concepções de poder com vistas a
estabelecer motivos e características peculiares ao conturbado processo de aplicação da lei
de Direito Autoral na Internet.

2 SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E TECNOLOGIAS

A expressão Sociedade da Informação (SI) é utilizada para designar uma faceta
social caracterizada por transformações em diversos aspectos como: econômico, cultural,
profissional, legal e filosófico. É entendida por Toffler (1995) como um fato resultante de
um desajuste histórico, nomeado pelo autor como onda. Essa desordem, leva Corrêa
(2002, p. 3) a declarar que [...] evidenciamos a criação de novos conceitos sobre
tradicionais valores, tais como a liberdade, a privacidade e o surgimento de crimes
digitais.
Considera-se como fundamental elemento propulsor da SI, o desenvolvimento
acelerado das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), pois as transformações
técnicas, organizacionais e administrativas têm como fator chave não mais a energia da
sociedade industrial, mas os insumos da informação propiciados pelos avanços
tecnológicos na microeletrônica e telecomunicações (WERTHEIN, 2000). Assim é possível
pontuar que a origem da SI é, sem sombra de dúvidas, o quociente de um veloz processo
evolutivo que envolveu em seu ápice as TICs.

2.1 Tecnologias de informação e comunicação

A origem e desenvolvimento das TICs foi ao longo dos séculos diretamente
influenciada pelas revoluções industriais. Com o intuito de demarcar a história das TICs
utilizar-se-á os estudos de Toffler (1995), em que divide a história da civilização em três
fases, onde
[...]consideraremos que a Primeira Onda começou por volta de 800 a.C. e que
dominou a terra sem qualquer desafio até 1650 e 1750 d. C. A partir deste
momento, a Primeira Onda perdeu ímpeto, enquanto a Segunda Onda ganhava
força. A civilização industrial, produto desta Segunda Onda, dominou então o
planeta por sua vez, até atingir a altura máxima. Este último ponto máximo
histórico ocorreu no Estados Unidos, durante a década iniciada por volta de 1955

�4
 a década que viu os trabalhadores de colarinho branco e de serviços gerais
excederem em número os trabalhadores de macacão. Esta foi a mesma década
que viu a introdução generalizada do computador, o jato comercial, a pílula
anticoncepcional e muitas outras inovações de alto impacto. Foi precisamente
durante esta década que a Terceira Onda começou a ganhar força nos Estados
Unidos. Desde então chegou  em datas um pouco diferentes  à maioria das
outras nações industrializadas, inclusive a Grã-Bretanha, a França, a Suécia, a
Alemanha, a União Soviética e o Japão ( TOFFLER, 1995, p. 28).

Com base no autor, a Segunda Guerra Mundial foi a mola que impulsionou as
principais descobertas em tecnologia da eletrônica, pois o computador, objeto de maior
destaque desse processo desenvolvimentista, continua a sofrer as conseqüências dessa
evolução ainda hoje.

2.2 A tecnologia da Internet

O desenvolvimento do computador teve grande impacto na vida do homem, e
para que o tivéssemos tal como hoje é, a história mostra que foi escrita uma verdadeira saga
evolutiva que é caracterizada como o início da Era da Informação (CASTELLS, 1999).
A origem da Internet está diretamente relacionada ao trabalho de uma das
instituições mais inovadoras do mundo: a Agência Norte-Americana de Pesquisas sobre
Projetos Avançados de Defesa (DARPA), cujas pesquisas deram origem a Advanced
Research Projects Agency Network (ARPAnet), que sofrendo ao longo de algumas décadas
valiosos aperfeiçoamentos, tornou-se um sistema de comunicação que integrava diversas
redes como a Computer Science Network (CSNET)  mantida pela Fundação Nacional da
Ciência em parceria com a International Business Machines Corporation (IBM) , e a
Because Its Time Networking Services (BITNET). A partir daí, a ARPAnet passa a ser
conhecida como Interconnected Networks (INTERNET) (CASTELLS, 1999).
Dede então a internet suscita uma ampla diversidade de debates sobre seus
impactos, dentre eles, Gomes (2006) nota que a nova mídia revigora o processo de
participação política do cidadão e supera o déficit deixado pelos tradicionais meios de
comunicação de massa. Neste contexto, Barnet (apud Gomes, 2006, p. 12) conclui que a
internet é [...] uma zona neutra onde o acesso a informação relevante que afeta o bem
público é amplamente disponível, onde a discussão é imune à dominação do Estado e onde
todos os participantes do debate público fazem isso em bases igualitárias.

�5
Entretanto, o mesmo autor observa que embora a internet apresente esta
característica de neutralidade deve-se compreender que enquanto espaço global, ela tanto
pode ser entendida como lugar onde não existem fronteiras, ou ainda como uma malha que
inclui o local, o nacional e o internacional. Neste último caso, estariam comprometidas
algumas de suas características mais atraentes, isto é, espaço público, neutro e formado por
indivíduos anônimos.
Não obstante, diante da atuação de veículos de comunicação de massa como a
televisão e o rádio [...] a internet inclui e supera a informação industrial, permitindo,
ademais, acesso a informações que os meios industriais de notícias não conseguem, não
querem ou não podem divulgar (GOMES, 2006, p. 13). Alia-se a isto o fato de que [...]
não há censura na net, nem política, nem criminal nem moral (BUCHSTEIN apud
GOMES, 2006, p. 16). Estando, portanto, livre do controle de seus conteúdos e do
provimento de informações.

3 DIREITO AUTORAL

O DA segue ao princípio de que aquele que cria, deve receber uma recompensa
por seu esforço e dedicação (ROVER, 2004). Desse modo, ele é conceituado como[...]
titularidade garantida ao criador sobre a obra ou criação a que deu vida, compreendendo o
complexo de poderes de usá-la e gozá-la, conforme melhor lhe convier, bem como tem
garantido esta titularidade seus sucessores (CAVALHEIRO, 2005, p. 1).
Historicamente, observa-se que por volta do ano de 400 a.C não havia indícios
da existência de instrumentos legais de proteção ao DA, mas que sempre existiu uma
mentalidade consciente da existência de tais direitos, pois através dessa consciência,
segundo Manso (1987, p. 8, grifo do autor):
[...] é que, passados quase 2.500 anos, ainda sabemos, como era sabido na sua
época, que Antígona, Édipo Rei, Electra, são obras de SÓFOCLES: pertencemlhe hoje, tal como sempre lhe pertenceram, indubitavelmente. Por isso também
que, mesmo tendo desaparecido, afirma-se que a estátua de Zeus Olímpico é de
FÍDIAS, como dele é a de Atena, a despeito de ter ele vivido há mais de 400 anos
antes de Cristo.

Portanto, o direito moral sempre esteve presente na mente das pessoas, enquanto
o direito patrimonial demorou para ser reconhecido, tendo isso acontecido em 1709, na
Inglaterra.

�6
No Brasil o percurso histórico do DA inicia-se em 1827, pois conforme
comenta Manso (1987, p. 16, grifo do autor):
A primeira disposição legal que contém uma manifestação a respeito encontra-se
na lei de 11 de agosto de 1827, que instituiu os cursos jurídicos no Brasil. Os
mestres nomeados deveriam encaminhar às Assembléias Gerais os seus
compêndios das matérias que lecionavam, a fim de receberem ou não aprovação,
com a qual gozariam, também, do privilégio de sua publicação por dez anos.
Tratava-se, no entanto, de um direito aplicável apenas intra muros, nas
faculdades de direito de Olinda e São Paulo, não alcançando os demais autores
brasileiros.

Atualmente o instrumento que rege a proteção ao DA no Brasil é a Lei
9.610/98, juntamente com outros itens da legislação entre decretos e demais leis, além dos
Tratados Internacionais em que o país se fez seguidor, dentre estes: Convenção de Berna
(1886), Convenção Universal (1971), Convenção de Roma (1961), Convenção de Genebra
(1971) e Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao
Comércio (TRIPS) em 1994 (GANDELMAN, 1997).

4 CONFLITO DE PODER NA INTERNET
Ao longo da história da humanidade, as relações sociais e os interesses dos
indivíduos foram marcados pela constante necessidade de organizações hierárquicas e,
conseqüentemente, o estabelecimento de posições superiorizadas e outras inferiorizadas.
Tal evidência histórica sempre esteve pautada nos aspectos de poder concentrados nas mãos
de alguns indivíduos em detrimento de outros, gerando conflitos de interesses em vários
segmentos, sejam eles sociais, políticos, econômicos, culturais ou religiosos. Desse modo,
pode-se esclarecer que a noção de poder está vinculada ao caráter social do homem,
configurando-se para este como uma força necessária ao convívio com seus pares, sendo
que [...] a submissão de alguns à vontade de outros, é inevitável na sociedade moderna
[...] (GALBRAITH, 1986, p. 13). Nesse contexto, observa-se o seguinte:
[...] a prática do poder proporciona uma certa organicidade à vida social, sendo
encontrada em todos os tipos de sociedade. A simbiose entre o estado e o poder,
então, não é apenas inevitável, como também socialmente necessária desde que o
governo seja legítimo e democrático, mesmo com a prevalência das
desigualdades no exercício do poder (SILVEIRA, 2000, p. 80)

Para que seja exercido, o poder precisa estar associado a determinadas fontes ou
atributos. Apoiando-se nos estudos de Galbraith (1986) e Toffler (1998), percebe-se que
para o primeiro autor, o poder obedece a uma regra tríade, referente às três instituições ou

�7
atributos, que são: o poder condigno em que se utiliza a coação; o poder compensatório que
usa a recompensa; e o poder condicionado que faz uso da persuasão. Já Toffler (1998), que
segue a mesma linha do primeiro estudioso, faz referência às fontes básicas do poder como
sendo o músculo, o dinheiro e a inteligência, acrescentando que as mesmas interagem entre
si, não devendo, portanto, ser estudadas separadamente, já que podem assumir formas
diversas no exercício do poder.
Não obstante, por mais que as estruturas de poder possam parecer adequadas ou
sutis, elas não convivem pacificamente no meio social em que foram estabelecidas, pois os
conflitos decorrentes de posições contrárias sempre existirão, servindo como instrumento
de superação e adequação constante.
Em uma sociedade, entretanto, espera-se que existam movimentos de oposição ao
exercício do poder. Essa resistência pode se dar pela via da argumentação de que
o poder contestado é impróprio, ilegítimo ou inconstitucional, ou por meio da
criação de um pólo contrário de poder, que se utilizará dos mesmos instrumentos
e fontes, talvez em proporções diferentes  devido ao acesso a recursos e,
principalmente, da sua ligação como o Estado, o qual pode decidir muitas das
disputas sociais, pelo exercício dos seus poderes de regulação e de polícia
(SILVEIRA, 2000, p. 81)

À Sociedade da Informação - por usufruir amplamente da tecnologia da
informação e comunicação no seu cotidiano, bem como da exploração dos recursos da
Internet - foi somada uma série de questões conflituosas no meio virtual, referentes ao
comportamento do indivíduo na rede. O caos e ausência de controle aparente,
característicos da Internet, possibilitaram o estabelecimento de uma situação confortável,
isenta de restrições ou punições para aqueles que fazem uso abusivo da tecnologia. Mota e
Silva (2003, p. 8) comentam que o produto informacional [...] passou a ser chave para
abrir as portas do poder. Desse modo, a busca pelo mesmo consiste numa disputa onde são
utilizadas todas as armas que estão ao alcance dos indivíduos, não importando se as
mesmas são justas ou não.

4.1 Direito Autoral na Internet: um conflito de poder

Com o surgimento dos crimes cometidos através da Internet, já evidenciam-se
motivos para o estabelecimento de um controle de uso e de usuários da rede, bem como a
utilização da mesma em prol de sistemas que priorizem a segurança, como exemplo os
Estados Unidos, por ocasião dos atentados às torres gêmeas (World Trade Center) em 11 de

�8
setembro de 2001, mostraram-se muito determinados a desenvolver e estabelecer sistemas
que visam anular a anarquia predominante na Internet (ISLAS, 2003). No Brasil, o
somatório dos prejuízos causados pela prática da pirataria já atinge números bastante
elevados. Em pesquisa recentemente publicada, revela-se que a pirataria, junto a outros
crimes afins, lesa o Brasil anualmente em dezenas de bilhões de reais (INSTITUTO
BRASILEIRO DE ÉTICA CONCORRENCIAL, 2005).
Ademais, percebe-se também o estímulo e a pressão no sentido de desenvolver
e aplicar tecnologias adequadas para combater os problemas de segurança da informação
através da criptografia, bem como a adaptação de instrumentos legislativos às
potencialidades tecnológicas, como ocorreu com a nova Lei de direitos autorais. Corrêa
(2002, p. 26) observa que a Lei [...] n. 9.610/98 é fruto da visão de legisladores que,
antevendo o desenvolvimento da era digital, inseriram em seu texto uma série de vocábulos
responsáveis pela admissão da existência de obras armazenadas, produzidas e disseminadas
por meios imateriais.
Os crimes de plágio e contrafação  ambos pertinentes ao direito autoral 
foram ampliados pelo uso dos recursos tecnológicos, pois a cada dia são colocados a
disposição do mercado consumidor uma série de novos serviços e produtos que alimentam
de forma prática e pouco onerosa atos de reprodução, apropriação e manipulação de
informações contidas na Internet. Nesse sentido, Oliver (2004, p. 128) conclui que a partir
do [...] impressionante avanço da tecnologia, especialmente na área da eletrônica, em que
proliferam os aparelhos de gravação, a reprodução de obra intelectual passou a ser acessível
a qualquer pessoa com o simples premer de teclas.
Ainda, esclarece-se que o plágio deve ser entendido como ato [...] que se
caracteriza pela imitação total ou parcial de obra literária alheia, inculcando-se a qualidade
de seu autor [...] (PEQUENO..., 2004, p. 264); trata-se da apropriação e alteração indevida
da obra intelectual. Tal prática é facilmente realizada durante o uso de programas
computacionais como o Microsoft Word, que através da combinação das teclas ctrl + c e
ctrl + v permitem, nesta ordem, copiar documentos ou trechos de documentos, inclusive
da Internet, e colar em uma nova página de edição.
A contrafação, por conseguinte, é a [...] falsificação de produtos, de valores,
assinaturas [...] (REMOR, 2000, p. 3). Tal prática foi, igualmente, favorecida pela

�9
exploração dos recursos tecnológicos, pois cada vez mais eles proporcionaram agilidade e
resultados satisfatórios quanto à minimização das diferenças entre os originais e os itens
falsificados; outrossim, o ambiente virtual dificulta a identificação e localização daqueles
que praticam o ilícito.
Sobre esses ilícitos, Oliver (2004, p. 157, grifo do autor) diz que eles [...]
surgem de terceiros, interessados em usar a obra sem autorização e por aqueles que sabem o
valor da obra e desejam via pirataria obter lucros indevidos, praticando a concorrência
desleal. Como conseqüência desta prática, surgiram iniciativas que visam coibir ou até
minimizar o número de cópias ilegais, como exemplo está o da Associação Brasileira de
Direitos Reprográficos (ABDR) que firmando convênio com a Xerox do Brasil e 28
faculdades do país tenciona [...] fiscalizar as copiadoras oficiais da Xerox nessas
universidades e começar a repassar aos autores o direito sobre a produção intelectual [...]
(OLIVER, 2004, p. 152).
Outra iniciativa que visa cercear o uso ilegal das tecnologias é evidenciada no
estado de São Paulo, especificamente para aplicação em lan houses e cibercafés:
Trata-se da Lei estadual nº 12.228/2006 que obriga os estabelecimentos que
alugam computadores para uso do público em geral a não só identificarem, por
meio de carteira de identidade, telefone e endereço, todos os seus usuários como
também o equipamento utilizado e a hora inicial e final de uso, além de manter
essas informações em seus registros por no mínimo 60 meses (CUNHA, 2006, p.
1)

Paralelo aos estudos que, muito bem fundamentados, defendem a justa proteção
à propriedade intelectual em qualquer meio em que esta se apresente, existem ainda aqueles
que discordam de tal tutela, alegando ser o conhecimento um bem fundamental à
construção da liberdade e independência das nações. Oppenheim (1999, p. 180) argumenta
que [...] os monopólios são inerentemente injustos, ou que a humanidade deveria desfrutar
o maior acesso possível à informação [...].
Essa linha de argumento é usada muitas vezes para apoiar a visão de um mundo
no qual toda informação é livre e desacorrentada. É um sonho que combina
perfeitamente com os apelos das nações mais pobres da Terra para que recebam a
ciência e a tecnologia necessárias para que se libertem do subdesenvolvimento
econômico (TOFFLER, 1998, p. 351-352).

Sobre o Direito Autoral, Remor (2000, p. 3) diz que o problema [...] não é falta
de legislação é aplicabilidade destas leis na virtualidade dos meios. Entretanto, a Internet
tem como característica ser globalizante, e esta particularidade nas determinações do Brasil

�10
(2001) possibilitou a seus usuários acessar informações de qualquer canto da Terra,
tornando-a multijurisdicional. Aqui, o mesmo autor alerta para um conflito, pois [...] o
direito de autor e direitos conexos constituem sistemas territoriais, portanto, a questão da
titularidade dos direitos deve ser considerada em relação a cada país em que se pretenda
fazer uso dos direitos (BRASIL, 2001, p. 11).
Assim, a aplicação da Lei nº 9.610/98 tem se tornado um problema cada vez
maior para os profissionais que lidam com a informação, sendo portanto de enorme
abrangência, pois o conhecimento é fundamental para qualquer área de atuação, não
importando as ferramentas de trabalho. O saber que é hoje capital e poder [...] é a força de
transformação ou manutenção da ordem social vigente [...] (AGUIAR, 1990, p. 119).
Teóricos como Michel (1997) observam que a proteção ao direito dos titulares
de obra intelectual e as questões jurídicas suscitadas expressam que os conflitos de
interesse são essencialmente de natureza econômica. Nesse sentido, Rover (2002, p. 6)
exprime que [...] um dos elementos definidores dessa nova Era será a luta entre a esfera
cultural e a esfera comercial; a cultural primando pela liberdade de acesso e a comercial
buscando o controle sobre o acesso e o conteúdo dessa produção cultural, com intuito
comercial.
Finalmente, a Internet ainda representa um enigma para o homem, haja vista
sua falta de controle que enraizada em sua origem representa uma constante de indagações
para a sociedade que não está acostumada a viver sem o estabelecimento de princípios de
organização e controle social. Nesse contexto, Remor (2000, p. 8) alerta que:
Essa preocupação exacerbada em controlar, mais do que uma defesa de direitos,
mostra-se uma imposição de poder. É mesmo de se estranhar, que o homem no
seu narcisismo, suportasse por um período de tempo significativo uma rede de
comunicação na qual não houvesse hierarquia vertical, onde não houvesse
comandantes e comandados subordinados. Por isso a caricata preocupação de
saber quem controla, de não entender que o mundo virtual não está em nenhum
lugar e ao mesmo tempo está em todos os lugares, é realmente conflitante com a
sua soberba. O homem parece não conviver bem com enigmas e abstrações, é
avesso ao que não compreende, por não admitir que existam coisas além da sua
capacidade de compreensão.

A Internet, com sua estrutura virtual, parece ter sido conivente com a ocorrência
de crimes, pois colocou à disposição de seus usuários massas gigantescas de informação,
bem como recursos computacionais que propiciam sua manipulação. Silveira (2000, p. 85)
afirma que a informação [...] sempre foi elemento determinante do poder, a ser usada em

�11
suas várias manifestações, mas cresce a ojeriza a sistemas centrais de controle. É com base
nisso que Aguiar (1990, p. 119) reflete que o saber, como o capital [...] vive no conflito,
no jogo, no enfrentamento, pois, como o capital, ele significa poder.

5 CONCLUSÃO

A aplicação da Lei de Direito Autoral na Internet vive um verdadeiro conflito
de interesse na Sociedade da Informação. Talvez se possa afirmar que as divergências ainda
vão perdurar por algum tempo, pois o conhecimento  atual insumo básico para o
desenvolvimento  encontra-se na zona de combate, já que significando dinheiro, também
pode ser traduzido como poder, um dos maiores anseios do homem desde sua origem.
Do ponto de vista jurídico, a internet é vista como uma quase vilã, já que o
imenso território virtual representa um entrave para o efetivo Direito Autoral na rede, pois
territorialidade constitui um dos princípios da soberania das nações, dando garantia para
que cada país tenha autonomia plena para a aplicação de suas leis.
Cresce a preocupação com a anarquia presente na Internet e, ao mesmo tempo,
desenvolvem-se movimentos de oposição ao seu controle e vigilância. Essas inquietações
revelam-se, sobretudo, próprias do convívio do homem em sociedade, pois ele tem
necessidade de estabelecer um mínimo de organização para seu convívio, já que isto lhe
oferece segurança para manipular o meio e para se colocar em posições superiores, em
pleno exercício do poder.
Desse modo torna-se importante democratizar o conhecimento, pois este é
instrumento de libertação de povos, que não raro se submetem ao controle de nações mais
ricas, dispostas apenas a manter e agravar a situação de dependência social. Neste contexto
torna-se interessante, portanto, o desenvolvimento de sistemas que reconheçam o direito de
exploração econômica da obra, mas que respeitem também as condições das massas,
através do estabelecimento de valores populares que estejam afinados com a realidade das
mesmas.
É necessário observar que o acesso à Internet ainda é privilégio de uma minoria
que possui condições financeiras superiores, ou seja, os crimes de informática são
cometidos, em grande parte, por indivíduos economicamente preparados para adquirir o

�12
conhecimento de forma lícita  outro conflito , percebendo-se a Internet como facilitadora
de crimes, onde também deveriam ser aplicados esforços para fechar as lacunas
encontradas pelos violadores da propriedade intelectual. Não obstante, Gomes (2006,p. 27)
observa com muita propriedade que:
Na verdade o que está em crise é uma concepção unidimensional da internet que
divisava apenas um instrumento para o progresso e para a democracia.
Aparentemente, também aqui o que pode ser usado para o bem pode igualmente o
ser empregado para o mal. E a nternet, seus aparatos, sistemas e agentes tanto
podem servir à democracia quanto ao seu contrário.

Enquanto perdurarem as divergências entre os vários usuários da Internet, a
aplicação da lei de direitos autorais na rede estará comprometida e suscitará ainda muitas
indagações. Como exemplo destas, tem-se a dificuldade da aplicação do respectivo item
legislativo em casos que envolvam aspectos internacionais, além daqueles provenientes do
rastro deixado pelos usuários da Internet. Mesmo assim, verifica-se que estas indagações
são elementos de constante avaliação e reflexão, pois o conflito é essencial para colocar a
sociedade em situações em que o desenvolvimento é fundamental para solucionar os
problemas surgidos. O conflito é um instrumento que, naturalmente, deve estar presente em
qualquer sociedade disposta a crescer e desenvolver-se continuamente.

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Aspectos da relação entre Direito Autoral e Sociedade da Informação na Internet. Caracteriza a Sociedade da Informação como formada por indivíduos que super valorizam  conhecimento e os recursos tecnológicos, apresentando o crescente desenvolvimento da tecnologia como resultante de necessidades humanas e responsável pelo advento da Era da Informação. Exibe peculiaridades da história da tecnologia da informação e comunicação, dando maior enfoque às origens do computador pessoal, ao surgimento da Internet e à problemática advinda da ampla utilização dos recursos em constante crescimento; ocasionando a dependência tecnológica, o princípio e a multiplicação do crime digital. Narra a evolução do direito autoral no mundo. No Brasil, a noção de direito autoral resulta da instituição de cursos jurídicos, sendo intensificada através das Convenções Internacionais. Particulariza o direito moral e o patrimonial segundo a Lei 9.610/98. Expõe concepções de poder na sociedade, associando-as aos entraves na aplicação da lei de direitos autorais na Internet e ao conflito decorrente desta relação.</text>
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                    <text>CONSCIÊNCIA COLETIVA: A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMBATENDO A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NA
REGIÃO SISALEIRA-BA

Zuleide Paiva da Silva
Universidade do Estado da Bahia-Uneb
Estrada das Barreiras, 2555, Salvador-BA, Brasil
zpaiva@uneb.br
Lucília Maria Lima Vieira
Universidade do Estado da Bahia-Uneb
Estrada das Barreiras, 2555, Salvador-BA, Brasil
lvieira@uneb.br
Resumo
A Universidade do Estado da Bahia, que vem se fortalecendo a nível nacional como uma
universidade socialmente referenciada, depois de implantar, de forma pioneira, as cotas para
os afro-descendentes, amplia agora o seu olhar para as políticas públicas voltadas para a
mulher. Desenvolver e apoiar ações que promovam a equidade de gênero é um
compromisso social da Uneb. Um compromisso também assumido pela biblioteca Professor
José Carlos dos Anjos, a biblioteca do Departamento de Educação, Campus XIV, localizado
em Conceição do Coité-BA. Mostrar a participação desta biblioteca nas ações de combate a
violência contra a mulher na região sisaleira, é o nosso propósito neste trabalho. É nosso
propósito também refletir sobre a necessidade de inclusão e engajamento da biblioteca
universitária nos programas globais da unidade que a abriga.

Palavras-chave: Violência. Mulher. Combate à violência. DEAM

Introdução
Vivemos em uma sociedade marcada por profundas desigualdades sociais, onde o
fenômeno da violência pode ser encontrado a qualquer momento e em qualquer
espaço, seja público ou privado. Como um vírus que contamina as pessoas e produz
cada dia mais vítimas, a violência é produzida e reproduzida de diferentes formas,
sendo a violência contra a mulher uma das suas formas de expressão mais cruéis.

�Historicamente, nas sociedades patriarcais as mulheres têm sido coisificadas,
violentadas,

agredidas,

subjugadas

e

oprimidas.

A

multicausalidade

e

a

complexidade dos processos de produção e reprodução da violência contra a mulher
têm sido reveladas em muitos estudos (SAFFIOTTI; ALMEIDA, 1995). No Brasil, 175
mil mulheres são espancadas por mês, 5.800 por dia, 234 por hora, quatro por
minuto e uma a cada segundo (OLIVEIRA, 2005, p.235).
Esses dramáticos índices de violência contra a mulher e as suas diferentes formas
de manifestação têm se tornado uma grande preocupação para homens e mulheres
comprometidos com a equidade de gênero. O reconhecimento da gravidade do
problema vem fazendo com que, em muitos países, medidas de prevenção e
controle sejam tomadas.
Promover ações de combate à violência contra a mulher e instaurar a incorporação
da problemática das desigualdades de gênero como tema de debate e de políticas
públicas na agendas dos governos é também um compromisso do sistema
universitário, que é um dos principais agentes de transformação social.
A Universidade do Estado da Bahia/UNEB, reconhecendo que é um dever da
universidade apontar para os governantes e para a sociedade em geral a
necessidade de “um novo olhar” para perceber que a desigualdade entre homens e
mulheres se expressa em evidentes e sutis discriminações e em diferentes formas de
violência contra a mulher e, reconhecendo ainda a necessidade de análises e
propostas políticas para o problema da violência contra a mulher, através do seu
Departamento de Educação, Campus XIV, localizado em Conceição do Coité, desde
2004, tem procurado estabelecer um canal de comunicação com o governo municipal
e incentivado a discussão em torno da temática com os demais segmentos da
sociedade civil organizada.
Apoiar o Departamento de Educação, Campus XIV, nesse propósito tem sido um
grande desafio para toda a equipe de trabalho da Biblioteca Professor José Carlos

�dos Anjos, que tem se apresentado como um verdadeiro espaço de diálogo entre a
universidade e a comunidade.
Apresentar as ações que estão sendo desenvolvidas pela biblioteca com o propósito
de: i) contribuir para a erradicação da violência contra mulheres e crianças na região
sisaleira, ii) estimular e contribuir com a produção de estudos relacionados à questão
de gênero; iii) fortalecer o compromisso social do Campus, é nosso objetivo neste
trabalho. É também nosso propósito fazer uma reflexão sobre o papel social do
sistema de bibliotecas da UNEB.
2. A Violência contra a mulher e suas múltiplas faces
A história da humanidade tem nos mostrado que a violência é um fenômeno
encontrado em toda sociedade. O Ministério da Saúde, em sua Política Nacional de
Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violência (BRASIL, 2001, citado por
BRASIL, 2006), caracteriza a violência como um fenômeno de conceituação
complexa, polissêmica e controversa. Estudos, porém, têm revelado que a violência
não faz parte da natureza humana, mas é um produto social, cultural e político.
O conceito de violência é definido pela primeira vez pelo Primeiro Relatório sobre
Violência e Saúde (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, 2002, p.10) como o uso
intencional da força física e do poder, real ou em ameaça contra si próprio, contra
outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade, que resulte ou tenha
possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de
desenvolvimento ou privação de liberdade”.
Segundo o documento intitulado Atenção integral para mulheres e adolescentes em
situação de violência doméstica e sexual: matriz pedagógica para formação de redes
produzido pelo Ministério da Saúde, a violência contra a mulher
[...] é referida de diversas formas desde a década de 50. Designada
como violência intrafamiliar na metade do século XX, vinte anos
depois passa a ser referida como violência contra a mulher. Nos anos
80, é denominada como violência doméstica e, na década de 90, os
estudos passam a tratar essas relações de poder, em que a mulher

�em qualquer faixa etária é submetida e subjugada, como violência de
gênero (BRASIL, 2006, p.9)

A Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a
Mulher1 define a violência contra a mulher como “qualquer ato ou conduta baseada
no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à
mulher, tanto na esfera pública como na esfera privada” (ASSEMBLEIA GERAL DA
ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS, 1994, p. 25).
Considerada como a discriminação que mais afeta a qualidade de vida das mulheres,
a violência gera insegurança e medo, além de sofrimentos físicos, mentais, sexuais,
coerções e outras formas de privação do direito à liberdade.
A atuação dos movimentos feministas em todo o mundo e os diversos tratados
internacionais das Nações Unidas deram visibilidade ao problema da violência de
gênero. O pensamento feminista explica a violência contra a mulher como produto, e,
ao mesmo tempo, um elemento de subordinação da mulher, dependendo dessa
mesma subordinação para a sua perpetuação (PORTELLA,2005).
A violência contra a mulher, portanto, nada mais é que uma expressão da dominação
masculina, que ao mesmo tempo estrutura e perpetua as relações de poder entre
homens e mulheres. Um fenômeno que atinge as mulheres em todas as etapas do
ciclo da vida, desde a infância, adolescência, idade adulta e na velhice.
Partindo desse pressuposto, podemos afirmar que toda mulher está, a princípio,
exposta a situação de violência, mas isso não significa que toda mulher esta exposta
ao mesmo tipo de violência, a mesma intensidade e severidade das agressões.
De acordo com o site Portal da violência2, a violência pode ser classificada nos
seguintes tipos: Violência contra a mulher; Violência de gênero; Violência doméstica;
Violência
1
2

família;

Violência

física;

Violência

Convenção de Belém do Pará, 1994.
http://copodeleite.rits.org.br/apc-aa-patriciagalvao/home/noticias.shtml?x=105

institucional;

Violência

�intrafamiliar/violência doméstica; Violência moral; Violência patrimonial; Violência
psicológica ;Violência sexual
A violência contra a mulher é um problema complexo, o seu combate e erradicação
depende, fundamentalmente, do entendimento de que a violência contra a mulher é
um problema da sociedade e do Estado, e não das mulheres. Assim sendo, é dever
do Estado e da sociedade: a) deslegitimar a violência, torná-la um problema público
de justiça e de cidadania; b) proteger as mulheres vítimas de violência, oferecendolhes apoio direto e construindo suportes institucionais para que elas possam sair da
condição de violência (PORTELLA, 2005).
No Brasil, houve avanços em vários campos nos últimos anos:
•

mudanças na legislação;

•

Produção crescente de estudos sobre violência contra a mulher;

•

criação de delegacias especializadas;

•

serviços de atendimento às vítimas;

•

adoção de políticas públicas específicas .

Mas, a tarefa de enfrentar esse desafio ainda é imensa. É fundamental uma ampla
política nacional de combate à violência contra as mulheres, além de medidas que
contribuam para o empoderamento feminino, assegurando a todas as mulheres o
acesso a seus direitos nas mais variadas dimensões da vida social. Para nós, o
empoderamento, é a condição primordial para se lidar com a violência. O conceito
de empoderamento aqui utilizado é dado pelo movimento feminista e “compreende a
alteração radical dos processos e estruturas que reduzem a posição de subordinação
das mulheres como gênero” (COSTA, s.d). Nesta perspectiva, através da tomada de
decisões coletivas e mudanças individuais, a mulher empoderada tem consciência
das suas habilidades e competências para controlar e gerir sua própria vida.
Ressaltamos que o empoderamento da mulher e o combate à violência contra a
mulher passam, necessariamente, pelo enfrentamento desta cultura machista e
patriarcal. Para Blay (2003), esse enfrentamento exige políticas públicas transversais

�que atuem modificando a discriminação e a incompreensão de que os Direitos das
Mulheres são Direitos Humanos. A autora ressalta que para modificar a cultura de
subordinação de gênero é necessário uma ação conjugada, uma articulação entre os
programas desenvolvidos pela Secretaria Especial de Direito da Mulher, pelo
Ministérios da Justiça, da Saúde, do Planejamento e demais ministérios.
Complementando o pensamento de Blay, acreditamos que o combate à violência
contra a mulher requer uma Consciência coletiva, o que significa o envolvimento e o
compromisso de homens e mulheres, de todos os seguimentos da sociedade. Assim
sendo, a universidade deve estar inserida nessa articulação com as esferas
governamentais

e

não

governamentais

na

produção

e

transmissão

de

conhecimentos que possam resultar em criação/fortalecimento de políticas públicas
que viabilizem a transformação das desigualdades historicamente reproduzidas entre
homens e mulheres.
3.Uneb: uma universidade cidadã: uma história em construção...
A Universidade do Estado da Bahia/UNEB, primeira universidade brasileira a adotar
o sistema de cotas para negros e afrodescendentes, se configura como uma
universidade de ações afirmativas que contribui para a correção das desigualdades
sociais. Adotando o diálogo como princípio de gestão acadêmica, é uma
universidade pública e gratuita, com 24 campi e 29 Departamentos localizados em
diferentes regiões do Estado. Entre as ações afirmativas da UNEB, em parceria com
outras instituições, podemos citar Projeto Rede Uneb 2000, Programa de Formação
para Professores do Estado, Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária,
Gestão Social e Monitoria Social, Pré-Vestibular Social, Universidade para todos,
entre outros.
De acordo com os seus princípios de ação universitária, a UNEB reconhece que a
razão de ser da universidade pública está na razão direta com a função social que
ela desempenha, e que não pode haver universidade pública desconectada da
demandas da realidade histórico social que a circunda. Nesse sentido, busca

�identificar-se e comprometer-se com a construção de saberes que viabilizem
soluções às carências sociais e promovam desenvolvimento, concebido na sua
definição

mais

contemporânea:

multifocal,

multidisciplinar,

participativo,

3

ecologicamente responsável e socialmente referenciado.

Voltada para a interiorização do ensino, da pesquisa e da extensão em todo as
regiões do Estado, a UNEB busca abarcar toda a nossa diversidade regional e
contemplar as questões que emanam da sua feição multicampi e multiregional. Essa
busca da UNEB, que vem se firmando no cenário nacional como uma universidade
cidadã, é germinada na sua missão declarada de
Atuar, dentro das prerrogativas de autonomia da instituição universitária,
no processo de desenvolvimento do Estado da Bahia, através da produção
e socialização do conhecimento voltado para a formação do cidadão e
solução dos grandes problemas gerais, regionais e locais com base nos
princípios da ética, da democracia, da justiça social e da pluralidade
etnocultural (PLANO DE DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL, 2003,
p.15).

Tal escopo, evidentemente, ainda em fase de construção, abre possibilidades para
pensarmos o fazer universitário em consonância com a diversidade e muito
especialmente, observarmos a necessidade de nos abrirmos para o presente, para o
nosso cotidiano de professora(es),bibliotecárias(os), funcionárias(os), alunas(os)
enquanto sujeitos deste processo de construção, que é essencialmente coletivo.
Tomando como base essa missão, o Departamento de Educação-Campus
XIV/UNEB, localizado em Conceição do Coité, tem buscado romper os limites da
comunicação, historicamente estabelecido, entre a universidade e a sociedade, a
partir do diálogo com representações de segmentos sociais, que, tradicionalmente,
têm sido excluídos tanto do acesso quanto dos benefícios do ensino, com homens e
mulheres que lutam cotidianamente pela sobrevivência no e do semi-árido, um
espaço brasileiro pouco conhecido, apesar da sua beleza e potencial.

3

Princípio da ação universitária da UNEB

�Segundo Neiva (2000), o desconhecimento total ou parcial da realidade do Sertão
Nordestino provoca nas elites políticas, militares e intelectuais uma profusão de
sentimentos, visões e incompreensões, a exemplo do medo, da vergonha, do
descaso, da insensibilidade, do espanto, da intolerância e do horror. Para este autor,
a pobreza resultante da má distribuição de renda, as precárias condições sanitárias,
o baixo nível de escolarização e as limitações dos governantes locais tornam esse
espaço o mais problemático do país e, conseqüentemente, o mais privilegiado para
equívocos.
Em Conceição do Coité, cidade onde está localizado o Campus XIV, de acordo com
o levantamento feito em 2003 pela FATRES — Fundação de Apoio aos
Trabalhadores Rurais da Região do Sisal, existem aproximadamente 56.318
habitantes, sendo 28.209 homens e 28.109 mulheres. Esta gente sertaneja é
diferente de toda a gente. O sertanejo, já nos disse Euclides da Cunha, durante suas
andanças pelo sertão nordestino,
é, antes de tudo um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos
mestiços neurastênicos do litoral [...] É desgracioso, desengonçado
torto[...]. É o homem permanentemente fatigado. [...]
Entretanto, toda essa aparência de cansaço ilude.[...] O Homem
transfigura-se. Empertiga-se, estadeando novos relevos, novas linhas
na estatura e no gesto; e a cabeça firma-se lhe, alta, sobre os ombros
possantes, aclarada pelo olhar desassombrado e forte; e corrigem-selhe, prestes, numa descarga nervosa instantânea, todos os efeitos do
relaxamento habitual dos órgãos; e da figura vulgar do tabaréu
canhestro, reponta, inesperadamente, o aspecto dominador de um
titã acobreado e potente, num desdobramento surpreendente de
força e agilidade extraordinárias.
Este contraste impõe-se ao mais leve exame. Revela-se a todo o
momento, em todos os pormenores da vida sertaneja (CUNHA,
1979, p.81, grifo nosso)

O homem sertanejo é, antes de tudo, um lutador. Mas ele não luta sozinho.
Parafraseando o autor acima citado, ao lado do sertanejo, quase invisível, tem uma
mulher que também “conhece os horrores da seca e os combates cruentos com a
terra árida e exsicada”. Assim como o homem, a mulher sertaneja conhece “as cenas
periódicas da devastação e da miséria” e não se apavora com o “quadro

�assombrador da absoluta pobreza do solo calcinado, exaurido pela adustão dos sóis
bravios do Equador”.

Ainda parafraseando o autor, a sertaneja também fez-se

mulher, quase sem ter sido criança. Fez-se forte, esperta e prática (Cunha, 1979, p.
83).
Juntos, homens e mulheres do sertão, comprometidos com equidade social gritam
por reforma agrária, por desenvolvimento sustentável. Gritam pela expansão do
ensino superior na região. Gritam também por ações que promovam a equidade de
gênero e os direitos da mulher. Gritam pela erradicação do vírus da violência contra a
mulher.
O grito pelo combate à violência contra a mulher foi ouvido pelo Departamento de
Educação-Campus XIV, em 2003, quando, a partir do projeto “Ouça Universidade” 4, o
Campus XIV buscou intimidade com o povo sertanejo, e, de forma definitiva,
começou a construir uma nova história com os movimentos sociais da região. A
biblioteca do Campus XIV, que em 2004 recebeu o nome de Biblioteca José Carlos
dos Anjos, faz parte dessa história, é sujeito dela...
4.A Biblioteca Professor José Carlos dos Anjos partejando uma nova história.
A história da Biblioteca Professor José Carlos dos Anjos com os movimentos sociais
da região sisaleira teve início em maio de 2003, quando o programa de rádio do
Campus XIV, o “Ouça Universidade”, que nasceu dentro da biblioteca, produziu uma
edição especial sobre o 8 de Março, Dia internacional da Mulher. Naquela ocasião, a
equipe do programa convidou o Coletivo de Mulheres do Sindicato dos
Trabalhadores Rurais de Conceição do Coité-Ba que, através da sua então
presidente, clamou a parceria da Universidade, e da sociedade em geral, para o
combate à violência contra a mulher e para a luta pela implantação da Delegacia
4

O Projeto “Ouça Universidade”,um programa de radiodifusão sonora que teve a biblioteca do Campus como
principal fonte de informação, foi apresentado e debatido nos seguintes fóruns acadêmicos: CINFORM/2004,
SNBU/2004, CBBD 2005, II e III Feira do Semi-árido/2004 e 2005, Congresso Regional de História Oral/2005,
entre outros.

�Especial de Atendimento à Mulher- DEAM na região, uma luta que tem se mostrado
infindável/permanente, como a luta pela própria sobrevivência do e no sertão.
As delegacias da mulher são órgãos especializados da Polícia Civil, criados na
década de 80 como política pública para combater a violência contra as mulheres
dando um atendimento mais adequado às mulheres em situação de violência
doméstica e aquelas vítimas de violência sexual. A primeira Delegacia da Mulher foi
criada na cidade de São Paulo, em 1985. Ao longo dos anos 80-90, elas foram sendo
instaladas em todas as grandes cidades brasileiras, totalizando hoje 340 Delegacias
Especializadas de Atendimento às Mulheres (DEAM), uma quantidade irrisória,
quando se constata que existem no Brasil 5550 municípois5.
A criação das Delegacias de Proteção à Mulher em todo o país é o resultado do
trabalho político feito pelo movimento feminista que publicizou a violência contra a
mulher, questionando e denunciando os crimes cometidos em “defesa da honra”,
evidenciando assim, as desigualdades dos lugares ocupados por homens e mulheres
(AQUINO, 2003).
Cientes

da

necessidade

de

potencializar

a

mobilização

dos

segmentos

comprometidos com o enfrentamento da violência contra mulheres, crianças e
adolescentes, no dia 8 de Maio de 2003, o Campus XIV e sua a biblioteca,
juntamente com outros setores da sociedade, foram às ruas de Conceição do CoitéBa, em passeata organizada pelo Coletivo de Mulheres, denunciando arbitrariedades
e mostrando a necessidade de uma articulação da sociedade para assegurar a
implantação da legislação que garante a criação de uma DEAM, em municípios com
mais de 50.000 habitantes.
Ainda em 2003, objetivando promover uma reflexão sobre a condição da mulher no
campo, a biblioteca do Campus XIV organizou, em parceria com o NUPE- Núcleo de
Pesquisa e Extensão do
5

Revista Veja, n.10, 15 março, 2006.

Campus, a Mesa-Redonda O papel da mulher na

�agricultura familiar, que, teve como palestrantes representantes do NEIM/UFBANúcleo de Estudos Interdisciplinares da Mulher e do Coletivo de Mulheres.
Depois de todo o “barulho” feito/provocado pelos movimentos sociais e pelo Campus
XIV, a delegacia local passou a registrar os casos de violência contra a mulher em
livro específico6 e as notificações ao agressor deixaram de ser entregues pela própria
vítima, ficando a encargo de um agente de polícia7, como determina a lei. Sem
dúvidas, a formalização da denúncia foi uma conquista importante. Foi o “primeiro
passo”, acreditaram todas(os), para a institucionalização da Delegacia desejada.
Porém, em 2004, a Delegacia de Conceição de Coité-Ba retroagiu. Voltou às velhas
práticas: registro das ocorrências de violência contra à mulher diluído/perdido em
meio às demais ocorrências;

a mulher agredida responsável pela entrega a

intimação ao seu agressor.
Diante do retrocesso, e do total descaso dos governantes municipais e estaduais,
juntos, universidade/biblioteca e movimentos sociais, gritaram nas ruas, nas praças e
na Câmara Municipal a necessidade do enfrentamento das desigualdades de gênero
e da garantia da atenção integrada e humanizada da mulher em situação de
violência, por intermédio da implantação de uma DEAM na cidade de Conceição do
Coité-Ba.
Em 2005, a Comissão Organizadora do 15º Congresso dos Estudantes da UNEB,
reconhecendo a participação da biblioteca na campanha pela implantação da DEAM
na região, incluiu essa discussão na programação do evento e convidou a equipe da
biblioteca para realizar uma oficina sobre violência contra a mulher . Essa oficina foi
realizada em parceria com o Coletivo de Mulheres e teve como produto um abaixo
assinado de apoio ao movimento pela implantação da DEAM, com aproximadamente
600 assinaturas dos congressistas.
6

O registro de todas as ocorrências em um único livro dificulta o levantamento dos dados e a estatística da
violência contra a mulher.
7
A Delegacia de Conceição do Coité alegava falta de recursos humano e material. Por isso “solicita”, mas não
“exige”que a mulher vítima de violência entregue a intimação ao seu agressor.

�No inicio de 2006, a Biblioteca Professor José Carlos dos Anjos, com apoio da
Direção do Campus XIV e da Administração Central da UNEB, buscou parceria com
o Núcleo de Estudos de Gênero e Sexualidade Diadorim-UNEB, Núcleo de Estudos
Interdisciplinares da Mulher – NEIM/UFBA e com o Coletivo de Mulheres do
Sindicato de Trabalhadores Rurais para desenvolver o projeto de Extensão
Consciência Coletiva: homens e mulheres combatendo a violência contra a mulher
na região sisaleira. Um projeto que envolve todos os servidores(as) da biblioteca com
o propósito de:
•

Oportunizar a desenvolvimento da consciência de gênero e suas implicações
na prática social e educativa na consolidação da formação crítica-reflexiva de
educadores(as);

•

sensibilizar, conscientizar e mobilizar a comunidade acadêmica e a sociedade
em geral para a o combate à violência contra a mulher na região sisaleira;

•

promover a reflexão sobre a violência contra a mulher, a partir de uma visão
integral;

•

subsidiar estratégias mais amplas de ação, envolvendo outros setores e
entidades, buscando intervenções mais eficazes nas políticas públicas para a
implantação da Delegacia de Atendimento Especial à Mulher em Conceição
do Coité-Ba.

As ações de sensibilização e formação de consciência de gênero vem sendo
desenvolvidas nos bairros e escolas de Conceição do Coité-Ba na zona rural do
Município e no Campus XIV , envolvendo alunos e professores, a comunidade, as
lideranças comunitárias e autoridades do município/região.
Ações propostas no projeto;
•

Oficina: “Homens e Mulheres combatendo a Violência Contra a Mulher na
Região Sisaleira”;

•

Murais sobre a violência;

•

Dia de Conscientização sobre a violência contra a mulher nas escolas
municipais;

�•

Vinheta e programa de radiodifusão sonora;

•

Seminário e Mesa-redonda;

•

Apresentação de filme seguido de debate;

•

Varal de poesia;

•

Formação de acervo especializado na temática de gênero;

•

Circulo de leitura.

Temas a serem desenvolvidos e debatidos durante as atividades:
•

Sexualidade, Educação e Violência contra a Mulher

•

Saúde reprodutiva e Violência contra a mulher

•

Estímulo e acesso à leitura como instrumento de empoderamento da mulher.

As ações e os temas poderão ser modificados durante a execução do projeto,
sempre com o propósito de oportunizar o desenvolvimento da consciência de gênero
e suas múltiplas implicações na prática social e educativa na consolidação da
formação crítica-reflexiva de educadores.

5.Considerações finais
O Projeto “Consciência Coletiva: homens e mulheres combatendo a violência contra
a mulher na região sisaleira” ressalta a responsabilidade social e o comprometimento
dos(as) servidores(as) da Biblioteca Professor José Carlos dos Anjos.
As ações desenvolvidas por essa biblioteca nos mostram como este espaço do saber
pode estar integrado aos projetos e programas da universidade, sem, contudo,
negligenciar as suas funções tradicionais, mas incorporar elementos que valorizam
seus funcionários e dão visibilidade á biblioteca, tornando-a de fato um “organismo
em crescimento”. Cabe salientar que essas ações têm sido um exemplo isolado de

�integração da biblioteca universitária com os projetos da unidade que a abriga, no
âmbito das bibliotecas da UNEB.
Porém, a Administração Central da Universidade, reconhecendo a importância da
biblioteca universitária como instrumento de apoio institucional e reconhecendo ainda
o poder transformador e o compromisso social da biblioteca, tem promovido uma
reflexão sobre o papel da biblioteca universitária em um sistema multicampi. A partir
dessa reflexão, foi criada a Comissão de Reestruturação do Sistema de Bibliotecas,
composta por bibliotecários e professores, que tem como objetivo o planejamento, a
coordenação e acompanhamento do processo de modernização do Sistema de
Bibliotecas da Uneb, formado por 23 bibliotecas setoriais, localizadas em diferentes
Municípios do Estado e 1 Biblioteca Central, localizada em Salvador, onde funciona a
Administração Central da Universidade. Promover o funcionamento sistêmico e a
inserção de cada biblioteca nos planos e na missão institucional, é o grande desafio
da Comissão.
6. Referencias
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movimento feminista e o Estado na criação da Delegacia de Proteção à Mulher em Salvador.
In: COSTA, Ana Alice Alcântra; SARDENBERG, Cecília Maria Bacellar (Orgs.) Feminismo e
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Interamericana para prevenir, punir, e erradicar a violência contra a mulher: convenção de
Belém do Pará, 1994. Adotada pela Assembléia Geral da Organização dos Estados
Americanos em 6 de junho de 1994 e ratificada pelo Brasil em 27 de novembro de 1995.
[s.l.:s.n], 1994.
BLAY, Eva Alterman. Violência contra a mulher e políticas públicas. Estud. av., Sept./Dec.
2003, vol.17, no.49, p.87-98..
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Acidentes e Violências. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2001.
BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção integral para mulheres e adolescentes em situação
de violência doméstica e sexual: matriz pedagógica para formação de redes. Brasília: Editora
do Ministério da Saúde, 2006.

�COSTA, Ana Alice Alcantra. Gênero, poder e empoderamento das mulheres. Disponível
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UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA. Plano de Desenvolvimento Institucional 20022006. Salvador:Universidade do Estado da Bahia, 2003.

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Coverage</name>
              <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                  <text>Salvador (Bahia)</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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              <elementText elementTextId="56121">
                <text>Consciência coletiva: a biblioteca universitária combatendo a violência contra a mulher na Região Saleira-BA.</text>
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                <text>Silva, Zuleide Paiva da; Vieira, Lucília Maria Lima</text>
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            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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              <elementText elementTextId="56123">
                <text>Salvador (Bahia)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
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          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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                <text>UFBA</text>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>2006</text>
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            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
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            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="56128">
                <text>A Universidade do Estado da Bahia, que vem se fortalecendo a nível nacional como uma universidade socialmente referenciada, depois de implantar, de forma pioneira, as cotas para os afro-descendentes, amplia agora o seu olhar para as políticas públicas voltadas para a mulher. Desenvolver e apoiar ações que promovam a equidade de gênero é um compromisso social da Uneb. Um compromisso também assumido pela biblioteca Professor José Carlos dos Anjos, a biblioteca do Departamento de Educação, Campus XIV, localizado em Conceição do Coité-BA. Mostrar a participação desta biblioteca nas ações de combate a violência contra a mulher na região sisaleira, é o nosso propósito neste trabalho. É nosso propósito também refletir sobre a necessidade de inclusão e engajamento da biblioteca universitária nos programas globais da unidade que a abriga.</text>
              </elementText>
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            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
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                <text>pt</text>
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                    <text>CONTRIBUIÇÃO DO SIBI/USP PARA A FORMAÇÃO E MANUTENÇÃO DE
REPOSITÓRIOS INSTITUCIONAIS

Adriana Cybele Ferrari – aferrari@usp.br
Márcia Elísa Garcia de Grandi – megrandi@usp.br
Universidade de São Paulo
Sistema Integrado de Bibliotecas
Av. Prof. Luciano Gualberto, Trav. J, n. 374 – 1º andar - Cidade Universitária São Paulo – SP – Brasil – 05508-010
Resumo
O Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo vem
implementando várias ações visando o desenvolvimento de repositórios
institucionais. As Bibliotecas do SIBi/USP constituem órgão depositário da
produção científica, técnica e intelectual gerada na Universidade, de forma a
promover e assegurar o controle bibliográfico e facilitar o acesso à informação.
Assim, realizam a coleta, armazenagem e registro técnico das informações no
Banco de Dados Bibliográficos da USP – Dedalus, garantindo a manutenção das
Bases Produção e Teses. Em 2001, foi inaugurada a Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações da USP, implementada por uma Comissão que contou com a
participação do SIBi e da Comissão Central de Informática. Desde 2003 vêm
sendo incluídos os links para o documento digital da produção intelectual
cadastrada no Dedalus. Em 2004, desenvolveu-se um projeto com o objetivo de
promover o armazenamento digital dos documentos da produção intelectual
gerada na USP, respeitada a legislação vigente sobre direitos autorais. As
iniciativas em andamento estão inseridas dentro da estratégia sistêmica de
compromisso com a inovação e em alinhamento com as políticas da Universidade
voltadas para a promoção da inserção social, por meio da democratização da
informação, facilitada pela implementação e manutenção de repositórios
institucionais.
Palavras-chave: Repositórios institucionais. Produção científica. Bibliotecas
digitais

�1 Introdução
O desenvolvimento das tecnologias de informação exerceu um impacto decisivo
sobre os sistemas de divulgação da comunicação científica, ampliando a
possibilidade de publicação em formato eletrônico e, conseqüentemente,
propiciando o acesso imediato ao conhecimento gerado pela comunidade de
pesquisadores e especialistas em todas as áreas e nacionalidades.

Na segunda metade da década de 90 começou a despontar o conceito e
desenvolvimento de repositórios institucionais, com o objetivo de reunir, preservar
e disseminar os resultados e trabalhos de pesquisas dos membros das
respectivas comunidades.

Tratando-se as universidades de pólos produtores e irradiadores de informação e
conhecimento, passaram a assumir posição preponderante na adoção do novo
conceito e implementação de ações efetivas para operacionalização de seus
repositórios, com a participação freqüente das bibliotecas ligadas a essas
instituições.

O Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo (SIBi/USP), em
consonância com as diretrizes estratégicas organizacionais, tem envidado
esforços contínuos no sentido de contribuir para a formação e crescimento dos
repositórios institucionais da produção cientifica gerada pela comunidade local.

2 Conceito e evolução de repositórios institucionais
Lynch (2003) define repositório institucional de uma universidade como um
conjunto de serviços que a universidade oferece aos seus membros com o
objetivo de administrar, preservar, organizar, disseminar e distribuir o material em
formato digital gerado pela instituição.

Santos, Teixeira e Pinto (2005) destacam o papel dos repositórios institucionais
na preservação digital de documentos, antes disponíveis apenas em papel, e a
possibilidade de permitir que estejam acessíveis a todos os interessados.

�De acordo com Dávila et al. (2006), os elementos importantes de um repositório
institucional são os conteúdos, qualidade, atualização contínua, segurança,
facilidade de acesso aos conteúdos e amplitude de difusão.

Weitzel e Ferreira (2005), mencionam a importância do movimento “Iniciativa dos
Arquivos Abertos”, surgido em 1999, que reuniu pesquisadores europeus e norteamericanos, com o objetivo de propor um novo modelo de comunicação científica.
O modelo previa a implementação de um sistema de publicação na web,
resultando em mudanças radicais do sistema de divulgação do conhecimento
científico.

Os últimos anos presenciaram o crescimento do número de iniciativas voltadas
para a implementação de repositórios institucionais, notadamente na área
acadêmica. Pesquisa recente, relatada por Westrienen e Lynch (2006), reuniu
informações sobre repositórios institucionais de treze paises: Austrália, Canadá,
Estados Unidos, Bélgica, França, Reino Unido, Dinamarca, Noruega, Suécia,
Finlândia, Alemanha, Itália e Holanda. Os resultados indicam uma variação
significativa no número absoluto e proporcional de repositórios por país, assim
como no número de objetos ou registros incluídos. Quanto aos tipos de
documentos,

foram

identificados

artigos,

teses,

livros,

dados

primários,

audiovisuais e materiais de cursos, nas áreas de Humanidades, Ciências Sociais,
Ciências da Vida, Ciências Naturais, Engenharia e Artes Dramáticas. Verificou-se,
também, variação considerável no tipo de software utilizado.

Dávila et al (2006) apresentam o projeto desenvolvido na Universidad de Los
Andes (ULA), em Mérida, Venezuela, tendo como objetivos preservar e difundir a
produção intelectual dos pesquisadores, unidades de pesquisa, programas de
pós-graduação e publicações periódicas publicadas pela instituição. Experiência
similar na Universidade de Aveiro, Portugal, é relatada por Santos, Teixeira e
Pinto (2005).

Destaca-se o trabalho desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Informação em
Ciência e Tecnologia, que vem conduzindo estudos no sentido de implementar

�repositórios em unidades de pesquisa do Ministério de Ciência e Tecnologia
(VIANA; MÁRDERO ARELLANO; SHINTAKU, 2005). Pode-se mencionar,
também, A Biblioteca Digital Jurídica, do Superior Tribunal de Justiça, que é o
primeiro repositório brasileiro não acadêmico (http://bdjur.stj.gov.br/dspace/) e a
Arena Científica (http://arena.portcom.intercom.org.br), repositório de e-prints na
área de Ciências da Comunicação (WEITZEL E FERREIRA, 2005).

Embora seja incontestável o crescimento do número de repositórios institucionais
em operação, ainda persistem focos de resistência entre os produtores de
conteúdo em relação à veiculação irrestrita de suas publicações. Segundo Weitzel
e Ferreira (2005), os questionamentos da comunidade científica concentram-se
na qualidade, segurança, direitos autorais e preservação das informações
veiculadas na Internet.

Foster e Gibbons (2005) relatam projeto de pesquisa visando identificação das
práticas de trabalho de docentes da University of Rochester de forma a verificar
como um repositório institucional poderia contribuir para o desenvolvimento pleno
de suas atividades. Os resultados subsidiaram a adoção de duas estratégias
simultâneas. A primeira consistiu na abordagem direta, com base nas
expectativas e necessidades reais dos pesquisadores, a segunda diz respeito à
implementação de melhorias no espaço e recursos de captação de conteúdos de
forma a permitir que a facilitar a submissão de itens pelos próprios interessados,
dando maior interatividade ao processo.

Dávila et al. (2006) ressaltam a necessidade de identificação de pesquisadores
que reúnam condições e predisposição para adotar práticas de tecnologias da
informação e incorporar as “e-atividades” no trabalho de rotina. Para gerar a
motivação entre a comunidade produtora de conteúdos, revela-se indispensável
criar incentivos em duas vertentes: medidas oficiais, tais como disposições e
portarias e ações dirigidas diretamente aos indivíduos e unidades de pesquisa
das comunidades científicas.

�3 Iniciativas do SIBi/USP
Desde 1985, as Bibliotecas do SIBi/USP constituem órgão depositário da
produção técnico-científica e intelectual institucional, função reiterada com a
publicação da Resolução n. 4221 (http://www.usp.br/sibi/ ), de 17 de novembro de
1995, que atualizou diretrizes e procedimentos para promoção, controle
bibliográfico e disseminação da produção intelectual gerada nas unidades da USP
e pelos Programas Conjuntos de Pós-Graduação.

Para cumprimento da Resolução, as Bibliotecas desenvolveram mecanismos de
coleta,

armazenamento,

preservação,

processamento

e

divulgação

das

publicações editadas pelas suas respectivas comunidades, como atestam os
relatos de Di Francisco, Tognetti, Martins (2000) e Grandi et al (2004).

Algumas Bibliotecas desenvolveram catálogos e/ou bases locais para o
armazenamento dos registros bibliográficos referentes às publicações em
questão, mas o controle global da produção gerada na Universidade é viabilizado
pelo banco de dados bibliográficos da Universidade – DEDALUS, no qual estão
previstos dois módulos específicos para processamento e divulgação do material:
Teses e Produção.

Além das teses e dissertações defendidas na USP, o DEDALUS permite o
cadastramento

das

diversas

modalidades

de

publicações

comunidade científica, algumas já categorizadas na tabela a seguir:

geradas

pela

�Tabela 1 - Tipos de documentos para a Base 04 (DEDALUS) – Produção
Apresentação Sonora / Cênica /

•

Monografia / Livro

Entrevista

•

Monografia / Livro - Ed/Org

•

Artigo de Jornal

•

Monografia / Livro - Revisão Técnica

•

Artigo de Jornal - Dep/Entr

•

Monografia / Livro - Tradução

•

Artigo de Jornal - Resenha

•

Parte de Material Didático

•

Artigo de Jornal - Tradução

•

Parte de Monografia / Livro

•

Artigo de Periódico

•

Parte de Monografia / Livro - Tradução

•

Artigo de Periódico - Apres / Intr

•

Parte de Monografia / Livro / Apres /

•

Artigo de Periódico - Carta / Editorial

•

Artigo de Periódico - Dep/Entr

•

Artigo de Periódico - Divulgação

•

Artigo de Periódico - Resenha

•

Artigo de Periódico - Tradução

•

Bibliografia

•

Curadoria

•

Editor de Periódico

•

Folheto

•

Laudo / Parecer Técnico

•

Maquete / Protótipo

•

Material Cartográfico (Mapa, Carta,

•

•

Pref / Porf
•

Parte de Produção Artística

•

Patente

•

Produção Art e ou Mat Audio-Visuais

•

Programa de Computador

•

Relatório Técnico

•

Revisão de Tradução

•

Texto na Web

•

Trabalho de Evento

•

Trabalho de Evento - Anais Periódico

•

Trabalho de Evento - Resumo

•

Trabalho de Evento - Resumo Periódico

Globo, etc.)

•

Website

Material Didático

•

Outros

Desde 2003, os registros referenciais do DEDALUS vêm sendo enriquecidos
pelos links que podem ser incluídos para o documento digital da produção
científica cadastrada, permitindo ao usuário o acesso imediato ao documento de
interesse. Está, também disponível a possibilidade de inserção do link para o
Currículo Lattes do pesquisador, como demonstrado no registro a seguir.

�Base

04

Autor

Zatz, Mayana

Título
Imprenta
Descr Fís
Assunto
Assunto

Sob fogo cerrado
Brasília, 2005
p. 46-53
CÉLULAS CLONAIS
GENÉTICA MÉDICA

In:
Tipo Mat
Unid
Documento

Desafios do Desenvolvimento, v. 2, n. 8, p. 46-53, 2005
ARTIGO DE PERIODICO-DIVULGACAO
IB - INST BIOCIENCIAS
"Clicar" sobre o botão para acesso ao texto completo

Cur.Lattes

"Clicar" sobre o botão para acesso ao Currículo Lattes de Mayana Zatz

Figura 1. Registro de produção cadastrado no DEDALUS
O controle da produção bibliográfica pelas Bibliotecas do SIBi/USP constitui um
processo de extrema relevância, pois permite a veiculação do conhecimento
gerado na instituição a toda comunidade científica nacional e internacional. A
dimensão da produção pode ser atestada na tabela a seguir, que apresenta
dados estatísticos sobre os módulos Teses e Produção, no período de 2002 a
2005.

4 0 .0 0 0
3 3 .7 6 6

3 5 .0 0 0
3 0 .7 0 8

3 1 .7 7 6

3 0 .9 9 2

3 0 .0 0 0
2 5 .0 0 0
Teses
P ro d u ç ã o

2 0 .0 0 0
1 5 .0 0 0
1 0 .0 0 0
5 .1 7 8

6 .1 7 7

4 .9 7 5

5 .4 6 6

5 .0 0 0
2002

2003

2004

2005

Gráfico 1. Cadastramento no DEDALUS: Módulos Teses e Produção

�A média anual de cadastramento de teses/dissertações é de 5.449 registros,
enquanto que no módulo Produção há o crescimento médio de 31.810 registros
por ano. O total acumulado até o final de 2005 é de 79.090 itens para teses e
dissertações e 419.473 itens para os itens referentes a produção científica e
intelectual da Universidade. (UNIVERSIDADE, 2006)

3.1 Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade de São Paulo
A USP implementou, em 2001, a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações
(BDTD), com o objetivo de facilitar o acesso remoto ao conteúdo dos resultados
dos programas de pós-graduação da instituição, nas áreas de ciências humanas,
ciências exatas e ciências biológicas. Adotou-se o formato PDF para os arquivos
e as plataformas da Networked Digital Library of Theses and Dissertations
(NTLDT). O projeto foi conduzido por uma Comissão formada pelo presidente da
Comissão Central de Informática, pelo Diretor Técnico do SIBi, por um docente e
um analista de sistema (MASIERO, 2001).

Em 2002, ocorreu a inclusão de metadados da Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações da USP (http://www.teses.usp.br/), por meio de processo de
harvesting, na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações do Brasil, mantida pelo
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), do Ministério
da Ciência e Tecnologia. Em 2003, os metadados da BDTD foram incorporados
ao Catálogo da NTLDT, utilizando o mesmo processo.

Inicialmente, a Biblioteca inseria apenas conteúdos digitais das teses de
doutorado e dissertações de mestrado, mas a partir de 2005 passou a contar com
o módulo de teses de livre docência. O crescimento da BDTD pode ser
visualizado no quadro abaixo que apresenta os principais indicadores do site:

�Tabela 2 – Estatísticas da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da
Universidade de São Paulo*

Indicador

Total

Total de dissertações cadastradas

2.923

Total de teses de doutorado cadastradas

1.657

Total de teses de livre docência cadastradas
Número de visitas (Julho /05-Junho/06)
Número de hits (Julho /05-Junho/06)

19
3.115.852
19.097.289

* Dados disponíveis na página em 30 de Julho de 2006.

3.2 Projeto Memória
Em 2004, desenvolveu-se um projeto sistêmico com o objetivo de promover o
armazenamento digital dos documentos da produção intelectual gerada na USP,
com vistas à preservação e acesso, respeitada a legislação vigente sobre direitos
autorais. O projeto foi levado a cabo por uma equipe de profissionais do
SIBi/USP, que estabeleceu como escopo a criação de procedimentos e padrões
para digitalização de documentos, instalação de mecanismos de acesso e a
digitalização propriamente dita.

O projeto encontra-se em fase experimental,

diante da necessidade de definição de critérios para inserção de documentos,
tendo em vista os aspectos legais envolvidos no processo, bem como a aquisição
de equipamentos e softwares necessários.

4 Considerações finais
Segundo Viana, Márdero Avellano e Shintaku (2005), um repositório institucional
deve apresentar, obrigatoriamente, políticas de depósito e acesso e inserção de
toda produção das respectivas organizações, o que limita a aplicação do conceito
às iniciativas brasileiras relatadas no artigo em questão. A observação pode ser
estendida em relação às ações e projetos em andamento no SIBi/USP, mas,
citando os mesmos autores, verifica-se que há o interesse crescente de viabilizar
a captura e acesso da produção científica e intelectual da instituição.

�Entretanto, como pode ser observado em outros processos de inovação na área
de tecnologia da informação, o desenvolvimento de repositórios institucionais
representa um desafio para toda a comunidade científica, uma vez que traz em
seu bojo a necessidade de rompimento com esquemas tradicionais vigentes de
geração, publicação e divulgação do conhecimento científico.

Analisando-se o quadro atual, pode-se vislumbrar alguns pontos que demandam
atenção e ações a curto e médio prazos:
•

Necessidade

de

definição

de

critérios

para

inserção

de

conteúdos

institucionais;
•

Campanhas de esclarecimento e incentivo junto à comunidade de docentes e
pesquisadores no sentido de participarem e contribuírem com a construção de
novos repositórios institucionais e ampliação das iniciativas existentes, tais
como a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações;

•

Maior integração entre todas as partes interessadas no desenvolvimento dos
repositórios institucionais, a saber: produtores de conteúdos, gestores,
bibliotecários, profissionais de informática e demais grupos.

De qualquer forma, as iniciativas em andamento, aqui descritas, estão inseridas
dentro da estratégia sistêmica de compromisso com a inovação e em alinhamento
com as políticas da Universidade voltadas para a promoção da inserção social,
por meio da democratização da informação, que pode ser facilitada pela
implementação e manutenção de repositórios institucionais.

Referências
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www.saber.ula.ve: um ejemplo de repositorio institucional
universitario. Interciencia, v. 31, n. 1, p. 29-36, jan. 2006.
DI FRANCISCO, M. H.; TOGNETTI, M. A. R.; MARTINS, C. M. D. Tratamento da
produção científica do IFSC. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS, 11., Florianópolis, 2000. Anais. Florianópolis, 2000.
(Publicado em CD-ROM).
FOSTER, N. F.; GIBBONS, S. Understanding faculty to improve content
recruitment for institutional repositories. D-Lib Magazine, v. 11, n. 1, jan. 2005.

�Disponível em: &lt;http://www.dlib.org/dlib/january05/foster/01foster.html &gt;. Acesso
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GRANDI, M. E. G. et al. Organização e divulgação da produção científica dos
docentes e pesquisadores da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
da Universidade de São Paulo. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLITOECAS
UNIVERSITÁRIAS, 13./SIMPÓSIO DE DIRETORES DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS DA AMÉRICA LATINA E DO CARIBE, 3., Natal, 2004. Anais.
Natal: UFRN/BCZM, 2004. (Publicado em CD-ROM).
LYNCH, C. A. Institutional repositories: essential infrastructure for scholarship in
the digital age. Portal: Libraries and the Academy, v. 3, n. 2, p. 327-336, 2003.
MASIERO, P. C. A Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade de
São Paulo. Ciência da Informação, v. 30, n. 3, p. 34-41, set./dez. 2001.
SANTOS, J.; TEIXEIRA, C.; PINTO, J. S. eABC: um repositório institucional
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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Sistema Integrado de Bibliotecas.
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Dados estatísticos do Sistema Integrado de
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VIANA, C. L. M.; MÁRDERO ARELLANO, M. A.; SHINTAKU, M. Repositórios
institucionais em ciência e tecnologia: uma experiência de customização do
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Disponível
em:
&lt;http://bibliotecascruesp.usp.br/3sibd/docs/viana358.pdf &gt;. Acesso em: 20 Jul. 2006.
WEITZEL, S. R.; FERREIRA, S. M. S. P. Arena Científica: um repositório da área
das ciências da comunicação promovendo o acesso livre e o desenvolvimento
científico. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE BIBLIOTECAS DIGITAIS, 3.,
São Paulo, 2005. Anais. São Paulo, 2005. Disponível em: &lt;http://bibliotecascruesp.usp.br/3sibd/docs/weitzel.pdf &gt;. Acesso em 20 Jul. 2006.

WESTRIENEN, G.; LYNCH, C.A. Academic institutional repositories: deployment
status in 13 nations as of Mid 2005. D-Lib Magazine, v. 11, n. 9, Sept. 2005.
Disponível
em:
&lt;http://www.dlib.org/dlib/september05/westrienen/09westrienen.html &gt;. Acesso
em: 20 Jul. 2006.

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Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo vem implementando várias ações visando o desenvolvimento de repositórios institucionais. As Bibliotecas do SIBi/USP constituem órgão depositário da produção científica, técnica e intelectual gerada na Universidade, de forma a promover e assegurar o controle bibliográfico e facilitar o acesso à informação. Assim, realizam a coleta, armazenagem e registro técnico das informações no Banco de Dados Bibliográficos da USP – Dedalus, garantindo a manutenção das Bases Produção e Teses. Em 2001, foi inaugurada a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP, implementada por uma Comissão que contou com a participação do SIBi e da Comissão Central de Informática. Desde 2003 vêm sendo incluídos os links para o documento digital da produção intelectual cadastrada no Dedalus. Em 2004, desenvolveu-se um projeto com o objetivo de promover o armazenamento digital dos documentos da produção intelectual gerada na USP, respeitada a legislação vigente sobre direitos autorais. As iniciativas em andamento estão inseridas dentro da estratégia sistêmica de compromisso com a inovação e em alinhamento com as políticas da Universidade voltadas para a promoção da inserção social, por meio da democratização da informação, facilitada pela implementação e manutenção de repositórios institucionais.</text>
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                    <text>CONTROLE BIBLIOGRÁFICO UNIVERSAL:
DA PASSAGEM HISTÓRICA AO ADVENTO ELETRÔNICO/DIGITAL DAS
PUBLICAÇÕES NA ÁREA DE HUMANIDADES1
Gildenir Carolino Santos
Bibliotecário-Diretor da Biblioteca Prof. Joel
Martins da Faculdade de
Educação/UNICAMP
Doutorando em Educação
Brasil – gilbfe@unicamp.br
Regina Maria de Souza
Professora Doutora do Departamento de
Psicologia Educacional da Faculdade de
Educação/UNICAMP
Brasil – resouza@unicamp.br
Rosemary Passos
Bibliotecário-Diretor da Biblioteca Prof. Joel
Martins da Faculdade de
Educação/UNICAMP
Mestre em Ciência da Informação
Brasil – bibrose@unicamp.br

Resumo

O controle bibliográfico de um país ocorre através do controle bibliográfico universal, que
funciona como um catalisador de informações. Esse controle bibliográfico, não é novo e
tem estado sempre presente, desde a Antigüidade, no trabalho de indivíduos que buscam
o conhecimento. Historicamente, com o desenvolvimento da produção bibliográfica,
principalmente após o advento da globalização, e estabelecimento da sociedade do
conhecimento, chega-se ao consenso de que guardar informação ou armazená-la em
acervos não é fator determinante de poder algum, visto que a disseminação é o grande
elo para a prosperidade e divulgação das produções científicas. Atualmente, com a
incorporação acelerada da Internet no mundo altamente globalizado, o destaque fica a
cargo da explosão das publicações eletrônicas/digitais que crescem a cada dia e chegam
a “sufocar” editores e livreiros paralelamente com produções impressas. O devido
cadastro das obras no ISBN e o envio das obras para as agências do controle
bibliográfico universal seriam a fórmula exata para um controle acessível das produções.
Dentre as áreas do conhecimento, a área de Humanidades, aparece como disseminadora
nata de publicações, tais como os livros, e em conseqüência as demais áreas alternamse para o uso demasiado das produções eletrônica/digitais no suporte de publicações
periódicas. No presente artigo é apresentado um diagnóstico que além de estabelecer
critérios que viabilizem o sucesso de publicações eletrônicas na área de Humanidades,
focando especificamente a área de Educação, faz uma avaliação do contexto destas
publicações, avaliando critérios de qualidade e quantidade de material disponibilizado.
Palavras-chave: Controle bibliográfico universal; Publicações eletrônicas; Publicações
digitais; Educação-Publicações.

1

Este trabalho teve apoio da AFPU – Agência de Formação Profissional da UNICAMP.

1

�1 INTRODUÇÃO

O controle bibliográfico de um país ocorre através do controle bibliográfico
universal, que funciona como um catalisador de informações. Esse controle
bibliográfico, não é novo e tem estado sempre presente, desde a Antigüidade, no
trabalho de indivíduos que buscam o conhecimento.
Historicamente, com o desenvolvimento da produção bibliográfica,
principalmente após o advento da globalização, e estabelecimento da sociedade
do conhecimento, chega-se ao consenso de que guardar informação ou
armazená-la em acervos não é fator determinante de poder algum, visto que a
disseminação é o grande elo para a prosperidade e divulgação das produções
científicas.
Assim, relataremos neste artigo o processo editorial e a importância do
ISBN resumidamente como se sucede na área das Humanidades, bem como os
procedimentos de avaliação da área de Educação, que contextualiza-se cada vez
mais com a expansão bibliográfica das produções acadêmicas nos órgãos de
fomento, como a Capes e a experiência das Humanidades na UNICAMP.
2 CONTROLE BIBLIOGRÁFICO UNIVERSAL (CBU)
Para que um país possa controlar a sua produção bibliográfica é
necessário que tenha um mecanismo de registro e organização de informações
que lhe permita o cadastramento e arquivo destes documentos. Segundo
Campello e Magalhães (1997, p.1) “o ideal do controle bibliográfico universal não
é novo e tem estado sempre presente, desde a Antigüidade, no trabalho de
indivíduos que buscavam o conhecimento.”

Até Gutenberg inventar a imprensa, período em que a produção de livros
era limitada, o Controle Bibliográfico é visto como uma atividade relativamente
simples, uma vez que as bibliotecas guardavam em seus acervos coleções
praticamente completas, como foi o caso da famosa biblioteca de Alexandria
(CAMPELLO ; MAGALHÃES , 1997; MACHADO, 2003).

2

�A partir desse momento histórico, com o aumento da produção de livros,
surgiram

as

bibliografias,

instrumentos

bibliográficos

independentes

das

bibliotecas, elaboradas principalmente por indivíduos interessados na organização
do conhecimento e por instituições voltadas para determinados ramos do saber,
como as sociedades científicas e associações profissionais (CAMPELLO;
MAGALHÃES, 1997).

De acordo com as autoras anteriormente citadas, é possível ver
A crescente complexidade do ambiente informacional, que afeta
diretamente o desenvolvimento de um sistema efetivo de controle
bibliográfico, não se limita ao grande volume de publicações, pois
envolve a variedade de tipos dessas publicações.
Até o século XVII, o conhecimento era disseminado somente na forma
de livros. É a partir daí, com o crescimento da ciência experimental, que
surge um novo produto voltado para a difusão dos conhecimentos: o
periódico científico (CAMPELLO; MAGALHÃES, 1997, p.3).

Historicamente, o surgimento do primeiro periódico ocorreu em Paris no
ano de 1665, denominado “Journal dês Sçavans”, destinado à publicação de
notícias sobre acontecimentos europeus na ‘república das letras’ (SANTOS;
PASSOS, 2002).
Até o século XVII a ciência era feita por filósofos, que usavam a
argumentação e dedução para explicar os fenômenos da natureza. A
partir do século XVII há uma grande mudança no meio científico: a
dedução deixou de ser aceita como método principal de pesquisa, e a
comunidade científica começa a exigir evidências baseadas na
observação e na experiência empírica para que os conhecimentos
resultantes pudessem ser considerados científicos (MUELLER, 2000,
p.73).

2.2 Controle Bibliográfico Universal – Conceito

A expressão Controle Bibliográfico é recente, data de 1949. O Controle
Bibliográfico Universal (CBU), idealizado pela IFLA2 e adotado pela Unesco3,
deve ser entendido como um programa com objetivos de longo alcance e cujas
atividades levam à formação de uma rede universal de controle e intercâmbio de

2

IFLA – International Federation of Library Associations and Instituitions, ou seja, Federação
Internacional de Associação de Bibliotecários, fundada em 1927, com sede em Genebra (Suíça),
tem como objetivo promover o entendimento, cooperação, discussão, pesquisa e
desenvolvimento das atividades bibliotecárias e Ciência da Informação. (SANTOS, RIBEIRO,
2003, p.121).
3
Unesco - United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization, ou seja, Organização
das Nações Unidas pela Educação, Ciência e Cultura.

3

�informações bibliográficas, abrangendo todos os dados bibliográficos de todas as
publicações de todos os países (CAMPELLO ; MAGALHÃES, 1997; MACHADO,
2003).
2.2 Aspectos básicos do CBU
Dois aspectos básicos são fortemente enfatizados no CBU:

-

o reconhecimento de que cada país está mais bem capacitado para
identificar e registrar sua produção editorial;

-

a aceitação, pelos países, de normas internacionais para o registro da
descrição de sua produção bibliográfica.

Os componentes básicos do CBU são, portanto, os países, que devem
integrar-se para formar o sistema universal.

Esses aspectos do CBU fazem parte do compromisso dos 19 países que
integram o sistema de controle universal; dentre eles, temos o Brasil.

2.3 Bibliografia Nacional

A respeito da literatura científica e tecnológica produzida nacionalmente,
seu controle é mais complexo. Mesmo contando com as bibliografias editadas
pelo IBICT4.
3 CRESCIMENTO E AMPLIAÇÃO DO MERCADO EDITORIAL: ELETRÔNICO X
IMPRESSO
Nos últimos tempos, com a proliferação das informações eletrônicas, por
conta das ferramentas e possibilidades abertas pela Internet, as revistas e os
periódicos tiveram ascensão de mais de 100%, tanto no módulo gratuito (SEER,

4

IBICT – Instituto Brasileiro de Informação Científica e Tecnológica, recriada em 1976
(anteriormente denominado IBBD – Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação).
(SANTOS; RIBEIRO, 2003, p.119).

4

�SciELO)5 como no formato pago (Elsevier, Ebsco, etc)6, enquanto que a produção
e divulgação eletrônicas de livros ainda se encontram em aperfeiçoamento.

No caso específico de software gratuito de gerenciamento de publicações
periódicas científicas, citamos o OJS/SEER que segundo Márdero Aurellano,
Ferreira e Caregnato (2005, p.220) comentam que o software:
[...] apresenta inúmeras vantagens para o gerenciamento de periódicos
eletrônicos e a divulgação de artigos, em relação aos demais, ao permitir
completa autonomia na tomada de decisões sobre o fluxo editorial, a
publicação e o acesso por parte do editor. É este quem define as etapas
do processo editorial, seguindo a política definida pela revista, mas
dispondo de assistência e registro online em todas as fases do sistema
de gerenciamento. No que se refere ao autor, possibilita espaço para
comunicação com o editor e ao autor, possibilita espaço para
comunicação com o editor e também permite o acompanhamento da
avaliação e editoração do seu trabalho.

Recentemente, ou mais específico, em 2004, através da lista de bibliotecas
virtuais do IBICT, foi divulgado que, a partir daquele ano, seria feito um estudo e
possivelmente implantado o portal de livros de várias áreas, inclusive
Humanidades, que estará acoplado ao portal de periódico já existente da Capes7.
O portal do livro (Capes/FINEP/IBICT) teve início em um projeto piloto elaborado
pela CBBU8, que liberará recursos para possibilitar que os livros utilizados nas
disciplinas universitárias tenham livre acesso aos estudantes, através de
financiamento com recursos advindos do FINEP. (SANTOS; PASSOS, 2004).

Expressivamente, esta atitude da Capes e do IBICT com o apoio do
Ministério de Ciência e Tecnologia, será um grande avanço no meio acadêmico
ao acesso à informação com base para as pesquisas e estudos universitários,
evitando-se assim, o desmantelamento e a cópia ilegal do livro, preservando-o
continuamente.

5

SEER – Sistema de Editoração Eletrônica de Revistas – gerenciado pelo IBICTC –
http://www.ibict.br ;
SciELO – Scientific Electronic Library On-line – gerenciado pela BIREME – http://www.scielo.br
6
Fornecedores de títulos de periódicos estrangeiros para as instituições de ensino superior.
7
Portal da Capes: http://www.periodicos.capes.gov.br/portugues/index.jsp

5

�3.1 A produção impressa nacional

A rigor, todos os editores e autores independentes deveriam encaminhar
ao menos um exemplar de seus livros para o controle do depósito legal na
Biblioteca Nacional (BN)9 , sediada no Rio de Janeiro.

O número de exemplares exigidos deve ser definido em função dos
objetivos do depósito legal. Segundo a Unesco, um exemplar seria suficiente para
atender ao duplo objetivo de elaboração da bibliografia nacional e preservação da
coleção nacional. Na prática, dois exemplares seriam o ideal para os objetivos de
preservação e uso (CAMPELLO; MAGALHÃES, 1997).

Todavia, e até por desconhecimento desse compromisso do Brasil junto à
Unesco e a seus cidadãos (Decreto 1.825, de 20/12/1907), é possível que a
maioria das editoras ou autores independentes não deva estar cumprindo com o
encaminhamento de suas publicações para o controle do Depósito Legal na BN.
Esta informação deve ser divulgada e disseminada aos pares, como uma
obrigação de doar a publicação para o controle bibliográfico no país.

3.2 Depósito Legal

Campelo e Magalhães (1997), Santos e Ribeiro (2003), definem o Depósito
Legal como uma exigência, por força da lei, de remessa à BN de um ou mais
exemplares de todo material publicado no país por qualquer processo e colocado
à disposição do público.

O instrumento jurídico do Depósito Legal no Brasil é o Decreto n. 1.825 de
20/12/1907. O objetivo é assegurar registro e guarda da produção intelectual
nacional, além de possibilitar controle, elaboração e divulgação da Bibliografia
Brasileira Corrente, bem como defesa e preservação da língua e culturas
nacionais (SANTOS; RIBEIRO, 2003).
8
9

CBBU – Comissão Brasileira de Bibliotecas Universitárias.
Biblioteca Nacional: http://www.bn.br

6

�3.3 As editoras e sua produção bibliográfica

Uma certa parte das editoras nacionais apresentam, em suas áreas
editoriais, critérios para aceitação ou não de uma publicação no mercado editorial,
dependendo do grau de interesse que irá atingir frente a seus possíveis
consumidores (leitores). Portanto, o retorno financeiro nas editoras comerciais é
sempre um importante elo balizador da aceitação ou não do processo de
publicação de um livro.

No campo editorial existem alguns tratados voltados a orientar a publicação
de uma obra, como o controle pela produção independente e a produção das
grandes editoras que denominam o mercado.

No primeiro caso, o autor compra a edição em troca dos direitos autorais
na íntegra; esse é o caso dos autores independentes. No segundo caso, tem-se
as grandes editoras, já estabelecidas no mercado, que não aceitam uma relação
direta entre autor/obra e editor, a não ser mediada pela comissão editorial. Fica
estabelecido entre elas um contrato de direitos autorais, conforme normas
internas de cada editora, que, em geral, apenas aceitam textos inéditos.

Nestas editoras, se o texto for aprovado por pareceristas ad hocs, a editora
irá comunicar o prazo para edição do livro. Geralmente, os livros recémaprovados são distribuídos no cronograma da editora e são encaminhados para o
processo de produção, que pode demorar de seis meses a um ano. Caso ache
que seja necessária uma impressão mais rápida do livro, o autor pode contestar
junto a editora expondo seus motivos e o prazo máximo para impressão, através
de carta à editora para o editor executivo (MOTTA, 2005).

Entre os critérios adotados pelas editoras, e que atendam os pontos do
CBU, podemos citar alguns como:

7

�-

prioridade dada ao texto inédito;

-

prioridade dada à descoberta científica e à invenção metodológica ou
conceitual contra o principio de “escoamento da produção” da
instituição;

-

qualidade do Conselho Editorial;

-

distribuição da autoria, em função de sua maior maturidade científica;

-

registro no ISBN;

-

atualizações editoriais (novas edições);

-

padronização editorial de acordo com a norma vigente do país.

3.4 Política editorial

A política editorial de uma empresa, em especial na área de Humanidades,
é permitir a divulgação ampla da obra (vendagem) mesmo que a baixo custo – de
fato, em geral, as editoras não obtêm a mesma margem de retorno de seus livros
na área de Humanidades quando comparadas com aqueles das áreas
Tecnológicas ou da Saúde. Em pesquisas realizadas na década de 80, e mesmo
ainda neste século, sobre o custo das obras da área de Humanidades, o valor é
bem menor que as outras áreas do conhecimento.

Mesmo no caso de grandes editoras, onde existem vários editores-chefes,
a orientação dada pelos editores executivos (donos) aos editores subordinados é
a da rápida comercialização do produto final – o livro, o seja, vende-lo o mais
barato possível (especialmente a área de Humanidades em que o preço varia de
obra para obra, tornando-a mais em conta em relação às outras áreas como já
citamos). Tal orientação segue o arbítrio do editor

de assunto, mas respeita

sempre o princípio básico da política editorial da empresa (ROCHA, 1987).

3.5 As editoras e os editores científicos

De acordo com Meadows (1999, p.128):
[...] os principais produtos da edição científica são os periódicos e os
livros. Os periódicos científicos, ao contrário das revistas ou magazines de
interesse geral, têm uma história baseada em interesses científicos que os

8

�governam. Em termos de vendas, os livros científicos não chegam a
ocupar posição dominante no mercado livreiro, embora contribuam de
forma significativa para a quantidade de títulos produzidos. (Deve-se à
diferença ao fato de serem pequenas tiragens dos títulos científicos
comuns).Há três tipos de editoras envolvidas na produção de livros e
periódicos científicos – editoras comerciais; editoras universitárias e outras
editoras institucionais; sociedades e associações científicas e
profissionais.

Os editores científicos devem conhecer o suficiente de seu campo para que
possam editar e corrigir originais de modo pertinente. Devem, acima de tudo, ter
capacidade para colaborar com a respectiva comunidade científica. Assim, o
editor responsável pela encomenda de originais deverá conhecer uma grande
variedade de pesquisadores e ter condições de com eles dialogar sobre as
necessidades da editora (MEADOWS, 1997).

3.6 A importância do ISBN

Um dos primeiros passos a serem tomados na estruturação de uma
publicação (livro), é sem margem de dúvida, o registro do seu título na Agência
Nacional do ISBN. O ISBN, que significa International Standard Book Number, é
um sistema universalmente aceito para a numeração de livros utilizados
atualmente em mais de 19 países.

Sediada no Brasil, pois o ISBN é operado sob o controle geral da
International ISBN Agency, em Berlim, a responsabilidade está a cargo da BN
que, como órgão executivo, deve controlar e incentivar o uso do sistema ISBN no
país10.
O número do ISBN é importante para o livro, caracterizado como se fosse o
RG para uma pessoa. Através deste número, o livro pode ser localizado nos
catálogos e diretórios de publicações, como o Books in Print, da empresa B.
Bowker, e mesmo pela Internet. O ISBN foi criado para simplificar e padronizar o
trabalho dos editores e distribuidores de livros e, sobretudo, para permuta de
informações bibliográficas entre as bibliotecas do mundo inteiro.

10

Sobre mais detalhes sobre o ISBN, consulte o site da BN: http://www.bn.br – Serviços - ISBN

9

�4 AQUISIÇÃO DE MATERIAIS NAS HUMANIDADES
O material bibliográfico recebido nas bibliotecas de Humanidades tende a
ser maior quantidade do que nas outras áreas. Isso acontece no caso de
aquisição por compra, devido ao fato de, em Humanidade, ser menos custoso os
livros do que nas outras áreas do conhecimento, como Tecnologia, Biológicas e
Ciências Exatas e por haver uma produção nacional maior nessas áreas, o que
também contribui para este barateamento. Dado que há uma dispersão de
assuntos bastante ampla na área de Humanidades, com áreas que vão da
literária a assuntos acadêmicos no sentido estrito do termo, os estudiosos no
campo das Humanidades tendem a preferir a divulgação de seus trabalhos
através de livros e não de periódicos, sendo esta uma característica bastante
típica desse campo de conhecimento. (ANDRADE, 1992).

4.1 Justificando a produção na área de Humanidades na era eletrônica

É possível que com o advento da Internet, a produção bibliográfica,
principalmente das Humanidades, se dissemine com maior facilidade através da
publicação eletrônica. Isto tem despertado nos editores grande interesse de
disponibilizar as obras, seja através de convênios com os autores e/ou editores,
ou através de consórcios como está sendo feito por algumas universidades em
relação a outros produtos bibliográficos (base de dados, periódicos eletrônicos,
etc), barateando o rateio dos custos entre elas e possibilitando o acesso
eletrônico multi-usuário.

5 SITUAÇÃO DOS LIVROS E PERIÓDICOS EM EDUCAÇÃO
5.1 Em relação aos livros em Educação

Tendo como experiência o caso da Faculdade de Educação da UNICAMP,
de acordo como ex-coordenador da Pós-Graduação, Prof. Dr. Luis Enrique
Aguilar, que participou de várias reuniões com as comissões da Capes, os
critérios para classificação da produção docente através de livros ainda

10

�precisavam ser apurados. Na área da Educação as editoras são divididas pela
Capes em três grupos11.

5.1.1 Grupo A
Este grupo se destaca pelas seguintes características:


editoras comerciais, que asseguram boa distribuição dos livros pelo
país e publicam regularmente obras da área da Educação. Por
exemplo: Martins Fontes, Autores Associados, Cortez, Zahar, Vozes,
Autêntica;



editoras

de

universidades

de

grande

porte

ou

que

publicam

regularmente obras da área de Educação. Por exemplo: EDUSP,
Editora da UNICAMP, EDUNESP;


editoras de entidades nacionais e internacionais reconhecidas pela
área. Por exemplo: Thomson Learning Pioneira, Elsevier etc.

5.1.2 Grupo B
Neste grupo destacam-se as seguintes características:


editoras comerciais, que asseguram boa distribuição pelo país, mas não
publicam regularmente no campo da Educação;



editoras de universidades de médio e pequeno porte ou que não
publicam regularmente obras da área de Educação.

5.1.3 Grupo C
Neste último grupo as características são as seguintes:


editoras que publicam predominantemente livros didáticos ou paradidáticos;

11



outras editoras de instituições de ensino superior não universitárias;



outras editoras comerciais.

Informações extraídas de documentos institucionais da Pós-Graduação da FE/UNICAMP, 2005.

11

�5.2 Outros indicadores na área da Educação

Existem outros indicadores para a avaliação de produtos veiculados
através de livros, seguidos também pela Capes, tais como:


Livros subvencionados pelos próprios autores não são considerados na
avaliação da Capes.



É imprescindível, para a avaliação da editora, o cadastramento dos
editores junto à Agência Nacional do ISBN, bem como o mérito acadêmico
do corpo editorial, ou conselho editorial, da Editora.



A tiragem dos volumes de uma editora é um atributo que se associa a sua
credibilidade no mercado editorial.



Para a classificação do produto (livro ou capítulo), faz-se importante que
tenha sido publicado por uma editora com tradição na área da Educação.



Produtos veiculados pelas editoras classificadas como C podem ter pouco
ou nenhum impacto na pontuação atribuída pela Capes.

Como se nota, apesar de que esforços são realizados para o
estabelecimento de critérios os mais objetivos possíveis, ainda se tem grande
margem para a interferência de outros fatores (políticos, por exemplo) e não
apenas acadêmico na avaliação do produto.

5.3 Em relação aos periódicos em Educação

Os critérios para a avaliação das revistas em educação são, no momento,
estabelecidos por um comitê a partir da lista de periódicos enviados pela Capes.

Para o triênio de 2001 a 2003, o Comitê baseou-se na classificação de
periódicos e revistas efetivada pela ANPEd, classificadas em Internacional A, B, e
C e Nacional A, B, C. (ANPEd, 2004).

12

�Os procedimentos e a metodologia adotados pelo Comitê da Capes, bem
como os critérios estabelecidos, foram estudados e elaborados pela Comissão de
Publicações da ANPEd (ANPEd, 2004)12.

Estabelecidos os critérios, o Comitê posicionou os periódicos considerados
importantes e relacionados com o campo da Educação com base nas
informações dos Programas de Pós-graduação em Educação. A classificação dos
periódicos considerados para avaliação foram elencados em relatório técnico no
próprio site da ANPEd (ANPEd, 2004).

6 PROPOSTA DE CRIAÇÃO DE UMA EDITORA NA ÁREA DE HUMANIDADES
Quando se pensa na constituição de uma editora no Brasil, além das
cautelas técnicas usuais que devem ser tomadas na criação de qualquer
empresa, é fundamental que se considerem alguns aspectos particulares
da atividade editorial que tem implicação direta no empreendimento.
Um primeiro aspecto importantíssimo consiste na possibilidade de
composição do capital social destas empresas.
Se, em determinados ramos da atividade empresarial, a livre iniciativa é
um princípio que se aplica sem qualquer restrição, isto não é o que ocorre
com a edição de revistas e jornais.
As editoras que desenvolverem atividades jornalísticas, no sentido
essencialmente noticioso, somente poderão ter investimento estrangeiro
até o limite máximo de 30% (ARBEX, 2005).

Iniciando esta proposta com as palavras de Arbex (2005), somos
chamados a atenção para o fato da necessidade de se ter alguns cuidados
essenciais para a abertura de uma Editora. Todavia, não pensamos ser difícil para
nós da área de Humanidades criar, agregando esforços, uma Editora destinada à
divulgação de produtos de nossa área, com as conhecidas singularidades que a
caracterizam em termos de objetos e de formas de discuti-los.

Como experiência no campo de criação de uma editora, podemos
mencionar a proposta da área de Humanidades da UNICAMP, que na tentativa de
estimular, quem sabe, o interesse de profissionais d área num projeto dessa
natureza, elencamos alguns recursos e indicadores que possuímos em algumas
unidades:
12

http://www.anped.org.br/qualis_relatorio capes_2001_2003.doc

13

�

cada Instituto e/ou Faculdade tem seu setor de publicações;



existe uma infra-estrutura com equipamentos de informática e materiais
de consumo;



em algumas já se possui uma gráfica equipada para servir o Instituto
e/ou Faculdade;



existe

também

uma

distribuição

de

recursos

humanos,

com

profissionais de gráfica, webdesigner ou até mesmo com um
profissional bibliotecário lotado no setor de publicações;


cada Instituto e/ou Faculdade tem uma demanda de produção científica,
podendo uns ter mais que outros, no sentido de se ter trabalhos de boa
qualidade que não conseguiram editora interessada;



a existência de espaço físico distribuído em cada Instituto e/ou
Faculdade.

Assim, como sugestão ainda nesta proposta, poderia ser criado um
Conselho Editorial com cada representante docente da área de Humanidades,
com pareceristas ad-hoc externos, para avaliação de trabalhos submetidos a
publicação. Possuir um Diretor ou Editor Executivo, juntamente com um DiretorAssociado eleitos pelos seus pares para coordenar a Editora.

Nesse sentido, a congregação de esforços iria multiplicar e aumentar a
visibilidade da produção bibliográfica da área de Humanidades, com a junção de
profissionais capazes de ampliar o mercado editorial dessa área, tendo como
ponto de estratégia o apoio institucional e da própria Editora da UNICAMP.

7 COSIDERAÇÕES FINAIS
Assim, como foi destacado no início a importância do CBU para o
gerenciamento das produções no país, está relacionada a questão de
consciência de cada cidadão, no cumprimento do seu papel , sejam editoras ou
autores independentes, no intuito de sistematizar procedimentos para que

14

o

�abastecimento e disponibilização de obras produzidas pelos mesmos,

sejam

parte integrante no Depósito Legal, de nosso país.
As bibliotecas passaram por transformações consideráveis durante as
últimas décadas, acompanhando as mudanças nos hábitos de leitura da
população acadêmica, o que é evidente se compararmos as preferências entre
livros e revistas, percebemos, que ambos materiais são consultados em igual
importância. (SOARES, 2004).
O advento da Internet e a disponibilização on-line de parte importante da
produção científica pode ser um instrumento de redução das tremendas
desigualdades no acesso às informações entre países e, dentro deles,
entre regiões e instituições. Poderá reduzir a desigualdade entre as
universidades e outras instituições de ensino e pesquisa, e entre
pesquisadores individuais também. A cidadania científica plena pode ser
ampliada de maneira a incluir pesquisadores em qualquer lugar do
planeta. Não obstante, poderá, também, ser mais um instrumento de
transferência de recursos de países pobres para países ricos e, dentro
dos países ricos, de instituições acadêmicas e científicas para empresas.
(SOARES, 2004, p.25).

Com toda a transformação no campo editorial, o advento da Internet,
política editorial e fatores que determinam se é possível ou não a implantação de
uma editora na área de Humanidades (como exemplo o caso da área de
Humanidade da UNICAMP), o registro da obra na Agência Nacional do ISBN e o
controle bibliográfico são fundamentais para o reconhecimento das obras em
órgãos de fomentos.
Desta forma, chegamos a concluir com Machado (2003, p.41) que:
[...] o uso dos recursos bibliográficos de qualquer acervo depende
especialmente da organização de seu material (ou seja, da qualidade).
Afirmativa que se comprova desde que o homem começa a registrar o
conhecimento por ele elaborado, preocupando-se simultaneamente com
seu controle. (grifo nosso).

REFERÊNCIAS
ANDRADE, D.C. Critérios para aquisição de livros: o caso das ciências sociais e
humanas. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 7.,
1991, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: UFRJ/SIBI, 1992. v.2.
ARBEX, L. Como criar uma editora. Associação Nacional de Editores de
Revistas, 2005. Disponível em: &lt;http://www.emrevista.com/Edicoes/8/artigo47641.asp?o=s&gt;. Acesso em: 20 jan. 2006.
15

�ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM
EDUCAÇÃO (ANPEd). Portal ANPEd. 2004. Disponível em: &lt;http://www.anped.
org.br/inicio.htm&gt;. Acesso em: 20 jul. 2006.
CAMPELLO, B.C.; MAGALHÃES, M.H.A. Introdução ao controle bibliográfico.
Brasília: Briquet de Lemos/Livros, 1997.
MACHADO, A.M.N. Informação e controle bibliográfico. São Paulo: Ed.
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MÁDERO AURELLANO, M.A.; FERREIRA, S.M.S.P.; CAREGNATO, S.E.
Editoração eletrônica de revistas científicas com suporte do protocolo OAI. In:
FERREIRA, S.M.S.P.; TARGINO, M.G. Preparação de revistas científicas.
São Paulo: Reichmann &amp; Autores, 2005. Cap.7.
MEADOWS, A.J. A comunicação científica. Trad. De Antonio Agenor Briquet
de Lemos. Brasília: Briquet de Lemos/Livros, 1999.
MOTTA, M.A. Torne-se nosso autor. In: ______. (Org.). Diário dos autores
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MUELLER, S.P.M. O periódico científico. In: CAMPELLO, B.S.; CENDÓN, B.V.;
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ROCHA, J.C. (Org.). Políticas editoriais e hábitos de leitura. São Paulo: ComArte, 1987.
SANTOS, G.C.; PASSOS, R. Informação e direitos autorais: efeitos tecnológicos
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1 CD-ROM.
SANTOS, G.C.; PASSOS, R. Gerenciamento e estruturação de periódicos
eletrônicos: a experiência do periódico ETD – Educação Temática Digital da
Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas. In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 12., 2002, Recife. Anais
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SANTOS, G.C.; RIBEIRO, C.M. Acrônimos, siglas e termos técnicos:
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de_periodicos.pdf&gt;. Acesso: 20 jul. 2006.

16

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Santos, Gildenir Carolino; Souza, Regina Maria de; Passos, Rosemary</text>
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                <text>O controle bibliográfico de um país ocorre através do controle bibliográfico universal, que funciona como um catalisador de informações. Esse controle bibliográfico, não é novo e tem estado sempre presente, desde a Antigüidade, no trabalho de indivíduos que buscam o conhecimento. Historicamente, com o desenvolvimento da produção bibliográfica, principalmente após o advento da globalização, e estabelecimento da sociedade do conhecimento, chega-se ao consenso de que guardar informação ou armazená-la em acervos não é fator determinante de poder algum, visto que a disseminação é o grande elo para a prosperidade e divulgação das produções científicas. Atualmente, com a incorporação acelerada da Internet no mundo altamente globalizado, o destaque fica a cargo da explosão das publicações eletrônicas/digitais que crescem a cada dia e chegam a “sufocar” editores e livreiros paralelamente com produções impressas. O devido cadastro das obras no ISBN e o envio das obras para as agências do controle bibliográfico universal seriam a fórmula exata para um controle acessível das produções. Dentre as áreas do conhecimento, a área de humanidades, aparece como disseminadora ata de publicações, tais como os livros, e em conseqüência as demais áreas alternam-se para o uso demasiado das produções eletrônica/digitais no suporte de publicações periódicas. No presente artigo é apresentado um diagnóstico que além de estabelecer critérios que viabilizem o sucesso de publicações eletrônicas na área de Humanidades, focando especificamente a área de Educação, faz uma avaliação do contexto destas publicações, avaliando critérios de qualidade e quantidade de material disponibilizado.</text>
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                    <text>CREPÚSCULO SONORO NA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA DA
UNESP – CAMPUS DE RIO CLARO
Prof. Dr. Luiz Carlos Santana
Docente do Departamento de Educação
Instituto de Biociências – UNESP – Rio Claro – SP
Av. 24-A n. 1515, Bela Vista – Caixa Postal 199
CEP 13506-900 – Rio Claro – SP - Brasil
e-mail: luizcs@rc.unesp.br

Regina Maria Seneda
Serviço Técnico de Biblioteca e Documentação
Instituto de Biociências – UNESP – Rio Claro – SP
Av. 24-A n. 1515, Bela Vista – Caixa Postal 199
CEP 13506-900 – Rio Claro – SP - Brasil
e-mail: rmseneda@rc.unesp.br
Maria Aparecida Pardini
Serviço Técnico de Biblioteca e Documentação
Instituto de Biociências – UNESP – Rio Claro – SP
Av. 24-A n. 1515, Bela Vista – Caixa Postal 199
CEP 13506-900 – Rio Claro – SP - Brasil
e-mail: mpardini@rc.unesp.br

RESUMO:
O ambiente universitário é muito rico, diversificado e bastante heterogêneo e a
biblioteca se constitui em um espaço cultural de relevância. Através de parceria
entre biblioteca, Vice-Diretoria e Pró-Reitoria de Extensão (PROEX), foi elaborado
e desenvolvido o projeto Crepúsculo Sonoro com o objetivo de contribuir para a
formação cultural da comunidade acadêmica, por meio da aproximação desta e da
comunidade em geral com a música erudita. Tal aproximação permitiu a
apreciação de peças executadas, complementada pela distinção de estilos e de
instrumentos variados e conhecimento de elementos históricos de seus
compositores. No recinto da biblioteca da Unesp Campus de Rio Claro, ocorreram
apresentações mensais do Quarteto de Cordas com alunos da Escola de Müsica
de Rio Claro. O projeto possibilitou uma interação entre estes alunos, que tiveram
a oportunidade de apresentar o que aprendiam na escola, e a comunidade
acadêmica que apreciava uma boa música e também aprendia com os músicos. O
evento, em sua quinta versão tem sido espaço significativo de apreciação da
música erudita, de troca de conhecimentos e de participação da comunidade
universitária e da comunidade em geral, contribuindo de forma significativa para a
indispensável formação cultural de seus participantes.
PALAVRAS-CHAVE: biblioteca; formação cultural; música erudita; ação cultural;
comunidade.

�INTRODUÇÃO
A UNESP – Universidade Estadual Paulista é multicampi, com abrangência
em todo o estado de São Paulo, contando hoje com 23 campi, proporcionando
oportunidade para alunos de diversas regiões do estado, oferecendo cursos de
graduação e pós-graduação nas áreas de exatas, humanas e biológicas. Possui
uma rede com 28 bibliotecas, distribuídas pelas seguintes cidades: Araçatuba,
Araraquara, Assis, Bauru, Botucatu, Dracena, Franca, Guaratinguetá, Ilha Solteira,
Itapeva,Jaboticabal, Marília, Ourinhos, Presidente Prudente, Registro, Rio Claro,
Rosana, São José dos Campus, São José do Rio Preto, São Paulo, São Vicente,
Sorocaba e Tupã. A coordenação da rede de bibliotecas está sob a
responsabilidade da Coordenadoria Geral de Bibliotecas – CGB, com sede na
Reitoria, em São Paulo. As bibliotecas são subordinadas administrativamente à
Diretoria do Campus onde está inserida e tecnicamente à CGB. As peculiaridades
de cada região são respeitadas, para que se possa oferecer atendimento de
qualidade a toda comunidade usuária.
A biblioteca da UNESP, Campus de Rio Claro, atende dez cursos de
graduação: Ciências Biológicas, Ciência da Computação, Ecologia, Educação
Física, Engenharia Ambiental, Física, Geografia, Geologia, Matemática e
Pedagogia e também cursos de Pós-Graduação, nas grandes áreas do
conhecimento: biológicas, exatas e humanas, em 13 áreas de concentração:
•

Análise da informação Espacial

•

Biodinâmica da Motricidade Humana

•

Biologia Celular e Molecular

•

Biologia Vegetal

•

Educação

•

Ensino e Aprendizagem da Matemática e seus fundamentos FilosóficosCientíficos

•

Física Aplicada

•

Geociências e Meio Ambiente

•

Geologia Regional

•

Microbiologia Aplicada

�•

Organização do espaço

•

Pedagogia da Motricidade Humana

•

Zoologia
O prédio central da biblioteca está situado no Campus Bela Vista, no

entanto, o acervo referente às áreas de Geografia e de Física está no antigo
prédio

da

universidade,

no

Campus

Santana.

O

seu

acervo

é

de

aproximadamente sessenta mil livros, cento e oitenta mil fascículos de periódicos,
dois mil mapas, além de vídeos, cds, etc.
Tendo em vista o adequado desempenho de suas atividades fundamentais
a biblioteca do campus de Rio Claro é assessorada por uma Comissão de
Biblioteca e por uma Comissão Técnica de Biblioteca, que foram criadas através
da Portaria UNESP 471, de 14/12/1999, sendo que a primeira é composta de:
•

Diretor da Biblioteca, como membro nato

•

Um docente indicado pelas respectivas Congregações (Instituto de
Biociências e Inst. de Geociências e Ciências Exatas)

•

Três docentes escolhidos por seus pares, independente da Unidade
a que pertençam

•

Um aluno da Graduação, indicado por seus pares

•

Um aluno da Pós-graduação, indicado por seus pares

•

Um servidor da biblioteca, eleito por seus pares

A Comissão Técnica de Biblioteca é composta por cinco membros, sendo:
•

Diretor de Biblioteca, como membro nato

•

Três bibliotecários eleitos por seus pares

•

Um técnico de biblioteca, eleito por seus pares

Em 1996 foi inaugurado o novo prédio, situado no Campus Bela Vista,
construído em área nobre, com aproximadamente 1800 m2, anfiteatro com
capacidade para 49 lugares, 19 salas de estudo, jardim interno mobiliado com
mesas

e

cadeiras,

duas

salas

de

levantamento

bibliográfico

com

18

microcomputadores destinados exclusivamente à pesquisa bibliográfica e

�treinamentos diários oferecidos a comunidade acadêmica em dois períodos: tarde
e noite. Permanece nesta sala um bibliotecário para esclarecer dúvidas e orientar
os usuários nas pesquisas, normalização, etc. A biblioteca possui também uma
varanda central externa mobiliada com mesas e bancos onde ficam disponíveis
os jornais para leitura – Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e dois jornais
locais. Alem disto, trabalham nesta biblioteca 25 funcionários – 10 bibliotecários,
14 técnicos de biblioteca e um técnico de informática. Em 1993 teve início a
informatização de seu acervo com o software Microisis e hoje, a rede de
bibliotecas da Unesp está trabalhando com o software Aleph, que dentre as
muitas vantagens, permite que as renovações / reservas sejam feitas on-line pelos
próprios usuários.
O acervo disponível bem como a infra estrutura que possui e equipe de
funcionários qualificados, têm atraído muitos usuários que usufruem dos
benefícios culturais que a biblioteca possibilita.
Dados estatísticos nos permitem comprovar que em período letivo circulam
de 1200 a 1500 pessoas por dia. Além disto há um movimento de 900 a 1000
empréstimos/dia.
Com todas estas variáveis, constatou-se que se deveria ampliar ainda mais
o uso do espaço da biblioteca do campus de maneira a não restringi-lo apenas à
consulta do acervo e ao local de pesquisa / leitura. O espaço cultural da biblioteca
poderia ser ampliado buscando promover uma maior interação dos

usuários,

remetendo-os a um universo mais amplo e diversificado.
Segundo Alves (1991):
a ação cultural, além de mostrar os bens culturais, possibilita a
participação das pessoas na produção destes bens, criando
oportunidades para que o espectador, possa também elaborar
sua produção e o bibliotecário tenha um papel de agente cultural.

Fantinati e Cecantini (2004, p. 49) também afirmam, ao classificarem os dez
pontos para uma biblioteca nota 10 que “a biblioteca deve ser um pólo dinâmico
de informação e difusão cultural”.

�O processo de ampliação e diversificação do espaço cultural da biblioteca
teve início com algumas apresentações musicais, que por terem sido bem aceitas
pela comunidade acadêmica, foram formalizadas, de maneira a torná-las cada vez
mais presentes, através de projeto realizado em parceria com músicos da
Orquestra Sinfônica de Rio Claro e com o apoio da Vice-Diretoria do Instituto de
Biociências, e da PROEX - Pró Reitoria de Extensão Universitária.
O projeto em questão recebeu o título de “Compositores e temas musicais:
Crepúsculo Sonoro”, e contou com apresentações mensais do quarteto da
Orquestra Sinfônica, na biblioteca, sempre na última quinta-feira do mês. Não
havia um local fixo, alternava-se sempre: varanda externa central, anfiteatro,
jardim interno e algumas vezes dentro da biblioteca em meio ao próprio acervo.
OBJETIVOS
Ampliar e diversificar o espaço cultural da biblioteca através de várias
manifestações culturais.
Difundir a música erudita e popular no meio acadêmico, propiciando aos
usuários inter e extra UNESP, a oportunidade de conhecer diversos estilos de
música, através das mais variadas famílias de instrumentos que integram uma
orquestra sinfônica, ou pelo conjunto de vozes que compõem um coral.
Possibilitar o contato e contemplação da comunidade acadêmica e da
comunidade em geral de exposições variadas.
REALIZAÇÃO DAS ATIVIDADES CULTURAIS NA BIBLIOTECA
As apresentações ocorridas no âmbito do projeto “Compositores e temas
musicais: Crepúsculo Sonoro” eram intercaladas com um comentário expositivo
sobre as peças apresentadas. Entre uma música e outra, um dos membros do

�quarteto discorria sobre a vida do autor e a obra a ser executada, fazendo, se
necessário, demonstrações com os instrumentos musicais usados na execução.
Um cuidado que também norteou a realização do projeto aqui em pauta foi
o de disseminar boas músicas e conseqüentemente bons compositores tanto
estrangeiros como também brasileiros, com o propósito de contribuir para
diversificar e enriquecer ainda mais a formação cultural da comunidade
acadêmica. Abaixo transcrevemos alguns repertórios apresentados pelo Quarteto
de Cordas:
•

Peças do estilo Barroco (1600-1750). Compositores: A. Vivaldi, J. S.
Bach e G. Ph. Telemann;

•

Peças do estilo Clássico (1750-1827). Compositores: J. Haydn, W. A.
Mozart, L. Van Beethoven, entre outros;

•

Peças do período Romântico (1810-1910). Compositores: Elgar,
Schuman, Mascagni, entre outros;

•

Peças do Século XX. Compositores: Villa-Lobos, N. Joio, G. Holst, B.
Bartok, entre outros;

•

Peças Brasileiras Populares e Tango. Compositores: A. Piazolla,
Gardel, Guerra-Peixe, entre outros.

A recepção por parte dos usuários foi tão positiva, que buscou-se ampliar o
espaço para outras atividades culturais tais como: apresentação do Coral
UIRAPURU da UNESP de Rio Claro, exposição do GUDEA – (Grupo Universitário
de Desenvolvimento da Educação Ambiental), que fez um painel sobre
“reciclagem de lixo” realizada pela APAE – (Associação de Paes e Amigos dos
Excepcionais); exposição de quadros – óleo sobre tela -

de funcionárias da

UNESP – Campus de Rio Claro, exposição de fotos do Grupo de Apoio à Adoção;
exposição itinerante com painéis do navio que pertence ao Campus de São
Vicente – curso de Biologia Marinha; exposição de tapeçaria de membro da
comunidade local, painel de fotografias disponível para os alunos que queiram
expor fotos de expedições que realizam dentro e fora do pais.

�O coral UIRAPURU, formado por alunos, funcionários da UNESP e pessoas
da comunidade, enquanto um dos participantes do espaço cultural da biblioteca,
através de seu repertório indica a diversidade e abrangência daquilo que é
apresentado neste espaço: músicas antigas, atuais, nacionais, estrangeiras. É o
que se pode verificar no repertório transcrito abaixo:
•

Vênus est par cent Mille noms (Guillaume Costeley – séc. XVI)

•

Love of my life (Fred Mercury)

•

Quadrilha (Osvaldo Lacerda – Carlos Drummond de Andrade)

•

Oração para Aviadores (Osvaldo Lacerda – Manuel Bandeira)

•

Desafio (Osvaldo Lacerda – textos nordestinos)

•

Everytime I feel the Spirit (negro spiritual)

•

Trem das Onze (Adoniram Barbosa)

•

Mira Ira (Lula Barbosa)

Integração cultural e participação da comunidade acadêmica e da
comunidade em geral neste processo tem sido uma decorrência do projeto
desenvolvido pela biblioteca do campus. Tal perspectiva pode ser exemplificada
com a apresentação do coral infantil do Colégio Puríssimo Coração de Maria,
formado por aproximadamente 50 crianças, do Coral Uirapuru da Unesp de Rio
Claro tendo como público, além da comunidade acadêmica e comunidade geral,
os idosos de um asilo de cidade “Hospedaria de Emaús”.
Nesta apresentação, a participação e o envolvimento, principalmente dos
idosos, foi algo marcante, pois no repertório dos corais constavam músicas que
eram familiares a muitos deles, que cantaram junto com os cantores. Além disto, o
fato de poderem sair da instituição onde residem e passear um pouco, conhecer
uma parte do campus universitário, talvez tenha constituído algo inédito para
muitos deles.
Um aspecto que ainda merece ser ressaltado no desenvolvimento das
atividades culturais organizadas a partir de projetos da biblioteca é o fato de que
há uma certa informalidade que não compromete a qualidade do que é
fundamental nestes projetos. Assim, quando as apresentações são exibidas em

�área externa, como é o caso da varanda central do prédio da biblioteca, não há
uma organização do espaço com colocação de cadeiras para o público. Também
a biblioteca não é fechada durante as apresentações. O público que vem para
assistir vai se alojando na praça, nos degraus da escada, outros que estão
chegando vão se aproximando. Enfim, trata-se de um espaço livre, sem grande
formalidade, onde pessoas se reúnem e se sentem atraídas pelo que ouvem ou
vêem, ou seja, por um bom repertório musical ou ainda por uma exposição de
arte.
Além das manifestações culturais desenvolvidas a partir de projetos de
iniciativa da biblioteca, aqui relatadas, muitas apresentações são feitas para
comemorar também datas festivas como por exemplo: Natal, Páscoa, dia do
funcionário público, etc.
Uma apresentação que merece destaque foi no Natal, quando os
funcionários da biblioteca, com a participação de uma aluna do curso de
Pedagogia noturno, resolveram fazer uma árvore de natal diferente. Foram
arrecadadas caixas vazias de leite (tetraplac), as quais foram embrulhadas em
papel reciclado e encapadas com papel de seda verde. Após juntar mais de
quinhentas caixas, a árvore foi montada pelo grupo. Era uma árvore redonda, que
foi instalada logo após a entrada do prédio da biblioteca, em lugar de movimento
constante de pessoas em frente ao balcão de empréstimos. A comunidade foi
convidada para a inauguração e contamos com a apresentação do coral
UIRAPURU e participação de uma docente do Departamento de Educação e
Presidente da Comissão de Biblioteca, que fez um breve relato sobre o sentido do
Natal em nossas vidas e finalizou com a leitura de um conto natalino. As fotos
deste evento foram veiculadas na homepage da biblioteca e a árvore foi bastante
elogiada.
A procura pelo espaço cultural da biblioteca tem exigido uma agenda para
se organizar a realização dos eventos. Tal agendamento pode ser feito por
telefone ou e-mail. Essa agenda recebeu o nome de “Reservas do Espaço

�Cultural da Biblioteca”. Cada exposição pode permanecer de 15 a 30 dias,
dependendo do próximo agendamento.
POR QUE AMPLIAR O ESPAÇO CULTURAL DA BIBLIOTECA?
O espaço é muito freqüentado e o Serviço Técnico de Biblioteca e
Documentação – STBD, permanece aberto por quatorze horas ininterruptas de
segunda a sexta-feira e aos sábados por quatro horas.
Segundo Milanesi (1986, p.77)
Se um dia a humanidade considerar o desenvolvimento científico
uma insensatez, não precisa destruir os laboratórios: basta fechar
as bibliotecas especializadas. A importância que se dá a ela
permite que o seu desenvolvimento seja considerado um elemento
localizado no plano geral de desenvolvimento da sociedade e de tal
forma importante que passa a ser vista como uma questão de
segurança nacional.

Precisamos valorizar cada vez mais este espaço “mágico” que é uma
biblioteca. Com o advento das novas tecnologias temos que encontrar
mecanismos para continuar atraindo nossos usuários, transformando o espaço da
biblioteca em local prazeroso e culturalmente rico, tanto quanto seja isto possível
e de forma a não comprometer as finalidades essenciais de uma biblioteca. Abrir
este espaço para outras ações culturais possibilitaria ampliar e valorizar ainda
mais o papel do bibliotecário enquanto agente cultural.
CONCLUSÃO
A prática das apresentações de diversas manifestações culturais e o uso do
espaço cultural da biblioteca tem possibilitado, àqueles que dele participam,
envolvimento, interação e mesmo uma ampliação do seu universo cultural. Tal
afirmação pode ser confirmada tendo em vista a procura, cada vez maior, de
participação dos eventos desenvolvidos neste espaço.
Além disto, somos privilegiados pela localização, pela presença de extensa
área verde, toda rodeada de coqueiros, árvores, primaveras, gramado. Tudo isto

�nos impulsiona cada vez mais a estimular e lutar para que estes eventos
continuem.
A proposta de manter este espaço cultural na biblioteca da UNESP,
Campus de Rio Claro, tem sido reforçada pelo reconhecimento da importância
destes eventos, e pelo público que os tem prestigiado.
Dentre os vários e-mails que constantemente são enviados, transcrevemos
abaixo o e-mail de uma docente deste Campus, elogiando a abertura deste
espaço para a comunidade e na seqüência o de um membro da comunidade
externa à universidade.
Diz a professora em seu e-mail, dirigido à diretora da biblioteca:
Meus alunos e eu queremos cumprimentá-la pela iniciativa de promover
Concertos nas dependências da nossa Biblioteca. Em horários sempre oportunos,
tais Concertos proporcionaram ocasião para, ao mesmo tempo, apreciar boa
música e estreitar laços com colegas e estudantes do campus. Contamos, pois,
com a continuidade deste projeto no próximo ano.

Ao participar de uma apresentação de coral no interior da biblioteca um
membro da comunidade externa à universidade assim se expressa:
O Coral soltando a voz em meio aos livros faz-me acreditar que, de algum
lugar, como por encanto, sairão todas as vozes contidas nas obras.
Essas mensagens confirmam a participação da comunidade interna e
externa em nossos eventos
Constatamos através do desenvolvimento do processo de ampliação e
diversificação do espaço cultural da biblioteca a importância em dar continuidade
à interação entre biblioteca e comunidade, valorizando ainda mais o ambiente
universitário. Isto não é tarefa muito fácil, contudo, constitui uma significativa
contribuição da presença da biblioteca na universidade e no desenvolvimento de
sua ação enquanto agente cultural na sociedade contemporânea.

�REFERÊNCIAS
ALVES, T.G.L.; LIMA, F.A. A cultura e o lazer na Biblioteca do Ministério da Ação
Social. In: CONGRESSO Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação, 16., Sal
Vador, 1991. Anais... Salvador: APBEB, 1991. p. 1162-1171.
FANTINATI, C.E.; CECCANTINI, J.L.C.T. Um pais se faz de homens livros e
bibliotecas. In: PEREIRA, R.F.; BENITES, S. A. L. (Org.). À roda da leitura:
língua e literatura no jornal Proleitura. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2004. p.4151.
MILANESI, L. O que é biblioteca. 4.ed. São Paulo: Brasiliense, 1986. 107p.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O ambiente universitário é muito rico, diversificado e bastante heterogêneo e a biblioteca se constitui em um espaço cultural de relevância. Através de parceria entre biblioteca, Vice-Diretoria e Pró-Reitoria de Extensão (PROEX), foi elaborado  desenvolvido o projeto Crepúsculo Sonoro com o objetivo de contribuir para a formação cultural da comunidade acadêmica, por meio da aproximação desta e da comunidade em geral com a música erudita. Tal aproximação permitiu a apreciação de peças executadas, complementada pela distinção de estilos e de instrumentos variados e conhecimento de elementos históricos de seus compositores. No recinto da biblioteca da Unesp Campus de Rio Claro, ocorreram apresentações mensais do Quarteto de Cordas com alunos da Escola de Müsica de Rio Claro. O projeto possibilitou uma interação entre estes alunos, que tiveram a oportunidade de apresentar o que aprendiam na escola, e a comunidade acadêmica que apreciava uma boa música e também aprendia com os músicos. O evento, em sua quinta versão tem sido espaço significativo de apreciação da música erudita, de troca de conhecimentos e de participação da comunidade universitária e da comunidade em geral, contribuindo de forma significativa para a indispensável formação cultural de seus participantes.</text>
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                    <text>CRIAÇÃO DE INDICADORES SOBRE O SERVIÇO DE COMUTAÇÃO
BIBLIOGRÁFICA DA BCO/UFSCAR em 2004-2005, ATRAVÉS DE ANÁLISE
BIBLIOMÉTRICA AUTOMATIZADA
Roniberto Morato do Amaral - roniberto@nit.ufscar.br 1234
Ronildo Santos Prado - ronisp@power.ufscar.br 1
Lígia Maria Silva e Souza - ligia@power.ufscar.br 1
Leandro Innocentini Lopes de Faria - leandro@nit.ufscar.br 23
Wanda Aparecida Machado Hoffmann - wanda@nit.ufscar.br 23
José Angelo Rodrigues Gregolin – gregolin@nit.ufscar.br 3

1 – Biblioteca Comunitária BCo/UFSCar
Universidade Federal de São Carlos - UFSCar
Rodovia Washington Luís, km 235 – CEP 13565-905 - São Carlos - SP - Brasil
(16) 33518424
http://www.bco.ufscar.br
2 - Núcleo de Informação Tecnológica em Materiais - NIT/Materiais
Universidade Federal de São Carlos - UFSCar
Rodovia Washington Luís, km 235 – CEP 13565-905 - São Carlos – SP - Brasil
(16) 33615547 ou 33613188
http://www.nit.ufscar.br
3 – Departamento Ciência da Informação - DCI
Universidade Federal de São Carlos - UFSCar
Rodovia Washington Luís, km 235 – CEP 13565-905 - São Carlos - SP - Brasil
(16) 33615547 ou 33613188
http://www.dci.ufscar.br
4 – Departamento de Engenharia de Produção - DEP
Universidade Federal de São Carlos - UFSCar
Rodovia Washington Luís, km 235 – CEP 13565-905 - São Carlos - SP - Brasil
(16) 33615547 ou 33613188
http://www.dep.ufscar.br

�RESUMO: Este trabalho apresenta um estudo dos atendimentos e solicitações
realizados pelo Serviço de Comutação Bibliográfica da Biblioteca Comunitária da
Universidade Federal de São Carlos – BCo/UFSCar em 2004-2005. O objetivo do
estudo foi analisar os atendimentos e solicitações feitos pela BCo/UFSCar através do
Programa de Comutação Bibliográfica – COMUT para construir indicadores sobre
esse serviço. Para a construção dos indicadores foi utilizada a análise bibliométrica
automatizada. Como dados iniciais, foram utilizados 1460 formulários, entre
atendimentos e solicitações realizados pela BCo/UFSCar em 2004-2005, obtidos no
site do COMUT. Os formulários foram tratados com o software Vantagepoint para
construção de indicadores a partir dos campos "Situação do pedido", "data do
pedido", "data do atendimento", "biblioteca" e "periódico", entre outros. Entre a coleta
e a análise, foi necessário preparar os dados, o que envolveu consolidar os
formulários em um arquivo, incorporar as datas de pedido e atendimento nos
formulários, padronizar nomes e reorganizar os dados em campos adequados para
análise. Como resultados, foram construídos indicadores relacionados ao tempo de
atendimento, à freqüência de solitação e atendimento, aos periódicos solicitados e
aos usuários. Como o procedimento desenvolvido é automatizado, será possível
atualizar periodicamente os indicadores para seu acompanhamento ao longo do
tempo.

PALAVRAS-CHAVE: COMUT; comutação bibliográfica; bibliometria; indicadores.

1 INTRODUÇÃO

A comutação bibliográfica é um sistema cooperativo que permite a localização
e recuperação de documentos não existentes no acervo das bibliotecas conveniadas.
Seus objetivos, segundo o COMUT (2006), são facilitar o acesso aos documentos
requerido nas tarefas de pesquisa, ensino e gerenciamento independentemente de
sua localização, sob a égide de um sistema de comutação bibliográfica
descentralizado, desburocratizar o processo administrativo e contábil nas transações

�de compra e venda de cópias de documentos, contribuir para o aperfeiçoamento do
ensino e da pesquisa, criando condições para a transferência e uso cooperativos de
informações interdisciplinares armazenadas nas instituições depositárias dos acervos
bibliográficos.

Propõe-se por meio deste estudo dar continuidade ao trabalho apresentado
por AMARAL et al (2005), de analise do serviço de comutação bibliográfica da
BCo/UFSCar, através do uso de métodos de estudos bibliométricos e tratamento
automatizado dos dados extraídos a partir dos formulários disponibilizados pelo
Programa de Comutação Bibliográfica - COMUT, focando a criação de indicadores.
Com a visibilidade das informações sobre o serviço foi possível identificar, através da
construção de gráficos e quadros, quais as instituições que mais atenderam e
solicitaram material bibliográfico a BCo/UFSCar, quais os principais usuários do
serviço, qual a tipologia do material solicitado, a freqüência de solicitações por
periódico. Os estudos bibliométricos combinados a outros indicadores podem ajudar
tanto na avaliação do estado atual da ciência como na tomada de decisão e no
gerenciamento da pesquisa, importantes em estudos para a área acadêmica
(WORMELL, 1998).

2 REFERENCIAL TEÓRICO

Atualmente a informação é matéria-prima para o desenvolvimento tecnológico.
A informação assume um novo papel como fator de produção que, aliado ao
trabalho, matéria-prima e capital se torna o elemento indutor das mudanças
tecnológicas essenciais para as empresas que lutam por sua sobrevivência (FUJINO,
1994). A valorização da informação trouxe benefícios para o desenvolvimento e
emprego de técnicas voltadas para a análise da informação, entre elas a bibliometria,
que possibilita realizar estudos a organização dos setores científicos e tecnológicos a
partir de fontes bibliográficas para identificar os autores, suas relações e tendências
(SPINAK, 1998).

�A bibliometria analisa a comunicação escrita, através da contagem de
palavras. Atualmente está relacionada à contagem não apenas de elementos
textuais presentes no suporte de papel, mas principalmente de informações extraídas
de base de dados bibliográficos. TARAPANOFF (1995) define a bibliometria como o
estudo de aspectos quantitativos da produção, distribuição e uso da informação
registrada, a partir de modelos matemáticos, para o processo de tomada de decisão.

Alguns pesquisadores observaram que a distribuição de freqüência dos dados
em um texto ou em um conjunto de referências bibliográficas segue certos padrões.
Essas observações deram origem às leis bibliométricas: Lei de Lotka determina a
contribuição de cada autor para o avanço da Ciência; Lei de Bradford, um método
para selecionar os periódicos mais representativos para uma área da ciência; e a Lei
de Zipf, verificou que se as palavras que ocorrem em um texto forem contadas e
classificadas em ordem decrescente de número de ocorrências, a multiplicação do
número de ocorrências pela posição no ranking para cada palavra é uma constante.
A lei de Zipf é valida para todas as contagens feitas em textos, conjunto de textos ou
referências bibliográficas, tanto para contagem de palavras, como de elementos
bibliográficos como: autores, data de publicação, fonte da publicação entre outros
(WORMELL, 1998).

Em geral, a bibliometria busca conhecer a variação de um elemento em
relação a um outro elemento fixo. Por exemplo, quais são os autores que publicam
em uma revista específica, quais são as palavras-chave que descrevem um assunto
focalizado, quais as palavras utilizadas em um texto, quais os autores citados por um
autor em particular, dentre outras possibilidades. Esse fato implica em que as
distribuições bibliométricas apresentem sempre uma "dispersão" de elementos.

Além da bibliometria, há outras áreas que se ocupam da medição das
informações. A cientometria consiste na aplicação das mesmas técnicas da
bibliometria, mas estritamente a documentos científicos e com o objetivo de estudar

�a ciência e seus processos de comunicação. Existe também o termo informetria,
empregado para o estudo dos aspectos quantitativos da informação em qualquer
formato (e não apenas registros referenciais e textos completos, como na
bibliometria) e a qualquer grupo social (e não apenas a cientistas, como a
cientometria). As fronteiras entre bibliometria, cientometria e informetria não são bem
definidas e existe um certo caos terminológico na área (FARIA, 2001). A analise
bibliométrica é uma importante ferramenta para a síntese e análise da informação
que auxilia em processos decisórios. Através da bibliometria, conjuntos de centenas
ou milhares de registros bibliográficos de artigos científicos, patentes, notícias e
outros documentos podem ser analisados para dar origem a novas informações
bastante sintéticas e de alto valor agregado, chamados indicadores, que não dizem
respeito a um documento em particular, mas ao conjunto dos documentos
analisados. Os indicadores bibliométricos podem ser usados para estudos de
prospecção tecnológica, inteligência competitiva e análise da produção cientifica.

Indicadores é uma forma indireta de avaliar algo intangível, como ciência e
tecnologia. Considerando a ciência e tecnologia como sistema gerador de
informação, conhecimento e inovação, que requer insumos para funcionar e produz
resultados, podem-se construir indicadores de ciência e tecnologia a partir da
medição dos insumos aplicados e os resultados obtidos (SPINAK, 1998).

Os indicadores bibliométricos são classificados em indicadores de uma ou de
duas dimensões. Os indicadores de duas dimensões são chamados de indicadores
de ligação e os indicadores de uma dimensão são divididos em indicadores de
atividades (contagem de publicações) e indicadores de impacto (contagem de
citações recebidas. Os indicadores de ligação têm sido aplicados para elaboração de
mapas descritivos do conhecimento e de redes de relacionamento entre
pesquisadores, instituições e países (FARIA, 2001). Eles são de fundamental
importância, pois contam os relacionamentos entre os diversos campos de uma base
de dados. Por exemplo, são importantes para a identificação das parcerias entre

�autores ou entre instituições e para mostrar ligações entre temas ou áreas de
pesquisa. Os indicadores de atividade são criados a partir da contagem de
publicações e visam à elaboração de listas de freqüência ou ranking de
pesquisadores, instituições, empresas, países, e outros (FARIA, 2001). Este tipo de
indicador permite identificar os autores mais produtivos de uma determinada área,
analisar sua evolução no decorrer dos anos e mapear quais são os temas de
pesquisa prioritários de cada país, dentre outras possibilidades. Os indicadores de
impacto, que são criados a partir da contagem de citações. O Indicador de impacto
mais conhecido é o Fator de Impacto. Calculado freqüentemente pelo Institute for
Scientific Information (ISI, 2005) para os periódicos indexados na base Science
Citation Index, com base nas citações recebidas pelos artigos publicados nesses
periódicos nos últimos anos. O fator de impacto é uma medida da qualidade dos
periódicos, é freqüentemente e erroneamente utilizado para medir a qualidade dos
pesquisadores. Cabe aqui ressaltar que o impacto, que é o que efetivamente as
citações medem, não é sinônimo de qualidade (RINIA, 1998). Comumente costumase atribuir valor a um artigo que foi publicado em uma revista indexada em bases de
dados internacionais e também pelo número de citações que o artigo recebeu,
porém, convém destacar que, no plano de análise absoluta, o fato de um conjunto
particular de trabalhos ser momentaneamente ou temporariamente ignorado não
significa baixa qualidade (STREHI, 2002).

Na década de 80, começaram a ser desenvolvidas ferramentas (softwares)
para permitir automatização da análise bibliométrica, que consiste em produzir os
indicadores bibliométricos a partir de dados extraídos de base de dados eletrônicas
com o auxilio do computador. A análise automatizada conta com as etapas: a)
recuperação dos dados; b) preparação dos dados; c) tratamento bibliométrico dos
dados para a contagem de ocorrências de palavras nos registros recuperados e
criação de listas e matrizes; d) tratamento estatístico; e e) representação gráfica para
facilitar o entendimento da análise (FARIA, 2001). Em grande parte das aplicações
do tratamento automatizado, a estrutura da informação recuperada das bases de

�dados é incompatível com o padrão necessário para o uso de softwares. A
preparação dos dados deve se ajustar às condições em que o tratamento é
realizado. Para estudos sistemáticos e de duração mais longa, como a produção de
indicadores para a avaliação da produção cientifica, a preparação dos dados tornase um processo contínuo e sistemático que visa à criação de um sistema de
informação perene, aprimorado ao longo do tempo com a experiência resultante de
sucessivas aplicações (VAN RAAN, 1997).

Diversos pesquisadores brasileiros já desenvolveram estudos a cerca da
bibliometria, HOFFMAN (1999), desenvolveu um interessante trabalho, onde
aplicarou a bibliometria para o mapeamento da intersecção entre a área de materiais
metálicos e o setor aeronáutico, a partir da recuperação de informações da base de
dados Compendex. Após o tratamento dos dados foi possível caracterizar as
tecnologias de materiais para o uso na aeronáutica, bem como identificar os
principais temas, especialistas, empresas, instituições e fontes de informação ligadas
à área de materiais e aeronáutica. QUONIAM (2001) mostrou em seu trabalho, de
análise das teses brasileiras inseridas na base de dados francesa Doc Thèses, que é
possível obter conhecimento, a partir do tratamento automatizado, para auxiliar o
processo decisório em todos os níveis, pois oferece subsídios para a consolidação,
investimento e desenvolvimento de ações políticas e cientificas.

3 MÉTODO

Para analisar os atendimentos e solicitações de documentos feitos pela
BCo/UFSCar, através do Programa de Comutação Bibliográfica – COMUT, e
construir indicadores sobre esse serviço, foi utilizado o método desenvolvido por
Amaral et al (2005). Como dados iniciais foram utilizados os 1.460 formulários de
atendimentos e solicitações realizados pela BCo/UFSCar em 2004-2005, obtidos no
site do COMUT. Optou-se por extrair registros referentes aos formulários, pela
quantidade de informações presentes a respeito do serviço de comutação que são

�disponibilizados, gratuitamente, aos seus parceiros. Para a análise dessas
informações foi necessária a recuperação de 2.920 formulários em 2004-2005, tendo
em vista que os dados relevantes sobre cada operação (solicitação ou atendimento)
(Dia atendimento; Usuário; Dia do pedido; Biblioteca; Titulo do periódico; e etc.)
estavam distribuídos em 2 formulários com grande diversidade de organização. Com
esse material coletado foi construído um novo arquivo contendo os dados das 589
solicitações em 2004, 432 solicitações em 2005 e 439 atendimentos em 2005
organizados

em

um

formato

bibliométrico,

adequado

para

o

tratamento

automatizado, conforme visualizado no quadro 1. Os atendimentos de 2004 não
foram analisados devido a falta de informações, a aplicação das análises na
BCo/UFSCar iniciou-se em 2004 com as informações sobre solicitações.

QUADRO 1 – Formato bibliométrico.
SITUACAO DO PEDIDO- ATENDIDO
FORMA DO DOC ORIGINAL- PAPEL
NUMERO DE PAGINAS- 431
MOTIVOOBSERVACAO- AS PAGINAS SAO FICTICIAS. POR FAVOR ENVIAR OS DOIS VOLUMES DA TESE.
GRATA, SHEILA.
TIPO DE DOCUMENTO- TESE
BIBLIOTECA BASE- USP/ECA/SBD - SERVICO DE BIBLIOTECA E DOCUMENTACAO "MARIA LUIZA
M. DA CUNHA"
NUMERO DO PEDIDO- TE000000033/2004
ANO DO PEDIDO- 2004
NOME DO USUARIO- CRISTIANE MARIA RIBEIRO
CPF DO USUARIO- 51062577191
TITULO- VALORIZACAO DA CULTURA NEGRO-AGRICANA NO ENSINO DE ARTE: ANALISE DAS
FACULDADES DE ARTE NO BRASIL EM BUSCA DE RAIZES AFRICANAS
UNIVERSIDADE DE DEFESA- USP-ECA
ANO- 2001
GRAU DA TESE- DOUTORADO
BONUS UTILIZADOS- 87
FORMA DE ENVIO- CORREIO NORMAL NACIONAL
DATA DE PEDIDO- 07/01/2004
DATA DE ATENDIMENTO- 28/01/2004
DIAS ATE ATENDIMENTO- 21

Para se chegar ao formato bibliográfico apresentado no Quadro 1, os
formulários passaram por uma preparação, que envolveu o uso do software
Infotrans; um software comercial, desenvolvido pela I + K Information und

�Komunikation, da Alemanha, que permite eliminar sinais e termos desnecessários de
um conjunto de referências, deixando-o padronizado para a análise bibliométrica dos
dados. A realização desta etapa foi um processo lento, uma vez que o formato de
apresentação dos dados do COMUT não é o ideal para o tratamento bibliométrico.
Esta etapa do trabalho envolveu: (a) Aquisição dos formulários do site do COMUT,
(um a um manualmente, pelo fato de que o COMUT não os disponibiliza em um
único formulário); (b) reformatação dos dados, aplicação de campos, para serem
processados pelo software VantagePoint (capaz de, a partir de um arquivo texto
contendo registros bibliográficos, produzir indicadores de uma ou duas dimensões,
além de representar gráficos através de mapas estatísticos). Após a preparação, o
software Vantagepoint foi usado para fazer o tratamento bibliométrico, que resultou
na criação de listas de freqüência, matrizes de relacionamentos e mapas. Por fim, o
software Microsoft Excel foi utilizado para importar os dados obtidos com o
Vantagepoint e representar graficamente os indicadores bibliométricos. A figura 1
abaixo sintetiza todas as etapas do trabalho.

FIGURA 1 – Síntese do método (AMARAL et al, 2005).

Este estudo foi realizado em parceria com o Núcleo de Informação
Tecnológica em Materiais – NIT/Materiais e o Departamento de Ciência da
Informação – DCI/UFSCar. A estrutura utilizada para desenvolver o trabalho, tanto
hardware como software, foi disponibilizada pelo NIT/Materiais. O núcleo é
especializado em Inteligência Competitiva (NIT, 2006).

�4 RESULTADOS

As nomenclaturas utilizadas neste trabalho referentes às instituições poderão
ser encontradas no Catalogo Coletivo Nacional (CCN), através do site do IBICT
(www.ibict.br). O quadro 3 apresenta o total de solicitações de comutação efetuadas
pela BC0/UFSCar no período de 2004-2005, as dez instituições que mais receberam
solicitações em 2004 e em 2005.
QUADRO 2 – Ranking.
Ano 2004
Biblioteca Base
Solicitações
UNICAMP/FCM/BT
45
FIOCRUZ/BT
29
USP/ESALQ/BC
28
UNICAMP/IQ/BT
27
USP/CQ/DBD
25
USP/FM/SBD
17
UFRGS/MED/BT
12
UNICAMP/IB/BT
11
UNESP/BFA
10
PUC/RS/BC
10
Todas as 127
instituições
589

Ano 2005
Biblioteca Base
Solicitações
BUSCA MONITORADA*
38
FIOCRUZ/BT
30
USP/CQ/DBD
29
UNICAMP/IQ/BT
15
UNESP/BIQ
10
UNICAMP/BAE/BT
10
FUB/BC
10
UNICAMP/FCM/BT
10
USP/ESALQ/BC
10
USP/BCRP/SBD
9
Todas as 119
instituições
432

* A Busca Monitorada tem o objetivo de buscar documentos em instituições não participantes
do Programa COMUT no Brasil e no Exterior.

Este ranking é constituído pelas instituições que receberam mais de 9
solicitações no período do estudo, em um universo total de 127 instituições em 2004
e de 119 instituições em 2005.

É possível constatar a grande concentração de

solicitações junto às bibliotecas da UNICAMP em 2004. Em 2005 há concentração
de solicitações a FIOCRUZ/BT. Também em 2005 começou a operar a busca
monitorada no COMUT (busca por documentos não encontrados no Brasil). A
redução no número de solicitações pode ser vista como um dos resultados das
ações de melhoria proposta por Amaral et al (2005), por exemplo, cursos de
orientação ao usuário ministrados pelos bibliotecários da BCo/UFSCar, visando o
auto-atendimento.

�O quadro 3 apresenta os principais motivos de cancelamento das solicitações
de comutação da BCo/UFSCar, sendo que o principal motivo de cancelamento é a
falta de documentos, isto representou um total de 62,5% dos motivos de
cancelamento em 2004 e de 35,85% em 2005 . Um dado preocupante a respeito da
confiabilidade das informações disponibilizadas no CCN e nos demais catálogos
bibliográficos. Essas informações podem estar desatualizadas ou incompletas,
dificultando assim o acesso ao documento primário.

QUADRO 3 – Motivo do cancelamento no período.
Motivo de cancelamento
Biblioteca não possui o documento
Dados incorretos
Biblioteca em greve
Publicação extraviada
Biblioteca de ferias, inventario ou reforma
Proibido copias / direitos autorais
Publicação danificada
Publicação em uso
Busca monitorada não esta atendendo
Difícil tirar copia – encadernação apertada
Material não localizado apos pesquisa exaustiva
Obra rara
Ultrapassado prazo para aceitação de novo valor
Mudança na forma de envio

2004
60
12
6
5
3
2
2
2
1
1
1
1
-----------

2005
22
7
-----7
10
-----1
2
-----1
3
1
4
3

A figura 2 apresenta a tipologia dos materiais solicitados pela BCO/UFSCar, é
possível constatar que em 2004, 90,66% dos materiais solicitados são periódicos.
Dos 38 materiais classificados como tese, 28 são dissertações de mestrado e 10 de
doutorado. Já em 2005, 94,44% dos materiais solicitados são periódicos. A
BCo/UFSCar no ano de 2005 realizou 440 atendimentos, desses foram: 403
periódicos, 32 teses, 4 anais de congresso e 1 parte de documento. A maior
utilização de periódicos enfatiza a importância desta fonte de informação para a
formação dos alunos de pós-graduação e o desenvolvimento das pesquisas.

�Ano 2005

Ano 2004
534 - Periódico

408 - Periódico

38 - Tese

11 - Tese

9 - Parte de
documento

8 - Parte de
documento

8 - Anais

5 - Anais

FIGURA 2 – Material solicitado no período.
O total de títulos de periódicos visualizados na amostra de solicitações foi de
451 em 2005 e de 333 em 2005. Os títulos que se repetem no período podem ser
visualizados no quadro 4. A partir dessas informações é possível visualizar
demandas futuras do acervo de periódicos.

QUADRO 4 – Periódicos que tiveram artigos solicitados em 2004 e em 2005.
Título do periódico
PHYTOCHEMICAL ANALYSIS
POLYMER
AQUATIC TOXICOLOGY
PHYTOCHEMISTRY
REVISTA BRASILEIRA DE CIENCIAS FARMACEUTICAS
TRANSACTIONS OF THE INSTITUTE OF METAL FINISHING
ANALYST
CHEMICAL &amp; PHARMACEUTICAL BULLETIN
INORGANIC MATERIALS
NATURE
PLANTA MEDICA
TOXICON

ZEOLITES

O quadro 5 apresenta o tempo que as dez instituições mais solicitadas pela
BCo/UFSCar no período, levaram para atender as solicitações, é possível verificar
que as instituições procuraram atender as solicitações nos primeiros 4 dias, com isso
é possível calcular qual instituição é mais eficiente. A FIOCRUZ/BT aumentou a sua
eficiência no atendimento de 2004 para 2005 e as bibliotecas da UNESP apresentam
um ótimo padrão de atendimento no período.

�A média de atendimento em porcentagem do quarto dia (% 4º dia) das
instituições foi de 69.86% no período. A média de atendimento da BCo/UFSCar é de
43,40% bem abaixo da media apresentada pelas demais instituições. Isto se deve a
rotina de trabalho adotada na instituição, que primeiro atende aos pedidos e depois,
com certo tempo de atraso, da baixa no sistema.

QUADRO 5 – Tempo de atendimento.
Ano

Instituição

Dias até atendimento

Solicitações
0

UNICAMP/FCM/BT
FIOCRUZ/BT
USP/ESALQ/BC
2004

UNICAMP/IQ/BT
USP/CQ/DBD
USP/FM/SBD
UFRGS/MED/BT
UNICAMP/IB/BT
UNESP/BFA
PUC/RS/BC
BUSCA
MONITORADA
FIOCRUZ/BT
USP/CQ/DBD
2005

UNICAMP/IQ/BT
UNESP/BIQ
UNICAMP/BAE/BT
FUB/BC
UNICAMP/FCM/BT
USP/ESALQ/BC
USP/BCRP/SBD
UFSCar/BCo

45
29
28
27
25
17
12
11
10
10
38
30
29
15
10
10
10
10
10
9
440

% 4º Dia

1

2 3

4

5

6

7

8

9 &gt;10

12 12

3 5

1

1

1

6

1

1

2

73,33

2 10

4 4

4

1

1

1

2

82,76

1 10

5 3

1

1

4

67,86

3

1 4

3

1

1

2

12

40,74

1

3

2

2

64,00

3

82,35

2

3

6

2 1

5

11

1

2

1

2

4

1

6

3

6

4

2

2

4

6

1 2

2 18

9

1

6 4

1

4

3

6

1

3

5

2

5

1

2

58,33

1

1

1

72,73
100,00

1

6

1

1

1

2

1

1

1

1
1

1

1

22

34,21
100,00

1
2 4

4
3

1

62,07

4

53,33
100,00

3
1 2

2 2

1

2 2

1

1

40,00

1
2

1

1 1

1

3 2

1 1

50,00
80,00

2

6 65 51

90,00

90,00
1

55,56

53 35 37 35 13 18 249

43,40

1

Outros resultados foram obtidos com o trabalho como os principais usuários
do serviço de comutação, o total de bônus utilizado e o número de paginas enviado
eletronicamente e pelo serviço de correios.

�5 CONCLUSÃO

Com os resultados foi possível a BCo/UFSCar melhorar o seu serviço de
comutação bibliográfica junto aos usuários, promovendo treinamentos direcionados
aos seus principais usuários e visando novos usuários. Os resultados permitiram
uma melhor seleção das instituições na hora de efetuar as futuras solicitações, pois é
possível visualizar o tempo de atendimento de cada instituição. Também foi possível
um melhor controle do acervo de periódicos, já que algumas publicações solicitadas
encontram-se em nosso acervo com algum tipo de problema e outras puderam ser
indicadas para aquisição devido ao seu volume de solicitações.

As iniciativas de treinamento começam a dar resultados, haja a vista na
redução das solicitações realizadas pela BCo/UFSCar e pelo volume de
atendimentos. Os usuários da BCo/UFSCar estão adquirindo a competência de
realizar o auto atendimento, aproveitando ao máximo as vantagens do serviço
COMUT.

Conforme foi citado no referencial teórico, os trabalhos desenvolvidos com o
tratamento bibliométrico tendem a evoluir conforme a sua aplicação. O presente
artigo é compreende uma série de trabalhos que abordam o desenvolvimento do
serviço de Comutação Bibliográfica da BCo/UFSCar. O trabalho se caracteriza por
seus resultados, em um mecanismo de verificação e controle do desenvolvimento do
serviço de comutação. Como o procedimento desenvolvido é automatizado, é
possível atualizar periodicamente os indicadores para seu acompanhamento ao
longo do tempo.

6 REFERÊNCIAS
COMUT. Programa de Comutação Bibliográfica. Disponível em:
&lt;http://comut.ibict.br/comut&gt;. Acesso em: 31 maio de 2006.

�FARIA. L. I. L. Prospecção tecnológica em Materiais: aumento da eficiência do
tratamento bibliométrico. 225 f. 2001. Tese (Doutorado em Engenharia de Materiais) –
Universidade Federal de São Carlos, São Carlos: UFSCar. 2001.
FUJINO, A. A informação e o lucro da empresa. Palavra-Chave, São Paulo, n.7, p.15, 1994.
GREGOLIN, J. A. R., et al. Criação de base de dados para análise bibliométrica a partir do
conteúdo da Web of Science. In: KM BRASIL 2002 - WORKSHOP BRASILEIRO DE
INTELIGÊNCIA COMPETITIVA E GESTÃO DE CONHECIMENTO, 3., 2002. São Paulo.
Anais... São Paulo: [s.n.], 2002.
HOFFMANN, W. A. M. ; FARIA, L. I. L, ; GREGOLIN, J. A. R. Mapeamento de informações
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COMPETITIVA &amp; GESTÃO DO CONHECIMENTO, 1., 1999, Rio de Janeiro. Anais ... Rio de
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ISI. Institute for Scientific Information. Disponível em: &lt;http://
www.isinet.com/isi&gt;. Acesso em 12 de abril de 2005.
LELLIS, V. M. et al. Análise bibliométrica automatizada de acervos como suporte à política
de aquisição desenvolvimento de coleções. In: SEMINÁRIO SOBRE AUTOMAÇÃO EM
BIBLIOTECAS E CENTROS DE DOCUMENTAÇÃO, 6., 1997, Águas de Lindóia: Anais...
Águas de Lindóia: INPE, 1997, p.140-146.
NIT. Núcleo de Informação Tecnológica em Materiais. Disponível em:
&lt;http://www.nit.ufscar.br&gt; Acesso em 04 de maio de 2006.
QUONIAM, L., et al. Inteligência obtida pela aplicação de data mining em base de teses
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RAVICHANDRA RAO, I. K. – Métodos quantitativos em biblioteconomia e ciência da
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RINIA, E. J. et al. Comparative analysis of a set of bibliometric indicators and and central
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WORMELL, I. – Informetria: explorando bases de dados como instrumentos de análise. Ciência da Informação, v.27, n.2, p.210-216, 1998.

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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            <description>An account of the resource</description>
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                <text>Este trabalho apresenta um estudo dos atendimentos e solicitações realizados pelo Serviço de Comutação Bibliográfica da Biblioteca Comunitária da Universidade Federal de São Carlos – BCo/UFSCar em 2004-2005. O objetivo do estudo foi analisar os atendimentos e solicitações feitos pela BCo/UFSCar através do Programa de Comutação Bibliográfica – COMUT para construir indicadores sobre esse serviço. Para a construção dos indicadores foi utilizada a análise bibliométrica automatizada. Como dados iniciais, foram utilizados 1460 formulários, entre atendimentos e solicitações realizados pela BCo/UFSCar em 2004-2005, obtidos no site do COMUT. Os formulários foram tratados com o software Vantagepoint para construção de indicadores a partir dos campos "Situação do pedido", "data do pedido", "data do atendimento", "biblioteca" e "periódico", entre outros. Entre a coleta e a análise, foi necessário preparar os dados, o que envolveu consolidar os formulários em um arquivo, incorporar as datas de pedido e atendimento nos formulários, padronizar nomes e reorganizar os dados em campos adequados para análise. Como resultados, foram construídos indicadores relacionados ao tempo de atendimento, à freqüência de solitação e atendimento, aos periódicos solicitados e aos usuários. Como o procedimento desenvolvido é automatizado, será possível atualizar periodicamente os indicadores para seu acompanhamento ao longo do tempo.</text>
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            <description>A language of the resource</description>
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                    <text>CRIAÇÃO

E

INFORMAÇÃO:

DESENVOLVIMENTO
A

EXPERIÊNCIA

DE
DA

WEBSITE
BIBLIOTECA

EM
DA

UNIDADES

DE

UNIVERSIDADE

TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ  UTFPR  CAMPUS CURITIBA

LIZETE ALVES DE MELO
Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR
Av. Sete de Setembro, 3165 - Centro  Curitiba  PR Brasil
lizam@cefetpr.br

ROSÂNGELA IARA DOS SANTOS
Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR
Av. Sete de Setembro, 3165  Centro  Curitiba  PR Brasil
riara@cefetpr.br

�1

CRIAÇÃO

E

INFORMAÇÃO:

DESENVOLVIMENTO
A

EXPERIÊNCIA

DE
DA

WEBSITE
BIBLIOTECA

EM
DA

UNIDADES

DE

UNIVERSIDADE

TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ  UTFPR  CAMPUS CURITIBA

Lizete Alves de Melo, CRB-9 /993 
Rosângela Iara dos Santos, CRB-9 /981 
Resumo: Apresenta a criação da Website da Biblioteca da Universidade Tecnológica
Federal do Paraná - UTFPR, Campus Curitiba. Mostra o processo de planejamento,
organização e os métodos utilizados até sua publicação. Evidencia as atualizações
da página, identificando as necessidades de alterações no sentido de facilitar a
acessibilidade pelos usuários. Trata da importância de uma página Web como uma
ferramenta indispensável em Unidades de Informação. Informa o principal objetivo da
site que é oferecer informações rápidas e satisfatórias aos usuários. A implantação
da home page tem a finalidade de facilitar o acesso dos serviços prestados pela
biblioteca. Aborda a articulação com os segmentos dos setores da biblioteca. A
construção da página com o apoio da Assessoria de Informática e o Laboratório de
Mídia da Universidade que estabeleceu o layout, estrutura e as diretrizes. Apresenta
a metodologia utilizada para buscar interação com os usuários procurando tornar o
site dinâmico com sugestões e solicitações de implementação. O resultado da
implantação da página propiciando melhor visibilidade do sítio, a melhoria da
qualidade dos serviços oferecidos, melhor imagem da biblioteca e facilitar aos
usuários o acesso e a recuperação da informação.

Palavras-chave: Website. Organização da Informação. Acessibilidade digital.
Tecnologias da Informação. Recuperação da informação. Biblioteca universitária.

 Especialista em Dinâmica da Comunicação e Informação pela UTFPR, Bibliotecária Chefe da Seção de
Atendimento ao Usuário da Biblioteca Central da UTFPR, Campus Curitiba.
 Especialista em Dinâmica da Comunicação e Informação pela UTFPR, Bibliotecária da Seção de Atendimento
ao Usuário da Biblioteca Central da UTFPR, Campus Curitiba.

�2

1 INTRODUÇÃO

O presente trabalho trata-se de um estudo sobre a construção e o
desenvolvimento da página Web da biblioteca da Universidade Tecnológica Federal
do Paraná  UTFPR, Campus Curitiba, desde a sua criação até a publicação do site
disponível aos usuários. Apresenta um breve histórico da biblioteca e sua evolução.
Ressalta, também, a importância da criação da página da biblioteca como sendo
uma ferramenta indispensável aos usuários e os benefícios que pode trazer a todas
as pessoas da instituição e da sociedade.

São descritas as versões de desenvolvimento da página, com o intuito de
facilitar a navegação e dispor as informações dos serviços da biblioteca de uma
forma clara, com acesso on-line, links do Portal de Periódicos Capes e links de
instituições que possam atender às necessidades dos usuários, permitindo-lhes
interagirem com o portal e com seu conteúdo.

Este trabalho descreve, igualmente, a evolução das versões do site, com o
objetivo de mostrar a importância de um planejamento na criação de uma Website.

Para concluir, são sugeridas algumas ações para atualização da página, a
formação de recursos humanos para

obter

melhor efetividade e qualidade de

interface , bem como mais recursos informacionais, com o propósito de oferecer
serviços com qualidade.

2 OBJETIVO GERAL

O presente estudo tem como objetivo geral a construção e o desenvolvimento
da Website da biblioteca da Universidade Tecnológica Federal do Paraná  UTFPR,
Campus Curitiba.

�3

2.1 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

•

Definir a importância das tecnologias de informação nas bibliotecas;

•

Especificar o desenvolvimento da página Web da biblioteca;

•

Avaliar a intensificação de acessibilidade do usuário quanto ao uso da Internet;

•

Identificar os impactos causados nos serviços oferecidos pela biblioteca quanto
ao uso da Website;

•

Relacionar o uso da Website com a qualidade dos serviços de informação;

•

Recomendar ações futuras para atualizações da página.

3 METODOLOGIA

Para o desenvolvimento deste trabalho adotou-se como metodologia a
pesquisa bibliográfica e a pesquisa de campo. Em relação à bibliografia, foram
consultadas obras e artigos relacionados ao tema, e material relacionado à
Universidade Tecnológica e à Biblioteca Central. Na pesquisa de campo, o método
utilizado foi o questionário estruturado.

4 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Diariamente, cresce o volume de informações que são disponibilizadas em
ambientes digitais, principalmente o uso da Internet, considerada uma tecnologia de
interatividade. É cada vez maior a intensificação de uso de equipamentos, serviços e
produtos oferecidos.

No artigo de Oliveira; Ramos (2005, p.2), os autores conceituam que a
disponibilidade da Informação através do uso integrado de tecnologias proporciona o
acesso ao ambiente digital, com serviços e recursos informacionais à disposição dos
pesquisadores, instituições de ensino e alunos, beneficiando a sociedade em geral.

�4

As Unidades de Informação são importantes neste contexto e devem
desempenhar seu papel, proporcionando o acesso e a disseminação da informação
de forma abrangente e eficaz. Afinal, as bibliotecas fazem parte da sociedade.

A biblioteca deve ser considerada como a porta de entrada do conhecimento e
deve oferecer condições para as pessoas encontrarem as fontes de informação para
seu desenvolvimento individual e social.

Considerando que a biblioteca deve dispor de acervos que atendam aos seus
usuários, é necessário que os recursos informacionais sejam selecionados e
operacionalizados, de tal forma que possam garantir a eficiência e a qualidade do
uso da informação. Deitos (2002, p.62) exemplifica bem que ... aplicação de novas
técnicas de geração e transmissão de informações, que permitem reduzir as
distâncias e assim disponibilizar com rapidez, produtos, serviços e idéias às
pessoas.

As tecnologias de informação, utilizadas em bibliotecas, representam hoje
processos de alta relevância no gerenciamento de sistemas de automação. Elas têm
auxiliado muito na recuperação da informação e nos serviços prestados pelas
bibliotecas. Esse cenário mudou muito o perfil das bibliotecas, as quais recorrem a
essas tecnologias para gerenciar e atender a seus usuários. Diferente das bibliotecas
tradicionais, que utilizavam fichas e catálogos manuais, e que demandavam muito
tempo para serem confeccionadas e consultadas.

A Biblioteca Central da Universidade Tecnológica Federal do Paraná UTFPR,
Campus Curitiba foi fundada em 1903 e reorganizada em 1960. Atende à
comunidade acadêmica interna, professores, alunos da graduação e da pósgraduação, bem como aos servidores técnico-administrativos e estagiários da
Instituição. No Campus de Curitiba são oferecidos cursos de Engenharia Mecânica,
Engenharia Elétrica, Eletrônica, Telecomunicações e de Produção Civil, Tecnologia,
Especialização Lato Sensu, Mestrado e Doutorado, com áreas de tecnologia em

�5

educação, mecânica e engenharia industrial. O objetivo principal da biblioteca é
servir de apoio aos programas de ensino, pesquisa e extensão da UTFPR,
colaborando assim com o aprimoramento cultural e profissional de seus usuários. É
constituída por uma Biblioteca Central e uma Biblioteca Setorial.

Até 1990 a biblioteca não era informatizada. A circulação por meio manual
dificultava as atividades, principalmente em relação às necessidades dos usuários,
localização de obras, reservas, falhas de registros de fichas, atendimento
personalizado e geral aos usuários, entre outros.

Assim, houve a necessidade de implantar um sistema de automação que
atendesse e mudasse definitivamente o ambiente na biblioteca. Foi desenvolvido um
sistema de gerenciamento automatizado e mediado por rede interna. A biblioteca
sofreu mudanças na parte física, computadores foram viabilizados, terminais de
consultas instalados, de forma que facilitasse a recuperação da informação. Porém,
tanto os suportes materiais quanto o software foram ficando obsoletos. Surgiu
novamente a necessidade de reformular e estruturar projetos para que um novo
sistema de gerenciamento fosse implantado e que atendesse à necessidade
específica do usuário, com o propósito de tornar a informação tão acessível quanto
possível. O sistema implantado foi o Pergamum. Gonzalez et al. (2001, p.102)
complementa que É fundamental a preocupação com a busca de soluções que
viabilizem a construção de uma estrutura básica que apóie sob todos os aspectos a
geração, a manutenção e a disponibilização da informação,

principalmente no

formato digital. Foram observados os seguintes fatores para a implementação do
sistema: equipamentos condizentes e suficientes, o acervo deveria ser totalmente
automatizado e aprimorar a comunicação com os usuários.

Com a

utilização

da

Internet,

a

biblioteca

ampliou

seus

recursos

informacionais e, com isso, representou um vasto universo de informações e
funções. Ao utilizar o acesso digital, há a possibilidade e a condição de alcançar

�6

qualidade nos serviços. Os serviços na Web viabilizam essa condição e oferecem,
de maneira clara e atraente, as informações e os serviços da biblioteca.

A criação da Website da biblioteca surgiu com a intenção de divulgar os
serviços que são oferecidos, otimizar a comunicação entre a biblioteca e seus
usuários, agilizar o acesso às informações e inserir a biblioteca no espaço digital. Os
serviços da biblioteca devem estar disponibilizados no site para promover o
marketing da mesma.

Deve-se definir muito bem os objetivos da criação de uma Website. Os
conteúdos de cada página precisam ser altamente analisados e somente conter
informações que realmente agregam valor. Segundo Nielsen (2000, p.380) é preciso
pensar no usuário, criando uma página objetiva com um design simples, sites
práticos e eficientes sempre levando em conta os objetivos.  ... as quatro coisas que
os usuários mais desejam: conteúdo de alta qualidade, atualizações constantes,
tempo mínimo de download e facilidade de uso.

Os métodos utilizados para a estrutura do site seguiram os seguintes critérios:
levantamento das necessidades dos usuários e dos setores da biblioteca; análise
dos requisitos do site; projeto do site; implementação da página e disponibilização do
site na Internet.

A primeira versão surgiu em fevereiro de 2004 de um trabalho de curso de
especialização, realizado por duas bibliotecárias da Instituição: Lizete Alves de Melo
e Rosângela Iara dos Santos, que se encarregaram dos conteúdos e da digitação. O
site continha informações básicas sobre a biblioteca: breve histórico,

endereço,

horário de funcionamento, alguns links, os serviços oferecidos e fotos da biblioteca
em flash.

�7

Figura 1: Primeira versão da página Web

Em junho de 2005, surgiu a segunda versão. Apresentava uma arquitetura
mais bem elaborada, um trabalho mais estruturado. Continha informações gerais
com o horário de atendimento, endereço, orientação de consulta ao acervo, a
estrutura administrativa com os nomes e respectivos ramais dos funcionários
integrantes da biblioteca. Apresentava um breve histórico, os serviços oferecidos,
links de outras universidades e instituições de interesse, link de consulta ao acervo,
foto da biblioteca, o endereço eletrônico de contato, por se considerar altamente
necessário. O link do Portal de Periódicos da Capes. Nessa etapa foram
pesquisadas várias Websites de bibliotecas universitárias no Brasil e exterior e
observadas as funcionalidades, a organização da informação e as interfaces.
Procurou-se ter a preocupação com as informações e o acesso no menor tempo
possível.

�8

Figura 2: Segunda versão da página Web

Em 2006, a terceira versão, que é o projeto atual, obteve algumas
modificações no lay-out e buscou-se uma maior interação na interface padrão com o
site da Instituição, procurando manter a mesma identidade visual. O lay-out e as
funcionalidades foram estabelecidos. As bibliotecárias ficaram responsáveis pelo
conteúdo e a assessoria do Laboratório de Mídia da Instituição responsável pela
manutenção e publicação do portal. Essa parceria produziu um conjunto de
requisitos de informação muito mais rico e estratégico, e o trabalho fluiu melhor com
as potencialidades de cada membro. A página foi publicada na Internet sitiada no
endereço www.ct.cefetpr.br/biblioteca. A divulgação do site foi realizada por meio de
informações no cadastro do usuário na biblioteca, entrega do guia impresso com as
informações da biblioteca, envio de e-mail a todos os usuários cadastrados e
publicado no jornal da Universidade. O site apresenta uma estrutura simples e
compreensiva sendo o logotipo da UTFPR que fica na parte superior esquerda; barra
de menu contendo os links na parte esquerda; título da página localizado na parte
superior à esquerda e conteúdo na parte central da direita da página. Na página
principal, o topo com a logo e o nome da Universidade, nome da biblioteca e uma
imagem. Na lateral esquerda, definiu-se o menu com os seguintes tópicos: página
principal, histórico, setores, horário de funcionamento, links de serviços oferecidos,

�9

novas aquisições, consulta ao acervo on-line, bases de dados, biblioteca digital de
teses e dissertações, eventos, links de outras instituições que possam interessar ao
usuário e o fale conosco com endereço, telefone e endereço eletrônico da biblioteca
e dos responsáveis pelo setor de atendimento ao usuário.

Figura 3: Versão atual

Mesmo estando em sua fase inicial, a página já obteve alguns efeitos em
relação à sua funcionalidade no ambiente acadêmico. Muitos estudantes, e
professores que acessam a página dizem que ficou mais dinâmico e mais fácil para
utilizar a biblioteca. Foram recebidos e-mails também com muitos elogios. Facilitou
muito, pois o sistema Pergamum permite que o usuário faça reservas e renovações
de obras emprestadas pela Internet, diretamente da página, além de consultar o
acervo.

A grande maioria dos usuários dominam com facilidade as ferramentas de
informática, especialmente a Internet. Informam-se os procedimentos e o
funcionamento da biblioteca, principalmente se o usuário apresenta alguma
dificuldade ou não tem acesso externo. Esse atendimento se dá por parte, no serviço

�10

de referência quando o usuário faz o seu cadastro para utilizar os serviços da
biblioteca. Paula; Benatti; Caldas (2005, p.02) definem bem que o trabalho centrado
no usuário é necessário, inovador, dedicado e extremamente gratificante em seus
resultados.

O programa utilizado é o Front Page e para facilitar o trabalho, a assessoria de
informática concedeu uma senha para a biblioteca realizar inserção de conteúdo
para a edição e publicação dos textos na Web.

Até o presente momento, o desenvolvimento do site está baseado em análises
de outros sites, estudo da literatura em questão, trabalho cooperativo e articulação
com todos os segmentos da biblioteca, procurando manter um entrosamento do
grupo e o que se considera ser o mais importante, a interatividade com os usuários.
Iniciou-se uma pesquisa com um questionário entregue aos usuários com algumas
perguntas e sugestões sobre o site e depois implantou-se um sistema de
comunicação on-line na própria página. A implementação dessas ações obteve
resultados significativos e decisivos, acreditando ser esse o caminho a seguir, pois é
o usuário que sabe o que ele quer encontrar na página. Essas ações propiciaram
melhor visibilidade e acessibilidade do site. Essa busca por alternativas é que irá
permitir melhor qualidade do sítio, causando impactos de acesso mais amplo e fácil
aos interessados e maior credibilidade da biblioteca.

Outro aspecto a ser analisado é a freqüência de atualização da página que,
atualmente, é realizada semanalmente. Porém, é bem possível que seja necessário
uma maior freqüência, devido à importância das informações estarem disponíveis de
imediato, como avisos, divulgação de eventos realizados pela biblioteca, serviços,
entre outros tipos de comunicação.

Foi solicitado ao Laboratório de Mídia um contador de freqüência de usuários
e a sugestão foi a instalação de um programa específico para obtenção de
estatística. É um programa gratuito, de fácil instalação e permite estatística de

�11

freqüência de usuários, diária, semanal, mensal e anual, além de fornecer vários
tipos de gráficos. Esse software está disponível no site www.statcounter.com.

Alguns conceitos devem ser levados em conta no desenvolvimento do site: a
página deve ser simples, o usuário deve utilizar um número menor de clicks
possíveis, tentar obter um aproveitamento de todos os espaços da página, o
conteúdo deve ser informativo e, procurar, sempre ter a preocupação com o
interesse do usuário.

Sabe-se que alguns cuidados também devem ser tomados: assegurar que o
site não esteja desordenado, a ponto de o conteúdo não chamar a atenção;
conteúdos desatualizados; programas executados com erros; falta de data e links
que não funcionam. Em relação aos links, Heath (1998, p.48) a autora em seu artigo
define que ... nenhum site é uma ilha, ou seja, a utilização de vários links na página
tem sua utilidade, mas precisa ter muito cuidado para que o usuário, ao clicar em
outro link, não mais retorne.

As bibliotecárias envolvidas fizeram cursos, participaram de palestras,
consultaram profissionais da área de informática, Webdesigners, leram obras e
artigos pertinentes ao assunto. Foi um trabalho árduo, mas de grande relevância
para esta tarefa. Podemos observar que o perfil do bibliotecário está mudando
consideravelmente e precisamos acompanhar essas mudanças, obtendo mais
conhecimentos e habilidades nessa área. Essas experiências fazem com que todo
esforço seja recompensado pelo resultado positivo e gratificante.

5 CONCLUSÃO

A iniciativa de disponibilizar a informação por meio de um Website realmente
trouxe muita experiência. Este trabalho está focado no usuário e na tentativa de
entender melhor suas necessidades, para obter melhores resultados das

�12

informações que estão disponíveis na página da Web. Por isso é preciso intensificar
cada vez mais a informação digital e divulgar amplamente os serviços da biblioteca.

Hoje, a Website da Instituição ainda não apresenta uma qualidade satisfatória,
achamos a página estática, mas alguns estudos e planejamentos estão sendo
discutidos para adoção de novas ferramentas, padronização e, principalmente,
melhor navegabilidade do site. Pode-se citar o caso das teses e dissertações dos
cursos de Pós-Graduação defendidas na Instituição. Estas deverão ser difundidas
com a implantação das bibliotecas de teses e dissertações, modelo do Instituto
Brasileiro em Ciência e Tecnologia  IBICT e o link deverá ser incluído na página,
para facilitar o acesso. Outra sugestão que devemos implantar é a inclusão de uma
caixa de busca na página. Esse mecanismo deverá promover a satisfação do usuário
na recuperação da informação.

Algumas

mudanças deverão ocorrer à medida que forem surgindo

necessidades e preferências, sugestões e opiniões dos usuários e fatores
relacionados à eficiência de uso e organização física. O embasamento teórico da
literatura sobre o assunto auxiliou na elaboração da página, e ajudou a construir
interfaces mais adequadas e interativas.

Outro fator importantíssimo foi preparar o pessoal que trabalha na biblioteca
por meio de treinamento, com o objetivo de propiciar conhecimentos e técnicas para
adquirir habilidades e atitudes. Ferro; Bertholino (1999, p.107) definem que devem
ser criadas, permanentemente, oportunidades diversificadas de capacitação e
desenvolvimento de recursos humanos para a implantação da gestão da qualidade
nos serviços de informação.

�13

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Criação e desenvolvimento de website em unidades de informação: a experiência da biblioteca da Universidade Tecnológica Federal do Paraná  UF TPR - Campus Curitiba.</text>
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                <text>Melo, Lizete Alves de; Santos, Rosângela Iara dos</text>
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            <name>Coverage</name>
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                <text>Salvador (Bahia)</text>
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                <text>Evento</text>
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            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
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                <text>Apresenta a criação da Website da Biblioteca da Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR, Campus Curitiba. Mostra o processo de planejamento, organização e os métodos utilizados até sua publicação. Evidencia as atualizações da página, identificando as necessidades de alterações no sentido de facilitar a acessibilidade pelos usuários. Trata da importância de uma página Web como uma ferramenta indispensável em Unidades de Informação. Informa o principal objetivo da site que é oferecer informações rápidas e satisfatórias aos usuários. A implantação da home page tem a finalidade de facilitar o acesso dos serviços prestados pela biblioteca. Aborda a articulação com os segmentos dos setores da biblioteca. A construção da página com o apoio da Assessoria de Informática e o Laboratório de Mídia da Universidade que estabeleceu o layout, estrutura e as diretrizes. Apresenta a metodologia utilizada para buscar interação com os usuários procurando tornar o site dinâmico com sugestões e solicitações de implementação. O resultado da implantação da página propiciando melhor visibilidade do sítio, a melhoria da qualidade dos serviços oferecidos, melhor imagem da biblioteca e facilitar aos usuários o acesso e a recuperação da informação.</text>
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                    <text>CRITÉRIOS PARA ANÁLISES DE SITES

Elaine Cristina Soares Lira
Especialista em Gerência de
Unidades de Informação,
Bibliotecária  Universidade
Estadual de Maringá  Paraná Brasil, liroll@yahoo.com.br

A maioria das universidades no mundo inteiro está conectada à Internet e
disponibilizam informações através de suas páginas institucionais. Há uma
explosão de informações na WWW, sendo esta principalmente de caráter
comercial. A web pela sua acessibilidade tem vantagens em prover acesso à
informação. As tecnologias da informação estão cada vez mais sendo utilizadas
pela sociedade, muito usuário não tem o tempo necessário para especializar-se
em algumas ferramentas e usá-las todas ao mesmo tempo para empreender uma
busca; muito menos contentar-se com as primeiras opções de sites oferecidos ou
contar com a sorte de encontrar algo atualizado e posto na rede por alguma
instituição idônea, no entanto, nos deparamos com uma realidade que ainda não
conseguimos dominar, ou seja, disponibilizar informações sobre temas
específicos, endereços e conteúdos de páginas confiáveis, os quais incluem
sobrecarga de informação, qualidade pobre, danos potenciais e falta de validação
científica, pois a internet é uma rede sem fronteiras. E como saber se um site é
realmente confiável? A partir desta questão seria necessária uma avaliação, para
tanto foi realizado um levantamento dos critérios que julgamos necessários para
análise de sites, que serão apresentados como sugestão, possibilitando assim
que as informações disponibilizadas possam ter uma maior confiabilidade.
Palavras-chave: Web. Sites  Confiabilidade. Tecnologias da informação.

�1 INTRODUÇÃO

Com crescimento da Internet a quantidade de informações são cada vez maiores.
Vários sites são acrescentados, bem como os existentes são atualizados, ou
retirados do ar por seus criadores.

Temos ao nosso alcance vários mecanismos de buscas, porém muitas são as
indagações em relação às formas de disseminação e recuperação das
informações. Um simples ato de procurar informações na Word Wide Web se
torna difícil, muitas vezes quase impossível. No entanto as ferramentas de busca
apesar de serem eficientes, ainda não conseguem encontrar tudo o que existe.
Deixando assim os usuários muitas vezes frustrados.

A credibilidade das informações disponibilizadas na web é um dos itens mais
importantes para os usuários da WWW, visto que as informações que estão nas
páginas nem sempre são dignas de confiança. Pode-se aumentar a credibilidade
através de análises das mesmas, utilizando-se de critérios, pois os usuários
precisam obter dados precisos.

2 Teorização

A maioria das universidades oferece acesso às informações através de suas
páginas institucionais, no entanto, fica restrita a informação institucional. Algumas
delas até colocam links de outros sites para pesquisa.

Temos alguns exemplos de bibliotecas e instituições de pesquisa que fazem
seleções de sites e disponibilizam essas informações através de suas páginas na
internet como

Localizador de Informação em Saúde  LIS (Bireme), site

nacional e um internacional o Índice dos Bibliotecários na Internet (Lii.org).

�Conforme as informações disponibilizadas no site da Bireme o Localizador de
Informação em Saúde (LIS) é o portal da Biblioteca Virtual em Saúde que contém
o catálogo de fontes de informação em saúde disponíveis na Internet e
selecionadas segundo critérios de qualidade. Descreve o conteúdo destas fontes
e oferece links para as mesmas na Internet.
A metodologia LIS é resultado da cooperação técnica entre o Centro Nacional de
Información de Ciencias Médicas (CNICM), a Red Telemática de Salud de Cuba
(INFOMED) e a BIREME. A metodologia segue normas e formatos internacionais
já amplamente adotados em bibliotecas e centros de documentação e em uso
atualmente na Internet. É baseada no GILS (Global Information Locator Service) e
no formato Dublin Core, com alguns campos de dados adicionais.
Tem também Índice dos bibliotecários da Internet (Lii.org) o lema deles é fornecer
um ponto bem organizado de acesso aos recursos da Internet, digno de
confiança, com bibliotecários selecionados.
Lii.org indexa e descreve a Internet como um searchable (pesquisável), diretório
de assunto, e recursos da web selecionado e avaliado por bibliotecários, para a
comodidade dos usuários de bibliotecas públicas. O Lii.org é usado por
bibliotecários e pelo público em geral como um guia de confiança e eficiência aos
recursos da Internet. A metodologia do Lii.org é seleção dos sites com base em
critérios definidos em qualidade. Os critérios podem ser encontrados no site.
Sendo assim, fica claro a importância destas instituições estarem fazendo esta
prestação de serviço com base em análise e seleção de sites. A informação na
Internet passa a fluir livremente, fugindo do controle, pois essa é umas das
características da Internet, a oportunidade que todos os usuários têm de
disseminar informações.
Isso faz com que tenhamos muito lixo, ou seja, muitas informações que não
servem para nada, fazendo assim com que os usuários percam muito tempo na
procura de dados realmente relevantes e de confiança.

�Segundo Nielsen (2006) raramente um usuário chega a ler todas as palavras de
uma página da web; na verdade, ele pesquisa a página, selecionando palavras e
frases específicas. Num estudo recente, John Morkes e ele descobriu que 79%
dos usuários pesquisados sempre sondavam qualquer página que encontrassem;
somente 16% liam o texto inteiro.
Para Nielsen (2006) uma página da web precisa utilizar um texto pesquisável, que
apresente:
- palavras-chave realçadas (links de hipertexto, tipo de fonte e cor funcionam
como realce);
- sub-títulos pertinentes (e não "engraçadinhos");
- listas indexadas;
- uma informação por parágrafo (os usuários provavelmente pularão informações
adicionais, caso não sejam atraídos pelas palavras iniciais de um parágrafo);
- estilo de pirâmide invertida, que principia pela conclusão;
- metade do número de palavras (ou menos) do que um texto convencional.

O importante é que a usabilidade dos sites pelos usuários despenda de menos
energia, e que eles encontrem de fato o que estão procurando e que não
interrompam no primeiro momento a visita ao site.

3 CRITÉRIOS DE SELEÇÃO E AVALIAÇÃO DE SITES

3.1 Seleção
A seleção dos sites deve ser baseado em critérios de qualidade e confiabilidade.
A leitura dos textos e uma análise apurada dos recursos oferecidos por cada site
deve ser avaliado com cuidado. Desta forma, as páginas ou portais deverão ter
conteúdos significativos, informações precisas, boa navegabilidade e recursos
úteis. Sendo assim os problemas técnicos, ou os que possuem informações
imprecisas ou incompletas poderão ser deixados de lado, pelo menos no primeiro

�momento, os sites que estão hospedados em servidores gratuitos muitas vezes
possuem vida curta e não têm como identificar, na maioria das vezes seus
responsáveis.

Dependendo do público pode-se também optar por selecionar apenas sites em
uma língua específica para que possam ser compreendidos pela maioria dos
usuários. Porém, o importante é manter sempre os mesmos critérios de seleção
para que o visitante não perca tempo em páginas pouco significativas. Não
importa a quantidade e sim qualidade e confiabilidade.
3.2 Avaliação

Após fazer uma seleção dos sites, devem-se avaliar os mesmos com base em
critérios pré-definidos, pode ser utilizado um checklist.
O Checklist é uma das ferramentas auxiliadoras na avaliação da usabilidade de
sistemas interativos. Caracteriza-se pela verificação da conformidade da interface
de um sistema interativo por meio de recomendações ergonômicas contidas numa
lista de verificação. Essa ferramenta pode garantir que sistemas informatizados
(onde interface e funcionalidade devem ser consideradas) propiciem vantagens
em termos de rapidez de aprendizado e facilidade de uso aos usuários.

Cybis apud Matias (2005) descreve que os resultados produzidos são uniformes,
pois "os inspetores são conduzidos no exame da interface através de uma grade
de análise e/ou de lista de questões a responder sobre a ergonomia do projeto.
Os resultados obtidos através dessa técnica dependem da organização e do
conteúdo, geral ou específico, dessas ferramentas".

Matias (2005) descreve que o Checklist mostrou ser uma ferramenta capaz de
dar suporte à avaliação preliminar da interface, pois consegue identificar a maior
parte dos problemas detectados por uma análise ergonômica completa que
envolva a utilização de outras técnicas, aumentando a eficácia da avaliação".

�Sugestões de critérios para avaliação de sites (Checklist):
Critério 1: Autoridade
Está claro de quem é a responsabilidade da página?
Ela tem um link para uma página que descreve o propósito da organização?
Há um modo de verificar a legitimidade do responsável pela página? Ela traz um
número de telefone ou endereço postal de contato para maiores informações?
Está claro quem escreveu a matéria e quais as qualificações do autor para escrever
sobre o tópico?
O material está protegido pelo copyright? O nome do proprietário está indicado?
Critério 2: Precisão
Há mapa no site?
Há alguma forma de busca, no caso de site ou redes?
As informações estão livres de erros gramaticais, tipográficos e ortográficos?
Está claramente indicado de quem é a última responsabilidade pela exatidão do
conteúdo do material?
No caso de existir tabelas e/ou gráficos contendo dados estatísticos, esses gráficos
e/ou tabelas estão claras e são de fácil leitura?
Critério 3: Objetividade
Trata-se de uma informação fornecida como um serviço público?
A informação está isenta de propaganda? Está claramente diferenciada do conteúdo
informacional?
Critério 4: Atualidade
Existem indicações de datas nas páginas?
Critério 5: Cobertura
Há uma indicação de que a página está completa e não mais em construção?
Há informação impressa equivalente à página da Web, existe indicação clara de que
esse trabalho está em texto completo ou se é apenas parte do trabalho?
Há algum tipo de informação sobre a abrangência do site, em termos de alcance de
assunto, A/Z, áreas, autores, etc.

Podem-se

acrescentar

outras

questões,

sobre

conteúdo

de

qualidade,

organização das informações, recursos visuais, navegabilidade e fontes
utilizadas.
Segundo Simões (2006) os links descritos abaixo são sugestões para refletir
sobre avaliação de sites. Existem textos dedicados à utilização pedagógica da
Internet até textos teóricos com critérios bem definidos para a construção de sites
com qualidade e usabilidade.

�Para Simões (2006) a usabilidade é um novo saber (desde os anos 80) que se
preocupa com as características do software (e dos sites) para que sejam
considerados fáceis e agradáveis de utilizar.
Segue abaixo os Links descritos por Simões (2006).
Uma das mais importantes pages sobre usabilidade é www.useit.com
Aqui destaca-se a secção AlertBox (www.useit.com/alertbox) onde o autor
apresente pequenos textos (em inglês) sobre a usabilidade e a sua
implementação. Texto simples e expressivo.
"Top Ten Guidelines for Homepage Usability"
www.useit.com/alertbox/20020512.html
"Usability Metrics"
www.useit.com/alertbox/20010121.html
Listagem de Links sobre avaliação de sites numa perspectiva educativa e de
investigação.
Sugestões de pensar na Internet como ferramenta de trabalho para pesquisa,
questionando a utilidade e validade dos recursos encontrados.
http://school.discovery.com/schrockguide/eval.html
Lista com 203 questões para avaliar um site (resposta sim/não).
"Usability Index Checklist for Web Sites"
www3.sympatico.ca/bkeevil/sigdoc98/checklist/WebCheck_Sep13.html
Ficha de avaliação da utilidade educativa de um site.
www.cyberbee.com/guides.html
Seis critérios para avaliar o interesse de um site.
"What makes a web site good?"
www.multcolib.org/homework/webeval.html
Lista de utilidades para construir e/ou utilizar a Internet
"Thinking Critically about World Wide Web Resources"
www.library.ucla.edu/libraries/college/help/critical/index.htm
Texto para orientação na avaliação de software educativo

�"Avaliação de software educativo"
procurar no site www.fpce.ul.pt/pessoal/ulfpcost/
Artigos apresentados em conferências sobre critérios de avaliação de sites.
"Quality Characteristics and Attributes for Academic Web Sites"
http://budhi.uow.edu.au/web-engineering99/accepted_papers/olsina.pdf
"Specifying Quality Characteristics and Attributes or Websites"
http://gidis.ing.unlpam.edu.ar/downloads/pdfs/Olsina_WebE.pdf
"Evaluating Internet Resources"
http://library.albany.edu/internet/evaluate.html
Grelha de Avalia o Qualitativa dos Web Sites da Administração
www.madeiratecnopolo.pt/biblioteca/docs/metodo_avaliacao_web_sites_administr
acao_publica.pdf
Apresentação de um Software para avaliar um site
"Remote web usability testing "
www.noldus.com/events/mb2002/program/abstracts/lanfranchi.html
Cinco critérios e algumas especificações para avaliar sites
"Five criteria for evaluating Web pages"
www.library.cornell.edu/okuref/webcrit.html
Critérios ISO para avaliar software nas diversas fases
"Types of standard for HCI and usability"
procurar o ficheiro "User centred design standards.htm"
em www.usability.serco.com/trump/index.htm
Princípios de usabilidade para a construção de software
"First Principles"
www.asktog.com/basics/firstPrinciples.html
Departamento do Trabalho do Governo dos EUA critérios e sugestões para
realizar testes de usabilidade de sites.
"Usability Testing of World Wide Web Sites"
www.bls.gov/ore/htm_papers/st960150.htm
Resultado de um estudo de avaliação usando software.
"Human Centered Measures of Success in Web Site Design"
www.research.att.com/conf/hfweb/proceedings/kirakowski/

�Para avaliar um site.
SUMI homepage
www.ucc.ie/hfrg/questionnaires/sumi

WAMMI information page is found at:
www.ucc.ie/hfrg/questionnaires/wammi

Nomos homepage
www.nomos.se
"Evaluation of World Wide Web Sites: An Annotated Bibliography"
http://ericit.org/digests/EDO-IR-1998-02.shtml

4 CONCLUSÃO

Espera-se, que esta avaliação possa oferecer aos usuários o que há de melhor
na Internet em cada área do conhecimento. Os bibliotecários poderão usufruir da
confiança por ser um profissional qualificado para esta função. O ciberespaço
ainda é um local que não se encontra organizado. Vários profissionais serão
necessários, tornando-se um campo multidisciplinar. Assim poderá existir sites na
Internet que sejam confiáveis e organizados.

REFERÊNCIAS

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library. Chicago: American library Association, 2002, 147p.
GRIFFITHS, Jose- Marie. Deconstructing earth´s largest library. Library
Journal, v.128, n.3, 2000. Disponível em &lt;http://search.epnet.com&gt; Acesso em
20 jul. 2005.
LIBRARIANS´ index in the Internet: lii.org. Disponível em: &lt;http:// www.
lii.org&gt;.Acesso em 20 maio. 2006.

�LIS Regional localizador de informação em saúde. Disponível em:
&lt;http://lis.bvs.br/xml2html/xmlListT.php?xml%5B%5D=http://lis.bvs.br/lisRegional/P/define.xml&amp;xsl=http://lis.bvs.br/lis-Regional/home.xsl&gt;. Acesso em 21
jul. 2006.
MATIAS, Marcio. Checklist: uma ferramenta de suporte à avaliação ergonômica
de interfaces. 1995. Dissertação (Mestrado) Universidade Federal de Santa
Catarina, Florianópolis. 1995. Disponível em
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MOORE, Katherine. How can we survive in reality library. Computers in
Libraries, v.21, n.10, 2001. Disponível em &lt;http://search.epnet.com&gt;. Acesso em
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MORRONE, Francis. New York´s library in cyberspace. New Criterion, v.15, n.5,
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WHITELEY, Sandy. Libraries in cyberspace. American Libraries, v.24, n.1,
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A maioria das universidades no mundo inteiro está conectada à Internet e disponibilizam informações através de suas páginas institucionais. Há uma explosão de informações na WWW, sendo esta principalmente de caráter comercial. A web pela sua acessibilidade tem vantagens em prover acesso à informação. As tecnologias da informação estão cada vez mais sendo utilizadas pela sociedade, muito usuário não tem o tempo necessário para especializar-se em algumas ferramentas e usá-las todas ao mesmo tempo para empreender uma busca; muito menos contentar-se com as primeiras opções de sites oferecidos ou contar com a sorte de encontrar algo atualizado e posto na rede por alguma instituição idônea, no entanto, nos deparamos com uma realidade que ainda não conseguimos dominar, ou seja, disponibilizar informações sobre temas específicos, endereços e conteúdos de páginas confiáveis, os quais incluem sobrecarga de informação, qualidade pobre, danos potenciais e falta de validação científica, pois a internet é uma rede sem fronteiras. E como saber se um site é realmente confiável? A partir desta questão seria necessária uma avaliação, para tanto foi realizado um levantamento dos critérios que julgamos necessários para análise de sites, que serão apresentados como sugestão, possibilitando assim que as informações disponibilizadas possam ter uma maior confiabilidade.</text>
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                    <text>DEMOCRATIZAÇÃO DE ACERVOS ESPECIAIS: O MODELO DO
PROJETO “MEMÓRIA VIRTUAL DE SÃO CARLOS”

Elisa Yumi Nakagawa
Doutora em Ciências da Computação,
Docente do ICMC/USP – Instituto de
Ciências Matemáticas e de Computação Av. Trabalhador São-Carlense, 400 – São
Carlos
13566-590 - Brasil
elisa@icmc.usp.br
Gláucia Maria Saia Cristianini
Mestre, Diretora da Biblioteca do ICMC/USP
– Instituto de Ciências Matemáticas e de
Computação - Av. Trabalhador SãoCarlense, 400 – São Carlos
13566-590 - Brasil
glaucia@icmc.usp.br
Juliana de Souza Moraes
Mestre, Supervisora de Seção da Biblioteca
do ICMC/USP - Instituto de Ciências
Matemáticas e de Computação - Av.
Trabalhador São-Carlense, 400 – São Carlos
13566-590 - Brasil
jumoraes@icmc.usp.br

Resumo: Este trabalho apresenta a última versão do banco de dados resultante
de um projeto de políticas públicas, apoiado pela FAPESP, que investiu no
desenvolvimento de um sistema computacional disponível sobre a plataforma
Web e apropriado ao armazenamento, recuperação e divulgação de informação
dos diferentes tipos de bens patrimoniais — a saber, de bibliotecas, arquivos,
museus, bens naturais e arquitetônicos — contidos nos diversos acervos
históricos da cidade de São Carlos e região. A definição da estrutura de dados e
dos padrões para a formação do conteúdo digital foi possível por meio de uma
parceria entre especialistas de diversas áreas, tais como: Ciências de
Computação, Biblioteconomia, Museologia e aqueles relacionados aos bens
naturais e arquitetônicos. Vale ressaltar que a concepção do sistema foi pautada
na utilização de software livre tanto na implementação quanto na implantação do
sistema, o que facilitará seu uso na documentação de acervos de outras
instituições de cunho histórico. Além disso, um sistema como esse não é
encontrado nem como software livre e nem como software proprietário. Em

�primeira instância será disponibilizado o acervo da Fazenda Pinhal, uma das mais
antigas fazendas de café da região e um Patrimônio Histórico Nacional. A
definição da temática que irá reger a construção de interface do subsistema de
acesso e navegação concluirá o trabalho a ser apresentado para a comunidade
em meados de 2007.
Palavras-chave: Democratização da informação. Políticas públicas. Acervos históricos.
Conteúdos digitais. Software livre.

1 Introdução
O município de São Carlos e região apresentam uma diversidade de
acervos de inestimável valor histórico. Esses acervos contêm elementos de
caráter diversificado de extrema relevância para o resgate da história do
município e inclusive relacionados à própria história do Brasil. Atualmente, esses
acervos, bem como grande parte dos acervos brasileiros, encontram-se, muitas
vezes, em estado precário de conservação e outros ainda, desconhecidos até
mesmo por pesquisadores da área. Verificam-se nos últimos dois anos diversos
esforços isolados, tanto público quanto privado, no sentido de organizar os
acervos e disponibilizá-los aos interessados.
Para ressaltar a importância da região vale mencionar o projeto
Patrimônio Rural Paulista1, uma proposta de atuação das universidades públicas
paulistas (Unicamp, USP, UFSCar e Unesp), e que pretende, entre outras coisas,
promover o inventário das fazendas históricas paulistas.

Uma região

estrategicamente selecionada é a região de São Carlos.
O projeto Memória Virtual de São Carlos (MEMÓRIA, 2003) agrega as
competências estabelecidas no meio acadêmico2 a serviço de uma iniciativa
bastante relevante para a comunidade da cidade de São Carlos e região. O
projeto, de natureza multidisciplinar, e envolvendo a Prefeitura Municipal de São

1

http://antigo.campinas.sp.gov.br/portal_2003_sites/chamadas/especial_fazendas_historicas/
Participam desse projeto pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação ICMC/USP, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo - SAP/USP e do Departamento de
Ciência da Informação - DCI/UFSCar.
2

�Carlos, a Fundação Pró-Memória de São Carlos, a Associação Pró-Casa do
Pinhal e outras instituições, pode contribuir de forma significativa para o registro
histórico de São Carlos, bem como para a ampliação do acesso a esse registro.
Para isso, o principal objetivo desse projeto é o desenvolvimento de um sistema
Web que será disponibilizado como software livre para a gestão integrada de
acervos do município; mais especificamente, para organização, armazenamento e
disponibilização de informações do patrimônio histórico e cultural, possibilitando a
reunião dos diversos acervos dispersos fisicamente, seguindo normas nacionais e
internacionais de definição de conjunto de atributos para representação da
informação.
Esse sistema possibilitará também promover a conscientização sobre a
importância de preservar a grande diversidade de acervos históricos. Vale
ressaltar que, assim como as inúmeras iniciativas de diversos órgãos públicos em
nível nacional para uso de software livre, a Prefeitura Municipal de São Carlos
também está empenhada na adoção, utilização efetiva e disseminação de
software livre; além de estar apoiando fortemente para a concretização desse
projeto.
O objetivo deste trabalho é relatar a experiência de um projeto de
pesquisa multidisciplinar de aplicação de uma filosofia que culminou no
desenvolvimento de um sistema Web livre de acesso a informações sobre
acervos históricos especiais, a saber, acervos bibliográficos, de arquivos e de
museus, bem como de bens naturais e arquitetônicos. Dessa forma, este artigo
faz um breve delineamento da filosofia do projeto e em seguida apresenta a
concepção do sistema, desde a arquitetura ao modelo da base de dados e por fim
são apresentadas as conclusões e os trabalhos futuros a serem conduzidos.
2 Filosofia do projeto
Em se tratando de um projeto de políticas públicas, certamente é
relevante que resultados alcançados possam contribuir para a inclusão digital,
social e inclusive cultural, mediante a disponibilização de informações de acervos

�históricos para a comunidade em geral. Nessa linha, a filosofia de software livre3
cabe adequadamente como mecanismo de implementação e implantação do
sistema de software sendo desenvolvido no contexto desse projeto.
De modo geral, sendo um software livre, as liberdades de utilização, de
modificação e distribuição são garantidas por licenças de software, tais como a
GPL (General Public License)4. Assim, no contexto do projeto, adotou-se a
utilização apenas de softwares livres para a implementação e implantação do
sistema. Além disso, o próprio sistema foi licenciado sob uma licença livre, no
caso a GPL, o que garante que seja compartilhado livremente sem restrições para
uso.
3 Sistema Memória Virtual
Uma vez que o sistema Web proposto nesse projeto irá gerenciar uma
diversidade e um grande volume de informações, o seu planejamento passa a ter
um papel estratégico para o acesso pleno a essa informação. O objetivo do
projeto tem então demandado pesquisas nas diversas áreas de conhecimento
envolvidas. Como um dos exemplos mais sobressalentes é a pesquisa em
Ciência da Informação que tem definido um conjunto de atributos tanto para
representação, armazenamento e disponibilização de informações dos diversos
tipos de acervos históricos, quanto como ponto de acesso às informações
(CRISTIANINI, 2004). O resultado dessa pesquisa, inédito em nível internacional,
é de extrema relevância como pré-requisito fundamental para a implementação do
sistema, mais especificamente para o projeto da base de dados. Assim, como um
dos resultados desse projeto, e em consonância com sua filosofia, tem sido
desenvolvido um sistema Web livre, chamado de Sistema Memória Virtual.
Para ilustrar, na figura 1 é mostrada uma das janelas do Sistema Memória
Virtual, particularmente, uma janela de catalogação de bens patrimoniais.

3
4

http://www.fsf.org
http://www.gnu.org/copyleft/gpl.html

�Figura 1: Janela do Sistema Memória Virtual

Nas subseções a seguir, são apresentados em mais detalhes os
principais pontos relacionados ao desenvolvimento do Sistema Memória Virtual.
3.1 Arquitetura do Sistema
Uma das mais importantes preocupações, sendo o Sistema Memória
Virtual um software livre, é sua capacidade de evolução e facilidade de adaptação
para diversas outras instituições que venham a utilizar esse sistema. Nessa linha,
uma estruturação adequada da arquitetura do software desse sistema torna-se
essencial. Para isso, uma investigação detalhada na área de arquiteturas de
software fez-se necessária, adotando-se assim como base, arquiteturas mais
recentes discutidas na literatura para o desenvolvimento de sistemas Web.
Na figura 2 é ilustrada a arquitetura do Sistema Memória Virtual, uma
arquitetura baseada em 3-camadas (do inglês, 3-tiers architecture) (ANDERSON,
2004) e no padrão arquitetural MVC (Model-View-Controller) (BUSCHMANN, 1996).
Basicamente, o sistema é composto de dois subsistemas: (i) subsistema de
catalogação que possui as funcionalidades para a alimentação da base de dados;

�e (ii) subsistema de acesso e navegação responsável por disponibilizar as
informações para o público em geral.

Figura 2: Arquitetura do Sistema Memória Virtual

3.2 Modelo da base de dados
Houve a necessidade de especial atenção à modelagem da base de
dados, uma vez que ela deveria ser capaz de armazenar adequadamente
informação de cinco tipos diferentes de bens patrimoniais. Um modelo da base de
dados foi construído utilizando-se o MER (Modelo Entidade-Relacionamento),
como resultado do conjunto de atributos do padrão de descrição (CRISTIANINI,
2004), e também como uma forma de documentar o sistema, uma vez que se
trata de uma base de dados de razoável complexidade em termos do número de
atributos, relacionamentos e tabelas.
Na figura 3 é ilustrado o modelo da base de dados. De modo geral, a
base de dados armazena as informações sobre os bens patrimoniais, as
instituições detentora e a autoria dos bens patrimoniais, bem como os usuários
(catalogadores, revisores, gerentes e administradores) que se utilizam do sistema.

�Figura 3: Modelo da Base de Dados

3.3 Projeto e implementação do sistema
Para a construção do sistema, está sendo utilizada práticas do processo
de desenvolvimento de software livre — tais como a forma como os requisitos do
sistema são identificados e a atribuição de tarefas aos desenvolvedores — como
descrito inicialmente em “The Cathedral and the Bazaar” por Raymond (1999).
Como abordagem para a implementação do sistema, a prototipação está sendo
empregada, como ocorre com a grande maioria dos softwares livres
desenvolvidos; ou seja, à medida que o sistema é implementado, novos requisitos
são identificados e já implementados.
Sendo o software livre um dos requisitos do ambiente de implementação
e

implantação

do

sistema,

foi

realizado

um

estudo

e

seleção

das

ferramentas/tecnologias a serem utilizadas. Adotou-se uma plataforma de

�software livre, no caso o Linux5 e o Apache Tomcat6; como SGBD (Sistema de
Gerenciamento de Banco de Dados) adotou-se o PostgreSQL7.
Para a implementação das funcionalidades do sistema, foi escolhida a
plataforma de desenvolvimento J2EE (Java 2 Platform Enterprise Edition) e o
Eclipse8 como IDE de desenvolvimento. A escolha foi determinada basicamente
por ser uma tecnologia relativamente recente, além de possibilitar a aplicação do
paradigma OO (Orientado a Objeto), o que facilita futuras manutenções do
sistema. Vale ressaltar que as tecnologias adotadas possuem uma vasta
comunidade de usuário e uma experiência consagrada na construção de uma
diversidade de sistemas dos mais variados domínios de aplicação.
3.4 Interface de acesso e navegação
Buscando caracterizar as informações apresentadas pelo Sistema Memória
Virtual, diversas reuniões têm sido conduzidas de modo a definir uma temática
que delineie tanto a criação da interface Web do Sistema Memória Virtual quanto
os bens patrimoniais a serem investigados e cadastrados na base de dados,
inclusive com a realização de workshops com especialistas da área. Duas
temáticas têm sido consideradas as mais promissoras dentro do contexto em que
estão os bens patrimoniais contidas nos acervos do município de São Carlos e
região: O Café e Informação e Comunicação.
Para a implementação dessa interface, tecnologias computacionais mais
atuais precisam ser utilizadas objetivando interfaces gráficas mais dinâmicas e
fáceis de utilizar. No caso, o AJAX (Asyncronous Javascript And XML)9, uma
tecnologia bastante recente, vem sendo investigada para utilização.

5

http://www.linux.org/
http://tomcat.apache.org/
7
http://www.postgresql.org/
8
http://www.eclipse.org/
9
http://www.xul.fr/en-xml-ajax.html
6

�Na Figura 4 é ilustrado o protótipo da interface gráfica de acesso e
navegação.

Figura 4: Protótipo da Interface de Acesso e Navegação

4 Conclusões e trabalhos futuros
Atualmente, a grande maioria dos acervos históricos brasileiros necessita
de tratamento adequado, bem como uma divulgação no sentido de conscientizar
a comunidade de seu valor histórico. Para isso, a tecnologia de computação
possui mecanismos, que quando utilizados adequadamente, possibilitam ser um
veículo dos mais relevantes na realização dessa tarefa.
Vale ressaltar que por meio desse projeto, tem ocorrido a constante e
enriquecedora troca de experiências entre as diversas áreas de pesquisa
envolvidas, o que vem salientar a relevância da realização de projetos
multidisciplinares. No mais, esse projeto tem também contribuído no sentido de
identificar a problemática das áreas envolvidas e que necessita ser sanada
resultando em pesquisas de valioso teor e fundamental para a concretização dos
objetivos propostos no projeto.

�Como benefício mais expressivo e imediato do projeto tem se a
disponibilização de um conjunto de atributos capaz de armazenar e disponibilizar
de forma efetiva informações dos mais diversos tipos de acervos históricos. Além
disso, a implementação desse conjunto em um sistema Web livre certamente irá
contribuir, tanto para a comunidade de software livre com um sistema ainda não
encontrado nesse domínio de aplicação, quanto no sentido de facilitar a
implantação e posterior disponibilização de informações sobre os mais diversos
acervos para a comunidade em geral. Observa-se que um sistema como o
proposto não é encontrado nem como software livre, nem como software
proprietário; aqueles identificados possuem funcionalidades ou bases de dados
limitadas, o que não está em consonância com os objetivos do projeto; isso vem
reforçar a relevância da disponibilização de sistema desse domínio de aplicação
como software livre.
Partindo do sistema piloto a ser implantado inicialmente nos acervos
pertencentes à rota do café na qual São Carlos está inserida, pretende-se instalar
um mecanismo de disseminação desse sistema para diversas outras entidades
similares — prefeituras, fazendas históricas, associações, entre outras — em
nível regional, estadual e até nacional, construindo-se assim uma base de dados
distribuída, no entanto, integrando diversos acervos históricos brasileiros
dispersos fisicamente.
O Sistema Memória Virtual encontra-se atualmente na fase de
estabelecimento da arquitetura de software, identificação dos requisitos e início da
fase de codificação. Até o momento, o desenvolvimento está sendo feito de forma
centralizada, apesar de se ter conhecimento das vantagens do desenvolvimento
distribuído como ocorre em diversos projetos de software livre de sucesso.
Utilizando o Sistema Memória Virtual como estudo de caso, iniciativas para a
condução de experimentos para a investigação do processo de desenvolvimento
de software livre, na mesma linha do discutido por Nakagawa (2004), têm sido
realizadas.

�Num contexto mais social, uma das principais contribuições do Projeto
Memória Virtual de São Carlos é a democratização do conhecimento no tocante
aos acervos históricos fisicamente distribuídos, por meio de um sistema de
software de fácil acesso e disponibilização. Vale ressaltar que essa contribuição é
ainda maior, visto que o sistema de software será disponibilizado sob uma licença
de software livre.
Agradecimentos: A todos os membros do Projeto Memória Virtual de São Carlos, em
especial ao Prof. Dr. José Carlos Maldonado.

Referências
ANDERSON, D. J. Using MVC pattern in web interactions. 3.ed., 2004.
Disponível em:
&lt;http://www.uidesign.net/Articles/Papers/UsingMVCPatterninWebInter.html&gt;
Acesso em 07 abril 2005.
BUSCHMANN, F. et al. Pattern-oriented software architecture: a system of
patterns. New York: John Wiley &amp; Sons, 1996. V.1.
CRISTIANINI, G. M. S. et al. Conteúdos digitais e padrões de registros: desafios
para a democratização de acervos especiais. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS,13., Natal, RN, 2004. Anais... Natal: UFRN,
2004.
MEMÓRIA Virtual de São Carlos. Instituto de Ciências Matemáticas e de
Computação - ICMC/USP, São Carlos, SP. 2003. (Projeto aprovado no programa
de políticas públicas da FAPESP e coordenado pelo Prof. Dr. José Carlos
Maldonado).
NAKAGAWA, E. Y. Software livre na informatização de acervos históricos. In:
WORKSHOP SOBRE SOFTWARE LIVRE, 5.; FÓRUM INTERNACIONAL
SOFTWARE LIVRE, 5., Porto Alegre, RS. Anais... Porto Alegre: UFRGS, 2004.
RAYMOND, E. S. The cathedral and the bazaar: musings on linux and open
source by an accidental revolutionary. Cambridge: O'Reilly &amp; Associates,1999.

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Documentação&#13;
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                <text>Este trabalho apresenta a última versão do banco de dados resultante de um projeto de políticas públicas, apoiado pela FAPESP, que investiu no desenvolvimento de um sistema computacional disponível sobre a plataforma Web e apropriado ao armazenamento, recuperação e divulgação de informação dos diferentes tipos de bens patrimoniais — a saber, de bibliotecas, arquivos, museus, bens naturais e arquitetônicos — contidos nos diversos acervos históricos da cidade de São Carlos e região. A definição da estrutura de dados e dos padrões para a formação do conteúdo digital foi possível por meio de uma parceria entre especialistas de diversas áreas, tais como: Ciências de Computação, Biblioteconomia, Museologia e aqueles relacionados aos bens naturais e arquitetônicos. Vale ressaltar que a concepção do sistema foi pautada na utilização de software livre tanto na implementação quanto na implantação do sistema, o que facilitará seu uso na documentação de acervos de outras instituições de cunho histórico. Além disso, um sistema como esse não é encontrado nem como software livre e nem como software proprietário. Em primeira instância será disponibilizado o acervo da Fazenda Pinhal, uma das mais antigas fazendas de café da região e um Patrimônio Histórico Nacional. A definição da temática que irá reger a construção de interface do subsistema de acesso e navegação concluirá o trabalho a ser apresentado para a comunidade em meados de 2007.</text>
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                    <text>DESENVOLVIMENTO E APLICAÇÃO DE UMA FERRAMENTA PARA O USO E
GESTÃO DO SERVIÇO DE EMPRÉSTIMO ENTRE BIBLIOTECAS NA
BCo/UFSCar
Roniberto Morato do Amaral - roniberto@nit.ufscar.br 1234
Ronildo Santos Prado - ronisp@power.ufscar.br 1
Lígia Maria Silva e Souza - ligia@power.ufscar.br 1
Aisten Baldan – aisten@terra.com.br12
Leandro Innocentini Lopes de Faria - leandro@nit.ufscar.br 23

1 – Biblioteca Comunitária BCo/UFSCar
Universidade Federal de São Carlos - UFSCar
Rodovia Washington Luís, km 235 – CEP 13565-905 - São Carlos - SP - Brasil
(16) 33518424
http://www.bco.ufscar.br

2 – Departamento de Ciência da Informação - DCI
Universidade Federal de São Carlos - UFSCar
Rodovia Washington Luís, km 235 – CEP 13565-905 - São Carlos – SP - Brasil
(16) 33615547 ou 33613188
http://www.dci.ufscar.br

3 – Núcleo de Informação Tecnológica em Materiais - NIT/Materiais
Universidade Federal de São Carlos - UFSCar
Rodovia Washington Luís, km 235 – CEP 13565-905 - São Carlos - SP - Brasil
(16) 33615547 ou 33613188
http://www.nit.ufscar.br

4 – Departamento de Engenharia de Produção - DEP
Universidade Federal de São Carlos - UFSCar
Rodovia Washington Luís, km 235 – CEP 13565-905 - São Carlos - SP - Brasil
(16) 33615547 ou 33613188
http://www.dep.ufscar.br

�RESUMO: Este trabalho apresenta uma ferramenta desenvolvida com a
tecnologia da informação WXIS, com o objetivo de tornar a gestão do serviço de
empréstimo entre bibliotecas mais dinâmica e personalizada às características de
seus usuários e gestores (seja, biblioteca solicitante ou biblioteca solicitada). A
ferramenta foi desenvolvida especificamente para atender às necessidades da
Biblioteca Comunitária da Universidade Federal de São Carlos (BCo/UFSCar),
tais como: gestão de pedidos; gestão de usuários; gestão de bibliotecas
conveniadas; emissão de relatórios; rastreabilidade do material e acesso on-line.
Esta ferramenta poderá ser aplicada em qualquer organização interessada em
construir uma rede para o compartilhamento de material bibliográfico. O
desenvolvimento e a implementação da ferramenta exigiram pouco investimento e
a avaliação inicial sobre o seu uso é de que é uma solução prática e adequada às
necessidades da organização.

PALAVRAS-CHAVE: Empréstimo entre bibliotecas; compartilhamento de material
bibliográfico; ferramenta de gestão; ISIS

1 INTRODUÇÃO

Reconhecidamente nas universidades brasileiras concentra-se o maior
número de pesquisas e a geração de novas tecnologias desenvolvidas no país.
Ás bibliotecas universitárias compete fornecer serviços de informação científica e
tecnológica em níveis compatíveis com as necessidades dos usuários servindo de
apoio imprescindível a essas atividades.

O controle bibliográfico, através dos catálogos on line, tem permitido uma
maior cobertura dos documentos e assegurado um acesso mais rápido e eficaz às
referencias bibliográficas. Atualmente a tecnologia da informação permite acesso
às bases de dados nacionais e internacionais e constitui-se em importante fator
para a produção de novas ferramentas bibliográficas. Porém o acesso ao
documento primário não se encontra na mesma situação, já que as pressões
econômicas têm obrigado as bibliotecas a reduzirem suas aquisições.

Foi neste estágio que o empréstimo entre bibliotecas começou a adquirir
maior importância, uma vez que a experiência tem indicado que a única solução

�plausível é a de uma determinada biblioteca apoiar-se nos recursos de outras
(EVARISTO, 1982).

Este trabalho apresenta uma ferramenta desenvolvida com a tecnologia da
informação WXIS, com o objetivo de tornar a gestão do serviço de empréstimo
entre bibliotecas mais dinâmica e personalizada às características de seus
usuários e gestores (seja, biblioteca solicitante ou biblioteca solicitada). A
ferramenta foi desenvolvida para atender às necessidades da Biblioteca
Comunitária da Universidade Federal de São Carlos (BCo/UFSCar), tais como:
gestão de pedidos; gestão de usuários; gestão de bibliotecas conveniadas;
emissão de relatórios; rastreabilidade do material e acesso on-line.

Por meio da cooperação entre bibliotecas e da formalização do serviço de
empréstimo entre bibliotecas da BCo/UFSCar, será permitida a ampliação e
manutenção da infra-estrutura básica para o desenvolvimento do serviço,
otimizando investimentos, disponibilizando acervos de excelência em todas as
áreas de conhecimento, proporcionando a utilização em sua totalidade.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

O empréstimo entre bibliotecas foi definido por Campelo (1986), como o ato
de uma biblioteca ceder indiretamente a um individuo, através de outra biblioteca,
materiais de seu acervo. Isso pode ser feito pelo empréstimo do próprio original
ou de reprodução dele.

O empréstimo entre bibliotecas assume uma importância cada vez mais
relevante no conjunto de atividades dos serviços de documentação nas
bibliotecas universitárias, pois aprimora o compartilhamento dos acervos,
garantindo aos usuários o acesso a um diversificado e maior número de
documentos. Mediante a revisão de literatura, constata-se que as bibliotecas não
têm condições de atender à sua comunidade, pois possuem seus acervos
defasados ou incompletos e quando se utilizam do empréstimo entre bibliotecas,

�reduzem seus gastos com obras que poderiam ter pouca ou temporária utilidade
(SANTOS, 2002).

Toda uma argumentação foi elaborada a respeito do compartilhamento de
acervos por Silva (2001). Baseado em uma revisão de literatura explanou os
motivos pelos quais as bibliotecas podem optar pelo compartilhamento de
acervos. São arrolados os benefícios que as bibliotecas venham a desfrutar do
compartilhamento no tocante a economia de custos, desenvolvimento de
coleções, progresso da biblioteca e divulgação da informação. E indica
experiências de compartilhamento para estudo de casos. (SILVA, 2001).

Com base em explanações de diversos teóricos, foram encontrados os
seguintes argumentos a favor do compartilhamento de acervos (SILVA, 2001):
•

O crescimento da informação produzida no mundo;

•

Custo da aquisição e armazenamento dos documentos;

•

Necessidade de o usuário ter acesso rápido à informação;

•

Mudança de paradigma da obtenção da informação;

•

Preferência da busca da informação em artigos de periódicos.

Vários autores como Lancaster (1996), Viana (2000) e Jasmen (1998)
discutem as vantagens do compartilhamento de acervos, destacando-se as mais
importantes:
•

Possibilita uma maior racionalização do uso das verbas para aquisição;

•

Aumento do universo de publicações disponíveis aos usuários;

•

Através do acesso a um volume maior de informações;

•

Promove a otimização da pesquisa científica, ao oferecer subsídios
informacionais para aquisição e transmissão do conhecimento.

Para Figueiredo (1999) a cooperação é um acontecimento inevitável no
futuro das bibliotecas, não é mais uma atividade que as bibliotecas possam
escolher ou não participar; não se concebe mais uma biblioteca atuando
isoladamente. Pode-se dizer que, na verdade, não deve existir mais uma coisa

�como “uma biblioteca”, mas somente ‘a biblioteca’, ou a fusão de todas através da
cooperação.

O Brasil não dispõe de mecanismos formais que viabilizem o empréstimo
sistemático entre bibliotecas. Assim, todos os recursos aplicados pelas próprias
Instituições de Ensino Superior (IES) ou por Agências de fomento na aquisição de
livros, beneficiam apenas a comunidade local. Para que o empréstimo entre
bibliotecas seja desenvolvido o Ministério da Educação (MEC) afirma que é
necessário dispor de instrumentos próprios que assegurem o transito do livro de
uma biblioteca para outra, em condições satisfatórias de prazo, segurança e
confiabilidade no serviço oferecido. (BRASIL, 1990).

Para as bibliotecas universitárias a Internet vem se tornando, uma
ferramenta extremamente útil e necessária para seus serviços, dando uma maior
amplitude, visibilidade e possibilitando disseminar as informações contidas em
seus acervos. A utilização destes serviços em rede gera mudança de hábitos e
rotinas bibliotecárias. Os serviços tradicionais poderão ser personalizados para o
ambiente web graças às novas tecnologias da informação. Trabalhos nesta linha
já foram propostos como, por exemplo, Jesus &amp; Gomes (2005) proporam a
construção de um sistema integrado de bibliotecas (catálogo coletivo dos
acervos).

A falta de infra-estrutura é apontada pelo BRASIL (1990), como um
empecilho para o bom funcionamento do empréstimo entre bibliotecas no Brasil,
ocasionando um serviço feito á base da informalidade, da boa vontade, quase
sempre a nível local ou institucional.

3 MÉTODO
As abordagens de pesquisa são condutas que orientam o processo de
investigação, prestando-se a identificação dos métodos mais adequados as
soluções dos problemas ou fenômenos que se pretende estudar (BERTO, 1999).
Entre as abordagens qualitativa e quantitativa, optou-se pela primeira para o

�desenvolvimento do presente trabalho. Houve necessidade da presença do
pesquisador no campo, de captar e entender a interpretação e a opinião das
pessoas, de entender o serviço de empréstimo entre bibliotecas, necessidade de
identificar comportamentos organizacionais e rotinas de trabalho, buscou-se a
principio encontrar uma solução única para a questão de pesquisa, a sua
generalização não foi prioridade.

O método de procedimento do trabalho foi selecionado tendo por referência
as características da pesquisa e a adequação dos métodos (YIN, 1994). Assim,
considerando os métodos: pesquisa experimental, estudo de caso e pesquisaação, foi possível concluir que o mais adequado às características do trabalho foi
o método pesquisa-ação. Autores como, Coughlan (2002), destacam algumas
características pertinentes a este método, que foram de encontro com este
trabalho como interação com o objeto de pesquisa, participação ativa dos
membros da organização envolvidos no trabalho, conheciam melhor a
problemática estudada do que o pesquisador. Utilizaram-se entrevista, reuniões e
observação direta, como técnicas para coleta de dados. O objeto de estudo do
presente trabalho foi a Seção de Acesso a Base de Dados (SeABD) da
BCo/UFSCar. A SeABD é responsável pelo serviço de comutação bibliográfica
nacional e internacional, pelo empréstimo entre bibliotecas e auxilio ao usuário na
formulação do levantamento bibliográfico nas bases de dados e periódicos
eletrônicos (BCo/UFSCar, 2006).

O problema ou a questão de pesquisa deste trabalho envolveu a falta de
um fluxo eficiente de informações que facilitassem a harmonia das relações entre
os usuários do serviço de empréstimo entre bibliotecas (seja, usuários da BCo,
biblioteca solicitante ou biblioteca solicitada) e a sua gestão. O serviço de
empréstimo entre bibliotecas, é disponibilizado a comunidade acadêmica da
UFSCar, sua gestão era realizada manualmente, com isto, alguns problemas
eram apresentados, como por exemplo: dificuldades no controle do número de
empréstimos e das pendências; grande número de usuários em relação ao
número de funcionários disponíveis para o atendimento, gerando lentidão na
localização do material solicitado e no encaminhamento dos pedidos; bem como o

�excesso de papel acumulado, o que proporciona má utilização do espaço físico da
seção.

O método em questão procurou uma solução técnica para o problema por
meio do desenvolvimento e aplicação de um sistema informatizado. Uma
ferramenta para a gestão do serviço de empréstimo entre bibliotecas, visando
tornar a gestão do serviço de empréstimo entre bibliotecas mais dinâmica e
personalizada às características de seus usuários e gestores (seja, usuários da
BCo/UFSCar, biblioteca solicitante ou biblioteca solicitada).

Existem várias metodologias no mercado, cada uma delas apresentando
características diferentes e englobando diferentes aspectos do processo de
análise, projeto e implementação de sistema. A figura 1 resume os componentes
que formaram este método. A BCo/UFSCar utiliza a tecnologia WXIS em seu
catálogo bibliográfico, a solução proposta é baseada nesta tecnologia e na
usabilidade do Programa de Comutação Bibliográfica – COMUT.
Planejamento
dos recursos
Informacionais

Análise de
sistemas de
informação

Projeto da
aplicação

Construção da
aplicação

Modelagem
conceitual
dos dados

Projeto da
Base de dados

Implementação
da base de dados

FIGURA 1 - Componentes do método. FONTE – Adaptada de ROWLEY (1994).

�4 RESULTADOS

Uma ferramenta de gestão informatizada, tratada pela organização como
EEB, disponibilizada no ambiente Web pela BCo/UFSCar (www.bco.ufscar.br),
com aproximadamente 190 usuários cadastrados. Os usuários foram classificados
em: biblioteca conveniada: bibliotecas, que demonstraram interesse em
compartilhar seu acervo com a BCo/UFSCar; USUÁRIOS/UFSCar: alunos de
graduação, pós-graduação, docentes e técnicos administrativos de nível superior;
Administrador: bibliotecário da BCo/UFSCar, responsável pela gestão do EEB; e
Serviço de referência: responsável pela verificação de pendências dos usuários.

O EEB opera com duas bases de dados: USER e PEDIDO. Os elementos
descritivos das bases podem ser visualizados no quadro 1 e 2. Sua estrutura
proporciona uma eficiente gestão do serviço. Permite ao administrador um alto
nível de detalhamento das características dos seus usuários, assim como do
material solicitado. Estas informações complementam ainda os estudos de uso e
usuários que a BCo/UFSCar realiza periodicamente, com o intuito de manter
atualizado seu acervo, identificando futuras demandas.

A ferramenta possui diferentes níveis de acesso controlado por senha. A
figura 2 apresenta a interface de acesso à ferramenta, de cadastro de usuários e
de bibliotecas interessadas em compartilhar seus acervos.

Para
BCo/UFSCar,

participar

do

sistema

de

compartilhamento

de

acervo

da

as bibliotecas interessadas precisam se cadastrar, imprimir e

enviar termo de compromisso, emitido pelo sistema, assinado e carimbado pelo
responsável pelo EEB e enviá-lo para a SeABD/BCo/UFSCar. Aprovado o
convênio, a nova biblioteca será cadastrada e poderá emitir seus pedidos (3 no
máximo, por vez) dentro do próprio sistema, utilizando o formulário on-line.
Quanto aos USUÁRIOS/UFSCar o sistema é configurado para autorizar até três
livros por usuário, havendo a possibilidade de alteração de acordo com as
necessidades do usuário.

�QUADRO 1 – Elementos da base USER.
Campo

nome

1
2
3
4
5
6

nome_txt
email_txt
senha_txt
cod_biblio_txt
fone_txt
curso_txt

7

Cat_txt

8

status usuário

10
11
21
22
23
24
25
26
27
28

limite_txt
dep_txt
site_txt
respon_txt
crb_txt
end_txt
ce_txt
cidade_txt
inst_txt
obs_txt

Descrição
Nome do usuário
email do usuário
Senha do usuário
Número de inscrição na BCo/UFSCAr
Telefone do usuário
Curso no qual o USUÁRIO/UFSCar está matriculado
Categoria: graduação; pós-graduação; especial; técnico
administrativo; e docente.
Nível de acesso: Administrador; Usuário/UFSCar; Biblioteca
Conveniada; e Serviço de referência.
Número limite de empréstimo por usuário
Departamento que o USUARIO/UFSCar esta vinculado
Site da biblioteca conveniada
Bibliotecário responsável da biblioteca conveniada
Número do CRB do bibliotecário responsável
Endereço do usuário
CEP do usuário
Cidade do usuário
Instituição que pertence o usuário
Observações adicionais sobre o usuário

QUADRO 2 – Elementos da base PEDIDO.
Campo

nome

1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16

nome_txt
email_txt
cod_biblio_txt
cat_txt
fone_txt
autor_txt
titulo_txt
edi_txt
local_txt
editora_txt
ano_txt
tipo_txt
obs_txt
datae_txt
datadxt
datadev_txt

17

stauts_txt

19
20
21
22
23

respon_txt
biblios_txt
datap.txt
mot_txt
nível_txt

Descrição
Nome do usuário
email do usuário
Número de inscrição na BCo/UFSCAr
Categoria – tipo de usuário
Telefone do usuário
Autor da publicação
Título da publicação
Edição da pulblicação
Local da publicação (imprenta)
Editora
Data da solicitação
Tipo de material
Observações - informações adicionais sobre o material
Data do encaminhamento do pedido
Data de devolução do material bibliográfico
Data de devolução do material bibliográfico
Status do pedido:
Aberto: pedido cadastrado pelo usuário EEB
Cancelado: pedido cancelado
Encaminhado: material solicitado à biblioteca conveniada;
Atendido: material já disponibilizado ao usuário; e
Finalizado: material devolvido em ordem pelo usuário.
Bibliotecário responsável da biblioteca conveniada
Biblioteca solicitada
Data do pedido
Motivo do cancelamento do pedido
Nível de acesso

�FIGURA 2 – Interface de acesso, termo de compromisso e cadastro.

As atividades que poderão ser realizadas no EEB estão resumidas no
quadro 3, de acordo com o nível de acesso do usuário.

QUADRO 3 – Síntese das atividades do EEB.
Nível de acesso

Administrador

Usuário/UFSCar

Biblioteca
Conveniada
Serviço de
referências

Atividade
Gestão de pedidos: responsáveis pelo atendimento dos pedidos de
empréstimo, efetuados por todos os usuários.
Gestão de usuários: responsável pelo controle do numero de empréstimo,
devoluções.
Gestão de bibliotecas Conveniadas: responsáveis pelas relações entre as
bibliotecas participantes do EEB e a BCo/UFSCar.
Emissão de relatórios: responsáveis pela elaboração de estatísticas de uso
do EEB.
Alterar cadastro: permite a alteração dos dados cadastrais do usuário.
Acompanhar Pedidos: visualização do status de atendimento dos pedidos
(ratreabilidade).
Consultar Bibliotecas Conveniadas: visualização da lista completa das
bibliotecas que fazem parte do EEB.
Solicitar Pedido: realização de pedidos de empréstimo on line.
Alterar/Imprimir Cadastro: emissão do termo de compromisso.
Acompanhar Pedidos: visualização do status de atendimento dos pedidos
(ratreabilidade).
Consultar Catálogo BCo: acesso ao catálogo BCo/UFSCar
Solicitar Pedido: realização de pedidos de empréstimo on line.
Pendências: rápida visualização de pendências (atrasos).

�A interface que contempla as atividades dos usuários USUÁRIO/UFSCar,
pode ser visualizada na figura 3. As outras interfaces dos demais usuários
seguem o mesmo padrão, diferenciando-se nas atividades.

FIGURA 3 – Interface atividades.

As interfaces do EEB possibilitam aos usuários formatar os seus pedidos
de empréstimo de acordo com as suas necessidades, para isto disponibiliza
atividades como: inclusão; alteração; exclusão; e detalhamento do pedido,
conforme é apresentado na figura 4.

Ao cadastrar um pedido de empréstimo, o usuário poderá acessar os
catálogos das bibliotecas conveniadas, pois o EEB disponibiliza tais informações
em uma de suas interfaces. Os pedidos de empréstimo possuem um “status”,
conforme apresentado no quadro 2 (campo 17 da base PEDIDO), esta informação
possibilita o seu monitoramento, rastreabilidade do material bibliográfico e gestão
pelos usuários do EEB.

A figura 4 apresenta parte da interface “gestão de pedidos” (restrita ao
administrador do EEB). A interface “gestão de pedidos” permite uma visualização
rápida de todos os pedidos cadastrados no EEB, deixando a um clique do
administrador a sua gestão.

�FIGURA 4 – Solicitar pedido; Acompanhar pedidos; gestão de pedidos.
A figura 5 apresenta a interface de atendimento do administrador, alimentada com
as informações cadastrais sobre pedidos e usuários. No atendimento dos
pedidos, o administrador altera o “status” do pedido, sua data de entrega e
devolução. A interface possibilita ao administrador alterar todas as informações
cadastrais, caso haja necessidade.

FIGURA 5 – Interface de atendimento.

�Após o atendimento do pedido, o EEB disponibiliza um formulário que
poderá ser impresso ou enviado em formato eletrônico a biblioteca conveniada.
Este documento contém informações sobre o pedido de empréstimo (Descrição
do material bibliográfico, usuário e datas). Conforme é visualizado na figura 6.

FIGURA 5 – Pedido de empréstimo BCo/UFSCar.

5 CONCLUSÃO

O EEB foi projetado com o objetivo de facilitar, ao máximo, a gestão e o
uso do serviço de empréstimo entre bibliotecas da BCo/UFSCar. O EEB
informatizado, permite aos profissionais envolvidos em seu gerenciamento,
melhor interação, na comparação com o uso do sistema manual, permitindo
agilizar o encaminhamento e a gestão dos pedidos, evitando problemas como:
excesso de papéis, visualização e manipulação de pedidos, acesso e localização
dos materiais em outras bibliotecas (realizada no novo sistema pelos próprios
usuários).

No EEB, logo que o usuário entra no site, ele tem acesso à informação de
forma direta, facilitada por uma busca pré-determinada. Proporcionando uma
melhor organização das informações, além de permitir a rápida visualização do
conteúdo. O EEB permite ao usuário de forma rápida e dinâmica acesso as suas

�operações de empréstimo e solicitação de material bibliográfico, por ter os
princípios de usabilidade do COMUT.

A gestão do EEB é realizada pelos usuários, que serão ao mesmo tempo
consumidores e fornecedores de informação. Constituindo uma preocupação em
comum a todos os usuários a qualidade e integridade das informações.

Uma preocupação constante, do desenvolvimento do EEB, foi a
padronização das páginas em HTML. Foram sempre atribuídos padrões visuais
que possuíam alguma relação entre si, para impedir a desorientação do usuário.
A integração com a tecnologia de banco de dados WXIS, já utilizada pela
BCo/UFSCar, reduziu o tempo de desenvolvimento e manutenção.

O desenvolvimento e a implementação da ferramenta exigiram pouco
investimento e a avaliação inicial sobre o seu uso é de que é uma solução prática
e adequada às necessidades da organização. Esta ferramenta poderá ser
aplicada em qualquer organização interessada em construir uma rede para o
compartilhamento de material bibliográfico.

6 REFERÊNCIAS
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nacional de engenharia de produção: um levantamento de métodos e tipos de
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Desenvolvimento e aplicação de uma ferramenta para o uso e gestão do Serviço de Empréstimo entre Bibliotecas na BCo/UFSCar.</text>
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              <elementText elementTextId="56335">
                <text>Este trabalho apresenta uma ferramenta desenvolvida com a tecnologia da informação WXIS, com o objetivo de tornar a gestão do serviço de empréstimo entre bibliotecas mais dinâmica e personalizada às características de seus usuários e gestores (seja, biblioteca solicitante ou biblioteca solicitada). A ferramenta foi desenvolvida especificamente para atender às necessidades da Biblioteca Comunitária da Universidade Federal de São Carlos (BCo/UFSCar), tais como: gestão de pedidos; gestão de usuários; gestão de bibliotecas conveniadas; emissão de relatórios; rastreabilidade do material e acesso on-line. Esta ferramenta poderá ser aplicada em qualquer organização interessada em construir uma rede para o compartilhamento de material bibliográfico. O desenvolvimento e a implementação da ferramenta exigiram pouco investimento e a avaliação inicial sobre o seu uso é de que é uma solução prática e adequada às necessidades da organização.</text>
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                    <text>DIAGNÓSTICO DAS PESQUISAS VIRTUAIS DA COMUNIDADE CIENTÍFICA
DO LABOMAR

GURGEL, Nadsa Maria Cid. Universidade Federal do Ceará (BR), nadsa@ufc.br
MATOS, Diana Macedo. Universidade de Fortaleza (BR), dianamatos@unifor.br
RESUMO

A revolução tecnológica e o potencial da Internet como instrumento para disseminação e
acesso às informações, ao proporcionar compartilhamento e interação entre seus
usuários, colocaram a comunidade científica diante de novos métodos de trabalho no que
diz respeito às pesquisas bibliográficas. A biblioteca no desempenho de sua função de
dar suporte informacional às atividades educacionais, científicas, tecnológicas e culturais
da Universidade, deve conhecer as necessidades de informação de seus usuários e
viabilizar os meios de acesso. Investiga os vários serviços de informação prioritariamente
acessados como veículos eletrônicos de comunicação, no sentido de mapear os canais
eletrônicos formais e informais utilizados pelo corpo docente e discente do Instituto de
Ciências do Mar – LABOMAR da Universidade Federal do Ceará. Os dados foram
coletados a partir da aplicação de questionário e entrevistas. A grande maioria utiliza o
Portal CAPES e Google Acadêmico como principais canais eletrônicos de informação,
além de participarem de listas de discussões específicas por área. Conclui-se que além
dos artigos eletrônicos, a comunicação informal (colégios invisíveis) que sempre foi
comum entre os cientistas, ressurge como “colégios virtuais” ainda mais interativos e
democráticos, facilitando a avaliação da produção e o conseqüente reconhecimento
científico dos mesmos.
Palavras-chave: Pesquisa; Serviços de Informação; Comunidades virtuais; Comunicação
científica; Comunicação na tecnologia.

________________________________________
(1) Especialista em Tecnologias Aplicadas ao Gerenciamento da Informação,
Universidade Federal do Ceará, nadsa@ufc.br
(2) Mestre em Administração de Empresas, Universidade de Fortaleza,
dianamatos@unifor.br

�INTRODUÇÃO
Com a missão de “dar suporte informacional às atividades educacionais,
científicas, tecnológicas e culturais da Universidade Federal do Ceará”, o Sistema
de Bibliotecas é composto por 14 Bibliotecas Setoriais que atendem aos alunos
dos 54 cursos de graduação, 43 cursos de especialização, 44 mestrados, alunos
dos 18 cursos de doutorado, 1.603 professores, 3.409 técnico-administrativos,
além dos alunos das 06 Casas de Cultura Estrangeira estando todos esses
usuários potenciais, distribuídos em 03 campi, existindo ainda algumas unidades
fora dos campi.
A Biblioteca Rui Simões de Menezes localizada no Instituto de Ciências do
Mar – LABOMAR e comumente conhecida como Biblioteca do LABOMAR, atende
especificamente a comunidade - pesquisadores, professores e alunos do Curso
de Mestrado em Ciências Marinhas Tropicais - do referido Instituto, que logo em
sua implantação em 1960, a primeira diretoria teve como preocupação imediata, a
implantação da Biblioteca.
As tecnologias de comunicação associadas à especialização da área de
estudo vinculada a uma instituição de cunho acadêmico, mudaram profundamente
as relações dos referidos atores com a biblioteca. As visitas além de serem reais,
tornaram-se também virtuais, já que trata-se de uma biblioteca híbrida,
convivendo com cenários distintos.
A biblioteca do LABOMAR é especializada, atendendo a uma comunidade
própria e relativamente pequena. Em face das transformações nos meios de
comunicação observadas no âmbito acadêmico-científico e, por outro lado, tendo
uma percepção empírica de que os seus usuários estão usando a internet como
principal meio para realizar pesquisas bibliográficas, buscou-se com este trabalho,
fazer um diagnóstico mais preciso a fim de facilitar-lhes o acesso, aprimorando os
recursos virtuais disponíveis.
Assim, o objetivo do estudo foi o de mapear os canais eletrônicos utilizados
por essa comunidade, assim como conhecer os modos de interação com os pares
e de que forma se apresentam os novos colégios virtuais.

�INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO
A comunicação, o registro e a disseminação do conhecimento sempre
foram ferramentas básicas para a convivência humana, tanto é que desde a préhistória, o homem “escreve” textos através de vários suportes. O homem e o ato
de comunicar-se têm evoluído juntos ao longo dos tempos. Da comunicação oral
para a comunicação escrita, que veio superar o problema de alcance e fidelidade
da informação, a escrita transformou-se e milhares de anos depois Gutenberg
inventou a imprensa causando uma profunda revolução.
A comunicação escrita e o modo de transmissão dos textos
sofreram profundas mudanças com a imprensa. A quantidade de
livros e cópias produzidos aumentou significativamente, e o leitor
passou a ter maior acesso a teorias e conhecimentos, antes
restritos aos mestres encarregados de interpretar os manuscritos e
repassar seu conteúdo aos discípulos. (DIAS, 1999 p. 156)

A revolução dos nossos dias se dá através do computador, que desde sua
invenção no início do século XX como equipamento utilizado para cálculos
científicos em usos militares, muda à forma de comunicação e disseminação da
informação. Hoje, dentre os avanços, não se concebe viver sem o correio
eletrônico, a transferência de arquivos, listas de distribuição, grupos de usuários e
a web com os serviços de busca, pois de acordo com LEVI (1993) o computador
é, antes de tudo, um operador de potencialização da informação.
As facilidades advindas das tecnologias de informação e comunicação
(TICs) proporcionam interatividade e conectividade, interferem ainda nas relações
sociais, democratizando o processo de produção de informação e conhecimento
que torna-se descentralizado. A comunicação científica eletrônica dá-se por
canais formais facilitando a divulgação do conhecimento produzido e, informais,
auxiliando a troca rápida de informações.
Os cientistas sempre discutiram e trocaram informações entre si
impulsionando o avanço das pesquisas científicas. A comunicação informal com
os recursos das TCIs favorecem esses contatos. Os antigos colégios invisíveis
com seus números reduzidos de participantes, transformaram-se em colégios

�virtuais que agregam inúmeras pessoas através das conferências eletrônicas,
listas de discussões, “bate-papos” e o uso do correio eletrônico.
Conforme proposto por Price (1973),
Adotar-se-á aqui o termo colégio virtual com o fim de preservar a
analogia com o colégio invisível e sua carga semântica, isto é,
tem-se como princípio que o número de cientistas trabalhando em
uma área específica é pequeno e que estes se conhecem entre si,
mesmo que não pessoalmente. Esta comunidade mantém-se a
par dos respectivos trabalhos e troca informações via correio
eletrônico ou listas de discussão, preferencialmente, embora
utiliza também outros meios. O colégio virtual atua como rede de
comunicação e intercâmbio, como fórum de educação e de
socialização de novos cientistas.

Por outro lado, o papel desempenhado pelas bibliotecas, como um veículo
de comunicação, precisa acompanhar essas transformações, tendo em vista as
exigências e necessidades de seus usuários, oferecendo melhores serviços,
facilitando o acesso e a troca de informações, de forma a otimizar os seus
recursos.

METODOLOGIAS E RESULTADOS

Os dados foram coletados através da aplicação de questionário composto
por

perguntas

abertas

e

fechadas. O

grupo

estudado

compôs-se

de

pesquisadores (técnicos de nível superior), professores e alunos do Curso de
Mestrado em Ciências Marinhas Tropicais do Instituto de Ciências do Mar –
LABOMAR.
As informações foram levantadas durante os meses de maio e junho de
2006, perfazendo um total de 95 participantes, sendo 33 pesquisadores, 20
professores e 42 estudantes de mestrado. Ressalte-se que as respostas
perfizeram 86% do universo pesquisado.
Os resultados obtidos são descritos a seguir, após listadas algumas
observações e sugestões coletadas.

�Em relação à freqüência com que utiliza a Internet para realizar pesquisas
científicas verificou-se que todos os entrevistados utilizam a internet, no entando
apenas 70% acessam diariamente, conforme detalhado na tabela seguinte.

Tabela 1 – Freqüência de acesso à internet
Diariamente

Semanalmente

71%
75%
75%

16%
25%
13%

Professor
Pesquisador
Mestrando

Mensalmente
14%
12%

Fonte: pesquisa própria

No que se refere aos sites acessados com maior freqüência, os
mestrandos são os que mais acessam o Portal Periódicos CAPES, sendo 77%
deles, os professores com 71% e os pesquisadores, 66%. O Google revela-se
como a segunda opção para as três categorias. Outras bases citadas estão
disponíveis no referido Portal, de acordo com a tabela abaixo.
Tabela 2 – Sites de acesso à internet
Professor
Pesquisador
Mestrando

CAPES
71%
66%
77%

Google
Outros
29%
FINEP
34%
FAO, Globfish, National Marine Fisheries
23%
Universidades diversas

Fonte: pesquisa própria

O modo prioritário de troca de informações com os pares foi latente a
preferência de comunicação por e-mail,

o telefone aparece como a segunda

opção e a lista de discussão utilizada apenas pelos pesquisadores, apresentadas
detalhadamente a seguir:
Tabela 3 – Modo prioritário de troca de informações com os pares
Professor
Pesquisador
Mestrando

E-mail
90%
66%
50%

telefone pessoalmente
10%
16%
16%
38%
12%

Listas de discussão
2%
-

Fonte: pesquisa própria

Os professores e pesquisadores comunicam-se diariamente com seus
pares, enquanto a maioria dos mestrandos buscam exporaticamente os mesmos
apenas quando motivados por algum interesse, de acordo com os dados abaixo:

�Tabela 4 – Frequencia de contato com os pares
Diariamente

Semanalmente

Mensalmente

exporaticamente

57%
42%
14%

28%
25%
20%

15%
25%
16%

8%
50%

Professor
Pesquisador
Mestrando
Fonte: pesquisa própria

A participação em grupos de estudo nacionais é apontado por 60% dos
professores e 55% dos pesquisadores, enquanto que 70% dos mestrandos não
participa, mas tem interesse. As três categorias têm participação em grupos
internacionais indicados na tabela a seguir.
Tabela 5 – Participação em grupos de estudo

Professor
Pesquisador
Mestrando

Grupos
Grupos
Nacionais Internacionais
60%
20%
55%
15%
20%

Não participa, mas tem
interesse
10%
20%
70%

Não
participa
10%
10%
10%

Fonte: pesquisa própria

Além desses dados, foram coletadas informações sobre as revistas mais
importantes para a área de estudo, tanto as de formato eletrônico como de
formato impresso. Constatou-se que dentre as citadas, muitas estão no portal
CAPES e outras já estão em formato eletrônico, inclusive com acesso gratuito.
Para completar o diagnóstico realizado, também foi indagado a respeito do
acervo prioritariamente consultado na biblioteca, a fim de que outras ações de
melhoria pudessem estar vinculadas com os outros dados pesquisados, obtendose a seguinte informação:
Tabela 6 – Material prioritariamente consultado na biblioteca

Professor
Pesquisador
Mestrando

Revistas

Livros

46%
33%
50%

38%
16%
37%

Teses e
Dissertações
10%
41%
12%

Monografias
6%
10%
1%

Fonte: pesquisa própria

Por fim, as observações e sugestões feitas, em sua maioria, dizem respeito
ao acervo e à página da biblioteca, sugerindo, inclusive, maiores investimentos na
aquisição de novos computadores, divulgação dos recursos eletrônicos,
principalmente através da reestruturação da home-page do LABOMAR.

�CONCLUSÃO
As conexões da biblioteca com as pesquisas científicas versus bibliográfica
alteraram-se com o emprego das novas tecnologias. A internet e suas milhões de
páginas transformaram-se “no céu e no inferno” dos pesquisadores.
Apesar das centenas de ferramentas de busca de informações, a seleção
de conteúdos com níveis de confiabilidade, associada à necessidade de uso dos
canais formais de comunicação, transformam a biblioteca universitária ainda mais,
na grande contribuidora para a qualidade do ensino e pesquisa na universidade.
Os pesquisadores de forma geral, sabem onde buscar informações
precisas e confiáveis, embora nem sempre percorram o caminho mais rápido. A
disponibilização dos inúmeros títulos de periódicos com texto completo no Portal
CAPES facilitou essa busca, embora ele ainda não seja utilizado em toda sua
capacidade.
Cabe a biblioteca, portanto, desvendar os acessos proporcionando
instrumental para aumentar a eficiência na procura de recursos informacionais,
efetuando treinamentos com os usuários no Portal Periódicos CAPES e suas
várias bases de dados, mapeando também outros sites relevantes à área.
Ademais, que seja uma facilitadora da formação e divulgação de colégios virtuais
e dos grupos de estudo, contribuindo para que haja um maior intercâmbio de
informações, acessadas muitas vez através de suas home-pages.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

�1.AMARAL, Angélica do Amaral. WEB SITES: uso de tecnologias no cumprimento
das funções da biblioteca. Informação e sociedade: estudos, João Pessoa, PB,
15, 2, 2005. Disponível em: http://www.informacaoesociedade.ufpb.br/index.htm.
Acesso em 19/05/2006.

2.DIAS, Cláudia Augusto. Hipertexto: evolução histórica e efeitos sociais. Ci.
Inf. [online]. set./dez. 1999, vol.28, no.3 [citado 10 Julho 2006], p.269-277.
Disponível na World Wide Web:
&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S010019651999000300004&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;. ISSN 0100-1965.

3.LÉVY, Pierre. O que é virtual. São Paulo: Ed. 34, 1996. 160 p.

4.MOREIRA, Walter. Os colégios virtuais e a nova configuração da comunicação
científica. Ciência da Informação, Brasília, DF, 34.1, 26 10 2005. Disponível em:
&lt;http://www.ibict.br/cienciadainformacao/viewarticle.php?id=699. Acesso em: 19
05 2006.

5.OLIVEIRA, Érica Beatriz Pinto Moreschi de; NORONHA, Daisy Pires. A
comunicação científica e o meio digital. Informação e sociedade: estudos, João
Pessoa, PB, 15, 2, 2005. Disponível em:
http://www.informacaoesociedade.ufpb.br/IS1510503.htm. Acesso em 19/05/2006.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARA - SISTEMA DE BIBLIOTECAS

�Biblioteca Rui Simões de Menezes do Instituto de Ciências do Mar LABOMAR
Prezados(as) Usuário(as),
A Biblioteca do LABOMAR, no desempenho de sua função, está buscando
conhecer os serviços de informação prioritariamente acessados como veículos de
comunicação, no sentido de mapeá-los e facilitar o acesso aos seus usuários.
Para tanto, solicitamos a sua colaboração respondendo as perguntas abaixo:
1. Classificação:
Professor
Pesquisador
Estudante
2. Com que frequência você utiliza a Internet
para realizar pesquisas científicas?
Não utilizo
Diariamente
Semanalmente
Quinzenalmente
Mensalmente
3. Enumere de 1 a 4 (por ordem de prioridade) o material que você consulta na
Biblioteca do LABOMAR.
Não consulto
Livros
Teses e Dissertações
Revistas
Monografias de Graduação
4. Marque os s/tes acessados com maior frequência. Os seus "Favoritos",
(múltipla escolha)
Portal CAPES
Google Académico
Sites das bibliotecas universitárias
Outro(s). Especifique:
5. Cite as Revistas mais importantes para a sua área de estudo.
Eletrônicas:
Versão impressa:
6. Enumere de 1 a 4 (por ordem de prioridade) o modo que você costuma trocar
informações com seus pares.
Através de e-mail
Através de fórum (lista de discussão) em grupos de estudo ou trabalho
Telefone
Pessoalmente

�7. Qual a frequência desse contato?
Diariamente
Semanalmente
Quinzenalmente
Mensalmente
Somente quando tenho algum interesse
8. Ainda em relação aos Grupos de Estudo, que você participa, especifique:
Nacional. Quantidade:
Internacional. Quantidade:
Não participo
Não participo, mas tenho interesse.
9. Observações e Sugestões:

�ABSTRACT

The technological revolution and the potential of the Internet as instrument for
dissemination and access to the information, when providing sharing and interaction
between its users, had ahead placed the scientific community of new methods of work in
what it says respect to the bibliographical research. The library in the performance of its
function to give informacional support to educational, scientific, technological and cultural
the activities of the University, must know the necessities of information of its users and
make possible the ways of access. It investigates the some services of information
prioritariamente had access as electronic vehicles of communication, in the direction of
mapear the formal and informal electronic canals used by the faculty and learning of the
Institute of Sciences of Sea - LABOMAR of the Federal University of the Ceará. The data
had been collected from the application of questionnaire and interviews. The great
majority uses Vestibule CAPES and Academic Google as main electronic canals of
information, beyond participating of lists of specific quarrels for area. It is concluded that
beyond electronic articles, the informal communication (invisible colleges) that it was
always common between the scientists, resurges as “interactive and still more democratic
virtual colleges”, facilitating to the evaluation of the production and the consequent
scientific recognition of the same ones.

Keywords: Research; Services of Information;
communication; Communication in the technology.

Virtual

communities;

Scientific

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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              <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>Diagnóstico das pesquisas virtuais da comunidade científica do LABOMAR.</text>
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                <text>A revolução tecnológica e o potencial da Internet como instrumento para disseminação e acesso às informações, ao proporcionar compartilhamento e interação entre seus usuários, colocaram a comunidade científica diante de novos métodos de trabalho no que diz respeito às pesquisas bibliográficas. A biblioteca no desempenho de sua função de dar suporte informacional às atividades educacionais, científicas, tecnológicas e culturais da Universidade, deve conhecer as necessidades de informação de seus usuários e viabilizar os meios de acesso. Investiga os vários serviços de informação prioritariamente acessados como veículos eletrônicos de comunicação, no sentido de mapear os canais eletrônicos formais e informais utilizados pelo corpo docente e discente do Instituto de Ciências do Mar – LABOMAR da Universidade Federal do Ceará. Os dados foram coletados a partir da aplicação de questionário e entrevistas. A grande maioria utiliza o Portal CAPES e Google Acadêmico como principais canais eletrônicos de informação, além de participarem de listas de discussões específicas por área. Conclui-se que além dos artigos eletrônicos, a comunicação informal (colégios invisíveis) que sempre foi comum entre os cientistas, ressurge como “colégios virtuais” ainda mais interativos e democráticos, facilitando a avaliação da produção e o conseqüente reconhecimento científico dos mesmos.</text>
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                    <text>DIGITALIZAÇÃO DE DIAPOSITIVOS DE ARTE E ARQUITETURA: UMA
EXPERIÊNCIA A COMPARTILHAR

NEUSA KAZUE HABE

Bibliotecária
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP
Rua do Lago, 876 São Paulo / SP
www.fau.usp.br

JOÃO CARLOS BEZERRA DE SOUSA
Bibliotecário e Analista de Sistemas
Seti informática

�RESUMO : O objetivo deste trabalho é apresentar a experiência da Seção de Comunicação
Especializada do SBI da FAUUSP na digitalização de seu acervo de diapositivos, utilizando-se o
banco de dados desenvolvido especificamente para esse trabalho. O acervo de diapositivos é
referência nacional para a pesquisa de imagens nas áreas de Arte, Arquitetura e Urbanismo. As
questões de sua organização, tratamento e preservação apresentam-se cada vez mais como
prioritárias, de forma a atender adequadamente, as constantes demandas dos alunos de
graduação, pós-graduação, docentes e pesquisadores das áreas abrangidas. O banco de dados
foi desenvolvido especialmente para a digitalização deste acervo de forma a permitir o
cadastramento e a recuperação tanto das imagens digitalizadas como também de seus dados
bibliográficos. Utilizamos a linguagem Pascal, aplicável em ambiente Windows e equipamento PC.
O banco de dados permite também o gerenciamento de empréstimo dos diapositivos através da
utilização de código de barras e maior controle da circulação do material. As imagens são
corrigidas utilizando-se um software de tratamento de imagens e podem ser gravadas em CDROM para utilização em salas de aula e apresentações em seminários, congressos e exposições.
Com a implantação deste banco de imagens garantiu-se rapidez no acesso à informação
solicitada e ao mesmo tempo à preservação dos diapositivos.
Palavras – chave: Base de Imagens; Diapositivos; Digitalização; Documentação Audiovisual

INTRODUÇÃO
Neste trabalho relatamos a implantação do projeto de digitalização do acervo de
diapositivos da Seção Técnica de Comunicação Especializada da Biblioteca da
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, a qual
atende ao corpo docente, discente e funcionários da FAU, sendo aberta ao
público em geral apenas para consulta.
O acervo de diapositivos é considerado material único e devido às dificuldades
para a sua conservação e empréstimo foram priorizadas as atividades de busca,
manutenção e conservação por meio de sua digitalização.
A Biblioteca da FAUUSP foi contemplada no ano de 2000 com verbas de projetos
FAPESP o que possibilitou a aquisição dos equipamentos necessários e a
contratação de uma empresa que desenvolveu o software Infoslide.
Esperamos que esta experiência venha a impulsionar o interesse pelo assunto, na
questão de materiais especiais.

�HISTÓRICO
O acervo de diapositivos da Biblioteca da FAUUSP é especializado em artes,
arquitetura, paisagismo e planejamento territorial urbano. Formado por compra,
doações de professores, alunos, pesquisadores e também pela reprodução de
imagens realizada pelo Laboratório de Recursos Audiovisuais da FAU (LRAVFAU). Criado em novembro de 1959 o acervo hoje possui 82.150 slides
processados os quais são divididos em dois catálogos denominados Brasil e
Exterior. Os seus assuntos englobam a arte primitiva, arquitetura, desenho
industrial, pintura, mobiliário, colagem, gravura, paisagismo, ruas, cidades,
mosaicos, tapeçaria, cenografia, etc.
Destacam-se neste acervo as coleções alguns de arquitetos, expoentes da
arquitetura brasileira, como Ramos de Azevedo, Victor Dubugras, Rino Levi,
Carlos Millan, João Batista Vilanova Artigas, Oscar Niemeyer, Eduardo Kneese de
Mello, Paulo Mendes da Rocha, Carlos Lemos entre outros.
DIGITALIZANDO IMAGENS
A análise feita para a execução do trabalho de digitalização foi iniciada pela
ordem de classificação dos diapositivos. O trabalho de digitalização é feito por um
estagiário contratado pelo SIBi – Sistema Integrado de Bibliotecas da USP, que
trabalha 20 horas semanais e o cadastramento do registro bibliográfico é feito
pelo bibliotecário.
A digitalização é feita pela captura da imagem do diapositivo, por meio do scanner
apropriado. A imagem tem como definição padrão de qualidade de resolução 400
x 400 pontos por polegadas, 256 cores e no tamanho 2,5 x 3,5 cm e é salva em
formato JPEG.
Após a digitalização é utilizado o programa de tratamento de imagens que corrige
o equilíbrio de cor, luminosidade e saturação. Logo após, é inserido o logotipo da
FAUUSP que identifica a imagem digitalizada como parte do acervo da biblioteca
da FAU/USP (figura 1).

�Os arquivos são salvos como nome, o número de tombo do registro bibliográfico
para facilitar a recuperação no cadastramento e na intersecção entre a imagem e
os dados bibliográficos.
Finalizando a digitalização da imagem, anota-se no verso do diapositivo um
código de identificação.
As imagens são salvas no Servidor e o backup feito em outro computador.

Figura 1

O SOFTWARE INFOSLIDE
Desenvolvido para otimizar o fluxo da informação o software permite o
cadastramento e a recuperação tanto dos dados bibliográficos quanto das
imagens dos diapositivos. Este software utiliza como plataforma a linguagem
Pascal aplicável em sistema operacional Windows em equipamentos PC. A
preferência, na ocasião, pela utilização dessa linguagem de desenvolvimento em
software foi devido à abrangência da utilização de base de dados que interpreta
os arquivos de outros programas sem convertê-los. Fácil de usar, exige o mínimo
de treinamento em sua utilização, e as ferramentas de desenvolvimento
cliente/servidor são versáteis por utilizar o sistema operacional gráfico como o
Windows.

�O

software

possui

os

seguintes

módulos:

Cadastramento,

Empréstimo,

Devolução, Impressão de Etiquetas e Relatórios.
O BANCO DE DADOS INFOSLIDE
Cadastrando no Banco de dados Infoslide
O cadastramento dos diapositivos é feito com base no registro bibliográfico
contido na ficha matriz. Inicia-se o cadastramento a partir do número de tombo do
diapositivo, número este que permite recuperar a imagem digitalizada.
A visualização da informação é apresentada em formato claro (figura 2 ).

Figura 2

Recuperação da Informação
Instalados nos terminais do setor audiovisual, a recuperação é feita digitando-se o
título e/ou assunto. Ao digitar a opção desejada, o usuário obterá na tela uma lista
da pesquisa (figura 3).

�Figura 3

Clicando no ícone Visualizar, aparece a imagem correspondente (figura 4).

Figura 4

�Empréstimo
Este módulo apresenta as seguintes funções:
- Controle de empréstimo de diapositivos - é feito com a entrada do número do
usuário ou registro do número do empréstimo (figura 5).

Figura 5

O empréstimo é feito por meio de uma leitora de código de barras (figura 6).

Figura 6

�Devolução
A devolução é feita por meio da leitura do código de barras (figura 7).

Figura 7

Etiquetas
As etiquetas são geradas por dois meios: pelo número do tombo ou pela data de
cadastramento. São impressas as etiquetas de classificação e a de tombo( figuras
8 e 9).

�Figura 8

Figura 9

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Hoje os usuários estão sempre atentos no que diz respeito à qualidade de
serviços, benefícios, custo e tempo.
A informática representa um fator fundamental no processo de recuperação da
informação, daí a necessidade de sempre se manter o backup atualizado e estar
gerenciando todo o processo. Além destes cuidados é preciso estudar os
aspectos legais e profissionais do acesso a estas informações.
O projeto de digitalização e a implantação do Banco de Dados Infoslide além de
cumprir o objetivo de preservação da coleção otimizou a realização das tarefas
rotineiras garantindo:
- maior controle da circulação do material;
- melhoria no atendimento;
- comodidade do usuário.
Pretende-se disponibilizar o Banco de Dados Infoslide na internet possibilitando a
todos a pesquisa online.

�Verificamos que o conhecimento sobre o assunto ainda é restrito principalmente
pela falta de treinamento no quadro dos profissionais, de desenvolvimento de
software e aquisição de recursos.
Cada vez mais, solidifica-se a importância no investimento do capital humano.
Treinamentos e cursos que geram a qualidade de serviços e satisfação do cliente
devem ser a meta de todo sistema de informação.
Por outro lado, converter o papel em arquivo digital, possibilita o acesso à
informação da imagem para um maior número de usuários sem o manuseio direto
ao diapositivo preservando-se o acervo.
Atualmente o Banco Infoslide já conta com 35.000 slides digitalizados e 42.500
cadastrados.
BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA
CUNHA, Murilo Bastos da. Biblioteca digital: bibliografia internacional anotada.
Ciência da Informação, v.26, n.2, p.195-213, 1997
----------. Construindo o futuro: a biblioteca universitária brasileira em 2010.
Ciência da Informação, v.29, n.1, p.71-89, 2000.
J_RGENSEN, Corinne. Image retrieval: theory and research. Lanham, Md:
Scarecrow Press, 2003.
TAPSCOTT, D.; CASTON, A. A mudança de paradigma: a nova promessa da
tecnologia da informação. São Paulo: Makron Books do Brasil, 1995.
WETHERBE, James C. Análise de sistema para sistema de informação por
computador. Rio de Janeiro: Campus, 1987.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O objetivo deste trabalho é apresentar a experiência da Seção de Comunicação Especializada do SBI da FAUUSP na digitalização de seu acervo de diapositivos, utilizando-se o banco de dados desenvolvido especificamente para esse trabalho. O acervo de diapositivos é referência nacional para a pesquisa de imagens nas áreas de Arte, Arquitetura e Urbanismo. As questões de sua organização, tratamento e preservação apresentam-se cada vez mais como prioritárias, de forma a atender adequadamente, as constantes demandas dos alunos de graduação, pós-graduação, docentes e pesquisadores das áreas abrangidas. O banco de dados foi desenvolvido especialmente para a digitalização deste acervo de forma a permitir o cadastramento e a recuperação tanto das imagens digitalizadas como também de seus dados bibliográficos. Utilizamos a linguagem Pascal, aplicável em ambiente Windows e equipamento PC. O banco de dados permite também o gerenciamento de empréstimo dos diapositivos através da utilização de código de barras e maior controle da circulação do material. As imagens são corrigidas utilizando-se um software de tratamento de imagens e podem ser gravadas em CD-ROM para utilização em salas de aula e apresentações em seminários, congressos e exposições. Com a implantação deste banco de imagens garantiu-se rapidez no acesso à informação solicitada e ao mesmo tempo à preservação dos diapositivos.</text>
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                    <text>DIRETRIZES QUE DEVEM ORIENTAR A ENTRADA DA
COLEÇÃO RETROSPECTIVA DO SISTEMA DE
BIBLIOTECAS DA UFC NO CATÁLOGO AUTOMATIZADO
Diana Flor de Lima (1)
Guaracy Araújo Santiago Martins (2)
Maria Josineide Silva Góis (3)
Nadja Maria de Morais Soares (4)
Neiliane Alves Bezerra (5)
Osvaldêmia Maria Lucena Maia
(6)

RESUMO

As Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC’s) introduziram mudanças
significativas no contexto das bibliotecas universitárias. Nesse cenário, a maioria
das bibliotecas que informatizaram seus acervos se depararam com a conversão
retrospectiva que é também o momento da confecção do catálogo on line, o qual é
fundamental para a organização, recuperação e divulgação de informações. O
Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará (SB-UFC) tem
demonstrado sua capacidade de responder as mudanças, buscando uma infraestrutura que lhe permita operar como um sistema de informação moderno e
adequado às suas atividades. Ao implantar o sistema PERGAMUM, o SB-UFC
recebeu um novo impulso e tem buscado o aprimoramento do seu catálogo
eletrônico primando pela qualidade dos produtos e serviços oferecidos aos seus
usuários. Nesse texto, apresenta-se o trabalho desenvolvido pela Comissão de
Catalogação Retrospectiva, onde relata-se de maneira breve o processo de
informatização do SB-UFC, a experiência do processo de conversão retrospectiva,
bem como a metodologia e o estabelecimento de uma política de seleção, com
diretrizes para orientar o cadastramento da colecão retrospectiva no SB-UFC.

PALAVRAS-CHAVE: Conversão retrospectiva, Comissão de catalogação
retrospectiva, Catálogo eletrônico, Seleção e aquisição

�1 INTRODUÇÃO

No início de 1991, o Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do
Ceará (SB-UFC), ao implantar o Sistema de Automação Universitária (SAU-06),
modernizava a maneira de gerenciar o

seu acervo. Mas em virtude da rápida

obsolescência das tecnologias da comunicação e informação, a direção da
Biblioteca Universitária sentiu a necessidade de um novo software capaz de
adequar-se às necessidades do momento. A aquisição do novo software, no caso o
Pergamum, significou inovação e trouxe alterações para o fluxo de trabalho.
Uma das inovações foi a criação de comissões para elaborar e executar
projetos. Nesse trabalho, destaca-se a atuação da Comissão de Catalogação
Retrospectiva criada com a finalidade de elaborar um projeto que contemplasse
questões relacionadas à criação de registros catalográficos padronizados para a
tarefa de conversão retrospectiva.
Diante desse objetivo, comissão sentiu a necessidade de diretrizes que
norteassem as decisões sobre o processo de avaliação e seleção do acervo
retrospectivo a ser informatizado. Dessa forma, tomando por base a Proposta de
Política de Desenvolvimento de Acervos elaborada pela Coordenação de Bibliotecas
e pela Divisão de Desenvolvimento do Acervo – DDA, a Comissão se deteve em
detalhar o processo de desbastamento do acervo, cujas etapas, de acordo com
Vergueiro (1998), são o remanejamento e o descarte, tendo como foco o contexto
atual da catalogação retrospectiva no SB-UFC.
O presente documento aborda alguns tópicos relacionados à conversão
retrospectiva de um modo geral, faz uma rápida história do processo de automação
do SB-UFC e inclui as diretrizes para orientar o cadastramento da coleção
retrospectiva, bem como para a construção de um catálogo eletrônico.
2 CONVERSÃO RETROSPECTIVA DE REGISTROS BIBLIOGRÁFICOS : a
experiência do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará (SBUFC)
As Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC’s) introduziram mudanças
significativas no contexto das bibliotecas universitárias brasileiras. Uma das

�mudanças foi a substituição dos catálogos impressos manuais, originando catálogos
em fichas, folhas soltas ou microfichas por catálogos em linha de acesso público.
Ao longo de sua trajetória, as bibliotecas sempre procuraram desenvolver e
aprimorar os seus catálogos, considerados instrumentos fundamentais para a
organização, recuperação e divulgação de informações.
A automação dos catálogos “embora tenha potencializado os serviços de produção e
acesso à informação, foi um processo de utilização de uma nova tecnologia para
otimizar velhos procedimentos já existentes nas bibliotecas: o velho catálogo é,
agora, on-line (Costa, 2000, p. 118).

A revolução da informática trouxe mudanças notáveis para os processos
biblioteconômicos. Segundo Rowley (2000, p.321-321) os impactos dessas
mudanças podem ser observados nos registros catalográficos que passaram a ser o
registro fundamental para o sistema de gerenciamento de bibliotecas uma vez que
esses registros são utilizados na catalogação, circulação e aquisição; o intercâmbio
de registros bibliográficos levou a uma maior padronização dos dados; a
disponibilidade de catálogos coletivos forma mais completa; os catalogadores não
precisam fazer intercalação de fichas; é possível escolher diferentes formatos de
catálogo para diferentes localizações; o processo de catalogação tornou-se mais
estruturado e rápido, apresentando também a vantagem de permitir compartilhar
experiências profissionais no que diz respeito ao trabalho de catalogação, reduzindo
tempo e recursos financeiros destinados a essa atividade.

Para Rowley (2000) a criação de registros bibliográficos automatizados é muito mais
rigorosa e não descarta o uso de ferramentas como o Anglo-American Cataloguing
Rules, os sistemas de classificação e as Descrições Bibliográficas Internacionais
Normalizadas (ISBDS) e, além disso, foram desenvolvidos os formatos de
comunicação de descrições bibliográficas legíveis por computador.

O MARC (Machine-Readable Cataloguing) desenvolvido pela Library of Congress foi
o primeiro formato criado para o intercâmbio de dados bibliográficos. As instituições
nacionais adotaram o MARC e reformataram seus registros de acordo com o
USMARC.

�No Brasil o MARC recebeu a denominação de CALCO (Catalogação Legível por
Computador), uma adaptação do MARC, desenvolvido pela profa. Maria Alice
Príncipe Barbosa em 1972. O CALCO foi adotado pela Fundação Getúlio Vargas,
dando origem a Rede de Catalogação Cooperativa BIBLIODATA/CALCO, que deu
grande impulso na criação de catálogos adequados para a informatização das
bibliotecas brasileiras.
3 CONVERSÃO RETROSPECTIVA

Muitas bibliotecas que automatizaram suas rotinas de serviço depararam-se com o
processo de
“[...]conversão retrospectiva – também conhecida pela sigla RECON,
abreviação dos termos em inglês : Retrospective CONversion - que desina
a atividade de converter registros bibliográficos a partir de fichas ou de
qualquer outro suporte, para registros em meio magnético, legíveis por
computador ( Hübner, 2002, p. 5). Ou então conforme ( Beaumonte &amp; Cox,
1989, apud
Hübner, 2002) conversão retrospectiva
refere-se
à
transformação de catálogos já existentes em bibliotecas em formato de
fichas, num catálogo em formato legível por máquina, de acordo com normas
e padrões estabelecidos.
A literatura sobre conversão retrospectiva enfatiza que a confecção de catálogos
informatizados, é a base sólida para se desenvolver qualquer outro tipo de serviço.
Hübner (2002) afirma que muitas bibliotecas às vezes dedicam mais tempo e esforço
na escolha do software, quando na verdade não é o programa de computador o
mais importante e sim os dados, isto é, os registros bibliográficos que irão alimentar
o sistema, pois os registros bibliográficos guardados e manipulados no banco de
dados são permanentes, enquanto o aplicativo, devido à rápida evolução
tecnológica, tem vida curta. Hübner alerta que o projeto de conversão retrospectiva
deve ser tratado juntamente com o projeto de seleção e aquisição do Software.
Outro aspecto considerado importante é a conversão de dados para um formato
padrão, pois caso haja necessidade de migração para outro sistema, não haverá
perda de informação.
A tarefa de converter catálogos manuais em catálogos automatizados exige
investimento na formação de uma sólida base de dados e para isso e preciso a
adoção de metodologias adequadas, para economizar tempo, reduzir custos e
garantir a qualidade.

�Hubner (2002) alerta que um bom projeto de conversão retrospectiva deve
incluir o levantamento do acervo a ser contemplado, determinando a quantidade e
tipo de material a ser convertido; determinar a quantidade de títulos catalogados e
não catalogados, suporte; relacionar e tabular todos os detalhes com os totais de
cada caso; determinar prioridades; fazer primeiramente um projeto piloto, usando
uma amostra para estimar o percentual que poderá ser encontrado nas fontes
disponíveis.
4 QUALIDADE DE UMA BASE DE DADOS

Uma base de dados bibliográficos, de acordo com Martinelli (1998),tornou-se
um produto que antes era visível somente através de uma ficha em cartolina
armazenada no catálogo da biblioteca e hoje constitui um elemento de uma base de
dados disseminada a nível nacional e mesmo internacional. E para seguir a regra
geral do mercado, ele tem que se mostrar competitivo, tem que ser de qualidade.
Para isto, ao criar um registro bibliográfico, deve-se produzir um documento descrito
de forma completa, elaborado de acordo com o padrão MARC, para que seja
garantida a compatibilidade e a possibilidade de importação e exportação em
relação a outras bases, que sejam respeitadas as normas de catalogação e um
rigoroso controle de entradas, para evitar que para um mesmo documento sejam
gerados múltiplos registros.

5 Automação do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará (SBUFC): do SAU-06 ao Pergamum
A partir de 1990, a Universidade Federal do Ceará iniciou o processo de
automação

suas

rotinas

administrativas (

protocolo,

correio

eletrônico,

administração de pessoal, financeira e contábil, de compras, de patrimônio, de
licitações, do setor acadêmico e bibliotecas).
A implantação do Sistema de Automação Universitária na UFC se efetivou
como resultado de um convênio de cooperação tecnológica entre a UNISYS e o
Ministério da Educação, através de sua Secretaria de Ensino Superior. (Projeto
SAU - Relatório de atividades, 1994).

�O SAU foi desenvolvido pela TECHNE – Engenharia e Sistemas, Ltda.
Tratava-se de um sistema integrado, que abrangia todas as áreas da
universidade e tinha por objetivo gerar relatórios de apoio à tomada de decisões.
O SAU era composto dos seguintes módulos :
- SAU- 01- Protocolo e comunicações – (Primeiro módulo a ser instalado);
- SA-02 – Recursos humanos;
- SAU 03 – Sistema financeiro;
- SAU- 04 – Compras, patrimônio e almoxarifado;
- SAU 05 – Administração acadêmica;
- SAU- 06 – Bibliotecas;
- SAU – 07 – Controle de redes e transações;

A automação do acervo do Sistema de Bibliotecas da UFC teve início em
1991 com a implantação do SAU-06, inicialmente na divisão de processos
técnicos e desenvolvimento do acervo e “tinha por objetivo atender ao controle
de circulação e atendimento direto aos usuários, possibilitando-os executar
consultas bibliográficas, reservas, empréstimos, devoluções”. (Relatório de
Atividades, 1994). O SAU-06 proporcionaria à Biblioteca o compartilhamento de
informações produzidas por todos os seguimentos da instituição, englobando
dados de Controle Acadêmico e de Recursos Humanos, para o serviço de
circulação, finanças e desenvolvimento de coleções. Além disso, era compatível
com as demais redes e/ou sistemas com os quais a biblioteca já interagia através
de procedimentos manuais ou parcialmente informatizados como por exemplo
Catálogo Nacional de Publicações Periódicas (CCN), BIBLIODATA/CALCO, Base
de dados Lilacs, COMUT, PRODASEN.

Em agosto de 1994, o SAL-06 começou a ser operacionalizado também nas
bibliotecas setoriais, principalmente para as atividades de registro e catalogação
usando o formato BIBLIODATA/CALCO da Fundação Getúlio Vargas que de forma
cooperativa, agilizava o processamento técnico, evitando a duplicação de serviços.

Em 2001 o SAU-06 foi avaliado e identificaram-se os seguintes problemas:

1- A interface não era amigável, desestimulando o usuário a efetuar buscas;

�2- A catalogação cooperativa tornou-se inviável em virtude da base da UFC
não ter sido convertida para USMARC;
3- Problemas para efetivar o empréstimo automatizado;
4- Problemas com o patrimônio: dificuldades para gerar relatórios (Doação,
compra, exclusão, etc.).
A partir do resultado da avaliação chegou-se à conclusão que o SAU-06
estava ultrapassado e obsoleto gerando os problemas já mencionados acima. Após
o compartilhamento da avaliação foi considerada a possibilidade de aquisição de um
novo software. Para essa tomada de decisão foi levado em consideração as
restrições orçamentárias, requisitos de hardware compatível com as necessidades
do sistema de bibliotecas e recursos humanos. Um dos pontos fortes considerado
nesse momento foi o número de profissionais pertencentes ao SB-UFC que já se
encontravam capacitados para elaborar um projeto de automação.
Após uma criteriosa avaliação, optou-se pelo software Pergamum por ser
considerado o software que proveria o SB-UFC de uma estrutura ágil e moderna,
visando disponibilizar catálogos, produtos e serviços informatizados para os
usuários, permitindo também acesso remoto.

6 Característica de Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará
(SB-UFC)
O SB-UFC atualmente é composto de 14 bibliotecas com três subsistemas
considerados de grande porte: Biblioteca de Humanidades (BH) que congrega as
bibliotecas BEAAC e CAEN; Biblioteca de Ciências da Saúde (BCS); Biblioteca de
Ciências e Tecnologia (BCT) onde estão incorporadas a BCF (Biblioteca do Curso
de Física), BCM (Biblioteca do Curso de Matemática), BEA, (Biblioteca de Economia
Agrícola), BPGE (Biblioteca de Pós-Graduação em Engenharia), BLCM (Biblioteca
do Laboratório Ciências do Mar), BMB (Biblioteca de Medicina de Barbalha), BPGH
(Biblioteca de Pós-Graduação em História), BMS (Biblioteca de Medicina de
Barbalha).
No que diz respeito à formação do seu acervo, constata-se que sua origem está
ligada à história da criação da própria universidade, uma vez que suas bibliotecas
foram originadas à medida que novas unidades de ensino eram criadas ou
incorporadas e dessa forma, iam surgindo coleções consideráveis. (Martins, 2004).

�O SB-UFC apresenta a característica de ser constituído de uma rede de
hadware, software e pessoas que ao desenvolverem suas atividades compartilham
conhecimentos e informações, sendo por isso, caracterizado como um sistema
social vivo, construindo redes de comunicação, o que no pensamento de Capra
(2002) significa compreendê-lo como sistema vivo, organizado em rede ou contendo
redes menores dentro de seus limites. Portanto, pode-se olhar o SBU-UFC dentro
dessa perspectiva, com ênfase no capital intelectual de seus integrantes, em que o
conhecimento e o aprendizado são amplamente valorizados. O SB-UFC tem
demonstrado sua capacidade para o aprendizado organizacional “respondendo às
mudanças nos ambientes interno e externo, detectando erros entre resultados e
expectativas” (Moresi, 2004).

7 METODOLOGIA PARA CONVERSÃO RETROSPECTIVA NO SB-UFC

O SAU-06 contou com a vantagem de poder formar parcialmente sua base de
dados a partir da transferência de dados da FGV, pois a biblioteca universitária,
anteriormente,

participava

da

rede

de

catalogação

cooperativa

BIBLIODATA/CALCO. Após a transferência de dados, foi necessário ainda elaborar
um plano de trabalho para converter um percentual considerável dos registros de um
catálogo manual para um formato legível por computador e continuar com a inclusão
do material adquirido por compra e doações. Nesse período, a Biblioteca
Universitária (BU) elaborou um documento (MACHADO, 1994) para melhor
compreensão desse processo. O documento era composto dos seguintes itens:
➔

Documentos a serem processados:

➔

Metodologia para o processamento dos documentos:
Na primeira fase: processar os livros mais demandados, previamente

selecionados pelas bibliotecas setoriais.
Na segunda fase: Os livros que saíssem para empréstimo quando do seu
retorno. Os livros que não eram emprestados foram processados conforme a ordem
do catálogo topográfico, a ficha catalográfica servia como base para esses
procedimentos.
Os livros adquiridos por compra e doações continuaram sendo processados
pela DPT (Divisão de Processos Técnicos).

�➔

Estatística do número de documentos processados em determinado período.
(Preenchimento de um formulário para acompanhar o desenvolvimento do
processo)

Em 2003, com a aquisição do software Pergamum, o SB-UFC diante do
contexto de inovação tecnológica, sentiu a necessidade de adotar novas
metodologias de trabalho.
Inicialmente, para migrar o banco de dados do SAU-06 para o Pergamum
contou-se com o apoio técnico do Núcleo de Processamento de Dados da própria
Universidade Federal do Ceará. Nessa etapa contou-se com um ponto forte que foi o
SAU-06

ter

participado

da

Rede

Nacional

de

Catalogação

Cooperativa

BIBLIODATA/CALCO, pois assim não houve perda de informações ao migrar os
dados de um software para outro.

O SB-UFC contou com o potencial de seus integrantes para agilizar a
catalogação retrospectiva e disponibilizar o material bibliográfico para a clientela
acadêmica. Para isso foi formada a Comissão de Catalogação Retrospectiva com
o objetivo de encontrar alternativas viáveis para realizar a conversão retrospectiva,
trabalhando de forma harmônica, avaliando e acompanhando todo o processo,
atentando para a qualidade dos registros catalográficos, observando os padrões e
normas recomendadas.
Nesse sentido a Comissão de Catalogação Retrospectiva elaborou um documento
contendo as diretrizes (Ver Anexo) para nortear a entrada de dados da coleção
retrospectiva. O objetivo do documento é:
➔

Contribuir com a Política de Desenvolvimento de Acervos do SB-UFC;

➔

Fornecer procedimentos comuns a todas as bibliotecas do Sistema;

➔

Estabelecer critérios para a avaliação no processo de desenvolvimento dos
acervos;

➔

Oferecer suporte às bibliotecas para estabelecer sua própria política interna
de desenvolvimento de acervos.

A comissão considerou que o processo de conversão Retrospectiva seria a
oportunidade para se realizar seleção de material bibliográfico, contemplando os
aspectos do remanejamento e descarte, evitando que um item seja catalogado e,

�posteriormente ao seu ingresso no sistema , seja descartado, remanejado, ou
baixado.
Após a implantação do Pergamum, deu-se continuidade ao projeto de
conversão retrospectiva do restante do material bibliográfico adotando-se a seguinte
metodologia:

➔

Estabelecimento de prioridades: Foi priorizada a coleção de livros
(títulos mais demandados);

➔

Após os títulos mais demandados passou-se a trabalhar os títulos
seguindo a ordem topográfica;

➔

Observar as recomendações para a tarefa de seleção e descarte ao
realizar a conversão retrospectiva;

➔

Cada biblioteca setorial se responsabilizar pela conversão do seu
acervo;

➔

A DPT realizar treinamento com o pessoal destinado ao serviço de
CR;

➔

Produzir registros os mais completos possíveis e de acordo com o
formato padrão MARC;

➔

Controlar o catálogo de autoridades

Ressalta-se a importância destes procedimentos para o bom andamento da
catalogação retrospectiva e gerenciamento do catálogo on-line do Sistema de
Bibliotecas da UFC.
9 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A construção de uma base de dados bibliográficos aparentemente é uma
tarefa simples, mas não é tão simples assim. A nova cultura tecnológica tem
possibilitado as bibliotecas a automatizarem seus acervos e a disponibilizarem
catálogos eletrônicos de acesso público.
O SB-UFC ao realizar o seu projeto de conversão retrospectiva baseou-se
em metodologias elaboradas por bibliotecas universitárias que já passaram por essa
experiência. Observa-se que as dificuldades, vantagens pontos fortes, fracos são

�muito semelhantes e que cada instituição encontra dentro de suas realidades as
melhores ações estratégicas.
O SB-UFC também se deparou com inúmeras dificuldades para realização do
projeto de conversão retrospectiva. Destaca-se aqui a carência de recursos
humanos e equipamentos. Mas, para sanar algumas dessas dificuldades, foi
essencial o trabalho da Comissão de Catalogação Retrospectiva que incentivou e
apoiou o trabalho em cada biblioteca setorial através de treinamentos e orientações
metodológicas objetivando o bom andamento dos trabalhos para a produção de um
catálogo on-line de qualidade.

BIBLIOGRAFIA
CAPRA, Fritjof. As conexões ocultas: ciência para uma vida sustentável. São
Paulo: CULTRIX, 2002. 296p.

COSTA, Rosemarie de Almeida. A dupla face de Janus : passado, presente e futuro
das bibliotecas rumo à era da virtualização da informação. In.: PEREIRA, M. Nazaré
Freitas. O sonho de Otlet : aventura em tecnologia da informação e comunicação.
Rio de Janeiro ; Brasília : IBICT/DEP/DDI, p. 118.2000.

GURGEL. Nadsa Maria Cid, MAIA, Osvaldêmia Lucena. Política de desenvolvimento
de acervo para o sistema de bibliotecas da Universidade Federal do Ceará. In.:
SEMINARIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 13, Natal, 2002.
Anais...Natal : FINEP,2002.p.2-34. (Publicação em CD-ROM).HUBNER, Edwin.
Conversão retrospectiva de registros bibliográficos. Rio de Janeiro, 2002.

HUBNER, Edwin. Conversão retrospectiva de registros bibliográficos. Rio de Janeiro,
2002.

MARTINELLI, A.T.S. A base de dados bibliográficos de acervos como suporte para o
processo de automação: uma experiência na UNESP - Universidade Estadual
Paulista. In.: SEMINARIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 10,
Fortaleza, 1998.Anais...Fortaleza : FINEP, 1998.p.2-34. (Disquete).

�HUBNER, Edwin. Conversão retrospectiva de registros bibliográficos. Rio de Janeiro,
2002.
MORESI, Eduardo Amadeu Dutra. Inteligência organizacional: um referencial
integrado. Ci. Inf., May/Aug. 2001, vol.30, no.2, p.35-46. ISSN 0100-1965.
PARANHOS, Wanda Maria M. R. Projeto de informatização do sistema de
bilbiotecas da Universidade Federal do Ceará. Curitiba: 2001.

ROWLEY, Jennifer. A biblioteca eletrônica. 2. ed. Brasília: Briquet de Lemos, 2002.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARA. Biblioteca Universitária. Relatório de
atividades – Projeto SAU. 1994.

VERGUEIRO, Waldomiro. Desenvolvimento de coleções. São Paulo: Polis; APB,
1989. (Coleção Palavra-chave, 1)
_____________________. Seleção de materiais de informação: princípios e
técnicas.
Brasília: Briquet de Lemos / Livros, 1995. 110 p.

�(ANEXO)

PROPOSTA PARA O PROCESSO DE DESBASTAMENTO (NO CONTEXTO DA
CATALOGAÇÃO RETROSPECTIVA )

1 DESBASTAMENTO

É um processo de re-seleção que visa à otimização do acervo e compõese

dos

seguintes

aspectos:

remanejamento,

descarte

e

conservação.

O

desbastamento dos recursos bibliográficos deve ser realizado periodicamente,
respeitando as peculiaridades de cada área. (VERGUEIRO, 1989)

1.1 REMANEJAMENTO ENTRE BIBLIOTECAS

Consiste em transferir material ainda em condições de uso de uma
biblioteca para outra do Sistema, mediante a observação de critérios específicos.

1.1.1 Critérios

I. Inadequação: títulos não pertinentes às áreas de conhecimento da biblioteca,
mas condizentes com a coleção de outra biblioteca do Sistema;
II. Duplicidade: títulos interdisciplinares excedentes em uma biblioteca, com
baixa ou nenhuma demanda, mas que sejam necessários em outras.

1.1.2 Procedimento

I. Consulta prévia por telefone para acordar a transferência;
II. Encaminhamento do material a ser transferido com documentação (ofício
interno de transferência retrospectiva);
III. A ficha topográfica ficará no catálogo topográfico da biblioteca de origem, com
as devidas observações (biblioteca para onde foi enviada e data do envio).

1.2 DESCARTE

�É a retirada do material bibliográfico do acervo.

1.2.1 Critérios

Para efetuar o descarte de recursos bibliográficos, observar os seguintes
aspectos, considerando sempre a inter-relação entre eles.

I. Desuso: material em boas condições, porém com baixo ou nenhum uso.
Nesse caso, verificar a demanda do material registrado no período de 19641984. Se não tiver saído nos últimos 30 anos (último empréstimo anterior a
1975): não descartar o título completamente, devem ficar no acervo, no
máximo, 3 exemplares para que o mesmo tenha visibilidade da Base on-line
da BU/UFC. Posteriormente (próximos inventários), deveremos reavaliar o
uso desses itens.

II. Desatualização: material obsoleto. Deve-se analisar a idade da literatura, que
em algumas áreas é essencial para o desenvolvimento da ciência e suas
aplicações (Computação, Engenharias, p.ex.). No caso de várias edições de
uma mesma obra, deve-se analisar o conteúdo das edições e diminuir a
quantidade de exemplares de edições mais antigas (deixar, no máximo, 3
exemplares). Solicitar também o auxílio de peritos na área de conhecimento.

III. Inadequação: material não pertinente às áreas do conhecimento que
compõem a coleção da biblioteca. Consultar documento da CAPES
(disponível

em:

http://www.capes.gov.br/capes/portal/conteudo/TabelaAreasConhecimento.pd
f) para verificar a inadequação. Se não for adequado ao remanejamento entre
bibliotecas, descartar todos.

IV. Desgaste físico: material danificado sem condições de manuseio e uso. Cabe
a cada setorial ver a demanda da obra na biblioteca, para decidir se será
descartada.
Ø Descarte imediato:

�- Itens que apresentarem motivos para inutilização, que de acordo com o
Decreto n. 99.658 são a contaminação por agentes patológicos, sem
possibilidade de recuperação por assepsia e a infestação por insetos
nocivos;
- Itens danificados, se a biblioteca possuir edições mais atuais da obra;
- Itens danificados, se a biblioteca dispuser de vários exemplares da obra;
- Obras cuja recuperação seja dispendiosa e injustificável (obsoletos, em
desuso etc.);
- Obras em que seja necessário enxertar mais de 20 páginas xerocadas e
que tiver mais de 3 exemplares na biblioteca, mesmo que tenha demanda
e seja necessário.
Ø Recuperação do material bibliográfico na encadernação
- Obras cuja recuperação seja justificável e que sua recuperação não
seja superior a 50% do custo de compra da obra;
- Passível de recuperação até 20 páginas para enxertar e justificável
pela demanda;
- Livros com demanda em que estiver faltando somente a folha de rosto
poderão ser incorporados ao sistema (fotocopiar e enxertar a folha de
rosto, com o cuidado de não copiar o carimbo de registro de outro
exemplar);
- Obras de valor, obras raras (antigas, especiais, esgotadas, históricas,
clássicas) que estejam mutiladas poderão ser mantidas no acervo. No
caso de obras não mais editadas, a biblioteca poderá contatar o autor ou
família e solicitar reedição da obra, se possível, ou autorização para
copiar trechos e enxertar na obra;

V. De divulgação e interesse temporários: consiste em catálogos, folhetos,
anuários,

estatísticas

(não

devem

ser

registradas).

Respeitar

as

peculiaridades de cada área. Respeitar a particularidade de cada Biblioteca
Setorial quanto à incorporação no catálogo on-line. Lembrar sempre que são
materiais de caráter efêmero e devem ser descartados com regularidade,
salvo exceções.
Exceções:

�- Documentos institucionais da UFC (catálogos, folhetos etc.), não devem
ser descartados.
- Catálogos da CAPES
- Ministérios (de caráter legal)
- Documentos legais (Portarias, Decretos, etc).
Folhetos:
- Respeitar a credibilidade do autor;
- Relevância da informação para a área de conhecimento;
- Atualidade da informação.

1.2.2 Destinação

I. Doação ou permuta com outras instituições: os títulos deverão ser listados e
oferecidos às outras bibliotecas de Instituições de Ensino Superior ou órgãos
públicos.
II. Eliminação: inutilização, com a descaracterização de partes que contenham a
identificação da biblioteca.

___________________
(1)
(2)
(3)
(4)
(5)
(6)

Bacharel em Biblioteconomia pela UFC.Bibliotecária da Divisão de Processos/UFC.E-mail. diana_mfl@yahoo.com.br
Bacharel em Biblioteconomia pela UFC. Especialização em Tecnologias da Informação e Comunicação Pela UFC/DCI
Bibliotecária da Divisão de Processos/UFC.E-mail. guaracy@ufc.br
Bacharel em Biblioteconomia pela UFC. Especialização em Tecnologias da Informação e Comunicação Pela UFC/DCI
Bibliotecária da Biblioteca de Ciências da Saúde. Email. jogabel@yahoo.com.br
Bacharel em Biblioteconomia pela UFC. Especialização em Gestão de Bibliotecas Públicas e Escolares. Bibliotecária da
Divisão de Processos. E-mail: nmsoares@yahoo.com.br
Bacharel em Biblioteconomia pela UFC. Bibliotecária da Biblioteca do Curso de Arquitetura. E-mail:
nalvesbezerra@yahoo.com.br
Bacharel em Biblioteconomia pela UFC. Especialização em Tecnologias da Informação e Comunicação Pela UFC/DCI
Bibliotecária da Divisão de Processos Técnicos. E-mail: dpt@ufc.br

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>As Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC’s) introduziram mudanças significativas no contexto das bibliotecas universitárias. Nesse cenário, a maioria das bibliotecas que informatizaram seus acervos se depararam com a conversão retrospectiva que é também o momento da confecção do catálogo on line, o qual é fundamental para a organização, recuperação e divulgação de informações. O Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará (SB-UFC) tem demonstrado sua capacidade de responder as mudanças, buscando uma infra-estrutura que lhe permita operar como um sistema de informação moderno e adequado às suas atividades. Ao implantar o sistema PERGAMUM, o SB-UFC recebeu um novo impulso e tem buscado o aprimoramento do seu catálogo eletrônico primando pela qualidade dos produtos e serviços oferecidos aos seus usuários. Nesse texto, apresenta-se o trabalho desenvolvido pela Comissão de Catalogação Retrospectiva, onde relata-se de maneira breve o processo de informatização do SB-UFC, a experiência do processo de conversão retrospectiva, bem como a metodologia e o estabelecimento de uma política de seleção, com diretrizes para orientar o cadastramento da colecão retrospectiva no SB-UFC.</text>
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                    <text>DISSEMINAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE EDUCAÇÃO CONTINUADA EM
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: O CASO DA UFPA
Maria Odaisa Espinheiro de Oliveira
Universidade Federal do Pará - Av. Augusto Corrêa, n.1
Campus Universitário  Guamá - 66.075-110 Belém-ParáBrasil - odaisa @ufpa.br

RESUMO

Os avanços tecnológicos e as conquistas científicas aceleraram o
desenvolvimento da sociedade. Assim, a educação tal como a concebemos hoje,
abarca duas realidades: a formação intelectual e social do homem. Logo, a
disseminação da informação torna-se importante para o conhecimento no campo
da educação continuada sobre a política de atualização do profissional da
informação. Na Biblioteca Universitária, como em qualquer unidade de informação,
o importante é propiciar que as necessidades de informação dos usuários sejam
supridas de modo eficaz e com agregação de valor. Nessa maneira de ver, é
fundamental que as unidades invistam na educação continuada de seus
profissionais da informação para melhor servir aos usuários. Em relação a estes
aspectos, o objetivo do trabalho é conhecer os cursos de Especialização em
Biblioteca Universitária com ênfase nos cursos realizados na e pela Universidade
Federal do Pará. A metodologia do trabalho requer um levantamento dos cursos
realizados na década de 80, através do Plano Nacional de Biblioteca Universitária
-PNBU e na década do novo milênio, com o curso realizado pela UFPA. Através
do levantamento busca-se conhecer, também, a produção científica gerada pelas
monografias no cenário da UFPA. Como resultado têm-se as áreas de
preocupação dos bibliotecários nas unidades de informação das instituições de
nível superior que participaram do curso, no momento atual de mudança da
sociedade.
Palavras-chave: Educação continuada;
Especialização; Biblioteca Universitária.

Disseminação

da

informação;

1 INTRODUÇÃO

Muitos registros nos mostram que a informação sempre esteve presente
na vida dos seres vivos. As formigas, por exemplo, se comunicam em todos os
momentos sobre as ocorrências internas e externas, buscando sempre a
realização de suas tarefas e, o homem como ser primitivo, tão logo aprendeu a

�registrar suas idéias ou conhecimentos adquiridos, passou a disponibilizá-los nas
pedras, nas paredes das cavernas, entre outros suportes considerados oportunos,
registrados como informações importantes.

Logo, o homem precisa dos registros para fazer análise da informação a
fim de chegar a um determinado conhecimento. Daí a importância da
disseminação da informação nos mais variados formatos. A disseminação da
educação continuada em Biblioteca Universitária, neste trabalho, tem como
ambiente de estudo a Universidade Federal do Pará, na década de 80 (1988) e no
novo milênio (2004 a 2005).

Dessa maneira, o presente trabalho tem como objetivo mostrar a
educação continuada em duas épocas sobre curso de especialização para
bibliotecários de bibliotecas universitárias por meio da disseminação da
informação.
2 DISSEMINAÇÃO DA INFORMAÇÃO

Ao estudarmos disseminação da informação é observado que ao
resgatarmos fatos históricos, constatamos que em cada ciclo de desenvolvimento,
seja artesanal ou industrial, seja na chamada era da globalização da informação
ou do conhecimento, a informação sempre desempenha um papel de destaque no
sucesso dos negócios, em cada tempo e com suas influências especiais para
diferentes variáveis. Os registros, por exemplo, passam das tábuas de argila para
o pergaminho, depois para o papiro, até chegar ao suporte de papel e a
INTERNET.

A sociedade globalizada opera com a posse e a distribuição dos
estoques de informação, armazenados em bases de dados, bibliotecas, arquivos
ou museus com possibilidade de gerar conhecimento, que só se realiza a partir de
uma ação de comunicação mutuamente entre a fonte e o receptor. Logo, com o

�avanço da tecnologia está cada vez mais fácil o acesso e a troca de informações,
possibilitando às bibliotecas usufruírem novas ferramentas que lhes permitem
disseminar seus produtos e serviços. Dentro destas novas tecnologias a internet
se destaca, por estar causando um impacto muito grande, em vários setores da
atividade humana como uma ferramenta poderosa que torna mais rápida e eficaz
a comunicação entre a biblioteca e os usuários.

Assim, o termo disseminar em relação à Biblioteconomia não se distancia
de seu significado etimológico, porque quando empregado na área de
Biblioteconomia, é percebido como semear, espalhar a informação. Nesse sentido,
podemos dizer que é o ato de levar ao conhecimento do usuário, os documentos
novos recebidos pela biblioteca, disseminando entre os usuários informações
relevantes e atuais para o desenvolvimento de suas pesquisas.

Logo, tratando sobre disseminação da informação Carvalho (2001), nos
diz que depende muito de quem a trata, ou seja, do profissional da informação.
Mostra que os registros se incorporam em novos suportes, com novas atribuições
em virtude da complexidade das mudanças no campo da informação. Nesta
maneira de ver, o papel do profissional da informação é essencial para agir de
forma política, a fim de refletir a importância da informação tanto para o usuário,
como para os administradores da instituição mantenedora da biblioteca. Assim, é
observado que, quando um usuário vai a biblioteca, ele não só busca informações
como também espera ser bem atendido por profissionais competentes e
preparados para resolver seus problemas. Daí a importância da educação
continuada.
.
3 EDUCACÃO CONTINUADA EM BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
Criar políticas que incluam tanto o acesso indiscriminado ao ensino formal
quanto à educação continuada, o aperfeiçoamento profissional e técnico e o
crescimento pessoal é, sem dúvida, o caminho que deve ser buscado por governo
e sociedade no sentido de tornarem-se verdadeiramente competitivos. Logo, os

�investimentos em educação para a busca da qualidade de vida, emancipação
humana e cidadã constituem-se o paradigma emergencial da atualidade.
As instituições, de um modo geral, formam-se por conjuntos de pessoas
ligadas umas às outras por objetivos organizacionais em comuns, trabalhando
caracterizadas, do ponto de vista da organização, pela mesma "missão". Logo, as
bibliotecas universitárias, enquanto organizações ligadas a uma instituição maior
que é a universidade possuem um conjunto de características e traços próprios,
que são definidos a partir da missão da própria universidade. A missão é garantir
e proporcionar educação de qualidade e de alto nível através do ensino, da
pesquisa e da extensão, servindo assim à sociedade e ao país como um todo.
Nesse contexto, a biblioteca universitária encontra-se inserida com papel
claramente definido e fundamental que é o de atender qualitativamente as
necessidades de informações da comunidade universitária. Ela precisa dar
suporte ao desenvolvimento da missão das universidades, apoiando-as na
qualificação profissional, na formação de pesquisadores, no crescimento da
pesquisa e nas atividades de extensão que ligam diretamente a instituição à
comunidade.
Assim, o uso do termo educação continuada nos leva ao significado do
conceito de que a educação consiste em auxiliar profissional, a participar
ativamente do mundo que o cerca, incorporando essa vivência no mundo dos
saberes de sua profissão. Logo é um processo dinâmico por meio do qual, ao
longo do tempo, um profissional vai adequando sua formação às exigências de
seu ambiente profissional para atender solicitação do mercado de trabalho com a
mudança da sociedade. Dentre essas reflexões, se pode dizer que o termo
composto - educação continuada - pode ser utilizado, dependendo do objetivo ou
dos aspectos a serem focalizados no processo educativo para treinamento,
capacitação, aperfeiçoamento, especialização e na Pós-Graduação strito sensu,
como o Mestrado e o Doutorado.

�3.1 EDUCAÇÃO CONTINUADA NA EXPERIÊNCIA DO PNBU
O embrião do PNBU  Plano Nacional de Bibliotecas Universitárias foi o
documento apresentado pelo IBICT  Instituto Brasileiro de Informação em Ciência
e Tecnologia, no 4o. SNBU  Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias,
realizado em Campinas, São Paulo em 1985. Como mostra a Comissão
Organizadora do 5o Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias - SNBU
(1987), o PNBU foi criado pela Secretaria de Ensino Superior do Ministério da
Educação em 1986, para representar a concretização dos esforços, ao longo de
várias décadas, das bibliotecas e órgãos administrativos das universidades
brasileiras.

Dessa maneira, o PNBU refletia a experiência de seus autores e o
consenso existente em torno das necessidades das bibliotecas universitárias
brasileiras, para apontar soluções dos principais problemas estruturais da área. O
programa foi disseminado nos anais do 5o. Seminário Nacional de Bibliotecas
Universitárias, realizado em Porto Alegre em 1987. De acordo com Fiúza, Paim,
Ferreira (1987) foi estabelecido diretrizes para desenvolver o plano de ação com
objetivo de renovar e fortalecer as bibliotecas universitárias brasileiras com as
seguintes diretrizes:
a) estrutura dos sistemas de bibliotecas;
b) padrões de desenvolvimento;
c) recursos financeiros;
d) formação de recursos humanos;
e) planejamento físico;
f) desenvolvimento de coleção;
g) aquisição cooperativa e planificada;
h) metodologia para tratamento da informação;
i) automação
J) estudos de usuário;
k) serviços de informação
l) cooperação entre biblioteca.

�Havia uma preocupação com a preparação dos bibliotecários para
atenderem as diretrizes do programa, surgindo, então, o curso de Especialização
para bibliotecários de Instituições de Ensino Superior, que segundo Pinheiro,
Pereira (1987), na proposta apresentada para o curso de especialização, as
autoras tinham uma visão de mudança nos rumos da participação bibliotecária.
Isso porque a atuação do bibliotecário, inadequada para os novos desafios
políticos e operacionais, requeriam mudanças em sua educação.

A proposta adotada pelo PNBU foi realizada como cursos itinerantes por
região. Dessa maneira foram realizados, no período de 1988 a 1991, seis cursos
nas seguintes instituições: Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade
de Brasília, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Universidade Federal da
Bahia, Universidade Federal de Minas Gerais e Universidade Federal do Pará.

A avaliação dos cursos atingiu seus objetivos, mostrando que o
aprimoramento profissional torna-se essencial para os bibliotecários que atuam
em bibliotecas universitárias. (CUNHA, SILVA, MENEZES, 2000).

4 O CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA NA
UFPA

Dois cursos foram realizados na UFPA. Um na década de 80 (1988)
como iniciativa do PNBU e outro no novo milênio, iniciado em novembro de
2004, com término em novembro de 2005 de iniciativa do Departamento de
Biblioteconomia da UFPA.

4.1 O CURSO REALIZADO EM 1988

Com base nas diretrizes do PNBU e na legislação vigente, foi delineada
uma proposta de um curso de especialização em biblioteca universitária. O curso

�foi denominado de Curso de Especialização para bibliotecários de Instituições de
Ensino Superior, realizado na Biblioteca Central, no período de 08 de agosto a 19
de dezembro de 1988, promovido pelo PNBU e Pró-Reitoria de Pesquisa e PósGraduação da UFPA.

O curso possuía uma carga horária total de 435 horas, sem a
obrigatoriedade de apresentação de um trabalho final, apenas com avaliação nas
seguintes disciplinas: Política e Sociedade, Informatização da Sociedade,
Universidade

e

Desenvolvimento

Científico

e

Tecnológico,

Pesquisa

na

Universidade, Transferência da Informação, Redes de Informação, Bibliotecas
Universitárias, Ciclo da Comunicação em Ciência e Tecnologia, Produtos e
Serviços, Planejamento e elaboração de Projetos.

4.2 O CURSO REALIZADO NO NOVO MILÊNIO (2004 a 2005)

Devido à necessidade de preparar os bibliotecários das Instituições de
nível Superior no Estado do Pará a UFPA, por meio do Departamento de
Biblioteconomia do Centro Socioeconômico, realizou o curso de especialização
em biblioteca universitária, com objetivo de capacitar e atualizar bibliotecários para
atividades em bibliotecas universitárias, a fim de proporcionar visão gerencial
associada aos seus recursos, serviços e produtos para o desenvolvimento de
habilidades pessoais em planejamento, organização e liderança no processo
decisório e melhor atendimento aos usuários acadêmicos.

O curso teve uma carga horária de 378h/aula, com oito disciplinas
divididas em três módulos: Modulo I, Informação, conhecimento e o processo da
comunicação científica e metodologia da pesquisa, no módulo II, comportamento
gerencial, planejamento, elaboração e gestão de projetos, marketing e qualidade,
política para desenvolvimento de coleções, no módulo III, tecnologia da
informação e da comunicação e disseminação de serviços e produtos de
informação, composto de atividades complementares com professores convidados

�a nível local, Profa. Rosemarie Costa, (IESAM  Instituto de Estudos Superiores
da Amazônia - Belém), a nível nacional Profa. Leilah Bufrem (Universidade
Federal do Paraná) e a nível internacional Profa. Emília Currás (Universidade
Autônoma de Madri  Espanha). Os alunos no final do curso produziram e
apresentaram suas 35 monografias para obtenção do título de Especialistas em
Biblioteca Universitária.

5

ANÁLISE E RESULTADO DOS CURSOS REALIZADOS NA UFPA

Para análise dos dois cursos de especialização em biblioteca
universitária, considerados como educação continuada, foi realizado um estudo
comparativo das disciplinas.

De acordo com o quadro 1, o curso realizado em 1988 na UFPA
apresenta um programa composto de nove disciplinas e o de 2004 a 2005 um
programa de oito disciplinas, diferenciando na maneira de conceber as
disciplinas. No inicio do curso do novo milênio houve primeiramente um ciclo
de palestras para os alunos, enquanto o curso de 1988 já iniciava com uma
disciplina Política e Sociedade.

Quanto à preparação do bibliotecário para realizar pesquisa o curso do
novo milênio incluiu a disciplina Metodologia da Pesquisa ao passo que o de
1988 incluiu uma disciplina para estudar a pesquisa na universidade. A
elaboração de projeto foi uma preocupação dos dois cursos na formação do
bibliotecário.

No entanto, foi percebido, neste estudo, que ambos os cursos procuraram
preparar o bibliotecário para melhor atender o usuário de acordo com a
necessidade da época.

�Disciplinas/ Curso do ano de 1988
Política e Sociedade

Disciplinas/Curso de 2004 a 2005
Ciclo de palestras:
- A Biblioteca Universitária e o
contexto cultural: arquitetura do
saber coletivo.
-

La Bibliotheca Alexandrina: su
origen, historia y resurgimiento.

-

Las Bibliotecas Universitárias de
España.

-

Gestão
Tecnológica
informação: a inovação
Bibliotecas Universitárias.

da
em

Informação da Sociedade

Informação, conhecimento e o processo
da Comunicação Científica.
Universidade
e
Desenvolvimento Metodologia da Pesquisa
Científico e Tecnológico
Pesquisa na Universidade
Comportamento Gerencial
Transferência da Informação
Planejamento, Elaboração e Gestão de
Projetos.
Redes de Intercâmbio
Marketing e Qualidade
Biblioteca Universitária
Política para desenvolvimento de
Coleções
Ciclo da Comunicação em Ciência e Tecnologia da Informação e da
Tecnologia
Comunicação
Planejamento e Elaboração de Projetos Disseminação de Serviços e Produtos
de Informação.
Quadro 1  Disciplinas dos dois cursos
Fonte: Cursos de Especialização de 1988 e de 2004 a 2005

Quanto às monografias, cabe lembrar que somente os alunos de um
curso, produziram e apresentaram seus trabalhos para a conclusão do curso. Foi o
Curso de Especialização realizado na UFPA no período de 2004 a 2005. Cabe
ressaltar que os assuntos escolhidos representam a preocupação dos bibliotecários
nas unidades de informação das instituições de nível superior no momento atual.
No final do curso foram organizados os resumos e publicados em CD-ROM.
(OLIVEIRA, 2006).

�De acordo com o quadro 2, das 35 monografias apresentadas, o assunto
que teve maior número foi sobre o acervo das bibliotecas nos variados aspectos,
quer nos problemas relacionados ao uso, como no impacto das novas tecnologias,
ficando em segundo lugar o número de trabalhos sobre produção científica. Os
outros trabalhos estão relacionados a temas variados, dependendo do interesse do
aluno.

ASSUNTOS
Número de Monografias
AÇÕES CULTURAIS
1
ACERVO (identificação de problemas no uso);
Preservação; Depredação e processamento Técnico
4
(no impacto das novas tecnologias).
ACESSIBILIDADE DO CADEIRANTE
1
ERGONOMIA
1
ESTUDO DE USUÁRIO; USO e USUÁRIO.
2
CANAIS DE INFORMAÇÃO
1
AVALIAÇÃO DE BIBLIOTECA
2
APLICAÇÃO DOS 5S em Biblioteca...
1
AUXILIARES DE BIBLIOTECA E TRABALHO
1
INFORMACIONAL
ENDOMARKETING
1
DSI
1
GUIA DE MUSEUS DE BELÉM como obra de
1
referência...
MARKETING
1
MEDIAÇÃO DA INFORMAÇÃO
1
GLOSSÁRIO SOBRE TERMOS DE METODOLOGIA
1
CIENTÍFICA
PERFIL DE GESTOR DE BIBLIOTECAS DE ENSINO
1
SUPERIOR
PERFIL DE ATUAÇÃO DE BIBLIOTECAS DE SAÚDE
1
DE BELÉM NA BVS
INSALUBRIDADE E QUALIDADE DE VIDA DOS
1
BIBLIOTECÁRIOS
MOTIVAÇÃO DE PESSOAL DE BIBLIOTECA.
1
PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO
2
PRODUÇÃO CIENTÍFICA
3
SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO
1
TECNOLOGIA
2
VOCABULÁRIO DE MAMÍFERO NA AMAZÔNIA ...
1
TOTAL
35
Quadro 2  Assuntos das monografias
Fonte: Curso de Especialização (2004 a 2005)

�6

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerando a importância da educação continuada para a atuação

profissional, podemos observar a continuidade dos seminários realizados de dois
em dois anos no Brasil como forma de disseminação da informação dos assuntos
relacionados à biblioteca universitária.

É através da educação continuada que os indivíduos elevam seus
conhecimentos, atitudes e competências. Foi observado, neste trabalho, que cada
época é marcada por momentos em que as necessidades são manifestadas para
a busca de soluções. Cada curso partiu de uma época com a preocupação de
preparar o bibliotecário de acordo com a necessidade da instituição mantenedora
e a mudança da sociedade.

Embora a necessidade de educação continuada de profissionais da
informação tenha sido debatida no Brasil, em relação à biblioteca universitária,
hoje cada universidade procura atualizar seus bibliotecários, mesmo sem um
planejamento em nível nacional.

ABSTRACT
The technological advances and the scientific conquests had sped up the
development of the society. Thus, the education such as we conceived it today,
accumulates of stocks two realities: the intellectual and social formation of the
man. Soon, the dissemination of the information becomes important for the
knowledge in the field of the education continued on the politics of update of the
professional of the information. In the University Library, as in any unit of
information, the important one it is to propitiate that the information necessities of
the users are supplied in efficient way and with aggregation of value. In this point of
view, it is basic that the units invest in the continued education of its professionals
of the information better to serve the users. In relation to these aspects, the
objective of the work is to know the courses of Specialization in University Library
with emphasis in the courses carried through in and by the Federal University of
Pará. The methodology of the work requires a survey of the courses carried
through in the decade of 80, through the National Plan of University Library - PNBU
and in the decade of the new time, with the course realized by the UFPA. Through
the survey one searches to know, also, the scientific production generated by the
monographs in the scene of the UFPA. As result the areas of concern of the

�librarians in the units of information of the institutions of superior level that had
participated of the course, at the current moment of change of the society.
Key-Word: Continued education; Dissemination of the information; Specialization;
University library

REFERÊNCIAS

CARVALHO, Kátia de. Disseminação da informação e da informação de
inteligência organizacional. Datagramazero, v.2, n.3, jun. 2001. Disponível em:
&lt;http;//wwww.datagramazero.com.br &gt;. Acesso em: 13 jun. 2006.

CUNHA, Miriam Vieira da, SILVA, Edna Lúcia da Silva, MENEZES, Estera
Muszkat.
Centrada

Os Seminários Nacionais de Bibliotecas Universitárias e a Temática
na

Formação

Profissional.

In:

SEMINÁRIO

NACIONAL

DE

BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 11, Florianópolis, 2000. Anais... Florianópolis,
2000. Disponível em: &lt; http://snbu.bvs.br/snbu2000&gt;Acesso em: 26 jul.2006

FIUZA, Marysia Malheiros; PAIM, Isis; FERREIRA, Maria Luiza Alphonsus de
Guimaraens.

Curso

de

Especialização em Administração

de

Bibliotecas

Universitárias. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS,
5 , Porto Alegre, 1987. Anais... Porto Alegre, Biblioteca Central da UFRGS, 1987.
v.1 p. 47  63

PINHEIRO, Lena Vânia Ribeiro, PEREIRA, Maria de Nazaré Freitas. Mudando os
rumos da participação bibliotecária: uma proposta para curso de especialização de
bibliotecários de instituições de ensino superior. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 5 , Porto Alegre, 1987. Anais... Porto Alegre,
Biblioteca Central da UFRGS, 1987. v.1 p. 75- 147.

�OLIVEIRA, Maria Odaisa Espinheiro de. (Org).

Resumos das monografias do

curso de especialização em Biblioteca Universitária. Belém, UFPA, 2006. 1 CD
ROM.

SEMINARIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 5. Comissão
Organizadora. Apresentação.

In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS

UNIVERSITÁRIAS, 5 , Porto Alegre, 1987. Anais... Porto Alegre, Biblioteca
Central da UFRGS, 1987. v.1, p. 7.

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Os avanços tecnológicos e as conquistas científicas aceleraram o desenvolvimento da sociedade. Assim, a educação tal como a concebemos hoje, abarca duas realidades: a formação intelectual e social do homem. Logo, a disseminação da informação torna-se importante para o conhecimento no campo da educação continuada sobre a política de atualização do profissional da informação. Na Biblioteca Universitária, como em qualquer unidade de informação, o importante é propiciar que as necessidades de informação dos usuários sejam supridas de modo eficaz e com agregação de valor. Nessa maneira de ver, é fundamental que as unidades invistam na educação continuada de seus profissionais da informação para melhor servir aos usuários. Em relação a estes aspectos, o objetivo do trabalho é conhecer os cursos de Especialização em Biblioteca Universitária com ênfase nos cursos realizados na e pela Universidade Federal do Pará. A metodologia do trabalho requer um levantamento dos cursos realizados na década de 80, através do Plano Nacional de Biblioteca Universitária - PNBU e na década do novo milênio, com o curso realizado pela UFPA. Através do levantamento busca-se conhecer, também, a produção científica gerada pelas monografias no cenário da UFPA. Como resultado têm-se as áreas de preocupação dos bibliotecários nas unidades de informação das instituições de nível superior que participaram do curso, no momento atual de mudança da sociedade.</text>
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                    <text>DISSEMINAÇÃO DE INFORMAÇÕES EM SAÚDE:
O CASO DA BIBLIOTECA VIRTUAL EM SAÚDE EM DOENÇAS INFECCIOSAS
E PARASITÁRIAS

Mônica Garcia1
Maria Stella Rezende Diezel2
Gabriela Leite dos Santos3
Leonardo de Souza Melo4

O grande crescimento da web implica no fato de que ao mesmo tempo em que
cresce o número de fontes de informação, aumenta também o número de
informações irrelevantes ou tendenciosas. No campo da saúde, as Bibliotecas
Virtuais em Saúde atuam de maneira seletiva, promovendo a organização das
fontes e a disseminação de conteúdos selecionados em cada área de atuação. A
Biblioteca Virtual em Saúde em Doenças Infecciosas e Parasitárias (BVS-DIP)
opera observando critérios de qualidade pré-definidos e metodologias comuns
aos centros cooperantes da BVS, através de operação conjunta e descentralizada
da rede de fontes de informação técnico-científica em doenças infecciosas e
parasitárias. A implementação da BVS-DIP baseou-se na criação e implantação
de diferentes produtos e serviços de informação. Já o acesso a sítios relevantes
na área é gerenciado pelo Localizador de Informação em Saúde (LIS). A
compilação de informações relevantes e não tendenciosas em Doenças
Infecciosas e Parasitárias em um único sítio da Internet, através da operação
descentralizada da rede de fontes de informação técnico-científica é a
contribuição da BVS-DIP no cumprimento dos propósitos previstos pela OPAS /
BIREME, disponibilizando para América Latina e Caribe o acesso rápido à fontes
confiáveis em DIP.
Palavras-chave: Tecnologia da Informação, Biblioteca Virtual, Saúde Pública,
Doenças Infecciosas e Parasitárias.

1

Especialista em Linguagem de Indexação, Bibliotecária responsável pelo setor de
Desenvolvimento de Tecnologia da Informação da Biblioteca da Manguinhos
2
Bibliotecária do setor de Desenvolvimento de Tecnologia da Informação da Biblioteca da
Manguinhos
3
Tecnóloga em Processamento de Dados, Webmaster da Biblioteca de Manguinhos
4
Bibliotecário do Setor de Tecnologia de Informação da Biblioteca da Manguinhos

�1 INTRODUÇÃO

A Internet possui hoje no Brasil 32,1 milhões de usuários, segundo números
do Netratings, divulgados pelo sítio IDG Now. O crescimento acentuado de
pessoas conectadas ocorre em concomitância ao crescimento do número de
páginas publicadas. O mesmo sítio indica dados levantados pela NetCraft
apontam que a Internet conta hoje com mais de

80 milhões de páginas

publicadas. Segundo o mesmo levantamento, o número de páginas dobrou nos
último triênio, já que em abril de 2003 a rede possuía 40 milhões de páginas.

Ainda é bastante fácil para qualquer pessoa criar um sítio na Internet. Com
isso, o crescimento do número de fontes não assegura o crescimento do nível de
qualidade das mesmas, formando assim uma imensa camada de informação
irrelevante e de conteúdos muitas vezes duvidosos, levianos, imprecisos,
discriminatórios, ofensivos, etc…

Neste sentido, em alguns casos uma busca a determinado assunto, utilizando
os motores de busca mais difundidos, como o Google e o Altavista, pode ser
bastante trabalhosa. Apesar dos mecanismos apresentarem uma boa quantidade
de resultados na maioria dos casos, há ocasiões em que pode ser bastante
trabalhoso filtrar os resultados relevantes, pode-se perder um precioso tempo
neste processo, sem contar o risco de se utilizar na pesquisa uma fonte não
confiável.

Diante deste quadro é imprescindível a criação de ferramentas que possuam
critérios de qualidade no momento de selecionar as fontes de informação a serem
disponibilizadas. Da mesma forma, é necessário haver fontes de informação
especializadas, para atender as demandas de profissionais e estudiosos que
necessitem de informações mais específicas dentro de uma temática.

A Biblioteca Virtual em Saúde, iniciativa da OPAS / BIREME destaca-se em
seu campo de atuação, por apresentar critérios bem definidos para a inserção de
informações e de fontes de informação em saúde, tornando assim um espaço

�confiável tanto para profissionais da saúde, quanto para o público leigo. Dentro do
projeto BVS, existem várias ramificações, ou seja, existem diversas BVS´s
temáticas que podem ser localizadas facilmente na Internet. Cada uma destes
portais representa seguramente um confiável repositório informacional.

A área de infectologia está representada pela Biblioteca Virtual em Saúde em
Doenças Infecciosas e Parasitárias (BVS-DIP) Brasil, que pode ser acessada pelo
endereço: http://www.bvsdip.cict.fiocruz.br. Este relato de experiência discorre
sobre a implantação da BVS-DIP, falando sobre os projetos em funcionamento e
apresenta os produtos que encontram em fase de desenvolvimento.

2 A BIBLIOTECA VIRTUAL EM SAÚDE - BVS
O lançamento da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) na América Latina e
Caribe ocorreu em San José (Costa Rica), durante o IV Congresso Regional de
Informação em Ciências da Saúde, em 1998. O objetivo principal da iniciativa
BVS é propor uma colaboração simultânea em informações técnico-científicas em
Saúde da OPS/BIREME para profissionais de saúde pública e para o público leigo
em geral.
Pode-se dizer que o planejamento e a implantação da Biblioteca Virtual em
Saúde (BVS) foi a principal estratégia encontrada pela BIREME no intuito de
promover a promoção da cooperação técnica em informação entre os países da
América Latina e do Caribe, com o objetivo final de atender de forma organizada e
eficiente às necessidades dos países emergentes de produzir e operar fontes de
informação em saúde integradas na Internet.

Entre os dias 23 e 27 de Abril do ano de 2001, a filosofia utilizada para a
criação da BVS foi ratificada na capital cubana Havana, durante a Segunda
Reunião de Coordenação Regional da Biblioteca Virtual em Saúde e o V
Congresso Regional de Informação em Ciências da Saúde da América Latina e
Caribe. Durante o evento, foi estabelecida a “Declaração de Havana Rumo ao

�Acesso Eqüitativo à Informação em Saúde”, documento que emite considerações
sobre a informação científica e técnica em saúde.

A Declaração prevê e incentiva ações que visem a garantia da disseminação
de informações pertinentes sobre saúde, reconhecendo a Biblioteca Virtual em
Saúde (BVS), como uma importante ferramenta na utilização das novas
tecnologias,

oferecendo

à

sociedade

sua

contribuição,

promovendo

a

democratização da informação na área da saúde.
A Biblioteca Virtual em Saúde é visualizada então, como uma base distribuída
do conhecimento científico e técnico em saúde registrada, organizada e
armazenada em formato eletrônico, acessível na Internet e de modo sintonizado
com os modelos internacionais.

3 A BIBLIOTECA VIRTUAL EM SAÚDE EM DOENÇAS INFECCIOSAS E
PARASITÁRIAS (BVS-DIP) BRASIL
Iniciativa integrada ao projeto Biblioteca Virtual em Saúde para a América
Latina e Caribe, a Biblioteca Virtual em Saúde em Doenças Infecciosas e
Parasitárias (BVS-DIP) Brasil foi apresentada ao público em 09 de dezembro de
2004. A BVS-DIP foi gerada pela Biblioteca de Manguinhos, instituição vinculada
ao Centro de Informação Científica e Tecnológica (CICT), uma unidade de apoio
técnico da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ). O objetivo da iniciativa é
promover em conjunto com a OPAS/BIREME a operação cooperativa e
descentralizada da rede de fontes de informação científica e técnica em doenças
infecciosas e parasitárias na Internet, priorizando áreas temáticas a saber: Aids,
Cólera,

Coqueluche,

Dengue,

Difteria,

Escabiose,

Doença

de

Chagas,

Esquistossomose, Febre Amarela, Filariose, Hanseníase, Hepatite, Herpes,
Histoplasmose,

Leishmaniose,

Leptospirose,

Malária,

Meningite,

Peste,

Poliomielite, Raiva, Rubéola, Sarampo, Tétano,Toxoplasmose e Tuberculose.
O público-alvo da BVS-DIP foi definido seguindo os critérios do projeto inicial
do projeto BVS. Com isso, a meta é não atingir somente a comunidade de

�pesquisadores,

especialistas,

professores,

gestores,

administradores

e

estudantes que atuam na área doenças infecciosas e parasitárias, e sim atender
também: organizações sociais não governamentais, indivíduos que se interessem
ou trabalhem com esta temática e ao público leigo em geral.
A BVS-DIP opera sob a orientação de uma comissão composta por
especialistas na área de saúde, que atua como um comitê consultivo, do qual
fazem parte o Ministério da Saúde, Universidade Federal do Mato Grosso do Sul,
Faculdade de Medicina do Triangulo Mineiro, Instituto Evandro Chagas, Fundação
Oswaldo Cruz e Bireme.
Esta comissão tem a incumbência de auxiliar nos procedimentos de definição
dos critérios de seleção e análise das fontes de informação disponíveis na
Internet, certificando-as para que possam integrar a BVS em doenças infecciosas
e parasitárias, estabelecendo garantias de que somente fontes confiáveis estarão
disponíveis.

Figura 1 – Página principal do sítio da BVS-DIP

�4 PRODUTOS E SERVIÇOS DA BIBLIOTECA VIRTUAL EM SAÚDE EM
DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS (BVS-DIP) BRASIL
A operação o portal BVS DIP Brasil tem como objetivo específico integrar sítios
descentralizados que operam produtos e serviços em doenças infecciosas e
parasitárias, destacando notícias na área e facilitando o acesso à informação
científica em infectologia.

4.1 PRODUTOS E SERVIÇOS JÁ IMPLANTADOS
4.1.1 Literatura científica e técnica em Doenças Infecciosas e Parasitárias
Operação de fontes de informação sobre literatura científica e técnica em
doenças infecciosas e parasitárias, nacional e internacional. Compreende um
amplo conjunto de atividades, produtos e serviços de informação, que são
agrupados em diferentes subprojetos. Muitos já são operados no contexto da
Rede Brasileira de Informação em Ciências da Saúde, coordenada pela BIREME.
Este projeto é subdividido em 5 subprojetos, controle bibliográfico da literatura
nacional em Doenças Infecciosas e Parasitárias; operação on-line de bases de
dados bibliográficas nacionais e internacionais em doenças infecciosas e
parasitárias; SCAD - Serviço Cooperativo de Acesso ao Documento; publicação
eletrônica de textos em doenças infecciosas e parasitárias e o acesso cooperativo
a coleções de periódicos internacionais em Doenças Infecciosas e Parasitárias
em formato eletrônico

4.1.2 Localizador de Informação em Doenças Infecciosas e Parasitárias na
Internet
Compilação ou catálogo de sítios de Doenças Infecciosas e Parasitárias na
Internet, registrados segundo o padrão Localizador de Informação em Saúde (LIS)
da BVS. Os recursos são ingressados no LIS de acordo com critérios de seleção

�pré-estabelecidos. A alimentação do LIS atualmente é feita pelos profissionais da
Biblioteca de Manguinhos, sendo que no futuro poderá será feita por uma rede de
centros cooperantes.

4.1.3 Diretórios de Doenças Infecciosas e Parasitárias
No momento, as ferramentas utilizadas são a Plataforma de Currículos
FIOLLATES, que compreende um conjunto de ferramentas de informação,
concebidas para coletar e divulgar a produção intelectual e as atividades
profissionais dos docentes, funcionários, alunos e demais pessoas vinculadas à
FIOCRUZ, e a Plataforma Lattes do CNPQ.
A proposta futura para este projeto é a construção de catálogos on-line que
descrevam instituições, especialistas, projetos, cursos e eventos em doenças
infecciosas e parasitárias no Brasil. A operação de cada um dos catálogos
constitui um subprojeto específico. Muitos dos catálogos serão alimentados de
forma aberta na Internet.

4.1.4 Indicadores numéricos de doenças infecciosas e parasitárias
Há na BVS-DIP, tanto nas seções específicas, quanto na página do LIS, links
para

estatísticas

vinculadas

por

órgãos governamentais sobre doenças

infecciosas e parasitárias no Brasil.

4.1.5 Comunicação: notícias e listas de discussão em Doenças Infecciosas e
Parasitárias
Registro e divulgação na BVS DIP Brasil de fontes de informação resultantes
de comunicação direta entre usuários, incluindo serviços de notícias, listas de

�discussão e sobre doenças infecciosas e parasitárias no Brasil, teleconferências e
difusão de temas e programas em Doenças Infecciosas e Parasitárias.

4.1.6 Destaque Dengue e Malária
Atendendo a uma demanda específica, foram criadas duas sub-categorias no
sítio da BVS-DIP, destacando a Dengue e a Malária, oferecendo pontes diretas
para fontes sobre confiáveis, vinculando notícias e informações sobre prevenção,
sintomas, tratamento, etc…

Figura 2 – Subseções Dengue e Malária

�4.2 PRODUTOS E SERVIÇOS EM DESENVOLVIMENTO
4.2.1 Banco de Imagens
Divulgação de imagens diversas relacionadas ao estudo das doenças
infecciosas e parasitárias para uso de professores e pesquisadores em palestras
ou aulas sobre o tema.

4.2.2 Exposições e seminários na BVS DIP Brasil
Operação periódica de exposições e seminários virtuais sobre temas
específicos de doenças infecciosas e parasitárias. Além de promover a
disseminação do conteúdo da BVS DIP Brasil em temas específicos, este projeto
visa a geração de novas fontes de informação mediante trabalhos encomendados
e discussões entre especialistas.

As exposições e seminários podem operar

durante um período de 1 a 3 meses e o seu conteúdo permanece na BVS após a
sua finalização. As exposições e seminários serão realizados por diferentes
instituições.

4.2.3 Capacitação de intermediários e usuários
Fortalecer a capacidade nacional no que se refere à produção e operação de
fontes de informação na Internet com a realização de cursos para a operação da
BVS DIP Brasil para bibliotecários e demais intermediários e usuários finais
(especialistas e representantes das instituições).

4.2.4 Marketing
Formulação e implantação de um plano de marketing da BVS-DIP de acordo
com plano estabelecido pelo Comitê Consultivo para uma ampla disseminação da

�BVS entre profissionais da área e o público em geral como espaço para o acesso
a informação de qualidade.

4.2.5 Coleção de Obras Raras
Operação de um catálogo on-line na Internet de obras raras referentes às
doenças infecciosas e parasitárias existentes no acervo das Bibliotecas
especializadas na área.

4.2.6 Espaço da Comunidade
Operação de serviços de informação organizados e orientados para o cidadão,
tais como textos estruturados sobre temas de interesse e com linguagem dirigida
ao leigo, consultas temáticas a especialistas, respostas a questões e dúvidas
mais freqüentes e fóruns temáticos relacionados às doenças tropicais.

4.2.7 Legislação Nacional em Texto Completo
Identificação e estabelecimento do controle bibliográfico da legislação brasileira
em doenças infecciosas e parasitárias e registro desta legislação em texto
completo.

5 CONCLUSÃO
A Biblioteca Virtual em Saúde em Doenças Infecciosas e Parasitárias é um
poderoso instrumento para democratizar a informação e o conhecimento,
promovendo a operação cooperativa e descentralizada da rede de fontes de
informação científica e técnica em DIP na Internet, tendo não só como públicoalvo privilegiado a comunidade de pesquisadores, especialistas, professores,

�gestores, administradores e estudantes que atuam na área de doenças infectoparasitárias, mas também se dirige às organizações sociais, indivíduos que se
interessem e trabalhem com esta temática.
Proporciona o acesso on-line eficiente, universal e eqüitativo a toda a
informação relevante para a saúde e na área de doenças infecciosas e
parasitárias na América Latina e Caribe, permitindo acessar de forma ágil e
democrática às informações disponibilizadas por meio de serviços e pesquisas
em bases de dados e visualização de publicações, independentemente de sua
localização física.

6 REFERÊNCIAS
BIREME. Guia de seleção de documentos para a base de dados LILACS: versão
3.0. São Paulo, 2001.
------------. Metodologia LIS Localizador de Informações em Saúde: guia para o
registro de fontes de informação. São Paulo, 2000. 32 p.
BRASIL. Ministério da Saúde. Coordenação de Bibliotecas. Curso de Biblioteca
Virtual em Saúde. Rio de Janeiro, 2003. 44 p.
IDG NOW. Disponível em: &lt;http://www.idgnow.uol.com.br&gt; Acesso em 31 jul
2006.

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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>Garcia, Mônica; Diezel, Maria Stella Rezende; Santos, Gabriela Leite dos; Melo, Leonardo de Souza</text>
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                <text>O grande crescimento da web implica no fato de que ao mesmo tempo em que cresce o número de fontes de informação, aumenta também o número de informações irrelevantes ou tendenciosas. No campo da saúde, as Bibliotecas Virtuais em Saúde atuam de maneira seletiva, promovendo a organização das fontes e a disseminação de conteúdos selecionados em cada área de atuação. A Biblioteca Virtual em Saúde em Doenças Infecciosas e Parasitárias (BVS-DIP) opera observando critérios de qualidade pré-definidos e metodologias comuns aos centros cooperantes da BVS, através de operação conjunta e descentralizada da rede de fontes de informação técnico-científica em doenças infecciosas e parasitárias. A implementação da BVS-DIP baseou-se na criação e implantação de diferentes produtos e serviços de informação. Já o acesso a sítios relevantes na área é gerenciado pelo Localizador de Informação em Saúde (LIS). A compilação de informações relevantes e não tendenciosas em Doenças Infecciosas e Parasitárias em um único sítio da Internet, através da operação descentralizada da rede de fontes de informação técnico-científica é a contribuição da BVS-DIP no cumprimento dos propósitos previstos pela OPAS /BIREME, disponibilizando para América Latina e Caribe o acesso rápido à fontes confiáveis em DIP.</text>
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                    <text>XIV Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
Salvador - 2006

Disseminando o conhecimento científico em Música por meio do
conceito de Open Archives
Ricardo Sodré Andrade
Instituto de Ciência da Informação
Universidade Federal da Bahia
e-mail: ricardo@feudo.org
web: http://www.feudo.org/

Pablo Sotuyo Blanco
Escola de Música / Programa de Pós-graduação em Música
Universidade Federal da Bahia
e-mail: psotuyo@ufba.br
web: http://www.psotuyo.ufba.br

Sumário:
Baseado no conceito de Open Archives este trabalho apresenta as vantagens da sua aplicação na área
de Música. A partir da experiência adquirida no desenvolvimento do Holmes, sistema de acesso à
produção científica em Ciência da Informação, do qual se descrevem as suas características,
funcionalidades e benefícios no que diz respeito ao acesso à informação científica, foi desenvolvido o
sistema Boetius, semelhante ao Holmes em funcionalidade, porém, destinado à área de Música, ainda
que a aplicação do conceito de Open Archives nessa área do conhecimento esteja em fase inicial.
Fundamentado na relação do discurso de acesso livre ao conhecimento através do uso dos sistemas
aderentes à iniciativa Open Archives, nacionalmente promovida pelo Instituto Brasileiro de
Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), se apresenta também a aplicação dessas ferramentas na
nova versão do Ictus on-line, periódico do Programa de Pós-Graduação em Música da UFBA,
concluindo na necessidade de migração dos periódicos existentes na área de Música, para plataformas
aderentes aos conceitos comentados ao longo do texto, com o intuito de uma maior e mais eficiente
difusão do conhecimento científico em Música.

Palavras-Chave: Conhecimento científico, Open Archives, harvest, Boetius, Ictus.

Introdução
Essa comunicação pretende apresentar as vantagens da aplicação do conceito de Open
Archives no âmbito da produção de conhecimento científico em Música, tendo por objetivo o livre
acesso à informação científica, através da criação de sistemas que armazenem conteúdos, como
artigos acadêmicos, disponibilizando-os para consulta e, ainda, possuem interfaces para
interoperabilidade entre sistemas semelhantes.
O conceito de Open Archives baseia-se nas premissas de que a informação científica deve
ser corretamente publicada, facilmente localizada e livremente utilizada. Principalmente quando é
produzida sob fomento público.
A Open Archives Iniciative (doravante OAI)1 é o grupo que mantêm o The Open Archives
Initiative Protocol for Metadata Harvesting (OAI-PMH), o protocolo que possibilita a
1

Mais informações sobre essa iniciativa podem ser encontradas em &lt;http://www.openarchives.org/&gt;.

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disponibilização e coleta dos metadados2 acerca do material armazenado no sistema (Open Archives
Iniciative, 2006).3
Inspirados na perspectiva do aproveitamento integrado de tais ferramentas, este trabalho
apresenta e comenta três desenvolvimentos já iniciados: a) o Holmes, sistema de busca e acesso a
trabalhos da área de Ciência da Informação (doravante CI), como exemplo do que o aplicativo
descrito a seguir pode se tornar; b) o Boetius, aplicação semelhante ao Holmes, voltado para a área
de Música; e c) o ICTUS on-line, exemplo de periódico eletrônico trilíngüe (português, inglês e
espanhol) concebido para os seus metadados serem localizados e disponibilizados pelo Boetius.

Acesso livre ao conhecimento científico na perspectiva da OAI: o exemplo do
Holmes
A explosão na produção do conhecimento científico a partir da segunda metade do século
passado acarretou na identificação e reconhecimento da importância dos aspectos referentes à
disseminação e acesso da informação gerada.
Publicar de forma a alcançar o maior número de interessados e obter/dispor de informações
da maior relevância possível e em quantidade satisfatória são objetivos dos pesquisadores de todas
as áreas, enquanto produtores de conhecimento, assim como objeto de estudo dos profissionais da
ciência e tecnologia da informação, enquanto gestores de informação e do conhecimento.
A alta disponibilidade de informações no atual contexto globalizado (onde as tecnologias
da informação e comunicação transformaram e aproximaram também o meio acadêmico) aliada à
necessidade de apropriação para produção de mais conhecimento fez com que novas soluções
fossem discutidas, no intuito de contribuir com o aperfeiçoamento do fluxo de conhecimento da
comunidade acadêmica.
O conceito de open archives surge, neste cenário, pela necessidade do desenvolvimento e
promoção de padrões de interoperabilidade, isto é, operação colaborativa de diversos atores
diferentes em um mesmo contexto, em vistas à facilitação e disseminação de conteúdos científicos.
A Open Archives Iniciative denomina o grupo que mantêm o protocolo OAI-PMH, uma
“linguagem” de comunicação que torna possível a interoperabilidade entre sistemas, como os que
serão descritos ao longo do texto.
No Brasil, o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), têm
fomentado o uso de sistemas compatíveis com o protocolo OAI-PMH, como o Sistema Eletrônico
de Editoração de Revistas (SEER), a versão traduzida do Open Journal System, do Public

2
Metadados são descrições de conteúdos, mais comumente chamados de “dados sobre dados”, pois descrevem
atributos de um determinado conjunto de informações.
3

O grupo é coordenado por acadêmicos da Universidade Cornell.

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Knowledge Project (OJS – PKP).4 Márdero Arellano, Santos e Fonseca expõem algumas
características do SEER:
Esta ferramenta contempla ações primordiais à automação das atividades de editoração de
periódicos científicos, permitindo completa autonomia na tomada de decisões sobre o fluxo
editorial, a publicação e o acesso por parte do editor; ele define as etapas do processo editorial,
de acordo com a política definida pela revista, mas dispondo de assistência e registro on-line em
todas as fases do sistema de gerenciamento. Na etapa de submissão, o sistema disponibiliza um
espaço para comunicação com o editor e permite também o acompanhamento da avaliação e
editoração do trabalho. (Márdero Arellano et al., 2005)

Também podemos citar o Open Conference System, um sistema semelhante ao utilizado
pela Comissão Científica deste XIV Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU), que
auxilia na gestão de eventos científicos, facilitando a criação dos anais de evento e
disponibilizando-os através de um sistema compatível com o protocolo OAI-PMH. Este software
também é desenvolvido pelo Public Knowledge Project e deve ser traduzido e distribuído em
português em breve.
A infra-estrutura OAI envolve os produtores de trabalhos acadêmicos (pesquisadores),
provedores de dados OAI (repositórios, periódicos, etc.), provedores de serviços OAI e usuários.
Os provedores de serviços OAI são sistemas que disponibilizam funcionalidades utilizando
o potencial do protocolo OAI-PMH, como a busca em diversos provedores de dados OAI
simultaneamente. Um exemplo é o Holmes - o “detetive digital” da Ciência da Informação
(disponível na internet desde 10/04/2006), primeiro provedor de serviços OAI na área de CI no
Brasil. O Holmes possibilita uma busca integrada em 24 repositórios ou periódicos de CI aderentes
ao OAI-PMH ao dia de escrever este trabalho.

Fig 1 – O diagrama mostra a possibilidade do usuário a acessar os provedores de dados diretamente, como o Ictus online, porém, a vantagem em acessar apenas o Boetius é que a busca é realizada em todos os provedores de dados
disponíveis, através do provedor de serviços.

4

Mais informações acerca desses programas podem ser encontradas em &lt;http://www.pkp.ubc.ca/&gt;.

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Um dos mais conhecidos repositórios compatíveis com a OAI em CI disponível, em
quantidade de registros, é o E-LIS – E-prints in Library and Information Science
(http://eprints.rclis.org) – que possui cerca de 3.650 trabalhos em sua base de dados. No entanto, o
Holmes, enquanto ferramenta que possibilita acesso a textos acadêmicos (não é um repositório),
consegue dispor à busca aproximadamente 12.300 (doze mil e trezentos) trabalhos em CI, o que
demonstra sua funcionalidade e utilidade, pois evita a necessidade de se percorrer e efetuar buscas
isoladas nos sistemas de cada um dos provedores de dados (repositórios, periódicos etc.)
cadastrados em seu sistema, atentando para o fato de que boa parte dos trabalhos apresentados na
busca passou pelo processo de avaliação pelos pares (peer-review).
É importante salientar que o Holmes registra os números acima declarados com cerca de
um mês de existência. O software no qual o Holmes é baseado, o PKP OAI Harvester,5 facilita a
inclusão de novos provedores de dados para o processo de coleta dos metadados através da interface
de gerenciamento do sistema. O processo de coleta (harvesting) dos metadados do provedor de
dados incluído no sistema é o primeiro passo para a formação da base do Holmes, que armazena os
metadados de todos os provedores de dados (mas não os conteúdos acadêmicos) e possibilitam o
funcionamento deste sistema.
O levantamento bibliográfico se torna uma tarefa menos complicada, pois, em um mesmo
ambiente, diversos veículos de informação científica são consultados.
A quantidade de artigos em CI da base do Holmes aumenta em dois casos, com a adição de
novos provedores de dados no sistema ou quando esses repositórios disponibilizam mais trabalhos.
O Holmes possui uma atualização semanal, o que significa que os trabalhos acadêmicos novos em
provedores de dados que já integram o Holmes são localizados e seus metadados coletados.

Fig. 2 – Página inicial do Holmes

5

Disponível gratuitamente em &lt;http://pkp.sfu.ca/pkp-harvester/&gt;.

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O ICTUS on-line e o BOETIUS: aplicando Open Archives na área de Música
O desenvolvimento de uma aplicação semelhante ao Holmes voltado para a área de Música
foi planejado, frente às vantagens até aqui enumeradas. Para poder criar o piloto do sistema aqui
apresentado, o requisito definido foi localizar um mínimo de 3 (três) provedores de dados da área de
Música, compatíveis com a OAI .
Uma pesquisa exaustiva foi realizada na internet em busca de provedores de dados da área
de Música que utilizassem uma plataforma compatível com o OAI-PMH. Foram encontrados
apenas 2 (dois) com as características desejadas, localizados na Irlanda (na Society for Musicology
in Ireland) e no Brasil (na UNIRIO). Desses dois, apenas o provedor de dados da UNIRIO permitiu,
sem gerar erros, a coleta dos metadados, todavia, não identificamos a disponibilidade de textos
completos naquele provedor de dados.6 Por fim, foi considerado necessário encontrar ou
desenvolver mais um provedor de dados, com conteúdo, para que fosse possível criar o harvester
que seria o “irmão gêmeo” do Holmes, para a área de Música.
Nesse contexto, a idéia de adaptar a versão digital do Ictus7 aproveitando os protocolos e
estrutura tipo OAI, resultou ser a saída mais viável, por motivos institucionais óbvios. Com
periodicidade anual, o periódico conta com um corpo editorial formado por acadêmicos de
instituições nacionais e internacionais.
Atualmente são disponibilizados no Ictus on-line os exemplares digitais das edições já
publicadas. As novas edições serão geridas e divulgadas pelo sistema de apoio à editoração
fornecido pelo Open Journal System, já na versão 2.1, que possui interface disponível em português
(do Brasil), inglês e espanhol. Dessa forma, concretizou-se o segundo passo, isto é, a criação da
aplicação com as mesmas funcionalidades do Holmes, porém, voltado para a área de Música.
O sistema que pretende congregar os provedores de dados na área de Música foi batizado
de Boetius. A escolha do nome não foi ao acaso. Foi Anicius Manlius Severinus Boetius (ou
Boethius), político e filósofo romano (Roma, 480 – Pavia, ca. 524), que fez a disseminação de
conhecimento em música de maior repercussão da história ocidental (e a primeira a ser reproduzida
maciçamente durante a Idade Média), traduzindo para o latim uma série de textos gregos antigos

6

O provedor de dados da UNIRIO estava claramente em construção. Apenas títulos, nomes de autores e, em
alguns casos, o resumo do texto, estavam disponíveis. Em nenhum dos registros foi encontrado o texto completo
(13/05/2006).
7

Publicação científica periódica do Programa de Pós-Graduação em Música da Universidade Federal da Bahia
(PPGMUS/UFBA). O Ictus dispunha anteriormente de uma versão on-line, porém, a sua estrutura não respondia aos
requisitos e protocolos da OAI.

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(principalmente de Platão e Aristóteles) que influenciaram a produção de conhecimento teóricomusical durante aproximadamente dez séculos, sendo ainda publicados no século XIX.8
Os softwares que possibilitam a existência do Ictus (Open Journal System) e do Boetius
(PKP OAI Harvester) podem ser livremente alterados, copiados e instalados. Os processos de
instalação são realizados facilmente, tendo como requisitos uma conta em um servidor web com
suporte a linguagem PHP e banco de dados MySQL.

Fig. 3 – Página inicial do Ictus on-line disponível em &lt;http://www.ictus.ufba.br&gt;

8
Segundo a Catholic Encyclopedia (2006) “To the science of mathematics and the theory of music Boethius
contributed the ‘De Institutione Arithmetic Libri II’, ‘De Institutione Musica Libri V’, and ‘Geometria Euclidis a
Boethio in Latinum translata’.” [Para a ciência das matemáticas e a teoria da música, Boécio contribuiu com “De
Institutione Arithmetic Libri II”, “De Institutione Musica Libri V”, e “Geometria Euclidis a Boethio in Latinum
translata”].

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Fig. 4 – Página inicial do Boetius on-line disponível em &lt;http://www.boetius.feudo.org&gt;

Considerações finais
O IBICT vem promovendo e fornecendo suporte ao uso do OJS/SEER nas instituições pelo
Brasil. Dito suporte é de grande ajuda para a tomada de decisão com vistas à adoção de sistemas
compatíveis com o OAI-PMH. Nos seus horizontes atuais se encontra o desenvolvimento de uma
Biblioteca Digital Brasileira (BDB). Neste sentido, o Ictus on-line se constitui no primeiro
periódico brasileiro em Música a ser disponibilizado (além da sua versão em papel) com
aproveitamento das vantagens do open archives, de um sistema de editoração eletrônico e dos meios
de disseminação que o OAI-PMH possibilita, focando assim o Boetius como aplicação concreta na
direção de uma possível e necessária BDB de Música, ou, resumidamente BDB-MUS.
Numa visão mais abrangente, este trabalho apresentou, no âmbito da UFBA e, talvez, no
Brasil, passos concretos num caminho interdisciplinar entre as áreas de CI e de Música. Neste
sentido, acreditamos que tal parceria interdisciplinar venha enriquecer ambas as áreas tanto no que
diz respeito à abordagem criteriosa e adequada da informação musical (ou relativa à música) quanto
à sua conceituação e gestão técnicas, seja do ponto de vista arquivístico musical (ou, se se prefere,
arquivológico musical) quanto biblioteconômico musical, especialidades ambas em vias de
definição e fortalecimento acadêmico inter-institucional (ICI-UFBA/EMUS-UFBA).

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Salvador - 2006

Referências Bibliográficas
Catholic Encyclopedia. (2006). s.v. Boethius. Disponível em &lt;http://www.newadvent.org/cathen/
02610b.htm&gt;. [Acessado em 11 de maio de 2006].
Márdero Arellano, Miguel Angel; Regina dos Santos; Ramón da Fonseca. (2005). SEER: Disseminação de
um sistema eletrônico para editoração de revistas científicas no Brasil. In: Arquivística.net, vol 1, n
2, 2005. Disponível em &lt;http://www.arquivistica.net/ojs/viewarticle.php?id=33&amp;layout=abstract&gt;.
[Acessado em 06 de maio de 2006].
Open Archives Iniciative. (2006). Open Achives Iniciative. Disponível em &lt;http://www.openarchives.org&gt;.
[Acessado em 06 de maio de 2006].

-8-

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>Baseado no conceito de Open Archives este trabalho apresenta as vantagens da sua aplicação na área de Música. A partir da experiência adquirida no desenvolvimento do Holmes, sistema de acesso à produção científica em Ciência da Informação, do qual se descrevem as suas características, funcionalidades e benefícios no que diz respeito ao acesso à informação científica, foi desenvolvido o sistema Boetius, semelhante ao Holmes em funcionalidade, porém, destinado à área de Música, ainda que a aplicação do conceito de Open Archives nessa área do conhecimento esteja em fase inicial. Fundamentado na relação do discurso de acesso livre ao conhecimento através do uso dos sistemas aderentes à iniciativa Open Archives, nacionalmente promovida pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), se apresenta também a aplicação dessas ferramentas na nova versão do Ictus on-line, periódico do Programa de Pós-Graduação em Música da UFBA, concluindo na necessidade de migração dos periódicos existentes na área de Música, para plataformas aderentes aos conceitos comentados ao longo do texto, com o intuito de uma maior e mais eficiente difusão do conhecimento científico em Música.</text>
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                    <text>DO CAMPUS AO CAMPO: SOCIALIZANDO OS RESULTADOS DAS
PESQUISAS DA CIÊNCIA VETERINÁRIA
Edna Cherias
Pós-Graduanda em Marketing,
Técnica do Departamento de Medicina Veterinária - UFRPE.
Recife, Pernambuco - Brasil.
cherias@ufrpe.br
Conceição Lopes
Mestre em Comunicação pela UFPE
Bibliotecária do Núcleo do Conhecimento
Biblioteca Central - UFRPE,
Recife, Pernambuco - Brasil.
clopes@ufrpe.br
clopes2005@gmail.com
RESUMO:
O olhar da Biblioteca traz à tona, desafios e impasses que formam os nichos de
informação demandados pela população do campo em relação ao conhecimento gerado
a partir de estudos e pesquisas do Programa de Pós-Graduação em Ciência Veterinária
da UFRPE, assim como a necessidade de transformar essa informação em
conhecimento que transita, é apropriado e reapropriado. Desafios que incluem além da
circulação da informação à população urbana, também a sua circulação em linguagem
de fácil

absorção, pelo 

homem do campo. Este trabalho evidencia a demanda

marcada pela distância entre a universidade enquanto emissor e o receptor rural, no
caso, àquele da região de Jussaral, Município de Vitória de Santo Antão, Agreste do
Estado de Pernambuco. Observou-se que o referido Programa de Pós-Graduação,
destaca a Medicina Veterinária Preventiva, a Clínica e a Cirurgia Animal com o maior
quantitativo de pesquisas realizadas. Em contraponto, a maior demanda de informações
dos 56 representantes da citada comunidade relaciona-se aos conhecimentos básicos
específicos sobre criação e manejo. Em contrapartida, a Biblioteca ao democratizar esse
conhecimento, faz a ponte entre a Universidade e esse homem do campo, função e papel
essenciais da universidade pública.

Palavras-chave: Biblioteca Universitária; Difusão da Informação; Homem do Campo.

�2

1. INTRODUZINDO O PERCURSO

A universidade pública, indiscutivelmente, assume compromisso com o
saber sistematizado, mas deve, também, assumir um sério compromisso com os
problemas e os desafios concretos colocados pela sociedade.

É notório, ainda que, um dos papéis da universidade é saber-fazer-ciência.
Entre esses desafios, está a organização e a comunicação do conhecimento
produzido no contexto acadêmico através da circulação de informações
apresentadas em linguagem que facilite a sua absorção. No que tange à difusão
desse conhecimento, observa-se a existência de um ciclo, iniciado pela ação
comunicativa a partir da qual dados serão processados e, depois de trabalhados,
transformar-se-ão em informação que irão colaborar com a construção do
conhecimento.

Posteriormente, transmutado em comunicação científica. Não

aquela direcionada aos pares, mas, aquela cujo público é leigo.

Sob esse olhar, o Programa de Pós-Graduação em Ciência Veterinária 
PPGCV da Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE, ao atuar como
gerador de um conhecimento direcionado à saúde animal, disponibiliza
informações à população no âmbito urbano. No entanto, há uma parcela da
sociedade  o homem do campo  que pouco tem acesso às notícias veiculadas
em jornais, ou até mesmo nos programas televisivos direcionados à zona rural.

Nessa linha de pensamento, Marteleto (1994, p. 115-137) defende que,
numa visão antropológica, as práticas informacionais são [...] mecanismos de
apropriação, referência, elaboração de significados e valores [...] na sociedade
onde os sujeitos constroem suas representações e realizam suas práticas a partir
da reinterpretação das informações obtidas, com base em suas experiências
anteriores que carregam as contradições e as marcas de uma pluralidade social.

�3

Para que uma determinada informação não gere mal entendidos ou
incompreensão por parte do público ao qual está direcionada, nesse caso, por
parte do homem do campo, a divulgação do conhecimento produzido a partir dos
resultados da pesquisa acadêmica deve levar em conta algumas particularidades
tais como:

- a necessidade de uma informação prévia, uma vez que devido à falta de
conhecimentos anteriores e indispensáveis, a informação repassada poderá não
vir a ser absorvida pelo receptor. Essa lacuna de informação poderá levá-lo à não
compreensão do que está sendo informado;

- conhecer a biografia desse homem do campo enquanto receptor, pois
resultados de experiências negativas podem criar obstáculos a novos conceitos e
métodos de prevenção, cura e melhoria da produtividade animal;

- conhecer o grupo do qual esse homem é parte integrante, ou seja, a não
aceitação da informação, muitas vezes, pode resultar de resistências coletivas,
onde a informação pode ser percebida como ameaça à existência do grupo.

Diante disso, nesse processo de comunicação e socialização do
conhecimento junto ao público em geral, especialmente, ao homem do campo, a
comunicação apresenta-se como condição ímpar para conquistar espaços 
vazios por omissão  necessários para que se possam abrir portas e janelas e dar
início a um importante processo de interrelação.

Transmutar o conhecimento oriundo da academia em um conhecimento de
domínio público, através da adoção de uma metodologia de comunicação que
venha atender às demandas desse homem do campo foi o mote. Para tanto,
tomou-se como recorte, por um lado, o conhecimento resultante do Programa de
Pós-Graduação em Ciência Veterinária da UFRPE e por outro, um grupo de
moradores da região de Jussaral, Agreste do Estado de Pernambuco, composto

�4

por 56 membros, cujas necessidades de informação formam o pano de fundo
desse estudo.

Adotou-se como metodologia, um estudo exploratório junto ao citado
Programa de Pós-Graduação, visando a identificar o universo do conhecimento
armazenado à espera de circulação, aliado ao estudo de caso e história oral,
obtidos através da aplicação de questionários junto à população rural e entrevista,
objeto da pesquisa, através do qual foi identificada a demanda de informações.

Nessa perspectiva, os resultados trouxeram subsídios para futuras
estratégias

que,

viabilizadas,

possibilitarão

uma

prática

inovadora

de

comunicação quebrando paradigmas cristalizados e oxigenando as relações entre
a Universidade e esse homem do campo.

2 PESQUISANDO NA ÁREA DE MEDICINA VETERINÁRIA

O ensino médico veterinário em Pernambuco foi institucionalizado no ano
de 1912, ao ser criada a Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária de
São Bento, pelos Monges Beneditinos, no Mosteiro de São Bento em Olinda.
Posteriormente foi fechado em virtude da baixa demanda, voltando seu
funcionamento 24 anos depois em 1950 na então Universidade Rural de
Pernambuco  URP, no campus de Dois Irmãos, onde funciona até os dias atuais.

Apesar do ensino de Medicina Veterinária da Escola criada aqui em
Pernambuco pelos Monges Beneditinos haver iniciado suas atividades após a
Escola de Veterinária do Exército e da Escola Superior de Agricultura e Medicina
Veterinária do Rio de Janeiro, ambas inauguradas em 1910, coube a Pernambuco
a concessão do grau ao primeiro Médico Veterinário do país, Sr. Dionysio Costa
Meili, farmacêutico baiano, em 13 de novembro de 1915.

�5

Conta a História, que o Curso de Mestrado em Medicina Veterinária da
UFRPE foi criado em 1978, e reconhecido em 26 de dezembro de 1994. Em
1999, com a aprovação do Projeto do Curso de Doutorado em Ciência Veterinária
foi criado o Programa de Pós-Graduação em Ciência Veterinária  PPGCV,
através da Resolução 19/99 do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão e
Resolução 14/99 do Conselho Universitário (níveis Mestrado e Doutorado) que
instituiu, pioneiramente, com aprovação da CAPES, o Doutorado em Ciência
Veterinária na região Nordeste.

Para desenvolver as atividades de ensino e pesquisa o PPGCV conta com
a infra-estrutura do Departamento de Medicina Veterinária, atuando em três linhas
básicas de pesquisa como Reprodução Animal, Clínica e Cirurgia Animal e
Medicina Veterinária Preventiva, bem como, através da Clínica de Bovinos de
Garanhuns, referência em nível nacional e regional.

Com essa infra-estrutura, tanto financeira como acadêmica os resultados
das pesquisas desenvolvidas pelo PPGCV necessitam de divulgação junto à
sociedade em geral, assim como ao homem do campo, através de ações de
comunicação, uma vez que o Programa objetiva o desenvolvimento da região. O
PPGCV como pioneiro na região Norte e Nordeste, veio a atender uma demanda
que até então era reprimida nas regiões.

Com a instalação do Doutorado foi possível iniciar um grande
desenvolvimento científico para a Medicina Veterinária, possibilitando o acesso
mais fácil a pesquisas que, até então, só era possível aos que tinham acesso ao
eixo Centro-Sul. Por outro lado, o Programa passou a atender professores da
UFRPE e de outras IFES do NE, que não tinham mais como se afastar de suas
instituições para uma capacitação. Passou a atender também, pesquisadores e
profissionais mais jovens, ainda sem vínculo empregatício, e que também não
dispunham de nenhuma condição de se afastarem para cursarem uma PósGraduação. Todo esse conjunto fortaleceu muito a Medicina Veterinária no
Nordeste, e de modo bem particular a UFRPE.

�6

Por outro lado, o PPGCV tem como principal particularidade, ser voltado,
basicamente para a região Nordeste, fomentando esta região com pesquisas de
alto nível, que contribuem com o desenvolvimento regional. Porém, mesmo tendo
estas particularidades, faz parte do contexto Nacional, tendo como publico alvo,
médicos veterinários de Estados do Brasil e também de outros paises.

Sobre a sua relação com a sociedade e com o homem do campo,
observamos que o Programa tem, entre seus objetivos, formar professores e
pesquisadores oriundos de várias IFES, bem como Institutos de Pesquisas
públicos e privados, para atuarem principalmente nas regiões Norte e Nordeste,
tendo assim, uma forte relação com a sociedade de um modo geral, uma vez que
estamos formando formadores de opinião. Dentro deste contexto, o PPGCV, está
fortemente relacionado com o homem do campo, pois os seus produtos (Mestres,
Doutores e os resultados das pesquisas), são voltados para contribuir com o
desenvolvimento do homem do campo, fortalecendo e ajudando esta parcela da
sociedade a se manterem no campo, evitando, ou diminuindo o êxodo rural.

As pesquisas desenvolvidas no âmbito deste Programa, em suas mais
diversas áreas, apresentam em sua quase totalidade, resultados sociais fortes.
Uma grande parcela das mesmas é voltada para o desenvolvimento do campo,
promovendo uma socialização entre o Programa e o homem do campo. Por outro
lado, existe também uma parcela de resultados voltados para a sociedade
urbana, visando o bem estar desta população, através de contribuições na
melhoria do alimento e também contribuindo com a melhoria da saúde dos
animais de companhia.

Existem ações voltadas para a socialização e, nesse sentido, podemos
citar resultados na linha de pesquisa de Medicina Veterinária Preventiva, onde os
estudos visam à melhoria da Saúde Pública, portanto dos animais e do ser
humano. Já a linha de pesquisa voltada para a reprodução, também se direciona
o recorte da melhoria da Produção Animal, oferecendo resultados no que se

�7

refere ao produto final do animal (carne, leite, ovos e outros) e, sobretudo, em
como promover maior quantidade desses produtos a um preço mais acessível.

4 - TECENDO COM OS FIOS DA METODOLOGIA

Buscarmos o homem do campo como foco deste trabalho assim como seu
conceito enquanto indivíduos, cujas características são a ocupação da agricultura
de subsistência e que, às vezes, colocam parte da produção no mercado, são
total ou parcialmente donos dos meios de produção. Sua força de trabalho é a
familiar, composta por adultos e crianças de baixo conhecimento técnico. Sua
produção é pequena e, associado ao baixo valor hipotecário da terra, reduz seu
acesso ao sistema financeiro formal, (Tauk Santos, 1994, p. 148).

Em nossa pesquisa na comunidade de Jussaral, observamos que o
analfabetismo ainda é uma realidade nos dias atuais e a tradição oral encontra
canal para a sua perpetuação, através da palavra oral. E é também na palavra,
nos códigos orais que se baseia parte da construção desse texto, uma vez que a
Comunicação

enquanto

processo

de

transferência

e

socialização

do

conhecimento via informações na relação interpessoal constitui foco principal.

Escolhemos como metodologia para esse estudo, a Pesquisa Conclusiva
Descritiva, por apresentar como característica, de acordo com RAMIRES (2004),
objetivo bem definido, com procedimento formal, bem estrutural e dirigido para a
solução de problemas ou avaliação de alternativa de curso de ação. Utilizamos
métodos de procedimento usados nas ciências sociais como histórico e
comparativo. Histórico, no sentido da comunidade ter surgido na época dos
primeiro engenhos de açúcar no século XVII. Comparativo no momento em que
coloca a diferença de um habitante com acesso à informação em detrimento dos
demais.

�8

Associados à técnica do depoimento, ou história de vida, de extrema
importância para essa pesquisa, por possibilitar o processo de comparação. A
observação direta foi contemplada pela apresentação de formulário, que consistiu
em um roteiro de perguntas, com 6 (seis) questões de perguntas fechadas para
assinalar e mais 2 (duas) de perguntas abertas. O formulário foi escolhido pelas
suas qualidades essenciais como adaptação ao objeto de investigação,
adaptação aos meios que se possui para realização do trabalho e precisão das
informações em um grau de exatidão suficiente e satisfatório para o objetivo
proposto. Com a vantagem de alcançar todo o segmento da comunidade, como
alfabetizados, analfabetos, faixa etária distinta, presença do pesquisador para
explicar ou elucidar os objetivos da pesquisa e, por fim, facilidade na aquisição de
informantes.

Os formulários foram distribuídos num período de cinco dias, de 22 a 26 de
setembro de 2005, tempo suficiente para cobrir a localidade, na companhia da
Agente de Saúde do Distrito de Jussaral, Rosa Alves dos Santos, membro da
própria comunidade que possibilitou um grau de receptividade bastante elevado.
Utilizou-se o processo de amostragem probabilística, ou seja, com escolha
aleatória dos indivíduos pesquisados. O aleatório significa que a seleção se faz
de forma que cada membro da comunidade tenha a mesma probabilidade de ser
escolhido (Lakatos, 1991, p.163).

Utilizando a técnica de amostras, foi pesquisado um grupo de 56
indivíduos, na faixa etária de 15 a 50 anos, sem grau de escolaridade definido.
Através de levantamento de campo, o formulário contou com questões que
visavam mapear o grau de identificação da UFRPE por parte da comunidade,
avaliando dessa forma, o alcance dos resultados das pesquisas científicas
realizadas pelo PPGCV, revelando, por fim, os canais de comunicação mais
utilizados pelo homem do campo da citada comunidade.

�9

Tal procedimento teve como finalidade também, identificar a demanda e o
interesse em novas informações, oriundas de Jussaral, considerando os recursos
disponíveis no citado Programa para a realização de pesquisas, cujos resultados
devem ser socializados, e colocados ao alcance de todos. A veracidade também
foi um dos principais problemas das entrevistas e questionários. As pessoas
tendem a revelar, ocultar e projetar imagens de si mesmas e de outros, deixando
assim sua personalidade impressa em suas respostas.

5 JUSSARAL SEU UNIVERSO, CARACTERÍSTICAS E ENCANTAMENTOS

Historicamente, Jussaral era um antigo engenho canavieiro que produzia
açúcar e aguardente, transportados em cavalos e burros até os grandes centros
urbanos, e até mesmo para o porto do Recife para sua exportação. Seu nome de
origem, Juçaral, se deve a uma grande plantação existente, na época, de juçaras,
palmeira delgada alta e elegante (Enterpe edulis), que mesmo sendo de origem
Tupi Juçara = yu sara, em 1945 foi registrada com ss, permanecendo Jussaral
(VILA NOVA, 2004, p. 54).

Localizado na zona da mata sul de Pernambuco, no município do Cabo de
Santo Agostinho, ficando a cerca de 50 Km de sua sede, cortado pela PE 37 e
distante 56 Km da capital do Estado, fazendo fronteira com os municípios de
Moreno, Escada e Vitória de Santo Antão. Segundo dados do IBGE PE/2000,
apud (VILA NOVA, 2004, p.8) , sua população é de 4.000 (quatro mil) habitantes,
de mestiçagem entre pardos, brancos, negros, mulatos e índios, composta por
indivíduos com características interioranas, e a família é representada por um clã,
como padrão da família rural nordestina, onde conta com a figura da igreja, praça,
centro cultural.

�10

Sua formação topográfica observa uma grande quantidade de morros e
vales, propiciando assim um grande potencial hídrico que compõe a bacia do
Pirapama. Apesar de estar situada em uma área rural inserida no meio urbano,
sua economia é influenciada diretamente pela monocultura canavieira e, apesar
do avanço da tecnologia, o plantio dessa cultura, continua sendo a principal fonte
de renda, sem, no entanto, trazer quase nenhuma prosperidade para seus
habitantes.

6 SOCIALIZANDO OS RESULTADOS

Dentro da nossa proposta de identificar a demanda de informações do
homem do campo, em especial, da comunidade de Jussaral, relacionando-a aos
resultados das pesquisas desenvolvidas pelo PPGCV e sua transferência e
socialização, ratificamos que os moradores dessa comunidade, formam um grupo
típico de interior e que ao verem chegar um representante da Universidade,
enquanto um órgão do governo federal deixam extravasar todas as questões que
os incomodam e para as quais necessitam de solução, desde a questão da posse
de terra até o problema de financiamento.

Resgatando os dados do Relatório da CAPES (2004), percebemos que nas
parcelas das pesquisas do PPGCV no exercício de 2004, 55 pesquisas ou cerca
de 43,65%, foram desenvolvidas na área da Medicina Veterinária Preventiva,
visando à melhoria da Saúde Pública dos animais e, conseqüentemente, do ser
humano. Seguida de 35 pesquisas ou 29,77% direcionadas à área de Clínica e
Cirurgia Animal, atendem doenças já instaladas, bem como partos nos animais de
pequeno, médio e grande porte. Enquanto que na área de Reprodução Animal,
foram desenvolvidas 33 pesquisas, ou cerca de 26,19% que buscam a melhoria
da Produção Animal beneficiando, portanto, o produto final do animal: a carne, o
leite, os ovos entre outros.

�11

Cruzando as pesquisas desenvolvidas com as demandas, percebe-se que
as mesmas apresentam o mesmo direcionamento, ou seja, há uma preocupação
do PPGCV com a saúde pública animal e com a melhoria da produção animal por
um lado, enquanto que, por outro, há a necessidade de 44,64% dos entrevistados
em receber conhecimentos específicos para o tipo de criação, o que inclui a
saúde animal e a melhoria da produção animal.

Esse resultado nos possibilitou compreender melhor a estreita relação
entre as pesquisas do PPGCV e a demanda da população de Jussaral.

A

aplicação dos formulários assim como os levantamentos das pesquisas realizadas
pelo

Programa,

permitiram,

sobretudo,

a

compreensão

das

mediações

promovidas por essa comunidade enquanto cultura popular construída frente ao
hegemônico.

A análise dos resultados corrobora com as palavras de CANCLINI (1983,
p. 33) quando busca compreender as culturas populares afirmando que, a análise
de uma cultura não se restringe aos objetos ou bens de consumo, mas, ocupar-se
do processo de produção e circulação social desses objetos e, sobretudo dos
significados que os diferentes receptores lhes atribuem.

7 - AMARRANDO OS NÓS, À GUISA DE ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
FINAIS

Divulgar e socializar resultados, mobilizando a população constitui tarefa da
extensão universitária que, praticada, supre e atende à demanda da sociedade.
Atualmente, porém, há uma insuficiência de ações voltadas à disseminação de
resultados, que possivelmente, atenderia a essa demanda, fato que gera
descompasso entre os princípios que norteiam a UFRPE enquanto instituição de

�12

educação pública, voltada aos problemas rurais, o próprio PPGCV e o que o
homem do campo espera dos mesmos.

Assim, desenvolver pesquisas, forma, ao lado do Ensino e da Extensão, a
tríade da Universidade e essência da produção do conhecimento. Em paralelo, é
objeto do governo federal oferecer à sociedade cidadania e qualidade de vida,
portanto, um dos objetos, que vem no sentido da construção do desenvolvimento
local, que é promover o desenvolvimento a partir do potencial endógeno e
promover a auto-sustentabilidade econômica e social nas comunidades e
municípios.

Desenvolvimento que requer como requisito primordial, que ocorram
interações comunicacionais entre as diversas esferas, nesse caso, especialmente
a comunicação entre a academia através da socialização do PPGCV e a
recepção das mensagens por esse homem do campo. Nesse sentido, ao analisar
a demanda que a comunidade de Jussaral apresenta à Universidade,
especialmente, ao PPGCV, observam-se algumas particularidades:

- por um lado, a UFRPE ao não poder suprir a demanda do Estado no que
se refere à extensão. Ação que deveria ser desenvolvida por outros órgãos
específicos tal qual a EMATER que, extinta, deveria haver sido re-criada em outro
formato;

- Por outro lado, o PPGCV em suas linhas de pesquisa, desenvolve
estudos cujos resultados são disseminados junto aos pares através da publicação
de artigos de periódicos e, muitas vezes na apresentação de trabalhos em
eventos da área, representando enfim, uma socialização direcionada à
comunidade científica e acadêmica;

- Esses resultados de pesquisas, de certa forma, deixam de ser
socializados junto à sociedade em geral. E, ao serem direcionados à população,

�13

necessitam, muitas vezes, de adaptação do texto científico à linguagem popular a
fim de se tornarem de fácil compreensão para o domínio público;

- Enfim, enquanto homem do campo, com uma cultura popular e que
desenvolve manejo simples de avicultura, bovinocultura, suinocultura etc, o grupo
entrevistado, necessita captar informações e tecnologias repassadas através de
informações básicas e de fácil interpretação, através de treinamentos e cursos
que surtam efeito multiplicador e potencializem suas capacidades criadoras e
criativas.
Essas particularidades representam interferências na socialização dos
resultados das pesquisas desenvolvidas pelo PPGCV junto a Jussaral, uma vez
que as expectativas dos seus moradores confrontam-se com o vazio ao não
terem acesso às essas informações em conseqüência do objetivo, do nível e do
formato das pesquisas desenvolvidas no mencionado Programa. Fato que
representa o hiato, o desconhecimento e a descrença, que levam à apatia e,
conseqüentemente, ao distanciamento desse homem do campo do contexto da
Universidade.

Em contraponto, não recebendo informações do PPGCV os moradores de
Jussaral, não podem reapropriá-las nem ressignificá-las, adaptando-as à sua vida
cotidiana. Dessa forma, há de se considerar, a existência de um descompasso
comunicacional entre a Universidade, o PPGCV e esse homem do campo.

Percebe-se, finalmente, que, o grupo pesquisado mostrou prioritariamente,
interesse em receber informações sobre manejo de criação simples, que a ele
podem ser repassadas através de cursos ou palestras.

Essa constatação nos possibilitou, apresentar à Coordenação do PPGCV
uma proposta que, basicamente, depende tão somente de uma ação conjunta do
mesmo com a Pró-Reitoria de Atividades de Extensão que poderá ser viabilizada

�14

numa trajetória de mão dupla, pois a ponte promove a ida e a vinda das pessoas
que por ela transitam. Dessa forma, que sejam promovidas as vindas de alguns
representantes de Jussaral para que, atuando como elementos multiplicadores,
visitem o campus, o próprio PPGCV e recebam treinamentos e informações a
serem repassadas aos demais membros da comunidade.

8 - REFERÊNCIAS

CANCLINI, N.G. As culturas populares no capitalismo. São Paulo : Brasiliense,
1982. 299 p.

CAPES. Coleta de Dados. Ano Base 2004. Disponível em www.capes.gov.br.
Acesso em 02.10.2005.

LAKATOS, E.M. Fundamentos de metodologia científica. 3. ed. São Paulo :
Atlas, 1991. 270 p.

MARTELETO, R. M. Cultura da modernidade: discursos e práticas informacionais.
Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG, Belo Horizonte, v. 23, n. 2, p.
115-137, jul/dez. 1994.

TAUK SANTOS, M. S. Igreja e pequeno produtor rural: a comunicação
participativa no programa CECAPS/SERTA. 1994. 316 f. Tese (Doutorado em
Comunicações e Artes)  Universidade de São Paulo, São Paulo, 1994.

�15

VILA NOVA, S.M. et al. Topônimos cabenses de origem tupi. 2004. 54 f..
Monografia (Curso de Especialização em Língua Portuguesa)  Faculdades
Integradas da Vitória de Santo Antão.
9  FONTES PESSOAIS

Vicentina Ramires, Professora do Curso de Especialização em Administração
com Ênfase em Marketing. Em depoimento em sala-de-aula.

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O olhar da Biblioteca traz à tona, desafios e impasses que formam os nichos de informação demandados pela população do campo em relação ao conhecimento gerado a partir de estudos e pesquisas do Programa de Pós-Graduação em Ciência Veterinária da UFRPE, assim como a necessidade de transformar essa informação em conhecimento que transita, é apropriado e reapropriado. Desafios que incluem além da circulação da informação à população urbana, também a sua circulação em linguagem de fácil absorção, pelo  homem do campo. Este trabalho evidencia a demanda marcada pela distância entre a universidade enquanto emissor e o receptor rural, no caso, àquele da região de Jussaral, Município de Vitória de Santo Antão, Agreste do Estado de Pernambuco. Observou-se que o referido Programa de Pós-Graduação, destaca a Medicina Veterinária Preventiva, a Clínica e a Cirurgia Animal com o maior quantitativo de pesquisas realizadas. Em contraponto, a maior demanda de informações dos 56 representantes da citada comunidade relaciona-se aos conhecimentos básicos específicos sobre criação e manejo. Em contrapartida, a Biblioteca ao democratizar esse conhecimento, faz a ponte entre a Universidade e esse homem do campo, função e papel essenciais da universidade pública.</text>
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                    <text>Educação à distância para formação do bibliotecário de bibliotecas
universitárias do consórcio CRUESP em Política de indexação: perspectivas
de conteúdo e aplicação de protocolo verbal em grupo
Mariângela Spotti Lopes Fujita
Professora Adjunta do Departamento de
Ciência da Informação UNESP Marília,
SP, Brasil.
fujita@marilia.unesp.br.
Milena Polsinelli Rubi
Doutoranda do Curso de Pós-Graduação em
Ciência da Informação UNESP Marília,
SP, Brasil.
Bolsista CAPES.
mprubi@ig.com.br.
Resumo
O indexador é ponto de partida para geração do conhecimento organizacional
sobre política de indexação na biblioteca onde atua. Sendo assim, apresentamos
nossa experiência de elaboração de curso para formação em serviço do
bibliotecário indexador implementado com recursos de educação à distância pelo
Sistema Integrado de Bibliotecas da USP (SIBi/USP), em promoção conjunta dos
Sistemas de Bibliotecas da Universidade de São Paulo (USP); Universidade
Estadual Paulista (UNESP) e Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). O
curso Política de indexação em sistemas de informação teve por objetivo o
aprimoramento profissional na área em conformidade com a demanda de
capacitação identificada e com os interesses das instituições. Constituído por
cinco módulos, o curso foi estruturado tendo em vista uma seqüência lógica de
conhecimentos que resultassem em um produto final: a elaboração de um manual
de indexação. Por meio dos trabalhos solicitados semanalmente, o resultado se
mostrou satisfatório quanto ao aprofundamento dos conceitos sobre o tema e sua
pertinência ao dia-a-dia do fazer bibliotecário. Além disso, a metodologia de
educação a distância permitiu uma nova prática de ensino que consegue atingir
bibliotecários distribuídos em diferentes do estado de São Paulo, com horários
diversos, permitindo a interação entre os mesmos, com racionalização de custos.
Palavras-chave: política de indexação; indexador; conhecimento organizacional; prática
de ensino de política de indexação; educação à distância.
EIXO TEMÁTICO:

O Impacto das Tecnologias Eletrônicas e sua Mediação
- A educação continuada dos profissionais da informação

�1 INTRODUÇÃO

A política de indexação deve ser constituída de estratégias que permitam o
alcance dos objetivos de recuperação do sistema de informação.
Sob o ponto de vista do sistema de recuperação da informação, a
indexação

é

reconhecida

com

sua

parte

mais

importante

dentro

dos

procedimentos realizados para o tratamento da informação, pois condiciona os
resultados das estratégias de busca.
Nesse contexto, o indexador tem como função compreender o documento
ao realizar uma análise conceitual que represente adequadamente seu conteúdo,
de modo que ocorra correspondência entre o índice e o assunto pesquisado pelo
usuário. Para isso, existem os manuais de indexação que devem refletir a política
de indexação do sistema de informação e a realidade de trabalho do indexador,
pois o indexador é ponto de partida para geração do conhecimento organizacional
sobre política de indexação na biblioteca onde atua.
Nossa proposta é apresentar nossa experiência de elaboração de curso
para formação em serviço do bibliotecário indexador implementado com recursos
de educação à distância pelo Sistema Integrado de Bibliotecas da USP
(SIBi/USP), em promoção conjunta dos Sistemas de Bibliotecas da Universidade
de São Paulo (USP); Universidade Estadual Paulista (UNESP) e Universidade
Estadual de Campinas (UNICAMP). O curso Política de indexação em sistemas de
informação

teve por objetivo o aprimoramento profissional na área em

conformidade com a demanda de capacitação identificada e com os interesses
das instituições.
2 O CONHECIMENTO ORGANIZACIONAL PARA A POLÍTICA DE INDEXAÇÃO
São consideradas políticas ou diretrizes os planos gerais de ação que
estabelecem guias mestras, orientam a tomada de decisão, dão estabilidade à
organização, evitam repetição de análises, auxiliando previamente nas

�decisões, além de delegar autoridade sem perder o controle (ALMEIDA, 2000).
No caso das bibliotecas, existem políticas gerais e específicas de acordo
com cada setor de atuação: política de desenvolvimento de coleções, política
de preservação e conservação do acervo, política de atendimento, entre outras.
De maneira geral, a literatura sobre política de indexação se mostra
escassa. No âmbito nacional, destaca-se o clássico artigo de Carneiro (1985)
que aponta elementos de política de indexação. A partir de então, as pesquisas
sobre o tema só foram retomadas por Rubi (2000; 2004), Rubi e Fujita (2003) e
Guimarães (2001, 2004).
É preciso que as bibliotecas percebam a importância da indexação em todo
o

ciclo

documentário,

considerando-a

como

parte

da

administração,

compreendendo que a indexação necessita de parâmetros que guiem os
indexadores no momento de tomadas de decisões minimizando subjetividade e
incertezas durante o processo de indexação, reconhecendo, portanto, a
importância em se implantar uma política de indexação.
Consideramos que a política de indexação de um sistema de informação
pode ser observada por meio de seus recursos humanos, como os indexadores,
bem como por meio de sua documentação oficial, como o manual de indexação.

Em estudos sobre Cultura Organizacional, observamos também a
existência de duas abordagens que podem ser utilizadas no estudo dos valores
organizacionais: a partir dos documentos oficiais da empresa e a partir de
observações sobre como os valores são percebidos pelos funcionários.
No nosso caso, os elementos de política de indexação são os valores
peculiares de cada sistema de informação que estão expressos oficialmente em
manuais de indexação e expressam a visão do dirigente sobre como devem

�proceder todos os centros subordinados ao sistema de informação. (RUBI;
FUJITA, 2003).
No caso dos funcionários, o responsável pelo processo de indexação é o
indexador que realiza a análise de um texto com fins de indexação. Essa análise,
segundo Fujita (1999), está diretamente vinculada com sua concepção de análise
documentária adquirida através de sua formação educacional e da política de
indexação do sistema onde está inserido. Podemos afirmar que o manual de
indexação para o indexador deve ser um instrumento real de trabalho e norteador
dos princípios de indexação adotados pelo sistema de informação a fim de que
seja garantida a consistência na indexação.

Dessa forma, consideramos o indexador como fonte de informação para o
início da espiral da construção de novos conhecimentos pela e para a biblioteca.
Além disso, ele é responsável pela criação de novos conhecimentos por meio de
sua experiência. No entanto, esse conhecimento, que ainda é tácito, deve ser
documentado de alguma maneira (manual de indexação) tornando-se explícito e
servindo de suporte para a geração de novos conhecimentos por parte da
biblioteca e de outros indexadores.
Sobre isso, podemos afirmar que os estudos a respeito do conhecimento
tácito e do conhecimento explícito, objetos de estudos da gestão do conhecimento
e que, por definição, atendem aos nossos interesses.
Nonaka e Takeuchi (1997, p. 65) explicam que
A criação do conhecimento organizacional deve ser entendida
como um processo que amplia organizacionalmente o
conhecimento criado pelos indivíduos, cristalizando-o como parte
da rede de conhecimento da organização. (NONAKA; TAKEUCHI,
1997, p. 65, grifo dos autores).

Consideramos que o conhecimento tácito é a base do conhecimento
organizacional e para que haja eficiência na criação deste conhecimento o

�indexador tem como função converter o conhecimento tácito em explícito e a
biblioteca promover a interação entre os membros da organização.
Para tanto, apresentamos como recurso o protocolo verbal em grupo.
3 PROTOCOLO VERBAL
ORGANIZACIONAL

EM

GRUPO

PARA

O

CONHECIMENTO

A utilização do protocolo verbal em grupo deve-se principalmente ao fato de
que esta metodologia possibilita a explicitação do conhecimento organizacional
dos indexadores, o que subsidiará a política de indexação revelando aspectos do
sistema de informação importantes para a indexação de documentos.
De acordo com Nardi (1999) a origem da prática do protocolo verbal em
grupo está na metodologia introspectiva do protocolo verbal nos moldes de
Ericsson e Simon (1987), um instrumento de coleta de dados introspectivos
originalmente utilizado para coletar informações sobre processos mentais
utilizados pelos indivíduos na realização de qualquer tipo de tarefa.
O protocolo verbal, de acordo com os referidos autores, fornece
informações sobre passos de processamento individual, tais como verbalizações
espontâneas, seqüência de movimentos com os olhos, exteriorizando seus
processos mentais e mantendo a seqüência das informações processadas.
O modelo proposto por Ericsson e Simon (1987) prevê que a informação
recém-apreendida pelo processador central é mantida na memória de curto prazo
por algum tempo e é diretamente acessível para processamento subseqüente,
enquanto que na memória de longo prazo a informação precisa ser recuperada
antes de ser relatada. Dessa forma, as informações coletadas em relatos verbais
são

as

recém-apreendidas,

subseqüente.

diretamente

acessíveis

para

processamento

�Nardi (1999, p. 38) apresenta seu ponto de vista sobre as possibilidades de
interação social e cultural que se abrem numa leitura. O leitor pode interagir não
só com o autor do texto, como também com outros leitores que tenham tornado
explícitas suas interpretações anteriores do mesmo texto, com outros autores de
outros textos que, de alguma forma, se relacionam ao texto sendo lido etc.
Fujita, Nardi e Fagundes (2003) consideram que a técnica introspectiva de
Pensar Alto , ou Protocolo Verbal, revela a introspecção do leitor de forma
natural, com vantagens sobre outros tipos de técnicas tais como diários,
questionários ou entrevistas porque é a única que fornece acesso direto ao
processo mental de leitura enquanto está sendo realizado pelo leitor, diferente das
outras que revelam apenas a reflexão após o processo de leitura. Dessa forma, a
técnica de Pensar alto é a única técnica propriamente introspectiva enquanto as
outras são de natureza retrospectiva.
Os estudos realizados com a metodologia do protocolo verbal em grupo
para conhecer a visão dos indexadores a respeito de política de indexação
mostraram-se satisfatórios, uma vez que permitiram a conversão do conhecimento
tácito dos indexadores em explícito para a instituição, bem como a interação entre
os bibliotecários (RUBI, 2004).
4 EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA PARA FORMAÇÃO DE INDEXADORES
Tendo em vista os subsídios identificados por meio do protocolo verbal em
grupo sobre o conhecimento organizacional de política de indexação dos
indexadores de sistemas de informação, pretendemos finalizar este trabalho com
algumas propostas práticas para o ensino de política de indexação dirigidas a
profissionais que já atuam no mercado de trabalho, utilizando para isso o seu
próprio conhecimento organizacional.

�Dessa maneira, temos a intenção de divulgar a importância do
estabelecimento de uma política de indexação e contribuir, de maneira prática,
com a área de Biblioteconomia, em especial, a indexação, apresentando o curso à
distância Política de indexação em sistemas de informação realizado com
bibliotecários indexadores das universidades estaduais paulistas que fazem parte
do Sistema CRUESP/Bibliotecas: Universidade de São Paulo (USP); Universidade
Estadual Paulista (UNESP) e Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).
Com a duração de cinco semanas, o curso tem a seguinte ementa e
objetivos:
Ementa: a política de indexação enquanto decisão administrativa
estratégica para otimização de serviços e racionalização de processos em
sistemas de recuperação da informação: sua função e metodologia no âmbito de
sistemas de recuperação da informação.
Objetivos:
Demonstrar a importância do estabelecimento de uma política de
indexação para o sistema de recuperação da informação.
Familiarizar o profissional com os elementos de política de indexação e
com os manuais de indexação.
Conscientizar o profissional sobre a importância do indexador para o
desenvolvimento da política de indexação.
Os módulos, apresentados semanalmente, foram baseados na dissertação
de Rubi (2004) e estruturados tendo em vista uma seqüência lógica de
conhecimento que resultasse em um produto final: a elaboração de um manual de
indexação.
a) Módulo 1: O contexto administrativo de bibliotecas universitárias e seu
papel na socialização do conhecimento:

�O enfoque foi feito a partir do contexto em que se encontra a biblioteca
universitária, seus aspectos administrativos e sua função enquanto agente da
socialização do conhecimento, principalmente na era da informação digital
(FUJITA, 2005).
b) Módulo 2: A cultura organizacional na gestão de conhecimento:
Apresentamos os elementos que constituem a cultura organizacional de
uma organização (TAVARES, 1996; TAMAYO, 1998) e os trouxemos para a
realidade das bibliotecas, verificando sua importância e influência na rotina de
trabalhos dos indexadores.
c) Módulo 3: Elementos para uma política de indexação em perspectiva
gerencial de sistemas de informação:
Demonstramos a importância do estabelecimento de uma política de
indexação para bibliotecas e apresentamos os elementos constituintes dessa
política na visão de autores como Carneiro (1985) e Guimarães (2000).
d) Módulo 4: Observação de procedimentos de indexação e do
conhecimento organizacional com aplicação de Protocolo Verbal:
Apresentamos a metodologia de coleta de dados introspectivos nos
moldes de Ericsson e Simon (1987) e Nardi (1999) para identificação de
procedimentos de indexação e do conhecimento organizacional sobre política de
indexação.
e) Módulo 5: A política de indexação e elaboração do manual de indexação:
o enfoque foi sobre os tipos de manuais existentes em uma organização,
suas formas e funções, a apresentação dos manuais de indexação de sistemas de
internacionais de informação e, principalmente, como fazer do manual de
indexação uma ferramenta de trabalho eficaz para o indexador e a biblioteca.

�Ao final de cada módulo foi solicitado um exercício sobre o tema proposto.
Para solução de dúvidas e esclarecimentos, contamos com a ferramenta chat em
que a professora teve a possibilidade de se reunir uma vez por semana com os
alunos para debate e solução de dúvidas. Além disso, um momento importante
para o curso foi uma aula presencial em que houve maior interação entre os todos
e a consolidação dos conteúdos apresentados.
Como visto anteriormente, além do protocolo verbal em grupo, a política de
indexação pode ser observada e avaliada por meio da análise dos manuais de
indexação e da aplicação de questionários a bibliotecários dos sistemas de
informação. Por isso, esse tipo metodologia pode se apresentar como um
exercício para a observação dos elementos de política e sua importância para o
sistema a que serve, como veremos a seguir.
Atualmente, alguns manuais de indexação estão disponíveis na Internet,
como por exemplo, o da BIREME, o do AGRIS, o do ERIC, o que facilita o acesso
às informações sobre a política de indexação desses sistemas de informação. O
exercício, que pode ser realizado individualmente ou em grupo, consiste na busca
desses manuais de indexação na Internet e na sua análise quanto ao formato
(disposição das informações, layout, facilidade de manuseio) e ao conteúdo,
levando-se em consideração os elementos que, por definição de Carneiro (1985) e
Guimarães (2000), compõe a política de indexação dos sistemas de informação. A
seguir, formulasse um quadro comparativo desses elementos explicitando as
características de cada um dos sistemas de informação e gerando uma discussão
a respeito da necessidade e importância de uma política de indexação bem
estabelecida.
Posteriormente, solicita-se a elaboração de uma política de indexação para
uma biblioteca determinada, lembrando que este documento deverá conter os
elementos de política de indexação pertinentes à realidade da biblioteca escolhida.
No caso de alunos que ainda não atuam em sistemas de informação, esse

�exercício pode ser realizado com a colaboração de um bibliotecário que atue na
área por meio de estudo de caso, entrevistas e/ou questionários. Alunos que já
atuam em algum sistema de informação, independentemente do setor, pode
elaborar (ou aperfeiçoar) um manual para a própria instituição, onde o bibliotecário
tem maior facilidade de acesso às informações, além de constituir sua realidade
de trabalho.
Realizamos as duas experiências com êxito em instituição com grupos de
alunos bibliotecários atuantes de pós-graduação stricto senso em indexação.
Foi solicitada a análise comparativa de manuais disponíveis na Internet e, a
seguir, a elaboração de um manual de indexação com o histórico da instituição
onde trabalham, os elementos de política de indexação e, além disso, a
metodologia utilizada para a realização da indexação, uma vez que esse serviço
era executado por eles.
Outro tipo de exercício diz respeito à avaliação da política de indexação em
que se solicita aos alunos uma avaliação da política de indexação do sistema de
informação em que trabalham. Neste caso, o exercício foi realizado com
bibliotecários que fazem parte do Sistema de Bibliotecas das Universidades
Estaduais Paulistas (CRUESP/BIBLIOTECAS) e que atuam no processamento
técnico, especificamente no serviço de indexação, e a conscientização dos
profissionais em estabelecer uma política de indexação.
Além de identificar e avaliar a política de indexação de sistemas de
informação, há também a possibilidade de se verificar, por meio de questionário, a
política de indexação adotada por serviços de análise de bibliotecas. Nossa
experiência foi a aplicação de questionário aos gerentes de duas bibliotecas
universitárias da área de medicina e educação que realizam indexação de artigos
de periódicos em base de dados local. Com isso objetivou-se conhecer o
profissional responsável pela indexação nesta base de dados local; verificar quais

�os critérios utilizados para selecionar os periódicos a serem indexados, além do
software e da linguagem documentária utilizada; tomar conhecimento sobre a
existência de um manual de serviço e a periodicidade de atualização da base de
dados.
Outro tipo de questionário pode ser elaborado tendo como objetivo observar
o perfil do indexador e o conhecimento que este profissional tem a respeito da
política de indexação presente no seu local de trabalho. Neste caso, o
questionário foi direcionado a indexadores que trabalham em bibliotecas
universitárias que fazem parte de um sistema de informação integrado na área de
odontologia. Desse modo, objetivou-se observar os procedimentos de indexação;
verificar em que medida o manual de indexação auxilia o indexador minimizando
suas dificuldades durante o processo de indexação; conhecer sua opinião sobre o
manual e a política de indexação.
5 Considerações finais
Diante desses exemplos práticos observamos que seus resultados
demonstraram a importância de se estabelecer a política de indexação, as
características e diferenças entre vários tipos de sistemas de informação e por que
a indexação deve ser analisada do ponto de vista administrativo do sistema, uma
vez que os resultados da indexação, e de sua política, serão observados na
recuperação da informação.
Consideramos que o indexador é ponto de partida para a geração do
conhecimento organizacional sobre política de indexação dentro dos sistemas de
informação onde atua e este é o motivo principal pelo qual o indexador deve ser
valorizado. Uma das formas de valorização desse profissional seria o investimento
na sua educação constante e permanente, seja em cursos de pós-graduação ou
em cursos de atualização profissional.

�Tendo em vista as constantes mudanças nas áreas do conhecimento que o
bibliotecário deve acompanhar e que refletirá no seu modo de indexar, é preciso
que a atuação profissional também mude com o respaldo da teoria e do próprio
conhecimento organizacional do indexador que deverá ser aproveitado na espiral
de geração de novos conhecimentos para a instituição.
Além disso, não podemos nos esquecer daquele profissional que está
sendo formado pelas escolas de biblioteconomia. Quais estão sendo as práticas
adotadas para o ensino de indexação e política de indexação na graduação?
Esta questão certamente influenciará a prática profissional desse
profissional no mercado de trabalho.
Assim, consideramos importante e necessária, a recomendação de novas
práticas de ensino que compreendam tanto aquele profissional que ainda está em
formação quanto aquele que já atua em sistemas de informação.
DISTANCE EDUCATION FOR ACADEMICALS LIBRARIES LIBRARIANS OF
CONSORTIUM FORMATION CRUESP IN INDEXING POLICY: CONTENT
PERSPECTIVES AND APPLICATION OF VERBAL PROTOCOL IN GROUP
Abstract
The indexer is the starting point for the organizational knowledge production on indexing
policy, in the library where he works. This paper presents an experience in the working up
of a course for the librarian/indexer s education, implemented with resources from USP
Integrated System of Libraries (SIBi/USP) for distance education, together with the library
systems of Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (UNESP)
and Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). The aim of the course entitled
Indexing policy in information systems is the professional improvement according to the
needs of qualifying and to the institution s interests. Consisted of five modules, it is
structured taking into account a logic sequence of knowledge whose final product is the
working up of an indexing manual. The result of the weekly tasks was satisfactory as to the
deepening of concepts on the subject and its pertinence to the librarian s everyday
activities. Moreover, the distance education methodology allows a new teaching practice
reaching librarians from different places in São Paulo state, in different schedules, making
possible their interaction, with cost rationalization.
Key words: distance education; indexing policy; indexer; organizational knowledge;
teaching practice of indexing policy.

�REFERÊNCIAS
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                <text>Educação à distância para formação do bibliotecário de bibliotecas universitárias do consórcio CRUESP em Política de indexação: perspectivas de conteúdo e aplicação de protocolo verbal em grupo</text>
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                <text>Fujita, Mariângela Spotti Lopes; Rubi, Milena Polsinelli</text>
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            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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            <description>An account of the resource</description>
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                <text>O indexador é ponto de partida para geração do conhecimento organizacional sobre política de indexação na biblioteca onde atua. Sendo assim, apresentamos nossa experiência de elaboração de curso para formação em serviço do bibliotecário indexador implementado com recursos de educação à distância pelo Sistema Integrado de Bibliotecas da USP (SIBi/USP), em promoção conjunta dos Sistemas de Bibliotecas da Universidade de São Paulo (USP); Universidade Estadual Paulista (UNESP) e Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). O curso Política de indexação em sistemas de informação teve por objetivo o aprimoramento profissional na área em conformidade com a demanda de capacitação identificada e com os interesses das instituições. Constituído por cinco módulos, o curso foi estruturado tendo em vista uma seqüência lógica de conhecimentos que resultassem em um produto final: a elaboração de um manual de indexação. Por meio dos trabalhos solicitados semanalmente, o resultado se mostrou satisfatório quanto ao aprofundamento dos conceitos sobre o tema e sua pertinência ao dia-a-dia do fazer bibliotecário. Além disso, a metodologia de educação a distância permitiu uma nova prática de ensino que consegue atingir bibliotecários distribuídos em diferentes do estado de São Paulo, com horários diversos, permitindo a interação entre os mesmos, com racionalização de custos.</text>
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                    <text>EDUCAÇÃO CONTINUADA PARA O DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL:
UM ESTUDO ENTRE BIBLIOTECÁRIOS DA CIDADE DE GOIÂNIA.
Edilane Neves
Instituto Aphonsiano de Ensino Superior Biblioteca Aphonsiano
Av.Manoel Monteiro,n°55.Bairro Santuário
Trindade-Goiás.Cep.75380 000 e
E-mail: biblioaphon@terra.com.br ou
edilaneneves@yahoo.com.br
Ana Cristina Alves da Silva
Aluna do curso de gestão de pessoas das
Faculdades Alfa. Bibliotecária da seção de
periódicos das Faculdades Alfa. E-mail:
anacris@alfa.br
Resumo
A educação continuada constitui - se em processo indispensável a todos
profissionais, independente da área que atuam. Tal assertiva é relevante para os
profissionais da informação. A dinâmica do mercado de trabalho requer além da
titularidade, exige aprendizado continuo e atualização profissional constante,
frente às inovações hodiernas. Com a acelerada produção do conhecimento, a
educação

continuada,

emerge

como

uma

forma

de

sobrevivência

e

desenvolvimento profissional. O presente trabalho aborda o valor da educação
continuada para os profissionais da informação, no caso estudado, os
bibliotecários, bem como, demonstra os resultados e análise de uma pesquisa
realizada entre bibliotecários de universidades da cidade de Goiânia-Goiás, com o
intuito de verificar como esses profissionais investem em seu aprendizado
contínuo, propiciando abertura a outros parâmetros do conhecimento.
Palavras-chave: Educação continuada; atualização profissional; aprendizado
contínuo; bibliotecários de Goiânia.

�Introdução
Historicamente, a possessão do saber sempre esteve associada a um ato
de poder. Nos dias atuais, apesar de todo o avanço científico e tecnológico,
vivenciado pela sociedade, o saber, o conhecimento, ainda é o que determina o
desenvolvimento das nações, sua soberania. A tão ilustre e conhecida frase de
Bacon: “Conhecimento é poder”, continua muito verdadeira.

A educação

continuada aparece como uma forma eficaz de aquisição de conhecimento e
conseqüentemente

como

um

meio

de sobrevivência

e

desenvolvimento

profissional.
O mercado de trabalho contemporâneo se mostra cada vez mais exigente,
sendo assim, vemos a necessidade de mantermos em condições de competir com
as exigências hodiernas.
Cabe ao bibliotecário se adequar a este novo contexto, se atualizando e
procurando acompanhar as constantes mudanças que vêm ocorrendo no campo
de atuação deste profissional.
O presente trabalho enfoca a importância da educação continuada para
todos profissionais, em especial os profissionais da informação, e particularmente
os bibliotecários. É realizada também, uma pesquisa entre bibliotecários de
universidades de Goiânia, focalizando como se dá o processo de aprendizado
permanente entre esses profissionais.
O artigo é estruturado em três seções, sendo que na primeira, a educação
continuada é tratada como alavanca para o sucesso profissional, já que a mesma
permite alcançar avanços profissionais. Na segunda seção é abordado o
aprendizado permanente x bibliotecário: uma aliança indispensável, isso dá pelo
fato de ser imprescindível que esse profissional no ofício de gestor da informação,
esteja sempre investindo em seu capital intelectual, a fim de acompanhar a
dinâmica da produção do conhecimento. Já na terceira seção, é demonstrada uma
análise de uma pesquisa realizada entre bibliotecários universitários da cidade de
Goiânia com finalidade de compreender como se dá o processo de investimento
em educação permanente entre esses profissionais. Por fim, na conclusão é

�realizada uma reflexão dos pontos discutidos no trabalho ressaltando sua
importância.
2 Educação continuada: alavanca para o sucesso profissional
A educação continuada permite a atualização profissional e aprendizado
constante. Adquirir conhecimento é atentar-se para novos horizontes é abrir portas
para um mundo que se descortina.
A produção do conhecimento ocorre de forma acelerada, exigindo dinâmica
no processo de aprendizado e aquisição da informação caso contrário estamos
sujeito à estagnação e obsolescência. Arruda (2000 p.18) afirma: “Dentro dessa
dinâmica é importante que as ações direcionadas à formação profissional e a
educação continuada destes profissionais estejam sedimentadas na compreensão
dos processos transformação por que passa o mundo do trabalho, o que permite
aos indivíduos a percepção das materialidades que se articulam na confecção e
validação de um novo modelo de qualificação profissional e que contribuem para o
estrangulamento do mercado de trabalho. Isso, posto que o delineamento de um
novo perfil profissional não é exclusivo da área da informação, mas endógeno ao
novo modelo econômico, que introduz novas formas de gestão do trabalho e de
socialização

dos

indivíduos,

valorizando

a

atuação

em

equipe,

a

interdisciplinaridade, o aprendizado contínuo e atitudes comportamentais”.
De acordo com Calvalcante (2004 p.1) “a capacidade de aprender é uma
das universais características humanas. O processo pela qual a aprendizagem se
dá tem se desenvolvido continuamente ao longo de diferentes épocas históricas,
desde as mais longínquas civilizações egípcias, gregas, persas ou mulçumanas,
até as mais modernas sociedades contemporâneas”.
Certa vez, o ex-ministro da educação Cristovam Buarque (2003 p.1),
atualmente senador da República, comparou um diploma a uma medalha de
olímpica, que dura até a próxima olimpíada, quando novos competidores
superarão aquele atleta. O então ministro, ainda brincou dizendo: “A palavra exaluno só deve aparecer na lápide do túmulo”. Consonante com essa afirmação
Oliveira (2004 p.6) afirma: “Pensar a educação como processo para a vida toda”.

�Investir em formação permanente é promover possibilidades para se manter
seguro no mercado de trabalho atual, que de acordo com Cavalcante (2004, p.11)
“exige mão de obra especializada, resultando na necessidade maior treinamento
em nível superior. As pessoas suscitam capital para seu local de trabalho, por
meio de sua competência, sua atitude e sua capacidade para inovar. As
competências incluem as habilidades e a educação e a atitude se refere às
condutas. Porém, é finalmente a capacidade de inovar, a que pode gerar mais
valor para uma empresa. Isto constitui o que denominamos de capital humano”.
O profissional deve ter em mente que é preciso, estudar, atualizar-se,
aprimorar seu capital intelectual. Investir em tecnologia é importante, mas não é
suficiente, como confirma Cavalcante (2004 p.4): “Tecnologia não basta, é
impossível competir no mercado mundial sem excelência profissional e
investimento no capital humano”. A autora acrescenta: “Os investimentos em
educação para busca da qualidade de vida constituem-se o paradigma
emergencial da atualidade”.
Destacamos que o processo de educação continuada se dá de diversas
formas e meios, ou seja, cursos à distância, aprendizado autônomo, cursos de
especialização, mestrado, doutorado e pós – doutorado. Conforme afirma Stoner
(1999 apud ZANAGA, 1989), entende-se por educação continuada: “atividades
formais e informais de aprendizagem através das quais os indivíduos elevam seus
conhecimentos, atitudes e competências.”.
Portanto, não havendo possibilidades de freqüentar cursos presencias, por
questões financeiras ou indisponibilidade de tempo, há opções em fazer cursos a
distancia ou desempenhar aprendizado autônomo. O importante é estar
estudando, aprimorando sempre as faculdades profissionais, garantindo assim,
sucesso profissional.
3 Aprendizado permanente x bibliotecários: uma aliança indispensável
A educação continuada constitui-se em processo indispensável aos
bibliotecários, haja vista que ultimamente passa a ser agregado ao profissional
bibliotecário o papel de consultor, assessor, autônomo e até mesmo prestador de

�serviços terceirizados. E o profissional que tem pretensão em ocupar estes
lugares no mercado de trabalho, será necessário buscar novos conhecimentos e
se tornar cada vez mais empreendedor mais ousado e desenvolver cada vez mais
novas competências.
Para o terceiro milênio o profissional da informação deverá ser mais
observador, empreendedor, atuante, flexível, dinâmico, ousado, integrador,
proativo e criativo. Sua formação deverá, portanto, estar voltada para a
capacitação de um profissional que atenda essas características e somente o
profissional que sair em busca destes indicadores e investir em aprendizagem
permanente, estará apto a atuar no novo paradigma da informação. Ferreira (2003
apud VALENTIM, 1994) argumenta: “A atualização contínua do profissional
informação é fundamental”.
Na condição de profissional que trabalha na gestão de informação e
conhecimento o bibliotecário deve ter o comprometimento de empenhar - se
constantemente em educação continuada, para que possa ter condições de
competir com as demandas do mercado de trabalho.
Davenport (1998 p.138-139) cita algumas características que os diretores
do conhecimento devem possuir:
� “Dever ou promover a” evangelização “em prol do conhecimento e do
aprendizado a partir desse conhecimento. Diante do importante
papel atual do conhecimento nas estratégias e processos de muitas
empresas, fazem-se necessárias mudanças de longo prazo na
cultura organizacional e nos comportamentos individuais em relação
a ele. Tais mudanças exigirão uma defesa contínua e substancial em
favor do conhecimento”.
� “Projetar,

implementar

e

supervisionar

a

infra-estrutura

do

conhecimento da empresa, incluindo suas bibliotecas, bancos do
conhecimento,

redes

humanas

e

computadorizadas

do

conhecimento, centros de pesquisa e estrutura organizacional
orientada para o conhecimento”.

�� “Gerir relacionamentos com fornecedores externos da informação e
do conhecimento (por exemplo, parceiros acadêmicos ou empresas
de banco de dados) e negociar contatos com eles”.
� “Fornecer material crítico para fomentar o processo de criação e o
uso

do

conhecimento

dentro

da

empresa

(por

exemplo,

desenvolvimento de novos produtos, pesquisa de mercado e
desenvolvimento de estratégias de negócios) e facilitar esforços de
melhoria desses processos, se necessário”.
� “Elaborar e implementar métodos de codificação do conhecimento da
empresa. Tais métodos especificarão as categorias principais da
informação ou do conhecimento que a empresa pretende abordar,
implicando o mapeamento do enfoque atual do conhecimento e de
futuros modelos do conhecimento”.
� “Medir e gerir o valor do conhecimento, por meio da análise
financeira convencional e da gestão de relatos de experiências.Se a
organização não tiver uma idéia clara do valor do conhecimento e de
sua gestão, a função terá vida curta”.
� “Gerir os gerentes do conhecimento da organização, transmitindolhes um senso de comunidade, estabelecendo padrões profissionais
e administrando suas carreiras. Esses trabalhadores podem ser
alocados em o diretor do conhecimento (CKO) e os gerentes das
áreas nas quais as empresas concentram seus esforços de gestão
do conhecimento (por exemplo, um mercado, um grupo de produtos
ou um tipo específico de cliente)”.
� “Liderar

o

desenvolvimento

da

estratégia

do

conhecimento,

concentrando os recursos da empresa no tipo do conhecimento que
ela mais precisa gerir e nos processos do conhecimento mais
defasados”.
Diante de tais requisitos apontados por Davenport, notamos que é preciso
mais habilidades técnicas e titularidade, é preciso atualização constante, visto que
o processo de produção conhecimento é dinâmico.

�Como afirma Arruda apud Hafter &amp; Wolls (1998 p.10): “Há um consenso
entre os diversos atores da área de informação (professores, gerentes e
profissionais) quanto à importância da educação continuada como forma de
sobrevivência e desenvolvimento profissional”.
Arruda (2000 p.10) ainda afirma: “Intensificam-se as pressões para a rápida
adaptação do setor acadêmico à nova conformação do mundo trabalho, aliadas a
um novo fator: o profissional da informação também passa a ser cobrado em
investir em seu aperfeiçoamento contínuo, seja este aperfeiçoamento pela via da
educação continuada e / ou aprendizado autônomo; por sua capacidade de
articular e aprofundar conhecimentos que respondam ás demandas do setor
produtivo, ou por sua capacidade de transferir para o trabalho sua vivência
profissional e sociocultural”.
4 Educação continuada entre bibliotecários universitários de Goiânia Goiás : resultados e análise
As bibliotecas universitárias em Goiânia, representam parte significativa do
mercado

de

trabalho,

ora

ocupado,

por

bibliotecários

nessa

cidade.

Reconhecendo o valor da educação continuada para o bom desempenho desses
profissionais, foi realizada uma pesquisa verificando como se dá o processo de
aprendizagem contínua entre bibliotecários universitários da capital goiana.
Como alega Cunha (1998 p.2) “Nas bibliotecas universitárias, como em
qualquer unidade de informação, o objetivo principal é propiciar que as
necessidades informacionais dos usuários sejam supridas de modo eficaz e com
agregação de valor. Por esta razão, é fundamental que estas unidades invistam na
formação continuada de seus profissionais.”
4.1 Metodologia
A pesquisa foi realizada por meio de aplicação de 60 questionários com
questões semi-abertas (conforme anexo A), enviados via e-mail. Obtivemos um

�percentual de 55% de respostas o que corresponde a 33 questionários
respondidos.
4.2 Resultados
Destacam - se os principais resultados da pesquisa, apresentados em
forma de texto e tabela, utilizando à mesma seqüência das perguntas do
questionário.
4.2.1 Identificação
A primeira parte do questionário foi destinada à identificação do profissional,
perguntando, nome, endereço, telefone, e-mail e nome da instituição que trabalha
e ano de conclusão da graduação em Biblioteconomia.
4.2.2 Formação acadêmica
Na tabela 1 temos a especificação da formação acadêmica dos
profissionais entrevistados indicando o grau de formação de forma geral. Neste
item, as questões foram com respostas semi-abertas, questionando a formação
dos profissionais e sua titularidade. Conforme resultados abaixo, observamos que
os investimentos em outras áreas são bem maiores que na área de
Biblioteconomia.
Tabela 1: Especificação da formação acadêmica dos profissionais entrevistados

Formação acadêmica
Especificação

Biblioteconom
ia

%

Outras áreas

%

Graduação

33

100

11

33,33

Especialização

07

21,2
1

31

93,93

Mestrado

-

-

-

-

Doutorado

-

-

-

-

Pós-doutorado

-

-

-

-

�4.2.2 Formas de investimentos utilizados para educação continuada
Neste item são questionadas as formas de investimentos para educação
continuada, ponderando neste momento quais os meios utilizados. A tabela 2
demonstra os resultados, nos quais podemos observar que os profissionais
possuem interesse em investir em sua aprendizagem permanente, pois, todos
entrevistados participam de algum meio de educação continuada.
Tabela 2: Formas investimentos utilizados para educação continuada
Formas de investimentos em educação continuada
Aprendizado autônomo

90%

Cursos à distância

66%

Cursos presenciais

74%

4.2.3 Freqüência nos cursos de capacitação profissional
Na tabela 3 é apresentado o questionamento se os entrevistados
freqüentam ou não cursos de capacitação profissional, neste mesmo item são
calculados a freqüência anual dos entrevistados a fim de se levantar qual o
tempo investido por ano, em educação continuada.
Tabela 3: Freqüência nos cursos de capacitação profissional
Cursos de capacitação profissional
Freqüenta

Freqüência por ano

Sim

Não

100%

-

1

1a2

2a4

3a5

18%

30%

38%

14%

4.2.4 Custeio dos cursos de capacitação profissional

�Na tabela 4, é demonstrado quem assume a responsabilidade financeira
dos cursos de capacitação profissional para os bibliotecários entrevistados.
Analisando os dados, observamos que: 67% o que corresponde à maioria, é o
próprio profissional que custeia seus cursos de capacitação profissional, 28%
afirmaram receber apoio da instituição que trabalha e apenas 1% dos
entrevistados afirmaram que às vezes esses cursos são financiados por
associações ou conselhos de classe.
Tabela 4: Quem custeia os cursos de capacitação profissional
Custeio para os cursos de capacitação
Especificação

Sim

Não

Às vezes

Instituição que trabalha

28%

45%

27%

Associações
/conselhos de classe

-

99%

1%

Realizados por conta
própria

67%

-

33%

4.2.5 Dificuldades para realização dos cursos de capacitação profissional
A tabela 5 traz a porcentagem de dificuldades apontadas pelos
bibliotecários entrevistados na realização de cursos profissionais, Podemos
observar nesse item do questionário que a maioria das dificuldades apontadas
por esses profissionais é a respeito da escassez de cursos na área de
biblioteconomia e informação, depois segundo eles, se relaciona com a falta de
incentivo por parte das associações ou conselhos de classe, a falta de
recursos financeiros, ocupa o terceiro lugar nas dificuldades encontradas e por
último a indisponibilidade de tempo.
Tabela 5: Dificuldades para realização dos cursos de capacitação
Dificuldades para realização dos cursos de
capacitação
Falta de Recursos financeiros

%
18%

�Dificuldades para realização dos cursos de
capacitação
Ausência de incentivo por parte das instituições de
trabalho, instituições culturais, ou do conselho de
classe

%

31%

Escassez de cursos na área de Biblioteconomia e
Informação

43%

Indisponibilidade de tempo

8%

4.2.6 Sugestões e opiniões a respeito da educação continuada para área de
Biblioteconomia
A última questão foi colocada em aberto para que os entrevistados
pudessem dar suas opiniões e sugestões a respeito da educação continuada para
a área de Biblioteconomia. As respostas variaram entre si. Mas, houve um
consenso entre os entrevistados em opinar que a educação continuada constituise um fator indispensável para os bibliotecários, a maioria dos entrevistados
sugeriu que deveriam ser colocados mais cursos de pós-graduação na área de
Biblioteconomia e Informação, já que os existentes em Goiânia, constituem-se
uma quantidade muito tímida e pouco diversificada. Houve também apelos para
que haja mais incentivo por parte do conselho de classe, e da própria
Universidade Federal de Goiás (UFG) na promoção desses cursos. Os
profissionais ainda reforçaram a importância dos bibliotecários estarem atentos
para atender exigências do mercado de trabalho atual e futuro.
6 Conclusão
Como discutimos no decorrer do texto, a educação permanente constitui-se
um procedimento indispensável, pois, possibilita ao profissional atualizar-se com
as inovações e descobertas do conhecimento, além disso, permite acompanhar as
demandas exigidas pelo mercado de trabalho.
Os Bibliotecários devem estar habilitados frente às exigências do novo
mercado competitivo. Precisam estar entrosados com a dinâmica presente, sendo
criativos, adaptáveis e flexíveis. Devem ser competentes, acompanhando e

�implementando as mudanças das tecnologias de informação, gerenciando
unidades de informação, além de identificar e elaborar estratégias que atendam às
necessidades e usos da informação nas áreas sociais, educacionais, tecnológicas
e empresariais. E tudo isso, implica investimentos em educação continuada.
Pela pesquisa realizada entre bibliotecários universitários de Goiânia,
podemos constatar que apesar das dificuldades encontradas, esses profissionais
têm a preocupação de investir em sua capacitação profissional. Visto que todos
procuram realizar cursos de educação permanente.
Concluindo, podemos afirmar que no atual mercado globalizado, as
bibliotecas universitárias têm procurado desenvolver um perfil com intenção de se
tornar um instrumento de progresso, empenhado com a qualidade; renovadas em
seus procedimentos de trabalho e em harmonia com a comunidade universitária.
Exigindo assim do profissional bibliotecário, excelência em suas atividades e claro,
constante investimento em educação continuada.
Abstract
PERMANENT EDUCATION FOR PROFESSIONAL DEVELOPMENT: A STUDY
AMONGST LIBRARIANS IN GOIÂNIA.
Permanente education is essential to every professional, despite the field he/she
works with. And this belief is important to the those who deals with information. The
dynamics of the economic process requires no only academic titles but a
continuing disposition to learn and up-to-date professional knowledge. Modern
innovations and the speed of learning, as well as knowledge production in the
present times, represent a standout requirement for professional advancements
and position striving. This paper tries to discuss the worth of permanent education
to the information professionals, specifically applying to librarians. Resulting from a
research taken amongst university librarians in Goiânia City, the subject proposed
focuses the personal education investment of those professional in terms of
permanent learning and their interest in a general formation.

�Key words: Permanent education; professional development; permanent learning;
libraries in Goiânia City.

6 Referências
ALMEIDA,Beth.Ministro fala sobre educação e exclusão social na reunião
da SBPC.Assessoria de comunicação social do Mec, Recife, 15
jul.2003.Disponível

em

http://www.mec.gov.br/assessoriadecomunicacao.html. Acesso em: 20 maio
2006.
ARRUDA,

Maria

delineamento

de

de

Conceição

novos

perfis

Calmon.Educação,
profissionais:

o

trabalho

e

bibliotecário

o
em

questão.Ciência da informação, Brasília v.29, n.3,p.1-18, set./dez. 2000.
CAVALCANTE, Lídia Eugenia. Educação e aprendizagem contínua em
unidade de informação.Disponível em &lt;
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STONER, James Arthur Finch. Liderança. In:_______. Administração;
traduzido por Jose Ricardo Brandão Azevedo. 5.ed.
Prentice-Hall do Brasil,1999.533p.

Rio de Janeiro :

�ANEXO A
QUESTIONÁRIO
IDENTIFICAÇÃO
Nome: ____________________________________
Telefone: ( ) _____________ email:_______________________________
Instituição que trabalha: _________________________________________
Em que ano terminou o curso de Biblioteconomia: ______

1) Qual sua formação acadêmica?
a) Graduação:
Curso (os):

( )um

..................................................................................................
..................................................................................................

b) Especialização:
Curso (os):

( ) dois ou mais

( )um

( ) dois ou mais

..................................................................................................
..................................................................................................

c) Mestrado

( )um

( ) dois ou mais

Curso (os):

..................................................................................................
..................................................................................................

d) Doutorado
Curso (os):

( )um
( ) dois ou mais
..................................................................................................
..................................................................................................

e) Pós doutorado
Curso (os):

( )um ( ) dois ou mais

..................................................................................................
..................................................................................................

2) De que forma você investi em educação continuada?
( ) Aprendizado autônomo
( ) Cursos presenciais

( ) Cursos a distância

3) Você freqüenta cursos de capacitação profissional?
( ) Sim

( ) Não

Com que freqüência:
( ) 1 a cada ano
( ) 2 a 4 por ano

( ) 1 a 2 por ano
( ) 3 a 5 por ano

�( ) Esporadicamente
4) Quem normalmente custeia os cursos que você faz?
a) A instituição que trabalha:
( ) Sim

( ) Não

( ) Ás vezes

b) Associações /conselhos de classe:
( ) Sim

( ) Não

( ) Ás vezes

c) Realizados por conta própria:
( ) Sim

( ) Não

( ) Ás vezes

5) Qual a maior dificuldade encontrada na realização de cursos para a educação
continuada?
( ) Falta de recursos financeiros
( ) Indisponibilidade de tempo
( ) Escassez de cursos na área de Biblioteconomia e Informação
( ) Ausência de incentivo por parte das instituições de trabalho, instituições culturais,
ou do conselho de classe
6) No que diz respeito à educação continuada para área de Biblioteconomia deixe
suas sugestões e opiniões:

Obrigado, suas respostas, enriquecem nossa pesquisa.

�</text>
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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Date</name>
              <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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              <description>A language of the resource</description>
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                  <text>Português</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Educação continuada para o desenvolvimento profissional: um estudo entre bibliotecários da cidade de Goiânia.</text>
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                <text>A educação continuada constitui - se em processo indispensável a todos profissionais, independente da área que atuam. Tal assertiva é relevante para os profissionais da informação. A dinâmica do mercado de trabalho requer além da titularidade, exige aprendizado continuo e atualização profissional constante, frente às inovações hodiernas. Com a acelerada produção do conhecimento, a educação continuada, emerge como uma forma de sobrevivência e desenvolvimento profissional. O presente trabalho aborda o valor da educação continuada para os profissionais da informação, no caso estudado, os bibliotecários, bem como, demonstra os resultados e análise de uma pesquisa realizada entre bibliotecários de universidades da cidade de Goiânia-Goiás, com o intuito de verificar como esses profissionais investem em seu aprendizado contínuo, propiciando abertura a outros parâmetros do conhecimento.</text>
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                <text>Neves, Edilane; Silva, Ana Cristina Alves da</text>
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            <name>Publisher</name>
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                <text>UFBA</text>
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            <name>Date</name>
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            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
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            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                <text>Salvador (Bahia)</text>
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                    <text>EDUCAÇÃO PARA ACESSO A INFORMAÇÃO
Tércia Maria Souza de Moura Marques
Bibliotecária. Especialista em Gestão de Pessoas. Faculdade
União Americana. Av. Maria Lacerda Montenegro, 260 
Parnamirim, Brasil. terciamarques@digizap.com.br
Fabíola Karine Oliveira da Silva
Bibliotecária. Especialista em Gestão Estratégica em
Sistema de Informação. Centro Educacional Libânia
Medeiros. Av. Maria Lacerda Montenegro, 260  Parnamirim,
Brasil. karine_oliveira26@hotmail.com

Aborda a information literacy, como meio de estabelecer políticas de treinamento de
usuários, para que estes adquiram/desenvolvam as habilidades necessárias para o uso
adequado das unidades de informação e consigam a partir de uma consciência de suas
necessidades informacionais, acessa-las nos mais diversos suportes, sejam eles físicos ou
virtuais. Enfatiza que o papel das bibliotecas e dos bibliotecários ultrapassa o reunir e
organizar, sendo fundamental a recuperação e disseminação da informação, para que esta
possa se transformar em novos conhecimentos. Conclui afirmando que estes novos
conhecimentos, uma vez transformados em novas informações, fecham o círculo de
desenvolvimento do conhecimento do homem e da sociedade no qual está inserido.

Palavras-chave: Information Literacy. Treinamento de usuários. Acesso à informação.

1 INTRODUÇÃO

Vivendo em um novo cenário, da sociedade da informação/conhecimento, emerge
a preocupação relativa ao acesso, filtragem, organização, bem como decodificação e
assimilação dos conteúdos informacionais disponíveis na imensa massa documental que
circula nos mais diversos suportes, e em especial na Web. Assim, surge a necessidade de
capacitação do usuário em lidar com essa realidade. Nesse sentido as bibliotecas e unidades
de informação atuam como agentes envolvidos no processo de geração, gestão e

�2
disseminação do conhecimento, agindo como mediador entre o usuário, a busca

e

recuperação da informação.
É a partir dessa preocupação que se buscou elaborar uma política de treinamento
de usuários da biblioteca do Complexo Educacional CELM/Faculdade União Americana, que
não se limitasse à apresentação da biblioteca, dos serviços oferecidos e as tecnologias de
busca disponíveis, mas, sobretudo preocupada em orientar para a assimilação das
informações e para a construção de um raciocínio crítico, reflexivo, voltado para a construção
de um conhecimento sólido, para toda vida.
Faz-se importante ressaltar, que esses usuários/clientes são bem diversos, haja
vista a instituição atender desde a educação infantil a graduação, assim o bibliotecário
precisa estar constantemente elaborando/reelaborando seus modos de atuação para de fato
alcançar seus objetivos enquanto educador, mas principalmente satisfaça seu cliente.
O maior obstáculo a enfrentar é a resistência da administração e do corpo docente
quanto a inserção da biblioteca e do bibliotecário no processo de planejamento pedagógico
como ator essencial, vendo, portanto a biblioteca como elemento chave no processo de
ensino/aprendizagem, o que proporcionaria parcerias entre bibliotecários e docentes e
facilitaria a execução de um trabalho multidisciplinar muito eficiente.
Na busca por informações para resolver questionamento sobre as práticas
bibliotecárias aplicadas na instituição, bem como movidos pelo desejo de modificar a imagem
e o papel da biblioteca e fortalecer o papel educador do bibliotecário que se chega a
Information Literacy.

2 INFORMATION LITERACY: o que é?

Nessa nova sociedade da informação/conhecimento, a explosão bibliográfica, bem
como a acelerada evolução das tecnologias de informação e comunicação impõe a

�3
necessidade de conhecer bem como fazer uso de ferramentas e técnicas de acesso
específicas, para assim melhorar a recuperação da informação.
De acordo com Beluzzo (apud Guedes 2005, p.3) nessa sociedade é preciso
aprender a aprender, aprender a ler criticamente, aprender a manusear informações em
diversos suportes, em virtude do excesso de informações, da oferta constante das
tecnologias presentes no nosso dia-a-dia. A educação hoje está voltada para os processos
de construção, gestão e disseminação do conhecimento, com ênfase no aprender e no
aprendizado ao longo da vida.
Nesta perspectiva surge uma área de estudos e de programas educacionais, que
trata especificamente das questões relacionadas ao desenvolvimento de competências e
habilidades

necessárias

a

busca,

uso

e

compreensão

da

informação,

voltada

especificamente para a formação escolar, profissional e social, onde se destaca a information
literacy.
Segundo Dudziak (2003, p.23), o termo information literacy foi usado pela primeira
vez no relatório do Bibliotecário americano Paul Zurkowski, intitulado The information service
environmental relation ships and priorities, em 1974, onde Zurkowski apud Hatschbach
(2002, p.16) afirma que:
[...] pessoas treinadas para a utilização de fontes de informação em seu
trabalho, podem ser chamadas de competentes em informação (information
literacy). Elas aprendem técnicas e ferramentas informacionais, bem como
com fontes primárias, para encontrarem informação visando à solução de seus
problemas.

O que nos leva a entender que não basta apenas buscar a informação, mas sim
ser capaz de transforma-la em conhecimento que possa gerar uma tomada de decisão com
vistas a resolver algum problema.
A partir de 1974, intensificam-se os estudos para implantar, acompanhar e avaliar
a infomation literacy. Em 1988, a American Association of School Librarians (AASL) em
conjunto com Association for Educational Communications and Technology (AECT), EUA,
divulga as diretrizes para a implementação de programas educacionais em bibliotecas do
ensino médio a partir de um documento denominado Information Power: Guidelines for
School Libraries Media Programs, em que apresentava a interdisciplinaridade existente entre

�4
bibliotecários, professores e diretores de escolas, no sentido de planejar e elaborar
estratégias de aprendizagem,

que visem as necessidades dos estudantes. As diretrizes

incluem: acesso físico e intelectual dos materiais em todos os formatos; orientação a fim de
desenvolver habilidades de pensar, ouvir, ver e estimular o interesse pela leitura, fazendo
uso da informação e das idéias, tornando-os efetivos usuários de informação, ensinando-os a
aprender a aprender, enfatizando assim o papel educacional das bibliotecas e a importância
dos programas educacionais em information literacy.

Validando a idéia de perceber a

biblioteca como espaço de aprendizagem, Breivik e Gee apud Dudziak, (2001, p. 31) afirma
que as bibliotecas:
[...] são ambientes naturais para a resolução de problemas dentro de um
universo ilimitado de informações. As bibliotecas proporcionam a estrutura
necessária para a síntese de conhecimentos especializados num contexto
social. E finalmente, bibliotecas e bibliotecários podem ajudar os estudantes a
se tornarem competentes (literates) em informação.

Ou seja, o bibliotecário é ator fundamental para a construção do conhecimento via
busca e uso da informação, porém para o exercício desse papel ele precisa orientar todo o
processo de pesquisa até que os usuários adquiram as habilidades necessárias para
caminhar sozinhos nesse ambiente.
De acordo com Dudziak (2001) e Hatschbach (2002), a evolução da infomation
literacy, acontece na década de 70, onde caracterizou-se com a percepção de que a
informação é essencial à sociedade. Em 80, a infomation literacy surge com um novo
conjunto de habilidades ligadas à eficiência e eficácia no acesso e utilização da informação
como contribuição do processo de aprendizagem, do pensamento crítico, da educação
baseada em recursos, relacionados ao desenvolvimento tecnológico. Nos anos 90,
especialmente em 1989 a infomation literacy amplia-se através da definição da American
Library Association (ALA) que diz:
Para ser competente em informação, uma pessoa deve ser capaz de
reconhecer quando uma informação é necessária e deve ter a habilidade de
localizar, avaliar, e usar efetivamente a informação [...] Resumindo, as
pessoas competentes em informação são aquelas que aprenderam a
aprender. Elas sabem como aprender, pois sabem como a informação é
organizada, como encontrá-la e como usar a informação de forma que outras
pessoas aprendam a partir dela. (ALA - Presidential Committee on Information
Literacy, 1989, p.1)

�5
Para a ALA (1989) são requisitos básicos para o indivíduo ser competente em
informação: saber buscar, avaliar, filtrar e usar a informação quando necessária. Esses
requisitos justificam a integração da information literacy no currículo escolar, o que diminui a
lacuna existente entre sala de aula e biblioteca. Em outras palavras, estimular os estudantes
a usarem os recursos informacionais existentes, buscando contextualizá-la, para incutir nos
aprendizes o hábito de buscar e utilizar a informação e a biblioteca para a assimilação de
novos conhecimentos, proporcionando a resolução de problemas. A partir dessa definição da
ALA, os bibliotecários e educadores passaram a desenvolver o interesse pela implantação de
programas educacionais voltados para a information literacy, buscando transformar os
usuários em aprendizes independentes.
Segundo Guedes (2005, p.6) vários pesquisadores brasileiros estão contribuindo
para o avanço dos estudos sobre Infomation Literacy. Dentre eles cita: Belluzzo (2001 
2005), Dudziak (2001  2005), Campello (2003) e Hatschbach (2002). Relacionamos a seguir
as definições para information literacy segundo esses autores.
Dudziak (2003) a define como:
processo contínuo de internacionalização de fundamentos conceituais,
atitudinais e de habilidades necessárias à compreensão e interação
permanente com o universo informacional e sua dinâmica, de modo a
proporcionar um aprendizado ao longo da vida (DUDZIAK, 2003, p.28).

Campello (2003, p. 36) diz que é:
competência informacional, e defende que no cenário da biblioteca escolar, deve ser
considerada como panorama dos estudos sobre letramento, que é o conceito utilizado
no âmbito do ensino básico para designar o estado ou condição que assume aquele
que aprende a ler e a escrever, entendendo-se então que quem aprende a ler e a
escrever e passa a usar a leitura e a escrita, torna-se uma pessoa diferente.

Em Hatschbach (2002, p. 95) vimos que:
a competência em informação é uma área de estudos e de práticas que trata das
habilidades acerca do uso da informação em relação à sua busca, localização,
avaliação, e divulgação, integrando a utilização de novas tecnologias e a capacidade
de resolução e problemas de informação.

E Belluzzo (2005, p.38) diz que:
a competência em informação constitui-se em processo continuo de interação e
internalização de fundamentos conceituais, atitudinais e de habilidades específicas

�6
como referenciais à compreensão da informação e de sua abrangência, em busca da
fluência e das capacidades necessárias à geração do conhecimento novo e sua
aplicabilidade ao cotidiano das pessoas e das comunidades ao longo da vida.

A partir da avaliação dessas definições, constamos que a expressão que
predomina para a tradução do termo information literacy para a língua portuguesa é
competência em informação. A partir da compreensão dessa definição passamos a voltar
nossas atividades para habilitar os usuários para aprendizagem contínua, mas independente.
Percebe-se a necessidade de estabelecer políticas de treinamento que saiam do modo
tradicional, mas que possam proporcionar os usuários a partir da identificação de seus
problemas, encontrar na biblioteca as informações indispensáveis para a resolução de seus
problemas.
Percebe-se ainda, que essa tarefa, terá que ser realizada em conjunto com o
corpo docente da instituição, para isso o bibliotecário deverá se inserir no processo
pedagógico das instituições, agindo verdadeiramente como educador.

3 BIBLIOTECÁRIO EDUCADOR

Na área educacional define-se competência como um ato de mobilizar uma série
de recursos cognitivos como o saber, as habilidades e competências, para a solução de
situações complexas de forma pertinente e eficaz. Com isso, para que o desenvolvimento
dessas competências se dê de forma concreta, e os usuários possam estar aptos para
enfrentar a sociedade, tendo como base o conhecimento adquirido é importante que ele
tenha conhecimento dos mecanismos de buscas para acesso e uso da informação nas mais
diversas fontes impressas ou em meio eletrônico.
Dessa forma após reflexão sobre as práticas e prioridades, o bibliotecário deve ter
claro que é indispensável que mantenha uma boa relação com a comunidade educacional,
passando a adotar uma atitude mais ativa e responsável, ou seja, além de realizar todos os
procedimentos técnicos, ele precisa tornar-se o elo entre a informação e o usuário. Nesse

�7
sentido, suas habilidades no uso das fontes e tecnologias de informação são de suma
importância.
Belluzzo apud Guedes (2005, p.3), afirma que:
uma prática de ensino, para incluir a leitura e a discussão, exige transformações na
escola, mudando a cena, alterando a sala de aula, mudando o papel do professor de
mero transferidor de conteúdo, incrementado a biblioteca incentivando todas as
formas de acesso à informação registrada e a produção de novas informações.

Nesse aspecto, toda a comunidade terá que passar por mudanças, haja vista, as
bibliotecas em sua maioria estarem fora do processo de planejamento pedagógico, no
entanto a mudança terá que partir do bibliotecário, ele que deverá buscar a sua inserção na
comunidade, fixando-se como o mediador entre o usuário e a informação necessária para
formação de indivíduos reflexivos e críticos, capazes de absorver informações e transformálas em novos conhecimentos.
Para Dudziak (2001), ao se considerar o bibliotecário como mediador dos
processos de busca da informação, este tem a consciência que a construção do
conhecimento é resultado de um processo que se inicia na busca de informações bem como,
no processo dessa busca para a satisfação das necessidades e resolução de problemas dos
usurários.
Dessa forma, emerge a necessidade de ampliação do papel das bibliotecas, estas
devem sair do papel de repositórias e guardiãs das fontes de informação para transforma-se
em organizações que estão constantemente aprendendo e espaço de expressão criando
oportunidades para o aprendizado a partir da habilidade para lidar com informação.
Nesse sentido o bibliotecário passa a ser visto como mediador educacional,
quando há um direcionamento e uma interação do aprendizado, onde a experiência
ultrapassa a situação de aprendizagem, alcançando a vida do aprendiz.
Assim o bibliotecário educador além de conhecer sua área de atuação deve
considerar a dimensão didático-pedagógica, como também, o projeto educacional da
instituição/comunidade na qual está inserido. Devendo também se adaptar à nova realidade
educacional e tecnológica, para que a partir dessas competências possam aplicar a
information literacy.

�8

4 TREINAMENTO DO USUÁRIO PARA INFORMATION LITERACY

Entendendo a Information Literacy como uma habilidade para aprender a aprender
e que se bem consolidada acompanha o indivíduo ao longo de sua vida, a biblioteca do
complexo CELM/Faculdade União Americana elaborou uma política de treinamento de
usuários voltada principalmente para a construção de um conhecimento permanente.
O treinamento de usuário, no entanto para ser eficaz, necessariamente precisa ser
motivante, estimulante, especialmente porque muitos ainda vêem a biblioteca como um
ambiente sem vida. No entanto, a biblioteca vive e nela pulsa todas as informações que em
nosso caso alunos e professores necessitam para consolidação de seus conhecimentos,
suas pesquisas, suas produções.
Então, de que maneira podemos habilitar os nossos usuários/clientes, para o auto
-atendimento? É a partir desse questionamento e da conscientização de toda a equipe
envolvida que se pensou um treinamento atraente e dinâmico.
O treinamento elaborado consiste em 3 (três) módulos:
1  Visita programada - É feita uma apresentação geral da biblioteca, seus
setores (Guarda-volumes, check-out, circulação/balcão de atendimento, salas de estudo em
grupo/individual, sala de pesquisas virtuais, referência, etc.). São destacados pontos
importantes quanto ao funcionamento, seu regimento, normas de conservação e preservação
do acervo, de relacionamento entre os diversos usuários (educação infantil à graduação) e
entre usuários e funcionários, e de forma mais detalhada as questões relacionadas ao
tratamento dado a coleção e os serviços oferecidos. Nas estantes é o momento onde há um
detalhamento maior especialmente quanto à ordenação do acervo nas estantes. É explicado
minuciosamente o número de chamada (CDU + Cutter + Ano). Marca-se a segunda visita.
2  Treinamento no catálogo  Inicia-se o treinamento, solicitando que a turma
explique a disposição do acervo, bem como nº de chamada. Se forem percebidas dúvidas, o
assunto é retomado, para só então iniciarmos o 2 módulo do treinamento que consiste

�9
basicamente em apresentar os catálogos impresso e on-line. Impresso dividido em autor,
título e assunto. O catálogo on-line possibilita além desses a consulta por nº de chamada,
editora, ISBN, código de barras, entre outros. Faz-se uma demonstração e em seguida
divide-se a turma em grupos dando um tema para ser pesquisado, bem como localizado nas
estantes. Os grupos deverão fazer uma lista dos documentos encontrados.
3  Pesquisa on-line  Primeiramente é feito o levantamento de dúvidas da visita
anterior. Em seguida explicam-se os operadores boleanos, apresenta-se alguns motores de
busca como google e altavista, os portais Ibict, periódicos capes, scielo entre outros. Ao final
da explicação solicita-se que os usuários retomem a pesquisa anterior, complementando a
lista.
Os

resultados

obtidos

com

o

treinamento

são

bastante

satisfatórios,

especialmente quando conseguimos distinguir facilmente entre os usuários, aqueles que
participaram do treinamento dos que não o fizeram. Eles ficam mais livres, mais à vontade
haja vista terem uma visão geral do acervo, ou seja, que tipo de informação está disponível
na biblioteca, o que facilita a pesquisa e recuperação da informação em tempo hábil. Eles
ficam ainda mais seguros quanto ao resultado da busca.
A verdadeira mediação educacional ocorre quando o bibliotecário convence o
aprendiz de sua própria competência, incutindo-lhe autoconfiança para
continuar o aprendizado, transformando-o em um aprendiz autônomo e
independente. (DUDZIAK, 2003, p. )

Essa mediação traz outro fator positivo para a relação bibliotecário/usuário,
aumenta a relação de respeito, uma vez que o usuário passa a ver o trabalho do bibliotecário
com outros olhos, ele deixa de ser organizador de livros em estantes para ser um educador,
o mediador entre ele e a informação havendo, portanto uma valorização do seu serviço.

5 CONCLUSÃO

A partir do entendimento do que seja

information literacy,

bem como da

conscientização de que o bibliotecário é acima de tudo um educador, verificou-se a

�10
necessidade de mudança nas atitudes profissionais desse profissional no âmbito
educacional, em que ele precisa assumir uma postura pro-ativa, adepta as novas tecnologias
de informação e comunicação, e que saia do espaço físico da biblioteca, buscando inserir-se
nos planejamentos das escolas,

para que possa de fato habilitar seus usuários para a

competência em informação e, portanto capazes de estabelecer

estratégias de busca,

acesso e recuperação da informação, o que os levará a um melhor uso dos recursos
oferecidos pela biblioteca em seu formato impresso bem como pelos diversos portais e
motores de busca disponíveis para toda a comunidade e em especial aqueles envolvidos em
iniciação científica.
Na biblioteca do Complexo Educacional CELM/Faculdade União americana, houve
uma perceptível mudança de comportamento dos usuários após a aplicação da nova
modalidade de visita programada, baseada principalmente na capacitação para localização e
recuperação da informação, seja impressa organizada em seu espaço físico, ou virtual via
tecnologias de informação e comunicação.
Ressaltamos que esse treinamento é um projeto piloto, e que só foi possível a
aplicação após a sensibilização do corpo docente que viabilizou a vinda das turmas para a
Biblioteca, transferindo suas aulas para esse treinamento, passando a biblioteca desse
momento a fazer parte do planejamento de aulas, se inserindo, portanto, mesmo que de
forma tímida, no projeto educacional da Instituição. Esse foi um ganho indiscutível.
Com essa nova postura exigida pela sociedade da informação/conhecimento a
biblioteca e bibliotecários cumprem seu papel, que ultrapassa o reunir e organizar, sendo
fundamental a recuperação e disseminação da informação, trabalhando para que esta possa
se transformar em novos conhecimentos, que transformar-se-ão novamente em informação.
fechando dessa forma o círculo de desenvolvimento do conhecimento do homem e da
sociedade no qual está inserido

ABSTRACT
EDUCATION FOR INFORMATION ACCESS

�11
This work deals with Information Literacy as a mean for the establishment of user education
policy. This enables this public to acquire and develop the necessary abilities for the
adequate use of information units. This also makes an acquirement of conscious of their
information needs and assessment in all kinds of supports, virtual or physical. The research
also emphasizes that the role of libraries and librarians goes beyond collecting and
organizing. They have a fundamental role in the process of retrieval and dissemination of
information, making it possible to transform information into knowledge, ending the gap in
knowledge development present in the society in which man is part of.
Key Words: Information Literacy. User Education. Information Access.

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Biblioteconomia  UFRN.
HATSCHBACH, M. H. de L. Information literacy: aspectos conceituais e iniciativas em
ambiente digital para o estudante de nível superior. Rio de Janeiro, 2002. 108f. Dissertação
(Mestrado em Ciência da Informação). UFRJ/ECO-MCT/IBICT, 2002.

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Aborda a information literacy, como meio de estabelecer políticas de treinamento de usuários, para que estes adquiram/desenvolvam as habilidades necessárias para o uso adequado das unidades de informação e consigam a partir de uma consciência de suas necessidades informacionais, acessa-las nos mais diversos suportes, sejam eles físicos ou virtuais. Enfatiza que o papel das bibliotecas e dos bibliotecários ultrapassa o reunir e organizar, sendo fundamental a recuperação e disseminação da informação, para que esta possa se transformar em novos conhecimentos. Conclui afirmando que estes novos conhecimentos, uma vez transformados em novas informações, fecham o círculo de desenvolvimento do conhecimento do homem e da sociedade no qual está inserido.</text>
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                    <text>EMPRESTIMO ENTRE BIBLIOTECAS:
AMPLIANDO O ACERVO DAS BIBLIOTECAS DA REDE UNESP

Maria Ferraz Souto1

1

Universidade Estadual Paulista - UNESP - Coordenadoria Geral de

Bibliotecas/Reitoria - mferraz@reitoria.unesp.br

Alameda Santos, 647 – 10º andar
São Paulo – SP - BRASIL
CEP 01419-901

�RESUMO: O Empréstimo entre Bibliotecas é um mecanismo que busca ampliar o
acervo das bibliotecas envolvidas numa rede. Quando da implantação do
Empréstimo Entre Bibliotecas do Consórcio CRUESP, o maior dificultador era a
localização da obra a ser solicitada, hoje os três sistemas de Bibliotecas das
universidades paulistas estão com os seus bancos de dados bibliográficos
implantados, o que facilita a busca. Com o objetivo de apontar que o acervo é
constantemente ampliado nas Bibliotecas da Rede UNESP com o uso do
Empréstimo Entre Bibliotecas - EEB INTER-UNESP e EEB EXTRA-UNESP,
independente da localização onde está depositado o material, foi realizada
avaliação da ampliação do acervo da rede UNESP tendo como base a estatística
de empréstimo dos últimos 5 anos. Os resultados obtidos revelam que o aumento
do Empréstimo Entre Bibliotecas aponta para duas necessidades: aumento de
verba para aquisição de livros para biblioteca e disponibilização de formulário
online para solicitação do Empréstimo entre Bibliotecas com a finalidade de
agilizar o serviço.
Palavras-chave: empréstimo; ampliação; acervo

1 – INTRODUÇÃO
A Universidade Estadual Paulista-UNESP, criada pela lei Estadual nº 952 de
30/01/1976, resultado da reunião dos Institutos Isolados de Ensino Superior do
Estado de São Paulo, que se tornaram então unidades universitárias situadas em
diferentes cidades do interior paulista. Abrangendo as diversas áreas do
conhecimento.
Uma das suas grandes realizações é a disseminação do ensino superior de alta
qualidade por todo o interior do Estado de São Paulo, respeitando-se as
características específicas de cada região e provendo-as de mão de obra
especializada.
Atualmente o seu quadro é composto de 4.690 professores, 31.171 alunos
matriculados nos 166 cursos de graduação e 9.620 nos 104 programas de pós-

2

�graduação recomendados, ministrados nas diferentes áreas do conhecimento e
9.189 técnicos administrativos.

A Rede de Bibliotecas UNESP, é composta por 29 Bibliotecas distribuídas em
suas 20 Unidades Universitárias, 7 Unidades Experimentais e 2 Unidades
complementares, dispersas geograficamente em 23 diferentes cidades do
Estado.

A Coordenadoria Geral de Bibliotecas tem como atribuições: coordenar o
desenvolvimento das atividades da rede de Bibliotecas da UNESP, criando
condições para seu funcionamento sistêmico, mediante assessoramento do
Fórum deliberativo dos Diretores de Biblioteca e Presidentes de Comissão de
Biblioteca e Coordenação; servir de apoio aos programas desenvolvidos na
Universidade, proporcionando colaboração técnico por meio da Rede de
Bibliotecas; propor políticas compatíveis com o planejamento estratégico que
atendam às necessidades informacionais da Universidade e estabelecer
diretrizes, normas e procedimentos para a Rede de Bibliotecas.

3

�A UNESP atua de modo contínuo no desenvolvimento e promoção da ciência e
da cultura através do ensino e da pesquisa, formando recursos humanos para o
exercício da investigação artística, científica e humanística, além de investir na
extensão de serviços à comunidade.
O fato de ser geograficamente distribuída pelo interior do Estado de São Paulo
colabora positivamente no que se refere à formação de profissionais, prestação
de serviços à comunidade e no campo das pesquisas cientificas, suprindo as
deficiências de cada região, mas isto traz problemas de altos custos
orçamentários para a Universidade devido a distância da localização física das
Unidades.
A Coordenadoria Geral de Bibliotecas participa ativamente deste processo de
desenvolvimento desde a criação da Biblioteca Central, com sede em Marilia,
criada em 1977.
Em 1989, a Resolução UNESP nº 50, fixa uma nova estrutura administrativa para
a Reitoria, na qual a Biblioteca Central passa a denominar-se Coordenadoria
Geral de Bibliotecas - CGB com sede na Reitoria, tendo reformulado a sua
estrutura e atribuições.
A permuta da informação ocupa um papel importante entre as Bibliotecas, pois
estas não podem garantir sozinhas as necessidades dos seus usuários.
Reconhecendo

as

limitações

orçamentárias

com

as

quais

vivem

hoje

principalmente as Instituições publicas de ensino e todas as dificuldades de
ordem econômica impostas pelo crescimento acelerado da informação, na
manutenção de uma coleção completa e atualizada, as bibliotecas têm utilizado
sistemas cooperativos para troca de informações e documentos.

A informação é recurso básico e significa todo o conhecimento científico,
tecnológico e cultural, registrado em qualquer forma que viabiliza a transferência
de conhecimento, através dos diferentes canais de comunicação. Com isso, as

4

�bibliotecas, como instituições sociais, têm o compromisso de promover a
organização e o pleno uso da informação.
2 - OBJETIVOS
- Objetivo Geral
- Aumento de verba para aquisição de livros para as bibliotecas da Rede UNESP
- Objetivo Especifico
- Disponibilização de formulário online para solicitação do Empréstimo entre
Bibliotecas com a finalidade de agilizar o serviço
3 - JUSTIFICATIVA
No século XIX, as bibliotecas tinham como principal objetivo o atendimento das
necessidades de seus usuários, proporcionando aos usuários o acesso a
informação.

Hoje existem muitas canais pelos quais as bibliotecas oferecem

seus serviços, o desafio está em determinar como e quando usar estes serviços.
O grande volume de produção cientifica gerada no mundo contemporâneo, a
escassez de verbas, a impossibilidade de se possuir todo o material bibliográfico
publicado não permitem que as Bibliotecas atuais sejam auto-sufiicientes. Tais
fatores, somados à crescente demanda de informação impeliram as Bibliotecas a
passarem de um estágio estático, essencialmente armazenador, para um estágio
dinâmico que atendesse de forma eficaz às necessidades informacionais de seus
usuários.
O empréstimo entre bibliotecas, para esta nova biblioteca, constitui-se em uma
modalidade de serviço imprescindível e eficiente para a satisfação dos usuários
da biblioteca.
O empréstimo entre bibliotecas é um direito do usuário, independente do material
solicitado não existir em sua biblioteca, é obrigação da biblioteca localizar e fazer
chegar a este usuário o material solicitado.

5

�O empréstimo entre bibliotecas, tem um papel importante dentro da biblioteca,
devemos lembrar que nenhuma instituição é auto suficiente, portanto uma
biblioteca não tem como atender seus usuários sem buscar outros recursos, ou
seja recorrer a outros acervos para atender o seu usuário.
No início do funcionamento do empréstimo entre bibliotecas, o maior dificultador
era como obter a localização das obras solicitadas pelos usuários, hoje dentro da
Rede de Bibliotecas UNESP este problema está solucionado. Com a implantação
do Banco Bibliográfico ATHENA da UNESP, suas bibliotecas localizam
rapidamente a depositária da obra desejada.
Com respeito ao empréstimo extra-unesp, entre as Bibliotecas da USP e a
UNICAMP, o problema também foi solucionado com a implantação do DEDALUS
e ACERVUS, respectivamente Bancos Bibliográficos da USP e UNICAMP.
O processo de empréstimo entre bibliotecas, Inter-Unesp e Extra-Unesp ainda é
muito moroso, não existe um mecanismo online para solicitação das obras entre
as bibliotecas.

O empréstimo entre bibliotecas Extra-Unesp, circula via malote entre as três
Universidades, às terças e quintas-feiras os malotes são levados pela Unesp para
o SIBi-USP e para o escritório da UNICAMP instalado em São Paulo.

A Coordenadoria Geral de Bibliotecas centraliza as atividades que envolvem o
empréstimo Extra-Unesp, evitando assim, extravios de obras.

Já para o empréstimo entre bibliotecas Inter-Unesp, também tramita pelo malote,
mas sem centralizar na Coordenadoria Geral de Bibliotecas.

4 – RESULTADOS

6

�Utilizamos os dados estatísticos de 2001-2005 para fazermos a analise
quantitativa das solicitações de empréstimo entre as bibliotecas da Rede Unesp
e do empréstimo entre Bibliotecas – Extra-Unesp.
Com o resultado da análise pudemos observar que, as Bibliotecas da área de
Humanas são as que mais solicitam empréstimos de obras, seguida pelas
bibliotecas da Área de Exatas, ficando as bibliotecas da Área de Biológicas com o
menor numero de bibliotecas solicitantes, isto aponta para a necessidade de
ampliação de acervo para atender as necessidades dos usuários, isto ocorre
tanto no EEB Extra-Unesp como Inter-Unesp.
Nos quadros abaixo, representamos quantativamente o número de empréstimos
efetuados entre as bibliotecas da Unesp (Quadro 1 e Quadro 2 ) e empréstimos
extra-Unesp (Quadro 3 e Quadro 4) com os percentuais para cada uma.

Quadro 1 – Empréstimo entre Bibliotecas – Solicitante - Inter-Unesp
SOLICITANTE
UNIDADE
Araçatuba
Araraquara FCF
Araraquara FCL
Araraquara-FO
Araraquara-IQ
Assis
Bauru (FAAC/FC/FE)
Botucatu (IB/FM/FMVZ)
Botucatu-FCA
Dracena
Franca
Guaratinguetá
Ilha Solteira
Itapeva
Jaboticabal
Marilia
Ourinhos
Pres. Prudente
Registro
Rio Claro
Rosana
São José dos Campos
São José do Rio Preto
São Paulo -IA

200
1
53
145
240
110
215
325
476
157
116
235
58
113
112
269
171
548
49
409
55

2002 2003 2004 2005
70
60
57
32
169
152
192
136
262
67
41
53
26
172
136
66
106
220
256
395
631 1267 381
477
214
273
312
209
102
226
210
168
228
267
354
537
75
159
164
154
116
209
214
81
24
55
122
322
97
566
176
219
598
481
58
422
261
464
482
308
100
151
73
69
402
839
421
16
63
92

TOTA
L

%

272
794
569
230
695
1196
3232
1165
822
228
1393
610
733
24
289
1430
0
1469
58
2177
308
442
2071
226

1,31
3,83
2,75
1,11
3,35
5,77
15,59
5,62
3,97
1,10
6,72
2,94
3,54
0,12
1,39
6,90
0,00
7,09
0,28
10,50
1,49
2,13
9,99
1,09

7

�São Vicente
Sorocaba/Iperó
Tupã

385
TOTAL 6

-

29
-

-

113
151
0

3834 4643 2058 6335

142
151
0

0,69
0,73
0,00

20726

Quadro 2 – Empréstimo entre Bibliotecas – Fornecedora - Inter-Unesp
UNIDADE

2001
Araçatuba
34
84
Araraquara FCF
531
Araraquara FCL
22
Araraquara-FO
Araraquara-IQ
62
Assis
261
Bauru (FAAC/FC/FE)
166
114
Botucatu (IB/FM/FMVZ)
2159
Botucatu-FCA
Dracena
377
Franca
Guaratinguetá
90
84
Ilha Solteira
Itapeva
114
Jaboticabal
199
Marilia
Ourinhos
282
Pres. Prudente
Registro
259
Rio Claro
Rosana
São José dos Campos
38
253
São José do Rio Preto
São Paulo -IA
56
São Vicente
Sorocaba/Iperó
Tupã
TOTAL 5185

FORNECEDORA
2002 2003 2004
42
52
52
65
103
76
523
25
38
84
42
64
391
436
195
375
321
237
174
180
76
115
943
422
440
68
192
123
116
138
195
92
238
211
155
236
297
331
364
292
42
77
34
336
247
20
83
12
3514 3300 2556

2005
43
69
1077
21
36
444
462
200
131
0
457
151
202
211
476
513
5
427
5
31
271
288
131
4
0
5655

TOTA
%
L
223
1,10
397
1,96
2131 10,54
106
0,52
288
1,43
1532
7,58
1519
7,52
905
4,48
3424 16,94
0
0,00
1696
8,39
624
3,09
735
3,64
0
0,00
417
2,06
1279
6,33
0
0,00
1328
6,57
5
0,02
1673
8,28
5
0,02
222
1,10
1107
5,48
447
2,21
143
0,71
4
0,02
0
0,00
20210

8

�Quadro 3 – Empréstimo entre Bibliotecas – Solicitante - Extra-Unesp
UNIDADE

2001
Araçatuba
73
37
Araraquara FCF
339
Araraquara FCL
42
Araraquara-FO
Araraquara-IQ
48
Assis
180
Bauru (FAAC/FC/FE)
371
224
Botucatu (IB/FM/FMVZ)
283
Botucatu-FCA
Dracena
79
Franca
Guaratinguetá
82
137
Ilha Solteira
Itapeva
53
Jaboticabal
296
Marilia
Ourinhos
105
Pres. Prudente
Registro
293
Rio Claro
Rosana
São José dos Campos
26
223
São José do Rio Preto
São Paulo -IA
4
São Vicente
Sorocaba/Iperó
Tupã
TOTAL 2895

SOLICITANTE
2002 2003 2004
40
50
61
61
35
15
241
38
16
24
31
67
51
202
298
593
137
133
105
105
143
109
6
313
66
100
166
104
4
193
56
314
278
94
27
445
612
196
6
54
248
182
9
12
2796 1980 1264

2005
24
19
380
21
44
213
111
86
80
23
202
117
137
14
60
368
109
6
537
28
71
198
15
31
23
0
2917

TOTA
%
L
248
2,09
167
1,41
960
8,10
141
1,19
241
2,03
893
7,53
1075 9,07
685
5,78
720
6,07
23
0,19
600
5,06
531
4,48
575
4,85
14
0,12
169
1,43
1256 10,60
0
0,00
335
2,83
6
0,05
2083 17,58
28
0,24
157
1,32
851
7,18
40
0,34
31
0,26
23
0,19
0
0,00
11852

9

�Quadro 4 – Empréstimo entre Bibliotecas – Fornecedora - Extra-Unesp
UNIDADE
Araçatuba
Araraquara FCF
Araraquara FCL
Araraquara-FO
Araraquara-IQ
Assis
Bauru (FAAC/FC/FE)
Botucatu (IB/FM/FMVZ)
Botucatu-FCA
Dracena
Franca
Guaratinguetá
Ilha Solteira
Itapeva
Jaboticabal
Marilia
Ourinhos
Pres. Prudente
Registro
Rio Claro
Rosana
São José dos Campos
São José do Rio Preto
São Paulo -IA
São Vicente
Sorocaba/Iperó
Tupã
TOTAL

2001
16
17
14
5
15
3
15
7
6
11
13
9
2
72
3
10
218

FORNECEDORA
200
2002
3
2004
30
25
29
14
6
13
18
15
57
7
21
15
15
28
10
32
41
39
9
17
18
193
28
46
85
111
6
2
33
37
25
7
23
147 137
51
4
15
30
5
0
29
652 464 357

2005
17
4
67
7
24
28
110
37
12
0
18
137
40
25
32
43
0
126
0
6
27
30
3
0
0
793

TOTAL

%

117
24
97
111
72
86
123
164
63
0
239
385
59
0
71
103
0
75
0
533
0
13
82
35
32
0
0
2484

4,71
0,966
3,905
4,469
2,899
3,462
4,952
6,602
2,536
0
9,622
15,5
2,375
0
2,858
4,147
0
3,019
0
21,46
0
0,523
3,301
1,409
1,288
0
0

Representamos no quadro 5 o acervo de livros da Unesp, divididos entre as suas
29 bibliotecas. Apesar de ser um acervo bastante expressivo, o volume de
empréstimo que é solicitado mostra que existe a necessidade de ampliação do
acervo.

10

�Quadro – 5 – Acervo das Bibliotecas da Unesp
PERIÓDICOS
UNIDADES
Araçatuba-FO
Araraquara-FCL
Araraquara-FCF
Araraquara-FO
Araraquara-IQ
Assis-FCL
Bauru-FAAC/FC/FET
BotucatuFM/FMVZ/IB
Franca-FHDSS
Guaratinguetá-FE
Ilha Solteira-FE
Jaboticabal-FCAV
Marília-FFC
Pres.Prudente - FCT
Rio Claro-IB/IGCE
S.J.Campos-FO
S.J.Rio Preto-IBILCE
São Paulo - IA
Bauru - IPMet
Botucatu - FCA
São Vicente-CLP
IFT-SP
Total

LIVROS
Títulos
10.370 1.165
81.854 3.411
8.562 1.638
7.678
165
11.438
327
78.120 1.657
59.799
432
26.975
70.384
22.113
25.219
30.357
76.550
79.199
54.239
8.001
77.648
15.575
499
10.920
7.703
15.915
779.118

4.835
1.847
524
721
1.665
2.334
3.406
4.455
340
1.903
785
34
1.639

MATERIAL ESPECIAL

FascíParti- CDS
culos
Vídeos turas Mus. Teses Outros
50.512
1 1.398
5
80.314
830
214 2.744 1.735
71.665
724
28.674
25
1.390
89.322
78
959 1.573
60.379
285
321 2.046
864
17.344
44
1.320 2.330
286.929
35.978
42.984
44.832
138.663
74.401
101.905
172.609
22.677
102.697
14.375
2.972
92.536

49
40.542
33.332 1.572.310

34
132
77
141
26
1.483
382

15
16
9
150
209

467
535
178 8.880 3.699
349
61
4.592 8.880 5.169

2.524
496
2.071 1.682
570
320
1.638
856
7.888 4.888
1.790 2.283
2.552 12.440
6.635 6.951
1.395
343
1.454 1.671
628 5.804
11
433
2.668
591
137
168
472
40
43.014 45.473

Com intuito de agilizar o recebimento da obra pela biblioteca solicitante, ou ainda
a devolução para a fornecedora apresentamos também neste trabalho a
necessidade de viabilizar on-line, o formulário de solicitação de empréstimo.
Para o EEB extra-unesp, que é centralizado na Coordenadoria Geral de
Bibliotecas-CGB, as bibliotecas, tanto solicitante como fornecedora encaminham
para o

e-mail dos responsáveis pelo serviço a planilha preenchida, estes

imprimem e encaminham para a USP e

UNICAMP para a realização do

empréstimo, este processo torna o serviço muito lento, fazendo com que o
usuário receba o livro praticamente no dia de fazer a devolução da obra.

11

�Com a implantação da solicitação online, ficará disponível na homepage das três
universidades a planilha para preenchimento e envio.
Quadro 6 – Planilha de EEB
UNESP
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
EMPRÉSTIMO ENTRE BIBLIOTECAS
BIBLIOTECA FORNECEDORA
AUTOR:
TÍTULO:
NOME DO BIBLIOTECARIO:
PEDIDO POR:
BIBLIOTECA FORNECEDORA
DATA DO PEDIDO:
DATA DO ENVIO:
PRAZO PARA DEVOLUÇÃO:
VISTO DO BIBLIOTECÁRIO:

PEDIDO Nº

BIBLIOTECA
SOLICITANTE

TOMBO N

Nº do CRB:
CATEGORIA: ( ) Graduação ( )
P.Graduação ( ) Docente ( ) Funcionário
( ) Usuário Externo ( ) Outros
BIBLIOTECA SOLICITANTE
RECEBIMENTO DO MATERIAL EM:
VISTO DO BIBLIOTECÁRIO:
DEVOLUÇÃO DO MATERIAL EM:

EMPRÉSTIMO PRORROGADO ATÉ:
RECEBIMENTO DO MATERIAL EM
DEVOLUÇÃO
DATA:
VISTO DO BIBLIOTECÁRIO

VISTO DO BIBLIOTECÁRIO:
OBS.:

4 - CONCLUSÃO
Ao analisarmos a estatística dos últimos 5 anos, tanto para o Empréstimo entre
Bibliotecas Extra-Unesp como o Inter-Unesp, do pondo de vista da UNESP,
pudemos perceber que as Bibliotecas precisam ampliar seus acervos de livros.
A morosidade do funcionamento do EEB, principalmente para as Bibliotecas da
UNESP que devido à sua dispersão geográfica recebe o obra às vezes na data
da devolução, tendo muitas vezes que solicitar prorrogação à fornecedora,
comprometendo assim o atendimento aos seus próprios usuários, será
solucionada com a implantação on-line do formulário de solicitação,

12

�REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

COORDENADORIA GERAL DE BIBLIOTECAS. Universidade Estadual Paulista.
[on-line] Disponível na Internet: http://www.cgb.unesp.br
.
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA. [on-line] Disponível na Internet:
http://www.unesp.br

GOMES, E., ALENCAR, M.C. Índice de produção ponderado de atividades de
bibliotecas: uma abordagem multicriterial. {on line} Disponível na Internet:
http://www.scielo.br/scielo.
PLANO DE GESTÃO DE QUALIDADE DA REDE DE BIBLIOTECAS DA UNESP.
In: Programa de Gestão 1997-2000.
RELATÓRIO ANUAL DE ATIVIDADES DA REDE DE BIBLIOTECAS DA UNESP.
Coordenadoria Geral de Bibliotecas da Universidade Estadual Paulista. 2005

13

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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              <description>A language of the resource</description>
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                  <text>Português</text>
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              <name>Coverage</name>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <name>Title</name>
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                <text>Empréstimo entre bibliotecas: ampliando o acervo das Bibliotecas da Rede UNESP.</text>
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            <name>Creator</name>
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                <text>O Empréstimo entre Bibliotecas é um mecanismo que busca ampliar o acervo das bibliotecas envolvidas numa rede. Quando da implantação do Empréstimo Entre Bibliotecas do Consórcio CRUESP, o maior dificultador era a localização da obra a ser solicitada, hoje os três sistemas de Bibliotecas das universidades paulistas estão com os seus bancos de dados bibliográficos implantados, o que facilita a busca. Com o objetivo de apontar que o acervo é constantemente ampliado nas Bibliotecas da Rede UNESP com o uso do Empréstimo Entre Bibliotecas - EEB INTER-UNESP e EEB EXTRA-UNESP, independente da localização onde está depositado o material, foi realizada avaliação da ampliação do acervo da rede UNESP tendo como base a estatística de empréstimo dos últimos 5 anos. Os resultados obtidos revelam que o aumento do Empréstimo Entre Bibliotecas aponta para duas necessidades: aumento de verba para aquisição de livros para biblioteca e disponibilização de formulário online para solicitação do Empréstimo entre Bibliotecas com a finalidade de agilizar o serviço.</text>
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                    <text>ENSINANDO MARC21 A DISTÂNCIA : A EXPERIÊNCIA DA DIVISÃO DE
BIBLIOTECAS E DOCUMENTAÇÃO DA PUC-RIO

Ana Maria Neves Maranhão
Divisão de Bibliotecas e Documentação da – PUC-Rio
Rua Marques de São Vicente, 225 – Gávea
22453-900 – Rio de Janeiro – RJ – Brasil
anamaria@dbd.puc-rio.br
Maria de Lourdes dos S. Mendonça
Divisão de Bibliotecas e Documentação da – PUC-Rio
Rua Marques de São Vicente, 225 – Gávea
22453-900 – Rio de Janeiro – RJ – Brasil
lourdes@dbd.puc-rio.br

RESUMO
O surgimento de novas tecnologias de informação e comunicação possibilitou a
criação e o incremento de novos meios, ambientes, para a formação e a
educação continuada de profissionais, independente de aspectos temporais e/ou
geográficos. Neste âmbito, é relatada a experiência da Divisão de Bibliotecas e
Documentação (DBD), da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
(PUC-Rio), na elaboração e desenvolvimento, em parceria com a Coordenação
Central de Educação a Distância (CCEAD) da Universidade, de um curso de
extensão, totalmente à distância, abordando o formato de catalogação MARC21.
São apresentadas a ferramenta utilizada – AulaNet, as etapas do
desenvolvimento, os processos de adaptação, a constante atualização do
conteúdo e a experiência vivenciada pelos profissionais e alunos. A experiência
da Divisão de Bibliotecas e Documentação na oferta do curso a distância tem se
mostrado positiva não só para a formação de profissionais aptos a utilizar o
formato MARC21, como também no desenvolvimento de competências
tecnológicas.

PALAVRAS-CHAVE: educação a distância; MARC21; formação continuada;
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

�INTRODUÇÃO

A educação a distância não é um fenômeno novo ou recém-criado na área da
Educação, apesar de, muitas vezes, ter-se a impressão de estarmos diante de
uma novidade. Talvez, devido ao surgimento e a constante incorporação de novas
tecnologias de informação e comunicação, reavivando as práticas de educação a
distância (EAD).

Landim (1997) apresenta um panorama histórico, iniciando em 1728, quando
aparece em um anúncio, no periódico Gazeta de Boston, o seguinte texto:
“material para ensino e tutoria por correspondência” e poderíamos, hoje, finalizar
este panorama com a oferta de cursos de graduação e pós-graduação, através da
Internet, totalmente a distância.

Segundo Farias (2001), no Brasil, a educação a distância surgiu em 1939, com a
criação do Instituto Rádio Monitor, seguida de experiências do Instituto Universal
Brasileiro, a partir de 1941. Na década de 50, outras instituições motivadas pela
demonstração do saber e levando em consideração as dimensões continentais do
Brasil, passaram a adotar a educação a distância através da metodologia do
ensino por correspondência.

Novas tecnologias de comunicação e informação foram sendo acolhidas e
adaptadas, segundo Rumble (1996 apud FARIAS, 2001) verifica-se “quatro
gerações de tecnologia: a primeira, desenvolvida a partir de 1840, baseada em
texto escrito; a segunda, a partir de 1950, utilizando a televisão e o áudio; a
terceira, entre 1960-70, incorporando as tecnologias das duas primeiras gerações,
produzindo um sistema de multimeios; e, finalmente, a quarta, a que hoje se
presencia, desenvolvendo sistemas de comunicação mediados pelo computador,
como correio eletrônico e fórum de discussões, por exemplo.”

No quadro atual, a educação a distância vem de encontro a uma série de
necessidades e urgências em um mundo globalizado e fortemente centrado na
informação e no conhecimento, na urgência da formação escolar, no imperativo

�da atualização permanente, na necessidade crescente de habilitações
específicas, além da impossibilidade de se situar uma sala de aula e todo seu
entorno pedagógico, profissional e financeiro em cada lugar onde muitos querem
e precisam aprender (LANDIM, 1997).

Como nos diz Belloni (2002), a educação a distância vem assumindo funções de
crescente importância, principalmente no ensino superior, tanto na formação
inicial, quanto na formação continuada, cuja demanda, segundo a autora, tende a
crescer de modo exponencial, em virtude da obsolescência acelerada da
tecnologia e do conhecimento. Para Belloni (2002), nas sociedades
contemporâneas, “do conhecimento” ou “da informação”, a formação inicial tornase rapidamente insuficiente e as tendências apontam para uma “educação ao
longo da vida” (lifelong education) integrada aos locais de trabalho e às
necessidades e expectativas dos indivíduos.

Por outro lado e paralelamente, as definições e conceituações de educação a
distância sofreram atualizações ao longo dos anos. Landim (1997) apresenta, de
forma cronológica, várias definições. Destacamos a primeira, de G. Dohmem, de
1967, e, em seguida, a de Lorezo García Aretio, de 1994:
“Educação a distância é uma forma sistematicamente organizada de autoestudo, onde o aluno se instrui a partir do material que lhe é apresentado;
onde o acompanhamento e a supervisão do sucesso do aluno são levados
a cabo por um grupo de professores. Isto é possível à distância, através da
aplicação de meios de comunicação capazes de vencer essa distância,
mesmo longa. O oposto de educação à distância é a educação direta ou
educação face a face: um tipo de educação que tem lugar com o contato
direto entre professores e alunos”
G. Dohmem

“O ensino a distância é um sistema tecnológico de comunicação
bidirecional, que pode ser massivo e que substitui a interação pessoal, na
sala de aula, de professor e aluno, como meio preferencial de ensino, pela
ação sistemática e conjunta de diversos recursos didáticos e pelo apoio de

�uma organização e tutoria que propiciam a aprendizagem independente e
flexível dos alunos.”
Lorenzo Garcia Aretio
A Coordenação Central de Educação a Distância (CCEAD) da Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) adota a definição apresentada
pelo Ministério da Educação, conforme encontramos no site da CCEAD:
“Segundo o MEC, “educação a distância é caracterizada por um processo
de ensino e aprendizagem realizado com mediação docente e a utilização
de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em
diferentes suportes tecnológicos de informação e comunicação, os quais
podem ser utilizados de forma isolada ou combinada, sem a freqüência
obrigatória e alunos e professores, nos termos do art. 47, parágrafo 3º. Da
LDB”.

É neste contexto que vem se desenvolvendo a experiência da Divisão de
Bibliotecas e Documentação (DBD), da PUC-Rio, na área de educação
continuada a distância para profissionais relacionados à Biblioteconomia.

A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NA PUC-Rio – CCEAD e AulaNet

Na PUC-Rio, a Coordenação Central de Educação a Distância – CCEAD, criada
em fevereiro de 1999, é responsável pelo planejamento, desenvolvimento, gestão,
implantação e manutenção dos projetos de educação a distância, em colaboração
com os diversos departamentos da Universidade.

Ao longo de muitos anos a PUC-Rio, com seus diversos Departamentos, vem
empreendendo esforços na realização de projetos de EAD, seja por meio do
desenvolvimento de produtos, serviços, ambientes, cursos, pesquisas e trabalhos
inovadores nessa área.

�A CCEAD apresenta entre seus principais objetivos:
o desenvolver programas de educação a distância desde a fase de
planejamento, produção de materiais, gestão e implementação;
o cooperar com os Departamentos da Universidade, no intuito de manter e
desenvolver a excelência acadêmica, criando oportunidades para o
crescimento de um trabalho a distância com as mesmas características de
qualidade encontradas nas práticas presenciais;
o promover projetos de pesquisa sobre novas formas e instrumentos para a
educação a distância.

Os cursos oferecidos permitem flexibilidade de horário em seu andamento, além
de privilegiarem a construção de documentos personalizados e modularidade da
informação, visando sempre um trabalho cooperativo – basta que o aluno tenha
acesso a um computador com Internet e possua um endereço eletrônico.

O laboratório de desenvolvimento da CCEAD conta com uma equipe
multidisciplinar, com grande experiência educacional e tecnológica, e envolvida
em projetos de pesquisa como – design didático para implementação de cursos a
distância, métodos de avaliação de aprendizagem em ambientes virtuais, entre
outros.

Em novembro de 2005, a Coordenação obteve credenciamento para cursos
superiores a distância e, em julho deste ano, em parceria com o Departamento de
Educação foi vencedora do edital da Secretaria de Educação a Distância (SEED)
do MEC para oferecimento do curso de especialização em Tecnologias em
Educação, para um público alvo de 1.400 professores da rede pública de ensino,
distribuídos pelos 27 estados do país.

A CCEAD utiliza o ambiente de software AulaNet, desenvolvido no Laboratório de
Engenharia de Software – LES, do Departamento de Informática, da PUC-Rio,
para administração, criação, manutenção e participação em cursos a distância; o
software vem sendo desenvolvido desde junho de 1997, é freeware e está
disponível nas versões em português, inglês e espanhol.

�O AulaNet se baseia nas relações de trabalho cooperativo através das interações
dos aprendizes com os professores, com os mediadores, com outros aprendizes e
com os conteúdos didáticos.

Os docentes assumem basicamente três papéis: coordenador do curso,
responsável por estruturar o curso, selecionando e configurando quais serviços
serão disponibilizados, definir a ementa, a metodologia e outras informações;
docente co-autor, responsável por produzir e inserir os conteúdos didáticos nos
serviços selecionados pelo coordenador; e o mediador, que é o facilitador do
grupo, responsável por manter a ordem e motivar os aprendizes.

No ambiente AulaNet são oferecidos vários mecanismos, entre eles os serviços
de comunicação, que fornecem facilidades para a troca e o envio de
informações: mensagem aos docentes – contato direto com o docente através
de e-mail; lista de discussão – utilizada para comunicação com toda a turma, as
mensagens são enviadas para a caixa de correio de toda a turma e fica
armazenada no ambiente; conferências – funciona no estilo de fórum, i.e., é
possível colocar mensagens respondendo, comentando ou criticando outra
mensagem; debate – conversa em tempo real através de chat textual; contato
com os participantes – permite que membros conectados simultaneamente
possam se comunicar através de novas janelas.

Existem, ainda, os módulos: tarefa – utilizado para designar atividades aos
aprendizes; plano de aulas – onde é estruturado os conteúdos didáticos,
separando-os em aulas; acompanhamento de participação – que possibilita a
quantificação e a qualificação das participações dos aprendizes; bibliografia –
com referências a livros-texto que podem ser utilizados como material de apoio ao
curso; webliografia – com links para páginas/sites externas ao ambiente;
documentação – com conteúdos que não estão associados a nenhuma aula e
servem como material extra para o curso.(Gerosa)

�A estrutura do AulaNet permite que docentes criem seu cursos sem dominarem
as tecnologias envolvidas e que normalmente não são da sua área de atuação;
desta forma o ambiente foi desenvolvido separando o conteúdo da navegação, e
deixando para os docentes a preocupação com a produção dos conteúdos
didáticos, utilizando suas ferramentas habituais como o editor de textos.

Foi utilizando esta ferramenta que a DBD criou o primeiro curso, totalmente a
distância, abordando o formato MARC21.

A CRIAÇÃO DO CURSO MARC 21 – FORMATO BIBLIOGRÁFICO

Até 1996, a DBD fazia parte da Rede BIBLIODATA/CALCO, da Fundação Getúlio
Vargas do Rio de Janeiro, e utilizava o SAB II, programa utilizado em
computadores de grande porte, para consulta local de seus dados bibliográficos.
O formato CALCO (CAtalogação Legível por COmputador) era baseado no
formato MARC II da Library of Congress, o formato padrão para o intercâmbio de
informação bibliográfica.

Em 1996, por necessidades técnicas operacionais, a DBD firma convênio com a
PUCPR para passar a utilizar e desenvolver o sistema informatizado para
gerenciamento de bibliotecas – Pergamum. Este sistema não utilizava, ainda,
nenhum formato padrão para descrição bibliográfica.

O MARC (MAchine Readable Cataloging) – registro de catalogação legível por
máquina, é um formato de descrição de dados bibliográficos, desenvolvido pela
Library of Congress (LC) dos Estados Unidos, na década de 1960, quando
começou a utilizar o computador para gerenciamento de seus serviços de
catalogação, denominado como LC MARC. O formato utiliza números, letras e
símbolos dentro do próprio registro bibliográfico, para indicar diferentes tipos de
informação. O formato LC MARC ou MARC II originou e evoluiu para o USMARC
Format for Bibliographic Data. Nos anos 90, a Biblioteca do Congresso Americano
e a Biblioteca Nacional do Canadá reuniram os formatos USMARC e o

�CAN/MARC , formando o MARC 21, tornando-se o padrão internacional com o
maior número de obras catalogadas (Furrie, 2003).
Uma das propostas da DBD para o desenvolvimento do Sistema Pergamum foi a
adoção do formato MARC sem adaptações. Tal decisão gerou o envolvimento da
equipe de profissionais de toda a DBD na tradução do USMARC Format for
Bibliographic Data. Foram traduzidos e definidos, inicialmente, todos os campos,
indicadores e subcampos para sua implementação no sistema.

Após a adoção do formato no software, verificou-se uma grande demanda por
parte dos usuários que não conheciam ou não dominavam a utilização do MARC.
Nesta época, o Sistema Pergamum já era utilizado em 37 instituições, no Brasil.
Foi esta demanda e a necessidade de que todos as instituições utilizassem
corretamente o formato que despertou na equipe da DBD a vontade de transmitir
para outros profissionais da área os conhecimentos adquiridos durante a
tradução, estudo e implementação do MARC.

A presença, na equipe da DBD, de uma Analista de Sistemas, mestranda do
Departamento de Informática, na Universidade e envolvida com o
desenvolvimento do Pergamum, facilitou a aproximação entre a Coordenação de
Ensino a Distância (CEAD) e a DBD para o desenvolvimento do curso a distância,
uma vez que mostrava-se inviável e dispendioso a criação de cursos presenciais
para profissionais dispersos geograficamente.

Algumas preocupações surgiram na época do planejamento do curso, como a
extensão e complexidade do formato e sua adequação didática ao novo meio que
estava sendo utilizado, o nível de conhecimento técnico necessário para os
alunos utilizarem as ferramentas do curso, como, correio eletrônico, lista de
discussão e debate, o planejamento das atividades, e a definição do número de
participantes que não deveria ultrapassar 20, para garantir um bom
acompanhamento e rapidez na condução das respostas e interação da turma.

Para criação do curso foram utilizados recursos humanos da própria DBD:
Analista de Sistemas, um Mediador e uma Bibliotecária; recursos materiais:

�equipamentos, como, microcomputadores, impressora e scanner, também já
existentes na DBD; e aquisição de alguns softwares, como o Adobe Acrobat
Reader e Writer.

Para a divulgação do curso foram utilizados folders, listas de discussão, sites da
DBD e do CEAD. Os interessados em participar do curso realizavam inscrições
através do formulário eletrônico disponível no site do CEAD.

Desta forma, em maio de 2000 é criada a primeira turma do Curso
DESMISTIFICANDO O FORMATO USMARC, totalmente a distância, na área de
extensão, com a carga horária de 81 horas distribuídas de acordo com a
disponibilidade de tempo e local de cada participante. Tem como objetivo
subsidiá-los na aquisição de conhecimentos teóricos e práticos para utilização dos
campos e sub-campos mais usados do formato MARC na catalogação de livros.

O Curso define o Formato MARC (Machine Readable Cataloging), apresentando
sua finalidade e sua importância na informatização das bibliotecas, aborda a
evolução do Formato, através de um breve histórico, e caracteriza o MARC,
descrevendo sua estrutura de campos, indicadores e subcampos,
desmembrando-os detalhadamente e apresentando exemplos. Destaca, ainda, os
campos e subcampos mais utilizados na catalogação de livros.

Em sua programação prática, durante o Curso, são aplicados exercícios, enviados
através de e-mails, para melhor compreensão do emprego do Formato e os
alunos são incentivados a participar no Grupo de Discussão e no Debate para
troca de conhecimentos. É fornecida bibliografia, webliografia com fontes de
consulta alternativas e recursos auxiliares como, tabela cronológica e tabela de
área geográfica, para o preenchimento da descrição dos dados no MARC
Formato Bibliográfico.

�DESENVOLVIMENTO DO CURSO

O MARC 21 Formato Bibliográfico é bastante complexo e fornece várias
oportunidades para codificação precisa de informações, com riqueza de detalhes.
Sua complexidade torna-o, muitas vezes, difícil de utilização pelos catalogadores,
tendo em vista a variedade de campos e a não utilização de todos, e, até com
toda a documentação e manuais, existe um nível de incerteza com relação a
utilização correta de alguns campos e seus respectivos indicadores. Sendo assim,
a preocupação da equipe foi distribuir os conteúdos em tópicos apresentando-os
de forma clara, como em uma sala de aula, mas não perdendo de vista o
conteúdo do manual na sua estrutura original, para não causar estranheza ao
profissional ao consultá-lo. Uma outra preocupação consistia em não apresentar
uma quantidade grande de textos (referencial teórico), mas que o curso, antes de
tudo, pudesse ser prático.

O MARC 21 sofre também atualizações constantes realizadas pela Library of
Congress – Network Development and MARC Standards Office, desta forma a
DBD mantém assinatura corrente da publicação para acompanhar estas
atualizações e repassá-las ao curso.

A realização de exercícios de fixação ao longo do curso e no trabalho final foi um
dos procedimentos metodológicos que exigiu por parte da equipe uma preparação
inicial, como, escanear as páginas de rosto dos livros; colocar informações
complementares para uma codificação completa dos mesmos; orientar os alunos
quanto a forma de responder aos exercícios, por exemplo, codificar os campos
aplicáveis ao documento, em planilha, à medida que o conteúdo fosse
apresentado; definir nome e extensão dos arquivos para envio dos exercícios. Os
exercícios consistiam em codificar todos os documentos distribuídos e enviá-los
para o e-mail da professora, o que foi mais adiante alterado – os alunos passaram
a enviar apenas o exercício indicado e os demais seriam para auto-correção,
através da disponibilização dos gabaritos. Caso houvesse dúvidas, por parte dos
alunos, estas deveriam ser postadas na lista de discussão.

�A avaliação dos exercícios serve como instrumento para verificação da
compreensão do conteúdo. Ela é particularizada, uma vez que o aluno recebe em
seu e-mail o resultado comentado do seu exercício, não se limitando, dessa forma
somente a atribuição de nota. Cabe ressaltar a importância na prontidão das
respostas aos exercícios, tanto por parte do Aluno como do Professor, uma vez
que os exercícios são progressivos na utilização dos campos e subcampos, e um
erro ou uma dúvida inicial tenderá a permanecer até o final do curso.

Para muitos, este era o primeiro contato com o formato MARC e a primeira
experiência com modalidade de EAD, portanto, encontraram algumas dificuldades
iniciais, por exemplo, na codificação de documentos, achavam que
obrigatoriamente tinham que usar todos os campos apresentados, e outros não
sabiam, por exemplo, como enviar um arquivo anexado ao e-mail. Mesmo após a
auto-avaliação ou a avaliação do professor, alguma dúvida ainda poderia ficar e
era expressa pelo aluno por e-mail ou através da Lista de Discussão.
Quanto a apresentação do conteúdo, as aulas e exercícios foram elaborados em
duas versões – html inicialmente, para ser lida preferencialmente na tela. Depois
verificou-se a necessidade de criar arquivos prontos para impressão, e criou-se,
então, a versão em pdf, para quem desejasse imprimir os textos. Nem sempre o
aluno pode fazer o acesso direto do seu trabalho e nem dispõe de recursos
próprios para ficar todo o tempo na Internet, por esta razão a impressão das aulas
auxilia no acompanhamento do conteúdo, na elaboração dos exercícios e após o
curso, como mais uma ferramenta de trabalho.

Para assuntos com um número maior de dúvidas ou questionamentos dos alunos,
ou quando um aluno envia sua questão diretamente para o e-mail particular da
Professora, é postada uma mensagem na Lista de Discussão com o objetivo de
ampliar o debate e a troca de informações entre os participantes.
No decorrer de cada curso verificou-se que, conforme os alunos iam dominando
as técnicas necessárias para o acompanhamento do curso, percebiam que o
curso não se limitava a texto-aula-exercício-nota de avaliação, mas a leitura dos
textos-aula, visitas a catálogos online de outras bibliotecas que utilizam o mesmo

�formato, trocas de informações na lista de discussão, debate e correspondências
via e-mail, abrindo-se para um universo maior de investigação.

Em 2001 decidiu-se experimentar o debate como uma nova forma de interação e
aprendizado. Havia, inclusive, uma demanda para este tipo de interação. O
Debate era previamente agendado, para acontecer uma vez por semana, às
sextas-feiras, no horário das 11 às 12h, com a participação de toda equipe do
curso e todos os alunos. O assunto abordado estava relacionado ao tópico da
semana ou das semanas anteriores e eram apresentados pelos próprios alunos
em forma de perguntas. Inicialmente, obteve-se a participação de 60 a 70% dos
alunos.

A partir de 2003, não utilizou-se mais o Debate, uma vez que verificou-se a
impossibilidade de vários alunos em participar, devido a restrições de acesso a
salas de bate papo, por parte da política da instituição em que atuavam.

A carga horária do curso, inicialmente, era de 81 horas para codificação de livros
somente. A demanda pelo tipo de material periódicos levou a equipe estudar o
formato para este tipo de material e expandir o curso. Para isto foi necessário
aumentar a carga horária para 90 horas e todo o conteúdo referente a codificação
de periódicos foi acrescentado.

Acompanhando sempre o feedback dos alunos, em 2004, foram acrescentados
tópicos para codificação de todos os tipos de materiais – fita de vídeo, CD-ROM,
material cartográfico etc.

Em 2006, no momento em que este artigo está sendo concluído, estamos
oferecendo a 12ª Turma, com início para 01/08/2006, com a carga horária de 120
horas.

�AVALIAÇÃO DO CURSO

Em 2005, após cinco anos ininterruptos de oferta do curso, surgiu a curiosidade e
a necessidade de saber, após um intervalo de tempo, a opinião dos antigos
alunos sobre o curso, como o curso havia contribuído para seu desempenho
profissional, entre outras questões.

No início de 2006 foi enviado questionário, através de e-mail, a todos os alunos
que concluíram o curso.

O questionário apresentava 10 questões; nas cinco primeiras, o aluno deveria
atribuir conceitos - ótimo, bom, regular ou deficiente - para os seguintes itens:
conteúdo, onde deveria ser considerado a abrangência, atualidade e os exercícios
propostos; a forma de apresentação, considerando-se a divisão em tópicos como
no manual MARC21, arquivos para impressão, etc.; planejamento das aulas –
adequação da quantidade de conteúdo e exercícios com o tempo exigido;
professor – domínio do conteúdo, acompanhamento das atividades, interação
aluno/professor, etc.; e a modalidade de ensino a distância – o ambiente de
aprendizagem, a utilização do computador, administração do tempo, etc.

A questão 6 indagava se o curso havia ajudado o aluno a conhecer tecnologias
ainda desconhecidas para ele, como o uso de computador, arquivos em formato
pdf, processador de texto, uso de e-mail, Internet, etc.

A questão 7 referia-se a utilização do formato MARC21, o aluno deveria assinalar
se já utilizava antes do curso, se já utilizou, mas não utiliza mais, se passou a
utilizar após o curso ou se nunca utilizou. Solicitou-se também que, caso o aluno
utilizasse o formato, indicasse qual o material de apoio utilizava.

No item 8 o aluno deveria indicar em que grau o curso contribuiu para a melhoria
do seu desempenho e aperfeiçoamento profissional, entre muito, razoavelmente,
pouco e não contribuiu.

�Na questão 9 o aluno deveria informar se teria participado ou não do curso, caso
este fosse oferecido através de aulas presenciais na PUC-Rio.

Na 10ª e última questão, o aluno era perguntado se indicaria o curso a um colega.

Foram contabilizados 45 questionários respondidos, representando 34,28% do
total enviado.

Dados consolidados das respostas:
na questão no. 1 - conteúdo: 56,8% consideraram o conteúdo ótimo e 40,9% bom;
na questão no. 2 – forma de apresentação: 51,11% consideraram ótimo e 46,6%
bom; na questão 3 – planejamento das aulas: 44,4 % consideraram ótimo e
42,2% bom; na questão 4 – professor: 66,6% ótimo e 31,1% bom; questão 5 –
modalidade de ensino: 33,3% ótimo e 62,2% bom; 35,5% afirmaram que o curso
ajudou-os a conhecer tecnologias ainda desconhecidas; 55,5% já utilizavam o
formato MARC21, 13,3% já utilizaram, mas não utilizam mais e 13,3% passaram
a utilizar após o curso; 22,5% dos que atualmente trabalham com o formato
MARC21 utilizam como material de apoio o conteúdo das aulas do curso;
64,4% dos alunos afirmaram que o curso contribuiu muito para a melhoria do seu
desempenho e aperfeiçoamento profissional; 66,6% não teriam participado do
curso se este fosse oferecido através de aulas presenciais na PUC-Rio; e
100% indicariam este curso a um colega.

Apesar do baixo índice de retorno dos questionários, por razões diversas como emails desativados, caixas de correio cheias, etc., foi possível verificar que o curso
atende as expectativas dos alunos, uma vez que recebeu boa avaliação nos itens
de conteúdo, apresentação e planejamento e professor, como também o fato de
22,5% utilizarem o próprio material do curso como ferramenta de trabalho e 100%
informar que indicariam o curso a um colega.

O fato de 66,6% afirmarem que não participariam do curso se ele fosse
presencial, indica a importância da modalidade escolhida – EAD.

�CONCLUSÕES

O surgimento de novas tecnologias de informação e comunicação veio, sem
dúvida, acrescentar novas possibilidades para a formação continuada de
profissionais dispersos geograficamente e para a administração de sua atividade
de aprendizagem de acordo com sua conveniência de tempo e espaço.
A experiência da Divisão de Bibliotecas e Documentação no processo de EAD
tem se apresentado bastante proveitosa, como a pesquisa pode demonstrar, uma
vez que não só atinge seu objetivo de tornar o aluno do curso MARC21: Formato
Bibliográfico apto a utilizá-lo, mas também, cooperando na criação de
competências tecnológicas, uma vez que os alunos são apresentados e levados a
utilizar tecnologias ainda desconhecidas para eles.

A modalidade de ensino utilizada – a distância – parece adequada, uma vez que
66,6% não teriam a oportunidade de participar do curso caso fosse ministrado na
PUC-Rio, através de aulas presenciais.

REFERÊNCIAS

BELLONI, Maria Luiza. Ensaio sobre a Educação a distância no Brasil. Educação
&amp; Sociedade, São Paulo, SP, n. 78, p. 114-142, abr. 2002.
FARIAS, Giovana Oliveira. Educação a distância: para uma aproximação da
distância. 2001. 163 f. Dissertação (Mestrado)-Pontifícia Universidade Católica do
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
FURRIE, Betty. Understanding MARC Bibliographic: machine readable
cataloging. 7th ed. Washington, DC: Library of Congress/ Cataloging Distribution
Service, 2003. ISBN 0-8444-1081-0. Disponível em: &lt;
http://www.loc.gov/marc/umb/&gt;. Acesso em: 03 jul. 2006.
GEROSA, Marco Aurélio; FUKS, Hugo; LUCENA, Carlos José Pereira de.
Tecnologias de informação aplicadas à educação: construindo uma rede de
aprendizagem usando o ambiente AulaNet. Informática na educação: teoria e
prática. Porto Alegre: UFRGS, v. 4, n. 2, 2001.

�Disponível em: &lt; http://groupware.les.inf.puc-rio.br/groupware/publicacoes/TIAERIE.pdf&gt;. Acesso em: 03/07/2006.
LANDIM, Cláudia Maria das Neves Paes Ferreira. Educação a distancia:
algumas considerações. Rio de Janeiro, 1997. 147 p.
LIBRARY OF CONGRESS. Cataloging Distribution Service. Cataloger’s desktop.
[Washington, D.C.], 1997. 1 CD-ROM. 4 ¾ pol.
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO. Coordenação
Central de Educação a Distância. Rio de Janeiro, c2006. Disponível em:
&lt;http://www.ccead.puc-rio.br/institucional/ccead.asp?titulo=0#missao&gt;. Acesso
em:03 jul. 2006.

TEACHING MARC 21 AT DISTANCE: THE DIVISÃO DE BIBLIOTECAS E
DOCUMENTAÇÃO – PUC-RIO EXPERIENCE

ABSTRACT:
The emergence of new information and communication technologies made
possible the creation and the increment of new ways and environments, for the
formation and the continued education of professionals, independent of time
and/or geographic aspects. In this scope, it is told the experience of the Divisão de
Bibliotecas e Documentação (DBD), of the Pontifícia Universidade Católica do Rio
de Janeiro (PUC-Rio), in the elaboration and development, in partnership with the
university Coordenação Central de Educação a Distância (CCEAD), of a course,
total long-distance, teaching how to use the catalog format MARC21. The used
tool - AulaNet, the stages of the development, the processes of adaptation, the
constant update of the content and the experience lived by the professionals and
students are presented. The experience has shown to be positive for the formation

�of professionals capable to not only use MARC21 format, but also in the
development of technological abilities.

Keywords: MARC21; distance education, continuing education, Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O surgimento de novas tecnologias de informação e comunicação possibilitou a criação e o incremento de novos meios, ambientes, para a formação e a educação continuada de profissionais, independente de aspectos temporais e/ou geográficos. Neste âmbito, é relatada a experiência da Divisão de Bibliotecas e Documentação (DBD), da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), na elaboração e desenvolvimento, em parceria com a Coordenação Central de Educação a Distância (CCEAD) da Universidade, de um curso de extensão, totalmente à distância, abordando o formato de catalogação MARC21. São apresentadas a ferramenta utilizada – AulaNet, as etapas do desenvolvimento, os processos de adaptação, a constante atualização do conteúdo e a experiência vivenciada pelos profissionais e alunos. A experiência da Divisão de Bibliotecas e Documentação na oferta do curso a distância tem se mostrado positiva não só para a formação de profissionais aptos a utilizar o formato MARC21, como também no desenvolvimento de competências tecnológicas.</text>
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                    <text>ESTUDO DA SATISFAÇÃO DOS USUÁRIOS COM A BIBLIOTECA CENTRAL
DA UFAL/AL
Maria Helena Mendes Lessa*
Clarice Wanderley Ferraz**
Luzan Beiriz Gonçalves***

RESUMO:

O principal objetivo deste trabalho foi verificar a eficácia dos serviços oferecidos
pela Biblioteca Central da Universidade Federal de Alagoas aos alunos de
graduação dos cursos de Ciências Sociais (CSO) Comunicação Social
/Jornalismo e Relações Públicas (DECOS) Letras (LEM) e História (HIS) do
Centro Ciências Humanas, Letras e Artes. (CHLA) Os procedimentos
metodológicos fundamentaram-se nos parâmetros da pesquisa descritiva cujo
instrumento de coleta de dados consistiu em um questionário semi-estruturado
aplicado a uma amostra probabilística aleatória simples de cento e dois alunos
respondentes retirados dos cursos acima mencionados. Os resultados
demonstraram que em maior ou menor grau é necessária especial atenção a
estrutura física, ao acervo, aos serviços de atendimento ao público, a climatização
e o mobiliário, demonstrando que a contínua avaliação dos serviços oferecidos
pela BC/UFAL é importante na gestão de bibliotecas universitárias.

PALAVRAS-CHAVE:
Biblioteca
Universitária.
Estudos
Biblioteconomia. Avaliação de Serviços de Bibliotecas.

de

*

Graduanda do Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Alagoas – UFAL.
E-mail: helenlessa@gmail.com
Professora do Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Alagoas – UFAL.
Mestre em Biblioteconomia pela UFPB.
Especialista em Administração e Comunicação Rural – UFRPE.
E-mail: clariceferraz@gmail.com
Professor da Universidade Federal de Alagoas – UFAL.
Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente
Especialista em Administração e Gerência em Serviço de Informação
E-mail: luzanbeiriz@yahoo.com.br

Usuários.

�1 INTRODUÇÃO
A ausência de contínuas avaliações sobre os serviços oferecidos pelas
bibliotecas por parte dos seus gestores tem sido uma constante ao longo de muito
tempo (LEITÃO, 2005, p. 21 -22). No entanto, devido à importância que uma
biblioteca representa para a comunidade onde está inserida, é necessário que os
serviços disponibilizados por ela sejam objetos de procedimentos que os avaliem
constantemente a fim de proporcionar melhor satisfação aos seus usuários.
Portanto, objetivou-se através de um estudo elaborado a partir da disciplina
Estudos de Usuários e de Necessidades de Informação I, verificar a eficácia dos
serviços oferecidos pela Biblioteca Central da Universidade Federal de Alagoas
aos alunos de graduação dos cursos de Ciências Sociais (CSO), Comunicação
Social com habilitação em Jornalismo e Relações Públicas (DECOS), Letras
(LEM) e História (HIS) do Centro Ciências Humanas, Letras e Artes (CHLA). A
escolha dos quais, justifica-se pelo fato de funcionarem noturnamente fato que
possibilitou uma melhor adequação dos procedimentos de coleta de dados já que
os pesquisadores, do curso de Ciência da Informação com habilitação em
Biblioteconomia, exercem seus trabalhos acadêmico neste horário.
A Universidade é um ambiente de geração e transmissão de conhecimento
sendo a informação insumo indispensável para colocá-la na vanguarda das
conquistas científicas, tecnológicas e sociais que devem ser compartilhadas com
a sociedade.
No parâmetro universitário, a informação a pesquisa e a transmissão do
conhecimento são aspectos interligados influenciando o contexto socioeconômico
e político/cultural de uma região. Por outro lado, sabe-se que as atividades de
ensino, pesquisa e extensão é um fenômeno ainda recente nas universidades
brasileiras.
Essa realidade trouxe como conseqüência a necessidade de boas
bibliotecas para servir de apoio ao corpo docente e discentes em seus trabalhos
acadêmicos oferecendo estrutura informacional e ambiental capaz de atender de
modo satisfatório aos seus usuários. Todavia, para fazer frente a essa demanda

�as bibliotecas universitárias precisam estar técnica e administrativamente voltadas
aos interesses da sua clientela precisando criar um ambiente que estimule a
autonomia dos seus usuários na busca da informação e utilização do
conhecimento.
Portanto, a biblioteca universitária exerce papel fundamental de suporte
para as atividades acadêmicas exercidas pela comunidade universitária devendo
oferecer através de sua estrutura, estratégia de ações direcionadas ao
armazenamento e a disseminação da informação, isto é, condições favoráveis ao
processo de ensino e ao desenvolvimento da pesquisa.
Diversos estudos foram realizados ou vem sendo desenvolvidos buscando
identificar aspectos e problemas relativos à biblioteca universitária tais como:
estudo sobre padrões voltados para as necessidades e uso de informação. Por
certo que se conhecem as demandas das universidades brasileiras no que se
referem às condições de pesquisa como: escassez de recursos humanos melhor
qualificados, orçamento limitado e desvinculado do planejamento acadêmico global
e a ausência de um planejamento bibliotecário.
Enquanto que no Brasil as bibliotecas lutam com problemas de recursos
materiais, humanos e financeiros, os países desenvolvidos já transformaram suas
bibliotecas em CENTROS DE INFORMAÇÃO, pois há muito reconheceram o
papel estratégico da informação como valor de acesso ao conhecimento.
Portanto, se as universidades pretendem melhorar seus padrões de ensino e
pesquisa, elas devem pressionar a melhoria das condições dos serviços
oferecidos pelas suas bibliotecas.
Estudos ligados à interface usuário/biblioteca são importantes, pois
determinam as diretrizes de atuação para a resolução de problemas, as quais
possibilitam o conhecimento das circunstâncias que geram dificuldades para a
obtenção das informações desejadas. De acordo com Figueiredo (1994, p.7),
Estudo de usuário são investigações que se fazem para saber o que os
indivíduos precisam em matéria de informação ou então para saber se a
necessidade de informação por parte dos usuários de uma biblioteca ou

�de um centro de informação estão sendo satisfeitas de maneira
adequada.

Nesta perspectiva, Torres (2002, p. 59 - 62) apresenta uma relação dos
principais inibidores do uso de sistema de informação no País: “as barreiras
institucionais, criadas ou existentes nos próprios sistemas de informação, e as
barreiras dos usuários”. Dentre as barreiras institucionais, encontram-se aquelas
relacionadas à desatualização das informações armazenadas nos sistemas de
informação configurando-se como uma das maiores causas de insatisfação dos
usuários. Uma outra insatisfação é insuficiência dos acervos na recuperação da
informação em bibliotecas universitárias. O aspecto físico deficitário é algo
significativo para fornecer uma ambiente confortável ao usuário.
Com relação ao atendimento ao público, Figueiredo (1999, p.13) afirma que:
A biblioteca está no ramo de prestação de serviços, é, aconselhável
aprender o que é melhor para os clientes, falar a linguagem deles, parar
de colecionar coisas desnecessárias e ignorar regras obsoletas,
trabalhar cooperativamente e inteligentemente, mudando antes que se
perceba que já não se está mais trabalhando satisfatoriamente ou
oferecendo um bom serviço.

Depreende-se da citação acima que o atendimento insatisfatório ao
usuário parece paradoxal, uma vez que a função da biblioteca é prover a
facilidade de acesso ao conhecimento, pois caso contrário, fica prejudicado todo
serviço de referência. “[...] ao bibliotecário de referência cabe a tarefa de
atendimento ao usuário da melhor maneira possível” (TORRES, 2002, p. 61, grifo
nosso).

2 METODOLOGIA

Os Procedimentos metodológicos fundamentaram-se numa pesquisa
descritiva, pois de acordo com Gil (1999, p.44), este tipo de pesquisa tem “como
objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou
fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis”. Nessa perspectiva,

�o estudo buscou verificar a satisfação dos referidos alunos com relação à
Biblioteca Central da UFAL no que se refere à organização, ambiente para estudo
e a pesquisa e as condições do seu acervo além do atendimento ao público no
intuito de identificar fatores que influenciaram de forma positiva ou negativamente
esses serviços.
O instrumento de coleta de dados consistiu em um questionário semiestruturado, aplicado no mês de dezembro de 2004, a uma população
representada por uma amostra probabilística aleatória simples de cento e dois
alunos respondentes assim distribuídos: (28,4%) de Comunicação Social, (44,1%)
de História, (13,7%) de Letras e (13,7%) de Ciências Sociais. Os números acima
são justificados pelo recesso natalino e pelo fato de que muitos dos quais já
tinham concluído suas atividades acadêmicas passando a não freqüentar
cotidianamente o campus universitário.
O questionário constou de vinte e três questões fechadas e uma aberta
sendo que as três primeiras relacionavam-se ao perfil dos alunos e as demais
questões objetivavam avaliar as condições físicas, ambientais e os serviços da
Biblioteca Central

3 RESULTADOS

Com relação ao gênero dos respondentes, o sexo feminino representou
maior incidência nos cursos de Comunicação Social com (69%); Letras com
(78,5%); e História com (62%), enquanto que em Ciências Sociais (57%) dos
respondentes foram do sexo masculino. A maioria dos respondentes estão na
faixa etária de 17 a 22 anos assim distribuídos: História com (51,2%),
Comunicação Social com (58,5%) e Ciências Sociais com (64,3%). Já Letras
apresentou (57%) faixa etária de 23 a 28 anos (Gráfico 1).
Os resultados demonstraram que (62%) dos respondentes avaliaram como
regular a estrutura física da BC/UFAL, enquanto que (38%) descreveram como
bom (Gráfico 2). Com relação ao acervo, (83%) indicaram como ruim e regular

�em suas áreas de estudo, o que demonstra a necessidade da aquisição urgente
de obras relacionadas à área das humanidades e apenas (17%) avaliaram como
bom (Gráfico 3). No que se refere aos serviços de atendimento ao público (43%)
responderam como regular, enquanto (55%) definiram como bom, apenas (2%)
descreveram como muito bom (Gráfico 4).
O estudo também constatou como fatores negativos: a deficiência na
climatização, (91%) indicaram como ruim; o mobiliário, (68%) descreveram como
regular; com relação ao barulho no ambiente de pesquisa (82%) responderam
como ruim e (98%) dos respondentes avaliaram como ruim o fechamento da
biblioteca para a reforma, conforme os demonstrativos abaixo.

Gráfico 1 - Alunos respondentes por curso de graduação na UFAL
44%
50
40

28%

30

14%

14%

20
10
0
COS

LEM

CSO

Fonte: Dados obtidos com a pesquisa - 2004

S1

HIS

�Gráfico 2 - Satisfação dos respondentes com a estrutura física
da Biblioteca Central – UFAL

62%

70
60
50

38%

40
30
20
10

0%

0%
S1

0
RUIM

REGULAR

BOM

MUITO BOM

Fonte: Dados obtidos com a pesquisa – 2004

Gráfico 3 - Satisfação dos respondentes com o acervo da BC/UFAL

48%

60

35%

40

17%
0%

20

S1

0
RUIM

REGULAR

BOM

Fonte: Dados obtidos com a pesquisa - 2004

MUITO BOM

�Gráfico 4 - Avaliação dos respondentes com o atendimento
prestado pelos bolsistas e bibliotecários da BC/UFAL

55%
43%
60
50
40
30
20
10
0

2%

0

S1
RUIM

REGULAR

BOM

MUITO BOM

Fonte: Dados obtidos com a pesquisa - 2004

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A proposta desse trabalho de pesquisa foi avaliar a eficácia dos serviços
oferecidos pela Biblioteca Central da UFAL do ponto de vista da satisfação dos
usuários enquanto discentes dos cursos noturno de graduação em Ciências
Sociais, Comunicação Social (Jornalismo e Relações Públicas) Letras e História.
Os resultados apontaram que (98%) avaliaram como ruim o fechamento da
biblioteca para reforma no período de conclusão do ano letivo prejudicando o
ensino e a pesquisa de toda comunidade acadêmica especialmente os alunos
com trabalho de conclusão de curso (TCC) um dado muito significativo para
conscientização dos administradores das bibliotecas universitárias. Em relação ao
acervo das áreas de estudos 83% dos respondentes avaliaram como ruim
indicando necessidade urgente da aquisição de obras relacionadas ao objeto
desse estudo, foram apontadas como inadequados fatores ambientais não
favorecendo as condições de estudos e pesquisas. O estudo demonstrou também
a insatisfação dos usuários com relação ao mobiliário que foi considerado
desconfortável.Com relação ao atendimento ao público é importante o contínuo
treinamento do profissional da informação para a atuação consciente da imagem
que a biblioteca representa ou tem a oferecer. Recomenda-se outra pesquisa se

�possível utilizando as mesmas variáveis a fim de verificar melhorias que possam
ter ocorrido após conclusão dessa pesquisa.

ABSTRACTS:
The main objective of this project was to verify the efficacy of the services offered by the Central
Library of the Federal University of Alagoas to the students of Social Sciences (CSO),
Communication Social/Journalism and Public Relations (DECOS), Letter (READ) and History (HIS)
of the Center of Human Sciences, Language and Arts (CHILA). The methodological procedures
substantiated them selves on the parameters of the descriptive research whose instrument of factgathering consisted of a semi-structure questionnaire applied to a simple aleatory probabilistic
sample of hundred and two respondent students from the courses above mentioned. The results
showed that in bigger or smaller rank it is necessary to be paid special attention to the physical
structure, to the service offered to the public, to the air conditioning system and to the furniture,
showing that the continuous evaluation of the services offered by the BC/UFAL is important when
managing a University library.

KEYWORDS: University Library. Studies of Users. Librarianship.
Service evaluation. Marketing in Libraries

Libraries

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Maria Christina Barbosa de. Planejamento de bibliotecas e serviços
de informação. Brasília: Briquet de Lemos/Livros, 2000.
BARROS, Maria Helena Toledo Costa de. Disseminação da informação para o
desenvolvimento e a cidadania. In: _____Disseminação da informação. Marilia,
2003. p. 17-39.
FIGUEIREDO, Nice Menezes de. Estudo de usuário da informação. Brasília:
IBICT, 1994. 154 p.
_____. Paradigmas modernos da ciência da informação. São Paulo: Polis:
APB, 1999. 168 p.
GIL, Antonio Carlos, Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo:
Atlas, 1999. 206 p.
LANCASTER, F. W. Avaliação de serviços de bibliotecas. Brasília: Briquet de
Lemos/Livros, 1996. 356 p.

�TÔRRES, Cristiane Batista Bezerra. Docentes e discentes da área de
odontologia e a busca por informação através da biblioteca universitária. In:
TARGINO, Maria das Graças; CASTRO, Mônica M. M. R. N de (Org.) Desafiando
os domínios da informação. Teresina: EDUFPI, 2002. p. 53 - 80.

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Lessa, Maria Helena Mendes; Ferraz, Clarice Wanderley; Gonçalves, Luzan Beiriz</text>
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                <text>O principal objetivo deste trabalho foi verificar a eficácia dos serviços oferecidos pela Biblioteca Central da Universidade Federal de Alagoas aos alunos de graduação dos cursos de Ciências Sociais (CSO) Comunicação Social /Jornalismo e Relações Públicas (DECOS) Letras (LEM) e História (HIS) do Centro Ciências Humanas, Letras e Artes. (CHLA) Os procedimentos metodológicos fundamentaram-se nos parâmetros da pesquisa descritiva cujo instrumento de coleta de dados consistiu em um questionário semi-estruturado aplicado a uma amostra probabilística aleatória simples de cento e dois alunos respondentes retirados dos cursos acima mencionados. Os resultados demonstraram que em maior ou menor grau é necessária especial atenção a estrutura física, ao acervo, aos serviços de atendimento ao público, a climatização e o mobiliário, demonstrando que a contínua avaliação dos serviços oferecidos pela BC/UFAL é importante na gestão de bibliotecas universitárias.</text>
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                    <text>Estudo de utilização da Biblioteca da Escola de
Arquitetura da UFMG por usuários externos
Marco Antônio Lorena Queiroz1
Márcia Meireles de Melo Diniz2
Moema Brandão da Silva3

RESUMO
O estudo analisa o aumento de usuários externos à UFMG que começaram a
freqüentar de forma assídua a Biblioteca da EA/UFMG. A metodologia adotada
baseou-se na aplicação de questionários. Descreve e demonstra através de
gráficos, os dados coletados. Propõe alternativas e discorre sobre medidas para
o tratamento deste novo público, face às suas necessidades e novas demandas
levantadas na análise do instrumento de coleta de dados

1 HISTÓRICO
A Biblioteca da EA/UFMG conta com recursos humanos, físicos e financeiros
dentro do que tem sido possível em uma instituição acadêmica federal na
atualidade e procura desenvolver um trabalho que esteja em consonância com
os objetivos da Escola.

Criada em 1949, possui um acervo específico na área de Arquitetura e
Urbanismo. Reúne um acervo de 25713 exemplares de monografias, 477
títulos de periódicos impressos, mapas, slides, CD-Roms, e hemeroteca. Fazem
1
2

3

Bibliotecário da EA/UFMG  E-mail: maqueiroz@ufmg.br
Bibliotecária da EA/UFMG  E-mail: diniz@ufmg.br

Bibliotecária e Especialista em Gestão Estratégica da Informação, Chefe da Biblioteca da EA/UFMG 
E-mail: smoema@ig.com.br

�parte também do acervo as coleções especiais: Belo Horizonte, Memória e
Obras raras.

Entre os usuários inscritos na Biblioteca, encontram-se professores, alunos e
funcionários da Escola. Usuários de outras unidades do Sistema de Bibliotecas
da UFMG evidentemente têm direito a empréstimo. A Biblioteca atende à
comunidade em geral tendo em vista que é um ponto de referência estadual
em seu campo, visto que

é mantenedora do principal acervo com

características acadêmicas que cobrem as diversas áreas e subáreas do
conhecimento, principalmente no campo definido pela interdisciplinaridade, a
integração da arte, ciência e tecnologia.

A Biblioteca é de livre acesso e o usuário conta sempre com o auxílio de um
bibliotecário de Referência para orientá-lo sobre os recursos informacionais e
serviços oferecidos pela Biblioteca, entre eles, normalização de trabalhos
científicos,

elaboração

de

pesquisas

bibliográficas,

empréstimo

entre

bibliotecas, cursos de treinamento de usuários e orientação quanto ao uso de
fontes bibliográficas especializadas.

2 INTRODUÇÃO
Em 2005 houve um aumento significativo de usuários externos na Biblioteca,
acarretando uma ocupação total da Sala de Estudo Individual, Setor de
Periódicos e demais espaços disponíveis para estudo.

Na semana do dia 05/09/2005 a 09/09/2005, os alunos da Escola de Arquitetura
foram liberados para fazer trabalhos de campo e viagens. Neste período a
Biblioteca funcionou normalmente e contou com um movimento bastante
considerável (contrariando as expectativas de pouco movimento) apenas de
usuários externos. Nesta mesma semana, em alguns dias foi registrada a

�utilização total dos escaninhos, ficando alguns usuários à espera de liberação
de chaves. Uma parte expressiva da Biblioteca foi ocupada nestes dias pelos
usuários externos. Convém ressaltar que foi uma semana atípica do ponto de
vista da presença dos discentes haja vista que um número ínfimo de alunos da
Escola de Arquitetura foi à Biblioteca.

Considerando estes aspectos,

a equipe da Biblioteca decidiu realizar um

estudo para verificar o que estava motivando o aumento da demanda, pois em
anos anteriores estes espaços não eram tão utilizados e o movimento não era
tão volumoso, notadamente de usuários externos.

3 OBJETIVO
O objetivo deste trabalho foi o de recolher subsídios para verificar o motivo do
aumento da demanda dos usuários externos nos aspectos relacionados a:
utilização do acervo, espaço físico, localização da biblioteca

e origem dos

usuários e suas categorias.

4 METODOLOGIA
O instrumento utilizado para a coleta de dados foram questionários (ver
APÊNDICE) aplicados durante o período do dia 05/09/2005 a 09/09/2005 e
registro fotográfico. Os questionários foram aplicados para os usuários externos
que estavam na Biblioteca neste período, totalizando um universo de 62
respondentes.

�5 RESULTADOS
Os gráficos a seguir, foram produzidos a partir das opiniões dos usuários
acerca de várias questões que foram levantadas no questionário. Como já
mencionado anteriormente, foram aplicados 62 questionários para que
servissem de amostragem dentro do universo pesquisado. Em muitas questões
levantadas, o número de respostas dadas pelos usuários serão maiores que o
próprio número de usuários pesquisados devido ao fato de eles fornecerem
mais de uma resposta para uma mesma pergunta. Por isto, será muito comum,
o somatório das respostas ser maior que 62 ou mesmo o total do gráfico ser
maior ou menor do que 100, o que também será válido já que também não se
está trabalhando com porcentagem. Os gráficos estão em números absolutos.

Fator que estimula a freqüência de usuários externos na
Biblioteca da EA/UFMG
60

Espaço fisico
Localização
Acervo
atendimento
outros

50
40
30
20
10
0

Fonte: Dados obtidos através da tabulação do questionário aplicado

Os usuários externos sentem-se mais estimulados a procurar a Biblioteca da
EA/UFMG pelo seu espaço físico, considerado por muitos arejado, agradável,
silencioso, tranqüilo e favorável à concentração e ao aprendizado. Também
consideram instigante a construção arquitetônica em si (da Escola como um
todo) o que estimula alguns a freqüentar o espaço.

�A localização foi bastante relevante pois vários usuários informaram que moram
no bairro e outros nas proximidades, o que facilita estudar neste espaço. Além
disso, informaram que é próximo aos cursinhos pré-vestibulares e preparatórios
para concursos.

Quanto ao acervo, mencionaram o seu valor, qualidade e seu bom estado de
conservação, mas um número muito reduzido de usuários efetivamente utilizam
o acervo.

O atendimento foi considerado bom e eficiente com funcionários gentis e
educados, mas não é um item que motiva os usuários a freqüentarem a
Biblioteca.

Uma pequena parte mencionou que outros motivos os levam a freqüentar a
Biblioteca, como a segurança para guardar os materiais (mochilas e pastas), já
que os escaninhos são individuais e possuem chaves.

Horário de pico (freqüência/ utilização)
60
50
40
30
20

manhã
tarde
noite

10
0

Fonte: Dados obtidos através da tabulação do questionário aplicado

O horário de maior movimento de usuários externos é no período da tarde,
sendo o período da manhã e noite equivalentes. Nota-se entre 17h e 19h um

�grande movimento em busca de chaves no balcão, o que pode estar
relacionado ao horário de intervalo de aula dos cursinhos e escolas próximos à
Biblioteca.

Ambiente mais utilizado
50

Sala de Estudo
Individual
Sala de
Periódicos
Salão de Acervo

40
30
20
10

Sala de Entrada

0

Fonte: Dados obtidos através da tabulação do questionário aplicado

O ambiente mais utilizado é a Sala de Estudo Individual seguida do Salão do
Acervo, Sala de Periódicos e a Sala de Entrada (Sala de Estudo em Grupo),
este último onde os usuários podem portar pastas e bolsas. A demanda pela
utilização da Sala de Estudo Individual é tão grande que em determinados dias
e horários não se encontra lugares disponíveis na mesma, sendo registrada a
sua ocupação total em certos dias e horários.

�Origem do Público Externo
35
30
25
20
15
10
5

Unimaster (prévestibular)
Pitágoras (prévestibular)
Santo Antônio
(escola)
Outros

0

Fonte: Dados obtidos através da tabulação do questionário aplicado

A origem do público externo mostra que um número bastante considerável de
usuários provém do Cursinho Pré-Vestibular Unimaster, seguido do Colégio
Santo Antônio. Em ambos os casos, nota-se que estes alunos tem uma
demanda alta na busca de escaninhos, onde permanecem na Sala de Estudo
Individual utilizando material próprio.

Quanto aos usuários externos que responderam outros, caracterizando um
grupo bastante heterogêneo, detectou-se a seguinte especificação quanto a sua
origem:
- trabalham na região da Savassi (proximidade com a Biblioteca da EA/UFMG);
- fazem matérias isoladas na região;
- alunos de Mestrado de outras escolas;
- residem próximo à Escola;
- Pré- Vestibular Mais;
- Faculdades Newton de Paiva;
- Uni  BH;
- Curso Maurício Trigueiro / Concursos Savassi;
- Pré-Médicas;
- Colégio Imaculada Conceição;

�- Candidatos à seleção do Mestrado;
- Curso Orvile Carneiro (Centro);
- Elite;
- Curso Particular;
- Colégio Arnaldo (Professor);
- Unicentro  Metodista Izabela Hendrix.

Local de Residência
35
30
25
20
15

Reside nas
proximidades
Não Reside nas
proximidades

10
5
0

Fonte: Dados obtidos através da tabulação do questionário aplicado

Quanto ao local de residência percebe-se que há um equilíbrio entre os que
declaram morar próximo à Biblioteca e os que afirmam morar longe, com uma
pequena diferença favorável para os que não moram nas proximidades da
Biblioteca.

�Biblioteca Pública  Luiz de Bessa 

40
35
30
25
20

Não Conhecem
Conhecem

15
10
5
0

Fonte: Dados obtidos através da tabulação do questionário aplicado

Entre os que responderam ao questionário, foi praticamente o dobro o número
de pessoas que dizem conhecer a Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa
em relação as que não a conhecem.

A Biblioteca Pública Luís de Bessa localiza-se na mesma região da Escola de
Arquitetura e propicia também os mais variados tipos de serviços. Possui infraestrutura física composta de salões de estudo em grupo e individual com
capacidade muito superior ao da Biblioteca da EAUFMG. Entretanto,
argumentam que a Biblioteca da EAUFMG oferece ambiente mais adequado
para os estudos.

�Expectativas
Todos os usuários que responderam ao questionário afirmam que a Biblioteca
EAUFMG tem um ambiente adequado às suas necessidades, totalizando um
índice de 100% de respostas positivas.

Controle de Portaria

50
45
40
35
30
25
20
15
10
5
0

Identifica-se na
Portaria
Não se identifica na
Portaria

Fonte: Dados obtidos através da tabulação do questionário aplicado

Quanto ao controle de entrada, a grande maioria dos usuários, afirma se
identificar na portaria da Escola de Arquitetura.

�Sugestões
Foi deixado um espaço no instrumento de coleta de dados utilizado para que os
respondentes pudessem se manifestar livremente enviando críticas e/ou
sugestões. Apenas 15 pessoas preencheram este item. Apresentou-se o
seguinte resultado, considerando apenas as respostas que apresentaram maior
índice percentual (neste momento, optou-se por trabalhar com porcentagens
devido ao pequeno número de respostas):
- 3 pessoas (20%) protestaram contra uma suposta restrição a ser implantada
pela Biblioteca aos usuários externos;
- 3 pessoas (20%) fizeram reclamações quanto ao nível de ruído dos usuários
do salão externo, e pediram campanhas educativas e proibição do uso do
celular;
- 2 pessoas (14%) solicitaram a permissão para entrada de pastas de folhas
com material de estudo.

Houve ainda as seguintes solicitações: abertura da Biblioteca aos sábados à
tarde, maior controle de portaria, ar-condicionado na sala de estudo individual,
bebedouro dentro da biblioteca, pingue-pongue e sinuca. Uma pessoa ainda
aproveitou o espaço para parabenizar os funcionários pela atenção e
competência.

6 ATENDIMENTO AOS USUÁRIOS EXTERNOS NAS DEMAIS
BIBLIOTECAS DA UFMG LOCALIZADAS NO CENTRO

Outras unidades da UFMG situadas no centro também componentes do
Sistema de Bibliotecas da UFMG, também atendem usuários externos em suas
respectivas unidades. Contudo, elas adotam alguns procedimentos diferentes
em relação à Biblioteca da Escola de Arquitetura. Com o intuito apenas de

�levantar as formas adotadas por cada biblioteca no atendimento do público
interno, registramos, a seguir, os dados pertinentes a cada uma.

Biblioteca da FACE
Na FACE, o controle de entrada de usuários externos na Biblioteca ocorre na
portaria do prédio, a qual controla o fluxo de todas as pessoas que lá entram,
entregando as mesmas um formulário que deve ser assinado pelo funcionário
lotado no setor, indicando aonde o visitante irá, e que deve ser apresentado na
saída.

Quanto ao material particular do usuário, as bolsas, mochilas, etc. são deixadas
nos guarda-volumes. Se o usuário tiver vínculo com a UFMG, vínculo este que
será comprovado através de qualquer documento institucional, é permitido a
sua entrada com material próprio como livros e cadernos; se o usuário for
visitante, será mostrado o crachá de visitante ao porteiro da Biblioteca e este
não poderá entrar com material próprio, exceto um caderno, agenda ou folhas
soltas.

Com tais medidas a Biblioteca da FACE conseguiu diminuir o índice de uso das
salas de estudo por alunos de pré-vestibular ou candidatos a concursos e
mesmo aulas particulares. Os usuários podem freqüentar e estudar de posse
dos livros do acervo da biblioteca. Houve o cuidado de não haver o
impedimento do acesso a informação, mas sim de disciplinar o uso do espaço.

Biblioteca do CEDEPLAR-FACE
Ainda na FACE, mas especificamente na Biblioteca do CEDEPLAR, o usuário
após o procedimento acima descrito no tocante à portaria, ao chegar na portaria
da Biblioteca apresenta o crachá de visitante o qual é fornecido na portaria da
faculdade.

�O usuário pode entrar com material para estudar, exceto, naturalmente, bolsas
e mochilas que devem ficar no balcão de empréstimos uma vez que a Biblioteca
não possui escaninho. Não existe nenhuma restrição, salvo, obviamente, o
empréstimo domiciliar.

Biblioteca da Engenharia
Na Biblioteca da Escola de Engenharia, o controle de entrada de usuários
externos na Biblioteca ocorre da seguinte forma: para acessar a Biblioteca é
obrigatório a apresentação da carteira de identidade e o preenchimento dos
dados pessoais no livro exclusivo do público externo (data, hora de entrada,
R.G., nome, assinatura, finalidade, horário de saída). Se for usuário da UFMG
deverá ainda informar a unidade. Se o usuário utilizar o guarda-volumes, o
porteiro colocará o nº da chave em frente ao campo de assinatura.

Lá pode-se entrar com material para estudar não havendo nenhuma restrição
neste sentido. Não fazem restrição alguma com usuário externo na utilização da
Biblioteca.

Não foi mencionado o uso da Biblioteca por estudantes de cursinhos ou
concursos, categoria de usuários externos que mais demandam pelo espaço
nas bibliotecas localizadas no centro.

Biblioteca da Medicina
Na Biblioteca da Medicina o controle de entrada de usuários externos não
ocorre no momento, contudo, para utilizar o escaninho solicita-se um
documento de identificação para a utilização do escaninho.

Os usuários, sejam eles internos ou externos, não podem entrar com bolsas.
Todavia, é permitido a entrada de materiais pessoais do usuário como
cadernos e apostilas.

�Quanto a restrição de utilização da Biblioteca do usuário externo, não existe
nenhuma, salvo o empréstimo domiciliar.

6

CONCLUSÃO

Ao longo dos últimos anos, notadamente nos últimos meses, foi verificado um
grande crescimento do público usuário externo freqüentador da Biblioteca. Este
movimento se

refletiu na ocupação do espaço físico quase total em

determinados dias e a utilização total dos escaninhos da Biblioteca, o que até
então nunca havia ocorrido. Mesmo em uma semana em que os alunos da
EAUFMG estavam liberados para trabalho de campo, e a imensa maioria
ausente da Escola, foi possível perceber um movimento considerável, inclusive
com o uso de todos os escaninhos, quando normalmente nestes dias o
movimento tende a ser tranqüilo.

Assim, desenvolveu-se um questionário que foi aplicado para saber o perfil
desse usuário. Dentre outros, pode-se mencionar como pontos mais relevantes
apontados pelo estudo do usuário realizado, a identificação de que a imensa
maioria desse novo usuário é formada principalmente de alunos de cursinhos
pré-vestibulares, além de estudantes de escolas particulares. Foi detectado
também a percepção das principais motivações do usuário externo para a
utilização da Biblioteca: o espaço físico considerado pelos usuários como muito
bom para o estudo assim como o ambiente; a localização, visto que está em
um ponto de fácil acesso; e o uso de escaninhos individuais na Biblioteca, o que
garante maior segurança ao usuário.

O que se espera através deste estudo e a apresentação dos seus dados, não é
o cerceamento aos usuários externos de acesso a informação, premissa
fundamental de uma unidade de informação que jamais será esquecida.

�Espera-se demonstrar que, para

o benefício do usuário que efetivamente

queira usar o potencial informacional da Biblioteca, como alunos, professores,
pesquisadores ou quaisquer estudiosos da área, deverão ser pensadas
medidas a serem adotadas para disciplinar o uso do espaço da Biblioteca, hoje
com claros indicativos de saturamento devido ao grande número de usuários
externos.

REFERÊNCIAS
BROCATTI, Antônia Lúcia. Uma metodologia para a construção de um
questionário voltado a avaliação das percepções que o usuário tem da
biblioteca universitária. 1985. 143f. Dissertação (Mestrado) - Pontifícia
Universidade Católica de Campinas, Campinas, 1985.
FIGUEIREDO, Nice Menezes de. Aspectos especiais de estudos de usuários.
Ciência da Informação, Brasília, v. 12, n.2, p. 43- 57, jul. / dez. 1983.
FIGUEIREDO, Nice Menezes de. Estudos de usuários como suporte para
planejamento e avaliação de sistemas de informação. Ciência da Informação,
Brasília, v.14, n.2, p. 127  135, jul. /dez. 1985.
KREMER, Jeannette M. Considerações sobre estudos de usuários em
bibliotecas universitárias. Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG, Belo
Horizonte,v.13, n.2, p. 234  259, set. 1984.
KREMER, Jeannete M. Estudo de usuários das bibliotecas da Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: PUC, Divisão de
Bibliotecas e Documentação, 1984. 311p.
Horizonte, v. 18, n

LIMA , Ademir Benedito Alves de. Aproximação critica a teoria dos estudos de
usuários de biblioteca. Londrina : EMBRAPA - CNPSO, c1993. 94p.
SILVA, Gilda Olinto do Valle. Biblioteca e estudos de comunidade. Ciência da
Informação, Brasília, v.18, n.2, p. 151  154, jul. /
dez. 1989.

�APÊNDICE
QUESTIONÁRIO (USUÁRIOS EXTERNOS)
1) O que te motiva a procurar a Biblioteca da EAUFMG?
( ) espaço físico

( ) localização

( ) atendimento

( ) acervo

( ) outros

Especificar:
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
2) Qual o período em que freqüenta a Biblioteca da EAUFMG?
( ) manhã

( ) tarde

( ) noite

3) Qual a parte da Biblioteca que mais gosta de estudar?
( ) Sala de estudo individual ( ) Sala de Periódicos
( ) Salão liberado para a entrada de bolsas e pastas

( )Salão do Acervo

4) Estuda nas proximidades da Escola de Arquitetura?
( ) Unimaster ( ) Pitágoras ( ) Colégio Santo Antônio ( ) Outros
Especificar:______________________________________________________________

5) Reside nas proximidades da Escola de Arquitetura?
( ) Sim

( )Não

6) Conhece a Biblioteca Pública Luis de Bessa, localizada na Praça da Liberdade?
( ) Sim

( ) Não

7) Dentro das suas expectativas acha que a Biblioteca da EAUFMG, tem um ambiente
Adequado para as suas necessidades?
( ) Sim ( ) Não
Especificar:______________________________________________________________

8) Quanto ao controle de portaria (Hall de entrada da Escola  térreo), sempre se
identifica apresentando documento ao porteiro ao entrar na Escola?
( ) Sim ( ) Não
9) Espaço livre para qualquer sugestão:
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Queiroz, Marco Antônio Lorena; Diniz, Márcia Meireles de Melo;  Silva, Moema Brandão da </text>
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                <text>O estudo analisa o aumento de usuários externos à UFMG que começaram a freqüentar de forma assídua a Biblioteca da EA/UFMG. A metodologia adotada baseou-se na aplicação de questionários. Descreve e demonstra através de gráficos, os dados coletados. Propõe alternativas e discorre sobre medidas para o tratamento deste novo público, face às suas necessidades e novas demandas levantadas na análise do instrumento de coleta de dados.</text>
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                    <text>ESTUDO EXPLORATÓRIO DO PORTAL DE PERIÓDICOS DA CAPES
NA ÁREA DE COMUNICAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA1
RODRIGO FRANCA MEIRELLES
E-mail: rodrigomei@hotmail.com
Bibliotecário Documentalista e
Consultor em Tecnologia da Informação
RAYMUNDO DAS NEVES MACHADO
E-mail: raymacha@ufba.br
Professor do Instituto de Ciência da Informação/UFBA

Lançado em 2000 o Portal de Periódicos da Capes proporciona a comunidade
científica brasileira o acesso a versão eletrônica dos principais veículos de
comunicação da ciência, ou seja, os periódicos científicos como também a bases de
dados internacionais. Permitindo desse modo uma infra-estrutura moderna e
democrática de acesso e possa da informação. O objetivo desta comunicação é a
avaliar o impacto do Portal da Capes na comunidade de pesquisadores da área de
comunicação e ciência da Informação da Universidade Federal da Bahia, optando
por um estudo exploratório. Do universo de 23 pesquisadores que responderam ao
questionário, 84% acessa o Portal e 16% responderam que não fazem uso do Portal.
Quanto ao grau de satisfação das necessidades de informação, os dados revelaram
que 50% estão satisfeitos com o uso do Portal, no que tange ao acesso e posse dos
itens informacionais 50% estão satisfeitos parcialmente. Quanto os recursos
disponibilizados no Portal, 49% dos pesquisadores consideram o desempenho entre
bom e ótimo e 42% consideram regular. Como recomendação o estudo sugere uma
reformulação no layout, aprimorando desse modo a usabilidade e a legibilidade, bem
como a eliminação do excesso de informação em suas telas proporcionando assim
uma efetiva participação dos usuários no acesso a informarão com maior rapidez.
Palavras-Chave: Periódicos Eletrônicos. Portal de Periódico da CAPES.

Extrato da Monografia. A funcionalidade e o desempenho do Portal de Periódicos da CAPES entre
pesquisadores das áreas de Comunicação e Ciência da Informação da Universidade Federal da Bahia
apresentada a disciplina ICI- 200 Estágio Supervisionado do Departamento de Biblioteconomia do
Instituto de Ciência da Informação da Universidade Federal da Bahia.

1

�INTRODUÇÃO
O desenvolvimento de qualquer sistema de informação deve resultar de um trabalho
de planejamento estratégico. Esse planejamento exige, em primeiro lugar, a prévia
definição das características e das dimensões do sistema de forma a atender aos
objetivos fixados e a promover a otimização dos fluxos. Neste sentido torna-se
necessário empreender um diagnóstico detalhado das ações envolvidas e um
cuidadoso monitoramento dos contextos sistêmicos onde tais ações terão lugar.

Nosso estudo teve o objetivo de investigar um grupo selecionado de pesquisadores
das áreas de Comunicação e Ciência da Informação pertencente ao quadro docente
efetivo da Universidade Federal da Bahia/UFBA para verificar a aceitação e satisfação
que eles demonstram em relação à funcionalidade e ao desempenho do Portal de
Periódicos da CAPES, optando assim em privilegiar o diagnóstico da interface
eletrônica do Portal tendo a usabilidade e legibilidade como metas a serem avaliadas.

1 PORTAL DE PERIÓDICOS DA CAPES
O periódico científico constitui o principal veiculo de transferência da informação
científica e tecnológica, sendo uma relevante fonte de informação para pesquisa.
Proporcionar o acesso a esse manancial de informações é colocar a comunidade de
pesquisadores atualizada nos avanços de suas respectivas áreas de atuação, essa foi
e continua sendo uma preocupação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal
de Nível Superior/CAPES que tem um relevante papel na consolidação da pósgraduação stricto sensu em todo o território nacional.
Na trajetória de atuação da CAPES um de suas preocupações tem sido a atualização
dos acervos de periódicos das instituições de ensino superior do Brasil, assim no
período de 1987 a 1991 institui o Programa de Aquisição Planificada de Periódicos
para Bibliotecas Universitárias/PAP com a finalidade de proporcionar a essas

2

�instituições renovação de assinaturas de publicações periódicos. Em 1991 o PAP foi
suspenso ficando sobre a égide das instituições mantenedoras das bibliotecas
universitárias a renovação das assinaturas das publicações já existentes. Sem duvidas
nenhuma foi um colapso para as coleções, proporcionando a incompleta das mesmas,
uma vez o orçamento é cada vez mais é reduzido para aquisição de itens
Informacionais.
Diante de tal quadro e de grandes prejuízos ao acesso a informação, em 1995 a
CAPES cria o Programa de Apoio à Aquisição de Periódicos/PAAP, atualizando assim
as coleções das bibliotecas das instituições com pós-graduação stricto sens. Vale
ressaltar que a manutenção das assinaturas dos periódicos internacionais para várias
instituições de ensino do Brasil requer um orçamento de grande porte, não se trata
apenas de uma assinatura de um único título e sim de várias para “n” unidades de
informação, cobrindo assim todo o país.
Diante dos pacos recursos orçamentários destinados as bibliotecas universitárias e
diante do novo cenário tecnológico, isto é, do avanço das publicações eletrônicas e
seguindo o exemplo do Programa de Biblioteca Eletrônica/ProBE que é um consórcio
de bibliotecas e instituições de pesquisas. No inicio de sua implementação e
consolidação, entre os anos de 1999 a 2001 oferecia um total de aproximadamente
841 títulos de periódicos eletrônicos (publicados pela Elsevier Science, Academic
Press e High Wire Press), representado para os pesquisadores paulista um ganho no
acesso e posse de informações de perimira mão e as instituições: FAPESP, USP,
UNESP, UNICAMP, UFSCar, UNIFESP, BIREME e ITA acessam a títulos
internacionais a professores, alunos de graduação e pós-graduação. (PROBE, 2005).
Seguindo o exemplo bem sucedido do ProBE, a CAPES trilha o mesmo caminho e
lança em 2000 o Portal de Periódicos da CAPES, iniciativa pioneira no Brasil de
disponibilizar “as instituições federais de ensino superior, as estaduais com programas
de pós-graduação, as unidades federais de pesquisa com programa de pós-graduação
e as instituições particulares de excelência (com programa de doutorado de nota maior
3

�ou igual a cinco)” (MEC., 2000) acesso compartilhado a títulos de periódicos, bases de
dados incluindo a atualização dos itens contidos no Portal em tempo real de todas,
proporcionando, inclusive, pesquisa a coleção retrospectiva, tornando-se uma grande
fonte de pesquisa on line para a comunidade cientifica brasileira que o recebeu com
grande euforia.

2 MÉTODO
Para chegar ao objetivo delineado nesse estudo optou-se por uma analise
exploratória, uma vez que os estudos já realizados, ainda em número reduzido, não
enfatizaram com precisão os indicadores utilizados na avaliação do Portal de
Periódicos da Capes, julgando assim, este método como sendo o mais indicado.
Inicialmente foi realizado um levantamento dos pesquisadores das áreas de
Comunicação e Ciência da Informação na Bahia, no qual foram selecionados através
de uma amostragem direcionada todos os docentes regulares da Faculdade de
Comunicação/FACOM e do Instituto de Ciência da Informação/ICI da Universidade
Federal da Bahia, selecionados nos sites respectivas unidades, que foram
posteriormente conferidas através de um check list com os departamentos, sendo
eliminados os professores substitutos e os que estavam afastados da atividade de
ensino, chegando a um total de 33 docentes da FACOM e 18 no ICI totalizando 51
docentes.
Como instrumento de coleta de dados foi utilizado um questionário com questões
abertas e fechadas direcionado aos sujeitos da pesquisa a fim de verificar o grau de
satisfação com a interface do Portal, identificando suas preferências quanto à
organização da informação eletrônica e testar suas habilidades no manejo do Portal.
Com o termino da aplicação dos questionários, foi confeccionado banco de dados
utilizando o Excel (2003) para uma melhor tabulação, sistematização e análise dos
dados.

4

�3 ANALISE E DISCUSSÃO DOS DADOS
O universo da pesquisa abrangeu um total de 51 docentes nas áreas de
Comunicação e Ciência da Informação da Universidade Federal da Bahia, destes
responderam ao instrumento de coleta de dados 23 pesquisadores, sendo 11 da
Faculdade de Comunicação, que representam 48%, e 12 do Instituto de Ciência da
Informação que, ou seja, 52%.
Analisando o aspecto de consulta aos materiais informacionais disponibilizado pelo
Portal um dos itens analisados foi o idioma de maior acesso pelos sujeitos A língua
inglesa apresentou uma freqüência relativa de 50% da preferência de acesso, sendo
o espanhol o segundo idioma de maior preferência pelos pesquisadores obtendo
assim 30% do total geral, seguido pelo francês 24% e outros idiomas com 9%.
Constatando assim o inglês como o idioma com maior freqüência de acesso, vale
destacar a hegemonia da industria da informação sobretudo nos EUA uma vez que
os títulos e bases de dados disponibilizados no Portal, são provenientes desse
idioma, sobretudo dos Estados Unidos da América e da Inglaterra.
O resultado obtido confirma que o inglês ainda continua sendo o idioma mais
utilizado, dado esse encontrado anteriormente em uma pesquisa sobre a política
brasileira de publicações científicas realizado por Schwartzman (1984).

5

�Gráfico 1 – Números de acesso ao Portal de Periódicos da CAPES

84%

20
15

10

16%

5
0

ICI

FACOM
Acessam

Total
Não acessam

O Gráfico 1 retrata o quesito acesso ao Portal, da amostra de 23 pesquisadores 84%
acessam o Portal e apenas 16% não acessam. Contudo é valido ressaltar que do
percentual que não acessa 100% afirmaram saber da sua existência e ressaltaram a
sua importância. Resultados que vêm corroborar com o elevado número de acesso
apontado em uma pesquisa realizada pelo próprio Portal CAPES (2005), onde a
UFBA obteve 136.355 acessos, se destacando entre as primeiras do norte nordeste.
Gráfico 2 – Motivação na utilização do Portal

17%
8%

42%

33%
Gratuidade
Eficiência da busca

Atendimento informacional
Abran. Area de atuação

Quanto aos fatores mais preponderantes para a utilização do Portal (Gráfico 2), 42%
dos pesquisadores são motivados pela total gratuidade dos títulos, 33% afirmaram
que o atendimento informacional é um fator que impulsiona o acesso, 17% refere-se

6

�abrangência dos títulos na área de atuação e 8% indicam a eficiência da busca. Os
dados revelam que a gratuidade no acesso e posse do conteúdo informacional é a
grande motivação pelo uso do Portal, constituindo uma forte característica desta
fonte de pesquisa que é o Portal.
3.1 AVALIAÇÃO DA USABILIADADE E DA LEGIBILIDADE
Para atender a proposta de avaliar à usabilidade e legibilidade do Portal foi
necessário mapear primeiramente o contexto de uso no qual os usuários estão
inseridos, pois tal indicador será fator preponderante para medir os outros
indicadores utilizados a avaliação da usabilidade e legibilidade.
A fim de verificar o tipo de conexão utilizada, os dados indicam que 95% dos
pesquisadores utilizam a banda larga para acessar o Portal, o que permite uma
maior velocidade na taxa de transferências de dados. Verificou-se também que 85%
dos usuários acessam o Portal do seu próprio local de trabalho, ou seja, da
universidade que possui acesso banda larga considerando os equipamentos de suas
respectivas unidades satisfatórios para o manejo do Portal. Esses dados nos levam a
inferir que os respondentes consideram o contexto de uso apto para manusear os
recursos disponibilizados pelo Portal sem que o mesmo venha a influenciar no seu
desempenho enquanto recurso eletrônico. Desse modo contamos que o contexto de
uso é comum a maioria dos pesquisadores.
3.1.1 Avaliação da Usabilidade
As medidas de desempenho estão relacionadas ao nível de eficiência e a eficácia do
uso do produto, que tem na presente pesquisa como objeto de estudo o Portal de
Periódicos da CAPES. Portanto, para mensurar o seu desempenho foram avaliados
alguns recursos fundamentais para o bom desempenho do Portal, assim foram
examinadas as relações de entrada e saída de dados utilizando como parâmetro a
velocidade de abertura das telas e a eficiência dos mecanismos de busca.

7

�Gráfico 3 – Avaliação da Usabilidade

10
8
6
4
2
0
Velocidade de abertura das telas

Ruim

Regular

Eficiência das buscas

Bom

Otimo

No Gráfico 3 são apresentados os parâmetros utilizados para avaliar o desempenho
ou seja, a velocidade de abertura das telas e a eficiência na busca dos 23 sujeitos da
pesquisa 60% consideraram os parâmetros utilizados para a avaliação entre e bom e
ótimo, 30% consideraram razoável e 10% ruim. O que indica um bom desempenho
do sistema na entrada e saída de dados.
Os dados analisados na avaliação do desempenho corroboram com a opinião dos
respondentes no que tange ao desempenho de todos os recursos oferecidos pelo
Portal, visto que 49% consideram entre bom e ótimo, 42% considera regular e 9%
consideram ruim. Considerando assim, que o Portal possui um desempenho
satisfatório.
Gráfico 4 - Grau de satisfação em relação ao uso do Portal

50%

50%

Atende

Parciamente

8

�Em relação ao grau de satisfação ao atendimento de suas necessidades
informacionais, observa-se que 50% dos pesquisadores, consideram que o Portal
atende as suas expectativas de informação e que 50% atendem parcialmente.
Considerando que 100% dos respondentes têm suas necessidades, totalmente ou
parcialmente atendidas, podemos sinalizar que o Portal tem um alto grau de
satisfação atendendo assim as necessidades de informação da comunidade
pesquisada.

3.1.2 Avaliação da legibilidade
Por possuir várias implicações que estão estreitamente ligadas ao seu
contexto de uso e a habilidade no manejo dos recursos do Portal por parte dos
usuários, optou-se em fazer uma analise superficial da sua Interface, ou seja, do seu
layout, identificando os aspectos mais relevantes para poder medir a sua legibilidade.
Tomando como parâmetro os itens elencados por Carter, (apud GRUSZYNSKI,
2000) e adaptando-os para o contexto dessa pesquisa foi possível avaliar a
legibilidade.
Gráfico 5 – Avaliação da legibilidade

Otimo
Bom
Regular
Ruim
0

10

Telas confortavei para leitura
Disposição dos menus

20

30

40

50

60

Lineridade das informações disponibilizadas
Excesso de informações nas telas

9

�A análise aponta para um quadro que requer mudanças na estrutura atual do layout
apresentado no Portal Gráfico 5), assim 46% dos sujeitos consideraram esse quesito
regular e 20% considera o layout como ruim, para esse grupo de usuários, os
indicadores levantados não suficientemente adequados para uma boa legibilidade.
Entretanto 21% consideram bom e 10% percebem como ótimo.

Figura 1 - Layout do Portal de Periódicos da CAPES em HTML

O excesso de informação na tela é o maior fator de insatisfação por parte dos
sujeitos dessa pesquisa, uma vez a quantidade de informações dispostas no layout
prejudica a navegação do sistema. Analisando esse dado juntamente com os dados
apresentados na Figura 1 a avaliação da legibilidade reforça o estabelecimento de
melhorias na Interface do Portal.

4 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
Para alcançar o objetivo delineado desse estudo, ou seja, investigar um grupo
selecionado de pesquisadores das áreas de Comunicação e Ciência da
Informação/UFBA para verificar o grau de aceitação e satisfação que eles

10

�demonstram em relação à funcionalidade e ao desempenho do Portal de Periódicos
da CAPES, optou-se por privilegia o diagnóstico da interface eletrônica do Portal
avaliando a sua usabilidade e legibilidade, chegando aos resultados descritos abaixo.

4.1 USABILIDADE
� Demonstra que 84% do total dos respondentes acessam o Portal e apenas
16% não acessam;
� Indicam que o sistema possui um bom desempenho na entrada e saída de
dados com 60% entre bom e ótimo, que vem a confirmar a opinião dos
respondentes em relação ao desempenho de todos os recursos oferecidos no
Portal onde, 42% consideram regular, 49% entre bom e ótimo e apenas 9%
consideram ruim;
� Em relação ao grau de satisfação ao atendimento de suas necessidades
informacionais, observa-se que 50% consideram que atende as suas
expectativas de informação e que 50% atendem parcialmente. Tendo assim
um alto grau de satisfação na opinião dos sujeitos dessa pesquisa.

4.2 LEGIBILIDADE
Em relação a analise das variáveis propostas na avaliação da legibilidade a maior
parcela dos respondentes, ou seja, 46% considera regular e 20% considera o layout
como ruim, vale ressaltar que para esse grupo de usuários, os indicadores
levantados não são suficientemente adequados para uma boa legibilidade, entretanto
21% consideram bom e 10% percebem como ótimo.

Os resultados da pesquisa apontam que a avaliação adotada foi satisfatória, pois o
Portal apresenta de uma forma geral um bom nível de usabilidade e legibilidade de
acordo com os dados analisados, necessitando apenas de algumas melhorias para
um desempenho mais eficiente.

11

�No que tange ao aprimoramento da usabilidade e da legibilidade do Portal de
Periódico da CAPES, seguem-se algumas recomendações baseadas nas análises
realizadas:
� o sistema é pouco interativo, tanto na entrada como na saída dos dados,
especialmente em relação ao refinamento da busca, sugerindo uma
reformulação na metodologia utilizada;
� a reformulação do layout, contribuiria para a melhoria da legibilidade e da
usabilidade do sistema, especificamente na retirada do excesso de
informações nas telas do Portal, principalmente na tela principal,
constatada nos resultados como a maior insatisfação dos usuários, o que
prejudica de forma significativa a leitura e a recuperação da informação
dentro do Portal;
� a implantação de um serviço e alerta bibliográfico, já que 100% dos
respondentes se mostraram insatisfeitos pela falta de informações em
relação aos títulos disponíveis e as novas aquisições;
� maior esclarecimento e ampliação da FAQ e da ajuda;
� maior transparência na aquisição e nos parâmetros utilizados nas
aquisições do Portal, além da criação de mecanismos mais interativos e
a participação mais efetiva dos usuários na seleção dos títulos
disponíveis no Portal.
Espera-se que avaliação realizada seja útil para avaliar a eficiência do sistema e
para poder contribuir para melhorias no seu desempenho. Contudo é valido ressaltar
que as terminologias e metodologias mencionadas ao longo da monografia, ainda
serão aprimoradas em estudos posteriores.

12

�5 REFERÊNCIAS
CAPES. Portal de Periódicos. Disponível em http://www.periodicos.capes.gov.br.
Acesso em 15.12.2005.
GRUSZYNSKI, Ana Claudia. Design gráfico: do invisível ao ilegível. Rio de Janeiro:
2AB, 2000.
MEC lança Portal pioneiro para acesso a revistas científicas. Boletim Eletrônico da
SBQ, São Paulo, n. 222, nov. 2000. Disponível em
http://www.sbq.org.br/publicacoes/beletronico/bienio2/boletim222.htm. Acesso em
Acesso em: 31 maio 2000.
MEIRELLES, Rodrigo França. A funcionalidade e o desempenho do Portal de
Periódicos da CAPES entre pesquisadores das áreas de Comunicação e
Ciência da Informação da Universidade Federal da Bahia, 2005. 39 p. Monografia
(Graduação em Biblioteconomia e Documentação), Instituto de Ciência da
Informação da Universidade Federal da Bahia, Salvador.
MICROSOFT. Excel 2003. Version 8 [S.I.]: Microsoft Corporation, 2002.
PROBE – Programa Biblioteca Eletrônica. Homepage. Disponível em
http://probe.bvs.br/index1.php?home=true. Acesso em 26.09.2005.
SCHWARTZMAN, Simon. Política brasileira de publicações científicas e técnicas:
reflexões. Revista Brasileira de Tecnologia, Brasilia v.15, n.3, maio/jun, 1984.

13

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                <text>Estudo exploratório do Portal de Periódicos da CAPES na área de Comunicação e Ciência da Informação da Universidade federal da Bahia.</text>
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                <text>Meirelles, Rodrigo Franca; Machado, Raymundo das Neves</text>
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                <text>Lançado em 2000 o Portal de Periódicos da Capes proporciona a comunidade científica brasileira o acesso a versão eletrônica dos principais veículos de comunicação da ciência, ou seja, os periódicos científicos como também a bases de dados internacionais. Permitindo desse modo uma infra-estrutura moderna e democrática de acesso e possa da informação. O objetivo desta comunicação é a avaliar o impacto do Portal da Capes na comunidade de pesquisadores da área de comunicação e ciência da Informação da Universidade Federal da Bahia, optando por um estudo exploratório. Do universo de 23 pesquisadores que responderam ao questionário, 84% acessa o Portal e 16% responderam que não fazem uso do Portal. Quanto ao grau de satisfação das necessidades de informação, os dados revelaram que 50% estão satisfeitos com o uso do Portal, no que tange ao acesso e posse dos itens informacionais 50% estão satisfeitos parcialmente. Quanto os recursos disponibilizados no Portal, 49% dos pesquisadores consideram o desempenho entre bom e ótimo e 42% consideram regular. Como recomendação o estudo sugere uma reformulação no layout, aprimorando desse modo a usabilidade e a legibilidade, bem como a eliminação do excesso de informação em suas telas proporcionando assim uma efetiva participação dos usuários no acesso a informarão com maior rapidez.</text>
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                    <text>ESTUDO SOBRE O USO DE SISTEMAS BIBLIOTECÁRIOS E A
IMPLEMENTAÇÃO DE UM SOFTWARE LIVRE PARA SISTEMA DE
GERENCIAMENTO DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS

MÁRCIA GORETT RIBEIRO GROSSI*
(marciagrossi@terra.com.br)
MARLENE DE OLIVEIRA**
(marleneotmelo@gmail.com)
Resumo

Na sociedade da informação, as novas tecnologias estão revolucionando as
atividades tradicionais de registro, organização e disponibilização da informação. O
impacto dessas tecnologias, como a informática e a internet, tem impactado os
sistemas de informação assim como as demais atividades desenvolvidas em
bibliotecas, notadamente as universitárias. Percebe-se um esforço das bibliotecas
em implementar bons sistemas de informação, a despeito do custo das novas
tecnologias. Atualmente, proliferam vários softwares para o gerenciamento dessas
atividades. Mas ainda temos problemas relativos à busca e a recuperação da
informação, principalmente na interlocução entre o usuário final e as fontes de
informação disponíveis. Foi realizada uma pesquisa sobre os principais sistemas
utilizados em bibliotecas universitárias federais e, como resultado, surgiu a idéia de
elaborar um software livre para sistemas de biblioteca universitárias. Tal ferramenta
deverá incorporar as principais características dos softwares já utilizados por essas
bibliotecas, enfatizando a criação de agentes de interface, que construa e facilite o
caminho dos usuários. A novidade do sistema será o projeto de um serviço de
referência para o ambiente digital com foco na busca e recuperação da informação.
Tal sistema deverá facilitar o acesso do usuário a outras bases de dados, permitindo
que o mesmo use a linguagem natural para a busca avançada.

*

a

Engenheira Eletricista, Mestre em Tecnologia, Doutoranda em Ciência da Informação pela UFMG. Prof do
CEFET-MG, coordenação de Informática. Av.Amazonas, 5.253 – Belo Horizonte- Minas Gerais – Brasil
** Bibliotecária, Mestre em Ciência da Informação, Doutora em Ciência da Informação. Profa da UFMG, Escola de
Ciência da Informação. AV. Antônio Carlos, 6.627 - Belo Horizonte – Minas Gerais - Brasil

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�Palavras – Chave: Bibliotecas universitárias; Sistemas de recuperação da

informação; Serviços de referência em contexto digital; Software livre
Abstract

In the society of the information, the new technologies are revolutionizing the
traditional activities of register, organization and availability of the information. The
impact of these technologies, as computer science and the Internet, it has impacted
the information systems like as the too much activities developed in libraries, mainly
the university. It is perceived an effort of the libraries in implementing goods
information

systems, the spite of the cost of the new technologies. Nowadays,

several proliferate softwares for the management of these activities. But still we have
relative problems to the search and the recovery of the information, mainly in the
interlocution between the final user and the available sources of information. A
research was carried through on the main used systems in federal university libraries
and, the idea appeared to elaborate a free software to for university systems of
library. Such tool will have to incorporate the main used characteristics of softwares
already for these libraries, emphasizing the creation of agents of interface, that
constructs and facilitates the way of the users. The newness of the system will be the
project of a reference service for the digital environment with focus in the search and
recovery of the information. Such system it will have to facilitate the access of the
user to others databases, allowing that the same use the natural language for
searchs advanced.
Keywords: University library; Recovery systems of information; Reference service in

context digital; free software
INTRODUÇÃO

As tecnologias da informação, como os computadores tornaram - se
indispensáveis para o armazenamento, classificação e recuperação da informação.
Neste novo contexto ou nesta nova configuração, existem vários desafios a serem
enfrentados. As instituições que se dedicam a preservar a memória e cultura em uma
2

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�sociedade deparam-se com tais problemas. São desafios que se referem ao
gerenciamento de seus acervos e das informações.
Quando os egípcios inventaram o papiro, ou, na revolução industrial quando
Johann Gutemberg inventou a impressa, facilitando a reprodução das informações,
houve uma revolução de base material, permitindo o acesso mais fácil ao
conhecimento

Lima

(2002),

o

desenvolvimento

do

suporte

do

conhecimento/informação, tornou-o mais acessível, comunicável e mais simples a
sua

estocagem.

Na sociedade atual, as novas tecnologias estão novamente

revolucionando a base de registro e, conseqüentemente sua organização e
disseminação. Citando Cunha (2000, p.75) “em todas as épocas, bibliotecas sempre
foram dependentes da tecnologia da informação. A passagem dos manuscritos para
a utilização de textos impressos, o acesso a base de dados bibliográficos
armazenados nos grandes bancos de dados, o uso do CD-ROM e o advento da
biblioteca digital, no final dos anos 90, altamente dependente das diversas
tecnologias de informação, demonstram que, nos últimos 150 anos, as bibliotecas
sempre acompanharam e venceram os novos paradigmas tecnológicos”. Isto é, as

bibliotecas passaram a usar as novas tecnologias como colaboradores no
cumprimento de sua função social.
Atualmente percebe-se uma proliferação de softwares para gerenciamento
das atividades de bibliotecas. No entanto ainda estão presentes os problemas
relativos à busca e recuperação da informação. Nesta perspectiva, o presente estudo
tem como foco a análise do uso de softwares pelas bibliotecas universitárias
federais, e como decorrência contribuir com a área da Ciência da Informação por
meio do desenvolvimento de um software livre, sua liberação sob a licença GPL,
para gestão de atividades das bibliotecas universitárias.
Este software, que está sendo desenvolvido através de linguagens de
programação para web, dedicar-se-a, principalmente, aos serviços de referência em
ambiente digital com foco na busca e recuperação da informação. Face o
levantamento realizado ele irá também incorporar as principais características dos
softwares utilizados pelas bibliotecas estudadas. Pretende-se também enfatizar a

3

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�criação de agentes de interface com capacidade de construir e facilitar o caminho
dos usuários para que tenham acesso mais efetivo à informação de que necessitam.
As bibliotecas escolhidas para estudo, as universitárias, possuem um papel
social destacado e são detentoras de grandes acervos tanto em quantidade como
em qualidade. Atuam como instrumento de irradiação de conhecimentos,
comunicando, dinamizando a relação entre informação / usuário. Oliveira apud Dias
(1998) lembra que as bibliotecas devem usar mecanismos ativos no sentido de
transferir informações, e também de conscientizar e maximizar a efetiva participação
das pessoas em sua comunidade.

BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS – DESAFIOS E ASPIRAÇÕES

As bibliotecas universitárias das instituições de ensino superior estão
subordinadas a um setor da instituição. Ela tem por missão oferecer suporte de
conhecimento / informação às atividades básicas da universidade que é ensino,
pesquisa e extensão, Oliveira (2002). Assumindo assim a função social de prover a
infra-estrutura documental e promover a disseminação da informação, ao invés de
somente guardá-la.
As mudanças nas organizações ocasionadas pela globalização econômica
têm trazido uma série de reflexões sobre o papel das instituições de ensino dentro
deste novo modelo de sociedade denominada sociedade da informação e do
conhecimento. As discussões se estendem às funções das bibliotecas e da
informática tornando-se cada vez mais importantes neste ambiente acadêmico, uma
vez que “a biblioteca não é um ente isolado, estando, portanto, inserida em um
contexto maior” Cunha (2000, p.71). A biblioteca precisa atuar como um organismo

vivo dentro da universidade colaborando e interagindo com os diversos setores da
instituição.
Grande parte dos problemas das bibliotecas relaciona - se com questões
universitárias a serem resolvidas. As transformações que estas vêm passando ao
longo dos anos refletem-se nas bibliotecas, como o corte, cada vez maior, dos
recursos financeiros oriundos do governo. Segundo Cunha (2000), como alternativa
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�para esse problema, a universidade tem recorrido a parcerias no setor privado, por
meio de projetos de pesquisas. Este autor alerta que não são todos os
departamentos e setores da universidade que tem a oportunidade de conseguir este
tipo de financiamento, para algumas áreas científicos essa fonte de recursos é
restritiva. Os cursos ligados à área de saúde, aqueles relacionados com às
tecnologias são os que tem obtido recursos extra-universidade, os cursos ligados as
áreas sociais e humanas não conseguiram ainda despertar o interesse do setor
privado, estão mais empobrecidos e conseqüentemente seus cursos e suas
bibliotecas. Portanto um desafio a mais para as bibliotecas universitárias, hoje, é a
captação de recursos, é urgente que torne - se um órgão ativo deixando uma posição
de apenas centro de custos.
Nesta perspectiva, é importante também ressaltar outros aspectos dessas
mudanças vivenciadas pelas bibliotecas, como as mudanças de tempo e lugar em
relação a atual estrutura das bibliotecas. Alguns destes aspectos, segundo Jardim
(1999) são: o conceito de "lugar" torna-se secundário para o profissional da
informação e para os usuários; Onde a informação se encontra não é o mais
importante e sim o acesso à informação; a ênfase na gestão da informação
desloca-se do acervo para o acesso, do estoque para o fluxo da informação, dos
sistemas para as redes.

Aliado a estes desafios, citamos também aqueles que envolvem os avanços
tecnológicos. O uso do computador e das novas tecnologias nas bibliotecas
permitiram a constituição de ferramentas mediadoras no processo de divulgação do
conhecimento, de forma mais ampla.
As bibliotecas universitárias brasileiras contaram no período de 1986/1991
com o PNBU - Programa Nacional de Bibliotecas Universitárias Brasil. Este programa
foi marcante no desenvolvimento das atividades daquelas bibliotecas. Suas
principais linhas de atuação foram: o programa de aquisição planificada; o BIBLOS,
para aquisição de monografias; o programa de capacitação de recursos humanos e
os projetos de pesquisa na área de informação.
A implementação do programa mesmo naquele pequeno período de tempo
trouxe benefícios na melhoria dos recursos humanos, na aceleração dos processos
5

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�informatizados e na modernização dos produtos e serviços de informação. As
atividades orientadas pelo PNBU conduziram a uma aglutinação dos bibliotecários
que levou a criação de encontros periódicos para discussão dos assuntos ligados as
bibliotecas universitárias, o Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias – SNBU.
SISTEMAS DE BIBLIOTECA

A biblioteca além de ter que ser organizada também dever ser administrada.
“A organização cria o serviço e a administração faz funcionar este serviço. Portanto a
organização precede a administração” Prado (2000, p.3). Esta administração deve

prever o desenvolvimento e as dificuldades que possam ocorrer e, assim elaborar um
plano de ação, para que as atividades sejam realizadas. Segundo Dias (1998) as
bibliotecas devem desenvolver instrumentos para facilitar a preparação, localização e
viabilização, com especificidade e rapidez, das informações existentes em seus
acervos e os serviços prestados por elas, Conforme Araújo e Oliveira (2005) a
biblioteca como uma organização pressupõe três grandes funções: Função gerencial
– administração e organização; Função organizadora – seleção, aquisição,
catalogação, classificação e indexação e a Função divulgação – referência,
empréstimo, orientação ao usuário, reprografia, serviços de disseminação, extensão.
Todos esses serviços têm, como meta principal oferecer ao usuário, da melhor
maneira possível, a informação de que necessita.
SISTEMAS DE RECUPERAÇÃO DA INFORMAÇÃO

Para Araújo (1994) os sistemas de recuperação da informação são tipos de
sistemas de comunicação que, entre outras funções, visam dar acesso às
informações neles registradas, assim a autora define os sistemas humanos de
processamento da informação e sistemas eletrônicos de processamento de dados
especificamente planejados para possibilitar a recuperação da informação. Tal
iniciativa não é recente. Data pelo menos do século II A .C, quando Galeno, célebre
médico grego tomou a iniciativa de publicar um catálogo das obras de sua autoria (o
De Libris propiis liber), numa tentativa de distinguir as suas publicações, de

6

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�“conteúdo fidedigno”, daquelas escritas por outros autores e a ele indevidamente

atribuídas, nascendo a preocupação com a recuperação da informação.
O marco moderno da recuperação da informação é a consolidação do Sistema
de Recuperação da Informação (SRI) como entidade, o que aconteceu nas décadas
de 40 e 501. Nesse período, tornou-se imperativo criar condições ideais de
armazenagem e acesso rápido ao grande número de documentos que, vinham
crescendo exponencialmente desde o século XVII, até chegar na era do computador,
onde este foi visto como “grande solução” para os problemas de armazenamento e
recuperação da informação.
Existem várias tipologias para os sistemas de recuperação da informação
(SRI), segundo Araújo (1994), diferentes autores como Vickery &amp;Vickery, Lancaster,
Kochen, Williams propõem diferentes tipologias para estes sistemas. A autora
apresenta oito critérios para sistemas de recuperação da informação (SRI), de
acordo com a proposta de Vickery &amp;Vickery, onde cada sistema pode ser
caracterizado por alguma combinação desses critérios.
Portanto o objetivo de um SRI é maximizar o uso dos documentos nele
existentes. Para tanto o sistema é dividido em subsistemas, de forma que cada
subsistema seja cuidadosamente trabalhado, visando à potencialização dos
resultados. Araújo (1994) aponta a divisão clássica em subsistemas de entrada
(seleção/aquisição,

descrição,

representação,

organização

de

arquivos,

armazenamento); subsistemas de saída (análise e negociação de questões,
estratégia de busca/recuperação, disseminação/acesso ao documento) e o
subsistema de avaliação, que não se refere especificamente nem à entrada e nem à
saída, mas sim, a todos os subsistemas e ao sistema como um todo.
SERVIÇO DE REFERÊNCIA

O serviço de referência entendido por Silva &amp; Beuttenmüller (2005) é como um
sistema de informação, um campo de atividades bibliotecárias bastante abrangente,
sendo complicado conceituá-lo, pois o mesmo está relacionado direta ou

1

O termo “recuperação da informação” foi cunhado por Calvin Mooers em 1951

7

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�indiretamente com todas as outras funções de uma biblioteca, pois todas elas estão
de certo modo, relacionadas com a busca de informação. Estes autores recorrem a
Ranganathan, que afirma ser o serviço de referência o processo de estabelecer
contato entre o usuário e a informação de uma maneira pessoal, enfatizando a
importância entre o usuário e o bibliotecário.
Neste sentido, o serviço de referência compreende um conjunto de serviços
oferecidos aos usuários, para apoiar o uso e exploração dos recursos de informação
existentes na biblioteca, sendo, tradicionalmente,

este serviço

realizado pelo

bibliotecário, onde este age como intermediário entre as fontes de informação e o
usuário.
Frente às novas tecnologias, o serviço de referência tem sofrido alterações,
surgindo o serviço de referência virtual / digital, onde a natureza, o tratamento, a
recuperação e a disseminação da informação também tem se modificado, mas com
foco no mesmo objetivo: oferecer a informação que o usuário necessita, porém neste
novo contexto, utilizando a internet e softwares de recuperação das bases de dados
em CD-ROM e online.
Com a introdução dessas tecnologias, o usuário passa a fazer suas buscas na
web sozinho, mas continua precisando de orientação sobre como conduzi-las, assim,
neste ambiente virtual / digital a relação entre o bibliotecário e o usuário se modifica.
Atualmente proliferam várias ferramentas para a realização desta atividade no
ambiente digital/ virtual, como correio eletrônico (que é uma alternativa ao serviço de
referência via telefone que tem sido usado tradicionalmente), chats ou salas de “bate
papo”, os sites das bibliotecas, os formulários na web, videoconferência e instant
messaging. E neste novo contexto, o papel do bibliotecário é o de um “especialista

da informação na referência” e como afirma Arellano (2001) seu papel não é só
oferecer respostas, mas de preparar o usuário para resolver efetivamente suas
necessidades de informação e ajudar a formar um pensamento crítico de suas fontes
para pesquisa.
De acordo com Oliveira &amp; Bertholino (2000), a internet não é apenas uma
ferramenta de referência, mas um marco na transformação entre os serviços de
referência tradicionais e os virtuais, sendo considerada um recurso que amplia o
8

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�universo de fontes bibliográficas, pois o acesso cada vez mais rápido à informação é
o que diferencia as pessoas e por sua vez as bibliotecas.
No entanto, neste novo ambiente, apesar de todas as facilidades e atrativos
da tecnologia, têm se percebido problemas relativos à busca e recuperação da
informação, existindo um vácuo entre o usuário final e as fontes de informação.
Verifica-se, portanto, que perguntas do tipo: “como apresentar ao usuário final
o conhecimento? Como conduzi-lo ao arquivo adequado? Como levá-lo a descobrir o
que ele precisa? Como antecipa-lo, apresentando lhe o que ele precisa, quando este
não sabe o que pedir? “ devem ser levadas em consideração na realização de um
bom “tratamento nas opções de busca” que nada mais é do o serviço de referência.
IDENTIFICAÇÃO DOS SOFTWARES UTILIZADOS NAS BIBLIOTECAS
BRASILEIRAS PARA GERENCIAMENTO DA INFORMAÇÃO

Foi realizada uma pesquisa, em 2004, onde foi feito um levantamento das
tecnologias utilizadas nas bibliotecas universitárias federais brasileiras, divididas por
regiões. Verificando, dentre outros pontos, os softwares utilizados nestas bibliotecas.
Para a coleta de dados, foi feito um questionário com a finalidade de levantar
dados sobre a organização e tratamento da informação, no que se refere ao
instrumentos aos instrumentos de gerenciamento dos dados, ou seja os softwares
utilizados, a ser respondidos pelos bibliotecários das bibliotecas das universidades
federais brasileiras.
Quanto ao percentual das universidades que responderam o questionário, 52
universidades foram consultadas, sendo que 34 destas, o que corresponde a
65,38%, responderam o questionário. Dentre as 34 universidade respondentes,
verificou-se a existência de 16 softwares diferentes, que fazem o tratamento das
informações nas bibliotecas destas instituições, sendo que:
•

O software pergamum é utilizado em todas as regiões, sendo que as
bibliotecas das regiões sul e nordeste são as que mais o utilizam;

•

O software microisis é o segundo mais utilizado, sendo que as bibliotecas da
região sudeste as que mais o utilizam;

9

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�•

Outros softwares só aparecem em uma região, como o ortodoc e sofia na
região nordeste, o virtua e SIE na região sul, o PHL.7 e o VTLS na sudeste;

•

Algumas universidades utilizam softwares desenvolvidos nas próprias
universidades, que são denominados sistemas de automação isolados
(programas in house), como por exemplo o programa SAB2, de uma biblioteca
da região sul, e o em uma universidade do nordeste, que também utiliza um
software elaborado por sua equipe - o Sistema de Automação de Bibliotecas

– SAB.
Outro aspecto analisado foi a comunicação entre a biblioteca e seus usuários.
Dos dados levantados observamos:
•

Em todas as regiões brasileiras, as bibliotecas universitárias utilizam a
comunicação formal para disseminação de suas informações, através do meio
eletrônico (web), sendo que as bibliotecas da região sudeste as que mais utilizam
deste meio de comunicação e, a nordeste a que menos utiliza;

•

A comunicação formal, através de jornal escrito ou tradicional, é a menos utilizada
em todas as regiões brasileiras, destacando que as bibliotecas da região norte
não a utilizam; e a região centro oeste é a que mais utiliza,

•

Todas as bibliotecas brasileiras utilizam a comunicação informal, porém com uma
intensidade menor do que a formal através da web. Destaca-se a região centro
oeste que é a região onde as bibliotecas utilizam muito pouco a comunicação
informal.
Depois de realizada a pesquisa nas bibliotecas universitárias federais

brasileiras, optou-se em estudar os softwares Pergamum, MicroISIS e PHL. O
Pergamum foi o programa mais citado como utilizado, sendo que várias bibliotecas
que não o utilizam o citam como aquisições futuras. O MicroISIS foi o segundo mais
utilizado e, outra razão para a escolha deste foram os relatos de LIMA (1998): “ por
meio da literatura nacional sobre softwares aplicados à biblioteconomia pôde- se
notar uma predominância absoluta de relatos e experiências na utilização do
MicroISIS na automação de bibliotecas.” E mais: no estudo de LIMA (1998), sobre
softwares para automação de bibliotecas e centros de documentação na literatura

10

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�brasileira até 1998, de 75 publicações sobre estes programas, 40 artigos tratavam
exclusivamente do MicroISIS. O Software PHL foi escolhido por ser livre.
Além desses softwares , também foram escolhidos mais dois, que não
constavam na pesquisa. O Gnuteca que é dos softwares de código aberto mais
completos no Brasil. Também foi escolhido o Koha, pois dentre os analisados no
exterior (citamos: BookMaster; BookMaster Plu; BookMaster Ligth, Book Detective,
Book Detective Plus , Book Detective Ligth, Senior Librarian , Brushtail e o Emilda),

foi o que mais atenderia uma biblioteca universitária brasileira, e o que vêm
apresentando muitas e boas atualizações, ele foi o primeiro sistema para bibliotecas
com código aberto.
Para cada um desses softwares foi montada uma tabela, onde foram listadas
suas principais características. Esta tabela foi criada a partir do formulário
"Requisitos para avaliação e seleção de softwares para automação de bibliotecas"
utilizada pela bibliotecária Linda Carla da Teclim/Ufba (Rede de Tecnologia Limpa da
Bahia). Para o preenchimento das tabelas foram utilizadas várias fontes de
informações, tais como: CÔRTES, Adelaide Ramos et al. Avaliação de softwares
para bibliotecas e arquivos: uma visão do cenário nacional. 2.ed.São Paulo: Polis,
2002.219p; os sites onde estes programas estavam disponíveis para dowmload;
entrevistas com bibliotecários que utilizam estes softwares e as notas de aula da

prof a Ursula Blattmann da UFSC.
De uma maneira abrangente, podemos dividir as características que foram
levantadas da seguinte forma: Instalação das versões DOS, Windows e LINUX:
menus, janelas, caixas de diálogo; planejamento da base de dados; definição da
base de dados (tabela de definição de campos; criação da tela de entrada de dados;
definição dos formatos de saída: vídeo e impressora; e criação da tabela de seleção
campos

de busca;

manutenção

dados;alteração de registros;

e segurança dos

arquivos

(entrada

dos

atualização dos arquivos; cópias de segurança:

backup; e importação e exportação de dados); linguagem de recuperação de dados
(busca booleana; operador de proximidade; operadores de adjacência; truncamento)
e a geração de produtos impressos (relatórios; índices; e etiquetas)

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�Com essas informações pretendeu-se levantar as vantagens e desvantagens de
cada um dos softwares, bem como suas limitações, e a partir de todas essas
informações desenvolver um software livre que atenda a todos esses requisitos e
que possa realizar eficazmente a automação das bibliotecas universitárias federais
brasileiras, que contenha principalmente um sistema de referência para o ambiente
digital / virtual com foco na recuperação da informação.
PANORAMA PARCIAL DOS SOFTWARES ANALISADOS, NO QUE SE REFERE
AOS SERVIÇOS DE REFERÊNCIA VIRTUAL

Durante a análise dos dados coletados, dos cinco softwares estudados, já é
possível verificar:
•

a ausência de um módulo para biblioteca digital. Existem softwares específicos
para o gerenciamento de publicações eletrônicas, que estão desvinculados dos
softwares que gerenciam as bibliotecas. Assim, um desafio das tecnologias da

informação, é garantir a interoperabilidade entre estes softwares (os que estão
realizando o gerenciamento das publicações eletrônicas e o que gerenciam os
demais serviços da biblioteca);
•

O software mais completo é o Pergamum, principalmente no que se refere aos
módulos de pesquisa e recuperação da informação e serviços de alerta (para
tentar direcionar as informações desejadas para determinados usuários, que
funcione como um mediador entre as fontes de informações disponíveis para os
usuários), mas mesmo este software não permite aos usuários com contato direto
com os bibliotecários (pergunta / resposta) em tempo real;

•

A comunicação entre usuários e bibliotecários e também entre estes, é através de
e-mail’, ainda não utilizam as outras tecnologias já existentes, tais como: chats ou

salas de “bate papo”, videoconferência e instant messaging;
•

Os softwares estão centrados, principalmente, no usuário presencial, não dando
muita ênfase aos usuários remotos/ virtuais, ainda não possuem de uma interface
amigável para o acesso virtual;

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�•

Os principias serviços de referência, no software MicroIsis, só podem ser
realizados com o auxílio de um software externo, da customização.

APRESENTAÇÃO DO OPEN LIBRIS

A partir dos resultados da pesquisa de uso de software nas bibliotecas
universitárias surgiu a idéia do open.libris, um protótipo em andamento, como
pesquisa de doutorado, que será um Software Livre, sob a licença GPL (General
Public License), para gestão de bibliotecas, com as seguintes características:
Desenvolvido em PHP e Javascript; Banco de Dados PostgreSQL; Multiplataforma;
Multiusuáio; Interface WEB; Módulo de Biblioteca Digital integrado; Aplicação dos
serviços de referência; Utilização do padrão MARC; Chat e outras funções comum
aos softwares de gestão de bibliotecas.
Até o momento (julho de 2006) as etapas já realizadas do software são: Parte
do desenvolvimento do Banco de Dados de acordo com o padrão MARC; Layout do
portal; Sistema para cadastro de links; Sistema para cadastro de unidades; Telas de
pesquisa rápida; Tela de pesquisa avançada; Tela de pesquisa booleana; Tela de
pesquisa por área; Tela de pesquisa por autoridade; Tela de resultado de pesquisa.
Participam

do

projeto

(http://www.fundacaocefetminas.org.br)

a
e

Fundação
a

Cefetminas

Comunidade

Linux

(http://www.comunidadelinux.com.br). Portal do Sistema: http://www.openlibris.org.br.
Contato: equipe@openlibris.org.br
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com as novas tecnologias e a evolução cada vez maior de softwares livres
desenvolvidos para várias aplicações, tais como controle de banco de dados, pode
se organizar e disseminar as informações, ajudando as bibliotecas a realizarem suas
funções e objetivos como por exemplo facilitar o acesso as informações e diminuir o
tempo gasto para sua recuperação.
Percebe-se que existe uma forte tendência em ampliar o uso de tecnologias,
principalmente com o uso de portais de conhecimento (plataforma internet para
comunicação e colaboração de serviços de informação) e o compartilhamento do
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�ambiente computacional para facilitar a comunicação e trabalhos entre usuários e
bibliotecários.
Também observa se que existe um esforço das bibliotecas em implementar
bons sistemas de informação, a despeito do custo das novas tecnologias.
Atualmente, proliferam vários softwares para o gerenciamento dessas atividades.
Mas ainda temos problemas relativos à busca e a recuperação da informação,
Outro desafio é a resistência muito grande das organizações ao uso dos
softwares de código aberto, o que, basicamente refletem o temor do desconhecido,

do novo, o apego a velhas práticas. No caso específico das bibliotecas, a pesquisa
realizada junto a as universidades federais brasileiras, a consolidação do software
livre ainda não é uma realidade, pois a grande maioria utiliza softwares proprietários.
A pretensão deste estudo é mostrar que os Serviços de Referência virtuais,
que deveriam ser oferecidos através de softwares específicos, ou pela home page
de uma biblioteca, ainda não se consolidou. Que ainda é muito difícil para o usuário
remoto realizar suas pesquisas, identificar, selecionar e localizar o material que
melhor atenda as suas necessidade.
Com estas preocupações, pensou- se em desenvolver um software livre para
sistemas de biblioteca universitárias, que enfatize a criação de agentes de interface,
que construa e facilite o caminho dos usuários.
REFERÊNCIAS

ARAUJO, E. A.;OLIVEIRA,M.

A produção de conhecimentos e a origem das

bibliotecas. IN: OLIVEIRA, M.( Coord) Ciência da Informação e Biblioteconomia:
novos conteudos e espaços de atuação. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2005. P.29-43
ARAÚJO, V. M. R. H. Sistemas de recuperação da informação – SRIs. In: Sistemas
de recuperação da informação: nova abordagem teórico-conceitual. Rio de Janeiro:

Escola de Comunicação / UFRJ, 1994. (Tese, Doutorado em Comunicação e
Cultura). Cap.5, p. 84-122.
ARELLANO. Miguel Ángel Márdero. Serviço de referência virtual. Ciência da
Informação, Brasília, V.30, n.2, 2001. Online. Disponível em URL: http://www.ibict.br/.
Acesso em 19 de maio de 2005.
14

PDF Creator - PDF4Free v2.0

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�CÔRTES, Adelaide Ramos et al. Avaliação de softwares para bibliotecas e arquivos:
uma visão do cenário nacional. 2.ed.São Paulo: Polis, 2002.219p.
CUNHA, Murilo Bastos da. Construindo o futuro: a biblioteca universitária brasileira
em 2010. Ciência da Informação, Brasília, v.29, n.1, p.71-89, jan./abr., 2000.
DIAS, Tânia Mara. Pergamum – Sistema informatizado da biblioteca da PUC/PR. CI.
Inf., Brasília, v.37, n.3, p.319-328, set./dez. 1998.
JARDIM, José Maria; FONSECA, Maria Odila. Estudos de usuários em arquivos: em
busca de um estado da arte. DataGramaZero - Revista de Ciência da Informação, v.5
n.5 out/04 ARTIGO 04. Disponível em http://www.dgzero.org/ Acesso em 17 de
outubro de 2004.
LIMA, Gercina Ângela Borém Lima. Softwares para automação de bibliotecas e
centros de documentação na literatura brasileira até 1998. Disponível em:
http://www.scielo.br. Acesso em 29 de outubro de 2005.
LIMA, Gercina Ângela Borém de O., PINTO, Líliam Pacheco, LAIA, Marconi Martins.
Tecnologia da Informação: Impactos na Sociedade da Inf., Londrina, v.7, n.2, p.7594, jul./dez.2002.
OLIVEIRA, Nirlei Maria. A biblioteca das instituições de ensino superior e os padrões
de qualidade do MEC: uma análise preliminar. Perspectiva Cienc.Inf., Belo Horizonte,
v.7, n.2, p.207-221, jul/dez. 2002.
OLIVEIRA, Nirlei Maria, BERTHOLINO, Maria Luiza Fernandes. Usuários remotos e
serviços de referência (SR(s)) disponíveis nas home pages das bibliotecas
universitárias. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS,
2000. Disponível em http://snbu.bvs.br/snbu2000/docs/py/doc/t013.doc. Acesso em 19 de
maio de 2005.
PRADO, Heloísa de Almeida. Organização e Administração de Bibliotecas. T.A.
Queiroz, Editor, São Paulo, p.209, 2000.
SILVA, Alzira Karla Araújo, BEUTTERNMÜLLER, Zailton Frederico. O serviço de
referência online nas bibliotecas virtuais da região nordeste. Enc. BIBLI:R. eletrônica
de Bibli. Ci. Informação, Florianópolis, n.20, 2o semestre de 2005. Disponível em
http://www.encontros.bibli.ufcs.br. Acesso em 19 de maio de 2006.

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Grossi, Marcia Gorret Ribeiro; Oliveira, Marlene de</text>
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                <text>Na sociedade da informação, as novas tecnologias estão revolucionando as atividades tradicionais de registro, organização e disponibilização da informação. O impacto dessas tecnologias, como a informática e a internet, tem impactado os sistemas de informação assim como as demais atividades desenvolvidas em bibliotecas, notadamente as universitárias. Percebe-se um esforço das bibliotecas em implementar bons sistemas de informação, a despeito do custo das novas tecnologias. Atualmente, proliferam vários softwares para o gerenciamento dessas atividades. Mas ainda temos problemas relativos à busca e a recuperação da informação, principalmente na interlocução entre o usuário final e as fontes de informação disponíveis. Foi realizada uma pesquisa sobre os principais sistemas utilizados em bibliotecas universitárias federais e, como resultado, surgiu a idéia de elaborar um software livre para sistemas de biblioteca universitárias. Tal ferramenta deverá incorporar as principais características dos softwares já utilizados por essas bibliotecas, enfatizando a criação de agentes de interface, que construa e facilite o caminho dos usuários. A novidade do sistema será o projeto de um serviço de referência para o ambiente digital com foco na busca e recuperação da informação. Tal sistema deverá facilitar o acesso do usuário a outras bases de dados, permitindo que o mesmo use a linguagem natural para a busca avançada.</text>
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                    <text>EVENTOS EM PSICOLOGIA: RECURSO DA BIBLIOTECA VIRTUAL DE
PSICOLOGIA – BVS-Psi PARA DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

Célia Regina de Oliveira Rosa
E-mail: zeuli@usp.br

Universidade de São Paulo
Instituto de Psicologia
Serviço de Biblioteca e Documentação

Avenida Professor Mello Moraes, 1721
Bloco C – Cidade Universitária
05508-030 São Paulo-SP

Brasil

e-mail: bibip@edu.usp.br

1

�Resumo
Fornece dados sobre a fonte de informação que divulga os eventos; relatórios e
anais de congressos na Biblioteca Virtual de Psicologia - BVS-Psi Brasil. O Centro
Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde desenvolve e
promove o produto através da Biblioteca Virtual que organiza uma rede de
informação técnico-científica com acesso livre na Internet. Esse trabalho de
cooperação técnica em rede é descentralizado e o desenvolvimento ocorre
através de treinamento de capacidade local responsável pela alimentação e
continuidade. A área administrativa prevê características gerais do sistema que
incluem as funções destinadas aos perfis: documentalista, editor e administrador.
O primeiro permite a operação do conteúdo do diretório com inserção de novos
registros; o segundo possibilita alteração e exclusão de dados, e no último se
encontra a função de gerenciamento do sistema pela geração de arquivo
invertido, atualização e publicação da base. Posteriormente, o acesso ou resgate
dos eventos ocorre através de busca por palavras-chave, ou segundo a data de
ocorrência do mesmo. O trabalho sugere etapa futura de desenvolvimento e
gerenciamento do sistema, contemplando a publicação imediata online em texto
completo dos eventos, com vistas à preservação, rapidez e qualidade no
processo de resgate da informação do documento.
Palavras-chave: Eventos. Biblioteca Virtual de Psicologia. Informação científica.
Acesso livre.

2

�Introdução

A Biblioteca Virtual em Saúde - Psicologia (BVS-Psi) com vistas à reunião de
informação sobre eventos nacionais e internacionais, ou seja, divulgação de
congressos, seminários, conferências, encontros - realizados em diferentes
regiões do Brasil e no exterior por pesquisadores e entidades de Psicologia,
mantem um diretório estruturado cujos registros são acessados e manipulados
facilmente dentro de uma ferramenta desenvolvida pelo Centro Latino-Americano
e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME) e administrado pelo
Serviço de Biblioteca e Documentação do Instituto de Psicologia da Universidade
de São Paulo (SBD-IPUSP), sede da BVS-Psi.

Sampaio afirma que teve início no ano 2000 o projeto para a implantação da
Biblioteca Virtual em Saúde – Psicologia (BVS-Psi), uma iniciativa do Serviço de
Biblioteca e Documentação do Instituto de Psicologia da Universidade de São
Paulo (SBD-IPUSP) e do Conselho Federal de Psicologia (CFP). Além do SBDIPUSP e do CFP o projeto tem como parceiros o Fórum Brasileiro de Entidades
de Psicologia, o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação na Área de
Ciências da Saúde (BIREME) e a Rede Brasileira de Bibliotecas da Área de
Psicologia (REBAP). Graças ao trabalho integrado e cooperativo destes atores,
aliado aos autores,editores e demais colaboradores, a BVS-Psi tem promovido a
gestão da informação psicológica e vem se firmando como o espaço virtual do
psicólogo brasileiro.

A BVS-Psi desenvolve diferentes produtos e serviços de informação, destacandose: Literatura Científica (Index Psi Periódicos, Lilacs, Index Psi Livros, Index Psi
Filmes, Teses Psi, Catálogo de Revistas Científicas), o PEPSIC - Periódicos
Eletrônicos em Texto Completo, Terminologia, Localizador de Informação em
Psicologia, Diretórios (Centros Cooperantes, Bibliotecas, Instituições de Ensino
Superior de Psicologia, além de apontar para Currículos Lattes), e os Subsídios
para o Ensino de Psicologia. Dentre esses produtos, encontra-se em Eventos,

3

�Anais e Resumos - o Diretório de Eventos; base de dados fonte de estudo desse
artigo.

O Diretório de Eventos é um catálogo que reúne informações sobre simpósios
congressos, encontros a serem realizados na área de Psicologia em nível
nacional e internacional.

Os usuários desse produto beneficiam-se da divulgação de eventos à medida que
os mesmos apresentam novas direções do conhecimento, essa divulgação não
tem pura e simplesmente uma informação, mas informação com valor agregado,
de acordo com a afirmação de Ferreira e Cruz (2005, p. 388), “[...] informação que
proporciona a seus usuários uma forma de decisão, que possa criar uma ação
concreta que assim possa adquirir ou gerar conhecimento”.

De acordo com Terra e Gordon (2002, p. 58) “[...] é mais importante aumentar a
capacidade de interpretação do que aumentar a quantidade de informação [...]”
porque a mesma pode não ter importância fora do contexto. Assim, a BVS-Psi
procura através do produto para divulgação de eventos enriquecer a informação
com dados pertinentes à sua comunidade.

Segundo Fachin e Hillesheim (2006),

Ao terminar um trabalho de pesquisa ou frente a uma descoberta inédita,
todo cientista/pesquisador precisa divulgar/comunicar os resultados e
conclusões, ou uma descoberta para a comunidade científica. Muitos são
os canais para se fazer essa comunicação. Entre elas estão a forma oral
(reuniões, simpósios, congressos) e/ou escrita: o artigo científico, [...] (p.
137).

A importância da divulgação de eventos na BVS-Psi, traduz-se pelo fato de que
essa divulgação é adequada aos usuários de diversas instituições voltadas ao
ensino e pesquisa da Psicologia; permite o conhecimento da ciência estudada e
desenvolvida em outros lugares; e possibilita que profissionais/pesquisadores

4

�sediados em locais geográficos distantes da área urbana possam se atualizar
através da participação nos mesmos.

Esse monitoramento de eventos permite, também, uma visão geral da ciência
estudada e desenvolvida pelos estudiosos na área e, como afirma Granja (1995,
p. 18), a Psicologia “registra crescimento significativo em sua literatura científica,
o que tornou possível a expansão de suas áreas de aplicação e o desempenho de
papel preponderante em diversos setores da atividade humana”. Esse
crescimento da literatura na área necessita maior divulgação a fim de propagar,
veicular o conhecimento desenvolvido, nos mais diversos modos, inclusive e,
principalmente, a partir do recurso da Internet.

Assim,

apresenta-se

a

ferramenta

BVS-Agenda

versão

2.0,

também,

desenvolvida pela BIREME, a qual permite editar as interfaces da agenda de um
evento (seminários, congressos, simpósios) na web. Esse aplicativo torna
possível a publicação do conteúdo desse conhecimento juntamente com a grade
de programação das atividades, os participantes e seus respectivos currículos,
apresentações; elementos que constituem o conteúdo dessa agenda.

Objetivo
O objetivo do Diretório de Eventos é divulgar a agenda de encontros científicos
entre profissionais da área de Psicologia, propiciando organização dos mesmos
dentro

de

específicas

áreas

temáticas

com

veracidade

de

informação

comprovada, trazendo, também, “uma valiosa fonte de informações para a
disseminação e o intercâmbio do conhecimento [...]” (BANON, L.; BANON, G.,
2005, p. 406); e através da ferramenta BVS-Agenda, aperfeiçoar o planejamento
futuro das interfaces dos eventos publicados na BVS-Psi, cujo acesso aberto é
dado através da cooperação técnica da BIREME entre instituições que almejam o
fortalecimento e a divulgação do conhecimento científico em saúde gerado no
Brasil e países da América Latina e Caribe.

5

�Descrição do Diretório de Eventos
A ferramenta inclui os seguintes campos para descrição do evento: nome do
evento, data inicial e final de realização do mesmo, link que direciona ao site,
cidade, país, e-mail, idioma oficial, tipo do evento, público alvo, área temática,
temas específicos e observações.
Os eventos têm a área temática definida pela Terminologia em Psicologia,
desenvolvida em 1974 pelo SBD-IPUSP. Esta terminologia está fundamentada no
Tesauro da APA (American Psychological Association) e no DECS da BIREME
(Terminologia em Ciências da Saúde); e inserida na BVS-Psi (www.bvspsi.org.br).
As principais características do sistema são:
- multi-usuário desenvolvido em ambiente Web;
- interface multilíngue: português, espanhol, inglês
- alimentação de dados descentralizada, podendo ser feita pelas instituições
responsáveis à promoção do evento;
- recuperação de eventos por data ou palavras-chave;
- publicação dos eventos no site da BVS-Psi depois de validados.
O gerenciamento e operação do mesmo é de responsabilidade do SBD-IPUSP,
onde o bibliotecário é responsável pela coleta e seleção de eventos recebidos por
diferentes fontes: meio impresso (folhetos, divulgação em periódicos científicos) e
online (sites de universidades, faculdades, instituições, associações, conselhos,
empresas organizadoras de eventos); sempre verificando a credibilidade da
instituição ou responsabilidade de quem assina o evento para, posteriormente,
proceder à validação dos registros e publicar no site. As características gerais do
sistema prevêem:

6

�- Quanto ao acesso, é necessário ser usuário cadastrado e possuir senha
(figura 1);

Figura 1 – Formulário inicial do sistema

- Quanto a operação do conteúdo para inserção de registros (Figuras 2 e 3);

Figura 2 - Formulário de inserção

Figura 3 – Formulário para entrada de dados
- Quanto ao gerenciamento das informações da Web (Figura 4);

7

�Figura 4 – Formulário de validação das informações para a interface
do diretório de eventos

- Quanto à ativação/desativação do sistema (Figura 5);

Figura 5 – Formulário para geração de backups, inverção
e publicação dos eventos

8

�Descrição da BVS-Agenda

O sistema BVS-Agenda gerencia o conteúdo de eventos, permitindo a rápida
modificação do mesmo de forma segura através de um computador conectado à
Internet.
O desenvolvimento do aplicativo BVS-Agenda foi feito com base no modelo
“Elements of User Experience” desenvolvido por Jesse James Garrett,
reconhecido como o pioneiro no campo da arquitetura da informação. Esses
elementos são: aparência visual agradável, boa interatividade, usabilidade e bom
nível de acessibilidade, permitindo a leitura de páginas na Internet para
deficientes visuais e físicos.
O aplicativo dispõe de uma estrutura de construção baseada no método Tableless
(www.tableless.com.br), cuja estruturação de lay-out é feita “sem tabelas” onde as
tags são usadas semânticamente, visto que cada uma delas tem a sua aplicação.
Conta, também, com a linguagem CSS (Cascading Style Sheets), a qual permite
a formatação das informações apresentadas nos arquivos de marcação de texto
HTML ou XHTML (tamanho de fontes, cores...); além da criação gráfica em Adobe
Photoshop.
O sistema automatiza os procedimentos para a publicação da quase totalidade de
um evento, permitindo criar a programação de um evento através das atividades e
participantes, inserção de currículos, publicando apresentações e links para
páginas/ sites pessoais de participantes.

As características gerais do sistema prevêem:
- Administração de conteúdo (Figura 6);

9

�Figura 6 – Formulário de administração

- A configuração do site é feita através da inclusão do título do evento, data de
realização, idioma, autor, palavras-chave, e-mail de contato, canais
(apresentação, programa, atividades, participantes e atividades), homepage
(Figura 7).

Figura 7 – Formulário de configuração do site
- Dados sobre a programação: data, horário inicial e final, disponibilidade, tipo da
apresentação, título, local, comentários, participantes e atividades (Figura 8);

10

�Figura 8 – Formulário de programação

- Dados sobre as atividades que serão apresentadas no evento (Figura 9);

Figura 9 – Formulário de atividades

- Dados de participantes: nome, e-mail, país, cargo, instituição, currículo,
fotografia (Figura 10);

11

�Figura 10 – Formulário de participantes

Considerações Finais

Através da divulgação dos eventos pretende-se ampliar o acesso a essa literatura
científica cinzenta, procurando assegurar sua manutenção em repositório pois
estes repositórios, “podem ser mais abrangentes, sendo denominados de
servidores de eprints [...]” (Correia &amp; Castro Neto, 2001, p. 1), garantindo a
preservação desse patrimônio.
Assim a BVS-Psi, voltada para a literatura produzida em Psicologia, contempla
diretrizes para desenvolvimento de produtos que guardem essas comunicações
em texto completo direcionado à comunidade e estudiosos da área. É importante
salientar a necessidade de desenvolvimento de novas interfaces dirigidas a
comunidade científica para inclusão dessas fontes. Como afirma Moreira (2005, p.
62),

a comunicação científica e suas novas ferramentas e possibilidades
interativas ou de interação ressurgem como campo complexo de
investigação, e são necessários novos estudos com o fim de verificar onde
e como se dão as novas confluências.

12

�REFERÊNCIAS

BANON, L. C.; BANON, G. J. F. Ferramentas on line associadas a uma biblioteca
digital para publicação em eventos: projeto XII SBSR. In: SIMPÓSIO
INTERNACIONAL DE BIBLIOTECAS DIGITAIS, 3., São Paulo, 2005. São Paulo:
Sistema Integrado de Bibliotecas da USP, 2005. p. 406-429.

BIREME (Brasil). BVS-Agenda: manual do usuário. Versão 2.0. São Paulo:
BIREME/OPAS/OMS, 2005. 33 p.

BIREME (Brasil). DirEve: manual de entrada de registros. Versão 1.1. São Paulo:
BIREME/OPAS/OMS,

2005.

Disponível

em:

&lt;http://productos.bvsalud.org/dol/docsonline/4/8/eventosadminpt-ltr.pdf&gt;.

Acesso

em: 25 maio 2006.

CORREIA, A. M. R.; CASTRO NETO, M. Repositórios digitais de literatura
científica cinzenta: estudo de caso sobre as percepções e atitudes das
comunidades científicas da matemática e das ciências agrárias, em Portugal.
Comunicação apresentada na 2ª. Conferência da Associação Portuguesa de
Sistemas

da

Informação,

Évora

21-23

nov.

2001.

Disponível

em

&lt;http://scholar.google.com.br/scholar?hl=pt-BR&amp;lr=&amp;q=cache:NEWVJypzxMJ:www.isegi.unl.pt/docentes/acorreia/preprint/capsi.pdf+literatura+cinzenta&gt;
. Acesso em: 17 maio 2006.

FACHIN, G. R. B.; HILLESHEIM, A. I. A. Publicação periódica: revendo padrões
de publicação e avaliação de artigos. In: CONFERÊNCIA IBEROAMERICANA DE
PUBLICAÇÕES

ELETRÔNICAS

NO

CONTEXTO

DA

COMUNICAÇÃO

CIENTÍFICA, 1., 2006, Brasília, DF. Anais... Campo Grande: UNIDERP, 2006. p.
135-139.

13

�FERREIRA, C. A.; CRUZ, V. M. S. B. M. A organização da informação em
espaços virtuais como portais de bibliotecas universitárias brasileiras: o exemplo
da

universidade

Estácio

de

Sá.

In:

SIMPÓSIO

INTERNACIONAL

DE

BIBLIOTECAS DIGITAIS, 3., São Paulo, 2005. São Paulo: Sistema Integrado de
Bibliotecas da USP, 2005. p. 387-405.

GARRETT, J. J. Elements of user experience. Disponível em:&lt;http://jjg.net&gt;.
Acesso em: 17 jul. 2006.

GRANJA, E. C. Análise da produção científica do curso de pós-graduação do
Instituto de Psicologia da USP, no período de 1980 a 1989. São Paulo, 1995.
Tese (Doutorado) – Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo.

MOREIRA, W. Os colégios virtuais e a nova configuração da comunicação
científica. Ciência da Informação, Brasília, DF, v.34, n.1, p.57-63, 2005.
Disponível em: &lt;http://www.ibict.br/cienciadainformacao/viewarticle.php?id=699&gt;.
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SAMPAIO, M. I. C. Histórico do projeto. Disponível em:&lt;http://www.bvspsi.org.br&gt;. Acesso em: 10 jul. 2006.

TERRA, J. C. C.; GORDON, C. Portais corporativos: a revolução na gestão do
conhecimento. São Paulo: Negócio, 2002. Cap.3, p. 55-91

14

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                <text>Eventos em psicologia: recursos da Biblioteca Virtual de Psicologia - BVS-Psi para divulgação científica.</text>
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                <text>Fornece dados sobre a fonte de informação que divulga os eventos; relatórios e anais de congressos na Biblioteca Virtual de Psicologia - BVS-Psi Brasil. O Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde desenvolve e promove o produto através da Biblioteca Virtual que organiza uma rede de informação técnico-científica com acesso livre na Internet. Esse trabalho de cooperação técnica em rede é descentralizado e o desenvolvimento ocorre através de treinamento de capacidade local responsável pela alimentação e continuidade. A área administrativa prevê características gerais do sistema que incluem as funções destinadas aos perfis: documentalista, editor e administrador. O primeiro permite a operação do conteúdo do diretório com inserção de novos registros; o segundo possibilita alteração e exclusão de dados, e no último se encontra a função de gerenciamento do sistema pela geração de arquivo invertido, atualização e publicação da base. Posteriormente, o acesso ou resgate dos eventos ocorre através de busca por palavras-chave, ou segundo a data de ocorrência do mesmo. O trabalho sugere etapa futura de desenvolvimento e gerenciamento do sistema, contemplando a publicação imediata online em texto completo dos eventos, com vistas à preservação, rapidez e qualidade no processo de resgate da informação do documento.</text>
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                    <text>1

Evolução dos Grupos de Pesquisa em Ciência da Informação cadastrados
no Diretório do CNPq.
Dinah Aguiar Población
Professora Doutora do Programa de Pós-Graduação
em Ciência da Informação da Escola de Comunicações
e Artes da Universidade de São Paulo, Brasil.
(CBD/ECA/USP) e Coordenadora do Núcleo de
Produção Científica (NPC).
pobla@terra.com.br

Ana Paula Pereira dos Prazeres
Bacharel em Biblioteconomia e Documentação pelo
CBD/ECA/USP, ex-bolsita de Iniciação Científica do
CNPq e participante dos projetos do NPC.
apprazbr@yahoo.com.br

Laucivaldo Cardoso de Oliveira
Bacharel em Biblioteconomia e Documentação pelo
CBD/ECA/USP, ex-bolsita de Iniciação Científica do
CNPq e participante dos projetos do NPC.
cbdwaldo@yahoo.co.uk

Resumo
O Diretório dos Grupos de Pesquisa criado pelo CNPq em 1992, vem ao
longo dos anos aperfeiçoando instrumentos de acompanhamento e avaliação
padronizados para dar maior visibilidade aos investimentos aplicados em
atividades de fomento à pesquisa no Brasil.
A área de conhecimento “Ciência da Informação” vem sendo
representada neste Diretório desde 1993 e, considerando os investimentos
destinados a formação de recursos humanos iniciados nas décadas de 70 e 80,
respectivamente com o oferecimento de programas de mestrado e doutorado,
torna-se necessário refletir sobre os esforços empreendidos que possibilitam a
organização social da comunidade e o fortalecimento da pesquisa em Ciência
da Informação. Este trabalho procura por meio de coleta de dados no Diretório
de Pesquisa do CNPq, identificar o processo de crescimento dos grupos da
área no período de 1993 até 2005, apontando a estrutura, a composição, a
vinculação institucional, a distribuição geográfica e o agrupamento das
temáticas abordadas segundo as linhas de pesquisa, delineando-se assim, o
mapa da pesquisa e da produção brasileira do conhecimento em Ciência da
Informação.
Palavras-chave: Ciência da informação; Comunidade científica; Grupos
de Pesquisa do CNPq; Produção científica.

�2
Introdução
O resgate histórico da formação do profissional que atua na área da
informação desde o século XVIII, até a inauguração do novo paradigma a partir
da metade do século XX, permite refletir sobre a evolução ao longo dos anos e
o delineamento do atual perfil que caracteriza os novos profissionais que
transitam na sociedade da informação e representam a comunidade científica
da área.
Como reflexo das mudanças sociais surge na vasta literatura diferentes
propostas epistemológicas e metodológicas, evidenciando a falta de acordo
entre os autores que vêm permanentemente estudando, os conceitos das
múltiplas terminologias relacionadas com a especificidade da informação:
Biblioteconomia, Bibliología, Bibliotecnia, Bibliografia, Bibliotecografia, Ciência
Bibliotecária (Library Science ou Library and Informaton Science). Segundo
Buonocuore (1976) os diferentes significados que mesclam os vários aspectos
em uma abordagem abrangente da Biblioteconomia, culminam na definição:
“conjunto sistemático de conhecimentos relativos ao livro e à biblioteca”.
A biblioteconomia, na concepção tradicional, engloba uma série de
atividades resultantes do entrelaçamento e da aplicação eminentemente
utilitária, a partir de uma perspectiva tecnológica, que segundo a visão de
Domingos Buonocuore (1976) não pode ser atribuído o caráter científico,
desconsiderando-a como disciplina no conjunto das ciências aplicadas. Por
outro lado, Emili Eroles (1981) confronta alguns conceitos e refere-se a
Biblioteconomia como “a arte de conservar, ordenar, e administrar uma
biblioteca”. Braga (1995), analisando as abordagens de Briet, destaca as
colocações e a posição que “na biblioteconomia/documentação há o estudo do
documento em um contexto definido até mesmo pelo suporte físico – seja ele o
papel, uma película de filme ou um meio eletrônico (...) acrescentando ainda
que há uma instituição física (a biblioteca) onde esses documentos agregam-se
logicamente em coleções”.
Para Moreiro González (2005) a Biblioteconomia alcança seus objetivos
quando “se encarrega de administrar e organizar as bibliotecas no desejo de
permitir o acesso aos recursos [documentários] e oferecer os serviços que

�3
atendam os seus leitores (...) Seu objetivo é difundir a leitura e atender as
necessidades de seus leitores (...), cobrindo todos os aspectos do estudo do
livro e das bibliotecas”.
Na metade do século XX o enfoque da informação em relação ao
contexto social, passa a ser desvinculado do seu suporte físico permitindo
centrar o foco no processo de comunicação. A partir de 1959 inicia-se a série
de estudos referentes à identificação das diferenças entre Biblioteconomia,
Informática e a recém-proposta da Ciência da Informação oferecida por vários
estudiosos. A vasta literatura sobre essas problemáticas, discutindo conceitos e
termos, permitiu que fossem comparadas mais de 700 definições as quais
constam da tese apresentada por Schrader, em 1983. A partir da primeira
definição de Ciência da Informação baseada nas discussões teóricas
apresentadas por Robert Taylor durante as conferências realizadas no Georgia
Institute of Technology no transcurso dos anos de 1961 e 1962 (POBLACIÓN e
col., 2006.) , continuam até a presente data as discordâncias em relação a
interdisciplinaridade com a Biblioteconomia, que segundo Saracevic (1996) são
dois campos diferentes. A produção científica nas duas áreas vem refletindo as
pesquisas, das quais destacamos algumas que foram divulgadas como teses
(SCHRADER, 1983; BUFREM, 1996; GALVÃO, 1997; PNHEIRO, 1997;
OLIVEIRA, 1998), livros (SHERA, 1980; MOREIRO GONZÁLEZ, 2005) e
artigos de periódicos (TAYLOR, 1966; SARACEVIC, 1968, 1996; WELLISCH,
1972; BRAGA, 1995; PINHEIRO e LOUREIRO, 1995; LINARES COLUMBIÉ,
2003; GUZMÁN GOMEZ, 2005; GOMES, 2006).

Ciência da Informação no Brasil
Concomitantemente com as discussões que ocorriam em âmbito
internacional, o Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD),
atual Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT),
iniciou, em 1956, o curso de especialização em Documentação Científica.
Posteriormente, seguindo as tendências americana e européia, o IBICT criou
em 1970 o primeiro Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação
(BARRETO, 1995). A semente lançada germinou em 7 estados brasileiros

�4
onde estão credenciados os Programas de Pós-Graduação na área, sendo 9
em nível de mestrado e 5 em nível de doutorado.
A interdisciplinaridade que caracteriza a área de Ciência da Informação
está evidente não só na produção científica, mas, sobretudo no perfil do corpo
docente vinculado aos 9 Programas (Tabela 1).
Tabela 1 –Perfil do corpo docente vinculado aos 9 Programas de PósGraduação em Ciência da Informação, segundo a área e local de obtenção do
título de doutor (Brasil ou Exterior): situação em 1999, 2004 e 2006.
Programas
de PósGraduação
IBICT
1970 – M
1992 – D
IBICT/UFF
2004 – M e
D
USP
1972 – M
1980 – D
UFMG
1976 – M
1997 – D
PUCCAMP
1977 – M
UFPb
1977 – M
UnB
1978 – M
1992 – D
UNESP
1998 – M
2006 – D
UFBA
1998 – M
UFSC
2002 – M
Subtotal
Total
Geral

Situação em 1999
CI*

Situação em 2004

Outras**

BR

EXT

BR

EXT

3

4

3

1

10

1

5

1

3

--

Total

CI*

Situação em 2006***

Outras**

BR

EXT

BR

EXT

11

10

2

5

--

1

17

13

1

5

4

5

13

6

2

2

4

--

6

1

2

1

2

2

7

3

5

3

1

--

--

--

--

--

--

--

19
16
28,8% 24,2%
35
53%

Total

CI*

Outras**

Total

BR

EXT

BR

EXT

17

7

2

9

---

18

1

20

7

1

3

1

12

6

6

20

7

2

7

4

20

2

5

--

8

1

2

6

--

9

2

1

2

2

7

3

1

2

2

8

12

3

6

1

3

13

3

6

2

2

13

--

--

3

--

6

--

9

6

--

9

--

15

--

--

--

1

--

4

4

9

5

--

4

3

12

--

--

--

1

3

7

3

14

1

1

6

4

12

21
10
31,8% 15,2%
31
47%

66
100%
66
100%

40
17
34,2% 14,5%
57
48,7%

41
19
35,1% 16,1%
60
51,2%

117
100%
117
100%

40
15
33,6% 12,6%
55
46,21%

48
16
40,3% 13,4%
64
53,78%

119
100%
119
100%

*CI – Ciência da Informação **Outras áreas do conhecimento *** Dados coletados no CV LATTES e nos sites dos
Programas.
Fonte: POBLCIÓN, D. et al. Evolução do perfil do corpo docente dos Programas de Pós-graduação em Ciência da
Informação. In: Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias, 13, 2004, Natal, RN. Anais... Natal, RN: UFRN, 2004.

Pesquisas realizadas desde a década de 90 até 2006, pelo Núcleo de
Produção Científica (NPC), mostrou que há uma tendência para o crescimento
do corpo docente incorporando doutores titulados em áreas diversas da
Ciência da Informação (53,78%). Certamente essas características influirão
não só nas diretrizes das linhas de pesquisa, mas refletirão nas pesquisas dos
mestrandos e doutorandos.
Após 35 anos de implantação da Pós-Graduação em Ciência da
Informação no Brasil, a reflexão do Prof.º Dr.º Aldo Barreto sobre “A maturidade
da Ciência da Informação e sua pesquisa” mostra a grande preocupação com a

�5
qualidade da produção que representa o grande desafio mediante as “difíceis
condições da pesquisa no Brasil” (BARRETO)1. Contudo, ele acredita “que
pesquisa em Ciência da Informação é um processo orientado para expandir
fronteiras do conhecimento da área, representa, assim, uma investigação
ordenada e original que é coerente com uma linha de pensamento conceitual e
teórica, persegue o que é novo e precisa mostrar evidências que comprovem
esta novidade”.
Todos esses esforços, desde o início da década de 90, vêm crescendo,
os quais são apoiados tanto pelos órgãos de fomento de vários estados, como
pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES),
sobretudo com bolsas concedidas para mestrado, doutorado, iniciação
científica, apoio técnico e auxílio para pesquisadores. No entanto, nesse
período inicial da formação de doutores, o Relatório de Atividades do CNPq,
referente ao ano de 1993, Mueller e Santana (2005) constataram que o
Sumário da Publicação apontava a insipiência da pesquisa na área de Ciência
da Informação. Em 2006, Gomes considera que “ainda é reduzido o número de
trabalhos que têm como objeto a análise do conhecimento produzido na área”.

Comunidade científica e Grupos de Pesquisa em Ciência da Informação
(CI) no Brasil.

Os Programas de Pós-Graduação credenciados desde 1970 no Brasil
formaram, até 2005, mestres (1327) e doutores (175), conforme apresentado
na Tabela 2. Até o final da década de 80 haviam sido titulados apenas 14
doutores na Universidade de São Paulo (USP) e somente em 2005 que a
comunidade científica passou a ser representada por 175 doutores, dos quais
40 estão incorporados, em 2006, ao corpo docente dos 9 Programas da áreas.

1

Lista de Discussão abarreto-I. Disponível em aldobar@globo.com . Acesso em: 14 de fev. 2006.

�6

Tabela 2 – Mestrados e doutorados defendidos nos 9 Programas de Pósgraduação em Ciência da Informação no Brasil, 1970-2005.
Períodos
1970-89
1980-89
1990/99
Subtotal

Mestrado
Doutorado
508 (6 programas)
------14 (USP)
339 (6 programas)
52 (USP – 19; IBICT/UFRJ – 15; UnB – 18)
847
66
416 (6 programas)
109
2000/05
64 (3 programas)
(USP 27; IBICT/UFRJ 44; UnB – 16; UFMG – 22)
Subtotal: 480 (9 programas)
Total Geral
1327 ( 9 Programas )
175 ( 4 Programas)

Os rumos da Pós-Graduação na área, até 1994, vinham sendo
pensados durante a série de Encontros dos Cursos (BARRETO, 1993), no
entanto, o fato promissor, resultante desse amadurecimento, foi a criação da
Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação
(ANCIB), em 1989. O marco inicial da divulgação das pesquisas da área pode
ser considerado durante o Primeiro Encontro da ANCIB, realizado em Belo
Horizonte em 1994, o qual inseriu em sua programação o 13º e último Encontro
dos Cursos de Pós-graduação. Coincidentemente em 1992, o CNPq criou o
Diretório dos Grupos de Pesquisa, cadastrando os Grupos de todas as áreas
do conhecimento.
O acompanhamento da investigação científica no Brasil, em todas as
áreas do conhecimento, mostra que a Ciência da Informação está representada
série histórica dos cursos realizados desde 1993, a partir dos dados constantes
do Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq. A coleta dos dados para
elaboração desse Diretório está padronizada de acordo com campos que
devem ser preenchidos pelos líderes com os dados que reflitam as linhas de
pesquisa, a composição da equipe e a repercussão da respectiva produção
científica.

Resultados
Verifica-se no período de 1993 a 2004, através dos Censos do Diretório,
o crescimento do número de Grupos de Pesquisa da área, bem como a
variação do número de pesquisadores. Em 2006, os dados coletados da Base
Corrente do Diretório, mostram o reduzido número de Grupos que foram
atualizados nos últimos 12 meses, pelos respectivos líderes (Tabela 3).

�7

Tabela 3 – Crescimento dos Grupos de Ciência da Informação representados
no Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq. (1993-2006).

Número de
Grupos
Pesquisadores

1993*
22

1995*
29

1997*
41
198

2000*
61
270

2002*
78
173

2004*
103
617

2006**
20
147

* Fonte: CNPq Censo 2004, séries históricas. Disponível em: http://dgp.cnpq.br/censo2004/series_historicas/g_por_area.htm
** Grupos de Pesquisa atualizados nos últimos 12 meses e constantes da Base Corrente do Diretório do CNPq, pesquisado no dia 26/07/2006.

Analisando os Grupos constantes do Censo de 2004, verifica-se a
distribuição geográfica dos 103 grupos existentes e constata-se a maior
concentração na região sudeste (Gráfico 1).

Gráfico 1 – Distribução dos 103 Grupos de Pesquisa em Ciência da
Informação, segundo a região geográfica – Brasil 2004 (Censo do Diretório de
Grupos de Pesquisa do CNPq).

Dis tribuição ge ográfica dos grupos de
pe s quis as
Norte
3%
Nordeste
Sudeste
Sul
CentroOeste
Distrito
Federal
Nordeste
Norte

17%
Distrito
Federal
11%
CentroOeste
1%

Sudeste
48%

Sul
20%

Fonte: POBLACIÓN, Dinah Aguiar, OLIVEIRA, Marlene de, PRAZERES, Ana Paula Pereira dos, OLIVEIRA, Laucivaldo C. de. Grupos de Investigación en Ciencia de la
Información catastrados en los Censos del CNPq y la interfaz con los Programas de Posgrado del Área. In: Congreso Internacional de Información – INFO’ 06. Anais... Habana:
Palacio de las Convenciones de La Habana, 2006.

�8
Os resultados mostram que dos 20 Grupos que atualizaram as
informações, 55% estão localizados na região sudeste (Gráfico 2).

Gráfico 2 – Distribução dos 20 Grupos de Pesquisa em Ciência da
Informação, segundo a distribuição geográfica – Brasil 2006 (Base Corrente do
Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq, em 26/07/2006).

15%

5%

5%

20%

Norte (1)
Nordeste (1)
Centro-Oeste (4)
Sudeste (11)
Sul (3)

55%

Quanto à temática, 45% estão relacionados com a Informação e
Sociedade, seguido pelos de Comunicação Científica (25%) e de Epistemologia
(10%), enquanto os demais representam apenas 5% cada um (Tabela 4). Dos
20 Grupos, 13 são liderados por docentes vinculados aos Programas de PósGraduação em Ciência da Informação. Quanto ao tempo de existência dos 20
Grupos analisados, observa-se que 9 foram formados na década de 90, e 11
entre 2000 e 2005.

�9
Tabela 4 – Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil (CNPq):
Agrupamento temático dos Grupos da área de Ciênncia da Informação em
julho de 2006.
Categorias
Temáticas

Ano de
Fundação Instituição

Grupo

Líder

Teoria, Epistemologia e
Interdisciplinaridade da Ciência da
Informação
Estudos cognitivos em Ciência da
Informação

1996

IBICT

GONZALEZ de GOMEZ, Maria Nélida
Doutorado em CI pela UFRJ

2002

UFMG

BORGES, Monica Erichsen Nassif
Doutorado em CI pela UFMG

2 – Representación da
informação. (Processamento e
tecnologia) (5%)

Estudos Avançados em Informação

2004

UFMT

Javert Melo, VIEIRA
Doutorado em Educação pela USP.

3 – Gestão da informação
(5%)

GPINFO - Grupo de Pesquisa em
Informação

1998

UDESC

NASCIMENTO, Maria de Jesus.
Doutorado em CI na Espanha.

Núcleo de Produção Científica

1992

USP

Comunicação cientifica

1994

UnB

Indicadores de Ciência, Tecnologia e
Inovação

1998

UFSCar

Produção e Disseminação de Informação

2000

PUCCamp

Comunicação e Divulgação Científicas

2005

IBICT

Informação e Memória

1995

UFSCar

Informação Cultura e Sociedade

1998

UFMG

Interfaces: Informação e Conhecimento

1998

UEL

Grupo de Estudo e Pesquisa em Ciência
da Informação

2000

UFAM

Infoeducação

2002

USP

Informação e sociedade

2002

UNESP

Tecnologia de Informação e Sociedade

2004

IBICT

Educação, Conhecimento e Tecnologia EduTec

2005

FURG

Informação e inclusão social

2005

IBICT

6 – Informação especializada
(5%)

Informação, conhecimento e tecnologia

2002

UFSCar

FERRAZ, Maria Cristina Comunian
Doutorado em Física pela USP.

7 – Formação profissional
(5%)

Rede cooperativa de pesquisa e
intervenção sobre (in)formação, currículo
e trabalho)

1997

UFBA

BURNHAM, Teresinha Fróes
Doutorado em Filosofia na Inglaterra.

1 – Epistemologia
(10%)

4 – Comunicação Científica
(25%)

5 – Informação e sociedade
(45%)

Total Geral

POBLACIÓN, Dinah A.de Mello
Aguiar
Doutorado em CI pela USP
MUELLER, Suzana Pinheiro Machado.
Doutorado em CI na Inglaterra
HAYASHI, Maria Cristina Piumbato
Innocentini
Doutorado em Educação pela UFSCar
SANTOS, Raimundo Nonato Macedo
dos
Doutorado em CI na França.
PINHEIRO, Lena Vania Ribeiro.
Doutorado em CI pela UFRJ.
HAYASHI, Maria Cristina Piumbato
Innocentini
Doutorado em Educação pela UFSCar
CABRAL, Ana Maria de Rezende
Doutorado em Comunicação pela USP
ALMEIDA JÚNIOR, Oswaldo
Francisco de
Doutorado em CI pela USP
BARBALHO, Célia Regina Simonetti
Doutorado em Comunicação e
Semiótica pela PUC/SP
PERROTTI, Edmir
Doutorado em Comunicação pela USP
MURGUIA MARAÑON, Eduardo
Ismael
Doutorado em Educação pela
UNICAMP
OLIVEIRA, Gilda Olinto de
Doutorado em CI pela UFRJ
DZIEKANIAK, Gisele Vasconcelos
Mestrado em Engenharia de Produção
na Universidade Federal de Santa Maria,
UFSM
FREIRE, Isa Maria
Doutorado em CI pela UFRJ

20 (100%)

A metodologia adotada para o agrupamento temático é a mesma que
vem sendo adotada nos estudos realizados pelo NPC. Elas são coerentes com
a distribuição dos Grupos de Estudos que estiveram vigentes nas reuniões da
ANCIB até o 5º Encontro da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-

�10
Graduação em Ciência da Informação (EnANCIB), realizado em Belo
Horizonte, em 2003.

Considerações finais
A aplicação dos recursos públicos, não só pelas agências de fomento,
mas principalmente pelas universidades brasileiras que formam recursos
humanos para as áreas de Biblioteconomia e Ciência da Informação, devem
estar visíveis, sobretudo para a comunidade científica e, principalmente, para a
sociedade. Justifica-se assim, a necessidade e a importância de divulgar nos
Seminários Nacionais de Bibliotecas Universitárias (SNBU), eventos que vem
sendo realizados desde 1978, o panorama atual das pesquisas e o
desempenho dos Grupos que geram conhecimento na área.

�11
Bibliografia
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Informação, Brasília, v.24, n.1, p.7-9, jan./abril 1995.
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Bloomington, 1983. Teses (Doutorado) - Indiana University.
SHERA, Jesse H. Sobre biblioteconomia, documentação e Ciência da
Informação. In: Ciência da Informação ou Informática? Rio de Janeiro:
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�13
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Technology, New York, John Wiley &amp; Sons, v.12, p.249-75, 1977.
TAYLOR, Robert S. Professional aspects of Information Science and
Technology. Annual Review of Information Science and Technology, New
York, John Wiley &amp; Sons, v.1 p.15 -, 1966.

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Poblaciín, Dinah Aguiar; Prazeres, Ana Paula Pereira dos; Oliveira, Laucivaldo Cardoso de</text>
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                <text>O Diretório dos Grupos de Pesquisa criado pelo CNPq em 1992, vem ao longo dos anos aperfeiçoando instrumentos de acompanhamento e avaliação padronizados para dar maior visibilidade aos investimentos aplicados em atividades de fomento à pesquisa no Brasil. A área de conhecimento “Ciência da Informação” vem sendo representada neste Diretório desde 1993 e, considerando os investimentos destinados a formação de recursos humanos iniciados nas décadas de 70 e 80, respectivamente com o oferecimento de programas de mestrado e doutorado, torna-se necessário refletir sobre os esforços empreendidos que possibilitam a organização social da comunidade e o fortalecimento da pesquisa em Ciência da Informação. Este trabalho procura por meio de coleta de dados no Diretório de Pesquisa do CNPq, identificar o processo de crescimento dos grupos da área no período de 1993 até 2005, apontando a estrutura, a composição, a vinculação institucional, a distribuição geográfica e o agrupamento das temáticas abordadas segundo as linhas de pesquisa, delineando-se assim, o mapa da pesquisa e da produção brasileira do conhecimento em Ciência da Informação.</text>
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                    <text>EVOLUÇÃO

NA

ORGANIZAÇÃO

TÉCNICA

DAS

COLEÇÕES

ESPECIAIS DO AEL/IF CH/UNICAMP

Maria Helena Segnorelli
UNICAMP  IFCH
Arquivo Edgard Leuenroth
C a i xa P o s t a l 6 1 1 0
13083-970 Ca mpinas SP
h e l s i g n o @ u n i c a mp . b r

�EVOLUÇÃO

NA

ORGANIZAÇÃO

TÉCNICA

DAS

COLEÇÕES

ESPECIAIS DO AEL/IF CH/UNICAMP

Maria Helena Segnorelli1

Resu mo:

Neste

trabalho,

a presenta mos

as

transfor maçõe s

ocorridas

quanto à organização técnica de livros integrantes às coleções
e s p e c i a i s d e r e n o ma d a s p e r s o n a l i d a d e s a b r i g a d a s n o A r q u i v o
Edgard Leuenroth Centro de Pesqu isa e Documentação So cial,
do Insti tuto de Fi l osofi a e Ci ênci as Hu manas, da Uni versi dade
Estadual

de

Ca mpinas.

Relata mo s,

ta mbé m,

a

mudança

na

c a t a l o g a ç ã o d e l i v r o s , o s i n s t r u me n t o s d e t r a b a l h o s u t i l i z a d o s , e
o processo de inclusão em base de dados, dando visibilidade do
acervo e possi bil i dade de i denti ficação de obras raras após
adoção

do

proporciona

novo

método

eficácia

no

de

catalogação.

tratamento

Todo

técnico

o
de

processo
livros

e

d i s p o n i b i l i z a ç ã o p a r a a c o m u n i d a d e a c a d ê mi c a m u n d i a l , a s s i m ,
a preservação da me móri a, real i zação de pesqui sas e produçã o
d o c o n h e c i me n t o .

Palavras-chave: Coleções espe ciais  processa mento técnico

1

B a c h a r e l e m B i b l i o t e c o n o mi a p e l a P U C - C a m p i n a s , b i b l i o t e c á r i a
da Seção de Proce ssa mento Técnic o do AEL/IFCH/UNI CAMP 
h e l s i g n o @ u n i c a mp . b r

�Histórico do AEL:

O

Arquivo

Docu mentação

Edgard

Leuenroth
(AEL)2

Social





foi

Centro
criado

de
no

Pesquisa
Instituto

e
de

F i l o s o f i a e Ci ê n c i a s H u ma n a s 3, e m 1 9 7 4 , q u a n d o a U n i v e r s i d a d e
Estadual

de

C a mp i n a s

(Unica mp )4

adquiriu

da

f a mí l i a

do

mi l i t a n t e a n a r q u i s t a E d g a r d L e u e n r o t h o c o n j u n t o d o c u m e n t a l
a c u mu l a d o a o l o n g o d e s u a

vida. Co mposto por periódicos

( jo r n a i s e r e v i s t a s ) , p a n f l e t o s , c a r t õ e s p o s t a i s , ma n u s c r i t o s ,
l i v r o s , f o l h e t o s e r e c o r t e s d e jo r n a i s , p r o d u z i d o s e a c u mu l a d o s
(no

d e s e n v o l v i me n t o

de

suas

ati vidades

jo r n a l í s t i c a s

e

de

mi l i t a n t e p o l í t i c o ) p e l o t i t u l a r , o c o n j u n t o é b a s t a n t e r e l e v a n t e
para o estudo da esquerda política.

Ainda

nos

anos

70,

os

fundadores

do

AEL

buscara m

p r e s e r v a r e c a p t a r a d o c u m e n t a ç ã o e xi s t e n t e n o B r a s i l s o b r e a
história

do

mo v i me n t o

operário

e

procuraram

tornar

mais

acessível aos pesquisadores brasileiros a docu mentação sobre
o t e ma , q u e s e e n c o n t r a v a n o e xt e r i o r .

I s t o o c o r r e u t a n t o a t r a v é s d e c o mp r a , d o a ç ã o , p e r mu t a o u
r e c u r s o s d e p r o je t o s q u e p o s s i b i l i t a r a m a o b t e n ç ã o d e c ó p i a s d e
materiais estrangeiros.

N o s a n o s 8 0 , h o u v e u m a c o n s i d e r á v e l a mp l i a ç ã o t e m á t i c a
e d e v á r i o s g ê n e r o s d o c u me n t a i s n a c o mp o s i ç ã o d o a c e r v o d o

2
3
4

http:// www.ifch.unica mp.br/ael/
http:// www.ifch.unica mp.br/ho meifc h/principal.php
http:// www.unica mp.br/

�A E L . A i n s t i t u c i o n a l i z a ç ã o d o A E L , e m 1 9 8 6 , f i n a l me n t e p e r mi t i u
s u a d i v u l g a ç ã o , o q u e f a c i l i t o u c o n s i d e r a v e l me n t e a d i f u s ã o d o
trabalho desenvolvido e a obtenção de novos acervos.

Histórico do Processa men to Técnic o de Livros do AEL:

I n i c i a l me n t e , o s l i v r o s t i n h a m s u a s i n f o r ma ç õ e s p r i n c i p a i s
(autor,

título,

i mp r e n t a )

cadastrados

l o c a l me n t e

e

recebia m

n ú me r o e m o r d e m c r e s c e n t e , t i d o c o mo n ú m e r o d e t o m b o , o q u a l
t a mb é m e r a u t i l i z a d o p a r a s u a d i s p o s i ç ã o f í s i c a n a s e s t a n t e s .

Com

as

catalográficas

i n f o r ma ç õ e s
eram

principais

confeccionadas

e

adotadas,

as

fichas

di sponi bi li zadas

para

p e s q u i s a d o s l i v r o s . A r e c u p e r a ç ã o s o me n t e e r a p o s s í v e l p e l a s
entradas de autores e títulos.

O fato dos livros não serem recuperados por assunto ou
disponibilizados e m nenhu ma ba se de dados on-line restringia
muito sua pesquisa e levou o Cons elho Diretivo do AEL, no final
d e 1 9 9 7 , a o p t a r p e l a i n cl u s ã o d o a c e r v o d e l i v r o s n o S i s t e ma
d e B i b l i o t e c a s d a U n i c a mp - S B U 5. E s s a d e c i s ã o t a m b é m a t e n d i a
à

necessidade

e

i mp o r t â n c i a

de

divulgar

o

acervo

ju n t o

à

c o mu n i d a d e a c a d ê m i c a d a U n i v e r s i d a d e e f o r a d e l a .

O S B U i n t e g r a a r e d e B i b l i o d a t a / C a l c o 6, d e s e n v o l v i d a e
gerenciada pela Fundação Getúlio Vargas, tra tando-se de u ma
5
6

http:// www.unica mp.br/bc/
http://www2.fgv.br/bibliodata/

�rede

nacional

de

catalogação

cooperada,

que

adota

co mo

padrões o MARC e AACR2 , send o co mpatível co m siste ma s
i nternaci onai s de regi stros bi bl i ográfi cos.

As

bibliotecas

parti ci pantes

do

S i s t e ma

cooperam

na

catalogação do registro de seu s ac ervos, e con sequente mente,
a p r o v e i t a m o s r e g i s t r o s já c a t a l o g a d o s e xi s t e n t e s n e s t a b a s e d e
d a d o s , u t i l i z a n d o - s e d o c d - r o m B i b l i o d a t a p a r a e xe c u t a r e s t e
p r o c e s s o , s e n d o p o s s í v e l t a mb é m u t i l i z á - l o p a r a i mp l a n t a ç ã o d e
regi stros i nexi stentes.

O A E L , i n t e g r a n d o o S B U , a o f i n a l d o 1 9 9 8 já t i n h a p a r t e
de

seu

acervo

divulgado

e

consultado

on-line,

através

do

A c e r v u s , u m b a n c o d e d a d o s b i b l i o g r á f i c o s , c o mp o s t o p o r l i v r o s
e t e s e s , d o S i s t e m a d e B i b l i o t e c a s d a U n i c a mp .

Após análise por um Grupo de Discussão constituído pelas
várias

categorias

da

co munidade

universitária,

o

Plano

de

A u t o m a ç ã o d o S i s t e ma d e B i b l i o t e c a s r e s o l v e u i m p l e me n t a r o
Virtua, u m soft ware integrado de funções co m pre sença mundial
n o me r c a d o d a g e s t ã o d a i n f o r ma ç ã o .

E m 1 0 d e d e z e m b r o d e 1 9 9 9 o V i r t u a f o i i mp l a n t a d o n o
SBU,

e

com

isso

o

AEL

contratou

quatro

bibliotecários

c a t a l o g a d o r e s t e mp o r á r i o s , c o m a p o i o f i n a n c e i r o d a F a p e s p ,
para agilizar a integração do acervo com a catalogação de 4.000
livros.

�Ainda

com

a

intenção

de

agilizar

o

processo

de

c a t a l o g a ç ã o d o a c e r v o , e m ju l h o d e 2 0 0 1 , o A E L r e c e b e u u ma
bibliotecária, através de concurso, com a função de catalogar
todo o restante do acervo de livros.

Em 2003, co m o conheci mento d o SBU, o AEL adotou a
f e r r a me n t a B o o k wh e r e 7, t e c n o l o g i a u t i l i z a d a p a r a a r e a l i z a ç ã o
de

catalogação

copiada

de

livros,

desenvolvida

pela

Sea

Change Corporation (Canadá), constituída por 705 bases de
dados de do mínio público.

Já

em

2004,

o

SBU

adotou

o

PesqBib,

da

FGV,

em

s u b s t i t u i ç ã o a o B i b l i o d a t a , e t a mb é m d i s p o n i b i l i z o u o mó d u l o d e
c a t a l o g a ç ã o ( i mp l a n t a ç ã o d e r e g i s t r o s ) p e l o V i r t u a , a g i l i z a n d o
a i n d a ma i s o p r o c e s s o d e c a t a l o g a ç ã o .

A t u a l me n t e

mais

de

12.000

livros

do

AEL

estão

c a t a l o g a d o s e d i s p o n í v e i s n a b a s e C h a me l e o n 8, i n t e r f a c e d o
Virtua, restando cerca de 30.000 livros a serem catalogados.

O

C h a me l e o n ,

na

we b ,

possibilita

a

reali zação

de

p e s q u i s a s p o r a u t o r , t í t u l o , o u b u s c a s s i mp l e s e a v a n ç a d a , n a
qual utiliza operadores booleanos.

7
8

h t t p : / / w w w . b o o k wh e r e . c o m
h t t p : / / d e we y . u n i c a m p . b r : 8 0 0 0 / c g i - b i n / g w_ 4 6 _ 2 _ 4 / c h a m e l e o n

�C o m e s t a s a ç õ e s , o A E L p a s s o u a p a r t i c i p a r i n t e g r a l me n t e
do

s i s t e ma

co mo

a l i me n t a d o r

de

dados,

e

não

mais

co mo

catal ogador de e xe mpl ares/i tens.

Características do Acer vo de Livros:

O a c e r v o b i b l i o g r á f i c o d o A E L é c o mp o s t o p o r o b r a s q u e
a c o mp a n h a m

coleções

docu ment ais

e

fundos

arquivísticos

p r o v e n i e n t e s d e p e s s o a s o u i n s t i t u i ç õ e s , c u ja s a t i v i d a d e s t ê m
r e l a ç ã o c o m a s á r e a s d e c i ê n c i a s p o l í t i c a s e mo v i m e n t o s s o c i a i s
d e e s q u e r d a ( a n e x o 1 ) , e e s t i ma m o s u m v o l u me d e 4 0 . 0 0 0
livros.

Co m o i níci o dos trabal hos de catal ogação do acervo foi
possível constatar que:

-

o AEL po ssui u ma de manda média de 70 % da s obras
p a r a i mp l a n t a ç ã o n o s b a n c o s d e d a d o s , d e mo n s t r a n d o
ser

um

acervo

diferenciado

em

relação

às

outras

bibliotecas que integra m o Siste ma;

-

d e n t r e e s s a s o b r a s u m g r a n d e v o l u me é c o n s i d e r a d o
raro ou especial.

Caracterizado

o

acervo,

detectou-se

a

necessidade

de

t r e i n a me n t o d a b i b l i o t e c á r i a r e s p o n s á v e l p a r a t r a t a m e n t o d o
mes mo. Apó s realização de curso s oferecidos pela Biblioteca

�Nacional

foram

estabelecidas

políticas

de

i denti fi cação,

t r a t a me n t o e a c o n d i c i o n a me n t o d a s o b r a s r a r a s e e s p e c i a i s .

Organização

e

a c o n d i c i o n a me n t o ,

t r a t a me n t o

da

i n f o r ma ç ã o ,

divulgação, preservação e acesso:

O r g a n i z a ç ã o e a c o n d i c i o n a me n t o :

C o n f o r me r e c o m e n d a ç ã o d a S e ç ã o d e P r e s e r v a ç ã o d o A E L ,
a s o b r a s n ã o r e c e b e m c a r i mb o s o u q u a l q u e r a n o t a ç ã o f e i t a à
tinta,

utilizando-se

o

lápis

6B

para

as

anotações

de

c l a s s i f i c a ç ã o , t o mb o e o u t r a s q u e p o r v e n t u r a s e ja m n e c e s s á r i a s .

Considerando-se que cada ite m integrante de u ma coleçã o
o u f u n d o é a e xt e n s ã o d a m e m ó r i a , p r o d u t o d e a c u mu l a ç ã o o u
s u b t r a ç ã o d e e xp e r i ê n c i a s e i d é i a s d e s e u d o n o , p o s s u i n d o
características

próprias

e

únicas,

fazendo

mais

sentido

se

integrada na coleção ou fundo arquivístico, para a guarda da
o b r a s ã o o b s e r v a d a s e s t a s q u e s t õ e s , a l é m, o b v i a me n t e , d a
classificação e cutter dentro de cada coleção ou fundo.

Utiliza-se

um

ar mário

acervo.

T r a t a me n t o d a I n f o r m a ç ã o :

deslizante

para

acondicionar

o

�O

AEL

segue

as

reco men daçõ es

do

SBU

para

a

catalogação das obras, sendo: uso do Código de Catalogação
Anglo-Americano, 2ª ed., adoção da Classificação Deci mal de
D e we y p a r a c l a s s i f i c a ç ã o e d a T a b e l a C u t t e r p a r a d e f i n i r a
notação da autoria. O vo cabulário controlado da FGV ta mbé m é
adotado para assunto e autoridade.

Levando-se em conta a constituição do acervo e o perfil
dos pesquisadores do AEL, conclui-se que as obras deveria m
ter

seus

assuntos

descritos

na

catalogação

de

ma n e i r a

aprofundada, o que tem trazido eficiência na busca das obras do
acervo.

Divulgação:

A s o b r a s c a t a l o g a d a s f i c a m v i s í v e i s n a we b , u s a n d o a b a s e
C h a me l e o n , c o m o já m e n c i o n a d o a n t e r i o r me n t e .

D i s p o mo s

ainda

do

Cadernos

AEL

(publicação

para

d i v u l g a ç ã o d e e s t u d o s r e a l i z a d o s a p a r t i r d o s t e ma s a b r a n g i d o s
pelo

acervo

do

AEL)

e

e s p o r a d i c a me n t e

da

publicação

de

repertórios/catálogos das coleções e fundos.

A i n d a p r e t e n d e mo s r e a l i z a r e x p o s i ç õ e s t e m á t i c a d e o b r a s
d o a c e r v o , p o r é m , a t u a l m e n t e n ã o d i s p o mo s d e e s p a ç o f í s i c o
para isso.

�Preservação:

O a mb i e n t e d o a c e r v o é c l i ma t i z a d o , s e n d o a t e mp e r a t u r a
e

u mi d a d e

do

ar

mo n i t o r a d a s

pela

Seção

de

Preservação

através de equi pa mento espe ci al i zados.

O AEL adot a roti nas de hi gi eni zação e conservação, be m
c o mo o u s o d e m a t e r i a i s a d e q u a d o s a c a d a o b r a , c o n f e c ç ã o d e
invólucros e uso de mobiliários especiais para cada caso.

Acesso:

Caracterizado

co mo

instituição

de

preservação

da

m e m ó r i a , o A E L a d o t a o s i s t e ma d e a c e r v o f e c h a d o , p o r é m
qualquer pessoa pode pesquisar seu acervo utilizando-se da
b u s c a n o C h a m e l e o n , v i a we b , e a e s t r u t u r a f í s i c a n a S a l a d e
Pesquisa para consulta da obra.

O e mp r é s t i mo d o mi c i l i a r d a s o b r a s n ã o é p e r m i t i d o , b e m
c o mo c ó p i a s e l e t r o s t á t i c a s , v i s a n d o a c o n s e r v a ç ã o d o a c e r v o .
Em

alguns

casos

é

p e r mi t i d a

a

reprodução

por

fotográfico, porém para isso é necessária autorização.

Considerações finais:

processo

�Com

o

aperfeiçoa mento

e

mode rnização

das

práticas

b i b l i o t e c o n ô mi c a s , b e m c o m o o p r o c e s s o d e a u t o m a ç ã o d o s
catálogos, resultando na inclusão do acervo de livros do AEL em
b a s e d e d a d o s d e v i s i b i l i d a d e i n t e r n a c i o n a l c u mp r i mo s n o s s o
objetivo institucional de disponibilizar tais coleções de rico
v a l o r i n f o r ma c i o n a l , a s s e s s o r a n d o , a s s i m, n a p r e s e r v a ç ã o d a
m e m ó r i a , r e a l i z a ç ã o d e p e s q u i s a s e p r o d u ç ã o d o c o n h e c i me n t o .

Referênci as bi bl i ográfi cas:

BECK,

Ingrid

manuseio.

(coord.).

2.ed.

Rio

Caderno

de

Janei ro:

técnico:
P r o je t o

ar mazenag e m
de

e

conservação

preventiva em bibliotecas e arquivos/Arquivo Nacional, 2001.

BELLOTTO,

Heloisa

Liberalli.

pe rmanentes:

Ar q u i v o s

t r a t a me n t o d o c u m e n t a l . S ã o P a u l o : T . A . Q u e i r o z , 1 9 9 1 . 1 9 8 p .

LIBRARY OF CONGRESS ( EUA).
rare

books.

2.ed.

W ashington,

Descripti ve catalogi ng of
D.C.,

1991.

h t t p : / / w w w . i t s m a r c . c o m / c r s / r a r e 0 1 7 0 . h t m.

Disponível
Acesso

e m:
em

28/07/2006.

L I M A , E l a i n e A p a r e c i d a d e . A a u t o ma ç ã o d o s c a t á l o g o s d e
m o n o g r a f i a s d o s i s t e m a d e b i b l i o t e c a d a U n i c a mp : h i s t ó r i c o e
análise.

In:

SEMINÁRIO

UNIVERSITÁRIAS,
2004.

13.,

2004,

NACIONAL
Natal.

DE

Anais...

BIBLIOTECAS
Natal:

UFRN,

�MIRANDA, Vâ nia R. P. de Reno vaçã o das práticas no trata men to
arquivístico

do

Arquivo

Edgard

Leuenroth.

In:

Encont ro

de

Arq ui vos Cie ntíficos, 1, Ri o de Ja nei ro: Fundação Casa de Rui
B a r b o s a e M u s e u d e A s t r o n o mi a e C i ê n c i a s A f i n s , 2 0 0 3 .

P I N H E I R O , A n a V i r g í n i a . Q u e é l i v r o r a r o ? : u ma me t o d o l o g i a
para o estabel eci mento de cri téri os de rari dade bi bl i ográfi ca.
Rio de Janeiro: Presença; Brasília: INL, 1989.

S E G N O R E L L I , M a r i a H e l e n a . R e d e f i n i n d o o t r a t a me n t o t é c n i c o
d o s a c e r v o s d e l i v r o s d a s c o l e ç õ e s e s p e c i a i s d o A E L / U n i c a mp .
In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BI BL IOTECAS UNI VERSITÁRI AS,
1 3 . , 2 0 0 4 , N a t a l . An a i s . . . N a t a l : U F R N , 2 0 0 4 .

�ANEXO 1:

Coleções Especiais catalogadas:

-

Centro de Pesquisa e Do cu mentaçã o Social

-

Elizabeth Souza Lobo

-

H e i t o r F e r r e i r a L i ma

-

H e i n z O s t r o we r

-

H e r mí n i o S a c c h e t t a

-

Hílio de Lacerda Manna

-

Libório Justo

-

Luiz Carlos Prestes

-

Mário Carvalho de Jesu s

-

Octávio Brandão

-

Paulo Ottoni

-

Paschoal Le mme (e m proces so de c atalogação)

�</text>
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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Neste trabalho, apresentamos as transformações ocorridas quanto à organização técnica de livros integrantes às coleções especiais de renomadas personalidades abrigadas no Arquivo Edgard Leuenroth Centro de Pesquisa e Documentação Social, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, da Universidade Estadual de Campinas. Relatamos, também, a mudança na catalogação de livros, os instrumentos de trabalhos utilizados, e o processo de inclusão em base de dados, dando visibilidade do acervo e possibilidade de identificação de obras raras após doção do novo método de catalogação. Todo o processo proporciona eficácia no tratamento técnico de livros e disponibilização para a comunidade acadêmica mundial, assim, a preservação da memória, realização de pesquisas e produção do conhecimento.</text>
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                    <text>EXPLORANDO MEMÓRIAS: INFORMAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO DO
ESPORTE NACIONAL NA PRIMEIRA DÉCADA DA REVISTA MANCHETE

Márcia Cristina de Andrade
Coordenadora Técnica SIBRADID
Graduação Biblioteconomia
Sistema Brasileiro de Documentação e Informação Desportiva - SIBRADID
Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional - EEFFTO
Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
Av. Presidente Antônio Carlos, 6627 - Pampulha
31270-901 - Belo Horizonte, MG BRASIL

e-mail: sibradid@eeffto.ufmg.br
mca@ufmg.br

Telma de Oliveira Melo
Coordenadora do Setor de Periódicos da FAFICH
Graduação Biblioteconomia
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas – FAFICH
Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG
Av. Presidente Antônio Carlos, 6627 - Pampulha
31270-901 - Belo Horizonte, MG BRASIL

e-mail: telmamelo@ufmg.br
telmamelbh@yahoo.com.br

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

�EXPLORANDO MEMÓRIAS: INFORMAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO DO
ESPORTE NACIONAL NA PRIMEIRA DÉCADA DA REVISTA MANCHETE

Márcia Cristina de Andrade*
Telma de Oliveira Melo**

RESUMO
Diariamente torna-se mais importante o aprendizado significativo e a capacidade
para lidar com o volume crescente de informações disponíveis. Criou-se, então, o
ambiente propício e ainda pouco explorado pelos profissionais da informação, que
é o Serviço de Referência Digital. E, dentro deste, encontra-se a elaboração do
site. “Explorando memórias: informação e documentação do esporte nacional na
primeira década da revista MANCHETE”, um desafio para os profissionais ligados
à informação, visando a oferecer mais um serviço por meio digital e tornar as
instituições e bibliotecas capazes de projetar, elaborar e gerir produtos
direcionados a partir do grande fluxo de informações. Para criar o site,
começamos pela indexação dos documentos, identificando o conteúdo,
traduzindo para a linguagem específica à recuperação de informação, e
disponibilizando o conteúdo via web. A utilização desta linguagem padronizada,
permitiu a reunião dos conceitos esportivos, propiciando o refinamento na busca
da informação de forma rápida, precisa e segura. Com este trabalho, estamos
também contribuindo para o enriquecimento da historiografia do Esporte
Brasileiro.
Palavras-chave: Esporte. Historia. Periódico. Disseminação da informação.
Manchete
* Márcia Cristina de Andrade
Coordenadora Técnica SIBRADID
Sistema Brasileiro de Documentação e Informação Desportiva - SIBRADID
Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional - EEFFTO
Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
e-mail: mca@ufmg.br
** Telma de Oliveira Melo
Coordenadora do Setor de Periódicos da FAFICH
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas – FAFICH
Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG
e-mail: telmamelo@ufmg.br
2

�1. Introdução
A longa história do esporte ajuda a entender como um fenômeno há
milênios se perpetuou no imaginário do homem. O homem está interligado e
correlacionado ao esporte desde os primatas.
Na segunda metade do século XX, notadamente entre 1950 e 1990, o
esporte é sacudido por uma nova realidade. A concepção do “Ideário Olímpico”
em “o importante é competir” saem de cena. A Guerra Fria estimula o uso
ideológico do esporte, colocando em segundo plano o fair play. A simples prática
esportiva deixa de ser relevante, pois o que importa é o rendimento, o resultado.
Inicia-se um rápido processo de profissionalização dos atletas, alçados à
condição de estrelas da mídia e heróis nacionais. A corrida em busca de recordes
e títulos fazem com que organismos internacionais lancem manifestos
denunciando a exacerbação da competição e alertando os governos para as
novas responsabilidades do Estado no que se refere às atividades físicas. Os
textos destacam a necessidade de garantir à população em geral – e não apenas
aos atletas – condições que levem à democratização do esporte.
Nos últimos tempos, o Esporte tem sido alvo de uma impressionante
mudança. A última década do século passado revela a aceleração das mudanças
na prática esportiva. Consolida-se a idéia de esporte como direito de todos.
Grupos até então pouco atendidos na questão da atividade física ganham mais
atenção. Dois exemplos de tal transformação são a terceira idade e a pessoa
portadora de deficiência.
Amplia-se o próprio conceito de esporte, desmembrado em esporteparticipação (lazer) e esporte de rendimento (competição). O papel do Estado
também se altera. Ele deixa de apenas tutelar as atividades esportivas. Passa a
investir em recursos humanos e científicos. Além disso, no campo do alto
rendimento, dá atenção especial às questões éticas, como combate ao doping.
No caso do esporte de alto rendimento, percebe-se o avanço da lógica
mercantilista. Provas, partidas e torneios são espetáculos; atletas, produtos em
exibição. Equipes de futebol, atletismo, vôlei ou basquete funciona como uma
espécie de grande companhia artística, com astros (atletas) milionários e shows
(partidas ou provas) que mobilizam a mídia e o público. Estimuladas pela
cobertura das TVs, novas modalidades ganham importância. Os chamados
3

�esportes radicais (surfe, skate, kitesurfe, bicicross, motocross, entre outros)
proporcionam imagens de impacto e conquistam novos fãs a cada dia. Além
disso,

multiplicam-se

os

“esportes-filhotes”,

derivações

de

modalidades

amplamente difundidas. Vôlei de praia, futsal e beach soccer são alguns
exemplos do fenômeno.
Para instituições de informação e bibliotecas, no que tange a seus
objetivos, a responsabilidade de prover as comunidades nas quais inseridas com
serviços de recuperação e localização de informação é de suma importância.
Para atendermos de forma satisfatória às necessidades dos usuários foi
indispensável à mudança de postura, usando de tecnologias avançadas,
aprimoramento profissional e tantas outras ações que devem fazer parte da rotina
dos profissionais responsáveis pela área de informação de toda instituição. O fato
de oferecer um serviço é indispensável para manter a qualidade dos produtos ou
serviços oferecidos pelas instituições de informação e bibliotecas.

As novas tecnologias da informação estão criando “bibliotecas
sem paredes para livros sem páginas”. Mais conhecidas
como bibliotecas virtuais, estas novas formas e suportes
estão redefinindo os paradigmas atuais sobre
informação, comunicação e o próprio âmbito de trabalho
dos profissionais da área. Interdisciplinaridade e
interatividade tornam-se as novas palavras de ordem.
(LEVACOV, 1997).

Diariamente torna-se mais importante o aprendizado significativo e a
capacidade para lidar com o volume crescente a informações disponíveis. Sendo
assim, cresce também a necessidade de adequação dos sistemas envolvendo
soluções e/ou aplicações tecnológicas. Se de um lado há a necessidade de
atualização constante, faz-se necessário repensar antigas estratégias que estas
instituições e bibliotecas vem utilizando no que se refere a métodos tradicionais
de consulta, pesquisa e disseminação da informação aos usuários.
Este é um dos maiores desafios para os profissionais da informação:
tornar as instituições e bibliotecas capazes para projetar, elaborar e gerir produtos
direcionados a partir do grande volume e do fluxo de informações.

4

�O

material

privilegiado

de

análise,

neste

artigo,

é

a

revista,

especialmente por conta de sua proposta explícita, onde podemos trabalhar
narrativas visuais, reunindo a periodicidade semanal com a produção de imagens
cuidadas e produzidas para dizer muito em pouco tempo e espaço. São revistas
de interesse geral que tem em comum a proposta de dar conta das principais
noticiais da semana.
As revistas são um elemento significativo na história da cultura brasileira.
A história das revistas é marcada por uma sucessão de reviravoltas. Porém
encontramos ainda hoje revistas que pertencem a um sistema do passado,
elementos antigos que subsistem no seio dos modernos. Três gerações de
revistas se sucedem e se superpõem . A primeira, atualmente, está praticamente
desaparecida. A segunda, amadurecida, encontra-se estagnada. A terceira,
recente, está em plena ascensão.
Optamos por trabalhar com a segunda geração de revistas que se
desenvolveu entre 1945 e 1960. O sistema bem definido que essa geração
constitui repousava sobre três bases: - a revista ilustrada de atualidades – a
revista de cultura geral – e a imprensa sentimental. Neste trabalho vamos ater
nosso texto no primeiro eixo: o da revista ilustrada de atualidades com
entretenimento e fatos diversos.
A partir dessas observações, surge o interesse em analisar a revista
Manchete para identificar como foi divulgado o esporte, visto que foi uma revista
de fatos diversos, de grande tiragem de circulação nacional, que publicava
reportagens entre as diversas seções destacando a de esportes.
Faremos uma greve referencia sobre o CEDOC, tendo em vista que a
partir de sua fundação e durante vários anos ele abrigou grande parte dos
documentos necessários ao trabalho jornalístico1.
O levantamento de dados em mais de 500 edições da revista Manchete
(1952 – 1962) foi realizado na Biblioteca Antônio Luiz Paixão da Faculdade de
Filosofia e Ciências Humanas - FAFICH da Universidade Federal de Minas Gerais
e Biblioteca Pública Luiz de Bessa, ambos sediados na cidade de Belo Horizonte.

5

�Nessa etapa da pesquisa histórica, o critério utilizado foi à seleção de
reportagens, títulos e notas alusivas ao esporte nacional em geral.

2. Justificativa

O processo de indexação de um documento consiste em duas fases:
primeira, identificar e representar o conteúdo intelectual do documento: segunda,
traduzir para uma linguagem específica que possibilite a recuperação da
informação
A criação desse site permitirá a reunião dos documentos analisados
propiciando a indexação e o refinamento na busca da informação.

3. Objetivos

- Organizar e recuperar a informação para disseminar a informação de forma
rápida, precisa e segura.
- Facilitar a busca de documentos publicados no periódico Manchete e que estão
relacionados ao esporte nacional.

4. Metologia

Este é um artigo que apresenta características informativas. Não
comentaremos o conteúdo dos artigos.
A seguir enumeramos as etapas utilizadas para a criação do site:
1- Delimitar o período da revista Manchete a ser pesquisado – primeira década
1952-1962;
2- Escolher o assunto – Esporte Nacional;
3- Pesquisar e consultar as edições da revista;
4- Selecionar as reportagens sobre o assunto;
5- Digitalizar / fotografar o material selecionado;
6- Leitura e análise do assunto por um especialista;
1

O acervo consultado pertence ao CEDOC (Centro de Documentação da Comunicação) da Biblioteca
Antônio Luiz Paixão, da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas – FAFICH da Universidade Federal de

6

�7- Indexação dos assuntos;
8- Definição do formato de armazenamento via web para facilitar e agilizar a
busca de uma maneira simples e precisa;
9- Digitação e correção;
10- Disponibilizar o site via web.

3. Conclusão

Atualmente diversos fatores parecem apontar para a necessidade de se
repensar o papel das publicações periódicas como veículo de comunicação hoje.
Dois desses fatores são decisivos: o encolhimento dos gastos com pesquisa, e o
desenvolvimento da tecnologia de redes. A influência do primeiro é bastante clara
na produção e distribuição dos periódicos trazendo problemas que colocam em
risco a qualidade da própria sobrevivência das publicações. A tecnologia, por seu
lado, abre possibilidades para se eliminar o engessamento da revista na
periodicidade e para se inventar novas formas de comunicação que poderá aliviar
os problemas de custeio das publicações.
Os editores, responsáveis diretos pelas publicações, foram levados a
optar entre uma tecnologia – o impresso – que vem se aperfeiçoando ao longo de
quase 400 anos, e – a tecnologia eletrônica – que com sua virtualidade, modificou
o paradigma da comunicação científica.
Hoje a internet é algo inevitável, mesmo assim, muitos afirmam a
necessidade de se manter os dois formatos concomitantemente.
As publicações periódicas são cruciais para a qualidade de uma
biblioteca, seja ela física ou virtual. Esses veículos de comunicação são sérios,
atualizados e muitos importantes para o desenvolvimento da ciência. Com a
crescente virtualização do conhecimento, as bibliotecas têm um novo desafio:
digitalizar e tornar acessível o seu acervo.
Com este trabalho, estaremos também, contribuindo para o
enriquecimento da historiografia do esporte brasileiro.

Minas Gerais.

7

�REFERÊNCIAS

ABNT. NBR 6022: informação e documentação: artigo em publicação periódica
científica impressa: apresentação. Rio de Janeiro, 2003.5 p.
ABNT. NBR 6023: informação e documentação: elaboração: referências. Rio de
Janeiro, 2002. 24 p.
ABNT. NBR 6028: resumos. Rio de Janeiro, 2003. 2 p.
ABNT. NBR 10520: informação e documentação: citação em documentos. Rio de
Janeiro. 2002. 7. p.
FRANÇA, Júnia Lessa et al. Manual para normalização de publicações
técnico-científicas. 7. ed. Ver. E ampl. Belo Horizonte: UFMG, 2004. 242 p.
LEVACOV, M. Bibliotecas virtuais: (r)evolução? Ci. Inf., Brasília, v.26, n.2,
Maio/Ago. 1997. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php. Acesso em 17
abr. 2006.
MASSARANI, Luisa. A divulgação da científica no Rio de Janeiro: algumas
reflexões sobre a década de 20. Rio de Janeiro: 1998, [dissertação de mestrado,
ECO – UFRJ]

8

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>Diariamente torna-se mais importante o aprendizado significativo e a capacidade para lidar com o volume crescente de informações disponíveis. Criou-se, então, o ambiente propício e ainda pouco explorado pelos profissionais da informação, que é o Serviço de Referência Digital. E, dentro deste, encontra-se a elaboração do site. “Explorando memórias: informação e documentação do esporte nacional na primeira década da revista MANCHETE”, um desafio para os profissionais ligados à informação, visando a oferecer mais um serviço por meio digital e tornar as instituições e bibliotecas capazes de projetar, elaborar e gerir produtos direcionados a partir do grande fluxo de informações. Para criar o site, começamos pela indexação dos documentos, identificando o conteúdo, traduzindo para a linguagem específica à recuperação de informação, e disponibilizando o conteúdo via web. A utilização desta linguagem padronizada, permitiu a reunião dos conceitos esportivos, propiciando o refinamento na busca da informação de forma rápida, precisa e segura. Com este trabalho, estamos também contribuindo para o enriquecimento da historiografia do Esporte Brasileiro.</text>
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FACILIDADES PARA LOCALIZAÇÃO DE MATERIAIS
BIBLIOGRÁFICOS EM ESTANTES NO SISTEMA PERGAMUM
Heloisa Helena Anzolin1
RESUMO
Relata o caso da Biblioteca Central da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, na utilização do
serviço disponível dentro do Sistema Pergamum, para informar ao usuário exatamente em que
estante e andar do prédio da Biblioteca está o material bibliográfico desejado. Aborda a
importância de oferecer possibilidades aos usuários de ter maior independência dentro do
ambiente interno da biblioteca, propiciando economia de tempo, e agilidade para obtenção física
dos materiais desejados. Tão importante quanto possuir um acervo atualizado, com materiais
impressos, ou acervos com acesso on-line é a acessibilidade física do material desejado. A
seleção e aquisição do material bibliográfico eficiente, o tratamento da informação de acordo com
as normas e padrões internacionais de catalogação, bem com, a indexação de assuntos, de nada
vale se o usuário não consegue facilmente obter o acesso físico ao documento existente na
biblioteca. Iniciativas como essas, aparentemente simples, podem fazer muita diferença para o
usuário. Analisando os benefícios obtidos, tanto para usuários, quanto para a equipe, concluímos
que justifica o trabalho para manter atualizado o serviço, e que às vezes nem precisamos de mais
equipamentos, além do que a biblioteca tem, para melhorar e dinamizar os serviços que a
Biblioteca oferece aos seus usuários.

Palavras-chave: Sistema Pergamum; Sistema de sinalização; Bibliotecas
Universitárias; Usuários; Biblioteca Central/PUCPR.
1 INTRODUÇÃO
Tão importante quanto possuir um acervo atualizado, com materiais
impressos, ou acervos com acesso on-line é a acessibilidade física do material
desejado. A seleção e aquisição do material bibliográfico eficiente, o tratamento
da informação de acordo com as normas e padrões internacionais de
catalogação, bem com, a indexação de assuntos, de nada vale se o usuário não
consegue facilmente obter o acesso físico ao documento existente na biblioteca.
O usuário quer encontrar o que procura com rapidez e eficiência.

Produtos e serviços de qualidade devem ser oferecidos aos usuários,
utilizando-se dos sofisticados meios de comunicação e transferência da
informação. Grandes bibliotecas com serviços informatizados, disponibilizam seus
catálogos on-line, renovações e reservas de materiais, consulta de débitos,
cadastros de áreas de interesse, etc.

1

Bibliotecária Coordenadora Técnica do SIBI/PUCPR. Mestranda do Programa de Pós-Graduação
em Educação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Endereço eletrônico:
heloisa.anzolin@pucpr.br

�2

O uso da tecnologia da informação dentro do ambiente da biblioteca deve
ser um aliado do bibliotecário para divulgar e dar visibilidade ao acervo e serviços
prestados à comunidade que serve.

Ao bibliotecário cabe agir de forma pró-ativa, criando essas facilidades aos
usuários, no ambiente físico da biblioteca, utilizando os recursos da tecnologia de
informação. Explorar e utilizar as informações que estão cadastradas nos
sistemas informatizados disponibilizando-as nos catálogos on-line, criando
serviços que facilite a movimentação do usuário no ambiente interno da biblioteca
com rapidez e independência. Objetivo esse pensado por Ranganathan ao
elaborar as finalidades do catálogo da biblioteca, quando propõe que o mesmo
deve Poupar o tempo do leitor e Poupar o tempo da equipe.

Uma comunicação visual interna bem planejada também pode facilitar
muito a movimentação dos usuários de forma autônoma no ambiente da
biblioteca, conforme afirma Figueiredo (1990 apud VANZ, s.d., p. 4-5) a adoção
de comunicação visual ou de ampla sinalização facilita o auto-serviço e diminui a
demanda de orientação, deixando o usuário mais à vontade e com possibilidade
de se locomover e encontrar o que busca na biblioteca.

Um bom sistema de sinalização é um fator importante na disponibilização
dos serviços e produtos oferecidos pela biblioteca, pois, uma sinalização
deficiente dificulta consideravelmente a busca, recuperação e o uso da
informação (MACHADO, 2003/2004).

Neste trabalho relataremos o caso da Biblioteca Central da Pontifícia
Universidade Católica do Paraná, na utilização do serviço disponível dentro do
Sistema Pergamum, para informar ao usuário em que andar do prédio da
Biblioteca e exatamente qual estante está o material bibliográfico desejado.

2 CARACTERIZAÇÃO DO CONTEXTO
A Biblioteca Central da PUCPR fica localizada no campus Curitiba, em
posição estratégica logo na entrada pelo Portal (entrada principal de pedestres),

�3

denominada Área Cultural entre o prédio da Administração e a Capela
Universitária. Desde 18 de fevereiro de 1994, está instalado em novo edifício,
especialmente projetado e construído para esta finalidade. Conta com três
andares, em uma área construída total de 10.545,40 m², dos quais 3.511,11 m²
destinados para acervo, sendo o restante dos espaços distribuídos para leitura,
atividades culturais, como, lançamento de livros, exposições e apresentações
artísticas, e outras atividades. Além dos lindos vitrais que circundam a área
central interna do prédio.

Considerada um espaço do conhecimento acumulado e organizado de
forma acessível, dispõe, no andar térreo, o serviço de pronta referência,
Laboratório de Acessibilidade, espaço para exposições, lançamentos de livros e
apresentações musicais, e ainda, dois auditórios. Em todos os andares conta com
terminais para acesso ao catálogo on-line disponível na Internet, área para
consulta e estudo, no terceiro andar, cabines para estudo individual e em grupo,
cabines com televisor para assistir fita de vídeo e DVD, laboratório para digitação
de trabalhos com impressora. Todo acervo está protegido por um sistema
eletrônico de segurança.

O controle bibliotecário está informatizado, utilizando Banco de dados
Sybase, arquitetura cliente/servidor com interface gráfica Windows. O sistema de
informatização é o Pergamum  Sistema integrado de Bibliotecas, e está
conectado à Rede Corporativa da Instituição, abrangendo os principais
procedimentos da Biblioteca: catalogação de todos os materiais, aquisição;
reserva e renovação, empréstimos e devolução de materiais; pesquisa e
recuperação do acervo; emissão de relatórios de apoio; controle do acesso aos
ambientes internos; reserva de cabine e microcomputador para trabalho de
digitação.

A Biblioteca Central atende alunos de graduação, pós-graduação,
professores

e

pesquisadores,

enfim

toda

comunidade

acadêmica

Universidade. Atende aproximadamente três mil e trezentos usuários por mês.

da

�4

Reúne em seu acervo de livros, periódicos, teses, mapas, filmes, folhetos,
CD-ROMs, slides, DVDs. Disponibiliza a produção científica da Universidade na
Biblioteca Digital de Publicações Científicas, Biblioteca Virtual com assinaturas
das principais bases de dados das áreas correspondentes aos cursos oferecidos
pela Universidade, Base E-Books (full-text), com acesso local e remoto, além de
links a sites importantes disponíveis na Internet.
3 OBJETIVOS
Considerando que a sinalização do ambiente interno da biblioteca, tem por
objetivo a orientação dos usuários quanto aos serviços que a biblioteca oferece,
facilitando o seu acesso, seu uso e dinamizando seu funcionamento.
(HAUESTEIN, SANTINI; KUSE, s.d.). Não basta apenas informar ao usuário que
o material está disponível, mas é necessário informar onde encontrá-lo de forma
fácil e rápida. Em grandes bibliotecas esse acesso físico ao documento às vezes
fica um pouco prejudicado, porque o usuário está sempre necessitando de um
atendente para orientá-lo, ou, até lhe fornecer o documento. Foi pensando em
direcionar o usuário exatamente para onde está o material desejado, que em
conjunto com a equipe do Sistema Pergamum foi desenvolvido o serviço
Localização na Estante.

O objetivo geral foi oferecer ao usuário uma sinalização da localização do
material

bibliográfico

desejado

de

acordo

com o

andar

e

a

estante

correspondente. Tendo ainda como objetivos específicos os itens a seguir:
• melhorar a acessibilidade pelo direcionamento dos usuários aos recursos
desejados;
• dar maior independência aos usuários no seu fluxo ao ambiente da
biblioteca;
• demarcar diferentes ambientes internos de acervos da Biblioteca;
• diminuir o tempo de espera dos usuários para obter o material;
• eliminar a frustração do usuário para obter o material desejado
rapidamente, quando o atendente está ocupado;
• dinamizar o tempo da equipe;
• liberar a equipe para executar outras tarefas;

�5

• melhorar assistência aos demais usuários para resolução de outras
questões.

Para atingir esses objetivos é necessário que algumas ações sejam
implementadas. O Setor de Referência e Circulação, responsável por orientação e
capacitação de usuários no uso de recursos e serviços da Biblioteca, deverá fazer
uma ampla divulgação do serviço. A ordem do material na estante deve estar
sempre a mais correta possível, para facilitar sua localização. Cabendo aqui, por
parte dos repositores a conscientização, comprometimento e agilidade em repor o
material o mais rápido possível novamente na estante de origem.
4 METODOLOGIA
O serviço foi implantado em 2004, na Biblioteca Central, sendo em seguida
estendido para as bibliotecas setoriais do Sistema Integrado de Bibliotecas SIBI/PUCPR.
A seguir descreveremos as etapas para implantação e operacionalização do
serviço:
4.1 SISTEMA DE SINALIZAÇÃO - PRIMEIRA FASE
A planta baixa dos andares mostrando os acervos já se encontrava
cadastrada no sistema. Mostrava ao usuário, apenas o andar correspondente do
material bibliográfico desejado. Para mostrar a estante específica, foi necessário
como primeira providência, criar as imagens da disposição das estantes para
cada andar, e em seguida numerá-las. Cada fila de estantes, formada por cinco a
seis lances dupla face e face única encostadas nas paredes, foram numeradas
em ordem crescente e seqüencial, de acordo com a ordem da classificação
utilizada.
Exemplo: No piso do primeiro andar encontra-se o acervo que vai do número de
Classificação Decimal de Dewey  001  199, que corresponde as fileiras de
estantes do número 19 a 38.

�6

Figura 1 - Planta Baixa  1º andar e Estantes

Biblioteca Central

Fonte: Sistema Pergamum

4.2 SISTEMA DE SINALIZAÇÃO - SEGUNDA FASE
Como segunda providência, foi coletado os números de chamada iniciais e
finais de cada estante, para os dois lados da estante dupla face, denominados lado A e lado B. Para estante face única, consideramos somente como lado A.

Nesta fase também anotamos os cinco principais assuntos de cada lado da
estante, que será cadastrado junto com o número da estante e lado
correspondente, para que possa ser impresso e colocado no Indicador
Topográfico afixado na estante.

�7

FIGURA 2  TELA DE CADASTRO E VÍNCULO DA IMAGEM

Assunto que depois
serão impressos em
uma etiqueta para
colar em cada

Fonte: Sistema Pergamum

4.3 SISTEMA DE SINALIZAÇÃO - TERCEIRA FASE
Como terceira fase cadastra-se a biblioteca desejada, o número da estante,
o tipo de obra, associado ao número de chamada inicial e final de cada lado da
estante. Anterior a essa fase deve-se coletar nas estantes os números de
chamada do primeiro livro da primeira prateleira e o último livro da última
prateleira do corredor.
Exemplo: Estante 100A
Lado A  629.932

638.16

S115c

B848a

2000

1984

Lado B  639
B277c
v.1

649.33
B823a
2000

�8

FIGURA 3 - TELA CADASTRO DE VÍNCULO DE BIBLIOTECA / ESTANTE /
TIPO DE OBRA.

Fonte: Sistema Pergamum

4.4 SISTEMA DE SINALIZAÇÃO - QUARTA FASE
Nesta fase as informações estão todas cadastradas com seus vínculos
respectivamente, assim sendo:
Andar !Assuntos.
Biblioteca ! Estante ! Tipo de Obra
Biblioteca Biblioteca Central
Estante 100A
Tipo de Obra Livros

As etiquetas serão impressas para serem colocadas no Indicador
Topográfico afixado na estante.

�9

FIGURA 4  TELAS PARA IMPRESSÃO DAS ETIQUETAS COM OS NÚMEROS
E ASSUNTOS DE CADA ESTANTE.

Fonte: Sistema Pergamum

Para visualização da coleção de periódicos, no caso da Biblioteca Central a
coleção está disposta nas estantes em ordem alfabética. Mostrando a localização
da coleção de periódicos, com número da estante e as letras do alfabeto iniciais e
finais. Ex. Estante 171  SP-W.

�10

FIGURA 5  TELA VISUALIZAÇÃO DA COLEÇÃO DE PERIÒDICOS

Fonte: Sistema Pergamum

4.5 SISTEMA DE SINALIZAÇÃO  VISUALIZAÇÃO PARA USUÁRIO
Como o usuário pode saber onde encontrar seus materiais desejados?
Na própria consulta ao catálogo on-line que fornece esta informação, veja como!
Pesquisando diretamente no catálogo por autor, título ou assunto, ao identificar o
que procura , deve selecionar o título desejado, em seguida, clicar em
Exemplares para verificar a situação do material, se o mesmo está disponível,
caso positivo, clicar em Localização na estante, onde aparece a planta da ala
destinada ao acervo, o andar aparece em destaque, logo abaixo o desenho das
fileiras de estantes com o número correspondente marcado em vermelho com
uma seta que indica qual o lado do corredor está o material desejado.
Exemplo: O livro Introdução ao controle bibliográfico, está no primeiro andar,
Acervo 1  Estante 24  lado A

�11

FIGURA 6  VISUALIZAÇÃO DA LOCALIZAÇÃO NA ESTANTE PARA O
USUÁRIO

Biblioteca Central

Fonte: Sistema Pergamum

�12

Além dessa forma de disponibilizar a localização de materiais nas estantes,
o Sistema Pergamum ainda permite outra forma de ser feita, de maneira mais
simples, utilizando cores para localização. As cores são um dos principais
elementos do código visual, e deve ser bem destacada para chamar atenção do
usuário. Deve-se levar em consideração estudos existentes sobre os efeitos
provocados pelas cores sobre as pessoas e ambientes.

As cores a serem utilizadas devem ser tratadas em concordância com todo
o espaço físico, mobiliário e equipamentos da Biblioteca, buscando um ambiente
agradável e tranqüilo, como o local exige.
A seguir apresentamos outros exemplos de mostrar a localização de
materiais bibliográficos em estantes.

EXEMPLO 1  MOSTRA LOCALIZAÇÃO PELA COR

Fonte: Sistema Pergamum

�13

EXEMPLO 2 - MOSTRA LOCALIZAÇÃO PELA COR E ASSUNTO

EXEMPLO 3 - MOSTRA LOCALIZAÇÃO PELA COR E ESTANTE ESPECÍFICA

Fonte: Sistema Pergamum

�14

As formas de mostrar a localização do material bibliográfico nas estantes
estão disponíveis no Sistema Pergamum, sua utilização vai depender da decisão
de cada biblioteca, qual a forma que melhor atende seus usuários.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Acreditamos que iniciativas como essas, aparentemente simples, podem
fazer muita diferença para o usuário que deseja, e que tem todas as condições de
ir até as estantes, porque estão organizadas, e ele mesmo pode achar os itens
desejados de forma independente e rápida, sem a ajuda da equipe. O mundo
atual é caracterizado pela instantaneidade, no ambiente da biblioteca, não é
diferente, o nosso usuário geralmente está apressado.
É necessário, entretanto que o usuário tenha conhecimento dessa
ferramenta que o sistema oferece e que está disponível no próprio catálogo online, podendo obtê-la no momento em que efetua uma busca. Para isso necessita
ser capacitado para fazer uso dessa facilidade que o sistema possibilita.

Ao implantarmos o serviço, logo constatamos o quanto foi importante essa
iniciativa de mostrar a localização dos materiais exatamente onde se encontram
organizados. Precisamos expandir o acervo para outro piso que não estava sendo
utilizado até então para acervo, e tirarmos o serviço do ar para readequação das
estantes e acervo. Embora tivéssemos informado o motivo, recebemos várias
reclamações por falta do serviço.

Analisando os benefícios obtidos, tanto para usuários, quanto para a
equipe, concluímos que justifica o trabalho para manter atualizado o serviço, e
que às vezes nem precisamos de mais equipamentos, além do que a biblioteca
tem, para melhorar e dinamizar os serviços que a Biblioteca oferece aos seus
usuários.

�15

REFERÊNCIAS

HAUENSTEIN, D.M.; SANTINI, L.; KUSE. M. Sinalização. Disponível em:
&lt;http://campus.fortuecity.com.br/mcat/102/sinaliza.htm&gt;. Acesso em 04 de abr.
2006
MACHADO, M.M. Mapeamento espacial e proposta de sinalização no serviço de
periódicos da Biblioteca Central da UFSC. Rev. ACB: Biblioteconomia em
Santa Catarina, Florianópolis: ACB, v. 8/9, p. 70-77, 2003/2004.
VANZ, S.A.S. Padrões para infra-estrutura e mobiliário de bibliotecas. (s.n.t.).

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Facilidades para localização de materiais em estantes no Sistema Pergamum.</text>
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                <text>Relata o caso da Biblioteca Central da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, na utilização do serviço disponível dentro do Sistema Pergamum, para informar ao usuário exatamente em que estante e andar do prédio da Biblioteca está o material bibliográfico desejado. Aborda a importância de oferecer possibilidades aos usuários de ter maior independência dentro do ambiente interno da biblioteca, propiciando economia de tempo, e agilidade para obtenção física dos materiais desejados. Tão importante quanto possuir um acervo atualizado, com materiais impressos, ou acervos com acesso on-line é a acessibilidade física do material desejado. A seleção e aquisição do material bibliográfico eficiente, o tratamento da informação de acordo com as normas e padrões internacionais de catalogação, bem com, a indexação de assuntos, de nada vale se o usuário não consegue facilmente obter o acesso físico ao documento existente na biblioteca. Iniciativas como essas, aparentemente simples, podem fazer muita diferença para o usuário. Analisando os benefícios obtidos, tanto para usuários, quanto para a equipe, concluímos que justifica o trabalho para manter atualizado o serviço, e que às vezes nem precisamos de mais equipamentos, além do que a biblioteca tem, para melhorar e dinamizar os serviços que a Biblioteca oferece aos seus usuários.</text>
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                    <text>UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
FACULDADE DE MEDICINA
BIBLIOTECA CENTRAL REITOR MACEDO COSTA
Praça XV de Novembro, 17
Terreiro de Jesus - Salvador (BA) - Brasil
bcdir@ufba.br

FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA
RESTAURANDO A MEMÓRIA DA SAÚDE BRASILEIRA.
JOSÉ PAULINO DA SILVA1
j.paulinno@yahoo.com.br
LUCYANA NASCIMENTO2
lucyana.n@gmail.com
RENATO CARVALHO DA SILVA3
carvalhorenat@gmail.com
SELMA DA SILVA SANTOS4
selmasil@ufba.br

CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Este trabalho objetiva apresentar a importância do patrimônio histórico-documental
da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, localizada no Terreiro
de Jesus, em Salvador, as condições de abandono em que foram encontrados os
documentos, relacionar os fatores de degradação e as medidas profiláticas
emergenciais, bem como o propor uma política de preservação que se constitui em
1

Técnico em enfermagem, auxiliar técnico em restauração e conservação de documentos do Projeto
Bibliotheca: Memorial da Saúde Brasileira.
2
Graduada em Bilbioteconomia e Documentação pelo Instituto de Ciência da Informação/UFBA.
Bolsista do Projeto Bibliotheca: Memorial da Saúde Brasileira.
3
Licenciado em Educação Artística com habilitação em Artes Plásticas pela a Universidade Católica
do Salvador, Técnico em restauração e conservação de documentos do Projeto Bibliotheca: Memorial
da Saúde Brasileira.
4
Graduanda em Biblioteconomia e Documentação pela Universidade Federal da Bahia, bolsista do
Projeto Bibliotheca: Memorial da Saúde Brasileira.

�uma forma de respaldar a função social da biblioteca, permitindo que gerações
futuras possam vir a conhecer suas referências passadas. Destaca-se o trabalho de
recuperação realizado pelo Projeto Bibliotheca: Memorial da Saúde Brasileira que
propõe recuperar e disponibilizar o acesso ao acervo bibliográfico da primeira
faculdade de medicina do país. O Projeto Bibliotheca foi criado em 2003, a partir de
mutirões coordenados pelas bibliotecárias Zilda Cerqueira Brito e Maria das Graças
Ribeiro Miranda, Coordenadora Geral do Projeto. Inicialmente obteve a colaboração
da comunidade militar, civil e acadêmica e atualmente conta com o auxílio de
bolsistas dos cursos de Biblioteconomia e Documentação e Arquivologia da
Universidade Federal da Bahia, além de bibliotecárias e profissionais na área de
restauro. Para o desempenho das atividades foi necessário implantar Laboratórios de
higienização, conservação e restauração, onde são realizados os procedimentos de
recuperação do material, e capacitar a equipe através de ações coordenadas.
Na realização deste trabalho foram considerados os seguintes conceitos, de acordo
com Cassares (2000, p.12), para a conservação, restauração e preservação:
Conservação: é um conjunto de ações estabilizadoras que visam
desacelerar o processo de degradação de documentos ou objetos, por meio
de controle ambiental e de tratamentos específicos (higienização, reparos e
acondicionamento).
Restauração: é um conjunto de medidas que objetivam a estabilização ou a
reversão de danos físicos ou químicos adquiridos pelo documento ao longo
do tempo e do uso, intervindo de modo a não comprometer sua integridade e
seu caráter histórico.
Preservação: é um conjunto de medidas e estratégias de ordem
administrativa, política e operacional que contribuem direta ou indiretamente
para a preservação da integridade dos materiais

HISTÓRIA
A história da biblioteca começa em 1836, vinte e oito anos depois da instalação da
Faculdade de Medicina no Colégio dos Jesuítas. O acervo contava com documentos
datados da vinda do imperador D. João VI ao Brasil tendo, portanto, uma grande
importância histórica e inestimável valor cultural e científico.

�Durante este período, todas as coleções eram muito bem trabalhadas e
conservadas. De 1876 até o início de 1905 a biblioteca viveu o seu apogeu.
Entretanto, no carnaval de março de 1905 os foliões acompanharam o incêndio que
consumiu parte do edifício da faculdade. Nesta ocasião, foram queimados 22 mil
volumes dos quase 100 mil existentes. Reinaugurada em 1909 teve seu acervo
recomposto com doações de toda a sociedade baiana (NASCIMENTO, 2006, p. 64).
No acervo encontram-se publicações do século XIX e dos primeiros anos do
XX. São tratados de anatomia, fisiologia, histologia, em latim e francês;
textos de Nina Rodrigues, Afrânio Peixoto, Juliano Moreira, Gonçalo Muniz,
Arthur Ramos, Oscar Freire, entre outros. Além dessas publicações, fazem
parte desse arquivo teses dos doutores de medicina formados na Bahia,
teorias da cultura médico-humanística, que deram origem à Escola
5
Tropicalista , médico-legal, psiquiatria e teses de faculdades de medicina
estrangeiras (IDEM, 2006, p. 65).

A derrocada da biblioteca começou no início da década de 70, com a transferência
do campus do Terreiro de Jesus para o campus do Vale do Canela. Sem espaço
disponível na nova sede, todo o acervo foi deixado para trás. Não apenas o
abandono, como também as más condições estruturais do prédio do Terreiro de
Jesus  construído em 1553 pelos Jesuítas  e a ação do tempo, contribuíram para a
deteriorização de todo o acervo.
CONDIÇÕES DO ACERVO
O material bibliográfico foi encontrado em péssimas condições de conservação e
acondicionamento, uma vez que estava empilhado em caixas, amarrado com cordão,
exposto as intempéries naturais.
Dentre os fatores de degradação podemos destacar:
5

Durante a década de 1860, Otto Edward Henry Wurcherer, de descendência germânica, nascido em
Portugal; John Ligertwood Paterson, escocês; e José Francisco da Silva Lima, português; se
encontravam a cada 15 dias à noite na casa de um deles para discutir casos clínicos e a literatura
científica disponível. A eles logo se juntaram quatro médicos baianos, Ludgero Rodrigues Ferreira,
Manoel Maria Pires Caldas, Antônio José Alves (pai do poeta Castro Alves) e Antônio Januário de
Farias  os dois últimos professores da Faculdade de Medicina de Salvador. Todos levados por um
único interesse: o da pesquisa da patologia tropical. Esse grupo chegou a ter 14 médicos
pesquisadores e ficou conhecido como Escola Tropicalista Baiana. [...] Em vez de apenas classificar
as doenças por meio da combinação dos sintomas, eles observavam e determinavam a origem da
moléstia, com o conjunto de sintomas. Usavam microscópio para investigar microrganismos como
causadores de doenças - algo raro no país - e publicavam seus trabalhos na Gazeta Médica da Bahia,
fundada por eles, e até mesmo em alguns periódicos especializados do exterior. (MARCOLIN, 2003)

�Proliferação dos insetos e fungos causados pelas altas temperaturas
conjugadas com o elevado teor de umidade;
Empastelamento dos documentos devido ao excesso de umidade;
Acúmulo de poeira e impurezas no ar, provocando mancha d´agua  mancha
marrom como se um líquido houvesse sido derramado sobre o papel  e
danos à estrutura do papel;
Presença de excrementos de roedores e aves;
Dano provocado pelo fogo que deixou o acervo carbonizado, coberto de
fuligem, fragilizado pela exposição ao calor elevado e umedecido pela água
usada para apagar o incêndio, mofado e cheirando a fumaça.

Para melhor desempenho, as atividades foram divididas em módulos conforme se
segue:
AVALIAÇÃO E SELEÇÃO - está centrada na identificação e separação do acervo
segundo o tipo de material. Inicialmente optou-se por fazer uma seleção que
possibilitasse separar livros e demais materiais. Nesta etapa busca-se identificar
também os exemplares infestados (colocados à parte e amarrados com cordão de
algodão). O material selecionado é limpo superficialmente em seguida enviado para
sala de higienização, por onde passa por um diagnóstico detalhado para verificar
suas reais condições e as intervenções necessárias.
CONSERVAÇÃO E RESTAURAÇÃO  objetiva recuperar o material danificado pela
ação do tempo e da umidade, acidez do suporte, oxidação de tintas e mal
acondicionamento. Neste módulo são adotadas medidas específicas e preventivas
necessárias para dar maior longividade ao material encontrado. Dentre as medidas
destacamos as técnicas de higienização, ou seja, retirada de microorganismos,
partículas de poeira e fungos com a finalidade de proteger a obra no acervo e o
usuário durante a consulta. A assepsia é feita com uso de trincha macia, chumaço de
algodão e pó de borracha. Verifica-se o grau de acidez do papel, a presença de
grampos, clips, poeira, insetos, oxidação e resíduos de cola que são cuidadosamente

�retirados para em seguida, conforme a necessidade, efetuar a lavagem do
documento; e o acondicionamento onde são observadas todas as características do
livro antes da realização do desmonte, para não comprometer a integridade e o
caráter histórico do mesmo.
Após diagnóstico, decide-se o tipo de intervenção a ser aplicada em cada obra de
forma específica, levando em consideração suas condições físicas. Até o primeiro
semestre de 2006 foram higienizadas 4.848 obras, sendo que 408 destas sofreram
intervenções em processos de restauração e cerca de 375 encadernações de couro
precisaram ser refeitas.
CATALOGAÇÃO  consiste em catalogar e disponibilizar a obra em base de dados
do Sistema de Bibliotecas da UFBA para consulta on line.
POLÍTICA DE PRESERVAÇÃO
De acordo com a Política de Preservação de Acervos Institucionais do Museu de
Astronomia e Ciências Afins (MAST) a preservação não é um fim em si mesma. Só
preservamos para que as informações contidas nos bens culturais possam favorecer
o homem no resgate de sua identidade e de sua história, permitindo, assim, o
exercício pleno da sua cidadania. Dessa forma, com o início do trabalho de
salvaguarda na Faculdade de Medicina, verificou-se a necessidade de instituir uma
política de preservação que se constituísse em uma forma de resguardar a memória
da saúde brasileira, permitindo que as gerações futuras possam ter acesso a esse
conhecimento.
Concordamos com os seguintes princípios do MAST:
1) Entendemos a preservação não como a perpetuação do bem cultural, mas
sim como uma forma de retardar seu processo de deterioração.
2) A ampla divulgação de uma política de preservação dentro da instituição
propiciará condições para a tomada de consciência da importância de cada

�profissional da instituição, independente da sua função específica, como um
agente de preservação.
Sampaio (2003, apud GOMES,1997, p.9) informa com muita propriedade que:
Ao se conceber e se implementar uma política de preservação, não se pode
perder de vista o maior objetivo da biblioteca que é informar e socializar o
saber e, portanto, o seu acervo existe para ser utilizado. Não é possível
pensar uma biblioteca onde os materiais estejam em perfeitas condições de
uso, mas que não é permitida a sua consulta. Pelo contrário, o uso
adequado deve ser incentivado, considerando que também é função do
bibliotecário treinar o usuário para utilizar adequadamente o acervo, sem
provocar danos aos materiais.
A biblioteca não é um lugar onde são estocados livros e papéis, o que ela
guarda e preserva é um conhecimento que constitui um patrimônio para a
humanidade, onde ela vai buscar os seus caminhos e que, portanto, deve
ser preservado para ser usado.

Diante do exposto, idealizamos uma política de preservação, apresentaremos cuja
proposta garantirá maior e melhor acesso a informação, fazendo com que a
biblioteca cumpra assim suas funções, garantindo a preservação, sem maiores
prejuízos da acessibilidade. A política está baseada na Política de preservação do
MAST e da política de preservação do acervo de revistas científicas da Bireme6.

POLÍTICA DE PRESERVAÇÃO DO ACERVO DA BIBLIOTECA DA FACULDADE
DE MEDICINA DO TERREIRO DE JESUS: UMA PROPOSTA

1. Missão
Permitir acesso amplo ao acervo bibliográfico da Faculdade de Medicina da Bahia,
primeira do Brasil, estimulando dessa forma o desenvolvimento da cidadania através
do uso compartilhado da sua coleção, disponibilizando sua produção científica e
promovendo o resgate da memória da saúde brasileira.

6

Disponível em
&lt;http://secs.bvs.br/xml2html/xmlRoot.php?xml=xml/pt/bvs.xml&amp;xsl=xsl/level3.xsl&amp;lang=pt&amp;tab=collecti
on&amp;item=107&amp;graphic=yes&gt;. Acesso em 31 jul. 2006.

�2. Seleção e avaliação
A tomada de decisão quanto ao material a ser recuperado, envolve além da Equipe
de Seleção, que verifica a sua importância para a coleção, o Técnico responsável
pelo laboratório de higienização, que diagnostica cada item, e encaminha ao
Restaurador que propõe formas de tratamento de acordo com as condições
encontradas.
3. Preservação
Esta política estipula as metas a serem atingidas e o acompanhamento dos
processos e atividades técnicas a serem desenvolvidas para a preservação do
acervo, que abrange a criação e o gerenciamento de programas de conservação e
restauração.

3.1 Conservação
Conjunto de técnicas e procedimentos destinados a assegurar a proteção do material
bibliográfico contra fatores que possam afetar sua integridade

3.1.1 Controle das condições ambientais
A degradação do papel depende dos fatores internos, inerentes à sua estrutura,
como o tipo de fibra e encolagem do papel e dos fatores externos, como a umidade,
temperatura, luz, poluição atmosférica, insetos, roedores, fungos e bactérias.
O ambiente tem um efeito continuado sobre a condição física dos documentos, há
uma estreita relação entre a longevidade ou durabilidade do papel e as condições
ambientais do acervo. O controle destes fatores é de importância fundamental para a
preservação do acervo da biblioteca.

3.1.2 Higienização
A limpeza é uma tarefa básica e fundamental para aumentar a vida útil das coleções.
Através da limpeza periódica, elimina-se a poeira que causa atrito e escurecimento
às páginas e à superfície das encadernações, atraindo insetos e tornando o

�ambiente propício à proliferação de fungos. A higienização refere-se ao espaço físico
e ao acervo bibliográfico e deve ser observada com rigor.
3.1.3 Guarda adequada
A guarda adequada tem efeito direto sobre a vida útil dos materiais, ela deve garantir
estabilidade, apoio adequado ao volume, facilidade para manuseio e circulação de ar
entre os volumes. A adoção de procedimentos adequados que em sua maioria são
de baixo ou nenhum custo, tendem a minimizar a necessidade de futuros reparos ou
reposição do material.

4. Restauração
Envolve todos os processos técnicos que visam o tratamento de acervos de tal modo
degradados que o simples manuseio se torna impossível, estando o material fora de
acesso à consulta. Neste estágio a degradação atingi um grau tão elevado que há o
comprometimento estrutural da obra e conseqüentemente da informação. A
restauração deve orientar-se pelo absoluto respeito à integridade estética, histórica e
material da obra, adotando o princípio da reversibilidade.

4.1 Materiais que devem ser restaurados
Devem ser restaurados os documentos que sejam importantes para a biblioteca, de
acordo com os critérios de raridade levantados pela equipe de seleção. Geralmente
as obras se encontram com alto estágio de degradação, ou seja, folhas com papel
acidificado (quebradiço), problemas em sua estrutura (costura e capas) e que não
podem mais ser manipuladas sem a ocorrência de maiores danos. Ela se aplica ao
material que a biblioteca manterá para sempre, se possível, baseando-se no valor
excepcional do mesmo, seja pelo fato de ele ser único ou raro, seja porque sua
substituição seria extremamente difícil. Foram definidos os seguintes critérios:
•

Obras publicadas até 1959 com encadernação de couro são a nossa
prioridade. Sendo assim, são selecionadas e enviadas para restauração em

�nossa oficina. Os casos mais críticos são selecionados para serem
restaurados posteriormente.
•

Obras com qualquer encadernação - publicadas no mesmo período - relativas
à história da medicina, da Faculdade de Medicina da Bahia, de instituições
hospitalares e de saúde da Bahia e de outros estados do país;

•

Obras de caráter literário, escritas por professores da escola, como romances,
crônicas e memórias;

•

Obras e materiais de caráter político, relativos a alguns professores da
instituição que tiveram carreira política ou desempenharam função públicas

4.2 Volumes que não devem ser restaurados
O material que estiver irreparavelmente deteriorado ou com um grande número de
folhas faltantes e que o custo do tratamento seja considerado superior ao valor do
item, deverão passar por uma equipe de avaliação com vistas ao descarte.
Esta política foi sugerida com o objetivo de criar e manter ações preservativas de
modo a resguardar todo o acervo, prevenindo possíveis danos. Nela estão previstas
medidas de controle ambiental, e preventivas que envolvem o manuseio,
acondicionamento, higienização etc.
Como exemplo dessas ações, destacamos: a manutenção das janelas, a limpeza
periódica do ambiente; e a seleção dos materiais com danos, de acordo com as
prescrições do planejamento.

CONCLUSÕES
A preocupação com conservação de acervos, e com a memória de uma forma geral,
é ainda incipiente em nosso país, dependendo muitas vezes da dedicação isolada de
profissionais e instituições. Iniciativas desse tipo devem servir como estímulo não
apenas às instituições responsáveis pela guarda da memória nacional, mas a todas

�as esferas de decisão, no sentido de se preocuparem com a preservação dos bens
culturais, sejam eles móveis ou imóveis, entendendo-os como parte fundamental na
estruturação da identidade nacional.
Uma política de preservação pode criar oportunidades de incentivar e fortalecer a

cidadania, portanto devemos conscientizar a sociedade para a importância de seus
acervos históricos, principalmente se são significativos também para a história de
outros países e despertar interesse em pessoas para suas heranças documentárias;
além de encorajar a preservação de coleções históricas e democratizar o acesso a
essas coleções.
ILUSTRAÇÕES

Figura 1: degradação do material
empilhado em caixas

Figura 2: material empilhado

�Figura 3: material deteriorado

Figura 4: acervo inundado

Figura
material
caixas

5:
retirada
empilhados

de
em

�Figura 7: restauração

Figura 6: higienização

Figura 8: obras restauradas

�REFERÊNCIAS

CASSARES, Norma Cianflone. Como fazer conservação preventiva em
arquivos e bibliotecas São Paulo: . Arquivo do Estado / Imprensa Oficial, 2000.
MUSEU DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS AFINS. Política de preservação de acervos
institucionais. Rio de Janeiro: MAST/ Museu da República, 1995.
MARCOLIN, Neldson. O aprendizado tropical. Revista Pesquisa Fapesp, ed. 85,
mar./ 2003. Disponível em
http://revistapesquisa.fapesp.br/index.php?s=115,24,2106&amp;aq=artigo&gt;. Acesso em
25 jan. 2006.
NASCIMENTO, Lucyana da Silva. Pelos caminhos das obras raras: um breve
histórico sobre o livro antigo. Salvador, 2006 (monografia apresentada a
Universidade Federal da Bahia / Instituto de Ciência da Informação)
SAMPAIO, Ana Martha Machado. Acervo histórico-literário da biblioteca setorial
Monsenhor Renato de Andrade Galvão: elementos informacionais para a memória
cultural de Feira de Santana e região. Uma necessidade de preservação. In: IV
CINFORM - ENCONTRO NACIONAL DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 4, 2003,
Salvador. Anais... Salvador: EDUFBA, 2003. p. 9

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                <text>Este trabalho objetiva apresentar a importância do patrimônio histórico-documental da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, localizada no Terreiro de Jesus, em Salvador, as condições de abandono em que foram encontrados os documentos, relacionar os fatores de degradação e as medidas profiláticas emergenciais, bem como o propor uma política de preservação que se constitui em uma forma de respaldar a função social da biblioteca, permitindo que gerações futuras possam vir a conhecer suas referências passadas. Destaca-se o trabalho de recuperação realizado pelo Projeto Bibliotheca: Memorial da Saúde Brasileira que propõe recuperar e disponibilizar o acesso ao acervo bibliográfico da primeira faculdade de medicina do país. O Projeto Bibliotheca foi criado em 2003, a partir de mutirões coordenados pelas bibliotecárias Zilda Cerqueira Brito e Maria das Graças Ribeiro Miranda, Coordenadora Geral do Projeto. Inicialmente obteve a colaboração da comunidade militar, civil e acadêmica e atualmente conta com o auxílio de bolsistas dos cursos de Biblioteconomia e Documentação e Arquivologia da Universidade Federal da Bahia, além de bibliotecárias e profissionais na área de restauro. Para o desempenho das atividades foi necessário implantar Laboratórios de higienização, conservação e restauração, onde são realizados os procedimentos de recuperação do material, e capacitar a equipe através de ações coordenadas. </text>
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                    <text>FATORES MOTIVACIONAIS DA COMUNIDADE CIENTÍFICA PARA PUBLICAÇÃO
E DIVULGAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO EM REVISTAS CIENTÍFICAS1
Patricia Zeni MARCHIORI
Doutora em Ciências/Ciência da Informação e Documentação
Universidade Federal do Paraná, Departamento de Ciência e Gestão da Informação
Av. Pref. Lothário Meissner, 632 – Campus III –Jardim Botânico – Curitiba, Paraná, Brasil
e-mail: pzeni@ufpr.br
Anderson ADAMI
Bacharel em Gestão da Informação
e-mail: andersonadami@yahoo.com
Curitiba, Paraná, Brasil
Sueli Mara FERREIRA
Doutora em Ciências da Comunicação
Universidade de São Paulo, Escola de Comunicações e Artes
Rua Prof.Lúcio Martins Rodrigues, 443 – São Paulo, Brasil
e-mail: smferrei@usp.br
Fulvio CRISTOFOLI
Mestre em Administração
Universidade Metodista de São Paulo
Rua do Sacramento, 230 – São Bernardo do Campo – São Paulo, Brasil
e-mail: fulviocristofoli@uol.com.br

Resumo: Apresenta abordagem relacionada à comunicação científica, sua dinâmica e seus atuais
modelos e formatos para veiculação, distribuição e disseminação da produção acadêmica. Busca
apresentar e analisar uma metodologia de estudo que está sendo gerada para se identificar, junto
à comunidade científica, os principais fatores motivacionais para a produção e consumo de
revistas e artigos científicos, quer em suporte impresso como eletrônico, quer de fonte aberta ou
restrita, quer em portal de periódico ou em repositórios digitais. Acredita-se que essas atuais
possibilidades somadas ao envolvimento dos próprios autores no processo de auto-arquivamento
de sua produção, descrição de metadados e inclusão de arquivos minimamente formatados e
estruturados tem tido implicações ainda maiores no escoamento da produção de docentes, em
especial aqueles vinculados a áreas de humanas e sociais. Tais implicações esbarram em duas
vertentes: a) dificuldade da comunidade em acompanhar o desenvolvimento tecnológico; b)
atualização de infra-estrutura e treinamento adequado para o uso de tais tecnologias e do novo
“fazer científico” emergente. As comunidades científicas, foco desse estudo, são os
pesquisadores autores de trabalhos científicos que publicaram nos principais congressos
brasileiros nas áreas de ciência da informação e ciências da comunicação no período
compreendido entre 2000 a 2005.
Palavras-chave: motivação e produção científico-acadêmica; comunicação científica;
tecnologias da informação e da comunicação; eventos científicos.

1

Apresentado, em versão resumida, no GT 06 – Comunicação e Tecnologia da Informação do Intercom Sul / 2006 – VII Simpósio
Regional da Pesquisa em Comunicação, com o título “Motivação e Produção Científico-Acadêmica: o Impacto das Novas Tecnologias da
Informação e da Comunicação sob o Ponto de Vista de Autores”

�INTRODUÇÃO

Durante as diversas fases que compõem uma pesquisa científica, o pesquisador
necessita apresentar, com freqüência, os seus avanços aos pares, utilizando-se, para tanto, de um
sofisticado sistema de comunicação. Neste sistema, o pesquisador é compelido não somente a
disseminar sua produção — através de diferentes canais — mas a usar a informação produzida
pelos colegas. Em suma, a evolução de qualquer ramo da ciência depende desta postura
intrínseca do pesquisador: atualizar-se continuamente por meio dos conteúdos científicos
publicados pelos pares, conteúdos estes que sustentam a sua própria produção científica, a qual
também será disseminada para basear outras pesquisas.
A comunicação científica, em si, representa uma área do conhecimento de
complexidade significativa no que diz respeito aos caminhos teóricos, epistemológicos e
práticos, estabelecendo-se como uma disciplina de interesse da Ciência da Informação. Da
mesma forma, por envolver processos eminentemente comunicativos, está estreitamente
relacionada com a Ciência da Comunicação que, conforme esclarece Lopes (2004, p. 29), se
constitui em uma área “cujos problemas surgem como importantes nos mais diferentes domínios
– economia, política, estética, educação, cultura etc – em que a pesquisa não pode ficar
confinada em uma única dimensão”. O ato de comunicar, entre diferentes sentidos e abordagens,
é condição sine qua non para a existência do pensamento científico. É inegável que a informação
agrega valor somente mediante o seu uso e, para que possa ser útil, ela precisa ser comunicada.
Portanto, comunicar a informação científica constitui uma regra essencial, conforme denota
Meadows (1999) ao afirmar que o aumento do conhecimento depende de sua comunicação. Le
Coadic (1996, p. 27) observa ainda que “a informação é o sangue da ciência”, assim como “a
informação só interessa se circula, e, sobretudo, se circula livremente”. Neste aspecto, pode-se
dizer que produzir informação e conhecimento é fundamental, mas comunicar o que se produz é
imprescindível para o desenvolvimento da ciência. Portanto, informação e comunicação são
áreas privilegiadas enquanto sujeito e objeto de pesquisa no que concerne à criação e
disseminação de conhecimentos em espaços dinâmicos de aprendizagem.
ENCAMINHAMENTO METODOLÓGICO
É importante destacar que esta pesquisa está em andamento e pretende-se, neste
momento, especificar os grandes temas que envolvem a pesquisa de campo, que são: a
comunicação científica, as NTICs enquanto fator de mudança nos fluxos e processos relativos à
comunicação científica, os eventos científicos enquanto canais de comunicação e os
fatores/dimensões da motivação. A partir da identificação dos principais fatores que sustentam o

�interesse de autores e pesquisadores a apresentarem trabalhos em eventos científicos (e a
posterior escolha de outros canais mais formais de comunicação, tais como o periódico
científico, capítulos e livros no todo), um instrumento de coleta de dados será aplicado para um
universo de sujeitos autores de comunicações em eventos. A pesquisa de campo incluirá
abordagens relativas aos impactos das NTICs nos processos motivacionais intrínsecos e
extrínsecos dos entrevistados, o que revela uma preocupação na definição e aprimoramento de
uma proposta metodológica voltada para fatores mais subjetivos (relativos ao contexto e ao
processo de produção científica propriamente dito), temas normalmente não discutidos em
abordagens tradicionais (bibliométricas, por exemplo).
Pretende-se trabalhar com um universo de autores de comunicações orais apresentadas
em eventos científicos nas áreas de Ciência da Informação, Biblioteconomia e Comunicação
Social, cujos trabalhos foram divulgados em anais eletrônicos (Internet e/ou CD-ROM) entre os
anos de 2000 a 2005. No caso da área de Ciência da Informação e Biblioteconomia, será objeto
de estudo os trabalhos orais registrados em anais de edições do Seminário Nacional de
Bibliotecas Universitárias (SNBU) e do Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e
Documentação e Ciência da Informação (CBBDC). Na área de Comunicação, a fonte de dados
para a localização dos autores são, igualmente, os trabalhos orais publicados nos anais de edições
de 2000 a 2005 do Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom).
Cada autor será contactado através do e-mail mais recente disponibilizado no(s)
trabalho(s) identificados. Neste primeiro momento, não importa que o trabalho tenha autoria
múltipla, pois o que se pretende investigar são os fatores motivacionais individuais (incluindo-se
questionamentos de impacto das novas tecnologias), assim como alguns aspectos relacionados à
transição da comunicação oral para um artigo de periódico (ou outro veículo de formalização). O
instrumento de coleta de dados (questionário semi-estruturado) será anexado ao e-mail, e o
retorno dos autores será controlado em base de dados própria.
Na seqüência do estudo, pretende-se trabalhar os dados entre as áreas definidas no
escopo total do projeto, identificando-se os principais pontos de convergência/divergência e
oferecendo pontos para ajustes e reflexão da produção científica em Ciência da Informação e
Comunicação.
A DINÂMICA DA COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA
Entre os canais utilizados para comunicar o conhecimento científico, cita-se pelos
menos duas categorias: os canais formais e os informais. Os primeiros são assim denominados
porque respeitam procedimentos rigorosos para efetivar a comunicação, envolvendo a avaliação

�dos pares e, de fato, constituindo uma maneira de formalizar o conhecimento produzido para os
membros da comunidade científica. Mueller (2000) esclarece que os livros e os periódicos
científicos são exemplos expressivos deste tipo de canal, mas que também pertencem a esta
categoria a vasta documentação composta pela literatura cinzenta. Neste particular, Auger
(1998), conceitua a literatura cinzenta como um tipo de literatura restrita aos meios em que é
produzida, sendo indisponível em formatos de publicação convencionais. Nos canais informais,
conforme salienta Loureiro (2003), a informação é comunicada de forma restrita, obedecendo
gradualmente a procedimentos de formalização e avaliação. Como exemplo desta categoria
pode-se citar os eventos científicos — os congressos, simpósios, encontros, colóquios, fóruns etc
— que congregam os pesquisadores da área, assim como os colégios invisíveis, que pode ser
entendido como a comunicação que ocorre no dia a dia de um círculo restrito de pesquisadores.
No início dos anos 60, os pesquisadores William Garvey e Belver Griffith propuseram
um modelo de sistema de comunicação científica (Figura 1) que foca o processo de produção,
disseminação e uso da informação, refletindo com clareza a existência dos canais formais e
informais de comunicação.
O modelo Garvey-Griffith, consideradas as diversas etapas que compõem a
comunicação científica, demonstra que muita coisa mudou ao longo dos últimos 40 anos. Este
modelo sustentou que, uma vez iniciada uma pesquisa seriam produzidos vários relatórios
preliminares no âmbito da instituição patrocinadora da investigação e, normalmente, de cunho
mais confidencial. Na seqüência, observou-se que não eram produzidos apenas relatórios
internos, mas também passou a se tornar comum a ocorrência de comunicações em eventos
(Petroianu, 2002) e, até mesmo, a publicação de relatórios e de resultados preliminares em
periódicos científicos — conforme assevera Meadows (1999) — antes mesmo da pesquisa ser
finalizada. Uma explicação para tanto é a necessidade dos pesquisadores obterem feedback dos
pares durante o andamento da pesquisa.

FIGURA 1 - MODELO GARVEY-GRIFFITH

�Fonte: Adaptado por Hurd (1996)

Também sofreram mudanças os procedimentos atrelados à submissão e publicação do
trabalho de pesquisa em canais formais — em que um texto pode ser publicado como artigo de
periódico ou como livro —, mas tais mudanças, via de regra, mantiveram o rigor que envolve a
seleção do texto para publicação. Seja para publicação em periódicos ou como livro, há
comissões responsáveis por avaliar, revisar e selecionar os textos submetidos pelos autores. A
começar pela avaliação, há muito a ciência envolve um sistema conhecido como peer review
(revisão por pares), que é fundamental para assegurar que a informação produzida seja confiável,
bem como as novas colaborações correspondam ao pensamento da comunidade científica da
área, a qual assume, deste modo, uma posição consensual quanto aos textos produzidos.
Vanti (2002, p. 152) assim esclarece a importância da avaliação neste contexto:
A avaliação, dentro de um determinado ramo do conhecimento, permite
dignificar o saber quando métodos confiáveis e sistemáticos são utilizados para
mostrar à sociedade como tal saber vem se desenvolvendo e de que forma tem
contribuído para resolver os problemas que se apresentam dentro de sua área de
abrangência.

Nas etapas e modificações subseqüentes apresentadas e adicionadas ao modelo original
de Garvey-Griffith, percebe-se o anseio cada vez maior dos editores, assim como dos autores de
livros e revistas, para que suas publicações sejam indexadas, tradicionalmente em anuários e
outras publicações do gênero e, atualmente, em bases de dados.

�Entre as mudanças mais significativas sofridas no modelo apresentado por Garvey e
Griffith, a maior parte destas estão atreladas às NTICs. Com efeito, tais mudanças podem se
caracterizar por serem ainda recentes, contudo irreversíveis, assim como por serem motivadas
principalmente por fatores relativos ao custo e tempo menores que a publicação eletrônica
propicia tanto aos produtores da informação quanto aos seus consumidores — e isso é tudo que a
comunidade científica sonhou: acesso rápido e a baixo custo ao conhecimento.
Moreno e Arellano (2005) ilustram muito bem estas mudanças ao constatarem que,
entre as diversas etapas previstas no modelo de comunicação científica proposto por Garvey e
Griffith, a maior parte delas envolve a intermediação de suportes eletrônicos, o que representa
redução de tempo e de dinheiro, conforme pode ser observado na Figura 2.

�FIGURA 2 - MODELO GARVEY-GRIFFITH - RELEITURA

Fonte: Adaptado por Moreno e Arellano (2005)

Como exceção às mudanças, conforme anteriormente mencionado, cita-se o processo de
avaliação que, depois da realização da própria pesquisa, constitui a etapa mais morosa do
sistema. Precisamente este aspecto tem sido motivo de grande preocupação para a comunidade
científica, uma vez que a facilidade de publicar conteúdos na Internet pode, em alguns casos,
levar novas gerações de editores e revisores a serem menos rigorosos na avaliação e seleção dos
textos a serem publicados.
Em comum, ainda, deve-se citar as motivações que, desde séculos, mantém ativo o
sistema de comunicação científica. Uma motivação clássica, prevista no modelo tradicional e
atualmente valorizada de forma expressiva, é a contribuição dos pesquisadores com novos
conhecimentos, cujo indicador tradicional é o volume de citação. Em análise última, a citação
representa o uso efetivo da informação produzida e publicada, convertendo-se em prestígio e
reconhecimento aos autores, editores etc. Por outro lado, embora várias motivações tenham sido
preservadas no recente processo de introdução das NTICs, presume-se que este mesmo processo
gerou novas motivações no sistema de comunicação científica, bem como transformou outras.
De maneira geral, presume-se que os meios eletrônicos interferem positivamente em todo o fluxo
da informação e que os pesquisadores podem se sentir mais motivados para apresentar trabalhos
dada esta potencial facilidade para a produção, submissão, aceitação, publicação, disseminação e
uso (tal como representado na Figura 2). No que diz respeito especialmente aos eventos
científicos esta suposição deve se confirmar.

�OS EVENTOS CIENTÍFICOS
Os eventos ou encontros científicos reúnem, comumente, profissionais, especialistas,
estudantes e outros grupos interessados em compartilhar e obter conhecimentos sobre uma
determinada área. De forma geral, nem todo evento é, necessariamente, científico, uma vez que
também pode ser de natureza técnica, empresarial ou deliberativa. Conforme elucida Secaf
(2004), quando caracterizados como científicos, os eventos refletem denominações variadas,
salvaguardadas as finalidades que se busquem, tal como congresso, simpósio, colóquio, jornada,
conferência, seminário, convenção, encontro, fórum, workshop etc. Como principais funções dos
eventos científicos citam-se: criar oportunidades para a troca de experiências entre os
pesquisadores; atualização sobre os progressos recentes de uma área; sistematizar os avanços
mais recentes em uma área; divulgar novos conhecimentos; e, traçar diretrizes e metas para os
futuros empreendimentos numa determinada área do saber.
A participação em eventos científicos pode envolver o pagamento de taxas ou não,
constituindo-se, a mesma, em pelo menos quatro categorias: membros da comissão científica ou
organizadores, que são os responsáveis pela organização e realização do evento; participantes
convidados, que compõem o programa oficial do evento, recebendo convite para participação
como palestrantes, conferencistas, debatedores, coordenadores de mesa etc; participantes ou
congressistas, que constituem a audiência ou público-alvo para quem o evento foi criado; e os
apresentadores de temas livres, representados pelos congressistas que optaram por submeter e
comunicar um trabalho para os colegas.
Os trabalhos apresentados em eventos passam por um controle de qualidade intelectual,
sob incumbência de especialistas, incluindo eventualmente o sistema de revisão por pares —
peer review — antes de serem publicados, o que pode ocorrer antes ou após sua realização. O
documento resultante de um evento normalmente é chamado de anais — proceedings — e, via
de regra, é distribuído apenas aos participantes. Este caráter não comercial da distribuição dos
anais, aliado ao fato de que as comunicações em eventos caracterizam-se como semi-formais,
cuja ocorrência, não raro, figura no início do processo de produção científica, constituem
aspectos que permitem incluí-los na categoria de “literatura cinzenta” (ou não-convencional).
Enquanto estrutura, um evento científico envolve, além das palestras, mini-cursos e
outras atividades, pelo menos duas categorias de apresentações de trabalhos, também designados
como temas livres: as comunicações orais e os pôsteres. Conforme esclarecem Schmidt e Ohira
(2002), uma comunicação oral consiste na exposição verbal de um trabalho, em intervalo de
tempo padrão e pré-determinado (entre 15 e 20 minutos, podendo variar de área para área) o que
é corroborado por Carmo e Prado (2005), que ressaltam que uma das finalidades finais deste tipo

�de trabalho é relatar sucintamente um estudo ou pesquisa realizado, indicando os aspectos mais
relevantes do mesmo. Além disso, Costa et al (2002) acrescentam que uma comunicação pode
envolver o uso de recursos didáticos (cartazes, flip-chart), audiovisuais (computador, projetor
multimídia, retroprojetor, projetor de slides, videocassete, DVD etc) e amplificadores de voz
(microfone). A escolha destes recursos se justifica segundo três objetivos: “destacar as
informações importantes, facilitar o acompanhamento do raciocínio e fazer com que os ouvintes
se lembrem das informações por tempo prolongado” (COSTA et al, 2002). Entretanto, Carmo e
Prado (2005) salientam que, entre todos os recursos, o mais importante é a própria fala do
apresentador, cujos atributos para uma exposição bem sucedida são: domínio do assunto
apresentado; o emprego de linguagem adequada; a postura correta (expressão corporal); e guiar a
fala, dentro do possível, com naturalidade, espontaneidade, autoconfiança e entusiasmo.
Finalizado o tempo da comunicação, normalmente é instituído um tempo extra (de cinco a 10
minutos, igualmente variáveis) para o debate, discussão e esclarecimentos sobre o trabalho
apresentado. Em alguns casos, opcionalmente, o tempo para as discussões é deixado para o final
de todas as apresentações.
O pôster, por sua vez, consiste em um cartaz com dimensões de, normalmente, 1 metro de
largura por 1 metro de altura, cujo conteúdo consiste na síntese de uma pesquisa. Os pôsteres são
fixados em painéis (estrutura criada especialmente para fixar os pôsteres), os quais se distribuem
em local definido pelos organizadores do evento (normalmente designada como “sessão de
pôsteres”). Carmo e Prado (2005, p. 139) esclarecem que “a proposta é possibilitar que os
visitantes circulem por entre os pôsteres e optem por ler o conteúdo daqueles que mais lhes
interessem, podendo interagir com o expositor através de pedidos de esclarecimentos,
questionamentos, sugestões etc”.
Uma vez expondo suas idéias a um público mais amplo de pares, o autor de
comunicações (e pôsteres) em eventos científicos pode estar motivado — e, possivelmente,
desde o início de sua pesquisa — pela oportunidade de apresentar o seu trabalho para apreciação
prévia dos pares antes desta ser finalizada. Compreende ainda que a etapa seguinte seja a de
efetivar as alterações provindas da discussão ocorrida no evento, com o intuito de continuar a
investigação e, enfim, formalizar suas contribuições por meio da transposição de sua
comunicação oral (ou pôster) para vetores mais formais, tais como artigos de periódicos e
capítulos de livros, por exemplo. Para o autor, é importante que se amplie à audiência e,
teoricamente, a possibilidade de discussão de suas idéias por seus pares a partir de mecanismos
que reforcem a qualidade do conteúdo exposto. Contudo, não raro, esta transição não é de todo
suave, pois inerente ao processo, há o risco do trabalho — que já fora apresentado em evento —,

�quando submetido para publicação em canais formais, seja recusado pelo conselho avaliador da
revista ou editora escolhida. Muller, Campelo e Dias (1996) respaldam esta afirmativa,
declarando que:
a qualidade dos trabalhos apresentados em um dado evento é geralmente muito
variada. Ao contrário das dissertações e teses, que são submetidas a uma
comissão examinadora rigorosa para aprovação, ou dos artigos de periódicos,
que são submetidos à avaliação prévia cuidadosa por especialistas, os trabalhos
de eventos diversos são avaliados de maneira mais leve. O autor e a platéia que
ouvirá a sua exposição, ou os leitores que lerão mais tarde os anais sabem que a
pesquisa pode não estar concluída, ou que a versão apresentada não é, ainda,
necessariamente a versão final.

Por outro lado, a apresentação de relatórios e trabalhos em congressos, segundo Mueller
(2005), é tão prestigiosa para as áreas de tecnologia e de ciências aplicadas quanto a publicação
de artigos científicos. A autora destaca que as “... preferências de pesquisadores das diversas
áreas se refletem no prestígio ou valor que atribuem aos diversos canais de comunicação e
divulgação” e que o estabelecimento de padrões para a avaliação da produção e produtividade
científica de pesquisadores enfrenta controvérsias entre os que defendem que as regras devem ser
iguais para todos e aqueles que consideram que as especificidades de cada área precisam ser
respeitadas.
Cumpre observar que o estudo de Mueller apresenta considerações relacionadas às áreas
de Ciências Sociais Aplicadas, Ciências Humanas, incluindo ainda a Lingüística, Letras e Artes.
Para o primeiro grupo, os canais preferenciais foram os periódicos nacionais e livros, ainda que
publicassem também, mas com menor freqüência em periódicos estrangeiros, congressos
nacionais e capítulos de livros. Os resultados revelaram que este grupo publica “apenas
marginalmente [...] nos anais de congressos estrangeiros”. O segundo grupo se assemelha ao
primeiro quanto às preferências, sendo que os canais mais freqüentes são “os periódicos
nacionais seguido dos capítulos de livros”. Contudo, uma distinção ocorreu entre os
pesquisadores das Ciências Humanas (que preferiram, pela ordem, os congressos nacionais,
livros e periódicos estrangeiros), “enquanto Lingüística, Letras e Artes deram preferência aos
livros seguido de periódicos estrangeiros e depois congresso nacional. Pesquisadores das duas
áreas publicaram apenas marginalmente em anais de congressos estrangeiros.”
Finalizando o estudo, Mueller destaca que, para o grupo intencionalmente escolhido
(bolsistas de pós-doutoramento), pode-se pressupor certo amadurecimento na carreira científica e
uma disposição para a pesquisa e auto aprimoramento. Neste sentido, tanto o conceito de

�“disposição” como o de “auto aprimoramento” estão intrinsecamente ligados às condições
extrínsecas e intrínsecas da motivação.
A MOTIVAÇÃO
Motivo é uma palavra proveniente do latim (motivu). Significa, comumente, o que move,
mas também indica causa, razão, fim, intuito. Considerados os propósitos do presente estudo,
motivação pode ser definida como “o conjunto de processos implicados na ativação, direção,
intensidade e persistência da conduta” (Godoi, 2001). Segundo Campos (1983) Freud trouxe,
com a psicanálise, as primeiras contribuições significativas para o estudo da motivação,
estabelecendo seis princípios fundamentais:
[a] Todo comportamento é motivado; [b] A motivação persiste ao longo da
vida; [c] Os motivos verdadeiramente atuantes são inconscientes; [d] A
motivação se expressa através de tensão; [e] Existem dois motivos
prevalecentes face à sua possibilidade de repressão: o sexo e a agressão; [f] Os
motivos têm natureza biológica e inata. (CAMPOS, 1983, p. 92)

Citando Freud, a autora também esclarece que qualquer processo é originado por um
estado de tensão psíquica que, para ser anulado ou aliviado, envolve uma fuga ou a produção de
prazer. É daí que surge o princípio do prazer, que é dominante na infância e, na vida adulta, é
substituído pelo princípio da realidade, que propicia a capacidade de adiar o prazer, de suportar
desconfortos transitórios em vista de recompensas futuras.
Segundo elucida Godoi (2001), posteriormente a Freud a motivação passou a ser
enfocada diversas vezes, constituindo-se em abordagens ou semi-teorias cujos autores, cada qual
à sua maneira e respeitando prioridades intrínsecas às suas disciplina de estudo, apresentaram
explicações fragmentadas sobre o campo motivacional. As principais disciplinas neste caso,
explica a autora, inserem-se no âmbito da Psicologia (de onde estes estudos se originam), da
Gestão e da Educação.
Entre as principais abordagens relacionadas à motivação, destacam-se:
a) Hierarquia das Necessidades de Maslow
Nesta teoria, Abraham Maslow defende que os seres humanos são naturalmente
insatisfeitos e, deste modo, estão permanentemente buscando satisfazer suas necessidades, as
quais são sintetizadas na Figura 3, a seguir.

�FIGURA 3 – HIERARQUIA DE NECESSIDADES DE ABRAHAM MASLOW

NECESSIDADES DE AUTO-REALIZAÇÃO
Auto-cumprimento e realização das potencialidades próprias
do indivíduo

NECESSIDADES DE ESTIMA
Realização, aprovação, competência e reconhecimento

Necessidades
secundárias

NECESSIDADES DE AMOR
Afiliação, aceitação e fazer parte do grupo

NECESSIDADES DE SEGURANÇA
Garantia da ausência de perigos

Necessidades
primárias

NECESSIDADES FISIOLÓGICAS
Alimentação, água, ar, etc

Conforme esclarece Davidoff (1983), o homem busca satisfazer inicialmente suas
necessidades mais básicas, como a alimentação e a moradia. Depois disso, passa a atender suas
necessidades de caráter social, de caráter emocional e aquelas voltadas à sua auto-realização. No
entanto, o avanço às necessidades secundárias é condicionado à satisfação das primárias. Por
exemplo, uma pessoa que enfrenta uma necessidade fisiológica, tal como a fome, pode arriscar a
própria vida para buscar alimento e, só depois disso, atenderá a necessidade de segurança. Ao
abordar essa teoria, Barros (1986, p. 139-140) observa que, quando todos os motivos se
encontram satisfeitos, então surge o motivo da auto-realização que, para Maslow, representa o
desejo de satisfação própria.
b) Teoria dos dois Fatores de Herzberg,
Pesquisando a motivação no ambiente de trabalho, Frederick Herzberg identificou duas
ordens de fatores que interferem no comportamento do homem: fatores higiênicos (ligados às
necessidades biológicas, extrínsecos ao indivíduo) e fatores motivadores (relativos à necessidade
de realização e reconhecimento, intrínsecos ao indivíduo).
O termo “higiene”, nesse caso, denota um caráter preventivo, representado pelo desejo
de se evitar a insatisfação no trabalho. Por isso, fatores higiênicos se referem às condições que
cercam o empregado: o salário, benefícios sociais, etc. Os fatores motivadores, por sua vez,
dizem respeito tanto às atividades desempenhadas pelo funcionário, quanto ao reconhecimento
que obtém com as tarefas que executa, que deveriam representar uma satisfação duradoura.
De acordo com Fiuza (2002), através deste enfoque Herzberg destacou a diferença entre
a satisfação e a insatisfação profissional, observando que os fatores motivacionais podem

�contribuir pela primeira, mas os fatores higiênicos não. Em contrapartida, o não atendimento de
fatores higiênicos geram a insatisfação dos empregados.
c) Motivação de realização de Atkinson e McClelland
Conforme Godoi (2001), esta abordagem pode ser compreendida como a disposição do
indivíduo em motivar-se frente a desafios para alcançar o sucesso e a excelência. A autora
destaca que o motivo de realização se baseia em três pilares: 1) modalidades de realização, que
se dividem em instrumentais, afetivas e cognitivas; 2) tipo de confrontação, configurando a
disposição do indivíduo para confrontar-se com os desafios; e 3) a perspectiva temporal.
A teoria sustenta que a realização humana resulta de um conflito que nasce pelo esforço
de alcançar o êxito e de evitar o fracasso. Tal teoria ganhou novas versões a partir de diversos
autores que procuraram relativizar o enfoque original segundo a realidade da educação e das
organizações modernas. Entre tais versões, uma toma a motivação com um impulso, uma
necessidade interna que move a ação do indivíduo; outra compreende a motivação como
incentivo, no qual em vez de impulsionar a ação o indivíduo, o atrai.
Para Godoi (2001, p. 46), há semelhanças entre a teoria da motivação por realização e
os fatores de satisfação de Herzberg, pois ambas as abordagem buscam tornar intrínsecos os
elementos gerados no ambiente, atrelando a motivação “aos princípios que operam o
condicionamento e a gestão comportamental”.
Cumpre acrescentar que as abordagens acima citadas ainda não são de consenso e,
tampouco, há uma teoria definitiva. Godoi (2001, p. 18) alerta que “...acerca da conceitualização
de motivação (principalmente diante da teoria piagetiana do conhecimento construído na ação)
[....] há, implícita ao conceito de motivação, a expressão “motivos para a ação”. A autora
prossegue observando que a motivação diz respeito a atos, e a palavra “ato” é utilizada como
categoria mais ampla de eventos que interessam à psicologia motivacional. Motivação, assim,
consiste em “um conjunto de relatos de escolhas, intensidades e sentimentos dos atos”.
Ampliando a sua abordagem, a autora igualmente alerta para uma tendência ao reducionismo e à
simplificação, ou seja,
[e]ntre a dúvida se o conceito é compreendido em termos de um desejo de se
empenhar em dada tarefa, ou em termos de certas qualidades e demais
motivações gerais que definem os seres humanos – centro da discussão
cognitivo-afetivo-pulsional [...] atribuem a motivação apenas a um desejo de
“sentir-se bem” a um desejo de prazer descomplicado. Mesmo teorias mais
reconhecidas reduzem a questão das categorias motivacionais, por exemplo, a
uma orientação à aprendizagem e perícia (Harter, 1992), a uma necessidade de
competência e auto-determinação (Deci e Ryan, 1992), ou ao relacionamento e
envolvimento com os outros (Deci e Ryan, 1992). (2001, p. 19)

�Godoi ainda reforça que o consenso em relação ao compo da motivação está longe de ser
alcançado, existindo, atualmente, três vias de pesquisas neste campo: o debate da competência e
do desempenho; a questão inexplorada do comprometimento; e a via mais global, mais
ambiciosa da recomposição de uma psicologia geral da motivação.
Aplicada a uma perspectiva da motivação voltada à produção científica, as palavras de
Godoi ampliam o que foi apontado por Witter (1997) apud Robl e Meneghel2, defendendo que o
enfoque de estudos sobre a produção científica deve contemplar as variáveis do contexto, do
processo, do produtor, do consumidor e do impacto. Ou seja, não é suficiente contabilizar a
produção, tornando-se preciso considerar, antes de tudo, as condições do processo de produção.
Neste caso específico, depreende-se que, nas condições do processo de produção, estão os
fatores/dimensões motivacionais.
OS FATORES DE MOTIVAÇÃO DOS PESQUISADORES
No escopo do presente estudo, encontra-se o interesse em conhecer as motivações que
movem os pesquisadores a apresentarem trabalhos em eventos científicos. Para tanto e com o
intuito de facilitar a compreensão, foram definidas quatro categorias ou blocos de motivações:
científico-profissionais; pessoais; financeiras; e tecnológicas. Em relação a estas categorias e
considerando-se a amplitude e a complexidade do tema, deve-se ponderar que um motivo pode,
em quase todos os casos, pertencer a mais de uma categoria concomitantemente — por exemplo,
um motivo financeiro não deixa de ser pessoal. Em outros casos, os motivos apresentam
semelhanças, interdependências e complementaridades, distinguindo-se entre si apenas
sutilmente — por exemplo, “fomentar a troca de idéias” também pode constituir um motivo para
“aprimorar o trabalho”. Respeitadas tais ponderações, foram identificados como fatores que
motivam os pesquisadores:
a) Motivações científico-profissionais
- Apresentar novos conhecimentos à comunidade científica da área: contribuir com
novos conhecimentos à sua área constitui uma das principais motivações dos pesquisadores para
publicar e comunicar os resultados de suas pesquisas (Tenopir e King, 2001).
- Possibilidade de interação imediata com os pares: ao expor o trabalho à
apreciação/avaliação dos pares, estes podem interagir imediatamente, apresentando as suas
dúvidas, críticas e comentários, apreciando e ao mesmo tempo avaliando o trabalho apresentado.
Segundo Campello (2000), este aspecto ganha destaque pelo caráter instantâneo dos eventos

�científicos, comparado à morosidade e ao número restrito de avaliadores que participam de
outros canais de comunicação, como as revistas científicas. A autora salienta: “a apresentação
oral do trabalho no encontro tem a vantagem de possibilitar que críticas e sugestões sejam feitas
na hora, de forma a permitir uma retroalimentação instantânea, podendo envolver vários pontos
de vista” (ibdem, 2000, p. 56).
- Fomentar a troca de idéias: a comunicação pessoal constitui uma necessidade
entre os membros de uma comunidade científica e, neste aspecto, os eventos científicos
representam um dos principais canais para permitir a comunicação informal. Quanto a isso,
Campello (2000, p. 57) destaca que “a possibilidade de se comunicar pessoalmente com seus
pares é de fundamental importância para o cientista, constituindo uma das maiores motivações
para seu comparecimento a eventos e a impossibilidade de participar pode trazer uma sensação
de isolamento e frustração”.
- Aprimorar o trabalho: os docentes-pesquisadores também podem se valer da
apresentação de um trabalho em evento especialmente para aprimorá-lo. Essa possibilidade se dá
principalmente quando os trabalhos ainda não foram concluídos ou quando o(s) autor(es)
desejam melhorar o trabalho para publicá-lo em revista científica. Neste caso, Petroianu (2002)
esclarece que “tal procedimento é aconselhável, pois o debate que o trabalho pode gerar
freqüentemente se acompanha de sugestões úteis ao enriquecimento da pesquisa e de seu
manuscrito. Novos estudos na mesma linha também podem ser criados em conseqüência de tais
discussões”.
b) Motivações pessoais
- Obter prestígio e reconhecimento: obter prestígio e reconhecimento junto à
sociedade e aos seus pares, constitui um motivo substancial que leva docentes e pesquisadores a
empreenderem esforços para participarem de diferentes meios de comunicação científica.
- Reencontrar colegas e amigos: uma vez que um evento reúne profissionais de
uma mesma área, considera-se pertinente que os participantes deste sejam motivados pela
expectativa de reencontrar os seus colegas. Neste aspecto, observa-se, sobretudo a boa relação
entre os participantes do evento, que além de um relacionamento profissional, prezam pelo
coleguismo e pela amizade.
- Ampliar a rede de relacionamentos: a possibilidade de conhecer novos colegas,
entre os quais membros proeminentes da comunidade científica, também consiste em motivo
potencial. Com esta motivação, entende-se que a intensidade e a diversidade do relacionamento

2

ROBL, Fabiane, MENEGHEL, Stela M Os desafios da Produção Acadêmica em Instituições Periféricas: um estudo sobre a

�entre os pares condizem com a interatividade entre os mesmos, revertendo-se de forma positiva
para o desenvolvimento científico e acadêmico destes.
- O local onde o evento é realizado: o apelo turístico de um determinado local
constitui um importante fator que move, em certa medida, o interesse dos pesquisadores a
participarem e apresentarem os seus trabalhos em eventos.
- Facilidade e satisfação no que concerne à apresentação de trabalhos: em alguma
medida, a participação é motivada pela facilidade e satisfação que um autor sente para apresentar
um trabalho em público — ou vice-versa. Considerada tal circunstância, Petroianu (2002)
elucida que, em certos casos, autores diretamente envolvidos com uma pesquisa deixam de
apresentá-lo, encarregando para tanto um co-autor ou até pessoas que não tiveram participação
na pesquisa. Mas também é válido ilustrar este fator com Tsallis (1985, citado por Ohira, 1998)3,
o qual denota que a produção de pesquisas, por si só, gera bem estar (psíquico e material) e gera
prazer (de aceder ao difícil, de trocar).
c) Motivações financeiras
- Possibilidade de obter financiamento/auxílio para apresentar o trabalho: muitas
instituições financiam as despesas relativas à participação de seus pesquisadores em eventos,
buscando, deste modo, estimular que estes apresentem e disseminem os resultados de suas
pesquisas. Tal aspecto constitui fator que, obviamente, justifica a apresentação de uma parcela
dos trabalhos.
- Exigência para ascensão acadêmico/profissional: a maior parte das instituições
ligadas à pesquisa contam com planos de carreira e programas de estímulo à produção científica,
em que os pesquisadores ganham pontos à medida que publicam. Um exemplo é a gratificação
de estímulo à docência (GED), no âmbito do ensino médio e superior da esfera pública federal;
outro é a obrigatoriedade do preenchimento de currículos na Plataforma LATTES/CNPQ, como
condição para o reconhecimento de produtividade científica, entre outros fatores.
d) Motivações tecnológicas
- Facilidade proporcionada pela Internet para submeter trabalhos e se inscrever
no evento: a Internet constitui um recurso de significativo valor na divulgação de eventos,
facilitando também o processo de inscrição dos participantes e de submissão dos trabalhos,
aspectos esses que, até certo ponto, também podem ser considerados como motivadores.

FURB. 27ª reunião anual da ANPED GT 11 - Política de Educação Superior. Disponível em: &lt;http://www2.uerj.br/~anped11/&gt;
3 TSALLIS, Constantino. Por que pesquisa na Universidade? Ciência e Cultura, v. 37, n. 4, p.570-572, abr. 1985.

�- A informação se tornou mais acessível com a Internet, facilitando identificar e
participar de mais eventos: não é difícil observar que, visando ampla disseminação, os
organizadores de eventos elaboram e publicam o site do mesmo na Internet com até um ano de
antecedência. A acessibilidade da informação possibilitada pela Internet pode constituir um fator
marcante para participar e apresentar trabalhos.
O ciclo que apenas se abre com os fatores descritos acima lançam o desafio da
estruturação de um instrumento de coleta de dados enxuto e pertinente aos objetivos gerais do
projeto como um todo. Da mesma forma, questiona-se — dada a ênfase em aspectos
motivacionais — qual será a receptividade e o grau de participação da comunidade alvo desta
proposta, considerando-se tanto o aspecto que considera os sujeitos deste universo como
pesquisadores, mas — de forma mais contundente — profissionais ligados às áreas da
informação e da comunicação, duplamente afetados pelos processos que esta proposta de
pesquisa pretende investigar.
COMENTÁRIOS FINAIS
Com o projeto de pesquisa que dá origem a este estudo, almeja-se discutir aspectos ainda
pouco explorados relativos à comunicação científica. Considera-se que as razões que podem
impulsionar indivíduos e grupos a apresentarem contribuições à ciência são, normalmente,
identificadas como sendo uma reação à existência de um “sistema de recompensas”, quando, sob
um outro ponto de vista, este mesmo sistema de recompensas é apenas resultado da tentativa de
validar (e por que não dizer, quantificar) questões de cunho emocional e cognitivo, que
repousam no cerne da inquietação do indivíduo, motor do seu desejo de compreender o mundo e
de

aprender.

Neste

particular,

as

características

extremadas

de

virtualidade,

de

desterritorialização, de rapidez, de ubiqüidade, de simultaneidade e de fluidez (Lévy, 1996)
trazidas no bojo da Internet (e outras conhecidas como Novas Tecnologias da Informação e da
Comunicação – NTICs) refletem-se em mudanças significativas nos processos relativos à
aprendizagem, à comunicação e à informação, às quais os indivíduos reagem de diferentes
maneiras. É neste sentido — de dar a palavra ao agente humano envolvido no processo de
comunicação científica — que o projeto como um todo repousa sua intenção.

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Apresenta abordagem relacionada à comunicação científica, sua dinâmica e seus atuais modelos e formatos para veiculação, distribuição e disseminação da produção acadêmica. Busca apresentar e analisar uma metodologia de estudo que está sendo gerada para se identificar, junto à comunidade científica, os principais fatores motivacionais para a produção e consumo de revistas e artigos científicos, quer em suporte impresso como eletrônico, quer de fonte aberta ou restrita, quer em portal de periódico ou em repositórios digitais. Acredita-se que essas atuais possibilidades somadas ao envolvimento dos próprios autores no processo de auto-arquivamento de sua produção, descrição de metadados e inclusão de arquivos minimamente formatados e estruturados tem tido implicações ainda maiores no escoamento da produção de docentes, em especial aqueles vinculados a áreas de humanas e sociais. Tais implicações esbarram em duas vertentes: a) dificuldade da comunidade em acompanhar o desenvolvimento tecnológico; b) atualização de infra-estrutura e treinamento adequado para o uso de tais tecnologias e do novo “fazer científico” emergente. As comunidades científicas, foco desse estudo, são os pesquisadores autores de trabalhos científicos que publicaram nos principais congressos brasileiros nas áreas de ciência da informação e ciências da comunicação no período compreendido entre 2000 a 2005. </text>
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                    <text>FORMAÇÃO CONTINUADA DE BIBLIOTECÁRIOS E AS FERRAMENTAS
TECNOLÓGICAS DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: UMA PROPOSTA DE
INTERVENÇÃO EDUCATIVA
Clélia Junko Kinzu Dimário (1)
Elenise Maria de Araújo (2)
Casimiro Paschoal da Silva (3)
Priscila Carreira Bittencourt Vicentini

(4)

Wilson Bittencourt Vicentini (5)

Resumo: As transformações decorrentes da revolução informacional do
conhecimento afetam o desenvolvimento das forças produtivas e sociais, e
consequentemente o profissional da informação. O debate em torno do processo
de qualificação-desqualificação decorrente da anunciada revolução tem como
premissa o processo educacional e de apropriação dessas tecnologias eletrônicas
em ambientes de aprendizagem virtual. O profissional bibliotecário deve estar
apto a dominar as tecnologias e redes interativas que possibilitam o rápido acesso
a informação tanto na mediação informação/usuário quanto para sua educação
continuada. Esse processo educativo deve co-relacionar os novos paradigmas da
Educação a distância, e a pertinência de aplicação desses modelos à Ciência da
Informação. Nesse sentido, propõem-se um modelo de curso à distância sobre
normalização de trabalhos científicos, para bibliotecários, estruturado em módulos
de acordo com as normas vigentes. Seguirá um caráter interdisciplinar, dinâmico
e de curta duração. Para a escolha do sistema gerenciador de ensino à distância,
comparar-se-à os sistemas utilizados na arquitetura de cursos oferecidos pelas
universidades públicas do Estado de São Paulo (USP, UNESP e UNICAMP). O
curso fornecerá subsídios para a capacitação do profissional da informação em
Educação a distância fomentando um processo coletivo de qualificação
direcionado aos profissionais atuantes de instituições públicas e privadas.

Palavras-chave: Educação a distância. Educação Continuada. Capacitação de
Bibliotecários. Ensino On-line.
1

Bibliotecária da Seção de Aquisição e Tratamento da Informação do Instituto de Química
de São Carlos – USP e Discente - MBA da UNICEP - São Carlos – SP
(clelia@iqsc.usp.br)
2
Bibliotecária da Seção de Atendimento ao Usuário da Escola de Engenharia de São
Carlos – USP (elenisea@sc.usp.br)
3
Técnico de Redes da Seção Técnica de Informática da Escola de Engenharia de São
Carlos – USP (casimiro@sc.usp.br)
4
Bibliotecária da Seção Técnica de Referência, Atendimento ao Usuário e Documentação
do Instituto de Química – UNESP – Araraquara – SP (priscila@iq.unesp.br)
5
Docente do Departamento de Ciência da Computação - PUC Minas – campus Poços de
Caldas – MG (wilsonbv@pucpcaldas.br)

�1 As forças produtivas na sociedade da informação

As sociedades contemporâneas convivem com um paradoxo, “pois
esperava-se que a racionalidade embutida no método de olhar e interpretar o
mundo permitisse a configuração de uma organização da sociedade na qual o
“Esclarecimento” (a ser atingido pelo acesso ao conhecimento acumulado e
transmitido universalmente pelas instituições educacionais) garantiria ao seu
possuidor a participação no direcionamento das questões públicas de interesse
comum e um melhor relacionamento entre os indivíduos.” (CARDOSO, 1996).

Segundo Cardoso (1996) a aplicação do conhecimento científico às
situações empíricas culminou no desenvolvimento de tecnologias e na maior
complexidade dos processos produtivos de bens e serviços, onde o conhecimento
estocado permite o “avanço tecnológico, a flexibilização da produção e a
segmentação do consumo”. Porém, a supremacia da “racionalidade científica”
sobre os valores éticos vem colocando objeções ao paradigma da objetividade e
universalidade da Ciência.

Outro fator de equivalente importância é o avanço das tecnologias da
comunicação e o desenvolvimento de “sistemas peritos” de organização da vida
que transformaram as relações produtivas na sociedade. Essas relações
passaram a ser desenvolvidas ignorando as barreiras do espaço físico-geográfico,
da temporalidade e da organização social e econômica.

Essa

produção

segmentada

por

demandas

específicas

gera

a

fragmentação da força de trabalho, a desintegração das empresas e a
descentralização da produção. Para os trabalhadores e instituições todo esse
processo provocou profundas e irreversíveis mudanças com repercussões na vida
familiar, no lazer, na cultura e na política.

São estabelecidas assim, novas disposições para o trabalho, onde a força
produtiva deve: se habilitar em curto prazo; não associar sua atividade à
estabilidade de carreira, tarefas contínuas e centralização de funções e recursos.

2

�Pois tudo, além de flexível, pode ser modificado no próximo momento de
“reengenharia” organizacional.

Fridman, (2000) considera que as “carreiras não são mais o leito por onde
flui a experiência de trabalho de toda uma vida” considera ainda que, a nova
organização da produção derivada das inovações tecnológicas permite uma
descentralização das tarefas e pressiona os trabalhadores a se adaptarem a
novas habilidades e iniciativas. “A vivência do tempo é profundamente alterada:
não há mais longo prazo.” (FRIDMAN, 2000). Nesse sentido, faz-se urgente que o
profissional bibliotecário reinvente sua participação nas instituições, de maneira a
cumprir por meio de sua especialização, a flexibilidade necessária para mantê-lo
atuante nas relações produtivas da sociedade do conhecimento.

Propomos assim, um breve debate sobre a especialização flexível e o
processo que desencadeia a qualificação dos profissionais bibliotecários, por
meio da aprendizagem em ambientes virtuais.

2 O ambiente de aprendizagem virtual

A divulgação do conhecimento produzido e o acesso à informação
constituem os pilares da educação ocidental moderna, e diante da disponibilidade,
quantidade, profundidade e agilidade com que a informação chega ao indivíduo,
podemos verificar o surgimento de um novo sistema de dominação.

Qualquer medida de apropriação do conhecimento tem como premissa, um
complexo processo de ensino-aprendizagem que depende de políticas de
qualificação orientadas para o mercado produtivo.

A constatação desta situação tem levado os educadores, a estudarem
novos esquemas cognitivos, refazendo as relações com ênfase em atitudes
proativas que estimulem a criatividade e autonomia, garantindo assim a eficácia e
eficiência do processo de aprendizagem.

3

�O ensino à distância, tradicionalmente marcado, pelas mídias antigas
(material impresso, televisão e rádio) e pela atitude passiva do aluno e do repasse
simples do conhecimento, também cede lugar à “educação a distância”.

Os programas de educação a distância, devem apontar para outras
possibilidades de interatividade por meio de tecnologias instrucionais, com ênfase
à construção do conhecimento original. Assim, ao fortalecer o processo de
elaboração e explicitação de idéias novas, a educação a distância, verifica “como
se aprendeu e o que foi produzido com o conhecimento aprendido”. Essa relação
pedagógica, intimamente relacionada ao ato de pesquisar, coloca em posição de
igualdade os professores/tutores e os alunos.

Para discutir a questão metodológica dos programas de Educação a
distância (EAD), torna-se essencial destacar outras questões e temas
estratégicos sobre o processo de planejamento educacional como: as
características e necessidades do público-alvo; a definição de um modelo
pedagógico específico; construção de comunidade virtual e interativa de
aprendizagem; formação e aperfeiçoamento do professor/tutor. O sucesso na
aprendizagem à distância, depende também das possibilidades de interatividade
na comunicação entre todos os elementos da comunidade virtual: aluno,
professor, conteúdo do curso, tecnologia e recursos de ensino.

No entanto, a capacitação dos professores e alunos, é um dos requisitos
fundamentais para o sucesso do programa de ensino à distância. Essa estratégia
de formação e atualização dos profissionais em questão enfatiza também o
desenvolvimento da capacidade de trabalhar em equipe, estimulando nos
participantes o princípio de aprendizagem colaborativa, do gerenciamento e do
domínio crítico da tecnologia sugerida no processo de ensino à distância.
3 A educação continuada do profissional bibliotecário

Segundo Cavalcanti (2001) vários trabalhos foram publicados sobre teorias
do ensino e identificam-se inúmeros conceitos que dão suporte aos princípios da

4

�Andragogia (aprendizado de adultos). Esse conceito é aqui explicado, para que as
peculiaridades desses alunos sejam respeitadas no processo de ensinoaprendizagem presencial ou à distância.

Sob essa ótica, a educação de adultos, conta com a capacidade de
autogestão do aprendizado pelo aluno, sua auto-avaliação e motivação intrínseca,
que

substituem

o

controle

burocrático

hierárquico

que

aumentam

o

comprometimento, a auto-estima segundo os propósitos do programa. Assim,
como “no ensino universitário, é necessário que sejam introduzidos conceitos
andragógicos nos currículos e abordagens didáticas dos cursos superiores”
(CAVALCANTI, 2001) por extensão nos cursos de especialização, capacitação ou
aperfeiçoamento para os profissionais bibliotecários, esse princípio deve ser
acertado.

Consideramos que a formação continuada do profissional bibliotecário
deve ser pautada nos princípios de autogestão do aprendizado, e a elaboração de
um plano de curso à distância, deve explorar através de métodos experimentais,
as discussões em grupo, exercícios de simulação, aprendizagem baseada em
problemas e discussões de casos.
“As atividades formais e informais de aprendizagem que colaboram para elevar o
conhecimento, atitudes e competência do profissional bibliotecário são analisadas
mediante um núcleo extenso de variáveis, como a participação em congressos,
leituras técnicas e cursos de aperfeiçoamento”.(BELLUZZO, 1996)

Em sua pesquisa Belluzzo (1996) analisou os motivos reais que levam os
profissionais a procurar fontes de formação continuada durante sua carreira e a
utilização da internet para pesquisa. O estudo consistiu na aplicação de
questionários para profissionais em diferentes situações de aprendizagem e os
resultados obtidos apontam para o desenvolvimento pessoal atrelado as
oportunidades de aprendizagem por instituições de classe e universidades que
possuem recursos informacionais melhores alocados. Porém, não podemos
descartar o problema social que vários bibliotecários na sua ação cotidiana se

5

�deparam, como por exemplo a falta mínima de infra-estrutura para tornar sua
comunidade integrante do ambiente de aprendizagem virtual. De acordo com
Soares (2006):
”[...] as dificuldades mais freqüentes vão desde os deslocamentos dos
bibliotecários, recursos financeiros para pagamento de viagem e estadia até
problemas na liberação para se ausentarem do trabalho. Quando conseguem
vencer todas essas dificuldades, a liberação dificilmente acontece para mais de
um bibliotecário da mesma equipe. Os demais não se capacitam e dificilmente os
capacitados retransmitem, a contento os conhecimentos adquiridos...”

Baseado nisso, supõe-se que há vários bibliotecários atuantes no mercado
de trabalho que não se capacitam e na maioria das vezes se sentem
pressionados a aprender no menor espaço de tempo possível, pois tem crescido
o nível de exigência dos usuários pelos serviços oferecidos nas bibliotecas.

Nesse sentido, devemos resgatar o papel do profissional bibliotecário
enquanto agente social e político comprometido com a transformação dessa
realidade de acordo com a nova demanda informacional. Conseqüentemente, o
próximo passo é socializar o acesso ao conhecimento adquirido, propondo ações
concretas de cursos e treinamentos de capacitação para os pares que não podem
participar dos novos processos tecnológicos da comunicação científica.

Dominando as tecnologias e redes interativas que possibilitam o rápido
acesso à informação, o profissional bibliotecário, deve participar efetivamente do
processo de mediação informação/usuário e através de intervenções educativas
ser capaz de informar e formar o usuário sobre todos os serviços e produtos
disponíveis no sistema de informação que atua.

No entanto, para que isso seja real, é necessário que ocorra uma
mudança de paradigmas, tanto por parte do profissional bibliotecário como da
instituição que ele atua. Segundo Soares (2006) isso acontecerá ao rediscutir a
importância que o bibliotecário desempenha, como um dos profissionais da
educação e não meramente um técnico que alimenta banco de dados, organiza a
informação ou empresta livros.

6

�Assim, a educação continuada de bibliotecários atuantes deverá ser
motivadora, favorecendo o senso crítico e o desenvolvimento do progresso
humano e não apenas um treinamento para execução de tarefas rotineiras e
repetitivas. Para Silva (2002) esse é um dos grandes desafios e dilemas na
formação contínua do bibliotecário, pois só desenvolvendo a visão sistêmica e
participando efetivamente do processo ensino-aprendizagem que profissional
atingirá o reconhecimento merecido.
4. Proposta de curso

Segundo Rodrigues; Lima e Garcia (1998) um trabalho científico pode ser
analisado quanto a sua qualidade política e formal, sendo que para atingir essa
segunda qualidade o autor deve apresentar:

“propriedade lógica, tecnicamente instrumentada, dentro dos ritos acadêmicos
usuais; domínio de técnicas de coleta, manuseio e uso de dados; capacidade de
manipular bibliografias; versatilidade na discussão teórica; conhecimento das
teorias, de autores; [...] como também, a capacidade de redação e apresentação
de trabalhos escritos, de comunicações, artigos, dissertações, teses”.

Considerando que a normalização técnica dos trabalhos acadêmicos é um
dos fatores de eficiência na comunicação científica e o bibliotecário, o profissional,
que domina essa técnica, nas Universidades, devemos repensar sua atuação na
socialização do conhecimento adquirido. Cabe aos bibliotecários assumirem seu
papel de agentes educacionais e realizarem intervenções diretivas em projetos de
extensão à comunidade acadêmica ou aos demais profissionais já formados,
participando ativamente da configuração da sociedade do conhecimento.

Nesse sentido, propõem-se um modelo de curso à distância para
bibliotecários sobre normalização de trabalhos científicos, fornecendo subsídios
para a capacitação do profissional atuante de instituições públicas e privadas e
com aplicação posterior à comunidade acadêmica.

7

�O planejamento de um curso de aperfeiçoamento profissional em EAD
exige a definição dos seguintes tópicos: credenciamento junto ao Conselho
Nacional de Educação e homologação pelo Ministério da Educação (BRASIL,
1996); instituição certificadora e financiadora; número de vagas; carga horária;
conteúdo programático; cronograma; investimento/pagamento; ambiente virtual e
ferramentas; estratégias pedagógicas e tecnológicas e a equipe de suporte
(técnicos, bibliotecários e educadores). O conteúdo programático proposto
abrangerá as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) em
documentação, especificamente as gerenciadas pelo Comitê 14. Através de
exercícios dirigidos serão comparados os modelos de referências bibliográficas
segundo as normas da International Standardization Organization (ISO); do
Comitê Internacional de Editores de Revistas Médicas (Grupo de Vancouver) e da
American Psychological Association (APA). Os módulos serão divididos conforme
a estrutura da Comissão de Estudo de Documentação do Comitê/ABNT. Os
procedimentos de ensino serão: utilização das ferramentas e mix-mídias do
ambiente virtual para disponibilizar o material didático e comunicação com o
grupo; aulas teóricas e práticas, orientadas através do chat ou do fórum de
discussão. Avaliação será realizada por meio de estatísticas do número de
acesso; participação nas atividades sugeridas e cumprimento de prazos de envio,
freqüência mínima de 25% nas atividades presenciais, avaliação final do curso e
dos tutores de cada módulo

O conteúdo do curso foi definido em 4 módulos de 15 horas-aula cada,
totalizando 60 horas, sendo essa a regulamentação prevista na UNESP (2005),
UNICAMP (1996), USP (2003) para os cursos de aperfeiçoamento ou atualização.
Os encontros presenciais estão previstos no início de cada módulo, para
introdução dos novos tópicos e avaliação do anterior. Recomenda-se a dedicação
do aluno em média 5 horas por semana para o seu melhor desempenho.
Módulo 1- Apresentação do curso;
Objetivo:

Apresentar

os

objetivos,

cronograma

e

as

atividades

presenciais/virtuais do curso; apresentar as instituições normativas e a
importância do assunto para o profissional bibliotecário;

8

�Tópico: Descrição e funcionamento de instituições normativas nacionais e
internacionais
Atividades propostas: Leitura obrigatória e complementar de textos
selecionados e pesquisa em sites das instituições normativas.

Módulo 2- Normas do Comitê Brasileiro de Informação e Documentação
(ABNT/CB-14)

Comissão

de

Estudo

de

Documentação

(CE-14:000.01)-

DocumentaçãoObjetivo:Apresentar as principais normas do grupo CE-14:000.01 e reunir
dados e situações-problemas vivenciadas pelos alunos na prática diária.
Tópico: Normas do Comitê 14- CE-14:000.01- Documentação
Atividades interativas propostas: Leitura obrigatória e complementar de
textos selecionados; consulta as normas da ABNT citadas; aplicação de
exercícios propostos.
Módulo 3- Normas do Comitê Brasileiro de Informação e Documentação
(ABNT/CB-14)

Comissão

de

Estudo

de

Documentação

(CE-14:000.03)-

Identificação e descriçãoObjetivo: Apresentar as principais normas do grupo CE-14:000.03 e reunir
dados e situações-problemas vivenciadas pelos alunos na prática diária.
Tópico: Normas do Comitê 14- CE-14:000.03- Identificação e descrição.
Atividades interativas propostas: Leitura obrigatória e complementar de
textos selecionados; consulta as normas de referência bibliográfica da
ABNT, ISO, VANCOUVER e APA; aplicação de exercícios propostos.
Módulo 4- Normas do Comitê Brasileiro de Informação e Documentação
(ABNT/CB-14) Comissão de Estudo de Documentação (CE-14:000.04)-Gestão de
Documentos ArquivísticosObjetivo: Apresentar as principais normas do grupo CE-14:000.04 e reunir
dados e situações-problemas vivenciadas pelos alunos na prática diária;
avaliação final do curso e dos alunos.
Tópico: Normas do Comitê 14- CE-14:000.04- Gestão de Documentos
Arquivísticos; Avaliação final.

9

�Atividades interativas propostas: Leitura obrigatória e complementar de
textos selecionados; consulta as normas da ABNT citadas; aplicação de
exercícios propostos.
Ressaltamos que a estrutura modular proposta, possibilitará a busca de
soluções em grupo, o diálogo entre alunos e professores em questões de estudo
que favoreçam o desenvolvimento de múltiplos saberes.
5 Ferramentas de ensino a distância

A atual vertente teórica na educação a distância, é a de uma abordagem de
avaliação do processo ensino-aprendizagem, baseada na performance do aluno,
ou seja, “na avaliação formativa baseada na observação e orientação do aprendiz
durante o desenvolvimento de tarefas significativas e relevantes ao mesmo,
planejadas para levarem o aprendiz a um engajamento ativo na construção dos
seus conhecimentos” (OTSUKA et al, 2002).

No âmbito da educação a distância, a definição dos métodos de ensinoaprendizagem e suas ferramentas, mediada pelas tecnologias da informação e da
comunicação, segue a mesma tendência. Um curso à distância deve estar
estruturado para atingir uma avaliação formativa e baseada em performance.

Os ambientes de aprendizagem virtual, que dão suporte a Educação a
distância, utilizam “ferramentas de comunicação projetadas para possibilitarem a
realização de atividades de aprendizagem baseadas na construção colaborativa
de conhecimentos, e a realização de uma avaliação formativa por meio do
acompanhamento das interações dos aprendizes durante o desenvolvimento
destas atividades” (OTSUKA et al, 2002).

Nesse

trabalho,

analisamos

comparativamente

as

ferramentas

de

comunicação utilizadas nos cursos de Educação a distância nas Universidades
Estaduais Paulistas (USP, UNESP, UNICAMP), Porém nossa pretensão, não é
indicar uma ou outra, no sentido de apontar uma supremacia entre elas. Os três
ambientes serão caracterizados em suas peculiaridades e destacamos aqui, a

10

�necessidade de uma conduta criteriosa por parte dos coordenadores de cursos no
momento de escolha dessas ferramentas para gerenciar o processo de
aprendizagem virtual.
O ambiente TelEduc

O TelEduc é um ambiente de criação, participação e administração de
cursos à distância na Web desenvolvido desde 1997, pelo Núcleo de Informática
aplicada à Educação (NIED) em parceria com o Instituto de Computação (IC),
ambos da UNICAMP. Disponível em: http:// teleduc.nied.unicamp.br/teleduc/.

No ambiente de suporte à Educação a distância - TelEduc todas as
interações que ocorrem são registradas a fim de possibilitar a avaliação formativa
baseada no acompanhamento contínuo desses registros, bem como a reflexão
dos aprendizes sobre o processo de aprendizagem.

As ferramentas do TelEduc que foram desenvolvidas para dar o apoio ao
desenvolvimento de atividades e à avaliação formativa são Agenda, Atividades,
Parada Obrigatória, Material de apoio, Leituras, Fóruns de discussões, Bate-papo,
Mural, Perguntas Freqüentes, Portfólio, Grupos,InterMap, Acessos. Além disso,
tudo o que acontece em um curso é registrado (interações, conteúdos e acessos),
portanto a avaliação pode ser formativa, por meio da análise e orientação
contínua das participações dos aprendizes durante o desenvolvimento de
atividades individuais e em grupo, inclusive a falta de interação de algum aluno, é
notada pelo instrutor através da ferramenta InterMap.

Ressaltamos em OTSUKA et al (2002) a descrição da ferramenta Acessos
que “tornou-se necessária para possibilitar a diferenciação entre o “aprendiz
calado” mas presente e o “aprendiz ausente”, que é extremamente importante no
acompanhamento de um curso.

11

�O Ambiente Col

O ambiente Col – Cursos on-Line é um sistema de gerenciamento de
ensino em ambientes educacionais pela Internet (LMS Learning Mangement
System), desenvolvido pelo Laboratório de Arquitetura e Redes de Computadores
(LARC) da USP, distribuído pelo CCE - Centro de Computação Eletrônica da
USP. Disponível em: http://col.larc.usp.br/principal/

O sistema hospeda cursos, oferecendo o suporte necessário para a
organização de conteúdo, trabalhos, testes, FAQ automático, mensagens para a
turma, entre outros recursos. Possui ferramentas interativas, como chat e lista de
discussão, além da ferramenta de apresentação utilizada para apresentar páginas
HTML para os alunos, enriquecendo assim as aulas presenciais. A avaliação de
desempenho é feita através dos testes objetivos e das estatísticas de acesso.

Segundo Araújo (2003) outra característica da plataforma Col é que essa
“[...] trata basicamente do gerenciamento dos cursos e das atividades dos
participantes” facilitando o acesso ao material didático do curso, como permite
condicionar esse acesso ao bom entendimento do conteúdo anterior, através de
vinculação do material de aprendizagem a testes programados pelo professor”.

O Ambiente WebCT

O WebCT foi desenvolvido no Departamento de Ciência da Computação da
University of British Columbia em um projeto liderado por Murray W. Goldberg.
Disponível em: http://www.webct.com/. Como uma ferramenta que facilita a
criação de sofisticados ambientes de aprendizagem virtual, o WebCt permite aos
educadores elaborar e administrar o design das páginas dos cursos e seu
conteúdo pedagógico.

As

ferramentas

disponíveis

no

WebCt

incluem

ferramentas

de

comunicação (chat, lista de discussão e e-mail), questionários on-line que podem

12

�ser cronometrados, calendário do curso, glossário, área de apresentação do
estudante, ferramentas de busca e indexação, caderno de anotações e uma
ferramenta que permite ao aluno retornar automaticamente ao ponto em que ele
estava durante a sua última visita ao material do curso.

Segundo Wagner et al (2003) “a construção do ambiente WebCt é
realizada pelo professor e pela equipe de EAD que busca contemplar uma
aprendizagem cooperativa, interativa e autônoma, em situações de grupo e
individual.” Podemos notar outras funcionalidades como uma área de anotação de
conteúdo, estatística de utilização e acesso ao sistema, banco de dados de
questões do processo de avaliação, que podem ser reutilizadas.
6 Conclusão

O sucesso de um curso à distância, também dependerá da atenção e
planejamento que os coordenadores despenderem no acompanhamento dos
alunos. Segundo OTSUKA et al (2002)
“o formador tem um grande trabalho procurando, coletando e analisando
informações relevantes ao acompanhamento do curso, porém é uma atitude
necessária acompanhar cada nova ação dos aprendizes, além de estar atento
para detectar possíveis problemas no processo de aprendizagem (como a falta de
acesso, falta de participação, atraso de tarefas, falta de participação no grupo)”.

A equipe responsável pelo planejamento e gerenciamento do curso de
capacitação para bibliotecários na modalidade de ensino on-line, deve avaliar
todos os pontos acima citados bem como todas as experiências realizadas, a fim
de definir um modelo de aprendizagem virtual adequado a seu objetivo.

A prática educacional à distância requer um projeto pedagógico ordenado,
coerente, sistemático e seqüencial. Porém, durante qualquer processo educativo,
seja ele convencional (presencial) ou à distância, são inúmeras as variáveis que
interferem no grau de aprendizagem do aluno e do desempenho do professor.
Sendo assim, o modelo pedagógico de um programa de EAD deve suportar

13

�intervenções e contínuas revisões, mantendo uma satisfatória estrutura que
possibilite gerar respostas imediatas às múltiplas e singulares situações.

Assim, para que o processo educativo a distância venha atingir os objetivos
pretendidos e a qualidade desejada em seus resultados, não basta apenas
incorporar as novas tecnologias de informação e comunicação disponíveis sem
antes reavaliar as condições dos atores frente à qualificação profissional e sua
atuação enquanto agente multiplicador do conhecimento.

Referências
ARAUJO, Moyses. Educação a distância e a web semântica: modelagem
ontológica de materiais e objetos de aprendizagem para a plataforma Col. 2003.
Tese (Doutorado em Engenharia) - Escola Politécnica, Universidade de São Paulo
Disponível em: &lt;http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/3/3141/tde-22072005165858/publico/lastTese.pdf&gt;. Acesso em: 04 jun 2006.

BELLUZZO, R. C. B. et al. Capacitação de equipes bibliotecárias no Sistema
Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo face às novas dinâmicas
de gestão de qualidade. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS, 9, 1996. Curitiba. Anais... Curitiba, 1996.

BRASIL. Lei n. 9394/96, de 23 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e
bases da educação nacional. Diário Oficial da União. Brasília, 23.12.1996.
Disponível em:&lt;http://portal.mec.gov.br/seed/arquivos/ pdf/tvescola/
leis/lein9394.pdf&gt;. Acesso em: 05 maio 2006.

CARDOSO, A. M. P. Pós-modernidade e informação: conceitos complementares?
Perspectivas da Ciência da Informação. Belo Horizonte, v.1, n.1, p.63-79,
jan./jul. 1996.
CAVALCANTI, R. A. C. Andragogia: a aprendizagem nos adultos. 2001.
Disponível em: &lt;http://www.secrel.com.br/usuarios/cdhs/texto3.htm&gt;. Acesso em:
05 jun 2006.

FRIDMAN, L. C. Trabalho, especialização flexível e reflexividade desanimada.
2000. Disponível em: &lt; http://www.anpocs.org.br/encontro/2000/00gt20.htm &gt;
Acesso em: 13 jun. 2006.

14

�OTSUKA, J. L. et al. Suporte à avaliação formativa no ambiente de Educação a
distância TelEduc: todas as 6 versões. In: CONGRESSO IBEROAMERICANO DE
INFORMÁTICA EDUCATIVA, 6., 2002, Vigo. Anais eletrônicos... Disponível em:
&lt;http://www.dcc.unicamp.br&gt;. Acesso em: 03 jun.2006.

RODRIGUES, M. E. F.; LIMA, M. H. T. F.; GARCIA, M. J. O. A normalização no
contexto da comunicação científica. Perspectivas em Ciência da Informação,
Belo Horizonte, v. 3, n. 2, p. 147-156, jul./dez. 1998.

SILVA, E. L.; CUNHA, M. V. A formação profissional no século XXI: desafios e
dilemas. Ciência da informação, Brasília, v. 31, n. 3, p.77-82, 2002.

SOARES, Suely de Brito Clemente. Cibereduc: construção e desenvolvimento de
uma comunidade virtual de aprendizagem colaborativa das TICs, aplicadas ao
fazer diário de bibliotecários de referência de universidades brasileiras. 2006.
Dissertação (Mestrado). Universidade de Campinas, Faculdade de Educação,
Campinas, 2006. 1 CD-ROM

UNESP-UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JULIO DE MESQUISTA”
Resolução UNESP nº 115, de 15 de Dezembro de 2005, Regulamenta os Cursos
de Especialização da UNESP. Diário Oficial do Estado de São Paulo. São
Paulo,
16.12.2005.
Disponível
em:
&lt;http://www.unesp.br/propg/
lato/res_unesp_115_05.doc&gt;. Acesso em: 5 maio 2006.

UNICAMP-UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. Deliberação CEPE-ANº 03/96, 13/03/96. Dispõe sobre a criação e regulamento dos cursos de
especialização e aperfeiçoamento, modalidade: Pós-Graduação "lato sensu".
1996. Disponível em: &lt;http://www.pg.unicamp.br/delicepe/1996/CEP03A96.htm&gt;.
Acesso em: 5 maio 2006.

USP-UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Resolução CoCEx Nº 5072, de 16 de
Setembro de 2003. Diário Oficial do Estado de São Paulo. São Paulo,
18.09.2003. Disponível em: &lt;http://leginf.uspnet.usp.br/resol/r5072m.htm&gt;.
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WAGNER, P. R. et al. Ferramenta gerenciadora de ambientes de
aprendizagem em. EAD. 2003. Disponível em: &lt;http://www.abed.org.br/
congresso2003/docs/anais/TC90.pdf&gt;. Acesso em: 13 jun. 2006.

15

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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Dimário, Clélia Junko Kinzu; Araújo, Elenise Maria de; Silva, Casimiro Paschoal da; Vicentini, Priscila Carreira Bittencourt; Vicentini, Wilson Bittencourt</text>
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                <text>As transformações decorrentes da revolução informacional do conhecimento afetam o desenvolvimento das forças produtivas e sociais, e consequentemente o profissional da informação. O debate em torno do processo de qualificação-desqualificação decorrente da anunciada revolução tem como premissa o processo educacional e de apropriação dessas tecnologias eletrônicas em ambientes de aprendizagem virtual. O profissional bibliotecário deve estar apto a dominar as tecnologias e redes interativas que possibilitam o rápido acesso a informação tanto na mediação informação/usuário quanto para sua educação continuada. Esse processo educativo deve co-relacionar os novos paradigmas da Educação a distância, e a pertinência de aplicação desses modelos à Ciência da Informação. Nesse sentido, propõem-se um modelo de curso à distância sobre normalização de trabalhos científicos, para bibliotecários, estruturado em módulos de acordo com as normas vigentes. Seguirá um caráter interdisciplinar, dinâmico e de curta duração. Para a escolha do sistema gerenciador de ensino à distância, comparar-se-à os sistemas utilizados na arquitetura de cursos oferecidos pelas universidades públicas do Estado de São Paulo (USP, UNESP e UNICAMP). O curso fornecerá subsídios para a capacitação do profissional da informação em Educação a distância fomentando um processo coletivo de qualificação direcionado aos profissionais atuantes de instituições públicas e privadas.</text>
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                    <text>FORMAÇÃO DE REDES DE RELACIONAMENTO: UMA PROPOSTA PARA
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS

Eliana Mara Martins Ramalho1
Tânia Maria Bueno de Paula2

RESUMO

Na era da informação as funções e processos dominantes estão cada vez mais
organizados em torno de redes. Neste ambiente, as instituições organizam-se em
redes, tanto internamente como em seus relacionamentos. Redes de
relacionamento são contatos capazes de informar, abrir oportunidades e oferecer
acesso rápido a possíveis soluções. O objetivo deste trabalho é propor a
formação de redes de relacionamento entre serviços de informação e docentes
em instituições universitárias, utilizando o conceito de redes e estratégias de
marketing de relacionamento. O uso destas ferramentas tem como finalidade
estabelecer parcerias e reciprocidades entre as parte envolvidas, criando um
relacionamento onde o usuário sinta-se satisfeito e “encantado” com o serviço,
sendo seu defensor, trazendo como benefício para o Serviço de Informação a
melhora de sua imagem.
Palavras-chave: Rede de relacionamento; Marketing de relacionamento;
Biblioteca universitária

1 INTRODUÇÃO

1

Bibliotecária da FFLCH/USP, São Paulo, SP, Brasil, emmr@usp.br.

2

Bibliotecária da FFLCH/USP, São Paulo, SP, Brasil, taniambp@usp.br.

1

�Desde os primórdios o homem percebeu a importância de se organizar e viver em
sociedade. Os relacionamentos foram percebidos como algo importante para a
sobrevivência da espécie. O que é relacionamento? De acordo com Houaiss
(2001) é o mesmo que relacionar-se, ou seja, fazer, adquirir relações, amizades,
conhecimentos, ou ainda, é a capacidade de conviver bem com os semelhantes.

E assim, o homem organizou-se, aprendeu a compartilhar o mesmo espaço com
seus semelhantes e estabeleceu relacionamentos a fim de garantir seu bem estar
e o progresso da sociedade. A primeira forma de relacionamento que se pode
pensar é o comércio, ou a troca de mercadorias. De lá para cá o comércio só
cresceu, as trocas se estabeleceram, e junto com elas os relacionamentos, que
mais tarde foram expandidos para os negócios em geral. Na década de 1990, as
empresas começaram a perceber a importância de estabelecer um bom
relacionamento com seus colaboradores, clientes, fornecedores, governo,
sociedade, enfim com seus stakeholders.

Há alguns anos, o marketing trouxe um novo cenário para os relacionamentos nas
organizações: o marketing de relacionamento. O marketing de relacionamento
surgiu como complemento ao marketing tradicional. Enquanto o marketing
tradicional está voltado para o mercado na forma de grandes agrupamentos de
pessoas com necessidades parecidas e se preocupa com o tradicional modelo
dos 4 Ps (produto, preço, promoção e ponto de venda), o marketing de
relacionamento volta-se aos clientes de forma individualizada, buscando conhecer
seu valor, necessidades e preferências (RABIA, 2000, p. 20).

Também nos Serviços de Informação, que na grande maioria são organizações
sem fins lucrativos, mas com objetivos estratégicos, os relacionamentos são
importantes, não para o desempenho financeiro da empresa, mas para a troca de
informações entre o prestador de serviço e seu cliente, além da construção e
manutenção de uma imagem positiva dos serviços.

2

�Sendo assim, o profissional da informação tem pela frente o desafio de aprender
a inserir-se neste novo contexto e relacionar-se de forma construtiva com seus
clientes. Ele pode chamar para si a oportunidade de aprender para produzir e
provocar mudanças em suas organizações,

participar do desenvolvimento de

estratégias, de previsão de problemas, desenvolver um processo eficiente de
comunicação, mantendo a credibilidade da organização.

Um bom princípio é a formação de redes de relacionamento e informação que
proporcionem a aproximação e o conhecimento do cliente, além da integração
deste último no ambiente organizacional. O objetivo deste trabalho é propor a
formação de redes de relacionamento entre serviços de informação e docentes
em instituições universitárias, utilizando o conceito de redes e estratégias de
marketing de relacionamento.

Essas redes visam criar condições para melhorar a prestação de serviços e criar
uma imagem favorável dos serviços prestados.

2 Redes de Informação e Relacionamento

Em todos os lugares da natureza, comunidades compostas de indivíduos vivem
em grupos, de forma a apoiar tanto o indivíduo quanto o grupo como um todo. Os
indivíduos, ao se unirem, concebem formas de obtenção de apoio que permitem
satisfazer diferentes tipos de necessidades, como as necessidades econômicas,
afetivas, etc. Esses grupos cumprem objetivos que os indivíduos isolados não
conseguem, como a troca, por exemplo, com outros grupos ou comunidades,
criando um intercâmbio entre eles.

A permuta contínua de informações e energia entre todos no grupo contribui para
a estabilidade da comunidade. Neste equilíbrio, os membros desenvolvem novos
talentos e novas habilidades à medida que se engajam no relacionamento com os
demais,

crescendo

em

complexidade

e

capacidade.

Essas

redes

de

3

�relacionamento criam oportunidades de crescimento, aprendizagem e benefícios
mútuos para os participantes. Estar em rede é compartilhar uma estratégia de
crescimento conjunto.

De acordo com Olivieri:

“Redes são sistemas organizacionais capazes de reunir
indivíduos e instituições, de forma democrática e
participativa, em torno de causas afins. Estruturas flexíveis
e estabelecidas horizontalmente, as dinâmicas de trabalho
das redes supõem atuações colaborativas e se sustentam
pela vontade e afinidade de seus integrantes,
caracterizando-se
como
um
significativo
recurso
organizacional para a estruturação social.” (OLIVIERI, 2003,
p. 1)

A etimologia da palavra indica para o latim retis que designava um tipo de malha
para prender pássaros, pequenas caças ou peixes. A noção de rede remete
primitivamente à de captura, de caça. Por transposição, a rede é assim um
instrumento de captura de informações. Esta referência à malha é mais evidente
em inglês visto que rede é "network", literalmente uma "rede que trabalha".
Imediatamente a noção de rede aparece mais dinâmica nesta língua que fala
mesmo de "networking" (FACHINELLI; MARCON; MOINET, 2001).

Para Castells (1999), a organização em rede é o traço mais importante das
estruturas sociais contemporâneas. De acordo com o autor:

“Rede é um conjunto de nós interconectados. Nó é o ponto
no qual uma curva se entrecorta. Concretamente, o que um
nó é depende do tipo de redes concretas de que falamos.”
(CASTELLS, 1999, p. 498)

4

�As redes existem dentro e fora das organizações ou entre organizações e ligam
as pessoas detentoras de determinado conhecimento às pessoas que precisam
utilizá-lo, sejam técnicos, cientistas, pesquisadores, escritores, diretores, etc.
Essas pessoas compartilham o conhecimento de forma tão acessível e veloz que,
por exemplo, quando um documento (livro, pesquisa, artigo, política) chega a ser
publicado, o conhecimento já está internalizado e sendo praticado por várias
pessoas.

São várias as possibilidades de formação de redes. A mais óbvia é sem dúvida a
rede de relações pessoais. Seguem-se as redes comunitária, institucional, de
serviços e inter-setorial.

O que faz uma rede ser uma rede é o seu modo de funcionamento. Evidenciar as
relações entre atores não é suficiente para enunciar a existência de uma
verdadeira rede. Uma agenda de endereços, por exemplo, não constitui rede, mas
sim uma matéria-prima relacional. Para que a rede ganhe corpo é necessário que
um projeto concreto, coletivo, voluntário, proporcione uma dinâmica específica às
relações pré-existentes.

Além disso, a participação dos integrantes de uma rede

é que a faz funcionar. As redes se sustentam pela vontade e afinidade de seus
integrantes.

Castells (1999) enfatiza a importância dos códigos de comunicação nas redes.
Segundo o autor é imprescindível que os membros de uma rede compartilhem os
mesmo códigos de comunicação, ou seja, as normas, as crenças, os valores que
definem o sentido da ação de seus membros.

Castells abre e fecha um leque sobre redes. Ele abre o leque quando afirma que
redes são estruturas abertas capazes de expandir de forma ilimitada:

5

�“Redes são instrumentos apropriados para a economia
capitalista baseada na inovação, globalização e
concentração
descentralizada;
para
o
trabalho,
trabalhadores e empresas voltadas para a flexibilidade e
adaptabilidade; para uma cultura de desconstrução e
reconstrução contínuas; para uma política destinada ao
processamento instantâneo de novos valores e humores
públicos; e para uma organização social que vise a
suplantação do espaço e invalidação do tempo.”
(CASTELLS, 1999, p. 498)

Ele ainda completa:

“Cada vez mais, a nova ordem social, a sociedade em rede,
parece uma metadesordem social para a maior parte das
pessoas. Ou seja, uma seqüência automática e aleatória de
eventos, derivada da lógica incontrolável dos mercados,
tecnologia, ordem geográfica ou determinação biológica.”
(CASTELLS, 1999, p. 505)

No entanto, o autor fecha o leque, deixando claro a importância do poder
dos fluxos nas redes. Os poderes contidos nas redes ficam em segundo lugar em
relação ao poder dos fluxos incorporados na estrutura e na linguagem dessas
redes. Para Castells (1999, p. 497), o poder dos fluxos é mais importante que os
fluxos do poder.

A habilidade de possuir uma boa rede de relacionamentos é um requisito
essencial para um profissional de sucesso. Para o profissional da informação, a
criação de uma rede de relacionamentos é capaz de estimular a troca de
informações com seus clientes, além do trabalho participativo (profissional da
informação - cliente). Investir em relacionamento é trazer o cliente para mais perto
do serviço, contar com sua participação e lealdade.

6

�A dinâmica das redes está voltada para a perpetuação, a consolidação e o
desenvolvimento das atividades de seus membros. Essa dinâmica depende do
comprometimento dos membros da rede, mas também pode ser estimulada pelo
profissional da informação. O marketing de relacionamento é uma proposta para o
fomento da consolidação e desenvolvimento das redes de relacionamento em
Serviços de Informação.

3 Marketing de Relacionamento

A necessidade de atender e manter clientes cada vez mais exigentes e
conscientes tem imposto às organizações o aumento nos investimentos que
proporcionam um relacionamento mais intenso e forte com eles. Nas grandes
organizações esta realidade tornou-se possível devido ao desenvolvimento da
tecnologia de bancos de dados que possibilitaram a criação de um ambiente
interativo com os clientes, capaz de captar informações necessárias para o
conhecimento das expectativas de cada cliente, buscando conhecer seu valor,
necessidades e preferências. Esta maneira mais individualizada de voltar-se ao
cliente é conhecida como marketing de relacionamento. Seu foco está no cliente
individual e pressupõe que relacionamentos duradouros trazem mais e melhores
negócios e, conseqüentemente, crescimento para a empresa (RABIA, 2000, p.
20).

Para Kotler (2000, p. 35), o objetivo do marketing de relacionamento é
estabelecer relacionamentos mutuamente satisfatórios, de longo prazo entre as
partes envolvidas – clientes, fornecedores, distribuidores – a fim de ganhar e reter
sua preferência e seus negócios de longo prazo. De acordo com o autor, “o
marketing de relacionamento estabelece sólidas ligações econômicas, técnicas e
sociais entre as partes. Ele reduz o dinheiro e o tempo investidos nas transações.
Nos casos mais bem sucedidos, as transações deixam de ser negociadas de
tempos em tempos e se tornam rotineiras”.

7

�O conceito de marketing de relacionamento é relativamente recente. Surgiu no
início dos anos 80 e tomou impulso a partir do anos 90. O marketing de
relacionamento tem basicamente dois objetivos: construir relações duradouras e
desenvolver a fidelidade do cliente. O primeiro objetivo - construir relações
duradouras - está fortemente ligado à comunicação empresa-cliente. É através do
diálogo que as relações são construídas, ou seja, a comunicação constrói
relações.

Há formas diretas e indiretas de comunicação. Nas formas diretas, a comunicação
se dá com contato direto com o cliente. As formas indiretas usam intermediários
para transmitir a mensagem.

Normalmente a comunicação com os clientes

acontece de forma indireta, através do envio de cartas, e-mails, malas direta,
boletins informativos etc. Na verdade, não se pode chamar esse processo de
comunicação, mas sim de informação. De acordo com Mckenna (1996), é difícil
julgar o valor da comunicação indireta. Para ele, a comunicação é um diálogo,
que, quando eficaz, produz ganhos para as partes envolvidas. Em marketing,
comunicar-se com o cliente compreende tanto ouvir quanto falar.“ “É através do
diálogo que as relações são construídas e os produtos são concebidos,
adaptados e aceitos.” (MACKENNA, 1996, p. 121).

Na era do marketing interativo, a comunicação é bilateral, ou seja, o diálogo tem
uma importância fundamental. Hoje como a comunicação pode ser em tempo
real, as respostas podem e devem ser personalizadas e não mais padronizadas.
A empresa observa o cliente, compreende o que ele diz e deseja, adapta sua
mensagem em função disso e mantém-se atenta à reação dele ao estímulo
recebido.

Nos Serviços de Informação é importante aprender a utilizar as formas diretas de
comunicação. Fornecer informações aos clientes é uma prática importante e não
deve ser desconsiderada. Entretanto, dialogar com ele é mais produtivo, pois
além de conhecer suas necessidades pode-se demonstrar o empenho em atendê-

8

�las, pois no setor de serviços as respostas nem sempre estão prontas, mas
devem adequar-se às necessidade apresentadas pelo cliente.

Além disso, é através do diálogo que as redes de relacionamento são
construídas. Nos diálogos pode-se identificar oportunidade de criar ou adaptar os
serviços e, principalmente, de resolver problemas rapidamente. O diálogo
aproxima o cliente do prestador de serviço, fazendo com que o primeiro participe
e se torne leal ao serviço, atingindo, assim, o segundo objetivo do marketing de
relacionamento, ou seja, a fidelização.

A lealdade do cliente, ou fidelização, como é chamada em marketing, pode ser
entendida como um programa de compradores freqüentes. A busca da fidelidade
dos clientes vem se constituindo um desafio para os profissionais de marketing,
pois ela traz consigo algumas vantagens. Entre elas pode-se destacar a relação
custo-benefício de aquisição de novos clientes. De acordo com Kotler (2000, p.
71), o custo de conquistar um novo cliente é cinco vezes maior que o custo de
manter um cliente atual.

Não há medida do custo ou esforço despendido para conquistar clientes nos
Serviços de Informação, mas certamente o pacote de benefícios deve oferecer
uma recompensa para integrar clientes dispostos a participar de uma rede de
relacionamentos.

O

esforço

passa

pela

conquista

da

confiança

e

da

disponibilidade do cliente em comprometer-se com a realização conjunta de
ações concretas a favor do desenvolvimento do serviço ao qual se está integrado.

A vantagem da manutenção de clientes atuais, participantes de uma rede de
relacionamentos estabelecida entre profissionais da informação e estes clientes,
parece ser uma ótima opção para conquistar clientes que não têm uma visão
favorável dos Serviços de Informação. Os clientes fidelizados podem influenciar
positivamente os demais através de suas experiências concretas com os Serviços
de Informação.

9

�Dentro do contexto de marketing de relacionamento, os programas de fidelização
são considerados de extrema importância na construção de relacionamentos
duradouros. Para Vavra (1993, p. 32) as empresas devem mudar a mentalidade
de “completar uma venda” para a de “iniciar um relacionamento” e de “fechar um
negócio”

para “construir lealdade”. Porém as empresas em sua maioria, no

planejamento de marketing se preocupam com a conquista. É muito difícil uma
empresa preocupada em maximizar a satisfação dos clientes para obter sua
fidelidade. Estar atento às opiniões dos clientes atuais é preocupação constante
do marketing de relacionamento.

As empresas que estão investindo no marketing de relacionamento sabem que
cada contato com o cliente é uma oportunidade valiosa de conhecê-lo melhor,
afim de desenvolver ações que façam com que esse se sinta especial,
“encantado”, transformando desconhecidos em consumidores, consumidores em
clientes, e clientes em amigos que recomendam para outros amigos. O conceito
de “encantar” o cliente pode ser resumido em surpreender positivamente o cliente,
excedendo suas expectativas na qualidade dos serviços prestados.

O cliente

altamente satisfeito, ou “encantado”, cria um vínculo emocional com o serviço, e
não apenas uma preferência racional e, o resultado é um alto grau de fidelidade
do cliente (KOTLER, 2000).

Levitt (apud KOTLER, 2000, p. 76) propõe uma tabela de ações que afetam os
relacionamentos entre comprador-vendedor. Esta tabela, reproduzida abaixo,
pode ser adaptada aos relacionamentos estabelecidos nos Serviços de
Informação, entre profissionais da informação e seus clientes.

Ações favoráveis
Fazer telefonemas positivos

Ações desfavoráveis
Apenas retornar ligações

Fazer recomendações

Apresentar justificativas

Franqueza na linguagem

Linguagem de acomodação

Usar o telefone

Utilizar correspondência

Mostrar apreço

Aguardar por mal-entendidos

10

�Fazer sugestões de serviços

Aguardar por solicitações de serviços

Utilizar a palavra “nós” para a solução de

Utilizar linguagem jurídica e formal

problemas

Apenas responder a problemas

Antecipar os problemas

Comunicar de maneira prolixa e vazia

Usar uma linguagem simples e objetiva

Problemas de personalidade ocultados

Problemas de personalidade esclarecidos

Falar de coisas boas do passado

Falar do “nosso” futuro juntos

Improvisar o atendimento

Rotinizar o atendimento

Transferir a culpa

Aceitar a responsabilidade

Repetir o passado

Planejar o futuro
Tabela 1 – Ações sociais que afetam relacionamentos comprador-vendedor.
Fonte: Levitt, Theodore. The marketing imagination. New York: Free Press, 1983. p. 119.

Nos Serviços de Informação, a principal barreira para o marketing de
relacionamento é a oferta de serviços individualizados, uma vez que, como já foi
dito, seu foco está no

cliente individual. Criar mensagens pessoais

individualizadas necessita de desenvolvimento e custos de execução maiores que
mala direta. Atendimento individualizado demanda tempo e recursos. No entanto,
os benefícios são a fidelização do cliente, a conquista de uma imagem positiva
para o serviço e a confiança nos serviços prestados, que podem ser passados
para aqueles clientes fora da rede de relacionamentos.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A aplicação dos conceitos de rede e marketing de relacionamento entre
profissionais da informação e docentes em instituições universitárias é uma
oportunidade concreta de estabelecer parcerias e reciprocidades entre as partes
envolvidas. Esta parceria aproxima os Serviços de Informação e o cliente,
propiciando

crescimento,

aprendizagem

e

benefícios

mútuos

para

os

participantes. O cliente passa a fazer parte do serviço, comprometendo-se com
ele e passando a ser seu defensor. As redes são possíveis entre profissionais da

11

�informação e docentes em instituições de ensino porque ambas as partes detêm
conhecimentos que podem ser compartilhados.

Para construir redes de relacionamentos com docentes em instituições de ensino
superior é importante que o profissional da informação saiba identificar
participantes que apresentam vontade e afinidade para trabalhar voluntariamente
em projetos concretos no Serviços de Informação, que atendam a interesses de
ambas as partes.

As redes de relacionamento aqui propostas proporcionam:

-

o estabelecimento de relacionamentos satisfatórios e de longo prazo com os
diversos públicos ligados à sua esfera de atuação: clientes, fornecedores,
colaboradores e a comunidade onde atua;

-

compartilhamento de informações com o cliente, que isoladamente não seriam
possíveis, como a troca de conhecimento tácito, transformando conhecimento
tácito em conhecimento explícito, fortalecendo o grupo, e permitindo
crescimento conjunto;

-

aproximação de clientes e Serviços de Informação, integrando o cliente à
elaboração do produto e no fornecimento do pacote de benefícios que ele
valoriza;

-

estabelecimento de diálogo com os clientes, saindo de ações re-ativas para
ações pro-ativas;

-

melhora da imagem da Instituição, além de conquistar uma percepção mais
favorável para o Serviço de Informação junto aos seus clientes.

Não deve haver a preocupação com a desordem citada por Castells, pois o
trabalho em rede é horizontal e o mais importante é o poder dos fluxos de
informações estabelecidos nas redes em detrimento do fluxo de poder seus
participantes.

12

�O profissional da informação pode ser um ator efetivo na sociedade em rede,
ensinando e aprendendo a manejar uma riqueza de conhecimento útil para toda a
sociedade. Kotler (2000, p. 35) profetiza: “O princípio operacional é simples:
construa uma rede efetiva de relacionamentos com os principais públicos
interessados e os lucros serão uma conseqüência”.

ABSTRACT

On the age of information the dominant functions and process are more often
organized around networks. On this ambient, institutions are organized in
networks, internally and on it’s relationships. Relationship networks are contacts
that are able to inform, to open oportunities and to offer quick access to possible
solutions. The goal of this paper is to propose an network formation among
information services and teachers on academic institutions, using the concept of
networks and strategies of marketing relationship. The utilization of those tools
have the purpose of establish partnerships and reciprocities among the envolved
parts, creating an relationship where the user feel satisfied and delighted whit the
service, being it’s defender, bringing a image improvement as a benefit to the
Information Service.

Keywords : Relationship network; Relationship marketing; University library

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14

�</text>
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                <text>Formação de redes de relacionamento: uma proposta para bibliotecas universitárias.</text>
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                <text>Na era da informação as funções e processos dominantes estão cada vez mais organizados em torno de redes. Neste ambiente, as instituições organizam-se em redes, tanto internamente como em seus relacionamentos. Redes de relacionamento são contatos capazes de informar, abrir oportunidades e oferecer acesso rápido a possíveis soluções. O objetivo deste trabalho é propor a formação de redes de relacionamento entre serviços de informação e docentes em instituições universitárias, utilizando o conceito de redes e estratégias de marketing de relacionamento. O uso destas ferramentas tem como finalidade estabelecer parcerias e reciprocidades entre as parte envolvidas, criando um relacionamento onde o usuário sinta-se satisfeito e “encantado” com o serviço, sendo seu defensor, trazendo como benefício para o Serviço de Informação a melhora de sua imagem.</text>
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                    <text>FORMAÇÃO E ATUAÇÃO PROFISSIONAL EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO: O
CASO DOS EGRESSOS DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA
DA INFORMAÇÃO DA UFMG.

Joéfisson Saldanha dos Santos
Universidade Federal de Minas Gerais - Escola de Ciência da Informação
Av. Antônio Carlos, 6627  CEP 31270-000  Belo Horizonte  MG
Brasil
Joefisson@yahoo.com.br

�2

Formação e atuação profissional em ciência da informação: o caso dos
egressos do programa de pós-graduação em ciência da informação da
UFMG.
Joéfisson Saldanha dos Santos

Resumo
Apresenta parte dos resultados obtidos em dissertação de mestrado do autor, que
buscou investigar através de pesquisa descritiva, centrada numa perspectiva
quantitativa e qualitativa, os destinos profissionais e a contribuição para o campo
científico daqueles que realizaram o curso de mestrado e/ou doutorado no
Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação da UFMG, no período de
1992-2005. A pesquisa foi realizada através do envio de questionário a uma
população de 183 egressos e obteve um retorno de 24,6%. Os dados ora
apresentados estão vinculados às questões específicas da formação e da
atuação profissional. Através da pesquisa pode-se observar que há grande
diversidade na formação em nível de graduação dos egressos, sendo que
aqueles que mais realizaram o curso de pós-graduação no referido Programa são
bacharéis em biblioteconomia 19,7%, engenharia 11,5%, administração 10,4%,
ciência da computação 10,4% e comunicação social 9,8%. Quanto a existência de
alguma relação com a área de ciência da informação antes do ingresso no
Programa, 73,3% apontaram algum vínculo. No aspecto profissional mais
especificamente, traçou-se um paralelo entre as atividades profissionais antes,
durante e após a realização da pós-graduação. A faixa salarial dos egressos é
bastante variável, ficando a maior freqüência entre 10 a 15 salários mínimos.
Palavras-chave: Ciência da Informação - Pós-graduação - Formação profissional
- Atuação profissional - Estudo de egressos.

Introdução

A educação é considerada como um dos pilares da sociedade. Cada vez mais, as
pessoas têm procurado ampliar sua formação educacional, normalmente visando
obter melhores colocações no mercado de trabalho, ou mesmo, melhor
compreensão das questões que perpassam um entendimento do homem e do
mundo. Certamente que esta busca vem se tornando concorrida, principalmente
num momento histórico em que se considera a informação e o conhecimento
como a base tanto para uma maior igualdade social, quanto para um maior
acúmulo de riquezas. Diante destas questões, acredita-se ser de fundamental
importância pesquisas que venham a contribuir para o entendimento dos

�3

caminhos percorridos por aqueles que, em um determinado momento, procuram
por uma formação educacional que supostamente os colocaria em consonância
com as possibilidades de respostas às demandas colocadas pelo contexto social.
Desse modo, o presente trabalho traz parte dos resultados obtidos através da
pesquisa realizada pelo autor onde se procurou mapear por um lado a
contribuição para o desenvolvimento do campo científico de um determinado
grupo; e de outro, aspectos ligados a formação e atuação profissional desses
mesmos. No presente artigo, se elegerá alguns aspectos da pesquisa referente à
formação

e

atuação

profissional,

sendo

que

as

questões

ligadas

ao

desenvolvimento do campo científico não serão aqui tratadas.
Em relação à pesquisa realizada, elegeu-se como objeto de estudo, os egressos
do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação da UFMG
(PPGCI/UFMG). O período analisado foi o compreendido entre os anos de 1992 a
2005. Nesse período, o referido Programa titulou 183 sujeitos, sendo 157 com
títulos de mestres e 26 com títulos de doutores.
Na tentativa de melhor apreensão do problema, a pesquisa contemplou as
modalidades quantitativa e qualitativa. Na perspectiva quantitativa foi enviado
questionário para toda a população do estudo (183 sujeitos) e obteve uma taxa de
resposta de 24,6% (45 questionários). Quanto a modalidade qualitativa realizouse entrevistas semi-estruturadas com 4 professores que já exerceram o cargo de
coordenador do PPGCI/UFMG. A visão dos coordenadores mostrou-se bastante
rica, pois possibilitou um cruzamento com as questões obtidas através das
respostas dadas pelos egressos nos questionários. Entretanto, para efeito deste
artigo, dada as limitações de espaço, serão trazidos à discussão, apenas os
dados tabulados a partir dos questionários respondidos pelos egressos.
Formação no PPGCI/UFMG
Quanto às questões relativas à formação dos egressos do PPGCI/UFMG obtevese uma grande variedade de dados que trouxeram à luz um certo entendimento
da percepção desses egressos para com aspectos ligados a sua formação no

�4

referido Programa. No presente artigo serão trazidos alguns dados, demonstrados
através de tabelas e informações textuais.
No que se refere à constituição da ciência da informação, é importante ressaltar
que a interdisciplinaridade é considerada como uma de suas principais
características. Percebe-se que este fato encontra subsídio na própria origem
daqueles que ingressaram no PPGCI/UFMG. Como se percebe na Tabela 1, os
cursos de graduação dos quais os egressos são oriundos fazem parte das mais
diversas áreas do conhecimento.
TABELA 1: Cursos de graduação de todo o universo da pesquisa, dividido por sexo,
incluindo mestres e doutores.
Sexo
Curso de graduação

Administração
Arquitetura
Biblioteconomia
Ciência da Computação
Ciências Biológicas
Ciências
Ciências Contábeis
Ciências Econômicas
Ciências Sociais
Comunicação Social
Comunicação Visual
Educação Física
Enfermagem
Engenharia
Filosofia
Física
Historia
Letras
Matemática
Medicina
Museologia
Música
Odontologia
Pedagogia
Psicologia
Tec. Em Processamento de Dados
Terapia Ocupacional
TOTAL

n
19
1
36
19
1
1
2
12
4
18
1
3
2
21
3
1
7
7
1
4
2
1
2
1
9
4
1
183

%
10,4
0,5
19,7
10,4
0,5
0,5
1,1
6,6
2,2
9,8
0,5
1,6
1,1
11,5
1,6
0,5
3,8
3,8
0,5
2,2
1,1
0,5
1,1
0,5
4,9
2,2
0,5
100

Masculino
n
%
11
57,9
1
100
6
16,7
10
52,6
2
100,0
5
41,7
2
50,0
8
44,4
1
100,0
1
33,3
13
61,9
2
66,7
1
14,3
1
100
3
75,0
1
100,0
2
22,2
2
50,0
72
39,3

Feminino
n
%
8
42,1
30
83,3
9
47,4
1
100,0
1
100,0
7
58,3
2
50,0
10
55,6
2
66,7
2
100,0
8
38,1
1
33,3
1
100,0
7
100
6
85,7
1
25,0
2
100,0
2
100,0
1
100,0
7
77,8
2
50,0
1
100,0
111
60,7

�5

Nota-se um maior percentual para alguns cursos, sobretudo, Biblioteconomia,
Engenharia, Administração, Ciência da Computação, Comunicação Social e
Economia. Outros cursos mostraram-se medianamente representados e outros
com taxas bastante pequenas. Assim, é importante perceber pelos dados da
tabela, que os cursos refletem a diversidade de origem dos profissionais da
ciência da informação. Se analisado sob o ponto de vista de gênero, tomando-se
os 6 cursos mais significativos, tem-se que a maioria, 57,6% é do sexo feminino,
enquanto que 42,4%, do sexo masculino. Entretanto, nota-se que no grupo
supracitado, o curso de Biblioteconomia é o que demonstra o maior percentual
feminino.

Realizando a análise dos cursos mais citados excluindo o de

Biblioteconomia, ter-se-á um maior percentual de homens, 52,8%, em detrimento
do percentual feminino, 47,2%. Não obstante, como se observa pelo total geral da
tabela, quanto aos percentuais entre o sexo masculino e feminino, tem-se que o
sexo feminino é predominante, 60,7%, contra 39,7% masculino, denotando assim,
que as mulheres são em número maior entre aqueles titulados mestres e/ou
doutores em ciência da informação pelo PPGCI/UFMG.
Procurou-se saber através dos questionários, quais eram as motivações que
levaram os sujeitos a procurarem o PPGCI/UFMG para realizem seus cursos de
pós-graduação. O questionário contava com 9 opções, onde os sujeitos deveriam
assinalar em uma escala de 1 a 9, onde 1 era o motivo mais importante e 9 o
menos importante. Pelo que se perceberá da tabela a seguir, as opções Estar
diretamente ligada a minha atuação profissional/aprimoramento profissional e
Desejo de conhecer melhor a área de CI foram as que mais se destacaram
como primeira motivação. Os dados da Tabela 2, a seguir, trazem os demais
resultados.

�6

Tabela 2 - Motivação à realização da pós-graduação no PPGCI/UFMG
Ordem de Importância
Motivação

1

2

3

4

5

6

7

8

9 NR TOTAL

Estar diretamente ligada a minha área de
formação

2 14 3

2

1

6

4

5

2

6

45

Estar diretamente ligada a minha atuação
profissional/aprimoramento profissional

4

6

8

1

1

2

6

6

0 11

45

Buscar a resolução de problemas
organizacionais

2

4

2

5

8

4

5

1

0 14

45

Desejo de conhecer melhor a área de CI

4

4

2

1

1

3

4

6

1 19

45

Participar de sistema de seleção com nº de
candidato/vaga menor que em outros
programas

2

0

3

3

2

1

2

5

0 27

45

Programa aberto a diversos campos do
conhecimento

1

1

1

6

0

1

2

0

0 33

45

Possibilidade de docência

2

0

1

2

4

1

2

1

0 32

45

Possibilidade de pesquisa e/ou docência na
área de CI

1

0

0

1

4

0

0

0

0 39

45

Outra

0

0

0

1

2

0

0

1

1 40

45

Diante dos dados da tabela acima se percebe que os percentuais apontam para
um interesse em realizar o curso de pós-graduação em ciência da informação
com o intuito de uma melhor projeção na carreira profissional.
Em relação ao conceito que os egressos têm da formação recebida no Programa
de pós-graduação em Ciência da Informação da UFMG, obteve-se que 20,0% a
consideraram ótima; 71,1% boa; 6,7% regular e 2,2% não responderam a
questão. As opções ruim e péssima não registraram nenhuma freqüência.

�7

TABELA 3 : Características mais positivas na formação

Características

1

Ordem de importância
2
3
4
5 NR TOTAL

Qualidade do corpo docente

10

19

7

2

2

5

45

Possibilidade de diálogo interdisciplinar

10

15

7

2

2

9

45

Possibilidades profissionais

12

2

10

3

1

17

45

Grade curricular

2

0

5

11

1

26

45

Outras

1

0

1

4

0

39

45

É importante saber ainda, quais foram as características mais positivas apontadas
pelos egressos em sua formação. As opções podem ser observadas pela Tabela
3 acima, juntamente com as freqüências, variando de 1 a 5

a ordem de

importância para cada alternativa.

Foram sugeridas no questionário, 7 opções para a melhoria na formação
oferecida pelo PPGCI/UFMG. A Tabela 4 nos traz os percentuais. Percebe-se que
a opção Melhor foco na delimitação das linhas de pesquisa foi a que registrou os
maiores índices nas primeiras opções. Essa questão de fato é importante de ser
trazida à tona, haja vista, o fato do referido Programa contar atualmente com 3
linhas de pesquisa bastante distintas, a saber: Gestão da Informação e do
Conhecimento; Informação, Cultura e Sociedade e Organização e Uso da
Informação. Entretanto, algumas pesquisas, dadas o seu caráter, podem se situar
bastante no liame entre as linhas ou mesmo confundir-se entre as mesmas.

�8

TABELA 4: Possibilidades de melhoria na formação oferecida pelo PPGCI/UFMG

1

2

Ordem de importância
3
4
5
6
7
NR TOTAL

Melhor foco na delimitação das
linhas de pesquisa

12

9

9

1

0

5

4

5

45

Realização de uma disciplina
obrigatória de cada linha

6

4

5

10

5

5

2

8

45

Sugestões

Participação de professores
visitantes
Intercâmbio entre os programas
de CI

2

3

11

4

1

6

2

16

45

0

0

6

7

0

1

2

29

45

Implantação de um mestrado
profissional

0

0

1

3

0

6

1

34

45

Outra

0

0

2

1

0

1

4

37

45

Apresentados alguns dados referentes a aspectos da formação dos egressos do
PPGCI/UFMG, avancemos com questões relativas a atuação profissional desses
profissionais.

Atuação profissional dos egressos
Em relação a atuação profissional dos egressos foi traçado na pesquisa um
paralelo entre as situações profissionais dos sujeitos antes, durante e após (no
momento da pesquisa), com o intuito de comparar e entender se houve uma
mobilidade no quesito profissional, dada a realização do curso de mestrado e/ou
doutorado no PPGCI/UFMG.
De imediato, um dado interessante para se colocar, é a renda mensal informada
pelos egressos. Solicitou que os mesmos indicassem sua renda individual e a
familiar. Ressalta-se que as faixas encontram-se em salários mínimos. Pelo que
se notará, a maioria, 22,2% tem a renda individual de 10 a 15 salários mínimos,
enquanto que suas rendas familiares ficam na casa dos 15 a 20 salários mínimos.

�9

TABELA 6: Renda mensal dos egressos individualmente e familiar

Faixa salarial dos egressos
Renda individual Renda familiar
n
%
n
%
SM
até 05
4
8,9
1
2,2
05 a 07
5
11,1
4
8,9
07 a 10
7
15,6
4
8,9
10 a 15
10
22,2
8
17,8
15 a 20
4
8,9
9
20,0
20 a 25
1
2,2
3
6,7
25 a 30
2
4,4
3
6,7
(+) de 30
2
4,4
5
11,1
NR
10
22,2
8
17,8
TOTAL
45
100
45
100
Salário Mínimo de R$ 300,00 vigente em Outubro de 2005

Para visualizarmos se houve ou não modificação no cargo/função daqueles que
realizaram o curso no PPGCI/UFMG, os dados da tabela abaixo dá-nos um
comparativo, entre o cargo/função dos egressos antes de ingressarem e durante
o PPGCI.
Tabela 7: Cargo/função dos egressos antes e durante a realização do PPGCI/UFMG
Atuação profissional dos egressos

Cargo/função dos egressos

Antes do

Durante o

PPGCI/UFMG

PPGCI/UFMG

n

%

n

%

Professor/pesquisador

9

20,0

11

24,4

Informata

7

15,6

6

13,3

Comunicólogo e Designer

4

8,9

2

4,4

Arquivista, Bibliotecário, Museólogo

10

22,2

3

6,7

Analistas organizacionais

10

22,2

4

8,9

Outros

3

6,7

2

4,4

NR

2

4,4

17

37,8

TOTAL

45

100

45

100

�10

Observa-se que todos os cargos/função que foram citados como exercidos antes
do ingresso no PPGCI/UFMG também foram citados como exercidos durante o
curso. Vale a pena ressaltar que o único cargo que teve um acréscimo no seu
percentual foi o de Professor/pesquisador1, passando de 20,0% para 24,4%,
enquanto que os demais apresentaram decréscimo. É importante a explicação de
que a denominação de Analistas organizacionais congrega cargos/funções
ligados a gestão empresarial, como gerentes, supervisores, diretores e outros.
Digno de nota é o alto número de sujeitos que não responderam a questão
relativa ao cargo/função durante o curso, 37,8%.
Foi perguntado aos egressos se os mesmos no momento da pesquisa realizavam
alguma atividade na área de Ciência da Informação. Daqueles que responderam
que sim (80%), solicitou-lhes que informassem o cargo/função exercido. Dessa
forma a Tabela 8 a seguir, traz os cargos/funções dos egressos após o curso, ou
seja, no momento da pesquisa (daqueles que disseram exercerem funções na
área de CI).

TABELA 8: Cargo/função dos egressos no momento da pesquisa
Cargo/Função

n

%

Professor / Pesquisador

23

63,9

Informata

1

2,8

Comunicólogo e Designer

1

2,8

Arquivista, Bibliotecário, Museólogo

4

11,1

Analistas organizacionais

6

16,7

Outros

1

2,8

TOTAL

36

100

A partir da tabela acima, percebe-se a grande modificação na formatação dos
cargos/funções informada pelos egressos em relação a Tabela 7, que traz os
dados referentes as colocações profissionais antes e durante o curso no
PPGCI/UFMG. É nítida a mobilidade dos profissionais para o cargo/função de
1

Professor especificamente do nível superior.

�11

Professor/pesquisador, que aqui conta com 63,9%. Os cargos/funções de
Analistas organizacionais e Arquivista, Bibliotecário, Museólogo apresentam números

bem expressivos, 16,7% e 11,1%, respectivamente. É válido observar que esses
dados expressam as informações dadas pelos egressos quando perguntados se
atuavam de alguma forma na área de Ciência da Informação. Logo, há um
entendimento dos mesmos que as mais diversas funções informadas fazem parte
do escopo profissional do referido campo. No presente artigo, não entraremos
nessa discussão.
Por fim, mas não menos importante, são trazidas as sugestões colocadas pelos
egressos para uma maior/melhor inserção dos profissionais de Ciência da
Informação no mercado de trabalho. Essa questão se diferenciava das demais do
questionário por ser uma questão aberta. Os sujeitos expressaram suas opiniões
e as mesmas foram analisadas e agrupadas na Tabela que se segue.

TABELA 9:. Sugestões dos egressos para uma maior inserção dos profissionais de CI no
mercado de trabalho
Sugestão

n

%

Melhor divulgação das práticas profissionais junto ao mercado

8

17,8

Melhor Desenvolvimento acadêmico

5

11,1

Formação mais voltada às questões empresariais

2

4,4

Interdisciplinaridade

2

4,4

NR

28

62,2

TOTAL

45

100

O percentual que mais chama a atenção é o de não-resposta, 62,2%. Esse dado
é no mínimo preocupante, pois denota uma falta de preocupação com esta
questão ou ainda uma falta de reflexão para com o assunto. De qualquer forma,
acredita-se que a reflexão sobre a prática deve ser uma das preocupações
centrais para qualquer grupo profissional, e para os profissionais da informação,
mais especificamente, os mestres e doutores em ciência da informação, não deve
ser diferente.

�12

Quanto às respostas válidas a mais citada foi a de melhor divulgação das práticas
junto ao mercado com 17,8%. A ciência da informação é tida como uma ciência

prático-teórica, ou seja, tem uma teoria que se junta a uma prática. Entretanto,
ainda se percebe a dificuldade de se explicitar uma prática que seja
genuinamente da ciência da informação já que sua prática em muito se dá
associada a outros campos, como a biblioteconomia, documentação e
arquivologia. Outros ainda como ciência da computação, administração,
comunicação etc. O fato é que talvez para o mercado essa junção não seja ainda
muito nítida e o profissional da ciência da informação ainda não tem de fato um
reconhecimento de sua prática.
Percebe-se assim, a legitimidade da preocupação dos egressos em sugerirem
uma melhor divulgação das práticas profissionais desse campo junto ao mercado.

Considerações finais
Como se notou, o presente artigo foi escrito a partir de dados empíricos do
trabalho de pesquisa para o mestrado do autor. A dissertação conta com grande
número de dados colhidos através do questionário e ainda, das entrevistas
realizadas com os coordenadores do PPGCI/UFMG. Elegeu-se aqui trazer
apenas alguns dados do questionário para a discussão.
Quanto a formação obtida pelos egressos no referido Programa, percebeu-se que
a mesma foi considerada pelos mesmos como de muito boa qualidade. É
importante citar que o PPGCI/UFMG é considerado pela CAPES  Comissão de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, como um dos Programas de
maior nota na área de ciência da informação no país2.
Em relação ao aspecto profissional notou-se a variedade de cargo/função
exercido pelos sujeitos antes, durante e após a realização do curso, com
2

Quanto a classificação dos Programas de pós-graduação e suas respectivas notas ver o site da CAPES 
www.capes.gov.br.

�13

comparações entre os percentuais. Fato que chamou bastante a atenção foi o da
concentração dos egressos no momento da pesquisa, no cargo/função de
Professor/Pesquisador, o que possivelmente foi possibilitado, ou mesmo mantido,
dada a realização da pós-graduação. Assim, observou-se ao longo da pesquisa
que os aspectos profissionais foram centrais para a realização da pós-graduação
dos sujeitos pesquisados, ficando as questões do desenvolvimento do campo
científico um pouco negligenciadas.
Ressalta-se que os estudos de egressos são extremamente importantes para o
mapeamento das condições reais daqueles que realizaram determinado processo
formativo. De um lado, permite que a Instituição possa, diante da realidade
encontrada com a pesquisa, refletir quanto ao estabelecimento e ou reformulação
de políticas de formação, de outro, que os maiores interessados se posicionem e
reflitam sobre a prática vivida.
Com a pesquisa realizada pôde perceber a necessidade desse tipo de estudo na
área de Ciência de informação, que apesar da enorme importância, tem-se
mostrado escasso.

Bibliografia
SANTOS, Joéfisson Saldanha dos. Atuação profissional e participação no
desenvolvimento do campo científico em Ciência da Informação: estudo dos
egressos do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação da UFMG,
1992-2005. 2006. 270f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) 
Escola de Ciência da Informação da UFMG, Belo Horizonte, 2006. 270f.

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Formação e atuação profissional em ciência da informação: o caso dos egressos do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UFMG.</text>
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                <text>Apresenta parte dos resultados obtidos em dissertação de mestrado do autor, que buscou investigar através de pesquisa descritiva, centrada numa perspectiva quantitativa e qualitativa, os destinos profissionais e a contribuição para o campo científico daqueles que realizaram o curso de mestrado e/ou doutorado no Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação da UFMG, no período d 1992-2005. A pesquisa foi realizada através do envio de questionário a uma população de 183 egressos e obteve um retorno de 24,6%. Os dados ora apresentados estão vinculados às questões específicas da formação e da atuação profissional. Através da pesquisa pode-se observar que há grande diversidade na formação em nível de graduação dos egressos, sendo que aqueles que mais realizaram o curso de pós-graduação no referido Programa são bacharéis em biblioteconomia 19,7%, engenharia 11,5%, administração 10,4%, ciência da computação 10,4% e comunicação social 9,8%. Quanto a existência de alguma relação com a área de ciência da informação antes do ingresso no Programa, 73,3% apontaram algum vínculo. No aspecto profissional mais especificamente, traçou-se um paralelo entre as atividades profissionais antes, durante e após a realização da pós-graduação. A faixa salarial dos egressos é bastante variável, ficando a maior freqüência entre 10 a 15 salários mínimos.</text>
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                    <text>FUNÇÃO SOCIAL DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA:
ACESSO LIVRE À INTERNET
Kátia de Carvalho1
kcarvalho@ufba.br

Maria da Graça Gomes Almeida2
mggomes@ufba.br

Marivaldina Bulcão Reis3
mbreis@uneb.br

Resumo
Na sociedade da informação e do conhecimento o uso dos recursos tecnológicos tem
proporcionado cada vez mais a integração entre os usuários e as fontes de
informação. Esse estudo aborda a função social das bibliotecas universitárias, diante
das mudanças provocadas pela explosão da informação, através das tecnologias da
informação e da comunicação. O eixo norteador desse trabalho é refletir o
desempenho do serviço de acesso livre à Internet oferecido pelas bibliotecas
universitárias: Biblioteca Central Reitor Macedo Costa/Universidade Federal da Bahia
e Biblioteca Edvaldo Machado Boaventura /Universidade do Estado da Bahia. A
pesquisa tem o objetivo de traçar o perfil dos usuários e detectar os principais
recursos da Internet/Informática que são utilizados. A partir dos resultados obtidos,
aponta-se para a importância do serviço de acesso a Internet, com ou sem mediação
de um profissional da informação, ressaltando que no âmbito das bibliotecas
acadêmicas, esse serviço configura-se como um espaço democrático de conexão
dos usuários com os aparatos tecnológicos disponíveis nas universidades e como
mais um serviço de disseminação da informação. As considerações finais sinalizam a
acuidade do treinamento de usuários para a pesquisa na Internet e recomenda a
otimização desse serviço nas bibliotecas universitárias comprometidas com a gestão
e disseminação do conhecimento e da informação.
Palavras-chave: Biblioteca Universitária. Função Social. Pesquisa Acadêmica. Internet.

Mediação.

1

Doutora em Ciência da Informação/Profa. Titular do ICI
Universidade Federal da Bahia Instituto de Ciência da Informação / Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação
End: Av Reitor Miguel Calmon, s/n - Vale do Canela
CEP: 40110-906 Salvador- BA - Brasil
2
Mestranda em Ciência da Informação -Bibliotecária de Referência da UFBA
Universidade Federal da Bahia/Instituto de Ciência da Informação / Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação
3
Mestranda em Ciência da Informação -Bibliotecária da UNEB
Universidade Federal da Bahia/Instituto de Ciência da Informação / Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação

1

�INTRODUÇÃO
As universidades e as bibliotecas universitárias são mecanismos estratégicos que
ajudam a capacitar às nações a suscitar conhecimento e transformá-lo em vantagem
competitiva fomentando a riqueza e o crescimento. Segundo Cunha (2000, p. 87),
[...] à medida que um povo educado e com conhecimento se transforma no
elemento-chave da prosperidade, segurança e bem-estar social, a
universidade, nessa era de transformações rápidas, destaca-se como uma
das mais importantes instituições de nosso tempo.

É evidente o desempenho das universidades em beneficiar a sociedade,
principalmente porque visam a formar e capacitar pessoas, a incentivar a produção,
o registro do conhecimento e a apoiar o desenvolvimento de pesquisas e as
atividades de extensão, fortalecendo o país como um todo. Pela mesma
performance, as bibliotecas universitárias, ao apoiarem as atividades de ensino,
pesquisa

e

extensão

das

universidades,

têm

papel

preponderante

no

desenvolvimento da sociedade, pois são mediadoras no processo de geração e
produção do conhecimento.
A efetivação deste artigo se deve a uma pesquisa realizada junto às bibliotecas
universitárias (BU) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Universidade do
Estado da Bahia (UNEB). A pesquisa concentra-se e reduz ao âmbito das salas de
acesso livre a Internet da Biblioteca Central Reitor Macedo Costa (UFBA) e da
Biblioteca Edvaldo Machado Boaventura (UNEB). O referido universo está composto
por 200 usuários de cada unidade, escolhidos aleatoriamente. As salas da Internet
atendem das 8h às 21h interruptamente. Vale acrescentar, que este serviço da
Biblioteca Central Reitor Macedo Costa atende também a comunidade externa, o
que não ocorre com a Biblioteca Edvaldo Machado Boaventura.
A coleta de dados foi efetuada junto aos usuários das bibliotecas universitárias por
meio de um questionário, que inclui dados tanto qualitativos como quantitativos sobre
a sala da Internet e sobre o informante. Na elaboração do questionário, dedica-se à
primeira parte à descrição dos usuários, as perguntas incluídas nesta parte,
conduziram ao esboço de um breve perfil.

2

�BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
O professor, bibliotecário, um dos patriarcas da Biblioteconomia, José Nery da
Fonseca (1979, p.13), afirma que as primeiras bibliotecas brasileiras começaram
com os colégios da Companhia de Jesus. Assim que os padres Jesuítas chegaram
ao Brasil, começaram eles a pedir livros. "Em Portugal - informa o Pe. Serafim Leite
na Suma histórica da Companhia de Jesus no Brasil - não se esqueceram do pedido,
e antes do fim do ano chegaram à Bahia duas caixas de livros, humilde início da que
seria daí a dois séculos a maior biblioteca do Brasil".
A biblioteca universitária surgida na Idade Média tem como objetivo fornecer infraestrutura bibliográfica e documental aos cursos, pesquisas e serviços mantidos pela
universidade, ela está sedimentada nas bibliotecas das ordens religiosas que deram
sustentação ao movimento de criação das universidades. Cronologicamente, em
1920, foi criada a primeira universidade brasileira no Rio de Janeiro. Em seguida, a
de São Paulo em 1934, a da Bahia e a de Pernambuco, em 1946 e com elas as
primeiras bibliotecas universitárias. Com a Revolução Francesa, a produção do
conhecimento intensificou o saber científico e a necessidade do controle do registro
do conhecimento. Nesse período, a biblioteca universitária é percebida como gestora
do conhecimento que produz e que nela circula. Ressaltando Carvalho (2004, p.81),
assim, da função de “depósito do saber” até atingir o status de “espaço do
saber”, as bibliotecas passaram por etapas que representam o seu
amadurecimento, sem perder de vista sua relação direta com a socialização
do conhecimento, quer no seu formato tradicional, quer no seu formato
eletrônico, o seu grande desafio atual.

As bibliotecas independentes da sua tipologia têm aderido às mudanças,
desenvolvendo da melhor forma possível a sua função de geradora de cultura, saber
e memória, além de produzir, armazenar, organizar e disseminar a ampliação do
conhecimento na sociedade contemporânea. As bibliotecas universitárias têm a
missão de prestar serviços de informação técnico-científica à comunidade acadêmica
e externa, dando apoio ao ensino, pesquisa e extensão e são responsáveis pelo
tratamento, armazenamento e disponibilização do acervo nelas existentes.
Lembrando as palavras do ex-reitor e professor da UFBA Felippe Serpa proferidas
no KM Brasil 2003, quando afirma
3

�o conhecimento virou fator de produção, ele se desenvolve graças à
universidade, e esse conhecimento é fundamental para qualquer instituição,
em qualquer nível. A convivência de personalidades, a convergência é que
ela dá as características à universidade. Todos são necessários mas não
são suficientes.

A partir de 1980, a biblioteca universitária abandonou a performance de estrutura
descentralizada e passou a ser órgão coordenador para as bibliotecas setoriais.
Nesta perspectiva, as bibliotecas universitárias acompanharam a dinâmica do seu
macro ambiente e entraram em uma fase de transição adaptando-se as mudanças
sociais, econômicas e tecnológicas disponibilizando a informação em redes e
socializando o conhecimento.
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: SOCIALIZANDO O CONHECIMENTO
Na sociedade contemporânea o conhecimento passou a ser um recurso estratégico
nas instituições, a universidade e a biblioteca acadêmica estão envolvidas com a
geração e disseminação desse conhecimento. As bibliotecas são espaços sociais
que sempre guardaram a memória humana registrada e com a responsabilidade de
prover acesso às informações armazenadas, contribuindo para o desenvolvimento de
uma sociedade mais humana e digna. Como afirma Targino (2000, p.1), “[...] a
biblioteca é e sempre foi à instituição social a que compete exercer as funções de
preservação e disseminação das informações, e por conseguinte, o bibliotecário, o
profissional encarregado de concretização de tais objetivos”.
Diante do progresso das tecnologias, as formas de comunicação evoluíram, a
construção, a classificação e o compartilhamento do conhecimento e da informação
respaldam novas maneiras de categorizar o mundo, apresentando novas etapas
cognitivas do conhecimento humano. Ao utilizar e incorporar em suas práticas
cotidianas as tecnologias de informação e comunicação, as bibliotecas acadêmicas
alteraram as formas de sociabilidade, implicando o redimensionamento dos papéis
sociais dos atores que nela atuam.
Neste cenário, várias transformações se processam, principalmente nos ambientes
e nas práticas profissionais, provocando modificações na atuação dos bibliotecários.
A Internet no uso das suas ferramentas permite as pessoas “se conhecerem” e
4

�interagirem sem contato físico. Nesse ínterim, quando a biblioteca possuía os
registros de informação apenas nos suportes impressos, a sociabilidade entre
bibliotecários e usuários era uma interação face a face, baseada na comunicação
oral. Com o registro das informações em suportes eletrônicos através da automação
das bibliotecas mais serviços foram oferecidos aos usuários. As máquinas passaram
a fazer parte do processo de mediação entre os agentes profissionais e os serviços
de organização, busca e recuperação da informação. Essa socialização determina os
papéis sociais e o desenvolvimento das práticas dos profissionais da informação e
enaltece o relacionamento destes profissionais com os usuários. Para Carvalho e
Kaniski (2000, p.37),
[...] para assumir a posição de provedores de acesso à informação, as
bibliotecas precisam rever seus processos, repensando a dimensão dos
serviços e produtos desenvolvidos, pois o usuário de hoje diferencia-se
daquele que “apertava parafusos” na era industrial.

A biblioteca universitária, conectada

às novas tecnologias é responsável pela

integração entre usuários e fontes de informação, reforçando o desenvolvimento dos
cidadãos. As tecnologias permitem o acesso ao conhecimento e as

bibliotecas

devem buscar ações e ferramentas que permitam localizar, filtrar, organizar e resumir
informações que sejam úteis ao usuário

independente do lugar que eles se

encontrem e as informações estejam localizadas.
A rede mundial de computadores tem possibilitado a transferência de um grande
volume de informação e com rapidez, que deverá trazer entre outras facilidades a
socialização de tecnologias entre pólos distantes e a disseminação de pesquisas e
da educação através da informação multimídia, abrindo um novo paradigma para a
comunicação de dados. Enquanto o telefone levou 74 anos para conquistar 50
milhões de usuários, a Internet em menos de 4 anos atingiu esse marco, o que
representa apenas 10 % da população que possuem microcomputadores, formando
uma pequena elite informacional (CUNHA, 2000). A biblioteca pode contribuir para
corrigir este desequilíbrio disponibilizando o serviço de acesso à Internet.
O uso da Internet nas bibliotecas vem sendo direcionado por políticas de uso, que
buscam resgatar as questões legais e controlar o uso desses recursos. A questão de
5

�regulamentação do uso da Internet nas bibliotecas delega aos usuários a
responsabilidade pelo material acessado.
As bibliotecas são equipamentos sociais de uso coletivo. Em um país onde o acesso
à Internet ainda é caro, é o papel da biblioteca tornar a Internet um serviço de uso
coletivo, e requer dos bibliotecários, criatividade para otimizar o uso dos recursos
disponíveis na Internet disponibilizando novos serviços informacionais. Por
conseqüente, essas tecnologias podem significar exclusão social dos que podem ter
acesso a ela e os que não podem. Neste sentido, cresce a responsabilidade das
bibliotecas de garantir o acesso público e qualificado aos usuários, tornando ainda
maior a importância do papel do bibliotecário e demais profissionais da informação
como mediadores entre a informação e os usuários. Cabe a estes profissionais
identificar, entender, decodificar, e atuar criticamente, para selecionar, adquirir,
organizar, distribuir e preservar os recursos de informação e também garantir aos
usuários o direito a todas as oportunidades decorrentes do caráter interativo da
Internet (MARCONDES, 1997).
O bibliotecário tem a capacidade de não deixar o usuário acessar à informação
aleatoriamente, mas em alertar e antecipar a chance de um contato com a
informação disponibilizada. Esse profissional no exercício da sua profissão deve
resplandecer a sua cidadania que refletirá na competência técnica e administrativa
relativa à informação, que Targino (1991, p.158), exemplifica como: “selecionada,
organizada, em linguagem acessível e, necessariamente organizada”, e na
responsabilidade de zelar e fazer compartilhar o exercício da cidadania ou seja, “a
participação real na vida do País, através do aceso à informação”. Compromisso de
grande responsabilidade social. Oddone (1998, p.27), reforça
o trabalho do profissional bibliotecário deve configurar-se, de fato, como
tarefa de mediação, de interfaceamento, de filtragem, de elo de ligação no
processo de apropriação de novos conhecimentos, requerendo
qualificações diferenciadas e em constante evolução.

Diante deste contexto,

o profissional da informação como mediador investe na

educação do usuário, com a finalidade de torná-lo cada vez mais independente,

6

�conquistando sua autonomia na busca e no acesso a informação e a tudo que ela
oferece. Como ressalta Davenport (2003, p.134),
os antigos bibliotecários afastaram-se da rotina de pegar informações que
os usuários sabiam que existiam, mas que não conseguiam achar, e
passaram a estimular os usuários a pegar suas próprias informações
através de pesquisas no banco de dados ou de transações bibliotecárias
terceirizadas.

CENÁRIOS DA PESQUISA
Biblioteca Central Reitor Macedo Costa / UFBA
A Biblioteca Central - BC, coordenadora do Sistema de Bibliotecas - SIBI da
Universidade Federal da Bahia é institucionalizada como órgão suplementar,
diretamente subordinada à Reitoria. Está estruturada em grandes divisões: Divisão
de Formação de Desenvolvimento de Coleções, Divisão de Processamento Técnico,
Divisão de Informação e Atendimento ao Leitor e Divisão de Coleções Especiais.
Além da responsabilidade

de coordenar o SIBI, desenvolve atividades de

processamento técnico e serviços referenciais para atendimento às necessidades de
informação dos usuários. Com as incorporações de algumas bibliotecas setoriais
desde de 1998, a BC reúne acervos de várias áreas do conhecimento, de livre
acesso, com aproximadamente

163.671 exemplares de livros, 6.451 títulos de

periódicos nacionais e estrangeiros e 6.939 teses e dissertações.
A BC por suas características peculiares, atende a toda comunidade interna e
externa. Conforme dados do Relatório Estatístico UFBA em Números 2005, a BC
possui 6.884 leitores inscritos, realizou 60.143 empréstimos de livros a comunidade
acadêmica e

18.755 consultas ao acervo local, treinou 1.368 usuários

para a

pesquisa e acesso a informação utilizando as novas tecnologias. Os serviços e
produtos oferecidos são: consulta local;
empréstimo entre bibliotecas;
científicos

empréstimo domiciliar automatizado;

orientação para a normalização de trabalhos

e referências bibliográficas; pesquisa

orientada em bases de dados

nacionais e internacionais; acesso a bases de dados do SIBI/UFBA; acesso ao Portal
de Periódicos da Capes; atendimento personalizado ao usuário in loco e através de
e-mail; comutação bibliográfica on-line; visitas orientadas; programa de treinamento
de usuários; disseminação da informação através de e-mail, site do SIBI, alertas
7

�bibliográficos, folders, guiais entre outros; e acesso livre a Internet através da sala
de pesquisa denominada Mezanino Virtual.
O Mezanino Virtual coordenado pela Seção de Referência é um espaço democrático,
destina-se a servir a comunidade UFBA e usuários externos na busca de informação
através da Internet. Criado em 1º agosto de 2005, funciona em uma sala com 6
computadores, mural para divulgação de bases de dados, sites e outras informações
úteis para os estudantes. É um serviço de auto-atendimento, tem uma freqüência
anual de

aproximadamente 20.500 usuários de quase todos os cursos da

Universidade e da comunidade externa. Dentre os cursos com maior percentual,
existe uma predominância dos alunos que estudam próximo a BC, com exceção dos
alunos do curso de Ciências Naturais. As principais normas de utilização são: 1) Não
é

permitido o acesso a sites pornográficos, as salas de bate-papo, jogos entre

outros; 2) O atendimento será feito de acordo com a ordem de chegada; 3) O tempo
máximo de utilização é de 45 min (quarenta e cinco minutos); 4) O usuário ficará
responsável pela conservação do equipamento sob sua guarda durante seu período
de utilização; 5) Não será permitido, em nenhuma hipótese, alterar a configuração
dos equipamentos, incluir ou excluir programas.
Biblioteca Edvaldo Machado Boaventura /UNEB
A Biblioteca da Universidade do Estado da Bahia teve sua origem na Biblioteca do
Centro de Educação Técnica da Bahia, CETEBA criada por iniciativa do prof.
Fernando Brandão de Souza, então diretor da instituição. Foi inaugurada em 14 de
janeiro 1971 e recebeu o nome de Biblioteca Edvaldo Machado Boaventura em
homenagem ao então secretário de Educação e Cultura, que muito se empenhou
pela Instituição. Essa Biblioteca funcionou em sala própria, no prédio do CETEBA em
Ondina até o início de março de 1979, quando o órgão foi transferido para as
instalações do Campus de Narandiba no Cabula.
A Biblioteca Edvaldo Boaventura coordenadora do Sistema de Bibliotecas da
Universidade do Estado da Bahia, constituído por ela e mais 24 bibliotecas setoriais,
localizada nos diversos campi, em todo interior da Bahia. Diretamente subordinada à
Vice-Reitoria, está estruturada em setores: Setor de Coleção Geral , Setor de
8

�Processamento Técnico, Setor de Periódicos e Setor de Referência, Setor de
Multimeios, Setor de Intercâmbio. Além da responsabilidade de coordenar e planejar
o SIBI, a BC desenvolve atividades de processamento técnico quanto a registro,
catalogação e indexação do material bibliográfico e também presta serviços
referenciais para atendimento às necessidades de informação da comunidade
interna e externa, como empréstimo interbibliotecário, orientação à normalização dos
trabalhos acadêmicos e normalização de revistas da própria instituição, acesso ao
Portal de Periódicos CAPES, comutação bibliográfica (COMUT), pesquisa orientada
em

bases de dados nacionais e internacionais; acesso a bases de dados do

SIBI/UNEB. Possui acesso livre ao acervo que é aproximadamente 17.224 títulos e
45.113 exemplares de livros, 254 de periódicos nacionais. Por não haver uma
biblioteca comunitária nas proximidades, a BC tem a missão de atender à
comunidade externa, incluindo os alunos de 1º e 2º graus dos colégios próximos à
instituição.
Diante dos dados do Relatório Estatístico da UNEB/ 2005, o Sistema de Biblioteca da
UNEB possui 2.500 leitores inscritos, realizou 72.905 empréstimos de livros a
comunidade acadêmica e 71.206 devoluções de livros. A sala de acesso da Internet,
foi criada em 2002, dispõe de 12 máquinas, pelas normas, cada um dos usuários
pode permanecer pesquisando no computador por 30 minutos, estendendo esse
tempo o usuário deve passar para o próximo da lista. Nesta sala, encontra-se um
funcionário em cada turno, que media o serviço para os usuários.
TRABALHO DE CAMPO: DISCUSSÃO E ANÁLISE
Diante deste cenário, em que as bibliotecas universitárias estão se adaptando aos
serviços eletrônicos, procurou-se verificar a função social dessas bibliotecas, diante
das mudanças provocadas pela explosão da informação, como também, refletir o
desempenho do serviço de acesso livre à Internet oferecido pelas bibliotecas:
Biblioteca Central Reitor Macedo Costa/Universidade Federal da Bahia e Biblioteca
Edvaldo Machado Boaventura/Universidade do Estado da Bahia. A pesquisa teve
como objetivo traçar o perfil dos usuários,

detectar os principais recursos da

Internet/Informática que são utilizados e identificar a necessidade de mediação para
o uso da Internet.
9

�A

amostra

total

estudada

foi

composta

por

400

usuários

selecionados

aleatoriamente, sendo 200 de cada instituição. A distribuição dos usuários por sexo
verifica-se que a maioria da população estudada é do sexo feminino em ambas as
universidades, o que confirma os dados do INEP (Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais, 1996-2003) que nas universidades

brasileiras existem

mais estudantes do sexo feminino. Ao observar os níveis hierárquicos na estrutura
acadêmica, a invasão das mulheres é impressionante. Os dados mostram que a
presença feminina supera a masculina em quase todos os níveis de ensino,
principalmente, nas universidades. O último levantamento do INEP constatou que as
mulheres tornaram-se maioria nos cursos de graduação da rede pública e privada,
respondendo por 56% das matrículas de 2003.
80%
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%

74,0%
64,0%

30,5%
14,0%

Menos de
20 anos

UFBA

10,0%
4,0%

Entre 2030 anos

Entre 3040 anos

1,0%

2,0%

0,5%

0,0%

UNEB

Entre 40- Mais de 50
50 anos
anos

Gráfico 1 – Idade da população

Quanto à faixa etária da população em estudo, verifica-se que 64% dos usuários da
UFBA e 74% da UNEB, têm entre 20 e 30 anos. Observa-se conforme gráfico 1,
que os alunos da UFBA são mais jovens do que os da UNEB.
Outro
Pós-graduação

2,0%
0,0%
8,5%
7,0%
89,5%
91,0%

Superior cursando
Médio
Fundamental

0,0%
2,0%
0,0%
0,0%

UFBA
UNEB

0,0% 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0 100,
%
%
%
%
%
%
%
%
%
0%

Gráfico 2 – Grau de escolaridade

Apesar do Mezanino Virtual da UFBA atender também a comunidade externa,
constata-se que a maioria dos usuários é da Universidade, registrando apenas 1,5%
10

�de usuários externos.

Na UNEB também foi detectada a presença de 2% de

usuários de outras instituições. Com referência ao grau de escolaridade,

como

mostra o gráfico 2, a maioria dos alunos da UFBA e da UNEB estão cursando o
nível superior, resultado esperado, visto que a maior parte dos estudantes nestas
universidades é de graduação. Um dado relevante é a baixa freqüência de alunos
da pós-graduação, sendo um percentual 8,5% dos alunos da UFBA e 7,0% dos
alunos da UNEB.
Objetivando verificar a situação profissional dos usuários das salas de Internet,
observou-se que a maioria é estudante, 78% da UFBA e 74% UNEB. Os dados
coletados revelaram também que 13% dos estudantes da UFBA e 16% da UNEB,
estão procurando emprego. Pode-se inferir que os alunos têm aulas em horários
alternativos e não conseguem conciliar trabalho e estudo. Sendo que boa parte
consegue estagiar para ter uma pequena renda que ajude a se manter na
universidade.
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%

61,0%
48,5% 51,0%
39,0%
Sim
Não
0,5%

UFBA

0,0%

Não respondeu

UNEB

Gráfico 3 – Possui computador

Outro ponto de interesse para o estudo foi verificar se os alunos possuem
computador, a pesquisa revelou que 51% da UFBA e 61% da UNEB não possuem,
esse dado, nos reporta a um depoimento do usuário da UNEB “quem me dera”,
demonstrando na sua fala, o computador parece ser um “bem inalcançável”.
Enquanto 48,5% da UFBA e 39% da UNEB têm computador em casa. Este dado
mostra um número elevado de usuários que mesmo tendo computador em casa
utilizam as salas de Internet das universidades.
Instados a explicar porquê tendo computador buscavam este serviço, os principais
motivos foram: acesso a Internet gratuita, fazer trabalhos acadêmicos, aproveitar
horários vagos entre as aulas, pesquisar no Portal Capes, relaxar entre outros,
sendo o maior percentual 40% dos alunos da UFBA e 46% da UNEB porque não
11

�tem acesso a Internet em casa. No Brasil o percentual de pessoas com acesso a
Internet é muito baixo, como mostra a Estatística Nacional do E-commerceOrg
(2006), que em 2005, apenas 13,9% da população brasileira tinham acesso a
Internet, gerando uma elite informacional. Como nos movemos para um mundo
centrado na tecnologia, é importante assegurar que todos os segmentos da
sociedade tenham acesso a tecnologia necessária. Não é à toa a desesperança que
pudemos observar nos olhos e na fala dos alunos que freqüentam as salas de
Internet. Neste ponto pode-se inferir a importância da promoção deste serviço pelas
universidades brasileiras, garantindo aos usuários o acesso público e qualificado a
Internet.
0,2%
1,0%

Não respondeu

1,0%
2,0%

Outros
Processador de texto

10,1%

6,0%

Jogos online

0,5%

3,0%
3,1%

Multimídia

9,0%
7,7%

Busca de emprego

13,0%

2,9%
3,0%

Cursos online

3,2%
3,0%

Planilha eletrônica

1,5%
1,0%

Compras

30,5%
29,0%

Pesquisa escolar
Correio eletrônico

23,0%

Bate-papo online
0,0%

7,0%

5,0%

10,0%

26,3%

UFBA
UNEB

13,0%

15,0%

20,0%

25,0%

30,0%

35,0%

Gráfico 4 – Principais usos da Internet/Informática

Para controlar o uso dos recursos da Internet, as bibliotecas acadêmicas, assim
como em ambientes empresariais, vem sendo orientado por políticas de uso. Em
relação aos usos da Internet/Informática o percentual mais alto para os usuários da
UFBA foi:

trabalhos e pesquisas escolar (30,5%), seguido de correio eletrônico

(26,3%), bate-papo on-line (13%), processador de texto (10,1%), busca de emprego
(7,7%). Já na UNEB verifica-se um percentual significativo de usuários a procura de
emprego (13%), trabalhos e pesquisa escolar (29%), correio eletrônico (23%),
processador de texto (6%) e bate-papo on-line (7%). Na Declaração dos Direitos das
Bibliotecas (ALA, 1999), estabelece a política de acesso a informações eletrônicas,
serviços e redes, neste documento fica explicito os direitos de acesso à informação
ou fontes de informação e à privacidade a todos os usuários. (CUENCA, 2000).

12

�90%
80%
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%

84,0%
71,0%

Sim

28,0%

Não

15,0%
1,0%

1,0%

UFBA

Não respondeu

UNEB

Gráfico 5 – Possui habilidade para pesquisar na Internet

Os usuários estudados revelam ter autonomia no uso do computador e da Internet,
como mostra o gráfico 5, 84% dos usuários da UFBA e 71% da UNEB afirmam que
possuem habilidade no uso do computador e da Internet. Como ressalta Rocha
(2006 p.11), “jovens que pertencem ao que chamamos de “geração ALT+TAB”, numa
alusão às duas teclinhas do computador que permitem que tendo várias janelas
abertas, o navegante possa pular de uma para a outra em um simples clique, coisa
que esta meninada faz sem um piscar de olhos”.
80,0%
60,0%

60,0%

53,5%
41,5%

UFBA

40,0%
20,0%

20,0%

UNEB

20,0%
5,0%

0,0%
Sim

Não

Não respondeu

Gráfico 6 – Gostaria da mediação do bibliotecário para acesso à Internet

A informação assume papel prioritário no processo de desenvolvimento da
sociedade, as tecnologias da informação agilizam e facilitam seu acesso e
prescindem da presença e interveniência dos bibliotecários. Nesta perspectiva, a
pesquisa verificou se o usuário gostaria de contar com a ajuda de um bibliotecário
para fazer pesquisa na Internet, verificou-se que 53,5% da UFBA e 20% da UNEB
disseram que não precisavam de ajuda, mas um percentual de 41,5% da UFBA e
20% da UNEB considera importante a mediação de um bibliotecário. Na UNEB, o
questionário foi aplicado em forma de entrevista pelo funcionário interrogando
diretamente o usuário, verifica-se que os estudantes optaram por não responder a
questão. Deduzindo que os usuários ficaram inibidos em responder a questão na
presença

do pesquisador. Questiona-se muito a importância do provável

desaparecimento do bibliotecário de referência, já que o usuário tem acesso à
13

�vastidão de informação digital. Entretanto, analisando a situação difícil dos
maquinários de busca de recuperar informações relevantes, parece que o
profissional de mediação da informação ainda tem muito que fazer. As bibliotecas
estudadas, através da Seção de Referência oferecem orientação aos usuários na
busca de informações na Internet, individualmente ou por meio de programas de
treinamento de usuários.
6%

UFBA

UNEB

20%

21%

0%

73%

Sim
Não
Não respondeu

Gráfico 7 – Gostaria de fazer treinamento

Sim
80%

Não
Não respondeu

Gráfico 8 – Gostaria de fazer treinamento

Embora a maioria dos usuários afirma que não precisa da mediação do profissional
da informação, 73% dos alunos da UFBA e 20% da UNEB, desejam receber
treinamentos para acesso aos recursos informacionais das bibliotecas. Nesta
pergunta, também se verifica que a maioria dos usuários da UNEB não respondeu,
talvez por não reconhecer a importância do treinamento para dinamizar a busca da
informação na Internet. Seria necessário fazer uma nova pesquisa para averiguar o
verdadeiro motivo das abstenções.
As atividades de educação do usuário são importantes e executadas pelo serviço
de referência, os bibliotecários ainda continuarão a ensinar as pessoas a fazer
melhor proveito dos recursos informacionais existentes nas bibliotecas. Diante disso,
o bibliotecário de referência deve exercer as habilidades de mediador, como ressalta
Dias (2004, p.3), “o papel de educador fica mais evidente na medida que o
bibliotecário esteja capacitado na utilização das fontes e tenha habilidade e
competências para expressar em linguagem, simplificada e compreensível, conceitos
complexos que demandam linguagens especializadas”.
Por fim, solicitou-se aos usuários

que fizessem sugestões, observações

e/ou

reclamações. A principal reivindicação dos usuários da UFBA foi aumentar o número
de computadores alegando que o tempo de espera é muito extenso e na UNEB
solicitaram manutenção nos equipamentos com a finalidade de dinamizar as
pesquisas.
14

�RESULTADOS OBTIDOS
No decorrer da pesquisa, foram apresentados dados e argumentos, que na opinião
das autoras são muito relevantes para a biblioteca universitária brasileira para
aperfeiçoar o serviço de acesso a Internet. Como expressa Cuenca (2000), “[...] são
poucos os trabalhos publicados no contexto brasileiro sobre a análise específica de
usuários de Internet nas bibliotecas acadêmicas [...]”. À vista das informações
coletadas, pode-se apontar, entre outras considerações:
� Comprovou-se que o serviço de acesso a Internet funciona com mediação e
sem mediação, respeitando a privacidade do usuário.
� Ficou evidente que os jovens possuem mais habilidades com o uso dos
computadores e da Internet. Detectou-se que a maioria dos alunos das faixas
etárias de 30-40 e 40-50 anos respondeu que gostariam da ajuda do
bibliotecário como mediador e

também de receber treinamentos para o

acesso a Internet.
� A função social das bibliotecas universitárias estudadas ficou evidente. Diante
da importância desse serviço para a comunidade acadêmica, oferecendo
oportunidade a aqueles que não têm acesso à rede mundial de computadores,
num país onde o acesso a Internet é caro para o cidadão individualmente,
justificando a exclusão de parte importante da população na sociedade da
informação.
� As bibliotecas universitárias estão comprometidas com a gestão e
disseminação da informação, que através do serviço de acesso a Internet,
espaço democrático de conexão dos usuários com os aparatos tecnológicos,
sinalizam sites importantes para a vida acadêmica dos usuários.
� Recomenda-se

que dentro do Programa de Treinamento de Usuários já

existentes nessas bibliotecas, sejam criados mini cursos específicos para essa
comunidade, visando otimizar a busca de informações na Internet e capacitar
o cidadão para a obtenção da autonomia na busca do aprendizado contínuo.
Como também, expandir este serviço para as demais bibliotecas do Sistema.
REFERÊNCIAS
CARVALHO, I. C. L.; KANISKI, A. L. A sociedade do conhecimento e o acesso à
informação: para que e para quem?. Ci. Inf., v.29, n.3, p.33-39, set./dez, 2000.

15

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In.: ___. A socialização do conhecimento no espaço das bibliotecas universitárias. Rio
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COSTA, S. M. de S. Impactos sociais das tecnologias de informação. Rev. Bibliotecom.
Brasília, v.19. n.1, p.5, jan/jul., 1995 .
CUENCA, A. G. B. et al. Uso da Internet por usuários de bibliotecas acadêmicas. In:
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CUNHA, M. B. da. Construindo o futuro: a biblioteca universitária brasileira em 2010. Ci. Inf.,
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gerenciam o seu capital intelectual. 11. ed., Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.
DIAS, M.M.C. et al. Capacitação do bibliotecário como mediador do aprendizado no uso de
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16

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Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Na sociedade da informação e do conhecimento o uso dos recursos tecnológicos tem proporcionado cada vez mais a integração entre os usuários e as fontes de informação. Esse estudo aborda a função social das bibliotecas universitárias, diante das mudanças provocadas pela explosão da informação, através das tecnologias da informação e da comunicação. O eixo norteador desse trabalho é refletir o desempenho do serviço de acesso livre à Internet oferecido pelas bibliotecas universitárias: Biblioteca Central Reitor Macedo Costa/ Universidade Federal da Bahia e Biblioteca Edvaldo Machado Boaventura /Universidade do Estado da Bahia. A pesquisa tem o objetivo de traçar o perfil dos usuários e detectar os principais recursos da Internet/Informática que são utilizados. A partir dos resultados obtidos, aponta-se para a importância do serviço de acesso a Internet, com ou sem mediação de um profissional da informação, ressaltando que no âmbito das bibliotecas acadêmicas, esse serviço configura-se como um espaço democrático de conexão dos usuários com os aparatos tecnológicos disponíveis nas universidades e como mais um serviço de disseminação da informação. As considerações finais sinalizam a acuidade do treinamento de usuários para a pesquisa na Internet e recomenda a otimização desse serviço nas bibliotecas universitárias comprometidas com a gestão e disseminação do conhecimento e da informação.</text>
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                    <text>GERENCIAMENTO DA INFORMAÇÃO NO PROCESSO DE SELEÇÃO E AQUISIÇÃO
DE ACERVOS PARA UM SISTEMA DE BIBLIOTECAS DE INSTITUIÇÃO DE ENSINO
PRIVADO.

Adriana Carla S. de Oliveira, Universidade Potiguar, Brasil (adrianacarla@unp.br)1
Dyane Karla da Silva, Universidade Potiguar, Brasil (dykarla@unp.br)2

RESUMO

A pesquisa foi desenvolvida com o objetivo de propor melhorias no gerenciamento
de informações que permeiam o processo de seleção e aquisição de acervos
bibliográficos de um sistema de bibliotecas em uma instituição de ensino privado.
Foram abordados assuntos nas áreas de gerenciamento e qualidade da
informação,

gerenciamento

de

aquisição

por

sistema

de

informação

automatizado, política para desenvolvimento de acervos e a avaliação de serviços
prestados a partir deste processo. E por fim, como gerenciar o fluxo dessas
informações dentro de uma IES de ensino privado. A metodologia desenvolvida
foi uma pesquisa exploratória com a aplicação de questionários com perguntas
abertas e fechadas. A análise dos dados foi descritiva e qualitativa. O universo da
pesquisa se deu em uma Universidade privada no Estado do Rio Grande do Norte
e a amostragem foi com coordenadores de curso e professores de graduação. Os
resultados obtidos serviram de base para melhoria no fluxo do processo de
seleção e aquisição, bem como a utilização mais otimizada dos recursos
financeiros disponíveis para aquisição de acervos.
Palavras chave: Gestão da Informação. Gerenciamento de Aquisição de Acervo.
Critérios de Seleção.

1

Mestre em Engenharia da Produção pela UFRN, Especialista em Gestão Estratégica de
Empresas pela Universidade Potiguar - UnP, Graduada em Biblioteconomia pela UFPB,
Coordenadora Geral do Sistema de Bibliotecas da UnP e Coordenadora da Biblioteca
da Escola da Magistratura do Rio Grande do Norte.
2
Especialista em Gestão Estratégica da Informação pela UnP, Bacharel em
Administração de Empresas. Assistente de Bibliotecas da Universidade Potiguar.

�2

1 INTRODUÇÃO

A revolução e evolução da Tecnologia da Informação ultrapassaram a virada do
século permitindo que a informação e o conhecimento pareçam peças chaves
das organizações. Informação como instrumento para reduzir incertezas e orientar
as tomadas de decisões. Com isso esta pesquisa teve como finalidade identificar
os pontos fracos do gerenciamento da informação no processo de seleção de
acervo do Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade Potiguar. Abordando
as principais etapas de um processo de seleção e aquisição de acervos
bibliográficos e não bibliográficos, dentre eles destacam-se: o conhecimento do
material existente por parte dos professores, a indicação na íntegra do que
realmente a comunidade acadêmica - alunos, professores, funcionários e setores
da instituição - necessitam, bem como atender aos critérios estabelecidos pelos
padrões do Ministério da Educação. Visando assim, suprimir ou amenizar as
expectativas

informacionais

desta

clientela

por

parte

dos

alunos

e

conseqüentemente melhorias nos serviços oferecidos pelas bibliotecas da
instituição.

Ao

término

deste

trabalho

foram

sugeridas

propostas

e

recomendações de melhoria no fluxo informacional que servirão como alternativas
para a tomada de decisão no processo de aquisição de acervos.

2 GESTÃO DA INFORMAÇÃO

Atualmente se vive uma revolução nos princípios que orientam as organizações
sociais, dentro de um processo evolucionário que começou com a aplicação da
teoria geral de sistemas a partir dos anos 30 até a atual etapa da globalização das
economias de mercado.

.

�3

Informação e conhecimento parecem ser as chaves de uma mudança, onde
muitos chamaram e ainda chamam de quebra de paradigma, onde informação é
considerada um instrumento que reduz incertezas e orienta nas tomadas
decisões.

Para Foína (2001, p.17) “podemos definir informação como um valor, ou dado,
que possa ser útil para alguma aplicação ou pessoa”.

Dessa forma, entende-se que os gestores precisam conhecer profundamente a
organização que está sob sua responsabilidade, bem como o ambiente
competitivo onde se opera, a fim de avaliar o impacto da turbulência ambiental e
desenvolver o cenário para uma solução eficaz baseada em dados úteis para a
tomada de decisão. Assim fica evidenciada a importância da informação, pois é
por meio desta que os gestores conseguem identificar as oportunidades e
ameaças que o ambiente oferece a empresa.

Beuren (1998, p.43) afirma que “o desafio maior da informação é o de habilitar os
gestores a alcançar objetivos propostos para a organização por meio do uso
eficiente dos recursos disponíveis”.

Essa concepção nos leva a refletir que antes de qualquer decisão faz-se
necessário o conhecimento dos recursos existentes na própria empresa, fazendo
uso no processo de gestão, especialmente na definição das melhores
estratégicas, bem como se utilizar destes dentro de uma linha de confiabilidade,
fidedignidade e qualidade.

.

�4

3 QUALIDADE DA INFORMAÇÃO

Em termos de qualidade da informação, é importante compreender inicialmente
que

a

tecnologia

vem

proporcionando

profundas

transformações

nos

procedimentos da produção, transmissão e uso da informação.

Para Wurman (2000, p.318) “A medida que a tecnologia de informação
amadurece o foco se desloca das máquinas para própria informação. O valor da
tecnologia

reside em sua capacidade de administrar o produto, ou seja, na

informação”.

Para Cândido (1999, p.7, apud Castels 2003)) “o que caracteriza a atual
revolução tecnológica não é a centralidade de conhecimentos e informações e
sim um ciclo de realimentação coletivo entre inovação e seu uso”.

No atual momento, encontra-se em andamento uma revolução quanto aos
princípios que orientam as organizações sociais, sendo que no processo
evolucionário a informação e conhecimento transformam-se em chaves do novo
paradigma.

No caso de uma biblioteca, em específico a de natureza universitária, o
especialista em seleção do acervo é responsável pelas diversas informações que
manipuladas e analisadas irão sugerir a tomada de decisão para o processo de
aquisição. O gestor depende de informações de setores internos, tais como:
reserva, referência, empréstimos e processo técnico, e cada setor desenvolve
conhecimentos próprios e compartilham informações que permeia todo o setor e
juntamente desenvolvem um processo sistêmico, integrado e co-responsável do
processo maior.

.

�5

Processo maior que deve atender aos critérios qualitativos da instituição
baseando-se, primordialmente nas necessidades informacionais da comunidade
acadêmica e dos cursos oferecidos pela instituição.

4 POLÍTICA E DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES

Sendo a biblioteca universitária uma célula de uma organização, e, portanto
sujeita as mesmas leis e metodologias aplicáveis ao conjunto de organizações
sociais dos dias atuais, estão como descreve Moreira (2003, p. 7).
Elas estão sendo transformadas de organizações centradas no acesso a
informação, de depositárias de formatos impressos para organizações
menos adotadas a idéia de lugar e a de documentos impressos. Estão
relacionando usuários com informações disponíveis localmente ou
acessíveis remotamente e capacitando usuários para tornarem-se mais
auto-suficientes como buscadores de informação. A missão delas estaria
mudando elas sempre foram vistas como elos da conexão dos
investigadores com a informação requerida mas os meios disponíveis
para ampliar o sucesso da missão estão mudando dramaticamente.
Como tal, os papeis que correspondem às bibliotecas no processo de
comunicação cientifica estão tornando-se proativos, assertivos e
cooperativos.

Bibliotecas em transformação como lembra a citação acima, estão no processo de
alcance de seu potencial, transformando-se do que são para alcançar o que
pretendem ser. Estão preocupadas em aquilatar suas potencialidades, em
analisar fortalezas e suas fraquezas, bem como em buscar alternativas
estratégicas para atingir objetivos e metas que garantam, mais que sua
sobrevivência o atingimento de sua missão.

Em se tratando de seleção Vergueiro (1997, p. 74) afirma que,
A melhor condição de satisfazer o usuário será a de coordenar as
diversas demandas ou necessidades existentes, balanceando o acervo
segundo a importância relativa dos assuntos, priorizando a seleção em
função dos projetos em desenvolvimento na instituição ou de seus
recursos existentes, atuando em conjunto por especialista nos assuntos
representados no acervo.

.

�6

Com isso observa-se que existem muitos profissionais que exercem a atividade
de seleção com todo cuidado e são bem sucedidos no desenvolvimento de
coleções, analisam cada material que incluam no acervo, utilizam critérios bem
elaborados, discutem com os usuários a importância de cada item, negociam
interesses divergentes, evidenciando em todo os seus atos precisam de suas
decisões.

Para Moreira (2003, p. 2) ”Se algum enlace inicial é possível e desejável ele deve
ocorrer no contato inicial do professor com a biblioteca para um bom
planejamento de uso do material bibliográfico disponível e possível”.

Seria indispensável que o corpo docente conhecesse em relativa profundidade os
acervos existentes na biblioteca e realizasse na medida das possibilidades um
aproveitamento do material disponível para seus planos de ensinos das
disciplinas ofertadas. Evitando assim, uma incompatibilidade com o que é
ofertado no acervo da biblioteca como o que é ministrado e sugerido em sala de
aula.

Ainda para Vergueiro (2000, p. 76) “É natural que parte dos usuários deseje que
o acervo contemple mais suas necessidades de informação”.

Não há a pretensão que a Biblioteca disponibilize todo o acervo necessário para
ampliação dos conhecimentos de sua vida acadêmica, mas entende-se que o
professor é a principal fonte para formação de um bom acervo de suporte para
cada disciplina, buscando assim, contemplar as necessidades informacionais dos
usuários.

.

�7

4.1 CRITÉRIOS DE SELEÇÃO

Para que as necessidades informacionais da clientela acadêmica sejam
contempladas, faz-se necessário à exigência de uma política de desenvolvimento
de coleções da rede de bibliotecas de IES que tem por finalidade definir critérios
para a Gestão do Acervo.

Esta gestão deve contemplar o desenvolvimento e atualização do acervo e seus
objetivos segundo Figueiredo (1998, p. 78) deve:

-

estabelecer normas para seleção;

-

disciplinar o processo tanto em quantidade como em qualidade;

-

atualizar permanentemente o acervo;

-

direcionar o uso racional dos recursos financeiros;

-

estabelecer prioridades;

-

traçar diretrizes para avaliação de coleções.

4.2 ATUALIZAÇÃO E EXPANSAO DO ACERVO

Atualmente com o crescimento do fluxo de informações, tornou-se necessário
adotar critérios para uma política de atualização e de expansão do acervo das
bibliotecas, que tem como objetivo adequar-se as demandas informacionais dos
acervos e dos usuários freqüentadores das bibliotecas das instituições.
Vergueiro (1997, p.23) comenta que,

A velocidade com que as informações se desatualizam varia
conforme a área de conhecimento em que a biblioteca atua.
Documentos de algumas chamadas ciências exatas, como
computação , se desatualiza rapidamente. Por isso, os
bibliotecários das áreas de ciências exatas necessitam estar
bastantes atentos a este critério, visando minimamente
acompanhar o ritmo com que novas tecnologias surgem e

.

�8

desaparecem. Nas ciências humanas, obras antigas costumam
ser muito valorizadas pelos pesquisadores, por constituírem uma
contribuição já reconhecida e incorporada ao conhecimento.

O grande salto qualitativo dos tipos de materiais bibliográficos deve-se à
crescente importância na sociedade moderna do item informação tornando-se um
produto estratégico no desempenho na identificação de vários instrumentos que
foram sendo criados ao longo do tempo para subsidiar a comunicação/acesso
entre o produtor e usuário da informação. Tornando-se um produto estratégico no
desempenho

interação

e

sinergia

no

processo

social

e

econômico,

transformando-se em um novo setor definido como o do conhecimento ou da
informação.

Em conseqüência disso o volume sempre crescente de informações suportes têm
levado as organizações, responsáveis pelo tratamento, armazenagem e
recuperação à criação de mecanismos para possibilitar o uso da grande massa de
dados disponíveis. Em uma visão resumida elaborada, pode-se identificar os
vários instrumentos que foram sendo criados ao longo do tempo, para subsidiar a
comunicação o acesso entre o produtor e usuário da informação.

3 METODOLOGIA

A metodologia adotada foi uma pesquisa de caráter exploratória onde se
identificou o não estabelecimento de prioridades para aquisição por parte dos
selecionadores (coordenadores de cursos e professores), para coleta de dados foi
aplicado o seguinte instrumento de pesquisa: entrevista com perguntas abertas e
fechadas.

.

�9

3.1 MODELO DA PESQUISA

Nesta pesquisa foram aplicadas variáveis dependentes. As variáveis dependentes
foram definidas através de atributos qualitativos e quantitativos.

3.2 UNIVERSO DA PESQUISA

A informação, neste novo cenário, passa a ser considerado um recurso
estratégico. Atualmente, toda empresa está voltada com amplos e diversos tipos
de informações e para competir nesse ambiente altamente dinâmico, o segredo
do sucesso é a agregação de valor a partir do acesso do tratamento da utilização
e da disseminação da informação.

O estudo tratou-se de uma pesquisa de caráter exploratório que analisou pontos
de vista de professores e coordenadores de cursos, buscando identificar e
analisar formas e dados utilizados para seleção e aquisição de acervos da
instituição.

4 RESULTADOS

Quanto a Política de Aquisição de Acervos.

A analise descritiva qualitativa dos dados descreveu que por ausência do trato de
informações identificou-se o não estabelecimento de prioridades para aquisição
de materiais bibliográficos e não bibliográficos por parte dos selecionadores,
adquirindo bibliografias já existentes, desatualizadas e coleções não utilizadas
por falta de conhecimento do docente da área e indicação de bibliografias não
presentes em detrimento dos existentes.

.

�10

Com isso faz-se necessário o trato e discernimento da informação para que haja,
conhecimento, preparação e disciplina no processo de seleção e aquisição de
acervos, observando tanto quantidade como qualidade de acordo com as
características dos cursos oferecidos pela instituição.

Durante a entrevista foram abordadas algumas variáveis dentre elas enfatizou-se:

- conhecimento do material existente (bibliografias);
- pesquisa de opinião com usuários;
- consultas com fornecedores em catálogos atualizados e as novas tendências
nas áreas do conhecimento;
- consenso entre selecionadores da mesma área de atuação e quantidade x
número de alunos.

No quesito conhecimento do material existente predominou a falta de um sistema
de informação interligado em rede que facilite a pesquisa do material existente.

No quesito Opinião dos usuários, constatou-se a inexistência desse tipo de coleta
de dados.

Para a categoria de fornecedores detectou-se o difícil acesso a catálogos
atualizados.

E por fim, o consenso entre selecionadores, inferiu-se que cada processo
seleciona o necessário para compor o processo pedagógico de cada curso, mas
que este mostra uma certa compatibilidade entre o projeto pedagógico e o acervo
existente, porém é incompatível o número de exemplares em proporção com o
número de alunos existentes para cada curso.

.

�11

5 CONCLUSÃO

A evolução tecnológica, característica inquestionável deste século, vem causando
impacto em todas as áreas do conhecimento humano, sendo que em algumas
delas, seu reflexo parece ser mais evidente. Considerando a área de
Biblioteconomia e da Ciência da Informação, o impacto dos avanços tecnológico
tem sido forte e altamente mais visível, o que pode ser comprovado tanto pela
farta literatura nacional e internacional que aborda esta temática.

As bibliotecas atuais e do futuro já são compostas de materiais reais e virtuais,
possibilitando formas diversificadas de acesso ao conjunto de seus recursos
informacionais.

O ponto básico a ser considerado pelos profissionais da informação não deve ser
a tecnologia por ela mesma e sim a possibilidade de intermediar acesso à
informação de forma mais ágil, eficiente e eficaz.

Para tanto, constatou-se nesta pesquisa que em sua maioria as bibliografias
selecionadas não suprem as necessidades informacionais, sejam nos aspectos
qualitativos sejam sob a ótica quantitativa.

Verificou-se ainda que as informações que circulam entre os setores que
compõem o processo de seleção, necessitam de um melhor gerenciamento de
informações, observando em primeiro momento de onde parte o processo e quais
os critérios escolhidos para a seleção e aquisição de acervos bibliográficos.

Faz-se necessário a reelaboração do Fluxo Informacional do processo de Gestão
do Acervo e a definição de critérios objetivos para permear todo o processo de
gerenciamento deste serviço.

.

�12

REFERÊNCIAS

BEUREN, Ilsen Maria. Gerenciamento da informação: um recurso estratégico
no processo de gestão empresarial. São Paulo: Atlas, 1998.
FIGUEIREDO, Nice Menezes de. Desenvolvimento e avaliação de coleções. 2.
ed. Rio de Janeiro: Thesaurus,1998.
LÊ COADIC, Yves – François. A ciência da informação. Brasília: Brinquet de
Lemos,1996.
LANCASTER, F.W. Avaliação dos serviços de bibliotecas. Brasília: Brinquet de
Lemos, 2004.
MOREIRA, Arthur da Silva. Projeto pedagógico e biblioteca: Um casamento
mais
que
desejável,
necessário.
São
Paulo,
disponível
em:&lt;
http://www.ofaj.com.br&gt;. Acesso em 23 de maio de 2006.

OLIVEIRA, Maria Marly. Como fazer projetos, relatórios, monografias,
dissertações e teses. 2ed. Rio de Janeiro: Ímpetos, 2003.
VALETIM, Marta P. Profissionais da informação: formação, perfil e atuação
profissional. São Paulo: Polis, 2000.
VERGUEIRO, W. Seleção de materiais de informação: princípios e técnicas. 2
ed. Brasília: Brinquet de Lemos,1997.

MANAGEMENT OF THE INFORMATION IN THE ELECTION PROCESS AND
ACQUISITION OF QUANTITIES FOR A SYSTEM OF LIBRARIES OF
INSTITUTION OF PRIVATE EDUCATION.

ABSTRACT

The research was developed with the objective to consider improvements in the
management of information that permeiam the process of election and acquisition
of bibliographical quantities of a system of libraries in an institution of private
.

�13

education. They had been boarded subjects in the management areas and quality
of the information, management of acquisition for automatized system of
information, politics for development of quantities and the evaluation of services
given from this process. E finally, as to inside manage the flow of these
information of a IES of private education. The developed methodology was a
exploration research with the application of questionnaires with open and closed
questions. The analysis of the data was descriptive and qualitative. The universe
of the research if gave in a private University in the State of the Great River of the
North and the sampling was with coordinators of course and professors of
graduation. The gotten results had served of base for improvement in the flow of
the process of election and acquisition, as well as the optimized use more of the
available financial resources for acquisition of quantities.

Key Words: Management of the Information. Management of Acquisition of
Quantity. Criteria of Election.

.

�</text>
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Coverage</name>
              <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Gerenciamento da informação no processo de seleção e aquisição de acervos para um sistema de bibliotecas de instituição de ensino privado.</text>
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                <text>A pesquisa foi desenvolvida com o objetivo de propor melhorias no gerenciamento de informações que permeiam o processo de seleção e aquisição de acervos bibliográficos de um sistema de bibliotecas em uma instituição de ensino privado. Foram abordados assuntos nas áreas de gerenciamento e qualidade da informação, gerenciamento de aquisição por sistema de informação automatizado, política para desenvolvimento de acervos e a avaliação de serviços prestados a partir deste processo. E por fim, como gerenciar o fluxo dessas informações dentro de uma IES de ensino privado. A metodologia desenvolvida foi uma pesquisa exploratória com a aplicação de questionários com perguntas abertas e fechadas. A análise dos dados foi descritiva e qualitativa. O universo da pesquisa se deu em uma Universidade privada no Estado do Rio Grande do Norte e a amostragem foi com coordenadores de curso e professores de graduação. Os resultados obtidos serviram de base para melhoria no fluxo do processo de seleção e aquisição, bem como a utilização mais otimizada dos recursos financeiros disponíveis para aquisição de acervos.</text>
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                    <text>GERENCIAMENTO DE COLEÇÕES EM BIBLIOTECAS DIGITAIS

Raimunda Ramos Marinho1
Maria da Conceição Pereira de Sousa2
Maria Rosivalda da Silva Pereira3
Suênia Oliveira Mendes4
Universidade Federal do Maranhão
Av. dos Portugueses, s/n, Campus do Bacanga
650085-580  São Luís-MA, Brasil

RESUMO: Gerenciamento de coleções para bibliotecas digitais. Reflete-se nesse
trabalho acerca das etapas do processo de formação de coleções em bibliotecas
digitais a partir da literatura de formação de coleções em bibliotecas tradicionais e
de sua adaptação para o ambiente digital.
PALAVRAS-CHAVE: Biblioteca Digital. Formação de Coleções

1 INTRODUÇÃO

Existem, no Brasil, até julho de 2006, 949.086 domínios registrados.
Desses,

915.613

configuram-se

como

sendo

de

entidades,

2.423

de

universidades, 3.156 de pessoas físicas e 27.894 de profissionais liberais.
(REGISTRO.BR, 2006). Esses números refletem o quão fácil tem-se tornado a
criação de páginas web, e consequentemente, o aumento desordenado das
informações disponíveis. Desse modo, essa quantidade de dados se generaliza e
requer, portanto, um planejamento que possibilite potencializar o seu uso em
rede. Surge, a partir de então, a necessidade do desenvolvimento da Biblioteca
Digital (BD).

1

Diretora do Núcleo Integrado de Bibliotecas, Universidade Federal do Maranhão, dbibrai@ufma.br

2

Bibliotecária, Núcleo Integrado de Bibliotecas, UFMA, comutbc@ufma.br

3

Bibliotecária, Núcleo Integrado de Bibliotecas, UFMA, bibliotecaccet@ufma.br

4

Bibliotecária, Núcleo Integrado de Bibliotecas, UFMA, bibliotecaenfermagem@ufma.br

1

�Um dos fatores a direcionar a construção de Bibliotecas Digitais é a
definição da sua tipologia, que por sua vez determinará a clientela, a sua missão
bem como os seus objetivos. Poder-se-ia dizer ainda que tal definição resultaria
no planejamento dessa construção, pois o usuário, tanto na biblioteca física
quanto na virtual continua sendo a diretriz balizadora do conteúdo, dos serviços e
dos produtos existentes aos quais suprirão melhor as suas necessidades
informacionais.

Para a formação do repositório informacional das BDs, faz-se uma
adaptação dos critérios de gerenciamento de coleções já analisados nas unidades
de informação tradicionais, tais como seleção, aquisição e avaliação.

Este trabalho pretende discutir questões relacionadas ao gerenciamento e
à formação de coleções em bibliotecas digitais, baseadas em análise documental
e à luz do que a literatura dispõe para as bibliotecas tradicionais.

2 GERENCIAMENTO DA COLEÇÃO EM BIBLIOTECAS DIGITAIS

Ao tratar de bibliotecas virtuais, Gomes (2005, p. 67) comenta que os
aspectos de
[...] tema, missão do serviço, que deve refletir a missão da entidade
responsável pela sua criação, o público-alvo, a arquitetura e os recursos
a serem incluídos; as ferramentas de busca e as palavras-chave a serem
empregadas na pesquisa de informação; as estratégias a serem
utilizadas na busca; as normas para coleta, descrição e indexação das
informações; a definição dos serviços a serem oferecidos, bem como dos
mecanismos de comunicação a serem disponibilizados

podem ser estendidos também às bibliotecas digitais.

Desse modo, o paradigma de gerenciamento de coleções está baseado
não na quantidade de itens disponíveis, mas na variedade de opções de que a
biblioteca pode dispor  tal como pontos de acesso, links referenciais etc,
tornando o modelo do ter e acessar algo real e possível, o que potencializa a
essas bibliotecas atenderem às demandas informacionais. Assim, enfatiza-se o

2

�processo de gerenciamento de coleções em bibliotecas digitais, na perspectiva da
qualidade da coleção e no valor da informação.

Em bibliotecas ditas tradicionais, a formação e o desenvolvimento de
coleções  que atualmente denomina-se gerenciamento de coleções - significa
essencialmente adquirir material pertinente ao perfil da biblioteca para torná-lo
disponível ao alcance do usuário a que ela se destina, sempre baseado em
estudos metodologicamente constituídos para identificação da necessidade atual
de informação e tentando antever as tendências informacionais da instituição, de
forma

a

acompanhar

esse

perfil

previamente

definido

(ANTELMAN;

LANGENBERG, 1993).

Isso era algo relativamente fácil em bibliotecas, uma vez que se tinha o
contato imediato com o usuário, se interagia com ele e assim, tornava-se possível
identificar com mais facilidade tanto as necessidades atuais como as tendências
informacionais que ele poderia seguir.

No entanto, as mudanças para esse paradigma acompanham o surgimento
das BDs. Não se tem mais o usuário fisicamente presente, a pesquisa mediada, a
interação; o usuário torna-se alguém desconhecido, e por assim não conhecê-lo,
por muitas vezes ignora-se a sua necessidade real de informação como também,
as suas tendências de informação, os seus projetos de pesquisa, etc. Nessa
perspectiva, indaga-se: como se formará ou se gerenciará uma coleção para
alguém que não se sabe o que vai fazer com a informação? As bibliotecas digitais
servem a quem? Qual o seu público alvo?

Sobre tal assunto, Marchionini (2000 apud CHAVES, 2002, p.14) diz que as
bibliotecas digitais
[...] servem comunidades de pessoas e são criadas e mantidas por e
para essas pessoas. As pessoas e as informações de que as bibliotecas
digitais precisam são centrais para todas as bibliotecas, digitais ou não.
Todos os esforços no projeto, implementação e avaliação destas devem
ser consolidados nas necessidades de informações, características e
contextos das pessoas que usarão ou poderão usar essas bibliotecas.

3

�Essa reflexão permite questionar sobre quem é o usuário de biblioteca
digital, em relação ao desenvolvimento de um acervo específico. Indaga-se
também: quem é o usuário numa comunidade potencialmente virtual que se forma
ciberneticamente em torno destas bibliotecas?

Nesse sentido é que se utilizam os estudos de usuários para a identificação
das necessidades e do uso da informação por grupos de indivíduos e pelo
mercado, obtendo-se um olhar interno e externo do contexto criado. Isso deve ser
feito através da combinação de estratégias e instrumentos com perspectivas
quali-quantitativas, dentre as quais podem ser citadas as técnicas estatísticas, de
opinião, de monitoramento tecnológico, obtidas por meio de controle de acesso,
que agora se apresentam eletronicamente e via Internet, como apontadores,
contadores, senhas, cadastros, browsers.

Dentro desse contexto, convém ressaltar que ainda se abre uma nova
perspectiva de simultaneidade para o usuário, no ciclo informacional: nas
categorias de usuário-autor, aquele que deseja e disponibiliza a sua produção
intelectual na biblioteca digital; e de usuário final, considerado aquele que acessa
e usa os conteúdos.

No planejamento e construção de uma BD devem ser observados os
seguintes

elementos

(HARTER

apud

LUCAS,

2004):

a)

qualidade:

estabelecimento e controle de atualização, acuidade e integridade das fontes de
informação; b) autoria: integridade intelectual dos dados; c) organização:
provimento ao acesso intelectual dos recursos informacionais; d) mutabilidade:
reconhecimento das diferentes versões de mesmo recurso informacional; e)
preservação: encaminhamento de aspectos relativos aos recursos transitórios; f)
autoridade: preservação do conceito de autoridade; g) legalidade: observação da
legislação do direito autoral; h) política de acesso: limite ao acesso a alguns
recursos informacionais para algumas categorias de usuários; i) serviços: lista de
serviços oferecidos; j) integração: parceria/comunicação da biblioteca digital com
a tradicional (descrição do processo, em caso positivo); l) bibliotecários: existência

4

�de profissionais bibliotecários (descrição das atividades em caso positivo); m)
usuários: definição de categorias de usuários.

Com a definição dos elementos assinalados anteriormente, o próximo
passo é de pronta necessidade se delinear a política de seleção e aquisição que,
de modo regimental, norteará os procedimentos e rotinas, assegurando a
uniformidade e a coesão institucional mesmo sendo de uma BD.

Nas bibliotecas tradicionais, a etapa de seleção propõe-se a determinar
quais conteúdos irão compor as coleções de determinada biblioteca, levando-se
em consideração os recursos financeiros existentes, as diversidades de suportes
e formatos, as necessidades e os interesses informacionais a serem atendidos.
Essa ação se reveste predominante da atitude de tomada de decisão, de modo
socializado, a fim de evitar privilégios, preconceitos e redundância, dirigindo-se a
determinados interesses em detrimento dos objetivos e metas previamente
instituídos.

No que tange ao conteúdo das coleções das BDs, a sua análise deve se
ater às características intrínsecas do documento, tal como se o conteúdo é ou não
superficial, de acordo com a missão e objetivos traçados; sua relevância no
cenário científico; adequação do idioma aos usuários; características tecnológicas
exigidas para leitura dos documentos, o custo com a implantação e a manutenção
dessa tecnologia; a diplomática do documento; e a perenidade da informação
(RONDINELLE, 2002; VERGUEIRO, 1995).

Na visão de Weitzel (2004) e de Tomael et al. (2004), esse conjunto de
itens significa perceber as credenciais, a filiação, a qualificação do responsável
intelectual, atualidade e obsolescência, pois na Internet, de um modo geral, o fator
atualização é relativo, face as constantes manipulações dos dados e a falta de
clareza das datas de inserção, atualização e criação dos dados, como também a
precisão e a veracidade do conteúdo disponibilizado.

5

�Weitzel (2004) complementa ainda, que em se tratando de seleção de
documentos eletrônicos, devem-se observar os seguintes critérios: autoridade,
atualidade, cobertura/conteúdo, objetividade, precisão, acesso, aparência e
características especiais. Esses critérios já são descritos na literatura sobre
desenvolvimento de coleções em bibliotecas tradicionais, e se atém, basicamente,
ao documento propriamente dito (VERGUEIRO, 1996).

No entanto, como bem lembra Weitzel (2004), trata-se apenas de uma
transferência de suporte, e não de objetivos. Assim, além dessas características
podem ser acrescentados os fatores subjetivos, que levam alguém a escolher
entre esse ou outro documento de conteúdo similar. Essas características
somente um documento eletrônico pode proporcionar: rápida localização do
conteúdo que se busca dentro do documento, conforto ao usar o documento,
facilidades de copiar/colar, interação entre os diversos softwares, ajuda para
utilização os recursos disponíveis, interatividade usuário/documento dentre
outras.

Face a isso, deve-se abrir um parêntese para comentários sobre a
arquitetura deste gênero de biblioteca, que acima de tudo é um elo para outras
fontes de informação, ressaltando a importância do acesso, o layout e a
apresentação cuja análise semântica do conteúdo apresenta-se por meio de
metáforas de identificação e associação dos ícones; aplicação de técnicas
biblioteconômicas; múltiplas opções de busca; utilização de metalinguagem; e
outros fatores que garantam a qualidade das BDs. (ESCÁRCEGA, 1999; REYES
et al., 2001; WINDOWS, 1995 apud PARIZOTTO, 1997). Ainda nesse aspecto,
destaca-se a possibilidade de comunicação dos usuários com os gestores
recomendando conteúdos e links e contribuindo para o desenvolvimento da BD,
através de e-mail, chats entre outros.

Um outro fator positivo é que ao se referir às BDs, alguns desses aspectos
tornam-se garantidos no momento de sua criação, pois nesse tipo de repositório,
existe um esforço institucionalizado e sistematizado para garantir a qualidade de
seus conteúdos, bem como a existência de equipes de especialistas
6

�multidisciplinares e de coordenação, existência de filtros e peer-review e o mérito
da organização e do editor responsável. Além disso, a gênese das BDs, em sua
maioria, se dá pelo desejo e necessidade de controle bibliográfico, preservação e
universalização dos conteúdos.

Com relação à aquisição, esta é uma etapa da ação, de execução do que
foi determinado pela política de seleção, ou seja, uma etapa administrativa,
visando a localização e a obtenção dos itens através de compra, permuta e
doação, de modo individualizado ou consorciado, como ocorre nas bibliotecas
tradicionais.

Contudo, no processo de compra, é preciso atentar que a obtenção desses
conteúdos dependerá da negociação de royalties, de restrições e pagamentos
dos direitos autorais diretamente com o autor ou editor responsável pela
publicação do documento, e permitir a cópia livre, mediante o pagamento de
taxas, de partes dos documentos, seguindo a legalidade dos direitos autorais. A
autenticidade, a integridade dos objetos, a segurança de dados e a permissão de
uso oferecido pelo fornecedor assegurados de forma contratual, também são
fatores de peso para a decisão de compra. Sobre permuta e doação, tem-se a
possibilidade de transferência de direitos acerca do documento eletrônico, desde
que permitido pela legislação vigente.

A volatilidade que o documento eletrônico oferece, é, ao mesmo tempo um
de seus pontos de fascinação e de preocupação no momento de adquirir o item. É
importante assegurar que o conteúdo adquirido para compor a coleção não será
aleatoriamente modificado, e que serão proporcionados aos usuários daquela
biblioteca detentora da coleção, mecanismos que os possibilitem acessar as
atualizações que se fizerem disponíveis.

Uma outra etapa de relevância é a avaliação, que se configura como a
verificação sistemática de quanto e como o desenvolvimento de coleção está
sendo eficiente e satisfatório com relação ao previsto. Isso possibilita rever o

7

�processo e intervir se necessário. Ressalta-se que o processo avaliativo, além de
incidir sobre as rotinas e procedimentos adotados, deverá voltar-se para as
coleções e sua utilização de acordo com interesses previamente definidos no
estudo de usuário.

Devido a sua importância, a etapa da avaliação deve se manifestar do
princípio ao fim do processo de gerenciamento de coleções, devendo ser feita
com base em dados concretos de uso e pertinência dos conteúdos, os quais são
obtidos mediante utilização de métodos cientificamente elaborados que
possibilitem mensurar os aspectos relacionados à aquisição e captura,
armazenagem, recuperação e uso dos conteúdos.

No campo das BDs, têm-se adotado os estudos informétricos com
abordagem híbrida, incluindo os aspectos quali-quantitativos, como a Bibliometria,
Cienciometria, Informetria e, mais recentemente, a Webometria evidenciada no
ambiente da Internet. Segundo Vanti (2002, p.156), em sua explanação conceitual
sobre a medição do conhecimento, a Webometria é a [...] aplicação de métodos
informétricos à World Wide Web, que pode medir, por exemplo, a quantidade de
vezes que o site foi visitado e qual o material acessado. É possível ainda definir, a
partir de questionários de refinamento de perfil o tipo de usuário que usa a
informação ali disponibilizada.

Entretanto, entre os procedimentos de avaliação adotados, os de
usabilidade e estudo do comportamento de busca informacional são os mais
destacados atualmente, tanto para os profissionais da Ciência da Computação
quanto para os da Ciência da Informação. Ao avaliar a usabilidade, é que se
permite conhecer a interação entre o usuário e o sistema, que por sua vez,
analisa o tempo gasto nas atividades predeterminadas e os caminhos percorridos
nos sítios, compreendendo os objetivos do usuário e traçando meios que facilitará
a realização de tais exercícios. Já o comportamento de busca informacional
envolve fatores como: motivação, contexto e a própria individualidade do usuário
(BOHMERWALD, 2005).

8

�Após a avaliação, por mais segura que tenha sido a seleção e por mais
completa que seja a coleção, os interesses mudam, o desbastamento é inevitável.
Essa ação possibilitará um desenvolvimento de coleção ordenado, permitindo
detectar o momento em que determinados documentos devem ser mantidos e/ou
retirados do acervo ativo, seja para o remanejamento, seja para recuperação ou
para descarte definitivo, como assevera Vergueiro (1989, p.74).

De modo geral, o que não se pode esquecer quando da formação de
coleções para bibliotecas digitais, são os padrões, pois, como lembra Balas
(2002, p. 40), os softwares e hardwares continuam se desenvolvendo
rapidamente e correm-se riscos de, em pouco tempo, o conteúdo, hoje
digitalmente arquivado, não ser mais acessível.

Isso é decorrente do ciclo de vida dos sistemas de informação como retrata
Laudon, K. e Laudon, J. (1996 apud ROSINI; PALMISANO, 2003), que possuem
três fases: criação, evolução e decadência. A primeira fase é onde o sistema é
desenvolvido, os subsistemas serão estabelecidos e testados, conforme os
objetivos traçados. A segunda é quando o sistema está em constante
manutenção com intuito de adaptar-se às necessidades do meio que o envolve.
Na última fase, essas necessidades são tão díspares, as requeridas pelo setor,
que o sistema entra em obsolescência, pois não suporta mais as alterações,
consequentemente entra em decadência. Os responsáveis pelos sistemas devem
retardar esse momento para que possam preparar-se e planejar um novo sistema
com novas tecnologias atendendo as novas necessidades que aceitem a
transferência de informações do anterior.

3 CONCLUSÃO

Muitas são as questões em torno do tema de coleções em bibliotecas
digitais. Algumas delas até preocupantes, como a questão dos padrões de
software e hardware e de copyright, uma vez que uma rede digital pode
ultrapassar fronteiras. No entanto, o foco do desenvolvimento de qualquer acervo

9

�é o usuário e em torno dele, os esforços devem ser concentrados, no sentido de
busca de conteúdos para alimentar a necessidade informacional que ele tem.

Nesse sentido, propõe-se um acompanhamento mais constante do usuário,
dos conteúdos de bibliotecas digitais através de sistemas especialistas que
permitam identificar imediatamente a mudança de interesses da comunidade,
dada a especificidade dos conteúdos e a agilidade do referido suporte distribuído
em rede, que torna a informação imediata e perecível mais rapidamente. Por
conseguinte, a ampliação de interesses do usuário também se torna rápida,
fazendo com que ele mude ou amplie seus interesses com a mesma agilidade.

Assim, um bom gerenciamento de coleções em bibliotecas digitais viabiliza
a padronização de ações e atividades disponíveis em rede, possuindo conteúdos
confiáveis, atualizados e acesso assegurado, permitindo a inclusão de serviços
como referência online, acesso, assessoria/orientação nas ferramentas e formas
de busca, entre outras, bem como incorporando novos recursos de informação:
texto digitados (artigos não publicados em revistas impressas), listas de
discussão, diários virtuais, arquivos de imagem/som e demais artefatos
disponíveis na Internet, que possam interessar os usuários (LUCAS, 2004).

Por fim, seja qual for o formato (digital ou tradicional), não se pode
desvincular os serviços de bibliotecas do usuário que irá utilizar tais serviços da
missão a que se propõe a biblioteca. Afinal, a biblioteca digital continua com seu
papel de dirimir as incertezas por meio de seu principal produto/serviço: a
informação, principalmente no momento em que se ver o surgimento diário de
blogs de notícias, homepages, comunidades virtuais e de uma infinidade de
espaços com informação pronta para ser encontrada e conseqüentemente,
consumida. Então, surge a biblioteca digital como saída para esse labirinto
informacional emergido com a WEB.

10

�COLLECTIONS MANAGEMENT IN DIGITAL LIBRARIES

ABSTRACT: Collections management in digital libraries. It is reflected in this
work about the stages of the process of collections development in digital libraries,
from the literature applied in traditional libraries and its adaptation for the digital
environment.
KEYWORDS: Digital Library. Collections Devellopment.

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libraries, v. 22, n.4, p. 40-42, 2002.
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12

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Gerenciamento de coleções para bibliotecas digitais. Reflete-se nesse trabalho acerca das etapas do processo de formação de coleções em bibliotecas digitais a partir da literatura de formação de coleções em bibliotecas tradicionais e de sua adaptação para o ambiente digital.</text>
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                    <text>GERENCIAMENTO DE PROGRAMA DE CONSERVAÇÃO DA COLEÇÃO DE
MANUSCRITOS DA BIBLIOTECA CENTRAL DA UNIVERSIDADE DE
BRASÍLIA - UNB

GOMES, Neide A.
Mestre em Ciência da Informação – Biblioteca Central - Universidade de Brasília
neide@bce.unb.br

SILVA, Fernando
Bibliotecário - Seção de Obras Raras da Biblioteca Central-UnB
fernandos@bce.unb.br

FERREIRA, Anelise Weingartner
Antropóloga –Casa da Cultura da América Latina –UnB
Conservadora-Restauradora – Cedoc - UnB
anelise@unb.br

ANDREOLI, José Carlos
Químico – Centro de Documentação – Cedoc –UnB
e-mail: cedoc@unb.br

�Gerenciamento de programa de conservação na Coleção de Manuscritos da
Biblioteca Central da Universidade de Brasília

Introdução
Este trabalho tem como principal objetivo apresentar o projeto de
intervenção na coleção de manuscritos que integra o Programa de Conservação
preventiva na Coleção de Obras Raras da Biblioteca Central – BCE da
Universidade de Brasília.
Atividades

de

conservação

e

restauração

pontualmente ao longo de vários anos, no acervo.

foram

desenvolvidas

Com o fortalecimento da

parceria entre setores da universidade foi possível elaborar um plano de trabalho,
contando com conservadores-restauradores e bibliotecários, lotados no Centro de
Documentação – CEDOC, Casa de Cultura da América Latina e BCE.
O plano absorve algumas ações já iniciadas, como por exemplo, o
acondicionamento dos livros em brochura da coleção de literatura brasileira da
BCE.
Na elaboração do programa o grupo adotou as definições de Guichen
(1999), apud Carvalho (2002) que define conservação como toda intervenção
humana direta ou indireta que tem por objetivo aumentar a expectativa de vida de
coleções; restauração é definida como toda intervenção humana direta que tem

�por objetivo restituir o aspecto original de um objeto da coleção danificado;
conservação preventiva a que se aplica a todos os elementos do patrimônio,em
situação de deterioração ativa ou não, visando a protegê-los de qualquer
agressão natural ou humana.
Ainda segundo Timár-Balazsk e Eastop (1998) apud Mendes (2001) “o
objetivo da conservação é reduzir ao máximo a taxa de deterioração adicional dos
artefatos”.
Nesse trabalho, consideramos o conceito de programa de conservação
preventiva definido por Carvalho (2002), como a concepção, coordenação e
execução de um conjunto de estratégias sistemáticas organizadas no tempo e
espaço, desenvolvidas por uma equipe multidisciplinar com o consenso da
comunidade a fim de preservar, resguardar e difundir a memória coletiva no
presente e projetá-la para o futuro para reforçar a sua identidade cultural e elevar
a qualidade de vida.
Para elaboração do programa de gerenciamento de conservação, deve-se
considerar as políticas, procedimentos e processos que evitam a deterioração do
material, garantindo a permanência do suporte e o acesso à informação, o que
vem ao encontro do objetivo da biblioteca.
O programa de conservação engloba as diversas coleções que compõem o
acervo de obras raras da BCE. Este programa estabelece metas; objetivos e
etapas realísticas e viáveis; considera a disponibilidade dos recursos de pessoal,
instalações, verbas e critérios de avaliação. Para facilitar a alocação de recursos
foi pensado um projeto de conservação, trabalhando coleção a coleção.
Inicialmente foi realizada uma avaliação das condições físicas e ambientais
onde se encontra todo o acervo de obras raras da BCE para só então dar início
ao procedimento sistemático de conservação preventiva nas diversas coleções.
Foi escolhida a coleção de manuscritos como primeiro projeto, coleção de
menor dimensão, mas significativa no conjunto de obras raras da BCE. No acervo
de manuscritos encontram-se cartas, originais de livros e outros documentos de

�escritores e personalidades da vida pública brasileira, acervo esse de grande
importância para a preservação da nossa memória.

Características da coleção de Obras Raras
A coleção de Obras Raras foi constituída a partir da compra de
conceituadas bibliotecas particulares principalmente no período de 1962 a 1984,
como, por exemplo, a do professor Eudoro de Sousa, do jurista Homero Pires
(1962), do professor Fernando de Azevedo (1962), do crítico literário e professor
de literatura Agrippino Grieco (1975), do político e jornalista Carlos Lacerda
(1979) e do poeta e médico Pedro Nava (1983). Com essas bibliotecas veio
grande quantidade de documentos manuscritos de importantes nomes da
literatura, política e da sociedade brasileira dos séculos XIX e XX. Assim
constituiu-se a coleção de manuscritos da seção de obras raras da Biblioteca
Central da Universidade de Brasília, que cobre quase todas as áreas do
conhecimento.

Características da coleção de manuscritos
A coleção de manuscritos é formada, em sua maioria, de documentos de
uma ou mais folhas soltas, sendo que os demais encontram-se em cadernos e
volumes encadernados.
Os manuscritos estão em pastas (556 ao todo) organizadas em ordem
alfabética dentro de arquivos, divididas nas seguintes categorias: Anedotas,
Cartões,

Diplomas,

Eloqüência,

Ensaios,

Miscelânea,

Poesias,

Religião,

Romances, Viagens, Psicologia, Autógrafos, Discursos, Cartas, Correspondências
e anotações.
Dentre os destaques do acervo, pode-se citar os originais dos romances
Água Mãe, de José Lins do Rêgo e Minhas Contradições de Silvio Romero,
originais de poesias de autores consagrados como Augusto Schimidt e A.

�Coullon, artigos, ensaios e cartas de Graça Aranha, Homero Pires, Rui Barbosa,
anotações do poeta Cassiano Nunes, entre outros.

Condições de armazenamento
Os manuscritos encontram-se no cofre da seção de Obras Raras. A
temperatura e umidade no interior do cofre, assim como no restante da seção, é
controlada, permanecendo a temperatura em torno de 21º C e a umidade em
55%.
Estão armazenados em pastas suspensas confeccionadas em cartão ácido
e com ferragens em contato direto com estes materiais. As pastas encontram-se
em arquivos de aço, com grande quantidade de pastas por gaveta.

Fig 1 Situação atual de armazenamento
das pastas.

Fig 2 Situação atual de armazenamento
de um manuscrito.

Estado de conservação da coleção
Os documentos, em geral estão em bom estado de conservação. Os
principais danos encontrados são: bordas fragilizadas, dobras, acidez, sujidades e
presença de materiais inadequados.

�Além dos manuscritos, outros materiais, em número menor, como
fotografias, recortes de jornais e revistas são encontrados agregados ao
manuscrito.

.

Fig. 3 Exemplos de manuscritos

Condições de acesso
O acesso à coleção de manuscritos é restrito à funcionários do setor de
obras raras. Ao usuário externo, em geral professores e pesquisadores de obras
raras, não são permitidas a entrada e permanência no cofre, sendo facultada a
estes, somente a consulta local dos documentos, mediante identificação. Para a
consulta, é obrigatória a utilização de luvas e máscaras, como forma de preservar
ao máximo o documento consultado. Cópias reprográficas de qualquer espécie
também são proibidas. Os manuscritos atualmente não estão inclusos no sistema
de automação da biblioteca, não sendo possível, portanto, a consulta via Internet.
É disponibilizado ao usuário apenas um catálogo impresso, com a relação dos
manuscritos existentes, organizado por categoria e, dentro de cada categoria, por
ordem alfabética de autor.

�Objetivos do projeto
•

Implantar o programa de conservação preventiva na coleção de Obras
Raras da BCE,

•

Conservar a coleção de manuscritos da BCE;

•

Capacitar os profissionais da BCE que trabalham com esse acervo;

•

Divulgar o projeto como estratégia de sensibilização e conscientização dos
usuários para a necessidade de preservação do patrimônio;

•

Garantir o acesso à informação.

Metodologia
A elaboração do projeto de conservação dos manuscritos seguiu as seguintes
etapas:
1. Diagnóstico

das

condições

ambientais,

armazenamento

e

acondicionamento, instalações físicas, pessoal envolvido e normas de
acesso aos documentos.
2. Discussão com os gestores, com os profissionais da área de conservaçãorestauração e técnicos envolvidos no projeto.
3. Elaboração do plano de trabalho com estabelecimento de metas,
cronograma e prioridades de intervenção;
Foi definida a execução do trabalho em seis fases, que em alguns momentos
serão executadas paralelamente:
1ª fase

Serão ministrados cursos de treinamento à equipe formada por
servidores e alunos -bolsistas envolvidos no projeto, com o apoio do
Programa de Capacitação e Aperfeiçoamento Profissional –
PROCAP/UnB. Este treinamento contemplará a teoria e a prática.

2ª fase Ações de higienização, desacidificação, planificação, reparos dos
manuscritos, redimensionamento do mobiliário

e confecção dos

�acondicionamentos: pastas, envelopes e caixas para guarda
horizontal de alguns itens.
3ª fase Treinamento do pessoal da BCE que trabalha na coleção de
manuscritos.
4ª fase

Elaboração do manual para acesso e manuseio dos manuscritos.

5ª fase

Indexação e inclusão dos manuscritos no catálogo on-line da BCE.

6ª fase Digitalização de todo a coleção e especificação de acesso conforme
os direitos autorais e outras questões legais.
Para os documentos que necessitam de restauração será elaborada uma ficha
específica onde constará o estado de degradação e o tempo recomendado para o
encaminhamento ao Laboratório de Restauração do Cedoc/UnB. Com base nesse
diagnóstico será feito um cronograma, estabelecendo prioridades para o
encaminhamento das obras para o laboratório, em conjunto com as demais
necessidades da seção de obras raras.

Educação Patrimonial
A educação patrimonial utiliza-se de lugares e suportes da memória, como
os museus, arquivos e bibliotecas no processo educativo, a fim de desenvolver a
sensibilidade e a consciência dos cidadãos para a importância da preservação
desses bens culturais.
A BCE é um foro privilegiado no desenvolvimento de ações de educação
patrimonial, já que recebe grande número de usuários. Circulam diariamente pela
BCE 3.000 pessoas não só a comunidade universitária bem como estudantes de
1º e 2º Grau e a população de Brasília e entorno.
Como forma de unir esse projeto a uma ação de educação patrimonial, foi
traçada a seguinte estratégia:

�Por questões de segurança será montada uma sala de trabalho, próxima
ao acervo, na própria Biblioteca, diminuindo assim o deslocamento dos
manuscritos. A sala escolhida tem uma parede de vidro com vista para uma das
salas de leitura dos usuários da BCE. Como alternativa ao isolamento da parede,
foi elaborada a estratégia de divulgar os procedimentos de conservação durante o
seu processo, mostrados através dessa “vitrine”. A expectativa é despertar pela
curiosidade, a sensibilização e conscientização dos usuários para as questões da
preservação da memória cultural. Além da informação visual serão oferecidas
outras informações utilizando-se de monitoria.
Ao final dos trabalhos será organizada uma exposição na BCE para
divulgação dos resultados.

Equipe
A equipe foi inicialmente formada por especialistas em conservaçãorestauração de documentos, bibliotecários e diretores das unidades envolvidas
para elaboração do Programa de gerenciamento de conservação preventiva. Na
execução do projeto a equipe será ampliada com os servidores da BCE e
bolsistas / alunos dos cursos de Biblioteconomia, Arquivologia e Artes Plásticas.

Conclusão
O projeto de conservação preventiva da coleção de manuscritos abre uma
nova perspectiva na atuação junto à seção de obras raras da BCE.
Implanta um programa que pretende se desenvolver permanentemente.
Para tal é necessário uma atenção especial na formação de equipes que irão
atuar nos próximos projetos e é imprescindível manter uma sistemática de
avaliação para o aperfeiçoamento de todas as etapas do programa.

�Para permanência e sucesso do Programa de Conservação Preventiva na
Biblioteca Central da Universidade de Brasília, é fundamental que se garanta a
consolidação das parcerias entre os vários setores da UnB, a formação e
treinamento de um grupo de trabalho, a institucionalização do programa e a
busca de recursos externos.

Referências bibliográficas
CARVALHO, Cláudia Rodrigues. O projeto de conservação preventiva do
Museu Casa de Rui Barbosa. 2002. Disponível em:
&lt;www.casaruibarbosa.gov.br/claudia_carvalho/preventiva.pdf/&gt;. Acesso em: 18
jul. 2006.
CÓDIGO

de

ética

do

conservador-restaurador.

Disponível

em:

&lt;www.aber.org.br&gt;. Acesso em: 20 jan. 2006.
MENDES, Marylka (Org.), et al. Conservação: conceitos e práticas. Rio de
Janeiro: UFRJ, 2001. 336 p.
CONWAY, P. Preservação no universo digital. 2. ed. Rio de Janeiro: Projeto
Conservação Preventiva em Bibliotecas e Arquivos, 2001. 30 p.
HAZEN, D., et al. Planejamento de preservação e gerenciamento de
programas. 2. ed. Rio de Janeiro: Projeto Conservação Preventiva em
Bibliotecas e Arquivos, 2001. 58 p.
HORTA, Maria de Lourdes Parreiras. O que é educação patrimonial: texto n. 3
do Programa de Educação Patrimonial da TVE. Disponível em:
&lt;http://www.redebrasil.tv.br/salto/boletins2003/ep/tetxt1.htm&gt;. Acesso em 18 jul.
2006.
OGDEN, S. Meio ambiente. 2. ed. Rio de Janeiro : Projeto Conservação
Preventiva em Bibliotecas e Arquivos, 2001. 40 p.
OGDEN, S. ; GRALICK, K. (Org.). Planejamento e prioridades. 2. ed. Rio de
Janeiro: Projeto Conservação Preventiva em Bibliotecas e Arquivos, 2001. 29 p.

�ORIÁ, Ricardo. Educação Patrimonial: conhecer para preservar. Disponível em
&lt;http://www.educacional.com.br/articulistas/articulista0003.asp&gt;. Acesso em: 18
jul. de 2006.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>Este trabalho tem como principal objetivo apresentar o projeto de intervenção na coleção de manuscritos que integra o Programa de Conservação preventiva na Coleção de Obras Raras da Biblioteca Central – BCE da Universidade de Brasília. Atividades de conservação e restauração foram desenvolvidas pontualmente ao longo de vários anos, no acervo. Com o fortalecimento da parceria entre setores da universidade foi possível elaborar um plano de trabalho, contando com conservadores-restauradores e bibliotecários, lotados no Centro de Documentação – CEDOC, Casa de Cultura da América Latina e BCE. O plano absorve algumas ações já iniciadas, como por exemplo, o acondicionamento dos livros em brochura da coleção de literatura brasileira da BCE. Na elaboração do programa o grupo adotou as definições de Guichen (1999), apud Carvalho (2002) que define conservação como toda intervenção humana direta ou indireta que tem por objetivo aumentar a expectativa de vida de coleções; restauração é definida como toda intervenção humana direta que tem por objetivo restituir o aspecto original de um objeto da coleção danificado; conservação preventiva a que se aplica a todos os elementos do patrimônio,em situação de deterioração ativa ou não, visando a protegê-los de qualquer agressão natural ou humana.</text>
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                    <text>GERENCIAMENTO ELETRÔNICO DA AQUISIÇÃO E COBRANÇA DA
COLEÇÃO DE PERIÓDICOS DA UNICAMP

Luiz Atílio Vicentini
Especialista em Gestão de Negócios e Tecnologia da Informação,
Bacharel em Biblioteconomia
Coordenador do Sistema de Bibliotecas da UNICAMP
vicentin@unicamp.br
Maria de Lourdes Fernandes Villas Boas
Bacharel em Biblioteconomia
Diretora de Gestão de Recursos do Sistema de Bibliotecas UNICAMP
lvboas@unicamp.br
Gilmar Vicente
Bacharel em Biblioteconomia
Diretor de Tecnologia da Informação do Sistema de Bibliotecas UNICAMP
gil@unicamp.br
Fabiana Araújo Lemos
Bacharel em Biblioteconomia
Diretoria de Gestão de Recursos do Sistema de Bibliotecas UNICAMP
fabiar@unicamp.br
Cileia Freitas Marangoni de Oliveira
Bacharel em Pedagogia
Administrador de Banco de Dados
Diretora de Gestão de Recursos do Sistema de Bibliotecas UNICAMP
cileia@unicamp.br
Ludgero Scocia Junior
Técnico em Informática
Programador de Sistemas
Biblioteca do Instituto de Artes da UNICAMP
ludgero@iar.unicamp.br

Resumo
As bibliotecas universitárias são as maiores detentoras dos acervos de ciência e
tecnologia do país, e por isso desempenham um papel primordial na preservação
e divulgação da informação científica. Apesar do advento cada vez maior das
publicações com acesso eletrônico, a Unicamp assina cerca de 90% da sua
coleção de periódicos em papel, visando a garantia da preservação da sua

�coleção. As assinaturas de periódicos requerem agilidade na aquisição e na
cobrança das falhas para evitar prejuízos acadêmicos e financeiros para a
Instituição. Para gerenciar uma coleção com 5000 títulos de periódicos e otimizar
os procedimentos administrativos a ela relacionados, é necessário à busca
constante de novas soluções para a melhoria dos serviços. Diante disso e aliado
ao aumento substancial dos preços das assinaturas, o Sistema de Bibliotecas da
Unicamp (SBU), sentiu necessidade de rever o sistema até então usado, que era
semi-automatizado e exigia uma grande demanda de mão de obra. Criado com
tecnologia de software livre, o novo sistema permite o controle das rotinas de
aquisição, administrando as etapas do processo de recebimento e pagamento das
invoices, levantamento e cobrança das falhas e o patrimônio dos fascículos
recebidos, oferecendo uma interface via web às bibliotecas, administradores e
fornecedores.

Palavras Chave: GESPER - Sistema de Controle de Publicações Seriadas,
Publicações Seriadas - Aquisição, Publicações Seriadas - Cobrança.

1 - INTRODUÇÃO
A Universidade Estadual de Campinas – Unicamp retrata em sua missão:
“Criar e disseminar o conhecimento na ciência e tecnologia, na cultura e nas
artes, através do ensino, da pesquisa e da extensão, dentro de referenciais de
excelência em todos os campos do saber, ... “
É dever da Instituição Pública, no presente caso a Universidade, dentro de
seus princípios fundamentais de ensino, pesquisa e extensão, dotar a comunidade
acadêmica dos meios para que esses princípios sejam plenamente atingidos.
A publicação periódica é considerada um dos principais meios de divulgação
da informação científica dentro do meio acadêmico e serve de memória e
avaliação da produção científica dos pesquisadores da instituição.
É principalmente através das publicações científicas que o conhecimento é
criado e transmitido e não existe ciência e conhecimento sem a publicação
científica. Segundo Mueller(1994) “A excelência da coleção de periódicos
científicos tem sido relacionada com a capacidade de pesquisa da universidade”.

�Historicamente é sabido que a coleção de periódicos da Unicamp é
extremamente relevante e representativa, sendo altamente demandada, não só
pela comunidade interna como também pela comunidade científica e acadêmica
do país.
Segundo Targino (2000) ...” o periódico impresso ainda é um dos canais
mais utilizados para a comunicação dos resultados de pesquisa, preservando os
traços fundamentais do seu formato e de suas funções...”
Apesar do advento cada vez maior das publicações com acesso eletrônico, a
Unicamp ainda assina a grande maioria dos seus títulos em papel, procurando
com isso garantir seu patrimônio, já que, conforme escreve Machado (2002) ... “as
bibliotecas

universitárias

desempenham

um

papel

de

destaque

no

desenvolvimento da ciência, pois são as maiores detentoras dos maiores acervos
em Ciência Tecnologia do país”, acervo este, construído ao longo dos anos e
utilizando elevados recursos financeiros.
2 - OBJETIVO
Baseado na organização do sistema vigente e na experiência adquirida com
o gerenciamento e administração do sistema de periódicos foi desenvolvido um
sistema visando à automatização do gerenciamento dos processos de aquisição
e controle do recebimento de periódicos.
3 - JUSTIFICATIVA
As bibliotecas universitárias têm encontrado dificuldades em manter a
coleção de periódicos científicos atualizada, devido à explosão informacional e ao
aumento exagerado nos preços das assinaturas, pelos editores comerciais. Os
custos das assinaturas de periódicos, cada vez mais elevados para as bibliotecas
que atuam como intermediárias no ciclo da comunicação científica, vem tendo
reflexos para os países em desenvolvimento, com recursos escassos a serem
investidos na ciência e em apoio bibliográfico. Ä medida que os periódicos se
tornam crescentemente mais caros, aumenta a responsabilidade dos gestores,

�que devem buscar soluções para melhoria de ações e serviços visando a
otimização dos procedimentos administrativos ligados a este setor.
As assinaturas de periódicos, pelas características intrínsecas desse tipo de
material bibliográfico, requerem agilidade na aquisição desde o pagamento até o
controle do recebimento, para se evitar falhas na coleção, com grande prejuízo
para a comunidade acadêmica.
4 - SBU E A AQUISIÇÃO DE PERIÓDICOS
O Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU), criado em junho de 1989 é
composto por 18 bibliotecas seccionais de faculdades, institutos e colégios, e 6
bibliotecas de centros e núcleos, abrangendo as áreas de humanidades e artes,
tecnológicas, exatas e biomédicas. O objetivo do SBU, entre outros, é dar suporte
aos programas de ensino, pesquisa e extensão e possibilitar à comunidade
universitária e à comunidade científica o acesso à informação armazenada e
gerada na Unicamp, além de promover o intercâmbio de experiências e acervos.
A coleção de periódicos da Unicamp é composta de aproximadamente
5000 títulos internacionais, procedentes de cerca de 2000 editores estrangeiros. A
aquisição é centralizada, sendo o SBU responsável pela compra e recebimento
dos títulos de periódicos das bibliotecas integrantes do sistema.
É de conhecimento da grande maioria dos bibliotecários, principalmente os que
trabalham com aquisição em órgãos públicos a singularidade e especificidade que
este processo necessita para atender as exigências legais das instituições
públicas.
Apoiados por pareceres técnicos da Procuradoria Jurídica da Universidade,
a aquisição no SBU é feita através de agentes de assinaturas, com o uso de
Contratos de Fornecimento, que exige o envio dos fascículos num prazo
determinado e concomitante o pagamento de uma caução, considerada
imprescindível para o recebimento dos fascículos, pois as assinaturas, como é de
praxe em publicações periódicas são pagas antecipadamente e esta caução visa o
ressarcimento dos fascículos não recebidos.

�Para que estas exigências fossem atendidas foi necessária uma completa
reestruturação das rotinas e serviços. Esta reestruturação teve início no ano 2000
e vem se aprimorando, o que exige uma revisão constante e sempre criteriosa
dos métodos adotados, principalmente no controle do recebimento dos fascículos
e sua rápida cobrança.
Para que todo o processo de aquisição, desde o pagamento até o
recebimento e incorporação dos fascículos tenha sucesso é essencial que haja um
controle eficaz de todas as rotinas envolvidas.
Uma das tarefas mais importantes para assegurar este sucesso é o
levantamento rápido dos fascículos faltantes o que evita falhas na coleção e
assegura a racionalização dos recursos financeiros empregados na aquisição,
pois é através do relatório de falhas que o fornecedor toma ciência do seu débito e
toma medidas para ressarcir a Universidade.
5 - O Sistema GESPER – Gestão de Periódicos
O Sistema agora em funcionamento, denominado GESPER, efetua o
registro e controle do pagamento das assinaturas, e a partir de um perfil préelaborado para cada titulo, é possível o registro de cada fascículo recebido o que
permite ao sistema emitir relatório com o levantamento das falhas em qualquer
período do ano.
Quando do momento do registro (inserção dos dados do fascículo no
sistema) o programa automaticamente elabora a lista de remessa dos fascículos
recebidos para cada biblioteca do SBU e permite a atualização do catálogo de
consulta pública do acervo de periódicos do SBU da Unicamp.
O programa também permite, a partir do registro de recebimento dos
fascículos a incorporação patrimonial, o que atende a legislação de aquisição em
órgãos públicos e sempre foi uma rotina com muitos detalhes, o que a tornava
extensa e complicada e com este programa isto foi resolvido de maneira rápida e
eficaz quando do registro dos fascículos.
A arquitetura projetada para o Sistema GESPER, permitirá que além dos
setores envolvidos com a aquisição da coleção de periódicos, demais órgãos

�centrais da Universidade possam obter informações do andamento das aquisições
e do uso do recurso dotado para estas aquisições.
Outro ponto de destaque é o acompanhamento a ser realizado pelas
Bibliotecas que poderão obter em tempo real as informações de recebimento.
Para as editoras ou fornecedores, estes terão acesso as informações de
recebimento, podendo em tempo real informar a situação de determinado título se
os fascículos correspondentes já foram despachados estando em trânsito.
Um detalhe importante no desenvolvimento do sistema, foi a participação
de seus principais usuários, setores da Universidade que puderam opinar sobra a
funcionalidade do sistema, possibilitando o seu aperfeiçoamento.
A figura a seguir apresenta de forma suscinta a arquitetura do sistema
GESPER e a sua aplicação para os diversos setores que poderão usufruir das
informações nele cadastradas.
Figura 1 - Sistema Funcional /Administrativo

�5.1 - GESPER – Arquitetura do Sistema
Tópico I - Abordagem técnica
Na figura abaixo visualiza-se a imagem do Banco de Dados e as tabelas de
relacionamentos necessárias ao atendimento das necessidades de aquisição,
cobrança, expedição, relatórios gerencias e incorporações patrimoniais.
Figura 2 - Imagem do Banco de Dados versus Relacionamento

Editor

Usuario

1
1

chv_ed
1 Nome
Comunicacao

Publicacao 2

chv_un
unidade
email

1

chv_ass
1
chv_publ
chv_un
N cod_ass
prioridade

N

chv_cp
chv_ass N
1 tipo (A,O)

3

Log
chv_log
chv_usu
data
oper(I,D,U)
tab
chv_reg

10

Fracionado
Compra

1

N

chv_aces
1
descr

N

Agente 5
chv_ag
1
nome
email
respCob
ed (0,1)

N

N
6

chv_st
1
descr
cob (0,1)
patr (0,1)
period (0,1)
Moeda

N

9

Acesso 4

Status

chv_com
chv_cp
N
chv_usu
datahora
mens

compass

chv_publ
Titulo
issn
chv_ed
N obr (0,1)
Unidade

assinatura 8

chv_cp
chv_aces
proc
exerc
chv_ag
valor
dt_pgto
nFat
chv_st
obs
agol
chv_md
txMd
chv_pc
vlr_desp
verba (O,E)
nEmpenho
olcod
olpass
secs
pg

1

N

chv_fr
chv_cp
N fasciculo
volume
rec (0,1)
dt_prev
credito (0,1)
dt_rec
compl
supl (0,1)
dt_cob
proc_dest
chv_exp
nRem
N
recB(0,1,2)
dt_inc
valor
Pacote
1

chv_pc
nome
valor
exerc
vt(0,1)

chv_md 1
nome

Fonte: GESPER - Relacionamento_Banco de Dados - Documentação

7

chv_usu
1
logon
pass
email
permissoes
chv_un
chv_ag

N

exped
1

chv_exp
dt_exp
dt_conf
comun

config
regpp
lim
exerc
txBanc
prev
emailCob
ass
exercS
emailCat

�Na figura abaixo visualiza-se o fluxograma de dados e as principais ligações
com os blocos de informações de: Compras, Catalogação, Bibliotecas,
Fornecedores e Entidades externas ao Sistema de Bibliotecas.
Figura 3 - Fluxograma de Dados

Fonte: GESPER - Fluxograma da dados - Documentação

Tópico II – Arquitetura funcional
Aquisição
Na figura abaixo, estruturou-se a máscara de entrada de dados de aquisição
que contemplam as entradas a saber: Título da publicação, Unidade solicitante,
Agente, Prioridade da assinatura, Nº do Processo de aquisição, Exercício, Moeda,
Fator de conversão, Nº da Invoice, Data do Pagamento, Quantidade de Volumes e
Fascículos relativos a assinatura e Opções de marcação de recebimento com
fracionamento de valores a serem incorporados.

�Figura 4 - Máscara - Dados de Aquisição

Fonte: GESPER - Planilhas - Documentação

Cobrança
A cobrança é feita por e-mails, gerados automaticamente para o agente e
editor com a indicação dos volumes que se encontram em atraso.
Figura 5 - Máscara - Dados de Cobrança

�Fonte: GESPER - Planilhas – Documentação

Figura 6 - Máscara - Dados de Cobrança - Via E-mail.

Fonte: GESPER - Planilhas - Documentação

Ao receber o e-mail de cobrança, o agente deve, através do login
previamente recebido, justificar cada volume em atraso, pois esta informação, será
encaminhada automaticamente para as bibliotecas seccionais.

�Figura 7 - Confirmação de recebimento - SBU versus Bibliotecas seccionais

Fonte: GESPER - Planilhas - Documentação

Figura 8 - Histórico de Transações = SBU versus Bibliotecas Seccionais versus Agentes

Fonte: GESPER - Planilhas - Documentação

Figura 9 - Histórico - SBU versus Bibliotecas Seccionais versus Agentes versus Cobrança

Fonte: GESPER - Planilhas - Documentação

�5.2 - Relatórios de remessa: leitura de código de barras / funcionalidades
O ISSN é uma codificação internacional, onde cada periódico recebe um
número exclusivo.
Este numero é conhecido como SISAC ENCODING SYSTEM, e pertence
ao formato UCC/EAN-128, que é uma expressão de dados com uma simbologia
pré determinada.
Em sua estrutura, indica a qual publicação se refere, o mês/ano de
referência, o período, os fascículos e volumes inclusos, sendo cada dígito
pesquisado em tabela própria.
Esta tabela já se encontra inclusa no GESPER, permitindo de tal forma o
recebimento dos periódicos com a agilidade de leitura do código de barras
evitando erros de digitação.
Ao final do lote recebido pelo SBU, é gerado um relatório que acompanhará
os volumes até a bibliotecas seccionais. A seccional deverá confirmar no sistema,
o recebimento. Ao negar um recebimento, será gerado um evento de verificação
no SBU, que por sua vez, poderá cobrar o agente ou editor. Sendo todo esse
processo registrado no histórico de transação da aquisição, sendo visível via
sistema para os envolvidos no processo, ou seja, SBU, Bibliotecas seccionais e
agentes.

Figura 10 - Relatório de Remessa Automático

Fonte: GESPER - Planilhas - Documentação

�O GESPER operacionaliza relatórios dinâmicos, que permitem um
gerenciamento ágil para identificar a unidade, sua totalização, com subtotais por
agente, prioridade, editor, etc, permitindo tomadas de decisão muito mais rápidas
por parte dos gerentes operacionais do recurso financeiro.
Figura 11 - Relatórios Gerenciais

Fonte: GESPER - Planilhas - Documentação

Para aquisições de um novo exercício, ao ser preenchido o valor proposta,
é gerado um quadro comparativo onde se torna mais fácil a decisão de compra ou
rejeição da proposta.

Figura 12- Comparativo de Preços por exercício

Fonte: GESPER - Planilhas – Documentação

�Figura 13 - Acompanhamento de Processos

Fonte: GESPER - Planilhas - Documentação

Figura 14 - Incorporações patrimoniais

Fonte: GESPER - Planilhas - Documentação

�Conclusão
Na Unicamp, desde o início da automação da coleção de periódicos, tentouse criar um sistema próprio que atendesse as especificidades de aquisição e
controle das publicações seriadas. O sistema adotado até 1999 contemplava,
em parte, as exigências da aquisição e nos fornecia relatórios de cobrança semiautomatizados, pois o apontamento das falhas era feito manualmente, título a
título. Mas sempre sentimos a necessidade de criar uma ferramenta de trabalho
que atendesse nossas expectativas, e baseado nas planilhas de cálculo então em
uso a partir do 2000 foi desenvolvido o sistema usado atualmente.
Por entender que este sistema muito auxilia nas rotinas de aquisição,
cobrança e patrimônio dos periódicos entendemos que este trabalho é uma
oportunidade de divulgação do programa para outras bibliotecas, visando o
compartilhamento de ações e o aprimoramento de nossos serviços, na busca de
caminhos que atinjam a exigência de nossos usuários.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MACHADO, Raymundo N.; SILVA, Zuleide Paiva. Desenvolvimento de coleções:
uma análise a partir dos anais SNBUs realizados na década de 90. In:
SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 12., 2002, Recife,
PE. Anais... Recife : UFPE, 2002.
MUELLER, Suzana Pinheiro Machado. O periódico científico e as bibliotecas
universitárias: velhos problemas, novas soluções. In: SEMINARIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 8., 1994, Campinas.

Anais....

Campinas:

UNICAMP, 1994

TARGINO, Maria das Graças; GARCIA, Joana Coeli Ribeiro. Ciência brasileira
na base de dados do Institute for Scientific Information (ISI). Ci. Inf., jan./abr.
2000, vol.29, no.1, p.103-117. ISSN 0100-1965

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                <text>As bibliotecas universitárias são as maiores detentoras dos acervos de ciência e tecnologia do país, e por isso desempenham um papel primordial na preservação e divulgação da informação científica. Apesar do advento cada vez maior das publicações com acesso eletrônico, a Unicamp assina cerca de 90% da sua coleção de periódicos em papel, visando a garantia da preservação da sua coleção. As assinaturas de periódicos requerem agilidade na aquisição e na cobrança das falhas para evitar prejuízos acadêmicos e financeiros para a Instituição. Para gerenciar uma coleção com 5000 títulos de periódicos e otimizar os procedimentos administrativos a ela relacionados, é necessário à busca constante de novas soluções para a melhoria dos serviços. Diante disso e aliado ao aumento substancial dos preços das assinaturas, o Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU), sentiu necessidade de rever o sistema até então usado, que era semi-automatizado e exigia uma grande demanda de mão de obra. Criado com tecnologia de software livre, o novo sistema permite o controle das rotinas de aquisição, administrando as etapas do processo de recebimento e pagamento das invoices, levantamento e cobrança das falhas e o patrimônio dos fascículos recebidos, oferecendo uma interface via web às bibliotecas, administradores e fornecedores.</text>
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                    <text>GESTÃO DA INFORMAÇÃO E COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS NA
FORMAÇÃO DE USUÁRIOS

Maria Irani Coito
Faculdade de Ciências Farmacêuticas
UNESP/ Araraquara  São Paulo / Brasil
irani@fcfar.unesp.br
micoito@hotmail.com
Maria Aparecida Pardini
Instituto de Biociências
UNESP/ Rio Claro  São Paulo / Brasil
www.rc.unesp.br
mpardini@rc.unesp.br

Eixo temático: O Impacto das Tecnologias Eletrônicas e sua Mediação
Sub-tema: A educação continuada dos profissionais da informação

RESUMO
Apresenta o cenário da gestão da informação, a partir das tecnologias da
informação e comunicação e seu impacto nos serviços de informação e na
formação de usuários, com ênfase ao aumento da informação eletrônica. Mostra
como a Internet modificou a forma de trabalho dos bibliotecários, com novos
recursos de interação através do domínio de novas técnicas de recuperar a
informação baseada nos conceitos de hipertexto e hipermídia. Indica a
necessidade de competências profissionais, repensar a mediação utilizando os
novos suportes digitais e seu armazenamento e os meios de transmissão de
documentos na Web. Reflete a necessidade de aprendizagem dos novos
equipamentos, vinculados ao conhecimento, competências e habilidades e a
vontade do profissional da informação, na utilização destes novos recursos que
essa transição nos proporciona. De que adiantará os novos equipamentos ou as
novas tecnologias se não tivermos o conhecimento ou a disposição para
aprendermos e ensinarmos através deles?
Palavras-chave: Gestão do conhecimento; Competência profissional; Bibliotecários
especializados; Bibliotecários de referência; Formação de usuários.

�Introdução
Nos novos modelos de negócio, a gestão da informação, da documentação e do
conhecimento, se perfila como um componente estratégico de primeira
magnitude. As tendências da gestão da informação e da documentação mudam,
quando um compêndio de boas práticas de gestão nas organizações torna-se um
componente

essencial

de

estratégia

empresarial.

Estas

mudanças

e

transformações acontecem de maneira tão rápida, que as necessidades dos
homens e das organizações se modificam com a inovação tecnológica da
informática e dos sistemas de comunicações (BUSTELO RUESTA e GRACIAMORALES HUIDIBRO, 2001).

Entre estas Organizações se encontram as Bibliotecas acadêmicas com novo
perfil nos métodos de trabalho e programas de gestão da informação
comprometidos com a qualidade e com o engajamento das pessoas como ativos
importantes para o desenvolvimento de habilidades e competências técnicas
profissionais ao cumprimento dos objetivos da Biblioteca e da Instituição (COITO,
2005).

Neste cenário a informação é considerada o principal fator para o sucesso das
organizações. A gestão da informação implica na gestão do conhecimento e das
tecnologias de informação e comunicação como ferramentas de trabalho onde a
informação é a matéria prima da Ciência da Informação. As gerações de novos
conhecimentos formam os ativos e insumos para o desenvolvimento de novos
serviços, produtos e recursos instrucionais para atender as necessidades de
formação de usuários frente aos novos paradigmas de aprendizagem continuada
para as competências no manejo da informação no ensino superior.

A Biblioteca como organização é um sistema pró-ativo e interativo com o meio:
ela capta insumos, processa-os como produtos e serviços, agrega valores aos
insumos tornando-os disponíveis a uma grande quantidade de pessoas. Os
produtos e

serviços

são

os resultados dos

processos das atividades

desenvolvidas na Biblioteca para satisfazer as necessidades de seus clientes
(COITO, 2005).

2

�Metodologia
O procedimento metodológico é a pesquisa descritiva documentária e bibliográfica
através da revisão dos autores da bibliografia encontrados na literatura citada
como instrumento de apoio ao referencial teórico. Reporta-se uma experiência
com usuários da Faculdade de Ciências Farmacêuticas  UNESP, Araraquara.

Referencial teórico

Este trabalho se apóia na análise e na discussão do tema proposto sobre uma
série de teorias tendo como base o discurso de autores reconhecidos citados no
texto, referida a uma variedade de aspectos com foco aos novos cenários da
gestão da informação e a formação de usuários. Neste contexto, os Bibliotecários
enfrentam contínuas mudanças pelo avanço científico em todas as atividades
humanas. As máquinas e equipamentos sofrem constantes inovações. O impacto
das redes de computadores exigem a aquisição de conhecimentos no uso e
manejo das ferramentas tecnológicas. Este saber e fazer requer dos profissionais
aprendizagens de competências, habilidades tecnológicas e informáticas no que
se refere ao conhecimento da terminologia básica dos sistemas de informação e
do domínio dos equipamentos na recuperação das informações necessários ao
seu desenvolvimento profissional.
O conceito adotado por este relato é sob a ótica de capacitar e habilitar os alunos
de graduação e pós-graduação a explorar e fazer melhor uso dos recursos da
Biblioteca em um novo espaço de interação tendo como base o contexto da
evolução tecnológica e as técnicas de registro do conhecimento partir da gestão
da informação e competências profissionais.
Novos cenários, novas exigências, novas formas de gestão.
A gestão da informação nas bibliotecas deve estabelecer um sistema integrado de
administração desenvolvendo metas com ações para o planejamento, a
organização e a liderança dos servicos de informação tendo em vista os valores,
a missão e os objetivos da Instituição. Ser eficiente na implantação de novos
servicos proporcionando a comunidade acadêmica, informação e conhecimento
em sua forma original ou como produtos elaborados a partir deles, viabilizando o
3

�acesso à informação com recursos apoiados nas inovações tecnológicas
essenciais para os usuários enfrentar com habilidades o mercado de trabalho em
face aos desafios culturais, econômicos, sociais e políticos (COITO, 2006).

Gestão da informação é o processo de organizar e sistematizar em todos os
pontos de contato internos e externos, a capacidade da Biblioteca de captar,
gerar, criar, analisar, traduzir, transformar, modelar, armazenar, disseminar,
implantar e gerenciar a informação, tanto interna como externa. Essa informação
deve ser transformada efetivamente em conhecimento e distribuída, tornando-se
acessível dos clientes e da organização (BELLUZZO, 2003).
Continuando com os conceitos de Belluzzo, (2003) o Plano de gestão de
informação deve:
•

Contextualizar a informação, transformando-a em conhecimento utilizável.

•

Agregar valor à informação processada.

•

Estabelecer mecanismos de compartilhamento da informação processada.

•

Garantir informações precisas, válidas, atuais, confiáveis e relevantes para
os objetivos propostos.

•

Conciliar a necessidade de compartilhar a informação com o respeito aos
critérios de segurança.

•

Considerar a gestão formal de todas as fases do ciclo de vida da
informação (aquisição, processamento, armazenamento, disseminação e
utilização).

•

Capitalizar o conhecimento gerado pela utilização da informação.

As Bibliotecas e Sistemas de Informação se vêem obrigadas a responder por
demandas de informação e tomadas de decisões com vistas a buscar alternativas
para gerir a multiplicidade de fontes de informação registrada em vários suportes.
Deve-se possuir capacidade de adaptar-se num entorno interno e externo de
aprender a aprender. As bibliotecas devem aprender a adaptar-se a todo tipo de
mudança em sua estrutura organizacional tendo em mente a capacidade de
inovar constantemente. Não basta estarmos atualizados precisamos estar na
vanguarda do desenvolvimento de modelos de aprendizagem de competências e
habilidades e de planejarmos programas de formação de usuários para a
competência no manejo da informação (COITO, 2005, 2006).
4

�Competências profissionais

A competência informacional no entorno bibliotecário tem se caracterizado por dar
ênfase na busca, no acesso e na avaliação da informação científica. O conceito
de competência informacional nos últimos anos tem sido estudado no âmbito de
aprendizagem de outras disciplinas associados ao uso das tecnologias de
informação e comunicação e no uso efetivo da informação.

Por outro lado, a competência informacional, também tem sido muito estudado no
cenário da Educação com novo enfoque centralizado no processo de ensino /
aprendizagem desde a educação escolar até o ensino superior na formação dos
estudantes com a correta utilização da informação (BAWDEN, 2002; ORTOLL,
2003).

A gestão de competências é um conjunto de conhecimentos, atitudes que influem
nos papéis e responsabilidades das organizações relacionadas com o
desempenho. Concentra-se em elementos tangíveis e mensuráveis numa escala
crescente em: características pessoais, atitudes, conhecimentos, habilidades e
comportamentos. Compreende conhecimentos básicos, técnicos, atitudes sociais
e capacidades relacionais em contexto profissional na organização. A gestão de
competência é uma abordagem da gestão na organização que tem por objetivo
melhorar o desempenho (PINTO e OCHOA, 2004). As autoras ainda apontam que
os fatores sociais de competência são:
Estratégia

Liderança

competência

inovação

aprendizagem

Gestão do conhecimento

5

�De acordo com Ângulo Marcial, (2003) competência em informação é a
capacidade dos bibliotecários em desempenhar efetivamente uma atividade de
informação utilizando o conhecimento, as habilidades, atitudes, destrezas e
compreensão necessária para cumprir os objetivos da informação. O termo
competência tem sido adequado no campo da Educação para significar o saber
fazer em contexto. O estudante deve apropriar-se dos conceitos fundamentais de
sua disciplina, aprender sua aplicação e integração para desenvolver-se com
êxito em sua etapa formativa, em seu desempenho profissional e na vida pessoal.

A American Library Association (ALA) (1998, 2000) e a Association of College and
Research Libraries (ACRL) (1987, 2003) definiram critérios para desenvolvimento
de Competências em Informação intitulado como Information Literacy publicando
Guias, Normas (Standards), Agenda de boas práticas como ferramentas para as
bibliotecas desenvolverem seus programas de competências em informação.

A ACRL (1987) esboçou um modelo de programas instrutivos para ajudar os
Bibliotecários a escreverem as instruções de que necessitam com o fim de
habilitar os bibliotecários a organizarem seus próprios programas de instrução e
relata: [...] o papel da Instrução Bibliográfica é fornecer não somente as habilidades
específicas aos estudantes, mas prepará-los para fazerem uso eficaz do sistema de
informação, das fontes de informação, dos recursos da biblioteca e a ensinar como eles
mesmos poderão fazer usos destas habilidades ao longo de toda vida.

No Brasil, com aplicação no ensino superior, Belluzzo et al. (2004) reportam:

Estudo e pesquisa exploratório-descritivo, com ações educativas
ligadas a Disciplina Métodos e Técnicas de Pesquisa em Educação,
ministrada aos cursos de graduação em pedagogia e especialização
lato sensu sob o enfoque dos princípios da Information Literacy:
competências para a formação permanente de professores na
sociedade do conhecimento. As autoras desenvolveram uma
metodologia de instruções para aprendizagem de competências no
manejo da informação por meio de uma série de habilidades
incluindo o uso dos recursos tecnológicos, com o apoio dos
seguintes instrumentos:

6

�• Guia de Pesquisa e uso de Informação em Diferentes Tipos de Fontes;
• Diagrama de Construção da Árvore Semântica do Projeto Investigativo.

A experiência
A experiência aconteceu por meio do Curso de Pós Graduação em Alimentos e
Nutrição quando um dos docentes ministrava sua disciplina formulando problemas
aos alunos incluindo o uso da Biblioteca, como parte do aprendizado em 1989.

Atualmente temos dois Docentes do Departamento de "Alimentos e Nutrição", que
em suas aulas aos alunos de "Pó-Graduação", incluem tarefas aprendendo
através de problemas, onde todos os pós graduando recebe uma tarefa onde terá
que realizar pesquisa bibliográfica sobre o tema recebido, apresentar seminário
na classe e apresentar trabalho seguindo o roteiro de cada tarefa.

Exemplo de problema:

O Docente recorta tabelas e gráficos com resultados de pesquisas já publicados
e o entrega ao aluno para que pesquise nas bases de dados, referências com
informações pertinentes ao assunto. O Bibliotecário orienta o aluno na realização
da pesquisa, seleção das referências, e como elaborar o fichamento da leitura dos
artigos, o resumo da leitura e os procedimentos de como escrever a introdução, a
metodologia, a discussão e a conclusão referente aos dados contidos no recorte.
(Este é um exemplo dos tipos de tarefas dos alunos do Mestrado e Doutorado em
Alimentos e Nutrição).

Os alunos do curso de Especialização em Homeopatia têm como foco principal de
aprendizagem de competências e habilidades, o tema da monografia de
conclusão de curso. No primeiro semestre, o Bibliotecário ministra uma aula
teórica sobre Metodologia da Pesquisa Bibliográfica, Acesso as Fontes de
Informações impressas e no formato eletrônicos e Normalização da Monografia
de conclusão de curso. Logo após a aula do Bibliotecário, um Docente da área de
Ciências Farmacêuticas ministra aula teórica de Metodologia da Pesquisa
Científica aplicada a pesquisa em homeopatia.

7

�No segundo semestre, os alunos cumprem oito horas de aulas práticas na
Biblioteca. Nesta etapa, o Bibliotecário orienta os alunos em grupos de três, sobre
o uso dos equipamentos informáticos e ao acompanham na elaboração na
estratégia de pesquisa, usos das Bases de Dados eletrônicas e nos documentos
impressos constantes do acervo da Biblioteca na área de Ciências da Saúde.
Paralelos a estas atividades, quatro Docentes acompanham as aulas orientando
os alunos também em grupos, na formulação do Problema de Pesquisa e na
forma em que os alunos deverão interpretar os dados e reportá-los no texto da
Monografia. Esta Disciplina consta no currículo do curso de Especialização em
Homeopatia.

Referentes aos alunos de graduação, têm dois Docentes do Departamento de
Fármacos e Medicamentos que há 11 (onze) anos, no primeiro bimestre do ano
eles ministram as aulas aos alunos do 3º ano de Graduação na Biblioteca,
ensinando-lhes na Disciplina "Introdução aos Fármacos" como utilizarem as obras
de referência: (Farmacopéias, Merck index, Handbooks, Bancos de dados e os
livros) para aprendizagem do conteúdo da disciplina. Nesta disciplina é o primeiro
contato que os alunos têm sobre desenvolvimento de medicamentos. Os
docentes agrupam os alunos e entregam uma tarefa com os nomes de duas
substancias químicas, onde uma é a substancia ativa e a outra é a substancia
inerte com a seguinte rota de pesquisa: procurar às propriedades físico-químicas,
toxicidade, solubilidade e as reações químicas destas substâncias. Ao final do
bimestre, os alunos apresentam seminário e fazem prova escrita sobre a
disciplina, e entregam uma monografia sobre as tarefas que cada grupo recebeu
de acordo com as Normas ABNT para trabalhos acadêmicos (Para os docentes
da Disciplina).

O primeiro mês os docentes ministram as aulas com a Bibliografia da disciplina.
No segundo mês, o Bibliotecário ministra treinamento na Biblioteca sobre como
usar a Biblioteca, seus catálogos, serviços oferecidos, bases de dados, Internet
para pesquisa, Referencias Bibliográficas, Normalização de trabalhos. Nesta
etapa, os Docentes junto com o Bibliotecário acompanham as atividades de
pesquisa desde a pesquisa bibliográfica, localização dos documentos no acervo,

8

�as dificuldades dos alunos em encontrarem as respostas sobre as tarefas até a
elaboração da monografia para conclusão da disciplina.
Competência informacional no ambiente de trabalho

No início da experiência trabalhávamos juntos aos docentes e alunos para
atender as necessidades das disciplinas como apoio ao ensino e à pesquisa. No
decorrer do tempo, a necessidade de respaldo para a formação de competências
para trabalharmos junto aos Docentes e alunos realizando pesquisa bibliográfica
sobre estudos de usuários encontramos a Instrução Bibliográfica e a Information
Literacy como apoio a formação de usuários, para planejarmos os servicos
fundamentados em normas e padrões da Ciência da Informação. Esta iniciativa
vem sendo desenvolvida em parceria colaborativa entre os docentes dos
Departamentos de Alimentos e Nutrição (alunos de Mestrado e Doutorado),
Departamento de Fármacos e Medicamentos (alunos do 3o. Ano de Graduação),
Curso de Especialização em Homeopatia e a Biblioteca. Os alunos vêm à
biblioteca com o problema formulado e o roteiro das tarefas com perguntas para
pesquisa no acervo da Biblioteca e em Bases de dados pertinentes a área do
conhecimento de cada disciplina.
O que esta experiência tem a ver com "Information Literacy?.

Através da análise e comparação de trabalhos na literatura científica sobre
Instrução

Bibliográfica,

Information

Literacy

e

relatos de

pesquisas

de

universidades que desenvolvem modelos de aprendizagem baseados em
problemas, observamos que a mesma metodologia é igual a dos docentes da
Faculdade de Ciências Farmacêuticas, utilizadas com os estudantes num
ambiente de interação entre Docentes e Bibliotecários. O diferencial entre os
estudos encontrados na literatura e a prática adotada pelos docentes, é que a
metodologia reportada está integrada no currículo do ensino das universidades
que as executam. Na Faculdade de Ciências Farmacêuticas, a metodologia é
exercida como práticas de ensino integradas nas disciplinas de alguns docentes
na formação dos estudantes em aprenderem a utilizar a informação em todos os
aspectos, da formação profissional e produção de trabalhos acadêmicos.
9

�Nestes métodos adotados pelos docentes, os alunos recebem orientações e
treinamentos referentes aos problemas formulados e buscam somente as
informações que necessitam. A finalidade e objetivo é de introduzi-los no
ambiente de aprendizagem do conteúdo das disciplinas e dos recursos da
Biblioteca por meio das tarefas. Os alunos recebem orientações sobre o uso da
Biblioteca, da documentação científica constante no acervo, em outros acervos,
bases de dados relacionadas aos assuntos de suas tarefas e também onde
buscar os documentos e como trabalhar as informações para apresentação das
tarefas aos docentes, em forma de trabalhos acadêmicos.
Formação de usuários
As atividades de formação de usuários desta modalidade são desenvolvidas a
partir da seleção de temas previamente definidos pelos Docentes para todos os
alunos. O aprendizado de competências no manejo da informação é realizado
através de aula de apresentação sobre a Biblioteca, servicos e produtos,
Normalização documentária ABNT e Apostila realizada pela Biblioteca como
norteadores do processo de aprendizagem.

Neste processo os alunos devem:
• Desenvolver as habilidades necessárias para o uso das novas tecnologias;
• Conhecimento básico do sistema informático como elementos de hardware,
software, uso dos processadores de textos, criação de imagem digital, captura de
textos, criação de pastas, arquivos, salvar documentos, gravar documentos em
disco ótico e segurança dos equipamentos e uso da rede Internet.
• Conhecer e entender várias fontes de referência (primária, secundária e
terciária);
• Realizar o acesso físico e virtual a estas fontes;
• Definir o problema de informação e identificar os conceitos de que se necessita
pesquisar;
•

Elaborar a estratégia de busca delimitando os conceitos padronizados de

acordo com descritores autorizados na literatura.
• Identificar e encontrar nas fontes de informação a informação necessária;
• Ler e analisar as informações encontradas;
10

�•

Sintetizar e utilizar a informação comunicando o resultado da pesquisa em

forma de trabalho acadêmico  a monografia.
Devem ainda ter conhecimento dos tipos de materiais que irão encontrar, como:
•

Catálogos de bibliotecas, índices, periódicos, teses, citações, vocabulário

controlado,

operadores

booleanos,

abstracts,

dicionários,

almanaques,

enciclopédias, Atlas, discussões on-line, sites, etc.
Mediação ao acesso a informação
•

Formação e treinamento de usuário.

•

Desenvolver Programas de formação de usuários baseados em problemas.

•

Desenvolver materiais didáticos através de mapas conceituais e
representações visuais com recursos tecnológicos de aprendizagem.

•

Alfabetização informativa e digital.

•

Usos de Bases de dados on-line.

•

Intercâmbio de materiais bibliográficos.

•

Disseminação da informação baseado em perfil de usuário.

•

Capacitação de usuário para uso dos recursos da Biblioteca.

•

Capacitação de usuário no manejo de equipamentos informáticos.

•

Serviço de referência e apoio à pesquisa em fontes de informação em
suportes impressos, eletrônicos e na Web.

•

Serviço de empréstimo e consulta.

•

Acessória técnica e normalização de originais e trabalhos acadêmicos.

Nahl (1999), apresenta as dificuldades encontradas pelos usuários nos primeiros
contatos com as fontes de informação e o acesso às bases de dados on-line e
como construir a estratégia de pesquisa. A autora orienta como preparar e
escrever a instrução aos estudantes e para a necessidade de estender a
assistência aos usuários mesmo depois do treinamento incluindo material
impresso sobre a Instrução. Salienta também a importância de disponibilizar a
Instrução em ambiente on-line para uso posterior. Devido à complexidade da
busca on-line ela afirma que é necessário descobrir qual tipo de Instrução que
deverá ser escrito, em que nível e com que freqüência a Instrução deve ser dada
ao usuário.

11

�Estrin (1998) complementa que é necessário a prática da reengenharia dos
programas de servicos das Bibliotecas para:
Mudança organizacional onde a prática da gerência utiliza as teorias
dos processos, das tecnologias emergentes, dos diversos estilos de
aprendizagem e das influências pedagógicas da Instituição para
desenvolver o programa de servicos da Biblioteca.
Prática de gerência instrutiva, que coordena, educa e conduz os
bibliotecários a fornecerem os meios, a criarem produtos originais
para educar os usuários através de programa educacional de
Instrução da Biblioteca.

Para concluir, a aquisição de habilidades informativas torna-se necessário que as
Bibliotecas e os Bibliotecários respondam as necessidades educacionais de
formação integrando nos programas de instrução, as melhores práticas, pois só o
saber, o saber-ser, o saber-fazer e o querer-saber-fazer poderá acreditar o
profissional a exercer e a desenvolver no cenário bibliotecário, competências,
destrezas, habilidades e aprendizagem durante toda a vida profissional e pessoal.
Considerações finais
As Bibliotecas Universitárias devem facilitar o estudo, a formação e acesso
adequado aos usuários fundamentado na informação e no conhecimento. A
capacitação constante é a resposta para aquisição de habilidades frente aos
desafios no que tange as inovações tecnológicas e sua obsolescência na área de
Ciência da informação.

Jantz (2001) destaca que a descontinuidade tecnológica pode ser uma nova
tecnologia ou o re-desenho de tecnologias já existentes que dão como resultado,
o desaparecimento de um produto ou serviço. Por outro lado, a Internet e a Web
representam descontinuidade tecnológicas para a Biblioteca e, por tanto ambas
representam uma oportunidade e uma ameaça para o futuro. O ensino e a
aprendizagem estão sendo transformados pela revolução digital. Para lograr

12

�êxitos, não devemos continuar oferecendo os mesmos servicos com os mesmos
recursos informativos no entorno eletrônico.

O Serviço de Referência deve habilitar o usuário a encontrar toda e qualquer
informação necessária à sua pesquisa com a maior agilidade possível. A
transformação da Biblioteca deve iniciar através de sua cultura organizacional. Os
Bibliotecários precisam reinventar a Biblioteca em cenários com novas práticas de
inovação e gestão organizacional.
De que adiantará os novos equipamentos ou as novas tecnologias se não
tivermos o conhecimento ou a disposição para aprendermos e ensinarmos
através deles? Os profissionais que desejam permanecer na vanguarda do
desenvolvimento de competências precisam descobrir e estar consciente do que
não se sabe que não sabe, a contentar-se em saber o que se sabe. O que
desconhecemos poderá ser mais importante para promover novos serviços.
Referências
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Higher Education. Final Report. 2000. 20 p. Disponivel em:
&lt;http://www.ala.org/ala/acrl/acrlstandards/standards.pdf&gt;. Acesso em: 07 maio 2004.
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14

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>Salvador (Bahia)</text>
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                <text>Apresenta o cenário da gestão da informação, a partir das tecnologias da informação e comunicação e seu impacto nos serviços de informação e na formação de usuários, com ênfase ao aumento da informação eletrônica. Mostra como a Internet modificou a forma de trabalho dos bibliotecários, com novos recursos de interação através do domínio de novas técnicas de recuperar a informação baseada nos conceitos de hipertexto e hipermídia. Indica a necessidade de competências profissionais, repensar a mediação utilizando os novos suportes digitais e seu armazenamento e os meios de transmissão de documentos na Web. Reflete a necessidade de aprendizagem dos novos equipamentos, vinculados ao conhecimento, competências e habilidades e a vontade do profissional da informação, na utilização destes novos recursos que essa transição nos proporciona. De que adiantará os novos equipamentos ou as novas tecnologias se não tivermos o conhecimento ou a disposição para aprendermos e ensinarmos através deles?</text>
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                    <text>GESTÃO DA INFORMAÇÃO MEDIADA PELA BIBLIOTECA VIRTUAL EM
PSICOLOGIA

Maria Imaculada Cardoso Sampaio
Diretora Técnica do Serviço de Biblioteca e Documentação do
Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo
e coordenadora da ReBAP e BVS-Psi Brasil/ BVS ULAPSI
Av. Prof. Mello Moraes, 1721 – Bl. C
05508-030 – São Paulo
isampaio@usp.br

Resumo: O poder da informação, enquanto elemento capaz de modificar o
cenário de exclusão informacional ao qual os países da América Latina e Caribe
têm sido submetidos, fundamentou o projeto “Biblioteca Virtual da União Latino
Americana de Entidades de Psicologia (BVS ULAPSI)”. A BVS ULAPSI nasceu
com a responsabilidade de integrar os paises da América Latina e Caribe em torno
da organização e disseminação da informação como um caminho para auxiliar na
solução de parte dos graves problemas sociais da região. A BVS-Psi Brasil é a
base e empresta seu modelo para a construção da BVS ULAPSI. A iniciativa de
compartilhar informações nessa área implica na necessidade de se avançar,
semanticamente, no processo de geração e troca desses bens. Para tanto,
evidenciou-se a urgência e disposição da participação de "Estados Partes” da
América Latina e Caribe e, quiçá, outros países de língua portuguesa e espanhola,
na perspectiva de uma maior integração da Psicologia enquanto ciência e
profissão. O projeto BVS ULAPSI teve início em 2003, contando hoje com ações
em 12 países e avançando para os demais. A reunião, organização e
disseminação do conhecimento em um espaço virtual único é viável e, certamente,
contribuirá para a interrupção do apartheid informacional ao qual esses países têm
sido submetidos.
Palavras-chave: Bibliotecas Virtuais. Gestão da Informação. Redes Sociais.
Psicologia

�“Temos guardado durante séculos um silêncio muito parecido com a estupidez.”
Eduardo Galeano

INTRODUÇÃO
A realidade dos países em desenvolvimento, na América Latina e Caribe, exige
esforços para a construção de conhecimentos e práticas que possam responder
de modo adequado às necessidades e urgências da sociedade. Em todos esses
países os problemas são os mesmos: falta de trabalho, exclusão social, ausência
de um sistema educacional eficiente, falta de planejamento familiar, delinqüência,
drogadicção, perda de identidade, violência, analfabetismo, pobreza, desnutrição,
exploração do trabalho, violação dos direitos e discriminação das minorias
(Civallero, 2006). O sofrimento humano ao qual os povos destes sofridos países
são submetidos é muito parecido e as soluções passam pelo desenvolvimento de
programas efetivos de alfabetização, educação, formação para o trabalho, mas
antes de tudo e, principalmente, pelo acesso à informação. Os programas sociais
nesses países sempre estiveram dirigidos ao atendimento de necessidades
emergenciais, como, por exemplo, entrega de alimentos para os famintos,
campanhas de saúde para eliminação de epidemias e outras medidas quase
sempre sem efeito, por não atacarem a essência do problema: a falta de
informação.

A UNIÃO LATINO-AMERICANA DE ENTIDADES DE PSICOLOGIA
A

Psicologia,

consciente

da

importância

da

integração

enquanto

instrumento para o fortalecimento das ações, fundou a União Latino-Americana de
Entidades de Psicologia (ULAPSI: www.ulapsi.org), criada com o objetivo de
constituir-se em um espaço de articulação das diversas entidades de Psicologia
da América Latina em busca de uma Psicologia comprometida com as condições
de vida da maioria da população desses países e com a finalidade de superar as
desigualdades sociais que caracterizam essas realidades. A ULAPSI é orientada
pelos

princípios descritos a seguir (Declaración de principios -

Latinoamericana de Psicología - Secretaria Ejecutiva):

Unión

�1) Colaborar para o crescimento e a construção da democracia e soberania
nacionais.
2) Promover a tolerância, eqüidade, liberdade, pluralidade, responsabilidade e
a solidariedade social.
3) Contribuir para o reconhecimento e defesa dos direitos humanos.
4) Solidariedade e respeito aos povos e a cada uma das entidades de
Psicologia que a integrem, como também no espírito democrático que
garanta o funcionamento da rede.
5) Fomentar o desenvolvimento e a intervenção de práticas psicológicas éticas.
6) Incentivar uma Psicologia que compreenda a realidade dos processos
culturais próprios destes países e responda aos requerimentos específicos
de suas realidades.
7) Buscar uma Psicologia plural, no diálogo interno e externo que contribua
significativamente para a integração latino-americana.
8) Garantir relações de intercâmbio caracterizadas pelo respeito, cooperação e
reconhecimento mútuo entre os psicólogos e as entidades de Psicologia.
9) Garantir um espírito democrático para o funcionamento da ULAPSI.
10) Promover estruturas organizativas horizontais nas organizações da
Psicologia.
Para que a Psicologia latino-americana possa integrar-se efetivamente, e
praticar seus princípios, é essencial que os pesquisadores, profissionais,
professores, estudantes e demais pessoas envolvidas com a matéria tenham
acesso à informação de boa qualidade produzida nos países da região e publicada
em revistas, livros, teses e outros tipos de publicações. Esse acesso só é viável se
a informação estiver devidamente organizada e disponível em um espaço virtual
especialmente desenvolvido para essa comunidade. Vale lembrar que a América
Latina, além de outras formas de exclusão, sofre de um verdadeiro apharteid
informacional, que se bem avaliado, trata-se da forma de exclusão mais cruel e
danosa pare a sociedade.

�A BIBLIOTECA VIRTUAL DE PSICOLOGIA
Um dos caminhos encontrados para tentar minimizar o problema da
exclusão informacional na região foi organizar e disseminar o conhecimento
gerado na região em um espaço virtual altamente especializado: a Biblioteca
Virtual da União Latino-Americana de Entidades de Psicologia (BVS ULAPSI:
http://www.ulapsi.bvsalud.org/html/es/home.html). O objetivo maior da BVS
ULAPSI é promover o acesso em linha eficiente, universal e eqüitativo as fontes
de informações científicas e técnicas disponíveis nos países da América Latina
(SAMPAIO, 2006).
As bibliotecas virtuais têm sido uma das soluções mais eficazes para a
reunião, organização e disseminação da informação na era atual. Como explica
Levacov (1997)
À

medida

que

o

mundo

se

torna

um

conglomerado

de

computadores e pessoas interconectados, novos modos de trabalho
colaborativo se fazem possíveis, dando origem a marcadas mudanças
de comportamento e de modos de construir conhecimento. Cada vez é
mais rápido e barato mover idéias e informações, em vez de pessoas.
Coleções compartilhadas reduzem o trabalho relativo à manutenção das
mesmas e permitem transcender os limites físicos da biblioteca e de seu
orçamento.
A promoção da saúde, o bem-estar do ser humano, a construção de
condições de vidas dignas e a igualdade de oportunidades para todos os latinoamericanos só serão possíveis a partir da viabilidade do acesso à informação, até
hoje sem muita importância nesses países. A estratégia para a implantação da
BVS ULAPSI se apóia em projetos específicos orientados nos diferentes produtos
e serviços de informação produzidos nos diversos países da região e que, até o
momento, estava restritos a uma pequena parcela da comunidade.

�Nesse sentido, a Biblioteca Virtual da ULAPSI torna-se um lócus, onde o
psicólogo busca a informação científica e técnica na área e, conseqüentemente,
um espaço de integração da sua arena científica (MEDEIROS, SAMPAIO, 2005).

Assim, a BVS ULAPSI se apresenta como um espaço integrador da
Psicologia Latino-Americana. O modo como essa biblioteca vrtual será
desenvolvida ainda está em fase de definição, pois não foi possível até o momento
obter um fiel diagnóstico da real situação dos países latino-americanos que
permita decidir se o mais viável é a construção de bibliotecas virtuais nacionais, ou
a integração de fontes comuns de informação em um espaço virtual único. Até o
momento, o mais viável parece ser a solução híbrida, ou seja, alguns países,
devido aos recursos e organização da Psicologia, terão suas próprias bibliotecas
virtuais, enquanto os outros, ainda incipientes nessa organização, contarão com
fontes de informações comuns, alimentadas de forma descentralizada. O que se
tem certeza, de antemão, é que a situação social e econômica desses países são
muito diferentes e, portanto, os recursos para a organização da informação variam
muito de um país para o outro. Porém, há que se criar condições efetivas para a
organização e divulgação desse conhecimento, recorrendo à forma possível de
construção da ferramenta para esse fim.
Devidamente reconhecida por seu poder de organização e mediação no
processo de prover o acesso à informação, a Biblioteca Virtual em Saúde –
Psicologia Brasil (BVS-Psi Brasil: www.bvs-psi.org.br) emprestou seu modelo e
impulsionou a proposta de criação da BVS ULAPSI, ampliando os benefícios do
acesso democrático, eficiente e de qualidade oferecido no Brasil aos psicólogos e
pesquisadores da América Latina.
O convite para a expansão do modelo foi fundamentado na importância que
a BVS-Psi Brasil conquistou entre a comunidade psicológica brasileira, graças ao
seu poder de organização e conseqüente gestão da informação na área.

�Os avanços da ciência psicológica no Brasil, intensificados nos últimos
anos, provocaram dramático crescimento de demandas relacionadas à criação de
novas tecnologias para a organização e a disseminação da informação. Houve um
aumento considerável de veículos circulantes, principalmente na forma impressa,
com a expansão da publicação de periódicos e livros. A qualificação de
profissionais em nível de pós-graduação e o credenciamento de vários programas
de doutorado e de mestrado geraram, também, teses e dissertações e, por
conseguinte, a necessidade de disponibilizar o acesso a recursos bibliográficos.
Cursos de graduação também foram avaliados e, entre as exigências atuais dos
órgãos de fomento à pesquisa, ficou marcada a demanda ao conhecimento da
produção científica brasileira e de atualização das bibliotecas. Periódicos
brasileiros têm sido avaliados e aperfeiçoados fortalecendo suas qualidades
científicas e editoriais. Esse novo modelo no cenário da Psicologia brasileira
influenciou diretamente os serviços de informação e a formulação de novas
estratégias para o armazenamento e a disponibilização da produção. Por si só, o
cenário exposto justifica a criação dessa instância gestora da informação
psicológica, onde fontes de informação especialmente desenvolvidas para gestão
desse insumo fundamental para a geração do novo conhecimento e solução de
problemas estão reunidas e organizadas. A BVS-Psi Brasil conta atualmente com
as seguintes fontes:
•

Agenda de Eventos Nacionais e Internacionais

•

CCB- Portal de Revistas em Psicologia

•

Comutação Bibliográfica

•

Diretório de Entidades de Psicologia

•

Diretório de Instituições de Ensino em Psicologia

•

Diretório de Vídeos de Psicologia

•

Entre na Rede – Registro de Práticas Profissionais

•

Index Psi Livros

•

Index Psi Periódicos

•

Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde –
LILACS

�•

Localizador de Informação em Psicologia

•

Normas, Legislação e Código de Ética em Psicologia

•

PEPSIC – Periódicos Eletrônicos em Psicologia

•

SciELO - Scientific Electronic Library Online

•

Subsídios para o Ensino da Psicologia

•

Terminologia em Psicologia

•

Teses e Dissertações

A manutenção dessas fontes de informação depende da perfeita integração
de todos os atores envolvidos com a Psicologia: psicólogos, bibliotecários,
editores e produtores em geral. Assim, a rede que se formou para a cooperação
de esforços e compartilhamento de recursos é a grande responsável pelo êxito do
projeto e permite atingir os objetivos propostos, tendo como beneficiários diretos
os usuários da Psicologia como um todo.

Assim, tanto quanto a BVS-Psi Brasil, a BVS ULAPSI caracteriza-se como
um projeto de extrema relevância, uma vez que busca facilitar o processo de
organização, recuperação e uso da informação científica e técnica nessa área do
conhecimento. E, ainda, com uma natureza marcada por uma ideologia não
apenas de consumidores de informações no âmbito da América Latina, mas,
efetivamente, como produtores do conhecimento.

O projeto BVS ULAPSI teve início em 2003, contando atualmente com
ações nos seguintes paises:
•

Argentina,

Bolívia,

Cuba,

Equador,

Guatemala,

México,

Republica

Dominicana e Venezuela – projetos em fase inicial de desenvolvimento.
•

Chile, Colômbia e Peru – em fase avançada de desenvolvimento. O projeto
BVS-Psi na Colômbia está em fase de consolidação e o lançamento oficial
da BVS-Psi Colômbia será em outubro de 2006.

• Nos demais países é necessário o efetivo contato e compreensão do
projeto. A tarefa de apresentar o projeto e conseguir o envolvimento dos

�psicólogos e bibliotecários dos países onde as ações ainda não estão
consolidadas fica mais fácil à medida que a rede vai se expandindo e ganhando
credibilidade.

A meta final é que todos os paises da América Latina participem do projeto,
desta maneira, a reunião, organização e disseminação do conhecimento gerado
nesses paises em um espaço virtual único será possível e, certamente, contribuirá
para a interrupção da exclusão informacional ao qual os latino-americanos têm
sido submetidos.

A BVS ULAPSI demanda uma radical renovação das relações entre os
produtores de informação técnico-científica. Esta renovação implica na operação e
ampliação das alianças entre instituições nacionais e internacionais. A BVS
ULAPSI facilitará aos países da América Latina o domínio de tecnologias e
produtos essenciais à promoção da eqüidade de acesso a informação em
Psicologia.

Além da possibilidade de acesso à informação, produzida no país, ou no
exterior,

acredita-se

que

o

compartilhamento

de

esforços

resulta

em

racionalização do trabalho e economia de tempo, na geração de produtos e
serviços especialmente definidos para o profissional Psi. Sendo assim, o
psicólogo, o docente e o aluno de psicologia; produtores e consumidores dessa
informação, terão garantido os recursos que necessitam, tanto para a produção de
novos conhecimentos quanto para aplicação em sua prática profissional,
aperfeiçoando e, conseqüentemente, melhorando a qualidade de vida da
população brasileira latino-americana e do Caribe.

�CONSIDERAÇÕES FINAIS
A rede de informação latino-americana e do Caribe é muito mais do que
organização e disseminação da informação. Na verdade dois termos em evidência
atualmente permeiam o existir dessa entidade: responsabilidade social e acesso
aberto.

Em um feliz ensaio Civallero (2006) convoca os bibliotecários dos países
“em desenvolvimento” a assumirem suas responsabilidades sociais e explica que
a formação do bibliotecário ainda contempla muito pouco os aspectos populares e
sociais da profissão. Também segundo o autor, os bibliotecários que ocupam os
postos de trabalhos nesses países lutam valorosamente e incansavelmente para
completar sua formação e gerar serviços que respondam aos anseios da
comunidade, mesmo contando com recursos quase inexistentes. Ainda sobre
responsabilidade social, a autor ensina que implica em tomar decisões próprias,
sem esperar que profissionais ou “gurus“ estrangeiros digam o que fazer, pois
essas mentes brilhantes, apesar de suas boas intenções, desconhecem nossa
realidade e se baseiam em teorias sócio-politicas estudadas em confortáveis salas
de aula de cômodas universidades, muito distantes da realidade dos países
pobres. Os bibliotecários que cooperam na rede de Psicologia, em geral,
acumulam mais atividades e precisam vencer obstáculos em relação a operar com
fontes de informação totalmente desenvolvidas no ambiente virtual, que todos
sabem, ainda apresenta, muitas vezes, não tão agradáveis. Na maioria dos casos
trata-se de acrescentar mais tarefas a uma rotina extenuante, com o agravante de
vencer resistências e sentimentos de desconfiança

por parte da comunidade.

Desta forma, para cooperar na rede de informação em Psicologia os bibliotecários
precisam incorporar o verdadeiro espírito da cooperação, a real noção do trabalho
em grupo e, especialmente, ter gosto por ajudar pessoas e por se envolver em
projetos desafiadores e total desapego pelo individual. A generosidade em doar
horas para o projeto é uma premissa para atuar na rede. Essa postura pode ser
chamada de responsabilidade social? O tempo dirá.

�A certeza de se estar no caminho certo vai surgindo enquanto o movimento
do acesso aberto ganha força e a comunidade começa a se render ao discurso do
livre direito à informação.

O movimento do acesso aberto (Open Access) teve início com a declaração
de Santo Domingo que apresentava como um dos seus tópicos “ciência para
todos”. Logo em seguida, julho de 1999, em Budapeste, a declaração à ciência e
uso do conhecimento científico anunciou a importância do amplo acesso ao
conhecimento financiado com o dinheiro público para pesquisa e a educação. Em
2002, a Budapest Open Acess Iniciative (BOAI) celebra o acesso aberto e
conclama a comunidade científica a praticar o “auto-arquivamento” em repositórios
institucionais e publicar seus trabalhos em periódicos de acesso aberto (Sarmento
et al, 2006).

Em maio de 2006, pesquisadoras e pesquisadores brasileiros da área de
psicologia, durante o XI Simpósio de pesquisa e Intercâmbio Científico da
Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP:
www.anpepp.org.br), manifestam seu apoio ao movimento mundial de acesso
aberto à literatura de pesquisa qualificada e conclamam a comunidade científica a
publicar os resultados de suas pesquisas em repositórios de livre acesso,
tornando pública a orientação do psicólogo brasileiro em relação ao acesso
aberto.

Antes mesmo do movimento do acesso aberto ganhar a dimensão e
importância que conseguiu junto à comunidade científica, a BVS-Psi já se
configurava com essa característica de democratizar o acesso à informação e ao
conhecimento. O movimento comprova que a rede de Psicologia brasileira estava
certa em criar um espaço virtual especializado, armazenar e organizar a
informação e o conhecimento e entregar ao usuário, não importando em qual parte
do mundo esteja e assegurando a gratuidade do acesso.

�REFERÊNCIAS

DECLARACIÓN de principios - Unión Latinoamericana de Psicología - Secretaria
Ejecutiva. Disponível em: www.ulapsi.org.br. Acesso em 30 de março de 2006.

CIVALLERO, E. Responsabilidad social del bibliotecário en América latina: un
[fallido]

intento

de

ensayo.

Biblos,

v.7,

n.23,

2006.

Disponível

em:

http://eprints.rclis.org/archive/00005839. Acesso em: 29 de julho de 2006.

LEVACOV, Marília. Bibliotecas virtuais: (r)evolução?. Ciência da Informação, v. 26,
n.

2,

1997.

Disponível

em:

&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S010019651997000200003&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;. Acesso em: 27 de julho.

MEDEIROS, R.; SAMPAIO, M. I. C. Informe da la II Reunión del Grupo de Trabajo
Psicología

–

Salvador.

Disponível

em:

http://www.ulapsi.bvsalud.org/html/es/home.html. Acesso em: 27 de julho de 2006.

SAMPAIO, M. I. C. La gestión de la información en Psicología en América Latina:
un pequeño paso para una gran meta. Bibliotecas &amp; Tecnologias de la
Información, v. 3, n. 1, p. 37-37, 2006.

SARMENTO et al. Algumas considerações sobre as principais declarações que
suportam

o

movimento

Acesso

Livre.

Disponível

&lt;http://hdl.handle.net/1822/4282&gt;. Acesso em 28 de julho de 2006.

em:

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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Ciência da Informação&#13;
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                <text>O poder da informação, enquanto elemento capaz de modificar o cenário de exclusão informacional ao qual os países da América Latina e Caribe têm sido submetidos, fundamentou o projeto “Biblioteca Virtual da União Latino Americana de Entidades de Psicologia (BVS ULAPSI)”. A BVS ULAPSI nasceu com a responsabilidade de integrar os paises da América Latina e Caribe em torno da organização e disseminação da informação como um caminho para auxiliar na solução de parte dos graves problemas sociais da região. A BVS-Psi Brasil é a base e empresta seu modelo para a construção da BVS ULAPSI. A iniciativa de compartilhar informações nessa área implica na necessidade de se avançar, semanticamente, no processo de geração e troca desses bens. Para tanto, evidenciou-se a urgência e disposição da participação de "Estados Partes” da América Latina e Caribe e, quiçá, outros países de língua portuguesa e espanhola, na perspectiva de uma maior integração da Psicologia enquanto ciência e profissão. O projeto BVS ULAPSI teve início em 2003, contando hoje com ações em 12 países e avançando para os demais. A reunião, organização e disseminação do conhecimento em um espaço virtual único é viável e, certamente, contribuirá para a interrupção do apartheid informacional ao qual esses países têm sido submetidos.</text>
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                    <text>Gestão da oferta de produtos e serviços em bibliotecas de universidades
públicas e privadas
SUELI ANGELICA DO AMARAL

Professora do Departamento de Ciência da Informação e Documentação da Universidade de Brasília
samaral@unb.br

RESUMO
Comenta a oferta de produtos e serviços de informação de bibliotecas universitárias de uma
universidade pública e de uma universidade privada, localizadas em Brasília, para verificar
semelhanças e diferenças entre elas, referentes às características da estrutura e cultura
organizacionais de ambas bibliotecas. As informações foram coletadas por meio de visitas
técnicas, entrevistas com as diretoras, gerentes e funcionários das bibliotecas e pela
observação dos websites das duas bibliotecas. Foi identificado o contexto do ambiente
organizacional dessas bibliotecas e propostas sugestões para o aprimoramento da prestação
dos serviços em bibliotecas universitárias, destacando o aproveitamento potencial da Internet,
que poderá proporcionar oportunidades de ação inovadoras com o uso de novas tecnologias
de informação e comunicação, utilizando as funcionalidades da web.
Palavras-chave: biblioteca universitária; setor público; setor privado; gestão; produto de informação;
serviço de informação

ABSTRACT
It comments information products and services offer of university libraries from public and
private sector, located in Brasilia, to verify similitude s and differences between them about
organizational structure and culture characteristics of both. Data collection was by technical
visits, interviews with directors, managers and employees of both libraries and both libraries
websites were observed by checklist. It identifies the organizational environment of both
libraries and it suggested enhancing information service offer at university libraries,
emphasizing Internet potential that can make opportunities to innovate actions by using new
information and communication technologies and web functionalities.
Key words: university library; public sector; private sector; management; information product;
information service

Introdução
As instituições de ensino superior classificam-se em públicas, quando criadas ou
incorporadas, mantidas e administradas pelo Poder Público; e privadas, quando

�mantidas e administradas por pessoas físicas ou jurídicas de direito privado. Logo, as
bibliotecas universitárias, que promovem o acesso à informação para as instituições
de ensino superior do setor público e do setor privado, também podem ser
classificadas em bibliotecas universitárias públicas e privadas, em função da
classificação da instituição de ensino superior a que pertencem e mantém vinculo.
É sabido que o contexto em que se insere a biblioteca universitária influencia e é
influenciado por ela. Pesquisas (AMARAL e CAMPOS, 2004; AMARAL e
GUIMARÃES,

2002;

GUIMARÃES,

2003;

MOREIRA

e

AMARAL,

2006;

NASCIMENTO, 2003; NASCIMENTO e AMARAL, 2002; SOARES e AMARAL, 2003;
SOBRAL e AMARAL, 2005) têm sido desenvolvidas sobre a oferta de produtos e
serviços pelas bibliotecas universitárias brasileiras, revelando os critérios adotados e
as dificuldades enfrentadas pelos seus gerentes na tomada de decisão sobre essa
oferta na web, aproveitando toda a flexibilidade e velocidade de acesso à informação
que as novas tecnologias podem oferecer aos usuários.
Entretanto, ainda são escassos os estudos sobre a estrutura e a cultura
organizacional dessas bibliotecas para verificar possíveis semelhanças e diferenças
na prestação dos serviços informacionais para acesso a informação entre as
bibliotecas universitárias de instituições de ensino superior públicas e privadas.
Logo, para obter dados relativos ao estudo dessa realidade, foi desenvolvida uma
pesquisa descritiva, de caráter exploratório, com a seleção de duas bibliotecas
universitárias localizadas em Brasília, considerando-se os seus setores de origem,
sendo uma de instituição de ensino superior do setor público e outra do setor
privado. Foram estudadas possíveis semelhanças e diferenças dos ambientes em
que cada uma se insere. O universo da pesquisa se restringiu a Biblioteca de um
centro universitário e a Biblioteca de uma universidade.
Os websites das duas bibliotecas foram observados por meio de checklist para
identificação da oferta de produtos e serviços. Entrevistas em profundidade com
diretoras e funcionários de ambas bibliotecas foram realizadas a partir de roteiros
adaptados dos instrumentos de coleta de dados desenvolvidos por Nascimento
(2003), por Amaral e Guimarães (2002) e por Campos (2004).

�Após a realização de uma visita técnica, apresentando o projeto de pesquisa e a
bolsista Mariana Ferraz Moreira, para a diretora de uma das bibliotecas, foram
agendadas as entrevistas com a própria diretora e os demais gerentes e funcionários
responsáveis pelo website por elas indicados para serem entrevistados. As
entrevistas ocorreram em março e abril de 2006. Na outra Biblioteca, os mesmos
procedimentos metodológicos foram realizados em maio de 2006.

Oferta de produtos e serviços de informação e bibliotecas universitárias
Na Sociedade da Informação ocorre uma transformação, provocando a mudança de
enfoque em relação ao fator da produção e ao fator de desenvolvimento tecnológico.
O setor da informação, rico em conhecimento e não em mão-de-obra, tornou-se a
base desta transformação industrial de matéria-prima pelo valor agregado, ocorrendo
um destaque para a competência de gestão aliada à competência tecnológica.
Amaral (2004, p.57) considera competitividade, liderança, capacidade de inovação,
pacotes tecnológicos, transferência de tecnologia como indispensáveis dessa nova
fase da Sociedade da Informação. A autora (AMARAL, 2004, p.160) afirma que
o gerente da unidade de informação deve conhecer seu negócio mais do que qualquer
pessoa, pois se depara com o desafio das negociações com outros profissionais de
diversas formações, para que possam ser realizadas todas as atividades relacionadas
ao seu negócio, de modo integrado.

Na opinião de Campos (2004, p.5),
os gerentes das unidades de informação devem adotar posturas inovadoras,
empreendedoras e competitivas diante das suas organizações mantenedoras, com o
oferecimento de produtos e serviços compatíveis às reais necessidades de informação
de sua clientela.

Campos (2004, p.10) afirma que as unidades de informação bem sucedidas são
aquelas que sabem selecionar e utilizar a tecnologia apropriada, evidenciando que
os gerentes das bibliotecas devem se adaptar ao seu ambiente organizacional,
trabalhando em conjunto com as organizações mantenedoras e tendo sempre
focados o usuário e suas necessidades de informação. Através da Internet, as
bibliotecas universitárias encontraram mais uma forma de comunicação com seus

�usuários. Campos (2004, p.10) assegura que o principal objetivo de um website é
fazer com que as necessidades dos usuários sejam compreendidas e efetivamente
atendidas.
Sobral e Amaral (2002) relatam que os sites devem ser elaborados com base em
um planejamento. Devem ser constantemente monitorados e avaliados, no sentindo
de garantir que todos esses esforços sejam direcionados à obtenção de resultados
efetivos .
Segundo Amaral e Guimarães (2002), o site de uma biblioteca desempenha as
seguintes funções:
Função informacional: compreende um conjunto de informações sobre a biblioteca
apresentadas no site;
Função promocional: uso de ferramentas promocionais da Internet existentes no
site;
Função instrucional: são as instruções sobre o uso dos recursos informacionais
oferecidos pela biblioteca no ambiente tradicional e no ambiente web, existentes
no site;
Função referencial: links para outras fontes de informações existentes no site;
Função de pesquisa: engloba os serviços e produtos oferecidos no site da
biblioteca;
Função de comunicação: é o conjunto dos mecanismos utilizados para
estabelecer os relacionamentos com os usuários.

O website da biblioteca, no desempenho de suas funções, pode contribuir no sentido
de melhorar a imagem das bibliotecas se for bem planejado o desempenho de sua
função de comunicação, por exemplo (AMARAL, 2005). A autora afirma que:
a

importância

da

comunicação

é

reforçada

na

classificação das funções

desempenhadas pelos websites da biblioteca como conseqüência da atualização da
missão da biblioteca na sociedade de século XXI, quando a evolução das tecnologias
de informação e comunicação propicia condições amplas para o exercício do
relacionamento da biblioteca com os seus diversos públicos, não apenas os seus
usuários, mas também com os seus mantenedores, fornecedores, parceiros,
patrocinadores, entre outros públicos.

É preciso decidir sobre quem será responsável pelo planejamento e gestão do
website e quais serão as responsabilidades envolvidas neste planejamento e gestão
que, por sua vez deverão ser descritas e documentadas (AMARAL, 2005). A autora

�questiona qual será a infra-estrutura necessária para que o website cumpra as
funções a serem desempenhadas pelas bibliotecas que representam na web,
mostrando que a qualidade do produto/serviço de informação disponível no website
da biblioteca dependerá do empenho desta em buscar a satisfação dos seus
usuários no uso dos recursos informacionais disponíveis.
O ambiente interno para a gestão da oferta de produtos e serviços informacionais
pelas bibliotecas universitárias é cada vez mais complexo, considerando-se o
desempenho dessas organizações com relação à necessidade do apoio e suporte da
alta administração, uma vez que bibliotecas dependem da organização mantenedora
a que estão vinculadas. Ademais da infra-estrutura tecnológica e de comunicação
adequada às exigências da prestação dos serviços digitais, a necessidade de
atualização passa a exigir o desenvolvimento dos recursos humanos em ambiente
organizacional

voltado

para

a

aprendizagem

organizacional

favorável

ao

desenvolvimento profissional das pessoas que nelas atuam, conhecimento e
interesse dos gerentes pelos assuntos que dizem respeito à temática gerencial.
Assim, a cultura e a estrutura organizacionais, de forma intensa passam a refletir
essas condições, influenciando sobremaneira a prestação de serviços informacionais
prestados pelas bibliotecas universitárias.
Para Fleury e Fleury (1995, p. 20), cultura organizacional é o
conjunto de pressupostos básicos que um grupo inventou, descobriu ou desenvolveu
ao aprender como lidar com os problemas de adaptação externa e interna e que
funcionam bem suficiente para serem considerados válidos e ensinados a novos
membros como a forma correta de perceber, pensar e sentir, em relação a esses
problemas.

Na visão de Cândido et al. (2005), a cultura organizacional pode ser interpretada
como produto das manifestações, interações e absorção dos modelos, regras e
padrões pelos indivíduos que interagem e são membros de uma mesma
organização.
Gomes (2004) apresenta seis características diferentes de cultura, desenvolvidas
pela equipe da Price Waterhouse:

�a) valores: os princípios ou qualidades considerados compensadores pela
organização, tais como: atendimento ao cliente ou inovações no produto, sinceridade
ou poder e autoridade compartilhados entre os colegas;
b) crenças: as hipóteses, premissas e modelos de negócios da organização tendem a
ser verdade. A transmissão de visão do mundo em geral, as crenças, podem ser
verdadeiras ou não. As crenças geram paradigmas, isto é, modelos atraentes que
mostram o que é bom para os negócios e a melhor forma de agir. Os paradigmas, por
sua vez, podem tanto expandir quanto tolher as metas organizacionais;
c) atmosfera: o ambiente ou atmosfera de uma organização observável a partir do
layout físico dos espaços de trabalho e mais precisamente, a partir de como os
funcionários interagem entre si, com clientes e com estranhos. Como é trabalhar aqui?
A organização é formal ou informal?
d) normas: os padrões e normas desenvolvidos na empresa, tais como: se as pessoas
trabalham duro, quando começam e quando saem do trabalho. Envolvem questões
em todos os níveis, desde o padrão do vestuário e atitudes acerca do trabalho no fim
de semana até a questão de se uma estratégia de crescimento lento é aceitável. As
normas, geralmente não escritas, afetam o grau de decisão de gerentes e
empregados. Determinam quem pode e quem não pode tomar decisões e realizar
tarefas;
e) símbolos: ícones, doutrinas, rituais e tradições, que cercam mensagens poderosas
sobre o que é importante. Podem incluir eventos positivos, tais como: cerimônias e
celebrações e reconhecimentos; vagas especiais para o funcionário do mês. Os
símbolos podem ser negativos, como; regalias corporativas oferecidas somente aos
escolhidos; festas corporativas suntuosas, no momento em que foram cortados
aumentos anuais para os funcionários dos níveis mais baixos devido aos resultados
dos negócios;
f) filosofia: as políticas e ideologias declaradas que norteiam as ações da organização
relação a proprietários, funcionários, clientes e todos os demais stakeholders,
representados, por exemplo, pelo modo de operar da HP na Hewlett Packard. O guia
Nordstrom, o varejista de sucesso, ensina para os funcionários duas máximas antes
de qualquer outra coisa. Primeiro: o cliente tem sempre razão. Segundo: em caso de
dúvida, consultar a regra n°1.

A identidade de uma organização é expressa
no seu perfil de negócios, nas suas ações, nas tecnologias que adota, ou seja, em sua
estrutura, que fundamenta o resultado de um processo evolutivo de escolhas
específicas das organizações baseadas em seus conhecimentos e valores

�(APPELBAUM; GRIGORE, 1997).

Estruturas organizacionais rígidas definem regras, procedimentos e políticas
internas. Cada departamento da organização pode ter seus objetivos, atitudes e
interesses

próprios,

freqüentemente

conflitando

entre

si

e

resultando

em

desempenho ineficaz da organização como um todo. As bibliotecas universitárias
também estão expostas a essas situações.
Os princípios clássicos da Administração, em muito se contrapõem aos princípios
requisitados para a moderna gestão dos serviços nas organizações. Grandes
organizações tendem a desenvolver estruturas de natureza complexa, criando
funções intermediárias para ligação entre diferentes níveis e áreas, sem diretamente
relacionar-se com a sua atividade fim.
A centralização da autoridade e do poder de decisão pode inibir a livre iniciativa e a
criatividade dos níveis subordinados, criando uma permanente dependência e uma
conseqüente morosidade nas decisões e ações.
As estruturas das bibliotecas universitárias tendem a ser por áreas funcionais, de
acordo com as funções desempenhadas pela biblioteca. A estrutura funcional, de
modo geral, possibilita uma visão descontínua dos processos administrativos,
fragmentando as funções e, por vezes, subjugando objetivos maiores em função de
objetivos menores e mais específicos.
A excessiva burocratização dos processos através de formas e normas para
controle, tornam impessoais as ações e os procedimentos, contribuindo para um
baixo grau de comprometimento das pessoas em relação aos resultados
tencionados.
Por sua vez, os serviços, pela sua própria peculiaridade de não padronização,
passam a exigir das organizações, estruturas e processos de natureza mais flexíveis.
Como afirma Grönroos (1993, p.152),
a gestão de serviços é predominantemente relacionada aos processos gerenciais,
onde as estruturas vigentes são de menor importância. Se as estruturas
predominarem, a flexibilidade das operações e a administração dos contatos com os
clientes sofrerão.

Ao considerar a gestão dos serviços de forma geral, o autor (GRÖNROOS, 1993,

�p.153) identifica seis princípios. Como a biblioteca universitária é uma organização
do setor sem fins lucrativos, dentre os princípios identificados, apenas o referente à
adequação do lucro e a lógica comercial não parece apropriado para bibliotecas. Os
demais podem ser destacados em relação à gestão dos serviços prestados pela
biblioteca universitária ao cumprir sua função de proporcionar acesso à informação
para a comunidade universitária que deve atender. São eles:
(a)autoridade para tomada de decisão: a tomada de decisão tem que ser
descentralizada para aproximar-se tanto quanto possível da interface da organização
com o cliente. Algumas decisões estrategicamente importantes têm que permanecer
centralizadas;
(b)foco organizacional: a organização tem que ser estruturada e funcionar de forma
que sua meta principal seja mobilização dos recursos para dar suporte às operações
de linha de frente. Isto pode, com freqüência, exigir uma organização mais horizontal,
sem níveis desnecessários;
(c)foco de supervisão: os gerentes e supervisores têm que focalizar o encorajamento
e o suporte aos empregados. O mínimo possível de procedimentos de controle
normativo, embora alguns se façam necessários;
(d)foco nas avaliações/medições: a satisfação do cliente com a qualidade do serviço
tem que ser o foco das avaliações de realizações. Para monitorar a produtividade e a
eficiência interna, critérios internos de avaliação podem ter que ser utilizados também;
o foco na satisfação do cliente nunca deverá vir em segundo plano;
(e)sistemas de recompensa: a produção da qualidade percebida pelo cliente tem que
ser o foco das avaliações de realizações. Todas as facetas relevantes da qualidade do
serviço devem ser consideradas, embora não seja possível incluir todas elas em um
só sistema de recompensa.

Na biblioteca universitária esses aspectos gerenciais emergentes passariam a exigir
maior ênfase na contínua avaliação, treinamento e desenvolvimento de pessoal, mas
também interatividade com os usuários, através do desenvolvimento de canais de
comunicação e avaliação da satisfação e reconhecimento das suas expectativas.

Oferta de produtos e serviços nas bibliotecas universitárias pesquisadas
A oferta de produtos e serviços de informação das bibliotecas universitárias
desempenha um papel de extrema importância na geração do conhecimento e na

�disseminação da informação no ambiente acadêmico. Nesse contexto, os produtos e
serviços de informação oferecidos pelos websites das bibliotecas universitárias
pesquisadas agilizam o acesso à informação, disponibilizando-a mais rapidamente e
possibilitando facilidades de acesso mais rápido aos seus usuários. Embora
enfrentem problemas como a escassez de recursos financeiros, a capacitação dos
recursos humanos e a adequação dos recursos tecnológicos, entre outros, as
bibliotecas universitárias pesquisadas têm procurado disponibilizar cada vez mais
seus produtos e serviços de informação na Internet.
Com o uso das novas tecnologias de informação, passaram dos catálogos
tradicionais, dos índices impressos e dos periódicos em papel, para os catálogos e
periódicos on-line, como afirma Edwards (2001). A gama de serviços que migraram
para a Internet é enorme, obrigando as bibliotecas estudadas a apresentar novas
formas de gestão e modelos desses serviços (COSMELI et al., 2001).
Os produtos e serviços oferecidos através da web podem variar conforme as
necessidades da comunidade acadêmica e da tecnologia disponível ou acessível.
Observa-se que os produtos e serviços de informação oferecidos em ambas
bibliotecas estão em constante evolução e modificação. Neste contexto, mesmo a
instituição não dispondo de servidor exclusivo, poderá utilizar outros provedores de
informação, pois existem diversos serviços para disponibilizar informações
eletrônicas na web gratuitamente (BLATTMANN, 1998).
As mudanças no ambiente externo e interno em que se inserem ambas bibliotecas
têm sido intensas e constantes, em especial as que se referem à prestação de
serviços de informação. Antes restrita ao ambiente físico dessas bibliotecas, agora
exige o uso do ciberespaço, onde as dimensões de tempo e lugar se transformam.
Além da preocupação com o monitoramento das mudanças do contexto externo no
que diz respeito aos aspectos tecnológicos, legais, econômicos e financeiros,
ecológicos, culturais e sociais, para acompanhar essa transição, as bibliotecas
pesquisadas precisam aprender a lidar com as novas tecnologias da informação e
comunicação (TICs) e ao mesmo tempo aplicá-las, diante de uma realidade onde a
atualização é praticamente impossível de ser acompanhada, tal a sua acelerada
evolução. O que se lê hoje corre o risco de estar desatualizado amanhã.

�As bibliotecas universitárias são sistemas informacionais abertos, inseridos nesse
contexto, em constante interação dual com o ambiente, no sentido de que o
influenciam e são pelo ambiente influenciadas, atuando como variável independente
e como variável dependente desse ambiente.
Para sobreviverem não têm opção diferente: É preciso adaptar-se
às diversas forças internas e externas e aprender a lidar com elas, devendo, algumas
vezes, desestimulá-las ou neutralizá-las; outras, mantê-las, corrigi-las ou sincronizálas e até mesmo criá-las ou aumentá-las, segundo os diversos objetivos da
organização (DECONTO, 1982).

Nessa realidade, essas bibliotecas têm se ocupado do desenvolvimento de seus
sites, buscando prestar novos serviços eletrônicos baseados na potencialidade da
web para alcançar cada vez mais os seus usuários, atendendo suas demandas
informacionais, em melhores condições de relacionamento com esses usuários e os
seus demais públicos.
A Internet trouxe a possibilidade de expandir seu papel na prestação de serviços à
comunidade acadêmica. A oferta de produtos e serviços on-line se tornou uma
ferramenta importante para a disseminação da informação e comunicação com os
seus usuários, melhorando e agilizando o acesso à informação.
A oferta de serviços de ambas bibliotecas na web é parcialmente semelhante, mas o
acesso ao site da pública é tanto pelo portal da universidade como pelo endereço da
biblioteca. O site da privada só é acessado pelo site do centro universitário, sem
destaque para o link da biblioteca.
Se as bibliotecas universitárias pesquisadas pretendem ser líderes na prestação de
serviços aos seus usuários para o acesso a informação, devem desenvolver
programas de motivação e treinamento para as suas equipes, buscando controlar
pessoas cuja personalidade denotem predisposição para servir bem a comunidade
universitária. É preciso que toda a equipe da biblioteca esteja convicta da qualidade
do serviço proporcionado por sua organização e da importância de seus papéis na
prestação desse serviço, seja no seu ambiente físico ou por meio da oferta de
serviços pelo website.

�Semelhanças e diferenças na estrutura e cultura organizacionais das
bibliotecas pesquisadas
Ambas bibliotecas estão vinculadas à Reitoria e têm autonomia na tomada de
decisão, mas a privada deve ter a aprovação do secretário-geral da reitoria. A pública
não é orçamentada. Encaminha pedidos atendidos pelo decanato de finanças. A
privada tem 1% do orçamento do centro universitário. Adquire sua coleção segundo
participação ativa e sugestões de professores. Os recursos da pública provêm do
pagamento de multas e são utilizados para a participação em congressos e cursos.
Na privada, os funcionários não participam de treinamentos e cursos. Só a diretora é
liberada para tal. A seleção de funcionários na pública é por concurso e a ocupação
dos cargos por nomeação da diretora. Na privada, eles participam de rodízio em
todas as sessões, o que ajuda a conhecer o trabalho na biblioteca. Na pública são
realizadas várias reuniões e tudo é decidido em consenso. Foram feitos alguns
estudos de usuários na pública. Na privada, há três tipos de reuniões da equipe, mas
não é comum a realização de estudos de usuários. Em ambas bibliotecas os
diretores se interessam pela temática gerencial e a infraestrutura tecnológica e de
comunicação é boa, mas o site da pública é mais voltado ao acesso à informação de
modo geral.
A estrutura de uma organização não pode ser uma camisa de força que comprometa
as exigências da estratégia e a execução da excelência, demandando maior
sensibilidade para os que lidam com os serviços.
Grönroos (1993, p.230-232) propõe que uma organização de serviços não seja
desnecessariamente burocrática, pois o achatamento da pirâmide organizacional e a
descentralização da autoridade na tomada de decisão são fundamentais na
orientação da prestação dos serviços para o mercado. Com a pirâmide voltada para
baixo, a linha de frente, incluindo pessoas, recursos físicos e sistemas operacionais
que interagem com os clientes, deve situar-se no topo da hierarquia organizacional.
Assim acontecendo, a responsabilidade pelos clientes e pelas decisões operacionais
transfere-se da gerência e das funções de apoio, para aqueles diretamente
responsáveis pelas interações entre a organização e os seus clientes, deslocando a
responsabilidade e a autoridade das funções burocráticas de apoio para a linha de

�frente, com uma conseqüente redução dos níveis hierárquicos intermediários.
Para desenvolver estruturas organizacionais para serviços orientados para os
clientes, Grönroos (1993, p.232) argumenta que
uma empresa de serviços em crescimento, para permanecer orientada para o
mercado e ser bem-sucedida, terá que ser capaz de combinar a força de ser pequena
em uma perspectiva local com a força de pertencer a uma grande organização.

O argumento de Grönroos mostra que embora as bibliotecas pesquisadas sejam
diferentes em suas dimensões organizacionais, essas diferenças não são tão
importantes para determinar a excelência da prestação dos serviços, apesar de
exercerem influências que podem ser enfrentadas em relação às estruturas
organizacionais.
Agir pequeno significa que a biblioteca universitária consegue maior grau de
proximidade com o seu mercado, tem maior agilidade nas decisões e desenvolve
maior identidade e interatividade com seus usuários, numa estrutura organizacional
leve e sintonizada com as necessidades externas, bem como num tratamento
personalizado dos usuários. Caso possua a força de ser grande, a biblioteca
universitária pode promover economias de escala, dispor de mais recursos e atrair
pessoal qualificado para seus quadros. Pode também buscar conhecimento fora dos
seus limites convencionais, melhorando sua competitividade.
E preciso também enfatizar a necessidade de se delegar autoridade às equipes
prestadoras de serviços. Uma idéia clara e bem formada do serviço orienta o
comportamento do funcionário e liberta-o de regras e normas, eliminando tudo que
restrinja sua liberdade no serviço. Os usuários querem ser atendidos por prestadores
de serviços pensantes, sendo para isto necessário programas de treinamento que
evidenciem mais valores e menos regras, estimulando a criatividade e iniciativa.
Grönroos (1993) atesta que uma cultura corporativa fraca (poucos valores e normas)
prejudica a qualidade percebida do serviço e que treinamentos ou cursos isolados
sobre serviços não levam aos resultados esperados se não se encaixarem na cultura
da organização.
Funcionários identificados com as normas e valores da organização, além de mais
estáveis, fazem os usuários da biblioteca universitária mais satisfeitos. O

�desenvolvimento de uma cultura em serviços é, portanto, uma questão de infundir
uma forma de pensar e de compartilhar valores - aqueles que as pessoas têm e que
as organizações professam, formando um conjunto de atitudes e comportamentos
que afetam a qualidade da interação entre o corpo funcional de qualquer organização
e seus clientes.
Hogan et al. (1984) citados por Grönroos (1993, p.307-308) observam que algumas
ações são necessárias para a sedimentação de uma cultura de serviços. Deve-se
desenvolver:
a)estratégia de serviços, baseada na missão da organização, com elevado grau de
envolvimento do corpo gerencial e sólida política de recursos humanos;
b)estrutura organizacional flexível, com poucos níveis hierárquicos, que permita
decisões rápidas e a prática de valores e normas características da cultura de
serviços, esclarecendo o papel dos envolvidos na função de suporte, que não lidam
diretamente com o cliente, bem como o desenvolvimento de sistemas operacionais,
rotinas e fluxos de trabalho de forma simplificada e flexível;
c)liderança caracterizada pelo apoio ativo e contínuo dos gerentes e supervisores
para se ajustar aos indivíduos gerenciados;
d)programas de treinamento em serviços orientados para o conhecimento e atitudes
inter-relacionadas, para desenvolver a visão holística da organização, as habilidades
relativas à execução das tarefas e as específicas de comunicação e serviços, uma
vez que somente o conhecimento altera atitudes e quanto mais instruída for uma
pessoa, mais fácil será que ela tenha atitudes positivas em relação a um fenômeno
específico.
Atrair, desenvolver, motivar e reter funcionários de qualidade requer convencê-los de
uma meta que os incentive e desafie. O bom aprendizado técnico do treinamento não
é suficiente, pois por vezes ensina ao funcionário como fazer, mas não por que fazer.
O treinamento deve provocar mudanças de atitudes e ser ministrado de forma
contínua e não episódica, como faz a maior parte das bibliotecas, pois só o
aprendizado continuado garante confiança, auto-estima, determinação e motivação
das equipes.

�Considerações finais
O ambiente organizacional influencia a oferta de produtos e serviços informacionais
nas bibliotecas universitárias. A cultura organizacional no setor público e no privado é
diferente. Na pesquisa realizada, a biblioteca universitária do setor público apresenta
oferta mais diversificada em seu website, do que a oferta da biblioteca universitária
do setor privado, cujo website é pouco desenvolvido.
Em função das características dos serviços informacionais, as decisões acerca da
sua operacionalização devem ser tomadas junto ao serviço de referência da
biblioteca universitária. Para tanto, é necessária a potencialização (empowerment)
das equipes para capacitá-las através de treinamento e auto-confiança, para lidar
com a diversidade de situações existentes nos contatos com os usuários e solucionar
problemas que exijam procedimentos fora do padrão. Muito embora essas práticas
denotem descentralização nas tomadas de decisão, algumas delas, de sentido mais
estratégico ou que reorientem o conceito do serviço praticado pela biblioteca, devem
ser mantidas centralizadas.
Na biblioteca universitária pública ou privada, a inflexibilidade de procedimentos e a
tendência centralizadora tradicionais devem ceder espaço a uma estrutura
organizacional mais maleável, cuja mobilização de recursos, preferencialmente, dê
suporte às atividades de contato com o usuário.
Em função das características dos serviços de informação, não se pode focar a sua
supervisão em procedimentos padronizados e de controle normativo. Deve-se
priorizar o encorajamento e suporte aos servidores tanto da biblioteca universitária
pública, quanto na privada.
A satisfação do usuário em relação ao serviço recebido deve ser o foco dos
resultados. Embora critérios internos de avaliação para monitoramento da eficiência
e da produtividade possam ser usados, não devem se sobrepor aos critérios que
enfoquem a satisfação do usuário em todo tipo de biblioteca universitária.
Na biblioteca universitária pública ou privada, a qualidade percebida pelo usuário
deve ser o foco dos sistemas de recompensa, diferentemente do simples
cumprimento de padrões predeterminados, avaliando-se todas as facetas relevantes
da qualidade do serviço prestado.

�Independentemente das semelhanças e diferenças das estruturas e culturas
organizacionais das bibliotecas universitárias pesquisadas, devem ser buscadas
alternativas para vencer as barreiras do ambiente e usar o potencial da web na oferta
de produtos e serviços de informação das bibliotecas de ambos setores: público e
privado.
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Psychology, n.1, 1984.
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http://www.alfa.br/revista/pdf/9adm.pdf Acesso em 30 de junho de 2006.
MOREIRA, Mariana Ferraz; AMARAL, Sueli Angélica do. Gestão da oferta de produtos e serviços das
bibliotecas universitárias brasileiras na web. Relatório de pesquisa (Programa Institucional de Bolsas
de Iniciação Científica. CNPq/ UnB, 2006. CD-ROM
NASCIMENTO, José Antônio do; AMARAL, Sueli Angélica do. Gerência dos serviços de informação
dos sites Web das bibliotecas do Distrito Federal. 22 f. Relatório Final (Programa Institucional de
Bolsas de Iniciação Científica)- Universidade de Brasília, Brasília, 2002. CD-ROM
NASCIMENTO, José Antônio do. Oferta de serviços de informação on-line das unidades de
informação do Distrito Federal: estudo das dificuldades gerenciais. Brasília: UnB, 2003. (Monografia).
SOARES, Hebbertt de Farias; AMARAL, Sueli Angélica do. Gerência dos serviços de informação dos
sites de bibliotecas universitárias brasileiras. Relatório de pesquisa (Programa Institucional de Bolsas
de Iniciação Científica. CNPq/ UnB, 2003. CD-ROM
SOBRAL, Andréia de Oliveira; AMARAL, Sueli Angélica do. Gestão da oferta de produtos e serviços
das bibliotecas universitárias brasileiras na web. Relatório de pesquisa (Programa Institucional de
Bolsas de Iniciação Científica. CNPq/ UnB, 2005. CD-ROM

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Comenta a oferta de produtos e serviços de informação de bibliotecas universitárias de uma universidade pública e de uma universidade privada, localizadas em Brasília, para verificar semelhanças e diferenças entre elas, referentes às características da estrutura e cultura organizacionais de ambas bibliotecas. As informações foram coletadas por meio de visitas técnicas, entrevistas com as diretoras, gerentes e funcionários das bibliotecas e pela observação dos websites das duas bibliotecas. Foi identificado o contexto do ambiente organizacional dessas bibliotecas e propostas sugestões para o aprimoramento da prestação dos serviços em bibliotecas universitárias, destacando o aproveitamento potencial da Internet, que poderá proporcionar oportunidades de ação inovadoras com o uso de novas tecnologias de informação e comunicação, utilizando as funcionalidades da web.</text>
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                    <text>UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE - UFF
PRÓ-REITORIA DE ASSUNTOS ACADÊMICOS – PROAC
NÚCLEO DE DOCUMENTAÇÃO – NDC
DIVISÃO DE ARQUIVOS – DARQ
ARQUIVO CENTRAL – AC

GESTÃO DE DOCUMENTOS NOS ARQUIVOS CORRENTES DAS
BIBLIOTECAS DO NDC/UFF
Maria da Penha Sampaio*
Diretora do Núcleo de Documentação/UFF
penha@ndc.uff.br

Resumo:

Rosale de Mattos Souza**
Chefe do Arquivo Central/DARQ/NDC
ac@ndc.uff.br

Relata a experiência de Gestão de Documentos no âmbito da Universidade, de como esta
irá influenciar as políticas públicas de informação neste espaço informacional, e em
particular no que tange aos procedimentos técnicos de avaliação e organização dos
Arquivos Correntes das Bibliotecas do Núcleo de Documentação da UFF, utilizando-se do
Código de Classificação e da Tabela de Temporalidade de Documentos do Conselho
Nacional de Arquivos – CONARQ, no que diz respeito à Classe de Documentação e
Informação, ampliando esta classificação de assuntos e a avaliação na organização dos
Arquivos Correntes das Bibliotecas.

Palavras-chave: Políticas Públicas, Gestão de Documentos, Arquivos correntes de
Bibliotecas
* Diretora do Núcleo de Documentação NDC/UFF(2003-2006). Coordenadora do convênio
FNDCT/MCT/FINEP/CT-INFRA1(2000) e CT-INFRA3(2003). Modernização da infra-estrutura de
pesquisa da UFF. Professor Assistente do Departamento de Ciência da Informação da
Universidade Federal Fluminense (2000-2003), Mestre em Ciência da Informação, 1994 (UFPB),
Bacharel em Biblioteconomia e Documentação, 1977(UFF) e Especialização em Administração de
Bibliotecas, 1985 (AEAS).
**

Chefe do Arquivo Central do NDC/ UFF. Mestre em Ciência da Informação, 2001 (UFRJ/IBICT).
Bacharel em Comunicação Social ( Especialidade – Jornalismo) 1981 (FACHA) , Bacharel em
Arquivologia, 1984 (UNIRIO). Especialização em Arranjo, Descrição e Pesquisa em Arquivos
Públicos, 1988 (UNIRIO). Especialização em História do Brasil, 2005 (UFF). Professora Substituta
do Departamento de Ciência da Informação e Documentação da UnB, 1995.

�1. Considerações preliminares:
Os documentos acompanham toda a vida das pessoas, sejam elas pessoas
físicas ou jurídicas, instituições públicas ou privadas, são fonte de informações e
ferrramentas de racionalização e eficiência administrativa, e ainda se constituem
nos registros e fontes primárias para a construção da identidade e da memória de
um Município, de um Estado, e de uma nação. Assim, considera-se de forma
geral na Arquivística que Arquivo é o conjunto de documentos produzidos e
recebidos no decurso natural da vida de uma pessoa física, e de uma pessoa
jurídica, seja ela pública ou privada durante a consecução de suas atividades
específicas, independente de seu suporte documental.

Documento é toda informação registrada em suporte material suscetível de ser
utilizada para consulta, estudo, prova, e pesquisa, pois comprovam fatos,
fenômenos, formas de vida e pensamentos do homem numa época ou lugar

( Oliveira, et al. 1995, p. 11)

Partiu-se da idéia de que as Políticas Públicas de Informação estão associadas
dentro de uma perspectiva Arquivística à Gestão de Documentos, e de como esta
irá contribuir para a racionalização documental, propiciando uma informação no
menor espaço de tempo possível, precisa, atingindo o objetivo do administrador na
condução e consecução do negócio público, de forma que

contribua para a

agilidade do poder decisório das administrações públicas.
Considera-se Gestão de Documentos o conjunto de procedimentos e operações
técnicas referentes às atividades de produção, tramitação, uso, avaliação e
arquivamento de documentos em fase corrente e intermediária, visando a sua
eliminação ou recolhimento para guarda permanente.
( Oliveira, Isabel et. al. p. 14)

�Principais objetivos da Gestão de Documentos:
-

Assegurar, de forma eficiente, a produção, administração, manutenção e

destinação de documentos;
Garantir que a informação governamental esteja disponível quando e onde seja
necessário aos cidadãos;
Assegurar a eliminação dos documentos que não tenham valor fiscal, legal ou
para pesquisa científica;
Assegurar o uso adequado da micrográfica, processamento automatizado de
dados e outras técnicas avançadas de gestão da informação;
Contribuir para o acesso e preservação dos documentos que mereçam guarda
permanente por seus valores histórico e científico;
2 Políticas de Informação no NDC/UFF: ações, programas e projetos
Na Universidade Federal Fluminense o órgão coordenador
Sistema de Bibliotecas e Arquivos da Universidade é o pelo
Documentação – NDC,

sendo o

do

Núcleo de

mesmo responsável pelas Políticas de

Informação Biblioteconômicas e Arquivísticas.
O Núcleo de Documentação criado em 22 de setembro de 1969 , através
de artigo 17 do Estatuto da UFF, publicado no Diário da União. Apesar das amplas
finalidades previstas para o órgão, em seus primeiros anos suas atividades foram
direcionadas principalmente para a implementação de uma política de informação
bibliográfica, centralizando todos os serviços técnicos e administrativos das
bibliotecas da Universidade.
Contudo, havia a necessidade de que as questões relativas as
atividades relacionadas ao recolhimento, trato e manutenção das demais formas
documentais fossem abarcadas pelo NDC.

Algumas iniciativas isoladas

relacionadas a questão da documentação arquivística gerada na Universidade,

�tiveram início em 1978 com a criação de Comissões instituídas com o objetivo de
avaliar e definir a destinação de processos Administrativos.
Apenas em 19 de setembro de 1985, com o objetivo de ampliar a
atuação do NDC, do aspecto estritamente bibliográfico para o recolhimento,
tratamento e manutenção das demais formas documentais, durante a gestão do
professor e arquivista José Pedro Esposel ,foi criado e organizado o Arquivo
Geral

da Universidade vinculado ao Núcleo de Documentação. Sua estrutura

inicial era composta pela Seção de Arquivo Intermediário e pela Seção Arquivo
Permanente. Tinha como objetivo orientar e coordenar a política de reprodução, o
armazenamento e a recuperação da documentação administrativa, de interesse
dos diversos setores da Universidade. Sobre este momento, na ocasião dos 30
anos do NDC, o Professor José Pedro Esposel tece o seguinte comentário:
Quanto ao arquivo da Instituição, que só existia em caráter empírico, improvisado
e disseminado por toda a Universidade em locais seguros ou, por vezes, nem
tanto, ordenado ou simplesmente empilhado, foi estabelecido através de atos
apropriados, a sua existência, segmentos que puderam contar com a orientação
técnica especializada em questões de organização e vinculado ao Núcleo de
Documentação. A novidade mereceu de pronto a aceitação de vários seguimentos
que puderam contar com a orientação técnica especializada em questões de
organização e . acessibilidade da documentação administrativa ou de caráter
singular, derivada das atividades científicas e pedagógicas. E, inclusive, em muitos
casos, recuperar espaços, através de procedimentos de transferência ou
eliminação racional da massa documental.

����������Assim, o NDC passa a definir as políticas de informação, não apenas

bibliográfica , como também da arquivística da Universidade em apoio às
atividades de ensino, pesquisa e extensão.
A partir da década de 90 os serviços foram descentralizados, passando as
bibliotecas a

selecionar, cotalogar e realizar serviços de comutação e

disponibilizar de informações na WEB de forma descentralizadas. Somente O
Serviço de Aquisição de Publicações por compra permanece centralizado.
O NDC hoje comporta em sua estrutura 24 Bibliotecas Setoriais, o
Arquivo Central, o Laboratório Reprográfico e o Laboratório de Conservação e

�Restauração dos Documentos e o Serviço de Comunicações Administrativas que
é responsável pelo protocolo e expedição geral da Universidade e coordena as
atividades técnicas e administrativas.
Um dos fatores preponderantes que dinamizaram a definição e
implementação das políticas do Sistema de Bibliotecas e Arquivos do Núcleo de
Documentação foi o fato de trabalharmos com a metodologia do Planejamento
estratégico desde 1998 . Com esta metodologia aplicada obtivemos um Plano de
Ação

que aponta para as políticas gerais, diretrizes. Programas e projetos

prioritários do Núcleo de Documentação que impulsionaram suas atividades de
forma vigorosa.
Dessa época até os dias de hoje várias ações normativas foram
propostas e algumas

em fase de implementação tendo por base estudos

realizados por Grupos de Trabalhos, Grupos Assessores Técnicos e Comissões
específicas.

Outro fator determinante foi a implantação do Plano de

Desenvolvimento Institucional(PDI) da UFF, em 2001-6, no qual o NDC foi
contemplado com uma ação específica, bem como o PDI apresenta outras ações
que beneficiam o NDC .
Como Missão foi definido que o Núcleo de Documentação deve
desenvolver, através de técnicas próprias de Biblioteconomia, Documentação e
Arquivologia, atividades, serviços e produtos, com o objetivo de:
Proporcionar recursos informacionais e assessoria técnica na área de
documentação, por meio de redes e sistemas, facilitando o acesso à informação
em tempo hábil para a melhoria da qualidade do ensino pesquisa e extensão da
Universidade. (Nascimento, et. Al. ,1998)

Como uma síntese do que foi estabelecido no Plano de Ação destacamos:
Três ações foram definidas como prioritárias. Com as ações prioritárias definidas
foi estabelecido programas e projetos para a realização das mesmas:

�Ação 1 - Melhoria das condições de acesso à informação especializada em apoio
ao ensino, pesquisa e a extensão com base na informatização dos processos e
serviços , melhoria dos serviços e atualização do acervo;
Ação 2 - Melhoria das condições de segurança e conservação do patrimônio
bibliográfico e arquivístico;
Meta 3 -

Melhoria das instalações físicas de apoio ao ensino, pesquisa e a

extensão nas bibliotecas da UFF.
Quatro programas foram definidos para atender as 3 ações prioritárias :
1- Programa de Qualidade no Atendimento aos Usuários das Unidades de
Informação;
2- Programa de Conservação do Acervo Arquivístico e Bibliográfico:
3- Programa de Valorização da Força de Trabalho;
4- Programa de Extensão do NDC.
2.1 Projetos por Programas do NDC
a) Programa de Qualidade no Atendimento aos Usuários das Unidades de
Informação
a - Projeto: Biblioteca On Line : melhoria do catálogo eletrônico, empréstimo
informatizado, disseminação de informação em meio eletrônico;
b - Projeto: Vocabulário Controlado do acervo arquivístico e bibliográfico ;
c- Projeto: Atualização da Bibliografia Básica ;
d- Projeto:

Biblioteca inclusiva:

favorecer a acessibilidade física e de

comunicação aos portadores de necessidades especiais;

�e - Projeto: Melhoria da infra-estrutura tecnológica e instalações físicas das
unidades de informação de apoio ao ensino, pesquisa e extensão;
f-

Projeto: Melhoria do Acesso ao Portal Capes: através de instalação do

servidor proxy e ampliação das estações de acesso nas bibliotecas;
g-

Projeto: Melhoria da

Comutação bibliográfica de artigos técnicos e

científicos através do software Ariel (convênio BIRENE, COMUT);
h-

Projeto: Acesso a Produção Acadêmica em texto completo: Alimentação

da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (Convênio IBICT- 2003)
i-

Projeto: Internalização do Portal de Arquitetura e Urbanismo (Convênio

CNPq/IBICT );
j- Projeto: Melhoria ao acesso aos documentos arquivístico da UFF através da
implementação do Sistema de Arquivos da UFF;
k- Projeto: Gestão documental :Avaliação, Recolhimento e Eliminação de
Documentos Arquivísticos;
l-

Projeto: Adaptação do Aplicativo Argonauta Biblioteca para Argonauta Arquivo (
Cooperação Técnica com a DATACOOP);

b) Programa de Preservação e Conservação do Acervo Arquivístico e
Bibliográfico do NDC
a-

Projeto: Criação e publicação da Tabela de Temporalidade e Destinação

Documentos da UFF;
b- Projeto: Organização e Digitalização do Acervo Arquivístico Permanente ;
c- Projeto: Atualização do cadastro dos Processos do Período de 1986 a 1989;
d- Projeto: UFF na Mídia – seleção, organização, digitalização dos Clippins UFF;
e -

Projeto:

Oficina de Pequenos Reparos

para conservação do acervo

bibliográfico nas bibliotecas .
f- Projeto: Proteger eletronicamente o acervo das bibliotecas da UFF :uso do
sistemas de câmeras digitais e portais eletromagnéticos;

de

�c) Programa de Valorização da Força de Trabalho
a-

Projeto: Estudo da Necessidade de Treinamento e Qualificação dos Servidores do

NDC
b- Projeto: Arte e Saúde no NDC ;
c- Projeto: Educação Permanente do NDC ;
d- Projeto: Fórum Biblioteca/Arquivo On Line : discussão interna sobre a melhoria
dos serviços de informação;
e- Projeto: Biblioteca /Arquivo como Laboratório Vivo : proporcionar campo de
estágio, bolsa treinamento, estágio supervisionado, alunos de nível superior e
médio .
d) Programa de Extensão do NDC
a- Projeto: Organização do Acervo Arquivístico da Seção Judiciária do Rio de
Janeiro ( Convênio TRF/ FEC- período 2004 - 2009)
d-

Projeto: Caminhos da História: revitalização do acervo documental do
Instituto Histórico de Paraty (convênio IHAP/UFF período - 2003- 2008)

c- Projeto: Coleção Flor de Papel ( apoio a creche da Universidade);
d- Projeto: História oral da UFF;
e- Projeto: Biblioteca Depositária do Acervo Bibliográfico da Fundação IBGE ;
( convênio IBGE/UFF)
f-

Projeto: Jovem Aprendiz ( ASPI, Escolas da Rede Municipal de Niterói,

2006)
Diante das ações, programas e projetos e atividades desenvolvidos foram
emanados documentos e atos normativos.

�3

Sobre o Arquivo Central, da Divisão de Arquivos , do Núcleo de

Documentação da Universidade Federal Fluminense:
O Arquivo Central, a princípio denominado Arquivo Geral, foi inaugurado em
19 de Setembro de 1985, diretamente subordinado à Direção do Núcleo de
Documentação, tendo como diretor o Prof. José Pedro Pinto Esposel. Sua
estrutura inicial era composta pela Seção de Arquivo Intermediário e pela de
Seção Arquivo Permanente.

Em 1989, para atender as exigências da

documentação corrente de diversos setores, o Arquivo Geral implantou a Seção
de Arquivo Corrente, alterando com isso sua estrutura original.
No ano de 1992, o Arquivo Geral foi transferido para um novo espaço, o
que possibilitou concretizar os objetivos de suas respectivas funções.
Em 1994 foi criada a Seção de Arquivo Especial, tendo em vista, o
recolhimento de documentos não convencionais. Neste mesmo ano, através da
Norma de Serviço nº 409, de 30 de março, foi oficializada a alteração de sua
denominação,de Arquivo Geral para Arquivo Central. E desde aquele período o
Arquivo Central já estava incumbido de orientar os setores da universidade quanto
aos procedimentos técnicos arquivísticos.
Hoje o Arquivo Central está estruturado da seguinte forma: Serviço de Arquivo
Corrente, Serviço de Arquivo Intermediário, Serviço de Arquivo Permanente e
Serviço de Arquivo Especial.
De acordo com a Norma de n. 472, o Arquivo Central promoveria um
sistemático procedimento de Transferência e Recolhimento dos documentos,
inclusive com a fixação dos períodos certos para tais atividades. Porém, este
procedimento inicial promoveu o acúmulo de uma Massa Documental acumulada,
pois esta não vinha previamente avaliada pelos órgãos.

�O Arquivo Central passou a estar subordinado à Divisão de Arquivos no ano de
1998, tendo subordinada a mesma ainda o Laboratório Reprográfico - LARE, e
posteriormente o Serviço de Comunicação Administrativa – SCA.
Assim, de acordo com a administração do Arquivo Central atual modificou-se a
metodologia de trabalho relacionada aos órgãos (que detém os arquivos
correntes), orientando-os antes de mais nada nos procedimentos técnicos de
avaliação e organização de documentos, de acordo com as Resoluções n. 04 e 14
do Conselho Nacional de Arquivos – CONARQ, e a Tabela de Temporalidade da
UFF nas áreas aprovadas pela Comissão Permanente de Avaliação, a fim de que
os documentos Transferidos ou Recolhidos acompanhem sua respectiva
destinação, ou seja, aqueles com valor probatório que tenham os seus respectivos
prazos

de

guarda respeitados

e/ou

expirados, ou

o

Recolhimento

da

documentação considerada de valor permanente ( histórico ) ao Arquivo Central.
Dentre os setores da universidade que solicitaram assistências técnicas de
arquivística no decorrer do ano de 2005 e 2006, assinalou-se a incidência dos
pedidos realizados pelos arquivos correntes dos Departamentos de Ensino de
Graduação, através das secretarias de diversos cursos e áreas do conhecimento,
e ainda a presença de pedidos de assistência técnica de algumas Bibliotecas. O
Arquivo Central teve a iniciativa de procurar então a normalização dos
procedimentos de avaliação e organização dos documentos produzidos e
recebidos pelas Bibliotecas nos seus arquivos correntes. Já existe uma cartilha de
orientação para a Identificação dos documentos de valor permanente, e agora
preparamos uma Cartilha denominada “ Como avaliar os seus documentos?” e a
legislação competente que regula os procedimentos de avaliação, que estão
sendo distribuídas para os setores, conforme os pedidos de Assistência Técnica.

�4 A Gestão de Documentos nos arquivos correntes das Bibliotecas, a
metodologia de trabalho e a busca da normalização de procedimentos
técnicos:
No sentido de estar normalizando os procedimentos técnicos quanto aos
arquivos correntes das Bibliotecas, promoveu-se uma Oficina, treinando os
servidores nas diferenças e semelhanças entre os Arquivos e as Bibliotecas, na
avaliação e organização de documentos, determinando-se alguns procedimentos
de produção e destinação documental, que foram fixados a partir de um consenso,
procurando a unidade de pensamento quanto ao problema dos documentos
acumulados e como gerir aqueles que ora estão sendo produzidos e recebidos
pelas Bibliotecas.
4.1 Sobre a Oficina de Avaliação e organização dos arquivos correntes das
Bibliotecas:
De acordo com a Oficina denominada "Avaliação e Organização dos
arquivos correntes das Bibliotecas do NDC", que foi realizada no último dia
12.05.06, pelo
Arquivo Central encaminhou a Tabela de Temporalidade de Documentos do
Conselho Nacional de Arquivos - CONARQ, Área de Documentação e Informação
aos Biliotecários, e os parâmetros de classificação das atividades específicos das
Bibliotecas do NDC, e ainda chegou-se a algumas conclusões aceitas por todos
os que estavam presentes ( Chefes das Bibliotecas), a fim de que estas se tornem
uma norma.
4.2 Parâmetros de Classificação de Assuntos atribuídos pelo Arquivo Central para
os arquivos correntes das Bibliotecas do NDC/UFF , que serão utilizados nas
notações e projeções das pastas suspensas:

�Atividades – Fim:
Aquisição de Periódicos, Atas de Reunião, Comissão de Bibliotecas, Comut,
Doação, Empréstimos – Especiais, Empréstimos entre Bibliotecas, Estatística de
Atendimento, Folhetos, Home Page, Lay Out, Normas da Biblioteca, Projetos,
Projeto Biblioteca Inclusiva, Relatórios Anuais, Relatórios Semestrais, Reuniões
Gerais, Reuniões do CONTEC, Tesaurus
Atividades-Meio: Correspondências: Memo Recebido, Memo Expedido, E-mail
Recebido, E-mail Expedido
Divisão de Administração de Pessoal – DAP: Bolsistas, Prestadores, Servidores:
Dossiês de funcionários, Cadastro de funcionários, Folhas de Frequência
Solicitação de Licença Médica;
Financeiro: Suprimento
Serviços Gerais : Almoxarifado
4.3 Parâmetros de avaliação e destinação para os Arquivos Correntes das
Bibliotecas do NDC:
A utilização da Resolução n. 14 do Conselho Nacional de Arquivos – Conarq,
na qual consta a Tabela de Temporalidade básica para a Administração Pública
nas suas diversas esferas e níveis de competência, mas neste caso a utilização
da Área de Documentação e Informação.
Outros parâmetros de avaliação e destinação de documentos deliberados ao
final da Oficina pelo Arquivo Central, as Bibliotecas e a Direção do NDC/UFF:
Correspondência: aquelas que forem apenas de solicitação e
encaminhamento: Prazo de guarda: guardar por dois anos a partir da produção
documental, e após este prazo eliminação;

�Guia de Remessa de Documentos - GRDP: manter durante o exercício, por
precaução mais um ano, e após elimina-se;
-

Documentação de Pessoal:

. Dossiês funcionais encaminhar por transferência ao NDC, para que futuramente
possa encaminhar ao AC;
. Folhas de Frequência: manter em suporte formulário do Divisão de
Administração de Pessoal - DAP, e deverá permanecer no arquivo corrente
aquelas do exercício, mandando as anteriores para o NDC pelo nome do servidor
e em ordem cronológica, para futura transferência ao AC;
Prazo de guarda - 100 anos (os originais assinados pelos
servidores),além de poder comparar com as Folhas de Frequência que
encontram-se no DAP;
- Suprimento: enviar para o NDC, para futura comparação com o financeiro
da UFF;
- O Arquivo Central se comprometeu em enviar para as Bibliotecas através do
NDC os Critérios para a Identificação de Documentos de Valor Permanente;
- O Arquivo Central solicitou ao NDC que estes parâmetros de Classificação de
Assuntos para os Arquivos Correntes das Bibliotecas do NDC e a Tabela de
Temporalidade da Área de Documentação e Informação já acordados fossem
distribuídos por e-mail para todas as unidades do sistema NDC.
- Posteriormente, o Arquivo Central comprometeu-se em encaminhar e treinar os
servidores (Bibliotecários) nos formulários de Eliminação, Transferência e
Recolhimento.

�5 Considerações finais:
- Aguarda-se a aprovação da Tabela de Temporalidade da UFF, inspirada nas
Resoluções do CONARQ, e as especificidades da UFF, a fim de agilizarmos o
processo de avaliação, destinação e organização de Documentos;
- O Arquivo Central/DARQ/NDC vem promovendo a Gestão de Documentos
dentro da universidade com base na legislação em vigor, em especial nas
Bibliotecas do NDC, como uma experiência piloto.
- A Gestão de Documentos irá racionalizar e incrementar o processo
administrativo dentro da universidade, promovendo o melhor acesso à informação,
o poder decisório e a economia dos gastos públicos;
- O Sistema de Arquivos da universidade já vem sendo implementado
embrionariamente desde a criação do Arquivo Central, pois este já procurava nas
orientações técnicas uma normalização técnica arquivística;
- Atualmente, a Gestão de Documentos do Arquivo Central procura estabelecer e
colaborar com uma política informacional arquivística no âmbito do NDC;
- O Núcleo de Documentação da UFF poderá melhor administrar o seu Sistema de
Informação com base na organização, e disponibilização mais ágil e precisa das
informações geradas nos arquivos correntes das Bibliotecas e do próprio Arquivo
Central.

�6. Referências Bibliográficas:
JARDIM, José Maria. Sistemas e Políticas Públicas de Arquivos no Brasil.
Niterói: Eduff, 1995.
NASCIMENTO, Cecília Maria P. do et al. Planejamento Estratégico 1998/1999.
Niterói, 1998.
OLIVEIRA, Maria Izabel de et al.

Gestão de documentos: conceitos e

procedimentos básicos. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1993.
PAES,

Marilena Leite.

Arquivo: Teoria &amp; Prática.

2 ed. Rio de Janeiro:

FGV,1991.
SCHELLENBERG, T. R. Arquivos modernos: princípios e técnicas.

Rio de

Janeiro: FGV, 2002
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE. NÚCLEO DE DOCUMENTAÇÃO.
NDC 37 anos : um olhar sobre o passado e uma luz para o futuro. Niterói, 2006
UNIVERSIDADE

FEDERAL

FLUMINENSE.

Plano

de

desenvolvimento

institucional: proposta para apreciação dos Conselhos Superiores (CUV e CEP).
Niterói, 2003.
_____________

PDI: Avaliação – 2005 - Proposta 2006. Niterói, 2005

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Relata a experiência de Gestão de Documentos no âmbito da Universidade, de como esta irá influenciar as políticas públicas de informação neste espaço informacional, e em particular no que tange aos procedimentos técnicos de avaliação e organização dos Arquivos Correntes das Bibliotecas do Núcleo de Documentação da UFF, utilizando-se do Código de Classificação e da Tabela de Temporalidade de Documentos do Conselho Nacional de Arquivos – CONARQ, no que diz respeito à Classe de Documentação e Informação, ampliando esta classificação de assuntos e a avaliação na organização dos Arquivos Correntes das Bibliotecas.</text>
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                    <text>GESTÃO DE PESSOAS NA PERCEPÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO: UMA
ABORDAGEM SOB O ASPECTO DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS*
Teresinha Teterycz**

RESUMO

Este estudo insere-se no tema gestão de pessoas, que vem merecendo crescente
atenção na área de administração de pessoal. Primeiramente pela necessidade da
valorização do profissional não só pela técnica mas como pessoa. E em segundo
lugar, pelas condições que o desenvolvimento
do trabalho em equipes
interdisciplinares proporciona para a vantagem competitiva, alcance de metas e
objetivos. Diante deste contexto, a presente pesquisa teve como foco principal a
gestão de pessoas na percepção do bibliotecário sob o aspecto das relações
interpessoais. O campo de pesquisa do presente estudo foram bibliotecas
universitárias na cidade de Curitiba/Pr. Os resultados obtidos revelam que nas
bibliotecas pesquisadas não há programas de gestão de pessoas claramente
definidos e que os bibliotecários pesquisados são unânimes em concordarem com
a importância do relacionamento interpessoal na gestão de pessoas. Constatou-se
também, que não há aplicação de programas de capacitação para tal em suas
equipes de trabalho. Finalizando, faz-se as considerações finais sobre os
resultados da pesquisa. A questão final é, se para todos os seres humanos, seja
na vida pessoal ou profissional entender de relações humanas para relacionar-se
bem é imprescindível, o que dizer sobre os profissionais que ocupam cargos de
gestão de pessoas?
PALAVRAS-CHAVE: Gestão de pessoas. Relacionamento interpessoal.
Biblioteca Universitária. Melhoria e qualidade dos serviços.

_______
* Trabalho de Conclusão de Curso apresentado para o Curso de Pós-Graduação em Gestão de
Bibliotecas, 2005 (UDESC).
** Bibliotecária, Especialista em Gestão da Informação e Inovações Tecnológicas(FESPPR);
Metodologia do Ensino Superior (Dom Bosco).; Gestão em Bibliotecas (UDESC). Mestranda em
Educação (PUCPR). E-mail: teterycz@yahoo.com.br, biblioteca@facel.com.br. Faculdade de
Administração, Ciências, Educação e Letras – FACEL, Rua Vicente Machado, 156 – Curitiba –
Paraná – Brasil.

�2
INTRODUÇÃO
Este estudo refere-se ao tema gestão de pessoas, que vem merecendo
crescente atenção na teoria de administração de pessoal, seja do ponto de vista
dos autores ou de observação empírica dos administradores: o capital humano
nas organizações, no trabalho em equipes interdisciplinares e principalmente no
relacionamento interpessoal que em virtude da necessidade de valorização do
profissional não só pela técnica, mas como pessoa, e também, pelas condições
que o desenvolvimento do trabalho em equipes interdisciplinares proporciona para
a vantagem competitiva, alcance de metas e objetivos finais.
Na sociedade contemporânea a informação e o conhecimento são
fundamentais e decisivos para a competitividade das organizações. E para
atender às exigências dessa sociedade, faz-se necessário a produção constante
de tecnologias, metodologias, sistemas organizacionais, entre outros, provocando
com isso uma explosão de novos conhecimentos, conseqüentemente, o aumento
do número de publicações em seus variados suportes tais como impresso, online,
digital, e outros que virão. Isso leva as bibliotecas a evoluírem e tornarem-se
organizações complexas divididas em departamento e /ou setores, gerando várias
equipes de trabalho, o que conseqüentemente requer

sincronia entre os

departamentos/setores para que se chegue ao objetivo final, que é a organização
e a disseminação da informação.
Devido a essas constantes transformações,
paradigmas e o papel do

mudam também, os

profissional bibliotecário que atua em bibliotecas

universitárias, onde a preocupação e o interesse antes focados no livro/documento
são deslocados para

a informação tão procurada para a geração de novos

conhecimentos e a competitividade organizacional, econômica e social. Assim
sendo, o profissional bibliotecário passa a exercer a função de administrador e
gestor de serviços, pessoas, conhecimento, pesquisa, entre outras.
Neste estudo, a função que é enfocada é a de gestor de pessoas que
vai desde a coordenação à liderança, à motivação e o trabalho em equipe até a

�3
capacitação de recursos humanos, já que a gestão de pessoas eficaz no mundo
contemporâneo é um grande desafio para os profissionais bibliotecários que têm
enfrentado problemas principalmente no que se refere a solução de conflitos nas
questões de relacionamento interpessoal.
De acordo com a Fundação Instituto de Terras de São Paulo (2004),
As organizações e pessoas constituem a base fundamental na qual
funciona a gestão de pessoas. Gerir pessoas é um dos maiores
desafios, pois significa, administrar as pessoas que fazem parte de uma
organização, fazer de cada pessoa verdadeiro gestor de suas atividades
dentro da organização, em qualquer nível em que esteja ou em qualquer
atividade que executar.

O que demanda capacidade de aprender, de mudar paradigmas, de gerenciar
diversidades, complexidades e ambigüidades, pois uma organização é um
conjunto de forças e habilidades individuais.
A gênese do presente estudo surgiu das experiências advindas da
atuação e das observações empíricas no contexto das bibliotecas universitárias,
onde existe um grande número de bibliotecários que exercem a função de
gestores de pessoas, seja na administração geral ou na administração de setores
e/ou seções, que não estão preparados por motivos, às vezes, curriculares dos
cursos de biblioteconomia ou por falta de preparação do próprio profissional , para
o exercício da função de gestor de pessoas, principalmente no que se refere ao
relacionamento interpessoal.
Diante deste contexto a questão investigada foi: a gestão de pessoas
na percepção do bibliotecário sob o aspecto das relações interpessoais, tendo
como objetivos: 1) identificar as formas de ação utilizadas pelos gestores no
desenvolvimento de gestão de pessoas em seus setores e/ou departamentos; 2)
conhecer o “olhar” dos bibliotecários, como gestores de pessoas, a respeito de
relacionamento interpessoal; 3) realizar um estudo descritivo do desenvolvimento
de gestão de pessoas nas Bibliotecas Universitárias.

�4
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Inicialmente, é importante ressaltar que neste trabalho por se tratar da
síntese de um estudo de pesquisa, não serão abordadas de forma aprofundada
as teorias administrativas/organizacionais face a extensão do assunto, dando
prioridade ao tema gestão de pessoas e as relações humanas nas organizações.
Organizações e gestão de pessoas
Ao

longo

dos

séculos

as

teorias

administrativas

diante

das

transformações contínuas e a crescente competitividade desenvolveram-se com
enfoques diferenciados para atender às necessidades das organizações e todas
foram passos importantes para a busca de uma teoria administrativa adequada.
São variados e divergentes os conceitos de organização que
encontramos. Alguns definem organização por sua estrutura, outros por
componentes, pelas relações existentes e ainda, pelo tipo de serviços prestados
ou produtos oferecidos, abordando desde aspectos técnicos, sociais, psicológicos
e humanos. De acordo com os referidos conceitos, as organizações possuem três
características comuns: a) têm metas distintas, b) são compostas por pessoas, c)
desenvolvem uma estrutura sistêmica, que define papéis formais e limita o
comportamento de seus integrantes, fortalecendo a divergência não somente nas
questões técnicas e administrativas, mas também nas concepções do homem e
da sociedade.
As grandes mudanças, tanto nas relações de trabalho, como no
processo tecnológico tornam os recursos humanos fator determinante em
qualquer organização, pois fazem parte dos ativos que formam o valor de uma
empresa que
capaz de

visando a competitividade,

busca um novo tipo de trabalhador

ter atitudes de forma mais elaborada e intelectualizada, isto é: as

organizações buscam e necessitam não só de profissionais estritamente técnicos,
mas

pessoas

voltadas

para

processos

de

interpretação,

elaboração

e

transformação. Ao invés de uma especialização mais rígida busca-se maior

�5
flexibilidade, controle emocional, raciocínio lógico, capacidade de sensibilidade,
de adaptação, de aprendizado, de comunicação, de trabalho em equipe, de
tomada de decisão e, principalmente a capacidade de relacionamento interpessoal
de lidar com conflito, na área pessoal e/ou profissional.
É por isso, que a gestão de pessoas tem sido uma das principais
estratégias e,

vista como responsável pela excelência das organizações bem

sucedidas, pois são os chamados capitais intangíveis -

pessoas, que

impulsionam a inovação das organizações. São as pessoas que produzem,
servem o cliente, vendem, tomam decisões, lideram, motivam, supervisionam,
gerenciam e ajudam a trabalhar os conflitos e a pluralidade.
Para Chiavenato (1999, p.7), “a gestão de pessoas se baseia em três
aspectos fundamentais: as pessoas como seres humanos, as pessoas como
ativadores inteligentes de recursos organizacionais e as pessoas como parceiros
da organização.”
Portanto,

o gestor de pessoas, seja de uma organização como um

todo ou de um departamento, passa a ser um agente de transformações e
mudanças constantes para a obtenção da chamada “melhoria contínua” com sua
equipe.
Como mencionado anteriormente, as pessoas são o principal diferencial
competitivo das organizações, pois elas constituem a essência do patrimônio
intangível. Portanto, para uma organização ser bem sucedida ela necessita de
pessoas preparadas profissional e emocionalmente; empreendedoras, ágeis, e
dispostas a assumir riscos, pois são elas que produzem e prestam serviços.
Muitas organizações e/ou departamentos preocupam-se em treinar
funcionários

em

suas

respectivas

funções

técnicas,

sem

o

devido

comprometimentonão estando devidamente comprometidos e satisfação destes,
que possuem sentimentos, aspirações e ideais, muitas vezes não iguais aos da

�6
organização na qual atuam. Estas posturas costumam dificultar o desenvolvimento
organizacional.
Os processos de desenvolvimento de pessoas estão intimamente
relacionados com a educação. Educar significa extrair, trazer, arrancar.
Em outros termos representa a necessidade de trazer de dentro do ser
humano para fora dele as suas potencialidades. (CHIAVENATO, 1999,
p.290).

As relações humanas e a organização
Para que uma organização funcione de forma eficaz e obtenha maior
produtividade, não basta organizar as pessoas com funções similares sob uma
mesma chefia, delimitando suas tarefas e responsabilidades. É preciso levar em
consideração as relações interpessoais que constituem o sistema vital de uma
organização. A estrutura formal ou administrativa e a informal ou de relações
humanas, por meio da interação entre si criam o padrão real do relacionamento
humano nas organizações, proporcionando um ambiente de trabalho mais
humano apto a satisfazer as necessidades profissionais de ordem individual em
relação ao trabalho, associando assim, satisfação e produtividade.
Segundo Dejours citado por Aguiar (2002, p. 160),

Existe um elo entre os elementos qualidade, segurança, saúde e o
prazer [ satisfação] no trabalho que são indissociáveis. A segurança
depende da boa vontade dos funcionários que vão se interessar
individualmente e coletivamente para garantir o bom funcionamento da
organização. A administração tem a responsabilidade social de manter o
espaço público para que os funcionários, gerentes e executivos possam
se “confrontar” e assim garantir a segurança da organização e o
equilíbrio da sociedade como um todo.

Sem dúvida, o desenvolvimento científico e tecnológico tem trazido uma
série de benefícios para as organizações e para a sociedade como um todo. Mas
trouxe também, a desumanização do trabalho. Preocupadas em buscar maior

�7
competitividade, as organizações muitas vezes não percebem a necessidade
pessoal de seus funcionários que são seres únicos e com emoções e aspirações
diferenciadas, deixando de levar em consideração o indivíduo com suas
características peculiares de personalidade, individualidade, aspirações, valores,
atitudes, crenças, conhecimentos e competências

necessários para o

desenvolvimento de seu trabalho na organização da qual faz parte.
De acordo com Chiavenato (1994), o comportamento humano em uma
organização é complexo e depende de fatores internos (capacidade de
aprendizagem,

aspirações,

frustrações

valores,

crenças,

motivações,

competências, objetivos e perspectivas, conhecimento e emoções) e externos
(expectativas e pressões superiores, mudanças organizacionais, sistemas
pessoais, fatores sócias, políticas organizacionais, coesão grupal, entre outros),
onde a interação e a influência entre esses fatores direcionam o comportamento
do indivíduo em seu ambiente de trabalho.
Para Moscovici (2002, p. 47),
o comportamento humano não é programável atrelado a um modelo
teórico. As variáveis em questão são pessoas vivas, complexas, que
manifestam atitudes, sentimentos, experiências, competências e
motivações variadas individualmente (...) O relacionamento interpessoal
entre líder e os membros do grupo é um dos fatores mais relevantes na
facilitação ou obstância de um clima de confiança, respeito e afeto que
possibilite relações de harmonia e cooperação, determinando as
verdadeiras possibilidades de trabalho conjuntivo produtivo.

A autora enfatiza ainda “que as relações interpessoais no grupo são
tão ou mais importantes do que a qualificação individual para as tarefas”. Para
alcançar seus objetivos, ter sucesso e vencer a competitividade, as organizações
dependem das pessoas. Por isso, precisam conciliar os interesses da organização
com

os

interesses

individuais

de

seus

funcionários,

primando

pelo

comportamento humano e o relacionamento interpessoal entre funcionário e
líderes, entre equipes e entre a organização como um todo.

�8
Auto-conhecimento e Relacionamento interpessoal
Em toda a existência da humanidade em meio a fatores como:
mudanças sociais, tecnológicas, políticas, econômicas e culturais, que de forma
imprevisível atuam uns sobre os outros, o homem evoluiu pela sua ânsia da
descoberta do novo, de conquistas, vitórias e fracassos.
Em seus diferentes níveis de transformações, estes fatores afetam o
indivíduo que se depara com uma série de pressões e problemas, o que exige
cada vez mais a interação humana e a busca pela motivação para a realização
pessoal e profissional.
Com a acelerada revolução tecnológica e com a chamada globalização,
a reestruturação organizacional, a redução nos postos de trabalho e a
competitividade acabaram por reduzir as relações cordiais entre as pessoas. As
organizações têm buscado profissionais que além de suas qualificações técnicas,
tenham domínio emocional e capacidade de relacionamento interpessoal, pois em
nosso ambiente de trabalho compartilhamos não só atividades, mas interações e
sentimento – comunicação, cooperação, respeito e amizade. Dessa forma, as
pessoas precisam conhecer-se cada vez mais para desenvolver sua auto-estima,
redescobrir a emoção no trabalho e conquistar seu espaço profissional e pessoal,
trabalhar com o plural e o conflito.
No decorrer de suas vidas as pessoas adquirem padrões socioculturais e passam a escutar o que a sociedade determina, não dando atenção a
seus próprios desejos e anseios. Agindo desta forma, acabam por silenciar seus
desejos temendo pressões, determinações e medos impostos pela sociedade e
até pelas pessoas com quem convivem. Muitas vezes não entendem o que as leva
a determinadas reações e atitudes. O auto-conhecimento é imprescindível, pois
leva o indivíduo a conhecer seus valores, sentimentos e referenciais, permitindo à
pessoa

descobrir-se, ou seja, saber

quem é e, o que quer. Portanto, é

fundamental conhecer o próprio potencial e as próprias limitações para o bom
desempenho nos aspectos pessoais e profissionais.

�9
Para termos uma convivência harmoniosa em uma sociedade
precisamos considerar e respeitar as individualidades de cada pessoa que como
vimos anteriormente, são determinadas pelos fatores genéticos, psicológicos e
socioculturais.

A forma como lidamos com essas diferenças individuais

determinam o clima entre as pessoas, que conseqüentemente, tem forte influência
sobre o grupo e o ambiente de trabalho, principalmente no que se refere aos
processos

de

comunicação,

relacionamento

interpessoal,

comportamento

organizacional e produtividade.
O comportamento humano é norteado por objetivos, ou seja, motivado
por algum desejo em atingir determinada meta. Os integrantes de um grupo
profissional, diferem não só na sua capacidade, mas também em sua motivação,
que podem ser definidos como necessidades, aspirações ou desejos interiores.
Assim também é o processo, inerente ao desenvolvimento profissional e sua
conseqüente transferência para a produção em seu ambiente de trabalho.
PROCEDIMENTO METODOLÓGICO
Ressalta-se que a intenção deste trabalho foi fazer um estudo descritivo
buscando a descrição e interpretação do tema estudado com a finalidade de
alcançar maior compreensão a partir das opiniões formuladas sem a intenção de
intervir no trabalho da gestão das bibliotecas pesquisadas.
A pesquisa foi realizada durante a segunda quinzena de maio de 2005.
O universo escolhido para a pesquisa de campo foi três bibliotecas universitárias,
onde foram pesquisados 13 profissionais bibliotecários, abrangendo 100% dos
questionários distribuídos. O critério para a escolha das instituições foi aleatório,
considerando-se também, a facilidade de acesso às mesmas. Os participantes da
pesquisa foram selecionados, em função dos cargos que ocupam, pois, são
gestores de pessoas em seu ambiente de trabalho.
Não foi objetivo deste trabalho, a aplicação direta de qualquer técnica
ou alternativa no que tange a gestão de pessoas, mais especificamente no que se

�10
refere a

relacionamento interpessoal, pois trata-se de um estudo restrito a

profissionais bibliotecários da região de Curitiba, e por as opiniões reproduzirem
as percepções particulares de cada um segundo as condições de cada instituição,
na qual está inserido.
ANÁLISE E APRESENTAÇÃO DOS DADOS
É importante salientar que na interpretação dos dados foram
considerados os dados da pesquisa, associando-os aos principais conceitos do
referencial teórico sobre o tema.
Para alcançar uma boa compreensão do estudo, apresentam-se no
quadro abaixo a contextualização das instituições e dos profissionais pesquisados.

Item Pesquisado
1) Faixa etária (em anos)
1) Formação Profissional
Graduação
Pós-Graduação
2) Recebem capacitação
profissional
3) Oferecem benefícios aos
funcionários que gerenciam
4) A Instituição possui planos de
cargos e salários

Resultados obtidos
25 e 35
36 e 45
46 e 55
46%
31%
23%
Ano de formação (décadas)
70
33,3 %

80
16,7%
Sim
55,8 %
Sim

90
41,7%

100 %
Sim

2000
8,3%

Não
46,2 %
Não
_
Não

53,8 %
Sim

46,2 %
Não

34 %

66 %

Quadro 1 – Contextualização das Instituições e dos Profissionais Pesquisados

Respondendo o objetivo 1, quanto as formas de ações utilizadas para
o desenvolvimento de gestão de pessoas em seu setor/biblioteca, observou-se

�11
que as mesmas são variadas, mesmo em casos de bibliotecários que atuam em
uma mesma instituição.
Entre as ações citadas as mais utilizadas pelos gestores pesquisados
são reuniões em grupo e individuais, tendo outras como, rotatividade de setores,
lista de discussão, divulgação de mensagens de reconhecimento e metas
atingidas e comunicação.
Vale ressaltar, que apesar de 100% dos pesquisados responderem que
recebem

capacitação

profissional

e,

de

sua

importância,

a

capacitação/treinamento dos funcionários que integram suas equipes,

foi

mencionado apenas por um gestor pesquisado. Observa-se também, no resultado
do presente questionamento, que questões indispensáveis para a gestão de
pessoas, principalmente para o relacionamento interpessoal como: capacitação
em

auto-conhecimento

e

relações

humanas,

não

foram

mencionadas.

Subentende-se que não são utilizadas pelos gestores pesquisados.
O fator auto-conhecimento não teve referência. Talvez poucos saibam o
seu significado ou por ser tão inerente nas relações humanas que não é
necessário explicitá-lo. É importante lembrar que o auto-conhecimento é a base
para o bom relacionamento interpessoal e necessita fazer parte da gestão de
pessoas.
Segundo MAGALHÃES (2005),
Saber cultivar boas relações é uma exigência do dia-a-dia, tanto para as
pessoas como para as organizações e a estrutura do bom
relacionamento com o outro é o fruto do diálogo interno, da capacidade
de entendermos nossas próprias emoções e inquietações, descobrindo
quem realmente somos e o que desejamos. Portanto, se não somos
bem resolvidos, não nos conhecemos, não sabemos nossos limites e
medos, com certeza vamos transferir isso para os outros dificultando a
convivência.

�12
Quanto mais conscientes de suas necessidades, de seus conflitos, de
seus limites e de suas potencialidades, maiores são as chances de bons
relacionamentos.
O objetivo 2, que é o foco principal deste estudo, os pesquisados são
unânimes em suas opiniões quanto a importância do relacionamento interpessoal
na gestão de pessoas.
Em resposta ao objetivo 3 do presente estudo, conclui-se, que não
existem programas claramente definidos para a gestão de pessoas nas bibliotecas
universitárias pesquisadas. Observou-se casos de gestores que atuam em uma
mesma biblioteca mas que têm uma visão diferenciada do que seja gestão de
pessoas, demonstrando pouco conhecimento sobre o assunto. Verificou-se
também que todos os pesquisados foram unânimes na questão da importância do
relacionamento interpessoal na gestão de pessoas, porém na pesquisa não foi
feita nenhuma menção quanto a capacitação para o desenvolvimento das relações
humanas em suas equipes de trabalho.
Como já foi mencionado na análise dos dados, questões indispensáveis
para o relacionamento interpessoal como: capacitação em auto-conhecimento e
relações humanas não foram mencionadas pelos pesquisados, o que leva ao subentendimento de que não é aplicada pelos gestores pesquisados.
Segundo Galli (2001), o auto-conhecimento é sem dúvida a chave da
liberdade e a base da competência profissional. É através dele, que todo indivíduo
pode entender seu universo cognitivo, e com isso, avaliar seu comportamento,
seus condicionamentos, suas percepções. Ainda segundo a autora, “conhecendo
seus próprios sentimentos como motivação para melhor compreender os outros,
desenvolverá

um

bom

relacionamento

interpessoal

e

conseqüentemente

capacidade para discernir e responder adequada e criativamente na relação com o
público interno e externo de uma organização (p. 147).”

�13
Os cursos / treinamentos que as organizações geralmente oferecem
aos seus funcionários estão voltados para objetivos específicos como crescimento
e aprimoramento profissional, produtividade, entre outros, visando sempre o lucro.
O renomado filósofo Sócrates,

há muito tempo nos mostra

com sua frase

consagrada “conhece-te a ti mesmo” a importância da auto-análise de valores,
habilidades, defeitos, limitações, potencialidades, crenças, virtudes, etc. Portanto
não é somente através de inúmeros diplomas acadêmicos que se consegue
entender os caminhos

sensíveis que levam a motivação humana e ao bom

relacionamento, seja, pessoal ou profissional.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A gestão de pessoas é uma das áreas que tem passado por grandes
mudanças nos últimos tempos devido a uma série de transformações que vêm
ocorrendo e que influem de maneira profunda nas organizações, na sociedade e
na vida profissional e social das pessoas. Uma das grandes mudanças é a busca
das empresas por um novo perfil profissional. Nessa nova “Era” o sucesso
profissional já não depende somente da formação técnica, racional, como quando
o trabalho era baseado na produção, propriamente dita. Atualmente estamos na
“Era” da prestação de serviços. Portanto, exige-se cada vez mais, profissionais
que tenham a capacidade do bom relacionamento com o ser humano, pois, a
forma de mecanização da produção dá lugar à percepção das necessidades
individuais das pessoas, onde o grande diferencial é a valorização dos aspectos
humanos. Vista desta forma, a produtividade tende a aumentar quando se busca
atender as motivações inerentes à personalidade de cada indivíduo.
Atualmente tem se rediscutido o trabalho enquanto valor fundamental,
obrigação e fonte de satisfação pessoal, pois é o trabalho que situa o indivíduo na
sociedade. E é através das experiências da vida ativa que são construídas a
identidade e a personalidade de cada um.
De acordo com a revisão teórica e experiências empíricas, muitas
organizações falham por não trabalhar adequadamente os fatores humanos, e por

�14
considerarem a produtividade somente em termos de produção e lucratividade,
esquecendo-se do fator relacionamento humano. Outro aspecto a ser considerado
é que o comportamento dos colaboradores é diretamente influenciado pela forma
como os seus gestores os vêem, o que reafirma a importância do relacionamento
entre gestor e equipe.
Convém relembrar, que para relacionar-se bem com outras pessoas, o
indivíduo necessita ter conhecimento de pessoas e para ter o referido
conhecimento o fator principal é o auto-conhecimento - consciência de quem é,
do que deseja para sua vida, saber quais são os seus valores, acreditar em si,
conhecer suas emoções e reações.
Conhecer a si mesmo é o pré-requisito crucial para o bom
relacionamento. Nossos valores internos, nos quais acreditamos é que
determinam a forma como lidamos com outras pessoas. Para que possamos ter
um relacionamento sadio precisamos procurar ver o outro como pessoa com suas
qualidades, defeitos, crenças, e também, estar livres de preconceitos e opiniões
preconcebidas a respeitos dos outros.
O’DONELL (2002), apresenta uma dinâmica chamada por ele de
“dinâmica do poder”, que é muito útil e auxilia para a melhoria gradual de nossos
relacionamentos profissionais e conseqüentemente, nossos relacionamentos
pessoais. A dinâmica apresenta-se em nove passos:
1.º Prestar atenção; 2.º Aceitar as pessoas como elas são; 3.º Tolerar;
4.º Adaptar-se a novas situações; 5.º Discernir, avaliar os fatos; 6.º Decidir-se por
um caminho a ser seguido;

7.º Assumir as

Cooperar e fazer parte de uma equipe;

responsabilidades cabíveis;

8.º

9.º Retornar ao estado de prestar

atenção.
Finalizando, espera-se ter contribuído para uma melhor e mais ampla
compreensão do tema proposto,

despertando nos gestores de pessoas, a

importância da valorização do trabalhador como ser humano, e do relacionamento

�15
interpessoal, para o desenvolvimento produtivo e satisfatório do seu trabalho, pois
são as características individuais de cada pessoa aliadas ao contexto do ambiente
de trabalho que determinam o entusiasmo para a execução de suas tarefas com
eficácia e eficiência.
A questão final é:

se para todos os seres humanos, seja na vida

pessoal ou profissional, entender de relações humanas para relacionar-se bem, é
imprescindível, o que dizer sobre os profissionais que ocupam cargos de gestão
de pessoas?

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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2002.
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MAGALHÃES, I. Relações saudáveis. Disponível em:
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O’DONELL, K. A alma do negócio: para uma gestão positiva. 4.ed. São Paulo:
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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Documentação&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Este estudo insere-se no tema gestão de pessoas, que vem merecendo crescente atenção na área de administração de pessoal. Primeiramente pela necessidade da valorização do profissional não só pela técnica mas como pessoa. E em segundo lugar, pelas condições que o desenvolvimento do trabalho em equipes interdisciplinares proporciona para a vantagem competitiva, alcance de metas e objetivos. Diante deste contexto, a presente pesquisa teve como foco principal a gestão de pessoas na percepção do bibliotecário sob o aspecto das relações interpessoais. O campo de pesquisa do presente estudo foram bibliotecas universitárias na cidade de Curitiba/Pr. Os resultados obtidos revelam que nas bibliotecas pesquisadas não há programas de gestão de pessoas claramente definidos e que os bibliotecários pesquisados são unânimes em concordarem com  importância do relacionamento interpessoal na gestão de pessoas. Constatou-se também, que não há aplicação de programas de capacitação para tal em suas equipes de trabalho. Finalizando, faz-se as considerações finais sobre os resultados da pesquisa. A questão final é, se para todos os seres humanos, seja na vida pessoal ou profissional entender de relações humanas para relacionar-se bem é imprescindível, o que dizer sobre os profissionais que ocupam cargos de gestão de pessoas? </text>
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                    <text>Eixo temático: O impacto das tecnologias eletrônicas e sua mediação
- A educação continuada dos profissionais da informação

GESTÃO DOCUMENTAL, DA INFORMAÇÃO E DO CONHECIMENTO: as
práticas das empresas excelentes em gestão empresarial para bibliotecas
universitárias*
Emeide Nóbrega Duarte

Profa. do DBD/UFPB. Dra. em Administração/UFPB.

emeide@hotmail.com
Alzira Karla Araújo da Silva

Profa. do DBD/UFPB. Ms. em Ciência daInformação/UFPB

alzirakarla@click21.com.br
Suzana Queiroga da Costa
Aluna Bolsista PIBIC/UFPB.

suzanaqueiroga@yahoo.com.br
Bernardina Maria Juvenal Freire

Profa. do DBD/UFPB. Ms. em Ciência da Informação/UFPB.

Resumo
A gestão documental objetiva o tratamento de documentos, tornando-os
importantes nos processos de negócios das empresas. A gestão da informação e
do conhecimento facilita o uso da informação empresarial para tomada de
decisões, gerando conhecimentos organizacionais. O Estado da Paraíba lançou o
desafio “Excelência em Gestão Empresarial” oferecendo o Prêmio Paraibano de
Qualidade (PPQ) e o Prêmio Revelação Empresarial (PRE) às empresas que se
destacaram. Entre os critérios de excelência considerados para premiação
ressalta-se informação e conhecimento. Essa iniciativa despertou o interesse em
diagnosticar em empresas paraibanas – com sede em João Pessoa – PB consideradas “excelência em gestão empresarial” as práticas de gestão
documental, da informação e do conhecimento para adequá-las às bibliotecas
universitárias. Dentre o universo de oito empresas, selecionou-se àquela
considerada de grande porte e com sede em João Pessoa – PB, formando a
amostra a ser trabalhada. Após realização de entrevista constata-se que uma das
empresas destaca-se em práticas de gestão da informação e do conhecimento.
Os dados foram coletados por entrevista semi-estruturada. Os resultados
demonstram que não se percebeu práticas de Gestão Documental, enquanto as
diversas práticas de Gestão da Informação e do Conhecimento diagnosticadas
poderão ser extensivas às bibliotecas universitárias promovendo aprendizagem.

Palavras-chave: Gestão Documental. Gestão da Informação. Gestão do
Conhecimento. Biblioteca Universitária

Artigo originado da pesquisa “A biblioteca universitária como organização do conhecimento: do
modelo conceitual às práticas”, financiada pelo PIBIC/CNPq.

*

�1 INTRODUÇÃO
Diante da mudança de foco da sociedade - do agrícola para o industrial, deste
para o informacional e agora para o conhecimento - e dos novos modelos
administrativos - participativo, democrático e misto - as empresas passaram a
perceber a importância dos documentos e da informação, preocupando-se com a
sua gestão e buscando uma maior organização, guarda e destinação. Dessa
forma, o tratamento da informação passou a constar do planejamento estratégico
das organizações do conhecimento em busca do acompanhamento das
mudanças da atual Sociedade do Conhecimento.
A gestão documental (GD) como uma metodologia de tratamento de documentos
e informações tem como objetivo maior mantê-los bem organizados e acessíveis,
tornando-os peças importantes nos processos de negócios das empresas, uma
vez que oferece as condições necessárias para uma correta avaliação da
documentação da empresa de acordo com suas reais necessidades. Nesse
sentido, a GD tem como principal tarefa a avaliação e classificação dos
documentos, para identificá-los hierarquicamente e dar a eles um prazo de guarda
e destinação (JORNAL do GED, 2004). Nesse sentido, uma gestão documental
adequada, conseqüentemente irá facilitar o uso da informação empresarial para
tomada de decisões.
A importância da informação para as organizações é universalmente aceita,
constituindo, um dos recursos mais importantes, cuja gestão e aproveitamento
estão diretamente relacionados ao sucesso desejado. A informação também é
considerada e utilizada como um instrumento de gestão (TARAPANOFF, 2001). A
Gestão da Informação (GI) é considerada como um “conjunto de conceitos,
princípios, métodos e técnicas utilizados na prática administrativa e colocados em
execução pela liderança de um serviço de informação [...] para atingir a missão e
os objetivos fixados” (DIAS; BELUZZO, 2003, p.65).
Para uma tomada de decisão mais acertada, o gestor necessita não só de
informações relevantes, como também de conhecimento organizacional. O

�conhecimento também começou a ganhar uma redobrada atenção, recentemente.
Não só teóricos socieconômicos como Peter Drucker e Alvim Toffler chamaram
atenção para a importância do conhecimento como recurso e poder gerencial,
assim como um número crescente de estudiosos nas áreas de organização
industrial,

gerenciamento

da

tecnologia,

estratégia

gerencial

e

teoria

organizacional começou a teorizar sobre a administração do conhecimento. De
forma que o conhecimento pode ser gerenciado no entendimento de constituir um
“conjunto de atividades que busca desenvolver e controlar todo tipo de
conhecimento em uma organização, visando à utilização na consecução de seus
objetivos” (TARAPANOFF, 2001).
Nem sempre a Gestão do Conhecimento (GC) requer instrumentos sofisticados. A
partir de um arquivo bem organizado, de um sistema de gestão eletrônica de
documentos, ou mesmo programas eficazes de educação, as empresas
provavelmente já estarão fazendo algo que pode estar sendo direcionado para a
GC. Os arquivistas, administradores, bibliotecários e jornalistas, para citar
algumas categorias, começam a desempenhar importante papel na GC.
(BARRETO, 2001).
Recentemente no Estado da Paraíba foi lançado o desafio “Excelência em Gestão
Empresarial” oferecendo o Prêmio Paraibano de Qualidade e o Prêmio Revelação
Empresarial às empresas que se destacaram. Entre os critérios de excelência
considerados incluem-se: liderança, estratégias, clientes, sociedade, informação
e conhecimento, pessoas, processos e resultados. Daí o interesse para
realização deste artigo resultante de um projeto de pesquisa que objetivou
diagnosticar

as

empresas

paraibanas

sediadas

em

João

Pessoa,

PB

consideradas “excelência em gestão empresarial”, quanto às práticas de GD,GI e
GC.
2 GESTÃO DOCUMENTAL (GD)
Diante das necessidades da excelência mercadológica, competitividade e da
redução de custos, as empresas estão presenciando um retorno valorativo da GD,
se forem consideradas do ponto de vista administrativo, como produtoras

�permanentes de documentos indispensáveis à ação administrativa, como
correspondência, relatórios, projetos, planos de custos, documentos contábeis,
dossiês

de

servidores

entre

outros

documentos

indispensáveis

ao

acompanhamento da vida funcional dos que compõe ou já compuseram o quadro
Institucional.
As organizações devem se preocupar com a GD, buscando preservar como
também aumentar de certo modo sua produção com qualidade, com o
reaproveitamento de informações e aprimoramento do fluxo documental, tomando
como estratégia básica à organização interna de seus arquivos, favorecendo além
do cumprimento legal e administrativo, a redução de tempo X custos, facilidade de
acesso ao estoque documental, melhor aproveitamento dos espaços disponíveis,
valorização da imagem institucional e manutenção do nível de qualidade.
Destaca-se no cenário nacional e internacional, de que há uma rápida
obsolescência do material e dos softwares necessários à interpretação e
disseminação de documentos, bem como a preservação de documentos por meio
digital que inclui uma série de requerimentos distintivos, que consistem na
habilidade de serem copiados e acessados sem custos. Outra questão latente é o
da autenticidade documental que em relação ao Brasil tem-se gerado esforço na
discussão da matéria, uma vez que, documentos preservados digitalmente ainda
podem sofrer alteração de forma casual ou intencional, causando perdas
irreparáveis, portanto a preservação digital pressupõe infra-estrutura e políticas
institucionais.
É imperativo afirmar que para se armazenar magneticamente o documento faz-se
necessário uma organização física da massa documental, principalmente da
documentação já acumulada, com forte presença de depredadores de
documentos. Essa preocupação também parece estar refletida sob o ponto de
vista legal e arquivístico ao utilizar-se do termo conservação, assim como do
entendimento digital ou eletrônico que significa preservação de informação,
associadas com a renovação, migração e segurança à integridade do documento.

�A necessidade de organização documental nas empresas, também tem passado
por uma preocupação das instituições fiscalizadoras, que têm recomendado a
organização interna da documentação produzida, como elemento facilitador dos
trabalhos daqueles órgãos. O estabelecimento de uma política empresarial
voltada para a gestão e gerenciamento de arquivos, contribui para a efetivação da
qualidade empresarial, tendo em vista que o importante é manter a qualidade,
uma vez que “tudo pode ser substituível... INFORMAÇÃO NÃO”.
Diante desses argumentos constituem objetivos da GD: a) garantir que a
informação esteja disponível quando e onde seja necessária a empresa e aos
cidadãos; b) assegurar a eliminação que não tenham valor administrativo fiscal e
legal; c) assegurar o uso adequado do gerenciamento eletrônico da informação;
d) contribuir para o acesso e preservação dos documentos de caráter
permanente.
São consideradas fases básicas da GD: a produção, utilização e destinação dos
documentos. Na última fase engloba-se o procedimento de atividade de protocolo,
cujo objetivo consiste no controle dos documentos que ainda tramitam na
empresa, de modo a assegurar a imediata localização e recuperação dos
mesmos, garantindo, assim, o acesso à informação (INDOLFO et al, 1995, p. 16).
Tendo em vista a relevância da GD como geradora de informações e
conhecimentos que propiciam uma tomada de decisão mais segura nos níveis
estratégico, intermediário e operacional das organizações, é imprescindível um
investimento nesse sentido.
3 GESTÃO DA INFORMAÇÃO (GI)
Para atender com efetividade, eficiência e eficácia as solicitações informacionais
oriundas desta sociedade é preciso adotar a filosofia da GI, definida como um
conjunto de conceitos, princípios, métodos e técnicas usadas na prática
administrativa que auxiliam no processo de tomada de decisão e alcance da
missão e objetivos, quando colocados em prática pelos líderes das organizações
(DIAS; BELLUZZO, 2003). Nesse sentido, a GI passa a ser um elemento
indispensável às empresas que almejam um diferencial competitivo.

�Na atualidade, a GI tem o objetivo de garantir que a informação seja gerenciada
como um recurso indispensável e valioso e que esteja alinhada com a missão e
os objetivos do serviço de informação. Seu principal objetivo é, portanto,
“identificar e potencializar os recursos informacionais de uma organização e sua
capacidade de informação ensiná-la a aprender e adaptar-se às mudanças
ambientais” (TARAPANOFF, 2001, p.44).
Para alcançar esse foco, Beluzzo (2003) cita que a GI deve contemplar o
processo de fluxo, aquisição, processamento, armazenamento, disseminação e
utilização da informação. Para tanto, é preciso seguir as etapas de sensibilização,
estruturação adequada ao plano de GI, não compreendida como um fim em si
mesmo, mas como um apoio indispensável para a gestão de uma organização,
devendo ser desenvolvida numa perspectiva de “negócio” e sob a ótica do cliente.
Deve contemplar as necessidades de informação dos clientes e da organização,
permitir uma integração das atividades e dos recursos disponíveis, esclarecer e
divulgar claramente os níveis de responsabilidade, políticas e procedimentos a
serem adotados e ser desenvolvido de modo a facilitar o alcance da missão e dos
objetivos da organização.
Para entender os processos de GI é preciso compreender a definição de processo
como um conjunto de tarefas, conectadas logicamente que de um modo geral
cruzam limites funcionais e o conceito de processo de GI como aquele que
focaliza seus aspectos dinâmicos (McGEE; PRUSAK, 1994). É oportuno lembrar
que não existe um único modelo para a GI e que o modelo apresentado a seguir é
uma tentativa de reunir todas as etapas buscando sua amplitude, tais como: a)
Identificação das necessidades, requisitos e exigências de informação; b)
aquisição/obtenção, organização/tratamento e armazenamento da informação; c)
desenvolvimento de produtos e serviços de informação; d) distribuição e
disseminação da informação e; e) uso da informação.
Considerando a circularidade desse processo de GI, vale salientar que as
organizações que pretendam se inserirem no modelo de organizações do
conhecimento precisam segui-lo para que haja o acesso e o uso das informações

�desejadas e existentes na organização, de forma que sejam alcançados os
resultados desejados pela organização.
4 GESTÃO DO CONHECIMENTO (GC)
Sempre que se aborda o processo de GC, é recomendável fazer a distinção entre
dado, informação, conhecimento, para que não haja confusões conceituais. Neste
processo, dados entendidos como valor sem significado são componentes de
informação, como figuras e letras. A informação é o dado com significado, que
está organizado, processado ou estruturado. Conhecimento é a informação com
valor agregado, elemento habilitador da decisão, é tudo que deve ser conhecido,
antecipadamente, para iniciar o curso de uma ação.
Para Davenport e Prusak (1998) podem-se transformar dados em informação,
agregando valor pelos seguintes métodos: contextualização (finalidade dos
dados); categorização (componentes essenciais dos dados); cálculo (dados
podem ser analisados estatisticamente); correção (erros são eliminados dos
dados); condensação (dados podem ser resumidos). Seguindo o pensamento
deste autor, é possível transformar informação em conhecimento agregando
valor, por meio da comparação (de que forma as informações relativas a esta
situação se comparam as outras situações conhecidas?); das conseqüências (que
implicações estas informações trazem para as decisões e tomadas de decisão?);
das conexões (quais as relações deste novo conhecimento com o conhecimento
acumulado?) e conversação (o que as outras pessoas pensam desta
informação?).
Não se pode, em princípio, tomar boas decisões, baseando-se somente em
informações,

não

importando

quão

acurada

ou

abrangente

ela

seja.

Conhecimento, como coleção de informações filtradas, destiladas e analisadas,
agrega valor para a tomada de decisão. Conhecimento, não informação,
conseqüentemente é o que o responsável pela tomada de decisão necessita para
a eficiência do seu trabalho. Nessa discussão, acrescenta-se ainda a diferença de
que dados e informações são constantemente transferidos por meio eletrônico,

�mas o conhecimento parece transitar com mais eficiência em redes humanas
(DAVENPORT; PRUSAK, 1998, p 193).
Há inumeráveis conceitos de GC, por este motivo, alguns deles encontram-se
explicitados para facilitar a compreensão e delimitação deste entendimento. GC
organizacional pode ser entendida como um “conjunto de processos que governa
a criação, a disseminação e a utilização de conhecimento no âmbito das
organizações” (ANGELONI, 2002, p.16). Em pesquisa de tese, onde foi
demonstrada a prática da GC nas organizações, em nível nacional, Duarte (2003,
p.283) conclui que a “GC consiste na integração de processos simultâneos desde
a criação ao uso pleno do conhecimento, viabilizado pela cultura de aprendizado
e de compartilhamento no ambiente das organizações”.
Os processos de GC, identificados por Tarapanoff (2001) constam da seguinte
descrição: a) Identificação das questões estratégicas, como a de identificar que
competências são críticas para o sucesso da organização; b) captura - representa
a aquisição de conhecimentos, habilidades e experiências necessárias para criar
e manter as competências essenciais; c) organização e armazenagem para
garantir a recuperação do conhecimento, por meio da utilização de sistemas de
armazenagem efetivos; d) compartilhamento para garantir acesso e distribuição
de informações e conhecimentos; e) aplicação para destacar a importância do
registro das lições aprendidas com a utilização do conhecimento e; f) criação de
conhecimento, envolvendo aprendizagem, externalização do conhecimento, lições
aprendidas, pensamento criativo, pesquisa, experimentação, descoberta e
inovação.
5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A escolha do ambiente onde se realizou a pesquisa, a caracteriza quanto ao
delineamento, como estudo de campo. Quanto à natureza caracteriza-se como
pesquisa qualitativa. O estudo é de nível exploratório e descritivo, uma vez que,
foi desenvolvido com o objetivo de proporcionar visão geral, de tipo aproximativo
de determinado fato; que corresponde à existência de práticas de GD, GI e GC
nas empresas e descrever as variáveis que identificam essas práticas.

�Para a definição do universo e da amostra da pesquisa foi considerado o
Programa Paraibano de Qualidade (PPQ) que busca estabelecer um sistema
referencial nacional em gestão da qualidade. Os critérios de excelência
considerados para as premiações são: liderança, estratégias e planos, clientes,
sociedade, informação e conhecimento, pessoas, processos e resultados (PPQ,
2004). Foram Consideradas como universo de pesquisa, as empresas premiadas
pelo PPQ.
Entre as cinco (05) empresas e escolhidas para visitas, duas (02) não se
disponibilizaram ao atendimento, justificando falta de tempo. Destas, uma enviou
um relatório sobre as práticas realizadas em GD, GI e GC. Outras duas (02)
empresas não atendem as especificidades da pesquisa, portanto, a amostra deuse de forma intencional ao direcionar como campo de pesquisa mais adequado a SAELPA - como ambiente onde se vivencia as práticas do objeto de estudo, ou
seja, GD, GI e GC.
Os gerentes de nível intermediário da empresa foram os sujeitos da pesquisa,
como segmento mais significativo e de maior envolvimento com as questões
ligadas à gestão documental, da informação e do conhecimento; objetos de
estudo em pauta. Além desses sujeitos, foram abordadas as pessoas–chave da
organização, apontadas pelos diretores gerais.
6 RESULTADOS
Para possibilitar a análise qualitativa foram feitas transcrições das falas dos
sujeitos, com destaques tipográficos nos indicadores que caracterizam as práticas
de GI e GC, apresentados em forma de quadros.
6.1 Gestão Documental (GD)
As questões formuladas para identificar as práticas de GD não foram respondidas
pelos entrevistados por não se considerarem indicados. Por conta disto, os
entrevistadores se dirigiram ao arquivo geral da organização para conhecer as
instalações e não identificaram os responsáveis; sendo constatado que a GD
ainda é projeto da empresa� Tendo em vista a relevância da GD como geradora

�de informações e conhecimentos que propiciam uma tomada de decisão mais
segura nos níveis estratégico, intermediário e operacional das organizações,
conforme recomendado pela literatura, a empresa está se furtando deste recurso.

6.2 Gestão da Informação (GI)
PERGUNTAS

RESPOSTAS

01- O SI foi desenvolvido pelo Os sistemas são desenvolvidos pelo CPD corporativo
centro de processamento de (Sistema Gataguazes - MG) plano diretor de informática que
dados da SAELPA?
consta das principais necessidades das empresas.
02-Os sistemas de informação Sim. São cerca de quarenta sistemas corporativos divididos nas
são satisfatórios?
mais diversas áreas como obras, administrativos, contábeis,
financeiros, manutenção, materiais etc. Quando há necessidade
de alteração ou novos aplicativos a solicitação é repassada ao
DEIN e se pertinente é alterado.
03- Quais outros canais de Materiais impressos (procedimentos, manuais, relatórios);
comunicação estão disponíveis Revista Energia Positiva (o setor de comunicação entrega junto
aos setores além do SI?
com o contra-cheque mensal, notícias da empresa); eventos
como reuniões (atas), intranet.
04- Com que freqüência são
atualizadas as informações
que circulam na intranet?
Estão sempre atualizadas?
05- Qual a periodicidade das
reuniões?
06- Quais os critérios para
agendar reuniões?
07- As reuniões são setoriais e
os objetivos das reuniões?
08- De que forma são
comunicadas
as
decisões
tomadas nas reuniões para os
demais
colaboradores
da
empresa?
09- Quanto ao programa
gestão à vista foi elaborado
com a participação de todos?
10-Qual o nível de aceitação
do programa gestão à vista?

Diariamente. Sim até pelo fato de ser uma forma de
comunicação que visa informar o hoje.
Depende do departamento. Mensal, quinzenal ou semanal e
por equipes, diária.
As reuniões podem ser de reflexão (avaliar resultados e pontos
problemáticos); informativa; planejamento.
A empresa possui diversas formas de reuniões, em sua maioria
são setoriais, com horário marcado de inicio e término seguindo
um pauta prévia.
Todas as reuniões possuem atas de acordo com os critérios do
PNQ as quais são disponibilizadas para os demais colaboradores
se necessário. Se tiver alcance para todos os colaboradores, é
divulgado na intranet.

A Gestão à Vista faz parte do programa de gestão estratégica
como forma de divulgação dos resultados corporativos. (Ação:
quadro como meio de divulgação).
100% pelo fato de que no treinamento da gestão estratégica
todos foram treinados para interpretarem a didática dos
gráficos.
Quadro 1: Questões e respostas sobre Gestão da Informação
Fonte: Pesquisa direta, 2006

Ao analisar o Quadro 1, percebe-se que

os sistemas de informação são

desenvolvidos pela própria empresa de acordo com as necessidades, de forma
que os mesmos podem ser adequados de modo a atender diversas áreas como
obras, administrativos, contábeis, financeiros, manutenção, materiais entre outros.

�A empresa adota como canais de comunicação, os impressos, eventos e a
intranet com informações atualizadas diariamente. As reuniões são realizadas
em conformidade com as necessidades, tais como: reflexão de pontos
problemáticos, de natureza informativa e para planejamento, sendo setoriais na
maioria das vezes; cujos resultados são divulgados na intranet.
Os programas de gestão são elaborados pelo nível estratégico com ampla
divulgação nos quadros dos ambientes da empresa, inclusive nos corredores de
circulação coletiva. Os programas de gestão têm aceitação de todos por serem
treinados para interpretarem a didática dos gráficos que os demonstram,
tornando-os acessíveis. Estes resultados se identificam com as recomendações
de Tarapanoff (2001, p.44) ao sugerir a GI como potencializadora dos recursos
informacionais de uma organização, assim com Beluzzo (2003) destaca que a GI
deve contemplar as necessidades de informação dos clientes e da organização,
permitindo uma integração das atividades e dos recursos disponíveis.
6.3 Gestão do Conhecimento (GC)

PERGUNTAS

RESPOSTAS

01- Quais os programas de Além dos eventos da CIPA, o programa segurança máxima
(divulgado por meio de campanhas e eventos), a fiscalização
prevenção de acidentes?
(que supervisiona e controla as vestimentas de segurança do
pessoal que trabalha na externa), os treinamentos (do uso do
material de segurança), diálogo com as equipes.
02- Quais os passos que são Diálogo diário de segurança trata-se de uma conversa com
observados
na
preparação as equipes de campo antes de saírem em campo
psicológica
dos funcionários
sujeitos a acidentes?
03- Quais as formas de Depende do cargo. Todos são extremamente treinados de
treinamento por ocasião de novo acordo com funções e periculosidades.
contrato pessoal?
04- Como funciona o incentivo a O funcionário inscreve sua idéia, esta é encaminhada ao
criatividade por meio do registro comitê de avaliação o qual premia as melhores e reconhece a
no Banco de Idéias? Quais as importância das demais (prêmio com eletro-eletrônico, carta
formas de aproveitamento e o de reconhecimento para quem não ganha).
retorno ao criador?
05-Como funciona o Programa Bolsa de estudo, Programa de desenvolvimento de líderes
de retenção de talentos?
– FGV, Programa de desenvolvimento gerencial – MBA/FGU,
gerente (in company), externo (Hotel Litoral).
06- Quais os procedimentos Reestruturação de cargos – está incluso o mapa – sai esse
para elaborar o mapa de ano.
competências?
07- Qual o estilo de liderança Aberto, participativo: conversa c/ os diretores, e-mail/
adotado pelos lideres para intranet. Gestão Estratégica, modelo de sistema de gestão,

�promover integração entre os propor metas, assessora unidade, consulta, planejar e
colaboradores?
coordenar etc. Plano de ação, Causa e efeito, gráfico, etc.
08- Quais as outras formas de Treinamentos, bolsas de estudos, viagens (passeio/
motivação além da participação trabalho).
nos lucros?
09- Além do acesso ao Tem conhecimento, recebe no treinamento.
regulamento que informa a
gestão estratégica da empresa,
existe outra forma de acesso?
10- Além do Resultado Mensal SIAGE (Sistema de Apoio à gestão estratégia) através dos
de Operação (RMO) existe outra anexos (gráficos e reflexão - relatório) indicadores da rotina
forma de controlar?
diária
Quadro 2: Questões e respostas sobre Gestão do Conhecimento
Fonte: Pesquisa direta, 2006

Ao analisar o Quadro 2, visualiza-se que o estilo de liderança adotado pela
Empresa para promover integração entre os colaboradores predomina o
democrático, com abertura de diálogo e participação.

Nas iniciativas de

prevenção de acidentes para segurança das pessoas consta um programa
segurança máxima: a fiscalização e os treinamentos do uso do material, além da
preparação psicológica com diálogo diário de segurança, que corresponde a uma
conversa com as equipes antes de saírem ao campo.
Quanto às formas de treinamento por ocasião de novo contrato de pessoal, estes
são contínuos de acordo com as funções e periculosidades. A empresa oferece
bolsas de estudo para o desenvolvimento de líderes na sua programação de
retenção de talentos. As pessoas recebem treinamentos constantes para
acessarem as informações sobre os programas de gestão estratégica da
empresa. Entre os procedimentos adotados para elaborar o mapa de
competências destaca-se a reestruturação de cargos, que se encontra em
andamento. Incluem-se entre as formas de motivação, além da participação nos
lucros, oferta de treinamentos, viagens e passeios em serviços.
O incentivo à criatividade é feito por meio do registro no Banco de Idéias, onde
o funcionário inscreve sua idéia, esta é encaminhada ao comitê de avaliação o
qual premia as melhores e reconhece a importância das demais, oferecendo
sorteio de prêmios como eletro-eletrônico, além de carta de reconhecimento para
os que não forem sorteados. Para o exercício da função de controle adotam um
Sistema de Apoio à Gestão Estratégica - SIAGE – operacionalizado por meio de

�gráficos, reflexões e relatórios como indicadores para a rotina diária, subsidiando
o Resultado Mensal de Operação (RMO) .
As práticas adotadas na Empresa estão em consonância com as recomendadas
pela a literatura que aborda a GC, visto que para criação de conhecimento é
necessário

desenvolver

a

aprendizagem,

compartilhar

conhecimentos,

desenvolver o pensamento criativo, identificar competências, enfim investir com
mais eficiência nas pessoas. (NONAKA; TAKEUSCHI, 1998; DAVENPORT;
PRUSAK,1998; TARAPANOFF, 2001; ANGELONI, 2002; e DUARTE, 2003).
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Retornando aos aspectos introdutórios, ao referencial teórico que embasa a
pesquisa e ao desenho percorrido para o alcance dos objetivos, podemos inferir
que os resultados permitiram identificar práticas de gestão da informação e do
conhecimento na empresa estudada para adequá-las às bibliotecas universitárias,
tais como:
Referente às praticas de gestão da informação sugerimos: a) planejar sistemas
de informação gerencial que possibilite agilidade, divulgação, controle dos
serviços meios e fins; b) manter as pessoas informadas intensificando a
comunicação interna por meio de documentos impressos, recursos eletrônicos e
de forma presencial visando divulgar as decisões de nível estratégico; c)
intensificar as reuniões para identificar os problemas e buscar soluções em
equipe, promovendo a gestão participativa e incentivando a criatividade de idéias;
Referente às práticas de gestão do conhecimento sugerimos: a) planejar um
programa de segurança de prevenção de acidentes causados por microorganismo
para as pessoas que trabalham diretamente com o acervo; b) elaborar um
programa de treinamento para os ingressantes em execução de novas funções;
c) criar um banco de idéias com premiação para incentivar a criatividade; d)
promover e incentivar treinamentos com os lideres e os demais colaboradores
visando a aprendizagem continua para formação de líderes democráticos; e)
elaborar um mapa de competências para aproveitamento dos conhecimentos das

�pessoas; f) oferecer incentivos para motivar as pessoas oportunizando
treinamentos fora do local de serviço; g) criar um sistema de controle da rotina
diária das operações para despertar o comprometimento das pessoas.
Conclui-se que as práticas da informação e do conhecimento adotadas na
empresa paraibana premiada como “excelência em gestão empresarial” podem
ser adotadas em Bibliotecas universitárias.
ABSTRACT
DOCUMENTARY MANAGEMENT, OF THE INFORMATION AND THE
KNOWLEDGE: the excellent companies practices in enterprise management as
learning for university libraries
The documentary management directs the document treatment, becoming
important in the business-oriented processes of the companies. The knowledge
and information management facilitates the use of the enterprise information for
decisions making, generating organizational knowledge. The State of Paraíba
launched the challenge “Excellency in Enterprise Management” offering the
‘Paraiban Quality Prize’ (PPQ) and Enterprise Revelation Prize (PRE) to the
detached companies. The considered criteria of excellency for awarding stands
out for information and knowledge. This initiative woke the interest in diagnosising
paraibans companies - with headquarters in João Pessoa - PB - considered
“excellency in enterprise management” the documentary management of
information and knowledge practices to adjust them in the university libraries.
Amongst the universe of eight companies, it was selected that one considered of
great transport and with headquarters in João Pessoa - PB, having formed the
sample to be worked. After interview accomplishment evidences that one of the
companies is distinguished in practical of information and knowledge
management. The data had been collected by half-structuralized interview. The
results demonstrate that it was not perceived Documentary Management practical,
while diagnosised that diverse Management of the Information and the Knowledge
practical ones could be extensive to the university libraries promoting learning.
Key-Words: Documentary management. Information Management. Knowledge
Management. University library
8 REFERÊNCIAS
ANGELONI, M. Terezinha. (coord). Organizações do conhecimento: infraestrutura, pessoas e tecnologia. São Paulo: Saraiva, 2002. 215p.
BARRETO, Auta Rojas. Os trabalhadores do conhecimento - um novo
profissional. In: ISKM, 2, 2001. Anais… Curitiba, PUCPR/CITS, 2001. 586p.

�DIAS, Maria Matilde Kronka; BELLUZZO, Regina Célia Baptista. Gestão da
informação em ciência e tecnologia sob a ótica do cliente. Bauru, SP:
EDUSC, 2003. 186p.
DAVENPORT, Thomas H. Ecologia da informação: por que só a tecnologia não
basta para o sucesso na era da informação. Futura, 1995.
______; PRUSAK, Laurence. Conhecimento empresarial... 5.ed. Rio de Janeiro:
Campus, 1998. 237p.
DUARTE, Emeide Nóbrega. Análise da produção científica em gestão do
conhecimento: estratégias metodológicas e estratégias organizacionais. João
Pessoa: 2003. 300f. Tese (Doutorado em Administração), Universidade Federal
da Paraíba, 2004.
INDOLFO, Ana Celeste et al. Gestão de documentos: conceitos e
procedimentos básicos. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1995. (Publicações
Técnicas, 47)
JORNAL do GED. Gestão Documental: o que é, para que server, ano 10, n.62,
mar./abr. 2004.
McGEE, James; PRUSAK, Laurence. Gerenciamento
informação. Rio de Janeiro: Campus, 1994. 244p.

estratégico

da

NONAKA, Ikujiro; TAKEUCHI, Heirotaka.
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Acesso em: 29 abr. 2004.
RAMOS, Maria Etelvina Madalozzo. Por uma política de qualidade nos serviços
de informação em bibliotecas universitárias paranaenses. In: _____. Tecnologia
e novas formas de gestão em bibliotecas universitárias. Ponta Grossa:
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SANTOS, Antônio Raimundo dos et al. Gestão do conhecimento como modelo
empresarial. In: _____ . Gestão do conhecimento: uma experiência para o
sucesso empresarial. Rio de Janeiro: PUC/SERPRO/ESAF, Cap.2. Disponível
em: www.serpro.gov.br/ publicações/gco - Acesso em: abr.2002.
TARAPANOFF, Kira (org.). Inteligência organizacional e competitiva. Brasília:
Editora Universidade de Brasília, 2001. 344p.

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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>A gestão documental objetiva o tratamento de documentos, tornando-os importantes nos processos de negócios das empresas. A gestão da informação e do conhecimento facilita o uso da informação empresarial para tomada de decisões, gerando conhecimentos organizacionais. O Estado da Paraíba lançou o desafio “Excelência em Gestão Empresarial” oferecendo o Prêmio Paraibano de Qualidade (PPQ) e o Prêmio Revelação Empresarial (PRE) às empresas que se destacaram. Entre os critérios de excelência considerados para premiação ressalta-se informação e conhecimento. Essa iniciativa despertou o interesse em diagnosticar em empresas paraibanas – com sede em João Pessoa – PB - consideradas “excelência em gestão empresarial” as práticas de gestão documental, da informação e do conhecimento para adequá-las às bibliotecas universitárias. Dentre o universo de oito empresas, selecionou-se àquela considerada de grande porte e com sede em João Pessoa – PB, formando a amostra a ser trabalhada. Após realização de entrevista constata-se que uma das empresas destaca-se em práticas de gestão da informação e do conhecimento.Os dados foram coletados por entrevista semi-estruturada. Os resultados demonstram quenão se percebeu práticas de Gestão Documental, enquanto as diversas práticas de Gestão da Informação e do Conhecimento diagnosticadas poderão ser extensivas às bibliotecas universitárias promovendo aprendizagem. </text>
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                    <text>HEMEROTECA DIGITAL DA ESCOLA DE ARQUITETURA DA UFMG
Moema Brandão da Silva1
Escola de Arquitetura
Universidade Federal de Minas Gerais
e-mail: moe@arq.ufmg.br
Jacqueline Pawlowski Oliveira
Biblioteca Universitária
Universidade Federal de Minas Gerais
e-mail: jackie@ufmg.br
Márcia Meireles Diniz
Escola de Arquitetura
Universidade Federal de Minas Gerais
e-mail: mdiniz@ufmg.br
RESUMO
Trata da digitalização do acervo de recortes de jornais e revistas (Hemeroteca) da
Biblioteca da Escola de Arquitetura da UFMG. A hemeroteca tem grande importância
para a complementaridade do acervo em determinados assuntos, alguns já com um certo
valor histórico, bem como a atualização rápida de informações que muitas vezes não são
localizadas no meio editorial tradicional. Tem como objetivo a preservação do material
que vem sofrendo degradação devido a sua fragilidade e ao intenso manuseio. Discorre
sobre a ampliação do acesso a informação para um número maior de pessoas através da
sua disponibilização via Web. Utiliza o software Winisis desenvolvido pela Unesco, para a
implantação e gerenciamento de base de dados.
Palavras-chave: Hemeroteca  digitalização ; sistema de recuperação da informação;
bibliotecas digitais
ABSTRACT
This article discuss about digitalization of newspaper clipping collection (Hemeroteca)
from Architecture School Library from UFMG. The Hemeroteca is very important to
complementarity from heritages library in many subjetcs, some that with historic values,
and also fastly up-to-date informations not locate making use of traditionals way. Urge to
protect fragiles materials suffering leafing intensivily accros the time. This paper argue to
ampliate access information to a great number of people through free web access. To
this, make use of Winisis program, development by Unesco, to administrate the implant
and management of data base.
Keyword : Hemeroteca digitalization ; system of recovery of the information ; digital
library

1

Autores que participaram do trabalho: Marco Antônio Lorena Queiroz  E-mail: maqueiroz@ufmg.br ;
Neusa Maria Machado  E-mail: machado@ufmg.br; Maria Holanda da Silva Vaz de Melo  E-mail:
Holanda@ufmg.br

�1 INTRODUÇÃO

Já há algum tempo convivemos com as novas tecnologias e estas se tornaram
grandes aliadas do ser humano em muitos aspectos principalmente no tocante as
facilidades proporcionadas por ela. No que tange às bibliotecas, pode-se tecer os
mesmos comentários.
Agora os usuários são auto-suficientes e conseguem saber da existência de
determinado item na biblioteca, se esse item está disponível, quando estará
disponível, além deles mesmos fazerem a reserva e a renovação. Ou seja, parece
que nunca na história tivemos um usuário tão auto-suficiente como nos dias
atuais.
Mas para se alcançar um serviço ainda mais satisfatório, acreditamos que a
tecnologia também pode e deve ser estendida a outros componentes de grande
importância no acervo que são os arquivos de recortes. Por ser um arquivo
atualizado diariamente, este material constitui informação muito importante e de
grande interesse, principalmente para o profissional que busca estar em sintonia
com as novas tendências do mercado, pois por ser atual, ela normalmente
representa essas tendências. Constituem também, informações complementares
que podem sanar possíveis defasagens dos outros materiais do acervo.

O crescimento da hemeroteca se dá de forma exponencial, e a sua organização
nas pastas suspensas, embora devidamente sinalizadas, implica em um grande
trabalho para o usuário na localização do que ele deseja e dificuldade de reunir
documentos com assuntos múltiplos.

A proposta deste trabalho é endossar o que já se sabe acerca da digitalização da
hemeroteca, o que iria solucionar algumas questões como permitir a rápida
localização do artigo desejado pelo consulente, o acesso on-line, a preservação
do documento original, dentre outras vantagens.

�2

A HEMEROTECA DA BIBLIOTECA DA ESCOLA DE ARQUITETURA

A Biblioteca da Escola de Arquitetura da UFMG abriga em seu acervo os
seguintes assuntos principais e correlatos: Arquitetura, Urbanismo, Artes,
Engenharia de Tráfego, Engenharia Hidráulica, Engenharia Sanitária, Construção
Civil, Literatura, Geografia e História Antiga.

Como toda Biblioteca Universitária, seu acervo possui além de livros e periódicos,
bases de dados de acesso local e on-line, outros materiais especiais como
mapas, slides e recortes de jornais. Estes últimos, dentre todos os materiais
especiais, são os que apresentam maior número de consultas, segundo dados
estatísticos da Biblioteca superando, inclusive os mapas, muito usados na
Biblioteca da Escola de Arquitetura da UFMG (EAUFMG).

A biblioteca possui em média 6000 recortes de jornais que estão dispostos em
dezenas de pastas suspensas. A identificação se dá através de assuntos que vão
desde bairros da cidade de Belo Horizonte, passando por municípios do interior
mineiro, arquitetos, dentre outros assuntos selecionados, mediante a sua
correlação com os interesses dos usuários. A disposição das pastas é alfabética.
Na parte interna da capa da pasta, tem a quantidade e o nome dos artigos
contidos na pasta. Os artigos são recortados e colados numa folha de papel ofício
e tem o assunto discriminado na parte superior da folha, além do número de
ordenação seqüencial que foi atribuído a ela. Também está presente, a fonte da
reportagem (jornal, caderno, página e data) .

Pode-se inferir a importância da criação e implementação da Hemeroteca da
Escola de Arquitetura cujo objetivo não é apenas o de complementar as possíveis
carências do seu acervo mas, também de permitir ao usuário outra opção de fonte
de informação diferenciada, seja quanto à tipologia, no caso reportagens
extraídas de jornais, ou à abrangência, já que a cobertura tem caráter
diversificado (reportagens com valor histórico e temas da atualidade).

�3 POR QUÊ DIGITALIZAR ?

Embora a biblioteca não tenha a assinatura de jornais, ela recebe doações que
possibilitam a continuidade desse importante trabalho. Apesar das restrições
orçamentárias, o crescimento se dá de forma célere visto que é possível
selecionar muitas reportagens pertinentes ao interesse do usuário, devido a
abrangência de informações correlacionadas existentes.

A digitalização dos artigos poderá garantir a conservação do material, visto que o
constante manuseio causa deterioração das mesmas, dando ao material um
caráter de memória conforme o seu teor e a própria conjuntura do momento, e
sobretudo, a facilidade que o usuário terá no acesso a distância, sem a
necessidade de se manipular ou retirar o material da biblioteca.

A criação da hemeroteca digital da EAUFMG abriu um excepcional leque de
oportunidades de recuperação da informação uma vez que as reportagens
inseridas no meio eletrônico, podem permitir inúmeras possibilidades de pesquisa.

O acervo de recortes da EAUFMG é um
especial

material bibliográfico considerado

e de enorme valia para os usuários devido às suas características,

dentre elas a que possibilita ampla diversidade do material coletado e trabalhado
para uma demanda muito exigente e heterogênea.

A grande vantagem da informação digitalizada é que ela pode ser compartilhada
instantânea e facilmente, com um custo relativamente baixo, surgindo então, uma
forma de conceituar, descrever e explicar as estratégias para a coleta, tratamento
e disseminação de informações.

Outro ponto favorável é a possibilidade de diversificar os suportes dos
documentos, onde além do armazenamento em papel, o conteúdo também será

�armazenado em formato digital e CDs. Com isto, também se poderá evitar a
perda da informação dos artigos originais em processo de deterioração.
Em suma, essas ações propiciaram o desenvolvimento de uma base de dados
referencial em formato on-line e, em trabalhos futuros também em CD-ROM, a
qual conterá links para os textos de imagens digitalizadas dos artigos da
hemeroteca da Biblioteca da Escola de Arquitetura da UFMG, visando sua
disponibilização à toda comunidade universitária e ao público em geral.
4 POTENCIAL INFORMACIONAL AUMENTADO

A implantação da hemeroteca digital da EAUFMG trouxe grandes benefícios a
comunidade usuária.

Além de possibilitar o acesso à informação de maneira

precisa, rápida e segura, oferece uma busca automática para a recuperação de
informação de quaisquer assuntos na área de Arquitetura e Urbanismo, outros
assuntos correlatos e, por conseguinte, um melhor atendimento no tocante a
demanda de informações solicitadas, já que a possibilidade de procura na
formulação da pesquisa aumentará substancialmente.

As informações bibliográficas específicas encontradas nesse tipo de material e
dificilmente localizadas em outros suportes bibliográficos convencionais, poderão
ser utilizadas de forma sistemática e eficaz, tanto pela padronização que passará
a existir na sua procura como na localização que agora será muito mais precisa.

A indexação dos recortes permite através das formulações de pesquisa ter uma
visão mais completa do conteúdo informacional da hemeroteca. Dessa forma, é
possível a maximização do uso de todo o conteúdo documental, o que
invariavelmente, ocasiona uma maior satisfação do usuário.

Dentro desse manancial de informações podem ser encontradas informações
recentes,

de

fundamental

importância

para

os

usuários,

normalmente

pesquisadores, já que são extraídas em grande parte de notórios jornais
brasileiros. Por outro lado, propiciam o acesso a textos, informações, materiais,

�etc, com um certo valor histórico já que há artigos selecionadas que datam de um
certo tempo.
5 IMPLANTAÇÃO DA HEMEROTECA DIGITAL

Este trabalho apresenta a fase inicial da implantação da Hemeroteca Digital da
EAUFMG. Fez-se necessário estabelecer criteriosamente a ordem em que cada
etapa do projeto deveria ser implantada, sendo:

Levantamento Bibliográfico

O primeiro procedimento foi verificar a bibliografia existente sobre o assunto,
identificando, e analisando os aspectos positivos e negativos da problemática
levantada, e os principais conceitos concernentes às Bibliotecas Digitais.

Seleção do material a ser digitalizado

O acervo da hemeroteca passou por uma seleção prévia, onde foram
identificados os recortes de jornais que estavam mais deteriorados e que
continham os assuntos de maior relevância para o atendimento à demanda de
pesquisa na biblioteca, tendo em vista a especificidade do acervo.
Todo o

material selecionado foi separado, conforme as dimensões da folha

(ofício, A2, A3, A4) a ser digitalizada.

O material que neste primeiro momento não foi considerado importante para ser
digitalizado, será mantido e organizado em pastas devidamente identificadas,
para que possam passar por uma futura avaliação.

Processamento técnico

Uma vez selecionado os recortes de jornais, o próximo passo foi a definição dos
critérios de análise da informação, visando a indexação por assunto, onde

�utilizou-se os tradicionais instrumentos biblioteconômicos.

Através da leitura

técnica, foram retirados dos textos dos recortes, termos que identificam o seu
conteúdo para o usuário.
Para a tradução e padronização dos termos extraídos do material

a ser

digitalizado, foram usados instrumentos de indexação como os tesauros ou as
listas de cabeçalhos de assuntos. A principal vantagem do vocabulário controlado
é restringir, ou pelo menos minimizar, a inconsistência dos termos escolhidos.

O Formato MARC também foi adotado com vistas a troca de informações com
outros sistemas, ou mesmo futura mudança de software.

Após o trabalho de processamento técnico, os recortes foram armazenados em
caixas arquivos, com numeração seqüencial aguardando o processo de
digitalização.

Direitos Autorais

Para maior segurança e resguardar a parte de direitos autorais das matérias
envolvidas, tivemos o cuidado de encaminhar um ofício para a Diretoria de cada
redação dos Jornais (Estado de Minas, Hoje em Dia, Pampulha e outros),
informando o objetivo do projeto e esclarecendo que seria sem fins lucrativos,
pedindo apenas a autorização para a disponibilização do material, caso não fosse
possível, que se manifestassem o mais rápido possível. Até o presente momento
não houve nenhum retorno das correspondências encaminhadas.

Digitalização dos recortes

Após a seleção e o processamento do material, o próximo passo

envolve a

transformação do material em formato não-digital para o formato digital. Os
materiais foram preparados eliminando sujos, umidades, grampos e etc. e, foram
digitalizados utilizando uma resolução

onde a qualidade da imagem fosse

aceitável levando-se em conta sua legibilidade.

�Sistemas utilizados
Os sistemas utilizados para implantação da Hemeroteca Digital foram o CDS/ISIS
versão Windows - Winisis e o Websis.

O Winisis é um sistema para armazenamento e recuperação de informações
projetado para o gerenciamento de bases de dados textuais. Tem a capacidade
de gerenciar um número ilimitado de bases de dados diferenciadas de até 16
milhões de registros cada, é desenvolvido e distribuído gratuitamente pela
UNESCO. É um sistema difundido e utilizado mundialmente para o controle de
acervos de bibliotecas, arquivos, centros de documentação e museus, entre
outros.

O Websis é uma ferramenta de consulta e foi desenvolvido pelo Infocentre. É uma
aplicação CGI (Commom Gateway Interface)

escrita em C para realizar

pesquisas em bases de dados CDS/ISIS pela internet utilizando interface web.

Um dos fatores que levou-nos a escolha destes sistemas foi por serem de uso
gratuito. As bibliotecas da UFMG utilizaram por muito tempo o CDS/ISIS para
armazenamento dos dados de seu acervo. Este fator foi também levado em
consideração para decisão na escolha dos sistemas, além de sua fácil
implantação e utilização.

O acesso a Hemeroteca digital da EAUFMG, pode ser feito pelo site da Biblioteca
da Escola de Arquitetura no endereco http://www.arq.ufmg.br/ no link Biblioteca ou
pelo

sítio

do

Sistemas

de

Bibliotecas

da

UFMG

no

endereço

http://www.bu.ufmg.br/.

Para criação da interface de consulta o primeiro requisito levantado foi

que

deveria ser simples e intuitiva, para que o usuário não tivesse dificuldades em
pesquisar e obter os documentos desejáveis. Foi estabelecido que essa interface
simplesmente teria um campo para se digitar as palavras desejadas, um botão
para iniciar a pesquisa e um campo com ajuda para orientação ao usuário.

�Interface de consulta

A forma como os resultados das pesquisas são apresentados, é importante para o
bom entendimento dos usuários. A interface de apresentação dos resultados da
consulta também contêm informações claras e precisas, possibilitando a
realização de novas pesquisas, seleção de títulos para exibição e apresentação
do total de ocorrências encontradas.

Interface de apresentação de resultados da consulta

�A apresentação dos dados mínimos não possibilitam ao usuário a certeza de que
o documento listado é relevante ao que está procurando, uma nova página com
dados do acervo deve ser apresentada contendo informações completas do
documento e link para acesso ao texto completo.

Interface de apresentação dos dados do acervo

6 RESULTADOS ESPERADOS E TRABALHOS FUTUROS

Após a execução do projeto as perspectivas quanto aos resultados são positivas
tanto para a Biblioteca (maior agilidade e qualidade do serviço prestado), quanto
para o usuário (facilidade de acesso). A disponibilização deste material específico
ligado à área de Arquitetura e Urbanismo, além de assuntos correlatos, atenderá
maior número de usuários, interno e externo e será muito favorável em termos de
pesquisa à distância.

Também proporcionado pelo projeto, a preservação do conteúdo de um material
bibliográfico extremamente frágil uma vez que o tipo de papel utilizado como
suporte (papel-jornal) se deteriora facilmente, ainda mais com um constante

�manuseio por parte dos usuários. A guarda do documento original ocorrerá
somente dos recortes de jornais que a biblioteca julgar conveniente, afinal o
espaço também é um problema crônico e o crescimento dessa coleção se dá de
uma forma muito rápida.

As sugestões da comunidade usuária serão avaliadas possibilitando assim
melhorar o serviço oferecido pela hemeroteca digital.

Como trabalhos futuros a serem realizados, a produção de um CD-ROM,
contendo os textos e as imagens dos artigos que compõem a Hemeroteca Digital
da EA/UFMG, proporcionará aos usuários obter o acervo digital armazenado em
mais um suporte.

A avaliação de desempenho dos sistemas utilizados também

serão realizadas periodicamente para que no futuro possam ser feitas
atualizações que forneçam maiores possibilidades de acesso, armazenamento,
recuperação e disseminação da informação.
7 CONCLUSÃO

É vital para uma biblioteca manter em seu acervo, diferenciadas fontes de
informação, assim como também diferentes tipologias documentais, sem
mencionar, a possibilidade de complemento de possíveis carências em seu
acervo, devido a rápida atualização em algumas áreas. Daí se justifica a
importância da existência da hemeroteca em uma biblioteca.

A Hemeroteca Digital da EAUFMG é um veículo para divulgar e preservar um
acervo, em contínuo crescimento, e

expandir os limites de acesso e uso da

informação para além das barreiras de horário e espaço físico das bibliotecas
tradicionais.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Silva, Moema Brandão da; Oliveira, Jacqueline Pawlowski; Diniz, Márcia Meireles</text>
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                <text>Trata da digitalização do acervo de recortes de jornais e revistas (Hemeroteca) da Biblioteca da Escola de Arquitetura da UFMG. A hemeroteca tem grande importância para a complementaridade do acervo em determinados assuntos, alguns já com um certo valor histórico, bem como a atualização rápida de informações que muitas vezes não são localizadas no meio editorial tradicional. Tem como objetivo a preservação do material que vem sofrendo degradação devido a sua fragilidade e ao intenso manuseio. Discorre sobre a ampliação do acesso a informação para um número maior de pessoas através da sua disponibilização via Web. Utiliza o software Winisis desenvolvido pela Unesco, para a implantação e gerenciamento de base de dados.</text>
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                    <text>Hemeroteca em meio eletrônico: uma proposta para implantação na
Biblioteca da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
An electronic scrapbook: a proposal of implementation in the Library of
the Medical Sciences College of Paraíba
Guilherme Ataíde Dias
Universidade Federal da Paraíba
Email: guilhermeataide@gmail.com
Maria Meriane Vieira Rocha
Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
Email: meriane.vieira@gmail.com / biblioteca@cienciasmedicas.com.br
Alba Lígia de Almeida Silva.
Faculdade da Paraíba.
Email: alba-ligia@fpb.edu.br.
RESUMO
Analisa o processo de migração da hemeroteca da Biblioteca da Faculdade de
Ciências Medicas da Paraíba do meio físico para o meio eletrônico. A migração
objetiva tornar disponíveis informações de recortes de jornais e revistas, uma
vez que o uso contínuo e a fragilidade que é peculiar nessas fontes de
informação acarretam o desgaste de tão importante acervo. São apresentadas
as etapas técnicas e gerenciais relacionadas com o trabalho de migração do
acervo para o sistema de Automação de Bibliotecas Multiacervo, bem como as
dificuldades encontradas ao longo do processo. Aborda ainda a importância de
tornar acessível de forma universal as fontes de informação existentes em uma
biblioteca, neste caso específico a Hemeroteca e como as Tecnologias de
Informação podem ser a forma mais afetiva para esta atividade. Finalizamos
apresentando uma alternativa baseada no paradigma de software livre para a
implantação de repositórios eletrônicos institucionais, bem como os motivos
que nos levaram a escolher o Multiacervo em detrimento desta outra
abordagem.

Palavras-chave: Hemeroteca; Hemeroteca Eletrônica; Software livre;
Repositórios Eletrônicos
ABSTRACT
Analyzes the migration process of the library scrapbook owned by the Medical
Sciences College of Paraíba to the electronic environment. The migration effort
has the objective of making available clipping information of newspapers and
magazines, taking in account that the continuous use and the fragility

�associated to these information sources cause the wear of such important
materials. We present the managerial an technical steps concerning the
migration of the scrapbook collections to the library automation system
Multiacervo, as well the difficulties found along the whole process. This work
also addresses the importance of making universally accessible the information
sources existing in a library, in this specific case the scrapbook, and how the
information technology can be the used as an affective way for achieving this
goal. We conclude presenting an alternative based on the paradigm of free
software for implementing an institutional electronic repository, as well the
reasons taken to choose the software Multiacervo instead the free software
alternative.
Key-words: Scrapbook; Electronic Scrapbook; Free Software; Electronic
Repositories

1 INTRODUÇÃO
A Biblioteca Universitária, inserida no contexto do processo evolutivo das
diversas áreas do conhecimento humano, contribui, acima de tudo, para o
desenvolvimento cultural e conscientização das pessoas como indivíduos,
dentro da coletividade,
Nesse universo, a Biblioteca da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba –
FCM-PB se destaca como instrumento multiplicador de difusão cultural,
promovendo a integração da comunidade acadêmica desta Instituição.
A Biblioteca como fonte de informação nos mais variados suportes, em
consonância com as atividades de ensino, pesquisa e extensão, disponibiliza
seu acervo os mais variados suportes de informação.
Assim, esse estudo se propõe em apresentar o processo de transferência da
hemeroteca já existente em formato impresso, para o formato eletrônico, uma
vez que, a Biblioteca faz uso de um sistema de automação de bibliotecas,
disponibilizando seu acervo para consulta na própria biblioteca e através da
Internet, à comunidade acadêmica da FCM-PB.

�2 OBJETIVOS
Esse estudo tem como objetivo geral avaliar a Hemeroteca da Biblioteca da
Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba, de forma a contribuir na melhoria
de sua divulgação e uso bem como:
- Possibilitar aos usuários o acesso às informações de artigos de jornais
fornecidas pelo programa Multiacervo;
- Estimular os usuários a desenvolver o gosto pela leitura de artigos de jornais;
- Disponibilizar artigos de jornais e revistas de maneira eficaz através da
internet no sistema Multiacervo;
- Apresentar uma alternativa baseada em software livre para a implementação
da hemeroteca.
3 FACULDADE DE CIENCIAS MÉDICAS DA PARAÍBA
A Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba (FCMPB), fundada pelo Centro
Nordestino de Ensino Superior Ltda., em 2002, tem por finalidade formar
recursos humanos nas áreas de conhecimento em que atua, estimular a
criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento
reflexivo, incentivar a investigação científica, visando ao desenvolvimento da
ciência e da tecnologia, da criação e difusão da cultura e ao entendimento do
homem e do meio em que vive, promover a divulgação de conhecimentos
culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e
desenvolver o saber através do ensino, de publicações e de outras formas de
comunicação, promover a extensão, aberta à participação da população,
visando à difusão das conquistas e benefícios da criação cultural e da pesquisa
científica e tecnológica,

geradas na instituição, e contribuir para o

desenvolvimento sócio-econômico, especialmente da Região Nordeste.
A FCM-PB oferece cursos de medicina, nutrição e fisioterapia. Os cursos têm
37% de docentes com titulação de doutor, 49% com titulação de mestre e 4%
com outras titulações. Dispõem ainda de 08 (oito) Laboratórios para utilização

�das práticas e de um Laboratório de Informática com 30 microcomputadores
Pentium, ligados em rede e na Internet, Biblioteca equipada para o atendimento
às disciplinas dos cursos, contando com mais de 1.000 títulos e mais de 3.500
volumes, além de mais de 200 periódicos nacionais e estrangeiros, mais de
100 vídeos e CD-ROMs. Integram sua administração os Conselhos Superiores,
Colegiados e Coordenação de Cursos, Diretoria e demais órgãos setoriais. O
corpo discente se faz representar pelos Centros Acadêmicos dos Cursos.
4 A BIBLIOTECA COMO FONTE DE INFORMAÇÃO
A Biblioteca, inserida no contexto do processo evolutivo das diversas áreas do
conhecimento humano, contribui acima de tudo para o desenvolvimento cultural
e científico da comunidade acadêmica da Faculdade de Ciências Médicas da
Paraíba.
A Biblioteca da FCM-PB é composta por seis ambientes: sala de atendimento
ao público, empréstimo, guarda-volumes e videoteca; sala de estudo em grupo;
sala de acervo geral, cabines individuais e sala de multimeios; sala de
periódicos, hemeroteca, TCB (Terminal de Consulta Bibliográfica), teses,
dissertações, CD ROM, disquetes, fitas de vídeo, sala de vídeo, acesso à
Internet, tudo climatizado para melhor atender a demanda de seus usuários.
A Biblioteca é responsável pela apresentação de serviços de informação e
documentação à comunidade acadêmica da Faculdade, além de atender à
comunidade externa em geral. O acervo é específico na área de saúde, com
quase 1000 títulos e mais de 3000 exemplares, entre livros, periódicos, fitas de
vídeo entre outros.
Com relação aos recursos humanos, a biblioteca conta com uma equipe
composta por 12 (doze) colaboradores, sendo uma bibliotecária coordenadora;
três auxiliares de biblioteca (sendo uma concluinte do curso de biblioteconomia
e uma estudante do curso) e oito estagiários (sendo quatro do curso de
biblioteconomia).
Em se tratando de recursos materiais e para organização e funcionamento da
Hemeroteca da FCM-PB, são utilizadas duas estantes em aço, com 06 (seis)

�prateleiras cada; 220 pastas de polacil, sendo que 64 (verdes) para o curso de
Medicina; 32 (azuis) para o curso de Fisioterapia; 59 (brancas) para o curso de
nutrição; 63 (vermelhas) para educação e 06 (amarelas) para assuntos
relacionados a Instituição, cada pasta possui uma listagem com a referencia
bibliográfica de cada artigo.
A hemeroteca divide o mesmo espaço físico que o setor de periódicos da
Biblioteca, recebendo destaque e de fácil acesso aos usuários, porém, a
consulta dos artigos, só é possível após solicitação ao responsável pelo setor.
O espaço físico é suficiente, com vista à ampliação, é climatizada e bem
iluminada. Desta forma, o espaço físico atende as expectativas dos usuários,
disponibilizando ambiente climatizado, com iluminação adequada e favorável à
pesquisa. Ela está subdividida por áreas do conhecimento e de acordo com os
cursos oferecidos na Faculdade, sendo organizada por artigos da área de
medicina, fisioterapia e nutrição além de artigos com ênfase em educação,
assuntos gerais e relacionados à própria Instituição.
Os documentos estão acondicionados em pastas de polacil e organizados em
estantes de aço e encontrando-se em bom estado de conservação, visto que,
são acondicionadas em pastas e ambiente apropriados.
As consultas ao acervo da hemeroteca ainda são esporádicas, ficando
basicamente restrita aos usuários que têm interesse em ampliar suas
pesquisas. Isso tem contribuído para a busca por informações específicas,
resultando no resgate a artigos em determinadas áreas do conhecimento,
como também a importância dada às matérias de jornais.
5 HEMEROTECA: um organismo vivo
Gerenciar informação é tarefa estratégica em todos os setores da economia
moderna. A diversidade de informações existentes em jornais e revistas tem
uma grande importância por possibilitar multiplicidades de informações
atualizadas. Partindo desse pressuposto surge então, a necessidade de criar
novos suportes para disseminação da informação a fim de uma melhor
recuperação e utilização.

�O termo Hemeroteca (do grego hemera: dia/theke:depósito) quer dizer “local
onde se guardam e colecionam periódicos, diários, jornais e revistas. Tendo
como objetivo uniformizar a compreensão sobre o termo, a palavra Hemeroteca
será

sempre

utilizada

para

designar

uma

coleção

de

recortes

de

jornais/revistas classificados e indexados.
Diante desse contexto, surgiu a necessidade de criação de uma Hemeroteca
para a Biblioteca da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba, a qual foi
criada em 2003, devido à importância de guarda de documentos relacionados a
recortes de jornais e revistas das áreas dos cursos oferecidos por esta
instituição.
Os artigos que já se encontram nas pastas da hemeroteca, já estão em boa
parte indexados no sistema de automação da Biblioteca (Multiacervo). O uso
desse material informacional passou a ser muito mais procurados e solicitados
depois desse processo. A recortes que ainda estão no suporte impresso, são
organizados em pastas em cores, essa organização se dá da seguinte forma:
medicina (verde, nutrição (branca), fisioterapia (azul), educação (vermelha) e
tudo sobre a faculdade (amarela), em cada pasta encontra-se identificada com
mês e ano e uma listagem com a referência bibliográfica de cada artigo
conforma a norma da ABNT, esse processo facilita a procura, dessa forma a
informação é disseminada com maior rapidez aos usuários/clientes.
6 MULTIACERVO
O Multiacervo é um software que automatiza bibliotecas e centros de
documentação, seja de Instituições de ensino ou organizações não
acadêmicas.
As principais funções de uma biblioteca (catalogação, pesquisa, empréstimo,
controle de periódicos, aquisição e intercâmbio) são atendidas com muita
qualidade e se consegue em pouco tempo:
•

Catalogar todo o acervo, seja de livros, enciclopédias, fitas de
vídeo, CD-ROM, arquivos eletrônicos, imagens, normas técnicas,
mapas entre outros;

�•

Disponibilizar consultas on-line, em rede para toda a Instituição;

•

Controlar os empréstimos (movimentação, reservas, multas,
estatísticas e avisos);

•

Controlar seu conjunto de assinaturas de publicações periódicas;

•

Administrar

eficientemente

as

Bibliotecas

ou

Centros

de

Documentação com o uso de códigos de barras, relatórios de
controle, relatórios estatísticos, informes via e-mail e outros
recursos modernos de informática.
Este software mantém uma característica fundamental: de simplicidade de uso
e eficiência. Além disso, pode-se contar com uma estrutura de suporte e
atualizações para perpetuar a solução implementada.
7 SOFTWARE LIVRE
Consideramos fundamental apresentarmos o conceito de software livre, desta
forma teremos mais subsídios para discutir e apresentar as alternativas
existentes ao software proprietário que possibilitem a implementação de uma
hemeroteca. De maneira direta podemos definir software livre como o
paradigma de licenciamento de software, no qual o usuário tem a liberdade de
fazer uso do mesmo da forma que achar necessário.
Stallman (1999, p.56), explica que o termo software livre (free software) não
está ligado ao aspecto de gratuidade e sim de liberdade. O mesmo autor
explica que um programa é um software livre quando:

•
•

•

O usuário tem a liberdade de executar o programa para qualquer
propósito que achar necessário;
O usuário tem a liberdade para modificar o código fonte do
programa de maneira a adequar o mesmo às suas necessidades;
O usuário tem liberdade para distribuir cópias do programa de
forma gratuita ou paga;

�•

O usuário tem a liberdade para distribuir cópias modificadas do
programa, de maneira que a comunidade se beneficie das
melhorias.

O software livre é uma alternativa viável na implantação de qualquer sistema
de automação voltado para a área de biblioteconomia, contudo, como veremos
mais adiante, é preciso levar em consideração algumas variáveis na utilização
de produtos baseados nesse paradigma de software.
8

ALTERNATIVAS

BASEADAS

EM

SOFTWARE

LIVRE

PARA

A

IMPLEMENTAÇÂO DE UMA HEMEROTECA NO MEIO ELETRÔNICO
Existem diversas alternativas disponíveis baseadas no paradigma de software
livre e modelos equivalentes que podem ser utilizadas na implementação de
uma hemeroteca eletrônica. Consideramos importante fazer aqui essas
considerações, pois nem toda unidade de informação possui os recursos
financeiros necessários para a aquisição de um software proprietário que
permita a automatização de um determinado sistema de informação. Desta
forma o software livre apresenta-se como uma alternativa viável e que sempre
deverá ser considerada.
Dentre os produtos analisados como alternativa ao software proprietário para a
implementação de nossa hemeroteca eletrônica destacamos o DSpace. Este
software é um produto que permite a criação de repositórios eletrônicos de
informação. Um repositório eletrônico de informação pode ser definido como
um sistema localizado no ciberespaço que possibilite o armazenamento e a
disseminação de informações em formato digital, desta forma podemos
considerar uma hemeroteca eletrônica como sendo um exemplo de aplicação
que se enquadra nos casos suportados pelo DSpace.
O DSpace – ver http://www.dspace.org - é um sistema para a implementação
de

repositórios

eletrônicos

de

informação

que

permite

a

captura,

armazenamento, disseminação e preservação da informação eletrônica no
formato digital, foi desenvolvido em conjunto entre a Hewlett Packard - HP e o
Massachussets Institute of Technology – MIT, sendo utilizado por centenas de
universidades ao redor do globo.

�Mesmo sendo um produto detentor das funcionalidades necessárias para a
implantação de nossa hemeroteca eletrônica optamos por utilizar o software
multiacervo. Dentre os motivos que nos levaram a essa decisão apresentamos
os seguintes:
•

Utilização corrente do software Multiacervo na biblioteca da
faculdade;

•

Necessidade de re-treinar os profissionais de informação da
biblioteca para a utilização de um novo sistema;

•

Inexistência de suporte local;

•

O DSpace não oferece suporte nativo imediato a Língua
Portuguesa.

Os motivos supra-mencionados justificam a nossa opção pelo software
Multiacervo, contudo consideramos o DSpace como uma excelente alternativa
para unidades de informação que ainda não tenha um sistema instalado e
desejam iniciar o processo de disponibilização eletrônica de seu acervo.
9 METODOLOGIA
Baseado nos objetivos apresentados foi elaborado um diagnóstico a fim de
tornar o material informacional referente à hemeroteca disponível de forma já
que esta fonte de informação pode se encontrar disponível na internet no
sistema Multiacervo, de forma que a informação referente a este suporte venha
a ser mais consultada e utilizada.
A metodologia adotada foi à seleção de artigos de jornais e revistas para
compor a Hemeroteca. Estes artigos são extraídos dos jornais e revistas, os
jornais passam uma semana no expositor até sair para os recordes para
compor a hemeroteca desta unidade de informação e as revistas de
atualidades passam um ano no expositor para que no ano seguinte ser
retiradas para o recorte. Assim, adotamos como política interna, a doação
mensal dos jornais e revistas que não serão mais utilizados, esta doação é feita

�para um funcionário, escolhido a partir de seleção feita anteriormente,
obedecendo critérios de necessidades, estabelecidos pela coordenadora da
Biblioteca e pela coordenadora de recursos humanos da instituição. Desta
maneira a Biblioteca da FCM-PB contribui para uma ação social.
10 CONSIDERAÇÕES E SUGESTÕES
De acordo com a visão que tivemos da Hemeroteca através de visitas in loco e
de entrevista realizada com a Coordenadora da biblioteca da Faculdade de
Ciências Médicas da Paraíba, identificamos o seguinte problema: já existe uma
grande quantidade de massa documental acumulada o que dificulta na
recuperação da informação desejada.
Tendo em vista, a necessidade de maior agilidade na busca e recuperação da
informação, faz-se necessário algumas sugestões:
•

Transferir a Hemeroteca para o Multiacervo, pois a massa documental
cresce diariamente. Utilizando o processo de indexação, como já é feito
com os demais itens existentes na biblioteca, irá facilitar a busca e
recuperação das informações desejadas, tendo em vista que o
Multiacervo já recupera todos os documentos existentes no programa, a
proposta é que o mesmo aconteça com os artigos de jornais.

REFERÊNCIAS
1 DIAS, Guilherme Ataíde. Periódicos científicos eletrônicos brasileiros na
área da Ciência da Informação: Análise das dinâmicas de acesso e uso.
Tese (Doutorado em Ciência da Informação). Universidade de São Paulo –
USP. 2003.

2

DSPACE.

Introducing

DSpace.

Disponível

&lt;http://dspace.org/introduction/index.html&gt;. Acesso em: 31/07/2006.

em:

�3 FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário aurélio da língua
portuguesa.3 ed.Curitiba: Positivo, 2004. 2120 p.
4 PRESTES, Maria Luci de Mesquita. A pesquisa e a construção do
conhecimento científico: do planejamento aos textos, da escola à academia.
São Paulo: Respel, 2003. 225 p.
5 STALLMAN, Richard. The GNU Operating System and the Free Software
Movement. In: DiBONA, Chris, OCKMAN, Sam &amp; STONE, Mark. Open
Sources:Voices of the Open Source Revolution. 1.ed. Sebastopol: O´Reilly
&amp; Associates, p. 53-70, 1999.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Analisa o processo de migração da hemeroteca da Biblioteca da Faculdade de Ciências Medicas da Paraíba do meio físico para o meio eletrônico. A migração objetiva tornar disponíveis informações de recortes de jornais e revistas, uma vez que o uso contínuo e a fragilidade que é peculiar nessas fontes de informação acarretam o desgaste de tão importante acervo. São apresentadas as etapas técnicas e gerenciais relacionadas com o trabalho de migração do acervo para o sistema de Automação de Bibliotecas Multiacervo, bem como as dificuldades encontradas ao longo do processo. Aborda ainda a importância de tornar acessível de forma universal as fontes de informação existentes em uma biblioteca, neste caso específico a Hemeroteca e como as Tecnologias de Informação podem ser a forma mais afetiva para esta atividade. Finalizamos apresentando uma alternativa baseada no paradigma de software livre para a implantação de repositórios eletrônicos institucionais, bem como os motivos que nos levaram a escolher o Multiacervo em detrimento desta outra abordagem.</text>
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                    <text>HEMEROTECA SOBRE SAQUES E INVASÕES: DO IMPRESSO AO DIGITAL1
Juliana Buse de Oliveira.
Bacharel em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Bibliotecária da UFRN. Brasil. E-mail: ju_buse@yahoo.com.br
Rildeci Medeiros  co-autora.
Mestre em Biblioteconomia. Professora do Departamento de Biblioteconomia.
Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Brasil. E-mail: ril@bczm.ufrn.br
Resumo: Caracteriza-se como um estudo de natureza teórico-prático e de caráter
exploratório na construção de uma hemeroteca digital com a temática: Saque e Invasão.
Analisa o processo de criação desta hemeroteca a partir de uma documentação
constituída de textos de periódicos impressos, existentes no Núcleo Temático da Seca e
do Semi-Árido do RN e da sua relevância sobre o tema em questão. Tem como objetivo
principal a implantação de uma hemeroteca, com vistas à difusão e promoção do uso
dessas informações disponíveis nesse repositório institucional. Estas, por sua vez, de
grande importância para se ter uma visão desses movimentos sociais rurais decorrentes
do fenômeno da seca, na região nordeste do país. Isto posto, se justifica também diante
da atualidade da temática em discussão no contexto do semi-árido do nordeste brasileiro
e, ainda, pela necessidade premente de se democratizar o acesso a essas informações
em níveis local, nacional e internacional. Dentre os seus procedimentos metodológicos
destacam-se: o método observacional, o uso de ferramentas tecnológicas e linguagens
de representação. Os resultados apontam para o tratamento documental de 94 artigos de
periódicos, armazenados nesse repositório. Portanto, essa hemeroteca torna disponível
essas informações na Internet, o que permite a sua socialização, acessibilidade e
usabilidade.
Palavras-chave: Hemeroteca. Hemeroteca Digital. Repositório Institucional Digital.
Arquivo Digital. Seca.
Abstract: It is characterized as a theoretician-practical study of nature and exploratório
character in the construction of a digital hemeroteca with the thematic one: Booty and
Invasion. It analyzes the process of creation of this hemeroteca from a documentation
consisting of printed matter texts periodic, existing in the Thematic Nucleus of Seca and
Semi-Árido of the RN and its relevance on the subject in question. It has as objective main
the implantation of a hemeroteca, with sights to the diffusion and promotion of the use of
these available information in this institucional repository. These, in turn, of great
importance to have a vision of these decurrent agricultural social movements of the
phenomenon of dry, in the northeast region of the country. This rank, if also justifies
ahead of the present time of the thematic one in quarrel in the context of half-barren the
northeast Brazilian and, still, for the pressing necessity of if democratizing the access to
these information in levels local, national and international. Amongst its metodológicos
procedures they are distinguished: the observacional method, the use of technological
tools and languages of representation. The results point with respect to the documentary
treatment of 94 articles of periodic, stored in this repository. Therefore, this hemeroteca
becomes available these information in the InterNet, what it allows its socialization,
accessibility and usability.
Keywords: Hemeroteca. Digital Hemeroteca. Digital Institucional Repository. Digital
Archive. Seca.
1

Texto extraído de Monografia defendida pela autora em 2005.

�1 INTRODUÇÃO
Este trabalho caracteriza-se como um estudo de natureza teórico-prático e,
ainda, de caráter exploratório na construção de uma hemeroteca digital com a
seguinte temática: Saque e Invasão.
A partir de uma documentação constituída de textos de periódicos (revista
e jornais) impressos, existentes no Núcleo Temático da Seca e do Semi-Árido do
RN (NUT-Seca) e da sua relevância sobre o tema em questão, buscou-se um
tratamento técnico e, ainda, o uso de tecnologias de informação e comunicação
para a concretização do mesmo.
Para tanto, tornou-se justificável estabelecer como seu objetivo principal a
implantação de uma hemeroteca, com vistas à difusão e promoção do uso dessas
informações disponíveis nesse repositório institucional, ou seja, o NUT-Seca.
Estas, por sua vez, de grande importância para se ter uma visão desses
movimentos sociais rurais decorrentes do fenômeno da seca, na região nordeste
do país.
Diante disso, torna-se fundamental discutir a seguinte questão: em que
medida esta hemeroteca contribuirá para o processo de geração, transferência e
uso de informações sobre saques e invasões?
Na perspectiva de acompanhar a evolução científica e tecnológica que
caracteriza esse novo cenário, Sociedade da Informação/Sociedade do
Conhecimento, buscou-se nesse contexto criar uma hemeroteca temática no
ciberespaço, que permita uma grande circulação dessas informações e, assim,
contribuir para os novos ambientes de redes digitais.
2 SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
O desenvolvimento acelerado da tecnologia trouxe muitas inovações em
todos os níveis, interferindo, consideravelmente, na maneira de ser e agir dos
indivíduos. Hoje, é notória e irrefutável a premissa quanto à necessidade de se
manter atento e conectado aos acontecimentos, uma vez em que se vive uma

�época denominada Sociedade da Informação. Esta, por sua vez, definida por
Castells (2000, p. 22) como:

[...] um novo sistema de comunicação que fala cada vez mais a língua
universal digital que tanto está promovendo a integração global da
produção e distribuição de palavras, sons e imagens de nossa cultura,
como os personalizando ao gosto da identidade e humores dos
indivíduos.
As
redes
de
computadores
estão
crescendo
exponencialmente, criando novas formas e canais de comunicação,
moldando a vida e, ao mesmo tempo, sendo moldadas por ela.

Diante deste contexto, percebe-se que a denominada Sociedade da
Informação representa, conforme Takahashi (2000, p. 5),

[...] uma profunda mudança na organização da sociedade e da
economia, havendo quem a considere um novo paradigma técnico
econômico. É um fenômeno global com elevado potencial transformador
das atividades sociais e econômicas, uma vez que a estrutura e a
dinâmica dessas atividades inevitavelmente serão, em alguma medida,
afetadas pela infra-estrutura de informações disponível.

O que funciona como agente transformador de um contexto, que,
naturalmente será influenciado e transformado, são as mudanças decorrentes de
atividades sociais e econômicas. Estas serão, cada vez mais influenciadas pelo
advento informacional possibilitado pela Sociedade da Informação.
2.1 ASPECTOS HISTÓRICOS
No Brasil, a Sociedade da Informação teve início antes mesmo do advento
da Internet, por meio do videotexto, definido como um veículo de produção de
linguagem e de distribuição de informações (PLAZA, 1984).

�Cabe destacar, que a Sociedade da Informação originou-se e se
fundamentou

em

dois

tipos

de

desenvolvimento

interdependentes:

o

desenvolvimento econômico e as mudanças tecnológicas.
Diante das mudanças no contexto econômico, as modificações nas
atividades cotidianas passaram a fazer parte de uma imensa teia de comunicação
na aldeia global. Isto abrange diversos países, interligando, em escala planetária,
indivíduos que se encontram nos mais diversos locais do mundo. São fios, cabos,
fibras, que tampouco se enxerga, mas que possibilitam modificações extremas no
modo de vida e facilidades no processo de comunicação nunca antes imaginadas.
Estas, por conseguinte, passaram a fazer parte do dia-a-dia de uma parte da
sociedade.
Essa teia de recursos é denominada por Takahashi (2000, p. 3) como uma
verdadeira superestrada de informações e serviços freqüentemente chamada de
infovia ou supervia . Deve-se salientar que, dentre todos os serviços que essa
infovia possibilita, o fenômeno que mais contribui para que a sociedade se
desenvolva com tanta rapidez, é precisamente a comunicação e o processo de
disseminação da informação através da Internet.
2.2 CONTEXTO ATUAL
Como foi enfatizado, a Sociedade da Informação nos insere em um
contexto repleto de transformações, que de maneira positiva proporciona a
geração de conhecimento. Mas, esta também modifica uma série de costumes
que, de modo geral, tem suas estruturas transformadas por tecnologias que
facilitam a maneira de viver e ampliam a ação comunicativa.
Corroborando com Belluzzo (2005, p. 8)2, percebe-se que um dos grandes
desafios dessa nova sociedade é o aprofundamento das desigualdades sociais
sobre o eixo do acesso e uso da informação e isso requer a intervenção em níveis
local e global. Nesse sentido, uma grande parcela da população se encontra
hoje, aquém destas novas possibilidades, o que impulsiona a definição de

2

Paginação atribuída pelas autoras.

�políticas de acessibilidade à informação, visando promover a universalização do
acesso aos meios eletrônicos de comunicação e informação, intervindo no
processo de exclusão.
Nessa perspectiva, salienta-se iniciativas como a do Ministério da Ciência e
Tecnologia (MCT), que no ano de 2000 disponibilizou a toda a sociedade, o Livro
Verde3. Este contempla um conjunto de ações com o intuito de impulsionar a
Sociedade da Informação em todo o Brasil, ampliando não só acesso as
Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), como também aos meios de
conectividade, a formação de recursos humanos qualificados, incentivo à
pesquisa e desenvolvimento, e-commerce e o desenvolvimento pioneiro de novas
aplicações.
De modo geral, esses segmentos da sociedade estão empenhados em
possibilitar as faixas mais carentes à acessibilidade à Internet. Para Takahashi
(2000, p. 7) urge, portanto, buscar meios e medidas para garantir a todos os
cidadãos o acesso eqüitativo à informação e aos benefícios que podem advir da
inserção do país na Sociedade da Informação.
Diante de outras iniciativas realizadas em nosso país, sente-se a grande
necessidade de se estabelecer ações e projetos estruturantes que insiram o RN
nesta Sociedade denominada da Informação. Assim sendo, a concretização deste
estudo através da consolidação da primeira Hemeroteca Digital deste estado,
disponibiliza, através da Internet, o acervo sobre saques e invasões existente no
NUT-Seca. Acervo este, que após sua digitalização e disponibilização, tornar-se-á
referência primeira para pesquisadores de todo o país, que tenham como foco em
suas pesquisas o fenômeno Seca e todos os assuntos relacionados a ela.

3

TAKAHASHI, Tadao (Org.). Sociedade da informação no Brasil: livro verde. Brasília: Ministério
da Ciência e Tecnologia, 2000.

�3 NUT-SECA: O CONTEXTO
O Núcleo Temático da Seca e do Semi-Árido do RN (NUT-Seca) foi criado
em 1980 no âmbito da UFRN, como centro de documentação e de reflexão sobre
a Problemática da Seca e as suas conseqüências no nordeste brasileiro.

No Projeto A Problemática da Seca, ficou evidenciada a preocupação
com a execução do ensino, da pesquisa e da extensão, consideradas
como funções básicas da Universidade. A melhoria do ensino seria
atingida com a ampliação das informações disponíveis sobre o fenômeno
da seca e de modo especial com as suas repercussões no estado do Rio
Grande do Norte; a pesquisa seria realizada através da elaboração de
um novo saber sobre a seca; a extensão seria efetuada com a
transferencia de informações para a comunidade sobre esse fenômeno,
através de Feiras de Arte, Ciência e Tecnologia e Encontros Municipais
(CARVALHO, 1998, p. 38).

Em 1992, foi institucionalizado com a designação acima citada e tornandose assim um núcleo de estudos e pesquisas interdisciplinares dessa universidade.
A partir de esforços envidados por um grupo de pesquisadores, em especial pela
sua coordenadora geral, Professora Terezinha de Queiroz Aranha, para coleta de
dados e seleção de informações pertinentes ao tema em questão, foi possível a
consolidação de um Serviço de Documentação Especializado.
A especificidade desse centro de documentação foi à base para se dar
início ao desenvolvimento desta pesquisa. Por isso, escolheu-se para esta
primeira etapa o Acervo sobre Saque e Invasão, pois este traz em sua formação
várias fontes que norteiam a pesquisa sobre esta temática. Esta, por conseguinte,
tão relevante para entender as conseqüências da seca, no semi-árido nordestino.
Cabe destacar ainda, que a dimensão desse material informacional que
constitui o NUT-Seca possibilitou a realização de muitas investigações de
natureza técnico-científica.
Estes estudos, por sua vez, conseguiram demonstrar a pertinência dessas
informações no processo de geração do conhecimento técnico-científico. Nesse

�sentido, ao se identificar uma brecha digital nesse espaço, buscou-se difundir
também pelas infovias, as informações que compõem os arquivos físicos com
esses textos jornalísticos, uma vez que estes estavam apenas estocados, em
formato impresso.
No sentido de facilitar a compreensão do que são os saques e invasões
serão apresentados a seguir conceitos que os representam. Para tanto, será feita
uma breve abordagem conceitual acerca da temática em discussão.
4 SAQUE E INVASÃO: ASPECTOS CONCEITUAIS
Os saques e invasões são identificados como movimentos sociais rurais
decorrentes do fenômeno da seca e originados a partir da desarticulação da
produção, dos conflitos de terra e da ausência de alternativas de emprego e
renda, notadamente, na região nordeste do país.
Segundo Gomes (2005, p. 1) a seca é uma situação climática em que há
estiagem de precipitação durante um determinado período, que pode vir a ser
curto ou longo. E quanto mais longo, mas arredia as conseqüências.
Esses movimentos sociais se manifestam como reações coletivas que
ocorrem no meio rural como conseqüência da seca, onde o homem do campo,
nesse período, em geral, encontra-se faminto. Por isso, se organizam e invadem
o

espaço

urbano

para

saquear,

principalmente

os

estabelecimentos

governamentais em busca de alimentos e outras soluções.
Estes homens rurais que procuravam as áreas centrais das cidades, áreas
normalmente próximas aos mercados de alimentos, feiras livres e prédios das
prefeituras, buscavam soluções para os seus problemas.
Pois segundo Moura (1991, p. 3) os saques nunca acontecem em
estabelecimentos privados. Isso se justifica com o fato de que o saque é uma
forma de sobrevivência e para o homem do campo é, também, uma perda de seu
status social pois vai contra seus princípios morais (MOURA, 1991, p. 3, grifo
nosso).

�Essas manifestações, em geral, tem o objetivo de chamar a atenção das
autoridades e não de prejudicar cidadãos comuns.
5 HEMEROTECA: DO IMPRESSO AO DIGITAL
Historicamente, o termo hemeroteca é de origem grega. Neste trabalho,
essa expressão será utilizada a partir do conceito apresentado por Buonocore
(1976, p. 243), que define hemeroteca como sendo originada do grego heméra,
que significa "dia", mais théke, que significa "depósito" ou "coleção.
5.1 HEMEROTECA: DIMENSÃO IMPRESSA
As hemerotecas, de modo geral, não têm sempre a mesma estrutura, mas
existem algumas características comuns a elas, como o tipo do material (jornais,
revistas e/ou recortes dos mesmos). Sua organização, comumente é feita por
título e assunto, bem como seu armazenamento. Sua função se destina à
conservação das informações publicadas periodicamente sobre um determinado
assunto, possibilitando assim, o resgate e acesso ao produto informacional que foi
disponibilizado anos atrás.
Segundo Faria (2003, p. 11),

[...] o jornal é também uma fonte primária de informação, espelha muitos
valores e se torna assim um instrumento essencial para o pesquisador,
pois como apresenta uma análise direta do conteúdo, preenche
plenamente seu papel de objeto de comunicação.

Além disso, percebe-se que a pesquisa no âmbito da hemeroteca
possibilita também o resgate do registro da história, possibilitando ao pesquisador
relacionar o passado com o presente, buscando as origens dos fatos e a refletir
sobre as conseqüências daquilo que ocorre dia após dia, em uma projeção da
história para o futuro.

�Sendo

o

armazenamento

NUT-Seca
de

um

informações

centro

de

relacionadas

documentação
à

problemática

voltado
da

ao

seca,

disponibiliza em sua hemeroteca, uma coleção de recortes de jornais referentes a
esta temática, o que viabilizou a construção de uma hemeroteca digital sobre
saque e invasão como conseqüência do fenômeno seca.
5.2 HEMEROTECA: DIMENSÃO DIGITAL
O conceito de Hemeroteca Digital não foge ao atribuído às Hemerotecas
tradicionais. Estas apenas diferem na forma de armazenamento, isto é, há a troca
do padrão físico (tradicional) para o digital. Entretanto, a Hemeroteca Digital não
objetiva tornar-se um banco de dados estático, que se valha tão somente por
reunir uma certa quantidade de textos, onde se colecionam recortes de jornais e
revistas. Ao contrário, pela facilidade do meio de transmissão, esta pode ser
utilizada a qualquer hora, de todos os locais e simultaneamente por vários
usuários.
Essa facilidade no processo de comunicação surge com o crescimento
vertiginoso da Internet, que por se tratar de um conjunto de inúmeras redes de
computadores, conectados entre si, possibilita a troca de informações entre seus
usuários. Atualmente, as informações disponíveis na Internet, estão, em sua
maioria no formato World Wide Web (Web). Segundo Branski (2004, p. 71),

A Web é um sistema baseado em hipertexto, que constitui a capacidade
de ligar palavras ou frases de uma página Web a outros recursos da
Internet através de links. Quando se clica com o mouse sobre um link,
ele remete para outro ponto dentro do mesmo documento, para outra
página Web ou mesmo para outro site diferente daquele originalmente
acessado.

Esse recurso possibilita interatividade ao seu usuário, permitindo que o
mesmo acesse diversas bases simultaneamente, todas direcionadas aos
assuntos correlatos à sua pesquisa inicial, pois as informações disponíveis

�nessas bases estão organizadas de maneira lógica possibilitando a sua
recuperação.
Com isso, a sociedade atual exige, cada vez mais, o uso de padronização
para qualquer tipo de atividade, principalmente, quando se trata do fornecimento
de produtos e serviços de informação. Nesse sentido, esta temática foi escolhida
com a intenção de iniciar um trabalho de tratamento documental em outro formato
e em caráter experimental, pois trabalhou apenas alguns artigos de periódicos
impressos do NUT-Seca. Estes são considerados de extrema relevância para
compreensão dos movimentos sociais supracitados e, ainda, como uma das
formas mais rápidas de divulgação em rede, dessas informações.
6 METODOLOGIA
6.1 CARACTERIZAÇÃO DO ESTUDO
Este estudo privilegia a constituição de uma hemeroteca digital a partir de
textos de periódicos impressos (jornais e revista), em especial, fragmentos de
periódicos do acervo do NUT-Seca, da UFRN. Este trabalho é considerado de
caráter teórico-prático e, ainda, experimental e foi realizado no período de
setembro a novembro de 2005.
Segundo Ferrari (1982, p. 186), o projeto experimental pode visar, como
problema da pesquisa, um setor de uma atividade, instituição, sistema,
determinado grupo [...] ou um projeto de pesquisa de aprendizagem.
Para tanto, tornou-se necessário também o uso do método observacional
(observações sistemáticas diretas ou indiretas). E, ainda, o experimental a partir
da realidade existente na BCZM, decorrente do trabalho desenvolvido no seu
sistema automatizado.
O sentido exploratório citado anteriormente se justifica em função de que o
processo de trabalho adotado para a criação dessa hemeroteca fez uso do
Sistema

de

Gerenciamento

Bibliográfico ALEPH,

associado

ao

formato

�condensado para dados bibliográficos  Machine Readable Cataloging Format
(MARC) 21.
A partir da planilha de publicações seriadas do ALEPH, foi possível a
inclusão dos dados bibliográficos das partes da revista e jornais impressos do
estudo em pauta. Esta cooperação e a possibilidade de compartilhamento de
informações, permitiu a criação desse repositório institucional digital.
6.2 UNIVERSO DA PESQUISA
O universo da pesquisa foi constituído de 94 textos jornalísticos impressos
coletados em jornais e em uma revista, em especial, em periódicos editados no
Estado do Rio Grande do Norte. Essa documentação compreende o período de
1925 - 2005.
Cabe enfatizar que todo o material informacional que subsidiou e constituiu o
universo dessa pesquisa faz parte do acervo documental do NUT-Seca.
No tocante, à operacionalização desta pesquisa, foi no contexto da Divisão
de Processos Técnicos (DPT) e do Centro de Processamento de Dados (CPD) da
BCZM onde foi realizada a maior parte do seu desenvolvimento prático.
6.3 COLETA DE DADOS
O processo de coleta de dados foi feito diretamente no NUT-Seca, no
período de setembro a outubro de 2005. O funcionário responsável e instruído
sobre os mecanismos de busca desse material facilitou a realização dessa coleta.
A amostragem deste estudo foi constituída de 94 artigos, conforme
mencionado anteriormente. Estes foram disponibilizados pelo NUT-Seca para o
estudo experimental, que envolveu todo seu tratamento documental, ou seja, da
representação à digitalização.

�6.4 PROCESSAMENTO E ANÁLISE DOS DADOS
A identificação do material informacional para realização deste trabalho,
bem como a sua localização, seleção e tratamento permitiram o processo de
análise.
O período para execução dessas atividades foi cumprido conforme o
cronograma existente no projeto que deu origem a este estudo. Então, para o seu
desenvolvimento prático foram utilizadas técnicas e métodos observacionais para
obtenção direta dos dados empíricos.
Procurou-se discutir, inicialmente, alguns parâmetros que delimitariam o
âmbito de aplicabilidade do ALEPH ao texto jornalístico impresso, bem como a
esse suporte informacional  a hemeroteca digital. Em seguida, identificaram-se
através da observação direta, as similitudes e as diferenças operatórias do
sistema ALEPH para a adequação do tipo de texto escolhido, ou seja, parte do
texto jornalístico impresso e o de revista. Com a identificação de um campo que
permitisse a inserção e visibilidade do titulo do periódico, ou seja, o 773 do
formato MARC 21. Tornou-se possível, através desse campo  Entrada Analítica
 a inclusão desse dado.
Isto posto, a autora partiu para a digitalização de todos os textos que
constituíram o universo da pesquisa. Para tanto, fez-se necessária a adaptação
de uma planilha no ALEPH para parte do texto jornalístico e de revista, com fins
de atender o objetivo proposto, se deu a partir da sua planilha de publicações
seriadas.
Nesse sentido, essa metodologia serviu como um dos instrumentos que
garantiu a produção dessa hemeroteca, por meio de todos os seus
procedimentos, dentre os quais, o uso de uma padronização para a criação dos
registros bibliográficos, conforme o formato MARC 21, que se apresenta como
uma das facetas do Gerenciamento Eletrônico de Documentos (GED).

�7 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os primeiros resultados apontam para a sistematização de 94 artigos que
constituem este estudo piloto, ou seja, de uma hemeroteca digital temática.
Esse material informacional ficará disponível por meio de dois arquivos, um
físico e um digital. O arquivo físico está disponível no próprio NUT-Seca,
enquanto que o digital está armazenado no banco de dados do Sistema
Bibliográfico ALEPH, do Sistema de Bibliotecas da UFRN. Através deste se
poderá

ter

acesso

nos

seguintes

endereços:

site

da

BCZM:

(http://www.bczm.ufrn.br) e do NUT-Seca (http://www.nutseca.ufrn.br).
Os procedimentos práticos utilizados para se tratar tecnicamente essa
massa documental foram os seguintes:
a) digitalização de todos os textos;
b) tratamento das imagens;
c) design final para apresentação on line;
d) tratamento técnico bibliográfico no formato MARC 21;
e) inserção dos artigos digitalizados nessa base.
O formato MARC 21 enquanto recurso disponível no sistema ALEPH
permitiu o armazenamento das informações de modo seqüencial e hierarquizado.
Assim, a base de dados constituída para a criação dessa Hemeroteca,
permanecerá na sua integridade. Com isso, poderá ser acessada por meio do
Catálogo on line da BCZM, uma vez que, foi acrescentado um link para um item
correspondente ao registro bibliográfico. Este possibilitou a visibilidade e, ainda, a
recuperação do texto na íntegra. Logo, ao se clicar nesse link o usuário terá
acesso de imediato ao texto completo. Isto implica que não havendo necessidade
de reformular sua pesquisa no Catálogo on line, obter-se-á assim uma resposta
mais ágil e eficaz para sua pesquisa.
A partir disso, duas formas de pesquisa podem ser realizadas, por meio
tanto do Catálogo on line da BCZM, quanto por meio de um link no site do NUT-

�Seca, anteriormente citado. Pois, quanto maior a acessibilidade e usabilidade de
informações sobre saque e invasão, maior será a compreensão dos movimentos
sociais decorrentes da seca, em especial, no nordeste brasileiro.
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As questões da informação e da interatividade nos meios digitais têm se
tornado extremamente importantes na sociedade atual. Isto, porque tem
possibilitado uma maior ação comunicativa em caráter global. Por isso, a escolha
por um tema que privilegiasse a ação comunicativa entre todos os povos, em
especial, de um estudo que desse visibilidade ao fenômeno da seca e as suas
conseqüências, por exemplo saques e invasões.
Então, a partir disso, a estruturação de uma fonte de informação sobre a
temática Saque e Invasão tornar-se-á de acesso público e de forma democrática,
pois o objetivo principal desta pesquisa foi o de potencializar a acessibilidade e
usabilidade dessas informações, através da interatividade.
Portanto, o ponto focal deste estudo foi prover valor para a informação
armazenada no NUT-Seca, na área de Saque e Invasão, por meio da sua
acessibilidade, uma vez que é de fundamental importância favorecer o
conhecimento

dessas

conseqüências

sócio-econômicas

provocadas

pelo

fenômeno da seca.
Assim sendo, acredita-se que este estudo piloto seja apenas o início de
construção de um novo modelo de suporte para geração, armazenamento,
preservação, difusão e transferência de informações jornalísticas do NUT-Seca.
E, ainda, que o mesmo seja avaliado continuamente na perspectiva de ampliar a
acessibilidade e a usabilidade dessas informações, o que permitirá maior
interatividade com a sociedade.
Portanto, a contribuição deste estudo foi a criação dessa hemeroteca, que
fará uso da rede de computadores como meio de integração dessas informações
sobre Saque e Invasão, em seu novo ambiente de informação, ou seja, na rede
Web. Por isso, converge para a rede mundial como fonte de informação digital,

�permitindo assim a extensão da comunicação nessa área do saber, uma vez que
se tornará um espaço interativo entre os diversos usuários dessa ambiência
informacional.

REFERÊNCIAS

BRANSKI, Regina Meyer. Recuperação de informações na Web. Perspectiva
Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 9, n. 1, p. 7087, jan./jun. 2004.
BUONOCORE, Domingo. Diccionario de bibliotecologia. 2. ed. Buenos Aires:
Ediciones Marymar, 1976.
CARVALHO, Renata Passos F. de. Núcleo Temática da Seca/RN: uso do acervo
informacional. 1998. 98 f. Dissertação (Mestrado)  Programa de Pós Graduação
em Biblioteconomia, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 1998.
CASTELLS, M. A sociedade em rede: economia, sociedade e cultura. São
Paulo: Paz e Terra, 2000.
FARIA, Maria Alice. Por que o jornal na escola? In: ____. Como usar o jornal na
sala de aula. São Paulo: Contexto, 2003.
FERRARI, Alfonso Trujillo. Metodologia da pesquisa científica. São Paulo:
McGraw  Hill, 1982.
GOMES, Cristiano Cardoso. Seca, mitos, histórias, fantasias e mesmice.
Disponível em: &lt;http://www.agrisustentavel.com/artigos/seca.htm&gt;. Acesso em:
23 nov. 2005.
MOURA, Maria da Conceição de Almeida. Onde a seca é estudada como ciência.
In: COOPERATIVA CULTURAL DA UFRN. A problemática da seca no RN:
artigos publicados no jornal O Poti. Natal, 1991. p. 34. (Coleção sala de aula,
21).
PLAZA, J. et al. Comunicação e novas tecnologias. São Paulo: Editora ComArte, 1984.
TAKAHASHI, Tadao (Org.). Sociedade da informação no Brasil: livro verde.
Brasília: Ministério da Ciência e Tecnologia, 2000.

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          <name>Dublin Core</name>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Caracteriza-se como um estudo de natureza teórico-prático e de caráter exploratório na construção de uma hemeroteca digital com a temática: Saque e Invasão. Analisa o processo de criação desta hemeroteca a partir de uma documentação constituída de textos de periódicos impressos, existentes no Núcleo Temático da Seca e do Semi-Árido do RN e da sua relevância sobre o tema em questão. Tem como objetivo principal a implantação de uma hemeroteca, com vistas à difusão e promoção do uso dessas informações disponíveis nesse repositório institucional. Estas, por sua vez, de grande importância para se ter uma visão desses movimentos sociais rurais decorrentes do fenômeno da seca, na região nordeste do país. Isto posto, se justifica também diante da atualidade da temática em discussão no contexto do semi-árido do nordeste brasileiro e, ainda, pela necessidade premente de se democratizar o acesso a essas informações em níveis local, nacional e internacional. Dentre os seus procedimentos metodológicos destacam-se: o método observacional, o uso de ferramentas tecnológicas e linguagens de representação. Os resultados apontam para o tratamento documental de 94 artigos de periódicos, armazenados nesse repositório. Portanto, essa hemeroteca torna disponível essas informações.</text>
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                    <text>HISTÓRIA EM QUADRINHOS: LEITURA AO ALCANCE DE TODOS
Alda Tenório Coelho Andrade Godoi∗
Maria Lúcia Nery Dutra de Castro ∗∗
Sonia Regina Casselhas Vosgrau ∗∗∗
Tereza Cristina O. Nonatto de Carvalho ∗∗∗∗
Valéria dos Santos Gouveia Martins ∗∗∗∗∗
Aparecido Donisete Alves ∗∗∗∗∗∗
RESUMO
As bibliotecas universitárias são unidades de informação, inseridas num contexto de
produção e difusão do conhecimento, retratando os conteúdos temáticos através de
seus acervos bibliográficos. Histórias em Quadrinhos deixaram de ser vistas apenas
como objeto de lazer, para se transformar em material de estudo e investigação por
parte de pesquisadores. Pretende-se com o presente trabalho, enfocar a
documentação em H.Q, projeto que se encontra em desenvolvimento na Biblioteca
Central Cesar Lattes/UNICAMP, no que se refere à seleção, organização, tratamento
da informação, disseminação e preservação desses materiais. A metodologia
utilizada para o desenvolvimento do trabalho tem se pautado principalmente em
pesquisas e visitas técnicas, haja visto a especificidade da coleção. Como resultado,
o trabalho propõe que a coleção de HQ seja uma fonte de pesquisa, estimulando a
comunidade usuária a investigar através do resgate de aspectos históricos, das artes
gráficas e da literatura, fazendo da coleção uma ferramenta educacional, além de
trazer novos desafios para os profissionais que necessitem conhecer

suas

características específicas e aprofundar seus conhecimentos na área.
PALAVRAS-CHAVE: História em quadrinhos. Histórias infanto-juvenis. Literatura infantojuvenil; Humorismo. Comunicação de massa na educação. Arte na literatura. Comunicação
visual.
∗ Bibliotecária– Chefe– Desenvolvimento de Coleção/UNICAMP - aldagod@unicamp.br
∗∗ Bibliotecária-Chefe-Catalogação do Sistema de Bibliotecas/UNICAMP - maluci@unicamp.br–
∗∗∗ Bibliotecária-Diretora Tratamento da Informação do Sistema de Biblioteca/UNICAMP - soninha@unicamp.br
∗∗∗∗ ��������� �
� ��� ������������������� ������� ��� ������ �� ����� ����
∗∗∗∗∗ Bibliotecária-Diretora Associada Sistema de Bibliotecas/UNICAMP – valeria@unicamp.br
∗∗∗∗∗∗
�Bibliotecário da Faculdade Politeca– Santa Bárbara D’oeste - hunefer@yahoo.com.br

�1. INTRODUÇÃO
Embora de grande interesse do público infanto-juvenil e até mesmo das
demais faixas de idade as publicações da modalidade História em Quadrinhos –
H.Q, durante muito tempo foram consideradas de segunda categoria, sobretudo
pelas parcelas mais influentes da nossa sociedade.
A trajetória das Histórias em Quadrinhos no Brasil demonstra que poucas
iniciativas existiam no sentido de preservá-las adequadamente e dar-lhes o devido
tratamento técnico. Todavia, tal situação vem se modificando, e essas publicações
passaram a merecer atenção especial inclusive, de algumas Bibliotecas de
Instituições de Ensino Superior, criando assim as gibitecas.
2. Apresentação SBU/BCCL
As Bibliotecas Universitárias são unidades de informação, inseridas num
contexto de produção e difusão do conhecimento, que é o recurso-chave para o
desenvolvimento de qualquer nação.
O Sistema de Bibliotecas da UNICAMP – SBU enquanto Coordenador
Técnico atua em conjunto com as Bibliotecas Seccionais, Institutos, Colégios
Técnicos, Centros e Núcleos, como uma das fontes de referência e provedora de
informações para os cursos de graduação, pós-graduação e extensão da
Universidade, atendendo diretamente a toda comunidade acadêmica e científica
interna, regional, brasileira e internacional bem como a comunidade em geral. Por
sua característica sistêmica, apresenta em sua estrutura organizacional, áreas de
suporte meio, como: Diretoria Associada; Assessoria de Planejamento; Câmara
Setorial de Acompanhamento de Recursos Humanos; Gestão de Recursos;
Tratamento da Informação; Tecnologia da Informação; Projetos Especiais; Difusão
da Informação; Coleções Especiais e Obras Raras e Biblioteca da Área da

�Engenharia,

única

Biblioteca

de

Área

da

Universidade

contemplando

as

Engenharias: Agrícola, Civil, Elétrica, Mecânica, Química e Centro de Tecnologia.
A Biblioteca Central é constituída por duas Diretorias: a Diretoria de
Difusão da Informação e a Diretoria de Coleções Especiais e Obras Raras. A
Biblioteca Central Cesar Lattes (BCCL) possui um acervo de 99.844 monografias,
1231 títulos de periódicos e atende a uma comunidade de 2.969 usuários inscritos,
tendo efetuado a circulação de 183.990 materiais, abrangendo as seguintes áreas:
Artes e Humanidades, Biomédicas, Exatas, Gerais e Tecnológicas.
2.1 Coleção HQ na BCCL
A área de Coleções Especiais e Obras Raras da Biblioteca Central reúne
acervos de personalidades atuantes da vida acadêmica brasileira, que foram doadas
e/ou adquiridas pela UNICAMP. Tem como objetivos: identificar, reunir, processar,
preservar, restaurar, disponibilizar e divulgar os acervos, dar suporte à pesquisa local
e/ou, à distância.
Esta coleção compreende exemplares do final da década de 1950 até
1995, totalizando 160 coleções, como: MAD, Batman, Fantasma, tendo alguns
exemplares raros: o número 01 (um) do Tio Patinhas, Pato Donald, Mônica, edições
históricas de Flash Gordon, Mandrake, edições do Príncipe Valente, Tarzan, entre
outras.
Segundo Quaglia Jr., esta coleção teve início durante o seu primeiro ano
primário por uma dificuldade, no aprendizado. “Tirava notas muito baixas no colégio
e uma professora sugeriu que comprasse gibis e lesse em voz alta, todos os dias em
casa”.
Durante uma entrevista concedida ao Jornal Correio Popular, Quaglia Jr.,
afirmou que utilizou muitas vezes de suas revistas em quadrinhos para formular
trabalhos na Universidade:

�“Os gibis são documentos históricos. Eles refletem as épocas, os
avanços tecnológicos, como o aparecimento do telefone, por
exemplo. Há cinqüenta anos, a linguagem utilizada nos gibis
nacionais preservava o português correto. Hoje se usa o
coloquial, abusando das gírias. Além de ajudar-me a ler, os gibis
despertaram em mim o gosto pela literatura; deram-me agilidade
de raciocínio.” (GUAIUME, 1995, p. 1).
3. JUSTIFICATIVA
Para o desenvolvimento da escrita afirma Bim (2001 p.15), é necessária uma
prática constante da leitura de gêneros diversos o que proporciona ao aluno, o
estabelecimento de relações entre os textos que lê e outros textos já lidos. As H.Q
são um desses gêneros que satisfazem a necessidade de leitura, mesmo para
alunos que ainda não aprenderam a ler convenientemente, pois tem como
característica básica, comunicar uma mensagem de forma rápida e eficiente e, por
serem atraentes, tornam a leitura cativante e prazerosa.
Anselmo (1975, p. 33) conceitua:
“A história em quadrinhos é uma espécie de leitura dinâmica
para a criança que muitas vezes aprende a ler nela. É uma
forma rápida e sintética de apreensão das coisas, do mesmo
modo que a televisão” (ANSELMO, 1975, p.33)
Com sua força e ímpeto de comunicação as Histórias em quadrinhos são
formadas por dois componentes ou códigos – signos gráficos: a imagem e a
linguagem escrita, duas artes diferentes – literatura e desenho. Como qualquer outra
narrativa, essas histórias têm como elementos: personagens, tempo, espaço e ação,
contadas através das imagens e palavras.
Segundo Moore (1999, p.5), o leitor dos quadrinhos, para entender a história,
precisa utilizar de suas habilidades interpretativas, tanto visuais quanto verbais. Por

�outro lado, para contar uma história, o autor das H.Q utiliza-se tanto de imagens
quanto de palavras, compondo assim um fluxo contínuo das experiências que estão
sendo narradas. No entanto, esse fluxo é apresentado ao leitor, dividido em
segmentos seqüenciados - os quadrinhos. Essa combinação entre as imagens e
palavras também contem um efeito biológico, já que o cérebro humano é dividido
entre metades: direita – pré-verbal que trabalha com o subconsciente e com as
imagens e esquerda - verbal, racional, que trabalha com a linguagem. Portanto, as
Histórias em quadrinhos como um meio de comunicação, fazem com que o leitor use
os dois lados do cérebro ao mesmo tempo, proporcionando uma experiência no
mínimo sadia para quem os lê.
Se existir uma experiência comum entre autor e leitor e um histórico de
observação, é possível contar uma história apenas através do elemento - imagens,
sem ajuda de palavras. Assim, fica evidenciado o forte papel da imagem nas
Histórias em quadrinhos. Já o elemento verbal, representa a fala das personagens e
os diversos tipos de ruídos, aparecendo nas legendas e em figuras que compõem o
quadro. Entretanto, também está presente, o elemento lingüístico, como uma
característica figurativa às formas mais distintas de letras e balões para indicar as
diferentes intenções e mensagens a serem comunicadas, despertando ainda mais o
interesse do pequeno leitor nessa literatura em função, de suas necessidades de
crescimento, dos padrões físicos e mentais em formação.
Os contos e H.Q possuem recursos poderosos para ativar o desenvolvimento
psicológico da criança, estimulando a imaginação infantil podendo ser trabalhadas no
uso educacional, desde a pré-escola até ao nível médio; sempre dependendo do
bom senso em escolher os textos, habilidade na aplicação dessa literatura,
criatividade e familiaridade do professor com o gênero. Sua utilização é possível nas
mais diferentes disciplinas; como língua portuguesa, ensino de línguas, geografia,
história, nas artes (RAMA, 2004, p.28). Até mesmo em matemática: proporções,
porcentagens e frações são possíveis de serem ensinadas ou exercitadas, como
sugerido por (CARVALHO, 2000)

�Hoje em dia é possível encontrarmos quadrinhos em campanhas publicitárias,
campanhas de educação em geral: trânsito, saúde, regulamentos, nas ilustrações de
livros didáticos, jornais, revistas e mais recentemente na Internet (quadrinhos
digitais). A Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP há algum tempo, vem
incluindo em seus vestibulares, questões que envolvem H.Q em diferentes
disciplinas. As Histórias em quadrinhos deixaram, portanto, de ser apenas vistas
como objetos de lazer, para se transformarem num material de estudo e investigação
por parte dos pesquisadores utilizando-as como, mais um instrumento educacional a
ser usado em sala de aula, por suas características lúdicas (cores, figuras,
diagramação, argumento, jogos verbais).
Segundo Luyten (1987, p.7): “A história em quadrinhos são excelentes
veículos de mensagens ideológicas e de crítica social, explícita ou implicitamente”.
Inserida nesse contexto, a Biblioteca Central da UNICAMP - Unidade de apoio
à pesquisa, pretende adequar a utilização de H.Q, não somente como leitura de
lazer, mas também, como mais uma fonte de pesquisa.
4. OBJETIVO
Pretende-se com o presente trabalho, enfocar a documentação em H.Q, projeto
que se encontra em desenvolvimento na Biblioteca Central Cesar Lattes/UNICAMP,
no que se refere à seleção, organização, tratamento da informação, disseminação e
preservação desses materiais.
5. METODOLOGIA
Como o trabalho propõe que a coleção de HQ seja uma fonte de pesquisa,
estimulando a comunidade usuária a investigar através do resgate de aspectos
históricos, das artes gráficas e da literatura, fazendo da coleção uma ferramenta
educacional, além de trazer novos desafios para os profissionais que necessitem
conhecer suas características específicas e aprofundar seus conhecimentos na área,
a metodologia utilizada para o desenvolvimento do projeto, pautou-se em pesquisas,

�visitas técnicas, tendo em vista a especificidade da coleção, e uma proposta de
trabalho que permita a organização e a disponibilização deste acervo à comunidade.
6. RESULTADOS

Tendo em vista o objetivo do projeto, a Biblioteca Central Cesar Lattes da
UNICAMP pretende tratar tecnicamente, padronizar, preservar, e também divulgar o
seu acervo de H.Q, disponibilizando os títulos para consulta on-line, proporcionando
uma recuperação adequada desse material, quer à distância ou localmente e, não
apenas como leitura de lazer, mas também, como objeto de investigação e pesquisa,
desmistificando a coleção para que não seja considerada apenas como leitura de
lazer e sim como mais uma fonte de pesquisa das diferentes áreas do conhecimento.
6.1 As etapas de desenvolvimento do projeto:
6.1.1 Organização e Armazenamento
Criação de um espaço físico adequado às características próprias do acervo,
com um ambiente confortável, informal e de fácil acesso para a consulta e pesquisa
local
A coleção de H.Q poderá ser armazenada em estantes de aço, com tamanho
padronizado de 1.42cm de altura X 1.00m de largura e 31.5cm de profundidade. Os
títulos devem ficar ordenados alfabeticamente em caixas bibliográficas identificadas
com números seqüenciais de acordo com o gênero, coleção e título, nos formatos
adequados ao tamanho de cada exemplar de H.Q.

6.1.2 Tratamento Técnico

�O método a ser utilizado a partir de estudos será o formato MARC 21; as
normas da AACR2, para catalogação de publicações de H.Q, bem como para a
transcrição da coleção.
PLANILHA DO EDITOR MARC (BIBLIOGRÁFICO)

FIGURA 1

�FIGURA 2

�FORMATO FULL (BIBLIOGRÁFICO)

FIGURA 3

PLANILHA DO EDITOR MARC (HOLDINGS)

FIGURA 4

�FIGURA 5

FIGURA 6

�6.1.3 Disseminação e Preservação
Criação de procedimentos especiais e adequados seguindo os padrões e normas
pré-estabelecidas quanto ao armazenamento, preservação e acesso aos exemplares
raros. E também, um espaço físico adequado às características próprias do acervo,
com um ambiente confortável, informal e de fácil acesso para a consulta e pesquisa
local.

7. considerações Finais
Atualmente as histórias em quadrinhos estão sendo usadas por alguns
educadores, psicólogos, sociólogos, como mais um instrumento pedagógico para
disseminação de idéias e utilidade pública além de objeto de investigação,
interpretação e intervenção. Por conterem além de uma linguagem prática,
possuírem um visual colorido e atrativo, encantam e despertam não só nas crianças
como em adultos, o desejo pela leitura, a imaginação e criatividade além, de
enriquecerem o vocabulário.
Fávero e Koch mencionam:
“A história em quadrinhos como modalidade textual, em sentido
lato, designa toda e qualquer manifestação da capacidade
textual do ser humano, (quer se trate de um poema, quer se
trate de uma música, uma pintura, um filme, uma escultura, etc)
isto é, qualquer tipo de comunicação realizado através de um
sistema de signos” (Fávero &amp; Koch, 2000, p.25).
Pretende-se

com

este

trabalho,

enfocar a

documentação em

H.Q,

apresentando a evolução e as atividades que já foram desenvolvidas até o momento
e traçar ações no decorrer da incorporação do acervo à Base de Dados Virtua
procurando caracterizá-la como fonte de leitura de lazer e objeto de pesquisa.

�Abstracts
The university libraries are units of information, inserted in a context of production and
knowledge diffusion, describing the thematic contents through its bibliographical
acervus.Cartoons had left to being seen as leisure object, and became into study and
inquiry material for researchers. It is intended with the present work, to focus the
documentation in H.Q, that is being developed through a project in the Biblioteca
Central Cesar Lattes/Unicamp, referring to the election, organization, information
treatment, dissemination and preservation of these materials. The work has been
developed through research and visits techniques, due to the specific care of its
collection. As result, the work intends to be a research source, stimulating the
community to investigate through the rescue of historical aspects, the graphical arts
and literature, transforming the collection into an educational tool, bringing new
challenges for professionals who need to know its specific characteristics and to raise
its knowledge in the area.
Key Word: Comic books. Books for Children. Humor. Mass media in education. Art in
literature . Visual communication.

9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AACR2: Código de Catalogação Anglo-Americano, preparado sob a direção de the
Joint Steering Committee for Revision of AACR. 2. ed. São Paulo: Imprensa Oficial,
2004. 1v. (paginação irregular)
ANSELMO, Zilda Augusta. Histórias em quadrinhos. Petrópolis: Vozes, 1975.
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AZEVEDO, Margarete. Ao “mestle com “calinho”: Cebolinha, Chico Bento, Mônica
e tantos outros heróis fadas histórias em quadrinhos, execrados pelos pais e
professores em outros tempos, agora podem contribuir para o aprendizado. Revista

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�</text>
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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              <description>The topic of the resource</description>
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                <elementText elementTextId="51379">
                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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              <description>The nature or genre of the resource</description>
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                  <text>Evento</text>
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            <element elementId="38">
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                  <text>Salvador (Bahia)</text>
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    </collection>
    <itemType itemTypeId="8">
      <name>Event</name>
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    </itemType>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <name>Title</name>
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                <text>História em quadrinhos: leitura ao alcance de todos.</text>
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                <text>Godoi, Alda Tenório Coelho Andrade et al.</text>
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            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                <text>Salvador (Bahia)</text>
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                <text>As bibliotecas universitárias são unidades de informação, inseridas num contexto de produção e difusão do conhecimento, retratando os conteúdos temáticos através de seus acervos bibliográficos. Histórias em Quadrinhos deixaram de ser vistas apenas como objeto de lazer, para se transformar em material de estudo e investigação por parte de pesquisadores. Pretende-se com o presente trabalho, enfocar a documentação em H.Q, projeto que se encontra em desenvolvimento na Biblioteca Central Cesar Lattes/UNICAMP, no que se refere à seleção, organização, tratamento da informação, disseminação e preservação desses materiais. A metodologia utilizada para o desenvolvimento do trabalho tem se pautado principalmente em pesquisas e visitas técnicas, haja visto a especificidade da coleção. Como resultado, o trabalho propõe que a coleção de HQ seja uma fonte de pesquisa, estimulando a comunidade usuária a investigar através do resgate de aspectos históricos, das artes gráficas e da literatura, fazendo da coleção uma ferramenta educacional, além de trazer novos desafios para os profissionais que necessitem conhecer suas características específicas e aprofundar seus conhecimentos na área.</text>
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        <src>http://repositorio.febab.libertar.org/files/original/47/5319/SNBU2006_182.pdf</src>
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            <name>PDF Text</name>
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                    <text>IMAGEM: DOCUMENTO E INFORMAÇÃO

Carlos A. A. Nogueira. Mestre em Memória Social e Documento,
Técnico

em

Assuntos

Educacionais,

Biblioteca

de

Recursos

Instrucionais (BRI) do Núcleo de Tecnologia Educacional para a Saúde
(NUTES) da UFRJ, carlos@nutes.ufrj.br.

Mara Lúcia Alves Leitão Corrêa. Bibliotecária responsável pelo Posto
de Serviço de Informação do Instituto de Ginecologia da UFRJ,
biblioteca@gineco.ufrj.br.

Maria Alice Peixoto Ferreira. Bibliotecária da Biblioteca Central do
Centro de Ciências da Saúde da UFRJ, alice@acd.ufrj.br.

�RESUMO

A BRI/NUTES tem por objetivo apoiar as atividades de ensino, pesquisa e
extensão, com a intenção de gerenciar e disseminar as informações técnicocientíficas. Em decorrência do acervo constituído em sua maior parte por
documentos audiovisuais, desenvolve atividades diferenciadas das demais
bibliotecas que compõe o Sistema de Bibliotecas e Informação-SIBI/UFRJ.
Dos pictogramas das cavernas aos ideogramas; das representações do real nas
artes plásticas e na fotografia, aos simulacros em todas as vertentes da
publicidade e da propaganda, as imagens sempre foram fontes de conhecimento
e de informação.
Com a revolução industrial, ocorreu simultaneamente uma revolução dessa
linguagem, com o surgimento das câmeras fotográficas, cinematográfica e, hoje,
através da presença da imagem eletrônica produzida pela TV e vídeo.
A multiplicidade de áreas de geração de conhecimento que caracterizam a
Universidade Pública dificultam a constituição de um padrão único para o
processo de armazenamento, indexação e recuperação desse acervo imagético.
Nesse sentido, propomos a formação de um grupo de estudo permanente voltado
para formação de profissionais capazes de identificar os processos e meios de
produção de imagem — artes plásticas, fotografia, cinema, televisão e vídeo—,
objetivando a constituição de arcabouço teórico/prático através de oficinas de
classificação e indexação de imagens em movimento.

Palavras-chave: Indexação de imagem em movimento. Imagem-documentoinformação. SIBI/UFRJ. NUTES/UFRJ

�1. INTRODUÇÂO

A produção de imagens para a televisão e o vídeo envolve em seu processo
a geração de um grande número de gravação de cenas — material bruto. Na
edição, apenas algumas cenas são aproveitadas. As gravações não utilizadas ou
parcialmente utilizadas devem receber tratamento técnico visando a sua busca e
recuperação para a reutilização em outras produções audiovisuais, e em
atividades de ensino, pesquisa e extensão, gerando

estoques de informação

(BARRETO, 2000).

Para agilizar o acesso a esta informação visual armazenada, objetivando a
sua posterior recuperação, deve-se adotar critérios precisos de indexação
levando-se em conta o processo de produção das imagens, a narrativa
cinematográfica e videográfica, e a multidisciplinaridade de temas e assuntos que
constituem o acervo de uma instituição que tem como princípio fundamental a
produção de conhecimento.

Nesse sentido, propomos a formação de um grupo de estudo permanente
voltado para identificar os processos e meios de produção de imagem,
contribuindo para a fundamentação teórico/prática, visando a criação de uma
metodologia, através de oficinas de classificação e indexação de imagens em
movimento.

2. A LINGUAGEM AUDIOVISUAL

Os registros mais antigos da história da humanidade são imagens. Dos
pictogramas das cavernas aos ideogramas; das representações do real nas artes
plásticas e na fotografia, aos simulacros em todas as vertentes da publicidade e
da propaganda, as imagens sempre foram fontes de conhecimento e de
informação.

�Desde a sua origem, a imagem é um intermediário entre o conhecimento e a
criação. Na era paleolítica, por exemplo, as imagens faziam parte

de um

processo de magia. Ao pintar um animal numa rocha, o homem paleolítico
acreditava produzir um animal real. A representação pictórica nada mais era do
que a antecipação do efeito desejado (HAUSER, 1982).

A origem da escrita ocorreu de forma imagética, basta observar a escrita dos
povos da Suméria, antiga região da baixa Mesopotâmia, na Ásia. Do
Renascimento ao século XIX vigorou o predomínio da escrita

enquanto

linguagem documental. Com a revolução industrial, ocorreu simultaneamente uma
revolução dessa linguagem, com o surgimento da câmera fotográfica, seguida
pela cinematográfica e, hoje, através da presença da imagem produzida pela TV e
pelo vídeo.

A linguagem audiovisual cada vez mais utiliza-se de técnicas e metodologias
tão avançadas, que nos leva a crer se tratar de um campo reservado apenas aos
especialistas e conhecedores do assunto. No que se refere à produção de
imagens para o cinema, TV e vídeo essa impressão fica mais patente.

Dessa forma, educar para a decodificação das mensagens audiovisuais
significa

não

aceitar

passivamente

“ser

informados”,

como

objetiva

o

establishment, ou seja, decodificar os meios e processos de criação das imagens
audiovisuais é desenvolver novos hábitos capazes de conduzir o cidadão a um
espírito crítico na maneira de olhar o mundo que o cerca.

Os irmãos Lumiére foram os primeiros a aperfeiçoar, em 1895, um aparelho
que realizava satisfatoriamente as duas funções do cinema: registrar o movimento
e

projetar

filmes.

Inúmeras

pesquisas

já

haviam

sido

desenvolvidas

anteriormente. A utilização do fenômeno da persistência da imagem na retina deu
origem ao Phénakisticope (1832) do belga Plateau e ao Zootrope (1834) do inglês
Horner, aparelhos que funcionavam com desenhos das fases sucessivas de um
movimento. Em 1892, o Praxinoscope do francês Èmile Reynaud possibilitou a
projeção dos primeiros desenhos animados. O registro do movimento real, no

�entanto, só foi possível a partir do surgimento de chapas fotográficas
suficientemente sensíveis, em torno de 1870-1880.

Da mesma forma que a literatura se manifesta através das palavras, e o
teatro utiliza atores, cenografia, maquiagem e efeitos de iluminação, o cinema
também possui uma maneira particular de exprimir emoções, sentimentos e
idéias. Embora utilizando alguns recursos da literatura (técnicas narrativas) e do
teatro (atores, cenografia, etc.), o cinema possui uma linguagem própria cujos
elementos técnicos fundamentais são o plano, os ângulos e o movimento de
câmera.

Atribui-se ao americano David Wark Griffith (1875-1948) a criação da
primeira experiência de uma linguagem visual, onde a câmera começava a sair da
“cadeira do teatro filmado”, ritmando o tempo, aproximando-se e afastando-se das
personagens, o uso de close-ups, planos gerais, flashbacks e de fades.

Outras propostas de linguagem cinematográfica foram criadas — a
montagem intelectual do cineasta russo Eisenstein, o surrealismo de Buñel, o
cinema expressionista alemão, o neorealismo italiano, a nouvelle vague francesa,
o cinema novo de Glauber Rocha, entre outras.

Após a invenção do tríodo por L.De Forest, em 1906, do tubo de raios
catódicos com dispositivo de varredura, por K.L. Braun (1897-1905), assim como
o tubo de tomada de imagens por V.K. Zworykin (1923), foram efetuadas as
primeiras demonstrações de TV por J.L. Baird, em 27 de janeiro de 1926 — para
outros cientistas no Royal Institution, em Londres. A qualidade das imagens foi
criticada, mas o princípio de sua transmissão foi aprovado.

No Brasil, o pioneiro da TV foi Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira
de Melo, paraibano de Umbuzeiro, nascido em 05 de outubro de 1892. Em 18 de
setembro de 1950, após mandar importar alguns aparelhos transmissores que
não eram fabricados no Brasil, Chatô inaugura a sua PRF3, a TV Tupi de São
Paulo.

�2.1. VÍDEO

O vídeo é um sistema híbrido que se apropria e utiliza códigos significantes
de outros meios de expressão - teatro, televisão, literatura, rádio e da computação
gráfica. A videoarte obedece a outro tipo de parâmetro, faz parte da pesquisa de
linguagem e da criação preconizada por Nam June Paik. Ao contrário das línguas
naturais que possuem uma “gramática” normativa, em vídeo, não existe regra
absoluta. Na linguagem videográfica pode-se destacar três tendências gerais,
são elas (MACHADO, 1993) :

1. Em decorrência da baixa definição da imagem é inadequado colocar
muitas informações, detalhamentos minuciosos ou cenários realistas. O
mais eficiente para o vídeo é utilizar a chamada composição analítica, ou
seja , o fragmento representando o todo.

2. A segunda tendência geral da linguagem videográfiica é a sua estrutura
circular e reiterativa. Ao contrário do cinema que pode controlar a atenção
de seus expectadores, o vídeo convive com a concorrência de fatores
externos e dispersores da atenção .

3. A terceira grande tendência da linguagem vídeográfica é a metamorfose
da imagem, que é um suporte para o desenvolvimento criativo. Ao contrário
do cinema, que no início sempre demonstrou um total respeito e receio de
intervir sobre a imagem, o vídeo teve sempre como seu aliado os efeitos
especiais.

2.2 – INDEXAÇÃO E DECUPAGEM

No campo do tratamento da informação, o termo indexação é conceituado
como um processo intelectual que consiste em indicar o conteúdo temático de um
documento, mediante a atribuição de um ou mais termos (ou códigos), a fim de

�caracterizá-lo de forma unívoca. Indexação, portanto, é a representação do
conteúdo temático dos documentos através do uso de uma terminologia (préestabelecida).

Uma etapa importante desse processo é a decupagem. Decupar é dividir o
filme ou o vídeo em planos. O plano é um segmento de imagem contínua
compreendido entre dois cortes, ou seja, é a imagem registrada durante o
intervalo de tempo no qual a câmera está ligada, gravando uma cena (SANTOS,
1993). Decupar, então, é reunir uma série de fragmentos de imagem contínua,
filmados ou gravados sob diversos ângulos e com pontos de vista diferentes.

3. METODOLOGIA

A Biblioteca de Recursos Instrucionais (BRI) do Núcleo de Tecnologia
Educacional para a Saúde (NUTES) da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ), tem por objetivo apoiar as atividades de ensino, pesquisa e extensão,
com a intenção de gerenciar e disseminar as informações técnico-científicas
produzidas ou adquiridas pelo NUTES. Em decorrência do acervo constituído em
sua

maior

parte

por

documentos

audiovisuais,

desenvolve

atividades

diferenciadas das demais bibliotecas que compõe o Sistema de Bibliotecas e
Informação (SIBI/UFRJ).

Para atingir nossos objetivos adotaremos as seguintes etapas:

1. Discussão e análise de textos que se articulem com a temática da oficina;

2. Projeção de vídeos e programas de TVs comerciais e por assinatura,
acompanhada de reflexão sobre seus formatos (linha de shows, telejornal,
documentário, educativo, institucional, etc.);

3. Análise do assunto - atividades práticas de produção de sinopses,
classificação e indexação de imagens.

�A oficina piloto será desenvolvida a partir da análise

do vídeo AIDS: o

desafio é nosso, produzido pelo NUTES/UFRJ em 1991. O objetivo do vídeo era
sensibilizar os profissionais de saúde, levando-os à reflexão e ao debate do tema.
O vídeo editado foi dividido em sete blocos: revelação, discriminação, risco, afeto,
serviços de saúde, morte e pequenas vitórias.

3.1.

Local de estudo (NUTES)

Modelo de Planilha de Decupagem:
No Fita
Volta/Tempo

Descrição das Cenas

Fita
003

Cenas

024/068

(Plano Geral) Ambulância parada no pátio do Hospital Geral de
Bonsucesso; ambulância entrando no hospital.

070/155

(Plano Detalhe) Máquina de hemodiálise sendo manipulada por
enfermeira; paciente ligada à máquina; detalhes da máquina de
hemodiálise.

157/173

(Close) Mãos de profissional com luva cirúrgica esterIlizando tesouras
em uma bandeja de metal.

176/186

Tubos de hemodiálise em lata de lixo (Zoom in e zoom out).

187/194

(Plano Médio) Três enfermeiras: colocando material na estufa;
organizando material em estante; e, fazendo anotações.

Fita
012

Cenas

010/058

(Plano Médio alternando com Close) Depoimento de paciente
soropositivo HIV: sua gratidão pelo carinho e atenção dos profissionais
de saúde do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho/UFRJ; sua
concepção da doença.

059/087

(Plano Médio) Cartazes afixados em parede orientando sobre as formas
de contágio e prevenção contra o HIV.

�No Fita
Volta/Tempo

Descrição das Cenas

Fita 012
(continuação)

Cenas

088/146

(Plano Médio/ Plano Detalhe/ Close) Técnicos em análises clínicas do
Hospital Universitário Clementino Fraga Filho/UFRJ, em sua rotina diária
(diversos planos); detalhes de mãos com luva cirúrgica; profissional
olhando em microscópio; profissional manipulando frascos.

147/412

(Plano Geral/ Plano Médio) Corredor do Hospital Universitário
Clementino Fraga Filho/UFRJ; enfermeira com pacientes em fase
terminal sendo assistido por médico; enfermeira retirando sangue de
paciente para exame.

413/433

(Plano Médio/ Plano Detalhe) Salão de beleza; orientação para a
prevenção da doença no uso de instrumentos - alicates, tesouras, dentre
outros.

Fita
013

Cenas

001/232

(Plano Geral/ Plano Médio/ Plano Detalhe) Cenas urbanas; povo fala
respondendo à seguinte questão: se você fosse um profissional de
saúde atenderia um paciente com AIDS ?

Fita
014

Cenas

001/430

Entrevista com Marcos ...., mensageiro do setor de emergência do
Hospital Universitário Clementino Fraga Filho/UFRJ, sobre AIDS:
atribuições de sua função; condições de trabalho; relação médicopaciente e médico -equipe de saúde; necessidade de aperfeiçoamento e
orientação para se relacionar com a possibilidade de contágio no
transporte de material contaminado.

Fita
030

Cenas

236/412

Depoimento de Herbert Daniel, sociólogo e escritor, HIV positivo,
coordenador do grupo “Viva a Vida”; a descoberta que era soropositivo;
a postura do médico no momento de comunicar o resultado positivo do
exame; a necessidade de uma densa e humana relação médicopaciente; solidariedade sim, piedade não.

Fita
032

Cenas

158/303

Cenas urbanas (movimento de transeuntes)

304/317

Populares observando rapaz com AIDS, deitado na calçada junto a
álbum de fotografias e carta pedindo apoio e solidariedade.

�No Fita
Volta/Tempo

Descrição das Cenas

Fita 032
(continuação)

Cenas

318/355

Depoimento de rapaz com AIDS, deitado na calçada junto a álbum de
fotografias e carta pedindo apoio e solidariedade,; precisou sair de
hospital por falta de vagas; a pobreza familiar o conduziu às ruas em
busca de auxílio.

356/430

Sinal luminoso ; Cenas urbanas. Tráfego de veículos e transeuntes.

Fita
034

Cenas

014/122

Profissionais de saúde em sua rotina com pacientes com AIDS, no
Hospital Universitário Clementino Fraga Filho/UFRJ; preparando seringa,
retirando sangue.

4- CONSIDERAÇÕES FINAIS

No processo de indexação de imagens em movimento, a decupagem é
parte fundamental para a recuperação, principalmente, daquelas cenas não
utilizadas na edição do produto final. Cabe ressaltar que a multiplicidade de áreas
de geração de conhecimento científico dificulta a constituição de um padrão único
no processo de armazenamento, indexação e recuperação desse acervo
imagético Dessa forma, as oficinas devem voltar-se para a decodificação dos
processos e meios de produção de imagem, visando a socialização desse
conhecimento junto à comunidade acadêmica.

�Referências Bibliográficas
AUMONT, Jacques. A significação na imagem. In: A imagem. São Paulo: Papirus
Editora, 1993.
BAMBOZZI, Lucas. O vídeo em questão : a perspectiva de uma arte do vídeo
como referência -chave para a representação. Revista Imagens UNICAMP, SP,
n.1, Abril de 1994.
BARRETO, Aldo. Os agregados de informação – Memórias e estoques de
informação. DataGramaZero. Revista Ciência da Informação, v.1, n.3, Junho,
2000.
BITTENCOURT, Luiz Carlos. Manual de telejornalismo. Rio de Janeiro: Editora da
UFRJ, 1993.
CORDEIRO, Rosa Inês Novais. Informação e movimento: uma ciência da arte
fílmica. Rio de Janeiro: Madgráfica, 2000.
FALAVIGNA, Mauricio. História da fotografia. Disponível em:
&lt;http://www.clicio.com.br&gt;. Acesso em: 10 jun 2006.
HAUSER, Arnold. História social da literatura e da arte. Madrid: Mestre Jou, 1982.
MACHADO, Arlindo. O vídeo e sua linguagem. In: Revista da USP - Dossiê
Palavra/Imagem, número 16, São Paulo: Edusp,1993.
SANTOS, Rudi. Manual de vídeo. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 1993.

Figura capa: Pintura na Cova do Civil (Detalhe). Barranco da Valltorta – Castellón.

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>A BRI/NUTES tem por objetivo apoiar as atividades de ensino, pesquisa e extensão, com a intenção de gerenciar e disseminar as informações técnico-científicas. Em decorrência do acervo constituído em sua maior parte por documentos audiovisuais, desenvolve atividades diferenciadas das demais bibliotecas que compõe o Sistema de Bibliotecas e Informação-SIBI/UFRJ. Dos pictogramas das cavernas aos ideogramas; das representações do real nas artes plásticas e na fotografia, aos simulacros em todas as vertentes da publicidade e da propaganda, as imagens sempre foram fontes de conhecimento e de informação. Com a revolução industrial, ocorreu simultaneamente uma revolução dessa linguagem, com o surgimento das câmeras fotográficas, cinematográfica e, hoje, através da presença da imagem eletrônica produzida pela TV e vídeo. A multiplicidade de áreas de geração de conhecimento que caracterizam a Universidade Pública dificultam a constituição de um padrão único para o processo de armazenamento, indexação e recuperação desse acervo imagético. Nesse sentido, propomos a formação de um grupo de estudo permanente voltado para formação de profissionais capazes de identificar os processos e meios de produção de imagem — artes plásticas, fotografia, cinema, televisão e vídeo—,objetivando a constituição de arcabouço teórico/prático através de oficinas de classificação e indexação de imagens em movimento.</text>
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                    <text>IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA DE EDUCAÇÃO NA DIBD:
“POSTURA DE ATENDIMENTO”
Kátia M. de Andrade Ferraz ∗
Thais Cristiane Campos de Moraes ∗∗

RESUMO
Dentre as políticas definidas pela Divisão de Biblioteca e Documentação da
ESALQ/USP em 2004, a implantação do Programa de Educação para seus
funcionários foi item prioritário. Considerando a abrangência do tema, optou-se
por iniciar o programa a partir da definição de uma postura ideal e padronizada de
atendimento. Elaborou-se um manual denominado “Postura de atendimento da
DIBD” cujo conteúdo baseou-se na literatura existente, adaptada à realidade da
biblioteca universitária. O formato simples e ilustrado do manual visou a
aceitação e a assimilação do tema. Para a transferência do conceito aos
funcionários, a metodologia utiliza o manual e uma dinâmica diferenciada, com
simulação de situações comuns ao ambiente de trabalho, cuja participação e
experiência de todos é imprescindível. Dessa forma, a postura ideal de
atendimento é melhor direcionada, aplicada e exercitada, além de evidenciar o
atendimento diário de cada funcionário (para clientes internos e externos), de
acordo com a sua área de atuação. A DIBD divulga os pontos cruciais para a
postura de atendimento nas relações interpessoais e norteia o padrão de atitudes
que espera de todos, de modo que cumpra a sua missão na busca da “Excelência
do Atendimento”.
PALAVRAS-CHAVE: Programa de educação – Profissional da informação.
Postura de atendimento. Excelência de atendimento. Metodologia.
1 INTRODUÇÃO
Dentre as políticas estabelecidas pela Divisão de Biblioteca e Documentação da
ESALQ/USP para 2004, foi definida a implantação do Programa de Educação
para seus funcionários.
Atualmente, é indiscutível que, para obter sucesso, as instituições devem investir
no desenvolvimento do capital humano. Trata-se de uma visão inovadora de

∗
Bibliotecária chefe da Seção de Circulação e Empréstimo, Divisão de Biblioteca e Documentação - ESALQ/USP, Caixa
Postal 9, Piracicaba, SP, Brasil - kmaferra@esalq.usp.br
∗∗
Analista de Sistema – Técnica de Documentação e Informação, Divisão de Biblioteca e Documentação - ESALQ/USP,
Caixa Postal 9, Piracicaba, SP, Brasil - tcmoraes@esalq.usp.br

1

�educação corporativa, que está crescendo no universo organizacional (BAGGIO,
2005).
A diretoria da DIBD, através do Programa de Educação priorizou o tema “Postura
de Atendimento” para iniciar os treinamentos dos seus funcionários, tendo em
vista que, para o padrão de atendimento desejado, um dos aspectos mais
importantes na busca da qualidade é o cliente. De acordo com Vergueiro (2002),
é preciso estabelecer uma relação cada vez mais estreita entre os fornecedores
do produto/serviço e aqueles para quem este produto é dirigido.
O bom atendimento é um conceito muito comentado, mas nem sempre aplicado.
O profissional deve aprimorar as suas atividades assumindo uma postura próativa de atendimento, que significa estar comprometido com os interesses, com
as expectativas e com a satisfação dos seus clientes, garantindo a
competitividade da biblioteca. Conforme descreve Paludeto (2004), a solução está
na mudança pessoal e não somente em um conjunto de informações a serem
adotadas. É preciso desenvolver habilidades de comportamentos e atitudes
pessoais que serão praticadas não somente na frente do cliente, mas no dia-a-dia
da organização.
A postura frente à qualidade é atualmente um recurso competitivo inquestionável
e está relacionado com o modo de produzir e servir. O crescente número de
empresas que buscam implantar qualidade em seus serviços sinaliza este futuro
(REIS, 2006).
De acordo com o estudo de Baggio e Francisco1, 2005 apud Baggio (2005), as
empresas estão buscando em seus profissionais, além de conhecimento
específico da função, competências comportamentais, que podem ser inatas ou
desenvolvidas. No ambiente de trabalho, essas atitudes se refletem através da
sinergia nas tarefas com melhoria nos processos de trabalho e de relacionamento
interno, e na inovação e criatividade para a solução de problemas.

1

BAGGIO, L.; FRANCISCO, A.C. A gestão de competências sob a ótica do mercado de trabalho
de Ponta Grossa – PR. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ENSINO EM ENGENHARIA, 33.,
2005, Campina Grande. CD-Rom.

2

�A atitude profissional adequada em um ambiente de trabalho é responsável pela
imagem que se forma do profissional, visto que é por meio dela que se difundem
suas competências, conhecimentos, experiências e aspirações (BAGGIO, 2005).
Para um atendimento de excelência é necessário refletir sobre a melhor maneira
de fazê-lo e preparar-se para novas práticas que implicam em mudanças
individuais e comportamentais (FERRAZ; MORAES, 2004).
Atingir este grau de qualidade de atendimento exige estratégias definidas,
planejamento e treinamento sistemático da equipe, e este é o grande desafio do
Programa de Educação da DIBD, que divulga os pontos que considera relevantes
sobre a postura de atendimento nas relações interpessoais (clientes internos e
externos) e norteia, como padrão, as atitudes que espera de seus funcionários no
ambiente de trabalho, de modo que cumpra a sua visão na busca da “Excelência
do Atendimento”.

2 TREINAMENTO
2.1 Metodologia
Para que o treinamento atingisse o seu objetivo, considerando a importância e a
complexidade do assunto “Postura de atendimento”, utilizou-se uma dinâmica
diferenciada, voltada para o estímulo à reflexão e à vivência de situações
pertinentes ao tema. Desse modo, o indivíduo foi capaz de rever a sua postura
pessoal/profissional e, ao mesmo tempo, estar ciente de que somente a ele cabe
a responsabilidade de seu aprendizado, de sua mudança de comportamento no
ambiente de trabalho e ao valor que será dado ao seu serviço.
A aprendizagem através da vivência favoreceu a auto-percepção e a heteropercepção do indivíduo, permitiu a identificação do próprio paradigma e do outro,
facilitando o reconhecimento de crenças errôneas sobre o atendimento e
possibilitando o desenvolvimento de habilidades específicas de comunicação.

3

�Com esta metodologia, pretendeu-se ampliar os horizontes através da
apresentação de novas referências que permitissem aos colaboradores a revisão
do exercício de relacionamento e convívio com clientes (internos e externos),
possibilitando a satisfação de ambos.
Para a viabilidade do programa, alguns itens comentados por Carvalho (2001)
foram considerados e adaptados para a realidade da biblioteca, dentre os quais
pode-se citar:
a) Para quem (público alvo):
Para a mudança de postura e de mentalidade da equipe prestadora de serviços,
foram fundamentais a participação e o envolvimento de toda a força de trabalho,
considerando que a postura adequada de atendimento é exigência tanto do
cliente interno quanto do cliente externo.
b) O que (conteúdo):
O conteúdo do treinamento foi extraído da literatura existente e adaptado à
realidade da biblioteca. O material didático sobre o tema foi elaborado por
profissionais da área de atendimento e da própria experiência compartilhada dos
funcionários. Toda a equipe reunida analisou a sua prática de trabalho de
diferentes pontos de vista, tais como: o interesse e a satisfação do cliente, a
postura do profissional, as situações adversas, entre outras.
c) Quando:
O período definido para este treinamento permitiu a participação de todos, sem
prejuízo para a comunidade acadêmica, sendo adaptado ao calendário escolar da
Unidade e contando com a colaboração de estagiários para o atendimento dos
serviços essenciais.
d) Onde:

4

�O local escolhido para o treinamento foi a própria biblioteca, cujo espaço
possibilitou a utilização dos recursos necessários para a didática proposta e não
gerou gastos significativos à administração da biblioteca.
e) Custo:
O custo para o treinamento foi mínimo (somente gastos com material de
consumo), pois foram utilizados os recursos e os profissionais da própria
biblioteca.
f) Instrutor:
Ao instrutor coube a responsabilidade pela transferência de conhecimentos
(teóricos e práticos) aos participantes.
Para o planejamento do treinamento, o instrutor considerou alguns tópicos
relevantes, tais como:
• Utilização de instrumentos de avaliação adequados e identificados com os
problemas específicos, tratados no decorrer do processo de capacitação;
• Adequação do ritmo dos funcionários ao treinamento;
• Participação ativa de todos durante o processo de aprendizado;
• Atenção especial às características individuais e ao número de participantes.
Para o treinamento, seguiu-se o seguinte roteiro:
• Preparo do espaço físico;
• Distribuição aos participantes da folha de verificação (presença) e mensagens
elaboradas sobre o tema proposto;
• Distribuição do material didático;
• Explanação sobre a seqüência do treinamento;
• Explicação sobre a metodologia da avaliação teórica e prática;
• Distribuição do questionário de avaliação do treinamento.
g) Freqüência e intensidade do treinamento:

5

�Comportamento não é algo que se modifica a partir de um único treinamento e
não é uma meta fácil de se atingir. Somente informações e regras não são
suficientes para manter uma postura ideal de atendimento e desenvolver a
melhoria na tomada de decisões e habilidades autênticas de relacionamento.
Com base nesta afirmação, foi definido que os treinamentos seriam sistemáticos,
considerando que através de repetições é possível adquirir um modo correto de
formar hábitos, e que a intensidade dos estímulos que os funcionários
receberiam, durante o processo de aprendizagem, facilitaria o processo de
assimilação do programa proposto.
h) Dinâmica:
Para a explanação do tema, alguns cuidados citados por Carvalho (2001) foram
seguidos pelo instrutor:
• Clareza, precisão e originalidade na apresentação do treinamento;
• Recursos didáticos eficientes e adaptados aos participantes;
• Plena participação dos funcionários no desenvolvimento dos temas;
• Domínio do tema e da técnica.
Para a dinâmica do treinamento, formaram-se grupos de trabalho para simular
atividades específicas às funções exercidas, de modo que os participantes se
identificassem com o problema apresentado e abordassem tanto o atendimento
ao cliente interno como ao cliente externo.
De acordo com Carvalho (2001), a representação dramatizada de situações reais
de trabalho é também conhecida pela expressão “role-playing” e é indicada para
situações de capacitação profissional que envolvem atividades que exigem
contato com outras pessoas (relações interpessoais).
O texto a ser representado pelas equipes previamente definidas continha o tema
e a problemática e foi entregue um dia antes da apresentação.

Este tempo foi

suficiente para que o grupo pudesse se organizar de forma integrada, utilizando a
sua criatividade e gerando soluções coletivas para os problemas específicos.
6

�Situações adversas ou polêmicas puderam ser observadas por todos e
posteriormente corrigidas. Muitas dessas, antes desapercebidas, ficaram
evidentes, contribuindo para a tomada de consciência dos funcionários nas
questões do atendimento e da própria postura profissional.
Como base para a explanação do treinamento, utilizou-se o Manual de Postura de
Atendimento da DIBD (Figura 1), material este com ilustrações e linguagem
simples e objetiva, elaborado pela equipe do atendimento a partir da revisão de
literatura existente, com adaptações ao contexto da biblioteca.

Figura 1 – Manual de Postura de Atendimento da DIBD

Recursos adicionais foram aplicados como estímulo para que o treinamento se
tornasse mais atraente e eficaz de modo que os conceitos fossem assimilados
naturalmente. Entre eles, pode-se citar:
• Mensagens para reflexão, apresentadas por data-show.
• Textos pré-definidos pela coordenadora da atividade;
• Mensagens através de marcadores de livros distribuídos aos participantes;

7

�• Mensagens através de cartazes e lousa, conforme exemplo da Figura 2;
“ A capacidade de auto-reflexão e a
constante busca do ser humano é a raiz
de toda aprendizagem.”
Paulo Freire

Figura 2 – Mensagem divulgada através de cartaz

3 AVALIAÇÃO
Após a dinâmica, reforços positivos e comentários adicionais sobre a postura da
equipe foram utilizados como ferramentas de apoio e correção. Este
procedimento enfatizou o diferencial que se pode oferecer ao usuário e
evidenciou a qualidade de atendimento esperada pela diretoria da DIBD.
Como instrumento de controle do treinamento ministrado, a avaliação é de
extrema importância. De acordo com Hamblin2, apud Carvalho (2001), “Avaliação
do treinamento é qualquer tentativa no sentido de obter informações
(realimentação) sobre os efeitos de um programa de treinamento e para
determinar o valor do treinamento à luz das informações”.
Acreditando nesta afirmação, os participantes do treinamento sobre “Postura de
Atendimento” foram submetidos a duas avaliações: teórica e prática.

3.1 Avaliação teórica (assimilação do conceito):
A avaliação foi realizada com consulta ao material didático, já que as questões
foram dissertativas e correspondiam aos itens solicitados (aos participantes)
durante a dramatização das situações do cotidiano. A escrita livre foi permitida,
considerando a heterogeneidade do grupo, respeitando o seu grau de dificuldade
e as diferenças de aprendizado de cada pessoa.

2

Hamblin, A.C. Avaliação e controle do treinamento. São Paulo: McGraw Hill, 1978. p.107

8

�3.2 Avaliação prática (comportamento dos profissionais):
A avaliação prática utilizou novamente a dramatização de atitudes comuns ao
ambiente de trabalho, mas com a escolha do texto pelos próprios funcionários.
Esta avaliação foi conduzida através da observação direta no processo de
treinamento e no exercício do atendimento, com anotações pertinentes à postura
de cada participante em planilha específica.
Com isso, foi possível:
• Avaliar cada participante e ao mesmo tempo permitir a fixação mais efetiva
dos conceitos repassados;
• Corrigir o aprendizado;
• Favorecer a criatividade do grupo na solução de problemas práticos;
• Propor condições mais favoráveis para a discussão.
O gabarito da avaliação prática (Figura 3) foi elaborado de modo que os
avaliadores, no caso as diretoras, pudessem utilizar o mesmo critério e a mesma
linguagem, eliminando atitudes subjetivas.

Figura 3 – Gabarito da avaliação prática

9

�3.3 Resultado do treinamento
Para a medição da eficácia e melhoria do treinamento, um questionário de
avaliação (Figura 4) foi utilizado para que todos os participantes pudessem
expressar as suas opiniões sobre o conteúdo e o valor do tema “postura de
atendimento”, a dinâmica, os recursos utilizados e a didática das monitoras.

Figura 4 – Questionário de avaliação do treinamento.
Fonte: Extraída e adaptada de Carvalho, 2001

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados apresentados superaram as expectativas da gerente do Programa
de Educação.
A partir da observação da representação de situações comuns ao ambiente de
trabalho, a postura de atendimento foi avaliada e procedimentos puderam ser
redirecionados, de modo que todos os participantes estivessem capacitados na
técnica de “Postura de Atendimento”.
Ações corretivas e de melhoria como complemento à avaliação prática da equipe
foram sugeridas pela gerência do Programa de Educação à diretoria da DIBD,

10

�considerando que, além de dirigentes, tiveram também o papel de avaliadoras no
processo de implantação da referida técnica.
Caso fosse necessário, o instrutor aplicaria novamente a avaliação teórica,
individualmente, e até mesmo uma nova dramatização, relativa à situação que
não correspondeu às expectativas da Instituição, enfatizando o padrão adotado
pela DIBD.
Durante a primeira etapa do treinamento foi possível identificar as falhas de
postura no atendimento, evidenciadas através da dramatização do texto indicado.
Na segunda etapa, em outra dramatização, após as orientações e a divulgação do
“Manual de Postura da DIBD”, o próprio funcionário foi capaz de fazer uma autoavaliação, encontrando a forma correta de proceder e melhorar a sua postura
profissional.
Após a avaliação, os participantes, individualmente, foram convocados pelas
avaliadoras para um breve comentário sobre o resultado do treinamento.
Alguns itens observados foram corrigidos e incorporados de imediato àqueles
considerados padrão de atendimento, como, por exemplo, a maneira correta de
atender ao telefone, as expressões verbais mais indicadas para o atendimento, o
direcionamento correto do usuário para outra seção, a importância da boa
comunicação para a decodificação da mensagem e a conscientização sobre o
reflexo que um atendimento cordial proporciona à imagem profissional e
institucional.
Enfatizou-se o trabalho em equipe, a sua interdependência, a postura do
atendimento entre os colegas e o envolvimento de todos com o cliente. A
consciência da importância das atividades internas e o benefício que representam
para o cliente externo contribuem para que o funcionário tenha uma postura
profissional adequada. Dessa forma, foi possível assegurar, que o mesmo nível
de comprometimento com as expectativas do cliente exista em todos os setores,
tanto aqueles que tem contato direto com ele, como com os que atuam como
suporte ao atendimento, pois, como afirma Vergueiro (2002), todos são
responsáveis pela integridade da corrente que participam.
11

�Considerando que a repetição das ações cria o hábito e possibilita a assimilação
e a melhoria dos conceitos repassados, é imprescindível que haja a continuidade
do treinamento, de preferência a cada semestre ou anualmente.
A idéia de repassar o conceito da postura adequada, através da conscientização
e sensibilização, facilitou a boa interação entre os participantes. A comunicação
clara e simples, a dinâmica e os diferentes recursos utilizados contribuíram para o
sucesso do trabalho.
A decisão de optar por uma avaliação teórica com consulta do manual e tendo
como base a dramatização das situações comuns, proporcionou um clima
tranqüilo durante o processo de implantação do programa e a equipe sentiu-se
segura para responder às questões. Percebeu-se, nitidamente, um equilíbrio entre
o conceito repassado teoricamente e registrado na avaliação e o conhecimento
assimilado, evidenciado durante a apresentação da segunda dramatização.
Observou-se que o resultado do treinamento foi de extrema importância pela
forma como os conceitos foram assimilados e a participação de todos foi bastante
dinâmica e interativa.
O resultado prático desta melhoria na postura de atendimento pode ser
acompanhado através da caixa de sugestões existente na biblioteca e através do
Sistema de Gestão, utilizando a técnica QFD (Quality Function Deployment) cujos
indicadores de medição evidenciam a satisfação do cliente neste requisito.
Apesar do sucesso, é importante que alterações sejam feitas a cada treinamento,
para a melhoria da metodologia adotada, adequando-a à realidade da biblioteca.

4 CONCLUSÃO
As mudanças sociais verificadas nas últimas décadas do século XX e a formação
da sociedade do conhecimento provocaram mudanças no perfil do profissional
(DRUCKER, 1995).

12

�Atualmente, ter um diploma não é suficiente para ser profissional, para garantir a
sobrevivência no mercado de trabalho, enfim, para ter empregabilidade. O
profissional tem que ser bom na sua área de atuação, ter competência,
habilidades e qualificação humana, que inclui a capacidade de interagir com as
pessoas, a postura adequada, educada e profissional. A disposição para trabalhar
em equipe, a capacidade para dialogar, de interagir e de estar inserido no
ambiente de trabalho é indubitavelmente a chave para a valorização e
reconhecimento profissional, refletindo na satisfação do cliente.
De acordo com Drucker (1995), uma instituição cuja equipe profissional é voltada
para os valores humanos inevitavelmente será dinâmica e competitiva. Isto é
muito mais que uma mudança social. É uma mudança na condição humana.
Assim, para atingir um padrão de atendimento de qualidade é necessária uma
gerência que priorize o Programa de Educação de seus funcionários, investindo
em treinamentos e capacitação, centralizando seus esforços para atingir a sua
meta. O grau de dificuldade para atingir este objetivo depende da estrutura dos
serviços direcionados para a qualidade, do ponto de vista do cliente e do grau de
maturidade de cada instituição.
A DIBD, com este trabalho sobre “Postura de Atendimento”, pretende alcançar a
sua missão, criando um novo espaço para a troca de experiências, para o
aprendizado coletivo, integrado e constante, de modo que instrutores e
participantes aprendam simultaneamente os conceitos estudados, discutidos,
vivenciados e padronizados. Concomitantemente, tem buscado a melhor maneira
de avaliar os resultados obtidos com esse investimento.
Para acompanhar as exigências atuais e as tendências contemporâneas, tem
como expectativa as mudanças dos paradigmas individual e institucional.

ABSTRACT
Among policies defined by the Division of Libraries and Documentation ESALQ/USP in 2004 the implementation of the Education Program to
collaborators was a priority goal. Considering to wide subject approach was
13

�chosen to initiate the program from de definition of an ideal and standard behavior
for customers attending. It was elaborated a manual called “Attending behavior at
DIBD“, which content is based on existent literature, adapted to the reality of the
University Library. The manual has a simple and illustrated shape in order to be
accepted and for a better assimilation of the included subject. The methodology
uses for the transference of the concept to the collaborators the manual and a
dynamic way of explication, with simulation of routine situations which are
common in a work day, where participation and experience of everyone is
essential. In this way, the ideal behavior is better oriented, applied and exercised,
besides to evidence the diary routine of each collaborator (related to internal and
external customers), according to his/her actuation area. The DIBD shows the
crucial points to the attending behavior in the interpersonal relations and orients
the standard behavior expected, in order to accomplish its mission which is looking
forward the “Attending Excellency “.
KEYWORDS: Education Program - Professional of Information. Standard
Behavior. “Attending Excellency“. Methodology.

REFERÊNCIAS
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ENCONTRO ESTADUAL DE ENGENHARIA DA PRODUÇÃO, 1.; SIMPÓSIO DE
GESTÃO INDUSTRIAL, 1., 2005, Ponta Grossa. Disponível em:
&lt;http://www.pg.cefetpr.br/wt/artigosAprovados/art7.pdf&gt;. Acesso em: 10 maio
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&lt;http://www.evolui.com.br/qualidade-atendimento.htm&gt; Acesso em: 20 jun. 2006
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Disponível em: &lt; http://www.senac.br/informativo/BTS/241/boltec241c.htm&gt;
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Ciência, 2002. 124p.

14

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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Dentre as políticas definidas pela Divisão de Biblioteca e Documentação da ESALQ/USP em 2004, a implantação do Programa de Educação para seus funcionários foi item prioritário. Considerando a abrangência do tema, optou-se por iniciar o programa a partir da definição de uma postura ideal e padronizada de atendimento. Elaborou-se um manual denominado “Postura de atendimento da DIBD” cujo conteúdo baseou-se na literatura existente, adaptada à realidade da biblioteca universitária. O formato simples e ilustrado do manual visou a aceitação e a assimilação do tema. Para a transferência do conceito aos funcionários, a metodologia utiliza o manual e uma dinâmica diferenciada, com simulação de situações comuns ao ambiente de trabalho, cuja participação e experiência de todos é imprescindível. Dessa forma, a postura ideal de atendimento é melhor direcionada, aplicada e exercitada, além de evidenciar o atendimento diário de cada funcionário (para clientes internos e externos), de acordo com a sua área de atuação. A DIBD divulga os pontos cruciais para a postura de atendimento nas relações interpessoais e norteia o padrão de atitudes que espera de todos, de modo que cumpra a sua missão na busca da “Excelência do Atendimento”.</text>
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                    <text>IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA DE MARKETING DAS BIBLIOTECAS
SETORIAIS DA UDESC

Lúcia Marengo
Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC
Av. Madre Benvenuta, 2007
Itacorubi – Florianópolis, SC 88035-001
BRASIL
luciamarengo@udesc.br
Resumo
Considerando a importância da promoção dos produtos e serviços, foram criadas na
Biblioteca Universitária da UDESC algumas estratégias de marketing para a divulgação dos
recursos das bibliotecas. O projeto objetivou promover o uso dos produtos e serviços
desenvolvidos nas bibliotecas, através da criação de uma identidade e de um programa visual
padronizado para o fortalecimento da imagem das bibliotecas setoriais na UDESC. Como
resultado destaca-se a importância da utilização da mão-de-obra dos acadêmicos da instituição
na realização do Projeto e o fortalecimento da imagem da biblioteca através da sua logomarca.
Palavras-chave: Marketing em bibliotecas. Gestão de unidades de informação. Gestão de
biblioteca universitárias.

APRESENTAÇÃO

Conhecedores do fato de que recursos e serviços bibliotecários devem satisfazer as
necessidades de todo o corpo docente, discente e técnico, onde quer que esses indivíduos
estejam localizados, seja no campus universitário, em programas de ensino à distância ou
extensão, a Biblioteca Universitária da Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC
tem desenvolvido estratégias especiais de integração com a comunidade universitária.

Assim sendo, para a garantia da divulgação e conhecimento desse processo de
melhoria, a Biblioteca Universitária em parceria com o Laboratório de Design, do Curso de
Design do Centro de Artes da UDESC, desenvolveu o projeto de criação e concepção da
Logomarca da BU, dos materiais gráficos informativos (folder, manuais, boletins), o Website
(Portal na Internet) e comunicação visual das bibliotecas, pois tais ferramentas são
consideradas suportes eficientes e esclarecedores, bem como um canal de comunicação ativo
para divulgação das ações das bibliotecas.

�A primeira etapa do Projeto foi a definição e análise do conteúdo de cada item a ser
desenvolvido, e posteriormente tornou-se necessário a concepção gráfica e a produção e
execução de cada etapa.

O Projeto de elaboração de material informativo para as Bibliotecas Setoriais
da UDESC teve como objetivo promover o uso dos produtos e serviços desenvolvidos nas
bibliotecas, através da padronização e desenvolvimento de uma programação visual de padrão
geral para a divulgação de uma nova imagem com relação às bibliotecas setoriais.

OBJETIVOS

Objetivo Geral


Promover os produtos e serviços desenvolvidos nas bibliotecas através da elaboração do
material gráfico informativo, disponibilização de informação eletrônica na internet,
comunicação visual das bibliotecas setoriais e produção de um vídeo.

Objetivos Específicos


Criar e implantar a homepage da Biblioteca Universitária, disponibilizando serviços e
produtos online;



Criar a logomarca da BU;



Elaborar e confeccionar banners e marcadores de páginas para divulgação;



Elaborar, confeccionar e distribuir folder informativo para todos os usuários das
bibliotecas setoriais;



Elaborar, confeccionar e distribuir o Manual da Biblioteca Universitária;



Elaborar Boletim Informativo de periodicidade trimestral, divulgando as mais recentes
atividades/novidades das bibliotecas setoriais e disponibilizando na homepage da
BU/UDESC;



Criar a comunicação visual padrão nas bibliotecas setoriais da UDESC;



Produzir um documentário sobre o sistema de bibliotecas da UDESC, em vídeo.

�INTRODUÇÃO

As Bibliotecas Universitárias necessitam urgentemente desenvolver atividades de
educação de usuários através de estratégias que possibilitem a interação da comunidade
acadêmica e o efetivo uso dos serviços desenvolvidos.

Desta forma, a aplicação de ferramentas de Marketing em Bibliotecas e serviços de
informação torna-se cada vez mais uma necessidade, pois melhorar e facilitar o atendimento e
o acesso ao usuário tem sido uma preocupação freqüente dos profissionais das bibliotecas.

As Bibliotecas não têm privilegiado a importância da criação de um sistema
estruturado que registre, analise e colete, permanentemente, informações sobre a satisfação e
necessidades de seus usuários, permitindo real embasamento ao processo decisório gerencial.

Assim, se faz urgente criar alternativas para divulgar e captar informações e que se
traduzam numa convincente linguagem de Marketing, e que se voltem à promoção dos
benefícios dos serviços prestados pelas bibliotecas setoriais.

Oliveira &amp; Pereira (2003) abordam aspectos do Marketing Tradicional e do Marketing
de Relacionamento para a gestão de unidades de informação, enfatizando que a aplicabilidade
do marketing de relacionamento é importante, onde o usuário é considerado o foco direto e
individual dos serviços ofertados.

Marketing em unidades de informação pode ser entendido como uma filosofia de
gestão administrativa na qual todos os esforços convergem em promover, com a máxima
eficiência possível, a satisfação de quem precisa e de quem utiliza produtos e serviços de
informação (OTTONI,1995).
Especificamente em bibliotecas universitárias, temos a considerar que na universidade
o processo de tomada de decisão é difuso e descentralizado, pois ela é composta por unidades
semi-autônomas e que muitas vezes não estão em consonância com os objetivos da
universidade como um todo. Tal característica se dá às organizações que lidam com o

�conhecimento, onde especialistas dominam sua própria área no que resulta a dificuldade em
estabelecer relações de autoridade hierárquica, pois há o confronto entre autoridade
administrativa com autoridade profissional.

Considerando ainda que a universidade constitui-se num sistema aberto e é
influenciada pelo ambiente interno e externo, portanto, conjugar os diferentes elementos que a
influenciam é complicado para se chegar a um objetivo comum.

Partindo desses pressupostos, como planejar ações de forma integrada entre as
diferentes unidades existentes no ambiente universitário? Como estabelecer um plano de
marketing comum de análise, planejamento, implementação e controle de programas
formulados para alcançar objetivos institucionais?

Em pesquisa realizada por Murphy e McGarrity em 1978, onde perguntaram a 300
administradores educacionais o que é marketing, 61% responderam que consistia em vendas,
propaganda e relações públicas; 28% consideraram venda ou propaganda ou relações públicas
e somente 1% responderam que é avaliação de necessidades, pesquisa de marketing,
desenvolvimento de produto, preço e distribuição (SERRA, 2003).

A dificuldade que as universidades têm de considerar o ambiente externo, de fazer
análises de demandas sem perder a identidade é constatada através dos modelos de gestão
adotados, pois os modelos percebidos denotam que grande parte dos administradores de
universidade não sabe o que é marketing.

As bibliotecas universitárias inseridas nesses contextos acabam por refletir, de maneira
geral, as mesmas práticas. Eventualmente, de forma isolada, percebem a importância de
estabelecer relacionamentos com seus usuários, conhecendo o perfil, necessidades e
utilizando-os como suas relações públicas dos serviços e produtos existentes nas unidades.

Assim, muitas vezes de forma intuitiva, gestores de unidades de informação aplicam o
composto de marketing, pois reconhecem:

�

Que o produto que oferecem não se restringe apenas aos atributos necessários e
sim, levam em conta também decisões sobre o projeto da embalagem, marca,
garantia, imagem do produto, desenvolvimento de novos produtos e serviço ao
cliente (Produto).



Que os serviços são direcionados para determinado tipo de usuário e não para a
unidade e a oferta desses implica na necessidade percebida. As características
dos serviços e produtos oferecidos devem levar em consideração todos os
aspectos do desempenho que possam criar valor para o cliente (preço).



Que é necessário informar, persuadir e influenciar as decisões do usuário, e
diversos aspectos devem ser considerados para tal fim como propaganda,
divulgação (Promoção).



Que é importante que o produto ou serviço seja entregue e/ou oferecido na
quantidade, qualidade, lugar e no tempo pretendido pelo usuário (Distribuição).

Para Amaral (1998), quando a unidade de informação está orientada para o marketing,
sua filosofia de atuação se volta para o atendimento, com ênfase na função de troca, mediante
ações administrativas visando aos objetivos organizacionais.

Contextualização

A Biblioteca Universitária - BU é composta por um Núcleo Central localizado no
prédio da Reitoria e por 8 (oito) Bibliotecas Setoriais. Em função da situação física espacial
peculiar da UDESC, que se caracteriza como multi-campi, a Biblioteca Universitária
inicialmente adotou um sistema de centralização parcial. Seu modelo abrigava um Núcleo
Central de natureza administrativa e técnica onde era responsável pela execução dos serviços
indiretos como o processamento técnico e aquisição dos materiais bibliográficos para suas
Unidades Setoriais.

Em 1996 o Núcleo Central da BU descentralizou as funções de processamento técnico
e aquisição dos materiais bibliográficos. A partir de então, as Bibliotecas Setoriais passaram a
desenvolver independentemente todas as funções. Para permitir a visualização ampla e
dinâmica do processo administrativo nas Bibliotecas Setoriais a Biblioteca Universitária em

�meados de 2001 optou em trabalhar com a criação de grupos de trabalho, abrangendo e
envolvendo desta forma todo o pessoal das bibliotecas e seus setores. Adotando a
metodologia participativa, onde é essencial o envolvimento de todos, incentivou-se o uso da
capacidade criativa e a integração de esforços para o desenvolvimento, manutenção e
aperfeiçoamento dos produtos, serviços e grupos das Bibliotecas Setoriais.

Assim sendo, para criar uma cultura organizacional com valores baseados na
conscientização, motivação e no envolvimento e participação de todos, implementou ações
para alcançar um grau de excelência do que é produzido e determinado, tanto pela qualidade
técnica (o que é fornecido), quanto pela qualidade funcional (como é fornecido).

Nesse sentido, foi iniciado o processo de implantação das ações voltadas à divulgação
e promoção das atividades das bibliotecas. A possibilidade de cooperação entre a Biblioteca e
o Laboratório de Design da UDESC permitiu a efetivação do projeto, pois pessoal com
determinado conhecimento se fazia necessário, tais como conhecimento em linguagens
HTML e/ou XML, Java e/ou PHP, proficiência no uso de algum editor de Páginas Web
(Dreamweaver, Front Page, etc.), conhecimento em Banco de Dados Relacional e
conhecimento em serviços de Internet (FTP, Telnet, etc.) e Design.

Considerando-se ainda que a BU não possuía máquina com os softwares necessários
para o trabalho, o bolsista, além de possuir os conhecimento na área de design e domínio da
linguagem necessária, deveria desenvolver suas atividades do próprio laboratório, fato este
que enriqueceria ainda mais suas atividades, pois estava num ambiente criativo e de
desenvolvimento permanente de idéias.

Aspectos metodológicos

A proposta de implantação do programa de marketing das bibliotecas setoriais da
UDESC foi apresentada ao LabDesign no primeiro semestre letivo de 2002, onde definiu-se o
trabalho conjunto e estabeleceu-se uma ordem pré-definida pelo LabDesign, como forma de
sistematizar o trabalho e de acompanhar a concepção do processo de criação. Caberia a BU a
preparação e o fornecimento de todas as informações necessárias.

�Assim, foi definida como a primeira etapa do trabalho o desenvolvimento da marca
(Identidade Visual) da BU e sua aplicação em papelaria, sendo ainda necessárias algumas
etapas a serem respeitadas:

1ª Fase: Design briefing que consistiu na elaboração dos requisitos do projeto
(briefing) – segmento de mercado, conceitos, aspectos estéticos, simbólicos e técnicos. Foram
necessárias algumas reuniões para levantamento de requisitos de projeto. Foi também
realizada uma pesquisa e análise do segmento de mercado e finalizou-se a primeira fase com a
conceituação da logomarca.

A 2ª fase referiu-se à apresentação da logomarca, onde foram desenvolvidas e geradas
alternativas para o projeto, ou seja, geradas alternativas que atendam aos requisitos definidos
no briefing. Nesta fase foi apresentada a Arte propriamente dita com a apresentação através de
desenhos bidimensionais para discussão e possíveis alterações e/ou aprovação.

Na 3ª Fase que correspondia a apresentação da aplicação na papelaria foram
apresentadas várias aplicações da marca nos materiais de papelaria. (Cartão de visita, ofício,
envelope, fax e pasta A4).

Na última e 4ª fase foram apresentados os arquivos finais onde constavam o
detalhamento técnico e especificações para reprodução dos materiais e da marca.

Como segunda etapa do projeto foi definido o desenvolvimento do projeto gráfico do
site padrão para todas as bibliotecas setoriais da UDESC. Sendo que a programação do site
ficou sob a responsabilidade apenas da Biblioteca Universitária. Para tanto, foi necessária a
elaboração dos requisitos do projeto (briefing), bem como o segmento de mercado, conceitos,
aspectos estéticos, simbólicos e técnicos do projeto. No que também gerou algumas
alternativas na apresentação de desenhos bidimensionais para discussão e possíveis alterações
e/ou aprovação. Finalizando a etapa com a apresentação de arquivos para construção do site.

�Como a logomarca já estava definida, a próxima etapa do projeto ficou sendo o
desenvolvimento do Material Promocional (folder, marcador de página, e banners)
diferenciado para ser distribuído aos usuários das Bibliotecas Setoriais.

Ao definir o perfil do público alvo optou-se na reprodução de apenas 2 (dois) modelos,
um para a orientação quanto ao uso do sistema informatizado adotado pelas bibliotecas e
outro para apresentar de forma resumida o regulamento da biblioteca. Tais escolhas foram
baseadas na idéia de facilitar e organizar o fluxo diário dos usuários durante sua permanência
na biblioteca.

As informações a serem reproduzidas foram definidas baseadas no sistema existente e
no regulamento vigente. Após confeccionados os modelos para apresentação, avaliação e
aprovação foram alteradas algumas informações e feito o fechamento de arquivos e
documentação técnica para reprodução.

Ainda como 4ª, 5ª e 6ª etapas estavam definidas o desenvolvimento do projeto gráfico
de um Boletim Informativo de periodicidade trimestral, divulgando as atividades e novidades
das bibliotecas setoriais; o desenvolvimento da sinalização do espaço bibliotecário; e a
elaboração do Manual de todas as etapas realizadas no projeto. Entretanto, tais atividades não
foram até o momento desenvolvidas.

O projeto não envolveu custos consideráveis, pois foram utilizados todos os recursos
da instituição, apenas para a impressão dos folders envolveu custos.
Resultados

Ao final do Projeto foi entregue à BU/UDESC o Manual de Identidade Visual da
Biblioteca Universitária da UDESC. A identidade visual é o conjunto de elementos gráficos
que formaliza a personalidade visual de um nome, idéia, produtos ou serviço. No manual
consta a logomarca e suas aplicações: papel timbrado, papel fax, pasta documentos, envelope
ofício, envelope saco, bloco de notas, cartão de visitas e crachá, adesivo para disquete,
adesivo e capa para CD, banner, brindes, assinatura eletrônica, boletim eletrônico e cartão de
felicitação.

�O processo de trabalho resultou da seguinte forma:

1. Implantação da homepage da Biblioteca Universitária/UDESC.
Desde o ano de 2004 a página da BU/UDESC está disponível para divulgação aos
usuários dos produtos e serviços oferecidos pelas bibliotecas setoriais. Está hospedada no
servidor da BU, onde também estão os demais sistemas relativos às bibliotecas.

Para tanto foi necessário reunir, descrever, organizar e sistematizar as informações
produzidas pelas bibliotecas. A contratação e manutenção de um bolsista com conhecimento
em designer e informática (html) foi mantida durante 2 anos, tempo máximo de contrato, e em
2007 novo bolsista contratado para a manutenção. Nos primeiros anos, as atualizações não
foram fáceis e imediatas, em função da restrição do acesso ao servidor, fato este resolvido
posteriormente.
Atualmente se faz necessário uma remodelagem na página, tornando o acesso aos
serviços mais direto e de forma prática. Para tanto, deverão ser selecionados novos bolsistas,
pois envolverá mudanças no design da página.

2. Aplicação da logomarca da Biblioteca Universitária e bibliotecas setoriais da UDESC.
Foram fornecidas as informações para criação do conceito da logomarca, cujo
resultado foi considerado bastante adequado à idéia que a equipe gostaria de transmitir. Com a
logomarca estabelecida foi possível a confecção da papelaria: papel ofício, envelopes, cartões,
blocos de notas; confecção dos crachás e botons para os servidores das bibliotecas. A
confecção dos banners com a logomarca e seu conceito para deixar exposto nas bibliotecas
não foi possível realizar por razões de custo, pois cada Centro de Ensino é quem deveria
custear as despesas.

As bibliotecas da UDESC já são identificadas através da sua logomarca. Em todas as
páginas dos Centros de Ensino da UDESC há o link com a logomarca da BU/UDESC
remetendo a página. Assim, pode-se afirmar que a identificação do sistema de bibliotecas da
UDESC entre a comunidade acadêmica através de sua logomarca está se firmando ao longo
do tempo.

�3. Elaboração, confecção e distribuição de folder informativo para todos os usuários das
bibliotecas setoriais.
A proposta da distribuição de folders tinha como objetivo orientar os usuários na
utilização dos serviços das bibliotecas sobre a utilização do software e sobre o funcionamento
(regulamento) das bibliotecas. Para isso, foram selecionadas as informações relevantes e
necessárias, posteriormente encaminhada ao pessoal das bibliotecas para ser aprovada.
Finalmente dois modelos foram encaminhados para gráfica para serem impressos. Foram
impressas 10.000 unidades (5.000 de cada) e distribuídas na comunidade acadêmica. Assim,
ao realizar as apresentações da Biblioteca aos calouros (graduação e pós-graduação) a cada
início de semestre durante a visita orientada é distribuído o material, além de ficar disponível
permanentemente em diferentes locais da biblioteca.

Algumas atividades contempladas na proposta ainda não foram realizadas e que estão
sendo encaminhadas de acordo com as possibilidades de infra-estrutura da instituição e
BU/UDESC. A elaboração de um Boletim Informativo tinha como objetivo divulgar as mais
recentes atividades e novidades das bibliotecas setoriais, com periodicidade trimestral. Porém
considerou-se dispensável, pois na página da BU/UDESC há espaço para divulgação de
informações de igual natureza. Da mesma forma, a elaboração, confecção e distribuição do
Manual da Biblioteca Universitária que também não foi considerada urgente, pois muitas
informações já estão disponíveis na página da web.

E em relação à elaboração e exposição de banners e totens, a proposta consiste em
disponibilizar em lugares estratégicos, como nas entradas de acesso às bibliotecas e próximo
aos terminais de consulta ao sistema, informações e orientações relativas ao uso do novo
sistema informatizado das bibliotecas (descrição dos principais serviços on-line oferecidos
pelo sistema Pergamum: renovação e reserva, aquisição, solicitação de levantamento
bibliográfico, etc). Tais propostas deverão ser implementadas nos próximos meses, na ocasião
da nova contratação de bolsista na área de design.

�A produção do vídeo para divulgação dos serviços da Biblioteca é considerada a
proposta que exigirá maior empenho na negociação com a administração, pois exigirá maiores
investimentos. No processo de negociação deverão ser apontados os principais benefícios, tais
como:
-

O Professor poderá incluir no seu plano de ensino a apresentação da biblioteca como
aula ministrada;

-

As apresentações têm a garantia de qualidade, e não mais sujeita a disponibilidade de
profissionais nas bibliotecas;

-

O vídeo poderá ser utilizado, além das apresentações de início de semestre, em
qualquer outro momento e por diferentes instâncias da Universidade (em ocasiões
onde a instituição recebe visitas externas como o MEC ou autoridades);

-

Poderá ser transportado para qualquer lugar como ferramenta de marketing da
Instituição.

-

Constituir uma ferramenta de apoio às aulas de metodologia científica e da pesquisa
como suporte às atividades de ensino nos diferentes cursos da instituição;

-

Promover a imagem da biblioteca perante a comunidade externa e interna.

No momento está sendo desenvolvida a elaboração da comunicação visual padrão para
as bibliotecas setoriais com o objetivo de orientar, através da sinalização, os diferentes setores
e serviços existentes no ambiente interno das bibliotecas, inclusive o bolsista apresentou como
trabalho escolar à proposta de sinalização das bibliotecas.

Como incentivo à elaboração e implantação do Programa de marketing nas bibliotecas
setoriais da UDESC, a professora Coordenadora do LabDesign divulgou em alguns eventos o
processo de concepção e criação da logomarca da BU. Em novembro de 2003, durante o
evento II Ciberética, em Florianópolis, a BU/UDESC estruturou um estande para o
lançamento de sua Logomarca.

Considerações finais

O projeto alcançou o objetivo de promover o uso dos produtos e serviços
desenvolvidos nas bibliotecas, através da criação de uma identidade e de um programa visual

�padronizado, assegurando desta forma, o fortalecimento da imagem das bibliotecas setoriais
na UDESC.

O processo de comunicação entre biblioteca e usuários precisa ser constantemente
monitorado, pois é de vital importância manter contato direto com o usuário. Grande parte dos
problemas sobre a pouca utilização de serviços e produtos disponibilizados pelas bibliotecas
advém do desconhecimento dos mesmos. A oferta de serviços e atividades não pressupõe as
necessidades e satisfação dos usuários da biblioteca. Conceber biblioteca como um sistema
requer a integração entre a biblioteca e usuário interno e externo, biblioteca oportunizando o
conhecimento das atividades da organização como um todo.

A promoção dos serviços e produtos das bibliotecas deve ser uma atividade com
planejamento integrado, para que seja possível o envolvimento de todos e das atividades,
resultando desta forma em benefícios de diferentes origens.

A implantação da home page da BU possibilitou uma maior interação com os usuários,
pois foi viabilizada a ampliação de serviços on-line, bem como o desenvolvimento de estudos
sobre a opinião dos alunos em relação às bibliotecas, ao sistema informatizado e aos serviços
oferecidos. Através da enquete interativa, atualmente é possível receber opiniões sobre alguns
temas relativos à biblioteca. Tais informações têm servido como subsídio à atividade de
planejamento das bibliotecas, além de conhecer a imagem que os usuários têm da Biblioteca.
Referências bibliográficas

AMARAL, Sueli Angélica. Gerência da promoção da Biblioteca Central da Universidade de
Brasília. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 10, 1998.
Anais... do X Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias, de 25 a 30 de outubro de
1998. 20p. Disponível em: http://dici.ibict.br/archive/00000817/01/T165.pdf
AMARAL, S. A. Marketing e desafio profissional em unidades de informação. Cin. Inf.,
Brasília, v.25, n.3, 1996. Disponível em:
&lt;.http://www.ibict.br/cionline/250396/25039608.pdf.&gt;
OLIVEIRA, Ângela Maria; PEREIRA, Edmeire C. Marketing de relacionamento para a
gestão de unidades de informação. Informação e Sociedade: estudos, v. 13, n. 2, 2003.
Disponível em: &lt;http://www.informacaoesociedade.ufpb.br/artigos/markrelaciona.pdf&gt;.

�OTTONI , Heloisa Maria. Bases do marketing para unidades de informação.
Ci. Inf., Brasília, v. 25, n. 2, 1995. Disponível em:
http://www.ibict.br/cienciadainformacao/include/getdoc.php?id=812&amp;article=474&amp;mode=pdf
SERRA, F. Marketing institucional. 2003. 37p. Mimiografado.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Considerando a importância da promoção dos produtos e serviços, foram criadas na Biblioteca Universitária da UDESC algumas estratégias de marketing para a divulgação dos recursos das bibliotecas. O projeto objetivou promover o uso dos produtos e serviços desenvolvidos nas bibliotecas, através da criação de uma identidade e de um programa visual padronizado para o fortalecimento da imagem das bibliotecas setoriais na UDESC. Como resultado destaca-se a importância da utilização da mão-de-obra dos acadêmicos da instituição na realização do Projeto e o fortalecimento da imagem da biblioteca através da sua logomarca.</text>
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                    <text>RELATO DE EXPERIÊNCIA

Implantação do Setor de Permuta do SIBI/PUCPR utilizando o Módulo de Aquisição
do Sistema Pergamum

Ana Paula Blaskovski
Bibliotecária, Sistema Integrado de Bibliotecas da PUCPR, Setor de Permuta,
bacharel em Biblioteconomia (UFPR)
Rua: Imaculada Conceição 1155 - Prado Velho  cep. 80242-980
Curitiba  PR  Brasil

ana.b@pucpr.br

Sandra Helena Schiavon
Bibliotecária, Sistema Integrado de Bibliotecas da PUCPR, Biblioteca Setorial do
Hospital Universitário Cajuru, bacharel em Biblioteconomia (UFPR), especialista em
Didática do Ensino Superior (PUCPR)
Avenida São José 300 - Cristo Rei  cep. 80050-350
Curitiba  PR  Brasil

s.sandra@pucpr.br

RESUMO

Relata a implantação do Setor de Permuta do Sistema Integrado de Bibliotecas da
Pontifícia Universidade Católica do Paraná (SIBI/PUCPR), utilizando o Módulo de
Aquisição do Sistema Pergamum que é um sistema informatizado de gerenciamento
de Bibliotecas, desenvolvido pela Divisão de Processamento de Dados da Pontifícia
Universidade Católica do Paraná. O artigo apresenta as principais funções de um
Setor de Permuta sua estruturação, suas atividades, procedimentos e rotinas.
Ressalta como é importante o serviço de permuta dentro de uma Instituição, porque
além de enriquecer o acervo, divulga a produção científica da sua Instituição.

�PALAVRAS-CHAVE
Sistemas de controle de publicações seriadas; Bibliotecas  Serviço de aquisição;
Intercâmbio cultural e científico

ABSTRACT

Reports the implantation of the Integrated Libraries System Exchange Sector of the
Pontifícia Universidade Católica do Paraná (SIBI/PUCPR), by using the Acquisition
Module of Pergamum System which is a computer system for Libraries management,
developed by Pontifícia Universidade Católica do Paraná Data Base Division. The
article presents the main functions of an Exchange Sector, its structure, activities,
procedures and routines. Highlights how important is an Exchange sector inside an
Institution since besides enriching the patrimony, discloses the scientific production of
its Institution.
KEYWORDS
Serials control systems; Acquisitions (libraries); Exchange, literary and scientific

INTRODUÇÃO

O Setor de Permuta é a seção da biblioteca responsável por promover o
intercâmbio de publicações científicas, com o objetivo de enriquecer o acervo e
divulgar as publicações editadas pela instituição.

Segundo GUINCHAT e MENOU (1994), permuta é o
envio recíproco de documentos de uma unidade de informação à outra. Este procedimento
necessita de uma moeda de troca, como obras em duplicata, coleções de periódicos supérfluas ou
documentos produzidos pelos organismos que efetuam a permuta.

As atividades deste setor podem ser vinculadas ao Setor de Seleção e
Aquisição ou ao Setor de Periódicos. O objetivo do Setor de Permuta da Biblioteca
Central da PUCPR é criar e manter um serviço de intercâmbio com várias entidades
de pesquisa, culturais e educacionais do país e do exterior, permutando as

�publicações periódicas editadas pela instituição com periódicos científicos de outras
entidades. Segundo ANDRADE e VERGUEIRO (1996) basicamente um programa de
permuta consiste em um acordo preestabelecido entre duas instituições, com o
compromisso mútuo de fornecimento de publicações das próprias entidades, de
obras duplicadas ou retiradas do acervo ou de obras recebidas em doação mas sem
interesse para incorporação do acervo. Os títulos editados pela PUCPR são:
Arquivos de Medicina (encerrada); Estudos de Biologia; Fisioterapia em Movimento;
Locus (encerrada); Psicologia Argumento; Revista Acadêmica; Revista de Clínica e
Pesquisa Odontológica; Revista de Estudos da Comunicação; Revista de Filosofia;
Revista Diálogo Educacional; Revista do Círculo de Estudos Bandeirantes; Revista
Educação em Movimento (encerrada) e Verba Iuris (encerrada).

O Intercâmbio é um instrumento que possibilita a biblioteca enriquecer seu
acervo. O controle de permuta das publicações periódicas da PUCPR era feito pelos
departamentos que editam os periódicos. Sendo assim, a biblioteca não possuía
nenhum controle do material recebido em troca dessas publicações. Nem todas as
instituições que recebiam o material enviavam outra publicação em troca e nem
todas as publicações recebidas eram destinadas à biblioteca. Segundo DIAS e
PIRES (2003), a administração das atividades de permuta começa pela própria
seleção dos parceiros, passando pela manutenção de arquivos que contenham todas
as informações relevantes sobre as transações realizadas com as instituições
conveniadas. Detectou-se então a necessidade de estabelecer um sistema de
permuta dentro da biblioteca, facilitando o controle de envio e recebimento do
material. Ao lado das revistas assinadas, o acervo derivado da permuta é
fundamental para a diversificação de títulos e enriquecimento do acervo das
bibliotecas do SIBI/PUCPR. O Setor de Permuta tem como metas controlar todas as
publicações periódicas editadas pela universidade, enriquecer o acervo de periódicos
do SIBI/PUCPR, atualizar as coleções já existentes e divulgar a produção científica
da PUCPR.

�METODOLOGIA
As atividades do setor de permuta tiveram início através de um contato direto
com os editores dos periódicos publicados pela PUCPR para tomar conhecimento da
situação atual do material.
A partir do contato com os editores, foi feito um levantamento de quais
instituições já faziam permuta com a PUCPR, com a finalidade de comunicar a
reestruturação do Setor de Permuta e atualizar os respectivos cadastros. Informando
assim que a partir deste momento o intercâmbio das publicações fica sob a
responsabilidade da Biblioteca Central. Neste contato foi solicitado que as
instituições informassem a situação das coleções enviadas pela PUCPR, a fim de
detectar falhas de remessa. Em contrapartida, foram informadas também as falhas
das coleções recebidas pelas bibliotecas do SIBI/PUCPR. A atualização das
coleções dependeu da disponibilidade dos fascículos em estoque.
No decorrer da implantação do serviço de permuta, foi feita a divulgação dos
títulos editados pela PUCPR, informando quais os periódicos estavam correntes e
quais estavam com a publicação encerrada ou em atraso, oferecendo-os para
permuta.
Após a análise de todas as coleções enviadas e recebidas, foram feitas
sugestões para a adequação do Módulo de Aquisição do Sistema Pergamum às
necessidades detectadas pelo Setor de Permuta.
ROTINAS DO SETOR

•

Divulgação de um novo título de periódico:
Seleção das Instituições que possuem os cursos relativos a área do

conhecimento que o periódico abrange e envia um fascículo para avaliação
juntamente com a carta de divulgação do título.

�•

Pedido de permuta para outras instituições:
Através de e-mail ou carta, solicita-se a permuta de títulos interessantes para

o acervo do SIBI/PUCPR e envia-se a lista de periódicos editados pela PUCPR
para possível permuta.
•

Solicitação de fascículos atrasados:
Emissão de relatórios para verificar a situação das coleções recebidas por

permuta e solicitar via e-mail ou carta os fascículos atrasados.
•

Recebimento do material:
O material chega junto com a correspondência da Biblioteca Central no Setor

de Seleção e Aquisição, onde é separado e enviado ao Setor de Permuta.
•

Agradecimento do material recebido:
Todo material recebido por permuta, é agradecido via carta ou e-mail. Após

feito o agradecimento, o material é enviado ao Setor de Periódicos e Multimeios e
às demais bibliotecas do SIBI/PUCPR para registro e preparo físico.
•

Envio dos títulos editados pela PUCPR:
O material solicitado é envelopado com a carta de envio, etiquetado e

encaminhado ao Setor de Apoio da PUCPR para remessa às instituições que
fazem permuta com a PUCPR.

PROCESSO TÉCNICO
Serão descritos a seguir os procedimentos para cadastrar um título permutado
no Módulo de Aquisição do Sistema Pergamum.
Cadastrando um título permutado

Todos os títulos permutados devem estar cadastrados no sistema, antes de
registrar a permuta. Os passos do cadastro da permuta são:

•

entrar no Módulo de Aquisição do Sistema Pergamum;

�•

cadastrar a Instituição com a qual será feita a permuta na tela
fornecedor/editora;

•

entrar na tela periódicos/assinaturas e selecionar o título que a PUCPR
edita, com o qual será feita a permuta;

•

selecionar a pasta Permutas;

•

pesquisar a instituição que solicitou a permuta, clicar inserir;

•

selecionar a instituição dando duplo clique e clicar títulos permutados;

•

pesquisar o título permutado e clicar inserir, se o título ainda não fizer parte
do SIBI/PUCPR, deverá ser aberto acervo.

�Enviando um fascículo

•

Entrar no Módulo de Aquisição do Sistema Pergamum;

•

entrar na tela periódicos/assinaturas e selecionar o título permutado;

•

selecionar a pasta Permutas;

•

selecionar a pasta emissão;

•

preencher a data de envio e na opção obs. informar os fascículos enviados;

•

selecionar a opção todos ou clicar na instituição que irá receber o material,
clicar inserir.

�Gerando etiquetas para envio do material

•

Entrar no Módulo de Aquisição do Sistema Pergamum;

•

entrar na tela consultas e selecionar a pasta permutas, clicar em etiquetas
e selecionar os títulos desejados, clicar imprimir.

As etiquetas são geradas a partir dos dados cadastrados na pasta
Fornecedor/Editora. É importante que esses dados estejam sempre atualizados, para
que não haja problemas com o envio do material.

�Confirmando o recebimento

•

Entrar no Módulo de Aquisição do Sistema Pergamum;

•

entrar na tela periódicos/assinaturas e selecionar o título permutado;

•

selecionar a pasta Permutas e dar duplo clique na instituição desejada;

•

clicar

no botão emissão , selecionar o fascículo e preencher a data do

recebimento;
•

clicar inserir.

Estatísticas

O acompanhamento das atividades do Setor de Permuta é feito através de
relatórios e estatísticas do Módulo de Aquisição do Sistema Pergamum. Podem
ser gerados relatórios por instituição, título enviado ou recebido, números
atrasados, além de gerar cartas de reclamação destes fascículos. A estatística
pode ser gerada por ano, trazendo o número de fascículos enviados e recebidos
em cada mês.

RESULTADOS OBTIDOS

Com a implementação do serviço de permuta, chegou-se aos seguintes
resultados:
•

13 títulos enviados pela PUCPR (8 periódicos correntes, 4 com publicação
encerrada, enviados apenas para completar coleções já existentes nas
bibliotecas das instituições e 1 título que tem a permuta feita exclusivamente
pelo editor);

•

724 títulos recebidos das instituições que fazem permuta com a PUCPR;

•

6055 fascículos enviados às instituições;

•

4569 fascículos recebidos pela PUCPR;

�A distribuição dos títulos permutados por periódico enviado ficou da seguinte
forma:

Periódico editado pela PUCPR

Títulos
recebidos

Arquivos de Medicina (encerrada)

02

Estudos de biologia

163

Fisioterapia em Movimento

46

Lócus (encerrada)

03

Psicologia Argumento

99

Revista Acadêmica

47

Revista de Clínica e Pesquisa Odontológica

39

Revista de Estudos da Comunicação

66

Revista de Filosofia

84

Revista Diálogo Educacional

123

Revista do Círculo de Estudos Bandeirantes (permuta feita pelo editor)

08

Revista Educação em Movimento (encerrada)

42

Verba Iuris (encerrada)

02

Total

724

�A evolução do setor pode ser visualizada através do número de fascículos
recebidos durante o período 2004-2006.

Fascículos Recebidos entre 20042006
2500
2000
1500
1000
500
0

2069

2004

1415
2005

787
2006
(jan./jun.)

Verificou-se uma diminuição significativa no recebimento de fascículos entre
os anos de 2004 e 2005. Isto ocorreu porque no ano de 2004 foram feitas as
atualizações das coleções, onde foram recebidos os fascículos que estavam com a
remessa atrasada. A expectativa é que em 2006 sejam recebidos pelo menos 1500
(um mil e quinhentos) fascículos, para que se mantenha a média do ano de 2005.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com a implantação do Setor de Permuta dentro da Biblioteca Central da
PUCPR, detectou-se um aumento significativo no número de títulos de periódicos
recebidos através de permuta, enriquecendo o acervo das bibliotecas que integram o
SIBI/PUCPR. O bom relacionamento criado entre a Biblioteca Central e os editores
dos periódicos facilitou o trabalho de divulgação do intercâmbio de publicações,
aumentando assim o alcance nacional e internacional da produção científica da
Universidade.

�Neste artigo é importante destacar que o serviço de permuta merece atenção
especial. É necessário e de suma importância dentro de qualquer biblioteca, pois
garante que as coleções de periódicos estejam sempre atualizadas e facilita o
crescimento e desenvolvimento do acervo.

�REFERÊNCIAS

ANDRADE,

Diva;

VERGUEIRO,

Waldomiro.

Aquisição

de

materiais

de

informação. Brasília: Briquet de Lemos/Livros, 1996. 118 p.

DIAS, Maria Matilde Kronka; PIRES, Daniela. Formação e desenvolvimento de
coleções de serviços de informação. São Carlos: EdUFSCar, 2003. 71 p.

GUINCHAT, Claire; MENOU, M.J. Introdução geral às ciências e técnicas da
informação e documentação. 2. ed. Brasília: IBICT, 1994. 540 p.

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Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                    <text>IMPLEMENTAÇÃO ON-LINE DE SERVIÇOS DE GERENCIAMENTO DOS
LEVANTAMENTOS BIBLIOGRÁFICOS E DE SERVIÇOS DE INTERCÂMBIO:
UMA EXPERIÊNCIA PUCPR
1
Tânia Mara Dias Flávio Bortolozzi¹
tania.dias@pucpr.br flavio.bortolozzi@pucpr.br
Resumo
Este artigo apresenta um histórico da evolução e revolução dos serviços de Comutação
Bibliográfica - COMUT e do Serviço Cooperativo de Acesso a Documentos – SCAD,
assim como o relato e a análise da experiência que o Setor Biblioteca Virtual e o Setor
de Intercâmbio da Biblioteca da PUCPR, tiveram na implantação on-line do serviço de
gerenciamento dos levantamentos bibliográficos e no serviço de intercâmbio. Descreve a
reestruturação de vários processos e serviços com o auxílio dos recursos tecnológicos.
Apresenta os resultados da análise e demonstra que o foco atual na reestruturação
advém de uma necessidade de rever sempre estes serviços para que este contínuo
processo propicie condições de pesquisa eficiente e eficaz para a comunidade
acadêmica. Mostrando que a solicitação de levantamentos bibliográficos utiliza os
recursos da tecnologia da informação e comunicação a fim de tornar a gestão destes
serviços mais eficiente e eficaz. Finalmente, apresenta os principais processos quanto: a
fluxo de pedidos, ao processo de levantamento / pesquisa e intercâmbios, o retorno do
levantamento e o arquivamento on-line. Portanto com o surgimento de recursos
tecnológicos que reestruturaram os serviços de levantamento bibliográfico e de
intercâmbio de documentos, é necessário implantar processos na forma de solicitar e
organizar as solicitações.
Palavras-chaves: Levantamento Bibliográfico, Intercâmbio de Documentos, Comutação
Bibliográfica, COMUT, SCAD, Tecnologias de Informação, Fluxos de Documentos.
Abstract

This article introduces a historical of the services Bibliographical Commutation evolution
and revolution - COMUT and of the Access Cooperative Service the Documents – SCAD,
as well as the report and the experience analysis that the Virtual Sector Library and the
Library Exchange Sector of PUCPR, had in the implantation on-line of the management
bibliographical surveys service and in the exchange service. It describes how possible
restructure several processes and services with the technological resources help was. It
introduces the results of analysis and demonstrates that the current focus in the
restructuring happen of a need to review always these services so that this continuous
process propitiates efficient and effective research conditions for the academic
community. Showing that the bibliographical surveys solicitation uses the information and
communication technology resources in order to turn the administration of these more
efficient and effective services. Finally, it introduces the main processes how much: the
requests flow, to the rising process / research and exchanges, the rising return and the
filing on-line. Therefore with the technological resources appearance that with new
structure the bibliographical rising services and of exchange from documents, it is
necessary to implant processes in the form of soliciting and to organize the solicitations.
Keywords: Bibliographical rising, Exchange from Documents, Bibliographical Commutation,
COMUT, SCAD, Information Technologies, Flows From Documents.
1

Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Rua Imaculada Conceição, 1155
Bairro Prado Velho – Curitiba / PR – CEP 80215-901

�Um breve histórico se faz necessário para compreender a evolução e a
revolução que se deu nos dois serviços de intercâmbio de documentos mais
utilizados no Brasil, o COMUT e o SCAD. Entendamos documentos de
intercâmbio os artigos de periódicos, teses, dissertações e capítulo de livros.
O

COMUT

foi

instituído

inicialmente

junto

à

Coordenação

de

Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior-Capes pela Portaria número 456,
de 05 de agosto de 1980 do Ministério da Educação e Cultura.
Pelo segundo termo de ajuste, de 05 de novembro de 1980, do convênio
Capes/CNPq, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico,
através do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - IBICT
passou a integrar como co-responsável, o COMUT.
O usuário deve adquirir Bônus COMUT através de pagamento de valores
estabelecido pelo próprio serviço e instituído a todos os usuários seja pessoa
física ou jurídica.
De 1980 até 1996 todos os procedimentos operacionais (solicitação /
atendimento de cópias de documentos) e administrativos foram feitos de forma
manual através de formulários impressos de solicitação e controle. O envio de
cópias aos usuários era basicamente feito pelo correio e, eventualmente, através
de Fax.
As operações de solicitação de cópias foram informatizadas em 1996 com o
objetivo de facilitar as atividades administrativas e operacionais, agilizar os
procedimentos e permitir a participação do usuário final (o que acabou não
ocorrendo).
No ano de 2002, com o objetivo de modernizar o Programa, adequando-o
às novas realidades tecnológicas, foi elaborado o Projeto Novo Modelo COMUT,
desenvolvido em conjunto pela Gerência do Programa e a empresa Brisa
Informática, que levou ao atual modelo do COMUT.
A Biblioteca da PUCPR aderiu ao serviço COMUT a partir de 1992, como
Biblioteca Solicitante e a partir de 1994 passou a ser Biblioteca Base, agora não
só solicitando documentos, mas também atendendo a solicitações.

�Percebendo a grande demanda e necessidade do serviço de comutação
outro serviço de intercâmbio começou a ser utilizado, o Serviço Cooperativo de
Acesso a Documentos - SCAD da Biblioteca Virtual em Saúde - BVS, coordenado
pela BIREME e operado em cooperação com as bibliotecas cooperantes das
Redes Nacionais de Informação em Ciências da Saúde dos países da América
Latina e Caribe. O SCAD é um serviço pioneiro de comutação bibliográfica, desde
1996 plenamente operado na Internet e integrado às fontes de informação da
BVS.
Este serviço tem como principal objetivo prover o acesso a documentos da
área de ciências da saúde através do envio da cópia de documentos científicos e
técnicos (artigos de revistas, capítulos de monografias, documentos não
convencionais, etc) para usuários previamente registrados no SCAD.
O SCAD é o único serviço pago da BVS. Normalmente as cópias dos
documentos solicitados chegam até o usuário solicitante por meio eletrônico ou
por correio tradicional, com um prazo médio de atendimento em 48 horas. Este
serviço está integrado às Bases de Dados Bibliográficas e ao Catálogo Coletivo
Seriados em Ciências da Saúde – SeCS, o que permite a geração automática de
uma solicitação (transferência dos dados da citação para um formulário de pedido)
e a localização do documento em uma das mais de 100 bibliotecas cooperantes
do SCAD.
Em 24 de Junho de 2002, a Pontifícia Universidade Católica do Paraná
integrou-se como Biblioteca Participante do Serviço SCAD da Rede Brasileira de
Informação em Ciências da Saúde, coordenada pelo Centro Latino-Americano e
do Caribe de Informação em Ciências da Saúde - BIREME/OPAS/OMS.
O objetivo da Biblioteca da PUC ao participar destes serviços de
intercâmbio foi proporcionar e facilitar o acesso aos textos de periódicos, livros e
teses localizados em outras instituições e solicitados pelo corpo docente, discente
e funcionários, bem como atender a solicitações de ex-alunos.
Por outro lado, o Setor de Comutação Bibliográfica permite a obtenção de
cópias de artigos de periódicos especializados nacionais ou estrangeiros,
independente do lugar em que esteja o documento original.

�O Setor de Comutação Bibliográfica está vinculado à Biblioteca Virtual de
Bases de Dados e dentre os principais serviços disponibilizados podemos citar:
� Levantamento bibliográfico no acervo bibliográfico e on-line.
� Serviços de Comutação Bibliográfica, nacionais e internacionais.
� Serviço de atendimento a solicitações de outras instituições, como
Biblioteca Base do Sistema COMUT.
� Serviço para propor renovação, cancelamento ou assinatura de convênios
com instituições que ofereçam serviços de Comutação Bibliográfica.
Silva em 1986 já afirmava a necessidade de informação é característica do
mundo atual; a informação é elemento fundamental no processo decisório, em
qualquer nível. Assim sendo, o direito à informação é preconizado por
organizações internacionais e por todas as instituições democráticas que lutam
pelos direitos humanos. Considerando todos esses aspectos é que as bibliotecas
têm procurado encontrar meios que facilitem e aumentem o processo de
transferência da informação.
A disponibilidade da informação, independente de espaço e tempo, ocupa
um papel vital nas funções das bibliotecas, isto porque hoje é um dos mais
importantes agentes de transformação social. Neste contexto, onde o nível de
importância e o desenvolvimento da informação atingem proporções gigantescas,
as responsabilidades das bibliotecas têm aumentado, a ponto de se exigir dessas
instituições uma organização de processos que possibilitem uma prestação de
serviços realmente eficiente e eficaz.
Segundo Tarapanoff (1995), o Comut tem como missão “promover o acesso
ao documento primário em todas as áreas do conhecimento, a todos os
seguimentos

que

manifestarem

os

seus

interesses

pelas

publicações

técnico/cientifico, pela adoção de tecnologia modernas e ágeis, diversificando o
suporte de cópias a serem oferecidas em resposta a demanda especifica, da
forma mais completa, rápida e eficiente possível, antecipando com sua rede de
biblioteca-base a demanda de potenciais”.

�O Setor de Comutação e a Biblioteca Virtual da PUCPR, a partir de
novembro de 2005, para a solicitação de levantamentos bibliográficos utiliza-se de
recursos tecnológicos a fim de tornar a gestão deste serviço mais eficiente e
eficaz. Deste modo a comunidade acadêmica utiliza o e-mail para enviar as
referências que deseja obter em texto completo, o resultado deste serviço também
é enviado por e-mail. Segue o modelo proposto para este serviço com seus
respectivos processos.
Para detalhar os serviços são apresentados fluxogramas dos diversos
processos desenvolvidos no setor, tais como: tramitação das solicitações de
documentos de intercâmbio, processo de pesquisa para o intercâmbio e o retorno
da solicitação com os resultados da pesquisa.
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2�3

Figura 1. Tramitação das Solicitações de Documentos de Intercâmbio.

�Na tramitação das solicitações de documentos de intercâmbio foram usados
os seguintes recursos tecnológicos: e-mail, Windows e Word, como mostra a
ilustração da Figura 1.
Já no processo da pesquisa para o intercâmbio a equipe além de utilizar os
recursos descritos anteriormente faz uso principalmente de sites da Internet,
Bases de dados assinadas e do Sistema Pergamum, que é o programa que
gerencia os Serviços da Biblioteca da PUCPR. (Figura 2).

Figura 2. Processo de pesquisa para o intercâmbio.

�Finalmente o retorno da solicitação com os resultados do levantamento ou
pesquisa para o intercâmbio se utiliza também dos recursos tecnológicos e-mail,
Windows e Word, como ilustrado na Figura 3.

Figura 3.Retorno da solicitação com os resultados da pesquisa.

Em paralelo ao processo descrito anteriormente de tramitação dos artigos
solicitados é realizado o arquivamento on-line onde são utilizados recursos do

�Windows e do Word, para executar em rede este processo de administração e
organização de pastas e documentos. O micro com o IP (Internet Protocol)
10.96.208.81 foi o adotado como a matriz deste serviço, como ilustra a figura 4.

Figura 4. Comando Executar do Windows.

Após executar este compartilhamento em rede se conecta a uma tela, como
mostra a figura 5, com pastas compartilhadas de pesquisa a documentos, onde se
encontram as solicitações de pesquisa organizadas em pastas denominadas: em
processo, levantamento pronto e solicitados.

Figura 5. Tela de Pesquisas em (10.96.208.62)

Exemplificando a organização das solicitações, conforme a Figura 6, onde
se têm a pasta do Levantamento Pronto com todas as solicitações já finalizadas e
organizadas em ordem alfabética pelo nome do solicitante. Depois do recebimento
do comprovante do pagamento esta solicitação é finalizada através dos pedidos

�de intercâmbio aos serviços de COMUT ou SCAD. Após esta finalização este
documento é movido para a Pasta Solicitados.

Figura 6. Tela da Pesquisa dos Levantamentos Prontos.

A Figura 7 apresenta a tela onde são anotados os comentários do resultado
da pesquisa e a localização nas referências dentro das solicitações organizadas
no Word.

Figura 7. Tela do Documento Word com as anotações da Pesquisa Finalizada.

�CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste contexto quando se pensa em intercâmbio de documentos em seu
percurso desde os inícios da sua instituição nas bibliotecas até os dias de hoje,
fica latente que junto com o surgimento de recursos tecnológicos que
reestruturaram os serviços de levantamento bibliográfico e de intercâmbio de
documentos, é necessário implantar também tecnologias na forma de solicitar e
organizar as solicitações para que se cumpra de forma qualitativa e eficiente a
demanda destes serviços.

REFERÊNCIAS
BIREME. [on-line] Disponível na Internet: http://www.bireme.br
EUCLIDES, M.L. Prospecção de informação em sistemas informacionais: a
capacitação do usuário em estratégia de busca. 2000. 32f., TCC (Especialista em
Uso Estratégico das Tecnologias em Informação)-.Faculdade de Filosofia e
Ciências, UNESP, Marilia.
INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM
Disponível na Internet: http://www.ibict.br

TECNOLOGIA. [on-line]

MIRANDA, A., A Integração de serviços bibliotecários e de informação e o acesso
ao documento primário: evolução dos conceitos e situação atual no Brasil. In:
SEMINÁRIO NACIONAL DE COMUTAÇÃO BIBLIOGRÁFICA, 2., Brasília, 1995.
Anais... Brasília: IBICT, 1995. Pág.5-13.
NOCETTI, M. A., BARCELLOS, S. O., Sistemas de gerência de transações de comutação
bibliográfica-SGTCB.
In:
SEMINÁRIO
NACIONAL
DE
BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS, 10., Fortaleza, 1998. Anais eletrônicos... Fortaleza: FINEP, 1998.
SILVA, E.L. Compartilhamento de recursos e o papel das redes de informação.
Revista de Biblioteconomia de Brasília, Brasília, v.14, n.2, p.209-225, jul./dez.
1986.
TARAPANOFF, K. Parâmetros de qualidade para o Comut. In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 10., Fortaleza, 1998. Anais
eletrônicos... Fortaleza: FINEP, 1998.

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                    <text>IMPORTÂNCIA DA UTILIZAÇÃO DE CATALOGOS DE EDITORES E LIVREIROS,
COMO FERRAMENTA DE BUSCA PARA A QUALIDADE DOS CONTEÚDOS DAS
BIBLIOGRAFIAS.

Nize Marinho Ramos*
Bartira Dyacui de Souza Lima**
RESUMO
Projeto de envio de catálogos do Sistema de Bibliotecas da Universidade Católica de
Brasília - UCB aos coordenadores de cursos com objetivo de oferecer mais
possibilidades e ferramentas de busca aos professores na elaboração das
bibliografias enviadas ao SIBI. Detectar falhas e corrigi-las ainda na fase de escolha
das bibliografias. Informar as novas publicações que estão sendo divulgadas pelo
mercado livreiro. A Biblioteca tem como uma de suas atribuições, dar suporte na
formação e desenvolvimento do acervo nas áreas de competência dos diversos
cursos da Universidade, promovendo integração entre coordenadores das áreas e o
SIBI, provocando uma mudança cultural dos docentes. O SIBI procura oferecer
meios para facilitar processos e ampliar ofertas.
PALAVRAS-CHAVE: Bibliografias – Qualidade. Catálogos de editoras. Catálogos de
livreiros

*Bibliotecária – Biblioteca Universitária

Nize Marinho Ramos
Sistema de Bibliotecas, Universidade Católica de Brasília.
Especialista em Educação a Distância
QS 07 Lote 01 EPCT Águas Claras
CEP: 72022-900 - Taguatinga-DF, Brasil.
E-mail: nize@ucb.br
**Bibliotecária – Biblioteca Universitária

Bartira Dyacui de Souza Lima
Sistema de Bibliotecas, Universidade Católica de Brasília.
QS 07 Lote 01 EPCT Águas Claras
CEP: 72022-900 - Taguatinga-DF, Brasil.
E-mail: bartira@ucb.br

�1INTRODUÇÃO

O Sistema de Bibliotecas – SIBI é um órgão subordinado a Reitoria da
Universidade Católica de Brasília - UCB. O SIBI/UCB oferece à comunidade
universitária serviços de biblioteca e editoriais, necessários ao desenvolvimento dos
programas de Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade Católica de Brasília.

O SIBI/UCB é o órgão responsável pelo planejamento global das atividades,
gestão dos recursos humanos, materiais e financeiros, definição de padrões e
procedimentos operacionais, bem como a representação da UCB em programas,
redes e fóruns em sua área de atuação.

O SIBI/UCB é constituído pela

Coordenação de Formação do Acervo (CFA), Coordenação de Processamento do
Acervo (CPA), Coordenação de Serviços aos Usuários (CSU) e Editora Universa.
As Coordenações executam as atividades técnicas para a formação,
desenvolvimento, processamento e controle do acervo, além do atendimento ao
usuário. A Coordenação de Formação do Acervo - CFA é o órgão encarregado do
planejamento, execução, avaliação e controle das atividades de seleção, aquisição,
controle e registro patrimonial de todo o material informacional. Por isto a divulgação
dos catálogos de Editor/Fornecedor para Cursos/Programas da Universidade
Católica de Brasília - UCB, ira ampliar os serviços já ofertados por esta
Coordenação.
Este projeto surgiu da preocupação da Biblioteca em oferecer mais
possibilidades e ferramentas de busca aos professores para construção das
bibliografias dos Cursos/Programas, assim como, o aperfeiçoamento na qualidade
dos registros enviados a Biblioteca a longo prazo.
O SIBI/UCB busca continuamente melhorar seus serviços, oferecer meios,
facilitar processos e ampliar suas ofertas, a Biblioteca tem como uma de suas

�atribuições, dar suporte na formação e desenvolvimento do acervo em suas áreas de
competência, e nesse sentido está os objetivos da Universidade que é o ensino, a
pesquisa e a extensão.
O SIBI/UCB por meio de uma sistemática permanente de avaliação procura
identificar seus pontos fortes e fracos para que assim, possa implantar serviços de
qualidade que produza ganhos significativos no seu processo de gestão,
beneficiando assim a comunidade na qual está inserida, portanto, a existência de
indicadores avaliados é imprescindível, afim de que possa garantir um bom padrão
de qualidade de seus serviços à comunidade acadêmica.
2 ATUALIZAÇÃO DO ACERVO E O USO DOS CATALOGOS DE EDITORAS E
LIVREIROS
A atualização do acervo do SIBI/UCB, tanto no que diz respeito a livros e
periódicos como de outros recursos informacionais, ocorre por meio de:
a) lndicação de Coordenadores de Cursos, Professores e Alunos;
b) Pesquisas realizadas pelo pessoal técnico da Biblioteca;
c) lndicação de funcionários administrativos;
Com o intuito de auxiliar na construção de uma bibliografia atualizada a CFA
desenvolveu o projeto de divulgação de catálogos de editoras e livreiros. Vale
ressaltar, que esse trabalho já era realizado, porem, sem controle efetivo, sem a
observância total da qualidade das bibliografias recebidas e também sem a
investigação posterior aos Cursos/Programas se atendiam, ou não, na elaboração
das bibliografias.
A metodologia adotada ao desenvolvimento do trabalho se apresenta
conforme descrita abaixo e fluxograma descrito no anexo B:
a) Envio de e-mails às editoras e livreiros solicitando catálogos;

�b) Atualização do cadastro de fornecedores
acrescentando as novas editoras e livreiros;

no

Sistema

Pergamum,

c) Recebimento dos catálogos e seleção por área do conhecimento;
d) Envio dos catálogos aos Cursos/Programas;
e) Sugestão aos Cursos/Programas por meio de carta explicativa (ver anexo A)
que faça divulgação entre os docentes;
f) Acompanhar no Sistema Pergamum/Sugestão de Compra observando a
qualidade das bibliografias inseridas.
3 RECURSOS NECESSÁRIOS PARA O DESENVOLVIMENTO DO PRJETO
O projeto conta com a participação de um auxiliar de biblioteca sob a
coordenação de um bibliotecário, o auxiliar atua nas áreas de recebimento,
arquivamento, controle e envio dos catálogos aos Cursos/Programas.
O bibliotecário atua nas áreas de supervisão, avaliação e qualificação dos
registros recebidos por meio do Sistema Pergamum/Sugestão de Compras.
O valor estimado para os gastos com o material necessário por ano é de R$
110,00, do centro de custo da CFA, conforme tabela abaixo:
Tabela 1 - Valor estimado para o projeto
Quantidade
Material

Valor Unitário (R$)

Valor Total R$

35

Envelope vai e vem

2,30

80,5

5

Pasta polionda com
elástico e lombada de 35
MM.
Envelope plástico com 4
furos
Caneta esferográfica azul

2,10

10,5

0,25

7,50

0,60

3,00

3,70

3,70

1,40

7,00

30
5
1
5

Livro de protocolo, capa
dura
Caixa arquivo de papelão

Fonte: Art Pel Papelaria - julho 2006

�4 AVALIAÇÃO
Para acompanhar a evolução do projeto, foi definido um conjunto de
marcos, apresentados como indicadores de progresso e qualificação dos registros
recebidos, compostos de uma ou mais atividades, que estão desenvolvidas nas
fases abaixo.
4.1 Fase 1 - Indicadores de progresso
a.

Verificação nos Cursos/Programas do uso dos catálogos, realizado por
meio eletrônico e por telefone;

b.

Solicitação por meio eletrônico, aos Cursos/Programas se houve ou não
contribuição na elaboração das bibliografias.

Vinte e um (21) Cursos/Programas foram contemplados com o envio dos
catálogos,

que

representam

atualmente

26%

dos

oitenta

e

dois

(82)

Cursos/Programas da Universidade Católica de Brasília, como mostra o quadro a
seguir.
Quadro 1 – Envio dos catálogos aos Cursos/Programas
Curso
Administração
Fisioterapia
Biologia
Letras
Ciências Econômicas
Matemática
Comunicação Social
Medicina
Direito
Nutrição
Educação Física
Pedagogia
Enfermagem
Psicologia
Engenharia Ambiental
Relações Internacionais
Farmácia
Sistema de Informação
Filosofia
Turismo
Física
Fonte: SIBI/CFA

�4.2 Fase 2 - Qualificação dos registros recebidos
Nessa fase foram analisados os registros oriundos dos Cursos/Programas
enviados à biblioteca pelo Sistema Pergamum/Sugestão de Compra, contendo as
informações exigidas pelo Manual de Pedido de Compra que se encontra
disponível no site do SIBI/UCB, foi verificado portanto que houve uma evolução
na qualidade e integridade dos registros recebidos .

6 CONCLUSÃO

Com a implantação desse projeto a biblioteca alcançou o objetivo desejado
que era a dos Cursos/Programas melhorarem a construção e aperfeiçoamento e
qualidade dos registros enviados a Biblioteca, bem como a ampliação de ferramenta
de busca, importante para o processo de aquisição, tornando ágil e eficaz. Além
disso, estar prontos para cumprirem as exigências decorrentes das avaliações do
Ministério da Educação e Cultura – MEC para os cursos Universitários, por isso, as
qualidades dessas bibliografias devem ser observadas continuamente.
Portanto,

sendo

responsabilidade

dos

profissionais

da

informação

acompanhar nesse processo, a CFA fez um trabalho cooperativo junto aos
Cursos/Programas da UCB, bem como teve uma atitude colaborativa com o intuito
de atender suas demandas.
Cabe salientar, que a Biblioteca irá continuar buscando infra-estrutura
informacional adequada, afim de que possa ofertar serviços que colaborem e
atendam as solicitações dos Cursos/Programas da UCB, alcançando da mesma
forma toda a comunidade universitária nas suas necessidades, bem como instigando
a construção do saber.

�IMPORTANCE OF THE USE OF CATALOGOS OF PUBLISHERS AND
BOOKSELLERS, AS TOOL OF SEARCH FOR THE QUALITY OF THE CONTENTS
OF BIBLIOGRAPHIES
ABSTRACT
Project of catalogue sending of the System of Libraries of the University Catholic of
Brasilia - UCB to the coordinators of courses with objective to offer to more
possibilities and tools of search to the professors in the elaboration of bibliographies
sent to the System of Libraries - SIBI. To detect imperfections and to correct them in
the phase of choice of bibliographies. To inform the new publications that are being
divulged for the market bookseller. The Library has as one of its attributions, to give
to support in the formation and development of the quantity in the areas of ability of
the diverse courses of the University, promoting integration between coordinators of
the areas and the SIBI, provoking a cultural change of the professors. The SIBI looks
for to offer ways to facilitate processes and to extend offers.
KEYWORDS: Bibliographies - Quality. Catalogues of publishing companies.
Catalogues of booksellers.

REFERÊNCIAS
ANUÁRIO editorial brasileiro. São Paulo: Cone Sul, 2001.
EDITORAS on-line. Disponível em:
&lt;http://www.editorasonline.com.br/editora_nova_fronteira.asp&gt;. Acesso em: 24 jul.
2006.
GUEDES, Maria do Carmo; PEREIRA, Maria Eliza Mazzilli. Editoras universitárias:
uma contribuição à indústria ou à artesania cultural?. São Paulo Perspec. São
Paulo, v.14, n.1, p.78-84, jan./mar. 2000.
PORTAL Editorial. Disponível em: &lt;http://www.portaleditorial.com.br/default.asp&gt;.
Acesso em: 26 jul. 2006.
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE BRASÍLIA. Sistema de Bibliotecas. Política de
formação e desenvolvimento do acervo do Sistema de Bibliotecas da
Universidade Católica de Brasília. Brasília, DF, 2006.

�UNIVERSIDADE CATÓLICA DE BRASÍLIA. Sistema de Bibliotecas Regulamento
do Sistema de Bibliotecas/UCB. Brasília, DF, 2005.
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE BRASÍLIA. Sistema de Bibliotecas. Manual de
Sugestão de Compra do Sistema Pergamum. Brasília, DF, 2006.

�Anexo A - Circular enviada aos cursos

Universidade Católica de Brasília
Reitoria
Sistema de Bibliotecas
Coordenação de Formação do Acervo
Circular nº 001

Brasília,

de

2006.

Da: Coordenação de Formação do Acervo – CFA
Sistema de Bibliotecas – SIBI
Para: Professor
Diretor do Curso
Encaminhamos catálogos em várias áreas do conhecimento no intuito de
contribuir na elaboração das bibliografias dos Cursos/Programas.
Solicitamos ao curso a responsabilidade em divulgar os catálogos entre os
seus professores e observar o prazo de devolução.
As publicações escolhidas deverão ser solicitadas pela Sugestão de
Compra via Sistema Pergamum, página da Biblioteca http://www.biblioteca.ucb.br/
de acordo com o Manual de Preenchimento.
Agradecemos à atenção dispensada colocando-nos à disposição para
eventuais informações.

Cordialmente,
Coordenadora de Formação do Acervo – CFA
Sistemas de Bibliotecas - SIBI

�Anexo B - Fluxograma de Atividades

FORNECEDOR/DISTRIBUIDOR

SIBI - CFA

Inicio

Solicita catalogo
Distribuidor

Encaminha Catalogo

Recebe Catálogo
Distribuidor

CURSO/PROGRAMA

Recebe Catálogo

Seleciona
Curso/Programa

Seleciona Material

Distribui Catálogo

Recebe Catálogo
Curso/Programa

Recebe Sugestão

Dar encaminhamento

Fim

Devolve Catálogo

Encaminha Sugestão
De Compra
(Via-Pergamum)

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                    <text>INCLUSÃO DIGITAL COMO PERSPECTIVA
SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO1

POSITIVA

NA

Luciana Dantas de Medeiros.
Bacharel em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Bibliotecária do Senac/RN. Brasil. E-mail: lucianamedeiros4@hotmail.com.
Mônica Marques Carvalho.
Mestre em Ciência da Informação. Professora Ms. do Departamento de
Biblioteconomia. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Brasil.
E-mail: mônica_mcg@hotmail.com.
Resumo: A questão da inclusão digital tem se tornado uma questão emergente na
sociedade atual. A pesquisa em questão lida com a inclusão digital, destaca inicialmente
a Sociedade da Informação e sua atuação no Brasil. Analisa conceitos a cerca da
inclusão social, e por fim expõe sobre a questão inclusão digital e suas variadas nuances.
Nesse sentido, foi realizado uma pesquisa bibliográfica enfocando-se basicamente os
campos da Ciência da Tecnologia da Informação. Objetiva no geral analisar a inclusão
digital como uma perspectiva positiva para a disseminação e utilização das Novas
Tecnologias de Informação e Comunicação - NTIC´S na sociedade da informação, tendo
como objetivos específicos retratar o novo panorama informacional, alguns programas de
incentivo à inclusão digital no Brasil, e algumas iniciativas deste seguimento no Rio
Grande do Norte/Brasil. Por fim, concluiu-se que a Inclusão Digital representa uma forma
de democratização das novas tecnologias de comunicação e informação necessária para
promover à cidadania. Recomenda-se um estudo de caso e iniciativas de inclusão digital
desenvolvidas por profissionais da informação em bibliotecas de comunidades carentes.
Palavras-chave: Sociedade da Informação. Sociedade da Informação no Brasil. Inclusão
Social. Inclusão Digital.
Abstract: This work deals with digital inclusion. It initially presents the Information Society
and its actions in Brazil. Concepts such as social inclusion is reviewed as well as
questions related to digital inclusion. The main objective of the research is to analyze
digital inclusion as a positive perspective for the dissemination and use of the new
information and communication technologies in the information society. Specifically, the
research aims an overview of the informational panorama, programs related to digital
inclusion in Brazil, and some initiatives of this segment in the Rio Grande do Norte
State/Brazil. This was done through a bibliographical review in areas such as Information
Society and Information Technology. Thus, it is possible to conclude that Digital Inclusion
represents a form of democratization of the new information and communication
technologies needed for the promotion of citizenship. It is recommended that studies
related to the development of digital inclusion initiatives should be made by information
professionals in libraries and communities.
Keywords: Information Society. Information Society in Brazil. Social Inclusion. Digital
Inclusion.

�1 INTRODUÇÃO
No novo cenário da Sociedade da Informação é crescente o uso e
desenvolvimento de novas tecnologias da informação e comunicação  NTICS,
que proporcionam um mundo de interatividade, entretenimento, racionalização do
tempo, agilidade e segurança, além de quebrar barreiras e distâncias. No entanto,
percebe-se que não é muito evidente nesta nova sociedade uma universalização
dos serviços de informação e comunicação para a inclusão dos indivíduos neste
universo digital. Desta forma, surge a inclusão digital, fator decorrente da inclusão
social, pelo fato de possibilitar uma democratização do acesso à informação,
disponibilizando tecnologia à população, ou seja, contribuindo para diminuir a
exclusão digital na sociedade.
Diante disto, o objetivo geral deste artigo é analisar a inclusão digital
como uma perspectiva positiva para a disseminação e utilização das NTIC´S na
sociedade da informação, e na oportunidade apresentar alguns programas de
incentivo à inclusão digital no Brasil, e no Rio Grande do Norte.
Para explorar o tema, o trabalho foi estruturado em três tópicos, a
saber: Sociedade da Informação, que representa uma profunda mudança na
organização da sociedade, sendo caracterizada pelo uso das novas tecnologias
no processamento da informação. Na seqüência, mencionar-se a questão da
inclusão social, que consiste em incluir cidadãos na sociedade através do
desenvolvimento de projetos e trabalhos sociais, para que todos compartilhem de
forma democrática o conhecimento. Em seguida, apresenta-se a inclusão digital,
que viabiliza ao indivíduo e a sociedade o acesso à informação através das novas
tecnologias, possibilitando oportunidades econômicas, de geração de renda e
capital social.
2 SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
Novas formas de organização da informação e do conhecimento foram
percebidas a partir da Segunda Guerra Mundial, na era dita pós-industrial, devido
o aumento da comunicação entre os povos, com a difusão de novas tecnologias e

�com mudanças na economia, baseada na produção de informação e serviços.
Tais mudanças foram provocadas pelo advento da indústria, que gerou
desenvolvimento tecnológico, difusão da escolarização e da mídia. Em
decorrência disso, o desenvolvimento e aprimoramento de novos serviços,
equipamentos e formas de organização das corporações gerou uma nova
sociedade, empenhada em obter e compartilhar qualquer tipo de informação.
Esta época portanto denominou-se Sociedade da Informação, devido a
evolução das novas tecnologias, e mais importante que isso é o valor da
informação, que possui forças para transformar o homem, a sociedade e a
humanidade como um todo. Como bem aponta Araújo (1991), quando diz:

A informação é a mais poderosa força de transformação do homem. O
poder da informação [...] tem capacidade ilimitada de transformar
culturalmente o homem, a sociedade e a própria humanidade como um
todo. Resta-nos, tão-somente, saber utilizá-las sabiamente como o
instrumento de desenvolvimento que é, e não, continuarmos a
privilegiar a regra estabelecida de vê-la como instrumento de
dominação e, conseqüentemente, de submissão (ARAÚJO, 1991, p. 37).

Conforme sua evolução no tempo, a sociedade da informação
transformou a informação como o fator principal para as tomadas de decisões nos
mais abrangentes espaços da sociedade, sendo caracterizada pelo uso das
tecnologias no processamento da informação, capaz de gerar mudanças nos
setores econômico, social, político e cultural. A disponibilidade de novos meios
tecnológicos provoca alterações nas formas de atuar nos processos. E quando
várias formas de atuar sofrem modificações, resultam em mudanças inclusive na
maneira de ser. Definitivamente, as novidades tecnológicas chegam a transformar
os valores, as atitudes e o comportamento e, com isso, a cultura e a própria
sociedade (A SOCIEDADE..., 2000, p. 17).
No entanto, a Sociedade da Informação aponta inúmeros desafios nas
questões de caráter técnico, econômico, cultural e social. Segundo Werthein
(2000 apud SILVA, 2001) estes desafios se apresentam com o desemprego

�tecnológico, a desqualificação do trabalho, a perda de comunicação interpessoal
e grupal, a perda do sentido

de

identidade

e

o

aprofundamento

das

desigualdades sociais. Sendo necessário a efetivação de ações fundamentais
que promovam o acesso universal, de forma a realçar esses problemas.
Para tanto, seria imprescindível o acesso universal à infra-estrutura e
aos serviços de informação a preços acessíveis, novas parcerias políticas,
reconhecimento dos direitos de prioridade intelectual, elevação do volume
de informação de qualidade e de domínio público na Internet, entre outras ações.
Em relação ao Brasil, pode-se dizer que a sociedade da informação
teve início a partir da década de 90, através da criação do Programa Sociedade
da Informação no Brasil - SocInfo, que segundo Silva (2001) tem o objetivo de
implementar ações para utilização das novas tecnologias, como a capacitação
tecnológica

da

indústria

de

computação,

automação,

telecomunicações,

microeletrônica, software e serviços técnicos associados; atrair investimentos e o
aumento da oferta local de bens e serviços que contribuam para o
desenvolvimento e competitividade econômica no mercado global, favorecendo
para a inclusão dos brasileiros na nova sociedade.
Com a criação do programa surge a publicação do Livro Verde2, que
expressa as diretrizes do programa SocInfo, e sugere propostas para amenizar a
exclusão digital no país; traz informações à cerca da nova economia, que se
apresenta em um ambiente globalizado, onde a racionalização e a flexibilidade
dos processos produtivos, via novas tecnologias, são padrões essenciais para
eficiência e sucesso nos negócios, visto que contribuem para o surgimento de
meios e ferramentas para a produção e comercialização de produtos e serviço
inovadores, bem como novas oportunidades de investimentos. (TAKAHASHI,
2000).
O Livro Verde também menciona a informação como a matéria-prima
que produz um produto final, o conhecimento. Takahashi (2000, p. 17) coloca bem
esta questão, quando diz que:

�[...] a capacidade de gerar, tratar e transmitir informação é a primeira
etapa de uma cadeia de produção, que se completa com sua aplicação
no processo de agregação de valor a produtos e serviços. Nesse
contexto, impõe-se, para empresas e trabalhadores, o desafio de
adquirir a competência necessária para transformar informação em um
recurso econômico estratégico, ou seja, o conhecimento.

Percebe-se portanto, que o conhecimento é o desfecho de qualquer
iniciativa empreendedora, e se adquire por intermédio de diversos fatores que
compõem esta iniciativa, como: competências, investimentos tecnológicos e em
pesquisas, ambientes favoráveis de trabalho, capacitação de pessoas e economia
de desenvolvimento avançado. O tópico seguinte dará um breve enfoque a cerca
da inclusão social.
3 INCLUSÃO SOCIAL
A Sociedade da Informação é um fenômeno complexo que possui
variadas nuances, porém um dos elementos que mais chama atenção e merece
aprofundamento são os vários paradoxos existentes relacionados à questão da
inclusão de cidadãos nesse processo. Dessa forma, convém realizar um recorte e
destacar elementos de análise tais como as questões ligadas à inclusão digital.
Para tanto, se faz mister contextualizar esse assunto tecendo comentários à
respeito da inclusão social, que perpassa a inclusão digital.
Na concepção de Sassaki (1998), a inclusão social que vem sendo
amplamente discutida em diferentes áreas do conhecimento, principalmente nos
meios educacionais, sendo trabalhada em diferentes contextos e com diferentes
significados, repousa em princípios até então considerados incomuns, tais como:
aceitação das diferenças individuais, valorização de cada pessoa, convivência
dentro da diversidade humana, aprendizagem através da cooperação. Portanto, a
inclusão social consiste em tornar todos os cidadãos participantes da sociedade
humana vista como um todo, ou seja, incluindo todos os aspectos econômicos,
culturais, políticos e sociais; e desta forma amenizando a exclusão social, que
constitui uma das grandes preocupações da sociedade atual.

�Para Silva (2005) o conhecimento tem valor estratégico nessa nova
ordem mundial e cabe a esfera pública, o dever de implementar políticas capazes
de socializar as tecnologias de informação e comunicação, assim como o acesso
à escola, aos livros e ao lazer. Essas políticas devem oportunizar o
desenvolvimento social e a difusão da informação como forma de promover a
inclusão de grande parte da população brasileira através da apropriação do
conhecimento nas escolas, centros culturais, empresas e a aplicação de
tecnologias que atendam as demandas sociais nestas instituições.
Pensando assim, a inclusão social se apresenta como um processo de
atitudes afirmativas, públicas e privadas, no sentido de inserir, no contexto social
mais amplo, todos aqueles grupos ou populações marginalizadas historicamente
ou em conseqüência das radicais mudanças políticas, econômicas ou
tecnológicas da atualidade (CONTEUDO ESCOLA, 2004).
Percebe-se portanto, que a inclusão social só se fará presente em uma
população a partir do empenho político de todos os órgãos que constituem esta
sociedade. Além disso, alerta-se mais uma vez para o fato de que a inclusão
social deve atingir todas as populações, independente de idade, gênero, etnia,
condição econômica ou social, condição física ou mental. A partir desta temática
feita sobre a inclusão social, inicia-se a seguir o desenvolvimento pautado no
tema central, a inclusão digital.
4 INCLUSÃO DIGITAL
A terminologia inclusão

digital

parece fazer

parte

do

mundo

contemporâneo, tendo em vista os inúmeros artigos, sites e programas vinculados
nas mídias que abordam este assunto.
A partir disso, criou-se uma motivação para especular a cerca da
inclusão digital, no sentido de tentar esclarecer se esta é realmente uma
perspectiva positiva na sociedade da informação.
Baggio (2000) afirma que as novas tecnologias, principalmente a
Internet, vieram para alterar o comportamento da sociedade através de uma

�infinidades de soluções digitais. Segundo este mesmo autor, o mundo da
tecnologia também se configura como uma forma de inclusão social, pelo fato da
aprendizagem da informática e o acesso às NTIC´S não só possibilitarem
oportunidades econômicas, de geração de renda, como também representarem
um importante capital social.
Furlan (2005) declara que a inclusão social constitui uma das condições
mínimas necessárias para o desenvolvimento sustentável global, utilizando-se
como um de seus instrumentos a inclusão digital como meio para promover a
sociedade da informação e do conhecimento. Ele diz que a inclusão digital em um
país de dimensões continentais como o Brasil devem ser consideradas, antes de
tudo uma ação positiva para a eliminação da exclusão digital, sendo, portando,
meio e suporte para a inclusão social. No caso do Brasil, Furlan (2005) ainda diz
que 50% da juventude desconhecem não apenas o potencial da sociedade digital,
baseada em tecnologia e conectada em rede, mas, o que é mais grave, o
instrumento para a apropriação da informação e criação do conhecimento.
Na concepção de Rondelli (2003 apud FREIRE, 2004), a alfabetização
digital constitui uma parte do processo de inclusão digital, sendo uma
aprendizagem necessária ao individuo para circular e interagir no mundo das
mídias digitais como consumidor e como produtor de seus conteúdos e
processos. A autora cita quatro passos importantes na inclusão digital, sendo
eles: o ensino; a oportunidade de emprego dos suportes técnicos digitais na vida
cotidiana e no trabalho; a necessidade de políticas públicas para inclusão; e a
exploração dos potenciais dos meios digitais.
Para Araújo (2001 apud FREIRE, 2004, p. 192) o verdadeiro desafio é o
de criar tecnologias, construir ferramentas intelectuais e sistemas mais eficazes,
não só para gerenciar informação, mas também para facilitar ao ser humano a
transformação da informação em conhecimento e, conseqüentemente, em ação
na sociedade.
Na visão de Castells (2003 apud FREIRE, 2004), a inclusão digital vai
além do desenvolvimento tecnológico, pois o aprendizado é orientado para o

�desenvolvimento da capacidade educacional de transformar informação e
conhecimento em ação.
Nesta mesma reflexão, Takahashi (2000) afirma no Livro Verde que a
inclusão digital promove não só a aquisição de habilidades básicas para o uso de
computadores e da Internet, mas também a capacitação para utilização dessas
mídias, em favor dos interesses e necessidades individuais e comunitários, com
responsabilidade e cidadania.
Esta capacitação chama-se alfabetização digital3, que para Silva et al
(2005) deve criar aprendizes capazes de identificar a necessidade de informação,
organizá-la e aplicá-la na prática, integrando-a a um corpo de conhecimentos
existentes e usando-a na solução de problemas.
O Brasil atualmente vem debatendo com muita freqüência assuntos
voltados para a inclusão digital, sendo este um instrumento estratégico para
negociações entre governo, organizações privadas e não-governamentais. Toda
comunidade deve estar atenta aos programas desenvolvidos neste âmbito,
procurando ter conhecimento dos serviços de inclusão oferecidos aos cidadãos.
Ressalta-se que instituições como as universidades, escolas, empresas,
bibliotecas e centros culturais participam na sua maioria destes projetos, embora
não possuam todas as tecnologias suficientemente disponíveis. O Governo
Federal em parceria com instituições privadas e não-governamentais vem
realizando ao longo destes últimos anos, programas importantíssimos de inclusão
digital, destacando-se nesta pesquisa o Programa GESAC  Governo Eletrônico
Serviço de Atendimento ao Cidadão, Programa Casa Brasil, Projeto do Comitê
para Democratização da Informática  CDI e o Projeto Cidade do Conhecimento.
Programa GESAC
Programa Governo Eletrônico - Serviço de Atendimento ao Cidadão GESAC, considerado um dos maiores programas do gênero do Brasil. Beneficia
principalmente as populações de baixa renda de todo o país, onde o cidadão

�incluído pode acessar informações e serviços de governo, oferecidos por meio da
Internet, totalmente grátis.
Os terminais estão disponíveis em unidades nucleares e em unidades
isoladas. As unidades nucleares são equipadas com microcomputadores e
contam com pessoas capacitadas para orientar o público no uso dos serviços.
As unidades isoladas, de auto-atendimento, contam com suporte
remoto para orientação de uso. O GESAC é uma iniciativa do Ministério das
Comunicações para promover uma rede horizontal solidária de cooperação,
possibilitando maior intercambio de informações, oportunidades para melhoria de
vida do cidadão, geração de cultura e de negócios.
Quanto à atuação do Programa Gesac no Rio Grande do Norte
percebe-se o envolvimento do Governo do Estado e algumas instituições
privadas. No inicio de 2005, o SENAI/RN - SERVIÇO NACIONAL DE
APRENDIZAGEM INDUSTRIAL abriu o processo de Cadastramento de
Instituições interessadas em participar da execução do Projeto Piloto Acelerando
o GESAC, a ser implementado com recursos oriundos de Convênio firmado com o
Ministério das Comunicações, no âmbito do Programa GESAC - Governo
Eletrônico Serviço de Atendimento ao Cidadão.
Outra atuação do Programa Gesac no RN foi promovido pelo Governo
do Estado através do curso: Formação de multiplicadores do Programa Gesac no
RN, durante o evento literário O Livro e a Leitura no RN, no mês de dezembro
de 2005.
Programa Casa Brasil
O Projeto Casa Brasil é uma iniciativa do Governo Federal que reúne
esforços de diversos ministérios, órgãos públicos, bancos e empresas estatais
para levar inclusão digital, cidadania, cultura e lazer às comunidades de baixa
renda. O objetivo é criar um equipamento público com diversos módulos em que
se realizam atividades em torno dos temas "Inclusão Digital e Sociedade da
Informação".

�Nesse espaço, as pessoas podem fazer uso intensivo das tecnologias
da informação e da comunicação. Isso irá capacitar os segmentos excluídos da
população para a inserção crítica na Sociedade do Conhecimento, buscando
superar e romper a cadeia de reprodução da pobreza.
Além de servir como ponto de acesso público e gratuito, as Casas Brasil
atuarão como verdadeiros centros de aprendizado, onde o público poderá se
familiarizar com as novas tecnologias de informação e comunicação, aproveitando
todas as facilidades do mundo digital.
Verificou-se que no Rio Grande do Norte duas instituições participaram
do processo para contemplação do programa, a saber: Movimento de Integração
e Orientação Social, Coordenado por Alcina Maria de Holanda Madruga; Centro
de Documentação de Comunicação Popular, Coordenado por Elizama do
Livramento Cardoso.
Projeto do Comitê para Democratização da Informática  CDI
O Comitê para Democratização da Informática - CDI é uma organização
não-governamental sem fins lucrativos que, desde 1995, desenvolve o trabalho
pioneiro de promover a inclusão social utilizando a tecnologia da informação como
um instrumento para a construção e o exercício da cidadania.
Os objetivos do CDI são: permitir, através de projetos de utilização da
informática, a reintegração de pessoas de baixa renda ou com necessidades
especiais, procurando minimizar os níveis de exclusão social. Através de
empresas mantenedoras e apoiadoras, o CDI se mantêm em constante inovação
dos processos de aperfeiçoamento das atividades desenvolvidas.
Através de suas Escolas de Informática e Cidadania, implementa
programas educacionais no Brasil e no exterior, com o objetivo de mobilizar os
segmentos excluídos da sociedade para transformação de sua realidade. As
Escolas de Informática e Cidadania - EICs são espaços informais de ensino
criados por meio de uma parceria entre o CDI e organizações comunitárias ou

�movimentos associativos, tais como: centros comunitários, entidades de classe,
grupos religiosos, associações de moradores, entre outros.
Projeto Cidade do Conhecimento
Projeto do Instituto de Estudos Avançados  IEA da Universidade de
São Paulo - USP, criado em 2001, sob a coordenação do Professor Gilson
Schwartz, e que tem por objetivo promover a educação continuada à distancia e o
acesso às NTICs.
Conta com a participação de estudantes, trabalhadores e professores
na busca de desenvolver projetos por meio de redes digitais colaborativas.
No Rio Grande do Norte destaca-se o lançamento em 2003 do
Programa Rede Pipa Sabe, implantado na praia de Pipa, localizada na cidade de
Tibau do Sul, Município do Rio Grande do Norte.
O

programa

tem

a

missão

de

promover

talentos,

levantar

empreendimentos de desenvolvimento sustentável, projetos e serviços capazes
de liderar uma revolução cognitiva na cadeia produtiva do turismo local através da
utilização de novas mídias digitais, como a internet para educação e comunicação
à distância e os telecentros. Envolve acadêmicos, sociedade civil, órgãos públicos
e empresários que realizam uma série de oficinas, workshops e eventos
promovidos pela Universidade de São Paulo - USP, em parceria com a
Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN, nas mais diversas áreas
para comunidades carentes da região.
Os programas expostos acima representam exemplos concretos dos
seguimentos de inclusão digital desenvolvidos no Brasil. Observa-se o empenho
dos órgãos federais e as diversas instituições envolvidas neste processo de
democratização da informação através da utilização das NTIC´s, destacando
principalmente a Internet.

�Verifica-se também, que todos os projetos citados se preocupam não só
com o uso das novas tecnologias, mas a forma como estes recursos são
trabalhados junto às populações envolvidas no processo de aprendizagem.
Sendo assim, este estudo tem a intenção de ressaltar a importância
destas iniciativas para promover a inclusão digital, como também a inclusão dos
indivíduos na sociedade da informação.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Após analisar a literatura pertinente sobre o tema, pode-se constatar
que com os diversos problemas sociais presentes nesta nova sociedade, sendo a
pobreza o maior deles, o acesso ao mundo digital torna-se um sonho impossível
para aqueles que não participam dos projetos de inclusão digital. Visto que estes
projetos buscam trabalhar junto a comunidades carentes o desenvolvimento
social e digital através da aplicação das novas tecnologias de informação e
comunicação - NTICs.
Em suma, analisando a questão norteadora da pesquisa, constata-se
que a inclusão digital serve como meio de inclusão social das comunidades
excluídas, sendo uma perspectiva positiva para a sociedade da informação.
Ressalta-se o importante papel das bibliotecas públicas universitárias
na promoção da inclusão digital, visto que estas devem trabalhar com a
socialização do conhecimento, a gratuidade, o livre fluxo de informação e a
igualdade de acesso. Para isso, as bibliotecas devem entrar em parcerias com
órgãos competentes que promovam projetos nesta área, contribuindo assim para
inclusão dos indivíduos na cibercultura.
Fica a sugestão para trabalhos futuros, um estudo de caso que analise
os programas de inclusão digital desenvolvidos no Rio Grande do Norte.
Recomenda-se também, iniciativas de profissionais da informação no sentido de
desenvolver projetos que visem a disseminação e utilização das novas
tecnologias de forma democrática, utilizando o espaço biblioteca como ambiente
de inclusão digital.

�REFERÊNCIAS

ARAÚJO, V.M.R.H. de. Informação: instrumento de dominação e de submissão.
Ciência da Informação, Brasília, v. 20, n. 1, p. 37-44, jan./jun., 1991.
BAGGIO, Rodrigo. A sociedade da informação e a infoexclusão. Ciência da
Informação, Brasília, v. 29, n. 2, p. 16-21, maio./ago. 2000.
CONTEÚDOESCOLA. Relevância da educação inclusiva. Disponível em:
http://www.conteudoescola.com.br. Acesso em 21 de dez. 2005.
FREIRE, Isa Maria. O desafio da inclusão social. Transiformação, Campinas,
v.2, n.16, p.189-194, mai./ago. 2004.
FURLAN, Luiz Fernando. Criando convergência para o desenvolvimento: a
inclusão digital. Revista inclusão social, Brasília, v.1, n. 1, p. 8-9, out./mar. 2005.
Disponível em: http://www.ibict.br/revistainclusaosocial. Acesso em 25 out. 2005.
SASSAKI,
Romeu
Kazumi.
Educação
inclusiva.
Disponível
em:
http://educacaoonline.pro.br/art_entrevista_com_romeu. Acesso em 24 nov. 2005.
SILVA, Alzira Karla Araújo. A sociedade da informação e o acesso à educação:
uma interface necessária a caminho da cidadania. Informação &amp; Sociedade:
estudos., João Pessoa, v. 11, n. 2,. 2001. Disponível na Internet:
http://www.informacaoesociedade.ufpb.br. Acesso em 25 out. 2005.

SILVA, Helena et al. Inclusão digital e educação para a competência
informacional: uma questão de ética e cidadania. Ciência da Informação,
Brasília, v. 34, n. 1, p. 28-36, jan./abr. 2005.
A SOCIEDADE da informação no Brasil: presente e perspectivas. São Paulo:
Telefônica, 2002.
TAKAHASHI, Tadao (Org.). Sociedade da informação no Brasil: livro verde.
Brasília: Ministério da Ciência e Tecnologia, 2000.

1

Texto extraído de monografia defendida pela autora em 2005.
O Livro Verde lançado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia contém as metas de implementação do
Programa Sociedade da Informação e constitui uma súmula consolidada de possíveis aplicações de
Tecnologias da Informação.
3
Segundo Baggio (2005) analfabetos digitais consiste numa categoria de pessoas despreparadas para viver a
interação com as máquinas.
2

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Medeiros, Luciana Dantas de; Carvalho, Mônica Marques</text>
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                <text>A questão da inclusão digital tem se tornado uma questão emergente na sociedade atual. A pesquisa em questão lida com a inclusão digital, destaca inicialmente a Sociedade da Informação e sua atuação no Brasil. Analisa conceitos a cerca da inclusão social, e por fim expõe sobre a questão inclusão digital e suas variadas nuances. Nesse sentido, foi realizado uma pesquisa bibliográfica enfocando-se basicamente os campos da Ciência da Tecnologia da Informação. Objetiva no geral analisar a inclusão digital como uma perspectiva positiva para a disseminação e utilização das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação - NTIC ́S na sociedade da informação, tendo como objetivos específicos retratar o novo panorama informacional, alguns programas de incentivo à inclusão digital no Brasil, e algumas iniciativas deste seguimento no Rio Grande do Norte/Brasil. Por fim, concluiu-se que a Inclusão Digital representa uma forma de democratização das novas tecnologias de comunicação e informação necessária para promover à cidadania. Recomenda-se um estudo de caso e iniciativas de inclusão digital desenvolvidas por profissionais da informação em bibliotecas de comunidades carentes.</text>
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                    <text>INCLUSÃO DOS PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS EM UNIDADE
DE INFORMAÇÃO: O SETOR DE CADASTRAMENTO DA BIBLIOTECA DO IESP
Angélica Maria Ferreira Lopes*
Elaine Cristina de Brito Moreira**
Joelma Maria de Miranda Silva***
Raquel Vieira Sobreira Soares****
RESUMO
Considerando que o acesso à informação vem se tornando um diferencial
competitivo e que as tecnologias de informação e comunicação aceleram a sua
gestão, fazem-se necessários estudos que visem à inclusão dos portadores de
necessidades especiais auditivas nessa sociedade. Assim, analisa-se a integração
desses portadores no trabalho desenvolvido no setor de cadastramento da
Biblioteca do Instituto de Educação Superior da Paraíba. Metodologicamente, utilizase a pesquisa de campo e a observação direta desses sujeitos na biblioteca.
Constata-se um bom relacionamento com os colaboradores do setor, facilidade de
entendimento, interesse em apresentar a linguagem utilizada para comunicação e
alto grau de concentração, ocasionando excelentes resultados. Observa-se que a
sua admissão como colaboradores do referido setor contribui para o crescimento da
unidade de informação e, principalmente, para inclusão desses e de outros
portadores, no acesso às informações da biblioteca, na sociedade e no mercado de
trabalho. Sugere-se que as bibliotecas, dentre outras unidades de informação,
formem equipes multidisciplinares, incluindo esses sujeitos como colaboradores na
biblioteca, trabalhando em conjunto com bibliotecários na inclusão de dados no
sistema de automação, a exemplo, contribuindo para que outros com semelhante
restrição tenham acesso à informação nas bibliotecas, com linguagem adequada e
eficiência no atendimento.

PALAVRAS-CHAVE: Biblioteca – Inclusão; Portador de necessidades especiais
auditivas; Tecnologia da informação e comunicação.

*Bibliotecária do Instituto de Educação Superior da Paraíba - IESP. BR 230, KM 14, Cabedelo, PB,
Brasil. Bacharel em Biblioteconomia pela Universidade Federal da Paraíba - UFPB. Especialista em
Gestão de Unidades de Informação pelo Departamento de Biblioteconomia e Documentação da
UFPB. angelmopes_jp@hotmail.com
** Bibliotecária do Instituto de Educação Superior da Paraíba - IESP. BR 230, KM 14, Cabedelo, PB,
Brasil. Bacharel em Biblioteconomia pela Universidade Federal da Paraíba - UFPB. Especialista em
Gestão de Unidades de Informação pelo Departamento de Biblioteconomia e Documentação da
UFPB. elainecbm@yahoo.com
*** Bibliotecária do Instituto de Educação Superior da Paraíba - IESP. BR 230, KM 14, Cabedelo, PB,
Brasil.
Bacharel em Biblioteconomia pela Universidade Federal da Paraíba - UFPB.
joelmamms@hotmail.com
**** Administradora do Instituto de Educação Superior da Paraíba. BR 230, KM 14, Cabedelo, PB,
Brasil. Bacharel em Administração pela Faculdade do Instituto de Educação Superior da Paraíba IESP. Especialista em Gestão e Tecnologia de Serviços de Saúde pela Coordenação de
Administração do Instituto de Educação Superior da Paraíba - IESP. raquel_sobreira@hotmail.com

�INTRODUÇÃO
Nota-se que as dificuldades e limitações que norteiam a inserção da pessoa
portadora de necessidades especiais auditivas no mercado de trabalho é ainda
limitado. Segundo Rondon e Rodrigues (2006) “geralmente o surdo trabalha em
supermercados, fábricas, etc, onde não exige uma comunicação oral para
desenvolver atividades nas funções que ocupam”.
Verifica-se que no momento histórico em que vivemos, caracterizado por
crises e mudanças, mas também pelo surgimento de oportunidades. Tais
oportunidades foram comprovadas ao observar as pessoas com necessidades
especiais lutando pelos seus direitos, pela reserva de mercado, pela educação e
pela inclusão.
Mas nem sempre o portador de deficiência se mostrou e nem foi visto na
sociedade desta forma. Durante anos, o individuo que possuía limitações foi
designado como “o deficiente”, o que o configura como incapaz (PINHEIRO, 2004).
Nesta perspectiva, este artigo visa à integração dos portadores de
necessidades especiais auditivas no setor de cadastramento da Biblioteca do
Instituto de Educação Superior da Paraíba. Para realização da pesquisa escolhemos
os Portadores de Deficiência Auditiva, pelo fato do trabalho exigir pessoas
concentradas, estes profissionais são os que se enquadram melhor neste perfil,
apresentando melhores resultados.
Por esta razão, ressaltamos que a contribuição que estes funcionários
proporcionam no crescimento da Unidade de Informação e principalmente a inclusão
destes e outros portadores no acesso as informações da Biblioteca, na sociedade e
no mercado de trabalho.

PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS NO MERCADO DE TRABALHO
Diante da globalização e das exigências em se ter profissionais qualificados
no mercado de trabalho, nos dias atuais a sociedade tem seu papel fundamental
para incluir profissionais que estão fora do mercado. Para isso é preciso que a

�mesma esteja apta para receber esses profissionais, pois, apesar de se ter
consciência da importância, os Portadores de Necessidades Especiais ainda têm
dificuldades em ser aceito no mercado de trabalho, pois muitas empresas são
desinformadas da capacidade que estes cidadãos têm em desenvolver as mesmas
tarefas que são peculiares a qualquer cidadão, fora a existência do grande
preconceito a estes profissionais.
Para que haja uma inclusão dos Portadores de Necessidades Especiais no
mercado de trabalho e acabar com barreiras que existem é preciso que haja uma
parceria entre família, escola e os próprios Portadores de Necessidades Especiais.
Hoje já podemos contar com profissionais capacitados que os preparam para inserilos no mercado de trabalho e na sociedade
É importante que as empresas tomem conhecimento dos direitos e deveres
trabalhistas para integrar o portador de deficiência auditiva no mercado.
A comunicação dos mesmos não pode ser considerada uma barreira ou
bloqueio para que estes se insiram na sociedade, pois eles possuem as mesmas
habilidades, aptidões e interesses que os demais, o que pode favorecer na
competitividade do mercado.
Em 1991 foi instituída a Lei de nº 8.213 para pessoas Portadoras de
Necessidades Especiais (PNE’s), onde estipula uma cota de 2% de empregados
(PNE’s) para as empresas que têm de 100 até 200 funcionários, 3% para as que
têm de 201 até 500 funcionários em seu quadro, para as empresas que possuem no
seu quadro de pessoal entre 501 a 1000 funcionários, este percentual é de 4% e
acima de 1000 funcionários esta cota sobe para 5%.
Já no setor público, até 20% das vagas oferecidas em concursos públicos
são destinadas aos Portadores de Necessidades Especiais, desde que os mesmos
sejam compatíveis com a deficiência que são portadoras.
Em decorrência da Lei, as empresas com mais de 100 funcionários passaram
a ser obrigadas a disponibilizar em seu quadro um percentual de 2% a 5% para os
Portadores de Necessidades Especiais. O não cumprimento da Lei acarretará em
assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), autuação e aplicação de

�multa, porém para que se dê efetividade a essa norma, é necessário assegurar
condições de trabalho e incentivar a interação entre os funcionários.
Com a dificuldade de se encontrar mão-de-obra especializada, não se torna
uma tarefa fácil, a contratação dos Portadores de Necessidades Especiais, é difícil
encontrar aquele que atenda as exigências do mercado e o Ministério Público ainda
está sendo tolerante diante disto.
A responsabilidade social, a imagem e uma percepção positiva da empresa
criada junto ao consumidor são alguns dos benefícios sociais com a inclusão destes
portadores. Novas oportunidades no negócio podem ser possibilitadas através de
um ambiente físico adequado, que atenua as deficiências, torna mais agradável e
humanizado o ambiente de trabalho, resultando em ganhos na produtividade.
São percebidas também, vantagens cumulativas, o desempenho e a
produção dos Portadores de Necessidades Especiais na maioria das vezes
superam as expectativas iniciais, os Portadores de Deficiência Auditiva, por
exemplo, possuem um auto grau de concentração.
“Sob a ótica empresarial, os Portadores de Necessidades Especiais estão
entre os melhores profissionais, eles têm um impressionante grau de concentração
e absenteísmo muito baixo, o que resulta em uma alta produtividade. Enfim, eles
querem trabalhar e os resultados são muito bons.” 1

TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
Há alguns anos o mundo vem passando por vários avanços tecnológicos,
muitos autores já escreveram sobre o assunto, diariamente acontecem mudanças
em todas as áreas.
As novas tecnologias da informação formam um elemento chave para o
desenvolvimento das tecnologias, da ciência e da cultura.

1

Citado por Mario Allan Ferraz Mafra, Diretor Administrativo e Financeiro da Companhia Wheaton
Brasil, Indústria de Embalagens.

�Nesse contexto das novas tecnologias, e com a explosão documental,
decorrente dos avanços, onde estamos destacando as unidades de informação, as
bibliotecas que andam sofrendo mudanças, não sendo mais aquela tradicional com
a informação só no suporte livro, atrás de um balcão, mas uma biblioteca do futuro
sem paredes, com acesso a distância de seus catálogos, com moderna tecnologia
da informação que coloca á disposição de seus organizadores e usuários.
Segundo Silva (2004), nesse novo contexto, o bibliotecário necessita
conhecer e envolver-se, sendo um dos responsáveis direto pelas etapas de criação,
reestruturação, representação, seleção, disseminação e uso da informação, onde
exige uma nova visão dentro da profissão. As novas tecnologias mudaram
radicalmente a profissão do bibliotecário, onde esse novo profissional precisa ter
uma nova visão e aprendizado.
A informação é algo fundamental na vida do ser humano, ela (informação)
é uma conseqüência do modo da comunicação humana, um ingrediente básico para
que o desenvolvimento aconteça e o ser humano se realize de forma plena e
completa.
Não é fácil conceituar o que seja “informação”, pois vários autores de
diversas linhas do conhecimento a definem, onde acaba gerando muita
complexidade.
Conforme Bouche (apud SILVA, 2004, p.16), etimologicamente o termo
informação vem do latim informare significando “colocar em forma”. Esta etimologia
parece privilegiar a forma sobre o conteúdo. Assim como várias palavras com
sufixo(são), a palavra informação possui dois sentidos: ela significa ao mesmo
tempo o resultado do ato de informar e o próprio ato.
Segundo Pinheiro (apud SILVA, 2004, p.16),
Informação vem do latim formation, e é sinônimo de notícia e
expressa a idéia de dar forma a alguma coisa. A este significado
mais fechado, podemos contrapor outro, aberto, relativo à
representação, criação de idéias ou noção, além da informação
trocada com o exterior, e não apenas informação recebida.

�Com o surgimento das novas tecnologias de informação evidencia a
necessidade de se organizar a informação no contexto eletrônico, onde chamamos
de banco de dados.
Segundo Date (1990), banco de dados é nada mais do que um sistema de
manutenção de registros por computador. O próprio banco de dados pode ser
considerado uma espécie de sala de arquivo eletrônico, ou seja, um depósito de um
conjunto de arquivos de dados computadorizados que oferece diversos recursos ao
usuário, possibilitando-lhe a realização de várias operações, incluindo, entre outras,
as seguintes:
- a adição de novos (vazios) arquivos ao banco de dados;
- a inserção de novos dados nos arquivos;
- a recuperação de dados dos arquivos existentes;
- a atualização de dados nos arquivos existentes;
- a eliminação de dados nos arquivos existentes;
- a renovação permanente de arquivos existentes (vazios ou outros) do
banco de dados.
Um sistema de banco de dados tem um objetivo global de manter as
informações e torná-las disponíveis quando solicitadas.

SISTEMA MULTIACERVO
É um sistema voltado para a administração, organização e consulta de
Bibliotecas ou Centro de Documentação.
Possui uma interface extremamente amigável, menu de opções, Utiliza
controle de acesso via senhas, Roda em rede de micros com Windows.
Usando o Multiacervo o usuário conseguirá em pouco tempo, catalogar todo
o acervo, disponibilizar consultas on-line, em rede para toda a instituição, controlar
os empréstimos e administrar eficientemente sua Biblioteca ou Centro de
Documentação com o uso de código de barras, relatórios de controle e estatísticos.
A finalidade do sistema é gerenciar as informações e rotinas de uma
Biblioteca de forma rápida, prática e com visual agradável. Portanto, na nossa

�Unidade foram implantados os módulos de empréstimo, catalogação (Banco de
Dados), recuperação da informação, disseminação, periódicos e aquisição.

A INSTITUIÇÃO E A UNIDADE DE INFORMAÇÃO
A unidade de informação em estudo está inserida em uma instituição
comprometida com o desenvolvimento do estado da Paraíba e vem, desde 1998,
ajudando na melhoria da qualidade profissional do cidadão. Com objetivos claros de
promover a difusão do conhecimento através do ensino, pesquisa e extensão vêm
atuando muito fortemente na qualificação dos seus alunos para o exercício
profissional e na formação de cidadãos melhores para o estado e para o país.
Sempre procurando atingir a competitividade, acredita numa educação de qualidade
e busca a inovação e melhorias no processo de difusão do ensino.
Oferece cursos de graduação de Administração de Empresas, Contabilidade,
Direito, Sistemas de Informação, Publicidade de Propaganda e Turismo, assim como
pós-graduação e programas de estágios que atendem a comunidade.
Com um corpo docente de alta qualidade acadêmica e profissional, dispõe de
uma equipe de professores mestres e doutores em suas áreas de especialidade que
proporcionam aos alunos maior proveito na busca pela qualificação.
A unidade de informação foi fundada em 1997, constituindo-se no órgão
central de suporte aos planos e programas acadêmicos da Instituição estimulando o
ensino, a pesquisa e a extensão, conta com uma infra-estrutura bibliográfica
compatível às suas atividades. Possui ambiente estruturado, com setores e
equipamentos que dão suporte as atividades de pesquisa, permitindo o acesso à
informação desejada através de catálogos on-line de autor, título e assunto.
Disponibiliza também aos seus usuários serviços de comutação bibliográfica,
orientação e normalização bibliográfica como também catalogação na fonte.
Conta com aproximadamente 34.000 volumes, distribuídos nas áreas de
Ciências Sociais Aplicadas, Ciências Humanas, Lingüística, Letras e Artes, Ciências
Exatas e da Terra, Ciências da Saúde e Engenharias. Esse acervo é distribuído de
acordo com os interesses dos cursos e organizado por ordem decimal, obedecendo

�à tabela de Classificação Decimal Universal - CDU. A Biblioteca possui vários
setores, entre eles: Setor de Periódicos, Setor de Empréstimo, Setor de
Multimeios/Multimídia, Setor de Coleções Especiais, Setor de Processo Técnicos e
outros.
O Setor de Processos Técnicos é responsável pelo tratamento físico e do
conteúdo de documentos bibliográficos e de multimeios a serem incorporados no
acervo da Biblioteca.
Para um melhor gerenciamento da informação é utilizando o Software com os
módulos

de

empréstimo,

catalogação

(Banco

de

Dados),

recuperação,

disseminação, periódicos e aquisição. O programa administra todos os serviços e
rotinas da biblioteca, desde a entrada de dados à pesquisa, além de fornecer
relatórios por autor, título e assunto.
A Biblioteca conta com o apoio de uma equipe composta por 4 bibliotecários,
10 auxiliares técnico-administrativos, 2 estagiários, 2 atendentes e 3 digitadores,
sendo 2 portadores de deficiência auditiva e 1 de deficiência física .
Os objetivos da Biblioteca são:
 Oferecer suporte bibliográfico de qualidade;
 Favorecer a integração sócio-econômica e cultural da Região;
 Dar apoio às atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão;
 Difundir a informação;
 Contribuir para a melhoria da profissionalização;
 Consolidar a Biblioteca da Instituição como centro de referência em estudo;
 Intensificar o intercâmbio da Biblioteca com outras instituições privadas.
A missão da Biblioteca é dar apoio informativo e documental a seus
utilizadores, proporcionando em tempo oportuno, uma informação especializada,
essencialmente nas áreas em que os cursos da instituição atuam, além de propiciar
integração sócio-econômica, favorecendo o desenvolvimento regional.

�PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
O presente trabalho teve como universo de pesquisa dois colaboradores com
deficiência auditiva lotados na Biblioteca do IESP, totalizando 100% dos sujeitos
pesquisados.
Como instrumento de pesquisa foi aplicado um questionário semi-estruturado,
com perguntas abertas e fechadas, onde se procurou saber a satisfação e
dificuldades que os mesmos têm em desenvolver suas atividades no ambiente de
trabalho.
O presente artigo teve como tipo de pesquisa: bibliográfica, de campo e
observação participativa. Para coleta de dados foi aplicado um questionário no
período de um dia, onde os funcionários não apresentaram nenhuma objeção em
responder.

ANÁLISE DOS RESULTADOS
Para análise dos resultados foi feito uma coleta de dados e tabulação dos
resultados de acordo com técnicas de estatística descritiva.

0%

100%

1º Grau incompleto
2º Grau incompleto
3º Grau incompleto

1º Grau completo
2º Grau completo
3º Grau completo

Gráfico 1 – Grau de escolaridade
Fonte: Pesquisa direta, 2006

Verificamos que 100% dos sujeitos
pesquisados têm o 2º grau completo.
Isso demonstra que os mesmos têm
uma formação escolar e que estão
aptos para ingressarem na graduação
e assim favorecer no seu crescimento
profissional

�Percebemos
que
100%
dos
respondentes afirmaram que Não
sentiram dificuldades de contratação
pela empresa, confirmando que a
mesma está aberta para o acolhimento
destes
profissionais,
contribuindo
assim com a sua responsabilidade
social.

0%

100%

Sim

Não

Gráfico 2 – Dificuldade em ser contratado pela empresa
Fonte: Pesquisa direta, 2006

50%

No processo de contratação, 50% dos
sujeitos pesquisados foi através de
indicação de amigos e 50% através da
FUNAD.

50%
0%
0%

Indicação de amigos
Através de empresa de contratação
Processo de seleção
FUNAD
Gráfico 3 – Processo de contratação
Fonte: Pesquisa direta, 2006
0%

100%

Ótimo

Bom

Regular

Ruim

Constatamos que existe um bom
relacionamento entre os deficientes
auditivos e os demais colegas de
trabalho. Este ponto mostra que existe
um
interesse
por
parte
dos
funcionários em se integrar com os
mesmos, não havendo preconceito,
gerando assim um clima harmonioso
no ambiente de trabalho.

Gráfico 4 – Relacionamento com os colegas de trabalho
Fonte: Pesquisa direta, 2006
0%

100%

Sim

De acordo com o gráfico 4, pelo fato
de não existir preconceito e haver um
bom
relacionamento
entre
os
funcionários, eles não se sentem
inferior aos outros empregados.

Não

Gráfico 5 – Sentimento de inferioridade em relação aos colegas de trabalho
Fonte: Pesquisa direta, 2006

�0%

O índice de maior relevância apontado
pelos respondentes em relação ao
aprendizado foi através da língua de
sinais.

100%

Oral

Sinais

Ambos

Gráfico 6 – Aprendizado
Fonte: Pesquisa direta, 2006
0%

100%

Ótimo
Regular

Bom
Ruim

Com relação à compreensão do
Sistema, o universo pesquisado
respondeu o item ótimo, isto é
justificado pelo fato dos mesmos terem
sido treinados por ex-colaboradores
com deficiência auditiva.

Gráfico 7 – Compreensão no treinamento do Sistema Multiacervo
Fonte: Pesquisa direta, 2006
0%

100%

Sim

Não

Verificamos com o resultado ao lado
que a instituição estimula estes
funcionários a se aperfeiçoarem
profissionalmente em termos de
educação continuada. Com este
resultado, acreditamos que a missão
da Instituição cumpre com seu papel
social de forma dinâmica e útil.

Gráfico 8 – Contribuição da Instituição para o crescimento profissional
Fonte: Pesquisa direta, 2006
0%

100%

Sim

Não

Gráfico 9 – Satisfação com o trabalho
Fonte: Pesquisa direta, 2006

A satisfação com o trabalho foi positiva
por se tratar de um ambiente propicio
ao seu crescimento profissional e
pessoal, isto favorece a equipe da
unidade por está contribuindo para
inclusão destes profissionais.

�CONCLUSÃO
O presente artigo deu-nos a possibilidade de perceber que quando o
deficiente auditivo é colocado em setor e função compatível a sua deficiência, ele
consegue desenvolver suas atividades profissionais de forma eficiente e eficaz pelo
fato de possuírem um alto nível de concentração. Na maioria das vezes eles
apresentam resultados superiores aos de profissionais com funções sensoriais
normais, este fato foi comprovado através de comparativos estatísticos emitidos pelo
próprio sistema, no período em que Unidade não possuía estes profissionais
incorporados no seu quadro.
Constatamos ainda que no setor de cadastramento do Banco de Dados da
Biblioteca do IESP, existe um bom relacionamento com os colaboradores deste
setor, facilidade de entendimento e interesse em aprender a linguagem utilizada
para comunicação, o que demonstra a integração dos mesmos, visto que a sua
admissão contribui para o crescimento da unidade de informação e, principalmente,
para inclusão destes e de outros portadores no acesso as informações da Biblioteca,
na sociedade e no mercado de trabalho.
Podemos perceber através das respostas das perguntas abertas do
questionário, que como a instituição ainda não possui uma equipe multidisciplinar
formada e, tão pouco, realiza treinamento com os funcionários para receber estes
profissionais, eles sentem a falta de um interprete que os apóiem ou que os colegas
de trabalho conheçam e aprendam a linguagem de sinais para que haja uma melhor
comunicação.
Sugere-se que as Bibliotecas dentre outras Unidades de Informação formem
equipes multidisciplinares, incluindo os Portadores de Necessidades Especiais como
colaboradores, trabalhando em conjunto com bibliotecários e a equipe, na inclusão
de dados no sistema de automação, a exemplo, contribuindo para que outros com
semelhante restrição tenham acesso à informação nas Bibliotecas com linguagem
adequada e eficiência no atendimento.

�INCLUSION OF SPECIALS NECESSITIES BEARER IN INFORMATION UNITS:
CADASTRE SECTOR AT THE IESP LIBRARY

ABSTRACT
Considering that the information access is been a competitive differential and
information technologies and communication speed up its management, is necessary
studies that come to priories the inclusion for people with deafness problems in this
society. Its analyses an integration of these people in desenvolved works in the
cadastre sector in the Library at the Instituto de Educação Superior da Paraíba.
Methodologically, is utilized a research of direct observation of these subjects in the
library. Was checked a good relationship with the sector collaborators, easy
understanding, interest to show the language utilized to communication and a big
degree of concentration, occurring excellent results. Was verified that their admission
like collaborators will contribute for the growing information unit and principally for
inclusion of these people and other people with health problems, for access in library
information, in society and work market. Is suggested that the libraries and others
information units, make multidisciplinary teams including these people like
collaborators of the library, working together with librarians in inclusion of dados in
automation system, of example, contributing with others with the same restriction
have access to information in libraries, with adequate language and efficient
attendance.

Keywords: Library – Inclusion; People with deafness problems; Information
Technology and communication.

REFERÊNCIAS

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Disponível em: &lt;http://cpge.aedb.br/arquivos/administracao/alynebaptista.PDF&gt;.
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obrigatoriedade de empregar deficientes; requisitos e benefícios; panorama
dos portadores de deficiência no mercado de trabalho. Debate em 17 nov. 2005.
Disponível em: &lt;http://www.camaradojapao.org.br/web/exibeboleto.asp?arquivo=a05-11-17-ceat.txt&gt;. Acesso em: 12 jul. 2006.

�DATE, C.J. Introdução a sistemas de banco de dados. Rio de Janeiro: Campus,
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PALHARES, Manoel. A capacitação profissional do surdo. Disponível em:
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PINHEIRO, Daniele da Silva. O bibliotecário e o atendimento aos usuários com
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SILVA, Joelma Maria de Miranda Silva. Análise do website da canção nova: uma
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biblioteconomia)- Universidade Federal da Paraíba. João Pessoa, 2004.

TEMA ainda enfrenta barreira cultural: falta de conhecimento acarreta em
dificuldades e insucessos de programas. O Estado de São Paulo, São Paulo, 22
nov.
2006.
Disponível
em:
&lt;http://www.saci.org.br/index.php?modulo=akemi&amp;parametro=13775&gt;. Acesso em:
05 jun. 2006.

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Considerando que o acesso à informação vem se tornando um diferencial competitivo e que as tecnologias de informação e comunicação aceleram a sua gestão, fazem-se necessários estudos que visem à inclusão dos portadores de necessidades especiais auditivas nessa sociedade. Assim, analisa-se a integração desses portadores no trabalho desenvolvido no setor de cadastramento da Biblioteca do Instituto de Educação Superior da Paraíba. Metodologicamente, utiliza-se a pesquisa de campo e a observação direta desses sujeitos na biblioteca. Constata-se um bom relacionamento com os colaboradores do setor, facilidade de entendimento, interesse em apresentar a linguagem utilizada para comunicação e alto grau de concentração, ocasionando excelentes resultados. Observa-se que a sua admissão como colaboradores do referido setor contribui para o crescimento da unidade de informação e, principalmente, para inclusão desses e de outros portadores, no acesso às informações da biblioteca, na sociedade e no mercado de trabalho. Sugere-se que as bibliotecas, dentre outras unidades de informação, formem equipes multidisciplinares, incluindo esses sujeitos como colaboradores na biblioteca, trabalhando em conjunto com bibliotecários na inclusão de dados no sistema de automação, a exemplo, contribuindo para que outros com semelhante restrição tenham acesso à informação nas bibliotecas, com linguagem adequada e eficiência no atendimento.</text>
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                    <text>RELATO DE EXPERIÊNCIA
INDEXAÇÃO COMPARTILHADA DE ARTIGOS DE PERIÓDICOS
DA REDE PERGAMUM

Sandra Helena Schiavon
Bibliotecária, Sistema Integrado de Bibliotecas da PUCPR. Biblioteca Setorial do
Hospital Universitário Cajuru, bacharel em Biblioteconomia (UFPR), especialista
em Didática do Ensino Superior (PUCPR)
Avenida São José 300 - Cristo Rei  cep. 80050-350
Curitiba  PR  Brasil
s.sandra@pucpr.br
Maristela S. S. Lopes de Oliveira
Bibliotecária, bacharel em Biblioteconomia (UFPR),
Desenvolvimento Gerencial para executivos (FAE/CDE)
Rua Pintassilgo 50 apto. 152 A  Moema  cep. 04514-030
São Paulo  SP  Brasil

especialista

em

Simone da Silva Conceição
Bibliotecária, Universidade Para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí,
bacharel em Biblioteconomia e Documentação (UFSC), mestre em Engenharia
de Produção (UFSC)
Rua Dr.Guilherme Gemballa, 13  Centro - cep. 89.160-000
Rio do Sul  SC  Brasil
simones@unidavi.edu.br
Salete Puel de Oliveira
Bibliotecária, Universidade Federal de Santa Catarina,
Biblioteconomia e Documentação (UFSC)
Campus Universitário - Acesso Trindade - cep. 88.040-900
Florianópolis  SC  Brasil
Salete@bu.ufsc.br

bacharel

em

�RESUMO
Apresenta a implantação do Projeto de Indexação Compartilhada de
Artigos de Periódicos das Instituições integrantes da Rede Pergamum. Foram
apresentados os critérios definidos para a participação da instituição na
indexação, como seria feita esta indexação e quais os critérios para o
estabelecimento dos cabeçalhos de assunto. O projeto realizado contou
inicialmente com a participação das instituições Pontifícia Universidade Católica
do Paraná  PUCPR, Universidade Federal de Santa Catarina  UFSC e
Universidade Para o Desenvolvimento do Alto Vale Itajaí - UNIDAVI, todas as
bibliotecas indexaram três títulos de periódicos, sendo que a UNiDAVI indexou
apenas um título da sua instituição e dois títulos doados pela UFSC. Foram
indexados no total 9 (nove) títulos de periódicos. Neste artigo é relevante observar
como o trabalho cooperativo é gratificante e reduz o trabalho do bibliotecário
indexador, que ao invés de indexar vários títulos, compartilha seus títulos e tem
acesso à informação contida em vários periódicos de maneira rápida e eficiente.
DESCRITORES: Indexação; Periódicos; Bibliotecas  Redes de informação;
Publicações seriadas; Bibliotecas - Cooperação
ABSTRACT
It presents the implantation of Shared Indexation of Periodic Articles of
Pergamum Net member Institutions. It had been presented the defined criteria for
the participation of the institution in the indexation, such as how this indexation
would be made and which criteria for the establishment of the subject heading.
The carried through project initially counted on the participation of the institutions
Pontifical Catholic University of Paraná - PUCPR, Federal University of Santa
Catarina - UFSC and University for the Development of the High Itajaí Valley 
UNIDAVI. All libraries indexed three periodic headings, being that the UNiDAVI
indexed only one heading of its institution and two headings donated by UFSC. It
has been indexed a total of 9 (nine) periodic headings. In this article it is relevant
to remark how rewarding is the cooperative work and how it reduces the work of
the indexer librarian, who instead of indexing some headings alone, shares his
headings and has access to the information contained in several periodics on a
fast and efficient way.
KEYWORDS: Indexing; Periodicals,
publications; Library cooperation

Library

information

networks;

Serial

INTRODUÇÃO
O mundo científico e tecnológico desfruta, atualmente, de facilidades que
possibilitam aos seus integrantes o acesso e a troca de informações, de forma
segura, ágil e flexível. Este avanço se realiza em função da crescente evolução
da tecnologia, principalmente, no que se refere à eletrônica, computação e
telecomunicações. O aproveitamento e integração das tecnologias geradas no
âmbito dessas três áreas permitiu o desenvolvimento das redes de computadores.
Conforme Torres (2001, p.4) as redes não são uma tecnologia que podese chamar de nova. Elas existem desde a época dos primeiros computadores,

�antes dos primeiros computadores pessoais (PCs) existirem. É praticamente
impossível, na atualidade, não pensar em redes quando o assunto é informática.
Basta lembrar que grande parte das pessoas compra computadores para ter
acesso à maior das redes existentes  a Internet.
Segundo Comer (2001) as redes de computadores têm crescido
explosivamente. Há duas décadas, poucas pessoas tinham acesso a uma rede.
Atualmente, a comunicação via computador transformou-se em uma parte
essencial da nossa infra-estrutura. As instituições de ensino, em todos os níveis,
do elementar à pós-graduação, estão utilizando redes de computadores para
fornecer a estudantes e professores o acesso instantâneo a informações em
bibliotecas online em todo o mundo.
Como enfatizam Guinchat e Menou (1994, p.175) "a indexação é uma das
formas de descrição de conteúdo, é a operação pela qual escolhe-se os termos
mais apropriados para descrever o conteúdo de um documento. Este conteúdo é
expresso pelo vocabulário da linguagem documental escolhida pelo sistema e os
termos são ordenados para constituir índices que servirão à pesquisa".
Numa rede onde se busca minimizar o trabalho e compartilhar recursos, é
fundamental a criação de um serviço de indexação compartilhada, para facilitar e
agilizar o trabalho do bibliotecário indexador, e também tornar disponível toda a
produção científica de uma instituição, divulgando assim a informação mais
rapidamente.
O presente trabalho tem como objetivo apresentar a criação de um serviço
de indexação de artigos de periódicos editados pelas Instituições integrantes da
Rede Pergamum.
O PERGAMUM - Sistema Integrado de Bibliotecas - é um sistema
informatizado de gerenciamento de Bibliotecas, desenvolvido pela Divisão de
Processamento de Dados da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. O
Sistema foi implementado na arquitetura cliente/servidor, com interface gráfica programação em Delphi, utilizando banco de dados relacional SQL. O Sistema
contempla as principais funções de uma Biblioteca, funcionando de forma
integrada da aquisição ao empréstimo, tornando-se um software de gestão de
Bibliotecas, capaz de gerenciar qualquer tipo de documento, atendendo desde
Universidades, Faculdades, Centros de Ensino de 1º e 2º grau, assim como
empresas, órgãos públicos e governamentais. Esta Rede possui o catálogo das
várias Instituições que já adquiriram o software, com isto, formando uma grande
rede nacional de Bibliotecas.
JUSTIFICATIVA
O avanço das tecnologias e da capacidade de processamento de dados do
computador mostra uma sociedade permeada pela informação, gerando um
aumento significativo da quantidade e qualidade da literatura técnico-científica.
São necessárias inúmeras tarefas para administrar, controlar e fazer frente ao
crescente volume desta produção científica. Por este motivo, há necessidade de
tratá-la e indexá-la. Nesse contexto, as redes serão de grande importância para a
disseminação da informação, o intercâmbio de informações e a integração das
instituições participantes.
O conceito de compartilhamento de redes de bibliotecas fundamenta-se em
idéias simples: otimização de recursos entre usuários de computador e redução

�no trabalho do bibliotecário indexador. Com essa infra-estrutura, as bibliotecas e
centros de documentação passam a usufruir de ferramentas que lhes permitem
tornar disponíveis os seus produtos e serviços de informação em meio eletrônico.
Com a indexação compartilhada , as bibliotecas da Rede Pergamum
disponibilizarão seus artigos, facilitando, assim, o acesso e a recuperação rápida
da informação.
Segundo Strehl (1998, p.329)
O principal objetivo de um serviço de indexação é assegurar a recuperação
de qualquer documento ou informação no momento em que o usuário busca um assunto em um
sistema de informações.

CRITÉRIOS PARA PARTICIPAR DA INDEXAÇÃO COMPARTILHADA
− Ser Instituição integrante da Rede Pergamum;
− Informar quais os títulos de periódicos que a instituição edita;
− Assinar o Termo de Compromisso.
CRITÉRIOS PARA A INDEXAÇÃO DOS TÍTULOS
− Indexar somente títulos editados pelas Instituições integrantes da Rede
Pergamum;
− Cada biblioteca cooperante deve indexar no mínimo 3 (três) títulos;
− Indexar os títulos indicados pela Coordenação da Rede Pergamum;
− Utilizar o Catálogo de Autoridades da Rede Pergamum para a padronização
dos cabeçalhos de assunto;
Para as instituições que editam apenas um título de periódico, mas tem
interesse em participar da indexação compartilhada, a coordenação da Rede
Pergamum vai indicar quais títulos a biblioteca pode indexar dentre os títulos
editados pelas instituições que fazem parte da indexação compartilhada, sendo
assim a instituição que concordar em oferecer a sua coleção para ser indexada
por outra biblioteca, deverá fazer doação ou permutar o periódico a ser indexado.
RESPONSABILIDADES
DA COORDENAÇÃO
− Analisar os títulos de periódicos editados por cada instituição cooperante;
− Selecionar os títulos de periódicos que serão indexados por cada instituição;
− Promover a capacitação dos profissionais bibliotecários que atuam na
indexação de periódicos, nas bibliotecas da Rede - Pergamum;
− Organizar uma reunião anual com as instituições que fazem parte da ICAP, que
deverá coincidir com o encontro anual da Rede Pergamum;
− Emitir relatórios anuais das atividades da ICAP.
AS INSTITUIÇÕES COOPERANTES
− Indexar os artigos de periódicos dos títulos selecionados pela Coordenação da
Rede;
− Manter a indexação atualizada;
− Seguir as normas e padrões estabelecidos;

�−

−

−

Facilitar
a comutação de documentos entre os integrantes da Rede
Pergamum;
Promover a permuta dos periódicos editados entre os integrantes da Rede
Pergamum;
Enviar os artigos solicitados via e-mail.

METODOLOGIA
O serviço de indexação compartilhada de artigos de periódicos, será
realizado pelas instituições que fazem parte da Rede Pergamum.
A adesão é espontânea, não obrigatória. As instituições que desejarem
participar deverão assinar o Termo de Compromisso (apêndice A) e o formulário
(apêndice B) informando quais títulos são editados e enviar para a coordenação
da Rede Pergamum, com o objetivo de firmar o compromisso assumido. a Rede
Pergamum fará toda a análise dos títulos que poderão entrar para o serviço de
Indexação Compartilhada.
Passado este processo as instituições indexam os artigos no Módulo de
Catalogação do Sistema Pergamum, o servidor identifica qual o artigo a ser
liberado para a transferência e envia as informações para o servidor da PUCPR
(ICAP) , a PUCPR processa as informações e disponibiliza os artigos via web, a
partir do momento que os artigos são disponibilizados, já é possível fazer a
consulta por autor, título, assunto, instituição, título do periódico.
O artigo pode ser solicitado e recebido via e-mail e todo o processo de
solicitação do artigo pode ser acompanhado pela instituição que possui o artigo e
pelo usuário que fez a solicitação para verificar qual o status da solicitação até o
presente momento.
TRANSFERÊNCIA DAS INFORMAÇÕES CADASTRADAS PELAS
INSTITUIÇÕES COOPERANTES PARA A BASE DA REDE PERGAMUM

�OPÇÕES DE PESQUISA
Podemos pesquisar por Consulta geral que nos permite a seleção por
tipo de pesquisa (autor, título e assunto) dentro dos índices ou pesquisa por
palavras.

Pesquisa por títulos
Esta pesquisa nos permite identificar quais os títulos de periódicos estão
indexados na base

Clicando no botão artigos vão abrir todos os artigos indexados neste
título.
Visualização de todos os artigos

�Clicando no artigo, vamos ter todas as informações e o formulário para
solicitar o artigo se este não estiver on-line.

Inclua os dados (nome do
usuário, Instituição e e-mail)
para solicitar o artigo.
E clique no botão enviar.

Quando o usuário fizer a solicitação do artigo, o sistema envia este pedido
diretamente para o e-mail da biblioteca e esta envia o artigo para o usuário via email.

�Acesso dos artigos on-line
Quando o artigo estiver on-line o próprio usuário poderá salvar ou imprimir
o artigo na íntegra,

Clique aqui para acessar o
artigo na integra em PDF

Acompanhamento das solicitações
Este acompanhamento poderá ser feito pela instituição que possui o artigo
ou pelo usuário que solicitou o artigo

�Acompanhamento pela Instituição que possui o artigo

Clique para alterar a
situação do pedido

Quando a Instituição recebe o pedido do artigo, ela troca o status
(Pendente, Atendido ou Em processamento) da solicitação de acordo com a
disponibilidade do material que será enviado. Esta opção Alterar situação é de
acesso exclusivo das Instituições cooperantes da ICAP.
Cada Instituição pode gerar estatísticas da quantidade de artigos que foi
enviado para a ICAP e do envio de artigos para os usuários por período, podendo
assim avaliar o uso da sua coleção.
Dados mostrados para o usuário referente ao seu pedido.

�CONSIDERAÇÕES FINAIS
O projeto realizado contou inicialmente com a participação das instituições
Pontifícia Universidade Católica do Paraná  PUCPR, Universidade Federal de
Santa Catarina  UFSC e Universidade Para o Desenvolvimento do Alto Vale
Itajaí - UNIDAVI, todas as bibliotecas indexaram três títulos de periódicos, sendo
que a UNiDAVI indexou apenas um título da sua instituição e dois títulos doados
pela UFSC, o que já propiciou um aumento no acervo da biblioteca da UNIDAVI.
Foram indexados no total 9 (nove) títulos de periódicos, totalizando 1085
artigos, sendo 415 artigos. inseridos pela PUCPR, 490 artigos inseridos pela
UFSC e 180 artigos inseridos pela UNIDAVI.
Com a indexação compartilhada além das instituições divulgarem a sua
produção científica, disponibilizam um maior número de informações mais
rapidamente para o usuário
Neste artigo é relevante observar como o trabalho cooperativo é
gratificante e reduz o trabalho do bibliotecário indexador, que ao invés de indexar
vários títulos sozinho, ele compartilha seus títulos e tem acesso a informação
contida em vários periódicos de maneira rápida e eficiente.
A indexação compartilhada está disponível na página da PUCPR para a
pesquisa de qualquer usuário, independente de fazer parte ou não da Rede
Pergamum.

�REFERÊNCIAS
COMER, D. Redes de computadores e internet. 2.ed. Porto Alegre: Bookman,
2001.
GUINCHAT, C.; MENOU, M. Introdução geral às ciências e técnicas da
informação e documentação. 2 ed. Brasília: IBICT, 1994.
STREHL, L. Avaliação da consistência da indexação realizada em uma biblioteca
universitária de artes. Ciência da Informação, Brasília, v. 27, n. 3, p. 329 - 335
set. 1998.
TORRES, G. Redes de computadores: curso completo. Rio de Janeiro: Axcel,
2001.

�APÊNDICE A - TERMO DE COMPROMISSO

TERMO DE COMPROMISSO
Compromisso que celebram as
instituições abaixo citadas, cuja
biblioteca adere ao serviço de
Indexação Compartilhada de
Periódicos da Rede Pergamum.
Pelo presente Termo de Compromisso a ........................(nome e endereço da Instituição)
representada por ........................( nome do diretor da Biblioteca)
cadastra a(o)
...................... (nome da biblioteca ou sistema de bibliotecas da instituição) na qualidade
de Biblioteca integrante da Rede Pergamum, declarando estar de pleno acordo com as
cláusulas e condições abaixo referendadas.
A Rede Pergamum, doravante denominada Rede, é constituída pelas instituições
usuárias do Sistema Pergamum, e que entenderam a importância do esforço cooperativo
para o desenvolvimento do Sistema, da prestação de serviços e do acesso à informação.
Finalidade e Objetivos
A Rede Pergamum tem como finalidade a cooperação nos serviços técnicos e o
compartilhamento de recursos de informações, com o objetivo de :
I.
II.
III.
IV.
V.
VI.

Disponibilizar o catálogo do acervo das instituições participantes;
Desenvolver metodologias e padrões comuns e que possam ser importados e
exportados para instituições nacionais e internacionais que utilizam o padrão MARC;
Desenvolver produtos e serviços que contribuam para o desenvolvimento da Rede;
Negociar em conjunto ou não, a aquisição de recursos de informação, em qualquer
tipo de suporte físico;
Promover a capacitação dos profissionais integrantes da Rede;
Promover o desenvolvimento tecnológico das instituições integrantes da Rede.

Responsabilidades
Da Rede Pergamum
•
•
•
•

Indicar os títulos de periódicos a serem indexados no âmbito do serviço;
Propor os títulos a serem indexados por cada instituição;
Disponibilizar o acesso à base de dados ICAP;
Emitir relatório semestral das atividades realizadas no âmbito do serviço.

Da Biblioteca Cooperante
•
•
•
•
•

Indexar os periódicos sob sua responsabilidade;
Utilizar os padrões de catalogação e indexação adotados pela Rede Pergamum, para
elaboração de registros bibliográficos;
Manter a indexação atualizada;
Promover e facilitar o acesso ao documento indexado entre os integrantes da Rede;
Emitir, a pedido, relatórios das atividades realizadas sob a sua responsabilidade;

�•

Informar a Coordenação da ICAP o cancelamento do(s) título(s) sob sua
responsabilidade.

Indexar os seguintes títulos:

Validade do Termo
Este Termo de Compromisso tem validade por tempo indeterminado, podendo ser
rescindido por qualquer uma das partes, mediante comunicação expressa, com
antecedência mínima de 30 (trinta) dias. O Coordenador do Sistema Pergamum poderá
anunciar o encerramento do Termo de Compromisso, caso a Biblioteca não cumpra as
atividades sob a sua responsabilidade. O encerramento do Termo não implica na perda
do direito de uso dos produtos e serviços compartilhados na Rede.
Da denúncia
Este Termo poderá, a qualquer tempo, ser denunciado pela instituição cooperante,
devendo o interessado formalizar a sua intenção com antecedência mínima de 30 (trinta)
dias ao encerramento das atividades na ICAP.
E por estarem assim de acordo com o referido acima, as partes assinam o presente
Termo em duas vias de igual valor e para um só efeito.

Coordenação/Rede Pergamum
Nome completo:
Cargo
Assinatura

Representante da Instituição Cooperante
Nome completo
Cargo
Assinatura

�APÊNDICE B  FORMULÁRIO DE PERIÓDICOS EDITADOS
PERIÓDICOS EDITADOS PELAS INSTITUIÇÕES
INTEGRANTES DA REDE PERGAMUM

Instituição: _____________________________________________________________
Bibliotecária(o) responsável pela indexação: ______________________________
E-mail: _________________________________________________________________

Títulos editados
Títulos

Numero do acervo

Indexa algum título? Quais?
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________

__________________________
Coordenação/Rede Pergamum

__________________________
Instituição cooperante

�</text>
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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>UFBA</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Indexação compartilhada de artigos de periódicos da Rede Pergamum.</text>
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                <text>Schiavon, Sandra Helena; Oliveira, Maristela S. S. Lopes de; Conceição, Simone da Silva; Oliveira, Salete Puel de</text>
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            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                <text>Salvador (Bahia)</text>
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            <description>The nature or genre of the resource</description>
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            <description>An account of the resource</description>
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                <text>Apresenta a implantação do Projeto de Indexação Compartilhada de Artigos de Periódicos das Instituições integrantes da Rede Pergamum. Foram apresentados os critérios definidos para a participação da instituição na indexação, como seria feita esta indexação e quais os critérios para o estabelecimento dos cabeçalhos de assunto. O projeto realizado contou inicialmente com a participação das instituições Pontifícia Universidade Católica do Paraná  PUCPR, Universidade Federal de Santa Catarina  UFSC e Universidade Para o Desenvolvimento do Alto Vale Itajaí - UNIDAVI, todas as bibliotecas indexaram três títulos de periódicos, sendo que a UNiDAVI indexou apenas um título da sua instituição e dois títulos doados pela UFSC. Foram indexados no total 9 (nove) títulos de periódicos. Neste artigo é relevante observar como o trabalho cooperativo é gratificante e reduz o trabalho do bibliotecário indexador, que ao invés de indexar vários títulos, compartilha seus títulos e tem acesso à informação contida em vários periódicos de maneira rápida e eficiente.</text>
              </elementText>
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                    <text>INDEXAÇÃO NO COTIDIANO
CÉLIA MARIA GOMES MAIA1

RESUMO
O Sistema de Bibliotecas da Universidade do Rio de Janeiro SIBI/UFRJ,
disponibiliza o acervo das quarenta e três bibliotecas na rede internet por meio da
base de dados MINERVA que roda no software ALEPH. Como a base de
autoridade de assunto ainda não foi instalada, a Biblioteca do Museu
Nacional/UFRJ, criou uma base de autoridades interna própria, com assuntos
peculiares às áreas de assunto do Museu Nacional, adotando como respaldo a
base de autoridade da Biblioteca Nacional, utilizada como parâmetro para grande
parte de bibliotecas da América Latina. “Indexação no cotidiano” apresenta
ferramentas que facilitem o processamento técnico de documentos bibliográficos
no que tange a indexação de assuntos. Define teoricamente o que vem a ser
indexação, e a partir daí, elabora-se uma síntese de critérios básicos que auxiliam
o bibliotecário indexador na tomada de decisão quanto ao assunto a escolher, com
amostras da diferença de alguns conceitos da terminologia utilizada. Como
resultado, desmistifica-se a indexação de assuntos, importante agente na
recuperação da informação.
Palavras-chaves: Indexação, Processamento Técnico.

1 INTRODUÇÃO

Com o avanço tecnológico vivencia-se uma nova era não só nas funções do
profissinal bibliotecário como de outras profissões, repleta de certezas e
incertezas.
Indexação no cotidiano, surgiu de uma série de dúvidas do bibliotecário indexador,
sem recursos, tendo que decidir o melhor caminho a seguir. De uma maneira
simples, vem mostrar, passo a passo, o dia-a-dia da indexação de documentos
bibliográficos, aplicando o básico que se faz necessário para servir de respaldo e
1
Bibliotecária/Documentalista. Especialista em Ciência da Informação. Biblioteca do Museu Nacinal- Quinta
da Boa Vista s/ no. – São Cristóvão – Rio de Janeiro,RJ.- celiamar@acd.ufrj.br

1

�consistência padronizada para o indexador.
Collison, ao fazer uma analogia da classificação bibliográfica com o cotidiano,
afirma que se classifica tudo na vida, como exemplo disso cita “dentro de um
armário, coloca-se ROUPAS (o termo mais amplo), depois as CALÇAS e
CAMISAS (termos específicos)”2, o mesmo princípio usado nas classificações
bibliográficas e na construção de thesaurus.
A realidade e que não há classificação certa e classificação errada de forma
absoluta porque ela é um processo subjetivo.
Quando o bibliotecário da Instituição X faz uma descrição de um assunto,
estabelecendo um código (a classificação) ou uma palavra (indexação por meio de
uso de descritores, de cabeçalhos de assuntos, unitermos etc), ele obedece o
momento e o contexto em que está inserido.
Provavelmente, se outro, da Instituição Y, com o mesmo documento nas mãos e
utilizando os mesmos instrumentos, fará uma descrição diferente daquela da que
foi feita pela da Instituição X.
Isso ocorre, pela subjetividade da ação de classificação/indexação que depende
do critério de avaliação, visando principalmente o público alvo e a missão da
instituição de cada um para a recuperação do documento, isto é, o “conteúdo é
que vai ser resumido naquele código ou conjunto de palavras, de acordo com a
prioridade que tenha um ou outro assunto dentro de sua biblioteca”3.
Importante é registrar que o bom profissional da informação preocupa-se com a
qualidade na filtragem da informação para agilizar a sua recuperação, e que, o
campo da indexação, é o principal gestor da qualidade neste processo.
Nesse trabalho procura-se tornar essa atividade mais simples para o bibliotecário
indexador.

2
3

COLLISON, 1972.
FOSKETT, 1973.

2

�2 OBJETIVOS
•

Apresentar ferramentas que facilitem o processamento técnico de
documentos bibliográficos no que tange à indexação.

•

Resgatar os princípios básicos da indexação na literatura, para o
bibliotecário indexador obter segurança na tomada de decisão.

3 O QUE É INDEXAÇÃO

O dicionário Aurélio, define indexação (de indexar + ção) s.f. como o “ato ou feito
de fazer índice para livros ou de pôr em ordem alfabética, ou outra, qualquer série
de palavras ou frases destinadas a auxiliar a localização de informações
específicas.4 Destaca-se nessa definição para a área de Biblioteconomia,
especificamente de indexação de assuntos, a expressão “auxiliar a localização de
informações específicas”.
Para Collison indexação é pôr a casa em ordem. Quase todos fazem,
simplesmente para encontrar as coisas quando delas precisam. É naturalmente, a
eliminação de todas as entradas desnecessárias e a concentração naquelas que
serão úteis definitivamente na recuperação do documento5.
Lancaster (1993) no seu trabalho “Indexação e resumos: teoria e prática”
estabelece que indexação seja a “representação do conteúdo temático dos
documentos, empregando um ou vários termos, comumente selecionados de
algum tipo de vocabulário controlado.” 6
Com base nessas definições pode-se dizer que o principal objetivo da indexação é
sintetizar o conteúdo do documento indicando os assuntos de que ele trata.

4

FERREIRA, 1997.
COLLISON, 1972.
6
LANCASTER, 1993.

5

3

�3.1 Terminologia da indexação de assuntos

As definições da terminologia usada comumente na indexação são essenciais
para selecionar os instrumentos a serem utilizados na escolha dos termos.
•

Palavras-chave - termos ou grupo de termos retirados do título ou do texto
de um documento e que indicam o conteúdo dos mesmos, sem
compromisso de especificação da prioridade de assunto.

•

Cabeçalho de assunto - palavra ou grupo de palavras sob os quais livros e
outros materiais são representados por assunto principal (cabeçalho
principal) e secundário (subdivisão de assunto do cabeçalho principal).

•

Unitermos - Confunde-se com a definição de palavra-chave, entretanto,
como o nome indica, constitui-se de um único vocábulo.(palavras isoladas,
soltas retiradas do texto).

•

Descritor – palavra ou grupo de palavras que designam um conceito ou um
assunto preciso descritos em cadeia, relacionando-os entre si (termo geral
(TG), termo específico (TE), termo relacionado (TR)).

Dependendo dessa terminologia vai variar o instrumento a ser utilizado na
indexação de assuntos. Por exemplo, se for escolhido o cabeçalho de assunto,
será selecionada uma lista de cabeçalhos de assuntos. A mais comumente
utilizada, é a da Library of Congress dos Estados Unidos, cita-se também a
Medical Subject Headings na área médica. Se for escolhido o descritor, usar-se-á
os thesaurus que geralmente são especializados. Pode-se citar como exemplo o
ERIC (educação), o Maths Thesaurus (matemática) e o SPINES Thesaurus
(ciência e tecnologia).

4

�4 METODOLOGIA DA INDEXAÇÃO

Os termos atribuídos pelo indexador servem como pontos de acesso, mediante
os quais, um item bibliográfico é localizado e recuperado, durante uma busca por
assunto num índice publicado ou numa base de dados. Esse é o princípio que
deve nortear o bibliotecário indexador.
Deve ser observado também, na escolha dos termos, a missão da instituição, a
missão da biblioteca e o perfil do usuário.
Como exemplo cita-se o caso do Museu Nacional/UFRJ.

4.1 Missão da instituição
A missão do Museu Nacional/UFRJ é o ensino, a pesquisa, a educação e a
divulgação das ciências naturais e antropológicas.

4.2 Missão da biblioteca
A Biblioteca do Museu Nacional/UFRJ tem como principal missão dar suporte para
a realização de estudos básicos da fauna, flora e de recursos naturais , além de
estudos do homem como ser vivo da natureza e como ser social, procurando
atender as necessidades de informação das linhas de pesquisa da comunidade
acadêmica do Museu Nacional e da comunidade científica nacional e
internacional. Também oferece apoio bibliográfico aos programas de ensino de
pós-graduação em nível de Especialização, Mestrado e Doutorado do Museu,
além de contribuir também com os programas de extensão da instituição.7

4.3 Perfil do usuário
No perfil do usuário deverá ser levado em conta o nível intelectual: se
pesquisador, professor, aluno do ensino médio etc...
(Obs. A importância desta análise é colocar-se no lugar do usuário para a escolha

5

�dos termos) Ex. Formicídeos e/ou Formigas.
No caso da Biblioteca do Museu Nacional/UFRJ, por exemplo, os usuários estão
classificados em duas categorias:
● Usuários Internos – professores, alunos, pesquisadores, estagiários e
funcionários do Museu Nacional.
● Usuários Externos – professores, alunos e pesquisadores da UFRJ, bem como
de outras instituições nacionais e estrangeiras ligadas ao ramo das ciências
naturais e antropológicas.
A maioria dos usuários portanto, são especializados.
A partir dessa análise é que se vai determinar o tipo de instrumento a ser utilizado.
É importante observar que o que for determinado seguir como padrão, deve ser
obedecido em cada indexação, especificando com clareza regras e decisões a fim
de obter uma consistência padronizada. Cada documento deve ser analisado
como um problema em si e precisa ser encarado como tarefa individual.

4.4 Etapas da indexação
1ª etapa - Análise do documento
Nessa etapa leva-se em conta o perfil do usuário a que se destina a informação.
Para determinar os assuntos do documento a serem indexados são analisados:
•

Título

•

Palavras-chave (quando houver)

•

Resumos (quando houver)

•

Ficha catalográfica (quando houver)

•

Sumário e índice

•

Gravuras

•

Instituição, idiomas, etc...

São utilizadas diversas fontes de pesquisa para a determinação do assunto, tais
7

SANTOS, 2000.

6

�como, dicionários especializados, catálogos on line de instituições congêneres e o
próprio especialista quando disponível.

2ª etapa – Escolha do assunto e padronização das entradas
Comumente, quando o catálogo da biblioteca já está informatizado, tem-se uma
base de autoridades para as entradas e para os assuntos, padronizados e
definidos pela base de dados.
Quando o assunto não consta da base de autoridades segue-se todas as etapas
da indexação.
No caso do catálogo manual também seguir sempre o mesmo padrão e utilizar o
método antigo de remissivas ver e ver também para conseguir a uniformização.
Esse método facilita a escolha do assunto no singular ou no plural, o uso de
sinônimos, siglas e assuntos correlatos, etc.

3ª etapa – Pesquisa do assunto nas fontes
A pesquisa do assunto pode ser feita em diversas fontes:
•

Bases de autoridades (internet).

•

Livros de referência.

•

Consulta a especialistas da área tratada.

•

Sites do tipo google etc...

A escolha não deve ser de cunho pessoal deve ter sempre respaldo em uma fonte
de pesquisa para se obter segurança quanto ao termo escolhido.
Abaixo um exemplo de pesquisa de autoridades de assunto em Português:

7

�Abaixo um exemplo de pesquisa de autoridades de assunto em outros idiomas:

8

�9

�5 CONCLUSÃO

A proposta desse trabalho foi apresentar ferramentas que facilitem o
processamento técnico de documentos bibliográficos no que tange à indexação e
resgatar os princípios básicos dessa matéria na literatura, para o bibliotecário
indexador obter segurança na tomada de decisão.
Acredita-se que os objetivos propostos foram cumpridos tendo em vista a
apresentação resumida dos princípios teóricos da indexação de assuntos, e a
adoção de práticas básicas, necessárias para a desmistificação desta atividade.
Com isso, o bibliotecário indexador vem a se sentir mais seguro no momento da
tomada de decisão, tanto na escolha do termo representante do conteúdo da obra
(assunto), quanto na lista que se apresenta para recuperá-lo. Escolha que deve
estar antenada com os padrões, e/ou critérios adotados pela biblioteca, o que
garantirá uma gestão de qualidade ideal e uma confiabilidade no resultado final de
indexação, um dos agentes mais importantes na disseminação e recuperação da
informação.

REFERÊNCIAS

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BNG/ Brasilart, 1979.
BARSOTI, Roberto. A informática na biblioteconomia e na documentação. São Paulo:
Polis, APB, 1990.
BRASIL, Maria Irene et al. Vocabulário sistematizado: a experiência da Fundação Casa
Rui Barbosa. Rio de Janeiro.
CAVALCANTI, Cordélia R. Indexação &amp; tesauro: metodologia e técnica. Brasilia: ABDF,
1978.
COLLISON, Robert Lewis. Índices e indexação: guia para indexação de livros e coleções
de livros, periódicos, partituras musicais, discos, filmes e outros materiais. Trad. Briquet de
Lemos. São Paulo: Polígono, 1972.

10

�DAHLBERG, Ingretraut. O futuro das linguagens de indexação. In: CONFERÊNCIA
Brasileira de Classificação Bibliográfica, Rio de Janeiro, 1972. Anais. Brasília, 1979. v.1,
p.323.
ESTEVÃO, Silvia Nnita de Moura (coord.) Dicionário brasileiro de terminologia
arquivística. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2005. (Publicações técnicas, 51)
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário da língua portuguesa. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 1997.
FOSKETT, A. C. A abordagem temática da informação. São Paulo: Polígono, 1973.
GOMES, Hagar Espanha. Informação científica. Palavra Chave, São Paulo, n.1, p.19-20,
1982.
LANCASTER, F. W. Indexação e resumos: teoria e prática. Trad. Briquet de Lemos.
Brasília, 1993.
PIEDADE, M. Requião. Introdução à teoria da classificação. 2.ed.rev.aum. Rio de Janeiro:
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ROSAS, Patrícia. Instruções redatoriais e a indexação em publicações periódicas. In:
GOLDENBERG, S., Guimarães, C.A. Elaboração e apresentação de documentação
científica. São Paulo: Metodologia, 2001.Disponível em: www.metodologia.org/ Acesso:
fev.2006
SANTOS, M.J.V. da C. A Biblioteca do Museu Nacional: 136 anos
disseminando o conhecimento científico. Informal: informativo do Sistema de
Bibliotecas e Informação – SIBI/UFRJ, 2001.
ZAMBEL, Miriam Mani. Glossário de
documentação. São Carlos, FTS, 1978.

termos

usuais

em

biblioteconomia

11

e

�</text>
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                <text>O Sistema de Bibliotecas da Universidade do Rio de Janeiro SIBI/UFRJ, disponibiliza o acervo das quarenta e três bibliotecas na rede internet por meio da base de dados MINERVA que roda no software ALEPH. Como a base de autoridade de assunto ainda não foi instalada, a Biblioteca do Museu Nacional/UFRJ, criou uma base de autoridades interna própria, com assuntos peculiares às áreas de assunto do Museu Nacional, adotando como respaldo a base de autoridade da Biblioteca Nacional, utilizada como parâmetro para grande parte de bibliotecas da América Latina. “Indexação no cotidiano” apresenta ferramentas que facilitem o processamento técnico de documentos bibliográficos no que tange a indexação de assuntos. Define teoricamente o que vem a ser indexação, e a partir daí, elabora-se uma síntese de critérios básicos que auxiliam o bibliotecário indexador na tomada de decisão quanto ao assunto a escolher, com mostras da diferença de alguns conceitos da terminologia utilizada. Como resultado, desmistifica-se a indexação de assuntos, importante agente na recuperação da informação.</text>
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                    <text>Indicadores da evolução da produção científica da Universidade Federal da
Bahia: um estudo bibliométrico na Web of Science
Joana Barbosa Guedes
Valdete Silva Andrade
Maria Alice Santos Ribeiro
Maria de Fátima Cleômenis Botelho
Vânia Cristina Sousa Magalhães
Ana Maria Boureau Machado
Sonia Maria Ribeiro de Abreu

RESUMO

A UFBA tem evoluído substancialmente no campo da pesquisa científica nas últimas três
décadas e a produtividade de seus autores vem sendo estudada por pesquisadores de
várias áreas. O presente trabalho tem como objetivo mostrar a evolução da produção
acadêmica da UFBA, verificar a visibilidade e o impacto dessa produção na sociedade
cientifica mundial durante o período de 1946-2005, agrupados por área do conhecimento.
Para identificar os pesquisadores, quantificar a produção científica, determinar a amostragem
e destacar os artigos e autores mais citados, utilizou-se os recursos da base de dados da
Web of Science, do Institute for Scientific Information (ISI). O fator de impacto dos títulos
periódicos foi um parâmetro de investigação pesquisada no Portal Brasileiro de Informação
Científica –CAPES. Nesta investigação foram utilizados métodos bibliométricos e
cenciométricos para mostrar a evolução da produção cientifica. Os resultados demonstraram
um significativo crescimento da produção científica da UFBA, colocando em foco os artigos
de periódicos divulgados na Web of Science .
Palavras-chave: produção científica; divulgação científica; bases de dados; Web of Science;
Portal de Periódicos Capes.

1 INTRODUÇÃO
A visibilidade da produção científica de uma instituição é expressa na divulgação dos
resultados das pesquisas realizadas. Essa divulgação mostra o estágio de
desenvolvimento científico da instituição. O crescimento da produção científica
demonstra a importância da indexação dos periódicos em bases de dados para que a
informação se torne visível à comunidade científica de forma rápida e sistemática.

Segundo Le Coadic (1996, p.34), a formalização da comunicação científica data de
mais de trezentos anos. A comunicação científica emergiu em resposta às
necessidades

de

comunicação

dos

resultados

das

pesquisas

entre

os

�pesquisadores. Os números cresciam e a ciência mudava de situação, passando de
atividade privada para uma atividade social. O pesquisador tornou-se um indivíduo
inserido em um ambiente social que exige produtividade e criatividade. A
comunicabilidade passa a ser a característica principal da produção científica, na
medida em que permite o reconhecimento do pesquisador pelos seus pares, o que
lhe garantirá sucesso na sociedade científica.

Mueller, citada por Oliveira (2005, p.35) define a visibilidade científica como “o grau
de exposição e evidência de um pesquisador ante a comunidade científica”. Ela
explica que a visibilidade ocorre quando os trabalhos e idéias do pesquisador
tornam-se de fácil acesso, o que aumenta as chances de serem recuperados, lidos e
citados. Esta possibilidade ocorre quando os trabalhos são publicados em periódicos
internacionais indexados em bases de dados especializadas.

Historicamente no Brasil, a pesquisa se constitui em uma das principais funções das
universidades e das instituições de ensino superior. Até mesmo as instituições
particulares, mais voltadas para a formação profissional, estão dedicando cada vez
mais recursos à pesquisa. (STUMPF, 1997, p.12).

2 A PESQUISA CIENTÍFICA NO BRASIL

A pesquisa científica no Brasil se inicia nas universidades em 1930, porém, a
primeira iniciativa bem sucedida é registrada em 1934, com a criação da
Universidade de São Paulo (GRANJA, citado por NORONHA, 1996, p.5). No entanto,
só em 1968, após a reforma universitária, a atividade da pesquisa passa a fazer
parte das principais funções das universidades brasileiras, juntamente com o ensino
e a extensão (NORONHA, 1996, p.6).

Em 1970, houve uma expansão dos cursos de pós-graduação em faculdades e
escolas vinculadas ou não as universidades federais, estaduais e particulares. Este
desenvolvimento é marcante com a reestruturação da CAPES em 1974.

�Criada em 1951 como órgão auxiliar do MEC, a CAPES (Coordenação e
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) teve a “[...] responsabilidade de
introduzir

modificações

no

modelo

universitário

brasileiro

no

contexto

da

modernização e desenvolvimento da sociedade, dando ênfase na formação de
recursos humanos e na capacitação de profissionais para a investigação” (VIACAVA,
citado por NORONHA, 1996, p.8).

Neste sentido, o Brasil tem investido na formação de autores científicos de qualidade
internacional, a partir da expansão dos cursos de pós-graduação e aumento
crescente das atividades de pesquisa, evidenciado pelo crescente número de
comunicações apresentadas em congressos de associações científicas e o crescente
número de títulos de periódicos científicos.

Constata-se, dessa forma, a evolução do crescimento da produção científica
brasileira que, segundo dados da CAPES/MEC, cresceu 19% em 2005, em relação a
2004. No ranking dos 30 países com maior número de artigos científicos publicados
em revistas altamente qualificadas no exterior, o Brasil manteve a 17ª posição, o que
corresponde a 1,8% da produção mundial (PRODUÇÃO..., 2006).

3 VISIBILIDADE DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA

A Internet tornou a pesquisa rápida e a informação acessível em diferentes partes do
mundo, aumentando a importância da indexação dos periódicos em bases de dados
conceituadas em suas áreas de atuação. Contudo, a representatividade dos
periódicos nacionais em bases de dados internacionais ainda é baixa.

As revistas científicas, ou periódicos, representam um dos principais veículos de
comunicação de pesquisa científica. A indexação é um dos processos de qualificação
reconhecido pela comunidade científica. Nele os periódicos são normalizados para
fazer parte de um determinado banco de dados. Cada um destes bancos de dados
ou indexadores tem características próprias, e oferecem regras particulares como
pré-requisitos de qualidade para adotar uma revista científica em sua base de dados.

�Entre as bases de dados internacionais destaca-se a Web of Science do Institute for
Scientific Information – ISI (CAMPOS, 2003, p.18).

Oliveira (2005, p. 36) relata que em 2000 nas bases de dados ISI, que contavam com
cerca de 8000 periódicos indexados, desse total apenas 17 títulos eram brasileiros.
Em 2004 esse total passou a ser de 20 títulos de periódicos não havendo um
crescimento expressivo. Esses números refletem dificuldades de inserção de títulos
nacionais nas bases de dados do ISI, o que diminui a visibilidade da produção
científica brasileira.

A avaliação e qualidade de uma revista, ou artigo científico publicado ou mesmo a
produção científica de determinado autor é feita por índices ou indicadores
bibliométricos, sendo um deles a indexação. O conhecimento pode ser avaliado ou
medido por alguns instrumentos utilizados pela ciência da informação, dentre eles a
análise de citação, que tem sido estudada e utilizada de muitas formas. Segundo
Mota (1983, p.53), ela tem sido utilizada para indicar a qualidade do trabalho
científico. Garfield citado por Mota (1983, p.53) entende que o uso dessas análises
produz medidas ou indicadores do desempenho científico gerando discussão,
principalmente, no que diz respeito ao desempenho de indivíduos em grupos. O autor
acrescenta que a oposição ao uso de citações para avaliar pessoas baseia-se nas
características intrínsecas dos dados e na mecânica de compilação dos mesmos.
A análise bibliométrica não trata do livro, do artigo ou do texto, mas sim das citações
neles contidas. O método mais prático de historiar qualquer evento científico, literário
e artístico foi descoberto por Eugene Garfield (FONSECA, 1986, p.11).

Desenvolvido na Filadélfia, sob a orientação de Eugene Garfield, o Institute for
Scientific Information (ISI) publica trimestralmente e anualmente, em volumes
acumulados – três índices de citações: o Science Citacion Index (desde 1963), o
Social Science Citation Index (iniciado em 1973) e em 1978 o Arts and Humanities
Citation Index (FONSECA, 1978, p. 11).

�As teorias e métodos bibliométricos e cienciométricos têm sido utilizados em
pesquisas que mostram a relação entre as investigações, além de contribuírem para
o estabelecimento de indicadores de produtividade da comunidade científica.
De acordo com Tague-Sutcliffe citado, por Macias-Chapula (1998, p. 134) os
aspectos quantitativos utilizados nas pesquisas científicas são definidos da seguinte
forma:
Bibliometria é o estudo dos aspectos quantitativos da produção,
disseminação e uso da informação registrada. Desenvolve padrões e modelos
matemáticos para medir esses processos, usando seus resultados para
elaborar previsões e apoiar tomadas de decisão.
Cienciometria é o estudo dos aspectos quantitativos da ciência enquanto
uma disciplina ou atividade econômica. É um segmento da sociologia da
ciência, sendo aplicada no desenvolvimento de políticas científicas. Envolve
estudos quantitativos das atividades científicas, incluindo a publicação e,
sobrepondo-se, portanto, à bibliometria.
Informetria é o estudo dos aspectos quantitativos da informação em
qualquer formato, e não apenas registros catalográficos ou bibliografias,
referente a qualquer grupo social, e não apenas aos cientistas. Pode
incorporar, utilizar e ampliar os muitos estudos de avaliação da informação
que estão fora dos limites tanto da bibliometria como da cienciometria.

Para identificar a visibilidade e o impacto da produção científica, Price propõe, além
de modelos matemáticos, técnicas específicas para análise das publicações e dos
documentos considerados não convencionais, mostrando a tendência para acesso e
uso da informação.

4 O FATOR DE IMPACTO DO ISI

Para Strehl (2005, p.20) a história do fator de impacto ou simplesmente do FI
começou em 1955, quando Eugene Garfield publicou o clássico artigo na Science,
onde expressa os princípios do termo, mas foi no início da década de 60 que, na
prática, passou a ser utilizado como instrumento de avaliação de periódicos. Nessa

�época, Garfield e Irving Sher criaram o Journal Impact Factor com objetivo de
desenvolver um método de seleção dos periódicos a serem indexados no Science
Citation Index (SCI).

O fator de impacto é, portanto, um indicador bibliométrico (Campos, 2003, p.19) e
segundo Todorov e Glänzel (1988); Huth (2001) citados por Strehl (2005) constitui-se
em “[...] elemento determinante no processo de geração e difusão do conhecimento
científico [...]”.

O Journal Citation Reports (1998) citado por Strehl (2005) define FI como sendo “[...]
a razão entre o número de citações feitas no corrente ano a itens publicados neste
periódico nos últimos dois anos e o nu]úmero de artigos (itens fonte) publicados nos
mesmos dois anos pelo mesmo periódico”.

Dessa forma, uma revista científica do ano 2000, por exemplo, tem seu fator
calculado a partir do número de vezes que os artigos publicados por esta revista nos
dois anos antecedentes (1998 e 1999) foram citados como referências no ano 2000
dividido pelo número de artigos científicos publicados pela revista em questão nos
anos 1998 e 1999. Se uma determinada revista publica 10 artigos por ano e um
destes artigos foi citado por outro artigo publicado em 2000 por uma revista que faz
parte da lista de revistas do indexador ISI, o fator de impacto será 1 dividido por 20
(10 artigos de 1998 e 10 artigos de 1999). Em março de 2003, o Brazilian Journal of
Medical and Biological Research e o Brazilian Journal of Physics apresentavam os
maiores índices de impacto entre as revistas nacionais, de cerca de 0,66 (CAMPOS,
2006).

4 A UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA E PRODUÇÃO CIENTÍFICA

Com base no esforço individual e de grupos de pesquisadores, a produção científica,
cultural e artística da UFBA tem demonstrado enorme vitalidade ao longo das últimas
três décadas. Respeitando-se as especificidades de cada área, que privilegia certos
canais de divulgação em detrimento de outros, podemos considerar que parte
consistente da produção científica gerada na UFBA está associada a artigos

�publicados em revistas internacionais indexadas. O reconhecimento internacional
impõe o uso de indicadores de banco de dados para avaliar a quantidade e qualidade
da produção científica e é utilizada como ferramenta para definições de políticas em
ciência e tecnologia por governos e agências de fomento.

A Universidade Federal da Bahia é uma instituição autárquica, fundada em 1946,
pelo Decreto Lei no. 91.155 e federalizada pela Lei 1.234 de 04 de dezembro de
1950. Atualmente, mantém 119 cursos de pós-graduação distribuídos da seguinte
forma: 37 mestrados, 16 doutorados e 3 mestrados profissionais, além dos 38 cursos
de especialização e 28 de residência médica. Nesse sentido a UFBA apresenta uma
evolução em produção de C&amp;T que é percebida nos dados apresentados por órgãos
como CAPES, CPNq, e FINEP. Os relatórios institucionais mostram que nas últimas
décadas a UFBA rompeu fronteiras permitindo que seus pesquisadores estivessem
no mesmo padrão das instituições de pesquisa internacionais.

O presente trabalho tem como objetivo mostrar os indicadores da evolução da
produção acadêmica da UFBA, verificar a visibilidade e o impacto dessa produção na
sociedade cientifica mundial durante o período de 1946-2005, agrupados por área do
conhecimento. Pretende-se demonstrar, através de uma pesquisa exploratória, que
nestes sessenta anos de atividade acadêmica, a UFBA tornou-se uma instituição que
ocupa lugar de destaque no ranking da produção científica nacional e internacional.

5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

O estudo teve como proposta realizar uma pesquisa exploratória demonstrando que
nestes sessenta anos de atividade acadêmica, a UFBA tornou-se uma instituição que
ocupa lugar de destaque no ranking da produção científica nacional e internacional, a
partir da visibilidade percebida pelos índices de citações recebidas pelos
pesquisadores no ultimo período estudado, 1996—2005.

A pesquisa foi baseada em padrões cienciométricos, com finalidade de disponibilizar
informações sobre evolução da produção científica da UFBA, os meios de divulgação

�mais utilizados e as áreas de pesquisa que mais contribuíram para esse crescimento,
nos períodos estudados.

O levantamento bibliográfico compreendeu seis períodos, conforme relacionado
abaixo:
1º Período: 1946-1955
2º Período: 1956-1965
3º Período: 1966-1975
4º Período: 1976-1985
5º Período: 1986-1995
6º Período: 1996-2005

A amostra considerada foi de 5% do total obtido de respostas por: tipo de
documento, área do conhecimento, periódico, produção por pesquisador e citações.
Para obtenção das informações foram utilizadas as bases de dados do ISI inseridas
no Portal Capes, considerando as pesquisas publicadas em periódicos indexados
nos períodos estabelecidos.

Tendo em vista que a pesquisa teve como foco a instituição e sua atuação nos
sessenta anos de existência, a estratégia inicial de busca foi recuperar registros pela
afiliação dos autores utilizando os operadores boleanos conforme exemplo: univ* and
fed* and Bahia or ufba.

Após este resultado, novas estratégias de busca foram aplicadas, utilizando os
recursos da própria base de dados para recuperar os indicadores referentes a: tipos
de documentos, área do conhecimento, autores que mais publicarão e os artigos
mais citados.
Para a estruturação dos dados, foram elaboradas tabelas utilizadas como suporte na
tabulação. A análise dos dados foi feita mediante métodos estatísticos e tratamento
bibliométrico.

�6 ANÁLISE DOS RESULTADOS
A quadro 1 quantifica os tipos de documentos indexados no período proposto para
estudo. Destaca-se o resultado obtido para os últimos 9 anos, onde mais de 1000
trabalhos foram indexados, o que denota um aumento considerável da produção
cientifica, em curto espaço de tempo. A participação dos pesquisadores da UFBA
cresceu quase continuamente entre 1996 a 2005, apresentando um aumento de
cerca de 155%.

Tipo de
Documento
Article
Book Review
Discusssion
Editorial
Material
Item About And
Individual
Letters
Meeting
Abstract
Note
Review
Correction
Biographical
Item
Poetry
Total

1946
1955

1956
1965

1966
1975
23

03

1976
1985

1986
1995

96

276

04

09

1996 Total
2005
436 1473 2304
04
07
11
02
15
02
22
24
02

01

03

29
161

42
267

02

01
10

05
42

07
49

01

07

19

37
06
05
01

43

01
3

26

118

351

545

64
49
05
01
01

1743

2786

Quadro-1 – Tipo de documentos
Fonte: Base de dados Web of Science -1946-2005. Data: 25 de jul 2006

No período de 1996-2005 aparecem novos tipos de documentos, tais como:
trabalhos de correção, biografia, poesia e um aumento considerável de resumos de
encontros.

�Com referencia ao gráfico 1, observa-se que 82,6% de documentos indexados são
de artigos.
Evolução de artigos indexados na Web of Science

1600
1400
1200
1000
800
600
400
200
0
1946-1955

1956-1965

1966-1975

1976-1985

1986-1995

1996-2005

Gráfico 1 – Evolução de artigos indexados na Web of Science
Fonte: Base de dados Web of Science -1946-2005. Data: 25 de jul 2006

A base possibilitou a análise de indicadores bibliométricos relativos à distribuição dos
trabalhos segundo áreas do conhecimento, como mostra o quadro 1. A maior parte
dos trabalhos registrados de pesquisadores da UFBA se enquadra nas áreas de
medicina, saúde coletiva, geociência, biologia e subárea afins.
PERIODO
1946-1955

AREA DO CONHECIMENTO

1956-1965

Medicina

1966-1975

Medicina e Geociência

1976-1985

Medicina. Saúde Coletiva, Biologia e Geociência.

1986-1995

Medicina, Saúde Coletiva, Biologia.

1996-2005

Física, Química, Saúde Coletiva e Medicina.

Quadro 2 – Áreas do conhecimento / assuntos
Fonte: Base de dados Web of Science -1946-2005. Data: 25 de jul 2006

�No período de 1996-2005, nas áreas de física e química a produção de trabalhos
apresentou forte crescimento ao longo do período. Os trabalhos na área de medicina
e subáreas afins representaram quase 90% do total de artigos de pesquisadores da
UFBA indexados na base Web of Science.

Considerando como critério, a escolha de cinco periódicos que mais publicaram
artigos de pesquisadores da UFBA nos períodos estudados, considerou-se a
qualidade de cada um, de acordo com a importância do periódico, determinado pelo
fator de impacto, constantes na quadro 3, recorreu-se às informações disponíveis no
Portal de Periódicos da Capes.

Conforme resultados apresentados na tabela 3, verificou-se que a maioria dos artigos
publicada nos periódicos internacional não apresentou fator de impacto no período
de 1956 a 1975. Contudo, no período de 1996 a 2005 constatou-se maior número de
artigos publicados em periódicos nacionais.

Tal constatação se corrobora coma a afirmação de Oliveira (2005), na qual a base de
dados ISI em 2000 indexava 8.000 títulos de periódicos sendo que somente 17 eram
brasileiros e em 2004 passou para 20 títulos. Comparando essa informação com o
quadro 3 percebe-se que a representatividade dos periódicos nacionais ainda é
baixa.

PERIODO

TITULO DE PERIÓDICO

ARTIGOS
(n.)

FATOR DE
IMPACTO
2004

19461955

-

-

-

19561965

Yale Journal of Biology and Medicine

02

Proceeding of the Society for Experimental
Biology and Medicine

02

American Journal of Tropical Medicine

02

American Journal of Clinical Pathology

01

�American Journal
Gynecology
19661975

19761985

19861995

19962005

of

Obstetrics

And

01

2.437

Acta Anatomica

18

2.437

American Journal of Obstetrics Gynecology

14

Fertility And Sterility

10

Contraception

04

International -Journal of Fertility

02

American Journal Tropical Medicine and
Hygiene

24

Brazilian Journal of Medicine and Biological
Research

17

0.824

Fertility and Sterility

12

3.170

Geophysical

12

Transactions of Royal Society of Tropical
Medicine And Hygiene

10

1.746

Brazilian Journal of Medicine and Biological
Research

29

0.824

American Journal Tropical Medicine Hygiene

19

Memorias do Instituto Oswaldo Cruz

18

Revista de Saúde Publica

14

Geophysics

11

Química Nova

46

0.627

Arquivos de Neuropsiquiatria

42

0.401

Journal of Brazilian Chemical Society

41

1.161

Revista de Saúde Pública

30

0.235

Brazilian
Journal
Medicine
Biological
25
Research
Quadro 3 – Título de periódicos indexados
Fonte: Base de Dados Web of Science, 1946-2005. Data: 25 de jul 2006

0.740

0.824

Identificando os 5 autores que mais publicaram no período de 1956-2005, Carvalho,
EM ocupou o primeiro lugar seguido de Rocha, H. e Coutinho, E. Nesses resultados
estão inclusos os artigos publicados em periódicos indexados pelo ISI, inclusive
trabalhos apresentados em eventos, os editoriais, os obituários, as cartas aos
editores etc. que por sua natureza têm probabilidade de não serem citados (quadro
4).

�Autor/Pesquisador 1946
1955
Andrade, ZA
Azevedo, ES
Badaró, R
Barral, A
Barral Netto,
Barreto, Ml
Barros, M
Bittencourt, Al
Carvalho, EM
Costa, ACS
Coutinho, EM
Ferreira, SLC
Guimaraes, AC
Maia, H
Miraglia, EM
Pinto, G
Rocha, H
Da Silva, AF
Total

1956
1965

1966
1975

1976
1985

7

1986
1995

1996
2005

26
28
49
50
48
40
2
17

1

33

37
52
55

77

43
70

2

11

7
15
8
16

37

16

23

79

151

252

63
305

Total
33
28
49)
50
48
40)
2
54
129
55
77
70
2
7
15
8
80
63
810

Quadro 4 – Autores/pesquisadores + publicaram
Fonte : Base de dados Web of Science -1946-2005

Conforme a quadro 5 Carvalho, EM foi o autor mais citado no período estudado,
seguido de Badaró, R e Rocha, H. Observa-se que Badaró, R, apesar de ter um
número menor de trabalhos indexados em relação a Rocha, H, ocupa a segunda
posição do ranking de trabalhos mais citados nos periódicos indexados na base ISI.

�Autor/Pesquisador 1946
1955
Andrade, ZA
Azevedo, ES
Badaró, R
Barral, A
Barral Netto,
Barreto, Ml
Barros, M
Bittencourt, Al
Carvalho, Em
Costa, ACS
Coutinho, Em
Ferreira, SLC
Guimaraes, Ac
Maia, H
Miraglia, Em
Pinto, G
Rocha, H
Da Silva, AF
Total

1956
1966
1965
1975
172

1976
1986
1985
1995
691
210
2.253
1.771
1.369

1996
2005

80
16
239
1.967
59

781

701
506

353
940

50

198
495

110
44
101
349

548

751

1385

2041

8111

210
2437

Total
863
210
2253
1771
1369
80
16
239
2668
506
1193
940
50
110
44
101
1846
210
14469

Quadro 5 – Autores/pesquisadores + citados
Fonte : Base de dados Web of Science -1946-2005. Data: 25 de jul 2006

O quadro 06 representa os cinco artigos mais citados nos períodos estudados. Os
trabalhos mais citados correspondem à área médica com enfoque em parasitologia,
imunologia e saúde coletiva. Dentre os periódicos apresentados, a New England
Journal of Medicine, com fator de impacto 44.016 é identificado como o periódico que
publicou os artigos mais citados nos períodos de 1976 a 1995.

�Período
1946
1955
1966
1975

1976
1985

Titulo do Artigo

Fatal strongyloidiasis in patients receiving corticosteroids.

Titulo do Periódico

New England journal of
medicine
Contractile response of human uterus, fallopian tubes, and ovary to Fertility and sterility
prostagglandins in-vivo.
Mixing and residence time distribution in melt screw extruders.
Polymer engineering
and science
A new technique for recording human tubal activity in vivo.
American journal of
obstetrics and
gynecology
Histological and histochemical data on intestinal tract of marmoset Acta anatomica
(callithrix jacchus)
Enhanced helminthotoxic capacity of eosinophils from patients with New England journal of
eosinophilia.
medicine
Intensity and effects of infection with schistosoma-mansoni in a rural- American journal of
community in Northeast Brazil.
tropical medicine and
hygiene
Cell-mediated immunity in american cutaneous and mucosal Journal of immunology
leishmaniasis
The mattagami lake mine archean zn-cu sulfide deposit, quebec - Economic geology
hydrothermal co-precipitation of talc and sulfides in a sea-floor brine pool evidence from geochemistry, o-18/o-16, and mineral chemistry.
Phase estimation using the bispectrum.
Proceedings of the
IEEE

Quadro – 6 – Artigos +citados.
Fonte: Base de dadosWeb of Science -1946-2005. Data: 25 de jul 2006.

Nº vezes
Citado

Data Fator
Impacto

171

1966 44.016

109

1971

3.170

70

1968

1.076

31

1967

3. 083

11

1970

198

1980

119

1976

88

1985
1983

78

1984

44.016

1.912

�Período
1986
1995

Titulo do Artigo
Enhancement of human eosinophil cytotoxicity and leukotriene
synthesis
by
biosynthetic
(recombinant)
granulocytemacrophage colony-stimulating factor.
Transforming growth-factor-beta in leishmanial infection - a
parasite escape mechanism.
Treatment of visceral leishmaniasis with pentavalent antimony
and interferon-gamma.
Transforming growth-factor-beta as a virulence mechanism for
leishmania-braziliensis.

Titulo do Periódico

Nº vezes
Citado

Data Fator
Impacto

Journal of immunology

298

1986

1.912

Science

286

1992

30.927

New England journal of medicine

221

1990

44.016

Proceedings of the national
academy of sciences of the
United States of America
Leishmania-donovani - an opportunistic microbe associated Lancet
with - progressive disease in 3 immunocompromised- patients.
1996
Impairment of tetanus toxoid-specific th1-like immune Journal of infectious diseases
2005
responses in humans infected with schistosoma mansoni.
Nickel determination in saline matrices by ICP-AES after Talanta
sorption on amberlite XAD-2 loaded with PAN.
Evidence of a T helper type 2 activation in human European journal of immunology
schistosomiasis.
Copper determination in natural water samples by using FAAS Talanta
after precpncentration onto anberlite XAD-2 loaded with
calmagite.
An on-line continous flow system for copper enrichment and Analytica Chimica acta
determination by flame atomic absorption spectroscopy.
Quadro – 6 – Artigos +citados.
Fonte: Base de dadosWeb of Science -1946-2005. Data: 25 de jul 2006.

114

1993

114

1986

21.713

115

1996

4.943

73

1999

2.535

58

1996

57

2000

2.535

52

2000

2.760

�Finalizando, o período de 1946-1965 apresentou resultados irrelevantes, sendo
encontrados na pesquisa apenas 3 meeting abstract indexados na Web of
Science de autoria de Coutinho, EM., tipo de documento não considerado na
pesquisa.
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Dentre as áreas do conhecimento estudadas, ciências sociais e
humanidades, apresentaram no período de 1996 a 2005, 0,1% do total
da produção científica. Tal resultado aponta a necessidade de
desenvolver estudos específicos da produção em outras bases
bibliográficas;
Parte da produção nacional não é publicada em periódicos indexados na
base ISI, em especial em determinadas áreas do conhecimento, mais
direcionadas a temas de interesse nacional;
A investigação possibilitou identificar nos últimos dez anos um aumento
expressivo de artigos publicados em periódicos nacionais nas três áreas:
Ciências da Saúde, Química e Física;
Percebeu-se que os pesquisadores da UFBA apresentaram um número
significativo de artigos publicados nas mais destacadas revistas
nacionais e internacionais indexados na Web of Science quer seja como
autor ou como co-autor.
Encontrou-se dificuldade na recuperação da informação sobre afiliação dos
pesquisadores da UFBA, pois nem sempre o campo está identificado, em
virtude da falta de padronização na indexação dos artigos. Ao realizar a busca
pela instituição percebeu-se que o campo Adress não continha esse dado,
dificultando assim a veracidade da informação na base.

Para verificar os indicadores de produção cientifica dos cinco pesquisadores da
UFBA identificados na Web of Science e garantir que todos os trabalhos
recuperados tivessem a participação de todos autores/pesquisadores, foi
preciso fazer a busca pelo campo autor. Durante a busca foram percebidas

�diversas inconsistências em relação às entradas dos nomes dos autores, o que
possivelmente veio a comprometer a precisão dos resultados.

REFERÊNCIAS

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Oftalmologia, v. 66, n. 6, p. 18-21, 2003. Disponível em:
&lt;http://www.abonet.com.br/abo/666s/edit07.pdf&gt; Acesso em: 20 jul 2006.
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1986.
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Pauta, 19.07.2006. Disponível em:
&lt;http://www.portal.ufba.br/ufbaempauta/2006/07julho/quinta19/producao
&gt;Acesso em: 19 jul. 2006.
ISI web isiknowledge . Disponivel em:
http://portal.isiknowledge.com/portal.cgi/portal.cgi?Init=Yes&amp;SID=A1hlG75i@M
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qualidade da produção científica: uma revisão. Ciência da Informação, Brasília,
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MUGNAINI, Rogério ; ANNUZZI, Paulo; QUONIAM, Luc. Indicadores bibliométricos
da produção científica brasileira: uma análise a partir da base Pascal. Ciência da
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NORONHA, Dayse Pires. Pós-Graduação em saúde pública: análise de
dissertações e mestrado e teses de doutorados (1990-1994). São Paulo, 1996.
(Tese) - Doutorado em Saúde Pública, Universidade de São Paulo, 1996.
OLIVEIRA, Érica Beatriz. Produção científica nacional na área de geociências:
análise de critérios de editoração, difusão e indexação em bases de dados.
Ciência da Informação, Brasília, v.34, n.2, p.34-42, maio/ago. 2005.
PRODUÇÃO científica cresce 48% no Brasi. UFBA em Pauta, 19 jul. 2006.
Disponível em:
18

�&lt;http://www.portal.ufba.br/ufbaempauta/2006/07julho/quinta19/producao&gt;
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aspectos conceituais e metodológicos. Ciência da Informação, v. 34, n.1, p. 19-27,
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STUMPF, Ida Regina Chitto. Revistas universitárias: projetos inacabados.
São Paulo: USP/ECA, 1994. (Tese) - Doutorado em Ciências da Comunicação,
Universidade de São Paulo, 1994.

19

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Indicadores da evolução da produção científica da Universidade Federal da Bahia: um estudo bibliométrico na Web of Science. </text>
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                <text>A UFBA tem evoluído substancialmente no campo da pesquisa científica nas últimas três décadas e a produtividade de seus autores vem sendo estudada por pesquisadores de várias áreas. O presente trabalho tem como objetivo mostrar a evolução da produção acadêmica da UFBA, verificar a visibilidade e o impacto dessa produção na sociedade cientifica mundial durante o período de 1946-2005, agrupados por área do conhecimento. Para identificar os pesquisadores, quantificar a produção científica, determinar a amostragem e destacar os artigos e autores mais citados, utilizou-se os recursos da base de dados da Web of Science, do Institute for Scientific Information (ISI). O fator de impacto dos títulos periódicos foi um parâmetro de investigação pesquisada no Portal Brasileiro de Informação Científica –CAPES. Nesta investigação foram utilizados métodos bibliométricos e cenciométricos para mostrar a evolução da produção cientifica. Os resultados demonstraram um significativo crescimento da produção científica da UFBA, colocando em foco os artigos de periódicos divulgados na Web of Science.</text>
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                    <text>INDICADORES DE DESEMPENHO DE BIBLIOTECAS NO CAMPO DA SAÚDE:
UM ESTUDO PILOTO NA FIOCRUZ.

Autor: Guimarães, Maria Cristina S. - csguima@terra.com.br
Co-autores: Lins, Etiene Gonzalez - etiene.lins@gmail.com
Garcia, Márcia Japor de O. – japorgarcia@gmail.com
Lamarão, Camila Clementino - clamarao@cict.fiocruz.br
Silva, Vânia Guerra da - vguerra@cict.fiocruz.br
Silva, Diones Ramos da - diones@cict.fiocruz.br

Endereço: Fiocruz – CICT - Biblioteca de Manguinhos - Av. Brasil, 4.365 - Pavilhão Haity Moussatché
Manguinhos, Rio de Janeiro CEP: 21.040-900 - Brasil

1. Introdução

Os serviços de informação, e mais especialmente as bibliotecas, chegaram ao século XXI com um amplo leque de
oportunidades e desafios. Na medida em que a sociedade contemporânea se configura como a “Sociedade da Informação”, à
biblioteca cabe o imperativo de se re-pensar e se re-configurar, e já não só como um lócus privilegiado de acesso e estoque de
informação codificada, quer registrada em papel ou em meio eletrônico. A dinâmica atual do empreendimento científico, o
volume crescente de informação publicada em novos e numerosos títulos de periódicos, representativos de novas

�especialidades e temáticas das áreas do conhecimento, conferem à gestão da informação científica um alto grau de
complexidade.

Some-se a isso um uso intensivo das novas tecnologias de informação, que cobram dos profissionais de informação
novas competências e habilidades. Usuários cada vez mais demandantes da qualidade de serviços oferecidos, e gestores e
tomadores de decisão mais ciosos e preocupados com decisões mais acertadas e com os custos de manutenção de acervos
dispendiosos, em tempos de recursos financeiros escassos, compõem o quadro sumário dos maiores desafios colocados à
gestão das bibliotecas.

Para as bibliotecas, como para todas as organizações, planejar passa a ser atividade vital na busca de maximizar os
recursos disponíveis e tirar o melhor proveito das facilidades e tecnologias a sua disposição. O investimento contínuo em
inovação deve ter seu foco não só nas práticas e estruturas técnicas, mas também nas organizacionais e humanas, dentro de
um ambiente onde as orientações políticas devem ser claras e objetivas: o foco da biblioteca não é o seu acervo, mas a quem
ele está a serviço.

Uma das mais valiosas estratégias de planejamento de bibliotecas são as avaliações de desempenho. Por desempenho
entende-se o grau de atendimento dos objetivos propostos para a biblioteca, particularmente em termos das necessidades dos
usuários. A medida de desempenho deve indicar se a biblioteca está atendendo ao planejado, a partir de uma coleção de dados
estatísticos. Desde meados do século passado, e especialmente na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos da América, o
interesse na área levou ao desenvolvimento e divulgação de uma grande variedade de estudos e abordagens sobre medidas de

�desempenho. Dessa variedade nasceram orientações metodológicas diversas, com focos e recortes em diferentes atividades,
produzindo um amplo conjunto de indicadores, processo esse que, se em muito contribui para o entendimento de diferentes
contextos e processos de gestão de bibliotecas, pouco tem auxiliado na padronização que permite a comparação e o traçar de
novas metas. A situação se torna mais desafiante para o caso de várias e diferentes perfis de bibliotecas ligadas a uma mesma
organização.

De forma clara, as medidas de desempenho guardam particularidades a cada biblioteca individualmente (missão), e
devem ser analisadas tendo por base a explicitação dos objetivos da organização como um todo. As medidas de desempenho
são um instrumento para o processo de avaliação, que essencialmente envolve julgamentos de valor. Dispor de instrumentos de
padronização de coleta de dados e desenvolvimento de indicadores é então uma atividade fundamental para assegurar, na justa
medida técnica, que o processo de avaliação seja o mais transparente e eqüitativo possível entre diferentes bibliotecas.

Em resposta a essa necessidade de padronização, a ISO – International Standard Organization, ainda no começo dos
anos noventa, se debruçou sobre o desafio da criação de padrões para medida de desempenho das bibliotecas, o que resultou
na Norma ISO 11620/981 (Information and Documentation – Library Performance Indicators). Esse esforço nasceu em um
ambiente de globalização, de integração de blocos regionais, de disputa internacional por fundos de pesquisa, e não menos
importante, de cooperação internacional entre bibliotecas.

Esse é o contexto que acolhe o desafio tomado pelo Cict – Centro de Informação Científica e Tecnológica, Unidade da
Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz, instituição de reconhecida competência internacional no campo da pesquisa,

�desenvolvimento, produção e formação de recursos humanos em saúde e ciências biomédicas. Atualmente, são dez as
bibliotecas que atendem e ofertam informação e serviços para tão variadas atividades. Cada biblioteca se insere em um
contexto impar, possui um acervo diferenciado e desenvolve atividades particulares com vistas a atender um grupo de usuários
com perfil específico e necessidades próprias.

A prática da avaliação, através de medidas de desempenho, ainda que reconhecida e abraçada como atividade
primordial para planejamento e gestão coordenada das bibliotecas, ainda carece de uma visão orgânica e integradora.
Paralelamente, em tempos de recursos financeiros escassos, eficiência e eficácia são conceitos chave para produzir evidências
para o tomador de decisão. A padronização das medidas de desempenho, tomando a ISO 11620 como ponto de partida, foi a
estratégica adotada na busca de harmonia entre as métricas atuais de cada biblioteca. Ainda que se reconheça que a limitação
da abrangência da referida Norma, é entendimento que representa um primeiro e fundamental passo a ser dado pela instituição.
O presente trabalho relata o desenho e os primeiros passos de um projeto de pesquisa em andamento, ressaltando o ambiente
de cooperação e colaboração que vêm propiciando uma discussão frutífera e um estratégico processo de aprendizagem.

2. Metodologias para medida de desempenho de bibliotecas

É certo que toda biblioteca, deve procurar manter-se constantemente atualizada frente a um mundo extremamente
informatizado e globalizado, ou seja, um mundo sem fronteiras, extremamente dinâmico, trabalhado na velocidade da
informação instantânea. É evidente a necessidade de processos avaliativos. Deve-se ampliar a capacidade da biblioteca
acompanhar, através da gestão e do gerenciamento de seus recursos, as transformações da realidade, buscando a adoção de

�políticas que dêem conta dessa oxigenação, sem esquecer das demandas dos usuários. Lancaster (1996)2 propõe que
“Crescimento saudável implica adaptação a condições constantemente mutáveis, e adaptação implica avaliação para
determinar que mudanças precisam ser feitas e qual a melhor maneira de realizá-las”.

Na Europa, nos Estados Unidos, no Japão e na Austrália muitos estudos foram desenvolvidos, sobretudo nas décadas de
80 e 90, abordando a questão da avaliação de bibliotecas para abarcar novos serviços e produtos desenvolvidos para atender
as demandas da Sociedade da Informação. Nesse sentido, o processo clássico de avaliação, que se guiava pela relação
Inputs/Outpts (Entrada/Saída) passa a incorporar também o conceito de Outcomes (Resultados) ou, a avaliação dos impactos
e/ou benefícios dos serviços prestados, onde os usuários passam a ser o foco central.

Muitas iniciativas no sentido da formulação de metodologias de avaliação podem ser mencionadas. Entre elas
encontram-se: CAMILE

3

(Concerted Action on Management Information for Libraries in Europe), estimulou e difundiu os

resultados de quatro projetos de bibliotecas da União Européia; International Guidelines for Performance Measurement in
Academic Libraries

4

(apud MELO, 2004)5– publicada pela IFLA, em 1996, é um conjunto de diretrizes para avaliar o

desempenho de serviços de bibliotecas acadêmicas; LIBQUAL+TM 6no âmbito americano, é o projeto na área de avaliação da
qualidade de serviços desenvolvido pela Association of Research Libraries (ARL); SERVQUAL 7: Measuring Service Quality in
Academic Libraries, é um modelo que foi adaptado à bibliotecas públicas e acadêmicas.

�Cada uma dessas experiências e metodologias foi utilizada em tempos e contextos específicos, e não se abrem a
julgamentos de valor. Devem ser entendidas como mais ou menos adequadas às necessidades de seu uso.
No Brasil, a mais conhecida experiência de grande porte aconteceu na Universidade de São Paulo. O Sistema Integrado de
Bibliotecas da Universidade de São Paulo – SIBI/USP, desenvolveu o PAQ - Programa de Qualidade de Produtos e Serviços de
Informação8 para ser implementado em sua rede de bibliotecas. Englobou duas metodologias diferentes de avaliação, o
SERVQUAL e o LibQUAL + ™, ajustadas às características das bibliotecas. No relatório, entre outras importantes conclusões,
destaca-se a importância do conhecimento das necessidades do usuário: “No ambiente acadêmico, considera-se que o
desconhecimento em relação a essas necessidades pode comprometer as atividades de ensino, pesquisa e a geração de novos
conhecimentos” (SAMPAIO, 2001)8

A avaliação de desempenho, por seu lado, engloba a coleção e análise de dados que descreve o desempenho de uma
biblioteca, ou seja, uma medida de desempenho deve servir a comparação do que está sendo feito (desempenho), com o que
deveria ser feito (missão) e com aquilo que se gostaria de fazer (metas). Dessas investigações foi reforçada a necessidade do
desenvolvimento de indicadores para quantificar o desempenho, em função dos objetivos que se pretende atingir. A Norma
ISO 11620, sua melhor expressão, apresenta um conjunto de definições e metodologias que marca uma nova etapa para o
desenvolvimento da avaliação dos serviços, dentro de uma perspectiva dinâmica e incremental. Foi resultado de um esforço da
comunidade internacional de bibliotecas internacionais ao longo das décadas de 80 e 90. Seu principal propósito é defender o
uso de indicadores de desempenho em bibliotecas oferecendo uma orientação robusta para obtenção de estatísticas.

�Como padrão, estabelece um grupo de indicadores para aplicação em todos os tipos de bibliotecas. Além disso,
estabelece uma relação entre qualidade de serviços de biblioteca e o tópico mais amplo de administração e garantia de
qualidade, uma vez que valida e apóia-se na Norma ISO 9004-2.9 Em sua primeira publicação citava vinte e nove indicadores,
que foram acrescidos de mais seis com a edição de uma emenda, em 2003, explicitando seu caráter incremental. Para cada
indicador constam: objetivo, escopo, definição, metodologia, interpretação e fontes de referência e, entre os procedimentos são
adotados cálculo de percentual, amostragem, questionário e entrevista. Além disso, oferece detalhada orientação sobre a
metodologia e análises sobre seu emprego. Alguns setores dos serviços de biblioteca, como, por exemplo, treinamento de
usuário e serviços eletrônicos, não estão contemplados, mas são cobertos em outra norma, a ISO 2789/2003 10.

É reconhecido que a Norma ISO 11620 proporciona as condições requeridas para um salto de qualidade no que tange
aos processos de avaliação de bibliotecas. A propósito, eis o que ponderou Carbone (1998)11 analisando-a:

Os bibliotecários não podem mais se limitar a relatar seus serviços somente a partir de dados estatísticos
sobre os recursos e atividades da biblioteca. Eles devem provar que atendem às necessidades dos
usuários e provar de que maneira e a que ponto os serviços da biblioteca as atendem.

A Norma sugere ainda que os resultados da aplicação dos indicadores podem ser comparados em tempos diferentes
numa mesma biblioteca e podem ser feitas comparações entre bibliotecas, porém com extrema cautela. Para o estabelecimento
de novos indicadores (conteúdo informativo, comparabilidade, propriedade e outros) devem ser observados critérios, bem como
a sua adequada descrição.

�Deve ser enfatizado que o valor dessa Norma reside, sobretudo, no fato de ser aplicável a qualquer tipo de biblioteca e,
por isso, prover uma base e linguagem única para o caso de diferentes perfis de bibliotecas acolhidas sob uma mesma
coordenação, como é o caso do Cict/Fiocruz.

3. O contexto de estudo – o Cict/Fiocruz

A Fundação Oswaldo Cruz - Fiocruz é uma instituição vinculada ao Ministério da Saúde que abriga atividades que
incluem o desenvolvimento de pesquisas; a prestação de serviços hospitalares e ambulatoriais de referência em saúde; a
fabricação de vacinas, medicamentos, reagentes e kits de diagnóstico; o ensino e a formação de recursos humanos; a
informação e a comunicação em saúde, ciência e tecnologia; o controle da qualidade de produtos e serviços; e a implementação
de programas sociais. Tem como missão promover a saúde e o desenvolvimento social, gerar e difundir conhecimento científico
e tecnológico, ser um agente da cidadania. Através de programas de informação e comunicação, vem procurando cumprir papel
da maior relevância, o que deu margem, certamente, para que fosse premiado pela UNESCO, em 2002, como a instituição do
ano na área das ciências.

A Fiocruz guarda em sua história uma relação visceral com a informação. É viva em sua memória, cultura e imaginário a
fala de seu patrono e fundador, Oswaldo Cruz, personalidade reconhecida internacionalmente: “Corte-se até a verba para a
alimentação. Mas não se sacrifique a biblioteca”. Atualmente, a instituição conta com dez bibliotecas distribuídas por diferentes
regiões do país, cada uma atendendo a um perfil diferenciado de usuários e suas respectivas necessidades de informação. O

�comprometimento com e a valorização da informação, como ingrediente vital para a pesquisa, é um dos fatores que certamente
conduziu, nos anos oitenta, a criação de uma unidade técnica dedicada à guarda, planejamento e gestão da informação
científica e tecnológica no campo da saúde.

O Cict - Centro de Informação Científica e Tecnológica é responsável por formular políticas, desenvolver estratégias e
executar ações de informação e comunicação no campo da ciência e tecnologia em saúde que respondam as demandas da
sociedade e do Sistema Único de Saúde (SUS), e de outros órgãos governamentais. Ao Cict estão diretamente subordinadas
três bibliotecas, as quais são o foco do presente estudo.

A Biblioteca de Manguinhos (BIBMANG) atua como Centro de Referência em Biomedicina para as instituições de
pesquisa no país e oferece suporte ao desenvolvimento do ensino e da pesquisa no âmbito da Fiocruz. Atende ao corpo de
docentes, de pesquisadores e alunos de Pós-Graduação da Instituição e da comunidade em geral. A Biblioteca do Instituto
Fernandes Figueiras (BIBIFF) está voltada para saúde da mulher da criança e do adolescente. Suas áreas de especialização
são o aleitamento materno, genética, ginecologia e obstetrícia, infecção hospitalar, nutrição, patologia e pediatria. Seu públicoalvo é composto por profissionais de saúde, alunos de pós-graduação, professores, pesquisadores do Instituto Fernandes
Figueiras e da rede pública e privada de serviços de saúde. Por fim, a Biblioteca da Escola Nacional de Saúde Pública
Sergio Arouca (BIBENSP) atende ao corpo de docentes, pesquisadores e alunos de pós-graduação da Escola Nacional de
Saúde Pública (ENSP), e é aberta também à comunidade em geral. Atua como Centro de Referência a todos os cursos
descentralizados de Saúde Pública desenvolvidos no país e à Rede Pública de Serviços de Saúde no Estado do Rio de Janeiro.

�Essas bibliotecas foram criada em momentos diversos, para atender clientelas e necessidades particulares, e se inserem
em contextos singulares de práticas do campo da saúde. A estratégia de planejamento e gestão se faz em um delicado balanço
entre autonomia e coordenação central, no reconhecimento das especificidades e na responsabilidade de um todo harmônico
que deve ser traduzida, de forma transparente, ao tomador de decisão, especialmente no que diz respeito aos investimentos
financeiros. As atividades relacionadas a mensuração de indicadores de desempenho, ainda que realizada anualmente, carece
de caráter sistêmico. Da mesma forma, a realização de estudos de satisfação de usuários ainda não está incorporado como
instrumento de gestão.

Ciente de suas responsabilidades, e em um ambiente cooperativo, o Cict colocou o desafio de propor uma metodologia
padrão para desenvolvimento de indicadores de desempenho adequados e compatíveis com as singularidades das bibliotecas
em questão. A Norma ISO 11620 se colocou então como instrumento estratégico para, em uma primeira etapa, prover uma
padronização das métricas de desempenho das bibliotecas.

4. O Projeto - Instrumento de Medida de Desempenho para as Bibliotecas do CICT

O projeto Instrumento de Medida de Desempenho para as Bibliotecas do Cict foi concebido e iniciado em 2004 com
o objetivo principal de propor medidas de desempenho padrão para as três Bibliotecas sob a direção do Cict.

�A equipe diretamente ligada ao seu desenvolvimento é formada por um coordenador, um bibliotecário representante de
cada uma das Bibliotecas, dois bolsistas e um consultor.

A etapa inicial envolveu o levantamento de literatura e a busca por relatos de experiências prévias com a utilização da
Norma ISO 11620, particularmente no Brasil. A literatura identificada tem uma particularidade tal que aponta para indícios sobre
uma provável relação entre a discussão e a aplicação da Norma e o grau de desenvolvimento de práticas de avaliação.

No

contexto brasileiro, nenhuma referência foi localizada.

A etapa seguinte envolveu um diagnóstico preliminar no âmbito das três Bibliotecas no que diz respeito à clientela,
serviços, procedimentos, infra-estrutura e produtos, à luz da Norma ISO 11620, visando a identificação fatores relevantes para
avaliação. Esse diagnóstico foi de fundamental importância para identificação de semelhanças e dessemelhanças entre as três
Bibliotecas, favorecendo um re-conhecimento dos contextos e das práticas individuais.

Esse diagnóstico foi também um pré-requisito para a realização da primeira oficina de trabalho que propiciou a efetiva
implementação do projeto na medida que ela foi geradora de alianças e “compromissos” primeiramente entre as Bibliotecas, e
entre essas e os tomadores de decisão. O objetivo foi a discussão coletiva de um conjunto de indicadores propostos pela
Norma, selecionados em função do esforço necessário, do tempo e da resposta a ser dada aos tomadores de decisão. Foram
eles: satisfação do usuário; visitas per capita à biblioteca; disponibilidade de títulos; índice de uso de documentos;
índice de Informações corretas fornecidas; disponibilidade das instalações; índice de uso das instalações; índice de

�ocupação dos assentos; relação per capita entre servidores para atendimento e o staff total da biblioteca e
percentagem do total da equipe dedicada a serviços ao usuário. A eleição desse conjunto de indicadores levou também em
conta a aderência com àqueles já em uso nas Bibliotecas, propiciando, assim, uma resposta mais rápida ao Planejamento
institucional. Participaram bibliotecários integrantes das equipes das Bibliotecas, os bolsistas do Projeto e membros do Núcleo
de Planejamento do Cict.

Para a dinâmica da oficina foi adotada a formação de grupos heterogêneos de trabalho no que diz respeito ao
desempenho das funções dos participantes, enriquecendo as discussões e compartilhando diferentes visões sobre um mesmo
processo.

A análise dos indicadores envolveu a conceituação e métricas disponíveis, aplicabilidade e eficácia teórica,

oportunidade e propriedade de aplicação no ambiente Fiocruz e possíveis e prováveis adequações necessárias para
implementação. Em evento plenário houve a consolidação dos dados.

O principal resultado da Oficina foi a eleição de cinco indicadores para aplicação imediata: satisfação do usuário, visitas
per capita à biblioteca, índice de uso de documentos, disponibilidade das instalações e índice de ocupação dos assentos. Essa
escolha baseou-se no fato de que as metodologias indicadas não apresentariam dificuldades para as Bibliotecas. Evidenciou-se
ainda no curso da oficina a importância de rever formas de atuação e de adotar mecanismos que viessem a possibilitar melhor
desempenho e avaliação de alguns serviços. Ficou clara, também, a importância de uniformizar dados encaminhados para o
Plano de Objetivos e Metas (PO&amp;M) da Fiocruz, responsável pelo orçamento institucional.

�O relatório gerado pela oficina foi chancelado pelas chefias das Bibliotecas e encaminhados à direção do Cict. As lacunas
e inconsistências foram objeto de atenção na etapa seguinte do projeto.

Dos indicadores selecionados o primeiro a ser trabalhado foi o de Satisfação do Usuário, que envolveu a delimitação do
público-alvo de cada biblioteca e, em seguida, a identificação dos pontos a incluir no instrumento de coleta. Essa etapa envolveu
esforço considerável por parte das bibliotecas especialmente no que diz respeito às particularidades de cada usuário. Para o
desenvolvimento do questionário padrão para coleta de dados vários modelos foram discutidos, tendo sido de especial
importância, nessa fase, o Relatório do PAQ8 Contou-se com suporte estatístico na própria Fiocruz, configurando-se, assim,
uma equipe interdisciplinar.

Numa escala de quatro níveis o respondente deverá assinalar o grau de satisfação acerca de aspectos ambientais,
acervo, recursos oferecidos, atitudes no atendimento, qualidade (precisão, atualização e rapidez) da informação prestada;
critérios para utilização dos recursos informacionais, dentre outros. Parte do conteúdo é específico com relação a cada uma
delas, por exemplo, salão de leitura e videoteca.

Uma vez construído o instrumento, foi feita a aplicação de um piloto, por cada uma das Bibliotecas, e procedidas às
correções julgadas necessárias. A experiência possibilitou avaliar o impacto do instrumento junto aos usuários, no que tange à
sua compreensão e à clareza dos pontos avaliados, bem como identificar lacunas. Na fase atual do projeto está sendo discutida
a melhor abordagem metodológica para coleta dos dados.

�Paralelamente, foram também discutidos os indicadores visitas per capita à biblioteca, índice de uso de documentos,
disponibilidade das instalações e índice de ocupação dos assentos, para os quais foram discutidas as metodologias e
levantadas as informações que deveriam subsidiar a aplicação. Uma perspectiva estatística mostrou-se, também aqui, de
grande utilidade. Houve consenso quanto à aplicabilidade dos mesmos, e um teste desses indicadores está em curso.

Em sua proposta original, o projeto prevê o desenvolvimento de um piloto em uma das Bibliotecas envolvidas no estudo,
o que deverá se iniciar nos próximos dois meses.

5. O futuro

Uma vez concluído o estudo do primeiro grupo de indicadores uma nova etapa a ser iniciada será constituída de análise e
discussão de um segundo grupo, e assim deverá ser procedido, com a abordagem de todo o conjunto adotado pela Norma
ISO11620.

Adicionalmente, deverão ser incorporados indicadores para procedimentos e serviços não contemplados pela Norma
ISO11620. Para isso, outras metodologias e abordagens deverão ser desenvolvidas.
A incorporação das novas ferramentas de gestão deverá fazer com que as Bibliotecas estejam mais preparadas para
mudanças, aprendendo, acompanhando e gerindo seus recursos de modo mais eficaz, continuamente. Serão ampliadas as
condições para fazer frente a necessidades de rever formas de atuação, implantar novos serviços demandados pelo usuário e
enfrentar restrições orçamentárias.

�Ressalte-se que a avaliação de desempenho das bibliotecas é atividade muito maior e mais complexa do que a
padronização métrica que se busca alcançar com o presente projeto. A última é necessária, mas não suficiente, especialmente
em um contexto em que se redimensiona o papel e as práticas dos profissionais da informação, de quem muito se espera nos
tempos atuais. No contexto atual, o desempenho positivo e produtivo de uma biblioteca, na medida que depende
fundamentalmente da satisfação do usuário, é em muito função da qualidade e competência dos recursos humanos e não só da
cobertura e quantitativo do acervo à disposição do usuário localmente.

A clareza sobre essa realidade, os conhecimentos que o Projeto propiciará e a motivação para desempenhar o papel de
importância decisiva que cabe aos serviços de informação, no contexto da informação científica e técnica, redundarão,
certamente, num desejado aperfeiçoamento da gerência das Bibliotecas.

Referências Bibliográficas:

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documentation – library performance indicators. Genève: ISO; 2003.
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3. CAMILE - Concerted Action on Management Information for Libraries in Europe.
Disponível em: &lt;http://www.staff.dmu.ac.uk/~camile/ &gt; Acesso em: 01 ago 2005.
4. International Federation of Library Associations and Institutions – IFLA. International

�Guidelines for Performance Measurement in Academic Libraries, 1996. Disponível em: &lt;
http://www.ifla.org/V/saur.htm.&gt; Acesso em: 01 ago 2005.
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Congresso Nacional de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas; 2004;
Lisboa: APBAD, 2004.
Disponível em: http://eprints.rclis.org/archive/00004156/01/EstAvalBSI_LM_2004.pdf
Acesso em: 17 jul 2005.
6. LibQual+TM: defining and promoting library service quality. Disponível em: &lt;
http://www.libqual.org/About/Information/index.cfm Acesso em: 29 jul. 2005.
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em: &lt;http://www.arl.org/newsltr/191/servqual.html&gt; Acesso em: 29 jul 2005.
8. Sampaio MIC, Fontes CA, Rebello MAFR, Zani RMFZ, Barreiros AA, Prado AMMC,
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library performance . Genève: ISO, 2003.
11. Carbone P. Èvaluer la performance des bibliothèques: une nouvelle norme. BBF, 1998;
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>A etapa inicial envolveu o levantamento de literatura e a busca por relatos de experiências prévias com a utilização da Norma ISO 11620, particularmente no Brasil. A literatura identificada tem uma particularidade tal que aponta para indícios sobre uma provável relação entre a discussão e a aplicação da Norma e o grau de desenvolvimento de práticas de avaliação. No contexto brasileiro, nenhuma referência foi localizada. A etapa seguinte envolveu um diagnóstico preliminar no âmbito das três Bibliotecas no que diz respeito à clientela, serviços, procedimentos, infra-estrutura e produtos, à luz da Norma ISO 11620, visando a identificação fatores relevantes para avaliação. Esse diagnóstico foi de fundamental importância para identificação de semelhanças e dessemelhanças entre as três Bibliotecas, favorecendo um re-conhecimento dos contextos e das práticas individuais. Uma vez construído o instrumento, foi feita a aplicação de um piloto, por cada uma das Bibliotecas, e procedidas às correções julgadas necessárias. A experiência possibilitou avaliar o impacto do instrumento junto aos usuários, no que tange à sua compreensão e à clareza dos pontos avaliados, bem como identificar lacunas. Na fase atual do projeto está sendo discutida a melhor abordagem metodológica para coleta dos dados.</text>
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                    <text>INOVAÇOES ADVINDAS DA CONVERSÃO DO SISTEMA ORTODOCS PARA O
SISTEMA PERGAMUM NO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE
ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA (SISBI-UEFS)

Maria do Céu Lopes Andrade de Souza1
Cristiane Barbosa da Silva2
Isabel Cristina da Silva Reis3

Universidade Estadual de Feira de Santana
Km 03, BR 116, Campus Universitário,
Feira de Santana, Bahia, CEP. 44031-460
www.uefs.br
E-mail: aquisi@uefs.br

Resumo:

Este trabalho tem a intenção de enfatizar a importância de automatizar os serviços
inerentes às bibliotecas universitárias, particularmente, no que diz respeito à rotina
de trabalho da Seção de Seleção e Aquisição do Sistema de Bibliotecas da
Universidade Estadual de Feira de Santana – SISBI-UEFS. Estão descritas as
mudanças e inovações advindas da conversão do Sistema OrtoDocs para o Sistema
Pergamum, fato que facilitou e agilizou o trabalho da referida seção, especificamente

1

Bibliotecária da Universidade Estadual de Feira de Santana, Especialista em Administração Pública e Recursos
Humanos
2
Assistente - Técnico Universitário da Universidade Estadual de Feira de Santana, Especialista em Educação,
Ciência e Contemporaneidade
3
Assistente - Técnico Universitário da Universidade Estadual de Feira de Santana, Especialista em Ensino da
Língua Inglesa

�com a implantação do módulo de aquisição e implementação do módulo de
catalogação, otimizando, assim, o atendimento das demandas dos usuários.

PALAVRAS-CHAVE: Biblioteca Universitária, automação, OrtoDocs, Pergamum,
otimização de serviços.

INTRODUÇÃO

O Sistema de Bibliotecas da Universidade Estadual de Feira de Santana –
SISBI-UEFS – congrega 08 bibliotecas, sendo uma central e sete setoriais, e os
processos de aquisição e catalogação do acervo são centralizados e coordenados
pelo Sistema, através da Divisão de Formação e Desenvolvimento do Acervo.

Tendo em vista um melhor gerenciamento do acervo e buscando atender as
novas exigências da demanda informacional, o SISBI-UEFS teve sua automação
implantada em 1997, com a criação da sua base de dados, a partir da aquisição do
software OrtoDocs que, na época, apresentava-se como o software capaz de atender
as necessidades das nossas bibliotecas.

Até então, o acervo de livros era organizado e registrado manualmente,
através da elaboração de fichas catalográficas e folhas de registro, respectivamente,
e o de periódicos através do preenchimento de fichas Kardex, métodos que se
apresentavam obsoletos para os novos hábitos dos usuários.

Assim, devido as novas exigências do SISBI-UEFS, tais como: necessidade
de um módulo de aquisição, incrementação do módulo de catalogação de livros e
periódicos, inclusão de fascículos e emissão de relatórios referentes a evolução do
acervo, fez-se necessário a adoção de um software que atendesse a estas
necessidades. Entre as várias opções, nossa instituição decidiu pelo Pergamum,
baseando-se em critérios econômicos e tecnológicos.

�Neste sentido, este trabalho tem como objetivo descrever as mudanças
verificadas no SISBI-UEFS, em seus processos de aquisição e catalogação, a partir
da implantação do Sistema Pergamum.

CONTEXTUALIZANDO O SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE
ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA

Formado por 08 bibliotecas, sendo uma central e sete setoriais, o SISBI-UEFS
mantém uma administração centralizada no que diz respeito a infra-estrutura
informacional e quanto às normas de funcionamento de cada biblioteca.

Compete ao SISBI-UEFS, através da Biblioteca Central, promover e incentivar
a integração entre os profissionais, capacitar o seu quadro funcional e gerenciar as
atividades de aquisição do material informacional.

Seu acervo é constituído de, aproximadamente, 166.166 exemplares de livros,
teses, dissertações e 3.172 títulos de periódicos, entre nacionais e estrangeiros.
Possui, ainda, 2.708 exemplares de materiais especiais, que incluem vídeos, fitas
cassetes, CDs, slides e partituras.

Entre os usuários do sistema estão inclusos alunos de graduação, pósgraduação, professores e funcionários. Atende, ainda, um número considerável de
usuários provenientes da comunidade local e regional.

No que diz respeito aos serviços oferecidos à comunidade universitária,
podemos destacar a consulta ao acervo, as atividades de pesquisas, DSI
(Disseminação Seletiva de Informação), comutação bibliográfica, treinamento dos
usuários, orientação ao Portal Brasileiro de Informação Científica e normalização
bibliográfica.

�Além destes serviços, o SISBI-UEFS possui um programa de difusão cultural
que se desenvolve através da projeção de filmes e apoio a artistas locais,
viabilizando a exposição de trabalhos e lançamentos de publicações, em suas
dependências.

Vale ressaltar a integração deste sistema - SISBI-UEFS – às redes e sistemas
nacionais e internacionais de pesquisa: CAPES, IBICT, COMUT, CCN, BIREME,
PROSSIGA, etc.

A

AUTOMAÇÃO

NO

CONTEXTO

DO

SISTEMA

DE

BIBLIOTECAS

DA

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA E A CONVERSÃO DO
SISTEMA ORTODOCS PARA O SISTEMA PERGAMUM

As mudanças advindas da sociedade moderna impulsionam as organizações
para a busca de um processo de modernização de suas estruturas e maior agilidade
na prestação dos serviços oferecidos à comunidade usuária.

Neste contexto, bibliotecas e centros de documentação, como unidades
organizacionais que são, recebem interferência direta em seus processos de trabalho
e, em função disso, ocorre a necessidade de se adequarem a estas mudanças, a fim
de prestarem um serviço de qualidade aos que deles se utilizam. Côrte e outros
(2002, citado por SILVA; FAVARETTO, 2005) diz que:
O cenário indica que se as bibliotecas e arquivos quiserem oferecer melhor
serviço aos usuários e cumprir a sua missão, necessário se torna
acompanhar passo a passo o desenvolvimento da sociedade, entender com
melhor precisão os hábitos e os costumes dos usuários, adaptar as
tecnologias às necessidades e quantidades de informação de que dispõem,
e utilizar um sistema informatizado que privilegie todas as etapas do ciclo
documental, em que a escolha recaia sobre uma ferramenta que contemple
os recursos hoje disponíveis, sem se tornar obsoleta a médio e longo
prazos.

�Com a finalidade de atender a demanda informacional da comunidade
acadêmica, em 1997, o Sistema de Bibliotecas da UEFS, SISBI-UEFS, teve sua
automação implantada com a aquisição do software OrtoDocs, para gerenciamento
do acervo. Vale destacar que, na época, esta escolha representou a aquisição de
um sistema que oferecia serviços que antes da automação eram realizados
manualmente, tais como: catalogação e circulação do acervo.

Com a implantação do OrtoDocs, tornou-se possível compatibilizar as
solicitações de aquisição, feitas pelos departamentos e colegiados, com o acervo
existente no SISBI-UEFS, procedimento que se tornou um facilitador do processo de
aquisição de livros e outros materiais.

A catalogação de livros e outros materiais, por exemplo, obedecia a seguinte
rotina: Após o processo de aquisição (compra, doação ou permuta) e o recebimento
do material, o mesmo era lançado em folhas de registro, que eram datilografadas,
contendo a data do registro, o título do material, autor(es) ou organizador(es), edição,
forma de aquisição e preço, em caso de compra. Estas folhas eram arquivadas em
ordem crescente, conforme os números de registro (tombo), constituindo-se no Livro
de Registro, cujo acesso era restrito à funcionários.

No que se refere a catalogação de periódicos, mais precisamente inclusão de
fascículos, realizava-se com o preenchimento de fichas Kardex, procedimento que
não mudou com a implantação do OrtoDocs, já que o referido software não nos
disponibilizou este recurso.

Diante das novas exigências que se apresentavam para o gerenciamento do
acervo, sentiu-se a necessidade da adoção de um novo software que dispusesse de
um suporte ágil. Assim, no ano de 2004, foi adquirido o software Pergamum, com o
objetivo de melhorar a prestação dos serviços oferecidos pelo SISBI-UEFS e
utilização eficaz das informações.

�Neste sentido, este trabalho tem como objetivo descrever metodologicamente
a mudança do OrtoDocs para o Pergamum, particularmente, no que diz respeito ao
controle e formação de acervo, catalogação, reclamação de obras em atraso,
emissão de relatórios estatísticos para controle institucional e do MEC, apresentando
como maior benefício da automação a rapidez, agilidade e eficiência no atendimento
e prestação de serviços, isto é, otimização das atividades.

Qualquer processo de mudança entre Sistemas e a biblioteca deve acontecer
da maneira mais sutil possível para todos os envolvidos, ou seja, equipe
responsável, staff da biblioteca e usuários. Portanto, deve haver planejamento com
toda a equipe.

Entretanto, vale ressaltar que as migrações de sucesso mantém o fluxo de
trabalho, isto é, a biblioteca não pode deixar de disponibilizar seus serviços durante a
mudança de sistema.

Côrte e outros (2002, citado por SILVA; FAVARETTO, 2005), afirma que:

Para a aquisição ou troca de sistemas de automação de bibliotecas,
torna-se necessária a organização em etapas a serem cumpridas, a
qual demanda algum tempo e muita dedicação dos profissionais
envolvidos, sendo, porém, altamente compensadora em termos de
resultados obtidos.

Particularmente, no caso do SISBI-UEFS, esta mudança ocorreu de forma
gradativa e constante.

Somente a partir do Sistema Pergamum, automatizou-se a inclusão de
exemplares e fascículos no SISBI-UEFS, abolindo, assim, o uso das folhas de
registro e fichas Kardex. Hoje, todo acervo de livros e outros materiais está incluso
em nossa base de dados, dinamizando a circulação e gerenciamento do mesmo.

�Quanto ao acervo de periódicos, ainda estamos em processo de inclusão das
coleções, mas já se percebe mudanças significativas na rotina de trabalho com este
material, dinamizando o controle e gerenciamento deste, assim como a consulta, que
tornou-se ágil e eficaz.

Os procedimentos para controle do processo de seleção e aquisição de
materiais bibliográficos (livros, periódicos) e especiais (filmes, fitas de vídeo, slides,
mapas, etc) variam de biblioteca a biblioteca, porém, de modo geral, constituem-se
como resultados de estudos que revelam os interesses e as necessidades dos
usuários, sendo a base de toda e qualquer biblioteca ou serviço informativo.

O Sistema possui telas de opções dispostas hierarquicamente, e cada tela é
subordinada a anterior.

A implantação do Módulo de Aquisição no SISBI-UEFS, tem-se constituído
uma

ferramenta

eficiente

para

a

realização

dessa

importante

atividade

biblioteconômica, tendo como itens imprescindíveis:
-controle de todo processo de aquisição;
-sugestão de compras (pré-catalogação), MARC 100, 245 e 260;
-controle de assinaturas de periódicos: início, vencimento, renovação, controle
do recebimento de fascículos periódicos e seriados;
-identificação de dados do processo de aquisição: nº da licitação, nº do
pedido, preços, nº da nota fiscal, fornecedores;
-identificação da modalidade de aquisição: assinatura, compra, doação,
permuta;
-controle das datas de recebimento do material, com a criação dos acervos e
exemplares;
-controle

da

situação

parcialmente atendido, atendido;

do

material:

aguardando

proposta,

esgotado,

�-identificação do usuário que sugeriu a aquisição do material, o qual pode
acompanhar todo o processo acessando a base de dados da biblioteca com o seu
código de usuário e senha.

Antes da implantação do Sistema Pergamum, o controle de assinaturas do
SISBI-UEFS era realizado, manualmente, a partir de listas criadas no programa
Excel, contendo informações tais como: título, editora, início e vencimento da
assinatura. Este procedimento se mostrava ineficaz para uma biblioteca do porte da
nossa, mas perdurou até o ano de 2004.

Atualmente, dispomos de um recurso que nos permite maior controle e
agilidade no trato com as assinaturas. Trata-se da emissão de um relatório com os
títulos dos periódicos que estão com a assinatura por expirar, agilizando, assim, o
processo de renovação. O período (mês, semestre, etc.) de referência deste relatório
fica a critério do funcionário que o solicita.

CONCLUSÃO

Há dois cenários no SISBI-UEFS: um antes, outro depois da automação. Vale
salientar que sempre houve uma preocupação do Sistema em prestar um serviço de
qualidade a nossos usuários e acreditamos que o fazemos. Contudo, procurando
otimizar este serviço e acompanhar a evolução da sociedade moderna, recorremos à
novas tecnologias, adquirindo e implantando o software OrtoDocs, cuja utilização
representou avanços importantes nas rotinas de serviço do SISBI-UEFS, no que se
refere a catalogação de livros e periódicos, na consulta e circulação de materiais.

Porém, tendo em vista atender a outras necessidades no contexto do SISBIUEFS, fez-se imprescindível a conversão do OrtoDocs para o Pergamum. Embora
trabalhoso, pois envolvia importação de dados, treinamento de funcionário e usuário,
readaptação da comunidade universitária ao novo sistema, foi um processo tranquilo
e que não comprometeu o funcionamento das bibliotecas.

�Hoje, entre outros serviços, temos a catalogação de livros, outros materiais e
periódicos que foi implementada com a inclusão de exemplares e fascículos e o
módulo de aquisição que tornou a compra de livros e a assinatura de periódicos
melhor gerenciada.

A conversão do Sistema OrtoDocs para o Pergamum representou um avanço
significativo nas rotinas do SISBI-UEFS, pois, atualmente, com a implantação do
módulo de aquisição e a implementação de periódicos, facilitou-se e tornou-se mais
ágil o processo de identificação e localização de documentos pela comunidade
universitária.

Neste contexto, pode-se concluir que o dinamismo das rotinas na Seção de
Aquisição do SISBI-UEFS é extensivo às rotinas de outras seções a ela diretamente
relacionadas.

REFERÊNCIAS:

CÔRTE, Adelaide Ramos e et al. Automação de bibliotecas e centros de
documentação: o processo de avaliação e seleção de softwares. Ciência da
Informação. Brasília, DF, v. 28, n. 3, p. 241-256, set./dez. 1999.

GONÇALVES, Eliane Maria Severo et al. Informatização da informação: a
experiência do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande
do Sul. Ciência da Informação. Brasília, DF, v. 27, n. 1, p. 99-102, jan./abr.
1998.

SAATKAMP, Carla Metzler et al. Modernização do sistema de automação de
bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Disponível em:
www.snbu.bvs.br/snbu2000/docs/pt/doc/t073.doc. Acesso em: 24 maio 2006.

�SILVA, Fabiano Couto Corrêa da; FAVARETTO, Betanea. Uso de softwares
para o gerenciamento de bibliotecas: um estudo de caso da migração do
sistema Aleph para o sistema Pergamum na Universidade de Santa Cruz do
Sul. Ciência da Informação. Brasília. DF, v. 34, n. 2, 2005. Disponível em
http://www.ibict.br. Acesso em: 26 maio 2006.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Souza, Maria do Céu Lopes Andrade de</text>
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                <text>Este trabalho tem a intenção de enfatizar a importância de automatizar os serviços inerentes às bibliotecas universitárias, particularmente, no que diz respeito à rotina de trabalho da Seção de Seleção e Aquisição do Sistema de Bibliotecas da Universidade Estadual de Feira de Santana – SISBI-UEFS. Estão descritas as mudanças e inovações advindas da conversão do Sistema OrtoDocs para o Sistema Pergamum, fato que facilitou e agilizou o trabalho da referida seção, especificamente com a implantação do módulo de aquisição e implementação do módulo de catalogação, otimizando, assim, o atendimento das demandas dos usuários.</text>
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                    <text>INTELIGÊNCIA COLETIVA, DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL,
TECNOLOGIAS E ACESSO À INFORMAÇÃO.

Por
Jerocir Botelho Marques de Jesus
Especialista em Administração e Sistemas de Informação

Universidade Federal Fluminense
Núcleo de Documentação
Biblioteca de Pós Graduação em Matemática - BPM
Rua Mário Santos Braga, s/no. 6º andar - Instituto de Matemática
Campus de Valonguinho - Centro - Niterói - RJ – Brasil CEP 24020-140
Telefones: (0..21) 2629-2090 (0..21) 2629-2091
bpm@ndc.uff.br
jmarques@vm.uff.br

Tema Central: Acesso Livre à Informação Científica e Bibliotecas
Universitárias
Eixo Temático: O Impacto das Tecnologias Eletrônicas e sua Mediação
Sub-Tema: A educação continuada dos profissionais da informação

2006

�1

RESUMO

O artigo apresenta o assunto Inteligência coletiva, pensando na atuação do
profissional e nas tecnologias eletrônicas de recuperação da informação, bem
como, observa que a interação humana, a inovação e a solidariedade são atitudes
valiosas diante de um universo de pesquisadores interessados em um tema de
estudo em comum, pois afinal, é função de todos contribuírem com a
disseminação da informação. Portanto, é importante um desenvolvimento efetivo
de sistemas de organização e gestão de informações, com uma estrutura de
termos relacionados e atualizados periodicamente numa linguagem dinâmica e
relevante. Afinal, com a atual diversidade de termos técnicos e científicos e, pela
demanda por maior rapidez e facilidade na recuperação, melhorar a qualidade
dos produtos e serviços, é fundamental para qualquer profissional que trabalha
e/ou administra o universo informacional. Portanto, quando os agentes do
processo colaboram na interação e na força do coletivo, a necessidade de uma
educação qualificada, continuada e direcionada, torna-se mister para satisfazer a
sede de conhecimento que todos trazemos dentro de cada um de nós.

�2

1.

Introdução

O filósofo Pierre Levy 6, é um estudioso sobre a necessidade de se pensar
a Ciência da Inteligência Coletiva. O tema tem sido objeto de inúmeros trabalhos
relacionados com a disseminação e utilização das novas tecnologias de
comunicação em rede, o que tem feito o termo ganhar muita importância
ultimamente, afinal não é difícil verificar o uso do termo em algumas disciplinas,
como, por exemplo, podemos citar: a Economia e a Administração, que estuda a
teoria das organizações, da gestão do conhecimento e do papel do capital social;
a Sociologia, onde se pensa o conceito de redes sob o ponto de vista da
sociedade da informação; a Educação em questões sobre educação à distância,
gestão de competências, talentos e habilidades para a estruturação curricular.

Hoje no Brasil há muitas iniciativas de organização e criação de
comunidades virtuais que não conseguem ir muito adiante, razão pela qual, se
justifica pela falta de comprometimento com a própria comunidade, ou seja, da
ausência de um agente facilitador e organizador do trabalho, que é aquele, que
tem como função criar ferramentas de gestão e organização das várias
inteligências disponíveis. Dessa maneira, criam-se meios de reunir remotamente
várias coleções geograficamente separadas, viabilizando o acesso através de
bancos de dados hierárquicos baseados em diversos campos indexadores e,
conseqüentemente, fazendo com que os operadores booleanos, fiquem cada vez
mais próximos e integrados com o vocabulário dos usuários. Em outras palavras,
a permanente mudança terminológica, faria com que a própria dinâmica do
processo, promovesse atualizações constantes da forma mais natural possível, e
com isso, a informação fluiria por si só, o que tornaria mais efetiva toda a
estratégia de disseminar o conhecimento. Portanto, devemos considerar a
informática como fator importante no processo de recuperação da informação, até
porque a cada momento surge sempre uma nova tecnologia, algumas mais
sofisticadas do que outras, porém, contudo, objetivamente o alvo estará sempre
centrado na interação direta entre os usuários e os sistemas.

�3

Enfim, Inteligência Coletiva é uma inteligência distribuída, valorizada e
coordenada

em tempo

real,

resultando

numa

mobilização

efetiva

das

competências. Para Lévy 6, a inteligência coletiva (IC) é, basicamente, a partilha
de funções cognitivas, como a memória, a percepção e o aprendizado, que
podem ser mais bem compartilhadas, quando aumentadas e transformadas por
sistemas técnicos e externos ao organismo humano. Porém, ainda segundo ele,
"a Inteligência Coletiva só progride quando há cooperação e competição ao
mesmo tempo", ou seja, é quando a comunidade científica, as empresas e os
indivíduos propriamente ditos são capazes de trocar idéias (cooperar), confrontar
pensamentos

opostos

(competir)

e

assim

gerar

conhecimento.

Porém,

obviamente, isso só será possível, no momento em que houver uma consciência
coletiva no uso da inteligência, no qual, buscar soluções de problemas por meio
de idéias compartilhadas e de interesses comuns, é o objetivo principal e, pensar
na idéia de troca, é fundamental para a conquista de resultados mais efetivos.

“A Internet é um instrumento de desenvolvimento social. Devemos
lembrar que a escrita demorou pelo menos 3000 anos para atingir o
atual estágio... A Internet tem apenas 10 anos", ponderou. "O
importante é ver crescer o índice de pessoas plugadas...” concluiu *.

*

Filósofo francês Pierre Lévy, da Universidade de Ottawa, Canadá.

�4

Nos Sistemas de Recuperação da Informação, são vários os instrumentos
utilizados para representar o conhecimento de uma dada área do saber, logo, no
processo de recuperação, o potencial informativo deve ser avaliado não só pela
quantidade, mas, sobretudo pela qualidade e possibilidades de acesso à
informação, visando sempre o uso de instrumentos adequados à realidade da
clientela.

Portanto,

o

uso

das

linguagens

documentárias,

em

bases

terminológicas, como instrumento de representação/recuperação é uma opção
viável e indicada, porque permitem a comunicação entre o documento, a
informação e o usuário, uma vez que essa comunicação ocorre através desta
linguagem. Contudo, a informação registrada necessita de uma inter-relação dos
conceitos emergentes, porque, a conseqüente alteração no significado dos
conceitos existentes de uma área, pode e deve está nas relações com as outras.
Sendo assim, só o conjunto de termos estruturados numa linguagem particular
pós-coordenada em sua forma e conteúdo, é que permitirá gerar novos termos
e/ou alterar significados já existentes, garantindo ao pesquisador durante o
processo de busca e seleção da informação/documento, uma linguagem
padronizada e de qualidade. Gomes 5, preocupada com o conceito de biblioteca
virtual, observa que no tesauro da American Society for Information Science –
ASIS de 1998, os processos de comunicação e informação são potencializados.

“Tesauro é uma lista estruturada de termos associada e empregada
por analistas de informação e indexadores, para descrever um
documento com a desejada especificidade, em nível de entrada, e
para permitir aos pesquisadores a recuperação da informação que
procura” 3

5

GOMES, Sandra Lúcia Rebel. Bibliotecas virtuais: informação e comunicação para a geração de conhecimentos. In: PEREIRA, Maria

de Nazaré Freitas; PINHEIRO, Lena Vânia Ribeiro (org) . O sonho de Otlet: aventura em tecnologia da informação e comunicação. Rio
de Janeiro/Brasília: IBICT/DEP/DDI, 2000. p. 137-161.
3

CAVALCANTI, C. R. Indexação e tesauro: metodologia e técnica, Brasília, ABDF, 1978. 89p. p.27.

�5

2.

Inteligência coletiva

Desde o surgimento das organizações, o como fazer bem um produto
sempre esteve e está diretamente ligado ao conhecimento, à experiência e à
inteligência humana. Nos dias de hoje, essa relação não poderia ser diferente,
principalmente quando pensamos na disponibilidade de informação que temos e
na capacidade de aquisição de hardware e software entre os concorrentes, o que
torna cada vez mais importante uma ação, no sentido de desenvolverem meios e
recursos para a busca, utilização e disseminação de toda informação realmente
pertinente.

O capital intelectual deve ser útil e, para que seja válido, é necessário
tornar-se explícito e descobrir onde encontrar e fazer com que a informação e o
conhecimento sejam disseminados. Também é primordial saber distinguir o que é
trivial e o que tem valor intelectualmente duradouro, afinal o capital intelectual se
faz em três pontos que interagem, entre a experiência, a inovação e a habilidade,
dos quais, podemos citar: o capital humano (pessoal), o capital estrutural
(sistemas) e o capital consumidor (pesquisador). No entanto, na busca do capital
intelectual, devemos aproveitar o máximo à capacidade, a autonomia e os
recursos disponíveis, para posteriormente estimular a criação de grupos de
pessoas na busca de soluções por meio das afinidades e não por obrigatoriedade.

A visão de um novo modo de interação humana, nos levar a pensar sobre o
impacto dessas relações e da necessidade de ser organizada e direcionada para
um objetivo comum a todos, ou seja, temos que repensar os conceitos de gestão
e recuperação da informação, na perspectiva de que qualquer tipo de
conhecimento deverá estar disponível a todos. Portanto, todo cidadão deveria por
direito, acompanhar este cenário de mudanças diante das comunidades virtuais, o
que conseqüentemente, provocaria a participação espontânea das pessoas em
conjunto com os profissionais capacitados, no sentido de tirá-los da influência
única do modelo clássico de emissor-público para o de público-público, dando-

�6

lhes assim, uma oportunidade de exercer novos métodos de como animar e
administrar conflitos e encontros. Essa seria uma função básica de organização e
de um novo modelo de recuperação e disseminação da memória coletiva
acumulada, onde o papel do profissional do conhecimento seria o de estimular os
relacionamentos humanos entre suas diferenças e afinidades, caracterizadas
essencialmente, pelo potencial criativo, comunicativo e de inteligência. Assim, o
que realmente faria a diferença com essas novas idéias, metodologias e
profissionais, seria a nossa capacidade de interagir, não só para ser informado,
mas para principalmente informar e produzir conhecimento, através de decisões
tomadas, experiência adquirida e com a interação da memória coletiva.

3.

Acesso a Informação

Desde a época dos tabletes de barro da Babilônia, passando pelo
pergaminho na Ásia Menor, pelo papiro no Egito, até chegar aos dias atuais, quer
com o suporte de papel, quer com o magnético, as bibliotecas sempre trouxeram
consigo a memória humana registrada sendo-lhes acoplada a responsabilidade
de prover acesso às informações codificadas e gravadas nesses documentos,
portanto, uma das funções dos profissionais bibliotecários, é classificar e
catalogar, a fim de facilitar o acesso à informação, que de certa maneira, contribui
para a formação de uma sociedade mais justa e democrática.

Entretanto, é importante frisar que toda forma de organização da
informação sempre agrega valor à coleção, pois existem índices de acesso que
de algum modo, mesmo quando o usuário sabe apenas o título, o autor ou o
assunto de um documento, ele terá mais oportunidade de localizar o que procura,
ou seja, os usuários de uma biblioteca organizada terão sempre mais chances de
obter com relativa facilidade de acesso a informação, e assim, localizar mais
rapidamente o que precisam, de tal modo, que o documento pode ser encontrado.
Essa organização é apenas o primeiro passo nos processos que agregam valor,
logo, já podemos imaginar quantos valores se podem agregar à informação

�7

quando organizada, principalmente pelo tempo poupado no momento da procura.
Assim, a análise da informação costuma ser feita partindo de dois pontos:
primeiramente relacionados aos dados, que é motivado pelo conteúdo, cujo
objetivo é mostrar a legitimidade, a qualidade e a precisão; em seguida está
relacionado ao tema em questão, que é motivado pelo usuário, cujo objetivo é
ajudar a resolver um problema, esclarecer uma situação ou tomar uma decisão.

Alguns dos processos que são incluídos na análise da informação
consistem em comparar informações semelhantes as suas divergências,
selecionando a melhor descrição da situação ou evento, para que em seguida, se
possa elaborar uma síntese do que poderá se tornar uma informação de fato.
Mas, a síntese consiste em reunir a informação, de uma forma significativa e
ponderada, organizando-se em blocos, para que possam ser usados e
classificados de acordo com a pertinência do tema, a redação de resumos e a
padronização da informação. A padronização é uma parte importante da síntese,
porque a padronização nos permite comparar informações de uma variedade de
fontes. Enfim, essas atividades que filtram, sintetizam e padronizam os dados
coletados para objetivar um tema específico, é exatamente onde a informação se
revela em seu maior potencial de uso, porque é mais direcionada, e, portanto, se
agregam mais valores à informação para nossos usuários. Um bom exemplo
disso ocorre quando realizamos uma pesquisa em literatura especializada.

“Uma organização só consegue ser inteligente, bem informada e
sábia se o seu pessoal for sábio e estiver interligado. Nenhum
padrão fixo de interligação servirá. A combinação correta da mente
muda com a mesma rapidez com que a organização passa do
exame de antigos problemas para os novos. Cada mudança requer
o aprendizado de novos padrões e de novas competências” 8

8

PINCHOT, G., PINCHOT, E. O poder das pessoas. Rio de Janeiro: Campus, 1994. 442 p.

�8

O homem cria sua própria realidade, tem seus próprios meios para
compreender e interpretar a lógica e a significação dos temas abordados por um
grupo de pessoas reunidas, que, analisando e interpretando todas as dimensões
da realidade, torna possível a interação e a organização de significados
culturalmente compartilhados, e esse processo está associado ao ciclo
informacional e de assimilação do conhecimento. É, pois, através do
conhecimento do mundo, adquirido pela experiência e convívio com o meio social,
e pelas trocas lingüísticas no reconhecimento de símbolos, num processo
sistemático de formação intelectual e moral do indivíduo que se processa a
construção de sua dimensão enquanto cidadão.

A cidadania é, portanto, um status concedido para os que são pertencentes
a uma comunidade, pois implica um conceito de igualdade, uma vez que todos os
que possuem esse status são iguais, no que diz respeito aos direitos e
obrigações. Mas, contrariamente à idéia de igualdade que a cidadania sugere, a
estratificação social, por outro lado, nos concede um status, onde o sistema de
desigualdade se acentua e se agrava, logo, como entender essa dicotomia? Bem,
se pensarmos no conceito básico, cidadão significa membro livre de uma
determinada cidade, por origem ou adoção, que assume um conjunto de raízes
culturais, políticas e sociais que se movimenta num conglomerado sócio, político e
econômico, no mesmo momento, em que ocorre o fenômeno da dinamização
dessa complexidade cultural, e é por essa análise, que somos levados à idéia
coletiva e pluralista dos termos cidadania e cidadão. Em outras palavras, o
cidadão-indivíduo move-se no social e o cidadão-coletivo participa do social e,
portanto, é exigindo e participando individualmente em conjunto com os
interesses do coletivo, que o mínimo dos direitos sociais poderá ser reconhecido e
assegurado.

A disseminação da informação é parte do processo documental pelo qual o
objetivo é facilitar o acesso ao conjunto de informações de que o usuário
necessita, e a Biblioteca Universitária, no seu papel participativo do mundo
acadêmico, tem por objetivo, mediante oferta de produtos e serviços, um

�9

atendimento que direcione caminhos, que vise suprir da melhor forma possível os
interesses de seus usuários. Mas, com as tecnologias que surgem diante das
mudanças e da maneira de se pensar a disseminação da informação, é
importante avaliar que o papel da Biblioteca, tanto as tradicionais, como as
virtuais universitárias, ambas fazem parte do ideal comum que tem como missão:
o ensino, a pesquisa e a extensão.

Por fim, é importante perceber que as transformações em curso são
marcadas por contradições e desigualdades, que nos faz olhar a evolução, como
resultante do desenvolvimento científico e tecnológico; bem como, das forças
produtivas que a compõem, o que significa abrir espaço para soluções possíveis,
sentidas no presente e desejadas para o futuro; o que certamente, nos leva a
pensar em ações coletivas em prol do todo social, como o verdadeiro caminho,
que irá realmente trazer mudanças que venham beneficiar a sociedade, promover
o desenvolvimento e reduzir os conflitos.

4.

Tecnologias

A penetração das novas tecnologias pode elevar o temor com possíveis
efeitos negativos e, até causar as inevitáveis transformações que acarreta, mas
também, fundamenta a concepção da sinergia capaz de conferir dinamismo ao
processo de mudança, desde que, a idéia da possibilidade de integração, ofereça
suporte às iniciativas, visando preparar a sociedade como um todo para enfrentar
e tomar partido das tendências, que caminham para transformações no modo de
agir e de pensar.

O fato é que a tecnologia permite modelar resultados imprevisíveis de
criatividade que emana da interação, o que dá vazão aos sonhos mais delirantes
no âmbito das aplicações tecnológicas e da estratégia, não deixando também de
alimentar os sonhos mais prosaicos – e nem por isso menos significante – como o
de finalmente, permitir a integração ensino/aprendizagem de forma colaborativa,

�10

continuada, individualizada e amplamente difundida para o coletivo.

As

características do novo paradigma justificam a crença de que a sociedade da
informação será diferente da sociedade industrial, bastando apenas que
compreendamos as forças sociais subjacentes. Até porque, o desenvolvimento
nas sociedades da informação, tem demonstrado que o exagero da utopia social
é a antecipação na direção das transformações em curso, ou seja, o sistema de
comunicação torna possível o encontro de um grupo de pessoas que desejam
falar sobre algo que esperam aprender, seja através de figuras e diagramas, seja
lendo textos que as ajudem a compreender. Noutras palavras, numa sala de aula
convencional, por exemplo, isto é tornado possível, devido às paredes que dão
proteção contra o barulho e a interferência externos, permitindo que todos
possam ouvir as palavras proferidas e, ver os diagramas e as figuras sobre o
assunto que está sendo aprendido. Mas a questão é, será que a tecnologia da
informação pode fornecer um sistema de comunicação alternativo, que seja pelo
menos tão eficiente quanto à sala de aula convencional?

Bom, o que se sabe é que o acesso universal ao conteúdo e a fonte de
conhecimento apontam para a necessidade de se resolver vários desafios, porém,
quando as informações se interligam pela sua objetividade de ação e pelos
conteúdos disponíveis nas redes eletrônicas, elas devem ser analisadas pela
perspectiva de seu impacto social e pela promoção da identidade cultural.

O processamento de informações, em particular da biblioteconomia e da
documentação com suas tecnologias, é capaz de processar volumes finitos de
informação. O profissional por sua vez, no uso de sua inteligente diante das
tecnologias, pode e deve mostrar com a sua atuação, ser capaz de contribuir com
o desenvolvimento social e, perceber que é necessário ir além do instrumento em
si, e passar a buscar resultados efetivamente mais relevante e prático.

As novas tecnologias da informação estão integrando o mundo em rede por
meio de uma dinâmica econômica e social da nova era da informação. A

�11

disseminação, por sua vez, é considerada um processo pelo qual a biblioteca em
seu papel de divulgar a informação, é visto como um instrumento facilitador de
acesso, mediante a oferta de diversos produtos e serviços, ou seja, não existe
uma única forma de disseminação, e sim, diferentes formas oferecidas aos
usuários. Nesse sentido o que é importante, é ter consciência da existência de
acesso à informação em um novo meio de comunicação – o ciberespaço, que
segundo Levy

6

é uma palavra de origem americana e designa o universo das

redes digitais. O conhecimento humano cresce a cada dia, de forma assustadora
ao tornar-se muito especializado e mais complicado, no que diz respeito, ao
acesso a esse monumental acervo. O pesquisador muitas vezes fica perplexo,
quando tem que lidar com a falta de tempo para ler, analisar e memorizar tudo o
que é publicado, mesmo em sua área de especialização; porém, talvez, essa seja
a única maneira de fazer o seu conhecimento progredir, e com isso, construir
caminhos de intercessão entre as várias disciplinas especializadas.

Com a necessidade de colocar a informação ao alcance de qualquer
pessoa, quando e onde for necessário e, com o aumento global do volume de
documentos publicados, torna-se difícil gerenciar, disseminar e recuperar a
informação em tempo hábil. Assim, considerando a informática como fator
importante nesse processo, percebe-se que o cada momento surge tecnologias
cada vez mais sofisticadas, que permitem uma interação direta entre os usuários
e os sistemas. No entanto, é relevante citar, que um outro fator, no que diz
respeito às interfaces dos sistemas de recuperação de informação, está
relacionado com a complexidade dos novos comandos que surgem, o que torna
de alguma forma, mais confuso e difícil o entendimento pelo usuário inexperiente.

6

LÉVY, Pierre. A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço. Tradução Luiz Paulo Rouanet. São Paulo: Edições

Loyola, 1998. 212p.

�12

Contudo, quando objetivamos recuperar a informação de forma eficiente e
eficaz, os mais diversos centros de documentação, serviços de informação e
bibliotecas, resolvem imediatamente, construir suas bases de dados, afinal, são
importantes fontes de informação automatizada, que podem ser pesquisadas de
diversos modos, porque estão armazenadas em meios magnéticos ou ópticos,
além de poder ser acessada local ou remotamente. Essa reflexão mostra uma
mudança de paradigma no tratamento e na disseminação de informação,
representada pelos recursos, atividades e serviços de uma biblioteca tradicional.

5.

Desenvolvimento e atuação profissional

Nos mercados profissionais atualmente, surgem atividades no qual o
bibliotecário não pode mais ficar restrito aos limites físicos de uma biblioteca e de
uma coleção, agora o uso difundido da tecnologia a serviço da informação,
transpõe barreiras físicas e institucionais. Hoje, os anseios dos usuários, estão
mais diretamente relacionados com a forma interativa, com que eles buscam
suprir suas necessidades de informação, e é por isso, que o compartilhamento é
indicado, principalmente quando se está diante da análise da informação
estratégica, do avanço tecnológico e da questão do sigilo informacional. O mundo
hoje está cada vez mais competitivo e o usuário não é mais passível, diante da
dimensão do conhecimento adquirido e disseminado, o que já leva o Profissional
da Informação, a ser aquele capaz de fornecer a informação precisa, ao usuário
certo, no momento e na forma adequada ao custo, no qual, justifique a prestação
do serviço e o seu uso. Em termos práticos, pode-se dizer que a atividade do
Profissional da Informação hoje está centrada em alguns pontos básicos de ação:

1 - O gerenciamento de unidades de informação, que no contexto
administrativo, envolve o ambiente, a informação e os recursos disponíveis,
deverá está sempre coeso e coerente, o que exige uma atuação visionária do
profissional, no qual, terá que se impor sob a ótica de um administrador, que

�13

racionaliza procedimentos na busca de recursos e, estabelece parcerias para a
integração de sua unidade com outros sistemas mais amplos.

2 - O tratamento da informação, que engloba tudo aquilo que define como
fazer para reunir e organizar a fim de localizar. Nesse contexto, atividades de
descrição física, de análise temática, de arranjo arquivístico e de indexação
encontram seu lugar, como atividades que ligam à fonte da informação a quem
dela faz uso e, trazendo consigo novas interfaces como a Lingüística, a
Terminologia e a Lógica.

3 - A ação social que se caracteriza no momento em que se questiona a
exacerbação do uso excessivo da técnica profissional, não podendo ficar alheio à
realidade social em que se insere. Desta forma, sua atuação como cidadão, é o
elemento que contribuirá para a formação da cidadania, pois de nada serve gerir
e tratar a informação, se ela não estiver voltada para objetivos coerentes e
relacionada com a realidade social. Nesse contexto, estão também questões
como ética e sigilo na preservação da informação, já que a responsabilidade civil
no que diz respeito, ao fornecimento e a divulgação da informação, são atitudes,
das quais, todos os profissionais devem ficar muito atentos, durante o processo
decisório, pois poderá vir à tona, reflexões sobre o direito do cidadão em obter e
divulgar a informação, portanto, permeia linhas de ação, que fornece motivos para
se pensar sobre a função das atuais tecnologias aliados a Internet, que hoje
deixou de ser algo etéreo para estar presente nas realidades mais distantes.
Contudo, é inegável, que estamos num verdadeiro mundo digital, para a qual, o
aparato tecnológico, se impõe a cada dia e em maior escala. No entanto,
devemos garantir que o acesso à informação seja substancialmente mais viável e
relevante para o cidadão.

Enfim, referindo-se ao profissionalismo como um

estado de espírito e de atitude, pode-se aqui citar o atendimento, a
responsabilidade e a adequação, como conceitos associados diretamente ao
desenvolvimento profissional, sejam no âmbito da educação formal continuada
(cursos de capacitação, atualização, qualificação), sejam no âmbito da educação
informal e autodidata.

�14

6.

Conclusão

As bibliotecas universitárias são construídas, visando à interação da
comunidade acadêmica, na busca da excelência no atendimento aos interesses
de pesquisa. Sob outra análise, o desenvolvimento de diversos padrões de
acesso à informação em referência as diferentes áreas do conhecimento a que
pertencem, faz com que a biblioteca se torne a chave de novos horizontes.
Portanto, são espaços para a produção e a expansão de novos conhecimentos, o
que torna a biblioteca universitária uma unidade facilitadora de acesso que
organiza e dissemina a informação, através da Internet e de outros meios
tecnológicos. Logo, é importante observar que a biblioteca universitária é um
indispensável suporte para os pesquisadores, até porque está atualmente numa
dimensão eletrônica sem limites, no qual, a comunicação e a tecnologia, são
vistas como meios que aperfeiçoam as vias de disseminação e produção do
conhecimento. Neste caso, a Internet deve ser usada para levar a biblioteca
tradicional, a assumir a responsabilidade de disseminar a informação científica,
além do universo dos pesquisadores e acadêmicos e, se obrigar disseminar
conhecimento, através da criação e da atualização constante das bases de
dados, bem como, promover a sua responsabilidade social no âmbito
internacional, nacional, regional ou local. Por fim, garantir a cidadania, assegurar
os direitos de acesso à informação e à educação para os indivíduos, agora e no
futuro, implica reduzir os riscos aqui analisados, portanto, devemos ter
consciência de que só oferecendo serviços na intenção de trabalhar com o
coletivo, não só pelas técnicas e instrumentos disponíveis, mas pensando em
contribuir para a dignidade e a sobrevivência de modo mais igualitário possível, e
que todos poderão vir a ter o mínimo de condições de participar e exercer o seu
papel social. Porém, mesmo diante de uma sociedade cada vez mais competitiva,
isso se tornar cada vez mais viável e necessário, simplesmente porque é
fundamentalmente um dever de todos nós como seres humanos civilizados e
democráticos.

�15

BIBLIOGRAFIA

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O artigo apresenta o assunto Inteligência coletiva, pensando na atuação do profissional e nas tecnologias eletrônicas de recuperação da informação, bem como, observa que a interação humana, a inovação e a solidariedade são atitudes valiosas diante de um universo de pesquisadores interessados em um tema de estudo em comum, pois afinal, é função de todos contribuírem com a disseminação da informação. Portanto, é importante um desenvolvimento efetivo de sistemas de organização e gestão de informações, com uma estrutura de termos relacionados e atualizados periodicamente numa linguagem dinâmica e relevante. Afinal, com a atual diversidade de termos técnicos e científicos e, pela demanda por maior rapidez e facilidade na recuperação, melhorar a qualidade dos produtos e serviços, é fundamental para qualquer profissional que trabalha e/ou administra o universo informacional. Portanto, quando os agentes do processo colaboram na interação e na força do coletivo, a necessidade de uma educação qualificada, continuada e direcionada, torna-se mister para satisfazer a sede de conhecimento que todos trazemos dentro de cada um de nós.</text>
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                    <text>INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL X ENDOMARKETING COMPETITIVO:
uma proposta de gestão informacional no mercado de autopeças

Edileusa Regina Pena da Silva
Professora do Curso de Biblioteconomia da UFMT, Doutoranda em Ciências Sociais
- PUC  SP
pena.edileusaregina@gmail.com
Mariza Inês da Silva Pinheiro
Professora Mestre do Curso de Biblioteconomia da UFMT  Campus Rondonópolis,
MT  Brasil
mariza.ines@terra.com.br
Katiuscia Diniz Goulart
Professora especialista em Marketing das FAIR/UNIR  Rondonópolis-MT - Brasil
katiuscia@katiuscia.com.br
Nilce Vieira dos Santos
Graduada em Biblioteconomia pela UFMT. Campus Rondonópolis, MT  Brasil
nilce_planalto@hotmail.com
Resumo
O artigo apresenta um estudo em uma empresa familiar com o objetivo de propor o
endomarketing como plano de ação para melhorar a gestão de informações. As
empresas precisam auxiliar seus funcionários e deixar claro sua missão, valores e
cultura, além de oferecer um sistema de comunicação eficiente e informações
precisas, a fim de desenvolver a inteligência empresarial. Com a pesquisa realizada
com todos colaboradores, constatou-se que a maioria deles não se sente valorizado;
a comunicação entre colegas é ruim; a utilização das fontes informacionais
impressas e eletrônicas existentes na empresa é pequena. Acredita-se que com a
aplicação de um plano de endomarketing, juntamente com a atuação do
bibliotecário, pode-se promover mudanças significativas, já que esse profissional tem
capacidade de disseminar e recuperar a informação, que na atual conjuntura é vista
como um dos mais importantes produtos de consumo.

Palavras-chave: Empresa de autopeças. Bibliotecário. Endomarketing. Inteligência
empresarial. Gestão informacional.

�2
1 INTRODUÇÃO

Em plena era do conhecimento e da informação, os computadores têm o seu
lugar garantido na vida dos seres humanos, devido a sua dinâmica operacional que
facilita/agiliza as atividades humanas. Nos dias de hoje é muito comum encontrar
este instrumento auxiliando as pessoas nos bancos, escritórios, áreas de produção,
trânsito, profissões liberais, nas escolas, comércio e entre outros setores da vida
cotidiana.
Em relação ao mundo empresarial, apesar das organizações estarem
conectadas às novas ferramentas tecnológicas e computacionais, isso não tem
minimizado as várias mudanças, transformações e variáveis externas e internas que
dificultam o desenvolvimento das tarefas diárias dos seres humanos, fazendo com
que as pessoas estejam atentas, por exemplo: no ambiente externo (mercado,
concorrência, aspectos financeiros), no capital humano, na estrutura organizacional,
nos recursos disponíveis e outros tantos fatores que vêm sendo estudados ao longo
dos anos.
O que demonstra que as novas tecnologias e as inúmeras possibilidades dos
mundos eletrônico, digital e virtual tornaram-se fatores determinantes para o
desenvolvimento humano, empresarial, científico, social e econômico. Todavia, não é
o único nem definitivo e muito menos se constituem como principais responsáveis
por todas as transformações ocorridas no mundo a partir dos meados do século XX e
especialmente nos anos 1990 com uma maior disseminação da internet.
Diante do exposto, a empresa, principalmente, a familiar, precisa encontrar
novas e criativas soluções para garantir o seu lugar no mercado, por isso é essencial
investir em educação e formação humana e profissional voltada para a flexibilização
de seus ambientes e melhorias dos processos de trabalho, promovendo mais espaço
para quem o demanda e mais reconhecimento para quem tem êxito.
Deste modo, a disseminação e recuperação da informação no meio
empresarial são fundamentais. Neste aspecto, este estudo teve como objetivo geral
propor o endomarketing como plano de ação para melhorar a gestão de informações
numa empresa de autopeças na cidade de Rondonópolis, MT.

�3
A informação tem um papel vital no desenvolvimento de novos processos,
habilidades administrativas e organizacionais dentro da empresa, e para isso deve
ofertar ao funcionário interno meios para receber a informação e manipulá-la de
forma eficaz, além disso, a empresa deve oferecer estrutura organizacional, clima,
cultura e sistema de informações funcionando como uma engrenagem perfeita, para
que todos trabalhem de forma eficiente. Para isso, no entanto, é necessário a
implantação de uma rede de informações clara e que seu processo comunicacional,
seus objetivos e suas metas estejam bem definidos.
Sob esta perspectiva, constatou-se que a empresa-alvo de estudo utiliza
pouco as fontes informacionais para seu ramo de atividade, está com algumas falhas
de comunicação interna. Acredita-se também que a empresa precisa traçar
estratégias para imprimir um comportamento que venha a caracterizar um processo
de transformação organizacional, com perspectivas de expansão de mercado e para
promover melhorias, para assim permanecer nesse mercado competitivo.
Neste sentido, uma das alternativas para esta empresa-alvo tornar-se
mais competitiva, efetiva, lucrativa e com um Sistema de Informação e Comunicação
(SIC) mais eficaz, sabendo utilizar os recursos informacionais disponíveis para
manter-se informado sobre seu mercado, seria o endomarketing.
O endomarketing, conhecido também como marketing interno, representa,
assim, uma poderosa ferramenta empresarial capaz de auxiliar no melhoramento
desta

estrutura

organizacional.

Isso

porque

interfere

no

comportamento

organizacional e no relacionamento das empresas com seus funcionários.
Há também a possibilidade de contribuir na formação de uma nova
mentalidade, a qual os funcionários incorporem as idéias da empresa como suas.
Significa também que a empresa vai ver e tratar os funcionários de sua organização
como clientes internos, dando-lhes consciência do objetivo estratégico da empresa.
Como sugere Brum (1998), estrategicamente, o endomarketing estimula toda a
organização a manter-se voltada para o atendimento do mercado tornando-a mais
eficiente e mais competitiva.
A autora ainda salienta que esta ferramenta visa facilitar e realizar trocas,
construindo relacionamentos com o público interno, compartilhando os objetivos da
empresa ou organização, harmonizando e fortalecendo estas relações. Sua função é
integrar a noção de "cliente" nos processos internos da estrutura organizacional,

�4
propiciando melhoria da qualidade de produtos e serviços com produtividade pessoal
e de processos.
Deste modo, observa-se que a empresa-alvo em estudo deve estar
voltada para o seu desenvolvimento e buscando contínuas melhorias, visando
atender as necessidades físicas, psicológicas e tecnológica de seus colaboradores.
Percebe-se que este trabalho é de relevante importância e justifica-se por mostrar e
implementar os processos de marketing, informação e comunicação integrado aos
recursos humanos. Além disso, constitui-se em uma arma estratégica para que esta
organização torne-se mais competitiva e lucrativa, uma vez que através destas
ferramentas possam mostrar subsídios para um gerenciamento estratégico de
líderes e gestores nos processos de tomada de decisão.
2 ENDOMARKETING

Como mencionado anteriormente, a palavra marketing leva a pensar
sobre promoção de vendas, estratégia e propaganda para atingir o público-externo.
Entretanto este conceito é limitado e deve ser revisto, em várias frentes. O marketing
além de oferecer ferramentas e mecanismos para atingir o público externo, também
disponibiliza o endomarketing para atingir os pilares das organizações, o público
interno, ou seja, as pessoas (funcionários).
Mas o que é endomarketing? Voltando-se para raiz etimológica, a palavra
endo provém do grego que quer dizer ação interior ou movimento para dentro.
Assim, a junção da palavra Endo+Marketing é igual o marketing para dentro (BRUM,
1998, p. 11).
Neste sentido, tanto o marketing como o endomarketing possuem um
composto de processos, atividades e ferramentas utilizadas que objetivam conhecer
os consumidores. Todavia enquanto o marketing trata somente do público externo o
endomarketing valoriza e busca fidelizar o público interno, ou seja, os funcionários,
por ser ele o responsável pela imagem positiva da empresa perante seus clientes,
bem como o principal responsável pelo sucesso ou não da empresa com a venda de
seus produtos e serviços e a satisfação plena de seus clientes e fornecedores.
Os funcionários da empresa desfilam a imagem da empresa e transmitem
em seus processos comunicacionais o estado de saúde da empresa, se está bem e

�5
seu fluxo comunicacional flui naturalmente por todos os setores e participantes ou se
há deficiências e dificuldades no tratamento e disseminação das informações
gerenciais e comerciais.
O endomarketing objetiva, assim, fortalecer as relações internas da
empresa, consistindo em realizar ações de marketing junto ao seu público interno,
visando promover a integração entre os departamentos da organização. Busca,
ainda, compartilhar os valores e objetivos estratégicos da empresa (BEKIN, 1995, p.
52).
Neste sentido, se o endomarketing, nada mais é do que marketing interno,
então pode ser visto como um processo gerencial que objetiva assegurar a todos os
funcionários da empresa a compreensão e vivência dos negócios da empresa em
que trabalha. Além disso, permite que eles conheçam as atividades voltadas para o
cliente e, ainda, que lhes possibilite uma preparação e motivação para que possam
atuar com foco no serviço a este cliente (BEKIN; GRÖNROOS, 1995).
Deste modo, o endomarketing visa desenvolver meios de fazer com que os
funcionários compartilhem entre si e a alta administração as metas e objetivos
traçados pela organização, promovendo a harmonia nas ações e buscando
conquistar e fidelizar tanto os consumidores internos quanto os externos.
Para que isso aconteça é preciso que a cultura organizacional seja mudada
de forma que ela se torne mais flexível e capaz de disseminar conhecimento, gerar
responsabilidades e delegar poder de decisão aos empregados. Nesse aspecto,
Chiavenato (1999, p. 139), menciona que:
A cultura exprime a identidade da organização. Ela é construída ao
longo tempo e passa a impregnar todas as práticas, constituindo um
complexo de representações mentais e um sistema coerente de
significados que une todos os membros em torno dos mesmos
objetivos e dos mesmos modos de agir.

Através de cultura, a empresa transmite sua maneira de pensar e agir perante
diversas situações que possui duas funções primordiais: ajuda a organização em
seus problemas básico e de sobrevivência e na adaptação ao ambiente externo.
Além disso, interfere e ajuda na integração de seus processos internos para
desenvolver a capacidade de continuar a sobreviver e adaptar-se ao mercado
competitivo.

�6
A partir do momento em que todas as referências culturais tornam-se claras,
os colaboradores têm mais facilidade para discernir entre o certo e o errado, o
importante e o trivial, o essencial e o acessório, podendo então se dedicar ao
desempenho de suas responsabilidades de modo produtivo.
Assim, o principal desafio do endomarketing é conciliar os objetivos e
interesses do público interno com as necessidades e expectativas do público externo
da organização, compreendendo e atendendo os desejos e expectativas do público
externo como condição para a satisfação plena do seu público interno. Quando se
pretende desenvolver um programa de endomarketing em uma organização é
preciso que se desenvolva um planejamento estratégico bem detalhado.

3 O PROFISSIONAL BIBLIOTECÁRIO COMO GESTOR DOS RECURSOS
INFORMACIONAIS NAS ORGANIZAÇÕES

O perfil do profissional da informação tecnológica e empresarial destaca
que

as

empresas

precisam

de

profissionais

da

informação

atuando

no

gerenciamento de informação em seus vários formatos e fontes. Entretanto, além da
informação interna, gerada e disseminada pelos departamentos da empresa, esta
necessita ainda de bons profissionais de informação capazes de selecionar a
enorme gama de variados tipos externos de informação, dispostos em diferentes
formatos, impressos, bases de dados, sistemas on-line, instituições, contatos
pessoais, experts e outros (MONTALLI, 1997 apud DAMÁSIO, 2000, p. 6).
Ainda dentro deste contexto, Kumar (1998, p. 1-5 apud DAMÁSIO, 2000,
p. 7) menciona que o profissional da informação deve ter as habilidades e
competências, levantadas como necessárias principalmente para o profissional
bibliotecário. Por sua vez, é preciso que tenha as seguintes habilidades: de ser
inovador, criativo, líder, comunicador, negociador, empresário, especialista na busca
(seletiva) informacional, diante da explosão da informação, e especialista em redes
(para participar no processo de globalização). O empreendendorismo na
Biblioteconomia tem se mostrado lucrativo e desafiador, exigindo dinamismo,
precisão e flexibilidade para lidar com as diversas situações que surgem em sue
cotidiano.

�7
Pesquisas têm mostrado o crescimento das possibilidades de
mercado, em todos os centros de informação, seja uma indústria,
uma companhia, bibliotecas públicas ou particulares (que
representam 20% do mercado), um meio de comunicação (jornais,
revistas, emissoras de rádio e de televisão), arquivos e museus,
hospitais ou empresas de multimídia (UNIVERSIA BRASIL, 2002).

Este tipo de ação só poderá ocorrer de maneira satisfatória se tiver as
informações corretas acerca do prognóstico a ser sanado. Assim, as atividades
desempenhadas por este profissional nos diversos ambientes segundo SINBIESP,
(2004) devem ser:
•
•
•
•
•
•
•
•

Disponibilizar informação contínua em vários
instrumentos;
Gerenciar unidades, redes e sistemas de informação;
Desenvolver recursos informacionais;
Disseminar informação;
Desenvolver estudos e pesquisas;
Prestar serviços de assessoria e consultaria;
Realizar difusão cultural;
Desenvolver ações educativas.

tipos

de

O bibliotecário como um dos agentes da disseminação da informação tem o
papel de utilizar as fontes informacionais em prol da sua empresa. Neste cenário,
[...] as fontes de informação são utilizadas com o fito de coletar elementos a respeito
de aspectos ou componentes específicos do ambiente empresarial (BARBOSA,
2006, p. 93).
Dentro desse mesmo enfoque Sugahara e Jannuzzi (2005, p. 45)
mencionam que: o uso de fontes de informação internas e externas à empresa para
geração de inovação tecnológica é fator determinante para a competitividade de
qualquer economia. Os autores ainda salientam que a informação, quando
percebida e assimilada, possibilita a criação ou aperfeiçoamento de um produto e/ou
processo produtivo.

4 RESULTADOS
A partir dos resultados obtidos, percebeu-se que há algumas mudanças
que precisam acontecer na empresa e que os funcionários devem ter consciência
dessas necessidades. Nessa pesquisa, buscou-se saber sobre o perfil dos

�8
funcionários, e o resultado mostrou que não há alta rotatividade de funcionários, pois
a maioria trabalha há mais de três anos na empresa. E apesar de todo este tempo,
os funcionários ainda não conhecem os objetivos, metas e missão da empresa, visto
que não há definição de metas, objetivos e missão de forma estruturada, escrita e
divulgada pelos proprietários para seu público interno.
No quesito treinamento, a empresa não oferece nenhuma possibilidade de
aperfeiçoamento profissional para seus funcionários, nem qualquer curso de
capacitação.
Quanto

ao

relacionamento

interpessoal,

as

pessoas

costumam

ser

colaborativas umas com as outras. Os resultados mostraram também que o
relacionamento entre colegas e com os chefes é considerado bom. Já a
comunicação entre colegas é regular porque não existem trocas de informação, ou
seja, não tem um feed back de atividades relacionadas às atividades profissionais.
O sistema interno de comunicação apresenta falhas devido a inexistência de
reuniões entre gestores e funcionários antes da implementação de qualquer
atividade, além disso, as decisões ainda seguem o modelo tradicional de
comunicação descendente, sem que haja a interação dos funcionários em relação a
qualquer tipo de informação ou sugestão. Embora os resultados mostrem que os
chefes costumam elencar os objetivos e as metas que esperam sejam cumpridas
pelos funcionários.
Quando questionados sobre a participação dos funcionários nas tomadas de
decisão de estratégias e metas, a maioria respondeu que os funcionários não são
consultados em nenhuma decisão da empresa, o que os faz sentirem-se pouco
valorizados.
Segundo os entrevistados, os motivos para o descontentamento estão
relacionados com a falta de oportunidades para o desenvolvimento humano e
profissional, baixo salário, falta de reconhecimento profissional e diálogo profissional
entre colegas.
Os funcionários também não se consideram motivados a desempenhar o seu
trabalho. Segundo eles, nem os próprios donos aparentam motivados em atingir
suas metas e vencer os desafios. A falta de mudanças e melhorias no setor de
gerenciamento e no de recursos humanos, assim como, a falta de oportunidades
para o público interno de atualização em sua área de atuação e o excesso de

�9
trabalho também são motivos que estão causando a desmotivação na maioria dos
funcionários.
Outro item questionado foi sobre à informação. A empresa oferece poucos
tipos de informações a respeito de seus produtos e serviços. Os funcionários
sentem-se pouco informados acerca da empresa. Quanto ao uso das fontes
informacionais a maioria disse que a utilização é pouca e quando precisam de
informações buscam nos sites na internet, jornais informativos, revistas, encartes e
catálogos eletrônicos que tratam do mercado de autopeças. Percebeu-se então uma
grave falha no processo comunicacional da empresa em questão, pois qualquer
setor que deseja alcançar o sucesso deve conquistar seus clientes, encantando-os e
satisfazendo suas necessidades comerciais e informacionais. Para isso, o primeiro
passo é uma equipe de atendimento ao cliente consciente das possibilidades da
empresa e que conheçam, de fato e na íntegra, a empresa que trabalham, como sua
origem, seu corpo gerencial, operacional, administrativo, financeiro. Também é
importante o conhecimento profundo das ofertas, das formas e condições de
pagamento, bem como das deficiências e problemas, para que os funcionários
incorporem o espírito empresarial e aliem-se aos seus gerentes na conquista das
metas idealizadas.
Outro ponto abordado foi em relação ao acesso às informações. Constatou-se
que os funcionários utilizam pouco os recursos oferecidos pela empresa,
principalmente a internet, por não saberem utilizar as tecnologias disponíveis e seus
programas e possibilidades. Em relação à estrutura organizacional percebeu-se que
não existe objetivo, planejamento estratégico, metas e missão delineadas pela
empresa. Intrinsecamente os objetivos da empresa são apenas vender e obter lucro.
Verificou-se, então, que a empresa pesquisada deve avaliar todos os itens
negativos dessa pesquisa e trabalhar em prol desses fatores para ter um
crescimento maior e manter-se no mercado da cidade de Rondonópolis, local da
empresa pesquisada.
Este trabalho visa principalmente propor melhorias às suas bases estruturais,
seu alicerce, ou seja, os funcionários, para que, futuramente, possam traçar
estratégias que alcancem seu público externo (consumidores). Assim, os resultados
indicam a necessidade de desenvolver ações para melhorar alguns pontos internos
que estão impedindo um melhor desenvolvimento da empresa.

�10
5 RECOMENDAÇÕES

Essa empresa considerada familiar precisa implantar alguns programas de
cursos que possam ajudar no processo de crescimento da mesma, tais como:
treinamentos, cursos de capacitação, qualidade no atendimento, motivação,
relacionamento interpessoal, comunicação e outros. Além do mais, conhecimento e
capacitação dos funcionários deve ser visto como um investimento, pois o
treinamento inclui todas as experiências que fortalecem e consolidam as
características dos empregados (CHIAVENATO, 2000, p. 116).
Por meio de literaturas e pesquisa pode-se afirmar que os funcionários
mais capacitados desempenham suas atividades diárias de maneira mais eficaz,
com segurança e cometendo menos erros. Assim, tanto a empresa como os
funcionários saem ganhando, pois se tornam mais motivados e preparados para os
desafios diários, e conseqüentemente, isto pode ser visto como uma ferramenta de
marketing para melhorar o relacionamento com os clientes que acabam por perceber
as mudanças.
Em relação às pessoas, segundo Carlzon (1990 apud RODRIGUES [s. d])1
a) toda pessoa precisa saber e sentir que é necessária; b) todos gostam de ser
tratados

como

indivíduos;

c)

dar

a

alguém

a

liberdade

para

assumir

responsabilidades libera recursos que de outra maneira permaneceriam ocultos; d)
um indivíduo sem informações não pode assumir responsabilidades; um indivíduo
que recebeu informações não pode deixar de assumir responsabilidades.

Assim, desenvolver treinamentos parece ser o ponto chave para desenvolver
os recursos humanos e a empresa como um todo. Sendo assim, foi realizado um
plano de ação proposto poderá promover melhorias na empresa, observa-se que
estas ações poderão ser desenvolvidas continuamente, promovendo a maior
participação de cada funcionário com todos os processos e colegas de trabalho o
que os motivará e valorizará cada um como peças fundamentais de um processo.
Em relação à valorização e motivação ficou constatado, segundo a pesquisa,
que os funcionários mencionam sobre os salários baixos. Assim, indaga-se: O salário
é um fator de motivação? Respondendo esta questão:

1

Informação extraída por meio eletrônico.

�11

Associando a teoria de Maslow e Herzberg à nossa questão de
salário, como fator de motivação, observamos que, indiretamente, o
salário contribui, é o pano de fundo, podemos compreender que o
salário está tão intimamente ligado à satisfação das necessidades
humanas. As pessoas desejam dinheiro porque este lhes permite não
só a satisfação de necessidades fisiológicas e de segurança, mas
também dá plenas condições para a satisfação das necessidades
sociais, de estima e de auto-realização (SÓRIO, 2005)..

O plano de ação em Endomarketing estará sempre voltado ao acesso às
informações, qualidade no atendimento, qualidade de vida e economia dos recursos,
por isso desenvolver ações para promover melhorias é primordial para que esta
missão seja alcançada, assim, qualificação e capacitação de cada um dos
envolvidos mostra-se importante neste processo de melhoria.
Neste sentido, com a utilização da ferramenta de endomarketing desenvolveuse um plano de ação de melhoria baseado no Método dos 5W e 2H (UNIPÒS,
2005, p. 3) para propor mudanças nos relacionamento interpessoal, motivação,
comunicação, cultura e a utilização dos recursos informacionais deflagrados na
pesquisa. A técnica 5W 2 2H tem como objetivo a descrição dos aspectos de uma
atividade, plano ou programa que precisem estar bem definidos para sua correta
execução (GEFIM, 2006).
Esta empresa é considerada familiar e muito antiga na cidade, e observou-se
que investe pouco em inovações nos funcionários e em qualificação, o que deixa um
pouco desatualizada, causando um clima de desmotivação entre os funcionários e
até mesmo nos donos. Quanto aos sistemas de informação da empresa estão de
acordo com a tecnologia atual, em que disponibiliza computadores interligados a
internet e software acerca dos clientes (banco de dados), mas não desenvolvem
qualquer tipo de estratégia de marketing junto a seus clientes externos, como mala
direta, propagandas e outras.
A partir de todos os estudos bibliográficos desenvolvidos, pesquisa,
informações adquiridas em conversas informais recomenda-se alguns itens
importantes para o crescimento da empresa, como podemos observar a seguir.

�12
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

As organizações precisam criar laços com seu público externo e interno, pois
elas dependem das pessoas para desenvolverem seus processos. Por isso a
cooperação dos funcionários e desenvolver um ambiente harmonioso. Surge assim
uma ferramenta de marketing que pode viabilizar isto, o endomarketing.
O endomarketing é uma importante ferramenta, que pode auxiliar no
desenvolvimento de ações junto ao seu público interno, visando melhor conhecer a
equipe, melhorando a comunicação, a imagem, valorização, motivação e outras
tantas

ações

para

promover

mudanças

internas

que

poderão

influenciar

positivamente a empresa e seus funcionários.
Por meio deste trabalho, pôde-se entender melhor esta ferramenta e elaborar
uma proposta de endomarketing como plano de ação para disseminar sua
importância como agente de mudança e melhorias na gestão de informações. As
ações propostas são investimentos que pouco onerarão a empresa, sendo simples
ações que poderão trazer mudanças consideráveis na estrutura organizacional,
cultura, comunicação e clima.
Comprovou-se que ações de endomarketing não são realizadas na empresa
em estudo, apenas utilizam quadro de aviso para divulgar informações a respeito dos
clientes internos e usam uniformes. No entanto não há qualquer ação voltada para
seus funcionários. O grande desafio do endomarketing é proporcionar aos
empregados uma condição de aplicação de valores como: transparência, empatia,
afetividade, comprometimento e cooperação, transformando esses valores em
crescimento e desenvolvimento dos empregados, e conseqüentemente, em ganhos
de produtividade.
Diante de todas as informações e resultados disponibilizados pela empresa,
funcionários e observação direta deste caso, a proposta de desenvolver o plano de
ação parece muito importante, pois se a empresa em estudo, implementar ações que
conscientizem os funcionários sobre esta ferramenta, como foi recomendado no
plano de ação, esta, poderá melhorar o relacionamento interpessoal, motivação,
comunicação e outros.

�13
Importante lembrar, que neste contexto, o profissional da informação pode se
tornar um grande facilitador para desenvolver as ações necessárias dentro de uma
organização, sendo na indústria, no comércio, nas empresas prestadoras de
serviços, nos órgãos gerenciadores, enfim, em qualquer ramo de atividade humana.
O bibliotecário não sendo considerado apenas o detentor de informações, mas como
agente de mudanças, pois é importante lembrar que o bibliotecário é um profissional
que sempre estará presente, manipulando a automação, tratamento e disseminação
das informações e do conhecimento. Essa automação auxilia cada vez mais para o
desempenho eficaz de suas funções.
O novo perfil do bibliotecário mostra que este deve estar bem atualizado a
respeito de tudo e de toda a organização, pois é peça importante em todo o
processo de execução de tarefas de uma organização, sendo muito dinâmico, ativo e
perito em informações para se adaptar às diferentes situações.
Partindo de todo o contexto apresentado, concluiu-se que a profissão de
bibliotecário é muito importante em qualquer ramo de atividade e que estes podem
atuar de maneira aprazível desde que utilizem das facilidades oferecidas pelas novas
tecnologias, além das bases educacionais contidas nas ciências Biblioteconômica e
da Informação - que são bases desta profissão  buscando interagir com outras
disciplinas como é o caso do Marketing, Inteligência Competitiva e Endomarketing, a
fim de que possa promover novas perspectivas de prestação de serviços
informacionais. Assim como, sugerir dentro de uma organização novos meios de
melhor geri-la, implantando alternativas mais dinâmicas.

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Documentação&#13;
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                <text>Inteligência empresarial X endomarketing competitivo: uma proposta de gestão informacional no mercado de autopeças.</text>
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                <text>Silva, Edileusa Regina Pena da; Pinheirio, Mariza Inês da Silva; Goulart, Katiuscia Diniz; Santos, Nilce Vieira dos</text>
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                <text>O artigo apresenta um estudo em uma empresa familiar com o objetivo de propor o endomarketing como plano de ação para melhorar a gestão de informações. As empresas precisam auxiliar seus funcionários e deixar claro sua missão, valores e cultura, além de oferecer um sistema de comunicação eficiente e informações precisas, a fim de desenvolver a inteligência empresarial. Com a pesquisa realizada com todos colaboradores, constatou-se que a maioria deles não se sente valorizado; a comunicação entre colegas é ruim; a utilização das fontes informacionais impressas e eletrônicas existentes na empresa é pequena. Acredita-se que com a aplicação de um plano de endomarketing, juntamente com a atuação do bibliotecário, pode-se promover mudanças significativas, já que esse profissional tem capacidade de disseminar e recuperar a informação, que na atual conjuntura é vista como um dos mais importantes produtos de consumo.</text>
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                    <text>EIXO TEMÁTICO: “AS POLÍTICAS PÚBLICAS DE ACESSO À INFORMAÇÃO”

LEIS DE INCENTIVO CULTURAL: UM DIAGNÓSTICO DA
DEMANDA POR MUSEUS, BIBLIOTECAS E ARQUIVOS.
Nome: Adriana Carla de Azevedo Borba (Arquiteta e urbanista, Especialista em
Design Estratégico, Mestranda no PPGau na área de História Urbana)
Instituição: UFRN – Programa de Pós Graduação em Arquitetura (PPGau)
Endereço: Rua Antônio Farache, 1919, aptº. 601, Capim Macio, Natal RN, CEP:
59082-110
Telefones: 84- 3642-3106/ 84- 9987-0020
E-mail: ad_borba@yahoo.com.br, adrianaborba@hotmail.com

RESUMO
Dentro de um movimento maior em esfera nacional que repercute nos âmbitos
estadual e municipal, uma série de legislações de incentivo cultural foram
promulgadas. As áreas de atuação dessas leis atendem a doze segmentos
diferenciados, sendo um deles “Museus, bibliotecas e arquivos”. O Rio Grande do
Norte, por exemplo, desde 1999 conta com legislação específica, “Lei Câmara
Cascudo, nº 7.799 de 30/12/1999”, e sua capital, em esfera municipal, conta com
a “Lei Djalma Maranhão, nº 5.323 de 28/11/2001”. Dada a variedade de
segmentos que podem ser contemplados, esperava-se que a cultura local fosse
alavancada. Contudo, num âmbito mais global, uma série de fatores têm
emperrado seu funcionamento: seja a pouca divulgação, a burocracia, ou o pouco
envolvimento do setor privado, o fato é que as leis não têm tido o resultado pleno
que se esperava. Na busca por compreender e diagnosticar o fomento específico
na área de “Museus, bibliotecas e arquivos”, esta pesquisa se propõe a
caracterizar e analisar a primeira etapa na qual o processo pode estar sendo
refreado: a demanda desta área de atuação do projeto, a partir de pesquisa
documental junto aos órgãos competentes que arquivam os projetos de incentivo
cultural (a saber, Fundação José Augusto).
Palavras chave – Lei de incentivo cultural. Museus. Bibliotecas. Arquivos. Projeto
Cultural.

1 INTRODUÇÃO
A década de 1990, do ponto de vista cultural, pode ser marcada como a
década das leis de incentivo cultural: tanto no âmbito do país como nas instâncias
estadual e municipal, uma série de projetos de lei foram sendo aprovados e

�regulamentos através de leis e decretos, dando início a uma nova forma de
pensar o fazer cultural brasileiro.
Antes dependentes somente da iniciativa privada, a produção cultural
passou a contar com a parceria público e privado, o que resultou em benefícios
para os três agentes que se envolvem diretamente no processo: do idealizador,
que vê na lei de incentivo uma possibilidade para concretizar sua idéia; do
patrocinador privado que viu se reduzindo sua participação financeira direta (para
cerca de 20% do que era antes da existência das leis de incentivo), ao mesmo
tempo em que aumentou seu espaço publicitário junto à população (vez que o
projeto prevê a divulgação do patrocinador juntamente com o do projeto, sem
ônus para nenhum destes) e agregando novos significados à imagem da empresa
(pesquisas de marketing e publicidade têm demonstrado que o envolvimento de
empresas com atividades sociais, culturais e ecológicas faz com que sua imagem
se torne mais “simpática” na opinião do público consumidor); e do governo, que
passou a atuar na cultura – uma área antes pouco valorizada, mas com grande
potencial de retorno econômico dadas as suas atuais combinações junto ao setor
turístico e de entretenimento, lazer e educação (em outros termos, uma área com
grandes possibilidades para geração de emprego e renda em diversos outros
setores).
Isto tudo, sem deixar de mencionar também um outro agente envolvido
indiretamente no processo que é o público consumidor de cultura em geral, que
se beneficia com as diversas formas de arte e lazer que começam a surgir, muitas
vezes a preços acessíveis ou mesmo gratuitos em certos casos.
Apesar das inúmeras vantagens proporcionadas pelas leis de incentivo
cultural, em teoria, na prática, o que se tem verificado é que a demanda cultural
sofreu um aumento, mas não tanto quanto era de se esperar. A prova maior disto
é que, citando exemplos locais, desde o início da vigência das leis Câmara
Cascudo (lei de incentivo que atua no estado do Rio Grande do Norte) e Djalma
Maranhão (lei de incentivo que atua no município de Natal), por volta de 1999, em
nenhum ano desde então a verba destinada aos projetos foi totalmente utilizada,

�tendo retornado aos cofres públicos – vez que o montante destinado a estes
projetos não é acumulativo.
Tem havido uma movimentação de artistas e proponentes de projetos
culturais no sentido de promover reformulações nas legislações para torná-las
mais acessíveis, buscando reverter uma gama de situações que têm dificultado o
pleno funcionamento destes instrumentos legislativos. Seja a pouca divulgação
destas legislações (que poderiam e deveriam ser trabalhadas nas universidades
junto a uma gama enorme de profissionais), a burocracia que envolve a
elaboração de aprovação dos projetos (dada a variedade, é inviável se estipular
uma forma única de preenchimento, e assim também o julgamento do que deve e
não deve ser aprovado é muito subjetivo, dificultando a imparcialidade na análise
do mesmo e até a criação de parâmetros de comparação entre os diversos
projetos) ou o pouco envolvimento do setor privado (por desconhecimento da lei e
de seus mecanismos de funcionamento), dentre outras questões, o fato é que as
leis não têm tido o resultado pleno que se esperava.
Dentre as tantas áreas de atuação dos projetos culturais (a saber “artes
cênicas e ópera”; “música”; “fotografia, cinema e vídeo”; “literatura”; “artes
plásticas e gráficas”; “artesanato, folclore, tradições populares”; “museus,
bibliotecas, arquivos”; “bens móveis e imóveis”), empiricamente, a que mais
chama atenção pela baixa demanda de projetos culturais é a área “museus,
bibliotecas e arquivos”. Tal situação é bastante preocupante porque são nos
museus, bibliotecas e arquivos que ficam guardadas e preservadas toda a
produção intelectual de um povo, e uma civilização que não registra e procura
aprender com experiências passadas, está fadada a perder sua memória, sua
identidade.
A precariedade dos museus, bibliotecas e arquivos de Natal, aliada à
inexpressiva demanda de projetos nessa área e ao crescimento da produção
cultural – o que pressupõe novos espaços físicos para comportá-las –
corresponde a uma realidade muito negativa que precisa ser revertida com
urgência. É partindo desta problemática e tentando compreender os motivos da
baixa demanda de projetos de incentivo cultural na área de “museus, bibliotecas,

�arquivos”, que a presente pesquisa se propõe a caracterizar e analisar a primeira
instância na qual o processo pode estar sendo refreado: quando da entrada do
projeto cultural nas tramitações das leis de incentivo.
2. METODOLOGIA
Procurando compreender os motivos da baixa demanda de projetos de
incentivo cultural na área de “museus, bibliotecas, arquivos”, de início foi realizada
uma pesquisa documental levantando as leis de incentivo cultural que poderiam
atuar no Rio Grande do Norte. Verificou-se que tanto a lei federal, como a
estadual e a municipal poderiam atuar no estado; entretanto, dada a necessidade
de acesso aos arquivos do projetos culturais, definiu-se trabalhar somente com os
arquivos que se encontravam na cidade de Natal – RN (ou seja, a pesquisa teve
como recorte geográfico as leis estadual e municipal de incentivo à cultura).
O passo seguinte foi a leitura das leis e anexos tanto da Lei Câmara
Cascudo, nº 7.799 de 30/12/1999 (estadual) como da Lei Djalma Maranhão, nº
5.323 de 28/11/2001 (municipal), selecionando quais informações deveriam ser
analisadas. Concluiu-se que os dados mais significativos para responder à
questão levantada neste trabalho seriam: “a área geográfica de abrangência do
projeto”; “o resumo do orçamento total do projeto”; “a descrição sucinta do
projeto”; “os objetivos que o projeto pretende alcançar”; e a “metodologia com as
principais etapas de desenvolvimento do projeto”.
Tendo definido quais informações deveriam ser levantadas, seguiu-se para
o trabalho de campo, ou seja, visitando os arquivos onde se encontravam os
projetos que deram entrada nas leis Câmara Cascudo e Djalma Maranhão. A
pesquisa no arquivo da lei Djalma Maranhão (lei municipal) foi adiada para a
segunda etapa desta pesquisa, em virtude de se encontrar no período de
encerramento dos prazos de entrega de projeto (e assim todos os funcionários
ficam à disposição para recebimento destes documentos) e além disto, a
ausência de informatização do arquivo (o que necessariamente tomaria muito do
tempo do funcionário do arquivo, deslocando do foco central deste mês).

�Assim sendo, apenas a lei estadual foi analisada. No arquivo foram
encontrados todos os projetos que se enquadravam na área “museus, bibliotecas
e arquivos”, os quais foram escaneados e em seguida feita sua análise,
considerando os itens acima mencionados. Os resultados desta análise
encontram-se no texto a seguir.
3. A LEGISLAÇÃO CULTURAL
Considerando que a presente pesquisa se limitou, por questões
operacionais, somente aos projetos enquadrados dentro da lei Câmara Cascudo,
serão abordados neste item as características específicas desta lei, ou seja, da
“Lei Câmara Cascudo, nº 7.799 de 30/12/1999”.
Foi em 10 de fevereiro de 2000, que através do Decreto de nº 14.759 foi
aprovado o regulamento da lei nº 7.799 de 30 de dezembro de 1999, a qual
institui o “Programa Cultural Câmara Cascudo”. De forma sintética, a lei funciona
da seguinte maneira: o idealizador do projeto cultural deve redigi-lo conforme
formulário apropriado (que aparece em anexo na Lei) e anexar outras
informações caso seja solicitado. No caso do projeto ser aprovado pela Comissão
Gerenciadora, existem outras documentações a serem providenciadas e mediante
a entrega destas, são emitidos “Títulos de Incentivo”, os quais devem ser
preenchidos pelo patrocinador (previamente captado pelo proponente do projeto).
Nos termos da própria lei, em seu artigo 14 da Seção II,
O Patrocinador que apoiar financeiramente projetos aprovados
pela Comissão Gerenciadora poderá abater até o equivalente a
2% (dois por cento) do valor do ICMS a recolher. § 1º. – O
abatimento de que trata o caput deste artigo limitar-se-á a 80%
(oitenta por cento) do valor dos recursos transferidos. § 2º. – Para
fazer jus ao abatimento, o Patrocinador deverá participar com
recursos próprios, em parcela equivalente a no mínimo 20%
(vinte por cento) do valor dos recursos transferidos, através do
numerário ou cheque ou equivalente em mercadorias. (LEI
CÂMARA CASCUDO, 1999)

Em outras palavras, o Patrocinador só poderá abater no máximo 2% (dois
por cento) do valor total pago ao ICMS e considerando este montante, somente

�80% (oitenta por cento) deste valor será abatido do imposto, ficando o restante
dos 20% (vinte por cento) a serem custeados pelo Patrocinador.
As áreas de atuação do projeto cultural na Lei Câmara Cascudo podem se
classificar nas seguintes: “Artes cênicas e ópera”; “Música”; “Fotografia, cinema e
vídeo”; “Literatura”; “Artes plásticas e gráficas”; “Artesanato, folclore, tradições
populares”; “Museus, bibliotecas, arquivos”; “Bens móveis e imóveis”.
Ao longo do tempo, desde o ano 2000 até hoje, tanto a lei em si como o
formulário de preenchimento, foram sofrendo ajustes no sentido de melhorar sua
aplicação

prática

–

contudo,

os

aspectos

mais

significativos

de

seu

funcionamento, sumariamente explicitados neste item, foram mantidos.
4 OS PROJETOS ANALISADOS
No arquivo de projetos culturais da Lei Câmara Cascudo foram
identificados um total de 08 (oito) processos arquivados, dentre os indeferidos ou
aprovados, desde o ano 2000 até hoje. São eles:
•

Processo 012/ 2000: “Da conquista do Atlântico Sul pela Aviação à Era

Espacial: Resgate Iconográfico e Formação do Banco de Imagens do Museu da
Aviação da Segunda Guerra – 1ª Etapa”, autoria de Leonardo Heymann Barata;
(MUSEUS – Ass. Man. Do Museu da Aviação e da Segunda Guerra);
•

Processo 020/ 2000: “Museu do Vaqueiro”, autoria de Marcelo Pessoa da

Cunha Lima;
•

Processo 032/ 2000: “Biblioteca do Museu da Aviação e da Segunda Guerra –

Formação do Acervo I”, autoria de Leonardo Heymann Barata; (MUSEUS – Ass.
Man. Do Museu da Aviação e da Segunda Guerra);
•

Processo 052/ 2000: “Potiguarte – O Portal de conteúdo cultural do RN”,

autoria de Carlos Henrique Moura M. de Noronha;
•

Processo 001/ 2001: “Novas Pinacotecas”, autoria de Carlos Humberto

Dantas;

�•

Processo 049/ 2001: “Museu da Aeronáutica e Espaço do Natal”, autoria de

Juvenal Macedo Filho (Fundação Rampa);
•

Processo 061/ 2001: “Formação e Constituição do Acervo do Museu da

Aviação e da Segunda Guerra”, autoria de Leonardo Heymann Barata; (MUSEUS
– Ass. Man. Do Museu da Aviação e da Segunda Guerra);
•

Processo 031/ 2002: “Centro de Cultura e Fé Padre João Maria: Museu de

Arte Sacra”, autoria de Dom Heitor de Araújo Sales (Arquidiocese de Natal).
Como se pôde verificar, de fato o número de projetos culturais cuja área
temática é de “museus, bibliotecas, arquivos” é bastante inexpressivo (fazendo
uma média simples, temos a entrada de 1,16 projetos culturais nesta área por
ano). Outro dado relevante foi a análise das datas de entrada destes projetos: No
ano de 2000 foram dados entrada em 04 (quatro) projetos; no ano seguinte, 2001,
este número caiu para 03 (três) projetos; em 2002 foi somente 01 (um) projeto
nesta área e de 2003 até hoje nenhum outro projeto nesta área foi registrado na
Fundação José Augusto (órgão responsável pela aplicação e operacionalização
desta Lei).
Este último dado que verifica a quantidade de projetos ao longo dos anos
pode ser considerado preocupante; existia no início desta pesquisa, uma
impressão empírica de que a área de museus, bibliotecas e arquivos era pouco
expressiva em número de projetos. Mas ao se verificar o arquivo, descobriu-se
que o número era realmente muito baixo e ainda veio diminuindo ao longo dos
anos e há 04 (quatro) anos não há entrada deste tipo de projeto. Ou seja, a
realidade encontrada foi ainda mais negativa do que as expectativas.
No que se refere aos temas dos projetos, o que se pôde constatar é que os
projetos giraram em torno de quatro temas principais; são eles: militar (“Da
conquista do Atlântico Sul pela Aviação à Era Espacial: Resgate Iconográfico e
Formação do Banco de Imagens do Museu da Aviação da Segunda Guerra – 1ª
Etapa”; “Biblioteca do Museu da Aviação e da Segunda Guerra – Formação do
Acervo I”; “Formação e Constituição do Acervo do Museu da Aviação e da
Segunda Guerra”; “Museu da Aeronáutica e Espaço do Natal”), cultura sertaneja

�(“Museu do Vaqueiro”), pinacoteca (“Novas Pinacotecas”), site informativo
(“Potiguarte – O Portal de conteúdo cultural do RN”) e museu sacro (“Centro de
Cultura e Fé Padre João Maria: Museu de Arte Sacra”).
O destaque nos temas foi na área militar, num total de 04 (quatro) projetos,
envolvendo a Segunda Guerra Mundial e Aviação/ Aeronáutica; tal fato evidencia
a relevante participação de Natal como uma cidade essencialmente militarizada,
sobretudo pela sua localização geográfica estratégica – aspecto pelo qual a
cidade se destacou desde o período da colonização do Brasil até os dias de hoje.
Os demais temas, com uma menção cada um, remonta aspectos da vida
sertaneja; aspectos da religião católica; a criação de pinacoteca e de um portal de
informações culturais do RN.
Analisando a área de abrangência dos projetos, observou-se que 37,5%
(três projetos) apresentam abrangência municipal; 37,5% (três projetos)
apresentam abrangência estadual; 12,5% (um projeto) tem abrangência municipal
e estadual e 12,5% (um projeto) tem abrangência regional. Pode-se perceber por
estes dados que poucos são os projetos que se propõem a atuar em áreas
geográficas maiores (regional) e que a maioria se concentra ou no estado do RN
ou somente na capital (Natal), apesar do projeto ter possibilidade de atuar em
todo o estado, não existindo projetos que visem outras cidades (no caso da
atuação concentrada em municípios e não no estado todo) que não a capital do
estado.
Com relação à descrição sucinta dos projetos, pode-se dizer que esta
fornece como dado principal a tipologia do projeto a ser realizado (se o projeto se
trata da área de biblioteca, museu ou arquivo). Deste dado, pôde-se constatar que
a maior parte dos projetos correspondem a museus (cinco projetos ou 62,5% do
total), seguindo de bibliotecas (dois projetos ou 25% do total) e por último,
arquivos (com apenas um projeto, ou 12,5% do total).
Com este resultado, verifica-se que a maior parte do que se pretende
preservar seriam objetos de valor histórico e ou cultural, e não necessariamente
informações (sejam elas em suporte papel ou virtual). De fato, no Rio Grande do
Norte e em especial da cidade de Natal, existem em maior quantidade as

�bibliotecas e arquivos, e muitos poucos museus – e os poucos existentes estão
necessitando de maiores investimentos.
Tratando dos objetivos dos projetos, como praticamente todos se tratam de
coletar material para ser arquivado, seja este arquivamento feito em arquivo
propriamente dito, em biblioteca ou museu, a grande maioria dos projetos se
propunham a formar um banco de dados (dados estes que podem ser
informações textuais, virtuais ou de imagens), que na seqüência seria organizado
e disponibilizado para o acesso público. Esta formação do banco de dados
poderia ser feita ainda mediante a aquisição direta (alguns proponentes
solicitaram no projeto a verba destinada a aquisição de materiais diversos) ou a
partir de doações (em outros casos, a verba solicitada foi para adquirir objetos a
serem doados para outras instituições).
Dentro dos objetivos específicos dos projetos, tendo em vista que esta
etapa da redação significa o detalhamento maior das ações a que os projetos se
predispõem

a

realizar,

torna-se

mais

complexo

o

estabelecimento

de

categorizações, haja visto que cada projeto é único. Mesmo no caso de um
mesmo autor redigir projetos diferentes (como aconteceu em alguns documentos
analisados nesta pesquisa), cada projeto é de fato diferente, tornando as
comparações entre eles muito difíceis, dado a gama de variáveis que se observa.
Na realidade, outra hipótese levantada no decorrer desta análise diz
respeito à subjetividade inerente a cada projeto cultural que dá entrada na Lei
Câmara Cascudo – tornando complexo e único o processo de idealização, de
formatação dentro do formulário de preenchimento da lei e de julgamento pela
comissão gerenciadora do projeto.
Considerando agora os valores totais dos projetos culturais da Lei Câmara
cascudo, verificou-se que os projetos estão ficando em média dentro do valor de
R$ 307.317,43, variando desde R$ 48.078,00 até R$ 733.546,17. Com esta
informação, verifica-se que de fato existe uma flutuação nos valores dos projetos,
que vai depender evidentemente do que se propõe realizar no mesmo, não
existindo desta forma, um padrão nos valores solicitados aos gestores do projeto.
Comparando estes valores dos projetos culturais com os gastos governamentais

�em outros setores e mesmo os gastos dentro desta Lei com as outras áreas de
atuação do projeto, fica aqui na pesquisa a questão: será que em seis anos de
atuação, o valor total solicitado (cerca de R$ 2.458.539,47) seria suficiente para
dotar a cidade de um sistema mais eficiente de armazenamento de informações?
Finalmente, no quesito metodologia, ou seja, as etapas pelas quais os
projetos devem passar para atingir seus objetivos, assim como no caso dos
objetivos a que se propõem os projetos, verificou-se uma certa semelhança entre
os projetos, pelo menos numa análise mais abrangente. Em linhas gerais, quando
o projeto não possui os materiais ou objetos ou informações de que necessita, a
metodologia se inicia com o levantamento do que deve ser adquirido, seguido
pela formação de banco de dados (dados entendidos aqui da forma mais
abrangente possível, visto que pode ser compreendido como objetos, livros,
informações, fotografias, dentre outros), organização e sistematização do que for
adquirido e finalmente a disponibilização do que foi obtido ao público. Esta
metodologia foi comum, em linhas gerais a seis (06) dos oito (08) projetos que
deram entrada na Lei Câmara Cascudo.
No caso dos outros dois projetos analisados, a diferença foi que os
proponentes – ou os organismos que os mesmos representam – já dispunham de
todo material (ou de grande parte) a ser posto em exposição pública, e a verba
destinada para a concretização do projeto cultural era solicitada mais para
restauração do acervo existente e ou para restauração do prédio (de relevante
importância histórica ou cultural para a cidade) no qual o acervo seria
acomodado. Nestas situações, os projetos envolviam a realização de projetos
arquitetônicos e reforços estruturais, restauração da edificação ou de parte do
acervo existente, organização do acervo no espaço físico restaurado e a
inauguração do espaço de exposição.
À título de informação, dos oito (08) projetos culturais da área de museus,
bibliotecas e arquivos que deram entrada na tramitação da Lei Câmara Cascudo,
somente 06 (seis) foram efetivamente aprovados, sendo que os outros dois foram
indeferidos ainda na fase de avaliação dos projetos. Não foram fornecidas
maiores informações acerca do atual andamento destes projetos (se foram feitas

�as captações de recursos, se os mesmos foram concretizados ou se não foram
terminados), enfim esta pesquisa procurou dar conta somente da primeira fase
pela qual os projetos culturais passam que é a entrada na Fundação José
Augusto para ser aprovada ou não; as demais fases do processo serão
investigadas num próximo momento.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao término desta pesquisa, que pode ser colocada como exploratória,
verificou-se que a demanda de projetos culturais na área de museus, arquivos e
bibliotecas é ainda mais baixa do que se esperava. E para agravar mais a
situação, os poucos projetos que deram entrada no primeiro ano de vigência da
lei (que foram um total de quatro projetos), foram sistematicamente diminuindo ao
longo dos tempos, de modo que desde 2003 até o presente ano, não houveram
mais entradas de projetos nesta área de atuação.
Outra crítica que se pode fazer aos projetos que tramitaram na lei, diz
respeito a pouca abrangência dos temas (militar, cultura sertaneja, pinacoteca,
portal informativo e museu sacro) versus a grande variedade de outros projetos
culturais que têm dado entrada no projeto de lei e sua respectiva produção e
materialização de objetos/ artefatos que demandam espaço físico para serem
devidamente registrados e armazenados para pesquisas futuras (como exemplo,
pode-se citar no caso de Natal, a expressiva a contribuição dos projetos na área
de música e literatura, que vêm ganhando cada vez mais espaço no contexto
cultural da cidade).
Uma outra hipótese levantada no decorrer desta análise foi com relação à
subjetividade inerente a cada projeto cultural que dá entrada na Lei Câmara
Cascudo, o que torna o projeto cultural complexo e único, desde sua idealização,
formatação dentro do formulário de preenchimento da lei e até mesmo o
julgamento pela comissão gerenciadora do projeto. Esta subjetividade leva a uma
série de dificuldades quando da elaboração do projeto cultural, o que poderia ser
um motivo bastante significativo para justificar a pouca demanda de projetos
culturais nesta área.

�Contudo, dado o baixíssimo número de entradas de projetos na Lei, outra
tese que pode ser aqui levantada, seria a pouca divulgação que estes projetos
culturais têm, junto aos profissionais que mais trabalham nesta área (ou seja, a
pouca divulgação das leis de incentivo cultural no meio acadêmico aos
profissionais bibliotecários, historiadores, arquivistas, museólogos, dentre outros).
Um fato é certo: esta realidade precisa ser revertida, vez que a tendência é que
cada vez mais, uma quantidade maior de informações sejam perdidas e a
memória da cultura popular seja esquecida, acarretando prejuízos inúmeros para
a posteridade.
REFERÊNCIAS
BARATA, Leonardo Heymann. Biblioteca do Museu da Aviação e da Segunda
Guerra – Formação do Acervo I. Natal, 2000. (Formulário de preenchimento da
Lei Câmara Cascudo, nº 7.799 de 30/12/1999. Governo do Estado do Rio Grande
do Norte. Fundação José Augusto. Secretaria de Estado da Tributação. Processo
032/00. 2000).
BARATA, Leonardo Heymann. Da conquista do Atlântico Sul pela Aviação à
Era Espacial: Resgate Iconográfico e Formação do Banco de Imagens do
Museu da Aviação da Segunda Guerra – 1ª Etapa. Natal, 2000. (Formulário de
preenchimento da Lei Câmara Cascudo, nº 7.799 de 30/12/1999. Governo do
Estado do Rio Grande do Norte. Fundação José Augusto. Secretaria de Estado
da Tributação. Processo 012/00. 2000).
BARATA, Leonardo Heymann. Formação e Constituição do Acervo do Museu
da Aviação e da Segunda Guerra. Natal, 2001. (Formulário de preenchimento
da Lei Câmara Cascudo, nº 7.799 de 30/12/1999. Governo do Estado do Rio
Grande do Norte. Fundação José Augusto. Secretaria de Estado da Tributação.
Processo 061/01. 2001).
DANTAS, Carlos Humberto. Novas Pinacotecas (Formulário de preenchimento
da Lei Câmara Cascudo, nº 7.799 de 30/12/1999. Governo do Estado do Rio
Grande do Norte. Fundação José Augusto. Secretaria de Estado da Tributação.
Processo 001/01. 2001).
FUNDAÇÃO JOSÉ AUGUSTO. Lei Câmara Cascudo, nº 7.799 de 30/12/1999.
Natal, 1999.
LIMA, Marcelo Pessoa da Cunha. Museu do Vaqueiro. Natal, 2000 (Formulário
de preenchimento da Lei Câmara Cascudo, nº 7.799 de 30/12/1999. Governo do
Estado do Rio Grande do Norte. Fundação José Augusto. Secretaria de Estado
da Tributação. Processo 020/00. 2000).

�MACEDO FILHO, Juvenal. Museu da Aeronáutica e Espaço do Natal. Natal,
2001. (Formulário de preenchimento da Lei Câmara Cascudo, nº 7.799 de
30/12/1999. Governo do Estado do Rio Grande do Norte. Fundação José
Augusto. Secretaria de Estado da Tributação. Processo 049/01. 2001).
NORONHA, Carlos Henrique Moura M. de. Potiguarte – O Portal de conteúdo
cultural do RN. Natal, 2000. (Formulário de preenchimento da Lei Câmara
Cascudo, nº 7.799 de 30/12/1999. Governo do Estado do Rio Grande do Norte.
Fundação José Augusto. Secretaria de Estado da Tributação. Processo 052/00.
2000).
SALES, Dom Heitor de Araújo. Centro de Cultura e Fé Padre João Maria:
Museu de Arte Sacra. Natal, 2000.(Formulário de preenchimento da Lei Câmara
Cascudo, nº 7.799 de 30/12/1999. Governo do Estado do Rio Grande do Norte.
Fundação José Augusto. Secretaria de Estado da Tributação. Processo 031/02.
2002).

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                <text>Dentro de um movimento maior em esfera nacional que repercute nos âmbitos estadual e municipal, uma série de legislações de incentivo cultural foram promulgadas. As áreas de atuação dessas leis atendem a doze segmentos diferenciados, sendo um deles “Museus, bibliotecas e arquivos”. O Rio Grande do Norte, por exemplo, desde 1999 conta com legislação específica, “Lei Câmara Cascudo, no 7.799 de 30/12/1999”, e sua capital, em esfera municipal, conta com a “Lei Djalma Maranhão, no 5.323 de 28/11/2001”. Dada a variedade de segmentos que podem ser contemplados, esperava-se que a cultura local fosse alavancada. Contudo, num âmbito mais global, uma série de fatores têm emperrado seu funcionamento: seja a pouca divulgação, a burocracia, ou o pouco envolvimento do setor privado, o fato é que as leis não têm tido o resultado pleno que se esperava. Na busca por compreender e diagnosticar o fomento específico na área de “Museus, bibliotecas e arquivos”, esta pesquisa se propõe a caracterizar e analisar a primeira etapa na qual o processo pode estar sendo refreado: a demanda desta área de atuação do projeto, a partir de pesquisa documental junto aos órgãos competentes que arquivam os projetos de incentivo cultural (a saber, Fundação José Augusto).</text>
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Leitura documentária para indexação de artigos de jornais
Mariângela Spotti Lopes Fujita*
Livre Docente, Professora do curso de Biblioteconomia e
de Pós Graduação em Ciências da Informação da
UNESP - Campus de Marília
Coordenadora do Grupo de Pesquisa Leitura em Análise
Documentária cadastrado no CNPq  Assessora da
UNESP para assuntos de biblioteca
Email: goldstar@flash.tv.br

Silvana Aparecida Fagundes**
Mestre em Ciências da Informação, Bibliotecária da
Coordenadoria Geral de Bibliotecas da UNESP e Membro
do Grupo de Pesquisa Análise Documentária da UNESP
 Campus de Marília
Email: silvanaf@reitoria.unesp.br

RESUMO
A leitura documentária consiste na identificação e extração de conceitos na
representação do conteúdo dos documentos. Difere-se da leitura normal porque ocorre
em condições específicas e contextos diferentes. Considerando que a leitura
documentária de jornais tem que ser rápida, devido a quantidade de material que
necessita ser tratado, interessa investigar os procedimentos dessa leitura rápida.
Evidencia-se que esta investigação propôs a elaboração de um modelo de leitura para
indexação de artigos de jornais mediante revisão de literatura, estudo de caso no
Arquivo do jornal O Estado de São Paulo e Departamento de Documentação da
Editora Abril Cultural e estudo de observação da leitura dos indexadores com
aplicação da técnica de Protocolo Verbal. Os resultados indicam que o indexador que
foi primeiramente orientado sobre o funcionamento do modelo, para posteriormente
individualmente utilizá-lo na indexação do texto inédito selecionado, representou por
meio dos conceitos selecionados mais adequadamente o conteúdo do texto, do que os
indexadores, que desconheciam o modelo de leitura. Concluiu-se que o modelo de
leitura proposto apresenta procedimentos que direciona o indexador experiente ou
inexperiente à uma compreensão durante a leitura documentária sem apelação ao
bom senso, permitindo assim realizar provavelmente uma representação mais
fidedigna do conteúdo do texto.
Palavras-chave: indexação de jornal; leitura documentária; estrutura textual
*

Endereço para contato:
UNESP  Universidade Estadual Paulista Julio Mesquita Filho, Faculdade de Filosofia
e Ciência de Marília, Departamento de Ciência da Informação
Av. Hygino Muzzi Filho, 737 Campus Universitário - Marília  SP
CEP 17525-900 Tel. (14) 3402 1370 Fax: (14) 34224797
**

Endereço para contato:
UNESP  Universidade Estadual Paulista Julio Mesquita Filho, Reitoria
Coordenadoria Geral de Bibliotecas da UNESP Grupo de Formação e Desenvolvimento de Coleções

Alameda Santos, 647 - 10º andar - São Paulo - SP - CEP 01419-901 Tel.: (11) 3252-0589

�2

1 Introdução e Referencial Teórico
A

Análise

Documentária

é

uma

área

da

Biblioteconomia

Documentação que investiga o tratamento do conteúdo temático
documentos por meio de atividades como à

e
de

indexação e a classificação

documentária na qual ocorre o exame do conteúdo temático por meio da leitura
documentária.
Considerando que o indexador trabalha com limite de tempo devido à
grande quantidade de material que precisa indexar o conhecimento e a
utilização da estrutura textual na indexação é um fator favorável para o objetivo
documentário, de identificar as idéias relevantes dos documentos num curto
espaço de tempo.
Percebemos, que a identificação de conceitos está vinculada a
objetivos institucionais variados que produzirão pontos de vistas diferentes para
se identificar os conceitos nos documentos porque almejam resultados
distintos.
Nosso interesse por investigar a leitura documentária surgiu como
membro do Grupo de Pesquisa Leitura em Análise Documentária da UNESP 
Campus de Marília, no qual desenvolvemos pesquisa de iniciação científica
com bolsa PIBIC-CNPq intitulada: Leitura em Análise Documentária durante o
curso de graduação em Biblioteconomia no ano de 1996, e após término da
pesquisa de iniciação científica, já acumulando uma modesta bagagem de
conhecimento da área de Análise Documentária, identificamos que a atividade
de leitura dos indexadores não apresentava muitas publicações na revisão de
literatura da área. Entretanto, a nosso ver, a análise do documento deveria ser
caracterizada como a atividade primordial da atividade de indexação, porque
sendo a primeira fase da análise do documento, o bom, ou, o mal resultado
desta refletirá na boa, ou na má qualidade das outras atividades (elaboração de
resumos e índices) que permeiam o caminho do usuário ao documento.
Com o conhecimento da escassez de pesquisas sobre leitura
documentária, e considerando os procedimentos relevantes recuperados na

�3

revisão de literatura que apontam que esta difere-se da leitura normal e deve
ser realizada rapidamente, levantamos alguma hipóteses em que supúnhamos
com relação ao fator tempo disponível para ler, que a leitura documentária de
jornais deveria ser rápida devido a grande quantidade de material publicado.
Ressalta-se que uma outra suposição era que os indexadores de
jornais experientes deveriam utilizar determinadas estratégias para realizar
essa leitura rápida, e interessava-nos descobrir quais eram essas estratégias.
Evidencia-se

que

questionávamos,

também,

se

as

estratégias

utilizadas eram compatíveis com o que recomendava a literatura.
Sendo assim, pretendendo identificar o contexto e as variáveis que
demandam a necessidade de se realizar esta leitura rápida (leitura
documentária), no dia-a-dia dos indexadores, optamos, por investigar a
atividade de leitura dos indexadores de jornais, iniciando a pesquisa em 1997
durante a graduação como Trabalho de Conclusão de Curso, no contexto do
Arquivo do jornal O Estado de São Paulo supondo que, no caso da indexação
de jornal, a leitura documentária deveria ser mais rápida ainda considerando à
grande quantidade de matérias jornalísticas publicadas diariamente que
precisam ser indexadas. E durante o curso de mestrado em Ciência da
Informação na UNESP-Marília, continuamos a investigação sobre indexação de
jornais, pois percebemos a necessidade de observar a leitura dos indexadores
de jornais em uma segunda ambiência diferente do Arquivo do jornal O Estado
de São Paulo buscando evidenciar os procedimentos desses profissionais
diante da realização da tarefa de indexar, procurando observar se utilizavam
determinadas estratégias e quais eram elas e se as mesmas eram
consideradas compatíveis com o que indicava a literatura e se coincidiam com
as práticas já observadas no Arquivo. E com os dados obtidos comparados
com informações relevantes recomendadas pela revisão de literatura sobre a
temática, elaboramos uma proposta de modelo de leitura para indexação de
jornais.

�4

2 Observação da leitura do indexador de artigo de jornal: procedimentos
metodológicos
Investigando a atividade de leitura documentária dos indexadores de
artigos de jornais optamos por desenvolver esta observação no contexto dos
centros de informações especializados que possuíam acervo organizado e
desenvolviam a atividade de indexação. Nessa pesquisa, a ambiência da
observação da prática de indexação de jornais ocorreu no contexto do Arquivo
do jornal O Estado de São Paulo e no Departamento de Documentação da
Editora Abril Cultural (DEDOC), visando identificar procedimentos para
proposição do modelo de leitura para indexação de jornais.
Evidenciamos que visando elaborar o modelo de leitura para indexação
de artigo de jornal a pesquisa adotou uma metodologia de coleta e análise de
dados que abrangeu, levantamento bibliográfico em fontes de informação na
área, onde se pesquisou a literatura relevante publicada sobre: leitura
documentária, estrutura do texto jornalístico,

identificação de conceitos e

metodologias para avaliação de política de indexação e linguagens
documentárias.
Destaca-se que com o levantamento bibliográfico, identificamos
bibliografias relevantes que compõem os pressupostos teóricos desta
pesquisa, em que se destaca: a metodologia para indexação manual de jornais
mencionada por Ahmad (1993); tipologias e estruturas textuais de textos
trabalhados pela Análise Documentária citada por Kobashi (1994), a
classificação das concepções de análise de assunto proposta por Albretchtsen
(1993), a estrutura do texto jornalístico elaborada por

Van Dijk (1983)

analisada e comentada por Amaro (1991) e ainda as considerações de Silva
(2001) para essa estrutura textual, atividades metacognitivas presentes na
leitura consciente estabelecidas por Brown (1980), elementos de política de
indexação estabelecidos por Carneiro (1985), avaliação da estrutura externa de
tesauros elaborada por Corrêa (1998), metodologia de avaliação da estrutura
interna de linguagens documentárias elaborada por Ginez de Lara (1993),
metodologia de análise de assunto do sistema de indexação PRECIS

�5

comentada por Fujita (1989) e modelo de leitura para indexação de artigo de
periódico científico também elaborado por Fujita (2000).
Posteriormente, ao levantamento bibliográfico realizou-se estudos de
casos nos centros de informação especializados (Arquivo e DEDOC)
evidenciando a prática de leitura dos indexadores que desenvolviam a
atividade de

indexação de jornais. Nessa fase de estudos de casos, foi

realizada consulta à documentação e conversa com os responsáveis pelos
setores, possibilitando uma caracterização da infra-estrutura física e funcional
dos centros englobando: histórico breve e área física, o organograma da
instituição, recursos humanos, recursos materiais (mobiliário, equipamento e
acervo), usuários e serviços prestados. E também foi elaborada

entrevista

para a caracterização dos indexadores dos sistemas de informações na qual se
obteve dados referentes à: formação educacional, experiência profissional
anterior e no serviço de indexação, outras atividades que realiza na instituição,
dificuldades na atividade de indexação e procedimentos de identificação de
conceitos e fontes de experiência de indexação.
Realizou-se a observação da política de indexação no Arquivo do jornal
O Estado de São Paulo e do DEDOC, por meio da verificação da ocorrência
de alguns elementos estabelecidos por Carneiro (1985) para uma provável
implantação de uma política de indexação.
Considerando que a linguagem documentária é outra variável

que

influência a atividade de indexação, desenvolveu-se nos estudos de casos no
DEDOC e Arquivo uma avaliação da estrutura externa, das linguagens
documentárias seguindo a metodologia elaborada por Corrêa (1998). Para e
avaliação da estrutura interna sendo esta aplicada na linguagem do DEDOC
seguindo a metodologia de Ginez de Lara (1993), porque a linguagem do
Arquivo não apresentou parâmetros funcionais para se avaliar a sua estrutura
interna.
Para investigar a atividade de leitura documentária dos indexadores de
jornal utilizou-se a técnica introspectiva Protocolo Verbal, permite que os
pensamentos do sujeitos (indexadores) ocorridos durante a leitura sejam são

�6

gravados e transcritos literalmente, produzindo protocolos verbais.

E

protocolos verbais são definidos como relatos verbais dos processos mentais
conscientes do sujeito. Em outras palavras, eles se referem ao Pensar Alto do
sujeito enquanto realiza uma tarefa de qualquer natureza. (CAVALCANTI,
1989; CAVALCANTI &amp; ZANOTTO, 1994).
Ilucidamos que a coleta de dados para observação da leitura utilizando
o Protocolo Verbal obedeceu os procedimentos listados abaixo:
1- Procedimentos anteriores à gravação do Protocolo Verbal:
•

Seleção do Texto-Base

Para a seleção do texto-base escolheram-se textos inéditos, ou seja.,
desconhecidos e ainda não indexados por nenhum dos indexadores.
Quanto a temática os textos selecionados eram referentes aos
Cadernos, ou Editorias dos Jornais com os quais cada indexador trabalhava,
variando-se, assim, a temática de cada texto.
Destaca-se que para a observação da leitura dos indexadores do
Arquivo e do DEDOC foram selecionados 10 textos, sendo que cada indexador
(caracterizados como sujeito 1,2,3,4 e 5) indexou dois textos.
•

Seleção dos Sujeitos

A seleção dos sujeitos considerou como critério o tempo de
permanência no sistema de informação e na atividade de indexação
acrescentando ainda habilidade em indexação refletida na quantidade de
documentos indexados. Destaca-se que foram selecionados cinco indexadores
que foram classificados como sujeitos 1 e 2 (pertencentes ao Arquivo) e
sujeitos 3, 4 e 5 (pertencentes ao DEDOC).
•

Conversa informal com os sujeitos

Ressalta-se que foi realizada uma conversa informal com cada um dos
sujeitos em que mencionaram-se os objetivos da pesquisa destacando sua
relevância para o desenvolvimento da área de Análise Documentária. Nessa

�7

conversa, ressaltou-se que a identidade dos sujeitos manter-se-ia oculta
visando assim deixá-lo mais à vontade e, não comprometer os dados
coletados. E foi solicitado que cada sujeito realizasse a leitura do texto-base
naturalmente como o faz no seu dia-a-dia tendo como objetivo a identificação
e seleção de conceitos para a indexação.
•

Familiarização com a tarefa do Think Aloud (Pensar Alto)

Ressalta-se que antes da aplicação do Protocolo Verbal, foi realizada
uma familiarização com a tarefa de Pensar Alto por meio da leitura do texto
Instruções aos Sujeitos elaborado por Nardi (1993), tendo o propósito de
descontrair e, ao mesmo tempo, apresentar procedimentos que pudéssem
auxiliar os sujeitos no desempenho da tarefa.

2- Procedimentos durante a gravação do Protocolo Verbal:
•

Gravação do Pensar Alto durante a leitura do texto-base

Destaca-se que antes de iniciar a gravação foi entregue aos sujeitos o
texto-base, solicitando-os que era preciso Pensar Alto durante toda a leitura e
exteriorizar seus processos mentais, procurando esquecer a presença da
pesquisadora que se fazia presente somente para controlar o gravador

e

relembrar que era preciso Pensar Alto.
Ressaltamos que a aplicação do Protocolo Verbal foi realizada,
individualmente, com cada um dos indexadores, bem como, a conversa
informal, familiarização com a realização da tarefa e a leitura do texto
Instruções aos Sujeitos.
3- Procedimentos após a gravação do Protocolo Verbal visando
sistematizar os dados coletados:
•

Transcrições literais das gravações da leitura dos sujeitos

Após a gravação, realizou-se as transcrições de maneira a destacar a
compreensão dos sujeitos, suas dúvidas, equívocos, identificação e seleção de

�8

termos. E, para melhor visualização dos processos adotados pelos sujeitos,
destacamos cada um deles com um tipo de notação específica.
E

durante a observação da leitura dos indexadores experientes,

estabelecemos um parâmetro de análise que considerou os aspectos de leitura
metacognitiva encontrada na revisão de literatura.

3 Resultados da observação da leitura dos indexadores de artigo de jornal
A análise das transcrições dos textos

permitiu identificar que os

indexadores experientes, durante a indexação, seguem uma sistemática de
identificação de conceitos, utilizando seis tipos de comportamento:
•

Realizam o destaque de palavras do texto por meio de
(argolamento ou digitação). Esse argolamento não foi expresso
verbalmente a pesquisadora observou e anotou;

•

Realizam associações com a linguagem após reconhecimento de
termos;

•

Fazem questionamento durante a leitura do texto quanto a escolha
dos descritores;

•

Identificam que há maneiras diferentes de se ler;

•

Evidenciam conhecimento da estrutura do texto jornalístico;

•

Usam conhecimento prévio do assunto e recorrem à memória de
longo prazo.

A análise dos protocolos evidenciou que a leitura dos indexadores de
jornais é rápida, e que um dos fatores que proporcionam esta rapidez é o
conhecimento da estrutura do texto jornalístico. Tal estrutura está composta de
tal forma que, geralmente, nos primeiros parágrafos encontramos um resumo
com respostas aos questionamentos - Quem? O que? Como? (Para que?)
Onde? Porque? (Para que?) Quando? - que permitem ao leitor compreender o
texto e identificar o tema abordado antes de ler o texto detalhadamente.
Entretanto, os indexadores não explicitaram durante a gravação da indexação
dos textos selecionados conhecerem o questionamento proposto pela estrutura
do texto, mas demonstraram indícios de conhecer a estrutura textual, porque

�9

concentraram a seleção de conceitos nos itens Lead* e Episódio
componentes da estrutura textual da notícia, que se localizam no começo do
texto jornalístico.
Além disso, o que proporciona rapidez na leitura dos indexadores de
jornais é o conhecimento prévio sobre o tema a indexar, porque percebemos
que o leitor não identifica e seleciona o tema do texto se não tiver
compreendido o texto. E para que ocorra compreensão, é preciso que o
conhecimento

prévio

(adquirido

com

indexação

de

textos

anteriores

relacionados ao tema presente, ou por meio de leitura, etc...), referente ao
tema interaja no momento da leitura, com as informações do texto.
Percebemos, então, que a, memória do indexador é um fator primordial para a
aquisição de conhecimento prévio sobre o assunto com o qual trabalha, porque
as matérias são publicadas por vários dias, então algo novo vai se introduzir
nas matérias novas, mas o tema abordado, provavelmente, será o mesmo.
A análise dos protocolos tornou possível o estabelecimento da
sistemática de identificação de conceitos, que os indexadores utilizaram
durante a leitura, recorrendo a diferentes estratégias como exploração da
estrutura textual, considerando, na maioria dos textos, a leitura do Lead, uso
do conhecimento prévio, entre outras. Entretanto, notou-se que após seleção
de conceitos, realizaram pouca associação com Linguagem. (Linguagem
Documentária do Centro de Informação).
Os resultados da observação da leitura dos indexadores nos
comprovaram que sim, porque eles utilizam exploração da estrutura textual,
uso do conhecimento prévio, entre outras estratégias.
Sendo assim, confirmamos nossas suposições, evidenciando que os
indexadores experientes de jornais são estratégicos, rápidos e dominam a
estrutura textual para identificação e seleção de conceitos. Com a confirmação
das suposições mencionadas acima que motivaram a investigação a respeito
da leitura dos indexadores de jornal, atingimos, primeiramente, um dos nossos

*

Lead é uma síntese do fato apresentada normalmente no primeiro parágrafo do texto. (AMARO, 1991
baseada em VAN DIJK, 1983)

�10

objetivos que era a identificação de estratégias de leitura para indexação de
jornal.
As respostas as suposições que iniciaram a pesquisa conjuntamente
com dados relevantes encontrados na revisão de literatura nos possibilitou
alcançar um segundo objetivo que era elaborar a proposição de um modelo de
leitura para indexação de artigos de jornal, considerando os resultados da
observação de leitura dos indexadores e recomendações da literatura.
Para elaborar o modelo de leitura para indexação de jornal, nos
baseamos no modelo de leitura para indexação de texto científico proposto por
Fujita (2000) após análise da observação da leitura dos indexadores da SubRede Nacional de Informações em Ciências da Saúde e do Centro de Energia
Nuclear.
Consideramos o modelo da referida autora como base para elaboração
do nosso por este direcionar a análise de assunto do texto científico por meio
de questionamento para identificação de conceitos e exploração da estrutura
textual.
O conhecimento da estrutura textual é uma estratégia que o indexador
pode utilizar para identificar conceitos, sendo assim, o modelo de leitura para
indexação de jornais considerou a exploração da estrutura do texto jornalístico
proposta por Van Dijk (1983) acrescido das observações feitas por Amaro
(1991) e Silva (2001) à estrutura deste texto. Ressalta-se que o modelo orienta
a análise de assunto do texto jornalístico por meio da utilização do
questionamento presente no Lead que um componente do texto de jornal e
também o questionamento de análise de assunto do Sistema de indexação
Precis

,

visando

assim,

oferecer

ao indexador

duas

categorias

de

questionamento para explorar a estrutura do texto em busca da compreensão
do seu conteúdo para fins de indexação.
Na indexação o indexador deve selecionar do conteúdo do texto, os
assuntos que representam o tema abordado no texto e que ao mesmo tempo
que suprem as necessidades informacionais da comunidade usuária de
determinada instituição.

�11

Sendo assim, o modelo para indexação de jornais em sua elaboração
adotou as concepções de análise de assuntos orientando uma exploração do
conteúdo do texto balanceada com a demanda que são necessidades
informacionais dos usuários propostas por Albrechtsen (1993) .
O modelo proposto na atividade de identificação de conceitos procura
orientar o indexador para que identifique conceitos considerando o conteúdo do
texto e somente selecione o conceito identificado se este refletir as
necessidades informacionais de sua comunidade usuária, porque o objetivo da
indexação é a recuperação do documento pelo usuário, visando suprir as
necessidades informacionais dos usuários..
4 Leitura documentária para indexação de artigos de jornais: proposição
e avaliação do modelo
Com a análise dos resultados da revisão de literatura sobre a temática
e a observação prática de indexação de jornal, elaboramos uma proposição
de modelo de leitura para indexação de artigos de jornais, visualizado abaixo,
que acompanha um roteiro de utilização.
Quadro 2: Modelo de leitura para indexação de jornais
Conceito para análise de Parte da Estrutura
assunto
do
sistema Textual (Van Dijk,
(PRECIS)
1983)
onde
podemos
encontrar
o
questionamento
do LEAD e os
elementos
do
sistema PRECIS
AÇÃO
Sumário/Introdução
(Cabeçalho e Lead)

AGENTE

Questionament
o ao (LEAD) da
estrutura
do
texto
jornalístico
segundo VAN
DIJK
(1983);
SILVA (2001)

Lembre-se
que
para
atingir
o
objetivo
da
leitura
documentária
o
indexador
deve:

O quê ( o que Identificar
aconteceu, está conceitos
ou
vai considerando o
acontecer)
conteúdo
do

Sumário/Introdução Quem
(Lead)
agentes
ação)

documento
(os Selecione
os
da conceitos
considerando
as
necessidades
informacionais
da comunidade
usuária

�12

MÉTODOS DO AGENTE

Sumário/Introdução Como, ou Para Padronize
os
(Lead) ou Episódio quê
(as conceitos com
(s)
circunstãncias)
termos de uma

linguagem de
indexação.
E
se preciso crie
novos termos.
LOCAL OU AMBIÊNCIA

CAUSA E EFEITO

Sumário/Introdução
(Cabeçalho)
Sumário/introdução
(cabeçalho e Lead)

Quando (dia da
semana e do
mês, horas)
Onde (o local do
acontecimento)
Sumário/Introdução Por quê, ou Para
(Lead) ou Episódio quê 9os motivos
(s)
e as razões)

Fonte: FAGUNDES, S. A . Leitura em análise documentária de artigos de
jornal. Marília: UNESP. 2001.

Após a elaboração do modelo, realizamos

uma aplicação com um

corpus de textos selecionados para testar a viabilidade de seu funcionamento.
E na segunda fase da pesquisa selecionamos no DEDOC três indexadores
inexperientes para participarem da fase de avaliação do modelo de leitura
visando verificar o seu funcionamento na atividade de indexação.
Na fase de avaliação do modelo, participaram três indexadores
caracterizados como: Clara, Ana e Maria, e os procedimentos adotados para
observar a leitura dos indexadores inexperientes foram os mesmo utilizados na
primeira fase da pesquisa para observação do indexadores experientes do
Arquivo e DEDOC.
Ressalta-se que os textos utilizados nesta segunda fase da pesquisa
foram caracterizados como: Texto A e Texto B.
O texto A foi utilizado pelos três sujeitos Ana, Maria e Clara, mas
somente o indexador Clara o indexou fazendo uso do modelo de leitura. E o
texto B foi utilizado no momento de instrução sobre o funcionamento do modelo
a fim de ensinar ao indexador Clara sobre funcionamento do modelo, numa
fase anterior a indexação do Texto A. Um outro procedimento diferente ocorrido
na fase de avaliação foi a gravação do depoimento do sujeito Clara quanto à

�13

utilização do modelo, a fim de que, se preciso, o mesmo pudesse ser
aperfeiçoado.
Destaca-se que na fase de avaliação do modelo de leitura com o
segundo grupo de indexadores do DEDOC, (indexadores inexperientes), os
dados levantados do protocolo do indexador que num primeiro momento foi
orientado sobre o funcionamento do modelo (caracterizado como sujeito Clara)
para que num segundo momento tivesse condições de utilizar individualmente
o modelo, demonstraram que o questionamento do Lead presente no modelo
foi um dos fatores que, conjuntamente com o conhecimento prévio mínimo do
assunto, possibilitaram ao indexador realizar a indexação do texto selecionado.
Esse fato foi evidenciado durante a gravação do Protocolo Verbal nos
momentos em que o sujeito indaga que no dia-a-dia deixaria de atribuir termos
(assuntos) para representar o texto por se tratar de um texto difícil de
compreender, pois era um texto da área médica.
Evidenciamos na discussão dos resultados quanto à avaliação do
modelo de leitura proposto que fazendo uso das orientações do modelo, os
conceitos selecionados pelo indexador que foi orientado para utilizar o modelo,
possibilitaram uma representação mais fidedigna do tema global comunicado
pelo texto, do que os conceitos selecionados pelos dois indexadores que não
fizeram uso e desconheciam o modelo. E ainda, o mais relevante, é que a
indexação do indexador que utilizou o modelo foi de boa qualidade porque
abrangeu todas as possibilidades de termos para recuperação do texto.
5 Considerações finais
Evidencia-se que fazendo uso do modelo de leitura proposto, os termos
selecionados pelo sujeito Clara, teve, como consequência provavelmente, uma
representação mais fidedigna do tema global vinculado pelo texto, pois
abrangeu várias possibilidades de recuperação do texto.
Entretanto percebemos a necessidade de aprimorar o modelo de leitura
proposto realizando uma investigação teórica mais abrangente a respeito da
estrutura do texto jornalístico, visando identificar em sua organização
elementos linguísticos de apresentação do tema que compõem as respostas

�14

ao questionamento proposto pelo Lead e presentes no modelo, bem como,
uma hierarquização desses elementos, diferenciando os relevantes dos
secundários no relato de uma notícia.
Sendo assim, o modelo de leitura que elaboramos é provavelmente
original e a possibilidade de seu aprimoramento pode torná-lo um instrumento
de interpretação a ser utilizado na indexação de jornais a ser utilizado pelos
centros de informação especializados que tratam a notícia.
REFERÊNCIAS
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p. 257-266. 1991.
ALBRETCHTSEN, H. Subject analysis and indexing: from automated indexing to
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AMARO, R. K. F. Contribuição da análise do discurso para a análise
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Paulo. 1991. Originalmente apresentada como dissertação de mestrado, Universidade
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BROWN, A . L. Metacognitive developmental and reading. In: SPIRO, et al (org.).
Theorical issues in reading comprehension. Hillsade: Lawrence Erlbaum, 1980.
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CAVALCANTI, M. C.; ZANOTTO, M. S. Intropection in aplied linguistics: meta-research
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FAGUNDES, S. A . Leitura em análise documentária de artigos de jornal. Marília:
UNESP. 1997. Originalmente apresentado como Trabalho de Conclusão de Curso, ,
Faculdade de Filosofia e Ciência, Universidade Estadual Paulista, 1997.
FAGUNDES, S. A . Leitura em análise documentária de artigos de jornal. Marília:
UNESP. 2001. Originalmente apresentada como dissertação de mestrado, Faculdade
de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista, 2001.
FUJITA, M. S. L. Leitura em análise documentária: uma contribuição á formação do
indexador. Marília: UNESP, CNPq. 200-2002. 185 p. (Relatório Parcial do Projeto
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FUJITA, M. S. L. Precis na língua portuguesa: teoria e prática de indexação.
Brasília: UNB. 1989. 195 p.

�15

GINEZ DE LARA, M. L. G. de. A representação documentária: em jogo a
significação. São Paulo: USP, 1993. Originalmente apresentada como dissertação de
mestrado, Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, 1993.
KOBASHI, N. Y. A elaboração de informação documentária: em busca de uma
metodologia. São Paulo: Universidade de São Paulo, 1994. Originalmente
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de São Paulo, 1994.
NARDI, M. I. A . As expressões metafóricas na compreensão de texto escrito em
língua estrangeira. São Paulo: PUC, 1993. Originalmente apresentada como
dissertação de mestrado, Pontifícia Universidade Católica, São Paulo. 1993.
SILVA, V. J. Regras de construção. Disponível em:
www.publico.pt/nos/livro_estilo/paginas/1e12_regras.htm, em 27 de março de
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VAN DIJK, T. A . Discourse analysis: its development and application to the structure
of news. Journal of Documentation, v. 33, n. 2, p. 20-23. 1983.

ABSTRACT
The documental reading consists of the identification and extraction of concepts that
will represent the content of the documents. It differs from the normal reading because
it occurs in specific conditions and different contexts. Considering that the documental
reading of newspapers must be fast, due to the quantity of materials that needs to be
treated, it is interesting to investigate the procedures to achieve this fast reading. It is
proposed the elaboration of a reading model to the indexing of newspaper articles
according to literature review, case study in the Archive of the journal O Estado de
São Paulo and, Department of Documentation of Editora Abril Cultural (DEDOC) with
applving Verbal Protocol. The results indicate that the indexer previously guided in the
fuctioning of the model for later using in the indexing of the selected original text,
represented, through selected concepts, more properly the text content than the
indexers who didn't know the reading model. It is concluded that proposed reading
model facilitates procedures that direct the experiented or unexperiented indexer to a
comprehension during the documental reading without making use of the common
sense, this way allowing them to achieve a representation of the text content.
Key-words: Journal indexing; Documental reading; Textual structure

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Description</name>
              <description>An account of the resource</description>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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              <name>Creator</name>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Publisher</name>
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                  <text>UFBA</text>
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              <name>Date</name>
              <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                  <text>2006</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>A leitura documentária consiste na identificação e extração de conceitos na representação do conteúdo dos documentos. Difere-se da leitura normal porque ocorre em condições específicas e contextos diferentes. Considerando que a leitura documentária de jornais tem que ser rápida, devido a quantidade de material que necessita ser tratado, interessa investigar os procedimentos dessa leitura rápida. Evidencia-se que esta investigação propôs a elaboração de um modelo de leitura para indexação de artigos de jornais mediante revisão de literatura, estudo de caso no Arquivo do jornal O Estado de São Paulo e Departamento de Documentação da Editora Abril Cultural e estudo de observação da leitura dos indexadores com aplicação da técnica de Protocolo Verbal. Os resultados indicam que o indexador que foi primeiramente orientado sobre o funcionamento do modelo, para posteriormente individualmente utilizá-lo na indexação do texto inédito selecionado, representou por meio dos conceitos selecionados mais adequadamente o conteúdo do texto, do que os indexadores, que desconheciam o modelo de leitura. Concluiu-se que o modelo de leitura proposto apresenta procedimentos que direciona o indexador experiente ou inexperiente à uma compreensão durante a leitura documentária sem apelação ao bom senso, permitindo assim realizar provavelmente uma representação mais fidedigna do conteúdo do texto.</text>
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                    <text>LIDERANÇA :ALTERNATIVAS PARA BILBIOTECAS
Ligia Scrivano Paixão
Diretora do Sistema de Bibliotecas e Coordenadora do
Curso de Biblioteconomia
da Universidade Santa Úrsula
Rua Marques de Abrantes. 119 apto. 104 - Flamengo
Rio de Janeiro Brasil
22230-060
tel 0XX21-2552-0982
cel 21-9961-3342
LPAIXAO@BR.INTER.NET
lpaixao@usu.br

�RESUMO
Descreve a importância da liderança em sistemas de informação. Analisa as
características positivas de um líder face à nova realidade do mercado de
trabalho. Apresenta os pontos positivos a serem observados nessa nova postura
profissional.

1. HISTÓRICO

�Desde o início da sociedade, a biblioteca tem sido uma das responsáveis pela
organização da informação, tornando-se uma "acumuladora de conhecimento",
não necessariamente uma disseminadora. Com as novas tecnologias de apoio e
com a mudança de postura do bibliotecário, podemos verificar que houve avanço
nessa disseminação.
No caso da tecnologia, tivemos como principal
acontecimento o advento da Internet eliminando barreiras geográficas e de tempo,
tornando o mundo globalizado.
Apesar dessas facilidades, podemos dizer que na Internet ainda predomina o
caos informacional, pois, conforme Carvalho &amp; Kaniski (2000, p. 37), "é ilusório
defender que a aplicação das tecnologias da informação elimina a necessidade
da organização do conhecimento". Para que exista essa organização, deve-se
estabelecer parcerias entre instituições para que haja acesso à informação útil de
maneira rápida e eficiente.
Quanto à postura do bibliotecário, este já não é mais visto como simples
guardador de livros, mas sim como gerente e administrador, tanto de pessoas
como do conhecimento. Portanto, deve ser uma pessoa ágil e dinâmica, com uma
visão moderna de gestão e organização.
"Enfim, as bibliotecas saíram, ou devem sair, da postura de armazenadoras de
informação para assumir uma postura centrada no processo de comunicação, o
que significa abandonar a filosofia de posse e investir na filosofia de acesso. Esse
investimento envolve o compartilhamento de recursos informacionais, o trabalho
em rede, minimizando pontos deficitários e eliminando barreiras. Nesse sentido,
as tecnologias da informação representam a possibilidade mais concreta para
expandir a cooperação interinstitucional e com isso ampliar e diversificar os
pontos de acesso à informação" (Carvalho &amp; Kaniski, 2000, p. 37).
Para isso, é necessário que existam pessoas capacitadas para atender às
necessidades da instituição e dos clientes, o que deve considerar a questão da
gestão de pessoas, incluindo aí a liderança, o trabalho em equipe com pessoas
motivadas e a capacitação de recursos humanos.
2. GESTÃO DE PESSOAS
A busca constante por processo de gestão de pessoas faz parte da organização
que visa cada vez mais à satisfação de seus funcionários para que, motivados,
executem suas tarefas com eficácia.

Para Chiavenato (1994), existe uma grande diferença entre gerenciar pessoas e
gerenciar com pessoas. No primeiro caso, as pessoas são o objeto da gerência,
são guiadas e controladas para alcançar determinados objetivos. No segundo
caso, as mesmas são o sujeito ativo da gerência, são elas que guiam e controlam

�para atingir os objetivos da organização e os objetivos pessoais.
Gerenciar pessoas ou a gestão de pessoas é a preocupação de muitas
organizações para que seus objetivos sejam atingidos, de preferência com a
participação de um grupo eficaz e motivado liderado por um gestor que possa ter
os seguintes desafios estratégicos nesta atividade, segundo Fisher &amp;
Albuquerque (2001, p. 16):
• "atrair, capacitar e reter talentos;
• gerir competências;
• gerir conhecimento;
• formar novo perfil do profissional demandado pelo setor;
• gerir novas relações trabalhistas;
• manter motivação/clima organizacional;
• desenvolver uma cultura gerencial voltada para a excelência;
• RH reconhecido como contributivo para o negócio;
• RH reconhecido como estratégico;
• conciliar redução de custo e desempenho humano de qualidade;
• equilíbrio com qualidade de vida no trabalho;
• descentralizar gestão de RH".
2.1. COMPETÊNCIAS REQUERIDAS
È "uma capacidade específica de executar a ação em um nível de habilidade que
seja suficiente para alcançar o efeito desejado" (Rhinesmith, 1993, apud Vergara,
2000, p. 38).
Segundo Vergara (2000), mentalidade não é competência. A competência se
estabelece a partir de uma mentalidade transformada em comportamento, assim
como característica não é competência. Uma pessoa pode ser sensível para lidar
com diferenças individuais, mas não usar essa sensibilidade no trabalho em
equipe. Essa sensibilidade transforma-se em competência gerencial quando o
gestor a usa para conhecer a si e o que está ao seu redor, bem como para criar,
desenvolver e manter as equipes de trabalho direcionadas a atingir os mesmos
objetivos.
Para o processo de desenvolvimento de gestores, Rhinesmith1 (1993, apud
Vergara, 2000) propõe as seguintes competências:
• Mentalidade: o profissional deve ter uma constante adaptação ao novo,
verificando as dificuldades e tranformando-as em oportunidades. Estar aberto a si
próprio e a novas propostas do grupo, mudando a direção e conduta quando
necessário para melhor desempenho da instituição e do trabalho em equipe.

• Características pessoais:
Conhecimento: amplo e profundo dos aspectos técnicos para que possa
contribuir de maneira efetiva para o bom andamento do processo competitivo.

�Flexibilidade: habilidade necessária de lidar com mudanças rápidas permitindo
melhor liderança com os processos.
Sensibilidade: estar sensível às diferenças individuais apresentadas no grupo.
Para tanto, é necessário estar ligado ao processo – não só emocionalmente
equilibrado, mas também predisposto a receber outros pontos de vista,
questionando, quando necessário, suposições, valores e convicções.
Julgamento: estar apto a lidar com incertezas cada vez mais presentes nas
decisões gerenciais.
Reflexão: estar sempre predisposto a um aprendizado contínuo que lhe permitirá
refletir sobre os problemas apresentados no grupo ou na organização.
Para Rhinesmith (1993, apud Vergara, 2000, p. 38), as competências a seguir
completam as mencionadas anteriormente:
• gestão de competitividade: capacidade de colher informações em uma base
global e aplicá-las;
• gestão da complexidade: capacidade de lidar com vários interesses
concorrentes, contradições e conflitos;
• gestão de adaptabilidade: estar flexível e aberto para mudanças;
• gestão de equipes: capacidade de lidar com as diversas habilidades funcionais
em níveis diferenciados de experiência e diversas origens culturais;
• gestão da incerteza: capacidade de lidar com mudanças contínuas. Para evitar
que o gestor tenha uma sensação de impotência, é necessário que se prepare
para a mudança, e não contra ela;
• gestão do aprendizado: capacidade do conhecimento/aprendizado próprio,
bem como facilitar o conhecimento/aprendizado dos outros.
Para Katz2 (1974, apud Vergara, 2000, p. 39), existem três tipos de habilidades
nas empresas: as técnicas, as humanas e as conceituais, que variam à medida
que se encaminham entre os níveis supervisão, intermediária e alta direção.
Quando se passa do nível inferior para o superior, há aumento nas habilidades
conceituais, em detrimento das habilidades técnicas.
Com a contínua mudança e complexidade ocorridas nas organizações e a forma
como os gestores têm de atuar, ficam cada vez mais evidentes as diferenças entre
os momentos e os espaços em que as diversas competências se fazem
necessárias.

Vergara (2000, p. 97) registra as seguintes capacidades requeridas para o gestor:
• compartilhar visão, missão, objetivos, metas, estruturas, tecnologias e
estratégias;
• ter habilidade na busca de clarificação de problemas;
• ser criativo;
• fazer da informação sua ferramenta de trabalho;
• ter iniciativa, comprometimento, ousadia;

�• visualizar o sucesso;
• construir formas de auto-aprendizado;
• conhecer seus pontos fortes e os fracos;
• ouvir e ser ouvido;
• reconhecer que todo o mundo tem alguma coisa com que pode contribuir;
• viabilizar a comunicação;
• pensar globalmente e agir localmente;
• reconhecer o trabalho das pessoas;
• ter energia radiante;
• ser ético.
Nos casos dos sistemas de informação, a capacidade de "fazer da informação sua
ferramenta de trabalho" é o fator principal da existência desses sistemas, nos
quais as bibliotecas estão inseridas.
Todas as outras capacidades se encaixam com os sistemas de informação, por
ser muito abrangente a área de atuação nos diversos segmentos do mercado e da
sociedade.
O gestor de pessoas nos sistemas de informação tende a lidar com as atitudes
individuais e com as de grupo, fazendo com que todos desempenhem bem o seu
papel para atingir o objetivo final, que é a satisfação das necessidades
informacionais dos clientes.
3. LIDERANÇA
O gerente é a mola propulsora responsável pela sobrevivência e sucesso, ou não,
de uma organização.
A excelência empresarial está intimamente ligada à excelência gerencial. Para o
sucesso empresarial, as principais determinantes são visão, dedicação e
integridade do gerente, e as principais habilidades e ferramentas gerenciais se
resumem basicamente em liderança.
O indivíduo é único e ímpar e se destaca na equipe de trabalho por suas
diferenças; e, para desenvolver um bom trabalho em equipe, é necessário haver
uma liderança.
Segundo Chiavenato (1994, p. 137), liderança é "uma influência interpessoal
exercida em uma dada situação e dirigida através do processo de comunicação
humana, para consecução de um ou mais objetivos" e pode ser dividida em:
• liderança como influência: uma pessoa pode influenciar outra em função do
relacionamento existente entre elas;
• liderança que ocorre em determinada situação: ocorre em dada estrutura social
decorrente da atribuição de autoridade para a tomada de decisão;
• liderança dirigida pelo processo de comunicação humana, capacidade de induzir
o grupo a cumprir as obrigações atribuídas a cada um com zelo e correção;
• liderança visando à concepção de um ou de diversos objetivos específicos: o
líder como meio para atribuir seus objetivos ou necessidades.
Portanto, a liderança não deve ser confundida com direção ou gerência, que deve

�ser conduzida por um bom líder que nem sempre ocupa o papel de diretor ou
gerente dentro de uma organização. O líder deve estar presente em todos os
níveis hierárquicos e em todas as áreas de atuação.
3.1. ESTILOS DE LIDERANÇA
Segundo Belluzzo (2002), a liderança divide-se em autocrática, democrática e
liberal.
Em relação ao exposto, podemos dizer que o líder deve:
• focar nos objetivos a serem alcançados;
• orientar para a ação;
• ter confiança em si próprio e no grupo;
• ter habilidade para lidar e conviver com pessoas, fazer as coisas com e por meio
das pessoas;
• ser criativo e inovador;
• ser flexível, estar aberto a mudanças;
• tomar decisões (pensar e agir diante de uma situação);
• desenvolver altos padrões de desempenho e avaliação, buscando excelência,
eficiência, eficácia, produtividade e qualidade.
3.2. DESENVOLVIMENTO DE UM LÍDER
Os aspectos principais do desenvolvimento de um líder são:
Fortalecer o pensar para compreender os fenômenos do mundo
Fortalecer o sentir para julgar com certeza o que é justo
Fortalecer o querer para interferir com coragem na vida
É importante enfatizar que esses três pontos tem a ver com um caminho
consciente de auto-educação. do auto-desenvolvimento e da auto-condução
a partir da própria essência de cada um.

3.3. OBSTÁCULOS INTERNOS
Os nossos obstáculos internos são:
os nossos medos
a falta de coragem para se interiorizar
o apego (à idéias, conceitos e facilidades)
a dependência de outros, da tecnologia dentre outros.
3.4. OBSTÁCULOS EXTERNOS

�Os nossos obstáculos externos são:
A constante solicitação a que estamos submetidos no dia-a-dia
A pressão das circunstâncias
A pressão do tempo
Excesso de stress
Excesso de informações
4. O LÍDER COM A ALMA DA EQUIPE
O empreendedor vai além do gerenciamento e:
Focaliza as pessoas em primeiro lugar.
Desenha, implementa, acompanha e avalia planos.
Organiza, prevê, facilita, cria condições favoráveis e confortável para a sua
equipe.
Como administrador intervém apenas de maneira indireta no trabalho.
Atua como líder educacional e influencia comportamentos profissionais.
Está em contato permanente com o seu pessoal – apóia, incentiva e inspira
Estimula a criatividade, mas ao mesmo tempo estabelece padrões,
confronta, corrige, capacita
5. EQUIPES DE TRABALHO
Montar uma equipe de trabalho nem sempre é fácil. Elencamos a seguir os erros
mais comuns no trabalho de equipe (VAMOS tentar [...], 2002, p. 112):

• metas superdimensionadas;
• composição equivocada;
• liderança ditatorial;
• falta de motivação;
• reuniões improdutivas;
• subjetividade na avaliação;
• sensação de injustiça.
Para obter sucesso na formação de equipes, é necessário haver a ideologia como
fator de coesão e atração entre os indivíduos, pois, assim, os grupos se motivam
para atingir os mesmos ideais.
A percepção é outra fonte importante para a formação de uma equipe. Não basta
apenas a convivência física, é necessário que as pessoas estejam organizadas
para atingir os mesmos objetivos. A equipe é definida como tal se cada um de
seus membros se identifica como pertencente à mesma identidade social

�(Maximiano, 1986).
Em relação aos pontos importantes no trabalho em equipe, Vergara (2000, p. 166)
relaciona:
• "consciência do propósito;
• explicitação de balizamentos;
• comunicação aberta;
• feedback contínuo;
• compartilhamento de informações;
• negociação;
• humildade intelectual;
• comportamento ético".
Nas bibliotecas, ou sistemas de informação, cada setor e cada pessoa têm sua
tarefa para executar e funcionam como uma engrenagem onde nenhuma peça
pode falhar.
O trabalho em equipe terá bons resultados se todos tiverem a visão do sistema, e
não apenas do setor onde é desenvolvido determinado tipo de tarefa.
6. MOTIVAÇÃO
Segundo Maitland (2002, p. 7), motivação "é a força ou o impulso que leva os
indivíduos a agir de uma forma específica".
É necessário que o gestor de pessoas exerça o papel de motivador, fazendo com
que as tarefas sejam desempenhadas com eficiência, eficácia e prazer.
Hartman &amp; Horman (1990, apud Vergara, 2002, p. 66) mencionam os seguintes
elementos como sendo significativos no trabalho:

• "promoção da aprendizagem e do desenvolvimento social nas atividades da
sociedade;
• oportunidade de proporcionar às pessoas um papel social nas atividades da
sociedade;
• promoção, na pessoa, da sensação de estar contribuindo, de pertencer, de ser
apreciado, o que permite desenvolver sua auto-estima;
• oportunidade de produzir bens e serviços desejados pela sociedade;
• promoção e satisfação".
É importante ser um bom líder, e para isso é necessário saber exatamente aonde
se quer chegar, como chegar e quando chegar. Juntamente com uma liderança
bem exercida, o trabalho em equipe possui um papel importante na motivação.
Deve-se empregar diversas táticas de forma que todos trabalhem em conjunto,
buscando o êxito. Essas equipes são motivadas pelas pessoas que têm em volta

�de si, e deve-se considerar a satisfação dentro do trabalho avaliando os
funcionários e suas atribuições.
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Podemos fazer as seguintes considerações:
• para uma forte equipe de trabalho, é necessário um bom líder;
• para um bom trabalho em equipe, é necessário ter uma visão do sistema com
um todo;
• é necessário que existam condições ambientais e profissionais para a motivação
de pessoal.
Os sistemas de informação estão inseridos no contexto organizacional no qual o
gestor de pessoas deve estabelecer parâmetros para que o trabalho em equipe
seja desenvolvido de acordo com os desafios que estão presentes no dia-a-dia de
trabalho dos bibliotecários, profissionais tão fundamentais para este processo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BELLUZZO, R. C. B. Liderança &amp; formação e desenvolvimento de equipes. São
Paulo : USP, SIBi, 2002. Apostila.
CARVALHO, I. C. L.; KANISKI, A. L. A sociedade do conhecimento e o acesso à
informação: para que e para quem? Ciência da Informação, Brasília, v. 29, n. 3, p.
33-39, set./dez. 2000.
CHIAVENATO, I. Gerenciando pessoas. 2. ed. São Paulo : Makron Books, 1994.
MAITLAND, I. Como motivar pessoas. São Paulo : Nobel, 2002.
MAXIMIANO, A. C. A. Gerência de trabalho de equipe. São Paulo : Pioneira, 1986.
PAIXÂO, Ligi. Liderança : ambiência em bibliotecas. artigo publicado no site
www.libertas.org.br (abril 2005)
VERGARA, S. C. Gestão de pessoas. 2. ed. São Paulo : Atlas, 2000.
VAMOS tentar outra vez: mais um método para dar fôlego novo ao velho trabalho
em grupo. Veja, São Paulo, n. 1742, p. 112, mar. 2002.

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                    <text>LITERATURA CINZENTA EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: presença,
disponibilização e perspectivas.
FRANCISCA ARRUDA RAMALHO
Doutora em Ciência da Informação. Professora
do Departamento de Biblioteconomia e
Documentação do CCSA/UFPB.
arfrancisca@hotmail.com
ELIANE BEZERRA PAIVA
Mestre em Ciência da Informação. Professora
do Departamento de Biblioteconomia e
Documentação do CCSA/UFPB.
paivaeb@gmail.com
RESUMO
A Literatura Cinzenta (LC) abrange recursos informacionais das mais diversas áreas
do conhecimento e possui como característica, principal, a circulação restrita, o que
concorre para limitar o seu acesso e disponibilidade. Assim, realizou-se uma
pesquisa exploratória objetivando analisar a presença da LC nas bibliotecas
universitárias federais do nordeste brasileiro e sua disponibilização para o usuário. A
metodologia compreende um estudo teórico e um de campo. Para coleta de dados
utilizou-se um questionário, administrado via e-mail. Os dados revelam uma
presença significativa da LC nas bibliotecas cujo tratamento vai do convencional,
registro, catalogação, classificação..., ao moderno, digitalização e inserção em
formato digital. A LC já se encontra disponível na Internet com destaque para as
teses e dissertações que, algumas bibliotecas, geraram bases de dados e biblioteca
digital.A disponibilização da LC para o usuário é feita através do livre acesso,
empréstimo e via Internet. Os informantes são unânimes ao opinar que, para ampliar,
otimizar, difundir e disponibilizar a LC é necessário utilizar-se de meios eletrônicos.
Como prioridade para a LC, opinam pela elaboração de uma política onde os direitos
autorais sejam garantidos. Conclui-se que a LC se configura como uma ferramenta
da ação informacional das bibliotecas que, compreendendo sua importância,
encontram caminhos para sua maior visibilidade.
Palavras-chave: Literatura cinzenta; Biblioteca universitária; Produção científica;
Comunicação científica.

1 INTRODUÇÃO

A informação, recurso estratégico e indispensável para o desenvolvimento
econômico e social de um povo, muitas vezes não consegue chegar ao público

�2

através de canais formais ou convencionais de divulgação; um caso particular é a
chamada Literatura Cinzenta  LC que serve de apoio aos processos de pesquisa e
que,

freqüentemente,

proporciona

informações

não

localizadas

nas

fontes

convencionais (SORIA RAMÍREZ,2003).

Tradicionalmente, como a literatura branca, a literatura cinzenta tem sido um canal
de difusão da ciência. Por outro lado, cada vez mais ,os cientistas obtêm resultados
de suas pesquisas , novos descobrimentos e tem o dever de divulgar, os resultados
para seus pares. Assim é como a funciona a ciência, intercambiando informação, no
âmbito das comunidades científicas,com seus próprios canais de comunicação,
normas, regras e princípios éticos.

A LC converteu-se, atualmente, na forma mais ágil a que a comunidade científica
recorre para divulgar os resultados de sua produção intelectual. Isto se deve ,entre
outras questões, ao fato de disponibilizarar informação que ainda não se encontra
disponível, formalmente, de maior rapidez de divulgação do que a literatura
convencional, uma vez que incide, diretamente, no conteúdo da questão tratada e,
atualmente, pela facilidade de difusão via Internet.

Dia a dia, aumenta o número os usuários da LC e as novas
Informação e Comunicação (TICs)

Tecnologias da

vêm proporcionando condições para melhor

produzi-la e difundi-la. Seu uso se dá entre aqueles que a geram: cientistas,
pesquisadores, estudantes..., isto é: os próprios produtores de LC têm necessidades
desse tipo de literatura. Entre as entidades que mais geram a LC se encontram as
universidades, empresas públicas e privadas, bibliotecas, museus, laboratórios,
sociedades, órgãos de pesquisas, entre outros .(SORIA RAMÍREZ,2003).

No Brasil, estudos como os de Almeida ( 2000, 2004, 2006 ) e Población ( 1992,
2006 ), que focam diversos aspectos da literatura cinzenta, mostram o papel desse
tipo de literatura na

produção e difusão do conhecimento. Por outro lado, as

�3

iniciativas como o Programa biblioteca digital brasileira que inclui base de dados de
texto completo de trabalhos de congressos e bases de dados de eventos sob a
responsabilidade do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia 
IBICT indicam uma preocupação com a LC

no que se refere a sua produção,

promoção e acesso.

Pesquisa anterior aponta que
o gerenciamento da LC caracteriza-se como área emergente dentro
da ciência da informação. Essa posição vem sendo confirmada por
especialistas e profissionais da informação que participam da
programação de eventos e aplicam consideráveis recursos para
desenvolver estudos sobre a geração e uso desse tipo de literatura.
(POBLACIÓN; NORONHA; CURRAS, 2006).

O desenvolvimento de pesquisas

e outros estudos que tratem de

questões

relacionadas à LC, em aspectos de produção, acesso, disponoblização e uso, entre
outros,

se torna imperativo.Com esse e outros entendimentos

realizou-se

a

pesquisa, que gerou este relato, com o objetivo de analisar a presença da LC nas
Bibliotecas universitárias federais do nordeste brasileiro, e a sua disponibilização
para o usuário.

2 LITERATURA CINZENTA: UMA FORMA DE COMUNICAÇÃO
CIENTÍFICA.
A literatura cinzenta, rapidamente aceita pela comunidade científica como fonte ou
como instrumento de difusão, trouxe consigo uma nova forma de se apresentar os
resultados de pesquisa, uma nova forma de se trabalhar, bem como de se entender
o próprio processo de pesquisa Trata-se, portanto, de uma forma de comunicação
científica. (SORI A RAMÍREZ, 2003).

�4

A comunicação científica sempre foi uma preocupação dos cientistas. A comunicação
oral (reuniões, congressos...) a busca de socialização do conhecimento entre seus
pares, a organização de sociedades científicas, o reconhecimento dos cientistas da
necessidade de criação de meios para comunicação acadêmica e o entendimento de
que deveriam publicar sua produção e debates, em revistas científicas, contribuíram
para criação das mesmas sendo

o Journal des Sçavants

a mais antiga. As

publicações científicas representam um marco na comunicação científica, na difusão,
em grande escala, dos resultados de pesquisas ao tempo em que proporcionam a
ampliação do universo de usuários desse tipo de informação.

A explosão da informação, o surgimento das novas Tecnologias da Informação e
Comunicação - (TICs) proporcionaram mudanças e contribuíram para a criação de
novos canais de comunicação, os canais supra - formais, transformando, assim, o
processo de comunicação científica.
2.1 Literatura cinzenta: gênese e evolução.

Uma revisão sobre os antecedentes do termo Literatura Cinzenta, revela que alguns
autores já denominaram esse tipo de literatura como literatura menor ou informal,
invisível ou não publicada, não convencional. Tudo para indicar aquele tipo de
literatura que não está disponível ao domínio público. O referido termo surgiu em
1978 quando um grupo de cientistas e técnicos que se dedicavam ao estudo e
tratamento da literatura não convencional se reuniram em um seminário, na cidade
de York (Inglaterra) e decidiram denominá-la Literatura Cinzenta.

A definição de LC surge em 1989, no Canadá, como (Gray literature) [...] aquela que
descreve qualquer documento sem se preocupar com o meio, aquela que não se
insere nos canais normais de publicação e distribuição (RODINO, 2006)

Na Conferência Internacional sobre LC (GL97), realizada em Luxemburgo, esse tipo
de literatura foi definido como aquela que é produzida em todos os níveis de

�5

governos, academias, negócios e indústria, em formato impresso ou eletrônico
porém, sem ser controlada pelos editores comerciais . Esta definição inclui, pela
primeira vez, os documentos eletrônicos no universo da Literatura cinzenta (SORIA
RAMÍREZ, 2006, p.131).

Falar de Literatura Cinzenta, terminologia que está associada à massa cinzenta do
cérebro, caracterizada pela sua intelectualidade,
[...] é acerca-se de um conceito dinâmico variado e afetado por um
ambiente tecnológico em continuo desenvolvimento Portanto as
tipologias documentais, susceptíveis de serem consideradas como tal
para esse âmbito, vão se alimentando, com o passar do tempo,
porém, girando em torno da idéia da cor cinza como definidora do
não convencional. (GARCIA SANTIAGO, 1999 p.48 Tradução nossa).

Para Soria Ramírez (2003) a literatura cinzenta se configura em trabalhos
acadêmicos, pré publicações, (pre - print ,entendidas como um registro de
investigação distribuído entre os cientistas antes de sua publicação formal ) informes
( de comitês e comissões, técnicos, de governantes, de pesquisadores, trabalhos de
conferências, normas técnicas teses, traduções não comercias, pesquisa de
mercado, boletins de notícias, documentos de empresas, além de

Websites,

conjunto de dados  [data sets] , correio eletrônico, entre outros.

Población (1992. p.243) considera que os documentos de Literatura Cinzenta são
documentos fugitivos, transparentes (que não se vêm nos catálogos editoriais,
livrarias, bibliotecas etc) de difícil localização que, na maioria dos casos, contêm
dados relevantes e importantes

A LC é definida por Almeida (2000. p.37) como
[...] o conjunto de documentos,

independentemente de sua

tipologia e suporte ou formato impresso ou tecnológico, emitidos por
centros universitários, de pesquisa, empresas, indústria, sociedades

�6

acadêmicas, públicas e privadas, sem intenção de ser publicados e
que são de vital importância na transferência do conhecimento.

A LC apresenta características como as denominadas por Pujol (2006) que
contribuem para o melhor entendimento desse tipo de literatura o que pode ser
resumido em:.
a) edições curtas e padrões de produção e de edição variáveis;
b) pouca ou nenhuma publicidade e circulação em âmbito limitado;
c) Informações muito especializadas, por isso úteis para um número limitado de
pessoas e
d) informação de duração limitada ( rápida obsolescência)

Soria Ramírez (2003, p.131)

considera que, graças aos avanços das TICs ,

associados à grande explosão da informação, estamos tratando não só com LC mas,
também, com informação cinzenta isto é, novo suporte, formato, canal de
distribuição. A LC da nova geração, denominada assim porque a tecnologia afeta
alguns aspectos da sua natureza, apresenta as seguintes características:
a) rapidez em produzir e divulgar o documento e, inclusive destruí-lo,
b) crescimento das publicações graças as novas tecnologias existentes e
c) acesso visual à informação, pois se pode obter uma cópia exata do
documento.

Considera, ademais, a supracitada autora, que a LC de nova geração incorpora os
denominados e  prints (manuscritos que passaram por um processo de revisão e
estão aguardando para serem publicados em um meio ou formato tradicional mas
que já se encontram disponíveis em forma eletrônica). Trata-se portanto de um pré 
print acessível via Internet. Pode-se dizer que o sucesso do e  print reside no fato
de proporcionar aos usuários acesso rápido e livre a informação, a consulta por parte
dos pares bem como divulgar os resultados das pesquisas com mais rapidez.

�7

Pujol (2006) considera que a publicação eletrônica, seria LC já que não se trata de
um sistema convencional e que no momento, se pode admitir a complexidade de
sua localização e recuperação porém,

pouco a pouco, a LC vai se

embranquecendo graças ao aperfeiçoamento de sistemaseletrônicos. Pode-se
assegurar que o novo cinzento faz uso das formas do velho cinzento posto que
juntos formam uma totalidade. A LC impressa é muito parecida com suas formas
eletrônicas, está cada vez mais visível.

Face ao crescente volume e qualidade da literatura cinzenta, várias organizações
nacionais e internacionais, principalmente públicas, empreenderam esforços no
sentido de coletar e disponibilizar esse tipo de literatura, em publicações e bases de
dados. Os exemplos a seguir, são enfáticos para a disseminação do LC.

a) A União Européia mantém, desde 1980, a base de dados System for
Information on Grey Literature in Europe (SIGLE) que incorpora os relatórios
técnicos-científicos existentes em centros da Inglaterra, França e Alemanha e,
desde 1991, incorpora as contribuições da Itália, Luxemburgo e Espanha
incluindo, também, na base Sigle, as teses/dissertações e comunicações
apresentadas em eventos.

b) Preocupado com o volume de LC FARACE agiliza, por meio da Internet, a
Rede

de

Serviço

de

Literatura

&lt;http://www.knonbib.enfolev/greynet/home.html

Cinzenta,
&gt;

criada

Grey
em


1992

net
e

estabelecida em 1993 na Primeira Conferência Internacional de Literatura
cinzenta em Amsterdam . A Grey  net tem como objetivo
[...] levar adiante o avanço da cooperação Internacional, através do
entretenimento e organização de conferências , resultados de
pesquisas, bem como o estabelecimento dos serviços de referencia de
informação mundial. Atualiza, ativamente, a compilação bibliográfica,
documental e factual de informação sobre pessoa, organizações e
seus respectivos produtos e serviços da área da Literatura cinzenta [...]
(FARACE apud ALMEIDA, 2006).

�8

As ações anteriores traduzem uma preocupação com o controle, localização e
acesso à LC. Iniciativas nesse sentido, contribuem para o fortalecimento desse tipo
de literatura e, associadas às novas tecnologias, estão à disposição de um número
considerável de usuários.
3 A PESQUISA
.
A LC abrange recursos informacionais das mais diversas áreas do conhecimento e
possui, como característica principal, a circulação restrita. Por compreender uma
imensa parcela de informações inéditas, o estudo da LC se torna imprescindível no
âmbito das bibliotecas universitárias. Com esse entendimento, realizou-se uma
pesquisa exploratória, com o universo de 11 Bibliotecas Centrais de Universidades
federais, o nordeste brasileiro, UFPB, UFCG, UFPE, UFRPE, UFRN, UFBA, UFC,
UFAL, UFMA, UFSE e UFPI. A amostra compreende sete (63,6%) bibliotecas que
responderam o questionário, administrado, via e-mail, aos seus

diretores. Para

manter o anonimato dos respondentes codificou-se os questionários como: BC1
BC2, BC3,

A pesquisa desenvolveu-se através de um estudo teórico e um de campo. A análise
dos dados se deu de forma quantitativa e qualitativa, sendo esta com base em
Minayo. (1998) Assim, trabalhou-se com categorias de análise que, no item a seguir,
aparecem em negrito.

4 AS

BIBLIOTECAS

CENTRAIS

DAS

UNIVERSIDADES

FEDERAIS

DO

NORDESTE BRASILEIRO FACE À LITERATURA CINZENTA.

Uma grande variedade de tipos de recursos informacionais compõe a LC que, no
âmbito das biblioteca universitária, já assegurou o seu espaço, por sua grande valia
para os usuários.

�9

A análise que ora se inicia, e que tem como base os dados coletados

junto a

Bibliotecas de universidades federais, do nordeste do Brasil, revela uma presença
significativa da LC nessas bibliotecas. O tipo de LC disponível nessas unidades de
informação são: monografias, teses, dissertações, relatórios e comunicações em
congressos, seminários, simpósios, entre outros eventos.
Observa-se que a tipologia da LC, disponibilizada pelas bibliotecas universitárias
estudadas ainda é modesta. Os dados da pesquisa apontam, portanto, para a
necessidade de incorporar ao acervo outros tipos de documentos cinzentos que não
foram citados pelas bibliotecas como patentes, pré-print normas técnicas, informes,
traduções não comercias, literatura comercial, entre outros, a fim de aumentar o
leque de opções de documentos/informações, para seus usuários, tendo em vista
que a clientela potencial das bibliotecas universitárias é composta de grupos de
usuários que se inserem nas mais diversas áreas do conhecimento, portanto,
demandam e necessitam de informações variadas e acessíveis nos mais diversos
tipos de documentos. Assim, é imperativo pensar que a cada usuário deve-se
repassar a informação que ele necessita.

A distribuição da LC nas bibliotecas estudadas é por assunto, nas seções da
biblioteca (42,9%) ou em seções específicas como as denominadas Memória (BC1),
Coleções especiais (BC4, BC5, BC7). Embora a LC se insira em seções diversas a
maioria das bibliotecas (57%) informou que não dispõem de catálogos exclusivos
para LC. Das que possuem

(43%) uma indicou que apenas das teses e

dissertações (BC4). Era de se esperar que seções especiais fossem dotadas de
catálogos para esse tipo de literatura.

.
O tratamento dado a LC,

nas bibliotecas estudadas, vai do

convencional,

registrado, catalogado e disponibilizado para o público (BC4) [...] organizado na
estante em ordem alfabética por tipo de material (BC1) ao moderno, processada,

�10

digitalizada, colocada no Pergamum e armazenada (BC2 )  confecção de bases de
dados ( BC1), inserção em formato digital (BC5).

A respeito

do tratamento observa-se, ainda,

o que se pode denominar de um

período de transição para a convivência do convencional com o moderno. Neste
sentido o posicionamento de uma biblioteca é bem representativo

O material é catalogado, classificado e a recuperação, atualmente,
ainda é feita através do catálogo manual pois o nosso sistema de
automação começou a ser implantado este ano [2006]

mais

precisamente a partir do mês de maio, estamos dando prioridade ao
acervo de livros e periódicos. No caso das teses e dissertações
estamos implantando a biblioteca digital de teses e Dissertações
BDTD, através do convênio firmado com o IBICT (BC7)

Na realidade, a LC já se encontra disponível nas bibliotecas (86,6%), via Internet , só
as referências ou em parte. Destaque deve ser dado as teses e dissertações, que
algumas bibliotecas já elaboraram bases de dados e BiblIotecas digitais, como é o
caso da UFRN. Na UFPB, atualmente, a Biblioteca Central e a Pró-Reitoria de PósGraduação e Pesquisa estão dando início à implantação da Biblioteca Digital de
Teses e Dissertações, atendendo às orientações da CAPES, que, através da Portaria
Nº 13, de 15 de fevereiro de 2006, institui a divulgação das teses e dissertações,
produzidas pelos programas de doutorado e mestrado reconhecidos.

Essas e outras iniciativas vêm confirmando a tendência quanto a disponibilização
da literatura cinzenta através das TICs, nas universidades federais. Como outros
exemplos, além do nordeste, cita-se as respectivas bibliotecas digitais de teses e
dissertações da USP, da UFPR e da UFRGS.

Essas ações podem ser,

perfeitamente, desenvolvidas por outras Bibliotecas, uma vez que podem reforçar a

�11

inserção das Bibliotecas no contexto digital ao tempo em que dará melhor visibilidade
a literatura cinzenta.
A aquisição da LC para as Bibliotecas Centrais não foge ao que acontece com
esse tipo de literatura, é feita, em sua totalidade, por doações com destaque para as
teses, dissertações e monografias por serem as

bibliotecas

depositárias dessa

produção, no âmbito universitário, como se pode deduzir das afirmações. Depósito
legal e doações (BC4) A Biblioteca central é depositária das teses e dissertações
defendidas por nossos docentes (BC2).

A disponibilização da LC para o usuário é feita é feita através do livre acesso, do
COMUT, do empréstimo e via Internet., como se deduz das afirmações: Acesso
livre e empréstimo ao usuário da instituição (BC4), Organizada por tipo de material
e em ordem alfabética, com livre acesso às estantes BC1) e Via Internet BDTD/Banco de teses ou COMUT (BC2)
O diretores das bibliotecas universitárias (82.7%) opinaram sobre, ampliação,
otimização, difusão e disponibilização da LC para o usuário, enfatizando que,
nesse sentido, é necessário o uso de meios eletrônicos haja vista que estes darão
maior visibilidade a LC disponível, na biblioteca. As opiniões dos diretores

são

taxativas:  Mostrar a importância desse material informacional, tratá-lo e permitir a
acessibilidade e uso, por meio de formatos impressos e digitais, haja vista que este
último dará maior visibilidade a um acervo dessa natureza (BC5), a inserção de
todo acervo de monografias no sistema de automação o que possibilitará a consulta
via Internet assim como a implantação da BDTD (BC7).

Ainda, a respeito da disponibilização, uma biblioteca considera que o material citado
já é disponibilizado a contento (BC3). A posição dessa Biblioteca

nos chama

atenção uma vez que todo procedimento em relação à LC, nessa biblioteca, é de
forma tradicional, isto é: não inclui usos das TICs. Atualmente, uma unidade de
informação, seja ela qual for, não pode ficar a margem dos avanços tecnológicos

�12

que proporcionam melhores formas de disponibilizar a informação para seus
usuários.
A idéia de uma seção exclusiva para a LC nas bibliotecas universitárias é
compartilhada por grande parte dos diretores ( 85.7%) que consideram importante,
embora tenham consciência das dificuldades. Nesse sentido, das opiniões sobre o
que deve ser priorizado em uma proposta para criação de seção exclusiva para LC ,
na biblioteca universitária, destacam-se:
A garantia de que esse material chegue até a seção. (BC1)
Deve-se ter uma política onde [os] direitos autorais sejam garantidos, com
possíveis procedimentos de digitalização, preservação e conservação da
memória intelectual da Instituição. (BC2)
[...] espaço físico e pessoal especializado [...] ( BC3)
Uma política para o desenvolvimento adequado da coleção, ressaltando o
uso da tecnologia como fator importante na modernização de sua
estrutura, o que agiliza a prestação do serviço, alem de melhorar a
qualidade do mesmo, através das facilidades de acesso e da visibilidade a
nível nacional e internacional, a exemplo da BDTD (BC7)

Contrária a essas opiniões se encontra uma biblioteca (14,3%) que afirma que [...]
não seria necessário à criação de uma seção exclusiva para LC. (BC4) portanto não
opinou sobre a questão..

Acredita-se que a criação de uma seção exclusiva para LC resultaria em ações mais
específicas que fortaleceriam esse tipo de coleção pois, como por exemplo, uma
política exclusiva a seção se tornaria mais dinâmica em seus processos de seleção,
aquisição e avaliação da LC. Por outro lado, os responsáveis pela seção atuariam
em um contexto que demanda questionamentos do tipo: Quem produz a LC de
interesse dos usuários da biblioteca? Como adquirí-la? Quais são os usuários
desse tipo de literatura? Assim sendo, as bibliotecas terão condições de atender as
necessidades de informação de seus usuários, referentes a esse tipo de literatura.

�13

5 CONSIDERAÇÃOES FINAIS

A LC se configura como uma ferramenta de ação informacional das bibliotecas que,
compreendendo sua importância, estão encontrando os caminhos para sua maior
visibilidade. A construção de Bibliotecas digitais de documentos cinzentos já é uma
realidade nas bibliotecas universitárias do nordeste brasileiro o que mostra a busca
de inserção dessas bibliotecas no mundo das TICs como acontece com outras
bibliotecas de universidades brasileiras e, por que não dizer, estrangeiras.

A presença atual da LC

nas bibliotecas, objeto de estudo,

indica que essas

unidades podem ampliar o universo da LC a ser disponibilizada para os usuários,
realizando atividades de cunho referencial, como indicar bases de dados produzidas
por centros especializados a exemplo da base de dados National Technological
Information Service (NTIS) dos EUA, que cataloga e difunde informes de pesquisas
elaboradas com patrocínio estatal e da base de dados de teses e dissertações
espanholas TESEU, produzida pelo Ministério de Educação da Espanha, entre outras
de interesse da comunidade universitária.

A Internet, como propulsora dos canais supra-formais de comunicação é a grande
responsável pela disponibilização desses canais nas bibliotecas. Não resta dúvidas
de que a rede potencializa a visibilidade da produção cientifica, mas somente essa
justificativa não basta o importante é que, de forma tradicional ou moderna, a LC
esteja ao alcance dos usuários. Para isso é preciso empenho e ações concretas por
parte das bibliotecas universitárias para uma aquisição da LC, que contemple toda
sua tipologia, e quanto a disponibilzação desse tipo de literatura, para o usuário.

Democratizar e socializar o acesso `a informação, eliminando barreiras relacionadas
à distância e ao tempo,

deve ser o objetivo maior de qualquer unidade de

informação. Nesse sentido, hoje em dia as bibliotecas contam com pontos favoráveis
pois grandes são as possibilidades que proporcionam as TICs. Percebe-se que as

�14

bibliotecas já estão fazendo uso dessas possibilidades gerando novas formas de
trabalho e de disponibilização da LC para os usuários o que demonstra que as
perspectivas em relação à LC, nas bibliotecas universitárias do nordeste brasileiro,
são prometedoras. Em outras palavras: alargamento do leque de sua visibilidade o
que, sem dúvida, provocará demandas e uso efetivo da LC.

GREY LITERATURE IN UNIVERSITY LIBRARIES: PRESENCE,DISPLAYING AND
PERSPECTIVE.
ABSTRACT
The Grey Literature ( GL) embodies informational resources from the most diverse
knowledge area and is characterized mainly by the restrict circulation, what makes the access
to and the display of such literature limited. Thus, it was developed an exploratory research
aiming at the analysis of the presence of the GL in the federal university libraries in the
Northeast of Brazil and its display to the users. The methodology was based on theoretical
and field studies. For data collection a questionnaire was applied via e-mail. The data shows a
significant presence of the GL in libraries whose treatment goes from the conventional,
register, cataloguing, classification to the modern digitalization and digit insertion format.
The GL is already available in the Internet, and some thesis and dissertations were used by
libraries to generate data basis and digit libraries. The availability of the GL to the users is free
access ,loan and via internet The informants has a unanimous opinion, saying that to enlarge,
optimize, spread and display the GL it is necessary to use electronic means. A priority to the
GL, they ask for the elaboration of some policies to guarantee the authorship rights. It is
concluded that the GL is a tool to the informational action for the libraries which understand
its importance, find ways to expose such literature.
Keywords: Grey literature; university library; scientific production; scientific communication.

REFERÊNCIAS
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Greynet. Disponível em: &lt;http://dici.ibict.br/archive00000767/01/T115.pdf&gt; Acesso
em: 29 maio 2006.
___________Literatura cinzenta: teoria e prática. São Luís: Edições
UFMA/Souândrade, 2000.
___________ Gerenciamento da literatura cinzenta para construção de uma base de
dados da Universidade Federal do Maranhão  UFMA e Universidade Estadual do

�15

Maranhão  UEMA.In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS, 13. Natal, 2004. Anais ... Natal: UFRN, 2004. 1 CD-ROM.
CAMPELLO, Bernadete Santos: CENDÓN, Beatriz Valadares; KREMER, Jeannette
Marguerite. Fontes de informação para pesquisadores e profissionais. Belo
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para
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>A Literatura Cinzenta (LC) abrange recursos informacionais das mais diversas áreas do conhecimento e possui como característica, principal, a circulação restrita, o que concorre para limitar o seu acesso e disponibilidade. Assim, realizou-se uma pesquisa exploratória objetivando analisar a presença da LC nas bibliotecas universitárias federais do nordeste brasileiro e sua disponibilização para o usuário. A metodologia compreende um estudo teórico e um de campo. Para coleta de dados utilizou-se um questionário, administrado via e-mail. Os dados revelam uma presença significativa da LC nas bibliotecas cujo tratamento vai do convencional, registro, catalogação, classificação..., ao moderno, digitalização e inserção em formato digital. A LC já se encontra disponível na Internet com destaque para as teses e dissertações que, algumas bibliotecas, geraram bases de dados e biblioteca digital.A disponibilização da LC para o usuário é feita através do livre acesso, empréstimo e via Internet. Os informantes são unânimes ao opinar que, para ampliar, otimizar, difundir e disponibilizar a LC é necessário utilizar-se de meios eletrônicos. Como prioridade para a LC, opinam pela elaboração de uma política onde os direitos autorais sejam garantidos. Conclui-se que a LC se configura como uma ferramenta da ação informacional das bibliotecas que, compreendendo sua importância, encontram caminhos para sua maior visibilidade.</text>
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                    <text>LUGARES DO CONHECIMENTO: AS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS

IVONE JOB
Bibliotecária. Biblioteca da Escola da Educação Física da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul. Rua Felizardo 750. Jardim Botânico. Porto Alegre-RS.
Brasil. CEP: 90690 200. ivonejob@yahoo.com.br
CÍNTIA CIBELE RAMOS FONSECA
Bibliotecária. Biblioteca da Escola da Educação Física da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul. Rua Felizardo 750. Jardim Botânico. Porto Alegre-RS.
Brasil. CEP: 90690 200. cintiarf@yahoo.com.br
RESUMO
A identificação da biblioteca como lugar do conhecimento foi construída através
dos tempos. No século XVII, na Europa, dentro da universidade, a biblioteca
começava a rivalizar com a sala de conferências e o bibliotecário era um agente
para o progresso do saber universal. No Brasil, somente no início do século XX é
que tivemos uma universidade, a Universidade do Brasil, atual UFRJ. As
bibliotecas universitárias estão, historicamente, ligadas ao saber, de forma que
seria até possível fazer uma arqueologia do conhecimento, no sentido da
expressão de Foucault, examinando os vestígios físicos dos antigos sistemas de
classificação das bibliotecas. A ligação intrínseca entre biblioteca e conhecimento
se dá nas múltiplas formas de divulgação das descobertas científicas e dos
produtos acadêmicos. Dentro dessa finalidade a Biblioteca da EsEF da UFRGS
trabalha com os valores de preservação da memória institucional e do campo de
conhecimento da qual está ligada, desenvolvendo o projeto de conservação e
preservação do acervo das obras históricas juntamente com o CEME. Existem
obras brasileiras e estrangeiras desde 1850. O projeto está na fase final de
registro das obras no SABi. As próximas fases são: a restauração das obras, a
seleção do acervo para estruturar coleções específicas como a de Inezil Penna
Marinho (1915-1987) e a digitalização das obras mais importantes.
Palavras-chave: Educação Física. História. Digitalização. Conhecimento. Inezil
Penna Marinho: biografia.

�2

1 INTRODUÇÃO
Milhões de documentos são perdidos por catástrofes naturais como
inundações, terremotos, enchentes, incêndios provocados ou não, guerras,
preconceito sendo responsáveis pela destruição de centenas de bibliotecas no
mundo. Há levantamentos realizados pela International Federation of Librarian
Association (IFLA) e pela UNESCO que relatam e contabilizam o resultado
dessas atrocidades cometidas contra a memória documental que narra a
existência do homem no planeta. A perda de arquivos é um sério problema de
perda da memória do fazer humano. Sociedades não podem funcionar sem a
memória coletiva que está em seus arquivos, por isto é vital agir no sentido de
revelar estas perdas que tem acontecido no mundo e há coisas que podemos
fazer. (MEMORY,...1996).
O Programa Memória do Mundo foi lançado pela UNESCO in 1992 com o
objetivo de preservar a herança documental dos perigos bem como democratizar
o acesso aos documentos e dar-lhes uma grande difusão. O programa tem a
intenção de sensibilizar pessoas e governos para a importância de proteger a
herança documental.
Atualmente, das catástrofes que podemos evitar para proteger o acervo
documental, o perigo mais sério está no nível de poluição do meio ambiente, na
péssima qualidade do papel usado nos registros e na carência de métodos
efetivos de conservação. Medidas de prevenção são geralmente traçadas por
profissionais por meio de políticas de preservação. Essas incluem, entre outras:
medidas preventivas para minimizar a taxa de deterioração; rotinas de limpeza
domésticas que protegem e estendem a vida dos materiais; equipe e usuários
treinados para promover e encorajar o correto uso de transporte e manuseio dos
materiais; medidas de segurança e planos de contingência para controle de
desastres; medidas de proteção como caixas, encadernação e embalagens para
reduzir o desgaste e os cortes no material; um programa de substituição dos
originais tais como as microformas; tratamento de conservação para reparar os
danos dos originais e estabelecimento de procedimentos para uso do material e
para reprodução dos originais.

�3

O meio ambiente físico em que estão os materiais estocados tem um efeito
significante no seu período de vida. Condições tais como: temperatura, umidade,
luz e poluição atmosférica podem afetar todos os tipos de documentos. Medidas
preventivas são possíveis e podem propiciar melhores condições para a guarda
dos itens. O processo de decomposição pode ser contido, consideravelmente,
com a criação de condições favoráveis de estocagem, com um controle do nível
de poluição do ar, com a criação de ambiente climatizado e limpo e com espaço
adequado para a armazenagem. A preservação dos documentos é imprescindível
para a história da humanidade e a biblioteca é fundamental dessa história. Como
disse Mário Quintana:
Um dia veio a tempestade e acabou com
Toda vida na face da Terra:
Em compensação ficaram as bibliotecas....
E nelas estava meticulosamente escrito
O nome de todas as coisas! *

As bibliotecas são denominadas por Foucault, juntamente com os
laboratórios, comunidades epistemológicas, que são os pequenos grupos,
círculos, redes como unidades fundamentais que constroem o conhecimento e
conduzem sua difusão por certos canais, são freqüentemente estudadas nos
micro espaços em que operam. (BURKE, 2003).
Esta idéia pode ser entendida em parte pelo que as bibliotecas
representaram a partir do século XVI e XVII, os espaços de divulgação das
informações, semelhantes aos cafés, portos, teatros. E também pela sua
proximidade com um espaço próprio do saber, que são as universidades. De
modo particular, as primeiras classificações das bibliotecas universitárias
revelavam a tendência de reproduzir o currículo das universidades, o que de
modo algum é demérito dos seus administradores. Pode-se admitir como uma
ordem natural dos livros. Esta aparência natural do sistema tradicional de
disciplinas era reforçada pelo sistema de disposição dos livros na biblioteca.
Assim as bibliotecas que sobreviveram nos permitem estudar a arqueologia do
conhecimento, no sentido literal da famosa expressão de Foucault, examinando
os vestígios físicos de antigos sistemas de classificação. Tanto catálogos de

*

http://marioquintana.blogspot.com/

�4

bibliotecas públicas quanto particulares, a organização dos acervos seguia
frequentemente a mesma ordem, com poucas modificações. (BURKE, 2003).
A solução de distribuir os livros conforme as disciplinas de um currículo
universitário era uma solução pragmática. Outras soluções foram propostas no
decorrer dos tempos para ordenar os livros e também para resolver os problemas
de crises do conhecimento, como por exemplo, nos anos das grandes
descobertas marítimas, de outras terras além mar, com uma série de mapas,
objetos, documentos, animais, etc, ampliando desta maneira, a tipologia de
documentos e objetos que representavam um novo conhecimento, tendo sido
sempre preocupação destes espaços como nossas bibliotecas e museus a sua
preservação e difusão. A organização e a preservação de um acervo são ações
que andam juntas, não sendo possível haver uma continuidade em se manter a
memória seja de uma pessoa, de uma instituição ou de uma nação em que
ambas não estejam presentes.
As bibliotecas universitárias como responsáveis pelo depósito legal e pelo
armazenamento das informações geradas pela produção científica, intelectual e
artística dos membros da academia têm como uma de suas missões a
preservação da memória institucional. A memória presente parece não ter
grandes dificuldades uma vez que há critérios já estabelecidos para itens de sua
coleção, mas o mesmo não se pode dizer com relação a uma coleção da memória
passada ou histórica.
Considera-se uma grande dificuldade, em relação às bibliotecas seculares
e milenares da Europa e de outros países em que as universidades foram centros
propulsores das idéias e inovações científicas, a despreocupação dos dirigentes
governamentais do nosso país, que teve sua primeira universidade somente em
1920, a Universidade do Brasil.
A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) foi criada no dia 7 de
setembro de 1920, como parte das comemorações da independência do Brasil.
Inicialmente denominada Universidade do Rio de Janeiro, teve seu nome
modificado para Universidade do Brasil em 5 de julho de 1937. Mas foi somente
em 17 de dezembro de 1945 que conquistou sua autonomia administrativa,
financeira e didática. Em 1965, o general Castelo Branco, determinou nova

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mudança na denominação da instituição, que passou a chamar-se Universidade
Federal do Rio de Janeiro, nome que manteve até o dia 30 de novembro de 2000
quando recuperou na Justiça o direito a utilizar o nome Universidade do Brasil.
Por ocasião de sua fundação, a Universidade do Brasil/UFRJ foi formada pela
reunião das seculares unidades de ensino superior, já existentes no Rio de
Janeiro: a Faculdade de Medicina, antiga Academia de Medicina e Cirurgia, criada
em 1808 por D. João VI; a Escola Politécnica, continuação da Escola Central, e a
Faculdade de Direito, todas com vida autônoma. A essas unidades iniciais,
progressivamente foram-se somando outras, tais como a Escola Nacional de
Belas Artes, a Faculdade Nacional de Filosofia e diversos outros cursos que
sucederam àqueles pioneiros. Com isso, a Universidade do Brasil representou
papel fundamental na implantação do ensino de nível superior no país.
Portanto, somente no século XX o Brasil pode contar com uma
universidade em seu sistema educacional e daí todas as atividades decorrentes
de sua existência.
Os movimentos de preservação da memória são impulsionados muitas
vezes por mérito pessoal de alguns dirigentes e de pessoas da comunidade,
como a criação de bibliotecas, teatros e museus e que,em sua maioria, sofrem
demasiadamente com a falta de recursos e de continuidade.
Na EsEF este movimento conta com as atividade desenvolvidas pelo
CEME e pela Biblioteca Edgar Sperb.

2 CENTRO DE MEMÓRIA DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
O Centro de Memória do Esporte (CEME) da Escola de Educação Física
(EsEF) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) foi implantado
em dezembro de 1996 com o objetivo de reconstruir, preservar e divulgar a
memória do esporte, da educação física, do lazer e da dança no Brasil. Para
tanto, são desenvolvidas pesquisas históricas, exposições, mostras de fotografias,
oficinas temáticas, palestras entre outras atividades. Desde 1990, a biblioteca da

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Escola começou a organizar seu acervo histórico composto por obras antigas e
até mesmo raras. Com a criação do CEME, esse acervo foi ampliado através da
doação de livros, periódicos, fotografias, filmes, vídeos e diferentes artefatos. O
Centro de Memória, além de atingir especialistas, está voltado para o público em
geral, disponibilizando a documentação histórica de diversas formas: via
computador, catálogos bibliográficos, exposições, mostras fotográficas, palestras,
oficinas, cursos e resultados de pesquisa.
Objetivos do CEME:
•

reconstruir, preservar e divulgar a memória do esporte, educação física,
lazer e da dança no Brasil;

•

realizar exposições e mostras fotográficas que mostrem a cultura corporal
brasileira;

•

possibilitar aos pesquisadores e comunidade em geral, informações
relacionadas à memória esportiva brasileira.

A coleção do CEME começou, portanto, a ser formada a partir dos itens do
acervo da biblioteca que tinham seu ano de publicação superior a 30 anos. Assim
em 1990 todos os livros, monografias,etc com publicação até o final da década
de 1960 se constituiria em item do acervo histórico, estando designado e
identificado na base de dados da UFRGS com a letra H.
A automatização da base do Sistema de Bibliotecas da UFRGS (SBU)
começou a ser implantada em 1989.
3 AS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS DA UFRGS
Em 1959 foi criado na UFRGS o Serviço Central de Informações
Bibliográficas (SCIB), por força de convênio assinado entre a Universidade e o
Conselho Nacional de Pesquisas, através do Instituto Brasileiro de Bibliografia e
Documentação (IBBD).
Em 1962 o Serviço Central de Informações Bibliográficas (SCIB) foi extinto
e na mesma ocasião foi criado o Serviço de Bibliografia e Documentação (SBD).

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Em 1970 foram aprovados o Estatuto e o Regimento Geral da Universidade, que
previam a criação de uma Biblioteca Central, vinculada à Reitoria através da
Superintendência Acadêmica. Neste mesmo ano foi criada a Comissão de
Organização e Implantação da Biblioteca Central, apresentando ao Reitor da
UFRGS às conclusões a que chegou.
Em 1972 foi criada a Biblioteca Central, através da Portaria nº. 1516, de 13
de dezembro de 1971, como Órgão Suplementar da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, diretamente vinculada à Reitoria, coordenando e supervisionando,
sob forma sistêmica, o conjunto de Bibliotecas da Universidade, com atribuições
de órgão central desse sistema bibliotecônomico.
O Sistema de Bibliotecas da UFRGS é composto por 29 bibliotecas
setoriais especializadas, duas bibliotecas de ensino fundamental e médio e ensino
técnico e uma biblioteca depositária da documentação da ONU (Organização das
Nações Unidas). A função primordial da biblioteca universitária é prover infraestrutura bibliográfica, documentária e informacional para apoiar as atividades da
Universidade, centrando seus objetivos nas necessidades informacionais do
indivíduo, membro da comunidade universitária. Paralelamente ao contexto
acadêmico, tem compromisso com a sociedade não vinculada à Universidade que
se efetiva através da prestação de serviços, proporcionando o acesso à
informação, à leitura e a outros recursos disponíveis que são instrumentos de
transformação dessa sociedade.
4 A BIBLIOTECA DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA UFRGS

A Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, foi implantada a 6 de maio de 1940, mas as atividades realmente
se iniciaram a 27 de maio de 1941. O regulamento da escola de 1943 faz menção
a existência da biblioteca e o primeiro responsável pela biblioteca foi um professor
de voleibol. Em 1945 é criada a Associação dos Especializados em Educação
Física e Desportos (AEEFD), entidade aberta às pessoas que exerciam atividades
na área e numa reunião do dia 5 de março deste ano foi aprovada a criação de
uma biblioteca com o nome de Edgar Sperb, homenagem póstuma ao médico

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Edgar Luiz da Silva Sperb que fundou o centro acadêmico da ESEF e era médico
especializado em medicina da educação física. A inauguração da biblioteca
ocorreu a 28 de outubro de 1946, na sede da AEEFD. Na ESEF somente no início
dos anos 50 aparece, nos registros históricos, alguma referência a uma sala
destinada a ser uma biblioteca, mas que na realidade era usada para reuniões.
Somente no regimento de 1962 há uma referência clara à necessidade da
existência de uma biblioteca dirigida por um bacharel em biblioteconomia., ficando
este setor responsável também pelos serviços áudios-visuais, diapositivos,
discoteca, desenhos, gráficos de interesse didático e de reprodução fotográfica.
Em 1969 a UFRGS é federalizada e no decreto estabelece a criação de dois
cargos de bibliotecário do quadro permanente do MEC. Em 1971 a AEEFD
mudou sua sede para a ESEF e faz a doação do acervo à biblioteca, que
continuou com a denominação Biblioteca Edgar Sperb. Em 1976, a biblioteca
tinha 1 bibliotecário, 2 funcionários, 1506 livros, 23 assinaturas de periódicos,
atendendo nos 3 turnos com cerca de 12horas/ diárias, mas uma baixíssima
procura pelos usuários. Em 1989 é implantado o programa de mestrado na ESEF
e vários cursos de especialização. Neste ano começam a utilização de acesso a
bases de dados principalmente da BIREME e SIBRADID.
Em 1990 começou a ser organizado o acervo histórico da biblioteca
reunindo obras antigas e raras em ciência do esporte e educação física e áreas
correlatas. O acervo histórico foi enriquecido com a biblioteca do professor de
balé clássico de Porto Alegre, João Luiz Rolla. Em 1996, outro rico acervo foi
incorporado ao já existente acervo histórico, a coleção do professor e ex-diretor
da ESEF, Jacyntho Targa.
Em 2000 a biblioteca é ampliada assumindo a área atual de 401m2, conta
com um acervo de, aproximadamente, 13.000 itens disponibilizados na base
SABi, 1798 itens de produção intelectual e 68 dissertações e teses na Biblioteca
Digital de Teses e Dissertações (BVTD) implantada em 2000.
O acervo histórico havia sido transferido para as instalações do CEME, e
continuavam a ser processados tecnicamente pela Biblioteca, até que no início de
2006 com um incêndio ocorrido no ginásio ao lado do prédio do CEME houve o
retorno do acervo às dependências da biblioteca. Não houve danos ao acervo e
nem ao prédio do CEME, mas por motivos de segurança hoje está nas

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dependências da biblioteca e a manutenção fica a cargo do pessoal da biblioteca,
do CEME e de uma restauradora.
5 PLANEJAMENTO DAS ATIVIDADES

A fim de dar continuidade aos trabalhos de processamento técnico,
restauração e conservação do acervo histórico foram planejadas atividades com a
equipe da Biblioteca e do CEME e com a comunidade universitária.
Leva-se em consideração para desenvolvimento do acervo histórico alguns
critérios sugeridos por Rubem Borba de Moraes (1998) para formação de uma
coleção básica e de valor:
•

Uma coleção precisa ter um critério, uma escolha e um objetivo;

•

Planejar a coleção que se quer fazer;

•

Uma boa coleção é recompensa material pela sua arte e ciência;

•

Não está na cogitação de nenhuma biblioteca, a intenção utópica de
possuir tudo que se publicou no assunto, no mundo;

•

Todo livro que cita pela primeira vez um fato importante, marca uma
data na história, tem valor bibliográfico e se torna geralmente, raro;

•

Colecionar não é juntar livros

•

Para se formar uma coleção homogênea sobre um assunto ou um autor
é preciso ter ciência, conhecer a vida do autor, saber quando e onde
publicou seus livros.

ATIVIDADES PREVISTAS

•

Campanha de valorização do acervo: no início do período letivo serão
expostas na biblioteca as obras do acervo histórico e serão distribuídos
folhetos de como cuidar dos livros e materiais da biblioteca a todos da
comunidade da EsEF. O acervo escrito histórico atual conta com
aproximadamente

3000

itens

entre

livros,

folhetos,

separatas

e

monografias. Demais materiais como artefatos, medalhas, vestuário
ficaram no espaço do CEME.

�10

•

Tratamento por coleções: as coleções do acervo histórico são muito ricas,
incluindo-se a coleção de Inezil Penna Marinho, coleção de livros de dança
e ballêt clássicos, de danças folclóricas, de educação física de autores
portugueses e dos clássicos dos séculos XIX e XX.

•

Campanha para recolher verba para a restauração dos livros

•

Digitalização das obras mais importantes

A coleção de Inezil Pena Marinho será a primeira a ser trabalhada uma vez
que a ESeF possui praticamente todos os itens de sua produção e será
futuramente depositária do acervo pessoal do autor. Para tanto alguns dados
biográficos sobre o autor são essenciais para determinar a importância do autor
no cenário da educação física no Brasil.
6 BIOGRAFIA DE INEZIL PENNA MARINHO

Inezil Penna Marinho (1915-1987) foi professor, editor científico, técnico do
Ministério da Cultura de 1940 a 1971, membro fundador de várias associações de
profissionais e escritor. Em 1950 recebeu o título de honoris causa da Escola de
Educação Física da UFRGS, dirigida então pelo Cel. Jacyntho Francisco Targa.
Recebeu este título em outras instituições como UFPR, Universidade Federal de
São Carlos, Instituto Nacional de Educação Física do Peru e a medalha Rui
Barbosa do governo brasileiro. Foi assistente de ensino em 1940 e em 1941 era
técnico de educação, o primeiro do Brasil ligado à Educação Física, e chefe da
Secção Pedagógica da Divisão de Educação Física. Filho do Cônsul Ildefonso
Ayres Marinho e de Ignez Penna Marinho, o ex-aluno do Colégio Pedro II Inezil
Penna Marinho desde a juventude se destacava pelo gosto pela prática de
esportes e pelo interesse pela filosofia, história e poesia. Foi casado com Alice
Opala e tiveram dois filhos, Inemar e Inezil Penna Marinho Júnior.Deixou vários
trabalhos inéditos e manuscritos.

�11

Como esportista chegou a ser campeão de pólo aquático pelo clube
Boqueirão do Passeio e de luta livre pelo Flamengo, entre outros esportes dos
quais tomava parte. Quando foi aluno da Escola Nacional de Educação Física e
Desportos (ENEFD), entre os anos de 1941 e 1943, foi campeão universitário de
pólo aquático e vice de voleibol, chegando mesmo a ser recordista universitário
de atletismo.
Como 'poeta', Inezil ganhou alguns concursos. Entre eles, por exemplo, o
prêmio de literatura da Academia de Ciências e Letras de 1933, com o poema
'Tetrálogo dos Cavalheiros do Apocalipse'.
Foi incentivador de ações de intercâmbio científico e profissional de
cooperação latino-americana. Estruturou o pensamento pedagógico brasileiro da
educação física do início do século XX consolidando o campo acadêmico e
profissional do esporte. Foi presidente da Confederação Sul-americana de
Associações de Professores de Educação Física de 1946 a 1948. Até 1978,
pelas suas anotações já visitara 52 países de diferentes continentes onde
ministrou palestras e cursos em vários deles. Formou-se em educação física,
Ciências Jurídicas e Sociais, psicologia e filosofia. Foi professor catedrático da
Escola Nacional de Educação Física e Desportos da Universidade do Brasil.
Em 1958 já tinha mais de 100 monografias e dezenas de livros publicados,
muitos dos quais, em outras áreas de conhecimento. Entre 1938 e 1984
contabilizou a publicação de 92 itens entre monografias e livros. Nos congressos
era comum apresentar mais de um trabalho. Já tinha também mais de 1000
artigos publicados em revistas como: Revista Brasileira de Educação Física,
Educação Physica, Revista de Educação Física, Cultura Política, Boletim da DEF,
Arquivos da ENEFD, entre outras.
Sua obra se destaca pelas contribuições aos estudos históricos. O primeiro
estudo do prof. Inezil ligado à História da Educação Física e do Esporte no Brasil
parece ter sido publicado em 1940. Em 1941, a DEF realizou um curso de
informações para professores da área diplomados pelas Escolas de Educação
Física ou pelos cursos de emergência.

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As características dos estudos históricos no Brasil daquele momento, o
prof. Inezil procedeu a uma minuciosa busca documental e apresentou um
levantamento bastante amplo de datas e fatos de nossa história, tanto na
Educação Física quanto no esporte. Suas fontes são as mais diversas possíveis:
legislação, jornais, revistas (específicas ou não), teses da Faculdade de Medicina
do Rio de Janeiro e de Pernambuco (além da Faculdade de Direito), livros
pioneiros relacionados à área de Educação Física e esporte, súmulas, arquivos
diversos, livros sobre a história do Brasil, livros de memorialistas, entre outras.
Podem ser feitas críticas aos estudos históricos de Marinho: a) a
periodização é exterior ao objeto de estudo, isto é, ligada à periodização política
nacional; b) suas obras são um levantamento de datas, fatos e nomes,
apresentados sequencialmente, ano após ano, sem uma preocupação maior com
a análise crítica deste material; c) apresenta uma 'história oficial', onde os
expoentes recebem lugar de privilégio absoluto; d) pouco se encontra sobre o
cotidiano dos professores, se prendendo a abordagens macro; e) não define com
clareza os objetos 'Educação Física' e 'esporte', os confundindo com qualquer
manifestação da cultura corporal de movimento.
Sua obra resguardou magnificamente fatos e datas que em muitas
oportunidades futuras seriam pouco valorizados nas abordagens historiográficas
na Educação Física brasileira. Inezil, aliás, deixava claro em suas obras mais
conhecidas que seu objetivo central era exatamente o de resguardar fontes,
constituir-se em um trabalho de preservação da memória.
Seria possível ressaltar ainda: a) suas reflexões ligadas à crianças
portadoras de deficiências, destacando-se seus trabalhos com crianças surdas e
cegas; b) sua participação em muitos congressos no exterior ; c) o período em
que foi presidente da Confederação Brasileira de Desportos Universitários; d)
suas contribuições para o estudo dos métodos ginásticos, inclusive a sugestão de
um método brasileiro; e) sua participação na Associação de Professores de
Educação Física; f) suas contribuições para o treinamento desportivo; g) suas
obras na área do direito, principalmente após 1958, quando muda-se para Brasília
e se dedicada mais detidamente a carreira da advocacia; entre outras dimensões
possíveis.

�13

7 CONCLUSÃO

A partir do exposto é possível concluir que podemos e devemos fazer algo
a respeito da preservação da memória documental porque:
•

as bibliotecas universitárias têm como missão a preservação do
conhecimento produzido pelos componentes da comunidade acadêmica;

•

o desenvolvimento das coleções históricas deve ser planejado observandose critérios, objetivos e fases;

•

as atitudes dos profissionais das bibliotecas brasileiras devem se antecipar
a preocupação dos governos e tomar a frente a preservação da memória
nacional de diversas áreas, autores e temas;

•

o livre acesso às obras históricas é direito de todos que estiverem
interessados seja público em geral, estudiosos, curiosos, estudantes e
demais pessoas, portanto, sua disponibilização via internet, em forma
bibliográfica ou em forma integral e virtual é bem vinda para a difusão e
democratização da informação.
REFERÊNCIAS

BURKE, Peter. Uma história social do conhecimento: de Gutemberg a
Diderot.Rio de janeiro: Jorge Zahar, 2003.
CEME. Disponível em&lt;http://www6.ufrgs.br/esef/ceme/index.html&gt;. Acesso em:
13 jun.2006.
GOELLNER, Silvana Vilodre. (org.) Inezil Penna Marinho: coletânea de textos.
Porto Alegre: UFRGS; CBCE., 2005.
MELO, Victor Andrade de. Inezil Penna Marinho: notas biográficas. Disponível
em: &lt;http://www.ceme.eefd.ufrj.br/apresenta/inezil.html&gt;. Acesso em:13 jun. 2006.
MEMORY of the World: Lost Memory: Libraries and Archives destroyed in the
Twentieth Century. Paris:UNESCO: IFLA, 1996. (CII-96/WS/1).
MORAES, Rubens Borba. O bibliófilo aprendiz. 3. ed. Brasília, DF: Briquet de
Lemos, Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 1998.

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Job, Ivone; Fonseca, Cintia Cibele Ramos</text>
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                <text>A identificação da biblioteca como lugar do conhecimento foi construída através dos tempos. No século XVII, na Europa, dentro da universidade, a biblioteca começava a rivalizar com a sala de conferências e o bibliotecário era um agente para o progresso do saber universal. No Brasil, somente no início do século XX é que tivemos uma universidade, a Universidade do Brasil, atual UFRJ. As bibliotecas universitárias estão, historicamente, ligadas ao saber, de forma que seria até possível fazer uma arqueologia do conhecimento, no sentido da expressão de Foucault, examinando os vestígios físicos dos antigos sistemas de classificação das bibliotecas. A ligação intrínseca entre biblioteca e conhecimento se dá nas múltiplas formas de divulgação das descobertas científicas e dos produtos acadêmicos. Dentro dessa finalidade a Biblioteca da EsEF da UFRGS trabalha com os valores de preservação da memória institucional e do campo de conhecimento da qual está ligada, desenvolvendo o projeto de conservação e preservação do acervo das obras históricas juntamente com o CEME. Existem obras brasileiras e estrangeiras desde 1850. O projeto está na fase final de registro das obras no SABi. As próximas fases são: a restauração das obras, a seleção do acervo para estruturar coleções específicas como a de Inezil Penna Marinho (1915-1987) e a digitalização das obras mais importantes.</text>
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                    <text>MAPEAMENTO DE COMPETÊNCIAS DOS FUNCIONÁRIOS DA DIBD
Kátia M. de Andrade Ferraz∗
Thais Cristiane Campos de Moraes∗∗
Vilma Sarto Zeferino∗∗∗

RESUMO
A Divisão de Biblioteca e Documentação da ESALQ/USP, através do Sistema de
Gestão, decidiu implantar a gestão de competências. A primeira etapa deste
processo é a identificação das competências individuais e institucionais,
registrada através de uma matriz. Essas são estratificadas em competências
conceituais (conhecimento), interpessoais (atitudes) e técnicas (habilidades), de
acordo com as atribuições de cada funcionário e com o grau de domínio que cada
função requer. Informações com evidências concretas, dados extraídos do
sistema de informação da biblioteca e avaliação de resultados são essenciais
para a análise do desempenho do funcionário. A partir disso, critérios são
definidos para a qualificação de cada funcionário como forma de reconhecimento,
valorização de sua competência e estímulo à sua capacitação e desenvolvimento.
Como conseqüência, é possível aplicar e compartilhar o conhecimento adquirido
(como agente multiplicador), acompanhar os avanços tecnológicos e estar
inserido no cenário atual.
PALAVRAS-CHAVE: Matriz de competências – Profissional da informação;
Indicadores de desempenho; Qualificação profissional; Capacitação de
funcionário; Compartilhamento de conhecimento;
1 INTRODUÇÃO
A Divisão de Biblioteca e Documentação da ESALQ/USP, através do Sistema de
Gestão, decidiu implantar a “gestão de competências”, um sistema gerencial que
busca motivar os funcionários em suas competências através da capacitação
profissional, da valorização e do reconhecimento das atividades desenvolvidas
por sua equipe.
A motivação está relacionada à valorização do talento e do trabalho desenvolvido,
ao compartilhamento e à aplicabilidade do conhecimento, à confiança para a
∗

Bibliotecária chefe da Seção de Circulação e Empréstimo, Divisão de Biblioteca e Documentação - ESALQ/USP, Caixa
Postal 9, Piracicaba, SP, Brasil - kmaferra@esalq.usp.br
∗∗
Analista de Sistema – Técnica de Documentação e Informação, Divisão de Biblioteca e Documentação - ESALQ/USP,
Caixa Postal 9, Piracicaba, SP, Brasil - tcmoraes@esalq.usp.br
∗∗∗
Técnica de Documentação e Informação, Divisão de Biblioteca e Documentação - ESALQ/USP, Caixa Postal 9,
Piracicaba, SP, Brasil - vaszefer@esalq.usp.br

1

�realização

de

atividades

mais

complexas

e

ao

ambiente

harmonioso

proporcionado aos funcionários.
A competência é definida Fleury; Fleury (2001), como a capacidade para
iniciativas, ir além das atividades prescritas, ser capaz de compreender e dominar
novas situações no trabalho, ser responsável e ser reconhecido por isso.
De acordo com Farias (2004), as competências podem ser desdobradas em:
a) Competências conceituais: conhecimento e domínio de conceitos e teorias que
dão suporte às técnicas;
b) Competências interpessoais: atividades que envolvem a comunicação entre as
pessoas e a interação eficaz entre elas (atitudes e valores pessoais);
c) Competências técnicas: desenvolvimento de atividades que envolvem a
tomada de decisão e o domínio de métodos e ferramentas específicas para
determinada área de trabalho.
A gestão de competências, de acordo com Leboyer1 (1997) apud Lara (2004),
requer um processo sistematizado, com metodologias específicas, passíveis de
mensuração e comparação de performances entre os funcionários quando se
deseja identificar pessoas dentro do perfil desejado.
Conforme afirma Messina Ramos (2004), o mapeamento é um recurso utilizado
para identificar as competências institucionais e individuais, através do registro
das informações curriculares das pessoas.
Mapear as competências existentes e as requeridas é fundamental em uma
organização, identificando as lacunas e elaborando um plano de ação para a
melhoria do desempenho que contemple treinamentos, cursos, palestras,
reciclagens nos procedimentos, dinâmicas de grupo, “benchmarking”, entre
outros.
Com o mapeamento de competências, a DIBD pretendeu desenvolver os recursos
humanos, estimular a independência, a motivação para a realização do trabalho e
1

LEBOYER, C.L. Gestion de las competências. Barcelona: Acliciones Gestões, 1997.
2

�o desempenho de alta performance, visando a melhoria da força de trabalho da
biblioteca.
O sucesso da organização depende do desempenho de sua equipe e por isso é
necessário o seu acompanhamento.
Com esta postura administrativa é possível observar funcionários motivados e
alinhados às estratégias, processos eficientes, clientes satisfeitos e bons
relacionamentos interpessoais.

2 DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO
O trabalho foi desenvolvido a partir da apresentação de um modelo teórico de
gestão de competências específico para a DIBD, com indicadores de
desempenho a serem utilizados no processo de qualificação de seus
funcionários. Estes indicadores foram determinados, tendo como formato o
requisito e a sua evidência, abrangendo todas as competências descritas no
mapeamento: o conhecimento, as atitudes e as habilidades do funcionário,
conforme exemplo abaixo.
Conhecimento:

Atitudes:

Requisito: Graduação
Evidência: diploma

Requisito: Planejamentos (nível operacional ou tático)
Evidência: meta alcançada

Habilidades: Requisito: Qualidade na operacionalização das rotinas
Evidência: Número mínimo de falhas (metas pré-estabelecidas) no
sistema de informação

Os indicadores de desempenho devem ser relacionados de forma sistemática às
atividades de planejamento e avaliação de uma biblioteca, conforme afirma Igami
(2003). O princípio básico é facilitar o controle no processo de gestão, servir de
parâmetro para a negociação e para a análise comparativa do desempenho de
3

�seus funcionários. Com base nesta afirmação, estabeleceram-se indicadores
quantitativos e qualitativos.
Os dados quantitativos envolveram a produtividade, a agilidade (prazos), o
número de cursos, o número de treinamentos assistidos e ministrados pelos
funcionários, o cumprimento das metas assumidas por cada setor, entre outros.
Os indicadores qualitativos foram relacionados ao cliente interior (a própria
pessoa, as suas expectativas, a sua motivação e o seu equilíbrio), ao cliente
interno (relacionamento interpessoal no ambiente de trabalho), e ao cliente
externo (atendimento), sendo explicitados através das atitudes do funcionário.
A etapa seguinte para a implantação da gestão de competências foi elaborar um
documento com a discriminação das atribuições específicas de cada Unidade
Gerencial Básica (UGBs), denominação esta, utilizada para setores de atividades
específicas da biblioteca, de modo que a qualificação ocorresse de acordo com os
requisitos da função exercida pelo funcionário.
Decorrentes disso, critérios foram definidos para a qualificação, juntamente com a
definição das responsabilidades das diretoras, por estarem relacionados às
decisões administrativas no contexto do Programa de Educação, considerando
que seriam as avaliadoras da equipe de trabalho com a participação das chefias.
A participação pessoal e ativa da alta direção permite que a organização direcione
as pessoas na busca da excelência. Por meio de seu comportamento ético, de
suas

habilidades

para

planejamento, capacidade de análise

crítica

de

desempenho e de motivação das pessoas, reforça a liderança em todos os níveis,
e mantém o engajamento da equipe na causa da organização.
Os critérios para a qualificação envolvem o conhecimento, a liderança, a
experiência profissional, a capacitação técnica, o domínio da atividade, as noções
de informática e de língua estrangeira, conforme a área de atuação, e a
competência do funcionário, que pode ser desdobrada em alta competência,
média e baixa competência.

4

�Ex.: Q (qualificação) = D (domínio) + A (aplicação)
Para o registro das informações pertinentes às competências de cada funcionário,
foi elaborada uma matriz, denominada “Mapeamento de competências dos
Profissionais da Informação” (Figura 1) cujo conteúdo abrangeu o seu
conhecimento, as suas atitudes e as suas habilidades, incluindo o grau de
domínio que a função exercida requer.

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Figura 1 Mapeamento de Competências dos Profissionais da Informação
Os dados quantitativos, relacionados aos indicadores mensuráveis, foram
registrados em uma planilha específica (Figura 2), e servirão de parâmetro para a
qualificação por função.

5

�Figura 2 - Planilha para dados quantitativos do mapeamento
Como ferramenta de estímulo à capacitação, foi elaborada uma planilha “on line”,
(Figura 3) com o cronograma de atividades anuais de interesse para a área de
atuação da biblioteca.
Período

Treinamentos da Qualidade

Título/Tema

Ministrado por:

20/out

Programa de Educação

14/out

Programa de Educação

Motorista do Destino
Explanação: Programa de
Eduacação

22/nov

Programa de Educação

Exibição do filme "O cliente interno" Márcia Saad

Período
Jan./Fev./Abr.
Abr.

Treinamento Interno

Título/Tema
Sistema Automatizado de
Empréstimo - Aleph
Bases de Dados

UGB Circulação e Empréstimo

Período

Certificação

Horário

Público Alvo
(Opcional)

Kátia, Thais e Vilma 9:00 as 10:30

DIBD

Kátia, Thais e Vilma 9:00 as 10:30

DIBD

Ministrado por:

8:00h e 14:00h DIBD
Horário

Thais
Kátia

Título/Tema

Ministrado por:

Horário

Título/Tema

Ministrado por:

Horário

Local
Auditório
DIBD
Auditório
DIBD
Auditório
DIBD

Público Alvo
Local
(Opcional)
GAI - Estagiários Setoriais
SCE
Estagiários
SCE
Público Alvo
(Opcional)

Local

5s
Monitoria
PO
Postura de Atendimento
Período

Agente Multiplicador
Transferencia de
realizado no SIBi

mar.
09/11

conhecimento:

curso Trabalho em equipe e
comprometimento

Transferencia de conhecimento
Período

Cursos Externos

03, 10, 17 e 24/05
maio a outubro
28 e 30/09
abril/maio
11 a 22/04
25 a 28/10
Período

Título/Tema

Ministrado por:

Técnicas de Redação Empresarial
Comunicação escrita

Informática
Conservação do Acervo
Palestras / Eventos

a definir

Melhoria pessoal/profissional

13/dez

II Seminário de Compartilhamento de
Experiências das Bibliotecas do CRUESP

Período

Airton

Conservação preventiva: pequenos
reparos para obras documentais
Roseli

Benchmarking

Técnico em Secretariado
Etiqueta empresarial
PHP
ACCESS 2000
Conservação preventiva: pequenos
reparos para obras documentais
Mirdza C.Sichmann
Título/Tema

Ministrado por:

14 horas
Horário

Público Alvo
(Opcional)
Referência /
Comut
Amábile
(TEC),
Silvana Gregório,
Alvaro, Josué
Público Alvo
(Opcional)

28 horas
6 horas/
semana de aula
8 horas
60 horas
20 horas

Horário

Motivação, auto-estima e qualidade
de vida

Local
Auditório
DIBD
Seção de
Conservação
do Acervo
Local
Ciagri
a definir
a definir
Ciagri
Ciagri

Roseli
Público Alvo
(Opcional)

Local

DIBD
Auditório da
Poli/USP

Título/Tema

Ministrado por:

Carga Horária

Público Alvo
(Opcional)

Local

Interno (UGBs/Campus)
Externo

Figura 3 – Cronograma de atividades anuais da DIBD
A partir deste cronograma, elaborou-se um procedimento operacional para a
participação das atividades. Um formulário (Figura 4) foi elaborado contendo
informações sobre o interesse do funcionário e a justificativa do treinamento

6

�escolhido. O seu preenchimento é necessário para que o treinamento seja
aprovado pela chefia, que irá verificar as prioridades institucionais e a
disponibilidade de recursos.
REQUISIÇÃO PARA PARTICIPAÇÃO EM
CURSOS / TREINAMENTOS / EVENTOS
Nome do colaborador: _______________________Nº USP: _________
UGB: ______________________________________________________
Título do evento: ____________________________________________
Palestrante: ________________________________________________
Local: _____________________________________________________
Período: ____________________________ Carga horária:__________
Motivo do interesse: ___________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
Aprovação do chefe imediato: ___________________________________
Aprovação da Diretora da DIBD: _________________________________

Data: ____/_____/_____

Figura 4 – Formulário para solicitação de cursos
Elaborado o cronograma e o procedimento, a etapa seguinte foi definir uma
ferramenta para a avaliação da participação nessas atividades e o controle de sua
aplicabilidade no ambiente de trabalho.
A avaliação de desempenho é um procedimento sistemático feito pelos
supervisores familiarizados com as rotinas e demandas do trabalho, que,
conforme afirma Lara (2004), auxilia na estruturação de uma visão mais objetiva
do potencial da força de trabalho.
A partir dessa afirmação, diretrizes foram traçadas para que o conhecimento
adquirido fosse aplicado nas atividades da biblioteca e transferido aos outros
funcionários, de forma sistematizada.
A aplicação de um questionário de avaliação (Figura 5) foi sugerida e
implementada, de modo a evidenciar a assimilação do conteúdo do treinamento.

7

�PROGRAMA DE EDUCAÇÃO:
AVALIAÇÃO TEÓRICA DOS CURSOS/TREINAMENTOS

Curso/Treinamento:
Palestrante:
Período:
Colaborador:
Carga horária:
1 Quais são as inovações que o curso/treinamento apresentou?
2 Como este conhecimento e/ou inovação podem ser aplicados em sua atividade da biblioteca?
3 As informações transmitidas lhe agregaram conhecimento e/ou valor? Por que?
4 Você indicaria este curso? Quais as razões? E em caso positivo, para qual UGB especificamente?
5 Comentários:_____________________________________________________

Figura 5 – Questionário de avaliação de cursos
Para a transferência do conhecimento, definiu-se que o funcionário participante
atuaria como “agente multiplicador”, com autonomia para escolher a dinâmica da
aula (palestra, debates, leitura de textos, “brainstorming”, dramatização, entre
outras), respeitando suas características, o tipo de atividade assistida e o públicoalvo.
Este treinamento, embora interno, deverá constar do cronograma de atividades
anuais da DIBD para que os interessados possam participar.
Para a aplicabilidade do treinamento recebido na sua área de atuação, o
funcionário deverá ter o acompanhamento de seu chefe, que poderá verificar o
seu desenvolvimento, cobrá-lo pelo investimento e reconhecê-lo através da
avaliação periódica de desempenho.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A partir do mapeamento de competências dos funcionários da DIBD será
possível identificar a contribuição dos programas de treinamentos, fornecer
subsídios para definir o perfil requerido dos ocupantes dos cargos e sua
promoção, definir os planos de ação para desempenhos satisfatórios e mensurar

8

�objetivamente a competência, identificando o grau de contribuição de cada
funcionário.
A estrutura do mapeamento relacionou as funções dos funcionários com as suas
competências e registrou seu conhecimento, as suas habilidades, a sua postura e
a sua qualificação.
Para o registro das informações na matriz de competências foi imprescindível a
utilização dos indicadores de desempenho quantitativos e qualitativos.
Para cada item descrito nessa matriz foi determinado o grau de exigência de cada
função, ou seja, o domínio necessário para o exercício de suas atividades, com
níveis diferenciados, conforme exemplo da Figura 6.

4

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Figura 6 – Legenda da matriz de competências
A qualificação do funcionário (Figura 7) foi identificada, independente da função
exercida, considerando que pode ser aproveitada ou não em outras atividades
(característica interdisciplinar).

9

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Figura 7 – Níveis de qualificação da matriz de competências
Para os dados quantitativos, a proposta consistiu em trabalhar com os indicadores
mensuráveis, extraídos do sistema de informação da DIBD (Figura 8).
Destacaram-se

os

cursos

e

treinamentos

recebidos

(capacitação),

os

treinamentos ministrados, as consultorias e as atividades de técnicas de gestão e
planejamentos.
DIVISÃO DE BIBLIOTECA E DOCUMENTAÇÃO
RELATÓRIO EXTRA-ROTINA

1- Treinamento

UGB: Empréstimo

Resp.: Kátia

julho/06

Atividade(s)

Pessoa(s)

Hora(s)

Atividade(s)

Pessoa(s)

Hora(s)

Atividade(s)

Pessoa(s)

Hora(s)

Atividade(s)

Pessoa(s)

Hora(s)

Atividade(s)

Pessoa(s)

Hora(s)

Treinamento

0:00

Difusão

0:00

1
2

2- Difusão

1
2

3- Monitoria

1
2

4- PDCA

1
2

Técnicas
de Gestão

1
2

TOTAL

Monitoria

0:00

PDCA

0:00

Técnicas de Gestão

0:00

Figura 8 – Sistema de informação da DIBD (parcial)
Esta possibilidade irá neutralizar a subjetividade e o pré-julgamento do avaliador e
evitará interferências na avaliação do funcionário.
Para os dados qualitativos, evidências objetivas referentes às atitudes dos
funcionários, atreladas aos objetivos da biblioteca, foram sugeridas. As
ferramentas que podem ser utilizadas, para obter as evidências deste método,
10

�são as reuniões periódicas e individuais, os projetos profissionais e as propostas
implantadas.
Para a avaliação dos cursos e treinamentos, a utilização do questionário, a
técnica de “agente multiplicador” e o acompanhamento da aplicabilidade do
conhecimento adquirido na área de atuação possibilitaram mensurar o
desempenho, de acordo com o trabalho realizado e identificar o potencial dos
funcionários referentes à função exercida e à transferência desse conhecimento.
Para a avaliação da eficácia do treinamento, medidas corretivas podem ser
aplicadas pela diretoria e pela gerência do Programa de Educação, através de
reciclagens, de “benchmarking”, de novos treinamentos ou de rodízio de funções
ou atitudes de reconhecimento e valorização do profissional, através de sua
qualificação, de sua certificação nos itens da qualidade, de sua progressão na
carreira, de estímulo para a divulgação dos trabalhos elaborados ou de novas
oportunidades profissionais.
4 CONCLUSÃO
O investimento na capacitação pessoal é o diferencial competitivo das
organizações que estão mudando os seus conceitos e alterando as suas práticas
gerenciais.
A DIBD, através de seu Sistema de Gestão, vem contribuindo para que o
profissional da informação tenha um perfil flexível, esteja apto a monitorar as
constantes mudanças impostas pelos avanços tecnológicos e a desenvolver
projetos, produtos e serviços com foco no cliente.
A DIBD pretendeu, através do mapeamento, evidenciar o potencial do indivíduo,
de modo que ele tenha consciência de sua atuação profissional e busque um alto
grau de desempenho e sucesso nas estratégias e metas estabelecidas,
procurando identificar os pontos fortes, que tornam o funcionário apto para
determinadas tarefas, e os pontos fracos, que devem ser aperfeiçoados para que
o profissional possa autogerenciar a sua carreira e investir no desenvolvimento
que considera importante para o campo que pretende atuar.

11

�A partir do mapeamento das competências de seus funcionários e do
compartilhamento de suas aptidões, competências, e habilidades, busca a
construção de seu capital intelectual. O seu desafio é gerenciar este capital, fator
primordial para impulsionar o crescimento do profissional e da biblioteca.

ABSTRACT
Division of Libraries and Documentation - ESALQ/USP trough the Management
System decided to implement the Competence (Aptitude) Management. The first
step is the identification of individual and institutional competences, registered
trough a matrix. These matrixes are subdivided in competences: conceptual
(knowledge), interpersonal (attitudes) and techniques (abilities), according to the
attributions of each collaborator and with the dominion level that each occupation
requires. Information showing real evidences, data obtained of the Information
Library System leading to further evaluation of results is essential to analyze
collaborators performances. From that, criteria are defined to indicate the
qualification of collaborators and a way to recognize their work, to valorize their
competence and to stimulate their personal development and qualification. As a
consequence it will be possible apply and share the acquired knowledge
(multiplying agent), to follow the technology advances and to be inserted to the
actual scenery.
REFERÊNCIAS
FARIAS, E.C.B.; LIMA, D.C.S.; LUCENA, M.I.R. Gestão de competências: um
olhar sobre o profissional bibliotecário que atua em bibliotecas de instituições de
ensino superior privado. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS, 13., 2004. Anais. Natal: UFRN, 2004. 1 CD-ROM.
FLEURY, A.; FLEURY, M.T.L. Estratégias empresariais e formação de
competências: um quebra-cabeça caleidoscópico da indústria brasileira. 2.ed.
São Paulo: Atlas, 2001. 169p.

12

�IGAMI, M.P.Z. A avaliação de desempenho na gestão das bibliotecas
especializadas nos institutos públicos de pesquisa. Dissertação - (Mestrado
em Ciências da Comunicação) Escola de Comunicações e Artes, Universidade de
São Paulo, 2003.
LARA, J.F.; SILVA, M.B. Avaliação de desempenho no modelo de gestão por
competência: uma experiência de utilização. 2004.
MESSINA-RAMOS, M.A.F.; FERREIRA, M.A.T. Gestão de conhecimento no
sistema de bibliotecas da universidade federal de Minas Gerais: mapeamento
de competências. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS, 13. 2004. Anais. Natal: UFRN, 2004. 1 CD-ROM.

13

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>Ferraz, Kátia M. de Andrade: Moraes, Thais Cristiane Campos de; Zeferino,Vilma Sarto</text>
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                <text>A Divisão de Biblioteca e Documentação da ESALQ/USP, através do Sistema de Gestão, decidiu implantar a gestão de competências. A primeira etapa deste processo é a identificação das competências individuais e institucionais, registrada através de uma matriz. Essas são estratificadas em competências conceituais (conhecimento), interpessoais (atitudes) e técnicas (habilidades), de acordo com as atribuições de cada funcionário e com o grau de domínio que cada função requer. Informações com evidências concretas, dados extraídos do sistema de informação da biblioteca e avaliação de resultados são essenciais para a análise do desempenho do funcionário. A partir disso, critérios são definidos para a qualificação de cada funcionário como forma de reconhecimento, valorização de sua competência e estímulo à sua capacitação e desenvolvimento. Como conseqüência, é possível aplicar e compartilhar o conhecimento adquirido (como agente multiplicador), acompanhar os avanços tecnológicos e estar inserido no cenário atual.</text>
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MARCXML PARA A OAI 1

Adriana Nascimento Flamino
Mestre em Ciência da Informação pela FFC-UNESP-Marília, Bibliotecária do Museu de
Zoologia da USP (MZUSP), Av: Nazaré, 481, Ipiranga – São Paulo, SP. CEP: 04263-000. eMail: flamino@usp.br .

Plácida Leopoldina Ventura Amorim da Costa Santos
Doutora em Letras pela FFLCH-USP, Profª do Programa de Pós- Graduação em Ciência da
Informação – FFC-UNESP, Av: Hygino Muzzi Filho, 737, Campus Universitário – Marília, SP.
CEP: 17525-900. e-Mail: placida@marilia.unesp.br

RESUMO:

O formato MARC tem permitido por décadas a descrição e o intercâmbio de registros
bibliográficos e catalográficos às instituições, favorecendo o acesso aos conteúdos
informacionais contidos em diversos acervos. No entanto, com o crescimento
exponencial de informações e da geração de documentos (sobretudo digitais), têmse exigido maior flexibilidade e interoperabilidade entre os diversos sistemas
informacionais disponíveis. Neste cenário, a linguagem de marcação XML tem como
propósito facilitar e otimizar o gerenciamento, armazenamento e transmissão de
conteúdos via Internet, atualmente incorporada por diversos setores e áreas do
conhecimento por sua facilidade de manuseio e flexibilidade operacional. Diante
disso, realizou-se um estudo exploratório de análise teórica, identificando a
adequação do formato MARCXML na construção de formas de representação
descritiva para recursos informacionais em arquivos abertos, como um padrão de
metadados complexo e flexível, que possibilitará a interoperabilidade entre sistemas
de informação heterogêneos, além de suas vantagens e flexibilidades na
transferência de registros bibliográficos e catalográficos e no acesso às informações.
Como resultado desta pesquisa, considera-se que o MARCXML é um formato
adequado para descrição de dados numa estrutura complexa. Conclui-se que a
medida que aumenta a complexidade dos documentos nos repositórios e open
archives, mais se justifica uma estrutura de metadados, como a do formato
MARCXML, que suporte a descrição das especificidades dos recursos
informacionais, uma vez que esta iniciativa não está e nem estará se restringindo a
documentos científicos, mas se expandindo a outros tipos de recursos
informacionais cada vez mais complexos e específicos, demandando também uma
descrição apropriada para a especificidade das entidades bibliográficas.
Palavras-chave: Open Archives. MARC. XML. MARCXML. Metadados
1

Artigo desenvolvido a partir da dissertação de mestrado intitulada MARCXML: um padrão de
descrição para Open Archives, disponível em:
http://www.biblioteca.unesp.br/bibliotecadigital/document/?did=3678
XIV Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU) – 22 a 27 de outubro de 2006 – Salvador - Bahia

�2

1 INTRODUÇÃO
“As novidades precisam ser compreendidas; as potencialidades precisam
ser valorizadas; as ambivalências precisam ser superadas.”
Plácida L.V. A. C. Santos

Atualmente é visível a necessidade e o uso cada vez mais constante e intenso de
recursos abertos, produtos de código-fonte aberto ou sistemas “open source”, de
baixo custo e de licença pública, nas mais diversas áreas, uma vez que elas
dispensam custos com licença reduzindo muito mais os investimentos dos usuários
dessas tecnologias, além de contribuir para o futuro da preservação informacional.
Essa inovação tecnológica é hoje considerada, por muitos, uma das ferramentas
mais importantes e indispensáveis na sociedade da informação.

Tais inovações vêm ao encontro da filosofia biblioteconômica e dos objetivos da
Ciência da Informação: criar mecanismos para que as informações disponíveis
estejam acessíveis e que um maior número de pessoas tenham acesso, no
momento certo, na hora certa e com o menor custo possível, de preferência a custo
zero. Adicionalmente, as instituições ao utilizarem produtos open source se livram do
aprisionamento tecnológico/comercial. Item imprescindível na atual economia da
informação.

A sociedade atual, a Sociedade da Informação, está agora sob um novo paradigma,
o do acesso, em que “é mais interessante ter condições de acessar a informação, o
conteúdo do documento, do que ter o próprio documento (posse) em mãos, uma vez
que isto se torna desnecessário frente às tecnologias digitais e virtuais que rompem
barreiras geográficas” (DZIEKANIAK, 2004, p. 44).

Ciente de toda essa realidade, necessidades e possibilidades vigentes, percebe-se
que com os avanços das tecnologias de informação e comunicação o crescente uso
da Internet, o aumento dos bancos de dados, dos Arquivos Abertos (open archives),
dos repositórios institucionais digitais, entre outros, a tendência atual é de que o
bibliotecário trate de informação cada vez mais em meio digital, ou seja, em acervos
digitais e de acesso à conteúdos completos dos documentos. É nesse atual
XIV Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU) – 22 a 27 de outubro de 2006 – Salvador - Bahia

�3

ambiente informacional que se tem desenvolvido ferramentas para a otimização dos
processos de organização, recuperação e intercâmbio de informações, além da
preservação digital e, sobretudo, de descrições de alta qualidade.
Neste sentido, destacamos que o formato de intercâmbio MARC (Machine Readable
Cataloging) tem permitido às instituições o intercâmbio de dados bibliográficos e
catalográficos por décadas, favorecendo o acesso aos conteúdos informacionais
contidos em diversos acervos. Mas, o crescimento exponencial de informações e da
geração de documentos, sobretudo em ambiente digital, tem exigido uma maior
flexibilidade e interoperabilidade entre os sistemas informacionais disponíveis.

A Ciência da Computação procura, por meio do desenvolvimento constante de
tecnologias, facilitar o gerenciamento, o armazenamento e a transmissão de dados
de modo digital e, de forma especial, criar mecanismos facilitadores para a
disponibilização e acesso às informações na World Wide Web, via Internet,
utilizando atualmente, a linguagem XML (eXtensible Markup Language) que tem sido
incorporada por diversos setores e áreas do conhecimento por sua facilidade de
manuseio e flexibilidade operacional.

Assim, buscando adequar o MARC à nova filosofia da comunicação científica
baseada no livre acesso, visto que ele é uma estrutura de representação
bibliográfica completa que atende a necessidade de padronização de metadados e
facilita a interoperabilidade entre sistemas de informação devido a sua arquitetura
organizacional, surgiram várias iniciativas de adaptação do MARC para o ambiente
da XML, pois somente a estrutura MARC não efetiva a interoperabilidade no atual
cenário digital. É preciso outros serviços acoplados a esta estrutura para garantir e
efetivar a interoperabilidade entre sistemas de informação heterogêneos.

A partir de um estudo exploratório de análise teórica, buscou-se identificar a
adequação do MARCXML 2 na construção de representações descritivas para
recursos informacionais em open archives como um padrão de metadados complexo
2

A título de delimitação para estudo, o presente trabalho se restringiu a estudar somente o padrão
para metadados MARCXML, desenvolvido pela LC, por esta ser a instituição mantenedora do
esquema a partir de seu escritório de desenvolvimento de redes e padrões MARC.

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e flexível, que possibilitará a interoperabilidade entre sistemas informacionais
heterogêneos, além do acesso às informações.

2 OPEN ARCHIVES E OPEN ACCESS

A informação científica é fundamental para o desenvolvimento científico-tecnológico.
Consiste de um processo contínuo que contribui para o desenvolvimento científico
gerando novos conteúdos e realimentando todo o processo (IBICT, 2006a).

Porém, devido às crises no tradicional sistema de comunicação científica causadas,
como por exemplo, pelo aumento exponencial dos títulos de periódicos e a
diminuição significativa das assinaturas destas revistas científicas, devido ao
expoente custo em obtê-las, os profissionais da informação – conscientes do
problema designado “crise dos periódicos” e das graves conseqüências que as
limitações ao acesso à literatura produziam ao próprio sistema científico – têm
buscado por alternativas de divulgação e acesso à comunicação científica uma vez
que, a generalização da utilização da Internet e da Web, acompanhada por uma
maior compreensão das suas potencialidades e aplicações na publicação científica
têm influenciado para o surgimento de diversas iniciativas.

No entanto, foram necessárias décadas de avanços tecnológicos até encontrar
condições favoráveis para a questão do acesso à literatura científica com o
surgimento e consolidação dos open archives, arquivos on-line de acesso público
que podem estar abertos para o acesso via FTP ou HTTP, armazenando uma
coleção de artigos ou de metadados de documentos armazenados em outros locais
(SENA, 2000).
A Open Archives Initiative 2 (OAI, 1999), estabelece, além de padrões de
interoperabilidade, alguns princípios e ideais como, o uso de open source e o open
access à informação. Surge, então, o paradigma do acesso livre à informação
(IBICT, 2006a). Acesso livre significa a disponibilização livre na Internet de literatura
de caráter acadêmico ou científico, permitindo a qualquer utilizador ler, descarregar
2

www.openarchives.org/

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(to download), copiar, distribuir, imprimir, pesquisar ou referenciar o texto integral
dos documentos (IBICT, 2006b; RODRIGUES, 2004).

Desta forma, o benefício público que o movimento ‘Open Access’ oferece, por meio
de bibliotecas digitais, periódicos de acesso livre, repositórios institucionais, entre
outros arquivos abertos, é a possibilidade de divulgação dos resultados de
pesquisas através da ‘distribuição eletrônica’, com a eliminação de barreiras de
acesso, contribuindo assim, para o desenvolvimento das pesquisas e da ciência,
enriquecendo o processo de ensino-aprendizado e a socialização das informações.

A OAI foi criada com a missão de desenvolver e promover padrões de
interoperabilidade, ou seja, padrões compatíveis entre diferentes sistemas e/ou
plataformas, para facilitar a difusão eficiente de conteúdos na Internet, permitindo o
intercâmbio de vários formatos bibliográficos entre diferentes computadores
utilizando-se de um mesmo protocolo (BARRUECO; COLL, 2003). Atualmente a OAI
utiliza-se do protocolo OAI-PMH (Open Archives Iniciative – Protocol for Metadata
Harvesting) para a transação pedido/resposta, baseada em HTTP para a
comunicação entre um harvester/cliente e um repositório/servidor. Suporta múltiplos
formatos para representar metadados, entretanto, requer que os servidores
ofereçam seus registros utilizando no mínimo Dublin Core em XML. Contudo, cada
servidor tem a liberdade de oferecer registros em outros formatos como MARCXML,
por exemplo (BARRUECO; COLL, 2003).

3 MARCXML

Ao longo dos últimos anos (meados da última década do século XX) surgiram
algumas iniciativas interessadas no uso da XML em relação aos registros MARC,
sobretudo para a adaptação deste último à Internet.

As formas de representação (tanto temática quanto descritiva) dos recursos
informacionais têm grande importância uma vez que buscam satisfazer diversas
necessidades em diversos contextos, incluindo a preservação dos recursos
informacionais nos Open Archives e a otimização dos processos de recuperação da
informação.
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Até alguns anos atrás não se tinha o dinamismo de múltiplas formas de
representação de um mesmo registro de metadados em ambiente digital. Hoje com
as facilidades proporcionadas pela XML e tecnologias associadas como a XSL,
essas questões vêm se tornando possíveis no ambiente computacional/digital.

A Linguagem de marcação XML é um padrão aberto, não impõe restrições à sua
utilização nem a criação e incorporação de outras ferramentas que a manipulem,
além

de

ser

um

dos

componentes

do

conjunto

mínimo

exigido

para

interoperabilidade estabelecido pela Iniciativa de Arquivos Abertos, sendo a sintaxe
obrigatória para representar e transportar metadados.

Uma linguagem de marcação é um conjunto de símbolos que podem ser colocados
no texto de um documento para demarcar e rotular as partes desse documento,
levando em conta a semântica da informação, ou seja, cada pessoa ou instituição
pode criar um conjunto de etiquetas que melhor represente os elementos que
compõem os seus documentos. Por exemplo: &lt;titulo&gt; Mente e Natureza &lt;/tilulo&gt;,
&lt;autor&gt; Gregory Bateson &lt;/autor&gt;, as palavras entre “Tags”, marcas ou marcação
correspondem, respectivamente, ao título e ao autor do documento. A XML pode
armazenar e organizar praticamente qualquer tipo de informação em um formato
adequado às necessidades de determinada instituição (RAY, 2001; MARTÍNEZ
GONZALES, 2000).

Assim, buscando adaptar o MARC às inovações tecnológicas, a Library of Congress
desenvolveu o esquema MARCXML para uso na comunicação com os registros
MARC (KEITH, 2002). Veja parte de um registro MARCXML:

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&lt;?xml version="1.0" encoding="UTF-8" ?&gt;
- &lt;!-edited with XML Spy v4.3 U (http://www.xmlspy.com) by Morgan Cundiff (Library of
Congress)
--&gt;
- &lt;marc:collection xmlns:marc="http://www.loc.gov/MARC21/slim"
xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchemainstance"xsi:schemaLocation="http://www.loc.gov/MARC21/slim
http://www.loc.gov/standards/marcxml/schema/MARC21slim.xsd"&gt;
- &lt;marc:record&gt;
&lt;marc:leader&gt;00925njm 22002777a 4500&lt;/marc:leader&gt;
&lt;marc:controlfieldtag="001"&gt;5637241&lt;/marc:controlfield&gt;
&lt;marc:controlfieldtag="003"&gt;DLC&lt;/marc:controlfield&gt;
&lt;marc:controlfieldtag="005"&gt;19920826084036.0&lt;/marc:controlfield&gt;
&lt;marc:controlfieldtag="007"&gt;sdubumennmplu&lt;/marc:controlfield&gt;
&lt;marc:controlfieldtag="008"&gt;910926s1957 nyuuun eng&lt;/marc:controlfield&gt;
- &lt;marc:datafieldtag="010"ind1=""ind2=""&gt;
&lt;marc:subfieldcode="a"&gt;91758335&lt;/marc:subfield&gt;

FIGURA 1: Fragmento de um registro MARCXML
FONTE: http://www.loc.gov/standards/marcxml/xml/collection.xml. Acesso em: 23 jun. 2003.

Esse esquema serve como um formato ideal que outros formatos de metadados
podem projetar-se para outros formatos e vice-versa. Por exemplo, pode-se criar
registros MODS a partir de metadados MARC21 e também se pode criar registros
MARC21 a partir de metadados MODS.

No entanto, esses registros convertidos podem não ser espelhos exatos um do
outro, isto que dizer, em outras palavras, que um registro MARC21 pode ser
convertido para MODS, mas um registro MODS pode não ser capaz de ser
convertido de volta para o registro MARC21 original devido as múltiplas tags do
MARC21 que foram transformadas para uma única tag do MODS (NEEDLEMAN,
2005).

Torna-se necessário explicar também que, na conversão de registros MARC (um
padrão mais complexo) para registros Dublin Core (mais simples que o primeiro), por
exemplo, são desconsiderados alguns dados (muitos dos dados contemplados no
formato MARC não o são no Dublin Core), o que pode inviabilizar ou tornar pouco
representativa a conversão de volta (de Dublin Core para MARC), pois esta
conversão resultará em um registro MARC incompleto, ou seja, com menos
elementos de representação.

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Contudo, através da conversão entre MARC21 (2709) e MARCXML, conforme
ilustrado na Figura 2, atividades como a transformação de etiquetas (tags), geração
e conversão para outros formatos de dados e validação de registros MARC, entre
outras, podem ser realizadas.

FIGURA 2: Conversão MARC 21 (2709) de/para MARC 21 (XML)
FONTE: http://www.loc.gov/standards/marcxml/marcxml-architecture.html Acesso em: 23 jun. 2003.

Porém, o esquema MARCXML “pretende ir mais além do que um mero mecanismo
de conversão e assim facilitar” (EÍTO BRUN, 2002, slide 20, grifo nosso):

-

A representação de registros MARC existentes em formato XML;

-

A representação de metadados para facilitar o harvesting do projeto OAI
(Open Archives Initiative);

-

A descrição original de recursos utilizando MARC;

-

A codificação de metadados MARC que podem ser “incluídos” como
parte do conjunto de recursos de informação disponíveis em formato
eletrônico na Web.

O MARCXML, desenvolvido pela LC para a padronização do intercâmbio de dados
estruturados do MARC em XML, é um exemplo recente de adaptação para as novas
tecnologias na história do MARC. Segundo Keith (2004), o desafio para a
‘comunidade dos metadados’ é trazer o valor semântico dos padrões existentes, tal
como o MARC, e implementá-los com as novas tecnologias e ferramentas para
prover esta contínua evolução. Desta forma, estimular o esquema MARCXML como
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um padrão de intercâmbio sólido, permite a comunidade bibliotecária criar uma base
ampla de ferramentas de softwares reutilizáveis (de fontes livres e de baixo custo) e
assim, facilitar o fluxo da informação independentemente do formato.

3.1 MODS

O escritório de desenvolvimento de redes e padrões MARC da Biblioteca do
Congresso Americano desenvolveu também o já citado anteriormente MODS 3 –
Metadata Object Descripton Schema buscando satisfazer necessidades de
comunidades específicas por uma versão XML abreviada do MARC21. Basicamente
o MODS é um esquema de linguagem de marcação extensível (esquema em XML)
para descrever uma entidade bibliográfica da mesma maneira como o MARC21. É
planejado para uma variedade de usos e aplicações como um formato para
transmissão de dados que usa o Z39.50. Atualmente está sendo usado nos
experimentos do Z39.50 International Next Generation (ZING 4 ), na descrição
bibliográfica básica, em aplicações de harvesting da Open Archives Initiative (OAI), e
outras (NEEDLEMAN, 2005).

O MODS foi desenvolvido para complementar outros formatos de metadados e
proporcionar uma alternativa entre um formato de metadados simples, com um
mínimo de campos e pouca ou nenhuma sub-estrutura como o Dublin Core, e um
formato mais detalhado, com muitos elementos de dados e tendo várias
complexidades estruturais tal como o MARC21. O MODS tem um alto nível de
compatibilidade com os registros MARC porque herda a semântica dos elementos
de dados equivalentes no MARC21, ou seja, a maioria dos elementos que estão
definidos em MODS tem equivalentes no formato bibliográfico MARC21, assim, um
elemento em MODS &lt;titleInfo&gt; tem o seu significado detalhado na tag equivalente
no MARC21 ‘245’ (GUENTHER; McCALLUM, 2003; NEEDLEMAN, 2005). Desta
forma, a perda de informação nas transformações (de MARC para MODS) é menor.

Sendo assim, o MODS é mais rico que o Dublin Core e mais compatível com dados
de biblioteca, e também mais simples que o formato MARC completo (ou o
3
4

http://www.loc.gov/standards/mods/
http://www.loc.gov/z3950/agency/zing/srw

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MARCXML completo), ou seja, o MODS permite uma descrição mais rica que o
Dublin Core (DC) contudo não é tão complexo quanto as tags disponíveis no padrão
MARC21 completo, mostrando-se um formato alternativo entre DC e MARC21
(NEEDLEMAN, 2005). Veja parte de um registro MODS:
&lt;?xml version="1.0" encoding="UTF-8" ?&gt;
- &lt;mods xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" version="3.0"
xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance"
xmlns="http://www.loc.gov/mods/v3"
xsi:schemaLocation="http://www.loc.gov/mods/v3
http://www.loc.gov/standards/mods/v3/mods-3-0.xsd"&gt;
- &lt;titleInfo&gt;
&lt;title&gt;Sound and fury :&lt;/title&gt;
&lt;subTitle&gt;the making of the punditocracy /&lt;/subTitle&gt;
&lt;/titleInfo&gt;
- &lt;name type="personal"&gt;
&lt;namePart&gt;Alterman, Eric&lt;/namePart&gt;
- &lt;role&gt;
&lt;roleTerm type="text"&gt;creator&lt;/roleTerm&gt;
&lt;/role&gt;
&lt;/name&gt;
&lt;typeOfResource&gt;text&lt;/typeOfResource&gt;
&lt;genre authority="marc"&gt;bibliography&lt;/genre&gt;
- &lt;originInfo&gt;
- &lt;place&gt;

FIGURA 3: Fragmento de um registro MODS
FONTE: http://www.loc.gov/standards/mods/ . Acesso em: 29 ago. 2005.

3.2 MADS e METS: Metadados Associados
A LC desenvolveu também o Metadata Authority Description Schema (MADS 5 ) um
esquema XML para um conjunto de elementos de autoridade que pode ser usado
para prover metadados sobre agentes (pessoas, organizações), eventos, e termos
(tópicos, geográficos, gêneros, etc.). O MADS foi criado para servir como um
companheiro ao Metadata Object Description Schema (MODS). Como tal, o MADS
tem uma relação com o formato de Autoridade do MARC21, da mesma forma que o
MODS tem com o Bibliográfico MARC21 – ambos levam dados selecionados do
MARC21. O MADS também é expresso usando a linguagem XML. O padrão está
sendo desenvolvido e será mantido pelo escritório de desenvolvimento de redes e
padrões MARC da Biblioteca do Congresso Americano com a contribuição dos
usuários.

5

http://www.loc.gov/standards/mads/

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O Metadata Encoding &amp; Transmission Standard (METS 6 ) é um esquema baseado
em XML que provê os meios para encapsular ou evidenciar a descrição,
administração, estruturação, correção e condução de metadados para recursos
digitais, além de outros dados necessários para a recuperação, preservação e o
fornecimento em recursos digitais. Ou seja, o METS permite que a biblioteca tenha
acesso a metadados técnicos apropriados para lhe permitir atualizar e migrar os
dados, garantindo a durabilidade dos recursos.

O METS apóia o fluxo sem costura de metadados e recursos eletrônicos entre
sistemas em rede. Segundo Guenther e Mccallum (2003, p. 13, tradução nossa), o
“METS: Codificador de metadados e Padrão de Transmissão é um esquema XML
altamente flexível para empacotar os metadados descritivos e vários outros tipos
importantes de metadados, necessários para assegurar o uso e preservação dos
recursos digitais”. Pois sem metadados estruturais, os arquivos com imagens ou
texto que compõem uma obra digital serão de pouca utilidade, e sem metadados
técnicos sobre o processo de digitalização, os pesquisadores poderão ter dúvidas
sobre a exatidão do original que a versão digital oferece (METS - Metadata Encoding
&amp; Transmission Standard, 2003).

Conforme Keith (2004), colocar os metadados MARC em ambiente XML expõe a
informação do MARC21 para um mundo novo de recursos de softwares para as
pessoas. A arquitetura MARCXML, e seus componentes incluindo o MARCXML
Schema, criam uma base e padronizam uma abordagem para os metadados MARC
em XML. As aplicações apresentadas pretendem demonstrar apenas alguns dos
muitos modos possíveis de manipular metadados na forma XML e provocar a
reflexão para usos adicionais da arquitetura MARCXML sobretudo, para a descrição,
preservação e recuperação dos recursos informacionais nos open archives.

4 CONCLUSÃO

A estrutura MARC (Machine Readable Cataloging), consolidada no âmbito da
Ciência da Informação e que tem sido utilizada há décadas, foi grandemente
6

http://www.loc.gov/standards/mets/

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beneficiada pela linguagem de marcação XML, sendo potencializada na forma de
extrair dessa estrutura diversas formas de representação da informação.

O formato MARCXML desenvolvido pela Library of Congress foi identificado nessa
pesquisa como um padrão adequado para a representação descritiva dos recursos
informacionais nos open archives visto que, de acordo com a literatura estudada, o
MARC é uma estrutura de descrição documentária legível por máquina e a XML é
uma linguagem computacional de marcação de dados, portanto, ferramentas
diferentes mas que, no entanto, se complementam no sentido que, o MARC serve
como um recipiente no qual a informação é armazenada, enquanto que a XML
proporciona, com inúmeras vantagens, o transporte desta informação em ambiente
digital.

Sendo assim, com a implantação efetiva do formato MARCXML como uma estrutura
de representação de recursos informacionais da área da Ciência da Informação, as
questões do intercâmbio de dados e da interoperabilidade entre sistemas de
informação, em especial na implantação dos arquivos abertos, ficariam mais
eficientes considerando-se que o MARC, como um padrão de metadados completo e
flexível, garante a qualidade do registro enquanto que a XML garante a
interoperabilidade entre os sistemas de informação heterogêneos, possibilitando,
sobretudo, a otimização dos processos de busca e recuperação da informação.

Acredita-se que com o amadurecimento e consolidação da iniciativa de arquivos
abertos (OAI), algumas de suas exigências passe a ser a utilização não do mínimo
requerido para descrição bibliográfica, mas de uma estrutura descritiva mais
completa na perspectiva da descrição de recursos informacionais como o
MARCXML, por exemplo, ao menos para aquelas instituições que desejam atuar
como provedoras de informações.

Porque a medida que se aumenta a complexidade dos documentos e dos
metadados nos repositórios e open archives, mais justifica-se uma estrutura de
metadados, como a do formato MARCXML, que suporte a descrição das
especificidades dos recursos informacionais, uma vez que esta iniciativa não está e
nem estará se restringindo a documentos científicos, mas se expandindo a outros
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tipos de recursos informacionais cada vez mais complexos e específicos,
demandando também uma descrição apropriada para a especificidade das
entidades bibliográficas.

Ressalta-se ainda que, os formatos e estruturas de metadados, as linguagens de
marcação de dados, as regras de catalogação, os modelos conceituais, os
protocolos, as normas etc; estão, cada vez mais, indissociáveis, ou seja, fazem parte
de uma intrincada relação e não podem mais ser tratados ou estudados separados
uns dos outros (ou ao menos deixarem de ser levados em consideração uns dos
outros), sobretudo nas pesquisas que abordem o tema da representação no campo
da Biblioteconomia e Ciência da Informação. Recomenda-se que na sistematização
de um novo modelo para o ensino da Representação tanto descritiva quanto
temática (Catalogação e Indexação) nos cursos de Biblioteconomia, esta visão
holística seja levada em consideração.

REFERÊNCIAS:

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contenidos en Internet. Disponível em: &lt;http://www.uv.es/=barrueco/cardedu.doc&gt; Acesso
em: 27 mar. 2004.
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softwares: o envolvimento com a tecnologia da informação. Revista Digital de
Biblioteconomia e Ciência da Informação. Campinas, v. 2, n.1, p. 37-56, jul./dez. 2004.
Disponível em:
&lt;http://server01.bc.unicamp.br/revbib/sumario.php?vol=2&amp;num=1&amp;mes=jul./dez.&amp;edit=3&amp;an
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EÍTO BRUN, Ricardo. Tema 5;XML en la descripción de recursos. 2002. 42 slides.
Disponível em:
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GUENTHER, Rebecca; McCALLUM, Sally. New metadata standards for
digital resources: MODS and METS. Bulletin of the American Society for Information
Science and Technology. v. 29, n. 2, p. 12-15, Dec./Jan., 2003.
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IBICT. Declarações sobre o acesso livre (open access). 2006b. Disponível em:
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O formato MARC tem permitido por décadas a descrição e o intercâmbio de registros bibliográficos e catalográficos às instituições, favorecendo o acesso aos conteúdos informacionais contidos em diversos acervos. No entanto, com o crescimento exponencial de informações e da geração de documentos (sobretudo digitais), têm-se exigido maior flexibilidade e interoperabilidade entre os diversos sistemas informacionais disponíveis. Neste cenário, a linguagem de marcação XML tem como propósito facilitar e otimizar o gerenciamento, armazenamento e transmissão de conteúdos via Internet, atualmente incorporada por diversos setores e áreas do conhecimento por sua facilidade de manuseio e flexibilidade operacional. Diante disso, realizou-se um estudo exploratório de análise teórica, identificando a adequação do formato MARCXML na construção de formas de representação descritiva para recursos informacionais em arquivos abertos, como um padrão de metadados complexo e flexível, que possibilitará a interoperabilidade entre sistemas de informação heterogêneos, além de suas vantagens e flexibilidades na transferência de registros bibliográficos e catalográficos e no acesso às informações. Como resultado desta pesquisa, considera-se que o MARCXML é um formato adequado para descrição de dados numa estrutura complexa. Conclui-se que a medida que aumenta a complexidade dos documentos nos repositórios e open archives, mais se justifica uma estrutura de metadados, como a do formato MARCXML, que suporte a descrição das especificidades dos recursos informacionais, uma vez que esta iniciativa não está e nem estará se restringindo a documentos científicos, mas se expandindo a outros tipos de recursos informacionais cada vez mais complexos e específicos, demandando também uma descrição apropriada para a especificidade das entidades bibliográficas.</text>
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                    <text>1

MARKETING DE RELACIONAMENTO ON-LINE: DIAGNÓSTICO
SITUACIONAL EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS DE INSTITUIÇÕES
PRIVADAS DA CIDADE DE NATAL-RN1
Andréa Vasconcelos Carvalho de Aguiar2
andreaaguiar@hotmail.com
Luciana Ferreira Leite3
lucianaleite@rn.senai.br
Vanessa Christiane Alves de Souza4
biblioteca@liga.org.br
Vânia Liliane de Barros5
liliannebarros@yahoo.com.br
RESUMO
Realiza um levantamento sobre o diagnóstico situacional do marketing de
relacionamento on-line mantido entre as Bibliotecas universitárias e seus clientes.
Através de aplicação de questionário, mostra diagnóstico situacional entre o cliente
(aluno, professor, colaborador) e a biblioteca universitária para o sucesso e
fortalecimento da marca da instituição em que a biblioteca está inserida, destacando
a relevância do profissional bibliotecário e verificando como são percebidas as novas
formas de sociabilidade por estes profissionais, analisando sua relação com as
mudanças decorrentes do emprego das tecnologias de informação e comunicação e
o uso da internet neste processo. Mostra a importância do relacionamento e da
fidelização de clientes nas organizações, como elemento que constitui vantagem
competitiva. Descreve o perfil do atual gestor da informação na era do conhecimento
enfatizando suas habilidades em utilizar as novas tecnologias. Analisa o grau de
incentivo ao uso da internet como forma de prestação de serviços 24h ao cliente.
Conclui que este se encontra em fase de transição, e algumas certezas já começam
a tomar forma, como por exemplo, a necessidade de mudar e de fazer um melhor
aproveitamento das novas tecnologias e da internet.
Palavras-chave: Marketing de relacionamento; Marketing em Biblioteca
Universitária; E-Marketing; Internet.

1

Reestruturação do Trabalho de conclusão apresentado ao Curso de Especialização em Gestão Estratégica de
Sistemas de Informação, do Departamento de Biblioteconomia da UFRN.
2
Bacharel em Biblioteconomia e Mestre em Ciência da Informação pela Universidade Federal da Paraíba.
Professora do Departamento de Biblioteconomia da UFRN.
3
Bacharel em Biblioteconomia pela UFRN e Especialista em Arquivo, História e Memória pela UFRN;
Bibliotecária da Federação das Indústrias do RN.
4
Bacharel em Biblioteconomia pela UFRN e Especialista em Gestão Estratégica de Sistemas de Informação pela
UFRN; Bibliotecária da Liga Norte Riograndense Contra o Câncer e da Faculdade CDF Ponta Negra.
5
Bacharel em Biblioteconomia pela UFRN; Bibliotecária do Colégio Ação.

�2

1 INTRODUÇÃO
A utilização do marketing por unidades de informação se mostra como uma
forma eficaz de conquistar e manter clientes, uma vez que permite conhecer e
satisfazer suas necessidades e desejos. Com o advento da Internet e com as novas
e diversas possibilidades que ela oferece o marketing ganha novos contornos e
inicia-se a era do marketing on-line ou e-marketing.
Assim, de modo geral, tenciona-se analisar o marketing de relacionamento
on-line realizado pelas bibliotecas universitárias de instituições privadas da cidade
de Natal-RN. Especificamente, objetiva-se:
a) Analisar o marketing de relacionamento do ponto de vista conceitual e
evolutivo;
b) Investigar as possibilidades oferecidas pela Internet como ambiente para a
realização do marketing on-line;
c) Estudar a aplicabilidade e as características do marketing em unidades de
informação;
d) Identificar como funcionam os serviços on-line em bibliotecas de instituições
privadas de ensino superior em Natal-RN.
A escolha deste tema se deve ao interesse despertado por várias leituras
sobre este assunto e a conseqüente percepção da necessidade de aprofundá-lo e
adapta-lo ao contexto das bibliotecas universitárias. Desta forma, apresenta-se o
marketing on-line como uma importante forma de interação entre o cliente (aluno,
professor, colaborador) e a biblioteca universitária, sendo também de grande
relevância para o sucesso e fortalecimento da marca da instituição em que a
biblioteca está inserida. Neste contexto, merece destaque o papel do profissional
bibliotecário e a forma como são percebidas as novas possibilidades de
sociabilidade por estes profissionais.

�3

2

MARKETING

DE

RELACIONAMENTO:

ASPECTOS

EVOLUTIVO

E

CONCEITUAL

Na era do conhecimento, os clientes podem mais facilmente do que nunca se
informar sobre as ofertas da concorrência, sendo cada vez mais importante um
relacionamento positivo entre a organização e o cliente, para isso o marketing é uma
ferramenta fundamental.
Segundo Kotler (1998), marketing é um processo social e gerencial pelo qual
indivíduos e grupos obtêm o que necessitam e desejam através da criação, oferta,
troca de produtos de valor com outros, ou seja, marketing significa trabalhar com
mercados para realizar trocas potenciais com propósito de satisfazer necessidades e
desejos humanos. Ainda conforme Kotler (1998), em face da queda de matrículas e
custos crescentes, muitas faculdades particulares estão adotando marketing para
concorrer por alunos e fundos. Estão definindo melhor seus mercados-alvo,
melhorando as comunicações e a promoção e respondendo melhor aos desejos e
necessidades dos alunos.
No entendimento de Webster Jr. Apud Amaral (1998), os fatores responsáveis
pela extensão do marketing aos ambientes que não visam lucro são:
•

Seu reconhecimento cada vez maior como ciência fundamentada no
comportamento;

•

Crítica social ao marketing como prática de negócios;

•

Compreensão da sua competência para auxiliar os administradores de
organizações sem fins lucrativos em suas atividades;

•

Crescente importância da atividade não lucrativa como fonte de bens e
serviços em decorrência do aumento de bens e serviços públicos.
Para estreitar este relacionamento com seus usuários, as bibliotecas

universitárias estão recorrendo ao marketing de relacionamento on-line ou emarketing que pode ser definido como uma abordagem estratégica de mercado que
permite conhecer e manter relacionamento mais próximo com clientes, visando sua
satisfação e lealdade. Para isso, deve-se investir numa comunicação mais evoluída
baseada no diálogo, aproximando mais o cliente, diminuindo assim, os custos de

�4

comunicação, o que contribuirá de forma efetiva para o aprimoramento dos serviços
prestados pela biblioteca.
Relacionamento é a maneira como tratamos o nosso cliente; é o vínculo que
construímos, ao longo de nossa vida, com o cliente. É tudo que fazemos para
conhecer suas preferências e necessidades. Um website é um excelente ponto de
partida para estreitar o relacionamento com os clientes. É necessário usá-lo como
uma

central

de

referência,

como:

"para

mais

informações

visite

www.biblioteca.com.br - 24 horas por dia”. O site não fecha, portanto o bibliotecário
não deve deixar de incluir seu endereço (URL) e e-mail em todas as mídias,
matérias promocionais, cartões de visita, banners institucionais. O site da biblioteca
deve ser estruturado com base em um plano de marketing, bem organizado e fácil
de implementar. Ele precisa possuir conteúdo de valor, utilizando informações
baseadas no perfil dos seus clientes.
A utilização das tecnologias de informação e comunicação na vida cotidiana
criou

novas

formas

de

interação

entre

as

pessoas,

que

implicam

o

redimensionamento das funções e dos papéis sociais. No marketing tradicional o
foco é a quantidade, ele é voltado para a busca constante de um número cada vez
mais elevado de clientes e para isso utiliza a divulgação em massa (Tv, rádio,
outdoor, busdoor, entre outros), visando atingir o maior público possível de uma só
vez. O marketing de relacionamento, por sua vez, dá ênfase no cliente, onde a
comunicação e o relacionamento são valorizados e incentivados, é focado na
fidelização. A cada contato estreitam-se os laços e as preferências e necessidades
são observadas para a criação de produtos e serviços personalizados. Para RYAN
(1999), Customer Relationship Management (CRM) é uma nova estratégia para
entregar serviço superior ao cliente, para efetivamente adquirir, desenvolver e reter o
ativo mais importante da organização, o cliente.
3 A INTERNET COMO AMBIENTE PARA O MARKETING: MARKETING ON-LINE

Janal apud Amaral (2004) afirma: Marketing on-line nada mais é do que uma
nova ramificação de uma velha árvore, o Marketing. Correspondem ao e-marketing
todas as atividades on-line ou eletrônicas que facilitam a produção e a
comercialização de produtos ou serviços para satisfazer os desejos e as

�5

necessidades do cliente. O marketing on-line depende muito da tecnologia de redes
para coordenar pesquisas de mercado e desenvolvimento de produtos, desenvolver
estratégias e táticas para gerar mais clientes, proporcionar distribuição on-line,
manter registros e coletar feedback dos clientes. Este desdobramento do marketing
aprimora o programa geral de marketing, que, por sua vez, viabiliza os objetivos da
empresa no comércio eletrônico, significa o uso de tecnologia para automatizar os
vários níveis de marketing e comunicação com o cliente. Amaral (1998) destaca que
o uso das novas tecnologias proporciona condições múltiplas de combinações de
produtos/serviços de acordo com os diversos comportamentos, expectativas e
interesses dos usuários.

3.1 Internet
A internet é hoje considerada a maior e mais amplamente utilizada rede de
computadores do mundo. Através dela podemos trocar informações e efetuar
negócios, fazer leitura de revistas e livros, jogar, nos comunicar através de voz,
imagem e mensagens instantâneas bastando apenas um computador e uma
conexão com a rede. Com a internet surge o ciberespaço que as organizações
podem utilizar para acessar e disponibilizar informações ao redor do mundo para
coordenar

atividades

(independentemente

de

tempo

e

localização).

Esta

interconectividade está transformando as empresas e a sociedade, uma vez que
oferece flexibilidade suficiente para transpor barreiras de tempo e espaço, facilitando
as transformações comerciais e a vida diária.
Para uma melhor visualização, a informação na World Wide Web (www) é
exibida através de páginas eletrônicas que podem ser ligadas a outras páginas
através de links (atalhos). Várias páginas juntas formam um site, mas existe sempre
uma página inicial considerada principal, chamada de home-page. Esta geralmente
funciona como o sumário de um livro onde consta um índice dos documentos que
constituem o site.
As organizações estão cada vez mais criando sites coloridos com imagens
gráficas, vídeos, sons, botões interativos, em busca de disseminar o mais
amplamente possível a informação sobre o seu produto ou serviço. Cada vez mais a
divulgação está presente na internet. Deste modo, o marketing na forma tradicional
que conhecemos cede espaço para o marketing on-line ou e-marketing. O

�6

ciberespaço nos conduz constantemente ao modelo de compra e venda
automatizado e conveniente. O cliente não precisa mais sair de casa para adquirir e
conhecer novos produtos, as informações da internet fluem pelo globo de maneira a
facilitar a escolha de produtos e serviços. O comércio eletrônico oferece vantagens
como disponibilidade 24 horas por dia, economia de tempo com a comodidade de
comprar sem sair de sua residência.
Os profissionais bibliotecários estão se adequando a esta realidade cada dia
mais presente. Para isso, estudam as melhores formas de obter vantagem através
do uso da Internet, de modo a satisfazer os desejos e necessidades das pessoas
por informações, serviços ou produtos. Assim emerge o marketing on-line como um
grande aliado neste processo.

3.2 Marketing on-line
O e-marketing tem a capacidade de personalização para atender as
preferências dos clientes. Exige a definição de uma estratégia clara de que produtos
e serviços a instituição irá oferecer. O serviço requer resposta rápida aos clientes,
proporcionada através de um atendimento eficiente, que é muitas vezes combinado
com um sistema de chat. A disponibilização de informações para que o próprio
cliente as busque por si mesmo também agiliza o processo de atendimento e produz
redução de custos. Na Web o que pode ser feito é criar um ambiente agradável e
cordial parta receber clientes, mas não deve parar por aí, temos que fazer com que
ele se sinta bem atendido em todas as suas necessidades. Não se deve esquecer
que o cliente tem pouco tempo para navegar em determinado site.
É muito comum encontrar sites com falta ou excesso de informações, dados
de difícil compreensão e dificuldade para se encontrar onde está determinado
assunto. Deve-se procurar colocar as informações de forma mais clara possível,
para que o cliente não perca tempo para encontrar o que procura. Os recursos do
marketing on-line introduzem velocidade e precisão, assim como ajudam a construir
um relacionamento pessoal, impossível de ser atingido através da mídia de massa,
como televisão, rádio ou jornais.
Uma das premissas fundamentais do e-marketing é a de dar ao consumidor
uma informação que ele deseja, não o “lixo” que muitos anunciantes despejam nele.
Quanto mais você conhece seus clientes, melhor você poderá servi-los e, espera-se,

�7

antecipar suas necessidades. É provável que você possa satisfazer também estas
necessidades e desejos antes que um concorrente o faça. As duas grandes
tendências mundiais, de acordo com Montenegro e Barros (1997), a instantaneidade
e a virtualidade, acrescidas de uma terceira, a personalização, estão transformando
rapidamente a noção de espaço, tempo e formas de relacionamento entre o
provedor e o cliente.
4 O MARKETING EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO
É tarefa do bibliotecário, entender os desejos e necessidades dos clientes e
representá-los internamente, realizando ações que façam com que estes se sintam
especiais para a organização. Para Silveira (1992), administrar bibliotecas
universitárias com a visão de marketing significa definir um conjunto programado de
ações no sentido de equilibrar os recursos do sistema com as oportunidades e
restrições do ambiente, buscando condições específicas de qualidade, quantidade,
prazos e custos em função do mercado e de objetivos preestabelecidos. Desta forma
é preciso trabalhar questões como: De que maneiras são tratadas as reclamações
na Biblioteca em que atua? A instituição e a biblioteca estão realmente abertas para
receber idéias e sugestões de clientes e colaboradores? Os clientes mais fiéis são
recompensados de alguma forma? Através da resposta a estes questionamentos é
que chegaremos a forma mais apropriada de utilização do marketing em unidades
de informação.
Para Amaral (1998), vista como um negócio, a unidade de informação precisa
ser uma organização flexível, para se ajustar a todas as influências do
macroambiente: econômicas, políticas, legais, sociais, culturais, demográficas,
ecológicas e tecnológicas. Para Jung apud Amaral (1998), aplicar as técnicas de
marketing em bibliotecas é averiguar o que deseja o consumidor e o que lhe convém
antes de produzir e oferecer. Muitos bibliotecários já estão conscientes de sua
responsabilidade nas bibliotecas universitárias, alguns se preocupam em divulgar os
produtos e serviços que a biblioteca oferece, mas o marketing vai bem além da
simples divulgação. É preciso conhecer melhor seus clientes para atendê-los
satisfatoriamente, pois é para isso que ela existe. Trabalhar este relacionamento,
conhecê-los e atendê-los bem só poderá contribuir para o reconhecimento da
importância da biblioteca e do profissional bibliotecário.

�8

Conforme Silveira (1992), o marketing em bibliotecas universitárias usa os
mesmos conceitos básicos e o mesmo composto do marketing tradicional,
transferindo a prática da administração para um contexto mais específico. Tem um
sentido amplo, voltado para um produto intangível (a informação), com a prestação
de serviços em uma dimensão social explícita. Desta forma, o bibliotecário deverá
interagir como facilitador, utilizando-se para isso das novas tecnologias, se
necessário buscando apoio no setor de informática da instituição, procurando manter
o link da biblioteca atualizado, atrativo e disponibilizando uma gama cada vez maior
de serviços informacionais on-line. É preciso que sejam estreitados os laços com os
clientes, despendido tempo na construção de relacionamentos, criando vínculos
mais sólidos e reagindo rápida e eficazmente às reclamações. Para tanto, o atual
profissional da informação deverá possuir habilidades que o caracterizem como
sendo: estrategista, competitivo, inovador e empreendedor.

5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
5.1 Universo da pesquisa
Em Natal-RN, conforme dados coletados no site do Ministério da Educação
em 27/05/2006, existe hoje um total de 13 (treze) bibliotecas de instituições privadas
de ensino superior, mas nem todas possuem o link biblioteca no site institucional.
Portanto, o universo da pesquisa foi limitado a análise daquelas que possuem seu
link ativo o que corresponde a 7 (sete) bibliotecas, ou seja, aproximadamente 54%
deste total. Com base nestes dados iniciais, observamos uma lacuna existente neste
aspecto, embora tenha-se notado o interesse por parte do profissional bibliotecário
em modificar esta realidade.
5.2 Método da pesquisa
A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica relativa aos assuntos
marketing de relacionamento, Internet, marketing on-line e marketing em unidades
de informação. Além disso, foram analisados os websites das bibliotecas
universitárias selecionadas . Para tanto, recorreu-se a um questionário aplicado aos
bibliotecários das instituições pesquisadas e a um formulário de avaliação de fontes

�9

na Internet, com vistas a analisar o grau de incentivo ao uso da Internet para a
utilização dos serviços da biblioteca, a qualidade destes websites e o nível de
relacionamento mantido através da web entre a biblioteca e seus clientes.
5.3 Procedimento de coleta e análise dos dados
A pesquisa caracterizou-se como predominantemente qualitativa. A coleta dos
dados foi realizada com base no questionário aplicado aos bibliotecários e no
acesso aos links das bibliotecas nos sites institucionais e, simultaneamente, foi
aplicado o formulário de avaliação de fontes na Internet o qual contava com vários
itens selecionados para análise da qualidade, tais como: Informação de
identificação, consistência das informações, confiabilidade das informações,
adequação da fonte, links, facilidade de uso, lay-out da fonte, restrições percebidas,
suporte ao usuário, outras observações percebidas.

6 AVALIAÇÃO DE WEBSITES DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
DE INSTITUIÇÕES PRIVADAS DE NATAL-RN NA PERSPECTIVA
DO MARKETING DE RELACIONAMENTO ON-LINE
A necessidade de avaliar o website da biblioteca de maneira crítica deve ser
constante. Deve-se também estar interconectado a outros websites relacionados
com o seu negócio, realizar pesquisas de utilização freqüentes e manter ativo o
marketing de relacionamento on-line. É necessário que a biblioteca esteja sempre
disponível e responda com rapidez e objetividade os seus clientes, toda a equipe
deve estar atenta às solicitações. O problema detectado atualmente é que os
websites de bibliotecas acabam sendo tratados como se fossem mais uma mídia.
Esse é um dos maiores erros cometidos, pois o site não é um folder eletrônico, ele
deve ser tratado como a própria biblioteca aberta 24 horas por dia, sete dias por
semana. Quando um visitante entra no site, é como se entrasse em sua instituição
ou biblioteca, portanto, merece toda a atenção. Da mesma forma que se investe em
treinamentos de equipe, para atender cada vez melhor os clientes, o site também
deve refletir essa preocupação. Foi pensando nisto que se verificou a necessidade

�10

de estudar o marketing de relacionamento on-line em bibliotecas de instituições
privadas de ensino superior em Natal-RN.
Assim,

o

primeiro

aspecto

analisado

nos

websites

das

bibliotecas

universitárias pesquisadas foi a informação de identificação, ou seja, informações
que servem para identificar a fonte.
GRÁFICO 1 – INFORMAÇÃO DE IDENTIFICAÇÃO
Informação de Identificação

43%

57%

Apresenta informação de identificação

Não apresenta informação de identificação

Através do Gráfico 1, percebe-se que 43% dos links pesquisados não
apresentaram todas as informações necessárias referentes à identificação. são
elas:e-mail da biblioteca, telefone para contato, nome do bibliotecário responsável.
Detectou-se que apesar de não preencher todos os requisitos, quatro sites estavam
organizados de forma que os usuários poderiam conseguir estas informações
através de outros meios.

�11

GRÁFICO 2 – CONSISTÊNCIA DAS INFORMAÇÕES
Consistência das Informações

14%

86%

Apresenta informações consistentes
Não Apresenta informações consistentes

Um percentual de 86% dos websites analisados apresentaram informações
consistentes,

embasadas,

com

coerência

na

apresentação

do

conteúdo

informacional, dados completos de autoria, oferecendo informações filtradas e com
agregação de valor. Este alto percentual confirma a preocupação dos profissionais
com a qualidade das informações que disponibilizam. No que concerne à
consistência das informações apresentadas nos websites analisados, pode-se
observar que o panorama é bem melhor do que o apresentado no item seguinte .
GRÁFICO 3 – CONFIABILIDADE DAS INFORMAÇÕES
Confiabilidade das Informações

28%

72%

Apresenta confiabilidade nas informações
Não Apresenta confiabilidade nas informações

Verificou-se que 62% dos sites pesquisados se limitam a disponibilizar o
catálogo on-line e oferecer informações bastante resumidas e sem data de
atualização do link e 10% que sequer disponibiliza o catálogo on-line tornando-se
um ponto que poderia ser melhorado através de um planejamento, afinal sabemos
que isso envolve custos. Analisou-se ainda à adequação da fonte aos seus objetivos

�12

e a clientela, percebeu-se que todas as bibliotecas visitadas apresentaram coerência
entre a linguagem utilizada e seu público alvo.
GRÁFICO 4 – RESTRIÇÕES PERCEBIDAS
Restrições Percebidas

29%

71%

Apresenta restrições

Não Apresenta restrições

No que diz respeito a restrições percebidas, observa-se que 71% dos
websites investigados são de livre acesso, mas 29% deles apresentam restrições
como: a solicitação de senha de acesso para consulta ao catálogo, algum tipo de
mensagem de erro durante a navegação ou direitos autorais impedindo o acesso a
informação completa.
GRÁFICO 5 – ADEQUAÇÃO DO LAY-OUT
Adequação de Lay-out

43%
57%

Lay-out inadequado

Lay-out adequado

+

No que concerne ao layout dos websites pesquisados, pode-se perceber que
apenas 57% apresentam um layout adequado e atrativo, os outros 43% contam
apenas com mídias estáticas o que torna a navegação cansativa. Por sua vez, em
relação aos links, observou-se que metade dos websites não fazem um uso

�13

adequado deste recurso, pois não foram disponibilizados links externos para portais
temáticos, informações complementares ou assuntos relacionados. Este aspecto
poderia ser minimizado com a disponibilização de links para o Portal Capes, Scielo,
entre outros.
GRÁFICO 6 – SUPORTE AO USUÁRIO
Suporte ao Usuário

44%
56%

Possui suporte

Não possui suporte

Um total de 56% das bibliotecas visitadas oferecem algum tipo de suporte ao
usuário, seja um help on-line, contato através de e-mail ou telefone ou espaço
reservado para sugestões. Percebeu-se a necessidade de um suporte virtual como
um chat para que o aluno tenha contato em tempo real com a biblioteca.
OUTRAS OBSERVAÇÕES PERCEBIDAS
Detectou-se que nenhuma das bibliotecas apresentou a opção para
portadores de necessidades especiais, nenhum dos websites pesquisados
apresentou opções em outras línguas ou operadores booleanos para facilitar a
busca.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante do exposto pode-se perceber que a utilização dos recursos do
marketing on-line é sinônimo de vantagem competitiva no mercado. Perseguir os
objetivos com rapidez, acessibilidade e precisão é a melhor maneira de ficar mais
perto do cliente. Os recursos do marketing também aprimoram as vantagens
estratégicas e táticas do marketing on-line, que levam a uma melhor tomada de

�14

decisões. Portanto cabe as empresas estarem em busca dos vários recursos que o
e-marketing dispõe e usá-lo de maneira correta no dado momento que está sendo
necessário sua utilização.
Não foi pretensão esgotar o assunto, pois é impossível encontrar soluções
fáceis para problemas complexos. Porém, detectou-se que as bibliotecas encontramse em fase de transição e algumas certezas já começam a tomar forma, como, por
exemplo, a necessidade de mudar e de fazer um melhor aproveitamento do recurso
da internet e dos websites das bibliotecas para fins de marketing de relacionamento.
A mudança já começou pelo modelo gerencial adotado pelos atuais gestores destes
sistemas. Os resultados serviram para que se pudesse (re)considerar a necessidade
de promoção de um processo contínuo e interativo de agregação e desagregação, a
fim de otimizar os processos de relacionamento.
Ao utilizarem a tecnologia da informação, as bibliotecas destas instituições
fortalecem o relacionamento com o cliente e estes, se sentem mais respeitados ao
observarem suas solicitações ou comentários atendidos de forma mais ágil e
personalizada. A biblioteca, por sua vez, desenvolve a habilidade de construir
relacionamentos fortes e estreitos com os seus clientes. Contudo, o que esta
pesquisa revela é que uso do marketing de relacionamento on-line por bibliotecas
universitárias de instituições de ensino superior privadas em Natal ainda é
embrionário, tendo que se desenvolver muito para utilizar adequadamente todas as
possibilidades abertas pela Internet.
7 REFERÊNCIAS
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Brasília: thesaurus, 1998.
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DIAS, Maria Matilde Krouka. Gestão da informação em ciência e tecnologia sob a
ótica do cliente. São Paulo: EDUSC, 2003.
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2005.

�15

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KOROBINSK, Raquel Rutina. O grande desafio empresarial de hoje: a gestão do
conhecimento. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 6, n. 1, p.
107-116, jan./jun. 2001.
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LE COADIC, Yves-François. A ciência da informação. Brasília: Briquet de Lemos,
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McGARRY, Kevin. O contexto dinâmico da informação: uma análise introdutória.
Brasília: Briquet de Lemos, 1999.
McGEE, James; PRUSAK, Laurence. Gerenciamento estratégico da informação:
aumente a competitividade e a eficiência de sua empresa... 7. ed. Rio de janeiro:
Campus, 1994.
MORESI, Eduardo Amadeu Dutra. Inteligência Organizacional: um referencial
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Saraiva, 2000.
SAMARA, Beatriz Santos; BARROS, José Carlos de. Pesquisa de marketing:
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SILVEIRA, Amélia. Marketing em bibliotecas universitárias. Florianópolis: Ed. da
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VIEIRA, Anna da Soledade. A indústria brasileira na era do conhecimento:
oportunidades e desafios. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte,
v. 5, n. 2, p. 147-150, jul./dez. 2001.

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Marketing de relacionamento on-line: diagnóstico em bibliotecas universitárias de instituições privadas da cidade de Natal-RN.</text>
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                <text>Aguiar, Andréa Vasconcelos Carvalho de; Leite, Luciana Ferreira; Souza, Vanessa Christiane Alves de; Barros, Vânia Liliane de</text>
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                <text>Realiza um levantamento sobre o diagnóstico situacional do marketing de relacionamento on-line mantido entre as Bibliotecas universitárias e seus clientes. Através de aplicação de questionário, mostra diagnóstico situacional entre o cliente (aluno, professor, colaborador) e a biblioteca universitária para o sucesso e fortalecimento da marca da instituição em que a biblioteca está inserida, destacando a relevância do profissional bibliotecário e verificando como são percebidas as novas formas de sociabilidade por estes profissionais, analisando sua relação com as mudanças decorrentes do emprego das tecnologias de informação e comunicação e o uso da internet neste processo. Mostra a importância do relacionamento e da fidelização de clientes nas organizações, como elemento que constitui vantagem competitiva. Descreve o perfil do atual gestor da informação na era do conhecimento enfatizando suas habilidades em utilizar as novas tecnologias. Analisa o grau de incentivo ao uso da internet como forma de prestação de serviços 24h ao cliente. Conclui que este se encontra em fase de transição, e algumas certezas já começam a tomar forma, como por exemplo, a necessidade de mudar e de fazer um melhor aproveitamento das novas tecnologias e da internet.</text>
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                    <text>MEDIAÇÃO DO PROFISSIONAL BIBLIOTECÁRIO NA GESTÃO DE
CONTEÚDOS ONLINE
Dilva Páscoa De Marco Fazzioni
Bacharel em Biblioteconomia, Associação
Catarinense de Medicina - ACM.
e-mail: dilva@acm.org.br

Ursula Blattmann
Dra. Engenharia de Produção, Mestre em
Biblioteconomia, Bacharel em
Biblioteconomia, Universidade Federal de
Santa Catarina - UFSC.
e-mail: ursula@ced.ufsc.br

Mauricio José Lopes Pereima
MD, Doutor em Medicina pela Universidade
Federal de São Paulo - Escola Paulista de
Medicina.
e-mail: mauriciopereima@ccs.ufsc.br

Resumo

A atualização constante dos profissionais da área da saúde possibilita melhor
atuação profissional. Este artigo relata a participação do profissional bibliotecário
na realização do Curso de Especialização Didático-Pedagógica para Profissionais
da Área da Saúde, realizado pelo Departamento de Pediatria da UFSC em
parceria com a Associação Catarinense de Medicina – ACM. Destaca as
atividades que o bibliotecário exerce na organização da informação do curso
desde a elaboração do projeto até a avaliação final; na disponibilização dos
conteúdos digitais na Internet; na interação do bibliotecário com os participantes
(docentes e discentes) do curso e aponta nova fronteira de atuação profissional

1

�no sentido do trabalho interdisciplinar em cursos de especialização. Descreve as
ferramentas utilizadas na comunicação e interação: e-mail, site, apostilas e os
conteúdos disponibilizados on-line. O uso de novas tecnologias da informação e
comunicação torna-se elemento básico para interação do sujeito no ambiente do
processo ensino-aprendizagem. O trabalho do profissional bibliotecário ganha
relevância ainda maior no término do curso, quando os Trabalhos de Conclusão
de Curso são preparados para a Jornada Científica e para publicação em
periódicos que adotam normas de Vancouver e da Associação Brasileiras de
Normas Técnicas (ABNT).

Palavras-chave: Gestão de conteúdos digitais; Bibliotecário – gestão de
conteúdos digitais; Publicações eletrônicas; Mediação – Bibliotecário; Mediação –
Conteúdos

Forma de apresentação: Pôster

EIXO TEMÁTICO: O impacto das tecnologias eletrônicas e sua mediação
- A educação continuada dos profissionais da informação

1 Introdução

A atualização constante dos profissionais possibilita melhor atuação profissional e
a ampliação das competências aumenta as oportunidades de colocação
profissional que está cada vez mais exigente devido a globalização.

Este artigo relata a participação de profissionais bibliotecários na realização na
organização e docência do Curso de Especialização de Formação DidáticoPedagógica para Profissionais da Área da Saúde, realizado em Florianópolis pelo
Departamento de Pediatria da UFSC em parceria com a Associação Catarinense
de Medicina – ACM, tanto na gestão do curso, quanto na docência.

Trata-se de um curso voltado à capacitação de novos docentes para o ensino
superior na área da saúde, ampliando os horizontes profissionais das pessoas
2

�que militam nesta área. A experiência aqui relatada, entretanto, demonstra a
possibilidade de ampliação do escopo da atuação dos profissionais da Ciência da
Informação também na gestão educacional. Com seus conhecimentos, o
bibliotecário pode interagir de forma colaborativa com os especialistas de outras
áreas do conhecimento, além de, ao empreender outros caminhos profissionais,
ampliar sua competências.

2 Revisão da Literatura

A aprendizagem ao longo da vida e a educação profissional permanente são
fatores relevantes para o sucesso profissional. Na área da saúde, por exemplo,
nos anos 60 “dizia-se que após cinco anos sem adquirir novos conhecimentos,
um médico estaria desatualizado, tempo este que já tinha sido de uma geração e
que acredito, seja hoje, anual, se não menor” (KRUEL, 1995, p. 3).

Conforme Grillo (1996, p. 27-28) “a carreira, significa a forma de se estabelecer as
condições necessárias ao desenvolvimento das pessoas durante sua vida na
instituição, possibilitando alcançar os cargos mais elevados da escala hierárquica.
O fortalecimento da carreira depende em grande parte da relação que ela mantém
com os programas de aperfeiçoamento”.

Souza (1980) observa que o antes de integrar a instituição de ensino, o aluno é
integrante da sociedade, onde desenvolverá seu trabalho, sua eficiência, enfim
aplicará o aprendizado. Os professores têm o poder de transformar o
relacionamento com os alunos e fazer surgir um processo ensino-aprendizagem
alicerçado no diálogo, na responsabilidade e realidade cotidiana que envolve os
alunos e ele próprio.

O docente – como “identificador das necessidades do aluno, em estrategista de
aprendizagem, em estimulador das tentativas e aventuras intelectuais, em
avaliador dos resultados e das mudanças” (SOUZA, 2000, p. 197) – ganha um
papel fundamental, tendo em vista que nenhum conhecimento ou habilidade pode
ser inserida no aluno como um artifício mecânico.
3

�A atualização contínua ampliará o leque de competências do profissional. Para
Perrenoud (1998, p. 208), “uma competência é um saber-mobilizar. Trata-se não
de uma técnica ou de mais um saber, mas de uma capacidade de mobilizar um
conjunto de recursos - conhecimentos, know-how, esquemas de avaliação e de
ação, ferramentas, atitudes - a fim de enfrentar com eficácia situações complexas
e inéditas”. Para o autor, não basta enriquecer a gama de recursos do professor
(seu tema de estudo) para que as competências aumentem automaticamente. O
desenvolvimento passa pela integração e pela aplicação sinérgica dos recursos.

2 Gestão de Conteúdos On-Line

A ampliação da oferta de cursos, em todas as áreas, proporciona a possibilidade
de que os profissionais possam atuar também no magistério. De outro lado, a
educação profissional continuada é uma necessidade constante das pessoas que
estão o mercado de trabalho, de forma a manter-se atualizadas em relação aos
conhecimentos, tecnologias e modelos e processos de organização do trabalho.

Foi na perspectiva de atender estas demandas que o Departamento de Pediatria
da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Departamento Científico
da Associação Catarinense de Medicina decidiram propor em meados do ano de
2003 ao Conselho Universitário da UFSC a implantação do Curso de
Especialização Didático-Pedagógica para Profissionais da Área da Saúde, em
nível de Pós-Graduação Lato Sensu.

Aprovado em dezembro daquele ano, o curso foi lançado à comunidade em
fevereiro de 2004 e teve sua primeira turma, com 42 alunos, iniciada em 12 de
março. O curso com carga de 360 horas-aula, encontros quinzenais às sextasfeiras e sábados pela manhã e à tarde. A primeira turma conclui as aulas até o dia
18 de junho de 2005, data em que foi realizada a 1ª Jornada Científica do Curso e
também em que ocorreu a solenidade de formatura.

4

�A segunda turma foi lançada em fevereiro de 2005, e suas aulas iniciaram-se em
11 março do mesmo ano e estendendo-se até o dia 13 de maio de 2006, data em
que igualmente foi realizada a 2ª Jornada Científica e a solenidade de formatura.
Os alunos da segunda turma foram convidados a assistir a 1ª Jornada Científica,
cuja presença foi computada no quadro final de freqüência.

A terceira turma será lançada em agosto de 2006, com a previsão de início das
aulas para setembro de 2006 e de término no final de 2007.

O curso tem o objetivo central de criar oportunidades à Formação Pedagógica a
Profissionais da Área da Saúde que atuam em Hospitais ou Instituições de Ensino
e na Docência do Ensino Superior. Os objetivos específicos são os capacitar
esses profissionais para o processo de ensino-aprendizagem ampliando sua base
teórica, filosófica, política e metodológica para a prática docente; oferecer-lhes
instrumentos teóricos sobre metodologias do processo ensino-aprendizagem,
destacando recursos didáticos pedagógicos e avaliação e reconhecer a
importância da pesquisa no processo ensino-aprendizagem da prática docente.
A bibliotecária coordenadora do Departamento Científico da Associação
Catarinense de Medicina, Dilva Páscoa De Marco Fazzioni, acompanha todo o
processo de realização do curso, da elaboração do projeto ao Conselho
Universitário (renovada a cada edição) à redação do relatório final, contemplando
a organização da documentação dos alunos e emissão dos certificados de
conclusão. As atividades podem ser agrupadas em: tramitação legal da
documentação

e

processos,

lançamento

e

formalização

de

inscrições,

acompanhamento das aulas e relatório final.

A tramitação da documentação se inicia com a apresentação da proposta ao
Conselho Universitário. Depois, o processo interage com outros órgãos, como o
Departamento de Pediatria (que responde como executor), Pró-Reitoria de PósGraduação (PRPG), Departamento de Apoio à Extensão (Daex) e Fundação de
Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (FAPEU), que faz a execução
financeira do projeto.

5

�Aprovado o projeto, o curso é lançado à comunidade, por meio de campanhas
publicitárias, em geral em ações de marketing direto, com a distribuição de
impressos aos potenciais interessados, por meio de mala direta, e afixação de
cartazes em locais de ampla circulação do público-alvo, tais como hospitais,
clínicas, etc. Na seqüência são formalizadas as inscrições.

O acompanhamento das aulas prevê todas as ações de gestão de infra-estrutura
(contratação de salas, auditórios e recursos audiovisuais necessários e coffeebreak). Também é realizada a intermediação com os professores para a
antecipação do conteúdo e sua inclusão na Internet, para que os alunos o
imprimam antecipadamente. No acompanhamento das aulas estão previstos
ainda o suporte no âmbito da informação técnico-científica, tanto para os
docentes na elaboração das aulas como para os alunos na execução dos
trabalhos, notadamente os de conclusão do curso. Na organização da Jornada
Científica, a consultoria se estende também à produção das apresentações dos
alunos, em datashow.

A elaboração do relatório final compreende a preparação e emissão dos
certificados, tabulação de freqüência, conceitos e avaliação de satisfação dos
alunos, além do agrupamento dos documentos exigidos pela Universidade.

O inter-relacionamento ocorre com 11 professores, incluindo os titulares de cada
disciplina e convidados. Também são envolvidos os fornecedores de salas de
aula e auditórios e recursos audiovisuais da própria Associação Catarinense de
Medicina, a Fundação de Amparo à Pesquisa e a Extensão Universitária (FAPEU)
e a Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) e de alimentação, além das
pessoas que atuam nos órgãos da UFSC com os quais o curso interage. A
coordenação do Curso é desempenhada pelo professor doutor Maurício José
Lopes Pereima, do Departamento de Pediatria da UFSC. O coordenador
supervisiona todas as atividades relacionadas à execução do curso.

6

�Embora seja totalmente presencial, o curso se vale dos recursos das tecnologias
da informação a distância para dinamizar o andamento. Sem investimentos
expressivos ou criação de sistemas especiais, mas adotando as ferramentas
básicas da Internet, o curso tem o suporte da tecnologia on-line. Um caso prático
de como a tecnologia simplificou os processos ocorreu com a liberação dos textos
didáticos por meio da Internet. No início das aulas da primeira turma, os
professores solicitavam fotocópias do conteúdo didático para serem distribuídos a
todos os alunos, atividade que demandava tempo e recursos financeiros, muitas
vezes desperdiçados visto que alunos ausentes nem sempre aproveitavam o
material. Outra condição perversa eram os atrasos ocasionais dos professores na
liberação dos documentos a serem copiados, que algumas vezes chegavam na
véspera das aulas. Ao colocar os textos na rede, o curso economizou tempo dos
profissionais envolvidos e recursos e cada aluno passou a imprimi o material
usado em aula na medida de suas necessidades, interesse possibilidade de
utilização.

O gráfico 1 apresenta o número de acessos à página do curso no sítio da Internet
da ACM. A referida página tem acesso restrito, por meio de login e senha, aos
professores e alunos do Curso.

Gráfico 1 - Número de acessos à página da Internet com o conteúdo didático
da 2ª turma, entre os meses de agosto de 2005 a maio de 2006
844

580

612

609
453

445
373

ago/05 set/05

347

out/05 nov/05 dez/05 jan/06

382

430

fev/06 mar/06 abr/06 mai/06

Fonte: Departamento de Informática da Associação Catarinense de Medicina

7

�Considerando-se que a turma teve, ao longo do curso, em média 30 alunos, podese concluir que em alguns meses (agosto a outubro de 2005), foi registrada a
média de 20 acessos mensais por aluno. É um número significativo, tendo em
vista que as aulas, presenciais, ocorrem em dois finais de semana de cada mês.
Nos meses de novembro a março, o material estava depositado no ambiente
virtual criado pela professora que ministrava a disciplina em andamento naquele
período. Além disso, em janeiro e fevereiro, ocorreu a interrupção do curso devido
às férias de verão. Em maio, ocorreu o encerramento do curso e os alunos
estavam elaborando suas monografias, o que acarretou o aumento do número de
acessos.

O uso da Internet como elemento de apoio ao curso conta com a colaboração do
Departamento de Informática da ACM, que presta o suporte técnico e operacional
à atividade.

Considerando-se que muitos alunos são de outras cidades e Estados, o uso do email configura-se numa ferramenta essencial para a comunicação com alunos.
Eventual mudança de programação, também no início da primeira turma, exigia a
realização de pelo menos 40 ou 50 ligações telefônicas, inclusive interurbanas.
Mesmo substituindo-se os telefonemas por e-mails não foram registrados casos
de insatisfação entre os participantes do curso.

As ferramentas de comunicação on-line passaram a ser utilizadas também no
envio de trabalhos para professores e, mesmo para a profissional bibliotecária,
que presta consultoria aos alunos na revisão e adequação dos trabalhos às
normas técnicas da ABNT e Vancouver.

Embora as utilizações das ferramentas de comunicação à distância apresentam
vantagens, mas há de considerar algumas dificuldades encontradas. A maior
barreira enfrentada foi a pouca familiaridade de algumas pessoas com as
ferramentas. Não exatamente desconhecimento da tecnologia, mas pouca
freqüência no uso, utilização para fins de lazer ou ainda algumas dificuldades de
8

�operar com transferência de arquivos. Acentua-se, entretanto, que as dificuldades
citadas foram superadas rapidamente mesmo pelas pessoas que inicialmente
apresentavam mais resistência.

A partir do momento em que se estabeleceu o e-mail com ferramenta usual de
comunicação, as mudanças de agenda não foram mais comunicadas por telefone,
e aos poucos outros recursos da Internet eram introduzidos (como a criação do
grupos de discussão).

A Associação Catarinense de Medicina sempre teve, entre suas atividades
finalísticas, o fortalecimento e a disseminação do conhecimento técnico-científico
entre os médicos associados e esta função cabe exatamente ao Departamento
Científico/Biblioteca. Mesmo assim, a execução de um projeto educacional no
âmbito do Departamento constitui-se num grande desafio, dada a sua estrutura
limitada e à cultura focada não exatamente na área educacional, mas à
disseminação do conhecimento científico. Superada a fase inicial de adaptação a
um novo tema (educação) e ao novo trabalho, o andamento do curso permitiu
uma interação maior entre os alunos e professores com o Departamento
Científico/Biblioteca da instituição.

O Departamento Científico/Biblioteca fortaleceu seu papel de mediador entre
alunos e professores e o conteúdo estudado. Há que considerar que os
professores em geral já adotam sistematicamente tais ferramentas em suas
rotinas de trabalho. Esta prática dos professores faz com que os mais diversos
recursos (datashow, TV, vídeo, som) sejam utilizados ao longo do curso.

Do ponto de vista pessoal, a interação com um novo assunto – educação – e o
contato com várias disciplinas ampliou o conhecimento da profissional
bibliotecária envolvida. Além disso, gerou uma nova competência – a da
condução de um programa de pós-graduação – e permitiu o conhecimento das
especificidades de várias áreas do conhecimento abordadas no curso.

9

�Esta interação entre alunos, professores e coordenação promove um agradável e
produtivo ambiente do processo de aprendizagem, onde todos ganham e
apreendem. Como se trata de um curso de pós-graduação focado na área
pedagógica, os professores propuseram-se sempre mais a estimular os alunos a
desenvolver as novas competências, reduzindo sua intervenção como meros
agentes transmissores do conhecimento. Com isso, os alunos ampliaram sua
participação no processo e os encontros deixaram de ser meras aulas no sentido
tradicional e tornaram-se produtivos workshops.

A dinâmica foi mais evidente na preparação das duas edições das jornadas
científicas. A preocupação dos alunos em encerrar o curso com chave-de-ouro
criou um clima de cumplicidade entre eles, professores e coordenação do curso.
Neste caso, com raras exceções, houve a preocupação de formatar tanto as
apresentações em formato digital (com o uso do Power-Point) quanto o trabalho
de conclusão, em formato de artigo científico, seguindo as normas técnicas.
Nestas atividades, a interação com a bibliotecária foi fundamental. A
recomendação da coordenação do curso foi de que os alunos produzissem
materiais de alto nível, seguindo as normas de Vancouver ou da ABNT, e os
submetessem a publicação em periódicos científicos.

A interdisciplinaridade proposta pelo curso abriu o espaço para mais um
profissional bibliotecário, na docência da disciplina Recuperação da Informação
para a Produção do Conhecimento. A ementa da disciplina prevê pesquisa
bibliográfica. Identificação e estudo das fontes de informação; procedimentos e
técnicas de busca, recuperação e utilização das fontes de informação nacionais e
internacionais, tanto impressas quanto eletrônicas, e estudo e aplicação das
normas de documentação. A profissional que ministra a disciplina é a bibliotecária
Magda Chagas Pereira, doutora em Lingüística e Mestre em Ciências da
Informação, da Universidade Federal de Santa Catarina.

Embora os resultados da experiência possam ser observados na descrição acima,
é importante salientar que existem algumas avaliações formais que foram
realizadas nas duas turmas já concluídas do curso. É o caso das dos trabalhos
10

�de conclusão, realizados pelas alunas Rafaela Almeida de Souza e Giseli Biz
Canela, ambas da segunda turma do curso. Elas entrevistaram seus colegas
sobre o andamento de cada disciplina e relatam resultados positivos.

Souza (2006, p. 8) fez uma pesquisa entre seus colegas de curso para analisar a
satisfação deles em relação aos mais diversos aspectos que compõem a
qualidade do curso. “Foi intenção desta pesquisa apresentar os resultados de
uma avaliação do grau de satisfação de um curso de Pós-Graduação feita através
da opinião dos alunos. A mesma foi realizada com no intuito de verificar possíveis
falhas e buscar soluções, sempre voltadas para a melhoria da qualidade do
ensino”.

Sua constatação inicial foi de que havia uma incidência maior (67%) de mulheres
entre os concluintes da segunda turma. “um aspecto evidenciado no século XX,
que vem adquirindo força no século XXI, onde as mulheres estão ganhando
maiores espaços profissionalmente, e para isso é necessário um aprimoramento
da profissão, conseguido a partir de cursos de extensão e pós-graduação”
(Souza, 2006, p. 7). Além disso, constatou a pesquisa, 53% dos entrevistados têm
renda mensal acima de 15 salários mínimos.

A pesquisadora solicitou que os colegas atribuíssem notas de 1 a 5 (totalmente
satisfeito, muito satisfeito, satisfeito, pouco satisfeito e totalmente insatisfeito) para
as diversas questões analisadas. O item Secretaria, supervisionado pela
profissional bibliotecária, obteve o total de 95% das respostas positivas (38%
totalmente satisfeito, 24% muito satisfeito e 33% satisfeito). Os outros 5% foram
de “pouco satisfeito”, sendo que não foi registrado nenhuma reposta em branco
nem ao item “totalmente insatisfeito”. Entre todos os 11 itens avaliados, o
atendimento da secretaria foi o que obteve a maior quantidade de respostas
“totalmente satisfeitos”, exatos 38,09%.

Por fim, a pesquisa realizada por Souza (2006) constatou que o curso cumpriu
com os objetivo central e específicos, especialmente no que tange a capacitar
profissionais da área da saúde para o processo de ensino-aprendizagem
11

�ampliando sua base teórica, filosófica, política e metodológica para a prática
docente, e instrumentalizar profissionais da área da saúde sobre metodologias do
processo ensino-aprendizagem. Isto pode ser observado que 62% dos alunos
pretendem continuar no espaço acadêmico, matriculando-se em outro curso de
pós-graduação. Além disso, 81% dos entrevistados perceberam a aplicabilidade
do curso na sua rotina de trabalho, contemplando o fato de que este curso é
multidisciplinar e 71% concordaram com o valor cobrado nas mensalidades, ou
seja, acharam o preço do curso adequado aos seus conteúdos.

Canela (2006) em sua pesquisa identificou 81,8% dos alunos responderam que
realizaram o curso motivados pela necessidade de aprimoramento profissional,
uma comprovação da importância de dar continuidade à formação profissional ou
pessoal. Entre os benefícios esperados com a conclusão do curso, 42,8% dos
participantes assinalaram adquirir mais conhecimento, seguidos daqueles que
pretendem atuar na área como docentes, 31,4%. A pesquisadora constatou ainda
que 8,57% esperam melhorar a sua empregabilidade, 5,71% acreditam conseguir
promoção na instituição em que trabalham e, na mesma quantidade estão os que
gostariam de participar de concurso público.

3 Conclusões

A educação continuada é de fundamental importância para que o profissional
esteja atualizado frente aos novos conhecimentos e tecnologias intercalados no
seu cotidiano profissional e pessoal principalmente para que possa ampliar suas
competências, habilidades e atitudes e consequentemente ampliando novas
fronteiras de atuação.

Para os profissionais envolvidos na área da saúde e público-alvo do curso, a
educação

continuada

tornou-se

um

requisito

permanente

para

atuar

competentemente. Acompanhar as novidades no campo da saúde requer
participação em curso, eventos e em escrever textos para serem publicados em
periódicos científicos.
12

�A constatação de Kruel (1995) de que os médicos antes precisavam se atualizar a
cada cinco anos e que o prazo caiu para um ano ou menos está relacionado tanto
ao fato de que as descobertas se sucedem instantaneamente quanto aos anseios
dos pacientes, que sabem das novidades por meio do noticiário.

Ao bibliotecário que atua na área da saúde compete acompanhar as mudanças
tecnológicas e de comunicação do conhecimento. Isto significa que poderá
participar diretamente na organização de eventos, de cursos, e na gestão de
publicações digitais on-line (revistas técnico e científicas, gestão de monografias
em bancos de dados de arquivos abertos, na padronização das publicações
utilizando normas da ABNT e Vancouver).

Dos profissionais de outras áreas também se espera a atualização e
aperfeiçoamento constante. Tanto para acompanhar as novas demandas dos
leitores, clientes e usuários de seus serviços, quanto para ampliar suas
competências e habilidades.

Agradecimento

Agradecimento a Hudson Silva, Bacharel em Ciências da Computação, da
Associação Catarinense de Medicina, pela colaboração com os dados estatísticos
referente aos acessos na revista Arquivos Catarinenses de Medicina.

Referências
CANELA, Gizele Biz. Avaliação da satisfação dos discentes do segundo
curso de especialização didático-pedagógica para profissionais da área da
saúde. Trabalho de conclusão do Curso de Especialização Didático-Pedagógica
para Profissionais da Área da Saúde. UFSC. 2006.
GRILLO, Antonio Niccoló. Desenvolvimento de pessoal nas universidades em
busca da qualidade do ensino superior. Florianópolis: Ed. Insular, 1996. v. 2
KRUEL, N. F. Arquivos Catarinenses de Medicina, v. 24 , n.2/3, p.:3, abr./set.,
1995.

13

�PERRENOUD, Philippe. Formação contínua e obrigatoriedade de
competências na profissão de professor. Série Idéias n. 30. São Paulo: FDE,
1998. p. 205-251.
SOUZA, César. Talentos e competitividade. Rio de Janeiro: Qualitymark Ed.,
2000.
SOUZA, Edson Machado de. Crises e desafios no ensino superior do Brasil.
Fortaleza: UFC, 1980.
SOUZA, R. A. de. Análise do grau de satisfação de um curso de pós
graduação, sob a perspectiva do aluno. Trabalho de conclusão do Curso de
Especialização Didático-Pedagógica para Profissionais da Área da Saúde. UFSC.
2006.
THE LIBRARIAN MEDIATION AT ONLINE CONTENTS MANAGEMENT
Abstratc
The constant updating of health area professionals makes possible a better
professional performance. This article refers the librarian participation to organize
the Didactic-Pedagogical Course for health area professionals, carried out by the
UFSC Department of Pediatrics in partnership with the Associação Catarinense de
Medicina – ACM (Catarinense Medical Association). Point some librarian activities
to organize the course information since the project elaboration until the final
evaluation; handle and use digital contents in Internet; interaction with participants
either students or professors and points out new frontiers for librarian professional
performance towards interdisciplinary work in specialization courses. It describes
tools to be used in communication and interaction: e-mail, site, books and on-line
contents to be available. Information and communication technologies has
become a basic for interaction element in the teach-learning environment. The
librarian work has greater relevance in the ending of the course, when the
Conclusion of Course works are prepared for the ‘Scientific Journey’ and for
publication in scientific journals where use Vancouver or Brazilian Technical
Standards Association.

Keywords: Digital contents - Management; Librarian - management of digital
contents; Electronic publications; Mediation - Librarian; Mediation – Contents.

14

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Mediação do profissional bibliotecário na gestão de conteúdos online.</text>
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                <text>Fazzioni, Dilva Páscoa De Marco; Blattmann, Ursula; Pereima, Mauricio José Lopes</text>
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                <text>A atualização constante dos profissionais da área da saúde possibilita melhor atuação profissional. Este artigo relata a participação do profissional bibliotecário na realização do Curso de Especialização Didático-Pedagógica para Profissionais da Área da Saúde, realizado pelo Departamento de Pediatria da UFSC em parceria com a Associação Catarinense de Medicina – ACM. Destaca as atividades que o bibliotecário exerce na organização da informação do curso desde a elaboração do projeto até a avaliação final; na disponibilização dos conteúdos digitais na Internet; na interação do bibliotecário com os participantes (docentes e discentes) do curso e aponta nova fronteira de atuação profissional no sentido do trabalho interdisciplinar em cursos de especialização. Descreve as ferramentas utilizadas na comunicação e interação: e-mail, site, apostilas e os conteúdos disponibilizados on-line. O uso de novas tecnologias da informação e comunicação torna-se elemento básico para interação do sujeito no ambiente do processo ensino-aprendizagem. O trabalho do profissional bibliotecário ganha relevância ainda maior no término do curso, quando os Trabalhos de Conclusão de Curso são preparados para a Jornada Científica e para publicação em periódicos que adotam normas de Vancouver e da Associação Brasileiras de Normas Técnicas (ABNT).</text>
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                    <text>MEDIAR A INFORMAÇÃO:
UMA APRENDIZAGEM CONTÍNUA

Sônia Barreto de Novaes Paschoal

Instituição Educacional Atibaiense SC – FAAT-Atibaia
Estrada Municipal Juca Sanches, s/n – Jardim Brogotá
Atibaia-SP
CEP: 12954-070

faat@faat.edu.br
biblioteca@faat.edu.br
sonia@faat.edu.br

�O PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO E SEU ESPAÇO
“Nenhum grande entardecer fará surgir o Espaço do saber, mas
muitas pequenas manhãs.” Pierre Lévy

Antes de pensar o Profissional da Informação será necessário
considerar que a informação não é bem material nem tão pouco imaterial.
Tanto a informação quanto o conhecimento são da ordem do
acontecimento ou do processo. (LÉVY, 1996, p. 56) [...] Segundo a
teoria

matemática

da

comunicação,

uma

informação

é

um

acontecimento que provoca uma redução de incerteza acerca de um
ambiente dado. (LÉVY, 1996, p. 57).

Sendo um acontecimento a informação é uma ocorrência ligada à
probabilidade e quanto mais improvável for, surpreendente será, e maior será seu
valor. Ainda como acontecimento ela se atualiza em tempos e espaços os quais,
por suas vezes, produzem outras informações. A figura do anel de Moebius ilustra
bem esta ocorrência. Pode-se então considerar a informação como uma
seqüência de acontecimentos intermináveis. Por outro lado, a informação não se
esgota, não está presa ao aqui e agora e tão pouco seu consumo, ou melhor, seu
uso, a destrói. Pelo contrário, a alimenta porque a atualiza. “Quando utilizo uma
informação, ou seja, quando a interpreto, ligo-a a outras informações para fazer
sentido ou, quando me sirvo dela para tomar uma decisão, atualizo-a. Efetuo,
portanto um ato criativo, produtivo.” (LÉVY, 1996, p. 58) a informação é virtual e
pode ser compartilhada sem prejuízo deste ou daquele usuário.
Castell, por sua vez, vai utilizar a definição proposta por Porat,
segundo a qual a informação “[...] são dados que foi organizados e comunicados
[...]” (CASTELL, p. 60) Esta definição aparentemente simplista tomará seu escopo
quando Castell formula o Paradigma da Tecnologia da Informação, item que será
tratado mais adiante.
Neste quadro teórico observa-se que o crescimento da informação
é exponencial e o informacionalismo é novo modo de desenvolvimento de uma
nova estrutura social, onde a fonte de produtividade está “[...] na tecnologia de
geração de conhecimentos de processamento da informação e de comunicação
de símbolos. [...]” (CASTELL, p. 53) Toda a esfera de comportamento social é

2

�modelada pelo seu modo de desenvolvimento, as mudanças nas formas de
interações já se manifestam na sociedade. Mudanças que permeiam e penetram
em toda a sua estrutura, interferindo nos procedimentos, nos modos de ver e
viver, de se comunicar, enfim de ser e estar no mundo.
A informação é um acontecimento que vai ser atualizado pelo
profissional. O Profissional da Informação trabalha, manipula, media algo que tem
todo o potencial para vir a ser, depende de seu receptor-usuário.
No contexto Informacional o Profissional se encontra entre dois
pólos, o documento (continente informacional) e o usuário (aquele que busca a
informação) circula por diferentes ambientes – espaços, ao mesmo tempo em que
transita por estes ambientes.
Ambiente Documental – local das informações independente dos
suportes e linguagens, contanto que sejam acessíveis aos sentidos, perceptíveis.
Neste ambiente há diversas interações que vai do encontro com a informação,
passando por suas codificações e armazenamento.
Ambiente de Encontro – usuário/mediador/informação. Aqui se
desenvolve a comunicação, a negociação, o compartilhar, a entrega.
Estes espaços percorridos pelo profissional da Informação
conferem-lhe um nutrir-se de compreensões, entendimentos e conceitos diversos,
alimenta-se assim de um saber – um saber co-extensivo. Estes espaços são
Espaços do saber.
Segundo Pierre Lévy, “[...] o Espaço do saber não existe. É, no
sentido etimológico, uma utopia, um não lugar. Não se realiza em parte alguma.
Mas se não se realiza já é virtual, na expectativa de nascer. [...]” (LÉVY, 2003, p.
120) No entanto ele “é habitado e animado por intelectuais coletivos –
imaginantes coletivos – em permanente reconfiguração dinâmica. [...]“ (LÉVY,
2003, p. 121).
Interessante seria observar que tanto o Profissional da Informação
como o usuário e a própria informação são constituintes do Espaço do saber,
sendo assim, devem trazer sempre em seus bojos possibilidades de reinventar o
viver e o saber viver.

3

�TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO: FERRAMENTAS PARA A
AUTONOMIA

As Tecnologias da Informação devem ser vistas como um conjunto
de ferramentas para o acesso à informação. Diferentemente de outras tecnologias
é que esta é também fator informacional. Encontramos assim a primeira
característica do Paradigma da Informação, formulada por Manuel Castell, seja
ela: “[...] a informação é sua matéria-prima: são tecnologias para agir sobre a
informação, não apenas informação para agir sobre a tecnologia, como foram os
casos das revoluções tecnológicas anteriores. [...]” (CASTELL, p. 108).
Paradigma Tecnológico, segundo Freeman citado por Castell, é:
[...] um agrupamento de inovações técnicas, organizacionais e
administrativas

interelacionadas

cujas

vantagens

devem

ser

descobertas não apenas em uma nova gama de produtos e sistemas,
mas também e sobretudo na dinâmica da estrutura dos custos relativos
de todos os possíveis insumos para a produção. [...] (CASTELL, p. 107)

Sendo assim é possível compreender o porquê da mudança de
Paradigma, porque houve, e ainda ocorrem, mudanças na sociedade, e estas são
constitutivas de tecnologia.
“O segundo aspecto refere-se à penetrabilidade dos efeitos das
novas tecnologias [...]” (CASTELL, p. 108) A informação é uma parte integrante
das atividades quer sejam individuais ou coletivas. O exemplo desta
penetrabilidade pode se citar o modelo de sistemas de bibliotecas que sofrem
modificações em seus procedimentos bem como alimenta e atualiza os sistemas
informáticos que utiliza numa relação de reciprocidade. Outro exemplo de
penetrabilidade seria a introdução de computadores nas escolas – estes podem
prestar-se, se bem manipulados, às discussões de natureza política, cultural, e
até mesmo técnicas informáticas.
A lógica das redes é a terceira característica. Ela “[...] é necessária
para estruturar o não-estruturado, porém preservando a flexibilidade, pois o nãoestruturado é a força motriz da inovação na atividade humana. [...]” (CASTELL, p.
108) A lógicas das redes se aplica a qualquer sistema ou conjunto de relações.
Como a informação cresce exponencialmente, também as redes se difundem de

4

�tal maneira. Estar fora da rede significa estar fora do alcance das informações por
ela propagadas, este aspecto da lógica das redes é esmagador, porque o número
de seus excluídos também será exponencial.
A lógica das redes é baseada na flexibilidade (quarto aspecto). Em
uma sociedade marcada por constantes mudanças, os processos devem ser
reversíveis, organizações e instituições devem ser passíveis de mudanças.
Interações entre tecnologias e sociedade culminam em um quinto aspecto o qual
versa: “[...] a convergência de tecnologias específicas para um sistema altamente
integrado, no qual trajetórias tecnológicas antigas ficam literalmente impossíveis
de se distinguir em separado [...]” (CASTELL, p. 109)
Estes cinco aspectos que compõem o Paradigma das Tecnologias
da Informação embasam procedimentos, norteiam decisões quanto ao uso destas
ferramentas. O uso das tecnologias de informação no contexto da Biblioteca
Universitária possibilita uma forma de acesso à informação e ao conhecimento de
maneira não excludente e permite uma abrangência maior do campo
investigativo, uma vez que, traz ao usuário um conjunto de saber utilizável de
acesso amplo, confiável e sob múltiplas formas. Esse acesso é feito de maneira
seletiva e não contínua, por este, dentre outros motivos que não basta apenas
disponibilizar as tecnologias, é necessária uma mediação educativa (item tratado
mais adiante).
Entende-se que tecnologias não são boas ou más (embora sejam
condicionantes ou restritivas) – pois são ferramentas – vai depender do uso que
se fizer delas. Este uso incidirá diretamente sobre o tempo. Em rede o tempo é
fragmentado, podendo ser pontual ou real, implicando um nomadismo de seus
atores. Há ainda o tempo intemporal quando se usa a tecnologia para fugir dos
contextos de sua existência ou para se apropriar de maneira seletiva de qualquer
valor que outros contextos oferecem em um presente eterno.
Juntando a estes tempos, à velocidade de transformações, à
quantidade e à qualidade de informações, o distanciamento entre atividades e a
falta de transparência conferem uma estranheza, uma sensação de ‘impacto’.
Para LÉVY o “impacto das tecnologias” não existe, visto que:
[...]'a técnica' é um ângulo de análise dos sistemas sociotécnicos
globais, um ponto de vista que acentua a parte material e artificial dos

5

�fenômenos humanos, e não uma entidade real, que existiria
independentemente do resto, teria efeitos distintos e agiria por si
própria. [...] (LÉVY, 1997, p. 2)

As tecnologias são produtos de uma sociedade e de uma cultura.
Por trás das técnicas, no meio delas, agem e reagem idéias, projetos
sociais, utopias, interesses econômicos, estratégias de poder -- o
espectro inteiro dos jogos humanos em sociedade. Assim, toda afetação
de um sentido unívoco da 'Técnica' só pode ser duvidosa. A
ambivalência ou a multiplicidade de significados e projetos envolvendo
as técnicas é especialmente evidente no caso numérico. (LÉVY, 1997,
p. 2)

Evidentemente as técnicas não podem ser responsabilizadas por
‘impactos’ negativos ou louvadas quando positivos. Tais atribuições devem ser
dirigidas àqueles que conceberam, executaram e usaram determinados
instrumentos.
É na relação com o outro, na interação com outras comunidades,
nos questionamentos sobre técnicas e poderes, na apropriação das tecnologias
que se minoram os efeitos negativos por estas causados, dentre eles a exclusão.
Diante dessas relações o usuário alcança sua autonomia no processo de busca
pelo saber, e se ele não souber... Cabe aqui a figura do mediador.

MEDIADOR: FACILITADOR PARA A AUTONOMIA

Junto às tecnologias de informação atua o profissional de
informação enquanto mediador. As tecnologias de informação são suas
ferramentas,

como

estas

estão

em

constantes

transformações

e

aperfeiçoamentos, cabe ao profissional se atualizar buscando compreender os
três pólos em que atua: o da informação, o das tecnologias e o do usuário,
mesmo porque, o usuário se instala neste universo de transformações, não um
mero receptáculo sem poder de investigação ou inferências, o usuário é sujeito
receptor e enquanto sujeito, ele atua, verbaliza. “Apreender e compreender uma
informação significa considerá-la como uma ou uma totalidade relativa e submete-

6

�la a uma operação intelectual que verifique a funcionalidade de suas
independências internas ou partes constitutivas.” (VARELA, p. 17)
Neste sentido caminha o mediador e o sujeito requerente da
informação. É função de o mediador capacitar o sujeito, educa-lo levando-o a
percorrer as avenidas que dão acesso à informação. Estas avenidas passam
pelas estantes da Biblioteca, seus códigos, suas normalizações, passam pelas
informações dispostas em bases digitais, pelos arquivos agora “open” pelo
‘Manifesto’ 1 . O usuário poderá compreender que não existem partes desconexas
em uma biblioteca, que o conhecimento não é mais que um complementu aeternu
de múltiplas faculdades. Compreendendo o todo e tendo uma visão panorâmica
saberá como utilizar o sistema.
As competências desenvolvidas pelo mediador são colocadas em
prática e quando compartilhada com o usuário favorecem neste a autonomia. A
relação usuário/mediador/informação/usuário passa por diversas disciplinas,
sejam elas, dentre outras, a comunicação 2 , a administração 3 , discurso e análise
deste 4 . O conhecimento, ainda que superficial de tais disciplinas possibilita um
pensamento reflexivo no momento da mediação, neste momento o conhecimento
das situações afina-se ou confunde-se e o grau será determinado em relação às
competências de cada ator deste processo.
A mediação que leva a autonomia pode ser comparada ao
aprender andar de bicicleta. Paralelamente:
Só se aprender a andar de bicicleta, andando de bicicleta.
Só se aprender a buscar e usar informação, buscando e usando a
informação. No entanto as primeiras vezes que se sobe em uma bicicleta para tal
aprendizado sempre há um apoio, uma pessoa que segura, enquanto a outra
sobe. Existe aí uma relação de confiança, não estarei sozinho, e mesmo por
algum tempo a mão permanece segurando o banco enquanto o outro ensaia suas
pedaladas. Quando menos se espera a mão solta o banco sem que o outro saiba,
e este outro por sua vez, continua a andar, autônomo, dono de seu caminho. O
mediador é esta pessoa que sabe que antes de haver autonomia deve haver uma
1

IBCT. Manifesto brasileiro de apoio ao acesso livre à informação científica. 2005.
Comunicação não é entendida aqui como uma teoria clássica (emissor/canal/receptor), mas, aplicada ao
Ciberespaço, cada um é potencialmente emissor e receptor.
3
Administração – teorias e aplicações sobre gestão de pessoas, de informação, de conhecimento, marketing.
4
Análise do discurso – usos dos recursos lingüísticos

2

7

�relação de confiança entre ele, o usuário e a informação. O mediador também
sabe quando ‘soltar o banco’ e permitir que o usuário faça seus próprios
caminhos, reinventando, atualizando, compartilhando o saber, usando tecnologias
e principalmente se relacionando, porque é através dos relacionamentos que o
saber se completa e a informação se realiza.

A SOCIEDADE DO CONHECIMENTO E SUAS RELAÇÕES

Contrário a idéia de ‘impacto’ das tecnologias Pierre Lévy
apresenta uma proposta baseada no conceito de Inteligência Coletiva. “É uma
Inteligência distribuída por toda parte, incessantemente valorizada, coordenada
em tempo real, que resulta em uma mobilização efetiva das competências.”
(LÉVY, 1998, p. 28)
Esta inteligência distribuída por toda parte implica que todos
sabem alguma coisa, independentemente de sua situação econômica, cultural,
social ou geográfica. Esta inteligência não é de toda valorizada, mas deverá o ser
até por questões econômicas.
As interações são coordenadas no mesmo universo virtual de
conhecimentos no tempo e em tempo real, inclusive de coletivos mal-situados.
“[...] Nessa perspectiva o ciberespaço tornar-se-ia o espaço móvel das interações
entre conhecimentos e conhecedores de coletivos desterritorializados. [...]”
(LÉVY, 1998, p. 29) Uma ligação entre Inteligência coletiva e redes eletrônicas.
A

mobilização

efetiva

das

competências.

Identifica-las

e

reconhece-las. É de ordem capital reconhecer o outro em sua inteligência.
Mediante este conceito entende-se a sua aplicabilidade no ciberespaço. Tal
inteligência proposta pela cibercultura “[...] Constitui um dos melhores remédios
para o ritmo desestabilizante, por vezes, excludente da mutação técnica. [...]”
(LÉVY, 1999, p. 30)
O que caracteriza uma Sociedade do Conhecimento se não este
próprio. Assim como a informação o conhecimento é também da ordem dos
acontecimentos, “[...] é fruto de uma aprendizagem, ou seja, o resultado de uma

8

�virtualização da experiência imediata. [...]” (LÉVY, 1998, p. 28) Castell utiliza a
definição dada por Daniel Bell, seja ela:
[...] O conhecimento é um conjunto de declarações organizadas sobre
fatos ou idéias, apresentando um julgamento ponderado ou resultado
experimental que é transmitido a outros por intermédio de algum meio
de comunicação de alguma forma sistemática. [...] (CASTELL, p. 64)

Por ser virtual o conhecimento é passível de transmissão, de
compartilhamento sem prejuízo de suas partes. O conhecimento ocupa o Espaço
do saber com seus objetos – “[...] os intelectuais coletivos e seus mundos [...]”
(LÉVY, 2003, p. 170)
Intelectuais coletivos, isto é, comunidades humanas comunicando-se
consigo mesmas, pensando a si próprias, partilhando e negociando
permanentemente suas relações e seus contextos de significações
comuns. Seus mundos, ou seja, seus recursos, seus ambientes, suas
conexões cosmopolitas com os seres, os signos e as coisas, suas
implicações nas diversas máquinas cósmicas, técnicas e as sociais que
os atravessam. (LÉVY, 2003, p. 170-171)

À comunidade científica, na qual se insere também o Profissional
da Informação pode-se atribuir tais conceitos em todas as suas extensões,
condições e conseqüências. Pensar desta maneira imbui às competências
informacionais de caráter elementar em todos os seus processos. Tal coletivo
inteligente incorpora uma sinergia espontânea de suas competências. Este
conceito de Coletivo Inteligente, proposto por Lévy deve ser aplicado dentro da
Sociedade do Conhecimento, nesta Sociedade e dentro deste contexto novas
relações com o Trabalho se impõem. “Os sistemas de informação e a formação
de redes subvertem o conceito tradicional de um sujeito separado.” (CASTELL,
58)
Existe uma tendência à flexibilidade motivada pelas tecnologias,
ou seja, não está mais restrito aos modelos tradicionais quanto ao tempo, contrato
e formas de realização.
As novas tecnologias de informação possibilitam ao mesmo tempo,
descentralização das tarefas e sua coordenação em uma rede interativa
de comunicação em tempo real, seja entre continentes, seja entre os
andares do mesmo edifício. (CASTELL, p. 330)

9

�Toda cultura é mediada pela comunicação e consequentemente
pelas tecnologias. “O que caracteriza o nosso sistema de comunicação baseado
na integração em rede digitalizada de múltiplos modos de comunicação, é sua
capacidade de inclusão e abrangência de todas as expressões culturais.”
(CASTELL, p. 460-461)
Uma importante questão e ao mesmo tempo uma resposta aos
tempos atuais em que o conhecimento, a informação e consequentemente a
competência se tornam capitais, estão na ordem da economia e da gestão de
recursos, Lévy coloca que diferentemente da força de trabalho (medida por hora)
– a competência por ser virtual, subjetiva, não pode ser mensurada. Como todo
objeto virtual traz em seu bojo um problema “[...] a atualização da competência,
ou seja, a eclosão de uma qualidade no contexto vivo é bem mais difícil de avaliar
que a realização de uma força de trabalho. [...]” (LÉVY, 1996, p. 60). Interessante
observar na competência, que sendo virtual, ela como a informação e o
conhecimento podem ser compartilhados quando utilizado, não se esgota nem tão
pouco é diminuída, ao contrário, é continuamente alimentada, melhorada, inovada
podendo de atualizar de maneira imprevisível em contextos variáveis.
A sociedade do conhecimento tem então como motriz o próprio
conhecimento, através dele é possível fazer laços, perceber nós. O Profissional
da Informação, enquanto mediador tem papel determinante dentro deste contexto.

EDUCAÇÃO CONTINUADA: UM SABER CONTINNUM
“No Espaço do saber os pensamentos são mundos nascentes”
Pierre Lévy

Transitar por espaços tão diferenciados, espaços geográficos,
culturais, semióticos, ciberespaço, afetivos, o sujeito – Profissional da Informação
– como um ser nômade se vê envolvido em Espaços do saber cujos conteúdos
diversos compõem uma rede de conhecimentos. Esta rede pode ser eletrônica ou
não, seja como for, se assemelha a uma colcha de retalhos, onde cada retalho
(conhecimento) pode se desconectar e conectar a outro formando um novo
desenho, novas possibilidades de entendimento.

10

�A informação contida nestes contextos será tanto maior quanto
maior for sua improbabilidade. “[...] Um fato inteiramente previsível nada nos
ensina, enquanto um acontecimento surpreendente nos traz realmente uma
informação. [...]” (LÉVY, 1996, p. 59) Partindo deste princípio e entendendo que
os espaços vividos, também compostos por objetos, animados por sujeitos e por
suas relações entre si e com os objetos, portanto espaços antropológicos são
carregados de significações passíveis da aprendizagem. Quanto mais dinâmicos
forem tais espaços e seus articuladores maiores serão a quantidade e a qualidade
de informações e conhecimentos a serem apreendidos.
Tantos as novas características do Trabalho – necessidade de
profissionais capazes, flexíveis, ávidos de conhecimentos – quanto o ambiente
em todas as suas dimensões exigem e acabam por não permitir que o
Profissional da Informação seja alienado e diferente do que se requer. É próprio
da Profissão e o nome já diz “da Informação” a educação continuada e mais que
isso, tal Profissional tem em toda a sua carreira uma aprendizagem contínua e
consequentemente um saber continnum, quer ele queira ou não. O Profissional
qualifica-se à medida de suas interações, o ‘laço social’ como o chama Pierre
Lévy se desprende da distinção “eles” e “nós”.
[...] A engenharia do laço social possibilita o surgimento de outro tipo de
subjetividade. Ela pulveriza os signos do saber ou da identidade, mas
para permitir-lhes fluir, mesclar-se, reencontrar-se, valorizar-se, dilatar-se
e trocar-se... Ela não implode as identidades, mas as libera: entrega a
cada um o poder de forjar suas imagens. [...] (LÉVY, 2003, p. 137)

Assim se forma a inteligência coletiva, e nela o Profissional se abre
para novas aprendizagens e, simultaneamente, se coloca como fonte daquela.
Diferentemente das mercadorias o saber nasce e morre mais
rapidamente. A habilidade de valorizar e organizar o saber depende do contato
cultural, social e profissional.
Navegar neste ambientes requer também instrumento e técnicas e
de localização denominado Cinemapa. O Cinemapa é o universo informacional
(ou banco de dados); em sua topologia estão representados as diversas relações
que os objetos e seus atores mantêm uns com os outros. Suas distâncias e

11

�atributos podem ser medidos e localizados (ex. hipertexto). Ao utilizar um
cinemapa,
[...] um grupo humano constitui-se, precisamente, em intelectual
coletivo. Reciprocamente, o cinemapa é uma realidade virtual, um
ciberespaço

engendrado

pelas

atividades

exploratórias

de

um

intelectual coletivo no interior de um universo informacional. [...] (LÉVY,
2003, p. 165)

A Árvore do conhecimento, os códigos decimais e os demais
também podem ser considerados cinemapas, à medida que novas edições são
lançadas em resposta ao dinamismo do conhecimento e suas faculdades.
O espaço onde estas habilidades e instituições são aplicadas é
epistemológico denominado por Pierre Lévy de cosmopédia.
A cosmopédia não só põe à disposição do intelectual coletivo o conjunto
de conhecimentos que lhe é disponível e pertinente em determinado
momento, mas também se apresenta como um lugar central de
discussão, negociação e de elaboração coletiva. Imagem plural do
saber, a cosmopédia é o tecido mediador entre o intelectual coletivo e
ele próprio. Os conhecimentos não são separados dos contextos
concretos que lhes conferem sentidos, nem das práticas que os
engendram e modificam, por sua vez. (LÉVY, 2003, p. 183)

Dentro deste quadro que expõe objetos, sujeitos e ações a
Educação Continuada, ou a aprendizagem contínua é a ocorrência que se
atualiza constantemente e pode ser apresentada na figura do anel de Moebius.
Permanece uma afinidade essencial: o pensamento e o ser; a identidade e o
saber não apenas coincidem, mas “[...] estão engajados em um processo
ininterrupto de pluralização e heterogênese. [...]” (LÉVY, 2003, p. 187)
Pensamentos nascem e já tomam asas nas idéias, idéias
alimentam imaginação, a imaginação estimulam dúvidas, estas por sua vez vivem
grávidas e geram novos pensamentos que nunca se contentam em ser só
pensamentos.
Eis o Profissional da informação vivendo o Espaço do saber.

12

�CONSIDERAÇÕES FINAIS

Quadros teóricos de referências e embasamentos conceituais
estimulam práticas e posicionamentos.
Demonstrou-se que o espaço onde o profissional da informação
age é por excelência um Espaço do saber. Nele tecem redes que a própria razão
desconhece. Este mundo ‘novo’ que se apresenta com suas exigências já se
propagava no limiar histórico. Tudo muda o tempo todo. O importante é saber em
que espaço se circula, o que se leva e o que se traz, o que se pode ou não
colocar na mala para esta viagem infinda que é a aprendizagem.

13

�REFERÊNCIAS

CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. 8ª. São Paulo: Paz e Terra, 1999. v.
1.

FARIA, Sueli. et al. Competências do profissional da informação: uma
reflexão a partir da Classificação Brasileira de Ocupações. Ci. Inf. [online].
maio/ago. 2005, vol.34, no.2 [citado 31 Julho 2006], p.26-33. Disponível em:
&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S010019652005000200003&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;. ISSN 0100-1965. Acesso em: 25 mai
2006

INEP. Redes acadêmicas e produção do conhecimento em educação
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LÉVY, Pierre. A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço. São
Paulo: Loyola, 1998. 212 p., 23 cm.

____________. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era
da informática. Rio de Janeiro: EDITORA 34, 1993.

____________. Cibercultura. 2ª. São Paulo: EDITORA 34, 2003.

____________. O que é virtual? Rio de Janeiro: EDITORA 34, 1996.

____________. O inexistente impacto da tecnologia. Folha de S. Paulo, São
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http://educadi.psico.ufrgs.br/servicos/listas/educadi/msg00735.html&gt; Acesso em:
25 jul. 2006

MOREIRA, Walter. Os colégios virtuais e a nova configuração da
comunicação científica. Ci. Inf. [online]. jan./abr. 2005, vol.34, no.1 [citado 31
Julho

2006],

p.57-63.

Disponível

em:

14

�&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S010019652005000100007&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;. ISSN 0100-1965. Acesso em: 25 mai
2006

VARELA, Ainda Varela. A explosão informacional e a mediação na construção do
conhecimento. In: MIRANDA, Antônio; SIMEÃO, Elmira (Org.). Alfabetização
digital e acesso ao conhecimento. Brasília: Universidade de Brasília,
Departamento de Ciência da Informação e Documentação, 2006. p. 15-32.

15

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Ciência da Informação&#13;
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                    <text>METADADOS E SISTEMAS DE RECUPERAÇÃO DE INFORMAÇÃO ON LINE:
UMA QUESTÃO DE SEMÂNTICA?1
Mônica de Fátima Loureiro
Doutoranda em Ciência da Informação
Escola de Comunicações e Artes (ECA) – Universidade de São Paulo (USP)
Brasil
monicaeros@hotmail.com
Marivalde Moacir Francelin
Doutorando em Ciência da Informação
Escola de Comunicações e Artes (ECA) – Universidade de São Paulo (USP)
Brasil
Bolsista Capes
mfrancelin@yahoo.com.br

EIXO TEMÁTICO: O Impacto das Tecnologias Eletrônicas e sua Mediação
Resumo
Problemas que interferem na comunicação humana mediada por computador, mais
especificamente as pesquisas sobre a interação homem-máquina, são os grandes desafios
que se apresentam à comunidade científica na contemporaneidade. Os sistemas
especializados de informação das universidades, que incorporam ferramentas
desenvolvidas com base em metadados, na perspectiva da WEB semântica, podem ilustrar
esse problema. A mobilização interdisciplinar de campos como a filosofia, a lingüística, a
neurociência e as ciências cognitivas, entre outras, aliada às tecnologias de informação,
sugerem respostas para esses problemas, apontando também para novas formas de
mediação da informação. Dessa forma, procura-se discutir, com base na literatura nacional
e internacional da Ciência da Informação, o desenvolvimento conceitual do termo metadado,
as principais linguagens de tratamento de dados e, principalmente, as questões semânticas
presentes nos ambientes de recuperação da informação on line. As pesquisas
contemporâneas indicam que a eficácia dos sistemas de informação depende da
incorporação de um mínimo semântico que opere como a base do entendimento mútuo
entre homem e máquina. Sistematiza-se, por fim, a importância deste tema para o
profissional da informação que atua em ambientes de ensino e pesquisa, como também
seus possíveis impactos no saber-fazer cotidiano.
Palavras-chave: metadados; sistemas de recuperação da informação; WEB semântica,
Ciência da Informação.

1

Trabalho desenvolvido a partir da disciplina Produção e Disseminação de Informações Documentárias no
Mundo Contemporâneo, ministrada pela Professora Dra. Nair Yumiko Kobashi no primeiro semestre de 2006,
do Programa de Pós Graduação em Ciência da Informação da Escola de Comunicações e Artes (ECA),
Universidade de São Paulo (USP).

�2

1 INTRODUÇÃO
Este trabalho procura refletir sobre alguns conceitos considerados importantes:
metadados e web semântica, abordando, de forma sucinta, algumas de suas
aplicações, além de destacar a postura do Profissional da Informação (PI) nesse
contexto. Relacionam-se algumas questões específicas sobre o ambiente on line e
os Sistemas de Recuperação da Informação (SRI), na perspectiva da web
semântica, levando em consideração o elemento humano na interação com a
máquina, de maneira que ela “entenda”, minimamente, o que lhe é exposto e/ou
requisitado e responda de maneira adequada.
De certa maneira, isto já nos foi anunciado pelo advento da Internet que,
tradicionalmente e popularmente, entendemos como algo que nos liga ao mundo.
Segundo Rowley (2002, p.187), “A internet é um conjunto de redes de
computadores, interligadas, ou seja, uma rede de redes”. É um sistema que permite
comunicação imediata com qualquer pessoa, em qualquer parte do globo – desde
que existam os recursos técnicos e tecnológicos necessários. Essa caracterização
da internet, para ser mais precisa, requer a discussão de elementos que nos
permitam vê-la como um ambiente que é mais do que um simples veículo de
comunicação e interação.
A internet se populariza a partir dos anos de 1990 e se massifica a partir de
2000. Incluímos nessa massificação não apenas aqueles que têm acesso a ela, mas
também aqueles que sabem que ela existe ou dela já fizeram uso. Assim como em
uma biblioteca comum, fazer uso pode ter vários significados, que varia desde a
entrada do indivíduo no ambiente, a consulta ao catálogo e/ou estante, a seleção e
retirada do material até uma suposta aquisição de conhecimento a partir de uma
informação obtida. O exemplo pode ser bem demonstrado em um ambiente físico,
com controle e auxílio especializado permanentes; mas, como seria a mesma busca
em um ambiente virtual, onde o único objeto com que se tem contato direto é a
máquina, interligada a uma rede, que contêm um volume de informações muito
maior do que qualquer biblioteca? A mudança do ambiente informacional físico para
o virtual fez com que aqueles que lidam com a informação, visando ao seu
tratamento, armazenamento e recuperação, adotassem novas posturas diante das
ferramentas de recuperação de informações em meio digital.

�3

Segundo Méndez Rodríguez (2002, p.19):
La información y las tecnologías aplicadas a la información se han convertido
ya en un punto crítico para la ciencia, la investigación y la empresa de nuestro
tiempo. Se promueve el acceso universal a las fuentes de información gracias
al crecimiento y desarrollo de las redes de telecomunicaciones, especialmente
de Internet y, sobre todo de la Word Wide Web. En menos de diez años, la
Web ha pasado de ser un sistema casi esotérico, utilizado por una comunidad
limitada de investigadores, a ser un almacén de datos ingente, universal,
abierto, multitemático y multilingüe, así como a considerarse una de las
herramientas por antonomasia para obtener información. Cada vez más se
están usando nuevas formas de representación de un conocimiento, distintas
del texto lineal impreso. Estos nuevos tipos de publicación digital – desde el
texto, hasta una grabación sonora o de vídeo, pasando por un mensaje de
correo electrónico, el código fuente de un programa de ordenador para el
cálculo de resultados, etc. – han multiplicado las formas de comunicación
científica, involucrando un proceso sin precedentes […]

Um dos pontos fundamentais, nessa nova tomada de posição, foi entender o
que são e como surgiram tais mídias, que na Sociedade da Informação (SI) estão
imbricadas às Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Esse contexto foi e
ainda é bem explorado pela literatura no campo da Ciência da Informação
(MATTELART, 2002; 2005; TAKAHASHI, 2000). Os aspectos sócio-políticos,
culturais e econômicos, que norteiam o desenvolvimento das TIC e da SI são
importantes para as pesquisas sobre o acesso à informação. Outro ponto
fundamental, que está intimamente ligado à internet, está, igualmente, tomando
corpo nas pesquisas da área, ou seja, os Sistemas de Recuperação da Informação
(SRI) on line.
A internet é um repositório de informações. Boa parte delas não é recuperável,
outra parte recuperável, mas de maneira precária, e uma pequena parcela pode ser
recuperada com alguma exatidão – geralmente, aquelas que estão relacionadas às
bibliotecas ou a algum tipo de sistema especializado de informação. Essa situação
não se colocava como problemática enquanto o paradigma virtual estava
aparentemente distante de se tornar realidade; porém, atualmente, os problemas
têm se agravado, pelo crescimento da demanda informacional, e pelo aumento da
exigência do público usuário, por informações exatas e precisas em relação às suas
necessidades: tudo isso, no menor tempo possível.
Hoje, a “realidade” virtual é fato. Estamos tão dependentes dos sistemas on
line que poderíamos dizer que eles sempre existiram. Entramos no século XXI, não
mais com a perspectiva de um mundo virtual, mas como uma sociedade
tecnologicamente conectada, que faz comércio, política e cultura pela rede. É uma

�4

sociedade que se vê dividida e subdividida em comunidades virtualmente ligadas,
porém, que não existem na forma física e que talvez nunca existirão na forma de
grupos físicos, como tradicionalmente os conhecemos. E, assim como a sociedade
real, essa sociedade que chamamos virtual também consome, usa, produz
informação e conduz a uma nova forma de conhecimento. De acordo com San
Segundo Manuel (2003, p.50), “El conocimiento, por tanto, puede articularse, en la
actualidad, como un tipo de conocimiento artificial, o como información electrónica
útil, o bien como información en potencia desde una perspectiva pragmática.”
O ambiente virtual é, de fato, mais complexo do que o das bibliotecas e, o que
é mais importante: ele surgiu e se desenvolve, a cada dia, de maneira desordenada.
Compreendemos bem as estruturas, metodologias e conceitos que fazem parte dos
SRI das bibliotecas tradicionais porque nós os construímos, mas conhecemos muito
pouco dos pormenores técnicos deste ambiente virtual.
Em termos de bibliotecas e centros de informação em geral, criamos sistemas,
metodologias e ferramentas sofisticadas para o tratamento, armazenamento e
recuperação da informação. Alguns desses procedimentos foram adaptados para o
ciberespaço e outros precisam ser criados, considerando a informação eletrônica
sem um similar físico, ou seja, constituída puramente em meio virtual. Assim,
comparando os centros de informação físicos como bibliotecas, centros de
informação entre outros, com a internet, mesmo considerando os domínios que
precisam ser respeitados, percebemos que esse novo e enorme universo
informacional não foi criado por nós e, por isso, suas ferramentas de
armazenamento, tratamento e recuperação nos parecem, muitas vezes, estranhas,
apesar de algumas semelhanças de formatos de entrada de dados.
Embora nossos catálogos tradicionais pareçam ser extremamente sofisticados
e as ferramentas de tratamento muito avançadas, ao considerar o ambiente virtual,
as informações/dados devem ser traduzidas para uma linguagem que a máquina
também possa “entender”. Os catálogos físicos tradicionais não precisavam ser
legíveis por computadores. Os usuários tinham acesso direto a eles e encontravam
informações organizadas com base em alguma norma, norma essa que fazia parte
de um sistema pré-estabelecido pela própria biblioteca. Ou seja, havia todo um
controle, desde o vocabulário empregado até a conduta de acesso e uso do
material. Se o usuário precisasse de um intermediário, ele encontraria uma pessoa

�5

especializada disponível para auxiliá-lo. No entanto, no ambiente virtual, a dinâmica
de organização e uso é bastante diferenciada, pois como destacou Svenonius
(2001), com a revolução computacional houve uma mudança na natureza das
entidades a serem organizadas e, além disso, mudaram também os próprios meios
de sua organização.
No ciberespaço, a inclusão das informações não segue, via de regra, qualquer
tipo de norma ou padrão que possa facilitar o processo de recuperação. Além disso,
o volume de informação contida na rede é muito maior do que nos é apresentado
pelos buscadores. Sem dúvida, estamos diante de um novo contexto informacional
que temos que entender, em especial, os conceitos, linguagens e ferramentas que
lhe são característicos.
2 SISTEMAS DE RECUPERAÇÃO DE INFORMAÇÃO ON LINE: METADADOS E
WEB SEMÂNTICA
Ao longo da história vários autores de vários campos do saber fizeram
previsões, com bases em estudos científicos e/ou mesmo através da ficção e da
literatura, apontando para uma nova realidade social: algumas se concretizaram,
principalmente aquelas relacionadas às tecnologias da informação (LÉVY, 1993;
1996; 2000; TAKAHASHI, 2000; CASTELLS, 2002). Exemplo emblemático parte,
justamente, da chamada SI: ela não se configura apenas pela web mas, também,
por uma série de mudanças ocorridas no campo das comunicações (mídias
radiofônicas, televisivas e impressas), na economia e na educação, entre outros
exemplos. Entendemos que o aspecto mais marcante da SI é o desenvolvimento da
Internet. Mattelart (2002) destaca a necessidade de um olhar crítico sobre este
período, no qual estamos imersos, para fugir da tecnofobia, deixando claro que o
sonho e a ilusão de um mundo mais solidário, a partir da instauração da SI, não foi
concretizado. Esta não é uma posição contra o avanço tecnológico, mas, um olhar
realista que consegue perceber as movimentações e manipulações de interesse
hegemônico capitalista como pano de fundo desses avanços.
Criada no período da Guerra Fria (SOUZA; ALVARENGA, 2004), a internet
tinha por objetivo conectar computadores, facilitando a troca de informações; apenas
algum tempo depois é que surge a World Wide Web (WWW), “a grande teia” ou a
“teia global”, também chamada simplesmente de web. Esse ambiente trouxe uma
nova perspectiva para a internet, estimulando interfaces e possibilitando tratamento,

�6

acesso e recuperação de documentos on line. De acordo com Souza e Alvarenga
(2004, p.132), a web surge nos anos de 1990 sendo atualmente
[...] tão popular e ubíqua, que, não raro, no imaginário dos usuários,
confunde-se com a própria e balzaquiana Internet – a infra-estrutura de
redes, servidores e canais de comunicação que lhe dá sustentação. Se a
Internet surgiu como proposta de um sistema distribuído de comunicação
entre computadores para possibilitar a troca de informações na época da
Guerra Fria, o projeto da web, ao implantar de forma magistral o conceito de
hipertexto imaginado por Ted Nelson &amp; Douglas Engelbart (1962), buscava
oferecer interfaces mais amigáveis e intuitivas para a organização e o
acesso ao crescente repositório de documentos que se tornava a Internet.
Entretanto, o enorme crescimento – além das expectativas – do alcance e
tamanho desta rede, além da ampliação das possibilidades de utilização,
fazem com que seja necessária uma nova filosofia, com suas tecnologias
subjacentes, além da ampliação da infra-estrutura tecnológica de
comunicação.

No entanto, a recuperação de informações na web ainda é limitada pela falta
de padrões adequados de tratamento da informação ao ser inserida na rede. A
eficiência dos “motores de busca”, como o Google e o Yahoo, por exemplo, é parcial
e imprecisa devido, em grande parte, a essa falta de padronização. Na tentativa de
solucionar este problema foram desenvolvidas as chamadas “linguagens de marca”
ou “linguagens de marcação”.
Em certa medida, as linguagens de marcação (markup languages),
representadas pelo Hyper Text Markup Languages (HTML), eXtensible Hyper Text
Markup Language (XHTML), Standard Generalized Markup Language (SGML) e
eXtensible Markup Language (XML) “[...] permitem a construção de padrões públicos
e abertos que estão sendo criados para se tentarem maiores avanços no tratamento
da informação: elas minimizam o problema de transferência de um formato de
representação para outro e liberam a informação das tecnologias de informação
proprietárias.” (BAX, 2001, p.32). Estas linguagens são constituídas de metadados,
que facilitam a recuperação da informação e apontam para uma revolução na busca
por informações no ambiente on line, pois tem como intenção permitir efetuar buscas
não apenas por palavras ou termos, porém, pelo conteúdo semântico do documento;
daí o aparecimento do termo web semântica.
Genericamente, os metadados são entendidos como dados sobre dados ou
dados estruturados sobre dados. Aparentemente, a definição apresenta-se de
maneira simples, mas o conceito de metadados toma proporções maiores quando
tentamos analisá-lo levando em consideração sua etimologia e aplicações. Segundo
Méndez Rodríguez (2002, p.30), metadados seriam “[...] datos {junto a / después de

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/ entre / con...} los datos”. A autora lembra que a difusão do termo metadado se deu
com a internet e com a web, porém ele já existia, ao menos, desde a década de
1970. Mas seu uso inicial não tinha nenhum compromisso semântico, apenas
designando uma espécie de marca comercial, o que não passa de curiosidade
histórica no desenvolvimento do termo.
Apesar do conceito de metadados, segundo Marcondes (2006, p.96), não estar
restrito à “descrição” e à recuperação da informação, o padrão Dublin Core parece
apropriado para esta tarefa. De acordo com Souza et al. (2000, p. 93):
Dublin Core pode ser definido como sendo o conjunto de elementos de
metadados planejado para facilitar a descrição de recursos eletrônicos.
Metadado significa dado sobre o dado. É a catalogação do dado ou
descrição do recurso eletrônico. A expectativa é que autores ou WEBsiters
sem conhecimento de catalogação sejam capazes de usar o Dublin Core
para descrição de recursos eletrônicos, tornando suas coleções mais
visíveis pelos engenhos de busca e sistemas de recuperação.

As autoras já citadas lembram que o Dublin Core não tem a intenção de
substituir modelos mais completos e abrangentes como o Anglo American
Cataloguing Rules (AACR2) e o MAchine Readable Catalog (MARC), mas apenas
auxiliar especialistas e não especialistas em catalogação, na descrição de
elementos básicos para a representação de uma informação e/ou de um documento
on line.
A finalidade principal dos metadados é documentar, com elementos
descritores, qualquer tipo de recurso disponível na Web, para permitir
comunicabilidade e interoperabilidade entre sistemas. A adoção de padrões de
metadados permite com mais facilidade o estabelecimento de mecanismos de
importação e exportação de informações, assim como a criação de uma visão
integrada dos dados de uma organização. Além disso, permite que agentes
inteligentes não somente possam intercambiar informações, mas também que
possam transferir para um sistema um conhecimento semântico estruturado,
que é a base da Web semântica (CAMPOS et al., 2006, p.60).

Estudos de Ingwersen (2002) abordam com profundidade a interação entre os
SRI e os estudos cognitivos, destacando pontos importantes no desenvolvimento e
aprimoramento desses sistemas, como: a) a necessidade de conhecimentos por
parte do projetista de um SRI do conhecimento anterior (ou background) de sua
população usuária, em dado domínio; b) a necessidade de um SRI, a partir da
diversidade de níveis culturais e educacionais de seu público, fazer agrupamentos a
partir de categorias, os chamados agrupamentos categoriais e, também, fazer
agrupamentos chamados situacionais.

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Ingwersen (2002, p. 129), conceitua a classificação categorial como aquela
onde “[...] os indivíduos selecionam um conceito abstrato e escolhem os objetos que
podem ser inseridos sob este conceito”. Já a classificação situacional é aquela onde
“[...] os indivíduos envolvem os objetos em diferentes situações concretas, de tal
modo agrupando objetos que pertencem ao mesmo conjunto” (INGWERSEN, 2002,
p. 129).
Podemos destacar que a necessidade dos usuários frente a um SRI é bastante
ligada aos estudos cognitivos humanos que precisam ser inseridos e aprofundados,
no campo da Ciência da Informação, visando a uma melhor recuperação de
informação. Além disso, não se pode pensar em usuários individuais e sim
considerar coletivos no processo de recuperação de informação na internet, mesmo
dentro de um domínio específico.
Nesse sentido, entendemos que as relações disciplinares da Ciência da
Informação com outros campos do saber se desenvolveram e estão se
desenvolvendo por incursões teóricas e práticas, especificamente em áreas como a
lingüística, a filosofia da linguagem, a filosofia cognitiva e a computação. No Brasil,
tais incursões podem ser observadas através dos trabalhos de Cintra et al. (2002),
Campos (2001), Lima (2003), Mendonça (2000), Borges et al. (2003), por exemplo.
Em língua estrangeira podemos citar os trabalhos de Blair (1990; 2006), Sowa
(2000), Svenonius (2001; 2004), Frohmann (2004), Hjorland (2003), Hemalata
(1995), Hutchins (1978), por exemplo. São trabalhos com características distintas,
uns mais sistemáticos e aplicados, outros mais teóricos, de cunho filosófico, porém,
pode-se dizer que a principal preocupação das abordagens das obras citadas é a
representação e a recuperação da informação. Nesse sentido, constituem um
grande painel interdisciplinar de estudos sobre a linguagem, o conceito e as
questões gerais sobre referência e significado no âmbito lingüístico e cognitivo.
Eventos da área de Ciência da Informação, dentre os quais destacamos a
International Society for Knowledge Organization (ISKO), cujo tema para 2007 é “La
interdisciplirariedad y la transdisciplinariedad en la organización del conocimiento
científico”,

enfatizam,

justamente,

pesquisas

interdisciplinares

entre

Lógica,

Lingüística, Ontologias e Organização do conhecimento, principalmente no ambiente
on line.

�9

Enquanto pesquisadores da informação precisamos entender a informação não
apenas enquanto veículo de comunicação, mas, também, enquanto processos de
significação para a construção de conhecimento. A informação é transmitida pela
linguagem, seja ela falada, escrita ou visual, e comporta elementos de significado,
porém, esses elementos, para terem sentido e serem apropriados, deverão fazer
parte do universo discursivo e simbólico daquele que os irá receber, seja ele
chamado de receptor, destinatário ou usuário.
O universo discursivo é constituído por comunidades lingüísticas distintas que
estão, via de regra, fora do alcance dos sistemas de recuperação da informação,
pois, estes sistemas não foram construídos a partir delas, mas sim a partir de
linguagens que podemos chamar, com algum cuidado, de universais, científicas ou
artificiais. Não queremos dizer que o sentido do termo ou do conceito foi eliminado
no momento de sua representação, pelo contrário, sentido há, mas restrito a uma
comunidade discursiva especializada.
A carga semântica de um termo, conceito ou de uma frase toma outras
proporções no ambiente web, pois trata-se se um sistema aberto, utilizado e
alimentado tanto por especialistas como por não especialistas (o termo especialista
significa, aqui, aqueles que têm domínio sobre a linguagem de um determinado
campo de estudos, seja ele profissional ou cientista, ou domínio sobre as
ferramentas de tratamento, um bibliotecário, por exemplo) e no qual se usa tanto a
linguagem natural quanto as linguagens construídas. Apesar de a web se pretender
universal, a linguagem nela utilizada não o é, por ser constituída por comunidades
discursivas distintas. O que precisamos saber é se as regras discursivas utilizadas
no ambiente “real” em determinada comunidade de significação são as mesmas que
os seus membros usam no ambiente web. Tudo indica que sim, portanto,
precisamos entender tais comunidades e identificar padrões para que possamos
melhor representar informações que elas necessitam.
No ambiente web algumas teorias sobre a linguagem e o seu tratamento são
de difícil aplicação, pois entre o usuário e a informação está a máquina. O usuário
precisa interagir com a máquina para recuperar o que precisa e esta última precisa
“entender”, de alguma maneira, o que lhe está sendo solicitado.
Uma possibilidade desse “entendimento” está sendo desenvolvida através do
que se vem chamando de web semântica. Segundo Berners-Lee (2001) apud Souza

�10

e Alvarenga (2004, p.133) “A web semântica não é uma web separada, mas uma
extensão da atual. Nela a informação é dada com um significado bem definido,
permitindo melhor interação entre os computadores e as pessoas”.
A web semântica é uma de tentativa de fazer com que a máquina não apenas
busque o termo, palavra, conceito ou frase que lhe foi solicitado, mas que “entenda”
a solicitação, ou seja, que imprima maior precisão e relevância às informações
recuperadas.
O projeto da web semântica, em sua essência, é a criação e implantação de
padrões (standards) tecnológicos para permitir este panorama, que não
somente facilite as trocas de informações entre agentes pessoais, mas
principalmente estabeleça uma língua franca para o compartilhamento mais
significativo de dados entre dispositivos e sistemas de informação de uma
maneira geral. (SOUZA; ALVARENGA, 2004, p.134).

Nesse caso, a idéia de precisão está relacionada aos padrões de metadados,
pois, é através deles que os dados/informações são inseridos na web. Quanto
melhor o tratamento desses dados em sua fonte, melhor a sua recuperação pela
máquina. Para isso, segundo Souza e Alvarenga (2004, p.134)
[...] é necessária uma padronização de tecnologias, de linguagens e de
metadados descritivos, de forma que todos os usuários da web obedeçam a
determinadas regras comuns e compartilhadas sobre como armazenar dados e
descrever a informação armazenada e que esta possa ser ‘consumida’ por
outros usuários humanos ou não, de maneira automática e não ambígua.

O que entendemos, portanto, é que o tratamento dos dados é feito,
inicialmente,

visando

à

máquina.

É

importante

que

ela

recupere

os

dados/informações com ou sem a mediação humana. Não diríamos que a máquina
seria dotada de um certo tipo de capacidade de “pensar”, mas que possa fazer
relações e operações consideradas simples do ponto de vista cognitivo humano.
Campos et al. (2006, p.63) nos dão um exemplo de como isso funcionaria na prática:
[...] um usuário poderia digitar ‘Qual o melhor programa de pós-graduação
sobre gestão de informação na área da região Sudeste no Brasil?’ Um agente
inteligente correria pela Web, compararia a pontuação das universidades de
acordo com as avaliações da Capes ou outras e traria uma lista de nomes. O
agente inteligente então apanharia o formulário de inscrição e os dados sobre
auxílio financeiro e informação do(s) melhor(es) programa(s) de pósgraduação.

Para que isto seja possível, a máquina precisa estar munida de uma série de
códigos e expressões, além de ferramentas para relacioná-los e operacionalizá-los,
que usamos em nosso dia-a-dia para busca e recuperação de informações. Mesmo
assim, levando-se em consideração o exemplo acima, a máquina teria que distinguir
o que o usuário está querendo dizer quando se refere ao “melhor programa de pós-

�11

graduação”. Em nosso cotidiano lingüístico essa frase pode ter vários sentidos,
várias cargas semânticas podendo significar o programa de pós-graduação que
possui os “melhores” professores, que tem mais tradição ou que é mais “antigo”, que
é mais recente e espelha novas tendências ou simplesmente aquele que se
encontra mais próximo, geograficamente, de onde reside o usuário, não significando,
necessariamente, o programa que possui melhor pontuação na Capes, por exemplo.
Para uma possível aproximação do exemplo colocado pelas autoras, o
enunciado “Qual o melhor programa de pós-graduação sobre gestão de informação
na área da região Sudeste no Brasil?” teria que refletir fielmente a intenção do
usuário, ou seja, o “melhor” programa de pós-graduação corresponde àquele que
possui melhor pontuação na Capes: melhor = mais pontos. Isto nos remete a uma
questão emblemática no campo da linguagem, pois poderíamos dizer: referente a
quê este programa de pós-graduação é melhor do que aquele? Se, em nossa lista
de programas, incluíssemos o item preço, por exemplo, qual seria o melhor preço?
Pensaríamos, inicialmente, no mais baixo, é claro. Mas, o usuário poderia ter como
referência a idéia de que “preço baixo” é igual a “ruim” e achar que o programa que
possui o preço mais alto é melhor.
Nesse sentido, mesmo se fizéssemos um roteiro analítico partindo do famoso
“Mito da Caverna” de Platão passando por von Humboldt até chegar a Peirce, Frege,
Saussure e Wittgenstein, apenas para citar alguns dos mais expressivos pensadores
da linguagem, talvez não chegássemos sequer próximos a um acordo ou conclusão
sobre a questão da referência, no exemplo discutido acima.
Portanto, parece-nos que este nível de profundidade não é o objetivo da web
semântica. Todo aporte teórico é necessário e indispensável para se chegar a um
mínimo de aplicabilidade, como nos demonstra Ingwersen (2002) em seus estudos
sobre cognição, no ambiente on line, o que já é um excepcional avanço para os
sistemas de recuperação da informação. Quando a máquina relacionar questões
como “melhor programa de pós-graduação” a mais “pontos” na Capes e a partir
disso realizar operações sem o comando humano, uma importante porta estará se
abrindo para os sistemas chamados “inteligentes”. Esta é uma possibilidade muito
próxima de se tornar realidade.

�12

3 O PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO E O AMBIENTE ON LINE: DESAFIOS DO
SABER-FAZER CONTEMPORÂNEOS
O Profissional da Informação (PI) trabalha com a informação em diferentes
contextos e formatos. No mundo contemporâneo, o contexto que se apresenta com
maior intensidade é o on line. Neste novo ambiente de circulação e consumo de
informação, o PI parece perder sua autoridade sobre a informação veiculada, ou
seja, sua capacidade de mediação não vai além dos sistemas de recuperação da
informação tradicionais. Ou seja, o usuário tem acesso direto às informações sem
necessitar de mediação humana, possuindo autonomia para pesquisar e acessar a
informação que achar mais relevante.
Muitos aspectos da SI transformaram nossa cultura, política e economia,
impondo, de certa forma, uma nova estrutura social. A internet surge como
paradigma em uma sociedade basicamente imediatista, porém, com uma diferença:
estamos aprendendo a entender e aceitar essa condição também como ambiente de
produção, desenvolvimento e divulgação de conhecimento.
Ao PI cabe a tarefa de se inserir neste novo contexto informacional. Esta não é
uma tarefa simples, pois os modelos de ambientes de informação tradicionais, aos
quais os PI estão habituados, possuem uma dinâmica bem diferente daqueles
encontrados no ambiente on line. Se o PI não precisa mais mediar a informação, se
o tratamento da informação no ambiente on line pode ser realizado por não
especialistas a partir de padrões pré-estabelecidos, qual seria a sua função? Como
dito anteriormente, nos ambientes de informação tradicionais as ferramentas e
técnicas de tratamento, representação e recuperação da informação são bem
sofisticadas e precisas se comparadas com o que ocorre na web. Assim,
entendemos que, uma das principais funções do PI é recriar, reconstruir e adaptar
seu conhecimento a um novo sistema que precisa tratar e recuperar as informações
nele contidas.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os SRI têm nos metadados sua principal ferramenta de organização da
informação. As linguagens de marcação como o XHTML, por exemplo, estão
agilizando o tratamento e o acesso às informações no ambiente virtual.

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Mesmo com o desenvolvimento de pesquisas rumo à instauração efetiva da
web semântica, aqui brevemente colocadas, percebemos que essa intenção ainda
está distante de se tornar real, por motivos relacionados ao tratamento da
linguagem.
Com efeito, os estudos cognitivos colocam a manipulação simbólica versus o
significado e a significação, como componentes-chave no processo de recuperação
de informação em um SRI. Além disso, devem ser consideradas as diferenças entre
o processamento dos computadores e a manipulação semântica do homem.
A relação interdisciplinar entre a Ciência da Informação, as Ciências
Cognitivas, a Lingüística e a Informática, como vimos, será a base do
desenvolvimento e da melhoria dos procedimentos tanto de organização quanto de
recuperação de informação no século XXI. Assim, é importante para o PI se inteirar
desses avanços, dentro de sua área de atuação, quanto aos estudos e perspectivas
que a tecnologia coloca para o trato com a informação virtual.

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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Documentação&#13;
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              <name>Description</name>
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              <name>Creator</name>
              <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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                  <text>UFBA</text>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <name>Title</name>
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              <elementText elementTextId="58532">
                <text>Metadados e sistemas de recuperação da informação on line: uma questão de semântica?</text>
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            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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              <elementText elementTextId="58533">
                <text>Loureiro, Mônica de Fátima; Francelin, Marivalde Moacir</text>
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            <name>Coverage</name>
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                <text>UFBA</text>
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            <description>An account of the resource</description>
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                <text>Problemas que interferem na comunicação humana mediada por computador, mais especificamente as pesquisas sobre a interação homem-máquina, são os grandes desafios que se apresentam à comunidade científica na contemporaneidade. Os sistemas especializados de informação das universidades, que incorporam ferramentas desenvolvidas com base em metadados, na perspectiva da WEB semântica, podem ilustrar esse problema. A mobilização interdisciplinar de campos como a filosofia, a lingüística, a neurociência e as ciências cognitivas, entre outras, aliada às tecnologias de informação, sugerem respostas para esses problemas, apontando também para novas formas de mediação da informação. Dessa forma, procura-se discutir, com base na literatura nacional e internacional da Ciência da Informação, o desenvolvimento conceitual do termo metadado, as principais linguagens de tratamento de dados e, principalmente, as questões semânticas presentes nos ambientes de recuperação da informação on line. As pesquisas contemporâneas indicam que a eficácia dos sistemas de informação depende da incorporação de um mínimo semântico que opere como a base do entendimento mútuo entre homem e máquina. Sistematiza-se, por fim, a importância deste tema para o profissional da informação que atua em ambientes de ensino e pesquisa, como também seus possíveis impactos no saber-fazer cotidiano.</text>
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                    <text>MÍDIAS DIGITAIS: COMO PRESERVAR, HIGIENIZAR E ARMAZENAR

Marina Mayumi Yamashita*
marina@bcq.usp.br
Fátima Aparecida Colombo Paletta *
fatima@bcq.usp.br

_______________________________
*UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO  USP
DIVISÃO DE BIBLIOTECA E DOCUMENTAÇÃO
DO CONJUNTO DAS QUÍMICAS - DBDCQ
Av. Prof. Lineu Prestes, 950 - Cidade Universitária
05315-970 - São Paulo - SP - Brasil
Fone: (0xx11) 3091-3859 - Fax: (0xx11) 3812-8194
http://www.bcq.usp.br

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RESUMO

Diz-se, hoje, que vivemos na Idade Mídia e um dos desafios desta época é a
preservação dos documentos digitais. A garantia ao acesso à informação.
armazenado nas mais diversas formas, só poderá ser dada se houver
preservação adequada  e é esta a abordagem do presente trabalho.
Temperatura, poluição, agentes físicos, mecânicos e químicos e obsolescência
são alguns dos obstáculos a serem transpostos na busca da integridade dos
documentos digitais. Expõem-se aqui os cuidados a serem tomados: como
manusear as mídias e as medidas de higienização cabíveis para seu adequado
armazenamento para garantir acesso à informação às gerações futuras é valor
agregado.

Palavras-chave: Mídias Digitais; Preservação digital; Documentos digitais;
Acesso à informação.

Tema Central: Acesso Livre à Informação Científica e Bibliotecas Universitárias.
Eixo-temático: As Bibliotecas Universitárias e a Produção do Conhecimento.
Sub-temas: A preservação do conhecimento e os arquivos digitais.

�3

1 INTRODUÇÃO

Instituições públicas, privadas e indivíduos produzem, cada vez mais, documentos
em formato digital. Textos, bases de dados, mensagens eletrônicas e imagens
fixas são alguns dos formatos e apresentações possíveis. Isto se deve,
principalmente, às facilidades dos meios e tecnologias de processamento,
transmissão, armazenamento e recuperação das informações, que diminuíram os
custos e intensificaram a eficiência dos processos de criação, troca e propagação
dessas informações.

Entretanto, como a informação em formato digital é extremamente suscetível à
degradação física e a obsolescência tecnológica  hardware, software e formatos.
A contrapartida das facilidades da informação digital é o desafio de assegurar sua
integridade e acessibilidade; isso tem provocado várias discussões sobre qual é a
melhor forma de garantir a longevidade das informações existente neste tipo de
suporte.

A preservação digital necessita de ações a serem incorporadas em todo o seu
ciclo de vida, a fim de que não haja perda e nem dano dos registros; somente
assim se garantirá que os documentos permanecerão, disponíveis, recuperáveis
pelo tempo necessário.

Este trabalho pretende contribuir, abordando a importância da preservação dos
documentos digitais, bem como os cuidados necessários ao manuseá-los, dando
sugestões e recomendações importantes para garantir o acesso da informação
pelas gerações atuais e futuras.
2 PRESERVAÇÃO DIGITAL

Conforme INNARELLI (2006), assim como na Era da Sociedade da Informação
nos traz uma facilidade imensa na geração de dados, informações e documentos,
o mesmo acontece com a perda destas informações, pois a humanidade ainda

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não tem prática e nem experiência para a memória eletrônica/digital. Memória que
está sendo perdida a cada dia em virtude da obsolescência das tecnologias e da
deterioração das mídias eletrônicas/digitais.

Segundo HENDSTRON (1996), entende-se como preservação o planejamento,
alocação de recursos e aplicação de métodos e tecnologias para assegurar que a
informação digital de valor contínuo permaneça acessível e utilizável.

Conforme MARCONDES (2005), é o conjunto de ações técnicas, gerenciais e
administrativas destinadas a manter a integridade e a acessibilidade de objetos
digitais de valor contínuo, pelo tempo que transcenda as mudanças tecnológicas.

De acordo com SANTANNA (2004), as ameaças que os documentos em suporte
não eletrônicos sofrem, atuam também sobre os documentos digitais. O papel se
acidifica, fica quebradiço com o passar dos anos. A informação, gravada na
superfície metálica magnetizada, pode também se tornar irrecuperável. A
temperatura, umidade e nível de poluição do ar devem ser controladas nos
ambientes de armazenamento das mídias digitais.

Independentemente do seu suporte físico, todos os tipos de documentos,
necessitam das mesmas estratégias de preservação.

3 ESTRATÉGIAS

A busca por estratégias de preservação digital requer alguns procedimentos como
utilização de mídias de alta qualidade, preservação da tecnologia (museus
tecnológicos), arqueologia digital, técnicas de backup, técnicas de migração,
rejuvenescimento e técnicas de autenticidade.

Quando se fala em preservação não se pode esquecer que, em primeira instância
a preocupação deve estar voltada para os cuidados que devemos ter ao

�5

manusear e armazenar corretamente este tipo de suporte, para que futuramente
essas informações possam ser lidas ou transportadas para um outro suporte.

De nada adianta ter-se software e hardware sofisticados se os suporte físicos
estão danificados. É esta a preocupação primordial.

Segundo MODESTO (2005), da mesma forma que o acervo de conhecimento
necessita de uma política de gestão para a sua preservação quanto ao uso, os
suportes físicos, especificamente os CDs e DVDs, precisam ser gerenciados
visando a continuidade do seu bom funcionamento e durabilidade de sua vida útil.

Aborda-se, neste trabalho somente os suportes físicos em CD e DVD. Isto não
quer dizer que não se deva, também, ignorar os outros, pois a preservação
envolve qualquer tipo de suporte físico.

4 OS VÁRIOS TIPOS DE SUPORTE

Segundo INNARELLI (2006), a discussão se o documento eletrônico é um
documento virtual está longe de ser encerrada, pois não há experiências ou
conceitos suficientes para tal definição, o que se sabe, com certeza, é que
qualquer documento eletrônico que está armazenado fisicamente em algum lugar,
seja em um suporte magnético, óptico ou óptico-magnético, a armazenagem dáse por símbolos binários (informação digital representada por bits).

4.1 SUPORTE MAGNÉTICO

O suporte magnético tem como princípio básico de funcionamento o magnetismo,
ou, seja a informação armazenada neste tipo de suporte é formada por cargas
positivas e negativas, que orientadas, representam os bits. Existem vários tipos
de suporte magnético, são eles: disco rígido, disquete e fita dat.

�6

Uma das características principais dos suportes magnéticos é que a informação
gravada pode ser modificada a qualquer momento, seja através do próprio
hardware ou de um campo magnético qualquer.

4.2 SUPORTE ÓPTICO

O suporte óptico pode ser gravado no processo de fabricação ou através do
gravador de CDs uma ou mais vezes, conforme será visto adiante.

Em termos de funcionamento os suportes ópticos são semelhantes aos discos
flexíveis (disquetes) ou rígidos (hard disks). A informação inserida nesses
suportes é gravada com tecnologia óptica, servindo tanto para escrita quanto para
leitura da informação.

Os suportes ópticos têm como principais vantagens o armazenamento de grandes
quantidades de informação, a facilidade de manuseamento e transporte, a
durabilidade e fidelidade dos mesmos.

Podemos considerar dois tipos de suportes ópticos:
•

Os CDs (compact disc) com as suas variantes  CD-R e CD-RW

•

Os DVDs (digital versatile disc)

4.2.1 CD é a abreviação de compact disc (disco compacto). É atualmente o mais
popular meio de armazenamento de dados digitais, principalmente musica
comercializada e software de computador, caso em que o CD recebe o nome de
CD-ROM.

4.2.2 CD-ROM foi desenvolvido em 1.985 e traduz-se aproximadamente em
língua portuguesa para Disco Compacto Apenas Leitura. O termo compacto devese ao seu pequeno tamanho para os padrões vigentes, quando do seu
lançamento, e apenas leitura deve-se ao fato de o seu conteúdo poder apenas ser

�7

lido, e nunca alterado. A gravação é feita pelo seu fabricante. Existem outros tipos
desses discos, como o CD-R e o CD-RW, que permitem ao usuário leigo fazer a
suas próprias gravações uma, ou várias vezes, respectivamente, caso possua o
hardware e software necessários.

É possível armazenar qualquer tipo de informação em CD-ROM, desde dados
genéricos, vídeo e áudio, ou mesmo conteúdo misto.

4.2.3 DVD significa Digital Versatile Disc (antes denominado Digital Video Disc).
Contém informações digitais, tendo uma maior capacidade de armazenamento
que o CD áudio ou CD-ROM, devido a uma tecnologia de compressão de dados.

4.2.3.1 DVD Gravável
Existem vários tipos de DVDs graváveis:
•

DVD-R e DVD+R: somente permitem uma gravação e podem ser lidos pela
maioria de leitores de DVDs.

•

DVD+R DL: semelhante ao DVD+R, mas que permite a gravação em dupla
camada (DL significa dual layer), aumentando a sua capacidade de
armazenamento.

•

DVD-RW: permite gravar e apagar cerca de mil vezes, oferecendo um
modo de montagem conhecido como VR.

•

DVD+RW: permite gravar e apagar cerca de mil vezes, podendo ser lido
pela maioria de leitores de DVD.

•

DVD-RAM: permite gravar e apagar mais de cem mil vezes, oferecendo a
possibilidade de gravação e leitura em simultâneo (time shift) sem o risco
de apagar a gravação. Compatível com poucos leitores de DVD.

Com a utilização da mais avançada tecnologia de som e imagem, os discos DVD
tornaram possível o armazenamento de uma quantidade de informações muito
superior à de um CD de áudio convencional. Por isso esses discos são mais
sensíveis a interferências, como riscos e manchas sobre a superfície gravada.

�8

5 RECOMENDAÇÕES DE MANUSEIO DE CDs E DVDs

Devemos tomar alguns cuidados ao manusear um CD ou DVD, tais como:
•

Manusear os discos pela borda ou pelo orifício do centro, evitando tocar na
superfície espelhada do disco (Fig.01).

•

Evitar sujeiras e matérias estranhas sobre o disco.

•

Abrir um pacote de discos graváveis apenas quando for usá-los.

•

Nunca utilizar discos que apresentam rachaduras ou cortes para evitar
danos ao aparelho.

•

Não deixar o CD exposto diretamente ao sol, em lugar quente ou úmido.

•

Colocar os discos nas caixas imediatamente após o uso.

•

Nunca deixar o CDs ou DVDs próximo aos alimentos, acidentes acontecem
(Fig.02).

6 RECOMENDAÇÕES DE ARMAZENAMENTO E ACONDICIONAMENTO

Para garantir a longevidade da mídia, deve haver preocupação com a forma
correta para armazenamento e acondicionamento. Podemos ressaltar os
seguintes cuidados:
•

Armazenar os discos em pé (na vertical, como os livros) em caixas
apropriadas para CD e DVD (Fig.03).

•

É fundamental utilizar tipos de mídias CD-R, CD e DVD de boa qualidade.

•

Armazenar os discos em um ambiente fresco, seco e escuro onde o ar seja
limpo.

•

Deixar sempre os discos em suas embalagens para evitar o efeito de
mudanças do ambiente.

•

Após o uso, guardar os discos em suas embalagens para evitar danos à
superfície gravada.

•

Sugestão de ambiente com temperatura entre 15ºC e 20ºC, com umidade
relativa do ar entre 20% e 40%.

•

Isenção de campos magnéticos.

�9

7 RECOMENDAÇÕES DE HIGIENIZAÇÃO DO CD OU DVD

Manchas e poeiras podem causar erros de leitura, que podem ser confundidos
com problemas no próprio disco ou aparelho. Portanto, ao notar algum tipo de
problema de reprodução, antes de qualquer outra ação, verifique se o disco está
sujo.

Ao tentar limpar um CD, sua superfície sempre será arranhada, mesmo
minimamente, por isso, deve-se limpá-lo só se houver uma necessidade real
(como problemas de acesso ao conteúdo). Conheça alguns procedimentos
básicos para a higienização:
•

Se o CD estiver sujo limpar usando um pano macio e seco ou algodão.

•

Ensaboar suas mãos com sabão neutro ou sabonete e, apenas com a
espuma, lavar o disco com suaves movimentos em linha reta, partindo do
centro para a borda. Não utilizar movimentos circulares.

•

Ao enxaguar o disco, continuar segurando-o pelas bordas.

•

Para secar, utilizar uma toalha de papel macio com movimentos em linha
reta, partindo do centro para a borda.

•

Nunca limpar no sentido circular do CD. O movimento correto é saindo do
centro para a borda em linha reta (Fig.04).

•

Nunca utilizar produtos químicos de limpeza, como benzina, tíner, álcool,
pois podem danificar a superfície.

•

Nunca limpar o CD ou DVD em sua roupa (Fig.05).

8 CONTRA-INDICAÇÕES AO MANUSEAR UM CD OU DVD

•

Tocar a superfície do disco (Fig.06).

•

Dobrar ou flexionar o disco.

•

Usar etiquetas adesivas na parte espelhada.

•

Armazenar discos horizontalmente por um longo tempo (alguns anos).

•

Abrir o pacote de discos graváveis caso não haja necessidade imediata de
usá-los.

�10

•

Expor discos a temperaturas abruptas ou umidade.

•

Escrever ou marcar a área de dados do disco (lado de leitura do leitor
óptico) (Fig.07).

•

Limpar girando o pano circularmente em torno do disco (Fig.08).

•

Arranhar o lado do rótulo do disco.

•

Usar canetas, lápis ou marcadores de ponta fina para escrever no disco.

•

Escrever no disco com canetas que tenham solventes.

•

Tirar ou reposicionar uma etiqueta adesiva ou rótulo (Fig.09).

•

Usar o secador de cabelo para soprar a sujeira ou remover qualquer
umidade da superfície do disco.

•

Colar qualquer tipo de adesivo na superfície gravada do disco.

•

Deixar o DVD/CD no drive por períodos prolongados.

•

Aumentar o orifício do centro do disco.

•

Guardar ou deixar num lugar quente.

•

Expor a superfície gravada de seu DVD/CD a uma luminosidade forte ou
a outras formas de luz ultravioleta.

9 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Foram apresentadas algumas recomendações e sugestões sobre a preservação
das mídias digitais. Porém, a preservação de documentos digitais muitas vezes
necessita de uma constante atualização de suporte e formato, além de estratégias
para possibilitar a recuperação das informações, que incluem a preservação da
plataforma de hardware e software em que foram criados.

Estas são algumas iniciativas que vem sendo tomadas, mas que não são ainda
respostas definitivas para o problema da preservação de longo prazo.

A preservação digital é um assunto complexo e recente e deve ser estudado de
forma interdisciplinar e institucional, cabendo aos profissionais da informação a
garantia da preservação e manutenção do documento digital.

�11

A importância de preservar e gerir a informação digital é clara no contexto atual. A
preocupação com a preservação está se tornando um assunto de interesse por
parte dos pesquisadores, governo, empresas públicas e privadas que dependem
cada vez mais dos documentos digitais para o exercício de suas atividades.

Estimular a inserção do tema preservação do patrimônio digital na formação dos
profissionais

da

tecnologia

da

informação,

especialmente

arquivistas,

bibliotecários e profissionais da ciência da computação, é um grande passo, pois
as universidades, grandes produtoras deste tipo de informação, não podem ficar
alheias a essa discussão. Há, ainda, a necessidade de desenvolver uma política
específica para o problema da preservação digital, bem como, legislação,
metodologias, padrões e protocolos que facilitem essa tarefa.

10 ABSTRACTS

Nowadays it is said that we are living in the Media Age and one of our great
challenges is the digital documents preservation. The correct access to this
material is only guaranteed by its adequate preservation. Temperature, pollution,
physical, mechanical and chemical agents, as well as obsolescence are some of
the difficulties to be settled. In this paper there are showed the cares to be taken,
how to handle the medias and the appropriate measures of hygienic cleaning for
its correct storage. To guarantee the access to information to the future generation
is added value.
Keywords: Digital Media; Digital Preservation; Digital Documents; Information to
the Access.

�12

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARELLANO, M. A. Preservação de documentos digitais. Ciência da Informação,
Brasília,

v.33,

n.

2,

p.

15-27,

maio/ago.

2004.

Disponível

em:

&lt;http://www.ibict.br/cienciadainformacao/viewarticle.php?id=343&amp;layout=abstract&gt;
. Acesso em: 20 jun. 2006.

HEDSTROM, M. Digital preservation needs and requirements in RGL. Disponível
em: &lt; http://www.rlg.org/preserv/digpress.pdf&gt;. Acesso em: 01 mar. 2006.
INNARELLI, H. C. Como fazer preservação de documentos digitais. São
Paulo: Arquivo do Estado, 2006.

INNARELLI, H. C.; SOLLERO, P. Preservação de documentos digitais:
metodologia prática para identificação de problemas físicos nas mídias de CDROM e CD-R. In : Congresso de Arquivologia do Mercosul, 6., Anais...Campos
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&lt;http://wnews.uol.com.br/site/colunas/materia.php?id_secao=9&amp;id_conteudo=184
&gt;. Acesso em: 02 jun. 2006.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Diz-se, hoje, que vivemos na Idade Mídia e um dos desafios desta época é a preservação dos documentos digitais. A garantia ao acesso à informação armazenada nas mais diversas formas, só poderá ser dada se houver preservação adequada  e é esta a abordagem do presente trabalho. Temperatura, poluição, agentes físicos, mecânicos e químicos e obsolescência são alguns dos obstáculos a serem transpostos na busca da integridade dos documentos digitais. Expõem-se aqui os cuidados a serem tomados: como manusear as mídias e as medidas de higienização cabíveis para seu adequado armazenamento para garantir acesso à informação às gerações futuras é valor agregado.</text>
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                    <text>MODOS DE UTILIZAÇÃO DA INTERNET E SUAS IMPLICAÇÕES NA VIDA
ACADÊMICA DOS ESTUDANTES DA FACULDADE DA PARAÍBA - FPB

*Alba Lígia de Almeida Silva

RESUMO

O presente estudo tem como objetivo observar e descrever os modos de
utilização da internet no ambiente acadêmico, avaliando suas implicações por
meio de formas de acesso, preferências e tipos de pesquisa, bem como outras
questões relevantes ao tema. A pesquisa, de caráter exploratório quantitativo, foi
realizada através de questionário composto por questões fechadas, aplicado aos
ingressantes dos cursos de Direito, Administração com Ênfase em Marketing e
Administração com Habilitação em Gestão das Organizações, da Faculdade da
Paraíba – FPB. Como resultado observou-se que a internet ainda é utilizada de
maneira inadequada por estes acadêmicos, no que se refere ao acesso a sites
exclusivamente de entretenimento, como bate-papo, jogos, compras, blogs, orkut
entre outros, o que tem influenciado para a não consulta a sites referentes à
pesquisa acadêmica e científica. Considera-se, portanto, que esta rede mundial
de computadores interligados, nem sempre, é acessada pelos alunos
pesquisados, como mais um suporte informacional para a produção do
conhecimento e sim como entretenimento na Faculdade.
Palavras-chave: Tecnologia da Informação; Internet; Pesquisa Virtual;
Entretenimento.

______________________________
*Bacharel em Biblioteconomia pela Universidade Federal da Paraíba - UFPB. Especialista em
Gestão de Unidades de Informação pelo Departamento de Biblioteconomia e Documentação da
UFPB. Gestora da Biblioteca da Faculdade da Paraíba – FPB.
alba-ligia@fpb.edu.br, albabibliotecaria@yahoo.com.br

�1 INTRODUÇÃO
A internet popularmente conhecida como rede mundial de computadores é
considerada como o meio de comunicação e informação instantânea fazendo com
que milhares de pessoas tenham acesso à informação desejada em tempo real.
Nesta rede, não há fronteiras geográficas, permitindo com isso a troca de
informação com pessoas ou organizações a qualquer momento e de qualquer
lugar do mundo, desde que se tenha um computador conectado à rede.
Gandelman (2001, p.177) define internet como sendo:
[...] uma vasta coleção de grandes e pequenos computadores
interligados em redes que se estendem pelo mundo inteiro [...]
qualquer pessoa com um computador e um modem pode acessar a
internet, obtendo sua participação com um provedor de acesso, ou
um conjunto com uma escola ou biblioteca. Qualquer pessoa
inscrita na internet pode colocar material disponível, da mesma
forma que qualquer outro participante pode acessá - lo.

De acordo com essa afirmativa, informações de todas as formas estão disponíveis
na internet para conhecimento das pessoas, da mesma forma, que podem ser
adquiridas, na maioria delas, livremente sem nenhum custo.

O surgimento desta rede se deu há algumas décadas como ressalta Santana
Filho (2005, p. 13) em suas anotações,
a origem da internet se deu nos anos de 1960 com o projeto do
governo americano chamado Arpanet [...] no final desta década a
internet era utilizada basicamente para troca de mensagens,
informações e arquivos entre pesquisadores, e ainda não era
permitida a sua utilização comercial. No início dos anos 90, o que
realmente impulsionou o crescimento da internet foi o surgimento
da teia de alcance mundial, a world wide web (www), que é uma
forma mais fácil de acessar as informações através de uma
interface gráfica, utilizando um aplicativo chamado navegador.

Assim, produtos e serviços foram criados para serem utilizados através da
Internet incrementando ainda mais a comunicação das informações, utilizando os
recursos tecnológicos, a fim de atingir o maior número de pessoas interligadas ao
mesmo tempo, através das redes que a compõem. A Internet revolucionou o

�processo de comunicação e informação, de maneira ampla, inovadora e
motivadora.
Não há como ocultar as inúmeras vantagens que a era tecnológica trouxe para a
sociedade de maneira geral. A utilização da Internet tem permitido uma redução
de tempo, possibilitando o envio de mensagens, instantâneas, transações
bancárias, pesquisas à bibliotecas virtuais e digitais do mundo inteiro, compras on
line, conversação em tempo real e muitas outras vantagens.
Desta forma, as tecnologias têm contribuído para a chamada sociedade da
informação, de maneira que as pessoas se distanciam dos processos tradicionais
e se inserem aos novos processos da era digital, acompanhando às mudanças do
mundo globalizado.

2 A INTERNET E SEUS IMPACTOS

Muitos são os conceitos elaborados para internet. Amaral (2004,p.38) define
internet como sendo “um sistema mundial de redes de computadores”. Baseado
neste conceito, a internet, hoje, é muito mais que uma grande rede, visto que
extrapola os limites tradicionais e geográficos, atingindo milhões de pessoas ao
mesmo tempo, formando uma imensa comunidade virtual, onde informações são
acessadas e trocadas a cada instante.

Com a internet, o processo de comunicação ganhou rapidez, permitindo o envio
de mensagens instantâneas entre grupos que estejam conectados à rede,
pesquisas on line, livros digitais entre outros. Esses avanços contribuíram para
uma inovação dos recursos informacionais, bem como o desenvolvimento
contínuo e tecnológico relacionados à comunicação e informação. Desta maneira,
a era tecnológica trouxe um leque de vantagens para a sociedade, mais
precisamente para a sociedade da informação.

Segundo Werthein (2000, p.72)

�as transformações em direção à sociedade da informação em
estágio avançado nos países industrializados, constituem uma
tendência dominante
mesmo
para
economias
menos
industrializadas e definem um novo paradigma, o da tecnologia da
informação, que expressa a essência da presente transformação
tecnológica em suas relações com a economia e a sociedade.

Assim, na sociedade atual, a informação se associa às novas tecnologias,
utilizando computadores, softwares, telecomunicações, internet e intranet,
transformando-se em suportes para a produção do conhecimento.
Para Baggio (2000, p.16) ”a Internet, uma das tendências das novas tecnologias,
começa a mudar o comportamento da sociedade, como foi com o telefone, o rádio
e a TV”. Concordando com o autor, a internet revolucionou todo o contexto da
sociedade da informação, principalmente ao que se refere à pesquisa científica e
acadêmica, proporcionando rapidez quanto ao acesso à informação, envolvendo
produtos e serviços atualizados, destacando-se como diferencial.

Inserida neste universo, a internet se destaca como elemento facilitador a
pesquisa acadêmica e científica, principalmente em Instituições de Ensino
Superior, proporcionando opções de buscas e informações de acordo com várias
áreas do conhecimento humano.

3 UTILIZAÇÃO DA INTERNET EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO
A Internet provocou grandes impactos em unidades de informação, no que se
refere às atividades de ensino e pesquisa e isso tem causado grandes alterações
no comportamento dos usuários, que têm encontrado neste universo virtual,
infinitas opções de produtos e serviços conforme suas necessidades.

Segundo Amaral (2004, p.64)
As unidades de informação são organizações que produzem
inúmeros produtos/serviços de informação para a sociedade
como fontes de informação, por um lado, devem ser capazes de
utilizar as mídias disponíveis para disseminar as informações de
acordo com o interesse de seus públicos [...]

�Diante deste contexto, as Instituições de Ensino Superior têm investido em
recursos tecnológicos possibilitando aos seus alunos, professores e funcionários
a realização de pesquisas, especificamente através das suas unidades de
informação ofertando com isso, informações atualizadas e em meios eletrônicos,
como bases de dados de periódicos eletrônicos; catálogos on line de bibliotecas;
comutação bibliográfica para solicitação de texto completo; listas de discussão e
fóruns eletrônicos (news), entre outros.

Assim sendo, Sampaio et al (2000, p.2) destaca que
O uso da Internet vem sendo norteado por políticas de uso, que
buscam, também, resguardar as instituições ou empresas de
questões legais, ou mesmo, controlar o uso desses recursos.
Essas políticas estão presentes tanto em ambientes empresariais
como no meio acadêmico e nas bibliotecas. A questão de
regulamentação do uso da Internet nas bibliotecas também tem
sido tema de ampla discussão, principalmente nos Estados
Unidos [...]

Neste sentido, as bibliotecas vêm fazendo um trabalho de sensibilização quanto
ao uso adequado da Internet neste ambiente, no sentido de não acessá-la para
outros fins que não sejam a pesquisa científica ou acadêmica. Evitando assim, o
acesso à sites de entretenimento como: jogos, bate-papo., envio de mensagens e
outros. Segundo Sampaio (2000, p. 3) cerca de metade das bibliotecas
acadêmicas de médio porte dos Estados Unidos, adota políticas escritas sobre o
uso da Internet.

4 OBJETIVOS

A pesquisa teve como objetivo geral observar os modos de utilização da internet
na vida acadêmica dos estudantes da Faculdade da Paraíba – FPB, bem como:

- Verificar o grau de utilização da internet pelos acadêmicos;

- Identificar as preferências e tipos de pesquisa;

�- Avaliar a influência da internet na vida acadêmica dos alunos da FPB.

5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Do ponto de vista dos objetivos, a metodologia utilizada foi uma pesquisa de
caráter quantitativo, realizada com uma população de 50 acadêmicos, onde foi
retirada uma amostra de 30 alunos ingressantes, divididos entre os cursos de
Direito, Administração em Marketing e Administração das Organizações da
Faculdade da Paraíba - FPB.
Buscou-se, neste estudo, descrever os modos de utilização da internet e suas
implicações na vida acadêmica dos alunos da FPB, bem como reflexões sobre o
tipo de acesso, pesquisa, entre outros, por estes acadêmicos.

6 ANÁLISE DOS RESULTADOS

Os dados relacionados no gráfico 1 caracterizam os sujeito pesquisados quanto a
variável “faixa etária”. Assim os dados revelam que 70% correspondem à idade de
18 a 26 anos, apontando assim, a predominância de alunos jovens na instituição.

7% 0%

23%

18 – 26
26 – 30
30 – 40
40 ou mais
70%

Gráfico 1 – Faixa etária
Fonte: Dados da pesquisa, 2006

�O gráfico 2, corresponde a quantidade de “alunos por curso e sexo”. Os dados
demonstram que 32% dos alunos pesquisados cursam Direito e são do sexo
masculino. Para o curso de Marketing tivemos um percentual de 20% para o sexo
feminino. Verificamos uma alta demanda para o curso de Direito e uma maior
predominância de alunos do sexo masculino nesta área. Apesar da inserção
feminina, ainda há uma forte presença masculina neste curso.

m
Adm Marketing
17%

f
17%

f
7%

Adm Marketing f
Adm Organização m

f
20%

m
Direito
32%

Adm Marketing m

Adm Organização f

m
Adm
Organização
7%

Direito m
Direito f

Gráfico 2 – Alunos por curso e sexo
Fonte: Dados da pesquisa, 2006

No gráfico 3, os dados evidenciam que a maioria dos sujeitos pesquisados é do
sexo masculino e do curso de Direito, totalizando um percentual de 38%. Esses
dados revelam que a maioria possui e utiliza esta ferramenta em suas
residências.

13%
23%
Marketing m
Marketing f
Empresas m
Empresas f
13%

38%

Direito m
Direito f

3%
10%

Gráfico 3 – Acesso à Internet em casa por curso e sexo
Fonte: Dados da pesquisa, 2006

�Verificamos no gráfico 4 que 53% dos pesquisados acessam diariamente a
Internet na biblioteca. Demonstrando, assim, que mesmo tendo acesso à Internet
em suas residências, ainda buscam a Internet na biblioteca com muita freqüência.

27%
diariamente
1 vez por semana
53%

várias vezes por semana

20%

Gráfico 4 – Acesso à Internet na biblioteca por freqüência
Fonte: Dados da pesquisa, 2006

No gráfico 5 temos que 43% dos sujeitos pesquisados acessam a Internet com
ambas finalidades: pesquisa e entretenimento. Portanto, em observação diária na
biblioteca, verifica-se que os sujeitos buscam a Internet com a finalidade de
entretenimento, principalmente consulta a sites de conversação.

35%

43%

Pesquisa
Entretenimento
ambos
22%

Gráfico 5 – Acesso à Internet por finalidade
Fonte: Dados da pesquisa, 2006

�Com relação ao acesso a Internet por tipo de pesquisa, o gráfico 6 revela que
45% dos sujeitos acessam sites relacionados à pesquisa acadêmica e os mesmos
percentuais, 21% são para e-mails e blogs, orkut etc. Estes dados surpreendem,
visto que não se percebe o uso com esta finalidade por parte dos sujeitos durante
suas consultas na Biblioteca.

orkut, blogs, etc
21%

jogos

45%
apenas e-mail
13%
0%

compras on-line

21%
sites de pesquisa
acadêmica

Gráfico 6 – Acesso à Internet por tipo de pesquisa
Fonte: Dados da pesquisa, 2006

No gráfico 7, indagados se a internet pode causar vício e 73% dos pesquisados
acham que sim. Este resultado evidencia que há uma opinião formada por estes
sujeitos, baseada em seu uso freqüente, de que a internet pode realmente causar
vício.

27%

sim
não

73%

Gráfico 7 – A Internet causa vício
Fonte: Dados da pesquisa, 2006

�No gráfico 8, ao perguntar se os sujeitos conhecem alguém viciado em internet,
tivemos como resultado um percentual de 67%, o que nos leva a pensar , que
esta ferramenta quando utilizada com muita freqüência pode causar vício

33%
sim
não
67%

Gráfico 8 – Conhece alguém viciado em Internet
Fonte: Dados da pesquisa, 2006

O gráfico 9 revela que 73% dos pesquisados demonstram que não se imaginam
sem Internet, visto que esta ferramenta se apresenta como indispensável no
contexto atual.

27%

sim
não

73%

Gráfico 9 – Você se imagina sem Internet
Fonte: Dados da pesquisa, 2006

�7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando a Internet como um universo em produtos, serviços e informação,
esta rede mundial de computadores interligados passou a fazer parte do cotidiano
das pessoas, principalmente no meio acadêmico.
Os resultados obtidos ao longo da pesquisa revelam que a Internet é utilizada
com bastante freqüência pelos acadêmicos pesquisados tanto em suas
residências quanto na biblioteca.
Apesar dos resultados revelarem que os sujeitos utilizam a Internet para fins de
pesquisa acadêmica, a observação diária aponta para um outro tipo de utilização
desta ferramenta na Biblioteca, que é o acesso a sites de entretenimentos como
sites de conversação, compras on line, jogos, orkut entre outros. Temos ainda
que a Internet quando utilizada com muita freqüência pode causar vício, sendo
diagnosticado quanto à freqüência e tempo reservado para o acesso à internet.
De acordo com a análise realizada, os dados apontam que a Internet, nem
sempre, é acessada pelos alunos pesquisados, como mais um suporte
informacional para a produção do conhecimento e sim como entretenimento na
Faculdade.
Em termos de estratégias, objetivando sensibilizar a comunidade acadêmica
quanto ao uso adequado da Internet na biblioteca, sugerimos: o bloqueio mais
eficaz à sites de entretenimento; o desenvolvimento de ações a fim de sensibilizar
a comunidade acadêmica para o uso adequado da Internet no âmbito da
instituição; divulgar as assinaturas de periódicos eletrônicos existentes na
biblioteca e sua importância para a construção do conhecimento.

ABSTRACT
The present work has like objective observes and describes utilization ways of the
internet in academic ambient, evaluating its implications for ways of access,
preferences, research types and other relevant questions. The research has
exploratory and quantitative character and was achievement through a questioner
composed of objective questions applied for entered in the courses of Law,
Management with emphasize in Marketing and Management with Habilitation in
Organization Administration, of the Faculdade da Paraíba – FPB. Like result was
observed that the internet still has uses in inadequate way for these academic

�students, principally in access exclusively of entertainment sites, like chats,
games, shopping, blogs, orkut, and others, it has influence because the
researches referents to academic life is not important. In consideration, the
internet, not even is accessed by the students like an informational support to
knowledge production but like an entertainment at the university.
Key-words: nformation technology; Internet; Virtual research; Entertainment.
REFERÊNCIAS
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promoção. Campo Grande: UNIDERP, 2004.
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http://www.fae.edu/publicacoes/pdf/IIseminario/organizacoes/organiacoes_09.pdf.
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WERTHEIN, Jorge. A sociedade da informação e seus desafios. Ciência da
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Modos de utilização da internet e suas implicações na vida acadêmica dos estudantes da Faculdade da Paraíba- FPB.</text>
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                <text>O presente estudo tem como objetivo observar e descrever os modos de utilização da internet no ambiente acadêmico, avaliando suas implicações por meio de formas de acesso, preferências e tipos de pesquisa, bem como outras questões relevantes ao tema. A pesquisa, de caráter exploratório quantitativo, foi realizada através de questionário composto por questões fechadas, aplicado aos ingressantes dos cursos de Direito, Administração com Ênfase em Marketing e Administração com Habilitação em Gestão das Organizações, da Faculdade da Paraíba – FPB. Como resultado observou-se que a internet ainda é utilizada de maneira inadequada por estes acadêmicos, no que se refere ao acesso a sites exclusivamente de entretenimento, como bate-papo, jogos, compras, blogs, orkut entre outros, o que tem influenciado para a não consulta a sites referentes à pesquisa acadêmica e científica. Considera-se, portanto, que esta rede mundial de computadores interligados, nem sempre, é acessada pelos alunos pesquisados, como mais um suporte informacional para a produção do conhecimento e sim como entretenimento na Faculdade.</text>
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Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>As dificuldades enfrentadaspelos usuários na utilizaçao da NBR 6023 ( a norma para elaboração de referências) motivou a construção de uma ferramenta gratuíta e on-line, que pudesse auxiliar alunos, professores e demais usuários,  na tarefa de elaborar e organizar as referências. Atendendo aos parâmetros da acessibilidade digital W3C, seu caráter multidisciplinar a inovador a torna única no Brasil, o que faz desta ferramenta um projeto prioritário para seuis autores. Baseada na NBR6023/2002, a norma para elaboração de referências publicada pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), o MORE não objetiva substituí-la, mas tão somente ser um instrumento auxiliar para elaboração de referências. Um resumo de sua arquitetura, sua funcionalidade e alguns exemplios de uso são aqui expostos. </text>
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                    <text>MUDANÇA DE SOFTWARE EM UMA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA:
RELATO DE EXPERIÊNCIA

Roberth de Oliveira Corgosinho
Analista trainee
e-mail: bobh@uniformg.edu.br
Virginia Alves Vaz
Bibliotecária/especialista
e-mail: vxbiblio@uniformg.edu.br
Centro Universitário de Formiga – UNIFOR-MG
Av. Dr. Arnaldo de Senna, 328 – Água Vermelha
35570-000 – Formiga – MG - Brasil
www.uniformg.edu.br
uniformg@uniformg.edu.br

RESUMO:
Relato de experiência do processo de implantação e adaptação do sistema GNUTECA em
uma biblioteca universitária. O GNUTECA é distribuído sob licença CC-GNU GPL (Creative
Commons General Public License – Licença Geral Pública – da Free Software Foundation).
Apresenta as condições de trabalho da Biblioteca Ângela Vaz Leão, do Centro Universitário
de Formiga (UNIFOR-MG), seus recursos e o motivo pelo qual se buscou uma solução
baseada em software livre no processo de reinformatização. Descreve o processo de
implantação, desde a instalação do sistema até a migração da base de dados e o início das
atividades. Demonstra o que foi necessário corrigir e as adaptações realizadas para que o
sistema se adequasse ao cenário onde ele seria introduzido, tais como: a criação de um
módulo para impressão de etiquetas de lombada com código de barras, desenvolvimento de
um módulo para realização do inventário, a disponibilização de relatórios diversos para
extração de informações (como o relatório padrão MEC), a correção dos módulos de
empréstimo/devolução e do módulo de reservas. Conclui expondo os resultados alcançados
e os benefícios que a utilização de um sistema baseado em software livre oferece,
mostrando que a aplicação deste tipo de sistema se torna viável principalmente no tocante à
relação custo x benefício.

�PALAVRAS-CHAVE: Automação de bibliotecas; GNUTECA; Software livre; Software
para bibliotecas.
1 INTRODUÇÃO

A mudança de software em uma unidade de informação é tarefa complexa, que
envolve muito estudo e planejamento, além de profundo conhecimento e
compreensão da organização da qual faz parte. Cada caso é único, pois as
instituições têm características próprias que diversificam as necessidades e
perspectivas de suas bibliotecas. Mas a observação de outras organizações e a troca
de experiências, podem ajudar na tomada de decisão, diante das várias opções de
softwares para automação existentes no mercado nacional.

Para Côrte et al (2002, p.11) as “experiências profissionais podem e devem ser
compartilhadas, uma vez que possibilitam a compreensão de um fato, mesmo sem
ter sido vivenciado” e inspirados por esta afirmação, decidimos relatar nossa
experiência de troca de software na Biblioteca Central Ângela Vaz Leão, do Centro
Universitário de Formiga-UNIFOR-MG. Nosso intuito é encorajar a utilização de
software livre pela comunidade bibliotecária.

A Biblioteca Central Ângela Vaz Leão está subordinada à Pró-Reitoria de Apoio
Acadêmico, Pesquisa e Pós-Graduação e atende toda a comunidade acadêmica graduação, pós-graduação, ensino fundamental e médio e também pessoas da
comunidade externa. No final de 2005 seu acervo contava com 39.717 livros, 8.519
exemplares de periódicos, além de fitas de vídeo, CD-Rom, DVD, mapas, atlas e
cartas geográficas.

Durante mais de vinte anos o UNIFOR-MG ofereceu somente oito cursos de
licenciatura e o bacharelado em Biblioteconomia. Em 1997 dois novos cursos foram
implantados e a partir daí iniciou-se um considerável crescimento da instituição, que
hoje conta com 25 cursos de graduação e 20 de pós-graduação em nível de
especialização.

�Disposto a oferecer sempre qualidade na prestação de serviços, o UNIFOR-MG
procurou acompanhar as evoluções tecnológicas, e informatizou a biblioteca em
meados da década de 80. Acompanhando o cenário bibliotecário do país, que
apontava para a participação em redes de cooperação, em 1986 a biblioteca
associou-se à Rede Bibliodata, coordenada pela Fundação Getúlio Vargas/RJ. Esta
Rede foi uma experiência pioneira no Brasil, de catalogação cooperativa e por muitos
anos atendeu às expectativas do serviço técnico na biblioteca.

Porém, o crescimento da instituição, o surgimento de novas tecnologias e o aumento
da demanda por informações e novos serviços, fizeram com que a biblioteca
buscasse alternativas para racionalizar os serviços, minimizar custos e agilizar a
recuperação da informação. Naquele momento eram utilizados quatro softwares
diferentes para o gerenciamento dos serviços na biblioteca: um para a circulação de
material (empréstimo e devolução), outro para o registro (tombo), o Micro-Isis para a
indexação e recuperação da informação e ainda o da catalogação cooperativa. Isso
tornava o serviço repetitivo, moroso, caro e não possibilitava uma eficiente
recuperação da informação.

Consciente de que o processo de transmissão do conhecimento é considerado um
dos principais fatores para a melhoria da qualidade do ensino, influenciando
diretamente na formação de profissionais e no desenvolvimento da pesquisa, a
equipe da biblioteca iniciou, em 2003, a procura por uma solução que agilizasse os
processos técnicos e proporcionasse melhoria no atendimento às necessidades dos
usuários. Novas ferramentas tecnológicas se faziam imprescindíveis e urgentes na
Biblioteca Ângela Vaz Leão.

2 PORQUE SOFTWARE LIVRE

Em 1984 começou o movimento pelo software livre, com a criação, por Richard
Stallman, do Projeto GNU. A sigla é uma brincadeira que vem de “GNU is Not Unix”

�(GNU não é Unix), para que as pessoas não confundissem o novo sistema com um
anterior, o Unix, que também era um sistema aberto.

O propósito de Stallman era desenvolver programas que não tivessem proprietários,
onde os usuários tivessem liberdade de modificar os programas e ajustá-los às suas
necessidades, com a liberdade também de compartilhar softwares. O movimento
nasceu com esse objetivo filosófico: ajudar as pessoas, visando à liberdade. Ele
questiona o sistema proprietário que, ao impedir que as pessoas compartilhem seus
programas, age de forma anti-social.

O GNU acabou se ajustando com outro sistema – Linux, gerando o GNU/Linux, que
está difundido por todo o mundo, conhecido apenas como Linux.

O termo “software livre” (free software) não deve ser confundido com “software
grátis”, pois a questão não é o preço, mas a liberdade. É claro que sempre haverá
economia para quem aderir ao movimento, mas o importante é que o usuário pessoa
física, empresa privada ou órgão do Governo, tenha liberdade sobre os programas.

Um software é livre quando:
1- o usuário tem liberdade para executar o programa com qualquer propósito;
2- o usuário tem liberdade de estudar o programa e de modificá-lo, adaptando-o às
suas necessidades - para isso o usuário tem acesso ao código fonte;
3- o usuário tem liberdade para redistribuir cópias, seja gratuitamente ou cobrando
por isso;
4- o usuário tem liberdade para distribuir versões modificadas, melhoradas, do
programa de modo que a comunidade possa se beneficiar com as melhorias.

A liberdade proposta é radical. O usuário tem liberdade para fazer modificações
particulares porque há autorização para isso. Não importa se o usuário comprou o
programa ou pegou cópia de um amigo, se é software livre o usuário sempre terá
liberdade de copiar, modificar e passar para os outros, só não podendo colocar no

�programa códigos que fechem seu acesso. Qualquer coisa somada ou combinada
com um programa livre deve ser tal que a versão total também continue livre.

A opção do UNIFOR-MG pelo software livre se baseou principalmente em dois
argumentos: a redução de custos e a possibilidade de modificar o sistema para
adaptação ao contexto em que ele seria inserido. A redução de custos acontece por
não haver encargos na aquisição do software, na implantação e no treinamento. As
adaptações realizadas também influenciaram na redução de custos, uma vez que ao
utilizar um sistema livre temos acesso ao seu código fonte, o que torna possível
realizar adaptações sem a interferência de terceiros.
3 PRIMEIROS PASSOS

A equipe da biblioteca buscou através de pesquisa na literatura, em visitas técnicas
a outras bibliotecas e participação em eventos da área, conhecer os softwares
existentes no mercado e os critérios a serem observados para aquisição e
implantação de um sistema de automação

em unidades de informação. O

documento elaborado ao final deste estudo apresentou quatro opções de softwares
disponíveis no mercado nacional, que se adequavam ao perfil da biblioteca do
UNIFOR-MG.

O cenário em que estão inseridas as instituições de ensino particular brasileiras,
apresenta uma condição peculiar, com perspectivas pouco otimistas, acompanhando
a situação social e econômica do país. Também naquele momento, a situação
financeira da instituição não permitia o investimento necessário a curto e médio
prazo, para a aquisição de um software proprietário.

A solução surgiu quando um aluno, concluinte do Curso de Ciência da Computação,
realizou seu TCC-Trabalho de Conclusão de Curso, sobre o Gnuteca – um sistema
livre de gestão de acervos. Este aluno, que é também funcionário do UNIFOR-MG,
direcionou sua pesquisa e desenvolveu seu trabalho focalizado na biblioteca central.

�O Gnuteca é um sistema para automação de todos os processos de uma biblioteca,
independente do tamanho de seu acervo ou da quantidade de usuários. Foi
desenvolvido com critérios definidos e validados por um grupo de bibliotecários e
tendo como base de testes uma biblioteca real, no Centro Universitário Univates, em
Lajeado-RS, onde está em produção desde fevereiro de 2002. Sua linha de
desenvolvimento pretende tornar o sistema abrangente e genérico, possibilitando ao
programa moldar-se às realidades de diferentes bibliotecas. Atualmente o Gnuteca é
mantido pela SOLIS-Cooperativa de Soluções Livres.

Depois de muitos questionamentos, troca de informações e de apresentações de
resultados parciais, o Gnuteca foi implantado para um período de testes e avaliação.
Não sem alguma resistência por parte da equipe da biblioteca, que não acreditou em
um software livre que mostrava a necessidade de muito trabalho de desenvolvimento
para suprir as carências de serviços e processos existentes. Causava apreensão e
insegurança a constatação de que para se obter sucesso com este sistema, deveria
haver a dedicação integral de funcionários do Departamento de Informática, o que
traria custos elevados para a implantação do sistema.
4 IMPLANTANDO O GNUTECA

O Gnuteca foi implantado com o processo natural de instalação do sistema, seguido
da migração da base de dados da Rede Bibliodata, que se encontrava no formato
MARC. Essa migração da base teve o auxílio da Fundação Getúlio Vargas e da
UNIVATES, nas pessoas do Vice-coordenador da Rede Bibliodata Edwin Hubner e
de João Alex Fritsch da UNIVATES. A partir da implantação foi realizada a instalação
do módulo de empréstimo e devolução nos terminais do balcão de empréstimo. O
módulo de catalogação não necessitou de instalações adicionais, uma vez que ele é
um sistema Web e pode ser acessado através de qualquer navegador.

�Colocado em funcionamento com os equipamentos já existentes na biblioteca,
testou-se primeiro o módulo empréstimo e devolução, por trinta dias. Este módulo foi
aprovado rapidamente, pois oferecia maior controle na circulação de materiais do
que o software utilizado anteriormente.

O Gnuteca foi testado durante cinco meses no processo de catalogação de livros,
quando ocorreu a adaptação da planilha de entrada de dados, adequando-a às reais
necessidades da biblioteca. Nessa etapa, viu-se a necessidade de realizar várias
modificações no sistema, principalmente na parte de catalogação, buscando a
adequação aos processos da biblioteca. Houve também a necessidade de
desenvolver relatórios diversos para a extração de informações, uma vez que só era
possível realizar cinco tipos de pesquisas com demonstração apenas em vídeo (não
impresso): pesquisa simples e pesquisa multicampo, apresentadas no formato
MARC e na forma detalhada e a opção percorrer índices.

A equipe da biblioteca recebeu treinamento oferecido pelo Departamento de
Informática e elaborou os manuais de procedimentos para operações no Sistema
Gnuteca. Após um ano de uso efetivo, foi colocado em funcionamento a reserva de
material.

Após o período de testes iniciou-se o processo de atualização dos equipamentos de
informática,

trocando-se

as

duas

máquinas

existentes

no

balcão

de

empréstimo/devolução, acrescentando-se uma outra exclusiva para a devolução.
Foram adquiridos dois leitores de código de barras de mão e dois teclados numéricos
USB utilizados na digitação das senhas dos usuários. Disponibilizaram-se três
máquinas dedicadas para a consulta ao acervo e o servidor existente foi substituído
por outro com maior capacidade de armazenamento, processamento e memória.

�5 ADEQUANDO O SISTEMA

A primeira modificação foi feita no módulo de empréstimo e devolução, alterando a
forma de cálculo do prazo de empréstimo. Adequando-se às normas da biblioteca, o
sistema passou a considerar o sábado como dia letivo, calculando a data de
devolução para o primeiro dia letivo subseqüente a domingos e feriados.

O UNIFOR-MG já possuía outros setores informatizados, então surgiu a necessidade
de integrar o Gnuteca aos Sistemas Acadêmico e de Folha de Pagamento, para
alimentar a base de dados de usuários.

Como o novo sistema não possibilitava a extração de informações, foram
desenvolvidos diversos relatórios que apóiam os processos internos: estatísticas de
circulação de material, relatório padrão MEC e outros.

Foi feita uma modificação na recuperação da informação, pelo Gnuteca,
adicionando-se diversos campos MARC que originalmente o sistema não
recuperava. Por exemplo: os seguintes campos e subcampos: 110 (Entrada principal
– Nome corporativo), 111 (Entrada principal – Nome de evento), 130 (Entrada
principal – Título uniforme), 245-b (subtítulo), 700 (Entrada secundária – Nome
pessoal), 710 (Entrada secundária – Nome corporativo), 711 (Entrada secundária –
Nome de evento), 720 (Entrada secundária – Nome não controlado), 752 (Entrada
secundária – Nome hierárquico de lugar) e 949-a (número de registro do exemplar).

Um grande passo foi o desenvolvimento da impressão de etiquetas de lombada,
contendo o número de chamada e o código de barras. Este foi um avanço
significativo para o processamento técnico na biblioteca, pois tornou possível a
incorporação de novos itens ao acervo com mais rapidez.

A pedido da equipe da Biblioteca foi desenvolvido um módulo para a realização do
inventário, que foi testado em parte do acervo, em dezembro de 2004.

�Acompanhando as evoluções tecnológicas, o módulo foi aperfeiçoado, possibilitando
a utilização de um Palmtop com leitor de código de barras, substituindo o modelo
usado anteriormente, que era composto por um computador com leitor de código de
barras de mão.

A reserva de material não funcionava na versão utilizada (1.4). Vários problemas
estavam acontecendo:
a reserva vencia e o sistema não baixava o material;
a reserva era atendida, mas o material continuava como reservado;
ao invés de reservar a obra, reservava o exemplar;
quando o usuário fazia a reserva de um material disponível, o sistema não
atribuía uma data limite, ficando o material reservado por tempo indeterminado.
quando o usuário cancelava a reserva o sistema não a cancelava, mas
considerava que ela tinha vencido.

Por todas estas falhas, podemos dizer que a funcionalidade da reserva foi
praticamente reescrita, corrigindo-se as falhas citadas acima.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Tão importante quanto a presença de um profissional de informática no trabalho de
desenvolvimento e ajustes do sistema às necessidades e expectativas da biblioteca,
é a sua disposição em conhecer e entender um pouco dos padrões e normas
utilizados para a organização da informação. O diálogo entre bibliotecários e este
profissional deve ser direto e constante.

A resistência da equipe da biblioteca foi sendo quebrada aos poucos, à medida que
as modificações iam melhorando a funcionalidade do sistema. Percebeu-se também
que

havia

disposição

do

Departamento

de

Informática

desenvolvimento do Gnuteca, suprindo as carências verificadas.

em

investir

no

�O impacto causado nos processos internos e na prestação de serviços à comunidade
usuária possibilitou o desenvolvimento de novos projetos e a diversificação dos
serviços oferecidos. O resultado verificado após um ano de trabalho, de avaliação,
de testes e de alterações pode ser medido pelo desempenho profissional daqueles
que lidam diretamente com o Gnuteca no dia-a-dia. A satisfação de ter contribuído
para o sucesso de todo o processo de implantação de um software livre, fez com que
os bibliotecários assumissem nova postura profissional, vislumbrando o lado social
da profissão sem esquecer as novas possibilidades tecnológicas.

O contato direto com um software livre leva a uma reflexão sobre o fazer
bibliotecário, retomando o cunho social da profissão, que anda um pouco esquecido.
Também a própria filosofia de software livre incentiva a troca de informações, as
parcerias e a conseqüente diminuição de custos.

Apesar de todos os obstáculos, a utilização de sistemas baseados no modelo de
software livre, se torna viável desde que se tenha pessoas capacitadas para ajustar o
sistema à realidade em que ele será empregado. A relação custo X benefício
apresenta um saldo positivo, quando se verifica que não houve necessidade de
gastos adicionais com o sistema e para sua implantação. O único custo que se
contabilizou foi com salários do funcionário que desenvolveu o trabalho de conclusão
de curso sobre o Gnuteca.

Porém, a dedicação de um analista é necessária para qualquer projeto de
informatização ou reinformatização em unidades de informação. Por isso, pode-se
dizer que o custo de implantação do Gnuteca no UNIFOR-MG foi zero.

Segundo Dziekaniak, “avaliar as necessidades dos usuários e se auto-avaliar são
práticas que devem sempre estar presentes na atuação de um bibliotecário engajado
com a superação e otimização de seus serviços para o crescimento evolutivo na sua
área.” Isso nos leva a afirmar que muito ainda há para ser feito no sistema Gnuteca
implantado na Biblioteca Ângela Vaz Leão.

�Dentre as implementações a serem feitas futuramente podemos citar:
a) melhorias na recuperação da informação;
b) liberação do acesso extra-campus via Internet;
c) melhor controle do cadastro de exemplares;
d) possibilidade de exibir dados em formato de referência conforme a NBR
6023/ABNT;
e) desenvolvimento de um módulo para controle de periódicos;
f) inclusão de um Vocabulário Controlado e do MARC Autoridade;
g) criação de uma Rede de Cooperação entre usuários do Gnuteca;
h) criação de mecanismo de comunicação Gnuteca/usuário;
i) impressão de recibos.

Todas estas implementações serão colocadas em prática à medida em que o
UNIFOR-MG e/ou a comunidade possibilitar recursos humanos e financeiros para
esse fim.

7 REFERÊNCIAS

COOPERATIVA de Soluções Livres-SOLIS. Cooperativa de serviços que implementa
e desenvolve soluções tecnológicas livres para os mais variados setores da
sociedade. Disponível em: &lt;http://www.solis.coop.br&gt;. Acesso em 15 fev. 2006.
CORGOSINHO, R. O. Estudo e implantação do Gnuteca: sistema para gerência
de bibliotecas. Formiga: UNIFOR-MG, 2004. Trabalho de graduação.
CÔRTE, A. R. et al. Avaliação de softwares para bibliotecas e arquivos: uma
visão do cenário nacional. 2.ed. rev. e ampl. São Paulo: Polis, 2002.
DZIEKANIAK, G. V. Participação do bibliotecário na criação e planejamento de
projetos de softwares: o envolvimento com a tecnologia da informação. Revista
Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v.2, n.1, jul/dez.
2004. Disponível em: &lt;http://server01.bc.unicamp.br/seer/ojs/viewarticle.php?id=24&gt;. Acesso
em: 14 nov. 2005.
MARC 21: formato condensado para dados bibliográficos. Marília: UNESP, 2000. v.1.

�REDE Bibliodata. Mantém um catálogo coletivo da rede e compartilha serviços e
recursos entre as instituições participantes. Disponível em:
&lt;http://www2.fgv.br/bibliodata&gt;. Acesso em 10 fev. 2006.
UNIVATES Centro Universitário. Disponível em: &lt;http://www.univates.br&gt;. Acesso em 15
fev. 2006.

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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Relato de experiência do processo de implantação e adaptação do sistema GNUTECA em uma biblioteca universitária. O GNUTECA é distribuído sob licença CC-GNU GPL (Creative Commons General Public License – Licença Geral Pública – da Free Software Foundation). Apresenta as condições de trabalho da Biblioteca Ângela Vaz Leão, do Centro Universitário de Formiga (UNIFOR-MG), seus recursos e o motivo pelo qual se buscou uma solução baseada em software livre no processo de reinformatização. Descreve o processo de implantação, desde a instalação do sistema até a migração da base de dados e o início das atividades. Demonstra o que foi necessário corrigir e as adaptações realizadas para que o sistema se adequasse ao cenário onde ele seria introduzido, tais como: a criação de um módulo para impressão de etiquetas de lombada com código de barras, desenvolvimento de um módulo para realização do inventário, a disponibilização de relatórios diversos para extração de informações (como o relatório padrão MEC), a correção dos módulos de empréstimo/devolução e do módulo de reservas. Conclui expondo os resultados alcançados e os benefícios que a utilização de um sistema baseado em software livre oferece, mostrando que a aplicação deste tipo de sistema se torna viável principalmente no tocante à relação custo x benefício.</text>
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                    <text>MUDANÇAS E TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS A PARTIR DA
INCLUSÃO DIGITAL
Eliana Maria Garcia∗
Silvia Maria Zinsly ∗∗
Márcia Regina Migliorato Saad ∗∗∗
RESUMO
A mudança social atinge todos os setores da sociedade (empresas, escolas,
órgãos públicos, comércios, instituições governamentais, não governamentais, e
comunidades de bairro). A inclusão digital nas escolas da rede pública ainda não
é uma realidade. Objetivando a socialização das tecnologias disponíveis e
cumprindo a política básica da instituição ao compromisso com a comunidade
vizinha, a biblioteca da ESALQ/USP convidou os alunos de uma escola pública
para a utilização e compartilhamento de seus micros conectados à Internet com a
finalidade de orientação e elaboração de pesquisas. O projeto denominado “Adote
uma escola” tem como finalidade conscientizar os estudantes sobre a importância
das modernas tecnologias de informação para o conhecimento. A informática é a
nova linguagem da humanidade agora aplicada diretamente à educação, como
um novo modelo pedagógico capaz de superar a crise em que se encontra o
sistema de ensino, e trazendo as soluções para problemas que para muitos
parecem pertinentes ao ato de ensinar. Assim, torna-se necessário apreender a
prática levada a efeito pelas redes de ensino e o modo como seus agentes a
interpretam, na medida em que um paradigma não se constitui a revelia daqueles
que vivenciam a questão no seu cotidiano.
Palavras-chave: Inclusão Digital. Transferência de Informação. Escola Pública.
Ensino. Informática na Educação.

∗
Bibliotecária Chefe – Seção de Referência
Universidade de São Paulo / Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” / Divisão de Biblioteca e Documentação
Av. Pádua Dias, 11 – Caixa Postal 09 – Piracicaba – SP – Brasil
E-mail: emgarcia@esalq.usp.br

∗∗

Bibliotecária – Seção de Referência
Universidade de São Paulo / Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” / Divisão de Biblioteca e Documentação
Av. Pádua Dias, 11 – Caixa Postal 09 – Piracicaba – SP – Brasil
E-mail: smzinsly@esalq.usp.br
∗∗∗

Diretora
Universidade de São Paulo / Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” / Divisão de Biblioteca e Documentação
Av. Pádua Dias, 11 – Caixa Postal 09 – Piracicaba – SP – Brasil
E-mail: mrmsaad@esalq.usp.br

1

�1 INTRODUÇÃO
A Biblioteca tem como missão formar cidadãos para a sociedade e ser
reconhecida como tal. Para tanto os organismos sociais, escolas e bibliotecas
devem assumir um papel responsável na criação deste processo, facilitando a
todos o acesso à informação. Não tem como formar cidadãos sem capacitá-los e
ou inseri-los no mundo globalizado e informatizado.
É neste contexto que o profissional da informação tem um papel
fundamental, formando o indivíduo na sociedade por meio da leitura, da escrita e
da tecnologia (BARROS, 2005).
A mudança social atinge todos os setores da sociedade: empresas, órgãos
públicos, comércios, organizações governamentais, não governamentais e
comunidades de bairro, com ou sem eficácia (BARROS, 2005).
A sociedade hoje em dia é comandada cada vez mais pela informação e
pelo acesso a esta mesma informação. A incidência destas informações
tecnológicas sobre o saber deve ser considerável, ela é ou será afetada em suas
principais funções: a pesquisa e a transmissão do conhecimento, isto é fazer valer
de estratégias bem arrojadas para agregar conhecimento para que haja inovação,
competição no mercado e eficiência nos serviços e produtos oferecidos.
O bibliotecário ou profissional da informação tem competência que
ultrapassa os conhecimentos da ciência, mostrando-se assim um agente
multiplicador ou de intervenção social, na democratização da informação, no qual
o cidadão tem direito ao à informação, antes restrita apenas ao um grupo seleto
de pesquisadores das universidades no país.
Para o enriquecimento cultural e intelectual não basta apenas a leitura e a
escrita, mas a oportunidade de acesso à informação que está totalmente
globalizada. Isto faz com que não só os educadores, mas principalmente o
bibliotecário

tem

consciência

de

sua

responsabilidade

social

enquanto

fornecedores de informação.
A informação e o incentivo ao uso da biblioteca são transmitidos de forma
superficial nas bibliotecas públicas e escolares, pouco contribuindo para a
formação das crianças e dos jovens. Essas bibliotecas têm várias deficiências tais
como: acervo desatualizado, equipes não treinadas e principalmente pouco

2

�comprometidas com programas de incentivo e orientação para o uso das
bibliotecas.
Por outro lado, as bibliotecas universitárias apresentam um outro cenário,
uma vez que estando associadas à pesquisa e ao ensino, recebem muito mais
investimentos públicos em infra-estrutura, acervo e pessoal especializado, pois
trabalham com a elite da educação no país, responsável pela geração do
conhecimento científico.
De acordo com Tomaél, Alcará e Di Chiara (2005) as pessoas estão
inseridas na sociedade por meio das relações que desenvolvem durante toda a
sua vida, em seguida na escola, na comunidade em que vivem e no trabalho. A
sociedade ultrapassou o âmbito acadêmico ganhando espaço em outras esferas,
movimento este chegando à Internet, aglutinando pessoas com objetivos
específicos ou apenas pelo prazer ou uma rede de relacionamentos, possibilitado
por um software social que com uma interface amigável integra recursos além dos
da tecnologia da informação.
Atualmente o Governo Federal vem buscando ampliar na prática o projeto
de inclusão digital para os cidadãos de baixa renda, idosos, deficientes entre
outros financiando mais de 19 mil recursos tecnológicos através do Projeto
“Cidadão Conectado”.
2 INCLUSÃO DIGITAL
A alfabetização digital e a formação básica são decisivas para que a
sociedade passe a adquirir capacidade de gerar inovações, e para que ocorra
essa inclusão digital nas escolas públicas, é preciso que essas mesmas escolas
sejam investidas de computadores, infra-estrutura, softwares e recursos
financeiros, fazendo para tal até parcerias de empresas privadas com o poder
público.
A inclusão digital não deve ser vista como a universalização do acesso ao
computador conectado à internet, mas sim como o domínio deste equipamento
para manuseá-lo com autonomia.

3

�A inclusão digital na educação não consiste em somente instalar
computadores nas escolas, é preciso fundamentalmente capacitar o professor
para essa nova atividade, e que ele insira essa ferramenta digital em suas aulas.
A informática é a nova linguagem da humanidade, agora aplicada à
educação como um novo modelo pedagógico capaz de superar a crise em que se
encontra o sistema de ensino, e trazendo as soluções para problemas que para
muitos parecem pertinentes ao ato de ensinar.
Segundo Buzato citado por Silva et al. (2005) adota-se o termo “letramento
digital” por entender que não se trata de ensinar a codificar ou decodificar a
escrita, ou mesmo usar teclados, interfaces gráficas ou programas de
computadores, mas inserir em práticas sociais na qual a escrita mediada por
computador ou outro dispositivo eletrônico tenha um papel significativo, ou seja,
dar capacidade e habilidade para filtrar e avaliar as informações recuperadas.
A entrada dos computadores na educação será sem dúvida propulsora de
uma nova relação entre os professores e alunos, ou seja, a chegada desta nova
tecnologia sugere ao professor um novo estilo de comportamento em sala de aula
(OLIVEIRA, 1997).
Acredita-se que com a utilização deste novo recurso, o aluno encontrará
novos espaços na prática na resolução de seus problemas, bem como na
construção de suas atividades. Uma pessoa alfabetizada em informação é aquela
capaz de identificar a necessidade de informação, organizá-la e aplicá-la na
prática.
A informática educativa pode ser vista de algumas formas, como mais um
recurso disponível para ilustrar as aulas, como um elemento complementar aos
exercícios tradicionais dos livros didáticos, ou ainda como um elemento
importante na preparação dos alunos no mercado de trabalho, cabendo à escola
o ato de ensinar os alunos a utilizar o computador (MORAES, 2002).
Esta proposta de utilização da informática entende-se como uma
ferramenta importante que com a mediação do professor, o aluno trace seu
próprio caminho sugerindo novas possibilidades para a realização de seus
trabalhos.

4

�O ensino então não deve se render somente às novas tecnologias, mas
sim agregar valor à educação e a formação do professor e do aluno (SILVA;
RIZZO; BRANDÃO, 2002).
A utilização da internet é usada como um recurso que revoluciona o
processo de ensino-aprendizagem, no qual o aluno tem acesso às informações,
busca o conhecimento e racionaliza o tempo. Quando se fala em internet associase a um novo ambiente de interatividade e de uma nova ferramenta de ensino
(SILVA; RIZZO; BRANDÃO, 2002).
As novas tecnologias aliadas aos novos paradigmas da educação
constituem um ambiente de ensino-aprendizagem interativo e construtivo. Com
soluções não só nos problemas educacionais, mas também na qualificação no
mercado de trabalho.
Segundo Suaiden e Oliveira (2006) a escola é a mediadora da informação,
capacita os alunos a identificar e agregar valor à mesma, transformando-a em
conhecimento.
A inclusão digital ajuda a compreender e usar as ferramentas da tecnologia
da informação tão importantes para a educação e para a vida profissional do
aluno. Vendo do o ponto de vista ético, é considerada uma ação que promoverá a
“cidadania digital”, contribuindo para uma sociedade igualitária (SILVA et al.,
2005).
Segundo Caldas (1993) o uso da informática na educação dos alunos da
rede pública, proporciona a formação de uma consciência crítica em relação ao
uso da informática, favorecendo o desenvolvimento do raciocínio lógico e a
descoberta da sua própria capacidade de estudar e aprender, melhora a
qualidade de ensino através da renovação da prática pedagógica, produzindo
uma reflexão o papel de educador e ao aluno uma maior participação da
construção do próprio conhecimento.
Os cidadãos competentes no uso da informação estão em posição de
tomar atitudes mais inteligentes e socialmente responsáveis que os cidadãos
menos informados.

5

�3 PROJETO “ADOTE UMA ESCOLA”
A inclusão digital nas escolas da rede pública ainda não é uma realidade,
não é uma atividade rotineira para os alunos.
Neste trabalho registramos a preocupação de adequar a capacitação dos
alunos com uso dos recursos da informática educativa viabilizando assim a
modernização do ensino e da aprendizagem, melhorando o intercâmbio entre a
Internet e a aquisição do conhecimento.
Objetivando a socialização das tecnologias disponíveis e atendendo a
política básica da instituição ao quanto ao compromisso com a comunidade
vizinha, a Divisão de Biblioteca e Documentação da Escola Superior de
Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo, convidou os alunos
de uma escola pública de Piracicaba – SP para a utilização e compartilhamento
de seus microcomputadores conectados à internet com o objetivo de orientar o
uso para elaboração de pesquisas escolares.
O projeto denominado “Adote uma Escola” tem como finalidade mostrar
aos estudantes do ensino fundamental de escolas públicas sobre a importância
das modernas tecnologias de informação para a aprendizagem, abrindo novas
oportunidades e possibilidades de conhecimento.
3.1 Metodologia do Projeto
O projeto “Adote uma Escola” foi realizado na Biblioteca Central da
ESALQ/USP e consistiu na orientação de pesquisas pelas bibliotecárias de
referência para a implantação da informática educativa aos alunos da 4ª série do
ensino fundamental da Escola Estadual de Primeiro Grau “Prof. Honorato
Faustino”.
Além do treinamento propriamente dito, foi oferecido aos alunos uma tarde
de contos de histórias. Em comum com a diretora da escola, a Biblioteca Central
disponibilizou seus computadores aos alunos por um horário de menor fluxo de
usuários, para três classes de 4ª serie do ensino fundamental.
O tema determinado pela escola foi o “Folclore e a Cultura Artística de
Piracicaba”.

6

�O mês de agosto é tradicionalmente conhecido como mês do Folclore, já
que em 22 de agosto é comemorado o Dia Nacional do Folclore. Embora a
presença da arte e das manifestações populares na escola não deva ser datada,
este dia pode ser uma ocasião propícia para professores e alunos fazerem uma
releitura das práticas educativas que pouco utilizam o patrimônio cultural como
tema transversal.
A data também pode instigar professores e alunos a pesquisarem sobre
estas manifestações, visitando sites, museus virtuais, contando histórias,
passando filmes, expondo objetos, cantando e dançando.

Figura 1 – Alunos da escola chegando à Biblioteca Central da ESALQ/USP

7

�Figura 2 – Os alunos durante a apresentação do Projeto “Adote uma Escola”

4 CONCLUSÃO
A informação é um recurso essencial para que haja conhecimento, diálogo,
formação e atualização do indivíduo, e são essas características que serão
apropriadas para que o bibliotecário exerça a sua função social, delegando poder
a este profissional não somente na recuperação da informação e sim como
transformador deste cenário.
Incluir digitalmente é o primeiro passo para a apropriação das tecnologias
pelas populações socialmente excluídas, é insistir na comunicação mediada pelo
computador, sendo um direito das crianças menos favorecidas.
Assim torna-se necessário aprender a prática levada a efeito pelas redes
de ensino e o modo como seus agentes a interpretam, na medida em que um
paradigma não se constitui à revelia daqueles que vivenciam a questão de seu
cotidiano.
Ao contrário um dos grandes entraves da implantação da informática
educativa na quase total ausência dos professores na sua elaboração e na
implantação desta prática nas escolas.
O computador se tornou um aliado do professor, não apenas no que se
refere ao acesso à informação, enquanto que o aluno não deixa de ser um mero

8

�receptor de informações e passa a ser responsável pela aquisição de seu
conhecimento na medida em que passa a compor suas idéias a partir do
resultado de sua busca.
O programa de inclusão digital nas escolas públicas articula as informações
que permeiam a sociedade com o mundo do saber, melhorando a qualidade do
ensino e da aprendizagem que se processa nos diversos níveis da educação.
A função educativa da biblioteca universitária apresenta uma característica
proativa, realizando-se por meio de ações planejadas e uso da biblioteca e de
seus recursos. Os bibliotecários de referência são motivados a tomar novas
atitudes, a fim de participar do esforço educativo não só no processo de busca e
uso da informação, mas na capacidade de lidar com os vários formatos adotando
atitudes condizentes com o novo ambiente social, e que bibliotecários e
professores devem trabalhar em parceria para planejar, implementar e avaliar a
aprendizagem.
SOCIAL CHANGES AND TRANSFORMATIONS FROM THE
DIGITAL INCLUSION
ABSTRACT
The social change affects a great majority of society sectors, like companies,
schools, public agencies, trade, governmental and not-governmental institutions
and neighbourhood communities. The digital inclusion at public schools is not yet
a reality. With the strict aim of socializing the available technologies and fulfilling
the basic politics of the institution – which is to always look after the neighboring
community - the library of ESALQ/USP has invited students of a public school to
the utilization and sharing of its computers connected to the Internet. The main
goal was to guide and help the students in producing papers and researches
through the Internet. The project called "Adopt a school" focuses on not only
showing the students, but also making them understand the importance of modern
information technologies to the knowledge acquisition. The computer science is
considered the new language of humanity, and know it us applied directly in
education, as a new pedagogical standard. This model is able to overcome the
education system crisis, bringing up solutions to problems that seem a lot
pertinents to the act to teaching. Therefore, it is believed that is extremely
necessary to learn the theoretical and practical apects of digital inclusion to finally
turn this project into a daily reality in public schools.
Keywords: Digital Inclusion. Information Transfer. Public School. Learning.
Computer Science in Education.

9

�REFERÊNCIAS
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para a realização desse encontro?. In: SOUTO, L.F. (Org.). O profissional da
informação em tempos de mudanças. Campinas: Ed. Alínea, 2005. cap. 4,
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Educação) – Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo,
1993.
CAMPELLO, B. O movimento da competência informacional: uma perspectiva
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para competência informacional: uma questão ética e cidadania. Ciência da
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http://www.softwarelivre.gov.br/softwarelivre/artigos/artigo_02. Acesso em: 26 jun.
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10

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11

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Garcia, Eliana Maria; Zinsly, Silvia Maria; Saad, Márcia Regina Migliorato  </text>
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                <text>A mudança social atinge todos os setores da sociedade (empresas, escolas, órgãos públicos, comércios, instituições governamentais, não governamentais, e comunidades de bairro). A inclusão digital nas escolas da rede pública ainda não é uma realidade. Objetivando a socialização das tecnologias disponíveis e cumprindo a política básica da instituição ao compromisso com a comunidade vizinha, a biblioteca da ESALQ/USP convidou os alunos de uma escola pública para a utilização e compartilhamento de seus micros conectados à Internet com a finalidade de orientação e elaboração de pesquisas. O projeto denominado “Adote uma escola” tem como finalidade conscientizar os estudantes sobre a importância das modernas tecnologias de informação para o conhecimento. A informática é a nova linguagem da humanidade agora aplicada diretamente à educação, como um novo modelo pedagógico capaz de superar a crise em que se encontra o sistema de ensino, e trazendo as soluções para problemas que para muitos parecem pertinentes ao ato de ensinar. Assim, torna-se necessário apreender a prática levada a efeito pelas redes de ensino e o modo como seus agentes a interpretam, na medida em que um paradigma não se constitui a revelia daqueles que vivenciam a questão no seu cotidiano.</text>
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                    <text>NECESSIDADE INFORMACIONAL VIA INTERNET: estudo do uso do
Portal Capes pelos docentes da UFMT - Campus de Rondonópolis

Mariza Inês da Silva Pinheiro1
Carine Machado da Silva2
Edileuda Soares Diniz3

O Portal Capes oferece acesso livre e gratuito a diversas informações, Portal de Periódicos
Capes, teses e dissertações com variadas áreas do conhecimento. Dentro do estudo
proposto, foi realizada pesquisa envolvendo 38 docentes do período noturno da
Universidade Federal de Mato Grosso  Campus de Rondonópolis, com o objetivo
principal de verificar a utilização do Portal Capes por eles. O artigo apresenta
considerações e definições sobre estudos de usuários, recursos informacionais, serviço de
referência, além de levantar questões sobre o papel do bibliotecário frente à disseminação
da informação. O resultado da pesquisa mostrou a realidade do professor deste Campus
quanto ao acesso e uso do Portal Capes e de outras fontes informacionais, principalmente
na internet. Constatou-se, então, que os docentes utilizam o Portal Capes no decorrer de
suas atividades acadêmicas, porém, de forma bastante limitada considerando a quantidade
de informações atualizadas que é disponibilizada para a área da educação, bem como as
oportunidades para cursos de pós-graduação e para o desenvolvimento de novas pesquisas.
Concluiu-se que, dentre os motivos da pouca utilização do Portal está o fato da falta de
informação desse recurso, visto que é pouco ou quase nada divulgado no Campus. Outro
dado constatado é o de que os docentes utilizam outras fontes informacionais, como os
sites específicos de suas áreas.
Palavras-chave: Bibliotecário. Disseminação da informação. Docentes universitários.
Fontes informacionais. Portal Capes.

1

Professora Assistente do Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Mato Grosso  Campus
Rondonópolis, MT  Brasil - e-mail: mariza.ines@terra.com.br

2

Graduada em Biblioteconomia na Universidade Federal de Mato Grosso  Campus Rondonópolis, MT 
Brasil  e-mail: carinebib@yahoo.com.br

3

Professora Assistente do Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Mato Grosso  Campus
Rondonópolis, MT  Brasil - e-mail: ledadiniz@cpd.ufmt.br

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1 INTRODUÇÃO
Com a evolução das tecnologias na área das telecomunicações e da
informática profundas mudanças foram percebidas na sociedade humana, as quais deram
um contributo considerável ao seu desenvolvimento. Isso provocou o surgimento do que
conhecemos como a sociedade da informação, em que a explosão informacional
despontou de maneira inquestionável sob o domínio da internet, considerada como uma
das principais fontes responsáveis pela disseminação da informação. Nesse contexto, a
possibilidade de acesso aos mais variados assuntos por meio eletrônico tornou-se cada vez
mais freqüente e corriqueiro, visto que os pesquisadores passaram a utilizar de uma
variedade de ferramentas existentes na Web, a exemplo dos portais disponíveis em sua
teia.
Dentro dessa perspectiva, é que buscamos construir uma pesquisa
direcionada ao mercado virtual, uma vez que não existem muitos estudos tratando das
ferramentas de busca nacionais, das páginas de acesso na internet e nem dos portais de
informação existentes, como vemos em Almeida (2001,p.6). Na visão dessa autora o
Brasil ainda é carente de pesquisas direcionadas a conhecer com mais acuidade os portais
de informação inseridos na net.
Desse modo, optamos pelo Portal de Pesquisa e Informação Científica Capes
por permitir o acesso a uma variedade de documentos científicos nacionais e
internacionais, principalmente aos periódicos, os quais encontram-se em um link no
próprio portal. Nele os pesquisadores, sejam docentes ou discentes, e mesmo os servidores
técnicos nas instituições públicas têm a possibilidade de pesquisar gratuitamente alguns
artigos das diversas áreas do conhecimento.
Assim, procuramos os docentes dos cursos do período noturno da
Universidade Federal de Mato Grosso/Campus Universitário de Rondonópolis, por
percebermos a necessidade destes em ter disponíveis substancialmente fontes de
informação diversificadas e de fácil acesso para realizarem a contento suas práticas de
ensino, surgindo com isso, o uso do Portal Capes como nosso objeto de estudo.

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Para reforçar esse nosso pensamento, encontramos em Fulgêncio (2000, p. 1)
que as mudanças tecnológicas, econômicas, políticas e sociais têm influenciado
sobremaneira o comportamento do profissional da informação de modo a exigir-lhe um
maior dinamismo, inovação, produtividade e competitividade em suas práticas cotidianas.
Desse modo, então, a universidade pode promover e contribuir com essas práticas, por ser
uma instituição cujas características de ensino e pesquisa, têm um efeito multiplicador e
inovador, sendo também um sistema interligado a um conjunto diferenciado de usuários,
como observamos em Allevato (1995, f. 12).
De outro lado, um fato nos impulsionou ainda mais a realizar tal estudo: a
divulgação pelos meios de comunicação em julho de 2004, sobre a posição do Governo
em desativar o Portal devido à inexpressiva demanda pelos pesquisadores às informações
nele contidas, bem como pelo alto custo de manutenção.
Sabedores, portanto da gratuidade dos serviços disponíveis no referido Portal,
vimos um paradoxo nisso, e a partir daí começamos a indagar: Será que a pouca demanda
ao Portal Capes seria proveniente do desconhecimento de sua existência ou simplesmente
pelo desinteresse dos indivíduos das instituições federais de ensino superior em buscar as
informações acessíveis? Essas foram questões pertinentes levantadas para entender o
comportamento dos docentes em relação às pesquisas nesse Portal.
2

RECURSOS INFORMACIONAIS
Em se tratando de Recursos Informacionais, observamos que nos últimos

anos ocorreram importantes transformações nos recursos voltados para a recuperação da
informação, devido à aplicação de novas tecnologias e o interesse crescente pela
informação no campo científico e tecnológico, como vimos em Tomaél et al (2001, p. 15).
Aceleração de processos. Geração de rápidas alterações. O resultado é
um cenário em que as estruturas caracterizam-se por mimese, mutação e
flexibilidade. Dessa quebra de rigidez provêm novos recursos
informacionais que crescem vertiginosamente acarretando mudanças
radicais nos serviços de informação tradicionais

Dessa maneira a comunicação informacional modificou-se, permitindo
perceber, por exemplo, que a taxionomia biblioteconômica passou a reconhecer na rede os

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canais informais (correio eletrônico, grupos de discussão, conferências eletrônicas); os
formais, por meio dos documentos eletrônicos primários (periódicos, livros, teses),
secundários (dicionários, enciclopédias, almanaques) e terciários (índices, abstracts,
catálogos on-line), transpostos e/ou gerados a partir de fontes impressas. (TOMAÉL;
VALENTIM 2004, p. 7). Para essas autoras, esses tipos de documentos originaram-se das
fontes publicadas tradicionalmente em formato impresso.
De acordo com a literatura, vários são os tipos de recursos informacionais,
incluindo materiais impressos (livros, periódicos e publicações diversas) e materiais online (documentos, artigos e pesquisas extraídas de fontes on-line), como por exemplo:
bibliotecas virtuais, digitais, sites, periódicos eletrônicos, entre outros. Para Andrade e
Baraúna (200-? p. 1):
Bibliotecas Virtuais são sistemas nos quais os recursos são distribuídos
via rede, independentemente de sua localização física num determinado
local ao passo que as Biblioteca Digitais são serviços de informação
cujos conteúdos estão originalmente em forma eletrônica e são
acessados local ou remotamente por meio de redes de comunicação.

Vê-se, a partir dessa afirmativa, que o cenário no qual os serviços de
informação estão inseridos foi radicalmente modificado, exigindo que as instituições, por
sua vez, trabalhassem no sentido de oferecerem cada vez melhores serviços aos usuários,
buscando acompanhá-los e entendê-los na tentativa de procurar adequar essas novas
tecnologias às suas necessidades informacionais.
Para isso, percebemos em Reis (2005, f. 34), que seria preciso intercalar
recursos informacionais nos serviços prestados à comunidade acadêmica, por exemplo, de
modo que houvesse também um planejamento, supervisão e implantação de melhorias nos
diversos processos, sejam estes administrativos, técnicos ou operacionais.
Nesse aspecto, o profissional bibliotecário teria como uma das funções
conhecer as ferramentas tecnológicas necessárias, demonstrar que saberia manuseá-las e
principalmente fazer a orientação devida de seu uso. Para a autora, portanto,
Ao disponibilizar o Portal de Periódicos CAPES é preciso compreender
quais as relações que são alteradas nesse processo, como ocorrem as
relações, e quais as demandas alcançadas e as necessidades latentes que

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decorrem no acesso e uso deste recurso informacional. Para isso, é
importante enfocar aspectos tecnológicos implícitos no processo de
busca, disseminação e recuperação da informação (REIS, 2005, f. 35).

Em Fulgêncio (2000, p. 2), por sua vez, vemos que a modernização ligada à
informatização traz consigo um desafio, que é: [...] descobrir novos métodos e formas
alternativas para as novas tendências de mercado que repercute no comportamento dos
gerentes de recursos informacionais.

É possível concordar com esse pensamento,

principalmente quando nos deparamos com a explosão da informação, a proliferação do
papel, o uso e desenvolvimento de tecnologias de informação e a globalização, os quais
impulsionaram o Gerenciamento de Recursos Informacionais  GRI, [...] que tem como
objetivo garantir o equilíbrio da organização tanto em relação ao ambiente externo quanto
ao ambiente interno.
2.1 Fontes de Informação on-line
Inúmeras são as características e os formatos de fontes na internet. Seu
estudo e análise, portanto, devem ser enfocados relacionando-os à sua qualidade, desde a
geração até os recursos necessários para seu uso. Entretanto, nem todas as fontes
disponíveis na internet utilizam os recursos que o próprio meio proporciona. Muitas se
originaram de fontes impressas e ainda mantêm características de leitura linear, no
entendimento de Tomaél et al (2001, p. 23).
Para essa mesma autora, a evolução tecnológica faz com que a internet esteja
em permanente mudança. De fato, constata-se que ela abriu um leque amplo na tipologia
de fontes de informação, pois, além das convencionais, novas fontes vão surgindo, e até o
momento atual não foram caracterizadas e reconhecidas totalmente na literatura. Os
próprios sites de busca, os repositórios de informação, as bibliotecas digitais e as virtuais,
ainda carecem de estudo ou mesmo de identificação da área da Ciência da Informação.
(TOMAÉL et al 2001, p. 15-16).
Por outro lado, as bibliotecas em instituições de ensino superior no Brasil
estão em fase de transição, visto que precisam incorporar as novas tecnologias da
informação e comunicação nos diferentes processos de produtos e serviços de informação
centrados na utilização intensiva das redes de computadores. Para isso, faz-se necessário a

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interação do usuário com o acesso da informação digital multimídia para usufruir o
potencial das publicações disponibilizadas em portais de recursos criados e armazenados
on-line, a exemplo do Portal Capes. (REIS, 2005, f. 37-38).
3 PORTAL DE PESQUISA E INFORMAÇÃO CIENTÍFICA CAPES
As informações contidas na rede, na visão de Tomaél e Valentim (2004, p.
57) [...] podem ser igualmente utilizadas como fontes de informação. Percebe-se que são
inúmeros os lugares na internet em que se podem encontrar determinadas fontes que
remetem a essa informação. Ela pode ser encontrada em diversos espaços como, por
exemplo, as páginas pessoais e sites variados, sendo possível recuperá-las através das
ferramentas de busca, das lojas virtuais e dos portais.
O Portal, portanto, como afirma Saad Correa (1999, p. 1 apud BARBOSA,
2002, p. 37), é uma potente porta de entrada para a Web, através de uma interface de
hardware, que oferece aos usuários específicos o acesso imediato a serviços relevantes.
Para outra autora, os portais são entendidos como locais repletos de informações
diversificadas, englobando desde dados sobre comércio, serviços diversificados como
espaço de lazer, entre outros, e por isso mesmo, necessitariam de uma atenção mais
acurada em relação a ser considerada uma fonte de informação na internet. (ALMEIDA,
2001, p. 2).
Diante dessas considerações, uma definição que melhor conceitua portal, a
nosso ver, é a definição dada por Tomaél e Valentim (2004, p. 64), que afirmam:
Portal, levando em consideração as extensões do termo, é um mega site
que dispõe um conjunto de serviços, em especial bate-papo, jornal,
pesquisa on-line, assessoria, webmail, acesso à internet, comércio
eletrônico e intermediação entre pessoas e entre interesses.

Dentro dessa perspectiva, é importante argumentar sobre a Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior  CAPES4, já que esta é uma fundação que
vem desempenhando papel fundamental na expansão e consolidação da pós-graduação
stricto sensu (mestrado e doutorado) em todos os estados da Federação  uma das maiores
conquistas no campo da educação brasileira e da ciência e tecnologia. Ela possui, por sua
4

Informação extraída de documento eletrônico

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vez, um Portal próprio, o Portal de Pesquisa e Informação Científica Capes. As suas
atividades são voltadas para a promoção do desenvolvimento da pós-graduação nacional e
a formação de pessoal de alto nível, no Brasil e no exterior.
Dentre as principais finalidades que lhes compete, destacam-se: a) elaboração
de estudos e subsídios que auxiliam o Ministério da Educação na definição dos planos e
políticas de desenvolvimento da pós-graduação nacional; b) avaliação da pós-graduação
stricto sensu; c) viabilização do acesso e divulgação da produção científica mundial; d)
investimentos (em bolsas de estudo, auxílio e outros mecanismos) na formação de recursos
de alto nível no país e exterior; e) promoção da cooperação científica nacional e
internacional (PORTAL CAPES, resultados da avaliação trienal 2004, grifo nosso).
Assim, o Portal Capes, para sermos mais exatos, é uma página do Ministério
da Educação e permite, por sua vez, o acesso a diversos documentos científicos nacionais
e internacionais, e mais os periódicos, que se encontram em uma página separada no
portal. E possibilita, por outro lado, desenvolver pesquisas gratuitamente nas instituições
públicas. A pesquisa se dá pelo recurso de busca na base de dados Capes, destacado logo
acima de sua página, ao lado direito do portal.
3.1 Portal de Periódicos Capes
De acordo com Reis (2005, p. 38) a origem do Portal de Periódicos Capes
provém de um consórcio nacional de acesso a periódicos eletrônicos disponibilizados pelo
Ministério da Ciência e Tecnologia do Brasil. Seu objetivo é oferecer acesso e uso às
informações contidas no portal de periódicos. O acesso é livre e gratuito para instituições
públicas e para instituições participantes ou ainda para locais associados, a partir de
qualquer máquina conectada à internet.
O acesso aos periódicos assinados pela Capes5 é livre e gratuito, porém
restrito aos usuários autorizados em terminais ligados à internet através de provedores de
acesso autorizados das instituições participantes do Programa. Não há, portanto,
necessidade de cadastramento, utilização de senha ou de identificação de usuários.

5

Informação retirada de e-mail enviado pela Capes em 02 de maio de 2006

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O Portal de periódicos da Capes foi criado em novembro de 2000, porém a
regulamentação do Programa, assim como as Normas para Uso do conteúdo disponível no
Portal foram publicadas somente em 2001. Ele disponibiliza textos completos e resumos;
lista dos periódicos por editores; apresenta a relação de periódicos por editora; sites com
periódicos de acesso gratuito. Apresenta ainda a relação de nomes dos sites com os
periódicos gratuitos do Portal; a lista dos periódicos por áreas do conhecimento;
disponibiliza dois links para busca geral: o Multidisciplinar e o Ciências Ambientais,
que remetem aos respectivos periódicos e nove links por área para busca por assunto.
Além destas formas de busca, pode-se selecionar o modo apenas publicações nacionais,
caso a busca precise ser restringida neste formato.
3.2 O Papel do Bibliotecário
Diante dessa realidade citada anteriormente por meio da literatura, a exigência que
recai sobre o profissional bibliotecário é considerável, visto que a realidade da nova era da
informação é da cobrança de um profissional que esteja adaptado às tecnologias
disponíveis, e possa utilizar eficazmente as informações que circulam na Web. Diante
disso, encontramos em Miranda (2002, p. 71 apud BORGES 2004, p. 63) que:
[...] o grande desafio do futuro será enfrentar o fato de que os estoques
de informação do porvir serão como arquipélagos, distribuídos em
milhares de pontos presumivelmente acessíveis, mas requerendo para
isso um esforço fantástico de intervenção profissional para sua
organização e uso mais adequados.

Para acompanhar esse novo patamar do exercício profissional bibliotecário
ele precisaria, conforme Arruda, Marteleto e Souza (2000, p. 17), ter capacidade de
trabalhar em equipes inter, multi ou transdisciplinares e fazer parte de uma estratégia das
organizações para obtenção da polivalência.
Um outro pensamento acerca do papel do bibliotecário encontra-se em
Almeida Júnior (2004, p. 82) o qual entende que cabe a este profissional organizar seu
espaço, empregar técnicas, preparar produtos documentários, organizar serviços, recuperar
e disseminar informações, transferir conhecimento, enfim, atuar profissionalmente voltado
prioritariamente para os segmentos sociais. Percebe-se, diante disso, que além dele ter que
repensar o seu papel diante das novas tecnologias de informação, ainda precisa acoplar a

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isso a sua responsabilidade social; repensar sua atuação não só para a sociedade da
informação, mas, de modo peculiar, visualizar a sociedade da desinformação.
E como conseqüência da modernidade, em que a globalização permite
desterritorializar as barreiras referentes ao tempo e espaço, mais exigências são conferidas
ao bibliotecário, agora lhe atribuindo o papel central de disseminador da informação.
(SILVA; ARRUDA,1998, p. 3).
Amaral (2005, p. 5) afirma que a sociedade enxerga as bibliotecas como
organizações de fontes de informação. Sendo assim, elas devem ser capazes de utilizar as
mídias disponíveis para disseminar informações de acordo com o interesse de seu público,
mantendo com este um relacionamento de mão dupla, ao favorecer o diálogo com eles.
Por outro lado, como a maior parte das bibliotecas se insere no setor público, no exercício
de sua missão social, há vários segmentos da sociedade para serem atendidos, de maneira
que possam funcionar eficazmente.
Sobre isso, o autor menciona que as bibliotecas deveriam se utilizar de todos
os métodos disponíveis para disseminar e divulgar a informação entre seus usuários. Dessa
maneira, haveria o feedback entre usuário e biblioteca, como em um relacionamento de
mão dupla. Todavia, é necessário treinar e orientar o usuário para utilizar esse tipo de
recurso informacional, a fim de capacitá-lo a usar a informação eletrônica em benefício de
suas necessidades informacionais, incentivando-o cada vez mais a busca por informações
via internet.
4 METODOLOGIA
Como estratégica metodológica optou-se pela utilização do método indutivo,
por permitir fazer uma análise do objeto, não na sua totalidade, mas dando condições de
inferir sobre todo o grupo delimitado. A pesquisa, portanto, buscou tirar conclusões gerais
a partir da observação de casos particulares.
Nesse aspecto, Marconi e Lakatos (2005, p. 86), afirmam que o objetivo dos
argumentos indutivos é levar a conclusões cujo conteúdo é muito mais amplo do que o das
premissas nas quais se basearam. O método indutivo preconiza ainda, a adoção de uma

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divisão tripartite. Na primeira etapa, busca-se observar os fenômenos, em seguida
descobre-se a relação entre eles e por fim se alcança o estabelecimento da generalização
para fatos não observados.
Conforme Cervo e Bervian (1978, p. 25 apud MARCONI e LAKATOS
2005, p. 86), pode-se afirmar que as premissas de um argumento indutivo correto
sustentam ou atribuem certa verossimilhança à sua conclusão. Assim, quando as premissas
são verdadeiras, o melhor que se pode dizer é que a sua conclusão é, provavelmente,
verdadeira. Essa característica do método indutivo, associada às peculiaridades da
pesquisa em si, favorece a escolha do método estatístico como método auxiliar.
Dentro dessa perspectiva, no entanto, uma vantagem da utilização do método
estatístico é a possibilidade da construção de gráficos, os quais são instrumentos para uma
melhor visualização dos resultados. Para Martins e Donaire (1990, p. 85) a estatística
gráfica [...] corresponde às representações dos dados sob diferentes formas gráficas, a fim
de permitir uma visão rápida e global do fato estudado.
De outro lado, optou-se pelo estudo de caso, por ele permitir delimitar o
[...]caso que será objeto da pesquisa [...] isto é, o objeto deve ser alguma coisa que
realmente exista e possa ser experimentada pela nossa percepção de realidade.
(MEZZAROBA E MONTEIRO,2003, p. 121).
Buscou-se, assim, a utilização do Portal Capes pelos professores da
Universidade Federal de Mato Grosso / Campus Universitário de Rondonópolis do período
noturno, envolvendo tão somente os docentes do período noturno devido a dificuldade de
aplicação do questionário no período diurno.
Todavia, constituíram enquanto amostra da pesquisa um grupo de trinta e oito
informantes (o que representa aproximadamente setenta por cento do total de professores
do período). A escolha dos componentes do levantamento amostral foi a não
probabilística, isto é, não houve sorteio na escolha dos entrevistados para a aplicação do
questionário, tendo este o máximo de representatividade possível.

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O instrumento de pesquisa adotado para a coleta de dados, foi o questionário,
e antes de sua aplicação de fato, procurou-se aplicar um pré-teste para evitar ambigüidades
e poder dessa forma abranger o tema proposto de forma satisfatória, observando a clareza
como requisito fundamental para que se pudessem evitar interpretações errôneas. Ele foi
constituído por uma questão quantitativa intervalar e dez questões qualitativas, sendo em
sua maioria do tipo fechada, uma vez que as questões abertas devem ser reduzidas ao
mínimo necessário, como vemos em (MARTINS; DONAIRE, 1990, p. 30). Ele foi
aplicado no período de março e abril de 2006, embora a pesquisa tenha sido realizada no
período de novembro do ano de 2005 a abril de 2006, período dedicado ao início,
desenvolvimento e conclusão da pesquisa.
Na análise dos dados, por outro lado, procurou-se analisar as informações
encontradas no questionário sobre o tema em estudo, subdividindo-o em dois subcapítulos, os quais trataram respectivamente do perfil dos entrevistados em geral e dos que
utilizam o Portal Capes na UFMT, Campus de Rondonópolis.
5 ANÁLISE DOS DADOS
5.1 Perfil geral dos entrevistados
Ao analisar-se o perfil geral dos professores do Campus relacionado ao
tempo de trabalho na instituição, observou-se que a maior parte dos informantes (56%)
trabalham a menos de cinco anos na instituição, enquadrando-se nas categorias menos de
1 ano ou de 1 a 4 anos. Assim, a pesquisa foi realizada com um percentual de
professores contratados mais recentemente na universidade.
Em que pesem, portanto, as observações feitas no sentido de obter respostas
aos objetivos pretendidos na pesquisa, as informações mais contundentes estiveram
voltadas para saber se o docente da UFMT do período noturno fazia uso ou o não uso do
Portal Capes. Assim, dentre os professores que participaram da pesquisa, a utilização do
portal Capes mostrou-se restrita aos 34% que responderam sim e aos 21% que
responderam às vezes. Nesse aspecto constatou-se que 55% dos professores
entrevistados utilizam o Portal, sendo 34% com mais freqüência e 21% com menos
freqüência; e, 45% não o utilizam. Constatou-se assim, que os professores que trabalham
há mais tempo na universidade são os que mais utilizam o Portal Capes.

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Nessa perspectiva, a revisão de literatura denota que o ambiente virtual
contribui decisivamente para a mudança do comportamento do usuário, enquanto
pesquisador, isso significa que ao fazer uso dos recursos de busca na internet, a sua
preocupação estará direcionada à agilidade na hora de recuperar uma informação,
proporcionando a sua inserção nos sistemas de informação. De outro lado, isso nos
permitiu inferir que os docentes necessitam conscientizar-se de que acervos digitais são
recursos excelentes para quem se propõe a pesquisar, como vemos em Souto (2003, p. 22).
Para isso, ele precisaria se adaptar às mudanças tecnológicas procurando estar sempre
atualizado aos novos sistemas informacionais. O Portal Capes, diante disso, se apresenta
como uma rica fonte de informações disponíveis gratuitamente para a instituição em
estudo, o que torna relevante a utilização do mesmo pelos docentes.
No entanto, se 55% disseram utilizar o Portal Capes, pode-se depreender que
a UFMT, portanto, precisaria fazer uma divulgação expressiva e oferecer, por outro lado,
treinamento adequado a sua utilização, visto que ao usuário, o papel que lhe cabe é o de
consumidor dos serviços e das informações existentes na própria instituição.
Para aqueles informantes que faziam uso de outras fontes de informação on
line, e não faziam uso do Portal Capes especificamente, 97% afirmaram fazer uso dos sites
e revistas eletrônicas de suas respectivas áreas de conhecimento; sites específicos (ou
vinculado a algum programa educacional) e sites de organismos federais (MEC, IBGE,
entre outros), bem como utilizam acentuadamente a base de dados do Google.
De outro modo, para os que enfatizaram a não utilização do portal,
afirmaram desconhecer o portal Capes, perfazendo 45% dos informantes da pesquisa.
Justificaram, por sua vez, que estando na instituição na qualidade de professor substituto
isso era prerrogativa para não fazerem uso de fontes de informação on line. É de causar
estranheza esse comportamento. No entanto, como a própria literatura afirma, é
extremamente difícil definir necessidade de informação, o que pode-se deduzir, que talvez
porque isso envolva processos cognitivos, seja possível entender que os substitutos da
UFMT, que foram informantes desse estudo, fizessem parte desse quadro, daqueles que
não têm clareza daquilo que necessitam. (CRAWFORD, 1978 apud SANZ CASADO,
1994).

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Pelas respostas dadas, observou-se ser imprescindível a aplicação de técnicas
de marketing para a divulgação do Portal Capes, o que acreditamos ser função da própria
instituição através da Biblioteca Regional. Esse fator foi motivo de cobrança de grande
parte dos docentes que até o momento da aplicação do questionário desconheciam a
existência de tal Porta. Nesse aspecto, concordamos com Reis (2005, f. 35), que cabe ao
bibliotecário saber usar e orientar! as ferramentas de busca existentes na universidade,
para que elas passem a ser incorporadas no cotidiano acadêmico.
5.1 Entrevistados que utilizam o Portal Capes
Em relação à Freqüência de utilização do Portal Capes pelos docentes,
verificou-se que há uma igualdade entre os professores que utilizam o portal
semanalmente e os que o utilizam mensalmente, sendo este percentual de 28,6%
respectivamente. 14,3% dos professores o utilizam anualmente, enquanto 9,5% quase não
utilizam o portal ou o utilizam quinzenalmente. Isso é condizente com os estudos de
usuários, que na visão de Sanz Casado (1994), tais estudos são realizados tendo em vista a
[...] análise das necessidades e demandas de informação de usuários que, além de serem
conscientes que necessitam de informação, a utilizam freqüentemente.
Buscou-se, de outro lado, verificar quem mais uso faz do Portal Capes em
suas residências ou mesmo na própria instituição. E constatou-se que a maioria tem acesso
ao Portal de suas residências. Denotando assim, que não há dificuldade em acessar o
Portal Capes. Vale ressaltar que embora seja gratuito e de livre acesso, ele é restrito aos
usuários autorizados em terminais ligados à internet através de provedores de acesso
autorizados das instituições participantes. Não havendo necessidade de cadastramento,
utilização de senha ou de identificação de usuários, como vê Reis (2005, p. 38).
Tornou-se evidente, pelas informações obtidas, que é fundamental a
instituição disponibilizar treinamentos sobre a utilização da Web para seus funcionários e
para os usuários deste recurso, a fim de orientar o acesso e inserir o uso de conteúdos
digitais nas atividades do cotidiano escolar. Para isso ser possível, na visão de Reis (2005,
f. 34), é necessário um planejamento no sentido de implantar e supervisionar processos
administrativos, técnicos ou operacionais.

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Verificou-se, de outro lado, as vantagens consideradas pelos docentes
entrevistados em acessar e utilizar o Portal Capes, os quais destacaram como principais: a
quantidade de informações disponíveis, a atualidade e oportunidade de informações e o
acesso gratuito através da universidade. Apesar das vantagens relatadas no que se refere à
quantidade de informações existentes no portal, eles apresentaram também desvantagens,
como a falta de seleção temática dessas informações. Sugeriram, então, que o sistema de
busca das informações disponíveis fosse modificado, no sentido de recuperar as
informações por grupos de significados temáticos.
Outras sugestões levantadas referem-se à questão de obtenção da senha para
acessar a base de dados, melhoria por temas/mecanismos de busca, melhoria da
divulgação do Portal no Campus, elaboração de um guia de instruções simplificado por
área de pesquisa, dentre outras. Aqui cabe inserir a importância da atuação bibliotecária ou
mesmo destacar o papel desse profissional da informação, que não se restringe apenas em
dar respostas sobre determinada obra contida no acervo em uma unidade de informação,
mas, sobretudo, participar eficazmente no auxílio das necessidades de informação dos
usuários, de modo que eles possam se tornar autônomos em suas atividades de pesquisas,
bem como em fazer o melhor uso das ferramentas tecnológicas de informação disponíveis.
6 CONCLUSÃO
Ao chegar aqui percebemos ter sido possível atender ao objetivo proposto,
que foi conhecer as necessidades de informação dos docentes do período noturno da
Universidade Federal de Mato Grosso/Campus Universitário de Rondonópolis,
confrontando-as com o uso do Portal Capes. Nesse aspecto, pudemos constatar que, dentro
do percentual de professores entrevistados, eles costumam fazer uso do Portal Capes em
suas atividades acadêmicas sim. No entanto, essa utilização ainda é inexpressiva,
considerando a relevância do referido Portal no auxílio às suas práticas escolares em sala
de aula.
Por outro lado, foram averiguadas determinadas vantagens disponibilizadas
no Portal, tais como o acesso gratuito da instituição ao portal, apontado como fator
extremamente relevante para os pesquisadores da UFMT. Sobre isso, a revisão de
literatura trabalhada buscou mencionar a importância dos recursos informacionais para a

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recuperação da informação científica via internet, uma vez que as fontes impressas nem
sempre conseguem trazer informações precisas e atualizadas sobre determinado assunto.
Foram ainda levantadas algumas barreiras de acesso ao portal no Campus, a exemplo da
dificuldade pelos docentes em encontrar os artigos desejados dentro da área, bem como o
fato de alguns não conseguirem acessar o portal fora do ambiente da universidade, além do
excessivo dispêndio de tempo para realizar determinada busca.
Especificamente, sobre o acesso às fontes de informação on-line, tiveram
sugestões para que a instituição se encarregasse de construir um guia de instruções
simplificado por área temática objetivando instruir melhor os docentes, discentes e
usuários em geral da instituição para usufruir melhor os serviços de informação
disponibilizados no portal, principalmente porque foi detectado haver um certo
desconhecimento das formas de acesso a fontes de informação em formato digital.
Dentro desse contexto, foi destacado, na construção da fundamentação
teórica, a importância de se utilizar os recursos informacionais como instrumento para
suprir as necessidades de informação e, dessa forma possibilitarem o exercício em sala de
aula com ferramentas de busca que auxiliem na utilização de material informacional
atualizados.
Por fim, no decorrer do estudo, observou-se a relevância da utilização do
Portal Capes, mesmo diante de barreiras que eventualmente pudessem aparecer. Por outro
lado, para o treinamento dos usuários na utilização eficaz das ferramentas de busca
existentes na Web, por sua vez, acreditou-se que a biblioteca ainda tem um papel
preponderante no que se refere às ações facilitadoras na disseminação da informação. O
Portal Capes, nesse contexto, constituiu-se um importante recurso informacional no
auxílio às atividades docentes, os quais precisam de informações atualizadas que
contribuam para a formação de profissionais capacitados para atuar no campo de trabalho.

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REFERÊNCIAS
ARAGÃO, Tutilla de Brito. Criação do portal [mensagem pessoal]. Mensagem recebida
por &lt; tutilla.aragao@capes.gov.br&gt; em 02 maio 2006.
ALLEVATO, Sonia Regina. Diagnóstico situacional das unidades de informação de
universidades governamentais brasileiras em relação aos produtos e serviços do IBGE.
Ciência da Informação, Brasília, v. 24, n. 2, 1995. 19 f.
ALMEIDA, Carlos Cândido de. Os portais: algumas considerações. Ensaios APB, São
Paulo: APB, 2001. 11 p. (Associação Paulista de Bibliotecários  APB, n.95).
ALMEIDA JÚNIOR, Oswaldo Francisco de. Profissional bibliotecário: um pacto com o
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Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O Portal Capes oferece acesso livre e gratuito a diversas informações, Portal de Periódicos Capes, teses e dissertações com variadas áreas do conhecimento. Dentro do estudo proposto, foi realizada pesquisa envolvendo 38 docentes do período noturno da Universidade Federal de Mato Grosso  Campus de Rondonópolis, com o objetivo principal de verificar a utilização do Portal Capes por eles. O artigo apresenta considerações e definições sobre estudos de usuários, recursos informacionais, serviço de referência, além de levantar questões sobre o papel do bibliotecário frente à disseminação da informação. O resultado da pesquisa mostrou a realidade do professor deste Campus quanto ao acesso e uso do Portal Capes e de outras fontes informacionais, principalmente na internet. Constatou-se, então, que os docentes utilizam o Portal Capes no decorrer de suas atividades acadêmicas, porém, de forma bastante limitada considerando a quantidade de informações atualizadas que é disponibilizada para a área da educação, bem como as oportunidades para cursos de pós-graduação e para o desenvolvimento de novas pesquisas. Concluiu-se que, dentre os motivos da pouca utilização do Portal está o fato da falta de informação desse recurso, visto que é pouco ou quase nada divulgado no Campus. Outro dado constatado é o de que os docentes utilizam outras fontes informacionais, como os sites específicos de suas áreas.</text>
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                    <text>NO ENTRELACE DOS FIOS: A SINGULARIDADE DA TRAMA ENTRE A
BIBLIOTECA E A ACADEMIA.
Conceição Lopes
Mestre em Comunicação pela UFPE,
Bibliotecária do Núcleo do Conhecimento
Biblioteca Central  UFRPE,
Recife, Pernambuco  Brasil
clopes@ufrpe.br
clopes2005@gmail.com

RESUMO
Este texto narra a tecetura de uma teia harmoniosa, capaz de suportar o simbolismo e
a cultura da Biblioteca e da Academia Pernambucana de Ciência Agronômica. Nesse
contexto, coexistem com o bibliotecário 30 acadêmicos, todos engenheiros agrônomos
com idades entre 50 e 86 anos que, motivados e numa atitude pró-ativa, pesquisam e
produzem conhecimento, publicam textos e realizam palestras, comprometidos com o
social e o meio ambiente aliados à paixão pela causa agronômica. O convívio
presencial e no ciberespaço com esses imortais direcionou o olhar bibliotecário ao
resgate da História e da Memória Coletiva ali presentes. Ao chamado da Biblioteca,
esses imortais responderam com entusiasmo, trazendo suas histórias de vida, sua
relação com o universo acadêmico e sua produção científica e intelectual. Interagiram
e socializaram sonhos e sentimentos relacionados à Universidade Federal Rural de
Pernambuco  UFRPE, deixando transparecer a saudade, a emoção das lembranças
e a alegria de continuar nesse convívio ao compartilhar o espaço e ações com a
Biblioteca. Essa teia singular traz à mostra a Biblioteca enquanto instituição secular de
preservação e salvaguarda do conhecimento, espaço democrático para o debate
científico e, especialmente, disseminador ao tornar pública parte da memória agrícola
do Estado de Pernambuco.
Palavras-chave: Biblioteca Universitária; Academia; Conhecimento; Comunicação.

�1  OS PRIMEIROS FIOS DA TEIA...

Uma teia está sendo tecida. Seus nós estão sendo arrematados na
dimensão contraditória do cotidiano, entrelaçado no contemporâneo espaço da
biblioteca.

De um lado, olhos que lêem a vida e o mundo. Definem suas cores,
traçam suas formas, dimensionam seus movimentos. Lêem as pessoas. Olhos
que observam e enxergam detalhes. De outro, mãos que semeiam e colhem.
Afagam os amigos e debulham os grãos. Conduzem e perpassam o fio na arte
do tecer, bordar e fiar. Mãos que misturam ingredientes e preparam o pão.

Contudo, nessa história, como em muitas outras, é o coração que
percebe o invisível da vida e do mundo. Penetra em seus mistérios, aprofunda
suas tramas, inventa seus sentimentos, descobre a magia que envolve a
aventura humana. O visível e o invisível fazem parte desta história individual e
coletiva. São inseparáveis.

Sob essa perspectiva, o bibliotecário participa dessa trama como agente
histórico desse tempo e lugar. Atua como observador e mediador, tanto no
espaço da biblioteca, quanto no ciberespaço. Por outro lado, o engenheiro
agrônomo ao amar a terra e prover as sementes e frutos que alimentam a
humanidade, não fecha os olhos, nem tampouco o coração.

As tarefas do bibliotecário e do engenheiro agrônomo são imensas,
necessariamente incompletas, pois suas buscas e observações exigem novas
leituras dependendo do espaço-tempo em que foram, estão sendo ou serão
produzidas.

Nessa linha de pensamento, para a escrita deste texto, nos inspiramos
na atividade criadora da aranha ao tecer a sua teia. Aquele ato de criação, ao

�mesmo tempo tão simples e tão complexo, há algum tempo nos serve como
metáfora para a leitura e a compreensão da teia das relações interpessoais.

Sendo

assim,

assumimos

a

tarefa

e

o

olhar

bibliotecário

e

contextualizamos a biblioteca em sua prática sócio-cultural deixando à mostra
sua relação com a Academia Pernambucana de Ciência Agronômica - APCA ao entrelaçar os fios que compõem a teia da memória coletiva deste grupo de
imortais.

A escrita deste texto tem sido, portanto, uma leitura apaixonada e única
do agir, sentir e pensar desses homens, além, é claro, de percebê-los como
integrantes da trama entre o Núcleo do Conhecimento da Biblioteca Central da
Universidade Federal Rural de Pernambuco  UFRPE e a APCA. Revela
especialmente um micro-recorte que permite a reconstituição de episódios na
vida

cotidiana

desta

biblioteca

biblioteca/bibliotecário/práxis

social,

e
aqui

um

redesenho

representada

na

pela

relação
Academia

Pernambucana de Ciência Agronômica  APCA.

2  FIOS PARA TRANÇAR, LINHAS PARA ESCREVER, ENTRELINHAS
PARA EMOCIONAR...

Já dizia Machado de Assis que os fatos e os tempos ligam-se por fios
invisíveis, e é com tal pensamento que retomamos o ponto de origem desta
teia. A história desta tecetura tem início em outubro de 2004, época marcada
pela presença das Moiras ao cortar o fio do destino do acadêmico e VicePresidente da Academia Pernambucana de Ciência Agronômica  APCA, o
Professor João Baptista Oliveira dos Santos, referência nesse grupo e na
UFRPE.

Esse triste fato nos levou a propor a criação de um espaço dedicado à
memória daquele que, conosco, há alguns meses se dedicava ao resgate da

�história institucional, idéia aceita de imediato pela direção da Biblioteca Central
e ratificada pela Reitoria da Universidade. Alfa e Ômega se fizeram presentes.

Assim, um fio invisível ligou aquele fato a um novo fio, o nosso primeiro
contato com a APCA, justamente ao levar o convite para a inauguração do
Núcleo do Conhecimento  Professor João Baptista Oliveira dos Santos, o
novo espaço-resgate da memória institucional e da produção científica que
traria novos fios e novos tempos para a Biblioteca Central.

Sessenta dias após, esse grupo de imortais respondeu positivamente e
com entusiasmo ao nosso chamado, trazendo suas histórias de vida, sua
relação com o universo acadêmico e sua produção científica e intelectual. A
esses elementos, passaram a associar a salutar atividade do relembrar, pois é
na rememoração que ocorre o encontro de si mesmo e da sua identidade
apesar do tempo e dos fatos vividos, (BOBBIO, 1997, p.30-31).

Instalada no Núcleo do Conhecimento, a APCA veio agregar valor à
biblioteca e com ela iniciar a urdidura da trama aqui narrada. Idealizada pelo
engenheiro agrônomo Eudes de Souza Leão Pinto, foi fundada em 30 de
setembro de 1983 por ocasião do XXIII Congresso Brasileiro de Agronomia,
realizado no Centro de Convenções em Olinda, Pernambuco, a partir da
preocupação apresentada em plenária pela Associação dos Engenheiros
Agrônomos de Pernambuco. Foi então criada como instituição pioneira em
território brasileiro, confirmando a liderança e a vanguarda desse grupo.

Instalada em 31 de maio de 1984, em Sessão Solene, no Auditório da
Academia Pernambucana de Letras, essa entidade cultural sem fins lucrativos
tem como finalidade contribuir para o desenvolvimento e o progresso da
Agronomia, conforme seu estatuto aprovado em 31 de maio de 1984.

Constituída inicialmente por 25 Patronos e 11 Acadêmicos, todos
engenheiros agrônomos, escolhidos a partir da proposição de vários nomes

�dentre os mais notáveis no cenário das Ciências Agrárias estadual e da análise
dos Currículos seguida pela apreciação dos méritos agronômicos e da atuação
social, de acordo com a Ata da 1ª Reunião da APCA, realizada em 14 de
fevereiro de 1984.

Desde então o grupo foi renovado ao longo da sua história. Assim, em
1994, deu-se a primeira renovação após dez anos da sua instalação. Nessa
solenidade foram empossados 08 novos acadêmicos. Sete anos depois, em
2001, mais 10 imortais tomaram posse em substituição àqueles que faleceram
ou solicitaram afastamento. 2006 chegou promovendo a renovação de
acadêmicos e a inclusão de mais 05 Patronos e Acadêmicos, totalizando, a
partir de então, 30 acadêmicos, todos de conceituados valores humanos e altos
conceitos profissionais.

A APCA, nesses 22 anos de história institucional, não obteve, como
pretendia, o patrocínio estatal, talvez nesse desejo frustrado tenha se salvado
como instituição que possui um grupo longevo, com patrimônio simbólico. Ao
longo de 20 anos, ocupou espaço intermediário e ambíguo no campus da
UFRPE. Desde sua origem, a APCA contou com o apoio da Reitoria, que
ofereceu o espaço físico para seu funcionamento, possibilitando à mesma a
realização da 1ª reunião na sede da própria Reitoria, passando as demais a
ocorrerem em locais diferenciados do próprio campus.

Durante 20 anos, apesar de se reunir no campus, de certa forma, a
APCA existia isoladamente, sem estreitar relações com a UFRPE. A cada ano,
no entanto, desde 1996, passou, a promover em parceria com a Universidade,
a solenidade anual de outorga de diplomas honoríficos aos engenheiros
agrônomos com 55, 60, 65, e 70 anos de formados pela antiga Escola Superior
de Agricultura e Medicina Veterinária São Bento, célula mater da Universidade
Federal Rural de Pernambuco - UFRPE, numa ação que representa a
preservação de dados biográficos e da memória agronômica do Estado
registrados em Plaquetes Comemorativas.

�Tal resgate histórico ratifica o porquê da APCA após duas décadas, se
renovar sem modificar sua estrutura, seus objetivos e sua missão. Ansiar ser
abraçada sem, contudo, perder a sua tradição.

Promotora e, ao mesmo tempo, preservadora do conhecimento
agronômico estadual, a APCA, se mostrou aberta ao chamado de outra
instituição tradicionalmente guardiã, preservadora e difusora do conhecimento,
a biblioteca e, assim, ambas com suas emoções renovadas, canalizaram e
transformaram interesses comuns em interesse em comum. Caracterizou-se, a
partir de então, a existência de um grupo que, segundo ZIMMERMANN (1997,
p. 23-31), é um conjunto de pessoas que partilha o mesmo espaço e reúnemse em torno de um objetivo comum ao interesse de todos.

3  MÃOS QUE TRANÇAM PARCERIAS...

Nascemos indivíduos e nos tornamos pessoas. Para se tornar pessoa, é
preciso pessoas. Pessoas são seres humanos, são como os nós, que formam
e amarram uma rede. Todos, entrelaçados e trançados, formam uma teia de
relações, encontros e desencontros que, rápidos ou permanentes, vão se
cristalizando em grupos sociais e, dentre eles, grupos de referência, como os
grupos de trabalho ou os grupos criativos, nos quais sujeitos produzem e
transformam.

A respeito do grupo criativo, De Masi (2003, p.594) ratifica o nosso
pensamento, definindo-o como um sistema coletivo em que operam
sinergicamente personalidades imaginativas e personalidades concretas cada
uma contribuindo com o melhor de si, num clima entusiástico, graças a líder
carismático e a uma missão compartilhada. Interesses, crenças, tarefas,
características pessoais e outras coisas também fazem parte deste coletivo. Ao
longo do desenvolvimento dos grupos, segundo De Masi, os seus objetivos são
atingidos de forma mais adequada quando seus membros tomam para si a

�responsabilidade

de

torná-lo

uma

experiência

significativa,

tendo

a

compreensão da importância de sua participação.

Observa-se, no entanto, que nem sempre a simples existência de
interesses ou atividades comuns faz um grupo. Para que um conjunto de
pessoas possa ser chamado de grupo e, mais especificamente, de grupo
criativo como o grupo que compõe a APCA, é preciso que atenda, ao mesmo
tempo, a três critérios: estar em contato, considerarem-se mutuamente como
membros do grupo e ter algo em comum.

Teia de significados, da criação de laços sociais entre os fios, enfim da
arte de fiar. Metáfora que nos leva a resgatar a simbologia do fio como
condutor, seja na fiação, na narrativa ou na escrita. Para tecer, precisamos de
fios. À medida que nos dispomos a manuseá-los e nos propomos a escolher
com os quais tecer, é no entrelaçamento desses fios que a teia se faz possível.

Assim, nesse momento histórico para a biblioteca, três dezenas de fios
conosco conduzem a tecetura, começam a construir um coletivo simbólico
singular e ao mesmo tempo plural. Essa teia de relações que se encontra em
construção no âmbito da UFRPE entre a biblioteca e a APCA, certamente, é
formada por fios de linho, de seda, de algodão e de lã em cores variadas. Fios
que, juntos, constituem uma espécie de cérebro plural, um tipo de colméia, um
nicho de cabeças pensantes.

No âmbito das bibliotecas, observamos, ainda, uma carência de
interações desse tipo. É comum a biblioteca atuar como organismo que se diz
democrático, porém avesso a trançar os fios metafóricos, sejam da
comunicação

ou

da

criação.

Nesse

sentido,

enquanto

bibliotecários,

assumimos uma postura pró-ativa e agregamos valor às nossas atividades
cotidianas e rotineiras na biblioteca, ao conjugá-las às atividades inerentes da
APCA, possibilitando a ambas a realização de uma ação coletiva rica de
significados.

�Acerca da APCA, a percebemos como um grupo tradicional com idéias e
integrado, diga-se de passagem, único na área agrícola do país. Organizado
como cooperativa científica, na afirmativa de De Masi (2003, p.255) onde
cada agrônomo, conservando sua produção autônoma, colabora com os
demais para a obtenção de objetivos em comum, tal qual ocorria no ambiente
científico dos colaboradores das primeiras academias da história: confiança
nas possibilidades do método experimental e nas potencialidades da pesquisa
realizada com o desempenho do grupo.

Ainda sobre a interação da biblioteca com grupos criativos, nesse caso
específico, com a APCA, por se tratar de uma vivência inovadora,
consideramos ser merecedora de ser relatada para os nossos pares das
bibliotecas universitárias. A relevância desse grupo criativo e social
reconhecido no meio científico e a nossa capacidade de articulação enquanto
bibliotecários que somos, para operar com esses outros, pares de outros pares,
conduzem à superação do isolamento de ambos, da biblioteca e da APCA.
Conduzem também à difusão desse grupo criativo no ambiente peculiar da
universidade, cujos focos são o ensino, a pesquisa e a extensão.

4  CABEÇAS PENSANTES, CONHECIMENTO COLETIVO E INTERAÇÃO
NO CIBERESPAÇO...

Primeiros imortais dessa nobre profissão em todo o país, definimos a
APCA como um nicho de cabeças pensantes com mãos que semeiam e
colhem, dotado de corações apaixonados pela causa agronômica. É, portanto,
um organismo dinâmico movido pela circulação de idéias, estimulado pela
criatividade individual que gera a mobilidade e atuação coletiva. Não basta ser
criativo: é preciso espírito empreendedor e paixão motivadora, diz De Masi
(1999, p.285) e tal afirmativa corrobora com o espírito desse grupo.

�Nessa trama a livre circulação de idéias é marca registrada. Há uma
disponibilidade para comunicar e trocar idéias, progresso e resultados, na
convicção de que a ciência pertence a todos. Nesse contexto, cientistas,
especialistas e técnicos tornam-se os elementos-chave e têm na informação o
insumo para a geração do conhecimento, que de fato confere poder na
sociedade.

Como salienta Cury (2001, p.89), a biblioteca universitária como
repositória desse conhecimento é o espaço de sociabilidade, lugar onde os
indivíduos interagem entre si e se comunicam. Local de quebra de paradigmas
e conceitos pré-estabelecidos, propício à criação, armazenamento e circulação
do conhecimento. Nele, nós bibliotecários, habituados aos tradicionais serviços
de catalogação, classificação e indexação, começamos a nos metamorfosear
aliando ao guardião da memória impressa e disseminador da informação o
papel de mediador do conhecimento e agente de interação humana.

Partindo dessa premissa e aceitando um primeiro convite, começamos a
participar ativamente das reuniões mensais e, integrados, procuramos
dinamizá-las, promovendo e coordenando atividades lúdicas e afetivas,
recebidas com entusiasmo por todos, que resultou no segundo convite, dessa
feita, para integrar a APCA como assessora especial e membro da Comissão
Organizadora da solenidade anual de outorga dos títulos honoríficos aos
engenheiros agrônomos. Paralelamente, iniciamos a reconstituição da história
desse grupo criativo, utilizando como metodologia a leitura do primeiro Livro de
Ata referente ao período de fevereiro de1984 a novembro de 1985, associada
aos testemunhos orais e ao resgate através das fotografias..

Atualmente, recebemos mais uma resposta positiva para a criação do
banco de dados da APCA, que já se encontra em andamento. Nesta pesquisa,
coletamos dados sobre os acadêmicos que ultrapassam suas atividades
profissionais. Colhemos, também, informações que retratam, além da sua
formação

enquanto

engenheiro

agrônomo,

a

sua

especialidade,

seu

engajamento na sociedade e com os temas do meio ambiente, seu hobby e

�seu dia-a-dia, como a prática de atividades físicas e a produção do
conhecimento através da escrita de textos, matérias para jornais, resenhas,
artigos científicos e intelectuais, assim como a construção de livros. Vem
complementar esse perfil o SENTIMENTO individual para com as atividades
desenvolvidas entre a biblioteca e APCA, emoções que registram e
representam a alma dessa interação.

Toda essa massa de informações, além de fixar as bases para a tecitura
dessa narrativa, está nos possibilitando tornar visível e pública essa teia de
relações apesar de percebemos que documentos e dados perderam-se nessa
trajetória,

deixando

lamentáveis

lacunas.

Transcendendo

o

tempo,

descortinamos a seguir, mais detalhadamente, a APCA.

Em 1984, a Academia teve, em sua composição inicial, 25 Patronos e
Acadêmicos, todos com formação de engenheiros agrônomos, em sua maioria
formados pela UFRPE. Desse modo, o grupo que ora se iniciava possuía, em
virtude do elevado nível intelectual e agronômico dos acadêmicos e o
equilíbrio dos valores novos e velhos, uma proveitosa e conveniente
distribuição de faixas etárias da melhor categoria científica., afirmava Eudes
de Souza Leão Pinto, Presidente da APCA, (Livro de Atas, p. 08 b).

Esse mosaico nos permitiu fazer algumas importantes observações. A
primeira delas diz respeito aos Patronos. Percebemos que 03 monges
beneditinos que ao lado de Dom Pedro Roeser idealizaram e empreenderam
esforços para a criação das Escolas Superiores de Agricultura e Medicina
Veterinária São Bento, célula mater da atual UFRPE, integram o patronato da
APCA. Ainda, no que se refere aos Patronos, das 30 personalidades
escolhidas, apenas o representante da cadeira de número 20 exerceu a função
de Reitor da UFRPE .

Com relação aos Acadêmicos, de início, em 1984, após a composição
dos acadêmicos que iriam compor a APCA, foi deliberado por unanimidade de
votos que a última vaga, seja reservada a um profissional da agronomia de

�sexo feminino, em atendimento à sugestão proposta pelo acadêmico João de
Deus de Oliveira Dias e, em homenagem às devotadas agrônomas
merecedoras de pertencerem ao quadro da Academia Pernambucana de
Ciência Agronômica. (Livro de Ata da 3ª Reunião da APCA, 16 de abril de
1984, p. 6). Sendo assim, o universo feminino, de início, restrito a apenas uma
representante, foi ampliado sendo atualmente representado por 03 acadêmicas
ocupantes das cadeiras de números 08, 11 e 28.

No ato da sua criação, a APCA elegeu, dentre os acadêmicos, quatro
ex-reitores da UFRPE para ocuparem as cadeiras de números 07, 08, 15 e 22.
Na ampliação do seu quadro de Patronos e Acadêmicos ocorrida em maio do
corrente ano, mais um ex-reitor foi eleito para acadêmico, vindo a ocupar a
cadeira de número 30. Observamos por fim, que da composição inicial do
grupo, as cadeiras de números 10, 11, 12, 14, 16, 17, 19 e 24 continuam
ocupadas pelos mesmos representantes.

Prosseguindo a leitura dos dados e informações, a segunda observação
relaciona-se ao Perfil dos Imortais. Segundo a faixa etária, tal leitura traz à tona
que, nesse universo, 03 acadêmicos encontram-se na faixa dos 50 anos;
outros 10 na faixa dos 60 anos; mais 10 na faixa dos 70 anos e mais 07 na
faixa dos 80 anos de idade. Sendo assim, nesse grupo, o acadêmico mais
jovem tem 54 anos, em contraponto ao mais longevo, no caso, 03 acadêmicos
com 86 anos de idade. É interessante, e mais, emocionante, conviver com o
dinamismo, a alegria de viver e o entusiasmo contagiante desses velhos-jovens
que dão a vida pela APCA.

Mais interessante e incentivador é a terceira observação relacionada à
Capacidade Criativa dessas cabeças pensantes, assim como verificar a massa,
o quantitativo e a qualidade da produção científica e intelectual dos mesmos, o
que ratifica a afirmativa de Castoriadis (2001, p.10) de que Pensar não é sair
da caverna nem substituir a incerteza das sombras pelos contornos nítidos das
próprias coisas, a claridade vacilante de uma chama pela luz do verdadeiro Sol.
É entrar no Labirinto, mais exatamente fazer ser e aparecer um Labirinto ao

�passo que se poderia ter ficado estendido entre as flores, voltado para o céu.
É

perder-se

em

galerias

que

só

existem

porque

as

cavamos

incansavelmente...

É essa força criativa inerente ao humano que impele, sem parar, cada
um desses indivíduos ritualisticamente, ditos imortais. A maior parte das
criações humanas é obra não de gênios individuais, mas de grupos e de
coletividades nos quais cooperam personalidades motivadas por um líder
carismático e por uma meta compartilhada, nos afirma De Masi (2003).

Ao longo dos anos, seguiram-se a publicação de livros e artigos,
gerando uma produção de autoria dos acadêmicos sempre com o apoio da
UFRPE na publicação desse conhecimento. Esta produção científica constitui
recorte para um outro trabalho de pesquisa que, paralelamente, se encontra
em construção.

Vencendo barreiras de várias ordens, a Academia concretizou uma das
suas metas ao publicar em 2005 o 1º volume dos Anais da APCA, composto
exclusivamente por resenhas, crônicas e artigos de autoria dos acadêmicos.
Novos tempos, novas idéias e novas atitudes vieram transmutar, incentivar,
renovar e circular as idéias e os conhecimentos gestados individualmente ou
em co-autorias, a partir da parceria iniciada junto a Companhia Hidroelétrica do
São Francisco  CHESF que, a partir deste ano, passou a atuar como parceira
e patrocinadora das ações e publicações da APCA. Fato que inclui a
publicação do 2º volume dos Anais que, no prelo, demonstra o significativo
aumento desta produção, estando a Comissão Editorial às voltas com a
seleção e análise das resenhas, crônicas e artigos que irão compor o 3º
volume a ser publicado em dezembro de 2006.

Tomando ainda como foco a produção do conhecimento, ao iniciarmos a
organização do Banco de Dados desse grupo, percebemos nas respostas
recebidas que, no atual momento, se encontram sendo produzidos 11 livros

�além de textos e artigos, lado a lado com a organização de um grande
seminário.

Observamos, por fim, que este processo de interação entre a biblioteca
e a APCA vem sendo enriquecido pela abordagem on line, numa via de mão
dupla na qual as relações cotidianas de permuta e validação vêm ocorrendo
também no mundo virtual.

Nessa comunicação eletrônica metaforicamente, uma Ariadne moderna
compartilha e orienta o processo e no labirinto dos bytes, nos auxilia a
interagir com os 63% desses imortais que, internautas, já utilizam a internet
como ferramenta em suas tarefas e pesquisas. Com eles mantemos uma
sistemática comunicação via correio eletrônico. Ao fazer uso desse formato e
exercitar com a APCA essa estratégia de comunicação, passamos a praticar
com esses acadêmicos que têm entre 50, 60 e 70 anos e, em especial, com
aqueles de 80 anos, novas habilidades, visando a estimulá-los a pulverizar
idéias e costumes, sentindo-se modernos. Levá-los a reavaliar valores e
conceitos mas, sobretudo, a sentirem prazer ao fazer parte deste mundo
virtual.

O ciberespaço tem sido a infovia que nos permite também a troca de
informações e validação num alegre clima de confiança, empatia e sinergia.
Nele, já ocorre a circulação das atas das reuniões mensais para a leitura,
sugestões e críticas daqueles que integram este mundo virtual. Por outro lado,
estamos buscando estimular e conquistar os 37% que até o momento têm se
mostrado avesso a essa tecnologia, os sem e-mails, que continuam à margem
desse ciberespaço dos imortais, como denomina o acadêmico Fernando
Chaves Lins.

�5  UM FIO SOZINHO NÃO TECE, TRAZ ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
FINAIS.

Esta é uma narrativa que prossegue, fio a fio, sem ponto final. Nela,
prazerosamente, os fios se arrematam em nós que têm no passado seu lugar
de construção e, no presente, a tarefa coletiva de preservação, salvaguarda e
comunicação.

Nesse exercício do conviver com, passamos a partilhar a vida, a rotina,
as atividades, a somar olhares. Nesse processo, há 18 meses assumimos o
papel de pró-ativo e provocador e passamos realmente a ser partícipe desse
grupo, interagindo de modo presencial ou no mundo virtual. Esta sinergia
renovou os ânimos e levou o grupo a gestar novas ações tais como a criação
da homepage da APCA, a criação do Boletim da Academia com periodicidade
semestral, bem como atividades conjuntas com o Departamento de Agronomia
para 2007.

Como foi possível observar, nessa integração da biblioteca com a APCA,
uma teia de significados vem sendo construída, e merece ser olhada sob todos
os ângulos, pois, é mister (re)fazer, (re)criar, quebrar paradigmas e aperfeiçoar
outros, é urgente inovar.

Que as musas continuem nos inspirando, assim como a esses
acadêmicos, para que, juntos, possamos na urdidura, dar continuidade à trama
e viver a emoção e os sentimentos de fraternidade, incentivo, renovação,
evolução, companheirismo e vida, que formam a alma desta teia tênue, que se
vai tecendo entre todos nós.
6- REFERÊNCIAS
ACADEMIA PERNAMBUCANA DE CIÊNCIA AGRONÔMICA. Livro de ata:
1984  1985. Recife: APCA, 1985. 101 p.

�BOBBIO, Norberto. O tempo da memória: de Senectute e outros escritos. Rio
de Janeiro: Campus, 1997. p 30-31.
CASTORIADIS , Cornelius. As encruzilhadas do labirinto I. Rio de Janeiro:
Paz e Terra, 1997, p.10.
CURY, Maria Catarina et all. O bibliotecário universitário: representações
sociais da profissão. Informação &amp; Sociedade/: Estudos. João Pessoa, v.11,
n.1, p. 86-98, 2001.
DE MASI, Domenico. Criatividade e grupos criativos. Rio de Janeiro:
Sextante, 2003, p.
___. A emoção e a regra: os grupos criativos na Europa de 1850 a 1950. 6ª
ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1999. p.
PINTO, Eudes de Souza Leão. A Academia Pernambucana de Ciência
Agronômica. Disponível em &lt;http://www.ufrpe.br/artigod/artigo-32.htm&gt;.
Acesso em 17 de julho de 2006.
ZIMMERMANN, David. Fundamentos teóricos. In: _____. Como trabalhar
com grupos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997, p. 23-31.

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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Este texto narra a tecetura de uma teia harmoniosa, capaz de suportar o simbolismo e a cultura da Biblioteca e da Academia Pernambucana de Ciência Agronômica. Nesse contexto, coexistem com o bibliotecário 30 acadêmicos, todos engenheiros agrônomos com idades entre 50 e 86 anos que, motivados e numa atitude pró-ativa, pesquisam e produzem conhecimento, publicam textos e realizam palestras, comprometidos com o social e o meio ambiente aliados à paixão pela causa agronômica. O convívio presencial e no ciberespaço com esses imortais direcionou o olhar bibliotecário ao resgate da História e da Memória Coletiva ali presentes. Ao chamado da Biblioteca, esses imortais responderam com entusiasmo, trazendo suas histórias de vida, sua relação com o universo acadêmico e sua produção científica e intelectual. Interagiram e socializaram sonhos e sentimentos relacionados à Universidade Federal Rural de Pernambuco  UFRPE, deixando transparecer a saudade, a emoção das lembranças e a alegria de continuar nesse convívio ao compartilhar o espaço e ações com a Biblioteca. Essa teia singular traz à mostra a Biblioteca enquanto instituição secular de preservação e salvaguarda do conhecimento, espaço democrático para o debate científico e, especialmente, disseminador ao tornar pública parte da memória agrícola do Estado de Pernambuco.</text>
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                    <text>NORMALIZAÇÃO DOCUMENTÁRIA: O CAMINHO DE ACESSO À PRODUÇÃO
CIENTÍFICA
Angela de Brito Bellini1
Diretora de Biblioteca da UNESP / Campus de
São José dos Campos, angela@fosjc.unesp.br
João Luís Cardoso Tápias Ceccantini2
Doutor em Letras, Professor do curso de Letras da UNESP /
Campus de Assis, Assessor Editorial da Fundação Editora da UNESP
ceccantini@editora.unesp.br
Margaret Alves Antunes3
Coordenadora da Rede de Bibliotecas da
UNESP, eti@reitoria.unesp.br
Mariângela Spotti Lopes Fujita4
Livre Docente, Professora do curso de
Biblioteconomia e de Pós –Graduação em
Ciências da Informação da UNESP / Campus de
Marília, goldstar@flash.tv.br
Silvana Aparecida Fagundes3
Mestre em Ciências da Informação, Bibliotecária
da Coordenadoria Geral de Bibliotecas da
UNESP e Membro do Grupo de Pesquisa
Análise Documentária UNESP / Campus de
Marília, silvanaf@reitoria.unesp.br
Valéria Aparecida Moreira Novelli5
Supervisor da Seção Técnica de Referência do
Instituto de Química da UNESP / Campus de
Araraquara, vnovelli@iq.unesp.br

1

UNESP – Universidade Estadual Paulista “Julio Mesquita Filho”
Faculdade de Odontologia de São José dos Campos
Avenida Eng. Francisco José Longo, 777
CEP 12245-000 - São José dos Campos - SP - Brasil
Tel.: (12) 3947-9007 -Fax.: (12) 3947-9070
2
UNESP – Universidade Estadual Paulista – Campus de Assis
Faculdade de Ciências e Letras de Assis
Avenida Dom Antônio, 2.100 Caixa Postal 65
Assis – SP - Brasil
CEP 19806-900
Tel.: (18) 3322-2933
3
UNESP – Universidade Estadual Paulista “Julio Mesquita Filho”- Reitoria
Coordenadoria Geral de Bibliotecas da UNESP
Alameda Santos, 647 - 10º andar
CEP 01419-901 - São Paulo - SP – Brasil
Tel.: (11) 3252-0375 -Fax.: (11) 3252-0208
4
UNESP – Universidade Estadual Paulista Julio Mesquita Filho, Faculdade de Filosofia e Ciência de Marília,
Departamento de Ciência da Informação Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação
Av. Hygino Muzzi Filho, 737
CEP 17525-900- Marília – SP - Brasil
Tel. (14) 3402 1370 - Fax: (14) 34224797
5

UNESP – Universidade Estadual Paulista Julio Mesquita Filho
Instituto de Química de Araraquara
Rua Prof. Francisco Degni, s/n – Bairro Quitandinha
CEP: 14800-900 - Araraquara – SP - Brasil
Tel.: (16) 3301-6602

�RESUMO:
A normalização documentária é necessária no âmbito da produção científica, por
direcionar o pesquisador aos documentos, sejam impressos, eletrônicos e
audiovisuais. Identificando a relevância da normalização nos propomos a elaborar
uma obra volumada que sistematize e exemplifique os conceitos de normalização
documentária no contexto dos documentos impressos, audiovisuais, eletrônicos e
outros diferentes suportes. Para elaboração da obra constituímos grupo de
estudo com pesquisadores de Exatas, Humanas e Biológicas, revisores editoriais
e bibliotecários. O método consistiu de revisão bibliográfica sobre o assunto como
as NBRs, ISO, Vancouver entre outras; coleta de dados sobre as dificuldades dos
usuários das bibliotecas na elaboração da normalização; discussão sobre como
normalizar os exemplos bibliográficos não previstos nas normas documentárias.
Os resultados parciais obtidos revelam que devemos fornecer ao mercado livreiro
uma obra que oriente na normalização de documentos tradicionais e incomuns,
impressos e eletrônicos, sonoros e visuais, enfim, uma gama de suportes
documentais que transmitam informação. Conclui-se que a obra deve informar
revisores editoriais na tarefa de revisão, bibliotecários de referência na orientação
aos usuários e aos pesquisadores deve orientá-los sobre a normalização de um
mesmo documento em outras normas internacionais, fornecendo subsídios para
a publicação em periódicos estrangeiros bem como, divulgação de sua produção
científica.
Palavras-chave: normalização documentária; produção científica.

1 Introdução
A normalização documentária é relevante porque torna possível o acesso
a produção científica, bem como, propicia o intercâmbio de documentos entre os
centros de informação.
Por meio da recuperação da produção científica proporcionada pela
normalização documentária, se visualiza o desenvolvimento científico nos
contextos especializados das diversas Ciências.
Embora a maioria das investigações científicas surjam de uma hipótese
que é investigada podendo ser confirmada, ou, refutada, aparentemente o
universo da ciência parece bem estático, se considerarmos que a pesquisa é
conhecida após sua publicação. Mas na realidade desde a produção inicial o
contexto científico é dinâmico e a normalização documentária que viabiliza a
recuperação de informação, tem um papel primordial, pois nenhuma pesquisa
nasce do inexistente.
O pesquisador tem como objetivo após a conclusão da investigação,
publicar e ter indexado os resultados alcançados no estudo, em fontes de

�informação de áreas de especialidades tais como: periódicos, livros, anais, ebooks, entre outras.
A publicação científica pode ser tanto de um estudo concluído, como de
uma pesquisa em desenvolvimento.
A decisão em se publicar os resultados de uma investigação contribui
para tirar do estado de anonimato o estudo desenvolvido e disseminar aos pares
a investigação em evidência.
A comunidade científica estabelece padrões de normas de publicação,
visando que toda pesquisa seja disseminada e que o conhecimento científico seja
identificado e acessado.
As normas técnicas, como é o caso das normas de documentação, são
elaboradas diante de uma necessidade da comunidade que precisa ser suprida.
São as necessidades dos profissionais especializados, escolas, universidades,
governo, instituições de pesquisa entre outros .
No Brasil o órgão responsável pela elaboração, divulgação e atualização
das normas técnicas é Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT
(2006).
Elucida-se que identificando a relevância da normalização no âmbito da
produção, por direcionar o pesquisador aos documentos e considerando as
situações

de

descrição

documentárias

não

cobertas

pelas

NBRs,

a

Coordenadoria Geral de Bibliotecas da UNESP – Universidade Estadual Paulista
e a Editora da UNESP se propuseram a elaborar uma obra volumada que
sistematize e exemplifique os conceitos de normalização documentária no
contexto dos documentos impressos, audiovisuais, eletrônicos e outros diferentes
suportes.
Destacamos que esta pesquisa encontra-se em fase de desenvolvimento
e que delimitamos para elaboração da obra um grupo de estudo com
pesquisadores das áreas de Exatas, Humanas e Biológicas, revisores editoriais e
bibliotecários.
O método consiste de revisão bibliográfica sobre o assunto como as
NBRs, normas da ISO, normas de Vancouver entre outras; coleta de dados sobre
as dificuldades dos usuários das bibliotecas na elaboração da normalização;

�discussão sobre como normalizar os exemplos bibliográficos não previstos nas
normas documentárias.
Considerando que hoje o contexto de documento se modificou, ou seja,
evoluiu sendo considerado documento todo e qualquer suporte que contêm uma
informação. Dentro dessa definição a massa documental que o pesquisador pode
utilizar além do texto científico passou a englobar outros documentos em
diferentes suportes, esta mudança pode ser notada por meio da observação dos
objetos de investigação da área de Biblioteconomia, recuperados numa revisão
de literatura, citamos aqui alguns trabalhos de pesquisadores da área que
marcam esta mudança: Straioto (1997) “Análise documentária de embalagens de
shampoo uma alternativa de uso do método diplomático para o profissional da
informação” e Bueno (1998) “Receitas culinárias como fonte de informação:
elementos para seu tratamento temático” entre outras.
Os resultados parciais obtidos revelam que devemos fornecer ao
mercado livreiro uma obra que oriente na normalização de documentos
tradicionais e incomuns, impressos e eletrônicos, sonoros e visuais, enfim, uma
gama de suportes documentais que transmitam informação.
É consenso entre os pesquisadores que a obra a ser desenvolvida deve
informar revisores editoriais na tarefa de revisão, bibliotecários de referência na
orientação aos usuários e aos pesquisadores, devendo orientá-los sobre a
normalização de um mesmo documento em outras normas internacionais,
fornecendo subsídios para a publicação em periódicos estrangeiros bem como,
divulgação de sua produção científica.
Enfim, a missão deste estudo é identificar padrões de normalização
para as tipologias documentárias distintas das áreas de Exatas, Humanas e
Biológicas não previstas nas normas de normalização documentária.
2 Estudos preliminares
Foi composto um grupo de estudos para definir os padrões a serem
utilizados tanto pela comunidade da UNESP, quanto a comunidade externa.
Participam deste grupo docentes da Universidade das diversas áreas do
conhecimento (exatas, humanas e biológicas), bibliotecários e representante do
segmento editorial. O intuito desta representação por área é o de identificar as

�necessidades específicas de cada área, que não são atendidas na íntegra pelas
normas da ABNT. Este grupo de estudos tem como meta contemplar as
situações peculiares de cada área, bem como apresentar a normalização como
instrumento e não como empecilho para o desenvolvimento dos trabalhos. Desta
forma pareceu-nos importante a visão do pesquisador, mais que a do profissional
da informação pois enquanto este tem familiaridade com os termos da área de
informação, aqueles são os usuários finais que muitas vezes não podem, ou não
desejam, contar com especialistas para fazer as referências do material
informacional utilizado em suas pesquisas. Outro fator importante a ser
considerado é que quando o pesquisador inicia seu trabalho de pesquisa, muitas
vezes esquece-se de que precisará coletar dados dos documentos para sua
referenciação.
Outro detalhe a ser considerado é a finalidade da citação da referência
dos documentos utilizados em uma pesquisa. Esta é uma informação pouco
explicitada por ser considerada óbvia porém ao sermos consultados sobre a
“fórmula” para referenciar materiais especiais tais como anotações em
guardanapos, maços de cigarro e outros. verificamos a necessidade deste
esclarecimento. Citamos um documento em todos os seus elementos de maneira
a dar condições de qualquer pessoa ter em mãos documento idêntico ao
consultado. Isto só correrá com estes materiais especias, no caso de ter em
mãos exatamente o documento citado, ou seu fac símile. Nestas situações as
normas convencionais não oferecem orientação e muitos pesquisadores querem
colocar estes documentos únicos na bibliografia utilizada, quando deveriam ser
orientados a indicar os dados destes documentos não convencionais, em notas
de rodapé.
Neste trabalho trataremos principalmente dos casos referentes a
normalização das referências.

3 Uma nova abordagem
No contato com especialistas de diversas áreas identificamos também
seus anseios de informação sobre os padrões que devem seguir, de maneira
rápida e clara. Sua preocupação principal é o seu objeto de pesquisa e não os

�padrões de apresentação da mesma, porém tem consciência da importância da
normalização que é exigida para a publicação do documento.
Outro segmento que se utiliza das normas é o editorial que necessita
manusear estes padrões para revisar os trabalhos recebidos para publicação e
ajustá-los às normas, quando necessário. Para estes, a norma é realmente
somente instrumento ao contrário do pesquisador que segue os padrões mas
também é beneficiado por estes padrões no momento em que necessita, por
exemplo, localizar uma obra citada por um colega. Neste momento fica clara para
ele a importância de ter informações completas dobre aquele documento.
Após algumas reuniões onde foram discutidas todas estas peculiaridades,
os especilistas da área de ciência da informação reuniram-se para definir a
abordagem do tema. Foi possível notar que há inúmeros trabalhos já publicados
sobre o assunto e com qualidade e abrangência necessárias adequadas às
necessidades dos geradores de informação, porém todos tem a mesma
abordagem, e também não contemplam as especifidades das áreas e outros
segmentos de usuários.
Optou-se então por fazer uma abordagem mais direta, apresentando
inicialmente uma visão geral sobre o assunto, com os “porquês” muito mais que
os “comos”. Procura-se mostrar a lógica da apresentação dos elementos e
desmistificar a dificuldade em aplicá-la. Mostra-se que todas as referências,
sejam elas de documentos, impressos, eletrônicos, tridimensionais, cartográficos,
seguem o mesmo princípio lógico. Entendido o princípio, passamos ao “como”.
A apresentação, ao contrário dos outros trabalhos do mesmo gênero,
inicia-se pelas referências em seu formato padrão, de modo que qualquer
pessoa, munida deste padrão será capaz de fazer uma referência simples de
qualquer tipo de documento. Logo após a apresentação do formato padrão serão
apresentados exemplos abrangendo todas as áreas do conhecimento.
A seguir passamos para o detalhamento de cada um dos elementos da
referência, ou seja, autor, título, editor, etc. Notamos que os pesquisadores, em
geral, impacientam-se ao terem que folhear inúmeras páginas de descrição de
elementos até chegarem ao formato ou exemplos de determinado tipo de
referência.

�Só será necessário consultar a segunda parte do trabalho, quando a
referência contiver algum elemento que possa suscitar dúvidas. Neste momento o
próprio usuário sentirá necessidade de mais informações.

4 Peculiaridades das áreas
Apresentamos a seguir, alguns casos peculiares de suas áreas:
•

na área de ciências humanas, a apresentação do prenome dos autores por
extenso é necessidade fundamental enquanto na área médica utiliza-se
somente as abreviaturas, sem problema algum. Ocorre que na área de
humanidades, em geral, a comunidade é mais ampla e trabalham com
assuntos nacionais que abrangem a todos. Por exemplo, trabalhos sobre
educação de adultos no Brasil, são de interesse de todos os educadores em
território nacional, ampliando o número de especialistas e portanto a
probabilidade de repetição de sobrenomes. As subáreas são também
bastante amplas e as especializações não são tão restritas a uma única faceta
daquele “saber”. Desta forma, é necessário termos o nome completo do autor
para termos certeza que se trata do mesmo. Já no caso, da área médica as
especializações são muito mais restritas e as comunidades costumam
trabalhar em grupos, desta forma, o simples cruzamento de sobrenome do
autor com o assunto estudado, ou com o grupo, já define o autor.

•

Quanto ao tipo de documento, em cada área há maior incidência de
determinado tipo. Na área de ciências humanas ocorre com muita frequência
análise crítica de determinadas obras, nas áreas de exatas e biológicas temos
revisões, retratações etc.

•

Quanto à autoria, no caso de ciências humanas temos em geral um único
autor, ou número reduzido de autores. No caso de biológicas, especialmente,
temos numerosos autores, grupos de trabalho, etc. Isso ocorre devido às
diferenças dos estudos desenvolvidos nestas áreas. Nas ciências biológicas e
médicas temos relatos de estudos laboratoriais onde cada um dos envolvidos
desempenha importante papel no desenvolvimento da pesquisa. Assim, para
o bom termo da pesquisa é tão importante o técnico de laboratório que faz as
pesagens cuidadosamente todos os dias, fornece os alimentos em

�quantidades rigorosamente controladas, quanto o pesquisador que define
estes parâmetros e analisa os resultados, pois a confiabilidade dos resultados
obtidos está diretamente relacionada ao controle durante todo o processo de
pesquisa. O artigo científico é o relatório final da pesquisa, na qual cada parte
envolvida foi fundamental. Por isso o grande número de autores.
Principalmente na área médica temos pesquisadores que trabalham com
Grupos de pesquisa, Consensos, etc
•

Na área de humanidades, muitas vezes o tradutor é de fundamental
importância pois há traduções que alteram a obra original. Desta forma, a
informação de tradução na referência é relevante. Informações como
ilustração e nome do ilustrador também são muito importantes nesta área.

5 Conclusão
Em nossos estudos pudemos confirmar a importância da normalização
documentária na divulgação da informação, considerando-se as peculiaridades
de cada área do conhecimento. Também notou-se a insatisfação dos usuários
com os formatos em que estas normas têm sido apresentadas, indicando-nos a
necessidade de buscar novos formatos para esta apresentação de maneira a
atender aos diversos segmentos, incluindo o editorial.
Notou-se também a necessidade de um apêndice onde são citados, os
materiais não convencionais para os quais muitos pesquisadores buscam formas
de referenciar e sentem–se desamparados ao não encontrá-los e também não
obter nenhuma informação sobre o assunto.

Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Apresentação.
Disponível em: &lt;http://www.abnt.org.br/home_new.asp&gt;. Acesso em: 26 jul. 2006.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Informação e
documentação: citações em documentos: apresentação. NBR 10520. Rio de
Janeiro, 2002. 7p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Informação e
documentação: referências: elaboração. NBR 6023. Rio de Janeiro, 2002. 24p.
BUENO, R. M. Receitas culinárias como fonte de informação: elementos para
seu tratamento temático. 1998. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado

�em Biblioteconomia) – Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual
Paulista, 1998.
ROTHER, E. T.; BRAGA, M. E. R. Como elaborar sua tese: estrutura e
referências. 2.ed. São Paulo: Edna Terezinha Rother e maria Elisa Rangel Braga,
2005. 122 p.
STRAIOTO, A. C. Análise documentária de embalagens de shampoo: uma
alternativa de uso do método diplomático para o profissional da informação. 2 v.
1998. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Biblioteconomia) –
Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista, 1998.
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA. Coordenadoria Geral de Bibliotecas.
Editora UNESP. Normas para publicações da UNESP. São Paulo: Editora da
Universidade Estadual Paulista, 1994. 4v.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ. Sistema de Bibliotecas. Normas para
apresentação de documentos científicos. Curitiba: Ed. da UFPR, 2000. 10v.
Abstract:
Documentary standardization: the way to access the scientific production.
The documentary standardization is necessary in the scope of scientific
production, for it guides the researcher to the documents, printed, electronic and
audiovisual ones. Identifying the relevance of the standardization, it is proposed to
prepare an issued publication that systemizes and exemplifies the concepts of
documentary standardization in the context of those documents and other
different versions. In order to prepare the publication, a study group was formed
with researchers from Exact, Human and Biological sciences, editorial reviewers
and librarians. The method consists of bibliographic review on this subject, as the
patterns NBRrs, ISO and Vancouver, among others; data collecting on the users'
difficulties in carring out the standardization activity; discussion on how to make
the bibliographic instances not forseen in documentary patterns. The practical
results show that it is necessary to offer to the book market a publication that
guides in the standardization of traditional and unusual documents, in print,
electronic, sound and visual, after all, any document that tranfers information. It is
concluded that the publication must inform reviewers in the review task, reference
librarians on the guidance of the libraries' users, and the researchers on the
satndardization of a same document according to different international patterns
for publishing in foreign journals, as well as to make public their scientific
production.
Keywords: documentary standardization, scientific production

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A normalização documentária é necessária no âmbito da produção científica, por direcionar o pesquisador aos documentos, sejam impressos, eletrônicos e audiovisuais. Identificando a relevância da normalização nos propomos a elaborar uma obra volumada que sistematize e exemplifique os conceitos de normalização documentária no contexto dos documentos impressos, audiovisuais, eletrônicos e outros diferentes suportes. Para elaboração da obra constituímos grupo de estudo com pesquisadores de Exatas, Humanas e Biológicas, revisores editoriais e bibliotecários. O método consistiu de revisão bibliográfica sobre o assunto como as NBRs, ISO, Vancouver entre outras; coleta de dados sobre as dificuldades dos usuários das bibliotecas na elaboração da normalização; discussão sobre como normalizar os exemplos bibliográficos não previstos nas normas documentárias. Os resultados parciais obtidos revelam que devemos fornecer ao mercado livreiro uma obra que oriente na normalização de documentos tradicionais e incomuns, impressos e eletrônicos, sonoros e visuais, enfim, uma gama de suportes documentais que transmitam informação. Conclui-se que a obra deve informar revisores editoriais na tarefa de revisão, bibliotecários de referência na orientação aos usuários e aos pesquisadores deve orientá-los sobre a normalização de um mesmo documento em outras normas internacionais, fornecendo subsídios para a publicação em periódicos estrangeiros bem como, divulgação de sua produção científica.</text>
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                    <text>NOVAS TECNOLOGIAS RENOVANDO A INTERAÇÃO DE VELHOS
ATORES: O CASO DA BIBLIOTECA CENTRAL DA UFRPE

Marleide Guedes
Pós-Graduanda em Marketing,
Bibliotecária da Biblioteca Central - UFRPE.
Recife, Pernambuco - Brasil.
marguedess@ufrpe.br
bcpt@ufrpe.br
Maria Auxiliadora Gonçalves da Silva
Professora do Departamento de Letras e Ciências Humanas - UFRPE
Doutoranda em Antropologia
Recife, Pernambuco  Brasil
maria-auxiliadora2004@ig.com.br

RESUMO

O objetivo deste estudo é recriar o site da Biblioteca Central da Universidade Federal
Rural de Pernambuco (BC/UFRPE), dentro dos princípios de marketing, a fim de
aproximar o cliente virtual do ambiente físico dessa Biblioteca. A exeqüibilidade partiu
das críticas, reclamações e pressões diretas dos usuários, para a inserção da BC no
mundo da automação. A metodologia foi realizada, através de pesquisa bibliográfica,
assim como de consulta à página de outras instituições. Desta forma, tomando por
base o acesso aos sites de outras bibliotecas universitárias, decidiu-se a partir do
aporte teórico do marketing, reestruturar o atual site da BC, de forma a torná-lo mais
eficiente, com respostas rápidas, com visual atraente, dinâmico e dotado de notícias,
assim como de informações atualizadas periodicamente. Para tanto, adotou-se como
estratégia, a reestruturação e a inclusão de novos links.
Palavras-chave: Biblioteca Universitária; Tecnologia da Informação; Cliente Virtual
Marketing; Arquitetura da Informação; Home page

�1 - INTRODUÇÃO

No mundo contemporâneo, as novas tecnologias de comunicação e
informação, as chamadas TCIs, se fazem presentes no ambiente de mudança
radical, onde imperam o computador, a internet e a intranet, que possibilitam o
acesso rápido à informação. Novos espaços de encontros proliferam,
fecundando as redes e os serviços.

Nesse lócus em mutação, a linguagem fragmentada e imediata dos
meios de comunicação vem substituindo o estático pelo dinâmico, onde o
homem interage com o real e tem suas relações cotidianas de permutas
determinadas pelas novas tecnologias e pelo mundo virtual. Por esta ótica,
constata-se que a informação direta vem sendo substituída pela indireta,
mediatizada pelos canais de informação.

Paralelamente, nos últimos anos, temos assistido cada vez mais a um
vertiginoso avanço dessa tecnologia em todas as áreas do conhecimento,
inclusive, nas áreas da Educação e da Ciência da Informação. Avanços estes,
que têm tornado mais fácil, sem sombras de dúvidas, as tarefas do cotidiano
incorporando em seu bojo, melhorias e facilidades no acesso à informação,
enquanto insumo mais importante e mais palpável em torno do qual se situa o
próprio conceito da universidade (SIMON, 1997).

Sob esse prisma, no contexto da universidade brasileira, vivemos
também um momento histórico de grandes transformações, onde o fazer
ciência que gera o conhecimento acontece em formas diversas, sendo esse
conhecimento distribuído em redes mundiais, acessíveis no ambiente virtual a
uma gama de pessoas que têm acesso à internet. No campus universitário
como em qualquer outro local, o vocabulário da informática é corriqueiro e faz
parte do dia-a-dia institucional. Professores e alunos navegam em sites e
trocam e-mails numa inter-relação natural, reflexo do cotidiano atual, onde cada
vez mais a sociedade incorpora a tecnologia em sua prática diária.

�Diante desse novo cenário, enquanto profissional da informação,
concordamos que as tecnologias da informação provocam impactos em vários
setores como o da educação, no processo de comunicação, assim como nos
serviços de informação e documentação. Lidar com redes, multimídia, internet,
intranet, chats, e-mails, etc representam novos conceitos que exigem um outro
aprendizado e leva à mudança de paradigma da biblioteca tradicional.

Em se tratando de biblioteca universitária a rapidez das atividades da
produção do conhecimento correlacionada aos requisitos das atividades
acadêmicas e, conseqüentemente da globalização do mercado, implica em
mudanças estruturais, partindo-se do princípio de que biblioteca, segundo
Cunha (2000), não é um ente isolado, estando, portanto, no contexto maior.

Há algum tempo, percebemos na Universidade Federal Rural de
Pernambuco (UFRPE) a crescente demanda da comunidade universitária pela
busca de uma informação mediatizada pela informática. Crescentemente, os
segmentos da nossa academia, a um só tempo, sentem necessidade das
facilidades que essas novas tecnologias proporcionam na busca e recuperação
da informação. Entretanto, ressentem-se das dificuldades e barreiras
gerenciais que acabam por retardar a disponibilização em larga escala desse
instrumento facilitador em seus locais de trabalho.

Particularmente,

focando

a

biblioteca

como

responsável

pela

recuperação, transformação, armazenamento e, principalmente, disseminação
dessa informação junto ao usuário, entende a questão, como geradora de um
novo tipo de usuário, este definido como cliente virtual, que é aquele usuário
da biblioteca que passa a utilizar seus serviços e produtos através da Internet,
passando a interagir no ciberespaço. A partir deste novo conceito de usuário,
surgiu para nós que fazemos a biblioteca, uma nova preocupação de como
manter esse cliente virtual atualizado com os serviços da biblioteca, uma vez
que, no momento o site a BC (Biblioteca Central) da UFRPE encontra-se
desatualizado.

�Nesse sentido, a BC vem buscando manter e validar os laços já
existentes com a nossa comunidade de usuários associando alternativas de
marketing, que visam à conquista desse usuário, enquanto cliente virtual, numa
espécie de jogo que usado conscientemente e com habilidade, pode manter a
biblioteca numa posição visível e relevante como afirma Conroy (1983).

Sendo assim, o objetivo geral dessa pesquisa é recriar o site da BC,
dentro dos princípios de marketing, a fim de aproximar esse cliente virtual do
ambiente físico dessa referida BC.

Como objetivos específicos: produzir produtos e serviços, para promover
o desenvolvimento do site e criar oportunidades de interação desse cliente com
o site, através de sugestões, críticas e opiniões.

A presente pesquisa foi desenvolvida na BC-UFRPE, considerando a
nossa vivência como profissional da área de biblioteconomia, como também,
por estar ligada especificamente ao serviço de alimentação de rede.

Sendo assim, a exeqüibilidade partiu das críticas, reclamações e
pressões diretas dos usuários para inserção da BC no mundo da automação,
tendo em vista ser a única Universidade dentro do Estado de Pernambuco, que
não tinha o seu acervo disponibilizado on-line. A metodologia constou de
pesquisa bibliográfica, bem como de consulta à página de outras instituições.

2 - REVISÃO DA LITERATURA

As bibliotecas eram locais reservados, de acesso restrito com a
função de colecionar e preservar o conhecimento então produzido. Ramalho
(1992) ao comentar sobre essa fase afirma que tais bibliotecas eram depósitos
do saber, confinadas em si mesmas, já que o conhecimento ali reunido não

�podia ser divulgado livremente. A transição do mundo medieval para o mundo
moderno tem a marca do movimento renascentista, considerado como
provocador de mudanças sociais e culturais importantes. Esse contexto de
transformação também atinge as bibliotecas, que segundo Martins (1957)
.começa a adquirir seu sentido moderno, a sua verdadeira natureza... ,
juntamente com o livro que adquire seu significado social.

Para cumprir o seu papel as bibliotecas tiveram que promover mudanças
e acompanhar as transformações vivenciadas no final do século XX e início do
século XXI, que assiste, aceleradamente, à passagem da sociedade industrial
para a sociedade da informação e comunicação. De acordo com Pimentel
(1996) estas transformações representam ... instrumentos capazes de
favorecer a capacidade do ser humano de ampliar seus conhecimentos e
produzir informações, armazená-las, organizá-las e difundi-las, englobando
assim todos os aspectos da sociedade humana. Tomando por base essas
afirmativas, buscamos como foco deste trabalho a modernização da home
page da BC-UFRPE.

Para a consecução de tal foco, no entanto, concordamos que há
algumas décadas, a área de Biblioteconomia vem trabalhando com a
informação independentemente de seu suporte físico (discos, patentes, cds,
vídeos, anais de congressos, manuscritos, cartazes, fotografias, histórias em
quadrinhos, mapas, relatórios técnicos, etc). Desta forma, as atividades
profissionais e o ensino na área deslocaram-se, historicamente, do eixo livro
(suporte) para informação (conteúdo), do controle do acervo de uma biblioteca
para o acesso à informação por meio de canais de comunicação formais
(documentos) e informais (pessoas, redes eletrônicas, colégios invisíveis).
Privilegia atividades voltadas para o acesso e o uso dos recursos
informacionais, em quaisquer formas ou locais em que se apresentem.

Segundo Lucas (2005)... O advento das novas tecnologias da
informação está mudando a noção de biblioteca neste século. Entretanto, a

�atividade primordial das bibliotecas - juntar pessoas com informações, não tem
sido alterada fundamentalmente.

Hoje a biblioteca tornou-se uma aldeia global de leitores, focalizando
suas funções na comunicação de idéias. A introdução de computadores
aumentou a capacidade das bibliotecas para manipular registros de informação
que, por sua vez, permitiu a expansão dos seus serviços através do trabalho
em rede.

Compreendendo este fato, as bibliotecas têm que estar atentas aos
novos paradigmas, procurando adaptar os seus produtos e serviços a essa
nova clientela que surge com esse novo momento. Dessa forma, a biblioteca
estará reforçando sua imagem perante os seus clientes, que são a mola mestra
da política universitária, firmando o conceito de biblioteca como pólo
transmissor de informações, muito mais do que como lugar de guarda de
documentos.

E como o marketing tem como finalidade analisar o mercado, identificar
oportunidades, formular estratégias, desenvolver tática e ações específicas,
propor orçamentos e estabelecer um conjunto de controles, além de ser
responsável em impulsionar toda a empresa para ser orientada para o
consumidor e para o mercado, tornou-se uma arma poderosa nas mãos das
empresas.

Inicialmente, marketing surgiu para resolver problemas de mercado junto
às empresas. Hoje ele existe para coordenar e direcionar as atividades de
qualquer empresa envolvida com a produção, que objetive criar serviços, bens
e produtos de modo a satisfazer o consumidor, inclusive, a biblioteca, cujo
consumidor são os usuários.

Acerca disso, Conroy (1983) considera o marketing um elemento vital na
função de planejamento do administrador e na criação do futuro. Para ela, o

�marketing como ferramenta de planejamento permite um melhor desempenho
das bibliotecas, antes, durante e depois das mudanças planejadas, ajuda a dar
forma a uma visão, testa sua viabilidade, inicia e depois modifica a sua
operação.

A recuperação automatizada da informação pode ser a saída para a
rapidez no atendimento aos usuários das bibliotecas. Entretanto, Cunha (1984)
em sua pesquisa sobre as bases e bibliotecas brasileiras afirma é de opinião
que o baixo nível de utilização desses serviços por parte dos usuários da
informação no Brasil pode estar ligado ao fato de poucas bibliotecas
desenvolverem atividades promocionais de suas bases de dados.

Muitos

bibliotecários

brasileiros

já

estão

conscientes

de

sua

responsabilidade no negócio da informação, seja ela manual ou automatizada.
Muitos já divulgaram seus produtos e serviços. É preciso, no entanto, entender
que o marketing vai além da divulgação. É preciso conhecer melhor os
usuários

como

consumidores

de

informação

para

poder

atendê-los,

satisfatoriamente. Afinal, é por causa deles e para eles que a biblioteca existe e
em função deles que sobrevivem. Conhecê-los, envolvê-los e atendê-los bem
só poderá contribuir para o reconhecimento da instituição biblioteca e o
bibliotecário como profissional da informação.

Neste contexto, surge a Arquitetura da Informação (A.I.) é responsável
por permitir que o usuário encontre o que procura com o menor número de
clique possíveis. Para conseguir isto, temos que organizar o conteúdo de
maneira clara e específica. A A.I. é um passo essencial na criação ou
reformulação de uma interface. Um bom planejamento de todos os fluxos de
informação e das funcionalidades de um site torna o produto final muito mais
usável e lucrativo.

�O dia-a-dia de um profissional de A.I. está muito mais para o trabalho de
um bibliotecário que um expert em internet, portanto o caminho do conteúdo na
rede está, muitas vezes, em olhar para o passado, no que foi feito até agora,
do que encarar o futuro como se dele viesse solução para tudo.

Diante

deste

contexto,

foi

observada

a

necessidade

de

uma

reestruturação na homepage da BC/UFRPE, pois a atual não está planejada de
modo a suprir as reais necessidades da comunidade acadêmica.

3 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

A BC/UFRPE historicamente, vem buscando se incorporar aos
tradicionais contextos e paradigmas da informação, assim como as novas
tecnologias que definem o papel mutante da biblioteca. A complexidade e
abrangência do novo ambiente de informação, a crescente sofisticação das
demandas dos usuários e a rápida evolução da tecnologia, têm trazido para a
biblioteca problemas cuja solução normalmente transcende a capacidade dos
recursos que, até pouco tempo lhe eram indisponível.

Indiscutivelmente, é este o contexto que retrata a BC, na Universidade,
que com a criação de novos cursos e a ampliação significativa do número de
alunos, potenciais usuários da biblioteca, há muito exige a informatização e a
modernização dos serviços oferecidos, meta gerencial histórica ratificada
periodicamente,

a

cada

Plano

Anual

apresentado

aos

gestores

da

universidade.

Acerca desse grande desafio, a Reitoria acompanhando a complexidade
e a abrangência desse novo ambiente aliado a crescente sofisticação das
demandas e a rápida evolução dos suportes, vêm se empenhando a
implementar desde 2002 o Projeto de Modernização Administrativa e

�Informatização da BC. Empreendimento que vem atender a uma reivindicação
das três últimas gestões dessa biblioteca, cuja prioridade sempre foi a adoção
de um software que permitiria transcender do sistema manual para a
otimização da sua infra-estrutura técnico-operacional no que diz respeito ao
tratamento, processamento e localização da informação.

O surgimento de um novo paradigma no cerne do Projeto de
Informatização e Modernização da BC/UFRPE trouxe a mudança de métodos e
processos de trabalho e estimulou a equipe técnica, apesar dos medos e
inseguranças, a trabalhar em grupo possibilitando desta forma toda uma
integração que há muito não se percebia. Ratificando a afirmativa de Reinaldo
Filho ([1990) de que o homem sempre demonstrou uma tendência a reagir
contra o novo, o revolucionário, enfim, contra tudo o que num primeiro
momento, não esteja submetido ao seu domínio]. É quase como um
mecanismo de defesa, que dispara automaticamente quando alguma coisa
ameaça sua segurança.

Nesse sentido, a competência da Coordenação Administrativa do
Projeto, trouxe para o grupo uma experiência impar, com dinâmicas de grupo e
vivências que estimularam a participação de todos os envolvidos deixando o
ambiente descontraído, corrobora Lopes ( 2005).

Diante dessas observações e tomando por base o acesso aos sites de
outras bibliotecas universitárias, decidiu-se a partir do aporte teórico do
marketing, reestruturar o atual site da BC, de forma a torná-lo mais eficiente,
com respostas rápidas, com visual atraente, dinâmico e dotado de notícias,
informações atualizadas periodicamente.

Para tanto, adotou-se como estratégia, a reestruturação da citada
homepage, através da atualização e da inclusão de novos links

conforme

�sugestões apresentadas, em formato impresso e em cd-rom à direção da BCUFRPE

4 - REFERÊNCIAS

CONROY, B. Megatrends marketing; creating the librarys future. Journal of
Library Administration, New York, v.4, n.4, p. 7-18, Winter 1983.
CUNHA, M. B.

Marketing nas bases de dados. In: ___ Base de dados e

bibliotecas brasileiras. Brasília : Associação dos Bibliotecários do Distrito
Federal, 1984. p. 119-128.
LOPES, C. , Pereira,R. C. Saltando barreiras, lançando dardos, rompendo
limites, sujeitos em um contexto grupal de aprendizagem. In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 12, 2002, Recife. Anais
eletrônicos...
Disponível
em:
&lt;
http://www.sibe.ufrj.br/snbu2002/oralpdf/29.a.pdf&gt; Acesso em: 15jul. 2005.

LUCAS, C. R. O conceito de biblioteca nas bibliotecas digitais. Disponível
em: &lt;www.informaçãoesociedade.ufpb.br/151420401.htm-5k&gt;. Acesso em : 09
ago. 2005.
MARTINS, W. A palavra escrita. São Paulo : Anhembi, 1957. 130 p.
PIMENTEL, C. E. A biblioteca universitária e o sistema educacional. In:
SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 9., 1996,
Curitiba. Anais ...Curitiba : UFPR, Biblioteca Central, 1996. 1 disquete.

RAMALHO, F. A. Receptividade de las bibliotecas universitárias de
España y de Brasil ante las nuevas tecnologias de la Informacion. 1992.
Tese (Doutorado em Ciências da Informação)  Faculdade de Ciências de la
Informacion, Universidad Complutense de Madrid, Madrid,1992.
REINALDO FILHO, D. Tecnologias da informação: novas linguagens do
conhecimento. Disponível em : &lt;http://infojus/area1/democritofilho5.html-13k&gt;.

�Acesso em 02 de set. 2005. RIBEIRO, D. A universidade necessária. Rio de
Janeiro: Paz e Terra, 1969. 307p.
SIMON, I. A universidade diante das novas tecnologias de informação e
comunicação. Jornal da USP, São Paulo, 12 - 18 de maio 1997.
Opinião, p. 2

Seção

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>O objetivo deste estudo é recriar o site da Biblioteca Central da Universidade Federal Rural de Pernambuco (BC/UFRPE), dentro dos princípios de marketing, a fim de aproximar o cliente virtual do ambiente físico dessa Biblioteca. A exeqüibilidade partiu das críticas, reclamações e pressões diretas dos usuários, para a inserção da BC no mundo da automação. A metodologia foi realizada, através de pesquisa bibliográfica, assim como de consulta à página de outras instituições. Desta forma, tomando por base o acesso aos sites de outras bibliotecas universitárias, decidiu-se a partir do aporte teórico do marketing, reestruturar o atual site da BC, de forma a torná-lo mais eficiente, com respostas rápidas, com visual atraente, dinâmico e dotado de notícias, assim como de informações atualizadas periodicamente. Para tanto, adotou-se como estratégia, a reestruturação e a inclusão de novos links.</text>
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                    <text>NOVOS CAMINHOS PARA PROVER O ACESSO À INFORMAÇÃO EM C&amp;T NO
BRASIL

Valéria Aparecida Moreira Novelli
Serviço Técnico de Biblioteca e Documentação / Instituto de Química / UNESP
Caixa Postal 355, 14801-970 Araraquara, São Paulo, Brasil
e-mail: vnovelli@iq.unesp.br
Marilda Corrêa Leite dos Santos
Serviço Técnico de Biblioteca e Documentação / Instituto de Química / UNESP
Caixa Postal 355, 14801-970 Araraquara, São Paulo, Brasil
e-mail: marilda@iq.unesp.br

RESUMO
Apresenta o SciFinder Scholar no Portal de Periódicos CAPES, sua contribuição para
a ampliação da visibilidade e acessibilidade do conhecimento mundial e
democratização do acesso nacional, antes restrito localmente às instituições com
condições de custear os altos valores das assinaturas. Destaca as principais
características, recursos, vantagens e impacto do Scifinder Scholar, um completo
sistema on-line do Chemical Abstracts Service para busca, análise e recuperação de
informação das áreas de química e assuntos relacionados, farmacologia, toxicologia,
física, biologia, ciências médicas, polímeros, ciências dos materiais, ciências
geológicas e ambientais, alimentos e agricultura. Criado para incentivar os
pesquisadores a concentrarem-se no que eles querem buscar, sem os obstáculos da
linguagem de comandos, operadores booleanos e outras técnicas de recuperação da
informação. É intuitivo, com uma interface gráfica de usuário, possui inteligência
agregada que permite pesquisas por assunto em linguagem natural o que o
diferencia de outras bases de dados. Descreve como os pesquisadores do Instituto
de Química/Universidade Estadual Paulista utilizam o SciFinder e o papel da
Biblioteca como facilitadora na implantação, divulgação e motivação para o uso
potencial. Conclui-se que este sofisticado sistema atende a demanda da comunidade
científica local e nacional e possibilita um efeito equalizador de acesso à informação.

Palavras-chave: SciFinder Scholar. Pesquisa acadêmica. Acesso à informação 
Efeito equalizador.

�1 INTRODUÇÃO
A publicação em artigos de periódicos e patentes é um método chave para os
pesquisadores ao redor do mundo compartilhar informação e estabelecer
propriedade intelecutal (WINER, 2004). E para isto torna-se necessário acompanhar
a crescente produção científica mundial, evitando-se a duplicação de esforços e
gerando-se novos conhecimentos.

A área de química apresenta um aumento considerável na literatura publicada, cerca
de 3.000 trabalhos indexados diariamente pelo Chemical Abstracts Service (CAS) da
American Chemical Society (2006) e envolve também aspectos únicos: as reações e
estruturas químicas, em relação a outras disciplinas científicas. Os químicos tem sido
privilegiados com acesso a serviços completos de resumo e indexação por
aproximadamente um século (NITSCHE; BUNTROCK, 1996) disponibilizados pelo
CAS. Estes serviços inicialmente eram oferecidos em formato impresso e
posteriormente em diferentes versões on-line (via STN, SciFinder, SciFinder Scholar)
e em cd-rom, através de aquisição por assinaturas de acordo com as respectivas
opções de versões e condições de uso (monousuário, usuários simultâneos e outras).

No Brasil o acesso a este universo de informações na área de química e assuntos
relacionados estava restrito localmente às instituições com condições de custear os
altos valores das assinaturas (em papel, cd-rom ou on-line) o que gerava
desigualdades no acesso a dados e bibliografia atualizados.

A aquisição do SciFinder Scholar, principal base de dados bibliográfica, de
substâncias e reações nas áreas de química e afins, pelo Portal de Periódicos da
CAPES em março de 2005 mudou este panorama. Veio atender a uma demanda da
comunidade científica local e nacional (SCHENINI, 2005) e também revolucionar a
pesquisa brasileira, possui vantagens de velocidade de procura por tema e permite
buscas impossíveis de se realizar por meio de publicações científicas impressas,
como por exemplo, a comparação de estruturas ou propriedades químicas (SUZUKI

�apud CUNHA, 2005). Salienta-se que pode ser utilizada não somente pelos
profissionais da química mas também de áreas como medicina, farmácia, agricultura
(LIMA apud SCHENINI, 2005) e outras porque abrange informações sobre
engenharia química, bioquímica, farmacologia, toxicologia, física, biologia, ciências
médicas, polímeros, ciências dos materiais, química aplicada, ciências geológicas e
ambientais, alimentos e agricultura.

A oportunidade de acesso ao SciFinder Scholar disponibilizada aos pesquisadores
brasileiros pela CAPES contribui para a ampliação da visibilidade e acessibilidade do
conhecimento mundial; democratização do acesso às informações nacionalmente e
fortalecimento da pequisa e comunicação científica.

2 OBJETIVOS
Apresentar o SciFinder Scholar sua contribuição para a ampliação da
visibilidade e acessibilidade do conhecimento mundial e democratização do
acesso nacional;
descrever como os pesquisadores do Instituto de Química/Universidade
Estadual Paulista (UNESP) utilizam o Scifinder Scholar e o papel da Biblioteca
como facilitadora na implantação, divulgação e motivação para o uso potencial.

3 O SCIFINDER SCHOLAR
3.1 Breve Histórico
A principal fonte de pesquisa cobrindo literatura química e assuntos relacionados é o
Chemical Abstracts, cuja publicação iniciou-se em 1907 pelo CAS que desde a sua
fundação desbrava caminhos no provimento de informação ao mundo científico,
visando atender as necessidades dos usuários e criar instrumentos que facilitem o
respectivo acesso (RABER, 2001).

A partir da metade da década de sessenta era possível realizar a pesquisa e

�recuperação da informação eletronicamente através das bases de dados do CAS.
Desde 1983 todas as bases foram colocadas disponíveis on-line através do STN
International, um sistema on-line que o CAS opera em cooperação com as
instituições FIZ Karlsruhe (Alemanha) e o Japan Science and Technology
Corporation. Para se realizar pesquisas neste sistema requer-se conhecimentos de
recuperação on-line para selecionar os termos de busca e bases de dados
adequadas, linguagem de comandos, operadores booleanos e algumas vezes ajuda
do bibliotecário para a respectiva execução (PETERS, 2000).

O CAS identificou através de estudo realizado que muitos químicos necessitavam
procurar especialistas em informação para resolverem suas questões de pesquisa
(32%). Das 68% restantes, 41% eram solucionadas através da consulta às
publicações impressas, enquanto 27% simplesmente não eram respondidas. A partir
daí pensou-se em criar um instrumento de pesquisa que pudesse ser produzido para
os cientistas serem capazes de responder 80% de suas próprias questões, enquanto
que 20% poderiam ser dirigidas aos especialistas de informação da instituição. Após
avaliar as necessidades dos usuários, o CAS decidiu criar um novo produto centrado
no usuário final. O desenvolvimento e testes do software foram realizados entre 1993
e 1994. O produto foi extensivamente testado por empresas químicas e
farmacêuticas ao redor do mundo, iniciando-se com o primeiro protótipo em julho de
1993. Houve uma versão alfa de teste incluindo 100 usuários de cinco sites, um na
Europa, utilizando uma variedade de hardwares e sistemas operacionais. No ano
seguinte a versão beta começou a ser testada com mais oito empresas, concluindose em 1995. Foram realizados testes internos como complementação aos testes dos
usuários. Assim o SciFinder tornou-se um sucesso após ser introduzido em 1995, foi
contemplado pela Associação Industrial como lançamento premiado, denominado
Melhor serviço em ciência/tecnologia. Ganhou também da R &amp; D Magazine o
prêmio R &amp; D 100 como um dos 100 produtos e processos tecnológicos mais
significativos. A versão acadêmica do SciFinder, o SciFinder Scholar foi inicialmente vendido
em dezembro de 1998 na Europa, na Universidade de Manchester (PETERS, 2000).

�Algumas valorizações e alterações foram efetuadas no SciFinder Scholar de acordo
com os novos lançamentos do sistema (BOLEK, 2000; WAGNER, 2006) podem ser
vistas na tabela abaixo:

ANO
1998
(primavera)
1998
(novembro)
1999

VERSÃO

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS

1

Pesquisas por: substâncias ou reações químicas,
assunto, autor e identificador de documentos
Inclusão de: acesso aos textos completos dos
documentos através do serviço ChemPort
Inclusão de: recurso para pesquisa completa de
reações químicas; hiperlinks para famílias de patentes;
indicação de textos completos através de ícone;
possibilidade de instalar o WebLab ViewerLite para
simulação molecular (visualização em 3D)
Inclusão de: bases CHEMCATS, CHEMLIST,
MEDLINE; análise de resultados das pesquisas;
consulta por tabela de conteúdo de periódicos;
pesquisa por nome de instituições e referências
citadas nos documentos.
Inclusão de: links para as referências dos trabalhos (as
utilizadas e as citadas); informações de reações
anteriores a 1974 e dados de propriedades calculadas
Inclusão de: pesquisa por estrutura esteroespecífica e
opções adicionais de análise e limitações até 1907
Inclusão de: apresentação de alerta de novas
substâncias; opções para analisar e limitar as buscas
e resultados; colocação inicial de propriedades
experimentais
das
substâncias;
referências
selecionadas da literatura entre 1900-1906
Inclusão de: similariedade de estruturas; pontos
variáveis para ligações; repetição de grupos para
pesquisa de estruturas; remoção de citações
duplicadas; localização de referências específicas;
redesenho do menu principal; aproxidamente 14.000
registros datados de 1879 a 1900 do Journal American
of Chemical Society e do Journal of Physical
Chemistry; patentes e outros artigos com resumos
disponibilizados nestas duas publicações

2
3

2000

SciFinder Scholar
2000

2001

SciFinder Scholar
2001

2002

SciFinder Scholar
2002
SciFinder Scholar
2004

2003

2005
(agosto)

SciFinder Scholar
2006

O CAS continua disponibilizando o Chemical Abstracts nas versões impressa, cdrom, mas estas possuem limitados pontos de acesso e são mais morosas para se
realizar pesquisas (BOLEK, 2000). E também através do STN International.

�3.2 Caracterização
O SciFinder Scholar é um completo sistema on-line para busca, recuperação e análise de
informações cobrindo as áreas de química, engenharia química, biologia, farmácia,
ciências médicas, agricultura, alimentos, polímeros, geologia, física, ciência dos materiais.

Foi criado para incentivar os pesquisadores a concentrarem-se no que eles querem
buscar, sem os obstáculos da linguagem de comandos, operadores booleanos,
parênteses, truncagem para a recuperação da informação. É intuitivo, dirigido por
menus graças a sua interface gráfica de usuário, possui inteligência agregada que
permite pesquisas por assunto em linguagem natural (natural language query  NLQ)
(WAGNER, 2006), recuperar sinônimos de termos (como determination e analysis),
variações de grafia (como spectrometry e spectrometric; grafia americana e inglesa:
como color e colour), abreviações (chem. para chemical) e autor mesmo com grafia
inexata, aspectos estes que o diferenciam de outras bases de dados existentes
(CHEMICAL ABSTRACTS SERVICES; OPTIONLINE, 2005; PETERS, 2000).

Para a utilização do SciFinder Scholar é necessário a instalação de um software
especial no computador do usuário (IP institucional) que

o conecta através da

internet aos computadores do CAS, em Columbus.

Fornece acesso pontual com clique a cinco bases de dados desenvolvidas pelo CAS
e a uma base de dados da National Library of Medicine, especificadas abaixo:
CAplus: contém aproximadamente 25 milhões de documentos, oriundos de
150 países, englobando artigos de 9.500 títulos de periódicos, patentes de 50
organismos nacionais e internacionais, palestras, teses, relatórios técnicos,
etc. A partir de 1907, com atualização diária, de aproximadamente 3.000 registros.
CAS Registry: contém 28 milhões de substâncias orgânicas e inorgâncias e
também

biosequências.

A

partir

aproximadamente 4.000 registros.

de

1907,

atualização

diária,

de

�CASREACT: contém 10 milhões de reações cadastradas. A partir de 1840,
atualização semanal, de aproximadamente 600 a 1.300 registros.
CHEMCATS: contém 8 milhões de substâncias e seus respectivos
fornecedores (850 catálogos de 750 fornecedores). Atualizada quando houver
informação nova ou revisão.
CHEMLIST: 200 mil registros de informações regulatórias de substâncias
(transporte, toxicidade, etc). Atualização semanal, de aproximadamente 50 registros.
MEDLINE: contém aproximadamente 15 milhões de documentos cobrindo
literatura biomédica oriundos de 3.900 periódicos e 70 países. A partir de
1950, atualizada 4 vezes por semana.

A tela inicial do SciFinder Scholar oferece as seguintes alternativas de navegação:

Menu principal

Barra de botões

Opções de
pesquisa

Fonte: AMERICAN CHEMICAL SOCIETY. SciFinder Scholar. Version 2004.2.

�Pode-se pesquisar pelas seguintes opções:
Substâncias ou reações químicas, com três opções de busca: estrutura ou
reações; nome de substância ou número CAS e fórmula molecular.
Assuntos ou termos
Nome de autor
Número de identificação de documentos: resumo CAS ou patente
Nome de empresa, universidade ou instituição
Consultar sumários de 1.937 títulos de periódicos que são indexados na íntegra

A pesquisa por assunto deverá ser realizada através de frases que descrevam o
tópico de interesse para um melhor resultado. Exemplo:

Fonte: AMERICAN CHEMICAL SOCIETY. SciFinder Scholar. Version 2004.2.

A respectiva pesquisa é efetuada nos títulos, resumos e termos de indexação e ao
invés de um resultado único, tem-se uma lista de alternativas intitulada Topic
candidates, onde o usuário poderá escolher a que lhe interessar mais, desde a
opção mais específica até a mais geral. Nesta lista de resultados, as alternativas
(CHEMICAL ABSTRACTS SERVICE; OPTIONLINE, 2005; WAGNER, 2006) podem
ser indicadas e exemplificadas como:
1. as entered: contém a frase exata (quando o tópico de busca for relativamente
curto). É mais preciso, exatamente como os termos foram escritos, não
apresenta os recursos inteligentes de busca, grafias alternativas, sinônimos, etc.

�2. concept closely associated: contém todos os termos localizados no título,
numa mesma sentença, dentro do resumo ou em um único termo de
indexação (apresenta as variáveis).
3. Concept anywere in the reference: contém os termos presentes num mesmo
registro, mas em qualquer lugar do título, resumo ou termo de indexação.
4. Containing the concept: contém cada termo isoladamente.

1
2

3

4

Fonte: AMERICAN CHEMICAL SOCIETY. SciFinder Scholar. Version 2004.2.

Outros recursos disponibilizados pelo SciFinder Scholar:
ordenação, análise e refinamento das buscas (de referências e reações);
pesquisa por citações e referências citadas;
links para citações dos trabalhos;
capacidade de imprimir e gravar resultados;
acesso ao texto completo dos documentos através do serviço ChemPort;
links para os dados de registros, fontes comerciais e listas de inventários das substâncias;
link para o site eScience, que realiza buscas em outros sites grátis da internet.

�As informações recuperadas incluem se forem:
Documentos
Título
Autor/Inventor
Nome da Companhia/Entidades/Detentor da Patente
Ano de publicação
Fonte, Ano, Editora, Volume, Número, Páginas, ISSN
Identificação da patente, incluindo Prioridade, Aplicação e Família
Identificação do idioma original
Resumo (sempre em inglês)
Termos indexados
Termos complementares indexados
Citações

Substâncias
Nome químico
Número CAS
Estrutura química para substâncias
Estrutura química para reações
Biosequências
Dados químicos
Fontes comerciais para substâncias
Informação regulatória

3.3 A utilização do SciFinder Scholar no Instituto de Química/Universidade
Estadual Paulista (UNESP)
Em março de 2005 as bibliotecárias do Serviço Técnico de Biblioteca e
Documentação, Instituto de Química, UNESP participaram de um treinamento sobre
o SciFinder Scholar oferecido pela CAPES e Optionline, representante do CAS no
Brasil na época. A partir de então e de orientações sobre a utilização institucional

�recebidas da Coordenadoria Geral de Bibliotecas (CGB) da UNESP foi realizado um
planejamento para a implantação, divulgação e treinamento no Instituto de Química.

Definiu-se que o SciFinder Scholar seria instalado na Biblioteca em 5 computadores
na Sala de Bases de Dados e em computadores de docentes e pesquisadores,
através de agendamento de horário.

Se pensarmos apenas em dificuldades na utilização do SciFinder Scholar podemos
dizer

que

praticamente

dispensa

treinamento

devido

as

suas

principais

características: desenvolvido para incentivar os pesquisadores a concentrarem-se no
que eles querem buscar, sem os obstáculos da linguagem de comandos, operadores
boolenos e outras técnicas tradicionais de recuperação da informação; é intuitivo;
dirigido por menus e interface gráfica de usuário; possui inteligência agregada que
permite pesquisas por assunto em linguagem natural o que o diferencia de outras
bases de dados. Mas se levarmos em conta que o sistema oferece muito mais
informações do que referências e resumos, portanto uma nova forma de se
pesquisar diferente da adotada em outras bases de dados utilizadas até então; que
os usuários muitas vezes não exploram a funcionalidade dos sistemas na sua
totalidade e freqüentemente não pesquisam da maneira mais eficiente (COOKE;
SCHOFIELD; COLLIER, 2001; RIDLEY, 2000) é aí que a Biblioteca pode exercer o
seu papel de motivadora para o uso potencial, através do oferecimento de
treinamentos.

Os treinamentos iniciaram-se em abril/2005, logo após a aquisição pela CAPES, e
desde então vem sendo realizados semanalmente em vários horários da Sala de
Bases de Dados da Biblioteca, com turma de 5 usuários por turma, opção de
agendamento no respectivo website e um usuário por computador, com o objetivo de
melhor aproveitamento. Oferecemos algumas opções de horários direcionados para
grupos específicos (docentes, pesquisadores, alunos de pós-graduação, alunos de
graduação) que possuem demandas e características peculiares. Após uma breve

�exposição sobre as bases de dados, características e vantagens do sistema, é
realizada uma apresentação pormenorizada de cada recurso do menu principal no
intuito de capacitar o usuário a explorar todo o potencial do sistema, evitando-se a
sua subutilização por desconhecimento. O conteúdo programático do treinamento
encontra-se disponível no Apêndice A.

A divulgação é realizada através de correio eletrônico; web site da Biblioteca;
cartazes afixados na Biblioteca e em lugares de grande circulação de usuários no
Instituto de Química, como Departamentos, corredores, Diretório Acadêmico; no
Balcão de Atendimento (empréstimos e devoluções de materiais); palestra para
alunos ingressantes dos cursos de pós-graduação (Química e Biotecnologia);
conversas com usuários; painel e folders.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A informação química envolve sempre aspectos únicos, as reações e estruturas
químicas, em relação a outras disciplinas científicas. Os químicos tem sido
beneficiados com acesso a serviços completos de resumo e indexação por
aproximadamente um século (NITSCHE; BUNTROCK, 1996) através do CAS, mas
isto não condizia com a realidade dos pesquisadores brasileiros desta área que
estavam restritos a acessar localmente somente naquelas instituições com condições
de custear os altos valores das respectivas assinaturas.

A disponibilização on-line de parte importante da produção científica mundial do
SciFinder Scholar através do Portal de Periódicos da CAPES foi de fundamental
importância para a produção científica e tecnológica nacional por contribuir com a
redução das enormes desigualdades no acesso às informações no Brasil, entre suas
regiões, instituições e entre pesquisadores individuais também (FAGUNDES NETO;
NADER; PACKER, 2006; SOARES, 2004). Possibilitou que todas as universidades e
institutos de pesquisa tenham a mesma condição de acesso à literatura
especializada.

�É muito gratificante para a Biblioteca contribuir com todo este processo ao exercer o
seu papel de facilitadora do acesso rápido e eficiente da informação em ciência e
tecnologia, mostrando novos caminhos aos usuários. E também conhecer e utilizar
um sistema inovador, desenvolvido para o usuário.

Conclui-se que este sofisticado sistema atende a demanda da comunidade científica
local e nacional e possibilita um efeito equalizador de acesso à informação.

REFERÊNCIAS
AMERICAN CHEMICAL SOCIETY. SciFinder content at a glance. Disponível em:
&lt;http://www.cas.org/SCIFINDER/ataglance.html&gt;. Acesso em: 20 jul. 2006.
BOLEK, A. D. SciFinder Scholar. Issues in Science and Technology
Librarianship, n. 28, 2000. Disponível em: &lt;http://www.istl.org/00-fall/databases&gt;.
Acesso em: 19 jul. 2006.

CHEMICAL ABSTRACTS SERVICE; OPTIONLINE. SciFinder Scholar guia do
usuário. São Paulo, 2005. Paginação irregular.

COOKE, F.; SCHOFIELD, H.; COLLIER, H. Mining for information nuggets:
assessment of end-userssearch techniques to assist with training and purchase
decisions. In: INTERNATIONAL CHEMICAL INFORMATION CONFERENCE, 2001.
Proceedings p. 7-16. In: Information Science &amp; Technology Abstracts. Disponível
em: &lt;http://search.epnet.com/login.aspx?direct=true&amp;db=izh&amp;an=ISTA3700900&amp;lang=ptbr&gt;. Acesso em: 24 maio 2006.
CUNHA, A. Especialista acredita em mudança do perfil da pesquisa brasileira. Jornal
da Ciência e-mail, n. 2816, 21 jun. 2005. Disponível em:
&lt;http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=29986&gt;. Acesso em: 24 maio 2006.

FAGUNDES NETO, U.; NADER, H. B.; PACKER, A. L. O Portal Capes e o impacto
da ciência brasileira. Jornal da Ciência e-mail, n. 3064, 24. jul. 2006. Disponível em:
&lt;http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=39346&gt;. Acesso em: 26 jul. 2006.

�NITSCHE, C. I.; BUNTROCK, R. E. SciFinder 2.0: preserving the partnership
between chemist and information professional. Database Magazine, v. 19, n. 6, p.
51-54, 1996. In: Information Science &amp; Technology Abstracts. Disponível em:
&lt;http://search.epnet.com/login.aspx?direct=true&amp;db=izh&amp;an=ISTA3305311&amp;lang=ptbr&gt;. Acesso em: 1 jun. 2006.

PETERS, P. P05 New pathways for providing chemical information to academic
research and education. Chemicke Listy, v. 94, p. 762-778, 2000.

RABER, L. R. CAS: a chemical research dynasty. Chemical &amp; Engineering News, v.
79, n. 9, p. 45-48, 2001. Disponível em:
&lt;http://pubs.acs.org/isubscribe/journals/cen/79/i09/html/7909sci3.html&gt;. Acesso em:
19 jul. 2006.

RIDLEY, D. D. Strategies for chemical reaction searching in SciFinder. Journal of
Chemical Information &amp; Computer Sciences, v. 40, n. 5, p. 1077-1084, 2000. In:
Information Science &amp; Technology Abstracts. Disponível em:
&lt;http://search.epnet.com/login.aspx?direct=true&amp;db=izh&amp;an=ISTA3502845&amp;lang=ptbr&gt;. Acesso em: 1 jun. 2006.
SCHENINI, F. Portal de periódicos da Capes investe em melhorias. Jornal da
Ciência e-mail, n. 2782, 6 jun. 2005. Disponível em:
&lt;http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=28721&gt;. Acesso em: 24 maio 2006.

SOARES, G. A. D. O Portal de Periódicos da Capes: dados e pensamentos. RBPG Revista Brasileira de Pós-Graduação, n. 1, p. 10-25, 2004. Disponível em:
&lt;http://www.capes.gov.br/rbpg/portal/conteudo/10_25_o_portal_de_periodicos.pdf &gt;.
Acesso em: 24 maio 2006.

WAGNER, A. B. SciFinder Scholar 2006: an empirical analysis of research topic
query processing. Journal of Chemical Information and Modeling, v. 46, p. 767774, 2006. Disponível em: &lt; http://pubs.acs.org/cgibin/article.cgi/jcisd8/2006/46/i02/pdf/ci050481b.pdf&gt;. Acesso em: 25 jul. 2006.

WINER, F. B. Bridging the chemical and biological sciences through exploration of
the drug discovery literature. In: CENTRAL REGIONAL MEETING OF THE
AMERCIAN CHEMICAL SOCIETY, 36 th, 2004, Indianopolis. Abstracts In:
SciFinder Scholar. Version 2004.2. AN: 435426.

�APÊNDICE A - PROGRAMA DO TREINAMENTO SCIFINDER SCHOLAR

1

DEFINIÇÃO

2

CONTEÚDO

3

COMO ACESSAR

4

COMO PESQUISAR

4.1

Substância química ou reação

4.1.1 Estrutura química (desenhar; importar: extensões cxf ou mol ou str; editar: copiar um
número de registro)
4.1.2 Nome da substância química ou Número de Registro (exemplo pesquisar aniline,
verificar os ícones Referências, Fontes Comerciais, Lista Regulatória de Substâncias e
Reações)
4.1.3 Fórmula molecular (exemplo H2SO4: isômeros e opções de refinar e outras)
4.2 Autor (Exemplo Zapp J: selecionar os autores com as variáveis da letra J)
4.3 Documento especificado (Exemplo resumo 139:601K)
4.4 Empresa, organização, universidade (variações para procurar IQ e UNESP)
4.5 Períodicos indexados na íntegra (Edit Find Talanta)
4.6 Tópico: termo ou assunto (Exemplo1: spectrophotometric determination of aspartame,
verificar lista de resultados: resultado específico, como entrada/ resultado um pouco mais
geral, variações/resultado mais geral/universo maior) (Exemplo 2: spectrophotometric
(colorimetric, spectrometric) determination of aspartame)
5 ANALISAR RESULTADOS (separar itens das Bases CA e Medline para não analisar
referências repetidas, exemplo por ano, título, periódico entre outras)
6

REFINAR RESULTADOS (opções disponíveis e exemplo por ano)

7

IMPRIMIR (sem limite de número de referências, padrão: autor, título do trabalho, fonte e

resumo, imprimir tudo ou selecionar as de interesse)
8 GRAVAR RESULTADOS (limite de 100 referências por arquivo, gravar tudo ou selecionar
as de interesse)
9 DESCONECTAR
10 EXERCÍCIO DE INTERESSE INDIVIDUAL

�</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Apresenta o SciFinder Scholar no Portal de Periódicos CAPES, sua contribuição para a ampliação da visibilidade e acessibilidade do conhecimento mundial e democratização do acesso nacional, antes restrito localmente às instituições com condições de custear os altos valores das assinaturas. Destaca as principais características, recursos, vantagens e impacto do Scifinder Scholar, um completo sistema on-line do Chemical Abstracts Service para busca, análise e recuperação de informação das áreas de química e assuntos relacionados, farmacologia, toxicologia, física, biologia, ciências médicas, polímeros, ciências dos materiais, ciências geológicas e ambientais, alimentos e agricultura. Criado para incentivar os pesquisadores a concentrarem-se no que eles querem buscar, sem os obstáculos da linguagem de comandos, operadores booleanos e outras técnicas de recuperação da informação. É intuitivo, com uma interface gráfica de usuário, possui inteligência agregada que permite pesquisas por assunto em linguagem natural o que o diferencia de outras bases de dados. Descreve como os pesquisadores do Instituto de Química/Universidade Estadual Paulista utilizam o SciFinder e o papel da Biblioteca como facilitadora na implantação, divulgação e motivação para o uso potencial. Conclui-se que este sofisticado sistema atende a demanda da comunidade científica local e nacional e possibilita um efeito equalizador de acesso à informação.</text>
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                    <text>Universidade Federal da Bahia
Instituto de Ciência da Informação
Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação

O acervo de periódicos do Portal da CAPES na área de Ciência da Informação:
representatividade da coleção

Kátia de Oliveira Rodrigues

Salvador
2006

�Resumo
O trabalho propõe abordar a comunicação científica, em particular
a circulação da informação por meio dos periódicos científicos,
impressos e eletrônicos, e em seguida avaliar a representatividade
do acervo de periódicos oferecido pelo Portal da CAPES na área
de Ciência da Informação. Através de um estudo descritivo, com
abordagem comparativa, pretende-se aferir a qualidade da coleção
disponibilizada pela CAPES aos pesquisadores brasileiros. As
fontes utilizadas como parâmetro comparativo foram as listas
temáticas produzidas no âmbito de algumas bibliotecas
universitárias americanas e a lista de títulos utilizada pela base de
dados referenciais conhecida como Library and Information
Science Abstracts – LISA. O critério para inclusão das bibliotecas
universitárias americanas exigia que estivessem com seu acervo
disponível via Internet no momento da pesquisa. Os resultados
obtidos nos levam a concluir que a coleção de periódicos do Portal
da CAPES na área de Ciência da Informação envolve um universo
limitado e não-representativo de títulos da área. Outro aspecto que
se deve assinalar diz respeito aos critérios de seleção de novos
títulos para o Portal, que deveriam ser mais transparentes. Esperase que o estudo possa oferecer contribuição significativa para a
política de seleção e desenvolvimento de coleções do Portal de
Periódicos da CAPES.
Palavras-chave: Periódico eletrônico; Portal da CAPES; LISA;
Desenvolvimento de coleções; Comunicação científica

1 Introdução
A comunicação científica, instrumento de fundamental importância para
pesquisadores, vem passando por mudanças significativas, desde sua estrutura à forma de
divulgação, tal fato contribui na qualidade da comunicação para os pesquisadores, já que,
para eles é

imprescindível que seu trabalho

seja publicado, divulgado

e,

conseqüentemente, aceito pela comunidade científica. A esse respeito, Meadows (1999)
confirma esse processo ao dizer que a comunicação científica encontra-se no âmago da
ciência, sendo extremamente necessária à pesquisa, uma vez que, para legitimá-la é
imprescindível ser analisada e aceita pelos pesquisadores.
Com o emprego dos computadores no processamento da informação bibliográfica
na década de 1960, já se previa uma grande transformação na comunicação científica, já

�que o número de publicações aumentaria, o que facilitaria o acesso por um lado, mas
dificultaria por outro, pela quantidade de informação gerada. A biblioteca, por sua vez,
no percurso de sua história desempenhou várias funções, desde recolhimento para
armazenamento dos rolos e volumes, até geração de conhecimentos através da prestação
de serviços de informação e atendimento ao usuário. Pode-se verificar que, no que tange
à biblioteca universitária, ela também sofreu transformações e vem passando por
mudanças de paradigmas, resultante do impacto das novas tecnologias, a grande
transformação. Como exemplo deste quadro, temos o Portal de Periódicos da CAPES.
Criado em 2000, o Portal de Periódicos da CAPES disponibiliza um acervo de
9.444 revistas nacionais e estrangeiras, além de 90 bases de dados com resumos de
documentos. O Portal é livre e gratuito, apenas para os usuários participantes. A inclusão
das coleções do Portal nas bibliotecas das IES trouxe indagações no que concerne à
política de desenvolvimento de coleções, ainda não resolvidas, o que não elimina
entretanto o interesse por ele.
O presente trabalho faz parte da dissertação de mestrado do Programa de PósGraduação do Instituto de Ciência da Informação da UFBA e pretende discorrer sobre a
comunicação científica, em particular os periódicos científicos, para então fazer um
avaliação da representatividade da coleção de periódicos do Portal da CAPES na área de
Ciência da Informação, através de um estudo quantitativo descritivo, nas bibliotecas
internacionais e na base de dados LISA na área de ciência da informação.
Como o universo de títulos de periódicos na área de Ciência da Informação que
compõe os catálogos online das instituições internacionais era muito extenso, optamos
por fazer um paralelo com a base de dados LISA – Library and Information Science
Abstracts, criada em 1969, que é uma ferramenta para os profissionais de biblioteca e
especialistas em informação e possui um acervo de mais de 440 periódicos de mais de 68
paises e cerca de 36 línguas.

2 Comunicação científica
Os canais de informação podem variar de acordo com o público que se deseja
alcançar, podem ser sob a forma de reuniões, associações profissionais, correio

�eletrônico, listas de discussão e os “gatekeepers”, que apesar de sua estrutura informal,
desempenham uma grande função no meio científico. Entretanto, os canais formais, tais
como, livros e periódicos científicos propiciam uma disseminação com maior amplitude
e perpetuação pelo tempo, além de servir como vitrine para os autores e editores. A
ciência para se legitimar necessita ser divulgada, verificada e comprovada. Com isso,
busca os canais formais de comunicação. Oliveira e Noronha argumentam que “o avanço
científico ocorre através da análise, do debate e da verificação dos dados e das teorias, o
que só é possível através da garantia de acesso à informação a toda comunidade
científica, independente do suporte de seu registro.” (OLIVEIRA e NORONHA, 2005,
p.10)
De acordo com a área de pesquisa, o tipo de canal pode ser alterado, o que não
diminui o valor da informação. No presente trabalho, iremos nos deter aos periódicos
científicos, que possuem características particulares que os identificam dentro da
comunidade científica, como o título e o resumo, que sofreram alterações com o passar
do tempo. Meadows afirma que: “Os resumos, assim como os títulos, tornaram-se mais
extensos e mais informativos nas últimas décadas” (MEADOWS, 1999, p. 175).
O periódico científico, veículo de disseminação da produção do conhecimento
registrou nas últimas décadas uma transformação, dificultando assim, a constante
atualização dos profissionais. Entretanto com o advento das novas tecnologias, entre elas
a internet, a divulgação da produção científica ficou mais fácil e dinâmica, já que, a rede
disponibiliza uma variedade de informações em tempo hábil, tal fato, veio associado a
outras mudanças de conduta no meio editorial, uma vez que, os periódicos científicos
passaram a ter um custo de acesso, o que não era visível logo no seu surgimento.
Meadows considera que “A maioria dos periódicos eletrônicos dedicados à pesquisa na
primeira metade da década de 1990 era grátis (ou seja, não era cobrada taxa alguma para
acessá-los, embora os leitores tivessem de gastar dinheiro para se ligarem à rede)”
(MEADOWS, 1999, p. 76, grifo do autor). Porém este cenário não impossibilitou o
desenvolvimento acelerado do periódico eletrônico, independente da coexistência do
impresso.
Em contrapartida, a comunicação científica eletrônica possibilitou além das
vantagens citadas, o hipertexto informatizado, que associado a velocidade e a nãolinearidade, permite uma interface que não é possível na comunicação impressa, já que é

�permite uma interface que não é possível na comunicação impressa, já que é estável.
Levy argumenta que:
O hipertexto é dinâmico, está perpetuamente em movimento. Com um ou dois
cliques, obedecendo por assim dizer ao dedo e ao olhar, ele mostra ao leitor
uma de suas faces, depois outra, um certo detalhe ampliando uma estrutura
complexa esquematizada. Ele se redobra e desdobra à vontade, muda de forma,
se multiplica, se corta e se cola outra vez de outra forma. (LEVY, 1993, p.41)

A comunicação científica envolve vários elementos, como: autor, editor, revisor,
colaborador, entre outros. Embora cada um possua papel definido, todos se conectam
formando uma cadeia, onde o trabalho de um está diretamente ligado ao trabalho do
outro. Para se chegar a publicação de um material, por exemplo, este transitará por várias
instâncias hierarquicamente organizadas dentro de um sistema,

ou seja, para que a

pesquisa venha a ser publicada é imprescindível a aprovação do editor, em geral
acompanhada da avaliação de qualidade do material pelo avaliador, uma vez que, esta
deve ter aceitabilidade junto ao meio acadêmico.
Verifica-se, no entanto, que apesar do periódico ser eleito como o principal
veículo de comunicação científica, o seu valor informacional não foi alterado com a
transição do impresso para o eletrônico. Segundo Targino,
Cada inovação tem o seu próprio espaço, o seu próprio tempo, o seu próprio
público. Em anos e anos de informação multifacedada, não há registro de casos
de extinção de veículos de comunicação face à emergência de outros.
Acontecem, sim, mutações, adaptações e avanços, o que contraria posições
radicais que vêem o periódico impresso como algo ultrapassado. (TARGINO,
1999, p.5)

2 Desenvolvimento de coleções
Desenvolvimento de coleções, apesar de ser um termo novo, entre os profissionais
da informação, o processo de desenvolver coleções, pressupõe colecionar, que remonta
desde os primórdios das bibliotecas, já que, para formar uma biblioteca é imprescindível,
decidir o que se colecionar, até porque a coleção de uma biblioteca reflete o contexto
histórico em que a sociedade está vivendo. Se fizermos uma retrospectiva histórica, é
pertinente sinalizar que na Idade Média as coleções refletiam uma ótica cristã, o oposto
do que vem acontecendo nos dias atuais.

�O desenvolvimento de coleções faz parte do planejamento global de uma
biblioteca. Não existe um modelo universal para definir o desenvolvimento de coleções, a
partir das políticas estabelecidas é que são definidos os critérios para atender os objetivos
da instituição ao qual ela está inserida. No caso das bibliotecas universitárias, a política
de desenvolvimento de coleções deve nortear o tripé – ensino, pesquisa e extensão.
Apesar do termo desenvolvimento de coleções ter passado por várias transformações de
nomeclaturas, somente nos anos sessenta o termo foi mais difundido. Neste ante-projeto
iremos utilizar desenvolvimento de coleções. Andrade e Vergueiro citando estas
passagens, salientam:
Houve uma evolução no campo antes atingindo o conceito iniciando com
Seleção de Livros a Construção de Coleções para Desenvolvimento de
Coleções. Muitos profissionais estão agora também usando a expressão
Administração de Coleções como extensão do termo Desenvolvimento de
Coleções. (ANDRADE e VERGUEIRO, 1996, p. 16, grifo do autor, tradução
nossa)

Nas últimas décadas com a explosão documental, tornou-se inviável acompanhar
o crescimento da informação científica e tecnológica. O ideal para as bibliotecas
universitárias seria acompanhar o avanço, mas torna-se inviável diante das limitações
financeiras e políticas. Ao refletir sobre a explosão bibliográfica, Andrade e Vergueiro
afirmam que:
Parece haver um consenso geral que a suposta explosão bibliográfica que
ocorreu na segunda metade do século XX pode ter sido responsável pelo
movimento desenvolvimento de coleções. (ANDRADE e VERGUEIRO, 1996,
p.16, grifo do autor, tradução nossa)

No que diz respeito ao periódico científico, que surgiu desde a segunda metade do
século XVII, e que é um veículo de comunicação bastante difundido no meio acadêmico,
vem sendo utilizado atualmente por várias razões. Meadows aponta uma como principal:
“necessidade de comunicação, do modo mais eficiente possível, com uma clientela
crescente interessada em novas realizações.” (MEADOWS, 1999, p.7). Entretanto, o
periódico vem com o passar do tempo, ajustando-se às novas tecnologias da informação e
desde os anos 70 passou também a ser veiculado no espaço digital, o que vem
possibilitando uma maior divulgação da produção científica. Esta transição do periódico
no formato impresso para o eletrônico segundo Cruz et al. (2003) ocasiona mudanças
para todos que estão envolvidos com a comunicação científica, entre eles a biblioteca

�universitária, principalmente no que tange a política de desenvolvimento de coleções. De
acordo com palestra pronunciada no X Encontro Nacional de Editores Científicos o
gerenciamento de uma coleção de periódicos eletrônicos nas bibliotecas universitárias
tem um custo mais elevado, comparando com os periódicos impressos, até porque em
muitos, o contrato de acesso aos periódicos estão baseados no aluguel ou licenciamento
para uso de um produto, o que pode gerar um problema futuro com a coleção. Lemos é
claro quando ao afirma:
“Ao contrário do que acontecia com as assinaturas de periódicos impressos em
papel, cujos preços eram públicos, as assinaturas de periódicos eletrônicos são
flutuantes, e dependem do tipo de arranjo ou composição de títulos a que
chegam cliente e fornecedor. Há contratos que incluem uma cláusula de nondisclosure, pela qual o cliente não pode revelar quanto pagou.” (LEMOS, 2005,
p.5)

Desde 2000, a comunidade acadêmica passou a dispor do Portal de Periódicos da
CAPES, na tentativa de democratizar a informação, uma vez que, o portal disponibiliza
títulos nacionais e internacionais via internet. A este respeito, Bastos; Bastos; Nascimento
afirmam que “A finalidade do Portal era oferecer acesso à informação científica e
tecnológica às IFEs de todas as regiões do País, em igualdade de condições, através da
distribuição de publicações eletrônicas pela Internet, reduzindo, desta forma, as
desigualdades regionais.” (BASTOS; BASTOS; NASCIMENTO, 2004, p.4). Assim
sendo, todo processo de desenvolvimento de coleções possui caráter administrativo e
político, porque visa atender as necessidades informacionais dos usuários, a partir da
disponibilidade orçamentária. Surge, então, um novo questionamento: que critérios seguir
diante do Portal de Periódicos da CAPES e dos periódicos impressos? Este
questionamento é contemplado em nossos estudos.

3 Metodologia e coleta de dados
O estudo visa avaliar a representatividade da coleção dos títulos de periódicos do
Portal da CAPES, na área de Ciência da Informação. Acredita-se que a coleção de
periódicos disponível no Portal, na área de Ciência da Informação, não é representativa
diante dos títulos existentes na área.

�No que diz respeito à metodologia adotada, os dados foram analisados de forma
descritiva, com abordagem comparativa entre o Portal da CAPES, as listas especializadas
de periódicos das bibliotecas universitárias americanas e a lista da LISA: Library and
Information Science Abstracts.
Foi realizado um estudo mais detalhado com a lista da LISA, já que,
acreditávamos que seria inviável uma análise minuciosa com todas, levando-se em conta,
a extensão do acervo das bibliotecas universitárias americanas levantado.
O critério para seleção das bibliotecas universitárias americanas, que foram
incluídas neste estudo, foi que estivessem com seu acervo disponível via internet em
2006.

4 Análise dos Resultados
O primeiro aspecto analisado foi a quantidade de títulos de periódicos da área de
Ciência da Informação, disponível no Portal. Para tanto, realizamos um levantamento na
grande área das Ciências Sociais Aplicadas, que contempla a sub-área Ciência da
Informação. Como resultado foram encontrados 235 títulos de periódicos. Desse
universo, observamos que 38 eram repetidos. O que leva o Portal a computar como mais
um título, é o fato de ser fornecido pelo “editor/distribuidor” diferente.

FIGURA 1
Resultado da pesquisa por assunto – indicação de títulos repetidos

�FIGURA 2
Mesmo título com indicação de
Editor/distribuidor diferente

Após separar os títulos de periódicos repetidos, restaram 197. Resolvemos então,
analisá-los mais minuciosamente. Constatamos que ao acionar o link “Mostrar
informações detalhadas”, alguns dos títulos eram indicados para mais de uma sub-área.
Assim, advieram alguns questionamentos: quem atribui o assunto aos periódicos, que
compõe o Portal? quais os critérios adotados pela CAPES para definir o assunto do
periódico?

FIGURA 3
Link “Mostrar informações detalhadas”

�A primeira idéia para este estudo foi computar todos os títulos que o Portal
disponibiliza como Ciência da Informação, independente de atender a outras áreas ou
não. Porém, não teríamos uma visão justa, já que, no levantamento feito com as
bibliotecas universitárias americanas, buscou-se uma lista específica de Ciência da
Informação, o mesmo com a LISA. Após avaliação, optamos por utilizar os títulos em
que no campo área, aparecesse apenas Ciência da Informação, o que totalizou 105 títulos
de periódicos.
FIGURA 4
Quantidade de títulos específicos de
Ciência da Informação

105

197

235

Nesta etapa do estudo, fizemos um levantamento na internet, através do endereço
www.clas.ufl.edu/au/, para localizar as bibliotecas universitárias americanas, que
disponibilizam seus catálogos de periódicos na rede. Após a pesquisa, selecionamos 13
instituições de forma aleatória.
Os dados apresentados demonstraram um desnível, quanto ao número de títulos
que elas disponibilizam e a coleção do Portal da CAPES. Identificamos que, das treze
bibliotecas universitárias pesquisadas, apenas uma possui o número de títulos inferior em
relação ao Portal da CAPES. A Cambridge University possui 92 títulos na área de

�Biblioteca e Ciência da Informação, enquanto o Portal 105 títulos, conforme podemos
visualizar na tabela 1.

TABELA 1
Quantidade de títulos das bibliotecas universitárias americanas /
Portal
Bibliotecas universitárias americanas /
Portal
University of North Carolina Greensboro
University of Wales Aberystwyth
High Point University
California State University
University of Central Oklahoma
Tennessee State University
Pittsburg State University
Rowan University
Rogers State University
Le Tourneau University
Central Washington University
Portland State University
Portal da CAPES
Cambridge University Library
Total

Quantidade
de Títulos
720
541
516
196
190
175
170
159
158
148
133
121
105
92
3424

%
20
15
15
6
6
5
5
5
5
4
4
4
3
3
100

GRÁFICO 1
Títulos de Periódicos por Instituição / Portal
Quantidade de Títulos de CI

800
700
600
500
400
300
200
100

es

W
al

of

rs
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ge
C
AP
U
niv
ES
er
si
ty
Li
br
ar
y

0

�Como o número de títulos de periódicos das bibliotecas universitárias americanas
foi acima do esperado, consideramos conveniente fazer um estudo mais detalhado, com a
lista de periódicos utilizada pela base de dados LISA: Library and Information Science
Abstracts, por sua importância junto ao meio acadêmico na área de Ciência da
Informação. Para tanto, fizemos um levantamento dos títulos de periódicos utilizado pela
LISA e localizamos 476 títulos de cerca de 36 línguas (Gráfico 2).

GRÁFICO 2
Quantidade de títulos específicos de Ciência da Informação
do Portal e da LISA
500

476

Quantidade de Títulos

450
400
350
300
250
200
150

105

100
50
0
LISA

Portal da CAPES

Na tabela 2 a seguir, são demonstrados os títulos de periódicos comuns à lista da
base de dados LISA e ao Portal da CAPES. Do universo de 476 títulos de periódicos da
LISA, apenas 71 títulos constam no Portal da CAPES, cerca de (15%) do acervo da
LISA.

�TABELA 2
Títulos comuns a LISA e ao Portal DA CAPES
TÍTULOS DE PERIÓDICOS

ISSN

African Journal of Library , Archives and Information Science
American Libraries
Argus
Arkansas Libraries
Asian Libraries
Aslib Proceedings
Australasian Public Libraries and Information Services
Australian Library Journal
Bibliotheek- en Archiefgids
Bolletino AIB
Bulletin des Bibliotheques de France
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Nebraska Library Association Quarterly
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New Library World
North Carolina Libraries
OCLC Systems and Services
Online
Online Information Review
PNLA Quarterly
Perspectivas em Ciencia da Informacao
Program
Rare Books and Manuscripts Librarianship

0795-4778
0002-9769
0315-9930
0004-184X
1017-6748
0001-253X
1030-5033
0004-9670
0772-7003
1121-1490
0006-2006
0008-7629
0100-1965
0160-4953
0147-9733
0742-8227
0264-0473
0014-9802
0016-8319
0340-0352
0019-2104
0019-4131
0104-0146
0266-6669
1368-1613
1058-0530
8755-6286
0019-0217
0264-1615
1011-8829
1057-2317
0022-0418
0165-5515
0961-0006
0894-2498
0739-5086
0023-3773
1464-9055
0737-8831
0741-9058
0363-0277
1054-9676
0024-2519
0024-2527
0024-2535
0024-2594
0740-8188
1394-6234
0027-2639
0028-1883
0735-8571
0307-4803
0029-2540
1065-075X
0146-5422
1468-4527
0030-8188
1413-9936
0033-0337
0884-450X

�Reference &amp; User Services Quarterly
Reference Services Review
Research Strategies
Revista Interamericana de Bibliotecologia
Rural Libraries
Searcher
Serials Review
Southeastern Librarian
Technicalities
Texas Library Journal
Vine

1094-9054
0090-7324
0734-3310
0120-0976
0276-2048
1070-4795
0098-7913
0038-3686
0272-0884
0040-4446
0305-5728

Para se formar uma coleção, necessita-se ter critérios, afim de se atender aos
objetivos propostos. Na Ciência da Informação, com a proliferação de textos,
principalmente com as TIC, definir critérios é fundamental no desenvolvimento de
coleções. Entre esses critérios, encontra-se o fator de impacto, que é um índice
bibliométrico, utilizado para medir a freqüência de citações dos artigos de periódicos, em
uma determinado ano. Desde 1972, o Institute for Scientific Informatio, através do JCR
publica o fator de impacto, nos diferentes campos do conhecimento.
Na página inicial do Portal, existe um link denominado “FAQ – Respostas para
suas perguntas”, onde são elencadas perguntas para esclarecimentos sobre o mesmo. Uma
das perguntas está direcionada à sua política de seleção: “Como são selecionadas as
publicações para inclusão no Portal?”. Como resposta, o Portal informa oito itens, entre
eles, o “Fator de impacto da publicação, conforme o Journal Citation Reports do ISI
(Institute for Scientific Information)”. Acreditamos que esse critério não deveria ser
aplicado a todas as áreas, já que no ano de 2004, segundo informação do próprio Portal,
na área de Ciência da Informação, dos 105 títulos listados na nossa pesquisa, apenas 19
títulos foram avaliados quanto ao fator de impacto, o que equivale a 18%.
FIGURA 5
Fator de impacto da publicação

�Na tabela 3, apresentamos detalhadamente o fator de impacto dos títulos de
periódicos de Ciência da Informação do Portal. Os dados informam que dos 19 títulos
avaliados, apenas dois obtiveram valor superior a 1, o Journal of the American Society
for Information Science and Tecnology (2,086) e o Journal of Documentation (1,542). Já
os que obtiveram valor mais baixo estão o Library Journal (0,265); Electronic Library
(0,233) e o Online (0,212).

TABELA 3
Fator de impacto dos títulos de
periódicos específicos de Ciência da Informação do Portal

TÍTULO DO PERIÓDICO

ISSN

Journal of the American Society for Information Science and Tecnology
Journal of Documentation
Library Quarterly
Journal of Information Science
Information Research
Online Information Review
Interlending and Document Supply
Library Trends
Journal of Librarianship and Information Science
ASLIB Proceedings
Reference and User Services Quarterly
Library and Information Science Research
Library Collections, Acquisitions, &amp; Technical Services
Library Resources &amp; Technical Services
Library Journal
Electronic Library
Online
Program: Electronic Library and Information Systems
Information Systems Management

1532-2882
0022-0418
0024-2519
0165-5515
1368-1613
1468-4527
0264-1615
0024-2594
0961-0006
0001-253X
1094-9054
0740-8188
1464-9055
0024-2527
0363-0277
0264-0473
0146-5422
0033-0337
1058-0530

FATOR
DE IMPACTO
2,086
1,542
0,933
0,899
0,841
0,581
0,537
0,517
0,514
0,456
0,446
0,395
0,386
0,300
0,265
0,233
0,212
0,171
0,106

Ainda sobre os critérios de seleção, o Portal indica também o “Número de títulos
disponíveis no Portal sobre o assunto em relação às demais áreas representadas”.
Recentemente, o Portal vem informando as novas aquisições de títulos. Até o mês de
maio/2006, entre as grandes áreas contempladas está a de Ciências Sociais Aplicadas, que
é subdividida em 14 áreas.
Para as Ciências Sociais Aplicadas, foram adquiridos 47 títulos. Porém, as áreas
com maior representatividade de títulos foram as mais beneficiadas, como:

�Administração de Empresas, Administração Pública, Contabilidade (18 títulos) e
Economia (19 títulos) respectivamente. Vale ressaltar que, dos títulos adquiridos, o
ANNALS OF FINANCE está indicado nas duas sub-áreas mais contempladas.

TABELA 4
Quantidade de títulos de periódicos da Área de
Ciências Sociais Aplicadas

ÁREAS

Ciências sociais aplicadas (geral)
Direito
Administração de empresas, administração pública,
contabilidade
Economia
Demografia
Arquitetura e urbanismo
Planejamento urbano e regional
Desenho industrial
Ciência da informação
Museologia
Comunicação
Serviço social
Economia doméstica
Turismo
TOTAL

ANTIGAS
AQUISIÇÕES

NOVAS
AQUISIÇÕ
ES

62
474
2362

1
1
18

1342
143
153
119
66
135
14
302
133
9
53
5340

19
5
1
2

1

48

No percurso da pesquisa foram encontradas dificuldades devido a falta de
normalização dos títulos de periódicos entre a LISA e o Portal (tabela 5), onde serão
demonstrado cinco exemplos. Assim como a falta de padronização do título, ocorreu
também problema com o ISSN. O número 0095-4403, que corresponde ao título Bulletin
of the American Society for Information Science and Technology no Portal da
CAPES, é o mesmo ISSN para o título Bulletin of the American Society for

�Information

Science

da

LISA.

TABELA 5
Exemplos de não normalização de títulos entre
LISA e ao Portal DA CAPES

LISA

Portal da CAPES

Inspel
OCLC Systems and Services
Program
Reference &amp; User Services Quarterly
Searcher

INSPEL: International Journal of Special
Libraries
OCLC Systems and Services : International
Digital Library Perspectives
Program : Electronic Library and Information Systems
Reference and User Services Quarterly
Searcher: The Magazine for Database Professionals

ISSN
0019-0217
1065-075X
0033-0337
1094-9054
1070-4795

5 Considerações finais
Desenvolvimento de coleções é processo contínuo de acordo com critérios já
definidos anteriormente, no caso dos periódicos eletrônicos, as exigências são
semelhantes no que tange

à política de seleção. De modo geral, por ser o periódico

eletrônico um veículo de comunicação mais eficiente no meio acadêmico por seu
dinamismo, espera-se que as instituições que administram este suporte acompanhem-no
no mesmo ritmo.
Todavia, os dados aquilatados neste estudo apresentam um resultado não tanto
satisfatório, em especial quanto a coleção de periódicos do Portal da CAPES na área de
Ciência da Informação e sua representatividade dos títulos, visto que, o Portal contempla
um universo limitado de títulos de periódicos em Ciência da Informação. Além disso, os

�critérios de seleção para inclusão de novos títulos no Portal, deveriam ser mais
transparentes, para melhor acompanhamento das instituições participantes.
A revisão de literatura mostrou que até o momento não existem estudos
abordando esta vertente sobre o Portal, mas acreditamos que outros estudos virão
posteriormente para somar.

Referências
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Brasília, DF : Briquet de Lemos/Livros , 1999 . 118p.
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LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligências: o futuro do pensamento na era da
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Disponível em &lt;http://geocities.yahoo.com.br/mdeoliveirareis/mareis.pdf&gt; . Acesso em
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periódicos eletrônicos em discussão. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA DA
COMUNICAÇÃO, 22. 1999, Rio de Janeiro. Anais eletrônicos... Rio de Janeiro :
Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, 1999. Disponível
em &lt;http:/www.intercom.org.br/papers/xxii-ci/11t10.PDF&gt;. Acesso em 18 nov. 2005.

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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            <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <text>O trabalho propõe abordar a comunicação científica, em particular a circulação da informação por meio dos periódicos científicos, impressos e eletrônicos, e em seguida avaliar a representatividade do acervo de periódicos oferecido pelo Portal da CAPES na área de Ciência da Informação. Através de um estudo descritivo, com abordagem comparativa, pretende-se aferir a qualidade da coleção disponibilizada pela CAPES aos pesquisadores brasileiros. As fontes utilizadas como parâmetro comparativo foram as listas temáticas produzidas no âmbito de algumas bibliotecas universitárias americanas e a lista de títulos utilizada pela base de dados referenciais conhecida como Library and Information Science Abstracts – LISA. O critério para inclusão das bibliotecas universitárias americanas exigia que estivessem com seu acervo disponível via Internet no momento da pesquisa. Os resultados obtidos nos levam a concluir que a coleção de periódicos do Portal da CAPES na área de Ciência da Informação envolve um universo limitado e não-representativo de títulos da área. Outro aspecto que se deve assinalar diz respeito aos critérios de seleção de novos títulos para o Portal, que deveriam ser mais transparentes. Espera-se que o estudo possa oferecer contribuição significativa para a política de seleção e desenvolvimento de coleções do Portal de Periódicos da CAPES.</text>
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            <description>A language of the resource</description>
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                    <text>O ACESSO A INFORMAÇÃO, FATOR BÁSICO PARA O EXERCÍCO
DA CIDADANIA

*Lucia Ferreira Littiere
**Teresinha Teterycz

RESUMO

Entende-se cidadania como um conjunto de direitos, deveres, responsabilidades,
e acesso a serviços. O acesso à informação é o foco de discussão neste trabalho,
enfatizando que, para estar consciente e cumprir com suas obrigações e usufruir
dos seus direitos os indivíduos devem primeiramente conhecê-los. Ressalta que o
acesso às capacidades básicas está diretamente relacionado ao processo
educacional. Objetiva refletir sobre o perfil do bibliotecário no mundo
contemporâneo, o instigando a agir como profissional envolvido no processo de
mediação da informação e do conhecimento e que este deve agir como um
educador reproduzindo uma ação reflexiva e consciente voltada para uma
formação mais humanística que tecnicista. Salienta a importância das bibliotecas
neste contexto. Aborda a política neo-liberalista que limita e condiciona a
educação, o acesso à informação e ao conhecimento, à cultura restringindo-as a
instrumentos de preparação e formação de mão-de-obra para atender as
necessidades do mercado capitalista. Analisa sobre a exclusão digital causada
pelos serviços on-line oferecidos por órgãos governamentais, bibliotecas e centros
de informação.
Palavras-chave: Cidadania; Acesso; Informação; Bibliotecas; Educação.

_______
*Lucia Ferreira Littiere. Bibliotecária PUCPR. Professora Curso de Biblioteconomia e
Documentação PUCPR. Graduada em Biblioteconomia e Documentação, (UFPR), Especialista em Gestão da
Informação e Inovações Tecnológicas, FESP-PR e Gestão de Bibliotecas (UDESC). Mestranda do Mestrado
em Educação (PUCPR). Telefone: (41) 3271-2489 E-mail: lucia.littiere@pucpr.br
**Teresinha Teterizc. Bibliotecária FACEL. Graduada em Biblioteconomia e Documentação,
(UFPR), Especialista em Gestão da Informação e Inovações Tecnológicas, FESP-PR e Gestão de Bibliotecas
(UDESC). Mestranda do Mestrado em Educação (PUCPR). Telefone:
42 3324-1115 E-mail:
teterycz@yahoo.com.br; biblitoeca@facel.com.br .

�2

INTRODUÇÃO
Em uma sociedade considerada democrática, informação e cidadania
são faces da mesma moeda. O indivíduo tem que estar informado para exercer
conscientemente a sua cidadania, não há, portanto, exercício da cidadania sem
informação, pois para cumprir deveres e brigar por seus direitos o indivíduo
precisa tomar conhecimento dos mesmos. Isso implica o acesso livre à sociedade
da informação.
Entre outros significados, acesso, para Sacconi (2001, p. 11), é ...
direito ou oportunidade de chegar, usar.

Acesso à escola, acesso aos livros,

acesso ao mercado de trabalho... são direitos e oportunidades que todos os
cidadãos devem usufruir.
E cidadania? Cidadania de acordo com vários dicionários da Língua
Portuguesa é a qualidade de cidadão. Já cidadão é todo nascido ou naturalizado
em um Estado ou país, tem para com ele deveres e obrigações, e possui também
alguns direitos (SACCONI, 2001, p. 211).
O acesso à informação, ao conhecimento, à cultura é colocado como
foco central – fator determinante para o exercício de uma cidadania ativa,
consciente e participativa – nas abordagens teóricas dos diversos campos como:
Ciência da Informação, Biblioteconomia, Sociologia, Arquivística, Educação, entre
outros. O mais importante hoje não é onde a informação está armazenada, mas
sim, o acesso à mesma e a sua democratização e socialização.
Com base nessa discussão, equacionaremos cidadania como um
conjunto de direitos, responsabilidades, solidariedades, e acesso a serviços
públicos, enfocando principalmente, o acesso à informação, inerentes à condição
digna de toda pessoa. Partindo do pressuposto que sem informação não há
acesso ativo, este trabalho discute o acesso à informação como fator básico para
o exercício da cidadania.

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ACESSO À INFORMAÇÃO E CIDADANIA
É importante ressaltar aqui que a informação e o conhecimento mesmo
antes do advento das inovações tecnológicas já eram usados como fator de
dominação social e política, momento esse em que se restringiam aos mosteiros e
soberanos.
Pode-se atribuir o início da democratização da informação ao
surgimento da escrita que possibilitou a preservação do conhecimento permitindo
dessa forma a expansão cultural e científica, a invenção da imprensa e
posteriormente a outras inovações tecnológicas, que propiciaram maiores
possibilidades de acesso integrando cada vez mais o indivíduo às fontes de
informação e ao conhecimento.
No decorrer da evolução da sociedade, as transformações industriais e
tecnológicas têm propiciado a maximização da produção e da comunicação. No
entanto, as relações de poder e dominação existentes nesses processos poucas
alterações tiveram.
Mesmo sendo considerado um clichê, a afirmação “informação é poder”
está repleta de verdades no momento em que se percebe que o indivíduo que tem
acesso à informação tem sempre mais condições de oportunidades na sociedade,
facilitando a sua inserção no ambiente onde vive por estar melhor e mais
informado, podendo exercer efetivamente a qualidade de cidadão. Dessa forma
podemos afirmar que, os acessos à informação e cidadania caminham de mãos
dadas.
O processo de inclusão social dos indivíduos que estão à margem das
oportunidades e das escolhas se verifica por meio da conscientização
política e cidadã da comunidade, seja em nível local, regional, nacional ou
internacional, especificamente com relação à educação, ao acesso à
informação e ao direito à cidadania. A conscientização e o reconhecimento
dos direitos da pessoa como cidadão devem ser os primeiros passos
nesse caminho de busca pela liberdade de escolhas e de oportunidades.
(BATISTA, p.3)

�4

Daí a imensa responsabilidade das instituições políticas, sociais e
centros de informações de propiciar o acesso livre e gratuito à informação para
que se possa construir uma sociedade igualitária.
De acordo com Araújo,

...a construção da cidadania ou de práticas de cidadania passa
necessariamente pela questão do acesso e uso de informação, pois
tanto a conquista de direitos políticos, civis e sociais, como a
implementação dos deveres do cidadão dependem fundamentalmente
do livro acesso á informação sobre tais direitos e deveres, ou seja,
depende da ampla disseminação e circulação da informação e, ainda, de
um processo comunicativo de discussão crítica sobre diferentes
questões relativas à construção de uma sociedade mais justa e com
maiores oportunidades [...] o não-acesso à informação ou ainda o
acesso limitado ou acesso a informações distorcidas dificultam o
exercício pleno da cidadania. (1999, p. 155).

As legislações vigentes tanto a nível internacional como nacional
asseguram a todo o indivíduo o direito ao acesso à informação e ao
conhecimento, para a plena participação na sociedade da qual ele faz parte.
Segundo Jardim,

A noção de direito à informação encontra-se esboçada já no art. 19 da
Declaração Universal dos Direitos do Homem, fruto da Revolução
Francesa [...] O direito à informação, expressão de uma terceira geração
de direitos dos cidadãos – carrega em si uma flexibilidade que situa não
apenas como direito civil, mas também, como direito político e um direito
social, compondo uma dimensão, historicamente nova da cidadania.
(1999, p.2).

Ainda segundo o autor, a noção do acesso à informação relaciona-se a
um direito a dispositivos políticos, culturais, materiais e intelectuais que garantam
o exercício efetivo desse direito.

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No Brasil, os acessos à informação, ao conhecimento e à comunicação
são direitos fundamentais de todo ser humano, conforme mencionado na
Constituição Federal, no art. 5.

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade [...] ... XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e
resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional.
(BRASIL, 2004, p. 5,6).

Corroborando com as citações acima sobre direito à informação
colocamos a afirmação de Martins, que diz,

Um dos pilares em que assenta a democracia, e conseqüentemente o
Estado de Direito Democrático, é a liberdade de informação, entendida
quer como o direito de transmitir informação quer como o de a ela aceder:
a sua consagração na lei e na prática (política, administrativa, judicial) é
condição para que se forme e se desenvolva uma sociedade democrática,
uma cidadania politicamente consciente e participativa (p. 5).

Existem dois pontos fundamentais que permeiam a problemática do
acesso à informação e ao conhecimento para as classes minoritárias. Por um
lado, temos um contexto em que crescem assustadoramente as possibilidades de
produção, armazenamento e disseminação da informação, nos mais variados
suportes e meios de comunicação. Em contrapartida, são visíveis as barreiras de
acesso a essa informação e conhecimento, por falta de condições financeiras e
preparo por parte do cidadão. Daí a necessidade de pensar de que forma propiciar
a democratização do acesso à informação
Os pesquisadores Tichenor , Donohue e Olien (1980), (teóricos do
Knowlegde Grap), citados por Batista, apresentam:

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três aspectos ligados ao exercício da cidadania: a) controle de acesso à
informação; b) controle de distribuição da informação – o qual está
diretamente ligado ao controle e acesso à informação; c) o controle do
reforço das predisposições prévias, as quais determinam a capacidade de
compreensão das notícias de acordo com o meio socioeconômico e
educativo do receptor. (BATISTA, p. 2).

O ACESSO ÀS BIBLIOTECAS E O EXERCÍCIO DA CIDADANIA
As bibliotecas podem ser vistas como uma rede de propagação da
informação, local onde se armazena e organiza o saber, que tem como principais
objetivos servir como instrumento de difusão cultural, reunir, organizar e divulgar
todo seu patrimônio cultural nos mais variados suportes. A Associação Americana
de Bibliotecas declara que elas são fóruns de informação e de idéias.
O artigo V da Carta dos Direitos da Biblioteca diz: “Não se deve negar
ou limitar o direito de qualquer pessoa de utilizar a biblioteca, com base em sua
origem, idade, antecedente ou opiniões”.
Portanto, o livre acesso às bibliotecas bem como a utilização de todos
os seus materiais e serviços é um direito de todo cidadão. Toda e qualquer
restrição a esses recursos transgride severamente a esse Artigo.
Muito se ouve falar sobre democratização da biblioteca e da
informação, mas o que seria então esta democratização? Para Almeida Junior, (p.
22), “nada mais é do que permitir , sem opor barreiras, o acesso de todos,
indistintamente, à biblioteca e aos materiais nela existentes”.
É importante que as bibliotecas incentivem uma política que
proporcione acesso igualitário à informação a toda a comunidade, evitando,
sempre que possível a cobrança de taxas para realização de seus serviços,
incentivando assim a pesquisa e evitando a exclusão dos usuários que não dispõe
de recursos financeiros disponíveis.

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Outra forma de exclusão que as bibliotecas devem ter cuidado para não
cometer é com os usuários portadores de necessidades especiais que durante
muitos anos tiveram o legado à informação vetado por falta de recursos que
disponibilizasse a mesma num formato acessível. Hoje graças à tecnologia
assistida e esforço conjunto destas classes, já contamos com sintetizadores de
voz, ampliadores de telas e textos, livros digitalizados, livros falados, espaços
físicos adequados e outros recursos que a biblioteca deve conhecer e
disponibilizar.
De acordo com a Lei 9610/98, capítulo IV, artigo 46 - Das limitações
aos direitos autorais,

a reprodução de obras literárias, artísticas ou científicas, para uso
exclusivo de deficientes visuais, sempre que a reprodução, sem fins
comerciais, seja feita mediante o sistema Braille ou outro procedimento em
qualquer suporte para esses destinatários

Há também a Lei nº 10.753 – Lei do Livro Acessível, pleiteia que toda
pessoa com deficiência visual pode ter garantido seu interesse como consumidor
de livros acessíveis por meio de ações que introduzam-no

nos mecanismos

ordinários de mercado.
As editoras deveriam disponibilizar os materiais publicados nos mais
variados formatos, evitando assim o constrangimento por parte dos deficientes na
busca de um que ele possa acessar. Como cidadãos todos têm direito de chegar a
uma livraria, biblioteca ou centro de leitura e, de forma igualitária obter o produto
desejado.
Atualmente os principais formatos de livros acessíveis são:

livro

em

Braille, livro em áudio, livro digital, livros adaptados e em caracteres ampliados,
livro formato Daisy, informática e softwares livres para leitura e produção.
Ainda falando sobre acessibilidade faz-se necessário lembrar sobre a

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NBR 9050 que trata sobre acessibilidade em edificações, mobiliário, espaços e
equipamentos urbanos, no seu capítulo 8.7 – Bibliotecas e centros de leitura
destaca:

8.7.1 Nas bibliotecas e centros de leitura, os locais de pesquisa, fichários, salas
para estudo e leitura, terminais de consulta, balcões de atendimento e áreas de
convivência devem ser acessíveis, conforme 9.5
8.7.2 Pelo menos 5%, com no mínimo uma das mesas devem ser acessíveis,
conforme 9.3. Recomendase, além disso, que pelo menos outros 10% sejam
adaptáveis para acessibilidade.
8.7.3 A distância entre estantes de livros deve ser de no mínimo 0,90 m de
largura, Nos corredores entre as estantes, a cada 15 m, deve haver um espaço
que permita a manobra da cadeira de rodas. Recomenda-se a rotação de 180°,
conforme 4.3.
8.7.4 A altura dos fichários deve atender às faixas de alcance manual e
parâmetros visuais, conforme 4.6 e 4.7.
8.7.5 Recomenda-se que as bibliotecas possuam publicações em Braille, ou
outros recursos audiovisuais.
8.7.6 Pelo menos 5% do total de terminais de consulta por meio de
computadores e acesso à Internet devem ser acessíveis a P.C.R. e P.M.R.
Recomenda-se, além disso, que pelo menos outros 10% sejam adaptáveis para
acessibilidade (ABNT, 2004, p. 88).

.

Importante lembrar que, ao longo da história, ocorreram várias
tentativas para limitar o acesso à informação, através de “estantes fechadas” ou
“acervo fechado”. Atualmente, uma biblioteca pode “fechar seu acervo”, limitando
o acesso aos catálogos e bases de dados através da Internet, formando assim
uma barreira entre a informação e os usuários. A restrição a Internet limita ao
acesso a um número maior de informação e idéias, constituindo assim, na
violação da liberdade intelectual.
Faz-se necessário, portanto, a conscientização e reflexão por parte dos
bibliotecários sobre sua missão enquanto promotores do acesso à informação e
ao conhecimento na sociedade, agindo neste processo, como instrumento de
democratização da informação.
É preciso que o bibliotecário desprenda-se dos trabalhos técnicos de

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uma biblioteca, importantíssimo no processo da organização e promoção do
acesso à informação, porém deve-se preocupar com o papel social da biblioteca,
buscando elementos que o fortaleçam na sua condição de profissional educador e
formador de cidadãos.
Porque, conforme ALMEIDA JUNIOR,

...enquanto nós, bibliotecários, trabalhamos voltados única e
exclusivamente para o livro; enquanto nossas preocupações estiverem
direcionadas apenas para o suporte e não para as necessidades da
população, o conceito de democratização da biblioteca continuará a ser
uma balela como tantas outras que povoam nossa área (1997, p. 23).

Os bibliotecários têm a responsabilidade profissional de serem justos e
imparciais, assegurando aos usuários o acesso a materiais sobre todos os
assuntos que preencham da melhor forma possível às necessidades de
informação a todas as pessoas da comunidade a qual a biblioteca atende,
incluindo assuntos como política, economia, religião entre outros.
ACESSO À INFORMAÇÃO E INCLUSÃO DIGITAL
O conhecimento tornou-se hoje um dos principais fatores de superação
de desigualdades e de propagação do bem-estar social. Ter ou não ter acesso à
informação e ao conhecimento, saber usá-los ou não, intervir ou não na sua
produção determina a profundidade da lacuna que separa as classes sociais.
Os avanços tecnológicos estão mudando a dinâmica da informação e da
comunicação construindo um novo cenário mundial onde: as instituições públicas
e privadas (escolas, universidades, ONGs) e a população precisam estar atentas
e atuar de alguma forma nos processo de inclusão digital.
No Brasil, um número elevadíssimo da sociedade não tem acesso aos
meios eletrônicos, segundo dados recentes do IBGE – Censo 2000, somam-se
89,9% sem computador e 93% sem sequer acesso ao computador.

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Portanto, faz-se necessário a implantação de políticas públicas e
programas de inclusão digital, com o objetivo de capacitar para a utilização desses
meios e contribuir para o desenvolvimento igualitário da cidadania.
Conforme relatório da ONU, divulgado em novembro de 2005, nos
paises em desenvolvimento, 69% da população têm acesso à informática, sendo
em primeiro lugar os Estados Unidos, em segundo lugar a China e em terceiro
lugar o Japão.

Minimizando dessa forma uma nova estratificação social determinada
pela inclusão ou não na sociedade do conhecimento, que constitui-se em fator de
produção e valor agregado.
Para exemplificação da exclusão digital pode-se citar as muitas
instituições públicas que oferecem serviços on-line, mas esses serviços se
caracterizam por:
a) serem voltados para as classes e médias e altas (aquelas que tem
acesso às TICs);
b) terem como prioridade os serviços voltados para a arrecadação e
fiscalização (imposto de renda, etc.)
c) serem focados nas necessidades internas das instituições (as
necessidades do cidadão não são consideradas no planejamento, implantação e
manutenção desses serviços).
Outro exemplo, é das bibliotecas e centros de informação que oferecem
serviços como renovação de empréstimo de materiais, reserva de material
bibliográfico, acesso à Internet, disponibilidade de acervo em formato eletrônico
através de acesso on line.
No entanto, em nossa sociedade é grande o número de pessoas que
não tem equipamentos necessários e acesso a telecomunicações e um número
elevado de casos em que não possuem conhecimento mínimo para o uso desses
serviços.

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A disponibilidade de equipamentos para o acesso à Internet, pesquisas
em bases de dados em alguns órgãos públicos como Rua da Cidadania e Faróis
do Saber, no caso de Curitiba, entre outros, não são suficientes para o
atendimento da população da periferia. Isso acontece, devido a deficiências como:
falta de conhecimento para a manipulação de equipamentos e realização de
pesquisas por parte dos usuários; número insuficiente de equipamentos para o
atendimento da demanda; falta de recursos humanos para o auxílio aos usuários;
falta de disponibilidade de tempo para o deslocamento até esses centro, com
atendimento ao público normalmente de segunda à sexta-feira.
Diante deste contexto, é indiscutível que inclusão social e acesso ao
conhecimento pressupõem acesso à tecnologia. Mas não basta produzir
tecnologia e armazenar conhecimento. É preciso disponibilizá-los a serviço dos
cidadãos de forma igualitária, e mais, capacitar os cidadãos para o pleno
aproveitamento desses recursos.
CONCLUSÃO
Atualmente acesso à informação se constitui em um direito social:
direito de ser informado. Considerando que a difusão da informação propicia a
conscientização pública no contexto estudado, o conceito de cidadania e o papel
do cidadão na busca de oportunidades e de acesso à informação são essenciais.
As políticas neoliberalistas limitam e condicionam a educação, o acesso
à informação e ao conhecimento, à cultura restringindo às a instrumentos de
preparação e formação de mão-de-obra para atender as necessidades do
mercado capitalista.
Se na sociedade atual, a informação permeia a “quase” totalidade das
ações do indivíduo, com certeza é a partir do acesso, que ele pode interferir e
participar na sociedade, visando a sua transformação. È a partir da apropriação da
informação, que ele tem a oportunidade de construir um modo de ser, de
identidade e participar de um mundo que lhe permita igualdade e emancipação

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social.
Para a democratização da informação e seu acesso de forma eqüitativa
não se pode aceitar que os recursos de comunicação e as novas tecnologias se
concentrem nas mãos de poucos, transformando-se em mais um fator de exclusão
social.
É preciso contemplar não apenas os recursos tecnológicos que
permitam o acesso físico, mas também criar condições e oportunidades para que
todo cidadão possa usufruir os benefícios provenientes do acesso à informação e
ao conhecimento. Ser cidadão é ter acesso, e isso implica na dignidade humana.

�13

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Littiere, Lucia Ferreira; Teterycz, Teresinha </text>
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                <text>Entende-se cidadania como um conjunto de direitos, deveres, responsabilidades, e acesso a serviços. O acesso à informação é o foco de discussão neste trabalho, enfatizando que, para estar consciente e cumprir com suas obrigações e usufruir dos seus direitos os indivíduos devem primeiramente conhecê-los. Ressalta que o acesso às capacidades básicas está diretamente relacionado ao processo educacional. Objetiva refletir sobre o perfil do bibliotecário no mundo contemporâneo, o instigando a agir como profissional envolvido no processo de mediação da informação e do conhecimento e que este deve agir como um educador reproduzindo uma ação reflexiva e consciente voltada para uma formação mais humanística que tecnicista. Salienta a importância das bibliotecas neste contexto. Aborda a política neo-liberalista que limita e condiciona a educação, o acesso à informação e ao conhecimento, à cultura restringindo-as a instrumentos de preparação e formação de mão-de-obra para atender as necessidades do mercado capitalista. Analisa sobre a exclusão digital causada pelos serviços on-line oferecidos por órgãos governamentais, bibliotecas e centros de informação.</text>
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                    <text>O acesso livre a informação científica através da Biblioteca Digital da
Unicamp: mudanças de paradigmas, processos e valores na produção
científica.
Luiz Atilio Vicentini

Bibliotecário
Coordenador do Sistema de Bibliotecas da Unicamp
vicentin@unicamp.br
Regina Ap. Blanco Vicentini

Bibliotecária
Coordenadora do Programa de Acesso a Informação Eletrônica – PAIe
rblanco@unicamp.br
Gilmar Vicente

Bibliotecário
Diretor de TI do Sistema de Bibliotecas da Unicamp
gil@unicamp.br

Resumo
Discute-se o rumo das bibliotecas digitais em seu estágio atual e as
perspectivas de futuro, quais as mudanças ocorridas na Universidade com a
implantação desse novo instrumento de difusão do conhecimento, além de
apresentar as mudanças estruturais no processo de tramitação das teses e
objetos digitais para homologação e publicação.

Apresenta uma nova

perspectiva de controle sobre o acesso às dissertações e teses publicadas na
Biblioteca Digital da Unicamp, no momento em que vivemos um período de
transformações tecnológicas, culturais e sócio-econômicas, avaliando como
essas transformações influenciarão nas Bibliotecas Universitárias.

Outro

aspecto abordado será o desenvolvimento de aplicativos utilizando a tecnologia
de software livre, demonstrando a facilidade, autonomia e integração com que
este tipo de tecnologia oferece ao seu desenvolvedor e gestor.
Palavras Chaves: Biblioteca Digital, Gestão do Conhecimento, Software Livre;
Arquivos Abertos, Disseminação Seletiva da Informação

1

�1- Introdução

Uma nova Biblioteca coloca-se no atual estágio de desenvolvimento
tecnológico, a Biblioteca Digital não deve mais se preocupar somente com o
desenvolvimento de sua coleção local visando satisfazer as necessidades dos
usuários presenciais, os bibliotecários devem estar atentos a uma nova
realidade na biblioteca, que terá no futuro um enorme acervo digital, com essa
mudança, será necessário, conhecer os reais interesses dos usuários,
principalmente o usuário não presencial. Vicentini (2006).

Devemos pensar na Biblioteca Digital do futuro, com uma estrutura mais
personalizada e funcional.

Personalizada no sentido de conhecer o seu

usuário, o que foi mais acessado, de onde é o usuário e, criar mecanismos de
interatividade com este usuário, por exemplo: criando um canal de
comunicação informando os novos documentos publicados na Biblioteca Digital
sobre o assunto por ele pesquisado anteriormente. Funcional no sentido de
que a sua infra-estrutura contemple os requisitos de hardware, software e
arquitetura da informação, para permitir maior flexibilidade para mudanças e
adaptações exigidas a nível institucional e de usabilidade.

Conforme define Ferreira (2006)
O design de interfaces de bibliotecas digitais sofrerá as
influências e impactos da evolução de conceitos e
abordagens, tais como a computação ubíqua, a mobilidade,
a acessibilidade e as estratégias de integração, e haverá
também o amadurecimento dos usuários na busca e uso
da informação digital.

Para o desenvolvimento de uma biblioteca digital, deve existir a
preocupação com aspectos relacionados à qualidade, consistência e
credibilidade do conteúdo disponibilizado e certificação dos dados através da

2

�criação de vínculos automáticos para coleta de dados com bancos referenciais
que já possuam as informações sobre os documentos registrados.

Potencializar o uso da produção científica publicada nas bibliotecas
digitais surge como referência no mundo virtual/digital. Desenvolver atividades
voltadas para a difusão do conhecimento e colaborar no desenvolvimento sócio
cultural dos indivíduos através do acesso ao conteúdo em texto completo,
surge como atribuição principal de uma Biblioteca Digital.

A nível local a Biblioteca Digital da Unicamp, passa hoje por um novo
desafio, agregar aos seus serviços valores que realmente possam favorecer a
qualificação da informação científica, nesse sentido a própria Unicamp tem
enfrentado e aceito muito bem as mudanças para publicações das teses em
texto completo na Biblioteca Digital da Unicamp.

2 - A biblioteca Digital da Unicamp – breve registro histórico
A Biblioteca Digital da Unicamp começou a ser delineada em fins de
2001. A universidade já contava com projetos isolados, resultado de esforços
das bibliotecas dos Institutos de Física, Química e da Faculdade de Educação,
já estavam dispondo suas teses e dissertações em texto completo na Internet.
A partir dessas iniciativas a coordenação do Sistema de Bibliotecas da
Unicamp - SBU, responsável pela gestão da política biblioteconômica da
universidade, optou por buscar uma tecnologia que permitisse reunir toda a
produção acadêmica em texto completo num único espaço virtual – criando a
Biblioteca Digital da UNICAMP.

O projeto implantado no primeiro semestre de 2002, com a sua
inauguração oficial ocorrida em agosto de 2003, está sendo implementado em
etapas. A primeira etapa tratou das questões políticas e da definição dos
procedimentos para inclusão das teses e dissertações na Biblioteca Digital.
Foram realizadas ações junto às áreas de pós-graduação, de maneira a
estabelecer a forma de encaminhamento das teses e dissertações, nas suas

3

�versões impressa e eletrônica. Outra ação importante, foi o resgate de arquivos
em meio eletrônico, das teses e dissertações já defendidas, e que se
encontravam em poder das Unidades de Ensino e Pesquisa da Universidade.
Na data da inauguração da Biblioteca Digital em agosto de 2003, seu acervo já
contabilizava 1500 teses e dissertações, com 195.000 páginas digitais.

Outro aspecto importante do Projeto é a adoção da tecnologia de
software livre e arquivos abertos, acompanhando a tendência da comunidade
científica na criação de repositórios de conhecimento acessíveis a qualquer
cidadão do mundo, através de mecanismos de divulgação que sejam
dinâmicos, flexíveis e com custos baixos, que levem em conta a realidade
econômica e social do país.
Uma nova etapa se inicia, através das mudanças que estão em
andamento quanto a novas formalizações junto as Coordenadorias de Pósgraduação da Universidade, visando otimizar a publicação das teses
defendidas no ano, com apoio da Pró-Reitoria de Pós Graduação que não tem
medido esforços no sentido de esclarecer, normatizar e facilitar a publicação
das teses na Biblioteca Digital.
3 - Biblioteca Digital da Unicamp e a sua Usabilidade
O processo de construção de uma Biblioteca Digital se torna amplo e
complexo, sendo necessário um conhecimento da estrutura de sua instituição e
a forma como os documentos são gerados e tramitam pela instituição. Por
outro lado deve sempre ser levado em conta o desenvolvimento tecnológico,
sendo necessário possuir em seus quadros de funcionários, técnicos de
informática devidamente conhecedores de tecnologias para o desenvolvimento
adequado das ferramentas de gerenciamento e acesso aos documentos
publicados em formato digital.

O acesso livre, navegabilidade, interface amigável, possibilidade de
cópia de documentos sem custo, independente se existe ou não um controle de
downloads aos documentos digitais, não inviabiliza o usuário na busca pelo

4

�conhecimento registrado nos documentos digitais, todas estas facilidades
atendem um dos grandes requisitos da Internet, a Usabilidade. Talvez uma
das grandes restrições atuais é o tipo de conexão que o usuário a distância
possui em sua estação de trabalho, um usuário ao acessar a internet através
de uma conexão de baixa velocidade com certeza terá dificuldades em fazer
um download de um documento digital, diferente do usuário que utiliza uma
conexão de alta velocidade.
A Biblioteca Digital da Unicamp, atingiu em 2006 um patamar até então
inigualável de flexibilidade para prover o conhecimento gerado na Universidade
através do acesso as dissertações e teses publicadas, os numeros expressivos
demonstram isso, conforme segue:

Total de teses publicadas (28/07): 8.715
Downloads nas teses: mais de 1 milhão
Downloads dia/média: 2.000
Visitas dia/média: 10.000
Visitas mês: 300.000
Usuários cadastrados e autorizados para downloads das teses:
183.932

Obs: no mês de julho foram publicadas 724 teses, o maior número de
teses publicadas desde o início da Biblioteca Digital em um mês. Outro dado,
em 21 dias no mês de julho tivemos um crescimento de 11% na quantidade de
usuários cadastrados para fazer downloads nas teses, com 18.334 novos
usuários.

4 - A valorazição da produção científica através da Biblioteca Digital da
Unicamp

Conforme dados das Pró-Reitorias de Pós Graduação e de Pesquisa, a
Unicamp é hoje a universidade que detém 11% da produção científica nacional.

5

�Muitas das pesquisas realizadas na Unviersidade estão registradas em
suas mais de 24 mil teses já defendidas.

Recentemente

tivemos

a

publicação

da

Portaria

da

CAPES

regulamentando a publicação das teses em formato digital para os bolsistas
que receberem suas bolsas de pesquisa.

A portaria da CAPES (2006):

Institui a divulgação digital das teses e dissertações
produzidas pelos programas de doutorado e mestrado
reconhecidos.

Art.1 Para fins do acompanhamento e avaliação destinados
à renovação periódica do reconhecimento, os programas
de mestrado e doutorado deverão instalar e manter, até 31
de dezembro de 2006, arquivos digitais, acessíveis ao
público por meio da Internet, para divulgação das
dissertações e teses de final de curso.

§ 1 os programas de pós-graduação exigirão dos pósgraduandos, a entrega de teses e dissertações em formato
eletrônico, simultânea a apresentação em papel, para
atender ao disposto deste artigo.

Ainda nesta portaria a Instituição que disponibilizar suas teses em
formato digital com acesso livre deverá ter créditos nos programas de pós
graduação conforme o volume e a qualidade das teses publicadas em formato
digital.

Por outro lado temos acompanhado o crescente interesse da
comunidade da Universidade, tanto de seus pesquisadores que estão
desenvolvendo algum projeto de pesquisa, como de seus orientadores, das

6

�unidade de ensino e pesquisa em querer publicar as dissertações e teses na
Biblioteca Digital da Unicamp.

O crescimento de interesse para publicar as teses em formato digital,
tem refletido no trabalho da Biblioteca na Unicamp, com a implantação de
novos procedimentos, tais como a digitalização em larga escala da coleção
retrospectiva, novas etapas na catalogação, novos investimentos em
infraestrutura de TI para poder atender as novas demandas e finalmente no
aumento de técnicos, bibliotecários, estagiários e estudantes envolvidos na
Biblioteca Digital.
Nesse sentido é que estamos com um novo projeto, iniciado no final de
2004, com vistas a melhorar a divulgação das teses publicadas na Biblioteca
Digital da Unicamp, visando facilitar o acesso a informação procurada e por
outro lado proporcionar maior visibilidade ao conhecimento registrado nas
dissertações e teses.
5 - Novas regulamentações na Unicamp para a publicação da tese digital
Desde o início do Projeto da Biblioteca Digital da Unicamp, uma das
grandes questões foi sobre os Direitos Autorais, ou seja, quem tem o direito
sobre a tese, o autor ou a Universidade.

Para a Unicamp, o autor tem o direito autoral da tese, sendo obrigatório
o depósito da tese na Universidade.

Diante dessa questão, foi recuperado primeiramente um documento de
1977 onde o autor autorizava a elaboração de cópia da sua tese, diz o
documento:

CCPG/Of. 076/1977
[...] cópia do formulário “Autorização para que a Unicamp
possa fornecer, a preço de custo, cópias das teses a
interessados”. O aluno deverá submeter este formulário

7

�preenchido, em duas vias, ao SERCA/PG, juntas aos
exemplares de Dissertação ou Tese, uma delas para ser
enviada à Biblioteca Central desta Universidade e a outra
para ser juntada ao processo do aluno.
O formulário apresentava as seguintes opções:
Opção 1:
Autorizo a Universidade Estadual de Campinas a partir
desta data, a fornecer, a preço de custo, cópias de minha
Dissertação ou Tese a interessados.
Opção 2:
Autorizo a Universidade Estadual de Campinas a partir
desta data, a fornecer, a partir de 2 anos após esta data, a
preço de custo, cópias de minha Dissertação ou Tese a
interessados.

Opção 3:
Solicito que a Universidade Estadual de Campinas me
consulte, dois anos após esta data, quanto a minha
autorização para o fornecimento de cópias de minha
Dissertação ou Tese, a preço de custo, a interessados.

Diante da necessidade de regulamentar a publicação das teses em
formato digital, em 2002 foi feita uma consulta a Procuradoria Jurídica da
Universidade, com base no documento de 1977, solicitando parecer sobre a
possibilidade de disponibilizar na Internet teses produzidas na Unicamp, cuja
divulgação foi permitida pelos respectivos autores por meio de autorização para
fornecimento de cópias.
O parecer da Procuradoria Jurídica sobre o assunto diz:
[...] O modelo de autorização para fornecimento de cópias
anexado à consulta foi elaborado em época em que a

8

�Internet não existia, sendo os meios utilizados, então, para
divulgação a impressão e a cópia reprográfica.
Ao permitir o fornecimento de cópias da tese, o autor
autorizou a divulgação da mesma pelo meio existente à
época. Nada impede que a divulguemos, agora, pelos
meios que a tecnologia oferece, pois que a autorização
permanece[...]
Diante desse parecer foi possível iniciar um processo de digitalização
das teses do acervo restrospectivo que não possuiam restrições, sem a
necessidade de consulta prévia ao autor.

Como forma de regulamentar a publicação das novas teses na Biblioteca
Digital da Unicamp, foi elaborado um novo formulário de autorização,
devidamente aprovado pela Comissão Central de Pós-Graduação da
Universidade, o formulário apresenta 3 opções ao autor da tese:
Opçã 1:
Autorizo

a

Universidade

Estadual

de

Campinas

–

UNICAMP, a reproduzir e/ou disponibilizar na rede mundial
de computadores – Internet e permitir a reprodução por
meio eletrônico da OBRA a partir desta data, até que
manifestação

em

sentido

contrário de minha parte

determine a cessação desta autorização.
Opção 2:
Autorizo a partir de 2 anos após esta data, a Universidade
Estadual de Campinas – UNICAMP, a reproduzir e/ou
disponibilizar na rede mundial de computadores – Internet e
permitir a reprodução por meio eletrônico da OBRA a partir
desta data, até que manifestação em sentido contrário de
minha parte determine a cessação desta autorização.

9

�Opção 3:
Consulte-me, dois anos após esta data quanto à minha
Autorização a Universidade Estadual de Campinas –
UNICAMP, a reproduzir e/ou disponibilizar na rede mundial
de computadores – Internet e permitir a reprodução por
meio eletrônico da OBRA a partir desta data, até que
manifestação

em

sentido

contrário

de

minha

parte

determine a cessação desta autorização.

O cenário hoje é outro, a Biblioteca Digital da Unicamp se consolidou
perante a sua comunidade, o que se observa, é o interesse crescente da
comunidade na publicação das dissertações e teses em formato digital.

Como forma de incentivar a publicação das dissertações e teses a
Comissão Central de Pós-Graduação tem tomado medidas regulamentadores
desde o ano de 2005, tais como:
Informação CCPG-006-2005
[...]

duas

ações

se

fazem

necessárias:

agilizar

a

digitalização das teses antigas, atuar no sentido de que as
teses e dissertações que estão sendo defendidas sejam
imediatamente incorporadas, para não criar um novo
passivo.

Atuando de imediato, nesse último ponto, a

PRPG determina que seja encaminhada conjuntamente
com a solicitação de homologação de tese ou dissertação,
uma cópia eletrônica da tese ou uma declaração da
Biblioteca (Central ou Setorial), de que essa versão
eletrônica foi entregue ao Sistema de Bibliotecas ou que foi
inserida no sistema.
Novas instruções e normativas foram aprovadas pela Comissão Central
de Pós Graduação em 2006, e deverão entrar em vigor a partir do segundo
semestre, essas novas instruções visam agilizar a publicação das teses e

10

�principalmente fazer com que a dissertação ou tese seja publicada na
Biblioteca Digital da Unicamp.

A primeira instrução estabelece regras para a publicação das teses e
dissertações em texto completo na Biblioteca Digital da Unicamp, quanto ao
formato dos arquivos eletrônicos, padrão da fonte (tipo de letra), estrutura da
dissertação ou tese com a indicação dos principais itens.

Esta nova determinação obrigou a elaboração de um novo manual de
Normalização de Dissertações e Teses visando orientar o pesquisador. O
manual foi preparado por uma uma equipe do Sistema de Bibliotecas da
Unicamp, e teve aprovação da Comissão Central de Pós-Graduação.
Como último documento, este talvez seja mais uma normativa que
caracteriza o pensamento da Universidade sobre a publicação das teses na
Biblioteca Digital, trata-se de um novo formulário de autorização que reduziu o
tempo de restrição para publicação.
O novo termo de autorização apresenta duas opções:
Opção 1:
AUTORIZO a Universidade Estadual de Campinas –
UNICAMP, a reproduzir, disponibilizar na rede mundial de
computadores – Internet – e permitir a reprodução por meio
eletrônico, da OBRA, a partir da data da homologação.
Opção 2:
AUTORIZO, a partir de uma ano após a data de
homologação,

a Universidade Estadual de Campinas –

UNICAMP, a reproduzir, disponibilizar na rede mundial de
computadores – Internet – e permitir a reprodução por meio
eletrônico, da OBRA, a partir da data da homologação.
Com esta nova determinação diminui o tempo de restrição, que antes
poderia chegar a até 4 anos, passa a ser agora de apenas um ano. Com

11

�certeza esta nova regulamentação em muito vai ajudar no aumento das teses
publicadas na Biblioteca Digital da Unicamp.

6 - Novas facilidades da Biblioteca Digital da Unicamp

No aspecto tecnológico está sendo realizado um trabalhado de
inovações no software que gerencia a Biblioteca Digital, o NOU-RAU, visando
atribuir novas facilidades não só na estrutura funcional do software, como
também, facilidades para a comunidade que acessa os documentos digitais
publicados.
Dentre as novas facilidades em implantação estão:

Através de uma estrutura de publicação de arquivos em diversos
formatos, está sendo desenvolvido no software NOU-RAU um novo aplicativo
que tende a uma “estrutura de Cluster”,
A enciclopédia Wikipedia (2006) tem a seguinte definição para Cluster:
Um cluster, ou aglomerado de computadores, é formado
por um conjunto de computadores, que utiliza-se de um
tipo especial de sistema operacional classificado como
sistema distribuído. É construído muitas vezes a partir de
computadores convencionais (desktops), sendo que estes
vários computadores são ligados em rede e comunicam-se
através do sistema de forma que trabalham como se fosse
uma única máquina de grande porte.
Este novo aplicativo possiblitará atrelar a um único registro diversos
formatos de documentos e mídias. Uma tese da área de artes que possua
vídeos como anexo passará a ter em um único repositório todas as fontes que
compõem o documento tese, independente do formato.

12

�Interativadade com o usuário 1: a partir dos dados dos usuários
cadastrados e habilitados para fazerem downloads nas teses, criar um sistema
de informação, que informe ao usuário quando uma nova tese do assunto por
ele pesquisado anteriormente foi publicada na biblioteca digital.
Interatividade com o usuário 2: fornecer ao usuário quando solicitado por
ele, dados do autor da tese consultada, de forma automática, para que ele
possa fazer o contato com este autor.
Interatividade com as áreas de ensino e pesquisa 1: estruturar relatórios
on-line que possibilite a emissão de dados automático das teses de cada
unidade com indicadores de downloades e visitas realizadas nas teses.

Interatividade com as áreas de ensino e pesquisa 2: estruturar relatórios
on-line que possibilite a emissão automática dos dados das teses de cada
unidade informando de onde vieram os acessos, país, instituições, etc, nesse
tipo de relatório será preservado os dados completos dos usuários
cadastrados.
7 - Conclusões
Tornar a Biblioteca Digital mais personalizada e interativa e, menos
estática, é o novo desafio que se coloca ao projeto da Unicamp.

A criação de uma biblioteca digital deve atender as características como
bem define Cunha (1999)
“o conceito biblioteca digital aparenta algo revolucionário,
mas, na verdade, ele é resultado de um processo gradual e
evolutivo. A introdução de processos digitais nos diversos
serviços comumente existentes numa biblioteca já está
provocando impactos, com reflexos positivos e negativos,
nas funções e serviços de uma biblioteca. Não existe uma
estratégia única a ser empregada na implementação de
uma biblioteca digital. As estratégias, tal como as

13

�bibliotecas nascem num determinado tempo e, obviamente,
sofrem influências da cultura e das situações econômicos financeiras”.

Um fator importante para a concretização do Projeto da Biblioteca Digital
da Unicamp, refere-se a parceria existente entre as diversas áreas da
Universidade, muitas vezes com trabalhos sem grandes divulgações, mas que
atendem a crescente demanda imposta a Biblioteca Digital.

Dentro desse panorama, entendemos que, a Biblioteca Digital da
Unicamp, hoje o maior conteúdo de teses digitais do país, ainda tem muito a
oferecer aos seus usuários, centrado de que o seu principal produto é o
conhecimento gerado na Universidade, e na necessidade de que este produto
chegue ao poder de muitas pessoas, não somente aquela que se dispõe a vir
até a Unicamp e fazer as suas pesquisas no acervo impresso. Essa facilidade
a tecnologia tem nos oferecido, a Internet mudou os hábitos de estudiosos e
pesquisadores permitindo o acesso universal ao conhecimento.

Referências Bibliográficas

CUNHA, M. Desafios na construção de uma biblioteca digital.

Ciência da

Informação, Brasília, v. 28, n. 3, p. 255-266, set./dez. 1999.
Enciclopéida Wikipedia. Disponível em: &lt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Cluster&gt;.
Acesso em 30 jul. 2006.
FERREIRA, S. M. F.; SOUTO, P. C. N. A interface do usuário e as bibliotecas
digitais. In: MARCONDES, Carlos Henrique (Org.). et al. Bibliotecas digitais:
saberes e práticas. Salvador: EDUFBA; Brasília: Instituto Brasileiro de
Informação em Ciência e Tecnologia, 2006. p.185-204.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. Comissão Central de PósGraduação.

Parecer

PG3325/2002.

Disponível

em:

&lt;http://www.unicamp.br/bc/bibdig/pg3325.htm&gt;. Acesso em 29 jul. 2006.

14

�UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. Sistema de Bibliotecas.
Instruções aos autores para publicação de teses na Biblioteca Digital.
Disponível em: &lt;http://www.unicamp.br/bc/bibdig/instrucoes.htm&gt;. Acesso em
29 jul. 2006.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. Sistema de Bibliotecas. Termo
de autorização para publicação de teses na Biblioteca Digital. Disponível
em: &lt;http://www.prpg.unicamp.br/TermodeAutorizacao.pdf&gt;. Acesso em 29 jul.
2006.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. Comissão Central de PósGraduação.

Informação

CCPG

001-2002.

Disponível

em:

&lt;http://www.unicamp.br/bc/bibdig/ccpg001-02.htm&gt;. Acesso em 29 jul. 2006.
VICENTINI, L. A gestão em bibliotecas digitais. In: MARCONDES, Carlos
Henrique (Org.). et al. Bibliotecas digitais: saberes e práticas. Salvador:
EDUFBA; Brasília: Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia,
2006. p.239-257.

15

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O acesso livre a informação científica através da Biblioteca Digital da Unicamp: mudanças de paradigmas, processos e valores na produção científica.</text>
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                <text>Discute-se o rumo das bibliotecas digitais em seu estágio atual e as perspectivas de futuro, quais as mudanças ocorridas na Universidade com a implantação desse novo instrumento de difusão do conhecimento, além de apresentar as mudanças estruturais no processo de tramitação das teses e objetos digitais para homologação e publicação. Apresenta uma nova perspectiva de controle sobre o acesso às dissertações e teses publicadas na Biblioteca Digital da Unicamp, no momento em que vivemos um período de transformações tecnológicas, culturais e sócio-econômicas, avaliando como essas transformações influenciarão nas Bibliotecas Universitárias. Outro aspecto abordado será o desenvolvimento de aplicativos utilizando a tecnologia de software livre, demonstrando a facilidade, autonomia e integração com que este tipo de tecnologia oferece ao seu desenvolvedor e gestor.</text>
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O AMBIENTE DE PESQUISAS VIRTUAIS NA BIBLIOTECA ACADÊMICA: DA
IMPLANTAÇÃO À CONSOLIDAÇÃO, UM LONGO PERCURSO.
Iara Celly Gomes da Silva1
Magnólia de Carvalho Andrade2
Maria de Lourdes Teixeira3
Resumo:
O ambiente da pesquisa acadêmica nas bibliotecas universitárias se apresenta
em constante evolução. Nesta perspectiva, as construções de novos espaços se
fazem necessários na promoção e acesso à informação, via vários tipos de
suportes. Atualmente, antigos paradigmas são sobrepostos com uma velocidade
luz. Neste artigo, apresenta-se a implantação, manutenção e consolidação do
Setor de Pesquisas Virtuais em uma biblioteca universitária, com vistas à
democratização do acesso à informação eletrônica, como também à criação de
uma rede de comunicação rápida, eficaz, tendo como foco central as novas
Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs). Assim, enfoca-se a construção
do espaço físico do Setor de Pesquisas Virtuais, através da criação de normas,
produtos, serviços e divulgação desse novo recurso. A consolidação deste espaço
encontra-se em pleno desenvolvimento, via aquisição de produtos específicos,
consorciamentos junto às redes especializadas, geração de novos produtos e,
principalmente, a presença direta de um profissional bibliotecário intervindo e
mediando o processo da busca e do acesso às informações com segurança e
confiabilidade das fontes. Conseqüentemente, essas ações estão trazendo
benefícios à comunidade atendida.
Palavras-chave: Biblioteca Universitária. Pesquisas Virtuais. Informação em meio
eletrônico. Internet.

1

INTRODUÇÃO

(A

BIBLIOTECA

UNIVERSITÁRIA

E

AS

NOVAS

TECNOLOGIAS)
A chamada era da informação está trazendo diversos desafios para os
profissionais da informação, no tocante ao processo de busca e recuperação da
informação científica. Com isso, torna-se evidente a necessidade de que esses
1

Bacharel em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Bibliotecária responsável pelo
Setor de Pesquisas Virtuais da Faculdade Natalense para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte.
R. Prefeita Eliane Barros, 2000 – Tirol – 59014-540 – Natal / RN – Brasil. farn@farn.br; iaracelly@farn.br.
2
Licenciada em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Bibliotecária responsável pelo
Setor de Periódicos da Faculdade Natalense para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte. R. Prefeita
Eliane Barros, 2000 – Tirol – 59014-540 – Natal / RN – Brasil. farn@farn.br; magnólia@farn.br.
3
Especialista em Gestão Estratégica de Sistemas de Informação. Bibliotecária Coordenadora da Faculdade
Natalense para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte. R. Prefeita Eliane Barros, 2000 – Tirol – 59014540 – Natal / RN – Brasil. farn@farn.br; lourdes@farn.br.

�2
profissionais redimensionem e ofereçam melhores serviços de informação a fim
de se adequar e acompanhar as constantes mudanças informacionais,
satisfazendo assim, a sua clientela.
Especificamente

nas

Bibliotecas

Universitárias,

as

transformações

decorrentes das novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) têm
modificado / alterado as formas de acesso aos conteúdos acadêmicos. Além dos
materiais impressos, outros recursos informacionais via meios eletrônicos, em
alguns casos, disponibilizam informações de forma mais ágil e atualizada.
Desta forma, as bibliotecas universitárias vêm utilizando cada vez mais os
recursos informacionais via web, considerando que esta tem se apresentado
como uma ferramenta mediadora entre o usuário e a informação, processo este
que independe de tempo e espaço, esta relação que antes era de difícil acesso,
consolida-se a largos passos, reafirmando que vive-se em uma sociedade de
(espaço de fluxos e sociedade em redes), onde:
As redes globais de intecãmbios instrumentais conectam e
desconectam indivíduos, grupos, regiões e até países, de acordo
com sua pertinênciana na realização dos objetivos processados
em rede, em fluxo contínuo de decisões estratégicas. [...] Nossas
sociedades estão cada vez mais estruturadas em uma
posição bipolar entre a Rede e o Ser (CASTELLS, 1999, p. 23,
grifo do autor)

Os impactos da inserção dos meios eletrônicos nessas unidades de
informação são verificados / constatados no dia-a-dia, tanto dos bibliotecários,
quanto de usuários das bibliotecas acadêmicas, sobretudo no que concerne à
identificação de informações relevantes em meio à gama de “lixo eletrônico”
acessível na rede.
Neste sentido, os arquivos abertos (open archives) constituem-se em
importantes repositórios informacionais, promovendo não só o acesso, mas a
democratização do conhecimento em âmbito acadêmico, porque “dispõe de uma
estrutura de mediação entre as instituições científicas e os usuários, de forma
mais ‘democrática’ e com custos relativamente baixos”. (VIDOTTI; OLIVEIRA;
SOUZA, 2006); além da disponibilização de inúmeros arquivos com informações
da produção acadêmica informal (a chamada literatura cinzenta), eles possuem

�3
em sua plataforma uma arquitetura confiável, segura com grande utilização e
aceitação no meio informacional.
2 AS NOVAS TECNOLOGIAS E A SOCIEDADE DO CONHECIMENTO
No cenário mundial, com a globalização e a emergência das tecnologias
de informação, verifica-se uma nova ordem voltada para as mudanças do ponto
de vista científico, tecnológico, econômico, social, cultural, etc.
Desde a chamada era pós-industrial, a partir da década de 1950, essas
transformações se intensificaram, afetaram e continuarão afetando todos os
setores da vida dos indivíduos.
É fato indiscutível que o clichê “informação é poder” é cada vez mais
atual. Desde meados do século passado, a informação tem se apresentado como
um recurso primordial do desenvolvimento humano. Na atualidade, ela
corresponde à representação da posse da terra no feudalismo e da detenção dos
meios de produção e do capital na época industrial.
Em substituição ao conceito de “sociedade pós-industrial”, a expressão
“sociedade da informação” relaciona-se com:
[...] as transformações técnicas, organizacionais e administrativas
que têm como ‘fator-chave’ não mais os insumos baratos de
energia – como na sociedade industrial – mas os insumos
baratos de informação propiciados pelos avanços tecnológicos na
microeletrônica e telecomunicações. (WERTHEIN, 2000, p.71).

Trata-se de uma sociedade que está se construindo, ainda não se pode
conceituá-la plenamente, visto que, se está se vivendo nesse contexto, o que
torna mais difícil o distanciamento necessário para a sua completa compreensão.
Antes mesmo dessa expressão “sociedade da informação” ser utilizada,
ainda no século XVIII, anterior à era industrial, o homem tentava se inserir no
contexto informacional através do acesso ao saber. A Enciclopédia elaborada por
Diderot e D’Alembert nessa época representa o início da sistematização do
conhecimento, com a finalidade de se obter domínio sobre o mesmo.
(CARVALHO; KANISKI, 2000, p.35).

�4
É devido a essa necessidade que o homem teve de controlar o
saber/conhecimento/explosão

informacional

que

atualmente

constatam-se

impactos socioculturais e econômicos.
No aspecto econômico, provocou-se a expansão do setor terciário,
responsável pela produção e geração de serviços e, socioculturalmente,
contribuiu para aumentar a disparidade entre os indivíduos das diversas camadas
da sociedade ou, numa perspectiva contrária, permitiu a superação de tais
desigualdades.
Encontra-se, assim, uma contradição: “[...] a informação pode tanto ser
fator de dominação quanto de emancipação.”(CARVALHO; KANISKI, 2000, p.36).
Nesse contexto, a biblioteca (leia-se: “unidades de informação”) tem um
papel primordial no sentido de promover a democratização do acesso à
informação. Como um meio educativo, esse espaço deverá propiciar o
desenvolvimento social, na medida em que possibilita que as necessidades
informacionais dos indivíduos sejam supridas.

3 AMBIENTES VIRTUAIS NO CONTEXTO DAS BIBLIOTECAS
O aumento do fluxo informacional que a humanidade vem vivenciando
tem trazido alguns problemas para as bibliotecas, pois este aumento dificulta
ainda mais os serviços de sistematizar e transformar os conhecimentos em
produtos que satisfaçam as necessidades informacionais de seus usuários, sejam
elas reais ou potenciais.
Para tentar sanar esse problema, as bibliotecas estão buscando soluções
nos recursos das tecnologias de informação e comunicação.
O uso das redes eletrônicas pode contribuir muito para o desenvolvimento
da comunidade acadêmica; atualmente isto já é uma realidade presente em
grande parte das Instituições de Ensino Superior no Brasil e no mundo. As bases
de dados informacionais e revistas em meio eletrônico disponíveis através do
acesso remoto (Internet) ou local (disquetes, CD-ROMs e intranets) funcionam
como importante complemento ou principal fonte de pesquisa científica.

�5
A Internet representa um enorme avanço para o acesso e o processamento
da informação devido ao seu dinamismo. Consolidada a partir da década de 90, a
grande rede de computadores conecta indivíduos, instituições acadêmicas,
organizações comerciais e governamentais no mundo inteiro.
No final da década de 60, nos Estados Unidos, ela foi criada para atender
necessidades relacionadas a objetivos militares (A INTERNET, 2000, p.133);
desde a década de 80 se volta para demandas educacionais, comerciais e de
pesquisa. Atualmente, através de fontes de informação online , oferecidas na
rede, pode-se encontrar praticamente tudo a respeito de qualquer assunto. Com
isso, a World Wide Web (WWW) configura-se como uma ferramenta
indispensável para a realização bem sucedida de pesquisas, além de representar
um dos maiores exemplos de veiculação democrática de informações. Segundo
Silva (2003), “A ‘democratização’ gerada, já que a princípio qualquer pessoa pode
disponibilizar e acessar informação de qualquer lugar do mundo, vem
transformando a utilização da Internet em uma necessidade.”
Esse caráter de liberdade de expressão conferido eletronicamente
apresenta aspectos positivos, dentre outras coisas contribui para que o sistema
educacional funcione de maneira não repressiva. Entretanto, há um preço a se
pagar por isso: nem tudo o que está disponível na rede se constitui em fontes
relevantes ou merecedoras de credibilidade. Desse modo, utilizar a Internet na
busca de informações requer alguns cuidados.
Estudantes, especialistas, profissionais, enfim, usuários da Internet
precisam de orientações para explorar os recursos oferecidos, além de
necessitarem analisar a informação que se apresenta através da rede. Essa
análise deve ser feita a partir de critérios de qualidade, fidedignidade,
confiabilidade e atualidade das informações prestadas.
Tomaél et al (2001) definiram dez critérios de qualidade para a avaliação
de fontes de informação disponíveis na Internet: informações de identificação da
pessoa ou entidade responsável pelo conteúdo do site; consistência das
informações prestadas; confiabilidade das informações, analisando-se o critério
de autoridade do mantenedor do site; adequação da linguagem e do conteúdo da
fonte; links que complementam as informações prestadas; facilidade de uso; lay-

�6
out da fonte, observando-se os tipos de mídia utilizadas; restrições intelectuais ou
financeiras; oferecimento de suporte ao usuário e outras observações percebidas,
que possibilitem maior exploração das informações disponíveis.
É preciso ressaltar que esses critérios podem sofrer transformações, assim
como a própria rede, para que seja possível acompanhar o rápido avanço que
esse tipo de tecnologia sofre com o passar do tempo. Daí, faz-se necessário que
os usuários desses recursos e os profissionais bibliotecários estejam atentos a
essas mudanças, para não comprometerem a segurança da informação obtida
através desse meio eletrônico.

4 METODOLOGIA
A metodologia desse estudo baseou-se na análise dos dados estatísticos
existentes em relatórios do setor, como também, no resultado apresentado em
pesquisa de usuário realizada anualmente; configurando-se como um estudo de
caso.
Este tipo de pesquisa “tem por finalidade tentar conhecer e explicar os
fenômenos que ocorrem nas suas mais diferentes manifestações e a maneira
como se processam os seus aspectos estruturais e funcionais [...]” (OLIVEIRA,
1998, p. 118.). Na verdade, permite fornecer explicações, através de
conhecimentos teóricos e práticos, de questões que dizem respeito ao caso em
estudo, ajudando a tirar conclusões de suas investigações, esclarecendo dúvidas
e aprofundando estudos que auxiliarão na descoberta de respostas para
possíveis problemas existentes no caso.

5 CONSTRUINDO O AMBIENTE NA FARN
5.1 A CONSTRUÇÃO
Até meados dos anos 2002, na estrutura física da biblioteca da FARN,
inexistia o espaço físico para acesso à pesquisas via Internet ou a outros tipos de
suportes eletrônicos da informação.

�7
Em agosto do mesmo ano, através da nova gestão da Biblioteca, ocorreu a
apresentação da proposta junto à Direção Geral da Faculdade, que, por sua vez,
deu total apoio ao projeto; vislumbrando naquele instante a necessidade de ter
um setor na Biblioteca que estivesse em consonância com as práticas adotadas
nas grandes bibliotecas que já trabalham com suporte eletrônico.
Dessa forma, iniciou-se o processo de implantação do projeto. Inicialmente,
a busca de um espaço físico adequado foi a primeira preocupação, tão logo o
local foi estabelecido, passou-se para a estruturação desse espaço, no que se
refere a equipamentos, estruturação de produtos e serviços inerentes ao setor,
estabelecimento de normas e procedimentos, desenvolvimento de produtos e
serviços que correspondessem ao objetivo proposto.
Em seguida, foi idealizada uma marca que refletisse uma real significância
da proposta, daí nasceu a logomarca, cujo slogan adotado identificaria o sentido
que se queria enfatizar perante a comunidade acadêmica, conforme figura a
seguir:

Figura 1 – Logomarca do Setor de Pesquisas Virtuais
Fonte: Biblioteca da FARN

5.2 MOVIMENTOS EVOLUTIVOS
Como estratégia de divulgação foi elaborado um folder específico,
informando o propósito do setor, as normas de utilização e os produtos, até então
desconhecidos pela maioria dos usuários, que inicialmente ficou assim estruturado:

�8
PRODUTOS

SERVIÇOS
Busca monitorada ( COMUT, bases e sites
Boletim de alerta
específicos)
Escaneamento e impressão de pesquisa
Catálogos de bases de dados em CD-ROM
acadêmica
Levantamento bibliográfico de fontes
Catálogos de sites especializados
eletrônicas
Quadro 1 – Produtos e serviços realizados na PV em 2002
Fonte: Biblioteca da FARN, 2002.

A divulgação também ocorreu de forma institucional, e nas reuniões
administrativas foi divulgado o novo setor aos professores e coordenadores de
cursos, sendo solicitado aos mesmos o apoio e divulgação junto aos alunos, para
que estes fizessem uso deste novo recurso. A divulgação ocorreu também nas
visitas dirigidas que são realizadas periodicamente, de forma que o setor pudesse
ser consolidado e tivesse participação efetiva na vida acadêmica da comunidade.

5.3 CONSOLIDAÇÃO GRADUAL
Em pesquisa de usuário realizada na Biblioteca da FARN, elaborada por
Silva; Souza (2004), dentre os resultados obtidos, constatou-se que o item
“utilização da sala de pesquisas virtuais / bases de dados” ficou em último lugar
na motivação que leva os usuários a utilizarem a Biblioteca da FARN, conforme o
gráfico abaixo:

Gráfico 1 – Motivos que levam a utilizar a Biblioteca
Fonte: Silva; Souza (2004)

�9
A partir dessa constatação, observou-se a necessidade de se enfatizar o
desenvolvimento e divulgação dos serviços oferecidos pelo setor.
A inserção de um bibliotecário, de forma direta, no Setor de Pesquisas
Virtuais foi de fundamental importância na sua consolidação, haja vista que o
mesmo pôde dar um maior direcionamento aos objetivos propostos, através de
um planejamento, execução e acompanhamento sistêmico, bem como, auxiliar
aos usuários de forma mais presencial. Neste sentido, o profissional veio facilitar
a busca em meios eletrônicos ou on-line, procurando aperfeiçoar e ampliar o uso
dos produtos e serviços do Setor.
De acordo com Martins (2006):
[...] mesmo num cenário de avanço tecnológico em meios
eletrônicos, de internet e outros suportes, a presença de
bibliotecários e de bibliotecas será fundamental para a
recuperação das informações. Pois, as pessoas não estão
preparadas para pesquisar e não dispõem de tempo para efetuálas, preferindo que profissionais gabaritados exerçam essa
função. E nessa lacuna, a presença do bibliotecário torna-se
essencial dentro da sociedade.

Como conseqüência natural da intervenção do profissional bibliotecário,
algumas ações se fizeram necessário, dentre as quais cita-se:
•

Ampliação de equipamentos;

•

Aquisição de produtos informacionais eletrônicos;

•

Criação de novos produtos e serviços;

•

Consorciamento com redes de bibliotecas.
Desta forma, a atual configuração representativa dos produtos e

serviços ampliou-se conforme quadro a seguir:
PRODUTOS

SERVIÇOS
Busca monitorada (COMUT, bases e sites
Boletim de alerta
específicos)
Catálogos de bases de dados em CD-ROM Disseminação Seletiva da Informação
Escaneamento e impressão de pesquisa
Catálogos de sites especializados
acadêmica
Levantamento bibliográfico de fontes
Clipping Acadêmico
eletrônicas
Programa de treinamento em bases de
dados e acesso a informação eletrônica
Quadro 2 – Produtos e serviços realizados na PV em 2006
Fonte: Biblioteca da FARN, 2006

�10
Considerando a atuação direta do profissional bibliotecário e a
ampliação dos produtos e serviços, observou-se a evolução do setor que pode ser
demonstrada nos dados estatísticos abaixo representados:

21%

Junho

21%

Julho
10%
25%

23%

Agosto
Setembro
Outubro

Gráfico 2 – Estatística de utilização Pesquisa Virtual – 2002
Fonte: Biblioteca da FARN, 2002.

Conforme gráfico 2 acima apresentado, verifica-se que pelo fato da
implantação do setor ter ocorrido apenas no segundo semestre letivo, a maior
utilização e solicitação dos serviços deram-se particularmente no mês de junho,
justificado pela campanha de divulgação da implantação do novo setor, e nos
meses de agosto, setembro e outubro, constatado pelo fato destes serem os
meses que os alunos concluintes intensificam a elaboração dos trabalhos de
conclusão de curso.

Fevereiro
23%

9%

Março
29%

Abril
Maio

13%
10%

16%

Junho
Agosto

Gráfico 3 – Estatística de utilização Pesquisa Virtual – 2003
Fonte: Biblioteca da FARN, 2003.

Constata-se maior índice de uso/solicitação do setor no mês de março pelo
fato de que no início do ano letivo ocorrem as visitas programadas, que apresenta
como destaque os produtos e serviços do setor aos alunos novatos,

�11

Março
Abril
7%

14%

Maio

15%
10%

Junho
Agosto

11%

10%
16%

11%

6%

Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro

Gráfico 4 – Estatística de utilização Pesquisa Virtual – 2004
Fonte: Biblioteca da FARN, 2004.

O resultado apresentado neste período demonstra uma evolução quando
aponta uma utilização sistemática em todos os meses do ano, com destaque para
o mês de março, que a exemplo do ano anterior aumenta o fluxo do setor, pois
sempre ocorrem as visitas programadas para a apresentação da biblioteca, seus
produtos e serviços, destacando assim, o setor para os alunos novatos; nos
meses de setembro, outubro e novembro são constatados altos índices pelo fato
de serem estes meses em que os alunos concluintes intensificam a elaboração
dos trabalhos de conclusão de curso.

Janeiro
Fevereiro
10%

5% 4% 5%

Março
15%

11%
9%

13%
7% 4%

8%

9%

Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro

Gráfico 5 – Estatística de utilização Pesquisa Virtual – 2005
Fonte: Biblioteca da FARN, 2005.

Nesta representação, confirmam-se os altos níveis de utilização/solicitação
no setor, nos meses de março, outubro, novembro e dezembro, pelos motivos
supracitados. Como também fica evidenciado um aumento sistemático para todos
os demais meses do período letivo.

�12

12%

Fevereiro

6%
34%

Março
Abril

30%

Maio
18%

Junho

Gráfico 6 – Estatística de utilização Pesquisa Virtual – 1° semestre 2006
Fonte: Biblioteca da FARN, 2006.

Percebe-se uma crescente utilização do setor pela comunidade acadêmica,
desde a sua implantação no ano de 2002, até o primeiro semestre de 2006. Os
dados mostram que no ano de 2002 a freqüência de acesso ao setor de
Pesquisas Virtuais chegou ao valor máximo de 26 solicitações no mês de
setembro, enquanto que o número máximo atingido foi de 71 acessos no mês de
março de 2006.

Essa constatação é um indicativo de que a comunidade da

FARN tomou conhecimento da existência do setor de Pesquisas Virtuais e tem
demonstrado contínuo interesse na utilização de seus serviços.
MESES
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
TOTAL

SOLICITAÇÕES
---------------3
2
2
---------------2
1
-----10

%
---------------30
20
20
---------------20
10
-----100

Quadro 3 – Estatística de solicitação de pesquisas – 2005
Fonte: Biblioteca da FARN, 2005.

�13
MESES
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
TOTAL

SOLICITAÇÕES
-----3
5
12
19
8
47

%
-----6
10
25
40
17
100

Quadro 4 – Estatística de solicitação de pesquisas – 1° semestre 2006
Fonte: Biblioteca da FARN, 2006.

Os quadros 3 e 4 refletem as ocorrências de solicitações de buscas em
bases de dados. Destacamos que desde a contratação de um profissional
bibliotecário respondendo diretamente pelo setor de Pesquisas Virtuais, observase que a quantidade de solicitações aumentou consideravelmente e, somente no
mês de maio de 2006, ocorreu um número de solicitações maior que em todo o
ano de 2005. Esse fato é decorrente da divulgação desse serviço junto aos
alunos, como também a participação direta de alguns professores em indicar o
setor na busca de pesquisas, contribuindo assim no processo de consolidação do
setor na Instituição.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Após analisarmos os dados coletados via estatísticas do setor, como
também, os resultados apresentados na pesquisa de usuários, realizada
anualmente pela Biblioteca, pode-se delinear três pontos a se considerar, quais
sejam: conhecimento da existência do setor, uso do serviço e solicitação de
pesquisas acadêmicas.
Os pontos analisados estão atrelados à ação direta do usuário da unidade
de informação, portanto, além das implantações em relação ao desenvolvimento
de produtos e serviços, e da aquisição de equipamentos, o foco central para a
consolidação do setor não poderia deixar de estar centrada no usuário, razão
maior da justificação das unidades de informação. Assim, observa-se um grau
evolutivo, no que tange ao conhecimento, uso e utilização dos serviços oferecidos
pela PV, onde denota-se ainda a presença de uma cultura fundamentada no uso
do livro (suporte material da informação) em detrimento das informações
disponibilizadas eletronicamente; entretanto, vislumbra-se uma luz em direção a

�14
uma nova configuração cultural em relação ao uso e acessos destes novos
suportes informacionais.
O quadro evolutivo delineado ao longo destes três anos da implantação da
PV demonstra que se está a caminho de uma gradual consolidação, mas
sistematizada e planejada. As novas tecnologias estão aí, anunciando um novo
modelo de relações, paradigmas são quebrados a todo instante e as unidades de
informação devem estar caminhando lado a lado com as novas tecnologias. Neste
sentido, as bibliotecas universitárias, cuja missão maior é oferecer suporte ao
tripé base das universidades, deve fazer parte deste contexto de forma dinâmica
e interativa e principalmente antevendo-se as necessidades de seus usuários,
tendo como aliados a grande rede, os recursos tecnológicos, ancorados na rede
maior que sem dúvida é a rede humana.

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Brasil: livro verde. Brasília: Ministério da Ciência e Tecnologia, 2000. p.133-140.
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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              <name>Subject</name>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                <elementText elementTextId="51381">
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              <name>Publisher</name>
              <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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                <elementText elementTextId="51382">
                  <text>UFBA</text>
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            <element elementId="40">
              <name>Date</name>
              <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                  <text>2006</text>
                </elementText>
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            <element elementId="44">
              <name>Language</name>
              <description>A language of the resource</description>
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              <name>Type</name>
              <description>The nature or genre of the resource</description>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>O ambiente de pesquisas virtuais na biblioteca acadêmica: da implantação à consolidação, um longo percurso.</text>
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                <text>Silva, Iara Celly Gomes da; Andrade, Magnólia de Carvalho; Teixeira, Maria de Lourdes </text>
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            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                <text>Salvador (Bahia)</text>
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            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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                <text>O ambiente da pesquisa acadêmica nas bibliotecas universitárias se apresenta em constante evolução. Nesta perspectiva, as construções de novos espaços se fazem necessários na promoção e acesso à informação, via vários tipos de suportes. Atualmente, antigos paradigmas são sobrepostos com uma velocidade luz. Neste artigo, apresenta-se a implantação, manutenção e consolidação do Setor de Pesquisas Virtuais em uma biblioteca universitária, com vistas à democratização do acesso à informação eletrônica, como também à criação de uma rede de comunicação rápida, eficaz, tendo como foco central as novas Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs). Assim, enfoca-se a construção do espaço físico do Setor de Pesquisas Virtuais, através da criação de normas, produtos, serviços e divulgação desse novo recurso. A consolidação deste espaço encontra-se em pleno desenvolvimento, via aquisição de produtos específicos, consorciamentos junto às redes especializadas, geração de novos produtos e, principalmente, a presença direta de um profissional bibliotecário intervindo e mediando o processo da busca e do acesso às informações com segurança e confiabilidade das fontes. Conseqüentemente, essas ações estão trazendo benefícios à comunidade atendida.</text>
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                    <text>O ARTIGO CIENTÍFICO COMO FONTE DE INFORMAÇÃO
UTILIZADA NOS ANAIS DO SNBU1

Murilo Artur Araújo da Silveira2
Ângela Maria Saraiva de Moura3

RESUMO
Trata-se do uso do artigo científico como fonte de informação na construção de
trabalhos em anais de eventos profissionais em Biblioteconomia. Destaca a
importância da citação e dos estudos de citações como instrumentos de
mensuração da produção e uso da literatura científica. Enfatiza a contribuição dos
artigos científicos no processo de educação continuada de bibliotecários. Tem por
objetivo, investigar e analisar o artigo científico como recurso informacional
utilizado em trabalhos desenvolvidos por bibliotecários nos anais dos Seminários
Nacionais de Bibliotecas Universitárias de 2002 e 2004. Pretende ainda, mapear e
compatibilizar as citações com os principais periódicos científicos brasileiros na
área; identificar as citações para os principais autores de artigos científicos
nacionais; e evidenciar os autores e suas contribuições na produção de
conhecimentos. Como metodologia tem-se: coleta de dados referentes aos
trabalhos apresentados por bibliotecários; identificação dos autores e as
características de autoria; identificação dos periódicos científicos e autores mais
citados. Têm-se como alguns dos resultados, o aumento do número de autoria em
colaboração nos anais de eventos analisados; a predominância da região sudeste
como produtores de textos; a supremacia da revista Ciência da Informação; e os
autores mais citados. Verificou-se que o artigo científico como fonte de informação
para bibliotecários é um recurso educacional não muito utilizado, através dos
baixos índices obtidos.

PALAVRAS-CHAVE
Científico; Anais do Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias; Análise de
Citações; Produção de Conhecimentos; Bibliotecários

1

Trabalho baseado no Relatório Final da Disciplina Estágio Supervisionado 1 do Curso de Biblioteconomia da
UFPE, sob a orientação da Profª Ângela Maria Saraiva de Moura.
2
Mestrando em Ciência da Informação pela PUC-Campinas. Bolsista CNPq. E-mail: muriloas@gmail.com.
3
Professora do Departamento de Ciência da Informação da UFPE. E-mail: angela@ufpe.br.

�INTRODUÇÃO
Os periódicos científicos são documentos publicados em intervalos de
tempo determinados ou não, com o propósito de fornecer informações e relatos de
pesquisas atualizadas. Veículo de comunicação científica do tipo formal, assume
papel de destaque pela confiabilidade na transmissão do conhecimento perante à
comunidade que ela serve, pois se caracteriza pela originalidade, atualidade e
qualidade.
Tem como funções: 1) comunicar formalmente, resultados originais de
pesquisas para os seus pares; 2) preservar o conhecimento registrado; 3)
estabelecer a propriedade intelectual; 4) manter o padrão de qualidade da ciência
(MUELLER, 2000). De acordo com sua natureza, podem ser científicos, técnicos,
técnico-científicos, de divulgação, etc (TARGINO, 2002).
Tanto os periódicos científicos quanto os seus elementos constitutivos 
artigos, autores, palavras-chave, resumos, citações, referências bibliográficas, etc.
 são (e sempre foram) objetos de estudo da área. É sabido pelo campo que as
primeiras pesquisas contemplaram tais elementos a fim de entender tópicos
referentes à produção e ao uso da literatura científica.
Uma das abordagens mais utilizadas na Ciência da Informação para
entender todo o ciclo de produção, disseminação e uso da informação científica
são os estudos de citações. O ato de citar na comunicação científica ilustra os
caminhos percorridos pelos autores ao escrever um texto. Revela as conexões
entre o trabalho atual e tudo o que já foi produzido relacionado ao tema. Expressa
o conhecimento das leis, teorias e métodos existentes na área, para fins de
registro da literatura relevante para a pesquisa. Destaca a importância dos outros
estudos que serviram de inspiração, contribuição e comparação.
As citações representam vínculos semânticos que se estabelecem com as
idéias, pensamentos, conceitos, metodologias, resultados, etc., expressando o
grau de contribuição e relevância de trabalhos existentes com os que estão sendo
desenvolvidos.

�No entanto, existem muitas razões para citar um trabalho. A literatura
registra vários motivos que levam um pesquisador a citar o outro. Mostafa e
Máximo (2003, p. 97) exprimem que cita-se para concordar ou discordar, cita-se
para fins de reconhecimento ou por razões de desconhecimento, para dar crédito
ou para obter créditos.
Ao revisar a literatura sobre estudos de citações, Vanz e Caregnato (2003)
identificaram quinze funções da citação, dentre as quais destacaremos algumas
que julgou-se como relevantes para o estudo. São elas: identificar metodologia;
oferecer leitura básica; analisar trabalhos anteriores; sustentar declarações; e
identificar publicações originais nas quais uma idéia ou um conceito são
discutidos.
As razões que levam um autor a citar, demonstram práticas e relações
existentes em todas as áreas no ato de produzir e comunicar a ciência. Alvarenga
(1998, p. 27) explica essas práticas e relações ao afirmar que permeia o ato de
citar todo um espectro de implicações psicológicas, sociológicas, políticas e
históricas, assim como influências de outras naturezas, tais como o narcisismo
(autocitações), adesão e paradigmas vigentes.
Trazem consigo, problemas que levantam questionamentos e críticas em
relação aos motivos que levam determinado autor a citar outros. Para tentar
amenizar as críticas sobre os estudos de citação, Mostafa e Máximo (2003, p. 97),
a partir de uma abordagem histórico-cultural, falam que as citações devem ser
compreendidas como unidade de análise por representarem a visita ou a
consulta ou o detour que todo pesquisador faz ao produzir conhecimento. Em
seguida, exprimem:
o outro na dialética hegeliana seria a negação momentânea de si
para o reencontro em si com o outro no caminho de volta. O outro nos
acompanha no caminho de volta sempre que o citamos em nossas
referências (bibliográficas). Nós nos referimos ao outro para produzir
conhecimento, no mesmo movimento em que nos oferecemos a ele.

�É a partir desses indicadores fornecidos pelos estudos de citações que se
obtêm comportamentos, práticas e relações da comunicação científica em todas
as áreas do conhecimento. Apesar das críticas, ainda é o método mais utilizado
em diversas comunidades científicas para tentar descrever os processos de
produção e utilização do conhecimento registrado.
Assim, com o intuito de entender o processo de construção e uso da
literatura científica na Ciência da Informação, o presente trabalho investiga e
analisa o artigo científico como fonte de informação utilizada nos anais do SNBU
de 2002 e 2004. Busca-se compatibilizar os artigos de periódicos utilizados em
trabalhos apresentados nos dois eventos, para através da análise das referências
bibliográficas e da identificação de autores, levantar situações e práticas na área.
Tem como objetivos específicos:

Obter informações sobre a comunicação e produção científica na Ciência da
Informação;
Verificar a utilização do artigo científico como fonte de informação pelos
bibliotecários;
Mapear os principais periódicos científicos brasileiros na área de Ciência da
Informação, em formatos impresso e eletrônico;
Identificar os principais autores de artigos científicos nacionais da área,
citados nas referências bibliográficas dos trabalhos apresentados.

METODOLOGIA E RESULTADOS

O presente estudo se qualifica por ser de caráter bibliográfico e empíricoanalítico. Constitui-se em métodos de análises de citações e técnicas de
quantificação da literatura científica em Ciência da Informação, para avaliação da
utilização de artigos científicos na elaboração de trabalhos dos anais de 2002 e
2004 do Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias. Busca-se fornecer

�informações sobre a dinâmica da comunicação científica na área, a partir da
compatibilização dos dois tipos de literaturas acima mencionadas.
Os elementos analisados por esta pesquisa foram: os periódicos técnicocientíficos que, segundo Targino (2002) são aqueles que 50% de seu conteúdo
são resultantes de atividades de pesquisa e os outros 50% emitem, opiniões,
comunicações, pontos de vistas, etc.; os artigos citados de caráter técnicocientífico veiculados nas principais revistas científicas do país; os autores citados
nos trabalhos dos eventos para evidenciar suas contribuições; e as citações e as
referências bibliográficas dos trabalhos. Já nos anais, os objetos foram: os autores
dos trabalhos, as instituições e a região geográfica destes autores.
As etapas adotadas para a coleta dos dados foram:
1) Levantamento dos principais periódicos científicos nacionais, na área de
Ciência da Informação.
Foram levantadas as revistas científicas na área de Ciência da Informação
nos sites da Associação Brasileira de Educação em Ciência da Informação
&lt;www.abecin.org.br&gt; e da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em
Ciência da Informação &lt;www.ancib.org.br&gt;. Os periódicos encontrados foram
dispostos numa tabela (ver Apêndice 1).
2) Coleta de dados referentes aos trabalhos apresentados
Os dados coletados foram dispostos numa planilha do Excel criada
especialmente, para facilitar o manuseio dos dados. Os campos foram escolhidos
para facilitar a tabulação dos dados encontrados.
3) Identificação

dos

bibliotecários

como

autores

nos

trabalhos

apresentados
A identificação dos bibliotecários como autores foi realizada através da
visualização de sua função exercida nos locais de trabalho. Foram desprezados
como autores, professores da área, profissionais de outras áreas e estudantes. Os

�bibliotecários encontrados que tiveram a colaboração de professores e outros
profissionais foram computados.

4) Agrupamento de trabalhos por regiões
Em seguida, identificou-se a instituição dos

autores

que

foram

considerados pertinentes à pesquisa. Estes foram agrupados segundo a divisão
geográfica do Brasil. Também se realizou a quantificação das instituições mais
produtivas.
5) Agrupamento dos autores de trabalhos por características de autoria
Foram agrupados os autores por autoria única e em colaboração, no
momento da identificação dos bibliotecários como autores.
6) Identificação dos periódicos científicos citados
Após a identificação de autoria, características de autoria e trabalhos por
região, procedeu-se a das revistas nacionais da área que serviram de fonte de
informação dos trabalhos. Os periódicos foram separados por autor(es) de
trabalho e cada um foi registrado pelo número estabelecido pela tabela (ver
Apêndice 1) citada no item 1, deste material.
7) Identificação dos autores mais citados
Ao realizar a identificação dos periódicos nacionais da área, coletaram-se
os autores dos artigos que foram citados nos trabalhos. Ressalta-se que nesta
etapa foi realizada a contagem dos artigos para depois estabelecer a média de
citações, a partir do número total de citações pela quantidade total de trabalhos.

Os resultados obtidos por esta investigação foram:
Trabalhos Apresentados

�Nos anais do SNBU de 2002 foram coletados 115 trabalhos apresentados
por bibliotecários, sendo 23 deles em colaboração com professores universitários
da área. Em 2004, foram contabilizados 155 trabalhos, tendo a colaboração de
professores em 31 deles.
Estes dados mostram a integração e colaboração entre os profissionais e
a academia, que se apresentam na forma de textos decorrentes da realidade
bibliotecária. Contudo, a aproximação entre estas duas classes ainda se mostra
muito tímida, podendo ser mais efetiva, tendo em vista que o percentual de um
evento para o outro foi praticamente o mesmo.

Autoria

Dentre os trabalhos apresentados em 2002 e 2004 nos eventos
estudados, obtemos dados inéditos sobre autoria na área. A tabela 1 exibe o
panorama sobre as questões de autoria nos eventos.
Tabela 1
Distribuição de Autor por Trabalho
Trabalhos Apresentados
Quantidade de Autores
(SNBU 2002)
1 autor
27 trabalhos
2 autores
46 trabalhos
3 autores
16 trabalhos
4 autores
14 trabalhos
5 autores
7 trabalhos
6 autores
2 trabalhos
7 autores
8 autores
1 trabalho
9 autores
10 autores
1 trabalho
mais de 10 autores
1 trabalho
115 trabalhos
Fonte: Dados extraídos da pesquisa, 2004-2005.

Trabalhos Apresentados
(SNBU 2004)
25 trabalhos
57 trabalhos
29 trabalhos
25 trabalhos
7 trabalhos
4 trabalhos
3 trabalhos
2 trabalhos
1 trabalho
2 trabalhos
155 trabalhos

A autoria individual cedeu espaço para a autoria em colaboração,
evidenciando que está acontecendo uma interação maior entre os profissionais,
através de atividades e estudos que busquem solucionar e aperfeiçoar métodos e

�técnicas de trabalho. Percebe-se um aumento significativo com relação a
trabalhos apresentados com dois, três e quatro autores de um evento para o outro.
Ohira, Prado e Cunha (2002) ao apresentar dados de pesquisa em anais
de eventos com a temática Bibliotecas Virtuais e Digitais obteve resultados
semelhantes. A autoria em colaboração neste trabalho chegou a 64,11%, reunindo
autoria de dois ou mais autores, ilustrando que em congressos há uma tendência
de organização de grupos.
Em outros estudos com referência a autoria única e em colaboração, há
vários registros de que a autoria única é uma tendência marcante na Ciência da
Informação, em relação à autoria com colaboração (MUELLER; PECEGUEIRO,
2001; POBLACIÓN, NORONHA, 2002; BOHN, 2003).
Acredita-se que esta situação apresentada pelos dois anais do SNBU, se
dá pelo fato de que os autores na sua maioria, são da mesma instituição e, muitas
vezes, do mesmo setor. Logo, são personagens que estão inseridos num contexto
favorável para a formulação, criação e desenvolvimento de atividades que fazem
parte do ambiente de trabalho, assim como para a divulgação entre seus pares.
Ressalta-se ainda que, a divulgação dos trabalhos para uma platéia com
interesses comuns, como se configura este evento, é outro fator positivo pois,
mostra a importância do trabalho para a comunidade e faz com que outros
participantes se interessem e iniciem outros trabalhos, a partir de sua colaboração.
Autores Produtivos

Os autores mais produtivos de trabalhos apresentados nos eventos de
2002 e 2004 são: Gildenir Carolino SANTOS com onze trabalhos, Mariângela
Spotti Lopes FUJITA e Regina Aparecida Blanco VICENTINI, ambos com sete
trabalhos e Maria Elisa Garcia de GRANDI e Luís Atílio VICENTINI, com seis
cada. Deste grupo que se destacou como os mais produtivos, somente Luís Atílio
VICENTINI e Regina Aparecida Blanco VICENTINI foram encontrados como
autores produtores em outro levantamento com o mesmo tipo de material (OHIRA;
PRADO; CUNHA, 2002).

�A distribuição dos autores mais produtivos por trabalho nos SNBUs dos
dois anos é ilustrada pela tabela 2.
Tabela 2
Autores Mais Produtivos (SNBU 2002 e 2004)
Quantidade de Trabalhos
Autores Produtivos
(SNBU 2002)
FUJITA, M. S. L.
3 trabalhos
ROSETTO, M.
3 trabalhos
SANTOS, A. H. dos
3 trabalhos
RIBEIRO, C. M.
3 trabalhos
SANTOS, G. C.
3 trabalhos
PASSOS, R.
3 trabalhos
GRANDI, M. E. G. de
3 trabalhos
NEVES, M. E. da P.
2 trabalhos
BARBARA, S.
2 trabalhos
PACIENO, T. S.
2 trabalhos
ALVARENGA, T. C. C. de
2 trabalhos
FONSECA, N. L. da
2 trabalhos
SILVA, N. C. da
2 trabalhos
LIMA, V. L. de
2 trabalhos
VINCENTINI, R. A. B.
2 trabalhos
GONÇALVES, C. A.
2 trabalhos
VANDERLEI FILHO, D.
2 trabalhos
VINCENTINI, L. A.
2 trabalhos
VALÉRIO, D. S.
2 trabalhos
COITO, M. I.
2 trabalhos
NOGUEIRA, A. H.
2 trabalhos
ANDRADE, M. V. M.
2 trabalhos
SAMPAIO, M. I. C.
2 trabalhos
Fonte: Dados extraídos da pesquisa, 2004-2005.

Autores Produtivos
SANTOS, G. C.
VINCENTINI, R. A. B.
PASSOS, R.
SOUTO, L. F.
VINCENTINI, L. A.
MARTINS, V. dos S. G.
FUJITA, M. S. L.
FONSECA, N. L. da
LIMA, V. L. de
GRANDI, M. E. G. de
PARDINI, M. A.
KUESTER, H. M.
OLIARI, M. J.
MOREIRA, T. da G.
SANTOS, A. R. dos
BELLINI, A. de B.
RIBEIRO, C. M.
MORAES, J. de S.
MARENGO, L.
CUENCA, A. M. B.
COITO, M. I.
FOGOLIN, D. F.
SILVA, N. C. da

Quantidade de Trabalhos
(SNBU 2004)
8 trabalhos
5 trabalhos
4 trabalhos
4 trabalhos
4 trabalhos
4 trabalhos
4 trabalhos
3 trabalhos
3 trabalhos
3 trabalhos
3 trabalhos
3 trabalhos
3 trabalhos
3 trabalhos
3 trabalhos
2 trabalhos
2 trabalhos
2 trabalhos
2 trabalhos
2 trabalhos
2 trabalhos
2 trabalhos
2 trabalhos

Trabalhos X Região

Os resultados obtidos entre o número total de trabalhos apresentados
versus região geográfica dos autores, não mostram grandes diferenças, e sim,
confirmam o que já foi comprovado em várias pesquisas: a hegemonia do Sudeste
como produtores de trabalhos (neste caso, trabalho está relacionado a qualquer
tipo de texto).
Targino (2000), ao analisar a localização geográfica como fator
interveniente na produção de artigos científicos, apresenta como resultados, a
inferioridade das regiões norte e nordeste com relação às outras. A autora exprime
que a localização geográfica tem a ver, no Brasil, com desigualdades

�socioeconômicas e culturais, com implicações diretas na produção cultural,
artística e acadêmica (TARGINO, 2000, p. 70).
Contudo, este estudo apresenta algumas particularidades. Nos anais de
2002, o Nordeste aparece com 19 trabalhos, superando as regiões sul e centrooeste juntas, com 18 trabalhos. Podemos deduzir que isto ocorreu pelo fato do
evento ter acontecido em Recife (PE), estando esta capital, localizada no centro
da região nordeste. Em 2004, esta situação já não se repete. A região sul
apresenta um maior número de trabalhos que o Nordeste, embora o evento
também tenha acontecido em Natal (RN), outra capital do Nordeste.
Outros dados importantes são: a insignificante participação do centrooeste, com apenas um trabalho em ambos os eventos, com o registro da UNB em
2002 e a UFG em 2004 e; a UFPA como a única instituição do Norte que
apresentou trabalhos nos dois eventos, com um trabalho em cada. A tabela 3
apresenta todos os dados descritos.
Tabela 3
Distribuição de Trabalhos por Região
Quantidade de Trabalhos
Regiões Geográficas
(SNBU 2002)
Região Norte
1 trabalho
Região Nordeste
19 trabalhos
Região Centro-oeste
1 trabalho
Região Sul
17 trabalhos
Região Sudeste
76 trabalhos
115 trabalhos
Fonte: Dados extraídos da pesquisa, 2004-2005.

Quantidade de Trabalhos
(SNBU 2004)
1 trabalho
16 trabalhos
1 trabalho
31 trabalhos
106 trabalhos
155 trabalhos

As instituições mais produtivas nos dois eventos foram a USP e a
UNICAMP, intercalando os primeiros lugares. Em 2002, a USP teve 23 trabalhos e
a UNICAMP, 11 trabalhos, enquanto que em 2004, a UNICAMP apresentou 29
trabalhos, seguido dos 20 trabalhos da USP. A UFPE em 2002 apresentou quatro
trabalhos e em 2004, apenas um.

Distribuição das Citações

�Foram coletadas 259 citações nos anais de 2002, com uma média de
2,25% de citações por trabalho. No SNBU de 2004, a média de citações foi de
1,83%, num total de 285 citações. Num estudo similar envolvendo trabalhos em
eventos da área de Biblioteconomia, Ohira, Prado e Cunha (2002), constataram
uma média de 15,10% de citações por trabalho. Percebe-se um número superior
da referida pesquisa para esta, onde a diferença é maior que 10%.
Contudo, vale ressaltar que o trabalho citado acima envolve a temática
Biblioteca Virtual e Digital, enquanto que a deste estudo, engloba todas as
temáticas existentes na área. Mesmo assim, estes percentuais são considerados
baixos devido à diversidade de temas e abordagens contempladas pelas revistas
brasileiras em Ciência da Informação, onde é registrado um crescimento
significativo da área, conforme a literatura.
Dentre as 259 citações em 2002 e de 285 citações em 2004, a distribuição
por periódicos científicos nacionais reforçou o que já existe na literatura: a
incidência de citações do periódico Ciência da Informação. Sobre esta
predominância, pode-se dizer que a essência da ciência está num número muito
pequeno de periódicos, e a maioria dos periódicos representa, de fato, a minoria
da literatura científica (MARTYN, 1979, p. 69 citado por TARGINO; GARCIA,
2000, p, 106).
A tabela 4 apresenta os resultados obtidos do número de citações por
periódicos.

�Tabela 4
Distribuição das Citações por Periódicos
Periódicos
Ciência da Informação
Informação e Sociedade
Perspectivas em Ciência da Informação
Revista de Biblioteconomia da UFMG
Transinformação
Revista de Biblioteconomia de Brasília
Datagramazero
Encontros Bibli
Em Questão: FABICO/UFRGS
Informare
Informação &amp; Informação
Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação
Cadernos de Biblioteconomia
Biblos
Infociência
Revista ACB

Quantidade de Citação Quantidade de Citação
(SNBU 2002)
(SNBU 2004)
162 citações
190 citações
6 citações
9 citações
14 citações
13 citações
13 citações
7 citações
30 citações
23 citações
11 citações
17 citações
9 citações
4 citações
1 citação
2 citações
2 citações
4 citações
1 citação
5 citações
12 citações
1 citação
1 citação
1 citação
3 citações
3 citações
259 citações
285 citações

Fonte: Dados extraídos da pesquisa, 2004-2005.

Diante destes dados, podemos comparar com os dados obtidos por Ohira,
Prado e Cunha (2002), onde as revistas, Ciência da Informação, Perspectivas em
Ciência da Informação, Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG e
Transinformação foram os periódicos nacionais da área com o maior número de
citações.
No estudo de Foresti (1990), foi pesquisado a contribuição das revistas
científicas da área na produção de artigos científicos. Dentre os vários resultados
obtidos, as revistas Ciência da Informação, Revista da Escola de Biblioteconomia
da UFMG, Revista de Biblioteconomia de Brasília e Revista Brasileira de
Biblioteconomia e Documentação fizeram, naquele momento, parte do núcleo dos
88 periódicos mais citados, como também tiveram uma freqüência de citação mais
elevada a quase todos os periódicos citados, brasileiros e estrangeiros, ocupando
as primeiras posições (FORESTI, 1990, p. 70).
Portanto, as revistas Ciência da Informação, Revista da Escola de
Biblioteconomia da UFMG, hoje denominada Perspectivas em Ciência da
Informação e Transinformação, constituem-se como os periódicos com o maior
fator de penetração para a elaboração de trabalhos para eventos, no período de

�2002 a 2004 no país. A Revista de Biblioteconomia de Brasília e a Revista
Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, devido à sua importância na área,
podem justificar sua ausência neste rol, por não estarem sendo mais editadas
desde o começo da década de 2000.
Neste quesito, buscou-se ainda, conhecer os autores de artigos científicos
em periódicos brasileiros da área, que foram citados nas referências bibliográficas
dos trabalhos dos anais. A distribuição pode ser visualizada através da tabela 5.
O autor Murilo Bastos da CUNHA, com 38 citações, apresenta-se como o
mais citado, obtendo o primeiro lugar nos dois eventos. No segundo lugar,
encontra-se Carlos Henrique MARCONDES com 24 citações, seguidos de
Waldomiro VERGUEIRO com 15 e Ângela Maria Belloni CUENCA, Patrícia Zeni
MARCHIORI e Luís Fernando SAYÃO, ambos com 13 citações.

Tabela 5
Distribuição dos Autores Mais Citados (SNBU 2002 e 2004)
Quant. de Citação
(SNBU 2002)
CUNHA, M. B. da
16 citações
MARCONDES, C. H.
11 citações
GOMES, S. L. R.
09 citações
VERGUEIRO, W.
07 citações
CUENCA, A. M. B.
06 citações
MORESI, E. A. D.
05 citações
ARELLANO, M. A. M.
05 citações
TARAPANOFF, K.
05 citações
MARCHIORI, P. Z.
04 citações
DIAS, E. J. W.
04 citações
KRZYZANOWSKI, R. F.
04 citações
CENDON, B. V.
04 citações
SAYÃO, L. F.
03 citações
BAX, M. P.
03 citações
ARAÚJO, W. J.
02 citações
Fonte: Dados extraídos da pesquisa, 2004-2005.
Autores Citados

Autores Citados
CUNHA, M. B. da
MARCONDES, C. H.
SAYÃO, L. F.
MARCHIORI, P. Z.
VERGUEIRO, W.
LEVACOV, M.
CUENCA, A. M. B.
ARELLANO, M. A. M.
MAZZONI, A. A.
PRADO, N. S.
OHIRA, M. L. B.
GOMES, S. L. R.
FIGUEIREDO, N.
TARAPANOFF, K.
KRZYZANOWSKI, R. F.

Quant. de Citação
(SNBU 2004)
22 citações
13 citações
10 citações
09 citações
08 citações
07 citações
07 citações
06 citações
05 citações
05 citações
04 citações
03 citações
03 citações
03 citações
03 citações

CONCLUSÕES

As conclusões que foram obtidas ao término desta investigação foram:

�O artigo científico pela sua condição de fonte de informação original e de
qualidade constitui-se como um veículo de transmissão do conhecimento
produzido pelos pesquisadores, servindo de literatura-base para corroborar os
estudos já existentes e inspirar novas pesquisas;
O método de análise de citações e a técnica de quantificação configuram-se
como apropriados para mensurar a produção e utilização de literatura
científica, independentemente das críticas e questionamentos que se fazem
ao ato de citar e aos estudos de citações;
As questões referentes à autoria nas Ciências Sociais Aplicadas, de um modo
geral e, na Ciência da Informação de modo particular, concentra-se em autoria
única, tendo vários estudos confirmando essa afirmativa. Contudo, nos anais
de

2002

e

2004

do

SNBU,

a

autoria

em

colaboração

cresceu

substancialmente, representando mais de 60% do total.
Os autores mais produtivos nos anais do SNBU apresentaram trabalhos nos
dois eventos. De 2002 para 2004, os trabalhos apresentados pelos autores
produtivos cresceu em números. Não que quantidade seja sinônimo de
qualidade, mas indica uma preocupação dos profissionais da área, em
registrar e comunicar suas vivências e pensamentos sobre o seu universo de
trabalho;
O Sudeste continua na dianteira em produção de trabalho, ficando evidente
nos dois eventos analisados. No entanto, o Nordeste apresentou no evento de
2002, uma produção maior que o Sul e o Centro-oeste juntos, mas em 2004,
essa situação não se repetiu, apontando resultados já existentes na literatura.
Como suposição, pensa-se que este aumento em 2002 se deu pelo fato do
seminário ter sido realizado no Recife e que as duas instituições envolvidas na
organização do evento, obtiveram na ocasião, as primeiras posições de
instituições mais produtivas; enquanto que em 2004, o SNBU aconteceu em
Natal, outra capital da região, no entanto seguiu a lógica anterior, tendo o Sul
apresentado números maiores de trabalhos que a região nordeste;
Dentre as revistas de Ciência da Informação encontradas nas referências
bibliográficas dos trabalhos de eventos, a revista Ciência da Informação

�confirma a sua condição de periódico mais citado na literatura científica da
área. A Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG, hoje intitulada
Perspectivas em Ciência da Informação e a Transinformação são os
periódicos que demarcam as fronteiras dos periódicos mais e menos
importantes da área;
A contribuição do artigo científico para os bibliotecários como recurso
educacional

se

revelou

com

índices

baixíssimos,

trazendo

alguns

questionamentos sobre como se exibe o processo de educação continuada
destes profissionais. Esses dados devem ser analisados com criticidade para
que sejam encontrados os reais motivos dos bibliotecários não lerem a
literatura periódica da área, pois esta possui como elementos básicos: a
originalidade, qualidade e, principalmente, pela atualidade de informações;
No mais, espera-se que esta pesquisa tenha contribuído para um melhor
conhecimento sobre as fronteiras da Ciência da Informação no país. Apesar dos
limites do estudo, ficou evidente que levantamentos que demarcam territórios de
uma área do conhecimento, buscando conhecê-la melhor, são fundamentais para
descrever seu processo de evolução e como foi construído nos diferentes
períodos de tempo.

REFERÊNCIAS
ALVARENGA, Lídia. Bibliometria e arqueologia do saber de Michel Foucault:
traços de identidade teórico-metodológica. Ciência da Informação, Brasília, v. 27,
n. 3, p. 22-30, jan./jun. 1998.

BOHN, Maria del Carmen Rivera. Autores e autoria em periódicos brasileiros de
ciência da informação. Encontros Bibli, Florianópolis, n. 16, 2003. Disponível em:
&lt; http://www.encontros-bibli.ufsc.br/Edicao_16/Bohn_Autores.pdf&gt;. Acesso em: 12
dez. 2004.

�FORESTI, Nóris Almeida Bethonico. Contribuição das revistas brasileiras de
biblioteconomia e ciência da informação enquanto fonte de referência para a
pesquisa. Ciência da Informação, Brasília, v. 19, n. 1, p. 53-71, jan./jun. 1990.

MOSTAFA, Solange Puntel; MÁXIMO, Luis Fernando. A produção científica da
Anped e da Intercom no GT da educação e comunicação. Ciência da
Informação, Brasília, v. 32, n. 1, p. 96-101, jan./abr. 2003.

MUELLER, Suzana Machado Pinheiro. O periódico científico. In: CAMPELLO,
Bernadete Santos; CENDÓN, Beatriz Valadares; KREMER, Jeannette Marguerite.
Fontes de informação para pesquisadores e profissionais. Belo Horizonte: Ed.
da UFMG, 2000. p. 73-95.

MUELLER, Suzana Machado Pinheiro; PECEGUEIRO, Cláudia Maria Pinho de
Abreu. O periódico ciência da informação na década de 90: um retrato da área
refletido em seus artigos. Ciência da Informação, Brasília, v. 30, n. 2, p. 47-63,
maio/ago. 2001.

OHIRA, Maria Lourdes Blatt; PRADO, Noêmia Schoffen; CUNHA, Luciana Schmidt
da. Bibliotecas virtuais e digitais: análise comparativa dos artigos de periódicos e
comunicações em eventos (1995-2000). In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 11., 2002, Recife. Anais eletrônicos... Recife:
UFPE, 2002.

POBLACIÓN, Dinah Aguiar; NORONHA, Daisy Pires. Produção das literaturas
branca e cinzenta pelos docentes/doutores dos programas de pós-graduação
em ciência da informação no Brasil. Ciência da Informação, Brasília, v. 31, n. 2,
p. 98-106, maio./ago. 2002.

�TARGINO, Maria das Graças. A região geográfica como fator interveniente na
produção de artigos de periódicos científicos. In: MUELLER, Suzana Pinheiro
Machado; PASSOS, Edilenice Jovelina Lima (Org.). Comunicação científica.
Brasília: DCI  UNB, 2000. p. 51-72.

TARGINO, Maria das Graças; GARCIA, Joana Coeli Ribeiro. Ciência brasileira na
base de dados do Institute for Scientific Information (ISI). Ciência da Informação,
Brasília, v. 29, n. 1, p. 103-107, jan./abr. 2000.

TARGINO, Maria das Graças. Novas tecnologias e produção científica: uma
relação de causa e efeito ou uma relação de muitos efeitos? Datagramazero, v. 3,
n. 6, dez. 2002. Disponível em: &lt;http://www.dgz.org.br/dez02/F_I_art.htm&gt;.
Acesso em: 23 nov. 2004.

VANZ, Samile Andréa de Souza; CAREGNATO, Sônia Elisa. Estudos de Citação:
uma ferramenta para entender a comunicação científica. Em questão: revista da
faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS, Porto Alegre, v. 9, n. 2,
p. 295-307, jul./dez. 2003.

�APÊNDICES

Apêndice 1
Listagem das Revistas de Ciência da Informação no Brasil
Nome da Revista
Ciência da Informação
Informação &amp; Sociedade: estudos
Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG
Perspectivas em Ciência da Informação
Transinformação
Revista de Biblioteconomia de Brasília
Datagramazero
Encontros Bibli
Em questão: revista da FABICO-UFRGS
Informare
Informação &amp; Informação
Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação
Cadernos de Biblioteconomia
Biblos: revista do Departamento de Biblioteconomia e História
Infociência
Revista ACB
Fonte: Associação Brasileira de Educação em Ciência da Informação e Associação Nacional de Pesquisa
e Pós-graduação em Ciência da Informação

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>Silveira, Murilo Artur Araújo da; Moura, Ângela Maria Saraiva de</text>
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            <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <text>Trata-se do uso do artigo científico como fonte de informação na construção de trabalhos em anais de eventos profissionais em Biblioteconomia. Destaca a importância da citação e dos estudos de citações como instrumentos de mensuração da produção e uso da literatura científica. Enfatiza a contribuição dos artigos científicos no processo de educação continuada de bibliotecários. Tem por objetivo, investigar e analisar o artigo científico como recurso informacional utilizado em trabalhos desenvolvidos por bibliotecários nos anais dos Seminários Nacionais de Bibliotecas Universitárias de 2002 e 2004. Pretende ainda, mapear e compatibilizar as citações com os principais periódicos científicos brasileiros na área; identificar as citações para os principais autores de artigos científicos nacionais; e evidenciar os autores e suas contribuições na produção de conhecimentos. Como metodologia tem-se: coleta de dados referentes aos trabalhos apresentados por bibliotecários; identificação dos autores e as características de autoria; identificação dos periódicos científicos e autores mais citados. Têm-se como alguns dos resultados, o aumento do número de autoria em colaboração nos anais de eventos analisados; a predominância da região sudeste como produtores de textos; a supremacia da revista Ciência da Informação; e os autores mais citados. Verificou-se que o artigo científico como fonte de informação para bibliotecários é um recurso educacional não muito utilizado, através dos baixos índices obtidos.</text>
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                    <text>O AUTO-ARQUIVAMENTO EM BIBLIOTECAS DIGITAIS DE TESES E
DISSERTAÇÕES

SANDRA MANZANO DE ALMEIDA

smanzano@marilia.unesp.br

Endereço:
Unesp- Coordenadoria Geral de Bibliotecas
Av. Vicente Ferreira, 1278
Bairro Cascata
17515-901 Marília – SP
Brasil

�Resumo
As universidades, além de produzir o conhecimento, fomentar o ensino e a pesquisa,
devem possibilitar meios eficazes para que as comunidades acadêmicas possam
disponibilizar sua produção científica. As Bibliotecas Digitais vêm beneficiar os
pesquisadores, bibliotecários e outros usuários, no armazenamento, recuperação e
acesso à informação eletrônica, proporcionando versatilidade e comodidade ao usuário na
recuperação da informação em tempo real, sem condicionamento a um ambiente físico. O
auto-arquivamento tem sido uma nova opção para submissão da produção científica nas
bases de dados das bibliotecas digitais de teses e dissertações com conteúdo em texto
completo.
Palavras-chave: Bibliotecas digitais de teses e dissertações; auto-arquivamento

INTRODUÇÃO

Os avanços tecnológicos da informação e comunicação trouxeram inúmeras
mudanças no processo de disseminação da produção científica os quais
facilitaram a introdução e disponibilização de conteúdos informacionais em
formato digital, como teses e dissertações produzidas nas universidades
brasileiras.

A crescente produção científica, no meio acadêmico, o número de alunos
existentes e ingressantes nos curso de pós-graduação, a importância que as
universidades desempenham no cenário nacional e internacional contribuem para
que as Bibliotecas Digitais venham assumir a responsabilidade em difundir e
disseminar essa produção, em consonância com as modernas tecnologias de
transferência do conhecimento.

Os produtores do conhecimento científico são os agentes fornecedores do
material que deverá ser disponibilizado digitalmente pelas bibliotecas digitais de
teses e dissertações. O auto-arquivamento tem sido uma nova opção para
submissão da produção científica nas bases de dados das bibliotecas digitais de
teses e dissertações.

�Esse artigo aborda a utilização do auto-arquivamento como forma de submissão
da produção científica nas bibliotecas digitais de teses e dissertações da USP e
UFSCar, e dar uma visão do funcionamento das bibliotecas digitais de teses e
dissertações da Unicamp e Unesp que adotaram a tecnologia do software livre e
arquivos abertos Nou-Rau.

REFERENCIAL TEÓRICO

As Bibliotecas Digitais vem beneficiar os pesquisadores, bibliotecários e outros
usuários em relação ao armazenamento, recuperação e acesso à informação
eletrônica, a qual deve estar disponível em tempo real, e independente da
localização dos interessados que procuram cada vez mais o acesso on-line ás
fontes de informação.

As competências que se exigem de um autor/pesquisador para manusear,
acessar, lidar com as informações contidas em documentos digitais/eletrônicos,
são diferentes das que se exigiam em uma era de informação tradicional.

À medida que se intensificam essas mudanças, aumentam as responsabilidades
das universidades que coordenam as bibliotecas digitais de teses e dissertações,
na formação contínua da comunidade acadêmica, para que se familiarizem com o
ambiente eletrônico/digital e com o processo de auto-arquivamento.

Diante das novas tecnologias, algumas normas e padrões devem ser adotados
para que as Bibliotecas digitais tenham bom funcionamento, e possam integrar
com bases de dados de outras bibliotecas digitais de teses e dissertações de
maior alcance, de âmbito nacional e internacional.

De acordo com Vicentini (2004) a integração e interoperabilidade entre os
recursos de informação em ciência e tecnologia envolvem um aporte intenso em
termos de tecnologias de informação e comunicação, protocolos e padronização.

�Não é o software em si que define a possibilidade de interoperabilidade entre os
OPACs, mas a utilização de padrões internacionais de catalogação (MARC 21 e
Dublin Core) e de protocolos de transferências de dados (Z39-50 e OAI-PMH).
(UMPIERRE et al., 2005)

Segundo Triska; Café (2001), o auto-arquivamento refere-se ao direito de o
próprio autor enviar o seu texto para publicação sem intermédio de terceiros.
Interoperabilidade é a capacidade de um sistema de se comunicar com outro
sistema. Para um sistema ser considerado interoperacionalizado é muito
importante que ele trabalhe com padrões abertos. Seja um sistema de portal, hoje
em dia se caminha cada vez mais para a criação de padrões para sistemas.

A interoperabilidade envolve alguns aspectos tais como:
O conjunto mínimo de metadados, tipo de arquitetura subjacente do
sistema, abertura para a criação de serviços de bibliotecas digitais de
terceiros, integração com o mecanismo de comunicação já existente no
meio científico, possibilidade de uso em contextos interdisciplinares e
contribuição para criação de um sistema de medida de uso e de citação.
(TRISKA; CAFÉ, 2001)

A falta de padrões para disponibilização e pesquisa de informações científicas na
Internet, levou à criação do Open Archives Initiative - OAI (Iniciativa dos Arquivos
Abertos) e ao desenvolvimento de um protocolo com o intuito de oferecer
simplicidade e eficiência na tarefa de unificar as consultas a bases de dados
científicas/acadêmicas.

Anteriormente a OAI, o usuário/autor escrevia seus documentos (artigos, teses,
etc), enviava-os para uma revisão e aguardava a sua publicação. Após a
publicação, para acessá-lo era necessário dirigir-se à biblioteca e localizá-lo. Com
a nova tecnologia proporcionada pela OAI, o próprio autor pode imediatamente,
depositar o arquivo em uma base de dados e o documento torna-se disponível
quase imediatamente para consulta pela comunidade.

�Os autores quer como produtores, quer como consumidores de informação são os
mais interessados e beneficiados da tecnologia do auto-arquivamento, um hábito
difícil de ser interiorizado por muitos pesquisadores. (RODRIGUES, 2004)

O Instituto Brasileiro de Ciência e Tecnologia - IBICT com objeto de oferecer
alternativas de implantação de BDTD as Universidades e Institutos de Ensino vem
acompanhar a criação de serviços dessa natureza junto à comunidade científica
brasileira

promovendo

a

disponibilização

de

tecnologia

voltada

à

interoperabilidade e a coleta automática de dados, estimulando dessa forma o
registro das teses e dissertações em meio eletrônico.

Biblioteca Digital da Universidade de São Paulo

A Universidade de São Paulo (USP) implantou em junho de 2001 a sua Biblioteca
Digital de Teses e Dissertações, com o objetivo de facilitar o acesso à sua
produção intelectual.

A Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP

encontra-se armazenada no Portal do Conhecimento da USP, desenvolvido para
abrigar diversas bibliotecas digitais da Universidade.

De acordo com Vicentini (2004) participou do projeto piloto 10 programas de pósgraduação, com características distintas a fim de se avaliar os pontos de
dificuldades para as diferentes áreas do conhecimento. Foi dado um treinamento
aos funcionários das bibliotecas, seções de pós-graduação e dos centros de
informática envolvidos no projeto, e somente, após o treinamento passaram a
inserir as teses no sistema, testando os procedimentos definidos.
Segundo Masiero et al. (2001), a submissão é feita pelos alunos no site de
trabalho. Nesse site, os alunos encontram instruções para submeterem as teses /
dissertações e são guiados pelo sistema durante o processo de submissão.

�Quando o aluno submete a tese à Biblioteca Digital os metadados referentes à
banca examinadora, data da defesa, orientador e título são replicados dos
sistemas institucionais para o site de trabalho. O aluno complementa informações
tais como o resumo e o abstract. Quando a versão impressa e a versão digital
estão disponíveis, a biblioteca da Unidade completa com o número de tombo e
classificação. A Biblioteca Digital gera então um registro bibliográfico no padrão
MARC, que é automaticamente inserido no DEDALUS.

Nesse momento as teses/dissertações ainda não estão disponibilizadas no site, de
acordo com Masiero et al. (2001), é necessário que os funcionários da pósgraduação gerem senhas para os alunos, insiram e confiram os dados. Os
bibliotecários inserem e conferem os dados bibliográficos, conferem os arquivos
submetidos e liberam a tese para consulta em http://www.teses.usp.br, se não
houver restrição do autor. O sistema gera automaticamente mensagens para os
autores e orientadores dizendo que o trabalho foi submetido ou que foi liberado
para consulta.

Vicentini (2004) destaca que a parte principal do processo da Biblioteca Digital da
USP está centrada no aluno/autor, responsável pela redação da tese/dissertação,
geração do documento digital e sua conversão para o formato PDF e permissão
através da autorização de cópias e submissão à Biblioteca Digital. As bibliotecas
cabem o trabalho de conferência do documento digital, e a pós-graduação, a
geração de senhas para a submissão e a conferência de dados da versão digital.

Desenvolver mecanismos de publicação eletrônica e digital para a comunidade
acadêmica brasileira, aumentando sua visibilidade, torna-se uma questão
essencial para o desenvolvimento e maturidade da pesquisa científica brasileira,
além de que o conhecimento disponibilizado em rede democratiza o acesso à
informação e ao conhecimento.

�Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFSCar

A Universidade Federal de São Carlos iniciou sua Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações em agosto de 2004. Segundo Castro et al. (2005) a BDTD-UFSCar,
teve o cuidado de integrar a sua base de dados com bibliotecas digitais de maior
alcance, BDTD/IBICT e, NDLTD - Networked Digital Library of Theses and
Dissertations.

Para que a integração fosse possível, a base de dados da BDTD-UFSCar teve
que ser modelada segundo os padrões, nesse caso, o metadados escolhido foi
“Padrão Brasileiro de Metadados de Teses e Dissertações (mtd-br)”. (CASTR0 et
al., 2005).

A BDTD-UFSCar passou por duas experiências no processo de implantação de
sua BDTD, em relação ao arquivamento das teses e dissertações. No primeiro
momento, o processo envolvia o secretário de pós-graduação, o aluno e o
bibliotecário, e o segundo, somente o bibliotecário e o aluno. Este último tem a
vantagem de ser muito mais rápido e enxuto.

No primeiro processo, o secretário de pós-graduação, insere no sistema alguns
dados sobre a dissertação / tese a ser depositada, criando uma conta para que o
autor possa acessar o sistema. O autor recebe um aviso via e-mail sobre sua
conta e acessa o sistema para conferir os dados inseridos pelo secretário de pósgraduação e para complementar os dados que faltam sobre a tese ou dissertação.
O autor completa sua parte e reenvia sua tese via sistema para o secretário de
pós-graduação. O secretário, por sua vez, confere os dados inseridos pelo aluno e
encaminha a tese ou dissertação para o bibliotecário responsável. O bibliotecário
confere os dados novamente e finaliza o depósito da tese ou dissertação.

Afirma Castro (2005) que a grande vantagem nesse processo é a confiabilidade
dos dados depositados, pois estes passam por sucessivos processos de

�conferência por pessoas diferentes. O problema detectado foi em relação a
funcionários, devido a constantes aposentadorias e não reposição desses cargos
houve um acúmulo natural de trabalho sobre os funcionários que restaram. Além
disso, alguns alunos demoravam em completar sua parte, o que obrigava o
secretário a ter que verificar com o aluno qual era o motivo do atraso.

Todos esses problemas levaram o processo a ficar muito lento. Surgindo, um
outro processo, o atual, envolvendo biblioteca e aluno. O aluno vem retirar a ficha
catalográfica na Biblioteca Comunitária da UFSCar para anexar à sua tese ou
dissertação, o bibliotecário e o aluno, preenche todos os dados do sistema e já
finaliza o processo de submissão na BDTD. (CASTRO et al., 2005)

Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Unicamp

A Biblioteca Digital da UNICAMP começou a ser delineada em meados de 2001. A
Universidade já contava com Projetos isolados, resultado de esforços das
Bibliotecas do Instituto de Física, Instituto de Química e da Faculdade de
Educação, que já estavam dispondo suas teses e dissertações em texto completo
na Internet. A partir dessas iniciativas a Biblioteca Central, decidiu reunir toda a
produção acadêmica em texto completo, criando a Biblioteca Digital da Unicamp.

A adoção da tecnologia do software livre e arquivos abertos, acompanhando a
tendência da comunidade cientifica, na criação de bibliotecas digitais ou
repositórios institucionais que sejam acessíveis a qualquer pessoa, através de
mecanismos de divulgação que sejam dinâmicos e que tenham flexibilidade, baixo
custo, devem ser ações estratégicas na implementação de Bibliotecas Digitais.
Segundo Vicentini et al. (2005):
O Nou-Rau foi planejado para possibilitar a criação de repositórios
digitais, para acesso através da Internet, com o objetivo de
armazenamento e obtenção de documentos, provendo acesso controlado
e mecanismos para busca. O sistema recebe documentos digitais em
diversos formatos, converte-os para texto e, em seguida, indexa-os com
o software htdig, que é também usado para fazer consulta à base de
dados. O htdig, quando consultado, retorna para uma página onde os

�documentos são analisados em relação à sua relevância quanto às
palavras-chave fornecidas.

Para o cadastramento de um documento no sistema Nou-Rau, é necessário
fornecer informações que serão utilizadas para gerar um índice do sistema, como
nome do autor, palavras-chave, descrição do documento. O índice criado pelo
htdig é composto por esta página de informações e do texto completo do
documento digital. (VICENTINI et al, 2005)

A UNICAMP em uma parceria com a UNESP, através da CGB – Coordenadoria
Geral de Bibliotecas, que também utiliza o NOU-RAU para o gerenciamento da
Biblioteca Digital C@thedra, a partir da instalação e inicio da publicação das teses
e

outros

documentos,

a

equipe

responsável

iniciou

um

trabalho

de

desenvolvimento de um serviço de DSI – Disseminação Seletiva da Informação
automático, que estará sendo agregado ao NOU-RAU, estabelecendo maior
interatividade com os usuários e comunidade científica.

A política adotada para a submissão das teses/dissertações na Biblioteca Digital
da a Unicamp, foi definida como sendo de responsabilidade da Universidade, ou
seja, a Biblioteca Central é quem faz a inserção das teses/dissertações na base
da biblioteca digital. No entanto, afirma Vicentini (2004) pretende-se, a partir do
momento em que a Biblioteca Digital esteja consolidada, a descentralização da
etapa de submissão dos documentos para os autores.

Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Unesp
A criação do Portal da Biblioteca Digital da Unesp vem para solidificar e reunir o
vasto conteúdo das 30 bibliotecas depositárias da produção científica da Unesp
em um único Portal (FUJITA et al., 2004).
O projeto da Biblioteca Digital da Unesp foi dividido em duas fases: na primeira
fase, estão sendo disponibilizadas as teses e dissertações que foram defendidas a
partir de 2001, e que estão em arquivo eletrônico; na segunda fase serão

�disponibilizadas, de forma gradativa, as teses e dissertações impressas
defendidas até o ano de 2000.

A Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Unesp, denominada C@thedra
teve seu início em maio de 2003, reúne a produção científica da Universidade,
possibilitando e facilitando o acesso ao texto completo deste material, de forma
gratuita, disponibilizando on-line as teses produzidas pela Unesp, utilizando o
software livre Nou-Rau desenvolvido pelo Instituto Vale do Futuro em parceria com
o Centro de Computação da Unicamp.

A Coordenadoria Geral de Bibliotecas da Unesp - CGB é responsável pela
disponibilização,

com

acesso

UNESP(http://www.biblioteca.unesp.br),

no

Portal

de

Bibliotecas

da

ou por meio do Banco de Dados

Bibliográficos ATHENA, que serve como ferramenta de busca.

Segundo Bastos (2005):
A organização da interface da BDTD da Unesp é feita por tópicos e
subtópicos que representam um assunto específico e agrupam
documentos relacionados. Os tópicos foram estruturados seguindo a
tabela das Áreas de Conhecimento – código CAPES. O usuário pode
selecionar a área de interesse. Após a escolha, há exibição de uma tela
com a lista dos títulos das teses/dissertações em ordem alfabética,
juntamente com as opções para visualização e download do arquivo.
Como cada título possui um link, o usuário pode selecionar a publicação
e visualizar a descrição física da mesma, bem como fazer seu download.

Todas as teses e dissertações para serem incluídas no site da Biblioteca Digital de
Teses e Dissertações precisam estar catalogadas no Banco de Dados
Bibliográfico da Unesp – ATHENA. Com isso as entradas de autor, assunto, título
seguem a padronização do Banco de Dados Bibliográfico que posteriormente
recebem um link para a BDTD, visando ao acesso em texto completo. (BASTOS,
2005)

�Figura 1: Fluxo resumido da disponibilização das tese/dissertações na Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações C@thedra

1. O autor entrega na pósgraduação cópia da tese ou
dissertação em (pdf), juntamente
com a autorização para
disponibilização na BDTD. A PG
envia o arquivo eletrônico para a
Biblioteca da Unidade em que autor
defendeu sua tese/ dissertação

2. A Biblioteca recebe o
arquivo eletrônico com o
texto completo da tese
ou dissertação, faz a
catalogação no Aleph, e
envia para a CGB o
arquivo eletrônico.

4. Prepara a página em HTML e
disponibiliza no site da
Biblioteca Digital de Teses e
dissertações - CAthedra

3. A CGB faz o
arquivamento
da tese ou
dissertação na
base de dados
C@thedra

Apesar do Sistema Nou-Rau oferecer facilidades para que os próprios autores
submetam suas teses / dissertações, o processo de publicação dos documentos
digitais na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações- C@thedra ficou sob
responsabilidade da Coordenadoria Geral de Bibliotecas - CGB. Conforme Fujita
(2005) a Biblioteca Digital C@thedra não provê mecanismo de auto-inserção dos
trabalhos científicos produzidos na universidade, por isso, as teses e dissertações
não são geradas em ambiente eletrônico para a inserção direta.

No momento, a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Unesp – C@thedra
está fazendo alguns ajustes, segundo os padrões exigidos pelo IBICT, para poder
integrar a BDTD / IBICT.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para se obter êxito no processo de auto-arquivamento é necessário que haja
integração entre a pós-graduação, biblioteca e autor, além da conscientização

�sobre a necessidade de formação contínua e gradual da comunidade acadêmica
para que se familiarizem com o ambiente eletrônico/digital, e conseqüentemente
com o auto-arquivamento. Para que as Bibliotecas digitais de teses e dissertações
sejam adequadamente operacionalizadas as Instituições responsáveis devem
oferecer treinamentos à comunidade acadêmica envolvida nesse processo,
visando otimizar o uso dos recursos das bibliotecas digitais.

THE SELF-ARCHIVING IN DIGITAL LIBRARIES OF THESES AND DISSERTATIONS
Abstract
The universities, besides producing knowledge, fomenting education and research must
make possible efficient ways to the academic communities make available its scientific
production. The Digital Libraries come to benefit researchers, librarians and other users, in
the storage, recovery and access to the electronic information, providing versatility and
comfort to the user in the recovery of the information in real time, without conditioning to a
physical environment. The self-archiving has been a new option for submission of the
scientific production in databases of the digital libraries of theses and dissertations with in
full text.
Keywords: Digital libraries of theses and dissertations; self-archiving

REFERÊNCIAS
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científica.
Ci.Inf.
v.3
n.3
jun/02.
Disponível
em:
http://www.dgz.org.br/jun02/Art_04.htm . Acesso em: 26 jun. 2006.
CASTRO, R. O; BIAJIZ, M.; MORAES, L. S. A experiência de implantação da
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações na Universidade Federal de São Carlos.
Disponível em: http://bibliotecas-cruesp.usp.br/3sibd/docs/castro235.pdf . Acesso
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http://www.informacaoesociedade.ufpb.br/pdf/IS1520504.pdf . Acesso em: 25 abr.
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UNIVERSITÁRIAS, 13., 2004, Natal. Anais... Natal, 2004. 1 CD-ROM.
GARCIA, R. M.; SILVA, H. C. Competência em informação para o autoDisponível
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http://portal.cid.unb.br/CIPECCbr/viewpaper.php?id=31 . Acesso em: 19 jun. 2006
GOMES, S.H.T. Bibliotecas digitais na área da arquitetura: projeto de
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O auto-arquivamento em bibliotecas digitais de teses e dissertações.</text>
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                <text>Almeida, Sandra Manzano de</text>
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                <text>As universidades, além de produzir o conhecimento, fomentar o ensino e a pesquisa, devem possibilitar meios eficazes para que as comunidades acadêmicas possam disponibilizar sua produção científica. As Bibliotecas Digitais vêm beneficiar os pesquisadores, bibliotecários e outros usuários, no armazenamento, recuperação e acesso à informação eletrônica, proporcionando versatilidade e comodidade ao usuário na recuperação da informação em tempo real, sem condicionamento a um ambiente físico. O auto-arquivamento tem sido uma nova opção para submissão da produção científica nas bases de dados das bibliotecas digitais de teses e dissertações com conteúdo em texto completo.</text>
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O BIBLIOTECÁRIO MODERNO E A EDUCAÇÃO CONTINUADA

Anjos, Cláudia Regina dos - Especialista em: Docência do Ensino Superior.
Especialista em: Informação Científica e Tecnológica em Saúde. Graduada em:
Bacharel em Biblioteconomia e Documentação. Bibliotecária do Instituto de
Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de
Janeiro – cranjos@ig.com.br
Calixto, Ana Paula da Cruz - Especialista em: Gestão Estratégica. Graduada em:
Bacharel em Biblioteconomia e Documentação. Bibliotecária do Instituto Militar de
Engenharia - aninhacalixto@ig.com.br
Pereira, Marlena Hermenegilda – Especialista em: Gestão da Informação e
Inteligência Competitiva. Graduada em: Bacharel em Biblioteconomia e
Documentação. Bibliotecária do Instituto de Pesquisa da Capacitação Física do
Exercito – lenahp@hotmail.com
Rubim, Clara Lima e Silva - Especialista em: Gestão Estratégica. Graduada em:
Bacharel em Biblioteconomia e Documentação. Bibliotecária da Faculdade
Bezerra de Araújo - csrubim@yahoo.com.br
Santana, Rita de Cássia Oliveira – Especialista em: Gestão da Informação e
Inteligência Competitiva. Graduada em: Bacharel em Biblioteconomia e
Documentação. Bibliotecária da Academia Militar das Agulhas Negras –
ritaoliveira@bol.com.br

RESUMO
O trabalho trata sobre a mudança de perfil que a era da informação exerceu sobre vários
profissionais e isso não foi diferente com a biblioteconomia. O bibliotecário, anteriormente recluso
às bibliotecas da Antigüidade isolados da realidade, hoje com as inovações tecnológicas, deixa a
reclusão e passa a interagir com outras unidades de informação. A evolução da biblioteca fez com
que o bibliotecário moderno desenvolvesse novas habilidades interpessoais e principalmente
gerenciais. Nesse sentido, a educação continuada exerce um papel muito importante, sendo no
mundo do trabalho exigência prioritária de um novo mercado global passando a ser um dos
requisitos de uma sociedade em permanente mudança. Com o advento das novas tecnologias de
informação, esse profissional passou a ser mais que um bibliotecário convencional, passou a ser
um “gerente informacional” que exerce também o papel de um agente educador auxiliando
professores e outros profissionais nos ensinamentos de como, onde, quando e porque buscar a
informação, reafirmando que sua atuação é de extrema importância na atualidade.

Palavras-chave: Bibliotecário; Educação Continuada; Inovações Tecnológicas

�2

1 INTRODUÇÃO
A era informacional, juntamente com os avanços tecnológicos, vem
atuando gradativamente na mudança do perfil de vários profissionais e isso não
foi diferente com o bibliotecário.

É nesse contexto que este artigo focaliza o processo de transformação e
aperfeiçoamento dos bibliotecários. A primeira parte caracteriza as bibliotecas,
mostra, brevemente, suas origens e sua evolução ao longo da história e o seu
importante papel no suporte à pesquisa dentro das universidades. A segunda
parte descreve a transformação do bibliotecário brasileiro no decorrer do século
XX até os dias atuais. Durante esse período, este profissional assume vários
papéis, como: humanista, tecnicista, agente cultural, educador e gerente
informacional. A terceira parte discorre sobre a educação continuada que é uma
ferramenta primordial em busca da qualificação profissional.

Assim, a tríade “biblioteca”, “bibliotecário” e “educação continuada” com
auxílio da tecnologia vem proporcionar para a sociedade um serviço de qualidade.

2 BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA

As universidades surgiram na Europa, ainda no período medieval, entre os
séculos XI e XII, vinculadas a organizações religiosas que as controlavam
rigidamente. Com o passar do tempo, foram conquistando sua autonomia. No
século XVII, ocorre a fundação das primeiras universidades nas Américas, em
regiões de colônias inglesas, francesas e espanholas que, após a independência,
se convertem nos Estados Unidos, Canadá, México e Peru. No Brasil a primeira
universidade surge tardiamente na segunda década do século 20, no Paraná. As
universidades, em todo o mundo, estimularam o desenvolvimento intelectual e
passaram a ser o principal espaço de formação de lideranças sociais, religiosas e
civis. (MANCE, 2005).

�3

Russo (2005) descreve em síntese os vários estágios pelos quais o
conceito de universidade passou:
[...] Na época medieval, caracterizou-se pelo espírito de unidade cultural
e de vida comunitária entre mestres e discípulos, sendo a educação
privilégio de poucos – principalmente do clero, em função de sua posição
dominante na sociedade. No Renascimento, surgiu uma Instituição
independente, desvinculada da comunidade, que foi denominada de
universidade liberal, voltada para si mesma, a qual influenciada pelo
espírito do mercantilismo, faz surgir no cenário profissional especialistas
voltados para o atendimento das necessidades de uma sociedade onde
os costumes se distanciavam dos padrões estabelecidos pela Igreja.
Finalmente, a Universidade contemporânea se revela fundamentalmente
social, preocupada cada vez mais em definir seu papel na sociedade,
onde o saber está baseado no uso da razão e no interesse de resolver
questões de cunho geral.

As universidades percebem a importância do seu papel diante da
sociedade e, assim, começam a se estruturar e, principalmente, a investir em
ensino e em pesquisa científica que são elementos de extrema necessidade para
o desenvolvimento do mundo. Mance (2005) relata que no Brasil, em particular, a
ação universitária se empenhou em atuar em três esferas:
[...] O ensino, formando recursos humanos nas diversas áreas, a
pesquisa, desenvolvendo novos conhecimentos e seus possíveis
empregos em diversos campos, e a extensão, realizando atividades
junto à comunidade que, conectadas ao ensino e à pesquisa de novos
conhecimentos, colaborem com o desenvolvimento e bem estar dos
grupos atingidos (grifos do autor).

Luckesi (2000) enfatiza que “a pesquisa será, em conseqüência, a
atividade fundamental desse centro. Todas as demais atividades tomarão
significado só na medida em que concorram para proporcionar a pesquisa, a
investigação crítica, o trabalho criativo no sentido de aumentar o cabedal cognitivo
da humanidade”.

É nesse contexto, junto à universidade, que a biblioteca assume papel
importante no suporte à pesquisa. Além disso, a biblioteca universitária também
atua como espaço de inter-relacionamento da comunidade acadêmica em todos
os níveis – dos alunos e professores aos técnicos e dirigentes das diversas

�4

unidades – e também estabelece relações que vão do apoio ao ensino à
disseminação da produção científica.

Não se tem uma data específica para a criação das bibliotecas
universitárias brasileiras, a história relata que sua origem está ligada às
bibliotecas de ordens religiosas que deram sustentação ao movimento de criação
das universidades. Nesse período da sua história, as bibliotecas eram locais
reservados, de acesso restrito, com a função de colecionar e preservar o
conhecimento então produzido. (CARVALHO, 2004).

O advento da imprensa por Gutenberg, Chartier (1998 apud CARVALHO,
2004) diz: “Provoca alterações significativas na cultura escrita – o custo do livro é
reduzido, a tiragem aumenta e sua produção é mais rápida –, refletindo nas
bibliotecas que passam a proporcionar maior acesso à informação”.

O aparecimento das escolas de nível superior alavanca a criação de
bibliotecas ligadas a essas instituições, consolidando o início da trajetória histórica
de nossas bibliotecas universitárias. (CARVALHO, 2004).

Com

o

passar

dos

tempos,

entre

invenções,

revoluções

e

desenvolvimentos tecnológicos, as bibliotecas universitárias vêm crescendo e,
também, amadurecendo seu papel diante da sociedade acadêmica, como relata
Prado (1992):
[...] Pois, eram elas depósito dos melhores monumentos das mentes do
passado, apenas na função de guardiões desses monumentos,
acumulados pelo homem em seu trabalho de conquista do mundo físico
e desenvolvimento de suas capacidades intelectuais e espirituais. [...]. A
seleção, a integração e a disseminação do material impresso têm
tornado a biblioteca uma verdadeira oficina, com um ponto de vista
inteiramente novo. Através do corpo docente, a universidade usa os
conhecimentos e idéias conservados, revitalizando-os e pondo-os a
serviço da educação.

A autora descreve que “a biblioteca universitária nada mais é que uma
universidade em si mesma. As universidades são centros transmissores do saber
através do ensino e dos livros”. E ainda comenta que “os objetivos específicos da

�5

biblioteca são determinados pela universidade e o objetivo geral é facilitar o
acesso e o uso das fontes de informações, que representam a base do ensino e
da pesquisa”.

Para Demo (1991), a universidade moderna apresenta objetivos que vão
além do simples ato de ensinar. Uma de suas funções é a de promover a
aprendizagem do aluno, pois procura-se a melhor formação do profissional em
termos de qualidade. A aprendizagem resulta da assimilação de novos
conhecimentos,

representa

mudança

de

comportamento

frente

aos

conhecimentos apresentados.

Com o crescimento das universidades, a diversificação dos cursos/áreas e
a criação de unidades em diferentes lugares, surge a questão de a biblioteca ser
centralizada ou descentralizada. Para Prado (1992) a biblioteca centralizada
significa:
[...] que todo seu acervo não precise obrigatoriamente estar colocado
num único edifício. Poderá estar, ou poderá haver uma biblioteca central
e diversas setoriais, junto às diferentes escolas. O indispensável é que
obedeça a uma única direção, a qual efetua a aquisição e o registro do
material bibliográfico, administrar os serviços técnicos (classificação,
catalogação, preparo do material para circulação etc.) e orienta o
trabalho de modo geral. Isto proporciona uniformidade de processo e
supervisão completa do bibliotecário sobre todo o material da biblioteca.

E, ainda, para a autora “a biblioteca descentralizada consiste em diferentes
bibliotecas autônomas, completamente independentes da biblioteca central”.

Mercadante (apud DODEBEI, et al.) afirma que nenhum modelo único de
estrutura poderá servir a todas as bibliotecas acadêmicas; para cada instituição
deverá ser determinado qual o seu escopo, seus objetivos “[...] é preciso que se
respeite a “cultura da instituição”, incluindo seu tipo, tamanho, missão, a força de
sua autoridade central, seus fundos financeiros [...]” e que estejam bem
determinadas as relações entre a biblioteca e outras unidades do “campus” e os
“links” entre ela e a comunidade acadêmica, sejam professores ou alunos.

�6

Independente do seu modelo, o importante é que a biblioteca saiba
administrar muito bem suas atividades e que ofereça uma composição de
produtos e serviços, tanto impressos como eletrônicos, para que seus usuários
possam escolher se desejam pesquisar em livros impressos ou digitalizados,
assistir a um vídeo ou navegar na internet. Os grandes avanços tecnológicos têm
influenciado

muito

no

aperfeiçoamento

das

bibliotecas

universitárias,

proporcionando à comunidade acadêmica uma forma mais rápida e eficiente dos
seus serviços e produtos.

Com o domínio das tecnologias da comunicação e da informação, o
universo da biblioteca e serviços de informação foram transformados. Conforme
Nascimento (2005), hoje a definição de biblioteca como sendo um local onde se
conserva grandes quantidades de espécies documentais, já não é mais sinônimo
de qualidade. Na atualidade a biblioteca universitária é avaliada em função dos
serviços que presta e não pela dimensão de suas coleções. Ou seja, ela é
avaliada pelo que faz e não pelo que ela tem.

Com isso, bibliotecário como gestor da informação, deve estar sempre
atento para as inovações que a tecnologia produz para o seu trabalho.

3 A TRANSFORMAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO EM DECORRÊNCIA DAS
NOVAS TECNOLOGIAS

As mudanças que vêm ocorrendo na sociedade, principalmente as
tecnológicas, estão repercutindo diretamente nos profissionais de diversas áreas.
Conforme Lojkine (1995) a era da informação mudou o perfil de vários
profissionais e isso não foi diferente com a biblioteconomia. Cabendo a cada área
e a cada profissional acompanhar esse fenômeno para que não seja excluído
dela.

Guimarães (1996) nos mostra a transformação do bibliotecário brasileiro no
decorrer do século XX, desde o surgimento do primeiro curso de biblioteconomia
no país, realizado na Biblioteca Nacional, em 1910 até os dias atuais.

�7

No início do século XX até a década de 30, o bibliotecário possuía uma
visão humanista, ligado à cultura e às artes sob forte influência francesa, devido a
origem do curso de biblioteconomia estar ligada a École Nationale des Chartes,
em Paris.

Na década de 30, este profissional passa a receber uma formação mais
técnica sob influência norte americana, devido a criação dos primeiros cursos
paulistas em biblioteconomia direcionados ao ensino técnico, originados da
School of Library Economy, fundada por Melvil Dewey na cidade de Columbia, em
Nova York.

Na década de 50 foi realizado o primeiro congresso dessa área, Congresso
Brasileiro de Biblioteconomia, em 1954 no Recife, originando uma maior
participação dos profissionais e uma educação continuada dos mesmos.

Na década de 60 a profissão passa a ser reconhecida oficialmente em nível
superior, sendo estabelecida uma legislação profissional e sendo criados os
primeiros órgãos de classe.

Na década de 70 são criados os primeiros cursos de pós-graduação,
desenvolvendo assim, a pesquisa e o surgimento dos primeiros periódicos
nacionais voltados para biblioteconomia e ciência da informação, aumentando a
disseminação da informação dentro da área.

Na década de 80 o bibliotecário passa a ter um perfil de agente cultural e
da informação. Sendo direcionado a entidades educacionais e, muitas vezes,
atuando como educador.

No início da década de 90, com o crescimento editorial e com o avanço das
novas tecnologias de informação ele passa a ser um profissional da informação e,
nesse momento, torna-se o “Moderno profissional da informação” e passa a ser
considerado um “Gerente Informacional”.

�8

Para Oliveira (1999), os bibliotecários têm sido afetados por paradigmas
inerentes à sociedade da informação e do conhecimento, na qual a telemática e
as novas tecnologias acarretaram mudanças tanto na biblioteca ou unidade
informacional, quanto na ação profissional, embora mantendo sua prática de
mediador entre a informação e o usuário.

Verificamos, juntamente com Castro (2000), que ao longo do tempo o
bibliotecário assumiu basicamente três perfis: tradicional, moderno e do futuro. O
perfil do bibliotecário tradicional divide-se em três partes distintas:
•

Preservador – profissional que atua como organizador do conhecimento

registrado garantindo seu acesso. Esse profissional possui a característica de um
manipulador da informação ao invés de disseminador da mesma;
•

educador –

atua como professor, fornece informações e prepara os

indivíduos para buscá-las de forma autônoma;
•

agente social – atua como organizador da informação para sua

recuperação, como comunicador, educador, medidor de informações entre o
acervo e o público, pesquisador, líder, gerente etc.

Arruda (2000) aponta a tecnologia como propulsora das principais
modificações no perfil do bibliotecário moderno, seguida por elementos de gestão
organizacional e do trabalho. Deste modo, verificamos que a inserção das novas
tecnologias, bem como novas formas de gerenciamento transformaram o perfil
deste profissional.

Segundo Martins (2006) o bibliotecário moderno foi obrigado a desenvolver
suas habilidades gerenciais para gerenciar sua unidade de informação como uma
organização moderna, ampliando a capacidade organizacional de sua unidade de
informação. Quanto a este aspecto Maciel e Mendonça (2006) dizem que:
[...] É notório, entretanto, que mudanças são necessárias e que o
bibliotecário-gerente precisa estar preparado para realizá-las no
momento oportuno. Conhecendo as funções de um moderno gerente e
as transformações necessárias à biblioteca, com vistas a oferecer
serviços adequados às necessidades informacionais de seus usuários,
estará apto a exercê-la com eficiência [...]

�9

Quanto ao bibliotecário do futuro, ainda é prematuro afirmar quais são suas
características essenciais mais é sabido que, com o desenvolvimento da
tecnologia, da ciência e da cultura, o bibliotecário precisou conhecer melhor a
informática e passou a utilizá-la como sua principal ferramenta de disseminação
da informação. Em relação a essa idéia tem-se a opinião de Martins (2006): “[...] o
perfil do bibliotecário do futuro deverá ser revisto, ele deixará de ser um
intermediador entre o usuário e a informação escrita para um intermediador do
cliente para a informação eletrônica [...]”.

Assim, o bibliotecário do futuro para conseguir êxito em sua carreira e
prestar um serviço de qualidade em que o bom atendimento ao cliente é o
elemento de reforço para a razão da existência da sua profissão: atender as
necessidades informacionais reais dos usuários deve ser consciente do papel que
desenvolve dentro da sociedade sendo um organizador e disseminador da
informação.
[...] O futuro da profissão e das bibliotecas parece claramente
condicionado às respostas que puderem dar aos anseios e demandas
das sociedades de seu tempo e do futuro. Portanto, cabe ao bibliotecário
e aos profissionais de informação zelar pelos destinos de sua profissão e
pelas oportunidades de ampliação de seus espaços de trabalho.
Os registros do conhecimento humano e as formas de comunicação
evoluíram. Talvez aí esteja a pista de novas possibilidades, de abertura
de campos emergentes para inserção do bibliotecário a quem, ao longo
da história, sempre coube a função de identificar, selecionar, organizar e
disseminar informações. Os avanços tecnológicos propiciam a
concretização de instrumentos que podem facilitar ou impedir a evolução
de seu trabalho e de sua forma de executá-lo. Acompanhando a
evolução do mercado de informação, com postura crítica perante, não
apenas a este mercado, mas diante de sua inserção individual e coletiva
na sociedade, a tendência é sobreviver e progredir [...] (SILVEIRA,
2006).

Com base nas informações mencionadas no capitulo pode-se afirmar que o
bibliotecário que sempre foi capaz de utilizar instrumentos para melhorar o
desempenho de suas funções, continua fazendo isso, agora com auxilio da
educação continuada que vem promovendo uma maior capacitação influenciando
a experiência de trabalho desse profissional, que pode reinventar-se para exercer
suas atividades com qualidade.

�10

4 EDUCAÇÃO CONTINUADA

A educação continuada é muito importante atualmente no mundo do
trabalho, principalmente nas questões relativas à qualidade profissional, pois hoje
o mercado global exige uma necessidade constante de atualização por parte dos
profissionais. Através da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
(2006) pode-se conceituá-la como:
um processo de qualificação profissional que pode ser planejado a médio
e longo prazo, atendendo as demandas do mercado e as necessidades
que o profissional sente na medida em que vão acontecendo mudanças
nos processos de trabalho.

Conforme o panorama apresentado por Pereira e Rodrigues (2002) desde
a década de 50, a educação continuada vem adquirindo conotações diferentes.
Nessa época o seu objetivo era “ajustar-se a um mundo novo em mutação”.

Na década de 60 a educação continuada transfere-se para dentro das
empresas, com o objetivo de possibilitar a contínua atualização dos funcionários
das mesmas.

A década de 70 caracteriza-se pela tomada de consciência de que o
homem educa-se a partir da realidade que o cerca e em interação com os outros.
Esse pensamento torna-se fundamental e a partir da década de 80 a sociedade
incorpora esta nova consciência.

Na sociedade contemporânea, encontram-se diferentes exemplos de
educação continuada, ou como uma forma de preencher as lacunas deixadas
pelo sistema escolar, ou como atividade fundamental para o desenvolvimento do
indivíduo e da sociedade.

A educação continuada desenvolve o indivíduo para fazer melhor aquilo
que faz, enfocando o “como fazer”, preparando-o para atuar na realidade no
momento e para o futuro. Ela como geradora de mudanças, insere-se num quadro

�11

político prospectivo em que formação, segundo Goguelin (1970 apud PEREIRA;
RODRIGUES, 2002):
[...] é idealmente participar do futuro a partir do presente, e assumir o
risco, porque educar é mudar de forma que pode implicar um deformar!
Mas, o que se deve considerar de vital importância é ter sempre
presente que a educação continuada não é apenas transmissão de
conhecimentos científicos, mas, também, de atitudes em relação à
utilização desses conhecimentos [...]

Também

possibilita

ao

ser

humano

ser

agente

contínuo

de

desenvolvimento, como produtor, consumidor/utilizador e criador/inovador,
fazendo uso de seus conhecimentos e criatividade que o processo de
ensino/aprendizagem lhe permite participar, de maneira crítica, do contexto sócioeconômico-cultural que transforma o meio em que está inserido: “[...] a formação
permanente de uma formação inicial de alto nível para saber “aprender a
aprender” e inovar [...]” (LOJKINE, 1995).

Com o avanço tecnológico deve ser essencial um renovar constante da
formação profissional, humana e social, como fator de expressão de uma geração
de profissionais conscientes de seu papel transformador, como sujeitos ativos no
processo de tratamento e disseminação da informação. A aprendizagem contínua
também deve ser uma constante na vida do bibliotecário atual, inserido num
mundo de constantes mudanças tecnológicas.

O desenvolvimento contínuo na educação e capacitação para a qualidade,
em todos os setores da biblioteca deve ser ensejado. Ao investir na educação
contínua de seus funcionários, o gestor estará criando condições para a própria
melhoria e estabelecendo as bases para realizar sua missão com qualidade.

Assim, a biblioteca universitária poderá criar uma cultura na qual a
qualidade de todos os produtos, desde atender ao telefone, colocar os livros nas
estantes, preparar os programas de divulgação, planejar edifícios até responder
às questões de referência esteja sempre melhorando e satisfazendo os seus
usuários cada vez mais.

�12

5 CONCLUSÃO

Com base no desenvolvimento deste estudo foi possível constatar que as
novas tendências mundiais, juntamente com o domínio das tecnologias de
comunicação e informação mudaram o perfil do bibliotecário. Com estas novas
tendências se faz necessário que o profissional bibliotecário revise seus afazeres
e se recicle constantemente para que possa melhor selecionar os recursos de
informação impressos e eletrônico para compor o acervo da biblioteca e/ou
Centro de Documentação, atendendo as demandas de seus clientes. É sabido
que o bibliotecário sempre foi capaz de utilizar instrumentos para melhorar o
desempenho de suas funções. Ele continua fazendo isso, só que agora com o
auxílio da Educação Continuada, que vem promovendo uma maior capacitação
influenciando a experiência de trabalho do profissional, que pode reinventar-se
para exercer suas atividades com qualidade. Em suma, o bibliotecário moderno
deve buscar por si próprio a educação que ele não recebe(u) nos bancos das
universidades e tentar dominar todas as ferramentas e serviços inerentes a seu
trabalho. Para isto é preciso que ele informe-se, participe de eventos culturais
(Congressos, Encontros, Simpósios, Seminários etc.), aprenda outros idiomas,
aprenda usar as linguagens da informática, usando-as como sua aliada e não
como sua concorrente, faça cursos incluindo os de pós-graduação, use seus
colegas como fontes de informação, compartilhando-as permanentemente, e que
principalmente disseminem a diferença entre a Biblioteconomia e um emaranhado
de livros nas estantes.

REFERÊNCIAS

ANJOS, Claudia Regina dos. O papel do bibliotecário no meio acadêmico.
2003, 39 f. Monografia (Lato Sensu em Docência do Ensino Superior) – Projeto a
Vez do Mestre, Universidade Candido Mendes, Rio de Janeiro, 2003.

ARRUDA, Maria da Conceição Calmon; MARTELETO, Regina Maria; SOUZA,
Donaldo Bello. Educação, trabalho e o delineamento de novos perfis profissionais:
o bibliotecário em questão. Ciência da Informação, Brasília, v. 29, n. 3, p. 14-24,
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em: 10 maio 2006.

�15

ABSTRACT
The work treats on the profile change that the age of the information exerted on some
professionals and this was not different with the biblioteconomia. The librarian, previously inmate to
the isolated libraries of the Seniority of the reality, today with the technological innovations, leaves
the reclusion and starts to interact with other units of information. The evolution of the library made
with that the modern librarian developed new interpersonal and mainly managemental abilities. In
this direction, the continued education exerts an important paper very, being in the world of the
work with priority requirement of a new global market starting to be one of the requirements of a
society in permanent change. With the advent of the new technologies of information, this
professional more started to be than a conventional librarian, started to be a "informacional
manager" who also exerts the paper of an agent educator assisting professors and other
professionals in the teachings of as, where, when and because to search the information,
reaffirming that its performance is of extreme importance in the present time.

Palavras-chave: Librarian; Continued education; Technological innovations

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Anjos, Cláudia Regina dos; Calixto, Ana Paula da Cruz; Pereira, Marlena Hermenegilda; Rubim, Clara Lima e Silva; Santana, Rita de Cássia Oliveira</text>
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                <text>O trabalho trata sobre a mudança de perfil que a era da informação exerceu sobre vários profissionais e isso não foi diferente com a biblioteconomia. O bibliotecário, anteriormente recluso às bibliotecas da Antigüidade isolados da realidade, hoje com as inovações tecnológicas, deixa a reclusão e passa a interagir com outras unidades de informação. A evolução da biblioteca fez com que o bibliotecário moderno desenvolvesse novas habilidades interpessoais e principalmente gerenciais. Nesse sentido, a educação continuada exerce um papel muito importante, sendo no mundo do trabalho exigência prioritária de um novo mercado global passando a ser um dos requisitos de uma sociedade em permanente mudança. Com o advento das novas tecnologias de informação, esse profissional passou a ser mais que um bibliotecário convencional, passou a ser um “gerente informacional” que exerce também o papel de um agente educador auxiliando professores e outros profissionais nos ensinamentos de como, onde, quando e porque buscar a informação, reafirmando que sua atuação é de extrema importância na atualidade.</text>
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                    <text>O BIBLIOTECÁRIO NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E DO
CONHECIMENTO: habilidades e competências requeridas
Antonio Genésio de Sousa Filho
Bibliotecário - Biblioteca Setorial do CCSA/UFPB
Especialista em Gestão de Unidades de Informação.
E-mail: tonigenesio@yahoo.com.br

Adriana Moura de Pontes
Especialista em Gestão de Unidades de Informação.
E-mail: adypink@yahoo.com.br

Leonardo de Oliveira Cavalcante
Administrador
Especialista em Gestão de Unidades de Informação.
E-mail: leo.oc@ig.com.br

João Allison de Brito Moura
Especialista em Gestão de Unidades de Informação
E-mail: allisonpmpb@ig.com.br

Nadígila da Silva Camilo
Bibliotecária – Universidade Estadual da Paraíba
Especialista em Gestão de Unidades de Informação
E-mail: nadigila@yahoo.com.br

RESUMO
Aborda algumas das necessidades e habilidades requeridas para o bibliotecário
exercer as suas atividades na era da informação e do conhecimento. Traça o
perfil desejado para este profissional, destacando a necessidade do
comprometimento ético com a profissão e o desenvolvimento da área, procurando
tomar consciência da importância da educação continuada em decorrência das
exigências da sociedade moderna e das inovações tecnológicas. Destaca ainda
as diretrizes curriculares a serem seguidas no processo de formação acadêmica e
profissional, ressaltando as habilidades e competências essenciais aos gerentes
do conhecimento.
Palavras-chave: Perfil profissional. Profissional da Informação. Bibliotecário.

�1

INTRODUÇÃO

Os novos desafios determinados pela globalização dos mercados, pela evolução
das tecnologias da informação e comunicação, aliados aos novos padrões
exigidos pelas organizações modernas no tocante ao compartilhamento do
conhecimento, impõem a necessidade do desenvolvimento de novas habilidades
e estilos gerenciais.

Neste sentido, muitos aspectos precisam ser aprofundados, aspectos esses que
dizem respeito à importância que os bibliotecários devem dar à educação, à
capacitação profissional e ao contínuo aprimoramento de suas habilidades numa
perspectiva de adaptação às modificações da sociedade moderna e as exigências
mercadológicas.

Há duas décadas prevalecia ainda a tecnicidade. Bastava ter competência,
conhecer bem o assunto e empenhar-se no trabalho. Hoje, os padrões mudaram.
O que importa agora é o casamento das competências com as habilidades dos
profissionais com as necessidades das empresas.

Fundamentalmente, as atividades principais desempenhadas pelos profissionais
bibliotecários destacam aspectos relacionados ao planejamento e organização
dos acervos impressos, por meio da utilização de técnicas tradicionais da
biblioteconomia. Trabalham com documentos e suportes dos mais variados tipos,
tendo como atividades técnicas a seleção, aquisição, registro, classificação e
catalogação desses documentos. No entanto, por se tratar de um curso
relacionado à comunicação, assim entendido como o mediador entre o fornecedor
e o receptor, alguns autores designam o bibliotecário como o gerente da
informação. E, para que o bibliotecário faça jus a esta denominação, ele precisa
acreditar que existe uma forma mais eficiente de fazer as coisas. Precisa inovar,
motivar e ter disposição para fazer a coisa de maneira diferente. Enfim, o
bibliotecário precisa saber construir caminhos alternativos e flexíveis para se
desenvolver pessoal e profissionalmente.

�2

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Grandes descobertas proporcionam profundas mudanças nos processos de
comunicação na civilização. O surgimento da escrita, a invenção da imprensa, do
rádio e da televisão são exemplos disso. Na última década do século XX, o
aparecimento das telecomunicações e da informática direcionou o homem para
uma realidade nunca vista antes que passou a ser chamada de sociedade da
informação.

Segundo Gonzáles de Gómez (1999, p.17), a sociedade da informação poderia
ser entendida como aquela em que o regime de informação caracteriza e
condicionam todos os outros regimes sociais, econômicos culturais, das
comunicações e do estado.

São muitas as denominações utilizadas para se referir aos profissionais que lidam
com a informação. Profissional da informação, agente de informação, profissional
do conhecimento, trabalhador do conhecimento, entre tantas outras. Dentre os
profissionais da informação, está o bibliotecário que historicamente resgata as
origens da área. Ele é cada vez mais o mediador, entre a informação e o usuário,
representa o elemento humano nas relações com o meio no mundo em
transformação com um modelo de economia global baseada no conhecimento.

Vários estudos na área da Ciência da Informação apontam para os novos
mercados e novas posturas atinentes ao profissional da informação, constatandose uma intensa mudança na função e no perfil deste profissional.

�3

FORMAÇÃO PROFISSIONAL

A globalização, a abertura do mercado, as novas tecnologias, com a chamada
“Era da Informação” ou “Sociedade da Informação”, fizeram com que a profissão
do bibliotecário sofresse ou, ao menos precisa sofrer, profundas mudanças nas
relações mercadológicas. O mercado passou a exigir um profissional com
conhecimentos

mais

abrangentes,

flexível,

sensível

às

mudanças,

com

habilidades para enfrentar momentos decisórios e que tenha domínio sobre os
equipamentos tecnológicos, pois essas ferramentas são seus verdadeiros
instrumentos de trabalho.

Essas exigências na capacitação profissional do bibliotecário decorrem da
necessidade de uma formação complexa que abrange o saber-conhecer, o saberfazer e o saber-ser. Segundo Cavalcanti (2005): “o saber-conhecer refere-se à
necessidade de aprendizagem, não somente do saber de hoje, mas também do
saber do amanhã, isto é, a necessidade de atualização contínua do bibliotecário”.

Mas o saber, sem o saber fazer, logo ficaria no passado, ultrapassado pelo
surgimento de novas tecnologias. O saber oriundo de experiências feitas é, talvez,
o mais importante. Mas o saber da experiência deve sempre acompanhar os
novos conhecimentos.

E por fim, o saber-ser, que é também de fundamental importância, pois o trabalho
de bibliotecário é realizado em equipe, e por isso o diálogo e a comunicação com
os profissionais das outras áreas, como informática, telemática e outras se faz
necessário para o êxito na realização do trabalho do bibliotecário. O convívio com
as novas tecnologias são pontos fundamentais na estruturação necessária ao
profissional bibliotecário para alcançar as competências exigidas pelo mercado.

3.1

Diretrizes Curriculares

�Os cursos têm que investir mais na parte prática da aprendizagem, incluindo
disciplinas que no seu conteúdo dêem a oportunidade aos alunos de adquirirem
experiência com as ferramentas para que fiquem íntimos do seu uso e aplicação
no seu campo de atuação. O novo currículo tem que conter uma visão ampliada
da profissão de bibliotecário, que objetive a formação de verdadeiros profissionais
da informação, isto é, criativos, flexíveis, participativos, dotados de base teórica e
prática, conscientes da transdisciplinaridade, interdisciplinaridade e pluralidade da
profissão.
Para formação desse novo bibliotecário moderno e preparado para o futuro, o
currículo pleno deve observar os seguintes elementos:

•
•
•
•

Definir a área de competência específica, isto é, qual seria o núcleo básico
do currículo?
Como relacionar o conhecimento interdisciplinar com o conhecimento
específico?
De que forma se liga o conhecimento teórico com o conhecimento prático?
Seria possível a Universidade gerar e desenvolver um profissional criativo?

E assim, observando essas variáveis, o currículo pleno deve abrir caminhos para
a formação de bibliotecários inovadores para um mercado em constantes
transformações.

3.2

Currículo

A visão moderna do novo profissional bibliotecário requer medidas gerais de
transformação curricular necessárias, isto inclui: o aliviar os currículos
sobrecarregados de conhecimentos convencionais e teóricos, modificação dos
métodos de ensino colocando o aluno em posição ativa de aprendizagem e que
lhes oferecem experiências e vivências de cunho formativo e que desenvolva no
aluno o espírito crítico e interpretativo. Outro ponto que torna inviável o atual

�currículo, é que o desenvolvimento das novas tecnologias tornou o processo de
recuperação e transmissão da informação muito rápido e acessível a um grande
número de pessoas.

O currículo deve conter uma fundamentação teórica própria e de grande
profundidade, tendo assim o objetivo de integrar os conhecimentos afins como
apoio ao currículo da área de Biblioteconomia e da Ciência da Informação, como
também tem a finalidade de formar uma geração de bibliotecários conscientes da
produção de uma biblioteconomia transdisciplinar.

3.3

Competências

Em meados dos anos 80, com a ocorrência da globalização, com a evolução e
modernização das estruturas sociais, a ampliação do mundo das pesquisas
científicas e do desenvolvimento das tecnologias voltado juntos para a abertura
de um mercado mais competitivo, a informação passou a ser o foco central que
faz a diferença entre seus competidores. Por conta dessa evolução, houve uma
explosão de informações, gerando uma necessidade de gerenciamento desses
conhecimentos para disponibilizá-los para a sociedade. Com isso tudo, cresceu o
papel desempenhado pelo bibliotecário, pois não bastava só a informação ou
atualização dos profissionais da área de informação, mas também dar-lhes
subsídios como sensibilidade e flexibilidade para se adaptarem as mudanças que
ocorram na sociedade.

3.4

Terminologias

A literatura referenciada sobre o profissional da informação apresenta o
surgimento de novos termos e novas designações, formadas muitas vezes por
aglutinação e justaposição de palavras. O bibliotecário deve se moldar às
evoluções que se baseiam dentro de uma conjuntura tecnológica e os termos

�assim o acompanham, como atualmente acontece em alguns pré-estabelecidos
em normas da ABNT, editados na NBR (Normas Brasileiras Revisadas) 13289/97,
padronizando terminologias, princípios, métodos de elaboração e apresentação
de normas de terminologia, bem como a NBR 13790/97 estabelecendo a
apresentação de terminologia, princípios e métodos de harmonização de
conceitos e termos.

O quadro 2, mostra algumas das designações mais freqüentes para referenciar o
“profissional da informação”.

NOME DO PROFISSIONAL

BIBLIOTECÁRIO

NOVAS DESIGNAÇÕES
Documentólogo
Ciberotecário
Designer do conhecimento
Engenheiro da Informação
Gerente da Informação
Cientista da Informação

Quadro 2 – Designações do profissional da informação
Fonte: Adaptado de Almeida Junior (2000 apud SILVA; RIBEIRO, 2000)

4

HABILIDADE DE LIDERANÇA

O termo liderança confunde-se um pouco com o termo gerência, a diferença está
em sua aplicabilidade, ou seja, a gerência busca estabelecer relações com
produtos e serviços, enquanto que a liderança é aplicada às pessoas.

Hunter (2004) classifica liderança como “a habilidade de influenciar pessoas para
trabalharem entusiasticamente visando atingir aos objetivos identificados como
sendo para o bem”. Ele ainda acrescenta que a tarefa de exercer a influência
sobre os outros é a verdadeira liderança que requer uma enorme doação pessoal.

Para liderar não é preciso deter o poder, mas sim de autoridade. Vejamos os
conceitos de poder e autoridade segundo Hunter (2004, p. 26):

�Poder é a faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer sua
vontade, por causa de sua posição, mesmo que a pessoa
preferisse não o fazer. Autoridade é a habilidade de levar as
pessoas a fazerem de boa vontade o que você quer por causa de
sua influência pessoal.

O poder exercido por alguns líderes, tende amedrontar os seus subordinados,
pois, os mesmos são forçados a desempenhar suas atividades para não ser
penalizados com a perda do emprego, advertências e demais punições.

O papel do líder é identificar e satisfazer as necessidades de seus funcionários,
no entanto atendendo estas necessidades que é a exigência física ou psicológica
para o bem-estar, eles irão receber estímulos para estarem mais motivados e se
tornarem o melhor que pudessem ser.

Com o abandono dos modelos empíricos que estão direcionados para a
preocupação com a produção, o novo líder passa a se basear em conceitos e
práticas

das

ciências

humanas,

devendo

ter

as

seguintes

habilidades

indispensáveis para o êxito do empreendimento:

•
•
•
•
•
•
•
•
•

Flexibilidade e abertura para as mudanças;
Atitude positiva, entusiástica;
Honestidade e confiabilidade;
Comprometido em atender as necessidades dos seus empregados;
Competências para os relacionamentos acolhedores e saudáveis;
Reconhecimento do trabalho do empregado através de elogios,
encorajamento, premiação;
Trabalho em equipe utilizando uma visão sistêmica;
Aprendizagem contínua;
Visão especialista e generalista.

Todas estas habilidades possuem traços em comum com o líder democrático,
cuja responsabilidade consiste em motivar a participação da equipe na tomada de
decisões, interagindo com a equipe e buscando definir democraticamente as
diretrizes de trabalho.

�5

PERFIL PROFISSIONAL

Silva e Arruda (2005), conceitua o ambiente “Unidades de Informação como todo
o local que objetiva coletar, selecionar, trabalhar tecnicamente e disseminar a
informação”. Em se tratando da informação, não podemos esquecer deste
profissional que tem a informação como o seu objeto de estudo e trabalho: o
bibliotecário “[...] profissional que organiza e gere a informação nos mais diversos
contextos [...]”.

Para Silva e Arruda, o profissional da informação é considerado:
Aqueles bibliotecários que apresentam por opção uma mudança de
postura através da consciência da importância para a comunidade, uma
vez que sua missão e papel continuarão os mesmos, ou seja,
desenvolver a comunidade através da informação certa e a um custo
baixo e, sobretudo, de forma rápida, segura e eficaz.

De acordo com Martins (2005), o profissional tradicional divide-se em três partes
distintas:

•

Visto com um preservador – aquele profissional que atua como organizador
do conhecimento registrado para garantir seu acesso, ou seja, aquele
profissional que se limita a guardar o seu acervo e disponibilizá-lo o menos
possível. Esse profissional possui característica de manipular a informação
ao invés de disseminá-la;

•

Visto como educador – ele age como professor, fornecendo informações e
preparando os indivíduos para buscá-la de forma autônoma, ou seja,
devido, principalmente, a falta de uma estrutura educacional eficiente, esse
profissional torna-se um “professor”, substituindo quem deveria exercer
esta função;

•

Como agente social - onde ele deve ser um comunicador, organizador da
informação para a sua informação, medidor de informações entre o acervo
e o publico, pesquisador, educador, líder, gerente etc.

�Para Colombini (1999, p.61), as habilidades mais requisitadas são: “trabalho em
equipe, sabedoria para ouvir, criatividade, arrojo, espírito inovador, liderança,
motivação e carisma”. O quadro 3 apresenta comparação entre os perfis do
profissional tradicional com o bibliotecário moderno.

BIBLIOTECÁRIO TRADICIONAL
Práticas
interdisciplinares
pouco
representativas
Pesquisas centradas nas abordagens
quantitativas
Estudo das necessidades de informação
dos usuários e avaliação de coleções de
bibliotecas
Relação biblioteca e sociedade

BIBLIOTECÁRIO MODERNO
Ativas práticas interdisciplinares
Fusão entre as abordagens qualitativas e
quantitativas
Estudo das necessidades de informação
dos clientes e avaliação dos recursos dos
sistemas de informação
Relação informação e sociedade

Domínio
acentuado
nos
saberes
biblioteconômicos.
Preocupação
e
gerenciamento
de
bibliotecas e centros de documentação
Educação continuada esporádica

Planejamento e gerenciamento de sistemas
de informação
Preocupação na análise, comunicação e
uso da informação.
Intenso processo de educação continuada

Treinamento de recursos bibliográficos

Treinamento de recursos informacionais

Tímida participação em políticas sociais, Ativa participação nas políticas sociais,
educacionais, cientificas e tecnológicas.
educacionais, científicas e tecnológicas.
Quadro 3 – Comparação entre o perfil tradicional e moderno
Fonte: Castro (200, p. 151-152)

6

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A sobrevivência das organizações será determinada pela agilidade com que se
enfrentam as mudanças e pela capacidade de alteração e adaptação nos padrões
de desempenho.

Segundo Neves (2002), o mercado exige do profissional da

informação, novas competências para adaptação ao trabalho, portanto, às
universidades fica a missão de desenvolver novas estratégias que permitam
mudar os currículos, procurando adequar o programa docente com a demanda do
mercado. Neste sentido, na formação do profissional da informação é preciso
haver uma preocupação em prepará-lo para atuar num mercado que procura, nos
profissionais, habilidades comportamentais.

�Ao profissional da informação fica o papel de refletir e assumir o seu compromisso
ético com a profissão e o desenvolvimento da área, procurando tomar consciência
de que a educação continuada, o maior envolvimento nos eventos da área e a
procura constante por capacitação profissional têm que partir dele, não apenas
esperar atitudes dos órgãos de classe.

O perfil que a literatura mundial confere ao profissional da “Era do Conhecimento”
se diversifica em várias competências profissionais, com ênfase na necessidade
da combinação de experiências, conhecimentos, habilidades, competências e
posturas pessoais, assim como a necessidade de sua capacitação e conseqüente
possibilidade de atuação como gestor do conhecimento.

THE LIBRARIAN IN THE SOCIETY OF THE INFORMATION AND THE
KNOWLEDGE: required abilities and abilities

ABSTRACT: This work approaches some of the necessities and required abilities
it librarian to exert its activities in the age of the information and the knowledge. It
traces the profile desired for this professional, detaching the necessity of the
ethical compromise with the profession and the development of the area, looking
for to take conscience of the importance of the education continued in result of the
requirements of the modern society and the technological innovations. It still
detaches the curricular lines of direction to be followed in the process of academic
and professional formation, standing out the essential abilities and abilities to the
controlling of the knowledge.
Key Words: Librarian profile. Librarian - education continued. New Technologies

�REFERÊNCIAS

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bibliotecário no contexto da sociedade da informação: os novos espaços de
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UFMG, 2005 p.111-140.
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>Sousa Filho, Antonio Genésio de; Pontes, Adriana Moura de; Cavalcante, Leonardo de Oliveira; Moura, João Allison de Brito; Camilo, Nadígila da Silva</text>
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                <text>Aborda algumas das necessidades e habilidades requeridas para o bibliotecário exercer as suas atividades na era da informação e do conhecimento. Traça o perfil desejado para este profissional, destacando a necessidade do comprometimento ético com a profissão e o desenvolvimento da área, procurando tomar consciência da importância da educação continuada em decorrência das exigências da sociedade moderna e das inovações tecnológicas. Destaca ainda as diretrizes curriculares a serem seguidas no processo de formação acadêmica e profissional, ressaltando as habilidades e competências essenciais aos gerentes do conhecimento.</text>
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                    <text>EIXO TEMÁTICO: O Impacto das Tecnologias Eletrônicas e sua Mediação
- A educação continuada dos profissionais da informação

O BIBLIOTECÁRIO NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E DO
CONHECIMENTO: perfil, competências e habilidades

Izabel França de Lima1 - belbib@ig.com.br
Janete Duarte da Silva - janetesd@yahoo.com.br
Jovirene Joaquim Pereira - jovirenepdrtpb@mte.gov.br
Maria Meriane Vieira - meriane.vieira@gmail.com
Mônica de Paiva Santos - monikkah@yahoo.com.br

1

Todas alunas do curso de Especialização em Gestão de Unidades de Informação da
Universidade Federal da Paraíba, Brasil

�2

1 INTRODUÇÃO

Os profissionais da informação, em especial os bibliotecários, estão sendo
bombardeados, por novos paradigmas culturais e sociais, em decorrência da nova
sociedade da informação e do conhecimento, na qual as realidades são
interpretações e construções de significados que por sua vez, dependem de um
contexto multideterminante e polissêmico, ou seja, contempla mais de um
significado.
Aliado a isso, temos a globalização da informação que impulsionada pelas
tecnologias da informação e comunicação tem exigido desses profissionais
adequações aos novos paradigmas que estão colocados em pauta a partir do
impacto destas tecnologias sobre os sistemas e serviços de informação.
Miranda (2000) relaciona os seguintes paradigmas, novas tecnologias;
organização vertical; acesso â informação; cooperação; qualidade e
produtividade. Que são desafios para os profissionais da informação. Nessa
perspectiva, fica evidente a necessidade de estudos sistemáticos na tentativa de
compreender o emaranhado de determinantes, especialmente os currículos, que
se enroscam para formar o contexto em que se dá a formação do profissional da
informação, neste texto referindo-se ao bibliotecário.
Os cursos de formação de bibliotecários no Brasil têm buscado modificar
seus currículos, preocupados em formar profissionais com perfil que atenda as
demandas do mercado, dando ênfase aos paradigmas da informação, formando
profissionais mais humanistas e não apenas técnicos (VALENTIM, 2000).

�3

2 ABORDAGEM CONCEITUAL DAS COMPETENCIAS E HABILIDADES

Se os conceitos de competência e habilidade não são unívoco, mais ainda,
varia o modo como estão sendo tratadas na prática. Apresentamos primeiramente
as definições retiradas do dicionário:

a) Competência - Qualidade de quem é capaz de apreciar e receber certo
assunto, fazer determinada coisa, capacidade, habilidade, aptidão,
idoneidade.
b) Habilidade - Competente, apto, capaz. Que tem capacidade legal para
certos atos, conveniente. Que tem aptidão para alguma coisa.

Buscamos um conceito que melhor se aproxima da nossa concepção de
competências e habilidades e na literatura encontramos vários tipos de
competência e diferentes níveis de abordagens. Inicialmente apresentamos o de
competência profissional que é o foco deste artigo.
Competência profissional é uma combinação de conhecimentos, de
saber-fazer, de experiências e comportamentos que se exerce em um
contexto preciso. Ela é constatada quando de sua utilização em situação
profissional, a partir da qual é passível de validação.(JORNADAS, 1998
apud FARIA et al, 2005).

O conceito de habilidade que apresentamos tem implicações ativas e
individualistas:
Habilidades são atributos apreciados dos indivíduos, estes diferem em
tipos e em graus de habilidade, e está aberto a cada um aperfeiçoar as
habilidades ou acrescentar novas habilidades (BARRETO, 2003.).

Nessa perspectiva, o novo profissional da informação deve ter habilidade
de

solucionar

problemas,

de

aprender

a

aprender,

de

aprender

independentemente, de aprender ao longo de toda sua vida, de questionamento,
de pensamento lógico, dessa forma deve-se insistir que esse profissional chame
atenção com esse novo perfil, para desenvolver esse potencial na biblioteca, pois
isso irá demonstrar que o novo profissional da informação é também um
educador, deixando para trás suas características de passividade e isolamento.

�4

3 FORMAÇÃO PROFISSIONAL

Alguns

autores

brasileiros

afirmam

que

o

primeiro

Curso

de

Biblioteconomia teve início em 1911, porém apenas em 1915 teve suas atividades
efetivadas. Enquanto outros autores dizem que seu início foi por volta de 1910.
Martins (2002, p. 01), afirma que o primeiro Curso de Biblioteconomia no
Brasil, realizado na Biblioteca Nacional, foi em 1910.
De acordo com Fonseca (apud SOUSA; CARVALHO; MARINHO, 1995).
O Curso de Biblioteconomia, no país, foi criado em 1911, como parte do
decreto nº 8.835 que estabelece o regulamento da Biblioteca Nacional, o
Curso adotou como parâmetro o da Ecole Nationale des Chartes, de
Paris. Apesar de todo o esforço empreendido o mesmo não foi iniciado
antes de 1915.

Para fins desse estudo, apesar das contradições ou controvérsias
cronológicas optaremos pelo ano de 1915, como sendo o marco do surgimento do
ensino

da

Biblioteconomia

Brasileira

e conseqüentemente

da

formação

bibliotecária no Brasil.
No Rio de Janeiro, seu surgimento foi por volta de 1915, pois o mesmo não
havia um número suficiente de inscritos para dar início ao Curso. Algumas
pessoas que já estavam inscritas desistiram do mesmo e na sua maioria eram os
próprios funcionários da Biblioteca Nacional. Já em São Paulo, foi em 1929, onde
suas atividades foram desenvolvidas no Instituto Mackenzie, porém na Divisão de
Biblioteca da Secretaria de Cultura da Prefeitura Municipal de São Paulo foi em
1936.
O objetivo inicial do Curso de Biblioteconomia era sanar as dificuldades
existentes na Biblioteca Nacional, pois os funcionários não apresentavam
nenhuma qualificação na função exercida.
Em São Paulo, o objetivo era oferecer uma formação que fosse aplicável a
todas as bibliotecas, cujas características era da escola norte-americana,
enfatizando técnicas modernas de tratamento e organização de documentos.
Após esse período alguns fatos mereceram destaque:
De 1915 até 1922 o Curso funcionou regularmente, porém em 1923 ele
deixa de funcionar por falta de professores. Mesmo com um número de quatorze
pessoas matriculadas.

�5

Em 1931, através do Decreto nº 20.673, de 17 de novembro, o Curso volta
a funcionar, com o intuito mencionado anteriormente, como também para
regulamentar o quadro de pessoal daquela instituição, ou qualquer outra
instituição federal.
Em 1944 há a implantação do modelo americano nas Escolas Brasileiras
de Biblioteconomia.
Em 1955, surge o Curso de Pesquisas Bibliográficas no Instituto Brasileiro
de Biblioteconomia e Documentação.
Em 1960, já havia dez escolas de Biblioteconomia em funcionamento no
Brasil. Ao final desta década o Brasil já possuía dezoito Cursos de Graduação em
Biblioteconomia e um curso de especialização regulamentado pelo Instituto
Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação (IBBD).
Em 1970, surge o primeiro Curso de Mestrado em Ciências da Informação,
no Brasil. Seu início foi no dia 07 de maio, tendo com o órgão responsável o
IBBD.
Em 1988, doze novos Cursos de Graduação em Biblioteconomia foram
criados. Em sua maioria estavam localizados no interior do Estado de São Paulo.
Mesmo passando por sérias dificuldades, no Brasil, o Curso de Biblioteconomia
objetiva formar profissionais para atuarem em qualquer tipo de biblioteca, além de
serem responsáveis pela reorganização de algumas delas.
A procura pelo Curso cresce, e um leque considerável se abre, surgindo
novas oportunidades de empregos para os recém formados, além do surgimento
de novas escolas, em diversas capitais brasileiras.
Na Paraíba, o Curso de Graduação em Biblioteconomia foi criado de
acordo com a Resolução nº 01/69 de 06 de Janeiro de 1969, pelo Conselho
Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão, da UFPB. Segundo Diniz, (1998, p. 62)
O Curso funcionava como departamento no Instituto Central de Filosofia
e Ciências Humanas, e contava com quatro professores. A partir de
1974, o Curso de Biblioteconomia na Paraíba, separa-se do referido
Instituto vinculando-se a Coordenação ao Centro de Ciências Sociais
Aplicada (CCSA), ligada ao Departamento de Administração e
Contabilidade. Na Paraíba este Curso foi reconhecido pelo Decreto-Lei
nº 76.178 de 01 de setembro de 1975.

Apresentando as mesmas características do modelo norte-americano, o
Curso se limitava em passar para seus alunos as técnicas, direcionando-se

�6

basicamente ao conteúdo de classificação, catalogação, indexação, dentre outras,
não havendo a preocupação em traçar o perfil do usuário. Em conseqüência disso
a aquisição dos documentos das bibliotecas basicamente estava longe da
realidade daqueles usuários, contudo havia pouca demanda por livros e a
freqüência nas bibliotecas também era baixa.
O Curso de Biblioteconomia no Brasil era desenvolvido em três níveis:
a) Curso Fundamental de Biblioteconomia;
b) Curso Superior de Biblioteconomia;
c) Cursos Avulsos.
Cada curso tinha seu objetivo específico, o Curso Fundamental de
Biblioteconomia, por exemplo, preocupava-se em formar pessoas para atuarem
como Bibliotecários auxiliares, para serem responsáveis pelos trabalhos técnicos
da biblioteca.
Já o Curso Superior de Biblioteconomia, tinha como objetivo, formar
profissionais, prontos para administrar, organizar e dirigir serviços técnicos
essências às bibliotecas. Enquanto que os Cursos Avulsos destinavam-se a
atualizações de conhecimentos direcionados aos Bibliotecários e Bibliotecários
auxiliares. Era na verdade um curso de especialização, cuja carga horária
dependia da finalidade de cada pessoa.
Apesar do esforço aparente das Escolas de Biblioteconomia, o perfil foi
sendo estabelecido à medida que se estabelecia também o currículo das Escolas.
Assim coloca Barbosa (2002, p. 19)
Do início do século XX até a década de 30, o bibliotecário possuía uma
visão humanista, ligada a cultura e as artes, sob forte influência da Ècole
Nationale des Chartes, em Paris, berço da origem do Curso de
Biblioteconomia brasileiro.

Continuando a autora ressalta que o direcionamento do currículo até então
estabelecido, convergia para uma política profissional voltada para uma prática
humanista, que nos anos trinta passou a receber também forte influência da
formação norte americana, por conta da criação dos Cursos estabelecidos em
São Paulo, conforme mencionado nos itens anteriores.
O surgimento desses cursos vai impulsionar também a criação da
Associação Paulista de Bibliotecários, com o objetivo de estimular a participação
profissional, bem como contribuir na valorização da profissão. Todavia, apesar

�7

dos esforços o profissional bibliotecário continuou a ser visto como mero guardião
de livros, apesar do seu aguçado esforço tecnicista.
Outros esforços foram registrados, no sentido de delinear um perfil, ou até
mesmo construir uma imagem positiva do profissional bibliotecário, a exemplo da
realização do 1º Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação
realizado em 1954, na cidade de Recife, momento que parecia ter causado uma
espécie de frisson profissional. Os Bibliotecários foram instigados a uma maior
participação nas decisões da categoria, contribuindo para o reconhecimento
oficial da profissão, em nível superior, com o estabelecimento da legislação e a
criação dos órgãos de classe, favorecendo do ponto de vista legal o exercício da
profissão.
Já os anos 70, surgem como um novo referencial para a categoria, não mais
como um exercício apenas técnico, mas voltada para o campo da pesquisa,
conforme coloca Barbosa (2002, p. 20):
Um significativo desenvolvimento da pesquisa na área, por força da
criação dos primeiros cursos de pós-graduação, e o surgimento dos
primeiros periódicos nacionais da área como: Ciência da Informação,
publicado pelo IBICT; Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG,
hoje Perspectiva em Ciência da Informação [...] Revista Brasileira de
Biblioteconomia e Documentação, publicada pela Federação Brasileira
de Associações de Bibliotecários e a Revista de Bibliotecários do Distrito
Federal, hoje Revista de Biblioteconomia de Brasília, publicada pela
UNB.

A medida em que as inovações iam sendo implementadas na profissão, a
mesma

ia

se

configurando

com

roupagens

diferenciadas,

requerendo

atualizações e reformulações que atentassem para as questões do mercado de
trabalho. Entendido neste estudo como sendo o campo de atuação profissional
e/ou oportunidades de emprego. Nessa perspectiva, entre os anos 80 marcados
por reformas curriculares, propiciando o surgimento de um novo profissional que
emerge como agente cultural e de informação. Nesta ótica os conteúdos vão
provocar uma mudança de perfil e conseqüente de sua imagem, expresso pelas
atitudes frente à nova proposta de atuação, voltando-se também para atividades
intelectuais, com capacidade seletiva, investigadora-pesquisadora, dinâmica,
criatividade (OLIVEIRA, 1983), atuando muitas vezes como educador, agente
social, além de preservador.

�8

Apesar das incisivas mudanças ocorridas nos anos 80, a década de 90,
revela um crescimento exponencial das práticas editoriais, associados também ao
avanço das novas tecnologias de informação, que vão exigir do profissional
bibliotecário uma nova retomada de posição e enfrentamento, face às novas
exigências do mercado profissional, requerendo desse mesmo profissional, novas
formas de ação bibliotecária, conforme podemos conferir no item que se segue.
Atualmente, as estruturas dos cursos para formação do profissional da
informação, buscam um profissional dinâmico e competitivo, direcionado para o
paradigma da informação, mas não podemos deixar de lembrar que ainda existe
no Brasil muitos cursos que precisam fazer uma reformulação dos seus
currículos, e incluir um mínimo de cultural geral e disciplinas que ressaltem não
apenas os conteúdos técnicos, mas também os humanistas (TARGINO, 2006;
VALENTIM, 2000).

4 O PERFIL DO BIBLIOTECÁRIO DO FUTURO

O crescimento assustador das produções científicas, os avanços
tecnológicos, programas informacionais com eficiência e rapidez, bibliotecas
virtuais, internet, o surgimento de novas áreas profissionais além de outros
fatores, tornam indispensável a presença de um bibliotecário.
As informações estão sendo produzidas com muita rapidez e os programas
computadorizados modernizam-se com freqüência, com isso muitas pessoas, não
acompanham essa evolução científica e tecnológica, ou seja, o avanço de novas
tecnologias. Em conseqüência disso, essas pessoas sentem a necessidade de
recorrerem

a

um

profissional

capacitado

e

com

visão

interdisciplinar,

profissionalismo, especialização, domínio de pelo menos uma língua estrangeira,
dentre outras qualidades profissionais encontradas no bibliotecário.
O bibliotecário do futuro deve ser seguro e muito capaz, deixando de lado
aquela relação de intermediador entre o usuário e a informação escrita, dando
espaço aquele intermediador entre o usuário e a informação eletrônica. O
bibliotecário do futuro deixou de ser um guardião dos livros e passou a ser um

�9

consultor ou gerente informacional, abrindo espaço para as informações
automatizadas.
Assim, independente da época em que atuou, atua ou atuará o profissional
bibliotecário, existe uma certa distinção de suas atribuições profissionais, que o
caracterizam como tal, ora retrógrados, como tem sido classificado por alguns
(SILVA apud BARBOSA, 2002), ora como agentes culturais, gerentes de
informação, arquiteto da informação, improdutivo, ultrapassados e apáticos
guardiões do saber (ALMEIDA JÚNIOR, 2002) entre outras denominações que
ao longo tem surgido. Essas atribuições bem ou má executadas tem sido
distinguidas como atividades profissionais e não profissionais. Essa última
exercida quase sempre por auxiliares de bibliotecas, cujas atividades estão
regulamentadas na Resolução nº 75 de junho de 1973, que em alguns casos,
exercem cargos de chefias, administrando unidades de informação, atribuição
segundo a Lei 4.084, de 30 de junho de 1962, exclusiva do

Bacharel em

Biblioteconomia.
O profissional da informação é entendido neste estudo como sendo todo o
indivíduo, formado em Biblioteconomia, o qual está regido pela lei nº 4.084 de
30\06\1962, esta lei está regulamentada pelo decreto nº 56.725 de 16\08\1965.
No Brasil o profissional formado nessa área recebe o título de Bacharel em
Biblioteconomia, isso na graduação, porque na pós-graduação recebe o grau de
mestre e conseqüentemente de doutor, atualmente em Ciência da Informação,
tendo em vista a inexistência de Cursos de pós-graduação em Biblioteconomia no
país.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O bibliotecário necessita ter um perfil empreendedor, expandir seu campo
de atuação, participar efetivamente do processo de geração e transferência da
informação, uma vez que as oportunidades do mercado de trabalho são para o
profissional que tem a educação continuada como meta permanente. (VALENTIM,
2000).

�10

Nessa perspectiva, o bibliotecário deve perceber claramente seu papel de
processador e mediador da informação, e que deve fazer esta filtragem de forma
coerente e eficiente, voltada para o usuário/cliente. Precisa antever as mudanças
nos canais de distribuição de informação, é necessário que esteja preparado para
as mudanças e buscar adequar-se e desenvolver modelos eficazes que atendam
a nova realidade.

REFERÊNCIAS

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O bibliotecário necessita ter um perfil empreendedor, expandir seu campo de atuação, participar efetivamente do processo de geração e transferência da informação, uma vez que as oportunidades do mercado de trabalho são para o profissional que tem a educação continuada como meta permanente. (VALENTIM, 2000). Nessa perspectiva, o bibliotecário deve perceber claramente seu papel de processador e mediador da informação, e que deve fazer esta filtragem de forma coerente e eficiente, voltada para o usuário/cliente. Precisa antever as mudanças nos canais de distribuição de informação, é necessário que esteja preparado para as mudanças e buscar adequar-se e desenvolver modelos eficazes que atendam a nova realidade.</text>
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                    <text>O BIBLIOTECÁRIO PRÁTICO REFLEXIVO NO DESENVOLVIMENTO DAS
COMPETÊNCIAS E HABILIDADES DOS USUÁRIOS HÍBRIDOS.
Sarah Lorenzon Ferreira
Universidade de São Paulo
Escola Politécnica
Av. Prof. Luciano Gualberto, trav.3, n.380
Cidade Universitária. São Paulo, SP  Brasil
sarah.ferreira@poli.usp.br
RESUMO

O artigo visa tecer algumas reflexões sobre quais os novos serviços que estão se
desenvolvendo, ou precisam ser desenvolvidos nas bibliotecas acadêmicas que
oferecem cursos de Educação a Distância (EAD). A pesquisa é bibliográfica e
deu-se pela leitura de textos para acompanhar estas mudanças e pontuar os
serviços virtuais aos novos usuários e profissionais que fazem parte desta nova
modalidade de novas relações humanas e relações com o conhecimento. O
bibliotecário deverá ser o gerenciador do mundo virtual/digital, trabalhando em
equipes multidisciplinares, manipulando, disseminando e utilizando as novas
tecnologias da informação para redefinir tarefas antigas. Deverá ser a interface do
professor nos diversos cursos a serem aplicados e um grande parceiro no
desenvolvimento de projetos de ensino a distância. Pois, qualquer que seja a
forma adotada na disseminação e tratamento da informação, o bibliotecário estará
presente em sua organização. A biblioteca não pode ser vista como um
instrumento estático por se tratar de uma instituição dinâmica; diante disso, a
pesquisa visa pontuar, em um primeiro momento, como o bibliotecário prático
reflexivo está atuando como mediador da informação, e quais as competências e
habilidades requeridas aos usuários híbridos.
Palavras-chave: Educação a distância. Serviços da Biblioteca. Bibliotecário
prático reflexivo. Usuários híbridos.

1 INTRODUÇÃO

A Educação a Distância (EAD) revigorou-se nessa última década em
função, principalmente, do surgimento das novas tecnologias de comunicação
mediada por computador em rede, mais precisamente, com a popularização da
Internet. É uma modalidade que permite ampliar a oferta de educação,
complementando-a na sua forma tradicional dada nas salas de aula, permitindo
aos

estudantes

conciliarem

suas

obrigações

profissionais,

familiares

e

�educacionais, possibilitando idealmente estudar onde, quando e como for
possível, uma vez realizada através da mediação de meios e tecnologias
apropriadas.

A EAD se destina a atender uma grande demanda de aprendizagem de um
público que por razões variadas não pode assistir às aulas presenciais. De acordo
com Rama apud Marques (2003, p.4),
A única possibilidade de ampliar na América Latina e no Caribe, a
cobertura da educação superior é a partir do desenvolvimento da
educação virtual. As limitações de investimentos públicos
restringem o acesso ao ensino superior, assim como as restrições
financeiras das próprias famílias, as dificuldades impostas pelo
trabalho e as distâncias físicas.

No curso à distância o aluno tem como principal e fundamental
necessidade a aprendizagem, enquanto que o professor exerce o papel de
coordenador do processo, buscando propiciar a integração dos alunos e
planejando / desenvolvendo atividades que facilitem o aprendizado.

Existem outros papéis no contexto de EAD, dos quais podemos citar o
administrador (que visa o perfeito funcionamento do curso); o monitor (que tem a
função de "filtrar" dentre as mensagens recebidas, aquelas de natureza restrita ao
tema do curso ou disciplina e as de natureza mais técnica, tais como instalar /
utilizar / configurar um software) e o suporte (administrativo - desempenhado pela
secretaria do curso; e técnico  que se preocupa com a gerência de recursos).

De acordo com Souto (2002, p.14) "o EAD com qualidade é resultado de
diversos fatores, dentre os quais, o acesso à informação complementar

que

desempenha um papel significativo". É justamente baseado nesse fator que
devemos defender a interação entre Biblioteca, Bibliotecário e Ensino a Distância.
Em um curso presencial o aluno necessita do contato com o professor, com a
secretaria e com a biblioteca.

�As bibliotecas, de certa forma, sempre colaboraram com a educação
continuada facilitando o acesso às diferentes fontes de informação, onde os
profissionais que ali

atuam confrontam-se

com novas

perspectivas de

atendimento às necessidades de seus usuários. Além de atender usuários in loco,
passa-se a atender, também através do teletrabalho (realizado a distância). Como
se diz, não é de hoje que estes profissionais atuam a distância, pois, durante
muitos anos atividades como atendimento por telefone ou por correio já eram
prestados.

Muitos dos recursos que seriam úteis aos usuários de ensino à distância já
foram desenvolvidos ou estão em fase de desenvolvimento. Estes serviços
incluem acesso aos catálogos on line, acesso a bases de dados bibliográficos e
referenciais. E, obviamente existem serviços para serem expandidos para atender
às necessidades do ensino a distância. Os estudantes off-campus necessitam
tanto de orientações quanto de informações adicionais como qualquer aluno oncampus. Blattman e Dutra (1999, p.2) valorizam a função da biblioteca e do
bibliotecário no processo de ensino/aprendizagem e falam que:
Pode-se dizer que as bibliotecas preenchem as lacunas existentes
no ensino tradicional e a vida real, onde são apreendidas lições
fundamentais, nestes ambientes ocorre a possibilidade do
aprendizado social-interativo. Nota-se que os bibliotecários
auxiliam os educadores a localizarem as informações que são
necessárias desde publicações até listas de organizações
importantes, portanto, o bibliotecário desempenha um papel
coadjuvante no processo de ensino / aprendizagem.

No contexto contemporâneo da sociedade da informação, várias iniciativas
de modernização das instituições se anunciam para dar conta das mudanças e
dos impactos usados pelo uso intensivo das tecnologias, particularmente as da
informação e da comunicação.

As universidades e bibliotecas que chegarem a adotar, em tempo hábil, as
estratégias mais apropriadas para o ingresso nesse novo cenário, mais
rapidamente desenvolverão suas competências para responder às expectativas

�das novas formas de gerenciar o conhecimento e de modernizar os processos
educacionais para atender a qualidade e a quantidade demandada.

Os cursos de educação a distância vêm se expandindo desde 1999 pelas
instituições públicas e privadas. Sabemos que as novas tecnologias são
fundamentais para o exercício dessa atividade, assim como também acreditamos
na importância da participação do bibliotecário colaborando e oferecendo suporte
às atividades de pesquisas dos usuários off-campus.

A tecnologia da informática surge como grande auxílio ao bibliotecário em
suas atividades, mas exige mudanças na função e no papel do profissional da
informação. (SANTOS, 2001, p.4). Cada vez mais, o profissional da informação,
tem maiores oportunidades de ser um multiplicador de suas funções tendo em
vista as várias direções que podem ser seguidas, quando nos referirmos a
tratamento e disseminação da informação.

Por se tratar de uma instituição dinâmica, cuja matéria prima - a informação
- também é de natureza dinâmica, a biblioteca não pode ser vista como um
instrumento estático. Por isso, há a necessidade de um bibliotecário, seja no
ambiente tradicional ou digital, atuando como mediador da informação (buscas
personalizadas, seleção de links e disponibilização de conteúdo) ou facilitador
para a sua localização (treinamento, tutoriais).

Assim, o artigo tem como finalidade apontar quais novos serviços estão se
desenvolvendo, ou precisam ser desenvolvidos para fazer parte desta nova
modalidade de novas relações humanas e novas relações com o conhecimento.
Pois, se o objetivo é investir em educação virtual, teremos que acompanhar estas
mudanças e começar a oferecer serviços virtuais aos novos usuários.

2 O BIBLIOTECÁRIO PRÁTICO REFLEXIVO

�Podemos definir o Bibliotecário prático reflexivo como sendo o profissional
que consegue reconhecer que o processo de aprender é constante, não termina
com seu curso de formação, pois a reflexão permite que o profissional reformule
sua prática, sempre em busca de uma melhor qualidade informacional.

Segundo John Dewey apud Zeichner (1993), para que a ação reflexiva seja
possível

são

necessárias

três

atitudes:

1.

abertura

de

espírito;

2.

responsabilidade; 3. sinceridade. Adaptando estas atitudes ao profissional
bibliotecário podemos dizer da seguinte forma:

1.

Abertura de espírito: relaciona-se com a aceitação de que o erro é

possível; e o que se pode fazer para melhorar a qualidade de seus serviços;
2.

Responsabilidade: refere-se ao compromisso que o bibliotecário tem

com a sua função;
3.

Sinceridade: juntando-se aos componentes acima citados, o

bibliotecário reflexivo deve ser responsável pela sua própria aprendizagem.

Castro (2005) afirma que:
Na sociedade atual, o ensino e a prática da biblioteconomia têm
sido conduzidos, ao nosso ver, pelo imediatismo das relações e
pelo atendimento dos condicionantes do mundo do trabalho
incerto e mutante. Onde o processo de ensino e aprendizagem
pouco estimula a capacidade dos bibliotecários em formação a
absorverem as mudanças teóricas, técnicas e tecnológicas de
maneira crítica e consciente.

Assim, o processo de ensino e aprendizagem se efetiva através de uma
dinâmica onde os saberes e as práticas estão em fluxo contínuo de
(re)significação, ou seja, adaptam-se às necessidades presentes e futuras dos
aprendizes. Ainda, conforme Castro (2005),
A finalidade da educação escolar do bibliotecário na sociedade
atual - tecnológica e globalizada  é contribuir para que os alunos
desenvolvam habilidades e competências na operalização dos
conhecimentos científicos e tecnológicos com sabedoria.

�Isto significa a capacidade de analisá-los, confrontá-los e contextualizá-los.
Capacidade que busca formar um profissional capaz de refletir na ação, de modo
a ressignificar sua prática cotidiana.
A formação de profissionais reflexivos pressupõe a construção de
competências que lhe permitam integrar sua área específica sem
perder a visão da totalidade e, sobretudo, refletir sobre o presente
e o futuro da prática bibliotecária (CASTRO, 2002, p.190).

Sendo assim, as tecnologias quando utilizadas pelos bibliotecários, de
maneira

consciente

e

crítica,

oferecem

múltiplas

possibilidades

de

desterritorialização das suas práticas e da instituição biblioteca.
Devemos ter consciência da nossa responsabilidade, pois o
bibliotecário será o mediador entre o real e o virtual. Qualquer que
seja a forma adotada na disseminação e tratamento de
informações, o bibliotecário, obrigatoriamente estará presente em
sua organização (SANTOS, 2001, p.9).

3 O USUÁRIO HÍBRIDO

Com o advento da internet, novas perspectivas de atendimento surgiram
aos profissionais da informação que atuam em bibliotecas acadêmicas. As
bibliotecas passaram a atender, além dos usuários locais, os usuários a distância,
tornando-se, deste modo, importantes âncoras das instituições de ensino
(TIFFIN; RAJASINGHAM apud BLATTAMANN; DUTRA, 1999, p.2)

Podemos chamar de usuário híbrido o usuário de uma biblioteca híbrida.
Ruch-Feja apud Garcez e Rados (2002), diz que a biblioteca híbrida é a solução
para as necessidades informacionais dos usuários, pois seu acervo deve integrar
acesso a diferentes tecnologias, por meio de diferentes mídias e dessa forma,
fornecer apoio à qualidade da educação.

As bibliotecas acadêmicas estão se deparando com vários tipos de
usuários: os off-campus, os remotos e os presenciais. Todos têm necessidades

�de contato com as bibliotecas convencionais e seus recursos para facilitar e
concretizar suas pesquisas locais, pois o meio impresso ainda é o mais
abrangente, mais rico e seguro em relação ao meio digital. Mas, em contrapartida,
o meio digital possibilita acesso mais rápido e menor custo na obtenção da
informação. Por esse motivo, segundo Garcez e Rados (2002, p.45),
O conceito de biblioteca híbrida parece ser o mais adequado para
satisfazer as atuais necessidades informacionais de transição
pelas quais as bibliotecas convencionais vêm passando, e ela
vem conciliar os tipos de atividades desenvolvidas pelos cursos a
distância.

De acordo com a literatura que aborda a questão da educação a distância,
conclui-se que os usuários off-campus não têm conhecimento das formas de
recuperação digital, e da importância do suporte que é oferecido pelas
Bibliotecas.

De uma forma geral, para as bibliotecas acadêmicas darem suporte ao
ensino a distância, os bibliotecários devem repensar sua missão, atentando para
as expectativas dos usuários a distância, incluindo serviços mais personalizados
que os normalmente oferecidos. Devem apoiá-los com informações em formatos
convencionais e não convencionais, documentos eletrônicos, auxílio técnico para
navegação na Web, acesso rápido, confiável e seguro às redes da Instituição,
serviços de orientação à pesquisa, entrega rápida de documentos utilizando a
transmissão eletrônica. Iniciativas como parcerias e consórcios com bibliotecas
próximas de onde se encontram os alunos off-campus são importantes.

Os bens e serviços bibliotecários devem estar no planejamento dos cursos
a distância e estarem disponíveis de maneira compatível com as necessidades
dos seus usuários, contribuindo assim com o desenvolvimento das competências
e habilidades de seus usuários híbridos e/ou totalmente a distância.
4 RECURSOS DESEJÁVEIS NAS BIBLIOTECAS PARA DAR SUPORTE AOS
USUÁRIOS HÍBRIDOS

�De acordo com Ferreira (1998), suporte é aquilo que suporta ou sustenta
alguma coisa; aquilo em que algo se firma ou assenta. Daí a importância do
suporte nos cursos a distância.

Segundo Martins (2003) o aluno do curso a distância tem no correio
eletrônico e no chat as principais ferramentas para a comunicação com o
professor, com os colegas e a secretaria. A videoconferência gradativamente está
sendo inserida neste processo de comunicação. Recursos mais tradicionais como
o telefone ou fax não podem ser descartados. O suporte entra nas brechas que a
relação a distância acaba criando, tentando cobrir todas as deficiências da
comunicação entre os documentos do curso.

Para Rusbridge apud Garcez e Rados (2002), as bibliotecas híbridas
devem propiciar uma vasta gama de interfaces, incluindo diferentes tipos e
formatos de informação para contribuir com o suporte ao ensino a distância.
Assim, pontuamos abaixo alguns serviços virtuais e presenciais desejáveis em
uma biblioteca híbrida:

•

Online Public Access Catalogue  OPAC local (telnet/web);

•

Curl Online Public Access Catalogue  COPAC  catálogo unificado
(telnet/web), isto é, participação em consórcios, pois permite que
uma comunidade acadêmica use os recursos bibliotecários de
outras instituições, locais e regionais;

•

Catálogo regional virtual unificado (Web);

•

CD-ROMs e disquetes off-line;

•

CD-ROMs de redes;

•

Serviços completos de textos;

•

Sistemas de reservas eletrônicas;

•

Grupos de dados remotos nos centros de dados comunitários;

•

Grupos de dados remotos em outras universidades;

•

Grupos de dados remotos comerciais;

•

Grupos de dados locais, por exemplo, bibliografias, coleções de
panfletos e arquivos;

�•

Documentos locais, baseados na Web, de bibliotecas e instituições;

•

Portais locais de recursos da Web;

•

Portais remotos da web de matérias/recursos;

•

Recursos remotos da Web;

•

Livros eletrônicos, locais e remotos;

•

Livros: para empréstimo, para referências e disponíveis para
empréstimos entre bibliotecas;

•

Jornais impressos;

•

Coleções especiais, mapas, slides, gravações de áudio e vídeo.

A integração destas mídias é muito importante para suprimir a
incompatibilidade existente entre as fontes de informações. Conforme menciona
Moss apud Blattmann e Dutra (1999) referente aos serviços específicos aos
usuários off-campus, estão os seguintes:

-

auxiliar educandos a distância a localizar material específico;

-

auxiliar os usuários a identificar recursos próximos à sua residência;

-

desenvolver estratégias de pesquisa com os aprendizes;

-

providenciar o auxílio do empréstimo interbibliotecário e a entrega de
documentos respeitando as leis dos direitos autorais;

-

auxiliar usuários na definição das necessidades informacionais;

-

providenciar orientação/instrução na tecnologia da informação e
telecomunicações.

5 O ENSINO A DISTÂNCIA NA ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE
DE SÃO PAULO

De acordo com Reis e Sadi (1999, p.34)
As bibliotecas da Usp já oferecem aos seus usuários produtos e
serviços informacionais automatizados, tendo desenvolvido uma
cultura organizacional no uso de tecnologias de informação que
lhes dá condições de assumir o desafio representado pelo
atendimento aos alunos dos cursos de EAD, de forma eqüitativa.

�Diante dos pontos considerados no capítulo anterior e, dentro da proposta
de uma biblioteca híbrida, a DivBibl - Divisão de Biblioteca da Escola Politécnica
possibilita através de sua homepage o acesso ao seu acervo e a outros serviços.
É possível observar que ela já se tornou uma biblioteca híbrida, por atender
atualmente várias categorias de usuários.
Assim, apresenta-se abaixo a estrutura e organização dos serviços e
informações constantes na homepage da Divisão de Biblioteca da Escola
Politécnica:

•

Link para suas oito bibliotecas, sendo uma central e sete setoriais;

•

Acesso à informação:
Conjunto de bases de dados, disponíveis para:
•

Acesso regulamentado - a partir de equipamentos
existentes nos campi da USP;

•

Acesso público - a partir de quaisquer equipamentos,
inclusive externos a USP.

Catálogos coletivos: CCN e CIN/CNEN
Dedalus Global  catálogo online que abrange o acervo da Usp
Dedalus EP  catálogo online que abrange o acervo da EP
Periódicos eletrônicos: Os recursos eletrônicos estão disponíveis
para a comunidade USP e usuários das
bibliotecas de acordo com contratos de
licença, firmados junto aos fornecedores.
Qualis: Classificação de periódicos, anais, jornais e revistas - é o
resultado do processo de classificação dos
veículos utilizados pelos programas de pósgraduação para a divulgação da produção
intelectual de seus docentes e alunos.
CenDoTec: Centro Franco-brasileiro de Documentação Técnica e
Científica - tem como objetivo estimular as

�cooperações bilaterais e regionais no âmbito
da ciência e da tecnologia.
•

Serviços
Fornecimento de cópias: Obtenção de cópias de documentos não
disponíveis

em

seu

acervo,

participando

de

convênios e consórcios com entidades nacionais e
internacionais. No Brasil são: Comut e Rebae. No
exterior são: AUP/IFLA, British Library, Istec
Empréstimos: Empréstimo local (disponível para toda a comunidade
da Epusp) e EEB (Empréstimo entre Bibliotecas permite à comunidade POLI, ter acesso a obras
existentes em acervos das Bibliotecas da USP e de
outras instituições).
Orientação aos usuários: O usuário das Bibliotecas da Epusp conta
com assistência e orientação de seus profissionais
no uso dos recursos informacionais existentes.
Pedidos de ficha catalográfica: A ficha catalográfica (catalogação na
fonte, obrigatória para efeito de depósito legal.
Pedidos de Cópias/Orçamento
Pedidos de Compra: Para solicitar a aquisição de novas obras para
o acervo da Biblioteca da área do usuário.
Fale conosco: para resolver dúvidas, questões, solicitar pesquisas
bibliográficas em bases de dados, ou obter maiores
informações sobre a Divisão de Biblioteca.
•

Participação em consórcios e redes cooperativas. Ex.: Cruesp
Bibliotecas

•

Publicações on-line:
Da

Divisão

de

Biblioteca:

Novas

aquisições;

Teses

incorporadas; Dicas para os novos alunos; Diretrizes
para a apresentação de Teses e Dissertações,
Regulamentos
publicações.

de

Consulta

e

empréstimo

de

�Da Escola Politécnica: Produção em Iniciação científica;
Publicações PCC; Revista PCS; Revista Politécnica;
Revista Produção; Boletim do NUDI.

Para a consulta ao acervo de livros, seriados, teses e dissertações,
produção docente e outros materiais é utilizado o Banco de Dados DEDALUS,
que possibilita a consulta via Web, através do software Aleph.

O acesso às bases de dados bibliográficas internacionais com texto
completo, é possibilitado pela Biblioteca Virtual do Sistema Integrado de
Bibliotecas da Usp (SibiNet), através de programas cooperativos e de
racionalização, com o estabelecimento de políticas, compartilhamento de recursos
e normalização de procedimentos, no âmbito das bibliotecas da USP.

É necessário um esforço conjunto da Administração Geral, dos cursos de
pós-graduação e da Biblioteca para garantir esses serviços, estabelecendo
políticas e diretrizes que norteiem a participação da biblioteca no processo de
implantação dos cursos de EAD, juntamente com professores e administradores
(REIS e SADI, 1999, p. 34).
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERENTE A ATUAÇÃO DA BIBLIOTECA
NOS PROGRAMAS DE EAD

Diante de toda a bibliografia levantada referente ao envolvimento do
Bibliotecário junto aos cursos de EAD, são nítidos os benefícios que a biblioteca
pode oferecer para essa nova modalidade de ensino e percebe-se que existe
pouco reconhecimento do papel que a Biblioteca e o Bibliotecário exercem no
apoio à qualidade da educação ou no desenvolvimento das habilidades de
aprendizagem continuada.

Para o sucesso de um projeto de Ensino à Distância, acredita-se ser
necessário

que

o

canal

de

comunicação

bibliotecário-usuário

esteja

permanentemente aberto, pois é através deste profissional da informação que o

�aluno virtual conseguirá uma assistência para aquisição de material informacional
complementar.

O bibliotecário deverá ser o gerenciador do mundo virtual/digital,
trabalhando em equipes multidisciplinares, manipulando e disseminando as novas
tecnologias da informação, utilizando as novas tecnologias para redefinir tarefas
antigas. Deverá ser a interface do professor nos diversos cursos a serem
aplicados e um grande parceiro no desenvolvimento de projetos de ensino a
distância pois, qualquer que seja a forma adotada na disseminação e tratamento
da informação, o bibliotecário estará presente em sua organização.

THE REFLEXIVE PRACTICAL LIBRARIAN IN THE DEVELOPMENT OF THE
COMPETENCE AND ABILITIES OF THE HYBRID USERS

ABSTRACT
The article aims to weave some reflections about the new services that are being
developed or they need to be developed at the academic libraries that they offer
courses of Long-Distance Education (EAD). The research is bibliographical and
was given for the reading of texts to follow these changes and to identify the virtual
services for new users and professionals who belong to this new modality of new
human relations and the relations with knowledge. The librarian must be the
virtual/digital worlds manager working to multidisciplinaries teams, manipulating,
spreading and using new informations technologies to redefine old tasks. Theyll
supposed to be the interface of the professor in the several courses thats going to
be applied and a great partner for the plans s education development to distance.
Therefore, wherever be the adopted form in the dissemination and treatment of the
information, the librarian will supposed to be in his organization. The library cannot
be seen by static instrument for dealing with a dynamic institution; ahead of this,
the research aims to shows it at a first moment, as the reflexive and practice
librarian is acting as mediating of the information, and which the competence and
abilities required to the hybrid users.
Key words: Distance Education. Library Services. Reflexive Practical Librarian.
Hybrid Users.

REFERÊNCIAS

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com a educação a distância. São Paulo: Associação Paulista de Bibliotecários,
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1517-2539. Disponível em: &lt;
http://143.106.58.55/revista/include/getdoc.php?id=111&amp;article=39&amp;mode=pdf.&gt;.
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&lt;http://www.abed.org.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm&gt;. Acesso em: 15
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REIS, M.G.C.; SADI, B.S.C. Produtos e serviços de informação disponíveis
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a Distância. 1999. 44 p. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização) 
Sistema Integrado de Bibliotecas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1999.

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convivência da informação impressa, virtual e digital no séc. XXI: o perfil dos
profissionais de informação diante das tecnologias para auxílio no Ensino à
Distância. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE ENSINO À DISTÂNCIA, 8.
2001. Brasília. Anais eletrônicos. Brasília: ABED, 2001. 10 p. Disponível em
&lt;http://www.abed.org.br/congresso2001/index.html&gt;. Acesso em: 04 out. 2001.

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distância: crítica ao princípio de autonomia para aprendizagem e busca de
informações. Educação Temática Digital. Campinas, v.3, n.2, p.11-18,
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jun.00. Disponível em: &lt;http://www.bibli.fae.unicamp.br/revtic/com02ead&gt;.
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                <text>O artigo visa tecer algumas reflexões sobre quais os novos serviços que estão se desenvolvendo, ou precisam ser desenvolvidos nas bibliotecas acadêmicas que oferecem cursos de Educação a Distância (EAD). A pesquisa é bibliográfica e deu-se pela leitura de textos para acompanhar estas mudanças e pontuar os serviços virtuais aos novos usuários e profissionais que fazem parte desta nova modalidade de novas relações humanas e relações com o conhecimento. O bibliotecário deverá ser o gerenciador do mundo virtual/digital, trabalhando em equipes multidisciplinares, manipulando, disseminando e utilizando as novas tecnologias da informação para redefinir tarefas antigas. Deverá ser a interface do professor nos diversos cursos a serem aplicados e um grande parceiro no desenvolvimento de projetos de ensino a distância. Pois, qualquer que seja a forma adotada na disseminação e tratamento da informação, o bibliotecário estará presente em sua organização. A biblioteca não pode ser vista como um instrumento estático por se tratar de uma instituição dinâmica; diante disso, a pesquisa visa pontuar, em um primeiro momento, como o bibliotecário prático reflexivo está atuando como mediador da informação, e quais as competências e habilidades requeridas aos usuários híbridos.</text>
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                    <text>O CAMINHO HISTÓRICO PERCORRIDO PELO LIVRO NA PRESERVAÇÃO DO
CONHECIMENTO: DO MANUSCRITO AO DIGITAL
Adriana de Moura Gasparino
Bacharel em Biblioteconomia, Estudante de Pósgraduação em Biblioteca Escolar
E-mail: adrianagasparino@yahoo.com.br

Andréia Nunes de Deus
Bacharel em Biblioteconomia, Estudante de Pósgraduação em Biblioteca Escolar
E-mail: anddeus@yahoo.com.br

Joselanda da Silva Batista1
Bacharel em Biblioteconomia, bibliotecária da
FUCAPE – Fundação Instituto Capixaba de Pesquisas
em Contabilidade, Economia e Finanças, Brasil.
E-mail: joselandabatista@yahoo.com.br

RESUMO
Relatar as diversas formas de preservação do conhecimento, percorrendo e
analisando a jornada histórica do livro, manuscrito ao digital, é a finalidade do
presente artigo. Utilizando pesquisa bibliográfica e análise de literatura
especializada, buscou-se delinear a trajetória do livro do século XV até os dias
atuais, quando surgiram novas mídias e novas formas de leitura e,
conseqüentemente, novos leitores. A partir disso, observou-se que, independente
dos tipos de suportes utilizados, o homem sempre se preocupou em assegurar a
disseminação e a preservação do conhecimento através dos tempos, pois este
serve de base para a criação e o aperfeiçoamento de novas tecnologias,
constituindo-se na mola propulsora de transformações e mudanças na sociedade.
Palavra chave: Preservação do conhecimento; Revolução tecnológica; Livro digital;
Sociedade do conhecimento.

1

Endereço das autoras: Av. Fernando Ferrari, nº 1358, Bairro: Boa Vista – Goiabeiras, Vitória, ES, Brasil.
CEP: 29075-010.

�INTRODUÇÃO
[...] a memória da escrita pode coexistir independente do tempo e do
advento tecnológico, isto é, como na era digital a tradição manuscrita
pode ser divulgada e até mesmo preservada por esta nova propriedade
de se comunicar. (BRANDÃO, 2005, p. 1).

Percorrendo e analisando a jornada histórica do livro através do tempo e a sua
importância na estruturação das sociedades e na formação intelectual do homem,
constatamos ser ele, até hoje uma importante fonte de transmissão do
conhecimento.
No decorrer dos séculos, o homem sempre se preocupou em preservar e
disseminar o conhecimento, o que vem refletindo e provocando mudanças no
cotidiano das pessoas.
A representação do conhecimento através de “publicações eletrônicas”
não significa abandonar um legado do homem: o livro. E várias são as
iniciativas já registradas no sentido de sua preservação, não só como
patrimônio cultural, mas também como fonte de informação de estudos e
pesquisas [...] (RODRIGUES, 2000, p. 7, grifo do autor)

Para melhor compreensão do tema e esclarecimento dos fatos, foi elaborada
extensa pesquisa bibliográfica em livros, periódicos eletrônicos, impressos, entre
outros, onde se constatou a relevância da presença do livro em todo percurso
histórico da humanidade.
[...] pode-se dizer que o livro é essencialmente um instrumento cultural de
difusão de idéias, transmissão de conceitos, documentação (inclusive
fotográfica e iconográfica), entretenimento ou ainda de condensação e
acumulação do conhecimento. A palavra escrita venceu o tempo, e o livro
conquistou o espaço (WEBER, 2004, p. 8).

Com esta perspectiva, o trabalho apresentado evidencia que a preservação do
conhecimento em muito tem contribuído para a vida social e intelectual do homem,
possibilitando

grandes

transformações.

As

inovações

advindas

deste

conhecimento mostram que um longo caminho foi percorrido, mas o homem, em
sua capacidade intrínseca e insubstituível tem procurado se aperfeiçoar sempre.

�LIVRO E LEITURA
Para se entender a história do livro, é preciso primeiro entender a historicidade do
leitor e das formas de leitura, passando pela leitura oral até a silenciosa, do leitor
intensivo ao extensivo até a segunda metade do século XIX, quando acontece
uma verdadeira “Revolução da Leitura”, com a invenção da imprensa e o
crescimento do mercado editorial. Apesar de alguns historiadores discordarem do
fato, Belo descreve em seu livro duas formas de ver o mesmo acontecimento, ele
expõe as idéias de Elizabeth Eisenstein, que defende a idéia de que a imprensa
foi fonte de transformação cultural e intelectual, “[...] ela multiplicou o número de
textos em circulação, tornou-os mais baratos e acessíveis, permitiu a cada leitor
ler mais obras e a cada obra chegar a mais leitores” (BELO, 2002, p. 23.), e
também as idéias de Roger Chartier, para quem “a invenção da tipografia não
revolucionou a forma do livro, nem o seu conteúdo, nem a maneira de ler”. (BELO,
2002, p. 29), Chartier defende a idéia de que o livro já existia antes da invenção da
tipografia, quando era manuscrito e o que era importante nele permaneceu depois
da referida invenção.
[...] a transformação não é tão absoluta como se diz: um livro manuscrito
(sobretudo nos seus últimos séculos, XIV e XV) e um livro pós-Gutenberg
baseiam-se nas mesmas estruturas fundamentais – as do Códex. Tanto
um quanto outro são objetos compostos de folhas dobradas um certo
número de vezes, o que determina o formato do livro e a sucessão de
cadernos. Estes cadernos são montados, costurados uns aos outros e
protegidos por uma encadernação. A distribuição do texto na superfície
da página, os instrumentos que lhe permitem as identificações
(paginação, numerações), os índices e os sumários: tudo isto existe
desde a época do manuscrito. Isso é herdado por Gutenberg e, depois
dele, pelo livro moderno (CHARTIER, 1998, p. 7)

Entretanto, observando a história e a história do livro, aprendemos que o homem
vem cumprindo etapas de desenvolvimento na forma de leitura e escrita. Weber
(2004, p. 8) afirma que a “[...] história do livro confunde-se, em muitos aspectos,
com a história da humanidade”. E Greenspan (apud BELO, 2002, p. 37) realiza de
forma clara e sucinta uma síntese sobre a história do livro e das formas de
comunicação, segundo ele a história do livro abrange:

�[...] toda a história da comunicação escrita: a criação, a disseminação, os
usos do manuscrito e do impresso em qualquer suporte, incluindo livros,
jornais, periódicos, manuscritos e outros objetos impressos de vida
efêmera.

Quando se estuda a história do livro e da leitura é fácil notar que o homem
progrediu sempre, contudo, sem perder os laços com o passado. Primeiro foi a
leitura oral, em praça, depois a leitura silenciosa, realizada quase sempre em
particular. Conforme os autores pesquisados, a leitura passou por três grandes
revoluções através dos séculos: a primeira entre os séculos XII e XIII, quando ela
era instrumento de trabalho intelectual dos clérigos e professores; a segunda no
século XVIII, com o leitor intensivo, aquele que lê e relê o mesmo texto ou livro
várias vezes, e o leitor extensivo, aquele que lê a maior quantidade possível de
livros, mas com olhar crítico; e a terceira no século XX com a transmissão
eletrônica e a propagação das novas mídias e formatos de textos.
[...] com a digitalização crescente de textos e imagens, artigos, jornais,
revistas ou livros inteiros, o que anteriormente apenas podia ser lido na
forma impressa pode agora, complementarmente ou em alternativa, ser
lido numa tela de computador, seja pela Internet, em um CD-ROM, ou em
outro aparelho que permita a leitura em suporte digital (BELO, 2002, p.
18).

Com o passar do tempo verificamos que o livro foi se modificando, de acordo com
a época, a sociedade e as tecnologias disponíveis, nosso próximo passo será
estudar o que está sendo feito para preservar o conhecimento, tanto o contido nos
livros, quanto em seus mais variados suportes.

PRESERVAÇÃO DO CONHECIMENTO E REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA
Dos tempos mais remotos até os nossos dias, o homem em geral teve a
necessidade de registrar as suas vivências, com o propósito de perpetuar o
conhecimento adquirido. Utilizando os mais variados suportes para se expressar,
o homem, em diferentes épocas, tentou compartilhar suas experiências. A
memória cultural da humanidade permite que sociedades posteriores sejam
enriquecidas com o conhecimento de seus antepassados. O desenvolvimento
intelectual do homem tendo como base o acúmulo e a preservação do

�conhecimento demonstra o quanto é importante registrar os acontecimentos que
são válidos para uma posterior análise.
Por ser direito de cada integrante da sociedade ter acesso à informação ou ao
conhecimento, é papel das autoridades responsáveis esforçarem-se para efetivar
a democratização desse acesso. No mundo globalizado dos nossos dias, diversos
são os veículos de transmissão de conhecimento, tornando-se necessária uma
reflexão sobre a adequação do instrumento para cada situação vivenciada. Na
época do advento da imprensa, quando estudamos a história, verificamos que
existia escassez de informação ou de acesso, hoje, vivenciamos o contrário, as
pessoas se vêem bombardeadas por informações, em todas as mídias, a
comunicação de massa cria o excesso de informação, que nem sempre são
relevantes, ficando por conta do usuário a seleção do que realmente lhe interessa
– nesse espaço cabe a atuação do bibliotecário, freqüentemente solicitada.
Desde o surgimento do livro impresso, muitas polêmicas foram levantadas, em
especial, depois da criação das novas tecnologias e dos novos formatos
eletrônicos, gerando a especulação sobre o desaparecimento do livro.
Uma perspectiva histórica permite-nos começar por compreender que a
inquietação com o futuro do livro não é um fenômeno novo. O sentimento
de que o livro estava ameaçado apareceu pela primeira vez na segunda
metade do século XIX, no momento em que, por razões econômicas,
culturais e tecnológicas, a leitura dos jornais se popularizou, chegando as
novas franjas de leitores que não liam livros habitualmente (BELO, 2002,
p. 20).

A revolução tecnológica tão alardeada pela história da humanidade proporcionou
uma gama enorme de possibilidades à sociedade. Para entendê-la se faz
necessário, portanto, o aprofundamento nos estudos da leitura em diferentes
épocas. Com a tipografia, o livro manuscrito no seu trabalho artesanal foi
substituído, cada vez mais, pela presteza das máquinas e pela inteligência do
computador, mas esta transformação não se deu de forma tão automática e
imediata como se pensa. Observamos que toda inovação necessita de tempo para
a assimilação das transformações provocadas, com a imprensa não foi diferente, a
sociedade demorou a assimilar e aprender a usar essa nova tecnologia. Alguns

�dos suportes advindos da invenção de Gutenberg, séc. XV, tais como: a máquina
de escrever, o telex, o computador e as redes eletrônicas, dentre outros, afetaram,
ao longo do tempo, a forma como se deu a disseminação do conhecimento.
Disseminar, preservar e transmitir conhecimento é papel da biblioteca, como órgão
de preservação histórica, ela deve estar sempre inserida em todos os contextos da
sociedade e, deve ainda, possuir todos os suportes e tecnologias para serem
utilizadas.
Sei que as bibliotecas têm que oferecer uma multiplicidade de atividades
porque lidamos com o mundo da carência. Sei que em cada cafundó dos
Judas, só há aquela salinha. Que aquele é o único lugar onde a cultura
pode acontecer. E que por isso é preciso ter os bonecos, ter o teatro, é
preciso pôr um vídeo lá. É bom chamar a população para uma festa
junina, porque lê é o único lugar. Mas ela é o lugar privilegiado do acesso
a essa coisa extraordinária que é a doação do pensamento (CHAUÍ,
1993, p. 7).

Uma das características da biblioteca tradicional, reconhecida como uma
instituição social preexistente à imprensa, é que o seu acervo, na maioria das
vezes, é constituído de documentos em papel. O profissional bibliotecário deve
estar preparado para o uso das novas mídias e das novas tecnologias.
A descoberta da escrita marca a passagem do homem para um estágio
cultural mais evoluído e o início da história. Desse modo, após três mil
anos de escrita, e quinhentos anos depois da imprensa, surge a
“revolução” do texto eletrônico. A representação eletrônica do livro
modifica totalmente a sua condição: o usuário pode submeter os textos a
múltiplas operações: copiá-los, desmembrá-los, recompô-los, deslocá-los
etc., mais do que isso, pode tornar seu co-autor (RODRIGUES, 2000, p.
1, grifo do autor).

Ocorrida no início do século, a revolução tecnológica veio facilitar a vida das
pessoas, disponibilizando várias ferramentas de acesso à informação e formas de
preservação – digitalização de documentos –. As pessoas passaram de meros
coadjuvantes para possíveis co-autores, pois os textos em formato eletrônico
permitem ao leitor interagir com o autor.

�Nos últimos anos, a colocação de inúmeros textos na Internet ou em
bases de dados digitais disponíveis em bibliotecas, acessíveis a todos,
fez multiplicar as possibilidades de leitura de artigos e obras que estavam
esgotados ou eram difíceis de obter na forma impressa. Desse ponto de
vista, o formato digital representa mesmo uma nova vida para os textos.
Entretanto, se o futuro do livro é incerto, parece cada vez mais claro que
anunciar a sua morte é mais um sintoma da incapacidade para
compreender bem as mudanças em curso do que um diagnóstico
rigoroso do que está acontecendo (BELO, 2002, p. 22).

A digitalização de documentos facilita e agiliza o acesso à informação. Livros que
são considerados obras raras, tanto por sua antiguidade, quanto pelo fato de
poucos exemplares existirem, com a digitalização podem ser lidos por qualquer
pessoa, em qualquer lugar do mundo, em qualquer hora do dia ou da noite. Até a
barreira do idioma e do tempo deixa de ser empecilho na busca do conhecimento.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
[...] o texto existe em si mesmo, separado de qualquer materialidade,
devemos lembrar que não existe texto fora do suporte que permite sua
leitura (ou da escuta), fora da circunstância na qual é lido (ou ouvido). Os
autores não escrevem livros: não, escrevem textos que se tornam objetos
escritos – manuscritos, gravados, impressos e, hoje, informatizados –
manejados de diferentes formas por leitores de carne e osso cujas
maneiras de ler variam de acordo com as épocas, os lugares e os
ambientes (CAVALLO, 2002, p. 9).

O livro, independente da sua forma de apresentação, foi e continuará sendo, por
muito tempo, fonte de conhecimentos e transmissão de informações, o que
permite, aos indivíduos, com a sua assimilação, assumir novos papéis, novas
formas de pensar, que poderá transformá-los, influenciando na sua qualidade de
vida provocando mudanças nos aspectos: social, intelectual, ou até mesmo,
financeiro.
Antes, o acesso aos livros e, conseqüentemente, ao conhecimento, era
monopolizado por alguns, o que lhes garantia a detenção do poder, em detrimento
de muitos, caracterizando uma relação de submissão. Com a invenção da
imprensa e os avanços tecnológicos a facilidade de acesso a essas informações
foi garantida a todos, pois o barateamento do livro e a sua disseminação em
outros tipos de suportes, puderam chegar a todo o tipo de leitor, permitindo uma

�maior distribuição do conhecimento neles contido e, com isso, uma melhor
avaliação dos acontecimentos ocorridos em seus contextos – o que antes lhes era
negado – aumentando o seu poder de entendimento do seu papel na sociedade.
Com a democratização da leitura foram criadas as bibliotecas públicas e
particulares e isso possibilitou aos leitores, ter o livro em sua própria casa.
A preconização do desaparecimento do livro, devido ao aparecimento dos
suportes eletrônicos, pode ser considerada pura especulação, pois vivemos em
uma época em que a tecnologia impera, mas que a diversidade de gostos e poder
de acesso fazem com que as pessoas procurem as informações em seus mais
diferentes suportes. Cabe aos profissionais que trabalham com o livro e outros
tipos de materiais impressos, procurar o conhecimento e o aperfeiçoamento nos
diferentes suportes que possam ajudar na disseminação do conhecimento.
Podemos observar isso, nas palavras de Chauí (1993, p. 7, grifo da autora):
O livro é precioso. O livro é a experiência do deslumbramento. O primeiro
livro que li, no fundo do interior de São Paulo, num vilarejo que não se
relacionava com nada, foi A Chave do Tamanho. E o mundo se tornou
outro para mim. Quantas crianças poderão ter outro mundo? Por isso,
queria que não se menosprezassem as bibliotecas. Apesar de as
bibliotecas terem que ser um espaço de mil e uma coisas. Porque as
bibliotecas não dão conta nem da riqueza do livro.

A transformação do mundo se dá pela atuação do agente social que é o homem.
Ele tem a capacidade de perceber a si mesmo e às coisas que o rodeiam, o que o
difere de qualquer ser existente, isto lhe é inerente. Ao acumular, preservar e
perpetuar o conhecimento, sendo auxiliado pelas suas relações interpessoais, o
homem adquire novas maneiras de pensar e agir para atender às demandas
oriundas das circunstâncias vividas.

�REFERÊNCIAS
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documentação – citações em documentos – apresentação: NBR 10520. Rio
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WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo:
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                <text>Relatar as diversas formas de preservação do conhecimento, percorrendo e analisando a jornada histórica do livro, manuscrito ao digital, é a finalidade do presente artigo. Utilizando pesquisa bibliográfica e análise de literatura especializada, buscou-se delinear a trajetória do livro do século XV até os dias atuais, quando surgiram novas mídias e novas formas de leitura e, conseqüentemente, novos leitores. A partir disso, observou-se que, independente dos tipos de suportes utilizados, o homem sempre se preocupou em assegurar a disseminação e a preservação do conhecimento através dos tempos, pois este serve de base para a criação e o aperfeiçoamento de novas tecnologias, constituindo-se na mola propulsora de transformações e mudanças na sociedade.</text>
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                    <text>O CLIENTE VIRTUAL: UM NOVO PARADIGMA
RELACIONAMENTO ENTRE OS DOCENTES E
INFORMAÇÃO NA BIBLIOTECA CENTRAL DA UFRPE

PARA MELHORAR O
A DIVULGAÇÃO DA

Suely Manzi
Bibliotecária da Biblioteca Central - UFRPE.
Pós-Graduanda em Marketing,
Recife, Pernambuco - Brasil.
suelymanzi@ig.com.br
sulamanzi@ufrpe.br
Conceição Lopes
Mestre em Comunicação pela UFPE
Bibliotecária do Núcleo do Conhecimento
Biblioteca Central - UFRPE,
Recife, Pernambuco - Brasil.
clopes@ufrpe.br
clopes2005@gmail.com
RESUMO:

O cliente virtual é o objeto e o objetivo primordial deste trabalho que visa a
possibilitar o desenvolvimento de uma mais eficiente integração profissional e
interpessoal, por meio da comunicação eletrônica, otimizando as relações entre o
bibliotecário e o professor da UFRPE, e contribuindo ao avanço das atividades de
pesquisa e ensino. De início, o universo estudado foi o conjunto dos 253 professores
membros dos 14 departamentos da UFRPE, correspondente a 87% do total de
docentes cujo contato foi mediado através dos seus respectivos coordenadores. A
coleta dos dados foi realizada através de questionários encaminhados a esses
destinatários, via Internet. Esta pesquisa possibilitou a Biblioteca Central subsídios
para a partir dos dados obtidos, avaliar a utilização dessa nova tecnologia de
comunicação virtual - em especial, o correio eletrônico como instrumento privilegiado
na relação bibliotecário e docente. As respostas refletiram a cultura organizacional da
UFRPE e tornaram possível identificar, por um lado, os ruídos inerentes ao processo
de comunicação, mas também, por outro, a existência de um clima de empatia e
sinergia entre professor/bibliotecário e vice-versa.
Palavras-chave: Biblioteca Universitária; Comunicação Eletrônica; Cliente Virtual;
Tecnologia da Informação;

�1  INTRODUÇÃO

Explicar as implicações que as novas tecnologias produzem no cotidiano das
organizações, mais especificamente no dia-a-dia da biblioteca universitária, como um
espaço antropológico que se caracteriza como espaço do saber e de inteligência
coletiva (LEVY, 1998, p. 22), onde o homem será o elemento determinante ao
promover o uso das tecnologias da comunicação, constitui a essência deste trabalho.

Nesse sentido, a utilização da comunicação por meio eletrônico pretendeu
alterar a forma de interação com o docente da Universidade Federal Rural de
Pernambuco (UFRPE), a partir do então denominado cliente virtual tomando por
base uma comunicação dinâmica e atualizada através da troca de e-mails entre o
bibliotecário do Setor de Processos Técnicos e esse cliente.

Essa comunicação eletrônica veio redesenhar o paradigma utilizado na
Biblioteca Central (BC) da UFRPE até 2003 na troca de informações, cujos pontos
críticos e ruídos podem ser assim sintetizados:

- O acervo não informatizado provocava acentuada lacuna entre o bibliotecário
e o docente, sobretudo porque este em geral já dispunha de tecnologia em seu
laboratório, que facilitava o acesso ao acervo de instituições afins, acarretando como
ruído o descrédito aos serviços prestados de forma manual pela Biblioteca;

- a abundância de bancos de dados, comunicação eletrônica e digital exigiam
rápida atualização e urgente adaptação do bibliotecário uma vez que ambos, o
professor e o bibliotecário utilizavam linguagens diferenciadas, provocando ruídos na
comunicação;

- o grande volume de informações referente às novas aquisições solicitadas
por esse cliente (professor), criou um novo nicho para o bibliotecário através do

�correio eletrônico, minimizando o ruído inerente à comunicação verbal, telefônica e
escrita.

Em paralelo a BC-UFRPE, como um subsistema da universidade, e esta como
organização, vista como cultura, cujo grande desafio não é tão somente a adoção
das tecnologias emergentes, mas, sobretudo, mudar as pessoas e sua própria
cultura organizacional, renovar valores, filtrar o melhor e aprender com os erros e
acertos.

Este texto revela a nossa busca pela ampliação e aprofundamento da
pesquisa sobre o cliente virtual, iniciada há algum tempo na BC-UFRPE, cujos
resultados preliminares revelam a preocupação vivencial do bibliotecário em seu
cotidiano. Direcionamos, dessa forma, os nossos objetivos para observação da
complexidade do ato de comunicar, objeto e o objetivo primordial desse estudo que
visou possibilitar o desenvolvimento de uma mais eficiente integração profissional e
interpessoal, por meio da comunicação eletrônica, otimizando as relações entre o
bibliotecário e o professor da UFRPE e contribuindo ao avanço das atividades de
pesquisa e ensino.

Os resultados sobre a comunicação eletrônica, que vem sendo praticada há
cerca de 03 (três) anos através do Setor de Seleção e Aquisição da BC-UFRPE
através da abordagem on-line, utilizando como ferramenta o correio eletrônico,
ratifica a comunicação virtual, que vem ocorrendo entre o bibliotecário e o professor
da UFRPE.

O universo deste trabalho é o conjunto dos 378 professores membros dos 14
departamentos da UFRPE, cujo contato foi mediado através dos seus respectivos
coordenadores. Depois dessa primeira abordagem, foram recebidos os endereços
eletrônicos de 253 docentes, correspondentes a 87%, incluindo o Vice-Reitor, um
dos partícipes pró-ativos dessa comunicação.

�A pesquisa desenvolveu-se em 4 (quatro) etapas. Na primeira delas, foram
pesquisados em documentos impressos e on-line, dados sobre comunicação,
comunicação eletrônica, cultura organizacional, tecnologia da informação, espaço
virtual e ritos de passagem, que serviram de embasamento para o desenvolvimento
da mesma. Na segunda etapa, foi encaminhado aos coordenadores de cursos, um
ofício circular via e-mail, comunicando o novo formato de interação a ser adotado
durante a troca de informações acerca das novas aquisições, idéias, sugestões e
críticas, como também solicitando os e-mails dos professores sob sua coordenação,
para a criação do e-catalogo.

Na terceira etapa, com base na fundamentação teórica e definição do
problema, elaborou-se um questionário, para coleta dos dados, que foi encaminhado
aos docentes via Internet, composto por 6 (seis) questões, sendo 4 (quatro) fechadas
e direcionadas à receptividade desse cliente, quanto às mensagens eletrônicas, ao
uso do correio eletrônico e sua participação no processo e, 2 (duas) abertas, uma
delas relativa ao sentimento desse cliente, quanto a essa forma de comunicação, e a
outra, para obter críticas e sugestões acerca dessa interação virtual. E por fim, a
quarta etapa, que consistiu na codificação e análise dos dados coletados. Utilizou-se
uma abordagem quantitativa para análise dos dados.

Esta pesquisa possibilitou subsídios para uma intervenção planejada a partir
dos dados obtidos, utilizando como instrumento privilegiado as novas tecnologias de
comunicação virtual  em especial, o correio eletrônico.

2 - REVISÃO DA LITERATURA

Com o propósito de analisar o conteúdo dos conceitos que compõem essa
pesquisa, buscou-se embasamento teórico em alguns autores como Lopes (2001),
Castells (1999), Ferreira (1997), Lévy (1998) e outros.

�A comunicação, aqui entendida como um fenômeno indissociado da cultura,
valoriza, a partir do século XX, especificamente nos anos 90, o pólo da recepção,
onde

o

receptor

passou

a

ser

considerado

capaz

de

produzir

sentido.

Conseqüentemente, abriu espaço para a troca de experiências, deslocando o
interesse à passividade do receptor para as situações vividas e singulares, que
possibilitam a compreensão que as pessoas fazem no seu cotidiano (LOPES, 2001,
p. 8).

Na construção dessa comunicação foram destacados como elementos
imprescindíveis a caracterização da forma utilizada para criar laços sociais entre o
emissor e o receptor das mensagens; identificar o contexto onde o ato de comunicar
vem ocorrendo e quais atores participam dele, nesse caso, o bibliotecário como
emissor e os docentes no papel de receptores; e, por fim, potencializar as
apropriações e significações dessa tecnologia de comunicação por esses docentes
(clientes virtuais), através do feedback (CASTELLS, 1999, p. 41).

Comunicar, no entanto, é uma tarefa árdua, indica a realidade. Segundo
Lopes, Toledo e Rodrigues (2000) a comunicação no espaço real, envolve a troca de
mensagens entre interlocutores, onde atua como fator essencial à convivência e à
solidariedade humana e, no espaço virtual, concretiza-se através de múltiplas
mediações que se realizam nas relações do(s) indivíduo(s) com seu mundo e com a
informação.

Vale ressaltar, que no caso da universidade, a comunicação é um dos
elementos essenciais no processo de criação, transmissão e cristalização do seu
universo simbólico e cultural. Dessa forma, entende-se ainda a cultura organizacional
como o conjunto de valores predominantes na universidade que influenciam o
comportamento da rede humana que ali atua (PINHEIRO, 2003).

Ocupando a BC-UFRPE um papel de destaque como colaboradora integral da
universidade, ao garantir o seu papel na geração de conhecimento e na prestação de

�serviços à sociedade, cabe-lhe, como provedora das necessidades informacionais da
comunidade acadêmica, assumir, além da responsabilidade da recuperação,
tratamento e disseminação da informação vital às atividades de ensino, pesquisa e
extensão, o papel de gestora da comunicação social no campus e extra muros da
universidade.

O Setor de Processos Técnicos da BC, nesse contexto, vem implementando
uma atitude inovadora, ao alterar sua forma de interação através da abordagem online junto aos docentes e, dessa forma, vem também tentando ler e compreender um
novo espaço, onde ocorrem constantes mediações e negociações através de
práticas espaciais, representações e discursos em uma nova realidade geográfica,
denominada virtual, como afirma Sarmento (2004, p. 105).

Não há como e por quê escapar dessa nova possibilidade de troca de
informações. Para as bibliotecas é uma questão de estratégia e de sobrevivência à
globalização da informação (LOPES, 2004). Uma passagem de um formato de
comunicação para outro, totalmente novo.

Sendo assim, a necessidade e o ato de incorporar esse novo é, certamente,
realização de um rito de passagem. É, pois, pela lente desse rito que o grupo de
docentes da UFRPE responde ao chamado eletrônico da BC. Para muitos, a
apropriação da tecnologia através do uso do correio eletrônico merecia ser um rito de
passagem. Como numa tribo ou seita, os professores que se apropriam dos recursos
da informática têm o prazer de exibir sua nova linguagem e comportamento como
troféus.

Mais do que paixão pela tecnologia, aprender a usar esse recurso e,
conseqüentemente, sua linguagem operacional, está se tornando, além de um bom
investimento, uma questão de inserção social e de não exclusão. Aprender a lidar
com o computador tem, portanto, a magia de um rito de passagem.

�No entanto, é incrível, mas no campus, ainda são encontradas atualmente,
entre os professores, atitudes muito diversas em relação às tecnologias de
informação e comunicação. O uso dessas tecnologias na universidade com
desenvoltura e naturalidade encontra-se ainda em processo de apropriação. Para
avançar nessa questão, buscou-se o pensamento de Lévy (1993 apud RAMOS ;
MAMEDE-NEVES, 2001, p. 239), que considera a tecnologia um dos mais
importantes temas filosóficos e políticos do nosso tempo.

O autor se atém à interface do homem com o computador, coloca o foco sobre
o social e diz ser impossível separar a tecnologia do social, visto que os homens não
estão separados dos objetos e, sim, fazem parte de uma mesma rede, de um mesmo
hipertexto, em que todas as coisas mediatizam as relações humanas, motivo pelo
qual a atividade tecnológica é intrinsecamente política ou antes cosmopolítica. É
preciso deslocar a ênfase do objeto (computador, programa, módulo técnico) para o
projeto (ambiente cognitivo, a rede de relações humanas que se quer instituir)
(LÉVY, 1993, p. 54).

Nessa linha, o Setor de Processos Técnicos da BC-UFRPE está continuando
a estratégia de comunicação com o professor, visando a reestruturar o modelo de
contatos e divulgação das novas aquisições do material bibliográfico, migrando da
comunicação impressa para uma abordagem on-line. Oxigenar as relações
interpessoais, intensificar o nível, a qualidade e a rapidez das respostas da
biblioteca, através de mensagens personalizadas ou de circulares eletrônicas, aliamse a ações imprescindíveis como a correção de problemas históricos do acervo
documental e a retomada do clima de empatia e confiança, no intuito de restaurar a
sinergia biblioteca/professor e vice-versa.

A escolha do correio eletrônico como formato adotado, deve-se ao fato de este
recurso se constituir numa comunicação interativa, significando que o docente pode
estabelecer uma troca de correspondência, em tempo real, por computador com o

�bibliotecário. Graças ao e-mail, esses professores são acessados em qualquer lugar,
seja em casa, no departamento da própria universidade ou em outro local.

3 - CONTEXTUALIZANDO A BIBLIOTECA CENTRAL DA UFRPE

A Biblioteca Central Professor Mário Coelho de Andrade Lima, criada em
1947, com a finalidade de dar infra-estrutura bibliográfica necessária às atividades
realizadas na universidade e orientar o usuário na utilização desses recursos, ao
longo do tempo, apesar de haver recebido o nome de um dos ilustres mestres dessa
Casa, passou a ser chamada simplesmente de BC-UFRPE. Durante todo esse
período tem procurado acompanhar o desenvolvimento da informação nas várias
áreas de atuação da UFRPE.

Órgão Suplementar, subordinado à Vice-Reitoria, funciona de segunda à
sexta-feira, das 8h às 21h, ininterruptamente, e aos sábados das 8h às 12h.
Apresenta-se como uma biblioteca universitária de médio porte, com acervo
aproximado de 50.055??? volumes, distribuídos entre livros e folhetos e cerca de
1.488 títulos de periódicos.

No contexto acadêmico em que está inserida, onde o ensino, a pesquisa e a
extensão se desenvolvem cotidianamente e diante do crescente surgimento de uma
nova categoria consciente de seus direitos a produtos, serviços e informação com
qualidade, a biblioteca vem buscando o redesenho adequado para as suas
atividades. É, pois, a implantação do sistema informatizado para o acervo
bibliográfico, que permitirá a busca e localização on-line das publicações que,
associado à capacitação do bibliotecário nas novas tecnologias da informação e
comunicação, proporcionará a melhoria do atendimento ao público.

�Desse modo, a BC-UFRPE ao associar à sua finalidade maior de atuação
como centro de informação e referência na área agrícola nacional, utiliza novos
mecanismos somados às tecnologias de informação e comunicação eletrônica na
troca de informações com o docente, como seu cliente virtual.

4 - O CLIENTE VIRTUAL NA BIBLIOTECA CENTRAL DA UFRPE

Este tópico reúne o conjunto de questões e respostas relacionadas ao atual
processo de comunicação eletrônica e apresenta dois desdobramentos, um para o
comportamento do docente como cliente virtual e outro para as relações
interpessoais.
Sendo assim, o primeiro desdobramento traz como primeira questão, a
comunicação on-line promovida pelo Setor de Processos Técnicos nesse
sentido, 54% dos docentes entrevistados concordam que esta comunicação tem sido
interessante, promove troca de idéias e aproxima a Biblioteca do Docente o que
demonstra a receptividade ao processo de comunicação adotado. Resultado
coerente com o avanço tecnológico que vem produzindo impacto na interação
bibliotecário/professor, pois, nesta nova realidade de respostas rápidas e mudanças
comportamentais, a biblioteca encontra-se em mutação
Na segunda questão que versa sobre A utilização do correio eletrônico, a
grande maioria desses professores, respondeu que faz uso do e-mail em seu
cotidiano diariamente. Por outro lado, um único representante, respondeu usar o
correio eletrônico apenas duas vezes por semana,
]
Esses resultados reforçam as pesquisas da área de Informação e
Comunicação, ratificando que o correio eletrônico, que inicialmente parecia ser um
substituto dos meios de comunicação tradicional, entre os quais, cartas,

�memoranduns e telefonemas, adquiriu características próprias e assumiu um papel
ímpar na comunicação (BURTON, 1994 apud PINHEIRO, 2003).
A questão três, referente às mensagens da Biblioteca Central, está
estreitamente relacionada à primeira e à segunda questões e diz respeito à
formulação e compreensão dessa mensagem por esse Cliente Virtual, cuja resposta
revela que 88% dele, afirmam que as mesmas apresentam-se objetivas e claras, dão
abertura para novos diálogos e Validam as relações biblioteca/docente, afirmaram
ainda que, o formato vem validando as relações interpessoais.

Uma observação a ser feita é que, apenas 01 (um) professor do Departamento
de Letras e Ciências Humanas, optou pelo item Outros, afirmando que as
mensagens da Biblioteca Central proporcionam humanização no tratamento
usuárioXbiblioteca, porque se propõe a ouvir e não ficar limitada ao correio
eletrônico.
A questão quatro diz respeito à participação desse cliente virtual nesse
processo de comunicação nesse sentido, perguntou-se como tem ocorrido a sua
participação. Retornando as mensagens e Repassando as informações para seus
alunos apresentaram maior índice de retorno positivo, enquanto que boa parte dos
docentes afirmou comentar as informações com seus colegas de área. A maioria
deles, entretanto, deixou de participar do processo seletivo, para renovação do
acervo bibliográfico, pois o item indicar bibliografia, é o que surge com menor índice
de respostas. Percebeu-se, ainda que, a grande maioria prefere ficar à margem da
avaliação dessa comunicação, pois não se dispõe a Apresentar críticas e sugestões,
afirmando, sobretudo, Não ter participado do processo.

Tal resultado traduz uma situação local e chamam a atenção para a
continuidade desse formato de comunicação como decisiva ferramenta para a

�socialização desses atores (PINHEIRO, 2003, p. 50) e, sobretudo, a mudança de
cultura na UFRPE.
Na quinta questão, buscou-se captar o sentimento relativo a essa tentativa de
interação e comunicação. O volume de sentimentos expressados demonstra a
existência de uma efetiva consideração com a ação pró-ativa do Setor de Processos
Técnicos da BC, fato que ratifica a ocorrência de uma crescente interação entre o
bibliotecário e esse cliente virtual (LOPES, 2004, p. 6).

Por fim, na sexta questão relativa às críticas e sugestões acerca desse tipo
de comunicação, convocados a opinar sobre a metodologia utilizada no processo de
comunicação, 58% dos docentes atenderam respondendo positivamente a
solicitação. Em contraponto, 42% dos professores se excluíram do processo.

Os resultados desse estudo refletem a cultura organizacional da UFRPE e
trazem subsídios para, identificar, por um lado, os ruídos inerentes ao processo de
comunicação e, por outro, a existência de um clima de empatia e sinergia entre
professor/bibliotecário e vice-versa

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

No mundo dos bytes do espaço digital, convocou-se o docente em seu espaço
real para se tornar nosso cliente virtual, propõe-se, ainda, a tomar o cenário da
universidade para, na comunicação, rever e redesenhar as relações interpessoais e
as representações culturais e imagéticas da BC, na condição de provedora de
informação e, do bibliotecário, no papel de mediador dessa mesma informação.

�Verificou-se, com satisfação, que o correio eletrônico e, conseqüentemente, a
freqüente troca de e-mails, está favorecendo a apropriação e a ressignificação
cotidiana das informações emitidas pelo bibliotecário ao professor, denominado
neste estudo de cliente virtual.

Nesse cotidiano, as trocas e reapropriações levaram-se à leitura de que a
necessidade da disponibilidade de computadores no campus é fundamental para se
criar o hábito da comunicação virtual, como sugere um dos pesquisados, afirmativa
ratificada na literatura. Por outro lado, outros participantes enfatizam e destacam que
a proximidade com o bibliotecário é indispensável e, imprescindível, cristalizando,
dessa forma, as relações interpessoais.

Em termos de feedback para a BC, identificou-se, no uso dessa comunicação,
problemas históricos que necessitam ser minorados ou solucionados pelo suporte
técnico institucional. O primeiro deles constitui a tônica da insatisfação e cobrança
docente e se refere às questões do acervo bibliográfico, cuja solução encontra-se no
reestudo dos recursos orçamentários destinados à ampliação e atualização do
acervo documental.

Nesse âmbito tecnológico, as respostas recebidas demonstraram, finalmente,
que o correio eletrônico representa uma ferramenta de apoio à quebra de amarras,
ao estabelecimento de novos valores, símbolos e práticas que caracterizam a cultura
da UFRPE e significam que os trabalhadores do conhecimento encontram-se em
plena passagem. Demonstraram, em especial, que a conquista desse cliente virtual
está apenas começando. Valorizá-lo e ganhá-lo para esse novo formato de
comunicação constitui um desafio em pleno andamento.

�6  REFERÊNCIAS

- BURTON, P. F. Electronic mail an academic discussion fórum.
Documentation, London, v. 50, n. 2, p. 99-110, June, 1994.

Journal of

- CASTELLS, M. A sociedade em rede. São Paulo : Paz e Terra, 1999. 617 p. (A
era da informação : economia, sociedade e cultura; v. 1).
- LÉVY, P. A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço. São Paulo
: Loyola, 1998. 212 p.
- ___. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da
informática. Rio de Janeiro : 34 Literatura, 1993. 203 p. (Trans)
- LOPES, C. Memória da imagem: o testemunho do telespectador. 2001. 107 f.
Dissertação (Mestrado em Comunicação)  Universidade Federal de Pernambuco,
Recife, 2001.
- LOPES, C. Trançando os fios e amarrando os nós, tecendo a rede virtual com
os docentes da UFRPE: relato de mediação e comunicação on-line. In: PRÉCONFERÊNCIA M&amp;M DA IFLA, 2004, São Paulo.
Disponível em:
&lt;http://www.eca.usp.br/iflamkt/trabalhos/PDF/trabalho25.pdf&gt;. Acesso em: 23 maio
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- LOPES, C.; TOLEDO, N. O.; MANZI, S. M. S. Desenho do acervo documental da
Biblioteca Central da UFRPE, biênio 96/97: reflexo da interação do corpo docente no
processo de seleção e aquisição. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS, 10., 1998, Fortaleza. Anais eletrônico...
Disponível em:
&lt;file://c/netscape/anais/trabalho/paineis/desenho.htm&gt;. Acesso em: 14 jun. 2005.
- PINHEIRO, L. V. R. Comunidades científicas e infra-estrutura tecnológica no Brasil
para uso de recursos eletrônicos de comunicação e informação na pesquisa.
Ciência da Informação, Brasília, v. 32, n. 3, p. 62-73, set./dez. 2003. Disponível
em:
&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S010019652003000300008&amp;dng-pt&amp;nrm-iso&gt; Acesso em: 02 jun. 2005.
- SARMENTO, J. C. V. Representação, imaginação e espaço virtual: geografias
de paisagens turísticas em West Cork e nos Açores. Lisboa : Fundação Calouste
Gulbenkian, 2004. 597 p.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O cliente virtual: um novo paradigma para melhorar o relacionamento entre os docentes e a divulgação da informação na Biblioteca Central da UFRPE.</text>
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                <text>O cliente virtual é o objeto e o objetivo primordial deste trabalho que visa a possibilitar o desenvolvimento de uma mais eficiente integração profissional e interpessoal, por meio da comunicação eletrônica, otimizando as relações entre o bibliotecário e o professor da UFRPE, e contribuindo ao avanço das atividades de pesquisa e ensino. De início, o universo estudado foi o conjunto dos 253 professores membros dos 14 departamentos da UFRPE, correspondente a 87% do total de docentes cujo contato foi mediado através dos seus respectivos coordenadores. A coleta dos dados foi realizada através de questionários encaminhados a esses destinatários, via Internet. Esta pesquisa possibilitou a Biblioteca Central subsídios para a partir dos dados obtidos, avaliar a utilização dessa nova tecnologia de comunicação virtual - em especial, o correio eletrônico como instrumento privilegiado na relação bibliotecário e docente. As respostas refletiram a cultura organizacional da UFRPE e tornaram possível identificar, por um lado, os ruídos inerentes ao processo de comunicação, mas também, por outro, a existência de um clima de empatia e sinergia entre professor/bibliotecário e vice-versa.</text>
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                    <text>O conhecimento organizacional sobre política de tratamento da informação
documentária da Rede de Bibliotecas da UNESP: o uso do protocolo verbal em
grupo/leitura como evento social como abordagem qualitativa

Mariângela Spotti Lopes Fujita
Professora Adjunta do Departamento de Ciência da
Informação UNESP Marília, SP, Brasil fujita@marilia.unesp.br
Dilnei Fátima Fogolin
Bibliotecária, Coordenadoria Geral de Bibliotecas da
UNESP Marília, SP, Brasil
dilnei@marília.unesp.br
Maria José Stefani Buttarello
Bibliotecária, Coordenadoria Geral de Bibliotecas da
UNESP Marília, SP, Brasil
zeza@marilia.unesp.br
Milena Polsinelli Rubi
Doutoranda do Curso de Pós-Graduação em Ciência da
Informação UNESP Marília, SP, Brasil.
Bolsista CAPES
milena.rubi@gmail.com

Eixo temático: As Bibliotecas Universitárias e a Produção do Conhecimento
- A preservação do conhecimento e os arquivos digitais
- As redes e virtualidades da pesquisa acadêmica

�RESUMO
Como parte do planejamento estratégico da UNESP, encontra-se a política de tratamento da informação
documentária da Rede de Bibliotecas, que deverá servir como parâmetro de sua administração no contexto
gerencial e ser entendida como uma filosofia que reflita seus objetivos. Em estudos sobre Cultura
Organizacional, os elementos componentes da política de indexação valores organizacionais podem ser
observados de duas maneiras: por meio da visão das pessoas envolvidas do processo de indexação
(indexadores, gerentes e usuários) e por meio de seus manuais de indexação, respectivamente, conhecimento
tácito e conhecimento explícito. Tendo em vista que a base do conhecimento organizacional é criada por meio
da interação entre os conhecimentos tácito e explícito, propõe-se analisar como a política de indexação e seus
aspectos relacionados são percebidos por indexadores, gerentes e usuários da Rede de Bibliotecas da UNESP.
Como metodologia, adotamos o protocolo verbal em grupo/leitura como evento social. Os resultados
demonstraram que esta prática é um valioso instrumento de coleta de informações para implementação e/ou
avaliação de qualquer tipo de serviço. Concluímos que a eficácia na criação do conhecimento organizacional
está na capacidade em converter o conhecimento tácito em explícito e na intensiva interação entre os membros
da organização.
Palavras-chave: conhecimento organizacional; política de indexação; protocolo verbal em grupo/leitura como
evento social; conhecimento tácito; conhecimento explícito.

1 INTRODUÇÃO
Com a globalização da economia e a acelerada difusão das novas tecnologias de
informação,
informacional

encontra-se

o

alicerce

do

que

se

convencionou

chamar

revolução

que vem contribuindo para uma nova era denominada sociedade da

informação e do conhecimento.
Neste contexto, as bibliotecas de Universidades e Instituições de Ensino Superior não
poderão desvincular sua gestão do meio ambiente acadêmico e sua cultura, estabelecendo
uma nova postura na gerência voltada para ambientes internos e externos.
A gerência estratégica que é um procedimento administrativo sistemático que permite
às organizações se posicionarem em relação ao seu meio ambiente, e a gerência
participativa voltada para as exigências do seu próprio crescimento, do crescimento da
equipe,

da

organização

e

da

comunidade

buscando

o

autodesenvolvimento,

o

desenvolvimento da equipe, o desenvolvimento organizacional e o desenvolvimento social,
nos últimos anos vem sendo implantada nas bibliotecas universitárias em busca de um
melhor desempenho organizacional através da participação efetiva de todos os envolvidos no
processo com vistas ao funcionamento sistêmico da instituição.

�A Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho (UNESP), é uma das
maiores e mais importantes universidades brasileiras, com destacada atuação no ensino, na
pesquisa e na extensão de serviços à comunidade. Mantida pelo governo do Estado de São
Paulo, é uma das três universidades públicas, de ensino gratuito, ao lado da Universidade de
São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Há uma peculiaridade
que a distingue das demais: é a única universidade presente em praticamente todo o
território paulista. Seus campi universitários estão instalados em 23 cidades, sendo 21 no
Interior; um na Capital do Estado, São Paulo; e um em São Vicente, o primeiro de uma
universidade pública no Litoral Paulista, com 33 Faculdades e Institutos e 7 Unidades
Complementares, 3 Colégios técnicos com 10 cursos.
Inserida neste contexto maior encontra-se a Coordenadoria Geral de Bibliotecas
(CGB), responsável pelo funcionamento sistêmico da Rede de Bibliotecas da Unesp, com a
missão de propiciar uma efetiva interação entre a Rede de Bibliotecas, o meio acadêmico e
Instituições congêneres Nacionais e Internacionais, através de ações conjuntas, facilitando a
comunicação entre os vários segmentos da Universidade, visando à democratização da
informação em benefício da Sociedade.
O Plano Diretor, apresentado pela CGB para a UNESP na gestão 2005-2008, será
desenvolvido por meio de três Programas:
Gestão de Recursos de Informação,
Gestão de Pessoas e
Gestão em Consórcios e Serviços Cooperativos.
Dentro do Programa de Recursos de Informação, parte de Organização e
Recuperação da Informação, no item Automação do tratamento da Informação, subitem
Banco de Dados Bibliográficos Athena, está a determinação de uma política de tratamento
da informação documentária, para nortear os princípios e critérios para a tomada de decisões
na otimização e racionalização do serviço, guiada pelos objetivos do sistema de informação
e reforçada pela adoção do manual de indexação.
Essa política não deve conter uma lista de procedimentos a serem seguidos, mas
uma filosofia que reflita não só os interesses e objetivos como também a prática e princípios

�da cultura organizacional do sistema de informação. Assim podemos pensar no tratamento
da informação documentária sob o ponto de vista gerencial e estratégico da biblioteca,
valorizando-a e desconsiderando a concepção técnica dos procedimentos.
O conhecimento organizacional pode ser entendido como conhecimento tácito que é
pessoal, específico ao contexto e, assim difícil de ser formulado e comunicado; e o
conhecimento explícito refere-se ao conhecimento transmissível em linguagem formal e
sistemática. (NONAKA E TAKEUCHI, 1997, p. 65), percebe-se que identificar e compartilhar
conhecimento explícito não é tarefa difícil, pois este é claro e estruturado podendo ser
representado facilmente por meio de procedimentos, linguagem, documentos, bancos de
dados, etc. A maior dificuldade está na identificação e compartilhamento do conhecimento
tácito, o que exige um intenso contato pessoal, pois se refere ao conhecimento subjetivo, às
experiências, habilidades e intuições acumuladas pelo indivíduo ao longo de sua vida.
Sob este prisma, propõe-se analisar de que maneira a política de indexação e seus
aspectos relacionados são percebidos pelos indexadores, gerentes e usuários da Rede de
Bibliotecas da UNESP.
2 CULTURA ORGANIZACIONAL EM GESTÃO DO CONHECIMENTO
Em estudos sobre cultura organizacional é possível analisar diversas conceituações e
enfoques acerca do tema. Para melhor compreensão desta questão, é bastante oportuno as
considerações que Schein (1984, p.3 apud MARTINS, 2000) estabelece, oferecendo um
conceito mais abrangente quando afirma que:
A cultura organizacional é o modelo de pressupostos básicos, que
determinado grupo tem inventado, descoberto ou desenvolvido no processo
de aprendizagem para lidar com os problemas de adaptação externa e
adaptação interna. Uma vez que os pressupostos tenham funcionado bem o
suficiente para serem considerados válidos, são ensinados aos demais
membros como a maneira correta para se perceber, se pensar e sentir-se em
relação àqueles problemas.

Ao abordar este conceito em uma Biblioteca de uma Instituição Superior de Ensino
Público, como a Unesp, deve-se considerar também, os seus objetivos e missão, como
recorre Dias (1998) em sua afirmação citada por Pires (2006), onde as organizações
públicas têm como objetivo prestar serviços para a Sociedade. Elas podem ser consideradas
como sistemas dinâmicos, extremamente complexos, interdependentes e inter-relacionados

�coerentemente, envolvendo informações e seus fluxos, estruturas organizacionais, pessoas e
tecnologias. A Universidade assegura esta conduta quando prioriza o seu foco principal
gerar e transmitir conhecimentos.
Nesta perspectiva é bastante propício identificar os principais elementos que formam a
cultura organizacional, conforme estabelecido por Tavares (1996):
-

Valores - correspondem a tudo aquilo que a organização considera importante para
preservar, realizar e manter a imagem e o nível de sucesso desejado;

-

Crenças - podem ser mantidas por meio do comportamento das pessoas e estão
ligadas à busca de eficiência;

-

Ritos - são as formas como são praticadas e perseguidas as metas planejadas no diaa-dia;

-

Tabus - referem-se às proibições impostas aos membros da organização e às
orientações e fatos tidos como inquestionáveis;

-

Mitos organizacionais - são aqueles gerados pela cultura existente e correspondem a
expressões conscientes da mesma;

-

Normas

são o conjunto de regras escritas ou não que direcionam a forma como as

pessoas devem proceder para que a organização alcance seus objetivos. Podem ou
não serem aceitas pelo grupo;
-

Comunicação formal

é a comunicação sistemática entre a organização e o ambiente

externo e interno;
-

Comunicação informal

é a que não está sujeita a normas ou controles.

Os elementos componentes da política de tratamento da informação documentária da
rede de Bibliotecas da Unesp

valores organizacionais

podem ser observados de duas

maneiras: por meio da visão das pessoas envolvidas do processo de indexação
(indexadores, gerentes e usuários) e por meio de seus manuais de indexação,
respectivamente, conhecimento tácito e conhecimento explícito.
Esta política será imprescindível para permear os princípios e critérios que servirão de
garantia na tomada de decisões para otimização e racionalização do processo de trabalho.

�Entre várias definições para a criação do conhecimento tratadas por muitos
pesquisadores temos, entre eles, Nonaka &amp; Takeuchi (1997), como dois tipos de
conhecimento intrinsecamente relacionados, quais sejam:
-

o conhecimento tácito, conhecimento subjetivo, são habilidades inerentes a uma
pessoa; difícil de ser formalizado, transferido ou repassado a outra pessoa

-

o conhecimento explícito, conhecimento fácil de passar, transferir e utilizar;
formalizados em textos em papel ou formato eletrônico.
Podemos perceber assim que identificar e compartilhar conhecimento explícito não é

tarefa difícil, pois estes estão representados por procedimentos, linguagem, documentos,
bancos de dados etc. O grande problema está no compartilhamento do conhecimento tácito,
uma vez que este é subjetivo e exige um grande contato pessoal.
Mesmo com esta dificuldade,
O conhecimento tácito de natureza subjetiva, altamente pessoal e difícil de
formalizar, é a base do conhecimento organizacional. A eficiência da criação
do conhecimento é dada pela capacidade da organização em converter o
conhecimento tácito em conhecimento explícito. Assim, a criação de um novo
conhecimento é o resultado de uma intensiva interação entre os membros da
organização. (FUTAMI, VALENTINA, POSSAMAI, 2002).

Nonaka e Takeuchi (1997) partem do pressuposto que o conhecimento é criado por
meio

da

interação

entre

o

conhecimento

tácito

e

o

conhecimento

explícito.

Porisso,estabelecem quatro modos diferentes de conversão do conhecimento:
- socialização: de conhecimento tácito em conhecimento tácito;
- externalização: de conhecimento tácito em conhecimento explícito;
- combinação: de conhecimento explícito em conhecimento explícito;
- internalização: de conhecimento explícito para conhecimento tácito.
A socialização, segundo Nonaka e Takeuchi (1997) [...] é um processo de
compartilhamento de experiências e, a partir daí, da criação do conhecimento tácito como
modelos mentais ou habilidades compartilhadas.
A externalização é um processo de criação do conhecimento perfeito, na medida em
que o conhecimento tácito se torna explícito, expresso na forma de metáforas, analogias,
conceitos, hipóteses ou modelos. (NONAKA E TAKEUCHI, 1997). A combinação, para os

�referidos autores, é um processo de sistematização de conceitos em um sistema de
conhecimento em que os indivíduos trocam e combinam conhecimentos através de
documentos, reuniões, conversas ao telefone ou redes de comunicação computadorizadas.
Finalmente, a internalização é o processo de incorporação do conhecimento explícito
no conhecimento tácito. Está relacionada ao aprender fazendo . (NONAKA e TAKEUCHI,
1997, grifo dos autores).
Convém ressaltarmos o alerta que os autores fazem sobre a necessidade da
verbalização e diagramação do conhecimento sob a forma de documentos, manuais ou
histórias orais para que o conhecimento explícito se torne tácito, para que a documentação
ajude os indivíduos a internalizarem suas experiências, aumentando seu conhecimento tácito
e para facilitar a transferência do conhecimento explícito para as outras pessoas, ajudandoas a vivenciar a experiência dos outros.

3 METODOLOGIA
Tendo em vista que a base do conhecimento organizacional é criada por meio da
interação entre os conhecimentos tácito e explícito, analisou-se como a política de indexação
e seus aspectos relacionados são percebidos por indexadores, gerentes e usuários da Rede
de Bibliotecas da UNESP. Como metodologia, adotou-se o protocolo verbal em grupo/leitura
como evento social.
A metodologia do protocolo verbal para observação da atividade de leitura refere-se
ao Pensar Alto , onde o indivíduo lê e interpreta ao mesmo tempo, é a exteriorização verbal
do pensamento durante a leitura. (ERICSSON E SIMON, 1987).
A metodologia de aplicação de protocolo verbal adota os seguintes procedimentos:
1) Procedimentos anteriores à aplicação do protocolo verbal
Seleção do texto-base
Tipo do texto-base

�GUIMARÃES, J. A. C. As políticas de indexação como elemento para a gestão do
conhecimento nas organizações. In: VIDOTTI, S. A. B.G. (coord.). Tecnologia e conteúdos
informacionais: abordagens teóricas e práticas. São Paulo: Polis, 2004. p. 43-52.
Temática do texto
Texto relacionado com política de indexação.
Seleção dos sujeitos
Quatro Bibliotecários da Coordenadoria Geral de Bibliotecas.
Conversa informal com os sujeitos
Encontro informal com cada sujeito, individualmente, para esclarecimento dos objetivos da
aplicação do protocolo verbal, ressaltando que a identidade do sujeito será mantida em sigilo.
2) Procedimentos durante a aplicação do protocolo verbal
Gravação do pensar alto durante a leitura
Gravação de toda discussão na íntegra.
3) Procedimentos após a aplicação do protocolo verbal
Entrevista retrospectiva (opcional)
Aplicação da entrevista retrospectiva para esclarecimentos de dúvidas pelo pesquisador.
Transcrições literais das gravações
A transcrição obedeceu ao tipo de notação específica para transcrição. Foi destacada a
compreensão do sujeito, suas dúvidas, equívocos, identificação e seleção de termos.

4 RESULTADOS
O resultado da aplicação do protocolo verbal revelou-se em importante estratégia para
definição dos elementos que devem ser considerados na elaboração de uma política de
indexação, que são:
1

Cobertura de assuntos

�Tendo em vista que a Universidade contempla cursos multidiciplinares, a cobertura de
assunto estará atrelada aos cursos de cada unidade universitária e conseqüentemente com a
tabela das grandes áreas e áreas do conhecimento definidas pela CAPES.
2

Seleção e aquisição dos documentos-fonte

Documentos já existentes no Banco de Dados Bibliográficos Athena. Propõe-se a revisão
dos materiais já inseridos no Banco de Dados Bibliográficos

Athena, iniciando-se pelos

mais consultados.
3

Processo de indexação
nível de exaustividade

- Mínimo

3 termos

- máximo

10 termos

nível de especificidade
Este item deverá ser especificado pelas bibliotecas, após estudo de necessidades de seus
usuários. Propõe-se uma única política para unidades com cursos idênticos.
escolha da linguagem
Para a indexação utiliza-se a Base de autoridades do Bibliodata. Em contatos com os
bibliotecários da Rede de Bibliotecas constatou-se que há incompatibilidade desta linguagem
com a linguagem adotada pelos pesquisadores. Não reflete totalmente a necessidade da
comunidade usuária. Deverá ser realizado um estudo para adequação. Inclusão de termos
em inglês (solicitação dos pesquisadores)
capacidade de revocação e precisão do sistema
Este item deverá ser especificado pelas bibliotecas, após estudo de necessidades de seus
usuários. Propõe-se uma única política para unidades com cursos idênticos.
4

Estratégia de busca

A busca deverá ser feita pelo próprio usuário. Caso haja necessidade, será assistido por um
bibliotecário do atendimento.

�5

Tempo de resposta do sistema

Este tempo será o tempo de busca de determinado assunto, ou seja, no momento da
pesquisa, o usuário recuperará todos os registros bibliográficos existentes no banco
bibliográfico sobre o assunto pesquisado.
6

Forma de saída

Será recuperado o número de registros bibliográficos existentes. O usuário deverá ser
consultado quanto à apresentação do resultado. Para dissertações e teses há possibilidade
de acesso ao texto completo por meio eletrônico, desde que estejam indexadas na
C@thedra - Biblioteca Digital de Teses e Dissertações.
7

Avaliação do sistema

Haverá uma avaliação constante do serviço e seu desempenho a partir da aplicação da
política de indexação, adaptando mudanças necessárias que ocorrerão mediante a consulta
aos usuários.
8

Capacidade de consulta a esmo (browsing)

Com a instalação da nova versão do Aleph, em 2006, será realizado uma avaliação da
interface de busca do sistema.
9

Garantia literária

Como a linguagem utilizada atualmente não reflete a anseio da comunidade usuária, será
realizada uma adequação mediante outras linguagens existentes.
10

Formação do indexador

O bibliotecário indexador deverá ser capacitado para a metodologia de indexação,
características da linguagem documentária e conhecimento de lingüística.
11

Consulta ao indexador

O indexador será consultado sofre as dificuldades enfrentadas durante a realização de seu
serviço e as soluções encontradas por meio de sua experiência para que possa servir de
subsídio para atualização do manual de indexação.

�5 CONCLUSÃO
Os resultados demonstraram que a prática da aplicação do protocolo verbal em
grupo/leitura como evento social como abordagem qualitativa constitui-se em um valioso
instrumento de coleta de informações para implementação e/ou avaliação de qualquer tipo
de serviço, pois neste método de observação é possível visualizar a exteriorização dos
processos verbais do indivíduo enquanto a informação processada está sob o foco de
atenção e com isso detectar aspectos da técnica aplicada no serviço, avaliar vantagens e
desvantagens, comparar diferentes estratégias etc.
A aplicação do protocolo verbal em grupo, seguindo todos os procedimentos citados
na metodologia, foi realizada com um grupo de bibliotecários da Coordenadoria Geral de
Bibliotecas da Unesp onde foi possível a externalização do processo mental da leitura e das
ações do grupo enquanto compreendiam o texto para fins de indexação. Houve uma
interação muito produtiva entre os participantes e com o texto ao mesmo tempo a respeito de
procedimentos de indexação.
Posteriormente foram transcritas, na íntegra, todo o pensar alto dos participantes,
constituindo-se em relato escrito para análise/interpretação do conhecimento organizacional
deste grupo sobre política de indexação.
Desta forma concluímos que a eficácia na criação do conhecimento organizacional
está na capacidade em converter o conhecimento tácito em explícito e na intensiva interação
entre os membros da organização, pois assim se dará o desenvolvimento e o crescimento da
organização e sua equipe com vistas a um melhor desempenho e funcionamento sistêmico
da Instituição.

THE ORGANIZATIONAL KNOWLEDGE ON UNESP LIBRARIES NETWORK S POLICY OF
DOCUMENTARY INFORMATION TREATMENT: THE USE OF VERBAL PROTOCOL IN
GROUP/READING AS SOCIAL EVENT, IN A QUALITATIVE APPROACH.

Abstract
The policy of UNESP Libraries Network s documentary information treatment is part of UNESP
strategic planning. It is taken as a parameter of its management and must be understood as a

�philosophy that reflects its aims. Studies on organizational culture show that the indexing policy
elements can be observed in two different ways: from the point of view of people involved in the
indexing process (indexers, managers and users) and from their indexing handbooks, tacit knowledge
and explicit knowledge, respectively. Taking into account that the basis of the organizational
knowledge is created through tacit and explicit knowledge, it is proposed to analyse how the indexing
policy and its related aspects are apprehended by indexers, managers and UNESP Libraries
Network s users. The adopted methodology is the verbal protocol in group/reading as social event.
The results show that this practice is a valuable tool of collecting informations for implementation
and/or evaluation of any kind of service. It is concluded that the efficaciousness in bringing up the
organizational knowledge is in the capacity of turning the tacit knowledge into explicit one and in the
intensive interaction among the organizational members.
Key words: organizational knowledge; indexing policy; verbal protocol/reading as social event; tacit
knowledge; explicit knowledge.

REFERÊNCIAS
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conhecimento para a melhoria de qualidade do produto. Produto: Gestão &amp;
Desenvolvimento: revista brasileira de gestão e desenvolvimento de produto,São
Carlos, ano 2, n. 2, mar. 2002. Disponível em:
&lt;http://www.ctc.ufsc.br/produto/Produto2/artigos2pt/artigo1/artigo1.htm&gt;. Acesso em:
22 ago. 2003.
MARTINS, M.D. Gerência, cultura nacional e cultura organizacional: uma relação à
sobrevivência organizacional. Scientia Uma, Olinda, n. 1, maio 2000. Disponível em:
&lt;www.focca.com.br/scientiauna090.htm&gt;. Acesso em: 17 set. 2002.
NONAKA, I.; TAKEUCHI, H. Teoria da criação do conhecimento organizacional. In.:
NONAKA, I.; TAKEUCHI, H. Criação de conhecimento na empresa: como as empresas
japonesas geram a dinâmica da inovação. Rio de Janeiro: Campus, 1997. p. 61-102.
PIRES, J.C.de S.: MACEDO, K.B. Cultura organizacional em organizações públicas no
Brasil. RAP, Rio de Janeiro, v. 40, n. 1, p. 81-105, jan./fev. 2006. Disponível em:
&lt;www.scielo.br/pdf/rap/v40n1/v40n1a05.pdf&gt;. Acesso em: 17 jul. 2006.
RUBI, M.P. A política de indexação na perspectiva do conhecimento organizacional. 2004 f.
Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) - Faculdade de Filosofia e Ciências,
Universidade Estadual Paulista, 2004.
RUBI, M.P. Protocolo Verbal : individual e em grupo. 2005. Texto didático.
TAVARES, F. P. A cultura organizacional como um instrumento de poder. Caderno de
Pesquisas em Administração, São Paulo, v. 1, n. 3, jul./dez. 1996.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O conhecimento organizacional sobre política de tratamento da informação documentária da Rede de Bibliotecas da UNESP: o uso do protocolo verbal em documentária da Rede de Bibliotecas da UNESP: o uso do protocolo verbal em grupo/leitura como evento social como abordagem qualitativa.</text>
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                <text>Como parte do planejamento estratégico da UNESP, encontra-se a política de tratamento da informação documentária da Rede de Bibliotecas, que deverá servir como parâmetro de sua administração no contexto gerencial e ser entendida como uma filosofia que reflita seus objetivos. Em estudos sobre Cultura Organizacional, os elementos componentes da política de indexação valores organizacionais podem ser observados de duas maneiras: por meio da visão das pessoas envolvidas do processo de indexação (indexadores, gerentes e usuários) e por meio de seus manuais de indexação, respectivamente, conhecimento tácito e conhecimento explícito. Tendo em vista que a base do conhecimento organizacional é criada por meio da interação entre os conhecimentos tácito e explícito, propõe-se analisar como a política de indexação e seus aspectos relacionados são percebidos por indexadores, gerentes e usuários da Rede de Bibliotecas da UNESP. Como metodologia, adotamos o protocolo verbal em grupo/leitura como evento social. Os resultados demonstraram que esta prática é um valioso instrumento de coleta de informações para implementação e/ou avaliação de qualquer tipo de serviço. Concluímos que a eficácia na criação do conhecimento organizacional está na capacidade em converter o conhecimento tácito em explícito e na intensiva interação entre os membros da organização.</text>
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                    <text>O CONSÓRCIO COMO FERRAMENTA DE IDENTIFICAÇÃO E APROVEITAMENTO
DAS MELHORES PRÁTICAS ENTRE CENTROS DE INFORMAÇÃO NA AMÉRICA
LATINA
Autoria: Dulcinéia Dilva Jacomini1
ddj@usp.br
Diretora Técnica
Serviço de Biblioteca e Documentação
Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade
Universidade de São Paulo
Av. Prof. Luciano Gualberto, 908
05508-900 São Paulo – SP
Brasil
http://www.fea.usp.br/biblioteca
Tânia Fraga2
tmafraga@ea.ufrgs.br
Bibliotecária-chefe
Escola de Administração da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Rua Washington Luiz, 855
90010-460 Porto Alegre – RS
Brasil
http://biblioteca.ea.ufrgs.br

1. INTRODUÇÃO
A estratégia das organizações tradicionais até a década de noventa era a autosuficiência plena, com foco concentrado em garantia de fornecimento e domínio
completo do ciclo produtivo ou operativo. O conceito até então dominante era o da
rivalidade, em acordo com as condições até então existentes de produção em massa,
mercados oligopólicos, competição estrangeira quase inexistente, longo ciclo de vida
dos produtos, poucas inovações tecnológicas e menor custo de capital.
Entretanto, ao final dessa década, o fenômeno da globalização provocou mudanças
radicais. A economia, agora caracterizada por maior liberalização dos mercados,
começou a basear-se, de forma crescente, em conhecimento menos explícito, que não
1

Mestre em Ciência da Informação – ECA/USP; MBA Conhecimento, Tecnologia e Inovação – FIA/FEA/USP; Diretora do
Serviço de Biblioteca e Documentação – FEA/USP
2
Especialista em metodologia do Ensino Superior – IPA/RS; Bibliotecária-Chefe da Biblioteca da Escola de Administração da
UFRGS

�pode ser transferido simplesmente por meio de licenças ou compras. Simultaneamente,
a competição intensificava-se, e a posse de todos os recursos necessários não raro
passava a ser menos importante do que lhes ter o acesso. Os consumidores, por sua
vez, aumentaram suas exigências, requerendo contato mais estreito com as empresas,
que começaram a preocupar-se com a customização (TROCOLLI, 2003, p.182)
Por esses motivos, diferentes tipos de organizações passaram a ver na cooperação um
meio para se desenvolver com maior rapidez, talento e credibilidade. Assim, começaram
a compartilhar informações, tecnologia, compromissos, oportunidades, riscos e
objetivos, como também o sucesso organizacional em um determinado mercado
(MARQUEZ, 2003, p.15).
Segundo Nonaka e Takeuchi (1997, p.54), surgiu um novo paradigma de estratégia
empresarial, denominada abordagem baseada em recursos para ajudar as empresas a
competirem de forma mais eficaz no contexto de constante mudança e globalização da
década de 90. Essa nova abordagem vê competências, capacidades, habilidades e
ativos estratégicos como a fonte da vantagem competitiva sustentável para a empresa.
Desde então, as novas tecnologias e os novos conceitos de gestão organizacional têm
sido comumente evocados por especialistas para destacar a necessidade de as
organizações se prepararem para a formação de alianças estratégicas buscando
parcerias que possibilitem o compartilhamento de recursos e conhecimentos, que de
outra forma não poderiam obtê-los.
Klotzle (2003, p.33) considera que “o crescente aumento da popularidade desse novo
tipo de atividade é visto como mais uma prova da constante marcha da globalização,
principalmente pelo fato de um grande e crescente número desses acordos envolverem
empresas de, pelo menos, duas nacionalidades”.
Austin (2003, p.19), identifica o século XXI como o da era das alianças, na qual a
colaboração entre organizações sem fins lucrativos e as corporações aumentará em
freqüência e em importância estratégica. Para o autor, estas alianças não necessitam ter
planos estratégicos grandiosos. A paciência e a perseverança serão suficientes para o
alcance de resultados importantes a partir de começos modestos.

�Costa (2002, p.172) considera que algumas motivações básicas que levam entidades e
empresas a buscar associações são, geralmente, a convicção de que a operação em
rede é mais eficiente e mais flexível que a atuação individual; a atuação conjunta,
aproveitando as sinergias entre as empresas, pode gerar um algo mais para os clientes
e para as próprias empresas; há áreas distintas de complementaridade a serem
exploradas, tais como, de competências, de tecnologias, de métodos ou processos, de
cobertura do mercado ou do público-alvo e muitas outras; e as possibilidades de
aumentar o valor de mercado de ambas as instituições, pela percepção externa de que,
atuando em conjunto, elas têm maior “poder de fogo”, do que isoladamente.
Assim, observa-se que há vários exemplos de alianças: alianças com outras empresas
ou entidades que atuam em segmentos de mercado ou público-alvos complementares;
representação de marcas, serviços, produtos, franquias; alianças com clientes; alianças
com fornecedores; alianças com concorrentes; consórcios, associações, fusões,
incorporações, aquisições, terceirizações e quarteirizações.
Este processo vem ocorrendo nos mais diversos níveis: países formam blocos
estratégicos para sua inserção no mercado global; empresas de países diferentes se
unem em joint ventures, consórcios e outras formas de parceria para enfrentarem
concorrentes mais poderosos; universidades, empresas e governos se juntam para
obterem benefícios comuns e aumentarem sua inserção na sociedade; empresas de um
mesmo segmento se concentram em determinadas regiões – formando clusters e outras
formas de alianças que estão proliferando na medida em que crescem os desafios de
inserção num mercado cada vez mais competitivo (MARQUEZ, 2003, p.3).
Neste cenário, contata-se que as diversas formas de se criar alianças estratégicas,
possuem um mesmo princípio básico que é o de melhorar o processo interno das
organizações no que se refere a oferecer vantagens e continuar a existir. Essas
organizações focadas em resultados, criam, cada vez mais oportunidades para um
trabalho conjunto e, desse modo, novas possibilidades que favorecem o cumprimento
de suas respectivas missões.

�Estudo realizado pela Aliança Capoava1 e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo
apontam as principais características das alianças estratégicas:
um compromisso de longo prazo
um elo baseado em participação e compartilhamento de capacidades, recursos,
bens
uma relação recíproca com uma estratégia compartilhada como ponto comum
um detalhamento das ações conjuntas e dos projetos comuns
cada parceiro preserva sua identidade e autonomia
Embora não tenha sido exaustiva, a análise da literatura para a elaboração deste
trabalho, aponta para um crescente interesse pelo tema alianças estratégicas. No que
diz respeito à definição conceitual, identifica-se uma enorme diversidade de significados
atribuídos ao assunto. As publicações selecionadas refletem a variedade de situações
existentes que vão desde uma relação de cooperação para a realização de um projeto,
até o mero aporte de recursos.
Assim, este trabalho não tem o objetivo específico de distinguir conceitualmente o termo
aliança estratégica, mas concentra-se, especialmente, na relação de aliança entre
bibliotecas universitárias por meio de uma das modalidades existentes que é a do
consórcio - tipo de aliança que envolve compromissos mútuos de cooperação e de
aprendizado em comum e visam gerar riquezas também para todos os parceiros, com
ganhos revertidos em benefícios sociais e econômicos, redução de custos e
investimentos.

2. CONSÓRCIOS COMO ALIANÇAS ESTRATÉGICAS: INTEGRANDO O TEÓRICO
E O PRÁTICO
Segundo Marquez (2003, p.47), nas universidades, o compartilhamento de inovações
tecnológicas, a partir do investimento em pesquisas científicas pode, rapidamente, trazer
resultados coletivos para setores públicos e privados da sociedade. Neste contexto, o
apoio documental e informacional das bibliotecas universitárias e de seus profissionais
1

Criada por Ashoka, AVINA, Ethos e GIFE em agosto de 2002, é dedicada a promover e estimular, no Brasil, a reflexão
sobre os modelos e os impactos das parcerias e alianças entre lideranças e organizações da sociedade civil e do setor

�torna-se fundamental, sendo o fator informação essencial à estratégia competitiva,
devendo, desta forma, ser criteriosamente gerenciado por bibliotecários capacitados e
especializados. Um fator indiscutível acerca da formação de alianças com universidades
é a garantia de um retorno satisfatório à sociedade, principalmente em termos de
qualidade e cientificidade dos resultados pela credibilidade conquistada por
universidades brasileiras e seus pesquisadores, principalmente as públicas.
Ainda segundo o autor (p. 43), as bibliotecas universitárias possuem importante papel na
formação de alianças, atuando como parceiras de empresas e pesquisadores, pois a
elas cabe o apoio e o suporte informacional, de localização, seleção, tratamento e
disponibilidade da informação que será vital em uma dada pesquisa, fazendo uso de
cooperação e troca de informações entre bibliotecas, também parceiras, que poderão
agilizar o trabalho dos pesquisadores, influenciando nas decisões referentes à estratégia
e à alocação de recursos no universo da pesquisa.
Vega (1999), entende que o desenvolvimento de atividades cooperativas entre
bibliotecas é uma das características mais atuais da Biblioteconomia. A cooperação
bibliotecária se manifesta de maneira especial nas bibliotecas universitárias, mais
voltadas ao intercâmbio de experiências e serviços.
Para Fonseca et al (2006) a informação é um fator estratégico para a competitividade,
nos diferentes setores organizacionais, cabendo aos seus gestores enfrentar o desafio
de aprimorar e/ou desenvolver novos serviços e produtos, ampliar mercados e,
conseqüentemente, aumentar seus lucros utilizando a informação nas suas diferentes
aplicações, como apoio à tomada de decisão; nas etapas de concepção e
desenvolvimento como fator de produção de produtos e/ou serviços com valor
agregado; insumo de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, processo que deve ser
apoiado integralmente por informações durante sua trajetória e/ou fator de gestão,
contribuindo para multiplicar a sinergia entre os indivíduos da organização.

empresarial.

�No estudo da Aliança Capoava e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, as alianças
de sucesso são aquelas que podem ser identificadas pelos oito Is: são oito Eus que
criam bem-sucedidos Nós:
excelência Individual – todos os parceiros são fortes e têm algo de valor;
Importância – o relacionamento preenche objetivos estratégicos críticos para todos;
Interdependência – há uma complementaridade de ativos e habilidades de tal modo
que nenhum dos parceiros pode conseguir sozinho aquilo que todos conseguem por
meio da aliança;
Investimento – obedecendo a acordos, os parceiros investem um no outro como
forma de sinalizar o comprometimento de longo prazo;
Informação – a comunicação é razoavelmente aberta. Os parceiros compartilham as
informações necessárias ao funcionamento da aliança;
Integração – os parceiros, ao mesmo tempo professores e aprendizes, desenvolvem
não apenas formas compartilhadas de operação, mas também amplas ligações
entre muitas pessoas e em muitos níveis;
Institucionalização – a aliança é formalizada em uma complexa estrutura de apoio
que cobre desde os vínculos legais até os sociais e permite o compartilhamento de
valores;
Integridade – os parceiros comportam-se de modo mutuamente honroso para
justificar e aumentar a confiança mútua;
Em meio a esta onda de alianças, cabe aos gestores de bibliotecas universitárias
dotados de uma visão de longo prazo e transpondo as barreiras institucionais internas,
desenvolver alianças estratégicas, buscando nesta alternativa obter ganhos de eficiência
coletiva. Neste cenário, o consórcio entre bibliotecas universitárias representa um
modelo de gestão cooperativo interbibliotecas que tem como propósito integrar as
competências organizacionais essenciais para o trabalho em conjunto: liderança,
capacidade de articulação e negociação, geração de resultados, capacidade de
identificar recursos, competência e conhecimento técnico.
Do ponto de vista prático, o processo de formar alianças não é tarefa fácil para as
bibliotecas universitárias. A tradicional gestão burocrática predominante em grande parte
delas, deve ser substituída por refinados procedimentos de gestão, tais como:

�mudanças no sistema organizacional, adequação da cultura local e alinhamento de
competências pessoais e organizacionais.
No entanto, alguns fatores são motivadores e influentes na decisão por alianças
cooperativas:
as relações interpessoais - a prospecção de fornecedores e o intercâmbio de
informações sobre as especificidades e necessidades de produtos e serviços
contribuem para o desenvolvimento de soluções, qualidade das operações e no
alcance da eficiência. Neste aspecto, Mailhiot citado por Costa (2004), afirma que “a
produtividade de um grupo e sua eficiência estão estreitamente relacionadas não
somente com a competência de seus membros, mas sobretudo com a solidariedade
de suas relações interpessoais. Os autores são unânimes em reconhecer a grande
importância das “relações interpessoais” tanto para os indivíduos quanto para as
organizações, relativamente à produtividade, qualidade de vida no trabalho e efeito
sistêmico;
a harmonia do trabalho com profissionais de outras instituições nacionais e
internacionais - este fator pode ser considerado uma conseqüência do anterior,
uma vez que os benefícios percebidos das relações interpessoais refletem aspectos
tangíveis das atividades funcionais, bem como aspectos intangíveis passíveis de
avaliação pelos clientes. Logo, as expectativas das partes envolvidas se
complementam. Para Fischer (2002, p. 17) quando os grupos podem explicitar sobre
onde seus interesses divergem e convergem e desenvolver abordagens sistemáticas
para sustentar os interesses compartilhados e limitar conflitos de interesse, suas
chances aumentam para sustentar empreendimentos colaborativos de sucesso;
o contexto de decisão inter e intra organizacional - este fator reflete uma
concepção de relacionamento entre pessoas e organizações, na qual os
profissionais bibliotecários não atuam isoladamente e não centralizam em si todas as
responsabilidades e os papéis necessários ao desenvolvimento da aliança, mas
participam da tomada de decisão estratégica em conjunto com a alta administração
das instituições de ensino superior onde atuam;
o aumento da complexidade das atividades – o ambiente das bibliotecas
universitárias está se tornando cada vez mais complexo e instável, exigindo dos seus
profissionais o domínio de novas tecnologias e uma capacitação contínua. Assim,

�uma das condições favoráveis para a formação de alianças estratégicas é a de
encontrar bons parceiros que supram as habilidades complementares, conhecimento
técnico, bem como outras competências que, por diversos modos, podem auxiliar os
profissionais das bibliotecas a superar as complexidades crescentes das suas
atividades e a melhorar o resultado final dos seus produtos e serviços;
a transferência das melhores práticas – as alianças entre bibliotecas,
principalmente aquelas com organizações similares e conectadas entre si,
desenvolvem uma interação que influencia as práticas realizadas e os desempenhos
almejados. A variedade de interações conjuntas, seja em encontros pessoais ou
através do correio eletrônico, cria uma tendência natural para o compartilhamento de
conhecimentos e de outros recursos e, desse modo, torna-se um ambiente favorável
e um meio ideal para a difusão das experiências de sucesso e de capacitação das
pessoas envolvidas;
a criação de valor - elementos diferenciais como o trabalho e a aprendizagem
cooperativos, a troca de informação, a capacidade de comunicação, o
compartilhamento e a interação obrigam as bibliotecas e os seus profissionais a
atentar para a necessidade de se adequarem a um novo paradigma: o de agregar
valor e vantagens aos seus produtos e serviços, em sua trajetória de busca pela
qualidade. Assim, empreender ações para imaginar, construir e manter
relacionamentos e entender as melhores práticas tem papel importante na criação
de valor, tanto para os profissionais envolvidos na formação de alianças, quanto para
as bibliotecas universitárias onde atuam, pois resulta em soluções inovadoras para
todos os envolvidos.
O trabalho conjunto estabelecido nas alianças entre bibliotecas universitárias, resulta
comumente, em melhoria de processos e nos seguintes produtos e/ou serviços:
um catálogo coletivo que represente o acervo das bibliotecas do consórcio, a fim de
melhorar a eficácia da pesquisa em suas comunidades, com o aumento dos
recursos disponíveis;
o acesso da comunidade acadêmica aos bancos de dados bibliográficos existentes e
os empréstimos-entre-bibliotecas;
o estabelecimento de trabalhos cooperativos, melhorando os serviços existentes nas
bibliotecas e reduzindo os custos operacionais;

�a implementação de novas tecnologias de informação e comunicação aos serviços
biblioteconômicos;
potencialização das competências e habilidades informacionais e tecnológicas dos
profissionais bibliotecários.
Contudo, a reflexão teórica sobre o tema alianças entre-bibliotecas e os seus benefícios,
por se tratar de experiência recente no meio biblioteconômico, não se esgota nestes
itens apresentados, pois a cada nova experiência surgem novas questões norteadoras
para o desenvolvimento de parcerias de sucesso.
Em vista disso, o relato sobre o Consórcio entre os Centros de Informações LatinoAmericanos do CLADEA, pretende contribuir com mais dados sobre o assunto, e com
isso, valorizar e estimular a prática de alianças entre as bibliotecas universitárias.

3. HISTÓRICO CLADEA
O Conselho Latino-americano de Escolas de Administração - CLADEA - é uma
organização internacional que agrupa instituições de educação superior dedicadas ao
ensino e à pesquisa na área da administração pública e privada. Criado em 1967 em
Lima, Peru, reúne-se todo ano em local e data préviamente definidos. O Comitê Diretivo
é composto por diretores de Escolas de Administração, por um período de 2 anos, cujo
presidente atual é Jorge Talavera Traverso, Reitor da Universidad San Ignacio de Loyola
no Peru.
Atualmente, conta com mais de 120 membros, composto por escolas de negócios,
mantendo relações de intercâmbio com as principais redes acadêmicas de todo o
mundo, como AACSB International, EFMD, BALAS, OUI, ANPAD, AIB, Associação Von
Humboldt, entre outras.
Seus países membros são: Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil,
Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Estados Unidos, Equador, Espanha, França,
Holanda, Itália, México, Paraguai, Peru, Porto Rico. Republica Dominicana, Suíça,
Uruguai e Venezuela.

�No Brasil atualmente são membros do CLADEA a Associação Nacional de PósGraduação e Pesquisa em Administração(ANPAD), Universidade Federal do Rio de
Janeiro(UFRJ), Fundação Getulio Vargas EAESP/FGV, Universidade de São
Paulo(USP), Universidade Federal da Bahia(UFBA), Universidade Federal de Minas
Gerais(UFMG), Universidade de Santa Cruz do Sul(UNISC), Universidade de São Paulo
de Ribeirão Preto, Universidade do Vale do Itajaí(UNIVALI) e Universidade Federal do
Rio Grande do Sul(UFRGS).
Os objetivos do CLADEA são: contribuir na resolução dos problemas das sociedades
latino-americanas através do ensino, da pesquisa e da difusão dos conhecimentos e das
técnicas de administração; difundir entre as organizações sociais e econômicas da
América Latina a difusão da administração; desenvolver sistemas de cooperação a nível
internacional entre diretores e acadêmicos de distintos países e áreas de interesse,
promovendo a investigação, e o desenvolvimento de casos e apoio bibliográfico; apoiar
os Centros de Informação e Documentação desde o próprio centro de Documentação
do CLADEA; facilitar a comunicação entre os membros de instituições relacionadas com
a administração em cada país e internacionalmente; organizar seminários e eventos
internacionais que favoreçam o intercâmbio e a solução de problemas específicos na
América Latina.

4. SOBRE OS CENTROS DE INFORMAÇÕES LATINO-AMERICANOS DO CLADEA
Por iniciativa da bibliotecária Norma Cecília Alegre Castro, do Centro de Documentação
e Informação (CDI), da Escuela de Administração de Negócios (ESAN), na XXXVIII
Assembléia Anual do CONSELHO LATIONOAMERICANO DE ESCOLAS DE
ADMINISTRAÇÃO (CLADEA), ocorrida em Lima, Peru, de 22 a 24 de outubro de 2003,
reuniram-se representantes de bibliotecas das instituições associadas ao CLADEA da
Argentina, Brasil, Chile e Peru. Neste primeiro encontro, sob o tema “Gerencias: desafios
e novos paradigmas” foram apresentados dois projetos: 1. Metadatos en Negocios y
Economía. Norma Cecilia Alegre Castro. ESAN; 2. Proyecto de tesis digitalizadas.
Marcia Vargas de Sánchez León. Escuela de Postgrado Universidad San Ignacio de
Loyola. Na ocasião, foi lançada a proposta do estabelecimento de um consórcio entre as

�bibliotecas e centros de informação das escolas de administração associadas ao
CLADEA.
Em 2003, no Congresso Mundial sobre Bibliotecas e Informação - 70º Conferencia Geral
da IFLA, em Buenos Aires, ocorreu um novo Encontro no qual foram apresentados
relatos dos projetos anteriores e novos projetos. Estiveram presentes representantes
dos países: Argentina, Chile, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.
Propostas apresentadas:
Red

de

Centros

de

Información.

Proyectos asociativos. Modalidades y

requerimientos. Ángel Castaño. Instituto Universitario IDEA – Argentina;
Proyecto

de

Acceso

y

Transferencia

de

Información

entre

Bibliotecas

Latinoamericanas con vista al mundo. Fátima Canales Gómez. Centro de
Información Bibliotecario de la Escuela Superior Politécnica del Litoral - Equador;
Altamira. Grupo de Bibliotecas Académicas Peruanas. Milagros Morgan. Universidad
de Ciencias Aplicadas, UPC. - Lima;
Relato

I Reunión de Centros de Información Latinoamericanos de CLADEA.

Proyecto: Metadatos en Negocios y Economía. Norma Cecilia Alegre Castro. ESAN
– Lima;
Propuesta CLADEA Business Collection bajo la plataforma Ebrary. Marcia Vargas de
Sánchez León. Escuela de Postgrado Universidad San Ignacio de Loyola - Lima;
Asociatividad y Desarrollo de Estrategias de Sustentabilidad. Proyecto: Consorcio de
Unidades de Información de CLADEA. María Rosa di Risio. IDEA – Argentina.
A primeira reunião ocorrida em Lima e este Encontro, lograram consolidar o Consorcio
de Unidades de Informação do CLADEA e o desenvolvimento de projetos regionais.
Posteriormente, em 2005, aconteceu a II Reunião de Centros de Informação(CI) em
Santiago do Chile, durante a 40º Assembléia Anual do CLADEA, cujo tema foi "Inovação
e Gerência, o novo Gerente para este Milênio, Desafios de Unidades de Informação",
organizada pela Universidad San Ignacio de Loyola, a Escuela de Postgrado da
Universidad San Ignacio de Loyola, Universidad ESAN de Perú, IDEA de Argentina e
CLADEA na sede da Escuela de Negocios da Universidad de Chile. Nesta ocasião

�foram abordados os seguintes temas: gestão da informação, tecnologia e marketing de
serviços.
Representantes dos 11 Centros de Informação de instituições membros do CLADEA,
reunidos durante a 2º Reunião de Centros de Informação do CLADEA, definiram um
Programa de Trabalho para o biênio 2006-2007 e assinaram o Acordo Associativo do
Consórcio de Centros de Informação Latino-Americanos do CLADEA com os seguintes
objetivos:
estabelecer uma aliança estratégica com características próprias que beneficie as
comunidades acadêmicas das instituições vinculadas ao CLADEA;
criar um espaço de discussão e trabalho dos

representantes de unidades de

informação que participam do consorcio do CLADEA;
apresentar os trabalhos cooperativos que permitirão e facilitarão o desenvolvimento
e fortalecimento destes centros;
possibilitar a capacitação dos membros do consórcio através de cursos e palestras.
No consórcio, a esperada relação de benefícios mútuos incorpora não só as potenciais
competências das profissionais engajadas, mas agrega elementos complementares
para o sucesso dessa aliança: a colaboração, a troca de informação, a capacidade de
comunicação, o respeito às diferenças individuais e culturais, etc

5.

PERSPECTIVAS

E

DESAFIOS

DO

CONSÓRCIO

DE

CENTROS

DE

INFORMAÇÃO LATINO AMERICANOS DO CLADEA
Composto por destacadas bibliotecas nos países onde atuam, o Consórcio CLADEA
desenvolve uma perspectiva evolutiva e integrada sistêmicamente para a utilização dos
diversos serviços de informação, formando uma infra-estrutura de longo prazo com
vistas ao desenvolvimento de pessoas e de suas respectivas instituições na América
Latina.
Em linhas gerais, espera-se deste consórcio:
oportunidades frequentes de interação e colaboração para o trabalho e a
aprendizagem cooperativos. No processo de aprendizagem entre pares, o exercício

�da parceria é democrático, no sentido de que a riqueza das contribuições de cada
biblioteca está justamente no aporte de conhecimentos que pode trazer para o
consórcio. Neste sentido, faz-se necessário reconhecer que as bibliotecas
consorciadas são diferentes e, justamente por ser diferentes é que se potencializam
mutuamente;
O relacionamento entre os integrantes, no decorrer de um ano, já criou diversas
possibilidades de ganhos de conhecimentos, provenientes das experiências
desenvolvidas nas diversas bibliotecas ou das informações compartilhadas e
difundidas no âmbito das próprias bibliotecas;
melhorar os processos, produtos e serviços biblioteconômicos locais, a partir da
identificação das melhores práticas entre as colegas. A prática colaborativa permite
que se alcance um elevado nível de qualidade, uma vez que, inevitavelmente,
acontecerão “benchmarkings” expontâneos entre as bibliotecas integrantes do
consórcio;
reduzir custos -

a cooperação permite eliminar as assinaturas de publicações

periódicas de pouca circulação, com a possibilidade de ter sempre acesso a elas
noutras bibliotecas. Além disso, pode-se obter condições de privilégio na prospecção
e na seleção de fornecedores junto às demais bibliotecas do consórcio;
Reforçar o papel e a imagem da biblioteca – ao vincular-se a mais uma rede
cooperativa, a biblioteca distancia-se ainda mais, do antigo paradigma de
mantenedora de acervo para agregar-se como importante instrumento à política de
internacionalização da instituição;
Ao longo do tempo, espera-se dar rumos ainda mais inovadores ao consórcio, com a
criação de uma infra-estrutura colaborativa de partilha de informação e conhecimento
para atender a diversidade de situações e modalidades de interação e aprendizagem
entre as bibliotecas consorciadas.
No que se refere à gestão do consórcio, deve-se levar em conta que o trabalho conjunto,
em vista de sua crescente complexidade, pressupõe muitas vezes o rompimento com
estruturas hierárquicas tradicionais e o gerenciamento de questões ligadas às relações
de poder entre os parceiros, bem como de conflitos decorrentes das diferentes
nacionalidades e culturas envolvidas. Neste caso, para se obter uma convivência
harmônica, é necessário que os profissionais integrantes do consórcio estejam atentos

�às situações que possam gerar conflito e tenham flexibilidade para considerar os
elementos intangíveis que compõem a parceria, pois as principais características e os
atributos das alianças estão predominantemente voltados para o campo dos valores e
da ética.
Enfim, a aliança estratégica depende essencialmente da contínua geração de valor para
seus integrantes e do modo como interagem, isto é, ela deve ser considerada mais
como uma relação em desenvolvimento do que como um acordo associativo.
De um modo geral, os desafios a serem enfrentados pelo Consórcio CLADEA são os
mesmos identificados na literatura para organizações que visam lucro: respeito à
diversidade cultural; construção de consensos prévios quanto a expectativas, objetivos,
papéis, recursos, estratégias e critérios de avaliação, socialização das informações e
planejamento conjunto; assegurar a geração de valor para as instituições aliadas;
construir bases de confiança entre os parceiros.
É preciso considerar que cada aliança estabelecida tem sua própria história e
desenvolvimento. Aliado ao fato de ser uma prática recente e pouco freqüente entre
bibliotecas, deve ser modelada conforme suas especificidades e segundo as motivações
que a inicializaram. Neste caso, o desdobramento das suas etapas segue o ritmo de
desenvolvimento e implementação que é dado pelos seus integrantes.

6. CONCLUSÃO
Se por um lado, pode-se observar uma tendência para o aumento no número de
alianças entre bibliotecas universitárias, por outro o apontamento das expectativas e
obstáculos confirma o grande desafio que é o processo de formação, gestão,
planejamento, acompanhamento e avaliação das mesmas. Integradas neste processo,
sabe-se agora com maior precisão a dimensão desse desafio. Mesmo assim, continuase com metas ambiciosas, no sentido de aumentar o universo de interação entre as
bibliotecas. A experiência, até o presente momento, embora complexa, permite traçar,
com maior segurança e motivação, os caminhos e rotas a seguir.

�REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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VEGA, José Antonio Merlo. La cooperación en las bibliotecas universitárias:
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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            <description>The nature or genre of the resource</description>
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            <description>An account of the resource</description>
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                <text>Este trabalho não tem o objetivo específico de distinguir conceitualmente o termo aliança estratégica, mas concentra-se, especialmente, na relação de aliança entre bibliotecas universitárias por meio de uma das modalidades existentes que é a do consórcio - tipo de aliança que envolve compromissos mútuos de cooperação e de aprendizado em comum e visam gerar riquezas também para todos os parceiros, com ganhos revertidos em benefícios sociais e econômicos, redução de custos e investimentos.Por um lado, pode-se observar uma tendência para o aumento no número de alianças entre bibliotecas universitárias, por outro o apontamento das expectativas e obstáculos confirma o grande desafio que é o processo de formação, gestão, planejamento, acompanhamento e avaliação das mesmas. Integradas neste processo, sabe-se agora com maior precisão a dimensão desse desafio. Mesmo assim, continua-se com metas ambiciosas, no sentido de aumentar o universo de interação entre as  bibliotecas. A experiência, até o presente momento, embora complexa, permite traçar, com maior segurança e motivação, os caminhos e rotas a seguir.</text>
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            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
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                <text>pt</text>
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        <src>http://repositorio.febab.libertar.org/files/original/47/5473/SNBU2006_233.pdf</src>
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                    <text>O CONTROLE INTEGRADO DA CIRCULAÇÃO DE LIVROS ATRAVÉS DO
MÓDULO DE CIRCULAÇÃO DO SOFTWARE VIRTUA: INDICADORES PARA O
DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES DO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA
UNICAMP
Luiz Atílio Vicentini
Bibliotecário
Coordenador do Sistema de Bibliotecas da UNICAMP
vicentini@unicamp.br
Danielle Thiago Ferreira
Bibliotecária
Diretoria de Tecnologia da Informação do Sistema de Bibliotecas UNICAMP
danif@unicamp.br
Valéria Martins dos Santos Gouvêa
Coordenadora Associada do Sistema de Bibliotecas da UNICAMP
valeria@unicamp.br
Gilmar Vicente
Bibliotecário
Diretor/ de Tecnologia da Informação do Sistema de Bibliotecas UNICAMP
gil@unicamp.br
Maria de Lourdes Villas Boas
Bibliotecária
Diretora de Gestão de Recursos do Sistema de Bibliotecas UNICAMP
lvboas@unicamp.br

Resumo
O trabalho mostra a importância do controle integrado da circulação de livros
através de um software integrado de funções para o desenvolvimento de coleção
do Sistema de Bibliotecas da Unicamp. O software possui em seu conjunto de
funções, uma ferramenta chamada “Infostation” que centraliza a emissão dos
relatórios estatísticos do sistema, possibilitando mapear, através das estatísticas
emitidas, todo o andamento de uma das principais funções do módulo que reflete
na Coleção do acervo: a Circulação. Através desta função de emissão de
Relatórios básicos tem-se a visão do fluxo da Circulação de materiais das
Bibliotecas do SBU, visto que agora estamos com 100% das bibliotecas

�trabalhando com o software integrado. Também, confirma e demonstra as
Bibliotecas que possuem maior fluxo de empréstimos da coleção de monografias,
dividido por categoria de usuário e por tipo de material. Nas considerações finais,
tem-se a comparação dos indicadores para o desenvolvimento de coleções do
SBU versus as informações dos relatórios e gráficos estatísticos, onde constata-se
a importância desta ferramenta para a análise da real situação das Bibliotecas e a
rotatividade de seu acervo, para assim serem tomadas decisões administrativas,
em conjunto com o Colegiado do SBU, à respeito de reposição do acervo, novas
aquisições de material e repasse de verbas.
Palavras-chave: Software Integrado de Funções; Desenvolvimento de Coleções;
Desenvolvimento de Coleções - Indicadores; Acervo.
1 INTRODUÇÃO

O Sistema de Bibliotecas da UNICAMP (SBU), conta hoje com
aproximadamente 649.386 mil livros, 16.232 mil títulos de periódicos entre
correntes e não correntes e 76.754 materiais não convencionais. Este é o
tamanho do acervo do SBU, que espalhadas em 21 Bibliotecas Setoriais das
áreas de Biológicas, Exatas, Humanas e Tecnológicas, precisa estar disponíveis
para os nossos usuários, que totalizam hoje quase 50.000.

Para que a informação chegue mais rápido ao nosso usuário, utilizamos o
Software Integrado de Funções VIRTUA, produto da Visionary Technology in
Library Solutions (VTLS), oferecendo ferramentas desde o tratamento da
informação (Módulo de catalogação), até sua disponibilização para o usuário final
através do OPAC e Módulo de Circulação.
A catalogação, a consulta e o empréstimo mudaram, e muito, com a
implantação deste software. Mas há uma mudança mais profunda, que o usuário
só vai sentir com o tempo, pois com o avanço no gerenciamento das informações,
a biblioteca ganha mais organização, qualidade e agilidade na atualização.

�Processos anteriormente pensados separadamente, como um pedido de
empréstimo e uma operação de catalogação, por exemplo, agora tornaram-se
integrados.
Esta integração de funções do software significa uma considerável
economia de tempo e reposicionamento de atitudes e atividades para o pessoal da
biblioteca, como por exemplo, a disponibilização de informações sobre o status
(situação) dos materiais na web

para o usuário (se emprestado, data da

devolução, reservado, etc.).
O Software possui uma ferramenta muito importante também, para o
gerenciamento das coleções, e que é objeto deste trabalho; a possibilidade de
emissão de relatórios estatísticos gerenciais, o que permitem tomadas de
decisões nas atividades desenvolvidas no SBU.
Esta ferramenta chama-se Infostation, e gera relatórios da coleção,
principalmente relatórios de dados oriundos do módulo de circulação.
Com relação ao Módulo de Circulação, no ano de 2002, começaram os
estudos e trabalhos para a um Projeto Piloto do módulo de circulação do software,
para implementação em todas as Bibliotecas da Unicamp.
Hoje contamos com 100% das Bibliotecas já utilizando o módulo de
circulação integrado. Algumas das vantagens desta “conquista” é com relação às
informações e acesso ao usuário, que pode verificar, a distância, sua situação
junto ao SBU, fazer reserva, renovação e consulta de disponibilidade do material.
Pode não parecer, mas um grande salto é dado, no que diz respeito ao
gerenciamento pelo usuário de sua situação na biblioteca, facilitando tanto para o
próprio usuário quanto para a equipe de bibliotecários, onde segundo Levacov
(1997), o conceito de “lugar” tornou-se secundário, e o “acesso” passou a ser mais
importante. Agora a missão é articular ainda mais o usuário diante deste ambiente
tecnológico do SBU. (FERREIRA et al, 2004)

�A questão da interatividade do software continua sendo ao mesmo tempo
nosso dilema e objetivo, por isso surgiram os GT’s (Grupos de Trabalho formados
para estudar cada módulo de função do software), buscam encontrar formas de
agilizar a implantação total e final do software, sendo que as bibliotecas que se
utilizam desta ferramenta também devem continuar ajudando a fechar a versão
definitiva do programa. (FERREIRA et al, 2004)
Assim, procuramos com este trabalho traçar um estudo das vantagens da
das ferramentas do software Virtua, que aliadas a gestão da Informação nas
Bibliotecas do SBU, no que diz respeito ao: aumento da comunicação entre as
Bibliotecas do SBU e a visibilidade dos acervos, sempre tendo como foco o cliente
final, a distância ou local. Assim, vimos que é de extrema importância estar
trazendo esta contribuição, para a troca de experiências.

2 BREVE HISTÓRICO DA AUTOMAÇÃO NO SISTEMA DE BIBLIOTECA DA
UNICAMP
Diante da expansão das bibliotecas no Brasil e no mundo e da área da
tecnologia da informação e automação de bibliotecas, cabe fazer um pequeno e
breve histórico da automação no SBU até chegar nos dias atuais:

ANO
1989

AÇÃO

FINALIDADE

Integração à Rede Bibliodata/CALCO

Automatizar

a

função

catalogação,

integrando-se

de
a

rede nacional de catalogação
cooperativa.
1992

Instalação da base local de monografias, Função
com apoio da IBM e FGV

1995

Projeto

à

FAPESP/

Automação.

de

recuperação

(pesquisa).

Plano

de Compra
integrado

de
de

um

software

funções,

de

hardware, e de estrutura de
rede lógica para o SBU.
1996

Projeto à FAPESP

Criação do Laboratório de

�informática

para

uso

do

Sistema de Bibliotecas nos
treinamentos

de

sistemas

automatizados que estavam
sendo estudados e adquiridos.

1997

Estudos visando a seleção do software Processo
integrado de funções a ser adquirido.

de

compra

do

software integrado de funções
VIRTUA da VTLS - Visionary
Technology

in

Library

Solutions
1998

Aquisição do hardware para instalação Instalação de equipamentos
da base de dados e do software da VTLS na Biblioteca Central
VIRTUA

com o software VIRTUA para
início

dos

testes

e

treinamentos.

1999

Migração e carga da base ACERVUS Inauguração da base com
(163.000 itens bibliográficos)

VIRTUA,

software

com

os

módulos OPAC (Pesquisa) e
Catalogação operantes.
2000

Estudos para implantação do Módulo Detectados

problemas

de

Circulação do VIRTUA.

no

de

performance

tempo

resposta do software quando
da elaboração de pesquisas.
Assim, realizou-se testes de
hardware

(IBM

F40)

e

software.
2001

Licitação de um novo hardware para o Aquisição do hardware SUN
software

E450

para

amenizar

o

problema de performance na

�pesquisa na base ACERVUS.
2002

Trabalhos para implantação do módulo Realização
de circulação

Módulo

do

de

“piloto”

do

Circulação

em

duas bibliotecas do Sistema:
Instituto de Economia (IE) e
Instituto de Física (IFGW).
2002

Reformulação

da

metodologia

catalogação.

de Utilização dos recursos de
catalogação

on-line

do

software VIRTUA, e aplicação
de recursos de captura de
registros

bibliográficos

nas

bibliotecas do mundo.
2002

Disponibilização da versão web do Possível de ser disponibilizado
Unibibli. Consórcio CRUESP Bibliotecas através

do

protocolo

de

comunicação Z39.50 existente
no software VIRTUA.
2002

Inicio do projeto da Biblioteca Digital de Disponibilizar texto completo
teses.

das teses e dissertações da
Unicamp.

2005

100%

das

Bibliotecas

utilizando

o Visibilidade da coleção.

Módulo de Circulação.
Fonte: Baseado em Vincentini, 2003.

3 - GERAÇÃO DE RELATÓRIOS DO SOFTWARE E O DESENVOLVIMENTO
DE COLEÇÕES DO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNICAMP
Caracterizando esta ferramenta, consideramos-na como uma peça-chave
do gerenciamento da coleção do Sistema de Bibliotecas da Unicamp.

�Esta emite relatórios, diários ou mensais, de várias funções e opções do
sistema. E um dos mais importantes relatórios, foco deste trabalho, é o que
espelha a circulação da coleção de todas as bibliotecas do SBU.

Consideramos, a ferramenta e os resultados de seus relatórios, uma forma
de visualizarmos toda a circulação de materiais, e podemos confiar em seus
dados, graças à coleção estar 100% intergrada neste módulo.

O Infostation possui opção de relatórios de todos os módulos do software e
dentro de cada módulo, tem-se a opção dos tipos de relatórios a serem emitidos,
como por exemplo, total de circulação geral, itens atrasados, usuários
cadastrados, situação do item (status), etc.

Temos a seguir, algumas telas, que demonstram a ferramenta:

Tela inicial do “infostation”

�Tela que exemplifica as opções de geração de relatórios.
Com relação ao Desenvolvimento de Coleção do SBU, precisávamos de
algo que mostrasse a situação do acervo e movimentação deste.

Portanto, vemos que tal ferramenta apóia a tomada de decisão das
Diretorias do SBU, como a Coordenação, Diretorias das Unidades, Diretoria de
Gestão de Recursos, e a própria área de Tecnologia da Informação.

Decisões como, aquisição de itens bibliográficos e repasse de verbas, por
exemplo, podem ser tomadas diante dos relatórios gerados.

Para melhor visualização dos dados dos relatórios, temos a transformação
desses dados em gráficos, que ilustram de forma mais clara a situação da
Circulação, segue exemplo:

�Grafico1: Circulação do Sistema de Bibliotecas da Unicamp - 2005 durante o
ano de 2005, por Biblioteca setorial

CLE

IB

IG

FEA

CTC

CESET/CTL

FEF

IA

FOP

FCM

IQ

IFGW

IMECC

IEL

BAE

FE

IE

IFCH

100000
90000
80000
70000
60000
50000
40000
30000
20000
10000
0
BC

Total

Circulação SBU - Ano de 2005

Bibliotecas Unidades

Neste gráfico, temos os dados da Circulação do Sistema de Bibliotecas da
Unicamp durante o ano de 2005, por Biblioteca setorial. Temos aí um total geral
de circulação de quase 600.000 itens. Podemos visualizar, por exemplo, as três
Bibliotecas que tiveram maior movimentação do acervo: Biblioteca Central Cesar
Lattes, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas e Instituto de Estudas da
Linguagem.

Como exemplo de tomada de decisão para o Desenvolvimento de Coleção
diante deste gráfico, está a prioridade das Unidades à serem beneficiadas com
relação ao repasse de verbas para a aquisição, tanto de material bibliográfico,
quanto de infra-estrutura.

�Grafico2: Total de empréstimos por Usuário – 2005

Total de Empréstimos por categoria de usuários 2005

Outros
10%

Docente
2%

Doutorado
9%
Mestrado
12%

Graduação
67%

Neste gráfico, temos a porcentagem do total de empréstimos por categoria
de usuários, ou seja, os usuários que mais retiram material no Sistema de
Bibliotecas da Unicamp. Diante deste gráfico, tem-se a clara imagem de que o
aluno de graduação da Universidade é o usuário que possui maior rotatividade nas
Bibliotecas.

Portanto, um exemplo de tomada de decisão para o Desenvolvimento de
Coleções neste caso, é priorizar a aquisição de livros, ou maior número de
exemplares de determinado título, direcionados a bibliografia básica deste usuário.

�Gráfico3: Média/ Dia útil de Circulação 2005

Média da Circulação por dia útil - 2005

350

217
180

176
141

123

114
52

IG
IM
EC
C

IF
C
H
IF
G
W

IE
L

IE

IB

IA

27
P

FE
F

FE
A

FE

M

98
63

55

25

FC

C
TC

C
LE

61

C

ES BC
ET
/C
TL

7
B
A
E

71

65

FO

66

IQ

164

Este é outro gráfico que exemplifica a rotatividade da coleção. Agora
totalizando a média diária (dias úteis) de circulação. Este gráfico complementa o
gráfico 1, que demonstra o acervo que mais circula e que pode ser base para a
tomada de decisão do desenvolvimento de Coleção com relação a repasses e
aquisições.

4 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho teve o intuito de demonstrar o impacto que a circulação
integrada do Sistema de Biblioteca da Unicamp trouxe para as tomadas de
decisão da área de Desenvolvimento de Coleções.

As tecnologias de informação aliadas à rotina das Bibliotecas trouxeram
mudanças significativas ao desenvolvimento de Coleções das Bibliotecas, pois
oferecem de forma mais rápida, respostas que são fundamentais ao crescimento
do acervo das Bibliotecas.

�No caso do Sistema de Bibliotecas da Unicamp, o software gerenciador da
coleção nos propiciou esta visibilidade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FERREIRA, D. T. PIETROSANTO, A G. SANTOS, G. C . Operacionalidade e
implementação do módulo de circulação do software de funções integradas
Virtua/Vtls: a experiência do Sistema de Bibliotecas da Unicamp. . In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 12., Natal, 2004. [Anais
eletrônicos...]. Natal: UFRN, 2004.
LEVACOV, M. Bibliotecas Virtuais: (r)evolução? Ciência da Informação, v.26, n.2
1997. Disponível em: &lt;http://www.ibict.br/cionline/260297/index.htm&gt;. Acesso em:
26/11/2003.
PIETROSANTO, Ademir Giacomo ; SANTOS, Gildenir Carolino ; PILLON, Márcia
Aparecida D´Alóia ; RODRIGUES, Célia Aparecida. Implementação de um módulo
de circulação através do Software de Funções Integradas VIRTUA/VTLS: a
experiência do Sistema de Bibliotecas da UNICAMP. In: SEMINÁRIO NACIONAL
DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 10., Florianópolis, 2000.
[Anais
eletrônicos...]. Florianópolis : UFSC, 2000.
VICENTIN, Luiz Atílio. A informatização do Sistema de Bibliotecas da
UNICAMP. Campinas, SP: SBU/UNICAMP, 2003. (Relatório).

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O controle integrado da circulação de livros através do módulo de circulação do software Virtua: indicadores para o desenvolvimento de coleções do Sistema de Bibliotecas da UICAMP.</text>
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                <text>Vicentini, Luiz Atílio; Ferreira, Danielle Thiago; Gouvêa, Valéria Martins dos Santos; Villas Boas, Maria de Lourdes</text>
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            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>O trabalho mostra a importância do controle integrado da circulação de livros através de um software integrado de funções para o desenvolvimento de coleções do Sistema de bibliotecas da UNICAMP. O software possue em seu conjunto de funções uma ferrametna chamada "infostation" que centraliza a emissão dos relatórios estatísticos do sistema, possibilitando mapear, através das estatísticas emitidas, todo o andamento de uma das pricipais funções do módulo que reflete na coleção do acervo: a Circulação. Através dessa função de emissão de relatórios básicos tem-se a visão do fluxo da circulação de materiais das bibliotecas do SBU, visto que agora estamos com 100% das bibliotecas trabalhando com o software integrado. Também, confirma e demonstra as Bibliotecas que possuem maior fluxo de empréstimos da coleção de monografias, dividido por categoria de usuário e por tipo de material. Nas considerações finais, tem-se a comparação dos indicadores para o desenvolvimento de coleções do SBU versus as informações dos relatórios e gráficos estatísticos, onde constata-se a importância desta ferramenta para a análise da real situação das Bibliotecas e a rotatividade de seu acervo, para assim serem tomadas decisões administrativas, em conjunto com o Colegiado do SBU, à respeito de reposição do acervo, novas aquisições de material e repasse de verbas.</text>
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                    <text>O CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO EDUCACIONAL E A
PARTICIPAÇÃO EFETIVA DE PROFISSIONAIS DA INFORMAÇÃO NO
CONTEXTO DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA:
UM RELATO DE EXPERIÊNCIA1
Gildenir Carolino Santos
Bibliotecário, Doutorando em Educação,
Universidade Estadual de Campinas –
Faculdade de Educação,
Brasil - gilbfe@unicamp.br
Rosemary Passos
Bibliotecária, Mestre em Ciência da Informação,
Universidade Estadual de Campinas –
Faculdade de Educação,
Brasil - bibrose@unicamp.br
Josidelma Francisca de Souza
Bibliotecária, Mestre em Ciência da Informação,
Universidade Estadual de Campinas –
Faculdade de Educação,
Brasil - josi@unicamp.br
Leonardo Fernandes Souto
Bibliotecário, Doutorando em Ciências da
Comunicação, Universidade Estadual de Campinas –
Biblioteca Central,
Brasil - lfsouto@unicamp.br
Sérgio Ferreira do Amaral
Professor, Pós-Doutor em Comunicação,
Universidade Estadual de Campinas –
Faculdade de Educação,
Brasil - amaral@unicamp.br
Resumo
Na área do conhecimento de humanas e ciências sociais aplicadas, conseguimos destacar nos
últimos tempos, a grande relevância da parceria da Educação e Biblioteconomia nos diversos
campos do conhecimento. Desta forma, ambas preocupadas com a formação dos indivíduos
(educadores e bibliotecários), agregam suas experiências e tornam mais acessíveis as formas de
disseminação do conhecimento neste novo século. Através do curso de Especialização em Gestão
Educacional da Faculdade de Educação da UNICAMP e da Secretaria do Estado de Educação de
São Paulo, profissionais bibliotecários desta primeira instituição, possuidores de perfil e
habilidades na aplicação de técnicas para recuperação e disseminação de informação, adquiridas
ao longo da sua formação acadêmica, tornam-se colaboradores, participando incisivamente no
processo de capacitação de professores gestores. O presente trabalho traz um relato de
experiência que almeja contextualizar o envolvimento destes profissionais, especificamente na
disciplina Tecnologias da Informação e da Comunicação de forma modular (à distância e
presencial), focando e definindo parâmetros para a realização de pesquisa bibliográfica,
mediatizada por novas tecnologias, coletando informações que permitam a elaboração de um
projeto de gestão educacional sob o tema “construção da biblioteca escolar digital”, que possa ser
aplicado no âmbito da escola, para efeito de avaliação da aprendizagem e finalização do módulo.
Palavras-chave: Profissionais da informação-Capacitação; Tecnologia da informação e
comunicação-Curso; Bibliotecas universitárias.
1

Este trabalho teve apoio da AFPU – Agência de Formação Profissional da UNICAMP.

1

�1 INTRODUÇÃO

O curso de Especialização em Gestão Educacional (CEGE), promovido
pela Secretaria Estadual de Educação de São Paulo (SEE-SP) em parceria com a
Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (FE/UNICAMP)
elaborado para atender aos critérios de formação dos servidores do sistema
público de ensino estadual que atuam em funções de dirigentes. A estruturação
deste curso e seu planejamento trouxeram inovações didáticas para a sua
realização, pois até então, a FE/UNICAMP, não havia disponibilizado um curso
modular para 6.000 professores da rede pública na Universidade2.

O CEGE têm como objetivos:






pensar sobre as múltiplas dimensões das ações que os gestores
realizam em suas escolas, considerando as inúmeras demandas
institucionais;
refletir sobre as possibilidades encontradas pelas pessoas que estão
na função de gestores ao lidar com o cotidiano escolar, ao mesmo
tempo em que exercem sua liderança;
ampliar os conhecimentos dos gestores de unidades escolares no que
se refere aos múltiplos aspectos envolvidos no planejamento e gestão
como processo de construção coletiva, estimulando a realização e o
aprofundamento de estudos na perspectiva de uma formação
continuada;
valorizar a prática profissional concreta dos gestores de unidades
escolares e incrementar o intercâmbio de experiências sobre a gestão
de projetos sociais, as de âmbito curricular e as relacionadas ao
Projeto Político Pedagógico da escola.3

A proposta do curso se insere no projeto político da SEE/SP e da
FE/UNICAMP de oferecer aos responsáveis pela administração escolar, na rede
de ensino público, perspectivas de atuação que contemplem para além da
formação escolar a formação cidadã.

O curso atende a todas as exigências legais para sua realização na
modalidade pós-graduação “lato senso”. Sendo oferecido na forma semipresencial, isto é, das 390 horas, 180 horas serão ministradas presencialmente e
180

2
3

horas

serão

ministradas

à

distância

através

de

vídeo

Extraído do Projeto CEGE no site : http://cege.isateducacao.com.br/projeto.php
http://cege.isateducacao.com.br/projeto.php

2

-

aulas,

�videoconferências e outros meios, finalizando com 30 horas dedicadas ao
trabalho de conclusão de curso (TCC).

2 PRINCIPIOS NORTEADORES DO CURSO

Os diversos conteúdos e práticas da proposta de Curso de Especialização
serão norteados pelos seguintes princípios básicos: Construção Coletiva de
Projeto Pedagógico; Cidadania e Inclusão; Currículo; e Educação Contínua, esses
quatro princípios estão presentes, explícita ou implicitamente, em todas as
unidades constitutivas do Curso de Especialização, com o intuito de incentivar os
participantes à realização de propostas e procedimentos de gestão no horizonte
coletivo proposto. (BITTENCOURT; OLIVEIRA JÚNIOR, 2005).

2.1 Construção Coletiva de Projeto Pedagógico

Este princípio prevê a gestão nas unidades escolares, privilegiando
procedimentos que permitam a elaboração, a prática e a avaliação do Projeto da
Escola, construído com a participação de todos os sujeitos integrantes dos
diversos segmentos envolvidos com a Educação e a escola.

Vieira, Almeida e Alonso (2003, p.91), refletem sobre a construção do
projeto pedagógico, salientando a importância do mesmo como instrumento de
autonomia da escola, “na medida em que se mostra com identidade própria; mas
é também, o instrumento que permite o controle do trabalho escolar”.

Para que este projeto seja reconhecido e que a sua elaboração e produto
representem o resultado de um processo amplo de participação de todos os
setores da comunidade escolar, é necessário assegurar que este seja assumido
por todos e não somente pelo diretor, sendo assim, qualquer projeto em sua
elaboração inicial, bem como em sua fase de implementação requer o empenho
de todos os envolvidos para que haja plena coerência do que foi proposto
inicialmente. (VIEIRA, ALMEIDA, ALONSO, 2003).

3

�2.2 Cidadania e Inclusão

Supõe-se que a gestão de unidades escolares, em todas as suas
instâncias, deverá considerar a necessidade do pleno exercício de cidadania,
compreendida como construção histórica, numa sociedade plural e democrática,
que busca superar toda e qualquer forma de discriminação e exclusão social,
estimulando a conscientização e a participação de todos nos procedimentos que
permitam a inclusão plena dos sujeitos aos quais a educação se destina4
É necessário ir além. Uma pedagogia que incentive a aprendizagem
personalizada a partir do interesse da cada um e ao mesmo tempo
viabilize a aprendizagem coletiva, a aprendizagem em rede e pela rede:
esse deve ser o espírito da alfabetização tecnológica. (SILVEIRA, 2001,
p.28)

2.3 Currículo

Entende-se que os procedimentos de gestão de unidades escolares
deverão voltar-se ao desenvolvimento do currículo escolar, conforme concebido e
praticado, incentivando de forma permanente, as propostas de discussão sobre
as práticas pedagógicas e os elementos constitutivos do currículo.5

Sancho e Hernandez (2006), descrevem sobre a necessidade do
professor considerar os objetivos educativos, e as diferentes características de
cada estudante, suas possibilidades e preferências, para que assim possa
planejar diferentes formatos de apresentação da informação, para que o currículo
se torne acessível.

2.4 Educação Contínua

Considera-se nesta perspectiva o desenvolvimento dos procedimentos de
gestão de unidades escolares a partir de um processo de formação contínua.
Sendo assim, o gestor de unidade escolar deverá permanentemente buscar, com
4
5

http://cege.isateducacao.com.br/projeto.php
http://cege.isateducacao.com.br/projeto.php

4

�autonomia, os subsídios teóricos e práticos para iluminar questões decorrentes
dos desafios escolares, ao mesmo tempo em que opera novas ações, que exigem
novas reflexões, e assim sucessivamente.6
3 ESTRATÉGIAS METODOLÓGICAS
3.1 Estratégias para a modalidade presencial
A carga horária presencial é distribuída em duas aulas por disciplina, com
sete horas e trinta minutos cada aula, em dois sábados consecutivos. As aulas
teóricas e as atividades complementares (oficinas) são da responsabilidade de
uma Equipe de Coordenação constituída por doutores integrantes do quadro
docente da FE /UNICAMP, com a participação de pesquisadores integrantes dos
Grupos de Pesquisa da mesma Faculdade e de estudantes do Programa de PósGraduação da FE/UNICAMP, com titulação mínima de mestre.

Cada Equipe de Coordenação indica um docente da FE/UNICAMP para
exercer as funções de Coordenador de Disciplina (módulo) que se responsabiliza
por todas as atividades presenciais e a distância da disciplina.

O módulo de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), ficou sob
Coordenação do Prof. Dr. Sérgio Ferreira do Amaral, professor titular da
FE/UNICAMP, que constituiu uma equipe de 12 professores, sendo 4
bibliotecários (todos com títulos de mestre, sendo que 2, estão cursando o
doutorado), para ministrar as disciplinas desse módulo (Tecnologia, Metodologia
da Pesquisa e Pesquisa Bibliográfica), nas categorias presencial e à distância.
(AMARAL, 2005).

3.2 Estratégias para a modalidade à distância
Cada turma de gestores, composta por cerca de 50 alunos, possui um
monitor de turma, responsável na orientação para a realização das atividades

6

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5

�propostas pela disciplina, verificando o cumprimento do prazo de entrega,
esclarecendo dúvidas, bem como avaliando e comentando os trabalhos
realizados pelos alunos. No caso do módulo TIC, os próprios professores
presenciais, monitoram os alunos à distância. Cada disciplina é acompanhada
por um Supervisor de Ensino a Distância (EaD), que por sua vez coordena as
aulas dos professores.

O professores, durante o desenvolvimento das atividades de EaD,
acompanham o debate nos “fóruns de discussão”, oferecendo, permanentemente,
suporte teórico e metodológico. Ao término de cada atividade, realizam-se
reuniões, com o coordenador da disciplina juntamente com a equipe de
professores, avaliando o desempenho dos integrantes do módulo de tecnologia.
Esse momento também é utilizado para esclarecimento de dúvidas e mediação
de eventuais problemas colocados no Fórum de Discussão oriundos das
atividades presenciais ou a distância. (BITTENCOURT; OLIVEIRA JÚNIOR,
2005).

A comunicação da supervisão da educação a distância desta disciplina é
estabelecida, prioritariamente, com os professores das aulas presenciais, a fim
fortalecer os vínculos entre estudantes, professores e coordenação do módulo.

A carga horária a distância foi dividida em quinze dias úteis, o que sugere
que cada estudante dedique pelo menos uma hora por dia para a realização das
atividades à distância. Para cada período à distância foram definidas atividades
que estão de acordo com o Projeto do CEGE do Sistema Público Estadual de
Educação de São Paulo, ou seja, atividades que convidem o estudante a realizar
reflexões sobre sua prática e reinventar suas ações. (BITTENCOURT; OLIVEIRA
JÚNIOR, 2005).

4 AMBIENTE DE EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA – TELEDUC

O ambiente computacional de EaD utilizado neste curso, foi o TelEduc,
desenvolvido pelo Núcleo de Informática Aplicada à Educação (NIED), em

6

�parceria com o Instituto de Computação (IC) da UNICAMP. Por meio desse
ambiente, os participantes puderam apropriar-se das TIC - Internet e ambiente de
EaD - e interagirem-se com os professores e monitores do curso e com os seus
colegas. Esta comunicação foi estabelecida através do envio e recebimento de
mensagens, participação dos fóruns de discussão, realização de chats,
recebimento de orientações sobre as atividades a serem desenvolvidas e retorno
sobre o seu desenvolvimento no curso7.

Para Burnham e Mattos (2004, p.143), os meios de comunicação na prática
educativa, são utilizados informar, e disponibilizar ambientes tecnológicos, que
favoreçam a interatividade, o diálogo, a negociação e, consequentemente, a
construção e socialização coletiva de saberes. Os autores confirmam a
flexibilidade de tempo-espaço no processo de ensino / aprendizagem a distancia,
no desenvolvimento das atividades, o que possibilita aos participantes do curso a
possibilidade da construção individual e coletiva do conhecimento, “sem
necessariamente a presença simultânea dos sujeitos envolvidos no processo
educativo”.

A diversidade de interações que ocorrem no ambiente TelEduc cria
espaços propícios para a apropriação mútua de conhecimentos e a troca de
informação sobre as realidades de cada disciplina, fortalecendo assim o processo
de implantação das tecnologias nas respectivas práticas dos gestores.

As disciplinas foram desenvolvidas através de atividades individuais e em
grupo, conforme as estratégias metodológicas definidas para cada atividade.
Nesse ambiente de EaD também foram compartilhadas idéias decorrentes das
atividades desenvolvidas, bem como reflexões sobre a vivência do estudante na
disciplina.

7

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7

�As ferramentas utilizadas no TelEduc foram as seguintes:


Dinâmica do curso: contêm as informações sobre o objetivo do curso,
programa, cronograma, metodologia e avaliação.



Agenda: Contêm a programação detalhada de cada disciplina do curso.



Atividades: local onde são propostas as atividades a serem realizadas pelos
gestores - estudantes.



Material de apoio: contém textos relacionados à temática do curso para
subsidiar o desenvolvimento das atividades propostas e indicações de leituras
complementares.



Fórum de discussão: Espaço utilizado para colocar os trabalhos que serão
socializados com os colegas e que poderão desencadear discussão sobre um
ou mais temas da disciplina



Correio: é um sistema de correio eletrônico interno ao ambiente para troca de
mensagens entre os participantes do curso.



Perfil: é um espaço onde cada participante do curso se apresenta aos demais
colegas.



Portfólio: é um espaço para onde serão encaminhados os trabalhos
produzidos a partir das atividades propostas. Cada trabalho deve ser colocado
na pasta da respectiva disciplina e seguir a opção de compartilhamento
conforme a proposta da atividade. O conjunto das atividades do portfólio
contribuirá para a avaliação de cada disciplina e realização do trabalho final do
curso8.

Além dos fóruns temáticos, cada disciplina terá um fórum para Dúvidas
Gerais, onde deverão ser postadas as dúvidas relacionadas ao conteúdo.
Permanentemente haverá um fórum de Dúvidas Técnicas / Administrativas,
onde deverão ser postadas as dúvidas sobre operacionalização do ambiente de
educação a distância e dúvidas administrativas. Também foi mantido o Café
Virtual (fórum), espaço aberto para mensagens que não estejam relacionadas
com o contexto do curso, mas destinado àqueles que gostariam de socializar com
os colegas do curso.
8

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8

�5 REVISÃO DA LITERATURA

5.1 O módulo TIC

O módulo TIC tem sua estrutura dividida em três sub-disciplinas, a saber: a
Tecnologia aplicada ao Ensino, Metodologia Científica e Pesquisa bibliográfica.
Neste módulo, as disciplinas fornecem elementos iniciais sobre alguns
paradigmas relacionados à utilização de recursos tecnológicos no contexto
educacional a partir de uma discussão sobre a relação do professor com a
tecnologia, as novas práticas de comunicação educacional mediatizadas pelas
tecnologias digitais, a consolidação da construção do conhecimento em rede, a
visão da ciência, tecnologia e sociedade no ensino fundamental e o debate das
possibilidades, vantagens, perspectivas e perdas que temos vivido em um mundo
totalmente influenciado pela mídia. (AMARAL, 2005).
A medida que professores e alunos venham dominar diferentes
instrumentais teóricos e metodológicos para a leitura dos diversos
produtos disponibilizados pelos novos suportes tecnológicos sintetizados
no ciberespaço, para fins de uma apropriação critica de conteúdos, o
processo de fruição do bens simbólicos desta sociedade do
conhecimento deixa de ser passivo e alienado para ser efetivamente
interativo. Ou seja, é preciso educar para o uso consciente dos bens de
informação e comunicação disponibilizados. (MEDOLA, 2005, p.40).

Segundo Leite (2003, p.11), “a presença inegável da tecnologia em nossa
sociedade constitui a primeira base para que haja necessidade de sua presença
na escola”.

Para que as três sub-disciplinas propostas pelo módulo TIC fossem
trabalhados nas atividades das aulas presencias e à distância, a estrutura da
disciplina seguiu a seguinte ementa: - discussão dos “Meios na escola”: é o
ponto de partida para entender a TIC na Escola, através da problematização do
tema, utilizando-se o recurso de tentar responder a três interrogações básicas:
“Para que se ensina na escola?”; “O que se ensina?”; “Como se ensina?”
(LITWIN, 2001).

9

�Esse item permite ao professor conhecer novas formas de ensinar e
aprender

incorporando

as

tecnologias,

partindo-se

do

principio

de

desenvolvimento e aplicação do conceito de alfabetização tecnológica:
[...] desenvolvido a partir da idéia de que é necessário o professor
dominar a utilização pedagógica das tecnologias, de forma que elas
facilitem a aprendizagem, sejam objetos de conhecimento a ser
democratizado e instrumento para a construção de conhecimento.
(LEITE, 2003, p.14).

Litwin (2001, p.131), considera que:
[...] o desenvolvimento da tecnologia atinge de tal modo às formas de
vida da sociedade que a escola não pode ficar a margem. Não se trata
simplesmente da criação de tecnologia para a educação, da recepção
crítica ou da incorporação de informações dos meios da escola. Trata-se
de entender que se criaram novas formas de comunicação, novos estilos
de trabalho, novas maneiras de ter acesso e de produzir conhecimento.
Compreendê-los em todas sua dimensão nos permitirá criar boas
práticas de ensino para escola de hoje.

Na discussão da “Educação no contexto de solução tecnológica’, o
gestor reflete não apenas na disponibilização de recursos prontos na escola, mas
faz uma gestão de intervenção nas práticas educativas (BIANCHINI, 2005). Outro
item que faz parte da ementa é o trabalho com as tecnologias digitais no
“Desenvolvimento de projetos educacionais”, dando destaque à rede Internet
e à tecnologia de comunicação digital. Nesse item a disciplina se propõe a levar o
gestor a uma reflexão, sobre sua atuação no ambiente escolar, instigando que a
sua intervenção dentro de sala de aula ocorra como sendo o próprio produtor do
conteúdo educacional a ser utilizado em sala de aula, tornando-se desta forma o
primeiro articulador no desenvolvimento das práticas pedagógicas. A disciplina
contextualiza a aplicação de conceitos de metodologia científica para a realização
de projetos educacionais, tendo como fundamentação as “Práticas pedagógicas
centradas em conceito metodológico”. Finalizando a ementa, o módulo propõe
à “Preparação de um projeto” utilizando conceitos formais de pesquisa e a
convergência da TIC como meio de processar a disseminação da informação no
espaço escolar (projeto de construção de uma Biblioteca Escolar Digital – BED,
criada através do kit BEDNet) (SANTOS, 2005).

10

�5.2 Estratégia de ensino e aprendizagem no módulo TIC

As duas aulas presenciais do CEGE são expositivas, sendo que o
professor atua como mediador das discussões, que já foram propostas nos 3
fóruns de discussão, cujo tema estão interligados da seguinte forma :

1º Fórum - Tema: Porque a utilização da Tecnologia nas atividades
curriculares e de conteúdo da minha escola?
2º Fórum - Tema: Pontos positivos e negativos das possíveis práticas.
3º Fórum - Tema: Prática docente frente às novas competências e
mudanças na escola.

A relação entre os fóruns ocorre da seguinte forma, no primeiro fórum os
gestores questionam sobre a necessidade do uso das tecnologias aplicadas como
recurso pedagógico e como implementação do conteúdo curricular, sem, contudo
dispensar o uso de recursos tradicionais (giz, lousa, retroprojetor, etc.) (LEITE,
2003). No segundo fórum são analisados os pontos positivos e negativos
decorrentes da aplicação das tecnologias no cotidiano escolar. No terceiro e
último fórum os gestores analisam a sua prática docente usando as tecnologias,
se os procedimentos tecnológicos são relevantes para a transformação do
processo de ensino e aprendizagem em uma forma mais efetiva.

As discussões a partir dos fóruns são permeadas em sala de aula, com
apresentações de vídeos e de alguns trabalhos práticos, produzidos por alunas do
curso de Pedagogia da FE/UNICAMP, na disciplina ministrada pelo Professor
Sérgio Ferreira do Amaral, do Laboratório de Novas Tecnologias Aplicadas à
Educação (LANTEC)9. Esse material demonstra na prática a possibilidade dos
professores tornarem-se produtores do próprio conteúdo curricular, sem
terceirizar os fundamentos de sua disciplina, e o início da comunicação científica.

Nas aulas presenciais, são propostos trabalhos em grupo, no qual os
gestores discutem, analisam e expõem o conteúdo dos textos bases da disciplina
9

LANTEC – consultar o site: http://beta.fae.unicamp.br/tic

11

�de tecnologia, bem comum tecem comentários e avaliam as três vídeo-aulas,
também ministradas pelo coordenador do Módulo.

A contextualização das discussões anteriores é preparatória para que os
gestores realizem o projeto final de conclusão deste módulo, que é o
planejamento e a estruturação de um projeto para a implantação de uma BED
(SANTOS, 2002). Esse recurso permite ao gestor planejar e visualizar a
possibilidade de construir o seu conteúdo didático e disponibilizá-lo em rede,
utilizando conceitos formais de pesquisa e a convergência da TIC, a partir dos
conteúdos produzidos por alunos e professores.

5.3 A BED – Trabalho final da disciplina do módulo TIC

O desenvolvimento de uma BED, dentro da proposta do módulo TIC,
caracteriza-se pelo envolvimento dos gestores, na construção de mais uma
ferramenta auxiliar no processo de ensino-aprendizagem, que proporciona a
reprodução de um ambiente informacional da sociedade contemporânea, uma vez
que as bibliotecas se converterão em espaços de integração de mídias,
softwares, podendo através de seu programa, promover experiências criativas de
uso da informação, bem como aproximar o aluno de uma realidade que ele vai
vivenciar no seu dia-a-dia, como profissional e como cidadão. (VIEIRA; ALMEIDA;
ALONSO, 2003).

Uma das propostas deste projeto consiste em resgatar o que se usa na
Internet como fonte de pesquisa, e trazê-la para a sala de aula, permitindo que
essa interação de computador e alunos aconteça com um único propósito: a
construção de textos e outros materiais didáticos, a partir dos trabalhos
produzidos pelos alunos, onde os mesmos farão a inserção de dados, aprenderão
a processar os documentos de forma a resgatar a informação. (SANTOS, 2002).

O resultado final se apresenta na confecção de um site como modelo para
futuras BED. A página do LANTEC disponibiliza o default contendo a página de
uma BED, confeccionada a partir da dissertação de mestrado desenvolvido por

12

�Santos (2002), podendo ser utilizado por qualquer instituição interessada em
implementar este projeto em sua unidade de ensino para formar a rede de
bibliotecas escolares digitais. (SANTOS; AMARAL, 2006).

Dentre as informações possíveis de serem disponibilizadas e acessadas
no site de uma BED temos os seguintes itens a serem considerados :


os alunos têm acesso na Biblioteca Virtual, as atividades e projetos
relacionados à série em que se encontram e a cada área de aprendizagem;



a área do aluno na Internet é dividida por níveis educação infantil, primeira a
quarta série, quinta a oitava, ensino médio;



em todas as séries há uma área para acesso a materiais de cada professor,
para a comunicação com eles e até plantão de dúvidas (atendimento on-line);



os alunos podem divulgar suas produções principais: pesquisas, projetos,
visitas. Pode comunicar-se por e-mail, listas de discussão, chat com
professores e outros colegas. Cada professor pode ter uma página pessoal,
com suas disciplinas, atividades, projetos e materiais específicos. (VIEIRA;
ALMEIDA; ALONSO, 2003; BELLUZZO, 2005).

5.4 Atuação dos bibliotecários no CEGE

A atuação de um bibliotecário, na área educacional, tem a dimensão de um
compromisso com alunos e professores que estão diante do processo de formação
de indivíduos, no caso específico dos bibliotecários atuantes em uma instituição de
Ensino Superior (UNICAMP), vem de encontro com os objetivos primeiros desta
instituição (ensino, pesquisa e extensão) (PASSOS, 2003).

O contexto educacional permite ao bibliotecário a conexão entre recursos
informativos e pessoas.

Através de sua contribuição, é possível ao bibliotecário

auxiliar no processo de treinamentos em geral, no caso do curso dos gestores, o
bibliotecário colabora com os professores, auxiliando no processo de ensino e
aprendizagem. (PASSOS, 2003).

13

�Desta forma as aulas ministradas pelos bibliotecários da FE/UNICAMP, no
módulo TIC, representaram à oportunidade para que esse profissional exercitasse
algumas competências exigidas no desempenho de sua profissão, elencadas por
Valentim (2002, p.123-125):
Competência de Comunicação e Expressão - Capacitar e orientar os
usuários para um melhor uso dos recursos de informação disponíveis
nas unidades de informação.
Competências Técnico – Cientificas - Selecionar, registrar, armazenar,
recuperar e difundir a informação gravada em qualquer meio para os
usuários de unidades, serviços e sistemas de informação; utilizar e
disseminar fontes, produtos e recursos de informação em diferentes
suportes; Planejar e executar estudos de usuários e formação de
usuários da informação.
Competências gerenciais - Buscar, registrar, avaliar e difundir a
informação com fins acadêmicos e profissionais;
Competências políticas - Fomentar uma atitude aberta e interativa com
os diversos atores sociais (políticos, empresários, educadores,
trabalhadores e profissionais de outras áreas, instituições e cidadãos em
geral); Identificar as novas demandas sociais de informação.

No desenvolvimento do módulo TIC, os profissionais bibliotecários, se
apropriaram do discurso pedagógico, aliado-o as técnicas biblioteconômicas, de
organização, disseminação da informação impressa e on-line, construindo uma
didática específica para que ocorresse a plena integração com os alunos
gestores, o que foi plenamente correspondido, tendo em vista as avaliações
positivas dos alunos gestores, com relação a atuação dos bibliotecários em sala
de aula, confirmando a necessidade crescente do profissional da informação,
investir

em seu aperfeiçoamento, buscando uma qualificação, através da

educação continuada ou por aprendizagem autônoma, além da sua formação
técnica. (VALETIM, 2000).

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O trabalho desenvolvido na equipe do módulo TIC,

trouxe para os

profissionais envolvidos (coordenadores, professores, bibliotecários), a aplicação
prática da interação entre diferentes áreas de formação (Educação e
Biblioteconomia / Ciência da Informação), proporcionando desse modo a
interdisciplinaridade tão propagada quando falamos em gestão do conhecimento
na Sociedade da Informação (SANCHO; HERNANDEZ, 2006). O conjunto de
14

�competência e habilidades particulares de cada área foi reunido em um módulo
de EaD, trazendo contribuições importantes, agregadas num único objetivo: a
formação dos gestores educacionais da SEE/SP.

Desse modo, nós profissionais da informação, vimos realizar efetivamente
algo que têm se tornado a tônica de nossa formação, que é a necessidade do
desenvolvimento de competências profissionais, que nos permita dialogar,
contribuir e nos envolver com outras áreas do conhecimento.

Perrenoud (1999), citado por Barros (2005, p. 49), refere-se a competência
e habilidades, como:
as capacidades de agir eficazmente em um determinado tipo o de
situação apoiando-se em conhecimentos, mas sem limitar-se a eles [...],
são ações necessárias a medida em que direcionam o trabalho
educativo voltado a aplicabilidade social e pessoal de determinados
conteúdos aprendidos.

Através do convite do Coordenador do módulo TIC para a aplicação do
curso de especialização para gestores educacionais, nós bibliotecários pudemos
iniciar a construção de uma relacionamento mais interativo, na intenção de
contribuir

para

a

formação

de

professores

autônomos

nas

questões

informacionais, e através desta participação junto ao corpo docente da
FE/UNICAMP, buscamos construir a nossa identidade profissional dentro no
contexto educacional, nos capacitando e qualificando, para a consolidação de
uma parceria entre educadores e bibliotecários, que se inicia e que promete ser
duradoura. (PASSOS; SANTOS, 2005).

7 REFERÊNCIAS
AMARAL, S.F. Apresentação. In: BITTENCOURT, A.B.; OLIVEIRA JÚNIOR,
W.M. (Org.). Estudo, pensamento e criação. Campinas: FE/UNICAMP, 2005.
p.263-264. v.1. (Módulo: Tecnologia da Informação e Comunicação).
BARROS, D.M.V. Planejamento didático e o envolvimento das diferentes
linguagens. In: JESUS, A.C. (Org.). Pedagogia cidadã: cadernos de formação –
gestão da informação. São Paulo: UNESP, 2005.

15

�BELLUZZO, R.C.B.; BARROS, D.M.V. Pesquisas virtuais: metodologias e usos.
In: JESUS, A.C. (Org.). Pedagogia cidadã: cadernos de formação – gestão da
informação. São Paulo: UNESP, 2005.
BIANCHINI, D. Educação: solução ou tecnologia. In: BITTENCOURT, A.B.;
OLIVEIRA JÚNIOR, W.M. Estudo, pensamento e criação. Campinas:
FE/UNICAMP, 2005. p.265-275. v.1. (Módulo: Tecnologia da Informação e
Comunicação).
BITTENCOURT, A.B.; OLIVEIRA JÚNIOR, W.M. (Org.). Estudo, pensamento e
criação. Campinas: FE/UNICAMP, 2005.
BURNHAM, T. F.; Mattos, M.L.P. (Org.). Tecnologias da informação e
educação à distância. Salvador: Edufba, 2004.
LEITE, L.S. (Coord.). Tecnologia educacional: descubra suas possibilidades na
sala de aula. Petrópolis: Vozes, 2003.
LITWIN, E. (Org.) Tecnologia educacional: política, histórias e propostas. Porto
Alegre: Artmed, 1997.
MEDOLA, A. S.L.D. Novas tecnologias e novos ambientes : novos conteúdos e
novas linguagens In: JESUS, A . C. (Org.). Pedagogia cidadã : cadernos de
formação : gestão da informação. São Paulo: Unesp, 2005. p.33-41.
PASSOS, R. Uso das ferramentas e suportes de pesquisas na recuperação
da informação : estudo da capacitação do professor - pesquisador. 2003. 171f.
Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação). Programa de Pós-Graduação
em Biblioteca e Ciência da Informação, Pontifícia Universidade Católica de
Campinas, Campinas, SP. 2003.
PASSOS, R.; SANTOS, G.C. Competência em informação na sociedade da
aprendizagem. 2.ed. rev. Bauru: Kayrós, 2005.
PERRENOUD, P. Construir as competências desde a escola. Porto Alegre :
Artmed, 1999 apud BARROS, D.M.V. Planejamento didático e o envolvimento das
diferentes linguagens In: JESUS, A . C. (Org.). Pedagogia cidadã : cadernos de
formação : gestão da informação. São Paulo: Unesp, 2005. p.43-53.
SANCHO, J.M. ; HERNANDEZ, F. Tecnologias para transformas a educação.
Porto Alegre: Artmed, 2006.
SANTOS, G.C. Estudo da interlocução entre biblioteca-escola-tecnologia,
baseada na Internet: estudo de caso da Escola Estadual Prof. Físico Sérgio
Porto – UNICAMP. 2002. 181f. Dissertação (Mestrado em Educação, Ciência e
Tecnologia) – Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas,
Campinas, 2002.

16

�_____. Mapeamento dos suportes de auxílio ao ensino tradicional: uma
contextualização da biblioteca, do livro, do computador, da Internet e da
tecnologia na educação. In: BITTENCOURT, A.B.; OLIVEIRA JÚNIOR, W.M.
Estudo, pensamento e criação. Campinas: FE/UNICAMP, 2005. p.277-289.
v.1. (Módulo: Tecnologia da Informação e Comunicação).
SANTOS, G.C.; AMARAL, S.F. Projeto BEDNet: metodologia para a construção
de bibliotecas escolares digitais. In: INTEGRAR, 2., 2006, São Paulo. Anais
do... São Paulo: FEBAB, 2006. (No prelo).
SILVEIRA, S. A. Exclusão digital: a miséria na era da informação. São Paulo:
Fundação Perseu Abramo, 2001.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. Faculdade de Educação. Gestão
educacional. 2005. Disponível em: &lt;http://cege.isateducacao.com.br/projeto.
php&gt;. Acesso em: 19 jul. 2006.
VALENTIM, M.L.P. (Org.) Formação do profissional da informação. São Paulo:
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______. Profissionais da informação: formação, perfil e atuação profissional,
São Paulo: Polis, 2000.
VIEIRA, A.T.; ALMEIDA, M.E.B.; ALONSO, M. (Org.). Gestão educacional e
tecnologia. São Paulo: Avercamp, 2003. (Formação de educadores).

OBRAS CONSULTAS (BIBLIOGRAFIA)
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tecnologias. In: JESUS, A.C. (Org.). Pedagogia cidadã: cadernos de formação –
gestão da informação. São Paulo: UNESP, 2005.
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do aluno. In: JESUS, A.C. (Org.). Pedagogia cidadã: cadernos de formação –
gestão da informação. São Paulo: UNESP, 2005.
MERCADO, L.P.M. (Org.). Tendências na utilização das tecnologias da
informação e comunicação na educação. Maceió: EDUFAL, 2004.
PIVA JÚNIOR, D. Educador digital: uma introdução à cultura digital para
educadores. Itu: Edigital, 1999.
VALENTE, J.A. (Org.). Formação de educadores para o uso da informática na
escola. Campinas: UNICAMP/NIED, 2003.

17

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O curso de especialização em gestão educacional e a participação efetiva de profissionais da informação no contexto da biblioteca universitária: um relato de experiência.</text>
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                <text>Santos, Gildenir Carolino; Passos, Rosemary; Souza, Josidelma Francisca de; Souto, Leonardo Fernandes; Amaral, Sérgio Ferreira do</text>
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                <text>Na área do conhecimento de humanas e ciências sociais aplicadas, conseguimos destacar nos ltimos tempos, a grande relevância da parceria da Educação e Biblioteconomia nos diversos campos do conhecimento. Desta forma, ambas preocupadas com a formação dos indivíduos (educadores e bibliotecários), agregam suas experiências e tornam mais acessíveis as formas de disseminação do conhecimento neste novo século. Através do curso de Especialização em Gestão Educacional da Faculdade de Educação da UNICAMP e da Secretaria do Estado de Educação de São Paulo, profissionais bibliotecários desta primeira instituição, possuidores de perfil e habilidades na aplicação de técnicas para recuperação e disseminação de informação, adquiridas ao longo da sua formação acadêmica, tornam-se colaboradores, participando incisivamente no processo de capacitação de professores gestores. O presente trabalho traz um relato de experiência que almeja contextualizar o envolvimento destes profissionais, especificamente na disciplina Tecnologias da Informação e da Comunicação de forma modular (à distância e presencial), focando e definindo parâmetros para a realização de pesquisa bibliográfica, mediatizada por novas tecnologias, coletando informações que permitam a elaboração de um projeto de gestão educacional sob o tema “construção da biblioteca escolar digital”, que possa ser aplicado no âmbito da escola, para efeito de avaliação da aprendizagem e finalização do módulo.</text>
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                    <text>O CUSTO DO ACESSO À INFORMAÇÃO: POLÍTICAS PÚBLICAS,
FINANCIAMENTO DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, PROJETOS E
PARCERIAS
Maria Elisa Americano do Sul Barcelos

measb@terra.com.br
Maria Lúcia Barcelos Martins Gomes

mlbmg@uol.com.br
Universidade Federal de Minas Gerais  Faculdade de Direito
Av. João Pinheiro n. 100  Centro
Belo Horizonte  MG  Brasil
Cep 30130-180

Resumo

É comum escutarmos que as bibliotecas universitárias não têm dinheiro, que o acervo
está defasado, que os computadores são lentos. Esse é um problema comum, que
algumas bibliotecas tentam sanar, cobrando pelos serviços, o que por si só não resolve.
As dificuldades financeiras das bibliotecas universitárias brasileiras, principalmente as
mantidas por órgãos públicos é uma realidade. Com o avanço das novas tecnologias, e a
informação sendo gerada em formatos diversos, estamos constantemente necessitando
trocar os equipamentos, que com pouco tempo de uso já se tornam obsoletos; a produção
técnico/científica e literária é cada vez maior, os usuários estão cada vez mais numerosos
e exigentes em suas necessidades informacionais. Para atender esta demanda, que
implica em aumentos de custos, é necessário que os Bibliotecários se tornem também,
captadores de recursos, procurando convênios com editoras e livrarias, elaborando e
apresentando projetos, procurando parcerias com empresas. Um instrumento de grande
valia, é a lei de incentivo à cultura, que permite as Bibliotecas captar recursos fora dos
órgãos públicos. Mostraremos os principais pontos de um projeto, indicaremos algumas
empresas e/ou órgãos que os apóiam.

�1 INTRODUÇÃO
A falta de verbas é um problema comum a grande maioria das Bibliotecas
Universitárias brasileiras, que necessitam atualização constante do acervo e dos
equipamentos, espaços diferenciados para projeção dos materiais especiais,
atualização constante dos técnicos e auxiliares, além das despesas normais de
todos os setores.
A informação é algo difícil de ser mensurado, e, portanto, difícil de ser cobrado. A
maioria das bibliotecas cobra de seus usuários por alguns serviços, mas este fato
está longe de cobrir todas as despesas geradas, para que o documento chegue ao
usuário.
A forma para minimizar estes problemas é a captação de recursos fora da
Instituição, que pode ser feita através de convênios com editoras e livrarias (que
pagam com livros, pelo espaço ou pelo serviço da biblioteca), e através de
projetos aprovados pela lei de incentivo à cultura.
A captação de recursos pode vir na forma de doações, que não exigem
contrapartida e nem retorno para o doador, ou na forma de patrocínio, onde é
exigida a contrapartida da Instituição e um retorno para o patrocinador.

2 POLÍTICAS PÚBLICAS
2.1 Lei de incentivo à cultura
Concebida em 1991 para incentivar investimentos culturais, a Lei Federal de
Incentivo à Cultura), ou Lei Rouanet, como também é conhecida, poder ser usada
por empresas e pessoas físicas que desejam financiar projetos culturais.
Através do Mecenato, que viabiliza benefícios fiscais para investidores que apóiam
projetos culturais sob forma de doação ou patrocínio, as bibliotecas podem

�procurar recursos com empresas ou pessoas físicas, que ao investir em projetos
culturais, terão isenção fiscal (desconto do imposto de renda) de até 100% (cem
porcento) do valor arrecadado. Além do incentivo fiscal elas terão oportunidade de
divulgar sua imagem institucional e sua marca, asssociando-as a projetos
culturais.
Para enviar seu projeto para aprovação, é necessário que possua a seguinte
documetação:
Do Proponente Pessoa Física:
- Currículo do proponente, com detalhamento das atividades culturais realizadas
nos últimos dois anos (relatando datas, local de realização, nome dos
participantes, matérias em jornais, revistas, cartazes, folderes, etc..).
- Cópia autenticada da Carteira de Identidade;
- Cópia autenticada do CPF

Do proponente pessoa jurídica:
- Relatório de atividades culturais da instituição nos últimos dois anos (relatando
datas, local de realização, nome dos participantes, matérias em jornais, revistas,
cartazes, folderes, etc..).
- Cópias autenticadas da:
- Carteira de Identidade e do CPF do dirigente da entidade.
- Estatuto, Regimento ou Contrato Social e posteriores alterações.
- Termo de posse do dirigente da instituição ou Ata de eleição da Diretoria.

Do projeto:
- Formulário padrão preenchido, incluindo termo de responsabilidade assinado
pelo proponente.
- Orçamento físico financeiro de acordo com modelo fornecido pelo Ministério da
Cultura.
- Plano Básico de Divulgação elaborado de acordo com o Manual de Identidade
Visual do Ministério da Cultura.

�- Plano de Distribuição de Produtos Culturais.
- Quando o projeto envolver a realização de cursos de formação e capacitação de
profissionais ou ensino das artes, é necessário, também, encaminhar o projeto
pedagógico, nome e currículo do coordenador pedagógico.

Para inscrever o projeto, acesse o site do Ministério da Cultura:
http://www.cultura.gov.br/apoio_a_projetos/lei_rouanet/index.php?p=1631&amp;more=1

2.2 Fundo Nacional de Cultura (FNC)
Criado para financiar projetos para preservação do patrimônio cultural e histórico
brasileiro, este fundo tem um limite, e não financia o projeto na íntegra (limite de
80% do total do projeto, que não deve ultrapassar o valor de 50.000 (cinqüenta
mil) UFIRs. O período de inscrições vai até maio para projetos a serem
financiados no 2o. semestre e até setembro para o 1o. semestre.

2.3 Parcerias Público Privadas
O governo tem incentivado os órgãos públicos a fazerem parcerias com
instituições privadas, a fim de realizar obras, principalmente de infra-estruturas.
Essa parceria é realizada através de um contrato de prestação de serviços de
médio e longo prazo (de 5 a 35 anos) firmado pela Administração Pública, e o
valor não pode ser inferior a vinte milhões de reais. Essas parcerias não financiam
a contratação de mão de obra, equipamentos ou execução de obra pública. Nesta
modalidade, o setor privado participa como empreendedor e o setor público como
concedente e remunerador parcial do serviço. (lei 11.079)

�3 CONVÊNIOS
As bibliotecas universitárias costumam ser um espaço por onde circulam grande
quantidade de pessoas, com nível intelectual elevado (alunos de graduação e pós,
professores, pesquisadores, estudiosos, etc.), e que são os clientes das editoras,
livrarias e distribuidores livreiros do país.
Em troca de espaço para divulgação e venda de seus produtos, estas empresas
doam livros para as bibliotecas. Isso pode ser feito de maneira informal, somente
através de conversa entre a Faculdade e/ou Universidade, ou, de maneira formal,
o que é o ideal, através de um contrato simples, onde é definido o período em que
esta exposição e venda será feito, e a quantidade de livros que a biblioteca
receberá.
Outro fator que pode beneficiar as bibliotecas, é o fato de que em todos os livros
publicados, é obrigatório a apresentação da ficha catalográfica, que é feita pelo
bibliotecário. Sendo assim, é interessante o contato com editoras e/ou autores de
obras na área atendida pela biblioteca, para que em troca deste serviço, seja
doado à biblioteca, pelo menos um exemplar do livro a ser publicado.
Os professores podem e devem incluir nos seus projetos despesas com material
bibliográfico, que após a conclusão do projeto, devem ficar sob a guarda da
biblioteca da Instituição a qual ele pertence. Cabe ao Bibliotecário lembrá-los da
importância desta inclusão.

3 ELABORAÇÃO DE PROJETOS
A começar pelo título, que deve ser um resumo indicativo do conteúdo, o projeto
tem que prender a atenção de quem vai examiná-lo, devendo ser claro, objetivo e
conter todas as exigências do financiador.

�Da qualidade do projeto, vai depender o sucesso da empreitada. Os concorrentes
são muitos e estão competindo pelas mesmas verbas.

3.1 Etapas da Elaboração
Os itens constantes de um projeto variam conforme a instituição financiadora, mas
alguns são básicos, e aparecem em todos os projetos, mudando às vezes o nome.
É importante lembrar que o projeto é temporário, e que por isso mesmo deve ter
um início (introdução) meio (descrição das diversas etapas) e fim (conclusão).
3.1.1 Introdução e Histórico
Na introdução deve-se apresentar um breve histórico da Instituição proponente
(incluindo aí a Biblioteca), bem como o tipo de público atendido por ela. Após este
breve histórico, deve-se introduzir ao projeto propriamente dito, apresentando de
maneira resumida, o que se pretende alcançar, e a maneira como fazer isto. Uma
introdução bem feita fará com que o avaliador tenha interesse em continuar a ler o
projeto.
A introdução não deve conter comentários pessoais e nem agradecimentos.
Em alguns projetos o histórico da instituição tem um valor muito grande, o que
justifica um item só para ele.
3.1.2 Objetivo Geral
Deve mostrar, em uma frase curta, o que se pretende com o projeto.
Exemplo: Adequar o acervo da Biblioteca às atuais exigências do MEC, dentro de
6 meses.

�3.1.3 Objetivos específicos
Deve mostrar em tópicos, os diversos objetivos a serem atingidos, para se chegar
ao objetivo geral.
Durante a execução do projeto, devem-se fazer avaliações rotineiras, a fim de
verificar se os objetivos estão sendo atingidos.
O objetivo, tanto o geral quanto o específico, representa uma ação, e como tal,
deve ser escrito através de verbos no infinitivo (ex. elaborar, executar, organizar,
criar, etc.) Ex
•

Fazer um levantamento da bibliografia básica de todas as disciplinas

•

Verificar quais os títulos e quantos exemplares a Biblioteca possui

•

Elaborar uma lista de sugestões para aquisição

•

Adquirir o material sugerido

3.1.4 Justificativa
Deve mostrar de maneira sucinta a importância do projeto, e sua repercussão no
público alvo. Deve-se mostrar o que existe de inovador no projeto, quem será
beneficiado com a execução dele e o impacto social.
3.1.5 Estratégias de ação
Deve mostrar em tópicos, todas as ações a serem executadas no projeto. Inclui
alguns objetivos específicos, porém, vai mais além. Ex.
•

Entrar em contato com as pessoas envolvidas no projeto

•

Analisar os dados coletados

•

Pesquisar o valor das obras a serem adquiridas

•

Conseguir a verba necessária para essa aquisição

•

Entrar em contato com as livrarias, editores e distribuidores

•

Verificar a cotação mais barata

�•

Adquirir o material

•

Inserir o material adquirido na base de dados da Biblioteca

•

Disponibilizar o material para o usuário

3.1.6 Cronograma
Deve relacionar cada uma das atividades a serem executadas, com o tempo
gasto para isto. Ex.
Tarefas
Entrar em contato
envolvidas no projeto

1.Mês 2.Mês 3.Mês 4.Mês
com

as

5.Mês

6.Mês

pessoas
x

Analisar os dados coletados
x
Pesquisar o valor das obras a serem
adquiridas
Conseguir a verba necessária para essa
aquisição
Entrar em contato com as livrarias, editores
e distribuidores

x
x

x
x
x

x

Verificar a cotação mais barata
Adquirir o material
Inserir o material adquirido na base de
dados da Biblioteca

x
x
x

x

Disponibilizar o material para o usuário

x

x

3.1.7 Orçamento
É uma das partes mais importantes do projeto. Nele deverão aparecer todos os
gastos envolvidos no projeto, não se esquecendo de mostrar a contrapartida da
Instituição (Faculdade e/ou Universidade que executará o projeto).
Na parte de recursos humanos, deve-se lembrar de colocar os gastos com os
encargos sociais.
Nos gastos com material, lembre-se de especificar todo e qualquer tipo de material
a ser utilizado no projeto (Ex. Se você pretende adquirir um computador, lembre-

�se de especificar todos os componentes de hardware necessários, além do tipo de
teclado e monitor. As impressoras não fazem parte do computador, e sem tinta e
papel, não adianta ter impressora).
Lembre-se que na maioria das vezes, somente uma parte do projeto é financiada
pelas empresas.
3.1.8 Conclusão
É o fechamento do trabalho. Nela você vai colocar o que é esperado ao término do
projeto, e os benefícios que a execução do mesmo trará. Como em qualquer
trabalho (monografias, teses dissertações, etc.), não cabe aqui nenhuma citação.

4 FORMAS PARA CAPTAÇÃO DE RECURSOS
Com o projeto em mãos, a Biblioteca deverá sair em busca de recursos, que
podem vir de empresas públicas ou privadas e de particulares.
A Biblioteca poderá ela mesma procurar quem esteja financiando projetos em sua
área, e adaptar o projeto ao formato e às exigências de quem vai financiar, ou
contratar empresas ou pessoas especializadas na captação de recursos para
financiamento dos projetos.
O Bibliotecário responsável pelo projeto deverá inscrever seu currículo no CNPq,
através do site http://lattes.cnpq.br/index.htm .
Algumas empresas valorizam o fato do apresentador do projeto ter no mínimo o
título de doutor, que seja conhecido em sua área de atuação, e que tenha
trabalhos publicados. Nas Universidades e/ou Faculdades, normalmente é
indicado um professor que preencha estas características para ser o apresentador
do trabalho.

�É importante que dentro de uma mesma instituição, não exista mais de um projeto
concorrendo a uma mesma seleção, pois normalmente as empresas financiam
apenas um projeto por instituição. Sendo assim, o ideal para as Universidades
e/ou Faculdades que possuam mais de uma Biblioteca, é que estas se reúnam e
elaborem um projeto único (Ex. Reunir todas as Bibliotecas que possuam obras
raras e/ou preciosas, para elaborar um projeto de restauração e preservação
deste material).
Através do site www.senado.gov.br , é possível acessar toda a legislação sobre o
assunto, o que ajuda na elaboração e execução do projeto.

5 EMPRESAS E INSTITUIÇÕES FINANCIADORAS DE PROJETOS CULTURAIS
•

BNDES  Financia principalmente projetos para acervos raros. O nível de
detalhamento do projeto é alto, paga pessoal, mas os encargos sociais
devem ficar por conta da instituição. http://www.bndes.gov.br/

•

Petrobrás  Financia projetos para bibliotecas em geral, sem especificar o
tipo de acervo ou documentos. A exigência de um produto final só aparece
no final do projeto, portanto, preste atenção na hora de preencher, para
fazer a previsão de recursos para produção e distribuição deste produto. É
aconselhável ter o projeto aprovado pela Lei de Incentivo à Cultura, pois
para o recebimento da verba, o projeto tem que ter sido aprovado para
captação de recursos. É preenchido via Internet, e você só consegue
passar de um ítem para outro quando o anterior já estiver preenchido.
Começa a anunciar o projeto no final do ano. Por ser muito procurado, é
muito difícil conseguir preencher o formulário nos últimos dias de prazo.
www.petrobras.com.br

•

CAPES  Apóia cursos de pós-graduação. Os professores normalmente a
utiliza para financiamento de projetos, que podem incluir material

�bibliográfico, que deverá ser depositado na biblioteca da instituição.
www.capes.gov.br
•

Fundação Civita  Financia projetos na área de educação e cultura,
incluindo Bibliotecas. Não financia despesas de custeio e manutenção.
www.civita.org.br

•

Fundações de amparo a pesquisa : FAPEMIG, FAPESP, FAPERJ, etc.
São agências criadas para apoio a pesquisa, como cada uma dela tem
suas peculiaridades, para saber como propor projetos a estas agências,
deve-se entrar no site e verificar como proceder. Neste caso, geralmente os
professores (principalmente com titulação) tem mais facilidades para propor
os projetos.

•

CNPq  Financia projetos de pesquisa que contribuem para o aumento da
produção de conhecimento. Inclui no seu financiamento a formação de
recursos humanos. www.cnpq.br

6 CONCLUSÃO
O poder público, através da Lei de Incentivo à Cultura, viabiliza as empresas
privadas, ou mesmo a pessoas particulares, a investirem em projetos culturais, o
que tem se tornado uma grande fonte de recursos que podem ser aplicados em
diversos projetos.
È importante enxergar estas empresas como parceiras, que vão investir nas
Bibliotecas, mas que exigirão contrapartidas, que deverão ser cumpridas. Antes de
inscrever o projeto para concorrer a financiamentos, é essencial que se verifique
se a instituição terá condições de cumprir as exigências do edital.
Com as demandas crescentes por parte dos usuários, as bibliotecas estão tendo
que aprender a captar recursos externos, para conseguirem se manter atualizada
e com equipamentos que atendam as novas tecnologias. Sendo assim, é
importante que o bibliotecário seja não somente o executor das técnicas

�biblioteconômicas, mas principalmente, um planejador e empreendedor, capaz de
elaborar projetos e captar recursos externos, de forma a melhor atender ao cliente
de sua instituição.

7 BIBLIOGRAFIA
Brasil. Congresso Nacional. Lei 11.079. Brasília : Diário Oficial da União, 30 dez.
2004.
Brasil. Congresso Nacional. Lei 8.313. Brasília : Diário Oficial da União, 23 dez.
1991.
Brasil. Congresso Nacional. Lei 9.874. Brasília : Diário Oficial da União, 23 nov.
1999.
Moraes, Lourdes de Souza. Elaboração e apresentação de projetos para
implantação de serviços e captação de recursos. São Carlos : UFSC, 200?.
PARCERIAS público-privadas. www.planejamento.gov.br . Acessado em 28 de
julho de 2006

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>É comum escutarmos que as bibliotecas universitárias não têm dinheiro, que o acervo está defasado, que os computadores são lentos. Esse é um problema comum, que algumas bibliotecas tentam sanar, cobrando pelos serviços, o que por si só não resolve. As dificuldades financeiras das bibliotecas universitárias brasileiras, principalmente as mantidas por órgãos públicos é uma realidade. Com o avanço das novas tecnologias, e a informação sendo gerada em formatos diversos, estamos constantemente necessitando trocar os equipamentos, que com pouco tempo de uso já se tornam obsoletos; a produção técnico/científica e literária é cada vez maior, os usuários estão cada vez mais numerosos e exigentes em suas necessidades informacionais. Para atender esta demanda, que implica em aumentos de custos, é necessário que os Bibliotecários se tornem também, captadores de recursos, procurando convênios com editoras e livrarias, elaborando e apresentando projetos, procurando parcerias com empresas. Um instrumento de grande valia, é a lei de incentivo à cultura, que permite as Bibliotecas captar recursos fora dos órgãos públicos. Mostraremos os principais pontos de um projeto, indicaremos algumas empresas e/ou órgãos que os apóiam.</text>
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                    <text>1

O ENSINO DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO NA FORMAÇÃO
PROFISSIONAL DO BIBLIOTECÁRIO
Cenidalva M. de S. Teixeira
Professora Adjunta do Departamento de Biblioteconomia
Universidade Federal do Maranhão
Campus do Bacanga - São Luís - 65001-100 - MA - Brasil
ceni@ufma.br
Raimunda Ramos Marinho
Professora Adjunta do Departamento de Biblioteconomia
Universidade Federal do Maranhão
Campus do Bacanga - São Luís - 65001-100 - MA - Brasil
dbibrai@ufma.br

RESUMO

O ensino da tecnologia da informação no Curso de Biblioteconomia da
Universidade Federal do Maranhão. Aborda-se a importância do conhecimento
teórico e prático das tecnologias de informação, por parte do estudante de
Biblioteconomia. Enfatiza-se o caráter imprescindível que estas assumem para a
prática profissional do bibliotecário, e ainda, o papel da universidade na formação
de profissionais bibliotecários mais preparados para atuar no novo ambiente
informacional gerado pelos constantes avanços nas tecnologias de informação e
comunicação, estando capacitados para atender as exigências do mercado de
trabalho. Apresentam-se as atuais habilidades demandadas pelo mercado de
trabalho biblioteconômico.
Palavras-chave: Tecnologias de informação. Formação profissional. Profissional
bibliotecário. Mercado de trabalho.

1 INTRODUÇÃO

Face ao avanço das novas relações entre os processos educacionais e as
tecnologias de informação, a educação deverá promover o desenvolvimento do
educando em todos os sentidos, visando de tal modo, uma interação crítica com o
mundo moldado pela ciência e tecnologia. Nesta perspectiva, a universidade
deverá subsidiar a formação deste profissional, proporcionando ao mesmo, o
aprendizado e desenvolvimento de competências e habilidades imprescindíveis a
uma atuação profissional mais segura e consistente.

�2

Nesta perspectiva, este trabalho propõe-se a relatar os resultados obtidos
em pesquisa realizada no Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do
Maranhão  UFMA, cujo objetivo fora perceber a necessidade de implementação
de disciplinas da área de tecnologia da informação, uma vez que, atualmente
apenas duas disciplinas Elementos de Informática e Automação de Bibliotecas
contemplam a

referida

área.

Deste

modo,

visou-se

contribuir

para

a

sistematização de elementos teórico-práticos para a construção de uma disciplina
que desempenhe um novo papel na formação do profissional bibliotecário.

2 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E O PROFISSIONAL BIBLIOTECÁRIO

Desde o seu surgimento, a Tecnologia de Informação (TI) tem alterado de
forma decisiva o nosso ecossistema cultural, gerando a partir dela, novos modos
de armazenar, transmitir, receber e conservar a informação, incidindo diretamente
nas relações entre os indivíduos, as organizações e as sociedades.

Ao transformar-se o mundo da informação, não apenas as técnicas são
afetadas, mas principalmente as ciências e os profissionais que se ocupam
destas.

Nas últimas décadas do século XX, observou-se a diminuição progressiva
do tamanho e do preço do computador, ao mesmo tempo em que aumentava sua
capacidade e desempenho, tornando-se um instrumento de amplo uso doméstico
e individual.

Para Milanesi (2002, p. 31), a popularização do computador ocorreu
antes que as bibliotecas, com raras exceções descobrissem sua utilidade. [...] os
bibliotecários não acreditavam, [...] que aquela máquina pudesse ter alguma
utilidade, de modo que não houve expectativas positivas em relação à mesma,
mas sim, indiferença e certa apreensão.

Os cursos de Biblioteconomia, por sua vez, olhavam para os
computadores sem perceber seus futuros desdobramentos e progressos.

�3

A possibilidade de consulta à máquina parecia inviável, e os bibliotecários
deparavam-se com dificuldades para conhecer e trabalhar com a nova tecnologia
que surgira.

O advento das tecnologias de informação trouxe para o cenário
biblioteconômico, mudanças consideravelmente radicais, alterando o processo de
difusão do conhecimento e aqueles que envolvem a busca e recuperação da
informação, propiciando uma interação direta e gradativa entre os usuários e os
sistemas. Deste modo, buscava-se transformar a Biblioteconomia, criando um
novo perfil para o profissional bibliotecário. Para tanto, necessitava-se dissipar
aquela secular imagem, que revelava uma figura estereotipada e na maioria das
vezes antagônica ao tempo.

Neste novo ambiente informacional, o profissional bibliotecário encontrase diante de transformações muito relevantes, que incidem diretamente no seu
perfil e em sua prática profissional, que são:
a)

a mudança de conceitos sobre a postura assumida por ele, ou seja,

de intermediário e engenheiro da organização da informação, ele passa a ser um
estrategista da sua disseminação;
b)

a autonomia progressiva do usuário, que quanto mais especializado

for, mais autônomo na busca informacional será;

Silva e Cunha (2002, p. 78) enfatizam que,
Nesta conjuntura, em que a mudança tecnológica é regra, buscar
condições para ancorar a preparação do profissional do futuro requer
uma estratégia diferenciada. Este profissional deverá interagir com
máquinas sofisticadas e inteligentes [...]. Só a educação será capaz de
preparar as pessoas para enfrentar os desafios dessa nova sociedade.

Nesta perspectiva, deve-se refletir sobre a identidade do profissional
bibliotecário, seu perfil, capacitação e atuação diante do atual contexto de
mercado, considerando-se para tanto, a sua formação acadêmica.

�4

Em tempos anteriores o bacharelando em Biblioteconomia depois de
formado, poderia seguir qualquer rumo, pois uma vez habilitado, estaria apto a
exercer suas funções. Outrora, quando os acervos e públicos eram mais
homogêneos e o fator tecnologia não se caracterizava em um imperativo para os
profissionais da informação, isso teve sentido. Contudo, no século XXI isto não é
mais viável, desencadeando, portanto, uma nova ruptura que exige serviços
destinados a especialistas, e outros, que atendem a um público heterogêneo.
Deste modo, o profissional bibliotecário está diante de um público que vai exigir
muito além da simples localização de um livro no acervo, tendo assim, sua função
ampliada, saindo de seu cenário e práticas típicas e atuando em um cenário de
elementos específicos, pensando e interagindo com o seu público, ou seja, com
suas necessidades e expectativas.

Neste tocante, muitas discussões estão sendo geradas acerca da formação
deste profissional, e as tecnologias de informação desencadeiam uma parte
significativa delas, não se podendo mais ignorar a necessidade de preencher esta
lacuna na formação do bibliotecário.

2.1 Sobre o Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Maranhão

O Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Maranhão foi
criado por iniciativa do Reitor Cônego José de Ribamar Carvalho, através da
Resolução n° 84/69 de 10 de março de 1969 do Conselho Diretor da então,
Fundação Universidade do Maranhão (FUM), tendo em vista a formação de
profissionais

especializados

para

trabalharem

na

Biblioteca

Central

da

Universidade; a partir do Parecer n° 2144/73 do citado conselho, o Curso fora
institucionalmente reconhecido.

Criado o Curso, e não havendo em São Luís graduados em
Biblioteconomia, o ensino desta iniciou-se com professores de outros estados, o
que fizera com que o período de duração do mesmo fosse de dois anos.

De acordo com Bottentuit (2000, p. 64),

�5

A estrutura curricular ficou composta de matérias de cunho técnico,
humanístico e aprendizado de língua. Essa estrutura atendia ao
estabelecido no currículo Mínimo aprovado pelo Parecer n° 362/62 do
Conselho Federal de Educação, acrescido de outras matérias
consideradas relevantes para a formação dos bibliotecários.

Em 1971, formava a primeira turma do Curso. Posteriormente, realizou-se
uma seleção com os alunos que demonstravam interesse em se tornar
professores, formando-se deste modo, a equipe de docentes do segundo ano do
Curso.

De acordo com Bottentuit (2000, p. 72),o ensino da Biblioteconomia,
durante

a

primeira

turma,

utilizou-se

de

procedimentos

metodológicos

diversificados, com o objetivo de favorecer um melhor aprendizado ao seu corpo
discente. Estas metodologias variavam de acordo com a natureza das matérias,
porém, no seu aspecto global, foram adotados procedimentos de ensino inseridos
no quadro 1.
Quadro 1: Procedimentos de Ensino

Apresentação do programa com discussão sobre a metodologia de
ensino;
Apresentação da bibliografia;
Aulas expositivas com o auxílio de quadro e giz;
Apresentação de aulas através dos recursos audiovisuais, com
ênfase na utilização de slides e transparências;
Atividade prática (manuseio das tabelas de classificação, dos
códigos de catalogação, das fontes de informação);
Trabalhos individuais e grupais;
Visitas técnicas às bibliotecas;
Acompanhamento personalizado do aluno no seu campo de estágio;
Incentivo à docência através da monitoria;
Fonte: (BOTTENTUIT, 2000. p.72).

Adotados estes procedimentos de ensino, estabeleceu-se ainda, alguns
procedimentos de avaliação, conforme mostra o quadro 2.
Quadro 2: Procedimentos de Avaliação

Observação do desempenho individual do aluno no decorrer das
aulas;
Participação pessoal do aluno nos debates
Exercícios práticos;
Análise dos trabalhos apresentados;
Verificação da aprendizagem através de provas objetivas e

�6

subjetivas;
Fonte: (BOTTENTUIT, 2000, p. 73).

2.1 As
Disciplinas Elementos de Informática e Automação de
Bibliotecas

A disciplina Elementos de Informática está no Curso de Biblioteconomia
da UFMA, desde o segundo semestre de 1998, de acordo com informações
obtidas na secretaria do Curso; é oferecida pelo Departamento de Informática,
possuindo carga horária de 60 horas, já a disciplina Automação de Bibliotecas,
iniciou desde 1992, com carga horária de 60 horas, é oferecida pelo próprio
Departamento.

A primeira constitui-se na disciplina que abre para o aluno, as portas para
conhecer o mundo da TI, sob o ponto de vista da aprendizagem de elementos
imprescindíveis à sua formação acadêmica, haja vista, as exigências do atual
mercado de trabalho do(s) profissional(is) da informação. A segunda apresenta
como objetivo geral fornecer os conhecimentos básicos indispensáveis à
aplicação de recursos da informática em serviços executados por órgão de
documentação e informação. Especificamente propõe mostrar aos alunos todo o
processo de automação em bibliotecas e centros de documentação; enfocar a
importância da automação nas bibliotecas e centros de informação; enfocar os
diversos tipos de redes de telecomunicação e de bibliotecas; destacar a biblioteca
automatizada enfocando automação dos seus serviços; mostrar as metodologias
para desenvolvimento de sistemas de bibliotecas; fornecer ao aluno informações
sobre a escolha do software para bibliotecas; mostrar softwares (versão demo)
específicos para bibliotecas e noções sobre sistemas de comunicação e redes.
Deste modo, e acreditando que o Curso de Biblioteconomia da
Universidade Federal do Maranhão (UFMA), objetiva formar um profissional capaz
de desenvolver e ampliar todas as potencialidades contidas no bojo desta
profissão é que, apresentou-se uma proposta para inserção da disciplina
Tecnologia da Informação com o objetivo de somar conhecimentos com as
disciplinas Elementos de Informática e Automação de Bibliotecas.

�7

3 METODOLOGIA

Trata-se de pesquisa de caráter exploratório e descritivo, cujos
procedimentos técnicos adotados foram: pesquisa bibliográfica, documental e de
campo.

O universo da pesquisa foi constituído por alunos do sétimo e oitavo
período do Curso de Biblioteconomia, cuja amostragem corresponde a 50% deste
universo. A pesquisa deu-se inicialmente, a partir do levantamento das Escolas de
Biblioteconomia, com vistas a obter informações das disciplinas relacionadas na
área de Tecnologia da Informação. Posteriormente, fora aplicado questionário
com alunos do 7° e 8° período do Curso de Biblioteconomia.

De posse das respostas obtidas, dos questionários aplicados, realizou-se
uma análise minuciosa destas, a fim de extrair os dados necessários para a
construção/elaboração da proposta.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Teixeira

e

Spíndola

(2005)

em estudo

recente,

propuseram

a

reformulação da disciplina Elementos de Informática com vistas a atender aos
conhecimentos iniciais sobre o uso do computador e suas ferramentas, proposta
esta encaminhada ao Curso de Biblioteconomia para que possa ser estudada
pelos professores no momento da reformulação do curricular. Neste estudo,
buscam-se novos subsídios sobre a questão tecnologia.

Com a aplicação dos questionários junto aos alunos do 7° e 8° período do
Curso de Biblioteconomia da UFMA, visou-se detectar inicialmente sobre o
quantificar o nível de satisfação dos alunos em relação aos conhecimentos
tecnológicos obtidos através das disciplinas Elementos de Informática e
Automação de Bibliotecas, respectivamente no 2° e 7° período; no segundo
momento buscou-se obter opinião sobre a necessidade de inserir na proposta

�8

curricular do curso uma disciplina que contemplasse as deficiências do ensino na
área de tecnologia da Informação, especificando carga horária e qual período
deveria ser veiculada. De acordo com as respostas obtidas, os resultados
apurados estão dispostos nas alíneas a, b, c, e d e nos gráficos 1 e 2:
a)

88% dos alunos acham que as disciplinas não contemplam o

conhecimento necessário sobre as Tecnologias de Informação durante a
sua formação profissional;
b)

92% deles acreditam que há necessidade de inserir uma nova

disciplina no currículo do curso e sugerem alguns nomes tais como:
Tecnologia da Informação em Unidades de Informação; Gestão da
Informação;

Tecnologia

da

Informação

e

Comunicação

em

Biblioteconomia, dentre outros;
c)

96% dos alunos sugerem que a carga horária seja de 60

horas distribuídas em 30 horas de aulas teóricas e 30 horas de aulas
práticas;

96%

Sugestão de carga
horária com 60h

Necessidade de
inserir novas
disciplinas

92%

Disciplinas não
contemplam
conhecimento sobre TI
84%

88%

86%

88%

90%

92%

94%

96%

Gráfico 1: resultado da pesquisa correspondente às alíneas a, b e c.

d)

40% dos alunos sugerem que a inserção da disciplina seja no

5° período; 24% preferem no 6° período; 12% opinaram pelo 4° período;

�9

8% decidiram pelo 3° período e 7° período; 4% acham que deve ser no 8°
e 4% não opinaram sobre esta questão;

Não opinaram
8º período

4%
4%
24%

6º período

40%

5º período

12%

4º período

8%

3º e 7º período
0%

5%

10%

15%

20%

25%

30%

35%

40%

Gráfico 2: resultado da pesquisa correspondente à alínea d.
Mediante observação e análise dos resultados da pesquisa realizada,
propôs-se a criação de uma na disciplina que contemplasse as lacunas existentes
no processo.

5 PROPOSTA DE PROGRAMA DA DISCIPLINA

A partir do disposto acima, trabalhou-se uma proposta da disciplina, com
o objetivo de contribuir com o profissional que está em formação, contemplando
aspectos inerentes às exigências do atual mercado de trabalho deste, com vistas,
a torná-lo capaz de alcançar espaços ainda maiores em sua atuação profissional.

A relação teoria-prática, no processo de construção de saberes para
conhecimento e aplicação de TI no âmbito da Biblioteconomia, constituiu-se a
idéia central da proposta de uma nova disciplina, complementar às existentes, no
Curso de Biblioteconomia da UFMA.

�10

A hipótese de trabalho da proposta fora elaborada a partir de uma
inquietação em relação aos aspectos tecnológicos discutidos nas duas disciplinas
da área.

Na construção da proposta buscou-se principalmente:
a)

subsidiar os alunos do Curso de Biblioteconomia da UFMA, no seu

desenvolvimento profissional, tornando-os mais preparados para responder às
exigências do mercado de trabalho;
b)

mostrar a importância do uso das tecnologias pressupostas pelo

computador, em aulas práticas;
c)

proporcionar aos alunos do Curso, a geração de conhecimentos

mais específicos acerca das tecnologias de informação;
d)

permitir aos alunos, maior interação com as tecnologias de

informação disponíveis.

5.1 Programa sugerido

PROGRAMA
1 IDENTIFICAÇÃO
DISCIPLINA: Tecnologia e Gerenciamento da Informação
OFERTA: 5° período do Curso de Biblioteconomia da UFMA
TOTAL HORA/AULA: 60  Teóricas: 20horas/aula e Práticas: 40 horas/aula
2 EMENTA

Tecnologias e técnicas de armazenamento e de processamento da informação.
Tecnologias de Informação e Comunicação em Unidades de Informação. Interface de
Sistemas. Repositórios de Informação na Web: Sistemas de Inteligentes. Softwares
Livres para Bibliotecas. Protocolos de Recuperação da Informação.
.
3 OBJETIVOS
• Mostrar as tecnologias e técnicas de armazenamento e processamento da
informação.
• Utilizar o microcomputador como ferramenta de armazenamento, recuperação e
disseminação da informação;
• Proporcionar ao aluno conhecer a aplicar as tecnologias utilizadas na
recuperação e disseminação da informação em meio eletrônico;
• Habilitar o aluno para a aplicação de tecnologias de informação em sua prática
profissional (nos procedimentos bibliotecários).
• Discutir sobre interface de sistemas;
• Refletir sobre os repositórios de informação na Web;
• Discutir sobre Sistemas Inteligentes (sistemas de tomada de decisão e apoio)
• Conceituar Arquitetura da Informação;

�11

• Mostrar a importância da tecnologia sofwares livres para biblioteca;
• Discutir sobre os protocolos de recuperação da informação.
4 METODOLOGIA
• Apresentação do programa da Disciplina e da bibliografia a ser utilizada;
• Aulas teóricas e práticas em sala de aula e no laboratório de informática;
• Uso de roteiros, apostilas e exercícios práticos;
• Palestras, seminários e visitas técnicas.
5 CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
• Tecnologia e técnicas de armazenamento e processamento da informação;
Conceitos
Tipos
•

•

•

Tecnologias de Informação e Comunicação em Unidades de Informação;
Hardware;
Softwares;
Redes.
Noções de Interface de Sistemas;
Tipos;
Conceito Homem-Máquina.
Noções de Repositórios de Informação na Web;
Conceito;
Tipos;

•

Noções de Sistemas Inteligentes;
Sistemas de Apoio a decisão;
Sistemas de apoio ao grupo.

•
•

Noções de Softwares Livres para Unidades de Informação:Conceitos.
Protocolos de Recuperação da Informação.

6 AVALIAÇÃO
A avaliação dos alunos realizar-se-á de acordo com os seguintes critérios:
• 10% para assiduidade;
• 10% para participação em sala de aula;
• 10% para apresentação escrita e oral de estudos de textos;
• 10% para seminários (trabalho escrito e apresentação);
• 30% para exercícios práticos;
• 30% para prova escrita;

6 CONCLUSÃO

As mudanças cada vez mais aceleradas e as sucessivas discussões
geradas acerca do perfil do profissional bibliotecário, vêm explicar algumas

�12

reformas curriculares ocorridas no país, da década de 70 até a década de 90, em
busca de um perfil em consonância com as necessidades do mercado.

Deste modo, pode-se afirmar que não é o diploma que concede o papel a
este profissional, mas sim, o mercado, ou seja, aquele que regula estes papéis.

Neste contexto, a formação do profissional da informação apóia-se em
competências, habilidades, procedimentos e paradigmas que se direcionam para
uma nova abordagem de ensino e de aprendizagem.

De tal modo que os currículos devem ser continuamente discutidos, com
o propósito de adequá-los às freqüentes transformações ocorridas na sociedade.

Neste tocante, nos cabe aqui indagar: é possível um futuro profissional da
informação, não encontrar na universidade que o forma, condições para que este
possa estar em consonância com o que lhe é exigido no mercado de trabalho?

Deste modo, concorda-se com Carvalho (2002) quando a mesma afirma
que,
[...] a situação exige alguns ajustes para moldar um profissional que
apreenda o sistema de informação de forma estratégica, com um olhar
plural, multifacetado para enfrentar um novo modelo de empregabilidade
cujas tendências influenciam as relações [...]

De tal forma que, esperou-se com este estudo, contribuir para uma
formação bibliotecária mais abrangente, no que se refere aos conhecimentos
teóricos

e

práticos

sobre

tecnologias

de

informação,

que

devem ser

disponibilizados aos profissionais bibliotecários em formação no Curso de
Biblioteconomia da Universidade Federal do Maranhão.

REFERÊNCIAS

BOTTENTUIT, Aldinar. Movimento fundador da biblioteconomia no Maranhão.
São Luís: Imprensa Universitária, 2000. p. 63-76.

�13

CARVALHO, Kátia de. O profissional da informação: o humano multifacetado.
Ciência da Informação, Brasília, v.2, n.5, out. 2002. Disponível em:
http://www.ibict.br/cionline. Acesso em: 11 dez. 2003.
MILANESI,
Luís.
A
formação
do
informador.
Disponível
http://www.cuba.eci.ufmg.br/case.htm. Acesso em: 11 dez. 2003.

em:

SILVA, Edna Lúcia; CUNHA, Miriam Vieira da. A formação profissional do século
XXI; desafios e dilema. Ciência da Informação, v. 31, n. 3, p. 77-82, set./dez.
2002. Disponível em: http://www.ibict.br/cioline. Acesso em: 18 jun. 2003.
TEIXEIRA, Cenidalva; SPÍNDOLA, Pollyana Proposta de reformulação
metodológica da disciplina Elementos de Informática do curso de
Biblioteconomia da Universidade Federal do Maranhão  UFMA. CONGRESSO
BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO, 21. Curitiba, 2005.
In: Anais Eletrônico... Curitiba, 2005. 1CD.

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O ensino da tecnologia da informação no Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Maranhão. Aborda-se a importância do conhecimento teórico e prático das tecnologias de informação, por parte do estudante de Biblioteconomia. Enfatiza-se o caráter imprescindível que estas assumem para a prática profissional do bibliotecário, e ainda, o papel da universidade na formação de profissionais bibliotecários mais preparados para atuar no novo ambiente informacional gerado pelos constantes avanços nas tecnologias de informação e comunicação, estando capacitados para atender as exigências do mercado de trabalho. Apresentam-se as atuais habilidades demandadas pelo mercado de trabalho biblioteconômico.</text>
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                    <text>EIXO TEMÁTICO: O impacto das tecnologias eletrônicas e sua mediação
Sub-tema: A educação continuada dos profissionais da informação
Resumo aprovado: no. 379
O ESTADO DA ARTE DA VISÃO E VALORES DA COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO
(INFORMATION LITERACY)
NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA E AS
NECESSIDADES DE CAPACITAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DA INFORMAÇÃO: UM
CENÁRIO DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS ESTADUAIS PAULISTAS
Profa. Dra. Regina Célia Baptista Belluzzo
Universidade do Sagrado Coração, Brasil
rbelluzzo@travelnet.com.br
Profa. Ms Marcia Rosetto
Universidade de São Paulo, Brasil
mrosetto@sibi.usp.br
RESUMO
Com o advento das tecnologias de informação e comunicação (TIC) as bibliotecas e serviços de
informação assumem cada vez mais uma função fundamental no momento em que a sociedade é
identificada como da informação e do conhecimento, propiciando mecanismos para o acesso e o uso
inteligente de repositórios de informação em meios eletrônicos. Em decorrência dessa conjuntura, o foco
na competência em informação (information literacy) tem crescido fortemente em vários segmentos da
sociedade, como pode ser verificado em estudos elaborados por organismos internacionais na
identificação de qual cenário, neste século, em que se desenvolverá a educação e as dimensões de
contexto de suas transformações. Sendo assim, além da devida competência para desenvolver
programas que vem sendo ofertados pelas bibliotecas e serviços de informação, desde longa data, tais
como: pesquisa bibliográfica, orientação bibliográfica, metodologia para pesquisa científica, entre outros
tipos de tutoriais, os profissionais da informação devem estar aptos a exercer a liderança no processo de
formação da cultura de agregação de valor à informação na sociedade contemporânea. Além disso,
deverão apresentar um perfil de competências desejável para a inserção nos programas de ensino e
aprendizagem, contribuindo como facilitadores nesses ambientes. O presente trabalho tem por finalidade
oferecer o resultado de estudo exploratório realizado em bibliotecas de universidades paulistas, acerca
da visão e valores que se fazem presentes na gestão desses ambientes em torno dos conceitos e
concepções que envolvem a competência em informação e seu espectro, e que serão utilizados para dar
continuidade às pesquisas na área.

1

�Palavras-chave: Competência em informação (information literacy);Profissionais da informação, perfil de
competências; Profissionais da informação, capacitação.

1 Contexto mundial
Na década de 90, intensificou-se o crescimento do uso das tecnologias de
informação e comunicação (TIC) nas bibliotecas, ampliando a disponibilidade de
serviços pela rede Internet e, em especial, a oferta de publicações e informações em
formato eletrônico, além da implementação de bibliotecas virtuais e digitais. Em
decorrência, isso gerou novas formas de armazenagem da informação, de
recuperação, de acessibilidade e novos procedimentos para a conservação e gestão
desses recursos, sendo considerado por especialistas e pesquisadores um divisor de
tempos e de quebra de paradigma da sociedade contemporânea, identificada como
sendo a sociedade da informação e do conhecimento.

As bibliotecas, que no decorrer dos séculos foram organizações de reserva dos
pensamentos registrados, assumem cada vez mais uma função fundamental nesse
novo momento da sociedade contemporânea, exigindo grandes investimentos em
conteúdos eletrônicos e equipamentos para exercer essa nova forma de atuação.
Nessa nova ordem cultural identificada como “cultura informacional” a adequada
utilização desses mecanismos para o acesso aos repositórios de informação se
constitui em elemento essencial para o desenvolvimento da sociedade, sendo
fundamental que as pessoas estejam devidamente preparadas para o uso e o manejo
da informação para trabalhar em ambientes intensivos em conhecimentos.
A partir das reuniões preparatórias da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação,
realizadas desde 2002 (WSIS, 2006), foi identificada a convergência acelerada entre
telecomunicações, meios de comunicação, informação e tecnologias, havendo um
considerável aumento da necessidade da sociedade estar altamente qualificada para o
uso e a aplicação da informação, das tecnologias e do conhecimento adquirido. Sendo
assim, as nações devem estar preparadas para:


Apoiar e ampliar instalação de redes de bibliotecas e serviços de informação;

2

�

Proporcionar pontos de acesso à informação e desenvolver capacidade de
leitura;



Promover serviços de qualidade para o acesso às informações requeridas.

(WSIS, 2006)
Essa questão também tem sido abordada em vários estudos elaborados por
organizações internacionais como a UNESCO, Banco Interamericano de
Desenvolvimento - BID, Organização de Co-operação Econômica e Desenvolvimento –
OCED, Banco Mundial, entre outros, e também pela Federação Internacional de
Associações de Bibliotecários – IFLA, que desde de 1994 lança campanhas e realiza
estudos alertando sobre a importância do acesso aberto à informação e o papel
significativo das bibliotecas, que são instituições essenciais para o desenvolvimento
humano em sua plenitude.
Exemplos de documentos preparados e

que vêm sendo divulgados sobre a

temática, desde o inicio dos anos 90, são:


Manifesto da Biblioteca Pública (novembro de 1994 – UNESCO/ IFLA );



Manifesto da Biblioteca Escolar (novembro de 1999 – UNESCO/ IFLA );



Manifesto Internet (março de 2002);



Bibliotecas e liberdade de expressão (fevereiro de 2004);



Bibliotecas e liberdade de expressão (fevereiro de 2004);



Manifesto de Alexandria, proposto e aprovado pelos participantes do Colóquio
em Nível Superior sobre Competência em Informação ao Longo da Vida,
realizado em novembro de 2005, em Alexandria (Egito), declarando que a
competência informacional são os faróis da sociedade da informação,
iluminando os caminhos para o desenvolvimento, a prosperidade e a
liberdade, e capacitando as pessoas para vida de forma efetiva para atingir a
suas metas pessoais, sociais, ocupacionais e educacionais.

(IFLANET, 2006)
Nesse cenário é evidente o papel significativo que as bibliotecas e os profissionais da
3

�informação, em especial, devem desempenhar para que tais espaços e ações gestoras
possam estar adequados e se transformem em locais de aprendizado contínuo, a fim
de poderem desenvolver trabalhos em parceria com os programas educacionais
desenvolvidos pelas escolas e universidades. Se à biblioteca cabe o papel de mediar a
construção da competência e da autonomia na busca e uso da informação de forma
inteligente, por outro lado, os governantes, em todas as esferas executivas, devem
estar cientes que é de suma importância o estabelecimento de políticas para dotar a
sociedade de condições e recursos suficientes para o desenvolvimento pleno da
educação e da cultura.

2 Da informação à Competência em Informação
2.1 Informação e conhecimento
Parece não existir nenhuma dúvida na sociedade contemporânea que o
conhecimento se tornou um recurso econômico importante para a competitividade das
organizações e dos países, e que a gestão pró-ativa desse conhecimento adquire um
papel central. Em função dessas mudanças, e, aliando-se a isso à concepção do
trabalho em rede e do uso da informação como recurso estratégico, as organizações
são levadas a repensar continuamente as formas de atuação e, conseqüentemente, há
a necessidade de transformações nas suas estruturas organizacionais. De acordo com
Moran (1997) o computador em rede integra todas as telas antes dispersas, tornandose um instrumento de trabalho, de comunicação e da educação que é o processo
permanente de aprendizagem, da construção da identidade do ser humano, do
desenvolvimento de habilidades de compreensão, emoção e comunicação pessoal e
social.
Segundo Brunner (2004), o encontro da educação com as TIC tem sido uma
revolução que ao mesmo tempo gera esperanças e incertezas, e que atualmente existe
“um verdadeiro fervilhar de conceitos e iniciativas, de políticas, de associações e
organismos, de artigos e livros” (p.17) e que, no atual estágio, pode-se afirmar que
desse encontro surge uma poderosa indústria, a indústria educacional, decorrente
dessa convergência, sendo que atualmente gastam 10% do produto interno dos países
gerando uma série de transformações. Ele afirma que “embora a discussão da
educação são formuladas em considerar essa base tecnológica, a comunicação e os

4

�sistemas de comunicação são pensadas como sistemas tecnologicamente implantadas,
como a comunicação oral, da criação do alfabeto e da escrita (...) do surgimento da
imprensa, que contemporaneamente, da comunicação eletronicamente mediada, até
alcançar a forma da sociedade da informação baseada nas tecnologias de rede, e em
particular, na Internet “ (p.12).
Se a nova sociedade está sendo construída com o uso dessas tecnologias e a sua
base está voltada para o conhecimento, é possível efetuar novas representações e
significados, e expandir as fronteiras do cognoscível. As mudanças em andamento
estão criando novos conceitos de trabalho, lazer, ensino, comércio, poder e mesmo de
tempo e espaço, sendo que a informação é o recurso para o desenvolvimento e
aprendizagem, e aprender é a condição de sobrevivência do ser humano na sociedade
(MORESI, 2000).
Nesse tópico em particular, Brunner (2002), em artigo publicado no livro “Educação
na América Latina: análise e perspectivas “, expressa que a literatura publicada durante
a última década coincide em assinalar quanto ao entorno em que se desenvolverá a
educação e indica que está mudando rápida e profundamente para um ponto que logo
se tornará irreconhecível aos olhos do século XX, e a tese mais geral a esse respeito
sustenta que a globalização 1 estaria afetando de múltiplas e variadas formas.
Baseando-se nessas características o autor propõe cinco dimensões de contexto das
transformações em curso, e que são de envergadura e estão desafiando a educação
nesse século. Essas dimensões são:



1

Acesso à informação (sobre o mundo, os outros e a nós mesmos);
Acervo de conhecimentos (importância no manejo da informação e do
conhecimento);

“Habitualmente define-se globalização como a crescente integração das economias nacionais (...) entretanto, além disso, fala-se

da globalização da ciência; da tecnologia e da informação;da comunicação e da cultura; da política, e, inclusive, da globalização do
crime organizado. No entanto, quanto aos impactos pertinentes da globalização e os efeitos que produzem no âmbito dos sistemas
e das políticas educacionais, a definição “generalista” mais de acordo seria a de Held et al (2000), o qual o referido fenômeno pode
ser entendido como os “processos que encarnam a mudança na organização espacial das relações e transações sociais, gerando
fluxos e redes transcontinentais e inter-regionais de atividade, interação e exercício do poder (...) e que podem ser descritos e
comparados em quatro dimensões: extensão das redes globais; intensidade dos fluxos e níveis de atividade; à velocidade dos
intercâmbios; e o impacto desses fenômenos nas comunidades” (BRUNNER,2002).

5

�





Mercado de trabalho (necessidade de novas demandas de competências,
habilidades e conhecimento);
Disponibilidade de TIC para a educação (crescimento contínuo do uso das
tecnologias para a aprendizagem);
Mundo de vida (compromisso com a transformação do contexto cultural de
sentidos e significados).

Especificamente à dimensão 1, o autor considera que o problema não seria onde
encontrar a informação, mas sim como oferecer, sem exclusões, o acesso e ao mesmo
tempo ensinar e aprender a selecioná-la, avaliá-la, interpretá-la, classificá-la, e usá-la.
E são exatamente esses aspectos que interessam aos profissionais da informação e
como podem contribuir com esse processo em construção.
Os itens acima destacados coincidem com os tópicos identificados pela pesquisa
realizada pela OCED, e complementa que os curricula estão sendo analisados em todo
mundo e está crescendo a preocupação dos governos e do público em geral sobre a
educação e treinamentos com qualidade e o retorno econômico e social dos
investimentos realizados na área (RYCHEN, 2004). A partir das 9 competências
identificadas que um indivíduo deve ter para exercer efetiva participação em sociedades
democráticas, 2 delas encontram-se diretamente relacionadas à competência em TIC e
em informação.
As TIC, portanto, subsidiam novas possibilidades de modelos educacionais e nas
formas de acesso e transmissão do conhecimento, e essa nova visão pode ser
verificada, por exemplo, no modelo proposto por Samier (1998) onde são indicados os
vários sistemas componentes da “educação virtual”. Esse novo modelo, está forçando
muitas instituições a reverem e modificarem as políticas, os procedimentos existentes, e
a visualizarem novas parcerias que podem ser efetuadas no novo contexto que se
estabelece, rompendo as estruturas da “academia tradicional”. Isso inclui a biblioteca
como uma das entidades fundamentais que deve desenvolver conteúdos com o uso de
recursos on-line, com ênfase ao acesso a índices de citações, periódicos eletrônicos,
bases de dados com textos completos e entrega de documentos, e desenvolver a
capacidade e habilidade para os usuários poderem recuperar, categorizar e usar
informações multimídia.
Pode-se verificar, a partir das abordagens destacadas pelas pesquisas e estudos,
6

�que a informação e o conhecimento e, em especial a forma de seu acesso e uso, são
competências estratégicas para as pessoas poderem participar de forma plena na
sociedade contemporânea e o desenvolvimento de seu futuro. É exatamente devido às
essas características que a Information Literacy (por nós denominada como
Competência em Informação) vem se expandindo, com o objetivo de analisar como
desenvolver procedimentos de treinamento para o uso da informação, a sua
interpretação e transformação em novos conhecimentos pelos indivíduos e
organizações.
2.2 Competência em informação
O objetivo das bibliotecas e dos serviços de informação é o de promover o acesso e
o uso aos recursos informacionais, e esse acesso é proporcionado por meio de
metodologias que possibilitam a armazenagem (estoques de informação) e sua
recuperação. Nesse contexto dois serviços propiciam o acesso para o uso - Serviços de
Referência e Instrução; esses dois aspectos, tradicionalmente centrados nas fontes e
tecnologias, têm sido objetos de estudo para ampliar a forma de se analisar a questão
não só do aspecto físico do acesso aos recursos, mas, principalmente quanto ao
acesso intelectual à informação e às idéias pelos usuários (KUHLTHAU, 1993).
A grande preocupação é como permitir que os grandes estoques de informação
atuem como mediadores qualificados para que a informação se transforme em
conhecimento. O foco central de um sistema de informação deve ser a necessidade de
informação e o seu uso; os serviços precisam encontrar as necessidades específicas
de um indivíduo, do que tentar adaptar o usuário ao que o sistema oferece. Estudos e
modelos teóricos vêm sendo desenvolvidos para que o profissional da informação use
metodologias mais adequadas para a prestação de serviços, e que os usuários efetuem
uma melhor apropriação intelectual dos conteúdos dos recursos de informação.
Uma das áreas em evidência na Ciência da Informação e que tem se intensificado
neste inicio do Século XXI, devido à necessidade de desenvolvimento de novas
habilidades para o acesso e uso da informação, é a Competência em Informação
(Information Literacy). Termo cunhado em 1974 por Paul Zurkowski’s (LOERTSCHER,
2005), o assunto tem se tornado um núcleo conceitual para as bibliotecas e a
biblioteconomia, mas não sem argumentos contra por parte de pesquisadores da área,
que consideram a falta de claridade e precisão do termo competência (literacy), e as
7

�muitas confusões que resultam da complexidade semântica ou teórica, que tem levado
a uma confusão no desenvolvimento de uma prática que deve propiciar um
procedimento para a área biblioteconômica.
Mas o que vem a ser Competência em Informação? Antes de adentrar sobre o
assunto, é importante analisar o conceito de competência. Vários autores de diferentes
áreas vêm procurando oferecer uma conceituação sobre competência e suas origens.
Após séculos de uso com várias concepções, competência passa a ser considerada,
nas últimas décadas do século XX, como sendo o reconhecimento da sociedade sobre
a capacidade das pessoas de se pronunciar em um assunto especifico. Destaca-se que
sem a pretensão de esgotar o tema, o termo competência “tem sido utilizado com
diferentes significados, ora como sinônimo de habilidades, capacidades, conhecimento,
saber, etc, ora contendo termos inseridos em seu significado” (BELLUZZO, 2005).
Especificamente sobre competência em informação, diferentes conceitos vem sendo
propostos por pesquisadores da área, conforme estudo elaborado por Belluzzo (2004),
e que a partir de análises e experiências educacionais, propõe que competência em
informação “Constitui-se em processo contínuo de interação e internalização de
fundamentos conceituais, atitudinais e de habilidades específicas como referenciais à
compreensão da informação e sua abrangência, em busca da fluência e das
capacidades necessárias à geração do conhecimento novo e sua aplicabilidade ao
cotidiano das pessoas e das comunidades ao longo da vida “ (BELLUZZO, 2005).
Segundo relatório da IFLA Presidential Committee for the Internacional Agenda on
Lifelong Literacy (IFLA, 2005), todas as definições de competência em informação que
vem sendo elaboradas implicam na compreensão pelo indivíduo sobre:









a necessidade da informação,
os recursos disponíveis,
como encontrar a informação,
a necessidade de avaliar resultados,
como trabalhar com os resultados obtidos,
ética e responsabilidade para o uso,
como comunicar ou compartilhar os resultados,
como gerenciar esses conteúdos.

8

�Além dos estudos mencionados, constata-se também que esse tema vem
aparecendo regularmente em agendas de conferências e sessões de encontros dos
movimentos associativos e de faculdades e, de acordo com estudos realizados pela
Association Research Libraries - ARL, constatou-se que no período de 1991 a 2002, há
um crescimento da participação dos bibliotecários universitários na configuração de
instruções e como consultores de curriculum (ELMBORG, 2006).
Por sua vez, a IFLA também vem realizando projetos na área e implementado grupos
de estudos que resultou na instalação da Information Literacy Section, formalizando
dessa forma a área que já produzia importantes procedimentos e guias para a
compreensão, estudos e aplicação de métodos para as bibliotecas promoverem a
competência em informação. Dentro dessa linha de ação, possibilitou a realização do
Colóquio sobre Competência em Informação, na Biblioteca de Alexandria em novembro
de 2005, que resultou no lançamento do “Manifesto de Alexandria“ delineando a
competência informacional:


como as competências para reconhecer as necessidades informacionais e
localizar, avaliar, aplicar e criar informação dentro de contextos culturais e
sociais;



que é crucial para a vantagem competitiva dos indivíduos, empresas
(especialmente as pequenas e médias), regiões e nações;



que fornece a chave para o acesso, uso e criação efetivos do conteúdo para
dar apoio ao desenvolvimento econômico, à educação, à saúde e aos
serviços, e a todos os outros aspectos das sociedades contemporâneas e,
desta forma, fornece os fundamentos vitais para atingir as metas da
Declaração do Milênio e da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação; e



que vai além das tecnologias atuais para abranger o aprendizado, o
pensamento crítico e as habilidades interpretativas cruzando as fronteiras
profissionais, além de capacitar indivíduos e comunidades.

(Faróis da Sociedade da Informação, 2006)

Tendo em vista as necessidades identificadas nos vários projetos e pesquisas
levadas a efeito pelos especialistas e organizações, verifica-se que a gestão da
9

�informação e do conhecimento deve ser exercida tendo em pauta todas as variáveis
destacadas pelos mesmos, para que as pessoas possam ser capazes e habilitadas
para utilizarem todos os instrumentos considerados no sentido amplo do ensino e
aprendizagem, e do acesso e uso da informação para a produção do conhecimento.

Ser competente em informação e ter habilidades no uso inteligente das fontes de
informação, das TIC e de procedimentos pedagógicos do processo de ensino e
aprendizagem para o seu uso é uma questão de extrema importância para os
profissionais que atuam na área de educação e ciência da informação, considerando-se
que são os facilitadores para o processo de aprendizagem do cidadão. Conforme
Macedo (2005), a função da escola é levar o aluno a adquirir auto-estima e espírito
critico e o da biblioteca seria tornar-se espaços contínuos das aulas em classe e ao
longo da vida, interagindo com os alunos e pessoas para que tenham autonomia na
busca da informação com competência em informação.
Considerando o cenário dessa nova sociedade que se configura, e que exige
inúmeras formas de competência, como as unidades de informação e seus profissionais
estão atuando? Será que estão sendo formados de acordo com as exigências
identificadas? Segundo a IFLA (2005), as ações consideradas estratégicas para atender
essas necessidades e que devem ser implementadas pelas bibliotecas e escolas de
biblioteconomia e ciência da informação são:








Desenvolvimento de mapas estruturados com todas as competências que devem
ter os indivíduos na sociedade moderna;
Desenvolvimento de instrumentos para serem usados como modelos por todas
as bibliotecas;
Desenvolvimento de um conjunto de elementos estruturados e holístico para o
treinamento de habilidades pedagógicas para que os profissionais facilitem o
aprendizado ao longo da vida;
Desenvolvimento de um currículo específico para Programas de Competência
em Informação, com guias, melhores práticas para o reconhecimento e
certificação de profissionais que estiverem aptos em programas para essa área.

De certa forma, verifica-se que os estudos realizados sobre o tema oferecem um
panorama geral quanto ao impacto que a informação e as tecnologias de informação e

10

�comunicação vem exercendo na sociedade. O desenvolvimento de redes de
telecomunicação, incluindo as tecnologias de televisão digital que estão sendo
projetadas, e as tecnologias multimídias para o tratamento e armazenamento de dados
(conteúdos) com o uso de metadados e protocolos de comunicação adequados,
exercem um impacto drástico em todos os aspectos da vida humana: nos
relacionamentos, no emprego e no convívio familiar.
No tocante ao emprego, a natureza de cada profissão está se transformando
profundamente, e as tarefas estão cada vez mais intensivas em informação e com o
uso das TIC, e vários aspectos importantes devem ser considerados: como e de que
forma desenvolver conteúdos de informação, quais as tecnologias mais apropriadas,
como preservar e que tipos de acesso devem ser implementados para a recuperação
da informação e como serão apropriados pelos indivíduos. Sendo assim,
independentemente das áreas de atuação, os perfis necessários para desempenharem
suas funções nessa nova sociedade em formação devem estar alinhados à nova
concepção de vida em construção.
Desta forma, a Ciência da Informação precisa urgentemente analisar todos os fatores
que estão moldando esse novo movimento do desenvolvimento humano, sendo
necessário elaborar novas estratégias para realizar os objetivos perseguidos e
desenvolver as formas que a informação e a participação dos envolvidos estarão se
efetivando, via as tecnologias em questão. É nesse sentido que foi organizado um
grupo brasileiro de estudos, que atualmente, com o apoio da Federação Brasileira de
Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições - FEBAB, vem
promovendo, desde 2004, atividades em prol da divulgação dessa temática, como por
exemplo a realização de palestras em seminários, organização de workshops e
oficinas, entre outros.
Em função das atividades realizadas até presente data, decidiu-se efetivar um
levantamento exploratório (survey), preliminarmente junto às bibliotecas das
universidades estaduais paulistas, com o propósito de verificar como esse tema está
sendo visto e, a partir dos resultados, identificar subsídios que possam contribuir para o
desenvolvimento de projetos que objetivam ampliar os estudos e consolidar programas
de capacitação, pois, considera-se que para a ciência da informação é de capital
importância conhecer com maior profundidade os fundamentos que regem a
Competência em Informação (Information Literacy) e as tecnologias que mediam o
11

�processo. Considera-se também que é fator imperativo realizar contínuos estudos para
o aprofundamento e apropriação desse conhecimento, como um processo de educação
continuada, em especial no Brasil, cujo assunto ainda pode ser considerado como
sendo emergente.
2.2.1 Levantamento exploratório preliminar (survey) sobre competência em informação
(Information Literacy)
Para a organização do levantamento pretendido, foi elaborado um questionário com
7 (sete) perguntas, e encaminhado por e-mail mediante a rede Internet para as 92
bibliotecas das universidades estaduais paulistas (USP, UNICAMP e UNESP). As
respostas recebidas foram sistematizadas de forma a consolidar os dados que possam
propiciar a visualização do panorama de como está sendo visto o assunto pelos
profissionais que atuam nas bibliotecas universitárias paulistas. Os dados consolidados
estão dispostos na tabela 1.
Tabela 1 - Levantamento exploratório preliminar (survey) sobre Competência em
Informação (Information Literacy) com bibliotecas das universidades estaduais paulistas
(USP, UNICAMP, UNESP)

QUESTIONÁRIOS ENVIADOS: 92
RESPOSTAS RECEBIDAS: 48 (52%)
PERGUNTAS ENVIADAS COM AS RESPECTIVAS RESPOSTAS CONSOLIDADAS:
1.

2.

Já ouviu falar sobre a Information literacy ( ou competência da
informação) ? Sim : 20 (41%)
Não: 28 ( 58,33 %)
Se respondeu sim à questão 1, indicar em um dos itens como isso ocorreu.
Nessa pergunta as respostas podiam ser múltiplas: Participação em evento: 15

(31,25 %); Contato pessoal ou virtual com especialistas: 11

(22,91 %); Leituras

pessoais: 10 ( 20,83 %); Outra forma; indicar qual: 4 ( 8, 33%).
(Nota: os itens indicados no último tópico foram: estudos sobre instrução bibliográfica e
serviço de referência; curso de especialização e pós-graduação; elaboração de trabalho
sobre analfabetismo funcional; elaboração de palestra sobre o tema; leitura de
dissertação sobre o assunto).

12

�4.

Indicar situações em que os conceitos e princípios da Information Literacy (ou
competência em informação) poderão ser úteis para a sua atuação enquanto
profissional da informação. A seguir relacionam-se as situações identificadas, em
ordem decrescente:

•

De 6 a 8 indicações: Melhoria no atendimento ao usuário; Capacitação contínua
do próprio profissional; Treinamento de usuários da biblioteca.

•

De 3 a 5 indicações: Melhoria no planejamento de serviços da biblioteca; Geração
do conhecimento; Pesquisa e publicação na área.

•

Com 2 indicações: Saber onde há necessidade informacional; No relacionamento
com os usuários; Conhecimento das fontes de informação; Disseminação da
informação; Formação de professores e alunos

•

Com 1 indicação: Incentivo à leitura; Localização da informação para solução de
problemas; Avaliação da informação; Localizar, processar e utilizar a informação
em diferentes situações; Na falta de compreensão das necessidades do próprio
profissiona; Gestão de projetos; Gestão de pessoas;Gestão da informação;Capital
intelectual; Visão de futuro;Ética;Integração escola e biblioteca;Criação de
biblioteca digital.
5. Existe alguma experiência com a aplicação dos conceitos e princípios

Information literacy (ou competência em informação) na
informação onde atua ?

Sim: 7

Não: 11

da

biblioteca ou serviço de

Em branco: 2

6. Se respondeu Sim à questão 5, informar o que segue: A experiência consistiu em
projeto e o documento está disponível em

formato impresso; nesse caso indicar a

referência bibliográfica: 4 ( 1 não cita a fonte); A experiência consistiu em projeto e o
documento está disponível em formato eletrônico: CD ROM ( 1) Website ( 3).
7.

Na sua opinião o que o Brasil precisaria fazer em relação ao desenvolvimento da
Information literacy (competência em informação). A seguir relacionam-se as
indicações de alguns profissionais que responderam a pergunta final do
questionário: Reunir profissionais em comunidades virtuais de aprendizagem
colaborativa em ambientes de EAD; Priorizar a educação desde a pré-escola com
professores e bibliotecários competentes em informação; Publicação de artigos
sobre o assunto; Criar políticas na área para as redes de bibliotecas municipais e
universitárias; Inserir o tema nos curricula das escolas de biblioteconomia e
ciência da informação; Criar também um grupo de estudo na ANCIB;Realizar
eventos e workshops para divulgação dos princípios de information literacy; O
grupo de estudos poderia divulgar o tema por meio de palestras em todos os

13

�eventos significativos da área no país; Os profissionais e estudantes deveriam ter
mais possibilidades de acesso à educação contínua, por meio de cursos com
custos compatíveis com os salários da classe; Elaborar programas para
professores serem multiplicadores sobre o tema junto aos alunos e
profissionais;Qualificar e conscientizar os profissionais da informação sobre o
assunto; Disseminar o conceito para as demais áreas do conhecimento dentro da
educação formal e informal, para que as pessoas tenham capacidade de buscar e
avaliar a informação; Investir em projetos de infra-estrutura de bibliotecas; Instalar
bibliotecas em escolas, municípios sob a gestão de profissionais qualificados;
Criar programas de incentivo à leitura; Barateamento de livros e publicações;
Maior divulgação pela imprensa sobre publicações em formatos diversos; Prover
a sociedade com mecanismos estruturais para o acesso à informação, impressa e
digital, e capacitar as pessoas para o uso dessa informação; Mudar o perfil do
profissional da área, exigindo maior capacidade de interação, conhecimento e
habilidades para poder agir com competência em informação; Inserir a disciplina
na sala de aula, e também no desenvolvimento das atividades da biblioteca.

A partir das variáveis consolidadas e em uma análise a priori, verifica-se que:
 Dos 48 questionários recebidos (50% da população pesquisada), 28 (58,33%)
desconhecem o assunto. Esse dado reflete que é necessário criar mecanismos
para ampliar a divulgação sobre o assunto junto aos profissionais brasileiros;
 A principal fonte de informação, para os 20 (41%) que responderam ter
conhecido o assunto, foi a participação em eventos; dessa forma considera-se
importante elaborar junto aos eventos no país, formas de dar continuidade a
esse processo, como por exemplo organizar cursos, workshops, além de outros
mecanismos de divulgação;
 De acordo com a indicação sobre a aplicação dos conceitos de competência em
informação, verifica-se que já há por parte de alguns profissionais alguma
percepção sobre o assunto, no entanto, constata-se que o foco da maior parcela
ainda é sobre gestão da informação, ou seja, o modelo tradicional da área, e não
com o foco nas pessoas e nas diferentes concepções que envolvem essa área
de estudos;
 As experiências indicadas sobre o uso do conceito de competência em
informação são aspectos de treinamento/orientação bibliográfica, sendo esta
apenas uma das áreas que envolve seu espectro e abrangência, além do que
devem ser analisados com mais detalhamento para serem verificados os
conteúdos e suas abordagens;
 Quanto à relação das possibilidades do desenvolvimento da Information Literacy
(ou Competência em Informação) no país, esta propicia vária sugestões
14

�significativas e que deverão ser consideradas nas próximas etapas do estudo
pretendido, além de complementarem os que já estão sendo projetados pelas
autoras deste paper.
3 Considerações finais
Conforme pode ser constatado pela análise bibliográfica sobre Competência em
Informação, as principais dimensões nesse século são:
 Acesso, sem exclusão, com competência e habilidade para o manejo da
informação e das tecnologias de informação e comunicação;
 Educação contínua com qualidade e compromisso com as transformações do
contexto cultural, com pensamento crítico e habilidades interpretativas;
 Profissionais da área de informação que possam: desenvolver modelos
estruturados de competências que as pessoas devem ter; identificar
instrumentos que possam ser usados; ter competências pedagógicas para
facilitar o aprendizado; elaborar um curriculum especifico para a área,
oportunizando o reconhecimento e certificação dessa competência para atuação
no mercado.
Verifica-se, portanto, que além da devida competência para desenvolver programas
que vem sendo ofertados pelas bibliotecas e serviços de informação, desde longa data,
tais como: pesquisa bibliográfica, orientação bibliográfica, metodologia para pesquisa
científica, além de outros tipos de tutoriais, constata-se que os profissionais da
informação devem estar aptos a exercer a liderança no processo de formação da
cultura de agregação de valor à informação na sociedade contemporânea. Para tanto,
necessitam estar alinhados ao uso dos conceitos e experiências da área de
Competência em Informação, ora em desenvolvimento. Além disso, deverão apresentar
um perfil de competências desejável para a inserção nos programas de ensino e
aprendizagem, contribuindo como facilitadores nesses ambientes intensivos em
informação e tecnologias multimídia. Espera-se que os resultados, embora de caráter
exploratório do presente estudo, possam levar à realização de novos estudos e que
novas etapas possam ser organizadas e desenvolvidas para a sua continuidade e
consolidação em contexto nacional.
4 Referências Bibliográficas
15

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17

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <description>A language of the resource</description>
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                <text>O estado da arte da visão e valores da competência da informação (information literacy) na sociedade contemporânea e as necessidades de capacitação dos profissionais da informação: um cenário das Bibliotecas Univeristárias Estaduais Paulistas.</text>
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                <text>Com o advento das tecnologias de informação e comunicação (TIC) as bibliotecas e serviços de informação assumem cada vez mais uma função fundamental no momento em que a sociedade é identificada como da informação e do conhecimento, propiciando mecanismos para o acesso e o uso inteligente de repositórios de informação em meios eletrônicos. Em decorrência dessa conjuntura, o foco na competência em informação (information literacy) tem crescido fortemente em vários segmentos da sociedade, como pode ser verificado em estudos elaborados por organismos internacionais na identificação de qual cenário, neste século, em que se desenvolverá a educação e as dimensões de contexto de suas transformações. Sendo assim, além da devida competência para desenvolver programas que vem sendo ofertados pelas bibliotecas e serviços de informação, desde longa data, tais como: pesquisa bibliográfica, orientação bibliográfica, metodologia para pesquisa científica, entre outros tipos de tutoriais, os profissionais da informação devem estar aptos a exercer a liderança no processo de formação da cultura de agregação de valor à informação na sociedade contemporânea. Além disso, deverão apresentar um perfil de competências desejável para a inserção nos programas de ensino e aprendizagem, contribuindo como facilitadores nesses ambientes. O presente trabalho tem por finalidade oferecer o resultado de estudo exploratório realizado em bibliotecas de universidades paulistas, acerca da visão e valores que se fazem presentes na gestão desses ambientes em torno dos conceitos e concepções que envolvem a competência em informação e seu espectro, e que serão utilizados para dar continuidade às pesquisas na área.</text>
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                    <text>O Gnuteca e o OpenBiblio: avaliação de
softwares livres para a automação de bibliotecas

The Gnuteca and the OpenBiblio: evaluation of
Open Source systems for libraries automation

AUTORES
Antonio Marcos Amorim - Mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade de São
Paulo; Bibliotecário do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil;
Gerente de Tecnologia da Biblioteca Virtual de Psicologia  BVS-Psi.
Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo
Av. Prof. Mello Moraes, 1721  Cidade Universitária
CEP 05508-030  São Paulo  SP  Brasil.
Tel. / Fax: 11 3091-4392
E-mail: amarcos@usp.br
Edilson Damasio - Mestre em Biblioteconomia e Ciência da Informação pela Pontifícia
Universidade Católica de Campinas  PUC-Campinas; Bibliotecário da Universidade Estadual
de Maringá; Bibliotecário do Centro de Ensino Superior do Paraná - CESPAR, Maringá, Brasil.
Universidade Estadual de Maringá - UEM
Avenida Colombo, 5790  Biblioteca Central
CEP 87020-900  Maringá  PR  Brasil.
Universidade Estadual de Maringá - PR
Tel. : 44 3261-4468
E-mail: edamasio@uem.br
Eixo Temático SNBU: O impacto das tecnologias eletrônicas e sua mediação

RESUMO
Partindo da necessidade de usuários de bibliotecas universitárias, atualmente trabalhando em
plataformas cada vez mais digitais e disponíveis na Internet, os softwares livres têm versões
buscando responder adequadamente a estas demandas, barateando custos gerais de
implantação e customização de software. O presente artigo visa realizar a avaliação
comparativa entre dois softwares livres: o OpenBiblio e o Gnuteca, dentre outros disponíveis no
mercado brasileiro de softwares para bibliotecas universitárias enquanto sistemas de
automação completos. Foi feita uma revisão da literatura nacional e internacional, tendo como
metodologia a seleção de itens considerados importantes nesta tarefa. A escolha de um
software (seja de código livre ou proprietário) que trabalhe como sistemas automatizados
cobrindo todas as suas funções de bibliotecas universitárias, requer considerarmos aspectos
como tamanho de acervos, estratégias de crescimento, recursos humanos e financeiros e,

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�sobretudo, as demandas de seus usuários variando muito de biblioteca para biblioteca.
Apontamos, por final, considerações gerais da avaliação comparativa entre o OpenBiblio e o
Gnuteca e dos critérios avaliados.

PALAVRAS-CHAVE
Avaliação; Softwares; Automação de bibliotecas; Softwares livres; Gnuteca; OpenBiblio.
RESUMEN
Partiendo de la necesidad de usuarios de bibliotecas universitarias, actualmente trabajando en
plataformas cada vez más digitales y disponibles en el Internet, los softwares libres tienen
versiones buscando responder adecuadamente a estas demandas, bajando costos generales
de implantación y customización de software. El presente artículo visa realizar la evaluación
comparativa entre dos softwares libres: el OpenBiblio y el Gnuteca, entre otros disponibles en
el mercado brasileño de softwares para bibliotecas universitarias mientras sistemas de
automación completos. Fue hecha una revisión de la literatura nacional e internacional,
teniendo como metodología la selección de elementos considerados importantes en esta tarea.
La elección de un software (sea de código libre o propietario) que trabaje como sistemas
automatizados cubriendo todas sus funciones de bibliotecas universitarias, requiere considerar
aspectos como tamaño de acervos, estrategias de crecimiento, recursos humanos y financieros
y, sobretodo, las demandas de sus usuarios variando mucho de biblioteca para biblioteca.
Apuntamos, por final, consideraciones generales de la evaluación comparativa entre el
OpenBiblio y el Gnuteca, y de los criterios evaluados.
PALABRAS-CLAVE
Evaluación; Softwares; Automación de bibliotecas; Softwares libres; Gnuteca; OpenBiblio.
ABSTRACT

KEYWORDS
Evaluation; Softwares; Library automation; Open source softwares; Gnuteca; OpenBiblio.

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�INTRODUÇÃO
Os softwares livres estão sendo utilizados atualmente como uma forma de se ter
softwares com qualidade e preferencialmente sem custos. Existem diversas justificativas para a
sua utilização, mas a principal é esta.
A filosofia de sua utilização surgiu com a necessidade de se ter softwares sem
custos de licença de utilização, com desenvolvimento constante e compartilhado, onde,
dependendo do tipo de software pode ser desenvolvido a nível internacional.
O desenvolvimento depende de demanda dos que o utilizam, ou através de
tendências de melhoria ou implantação de novos módulos no software, desta forma estão
sempre em constante desenvolvimento. Muitas vezes este desenvolvimento é atribuído
também devido à necessidade de se ter economia nos custos de licenças também do
desenvolvimento da informática.
Este desenvolvimento também está sendo feito nos softwares para bibliotecas.
Existem

diversos

softwares

em

desenvolvimento

sendo

utilizados

e

aprimorados

constantemente. No Brasil, os softwares livres para bibliotecas também estão em constante
atualização, principalmente acompanhando a tendência da utilização do sistema operacional
Linux, que também é livre e acaba sendo este sistema que também atrai a utilização de outros
softwares. Esta tendência esta sendo desenvolvida principalmente por vários segmentos de
idealistas, por empresas cooperativas de softwares, pelos órgãos governamentais, em que
principalmente já se indica a substituição de softwares com licenças pelos livres, gerando uma
grande economia para os cofres públicos, ao não haver maiores gastos com a aquisição de
licenças de uso.
Esta tendência também está presente no desenvolvimento de softwares da
natureza do pacote Microsoft Office, como o redator de texto, planilhas de cálculo, softwares
para apresentações, entre outros. Através desta, existe no mercado internacional o
desenvolvimento de softwares livres para bibliotecas.
Os softwares livres estão isentos de custos com as licenças de uso, mas
necessitam de constante desenvolvimento, principalmente para serem adaptados às
necessidades específicas das bibliotecas que os instalarem. Este também é um diferencial do
software livre, pois [...] É o software que pode ser utilizado, copiado, distribuído, aperfeiçoado,

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�ou seja, modificado, por qualquer pessoa, mesmo não sendo proprietária (DAMASIO e
RIBEIRO, 2005).
Os softwares para bibliotecas são cada vez mais, desenvolvidos em novas
linguagens de programação e usando bancos de dados relacionais para a comunicação com
outros softwares e bancos de dados. Este modelo permite a atualização sistêmica de uma
entidade ou campo de uma base de dados vinculada à outra base de dados simultaneamente.
Estão sendo desenvolvidos em plataforma WEB, isto é, voltados para sua utilização pela
Internet em tempo real, principalmente na catalogação cooperativa e a troca de informações
entre bibliotecas de campus universitários em cidades diferentes.
O que determina esta utilização é a necessidade de compartilhamento de
informações entre bibliotecas de uma mesma instituição, de um grupo conveniado, por
exemplo. Corte e Almeida (2000, p. 12), indicam que:
... se as bibliotecas e centros de documentação quisessem
oferecer melhor serviço aos usuários e cumprir sua missão,
necessário

se

torna

acompanhar

passo

a

passo

o

desenvolvimento da sociedade [...] adaptar as tecnologias às
necessidades e quantidades de informação de que dispõem, e
utilizar um sistema informatizado que privilegie todas as etapas
do ciclo documental, onde a escolha recaia sobre uma
ferramenta que contemple os recursos hoje disponíveis, sem se
tornar obsoleto a médio e logo prazos.
Partindo de todas estas necessidades das bibliotecas, os softwares livres estão
com versões buscando responder adequadamente a estas demandas, com a implantação de
novos módulos de trabalho, atualizando-os através de compartilhamento de necessidades e
experiências e principalmente com a utilização de tecnologias avançadas e também livres de
maiores custos.
O presente artigo visa realizar uma avaliação de dois softwares livres  entre
tantos outros  que se destacam no mercado de bibliotecas universitárias enquanto sistemas
de automação completos (incluindo todas as suas funcionalidades e demandas). Para tanto,
buscamos selecionar os itens considerados indispensáveis bem como mais importantes numa
empreitada deste porte  a seleção de softwares livres que sejam sistemas automatizados para
bibliotecas cobrindo todas as suas atividades.
Tomamos como estudo de caso uma avaliação comparativa entre dois softwares
livres: Gnuteca  Sistema de Gestão de Acervos, Empréstimos e Colaboração para bibliotecas,

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�na versão 1.6; e o OpenBiblio na versão 0.4.0, ambos disponíveis para instalação e com versão
já estável em seu desenvolvimento e com grande utilização no mercado de automação de
centros de documentos e bibliotecas.
Como modelos foram adotados como fonte para seleção de critérios de escolha
e avaliação de softwares para bibliotecas os estudos de CAFÉ, SANTOS e MACEDO (2001) e
de CORTE et al. (1999), pois são considerados dois importantes trabalhos na literatura de
automação. Embora já tenham sido tomados como parâmetro na avaliação de sistemas de
automação de bibliotecas com custos de licença de uso ou pagos, consideramos utilizá-los por
serem aplicáveis e apropriados aos softwares gratuitos, e as ressalvas ou acréscimos são
apontados mais adiante neste artigo.

JUSTIFICATIVAS
Softwares livres para bibliotecas: sua importância
Os softwares para bibliotecas em geral tiveram seu início através da inserção da informática na
sociedade, acompanhando sempre seu desenvolvimento e suas novas tecnologias da
informatização. Formaram-se historicamente por bases de dados relacionadas a módulos de
serviços às bibliotecas. Primeiramente com softwares que emitiam listagens em forma de
referências ou fichas catalográficas, tais como o software Dbase, sendo utilizados na confecção
de catálogos de fichas matrizes e seus desmembramentos nas bibliotecas. Iniciaram,
sobretudo em bibliotecas com os maiores acervos, que na década de 70 utilizavam os
computadores de grande porte ou mainframes da IBM. Conforme apontam CORTE et al. (1999,
p. 242), a modernização das bibliotecas está diretamente ligada à automação de rotinas e
serviços [nas organizações em geral, cabe lembrar], com o intuito de implantar uma infraestrutura de comunicação para agilizar e ampliar o acesso à informação pelo usuário. E esta
modernização partiu sobretudo, das grandes organizações comerciais, atingindo as maiores
universidades e os meios acadêmicos  e aqui encontramos inserida a maioria das bibliotecas.
É neste contexto de novas necessidades ditadas por uma racionalização de recursos e
processos relacionados às bibliotecas que surgem as empresas de desenvolvimento de
softwares. O surgimento do sistema Windows da Microsoft com o ineditismo das suas janelas
interativas popularizou a utilização dos computadores pessoais, e após este fato, as bibliotecas
no mundo todo puderam testar, utilizar e desenvolver vários sistemas de automação em larga

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�escala, saindo da esfera dos computadores de grande porte, limitada às organizações de
grande porte, com amplos recursos financeiros.
De lá para cá, os softwares para bibliotecas foram se desenvolvendo através de diversas
implementações através da criação de softwares com os recursos de Tecnologia da Informação
(TI) existentes nas instituições de ensino e empresas de desenvolvimento de softwares.
Atualmente vemos uma crescente evolução no mundo dos softwares e sistemas de informação
e diariamente desenvolvedores, ou melhor, analistas e programadores e até projetistas de sites
(ou webdesigners), buscam inovações e técnicas para acompanhar os melhoramentos nas
tecnologias tanto de software como hardware, incluindo neste último todos os novos suportes,
leia-se handhelds, aparelhos celulares, palmtops, etc. Perante toda essa diversidade de
opções e necessidades, e visando principalmente baratear custos de produção e de sistemas
que surge o propósito da utilização de tecnologias alternativas, e aí chegamos aos softwares
livres propriamente ditos, buscando a melhor adaptação legal e acima de tudo, menores
preços. É por esta lógica capitalista e também pelas inovações advindas do ambiente WEB
que a prática de desenvolver projetos cooperativos chegou aos desenvolvedores de softwares
livres. Como ilustram Damasio e Ribeiro (2005, p. ?),
um

desenvolvedor

utiliza

como

ferramenta

básica

ao

aperfeiçoamento de seus produtos o código fonte de um
sistema. Um software livre é aquele que possui seu código
fonte aberto a qualquer usuário, que queira ou necessite de
modificações

e

adaptações,

seja

para

uso

doméstico,

institucional ou empresarial.

Foram idealizados desde então, inúmeros softwares voltados a bibliotecas, utilizando como
padrão os requisitos mínimos para todos os módulos de serviços em uma biblioteca e/ou
centros de documentação, seja para o processo de aquisição aos catálogos na WEB. Além
disso, as bibliotecas começaram também a implementar bases de dados compatíveis com os
seus formatos padronizados de dados usados para a catalogação de documentos e adotados
internacionalmente, como o ISBD e o AACR2, este último largamente utilizado no Brasil, além
do formato MARC, o qual permitiu a importação e exportação de dados visando a comutação
com as outras bibliotecas do exterior. Assim, as bases de dados passaram a se interligar e a
ter um padrão mínimo e de crescente complexidade no intercâmbio bibliográfico. Apenas para
nos atermos a esta questão do intercâmbio bibliográfico, vemos que o padrão XML (Extensible

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�Mark-up Language) chegou para solapar de vez os próprios formatos MARC, pois é parte de
um padrão na WEB para intercâmbio eletrônico de dados, e permitindo que portais de
bibliotecas conversem entre si trocando dados descritivos de documentos, ou melhor, de
acervos. E tudo isto estando cada portal em diferentes plataformas ou sistemas operacionais
como Windows, Unix e Linux, algo impensável até a pouco tempo atrás. Para Kochtanek (2003)
e Rhyno (2002), citados por Felstead (2004), o XML é visto como sucessor dos formatos
MARC por involucrar metadados bibliográficos em sistemas de bases de dados relacionais, que
formam a base de um sistema automatizado para bibliotecas. O mesmo autor aponta no
mesmo artigo que o WC3, ao estabelecer padrões de comunicação de dados entre aplicações,
através de Web services impactarão diretamente em bibliotecas ao tornar mais fácil o
intercâmbio de dados, eliminando passos manuais de comunicação application-to-application.
Retomando o contexto dos sistemas para automação de bibliotecas, diversos softwares
e iniciativas alternativas foram desenvolvidos e lançados no mercado mundial, com destaque
para alguns sistemas proprietários tais como o Aleph, o VTLS Virtua, o Voyager, o Aleph 500,
Millenium e o Unicorn  todos de empresas estrangeiras, e alguns desenvolvidos no Brasil,
tendo como destaque o PERGAMUN. Estes sistemas permitem integrar todos os módulos de
serviços necessários para um sistema de bibliotecas. Dentre os módulos, destacam-se os
módulos de aquisição e o de controle de Aquisição e de controle de Assinaturas de periódicos,
estes sempre tendo que serem desenvolvidos através da criação de novos sistemas, ou seja,
os sistemas não têm estes serviços disponíveis.
Desta forma os softwares livres tendem a acompanhar as necessidades das bibliotecas, pois,
está passível de alterações e adaptações. Seguem as mesmas funções dos softwares
proprietários e nível de desenvolvimento segue a competição ao mercado, sendo melhorados
constantemente.

No mercado nacional e internacional existem softwares e sistemas para

bibliotecas, alguns com implementações e módulos além das expectativas das bibliotecas, e
que também podem ser além dos recursos financeiros da maioria das bibliotecas. Os softwares
livres tendem a acompanhar esta necessidade do mercado, com sistemas que tenham módulos
necessários aos serviços da biblioteca e principalmente sem despesas com aquisição de
licenças.
No Brasil, foi desenvolvido o software GNUTECA  Sistema de Gestão de Acervo, Empréstimo
e Colaboração para Bibliotecas, primeiramente instalado e desenvolvido na UNIVATES,
conforme relatório GNUTECA (2005):

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�O Gnuteca é um sistema para automação de todos os
processos de uma biblioteca, independente do tamanho de seu
acervo ou da quantidade de usuários. O sistema foi criado de
acordo com critérios definidos avalizados por um grupo de
bibliotecários e foi desenvolvido tendo como base de testes
uma biblioteca real, a do Centro Universitário Univates, onde
está em operação desde fevereiro de 2002. O Gnuteca é um
software livre, o que significa que o mesmo pode ser copiado,
distribuído e modificado livremente. [grifo nosso] O software é
aderente a padrões conhecidos e utilizados por muitas
bibliotecas, como o ISIS (Unesco) e o MARC21 (LOC - Library
of Congress). Por ter sido desenvolvido dentro de um ambiente
CDS/ISIS, o Gnuteca prevê a fácil migração de acervos deste
tipo, além de vários outros.
O Gnuteca também é distribuído em forma de cooperativa, tendo como princípio de todo
software livre, a cooperação para o seu desenvolvimento entre os seus usuários. Quando se
desenvolve novos módulos, pode-se implementá-los em novas versões do software, no
momento está na versão 1.6. Salvi et al. (2005) esclarece:
É um sistema abrangente e genérico que pode moldar-se a
diferentes

realidades

de

diferentes

usuários,

permitindo

também a criação de uma infra-estrutura de colaboração entre
bibliotecários e demais funcionários das bibliotecas, evitando a
repetição desnecessária de trabalho: uma vez feita a
catalogação de um título em uma biblioteca, estes dados
catalográficos podem ser ´importados´ para o sistema de outra
biblioteca que adquira o mesmo título.
BREVE REVISÃO DA LITERATURA
A revisão da literatura mundial em automação de bibliotecas mostra-se rica, sobretudo nas
décadas de 80 e 90 no Brasil, e logo depois continuada por um levantamento de pesquisa
sobre bibliotecas virtuais e digitais conduzido por Ohira (1994), que deu prosseguimento a uma
compilação de artigos sobre automação de bibliotecas que vinha sendo feito desde 1986, numa
publicação denominada BIBLIOINFO  Base de dados Base de Dados sobre Automação em
bibliotecas (Informática Documentária). Porém, em anos recentes, por incrível que pareça,
pouco se tem publicado no país sobre métodos de avaliação de softwares, para bibliotecas,
embora não seja este o quadro da literatura internacional: em levantamento na base LISA,

Página 8 de 17

�mais de 138 trabalhos envolvendo metodologia ou avaliação de softwares desde 1996 foram
publicados, sendo 18 apenas de 2005 até os dias atuais.
Entre os estudos brasileiros, nos focamos com especial atenção especial pela sua abordagem
os de Café, Santos e Macedo (2001), e outro publicado por Corte e Almeida (2000). Um
terceiro estudo mais recente, que analisa como algumas universidades brasileiras escolheram
seus sistemas automatizados é o de CARVALHO et al. (2006). Nesse último, são apresentados
pelos autores dados interessantes de pesquisa onde se constatam alguns aspectos
relacionados à escolha por um determinado software. Conforme apontam os autores
(CARVALHO et al., p. 55), entre as dificuldades encontradas numa primeira fase pósimplantação da automação,
os

responsáveis

[...]

concordam

que

existem

muitas

dificuldades quanto à implantação dos softwares, mas, entre
elas, a mais citada foi a incompatibilidade do software com o
equipamento disponível, já que muitas vezes os equipamentos
são antigos gerando dificuldades para aquisição ou trocas dos
mesmos; outras citadas foram a carência de recursos humanos
especializados, ou seja, as pessoas que trabalham nas
bibliotecas

muitas

vezes

não

estão

qualificadas

profissionalmente ou não receberam nenhum treinamento para
isso, a migração de 30 mil registros que estavam em MicroIsis,
o grande fluxo de dados, e uma parcela não soube responder
se houve outras dificuldades além das citadas, por não
trabalharem na época na biblioteca.

Dentre aqueles trabalhos que se dedicaram à análise de softwares livres para automação de
bibliotecas considerando-o num sistema gerencial completo, isto é, envolvendo a aquisição,
empréstimo, processamento de dados, interface de pesquisa, serviços de referência,
disseminação seletiva da informação e funções gerenciais, temos ainda poucos trabalhos no
país e pouco mais numerosos publicados no exterior, abordando diretamente um ou mais
aspectos a serem avaliados de um software. O estudo de GOMES et ali (2005) apresentou as
funcionalidades e características gerais de uso e implantação do software OpenBiblio no
Centro Tecnológico da Zona Leste, já traduzida de sua versão original americana, necessária
à realidade brasileira, segundo descrevem os autores (GOMES et al., p. 5):
a tradução do software para a língua portuguesa, bem como sua
adequação e instalação foram de primordial importância, para melhoria
dos serviços oferecidos e funcionamento da biblioteca, já disponível

Página 9 de 17

�gratuitamente

em

www.openbibliobrasil.cjb.net.

O

sistema

automatizado de biblioteca OpenBiblio 0.4.0 auxilia os profissionais nas
tarefas de controle de acervo, pessoas, empréstimos, devoluções e
acesso viaInternet.

METODOLOGIA
Tendo como base os trabalhos de Café, Santos e Macedo (2001), e o de Corte e Almeida (2000),
fizemos uma adaptação dos critérios apontados, selecionando os mais importantes dentre os mais 90
existentes considerados na avaliação de softwares para bibliotecas. Desse modo, foi criada uma tabela
comparativa para se analisar ambos os softwares em cada item, e atribuindo a estes uma nota em escala
par, no caso entre 1 e 4, sendo: 1  ruim; 2  regular ou satisfatório; 3  bom; 4  excelente; e N/A  não
disponível para avaliação, porém passível de uso.
O uso deste tipo de escala foi bem observado na literatura no estudo de Café, Santos e
Macedo (2001, p. 73), pois conforme estes autores com uma escala ímpar do tipo 1-2-3-4-5, é
maior a tendência a atribuir a nota central (3) quando o respondente não compreende bem o
critério, o que poderia falsear os resultados aproximando-os artificialmente da média. Como a
escolha de softwares para bibliotecas não se trata de uma simples tarefa mesmo para uma boa
equipe técnica e depende de demandas específicas das universidades, evitamos ainda usar a
atribuição de pesos a cada nota/critério utilizado.
No caso, serviu para comparar os softwares livres selecionados  o Gnuteca e o OpenBiblio.
Ainda não há na literatura uma tabela de critérios consolidados específicos para escolha de um
software livre, portanto fizemos adaptações e inclusões de critérios que são pertinentes a este
tipo de software.

AVALIAÇÃO DOS SOFTWARES GNUTECA E OPENBIBLIO
Os testes foram realizados em interfaces on-line de bibliotecas que usavam os softwares
avaliados. No caso do Openbiblio, foi considerado o catálogo OPAC do Centro Tecnológico da
Zona Leste (disponível em http://ctzl.altervista.org/biblioteca/), bem como testes em sua versão
demo ou demonstração na versão 0.4.0 (rodando a ferramenta PHP Triad 2.2) para avaliar as
outras funções, que não a pesquisa OPAC. Foram também consideradas informações
compiladas do site deste software livre nos Estados Unidos, produzidas por Dave Stevens e
disponíveis em: http://obiblio.sourceforge.net/. No caso do software Gnuteca, foi utilizada a
versão 1.6, que é uma versão demo disponível em sua página principal na Internet. Para a

Página 10 de 17

�avaliação geral de recursos em catálogos on-line foi considerada a interface da Biblioteca do
Campus de Santana, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), e disponível
em: http://bibliosantana.pucsp.br/handler.php?module=gnuteca&amp;action=main.
Os softwares livres assim estiveram com uso voltado à uma biblioteca universitária de grande
porte, pois cabe lembrar que, em se tratando de softwares livres, muitas customizações são
possíveis, e, portanto, em geral o desenvolvedor ou programador pode expor que determinada
ferramenta pode perfeitamente ser criada, mas se nunca fora testada anteriormente,
consideramos esta como não disponível na avaliação a seguir (N/A), embora possamos fazer
ressalvas, as quais deixamos para os comentários finais da avaliação.
A seguir então, apresentamos a tabela comparativa com a avaliação dos softwares, critério por
critério, e suas respectivas notas:

Critérios Avaliados

OpenBiblio

Gnuteca

1. Acesso simultâneo de usuários e tempo adequado de
resposta das bases de dados

3

4

2. Arquitetura de rede cliente / servidor

3

3

4

4

4. Capacidade de elaboração de estatística com geração
automática de gráficos

1

2

5. Capacidade de suportar grande volume de
bibliográficos (mais de 10 milhões, pelo menos)

registros

2

3

6. Compatibilidade com diversas plataformas: rede Microsoft
Windows NT ou OS/400; rede UNIX; rede LINUX.

3

3

7. Disponibilidade de help on-line sensível ao contexto em
língua portuguesa

1

3

8. Garantia de manutenção e disponibilidade de novas versões

2

3

9. Gestão de bases de dados com diferentes tipos de
documentos

3

3

10. Usabilidade da interface gráfica

3

4

11. Leitura de código de barras

4

4

12. Existência e compatibilidade com o protocolo Z39.50

2

1

13. Permitir importação e exportação de dados em formato
MARC (se necessário)

4

1

14. Recuperação de base de dados textuais

1

2

15. Segurança na forma de registro e de gerenciamento de

3

4

Requisitos Relacionados à Tecnologia de Informação

3. Capacidade de atualização dos dados em tempo real

Página 11 de 17

�dados
16. Tabela de parâmetros para personalizar o funcionamento do
sistema

3

3

17. Tratamento de textos e imagens

1

3

18. Acesso à base de dados via browser Internet e/ou Intranet

4

4

19. Controle de listas de sugestão

1

1

20. Controle de assinatura de periódicos

2

1

21. Identificação da modalidade de aquisição (seja por doação,
compra, permuta, ou com depósito legal)

3

3

22. Controle contábil e financeiro dos recursos orçamentários
para aquisição de material bibliográfico

2

1

23. Controle de fornecedores por compra, doação e permuta;
emissão de cartas de cobrança

2

2

24. Elaboração de lista de duplicatas

1

2

25. Estatística mensal e acumulada de documentos recebidos

2

2

26. Cadastro de entidades com as quais a biblioteca mantém
intercâmbio de publicações

1

1

27. Controle da situação (status) do documento bibliográfico
(estando este como: encomendado, aguardando autorização,
aguardando nota fiscal, encaminhado para pagamento, etc.)

2

1

28. Atualização do banco de dados e opção de atualização em
tempo real de registros de autoridade e demais índices, após
o envio de novo registro ao servidor

2

2

29. Campos e códigos de catalogação de qualquer tipo de
documento, inclusive artigos de periódicos, de acordo com o
AACR2

3

4

30. Construção automática de lista de autoridades

1

2

31. Construção de remissivas para autoridades / assuntos

1

3

32. Consulta ao tesauro, lista de autoridades e lista de editoras,
durante o cadastramento de um registro

1

1

33. Exportação de dados para alimentação de bases de dados de
catalogação cooperativa

1

1

34. Uso do formato MARC para os registros bibliográficos

4

4

35. Geração de etiquetas para bolso e lombada dos documentos

1

4

36. Importação de dados de centros de catalogação cooperativa
on-line e de CD-ROM

1

1

37. Incorporação de textos digitados  sistema de gerenciamento
de texto, imagem e som para inclusão (de inteiro teor ou não)

1

3

38. Possibilidade de validação dos registros e campos

4

3

Requisitos relacionados ao Processo de Seleção e Aquisição

Requisitos relacionados ao Processamento Técnico

Página 12 de 17

�39. Processamento de materiais especiais, obras raras e outros

4

3

39. Bloqueio automático de empréstimo sempre que o usuário
estiver em atraso ou com dados cadastrais desatualizados

2

3

40. Aplicação de multas e suspensões

3

3

41. Cadastro de usuários, com inclusão, exclusão e alteração de
nomes e endereços, com categorização de usuários

3

3

42. Categorização de empréstimo:
empréstimos entre bibliotecas

e

2

4

43. Categorização de usuários por materiais para fins de
definição automática de prazos e condições de empréstimos e
uso

4

4

44. Cobrança personalizada, com prazos diferenciados por tipos
de materiais e usuários

4

3

45. Código de barras para cada leitor

1

3

46. Controle de devoluções, renovações e atrasos

4

4

47. Controle de leitores em atraso (on-line e por relatórios)

3

3

48. Definição de parâmetros para a reserva de livros, com senhas
de segurança

1

4

49. Emissão de cartas cobrança automáticas para usuários em
atraso

2

3

50. Possibilidade de pesquisar a situação em que se encontra o
exemplar: disponível, emprestado, encadernado etc;

4

4

51. Relatórios do cadastro de usuários, por ordem alfabética,
formação, unidade de trabalho

3

2

52. Reserva de documentos, com prazos diferenciados por tipos
de materiais e usuários

1

3

documentos

2

2

54. Capacidade de permitir que os resultados de pesquisas sejam
gravados em disquetes ou em arquivos, ou mesmo enviados
por e-mail e impressos

1

1

55. Estratégia de pesquisa on-line nas bases de dados por
qualquer palavra, campo ou sub-campo

1

3

56. Indicação do status do documento pesquisado,
emprestado, em encadernação ou disponível

se

4

4

57. Possibilidade de salvar estratégias de busca para utilização
posterior

1

1

58. Recuperação por truncamento à esquerda, à direita e ao
meio, operadores booleanos, proximidade e distância entre

1

1

Requisitos relacionados ao Empréstimo de Documentos

domiciliar,

especial

Requisitos relacionados ao processo
de Recuperação de Informações
53. Capacidade de
pesquisados

ordenar

e

classificar

os

Página 13 de 17

�termos
1

2

60. Emissão de listas de publicações por assuntos e autores e
geração de catálogo coletivo

2

2

61. Elaboração e impressão de bibliografias em formato ABNT ou
outra norma válida

1

2

62. Definição de instrumentos de alerta e disseminação seletiva
de informações, conforme perfil dos usuários

1

2

63. Contabiliza estatísticas de circulação, processamento técnico,
seleção, aquisição e intercâmbio, atualização de tesauro e
listas de autoridades, por período

3

2

64. Emite relatórios de circulação por tipo de documentos, por
períodos e acumulado

2

1

65. Emite relatórios de empréstimos, por períodos e acumulado

2

1

66. Lista de usuários, por categoria

3

1

67. Treinamento em nível técnico, envolvendo: entendimento
técnico por analistas da instituição do produto, permitindo-lhes
parametrização e customização ao usuário final

n/a

n/a

68. Treinamento gerencial, para perfeita compreensão dos
procedimentos gerenciais oferecidos

n/a

n/a

69. Treinamento operacional, permitindo compreensão de cada
rotina de cada módulo do sistema

n/a

n/a

70. Oferecimento de documentação completa do sistema
(materiais didáticos e manuais necessários - de preferência
em português - seja para a equipe operacional como aos
analistas da instituição)

2

2

71. Instalação e testes gerais na instituição, sem custos
adicionais e com um profissional de suporte e gerencial para
sanar as dúvidas existentes

3

3

72. Oferecimento de contrato de suporte técnico cobrindo todos
os serviços envolvidos (licenciamento do software,
implantação de versões atualizadas, correções de erros de
programação, etc).

n/a

n/a

59. Visualização do resultado da pesquisa em forma de referência
bibliográfica breve e completa, de acordo com a ABNT ou
outra norma internacional
Requisitos relacionados ao
processo de Divulgação da Informação

Requisitos relacionados ao Processo Gerencial

Requisitos gerais (Treinamento, Instalação suporte técnico,
Manutenção, Conversão retrospectiva etc)

Página 14 de 17

�CONSIDERAÇÕES GERAIS E APONTAMENTOS PARA NOVOS ESTUDOS
É importante destacar alguns aspectos desta avaliação comparativa. As bibliotecas brasileiras
universitárias têm demandas específicas e realidades as mais diversas: seja em termos de
acervos, estratégias de crescimento, recursos humanos e/ou financeiros, e sobretudo pelas
demandas de seus usuários. Feita esta consideração, a opção de uma metodologia  ainda
que adaptada - mostrou-se válida e aplicável mesmo a softwares livres, porém como
ressaltamos anteriormente foi evitada a atribuição de pesos aos critérios ou notas utilizados, e
é neste princípio que basicamente diferimos da metodologia do trabalho conduzido por Café,
Santos e Macedo (2001).
Até porque as características de um software livre são, até certo ponto, antagônicas em relação
aos softwares proprietários, que possuem um alto custo de manutenção e uma lógica
totalmente diversa na manutenção e expansão das funções de um sistema para automação de
bibliotecas, e mesmo para outros sistemas comerciais.
Na questão dos módulos de automação, os softwares livres estão em amplo desenvolvimento.
Isto embora existam softwares proprietários com décadas de desenvolvimento e específicos
para o mercado de bibliotecas, onde têm seus concorrentes e também já estão posicionados
com uma clientela consolidada. Alguns softwares livres estão agindo inclusive como
complementares aos softwares proprietários, e esta é uma estratégia interessante a ser
acompanhada.
A vertente do software livre pode ser vista como uma opção às bibliotecas, mas muitas destas
ainda não os conhecem, sequer assitiram a alguma apresentação ou divulgação dos mesmos.
Ao contrário dos softwares proprietários, os softwares livres não são divulgados amplamente
através de maciços recursos de marketing de grandes empresas multinacionais.
Ou, como ocorre muitas vezes, ainda não tem recursos humanos que permitam a implantação
de versões demo para avaliação, pois, no caso do Gnuteca e OpenBiblio, requerem detalhada
configuração e instalação em um computador servidor para a web. Como qualquer outro
sistema informatizado, sua instalação indica a necessidade de investimentos não apenas em
mão-de-obra especializada, mas em hardware, configurações de redes Intranet, entre outros
fatores. A proposta deste artigo procurou mostrar às bibliotecas uma breve avaliação dos
módulos funcionais mínimos exigidos para um sistema de automação, tratando-se de softwares
livres, e sua relação com as necessidades de uma biblioteca na qual se queira utilizá-los.
Elencamos aspectos facilitadores do planejamento de aquisição e implementação destes

Página 15 de 17

�softwares livres. Esperamos que este estudo, sendo ainda de caráter exploratório, possa
suscitar o levantamento de maiores questionamentos e/ou outras possibilidades de pesquisa,
que poderão ser aprofundados em futuros estudos.

Página 16 de 17

�REFERÊNCIAS
CAFÉ, L.; SANTOS, C.; MACEDO, F. Proposta de um método para escolha de software de
automação de bibliotecas. Ciência da Informação, Brasília, v. 30, n. 2, p. 70-79, mai./ago. 2001.
Disponível em: &lt;http://www.scielo.br/pdf/ci/v30n2/6213.pdf&gt;. Acesso em 28 de mar. 2006.
CARVALHO, C. et ali. Softwares utilizados em bibliotecas universitárias. Repositório
Acadêmico de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Brasília, abr. 2006. Disponível em:
http://www.bsf.tehospedo.com.br/ojs/viewarticle.php?id=31&gt;. Acesso em 11 de abr. 2006.
CORTE, A. R. et al. Automação de bibliotecas e centros de documentação: o processo de
avaliação e seleção de softwares. Ciência da Informação, Brasília, v. 28, n. 3, p. 241-256,
set./dez. 1999.
CORTE, A. R.; ALMEIDA, I. M. de (coord.). Avaliação de softwares para bibliotecas. São Paulo:
Polis: APB, 2000. (Coleção Palavra-chave, 11).
DAMASIO, E.; RIBEIRO, C. E. N. Software livre para bibliotecas, sua importância e utilização: o
caso Gnuteca. In: XXI Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da
Informação, 2005, Curitiba. Anais... Curitiba : FEBAB / Associação Paranaense de
Bibliotecários,

2005.

v.

1.

Disponível

em:

&lt;http://br.geocities.com/edilson_damasio/GNUTEC.pdf&gt;. Acesso em 07 de mar. 2006.
FELSTEAD, A. The library systems market: a digest of current literature, Program: electronic
library

and

information

systems,

v.

38,

n.

2,

p.

88-96,

2004.

Disponível

em:

&lt;http://www.emeraldinsight.com/Insight/ViewContentServlet?Filename=Published/EmeraldFullT
extArticle/Pdf/2800380201.pdf&gt;. Acesso em 12 jun. 2006.
GNUTECA - sistema de gestão de acervo, empréstimo e colaboração para bibliotecas.
Disponível em: &lt;http://www.gnuteca.org.br&gt;. Acesso em 20 de mar. 2006.
GOMES, C. A. et ali. Implementação e padronização dos processos da biblioteca do Centro
Tecnológico da Zona Leste. In: III Seminário de Biblioteca Escolar, 2005, Belo Horizonte.
Anais... Belo Horizonte: Grupo de Estudos em Biblioteca Escolar da Escola de Ciência da
Informação da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, 2005. Disponível em:
&lt;http://www.eci.ufmg.br/gebe/pdfs/318.pdf&gt;. Acesso em 27 de mai. 2006.
LINS SILVA, B. R. Modelo de automação de bibliotecas baseado na filosofia open-source:
análise

social

e

tecnológica.

Disponível

em:

&lt;http://dici.ibict.br/archive/00000220/01/model_sof_livre_biblio.pdf&gt;. Acesso em 16 de mar.
2006.
OHIRA, M. L. B. Biblioinfo base de dados sobre automação em bibliotecas (informática
documentária): 1986-1994. Ciência da Informação, Brasília, v. 25, n. 2, p. 369-371, ago. 1996.

Página 17 de 17

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <elementText elementTextId="59262">
                <text>O Gnuteca e o OpenBiblio: avaliação de softwares livres para a automação de bibliotecas.</text>
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                <text>Amorim, Antonio Marcos; Damasio, Edilson</text>
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                <text>Salvador (Bahia)</text>
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            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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            <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <text>Partindo da necessidade de usuários de bibliotecas universitárias, atualmente trabalhando em plataformas cada vez mais digitais e disponíveis na Internet, os softwares livres têm versões buscando responder adequadamente a estas demandas, barateando custos gerais de implantação e customização de software. O presente artigo visa realizar a avaliação comparativa entre dois softwares livres: o OpenBiblio e o Gnuteca, dentre outros disponíveis no mercado brasileiro de softwares para bibliotecas universitárias enquanto sistemas de automação completos. Foi feita uma revisão da literatura nacional e internacional, tendo como metodologia a seleção de itens considerados importantes nesta tarefa. A escolha de um software (seja de código livre ou proprietário) que trabalhe como sistemas automatizados cobrindo todas as suas funções de bibliotecas universitárias, requer considerarmos aspectos como tamanho de acervos, estratégias de crescimento, recursos humanos e financeiros e, sobretudo, as demandas de seus usuários variando muito de biblioteca para biblioteca. Apontamos, por final, considerações gerais da avaliação comparativa entre o OpenBiblio e o Gnuteca e dos critérios avaliados.</text>
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            <name>Language</name>
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                    <text>O LIVRO E SEUS PRINCIPAIS SUPORTES : PAPIRO,
PERGAMINHO E PAPEL

Ilane Coutinho Duarte Lima*
Rosany Azeredo**

RESUMO
Aborda historicamente o livro, dando ênfase aos seus principais suportes : papiro,
pergaminho e papel. O papiro, surgiu no Egito e sua idade é desconhecida, já o
pergaminho com sua resistência e qualidade do material ainda é utilizado nos dias
de hoje. O papel teve sua invenção pelos chineses e os princípios de sua
fabricação continuam os mesmos desenvolvidos há 1.900 anos na China.

Palavras-chave: Papiro. Pergaminho. Papel.

* Bibliotecária - Biblioteca Municipal Adelpho Poli Monjardim
Avenida Jerônimo Monteiro, 656 – Centro Vitória – ES – 29010-002 - Brasil
ilane@pop.com.br
** Bibliotecária - UNICES – Instituto Superior de Cultura Capixaba
Avenida Vitória, 800 – Forte São João Vitória – ES – 29010-580 - Brasil
rosanyazeredo@hotmail.com

�1 INTRODUÇÃO
A presente pesquisa pretende divulgar o livro através dos vários
suportes, numa visão histórica dos fatos. Trataremos o papiro, o pergaminho e o
papel como principais suportes a serem pesquisados.
A história do livro vincula-se aos vários suportes já utilizados para a
escrita. O suporte mais antigo foi a pedra, desde as pictografias rupestres até às
estelas e inscrições

do antigo oriente e antiguidade clássica. Os suportes

evoluem e, segundo Labane ( 1981, p. 7) “foi sem dúvida a madeira o primeiro
suporte do verdadeiro livro, sob a forma de tabuinhas de madeira ou bambu.”
Katzenstein (1986, p. 159) acrescenta que:
Na China, um dos principais materias de escrita além da seda era o
bambu, usado também para construir pontes suspensas e balsas, e para
outras finalidades. Quando destinado à escrita, era cortado em cilindros,
que depois eram partidos em tiras de pouco mais de 1 centímetro de
largura por 20 centímetro de comprimento. Estas tiras deviam ser
serradas e sua superfície interna raspada, pois contêm um suco que
provoca deterioração e atrai insetos – uma operação chamada “matar o
verde” – sendo em seguida postas para secar sobre o fogo. Para formar
um livro, elas eram furadas e as várias peças eram reunidas por um fio
de seda. Houve livros de bambu que pesava até 120 libras usados para
documentos da corte até por volta do ano 250 a C.

Outro suporte antigo do livro, a argila, foi utilizada na Mesopotâmia,
pelos sumérios e assírios. Katzenstein (1986) afirma que as casas eram feitas de
tijolos de barro, e quando surgiu a escrita, o homem começou a escrever nele e
em artefatos de barro cozido, tais como figurinhas, vaso e cacos, conhecidos por
óstracos.
Sobre óstracos, Waldvogel (1986, p.18) informa:
[...] de sorte que quase todas as casas tinham na proximidade um
montão de cacos de barro. A esses montes recorria o dono ou dona da
casa para apanhar um fragmento sobre o qual pudesse passar um recibo
a um credor exigente, mandar por uma criança esquecida um recado a
um amigo, etc. Assim os cacos de louça serviam de folhas de papel,
sobre a quais se registravam acontecimentos os mais variados.

Os tecidos também serviram de suporte para a escrita, principalmente
a seda, inventada pelos chineses no século VI a C.

�Outro material de escrita eram as tabuinhas cobertas de cera ou gesso.
Tinham o tamanho de cerca de vinte por vinte e cinco centímetros, e as bordas
eram altas, com formato de pequenas bandejas, de forma que a cera derretida, ao
ser despejada sobre as tábuas não escorria para fora. Solidificada, oferecia uma
superfície bem lisa, sobre a qual gravavam as letras com stylus, que era uma
espécie de sovela ou punção de osso ou metal, do qual proveio a palavra estilo
(maneira de escrever).
Materiais diversos foram igualmente usados nos tempos antigos,
dentre os quais citamos: o osso, as carapaças, o bronze, conchas, fragmentos de
cerâmica, folhas de palmeira, ardósia, marfim, metais diversos. Mas os principais
suportes do livro antigo foram o papiro, o pergaminho e o papel, objetos de nosso
trabalho.

2 Papiro
O papiro surgiu no Egito. Era uma planta aquática (Cyperus papyrus)
existente no delta, do Nilo. Seu talo em forma piramidal chegava a ter 5 a 6
metros de comprimento. Era considerada sagrada porque sua flor, formada por
finas hastes verdes, lembrava os raios do Sol, divindade máxima do povo egípcio.
O processo de elaboração da folha do papiro começa com as películas
da parte exterior da haste da planta aquática, que eram cortadas em tiras e,
coladas umas às outras para formarem as folhas, que eram superpostas com as
fibras cruzadas (como na madeira compensada), para aumentar a espessura e a
resistência do produto. Depois, o “compensado” de papiro era polido com óleo e
colocado para secar.
Segundo Waldvogel (1984, p. 20), os egípcios designavam Biblos a
várias folhas escritas sobre papiro. Os rolos chamavam de volumes, palavra
oriunda de volvere, que quer dizer enrolar.

�Mas para Labarre (1981, p.13) temos a seguinte informação:
O rolo de papiro, forma tradicional do livro antigo, chamava-se em latim
volumen. Entre os séculos II e IV da nossa era, foi suplantado
progressivamente pelo codex, feito e folhas encartadas e dobradas para
constituírem cadernos juntos uns aos outros. Desde esta época, o livro
conservou sempre esta forma; mas a nossa língua dá à palavra volume
um sentido que se afasta das suas origens, Trata-se de uma mutação
capital da história do livro, talvez mais importante que aquela a que o
submetera Gutemberg, porque ela atingia o livro na sua forma e obrigava
o leitor a mudar completamente a sua atitude física. A consulta de um
volumen era pouco prática; era necessário desenrolá-lo lateralmente
ante si, sendo difícil reportar-se de uma parte a outra do texto. Era
incômodo e tinha de ser segurado com ambas as mãos, o que não
permitia tomar notas da leitura, como mais tarde se fará.

A idade do papiro é desconhecida, mas os mais antigos datam dos
meados do III milênio a.C. mas alguns hieróglifos fazem-nos pensar que o seu
emprego era mais antigo. Há rolos de papiros brancos e desenhados datados
respectivamente de 3.000 a 2.700 a.C. O papiro permaneceu o suporte essencial
do livro no Egito e difundiu-se no mundo grego e no império romano; manteve-se
até o século X e XI d.C. O livro de papiro apresentava-se sob a forma de um rolo
constituído por folhas coladas umas às outras, muitas em números de vinte. O
comprimento médio de um rolo era de seis a dez metros, mas a literatura
bizantina menciona papiros com uma centena de metros.
Martins (1996, p. 62) :
[...] informa que o papiro podia ser utilizado na escrita. Sobre cada folha,
o texto era escrito em colunas e cada uma delas se colava, em seguida,
pela extremidade à folha seguinte, de forma que se obtinham fitas de
papiro com, às vezes, dezoito metros de comprimento. Enrolados em
torno de um bastonete chamado umbilicus, constituíam os primeiros
rolos de pergaminho e por conseqüência, do próprio livro.

Katzenstein (1986, p.178) acrescenta que o papiro foi utilizado como
material de escrita por 3.500 anos e no Egito teve sua melhor qualidade. No
século XI foi substituído pelo pergaminho e pelo papel. Atualmente, na Etiópia, há
barcos feitos de papiro, e no Egito sua produção foi reativada como atração
turística.

�3 Pergaminho
Devido a sua durabilidade, o pergaminho teve grande importância
como material de escrita desde a antigüidade. Devido à qualidade do material, o
pergaminho ainda hoje é utilizado como suporte para alguns documentos.
A origem e forma de fabricação do pergaminho, segundo Katzenstein
(1986, p.179) :
Uma vez que pergaminu, vocábulo latino para pergaminho, é o nome
da cidade de Pérgamo têm a mesma raiz, admite-se que no século II a.
C., ele tenha sido inventado nesta cidade ou, que aí tenha sido
introduzido um novo método de limpá-lo, esticá-lo e raspá-lo, o que
tornou possível a utilização dos dois lados de uma folha para escrever.
Plínio cita um relato de Marco Terêncio Varro, estudioso romano do
século I a C. e bibliotecário de César, afirmando que o rei Eumenes II, de
Pérgamo (197-159 a. C.) desejava organizar uma biblioteca enorme e
que o rei Ptolomeu, do Egito, como bibliófilo, considerou isto um ato
inamistoso e declarou o embargo da exportação de papiro – e que tal
fato inspirou Eumenes II a imediatamente “inventar” o pergaminho. Os
relatos de Varro sobre os materiais de escrita, entretanto, não são
confiáveis. De acordo com um outro relato seu, o papiro foi “inventado”
pelos gregos, ou melhor, por Alexandre, o Grande, embora já se fosse
conhecido dos egípcios em 3.000 a C. e Heródoto tenha referido seu uso
muito anterior, 100 anos antes de Alexandre.

Labarre (1981, p.10) destaca detalhes importantes na fabricação do
pergaminho, salientando a causa do seu preço elevado:
As peles eram lavadas, secas, estiradas, estendidas no chão, com o pelo
para cima, cobertas com cal viva no lado da carne; depois pelava-se o
lado do pelo, empilhava-se as peles num barril cheio de cal; por fim
lavavam-se, secavam-se estendendo-as, tornavam-se mais finas,
poliam-se e talhavam-se consoante o corte pretendido. O pergaminho
era simultaneamente um material mais sólido e mais flexível que o
papiro, e permitia que o raspasse e o apagasse. Entretanto, o seu
emprego generalizou-se lentamente, e só no século IV da nossa era
suplantou completamente o papiro na confecção de livros. Mantinha-se
com um preço elevado, por causa da relativa raridade da matéria-prima e
também em virtude do custo da mão-de-obra e do tempo que sue
preparo requeria.

Quando se começou o uso do pergaminho, costumavam guardá-lo em
rolo, como faziam com o papiro. Depois, porém, viram que podia ser dobrado,
iniciando-se assim seu uso em forma de cadernos. Estes em geral de quatro
folhas (quaternos), eram reunidos em livro.

�O

pergaminho

reutilizado

após

raspagem

denominava-se

palimpsestos (palim, novo; psesto, raspado). Às vezes se aplicava essa rasura
duas vezes ao mesmo pergaminho. Modernamente se conseguiu, em alguns
casos, pelo emprego de certos ácidos, fazer reaparecer nesses palimpsestos a
escrita primitiva. Mas são tão fortes esses reagentes, utilizados neste processo
que acabam destruindo por completo a preciosa folha.
Martins (2001, p.68) nos informa que:
O permaminho foi escrito, como o papiro, de um lado só, até que se
descobriu ser perfeitamente possível fazê-lo nas duas faces. Enquanto a
escrita era realizada apenas no reto, o pergaminho era enrolado, como o
papiro, para constituir volumen. A escrita no reto e no verso vai dar
nascimento ao codex, isto é, ao antepassado imediato do livro. Com ele
revoluciona-se o aspecto da matéria escrita e o das bibliotecas. Códex
(pl. códices), na definição de Rouveyre, “ é o nome dado aos
manuscritos cujas folhas erma reunidas entre si pelo dorso e recobertas
de uma capa semelhante à das encadernações modernas. É, em suma,
o livro quadrado e chato, tal como ainda hoje o possuímos”. A diferença
é que o livro moderno apresenta-se em tamanhos reduzidos, graças ao
corte das folhas de impressão, ao passo que o pergaminho não era
dobrado nem cortado em folhas pequenas, o que significa que os
códices são livros grandes, “in-fólio”, quer dizer, “em folha”, no tamanho
da folha. Embora escritas dos dois lados as folhas do pergaminho,
conservou-se, até o fim da Idade Média, o hábito de apenas numerá-las
no reto, o que significa que a noção de páginas somente aparece no fim
desse período.

4 Papel
A invenção do papel foi um processo desenvolvido ao longo dos
tempos históricos, simultaneamente por diferentes povos em diferentes regiões
geográficas. A palavra papel é originária do latim “papyrus”, nome dado a um
vegetal da família “cepareas”. A medula dos seus caules era empregada como
referido, pelos egípcios há 2400 a.C.
Entretanto a maioria dos historiadores concorda com a opinião de que
o papel teria sido inventado no ano 105 de nossa era, pelo cortesão chinês T’sai
Lun; os segredos de sua produção teriam sido revelados aos árabes por
prisioneiros de guerra chineses, após a batalha de Samarcanda, em 751; teria
sido introduzido na Europa pelos árabes, via África; e finalmente, os princípios de

�sua fabricação hoje no ocidente, seriam basicamente os mesmos empregados há
1.900 anos na China.
O papel apresentava sobre o pergaminho a vantagem de um preço
inferior e de maiores possibilidades de fabricação. Não o substituiu de imediato,
mas revezou-o. Enquanto este se destinava aos manuscritos de luxo, o papel
servia para os manuscritos mais ordinários e de uso corrente, como os destinados
aos estudantes da época.
Febvre (1992, p. 45) cita:
Evidentemente, o papel não apresentava as mesmas qualidades
exteriores do pergaminho. Mais fino, de aspecto felpudo (por muito
tempo pensou-se que fosse fabricado com algodão) tinha menor firmeza
e rasgava-se facilmente. Desempenhou a princípio um modesto papel de
ersatz, finalmente aceitável, e mesmo vantajoso em certos casos:
principalmente quando o documento escrito não era destinado a durar
(cartas mensageiras, por exemplo, ou rascunhos) – ou ainda quando se
tratava de executar a minuta de um texto destinado a ser em seguida
copiado em pública-forma. Foi assim que os notários genoveses não
hesitaram em utilizar para seus registros cadernos de papel branco e
mesmo, por vezes, velhos manuscritos árabes em cujas margens
escreviam.

Katzenstein (1986, p.221) evidencia as semelhanças entre o papel e o
pergaminho:
Muitas semelhanças supreendentes entre o papel e o pergaminho
levaram os peritos a admitir que os fabricantes de papel imitavam o
pergaminho, considerando material mais nobre. Os primeiros fabricantes
realmente imitavam os materiais mais caros; as folhas de papel eram
cortadas exatamente no mesmo tamanho das folhas de papiro,
padronizadas e vendidas como “papel de faraó”. Supomos que os
primeiros fabricantes podem ter sido também pergaminheiros, que
tranferiram alguns elementos da técnica do pergaminho ao papel.
Uma semelhança entre o pergaminho e o papel era uma linha em
ziguezague, peculiar e idêntica, presente em alguns dos primeiros papéis
catalães e nos pergaminhos. Não pode ter sido uma marca d’água, uma
vez que não era um deserto artístico e, de qualquer maneira, não havia
marca d’água no pergaminho.

O naturalista Francês Reaumur (1719), sugere o uso da madeira como
matéria-prima para o fabrico do papel, ao observar que as vespas mastigavam

�madeira podre e empregavam a pasta resultante para produzir uma substância
semelhante ao papel na confecção de seus ninhos.
Os primeiros moinhos de papel conhecidos com certeza são os de
Jativa na Espanha (antes de 1.100), Fabriano (1276) na Itália peninsular, Troyes
(1348) na França e Nurumberg (1390) na Alemanha. Na América foi introduzido
pelos colonizadores e no Brasil em 1809. O papel ganhava a partida contra o
pergaminho. Seu uso começava a generalizar-se para a cópia dos manuscritos.
Uma das condições indispensáveis para a difusão do livro impresso estava
realizada.
No fim do século XVI, os holandeses inventaram uma máquina que
permitia desfazer trapos desintegrando-os até o estado de fibra. O uso desta
máquina passou a ser chamado de “holandesa”. Mesmo com o passar dos
tempos e aperfeiçoamentos nada foi modificado da sua idéia básica de produção.
No fim do século XVIII, a revolução industrial amenizou a constante
escassez de matéria prima para a indústria de papel e aumentou a demanda
criando um mercado com grande poder de consumo. Em fins do século XVIII e
princípios do século XIX a indústria do papel ganhou um grande impulso com a
invenção das máquinas de produção contínua e do uso de pastas de madeira.
O mundo evoluiu muito desde a invenção do papel. O século XX
introduziu práticas de manejo florestal, que garantem a sustentabilidade do
fornecimento de matéria-prima. Desde então, os materiais utilizados para gravar
informações evoluíram de forma extraordinária e culminaram hoje com o
aproveitamento de espécies florestais de rápido crescimento que ser transformam
em papéis de alta qualidade.
O papel difundiu-se e foi adotado pelas diferentes civilizações quando
surgiu a necessidade de um material mais barato. Hoje é o principal suporte do
livro escrito
Em outras épocas foram utilizados métodos pouco convencionais, mas
de grande importância para a inovação da escrita, tais como a utilização do
bambu, osso, carapaças, óstracos. Eles foram muito importantes para a leitura e a

�criação dos livros, isso sem falar nos principais suportes do livro, o papiro, o
pergaminho e o papel, que são os verdadeiros responsáveis por esse
desenvolvimento. O papiro foi substituído pelo pergaminho que mais tarde foi
substituído pelo papel, esse por sua vez é utilizado até hoje.
A Revolução Industrial trouxe grandes vantagens para a vida de todos,
as máquinas ajudaram na produção do papel em larga escala, contudo a
Revolução Tecnológica “ameaça” a existência do papel. Será que no futuro ele
será substituído pela tecnologia, pelas telas virtuais? Hoje não podemos afirmar
isso, pois o papel continua sendo o principal meio de escrever, publicar livros,
revistas, dentre outros. Cada vez mais as pessoas estão “presas” ao computador,
principalmente à Internet, onde basta um clique para ler o que deseja. No futuro,
talvez os livros estejam ao alcance desse clique, e quando isso acontecer, apesar
do papel hoje ser o principal suporte do livro escrito, nada garante que ele
permanecerá como tal. Ele quase não será mais usado, ou não será mesmo? Só
o tempo poderá responder a essas perguntas.

�REFERÊNCIAS

A INVENÇÃO do papel. &lt; apoema.com.br &gt;. Acesso em 08 maio de 2006.
A ORIGEM do papel. &lt; www.numaboa.com.br &gt;. Acesso em: 08 maio 2006.
FEBVRE, Lucien; MARTIN, Henri-Jean. O aparecimento do livro. São Paulo :
HUCITEC, 1992. 572p.
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KATZENSTEIN, Ursula Ephraim. A origem do livro: da idade da pedra ao
advento da impressão tipográfica no ocidente. São Paulo : HUCITEC, 1986. 455p.
LABARRE, Albert. História do livro. São Paulo : Cultrix, 1981. 105p.
MARTINS, Wilson. A palavra escrita: história do livro, da imprensa e da
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O LIVRO em pergaminho. Disponível em : &lt;www.educaterra.terra.com.br&gt;.
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WALDVOGEL, Luiz. A fascinante história do livro. 2.ed. Rio de Janeiro :
Shogun, 1984. 74p.

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>O livro e seus principais suportes: papiro, pergaminho e papel.</text>
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              <elementText elementTextId="59298">
                <text>Lima, Ilane Coutinho Duarte; Azeredo, Rosany</text>
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            <name>Coverage</name>
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                <text>Salvador (Bahia)</text>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="59301">
                <text>2006</text>
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            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <text>Evento</text>
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            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="59304">
                <text>Aborda historicamente o livro, dando ênfase a seus principais suportes: papiro, pergaminho e papel. O papiro, surgiu no Egito e a sua idade é desconhecida, já o pergaminho com sua resistência e qualidade do material ainda é utilizado nos dias de hoje. O papel teve sua invenção pelos chineses e os princípios da sua fabricação continuam os mesmos desenvolvidos há 1.900 anos na China.</text>
              </elementText>
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                <text>pt</text>
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                    <text>O MAPEAMENTO DOS PROCESSOS DA DIBD/ESALQ: ASSEGURANDO A
QUALIDADE ATRAVÉS DA ESPECIFICAÇÃO DOS PRODUTOS
EIXO TEMÁTICO: As Políticas Públicas de Acesso à Informação
Sub-tema: As instituições nacionais e internacionais e a gestão de C&amp;T
Ligiana Clemente do Carmo Damiano ∗
Márcia Regina Migliorato Saad∗∗

RESUMO
Com a implantação do Sistema de Gestão na Divisão de Biblioteca e Documentação
- DIBD da ESALQ / USP, a busca pela melhoria contínua da qualidade dos produtos
e serviços oferecidos tornou-se estratégia básica. Desta forma, a Gestão por
Processos tem facilitado o gerenciamento dos recursos tecnológicos e a capacitação
dos recursos humanos distribuídos nas Unidades Gerenciais Básicas – UGB’s. O
Mapeamento dos Processos desenvolvidos nas UGB’s inter-relaciona seus
fornecedores, insumos, produtos, clientes internos e externos, tanto os relacionados
ao Tratamento da Informação como aqueles voltados para o Acesso à Informação.
São apresentadas as Especificações dos Produtos que descrevem os Requisitos da
Qualidade levantados a partir da “voz do cliente interno”, considerada como
prioritária. Assim, as características da qualidade foram definidas pelos
colaboradores de cada UGB, no que se refere aos processos e produtos que estes
desenvolvem, assegurando o atendimento das expectativas levantadas pelas UGB’s
clientes. Em seguida, foram definidos os Itens de Controle que permitem a medição
das falhas nos processos e a visualização dos produtos críticos. Como resultado, o
Sistema de Informação permite a visualização dos Indicadores para
acompanhamento tanto da própria UGB quanto das chefias, o que torna a tomada de
decisões mais assertiva em relação à alocação de recursos e à capacitação dos
colaboradores quanto aos procedimentos operacionais adotados nas Bibliotecas do
campus.
∗

Bibliotecária
Biblioteca de Economia, Administração e Sociologia
Divisão de Biblioteca e Documentação
Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”
Universidade de São Paulo
Av. Pádua Dias, 11, Caixa Postal 9, Piracicaba – SP – Brasil
e-mail: ligiana@esalq.usp.br
∗∗

Diretora - Divisão de Biblioteca e Documentação
Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”
Universidade de São Paulo
Av. Pádua Dias, 11, Caixa Postal 9, Piracicaba – SP – Brasil
e-mail: mrmsaad@esalq.usp.br

�Palavras-chave: Gestão da Qualidade em Bibliotecas. Gestão por Processos.
Mapeamento dos Processos. Especificação dos Produtos. Requisitos do Cliente.
1 INTRODUÇÃO
Um negócio é sempre um conjunto de processos destinados a produzir determinado
fim. A Divisão de Biblioteca e Documentação – DIBD da Escola Superior de
Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo – ESALQ / USP tem
como principal negócio o Serviço de Informação, diversificado por setores, com a
responsabilidade de contribuir para a missão da instituição direcionada ao ensino,
pesquisa e extensão, portanto, sem fins lucrativos.
A DIBD foi pioneira dentre as bibliotecas do Sistema de Bibliotecas da Universidade
de São Paulo – SIBi / USP ao adotar formalmente um Sistema de Gestão. Ao optar
por um modelo de gestão moderno, a política básica da DIBD (Missão, Valores e
Visão) procura atender ao alto grau de exigência de seus clientes simultaneamente
ao uso racional dos recursos disponíveis.
Desde a implantação do programa em 1999, o maior desafio tem sido sintonizar a
conduta individual dos funcionários com a missão da organização, de forma a
possibilitar o desdobramento das políticas em objetivos dentro de cada uma de suas
unidades produtivas e permitir o crescimento individual de seus colaboradores.
De acordo com o Instituto Paulista de Excelência da Gestão – IPEG (2005),
definimos Processo por:
Conjunto de recursos e atividades inter-relacionadas que transformam
insumos (entradas) em produtos (saídas). Essa transformação deve agregar
valor na percepção dos clientes do processo e exige certo conjunto de
recursos [...] O processo poderá exigir a documentação da seqüência de
etapas por meio de especificações, procedimentos e instruções de trabalho,
bem como a definição das etapas de medição e controle.

�Além disso, os processo relativos aos produtos são conceituados como:
Processos diretamente relacionados à criação de valor para os clientes. Estão
associados tanto à manufatura de bens como à prestação de serviços
necessários para atender as necessidades dos clientes e da sociedade. [...]
No serviço público, são também conhecidos como processos-fim ou
finalísticos (IPEG, 2005).

Para facilitar o gerenciamento dos processos é preciso compreender qual o propósito
de cada produto ou serviço, ou seja, identificar os resultados para os quais foram
criados. “[...] isto significa mapear cada um dos processos, entender e diagnosticar
quais são as atividades executadas e desenvolvidas por pessoas (elemento chave
de toda organização), os envolvimentos em cada etapa” (REIS; BLATTMANN, 2004).
Segundo Valls e Vergueiro (2006), tem crescido o interesse por sistemas de gestão
que evidenciam a qualidade percebida pelos clientes usuários dos produtos e
serviços, principalmente aqueles que são desenvolvidos com recursos e novas
práticas gerenciais em busca de melhorias.

2 O TRABALHO PARTICIPATIVO NAS UGB’s: O PONTO DE PARTIDA
O processo de envolvimento das pessoas foi caracterizado pela montagem do
trabalho participativo em células de produção conhecidas como Unidades
Gerenciais Básicas – UGB’s, com autonomia de gestão pelos próprios funcionários
para ataque dos problemas da rotina.
As Unidades Gerenciais Básicas – UBG’s foram definidas em função dos produtos
oferecidos (serviços específicos). A UGB é o menor grupo de funcionários definido
dentro da organização e não necessariamente necessita de uma chefia, mas sim de
um líder produtivo que faz a intermediação da equipe com a administração.

�O líder da UGB tem autonomia sobre os processos e produtos gerados e deve
assumir responsabilidade pelos resultados obtidos em relação às metas propostas.
Este sistema favorece o aprendizado em grupo e assegura que as necessidades
motivadoras como socialização, ego e realização pessoal encontrem um sistema
formalizado de trabalho para o seu conhecimento (FUNDAÇÃO PARA O PRÊMIO
NACIONAL DA QUALIDADE - FPNQ, 2004).
Desta forma, são definidas responsabilidades na ponta (mais próximo do cliente),
com autonomia para os colaboradores estabelecerem metas que atendam às
expectativas dos clientes internos e externos, organizações mantenedoras e
sociedade.
Foram 15 UGB’s definidas, considerando as inter-relações entre UGB’s que são
clientes e fornecedoras entre si, a saber:
� UGB Seleção e Aquisição
� UGB Conservação do Acervo
� UGB Monografias
� UGB Seriados
� UGB Produção Bibliográfica
� UGB Circulação e Empréstimo
� UGB Comutação Bibliográfica
� UGB Referência
� UGB Cópias
� UGB Publicação e Divulgação
� UGB Tecnologia da Informação
� UGB Apoio Administrativo
� UGB Biblioteca Setorial de Economia
� UGB Biblioteca Setorial de Tecnologia de Alimentos
� UGB Biblioteca Setorial de Genética

�3 GESTÃO DE PROCESSOS RELATIVOS AOS PRODUTOS: TÉCNICAS
IMPLANTADAS
Descrever outros conceitos do Sistema de Gestão implantado é importante para
assegurar a interpretação correta da linguagem utilizada.
Alunos, professores e pesquisadores da USP, bem como de outras instituições
representados por suas bibliotecas ou organizações são os principais Clientes
Externos da DIBD, que adquirem ou utilizam quaisquer produtos ou serviços de
informação oferecidos via site, bases de dados, publicações à venda, atendimento ao
cliente etc.
Os principais Fornecedores são prestadores de serviços na área de informação tais
como editores, livrarias, distribuidores, encadernadores e outras organizações
nacionais e internacionais parceiras.
Foram considerados Processos de Apoio aqueles voltados às atividades
administrativas referentes aos recursos humanos, financeiros, operacionais e
tecnológicos (Cópias, Gerenciamento de Bases de Dados, Gerenciamento da Rede
Local, Histórico de Colaboradores, Requisição de Material e Renda Industrial).
Além destes, também são Processos de Apoio aqueles que disponibilizam a
informação aos clientes através da aquisição de publicações, seu processamento
técnico, o registro patrimonial, cadastramento em bases de dados, armazenamento e
conservação do acervo.
Estes processos dão subsídios aos Processos Finalísticos que estão relacionados
às atividades da biblioteca que geram valor direto para os clientes, tais como:
Referência, Normalização, Divulgação de Produtos e Serviços, Empréstimo, Livrostexto / Reserva e Comutação Bibliográfica.

�3.1 Mapeamento dos Processos
Os processos de trabalho foram mapeados alinhando a missão da UGB com a
missão da organização, integrando os meios colocados sob sua responsabilidade e
relacionando pessoas, equipamentos disponíveis, fornecedores, insumos,
produtos (bens e serviços), clientes internos (outras UGB’s) e externos (Figura 1).

Figura 1 – Mapeamento do Processo UGB Monografias

3.2 Especificação dos produtos
Conforme exemplifica a Figura 2, foram analisados neste trabalho todos os produtos
definidos para atender necessidades fixadas pelo grupo Clientes Internos (UGB’s).

�Especificação do Produto
UGB

MONOGRAFIAS
Monografias Processadas

CLIENTES

UGB Referência, UGB Circulação e Empréstimo, UGB Comutação Bibliográfica,
UGB BSG, UGB BSE, UGB BST

Segurança
FMEA

QUALIDADE ASSEGURADA

PRODUTO

ÍTEM DE CONTROLE

REQUISITO DO CLIENTE

Registros consistentes
(Dedalus, Tela Acervo e
Estatística)
Preparo físico completo

Ano vigente
Nº de falhas / mês
- Nº de correções de campos (catalogação)
- Nº de correções do campo acervo
- Nº de correções de etiquetas e carimbos
Anos anteriores
Demanda de Consistência / mês
- Nº de código de barras colocados

OCORRENCIA (A)

SEVERIDADE (B)

DETECÇÃO (C)

RISCO (A*B*C)

Qual a probabilidade
de ocorrer falha?
5 Muito Alta

Qual a probabilidade do cliente
perceber a falha?
4 Alta

Após a falha, qual a
probabilidade de percebê-la
antes do cliente?
3 Moderada

60

Figura 2 – Especificação do produto “Monografias processadas” da UGB Monografias

�3.3 Qualidade Assegurada através do Requisito do Cliente
A partir de reuniões sistematizadas com líderes de UGB’s, foram discutidos aspectos
críticos de todos os produtos desenvolvidos; a partir deste momento, foram
levantados os requisitos mínimos esperados pelo Cliente Interno em relação ao
produto que recebe, como forma de assegurar sua qualidade. Este compromisso foi
proposto e assumido por cada líder de UGB Fornecedora considerando as falhas do
processo ou do produto levantadas pela UGB Cliente.
Desta forma, os produtos de cada UGB passam a ser a base para a padronização da
rotina e pressupõem planos de gerenciamento da melhoria sempre que necessário.
3.4 Procedimento Operacional X FMEA
Os Procedimentos Operacionais – PO’s foram desenvolvidos para registrar os pontos
críticos das atividades que visam atender às necessidades do cliente interno. A
definição dos procedimentos permitiu o gerenciamento da rotina de trabalho pela
própria equipe de funcionários (Figura 3).
A ferramentas de controle da qualidade utilizada foi o FMEA – Análise do Modo e
Efeito da Falha, técnica aplicada a cada um dos processos, através da qual detectouse a probabilidade de ocorrência, severidade e detecção das falhas nos processos.
Após a aplicação do FMEA, foram elaborados Procedimentos Operacionais para
todos os produtos que apresentassem índice de risco igual ou maior a 8 (oito).
3.5 Levantamento das Falhas e Itens de Controle
Como apresentado na Figura 4, foram detectadas as falhas reais pelo cliente interno
em relação ao produto recebido. Em seguida, o Sistema de Informação foi
reformulado para representar graficamente tanto os Itens de Controle de falhas de
forma sucinta como os Indicadores de produtividade das principais tarefas
executadas em cada UGB, com o objetivo de dar subsídios à análise crítica.

�GAI/016
GAI/017
GAI/018
GAI/019
GAI/020
GAI/021
GAI/022
GTI/001
GTI/002
GTI/003
GTI/004
GTI/005
GTI/006
GTI/007
GTI/008

Controle e disponibilidade dos livros-texto e reserva
temporária
Qualidade no serviço interno da UGB Cópias
Normalização e elaboração da ficha catalográfica das dissertações /
teses da ESALQ antes de sua defesa e definição do fluxo de
encaminhamento
Solicitar o ISSN - nº internacional normalizado para
publicações seriadas
Solicitar o ISBN - nº internacional. Normalizado para livros
Cadastramento de usuários no subsistema de circulação do Aleph
Cobrança de usuário em débito com a DIBD
Processamento técnico de monografias, multimeios e materiais não
convencionais
Processamento técnico de publicações seriadas
recebidas
Indexação de artigos de periódicos em português e espanhol,
previamente selecionados
Consertos de materiais bibliográficos danificados
Coleta e cadastramento da produção bibliográfica
da ESALQ
Seleção e aquisição de publicações para atualização e manutenção
do acervo
Consistência do módulo Monografias do Dedalus
Encadernação comercial de materiais bibliográficos
danificados de acordo com dotação orçamentária
recebida no ano

Biblioteca Setorial GEN
Biblioteca Setorial TEC

Guarda de material bibliográfico

Seriados
Tecnologia Informação
Biblioteca Setorial ECON

GAI/015

GAI/002

Publicação e Divulgação
Referência
Seleção e Aquisição

GAI/003
GAI/004
GAI/005
GAI/006
GAI/007
GAI/008
GAI/009
GAI/010
GAI/011
GAI/012
GAI/013
GAI/014

Requisição de materiais de consumo / permanente
Histórico dos funcionários
Renda Industrial
Gerenciamento da rede local de computadores
Bases de dados
Controle e distribuição de documentos
Postura de atendimento ao telefone
Qualidade no ambiente de trabalho 5Ss House Keeping
Postura de atendimento
Qualidade na orientação dos recursos / serviços e recuperação da
informação
Fornecimento de cópias para o serviço de Comutação Bibliográfica
Atendimento ao balcão do xerox
Divulgação das novas publicações vendidas pela DIBD
Controle de estoque e venda de publicações da DIBD
Agilidade na Comutação
Facilidade no acesso à informação através de EEB
Qualidade na disponibilidade do material a ser consultado
Qualidade no controle de devolução do material
Empréstimo especial
Qualidade no empréstimo do acervo
Informação precisa
Precisão na elaboração da estatística

Cópias
Monografia
Produção Bibliográfica

DIR/001
DIR/002
DIR/003
DIR/004
DIR/005
DIR/006
DIR/007
DIR/008
GAI/001

Circulação Empréstimo
Comutação Bibliográfica
Conservação do Acervo

Título do Procedimento Operacional

Apoio Administrativo

Nº PO

X
X
X
X
X
X
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X
X X X X X X X X X X X X X X X
X X X X X X X X X X X X X X X
X

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X X

X X

X X X

X

X

X X

X X X

X X X

X

X

X

X

X X
X

X

X X
X X

Figura 3 – Matriz de correlação entre UGB’s e procedimentos operacionais

X

X

X X X
X X X

�Falhas Levantadas pelos Clientes Internos

Compromisso assumido pelo líder – Procedimentos a seguir

Dados do acervo inexistentes temporariamente

Divulgar que após cadastramento a Tela Acervo aparece de imediato
apenas no Dedalus ESALQ, até ocorrer a reindexação da Base pelo
SIBi.
Reforçar que a Tela Acervo deve ser feita imediatamente após o
cadastramento no Dedalus.

Falta Classificação / Cutter no carimbo

Reforçar a atenção no preenchimento e discriminar no Item de Controle.

Classificação incorreta (Tombão)

Estratégia.

Localização incorreta das Bibliotecas

Estratégia.

Estatística incorreta (Enviados)

Reforçar a atenção no registro dos dados mensais.

Dificuldade de recuperação de fascículos de
periódicos com características monográficas

Cadastrar remissiva na Base 01 (verificar status).

Digitação incorreta de campos MARC

Reforçar no treinamento e discriminar no Item de Controle.

Monografias não cadastradas (TCC e Seminários)

Estratégia.

Demora na exclusão de extraviados

Divulgar o IT Material não localizado.

Digitação incorreta e incompleta das etiquetas

Fazer conferência e correção na tela antes da impressão.
Discriminar no Item de Controle.

Figura 4 – Falhas levantadas pelos clientes internos da UGB Monografias

�O controle de todo o processo é realizado através dos Itens de Controle e dos
indicadores de desempenho. Os gráficos de controle gerados pelo Sistema de
Informação foram disponibilizados nos quadros de Administração Visível de cada
UGB, para acompanhamento dos colaboradores e auditores.
Sempre que os indicadores estiverem abaixo das metas fixadas, a equipe se
reúne para discutir o ataque aos problemas (causas e soluções), usando as 7
ferramentas de controle e, no mínimo, as 4 ferramentas básicas da qualidade
(Folha de Verificação, Estratificação, Pareto e Diagrama de Causa e Efeito).

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os Itens de Controle geram os indicadores operacionais que cada UGB deverá
medir e monitorar para garantir a qualidade de seus processos e, como
conseqüência, influenciar positivamente nos resultados esperados (metas) nas
Estratégias Anuais da Organização DIBD.
Assim, as estratégias da DIBD, desdobradas em objetivos, vêm sendo alteradas
ou mantidas, a partir dos resultados apresentados pelos indicadores operacionais.
A melhoria contínua da qualidade dos processos afeta a satisfação do cliente, a
racionalização dos custos, a capacitação e criatividade das pessoas.

ABSTRACT
With implementation of the Management System in the Division of Library and
Documentation of ESALQ / USP the search by continuous improvement of
products and services has been basic strategy. Therefore management processes
has making easier the tecnologies resources management and the capability of
human resources allocated in the Basics Units Managing – UGB’s. The mapping
of developed processes in each UGB build bounds among supplier, inputs,
products and internal and external clients, as the mentioned information
processing as those turned to information access. They are presented products
specification which discribes the internal client quality requirements considered as
priority. So the quality characteristics were defined by the own staff of each UGB
related to their products and processes that they develop which make sure getting
goals rised up by internal clients. After this it was defined items of control that

�allow the process failures measuring and the visualization of critical products. As
result, the information system allows the visualization of the indicators for UGB
and directors following up, which become more assertive the final decision
regarding to resources allocation and co-workers capacitation in the operational
proceedings adopted in the campus libraries.
Keywords: Quality Management in Libraries. Management Processes. Processes
Mapping. Products Specification. Clients Requirements.

REFERÊNCIAS
FUNDAÇÃO PARA O PRÊMIO NACIONAL DA QUALIDADE. Critérios de
excelência: o estado da arte da gestão para a excelência do desempenho e o
aumento da competitividade. São Paulo, 2004. 61 p.
INSTITUTO PAULISTA DE EXCELÊNCIA DA GESTÃO. Regulamento do
Prêmio Paulista de Qualidade da Gestão: PPQG 2005/2006 - nível II 500. São
Paulo, 2005. 75 p.
PAULA, M.R. de. Metodologia prática para criação de sistema de indicadores
de desempenho. 2004. 97 p. Dissertação (Mestrado em Engenharia Mecânica) –
Faculdade de Engenharia Mecânica, Universidade Estadual de Campinas,
Campinas, 2004.
REIS, M.M.O.; BLATTMANN, U. Gestão de processos em bibliotecas. Revista
Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v. 1, n. 2, p. 117, jan./jul. 2004.
VALLS, V.M.; VERGUEIRO, W.C.S. A gestão da qualidade em serviços de
informação no Brasil: uma nova revisão de literatura, de 1997 a 2006.
Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 11, n. 1, p. 118-137,
jan./abr. 2006. Disponível em: &lt;http://www.eci.ufmg.br/pcionline/viewarticle.php?id
=400&amp;layout=abstract&gt;. Acesso em: 31 jul. 2006.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Com a implantação do Sistema de Gestão na Divisão de Biblioteca e Documentação - DIBD da ESALQ / USP, a busca pela melhoria contínua da qualidade dos produtos e serviços oferecidos tornou-se estratégia básica. Desta forma, a Gestão por Processos tem facilitado o gerenciamento dos recursos tecnológicos e a capacitação dos recursos humanos distribuídos nas Unidades Gerenciais Básicas – UGB’s. O Mapeamento dos Processos desenvolvidos nas UGB’s inter-relaciona seus fornecedores, insumos, produtos, clientes internos e externos, tanto os relacionados ao Tratamento da Informação como aqueles voltados para o Acesso à Informação. São apresentadas as Especificações dos Produtos que descrevem os Requisitos da Qualidade levantados a partir da “voz do cliente interno”, considerada como prioritária. Assim, as características da qualidade foram definidas pelos colaboradores de cada UGB, no que se refere aos processos e produtos que estes desenvolvem, assegurando o atendimento das expectativas levantadas pelas UGB’s clientes. Em seguida, foram definidos os Itens de Controle que permitem a medição das falhas nos processos e a visualização dos produtos críticos. Como resultado, o Sistema de Informação permite a visualização dos Indicadores para acompanhamento tanto da própria UGB quanto das chefias, o que torna a tomada de decisões mais assertiva em relação à alocação de recursos e à capacitação dos colaboradores quanto aos procedimentos operacionais adotados nas Bibliotecas do campus.</text>
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                    <text>O MODELO ESPANHOL DE CENTROS DE RECURSOS PARA EL
APRENDIZAJE Y INVESTIGACIÓN (CRAIs) COMO ALTERNATIVA PARA
ATUAÇÃO DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS BRASILEIRAS: ALGUMAS
REFLEXÕES PROVOCATIVAS

Cláudio Marcondes de Castro Filho
Mestre em Ciências da Comunicação,
Professor Assistente do Curso de Ciências
da Informação e Documentação da
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de
Ribeirão Preto, USP,
Av. dos Bandeirantes, 3900 – 14040-901
Ribeirão Preto – Brasil
claudiomarcondes@ffclrp.usp.br
Waldomiro Vergueiro
Doutor e Livre-Docente em Ciências da
Comunicação, Professor Titular do Curso de
Biblioteconomia da Escola de Comunicações
e Artes da USP,
Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443
05508-900 - São Paulo – Brasil
wdcsverg@usp.br
RESUMO
No início do século 21, as bibliotecas universitárias buscam formas para se
revigorar em sua missão de transmitir o conhecimento, respondendo às
mudanças que afetam o ambiente universitário no mundo inteiro. Na Europa, o
estabelecimento do “Ambiente Europeu de Ensino Superior”, pela Declaração de
Bologna (1999), teve como conseqüência a proposição de um novo modelo de
unidade de informação denominado Centros de Recursos para el Aprendizaje y
Investigación (CRAI). O modelo baseia-se na interação de docentes e discentes
com os recursos de informação em geral, principalmente os possibilitados pela
informação eletrônica, criando um ambiente virtual de aprendizado. Pensada para
a realidade européia, a proposta do CRAI pode, no entanto, representar
alternativa viável para o desenvolvimento das bibliotecas universitárias brasileiras,
merecendo atenção dos responsáveis por nossas unidades de informação. Nesse
sentido, propõem-se algumas reflexões baseadas na contraposição desse modelo
de biblioteca à realidade das universidades brasileiras. Como conclusão,
apontamos à atuação de um novo modelo de unidade informação, atender à
missão da universidade, por meio de uma postura pró-ativa dos gestores da
informação.
Palavras-chave: Biblioteca universitária; Centro de Recursos para el Aprendizaje y
Investigación; Biblioteca universitária – Modelo europeu; Biblioteca universitária –
Tecnologia

�1 INTRODUÇÃO

A biblioteca universitária é considerada como um meio educativo, indispensável
para o desenvolvimento do processo ensino e aprendizagem, que tem como
finalidade a formação de cidadãos, bem como informar e disponibilizar
conhecimentos técnicos e científicos para o aprimoramento da comunidade
acadêmica e universitária; portanto, as bibliotecas universitárias devem estar
inseridas, ser participativas e interagir entre si, e, principalmente no campo
educacional. Com os atuais paradigmas advindos das tecnologias de informação
e comunicação, as bibliotecas se tornaram um espaço de construção do
conhecimento e de mediação, procurando desempenhar funções, bem como
oferecer produtos e serviços essenciais para melhorar o acesso à educação e a
qualidade do ensino e aprendizagem.

O instrumental da tecnologia da informação e comunicação é importante para
fornecer a infra-estrutura para a melhoria de qualidade nas relações da
informação com os seus usuários; desta forma, as bibliotecas do ensino superior
devem obter estes instrumentos para a preparação de professores, para a
formação de pesquisadores e de profissionais das diversas áreas do
conhecimento, que procuram seu aprofundamento teórico, cultural, científico ou
tecnológico. Neste sentido, ressalta-se que o ensino superior é, em qualquer
sociedade, um dos motivos do desenvolvimento econômico e, ao mesmo tempo,
reconhecido como local onde se pensa de forma crítica, sendo o instrumento
principal de transmissão de conhecimento e de experiência cultural e científica
desenvolvido pela humanidade.

Os sistemas nacionais de ensino superior são tão variados e complexos, no que
se refere a estruturas, programas, público que os freqüenta e financiamento, que
se torna difícil classificá-los em categorias distintas (DELORS, 2003). Contudo, as
universidades, que aglomeram um conjunto de funções e missões, transcendem o
progresso e o saber e nos levam à pesquisa, inovação, ensino, formação,

�educação permanente e interação mundial; da mesma forma, as bibliotecas
universitárias devem estar incluídas de maneira globalizada neste sistema de
funções, com autonomia e direção para auxiliar os clientes dos cursos de
graduação a atingir suas metas.

Segundo Delors (2003), nos países em desenvolvimento, os trabalhos de
pesquisa dos estabelecimentos de ensino superior fornecem a base para
programas de desenvolvimento, formulação de políticas e formação dos recursos
humanos de nível médio e superior, como também os instrumentos de reforma e
de renovação da educação. De acordo com este autor (2003, p.150), a
universidade deve ocupar o centro do sistema educativo e cabem-lhe quatro
funções essenciais:
a) Preparar para a pesquisa e para o ensino;
b) Dar formação altamente especializada e adaptada às necessidades
da vida econômica social;
c) Estar aberta a todos para responder aos múltiplos aspectos da
chamada educação permanente, em sentido lato;
d) Cooperar no plano internacional.

Um dos meios de atender essas funções é a biblioteca universitária dispor de um
sistema de informação eficaz, um parque tecnológico e de comunicação em rede
e buscar a interação da sociedade com o desenvolvimento do conhecimento e da
informação.

2 ENSINO SUPERIOR NO BRASIL

A instituição de ensino superior pode ser considerada sob duas dimensões: a
institucional e organizacional. Institucional, como um dos aparelhos ideológicos
do Estado, vista como uma agência de formação especializada encarregada de
estabelecer relações com a sociedade brasileira contemporânea e sua instância
como sistema de ensino; e organizacional por ser considerada como uma
organização comum às demais organizações, distinguindo-se apenas por seus
objetivos e pelo tipo de pessoal administrativo (GRACIANI,1984). Assim, o ensino
superior constitui um processo de construção científica e de crítica ao

�conhecimento produzido, independente do tipo de instituição superior; para tanto,
são necessárias algumas atribuições, como o desenvolvimento das habilidades
de pesquisa; uma maior autonomia do aluno em busca de conhecimentos; a
inclusão da capacidade de reflexão e crítica; a colocação em prática de processos
interativos e participativos de ensino e aprendizagem, que nos levarão à
transformação da sociedade e consolidação da ciência. A educação deve ter uma
concepção não só em termos de cidadania, de participação política, mas também
em termos de uma educação ampliada e alargada. Arroyo (2001) defende que a
educação "compreende o conjunto de processos formadores que acontecem na
sociedade, na família, no trabalho, na escola, nos movimentos sociais, no lazer".

Nessa linha de discussão, existe uma grande quantidade de opiniões, textos,
discursos que defendem a reforma do ensino superior, que demanda a discussão
e participação efetiva da sociedade, das áreas de conhecimento educacional e do
Estado. É importante destacar que se trata de uma questão que é bem peculiar e
que está sendo bem debatida, recebendo atenção especial do Ministério da
Educação e Cultura (MEC), que recentemente apontou as cinco razões que
motivam a reforma da educação superior (BRASIL, 2005):
¾ Reformar para fortalecer a universidade pública
Hoje, 70% das vagas são não estatais e apenas 30% estatais. Com
esse índice, o Brasil transformou-se no país com maior participação
privada no ensino superior no mundo.
¾ Reformar para Impedir a mercantilização do ensino superior
O ensino não é mercadoria, é um bem público. A constituição federal
prevê a educação como dever do Estado, mas garante também a
participação da iniciativa privada. No entanto, ao exercer uma função
pública delegada, o setor privado deve buscar a qualidade como centro
de sua ação.
¾ Reformar para democratizar o acesso
Hoje, apenas 9% dos jovens brasileiros entre 18 e 24 anos está
cursando o ensino superior, número bem abaixo da Argentina, que tem
32%. O Plano Nacional de Educação (2001/2010) prevê uma taxa de
escolarização de 30% da população.
¾ Reformar para garantir a qualidade
A qualidade é indispensável para a garantia do papel social e político da
Educação e a Universidade pública deve constituir-se em elemento de
referência. O governo acredita que não basta abrir vagas, mas que é

�necessário que se garanta um processo de ensino-aprendizado
condizente com as necessidades e expectativas da Nação.
¾ Reformar para construir uma gestão democrática
Profundamente inseridas na sociedade civil e com uma gestão
democrática e participativa, as universidades e as instituições públicas e
privadas devem produzir, de forma concertada, uma nova estrutura
organizativa que dê sustentação para os desafios presentes e futuros
do ensino superior em nosso país.

O que podemos ressaltar nas cinco razões oferecidas pelo MEC são alguns
argumentos

como:

fortalecimento,

mercantilização,

democratização,

qualidade e gestão.

Com o fortalecimento chegamos à autonomia, que nada mais é do que dar às
universidades capacidade gerencial para definir prioridades, como contratar e
despedir pessoal e buscar recursos adicionais; em contrapartida, elas devem ter
responsabilidade, ou seja, ter metas definidas e justificar seus custos em função
dessas metas.

Quanto à mercantilização, o MEC afirma que o "ensino não é mercadoria, é bem
público". Podemos, no entanto, afirmar que em algumas instituições particulares
prevalece o lucro sem o compromisso com a qualidade, o que ocorre também em
algumas públicas; de acordo com Castro e Schwartzman (2005), "um estudo
recente mostrou que as Instituições de Ensino Superior mais lucrativas são
aquelas que estão oferecendo serviços educativos melhores".

Como gestão, as universidades, sejam públicas ou particulares, devem utilizar
artifícios para que tenham o envolvimento e o compromisso de todos que ali
trabalham, de forma que professores, alunos e funcionários tenham oportunidade
de ser ouvidos em seus pontos de vista e participar das decisões. Por outro lado,
Castro e Schwartzman (2005) relatam que "as instituições de ensino não são
propriedades dos professores e alunos, mas das entidades que as mantêm, seja
com recursos públicos, seja com recursos privados"; portanto, cabe a elas zelar

�para que a missão e os objetivos sejam alcançados, e não defender interesses de
grupos internos.

A democratização do ensino superior é entendida pelas políticas públicas do
MEC sob a ótica da inclusão social. Uma série de programas viabiliza
economicamente não só o ingresso do aluno nas instituições públicas, como
também nas vagas antes ociosas da rede privada.

Em consonância com esses parâmetros, Rodrigues (2004, p.17) afirma que "a
aprendizagem não está mais restrita no tempo, no lugar nem na instituição". Isto
significa dizer que o processo contínuo de aprendizagem pode ser feito em casa,
na rua, no aeroporto, com os amigos, etc. e que a educação constrói-se por meio
de interações e relações grupais, pois o processo de aprendizado tem que ser
dialético, recíproco e mútuo e não unilateral. No entanto, historicamente, as
instituições educacionais no Brasil têm se caracterizado pela abordagem
expositiva, resultando na presença de alguém na frente da classe, que transmite
objetos de saber aos educandos, estruturando-se com base em um modelo que,
apesar de receber críticas, é bastante resistente a mudanças. Na verdade, o
aprimoramento da universidade seria ter esse modelo de ensino totalmente
modificado, com a prática estimulando um aprendizado mais dinâmico.

3 ENSINO SUPERIOR NA EUROPA

Em todo o mundo, a massificação do ensino superior tem levado a um forte
processo de diferenciação institucional, cuja expressão mais clara, hoje, talvez
seja o chamado "Processo de Bologna", que vem transformando o ensino
superior na Comunidade Européia. Em resumo, os países europeus estão
evoluindo para um sistema comum, com um primeiro ciclo universitário de três
anos, seguido de um nível de mestrado de dois anos e um terceiro, de doutorado,
de mais três anos. Estes números não são utilizados por todas as universidades
européias, mas a idéia geral é a de que os alunos no primeiro ciclo possam optar
tanto por uma formação geral como por um direcionamento para as carreiras
específicas, ou mesmo para formação mais imediata ao mercado de trabalho.

�Outra característica importante do ensino superior no mundo moderno,
particularmente na Europa, é a intensa circulação de estudantes e profissionais
entre países, o que requer um trabalho importante de desenvolvimento de
padrões de qualidade e sistemas de ensino compatíveis.

E ainda como novo formato proposto para a Universidade segundo a declaração
de Bolonha (BOLOGNA 1998, apud BURSZTYN, MARCEL, 2005) :
•

•

•

•

Redução no tempo de formação – quando o debate sobre educação
e formação de recursos humanos se inclina para o conceito de LLL
(Lifelong Learning), no qual cada indivíduo deve estar em
permanente processo de aprendizado, não cabendo mais uma
formação universitária tão extensa como nos tempos das
“formações perenes”.
Mobilidade espacial – o profissional do século XXI deve estar
adaptado ao imperativo de conhecer diferentes realidades, além de
seu espaço nacional. Para isso, é parte de sua formação aprender
em outros contextos territoriais.
Mobilidade institucional – o processo de formação pode (e deve) se
dar em diferentes instituições, possivelmente em países diferentes.
Para tanto, as estruturas curriculares devem ser ao mesmo tempo
compatíveis, flexíveis e com equivalência em disciplinas.
Mobilidade disciplinar – a tradicional formação em carreiras
“definitivas” deve ceder espaço às novas profissões, marcadamente
bi ou multidisciplinares.

Assim, fica evidente que o formato da Universidade está defasado, não mantendo
sintonia com a pós-modernidade. Está aberta a temporada para reformas. Por sua
vez, Rocha (2002, p.15) mostra que as alternativas para o ensino superior nas
condições de um mundo globalizado e na iminência da aplicação de novas
tecnologias de produção e transmissão de conhecimento também são importantes
para a evolução do aluno, do professor e do próprio ensino. Neste sentido,
entende-se que a grande mudança no ensino superior envolverá o incremento do
uso das Tecnologias de Informação e Comunicação - TICs -, que, como novas
formas de comunicação, conseguem dar impulso aos movimentos da sociedade
como um todo, chegando a inúmeras pessoas ao mesmo tempo e superando as
barreiras do tempo e espaço. Segundo Ameneiro (2004), as TICs incorporam
várias vantagens ao processo educativo, como:

�¾ Reduzem as limitações de espaço e tempo, permitindo a aplicação
de um modelo de aprendizagem mais centrada no estudante;
¾ Facilitam aos educadores o seguimento e supervisão dos
estudantes;
¾ Permitem cortar custos, como, por exemplo, de reprografia.

De acordo com a visão da União Européia, essas vantagens das TICs poderão
ser mais bem aproveitadas pela criação de um novo modelo de instituição de
suporte ao ensino superior, os Centros de Recursos para el Aprendizaje e
Investigación (CRAIs), que viria ocupar o lugar das tradicionais bibliotecas
universitárias.

4 DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS A CENTROS DE RECURSOS PARA EL
APRENDIZAJE E INVESTIGACIÓN

Espaço por excelência para aplicação das tecnologias de informação e
comunicação, o Centro de Recursos para el Aprendizaje y Investigación - CRAI,
representa uma avançada concepção de suporte para a aprendizagem, incluindo
espaços para trabalhos em grupos e individuais como também serviços
especializados; quanto ao suporte à pesquisa, prevê a comunicação interna com
os pares, para que haja uma interação nos diversos segmentos nas áreas de
conhecimento (MOLA, 2003), o que se torna possível pela existência e aplicação
das TICs, o que torna mais viável o acesso à educação de qualidade e
aprendizagem, com um acréscimo de excelência. Neste sentido, a recuperação
da informação, realizada de forma pertinente e exaustiva, é condição
indispensável para o bom desenvolvimento das atividades docentes de pesquisa,
assim como para o ensino e aprendizagem (MOSCOSO, 2003).

Uma das maiores preocupações da rede de bibliotecas universitárias espanholas
é a transformação das atuais bibliotecas em centros de suporte à docência, ao
ensino, a aprendizagem e a pesquisa, conforme entendido pela Convenção de
Bologna, que requer uma nova finalidade de biblioteca universitária, com todo tipo
de suporte e de recursos de informação, tecnológico, pedagógico, etc., exigindo
grande diversidade de profissionais, em que se incluem bibliotecários,

�informáticos, técnicos de várias áreas, assessores pedagógicos, entre outros.
Trata-se de um novo conceito, segundo o qual a biblioteca universitária espanhola
deverá sair da passividade, da não participação, para um papel participativo e
ativo na aprendizagem, no ensino e na pesquisa.

Essa visão está mais vinculada ao novo cenário educativo e toma como
referência, fundamentalmente, os centros de recursos para a aprendizagem
fundados, nos últimos anos, em algumas universidades inglesas, que buscaram
integrar serviços e recursos biblioteconômicos, tecnológicos, audiovisuais,
sistemas de informação, criação de materiais interativos, suporte aos docentes e
discentes. (MOSCOSO, 2003). No entanto, o Centro de Recursos para el
Aprendizaje e Investigación só se justifica em uma unidade de ensino a partir da
interação dos corpos docente e discente com as novas propostas pedagógicas
citadas no processo de Declaração de Bologna em 1999 e no comunicado oficial
da Conferência de Ministros responsáveis pela educação superior, realizado no
Espaço Europeu de Educação Superior em Berlim, 2003. (MICHAVILA, 2005).

Neste novo contexto, é importante ressaltar que a compatibilidade de sistemas,
um desenho de políticas comuns, configuração de verdadeiras redes e
plataformas com independência do sistema informático utilizado são essenciais
para que os serviços informacionais atinjam a integração e interação em toda
rede de informação existente no CRAI. Cabem, assim, algumas reflexões a
respeito, como as desenvolvidas por Moscoso (2003):
•
•
•
•
•
•

para existir um novo modelo de biblioteca, temos que admitir um
novo modelo de universidade;
as bibliotecas deverão dar prioridades a organização das fontes de
conhecimento dispersas e automatizadas pela rede;
criação de novos consórcios;
concentrar os melhores recursos para criar as condições
necessárias para alcançar a excelência na pesquisa, no ensino e na
aprendizagem;
existência de um apoio institucional a fim de modernizar a infraestrutura e equipamentos, como também apoio aos recursos
humanos;
modernização das bibliotecas;

�•

novas habilidades quanto as competências profissionais, se
encarregando de treinamentos específicos no que se refere as
tecnologias de informação e comunicação.

Neste sentido o que mais interessa é quando o professor assume o papel de
negociador e o ensino se dá por meio da interface do conteúdo aprendido em
outros tipos de interações fora da sala de aula. No novo Espaço Europeu de
Educação Superior, intermediado pelos CRAIs é possível se ter um novo conceito
de comunicação professor aluno como uma nova forma de aprender. Podemos
dizer que, neste ambiente, as tecnologias da informação e da comunicação são
serviços universitários que dão suporte ao ensino e à pesquisa.

Outro aspecto a ser destacado é a utilização dos recursos midiáticos entre alunos
e professores, que em conjunto realizam buscas e trocas de informações, criando
um novo espaço significativo de ensino, aprendizagem e pesquisa em que ambos
aprendem (LAURILLARD, 1995). O papel do CRAIs nessa modalidade é
justamente o de constituir um espaço onde o aluno poder tirar dúvidas com o
professor sobre determinado conteúdo, consultar referências, verificar os
conteúdos das aulas dadas, e ainda levantar questões com os próprios colegas.
Neste sentido, a tecnologia da informação e comunicação é o suporte de
interação entre professor, aluno, conteúdo e conhecimento. Neste aspecto,
Kenski (2003) relata que “nessa nova sala de aula nada é fixo, mas não reinam a
desordem nem o relativismo absoluto. Os atos são coordenados e avaliados em
tempo real, de acordo com um grande número de critérios, constantemente
reavaliados conforme contexto”.

A idéia dessa nova sala de aula traz a tona a pensar na prática docente e da
posição do professor e aluno diante das tecnologias de informação e
comunicação, o que no CRAI é absorvido diante da divisão de tempo de sala de
aula, divisão de tarefas, leitura de material e exposição oral da disciplina,
constituindo “uma nova distribuição de espaço e uma nova relação de tempo
entre o trabalho do docente com o discente e trabalho de cada um deles entre si”
(GATTI, 1993, p.24).

�5 AS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS BRASILEIRAS E OS CRAIs

Neste início de século, como visto, a educação, o ensino e o aprendizado têm-se
destacado justamente pela introdução da reforma do ensino superior no Brasil e
na Europa. Com a mudança de diversos paradigmas nas últimas décadas,
inclusive com o advento da globalização – no que se inclui a informação e a
informatização das informações, com a entrada da tecnologia -, as bibliotecas
universitárias terão que cumprir novos papéis e missões, que irão além do ensino
e aprendizagem. No entanto, mais do que ver a biblioteca universitária como um
organismo de difusão da informação e não um mero depósito de informação,
precisamos entendê-la como prestadora de serviços a sua comunidade; neste
sentido, de acordo com Dudziak (2004), elas estão numa situação pouco
favorável, pois a "pouca tradição, a carência de recursos materiais, o despreparo
no que tange ao ensino e à pesquisa, escassez de recursos humanos
qualificados, orçamentos limitados e desvinculados do planejamento educacional
da instituição, ausência do planejamento bibliotecário" acabam por destruir esta
instituição, que requer um pouco mais de cuidado do governo e da sociedade.

De um modo geral, as bibliotecas universitárias brasileiras desempenham seu
papel social ao atender às necessidades informacionais de seus clientes,
buscando atuar como instrumentos de comunicação entre a informação e seu
destino (cliente). De acordo com Andrade e Job (2004) "as bibliotecas
universitárias são detentoras de informações e imprescindíveis para a
comunidade de pesquisadores e professores, como também são espaços
propícios para a recepção dos novos avanços das tecnologias da informação".
Desta forma, constata-se que a tecnologia é um fator existente na maioria das
bibliotecas

universitárias brasileiras

e

cabe

perguntar

como

estas

são

direcionadas para o seu público e de que forma são consumidas, bem como
questionar as possibilidades dessas instituições absorverem o custo benefício da
tecnologia existente.

São questões relevantes para estudo e até para propor

mudanças na formação dos novos profissionais da informação.

�Nesse contexto, a consideração dos Centros de Recursos para el Aprendizaje y
Investigación como uma alternativa para atuação das bibliotecas universitárias
brasileiras exige uma reflexão sobre as possibilidades de transformação estrutural
do modelo de ensino universitário no país e não apenas sobre a viabilidade de
realizar o significativo investimento financeiro que representaria a transformação
do parque informático da grande maioria das instituições universitárias no país.
Mais que uma simples discussão sobre o montante necessário de recursos, cabe
questionar o interesse, a disposição e mesmo o provável comprometimento de
todos os envolvidos com as bibliotecas universitárias brasileiras, tanto no lado dos
prestadores dos serviços – diretores, bibliotecários, técnicos de informática e
funcionários de apoio -, como do da clientela – professores, alunos,
pesquisadores e pessoal administrativo das universidades -, com uma mudança
de tal magnitude.

Ligada à questão acima está a própria situação do ensino universitário no país,
que balança entre modelos extremamente díspares, com instituições de ensino de
Primeiro Mundo convivendo com outras que apenas margeiam os limites do
minimamente admissível em termos de ensino superior. O grande desafio, sob
esse aspecto, diz respeito a como nivelar essas instituições, de forma a que o
modelo dos CRAIs possa ser introduzido sem sofrer desvirtuações relacionadas
ao meio ambiente ou ao contexto local. Ainda que a uniformidade das instituições
pareça uma tarefa impossível – e talvez até mesmo indesejável -, é possível
imaginar pelo menos a viabilidade de um maior distanciamento entre elas, o que
pode já ter suas raízes iniciais no modelo de avaliação do ensino universitário
implantado pelo Ministério da Educação e Cultura nas últimas décadas. Com o
crescimento do ensino superior nos anos 1970, houve um aumento das
instituições de ensino na rede particular e, com isso, surgiram mais bibliotecas
universitárias, ainda que tal tenha ocorrido de forma pouco organizada e sem
critérios de avaliação do Ministério da Educação e Cultura; somente a partir da
década de 1990 é que se iniciaram formas mais definidas quanto à abertura de
cursos superiores, estabelecendo-se, uma plataforma mais elaborada sobre os
critérios de criação de uma biblioteca universitária. Contudo, isto gerou outra
distorção, com algumas bibliotecas universitárias particulares organizando seus

�acervos para vistoria do MEC e não mais se preocupando com a evolução das
mesmas e da qualidade dos produtos e serviços oferecidos para seus clientes;
por outro lado, também existem aquelas que procuram, dia após dia, oferecer
serviços diferenciados a sua clientela. Trata-se, talvez, de aprimorar o modelo e
retirar dele seus vícios e limitações.

Um outro aspecto a ser considerado nessa evolução da biblioteca universitária
brasileira diz respeito à aplicação das TICs no ambiente das bibliotecas
universitárias. É certo que estas vêm afetando o ensino superior no país, e,
conseqüentemente, acarretando mudanças nas bibliotecas, mudanças essas que
ocorrem no âmbito estrutural (ênfase no atendimento, terceirização de serviços),
no financiamento, (na estruturação de consórcios que visam a redução de custos
nos serviços), no suporte a programas de ensino à distância e, especificamente,
no atendimento à clientela (CUNHA, 2000). No entanto, é preciso definir
estratégias que possibilitem que o ritmo dessas mudanças ocorra de forma mais
estável, não se tornando refém de circunstâncias favoráveis ou da presença de
pessoas especialmente talentosas à frente de unidades de informação específicas
ou de sistemas de biblioteca de maior destaque. Trata-se, muito mais, de
desenvolver uma política de metas, que permita a transposição para o modelo
superior de apoio ao ensino e pesquisa propugnado pelos CRAIs.

CONCLUSÃO

Evidentemente, não seria possível, no âmbito de uma apresentação em evento
especializado, esgotar todas as vertentes e implicações que um modelo como o
dos Centros de Recursos para el Aprendizaje e Investigación – CRAIs -, pode ter
para a transformação das bibliotecas universitárias brasileiras. Nem era esse,
tampouco, o objetivo do trabalho. Buscou-se, muito mais, apresentar algumas
reflexões iniciais que pudessem despertar os profissionais atuantes no ambiente
das bibliotecas universitárias brasileiras, bem como os responsáveis por sua
gestão, para as possibilidades que o modelo proposto pela União Européia,
atualmente em fase de introdução nas universidades espanholas, oferece à
transformação das instituições brasileiras. Desta forma, o adjetivo dado ao tipo de

�reflexão aqui oferecido – conforme espelhado no título do trabalho -, busca
representar um chamado a uma postura pró-ativa, uma nova postura para, por
meio da atuação de um novo modelo de unidade de informação, atender à missão
da universidade, que, para o filósofo espanhol Ortega y Gasset (1999, p.58), é "o
ensino das profissões intelectuais e a pesquisa científica e a formação dos futuros
pesquisadores".

SPANINH MODEL OF THE LEARNING AND RESEARCH RESOURCE CENTER (CRAIs) AS AN
ALTERNATIVE TO BRAZILIAN UNIVERSITY LIBRARIES: SOME THOUGHT-PROVOKING
REFLEXIONS

ABSTRACT
In the early 21st Century, the university libraries have been seeking new ways to
reactivate their mission of transmitting knowledge in response to the changes
affecting the whole world. In Europe, the establishment of the European area of
higher education, according to the Bologna Declaration (1999), resulted in the
proposition of a new information model unit known as learning and research
resource center (CRAI). This model is based upon the interaction between
professors and students with the aid of general information resources, mainly the
electronically-related ones, creating a virtual learning environment. Created to suit
the European reality, CRAI’s proposal may represent a viable alternative to the
development of the Brazilian university libraries, which deserve the attention from
those in charge of our information units. Therefore, some reflections based upon
the contraposition of such models of libraries to the reality of the Brazilian
universities. Finally, it is not only of utmost importance to highlight the need for a
new model of information unit but also to achieve the universities’ missions
through proactive attitude on the part of the information management.
Key-words: University Library; Learning and Research Resource Center;
University Library – European model; University Library - technology
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>No início do século 21, as bibliotecas universitárias buscam formas para se revigorar em sua missão de transmitir o conhecimento, respondendo às mudanças que afetam o ambiente universitário no mundo inteiro. Na Europa, o estabelecimento do “Ambiente Europeu de Ensino Superior”, pela Declaração de Bologna (1999), teve como conseqüência a proposição de um novo modelo de unidade de informação denominado Centros de Recursos para el Aprendizaje y investigación (CRAI). O modelo baseia-se na interação de docentes e discentes com os recursos de informação em geral, principalmente os possibilitados pela informação eletrônica, criando um ambiente virtual de aprendizado. Pensada para a realidade européia, a proposta do CRAI pode, no entanto, representar alternativa viável para o desenvolvimento das bibliotecas universitárias brasileiras, merecendo atenção dos responsáveis por nossas unidades de informação. Nesse sentido, propõem-se algumas reflexões baseadas na contraposição desse modelo de biblioteca à realidade das universidades brasileiras. Como conclusão, apontamos à atuação de um novo modelo de unidade informação, atender à missão da universidade, por meio de uma postura pró-ativa dos gestores da informação.</text>
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                    <text>O NOVO CONTEXTO NO QUAL SE ENCONTRA INSERIDO
O PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO

Suziane Batista da Silva
Graduanda de Biblioteconomia
tuddysbs@hotmail.com

Universidade Federal do Amazonas
Av. General Rodrigo Octávio Jordão Ramos, nº. 3000, Coroado I
nepci@ufam.edu.br

Resumo

Trata a nova realidade a que o mercado de trabalho submete o profissional
da informação. Evidencia o papel da informação no fazer deste profissional além
de abordar as exigências do mercado de trabalho; ressalta a interdisciplinaridade
que o profissional da informação deve possuir, constatando a importância de
valores agregados que ao profissional da informação é aconselhável que se
tenha ou se desenvolva.

Palavras-Chave:
Mercado

de

trabalho.

Profissional

da

informação.

Informação.

Interdisciplinaridade. Valor agregado.

1 INTRODUÇÃO
Em meio às novas tecnologias, ao mundo globalizado e altamente
competitivo, e a uma sociedade que respira informação, observa-se que apenas
um diploma de nível superior já não é tido por fator determinante de absorção ou
permanência no mercado de trabalho, mercado esse, que se encontra cada vez
mais exigente e seletivo na contratação de seus profissionais.
O termo valor agregado vem sendo utilizado constantemente para
identificar desempenho de atividades que vão além das esperadas, algo que

�supere o que se espera que seja feito, algo complementar. O que vem ocorrendo
com os profissionais, é que estes estão sendo absorvidos de maneira mais
efetiva, à medida que apresentem características profissionais e pessoais que
juntas se completem, de modo a estabelecer uma relação harmoniosa no
desempenho de suas atividades.
Assim, observa-se que as empresas ao contratarem seus funcionários
esperam muito mais que práticas tecnicistas, metódicas ou puramente
acadêmicas, elas visam um comprometimento mais pessoal e intrínseco do
profissional com as práticas da empresa.
Da mesma forma acontece com o bibliotecário, aqui em especial abordado
como profissional da informação, que tem sua profissão sendo modificada
gradativamente; desde seu início até os dias atuais, vem sofrendo grandes
modificações, marcando o tempo atual como aquele que espera deste, uma nova
atuação e um novo posicionamento ante as novas tecnologias e a nova forma de
atuação que este deve desempenhar para atender a chamada Sociedade da
Informação.
Assim, suas práticas precisam ser repensadas e suas atividades refeitas,
pois se espera que este profissional não seja um profissional passivo e
acomodado ao ambiente que lhe é proposto, mas aja como agente de
mudanças, em meio à nova sociedade que se impõe, atuando como
disseminador da informação e facilitador de acesso a ela, visto que, a informação
neste novo contexto, passou a assumir valor comercial, posto a sua importância e
o benefício que esta após concebida e tida por conhecimento trás à sociedade.
Assim, abordam-se quais exigências o mercado de trabalho cada vez mais
rigoroso quanto à qualificação profissional, tem feito a este profissional neste novo
contexto, de novas tecnologias, instabilidade de empregos, praticamente extinção
dos empregos vitalícios, e onde a informação tem assumindo valor diário na vida
das pessoas, entre outros, exigindo deste, nova forma de atuação.
Uma das questões a serem abordadas seria, como garantir espaço em
meio a essa sociedade que exige que praticamente todos os profissionais saibam

�ou consigam minimamente trabalhar com a informação? Discussões a cerca
deste perfil emergente, de novas atitudes e habilidades cabíveis ao profissional da
informação e demandadas pelo mercado de trabalho, são feitas constantemente,
assim como a adequação das grades dos cursos de graduação em
Biblioteconomia ou Ciência da Informação.
Assim, com base na literatura, principalmente artigos científicos sobre o
tema, se discutirá a cerca do tema proposto e de forma bem sucinta far-se-á
considerações tidas por relevantes.

2 SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E ATUAÇÃO PROFISSIONAL
Esta nova sociedade, a da informação, tem valorizado e investido mais em
conhecimento, passando a informação a assumir valor comercial. A informação
passa a adquirir valor econômico, pois esta gera conhecimento que por sua vez,
possibilita a produção científica e tecnológica que posteriormente dará vez à
geração de bens e serviços.
[...] O espaço de produção desta sociedade não é o da fábrica ou do
escritório, mas do conjunto de meios, que é, antes de tudo, um conjunto
de informações, mais especificamente, de informações científicas,
tecnológicas, comerciais, financeiras e culturais, difundidas de forma
rápida e interativa (ARAÚJO; DIAS, 2005, p.113).

Para atuar nessa sociedade, o profissional da informação precisa ser um
profundo conhecedor das fontes de informação, dos mecanismos de busca e
recuperação da informação e tem a necessidade de saber trabalhar com as
tecnologias da informação e comunicação, pois estas estarão presentes no seu
fazer diário, constantemente.
Nesta nova sociedade, assim como o campo de atuação dos profissionais
que lidam com a informação se amplia, ele também se torna mais competitivo e
exige maior qualificação, uma vez que, o profissional da informação não é o único
profissional que tem que saber lidar com a informação, pois o mercado emerge

�com novas possibilidades de atuação, extinção de algumas práticas tidas por
tradicionais de determinadas áreas do conhecimento, criando novos campos e
novas possibilidades de atuação.
O mercado de trabalho encontra-se mais criterioso, torna-se mais exigente
para quem procura o tão almejado emprego e para quem deseja mantê-lo, o perfil
do candidato, deve estar de acordo com o que seja desejado por essa nova
sociedade.
Os profissionais da informação,
[...] passaram a se deparar com um novo contexto que lhes exigia, e
exige, não só um corpo de conhecimentos especializados, mas também
conhecimentos e habilidades no uso de tecnologias para organizar,
processar, recuperar e disseminar a informação independentemente do
suporte no qual elas estejam registradas (MOTA; OLIVEIRA; 2005, p.
99).

Para isso, a constante atualização e contato com essas tecnologias,
principalmente as de comunicação e informação tornam-se quase que
obrigatórias para permanência e expansão do campo de atuação do profissional
da informação.
É a informação necessária ao desenvolvimento social da humanidade,
que deve ser considerada essencial. As pessoas querem saber,
conhecer, entender e exigem por isso, qualidade nos serviços de
informação, fato este que requer aptidões específicas do bibliotecário
(NASCIMENTO; FIGUEIREDO; FREITAS; 2003, p.33).

O profissional da informação acaba por ter que reabilitar suas antigas
posturas e habilidades de modo a atender essa sociedade mais dinâmica, com
intenso fluxo informacional, que necessita deste profissional na mediação com o
saber que lhes é preciso, agregando valor à informação, fazendo com que esta
seja de utilidade e atenda as exigências de seu público. Este deve filtrar,
organizar e analisar a informação, pois o uso desta se fará de forma qualitativa e
não quantitativa.

�Dessa forma, posto a importância que esta assumiu, profissionais de
diversas

áreas

também

são

considerados

profissionais

da

informação,

profissionais que lidam com informação, que seriam jornalistas, analistas de
sistemas, profissionais de marketing, entre outros.
As tecnologias da informação e comunicação e a globalização da
informação e do conhecimento fizeram com que profissionais como,
administradores,

analistas

de

sistemas,

químicos,

engenheiros,

contadores, jornalistas despertassem para a importância estratégica de
se trabalhar no setor informacional (NASCIMENTO; FIGUEIREDO;
FREITAS; 2003, p.36).

Estes profissionais precisam aprender a trabalhar com a informação para
êxito de suas próprias atividades, pois a partir da forma com que esta for
administrada e de acordo com o seu fim, se para atualização, desenvolvimento de
pesquisas, enfim, independente de seu usuário, se terá por proveitoso seu uso, se
este for dado de forma eficaz.
Portanto, o domínio econômico mundial será das organizações baseadas
em informação e conhecimento, e a estrutura das organizações e profissões
precisa mudar para adaptar-se a essa nova ordem (FERREIRA, 2005, p. 18)
Para tanto, as organizações buscam um novo profissional adequado para
atuar nesse contexto, consciente e comprometido do seu papel nessa nova
realidade.

3 O PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO E O FAZER PROFISSIONAL
O profissional da informação deve estar habilitado neste novo contexto,
tanto para atuar nas unidades de informação tradicionais de forma eficiente e
inovadora, quanto para atuar nos novos campos de atuação que abrem
possibilidade, devendo este, agregar às suas atividades, conhecimentos que lhe
proporcionem maior eficácia. A criatividade, adaptação a mudanças, espírito de
liderança, capacidade de trabalhar em grupo, agir pró-ativamente, são habilidades
que não são ensinadas ou postuladas nas grades curriculares dos cursos de

�graduação, mas neste novo contexto, se não tidas, deve-se, ao menos, buscar
desenvolvê-las.
Observa-se que embora não reconhecido, há espaço para este profissional
em outros campos que não sejam os tidos por tradicionais, como a exemplo,
empresas e organizações, mas as empresas desconhecem o seu valor e os
próprios profissionais por vezes, não se sentem capacitados para assumir novo
mercado, talvez por sentir que sua formação acadêmica não lhe prepare para
tanto ou, pela sua própria gama de conhecimentos adquiridos durante sua
formação, terem-se por insuficientes.
Assim como as informações necessitam de valor agregado, os profissionais
da informação também necessitam, precisam ser mais eficientes, precisam de
todo um aparato composto de características, habilidades, novas atitudes que lhe
permitam serem eficientes e eficazes, de modo a serem precisos no desempenho
de suas atividades.
Conforme destaca Oliveira et al. (2000, p.9): ... profissionais de outras
áreas estão ocupando o setor de informação, e continuarão ocupando, caso os
bibliotecários não desenvolvam as competências exigidas pelos novos tempos.
Novas habilidades estão surgindo, novas posturas, novos campos de
atuação. Para ocupá-lo de forma efetiva, os profissionais da informação precisam
adequar suas práticas à nova realidade do seu campo de atuação, valendo-se de
cursos de capacitação, educação continuada, domínio das tecnologias, saber
utilizar as ferramentas de informática, de modo a ter condições de competir de
forma igual e justa com as demais áreas do conhecimento que também vem
sendo afetadas por essa nova realidade e que tem seus campos e suas práticas
sendo alteradas por esse novo contexto.
O mercado demanda habilidades comportamentais, algumas que até
possuímos. Assim, nós, profissionais da informação, temos que nos
conscientizar da nossa capacidade de atuação, dos nossos pontos
fortes, das habilidades que possuímos e procurar desenvolver a que
nos falta, aplicando-as no dia-a-dia, em qualquer tipo de ambiente de
trabalho (NEVES, 2005, p. 61).

�Além das habilidades profissionais, as atitudes comportamentais também
são levadas em consideração para a absorção no mercado de trabalho. Um
profissional dinâmico, interativo, comunicativo, participativo, entre outros, sempre
encontrará espaço e campo de atuação, pois se espera flexibilidade e dinamismo,
saber interagir com o novo nesta nova torna-se de crucial importância.

4 CARACTERÍSTICAS DESEJADAS PELO NOVO MERCADO
As empresas têm optado por equipes multidisciplinares composta por
profissionais de diversas áreas que juntos buscam um fim em comum, a partir de
seus conhecimentos individuais, disponibilizam as melhores formas de influenciar
no desempenho de suas atividades de modo que, cada profissional, de acordo
com seu campo de conhecimento ou atuação contribua da forma mais cabível,
tornando a realização do trabalho mais eficiente.
O conhecimento, a criatividade, a flexibilidade são exigências feitas a todos
os profissionais de um modo geral, não só ao profissional da informação, exige-se
que toda camada profissional, sejam pessoas mais produtivas, exigência essa,
que revela o mundo capitalista e globalizado onde a qualificação profissional é
indispensável.
Os profissionais devem, de preferência, evitar a especialização, a
centralização em uma única função, o desempenho de um único papel; devem
estar abertas para desempenharem diferentes funções e estarem interadas com o
desenvolvimento e trabalho de toda a instituição, não devem ter medo de
mudanças, pelo contrário, o ideal seria que fossem promovedoras destas.
O mundo globalizado exige profissionais cada vez mais qualificados. O
profissional da informação precisa estar disposto e encontrar-se capacitado.
Neste novo contexto, ficarão os profissionais que serão capazes de inovar indo
mais além dos conhecimentos e limitações impostas pelos currículos.
Atuar profissionalmente neste novo contexto exige uma postura de
criatividade, de renovação constante e de disposição para enfrentar

�desafios diários. O bibliotecário deve agregar aos conhecimentos
adquiridos no curso de graduação vários outros, que devem ser
buscados em outros cursos e campos do conhecimento, à medida que
os desafios e/ou dificuldades forem surgindo (ARAÚJO; DIAS, 2005,
p.121).

O profissional da informação deve ser um profissional que saiba lhe dar,
saiba conviver com mudanças, alguém que possua flexibilidade, inovação,
imaginação e criatividade.
Em tempos modernos, o mercado de trabalho exige profissionais
habilitados,

dinâmicos,

criativos

e

competentes,

que

mostrem

produtividade nas instituições onde estão lotados e que permanecem
sempre conscientes da importância de uma educação continuada para
sua

sobrevivência

profissional

(NASCIMENTO;

FIGUEIREDO;

FREITAS, 2003, p.32).

Hoje, as instituições procuram um envolvimento e comprometimento que
vai além dos termos contratuais ou de prestação de serviços, de forma impessoal
e indiferente; hoje, elas esperam de seus empregados comprometimento com a
política, cultura, as causas da empresa, que de fato, vistam a camisa da
instituição que servem.
Nos tempos atuais, a formação acadêmica, o diploma de bacharelado, já
não garante um espaço no mercado de trabalho, até mesmo porque, anualmente,
centenas de profissionais de uma mesma área são lançados no mercado, mas o
que garantirá a sua permanência no mercado de trabalho, será a sua
competência, a gama de conhecimentos que adquiriu durante sua formação
acadêmica ou até mesmo suas experiências pessoais.
Há uma necessidade de atualização das grades curriculares dos cursos de
graduação e dos próprios profissionais, visto a velocidade em que se dão as
mudanças da própria sociedade, as inovações tecnológicas que exigem deste
constante atualização, faz com que este tenha necessidade de uma educação
continuada que permita sua permanência, ou lhe possibilite competir com os
demais profissionais por um espaço no mercado de trabalho.

�5 CONCLUSÃO

Constata-se que em meio a um ambiente em constante mudança e em
meio a um mundo globalizado e altamente competitivo, o profissional da
informação necessita de educação continuada, estar sempre atualizado,
interagindo com o que há de mais novo surgindo em sua área e não apenas
tornando-se conhecedor.
Conhecimento de instrumentos tecnológicos, cursos de computação,
conhecimentos sobre acesso, potencialidade e realidade de uso da Internet e
demais meios de comunicação, se fazem necessários, assim como conhecimento
de um outro idioma (inglês preferencialmente), tais conhecimentos ampliam o
campo de oportunidades para atuação profissional.
Neste novo contexto, o profissional da informação deve ser aquele que seja
adaptável a mudanças e promovedor delas; que promova sua auto-formação,
que não se limite às paredes das universidades, mas amplie seus horizontes.
O ideal seria uma parceria ou uma comunicação por parte das
universidades e o mercado de trabalho para que esta pudesse oferecer
profissionais mais qualificados e que atendessem de imediato a exigência do
mercado, sem que os cursos ministrados fora desta não fizessem tanta falta, que
seu currículo e sua grade fosse mais adequada ao que o mercado procura.
O mercado espera, além de um profissional qualificado, características
comportamentais de um profissional comunicativo, ético, orientado, mente aberta,
que possua um bom inter-relacionamento, visto que sua área está em contato
direto com pessoas; que não tenha medo de inovar, curioso.
Deve haver entusiasmo por parte do profissional por um investimento
pessoal.
Saber atuar, e interagir com outras áreas do conhecimento, também faz-se
necessário no fazer deste profissional, uma vez, que este não atua sozinho, mas
está ligado a diferentes áreas do conhecimento, tornando-se um conhecedor e
assim, facilitador da sociedade como um todo a um conhecimento que se torna
almejado e buscado nessa nova sociedade, tornando-se necessário repensar
suas práticas e atuação de acordo com a nova realidade que lhe cerca, e assim,
consiga o espaço que lhe cabe.

�REFERÊNCIAS

ARAÚJO, Eliany Alvarenga; DIAS, Guilherme Atayde. A atuação profissional do
bibliotecário no contexto da sociedade da informação: os novos espaços de
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FERREIRA, Danielle Thiago. Profissional da informação e a gestão do
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MOTA, Francisca Rosaline; OLIVEIRA, Marlene de. Formação e atuação
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NASCIMENTO, Anízia Maria Costa; FIGUEIREDO, Etienny Kelen Pinheiro;
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�OLIVEIRA, Ângela Maria et. al. Gerenciamento do capital humano em bibliotecas
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SANTOS, Jussara Pereira. O moderno profissional da informação: o bibliotecário
e seu perfil face aos novos tempos. Inf.&amp;Inf., Londrina, v. 1, n. 1, p. 5-13, jan./jun.
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SOUTO, Leonardo Fernandes (Org.). O profissional da informação em tempos
de mudanças. Campinas, SP: Editora Alínea, 2005.

�The New Context where
the Professional of Information Is Fitted In

Abstract

It treats the new reality to which the working market subjects the information
professional. It shows the role of information by the professionals doings. In
addition to that, it approaches the requirement by the working market, it also
emphasizes the interdisciplines issue that the information professional should
have, stablishing the importance of additional values which are recommendable
for this professional to eighter have or develop.

Keywords:
Working market. Information professional. Information. Interdisciplines issue.
Additional values.

�</text>
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Documentação&#13;
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                <text>Trata a nova realidade a que o mercado de trabalho submete o profissional  informação. Evidencia o papel da informação no fazer deste profissional além de abordar as exigências do mercado de trabalho; ressalta a interdisciplinaridade que o profissional da informação deve possuir, constatando a importância de valores agregados que ao profissional da informação é aconselhável que se tenha ou se desenvolva.</text>
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                    <text>O PERFIL DA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO NO BRASIL: IDENTIFICAÇÃO DE
MECANISMOS NA GERAÇÃO DE INFORMAÇÃO PARA TODOS

Lúcia Maria S. V. Costa Ramos
Faculdade
de
Odontologia
Universidade de São Paulo
Av. Prof. Lineu Prestes, 2227
Cidade Universitária
05508-000 - São Paulo  SP - Brasil
ferpau@usp.br

da

Vera Regina Casari Boccato
Doutoranda do Programa de Pósgraduação em Ciência da Informação da
Faculdade de Filosofia e Ciências da
Universidade Estadual Paulista - UNESP
 Campus de Marília
Av. Higyno Muzzi Filho, 737
Cidade Universitária
17525-900 - Marília - SP  Brasil
vboccato@yahoo.com.br

EIXO TEMÁTICO: Políticas Públicas de Acesso à Informação

�RESUMO
O conhecimento é hoje um dos principais fatores de superação de desigualdades, de agregação
de valor, criação de emprego qualificado e de propagação do bem-estar. Está diretamente ligado à
informação que tem papel central nas relações sociais e no desenvolvimento econômico.
Certamente gostaríamos que o Brasil fosse uma sociedade com um perfil centrado na
informação/conhecimento. O cotidiano brasileiro demonstra fragilidade em relação aos direitos
sociais e à participação do indivíduo na sociedade dentro de uma concepção cidadã. Essa
condição agravou-se no decorrer das últimas décadas, onde o processo irreversível de
globalização com fronteiras econômicas às custas do aumento da desigualdade e da exclusão
social, veio fortalecer e ampliar os limites da disparidade anulando o poder dos Estados Nacionais
e universalizando não somente as práticas capitalistas, mas também a identidade cultural de
muitos países. Este processo resulta na perda da participação política e ideológica do cidadão
comum, gerando um ambiente apático onde o intenso fluxo de informação acaba por confundir o
cidadão ao invés de elucidá-lo. Esse processo de desinformação deve ser combatido, e para tanto
teríamos de definir quais são as políticas públicas formuladas a favor do cidadão brasileiro para
que ele possa fazer uso dos benefícios da tecnologia da informação.

Palavras-chave: Políticas públicas de informação; Sociedade da informação; Acesso à
informação.
1 INTRODUÇÃO

Nos últimos anos, o conceito de Sociedade da Informação adquiriu importância em
escala mundial, fundamentado na crença de que sua consolidação favorece a integração
global nos diferentes âmbitos em que se desenvolve a vida humana: economia,
conhecimento, cultura, etc.
Todavia, apesar dos esforços realizados e do entusiasmo demonstrado, não estão
claras as implicações práticas que a Sociedade da Informação terá na vida das pessoas.
Além disso, seu ritmo de desenvolvimento se reduziu nos últimos anos em conseqüência
da crise econômica mundial.
Em que pese a globalidade implícita no conceito "Sociedade da Informação", devese levar em conta que cada país apresenta suas próprias particularidades em aspectos
tão variados como o da economia, da sociedade, da geografia e da cultura. Por isso é
imprescindível que o desenvolvimento da Sociedade da Informação se adapte às
particularidades de cada um, respeitando-as e até mesmo potencializando-as.
Assim, devido aos diferentes cenários, devem ser adotados, a curto prazo,
modelos distintos de desenvolvimento da Sociedade da Informação, atendendo às
características

concretas

de

cada

país.

Apesar

disso,

à

medida

que

esse

desenvolvimento avance, essas diferenças tenderão a se reduzir como conseqüência da
globalização, ocasionando uma convergência entre todos os modelos em longo prazo.

�A sociedade da informação conduz para

novas responsabilidades todos os

agentes sociais nela inseridos. Essas responsabilidades indicam o dever desses agentes
para que a informação tenha

um fluxo constante e possibilite a geração de novos

conhecimentos e tomada de decisão nas várias instâncias da sociedade, principalmente
no que se refere ao Estado. Para Wetherbe, 1987 e Chiavenato, 1993) a informação pode
ser entendida do ponto de vista funcional, como um recurso redutor de incertezas, e, no
que diz respeito ao desenvolvimento, ela pode tornar viável a elaboração, implementação
e avaliação de políticas públicas com maior grau de eficácia e eficiência, a partir da
análise da complexidade social em seus pleitos e contestações. Por conseguinte, o uso
desse recurso gerou um conjunto de situações que coloca em destaque a posição da
sociedade

pós-industrial,

como

o

aumento

da

vida

média

da

população,

o

desenvolvimento tecnológico, a difusão da escolarização e difusão da mídia. Estudiosos
como Castells (1999), Touraine (1999) e Masuda (1982) atribuem posição de recurso
fundamental para o desenvolvimento da sociedade a estrutura geradora desse fluxo
contínuo de informação, tendo adquirido essa posição em função das transformações
tecnológicas que a tornaram cada vez mais difusa no século XX. Assim, para os
diferentes agentes da sociedade, a informação assume finalidades específicas. Na esfera
mercadológica, o acesso à informação visa à geração de superioridade sobre a
concorrência. Por isso, cada vez mais, grandes corporações vêm realizando
investimentos vultosos em sistemas de informação, objetivando interagir de forma mais
rápida e dinâmica em áreas de produção, distribuição e comercialização de produtos
estrategicamente propalado no âmbito mundial (FERREIRA, 2000).
Entre os programas promovidos pelo governo brasileiro destaca-se o da
Sociedade da Informação (SocInfo), com a função de estimular a evolução da internet e
suas aplicações. Isso tanto no que se refere ao treinamento de pessoal de pesquisa e
desenvolvimento, quanto à garantia de serviços de comunicação e informação. O
resultado desse programa culminou com a publicação do livro Sociedade da Informação
no Brasil  Livro Verde, em setembro de 2000).
O objetivo principal deste trabalho

é mostrar um panorama do estágio da

Sociedade da Informação no Brasil, não apenas disseminando a adoção e o uso das
tecnologias de informação, mas também evitando que esse processo aumente ainda mais
as desigualdades sócio-econômicas existentes entre pessoas e regiões.

�2 CONCEITUANDO SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO

O conceito de "Sociedade da Informação" nasceu no Japão em princípios da
década de 60, quando os especialistas japoneses consolidaram uma série de conceitos
que, a partir da 2ª Guerra Mundial, tentaram dar conta tanto do grande desenvolvimento
tecnológico e econômico de seu país quanto das mudanças sociais decorrentes da
Guerra. Transportado para a Europa no final dos anos 70, esse conceito, ao lado do
conceito "Sociedade do Conhecimento", evolui firmemente no discurso ocidental até se
tornar parte essencial das estratégias político-econômicas do atual mundo globalizado. Se
fortalece no contexto de

debates acadêmicos, envolvendo cientistas sociais e

economistas. Tais debates são motivados pela percepção de que a emergência,
desenvolvimento e difusão de novas tecnologias de informação e comunicação estariam
na base da estruturação de um novo quadro de relações sociais e econômicas
configurando um novo tipo de sociedade.
Atualmente, a expressão sociedade da informação popularizou-se, contendo,
tanto nas abordagens analíticas, como nas de intervenção política, um significado
dominantemente positivo associado à bondade das mudanças que podem ocorrer com a
difusão das tecnologias da informação e comunicação.
No entanto, sua origem remonta aos anos sessenta, quando se percebeu que a
sociedade caminhava em direção a um novo modelo de organização, no qual o controle e
a otimização dos processos industriais eram substituídos pelo processamento e manejo
da informação como chave econômica. Ao mesmo tempo, a sociedade da informação
tornou-se uma bandeira política, atravessada por dimensões ideológicas e utópicas,
mobilizadora de esforços públicos e privados para a resolução de problemas sociais e
econômicos, constituindo as tecnologias de informação um instrumento da mudança
social dirigida.
3 O BRASIL E A SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO

O Brasil está atento às tendências rumo à Sociedade da informação, como
desdobramento natural de uma visão estratégica, de futuro, da área de Informática, que
remonta à década de 70.
O programa Sociedade da Informação resulta de trabalho iniciado em 1996 pelo
Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia - o CCT. Sua finalidade é lançar os alicerces

�de um projeto estratégico, de amplitude nacional, para integrar coordenar o
desenvolvimento e a utilização de serviços avançados de computação, comunicação e
informação e de suas aplicações na sociedade, de forma a alavancar a pesquisa e a
educação, bem como assegurar que a economia brasileira tenha condições de competir
no mercado mundial.
O programa brasileiro foi lançado oficialmente pela Presidência da República em
dezembro de 1999, sob a coordenação do Ministério de Ciência e Tecnologia.
A primeira fase do Programa compreende três etapas distintas: a elaboração de
um Livro Verde da Sociedade da Informação no Brasil; a condução de um processo de
consulta pública referente às propostas nele contida; e a preparação de um documento
de proposta final e oficial, o Livro Branco lançado em 2002 que é o resultado da
Conferência de Ciência, Tecnologia e Inovação que propõe o marco institucional para o
desenvolvimento da ciência e tecnologia nos próximos dez anos.
O Livro Verde que foi concluído em agosto de 2000, teve seu processo de
elaboração por um grupo de Implantação do Programa formado por membros do
governo, iniciativa privada, comunidade acadêmica e terceiro setor. Tendo envolvido
ainda a participação de um grupo de indivíduos, pertencentes a várias vertentes,
organizações e instituições representativas, distribuídos e organizados em onze grupos
de trabalho assim representados:
1) Divulgação à sociedade
2) Integração e Regionalização
3) Cooperação Internacional
4) Ações empresariais
5) Pesquisa e Desenvolvimento
6) Processamento de Alto Desempenho
7) Educação
8) Conteúdos e Identidade Cultural
9) Administração Pública
10) Infra-estrutura de redes e backbones - No contexto de redes de computadores,
(traduzindo para português - espinha dorsal) Espinha dorsal - Um conjunto
interconectado de circuitos constituindo o caminho central de uma rede nacional de
dados. As duas espinhas dorsais principais do Brasil são operadas pela Embratel e
pela RNP.

�11) Trabalho e Planejamento - A efetivação do trabalho dos grupos foi baseada em uma
matriz formada por temas dos grupos e linhas de ação.
A organização proposta para o Livro Verde iria revolucionar a visão até então
predominante, que salienta os aspectos simplesmente

tecnológicos e de infra-

estrutura. As linhas de ações propostas pelo programa tem um seguimento de acordo
com as prioridades. Deste modo foram enfocados os objetivos econômicos, sociais,
políticos e culturais considerados estratégicos do ponto de vista das aplicações das
Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Assim sendo o objetivo proposta para
o Programa Sociedade da Informação no Brasil foi declarado da seguinte maneira:
integrar, coordenar e fomentar ações para utilização de tecnologias de informação e
comunicação de forma a contribuir para que a economia do país tenha condições de
competir no mercado global e simultaneamente contribuir para a inclusão social de
todos os brasileiros no novo modelo de sociedade (TAKAHASHI, 2000).
Conforme descrito no Livro Verde a execução do Programa irá se desdobrar em
sete grandes linhas de ação:
1) Mercado, trabalho e oportunidades - promoção da competitividade das
empresas nacionais e da expansão das pequenas e médias empresas, apoio à
implantação de comércio eletrônico e oferta de novas formas de trabalho, por
meio do uso intensivo de tecnologias de informação e comunicação;
2) Universalização de serviços e formação para a cidadania - promoção da
universalização do acesso à Internet, buscando soluções alternativas com base
em novos dispositivos e novos meios de comunicação; promoção de modelos
de acesso coletivo ou compartilhado à Internet; e fomento a projetos que
promovam a cidadania e a coesão social;
3) Educação na sociedade da informação - apoio aos esquemas de
aprendizado, de educação continuada e a distância baseados na Internet e em
redes, através de fomento a escolas, capacitação dos professores, autoaprendizado e certificação em tecnologias de informação e comunicação em
larga escala; implantação de reformas curriculares visando ao uso de
tecnologias de informação e comunicação em atividades pedagógicas e
educacionais, em todos os níveis da educação formal.;
4) Conteúdos e identidade cultural - promoção da geração de conteúdos e
aplicações que enfatizem a identidade cultural brasileira e as matérias de

�relevância local e regional; fomento a esquemas de digitalização para a
preservação artística, cultural, histórica, e de informações em ciência e
tecnologia, bem como a projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&amp;D) para
geração de tecnologias com aplicação em projetos de relevância cultural;
5) Governo ao alcance de todos - promoção da informatização da administração
pública e do uso de padrões nos seus sistemas aplicativos; concepção,
prototipagem e fomento às aplicações em serviços de governo, especialmente
os que envolvem ampla disseminação de informações; fomento à capacitação
em gestão de tecnologias de informação e comunicação na administração
pública;
identificação de tecnologias

6) P&amp;D, tecnologias-chave e aplicações -

estratégicas para o desenvolvimento industrial e econômico e promoção de
projetos de P&amp;D aplicados a essas tecnologias nas universidades e no setor
produtivo; concepção e indução de mecanismos de difusão tecnológica;
fomento a aplicações piloto que demonstrem o uso de tecnologias-chave;
promoção de formação maciça de profissionais, entre eles os pesquisadores,
em todos os aspectos das tecnologias de informação e comunicação.;
7) Infra-estrutura avançada e novos serviços - implantação de infra-estrutura
básica

nacional

de

informações,

integrando

as

diversas

estruturas

especializadas de redes  governo, setor privado e P&amp;D; adoção de políticas e
mecanismos de segurança e privacidade; fomento à implantação de redes, de
processamento de alto desempenho e à experimentação de novos protocolos e
serviços genéricos; transferência acelerada de tecnologia de redes do setor de
P&amp;D para as outras redes e fomento à integração operacional das mesmas.
O Estado precisa encarar a informação como um recurso de gerenciamento e
desenvolvimento para o país. Com a mesma intensidade que se concebem políticas
dirigidas para os setores de habitação, saúde, educação, segurança pública e geração
de emprego e renda, cabe aos governos em sua representatividade federal,estadual e
municipal desenvolver políticas de informação.
Política de informação significa uma decisão governamental, direcionando as
atividades do setor. Explícita ou implícita-dífusa na massa das políticas públicas, ela é o
resultado de uma correlação de forças dentro do Estado.
As políticas de informação no Brasil têm sido propostas, até o momento, sem a
necessária

articulação

com

os

contextos

e

políticas

cultural,

educacional

e

�comunicacional, que afetam sobremaneira as relações sócio-econômicas. A informação,
como transmissora e geradora de novos conhecimentos, ainda não tem sido considerada
prioritária nos planos e programas de desenvolvimento científico e tecnológico. Forma-se,
daí, um hiato entre a produção do conhecimento e sua disseminação, condição básica
para a continuidade do processo.
Mesmo que um discurso liberal tente mostrar o Estado como o lugar aberto à
participação de todos, ele não é um árbitro neutro, pois desenvolve seus planos,
programas e políticas para aquelas áreas que considera prioritárias.
No caso da política tecnológica, a importância maior é dada à indústria, ficando
relegadas a planos secundários as tecnologias alternativas, estas, fundamentais para
pequenos produtores rurais e urbanos.
No que se refere a política científica, vemos a centralização de recursos para a
produção do conhecimento e circulação da informação num número reduzido de
Universidades e Institutos, os "centros de excelência" situados no país.
Por fim , mas não menos importante, há que se considerar que nos países de
capitalismo dependente como o Brasil, o ciclo de transferência da informação tecnológica
é quebrado. O que geralmente ocorre é a importação de pacotes isto é verdadeiros
manuais de serviços. Não existe o desenvolvimento de pesquisas para aplicação efetiva,
principalmente naquelas áreas cujo domínio tecnológico acarretaria uma relativa
autonomia do capital internacional.

4

PANORAMA DAS POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO NO BRASIL: uma breve
abordagem

Política de informação deve ser um instrumento que integre a sociedade aos
avanços científicos e tecnológicos, de forma participativa. Assim praticada, ela contribui
para a melhoria do nível educacional, cultural e político, elementos básicos para o
exercício pleno da cidadania (SILVA, 1991).
Nesse sentido e de acordo com o art. 5º, inciso XIV da Carta Magna, a
Constituição Brasileira (1988),

é assegurado a todos o acesso a informação e

resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional. (BRASIL,
2004, p. 26).
Entende-se por cidadão, o indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos de um
estado ou no desempenho de seus deveres para com este. (FERREIRA, 2004, p. 465).

�A cidadania exercida objetiva o processo de conscientização do indivíduo, por
meio da educação e acesso à informação e ao conhecimento (Rocha, 2000),
incorporando três elementos como o civil, o político e o social (TARGINO, 1991, p. 152),
caracterizados da seguinte forma:
1) elemento civil: congrega os direitos essenciais à liberdade individual:
liberdade de ação, de consciência, de crença, de comunicação, de expressão, artística,
intelectual etc.;
2) elemento político: direito de participar do poder político;
3) elemento social: direito mínimo ao bem-estar e de segurança, etc.
Araújo (1999) expõe assim que a construção da cidadania, ou de práticas de
cidadania, passa, necessariamente, pela questão do acesso e uso de informação. Tanto
a conquista de direitos políticos, civis e sociais, quanto a implementação dos deveres do
cidadão dependem do livre acesso à informação sobre tais direitos e deveres. Ou seja,
dependem da ampla disseminação e circulação da informação e, ainda, de um processo
comunicativo de discussão crítica sobre as diferentes questões relativas à construção de
uma sociedade mais justa e, portanto, com maiores oportunidades para todos os
cidadãos. (ARAÚJO, 1999)..
A informação, é [...] direito de todos, É um bem comum, que pode e deve atuar
como fator de integração, democratização, igualdade, cidadania, libertação e dignidade
pessoal. Não há exercício da cidadania sem informação (TARGINO, 1991, p. 155).
A relação informação-cidadania é de suma importância na criação de produtos e
serviços que visam facilitar a vida do cidadão no cotidiano social.
Dentro desse contexto, torna-se necessário o desenvolvimento das políticas de
informação, originárias a partir da década de 1950 com a atuação dos países
desenvolvidos, tendo a UNESCO também colaborado significativamente nesse
segmento com a implantação de Centros Nacionais de Informação preocupados com a
definição de políticas de informação e, consequentemente, com o estabelecimento de
Sistemas de Informação de acordo com o perfil sócio-político e cultural de cada país
(PELUFÊ; SILVA, 2004). No Brasil, tem-se a criação em 1951 do CNPq  Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico com o desenvolvimento da
pesquisa científica e em 1954

IBBD - Instituto Brasileiro de Bibliografia e

Documentação, hoje IBICT  Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e
Tecnologia, à frente das atividades de informação.

�Assim a elaboração das políticas de informação,

de responsabilidade dos

Governos, objetiva o acesso universal à informação por meio de fontes de informação
que contribuam para o desenvolvimento do indivíduo-cidadão.
Segundo Barreto (2004),
o destino final de política nacional de informação é controlar a geração, e
a organização das atividade de informação, visando uma distribuição
socialmente justa desta informação, com a intenção de gerar
conhecimento no indivíduo e induzir seu desenvolvimento pessoal e do
seus espaços de convivência.

Essas ações políticas devem, necessariamente, estarem articuladas com os eixos
culturais, educacionais e de comunicação, segmentos esses que afetam as relações
econômicas e sociais.
Em nível mundial, na década de 1990, alguns projetos-pilotos foram executados,
proporcionando resultados satisfatórios, ao desenvolvimento da Sociedade Global da
Informação (TAKAHASHI, 2000, p. 109):
•

Acesso Multimídia à Herança Cultural Mundial;

•

Gerência de Meio Ambiente e Recursos Ambientais;

•

Aplicações Globais em Saúde;

•

Governo On-line;

•

Mercado Global para pequenas e Médias Empresas.
No Brasil, presencia-se a adoção de políticas de informação por meio de

programas, produtos e serviços com vistas à manutenção/recuperação da
qualidade de vida do cidadão brasileiro.
A implantação dos Centros de Informação Utilitária, em nível nacional,
representa uma atitude simples, porém de grande importância para a formação da
identidade-cidadã.
A informação utilitária
propiciam

não é encontrada em documentos convencionais

respostas ao indivíduo-cidadão em relação

às suas necessidades

informacionais cotidiana sobre:


informações sobre impostos: IPTU, IPVA, INSS e etc.;



informações bancárias sobre abertura de contas, informações primárias sobre
FGTS, PIS, Seguro desemprego, dentre outras;



informações sobre o alistamento militar;

�

informações sobre documentos como CPF, RG, Titulo de Eleitor, Carteira de
Trabalho, Carteira de Motorista etc.;



indicações de emprego  ofertas de empregos, concursos etc.;



informações sobre educação: escolas públicas e particulares, Universidades,
vestibulares, cursos gratuitos, entre outras.
Essas informações selecionadas e organizadas são disponibilizadas em formato

eletrônico, nomeados, muitas vezes, como Arquivos de Pronta-Informação.
Dentro desse cenário, verifica-se que o surgimento das novas tecnologias foi um
fator determinante para o desenvolvimento das políticas de informação, atuando como
um suporte essencial na democratização e universalização de serviços e de acesso à
informação.
A viabilização da aquisição de computadores por meio do projeto Computador
Popular, bem como os programas de inclusão digital tornam-se fundamentais para a
integração dos indivíduos menos favorecidos na vida social, possibilitando o acesso às
informações que contribuirão para o seu desenvolvimento pessoal e profissional.
4.1 A inclusão Digital do Indivíduo-Cidadão na Sociedade Brasileira
A construção das políticas de informação, é atualmente, um dos maiores
desafios e compromissos que os Governos e governantes possuem em relação ao
desenvolvimento econômico, político, social, educacional e cultural de seu país, estado
ou município.
O processo de globalização tende a gerar desigualdades entre as pessoas
dentro dos países e também desigualdades entre os países (MATTOS, 2006, p. 10).
A promoção da igualdade social está vinculada, entre outras mediadas,

ao

desenvolvimento de Programas de Inclusão Digital, possibilitando aos indivíduos menos
favorecidos oportunidades de empregos, geração e/ou melhoria da renda, qualificação
profissional, melhoria no ensino e na educação, por meio do uso e do acesso de
instrumentos/informações, viabilizando à esses

indivíduos a participação ativa no

processo de desenvolvimento econômico e social (BRASIL, 2006).
Dentro desse contexto, iniciativas estão sendo desenvolvidas e implantadas
nacionalmente, através do Programa de Inclusão Digital do Ministério da Ciência e
Tecnologia e regionalmente, muitas vezes com a colaboração da iniciativa privada e por
meio da atuação das Ongs  Organizações não Governamentais.

�No estado de São Paulo, presenciou-se a partir do ano 2000, a implantação do
Programa de Inclusão Digital O Acessa São Paulo (SÃO PAULO, 2006).
O Acessa São Paulo foi desenvolvido com o objetivo de oferecer à população
paulista o acesso às novas tecnologias de informação e comunicação, focando
principalmente uso da Rede Mundial de Computadores  a Internet  com vistas ao
desenvolvimento social, cultural, intelectual e econômico de uma classe social menos
favorecida.
Para o alcance dos seus propósitos, o Programa cria e mantém Infocentros,
espaços públicos com computadores para acesso gratuito e livre à Internet.
Essas medidas propiciam condições de melhoria na vida da sociedade,
objetivando o

crescimento pessoal e valorizando a auto-estima dos indivíduos no

sentido da formação de cidadãos críticos, conscientes e integrados com o
desenvolvimento econômico e social do país.
5 IDENTIFICAÇÃO DE MECANISMOS NA GERAÇÃO DE INFORMAÇÃO PARA
TODOS
A informação está intimamente ligada ao desenvolvimento econômico e social,
possibilitando condições para o desenvolvimento bem-estar pessoal e profissional do
cidadão.
As bibliotecas tem um papel fundamental nesse contexto, caracterizado pelas
bibliotecas públicas, escolares, universitárias, entre outras.
Para tanto, é necessário que o país reconheça efetivamente a importância das
bibliotecas como agentes sociais contribuintes na formação do usuário-cidadão.
A vocação natural e a competência das bibliotecas públicas e escolares deve ser
reativada, proporcionando condições para e exercer plenamente a sua missão,
fornecendo-lhes infra-estrutura material, recursos humanos em quantidade suficiente e
capacitados para desempenhar o papel transformador no processo de ensino
fundamental, médio e na educação continuada. (BARBOSA, 2004).
As bibliotecas universitárias se destacam por possuir seus acervos de
bibliográficos e de multimídia de excelência, tanto na forma impressa quanto no formato
eletrônico e digital, possibilitando o acesso à informação, matéria-prima para a geração do
conhecimento científico.
As bibliotecas brasileiras,

necessitam do apoio constante dos órgãos

governamentais, instituições privadas e outros setores para continuar a sua atuação como

�agências sociais e de informação, na coleta, seleção, organização, geração

e

disseminação de informação para todos.
Para tanto, cabe ao profissional bibliotecário atuar como:


mediador entre o usuário e o conhecimento (informação registrada), atuando em
diversas áreas do conhecimento e em diversas unidades de informação, da
pesquisa científica à extensão cultural, no apoio ao ensino e aprendizagem, da
pré-escola à pós-graduação;



disseminador da informação registrada que atua no mercado de trabalho
difundindo o hábito da leitura e incentivando o uso da informação em seus
múltiplos suportes;



especialista na organização e na recuperação da informação;



promotor da democratização da informação, participando do processo educacional
do indivíduo como cidadão;



assessor no desempenho de ações culturais, o desenvolvimento social e os
avanços científicos e tecnológicos, tendo em vista a aquisição de seus
conhecimentos teóricos e sua prática profissional.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para o Brasil a coexistência das classes sociais, a desigualdade no acesso aos
bens e aos serviços produzidos pelo conjunto da sociedade, que se enraizaram

no

contexto social através de séculos de escravidão e de discriminação do trabalho manual.
Enquanto o conhecimento, era poder da classe dominante, e considerado desnecessário
durante muito tempo

para as camadas inferiores da população os considerados

excluídos-marginalizados. A Informação e conhecimento são socialmente moldados e
constituem elementos importantes como os termos inclusão-exclusão social. O
desenvolvimento de novos meios técnicos de tratamento e comunicação da informação
viabiliza conexões em tempo real e em escala virtual, estabelecendo redes de integração,
mas também de exclusão. Ao mesmo tempo em que novos meios técnicos, a partir das
modernas tecnologias de informação e comunicação, permitem um maior e mais ágil
intercâmbio de informações, também se impõem novas barreiras políticas, econômicas e
institucionais à integração de segmentos sociais e regiões marginalizados, no novo
padrão. Cabe ao poder público instituir políticas econômicas e sociais regionalizando a
informação.

�As bibliotecas tem um papel fundamental nesse contexto, onde encontram-se
inseridas em um cenário de mudanças, voltadas não só para os aspectos educacionais e
culturais, mas ressaltando a sua função social como instituições contribuintes do
desenvolvimento de um usuário-cidadão mais crítico, reflexivo e conhecedor dos seus
direitos e deveres.
As bibliotecas,

algumas com seus acervos disponíveis

em meio digital

possibilitam o acesso universal ao conhecimento produzido, e possibilitando a (re)criação
desse conhecimento para o bem-estar da comunidade.
Além disso, vale esclarecer, que as bibliotecas estão, todavia,

inseridas nas

políticas públicas de disseminação da informação e que toda iniciativa apresentadas por
elas são de grande importância para a potencialização dessas ações, no sentido de
proporcionar a adoção de políticas continuadas e de recursos financeiros destinados para
esse fim.
THE PROFILE OF THE INFORMATION SOCIETY IN BRAZIL: IDENTIFICATION OF
MECHANISMS IN THE GENERATION OF INFORMATION FOR ALL
ABSTRACT
The knowledge is today one of the main factors of overcoming of inaqualities, of aggregation of
value, creation of qualified job and propagation of well-being. He is directly on to the information
that has central paper in the social relations and the economic development. Certainly we would
like that Brazil was a society with a profile centered in the information/ knowledge. The daily
Brazilian inside demonstrates to fragility in relation to the social rights and the participation of the
individual in the society of a conception citizen. This condition was aggravated in elapsing of the
last decades, where the irreversible process of globalization with economic borders to the costs of
the increase of the inaquality and the social exclusion, came to not only fortify and to extend the
limits of the disparity annulling the power of the National States and universalization the capitalist
pratics, but also the cultural identity of many countries. This process results in the loss of the
participation ideological politics and of the common citizen, generating an indifferent environment
where the intense flow of information finishes for confusing the citizen instead of elucidating it. This
process of disinformation must be fought, and for in such a way we would have to define which are
the formulated public policies in favor of the Brazilian citizen so that it can make use of the benefits
of the technology of the information.

Palavras-chave: Information Public Policies. Information Society. Information Access.
REFERÊNCIAS
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informação voltadas para o desenvolvimento. In: CINFORM  ENCONTRO NACIONAL
DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 5., 2004, Salvador. Anais... Salvador: UFBA, 2004.
Disponível em: &lt;http://www.cinform.ufba.br/v_anais/frame.html&lt;. Aceso em: 13 jul. 2006.

�BARRETO, A. de A. Políticas nacionais de informação. In: CINFORM  ENCONTRO
NACIONAL DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 5., 2004, Salvador. Anais... Salvador: UFBA,
2004. Disponível em: &lt;http://www.cinform.ufba.br/v_anais/frame.html&lt;. Aceso em: 13 jul.
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Ramos, Lúcia Maria S. V. Costa; Boccato, Vera Regina Casari</text>
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                <text>O conhecimento é hoje um dos principais fatores de superação de desigualdades, de agregação de valor, criação de emprego qualificado e de propagação do bem-estar. . Está diretamente ligado à informação que tem papel central nas relações sociais e no desenvolvimento econômico. Certamente gostaríamos que o Brasil fosse uma sociedade com um perfil centrado na informação/conhecimento. O cotidiano brasileiro demonstra fragilidade em relação aos direitos sociais e à participação do indivíduo na sociedade dentro de uma concepção cidadã. Essa condição agravou-se no decorrer das últimas décadas, onde o processo irreversível de globalização com fronteiras econômicas às custas do aumento da desigualdade e da exclusão social, veio fortalecer e ampliar os limites da disparidade anulando o poder dos Estados Nacionais e universalizando não somente as práticas capitalistas, mas também a identidade cultural de muitos países. Este processo resulta na perda da participação política e ideológica do cidadão comum, gerando um ambiente apático onde o intenso fluxo de informação acaba por confundir o cidadão ao invés de elucidá-lo. Esse processo de desinformação deve ser combatido, e para tanto teríamos de definir quais são as políticas públicas formuladas a favor do cidadão brasileiro para que ele possa fazer uso dos benefícios da tecnologia da informação.</text>
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                    <text>EIXO TEMÁTICO: As

redes e virtualidades da pesquisa acadêmica

TÍTULO DO TRABALHO: O PERIÓDICO CIENTÍFICO ON LINE

Maria do Socorro de A. Borba - Mestre em Biblioteconomia / PUCCAMP/ SP; Profª
Departamento de Biblioteconomia/ UFRN – Mestre em Biblioteconomia/PUCCAMP/SP
sosborba@yahoo.com.br
Gustavo César Nogueira da Costa – acadêmico do Curso de Biblioteconomia da UFRN –
email guga_ntl@yahoo.com.br
Rilda Antonia Chacon Martins - Mestre em Ciência da Informação/ IBICT/ UFRJ - Profª
Departamento de Biblioteconomia / UFRN - rildachacon@yahoo.com.br
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE – UFRN
Centro de Ciências Sociais Aplicadas – CCSA
Departamento de Biblioteconomia – Curso de Biblioteconomia
Campus Universitário Lagoa Nova
CEP 59072-970 Natal - RN – Brasil/ (84) 3215 3515/ 3215 3516

Resumo: Analisa o periódico científico on line. A necessidade da publicação e
disseminação de artigos científicos é eminente e não é uma necessidade recente,
uma vez que a utilização dos artigos científicos tem se tornado cada vez mais
comum no meio acadêmico. O formato eletrônico se apresenta como eficientes
formas de tratamento e recuperação da informação. A pesquisa acadêmica, por
envolver diretamente o processo de criação e transmissão do conhecimento,
apresenta-se como uma das atividades que mais tem se beneficiado com o uso
dessa tecnologia, a Internet, pois vem proporcionando ao pesquisador acadêmico
a facilidade de localizar /recuperar informações geradas por outros pesquisadores
através da grande rede. Esta pesquisa descreve informações históricas e
conceituais, bem como as características sobre o periódico científico on-line.
Contextualizou-se a comunicação e a comunicação científica apresentando seus
elementos básicos, posteriormente apresenta conceitos e pontos de vista de
vários autores sobre a importância das publicações científicas. Identifica a
comunicação e a comunicação científica, o periódico – o periódico científico,
periódico eletrônico - o periódico on-line, a Internet, a Internet e as informações, o
open journal system-OJS
Palavras-chave: 1 Periódicos on line ; 2 Periódico eletrônico; 3 Informação
eletrônica
1 INTRODUÇÃO
As mudanças ocorridas, no âmbito das tecnologias, desde a Segunda
Guerra Mundial e acentuadas nas ultimas décadas, ressaltam a disseminação das
Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s), que tem transformado (ou
remodelado) a realidade das relações e os modelos políticos, sociais e
econômicos, e dentre essas tecnologias uma das que mais se destaca, por seu

�uso em grande escala, sem sombra de dúvidas é a Internet, que passou a
influenciar de forma direta o comportamento da sociedade, por proporcionar o
acesso fácil e rápido à documentos e/ou informações que geograficamente
estariam distantes ou com alguma barreira lingüistica, e em alguns casos sob veto
político e/ou religioso. Com os grandes avanços tecnológicos atuais, a
necessidade de informações atualizadas para a elaboração de pesquisas e a
constante mutação do mercado de trabalho na área da Biblioteconomia, bem
como a alta potencialidade da defasagem informacional se apresentam como
fatores que reportam para a importância da Internet como fonte de informações. A
procura por informações e a necessidade das mesmas faz do ser humano um
eterno pesquisador e produtor de informações, consequentemente aprimorando e
criando novas fontes de informações e novas formas de pesquisa e recuperação
da informação.
A necessidade da publicação e disseminação de artigos científicos é
eminente e não é uma necessidade recente, uma vez que a utilização dos artigos
científicos tem se tornado cada vez mais comum no meio acadêmico como
também pelo fato de que a velocidade com que as informações são publicadas
nos periódicos científicos, e principalmente nos que são disponibilizados de forma
on-line, tendem a serem extremamente velozes e podem influenciar a respeito do
mercado de trabalho, uma vez que é crescente o surgimento de agências de
emprego virtuais, que podem se utilizar desses periódicos para avaliar a
capacidade e a qualidade da produção intelectual do indivíduo, e há a
disponibilidade de exposição de currículo no mundo virtual, como também por os
acadêmicos a par dos temas que estão sendo mais discutidos/pesquisados na
área.
Nos dias de hoje o formato eletrônico se apresenta como um dos melhores e
mais eficientes formas de tratamento e recuperação da informação e que está
cada vez mais presente no cotidiano da sociedade, que atualmente vem sendo
chamada de sociedade da informação, seja dentro de quatro paredes ou no
ciberespaço. A pesquisa acadêmica, por envolver diretamente o processo de
criação e transmissão do conhecimento, apresenta-se como uma das atividades
que mais tem se beneficiado com o uso dessa tecnologia, a Internet, pois vem

�proporcionando ao pesquisador acadêmico a facilidade de localizar /recuperar
informações geradas por outros pesquisadores através da grande rede. A
contribuição que as informações científicas disponíveis no formato on-line podem
oferecer aos acadêmicos já é percebida em conversas informais e nos grupos de
discussões on-line, os e-groups, conversas estas que serviram de estímulo maior
para a escolha do tema para este.
2 COMUNICAÇÃO CIENTIFICA
A comunicação é a forma mais eficiente de transmissão da informação,
sendo ela composta de três elementos básicos, o emissor (o ser ou indivíduo que
emite a informação), o canal (a forma como a informação é transmitida, falada ou
escrita por exemplo) e o receptor (o indivíduo que recebe a informação).
A comunicação é uma questão essencialmente social, assim existem
vários tipos de comunicação, por existirem vários tipos sociais, que podem ser
entendidas como níveis intelectuais, onde cada um apresenta uma peculiaridade
no momento da comunicação. A comunicação científica mantém os mesmos
elementos envolvidos no processo de comunicação descrito acima, sendo o
emissor o cientista ou pesquisador, o canal sendo as mais variadas formas de
disseminação da informação cientifica (livros, periódicos, Internet, etc.) e o
receptor que são os indivíduos que se interessam pelo tipo de assunto
pesquisado pelo emissor. Como foi dito no parágrafo anterior, cada tipo de
comunicação tem sua peculiaridade, no caso da comunicação científica Meadows
(1999, p.1) diz que “a maneira como o cientista transmite informações depende da
natureza da informação, do veículo escolhido e do público alvo”, dessa forma
pode-se inferir que toda comunicação científica é destinada a um leitor
direcionado, assim sendo, o pesquisador e/ou estudioso.
3 PERIÓDICO
O periódico é um canal formal de comunicação científica, e nasce da
necessidade de se transmitir, ou melhor divulgar, pesquisas e/ou estudos à
“membros” de uma comunidade que se interessavam pôr uma determinada
área.Uma das primeiras comunidades, ou sociedades como se referem alguns
escritores, foi a Royal Society, na Inglaterra, criada em 1662 e fora assim

�denominada pôr seu patrocinador, Carlos II.

Porém alguns autores, como

Campelo et al (2000), afirmam que teria surgido na França, em janeiro de 1665, o
primeiro periódico científico, denominado de Journal des Sçavans, onde tinha
como objetivo dar informações sobre livros publicados na Europa, bem como
resumir seu conteúdo, divulgar experiências científicas e descrever invenções ou
máquinas úteis (SIQUEIRA, 2004)
Stumpf (1996) afirma que “as formas anteriores de divulgação de
experimentos isolados apenas influenciaram o surgimento das revistas, que com
o tempo, assumiram o papel de principais divulgadores das investigações”,
contudo dando grande relevância às publicações seriadas, de cunho científico,
desde seu surgimento. Meadows (1999) fala que a motivação para a existência do
periódico científico é a “necessidade de comunicação do modo mais eficiente
possível, com uma clientela crescente interessada em novas realizações”, e que
Pinheiro e Nascimento levam para o âmbito da sociedade em geral dizendo que
“[...] fazemos parte de uma sociedade que nos torna sedentos pôr conhecimentos,
levando-nos a repensar atitudes e referencias e exigindo de nós uma postura próativa diante do processo de geração, transferência e recepção da informação”
Assim, sendo o homem um “curioso” científico, e que necessita de
informações constantemente, e principalmente de informações atualizadas, os
periódicos se apresentam como ferramenta de suma importância e relevância
para os pesquisadores, bem como para os estudantes, seja a nível de graduação,
pós-graduação, ou qualquer outro nível acadêmico, pois como diz Targino (2000)
“o poder ‘invisível’ da informação, é o que a transforma na mais potente e
avassaladora força de transformação do homem”, pôr tanto, a informação se
apresenta como insumo intelectual para os cientistas.
3.2 O PERIÓDICO ELETRÔNICO
Com o advento dos suportes eletrônicos, a publicação de todo tipo de
material bibliográfico se tornou mais freqüente, pois a facilidade de se transmitir,
enviar, receber e alterar o formato inicial do documento se apresenta como alguns
dos fatores que promoveram a expansão das tecnologias de informação e
comunicação (TIC) no meio acadêmico. Barreto (1999) diz que “a comunicação

�eletrônica imprime uma velocidade muito maior na possibilidade de acesso, uso e
possivelmente de assimilação da informação”, fato esse provavelmente posto no
sentido do “novo”, da aceitação do moderno como capaz de mudar hábitos e
costumes. Surgindo mais uma forma de documento: a forma virtual, que o torna
disponível mesmo sem existir na sua forma física.

Sobre as necessidades

informacionais da comunidade científica em geral, Marcondes et al. (2004) diz que
“hoje esta comunidade clama pôr mais visibilidade para os resultados de
pesquisas, pôr um ciclo mais rápido de publicação e poder acessar livremente
outras publicações” assim caracterizando a necessidade de acesso remoto a mais
de um documento de uma vez de forma eficiente e segura. Assim vemos como a
www vem se desenvolvendo e ganhando espaço junto a um mercado, atualmente
chamado de “quarto setor” o setor, onde a informação é a moeda vigente, onde a
informação é tida como valor econômico, o valor do conhecimento. Os recursos
disponíveis na Internet, como o e-mail, os serviços www e de FTP , facilitaram e
muito o surgimento dos periódicos científicos on-line, que se diferencia dos
periódicos eletrônicos pôr alguns fatores, mesmo pertencendo a este tipo de
suporte. Partindo do conceito que “eletrônico” é todo tipo de material que depende
de uma máquina para ser utilizado, o termo “periódico científico eletrônico”
abrange todo e qualquer tipo de publicação científica que não seja publicada no
formato impresso, que dependa de pelo menos um tipo de máquina para ser lido,
sendo exemplo de suportes a transparência, a micro ficha, slide, o disquete, cdrom, DVD, USB-Ship e a Internet. Periódico Eletrônico pode ser entendido como
aquele que possui artigos com texto integral, disponibilizados em vários suportes,
tendo obrigatoriamente que ser acessíveis pôr intermédio de uma máquina
elétrica.
4 O PERIÓDICO ON-LINE
Segundo Reis, Blattmann e Reis (2004) As fontes de informação on-line “se
caracterizam pôr serem eletrônicas, disponíveis e acessíveis pelo uso da rede de
computadores e não ocuparem literalmente espaços físicos” podemos assim,
entender periódico on-line, sendo o periódico que possui artigos com texto
integral, disponibilizados via rede e com acesso on-line, podendo existir ou não

�um versão impressa ou em qualquer outro tipo de suporte, o que Siqueira,
Mendonça et.al., Marcondes e outros autores chamam apenas de eletrônico,.
Os periódicos eletrônicos surgem no Brasil com o aparecimento do portal
Epub, da UNICAMP, em meados de 1997, com uma coletânea de periódicos da
área biomédica (SABATTINI, 1999 apud MARCONDES et.al. 2004). “Políticas
públicas relativas à periódicos científicos eletrônicos no Brasil se inicia no ano
seguinte quando é lançado o projeto SciELO – Scientific Eletronic Library Online.”(
MARCONDES et.al., 2004) surgindo então um portal disponível na web onde
incorpora os mais importantes periódicos científicos brasileiros, sendo o resultado
de uma parceria entre a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de
São Paulo), junto com a BIREME (Centro Latino-americano e do Caribe de
Informação em Ciências da Saúde) e com editores de periódicos científicos
nacionais.
No ano de 2000 entra mais um componente que irá auxiliar de forma
gigantesca a utilização dos periódicos científicos on-line, o portal CAPES
(Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) de periódicos
eletrônicos, através deste portal a comunidade acadêmica brasileira passou a ter
acesso a periódicos internacionais em versão eletrônica, e que segundo Reis,
Blattmann e Reis (2004) “oferece acesso a mais de 70 bases de dados e mais de
7.000 publicações científicas com texto na íntegra”. Dentre os periódicos que
estão em formato eletrônico, os que se encontram disponíveis na Internet
apresentam algumas peculiaridades, pois não estão em nenhum invólucro que
possibilitem seu transporte ou destruição de seu suporte, permite que mais de um
usuário tenha acesso à seu conteúdo, pode ser indicado ou enviado à outro
indivíduo sem enfrentar barreiras geográficas/alfandegárias, podendo ser
acessado em mais de um tipo de máquina, etc. onde Barreto (1999) diz que “o
computador permite uma desterritorialização do texto, livre das amarras da
composição e da interpretação linear”
Segundo Mendonça (2004), os “cientistas e estudiosos vêem a Web como
um meio mais visível [...], rápido e barato para publicações de suas pesquisas em
comparação com os tradicionais periódicos impressos” , pois uma vez que as
bases de dados on-line se consolidam dia após dia e contam com a colaboração

�de instituições consolidadas no meio acadêmico, e a possibilidade de se discutir
conteúdos, revisões ou qualquer outro tipo de aspecto inerente as informações a
serem publicadas são mais viáveis, financeiramente falando, facilitando o contato
entre pares que se encontram a milhares de quilômetros de distancia, são
algumas das vantagens que a Internet apresenta para a produção científica.
Isso mostra que antes mesmo de se obter uma graduação inicial,
estudantes já se preocupam e sentem a necessidade de escrever e publicar seus
relatos e pesquisas, assim contribuindo para a evolução de sua área de estudo.
O marketing dos periódicos on-line, ou pelo menos de seus artigos, fica
facilitada pôr poder contar com o auxilio de divulgação das bases de dados, uma
vez que é comum se deparar com uma referencia “linkada” ao texto original, que
pode estar disponível na web. Com uma evolução extremamente rápida, a
Internet se apresenta como uma das formas de comunicação mais bem aceitas
pela população mundial, tornando muito mais fácil o acesso à informação. No
aspecto custo benefício, a publicação on-line apresenta uma enorme redução nos
custos de sua produção e de distribuição, justo pôr não necessitar diretamente de
recursos mecânicos para entrega do material, podendo seus assinantes serem
avisados pôr meio de serviços de alerta via e-mail ou pôr clipping, bem como não
ser passiva a extravio ou qualquer dano devido à seu transporte.
As possibilidades que os artigos disponibilizados na grande rede
proporcionam ao pesquisador em relação à pesquisa se da principalmente por
proporcionar a busca em mais de um exemplar ou volume de uma vez só, e em
números correlativos ao assunto principal, porém para que tais mecanismos
sejam aproveitados de forma eficiente e eficaz, se faz necessária uma política de
indexação comum aos editores e publicadores dos artigos. Uma das alternativas
possíveis para tanto é a catalogação coletiva. No tocante aos formatos adotados
para a publicação de artigos científicos em rede, pôr mais que se tente implantar
um formato genérico, se assim podemos chamar, praticamente todas as revistas
disponíveis gratuitamente optam para exibição on-line pela apresentação do
conteúdo no formato HTML ou HTM e com disponibilidade para impressão e
download, este ultimo sendo praticamente unanime a utilização do padrão PFDF,
pôr oferecer segurança aos dados e praticamente impossibilitando a alteração

�dos dados. Em alguns casos, sendo muito raros, utilizam-se de mais recursos de
multimídia, como pôr exemplo a utilização de vídeos, normalmente em .AVI, sons
em MP3 ou MIDI. Apenas um fator apresenta-se em predominância, a
disponibilização de link para o envio de e-mail para o autor do texto.
4.2 PORQUÊ USAR O PERIÓDICO CIENTÍFICO ON-LINE
Conforme a afirmação de Pinheiro e Nascimento (2001), sabemos que a
explosão da informação registrada no decorrer da última década não tem
significado, necessariamente a democratização do saber, assim sendo, a
publicação de informações em periódicos apenas impressos atinge apenas uma
demanda muito restrita de interessados, e tendo em vista que a sociedade atual,
que muitos chamam de sociedade da informação faz cada vez mais uso das
TIC’s. Percebe-se que a comunicação científica aliada às TIC’s, se apresentam
como uma das melhores opções para suprir as necessidades informacionais dos
cientistas e pesquisadores em geral, pois além influenciar na disseminação de
informações

facilita

e

agiliza

o

processo

de

inclusão

informacional,

consequentemente promove a inclusão social, como afirma Antonio e Balby apud
Moura e Correia ( 2000, p.22) quando dizem que “a implantação de novas
tecnologias na sociedade [...] poderá agir como elemento transformador das
relações de ensino e aprendizagem”. O periódico científico on-line apresenta-se
como uma das melhores alternativas para as universidades, no tocante a
promover o ensino a pesquisa e a extensão, que são elementos fundamentais
para o desenvolvimento e sustentabilidade das universidades públicas.
5 A INTERNET
Com mudanças ocorridas em todas as tecnologias desde a Segunda
Guerra Mundial e acentuadas nas últimas décadas, ressalta-se a disseminação
das tecnologias da informação, que tem transformado (ou re-modelado) a
realidade das relações e os modelos políticos, sociais e econômicos, e dentre
essas tecnologias iremos destacar a Internet. Levando em conta a Internet,
podemos repensar o conceito de documento e, até certo ponto, concluir que os
documentos não estão desaparecendo, e sim estão melhorando em variedade,
número e em sua forma de recuperação, porém para que se torne uma melhoria

�de fato, é preciso desenvolver uma aptidão literária, que podemos chamar de
ciberliteratura, que irá depender da capacidade de utilização dos recursos
tecnológicos por parte do usuário.
Com a existência do Hipertexto e dos recursos que as novas tecnologias
de informação e comunicação oferecem, podemos repensar o conceito de
documento e, afirmar que os documentos estão melhorando em variedade,
número e em sua forma de recuperação, porém para que se torne uma melhoria
de fato, é preciso desenvolver uma aptidão literária, que podemos chamar de
ciberliteratura, que irá depender da capacidade de utilização dos recursos
tecnológicos por parte do usuário. Podemos perceber que o uso das novas
tecnologias vem sendo cada vez mais priorizado, ou incentivado, nos cursos de
graduação como instrumento de ensino/aprendizagem, e Meadows (1999) vai
além, afirmando que “a capacidade de usar o computador e as redes está assim
se tornando essencial para todos os que ingressam no campo da pesquisa[...]”.
Sem sombra de dúvidas o formato eletrônico é um dos melhores e mais eficientes
formas de tratamento e recuperação da informação e que está cada vez mais
presente no cotidiano da sociedade, que atualmente vem sendo chamada de
sociedade da informação, seja dentro de quatro paredes ou no ciberespaço.
O surgimento da Internet é norteado de suposições, porem a forma mais
utilizada pelos estudiosos da área e os usuários da net é a de que surgiu durante
o período da Guerra Fria entre os Estados Unidos e a, extinta, União Soviética,
onde os EUA necessitavam de uma forma de transmitir um grande volume de
informações confidenciais à suas bases militares de forma que não existisse
chance alguma dessas informações serem roubadas ou captadas pelos inimigos
ou espiões, então desenvolveram um tipo de transmissão de dados, de forma
codificada, através de uma linha telefônica, onde apenas um computador pudesse
decodificar e assim as informações ficariam legíveis e compreensíveis aos
militares que a receberam. Com isso surgiu a “ARPANET (Advanced Reseach
Projects Agency Network)”, (CÉDON, 2000), que vem para garantir a
comunicação entre os computadores e que em caso de ataques inimigos que
pudessem destruir algum dos computadores onde estivessem armazenado
informações, importantes ou não, para criar uma rota alternativa para o envio e

�recebimento dos dados. Hoje podemos conceituar a Internet como uma rede
global de computadores, ou mais exatamente, uma rede interconectada a outras
redes, locais, regionais, nacionais

e internacionais,

formando

uma

só,

possibilitando assim uma conexão tanto entre computadores que estejam em uma
mesma região como entre computadores que estejam em continentes diferentes.
Moura e Correia (2000) enfatizam que “a evolução tecnológica tem
modificado o ‘ecossistema’ cultural da humanidade e que um dos campos mais
afetados é o da documentação e o da informação científica”. A pesquisa
acadêmica, por envolver diretamente o processo de criação e transmissão do
conhecimento, apresenta-se como uma das atividades que mais tem se
beneficiado com o uso dessa tecnologia, assim como as empresas e instituições
que lidam diretamente com a fluência, criação e transmissão da informação.
6 A INTERNET E AS INFORMAÇÕES
É fato, que a Internet abriu um leque muito vasto na divulgação e como
fonte de informação, pois além de disponibilizar as convencionais, ela propicia o
surgimento de novas fontes, onde algumas não são totalmente reconhecidas na
literatura. Como exemplo dessa dificuldade de reconhecimento, cabe citar a
“biblioteca virtual”, onde se mostra com várias definições. Basta consultar a
literatura à respeito para verificar a várias acepções que vem sendo atribuídas ao
termo. Para alguns estudiosos ela é “uma biblioteca tradicional que disponibiliza
seu catálogo no formato on-line”, já para outros é “uma biblioteca que tem seu
acervo digitalizado”, existe também os que consideram como “uma coleção de
links” que alguns completam dizendo que são “uma coleção de links comentados
e tratados a luz da ciência da informação”. Como resultado da união bem feita
entre as tecnologias da computação e da comunicação, a Internet se mostra
como uma revolução nos métodos de geração, armazenagem, processo e
transmissão da informação. A velocidade com que ela se distribui é fator
determinante para seu crescimento acelerado e essa velocidade associada a
alguns elementos essenciais ao fluxo de informações na rede (como a
interatividade, tecnologia do hipertexto, multimídia, digitalização, computação e
informações compartilhadas, cooperação e sistemas abertos), caracterizam a
Internet

como

um

sistema

diferenciado

de

geração,

armazenagem

e

�disseminação da informação. As informações disponíveis na Internet estão
armazenadas em servidores, que nada mais são computadores que servem a
rede, a qual está conectado, com as informações nele contidas. Para a
localização destes dados é fornecido ao servidor um endereço eletrônico
prefixado do www e todos os computadores, sejam eles servidores ou usuários,
recebem automaticamente um número identificador, chamado de IP (Internet
Protocol).
Para quem usa a web, não demora muito para se deparar com o
chamado “lixo eletrônico”, causado pela abertura do sistema www, que permite
que qualquer usuário com o mínimo de conhecimento da linguagem HTML, possa
publicar o tipo de informação que achar pertinente, ou não, causando acumulo de
informações sem relevância para os “surfistas” da rede. Uma vez que a
publicação de informações trabalhadas, dados iniciais à construções de idéias e
pesquisas, bem como a disponibilidade de relatórios e catálogos de forma on-line,
é propiciada pela Internet, pode-se concluir que ela pode ser tida tanto como fonte
primária, secundária e terciária de informações, além de contribuir para sua
disseminação e a troca de idéias e suposições, como também o levantamento de
problemas e a possibilidade de reunir pensamentos para a solução dos mesmos.
Contudo é notória á inexistência de um profissional da informação no
ciberespaço, uma vez que a quantidade de “lixo eletrônico” se faz presente em
larga escala nos resultados de busca em sites buscadores, pois nos dias atuais
as buscas normalmente são feitas pelo termo solicitado em meio as palavras do
site/documento ou pelo título sem levar em conta o tema ou idéia central do autor
do documento virtual.
7 O OPEN JOURNAL SYSTEM – OJS
O Open Journal System é um sistema desenvolvido pelo Public
Knowledge Project da University of British Columbia)e tem como objetivo dar
assistência na edição dos periódicos científicos em cada uma das etapas do
processo, desde a submissão e avaliação dos consultores até a publicação online e sua indexação. Os editores podem organizar os sistemas de gerenciamento
do periódico e do site de acordo com suas própria políticas de publicação. O OJS
é um software livre O OJS pode ser instalado localmente em ambientes Linux,

�FreeBSD, Solaris e Mac. Ele requer pouco conhecimento técnico tanto por parte
dos editores, autores, avaliadores e gerenciadores. É necessário apenas ajustar a
série dos templates que sejam necessários no fluxo da editoração já em uso.
Algumas das características do OJS são: Submissão de artigos,
pareceres e outros itens on-line: onde é possível compartilhar e trabalhar de
forma interativa o envio e aprovação dos artigos; Gerenciamento on-line para
cada etapa da publicação: a possibilidade de gerenciar todas as etapas de
produção do periódico; Indexação completa de artigos publicados: onde é
possível indexar os artigos depois de publicados, encaixando-os da melhor forma
possível para o usuário/leitor; Notificação via e-mail e comentários dos
leitores: A facilidade para a criação de clipings automatizados de acordo com
cadastro prévio, onde os indivíduos cadastrados são avisados do conteúdo
publicado; 5. Ferramenta de ajuda para a pesquisa em cada artigo: Meta
ferramentas de localização de termos ou assuntos dentro de cada artigo.
Para a implantação de artigos, e do próprio periódico, utilizando o OJS,
existem algumas etapas a serem seguidas, que são as etapas de administração e
de tramitação dos artigos. Etapas básicas de administração: Submissão por
parte do autor: o sistema permite que os documentos submetidos sejam de
vários formatos, assim como espaço para anexos, dados coletados, instrumentos
de coleta, etc. Também proporciona templates para dar assistência aos autores
na indexação dos seus documentos e no preenchimento dos metadados mais
apropriados. Por parte do editor: notificação para o autor do recebimento do
documento submetido e fila de espera para a revisão. Revisão por parte do
editor: manutenção de listas de avaliadores, áreas de interesse e registros;
contatar avaliadores selecionados com resumos; prover acesso ao documento e
lembretes; acompanhamento do processo de revisão (visível por autor);
notificações aos autores acompanhadas de avaliações (completas ou não) e
resultados;

circulação

livre

do

manuscrito.

Por

parte

do

parecerista:

gerenciamento dos comentários da revisão e copia para rascunho, tendo acesso
à documentação de todo o processo de arbitragem. Edição por parte do editor:
pedidos de modificações solicitadas pelos avaliadores ao autor.Por parte do
revisor de texto / parecerista: preparação do manuscrito para sua publicação.

�Indexação de recursos eletrônicos Por parte do autor/leitor: coleta automática do
conjunto de metadados alimentado por cada autor através do protocolo OAI,
criando um índice global distribuído; citação de índices e acompanhamento
através dos links das citações e fontes usando os metadados. Layout por parte
do editor: conversão do formato original do documento para HTML, incluindo as
notas de rodapé as referências e anexos.

Publicação por parte do editor:

habilitação da inclusão e ordenamento dos artigos, volume e números.
Distribuição por parte do editor: notificação automática aos leitores por e-mail
sobre o conteúdo de cada edição. Comunicação por parte do autor/leitor: envio
de comentários (para o editor como moderador) com a finalidade de continuar um
processo aberto de revisão pelos pares, assim como um fórum on-line para todos
os temas tratados na publicação. Arquivamento por parte de instituição
hospedeira/PKP: manutenção do servidor e backup, atualização do software
e/ou migração. As possibilidades e ajustes para uma versão do sistema para um
periódico científico, podem ser observadas nos passos seguidos pelos seus
principais atores: – Editor– Autor– Parecerista– Revisor de texto.
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O uso complementar das TIC’s para com a comunicação científica tem
facilitado, em vários aspectos, a vida e a evolução científica e tecnológica, como
também tem posto a prova a ética e o caráter de muitos pesquisadores, pois a
dificuldade de um controle de qualidade tem se apresentado como um dos fatores
mais preocupantes para a pesquisa virtual, a hipótese do plágio é eminente, pois
a tentativa de localizar uma determinada obra, em um espaço gigantesco como o
da Internet, para que se possa comprovar uma possível fraude, é praticamente
impossível. Os periódicos científicos eletrônicos têm se firmado cada vez mais
com o decorrer do tempo, principalmente em um período como o atual, e a
Internet tem servido de, além de vitrine para a publicação de idéias e
comprovações, mecanismo para o compartilhamento de hipóteses e soluções,
como também de facilitador para a pesquisa compartilhada.
Uma vez que é praticamente impossível combinar liberdade de expressão
com seleção prévia, cabe aos profissionais da informação, a tentativa de garantir
a seus usuários uma relativa ordem neste caos informacional, elaborando

�instrumentos e métodos que permitam controlar a qualidade das informações
publicadas. Esse controle e avaliação da informação disponível na Internet são de
grande valia para quem a utiliza para a pesquisa e de extrema relevância para a
inconsistência da qualidade das informações encontradas. A publicação de
artigos em periódicos on-line se apresenta como uma das formas mais baratas e
rápidas para a comunicação científica pois a divulgação previa ou até mesmos os
serviços de alerta podem ser realizados via e-mail ou através de clipping
eletrônico, bem como torna-se um excelente mecanismo de incentivo aos
acadêmicos e profissionais na ativa, para a produção de artigos, pois além da
facilidade de distribuição do material, há a possibilidade de disponibilização para
consulta pública no web-site da instituição mantenedora do periódico, sem a
necessidade obrigatória do acesso à biblioteca ou de algum tipo de assinatura,
bem como a utilização do mesmo artigo por inúmeros usuários simultaneamente,
fator este não proporcionado pelas publicações impressas ou publicadas em
outros tipos de suporte eletrônicos.
A fidedignidade na informação localizada, bem como o respaldo
institucional tem feito à diferença na utilização de informações disponíveis na
Internet. A velocidade de como os artigos podem ser publicados também é um
dos fatores primordiais para a evolução e crescimento deste tipo de publicação,
pois a possibilidade de alteração do artigo, por parte do autor, pode ser feita até
mesmo depois do artigo publicado, fator este que vai ser ditado pelo conselho
editorial junto as normas de publicação de cada periódico. A possibilidade de um
contado direto, e até mesmo simultâneo com o autor se apresenta como uma das
peças chaves para a valorização da pesquisa, fator este facilitado pela conexão
on-line dos indivíduos autor e leitor. Percebe-se que a falta de literatura sobre o
assunto é fato, uma vez que se confunde periódico científico eletrônico com o online, porém muito se fala e se discute sobre o assunto na chamada escola
“invisível”, ou seja, em conversas informais de acadêmicos de várias áreas e em
e-groups por exemplo, existindo assim uma carência de maiores e informações
mais específicas sobre o tema. Uma vez que se trata de uma publicação mais
fácil de ser efetuada, é elaborada, até certo ponto, em larga escala, porém nem
todas são devidamente oficializadas e muitas vezes apresentam um tempo de

�vida muito curto, embora sempre contribuindo para a evolução das mais variadas
formas de comunidades científicas.
REFERÊNCIAS
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MEADOWS, Arthur Jack. A comunicação científica. Brasília: Briquet de Lemos, 1999.
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proposta para estabelecimento de política para o usuário. Informação e Sociedade.
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Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Analisa o periódico científico on line. A necessidade da publicação e disseminação de artigos científicos é eminente e não é uma necessidade recente, uma vez que a utilização dos artigos científicos tem se tornado cada vez mais comum no meio acadêmico. O formato eletrônico se apresenta como eficientes formas de tratamento e recuperação da informação. A pesquisa acadêmica, por envolver diretamente o processo de criação e transmissão do conhecimento, apresenta-se como uma das atividades que mais tem se beneficiado com o uso dessa tecnologia, a Internet, pois vem proporcionando ao pesquisador acadêmico a facilidade de localizar /recuperar informações geradas por outros pesquisadores através da grande rede. Esta pesquisa descreve informações históricas e Contextualizou-se a comunicação e a comunicação científica apresentando seus elementos básicos, posteriormente apresenta conceitos e pontos de vista de vários autores sobre a importância das publicações científicas. Identifica a comunicação e a comunicação científica, o periódico – o periódico científico, periódico eletrônico - o periódico on-line, a Internet, a Internet e as informações, o open journal system-OJS.</text>
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O PORTAL.periodicos. DA CAPES E A PÓS-GRADUAÇÃO EM
ADMINISTRAÇÃO/TURISMO
Ana Maria Mattos*

RESUMO
As novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) facilitaram e
ampliaram o acesso à informação. Entre as novas TIC, a que causou maior
impacto foi a Internet. Esta ferramenta tecnológica democratizou o acesso ao
conhecimento. Nas universidades, as TIC foram incorporadas ao cotidiano do
ensino, da pesquisa e da extensão. Entre as mais importantes ferramentas de
pesquisa acadêmica brasileira na Internet está o Portal.periodicos. da
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). O
Portal possibilita a atualização científica e tecnológica em diversas áreas do
conhecimento, apresentando várias fontes de informação em texto completo. O
objetivo deste trabalho é mostrar como o uso do Portal tem contribuído para a
qualificação dos cursos de Pós-Graduação brasileiros em Administração/Turismo,
uma das 45 Áreas de Avaliação que tiveram seus resultados divulgados pela
CAPES. Para tal, utilizam-se as informações contidas nas Fichas de Avaliação de
cada um dos Programas de Pós-Graduação em Administração/Turismo utilizadas
pela CAPES para analisar os cursos, referente aos triênios 1998-2000 e 20012003. Três critérios de avaliação do programa são analisados: (a) atividades de
pesquisa, (b) teses e dissertações e (c) produção intelectual. Avalia-se, ainda, se
houve repercussão positiva no conceito final atingido pelos respectivos programas
nas avaliações realizadas.
Palavras-chave: Avaliação. Instituição de ensino superior. Pós-graduação.
Periódicos eletrônicos.

*

Bibliotecária Especialista em Gestão Universitária pelo PPGA/UFRGS. Atuou na Biblioteca
Central da UFRGS entre 1991 e 2004 como Bibliotecária Chefe do Núcleo de Aquisição de
Material Bibliográfico. Atualmente desempenha suas atividades na Biblioteca Setorial da Escola
de Administração da UFRGS. Rua Washington Luiz, 855 – térreo. Porto Alegre – RS – Brasil.
Fone: 0 xx 51 3316 3842. http://www.ea.ufrgs.br/home.asp. e-mail: ammattos@ea.ufrgs.br.

�2

1 O CENÁRIO
A nova interdependência eletrônica está
transformando o mundo em uma aldeia
global. Marshall McLuhan.

Há mais de quarenta anos, McLuhan (1962 apud LIMA, 2000, p. 14) já
previa que “[...] estávamos caminhando para uma aldeia global, tendo como base
o avanço da tecnologia na área do processamento da informação via eletrônica”.
A Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) “[...] é um complexo que
inclui computadores (hardware e software) e redes de comunicação públicas e
privadas, subprodutos da interpenetração das tecnologias de computação e
comunicação [...]” que facilitaram e ampliaram o acesso à informação e
revolucionam o mundo (OLIVEIRA, 1996, p. 35). Entre as novas TIC, está a
Internet. Esta ferramenta tecnológica, oriunda do período da guerra-fria,
democratizou o acesso ao conhecimento e à educação.
Em 1988 tanto

No Brasil, como no restante do mundo, o uso da Internet iniciou e
ganhou força no meio acadêmico. Desde 1988 algumas instituições de
ensino e pesquisa [...] começaram a estabelecer conexões com redes
internacionais. [...] A RNP [Rede Nacional de Pesquisa], um programa do
Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), apoiado pela Secretaria de
Política de Informática e Automação (SEPIN) e executado pelo CNPq,
[que] visa a apoiar e incentivar o uso educacional, acadêmico e social da
Internet. A implantação da sua primeira espinha dorsal (ou backbone),
em 1991, possibilitou a interligação das principais universidades e
centros de pesquisa do País e de algumas organizações nãogovernamentais. O backbone da RNP continua a se expandir e,
atualmente, conecta todas as capitais e, direta ou indiretamente, todas
as universidades e centros de pesquisa (CENDÓN, 2000, p. 279).

Com a Internet

Novos formatos e canais de comunicação se tornaram disponíveis,
expandindo de maneira nunca vista as possibilidades da comunicação e
eliminando barreiras geográficas. O fenômeno tem conseqüências
profundas na organização de centros de informação. Como jamais será
possível a qualquer centro possuir tudo o que interessa sobre um
assunto, chegou-se à conclusão que é melhor dirigir todos os esforços
no sentido de garantir acesso [...] (MUELLER, 2000a, p. 24).

�3

2 A CAPES, O PREÇO DOS PERIÓDICOS E AS TIC: NOVAS REALIDADES
O

Ministério

da

Educação

(MEC),

através

da

Coordenação

de

Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), por meio do Programa
de Apoio a Aquisição de Periódicos (PAAP), iniciado em 1994, subsidia as
assinaturas de periódicos estrangeiros para as Instituições de Ensino Superior
(IES), promovendo e garantindo o acesso da comunidade acadêmica brasileira à
produção científica e tecnológica internacional (DUTRA; LAPOLLI, 2004). Naquela
época, na sua maioria, os periódicos eram publicados na forma impressa. Entre
1994 e 1998 o repasse de recursos para manutenção do programa ficou em cerca
de US$ 22 milhões/ano. No contexto da crise econômica que gerou a
desvalorização

cambial

em

1999,

houve

uma

queda

significativa

nos

investimentos que caíram para US$ 13,5 milhões/ano, e, em 2000, apenas 35 IES
receberam recursos, totalizando cerca de US$ 12,5 milhões. No final da década
de 1990, as IES tiveram um corte de cerca de 70% nas assinaturas dos
periódicos estrangeiros (JURIC; MARTINS, 2004).
Paralelamente a isso, Mueller relata que:
[...] o custo de atualização de coleções está cada vez mais alto. Além do
aumento no número de títulos a serem assinados, o preço de cada
assinatura tem subido ao longo dos anos. [...] No mundo inteiro,
bibliotecas universitárias e de pesquisa, em maior ou menor grau, foram
obrigadas a diminuir o número de assinaturas e impedidas de assinar
títulos novos de possível interesse de seus usuários, desistindo de
manter completas e atualizadas as suas coleções. Houve uma mudança
de comportamento, facilitada pela tecnologia de comunicação, que
começava a possibilitar o acesso remoto a artigos com mais
eficiência (MUELLER, 2000b, p. 79, grifo nosso).

O mercado editorial começava a sofrer influência das TIC e se modificava.

O desenvolvimento muito rápido da Internet, em particular, dos serviços
disponíveis na rede desde 1994, modificaram profundamente o acesso à
informação. Pode-se dizer que estamos em um período de transição na
comunicação científica, passando de um sistema de publicação
tradicional, bastante rígido, para um sistema eletrônico de publicação
mais aberta, direta. Os dois sistemas conviveram, no início, de forma
quase independente, mas mostram sinais cada vez mais fortes de
convergência, com a crescente introdução de periódicos eletrônicos, que
conservam certas características dos periódicos tradicionais [...]
(MUELLER, 2000b, p. 81-82).

�4

Além da forma tradicional impressa, os principais periódicos passam
também a oferecer acesso on-line de seus textos completos. Surgia o periódico
eletrônico editado a intervalos regulares e distribuído na forma eletrônica ou
digital. Também surgem periódicos que são publicados somente em forma digital
(disquetes e CD-ROM). Com o advento da Internet, os periódicos técnicocientíficos armazenados na forma eletrônica podem ser consultados on-line.
Começam a aparecer empresas que criam enormes bases de dados e vendem
cópias de artigos ou permitem a importação (download) do arquivo que contenha
o artigo (CUNHA, 2001, p. 21).

3 NASCE O PORTAL.periodicos.CAPES
Considerando as restrições orçamentárias e o surgimento de novas
tecnologias, tornou-se necessário encontrar uma alternativa mais econômica e
racional para manter o PAAP.
Dutra e Lapolli relatam que:

Em 1999 [...] ocorreu forte articulação das IFES [Instituições Federais de
Ensino Superior] no sentido de viabilizar as aquisições de forma mais
econômica e eficiente. A partir desta perspectiva, considerando as
deficiências nas ações que vinham sendo desenvolvidas, associadas
aos desafios impostos por uma nova realidade levaram a CAPES a
promover amplo debate com representantes da comunidade acadêmica
e sociedade científica. Nas reuniões com a Associação Nacional de
Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior – ANDIFES, o
Fórum de Pró-Reitores de Pesquisa e Pós-Graduação – FOPROP e a
Comissão Brasileira de Bibliotecas Universitárias – CBBU, foram
definidas estratégias e linhas de ação do programa, que culminaram com
o estabelecimento de um consórcio nacional de acesso a periódicos
eletrônicos [...] (DUTRA; LAPOLLI, 2004, grifo nosso).

Assim, em novembro de 2000, a CAPES anuncia que irá reformular o
PAAP:
A partir de agora, a comunidade acadêmica de 71 IES brasileiras vão ter
acesso eletrônico integral ao conteúdo de periódicos internacionais por
meio de um portal na Internet. Essa é uma das reformulações do PAAP
da CAPES, anunciada hoje, 10 [...] Em vez de apoiar exclusivamente a
aquisição de periódicos impressos, por meio do repasse de
recursos, o programa passou a contar com novas linhas de ação
como forma de ampliar o acesso universalizado da comunidade
acadêmica à produção científica e tecnológica: o novo portal e o

�5

financiamento da montagem nas IES de ilhas de acesso ao portal.
(BRASIL, 2000, grifo nosso).

O acesso à informação científica e tecnológica mantido pelo PAAP passa
por uma revolução: a coleção de periódicos impressos na forma tradicional dá
espaço ao periódico eletrônico.
Na ocasião, o Portal beneficiou 550 mil professores e alunos de graduação
e pós-graduação com uma tecnologia que permitia a difusão e armazenamento da
informação de cerca de 1.500 títulos de periódicos. Portais dessa dimensão
existiam somente na China, Grã-Bretanha e Estados Unidos. (BRASIL, 2000).
Em 2004 o acervo de publicações científicas disponíveis no Portal
aumentou em 111% em comparação a 2003. No mesmo ano a CAPES iniciava
entendimentos com organizações latino-americanas visando a constituição de um
Portal de Periódicos do Mercosul para uma ação comum e fortalecimento das
condições de negociação dos países da região junto aos fornecedores e aos
editores (BRASIL, 2004a, 2004b).
Hoje, o PAAP beneficia mais de um milhão de alunos, professores,
pesquisadores e funcionários de 162 IES que podem acessar, transferir, copiar e
imprimir, em parte ou na íntegra, artigos de aproximadamente 9.400 periódicos
nacionais e internacionais, noventa bases de dados com referências e resumos
de todas as áreas do conhecimento, incluindo patentes. (BRASIL, c2005).
Atualmente o pesquisador tem acesso a texto integral de documentos de
seu interesse com maior rapidez e menor custo do que tinha há cerca de dez
anos, uma vez que a Internet, enquanto recurso educacional, disponibiliza dados
que se transformam em conhecimento (LIMA, 2000).

4 EFEITOS DO PORTAL NOS CURSOS DE PÓS-GRADUAÇÃO: UMA ANÁLISE
O

objetivo

deste

trabalho

é

analisar

como

o

uso

do

Portal.periodicos.CAPES contribuiu para a qualificação dos cursos de Pós-

�6

Graduação brasileiros em Administração/Turismo. Para tal, utilizou-se as
informações disponibilizadas pela CAPES referentes aos programas de pósgraduação, particularmente, as contidas nas Fichas de Avaliação de cada um
dos Programas de Pós-Graduação da Área de Avaliação Administração/Turismo,
utilizadas pela CAPES para analisar os cursos, referentes aos triênios 1998-2000
e 2001-2003.

4.1 METODOLOGIA E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS
Analisaram-se os cursos de Pós-Graduação em Administração/Turismo,
que compõem uma das 45 Áreas de Avaliação que tiveram seus resultados
divulgados pela CAPES. Utilizaram-se as informações contidas nas Fichas de
Avaliação aplicadas, para analisar cada um dos cursos, nos triênios 1998-2000 e
2001-2003 desde que tivessem sido avaliados em ambos os triênios. Destacamse três critérios de avaliação: (a) Atividades de Pesquisa, (b) Teses e
Dissertações e (c) Produção Intelectual. Também se analisou se houve
repercussão positiva no conceito final atingido pelos respectivos programas.
Ao todo foram avaliados 35 cursos de pós-graduação entre mestrado
acadêmico e profissional, e doutorado, de 28 IES. Destes, 16 cursos de pósgraduação são ministrados por 12 IES privadas, e 19 cursos de pós-graduação
são ministrados por 16 IES públicas.
As 12 IES privadas analisadas foram: FGV/RJ, FGV/SP, FVC, IBMEC,
PUC/PR, PUC/RIO, PUC/SP, UCS, UNIFOR, UNISINOS, UNIVALI e UPM (ver
Quadro 1).

�7

RESULTADOS DA COMPARAÇÃO DA AVALIAÇÃO 2001 (TRIÊNIO 1998/2000) COM A AVALIAÇÃO 2004 (TRIÊNIO 2001/2003) - IES PRIVADAS

TRIÊNIO DA
AVALIAÇÃO

CONCEITO
IES

PROGRAMA

CURSO

III

VI

BOM

REGULAR

VII

TENDÊNCIA
DOMINANTE

CONCEITO

BOM

BOM

4

2001

FGV/RJ

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA

2004

FGV/RJ

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA

MUITO BOM

BOM

MUITO BOM

MUITO BOM

5

2001

FGV/RJ

GESTÃO
EMPRESARIAL

GESTÃO
EMPRESARIAL

DEFICIENTE

REGULAR

DEFICIENTE

FRACO

2

2004

FGV/RJ

ADMINISTRAÇÃO

EXECUTIVO EM
GESTÃO
EMPRESARIAL

MUITO BOM

BOM

MUITO BOM

MUITO BOM

5

2001

FGV/SP

ADMINISTRAÇÃO
DE EMPRESAS

ADMINISTRAÇÃO
DE EMPRESAS

BOM

REGULAR

REGULAR

BOM

4

2004

FGV/SP

ADMINISTRAÇÃO
DE EMPRESAS

ADMINISTRAÇÃO
DE EMPRESAS

BOM

BOM

MUITO BOM

MUITO BOM

6

2004

FGV/SP

ADMINISTRAÇÃO
DE EMPRESAS

ADMINISTRAÇÃO
DE EMPRESAS

BOM

BOM

MUITO BOM

MUITO BOM

5

2001

FGV/SP

ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA E
GOVERNO

ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA E
GOVERNO

MUITO BOM

REGULAR

REGULAR

BOM

4

2004

FGV/SP

ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA E
GOVERNO

ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA E
GOVERNO

MUITO BOM

REGULAR

BOM

BOM

4

2001

FVC

CIÊNCIAS
CONTÁBEIS

CIÊNCIAS
CONTÁBEIS

BOM

NÃO APLICÁVEL

BOM

BOM

3

2004

FVC

CIÊNCIAS
CONTÁBEIS

CIÊNCIAS
CONTÁBEIS

FRACO

REGULAR

DEFICIENTE

DEFICIENTE

1

2001

IBMEC

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

NÃO
APLICÁVEL

NÃO APLICÁVEL

REGULAR

REGULAR

3

2004

IBMEC

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

MUITO BOM

MUITO BOM

REGULAR

BOM

4

2001

PUC/PR

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

BOM

NÃO APLICÁVEL

DEFICIENTE

BOM

3

2004

PUC/PR

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

MUITO BOM

MUITO BOM

BOM

MUITO BOM

5

2001

PUC/RIO

ADMINISTRAÇÃO
DE EMPRESAS

ADMINISTRAÇÃO
DE EMPRESAS

BOM

REGULAR

BOM

BOM

4

2004

PUC/RIO

ADMINISTRAÇÃO
DE EMPRESAS

ADMINISTRAÇÃO
DE EMPRESAS

BOM

MUITO BOM

MUITO BOM

MUITO BOM

5

2001

PUC/SP

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

REGULAR

BOM

REGULAR

REGULAR

3

2004

PUC/SP

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

REGULAR

MUITO BOM

BOM

BOM

4

2001

PUC/SP

CIÊNCIAS
CONTÁBEIS E
ATUARIAIS

CIÊNCIAS
CONTÁBEIS E
ATUARIAIS

REGULAR

BOM

REGULAR

REGULAR

3

2004

PUC/SP

CIÊNCIAS
CONTÁBEIS E
ATUARIAIS

CIÊNCIAS
CONTÁBEIS E
ATUARIAIS

BOM

BOM

BOM

BOM

4

2001

UCS

TURISMO

TURISMO

MUITO BOM

NÃO APLICÁVEL

REGULAR

REGULAR

3

2004

UCS

TURISMO

TURISMO

REGULAR

MUITO BOM

REGULAR

REGULAR

3

2001

UNIFOR

ADMINISTRAÇÃO
DE EMPRESAS

ADMINISTRAÇÃO
DE EMPRESAS

REGULAR

BOM

DEFICIENTE

REGULAR

3

2004

UNIFOR

ADMINISTRAÇÃO
DE EMPRESAS

ADMINISTRAÇÃO
DE EMPRESAS

REGULAR

MUITO BOM

REGULAR

FRACO

3

2001

UNISINOS

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

BOM

NÃO APLICÁVEL

BOM

BOM

3

2004

UNISINOS

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

BOM

MUITO BOM

BOM

BOM

4

2001

UNISINOS

CIÊNCIAS
CONTÁBEIS

CIÊNCIAS
CONTÁBEIS

BOM

NÃO APLICÁVEL

REGULAR

REGULAR

3

2004

UNISINOS

CIÊNCIAS
CONTÁBEIS

CIÊNCIAS
CONTÁBEIS

REGULAR

BOM

REGULAR

BOM

3

2001

UNIVALI

TURISMO E
HOTELARIA

TURISMO E
HOTELARIA

REGULAR

REGULAR

FRACO

REGULAR

3

2004

UNIVALI

TURISMO E
HOTELARIA

TURISMO E
HOTELARIA

REGULAR

BOM

REGULAR

REGULAR

3

2001

UPM

ADMINISTRAÇÃO
DE EMPRESAS

ADMINISTRAÇÃO
DE EMPRESAS

BOM

NÃO APLICÁVEL

MUITO BOM

BOM

4

2004

UPM

ADMINISTRAÇÃO
DE EMPRESAS

ADMINISTRAÇÃO
DE EMPRESAS

BOM

MUITO BOM

MUITO BOM

MUITO BOM

5

Quadro 1 – Resumo dos resultados da comparação da Avaliação CAPES 2001 com a
Avaliação CAPES 2004 – IES PRIVADAS
Fonte: Adaptado pela autora (BRASIL, 2001, 2004).
Legenda: III - Atividade de Pesquisa; VI - Teses e Dissertações; VII - Produção Intelectual

�8

São 16 as IES públicas que obedecem ao critério estabelecido neste
ensaio: FJP, FURB, UEM, UERJ, UFBA, UFLA, UFMG, UFPB/JP, UFPE, UFPR,
UFRGS, UFRJ, UFRN, UFSC, UnB, e USP. Estas 16 Instituições de Ensino
Superior oferecem 19 cursos de pós-graduação em Administração/Turismo (ver
Quadro 2).
RESULTADOS DA COMPARAÇÃO DA AVALIAÇÃO 2001 (TRIÊNIO 1998/2000) COM A AVALIAÇÃO 2004 (TRIÊNIO 2001/2003) - IES PÚBLICAS

TRIÊNIO DA
AVALIAÇÃO

CONCEITO
IES

PROGRAMA

CURSO

FJP

ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA

ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA

REGULAR

REGULAR

2004

FJP

ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA

ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA

BOM

2001

FURB

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

FRACO

2004

FURB

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

BOM

MUITO BOM

REGULAR

BOM

3

2001

UEM

ADMINISTRAÇÃO UEM/UEL

ADMINISTRAÇÃO

DEFICIENTE

NÃO APLICÁVEL

DEFICIENTE

REGULAR

3

2004

UEM

ADMINISTRAÇÃO UEM/UEL

ADMINISTRAÇÃO

FRACO

MUITO BOM

FRACO

FRACO

3

UERJ

CIÊNCIAS
CONTÁBEIS

CIÊNCIAS
CONTÁBEIS

BOM

REGULAR

DEFICIENTE

REGULAR

3

2004

UERJ

CIÊNCIAS
CONTÁBEIS

CIÊNCIAS
CONTÁBEIS

REGULAR

REGULAR

DEFICIENTE

FRACO

2

2001

UFBA

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

MUITO BOM

BOM

MUITO BOM

MUITO BOM

5

2004

UFBA

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

MUITO BOM

BOM

MUITO BOM

MUITO BOM

5

2001

UFLA

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

MUITO BOM

BOM

BOM

BOM

4

2004

UFLA

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

BOM

MUITO BOM

BOM

BOM

4

2001

UFMG

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

MUITO BOM

MUITO BOM

MUITO BOM

MUITO BOM

5

2004

UFMG

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

MUITO BOM

MUITO BOM

MUITO BOM

MUITO BOM

5

2001

UFPB/J.P.

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

BOM

REGULAR

REGULAR

BOM

3

2004

UFPB/J.P.

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

REGULAR

FRACO

FRACO

FRACO

3

2001

2001

III

VI

VII

TENDÊNCIA
DOMINANTE

CONCEITO

FRACO

REGULAR

3

MUITO BOM

FRACO

FRACO

3

MUITO BOM

FRACO

REGULAR

3

2001

UFPE

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

BOM

REGULAR

BOM

BOM

4

2004

UFPE

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

BOM

MUITO BOM

MUITO BOM

MUITO BOM

5

2001

UFPR

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

MUITO BOM

MUITO BOM

BOM

MUITO BOM

5

2004

UFPR

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

MUITO BOM

MUITO BOM

MUITO BOM

MUITO BOM

5

2001

UFRGS

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

MUITO BOM

MUITO BOM

MUITO BOM

MUITO BOM

5

2004

UFRGS

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

MUITO BOM

MUITO BOM

MUITO BOM

MUITO BOM

6

2001

UFRJ

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

MUITO BOM

REGULAR

MUITO BOM

MUITO BOM

5

2004

UFRJ

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

MUITO BOM

MUITO BOM

MUITO BOM

MUITO BOM

5

UFRJ

CIÊNCIAS
CONTÁBEIS

CIÊNCIAS
CONTÁBEIS

REGULAR

REGULAR

FRACO

REGULAR

3

2004

UFRJ

CIÊNCIAS
CONTÁBEIS

CIÊNCIAS
CONTÁBEIS

REGULAR

REGULAR

REGULAR

REGULAR

3

2001

UFRN

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

DEFICIENTE

REGULAR

FRACO

REGULAR

3

2004

UFRN

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

BOM

BOM

REGULAR

BOM

4

2001

UFSC

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

REGULAR

REGULAR

FRACO

REGULAR

3

2004

UFSC

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

REGULAR

BOM

REGULAR

REGULAR

3

2001

2001

UNB

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

REGULAR

REGULAR

REGULAR

REGULAR

3

2004

UNB

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

MUITO BOM

MUITO BOM

BOM

BOM

4

UNB

CIÊNCIAS
CONTÁBEIS

CIÊNCIAS
CONTÁBEIS

REGULAR

NÃO APLICÁVEL

REGULAR

REGULAR

3

UNB

CIÊNCIAS
CONTÁBEIS

CIÊNCIAS
CONTÁBEIS

BOM

MUITO BOM

BOM

BOM

4

2001
2004

Continua...

�9

RESULTADOS DA COMPARAÇÃO DA AVALIAÇÃO 2001 (TRIÊNIO 1998/2000) COM A AVALIAÇÃO 2004 (TRIÊNIO 2001/2003) - IES PÚBLICAS
CONCEITO

TRIÊNIO DA
AVALIAÇÃO

IES

PROGRAMA

CURSO

III

VI

VII

TENDÊNCIA
DOMINANTE

CONCEITO

Continuação.
2001

USP

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

REGULAR

REGULAR

BOM

BOM

4

2004

USP

ADMINISTRAÇÃO

ADMINISTRAÇÃO

MUITO BOM

BOM

MUITO BOM

MUITO BOM

6

USP

CONTROLADORIA E
CONTABILIDADE

CONTROLADORIA E
CONTABILIDADE

BOM

REGULAR

REGULAR

REGULAR

3

USP

CONTROLADORIA E
CONTABILIDADE

CONTROLADORIA E
CONTABILIDADE

MUITO BOM

BOM

MUITO BOM

MUITO BOM

5

2001
2004

Quadro 2 – Resumo dos resultados da comparação da Avaliação CAPES 2001 com a
Avaliação CAPES 2004 – IES PÚBLICAS
Fonte: Adaptado pela autora (BRASIL, 2001, 2004).
Legenda: III - Atividade de Pesquisa; VI - Teses e Dissertações; VII - Produção Intelectual

A seguir, na Tabela 1 apresenta-se o resumo das compilações dos dois
triênios das IES privadas estudadas.
Tabela 1 – Desempenho das avaliações das IES privadas
Atividades de Pesquisa
Avaliação
Nº

Melhorou

4

IES

%

Nº

25,00

FGV/RJ (2)
PUC/SP (1)
PUC/PR (1)

Manteve

8

50,00

FGV/SP (2)
PUC/RIO (1)
PUC/SP (1)
UNISINOS (1)
UNIFOR (1)
UNIVALI (1)
UPM (1)

Rebaixou

3

18,75

UNISINOS (1)
FVC (1)
UCS (1)

Não aplicável

1

6,25

Total

16

100,00

Teses e Dissertações
Avaliação

IBMEC (1)

IES

%

Nº

43,75

FGV/RJ (2)
FGV/SP (1)
PUC/RIO (1)
PUC/SP (1)
UNIFOR (1)
UNIVALI (1)

2

12,50

FGV/SP (1)
PUC/SP (1)

0

0,00

7

7

43,75

16

100,00

Produção Intelectual
Avaliação

UNISINOS (2)
FVC (1)
IBMEC (1)
UPM (1)
PUC/PR (1)
UCS (1)

IES

%

Nº

62,50

FGV/RJ (2)
FGV/SP (2)
PUC/RIO (1)
PUC/SP (2)
UNIFOR (1)
UNIVALI (1)
PUC/PR (1)

5

31,25

UNISINOS (2)
IBMEC (1)
UPM (1)
UCS (1)

1

6,25

FVC (1)

0

16

10

Conceito
Avaliação

IES

%

56,25

FGV/RJ (2)
PUC/RIO (1)
PUC/SP (2)
UNISINOS (1)
IBMEC (1)
UPM (1)
PUC/PR (1)

6

37,50

FGV/SP (2)
UNISINOS (1)
UNIFOR (1)
UNIVALI (1)
UCS (1)

1

6,25

FVC (1)

0,00

0

0,00

100,00

16

100,00

9

Fonte: Dados da pesquisa.

O critério Atividades de Pesquisa apresenta o seguinte resultado: 4
melhoraram o conceito (2 da FGV/RJ, 1 da PUC/SP, 1 da PUC/PR), 8 mantiveram
o mesmo conceito (2 da FGV/SP, 1 da PUC/RIO, 1 da PUC/SP, 1 da UNISINOS,
1 da UNIFOR, 1 da UNIVALI e 1 da UPM), 3 obtiveram conceito inferior ao
observado no primeiro triênio (1 da UNISINOS, 1 da FVC, 1 da UCS) e 1
apresenta o conceito como não aplicável (1 do IBEMC).

�10

No critério Teses e Dissertações, somente 7 IES e 9 cursos foram
analisados, já que na UNISINOS, FVC, IBMEC, UPM PUC/PR e UCS, na
avaliação do primeiro triênio (2001), este critério aparecia como não aplicável (os
cursos iniciaram em 2000). Os resultados observados foram de melhoria no
conceito para 7 cursos (2 da FGV/RJ, 1 da FGV/SP, 1 da PUC/RIO, 1 da
PUC/SP, 1 da UNIFOR e 1 da UNIVALI) e manutenção do conceito para 2 cursos
(1 da FGV/SP e 1 da PUC/SP).
No critério de avaliação Produção Intelectual, dos 16 cursos avaliados 10,
melhoraram seu conceito (2 da FGV/RJ, 2 da FGV/SP, 1 da PUC/RIO, 2 da
PUC/SP, 1 da UNIFOR, 1 da UNIVALI, e 1 da PUC/PR), 5 mantiveram o mesmo
conceito (2 da UNISINOS, 1 do IBMEC, 1 da UPM e 1 da UCS) e 1 obteve um
conceito desfavorável (1 da FVC) ao apresentado no triênio 2001.

O Conceito para estes 16 cursos foi de melhoria para 9 deles (2 da
FGV/RJ, 1 da PUC/RIO, 2 da PUC/SP, 1 da UNISINOS, 1 do IBMEC, 1 da UPM e
1 da PUC/PR), manutenção para 6 deles (2 da FGV/SP, 1 da UNISINOS, 1 da
UNIFOR, 1 da UNIVALI e 1 da UCS) e rebaixamento do conceito para 1 deles (FVC).

A seguir, na Tabela 2 apresenta-se o resumo das compilações dos dois
triênios das IES públicas estudadas.

�11

Tabela 2 – Desempenho das avaliações das IES públicas
Atividades de Pesquisa
Avaliação
Nº

Melhorou

8

Teses e Dissertações
Avaliação

IES

%

Nº

42,11

FJP (1)
FURB (1)
UEM (1)
UFRN (1)
UnB (2)
USP (2)

IES

%

Nº

7

36,84

FJP (1)
UERJ (1)
UFBA (1)
UFLA (1)
UFMG (1)
UFRGS (1)
UFRJ (1)

UFPB/JP (1)

1

5,26

UFPB/JP (1)

UEM (1)
UnB (1)

0
19

7

36,84

FURB (1)
UERJ (1)
UFBA (1)
UFMG (1)
UFPR (1)
UFRGS (1)
UFRJ (1)

1

5,26

Manteve

8

42,11

UFBA (1)
UFMG (1)
UFPE (1)
UFPR (1)
UFRGS (1)
UFRJ (2)
UFSC (1)

Rebaixou

3

15,79

UERJ (1)
UFLA (1)
UFPB/JP (1)

Não aplicável

0

0,00

2

10,53

Total

19

100,00

19

100,00

Nº

57,89

47,37

11

Conceito
Avaliação

IES

%
FURB (1)
UEM (1)
UFPE (1)
UFPR (1)
UFRJ (1)
UFRN (1)
UFSC (1)
UnB (2)
USP (2)

FJP (1)
UFLA (1)
UFPE (1)
UFRJ (1)
UFRN (1)
UFSC (1)
UnB (1)
USP (2)

9

Produção Intelectual
Avaliação

IES

%

36,84

UFPE (1)
UFRGS (1)
UFRN (1)
UnB (2)
USP (2)

11

57,89

FJP (1)
FURB (1)
UEM (1)
UFBA (1)
UFLA (1)
UFMG (1)
UFPB/JP (1)
UFPR (1)
UFRJ (2)
UFSC (1)

1

5,26

0,00

0

0,00

100,00

19

100,00

7

UERJ (1)

Fonte: Dados da pesquisa.

No critério de avaliação Atividades de Pesquisa, os 19 cursos de pósgraduação obtiveram o seguinte resultado: 8 melhoraram o conceito (1 da FJP, 1
da FURB, 1 da UEM, 1 da UFRN, 2 da UnB e 2 da USP), 8 mantiveram o mesmo
conceito (1 da UFBA, 1 da UFMG, 1 da UFPE, 1 da UFPR, 1 da UFRGS, 2 da
UFRJ e 1 da UFSC) e 3 obtiveram conceito inferior (UERJ, UFLA e UFPB/JP) ao
observado no primeiro triênio.

No critério Teses e Dissertações, somente 17 cursos foram analisados, já
que, na UEM e na UnB (Ciências Contábeis), na avaliação do primeiro triênio,
este critério aparecia como não aplicável (os cursos iniciaram em 2000). Os
resultados observados foram de melhoria no conceito para 9 cursos (1 da FJP, 1
da UFLA, 1 da UFPE, 1 da UFRJ, 1 da UFRN, 1 da UFSC, 1 da UnB e 2 da USP),
manutenção do conceito para 7 cursos (FURB, UERJ, UFBA, UFMG, UFPR,
UFRGS e UFRJ) e 1 curso (UFPB/JP) apresentou rebaixamento do conceito.

No critério de avaliação Produção Intelectual, dos 19 cursos avaliados, 11
melhoraram seu conceito (1 da FURB, 1 da UEM, 1 da UFPE, 1 da UFPR, 1 da

�12

UFRJ, 1 da UFRN, 1 da UFSC, 2 da UnB e 2 USP), 7 mantiveram o mesmo
conceito (FJP, UERJ, UFBA, UFLA, UFMG, UFRGS e UFRJ) e 1 rebaixou
(UFPB/JP) em relação ao conceito apresentado no triênio 2001.

O Conceito para estes 19 cursos foi de melhoria para 7 (1 da UFPE, 1 da
UFRGS, 1 da UFRN, 2 da UnB e 2 da USP), manutenção do conceito para 11 (1
da FJP, 1 da FURB, 1 da UEM, 1 da UFBA, 1 da UFLA, 1 da UFMG, 1 da
UFPB/JP, 1 da UFPR, 2 da UFRJ e 1 da UFSC)e rebaixamento do conceito para
1 deles (UERJ).

5 CONCLUSÃO

Na Tabela 3, compara-se o desempenho das avaliações feitas nas IES
públicas e nas IES privadas, nos critérios selecionados.
Tabela 3 – Resumo do desempenho das avaliações das IES públicas e privadas
Atividades de Pesquisa
Pub.
Melhorou

8

%
42,11

Priv.
4

Teses e Dissertações

%
25,00

Pub.

%

9

47,37

Priv.

Produção Intelectual
%

7

43,75

Pub.

%

11

57,90

Priv.

Conceito
%

Pub.

%

10

62,50

7

36,84

Priv.

%

9

56,25
37,50

Manteve

8

42,11

8

50,00

7

36,84

2

12,50

7

36,84

5

31,25

11

57,90

6

Rebaixou

3

15,78

3

18,75

1

5,26

0

0,00

1

5,26

1

6,25

1

5,26

1

6,25

Não aplicável

0

0,00

1

6,25

2

10,53

7

43,75

0

0,00

0

0,00

0

0,00

0

0,00

Total

19

100,00

16

100,00

19

100,00

16

100,00

19

100,00

16

100,00

19

100,00

16

100,00

Fonte: Dados da pesquisa.

Comparam-se as avaliações dos cursos de pós-graduação das IES
públicas e privadas, antes (2001) e após (2004) o acesso ao Portal CAPES, e
constatou-se que:

a) no critério de avaliação Atividades de Pesquisa, os cursos de pósgraduação das IES privadas apresentaram desempenho desfavorável em
relação aos cursos de pós-graduação das IES públicas;
b) no critério de avaliação Teses e Dissertações, apesar de não aplicável
a 9 cursos de pós-graduação (7 de IES privadas – UNISINOS, FVC,

�13

IBMEC, UPM, PUC/PR e UCS – e de IES 2 públicas – UEM e UnB),
percebeu-se uma melhora ou manutenção (somados estes indicadores
apresentam 84,21% do total) deste critério nos cursos de pós-graduação
das IES públicas. Nos cursos de pós-graduação das IES privadas, a
mesma soma representa 56,25% do total. A determinação do MEC, para
que as IES que oferecem cursos de pós-graduação disponibilizem, até o
fim do ano, na Internet todas as teses e dissertações defendidas a partir de
março de 2006 no Portal Domínio Público, mostra a importância da
melhora neste critério, uma vez que a produção científica nacional, a partir
dessa

data

deve

estar

facilmente

disponível

para

o

mundo

(DISSERTAÇÕES..., 2006).
c) o critério de avaliação Produção Intelectual, tanto nos cursos de pósgraduação das IES privadas quanto das IES públicas, tem um alto índice
de melhora e de manutenção (se somados estes indicadores chegam a
93,75% nos cursos de pós-graduação privados e 94,73% nos públicos) do
conceito, comparando o desempenho entre os dois triênios.
d) o Conceito, nos cursos de pós-graduação da IES privadas apresenta
uma melhora na avaliação superior a dos cursos de pós-graduação das
IES públicas. Se considerar a soma dos conceitos, melhorou e manteve (se
somados estes indicadores chegam a 93,75% nos cursos de pósgraduação privados e 94,73% nos cursos públicos) observa-se que a
maioria

das

IES

com

programas

de

pós-graduação

em

Administração/Turismo está qualificando seus cursos de pós-graduação.

Mas afinal, quais os efeitos do Portal.periodicos. no desempenho das
avaliações feitas pela CAPES em 2001 e 2004 nos cursos de pós-graduação em
Administração/Turismo? A análise dos dados, apesar da pequena amostra,
possibilitou constatar que o efeito do Portal, nos critérios de avaliação
selecionados, é positivo.

A criação do Portal parece ser decisiva para o incremento da qualidade,
produtividade e competitividade dos cursos de pós-graduação das IES. A

�14

praticidade da informação tecnológica disponível imediatamente após a sua
publicação e a possibilidade de comunicação instantânea das informações
científicas relevantes para o pesquisador, que pode acessar a página de qualquer
terminal ligado à Internet localizado nas IES, ou em terminais por elas
autorizados, torna o Portal uma ferramenta de pesquisa imprescindível. Sua
permanência e desenvolvimento mostra-se de suma importância para o
crescimento de todos os programas de pós-graduação, de pesquisa e de
graduação do País. Aliada a esta facilidade de acesso, obteve-se, ainda, a
redução significativa nos investimentos feito pela União na aquisição do material
bibliográfico e otimização dos recursos informacionais mantidos pelo PAAP,
permitindo uma equivalência de acesso ao periódico técnico-científico em todas
as regiões brasileiras.

REFERÊNCIAS

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SOCIAL. Site do MEC democratiza acesso a texto científico. 2000. Disponível
em: http://www.mec.gov.br/acs/asp/noticias/noticiasId.asp?Id=534. Acesso em 20
abr. 2006.
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SOCIAL. Capes articula criação de Portal-Periódicos do Mercosul. 2004a.
Disponível em: http://www.mec.gov.br/acs/asp/noticias/noticiasId.asp?Id=5398.
Acesso em 24 abr. 2006.
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Acesso em 24 abr. 2006.
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APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR. Avaliação:
acompanhamento anual – Av. Trienal 2001. Disponível em:
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�15

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APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR. Avaliação:
acompanhamento anual - Av. Trienal 2004. Disponível em:
http://www.capes.gov.br/capes/portal/.Acesso em 11 abr. 2006.
BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. COORDENAÇÃO DE
APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR. Programa de
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tecnologia. Brasília: Briquet de Lemos Livros, 2001.
DISSERTAÇÕES e teses de todo o país poderão ser consultadas na Internet.
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Acesso em: 19 abr.2006.
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NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS. 13., 2004, Natal. Anais...
Natal: UFRN, 2004. 1 CD-ROM.
JURIC, Marco Túllio Azevedo; MARTINS, Maria de Fátima Moreira. A antecipação
ás recomendações do Portal .periodicos. CAPES: a experiência da Biblioteca
Central do CCS/UFRJ. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS. 13., 2004, Natal. Anais... Natal: UFRN, 2004. 1 CD-ROM.
LIMA, Frederico O. A sociedade digital: impacto da tecnologia na sociedade, na
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competitividade e políticas públicas. Revista de Administração de Empresas,
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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                <elementText elementTextId="51381">
                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Publisher</name>
              <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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                  <text>UFBA</text>
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              <name>Coverage</name>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <name>Title</name>
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                <text>O Portal.periodicos da CAPES e a pós-graduação em administração/turismo.</text>
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            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                <text>Salvador (Bahia)</text>
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            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
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            <description>An account of the resource</description>
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                <text>As novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) facilitaram e ampliaram o acesso à informação. Entre as novas TIC, a que causou maior impacto foi a Internet. Esta ferramenta tecnológica democratizou o acesso ao conhecimento. Nas universidades, as TIC foram incorporadas ao cotidiano do ensino, da pesquisa e da extensão. Entre as mais importantes ferramentas de pesquisa acadêmica brasileira na Internet está o Portal.periodicos. da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). O Portal possibilita a atualização científica e tecnológica em diversas áreas do conhecimento, apresentando várias fontes de informação em texto completo. O objetivo deste trabalho é mostrar como o uso do Portal tem contribuído para a qualificação dos cursos de Pós-Graduação brasileiros em Administração/ Turismo, uma das 45 Áreas de Avaliação que tiveram seus resultados divulgados pela cada um dos Programas de Pós-Graduação em Administração/Turismo utilizadas pela CAPES para analisar os cursos, referente aos triênios 1998-2000 e 2001-2003. Três critérios de avaliação do programa são analisados: (a) atividades de pesquisa, (b) teses e dissertações e (c) produção intelectual. Avalia-se, ainda, se houve repercussão positiva no conceito final atingido pelos respectivos programas nas avaliações realizadas.</text>
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                    <text>O PROCESSO DE ESCOLHA DE SOFTWARES NAS BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS DE SÃO LUÍS-MA
Cenidalva Miranda de Sousa Teixeira
Departamento de Biblioteconomia
Universidade Federal do Maranhão
Campus do Bacanga - São Luís - 65001-100 - MA - Brasil
ceni@ufma.br
Joseane Cantanhede
Departamento de Biblioteconomia
Universidade Federal do Maranhão
Campus do Bacanga - São Luís - 65001-100 - MA - Brasil
joseanecant@yahoo.com.br

RESUMO
Os procedimentos utilizados durante a escolha dos sistemas automatizados para
gerenciamento de bibliotecas são bastante complexos. Nesta pesquisa, aborda-se
um estudo sobre o uso desses procedimentos nas Unidades Informacionais
Universitárias em São Luís-MA. A amostra estudada compôs-se de sete
bibliotecas, em que a implantação dessa tecnologia foi proporcionada pela
facilidade de acesso à microinformática, tanto em termos de hardwares quanto de
softwares, acelerando o desenvolvimento dos sistemas computadorizados de
gerenciamento de bibliotecas. Foi utilizado como instrumento metodológico um
levantamento documental sobre o assunto abordado, aplicação de questionário e
análise dos dados encontrados durante o desenvolvimento da pesquisa. Mostramse os aspectos determinantes de escolha dos sistemas além de conhecer a
política de gerenciamento da informação nas unidades pesquisadas.
Palavras-chave: Gerenciamento de bibliotecas. Software para bibliotecas.
Biblioteca universitária  São Luís.
1 INTRODUÇÃO
A consolidação das novas tecnologias da informação desde a década
de oitenta, período em que ocorreu o boom do parque computacional em todo
mundo, bem como os avanços da informática e das telecomunicações, tem
beneficiado profundamente o campo da documentação e serviços de informação
nos mais diversos segmentos da sociedade. No âmbito da produção intelectual,

�preservação e compartilhamento do saber humano, as bibliotecas modificaram
categoricamente a forma de se organizar e administrar todas as atividades de
processamento, recuperação e disseminação de suas informações.

Com o fluxo cada vez maior de informação, as bibliotecas adotaram
sistemas

de

gerenciamento

de

suas

atividades

operacionalizadas

por

computadores baseadas nas perspectivas inovadoras dessa área, bem como a
facilidade de acesso à microinformática, tanto em termos de hardware quanto
software acelerando o desenvolvimento dos sistemas informatizados de
gerenciamento das unidades de informação em geral. Sendo assim, existe uma
necessidade muito grande de conhecer os estágios de automação em bibliotecas
e observar as estruturas das organizações a fim de aplicar de maneira eficiente às
novas tecnologias disponíveis no mercado.

A

complexidade

de

entendimento

sobre

todos

os

elementos

necessários na implantação de um sistema coloca em evidência às reais
necessidades de uma biblioteca, na medida em que as tomadas de decisões
devem ser analisadas sistematicamente obedecendo a situações específicas.
Mediante este contexto, o presente trabalho elegeu a biblioteca universitária como
campo de estudo com o objetivo de estudar os procedimentos metodológicos
utilizados na escolha de sistemas automatizados nas bibliotecas universitárias de
São Luís-MA.

2 REVISÃO DE LITERATURA

As últimas décadas do século XX caracterizaram-se pela introdução
das novas tecnologias de informação dando início ao que os estudiosos
denominaram de Revolução Tecnológica, cujos processos de produção, os
serviços, a informação e, a própria ciência e tecnologia, tendem a ser
revolucionado pelas mudanças em curso (ARCHER, 1990).

�Através das novas tecnologias de informação produzidas pela evolução
das tecnologias de telecomunicações, surge uma nova conjuntura mundial
baseada no capitalismo informacional gerado pelo mercado global, onde a
produtividade

depende

de

novas

tecnologias

de

geração

de

novos

conhecimentos, de processamento da informação e da comunicação de símbolos
(CASTELLS, 1999, p. 35). A informação e o conhecimento constituem elementos
chaves para garantir e potencializar o desenvolvimento do processo na produção
de bens e serviços, almejando um nível maior e mais complexo no desempenho
da qualidade dos recursos informacionais disponíveis no mercado.

Com o crescimento contínuo das áreas do conhecimento e o advento
de novas tecnologias, torna-se inevitável a adoção da automação nos processos
de uma biblioteca, objetivando a recuperação da informação bem como sua
disseminação de forma rápida e precisa. A característica mais marcante desse
processo é, sem dúvida, o peso que adquire o conhecimento tanto para se
perceber o esgotamento de antigos paradigmas, quanto entender os desafios
impostos pela nova conjuntura informacional implicando na geração de idéias
adequadas às exigências do movimento de transformação social.

Segundo Rowley (1994, p. 3) a introdução dos computadores nas
bibliotecas resultou em padronização, aumento da eficiência, cooperação e
melhores serviços. Diante dessa afirmativa, é importante salientar que o uso de
tecnologias de informação é o meio para otimização de processos e não o fim.
Para tanto, o armazenamento, recuperação e transmissão de informações deve-se
ao estabelecimento de uma sistemática comprometida com a democratização do
acesso à informação.

É inevitável ignorar a realidade e benefícios que as inovações
tecnológicas predispõem a organização dos serviços das bibliotecas; porém, a
adoção de sistemas de gerenciamento automatizando de forma eficiente uma
biblioteca não é tarefa fácil. A diversidade de sistemas, suas peculiaridades e,

�principalmente,

a

agilização

dos

serviços

dificulta

esse

trabalho

no

acompanhamento desse novo cenário a ser dado no tratamento da informação.

Com a instalação desse novo cenário, provocado pelo desenvolvimento
tecnológico, dinamicidade da ciência e qualificação dos usuários ao interagirem
com os aparatos informacionais, tem pressionado as unidades de informação a
integrarem modernas tecnologias da informação para otimização dos seus
serviços. A maioria das bibliotecas universitárias possui sistemas informatizados, a
extensão dessa informatização pode variar entre as bibliotecas dependendo da
disponibilidade de recursos e outros fatores peculiares à instituição que está
inserida. Costa (1994, p. 327) alerta que:
As bibliotecas contemporâneas convivem com sérios conflitos
organizacionais, orçamentos reduzido e pessoal insuficiente para o
desempenho de suas funções atuais e tem enfrentado os desafios
oriundos das transformações socioculturais, incorporando o novo papel
que lhes cabe na transferência de conhecimentos e informações.

A modernização das bibliotecas está diretamente relacionada ao
processo de automação vivenciado pela instituição, na medida que, um sistema
informatizado dinamiza todas as etapas do ciclo documental. As atividades de
gerenciamento de bibliotecas envolvem intrinsecamente o controle do acervo.
Esses sistemas suportam a seleção, aquisição, etiquetagem, catalogação,
controle gerencial e de circulação do acervo das bibliotecas. Porém, existem
outras funções que atuam fundamentalmente como fontes de informação
disseminando dados sobre o estado do acervo, a biblioteca universitária deve
voltar sua atenção para o processo de disseminação da informação como um
ponto focal do espaço de gerenciamento de informação. (AROUCK; MACIEL,
1994, p. 302).
As primeiras iniciativas em desenvolver sistemas de gerenciamento de
bibliotecas somente foram possíveis devido a participação das bibliotecas
interessadas em otimizar seus serviços levadas pela economia que os trabalhos
cooperativos proporcionam. Os sistemas informatizados podem apresentar um

�custo razoável e eficiente proporcionando a introdução de serviços antes
inexistentes na unidade de informação.
A biblioteca pode determinar seus próprios requisitos funcionais para
implementação de tecnologias, bem como a performance das principais funções a
serem utilizadas. Côrte (1999, p. 242) enfatiza que a modernização das
bibliotecas está diretamente ligada à automação de rotinas e serviços, com o
intuito de implantar uma infra-estrutura de comunicação pelo usuário. Assim, ao
informatizar uma biblioteca é importante identificar sua cultura e objetivos;
conhecer as características essenciais dessa unidade; sua abrangência temática e
processamento técnico dos itens existentes e desejáveis desse acervo.
O cenário indica que as bibliotecas e arquivos quiserem oferecer melhor
serviço aos usuários e cumprir sua missão, necessário se torna
acompanhar passo a passo o desenvolvimento da sociedade [...] adaptar
as tecnologias às necessidades e quantidades de informação de que
dispõem, e utilizar um sistema informatizado que privilegie todas as
etapas do ciclo documental, onde a escolha recai sobre uma ferramenta
que contemple os recursos hoje disponíveis, sem se tornar obsoleta a
médio e longo prazo (CÔRTE, 2002, p. 25).

3 PERCURSO METODOLÓGICO DA PESQUISA

Com base nos objetivos propostos a pesquisa é de natureza
exploratória e descritiva e foi desenvolvida com a adoção dos seguintes
procedimentos

técnicos:

pesquisa

bibliográfica

visando

estabelecer

a

fundamentação teórica da temática e pesquisa de campo, com amostragem de 7
(sete) bibliotecas universitárias na cidade de São Luís, que compreende
aproximadamente

90% do Universo. O instrumento de coleta de dados foi o

questionário com questões abertas e fechadas. Inicialmente fez-se uma prétestagem, com vistas à validação dos dados coletados, em seguida foi aplicado na
amostragem como um todo. Durante a aplicação do questionário foi possível expor
e esclarecer os objetivos da pesquisa, obtendo assim o índice de 100% (cem por
cento) de retorno.

�Para o processo de análise, foram selecionadas algumas questões
consideradas mais representativas para o estudo. Os dados coletados através da
aplicação dos questionários foram organizados e apresentados sob a forma de
tabela.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Das unidades informacionais pesquisadas 6 (85,7%) totalmente
automatizadas, enquanto que somente (1) biblioteca pertencente a uma instituição
de cunho federal encontra-se ainda em fase de implantação (revisão das
informações alimentadas na base de dados). O principal motivo dessa unidade
fazer parte da amostragem, diz respeito ao propósito desta pesquisa: estudar os
procedimentos utilizados durante a escolha do sistema automatizado para o
gerenciamento da biblioteca. Nessa instituição esta etapa foi totalmente concluída,
validando assim, nosso estudo.

Quanto ao número de funcionários lotados nas bibliotecas, verificou-se
que 3 (três) instituições possuem de 5 a 10 colaboradores que correspondem a
42,8% do universo pesquisado, e os outros 57,2% informaram ter mais de 10
funcionários, caracterizando uma complexidade de gerenciamento dos recursos
humanos.

Bertucci (1998, p. 22) compreende que ao distribuir responsabilidades
entre pessoas qualificadas, para que realizem diferentes etapas do trabalho
requerido por uma biblioteca, é uma forma de contribuir para que o ensino de boa
qualidade e pesquisa significativa sejam realizados. Sendo assim, ao optar-se por
um sistema de gerenciamento de biblioteca é imprescindível envolver todos os
funcionários na nova filosofia de trabalho, onde o sistema será o instrumento que
aliado com o conhecimento da equipe garantirá sucesso nas transações do ciclo
informacional desta instituição.

�Verificou-se ainda, a formação acadêmica dos gerentes das bibliotecas
universitárias ludovicenses, todos são bacharéis em Biblioteconomia. Destes, em
sua maioria, possuem especializações, com destaques nas áreas de Metodologia
do Ensino Superior; Ciências da Informação e Administração de Bibliotecas.

Os gerentes das unidades informacionais pesquisadas compreendem
que a atuação do profissional da informação depende da interação com as
ferramentas tecnológicas que proporcionam o desenvolvimento de inúmeras
atividades com características biblioteconômicas bem como gerenciamento dessa
unidade. A complexidade desse cenário adverte que o bibliotecário deve atualizarse sempre no processo da educação continuada, a fim de focalizar estratégias de
ações favoráveis ao bom desempenho da instituição no alcance de seus objetivos.

O comentário acerca desse posicionamento respalda-se na opinião de
Guimarães (2000, p. 54) sobre o perfil desse profissional da informação na era do
conhecimento:
[...] intérprete de cenários da informação, vendedor de serviços de
informação, empacotador da informação, administrador da informação,
provedor e facilitador da transferência da informação, tomador de
decisões, ponte informacional, processador da informação e tantas
outras, que refletem concepções de gerência, de agregação de valor, de
geração de um novo produto e de organização e socialização do
conhecimento.

As ações desenvolvidas durante a seleção e aquisição de um software
que garanta a interligação das funções de uma biblioteca acontecem no âmbito da
modernização dessa unidade cujo principal objetivo é otimização na prestação de
serviços à comunidade usuária.

Procurou-se identificar como as bibliotecas universitárias ludovicenses
compreendem a política de gerenciamento automatizado em sua unidade, os
dados encontrados estão representados na Tabela 1. Há um certo entendimento
que sua eficácia depende da própria filosofia de trabalho da instituição a qual está
inserida. A literatura aponta, que o sucesso na escolha de um software apropriado

�para o uso na biblioteca é sempre levado em consideração a missão e cultura
filosófica da instituição e seus programas de trabalho em geral.

Tabela 1  Política de gerenciamento automatizado nas bibliotecas das IES
pesquisadas
TIPO DE POLITICA DE GERENCIAMENTO
Equipar a biblioteca de ferramentas tecnológicas

Nº DE RESPOSTAS
Nº
%
-

Aumentar a integridade dos dados, reduzindo erros e gastos

-

-

Melhoria na plataforma tecnológica existente, visando a
integração e disseminação de dados, informação e
conhecimento

3

42,8

Além do item citado acima, representa introduzir uma nova
filosofia de trabalho perante os valores informacionais
existentes

4

57,2

Total

7

100

A área da produção de software para automação de bibliotecas no
mercado nacional encontra-se amadurecida na medida que, estão disponíveis de
forma bastante clara e com índices de qualidade elevados para toda e qualquer
instituição seja privada ou pública.

As

bibliotecas

universitárias

ludovicenses

estão

buscando

modernização, otimização e dinamização de suas atividades a partir da aquisição
de sistemas diferenciados de acordo com a perspectiva de cada instituição.
Indagados sobre a caracterização desse sistema, os resultados apontam que as
escolhas privilegiaram a situação custo/benefício de cada unidade, onde 3 (três)
instituições optaram por pacote de aplicativo pronto para utilização, com todas as
funções em perfeita operação, testado e aprovado pelo nível de exigência das
mesmas. O software Sophia Biblioteca, da empresa brasileira Primasoft Comércio
de Informática Ltda é utilizado por duas bibliotecas; o outro software customizado
é o Giz Biblio, da empresa AIX Sistemas. Ambos foram desenvolvidos para o

�gerenciamento de bibliotecas no intuito de otimizar e maximizar seus produtos e
serviços.
As demais bibliotecas, mais precisamente duas, encomendaram o
desenvolvimento do sistema de gerenciamento para a empresa especialista
maranhense ACS Software Ltda. Essa parceria foi realizada primeiramente com
uma IES local, depois de anos de fidelidade de trabalho a essa instituição,
aceitaram elaborar esse sistema à outras de mesmo cunho educacional. Porém,
poucos são os aspectos diferenciáveis: a estrutura geral é praticamente a mesma.
As outras unidades universitárias com base na sua potencialidade institucional,
desenvolveram em ambiente próprio o seu sistema de gerenciamento da
biblioteca com participação dos bibliotecários e analista de sistemas e outros afins
lotados nessa IES.

Observa-se um certo equilíbrio na adoção de sistema automatizado nas
bibliotecas pesquisadas, neste sentido, Rowley (1994, p. 52) esclarece que:
Em muitas situações, é mais sensato escolher um pacote que se
encontra disponível no mercado, uma vez que sai muito caro desenvolvêlo na própria instituição ou encomenda-lo a alguém, muito embora um
pacote sob medida, projetado especificamente para determinada
aplicação, provavelmente sirva melhor a todas as necessidades dessa
aplicação.

Tabela 2  Caracterização do sistema de gerenciamento automatizado existente
nas bibliotecas
SISTEMA DE GERENCIAMENTO

Nº DE RESPOSTAS
Nº
%

Um pacote fechado integrado para biblioteca

2

28,6

Um pacote semi-aberto integrado para biblioteca

-

-

Um pacote aberto integrado para biblioteca

1

14,3

Um sistema elaborado sob encomenda com base
nas necessidades da biblioteca

2

28,6

�Desenvolvido pela própria instituição

2

28,6

Total

7

100

A maioria das bibliotecas pesquisada, respondeu que a aquisição do
sistema deu-se sob a forma de compra. Torna-se sensato esclarecer que qualquer
software ao ser adquirido tem-se somente a licença de uso e não o produto em si,
ou seja, o programa-fonte é de domínio exclusivo do produtor. Nesse quesito foi
possível observar o desconhecimento de alguns profissionais bibliotecários a
respeito desse dado, na medida que toda atualização de versões é feita sob forma
de contrato de manutenção e, caso não haja renovações, a instituição
permanecerá com a versão referente ao último contrato acordado.

Ao escolher um sistema de gerenciamento de biblioteca, é interessante
que a instituição, o bibliotecário, analista de sistema e seus pares, estudem
minuciosamente essa ferramenta tecnológica no intuito de estabelecer qualidade
nos procedimentos de gestão da informação. Côrte (2002, p. 206) a esse respeito
menciona que a escolha de um software é tarefa cooperativa, integrada e
participativa entre profissionais e constitui um dos grandes desafios para as
bibliotecas, arquivos e unidades de documentação e informação bibliográfica.
Assim, questionou-se o tempo de estudo e pesquisa consumidos durante a
escolha do sistema. A equivalência encontrada está entre 1 a 2 anos.

Apenas em uma instituição o bibliotecário ficou à margem do processo
de escolha, pois a diretoria dessa IES, responsabilizou a seleção e aquisição do
software a outra IES situada no Estado do Paraná a qual mantém convênios
educacionais. As demais unidades informacionais fizeram valer a participação do
bibliotecário e o analista de sistemas.

Dentre os elementos (Tabela 8) que auxiliaram na escolha do sistema
das unidades informacionais pesquisadas, a leitura dos manuais e manuseio dos

�demonstrativos foram os mais elencados, enquanto 2 (duas) instituições utilizaram
outros elementos como: visitas em uma biblioteca que desenvolveu seu próprio
sistema além de contar com a experiência de seus pares (bibliotecários e
analistas).
Tabela 8  Elementos auxiliares/determinantes na escolha do sistema

SIM

FREQÜÊNCIA

NÃO
TOTAL

ELEMENTOS

Nº

%

Nº

%

Avaliação de catálogos comercias
específicos

1

14,3

6

85,7

100

Leitura dos manuais e manuseio
dos demonstrativos

4

57,2

3

42,8

100

Contatos com outras instituições
que utilizam o mesmo sistema

1

14,3

6

85,7

100

Outros elementos

2

28,6

5

71,4

100

Questionados a respeito da elaboração de algum projeto de
implantação do sistema, duas (14,3%) das bibliotecas pesquisadas elaboraram um
projeto e essa mesma quantidade desenvolveu somente um plano estratégico de
aquisição e aplicação do sistema, enquanto nas demais instituições três (42,8) não
houve elaboração de qualquer projeto ou plano que estruturasse melhor as ações
a serem seguidas nesse processo tão importante para a biblioteca.

O tempo maior de uso dos sistemas de gerenciamento das bibliotecas
pesquisadas encontram-se no intervalo de 1 a 5 anos. Apenas em 2 (duas)
bibliotecas o tempo de uso do sistema corresponde a menos de 1 ano, pois houve
a substituição do sistema antigo que conscientemente era o mesmo nessas duas
unidades. O intervalo de 5 a 10 anos/mais de 10 anos foi equilibrado pelas duas
bibliotecas que possuem o sistema elaborado na própria instituição.

�Quanto ao grau de satisfação proporcionado pelo uso do sistema
adotado, a maioria dos bibliotecários das IES pesquisadas optaram pelo nível bom
(71,4 %) e apenas uma biblioteca classificou essa satisfação no nível regular; esse
conceito deu-se principalmente pelas várias implicações ocorridas desde a
seleção/aquisição do mesmo, onde o profissional bibliotecário não participou
desse processo e questões outras.

No

intuito

de

conhecer

algumas

características

básicas

dos

produtores/fornecedores dos sistemas de gerenciamento de bibliotecas nas IES
pesquisadas constatou-se que as questões mais comungadas entre as bibliotecas
atingiram uma freqüência positiva de 71,4 - 100% da amostra pesquisada. Assim,
verifica-se a promoção de treinamento e reciclagem dos servidores da biblioteca
para compreensão das novas versões realizadas pelos produtores. Tendo sempre
um

suporte

técnico

disponível

para

qualquer

eventualidade.

Os

produtores/fornecedores quando necessário realizam testes e simulações para
melhoria do sistema, na medida que os desenvolveram para atingir todo o
processo de gerenciamento de uma biblioteca. Todas foram unânimes ao
declararem que o sistema atende aos requisitos propostos pelo MEC para
avaliação de acervos das bibliotecas universitárias.

Procurou-se também, identificar algumas características tecnológicas
do sistema existente nas bibliotecas universitárias. O item referente à execução de
back-up, bem como operações de proteção, apresentou o maior índice. Assim,
100% da amostra pesquisada preocupam-se com a segurança das informações
contidas em seus sistemas, pois além desse software de cópia/salvar os dados,
devem ser capazes de recuperar os mesmos, ou seja, retornar da cópia para a
base de dados principal. Quanto ao sistema operacional que roda o software de
gerenciamento da biblioteca, a maioria respondeu que o Microsoft Windows
apresenta melhor performance na configuração do computador como um todo.

�As demais questões equilibram-se na inexistência dos aspectos
tecnológicos e no desconhecimento dessa informação por parte do profissional
bibliotecário das IES pesquisadas.

A identificação das principais características do sistema bem como dos
produtores/fornecedores permitiu observar as experiências práticas de automação
dessas unidades de informação. Como aspectos positivos, destacam-se, em nível
geral a promoção de treinamento de uso do sistema para compreensão de novas
versões. Investir na capacitação técnica dos usuários do sistema (bibliotecários,
analistas, estagiários, colaboradores em geral) é a principal garantia de sucesso
na realização das atividades a eles atribuídas, seja na aquisição de sistema
customizado ou desenvolvido pela própria instituição. Outro aspecto diz respeito à
aprovação desse sistema na avaliação de acervos bibliográficos feita pelo MEC,
que consiste na apresentação de relatórios atualizados nos mais diversos módulos
(quantidade de livros emprestados por categoria; listagem bibliográfica por
disciplinas existentes; aquisição de itens semestral/anualmente, entre outras
informações gerenciais).

O aspecto negativo, e muitas vezes frustrante identificado na pesquisa,
diz respeito a documentação do sistema onde alguns gerentes das bibliotecas
pesquisadas disseram não possuir ou desconhecerem essa informação. Nos
casos em que o sistema é customizado, torna-se mais agravante na medida que o
programa  fonte é de propriedade do detentor dos direitos autorais do software, a
questão está na segurança documentada caso ocorra falência, concordata,
extinção ou mudança de ramo de atuação. Essas empresas comercializam seus
produtos por licenciamento de uso de contrato de prestação de serviços.

Outro fator observado é o desconhecimento sobre a capacidade que o
sistema tem de migrar as informações para outra base de dados. Esse processo é
considerado atividade intelectual do bibliotecário em escolher um tipo de

�conversão de dados não oneroso, além de avaliar os recursos disponíveis, o
tempo, a expectativa e o planejamento estratégico das ações a serem realizadas.

5 CONCLUSÃO

A pesquisa realizada permitiu identificar alguns pontos que são
relevantes para conhecer os procedimentos utilizados na escolha de sistemas
automatizados nas bibliotecas universitárias de São Luís.

Com base nos estudos realizados na literatura e a congruência da
análise dos dados encontrados na pesquisa, faz-se as seguintes sugestões:
a) a primeira iniciativa ao agregar tecnologia de informação no ambiente
da biblioteca, deve-se verificar a cultura, missão e objetivos da
organização; identificar as características essenciais da biblioteca
com relação a sua abrangência temática, serviços oferecidos,
demanda dos usuários;plataforma tecnológica em termos de software
e hardware além dos recursos humanos disponíveis;
b) caso a biblioteca necessite substituir um sistema automatizado por
outro é importante verificar e estudar a melhor forma de conversão
dos dados existentes;
c) exigir sempre que o produto seja instalado e testado, com o
acompanhamento dos técnicos da instituição.
Sugere-se ainda, que outras pesquisas sejam efetivadas a fim de
avaliar e conhecer as características intrínsecas (aspectos técnicos, tecnológicos,
ergonômicos e gerenciais) dos sistemas automatizados para gerenciamento
das bibliotecas das IES Ludovicenses.

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Type</name>
              <description>The nature or genre of the resource</description>
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                  <text>Evento</text>
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                  <text>Salvador (Bahia)</text>
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    <itemType itemTypeId="8">
      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
    </itemType>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>O processo de escolha de softwares nas bibliotecas universitárias de São Luís-MA.</text>
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                <text>Teixeira, Cenidalva Miranda de Sousa; Castanhede, Joseane</text>
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                <text>Os procedimentos  durante a escolha dos sistemas automatizados para gerenciamento de bibliotecas são bastante complexos. Nesta pesquisa, aborda-se um estudo sobre o uso desses procedimentos em unidades informacionais universitárias em São Luís-MA. A amostra estudada compôs-se de sete bibliotecas, em que a implantação dessa tecnologia foi proporcionada pela facilidade de acesso à microinformática, tanto em termos e hardwares quanto de softwares, acelerando o desenvolvimento dos sistemas computadorizados de gerenciamento de bibliotecas. Foi utilizado como instrumento metodológico um levantamento documental sobre o assunto abordadom aplicação de questionário e análise dos dados encontrados durante o desenvolvimento da pesquisa. Mostram-se os aspectos determinantes de escolha dos sistemas, além e conhecer a política de gerenciamento da informação nas unidades pesquisadas.</text>
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                    <text>O PROFISSIONAL BIBLIOTECÁRIO COMO PARCEIRO NA FORMAÇÃO
ACADÊMICA
MORALES, Celia Silva Cruz
Bibliotecária Especialista em Gerenciamento de
Unidades de Informação, Divisão Técnica de
Biblioteca e Documentação UNESP - Campus
de Bauru
e-mail: morales@bauru.unesp.br
OLIVEIRA, Maith Martins
Bibliotecária, Divisão Técnica de Biblioteca e
Documentação - UNESP Campus de Bauru
e-mail: maith@bauru.unesp.br
ZANIBONI, Maria Marlene
Bibliotecária Especialista em Usos estratégicos
de tecnologia da informação, Divisão Técnica de
Biblioteca e Documentação
e-mail: zaniboni@bauru.unesp.br

RESUMO
A participação dos bibliotecários em palestras e orientações sobre o uso dos recursos tecnológicos
e orientações para recuperação de informações necessárias aos alunos de graduação e pósgraduação tem sido cada dia mais necessária. Atualmente os profissionais da Divisão Técnica de
Biblioteca e Documentação da UNESP Campus de Bauru, são convidados pelos docentes a
ministrar palestras e prestar serviço de orientação nas salas de aulas ou mesmo no espaço da
Biblioteca, que além de explicitar as técnicas e ferramentas para uso das Bases de Dados, orienta
os acadêmicos a recuperar informações relevantes para o desenvolvimento de seus trabalhos e/ou
projetos. Considerando que nos dias de hoje, com a explosão da informação, existe muito lixo que
pode ser recuperado, pois estão disponíveis na Internet e qualquer pessoa pode ter acesso, é
necessário que os profissionais da área da Informação, principalmente os bibliotecários, realizem o
trabalho de conscientização da comunidade acadêmica, oferecendo aos mesmos orientações e
informações que os possibilitem filtrar a imensa gama de informações disponíveis. Neste contexto
a Biblioteca da UNESP de Bauru tem efetuado parcerias com os docentes das faculdades do
Campus, principalmente os que ministram disciplinas de Metodologia da Pesquisa Científica,
pretendendo colaborar com a formação acadêmica.

Palavras-chave: Bibliotecários de referência; Bibliotecários de universidades; Recuperação da
Informação; Serviços de informação – educação de usuários.

�INTRODUÇÃO
A globalização e a era da informação têm proporcionado à sociedade mudanças
significativas na sua forma de pensar e agir. As transformações são constantes e
afetam os valores já implementados pela sociedade.
Muitas são as inovações tecnológicas e comportamentais inseridas a partir do
século XXI no contexto do trabalho. A explosão da informação e a disponibilidade
de instrumentos tecnológicos têm provocado mudanças na relação do indivíduo
com o seu trabalho e conseqüentemente com o seu ambiente organizacional.
Segundo De Masi (apud SILVA, 2002, p.78), "Existem alguns valores emergentes,
nesta nova sociedade, que merecem ser levados em consideração quando
tratamos de formação e educação profissional. Sendo um deles a intelectualidade;
outro a criatividade; e a estética".
Houve, portanto uma mudança de conceito na formação profissional, atualmente
exigem-se profissionais mais criativos. A fase do mecanicismo foi ultrapassada.
Os profissionais precisam desenvolver diversas habilidades para atrair e manter
seu público.
Atualmente o conhecimento vem se tornando o grande diferencial para instituições
que buscam sua excelência e o profissional da informação tem papel fundamental.
Segundo Gontow (2004 apud FARIA, 2005) alguns desafios de serviços na gestão
do conhecimento são destacados: o alto volume de informações que estão sendo
criadas, armazenadas e distribuídas; a incrível velocidade com que o conteúdo do
conhecimento está mudando; a necessidade das instituições serem pró-ativas na
criação e a reutilização do conhecimento. Neste contexto o profissional da

�informação pode inserir-se como ativo e agente criativo, capacitando sua
competência informacional para as estratégias da instituição em que atua.
Percebe-se a valorização de habilidades como criatividade, autonomia, ou seja, a
técnica é considerada importante, entretanto, exigem-se outras habilidades de
natureza intrínseca, o profissional deste século tem desenvolvido a capacidade de
trabalhar com profissionais de diversas áreas e neste sentido as parcerias são
fundamentais no novo processo de relações de trabalho.
A atuação dos profissionais que trabalham em Bibliotecas e Centros de
Informação não poderia ser diferente dos demais profissionais do século XXI. Esta
realidade faz com que os profissionais da área da Informação, principalmente os
bibliotecários, valorizem as relações com profissionais de outras áreas, buscando
parcerias, para implementar melhorias na sua área de atuação.
EDUCAÇÃO DE USUÁRIOS
Há bastante tempo os profissionais que atuam nas bibliotecas, especialmente nas
universitárias, têm contribuído no processo de formação profissional dos alunos.
Os bibliotecários, agindo como mediadores entre informação e usuários, oferecem
a eles instruções para pesquisar de maneira mais eficiente, complementando o
ensino tradicional.
A “educação de usuários” surgiu após o aparecimento do “serviço de referência”
(reference service), na década de 50. Com a início do mesmo, ampliaram-se,
portanto, os serviços educativos da biblioteca, uma vez que se dá ênfase aos
serviços de “educação de usuários”, que é o conjunto de atividades planejadas,
desenvolvidas com o intuito de orientar o usuário a utilizar os serviços e produtos
da biblioteca (CAMPELO, 2003 p. 2).

�Entretanto, com os novos suportes informacionais da era eletrônica como bases
de dados e periódicos on-line, catálogos para acesso eletrônico, teses e
dissertações disponíveis eletronicamente na íntegra, e-books, entre outros, tem-se
exigido uma postura diferenciada dos profissionais da informação e a atuação do
profissional bibliotecário tem sido considerada fundamental neste contexto de
mediador da informação e no processo de educação de futuros profissionais.
Face aos múltiplos desafios do futuro, a educação surge como um
trunfo indispensável à humanidade na construção de ideais da
paz, da liberdade e da justiça social. Ainda segundo Delors só a
educação conduzirá a um desenvolvimento humano mais
harmonioso, mais autêntico, de modo a fazer recuar a pobreza, a
exclusão social, as incompreensões, as opressões, as guerras...
(DELORS apud SILVA, 2002, p. 78)

Com base nesta visão, pensar no papel educador do profissional bibliotecário,
como agente de transformação, dá uma dimensão bastante ampla do seu
compromisso para com a sociedade, ele deixa de ser apenas mediador da
informação e transforma-se em agente no processo educacional.
Sob a ótica da sociedade da informação, pelo menos um aspecto da postura
tradicional se transformou. Antigamente o profissional esperava que o usuário o
procurasse. Hoje, exige-se uma postura pró-ativa deste profissional, com sua
participação efetiva no processo de aprendizagem, sendo que a iniciativa deve
partir dele.
De acordo com Campello (2003, p. 32) não é suficiente para atender a crescente
demanda de aprendizagem sugerida para a escola na sociedade da informação, a
simples disponibilização de materiais na biblioteca e o nível limitado de auxílio ao
usuário.
O foco da biblioteca tem de se deslocar dos recursos para o aluno, a fim de criar a
comunidade da aprendizagem (AASL apud CAMPELLO, 2003, p. 32).

�Considera-se, portanto, fundamental a participação do bibliotecário neste processo
de aprendizagem e construção do conhecimento, pois embora os formatos de
disponibilização da informação tenham mudado, a capacidade para lidar com a
variedade de formatos ainda é de competência do bibliotecário.

BASES DE DADOS ON-LINE
Nas bibliotecas universitárias, o bibliotecário deve atuar em parceria com os
docentes e outros profissionais da organização, com o objetivo de auxiliar na
formação dos alunos, sendo o mediador entre as necessidades dos mesmos e o
acesso às informações necessárias para o seu desempenho acadêmico.
Neste cenário as Bibliotecas/Centros de Documentação e Informação têm um
papel fundamental, pois os serviços de informação e comunicação através do uso
das novas tecnologias permitem uma maior facilidade na obtenção de dados
atualizados oferecendo assim aos usuários maior flexibilidade na busca e
manipulação de dados. Na medida em que a informação torna-se o principal
produto para o desenvolvimento de pesquisas acadêmicas, sua disponibilidade em
rede facilita o seu acesso. Mas é com a evolução das redes de comunicação,
principalmente com a Internet e as bases de dados, que a informação em formato
eletrônico tem sua importância ampliada.
Inicialmente as bases de dados eram armazenadas em computadores centrais e
tornavam-se acessíveis aos usuários em localizações remotas, via redes de
comunicação. Com o aumento da capacidade dos meios de armazenamento
magnéticos ou ópticos, como, por exemplo, os CD-ROMs, permitiu-se que as
bases de dados se tornassem acessíveis localmente.
As bibliotecas se beneficiaram com as novas tecnologias, pois passaram a
oferecer a seus usuários acesso à informação de forma mais rápida e precisa.

�No passado as bibliotecas pouco compartilhavam os seus acervos porque a
distância física era um dificultador, ocorria muitas vezes duplicidade de acervos.
Há pouco mais de duas décadas, com a expansão da Internet, o acesso às
informações disponíveis nas bibliotecas passou a ser remoto, o que possibilitou ao
usuário maior rapidez no acesso às informações desejadas. Com este instrumento
tecnológico à disposição, deu-se início ao processo de implementação dos Bancos
de Dados em formato eletrônico, onde as informações passaram a ficar
disponíveis para acesso on-line.
O volume crescente de informação e os vários meios de
armazenagem fizeram com que as organizações responsáveis
pelo
tratamento/armazenamento/recuperação
criassem
mecanismos para possibilitar o uso dessa grande “massa de
dados”, acoplando as tecnologias de automação e propiciando,
dessa forma, as bases de dados com acesso on-line e/ou em CDROM. A tecnologia vem subsidiando também o progresso das
redes de comunicação de dados, o que possibilita o acesso
significativo às informações disponíveis em nível mundial e atende
aos variados requisitos da comunicada usuária (ROSETTO, 1997,
p. 136).

As bibliotecas tiveram que reestruturar os seus processos de trabalho,
implementar novos serviços e capacitar suas equipes. Atualmente, com a imensa
gama de informações disponíveis e o aumento crescente do número de bases de
dados, o usuário tem a possibilidade de enriquecer suas pesquisas e discussões.
As bases de dados têm como principal objetivo fornecer informação atualizada,
eficaz e confiável, buscando atender a demanda de uma clientela específica e
cada vez mais exigente. Para atender esta comunidade de usuários, as
universidades estaduais paulistas encontraram através dos consórcios uma
solução para diminuir custos e ampliar o universo de pesquisa nas bases de
dados on-line beneficiando desta forma, um número cada vez maior de usuários.

�ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO NA UNESP DE BAURU
O auxílio do profissional bibliotecário sempre foi importante para orientar o
pesquisador na recuperação da informação de maneira rápida e precisa.
Apesar das informações estarem disponíveis para consulta por qualquer usuário,
percebe-se que eles ainda encontram dificuldade para recuperar informações de
que precisam, pois não possuem a habilidade de separar informações confiáveis
do "lixo" que fica disponível na Internet.
Visando desenvolver e aperfeiçoar os serviços oferecidos pela Divisão Técnica de
Biblioteca e Documentação da UNESP do campus de Bauru, bem como orientar o
pesquisador, a biblioteca desenvolveu uma parceria com os docentes do campus,
especialmente os que ministram disciplinas na área de Metodologia da Pesquisa
Científica, pretendendo colaborar com a formação acadêmica.
Considerando que a Instituição oferece subsídios, como assinaturas de diversas
bases de dados, periódicos on-line e treinamentos para os bibliotecários, buscouse ampliar o atendimento ao público na área de pesquisa eletrônica, numa
tentativa de abranger docentes e alunos de graduação e pós-graduação do
campus.
Atualmente um dos serviços oferecidos pela biblioteca da UNESP do campus de
Bauru para levantamento bibliográfico através das bases de dados, periódicos online e sites da Internet, ocorre com o agendamento de horário na biblioteca pelo
docente. Ao agendar o horário ele oferece informações ao bibliotecário que o
auxiliam a elaborar o conteúdo a ser apresentado aos alunos. No dia da visita o
docente acompanha seus alunos até a biblioteca, onde acontece uma
demonstração de uso das diferentes bases de dados.

�Um bibliotecário comanda a demonstração, explicando como as bases funcionam
e com palavras-chave trazidas pelos próprios alunos são feitas buscas que
servem de exemplo para a utilização das mesmas, especificamente para aquela
área de pesquisa. Uma demonstração orientada e específica para cada turma.
Como o horário é agendado antecipadamente, a equipe tem tempo hábil para
desenvolver folders para cada grupo que fará a visita. São apresentados e
demonstrados os endereços mais relevantes para cada área específica dos
participantes.
Neste momento, aproveita-se também para explanar sobre o funcionamento de
serviços oferecidos pela biblioteca como o EEB – Empréstimo Entre Bibliotecas –
e o COMUT – Serviço de Comutação Bibliográfica – que podem ser utilizados pelo
público participante e que são muito úteis na elaboração de uma pesquisa
bibliográfica. Como o acesso ao material e à informação não se limita ao acervo
físico e impresso da biblioteca onde os usuários têm seu cadastro, uma vez que a
biblioteca participa de serviços cooperativos como o COMUT e o EEB, que
possibilitam que o usuário tenha acesso a materiais de outras bibliotecas através
destes serviços, torna-se necessário que eles tenham orientações a respeito dos
produtos e serviços oferecidos, para que possam utilizá-lo da melhor forma
possível.
Pretende-se ampliar os horizontes destes usuários, discorrendo inclusive sobre a
confiabilidade de certos endereços eletrônicos, tentando fazer com que estes
pesquisadores, vários deles iniciando sua vida acadêmica, que consigam julgar e
filtrar as fontes de pesquisa para que sejam fontes seguras, um verdadeiro serviço
de conscientização da comunidade acadêmica.
Considerando que atualmente as pesquisas em bases de dados são essenciais e
complementares às pesquisas em materiais impressos, e sabendo que muitas
informações inúteis e não pertinentes podem ser recuperadas junto com as úteis,

�torna-se imprescindível filtrar estas informações para chegar ao que é realmente
relevante.
Uma pesquisa americana mostrou que operados booloeanos são raramente
usados e quando são, são frequentemente usados incorretamente. (BAR-ILAN,
2005, p. 241-242) (Tradução nossa).
Portanto, é imprescindível que se desenvolva uma estratégia de busca bem
elaborada e a orientação de um profissional devidamente preparado é muito
importante nestas situações, pois possibilita que o usuário tire dúvidas de como
realizar a pesquisa.
Bar-Ilan (2005, p. 231) afirma que a World Wide Web foi criada em 1989, mas já
se transformou na maior fonte de informação, influenciando as vidas diárias das
pessoas, transações comerciais e comunicação científica, para mencionar apenas
algumas áreas (Tradução nossa).
Bar-Ilan (2005, p. 238) acrescenta que a primeira menção de instrumentos de
busca na Web aparece em 1994.
Tem sido crescente o uso da Internet no Brasil, principalmente por universitários,
que utilizam-se desta ferramenta pela facilidade de acesso, entretanto o
despreparo na elaboração da estratégia de busca, faz com que recuperem na
maioria das vezes informações não confiáveis.
Silva (2005, p. 33) considera que “O montante de informação na Internet leva a
que proponham questões sobre as habilidades necessárias para aprender a se
informar e chama a atenção de que essa aprendizagem é totalmente inexistente
no sistema de ensino”.

�Segundo Lê Coadic (apud SILVA, 2005, p. 33), a Internet é um ambiente de
informação complexo para quem não tem familiaridade ou capacitação na busca e
recuperação da informação.
Considerando as afirmações de Silva, entende-se que o bibliotecário é o
profissional capaz de trabalhar junto à comunidade acadêmica em que atua e
possui as habilidades necessárias para instruir o aluno tornando-o capaz de
realizar suas buscas e se tornar “competente em informação”.
Para ser competente em informação Silva (apud DUDZICK, 2003, p. 26) diz que
uma pessoa deve ser capaz de reconhecer quando a informação é necessária e
deve ter a habilidade de localizar, avaliar e usar efetivamente a informação. É um
processo de constante aprendizado e que ocorre efetivamente no ambiente das
organizações de aprendizagem e que deve ser incentivado pelos profissionais que
nela atuam.
Sendo assim, é imprescindível que a comunidade acadêmica seja bem instruída
para aproveitar da melhor maneira possível as vantagens que lhe são oferecidas,
as ferramentas de busca, as informações que às vezes estão à sua disposição e
que passam despercebidas.
CONCLUSÃO
Ao mesmo tempo que cresce o volume de informação à disposição de toda a
população ainda se percebe a necessidade de treinamento específico para melhor
aproveitar as ferramentas e mecanismos oferecidos.
Percebe-se também que docentes e bibliotecários têm conseguido trabalhar em
harmonia em prol da educação.

�É notável a importância da atuação do bibliotecário em parceria com os demais
profissionais presentes nas organizações, principalmente as de caráter educativo,
trabalhando conjuntamente no processo de formação dos futuros profissionais,
que dela emergem como novos agentes de aprendizagem e participantes da
sociedade nas diversas áreas de conhecimento.
Torna-se cada dia mais importante uma postura pró-ativa dos profissionais
bibliotecários em todo e qualquer ramo de atuação, colaborando e mostrando aos
seus usuários do que são capazes e o quanto podem colaborar para seu melhor
aproveitamento no mercado, seja ele de serviços ou produtos.
REFERÊNCIAS
BAR-ILAN, Judit. The use of web search engines in information science research.
Annual Review of Information Science and Technology, White Plains, v. 38, n. 1, p.
231-288, 22 sept. 2005. Disponível em: &lt;http://www3.interscience.wiley.com/cgibin/fulltext/111091587/HTMLSTART&gt;. Acesso em: 31 maio 2006.
CAMPELLO, Bernardete, O movimento da competência informacional: uma
perspectiva para o letramento informacional. Ciência da Informação, Brasília, v.
32, n. 3, p. 28-37, set./dez. 2003.
FARIA, Sueli et al. Competências do profissional da informação: uma reflexão a
partir da Classificação Brasileira de Ocupações. Ciência da Informação, Brasília,
v. 34, n. 2, p. 26-33, maio/ago. 2005.
ROSETTO, Márcia. Uso do Protocolo Z39.50 para recuperação de informação em
redes eletrônicas. Ciência da Informação, Brasília, v. 26, n. 2, p. 136-139,
maio/ago. 1997.
SILVA, Edna Lucia da; CUNHA, Miriam Vieira da. A formação profissional no
século XXI: desafios e dilemas. Ciência da Informação, Brasília, v. 31, n. 3, p. 7782, set/dez. 2002.
SILVA, Helena et al. Inclusão digital e educação para a competência
informacional: uma questão de ética e cidadania. Ciência da Informação,
Brasília, v. 34, n. 1, p. 28-36. 2005.

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                <text>A participação dos bibliotecários em palestras e orientações sobre o uso dos recursos tecnológicos e orientações para recuperação de informações necessárias aos alunos de graduação e pós-graduação tem sido cada dia mais necessária. Atualmente os profissionais da Divisão Técnica de Biblioteca e Documentação da UNESP Campus de Bauru, são convidados pelos docentes a ministrar palestras e prestar serviço de orientação nas salas de aulas ou mesmo no espaço da Biblioteca, que além de explicitar as técnicas e ferramentas para uso das Bases de Dados, orienta os acadêmicos a recuperar informações relevantes para o desenvolvimento de seus trabalhos e/ou projetos. Considerando que nos dias de hoje, com a explosão da informação, existe muito lixo que pode ser recuperado, pois estão disponíveis na Internet e qualquer pessoa pode ter acesso, é necessário que os profissionais da área da Informação, principalmente os bibliotecários, realizem o trabalho de conscientização da comunidade acadêmica, oferecendo aos mesmos orientações e informações que os possibilitem filtrar a imensa gama de informações disponíveis. Neste contexto a Biblioteca da UNESP de Bauru tem efetuado parcerias com os docentes das faculdades do Campus, principalmente os que ministram disciplinas de Metodologia da Pesquisa Científica, pretendendo colaborar com a formação acadêmica. </text>
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                    <text>O PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO E A ATUALIZAÇÃO TÉCNICA:
CONSIDERAÇÕES SOBRE O PROCESSO DE EDUCAÇÃO CONTINUADA

BARBIERI, Ivone Reina

Técnica em Biblioteconomia, Divisão Técnica de
Biblioteca e Documentação UNESP – Campus de
Bauru
e-mail: irbarbieri@bauru.unesp.br

MORALES, Celia Silva Cruz
Bibliotecária Especialista em Gerenciamento de
Unidades de Informação, Divisão Técnica de
Biblioteca e Documentação UNESP - Campus
de Bauru
e-mail: morales@bauru.unesp.br

RESUMO

O capital humano tem sido considerado o principal recurso das organizações, uma vez que neste
ambiente as pessoas desempenham papéis fundamentais para que as organizações alcancem
seus objetivos e se firmem no mercado e na sociedade. Desta forma o processo de
desenvolvimento profissional das pessoas é imprescindível para que possam dar o melhor de si
dentro das organizações às quais pertencem. Para os profissionais da informação que atuam em
bibliotecas universitárias, este processo é ainda mais importante, uma vez que são mediadoras no
processo de ensino, pesquisa e extensão e contribuem para a formação de futuros profissionais.
Nesse sentido os cursos de especialização e capacitação possibilitam a estes profissionais uma
melhor atuação já que permite aplicar as teorias da sala de aula, desenvolvendo projetos práticos
nas organizações em que atuam, deixando de lado a postura comodista e lançando-se em
projetos com parceiros de outras áreas, visando a interação do conhecimento e melhorando
o desempenho de atividades.
Palavras-chave: Educação continuada; Profissional da informação; Capacitação técnica.

�INTRODUÇÃO

Atualmente muito se tem ouvido falar em gestão do conhecimento e as
organizações estão trabalhando no sentido de desenvolver seus recursos
técnicos e humanos, com o objetivo de obter excelência na disponibilização de
seus produtos e serviços. As transformações advindas do processo de
globalização impõem às organizações o desenvolvimento de novos atributos
necessários para melhor atuação na sociedade e no mercado.
Neste contexto esta nova era pela qual a sociedade passa é chamada de
“Sociedade da Informação”, onde as pessoas são consideradas como o melhor
capital de uma organização, o chamado capital humano.
De acordo com Assmann (2000, p. 8)
A sociedade da informação é a sociedade que está atualmente a
constituir-se, na qual são amplamente utilizadas tecnologias de
armazenamento e transmissão de dados e informação de baixo custo.
Esta generalização da utilização da informação e dos dados é
acompanhada por inovações organizacionais comerciais, sociais e
jurídicas que alterará profundamente o modo de vida tanto no mundo do
trabalho como na sociedade geral.

Segundo Nonaka; Takeuchi (1977 apud FARIA, 2005, p. 26):
A gestão do conhecimento é uma ferramenta que traz benefícios
tangíveis, cuja essência é aproveitar os recursos já existentes na
empresa para que as pessoas procurem, encontrem e empreguem
melhores práticas, criando um ambiente de aprendizado interativo, no
qual as pessoas transfiram o conhecimento, internalizem-no e apliquemno para criar novos conhecimentos formando a espiral do
conhecimento.

Neste cenário, faz-se necessário diferenciar dado, informação e conhecimento.
Setzer (2000, p. 2) define dado como a seqüência de símbolos quantificados ou
quantificáveis, segundo ele um texto é um dado ou uma seqüência de dados,
como também são dados imagens, sons e animação. O autor caracteriza
informação como sendo uma abstração informal, que representa algo significativo
para alguém através de texto, imagens, sons ou animação, ele entende que a
distinção fundamental entre dado e informação é que o primeiro é de sintática e a
segunda contém necessariamente semântica. Já o conhecimento para o autor é
uma abstração interior, pessoal, de alguma coisa que foi experimentada por

�alguém. O conhecimento não depende apenas de uma interpretação pessoal,
como a informação, pois requer uma vivência do objeto do conhecimento.
É possível avaliar como as pessoas são essenciais dentro das organizações, pois
são capazes de utilizar suas experiências e vivências, aprender novas ações e
transforma-las, colocando-as à disposição.
Neste caso utilizam-se, portanto de dados que agregados a sua abstração
informal e a sua experiência de determinada situação, produz conhecimento.
Para Faria (2005, p. 27):
A criação do conhecimento organizacional depende do conhecimento
das pessoas, da motivação e da vontade de criar, agir, compartilhar e
codificar seu próprio conhecimento individual, enquanto a gestão do
conhecimento está em saber o que os colaboradores sabem fazer bem
e tirar proveito desse conhecimento com a maior eficiência possível.

Considerando a importância do capital humano na geração do conhecimento e
também o gerenciamento deste capital como parte do processo de criação do
conhecimento organizacional, é necessário destacar a relevância da educação
continuada para os profissionais das diversas áreas do conhecimento,
principalmente para os profissionais da informação.
Ferreira (2003, p. 47) relata que “o papel do profissional da informação, de acordo
com constatações já realizadas, é o de assistir, intermediar e apoiar outras
pessoas na busca de informações, por meio da gestão do conhecimento”.
Entretanto para desempenhar bem esta função, é necessária a atualização
profissional constante, onde seja possível rever conceitos tradicionais arraigados
e desenvolver novas habilidades exigidas pelo mercado atual.

SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E OS PROFISSIONAIS QUE NELA ATUAM

A globalização trouxe reflexos para as organizações e para os indivíduos que nela
atuam. Atualmente, exige-se dos profissionais uma variedade de competências e
conhecimentos que possam diferenciar sua atuação. Acredita-se que os

�profissionais da informação foram muito afetados neste processo de mudança,
pois no ambiente de mudança a informação é um bem valioso e é preciso estar
preparado para atuar neste novo contexto, que a cada dia exige os melhores
profissionais do mercado.
De acordo com Passos (2005, p. 11) "os profissionais cotados para estar à frente
de um sistema de informação gestor e gerador de conhecimentos, são os
bibliotecários, documentalistas, analistas, arquivistas, cientistas da informação,
editores etc”. Entretanto para que se possa estar à frente deste trabalho faz-se
necessário buscar o aperfeiçoamento constante.
Na concepção de Milanesi (apud CARVALHO, 2002, p. 5) “o conhecimento
gerado resultante das inovações científicas passou a exigir um perfil cada vez
mais especializado desse profissional [...]. O uso da informática não é
imediatamente assimilado pela área e a disseminação da informação passa a se
deslocar para fora da biblioteca. Esse fato provoca a necessidade de um novo
perfil profissional que se reflete no ensino das universidades”.
E Silva (2002, p. 81) complementa este pensamento dizendo “os novos perfis
profissionais privilegiam a criatividade, a interatividade, a flexibilidade e o
aprendizado contínuo. Além disso, os novos profissionais devem ser capazes de
operacionalizar seu conhecimento de modo integrado às suas aptidões e
vivências culturais”.
Percebe-se, portanto que a atuação do profissional da informação é bastante
ampla, tendo em vista a multiplicidade de suas funções.

EDUCAÇÃO CONTINUADA

O ser humano tem uma característica fundamental: a capacidade de aprender. E
no desenvolvimento desta característica é preciso ressaltar a importância da
educação. E aqui será tratado o papel da educação continuada na esfera

�profissional do indivíduo. A necessidade do aprendizado constante fica evidente
em virtude da rapidez com que as coisas evoluem e se modificam, e o que é
moderno hoje amanhã já estará ultrapassado e com consumidores cada vez mais
exigentes, é preciso ter preparo para atendê-los em suas novas necessidades.
A função da educação continuada é capacitar o profissional fornecendo uma
formação adequada em áreas específicas nos cursos de pós-graduação e cursos
de aperfeiçoamento, uma vez que os profissionais da informação estão no meio
de profundas e aceleradas mudanças em função da globalização e do
desenvolvimento de novas tecnologias. Através dos cursos é possível suprir a
necessidade de adequar o perfil profissional às necessidades de cada área do
conhecimento como a saúde, o direito, a própria biblioteconomia, entre outras. O
Brasil tem carência de cursos de capacitação de áreas específicas. Quando
surgem cursos dessa natureza, às vezes estão em cidades distantes ou então
têm custos elevados restringindo o acesso do público alvo, o que leva muitas
vezes o profissional a se especializar na prática, ou seja, exercendo sua função e
tendo a percepção de identificar quais são as necessidades e buscar soluções.
Haja vista a necessidade de acompanhamento do ritmo desse novo
tempo, onde atualizar-se tornou-se exigência maior de uma sociedade
que precisa buscar a superação das diferenças e dos obstáculos
econômicos e sociais por vias da educação, da informação e do
conhecimento, através de maiores investimentos em seres humanos e
assim chegar à qualidade, tanto econômica, científica e tecnológica,
quanto social, profissional e pessoal (CAVALCANTE, 1998).

Assim de acordo com autor não basta investir somente em equipamentos e
tecnologia, eles sozinhos não fazem nada, é preciso alguém para operá-los e
esse indivíduo precisa estar qualificado. Para fazer frente a este cenário de
mudança constante e buscar continuamente a melhoria do desempenho
profissional, as bibliotecas devem investir em pessoal qualificado, treinamento,
informação, acervos, tecnologia, monitoramento do ambiente externo e interno
(CAVALCANTE, 1998). Ser o portador de conhecimentos que possibilitam
manipular esta tecnologia irá permitir ao profissional disseminar mais informação,
mais conhecimento, que são fatores imprescindíveis para o desenvolvimento da
educação e da pesquisa.

�Entretanto Dertouzos (2000 apud SILVA, 2002, p. 82) alerta que a educação é
muito mais que a transferência de conhecimentos de professores para alunos. No
seu entendimento é preciso acender a chama da vontade de aprender para o
sucesso do aprendizado. Portanto é necessário querer aprender, estar disposto a
receber novas informações e transforma-las em conhecimento, que com o passar
do tempo será levado a outras pessoas, criando um circulo de aprendizagem e
geração de novos conhecimentos.
Os profissionais da área de informação têm na maioria das vezes uma formação
superior, seja na área de atuação como os bibliotecários ou em outras áreas do
conhecimento, como ocorre com os técnicos em biblioteconomia que também
atuam nos Serviços de Informação e que embora a sua função exija apenas o
ensino médio, na maioria das vezes possuem formação em biblioteconomia ou
outras áreas como administração de empresas, ciência da computação, sistemas
de informação, comunicação social entre outras. Profissionais de que colaboram
com o desenvolvimento das bibliotecas e que precisam se aperfeiçoar,
complementando sua formação profissional.
Gasque (2003, p. 55) entende que “formação pode ser entendida como a ação ou
efeito de formar ou formar-se; maneira pela qual se constitui um caráter,
mentalidade, disposição, constituição”. Para Imbernón (1994 apud GASQUE,
2003, p. 55) “em se tratando de formação profissional, a formação inicial refere-se
à aquisição de conhecimentos de base; e formação continuada ou permanente
abrange a formação após a aquisição base, com caráter de aperfeiçoamento ao
longo de toda vida profissional”.
Assim, os desafios cotidianos enfrentados pelos profissionais que atuam em
bibliotecas e centros de informação, principalmente devido ao uso de novas
tecnologias, constantemente atualizadas no mercado e a imensa gama de
informações a serem gerenciadas pelos mesmos, faz com que o processo de
aprendizagem esteja presente na vida destes profissionais.
Entretanto já a bastante tempo, discute-se a questão de qualificações necessárias
para que o profissional da informação interaja como sujeito diante das demandas
do mundo do trabalho e a sua capacitação e destaca-se neste aspecto: a

�educação continuada, a adaptabilidade social, a capacidade de mobilizar seu
conhecimento para alcance dos objetivos da organização, o aprender a aprender,
a sociabilidade, a lealdade e a responsabilidade, atualmente no entanto, a ênfase
tem sido dada a educação continuada, as qualificações tácitas e a atitudes
comportamentais. (Arruda, Marteleto e Souza, 2000 p. 9).
Para os profissionais que atuam em bibliotecas universitárias, por ser um espaço
onde se trabalha a pesquisa, o ensino e a extensão ao mesmo tempo, a
atualização técnica na área de atuação é essencial. É importante levar informação
de qualidade para atender aos usuários de forma eficaz e para isso os
funcionários devem ser treinados, motivados e comprometidos com a finalidade
de seu trabalho e assim compreender a importância do atendimento, do
relacionamento e comunicação entre os profissionais e os usuários.
De acordo com CAVALCANTE (1998) “é necessário tornar o trabalho junto ao
público uma prioridade, criando valores e estratégias de atuação, fortalecendo as
habilidades de cada funcionário, realizando treinamento contínuo com a
convicção de que eles têm um papel importante para o crescimento da
instituição”. E assim desenvolver competências e qualidades para o desempenho
do trabalho de forma eficaz e eficiente.
Entretanto, exige-se muito mais destes profissionais, é preciso ter habilidades
gerenciais, conhecimento de outras línguas, domínio das novas tecnologias,
capacidade de elaborar projetos, capacidade de negociação, entre outras. E o
mais importante: é preciso desenvolver a capacidade de apreender e aprender
constantemente (JAMBEIRO apud PASSOS, 2005 p. 12).
O profissional da informação dentro das bibliotecas tem um papel muito
importante, se não fundamental, pois o seu conhecimento será o elo para que
muitos outros tenham acesso à informação e façam uso dela gerando novos
conhecimentos. Hoje não se visualiza mais este profissional desempenhando
apenas um trabalho mecânico, mas uma nova modalidade de trabalho que exige
dele qualidade e eficiência, uma vez que o usuário que vem em busca de
informações espera ser atendido por profissionais competentes e prontos para
ajudá-lo a encontrar o material que precisa. E aqui está o centro do trabalho de

�uma unidade de informação que é o processamento e a disseminação de
informação e conhecimento. Quando o usuário sente confiança e segurança na
competência do profissional, conseqüentemente ele estende essa confiança para
o uso das informações obtidas, isso vai colaborar para a formação de novos
profissionais, formação de pesquisadores e crescimento da área de pesquisa.
As organizações já estão pensando na educação continuada enfocando aspectos
organizacionais, mas para que esse trabalho tenha sucesso é importante
considerar não somente estes objetivos, ou seja, o programa de educação
continuada também deve investir no principal capital de qualquer organização que
é o capital humano, direcionando o programa para a correção das deficiências da
área de atuação do profissional, uma vez que ele conhece as dificuldades e
necessidades de seu trabalho. Aliando a capacitação técnica ao crescimento
pessoal haverá satisfação e isto refletirá na qualidade dos serviços e o indivíduo
estará preparado para as mudanças constantes que ocorrem no meio em que
atua.

CONCLUSÃO

Apesar de identificar o contraste em que vive o profissional da informação,
contraste porque diariamente convive com as mudanças e no que diz respeito aos
cursos de aperfeiçoamento ainda existe uma lacuna, este profissional tem obtido
sucesso no desempenho de suas atribuições, pois tem se relacionado com as
outras áreas do conhecimento e fazendo disto um meio para adquirir novos
conhecimentos, buscando por si próprio, a educação continuada para se inteirar
das evoluções tecnológicas e seguir ampliando seus conhecimentos.
O impacto das mudanças é grande, no entanto é preciso se adaptar, desenvolver
um novo perfil para adequação ao meio em que está inserido. Nessa nova era é
preciso dominar todas as novas ferramentas e disponibilizar novos serviços e
assim poder atender as necessidades dos usuários, contribuindo para a formação

�de novos profissionais, formação de pesquisadores e consequentemente no
crescimento da área de pesquisa.

REFERÊNCIAS
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Donaldo Bello de. Educação, trabalho e o delineamento de novos perfis
profissionais: o bibliotecário em questão. Ciência da Informação, Brasília, v. 29,
n. 3, p.1-18, set/dez. 2000. Disponível em: &lt;http://www.scielo.br&gt;. Acesso em 29
jul. 2006.
ASSMANN, Hugo. A metamorfose do aprender na sociedade da informação.
Ciência da Informação, Brasília, v. 29, n. 2, p. 7-15, maio/ago. 2000. Disponível
em: &lt;http://www.scielo.br&gt;. Acesso em: 26 jul. 2006.
CARVALHO, Kátia de. O Profissional da Informação: O Humano Multifacetado.
Revista de Ciência da Informação, v.3, n.5, out. 2002. Disponível em:
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&lt;http://www.biblioteca.ufc.br/arteducacao.html&gt;. Acesso em: 25 Jul. 2006
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&lt;http://www.scielo.br/pdf/ci/v34n2/28552.pdf&gt;. Acesso em: 28 jul. 2006.
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GASQUE, Kelley Cristine Dias; COSTA, Sely Maria de Souza. Comportamento
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&lt;http://revistas.puc-campinas.edu.br/transinfo/viewarticle.php?id=77&gt;. Acesso em:
28 jul. 2006

�SETZER, Valdemar W. Dado, informação, conhecimento e competência.
Datagramazero, n. 0, dez. 1999. Disponível em:
&lt;http://www.usp.br/iea/cidade/educar/dia-a-dia-mod5ses2.html&gt;. Acesso em 29
de jul. 2006.
SILVA, Edna Lúcia; CUNHA, Miriam Vieira. A formação profissional no século
XXI: desafios e dilemas. Ciência da Informação, v. 31, n. 3, p.77-82, set/dez.
2002.

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                <text>O capital humano tem sido considerado o principal recurso das organizações, uma vez que neste ambiente as pessoas desempenham papéis fundamentais para que as organizações alcancem seus objetivos e se firmem no mercado e na sociedade. Desta forma o processo de desenvolvimento profissional das pessoas é imprescindível para que possam dar o melhor de si dentro das organizações às quais pertencem. Para os profissionais da informação que atuam em bibliotecas universitárias, este processo é ainda mais importante, uma vez que são mediadoras no processo de ensino, pesquisa e extensão e contribuem para a formação de futuros profissionais. Nesse sentido os cursos de especialização e capacitação possibilitam a estes profissionais uma melhor atuação já que permite aplicar as teorias da sala de aula, desenvolvendo projetos práticos nas organizações em que atuam, deixando de lado a postura comodista e lançando-se em projetos com parceiros de outras áreas, visando a interação do conhecimento e melhorando o desempenho de atividades.</text>
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Documentação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O trabalho deriva de uma pesquisa maior de doutorado, em andamento, sobre o perfil do profissional da informação, onde serão apresentados alguns de seus enfoques. A pesquisa concentra-se na questão da gestão da qualidade em serviços de informação e traz à tona as formas de atuação e capacitação do profissional da informação neste sentido. Mas, o foco deste trabalho, especificamente é relatar a oferta de educação continuada doprofissional da informação em gestão da qualidade e este será feito através de uma busca na web sobre tal assunto. Os resultados serão demonstrados através de páginas da web, como forma de exemplificar o que se tem oferecido, e o que o profissional pode estar recorrendo, no mercado e na academia, sobre capacitação em gestão da qualidade.</text>
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                    <text>O PROJETO INVESTIGATIVO E A FLUÊNCIA CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA
NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO (INFORMATION LITERACY): UMA
QUESTÃO DE EDUCAÇÃO NA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
Profa. Dra. Regina Célia Baptista Belluzzo
Universidade do Sagrado Coração, Bauru-SP-Brasil
rbelluzzo@travelnet.com.br
Profa. MS Glória Georges Feres
Universidade Estadual Paulista, Bauru-SP-Brasil
ggeorgesferes@yahoo.com.br
RESUMO: As bibliotecas universitárias precisam acompanhar a evolução da
sociedade da informação, principalmente em suas características de: aceleração
da inovação científica e tecnológica; a rapidez dos fluxos de informação em uma
nova dimensão de espaço e tempo e o aumento de riscos na maioria dos
fenômenos, da complexidade, da não-linearidade e da circularidade. A ciência e a
tecnologia devem ser percebidas atualmente como áreas de grande impacto na
inovação e no desenvolvimento social. Neste cenário, o pensamento da
relevância da biblioteca universitária reside na sua contribuição à geração de
conhecimento científico e tecnológico no ambiente acadêmico, o que requer o
reconhecimento da importância de programas envolvendo a competência em
informação (information literacy) que contempla habilidades de acesso e uso da
informação e da sua transformação no conhecimento novo, oferecendo a fluência
necessária aos pesquisadores para a construção e o desenvolvimento de projetos
investigativos. Uma síntese teórico-conceitual é apresentada envolvendo esta
competência e sua eficácia na elaboração e no trajeto da pesquisa e da
comunicação científica apoiadas no uso de redes de computadores e na web,
concluindo com diretrizes para a inovação de paradigmas relacionados ao
processo de aprendizagem na sociedade contemporânea, marcada por uma
maior complexidade na busca e localização da informação, uma constante
inovação na tecnologia de apoio e a necessidade de educação contínua como
garantia do aprendizado ao longo da vida.
Palavras-chave: Competência em informação (Information literacy). Projeto
Investigativo. Produção do Conhecimento.

�INTRODUÇÃO
A sociedade contemporânea requer uma nova leitura do mundo em
que vivemos. Afasta-se, radicalmente, da Sociedade Industrial para se constituir
na Sociedade da Informação, onde se associam à informação características de:
aceleração da inovação científica e tecnológica; a rapidez dos fluxos de
informação em uma nova dimensão de espaço e tempo e o aumento de riscos na
maioria dos fenômenos, da complexidade, da não-linearidade e da circularidade.
Desse modo, inúmeras transformações sociais, ocorridas nas últimas décadas,
têm influenciado um cenário onde informação, conhecimento e aprender a
aprender se destacam.
Em meio a esse contexto, as bibliotecas universitárias, enquanto
organizações sociais, enfrentam o desafio de se transformarem e de serem
capazes de buscar a mudança necessária para acompanhar as inovações,
considerando-se que precisam estar preparadas para oferecer produtos e
serviços aos usuários, onde modelos e condutas de gestão tradicionais devem
dar lugar às novas funções, missão e objetivos, considerando-se o ambiente
acadêmico competitivo e turbulento onde se inserem, em decorrência do advento
da globalização e da emergência da era digital.
Criadas pelo desejo de organizar e controlar o conhecimento, as
bibliotecas têm como missão prover o acesso democrático a toda e qualquer
informação e direcionar o seu uso para a construção do conhecimento, sendo que
enquanto bibliotecas de instituições educacionais de nível superior, devem estar
alinhadas a uma nova concepção – de learning organization (SENGE, 1999),
considerando-se que a educação é elemento chave nesse cenário de mudanças,
contribuindo para suprir as necessidades humanas na construção de uma
sociedade baseada na informação e no conhecimento.
A produção do conhecimento depende do acesso e uso da informação
na busca de soluções ao confrontar, o que poderia ser feito com o que é,
dependendo de um caminho crítico e voltado à experimentação – a atividade
científica – que se apóia na ciência e na tecnologia, principais realizações do
mundo atual. Esta é uma questão mencionada na Conferência Mundial sobre a
Ciência, onde se declarou que “sem instituições adequadas de Educação

�Superior em C&amp;T e em pesquisa, com uma massa crítica de cientistas
experientes, nenhum país pode ter assegurado um desenvolvimento real
(UNESCO, 2000).
Para Bazzo (2001) a ciência e a tecnologia se baseiam em valores do
cotidiano de cada época, colocando em questão a maioria das convicções e o
conhecimento de mundo das pessoas. É a aplicação sistemática de alguns
valores humanos, tais como a diligência, a dúvida, a curiosidade, a abertura para
novas idéias, a imaginação, a disciplina e a perseverança, que precisam ser
despertados em todos os seres humanos. Portanto, não são apenas os chamados
“pesquisadores”, inseridos nas lides de pesquisa e em ambiente acadêmicos que
devem respeitá-los e entendê-los. É preciso que todas as pessoas sejam
conscientizadas do amplo universo que a ciência e a tecnologia incorporam e sua
relação direta com o grau de importância para o avanço do conhecimento, bemestar, risco e oportunidades sociais.
Todo ser humano, enquanto pessoa e cidadão, merece aprender a ler
e entender, para ser elemento participante nas decisões de ordem política e social
que influenciarão seu futuro e de outras gerações. Para tanto, assessorado pela
mediação da educação formalizada, deve investir na construção de um
conhecimento crítico e consistente, voltado ao seu próprio aprimoramento e ao
bem estar da coletividade.
Em face dessas circunstâncias, retornando ao tema da educação
superior e das bibliotecas universitárias, um dos maiores problemas residem na
forma de pensar o processo educativo e a ausência de interação com o macroambiente institucional, intentando adequar de forma superficial as novas
tendências de aprender a aprender e do aprendizado ao longo da vida. Há
necessidade de um trabalho multidisciplinar e integrado entre todos os atores que
atuam nesse contexto, para que se possam elaborar e desenvolver programas
que possibilitem a incorporação de atividades voltadas às necessidades de
informação, a partir das quais se constroem os processos de desenvolvimento de
habilidades específicas para a geração de ambientes de aprendizagem individuais
e coletivos, necessários à investigação e geração de novos conhecimentos. Neste
aspecto é que se pode ressaltar a relevância da biblioteca universitária e sua

�contribuição à geração de conhecimento científico e tecnológico no ambiente
acadêmico, o que requer, em decorrência, o reconhecimento da importância de
programas envolvendo a competência em informação ou information literacy que
contemplem habilidades de acesso e uso da informação e da sua transformação
no conhecimento novo, oferecendo a fluência necessária aos pesquisadores para
a construção e desenvolvimento de projetos investigativos.
Considerando-se que as situações educadoras são caracterizadas pela
interligação de fatores intrínsecos e extrínsecos para a existência de ação
transformadora das pessoas na sociedade, torna-se evidente que não há
possibilidade de se analisar o desempenho dos usuários para a interação com os
serviços de informação, ou com outras instituições congêneres, como um fato
isolado na vida do ser humano, pois embora apresente um perfil específico
diferenciado, ele traz consigo dados, informações e influências de outros tipos de
atividades, ao mesmo tempo em que atua sobre os mesmos. Nesse processo de
trocas recíprocas é que a educação de usuários em serviços de informação tem
sua razão de ser, devendo ser encarada como um processo de mudança em
direção ao crescimento pessoal, propiciando conseqüentemente a construção do
conhecimento para a inovação e desenvolvimento social. Em síntese, a educação
de usuários não deve visar a uma simples transmissão de informações e de
conhecimento. Além de preparar as pessoas para interagir com a informação,
devem transcender à dimensão mais profunda de formar atitudes desejáveis.
Desse modo, reafirma-se aqui o conceito de educação de usuários de bibliotecas,
como sendo “o processo pelo qual o usuário interioriza comportamentos
adequados em relação ao uso da biblioteca e desenvolve habilidades de
interação permanente com os sistemas de informação” (BELLUZZO, 1989, p. 37).
Deve existir um novo olhar sobre a educação de usuários,
especialmente em bibliotecas universitárias, envolvendo questões de gestão, na
atualidade, relacionando-se à compreensão de que cada pessoa tem de aprender
a mobilizar para a sua vida a sua subjetividade, a sua identidade pessoal, ou seja,
o seu valor de sujeito. Entretanto, a competência acha-se situada na esfera de um
comportamento harmônico que não permite à pessoa ser competente só e
isolada. Os meios mobilizáveis pelas pessoas destinados à aquisição de suas

�competências não se traduzem apenas aos saberes constantes de sua
individualidade (saber-saber, saber-fazer e saber-ser). Acham-se também fora
das próprias pessoas, localizados nos diferentes ambientes onde se inserem
socialmente.
A performance técnica e a autonomia dos usuários às bibliotecas,
disponibilizados pelo mundo real ou virtual, não constituem uma investigação
científica. Os conhecimentos são ilimitados, mas, certamente, não existe a
possibilidade de acessá-los na totalidade, uma vez que esses conhecimentos têm
valor apenas quando contextualizados, ou seja, inserem-se em uma relação que
os estrutura e dá sentido. Desse modo, se a pessoa não tiver um projeto
investigativo, de que lhe adiantará poder acessar a todas as informações? Além
disso, muitas vezes, entre o projeto e a pessoa, é preciso existir uma mediação,
na maioria das vezes, humana, isto porque quanto mais informação houver e
mais numerosas forem as mensagens e mais complexas, mais mediação será
necessária. No entanto, a principal característica das TIC parece ser criar uma
expectativa da ilusão de uma comunicação direta, enquanto que nos esquecemos
da necessidade de revalorizar as interfaces envolvidas nesse novo processo de
acesso e uso da informação para a construção de conhecimento (WOLTON,
2004).
Por que precisamos de instrumentos para acessar e usar a informação
com sentido e significado e, a partir daí, estarmos criando o conhecimento novo?
Segundo Belluzzo (2006), enquanto seres humanos temos algumas capacidades
que, se por um lado nos permitem fazer o que fazemos, por outro também
implicam em limites para essas mesmas coisas que realizamos. É importante
conhecer algumas dessas características, que afetam nossa forma de perceber e
de nos relacionar com o mundo, o que por sua vez afetam as alternativas à nossa
disposição e as escolhas que fazemos. Que capacidades seriam essas e quais os
seus limites?
Para Belluzzo (2006) pode-se dizer que temos a capacidade de
prestar atenção e perceber, mas nem por isso sempre estamos direcionando
nossa atenção para o que é mais importante ou relevante a um propósito.

�Outra capacidade que dispomos é de pensar, mas nem sempre
conseguimos pensar da melhor forma em uma determinada situação. Temos
inúmeras facilidades para processar as imagens, mas vivemos em um mundo em
que grande parte da informação e do conhecimento é representada na forma
lingüística, e nem sempre conseguimos converter essa forma de uma maneira
aplicável. Pensando, também definimos nossas crenças, entretanto, nem sempre
elas são fiéis à realidade.
Temos, ainda, a capacidade de definir objetivos e estratégias para
atingí-los, porém, muitas vezes o fazemos sem a necessária precisão ou
harmonia. E, como a vida em sociedade nunca é totalmente previsível, às vezes é
preciso que tenhamos flexibilidade e que nos adaptemos às mudanças ou
transições.
Resumindo, sentimos emoções que nos impelem para direções que
até mesmo não queremos e que podem trazer conseqüências indesejáveis.
Nesse contexto é que se insere a necessidade de “aprender a aprender”, um
conceito que cada dia nos parece mais familiar e que se acha diretamente
relacionado com as questões de autonomia das pessoas para tomar decisões a
respeito do que se deve Ser, Conhecer e Fazer na Sociedade da Informação, o
que implica no desenvolvimento de novas competências (BELLUZZO, 2006).
Por outro lado, com apoio nas afirmações de Rios (2001) e retornando
à concepção de Perrenoud (2000), pode-se dizer que as competências são
capacidades que se apóiam em conhecimentos, sendo fundamental que as
pessoas considerem a situação que envolve o seu desenvolvimento, à medida
que é preciso mobilizar saberes e a organização de novas capacidades, em
virtude do processo que se desenvolve social, técnica e politicamente.
Por sua vez, de acordo com Durand (2000) existem três dimensões em
relação às competências:
•

Conhecimento, compreendendo a uma série de informações assimiladas e
estruturadas pelas pessoas, que lhes permite entender o mundo, ou seja, o
saber acumulado ao longo da vida, derivado da informação que, por sua vez,
deriva de um conjunto de dados que são séries de fatos ou eventos isolados;
considere-se que a informação são dados que, percebidos pela pessoa, têm

�relevância

e

propósito

e

causam

impacto

em

seu

julgamento

ou

comportamento.
•

Habilidade, relacionada ao saber como fazer algo ou à capacidade de aplicar
e fazer uso inteligente e produtivo do conhecimento adquirido, ou seja, de
instaurar informações e utilizá-las em uma ação, com vistas a atingir um
propósito específico; considere-se que as habilidades podem ser classificadas
em

intelectuais

organização

e

(abrangendo
reorganização

essencialmente
de

informações)

processos
e

como

mentais

de

motoras

ou

manipulativas (pressupondo uma coordenação neuromuscular).
•

Atitude, como terceira dimensão da competência, diz respeito aos aspectos
sociais e afetivos relacionados aos estados complexos do ser humano e que
afetam o comportamento em relação a pessoas, coisas e eventos,
determinando a escolha de um curso de ação.
Em síntese, existem inúmeras questões a serem debatidas ainda sobre

a competência, assim, para efeito de melhor compreensão a respeito, coloca-se a
competência como sendo um composto de duas dimensões distintas: a primeira,
um domínio de saberes e habilidades de diversas naturezas que permite a
intervenção prática na realidade, e a segunda, uma visão crítica do alcance das
ações e o compromisso com as necessidades mais concretas que emergem e
caracterizam o atual contexto social.
É importante destacar a existência de competências de natureza vária,
porém, voltando nossa atenção, a seguir, para aquela que se insere incisivamente
na área de informação: a competência em informação (information literacy).
2.1 Competência em Informação (Information Literacy)
Em decorrência da evolução tecnológica e de seus profundos impactos
na sociedade, as bibliotecas e serviços de informação tiveram alterações
acentuadas nas formas e métodos de trabalho dos seus profissionais e no
comportamento dos usuários surgindo em decorrência a necessidade de
desenvolvimento da chamada “competência em informação”. Pretende-se, refletir,
à luz dos cenários atuais e das transformações em curso, especificamente acerca
do perfil da competência em informação, necessário para atender aos desafios

�que se fazem presentes ante a multidiversidade cultural e a complexidade atual
de acesso e uso da informação encontrada em suportes de natureza vária.
Nesse particular, encontramos eco em Fatzer (1987), ao descrever os
diferentes níveis de compreensão dos usuários da informação como sendo, em
síntese: nível de orientação básica (aquele que não consegue sequer encontrar
um livro em uma estante de biblioteca e precisa de ajuda para tanto); nível de
orientação intermediária (aquele que consegue encontrar livros em catálogos e
nas estantes e mediante o uso de guias); nível de orientação avançada (aquele
que pode seguir uma estratégia de busca sistemática para localizar e avaliar a
informação mais relevante sobre um determinado tema – usuário competente); e,
orientação mais que avançada (aqueles que conhecem os mecanismos de
comunicação e publicação e são capazes de generalizar e de modificar a sua
estratégia de busca para responder a uma variedade de necessidades de
informação – o usuário expert). Rudolph et al. (1996) também deram ênfase a tais
questões, ao afirmar que ser um usuário competente nas bibliotecas,
historicamente, significava: de início, solicitar ao bibliotecário que lhe oferecesse
os documentos para atender às suas necessidades de informação; mais tarde,
saber como estava organizado o catálogo e como localizar as obras nas estantes;
na atualidade, este significado inclui a compreensão de um conjunto de elementos
acerca dos meios e formatos em que se acessa a informação. Desse modo,
Rudolph et al (1996) consideram que são competentes apenas aqueles que
conseguem acessar a informação e sua contextualização para a geração do
conhecimento.
Por sua vez, acredita-se também que ainda não seja um ponto pacífico
nos meios bibliotecários que o acesso à informação toma, progressivamente, o
lugar de sua posse. As habilidades dos bibliotecários, a maioria das vezes, ainda
se acham centradas no documento e não no acesso propriamente dito. Essa
situação se agrava pela diversidade de fontes informacionais com as quais esses
profissionais precisam estar interagindo, como por exemplo, as imagens e os
arquivos sonoros das bibliotecas virtuais, digitais e eletrônicas.
Chowdhury; Chowdhury (2001) apresentam uma discussão geral sobre
o tema de “Acesso à informação e interfaces do usuário”, ressaltando que o maior

�objetivo de uma biblioteca virtual deve ser o de prover e facilitar o acesso à
informação

-

compreendido

como

a

conectividade com uma

rede

de

computadores e uma avaliação dos conteúdos acessados, conhecimentos das
tecnologias envolvidas, habilidades e conhecimentos específicos dessas áreas
por parte dos usuários, além do uso adequado da informação acessada.
Diante desse cenário exposto, em face da mudança do físico para o
virtual e da importância crescente das interações baseadas no digital, é
necessário refletir sobre quais as competências que importam desenvolver neste
século XXI, tanto para os profissionais da informação, como para os usuários dos
serviços de informação ou congêneres, e que contribuem para a construção de
conhecimento. Se, de um lado, as facilidades informacionais puderam ser
ampliadas, pode-se dizer que a complexidade na condução das buscas aumentou
de forma inconteste para o acesso e uso da informação e sua aplicabilidade à
produção

do

conhecimento,

requerendo

o

desenvolvimento

de

novas

capacidades, apontadas por muitos como a “alfabetização do Século XXI”.
Os profissionais que atuam nas bibliotecas universitárias, não devem
esquecer que no mundo atual o que prevalece é o conhecimento e as
competências que decorrem da renovação da educação e do uso de métodos
voltados para a descoberta e a investigação. O que se deseja é um processo
renovado que esteja apoiado no questionamento como guia da descoberta de
novos caminhos que representem uma nova atividade – a metodologia
investigativa.
Por outro lado, com a evolução da Internet e sua utilização em larga
escala, permitindo a existência de verdadeiras “auto-estradas de informação”,
com certeza está havendo a remoção de inúmeras barreiras no acesso e uso da
informação, passo inicial dos projetos de investigação na universidade, permitindo
que

as

pessoas

acessem

diretamente

aos

documentos

eletrônicos,

independentemente de sua localização e sem intermediações. Entretanto, há um
paradoxo inserido nesse particular, em especial no contexto brasileiro – muitas
outras barreiras estão emergindo em contrapartida, devido ao custo econômicofinanceiro dessa tecnologia e também do despreparo das pessoas em face da
maior complexidade em relação aos processos de utilização adequada das fontes

�eletrônicas e ao aumento exponencial de informação que, muitas vezes, não tem
a qualidade necessária, exigindo uma maior reflexão crítica sobre sua pertinência,
relevância e confiabilidade.
Deve-se ressaltar que um dos objetivos da educação superior é o de
prover e facilitar o acesso à informação - compreendido como a conectividade
com uma rede de computadores em ambiência eletrônica, digital e virtual e uma
avaliação dos conteúdos acessados, conhecimentos das tecnologias envolvidas,
habilidades e conhecimentos específicos dessas áreas por parte dos usuários,
além do uso adequado da informação acessada (FERES, 2005). Assim sendo,
considera-se como os maiores fatores de influência ao acesso e uso da
informação: a tecnologia, conteúdo e necessidades dos usuários, sob o enfoque
de dois modelos básicos: browsing (apoiado na metodologia da superficialidade)
que é baseado no saber e na intuição e busca em profundidade (apoiada em
metodologia científica) fundamentada nos métodos de investigação pelo
questionamento, de hipóteses ou pressupostos como respostas provisórias, da
comprovação do que se afirma e da experimentação dos fatos (MARTINS, 2001).
Isso requer o desenvolvimento de habilidades específicas, delineadas em
seqüência.
2.2 Habilidades de acesso e uso da informação e as redes
Reiterando que esse novo contexto informacional e tecnológico
apresenta mais complexidade e exige novas habilidades de acesso e uso da
informação, reportamo-nos à concepção de uma sociedade em rede que,
segundo Castells (2003), é um conjunto de nós interconectados, sendo uma
formação humana muito antiga que ganhou vida nova em nosso tempo,
transformando-se em redes energizadas pela Internet. Ainda, para esse autor, as
redes têm vantagens extraordinárias como ferramentas de organização, em razão
de sua flexibilidade e adaptabilidade inerentes, características essenciais de
sobrevivência e prosperidade em ambientes de rápidas mudanças. Em
decorrência, surgiram novas formas de gestão, de tomada de decisão coordenada
e execução descentralizada, de expressão individualizada e comunicação global,
horizontal, fornecendo uma forma organizacional superior à ação humana.

�Para isso, necessário se faz, obviamente, garantir o acesso a todos,
docentes, discentes e comunidade científica em geral.
O avanço das TIC na área do ensino superior e da pesquisa,
principalmente o uso da Web, permite aos usuários a obtenção ágil de
informação, além de maior controle sobre a apresentação do produto, das
expectativas do curso, dos roteiros, programação das aulas, exigências do curso,
materiais suplementares e critérios de aprovação.
Desse modo, no que diz respeito ao desenvolvimento de projetos
investigativos na universidade, deve ser entendido, atualmente, como uma
inserção de docentes, discentes e dos profissionais da informação em ambiência
virtualizada com inúmeras perspectivas. De uma forma ou de outra, é comum a
ênfase colocada no acesso remoto ao conteúdo das fontes de informação
eletrônicas ou digitais, contando-se com a possibilidade de aproveitamento da
expansão dos sistemas de armazenamento e comunicação em formato digital.
Assim, a informação em ambiência virtual possibilita o desenvolvimento de
pesquisas mais personalizadas, interativas e amigáveis, promovendo o acesso e
uso da informação multimídia e a redução de barreiras de distância física e de
tempo. Em decorrência disso, Rodrigues (1995) acredita que toda a arquitetura
dessa ambiência voltada à pesquisa virtual, pode ser vislumbrada em três
dimensões essenciais:
•

Armazenamento e acesso a volumes cada vez maiores de informação
multimídia (texto, imagem, som etc.) em suportes digitais e em diversos
formatos, paralelamente à existência de documentos em suportes tradicionais
(papel).

•

Acessibilidade aos seus potenciais clientes/usuários a qualquer hora e em
qualquer lugar e possibilidade de obtenção não apenas da informação
secundária e de referência, mas também de informação primária (conteúdo
integral dos documentos).

•

Possibilidade de pesquisa de forma transparente e de acesso às coleções
locais ou a qualquer fonte de informação existente nas redes de comunicação
onde quer que estejam integradas.

�No que diz respeito especificamente às bibliotecas universitárias, estas
devem considerar que uma mudança importante é introduzida pela presença das
redes de computadores no tocante à produção de conhecimento, uma vez que ele
não mais é construído de forma apenas indutiva ou dedutivamente, mas de modo
interativo. Destacando o potencial das redes eletrônicas, Moran et al. (2003)
apresenta como sendo possíveis usos: divulgação do conhecimento, pesquisa,
apoio

ao

ensino

e

comunicação

interpessoal.

Introduzir

computadores,

ferramentas de telecomunicações ou qualquer outro recurso tecnológico nos
programas de educação de usuários nas bibliotecas universitárias, não resulta
automaticamente na melhoria da aprendizagem. Para que haja uma maior
integração das tecnologias em rede, no desenvolvimento da competência em
informação, é necessário que os bibliotecários e usuários sintam-se confortáveis
ao utilizar as tecnologias, explorem fontes de pesquisas eletrônicas: CD-Rom,
Internet dentre outros. Ressalte-se, desse modo, que a necessidade de formação
de bibliotecários e usuários via rede, se coloca como mais um caminho possível
na tentativa de ajustar os programas de educação nas bibliotecas universitárias
ao momento atual, não invalidando práticas pedagógicas mais tradicionais.
Como

parte

importante

do

sistema

educacional,

a

biblioteca

universitária tem estado orientada cada vez mais ao processo de ensino e
aprendizagem, o qual requer vínculo com as TIC. Isso obriga a biblioteca a ser o
principal apoio acadêmico na gestão da informação e do conhecimento, tendo a
responsabilidade de disponibilizar o acesso e uso da grande quantidade de
informação produzida. Para o alcance desse propósito, deve voltar-se à Educação
de usuários, com o objetivo do desenvolvimento de competências e habilidades
informacionais necessárias ao uso de maneira eficiente de todo e qualquer tipo de
informação, promovendo e estimulando assim a aprendizagem, inovação e a
produção do conhecimento na sociedade contemporânea.
Esse programa de educação de usuários deve contemplar a
elaboração de uma estratégia de busca de acordo com interesses e demandas
informacionais. Essa estratégia favorecerá a escolha dos tipos de fontes
requeridas de acordo com os suportes documentacionais disponíveis. Além disso,
deve permitir a definição de palavras-chave e formulação de perguntas de acordo

�com os interesses dos usuários. Por último, deverá criar facilidades de avaliação
dos resultados obtidos para passar do processo de orientação à análise da
informação. Além disso, não deve ensinar técnicas que podem ser esquecidas
facilmente, mas deve criar um padrão de comportamento voltado ao hábito de
analisar a informação com o objetivo de selecionar aquela que possa ser
efetivamente utilizada para determinado propósito.
O desenvolvimento da competência e informação certamente trará
impactos na produção científica e o domínio dos usuários sobre o acesso e uso
da informação nas bibliotecas universitárias permitirá a conversão dessas
unidades de informação em verdadeiros laboratórios de exercício intelectual,
criando espaços de trabalho pessoal e digital, onde se conta com opções de
atualização e discussão de natureza vária e interdisciplinar, o que concorrerá para
a verdadeira ambiência que a fluência científica e tecnológica requer.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As questões relacionadas aos programas de desenvolvimento da
informação em bibliotecas universitárias, apresentam características próprias
inerentes ao ambiente acadêmicos, tais como: conjunto integrado de habilidades
(estratégia de investigação, avaliação) e de conhecimento (técnicas e de
recursos); distinta do letramento e da alfabetização digital, porém relevantes para
ambas; não é uma simples busca da informação ou o simples conhecimento de
fontes;

envolve

atitudes

pessoais

(éticas,

de

legalidade,

perseverança,

observação, percepção) requer tempo e dedicação intensivos e é uma atividade
de resolução de problemas, voltada à satisfação de necessidades dos usuários.
Isso faz com que a competência em informação se converta em assunto de
particular significado para o mundo das bibliotecas universitárias.
O desenvolvimento da Competência em Informação no ambiente
acadêmico, inclui a educação de usuários e requer, com nas afirmações de
Dupuis (1997), as seguintes habilidades:
•

Conhecimento do mundo da informação incluindo as tecnologias da
informação, junto com a certeza de que nem toda informação é encontrada em
uma só fonte.

•

Avaliação da necessidade da informação e formulação dessa necessidade.

�•

Avaliação e seleção de recursos e busca eficazes, incluindo conhecimento da
estrutura da literatura, das diferenças de vocabulários controlado e não
controlado, entre a busca seletiva e a exaustiva, entre outros.

•

Avaliação e interpretação da informação, em diferentes formatos e meios,
empregando a análise crítica.

•

Manipulação e organização da informação.

•

Comunicação acerca da localização e conteúdo da informação obtida,
incluindo práticas de citação e integração da informação nova no sistema de
conhecimento existente.
Em síntese, um programa de educação de usuários voltado para a

competência em informação deve envolver um conjunto diversificado de
capacidades, atitudes e valores objetivando o desenvolvimento da fluência
científica e tecnológica na Sociedade da Informação, não se restringindo a um
período de escolaridade e sim a uma aplicabilidade in continuum ao longo de toda
a vida.
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>As bibliotecas universitárias precisam acompanhar a evolução da sociedade da informação, principalmente em suas características de: aceleração da inovação científica e tecnológica; a rapidez dos fluxos de informação em uma nova dimensão de espaço e tempo e o aumento de riscos na maioria dos fenômenos, da complexidade, da não-linearidade e da circularidade. A ciência e a tecnologia devem ser percebidas atualmente como áreas de grande impacto na inovação e no desenvolvimento social. Neste cenário, o pensamento da relevância da biblioteca universitária reside na sua contribuição à geração de conhecimento científico e tecnológico no ambiente acadêmico, o que requer o reconhecimento da importância de programas envolvendo a competência em informação (information literacy) que contempla habilidades de acesso e uso da informação e da sua transformação no conhecimento novo, oferecendo a fluência necessária aos pesquisadores para a construção e o desenvolvimento de projetos investigativos. Uma síntese teórico-conceitual é apresentada envolvendo esta competência e sua eficácia na elaboração e no trajeto da pesquisa e da comunicação científica apoiadas no uso de redes de computadores e na web, concluindo com diretrizes para a inovação de paradigmas relacionados ao processo de aprendizagem na sociedade contemporânea, marcada por uma maior complexidade na busca e localização da informação, uma constante inovação na tecnologia de apoio e a necessidade de educação contínua como garantia do aprendizado ao longo da vida.</text>
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                    <text>O QUE FAZ A DIFERENÇA PARA O DOMÍNIO DO CONHECIMENTO?
LEITURA, BIBLIOTECA E LETRAMENTO INFORMACIONAL
Eixo temático n.º 08: Desenvolvendo a Information Literacy.
Aida Varela Varela
Professor-Adjunto II do Instituto de Ciência da Informação / Universidade Federal da
Bahia. Campus Universitário do Canela, s/n.º, Canela, CEP: 40110-100, tel.: 713336-6755, Salvador, Bahia, Brasil. Especialista na Teoria da Modificabilidade
Cognitiva Estrutural (TMCE) pelo ICELP/Israel. Especialista em Educação de Adultos
e Ensino à Distância pela British Columbia – Vancouver/Canadá. Mestrado e
Doutorado em Ciência da Informação pela Universidade de Brasília (UnB).
e-mail: varela1946@hotmail.com / varela@ufba.br
RESUMO
Neste artigo, analisamos a necessidade do letramento informacional para a
apreensão e construção do conhecimento científico no Ensino Superior, num
contexto de sociedade cognitiva e tecnológica que desafia o sujeito a incluir-se
socialmente e a realizar-se individualmente. A ênfase recai sobre os estudos e
pesquisas que avaliam as dificuldades encontradas pelos alunos do Ensino Médio e
do Ensino Superior no domínio da leitura, especialmente em relação às
competências de crítica e significação. O que se infere é a desvinculação entre a
formação de professores e a formação de bibliotecários no que tange à urgente
tarefa de fortalecimento do movimento Information Literacy e Information Literacy
Education.
Palavras-chave: Information Literacy, Competências e Habilidades, Leitura.
ABSTRACT
In this article, we analyze the necessity of the Information Literacy for the
apprehension and construction of the scientific knowledge at the University, living in a
cognitive and technological society that provokes the subject to include itself socially
and to becomes fullfilled itself individually. The emphasis falls on the studies and
researchs that evaluate the High School and Universitarian students difficulties in the
domain of reading, especially in relation to the critical and signitificative abilities. What
it is inferred is the disentail between the teacheres formation and the librarians
formation in relationship at the urgent task of encouragement of the Information
Literacy and Information Literacy Education movement.
Key-words: Information Literacy, Competences and Abilities, Reading.

1

�1. Introdução

Assiste-se a uma crescente valorização dos pressupostos da chamada
sociedade cognitiva, sociedade que estimula o sujeito a desenvolver, continuamente,
conhecimentos, capacidades e atitudes, assumindo, como principal desafio, reduzir
as diferenças entre aqueles que sabem aprender e os que não o sabem.
A Universidade, na qualidade de centro autônomo de pesquisa e de criação
do saber, é responsável pelo cumprimento da missão do ensino superior e pela
difusão dos seus valores fundamentais. Para a consecução de suas finalidades
educativas, a Universidade busca reforçar o seu papel de instituição social,
procurando implementar ações que contribuam para a formação de cidadãos
capazes de atuar, competentemente, no seu contexto social, com o compromisso de
construir uma sociedade solidária e ética.
No Brasil, a Legislação da Educação Superior, referendada pela Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), n.º 9.394/96, insere uma nova
concepção curricular que confere maior autonomia didático-científica à Universidade,
ratificado pelo Sistema Nacional de Avaliação que orienta a demanda, pressionando
as instituições universitárias e, por conseqüência, os professores do Ensino Superior,
a seguir os ditames internacionais.
Ao se observar o cenário a ser enfrentado pelos egressos da educação
superior, percebe-se uma necessidade crescente de adaptabilidade às novas
exigências de uma realidade em permanente mudança ao enfrentar novos tipos de
problema que envolvem novos recursos tecnológicos, o que torna imprescindível o
comunicar-se de forma eficaz, utilizando-se do raciocínio crítico, do processamento e
reelaboração da informação recebida, gerando soluções originais, conscientizandose de seus próprios processos cognitivos.
Segundo estudos e pesquisas apresentadas por instituições brasileiras e
organizações mundiais, o ensino médio, no Brasil, pré-requisito para o Ensino
Superior, apresenta resultados que levam a concluir que, no processo de letramento
informacional, há fragilidades ainda na organização, disseminação da informação e

2

�no domínio das competências de transferência e transcendência para a construção
do conhecimento, não havendo espaço, portanto, para o pensamento divergente.
Reconhecendo-se a força da informação e sua disseminação para a
transformação do ser humano e do seu entorno, reconhecendo-se o espaço que vem
ganhando, na sociedade, o movimento Information Literacy e o Information Literacy
Education, este artigo se propõe a apresentar algumas entidades avaliadoras e
pesquisas acadêmicas sobre o desempenho da leitura dos potenciais alunos do
curso superior, a partir da análise da relação entre fontes, fluxo e disseminação da
informação, e do estudo de causas e efeitos da baixa proficiência em leitura como
impasse para o acesso ao conhecimento científico com criticidade.

2. Leitura: estudos e pesquisas.

Os interesses em realizar estudos de avaliação são diversos e constantes.
No governo, esses estudos estão diretamente ligados à efetividade, eficiência,
accountability e, mais amplamente, ao desempenho da Gestão Pública. Já na esfera
da Universidade, a preocupação reside no estudo e debate de teorias educacionais e
práticas pedagógicas que permeiam as formas de produção e construção do
conhecimento na contemporaneidade. Entre os estudos avaliativos sobre proficiência
em leitura, destacam-se: Proposta de Avaliação do Exame Nacional do Ensino Médio
(ENEM), Proposta do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) e
Estudos e Pesquisas Acadêmicas em Educação e Leitura.

2.1. Proposta de Avaliação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM)
Relatórios 2001 a 2005.

O ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio –, promovido pelo INEP –
Instituto Nacional

de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira –, é

realizado anualmente, desde 1998, com o objetivo de avaliar o desempenho do aluno

3

�ao término da escolaridade básica, para aferir o desenvolvimento de competências
fundamentais ao exercício pleno da cidadania.
Na parte objetiva do exame, são propostas ao participante situaçõesproblema originais devidamente contextualizadas na interdisciplinaridade das
ciências, das artes e da filosofia, articuladas com o mundo em que vivemos. Utilizamse dados, gráficos, figuras, textos, referências artísticas, charges, algoritmos,
desenhos, ou seja, todas as linguagens possíveis para veicular dados e informações.
Quanto à outra parte do Exame – a redação –, tem sido elaborada de forma a
possibilitar que o participante, a partir de subsídios oferecidos, realize uma reflexão
escrita sobre um tema de ordem política, social, cultural ou científica.
O ENEM, quanto às exigências de competências em leitura, avalia o domínio
de linguagens sem fronteiras de códigos lingüísticos, a interpretação de textos na
dimensão de conjunturas, proposições e símbolos, a realização de operações que
possibilitem ultrapassar uma dada situação ou problema chegando à sua conclusão,
o recorte significativo de uma realidade às vezes complexa, a coordenação de
pontos de vista em favor de uma meta, a análise de situações anteriores para definir
ou redimensionar as seguintes.
Os resultados do ENEM, disseminados pelo MEC / SAEB, reforçam a
necessidade de estudos e atitudes que otimizem o letramento informacional para a
leitura, fortalecendo, assim, no Ensino Superior, o ato de ler. Apresenta, ainda, as
diferenças associadas à escola pública e à escola particular, a última com índices
mais altos que os da escola pública. Destacam-se as médias associadas à
escolaridade do pai e da mãe e à faixa de renda familiar. As médias mais baixas,
localizadas na escola pública, estão articuladas à ausência de escolaridade dos pais
e às mais baixas faixas de renda familiar de um salário mínimo, inferindo-se que a
desigualdade de letramento familiar e conseqüente falta de acesso à informação
reflete-se no grau de proficiência cognitiva dos alunos.
Eis

algumas

considerações

quanto

ao

domínio

de

competências

selecionadas pelo Exame, tomando-se como referência os resultados de 2002, num
universo de 1.318.820 participantes (sendo 50,2% da Região Sudeste, 26,6% da

4

�Região Nordeste e 10,8%, 5% e 7,4% das regiões Sul, Norte e Centro-Oeste,
respectivamente):
Dominar a norma culta da Língua Portuguesa e fazer uso das
linguagens matemática, artística e científica – 1,75% dos alunos situaram-se no
grupo de desempenho considerado entre insuficiente e regular, 47,37% dos alunos
situaram-se no grupo de desempenho considerado entre regular e bom e 50,88%
dos alunos situaram-se no grupo de desempenho considerado entre bom e
excelente.
Construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para a
compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da
produção tecnológica e das manifestações artísticas – 3,51% dos alunos
situaram-se no grupo de desempenho considerado entre insuficiente e regular,
52,63% dos alunos situaram-se no grupo de desempenho considerado entre regular
e bom e 43,86% dos alunos situaram-se no grupo de desempenho considerado entre
bom e excelente.
Selecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e informações
representados de diferentes formas, para tomar decisões e enfrentar situaçõesproblema – 7,02% dos alunos situaram-se no grupo de desempenho considerado
entre insuficiente e regular, 59,65% dos alunos situaram-se no grupo de desempenho
considerado entre regular e bom e 33,33% dos alunos situaram-se no grupo de
desempenho considerado entre bom e excelente.
Relacionar informações, representadas em diferentes formas, e
conhecimentos

disponíveis

em

situações

concretas,

para

construir

argumentação consistente – 5,26% dos alunos situaram-se no grupo de
desempenho considerado entre insuficiente e regular, 54,39% dos alunos situaramse no grupo de desempenho considerado entre regular e bom e 40,35% dos alunos
situaram-se no grupo de desempenho considerado entre bom e excelente.
Recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola para elaboração
de propostas de intervenção solidária na realidade, respeitando os valores
humanos e considerando a diversidade sociocultural – 0,00% dos alunos
situaram-se no grupo de desempenho considerado entre insuficiente e regular,

5

�50,88% dos alunos situaram-se no grupo de desempenho considerado entre regular
e bom e 49,12% dos alunos situaram-se no grupo de desempenho considerado entre
bom e excelente.
Diante dos resultados apresentados, percebe-se que, à medida que aumenta
a complexidade das operações cognitivas, a exemplo do raciocínio hipotéticodedutivo e do inferencial para o estabelecimento de relações de causa e efeito em
prol da organização da informação, objetividade e clareza nas organizações, há um
decréscimo no percentual de desempenho bom e excelente.
Segundo as considerações pedagógicas sobre o ENEM 2001 e 2002,
“a ausência do domínio de leitura compreensiva foi a causa principal
de situar-se o desempenho dos participantes do ENEM entre
insuficiente e regular, visto que a leitura compreensiva é um processo
global difuso, intrinsecamente ligado às intenções do participante
(leitor), dos professores autores das situações-problema, e ao
contexto sociohistórico em que tanto o autor quanto o leitor estão
imersos.
Compreender o texto das situações-problema do ENEM não é retirar
quase que “fotograficamente” a resposta para o problema. O
participante precisa construir um modelo mental da situação descrita,
e isso requer uma série de habilidades anteriores: o reconhecimento
de palavras, o entendimento das relações gramaticais e semânticas
entre palavras e a integração das idéias e conceitos por meio de
inferências.
As inferências intra-sentenciais exigem a associação das informações
que se encontram no texto da situação-problema; as inferências
pragmáticas necessitam de conhecimentos previamente construídos;
e as inferências avaliativas exigem posicionamentos pessoais e
envolvem valores. A leitura compreensiva é, portanto, um processo de
integração e construção de significados.
Aliada à não assimilação de conteúdos básicos próprios, em sua
maioria, ao ensino fundamental, a leitura superficial e fragmentada
parece ter acarretado escolhas equivocadas de resposta na parte
objetiva da prova e, na redação, resultou na elaboração de textos
que, embora adequados ao tema proposto, apresentaram problemas
na sua estruturação, em que pesem os poucos excelentes registros
de desempenho nesta parte da prova.”
(Fonte: Relatórios Finais ENEM, 2001 e 2002)

No que se refere ao ENEM 2003, que integrou o universo de 22.000 escolas
com oferta de 3ª série do Ensino Médio, em todo o Brasil, não houve grandes
diferenças do perfil socioeconômico de 2002. A faixa etária dos jovens que fizeram o
exame em 2003, a sua grande maioria do sexo feminino, está situada no intervalo
entre 17 e 21 anos (78,7%). Do ponto de vista étnico, o ENEM 2003 também espelha

6

�a diversidade social brasileira, com 41,4% de autodeclarados negros ou pardos e
mulatos. Ao analisar as médias das competências dos candidatos na redação,
verificou-se que o pior desempenho ocorreu na competência V: “elaborar proposta de
intervenção para o problema abordado, demonstrando respeito aos direitos
humanos”.
Os documentos mais recentes sobre o ENEM, 2004 e 2005, registram que o
referido exame ganhou, desde 2004, uma maior dimensão social. Com sua
vinculação ao Programa Universidade para Todos (ProUni), do MEC, o ENEM
possibilita a estudantes de escola pública bolsas para cursar o ensino superior.
Espera-se que em 2005 o exame chegue a 727 municípios em 27 unidades da
Federação, e que, além de promover a necessária identificação de competências e
habilidades de seus participantes, ajude na justa distribuição de bolsas de estudo no
ensino superior.
Comprova-se que, apesar do empenho do MEC em avaliar e, assim,
estimular projetos de intervenção para incrementar o desenvolvimento de
competências e habilidades de leitura na Educação Básica, um percentual
significativo de estudantes ingressa na educação superior sem o devido
desenvolvimento de funções e operações cognitivas para o ato de ler, não podendo o
estudo universitário avançar no conhecimento específico necessário para a formação
profissional.

2.2. PISA – Programa Internacional de Avaliação de Estudantes

O PISA – Programa Internacional de Avaliação de Estudantes – da OCDE –
Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – foi criado para
avaliar o grau de domínio em competências e habilidades dos jovens que estão
prestes a concluir a escolaridade e enfrentar os desafios das sociedades atuais, em
torno de três domínios: letramento em Matemática, letramento em Leitura e
letramento em Ciências.
Segundo estudiosos do PISA, 2000 (letramento em Leitura), um fator
importante para a compreensão em leitura é a quantidade de tempo que os

7

�estudantes gastam lendo. Se os estudantes lêem bem, tendem a ler mais e,
conseqüentemente, adquirem mais conhecimentos

em todos os domínios.

Estudantes que têm hábitos deficientes de leitura freqüentemente acham que o
material de leitura é difícil demais, portanto, desenvolvem uma atitude negativa em
relação à leitura, acabam entrando em um círculo vicioso, uma vez que, por lerem
menos, têm menos oportunidade de desenvolver estratégias de compreensão da
leitura, e, dessa forma, ficam defasados em todas as disciplinas, já que a leitura é
necessária para todas as áreas acadêmicas.
Na tentativa de simular situações autênticas de leitura, a avaliação de leitura
do PISA (2000) mede os cinco seguintes aspectos associados à compreensão
integral de um texto, seja este contínuo ou não-contínuo: construir uma compreensão
geral ampla, recuperar informações, desenvolver uma interpretação, refletir sobre o
conteúdo de um texto e avaliá-lo e refletir sobre a forma de um texto e avaliá-la.
Embora haja uma relação entre os cinco aspectos – todos eles podem,
individualmente, exigir muitas das mesmas habilidades subjacentes –, o sucesso em
um deles pode não ser dependente do sucesso em qualquer outro. Há quem acredite
que estes aspectos estão no repertório do leitor em cada nível de desenvolvimento,
ao invés de constituir uma hierarquia seqüencial ou um conjunto de habilidades.
Em relação aos níveis de proficiência no letramento em leitura, foi registrado
que, em parte, as dificuldades são determinadas pela extensão, pela estrutura e pela
complexidade do próprio texto. No entanto, notaram também que, na maioria das
unidades de leitura, as questões ou instruções variam ao longo da escala de
letramento em leitura. Isso significa que, embora a estrutura de um texto contribua
para a dificuldade de um item, o que o leitor precisa fazer com o texto, definido pela
questão ou instrução, afeta a dificuldade total da tarefa (PISA, 2000).
Foram

identificadas

diversas

variáveis

que

podem

influenciar

nas

dificuldades de qualquer tarefa de letramento informacional para a leitura. O tipo de
processo

envolvido

em

recuperação

de

informações,

desenvolvimento

de

interpretação ou reflexão sobre o que foi lido é um dos fatores relevantes. Os
processos variam em complexidade e sofisticação, desde conexões simples entre
itens de informação até categorização de idéias de acordo com determinados

8

�critérios, e avaliação crítica ou formulação de hipóteses sobre uma parte do texto.
Além do tipo de processo evocado, a dificuldade de tarefas de recuperação de
informações está associada ao número de informações a serem incluídas na
resposta, ao número de critérios aos quais a informação obtida deve satisfazer, e ao
fato de a informação recuperada precisar ou não ser seqüenciada de determinada
forma. No caso de tarefas de interpretação e de reflexão, um fator importante que
afeta a dificuldade é a quantidade de texto que precisa ser assimilada. Em itens que
requerem reflexão por parte do leitor, a dificuldade é condicionada também pela
familiaridade ou especificidade do conhecimento que precisa ser trazido de fora do
texto. Em todos os aspectos da leitura, a dificuldade da tarefa depende de quão
proeminente é a informação requerida, de quantas informações concorrentes são
apresentadas, e do fato de as idéias ou as informações necessárias para a
realização da tarefa estarem ou não explicitamente expressas (PISA, 2000).

2.3. Estudos e Pesquisas Acadêmicas

Profissionais de diferentes áreas de formação e de campos de atuação
distintos têm-se preocupado com a questão da leitura, o que, por sua vez, leva-os a
repensar a relação entre conhecimento e uso do código alfabético, uso e funções da
palavra escrita nas interações sociais – processo de letramento. O interesse pela
questão leva-os, também, a refletir sobre quais seriam as práticas de ensinoaprendizagem que possibilitariam ao aluno oportunidades de, mais do que conhecer
o código, incrementar a palavra escrita em sua vida, em diferentes situações de
interação.
O crescimento na quantidade de dissertações de mestrado e de teses
defendidas sobre leitura torna-se significativo nas duas últimas décadas, quando já
se localizam 227 trabalhos, no período de 1980-1995, e um outro conjunto de 181
pesquisas em apenas cinco anos, de 1996 a 2000, conforme quadro a seguir:
Quadro 1: Número de pesquisas distribuídas em períodos – Brasil, 1965/2000
1965-1979 1980-1985
22
43

1986-1990
70

1991-1995
114

1996-2000
181

S/D
01

TOTAL
431

9

�(Fonte: FERREIRA, 2004)

Atualmente, o conceito de letramento desmistifica a divisão leitores e nãoleitores, questiona as leituras legitimadas pela tradição cultural associada a
determinados objetos, formas, lugares e modelos de leitor e traz em seu bojo as
pesquisas que tematizam a leitura. O letramento tem sido, assim, no interior da
produção acadêmica, um termo que ora substitui, ora amplia, ora se contrapõe ao
conceito de leitura.
O foco de interesse dos pesquisadores se volta para descrever, entender e
recuperar os elementos cognitivos, a dimensão interior desta experiência na
relação/atividade do leitor com o material dado a ler. Como se lê? Que habilidades ou
competências são necessárias para a leitura significativa e crítica? Quais são as
dificuldades de leitura? Como processar o entendimento de textos dos mais simples
para os mais complexos? (Ferreira, 2004).
Um grupo de 104 dissertações de mestrado e teses de doutorado volta-se
para instituições importantes na formação de leitores: a escola e a biblioteca. As
pesquisas denunciam que a escola e a biblioteca têm falhado em sua função de
formar leitores. Falhado pela ausência de atualização desses profissionais na área
da leitura, pela falta de um acervo de livros compatível com as necessidades,
interesses, expectativas de seus leitores e pela ausência de propostas pedagógicas
mais eficientes, dinâmicas e atualizadas para as mudanças da sociedade
(FERREIRA, 2000).
Nos meados da década de 80, nos relatos de propostas lúdico-pedagógicas
e de críticas aos métodos tradicionais no ensino da leitura, um conjunto de
dissertações e de teses constrói uma outra idéia da leitura, vinculada ao prazer e ao
lazer, ancorada no conhecimento das preferências dos alunos, na facilidade de
acesso aos livros, na substituição do imperativo da disciplina e da obrigatoriedade
pela motivação, interesse e criatividade. É a leitura pelo prazer, o gosto de ler, a
liberdade de escolher aquilo de que gosta.
Ainda na década de 80, um grupo que reúne 48 trabalhos, indaga: Que leitor
é esse que passa pelas bibliotecas públicas e escolares, que se sujeita a diferentes

10

�propostas pedagógicas, que é examinado em grupos de controle em diferentes
situações de leitura?
As primeiras pesquisas apontam para um leitor mapeado, identificado por
sua classe social, econômica, escolar, faixa etária, fatores que interferem na
produção dos interesses, das preferências, dos hábitos e gostos pela leitura. Os
meninos preferem aventura, as meninas, romances; os alunos mais novos,
iniciantes, livros com muitas figuras; os não familiarizados com a cultura escrita ou
aqueles de classes mais populares preferem histórias adaptadas e modernizadas
dos clássicos.
Outras pesquisas, já na década de 90, olham para esse leitor e buscam
conhecê-lo pela sua história de leitura, pelas experiências vividas no interior da
escola e fora dela. Relativiza-se, neste caso, a responsabilidade da escola e da
biblioteca que oferecem alguns modos de ler e algumas habilidades. A leitura passa
a ser entendida como uma prática social e não apenas escolarizada. As pesquisas
buscavam imagens e representações construídas socialmente pelos sujeitos acerca
da leitura, através de depoimentos, relatos, histórias de vida e de leitura, estudos de
caso. Recentemente, alguns trabalhos voltam-se às práticas sociais de leitura ligadas
a determinadas comunidades de leitores: leitura feminina de romances sentimentais
de massa, como as leitoras da série Sabrina, leitores de Role Plaing Games (RPG),
leitores de assentamentos, leitores universitários.
Na discussão sobre o leitor, há um leitor muito especial, destacado nas
pesquisas: o professor leitor, investigado em 35 trabalhos que trazem suas histórias
de leitura, seus depoimentos de vida pessoal e profissional, buscando equacionar
sua formação como leitor, conhecer suas práticas, modos de ver e de sentir a leitura,
os livros. As pesquisas apontam para um professor marcado pelo desprestígio social
da profissão, pelo seu exíguo salário, pelo seu tempo escasso, por não apresentar as
mínimas condições de ser leitor.
Partindo de um modelo de leitor ideal (aquele que lê muito, sistemática e
freqüentemente, obras de literatura normalmente clássicas e legitimadas pela
academia, aquele que assina e lê jornais de grande circulação e revistas
especializadas), os trabalhos denunciam a ausência de leitura por parte do professor.

11

�Quanto ao professor em formação, os pesquisadores mostram-se preocupados em
equacionar os currículos dos cursos de graduação, bem como a inclusão de
disciplinas que possam assegurar a produção de "novos" conhecimentos, ainda
durante seu processo de formação inicial, capacitando esse formando para que ele
possa contribuir com a importante função social da escola – formar leitores.

3. Conclusão

Que lugar é reservado ao leitor para o fortalecimento do letramento
informacional para o desenvolvimento de habilidades de leitura compreensiva e
crítica nos cursos universitários? Formam-se leitores ou, ao contrário, instala-se ou
reforça-se o “desgosto” pela leitura?
O fato é que investigar a relação entre alfabetização e letramento, entre
conhecimento do código e prática, implica em revisão e redimensionamento de
vários outros conceitos: o de ler e escrever, o de língua escrita e de língua falada, o
de práticas orais e de práticas escriturais de produção de textos. Essa postura exige,
também, obviamente, que se repense o que é ensinar/aprender uma língua e seus
usos.
Que prática ou práticas pedagógicas desenvolvem habilidades para
investigar e diagnosticar os problemas que afetam o usuário quanto à aquisição do
conhecimento? Como objetivar a formação de um “gestor da informação” com atitude
investigativa?
Com a finalidade de selecionar conteúdo e textos que atendessem às
necessidades informacionais e raciocínios exigidos pelo Ensino Superior, era
necessário, inicialmente, delinear o perfil dos alunos que ingressavam ao primeiro
semestre do Instituto de Ciência da Informação (ICI) da Universidade Federal da
Bahia (UFBa).
Após aplicação de questionário a 60 alunos de 03 turmas de Graduação em
Biblioteconomia e em Arquivologia que lecionava no semestre 2005.2, delineou-se o
seguinte perfil: maioria do sexo feminino (78,4%); estudantes de Biblioteconomia
(62,7%) e de Arquivologia (37,3%); motivo da escolha do curso: oportunidade

12

�(47,0%), gosto pela profissão (21,6%) outros motivos (31,4%); tipo de escola em que
concluiu o Ensino Médio: escola pública (82,4%); participantes do ENEM (39,2%);
escolaridade do pai: Ensino Médio completo (33,3%), 1ª a 4ª série do Ensino
Fundamental (19,6%), Ensino Médio incompleto (19,6%); escolaridade da mãe: 1ª a
4ª série do Ensino Fundamental (29,4%), Ensino Médio completo (27,6%), 5ª a 8ª
série do Ensino Fundamental (21,5%); dos respondentes, 96,1% declararam que
gostam de ler; a freqüência que o aluno dedica à leitura: quase todos os dias
(66,6%), uma ou duas vezes por semana (23,5%); tempo que o aluno dedica à leitura
diariamente: entre uma e duas horas (49,0%), entre meia e uma hora (37,3%);
quanto ao que costuma ler: livro didático – sempre (56,8%), às vezes (41,2%); jornais
– sempre (60,8%), às vezes (35,3%); revistas de informação – sempre (64,7%), às
vezes (35,3%); revistas de humor – às vezes (58,5%), nunca (41,2%); revistas
científicas – sempre (45,1%), às vezes (39,2%), nunca (15,7%); romances – sempre
(31,4%), às vezes (52,9%), nunca (15,7%); quanto a dificuldades de leitura, os
alunos, mesmo registrando não ter dificuldade em analisar o texto, sintetizar o texto,
detectar idéias principais do texto, relacionar o conteúdo do texto com outros
conteúdos estudados e compreender diferentes códigos de linguagem existentes no
texto (escrita, gráficos, ilustrações, figuras, tabelas etc), 56,9% afirmaram ter
dificuldade em organizar dados e informações para argumentar. Entre as sugestões
de estratégias para os professores ajudarem os alunos na melhoria do grau de
proficiência em leitura, estão: inovar metodologias de orientação para leitura, a
exemplo de oficinas de leitura e de elaboração de textos (37,2%), discutir textos em
grupo (29,4%), selecionar textos mais interessantes (23,5%), estimular a organização
de grupos de leitura (17,6%), intensificar atividades de interpretação de texto e
debates (15,7%).
O perfil da clientela caracterizou-se por estudantes que chegaram ao Curso
de Biblioteconomia e de Arquivologia por acaso, por oportunidade, oriundos do
Ensino Médio de Escola Pública, com escolaridade dos pais focada no Ensino Médio,
estudantes que declaram gostar de ler e não ter dificuldade de leitura, contudo, isso
não está refletido nos dados coletados em relação à freqüência de leitura, no tempo
dedicado à leitura, no que costumam ler, na dificuldade de leitura registrada –

13

�“organizar dados e informações para argumentar” – e nas sugestões apresentadas
para melhorar o grau de proficiência em leitura.
Infere-se, portanto, que as turmas consultadas não cheguem, com facilidade,
à leitura de textos científicos complexos, o que é testemunhado, cotidianamente,
durante as aulas, em atividades de leitura, de apresentações orais e escritas, e, entre
outros aspectos, não dominam a expressão oral e escrita da língua, exibem
dificuldades na construção de argumentos, em resumir e sintetizar, em detectar e
resolver situações-problema, estabelecer relações, tudo isso aliado à falta de
técnicas alternativas para estudar, além de demonstrar baixa estima quanto às
próprias potencialidades e habilidades. As evidências mostram a necessidade do
desenvolvimento de esquemas intelectuais necessários à abstração e estratégias de
aprendizagem que subsidie o aluno em solucionar situações-problema.
Nesse novo cenário, tem sido repensada a prática pedagógica em todos os
níveis. No ensino superior, é preciso formar jovens com autonomia intelectual, com
paixão pela busca do conhecimento, com postura ética, comprometidos com os
destinos da sociedade humana.
O desafio que se coloca, neste início de século, diante do uso extensivo das
tecnologias da informação e da viabilização de condições para que as pessoas
compartilhem os significados que podem ser atribuídos às informações – a
construção de conhecimento significativo

–, é o de que as instituições responsáveis

pela disseminação de conteúdos transformem-se em comunidades dedicadas à
construção coletiva de significados, passem de meros intermediários do processo de
aquisição da informação à construtores do conhecimento. Para tanto, delineia-se
uma mudança de paradigma, um modelo centrado no sujeito/usuário voltado para o
aprendizado como processo contínuo de internalização de fundamentos conceituais,
atitudinais, comportamentais e de habilidades necessárias à compreensão e
interação permanente com o universo informacional e sua dinâmica – Information
Literacy –, quando professores e bibliotecários integram-se em prol do fortalecimento
da apreensão e da construção do conhecimento científico.

14

�REFERÊNCIAS
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15

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Neste artigo, analisamos a necessidade do letramento informacional para a apreensão e construção do conhecimento científico no Ensino Superior, num contexto de sociedade cognitiva e tecnológica que desafia o sujeito a incluir-se socialmente e a realizar-se individualmente. A ênfase recai sobre os estudos e pesquisas que avaliam as dificuldades encontradas pelos alunos do Ensino Médio e do Ensino Superior no domínio da leitura, especialmente em relação às competências de crítica e significação. O que se infere é a desvinculação entre a formação de professores e a formação de bibliotecários no que tange à urgente tarefa de fortalecimento do movimento Information Literacy e Information Literacy Education.</text>
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                    <text>O REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL DA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE
BRASÍLIA
Maria Carmen Romcy de Carvalho1
Resumo
O artigo apresenta o marco teórico dos repositórios institucionais e as
experiências de implantação de repositórios institucionais no Brasil. Descreve o
marco institucional do repositório da Universidade Católica de Brasília, cujo
objetivo é o de organizar, preservar, divulgar e dar acesso à produção científica e
técnica dos membros de sua comunidade. Utilizando o software D-Space, a
estrutura do repositório da Universidade Católica de Brasília segue a estrutura
acadêmico-administrativa da Universidade, para a definição das Comunidades e
Sub Comunidades, a partir das quais são organizadas as Coleções. Com base
na estrutura padrão do Dublin Core foram definidos, inicialmente, metadados para
inclusão de coleções de artigos, livros, anais, trabalhos de conclusão de curso e
trabalhos apresentados em eventos. O modelo de organização e funcionamento é
apresentado, bem como o relato do projeto piloto, em andamento, concebido para
teste do modelo e da metodologia. Para o projeto piloto foram selecionadas nove
Sub Comunidades, representativas dos diferentes segmentos da comunidade
universitária. As etapas de execução do projeto piloto são descritas, com o
objetivo de compartilhar a experiência com todos aqueles que planejam a
implantação de repositórios institucionais.
Palavras-chave:
Repositórios
Universidade Católica de Brasília.

institucionais;

Bibliotecas

universitárias;

Repositórios institucionais: motivação, conceituação e organização
Os repositórios como são hoje conhecidos, surgiram como resposta das
bibliotecas universitárias americanas a pelo menos duas questões básicas: (i) o
impacto do alto custo das assinaturas de periódicos para a manutenção das
coleções impressas (MUELLER, 2006) e (ii) os contratos de licenças de uso
periódicos eletrônicos considerados abusivos para divulgar o conhecimento
produzido por cientistas e pesquisadores de suas próprias instituições
(MOVIMENTO ACESSO ABERTO BRASIL, 2006).
1

Doutora em Ciência da Informação. Diretora do Sistema de Bibliotecas da Universidade Católica
de Brasília.

�Sua origem está associada a iniciativas como a do Laboratório Nacional de
Los Alamos que, em 1991, criou um sistema para armazenar e dar livre acesso à
produção dos pesquisadores daquele e de outros centros de pesquisa. Em
seqüência, surgiram outras iniciativas de livre acesso como o SPARC – The
Scholarly Publishing and Academic Resources Coalition, ELSS – Electronic
Society for Scientists, FreeMedicalJournals , PloS – Public Library of Science
(MARCONDES, 2006).
A partir da divulgação da Open Archives Initiative (1999), este movimento
vem ganhando adesão de agências governamentais, bibliotecas universitárias,
editores e autores em favor do livre acesso e, conseqüentemente, na criação de
repositórios que assegurem o livre acesso à informação. O site do Movimento
Acesso Aberto Brasil apresenta a trajetória do movimento em nível mundial e
brasileiro: Budapest Open Acess Initiative (2002), Glasgow Delaration on
Libraries, Information Services and Intellectual Freedom (2002), Bethesda
Statement on Open Acess Publishing (2003). ACRL Principles and Strategies for
de Reform onf Scholarly Communication (2003), Wellcome Trust position on open
acess (2003), Berlin Declaration on Open Acess to Knowledge in the Sciences
and Humanities (2003), An IAP Statement on Access to Scientific Information
(2003), UN World Summit on the Information Society Declaration and Principles
and Plan of Action (2003), Cumbre mUndial de las Nacionaes Unidas sobre la
Sociedade de la Informacion – Declaración de Principios (2003), OECD
Declaration on Acess to Research Dat from Public Funding (2004), IFLA
Statement on Open Acess to Scholarly Literature and Research Documentation
(2004), Australian Group of Eight Statement on Open

Access to Scholarly

Information (2004), Declaración from Buernos Aires, Argentina – I. Social Forum
of Information, Documentation and Libraries (2004),

Carta Aberta de 25

ganhadores do Prêmio Nobel ao Congresso Americano em apoio ao acesso
aberto à pesquisa financiada com fundos públicos (2004), Declaração de Salvador
sobre o Acesso Aberto - IX Congresso Mundial de Informação em Saúde
Bibliotecas (2005), Declaração de apoio ao acesso aberto à literatura cientifica –
Carta de São Paulo (2005), listados e mais recentemente a Declaração de
Florianópolis sobre acesso aberto - XI Simpósio de Intercâmbio Científico da

�Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Psicologia (2006)
(MOVIMENTO ACESSO ABERTO BRASIL, 2006)
A literatura especializada e a prática profissional apontam a existência de
dois tipos de repositórios: os chamados repositórios institucionais (RI) e os
repositórios temáticos, cujas denominações já expressam de forma clara a
natureza do conteúdo que os constitui.
Lynch (2003) define repositório institucional (RI) como “um conjunto de
serviços que a universidade oferece aos membros de sua comunidade, para
gestão e disseminação dos materiais digitais criados pela universidade e
membros de sua comunidade”.
Crow (2002, p. 16), “[...] repositório institucional é um arquivo digital de
produtos intelectuais criados por professores de uma instituição, por uma
comunidade de pesquisadores e estudantes”.
Para Crow (2002), Lynch (2003) e Rodrigues e outros (2006) os
repositórios institucionais possibilitam reunir, preservar, dar acesso e disseminar
boa parte do conhecimento da instituição, contribuindo para aumentar a
visibilidade da produção cientifica.
Lynch (2003), Santos, Teixeira e Pinto (2005) observaram que cresce,
principalmente em universidades e bibliotecas, o número de repositórios
institucionais, com objetivos orientados à gestão, armazenamento, preservação e
divulgação do trabalho intelectual. Segundo os autores, as universidades têm
responsabilidade e interesse de que seus membros depositem nestes
repositórios, como garantia de preservação e fácil acesso à produção. Os
repositórios também são vistos com interesse por docentes e pesquisadores, uma
vez que o acesso à produção gerada, além de contribuir para o progresso
científico em sua área de estudo, contribui para que sua instituição ganhe
prestígio e credibilidade na comunidade científica, o que por extensão também lhe
confere prestígio e valorização.

�As políticas públicas e agências de governo ligadas à educação, ciência e
tecnologia têm um importante papel na criação de repositórios institucionais na
medida em que promovem e recomendam o acesso livre às publicações
científicas. Prova disso é relatório do House of Commons Science and
Technology Committee, do Reino Unido, que recomendou que toda instituição de
ensino superior criasse seu repositório institucional para armazenamento de toda
a produção publicada e de onde possa ser lida online, gratuitamente. O relatório
recomendava ainda, que as agências de governo tornassem compulsório o
depósito de trabalhos resultantes das pesquisas financiadas (BARTON;
WATERS, 2004/2005). A divulgação desse Relatório levou os Conselhos de
Pesquisa do Reino Unido a estabelecer que, a partir de 1 de setembro de 2005,
todo trabalho científico, resultante de pesquisa por eles financiada, deverá ser
depositado em repositório institucional ou temático (COSTA; LEITE, 2006).
Em igual direção caminha o Brasil. Muito embora não mencione qualquer
iniciativa em favor do acesso livre, a Capes por meio da Portaria nº 13/2006
estabeleceu, para fins de acompanhamento e avaliação, a obrigatoriedade de
instalação até 31 de dezembro de 2006, de arquivos digitais de acesso livre para
as teses e dissertações defendidas a partir de março de 2006. Tomando por base
a redação Portaria, aquela

Agência não parece reconhecer o movimento

brasileiro em prol do acesso livre, além de não considerar as iniciativas das
instituições públicas e privadas de ensino superior para a implantação de suas
bibliotecas digitais de teses e dissertações. (CAPES, 2006a).
Da mesma forma, ao recomendar a qualificação dos periódicos nacionais
pela adoção de metodologias de acesso livre como o SEER e SciELO a Capes,
de forma indireta, orienta para a adoção de plataformas de livre acesso à
informação (CAPES, 2006b).
O bibliotecário desempenha um importante papel na criação de repositórios
institucionais. Allard, Mack e Feltner-Reichert (2005) apontam papéis e
responsabilidades que os bibliotecários podem assumir: conhecer o software;
supervisionar a gestão do projeto e planejar as implementações locais; orientar a
definição da coleções; criar padrões de metadados simples, claros e sob medida

�para cada coleção; rever as submissões para garantir a qualidade do conteúdo e
consistência dos metadados; treinar autores para o uso do repositório
institucional.
Repositórios institucionais incluem uma diversidade de conteúdos e
formatos, de modo a tender todo o tipo de produção intelectual. Leite e Costa
(2005) listaram artigos científicos, livros eletrônicos, capítulos de livros, preprints,
postprints, relatórios técnicos, textos para discussão, teses, dissertações,
trabalhos apresentados em conferências, palestras, material de ensino (slides,
transparências, texto resumo, resenhas, trabalhos apresentados, entre outros),
arquivos multimídia etc.
A criação de um repositório institucional requer um trabalho cuidadoso de
análise planejamento e implantação, uma vez que envolve a participação de
diferentes atores e cujo sucesso depende inteiramente da adesão de docentes e
demais segmentos da comunidade universitária. Neste sentido, o Creating an
Institucional Repository: LEADIRS Workbook, de Barton e Waters (2004) e
Establishing an Institutional Repository, de Gibbons (2004), oferecem uma boa
orientação para a construção de repositórios institucionais. O site do Movimento
para o Acesso Aberto no Brasil possui uma tradução adaptada da Budapest Open
Acess Initiative, onde bibliotecas, editores, pesquisadores e outros segmentos
podem encontrar orientações gerais de como promover acesso aberto nas suas
instituições e veículos de comunicação sob sua responsabilidade.

Repositórios no Brasil
Conforme levantamento realizado em 30 de julho de 2006, no Registry of
Open Acess Repositories (http://archives.eprints.org/index.php?action=browse) o
Brasil ocupa o quarto lugar no ranking dos países produtores de repositórios,
ficando atrás apenas dos Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha.. Os 45
repositórios brasileiros cadastrados estão distribuídos nas seguintes categorias:
Pesquisa entre instituições - 3; Pesquisa institucional ou departamental – 5;

�Periódico eletrônico/publicação – 23; Teses/dissertações eletrônicas – 3; Base de
Dados – 1.
Uma breve análise dos dados disponíveis sobre os 45 repositórios
possibilitou afirmar que apenas duas bibliotecas (uma biblioteca universitária)
atuam na coordenação de repositórios: a Biblioteca da Faculdade de Educação
da Unicamp – repositório da publicação ETD - Educação Tecnológica Digital e a
Biblioteca do Superior Tribunal de Justiça – Biblioteca Jurídica Brasileira. Pela
natureza do material, supõe-se que outras duas bibliotecas e/ou Sistema de
Bibliotecas Universitárias estejam coordenando os repositórios da Biblioteca
Digital de Teses e Dissertações da Universidade Federal do Paraná e Portal do
Saber - Teses e Dissertações da USP.
Cabe destacar, no entanto que a Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações, coordenada pelo IBICT e um dos três repositórios de teses e
dissertações cadastrados, inclui hoje 35 bibliotecas digitais institucionais
(http://bdtd.ibict.br/indicadores/indicadores.jsp), todas coordenadas por bibliotecas
universitárias, que não são “visíveis” no referido cadastro.
O

maior

número

de

repositórios

registrados

são

de

periódicos

especializados, que utilizam o Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas –
SEER ou o Open Journal System - OJS.

O repositório institucional da Universidade Católica de Brasília
A Universidade Católica de Brasília (UCB) instituída como universidade há
11 anos, após trajetória de mais de 20 anos como Faculdades Integradas Católica
de Brasília,

iniciou o ano de 2006 oferecendo 35 cursos de graduação nas

modalidades presencial e a distância, nove programas de mestrado, três
programas de doutorado e concedendo chancela acadêmica a mais de 30 cursos
de especialização e MBA, administrados pela Fundação Universa, entidade
instituída pela mesma entidade mantenedora da Universidade. A comunidade
acadêmica é constituída de aproximadamente 16.000 alunos 800 docentes, dos
quais 76 % doutores e mestres, encontrando-se em andamento em 136 projetos.

�Em meados de 2005, atendendo às demandas colocadas pela Reitoria,
Diretoria de Pesquisa e diferentes unidades acadêmicas para a criação de uma
“biblioteca digital à semelhança da BDTD” para armazenamento e acesso à
produção docente, aos resultados das pesquisas institucionais e aos trabalhos de
conclusão de curso, o Sistema de Bibliotecas iniciou estudos para desenvolver o
projeto de repositório institucional para a UCB.
Com o objetivo de coletar, organizar, preservar, disseminar e dar acesso ao
conhecimento gerado pelos membros da comunidade docentes, discente e
técnico-administrativa, o projeto foi concebido com base nas experiências de
outros repositórios já implantados no Brasil com o software Dspace. O RI-UCB é
um dos módulos da Biblioteca Digital da Universidade Católica de Brasília, que se
constitui em um conjunto de serviços de acesso livre, incluindo a Biblioteca Digital
de Teses e Dissertações (já implantada) e o Portal de Periódicos (com previsão
de início em 2007).

Inserido também no planejamento estratégico da

Universidade, o RI-UCB é uma das iniciativas do Objetivo Estratégico 12, que visa
a implantação de um sistema de gestão do conhecimento na Universidade.
De acordo com a estruturação proporcionada pelo D-Space, o RI-UCB
organiza-se em Comunidades, Sub-comunidades e Coleções, seguindo a
estrutura organizacional Universidade. Dessa forma, no primeiro nível, as
Comunidades correspondem aos Centros, Reitoria e Pró-Reitorias. No segundo
nível,

agrupados

nas

respectivas

Comunidades,

organizam-se

as

Sub-

comunidades, representadas pelos Cursos de Graduação, Programas de Ensino
de Pós-Graduação (especialização, mestrado e doutorado), Programas de
Pesquisa, Programas de Extensão e Unidades Técnico-Administrativas. As
Coleções, por tipo de material, são constituídas de acordo com o interesse e o
tipo de produção de cada Sub-comunidade e podem incluir trabalhos de
conclusão de curso, artigos, livros, capítulos de livros, anais de eventos no todo,
trabalhos apresentados em eventos, textos para discussão, relatórios técnicos,
fotos, filmes, vídeos, peças publicitárias, entre outros. Devido aos compromissos
assumidos para participação na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações do
IBICT, na Biblioteca Digital da CVA-RICESU e mais recentemente para atender a
Portaria 13/2006 da CAPES as teses e dissertações da UCB serão mantidas na

�BDTD local, no entanto, estuda-se a incorporação destes materiais também ao
RI-UCB.
O Repositório Institucional da UCB está sendo implantado com o seguinte
proposta de funcionamento: (i) a administração geral do RI cabe ao Sistema de
Bibliotecas a quem compete propor políticas, definir normas, padrões e
procedimentos operacionais, gerenciar senhas e permissões, capacitar equipes,
administrar o site, controlar a qualidade do serviço, -negociar parcerias e
recursos; (ii) a administração das Coleções cabe às unidades acadêmicas e
técnico-administrativas produtoras a quem compete indicar o Coordenador de
Coleção, definir as coleções e níveis de acesso, coletar os documentos para
inclusão no RI, supervisionar/e ou executar a entrada de dados, controlar a
qualidade dos registros; (iii) a administração da tecnologia cabe à Gerência de
Tecnologia de Informação a quem compete manter em funcionamento a infraestrutura tecnológica. Na fase piloto, para a customização do Dspace foi
estabelecida uma parceria com o CESMIC - Centro de Excelência em Serviços de
Missão Crítica, ligado ao Programa de Pós-Graduação em Gestão do
Conhecimento e Tecnologia da Informação.
O RI-UCB está sendo concebido com uma estrutura híbrida de
arquivamento, isto é, deverá combinar a prática do auto-arquivamento para a
produção de docentes e técnicos-administrativos e arquivamento intermediado
pelo Coordenador de Coleção, para a produção discente, a ser representada no
RI-UCB pelos trabalhos de conclusão de curso. Desta forma, evitar-se-á a
atribuição de um grande número de senhas, permissões

e treinamento aos

alunos graduandos, cabendo ao Coordenador de Coleção entrar diretamente os
dados ou supervisionar a entrada no caso de delegar a tarefa a outro membro do
Curso/Programa.

Projeto Piloto
O projeto piloto foi iniciado em março deste ano, com a instalação do
software, indicação das Comunidades, Subcomunidades e Coleções, definição

�dos metadados, customização do DSpace, e criação do site. Participam desta
fase o Curso de Química, Curso de Comunicação Social, Curso de Fisioterapia,
Centro de Estudos Interdisciplinares em Justiça Criminal, Especialização em
Educação

a

Distância,

Mestrado/Doutorado

em

Ciências

Genômicas

e

Biotecnologia, Mestrado em Gestão do Conhecimento e Tecnologia da
Informação, Sistema de Bibliotecas e Editora Universa.
O projeto piloto está sendo desenvolvido com base na metodologia de
implantação de repositórios institucionais sugerida por Gibbons (2004) e inclui o
desenvolvimento das seguintes etapas:
•

Reuniões

de

apresentação,

convites,

compromissos

–

foram

desenvolvidas uma série de de encontros e reuniões para a
apresentação da idéia junto à Diretoria de Pesquisa, Colegiado de
Gestão Acadêmica, Coordenadores da Católica Virtual, Coordenadores
de Programas de Extensão e Diretores de Cursos e Programas de PósGraduação.
•

Negociação de parcerias internas e externas - contatos com unidades
administrativas, acadêmicas e técnicas da Universidade para discutir a
oportunidade da criação do RI-UCB e órgãos como IBICT, Supremo
Tribunal Federal e PORTCOM para aquisição de conhecimentos e
experiência no desenvolvimento do projeto, instalação e customização
do DSpace.

•

Preparação da infra-estrutura tecnológica – instalação de servidor e
software Dpace e realização de testes pela equipe de TI da
Universidade e acompanhamento pelo SIBI.

•

Seleção das Comunidades, Sub Comunidades e Coleções – com base
nas demandas e interesse na participação foram identificados e
convidados alguns Cursos e Programas que atenderam os requisitos do
projeto piloto.

•

Identificação das coleções, por Sub-comunidade – cada Subcomunidade definiu as coleções e campos de dados que desejam
cadastrar para orientar a criação dos metadados.

�•

Criação dos metadados, por tipo de coleção – com base nas
necessidades das subcomunidades foram criados metadados para
livros, capítulos de livros, artigo de periódico, trabalho de conclusão de
curso, dissertação e tese, trabalho apresentado em evento,

•

Customização da estrutura do DSpace- em andamento pelo CESMIC
com base nos metadados definidos.

•

Elaboração do manual operacional – uma versão preliminar do Manual
está em andamento pela equipe do SIBI.

•

Capacitação das equipes das Sub Comunidades – um primeiro
treinamento foi realizado para apresentação geral do projeto, atribuição
de senhas e permissões, familiarização com o sistema e teste de
registros. Assim que a customização do software for concluída, um
novo treinamento será agendado.

•

Alimentação descentralizada – será iniciada tão logo o treinamento for
realizado.

•

Avaliação do projeto piloto – será realizada pela equipe do SIBI,
visando o aperfeiçoamento do fluxo operacional, manual etc

•

Revisão do projeto

•

Apresentação

geral

para

a

Universidade,

durante

a

Semana

Universitária 2006.

Conclusão
O Sistema de Bibliotecas da UCB, ao criar as condições para a
implantação do Repositório Institucional, pretende contribuir para uma nova era
na comunicação científica da Universidade. A facilidade de operação do
Repositório possibilitará um maior interesse e engajamento das unidades de
ensino na coleta, gestão, divulgação e preservação da sua produção. O
conhecimento gerado pela Universidade poderá ser utilizado em benefício próprio
não só para gerar novos conhecimentos, como também para mostrar, o seu
potencial competitivo nas áreas onde atua.

�O movimento de acesso livre e a implantação de repositórios no Brasil
estão dando os seus primeiros passos. O papel das bibliotecas, em particular das
bibliotecas universitárias, é fundamental para o crescimento deste processo no
País, seja porque as são elas que acompanham as tendências da comunicação
científica e da informação eletrônica que impactam diretamente o seu trabalho,
seja porque possuem conhecimento técnica para fazer deslanchar o processo em
suas instituições.

Referências
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institutional repositories: a content analysis of the literature. Reference Services
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O artigo apresenta o marco teórico dos repositórios institucionais e as experiências de implantação de repositórios institucionais no Brasil. Descreve o marco institucional do repositório da Universidade Católica de Brasília, cujo objetivo é o de organizar, preservar, divulgar e dar acesso à produção científica e técnica dos membros de sua comunidade. Utilizando o software D-Space, a estrutura do repositório da Universidade Católica de Brasília segue a estrutura acadêmico-administrativa da Universidade, para a definição das Comunidades e Sub Comunidades, a partir das quais são organizadas as Coleções. Com base na estrutura padrão do Dublin Core foram definidos, inicialmente, metadados para inclusão de coleções de artigos, livros, anais, trabalhos de conclusão de curso e trabalhos apresentados em eventos. O modelo de organização e funcionamento é apresentado, bem como o relato do projeto piloto, em andamento, concebido para teste do modelo e da metodologia. Para o projeto piloto foram selecionadas nove Sub Comunidades, representativas dos diferentes segmentos da comunidade universitária. As etapas de execução do projeto piloto são descritas, com o objetivo de compartilhar a experiência com todos aqueles que planejam a implantação de repositórios institucionais.</text>
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                    <text>O SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UTFPR:
a primeira Universidade Tecnológica Federal do Brasil
CARUSO, Anna Terezinha Ribeiro¹
GUILHEM, Cristina Benedeti²
MATSUMOTO, Luiza Aquemi³
TAVARES, Helena4
TORINO, Lígia Patrícia5

Resumo
A UTFPR, primeira Universidade Tecnológica do país, apresenta sua experiência
na implantação da Rede Pergamum, visando abranger as bibliotecas dos 7 campi
que compõem o Sistema de Bibliotecas UTFPR. Estudo e análise foram
realizados no sentido de optar por uma base de dados que permitisse o
compartilhamento de informações, de forma a reproduzir a representação
temática e descritiva do acervo e sua operacionalização em rede. O presente
trabalho descreve as principais etapas deste processo, a escolha do software, as
dificuldades e soluções encontradas, a evolução dos trabalhos, a receptividade
dos assistentes, bibliotecários e dirigentes da instituição, bem como, o impacto na
comunidade interna.

1 Introdução
Os avanços tecnológicos associados às novas necessidades dos usuários
impulsionaram a busca pelo processo de modernização das estruturas e funções
das bibliotecas em geral e em particular da Universidade Tecnológica Federal do
Paraná.
Este trabalho mostra a experiência do Sistema de Bibliotecas da UTFPR, na
implantação de um sistema automatizado para gerenciamento das suas
atividades, com o objetivo de integrar as informações do acervo das bibliotecas
que compõem o Sistema, em uma base única, agilizando a prestação de serviços
oferecidos à comunidade universitária.
____________________________
Universidade Tecnológica Federal do Paraná UTFPR – Av. Sete de Setembro, 3165, Rebouças. Curitiba -PRBrasil. CEP: 80230-901
¹ caruso@cefetpr.br
² cristina@cp.cefetpr.br
³ lakemi@cefetpr.br
4
helena@cp.cefetpr.br
5
ltorino@cm.cefetpr.br

�2. A UTFPR
O projeto de transformação do Centro Federal de Educação Tecnológica do
Paraná (CEFET-PR) em Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR),
foi sancionado no dia 7 de outubro de 2005. A nova lei foi publicada no Diário
Oficial da União no dia 10 de outubro. (Lei nº - 11.184, de 7 de outubro de 2005 )
A primeira Universidade Tecnológica do Brasil acumula quase um século da
“promoção daquilo que é mais precioso da sociedade: a educação e o bem formar
de gerações de jovens” (INOVAÇÃO, 2005 p. 2). A instituição teve início em 1909
com a criação da Escola de Aprendizes Artífices, transformou-se em Liceu
Industrial do Paraná em 1937, em 1959 passou a Escola Técnica Federal do
Paraná, em 1978 em Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná e em
2005 foi transformada em Universidade Tecnológica Federal do Paraná.
Em 1990, o Programa de expansão e melhoria do Ensino Técnico fez com que o
CEFET-PR se expandisse para o interior do Estado do Paraná. Agora com sete
Campi distribuídos na cidade de Curitiba, Campo Mourão, Cornélio Procópio,
Medianeira, Pato branco, Dois Vizinhos e Ponta Grossa. Centralizados em regime
de Sistema, cada um dos Campi oferece desde Curso Técnico até Pósgraduação.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96 (LDBE) não só
originou a idéia da transformação do CEFET-PR em Universidade Tecnológica,
como também estimulou a formação do seu perfil universitário. A partir de 1998, o
foco foi direcionado do ensino de nível técnico para a graduação, incentivando o
avanço da pós-graduação e de atividades comunitárias. Esse posicionamento
começou a sedimentar três áreas tipicamente universitárias: o ensino, a pesquisa
e a extensão.
Para promover a expansão do ensino superior, a UTFPR investiu mais no projeto
pedagógico dos cursos, na formação docente e em infra-estrutura, com a
implementação das bibliotecas e de laboratórios e a adequação das instalações
para o acesso a portadores de deficiência física.

�3 O Sistema de Bibliotecas da UTFPR - SBU
Tem como missão promover o acesso, a recuperação e a transferência da
informação atualizada para toda a sua comunidade, contribuindo para a formação
profissional do cidadão e, dessa forma, colaborar com o desenvolvimento
científico, tecnológico e cultural do País. Atua subordinada ao Departamento de
Apoio ao Ensino DEAPO, e tem como objetivos contribuir para a complementação
do ensino e o desenvolvimento de pesquisas necessárias ao programa
educacional;

criar

uma

infra-estrutura

de

informações

que

propicie

o

aprimoramento técnico e intelectual dos seus usuários; aprimorar e agilizar as
condições técnicas de pesquisa bibliográfica na área tecnológica para alunos,
professores e funcionários; proporcionar efetiva utilização de seu acervo
bibliográfico
O SBU é composto por 7 bibliotecas e 1 setorial de pós-graduação dispersas
geograficamente nos sete campi no Estado do Paraná, especializadas em
Tecnologia.
A coordenação do Sistema, está sediada na Biblioteca Central “Prof. Rosário
Farâni Mansur Guérios”, em Curitiba e traça a política a ser desenvolvida pelo
sistema.
Serviços oferecidos pelas bibliotecas do Sistema UTFPR
Consulta ao acervo local
Empréstimo domiciliar
Consulta ao Sistema Pergamum
Consulta ao Portal da Capes
Acesso à internet
COMUT - Programa de Comutação bibliográfica
Normalização de trabalhos acadêmicos
Levantamento bibliográfico
Treinamento para Usuários
Realização de exposições
Empréstimo entre bibliotecas do Sistema UTFPR

�Serviço de Referência
Videoteca
Catalogação na publicação
Visitas orientadas
Disseminação seletiva da informação

4 Sistema Integrado de Bibliotecas Pergamum na UTFPR
Este Sistema, desenvolvido pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná –
PUC-PR, contempla as principais funções de uma biblioteca, funcionando de
forma integrada da aquisição ao empréstimo, tornando-se um software de gestão
de bibliotecas. Permite a consulta on-line do acervo, bem como a renovação do
documento emprestado ou sua reserva.
Possui uma rede de usuários que engloba 146 instituições em todo o Brasil.
a maioria das bibliotecas lidam tanto com o gerenciamento de seus
serviços quanto com a recuperação de informações. As aplicações mais
recentes de informática em bibliotecas e serviços consideram essas
duas áreas como um campo integrado (ROWLEY, 1994).

A cada dia a necessidade de interligar as bibliotecas dos Campi da UTFPR, para
um trabalho em rede, padronizado, buscando maior relevância na comunidade
acadêmica.
Diante de mudança de paradigmas e no sentido de emprestar maior
relevância ao papel da biblioteca, necessário se faz formular políticas
que visem à cooperação para tornar o acesso cada vez mais aberto e
levado aos locais mais longínquos, tendo como base o uso de novas
tecnologias sob comando de componentes humanos [...] usar novas
tecnologias de informática não para apenas automatizar atividades
bibliotecárias, dentro de quatro paredes, mas fazendo uso delas para o
aumento de acesso à informação [...]. (DRABENSTOTT, 1997)

A Diretoria de Ensino enviou uma bibliotecária de cada Unidade para fazer uma
visita à Universidade Federal de Santa Catarina e avaliar o software Pergamum
por ela utilizado. Apesar do sistema já ser conhecido pela equipe, achou-se por
bem ouvir a opinião de outra instituição com as mesmas características da
UTFPR, ou seja, uma Autarquia Federal.

�a escolha de um software é tarefa cooperativa, integrada e participativa
entre esses profissionais, e constitui um dos grandes desafios para as
bibliotecas e unidades de documentação e informação bibliográfica. O
avanço tecnológico associado às exigências atuais dos usuários
direcionam para seleção e aquisição de software e hardware com
características funcionalmente mais diversificadas, ou seja,
possibilidades de interligar todas funções de uma biblioteca. (CÔRTE,
2000)

Em seu retorno à Curitiba, as bibliotecárias deram parecer favorável à aquisição
do software e no ano seguinte, em junho de 2002, já com o Pergamum instalado,
foi feito o primeiro treinamento para a equipe do Sistema de Bibliotecas, com o
módulo de catalogação. Iniciou-se um mutirão para cadastramento do acervo em
cada biblioteca dos Campi da UTFPR.
Em função do número de pessoas que cadastravam o acervo em cada uma das
bibliotecas do Sistema UTFPR, Curitiba foi a primeira a iniciar o empréstimo pelo
Pergamum. Recentemente, Cornélio Procópio que também se viu na mesma
situação de Curitiba, tendo uma pane inesperada e definitiva em seu antigo
sistema, obrigou-se a dar início ao empréstimo pelo Pergamum, antes mesmo de
ter todos os equipamentos desejados para tal.
As outras bibliotecas não iniciaram o empréstimo ainda ou porque não terminaram
o cadastramento, ou porque faltam alguns equipamentos. Contudo, até o final de
2006, pelo menos três das cinco restantes, devem implantar o empréstimo pelo
sistema.
A partir do momento que o Pergamum foi implantado em cada campus da
UTFPR, começou a surgir à necessidade de padronização na catalogação, nos
parâmetros do sistema e também nos serviços. A cooperação entre bibliotecas
auxilia de forma eficiente o trabalho do bibliotecário.
somente através da mais estreita e perfeita cooperação dos órgãos de
informação e documentação será possível aos estudiosos, em geral,
acesso a toda uma gama de informações e dados relevantes que, de
outro modo, seria impossível conseguir. Uma biblioteca só pode realizar
serviços realmente eficientes adotando a política de cooperação
interbibliotecária em todas as suas formas ( FERREIRA, 1980).

A partir dessa cooperação entre as bibliotecas dos sete campi da UTFPR,
pretende-se buscar melhorias para os serviços oferecidos e ampliar a oferta de
informação fornecida aos usuários.

�5 Curitiba
As bibliotecas de Curitiba e Cornélio Procópio eram as únicas que tinham o
empréstimo automatizado. O software usado em Curitiba havia se tornado
obsoleto, pois, não sofria manutenção e nem atualização. Além disso, constantes
panes no equipamento do servidor deixavam os usuários sem poder consultar o
acervo ou realizar empréstimos. A biblioteca utilizou este software por 12 anos,
até que em 2000, uma empresa foi contratada para desenvolver outro sistema de
gerenciamento para a Unidade de Curitiba. Em 2001, este processo foi abortado
pela então Diretoria de Ensino, visto que a empresa não possuía know-how
suficiente para desenvolver a consulta do acervo via web.
A Biblioteca de Curitiba conseguiu contratar cinco pessoas: três bibliotecários e
dois administrativos com experiência em bibliotecas, para incluir o acervo
retrospectivo.
Nada pôde ser aproveitado do sistema anterior e, para facilitar o trabalho, fez-se à
importação dos registros existentes na base do Bibliodata/Calco e as devidas
correções de campos, visto que o Pergamum estava utilizando uma versão mais
atualizada do MARC. Em aproximadamente um ano e meio todo o acervo de
35000 exemplares estava cadastrado.
Durante o cadastramento, a biblioteca ainda fazia uso de seu velho sistema para
a realização de empréstimos e consulta ao acervo. Porém, antes mesmo de
terminar a inclusão das obras no Pergamum, o sistema anterior teve sua pane
definitiva e a equipe de Curitiba se viu, subitamente, à deriva. O que fazer se o
cadastramento não havia terminado? Também não se tinha a intenção de voltar
ao empréstimo manual, uma vez que não existiam mais fichas para controle. A
solução paliativa, sugerida pela chefia do DEAPO, ao qual a Biblioteca é
subordinada, foi usar o Sistema Acadêmico. Cada empréstimo era registrado
como uma ocorrência para o aluno. As maiores dificuldades eram as reservas e
as consultas, impossíveis de serem feitas através do Sistema Acadêmico. Ainda
existia o catálogo de fichas que auxiliava o usuário, este, porém, não tinha a
garantia de disponibilidade da obra. Foi um período de caos para a biblioteca,
pois, não havia como verificar se uma obra estava emprestada ou não, e nem

�como reservá-la. Além disso, a verificação de multa era manual, ou seja, o
atendente precisava calcular os dias de atraso.
No mesmo ano em que isto ocorreu, a Instituição recebeu as comissões do MEC
para avaliação e reconhecimento dos cursos de Tecnologia. A biblioteca viu-se
obrigada a suspender os empréstimos de livros, visto que não tinha como
consultar uma obra através do Sistema Acadêmico e comprovar seu empréstimo.
Houve muita reclamação por parte dos usuários e para amenizar a situação, fezse um grande número de empréstimos interbibliotecário, com outras instituições e
também com os outros campi.
Finalmente, em novembro de 2004, após a inclusão no Pergamum, de todo o
acervo de livros, iniciou o empréstimo automatizado. E já que um novo sistema
estava sendo usado, aproveitou-se para mudar algumas regras da biblioteca que,
se fossem mudadas antes da implantação do Pergamum, sofreriam maior
resistência por parte dos usuários. Uma dessas regras foi a adoção de multa no
valor de R$10,00 para o atraso nos empréstimos de final de semana, dos
exemplares de consulta local. Outra regra, propiciada pelas inúmeras opções do
Pergamum, foi impedir a reserva de exemplares disponíveis.
Apesar das novas regras, o sistema foi muito bem recebido pelos usuários,
principalmente pela facilidade em se consultar o acervo e fazer renovações pela
internet, além de haver o recebimento de avisos de devolução e débito por e-mail.
6 Campo Mourão
O Campus de Campo Mourão iniciou suas atividades em abril de 1995.
Atualmente oferece cursos nas seguintes categorias: Ensino Médio; Curso
Técnico em Informática e em Nível Superior, os Cursos de Tecnologia em
Alimentos, Tecnologia Ambiental e Tecnologia em Construção Civil; e em nível de
extensão, o curso de Formação Pedagógica e pós-graduação na área de
Gerenciamento Ambiental. Localizado na região Noroeste do Estado, num terreno
de 63.888 m² doado pela prefeitura Municipal da cidade, possui 9.241,44 m² de
área construída, sendo: salas de aula, salas de desenho, laboratórios, sala de

�apoio didático, biblioteca, ginásio de esportes com capacidade para 5000
espectadores, dentre outros.
A Biblioteca é a depositária de todo material bibliográfico existente no Campus
Campo Mourão. Atualmente, com o apoio de todo o Sistema da atual UTFPR no
que tange à biblioteca, foram realizados investimentos para a modernização de
equipamentos e atualização do acervo. Quanto aos recursos humanos, a região
não dispunha de bibliotecário graduado para atender às necessidades da
Instituição, este problema foi sanado apenas com a aprovação de uma vaga
efetiva e mediante a realização de Concurso Público em novembro de 2003. As
primeiras obras catalogadas na Biblioteca da Unidade de Campo Mourão foram
doadas pela Unidade de Curitiba, sendo aos poucos descentralizados recursos
financeiros para este fim, pela então Diretoria-Geral, e elaborados projetos
específicos. Alguns livros foram adquiridos com recursos próprios da Unidade.
Não existia nenhuma forma de arrecadação direta pelo setor. Atualmente, a
biblioteca do campus de Campo Mourão encontra-se totalmente informatizada.De
acordo com avaliação das comissões do MEC para os cursos de tecnologia, a
biblioteca obteve, em todas, o conceito A, devido à estrutura, serviços e política
de expansão do acervo. A implantação do empréstimo automatizado será uma
nova etapa que ocorrerá até a metade do segundo semestre de 2006.
7 Ponta Grossa
O Campus Ponta Grossa foi fundado sob portaria nº 1559 de 20 de outubro de
1992 e inaugurada a 20 de dezembro de 1992, tendo iniciado suas atividades em
15 de março de 1993.
Localiza-se a seis quilômetros do centro da cidade, numa região privilegiada pela
natureza nas dependências do Antigo Seminário dos Padres Redentoristas, numa
área de cento e vinte e um mil m². Atualmente, conta com aproximadamente
dezessete mil m² de área edificada. Ofereceu, até 1997, os Cursos Técnicos em
Alimentos, Eletrônica e Mecânica. Em 1998 foi implantado o Ensino Médio de
acordo com a Lei de diretrizes e Bases da Educação Nacional no 9394/96,
desvinculando do ensino profissionalizante e constituindo a etapa final da
educação básica, com duração mínima de 3 (três) anos e ministrado em regime

�anual. A partir de 1999, passou a ofertar os Cursos Superiores de Tecnologia,
com uma nova forma de graduação plena, com o objetivo de formar profissionais
focados na inovação tecnológica.
A biblioteca do Campus da UTFPR em Ponta Grossa foi criada em 1993. Até o
segundo semestre de 2000, utilizava o mesmo espaço destinado à biblioteca do
então Seminário dos Padres Redentoristas. O acervo contava inicialmente com
obras literárias de vários gêneros, obras de referência e algumas obras técnicas
doadas pelos primeiros professores e funcionários da instituição. Com a
inauguração de um novo bloco em novembro de 2000, a Biblioteca passou a
contar com uma infra-estrutura voltada a atender às necessidades da comunidade
universitária, no que se refere ao apoio às atividades de ensino. Ocupa uma área
de 573 m2 e conta com área de estudo com capacidade para 120 pessoas, área
de estudo individual, sala de estudo em grupo, videoteca, acesso a internet e
guarda-volumes.
8 Cornélio Procópio
Instalado no centro da cidade de Cornélio Procópio, o Campus conta com cerca
de 1.807 alunos oriundos da própria cidade, de outras localidades do Paraná e de
outros estados, 111 professores e 61 técnicos administrativos. Ocupa uma área
de aproximadamente cincoenta e cinco mil m2, possuindo construções que
totalizam cerca de vinte e cinco mil m2.
Oferece os Cursos Superiores de Tecnologia, nas áreas de Eletrotécnica,
Informática e Mecânica, todos reconhecidos pelo MEC com conceito A, Cursos
Técnico de Nível Médio Integrado, nas áreas de Eletrotécnica e Mecânica que
qualificam profissionais para diversos setores da economia, atendendo à
demanda do crescimento da região. Especialização nas áreas de: Automação,
Gestão, Matemática, Engenharia de Segurança, Ensino de Línguas, Informática,
Gerontologia; Programa Especial de Formação Pedagógica; CALEM – Centro
Acadêmico de Língua Estrangeira Moderna: Inglês e Espanhol; Laboratório de
Produção de Textos; Cursos de Formação Básica.

�A biblioteca do Campus Cornélio Procópio iniciou suas atividades em 1993 e no
início da formação do acervo bibliográfico, fez parte do sistema Bibliodata/Calco
da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Devido ao aumento de consultas e
empréstimos era urgente informatizar a biblioteca para poder adequar os seus
serviços às necessidades dos usuários.
A Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), unidade de fomento do Ministério
de Ciência e Tecnologia (MCT) lançou um programa de difusão de software em
1996, a biblioteca do Campus Cornélio Procópio, recebeu a proposta do Sistema
de Informação Multiacervo e, após análises, optou-se pela aquisição deste
Sistema desenvolvido pela Horizonte Tecnologia de Informática. Este software
informatiza as principais funções de uma biblioteca que são a catalogação,
indexação, consulta e empréstimo domiciliar. É um software simples, porém eficaz
para uma biblioteca de pequeno porte e seu uso neste Campus durou até o início
de 2006, sendo substituído pelo Sistema Integrado de Bibliotecas Pergamum.
Todo o acervo de livros encontra-se inserido no Sistema Pergamum, bem como
os CD-ROMS, fitas de vídeo, monografias, relatórios, dissertações, teses,
trabalho de conclusão de curso e os periódicos, faltando somente a inserção das
apostilas.
O acervo é formado por aproximadamente nove mil títulos e vinte mil exemplares.
Ocupa uma área de 572m2 distribuídos em: área do acervo de livros e periódicos,
quatro salas de estudo em grupo, área para estudo individual, microcomputadores
de acesso à internet, videoteca, balcão de empréstimo, sala de administração
ambiente de leitura coletivo e guarda-volumes.
9 Medianeira
A partir de 1990, o Campus colocou à disposição de estudantes paranaenses e
de outros estados, os cursos Técnicos em Alimentos e em Eletromecânica. Em
julho de 1996, é criado o curso de Tecnologia de Alimentos, Modalidade
Industrialização de Carnes.
Em 1998, estabeleceu o Ensino Médio, desvinculado do ensino profissionalizante.
Em 1999, implantou-se novos Cursos Superiores: Tecnologia de Alimentos,

�Modalidade

Laticínios

e

Industrialização

de

Carnes,

Tecnologia

em

Eletromecânica, Modalidade operação e Manutenção Industrial; Tecnologia
Ambiental, Modalidade Resíduos Industriais. O Programa especial de Formação
Pedagógica para o exercício do Magistério em disciplinas da educação Básica e
Profissional, bem como especialização Latu sensu, aos portadores de diploma de
grau superior.
Em 2001, teve início o Curso Superior de Tecnologia em Informática, Modalidade
Sistemas de Informação. Em 2006, houve a implantação dos Cursos Técnicos
Integrados: Técnico em Saúde Segurança no Trabalho e Técnico em Química.
Hoje, o Campus de Medianeira possui: Ensino médio, Técnico em Saúde e
Segurança no Trabalho, Técnico em Química, Cursos Superiores de Tecnologia
em Gerenciamento Ambiental, Tecnologia em Desenvolvimento de Sistemas de
Informação, Tecnologia em Laticínios, Tecnologia em Industrialização de carnes e
Tecnologia em Manutenção Eletromecânica, e também Cursos de Especialização
em Desenvolvimento de Produtos Alimentícios, Projeto e Desenvolvimento de
Sistemas baseados em objetos para ambiente internet, Automação e Controle,
Rede de Computadores, Configuração e Gerenciamento de Ativos, Engenharia de
Segurança do Trabalho e Educação Profissional Técnica de nível médio integrada
para jovens e adultos – EJA.
As atividades da biblioteca do campus Medianeira iniciaram-se em janeiro de
1990. Com o passar do tempo, a unidade de Curitiba enviou alguns títulos e
outros foram conseguidos através de doações de editoras e livrarias. Neste ano
foi feita a primeira compra de livros e mobiliário para os serviços técnicos e
administrativos da biblioteca.
Dos usuários da biblioteca, ouve-se elogios quanto à nova tecnologia de busca e
pela implantação do sistema e alimentação da base de dados feitas no próprio
Campus, sem necessidade de terceirização do serviço. A próxima etapa será o
uso do módulo de empréstimo pelo Pergamum.

�10 Pato Branco
Dia 15 de março de 1993 abriram-se as portas para receber as primeiras turmas
de

estudantes

dos

cursos

de

Eletrônica

e

de

Edificações.

Em 1994, a Unidade de Ensino de Pato Branco incorporou a FUNESP (Fundação
de Ensino Superior de Pato Branco), a pedido do Prefeito Municipal e políticos da
região ao Ministro de Estado da Educação e do Desporto, ocorrendo assim, a
federalização da Faculdade de Ciências e Humanidades de Pato Branco.
Ocupa uma área total de aproximadamente cento e trinta e oito mil m2, a parte
construída é de quarenta e sete mil m2.
Em 1993, a biblioteca somou se acervo de aproximadamente dois mil livros com o
da FUNESP, que na época tinha em torno de doze mil livros. Com esta
incorporação, a biblioteca da UTFPR ficou instalada onde era a biblioteca da
FUNESP.
Devido a problemas na estrutura do prédio transferiu-se para parte do bloco atual
e, atualmente, ocupa-o no todo.

Ao passar para este novo bloco, recebeu

também novos funcionários. Hoje o acervo possui aproximadamente quinze mil
títulos e vinte e sete mil exemplares.
Engloba uma área de seiscentos e dez m² de área construída, que é distribuída
em: salas de leitura coletiva, e de estudo individual, sala de vídeo, sala de
serviços técnicos, espaço reservado para o acervo de livros, periódicos e
hemeroteca, além de expositor para as revistas mais recentes e escaninhos para
a guarda de materiais. A biblioteca também possui onze computadores
disponíveis para o acesso à internet e a intranet.
Desde junho de 2006 está disponível no site do Campus Pato Branco, o link da
Biblioteca, onde é possível obter informações sobre a estrutura, funcionamento,
serviços prestados, regulamento, aquisições, consulta no Pergamum entre outros.
11 Dois Vizinhos
Em 2003 ocorreu a incorporação da Escola Agrotécnica Federal de Rio do Sul –
SC em Unidade de Dois Vizinhos do CEFET-PR. Em 2004 houve a transformação

�da Escola Agrotécnica de Dois Vizinhos e da Unidade de Pato Branco em
Unidade Sudoeste do CEFET-PR.

Em 2005 com a criação da UTFPR passou–

se a chamar Campus Dois Vizinhos. São ofertados os cursos de agricultura e
zootecnia.
A biblioteca possui um acervo de 1719 títulos e aproximadamente 3.500
exemplares. Trabalha com projetos para criação do hábito e prazer de leitura.
12 Conclusão
O Pergamum trouxe um grande avanço ao sistema de bibliotecas da UTFPR,
pois, proporciona maior possibilidade de acesso à informação, visto que o usuário
pode utilizar o acervo de todas as bibliotecas do sistema via empréstimo
interbibliotecário, além da facilidade de recuperar informações pela internet sem
necessitar ir à biblioteca. Trouxe melhoria para a comunicação do Sistema de
bibliotecas e também a padronização de serviços. Já para os funcionários, o
sistema possibilita relatórios mais precisos, agilidade no atendimento e qualidade
nos serviços prestados.
A biblioteca do Campus Curitiba efetuou uma verificação para avaliar a
receptividade

da

comunidade

interna

(alunos,

funcionários,

professores,

assistentes de biblioteca, bibliotecários e dirigentes) através da observação, da
realização de entrevistas e do e-mails recebidos. As respostas obtidas foram as
seguintes:
Bibliotecários
•
•
•
•
•

O sistema facilitou e agilizou a execução das tarefas rotineiras.
A automação do empréstimo e da consulta possibilitou rapidez e precisão
na recuperação da informação
Houve maior interação entre bibliotecário e usuário.
As tecnologias tornaram os usuários mais independentes
O bibliotecário passou a dar treinamentos aos usuários sobre o uso dessa
nova tecnologia.

Assistentes de Biblioteca
•

A princípio, a nova tecnologia gerou ansiedade, expectativas, medo de
mudança.

�•
•
•

Com os treinamentos realizados, as mudanças foram absorvidas devagar e
com tranqüilidade.
Com a substituição do catálogo manual para o catálogo on line, o usuário
ficou mais independente.
A biblioteca consegue atender as solicitações de um número maior de
usuários de forma mais rápida.

Dirigentes
•

Possibilitou o acesso rápido de consulta ao acervo e um número maior de
informações, sem necessidade de deslocamentos.

Comunidade interna (docente e discente)
•
•
•
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Facilitou o acesso ao sistema, via web.
Propiciou maior credibilidade e eficiência aos serviços prestados pela
biblioteca.
Agilizou o processo de disseminação da informação.
Diminuiu a barreira entre o usuário e bibliotecário, tornando-os parceiros na
busca do conhecimento.

REFERÊNCIAS
CÔRTE, Adelaide Ramos e.; ALMEIDA, Ieda Muniz de. Avaliação de softwares
para bibliotecas. São Paulo: Polis, APB, 2000. 108 p.
DRABENSTOTT, Karen M.; BURMANN, Celeste M. Revisão analítica da
biblioteca do futuro. Ciência da Informação, Brasília, v. 26, n. 2, maio/ago. 1997
FERREIRA, Lusimar Silva. Bibliotecas universitárias brasileiras. São Paulo:
Pioneira, 1980.118 p.
INOVAÇÃO. Curitiba: UTFPR, edição especial. Out. 2005. 15 p.
ROWLEY, J. Informática para bibliotecas. Brasília : Briquet de Lemos, 1994
307 p.

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                <text>A UTFPR, primeira Universidade Tecnológica do país, apresenta sua experiência na implantação da Rede Pergamum, visando abranger as bibliotecas dos 7 campi que compõem o Sistema de Bibliotecas UTFPR. Estudo e análise foram realizados no sentido de optar por uma base de dados que permitisse o compartilhamento de informações, de forma a reproduzir a representação temática e descritiva do acervo e sua operacionalização em rede. O presente trabalho descreve as principais etapas deste processo, a escolha do software, as dificuldades e soluções encontradas, a evolução dos trabalhos, a receptividade dos assistentes, bibliotecários e dirigentes da instituição, bem como, o impacto na comunidade interna.</text>
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                    <text>O TRATAMENTO DESCRITIVO E TEMÁTICO DE FOTOGRAFIAS NA FORMAÇÃO
DE BIBLIOTECÁRIOS DO CURSO DE BIBLIOTECONOMIA DA UNESP – CAMPUS
DE MARÍLIA: UM RELATO DA COLABORAÇÃO DA COORDENADORIA GERAL DE
BIBLIOTECAS DA UNESP

Mariângela Spotti Lopes Fujita
Unesp – Faculdade de Filosofia e Ciências – Docente do Curso de Biblioteconomia;
Av. Vicente Ferreira, 1278 – Cascata
17515-901 - Marília - SP - Brasil
E-mail: goldstar@ flash.tv. br
Cássia Adriana de Sant’Ana Gatti
UNESP – Coordenadoria Geral de Bibliotecas - Bibliotecária
Av. Vicente Ferreira, 1278 – Cascata
17515-901 - Marília - SP - Brasil
E-mail: cgatti@marilia.unesp.br
Dilnei Fátima Fogolin
UNESP – Coordenadoria Geral de Bibliotecas - Bibliotecária
Av. Vicente Ferreira, 1278 – Cascata
17515-901 - Marília - SP - Brasil
E-mail: dilnei@marilia.unesp.br

�RESUMO

O projeto “Memorial Fotográfico da Faculdade de Filosofia e Ciências”, com ênfase na
trajetória acadêmica no período de 1959 até o momento, é desenvolvido pelo
Departamento de Ciência da Informação da UNESP – Marília em parceria com a
Coordenadoria Geral de Bibliotecas - CGB da UNESP para propiciar, principalmente, a
formação inicial dos futuros bibliotecários, em abordagem de cunho profissional, junto à
disciplina “Tratamento temático de fotografias” e estágio com bolsa, tendo em vista que
o Grupo de Automação da CGB é responsável pela elaboração do item de
representação descritiva de fotografias no “Padrão de Qualidade de Registros
Bibliográficos da UNESP” e inserção das fotografias na Biblioteca Digital da UNESP na
base Retrat@. Desse modo, as atividades dos alunos compõem-se de quatro fases:
análise de conteúdo temático; representação documentária do conteúdo temático com
uso de linguagens; catalogação em formato MARC 21 e digitalização. A participação dos
bibliotecários do Grupo de Automação da CGB, com o conhecimento do contexto
profissional e dos padrões de tratamento documentário de fotografias foi fundamental para
a inserção do futuro profissional no processo de análise documentária de fotografias para
a organização de acervos fotográficos e proporcionando condutas e procedimentos
metodológicos em perspectiva real dentro de bibliotecas universitárias.
Palavras-chave: Tratamento descritivo. Tratamento temático. Fotografias. Formação
profissional.

�Introdução

A Universidade Estadual Paulista – UNESP, uma das mais importantes
universidades públicas do Estado de São Paulo, com grande ênfase em sua eficiente
atuação no ensino, na pesquisa e na extensão, destaca-se como um centro de
excelência no aprimoramento do ensino nos níveis de graduação e pós-graduação e
na otimização e maximização do acesso à informação aos seus alunos e
pesquisadores.

Inserida neste último contexto encontra-se a Coordenadoria Geral de Bibliotecas CGB, responsável pelo funcionamento sistêmico da Rede de Bibliotecas da Unesp,
com a missão de propiciar uma efetiva interação entre a Rede de Bibliotecas, o meio
acadêmico e Instituições congêneres Nacionais e Internacionais, através de ações
conjuntas, facilitando a comunicação entre os vários segmentos da Universidade.

De uma forma mais ampla, considera-se que a CGB e Rede de Bibliotecas formam
um sistema de informação que agrega valor à informação, aprimorando e
promovendo a política informacional da Universidade, disponibilizando-a aos
usuários no atendimento dos seus interesses e necessidades.

Fundamentada nestas questões, o Departamento de Ciência da Informação, da
Faculdade de Filosofia e Ciências – FFC, da Universidade Estadual Paulista –
Unesp, elaborou projeto intitulado “A memória acadêmica em imagens fotográficas:
análise de conteúdo e digitalização de fotografias” para organização do Memorial
fotográfico da FFC, que norteia as atividades do Grupo de Pesquisa “Análise
Documentária” na linha de análise e síntese documentária articulada com as
disciplinas curriculares do Curso de Biblioteconomia de Marília “Análise temática de
fotografias” (optativa) e “Análise documentária” (obrigatória), resultando no
desenvolvimento deste trabalho. (FUJITA, 2004, p.3).

�Fujita (2004, p.3) destaca que o desenvolvimento desse trabalho tem como proposta
resgatar a memória acadêmica, através de imagens fotográficas, da Faculdade de
Filosofia e Ciências a partir da instalação dos primeiros cursos no primeiro prédio
ocupado, da realização das defesas públicas de mestrado e doutorado e outros
eventos marcantes que modificaram o cenário de ensino, cultura e ciência no interior
paulista, por meio da digitalização das fotografias mais significativas e a
representação descritiva propiciando a recuperação e divulgação do memorial no
Banco de Dados Bibliográficos Athena.

O Departamento de Ciência da Informação e a CGB, com uma cultura organizacional
já estabelecida em suas estruturas, tem mostrado significativa importância em ações,
relevantes e prioritárias, articuladas nas propostas delineadas em seus objetivos em
relação à comunidade acadêmica, criando oportunidades e atendendo necessidades
conjuntas, estabelecendo, desta forma, uma relação de parceria. Esta efetiva
articulação entre esses dois segmentos propõe um nível de comprometimento na
continuidade e no aperfeiçoamento dos trabalhos já em andamento e também na
indicação de novas propostas a serem incorporadas.

Dentre estes trabalhos já em andamento encontra-se a participação dos bibliotecários, do
Grupo de Automação da CGB, junto à disciplina optativa “Tratamento temático de
fotografias”, que integra o currículo do Curso de Biblioteconomia da FFC, e supervisão
aos alunos contemplados com bolsa para estágio no referido projeto. Estes
bibliotecários, com o conhecimento do contexto profissional e dos padrões de tratamento
documentário de fotografias adotados para a Rede de Bibliotecas da Unesp, tornam-se
relevantes para a inserção do futuro profissional no processo de análise documentária de
fotografias para a organização de acervos fotográficos e proporcionando condutas e
procedimentos metodológicos em perspectiva real dentro de bibliotecas universitárias,
viabilizando uma efetiva integração entre a Universidade e a CGB. Esta prática tem o
intuito de tornar o ensino mais dinâmico.

�O papel do ensino de graduação deve ser o de, essencialmente, instrumentalizar o
estudante com as técnicas e ferramentas básicas de sobrevivência no meio
profissional, especialmente, aquelas que lhe garantam habilidades para adaptar-se a
transitoriedade, promover a inovação e utilizar-se da diversidade (SOUZA, 1998, p.4)

O envolvimento de docentes, de alunos e de bibliotecários em projetos universitários
converter-se em uma ação mais representativa dos objetivos propostos pela
Universidade, que ocupa um papel fundamental na formação dos futuros
profissionais, e cujos resultados beneficiarão os bibliotecários em forma de estímulo
ao aperfeiçoamento profissional no convívio acadêmico, aos alunos na absorção de
informação com o entrosamento da prática profissional e com o respaldo do
conhecimento teórico e aos docentes ao criar, com esta prática curricular, um
ambiente propício para o exercício da profissão favorecendo a aprendizagem.

O tratamento de forma e conteúdo da fotografia no Memorial fotográfico da FFC

Porque utilizar a fotografia na composição do conhecimento histórico e no processo
de transmissão deste conhecimento?

A fotografia, ao documentar um fato, registra uma compreensão histórica por meio da
leitura da imagem relacionando o acontecimento com a produção do conhecimento.
O processo contínuo no registro da memória histórica por meio de uma linguagem de
imagens deve ser aplicado e efetivado na disseminação deste conhecimento.

A imagem fotográfica, aliada ao documento impresso, remete para os aspectos mais
prementes da representação da informação no contexto histórico que a produziu,
possibilitando fazer uma nova abordagem acerca da evolução destes registros
históricos não convencionais.

Mauad (1996, p.9) facilita o entendimento sobre “a compreensão da imagem
fotográfica, pelo leitor/destinatário, que dá-se em dois níveis, a saber:

�y nível interno à superfície do texto visual, originado a partir das estruturas espaciais
que constituem tal texto, de caráter não-verbal; e
y nível externo à superfície do texto visual, originado a partir de aproximações e
inferências
com outros textos da mesma época, inclusive de natureza verbal. Neste nível,
podem-se descobrir temas conhecidos e inferir informações implícitas.”

Encontramos, ainda, em Maud (1996, p.9) a afirmação de que é ”importante destacar
que a compreensão de textos visuais é tanto um ato conceitual (os níveis externo e
interno encontram-se necessariamente em correspondência no processo de
conhecimento) quanto um ato fundado numa pragmática, que pressupõe a aplicação
de regras culturalmente aceitas como válidas e convencionalizadas na dinâmica
social.

Segundo Manini (1998) citada por Oliveira (2004, p.18) a
Análise documentária de fotografias tem como objetivo representar, de
maneira condensada, o conteúdo informacional da imagem, através de
resumo e/ou indexação e, caso seja pertinente, complementar a análise
incluindo dados relativos à expressão fotográfica.

Barthes (1984, p.12-13) citado por Estorniollo Filho (2004, p.2) ressalta que é papel
do profissional da informação traduzir a variada presença de signos representados,
nem sempre explicitamente, em uma imagem, com o objetivo de tornar acessíveis os
documentos de uma coleção. Essa representação documentária é feita pelos
processos de catalogação e indexação do documento.

No Memorial Fotográfico da FFC o projeto iniciou-se pelos procedimentos de
organização, identificação e guarda dos documentos e teve seqüência na
representação descritiva e análise de conteúdo para tornar acessível a recuperação
das fotografias.

�A organização temática foi elaborada durante o processo de pré-classificação das
fotografias com o levantamento e a seleção do conteúdo temático permitindo que as
fotografias fossem organizadas por assuntos específicos para melhor acesso e
recuperação. (FUJITA , 2004, p.7)

Desta organização surgiu inicialmente um conjunto de 25 classes temáticas com a
possibilidade de alteração dos temas, considerando a avaliação periódica de todo o
processo. As fotos estão acondicionadas individualmente com entrefolhamento em
papel neutro, em envelopes, agrupadas em pastas suspensas, com hastes de
plásticos.

Conforme Fujita (2004, p.7), para a organização e identificação das fotografias optouse pela atribuição de siglas, seguindo os títulos das classes temáticas, seguidas de
números, anotadas na borda direita superior dos envelopes.

Com o desenvolvimento do projeto, o acervo de 2220 fotografias foi distribuído em 40
séries e até final de 2005 os alunos concluíram o tratamento temático e descritivo de 13
séries com 580 fotografias.

O tratamento descritivo e temático de fotografias em sala de aula

Para realizar o tratamento descritivo e temático das fotografias com os alunos
durante as aulas da disciplina “Tratamento temático de fotografias” é adotada uma
metodologia que os coloca em contato com o desenvolvimento do projeto de
organização do Memorial Fotográfico da FFC, com os fundamentos teóricos e
metodológicos de tratamento de fotografias e com a prática de tratamento temático e
descritivo de fotografias em sala de aula.

Desse modo, as atividades dos alunos compõem-se de quatro fases: análise externa
e de conteúdo temático; representação documentária do conteúdo temático com uso
de linguagens; catalogação em formato MARC 21 com base no padrão de registros

�para fotografias da UNESP e digitalização das fotos, por meio de scanner, para
inserção na Biblioteca Digital da UNESP, na base Retrat@.

Nas aulas introdutórias, ministradas pela docente da disciplina, os alunos fazem uma
visita ao local onde está armazenado o acervo fotográfico e verificam as etapas de
execução do projeto de organização. Nessa visita são apresentados: o projeto do
Memorial Fotográfico da FFC de maneira global, uma introdução às etapas de
tratamento temático e descritivo do acervo fotográfico e a distribuição das fotos da
classe temática escolhida para desenvolvimento das atividades práticas da disciplina
iniciando-se pela digitalização das fotos por cada aluno.

Nas aulas seguintes à visita, os alunos fazem a leitura e discussão de textos que
tratam dos fundamentos teóricos e metodológicos de tratamento de fotografias
(MOREIRO GONZÁLEZ, 1994; ROBLEDANO ARILLO, 2000; SMIT, 1987, 1996) e
elaboram uma grade descritiva e temática para análise de fotografias do Memorial
fotográfico da FFC com base no entendimento dos subsídios teóricos (Anexo 1).

Como exercício prático de análise temática e descritiva das fotografias do Memorial
Fotográfico da FFC, anteriormente distribuídas, os alunos preenchem a grade para
cada foto extraindo todos os dados necessários para sua posterior catalogação e
elaboram um resumo para contextualizar a análise temática e descritiva.

Para contextualizar o tema da foto os alunos utilizam recortes de jornal da época
como material de apoio e para sanar possíveis dúvidas relacionadas a datas,
identificação de pessoas nas fotos.

Dando seqüência às aulas práticas, o próximo passo é realizar a representação
documentária com uso de linguagens documentárias para controle de vocabulário e
garantia de uniformidade do sistema de recuperação. Antes da fase de
representação

documentária,

os

alunos

são

apresentados

às

linguagens

�documentárias: lista de cabeçalhos de assunto do Bibliodata1, a lista de cabeçalhos
de assunto da Library of Congress (LC)2 – Library Congress Subject Headings LCSH e o Thesaurus for Graphics Materials - TGM1, também da LC, para que
possam,

posteriormente,

fazer

a

representação

documentária

dos

termos

identificados durante a etapa de análise descritiva e temática de suas fotos. A LCSH
foi tomada como base fundamental da representação porque a lista de cabeçalhos
do Bibliodata é uma tradução da LCSH e o TGM1, também, foi consultado porque é
específico para Materiais Gráficos e oferece uma noção mais detalhada dos termos a
serem utilizados.

Como a indexação de imagens difere muito da indexação de textos, a especificidade
no caso da fotografia é muito maior. Em alguns casos a lista de cabeçalhos não
oferece o termo necessário. Para esses casos, há a opção de adotar um termo livre
para o assunto. Existe uma lista com os termos já utilizados e quando um termo novo
é necessário, acrescenta-se à lista.

Na seqüência é feito o tratamento descritivo automatizado, utilizando formato MARC
21 (Machine Readable Cataloging), seguindo as normas do código de catalogação
AACR2 (Anglo American Cataloging Rules, 2nd edition) em planilha específica para
fotos gerando registros bibliográficos no Banco de Dados Bibliográficos Athena da
Rede de Bibliotecas da UNESP. Existe também um padrão desenvolvido pelo Grupo
de Automação da CGB para este tipo de material, o “Padrão de Qualidade de
Registros Bibliográficos da UNESP” que serve como material de apoio para
esclarecer dúvidas e exemplificar como a planilha deverá ser preenchida (Anexo 2).
A última tarefa da disciplina é a inserção das fotografias na Biblioteca Digital da
UNESP na base Retrat@.

1

Programa de catalogação cooperativa nacional sediado na Fundação Getúlio Vargas/RJ do qual a UNESP faz
parte
2
Biblioteca do Congresso Americano

�A parceria também propicia a alunos bolsistas, do curso de biblioteconomia, que
realizem estágio com o material fotográfico do Câmpus de Marília nas dependências
da CGB, com supervisão de um bibliotecário. Este bibliotecário transmite aos
bolsistas todo o treinamento passado em sala de aula. Os alunos contemplados com
bolsa para estágio no projeto, recebem inicialmente orientação quanto à proposta,
objetivos, metodologia, procedimentos e etapas de desenvolvimento do projeto, de
forma a assegurar a realização de suas atividades de maneira mais correta e eficaz.
A supervisão é constante por parte do bibliotecário supervisor.Este estágio tem
duração de 12 meses, podendo ser renovado para mais 12 meses. São cumpridas
aproximadamente 400 h de estágio/ano.

Considerações Finais

A parceria firmada entre a Coordenadoria Geral de Bibliotecas e o Departamento de
Ciência da Informação do Campus de Marília, trouxe benefícios para ambas as
partes: à CGB, que mediante trabalho desenvolvido com alunos, pode dar
prosseguimento ao tratamento deste material, muito rico em termos da história da
Universidade

e, em muitos aspectos, do próprio desenvolvimento da cidade de

Marília, e torná-lo acessível; para os alunos é uma oportunidade de trabalharem com
documentos não-textuais, em ambiente de sala de aula, vivenciando práticas
concretas.

Os alunos bolsistas, que tem a oportunidade de realizarem o estágio supervisionado
pelo bibliotecário, são envolvidos em um trabalho de orientação constante que exige
muita pesquisa histórica e social, o que propicia um aprimoramento e enriquecimento
de seus conhecimentos técnicos e culturais. O trabalho de análise documentária e
tratamento de fotografias ampliam o leque de opções no mercado de trabalho com a
experiência adquirida na organização de acervos fotográficos.

�The descriptive and thematic treatment of photographs in librarians’ education from
UNESP Librarianship Study – Campus de Marília: a report on the co-operation of
UNESP Libraries General Coordination.
Abstract:
The project “Photographic Memorial of Faculdade de Filosofia e Ciências” has been
developed by UNESP Information Science Department, Marília, SP, in partnership
with UNESP Libraries General Coordination – CGB, emphasizing the academic path
from 1959 till today. The activity aims at the initial education of future librarians,
together with the discipline “Photographs thematic treatment”, in paid traineeship. The
students’ activities consist of four stages: thematic content analysis, documentary
representation of thematic content using languages, cataloguing in MARC 21 format
and digitalization of photographs. Librarians from CGB Automation Group,
responsible for the publication “Padrão de Qualidade dos Registros Bibliográficos da
UNESP” and for inserting photographs in UNESP Digital Library – Retrat@ , have
prepared the descriptive representation pattern for photographs. They share the
professional experience in the project since their knowledge on professional context
and on patterns of documentary treatment are essential for qualifying the future
professional in the process of photograph documentary analysis and in the
organization of photographic holdings, providing methodological procedures in the
practice of university libraries.
Key words: descriptive treatment; thematic treatment; photographs; librarian
education; professional education.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ESTORNIOLO FILHO, José. A representação da imagem: indexação por conceito
e por conteúdo. São Paulo, 2004. 78 p. TCC (Bacharel em Biblioteconomia e
Documentação) – Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo.
FUJITA, Mariângela Spotti Lopes et. al. A memória acadêmica em imagens
fotográficas: representação documentária e digitalização de fotografias. In:
SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 13., 2004, Natal.
Anais... Natal, 2004. 1 CD-ROM.
GATTI, Cássia Adriana de Sant’Ana et. al. Padrão de qualidade de registros
bibliográficos da UNESP. Marília : Coordenadoria Geral de Bibliotecas/UNESP, 2002.
2 v. (Publicações técnicas, n. 4)
MAUAD, Ana Maria. Através da imagem: fotografia e história interfaces. Tempo, Rio
de Janeiro, vol. 1, n . 2, 1996, p. 73-98.

�MOREIRO GONZÁLEZ, J.A.- Análisis documental de imágenes: un primer encuadre In:
PINTO MOLINA, M. (Coord.) Catalogación de documentos: teoría y práctica. Madrid:
Síntesis, 1994. p. 305-328/505.
OLIVEIRA, Vanda de Fátima Fulgêncio de. O pesquisador de palavras e o
pesquisador de imagens : reflexões sobre a organização de bancos de dados de
imagens em artes. ETD – Educação Temática Digital, Campinas, v.6, n.1, p.10-22,
dez. 2004. Disponível em:
http://143.106.58.55/revista/viewarticle.php?id=21&amp;layout=abstract. Acessado em: 03
jul. 2006.
ROBLEDANO ARILLO, J. Documentación fotográfica em médios de comunicación social.
In: MOREIRO, J. A. Manual de documentación informativa. Madrid: Cátedra, 2000. p.183290.
SMIT, J.W.- A análise da imagem: um primeiro plano. In: ______. (Coord) Análise
documentária: a análise da síntese. Brasilia: IBICT, 1987. p.99-111.
______. A representação da imagem. Informare: Cadernos do Programa de PósGraduação em Ciência da Informação, Rio de Janeiro, v.2, n.2, p. 28-36, jul./dez. 1996.
SOUZA, Francisco das Chagas. Organização do conhecimento na sociedade.
Florianópolis: Ed. UFSC, 1998. 107 p.
ANEXO 1 – Grade descritiva de forma e conteúdo

1. DADOS DE CONTROLE
 Nº de Registro:
 Data de entrada:
 Analista: Vilma Campagnoli Otre
2. ANÁLISE EXTERNA
Autor:
Produção:
Título:
Natureza do suporte: positivo
Tipo de processo: fotográfico
Formato ou dimensão: 10X15
Estado de conservação : Ótimo
Versões e unidades:01
Original ou cópia: original
Classe de assunto: BB8
Data da fotografia:

�3. ANÁLISE DE CONTEÚDO
3.1 ANÁLISE MORFOLÓGICA
- Formato: retangular
- Interior
- Colorido
- Imagem: horizontal
- Técnica utilizada:
- Luz: artificial
- Qualidade técnica: falta iluminação
- Valores de enquadramento: plano geral
- Ângulo de visão:
- Posição do objeto:
3.2 CONTEÚDO TEMÁTICO
3.2.1 ESPAÇO GEOGRÁFICO (DESCRIÇÃO DO LUGAR) – (ONDE?)
-

Marília SP BB FFC

3.2.2 DESCRITOR CRONOLÓGICO (TEMPO HISTÓRICO) - (QUANDO?)
-

datas, décadas, períodos históricos, horário.

3.2.3 DESCRITORES TEMÁTICOS
– (QUEM?)
– (O QUE?)
-

Elementos naturais:

-

Elementos artificiais:

estantes e livros

- (COMO?) - AÇÕES
- (POR QUE, PARA QUE) – Resumo descritivo-narrativo
Resumo: Inauguração da Biblioteca
A nova instalação da biblioteca foi inaugurada em 03 de novembro de 1980 como
parte das comemorações da XXI semana da Faculdade, onde foi ministrado o
curso de Extensão Universitária com o tema “Rendimento escolar e educação
especial”. Sua estrutura foi projetada pelo arquitetos da equipe FUNDUSP - Fundo
de construção da Universidade de São Paulo em convênio com a UNESP. O
prédio foi projetado com 2000m quadrados, em 02 pavimentos com acervo de
51000 livros, 2000 títulos de periódicos totalizando 25.000 fascículos, além de
micro fichas entre outros. Na época encontrava-se sob direção de Leila Magalhães
Mercadante e o evento contou com a participação do Reitor Armando Octávio
Ramos.

�Cabeçalhos de assunto:
610 - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Campus de Marília).
Faculdade de Filosofia e Ciências. Biblioteca.
650 - Estantes (livros)
650 - Bibliotecas

ANEXO 2 – Exemplo de registro elaborado em MARC 21
1
LDR
001
002
007
008
040
084
245

2

0

3

4

1

a
b
a
a

500
500
500
500
500

h
a
b
c
a
v
a
a
a
a
a

520

a

300

440

1

5
-----ngca-22------|-4500
UN000985871
n
kiboo
------q1973----spbnnn-g----------zzpor-d
BIBLIODATA
por
PF03
[Discurso proferido pela Profa. Dra. Olga Pantaleão, Marília,
SP, 1973]
[material iconográfico]. 1 foto :
P&amp;b ;
16 x 23 cm. (Pedra fundamental,
PF03)
Papel: 18 x 24 cm
Estado de conservação: bom,
Tipo de iluminação: dia/natural – luz lateral
Valor de enquadramento: plano geral
Seres vivos: Carmen Galhardo da Silva (1), Monsenhor
Magela (2), Olga Pantaleão (3), Theobaldo de Oliveira Lírio (4)
e outros
Discurso proferido pela Profa. Dra. Olga Pantaleão, diretora da
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Marília, durante o
lançamento da Pedra Fundamental, levnado ao conhecimento
do público o local para a construção do novo campus
universitário, mostrando a antevisão da obra e salientando a
importância do ensino superior para o desenvolvimento do
interior paulista. O lançamento da Pedra Fundamental
consistiu no enterro de uma caixa de chumbo contendo

�600

1

4

600

1

4

600

1

4

650
690
CAT

4

a
c
a
c
a
c
a
a
a

exemplares dos jornais do dia, publicações da escola e os
nomes dos que compunham a direção, administração e os
corpos docente e discente, no dia 02 de fevereiro de 1973, às
17:00 hs
Silva, Carmen Galhardo,
funcionária.
Pantaleão, Olga,
Diretora da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de
Marília.
Lírio, Theobaldo de Oliveira,
Vice-prefeito de Marília.
Discursos, alocuções, etc.
Pedra fundamental – assentamento.
VANEST \b 40 \c20050608 \1 UEP01 \h 0906

LEGENDA:
1 = Campo MARC21
2 = Indicador 1
3 = Indicador 2
4 = Subcampos MARC21
5 = Texto

�</text>
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <elementText elementTextId="51378">
                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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              <name>Subject</name>
              <description>The topic of the resource</description>
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                <elementText elementTextId="51379">
                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>UFBA</text>
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              <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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              <name>Coverage</name>
              <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                  <text>Salvador (Bahia)</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
    </itemType>
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      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
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              <elementText elementTextId="59673">
                <text>O Tratamento descritivo e temático de fotografias na formação de bibliotecários do Curso de Biblioteconomia da UNESP- Campus de Marília: um relato da colaboração da Coordenadoria Geral de Bibliotecas da UNESP.</text>
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              <elementText elementTextId="59674">
                <text>Fujita, Mariângela Spotti Lopes; Gatti, Cássia Adriana de Sant’Ana; Fogolin, Dilnei Fátima</text>
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            <name>Coverage</name>
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            <description>The nature or genre of the resource</description>
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            <description>An account of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="59680">
                <text>O projeto “Memorial Fotográfico da Faculdade de Filosofia e Ciências”, com ênfase na trajetória acadêmica no período de 1959 até o momento, é desenvolvido pelo Departamento de Ciência da Informação da UNESP – Marília em parceria com a Coordenadoria Geral de Bibliotecas - CGB da UNESP para propiciar, principalmente, a formação inicial dos futuros bibliotecários, em abordagem de cunho profissional, junto à disciplina “Tratamento temático de fotografias” e estágio com bolsa, tendo em vista que o Grupo de Automação da CGB é responsável pela elaboração do item de representação descritiva de fotografias no “Padrão de Qualidade de Registros Bibliográficos da UNESP” e inserção das fotografias na Biblioteca Digital da UNESP na base Retrat@. Desse modo, as atividades dos alunos compõem-se de quatro fases: análise de conteúdo temático; representação documentária do conteúdo temático com uso de linguagens; catalogação em formato MARC 21 e digitalização. A participação dos bibliotecários do Grupo de Automação da CGB, com o conhecimento do contexto profissional e dos padrões de tratamento documentário de fotografias foi fundamental para a inserção do futuro profissional no processo de análise documentária de fotografias para a organização de acervos fotográficos e proporcionando condutas e procedimentos metodológicos em perspectiva real dentro de bibliotecas universitárias.</text>
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                    <text>Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial – SENAC-SP
Centro Universitário Senac - Campus Santo Amaro
Biblioteca Central
Avenida Engenheiro Eusébio Stevaux, 823 – Jurubatuba
São Paulo – SP - Brasil
CEP: 04696-000

O UNIVERSITÁRIO COM DEFICIÊNCIA VISUAL E O DESAFIO
PROFISSIONAL DO BIBLIOTECÁRIO

Odair José Barros Bazante
Bibliotecário de atendimento – Centro Universitário Senac-SP
Formado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
odair.jbbazante@sp.senac.br
Ricardo Quintão Vieira
Responsável pelo Espaço Braille - Centro Universitário Senac-SP
Formado pela Universidade de São Paulo (USP)
ricardo.qvieira@sp.senac.br

Salvador
2006

�RESUMO

Discute a deficiência visual e as barreiras de acesso à informação no âmbito de
bibliotecas de instituições de ensino superior. Focaliza as tecnologias
eletrônicas voltadas para o usuário com deficiência visual e como o profissional
da informação deve se preparar para conhecê-las prestando um atendimento
adequado. Apresenta os números do IBGE, que justificam a preocupação com
o tema. Concretiza esta discussão mostrando o Espaço Braille da Biblioteca do
Centro Universitário Senac-SP: seus serviços, atendimentos, e tecnologias
eletrônicas que proporcionam melhor acesso à informação. Finalmente,
compartilha os procedimentos desenvolvidos no Espaço Braille, quanto à
conversão de formatos tradicionais (em tinta e papel) para formatos acessíveis
(braile, áudio e digital).

Palavras-chaves: Acessibilidade. Deficientes Visuais. Tecnologias Adaptativas.
Bibliotecas Universitárias.

�2

1. INTRODUÇÃO
Este trabalho tem o objetivo de compartilhar as experiências do Espaço Braille
do Centro Universitário Senac-SP, baseando-se na discussão do atendimento a
deficientes visuais em unidades de informação de instituições de ensino superior.
Apresenta a situação educacional dos deficientes visuais, além das novas
tecnologias de conversão de suportes, cujas ferramentas permitem ao bibliotecário
transformar textos em tinta para os formatos de escrita Braille, áudio e digital. Desta
forma, seu papel de facilitar o acesso à informação amplia-se para novos limites
ainda pouco explorados.

2. QUADRO TEÓRICO DE REFERÊNCIA
2.1. A deficiência visual
Segundo Gil (2000, p. 8), a cegueira é a perda total de visão, que pode ser
adquirida em algum momento da vida ou desde o nascimento (congênita). Além da
cegueira total existe um tipo de deficiência visual que o autor descreve como sendo
uma “[...] alteração da capacidade funcional decorrente de fatores como
rebaixamento significativo da acuidade visual, redução do campo visual [...]” (2000,
p. 6). Essa deficiência é comumente conhecida como visão subnormal.

2.2. Dados do IBGE
De acordo com o Censo 2000 divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística, há cerca 148 mil pessoas que não enxergam e mais de 2,4 milhões que
têm alguma dificuldade de enxergar. São Paulo é o estado que possuem mais
deficientes visuais no Brasil seguido pela Bahia. Analisando por região, o Sudeste é
o que possui menos deficientes visuais (quase 13%), enquanto o Nordeste possui
em torno de 16,8%.

Neri (2003) analisou o nível de escolaridade de pessoas com qualquer
deficiência (mental, física e etc.) baseando-se nos dados do IBGE. O grupo que
mais interessa a este trabalho refere-se àquelas pessoas que estão cursando ou se
preparam para ingressar no ensino superior.

�3

Situação Escolar dos Indivíduos com Deficiência

20,00%
15,00%
10,00%

19,77%
15,98%

5,00%
0,00%
Sem nenhuma
escolaridade

Com mais de 12 anos
de estudo

Fig. 1: Situação escolar dos indivíduos com deficiência
Percebe-se que o ensino superior tem uma grande probabilidade de receber os
quase 20% de deficientes com escolaridade necessária á admissão no nível
superior. Conseqüentemente, os bibliotecários que trabalham nesta esfera da
educação têm uma chance maior, comparado com o ensino fundamental e médio,
de encontrar um deficiente necessitando de serviços e informações em sua
biblioteca.

Segundo o mesmo Censo do IBGE, de todas as outras deficiências
pesquisadas, quase 60% dos entrevistados possuem alguma dificuldade para
enxergar ou são deficientes visuais.
Os estudos revelam que uma deficiência torna-se mais aguda quanto mais o
indivíduo se aproxima da velhice. Os universitários estão em sua maioria fora deste
contexto, entretanto, a abertura de maiores oportunidades de entrada ao ensino
superior, estimulado pelos atuais programas do governo, fará com que aumente a
busca de uma formação acadêmica entre os deficientes congênitos ou que
adquiriram alguma incapacidade ao longo da adolescência.
São três dados que combinados maximizam a importância da discussão do
deficiente visual e o acesso à biblioteca universitária.

�4

2.3. O Espaço Braille
O Espaço Braille da Biblioteca do Centro Universitário Senac foi concebido pela
Diretora de Bibliotecas do Senac-SP, Jeane dos Passos Reis, em 2004, e tem o
objetivo de atender pessoas com deficiência visual, tanto da rede Senac quanto da
comunidade externa, inclusive de outras instituições de ensino superior.
Em torno de 11% dos usuários atendidos possui ou cursam o ensino superior.
Apesar de nenhum deles estudar no Centro Universitário, as instituições em que
estudam os encaminham quando eles necessitam de ajuda na elaboração de leitura
de textos, elaboração de trabalhos etc.
Possui as seguintes ferramentas:
•

Impressora de BRAILLE;

•

Máquina de escrever com recurso de voz;

•

Escâner para digitalização de livro;

•

Duas lupas eletrônicas conjugadas com televisores de 29 polegadas;

•

Sete computadores com programas DOSVOX, sendo cinco deles

espalhados pelo térreo da biblioteca permitindo que os deficientes compartilhem o
mesmo ambiente com os universitários videntes. Isso se transforma em uma
verdadeira aula de convivência e diversidade;
•

Dois computadores com JAWS, MAGIC, OPENBOOK e WEBBIE 3;

•

Acervo de livros em Braille (211 títulos) e áudio (33 títulos);

Dispõe dos seguintes serviços:
•

Curso gratuito de Informática Básica para Deficientes Visuais com

apostilas (ampliadas, em Braille ou em áudio): Atualmente há 25 alunos
matriculados (maio de 2006);
•

Curso Básico de Braille composto por atividades no computador (através

do Braille Virtual da USP), da máquina de escrever (digitação) e exercícios tácteis;
•

Adaptação de materiais do formato convencional (tinta e papel) para

formatos alternativos: de tinta para arquivo digital para áudio ou Braille. O único
serviço cobrado é o da impressão em Braille (R$0,20 / folha).
•

Auxílio em pesquisas bibliográficas aos usuários.

•

Empréstimo gratuito do acervo citado acima, além de CDs de música,

DVDs, fitas de vídeo e livros em tinta.
2.3.1. Atendimentos

�5

O Espaço Braille atendeu em média noventa usuários por mês no ano de 2005.
Realizou mais de 8.600 impressões, além de mais 5.300 impressões somente para o
IV Seminário Nacional de Bibliotecas Braille (IV SENABRAILLE), realizado em 2005,
no Campus Santo Amaro.

2.3.2. Perfil dos usuários do Espaço Braille (em abril de 2006)

•78% dos usuários não têm computador em casa;
• Quase 90% dos usuários moram na cidade de São Paulo;
•49% com cegueira total;
•47% com visão subnormal;
•4% com visão normal.
2.4. Barreiras ao acesso à informação nas universidades
2.4.1. Barreiras físicas
As barreiras físicas para os deficientes visuais não são exclusividade da
biblioteca. Elas estão presentes na via pública e nas demais áreas dos prédios da
universidade, tais como: salas de aula, cantinas, banheiros, salas da administração
universitárias etc. A Associação Brasileira de Normas Técnicas possui uma norma, a
9050 (Acessibilidade a Edificações, mobiliário e equipamentos urbanos), que é bem
clara quanto à adaptação de espaços físicos para que se tornem mais acessíveis.
Nela, encontramos normas exclusivas para bibliotecas.

Alguns desses ambientes são antigos e difíceis de serem adaptados, exigindo
investimento financeiro. Para justificá-lo, o profissional da informação terá que
trabalhar em conjunto com a diretoria da biblioteca, reitoria, órgãos de fomento à
pesquisa e empresas.
Além

das

normas

da

ABNT,

MASKORT1

(2005)

acrescenta

algumas

recomendações:

1

MASKORT, Janice. Como fazer sua biblioteca mais acessível. In: FORCE FUNDATION WORKSHOP, 10.
São Paulo, nov. 2005. CD-ROM.

�6

•

Não deixar toda a responsabilidade de planejamento para o arquiteto;

•

Quanto maior o contraste de cores, melhor é a sinalização do ambiente;

•

Consultar deficientes no estágio inicial dos planos;

•

Para as portas:
o Devem ter molduras pintadas de cor diferente das demais para
oferecer contrastes;
o Portas de vidro devem possuir uma faixa colorida no meio;

•

Os corredores devem ser limpos e vazios, inclusive de carrinhos de livros;

•

Iluminação:
o quase 96% de todos os deficientes visuais possuem a percepção
visual da luz;
o Quanto maior a iluminação de contrastes de cores, melhor para o
usuário;
o Deve ser uniforme;
o Dispor abajures para mesas de leitura;

2.4.2. Barreiras profissionais
SMITH (2002) destaca que os recursos acessíveis oferecidos pela biblioteca
devem vir acompanhados de treinamento dos funcionários. O que adianta um
computador com leitor de telas, se não há quem entenda o seu funcionamento? É
fato que, independente de possuir ou não deficiência, usuário mal atendido em suas
necessidades não retorna à biblioteca. Ela é fundamental na formação dos
estudantes, e se não estiver pronta a atender a certas necessidades específicas
provocará um bloqueio no progresso acadêmico dos deficientes condenando-os a
desempenhos poucos relevantes.

Ter conhecimentos técnicos ainda não basta. Apesar de possuírem as mesmas
necessidades informacionais, os usuários com deficiência visual necessitam de
atendimento especializado. Isto significa que o bibliotecário e sua equipe devem
conhecer os princípios básicos de Orientação e Mobilidade, que são recomendações
de atendimento a deficientes visuais. Além disso, requisitos como paciência e
capacidade de abstração são indispensáveis.

�7

3. CONHECIMENTOS ACUMULADOS PELO ESPAÇO BRAILLE

Como já foi dito, o objetivo deste trabalho é apresentar as soluções e as
respostas dadas aos desafios do Espaço Braille em atender alunos deficientes
visuais do ensino superior. Após mais de dois anos de intensas atividades foi
possível acumular alguns conhecimentos coletados de professores, profissionais da
área, pais de deficientes e usuários atendidos.

Os resultados apontam para uma realidade bastante promissora, pois o
conhecimento gerado no trabalho do dia-a-dia está ajudando muitos usuários a se
inserirem de forma concreta na sociedade da informação.

É possível dividir as soluções em duas fases distintas: a fase de preparação
para o vestibular e a fase de acompanhamento da vida acadêmica do aluno.

3.1. Fase de preparação para o vestibular
O Espaço Braille atende instituições de ensino superior, orientando e
imprimindo provas de vestibular. Com essa experiência, foi possível formular
algumas recomendações muito simples que ajudam o deficiente a ter uma
compreensão total do que lhe é exigido durante a prova sem que isso diminua o
grau de dificuldades das questões.

A regra é estabelecer, se possível, uma comunicação com os elaboradores das
provas a fim de conscientizá-los quanto às questões que só privilegiem concorrentes
videntes – dependendo da impressora Braille, questões com gráficos e imagens não
serão adequadamente impressas o que tornará sua solução impossível.

Informar-se quanto ao número e o tipo de deficientes inscritos no vestibular é
fundamental, pois ajuda a mensurar o tempo necessário para a impressão de todas
as provas que poderão ser em Braille ou com texto ampliado. Restringir ao máximo

�8

o número de pessoas em contato com a prova no momento da impressão, não
permitir que o arquivo seja gravado e exigir a presença de um responsável pela
prova garante a lisura do processo.

3.2. Fase de acompanhamento da vida acadêmica do aluno
Durante os anos de estudos acadêmicos é exigida a leitura de uma grande
quantidade de textos, livros, revistas, apostilas etc. Muitos trabalhos, provas,
redações, pequenas monografias são produzidos ao longo deste tempo. É
justamente nesta fase que o deficiente mais necessita de um bibliotecário preparado
para ajudá-lo.
A conversão de materiais convencionais em formatos alternativos demanda
tempo. Para que a impressão em Braille e em CD possam ser entregues em tempo
hábil, seguimos as seguintes recomendações:
•

Os livros de bibliografia básica devem ser prioridades de digitalização, e
convertidos conforme a necessidade do usuário: fonte ampliada, Braille
ou áudio;

•

Os livros de leitura complementar, apostilas, roteiros de estudos, resumos
e etc. devem ser fornecidos ao usuário e à biblioteca com antecedência.
Isto necessita da colaboração do corpo docente;

•

Obras de referências requerem um atendimento mais personalizado,
geralmente acompanhado pelo funcionário da biblioteca. Se um usuário
necessita de um verbete de dicionário, ou palavra traduzida, o melhor
será acompanhá-lo, pois a conversão para formatos de braile ou áudio
traz os seguintes inconvenientes:
o Braille: para cada folha de texto a tinta são necessário de 4 a 5
folhas em braile, logo um dicionário de 700 páginas em tinta, por
exemplo, se transformará num volume de 3.500 páginas que
ocupará muito espaço;
o Áudio: cada verbete de um dicionário deveria ser uma faixa
individual de CD, senão o acesso a um arquivo extenso seria
cansativo. Mesmo assim, cada faixa necessitaria de uma fonte

�9

secundária para indicar corretamente a localização do verbete nos
CDs e nas faixas.
o Digital: nem tudo que é produzido de modo digital, principalmente
em CD-ROMs e páginas da Internet, é acessível. A arquitetura
usada na construção dessas mídias, muitas vezes, não é
reconhecida por leitores de telas.
3.2.1. Questão dos direitos autorais
A digitalização de textos demanda um controle rigoroso dos direitos autorais
por parte das Editoras e Associações ligadas à questão de Propriedade Intelectual.
A Constituição Brasileira assegura, de modo claro, que o deficiente visual tem direito
à informação (em qualquer formato). A reprodução da lei encontra-se abaixo e é
extraída da SECRETARIA DE EDUCAÇÃO ESPECIAL (2002, p.5):
“Capítulo IV
Das limitações aos Direitos Autorais
Art. 46. Não constitui ofensa aos direitos autorais:
I – a reprodução:
(...)
D) de obras literárias, artísticas ou científicas, para uso
exclusivo de deficientes visuais, sempre que a reprodução,
sem fins comerciais, seja feita mediante o sistema BRAILLE ou
outro

procedimento

em

qualquer

suporte

para

esses

destinatários.
(...)”
Sob esse amparo legal e dentro das especificações da lei, o bibliotecário pode
digitalizar, imprimir em Braille e gravar em CD. A lei e as tecnologias atuais estão a
favor do trabalho de disseminação de informação para os deficientes visuais.

3.3. Trabalhando com a conversão de formatos
No Espaço Braille, utiliza-se a ampliação de texto em tinta. Existem diversas
tecnologias que realizam esta função:

�10

•

Lupa manual: dispositivo de diversos graus de ampliação que substituem
os óculos comuns.

•

Lupa eletrônica: tecnologia que consiste de um monitor de TV e um
receptor de imagens (no formato de mouse, por exemplo) que projeta o
texto ampliado no monitor. É preferível aquelas que permitem contraste
de cores.

Em ambiente digital, ou seja, no computador, a ampliação possui mais
vantagens. Alguns exemplos:
•

Lupa digital: amplia os caracteres da tela do computador.
o Lupa do Windows. Disponível gratuitamente nas versões mais
recentes do Windows. Tem as seguintes opções: aumento (até
nove vezes), contraste de cor, e disposição da ampliação.
o MAGIC: apresenta recursos avançados e diferenciados como:
síntese de voz, melhor definição e etc. Este produto possui custo
de aquisição.

•

WEBBIE 3: navegador voltado para deficientes visuais, com ampliador de
tela ideal para pessoas com cegueira. Disponível de modo gratuito.

•

Editores de texto (Word, Bloco de Notas e etc.): não possibilitam a
ampliação de menus e caixas de diálogos, porém as fontes dos textos
tornam-se dinâmicos e podem ser adaptados. Além disso, possibilitam a
impressão em tinta ampliada, seguindo alguns critérios:
o Tamanho da fonte: adequação do nível de ampliação conforme a
visão do usuário. Muitas vezes é preciso que o usuário veja na tela
do computador a fonte adequada antes da impressão.
o Usar, de preferência, papel poroso escuro para evitar reflexo de
luz. Os textos devem ser em fundo liso, sem logomarcas ao fundo.
Preparar de antemão a impressão de formulários ampliados. As
fontes recomendadas são a Helvética ou Arial.2
o Estilo da fonte: negrito, de preferência.
o Diminuir ao máximo as quatro margens do papel: reduz
substancialmente o custo, o volume e o peso do produto, quando
for impresso.

2

MASKORT, Janice. Como fazer sua biblioteca mais acessível. In: FORCE FUNDATION WORKSHOP, 10,
São Paulo, nov. 2005. CD-ROM.

�11

o Para tabelas, usar o papel na forma de retrato. Muitas vezes, é
preciso dividir as colunas.
Para usuários com deficiência visual total existem muitas alternativas para
conversão de documentos tradicionais para o alternativo (acessível). VIEIRA (2006)
resume estes procedimentos no quadro a seguir:
Material

Processo de

Tecnologia de

Original

Conversão

Conversão

Escrita

Datilografia

Produto

Reglete
Máquina de

BRAILLE

escrever

(papel)

Impresso Impressão (arquivo
em

digital)

Impressora
CD, fita

tinta

Leitura com voz

Gravador,

k7, mídia

humana

computador

digital

Leitura sintetizada

Computador,

(arquivo digital)

leitor de tela

Digitalização por

Arquivo

digitação

Computador

Digitalização por

Computador,

OCR

escâner, OCR

digital

Fig. 2: Conversão de material tradicional para o acessível no Espaço Braille do
Centro Universitário Campus SENAC-SP

�12

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
As tecnologias apresentadas, bem como o seu uso adequado, podem
oferecer ao usuário com deficiência melhores perspectivas de inserção ao ensino
superior. Neste contexto, a biblioteca pode se converter em um centro de apoio
permanente que atue na promoção de medidas de acessibilidade tanto para seu
próprio acervo quanto em outros setores da universidade.
O bibliotecário, por sua vez, assumirá um papel fundamental neste processo,
pois dependerá de seu esforço a criação de soluções, a padronização de
atendimentos e, sobretudo, a manutenção dessas soluções, pois é uma
característica marcante desta área que constantes mudanças se sucedam devido ao
avanço tecnológico e as alterações na legislação.
É animador que a tecnologia esteja diminuindo as barreiras de acesso. Seu
avanço tem sido alvo de muitas discussões que, num limite pessimista, a vê como
uma fonte de exclusão de pobres e remediados que dela nunca se beneficiará.
Entretanto, a experiência tem mostrado que na verdade ela é uma grande aliada e
que deve ser dominada pelo bibliotecário a fim de que cumpra seu papel histórico de
disponibilizar a informação para todos, conforme suas necessidades.
Finalmente, o Brasil tem dado passos importantes, ainda que muito devagar,
no sentido de abrir sua legislação para que essas tecnologias se tornem mais
baratas e acessíveis a toda a população. A combinação desses dois pontos:
desenvolvimento tecnológico e apoio governamental podem se tornar a pedra de
toque na democratização da informação. Resta ao bibliotecário encontrar seu
espaço nesta nova realidade.

�13

5. REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9050: Acessibilidade a
edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro, 2001.
BRASIL. Normas técnicas para a produção de textos em Braille. Brasília: MEC,
SEEP, 2002.
GIL, Marta. Deficiência visual. Disponível em: &lt;http://www.mec.gov.br/seed/
tvescola/pdf/deficienciavisual.pdf&gt;. Acesso em: maio 2005.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Disponível em:
&lt;http://www.ibge.gov.br&gt;. Acesso em: 08/04/2006.
NERI, Marcelo et al. Retratos da deficiência no Brasil (PPD). Rio de Janeiro: FGV,
IBRE, CPS, 2003.
SMITH, Veronica. Assistive Technology. Colorado Libraries, v. 28, n. 4, 2002 p. 338. Disponível em: &lt;http://wilsontxt.hwwilson.com/pdfhtml/03824/W6B9M/XSY.
htm&gt;. Acesso em: dez. 2004.
VIEIRA, Ricardo Quintão. Tornando a informação acessível para o deficiente visual:
experiências do Espaço Braille do Centro universitário Campus SENAC – SP. In:
CONGRESSO INTERNACIONAL DE ARQUIVOS, BIBLIOTECAS, CENTROS DE
DOCUMENTAÇÃO E MUSEUS, 2., 2006, São Paulo. Anais Eletônico. Trabalho
técnico. CD-ROM.

�14

ANEXO I
Siglas e termos utilizados neste trabalho:
BRAILLE VIRTUAL: programa voltado para pessoas com visão normal,
que ensina a pontuação do braile, além de outros recursos. Foi desenvolvido
pela Faculdade de Educação da USP. Disponível gratuitamente em:
http://www.brailevirtual.fe.usp.br.
DOSVOX: programa de voz voltado para deficientes visuais. Foi
desenvolvido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Disponível
gratuitamente em: http://intervox.nce.ufrj.br/dosvox/.
JAWS. Leitor de telas.
MAGIC: Ampliador de tela de microcomputador. Voltado para pessoas
com visão subnormal.
OCR:

sigla

inglesa

para

“Optical

Character

recognition”,

ou

“Reconhecimento de Caracteres Ópticos”. Processo pelo qual signos são lidos
de uma imagem em tinta e dispostos num programa de editor de texto.
OPENBOOK: programa voltado para pessoas com deficiência visual,
cujo funcionamento é a digitalização, leitura através de voz sintetizada e
registro de materiais impressos em tinta.

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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              <name>Coverage</name>
              <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                  <text>Salvador (Bahia)</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <name>Title</name>
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                <text>O universitário com deficiência visual e o desafio profissional do bibliotecário.</text>
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                <text>Bazante, Odair José Barros; Vieira, Ricardo Quintão</text>
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            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                <text>Salvador (Bahia)</text>
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            <name>Publisher</name>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>2006</text>
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            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
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            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="59698">
                <text>Discute a deficiência visual e as barreiras de acesso à informação no âmbito de bibliotecas de instituições de ensino superior. Focaliza as tecnologias eletrônicas voltadas para o usuário com deficiência visual e como o profissional da informação deve se preparar para conhecê-las prestando um atendimento adequado. Apresenta os números do IBGE, que justificam a preocupação com o tema. Concretiza esta discussão mostrando o Espaço Braille da Biblioteca do Centro Universitário Senac-SP: seus serviços, atendimentos, e tecnologias eletrônicas que proporcionam melhor acesso à informação. Finalmente, ompartilha os procedimentos desenvolvidos no Espaço Braille, quanto à conversão de formatos tradicionais (em tinta e papel) para formatos acessíveis (braile, áudio e digital).</text>
              </elementText>
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                    <text>O USO DE CÓDIGO DE BARRAS NA COLEÇÃO DE PERIÓDICOS DA
BIBLIOTECA SETORIAL DO CFM – UFSC
Tânia Regina Pereira Lopes
Especialista em Gestão da Informação
Bibliotecária – Biblioteca Setorial
Centro de Ciências Físicas e Matemáticas
Universidade Federal de Santa Catarina
tanialopes@cfm.ufsc.br
Ana Paula Cocco
Aluna de Graduação do Curso de
Biblioteconomia
Universidade Federal de Santa Catarina
anacocco@gmail.com
RESUMO
Com a preocupação de aperfeiçoar os serviços oferecidos à comunidade
universitária e com o objetivo de disseminar a informação técnico-científica,
facilitar a localização dos exemplares com mais rapidez e eficácia e obter melhor
controle desse material, a Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Físicas e
Matemáticas da Universidade Federal de Santa Catarina (BS/CFM/UFSC), em
2005 tornou-se pioneira no sistema de Bibliotecas da UFSC no empréstimo
automatizado de periódicos. Para isso, foram identificados todos os exemplares
da coleção de periódicos com um código de barra gerado pelo sistema
Pergamum. Esse serviço proporcionou à biblioteca reunir em uma única base de
dados todo o seu acervo.
PALAVRAS-CHAVE: Empréstimo automatizado. Coleção de periódicos.
Informatização.

�2

1

INTRODUÇÃO

Em função do cenário atual da explosão informacional, propiciada pelas
tecnologias da informação, que vem atingindo a sociedade nas últimas décadas,
tem crescido também a preocupação em incorporar habilidades, conhecimentos e
valores relacionados à disseminação, avaliação, busca, organização e acesso à
informação. Informatizar e automatizar as unidades de informação, cada vez mais
se faz necessário para um gerenciamento eficiente.
Conforme Ferreira (1994 apud ORENGO, 1997, p. 39), a vocação e a
missão das unidades de inforrmacionais

sempre foram e serão a de

intermediários e catalisadores do conhecimento. A informação nada mais é do
que um veículo de transferência, integração e comunicação de conhecimento.
Preocupada com isso, a Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Físicas e
Matemáticas da Universidade Federal de Santa Catarina (BS/CFM/UFSC) em
2005, procurou uma solução para que pudesse, além de disseminar a informação
técnico-científica, agregar valor por servir como ponto focal na Universidade. Com
um acervo de 60.000 exemplares de publicações seriadas1, dividido nas áreas de
Química, Física e Matemática, decidiu-se disponibilizar esta coleção para consulta
domiciliar, aplicando em cada exemplar um código de barra, identificado pela
base de dados usada na biblioteca, o Pergamum.
A divulgação de serviços e produtos para o público é absolutamente
necessária. Como define Romanelli (1994), há necessidade de divulgação para o
público dos nossos recursos,

como agentes que somos

de informação e

estimuladores de pesquisa e da leitura.
Assim o usuário poderá acompanhar as novas pesquisas, Oliveira
(2005),afirma que:
o acompanhamento do que está sendo produzido na sua
área dará ao pesquisador condição de melhor desenvolver
seu trabalho, irá atualizá-lo e dará subsídios para que ele
possa avançar cada vez mais e melhor. Por isso, é
Segundo a NBR 6021/2002, são publicações de periodicidade prefixada, cujas unidades são
geralmente constituídas por textos de autoria diversa, com o propósito primário de publicar
resultados de investigações científicas.

1

�3

importante a divulgação do resultado – total ou parcial – dos
seus estudos, que, após lido, criticado e aceito por seus
pares, concederá ao cientista segurança de estar no
caminho certo.

2

HISTÓRICO

A Biblioteca Universitária da UFSC é um órgão suplementar vinculado ao
Gabinete do Reitor, e coordena o sistema de Bibliotecas. Este sistema, que
possui uma centralização administrativa e técnica, é composto pela Biblioteca
Central e oito Bibliotecas Setoriais:
-

Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da Saúde – Medicina
(BSCCSM -Medicina);

-

Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da Saúde – Odontologia
(BSCCSO - Odontologia);

-

Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Físicas e Matemáticas
(BSCFM);

-

Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da Educação (BSCED);

-

Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Agrárias (BSCCA);

-

Biblioteca Setorial do Colégio Agrícola de Camboriú (BSCAC);

-

Biblioteca Setorial do Colégio Agrícola de Araquarí (BSCAA) e

-

Biblioteca Setorial do Colégio de Aplicação (BSCA).

Em 1971 surgiu a Biblioteca Setorial do CFM, para atender às
necessidades dos cursos de Pós-Graduação em Química, Física e Matemática da
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e está vinculada também à
Direção do Centro de Ciências Físicas e Matemáticas.
Tem como objetivo reunir, organizar e disseminar a informação e prestar
serviços de informação aos pesquisadores, professores, alunos de graduação e
pós-graduação, nas áreas de Física, Química e Matemática, de maneira ágil,
dinâmica e efetiva. Sua missão é prestar serviços de informação, na área de
química, física e matemática, às atividades de ensino, pesquisa, extensão e
administração da UFSC, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida.

�4

A Biblioteca, que possui freqüência média diária de 500 usuários (alunos,
professores, funcionários, pesquisadores acadêmicos e comunidade em geral),
conta com uma área de 500 m2, sendo: 300 m2 para leitura, acervo de livros,
administração e 200 m2 para acervo de periódicos.

3

AUTOMAÇÃO DA BIBLIOTECA

Segundo Figueiredo (1997), a informatização deve ser pensada e
implantada a partir do momento em que:
-

os procedimentos manuais se tornam inadequados;

-

é possível ampliar a gama de serviços e produtos oferecidos e

-

a cooperação se torna imprescindível.

Nos tempos atuais é imperativo que as bibliotecas participem de sistemas
de automação para não correrem o risco de se transformar em mero depósitos
estatísticos. (DIAS, 1989, p. 275).
O processo de informatização do Sistema de Bibliotecas da UFSC deu-se
nos anos 1980 com os softwares Nexum e Perest, que foram desenvolvidos na
própria instituição.
O software Nexum gerenciava o acervo de livros, operava em DOS e
adotava o formato MARC 21. Permitia catalogar o acervo, emprestar e consultar.
O software Perest gerenciava as coleções de periódicos, operava também em
DOS, adotava o mesmo formato do Catálogo Coletivo Nacional de Periódicos
(CCN)

desenvolvido nacionalmente e coordenado pelo Instituto Brasileiro de

Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), para transcrição de coleções,
permitindo:
-

geração de disquetes para administração automática do CCN;

-

alimentação de novos exemplares e novos títulos;

-

consulta em terminais instalados nas bibliotecas do sistema.

Como o Perest não fazia o empréstimo automatizado, ele era realizado
manualmente. Cada periódico possuía uma ficha,organizada em ordem alfabética
de título, com seqüência numérica , para assegurar que o fichário não ficasse

�5

desorganizado. Nessa ficha anotava-se o volume, número e ano do fascículo,
data de empréstimo e o número de matricula do usuário. Sua devolução era
marcada com uma rubrica na data de empréstimo.
Isso tornava difícil a consulta do usuário sobre a localização dos
exemplares, uma vez que ele não sabia se estavam disponíveis ou com outro
cliente. Dificultava também aos colaboradores da biblioteca encontrar a ficha e
consultar no programa a situação do usuário, deixando-os, assim, sem o controle
sobre quantos exemplares de periódicos este possuía.
Dada a importância de informatização para as bibliotecas que buscam
atender de forma rápida e eficiente às necessidades de informação de seus
usuários, adotou-se o empréstimo automatizado da coleção de periódicos da
BSCFM/UFSC.
Conforme Corte et al. (2002), o cenário indica que se as bibliotecas e
arquivos quiserem oferecer melhor serviço aos usuários e cumprir a sua missão,
necessário se torna acompanhar passo a passo o desenvolvimento da sociedade,
entender com melhor precisão os hábitos e os costumes dos usuários, adaptar as
tecnologias às necessidades e quantidades de informação de que dispõem, e
utilizar um sistema informatizado que privilegie todas as etapas do ciclo
documental, em que a escolha recaia sobre uma ferramenta que contemple os
recursos hoje disponíveis, sem se tornar obsoleta a médio e longo prazo.
Já Dias et. al. ( 1990, p. 275), salienta que nos tempos atuais é imperativo
que as bibliotecas participem de sistemas de automação para não correrem o
risco de se transformarem em meros depósitos estáticos de material bibliográfico.
Para atender às necessidades de gerenciamento do acervo e dispor de um
suporte ágil, que fosse ao mesmo tempo economicamente interessante para a
instituição, a direção do sistema de bibliotecas, com o apoio da Pró-Reitoria de
Pós-Graduação da UFSC resolveu adquirir, em 1998, o software Pergamum.
O Pergamum é um sistema informatizado de controle de bibliotecas,
iImplantado na arquitetura cliente/servidor, com interface gráfica, utilizando banco
de dados relacional Server Query Language (SQL). O sistema Permite:
-

Processo técnico do acervo, em todos os formatos (livros, periódicos,
CDs, etc.);

-

Cadastro de usuário;

�6

-

Controle de empréstimo;

-

Consultas, principalmente on-line.

A primeira coleção automatizada no sistema Pergamum foi a de livros,
porque o

empréstimo já estava informatizado e por se encontrar no formato

MARC 21.
Em seguida, foi automatizada a coleção de periódicos, a qual, por se
tratar

de

um

formato

bastante

complexo

e

por

apresentar

inúmeras

particularidades, conforme a definição da NBR 6021/2002 já mencionada na
introdução deste artigo, exigiu um pouco mais de conhecimento do profissional,
mas isto não impediu esforços para colocá-la também no serviço de empréstimo
automatizado, tornando-se assim a pioneira dentro do Sistema de Bbliotecas da
UFSC .
Conforme Corte et al.(2002), para a aquisição ou troca de sistemas de
automação de bibliotecas, torna-se necessário a organização em etapas a serem
cumpridas, a qual demanda algum tempo e muita dedicação dos profissionais
envolvidos, sendo, porém, altamente compensadora em termos de resultados
obtidos.
Para

implantar o processo de automação para o empréstimo, foi

necessário cerca de um ano e seis meses, com o trabalho dedicado de todos os
profissionais da biblioteca e de dois estagiários disponibilizados pelo Centro de
Ciência da Educação – CED, através do curso de Biblioteconomia. Dividiu-se a
alimentação desta coleção em etapas:
Primeira etapa:
Padronização dos dados bibliográficos. Nessa etapa, foram inseridos no
sistema Pergamum os dados referentes à catalogação de cada periódico. Os
registros se baseiam no formato Marc 21. Como os títulos dessas coleções
sofrem variações, é preciso manter uma grande quantidade de dados para
publicação seriada, e há necessidade de registrar freqüentemente acréscimos em
outros catálogos e fontes como o CCN, o ULRICH e a Library of Congress - LC.

�7

Segunda etapa:
Alimentação dos exemplares. Os exemplares foram inseridos no módulo
de aquisição em periódicos/ assinatura. Nessa etapa foram transferidos dados
relativos à coleção existente no acervo da biblioteca. Os exemplares foram
inseridos um a um no sistema, informando também a biblioteca depositária, no
caso BSCFM, o tipo de empréstimo e o modo de aquisição.
Nesse módulo também pudemos informar se o exemplar estava na
encadernação, assim como foram inseridos os índices, números especiais e os
suplementos. Para a alimentação, o acervo era conferido na estante e alimentado
na base. A partir disso, eram gerados os dados da coleção de periódicos para
alimentação da base do CCN.
Terceira etapa:
Etiquetação dos códigos de barra nos exemplares. Cada exemplar recebeu
uma etiqueta contendo informações referentes a ele e o código de barras gerado
pelo sistema Pergamum. Para diferenciar o número do exemplar do livro, foi
criado um número próprio para a coleção de periódicos.

CONCLUSÃO

A Biblioteca está em constante desenvolvimento, implantando melhorias
visando ao seu aperfeiçoamento para oferecê-lo à comunidade universitária.
Com tudo isso, ela pode aumentar sua gama de serviços aos usuários, pois
passa a ter o controle informatizado de todo o acervo, o que também possibilita
dispor de um inventário rápido e preciso, pois o software do Pergamum possui
um decodificador de código de barras, que após ler todos os códigos existentes
na Biblioteca, gera um relatório dos materiais inexistentes no acervo e indica os
materiais que se encontram em situação de empréstimo.

�8

Quanto à satisfação dos usuários, pudemos constatar que foi satisfatória,
pois, como a unidade tem grande movimentação, o pesquisador pode levar o
material e usá-lo no ambiente que melhor favoreça sua concentração, com
rapidez e eficiência, através de empréstimo, além de obter controle da situação
das suas obras pela internet.
Atualmente a biblioteca tem controle de todo seu acervo, podendo,
inclusive, através da utilização do código de barras, obter estatísticas como: uso
da coleção, título mais emprestado, etc.
O usuário, através de consulta à base pela internet, sabe se a Biblioteca
possui o exemplar de periódico que está precisando ou se esse material está
emprestado, tudo isso através de uma interface gráfica amigável.

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informativos. 2. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1981. 707p.
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documentação: Artigo em publicação periódica científica impressa –
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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Informação e
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Salvador (Bahia)</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>O uso de código de barras na coleção de periódicos da Biblioteca Setoria do CFM-UFSC.</text>
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                <text>Loes, Tânia Regina Pereira, Cocco, Ana Paula</text>
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            <name>Coverage</name>
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            <name>Type</name>
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                <text>Com a preocupação de aperfeiçoar os serviços oferecidos à comunidade universitária e com o objetivo de disseminar a informação técnico-científica, facilitar a localização dos exemplares com mais rapidez e eficácia e obter melhor controle desse material, a Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Físicas e Matemáticas da Universidade Federal de Santa Catarina (BS/CFM/UFSC), em 2005 tornou-se pioneira no sistema de Bibliotecas da UFSC no empréstimo automatizado de periódicos. Para isso, foram identificados todos os exemplares da coleção de periódicos com um código de barra gerado pelo sistema Pergamum. Esse serviço proporcionou à biblioteca reunir em uma única base de dados todo o seu acervo.</text>
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                    <text>OPERAÇÃO DE HIGIENIZAÇÃO DE UM ACERVO APÓS UM PRINCÍPIO DE
INCÊNDIO: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Josiane Gonçalves da Costa1
RESUMO
Este trabalho descreve a metodologia adotada pela Biblioteca Setorial de Matemática da
UFRGS no processo de limpeza do seu acervo, afetado completamente por fuligem após um
princípio de incêndio provocado pela explosão de um aparelho de ar-condicionado, ocorrido
em junho de 2005. Também chama a atenção para a importância de um plano de emergência
eficiente nas bibliotecas com vistas à prevenção de acidentes e preservação informacional e
focaliza ainda as ações do profissional bibliotecário, enquanto gestor em uma situação de
emergência.
Palavras-chave: gestão em serviços de informação. conservação e preservação de
documentos.

1 INTRODUÇÃO
Na noite de 23 de junho de 2005, um princípio de incêndio de causas não
especificadas, ocorrido pela explosão de um aparelho de ar-condicionado localizado dentro da
Biblioteca Setorial de Matemática da UFRGS, deixou todo o ambiente coberto de fuligem,
incluindo o acervo (composto de aproximadamente 22.200 monografias, 13.800 folhetos e
15.000 periódicos). Somente as capas dos livros mais próximos ao aparelho danificado foram
atingidas pelo fogo, que foi controlado pelos seguranças da Universidade e também pelo
corpo de bombeiros. O fogo foi controlado com extintor de pó químico seco.
No dia seguinte ao ocorrido, foi realizada uma revisão de literatura, com o intuito
de obter informações que pudessem complementar e aprimorar os conhecimentos sobre
técnicas de limpeza e normas de conservação de acervos. Em seguida, foi elaborada uma
metodologia para a retirada da sujidade depositada sobre o material bibliográfico, de forma a
evitar que pessoas despreparadas pudessem causar danos ainda maiores ao material atingido

1

Bibliotecária – UFRGS/ Instituto de Matemática/ Biblioteca Setorial de Matemática
Av. Bento Gonçalves, 9.500 – Prédio 43124 – Bairro Agronomia. Porto Alegre/RS
josiane@mat.ufrgs.br

�pela fuligem na hora de limpá-lo. Também foram definidas diretrizes para se estabelecer uma
política de preservação e conservação documental para a Biblioteca, com o objetivo de
nortear ações em caso de catástrofes e mau acondicionamento físico.
2 METODOLOGIA
A primeira etapa da metodologia de trabalho foi definir qual parte da coleção seria
inicialmente higienizada, pois conforme CASSARES (2000), a poeira acumulada na
superfície das obras, além de prejudicar seu aspecto estético, constitui-se em uma fonte
contínua de acidez e degradação.
A sujidade escurece e desfigura o documento, prejudicando-o do ponto de vista
estético. As manchas ocorrem quando as partículas de poeira se umedecem, com a
alta umidade relativa ou mesmo por ataque de água,e penetram rapidamente no
papel. A sujeira e outras substâncias dissolvidas se depositam nas margens das
áreas molhadas, provocando a formação de manchas. A remoção dessas manchas
requer a intervenção de um restaurador. Os poluentes atmosféricos são altamente
ácidos e, portanto, extremamente nocivos ao papel. São rapidamente absorvidos,
alterando seriamente o PH do papel. (CASSARES, 2000, p. 27)

A segunda etapa constituiu-se na elaboração de uma lista do material necessário
para o processo de limpeza, bem como as medidas necessárias para sua aquisição:
a) luvas descartáveis para procedimentos tamanhos médio e grande;
b) máscaras descartáveis para proteção contra pó;
c) máscaras descartáveis com filtro para proteção contra pó;
d) aspirador de pó;
e) sacos para aspirador;
f) sacos de lixo;
g) óculos de proteção;
h) borracha tk branca tamanho grande;
i) ralador de alumínio;
j) fraldas;
k) tecido morin;

�l) tecido filó;
m) fita lacre;
n) caixas grandes;
o) escovas de mesa;
p) pincéis largos e médios;
q) lona preta;
r) sílica gel azul;
s) sílica gel branca;
t) caixas de papelão grandes.
Enquanto a compra do material era providenciada pelo Instituto de Matemática, foi
realizada a limpeza do saguão da Biblioteca, que foi utilizado como uma ilha de trabalho. O
local foi escolhido por se situar próximo à porta de entrada, que se manteve sempre aberta
durante as atividades, assim como as janelas. Depois de limpo, acomodamos todo o
mobiliário necessário para iniciar o trabalho: mesas, cadeiras, um computador, impressora e
estantes.
Após a aquisição do material, os funcionários foram divididos em dois grupos para
atuar na limpeza do acervo em turnos distintos de quatro horas. O treinamento de cinco
funcionários e cinco estagiários foi realizado pelas duas bibliotecárias da instituição: Josiane
Gonçalves da Costa e Cristina Gibrowski.
Os itens que primeiro receberam a limpeza, foram os da coleção reserva, consulta
local e retidos, por serem de grande procura entre os usuários. No próprio saguão,
organizamos esse acervo de livros limpos, prontos para o empréstimo e recebimento de
devoluções. A biblioteca optou por não fechar suas portas para os usuários, apesar das
condições precárias de atendimento. O horário de atendimento ao público foi reduzido, a fim
de não atrapalhar o processo de limpeza do restante do material.

�2.1 Técnicas de Higienização de Acervos
2.1.1 Higienização mecânica a seco
COSTA (2003, p.12) considera esta técnica como a mais simples para a remoção
do pó e demais sujidades a seco.
Este procedimento consiste na remoção do pó das lombadas e partes externas dos
livros com aspirador de pó, utilizando-se baixa potência, com proteção na sucção.
Para a limpeza das folhas utilizam-se trinchas, escovas macias e flanelas de
algodão.

Antes de usar o aspirador de pó para remover a fuligem da estante, o saco do
aparelho deve ser revestido com um saco de lixo para evitar a recirculação do pó através do
exaustor. O bocal do aspirador deve ser forrado com o tecido filó para evitar que fragmentos
soltos de capas deterioradas sejam sugados para dentro do aparelho. O bocal do aspirador não
deve

entrar

em

contato

com

os

livros,

evitando

riscá-los

com

a

fuligem.

2.1.2 Limpeza das capas com a técnica da borracha ralada
Para COSTA (2003, p.12), a limpeza com pó de borracha ralada é uma técnica
eficiente que não oferece riscos ao material:
Uma limpeza mais eficiente e sem riscos poderá, deve ser feita com pó de
borracha, que é aplicado em pequenas quantidades, fazendo suaves movimentos
circulares sobre as superfícies desejadas. Em seguida, deve-se removê-lo, com um
pincel ou trincha, que deverá ser manuseada no sentido de baixo para cima,
direcionando todos os resíduos, para que seja feita a sucção existente na mesa
própria de higienização de livros. Nesta etapa, deverão ser removidos os corpos
estranhos à obra, tais como: prendedores metálicos, etiquetas, fitas adesivas, papéis
e cartões ácidos, etc.

A técnica da limpeza com a borracha é muito eficaz para higienizar livros de capas
cartonadas que foram atingidas pela fuligem. A borracha é ralada até se converter em pó e
depois é introduzida dentro de uma trouxinha feita de tecido denominado morin. Essa
trouxinha deve ser passada sobre o local atingido pela sujidade em movimentos circulares.

�2.1.3 Limpeza das capas com a técnica da fralda úmida
A técnica da limpeza com a fralda úmida é muito eficaz para higienizar livros de
capas duras que não são cartonadas. Deve-se aplicar algumas gotas de alvejante num
recipiente com água e umedecer levemente uma fralda limpa. Depois de torcer bem, já pode
ser utilizada na limpeza dos livros. Após passar a fralda úmida sobre a capa do livro, deve-se
passar uma fralda seca até retirar toda a umidade do item.
2.2 Etapas do Processo de Limpeza dos itens
2.2.1 Aspiração
Equipado de máscara com filtro para proteção contra poeiras incômodas e luvas,
um funcionário começa a limpeza sempre da última estante até à primeira. Depois, retira a
fuligem depositada ao redor dos livros com o aspirador de pó e após passar o aspirador, ainda
retira o excesso de fuligem próxima às páginas dos livros com um pincel largo de cerdas
macias ou flanela, tomando cuidado para não espalhar fuligem. Após a limpeza da estante, os
livros são cuidadosamente retirados em blocos e colocados no carrinho. Depois são aspirados
e levados para a mesa para a escovação.
2.2.2 Escovação na mesa
Equipado de máscara para proteção contra poeiras incômodas e luvas, um
funcionário realiza a escovação, segurando o livro pelo centro com a lombada voltada para
cima, evitando que a fuligem penetre por entre as folhas durante o processo de limpeza. A
escova é passada na área da cabeça (parte superior), no pé (parte inferior) e na goteira (parte
lateral). Depois de escovado, o livro é aberto para receber oxigenação nas páginas.
2.2.3 Limpeza com o pó de borracha ralada e fralda úmida

�Após a escovação, o livro passa pelas mãos dos funcionários responsáveis pela
eliminação total da fuligem, aplicando a técnica do pó de borracha ou fralda umedecida com
alvejante líquido.
2.2.4 Guarda do material higienizado
Nesta etapa, os livros são encaixotados, com o cuidado de armazenar numa mesma
caixa, livros com o mesmo código de classificação. Depois de cheia, a caixa recebe um sachet
de sílica branca (para conter a umidade dentro da caixa) e uma pedra da naftalina (para evitar
a ação de insetos) e só então é lacrada, identificada e levada para um depósito limpo e arejado.
Após a conclusão da higienização de todo o acervo de monografias, solicitou-se a
limpeza da área que comportava o acervo e o setor de circulação, incluindo móveis, estantes e
por último, equipamentos eletrônicos, para que a Biblioteca pudesse, enfim, voltar a
emprestar parcialmente, haja visto que a limpeza dos periódicos ainda não havia sido feita,
impedindo não só do empréstimo deste tipo de material, como também o serviço de
comutação bibliográfica, que ficou inoperante até março de 2006, quando foi concluído todo o
processo de limpeza e reformas da biblioteca.
3 A REFORMA
A Bibliotecária Cristina Gibrowski elaborou no final de 2004, um projeto de
reestruturação do espaço físico da biblioteca, contemplando entre outras melhorias, melhor
visibilidade da mangueira de incêndio e extintores, que se encontravam em locais de difícil
acesso. O projeto foi levado a conhecimento da direção do Instituto e aprovado, porém, não
foi executado rapidamente, pois a reforma não foi encarada como prioridade naquele
momento.

�Após a limpeza e armazenagem total dos periódicos, o local onde se encontrava o
acervo também foi limpo e em janeiro de 2006, iniciou-se a reforma da biblioteca, concluída
em março do mesmo ano.
Durante a execução das obras, os livros foram retirados novamente para troca de
piso, derrubada de paredes e reestruturação do lay-out.
4 MEDIDAS DE SEGURANÇA ANTI-INCÊNDIO
Atualmente, a Biblioteca redobrou os cuidados com medidas de segurança contra
catástrofes, principalmente, em caso de incêndios. A seguir são apresentadas algumas
medidas preventivas que fazem parte da rotina:
a) não fumar nas dependências da biblioteca;
b) solicitar inspeção e manutenção periódica dos extintores, colocados em locais
estratégicos dentro da biblioteca de modo a facilitar o seu acesso e retirada;
c) solicitar periodicamente, a revisão da rede elétrica, evitando sobrecarga nas tomadas;
d) desligar todos os equipamentos elétricos ao sair;
e) guardar produtos inflamáveis em armários especiais longe de áreas de trabalho e
circulação de pessoas
Algumas ações devem ser tomadas em casos de alerta antecipados:
a) entrar em contato imediatamente com o corpo de bombeiros;
b) entrar em contato logo em seguida com o responsável pela biblioteca no caso do
acidente ocorrer fora do expediente;

�c) reunir a maior quantidade de extintores de deixá-los todos próximo à entrada da
biblioteca;
d) salvar todos os cds de back-ups dos arquivos da biblioteca;
e) providenciar a maior quantidade possível de caixas de papelão para remover o
material passível de dano da biblioteca;
f) definir uma ordem de prioridade para a retirada e salvamento de material
bibliográfico.
CONCLUSÃO
Qualquer instituição está sujeita a uma catástrofe, em maior ou menor proporção.
Entretanto, é de suma importância ter um plano de emergência periodicamente atualizado e
que seja de conhecimento de todos para que assim, danos maiores, e, talvez, irreversíveis,
sejam evitados.
Se o fogo do extintor de incêndio fosse controlado com água ao invés do póquímico, teriam se perdido vários livros, danificados pela água. Se a responsabilidade pela
limpeza do material bibliográfico recaísse sobre a empresa terceirizada que atende à
Universidade, teriam utilizado técnicas incorretas que poderiam danificar mais ainda o
material.
O papel do profissional bibliotecário em todo o processo foi primordial para a
preservação da integridade física do material que compõe a coleção, pois só este profissional
tem condições de definir quais ações devem ser tomadas para não prejudicar o acervo a curto,
médio e longo prazo.
ABSTRACT

�This work describes all the methodology adopted by the Math Sectorial Library of UFRGS in
the process of cleanness of its collection, completely affected by the soot after a fire
beginning caused by an explosion of an air-conditioning supply, occurred in June, 2005. It’s
also claims attention to the importance of an efficient emergency plan in all libraries, to
prevention of accidents and information files preservation, focused in the action of the
librarian professional , as a manager in emergency situation.
Key-words: Library planning preservation.
REFERÊNCIAS
CASSARES, Norma Cianflone. Como fazer conservação preventiva em arquivos e
bibliotecas. São Paulo : Arquivo do Estado e Imprensa Oficial, 2000. (projeto como fazer,
v.5). Disponível em &lt;http://www.saesp.sp.gov.br/cf5.pdf&gt;, acesso em: 30 maio 2006
COSTA, Marilene Fragas. Noções básicas de conservação preventiva de documentos. Rio
de
Janeiro:
CICT,
2003.
Disponível
em
&lt;http://www.bibmanguinhos.cict.fiocruz.br/normasconservacao.pdf.&gt;. Acesso em: 30 maio 2006
GOMES, Sônia de Conti; MOTTA, Rosemary Tofani. Técnicas alternativas de conservação:
recuperação de livros, revistas, folhetos e mapas. 2 ed. Minas Gerais: UFMG, 1997
LIMA, Elaine Azambuja de. Acervo literário: conservação, recuperação e restauração. Porto
Alegre:
Centro
de
Pesquisas
Literárias
da
PUC/RS.
Disponível
em
&lt;http://www.pucrs.br/letras/pos/historiadaliteratura/redes/trabalho7.htm&gt;, acesso em 30 maio
2006
MÁRSICO, Maria Aparecida de Vries. Noções básicas de conservação de livros e
documentos. Disponível em &lt;http://www2.uerj.br/~rsirius/boletim/art_04.doc&gt;, acesso em 30 maio
2006

OGDEN, Sherelyn (ed.). Caderno técnico: armazenagem e manuseio. 2. ed. Rio de Janeiro :
Projeto Conservação Preventiva em Bibliotecas e Arquivos : Arquivo Nacional, 1997. 38 p.
(n. 01-09: armazenagem). Disponível em &lt;www.cpba.net&gt;, acesso em: 30 maio 2006
OGDEN, Sherelyn (ed.). Caderno técnico: administração de emergências. 2. ed. Rio de
Janeiro : Projeto Conservação Preventiva em Bibliotecas e Arquivos : Arquivo Nacional,
1997. 38 p. (n. 20-25: emergências). Disponível em &lt;www.cpba.net&gt;, acesso em: 30 maio
2006
SANTOS, Ana Rosa dos, MACEDO, Anderclébio de Lima. Planejamento da preservação e
conservação de acervo: o caso da biblioteca das faculdades de nutrição e odontologia da
UFF. Disponível em &lt;http://www.ndc.uff.br/textos/ana_rosa_planejamento.pdf.&gt;, acesso em: 30
maio 2006

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Este trabalho descreve a metodologia adotada pela Biblioteca Setorial de Matemática da UFRGS no processo de limpeza do seu acervo, afetado completamente por fuligem após um princípio de incêndio provocado pela explosão de um aparelho de ar-condicionado, ocorrido em junho de 2005. Também chama a atenção para a importância de um plano de emergência eficiente nas bibliotecas com vistas à prevenção de acidentes e preservação informacional e focaliza ainda as ações do profissional bibliotecário, enquanto gestor em uma situação de emergência.</text>
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                    <text>ORGANIZAÇÃO E DISPONIBILIZAÇÃO ON LINE DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA
DOCENTE DA FACULDADE DE ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO E
CONTABILIDADE (FEA) DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP): UMA
REFLEXÃO

Giseli Adornato de Aguiar
adornato@usp.br
Universidade de São Paulo
Faculdade de Economia Administração e Contabilidade
Av. Prof. Luciano Gualberto, 908
Cidade Universitária. São Paulo, SP  Brasil
Sandra Maria La Farina
sandraro@usp.br
Universidade de São Paulo
Faculdade de Economia Administração e Contabilidade
Av. Prof. Luciano Gualberto, 908
Cidade Universitária. São Paulo, SP  Brasil
RESUMO
O Serviço de Biblioteca e Documentação (SBD) da FEA/USP é responsável pela
coleta, processamento, armazenamento e registro no Banco de Dados
Bibliográficos da USP  DEDALUS, da produção científica gerada pelos docentes
da Faculdade. Atualmente os documentos são armazenados em caixas-arquivo e
ficam alojados em um local diferenciado do resto do acervo, o que dificulta o
acesso imediato do usuário a esse material. O artigo visa tecer algumas reflexões
sobre a disponibilização aos usuários do acesso on line ao texto completo da
produção científica dos docentes da FEA/USP, bem como, repensar a biblioteca
universitária diante dos novos paradigmas que surgem com o advento das novas
tecnologias. A pesquisa é bibliográfica e deu-se pela leitura de dados teóricos que
identificassem as vantagens e desvantagens do uso das novas tecnologias,
especificamente da digitalização de documentos, e que permitissem traçar
algumas diretrizes e procedimentos para a implantação do acesso on line aos
textos completos dos trabalhos dos docentes da FEA/USP. Os recursos das
novas tecnologias potencializam o acesso e a disponibilização da informação.
Diante disso, espera-se aumentar o nível de qualidade dos serviços oferecidos e
propiciar um maior e melhor acesso à produção científica docente da FEA/USP.
Palavras-chave: Produção científica. Tecnologia da informação. Conversão de
documentos do formato tradicional para o digital.

�1 INTRODUÇÃO

É inquestionável o papel central que desempenham hoje as tecnologias de
informática,

computação

e

comunicação

nas

práticas

de

informação

(MARCONDES, 1999); quando se fala em informação para a área acadêmica,
este papel é mais acentuado haja visto que, para a pesquisa científica, é
primordial rápidos e eficientes mecanismos de busca, disponibilização e
comunicação dos resultados de pesquisas, principalmente, de docentes.
As bibliotecas universitárias, por serem grandes depositárias da informação
acadêmica, têm um papel fundamental nesse processo comunicacional, pois
segundo Marcondes e Sayão (2002), A elas cabem, neste ciclo, os papéis de
coleta, registro, estocagem e disseminação da informação.
Com a evolução das tecnologias da informação, novas formas de
armazenagem,

registro,

acesso

e

disponibilização

são

possíveis

e

conseqüentemente torna-se necessário que as bibliotecas universitárias se
adeqüem aos novos paradigmas que surgem com o advento das novas
tecnologias.
Dentro desse novo contexto tem-se na USP o Banco de Dados
Bibliográficos da USP - DEDALUS, implementado pelo software Aleph e
desenvolvido pelo Sistema Integrado de Bibliotecas (SIBi) da Universidade de
São Paulo, que integra a Rede de Serviços do SIBi/USP - SIBiNet. A partir da
base de registros bibliográficos, o DEDALUS contém a produção bibliográfica da
Universidade e os registros bibliográficos dos acervos dispostos em bases de
dados, os quais podem ser consultados de forma simultânea ou separadamente.
O Catálogo engloba os seguintes tipos de documentos: livros e materiais
especiais; seriados (títulos e coleções de publicações periódicas); teses
(dissertações e teses apresentadas à USP desde 1934) e produção do corpo
docente, gerada na USP.
A produção científica é também conhecida como produção intelectual,
produção acadêmica, produção do conhecimento, expressões essas que abarcam
as produções bibliográficas, técnica e artísticas realizadas por determinada
comunidade (NORONHA, KIYOTANI, JUANES, 2002).

�A produção cientifica dos docentes abrange tudo que é publicado pelos
professores da USP. Dentro desse cenário, a produção docente da Biblioteca da
FEA/USP merece uma atenção especial por se tratar de um acervo diferenciado
(com textos em suporte não convencional e de fácil deterioração) e que por isso
precisam de um tratamento especial.
Este trabalho se propõe a repensar o papel das bibliotecas universitárias
diante dos novos paradigmas que surgem com o advento das novas tecnologias e
tecer algumas reflexões sobre a disponibilização aos usuários do acesso on line
ao texto completo da produção científica dos docentes da FEA/USP, bem como,
traçar algumas diretrizes e procedimentos para a concretização da implantação
do acesso on line do conteúdo da Base Produção da FEA/USP.

2 A PRODUÇÃO CIENTÍFICA DOCENTE DA FEA/USP

A Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade
de São Paulo (FEA/USP) foi fundada em 1946. Atualmente, integram a Faculdade
3 departamentos: Economia, Administração e Contabilidade, que juntos
contabilizam 184 docentes.
A produção científica docente da FEA/USP abrange uma diversidade de
tipos de trabalhos e formatos, alguns com características especiais que
impossibilitam que fiquem disponibilizados em acervo aberto com acesso direto
do usuário ao material (artigos de periódicos, capítulos de livros, artigos de jornais
e trabalhos de eventos que a Biblioteca não possui a publicação original).
Para agravar a situação, grande parte desse material constitui-se de cópias
reprográficas, que pela sua natureza com o passar do tempo, ficam ilegíveis
tornando-se necessário, por parte da Biblioteca, a aplicação de medidas de
preservação.
Na Base Produção da FEA/USP tem-se como formatos de trabalhos
possíveis de serem cadastrados: livros, monografias, artigos, depoimentos e
entrevistas em jornais e periódicos, folhetos, mapas, materiais didáticos, patentes,
relatórios técnicos, trabalhos de evento, websites dentre outros.

�Como

se

pode

ver,

é

grande

a

diversidade

de

materiais

e

conseqüentemente muito problemático seu armazenamento, disponibilização,
organização e acesso aos usuários.
Por esse motivo, na Biblioteca da FEA/USP alguns trabalhos recebem um
tratamento diversificado, ficando alojados em um local diferenciado do resto do
acervo (para evitar furtos, como por exemplo, de recortes de artigos, depoimentos
e entrevistas em jornais e periódicos) e assim não permitem que o usuário tenha
o acesso imediato a esses textos, sendo obrigatório, que além da busca no
DEDALUS seja também necessário a solicitação desse material no balcão de
empréstimo e espera de pelo menos um dia útil para a entrega do material ao
usuário.
Numa sociedade onde cada vez mais é importante a rapidez do acesso a
informação esse tempo de espera pode ser crucial e a frustração do usuário não
atendido dentro de sua expectativa muito grande.
É papel da biblioteca além da preservação da memória intelectual gerada
pela universidade, garantir o acesso de pesquisadores a um acervo de inegável
valor para o desenvolvimento de pesquisas e de intercâmbio de informações entre
especialistas e a comunidade em geral, bem como, a busca constante no
aprimoramento do atendimento ao público.

3

O

PAPEL

DAS

BIBLIOTECAS

COM

O

ADVENTO

DAS

NOVAS

TECNOLOGIAS EM INFORMAÇÃO

As bibliotecas ao longo da suas trajetória vêm passando por profundas
transformações que ocorrem de acordo com o contexto histórico, cultural, social,
econômico, político e tecnológico da sociedade em que estão inseridas. Sendo
assim, A história da biblioteca é a história do registro da informação, sendo
impossível destacá-la de um conjunto amplo: a própria história dos homens
(MILANESI, 1983, p. 16).
O cenário em que vivemos hoje se caracteriza pelo avanço dos recursos
tecnológicos

principalmente

no

campo

da

tecnologia

da

informação

e

comunicação. Com o advento da comunicação digital, da Internet e seus recursos

�diversos setores da sociedade vêm se transformando e a biblioteca não tem como
ficar imune a isso.
Já em 1999 Catarino (p. 25) afirmou,
É fato que a Internet já se consolidou como uma mídia de forte
impacto sobre a sociedade. Trata-se de uma tecnologia de
comunicação de dados que derruba fronteiras e agiliza o processo
de transferência de conhecimento. E sem dúvidas, as bibliotecas e
outros serviços de informação devem utilizá-la em todos os seus
recursos disponíveis.

O termo Internet é sinônimo de rede mundial de computadores. Esta rede
tem por princípio o compartilhamento de informações entre computadores
interligados ao redor do mundo.
Através da Internet é possível estar disponibilizando uma enorme massa de
informações e o usuário só precisa ter acesso a um computador em rede para
usufruir de todas as vantagens e comodidades que a Internet oferece.
A Internet é a mola propulsora das transformações que estão derrubando
por terra os meios tradicionais de divulgação do conhecimento. É ela que diminui
as distâncias e encurta o tempo entre o usuário e a informação.
São novas possibilidades que surgem, e com isso, cresce a exigência por
parte dos usuários quanto aos serviços oferecidos pelas bibliotecas e deve
crescer na mesma proporção o empenho por parte das bibliotecas e dos
bibliotecários para que o usuário seja atendido em suas expectativas. Pelo
menos, não pode faltar consciência, planejamento e disposição para que isso
aconteça.
A atualização permanente é fundamental, bem como, é imprescindível
garantir o acesso a toda informação que, de alguma forma, possa ser útil aos que
pesquisam. Isso, inclusive é inseparável da própria idéia de Universidade
(MILANESI, 2002).
As bibliotecas universitárias, pela necessidade de atualização permanente
de seus usuários, acabam sendo mais exigidas quanto à implementação de
novidades que agilizem e facilitem a vida de seus usuários.
As bibliotecas universitárias, responsáveis pelo suporte ao ensino
e à pesquisa, são organizações que prezam fortemente a questão
da agilidade e da precisão no acesso a informação. Assim, todo

�novo suporte que aumenta sobremaneira a capacidade de
armazenamento, a rapidez e a multiplicidade de acesso
simultâneo à produção científica é bem-vindo neste ambiente
(MORAES, 2005)

E o advento das novas tecnologias, como suporte da informação,
possibilita o acesso instantâneo à informação e a documentação melhorando a
qualidade dos serviços oferecidos aos usuários.
Dentre as novas tecnologias, a digitalização de documentos  conversão
das imagens dos documentos em imagens eletrônicas codificadas em meio
digital (informação verbal1)  surge como o meio tecnológico mais adequado que
possibilitará que a produção científica docente da FEA/USP seja armazenada e
disponibilizada em texto completo aos usuários.
Mas por que digitalizar? Para Brasil (informação verbal2) são muitas as
vantagens: maior velocidade de acesso ao documento; possibilidade de acesso
remoto ao documento; possibilidade de múltiplos acessos simultâneos aos
documentos; economia de espaço físico e preservação dos documentos originais.
Vale ressaltar que nem todas as obras podem passar pelo processo de
digitalização e disponibilização, devido à lei de direitos autorais, e que será
necessário à autorização documentada de todos os professores que permitirem o
acesso irrestrito aos seus trabalhos em texto completo.
Segundo LEVACOV (1997)
A tecnologia de produção de documentos digitais desenvolveu-se
mais rapidamente do que instrumentos legais para protegê-la. As
novas leis de propriedade intelectual que estão sendo discutidas
nos EUA, por exemplo, procuram alcançar um equilíbrio entre a
proteção ao direito autoral (a fim de garantir ao autor o lucro de
seu trabalho) e o interesse público maior de assegurar/garantir o
mais amplo acesso possível a informação.

É necessário encontrar soluções que preservem os aspectos legais e
éticos envolvidos no documento digital, como também é necessário, por parte das
bibliotecas universitárias, encontrar soluções para as obsolescências das mídias,

1

Anotação do workshop realizado por BRASIL, Alex Ricardo. Normas e práticas para digitalização
de documentos públicos. (Workshop apresentado ao 2º Congresso Internacional de Arquivos,
Bibliotecas, Centros de Documentação e Museus  Integrar, São Paulo, 2006).
2
Ibidem.

�dos formatos, dos equipamentos, dos softwares etc. Não adianta disponibilizar
agora e ficar inacessível depois.
É um trabalho contínuo e por isso são necessárias políticas dentro da
biblioteca que contemplem os desafios de hoje e se preparem para os desafios de
amanhã.
As tecnologias informacionais sempre estiveram presentes na história das
bibliotecas interferindo e alterando as práticas de trabalho e o meio pelo qual os
serviços são oferecidos. Sobre isso Cunha (2000) comenta,
Em todas as épocas, bibliotecas sempre foram dependentes da
tecnologia da informação. A passagem dos manuscritos para a
utilização de textos impressos, o acesso a base de dados
bibliográficos armazenados nos grandes bancos de dados, o uso
do CD-ROM e o advento da biblioteca digital no final dos anos 90,
altamente dependente das diversas tecnologias de informação,
demonstram que, nos últimos 150 anos, as bibliotecas sempre
acompanharam e venceram os novos paradigmas tecnológicos.

A tecnologia é um catalisador de mudanças particularmente importantes e
pungentes para as bibliotecas, uma vez que cria novas necessidades e altera
velhos e sólidos paradigmas estabelecidos ao longo de muitos séculos
(LEVACOV, 1997).
Toda nova tecnologia traz desafios que devem ser superados, é papel da
biblioteca desenvolver serviços que atendam aos interesses e as necessidades
dos usuários, independente do meio utilizado para isso.
Mas não podemos esquecer que,
O que define a condição de biblioteca é a existência de alguma
forma de organização que permita encontrar o que se deseja [...]
Essa idéia de organização está presente tanto nos acervos
primitivos quanto nas informações que circulam pelos milhões de
computadores em rede (MILANESE, 2002, p. 12).

A tendência é que cada vez mais as tecnologias da informação estejam
presentes na biblioteca, seja ela como for no futuro (virtual, digital ou real), mas o
princípio básico de que é necessário o mínimo de organização para que a
informação seja encontrada se mantém. Dessa maneira independente da
tecnologia usada para disponibilizá-la, sempre vai ser necessário o ordenamento
da produção intelectual do homem, e a biblioteca ainda é o lugar onde se faz isso.

�Em 2010, quase a totalidade, se não a totalidade das bibliotecas
universitárias brasileiras, estará automatizada, e muitas delas serão bibliotecas
totalmente digitais (CUNHA, 2000). Exageros a parte, podemos constatar que é
uma tendência a disponibilização on line não só das referências das obras mas
como também de seu conteúdo. E é papel da biblioteca e do bibliotecário ficar
informado e acompanhar essas mudanças.

4 DIRETRIZES E PROCEDIMENTOS PARA A IMPLANTAÇÃO DO ACESSO
ON-LINE AOS TEXTOS COMPLETOS DOS DOCENTES DA FEA/USP

Um grande número de estudos tem sido conduzido a respeito da
digitalização de imagens, sua qualidade e seus formatos de armazenamento.
Com qual tipo de scanner digitalizar? Em que suporte preservar as
imagens? Em qual formato de arquivo digitalizar? São algumas das questões
levantadas e que ainda estão sendo estudadas pelas diversas unidades de
informação e por nós para futura aplicação no acervo da Biblioteca da FEA/USP.
As diretrizes e procedimentos aqui descritos são baseados em pesquisas,
leituras de artigos sobre o tema, em estudo de caso de outras unidades e na
participação do wokshop intitulado Normas e práticas para digitalização de
documentos públicos ocorrido no 2º Congresso Internacional de Arquivos,
Bibliotecas, Centros de Documentação e Museus - Integrar no dia 25 de junho de
2006.
Cada unidade de informação possui características peculiares que devem
ser levadas em consideração na aplicação de diretrizes e procedimentos. O tipo
de acervo, a realidade econômica, a infra-estrutura e os equipamentos
disponíveis na biblioteca são algumas dessas características.
Para a conversão de documentos do formato tradicional para o digital
algumas diretrizes precisam ser pontuadas:
- respeito à lei de direitos autorais (digitalizar somente os documentos com
autorização prévia dos seus autores);

�- escolha dos equipamentos (scanners e computadores);
- pesquisa de software adequado para a conversão;
- escolha do formato de arquivo (JPEG, TIFF, PDF etc.);
- escolha do suporte em que vai ser preservada as imagens (dispositivos
de armazenagem ópticos, flash RAM, analógicos, magnéticos etc.);
- treinamento da equipe (para o manuseio dos equipamentos).
E alguns procedimentos precisam ser seguidos depois de definida as
diretrizes acima:
- preparação dos documentos (esta tarefa engloba atividades como:
retirada de todos os clips, grampos, cola ou qualquer elemento que prejudique o
acesso do documento ao scanner);
- digitalização (esta é a etapa em que se coloca o documento no scanner
para a partir daí gerar a imagem digital, disponibilizando para uma posterior
pesquisa de forma rápida e objetiva).
Esses ainda são apontamentos iniciais, mas pretendemos com a
colaboração de um analista de sistemas presente na equipe da Biblioteca,
desenvolver esse projeto e aplicá-lo na prática.
Para a operacionalização do projeto, montou-se uma equipe formada por
integrantes das diversas seções da Biblioteca.
Desde 2005 a Biblioteca da FEA vem desenvolvendo projetos para a
implementação de novos produtos e serviços e para aprimoramento dos já
existentes com o objetivo de sempre melhorar a qualidade do que é oferecido
buscando a máxima satisfação dos usuários.
Para isso, fazemos reuniões periódicas com a supervisão e coordenação
da Diretora, para que haja um espaço para debates e trocas de idéias, sugestões
entre todos em função de uma meta comum: a aplicação prática de tudo que
desenvolvemos teoricamente na Biblioteca.
Desse modo, assumindo uma nova postura diante das mudanças,
acreditamos que podemos fazer a diferença dentro do nosso ambiente de
trabalho e assim crescermos junto com a Biblioteca.

�5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Vivemos em uma época de transição, semelhantemente a ocorrida do
manuscrito para o impresso, hoje a transição é do impresso para o digital e as
bibliotecas têm um papel importante nesse novo contexto.
A tecnologia faz parte da história das bibliotecas e a tecnologia atual
possibilita que os documentos sejam digitalizados e disponibilizados via on line. E
é aproveitando-se dessa nova tecnologia que a Biblioteca da FEA/USP pretende
implantar o acesso on line aos textos completos de seus docentes através de
diretrizes e procedimentos de trabalho descritos no capítulo anterior.
É função da universidade contribuir para a socialização do conhecimento e
é responsabilidade de todos, que fazem parte desse meio, fazer com que isso
aconteça.
As instituições acadêmicas têm como um de seus atributos principais, a
comunicação dos conhecimentos gerados, que servirão para o crescimento da
ciência e abertura a novas frentes de estudo e pesquisa (NORONHA, KIYOTANI,
JUANES, 2002).
A biblioteca universitária tem um papel importante nesse processo, pois
contribui para a divulgação científica disponibilizando de forma organizada tudo
aquilo que foi produzido e publicado pelos seus docentes, e assim possibilita que
esse material esteja reunido, preservado e acessível a seus usuários.
Hoje o único canal de divulgação da produção científica da FEA/USP é o
DEDALUS que não disponibiliza esse material em texto completo, implicando em
pouca praticidade e agilidade, uma vez que é necessária a presença do usuário
na Biblioteca e não lhe é dado a garantia, no momento da sua pesquisa, que saia
com a produção científica desejada em mãos já que estas são alojadas em um
local diferenciado do resto do acervo e dispendem de tempo e funcionários para a
sua localização.
Sendo assim, acreditamos que a digitalização dos documentos e a sua
disponibilização on line é um caminho natural que a Biblioteca da FEA/USP e as
bibliotecas universitárias em geral deverão seguir.

�As mídias digitais estão substituindo o papel em uma variedade de
aplicações e em uma velocidade vertiginosa. Ao mesmo tempo, criar, acessar,
disponibilizar uma coleção virtual representa uma coleção de problemas
(LEVACOV, 1997) que deverão ser enfrentados pelas bibliotecas universitárias
em mais ou menos tempo e apesar do assunto ser vasto e complexo espera-se
com esse artigo contribuir para o debate e ser um meio de reflexão sobre o tema.

ORGANIZATION AND ON LINE AVAILABILITY OF THE SCIENTIFIC
PRODUCTION
OF
THE
SCHOOL
OF
ECONOMICS,
BUSINESS
ADMINISTRATION AND ACCOUNTANCY TEACHERS: A REFLECTION

ABSTRACT
The Library and Documentation Service of the School of Economics, Business
Administration and Accountancy of the University of São Paulo is responsible for
the collection, processing, storaging and registering in the USP Bibliographical
Data Base  DEDALUS of the scientific production produced by the teachers of
the College. Currently, the documents are stored in filing boxes and they are being
kept in a specific place in the library, that brings difficulties for the user to the
immediate access of these materials. The article aims to make some reflections on
the availability of the users of the online access to the complete text of the
FEA/USP teachers scientific production, as well as to reconsider the University
Library in the face of the new paradigms that appear in the advent of the new
technologies. That is a bibliographical research about theoretical reflections that
identifies the advantages and disadvantages of the use of the new technology,
specifically about the digitalization of documents, and the allowance to trace some
directions and procedures for the implementation of online access to the complete
texts of the FEA/USP teachers scientific production. The new technologies
resources increases the access and the availability of the information. Faced with
these facts, it is expected a increased level of quality of the offered services and to
propitiate a better access to the FEA/USP teachers scientific production.
Keywords: Scientific production. Information
documents from traditional to the digital format.

technology.

Conversion

6 REFERÊNCIAS
CATARINO, Maria Elisabete. Internet: ferramenta de trabalho para os
profissionais de informação. In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE
BIBLIOTECONOMIA "PROF. DR. PAULO TARCÍSIO MAYRINK", 3., 1999,
Marília. Anais... Marília: Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp, 1999. p.
19-27.

of

�CUNHA, Murilo Bastos da. Construindo o futuro: a biblioteca universitária
brasileira em 2010. Ciência da Informação, Brasília, v. 29, n. 1, 2000. Disponível
em: &lt;http://www.ibict.br/cionline/viewarticle.php?id=307&amp;layout=abstract&gt;.
Acesso em: 24 jul. 2006.

LEVACOV, Marília. Bibliotecas virtuais: (r)evolução?. Ciência da Informação,
Brasília, v. 26, n. 2, 1997. Disponível em:
&lt;http://www.ibict.br/cionline/viewarticle.php?id=428&amp;layout=abstract&gt;. Acesso
em: 24 jul. 2006.

MARCONDES, Carlos Henrique; SAYÃO, Luis Fernando. Documentos digitais e
novas formas de cooperação entre sistemas de informação em C&amp;T. Ciência da
Informação, Brasília, v. 31, n. 3, set./dez. 2002. Disponível em:
&lt;http://www.ibict.br/cionline/viewarticle.php?id=182&amp;layout=abstract&gt;. Acesso
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______. Tecnologias de informação e impacto na formação do profissional de
informação. Transinformação, Campinas, v. 11, n.3, p. 189-194, 1999.

MILANESI, Luís. Biblioteca. Cotia : Ateliê Editorial, 2002. 117 p.

______. O que é biblioteca. São Paulo: Brasiliense, 1983. 108 p.

MORAES, Juliana de Souza et al. Repensando o espaço físico das bibliotecas
universitárias em tempos de coleções virtuais. In.: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 13., 2004, Natal. Anais... Natal: UFRN, 2004.
1 CD.

NORONHA, Daisy Pires; KIYOTANI, Normanda Miranda; JUANES, Ivone A.
Soares. Produção científica de docentes da área de comunicação. In.:
ENCONTRO NACIONAL DE CENTROS DE INFORMAÇÃO E BIBLIOTECAS DA
ÁREA DE COMUNICAÇÃO, 12., 2002, Salvador. Anais... Salvador: ENDOCOM,
2002. 1 CD.

�7 REFERÊNCIAS CONSULTADAS

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digital, criando novos formatos e papéis em ambientes de informação. Ciência da
Informação, Brasília, v. 33, n. 2, maio/ago. 2004. Disponível em:
&lt;http://www.ibict.br/cionline/viewarticle.php?id=548&amp;layout=html&gt;. Acesso em:
22 jul. 2006.

CARVALHO, Isabel Cristina Louzada; KANISKI, Ana Lúcia. A sociedade do
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TORRES, Elisabeth Fátima; MAZZONI, Alberto Angel. Conteúdos digitais
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&lt;http://www.ibict.br/cionline/viewarticle.php?id=320&amp;layout=html&gt;. Acesso em: 22
jul. 2006.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Organização e disponibilização on line da produção científica da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP): uma reflexão.</text>
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                <text>Aguiar, Giseli Adornato de; La Farina, Sandra Maria</text>
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                <text>O Serviço de Biblioteca e Documentação (SBD) da FEA/USP é responsável pela coleta, processamento, armazenamento e registro no Banco de Dados Bibliográficos da USP  DEDALUS, da produção científica gerada pelos docentes da Faculdade. Atualmente os documentos são armazenados em caixas-arquivo e ficam alojados em um local diferenciado do resto do acervo, o que dificulta o acesso imediato do usuário a esse material. O artigo visa tecer algumas reflexões sobre a disponibilização aos usuários do acesso on line ao texto completo da produção científica dos docentes da FEA/USP, bem como, repensar a biblioteca universitária diante dos novos paradigmas que surgem com o advento das novas tecnologias. A pesquisa é bibliográfica e deu-se pela leitura de dados teóricos que identificassem as vantagens e desvantagens do uso das novas tecnologias, especificamente da digitalização de documentos, e que permitissem traçar algumas diretrizes e procedimentos para a implantação do acesso on line aos textos completos dos trabalhos dos docentes da FEA/USP. Os recursos das novas tecnologias potencializam o acesso e a disponibilização da informação. Diante disso, espera-se aumentar o nível de qualidade dos serviços oferecidos e propiciar um maior e melhor acesso à produção científica docente da FEA/USP.</text>
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                    <text>ORIENTAÇÕES PARA USUÁRIOS DE REPOSITÓRIOS DIGITAIS NA
PLATAFORMA DIÁLOGO CIENTÍFICO

Miguel Ángel Márdero Arellano
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia – Ibict
SAS, quadra 5, lote 6, bloco H, CEP. 70.070-914 Brasília-DF, Brasil
miguel@ibict.br
Ismênia do Socorro de Abreu Souza
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia – Ibict
SAS, quadra 5, lote 6, bloco H, CEP. 70.070-914 Brasília-DF, Brasil
ismênia@ibict.bt

RESUMO
Este trabalho visa demonstrar o funcionamento e forma de utilização do software
Diálogo Científico (DiCi) para os bibliotecários e pesquisadores das Instituições de
Ensino Superior (IES). Definem-se os repositórios institucionais e temáticos e sua
utilidade para o armazenamento, preservação, divulgação e o acesso aos
trabalhos produzidos nestas organizações. Apresenta o DiCi – Ciência da
Informação, um repositório destinado à Ciência da Informação e as funções a
serem executadas para se obter as vantagens que o software oferece, incluindo a
possibilidade de ser utilizado para implementação de repositórios institucionais e
temáticos. Descreve detalhadamente cada uma das operações desta ferramenta,
incluindo: login no sistema, cadastramento do usuário, navegação (percorrer
registros), pesquisa simples e avançada, arquivamento de novo trabalho ou
comentário de trabalho já depositado, a revisão pelos editores e a publicação, na
Internet, dos trabalhos aceitos. Conclui-se que os bibliotecários e os autores da
IES devem conhecer profundamente as ferramentas disponibilizadas pela
Iniciativa dos Open Archives, de maneira que possam usufruir proveito de todas
as suas funcionalidades, possibilitando a oferta de diversos serviços à
comunidade universitária em que estão inseridos.

Palavras-chave: Repositórios institucionais; Diálogo Científico; EPrints; arquivos
abertos; bibliotecários de IES; autores de IES.

1

�INTRODUÇÃO

O arquivamento da informação científica de acesso livre traz benefícios
substanciais para os cientistas e suas instituições. Quando uma universidade
decide criar um repositório institucional ou temático, ela está permitindo que a
visibilidade de sua produção aumente, assim como, o impacto dos resultados das
pesquisas promovidas por ela.

Os

repositórios

consideravelmente

no

digitais
mundo,

de

acesso

disponibilizando

aberto
centenas

estão

crescendo

de

publicações

gratuitamente (http://archives.eprints.org). Nos países em desenvolvimento o
movimento do acesso livre ganha mais adeptos a cada dia. Periódicos científicos
tradicionais começam a co-existir com repositórios digitais de acesso livre,
demonstrando que periódicos por assinatura podem existir em paralelo e reforçarse mutuamente.

Segundo Harnad (2006), para conseguir um maior impacto dos
resultados das pesquisas em uma universidade são necessárias três ações: 1)
criar repositórios institucionais, 2) contar com a ajuda dos profissionais das
bibliotecas universitárias e 3) expedir uma política de auto-arquivamento. Esse
é o caso da Queensland University of TechnologyUniversidade de (Figura 1):

2

�Figura 1 - Crescimento do depósito no repositório da Queensland University of
Technology (Fonte: HARNAD, 2006)

O arquivamento digital em repositórios temáticos ou institucionais pode
trazer inúmeros benefícios para a sociedade através da distribuição imediata dos
resultados das pesquisas. A construção e manutenção de um repositório têm um
custo reduzido devido a maioria de eles usarem software livre. Entretanto, existem
alguns itens relacionados com pessoal e compromissos institucionais que devem
ser observados desde o início.

DESENVOLVIMENTO

1. Repositórios digitais interoperáveis
No

ano

de

2000

foi

criada

a

Iniciativa

dos

Arquivos

Abertos

(http://www.openarchives.org), ela tinha como missão o desenvolver e promover
os padrões de interoperabilidade que facilitariam a disseminação e a descoberta
dos conteúdos digitais. No princípio essa interoperabilidade estava direcionada
para um único tipo de documentos (e-prints), mas, com o tempo sua abrangência
cobriu toda a variedade existente de objetos digitais, como os arquivos de vídeo,
som, bases de dados, teses e dissertações relatórios e outros tipos de literatura
cinzenta.

3

�Com o protocolo de coleta de metadados OAI-PMH, desenhado para
localizar e coletar metadados e serviços, associados de diferentes provedores de
dados criou-se, uma rede de servidores conectados globalmente. O suporte para
essa interoperabilidade é um conjunto mínimo de metadados no formato Dublin
Core, reconhecido internacionalmente e usado em bibliotecas digitais e
catalogação de recursos digitais (http://www.dublincore.org).

O compartilhamento dos metadados está baseado no modelo de
funcionamento da Iniciativa dos Arquivos Abertos (OAI) que separa em dos grupos
os recursos de informação: provedores de dados e provedores de serviços. Com
essa estrutura, nem os autores nem as instituições precisam se preocupar na
criação de serviços que podem ser adicionados por outras instituições. Um
exemplo disso é o serviço que o mecanismo de busca OAIster

proporciona

(http://oaister.umdl.umich.edu/o/oaister/).

O protocolo OAI-PMH já esta amplamente aceito pela comunidade científica
internacional que deseja que seus recursos de informação estejam integrados na
Internet. A acessibilidade e o impacto de material de pesquisa são reduzidos e os
repositórios

ficam

invisíveis

quando

eles

não

seguem

padrões

de

interoperabilidade.

2. EPrints
O software EPrints foi desenvolvido na University of Southampton, na
Inglaterra (http://www.eprints.org), como uma solução simples para a promoção do
arquivamento digital de acesso livre. Por ser uma plataforma livre, ela contem
todos os componentes necessários para a criação dentro da universidade de um
repositório institucional, instalado e configurando de acordo com as necessidades
institucionais. Segundo Kuramoto (2005) o software EPrints é o mais disseminado
e que melhor representa os padrões e ideais da Open Archives Initiative, pelo fato
de ele ter promovido o auto-arquivamento desde seu surgimento (Quadro 1).
Quadro 1 – Conteúdo dos repositórios digitais OAI por software (Fonte: EPrints.org)

4

�Software

Repositórios

Total de
documentos

Media de
documentos por
repositório

EPrints

210

194563

1019

DSpace

162

288074

2667

Bepress

51

96246

2048

ETD-db

23

301394

15863

OPUS

21

6300

350

DIVA

14

9453

675

CDS

9

169963

28327

ARNO

6

157754

26292

HAL

4

39259

9815

DoKS

3

1970

657

Fedora

3

6946

2315

MyCoRe

1

1984

1984

Outros

212

3220717

24216

Um repositório EPrints está estruturado em duas partes, a primeira é uma
base de dados (mysql1) e a segunda uma página web (manipulada por um
servidor Apache2). As duas partes lidam com coleções de programas (scripts)
escritos numa linguagem de programação chamada Perl3. Esses scripts são
comandados pelo administrador do repositório e, alguns pelo servidor web, como
resposta a um comando ativado pelos usuários dentro de algum formulário. O
resultado disso é mostrado nas interfaces do repositório on-line.

As informações contidas no repositório são de dois tipos: um sobre o
próprio repositório (armazenado no banco de dados) e as outras sobre a sua

1

Servidor de banco de dados SQL, verdadeiramente multiusuário e multithreaded. O MySQL é
uma implementação que consiste em um daemon (programa residente em memória), um
servidor chamado mysqld e diversos programas clientes e bibliotecas.
2
Servidor web mais utilizado atualmente no mundo e funciona em qualquer sistema
operacional. Permite que linguagens de programação sejam agregadas a ele como módulos, o
que gera mais segurança, estabilidade e performance.
3
Linguagem de programação muito utilizada para construir aplicações CGI para o web. Tratase de uma linguagem de programação muito prática para extrair informação de arquivos de
texto e gerar informes a partir do conteúdo dos arquivos.

5

�configuração (contidas em arquivos em formato XML4). A pessoa responsável pela
instalação do software deve seguir as instruções técnicas contidas na
documentação do sistema (http://software.eprints.org/docs/php/installation.php).

Entre as responsabilidades do usuário cadastrado no sistema como
administrador ou como usuário editor está a de motivar à comunidade universitária
a depositar todos seus arquivos com todas as informações possíveis sobre os
mesmos, esclarecendo que com isso os resultados das suas pesquisas estarão
mais visíveis e permitindo um acesso maior. Dentro de uma biblioteca
universitária, o administrador do repositório deverá ajudar aos pesquisadores a
entender os benefícios que tanto eles quanto a universidade podem chegar a ter,
em termos do impacto e do arquivamento seguro da sua produção a longo prazo.

É necessário que o profissional da informação responsável pelo
repositório EPrints tenha conhecimento suficiente sobre o gerenciamento de
sistemas de informação digital e alguma experiência em editoração, para ser
capaz de entender os assuntos relacionados com a descrição bibliográfica em
metadados, assim como sobre o tipo de informação que a instituição estaria
disposta a coletar e arquivar digitalmente. A ferramenta foi desenvolvida para
motivar uma elevada qualidade dos dados depositados, ou seja, preciso e sem
ambigüidades. Desta forma é fundamental ter um conjunto de metadados bem
definidos, pois facilita o processo de interoperabilidade com outros sistemas.

Uma vez que o repositório foi criado e registrado na Iniciativa dos
Arquivos Abertos, ele será automaticamente incluído na coleta global de
metadados e nos outros provedores de serviços existentes em diversas
instituições de ensino e pesquisa. Essa inclusão permite que ele esteja visível
para buscas federadas, bibliográficas, análise de citações, mapeamento,
catalogação e classificação, assim, o conteúdo publicado e arquivado por uma
instituição será acessado de diferentes formas.

4

Linguagem que é considerada uma grande evolução na internet é definida como o formato
universal para dados estruturados na Web. Esses dados consistem em tabelas, desenhos,
parâmetros de configuração, etc. A linguagem XML então trata de definir regras que permitem
escrever esses documentos de forma que sejam adequadamente visíveis ao computador.

6

�3. Diálogo Científico
Em 2003 com base no software EPrints, foi implementado, pelo Ibict, o
Diálogo Científico (DiCi). O EPrints foi traduzido para o português e adaptado
para o Brasil tendo sido criada uma versão padrão customizada para repasse a
instituições do sistema de informação em C&amp;T do país. Para a representação
de assuntos e descrição do conteúdo temático dos documentos a serem
depositados, foi adotada a tabela de áreas de conhecimento do CNPq,
aplicável a qualquer associação ou instituição científica. Em 2004 foram
disponibilizadas no site do Ibict informações sobre o software com o objetivo de
auxiliar na instalação e implementação desse modelo de repositórios no país
(VIANA; MÁRDERO ARELLANO, 2006).

Também em 2004, foi lançado o repositório EPrints “Diálogo Científico
em Ciência da Informação” (http://dici.ibict.br), abrindo-se um espaço para que
os autores da área da Ciência da Informação no Brasil possam auto-arquivar
sua produção e garantir o acesso aberto e permanente à informação.
Procurando a sua adoção por parte dos pesquisadores da área, foi inserida a
produção científica dos especialistas do Ibict no sistema, e solicitado aos
editores das revistas Educação Temática Digital, Revista

Digital de

Biblioteconomia e Ciência da Informação, DataGramaZero, Arquivística.net e a
Revista de Biblioteconomia de Brasília que depositassem os trabalhos
publicados nas respectivas revistas. A revista Ciência da Informação sugere
aos autores que não tiveram seus trabalhos aceitos em algum periódico que
submetam os pré-prints ao repositório Diálogo Científico. Também vários
profissionais aceitaram que seus trabalhos publicados fossem arquivados nele
(LEITE; MÁRDERO ARELLANO; MORENO, 2006).

A partir da crescente disponibilização de repositórios no meio da
comunidade científica brasileira, os bibliotecários das IES estão interessandose por conhecer e capacitar-se no uso dessa ferramenta visando favorecer a
disseminação da produção intelectual de toda a instituição. O repasse dessa
tecnologia pelo Ibict envolve palestras e treinamento dos profissionais de

7

�informação da instituição parceira, para atendimento de sua comunidade de
usuários e para gerenciamento da ferramenta objetos digitais nela depositados
(http://www.ibict.br/dici). Com o DICI o Instituto procura minimizar alguns
problemas enfrentados pelos pesquisadores no processo de produção e
divulgação de resultados de pesquisas, tais como morosidade do processo e
desigualdade de acesso.

4. Gerenciamento do Diálogo Científico (DiCi)
Após a instalação o repositório deve ser customizado para que ele
responda às necessidades da instituição. Uma das primeiras decisões diz respeito
ao tipo de formatos serão usados, quais serão os metadados a serem solicitados
na submissão e as políticas específicas do gerenciamento e uso do repositório.

A interface Web apresenta, em sua página principal, as seguintes
opções: Navegação, Pesquisa, Cadastro, Área de autor e Ajuda (Figura2).

Figura 2 – Interface inicial do Diálogo Científico

A opção de Navegação permite percorrer os registros por Área de
Conhecimento e por Ano; a opção de Pesquisa permite a busca no texto
completo, ou ainda Busca Simples ou Avançada; e a Área de Autor oferece as
opções de ver e alterar o cadastro, alterar os critérios de recebimento de

8

�Informações sobre os documentos depositados e a alteração do endereço de
e-mail.

A estrutura gerencial do DICI está dividida em três seções:
- Editorial: dedicada à verificação da qualidade dos metadados,
orientação na submissão e publicação.
- Técnica: concentrada na implementação, melhoria e desenvolvimento
de funcionalidades e ferramentas que permitam a interoperabilidade e,
- Administrativa: encarregada das políticas de uso, seu impacto na
comunidade científica e sua integração com outras comunidades.

Existem 3 funções principais no sistema: a do Autor, a do Editor e a do
Administrador. As ferramentas do Autor lhe permitem: ver/alterar seu
cadastro; alerta sobre novos documentos depositados e gerar novas versões
de seus documentos depositados. O papel do Autor no sistema consiste,
basicamente, no depósito de documentos de sua autoria, na atualização da
versão dos documentos de sua autoria, conforme comentários e sugestões
recebidos, e no comentário dos trabalhos de outros autores (Figura 3).

Figura 3 - Esquema de funcionamento das opções para o autor

9

�O papel do Editor é exercido através da revisão da adequação do
conteúdo ou tema do documento, da validação e correção do conteúdo dos
metadados e da autorização final para a publicação do item no repositório.
Além das opções do autor, ao Editor também é permitido: ver o status do
sistema (dados estatísticos); pesquisa com refinamento para a correção e
exclusão de depósitos; pesquisa no cadastro de autores para visualização e
alteração de todos os seus registros. O sistema envia um e-mail de alerta para
o editor da respectiva área temática, assim que novos depósitos são efetuados
no repositório.

Uma das tarefas que exigem maior atenção por parte do editor
responsável, além daquela de avaliar se os documentos submetidos são
relevantes para a área, é a correção dos equívocos mais comuns que
acontecem no momento de submeter informações nos respectivos metadados.
A maior parte dos autores não conhece as normas bibliográficas (ABNT),
motivo pelo qual é necessária a ação do editor na pontuação, nos excessos de
espaços entre as palavras e o uso de letras maiúsculas.

No que se refere às questões de copyright, por tratar-se de repositórios
de acesso livre, todos os trabalhos depositados continuam sendo propriedade
dos autores. Portanto, cabe a estes a responsabilidade sobre o que é
submetido e a decisão sobre quais conteúdos podem ser acessados ou não,
garantindo assim sua propriedade intelectual. Qualquer problema legal é de
exclusiva responsabilidade dos autores.

A maioria das publicações periódicas permite o depósito de pós-prints
(documentos avaliados pelos pares e publicados). Os autores podem tentar
modificar o acordo de transferência de copyrights ou requerer ao editor a
concessão de certos direitos. O Diálogo Científico permite que os textos
publicados previamente possam ser depositados com restrições no acesso. A
gestão correta do copyrights melhora significativamente os valores do sistema
educativo.

10

�A função do Administrador é a de gerenciar o desempenho e
acompanhar o desenvolvimento da utilização do sistema. Além opções
disponíveis aos autores e editores, o administrador também dispõe de recursos
para adicionar autores e editores e de gerenciar a tabela de áreas, podendo
criar, apagar, editar ou relacionar categorias de assunto.

5. Principais aspectos do processo de depósito
O depósito de documentos num repositório Diálogo Científico é apenas
uma parte do processo de workflow associado à disponibilização de
documentos em um provedor de dados. O Fluxograma de depósito de
documentos envolve as seguintes etapas:
a) Seleção do tipo de documento a ser depositado;
b) Opção de: comentar documento de outro autor, ou de responder a um
comentário recebido, ou ainda de efetuar alterações e nova versão de
seus próprios trabalhos;
c) Inclusão dos metadados correspondentes ao documento a ser
depositado;
d) indicação do formato de arquivo em que consiste o documento e do
nível de segurança para sua consulta;
e) seleção da localização (internet, HD), nível de compressão do conteúdo
(compactado ou não), e indicação da quantidade e tipos de
documentos que serão depositados (upload);
d) digitação do caminho completo para o local onde será obtido cada
documento a ser depositado;
d) verificação final do depósito;
d) apresentação do Termo de Aceite relacionado aos direitos de autoria e
distribuição do documento;
e ) confirmação do depósito e orientação quanto à sua disponibilidade no
sistema.
Um dos aspectos mais importantes no processo da submissão é a
identificação do documento como “publicado” ou “não publicado” e se o
documento foi avaliado pelos pares (Figura 4).

11

�Figura 4 – Tela status do documento

Os usuários do sistema podem voltar para a tela do status do documento e
corrigir qualquer erro nos metadados, incluir uma nova versão ou mudar o a
definição do acesso ao documento.

Outras funções importantes do processo de submissão são:
Cadastro de autor: para que o usuário tenha permissão para acessar
algumas áreas no sistema é preciso se cadastrar. Ao se cadastrar, o
usuário poderá utilizar qualquer serviço oferecido pelo DiCi (Diálogo
Cientifico), mas para que isso aconteça o usuário tem que receber por email a confirmação do seu cadastro no sistema.
Depósito: Ao optar para fazer um depósito no DiCi o usuário terá que
selecionar o tipo de documento que será depósito.
Documentos na sua área de trabalho: após ter incluído um trabalho,
apareceram todas as informações correspondentes ao mesmo.
Novo Documento: consiste em uma janela com as opções de documentos
já existentes. Após escolher a opção novo documento aparecerá o menu
com as áreas de conhecimento.
Apagar: ao escolher esta opção o documento será excluído de sua área de
trabalho. Mas se isso aconteceu por um descuido, o documento só será
excluído ou apagado por definitivo se houver a confirmação vinda do
próprio sistema.
Clone: selecionada essa opção através do recurso “Revisar Documento” o
autor não irá se preocupar em preencher nenhum item, pois os dados que
foram anteriormente preenchidos, já estão depositados nesta caixa de
texto.
Versão mais atualizada: o autor tem que entrar com o código de
identificação do referido documento na caixa de texto e selecionar a opção

12

�“Versão Atualizada de” para que o sistema possa identificar do que refere e
o que o autor deseja fazer. O autor pode preencher a informação em
comum e copiar o documento e em seguida editar sem precisar entrar com
as informações várias vezes.
Tipo de Depósito: o autor poderá selecionar uma única opção existente na
lista ou então verificar qual a melhor maneira de descrever o seu
documento.

Se o autor estiver fazendo um comentário a respeito de um determinado
documento no repositório, é preciso informar o seu código de identificação na
caixa de texto e em seguida selecionar “Comentários sobre”, ao abrir essa caixa o
autor poderá fazer quantos comentários desejar a respeito de um único
documento (Figura 5).

Figura 5: Tela tipo de documento

O repositório pode interligar várias e diferentes versões do mesmo
documento, assim como comentários e respostas a respeito desses comentários.
O depositante deve certificar-se de entrar como código correspondente. O sistema
permite que o autor prossiga com o depósito se o código estiver correto. Caso
contrário o sistema não deixará que o autor prossiga. O autor poderá deixar a
caixa de texto vazia se o seu documento não for uma versão mais atualizada de
um documento, de um comentário ou de uma resposta.

13

�Um aspecto pouco abordado na divulgação dos repositórios digitais tem
sido a importância dos pré-prints e dos comentários dos pares. Estes
documentos são essenciais para o especialista envolvido na pesquisa porque
este procura constantemente conhecer aquilo que está sendo gerado em
termos de inovação levando-o, por sua vez, a buscar uma literatura ainda não
publicada e totalmente disponível. As novas tecnologias da informação
possibilitaram um aumento progressivo da produção de pré-prints e relatórios
de pesquisa e, conseqüentemente, uma demanda cada vez maior por
mecanismos que viabilizem a divulgação desta forma de informação no menor
prazo possível (BOYCE, 2000).

Controlada a sua disseminação nos arquivos de acesso aberto, os préprints e os comentários dos pares são imprescindíveis para alcançar a
solidificação desses repositórios.

A ausência do item “comentários” nas

estratégias de busca do software EPrints faz prevalecer a utilização dos
repositórios preferencialmente para “consulta/pesquisa” de informação e não
para “publicação/arquivamento” de comentários e outros tipos de documento
(CORREIA; NETO, 2001).

CONCLUSÃO
Pelo caráter da sua missão, as bibliotecas universitárias são as
instituições que melhor desempenham o papel de disseminadoras dos
repositórios digitais.

Os profissionais da informação podem ajudar aos

pesquisadores no processo de auto-arquivamento, fazendo esse trabalho para
aqueles que não dispõem de tempo para arquivar seus documentos.5

O software EPrints possui inúmeras funções editoriais que permitem que
os administradores ou editores possam monitorar a qualidade das submissões
facilmente. Qualquer submissão pode ser removida e devolvida ao autor com
anotações. As tabelas de área do conhecimento podem ser modificadas de
acordo com as necessidades da instituição ou grupo de pesquisa.
5

Ver a política recomendada por Stevan Harnad para a criação de repositórios em
universidades: &lt;http://www.ecs.soton.uk/~harnad/Tp/resolution.html#7.3&gt;.

14

�A escolha pelo tipo de repositório digital deve observar um critério
importante no desenvolvimento do acesso livre à informação: a adoção de uma
política institucional de auto-arquivamento. O gerenciamento de bibliotecas e
repositórios digitais deve incluir não apenas a publicação dos resultados de
pesquisas e sua preservação, mas também permitir que os produtos
intelectuais criados por uma ou várias comunidades de pesquisadores,
estudantes e professores possam ser discutidos, avaliados e gerados em
ambientes abertos.

Referências Bibliográficas
BOYCE, P. For better or for worse. Preprints are here to stay. College and Research
Libraries News, Annapolis Junction, v. 61, n. 5, p. 404-407, 2000. Disponível em
&lt;http://www.ala.org/ala/acrl/acrlpubs/crlnews/backissues2000/may4/betterworse.htm&gt;
Acessado em 29 de jul. de 2006.
CORREIA, A. M. R.; NETO, M. de C. Repositórios digitais de literatura científica cinzenta:
estudo de caso sobre as percepções e atitudes das comunidades científicas da
Matemática e das Ciências Agrárias em Portugal. In Conferência da Associação
Portuguesa de Sistemas de Informação, 2., 2001, Évola. Anais... Évola: [s.n.], 2001. p. 119.
HARNAD, S. Generic Rationale for University Open Access Self-Archiving Policy.
Southampton:
University
of
Southampton,
2006.
Disponível
em:
&lt;http://eprints.ecs.soton.ac.uk/12078/&gt; Acessado em: 26 de jul. 2006.
KURAMOTO, Hélio. Software livre para bibliotecas digitais. In: MARCONDES, Carlos
H., KURAMOTO, Hélio, TOUTAIN, Lídia B., SAYÃO, Luís. Bibliotecas digitais:
saberes e práticas. Salvador: UFBA; Brasília: IBICT, 2005. p. 147-164.
LEITE, F. C. L.; MÁRDERO ARELLANO, Miguel A.; MORENO, F. P. Acesso livre a
publicações e repositórios digitais em Ciência da Informação no Brasil. Perspectivas
em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 11, n. 1, p. 82-94, 2006.
VIANA, Cassandra. Lúcia de Maya, MÁRDERO ARELLANO, Miguel Angel. Diálogo
Científico: EPrints como um ambiente virtual aberto da comunicação científica In:
CONFERÊNCIA IBEROAMERICANA DE PUBLICAÇÕES ELETRÔNICAS NO
CONTEXTO DA COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA, 1. Brasília, 25 a 28 de abril de 2006.
Anais.
p.
155-163.
Disponível
em:
&lt;http://portal.cid.unb.br/CIPECCbr/viewabstract.php?id=13&gt;. Acesso em: 16 de maio de
2006.

15

�</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Orientações para usuários de repositórios digitais na Plataforma Diálogo Científico.</text>
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                <text>Arellano, Miguel Ángel Márdero; Souoza, Ismênia do Socorro de Abreu</text>
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                <text>Este trabalho visa demonstrar o funcionamento e forma de utilização do software Diálogo Científico (DiCi) para os bibliotecários e pesquisadores das Instituições de Ensino Superior (IES). Definem-se os repositórios institucionais e temáticos e sua utilidade para o armazenamento, preservação, divulgação e o acesso aos trabalhos produzidos nestas organizações. Apresenta o DiCi – Ciência da Informação, um repositório destinado à Ciência da Informação e as funções a serem executadas para se obter as vantagens que o software oferece, incluindo a possibilidade de ser utilizado para implementação de repositórios institucionais e temáticos. Descreve detalhadamente cada uma das operações desta ferramenta, incluindo: login no sistema, cadastramento do usuário, navegação (percorrer registros), pesquisa simples e avançada, arquivamento de novo trabalho ou comentário de trabalho já depositado, a revisão pelos editores e a publicação, na Internet, dos trabalhos aceitos. Conclui-se que os bibliotecários e os autores da IES devem conhecer profundamente as ferramentas disponibilizadas pela Iniciativa dos Open Archives, de maneira que possam usufruir proveito de todas as suas funcionalidades, possibilitando a oferta de diversos serviços à comunidade universitária em que estão inseridos.</text>
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                    <text>OS ACERVOS BIBLIOGRÁFICOS NA INTERNET: O CASO
DAS INSTITUIÇOES ESTADUAIS DE ENSINO SUPERIOR DO
PARANÁ

Eliane M. S. Jovanovich
Universidade Estadual de Londrina  Paraná - Brasil
emsjovanovich@yahoo.com.br

Elaine Cristina Soares Lira
Universidade Estadual de Maringá  Paraná - Brasil,
liroll@yahoo.com.br

�2
1 Introdução

Os bibliotecários utilizam com freqüência os acervos institucionais, no entanto,
quando precisam de um item que não possuem é possível localizar rapidamente
através dos catálogos em linha que disponibilizam informações sobre os materiais
dos acervos das bibliotecas para posteriormente efetuarem o empréstimo entre
bibliotecas, um serviço que geralmente é bem prestado por essas instituições.

Outros serviços também são muito importantes quando disponíveis de forma
satisfatória na internet como o serviço de renovação, serviço de reserva, e outros.

É necessário ressaltar que com o advento da internet, a questão da inclusão
digital vem facilitando a aquisição de computadores, várias pessoas tem acesso a
internet para uso doméstico, esse acesso é um facilitador, sendo assim, essa
clientela, sejam eles alunos, docentes, funcionários, pesquisadores entre outros
mesmo sem vínculo com a instituição podem fazer uso deste serviço disponíveis
tendo assim uma maior interação com as bibliotecas, fazem de casas suas
próprias pesquisas, localizam o item e posteriormente vão até as instituições.

Os usuários que possuem um vínculo com a instituição, sejam acadêmicos,
pesquisadores, docentes ou funcionários, ainda podem fazer uso de outros
serviços disponíveis, além da localização, a reserva, ou até mesmo a renovação
de um item, o que minimiza a questão tempo para cada usuário.

Esta pesquisa deve contribuir para que os bibliotecários dessas instituições
revejam como estão sendo oferecidos e se é necessário promover mudanças que
promovam melhorias.

Essa pesquisa se propôs a analisar os acervos bibliográficos disponíveis na
internet e os serviços oferecidos pelas Instituições Estaduais de Ensino Superior
do Paraná.

�3
2 REVISÃO DE LITERATURA

Sendo as IEES grandes instituições voltadas para o conhecimento, consideradas
órgãos alicerces para a pesquisa, ensino e extensão, é notório que sejam
atingidas pela rapidez que acontecem as mudanças na tecnologia da informação,
computadores, redes, programas se tornam obsoletos com muita rapidez.

Já dizia Howkins (1998, p. 12) Como nos movemos pra um mundo centrado na
tecnologia, é importante assegurar que todos os segmentos da sociedade tenham
acesso à tecnologia necessária.

As bibliotecas universitárias hoje, além de estimular o uso de veículos eletrônicos
de comunicação pelas comunidades internas acabam também estimulando as
comunidades externas, através das consultas dos acervos localizados nas
bibliotecas.

Caberá à biblioteca oferecer serviços e produtos no website, como: catálogo em
linha, regulamento de empréstimos, novas aquisições, entre outras atividades
planejadas com a comunidade onde está inserida (BLATTMAN, 2003, p.35)

Temos instrumentos que facilitam a busca pela informação, porém ainda existe
uma grande dificuldade para localizar as informações, visto que nos sites
institucionais de educação os catálogos em linha ainda

estão sendo

disponibilizados de forma precária.

Cabral (1996, p.51) ressalta:
Não estamos ainda numa fase de plena informatização (não mais
cosmética), na qual todas as funções da biblioteca serão processadas
electronicamente. Em muitas bibliotecas talvez nem se atinja esse estágio.
Mas para as bibliotecas de investigação e do ensino superior não há
alternativa: é a única forma de bem gerir os recursos financeiros, humanos
e técnicos disponíveis.

�4
Estamos vivenciando uma grande explosão na utilização da Internet em
ambientes

diversos.

Ela

tornou-se

uma

ferramenta

responsável

pelas

transformações nas organizações.

As instituições diretamente ligadas a educação fazem uso constante dessa
tecnologia como principal meio de comunicação e informação. O bibliotecário
deve colaborar com os provedores desses recursos tecnológicos e participar no
desenvolvimento de bases de dados e ferramentas que auxiliem e facilitem os
serviços aos usuários.

A Internet propiciou uma grande difusão dos OPACS, ou seja, catálogos de
bibliotecas disponíveis em linha e acessíveis à consulta remota por parte de
qualquer interessado, a internet proporcionou para que muitas bibliotecas que
haviam informatizado seus catálogos para uso local pudessem tornar público
seus catálogos.

3 METODOLOGIA

Para a realização este estudo foi feito uma pesquisa descritiva utilizando um
formulário para coleta dos dados. O Paraná é um Estado que possui várias
instituições de ensino. Porém, para esta pesquisa foram selecionadas apenas as
Instituições de Ensino Superior Públicas. Como existem 5 universidades e 12
faculdades. Optou-se em pesquisar apenas as 5 universidades por terem uma
estrutura acadêmica mais significativa. As Instituições escolhidas nesta pesquisa
foram:
- Universidade Estadual de Londrina - UEL
- Universidade Estadual de Maringá - UEM
- Universidade Estadual de Ponta Grossa - UEPG
- Universidade Estadual do Centro-Oeste - UNICENTRO
- Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE

�5
Para realizar a pesquisa foi consultado os sites das instituições escolhidas, as
homepages das bibliotecas, seus catálogos, os serviços que se encontravam
disponíveis e se realmente os serviços atendiam algumas necessidades
previamente definidas.

4 ANÁLISE DOS RESULTADOS
4.1 Análise dos Sites Institucionais
Quando analisamos a questão dos sites, constatamos que 4 universidades
possuem link para a biblioteca. É interessante verificar que num site institucional
não exista um link para a biblioteca, foi o que aconteceu em uma das instituições
pesquisadas. Mesmo a Biblioteca tendo um papel muito importante dentro da
estrutura a qual está inserida, ela ainda é deixada para segundo plano, talvez por
que a instituição não possui uma Biblioteca Central e sim uma biblioteca para cada
extensão. Outra situação confirmada é que as instituições estão tão preocupadas
em jogar as informações em seus sites e esquecem que quanto mais informação
divulga mais organizada essa informação deve estar, pois encontramos sites
totalmente bagunçados, poluídos, e isso dificulta o acesso à biblioteca pela
internet.

4.2 Quanto as Homepages das Bibliotecas

Quando falamos das homepages das bibliotecas a situação ainda é mais
preocupante, pois cada instituição planeja a sua e muitas vezes não deixa claro
quais os serviços a biblioteca oferece. Somente 1 das universidades pesquisadas
possui uma página que podemos considerar ideal.

4.3 Softwares Utilizados

�6
Quando verificado quais os softwares utilizados por estas instituições, identificouse os seguintes: Virtua, utilizado por 2 universidades, o Microisis utilizado por
1delas, o Apollo que é um software desenvolvido por uma das IEES uma das
instituições não obtivemos resposta quanto ao software utilizado.
Segundo informações obtidas de uma das IEES, um convênio feito entre 3
universidades facilitou para que 2 das universidades pesquisadas adquirissem o
software VIRTUA. Epstein, citado por Krzyanowski (1996), alerta para o fato de
que não existe um sistema ideal e, mesmo que a escolha seja a mais acertada,
poderá não atender completamente aos requisitos funcionais.

5 SERVIÇOS OFERECIDOS

Como o objetivo desta pesquisa era identificar quais das IEES disponibilizavam
seus catálogos em linha e verificar se os serviços de circulação propriamente dito,
ou seja, empréstimo, reserva, renovação eram acessíveis via internet, somente
esses serviços foram pesquisados e testados, os demais serviços oferecidos ou
divulgados nas homepages das bibliotecas não influenciaram para o resultado
desta pesquisa.

Identificamos

que

nenhuma

das

instituições

oferece

todos

os

serviços

pesquisados, de um modo geral a maioria delas oferece um catálogo em linha,
oferece o serviço de empréstimo automatizado local, mas não oferece os demais
serviços via internet que seriam renovação, reserva

5.1 Catálogo em Linha

As Instituições de Ensino Superior do Paraná ainda estão em fase de
descobrimento tecnológico, 3 bibliotecas disponibilizam seus catálogos em linha
diretamente em suas homepages, enquanto uma ainda está em processo de

�7
adequação, libera listas com referências bibliográficas em ordem alfabética à partir
de classes pré-determinadas , e a quinta biblioteca, ainda não disponibiliza seu
catálogo via internet. Duas das bibliotecas pesquisadas disponibilizam para
pesquisa seu acervo na site http://www.pr.gov.br/bibliotecas/bibpart.html, que:
[...] relaciona bibliotecas públicas, universitárias e especializada do Estado
do Paraná que participam de um mesmo sistema onde é possível a
pesquisa através de autores, títulos, assuntos e datas, em uma ou todas as
bibliotecas que fazem parte desse sistema.

5.2 Procedimento de Busca

Quando efetuamos a busca no catálogo em linha, constatamos algumas
dificuldades em algumas das IEES, como exemplo a forma de pesquisa para
recuperar a informação, a maioria delas a busca é feita por autor, titulo ou
assunto, mas em uma delas é impossível, pois disponibiliza um catálogo por
classe logo se um usuário não tem o entendimento das classes, terá que consultar
todas. Talvez o ideal fosse realizar a pesquisa em todas as bases da biblioteca,
com uma interface amigável.

5.3 Recuperação da Informação

A distância entre efetuar a busca e a recuperação da informação é longa. Inclusive
se falarmos da questão de qualidade da informação recuperada. Como os
sistemas de recuperação de algumas das IEES pesquisadas são pobres, o
resultado final deixa muito a desejar, causando uma irritação e insatisfação muito
grande nos usuários, o resultado das pesquisas não é satisfatório, muitas vezes
identificamos um documento mas não sabemos se ele realmente estará disponível
na biblioteca.

�8
5.4 Serviços de Circulação

Quando falamos de serviços de circulação, basicamente estamos falando de
empréstimo, renovação, reserva, e devolução. Nesta questão tentamos identificar
se alguma das 5 IEES paranaenses oferecia o serviço de renovação e reserva
pela internet, infelizmente nenhuma delas disponibilizam esses serviços, portanto
o único produto disponível é o catálogo em linha, visto que o serviço de
empréstimo é informatizado mas local, nada disponível via internet.

6 CONCLUSÃO

Os resultados obtidos neste trabalho reforçam o quanto as Universidades
Estaduais do Paraná estão despreparadas para tanta tecnologia. Mesmo com o
avanço tecnológico ainda somos carentes dessas tecnologias, temos ferramentas
mas não usamos adequadamente

Os resultados obtidos neste trabalho reforçam o quanto as Universidades
Estaduais do Paraná estão despreparadas para tanta tecnologia. Mesmo com o
avanço tecnológico ainda somos carentes, temos ferramentas mas não usamos
adequadamente. Disponibilizar um catálogo em linha não é tudo, temos que ter o
entendimento de que dispor de catálogo em computador é positivo mais ainda
está longe da informatização global. (CABRAL, 1996, p. 51).

As universidades continuam em processo de automatização, mas até quando?
Cunha (2000) fazia uma previsão de como seriam as bibliotecas universitárias em
2010, porém estamos a 4 anos para 2010 e no entanto as coisas parecem estar
do mesmo jeito, pelo menos no que se refere às bibliotecas das Universidades
Estaduais do Paraná, com seus catálogos frágeis, sistemas precários de
pesquisas, e com tantas inovações tecnológicas ainda não conseguimos
disponibilizar para os usuários serviços que facilitem a comunicação com a

�9
biblioteca, que diminua a questão tempo, que minimize o trabalho dos funcionários
da biblioteca para que possam estar direcionando novos serviços para seus
usuários.

Acreditamos que este trabalho poderá servir de alerta, e que se repense os
serviços oferecidos via internet, hoje não basta somente termos um catálogo em
linha, temos que ter outros serviços que complemente, não basta somente saber
que um item existe na biblioteca se não posso reservá-lo, não basta só emprestar
um livro, se precisar dele por mais tempo basta acessar a pagina da biblioteca e
renová-lo.

Esses serviços é que irão fazer a diferença, Cunha (2000 p.88) já dizia que os
próximos dez anos serão um período de mudanças significativas em nossas IES,
caso elas consigam reagir aos desafios, oportunidades e responsabilidades que
se apresentam.

Com esse pensamento Cunha (2000, p.88) diz que:
Aquela biblioteca que der um passo nesse processo de mudança irá
renascer. As outras que, à semelhança de um avestruz ameaçado,
enterrarem suas cabeças na areia, defendendo rigidamente o status quo,
ou, o que é pior, conservarem alguma visão idílica do passado, correrão
grande risco e terão pouca chance de serem reconhecidas como
instituições necessárias.

Não podemos ficar estáticos como se nada estivesse acontecendo, ou como da
forma que está é perfeita.

As universidades estaduais paranaenses ainda não estão preparadas para tanta
tecnologia, ficam maravilhadas com a possibilidade das bibliotecas digitais, no
entanto, ainda não conseguem disponibilizar os serviços básicos de uma
biblioteca na internet, como falar de documentos disponíveis na integra na
internet, como acontece com livros, teses, dissertações em outros estados ou até
mesmo nas instituições pesquisadas, se ainda não conseguimos disponibilizar
nem nossos catálogos, nem os nossos serviços. É um caso a se pensar,

�10
precisamos nos conscientizar de que essas mudanças devem acontecer
gradativamente, com coerência. O governo tem aberto novas oportunidades de
parcerias, hoje os softwares livres são para muitas instituições a luz no final do
túnel, mas como existe interesse do governo em disponibilizar esses recursos, as
instituições por outro lado devem estar receptivas, para que juntos consigam
realmente colocar seus serviços via internet.

�11
REFERÊNCIAS

BIBLIOTECAS do Paraná. Disponível em :
&lt;http://www.pr.gov.br/bibliotecas/bibpart.html&gt;. Acesso em: 25 jul. 2006.

BLATTMANN, U.; BERNARDES, L. L. R.; FRAGOSO, G. M.; FAQUETI, M.
A aprendizagem, a biblioteca e a internet. In: BLATTMANN, U.; FRAGOSO, G. M.
(orgs.). O zapear a informação em bibliotecas e na internet. Rio de Janeiro :
Autêtica, 2003. cap.2, p.27-39.

CABRAL, M. L. Bibliotecas acesso, sempre. Lisboa : Colibri, 1996.

CAMPELLO, B.; CALDEIRA, P. T. (orgs.). Introdução às fontes de informação.
Belo Horizonte : Autêntica, 2005.

CUNHA, M. B. de. Construindo o futuro : a biblioteca universitária brasileira em
2010. Ci. Inf., v.29, n.1, p.71-89, jan./abr. 2000.

EISENBERG, J.; CEPTIK, M. (orgs.). Internet e política : teoria e prática da
democracia eletrônica. Belo Horizonte : Ed. UFMG, 2002.

HOWKINS, D. Relevance in the 21 century. Information Today, v.15, n.8, p.1267, Sept. 1998.
HOWLEY, J. A biblioteca eletrônica. São Paulo : Briquet de Lemos, 2002.

KRZYZANOWSKI, R. F., IMPERATRIZ, I. M.M., ROSETTO, M. Subsídios para
análise, seleção e aquisição de software para gerenciamento de bibliotecas :
experiência do sistema integrado de bibliotecas da USP. São Paulo:
Universidade de São Paulo, 1996

�12

MARTINS, M. G. Planejamento bibliotecário. São Paulo : Pioneira, 1980.

ANEXO

FORMULÁRIO PARA COLETA DE DADOS
INSTITUIÇÃO:
URL:
URL da Biblioteca
QUESTÕES
HOMEPAGE
Instituição possue link para a biblioteca?
Biblioteca possui Homepage?
Facilidade em identificar serviços oferecidos?
Qual o software utilizado?
SERVIÇOS DISPONÍVEIS
Possui catálogo em linha
Procedimento da busca
Informação recuperada
Possui serviço de reserva de item?
Possui serviço de renovação de item?

SIM

NÃO

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Os acervos bibliográficos na Internet: o caso das Instituições de Ensino Superior do Paraná.</text>
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                <text>Jovanovich, Eliane M.S.; Lira, Elaine Cristina Soares</text>
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                <text>Essa pesquisa se propôs a analisar os acervos bibliográficos disponíveis na internet e os serviços oferecidos pelas Instituições Estaduais de Ensino Superior do Paraná e poderá servir de alerta, e que se repense os serviços oferecidos via internet, hoje não basta somente termos um catálogo em linha, temos que ter outros serviços que complemente, não basta somente saber que um item existe na biblioteca se não posso reservá-lo, não basta só emprestar um livro, se precisar dele por mais tempo basta acessar a pagina da biblioteca e renová-lo.Esta pesquisa deve contribuir para que os bibliotecários dessas instituições revejam como estão sendo oferecidos e se é necessário promover mudanças que promovam melhorias.</text>
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                    <text>PEPSIC – A VIA DOURADA DAS REVISTAS DE PSICOLOGIA

André Serradas
coordenacao@bvs-psi.org.br
Biblioteca Virtual em Saúde – Psicologia

Av. Professor Mello Moraes, 1721 - Cidade Universitária
05508-030 São Paulo - SP Brasil

Eixo temático: As redes e virtualidades da pesquisa acadêmica

�As novas tecnologias de informação e comunicação – TICs causaram
grandes mudanças na forma como a sociedade produz, se apropria e dissemina
informações. As relações não presenciais são cada vez mais comuns e o meio
virtual se consagra como canal de comunicação preferencial de interação entre as
pessoas. Com a comunidade científica não foi diferente, iniciando pelo uso do-mails,
passando pelos sites e bases de dados online, pelas revistas eletrônicas e mais
recentemente com os blogs. Esses últimos colocam colocam em xeque o que é
informação formal e informal e abre novos espeços para discussão.

A revista científica ainda é o principal veículo para comunicação utilizado pela
comunidade científica. Não é estanho portanto que desde seu surgimento muitos
esforços têm sido feitos para aperfeiçoá-la e adequá-la às novas necessidades que
surgem. Os elementos de identificação foram incorporados ao longo do tempo e hoje
são considerados essenciais para sua configuração em canal científico. Isso para
citar o mínimo, pois sem uma linha editorial bem defina, pontualidade na publicação
dos fascículos e qualidade nos artigos garantida por uma política editorial e um
processo de peer review bem definidos uma revista dificilmente alcança prestígio
nos dias de hoje. Sabemos que nem sempre a situação foi essa, e no Brasil,
especificamente essa preocupação vem ganhando cada vez mais força devido a
necessidade de maior divulgação, nacional e internacional, dos artigos publicados.
Há poucos anos atrás a maior preocupação dos editores, e ela ainda existe, era
conseguir incluir sua revista em um serviço de indexação internacionalmente
reconhecido. Infelizmente apenas a presença em um bom indexador não garante a
efetiva disseminação da informação devido principalmente às dificuldades de acesso
motivadas por restrições financeiras.

O uso intensivo e crescente das TICs promoveu mudanças consideráveis no
canal de comunicação preferido da comunidade científica: a revista científica:
•

Maior velocidade na produção e distribuição;

•

Diminuição dos custos de produção e distribuição

�•

Possibilidade de uso de recursos multimídia;

•

Alto grau de interatividade.

Nesse contexto de mudanças no âmbito da comunicação científica, onde o
meio eletrônico facilita a produção e disseminação, mas empresas comerciais
dificultam ou limitam a circulação da informação, surge o Movimento de Acesso
Aberto, também chamado de Acesso Livre (Open Access Movement). O Movimento
de Acesso Aberto, vem de encontro ao modelo tradicional de comunicação científica,
que tem como um de seus principais atores o editor. A insatisfação é gerada
principalmente pelos preços elevados das assinaturas das revistas, imposição de
aquisição por pacotes, a falta de remuneração para os autores e consultores ad hoc
e também pelo fato de que as universidades se tornaram produtoras e consumidoras
da mesma informação, pagam pelo menos duas vezes para ter acesso à mesma
informação: no momento da pesquisa e após sua publicação.

O Movimento de Acesso Aberto promove a ampla disponibilização e
distribuição da informação científica publicada sob duas vertentes: em revistas de
acesso aberto (Open Access Journals), conhecida como Gold Road, ou em
repositórios institucionais ou temáticos, conhecida como Green Road.

O Movimento de Acesso Aberto se fundamenta em declarações que orientam
as iniciativas em andamento. As mais conhecidas e reconhecidas serão descritas
resumidamente a seguir no que se refere à definição de acesso aberto.

Declaração de Budapest – (Budapest Open Acess Iniciative - 2002 )

Por acesso aberto a literatura científica, entende-se sua disponibilização
gratuita na Internet, para que qualquer usuário possa ler, fazer download, copiar,
distribuir, ou imprimir, pesquisar ou referenciar o texto integral dos documentos,
processá-los para indexação, passá-los como dados de entrada de programas para

�softwares, ou usá-los para qualquer outro propósito legal, sem barreira financeira,
legal ou técnica para além daqueles que são inseperáveis da obtenção do acesso à
própria Internet. A única restrição sobre a reprodução e distribuição, e o único papel
do copyright é garantir aos autores o controle sobre a integridade de seu trabalho e
o direito de propriedade intelectual e citação.

Declaração de Bethesda (2003)

Os autores e detentores dos direitos de autor concedem a todos os
utilizadores o direito de acesso gratuito, irrevogável, mundial e perpétuo; uma
licença para copiar, utilizar, distribuir transmitir e exibir o trabalho publicamente
assim como realizar e distribuir obras derivadas, em qualquer suporte digital e com
qualquer propósito responsável, sujeito à correta atribuição de autoria, bem como o
direito de fazer um pequeno número de cópias impressas para seu uso pessoal.

Depósito imediato após a publicação em um repositório de acesso livre,
vinculado

à

instituições

acadêmicas,

sociedades

científicas,

agências

governamentais etc., comprometidas com o arquivamento à longo prazo, promoção
do acesso aberto e a interoperabilidade.

Declaração de Berlin (2003)

A declaração de Berlin está de acordo com as declarções de Budapest e
Bethesda e enfatiza o papel das universidades, agências de fomento, bibliotecas,
museus e arquivos precisam levar em consideração para garantir a efetiva
concretização do que existe nas declarações.

As declarações refletem os fundamentos políticos e econômicos do
Movimento de Acesso Livre. Um dos fundamentos tecnológicos do Acesso Livre é a
Iniciativa de Archivos Abertos - OAI (Open Archives Iniciative).

�A Iniciativa de Arquivos Abertos – OAI tem como principais preocupações a
interoperabilidade (ou compatibilidade) entre sistemas, ou arquivos e sua
preservação à longo prazo. Nesse movimento identificamos três elementos
essenciais:
•

os provedores de dados que disponibilizam informações estruturadas de
acordo com metadados padronizados e reconhecidos internacionalmente,
como por exemplo o Dublin Core (http://dublincore.org/).

•

os provedores de serviços que fundamentalmente recolhem informações de
diversos provedores de dados para construir serviços de busca mais
refinados e completos;

•

o OAI-PMH (Open Archives Initiative Protocol for Metadata Harvesting), uma
linguagem baseada em http e xml, criada para a extração normalizada de
metadados e seu intercâmbio entre os diversos provedores.

Creative Commons: a vertente jurídica do Movimento de Acesso Livre?

Creative Commons (creativecommons.org) foi criado em 2001 por James
Boyle (especialista em direito na Internet), Michael Carrol, Lawrence Lessing, Hal
Abelson (professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts), Eric Saltzman e
Eric Eldred (editor web de domínio público), financiados pela Faculdade de Direito
da Universidade de Sanford y pela Sociedade de Domínio Público. Trata-se um
movimento que reflete “as mudanças na regulamentação do direito autoral que
contradizem a tradição construída nos séculos XIX e XX (LEMOS, 2005, p.
184),.onde o conceito de copyright (todos os direitos reservados) passa para “alguns
direitos reservados”.

Creative Commons cria e disponibiliza uma série de licenças para que o autor
possa escolher a forma como gostaria de publicar sua obra. As licenças podem ser
diferentes em cada país devido as particularidades jurídicas de cada um. Para
garantir a validade das licenças, cada país possui um órgão que coordena as

�atividades do Creative Commons, no Brasil a Faculdade de Direito da Fundação
Getúlio Vargas no Rio de Janeiro cumpre com esse papel. Para conhecer mais
detalhadamente

essa

iniciativa

vale

acessar

o

site

http://www.creativecommons.org.br/

No início de 2005 surge a Science Commons (http://sciencecommons.org/)
para ddar conta das necessidades específicas da comunidade cientíca. Já é comum
encontrarmos sites de eventos (http://www.cibersociedad.net/congres2004/) e
mesmo em portais de revistas científicas (redalyc.uaemex.mx/).

Iniciativas em acesso aberto

1991. ArXiv. http://arxiv.org/ (área de física, matemática e informática)
1993 Directory of Open Access Journals http://www.doaj.org/home
1996 RePEc (http://repec.org) Research Papers for Economics.
1997 CogPrints, en el área de psicología, neurociencias y lingüística
http://cogprints.org
1998 - SCIELO www.scielo.org
•

Modelo de publicação eletrônica de revistas científicas

•

Riguroso sistema de controle de qualidade

•

Metodologia para facilitar o acesso aos textos completos dos artigos.

•

Medição de uso e impacto

•

Revistas totalmente eletrônicas e revistas híbridas

Periódicos Eletronicos em Psicologia - PePSIC

O PePSIC é o resultado da parceria entre o Fórum Brasileiro de Entidades, a
Associação Brasileira de Editores de Revistas Científicas de Psicologia (ABECiP), a
BIREME- Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da
Saúde e coordenado pela Biblioteca Virtual de Psicologia.

�O PePSIC tem como objetivo publicar revistas em formato eletrônico
assegurando o acesso ao texto completo e garantindo a visibilidade da produção
gerada no país, visando contribuir para o desenvolvimento da pesquisa científica em
Psicologia no Brasil, melhorando os meios de disseminação, publicação e avaliação
de seus resultados.

A área de Psicologia também sofre com o fenômeno conhecido como “ciência
perdida” (MENEGHINI, 1997), ou seja, apesar do grande número de títulos
publicados apenas uma pequena parcela está indexada em bases de dados
internacionais e a maior parte delas é desconhecida mesmo no Brasil. Considerando
que em sua maioria as bases de dados são “referenciais”, ou seja, não oferecem o
texto completo, o problema se agrava devido ao alto custo cobrado pelos serviços
de acesso ao documento. Não é suficiente promover a visibilidade é imprescindível
garantir o acesso. Um engajamento mais articulado e agressivo de nossa
comunidade científica nos movimentos de Open Acess e Open Archives é uma
exigência para a permanência e desenvolvimento de nossas revistas nos próximos
anos.

Na tabela abaixo consta as bases de dados onde as revistas de Psicologia são
indexadas e o número de títulos em 2004, data em que o PePSIC foi idealizado e
em 2006.

Base de Dados

2004

Catálogo Coletivo Brasileiro de Periódicos de 237

2006
247

Psicologia (CCB-Psi)
Index Psi Periódicos

177

191

LILACS

55

65

PycINFO

15

16

CLASE – Citas Latinoamericanas em Ciências 9

12

Sociales e Humanidades
PSICODOC

7

9

�Sociological Abstracts

6

7

Boletin de Novedades des Credi

5

5

Red Alyc

4

7

IBSS – International Bibliography of the Social 3

7

Sciences
SciELO

5

6*

* 2 títulos aprovados mais ainda em fase de preparação para publicação no site.

A Scientific Electronic Library Online – SciELO festejada por seus resultados e
que dispensa apresentações, é uma das iniciativas mais profícuas nesse contexto
de Open Acess. A promoção da visibilidade das revistas através de convênios com
bases de dados internacionais, rígidos critério de seleção e permanência no portal e
a publicação de índices de uso e impacto configuram o conceito de qualidade das
revistas SciELO. Os resultados obtidos no Brasil chamou a atenção da comunidade
científica internacional e hoje existem projetos que utilizam a Metodologia SciELO
em vários países da América Latina, além de Espanha e Portugal. Esse portal
tornou-se um espaço almejado por editores de todas as áreas, no entanto, os
objetivos da SciELO de divulgação da produção científica brasileira através de um
grupo seleto de periódicos exige um rigoroso processo de seleção e inviabiliza a
participação da maior parte das publicações. A SciELO também produz índices de
uso e impacto que podem subsidiar diversos estudos cienciométricos.

Outro benefício é a compatibilidade com o protocolo OAI-PMH (Open
Archives Initiative Protocol for Metadata Harvesting), o que permite o intercâmbio de
metadados com várias instituições e bases de dados.

A Red Alyc - Red de Revistas Científicas de América Latina y el Caribe,
España y Portugal (http://www.redalyc.org/) é um projeto da Universidad Autónoma
de Estado de México (UAEM), e tem como objetivo contribuir para a difusão da
atividade científica editorial que se produz nos países iberoamericanos. Nesse

�espaço é possível disponibilizar, além dos dados referenciais, o texto completo em
formato pdf. As revistas publicadas também passam por um processo de seleção
segundo critérios Latindex
(http://redalyc.uaemex.mx/redalyc/src/proyecto/criterios.html) Essa iniciativa
diferencia-se da SciELO em alguns aspectos: não publica os artigos em html e não
oferece os índices de uso e impacto.

Tanto a SciELO quanto a Red Alyc são iniciativas que centralizam as
publicações em um mesmo servidor. Existem revistas que por sua vez são
publicadas sozinhas nos sites de suas instituições mantenedoras, algumas utilizam
softwares específicos para publicação e outras desenvolvem seus próprios métodos.
No Brasil, um dos softwares que vem se popularizando é o SEER –Sistema
Eletrônico de Editoração de Revistas “desenvolvido para a construção e gestão de
uma publicação periódica eletrônica. Esta ferramenta contempla ações essenciais à
automação das atividades de editoração de periódicos científicos” (IBICT, 2006).
Esse software é distribuído gratuitamente pelo Ibict e trabalha com o protocolo de
OAI. O SEER também é compatível com OAI-PMH.

Aquelas revistas que disponibilizam seus conteúdos em formato eletrônico,
mas sem a adoção de padrões de intercâmbio e usabilidade, como o OAI-PMH.
Normalmente esses conteúdos não são apontados nas bases de dados, anulando o
esforço de tornar visível o conhecimento, uma vez que o conteúdo fica perdido na
Internet.

Iniciativas como a SciELO, Red Alyc e SEER podem trazer benefícios
maiores para as revistas pois permitem uma articulação entre os produtores,
bibliotecários e financiadores das publicações, movimento difícil de conseguir de
forma isolada.

Concordamos com Castro (2005) quando diz que “estar indexada em uma ou
outra base de dados não significa, por si só, qualidade, mas sim adequação aos

�objetivos, às políticas de seleção e aos interesses dessas bases de dados. E
completa “uma base de dados de cobertura ampla ou internacional não
necessariamente irá incluir tudo o que se publica: as bases de dados tem seus
limites,determinados mais por limitações físicas e econômicas do que pela qualidade
científica” (CASTRO, 2005).

Considerando o exposto e atentos às questões concernentes às publicações
eletrônicas e ao problemas da ciência invisível as lideranças da psicologia brasileira
e os editores de revistas científicas reuniram-se em agosto de 2004 no I Encontro de
Editores de Revistas Científicas em Psicologia. Nessa ocasião estiveram reunidos
mais de 100 editores para discutir critérios de qualidade, indexação em bases de
dados, gestão editorial online e publicações eletrônicas. Entre as recomendações
finais do evento estava a criação de um portal para publicação de revistas
eletrônicas com a utilização da tecnologia e padrões editoriais desenvolvidos para o
projeto SciELO (Scientific Electronic Library Online).

A opção dos editores pelo uso da Metodologia SciELO baseou-se em que a
SciELO - Scientific Electronic Library Online (Biblioteca Científica Eletrônica
em Linha) é um modelo para a publicação eletrônica cooperativa de
periódicos científicos na Internet. Especialmente desenvolvido para responder
às necessidades da comunicação científica nos países em desenvolvimento e
particularmente na América Latina e Caribe, o modelo proporciona uma
solução eficiente para assegurar a visibilidade e o acesso universal a sua
literatura científica, contribuindo para a superação do fenômeno conhecido
como "ciência perdida". O Modelo SciELO contém ainda procedimentos
integrados para medir o uso e o impacto dos periódicos científicos (SciELO)

Além do portal de periódicos os editores se organizaram em uma Associação
e juntamente com a BVS-Psi coordenam esta iniciativa. O portal de Periódicos

�Eletrônicos em Psicologia – PePSIC, disponível na Internet desde abril de 2005,
reúne uma coleção de revistas científicas em Psicologia e áreas afins, facilitando
assim o acesso e a democratização do acesso à informação, otimizando as
pesquisas científicas na área e proporcionando o acesso imediato às informações
atualizadas e produzidas pelos profissionais e estudantes de Psicologia e áreas
afins.

Durante o I Encontro também foram definidas algumas responsabilidades em
relação à manutenção do PePSIC. A BVS-Psi é a responsável pela criação e
manutenção do portal e capacitação dos representantes das revistas no uso da
Metodologia SciELO/PePSIC. Os editores, por sua vez, são responsáveis pela
produção dos arquivos eletrônicos de acordo com o padrão adotado. Enquanto a
Bireme, através da Unidade SciELO Brasil comprometeu-se com o repasse do
pacote de softwares e suporte técnico relativos à própria Metodologia.

O PePSIC é um portal de caráter inclusivo, e sendo assim, não possui um
processo de seleção ao qual as revistas devam ser submetidas. Para destacar as
publicações de maior qualidade, cada revista do portal receberá um selo que
identificará seu conceito na na base Qualis (http://qualis.capes.gov.br/). O processo
de avaliação realizado pela Comissão Capes / Anpepp e que culmina com
atualização da base Qualis, tem impactado de forma muito positiva as revistas da
áreas. Trata-se de um processo bastante refinado e rigoroso e portanto
representativo da qualidade das revistas de psicologia.

O portal PePSIC tem como princípio ser um agregador e não um selecionador,
não há interesse em criar impedimento para que os editores publiquem suas revistas
em formato eletrônico e texto completo. Muito pelo contrário desejamos que esta
iniciativa de Open Acess torne-se uma bandeira a ser defendida pela comunidade
psi. Diferente da SciELO que tem como missão garantir maior visibilidade
internacional para as publicações brasileiras e promover o aumento do fator de
impacto das mesmas nas bases de dados do Institut for Scientific Information - ISI

�(http://www.isinet.com/), o PePSI também se preocupa com aquelas publicações
com missão nacional ou local, mas que são essenciais em sua área. Vale ressaltar
que não existe nenhuma revista brasileira da área de Psicologia no ISI.
Considerando esse fato o PePSIC preocupa-se prioritariamente com uma melhor
difusão das revistas no Brasil e América Latina fornalecendo também um sistema de
comunicação científica no hemisfério sul.

Sendo assim, o editor que desejar disponibilizar gratuitamente sua revista em
formato eletrônico poderá publicá-la no PePSIC, desde que cumpra alguns prérequistos.
•

Possuir equipamentos e softwares compatíveis com a Metodologia SciELO;

•

Possuir os arquivos eletrônicos do periódico em HTML inclusive os dados prétextuais como missão, corpo editorial, assinatura, instruções para os autores,
etc.;

•

Possuir o logotipo da revista no formato imagem (gif, jpg);

•

Possuir conhecimentos básicos de informática (Windows, Word, HTML);

•

Conhecimento das normas bibliográficas e de editoração de periódicos
científicos;

•

Participar da capacitação para uso da Metodologia SciELO/PePSIC.

A participação no curso não é exigida para o editor, mas sim ao profissional que
efetivamente trabalhará com a produção da revista em formato eletrônico. As
informações

sobre

a

capacitação

podem

ser

obtidas

através

do

e-mail

coordenação@bvs-psi.org.br

Como é de conhecimento geral todas as publicações periódicas devem possuir
o Número Internacional Normalizado para Publicações Seriadas – ISSN. Esse
número que individualiza um título em uma base de dados mundial também é
atribuído às revistas eletrônicas. Os editores das revistas publicadas no PePSIC

�podem solicitar o ISSN ao Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e
Tecnologia- Ibict (www.ibict.br), Centro Brasileiro do ISSN.

O PePSIC vem conquistando gradativamente credibilidade junto a comunidade
científica da área de Psicologia. Desde janeiro de 2006 a Capes incluiu o PePSIC no
seu Portal de Periódicos (http://www.periodicos.capes.gov.br/portugues/index.jsp) E
em

março

de

2006

o

PePSIC

também

foi

incluído

no

portal

LIVRE

(http://livre.cnen.gov.br/Default800.asp) desenvolvido pela CNEN - Comissão
Nacional de Energia Nuclear, através do CIN - Centro de Informações Nucleares,
para facilitar a identificação e o acesso a periódicos eletrônicos de acesso livre na
Internet. Tanto o PePSIC quanto o Index Psi Periódicos são recomendados pela
CAPES como fontes de informação relevantes para a área de Psicologia. Esse fato
nos faz acreditar que outras instituições de fomento, como o Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq poderá reconhecer esse esforço
dos editores da área de Psicologia e financiar a produção de novos números o que
vem ao encontro das idéias difundidas pelo Movimento de Acesso Aberto.

Para garantir uma maior visibilidade das revistas publicadas, desde dezembro de
2005 o PePSIC possui links na base de dados Index Psi Periódicos. E desde maio
desse mesmo ano é possível encontrar links do PePSIC em revistas indexada para
a base de dados internacional LILACS da Bireme (www.bireme.br)

Como medida de preservação as revistas publicadas no PePSIC serão
cadastradas em LOCKSS (Lots of Copies Keep Stuff Safe)

“O Modelo Lockss (Lots of Copies Keep Stuff Safe) para preservar através da
replicação distribuída também implica que, sem o repositório, a preservação é
impossível. O projeto Lockss, da Stanford University, procura garantir a
integridade das publicações eletrônicas pela manutenção de cópias em vários
sites, checando periodicamente essas cópias para verificar a congruência
informacional. Com a clonagem e o armazenamento distribuído, o Lockss

�espera minimizar antecipadamente o impacto de uma catástrofe em um site
individual.”(Arellano, 2004)

Para aumentar a visibilidade alguns convênios com bases de dados internacionais
já estão em fase de negociação:
•

Citas Latinoamericanas em Ciências Sociales y Humanidades – CLASE:
todas as revistas indexadas nessa base receberão links para o texto completo
no PePSIC. Além disso a Coordenação de CLASE informou que irá avaliar
todas as revistas PePSIC que tenham pelo menos 3 fascículos publicados no
site.

•

Directory of Open Access Journals- DOAJ: todas as revistas PePSIC serão
cadastradas nesse repositório diretório de revistas de acesso livre, mantido
pela Lund University Libraries, que conta atualmente com mais de 1,500
revistas. A missão do DOAJ é incrementar a visibilidade e a facilidade de uso
das revistas científica de acesso livre, promovendo, portanto, o seu uso e
impacto.

•

Inclusão de publicidade do portal nas revistas da área;

•

Apresentação do portal em eventos da área;

Para garantir uma atualização mais dinâmica do site será criada uma
cooperativa para produção dos arquivos eletrônicos com vistas à diminuição de
custos e aumento da produtividade. Além disso, a SciELO já está na fase piloto para
o lançamento do Sistema SciELO de Publicação/OJS, uma ferramenta para gestão
editorial e que além disso incluirá funções para gerar os arquivos para publicação
nos portais SciELO e também PePSIC. É importante que os editores da área de

�psicologia continuem apoiando o PePSIC e adotem as ferramentas que fortaleçam
nossa iniciativa.

A inclusão do Módulo Estatístico para produção e publicação de indicadores
bibliométricos e estatísticas de uso do PePSIC fornecerão subsídios para diversos
editores e instituições preocupados com a qualidade das revistas e da informação
científica, como por exemplo a Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação
em Psicologia – ANPEPP responsável pela avaliação da publicações com vistas à
atualização da base Qualis.

O trabalho articulado entre a BVS-Psi e a ABECiP devem promover o PePSIC
como um espaço privilegiado para publicação das revistas da área configurando-o
efetivamente com uma via dourada

REFERÊNCIAS

ARELLANO, M. A. A preservação de documentos digitais. Ciência da informação.
v.33,

n.

2,

maio/ago.

2004

p.24.

Disponível

em

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S010019652004000200002&amp;lng=pt&amp;nrm=iso

CASTRO, R. C. F.; SANTOS, S. M. Procedimentos para indexação dos periódicos
científicos. In: ENCONTRO NACIONAL DE EDITORES CIENTÍFICOS, 10, 2005,
São

Pedro,

SP.

Disponível

http://www.eventos.bvsalud.org/abec/activity.php?lang=pt&amp;id=2&gt;.

em&lt;
Acessado

em

08/02/2006

IBICT – Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia. Disponível em:
www.ibict.br . Acessado em 08/02/2006

�LEMOS, R. Creative commons, mídia e as transformações recentes do direito da
propriedade intelectual. Revista DireitoGV, vol. 1, n. 1, maio 2005 p. 181-187

MENEGUINI, R. Em busca de nossa ciência perdida. Jornal da USP, 2430/03/1997, p.2.

RED ALYC - Red de Revistas Científicas de América Latina y el Caribe. Site.
Disponível em: http://www.redalyc.org/. Acessado em 04/03/2006

RODRÍGUES LOPEZ, J. Ciencia e comunicación científica: edición digital y otros
fundamentos del libre acceso al conocimiento. El profesional de la información,
vol. 14, n. 4, jul.-ago. 2005, p.246-254.

SCIENTIFIC ELECTRONIC LIBRARY ONLINE – SciELO. Site. Disponível em
http://www.scielo.br Acessado em 05/01/2006

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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O PePSIC é o resultado da parceria entre o Fórum Brasileiro de Entidades, a Associação Brasileira de Editores de Revistas Científicas de Psicologia (ABECiP), a BIREME- Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde e coordenado pela Biblioteca Virtual de Psicologia. O PePSIC tem como objetivo publicar revistas em formato eletrônico assegurando o acesso ao texto completo e garantindo a visibilidade da produção gerada no país, visando contribuir para o desenvolvimento da pesquisa científica em Psicologia no Brasil, melhorando os meios de disseminação, publicação e avaliação de seus resultados.</text>
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                    <text>PERFIL DO BIBLIOTECÁRIO: UMA REALIDADE BRASILEIRA

ROBSON DIAS MARTINS

UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
BIBLIOTECA DE ENGENHARIA
RUA SÃO FRANCISCO XAVIER, 524 SALA 5002 5º ANDAR BLOCO
C  MARACANA  RIO DE JANEIRO  BRASIL CEP. 20550-013
E-MAIL. CTCB@UERJ.BR OU RDIAS@UERJ.BR OU
RABISKIN@HOTMAIL.COM

�RESUMO: Esse trabalho pretende demonstrar a mudança comportamental do
bibliotecário durante o Século XX, desde o profissional considerado como
"guardião de livros" no início do século até o moderno profissional da informação,
voltado para o gerenciamento de unidades de informação e inserido nas novas
tecnologias de informação.
PALAVRAS-CHAVE: bibliotecário, perfil do bibliotecário, moderno profissional da
informação.

1 - INTRODUÇÃO

Podemos verificar uma mudança no perfil do bibliotecário brasileiro, no século XX,
desde o surgimento do primeiro curso de biblioteconomia no país, realizado na
Biblioteca Nacional, em 1910, até os dias atuais com o advento das novas
tecnologias informacionais e novas técnicas de gerenciamento, alterando assim, o
perfil

desse

profissional

no

decorrer

do

século.

Verificamos como relata GUIMARÃES (1997) que, do início do século XX até a
década de 30, o bibliotecário possuía uma visão humanista, ligada à cultura e às
artes, sob forte influência francesa, devido à origem do curso de biblioteconomia
estar ligada a École Nationale des Chartes, em Paris. Assim, os profissionais de
biblioteconomia tinham seu papel reduzido a vigiar coleções de manuscritos, de
livros e de outros impressos. As bibliotecas eram restritas às instituições
religiosas, coleções particulares ou de instituições de ensino ou públicas.

�Na década de 30, ele passa a receber uma formação mais técnica sob influência
norte-americana,

devido

à

criação

dos

primeiros

cursos

paulistas

em

biblioteconomia direcionados ao ensino técnico, originados da School of Library
Economy, fundada por Melvil Dewey na cidade de Columbia, em Nova York.
Nessa década, foi fundada também a primeira associação de bibliotecários, a
Associação Paulista de Bibliotecários, que visava entre outras coisas uma
participação efetiva dos bibliotecários a fim de um reconhecimento profissional
dentro da sociedade. Contudo, seu perfil ainda era considerado de um "guardião
de livros".

Na década de 50, aconteceu o primeiro congresso na área - Congresso Brasileiro
de Biblioteconomia, realizado em Recife, em 1954, originando uma maior
participação dos profissionais e uma educação continuada da categoria.

Na década de 60, a profissão passa a ser reconhecida oficialmente em nível
superior, sendo estabelecida uma legislação profissional e sendo criados os
primeiros órgãos de classe, como cita Guimarães (1997). "Assim, o bibliotecário
que antes exercia sua profissão de forma isolada e sem respaldo legislativo passa
a trabalhar de forma mais participativa dentro da sociedade".

Na década de 70, são criados os primeiros cursos de pós-graduação,
desenvolvendo assim, a pesquisa e o surgimento dos primeiros periódicos
nacionais voltados para biblioteconomia e ciência da informação: Ciência da
Informação (publicado pelo IBICT); Revista da Escola de Biblioteconomia da
UFMG (publicada pela UFMG)); Revista Brasileira de Biblioteconomia e

�Documentação (publicada pela Federação Brasileira de Associações de
Bibliotecários) e Revista de Biblioteconomia de Brasília (publicada pela Unb e
Associação dos Bibliotecários do Distrito Federal), aumentando a disseminação da
informação dentro da área.

Na década de 80, com a reformulação curricular nos cursos de biblioteconomia, o
bibliotecário passa a ter um perfil de agente cultural e de informação,sendo
direcionado a entidades educacionais e, muitas vezes, atuando como educador.

No início da década de 90, com o crescimento editorial e com o avanço das novas
tecnologias de informação,ele passa a ser um profissional da informação e, nesse
momento, ele torna-se o "Moderno Profissional da Informação" também conhecido
como MIP, sendo considerado um "Gerente Informacional".

2 - PERFIL DO BIBLIOTECÁRIO TRADICIONAL

Conforme Castro (2000), podemos verificar alguns aspectos do perfil do
bibliotecário tradicional, tais como:

 Demasiada atenção às técnicas biblioteconômicas
 Atitudes gerenciais ativas
 Desenvolvimento

de

práticas

profissionais

bibliotecas, centro de documentação

em

espaços

determinados:

� Tratamento e disseminação de informação impressa em suportes tradicionais
 Espírito crítico e bom senso
 Atendimento real ao usuário
 Uso tímido das tecnologias de informação (ou nenhum tipo de uso de
tecnologia)
 Domínio de línguas estrangeiras (ou nenhum conhecimento de outro idioma)
 Práticas interdisciplinares pouco representativas
 Pesquisas centradas nas abordagens quantitativas
 Estudo das necessidades de informação dos usuários e avaliação de coleções
de bibliotecas
 Relação biblioteca e sociedade
 Domínio acentuado nos saberes biblioteconômicos
 Planejamento e gerenciamento de bibliotecas e centros de documentação
 Preocupação no armazenamento e conservação das coleções de documentos e
objetos
 Educação continuada esporádica
 Treinamento em recursos bibliográficos
 Tímida

participação

em

políticas

sociais,

educacionais,

científicas

e

�tecnológicas
 Personalidade

tímida,

pouco

comunicativo,

com

atitudes

retrógradas,

necessidade de restringir o acesso às informações e inseguro nas tomadas de
decisões.

Enfim, podemos verificar que o perfil do bibliotecário tradicional divide-se em três
partes distintas:

1) Visto como um preservador - aquele profissional que atua como organizador do
conhecimento registrado para garantir seu acesso, ou seja, aquele profissional
que limita-se a guardar o seu acervo e disponibilizá-lo o menos possível. Esse
profissional possui características de manipular a informação ao invés de
disseminá-la;

2) Visto como um educador - ele age como professor, fornecendo informações e
preparando os indivíduos para buscá-la de forma autônoma, ou seja, devido
principalmente à falta de uma estrutura educacional eficiente, esse profissional
torna-se um "professor," substituindo quem deveria exercer a função de professor;

3) Como agente social - onde ele deve ser um comunicador, organizador da
informação para sua recuperação, medidor de informações entre o acervo e o
público, pesquisador, educador, líder, gerente etc.

3 - PERFIL DO BIBLIOTECÁRIO MODERNO

�Em 1991, a Federação Internacional de Informação e Documentação (FID) criou o
Grupo de Interesse Específico sobre Papéis, Carreiras e Desenvolvimento do
Moderno Profissional da Informação (SIG FID/MIP), envolvendo profissionais das
áreas de biblioteconomia, arquivologia, museologia e administração, realizando
uma pesquisa mundial entre esses profissionais para identificar seu perfil.

Segundo Arruda (2000), essa pesquisa desponta a tecnologia como propulsora
das principais modificações no perfil desses profissionais, seguida por elementos
de gestão organizacional e do trabalho, tais como: identificação do trabalho,
aumento da responsabilidade individual, influência no mercado internacional e da
competitividade. Assim, verificamos que a inserção das novas tecnologias, bem
como novas formas de gerenciamento transformaram o perfil do bibliotecário.

Atualmente, algumas qualificações são necessárias na formação desses
bibliotecários, tais como:

 Domínio das tecnologias de informação
 Aquisição de mais de um idioma
 Capacidade de comunicação e de relacionamento interpessoal
 Capacidade gerencial e administrativa
 Administração estratégica
 Educação continuada

� Planejamento estratégico
 Adaptabilidade social
 Visão interna e externa do ambiente
 Gestão participativa envolvendo todos os funcionários da unidade de
informação
 Tomada de decisões compartilhadas
 Trabalhar em equipe de forma globalizada e regionalizada
 Deve ser participativo, flexível, inovador, criativo, delegar poderes facilitando a
interação entre os níveis hierárquicos e a comunicação entre eles.

Segundo Castro (2000), podemos verificar alguns aspectos do perfil do
bibliotecário moderno, tais como:

 Atenção às técnicas biblioteconômicas e documentais
 Atitudes gerenciais pró-ativas
 Desenvolvimento de atividades em espaços onde haja necessidade de
informação
 Tratamento e disseminação de informação, independente do suporte físico
 Espírito crítico e bom senso
 Atendimento real e/ou virtual aos clientes

� Profundo conhecedor dos recursos informacionais disponíveis e das técnicas de
tratamento da documentação com domínio das tecnologias mais avançadas
 Domínio de línguas estrangeiras
 Ativas práticas interdisciplinares
 Fusão entre as abordagens qualitativas e quantitativas
 Estudo das necessidades de informação dos clientes e avaliação dos recursos
dos sistemas de informação
 Relação informação e sociedade
 Domínio dos saberes biblioteconômicos e áreas afins
 Planejamento e gerenciamento de sistemas de informação
 Preocupação na análise, comunicação e uso da informação
 Intenso processo de Educação continuada
 Treinamento em recursos informacionais
 Ativa participação nas políticas sociais, educacionais, científicas e tecnológicas

Já para Marshall et al. (1996) apud Santos (2000), que apontou no relatório anual
de 1996 ao Comitê Especial de Competências da SLA - Special Librarian
Association "...as competências profissionais do bibliotecário moderno estão
relacionadas ao seu conhecimento nas áreas de recursos de informação, acesso
de informação, tecnologia, administração e pesquisa e, na habilidade para o uso

�destas áreas de conhecimento como base provedora da biblioteca e dos serviços
de informação" e, suas competências pessoais "englobam um jogo de habilidades,
atitudes e valores que permitem bibliotecários realizar um trabalho eficaz".
Exigindo assim, conforme Santos (2000) relata, "uma boa comunicação, interesse
especial na educação continuada ao longo da carreira".

Para Amaral (1998), o bibliotecário moderno deve se destacar nos seguintes
enunciados:

 Ser um investigador permanente, pesquisando novos nichos de mercado da
informação.
 Inovar as técnicas de segmentação do mercado.
 Identificar o novo perfil do consumidor.
 Buscar novos produtos que propiciem vantagens em relação à concorrência.
 Criar e manter serviços personalizados aos usuários/clientes.
 Posicionar produtos e serviços em condições compatíveis com a imagem da
unidade de informação.
 Entender novos modelos de distribuição no ambiente eletrônico.
 Conhecer o novo papel da comunicação, interagindo com os profissionais desta
área.
 Descobrir o modelo ideal para promover os produtos e serviços oferecidos.

� Aprimorar o relacionamento com a clientela.
 Visualizar modalidades para estabelecer parcerias com a comunidade, governo,
órgãos de classe, agências de fomento e empresas privadas em geral.
 Moldar um novo e atualizado profissional para o atendimento ao público.
 Investir em controles para aprimorar desempenhos da equipe, do gerente e das
metodologias de trabalho.

"O perfil do bibliotecário deve ser caracterizado pelos atributos específicos de um
agente de mudanças, capaz de gerenciar os recursos informacionais com a
habilidade exigida pelo setor de informação do quaternário". (Amaral, 1998, p. 35)

"O bibliotecário deve conhecer a unidade de informação sob sua responsabilidade
desde

os

aspectos

socioculturais,

econômicos,

políticos,

tecnológicos,

demográficos e legais relacionados com o meio ambiente em geral e com o
ambiente interno onde está inserida a unidade de informação". (Amaral, 1998 p.
36)

Enfim, o moderno profissional da informação deve gerenciar sua unidade de
informação como uma organização moderna, com uma visão centrada no ser
humano como uma sistema aberto, participativo, com co-responsabilidades,
voltado para interação com o meio externo apresentando características de
administração estratégica, flexibilidade na hierarquia da unidade, exercendo

�controle sobre resultados, trabalhando em equipe de forma compartilhada,
capacitando e avaliando a informação, possuindo uma visão sistêmica da
realidade, ampliando a capacidade organizacional de sua unidade de informação,
criando e, por fim, inovando.

4 - PERFIL DO BIBLIOTECÁRIO DO FUTURO

Devido ao surgimento das novas tecnologias de informação e de seu rápido
crescimento dentro da sociedade, estão sendo criadas as bibliotecas virtuais
,também conhecidas como "bibliotecas sem parede", que almejam disponibilizar
informações sem a necessidade de uma instalação física onde sejam
armazenados livros, periódicos e/ou qualquer outro tipo de suporte de informação.

Analisando essa realidade e verificando que vivemos num país subdesenvolvido
onde pessoas morrem de fome e não existe incentivo por parte dos governantes
na educação, percebemos que grande parte da população não conhece ou sabe
manusear esses instrumentos tecnológicos de busca de informação. Assim sendo,
verificamos que mesmo num cenário de avanço tecnológico em meios eletrônicos,
de internet e outros suportes, a presença de bibliotecários e de bibliotecas será
fundamental para a recuperação das informações. Pois, as pessoas não estão
preparadas para pesquisar e não dispõem de tempo para efetuá-las, preferindo
que profissionais gabaritados exerçam essa função. E nessa lacuna, a presença
do bibliotecário torna-se essencial dentro da sociedade.

�O perfil do bibliotecário do futuro deverá ser revisto. Ele deixará de ser um
intermediador entre o usuário e a informação escrita para um intermediador do
cliente para a informação eletrônica. Com isso, o bibliotecário do futuro deverá ser
um exímio conhecedor de informática, pois através de meios tecnológicos, ele irá
exercer seu papel de organizador e disseminador da informação. O bibliotecário
passará a ser um "consultor de informação", provavelmente, trabalhando de forma
autônoma, sem a necessidade de uma instalação nos moldes das bibliotecas
atuais. Por essas questões, o profissional da informação, no futuro, para conseguir
êxito em sua carreira deverá prestar um serviço de qualidade onde o atendimento
ao cliente será fundamental para a manutenção de sua existência.

5 - CONCLUSÃO

Vivemos numa sociedade repleta de transformações que alteraram durante o
século XX o perfil de profissionais de várias áreas e isso não foi diferente com os
profissionais de biblioteconomia. Podemos perceber uma grandiosa mudança no
perfil desse profissional.

Anteriormente combalido e recluso a bibliotecas ou "depósitos de livros", onde
atuavam como "guardiões de papéis", sem perspectivas profissionais e sem
reconhecimento dentro da sociedade. Evidente que esse quadro era um reflexo da
atuação desses profissionais, que por muitas vezes, se isolavam da sociedade e
de outros profissionais, reclusos dentro de bibliotecas, isolados da realidade e das
transformações da sociedade. Contudo, com o passar dos anos, com mudanças
curriculares, criação de educação continuada, através de congressos, encontros,

�simpósios, cursos etc..., regulamentação da profissão, criação de cursos em nível
de pós-graduação e mestrado, compartilhamento de informações, novas técnicas
gerenciais e advento de novas tecnologias de informação, esse profissional
passou a ser um "gerente informacional". Procurando novas alternativas de
atendimento, expandindo-se, indo além de sua unidade de informação, buscando
a informação onde ela estiver, o bibliotecário moderno deixou a reclusão de sua
unidade de informação para trabalhar de forma compartilhada a outras unidades
de informação e o bibliotecário do futuro, apesar de ainda ser uma incógnita,
provavelmente,

será

um

"consultor

da

informação"

ou

"guia

do

conhecimento",exercendo a profissão de forma autônoma e buscando preencher
uma lacuna dentro da sociedade. Além disso, ele deve desenvolver habilidades
interpessoais, de comunicação, gerenciais e técnicas sendo um profissional de
extrema importância dentro da sociedade.

6 - REFERÊNCIAS

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Brasília: Thesaurus, 1998, p. 244.

ARRUDA, Maria da Conceição Calmon; MARTELETO, Regina Maria; SOUZA,
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set./dez. 2000, p. 14-24.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: Informação e
documentação: referências: elaboração. Rio de Janeiro, 2000, p. 22.

�BARBALHO, Célia R. S.; BERAQUET, Vera S. M. Planejamento estratégico
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="59887">
                <text>Esse trabalho pretende demonstrar a mudança comportamental do bibliotecário durante o Século XX, desde o profissional considerado como "guardião de livros" no início do século até o moderno profissional da informação, voltado para o gerenciamento de unidades de informação e inserido nas novas tecnologias de informação.</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
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          <element elementId="44">
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            <description>A language of the resource</description>
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                <text>pt</text>
              </elementText>
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            <name>PDF Text</name>
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                <name>Text</name>
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                  <elementText elementTextId="59942">
                    <text>PERFIL E ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL CATALOGADOR FRENTE AS NOVAS
TECNOLOGIAS DE CATALOGAÇÃO

Narcisa de Fátima Amboni
Doutorado em Engenharia de Produção
Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Santa Catarina -UFSC
narcisa@bu.ufsc.br
Elson Mattos
Especialista em Gestão Universitária
Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Santa Catarina -UFSC
elson@bu.ufsc.br
Resumo
O presente artigo tem por objetivo descrever os fundamentos básicos acerca da catalogação
para, posteriormente, discutir o perfil do catalogador frente as novas tecnologias de
catalogação. Pode-se contatar que o perfil e atuação do profissional catalogador deve reunir o
conjunto de habilidades, conhecimentos e competências exigidas pela sociedade em constante
transformação, visando a busca constante pela qualificação continuada. Isto porque a
variedade de desafios enfrentada pelo profissional catalogador, confunde-se com os desafios
enfrentados pelas bibliotecas e sociedades. Todos necessitam e buscam informações
atualizadas e precisas na menor fração de tempo, no entanto a globalização mundial, apesar de
não ser apenas teórica, em alguns aspectos falha, pois uma grande parcela da população fica
excluída do acesso às novas tecnologias e novas formas de acesso à informação e produção do
conhecimento.

Abstract

1 INTRODUÇÃO

O momento atual tem indicado uma série de mudanças na esfera social, econômica,
política e cultural nas bibliotecas. Uma das causas dessas mudanças está relacionada ao rápido
desenvolvimento tecnológico provocado principalmente, após a Segunda Guerra Mundial.
A capacidade humana não é mais suficiente para abarcar todo o saber que envolve a
biblioteca. Como fica o catalogador diante dos desafios dessas transformações? Entremeado
pelo caos e pelas incertezas, o catalogador parece ter dificuldade para compreender o impacto
das tecnologias no processo de catalogação.

�2

Mais do que nunca, o catalogador recorre à tecnologia, agora como auxiliar, na busca
pelo conhecimento de que necessita, e para acessá-lo e disseminá-lo, utiliza-se de técnicas e
de objetos técnicos. (SOUTO, 2001).
Os efeitos destas transformações não atingem apenas o saber científico, mas já estão
inseridos nas práticas culturais da sociedade tecnológica ou sociedade da informação, onde as
novas tecnologias, as novas mídias, os novos mercados e os novos usuários conseguiram
transformar o mundo em uma sociedade globalizada.
As transformações derivadas do novo contexto social e dos novos paradigmas são
sustentadas pelas novas Tecnologias de Informação e Comunicações _ TICs _ que utilizam o
processo de globalização para valer-se de uma nova hegemonia na qual se delineia a
"Sociedade da Informação ou Sociedade do Conhecimento".
O novo paradigma apresentado que tem como base a tecnologia, traz novas exigências
quanto ao perfil do catalogador, e requer deste, maior preparo e educação permanentes para o
desempenho de funções que estão em constante mudança. A partir do emprego de novas
técnicas organizacionais e da automação, característica dos dias atuais, sem dúvida, esse novo
modelo associa-se à aceleração da evolução e mudança dos métodos de trabalho, pressionado
pela necessidade de novos serviços pela exigência da qualidade, até mesmo como requisito de
sobrevivência das bibliotecas.
Com a formação de uma comunidade mundial, resultante do fenômeno da
globalização, ampliam-se as possibilidades de comunicação, bem como um novo impulso é
dado ao tratamento dos serviços de catalogação no que se refere à sua produção,
armazenamento, distribuição e utilização.
Neste sentido, procura-se num primeiro momento descrever os fundamentos básicos
acerca da catalogação para, posteriormente, discutir o perfil do catalogador frente as novas
tecnologias de catalogação.

2 CATALOGAÇÃO

A história da catalogação bibliográfica tem suas raízes na Antigüidade. Hoje existe o
questionamento sobre a utilidade ou não do catálogo nas bibliotecas devido ao uso intensivo
das tecnologias de informação, como por exemplo, tabletes de argila na antiguidade e o CDROM na atualidade com o objetivo de recuperar e disseminar de forma rápida e eficaz as

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informações de acordo com as necessidades dos usuários na busca do conhecimento
produzido.
Para Dias (1967, p. 1):
... existem catálogos desde que existiram as primeiras bibliotecas. Até meados do
século passado não eram propriamente catálogos, no sentido especializado da
palavra, mas apenas ‘listas’ ou ‘inventários’, ou ainda simples ‘relações’ das obras
existentes nas bibliotecas. Não havia ainda a preocupação nem a necessidade de
racionalizar ou sistematizar a elaboração dos catálogos tais como hoje existem, com
características uniformes e compatíveis com o rápido progresso da ciência
biblioteconômica.

No século XIII, a atividade catalográfica desenvolveu-se nos mosteiros ingleses, com
o objetivo de fazer-se um catálogo de seus acervos; no século XIV, apareceu a idéia de
símbolos de localização mais completa de edições e a preocupação de se identificarem as
obras publicadas ou encadernadas. (FIÚZA, 1987).
O final do século XV e o século XVI, segundo ainda Fiuza, representaram um grande
desenvolvimento nas atividades acadêmicas, intelectuais e científicas. Com a invenção da
imprensa, por Gutenberg, os acervos de bibliotecas e das livrarias precisavam ter uma
organização mais cuidadosa. Konrad Gesner, bibliógrafo suíço publicou, em 1545, uma
bibliografia arranjada alfabeticamente por autor, à qual foi acrescentada em 1548 um índice
de assunto. Esta bibliografia pretendia ser universal e citar todas as obras impressas
publicadas no mundo.
Posteriormente, Andrew Maunsell (1695), livreiro inglês, determinou os elementos
básicos para a descrição bibliográfica. A primeira tentativa de um código nacional e a de
catalogação em ficha aconteceu em 1791, quando o governo francês publicou instruções para
organização das bibliotecas estabelecidas depois da Revolução, onde se incluía um código de
catalogação (FIUZA, 1987).
Em 1620 ocorre a publicação do catálogo de Oxford. O mesmo representava um
catálogo organizado de localização, consistindo de uma listagem alfabética de todos os livros
da biblioteca sem considerar a sua organização nas estantes.
Em 1840 o bibliotecário Anthony Panizzi, juntamente com seus colaboradores da
Biblioteca do Museu Britânico de Londres, elaborou as primeiras noventa e uma regras de
catalogação, considerado o primeiro dos modernos códigos.
Em 1868 Cutter inicia suas Regras Para Um Catálogo Dicionário Impresso (o título
foi mudado em edições posteriores para Regras Para Um Catálogo Dicionário). Em 1889
chegam as Instruções Prussianas, elaboradas por homens de formação científica e filosófica,
foram adotadas não só na Alemanha, mas também na Áustria, Hungria, Suécia, Suíça,

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Dinamarca, Holanda e Noruega. Em 1967, foram substituídas pela RAK (Regeln fur die
alphabetishe Kataloisierung), cujas regras são regidas por princípios modernos, adaptadas ao
uso do computador e a acordos internacionais. O código Anglo-Americano de 1908 foi o
primeiro produto bem sucedido da cooperação Britânica e Americana. Entretanto, até 1967,
quando da publicação da edição preliminar da Regras de Catalogação Anglo-Americanas, o
código Anglo-Americano de 1908 foi, junto com as Regras de Cutter, o código oficial para a
maioria das bibliotecas públicas britânicas. Em 1920, surgiu o Código da Biblioteca da
Vaticana, idealizado por um grupo de bibliotecários americanos. Baseado na A. A. Rules
(1908), foi redigido especialmente para atender a reorganização da Biblioteca Apostólica da
Vaticana. Em 1944, A L A Rules, foi elaborada pela American Library Association. Em
1953, veio a público o Cataloguing Rules and Principles, por Seymour Lubetzky. Em 1961,
surgem os Princípios de Paris, foram adotados na Conferência Internacional sobre Princípios
de Catalogação. Em 1968, o AACR1 – Anglo American Cataloging Rules, fundamentado no
código de Lubetzki e nos Princípios de Paris, representa o compromisso entre as novas idéias
de catalogação e o que foi constatado como problemas reais em grandes bibliotecas que
dispunham de catálogos extensos. Em 1978, surge o AACR2 – Anglo American Cataloguing
Rules, 2ª ed.. A catalogação como representação descritiva do documento sugere muito mais
do que simples listas inventariais ou qualquer outro produto do gênero. O ato de catalogar,
alguns chamariam ‘processo’, ‘técnica’, ‘arte’ (MEY, 1987, p. 4) implica em técnicas para a
descrição do conteúdo, o registro bibliográfico fiel, que somadas ao conhecimento e domínio
do catalogador tornam esta prática essencial nas bibliotecas e nos centros de informação.
Segundo Taylor (1989), catalogação “ é a operação que consiste em colocar a coleção
de livros e outros materiais que fazem parte do acervo de uma biblioteca em ordem e fazer um
catálogo que servirá de índice indicativo de seus componentes individuais.
Contudo, pode-se dizer que as bibliotecas estão passando por processos de mudanças
devido ao uso das novas tecnologias de catalogação. A automação ainda não é uma realidade
nas bibliotecas, pelo menos na sua totalidade. Métodos, estruturas e procedimentos precisam
ser repassados e adaptados à realidade informacional da época em que vivemos.
A organização do conhecimento está em processo de tramitação. O conhecimento está
ao alcance daqueles que estão aptos a alcançá-lo. Os usuários precisam de informações e estas
precisam ser tratadas e processadas. A catalogação nas bibliotecas tem um relevante papel,
já que a mesma vem caminhando na busca pelo aprimoramento qualitativo de disseminar e
recuperar a informação como meio de favorecer o processo de aquisição de conhecimento.
Mas o fato é que as teorias com suportes automatizados hoje existem e cabe ao catalogador

�5

escolher o que melhor se adapte à sua realidade e necessidade.
O processo manual, que para muitos tornou-se obsoleto, é real em unidades de
informação. Mas considera-se ainda que pior do que o manual é a automação sem o devido
planejamento. A estrutura consistente de um processo manual permite uma automação segura
que muitas vezes é ameaçada pela pressa, insensatez de alguns profissionais. E esta é a
relação existente entre o processo manual e o automatizado.
O processo histórico evolutivo da catalogação e uso das tecnologias permitiu a
operacionalização de programas de cooperação/ compartilhamento de processos de
representação documentária, recursos humanos e financeiros.
A cooperação é realidade nas bibliotecas e não se restringe apenas a programas
nacionais, mas se estende a redes internacionais como é o caso da rede internacional, a OCLC
–Online Computer Library Center, o maior consórcio de bibliotecas do mundo. O acesso é
on-line, contribuindo com informações para o banco de dados bibliográficos mais adiantado
do mundo, dando o suporte para facilitar o compartilhamento de pesquisa global; além de
compartilhar recursos com outras bibliotecas. É a rede que está na liderança do serviço de
biblioteca e da tecnologia da informação. É um avanço tecnológico e informacional relevante
na História das bibliotecas e unidades de informação. Considerando que o bibliotecário
competente é aquele que ao assumir novas tarefas acompanha a evolução e garantirá o seu
espaço como agente da informação, é impossível nos dias atuais manter-se longe desta
tecnologia que tanto atrai os usuários dos serviços de informação. Afinal o alvo a ser atingido
é o usuário que precisa sair satisfeito com os serviços disponibilizados pela biblioteca.
É neste momento que se faz oportuno citar Krzyzanowski (1996, p. 5)

no entanto, na atual conjuntura de grandes transformações onde a informação é poder
e se apresenta sob diferentes e variadas formas, não basta ter o espaço, é preciso
acrescentar a capacidade de ´encarar o cliente´, através de serviços bibliotecários
com valores agregados, modernos, dinâmicos, de alta qualidade e adequados às
expectativas individuais do pesquisador.

Desde a Antigüidade até os nossos dias, a informação passou por vários suportes.
Houve sempre a preocupação com a sistematização para que o usuário pudesse ter acesso e
fazer uso independente da finalidade. Visto ser o usuário o foco dos serviços oferecidos por
um sistema de informação, reflexões sempre precisam ser feitas. E este breve relato histórico
é um convite a uma reflexão sobre a organização da informação desde a Antigüidade até os
nossos dias.

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3 PERFIL E ATUAÇÃO DO CATALOGADOR FRENTE AS TECNOLOGIAS DE
CATALOGAÇÃO

Com o uso estratégico das tecnologias de informação, o catalogador recriou seus
espaços culturais e societários, ampliou o acervo de conhecimentos e de formas de circulação,
bem como procurou explorar novas possibilidades de apreensão do mundo, transformando a
aquisição do conhecimento em um processo dinâmico e complexo.
Para Marx (1984), não existe uma "natureza humana" idêntica em todo tempo e lugar.
Segundo ele, o existir humano decorre do agir, pois o homem se autoproduz na medida em
que transforma a natureza do trabalho. O trabalho, como ação coletiva, depende de relação
social para se concretizar. A práxis refere-se à ação humana refletida de transformar a
realidade.
Desde as sociedades primitivas, passando pelas artesanais, antigas, escravistas,
bárbaras, feudais, e chegando até a sociedade capitalista globalizada mundial, existe a
presença da tríade: trabalho, tecnologia e conhecimento (qualificação). Estes três elementos
interdependem-se e as relações existentes entre eles e o homem é que constituem as relações
de produção. (SOUTO, 2001).
As mudanças da noção de conhecimento estão causando reflexos diretos no mundo do
catalogador, onde o número de atividades em que haja a demanda de um processamento
cognitivo passa a ser superior à demanda de um processamento muscular.
Os usuários dos serviços prestados pelas bibliotecas vem exigindo cada vez mais a
qualificação do catalogador em relação as novas tecnologias de informação.
O catalogador deve ter capacidades intelectuais que lhe permitam a adaptação aos
serviços prestados. O catalogador deve ser um sujeito com permanente capacidade de
aprendizagem e de adaptação a mudanças, deve saber trabalhar em grupo, de preferência em
equipes multidisciplinares, e ter domínio da linguagem das máquinas. Ou seja: deve também
ser alfabetizado do ponto de vista digital.
No momento atual, permeado pela tecnologia que possibilita a autonomia ao usuário, o
catalogador deve adotar uma nova postura, pois além de ter um novo e amplo campo de
atuação, tem que lidar com a complexidade dos sistemas informacionais e das demandas por

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parte do público especializado ou não. Além das mudanças de perfil, esse profissional deve
adaptar-se aos novos modelos organizacionais e de gestão de trabalho.
Cury (2002) afirma que no mundo contemporâneo dominado pela informação, o que
deve contar não é o saber _ fazer, mas a informação, ou seja, o saber _ saber; não o saber
organizar a informação produzida, mas saber tratá-la. Criar meios de transmissão da
informação e não somente estocá-la, torna-se imprescindível para o catalogador, bem como
para todos os agentes envolvidos em sua produção, tratamento e disseminação.
A pesquisa mundial realizada pela FID (Federação Internacional de Informações e
Documentação) identificou as seguintes qualificações:

a) domínio das tecnologias da informação;
b) domínio de mais de um idioma;
c) capacidade de comunicação e de relacionamento interpessoal;
d) capacidade de gerenciamento, etc.
Dentre as habilidades do catalogador pode-se citar:
a) ser inovador, criativo, líder e saber comunicar-se;
b) conhecer e integrar novos recursos para a recuperação da informação;
c) gerenciar estoque de informação para uso futuro - Gestão da informação;
d) identificar e potencializar os recursos informacionais _ Criação, Análise e Uso, através de 6
processos diferenciados e integrados: identificação, aquisição, organização e armazenamento,
desenvolvimento, distribuição, uso da informação;
e) fomentar informação comentada e comunicada;
f) utilizar tecnologias com foco nas organizações, no valor da rede (sobrevivência da
organização) através de bibliotecas virtuais nos ramos de redes e processos;
g) utilizar e implementar redes, consórcios, parcerias, terceirização da informação
organizacional;
Se antes a atividade do catalogador ficava restrita aos limites físicos de uma biblioteca
e de uma coleção, agora - ele _ enquanto Profissional da Informação - utiliza-se da tecnologia
a em prol da informação, transpondo barreiras físicas e institucionais.
Mormell (1996), comenta que o catalogador deve atuar como um mediador entre os
provedores de informação, os usuários e as tecnologias de informação, exigindo, desta forma,
algumas atitudes como flexibilidade, adaptabilidade e habilidade para recuperar, organizar e
armazenar informação, tanto de fontes impressas como eletrônicas. Enfim, o catalogador
deve:

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a) facilitar o uso da informação;
b) navegar por sistemas do conhecimento e fontes de informação;
c) consultar e assessorar sobre problemas de informação;
d) gerir eficientemente os sistemas de informação;
e) transformar os dados e o fluxo da informação entre sistemas;
f) apoiar políticas de informação estratégias e de negócios.

O novo perfil desse profissional deve, assim, combinar características das áreas de
informática, comunicação social, administração, economia, lingüística, biblioteconomia,
documentação e ciência da informação, sem, contudo, deixar de se considerar uma formação
humanística, pedagógica e social, voltada para uma filosofia educacional mais ampla, flexível,
integrada e crítica.
O desafio enfrentado pelo catalogador, que têm que lidar, não só com a organização e
disseminação da informação, bem como com o acesso a sistemas informatizados e novas
tecnologias que ocupam cada vez mais espaço nos meios acadêmicos e institucionais.
As novas tecnologias alteraram as relações do aprender e conhecer, transformando-se
em elemento constituinte das novas formas de ver e organizar as informações.
A

intervenção

das

tecnologias

nos

processos

de

organização,

descrição,

armazenamento, recuperação e disseminação da informação nos levam a uma reflexão sobre
os processos de catalogação e aos usos de tecnologias.
A catalogação como uma área da biblioteconomia tem como função o
desenvolvimento de um padrão e normalização internacional da representação documentária
de modo a individualizar um item documentário e ao mesmo tempo multidisciplinar suas
formas de acesso por meio de recursos tecnológicos que facilitem esta tarefa visando a
disseminação e a padronização das informações como estratégias fundamentais para o bom
desempenho e agilidade no processo de catalogação.
De acordo com Pereira, Santos (1998) as características importantes no uso das
tecnologias são:
a) rápido acesso a informação
b) mutação crescente das termologias.
c) Necessidade de atualização constante junto ao mercado e as evoluções
tecnológicas.
d) Contenção de custos.
e) Normalização das informações em padrões internacionais.

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O uso das tecnologias como meio para otimizar processos tem por objetivo multiplicar
a capacidade do ser humano de armazenar, recuperar e transmitir informações de forma rápida
e precisa.
Como novas tecnologias entende-se o conjunto de todos os conhecimentos adquiridos
com elevado grau de conteúdo de inovação, ou como conteúdo de instrumentos eletrônicos,
microeletrônicos e as telecomunicações.
O processo de catalogação pode ser identificado como meio de comunicação,
instrumento de ligação entre usuário e o documento, um processo de reprodução
documentária que desde a antiguidade atua como instrumento de acesso a informação e ao
documento e que se utiliza dos instrumentos disponíveis numa ação que interliga a
biblioteconomia as tecnologias disponíveis, possibilitando uma rápida recuperação e
disseminação da informação, proporcionando condições para a agilização do processo de
aquisição do conhecimento.
O processo de utilização das tecnologias na catalogação divide-se em três fases,
segundo Pereira, Santos (1998):
a) tecnologias semi-mecanizadas: confecção de fichas catalográficas com a máquina
de escrever, estencil e cartões perfurados.
b) tecnologias mecanizadas: confecções de fichas com máquinas xerográficas.
c) tecnologias automatizadas: catalogação utilizando procedimentos eletrônicos por
meio de programas automatizados.

A utilização das tecnologias de comunicação disponíveis permitiram o surgimento dos
formatos de intercâmbio, instrumentos fundamentais da catalogação cooperativa. Projetos
como MARK e seus derivados UNIMARK, MARÇAL, CALCO, IBICT e outros passaram a
ser utilizados de modo que a catalogação fosse elaborada uma única vez.
A rede Internet ajuda o trabalho cooperativo em rede entre
bibliotecas, Rowley (1994, p. 300) destaca que, “Os objetivos
principais das redes são: revelar o conteúdo de um grande
número de bibliotecas e tornar esses recursos disponíveis para
bibliotecas e usuários específicos.” Ainda segundo Rowley
(1994), outro tipo de tecnologia utilizada por bibliotecas são
as bases de dados eletrônicas, elas abrangem uma série de
registros
relacionados
entre
si
e
formatados
de
modo

�10

semelhante. Elas encontram-se em servidores on-line ou em CDROM.
O uso de tecnologias semi-mecanizadas e mecanizadas exigia um perfil de catalogador
do tipo executor e não de ser pensante, ou seja, o catalogador desenvolvia atividades de cunho
rotineiro e/ou repetitivas e era um especialista por si só no que deveria fazer. Não tinha a
visão do todo interconectado.
Com as tecnologias automatizadas, o catalogador deve apresentar as seguintes
características de perfil:
Planejar: ser capaz de verificar quais as implicações das decisões tomadas hoje para um
futuro próximo.
Organizar: ser capaz de identificar alternativas para otimizar a distribuição de recursos
junto aa redes cooperativas.
Liderar: ser capaz de motivar, orientar, encorajar, empreender e constituir equipes de
trabalhos na busca de resultados de forma eficiente, eficaz e efetiva.
Coordenar: ser capaz de buscar a soma dos esforços de todos que atuam direta ou
indiretamente com os serviços prestados pelas bibliotecas.
Controlar: ser capaz de proporcionar feedback, visando o aperfeiçoamento contínuo.
Empreender: ser capaz de atuar como um agente de transformação por meio da inovação
permanente.
Relacionar: ser capaz de estabelecer cadeias de relacionamentos entre redes cooperativas
com o intuito de incrementar os resultados das bibliotecas e para a sociedade.
Aprender sempre: ser capaz de compreender a importância de ampliar e atualizar o
conhecimento e a prática da vida, do mundo e da profissão de forma contínua.
Criar e revitalizar: ser capaz de inventar, de perceber, idealizar e propor soluções e
ações que conduzam à inovação e a mudança permanente.
Persistir: ser capaz de buscar e de identificar novas alternativas e desafios independente
dos obstáculos que se apresentem.
Analisar contextos internos e externos: ser capaz de descrever, analisar e prescrever
ações e/ou estratégias que possam minimizar e potencializar os impactos proporcionados
pelas novas tecnologias.
Gerenciar e alavancar oportunidades de recursos: ser capaz de identificar fontes
alternativas de recursos junto as redes cooperativas, visando o aperfeiçoamento dos meios
em prol do alcance dos objetivos da biblioteca.
Tomar decisões: ser capaz de reconhecer e definir problemas, equacionar soluções,
pensar estrategicamente, introduzir modificações no processo de serviços, atuar

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preventivamente, transferir e generalizar conhecimentos e exercer, em diferentes graus de
complexidade, o processo da tomada de decisão junto as redes cooperativas.
Negociar: ser capaz de interagir com as partes envolvidas no processo, na busca de
compromisso entre idéias, propósitos ou interesses, visando o alcance dos melhores
resultados possíveis.
Comunicar: ser capaz de expressar-se, no próprio idioma e em outros, na forma oral,
escrita e não-verbal, com clareza e objetividade, utilizando-se dos diversos meios
disponíveis, eliminando as distorções ou ruídos no processo.
Adaptar: ser capaz de adaptar-se as diferentes situações e transformações que ocorrem no
mundo moderno
Raciocinar de forma lógica, crítica e analítica: ser capaz de estabelecer relações e
conexões nos diferentes contextos internos e externos às bibliotecas e ao meio.
Realizar: ser capaz de realizar procedimentos que venham racionalizar os fluxos de
operações na prestação de serviços.
Praticar a ética e a cidadania: ser capaz de respeitar os valores definidos pela biblioteca
e pelo meio, assim como exercitar a sua cidadania com liberdade de expressão.
Transformar o conhecimento implícito em explícito: ser capaz de transformar
conhecimentos implícitos não materializados e democratizados em conhecimentos
explícitos, visando à consolidação do saber ser, saber fazer e do saber agir.
Buscar Qualidade e resultados: ser capaz de gerar resultados com qualidade superior
para os usuários das bibliotecas.
Responsabilidade Social e de Justiça: ter consciência pelo impacto das ações
individuais e das bibliotecas junto as redes cooperativas.
Percebe-se que o perfil do profissional catalogador diante das transformações e das
inovações tecnológicas deve reunir as características de perfil supracitadas para as bibliotecas
poderem prestar serviços com qualidade superior.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir do objetivo geral proposto neste trabalho, ou seja, o de descrever os
fundamentos básicos acerca da catalogação para, posteriormente, discutir o perfil do
catalogador frente as novas tecnologias de catalogação, pode-se fazer algumas considerações
acerca do assunto em pauta.

�12

O perfil e atuação do profissional catalogador deve reunir o conjunto de habilidades,
conhecimentos e competências exigidas pela sociedade em constante transformação, visando
a busca constante pela qualificação continuada.
Isto porque a variedade de desafios enfrentada pelo profissional catalogador,
confunde-se com os desafios enfrentados pelas bibliotecas e sociedades. Todos necessitam e
buscam informações atualizadas e precisas na menor fração de tempo, no entanto a
globalização mundial, apesar de não ser apenas teórica, em alguns aspectos falha, pois uma
grande parcela da população fica excluída do acesso às novas tecnologias e novas formas de
acesso à informação e produção do conhecimento.
A valorização do profissional catalogador reside, nessa sociedade, à qualificação
profissional: às competências técnicas que deverão associar-se à capacidade de decisão,
adaptação e comunicação, além de do poder de relacionar-se em equipe, com perfil de
liderança, inovação e criatividade.
Este conjunto de características de perfil atuam como pré-requisitos para o profissional
catalogador poder explorar as vantagens oferecidas pelas tecnologias da informação, quer no
processamento como na formação de redes cooperativas.
O entendimento das tecnologias de informações disponíveis, bem como a monitoração
das mesmas faz com que o profissional catalogador adote uma postura pró-ativa.
Associadas as tecnologias da informação e ao perfil do profissional catalogador, podese dizer que a formação em catalogação, sustentada pela sua longa história de divisão de
recursos na padronização da prática, contribui para as amplas teorias do paradigma e para o
conhecimento prático, tais como, princípios de planejamento de sistemas, consistência de
manutenção de dados e controle de qualidade.
Desta forma, tem-se o desenvolvimento de um novo perfil e campo de atuação do
profissional catalogador como sujeito institucional com capacidade de possibilitar, por meio
de atividades profissionais, a obtenção de informações precisas e necessárias para o processo
de aquisição de conhecimentos, crescimento profissional e na formação de indivíduos com
condições de articular e contextualizar informações em constante atualização, buscando o
gosto pela pesquisa numa sociedade marcada pela relação homem-conhecimento, pela
metalinguagens, meta-informações e pelas redes de sistemas de comunicações.

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�13

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O presente artigo tem por objetivo descrever os fundamentos básicos acerca da catalogação para, posteriormente, discutir o perfil do catalogador frente as novas tecnologias de catalogação. Pode-se contatar que o perfil e atuação do profissional catalogador deve reunir o conjunto de habilidades, conhecimentos e competências exigidas pela sociedade em constante transformação, visando a busca constante pela qualificação continuada. Isto porque a variedade de desafios enfrentada pelo profissional catalogador, confunde-se com os desafios enfrentados pelas bibliotecas e sociedades. Todos necessitam e buscam informações atualizadas e precisas na menor fração de tempo, no entanto a globalização mundial, apesar de não ser apenas teórica, em alguns aspectos falha, pois uma grande parcela da população fica excluída do acesso às novas tecnologias e novas formas de acesso à informação e produção do conhecimento.</text>
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                    <text>PERIÓDICOS CIENTÍFICOS: MIGRAÇÃO PARA COLEÇÃO ON-LINE

Margaret Alves Antunes
UNESP - Coordenadoria Geral de Bibliotecas – Coordenadora
Alameda Santos, 647 – 10º andar – Cerqueira César
01419-901 – São Paulo – SP - Brasil
eti@reitoria.unesp.br

Maria Ligia Campos
UNESP - Coordenadoria Geral de Bibliotecas – Bibliotecária
Av. Vicente Ferreira, 1278 – Cascata
17515-901 – Marília – SP - Brasil
ligiacgb@marilia.unesp.br

�Resumo

O processo de migração do formato impresso das coleções de periódicos
científicos estrangeiros para formato eletrônico com acesso on-line é tema de
estudo para a tomada de decisão no desenvolvimento de coleções da UNESP. A
Coordenadoria Geral de Bibliotecas da UNESP, efetuou em 2003, estudo para
definição do núcleo básico de periódicos para atendimento das necessidades
informacionais para o suporte ao ensino e pesquisas em desenvolvimento na
Universidade. Após esta definição, devido a dificuldades financeiras, não foi
possível a aquisição das coleções impressas pertencentes ao núcleo. Mesmo
havendo recurso para assinatura destes periódicos para o período retrospectivo,
dificilmente seria possível obter a completeza das coleções. Tornou-se, então,
inevitável a decisão de migrar para coleções eletrônicas que possibilitam o acesso
on-line a toda a coleção publicada sem falhas e com custo mais baixo. Com esta
mudança obteremos uma economia de aproximadamente 50% do investimento
necessário para manter todas as assinaturas impressas, além do acesso a maior
número de títulos, com maior abrangência temporal. Desta maneira conclui-se
que com esta decisão será possível ofertar à comunidade de usuários uma
coleção mais ampla com menor investimento.

Palavras-chave: Bibliotecas Universitárias; Políticas de Desenvolvimento de
Coleções; Periódicos eletrônicos.

Introdução

A Coordenadoria Geral de Bibliotecas da UNESP, dando continuidade ao seu
Programa de Desenvolvimento de Acervos de Periódicos, iniciado em 1999, com
a 1ª. Proposta de avaliação de periódicos na Unesp, descrita em KIRIHATA
(1999), e posteriormente, com nova avaliação realizada em 2002, num trabalho
desenvolvido juntamente com bibliotecárias da Rede de Bibliotecas da Unesp,
considerando como base para a continuidade dos estudos:

�Como conseqüência da política econômica e da escassez de
recursos orçamentários, foram realizados estudos de uso e
avaliação de coleções de periódicos com base na literatura
cientifica, utilizando-se de metodologias apropriadas, com o fim de
estabelecer um modelo de análise para tomada de decisão quanto
aos títulos de maior impacto nas bibliotecas, e propor um núcleo
básico que atenda um grupo maior de usuários. (COITO, 2000)

efetuou, em 2003, mais uma avaliação de sua coleção de periódicos científicos
estrangeiros, excluindo todas as duplicações de periódicos impressos para os
quais havia acesso on-line, resultando desta avaliação de periódicos o
estabelecimento do Núcleo Básico de periódicos impressos e eletrônicos da
Unesp, conforme descrito em CAMPOS (2004), e que apresentou como
conclusão:
Do
total
de
546
assinaturas
excluídas,
que
correspondem a aproximadamente 15% do total geral
de assinaturas da UNESP, 27% das assinaturas
correspondem a títulos sem duplicação, enquanto que
31% são títulos duplicados e não eletrônicos (existe
apenas o impresso) enquanto o maior percentual 42%
correspondem a títulos duplicados e disponíveis
eletronicamente.A economia de recursos orçamentários
dispendidos para a manutenção da coleção nuclear de
periódicos da UNESP foi da ordem de 20%, valor este
que poderá vir a incrementar a coleção de bases de
dados e periódicos on-line.

No caso dos periódicos existentes somente no formato impresso, analisou-se a
necessidade de manutenção de mais de uma assinatura neste formato,
considerando-se a vinculação a projetos de pesquisa, especificidade do assunto
abrangido pelo título e utilização do mesmo em cada uma das Bibliotecas que
possuiam a assinatura. Em áreas especificas fica claro que não existe muita
disponibilidade de títulos em formato eletrônico, como no caso de periódicos de
odontologia.

Constatou-se também que mesmo em periódicos existentes somente em formato
impresso foi possível efetuar um corte significativo nas duplicações em papel,
considerando-se a facilidade de envio de cópias de artigos de uma Biblioteca para
outra dentro da Unesp, de forma rápida e sem custos adicionais para o usuário.

�O núcleo básico de periódicos da Unesp ficou estabelecido com um total de 3131
assinaturas, sendo que 190 títulos ainda deveriam ser assinados em duplicidade
no formato impresso, conforme demonstrado no quadro abaixo:

SITUAÇÃO NÚCLEO
QTDE
DUPLICAÇÕES
ASSINATURAS
4
1
94
34
6
1
225
60

GRUPO/ÁREA TEMÁTICA

Administração, Biblioteconomia, Direito, Economia
Agronomia
Artes, Arquitetura, Desenho Industrial
Biologia
Ciências Sociais, Comunicação, Filosofia, Historia,
Psicologia, Relações Internacionais, Serviço
38
9
Social
Computação, Engenharias, Estatística, Física,
101
13
Matemática
Ecologia, Geociências, Geografia
18
3
Educação Física, Enfermagem, Farmácia,
24
6
Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina
Engenharia de Alimentos, Nutrição, Química
17
2
Letras, Pedagogia
57
18
Odontologia
65
18
Veterinária, Zootecnia
69
25
TOTAL
718
190
Quadro 1 – Situação núcleo – assinaturas e respectivas duplicações por área temática*

* A determinação destas áreas temáticas considerou os cursos de graduação
oferecidos pela universidade, na época em que o estudo foi realizado.

Manutenção do Núcleo
Eletrônicos da Unesp

Básico

de

Periódicos

Impressos

e

A Rede de Bibliotecas da Unesp, num esforço conjunto de bibliotecários e
docentes, havia realizado um trabalho muito importante para a universidade,
conseguindo, sem prejuízo do ensino e pesquisas em desenvolvimento, diminuir o
investimento feito pela administração na manutenção da coleção de periódicos de
suas bibliotecas.

O resultado deste estudo mostrou que, atualmente:
a preocupação com o “coletivo” é maior;

�o acesso rápido à informação é mais importante que a posse física do
documento;
é muito importante poder acessar a informação a partir de qualquer
equipamento da universidade;
o próprio usuário pode imprimir uma cópia do artigo de seu interesse;
a biblioteca tem procurado acompanhar os avanços tecnológicos.

Considerando ter sido este estudo um avanço dentro da nossa universidade,
mesmo assim, não podemos deixar de concordar com SOARES (2004) quando
diz: “uma universidade, para acompanhar a crescente produção mundial de
pesquisas, terá que gastar a cada ano mais com suas bibliotecas”, e ele destaca
como fatores que contribuem para o aumento dos gastos: o crescimento no
número de periódicos científicos existentes e o aumento de preços dos mesmos,
seja na forma impressa ou no acesso eletrônico.

Infelizmente constatamos que por contingências orçamentárias, que atingem não
só a universidade, mas também vários setores da economia brasileira, desde a
realização deste estudo que determinou o Núcleo Básico da coleção de
periódicos,

a

UNESP

não

tem

conseguido

efetuar

o

pagamento

da

manutenção/renovação das assinaturas de todos os títulos pertencentes ao
mesmo, salvo aqueles que façam parte de compromissos anteriormente
assumidos através de Consórcios estabelecidos com outras instituições de ensino
superior, como os títulos da Science Direct (Elsevier Science), Consórcio
CRUESP – títulos pertencentes a Base de Dados Ovid, etc.

Diante deste cenário, a Coordenadoria Geral de Bibliotecas, ainda destaca
diversos pontos a serem considerados na renovação dos periódicos:
as assinaturas, independente do tipo de suporte físico:

impressas ou

eletrônicas, devem ser pagas antecipadamente, ou no máximo no início do
ano corrente, de maneira a disponibilizar aos seus usuários, a informação
necessária a suas pesquisas e ensino, logo após sua publicação;

�o pagamento após os primeiros meses do ano, no caso de periódicos
impressos acarreta inúmeras falhas na coleção, muitas vezes impossíveis
de serem sanadas;
no caso de periódicos eletrônicos que são disponibilizados juntamente com
a efetivação da assinatura em papel, disponibilizar o acesso em setembro
ou outubro, apesar de termos a garantia do acesso a todo o conteúdo
publicado durante o ano, oferece somente o acesso pelo período de 3 ou 4
meses, pois os editores, em sua maioria validam a assinatura para o ano
calendário, ou seja, janeiro-dezembro; e a não renovação da assinatura em
tempo hábil, acarreta a perda do acesso ao ano anteriormente pago;
os problemas na renovação das assinaturas por muitos anos consecutivos,
acarretou falhas que nem mesmo com projetos para aquisição deste
material retrospectivo, seria possível atualizar a coleção de periódicos da
Unesp;
e, finalmente, a constante restrição orçamentária para a renovação da
coleção de periódicos.

Migração para a coleção de periódicos on-line

Considerando então, que desde 2003, a UNESP não tem conseguido efetuar o
pagamento de seus periódicos, tornou-se necessária uma medida urgente para
adequação dos recursos orçamentários existentes e o atendimento às
necessidades informacionais da comunidade.

Diante deste panorama, decidiu-se avaliar a possibilidade de migração para
coleções de periódicos somente on-line. Para esta tomada de decisão foram
feitas as seguintes análises sobre o núcleo de periódicos:
disponibilidade cada vez maior da quantidade de títulos no Portal
Periódicos CAPES, em texto completo;
possibilidade de aquisição de conjunto de títulos diretamente do editor, de
maneira consorciada, por preço inferior ao do pagamento título a título e

�com garantia de acesso aos anos assinados, mesmo em caso de
interrupção da assinatura;
possibilidade de “arquivamento” da informação adquirida, além do acesso
ao texto completo;
aquisição de coleções eletrônicas que adicionam volumes retrospectivos
em texto completo, à coleção;
aquisição de coleções de arquivos retrospectivos, como JSTOR;
Aquisição de conteúdo dos editores de maneira consorciada com o
CRUESP Bibliotecas, já iniciado com o arquivamento do conteúdo do
ProBE e aquisição da coleção complementar;
redução de aproximadamente 50% do investimento necessário para
manter todas as assinaturas impressas;
mudanças já realizadas com sucesso em universidades estrangeiras;
tendência em universidades brasileiras diante dos constantes avanços
tecnológicos; e
maior disponibilidade de publicações baseadas no principio de livre acesso,
ou seja, o que podemos chamar de democratização do conhecimento.

A partir da experiência adquirida pelas bibliotecárias da Coordenadoria Geral de
Bibliotecas envolvidas com a aquisição de periódicos ao longo de muitos anos e
baseadas em relatos de experiências já ocorridas em outras universidades, podese destacar que em qualquer mudança existem pontos facilitadores e
dificultadores para que a mesma ocorra.

Destacamos como facilitadores para esta mudança:
PONTOS FACILITADORES
DO PONTO DE VISTA DO
DO PONTO DE VISTA DO USUÁRIO
BIBLIOTECÁRIO
A aceitação do periódico em formato A conveniência da utilização do periódico
eletrônico pelos usuários
eletrônico em seu próprio local de
trabalho, sem ter que se dirigir à
biblioteca
Melhora no serviço com menos tempo Facilidade na obtenção/impressão de
para
processamento
técnico
dos artigo de seu interesse
fascículos

�Maior uso com menor custo/beneficio

Menor disponibilidade de espaço físico
para o armazenamento da coleção
Melhores condições de obtenção de
estatísticas de uso junto aos editores

Disponibilização, pelos editores, de
serviços
de
alerta
eletrônico
personalizado
Maior rapidez nas buscas bibliográficas
realizadas
A
pesquisa
pode
ser
realizada
considerando-se um maior período de
tempo
As vantagens pedagógicas vinculadas ao
Curriculum Vitae dos pesquisadores

Possibilidade de apresentação dos
periódicos com recursos (links) que
auxiliem os usuários
A
capacitação
das
equipes
das A capacitação cada vez maior dos
bibliotecas na utilização das novas usuários na utilização das novas
tecnologias no acesso à informação
tecnologias no acesso à informação
Quadro 2 – Migração para a coleção de periódicos on-line – Pontos facilitadores

Em contrapartida, destacamos como dificultadores:

PONTOS DIFICULTADORES
DO PONTO DE VISTA DO
DO PONTO DE VISTA DO USUÁRIO
BIBLIOTECÁRIO
Novos desafios administrativos
Conservadorismo de alguns usuários
Licenças de uso com termos restritivos
Aparente transitoriedade enquanto ocorre
a mudança
Constantes alterações realizadas pelos Volatilidade de conteúdo da publicação
editores/agregadores
sem
prévia por mudanças de editor
comunicação
Inclusão do VAT – taxa de valor agregado Cultura de determinada área/profissão a
ao preço da informação
qual o pesquisador/usuário pertence
Disponibilização do titulo somente através A partir de onde ele terá acesso a
de determinado agente
determinado titulo
Quadro 3 – Migração para a coleção de periódicos on-line – Pontos dificultadores

Este processo de mudança no suporte físico do documento vem ocorrendo há
muitos anos, e de uma forma muito rápida, acompanhando os avanços
tecnológicos disponíveis no que tange ao acesso à informação. Como exemplo
podemos citar que há alguns anos atrás os títulos de publicações de referência,
que continham os “abstracts” eram impressos, depois passaram a ser editados
em CD-ROM, passando logo após a serem disponibilizados on-line e atualmente
se constituem em grandes bases de dados on-line.

No inicio destas alterações, tanto bibliotecários quanto usuários apresentaram
uma certa resistência, mas tiveram que se adaptar às mesmas para poderem

�acompanhar as pesquisas e se manterem atualizados em suas respectivas
atividades.

A Rede de Bibliotecas da Unesp tem conseguido, através de muito esforço na
obtenção de recursos junto a entidades financiadoras, acompanhar relativamente
bem os avanços tecnológicos existentes e capacitar seus recursos humanos para
a utilização e disseminação das novas tecnologias. Por isso, analisa que é
chegada a hora de uma nova mudança, para que não se perca todo o
investimento já realizado nas bibliotecas.

Apesar da resistência inicial apresentada pelos usuários para utilização de
recursos on-line, WARE (2005), discutindo sobre os obstáculos do cancelamento
das assinaturas impressas, cita que atualmente os leitores de diversas áreas do
conhecimento usualmente preferem ler cópias impressas localmente, de artigos
on-line a compartilhar o único fascículo impresso da biblioteca. Por outro lado,
bibliotecários estão preocupados com a continuidade do acesso no caso de
cancelamento da assinatura, mudança de editor, ou títulos cessados.

Esta aceitação da mudança para coleção on-line é relatada por FYFE (2005) que
cita como evidência de aceitação que entrevistados em universidades como
University of Hong Kong, Michigan e California, aproximadamente 70% dos
consultados “preferem o acesso on-line”. Em outras Universidades, consultados
sobre inconveniências ocorridas com a mudança para somente on-line , quase
100% dos consultados, nas diversas áreas acharam não ter havido nenhum
inconveniente com a mudança. Consultados se concordam com novas mudanças
para on-line, também não viram inconveniente.

Acreditamos ser este um período de transição e que o mesmo é difícil para todas
as partes envolvidas: bibliotecas, usuários e editores, mas temos que aprimorar
continuamente o processo de aquisição de periódicos, e mais uma vez enfrentar e
tentar vencer o desafio apresentado às bibliotecas da Unesp, apoiando-nos em
CUNHA (2000), que diz:

�Em todas as épocas, bibliotecas sempre foram
dependentes da tecnologia da informação. A passagem
dos manuscritos para a utilização de textos impressos,
o acesso a base de dados bibliográficos armazenados
nos grandes bancos de dados, o uso do CD-ROM e o
advento da biblioteca digital, no fim dos anos 90,
altamente dependente das diversas tecnologias de
informação, demonstram que, nos últimos 150 anos, as
bibliotecas sempre acompanharam e venceram os novos
paradigmas tecnológicos.

Conclusão

A Coordenadoria Geral de Bibliotecas dará inicio ainda no corrente ano, à
aquisição dos periódicos on-line para acesso a partir de 2007, incluindo, se
possível, o acesso a anos retrospectivos.

Pretende-se também constituir um grupo de trabalho formado por bibliotecários,
que atuam nas diferentes áreas de conhecimento existentes dentre as 30
bibliotecas da Unesp, para levantar os problemas desta migração e propor
soluções que possam amenizar seus reflexos junto à comunidade usuária da
informação, visando sempre atender suas necessidades informacionais com mais
rapidez e facilidades no acesso à mesma.

Paralelamente, o CRUESP Bibliotecas está trabalhando em iniciativas que
garantam o acesso perene aos conteúdos adquiridos pelas três instituições
partícipes do Consórcio. A realização deste trabalho de maneira consorciada tem
como facilitadores :
Integração das instituições
Clareza de propósitos
Realidades comuns
Respeito às particularidades de cada instituição

Desta maneira, a aquisição efetuada de maneira consorciada considera:

�A escolha dos conteúdos a serem adquiridos é feita com base nos
critérios de desenvolvimento de coleções das instituições (considerando
a aquisição planificada e o compartilhamento) e demanda da
comunidade.
Definidos os conteúdos, cada um dos membros faz a contratação de
acordo com os critérios de sua Instituição

Além disto, os membros do Consórcio têm se preocupado com a preservação a
longo prazo de bens digitais que é ainda desconhecida e vêm trabalhando de
maneira

a

minimizar

estes

efeitos.

Já

temos

as

seguintes

iniciativas

implementadas no Consórcio:
Aquisição de servidor para abrigar estes conteúdos, já instalado e
abrigando o conteúdo do ProBE, recebido da FAPESP;
Desenvolvimento de ferramenta para busca integrada em todos os
conteúdos, não ficando refém das manutenções dos softwares de busca;

Desta maneira, a comunidade da UNESP poderá ter acesso à informação tão
necessária para o desenvolvimento das atividades de ensino e pesquisa, de
fundamental importância para a instituição, com economia de recursos e
ampliação de conteúdo, numa tentativa de acompanhar a ampliação da oferta de
informação existente atualmente, mantendo-se competitiva em sua área de
atuação.

Scientific journals: migration to only online collection

Abstract

The migration process of the scientific journals from print to only online format is
the subject of study to make a decision on Unesp developping collections. In
2003, Unesp Libraries General Coordination carried out a study to establish the
core collection of scientific journals for the University's teaching and searching

�needs. After this definition, due to financial troubles, it was impossible to suscribe
to the print core collection. Even though the budgets were enough to buy the
journals' backsets, it would be difficult to assure the complete collections. Then, it
turned inevitable to decide the migration to online collections which allows the
online access to all the published collection, without gaps and cheaper.This
change enabled to the University a saving of 50% of the annual budget to have all
the print collection, as well as to access a greater number of titles, with more
backfiles. It is concluded that this decision makes possible to offer to all users a
comprehensive collection with less investment.

KEYWORDS: University Libraries; Collection Development Policies; Electronic
Journals

Referências

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científicos impressos e eletrônicos da UNESP: programa de racionalização da
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CUNHA, M. B. da. Construindo o futuro: a biblioteca universitária brasileira em
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WARE, M. E-only journals is it time to drop print?. In: SEMINAR E-ONLY
JOURNALS: IS IT TIME TO DROP PRINT?, 2005, Oxford. Disponível
em:http://www.alpsp.org/events/previous/s020205.htm. Acesso em: 03 jul.2006.

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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O processo de migração do formato impresso das coleções de periódicos científicos estrangeiros para formato eletrônico com acesso on-line é tema de estudo para a tomada de decisão no desenvolvimento de coleções da UNESP. A Coordenadoria Geral de Bibliotecas da UNESP, efetuou em 2003, estudo para definição do núcleo básico de periódicos para atendimento das necessidades informacionais para o suporte ao ensino e pesquisas em desenvolvimento na Universidade. Após esta definição, devido a dificuldades financeiras, não foi possível a aquisição das coleções impressas pertencentes ao núcleo. Mesmo  havendo recurso para assinatura destes periódicos para o período retrospectivo,  dificilmente seria possível obter a completeza das coleções. Tornou-se, então, inevitável a decisão de migrar para coleções eletrônicas que possibilitam o acesso  on-line a toda a coleção publicada sem falhas e com custo mais baixo. Com esta mudança obteremos uma economia de aproximadamente 50% do investimento necessário para manter todas as assinaturas impressas, além do acesso a maior  número de títulos, com maior abrangência temporal. Desta maneira conclui-se  que com esta decisão será possível ofertar à comunidade de usuários uma  coleção mais ampla com menor investimento.</text>
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                    <text>PERIÓDICOS ELETRÔNICOS ON-LINE NAS
INSTITUIÇÕES ESTADUAIS DE ENSINO
SUPERIOR DO PARANÁ

ELIANE MARIA DA SILVA JOVANOVICH
Universidade Estadual de Londrina  Paraná  Brasil
emsjovanovich@yahoo.com.br

CARMEN TORRESAN
Universidade Estadual de Maringá  Paraná  Brasil
ctorresan2@yahoo.com.br

�2

1 INTRODUÇÃO

A pesquisa consiste em analisar a localização dos periódicos eletrônicos on-line
editados pelas Instituições Estaduais de Ensino Superior do Paraná - IEES através
de suas páginas na Web; como estão sendo divulgados dentro das homepage
institucionais e como está sendo trabalhada a questão da acessibilidade para esses
periódicos.

Um das funções das bibliotecas universitárias é o intercâmbio de periódicos editados
pelas instituições. Para realização desta tarefa os bibliotecários utilizam-se do meio
mais rápido e de menor custo para localização dos periódicos: a Internet. Durante
este processo em nossa experiência profissional foram detectados várias
dificuldades para localizar os periódicos e suas informações. Esse foi um dos fatores
que nortearam essa pesquisa, onde foi elaborado um formulário para obter dados
quanto à localização, divulgação e acessibilidades dos periódicos publicados pelas
IEES do Paraná.

A Universidade constitui um espaço institucional da pesquisa científica com
capacidade de gerar novos conhecimentos e formar pesquisador.
Para divulgação de forma sistemática dos resultados da pesquisa geralmente as
universidades criam suas próprias revistas, tornando-se com isso um importante fator
no sistema de comunicação da ciência.

Cabe a Universidade brasileira desempenhar três funções básicas
que devem ser exercidas harmonicamente pelas instituições de
ensino superior, o ensino no mais alto grau, a pesquisa para gerar
novos conhecimentos e a extensão para levar o produto de ação
acadêmica à sociedade. (STUMF 1997, p. 45)

Este estudo deve contribuir para que as instituições revejam os critérios de
divulgação e disseminação das informações em periódicos eletrônicos, haja vista a
importância dos mesmos como fonte de informação para o desenvolvimento

�3

científico e tecnológico, considerando que a publicação periódica constitui-se no
veículo mais utilizado para divulgar o saber produzindo nas universidades.

2 REVISÃO DE LITERATURA

A Internet é responsável por promover e facilitar o acesso a um grande volume de
informações e com isso, segundo Bomfá (2003, p.24) as revistas cientificas que
começaram a ser publicada no século XVII, passaram a desempenhar importante
papel no processo de comunicação da ciência, tornando-se um importante veiculo
na comunicação científica.

Os periódicos científicos se propagaram por todos os segmentos, e no século XX,
observa-se um crescimento enorme das publicações que vão desde os editores
comerciais, Estado e universidades. Com as novas tecnologias, os periódicos
científicos tiveram uma mudança considerável no seu formato e principalmente no
seu acesso.

O periódico eletrônico é mais que uma realidade faz parte do cotidiano de vários
pesquisadores, estudiosos e curiosos, colaborando como válvula propulsora apara a
divulgação da produção científica. A facilidade de acesso às publicações eletrônicas
gerou uma expansão em novos títulos e a transformação de publicações impressas
em eletrônicas. Line (1998 p.17) afirma que a razão do crescimento do número de
periódicos eletrônicos é a facilidade técnica de se distribuir a informação.

Os pesquisadores de hoje fazem parte de uma geração digital, produzem e
disponibilizam por meio da mídia eletrônica, permitindo divulgar com rapidez os
resultados da pesquisa. Cunha (2000, p. 82), ressalta que o periódico eletrônico já é
uma realidade e pode ser acessado de diversas maneiras. Em nível local, por meio e

�4

CD-ROM; em nível remoto, consultando o acervo digital localizado em uma outra
biblioteca...

Para os acadêmicos o acesso através dos periódicos eletrônicos também facilitou as
pesquisas e estudos, pois as instituições aumentaram o número de equipamentos e
além da facilidade para possuírem computadores com acesso Internet em suas
residências.

A facilidade de acesso às publicações eletrônicas e a expansão de cursos de Pósgraduação desencadearam o surgimento de novos títulos de periódicos científicos
eletrônicos. Segundo Cruz (2003, p. 48) os periódicos eletrônicos são considerados
uma das formas mais rápidas e conceituadas de divulgação dos resultados de
pesquisas pela comunidade acadêmica.

Para avaliação dos cursos de Pós-graduação, a Capes leva em consideração a
publicação de periódicos científicos.de preferência com alto fator de impacto. Para as
publicações brasileiras é utilizado o Sistema de Classificação de Periódicos - Qualis:
(é o resultado do processo de classificação dos veículos utilizados pelos programas
de Pós graduação para a divulgação da produção intelectual de seus docentes e
alunos).

A Capes (2006) disponibiliza para 182 instituições O Portal de Periódicos Capes o
acesso a texto completos de revistas nacionais e estrangeiras e bases de dados com
resumos. O acesso ao Portal que é referência para qualquer instituição de ensino,
porém existem periódicos editados pelas universidades que não estão inclusos,
sendo difícil localizá-los dentro da instituição produtora.

Atualmente as tecnologias da Web nos oferecem instrumentos que facilitam e
ajudam a busca pela informação na rede da Internet, porém ainda existem muitas

�5

dificuldades para localizar as informações, principalmente quando procuradas em
sites instituições acadêmicas.

3 METODOLOGIA

O estudo caracterizou-se como uma pesquisa descritiva. As Instituições de Ensino
Superior Públicas do Estado do Paraná é formada por 5 universidades e 12
faculdades. Optou-se pelo estudo nas 5 universidades por terem uma estrutura
acadêmica mais expressiva e maior número de títulos de periódicos.
As Instituições que editam periódicos eletrônicos selecionados nesta pesquisa foram:
UEL - Universidade Estadual de Londrina
UEM - Universidade Estadual de Maringá
UEPG - Universidade Estadual de Ponta Grossa
UNICENTRO - Universidade Estadual do Centro-Oeste
UNIOESTE - Universidade Estadual do Oeste do Paraná

A identificação dos periódicos publicados por cada instituição, exigiu uma pesquisa
no Catalogo Coletivo Nacional de Publicações Seriadas (CCN), coordenado de
IBICT.Foram identificados no CCN 67 títulos publicados pelas 5 universidades,
dentre estes apenas 38 periódicos foram objetos deste estudo, por possuírem página
na Web, os demais são títulos encerrados ou títulos editados somente no formato
impresso.

Para coleta dos dados elaborou-se um formulário (anexo 1). Os dados

foram coletados no período de 1 a 15 de maio de 2006 e tabulados.

4 ANÁLISE DOS RESULTADOS

�6

O objeto de estudo desta pesquisa foram os títulos de periódicos que possuíam uma
página na Web pelo menos com sumário e os dados principais sobre a publicação. A
análise dividiu-se em 3 fatores:
a) Analise da homepage Institucional
b) Análise da estrutura do periódico
c) Análise da estrutura do artigo
4.1 Análise Institucional
4.1.1 Quanto as homepage das universidades
Das cinco universidades analisadas, apenas 1 possui link na homepage indicando o
acesso aos periódicos editados pela instituição, mesmo assim, entra em conflito pois
tem um link denominado Periódicos científicos e outro Periódicos eletrônicos.
Juntando as informações dos dois links não conferi com os títulos encontrados no
CCN.

4.1.2 Quanto as homepage das bibliotecas
Todas as universidades possuem site para biblioteca. É papel da biblioteca
disseminar a produção científica de sua instituição, no entanto, apenas 1 biblioteca
oferece um link para os periódicos editados. Outra biblioteca disponibiliza um link
para os periódicos, mas dentro do serviço de intercâmbio.

4.1.3 Quanto à hospedagem do periódico
Dos periódicos pesquisados, 68% encontram-se disponíveis no site do editor, que
normalmente é o departamento do curso de graduação ou pós-graduação. Um
número significativo, ou seja, 29% dos títulos encontram-se na editora da
universidade e apenas 3% que corresponde a 1 titulo possui um link remetendo ao
site da Biblioteca Virtual SciELO.

4.2 Análise da Estrutura do Periódico
4.2.1 Quanto à existência do conselho editorial

�7

De acordo com a NBR 6021 (2002), conselho editorial é grupo de pessoas
encarregadas de elaborar as diretrizes, estabelecendo o perfil político  filosófico editorial de uma editora. O conselho editorial tem importância fundamental para a
indexação de um periódico na Biblioteca Virtual SciELO, sendo um dos critérios que
seus integrantes devem ser especialistas reconhecidos, de origem nacional e
internacional. Neste estudo não foi analisado este detalhe, apenas se indicava os
membros da comissão editorial.O resultado obtido foi que dos 38 títulos analisados
37 possuem conselho editorial e apenas 1 não mencionava este dado.

4.2.2 Quanto à periodicidade
O segundo problema mais citado na crise dos periódicos científicos é
a falta de pontualidade da publicação formato impresso (muitos
periódicos não conseguem publicar um número na data fixada de
acordo com sua periodicidade. Alguns autores, como Turoff (1982),
atribuem um demora ao sistema de peer review. Para ele, os artigos
não são publicados rapidamente e os fascículos não ficam prontos
em tempo hábil devido a demora para avaliar o artigo.(BIOJONE,
2001, p. 33)

Essa questão não poderá ser resolvida com o periódico eletrônico, pois ele também
se obriga a cumprir as mesmas etapas de revisão e avaliação dos artigos científicos.
Dentre os periódicos analisados destaca-se a periodicidade semestral com 50% dos
títulos, seguido de 23% anual, 8% trimestral, 8% quadrimestral, 3% mensal e demais
irregular e não informado.

4.2.3 Quanto às normas para publicação
As instruções sobre a elaboração dos artigos estão presentes em 37 títulos.
Geralmente no site das publicações tem um link específico para este item. Segundo
Bomfá (2003, p. 61) instruções aos autores é considerado fundamental, para manter
a qualidade dos trabalhos publicados, além de formalizar os critérios que serão
utilizados pelo corpo de referees.

�8

Identificou-se que os periódicos editados pelas instituições seguem as normas de
editoração, o que retrata que apesar de não se saber onde disponibilizar esse
periódico, ele é feito dentro das normas exigidas.

4.2.4 Quanto ao ISSN e sumário
O ISSN está presente em todas publicações, o que significa que os editores estão
cientes da importância do registro do periódico.
O sumário também está presente em todas as publicações, ele representa o acesso
aos artigos publicados em cada fascículos. No formato eletrônico ele permite um link
para o texto integral.

4.3 Indexação em Base de dados
Dos 38 títulos de periódicos analisados somente 15, ou seja, 40% estão indexados
em Bases de Dados e serviços de indexação. Baseado nas datas de inicio de
publicação, os títulos mais antigos é que constam dos serviços de indexação. Os
títulos mais recentes não são indexados, pois de acordo com Goldsteim Jr (1999
apud Ohira, 2000) para um periódico ser indexado, deve satisfazer a uma série de
requisitos de qualidade: regularidade, composição do corpo editorial, severidade do
processo de revisão...,

4.4 Mecanismo de busca
Quando um periódico possui uma coleção de vários fascículos on-line, torna-se difícil
encontrar informação mediante navegação aleatória através dos sumários. Um dos
indicadores de qualidade dos sites de periódicos eletrônicos é a recuperação dos
artigos pelo autor, titulo ou palavras-chaves, sendo necessário um mecanismo de
busca. Segundo Microsoft (2006) mecanismo de busca é um programa que faz
buscas em banco de dados de sites. Neste estudo apenas 13% dos títulos de
periódicos possuem mecanismo de busca do conteúdo dos artigos.

�9

4.5 Texto integral
Dos periódicos analisados 60% disponibiliza todos os fascículos em texto integral.
Esta pesquisa limitou-se a periódicos eletrônicos on-line o que pressupõe que todos
os títulos analisados deveriam ter seus artigos disponíveis na integra via Web. No
entanto, alguns editores só disponibilizam os anos mais recentes que foram editados
em formato eletrônico, e os anos anteriores muitas vezes oferecem apenas o
sumário.Outro problema para o não acesso ao texto integral é que só é permitido
mediante a assinatura do periódico.
Se a localização de um periódico gera um grau de dificuldade, o periódico não sendo
indexado em base de dados contribui para que a informação continue inacessível. Se
ele não possui nenhum mecanismo de busca, a recuperação da dos textos torna-se
árdua. Porém mais da metade dos títulos pesquisados disponibilizam o texto integral.

4.6 Estrutura dos artigos
4.6.1 Normas gerais para trabalhos científicos
A NBR 6022 (2003) da ABNT define o artigo cientifico como sendo parte de uma
publicação com autoria declarada, que apresenta e discute idéias, métodos, técnicas,
processos e resultados nas diversas áreas do conhecimento. Todos os periódicos
desta pesquisa obedecem às normas gerais para trabalhos científicos e apresentam
as três partes fundamentais: introdução, desenvolvimento e conclusão. A autoria
sempre acompanhada pela afiliação institucional, que atribui credibilidade ao autor e
caráter cientifico a sua produção.

4.6.2 Resumo
De acordo com NBR 6028 (2003) da ABNT É a apresentação concisa dos pontos
relevantes de um texto. Deve ser colocado precedendo o texto na língua original.
Visa fornecer elementos capazes de permitir ao leitor a decisão sobre a possibilidade
de continuar a leitura do trabalho ou não. Neste estudo 82% dos periódicos possuem
resumo em 2 ou mais idiomas;

�10

4.6.3 Palavras-chaves
A inclusão das palavras-chaves nos artigos surge por influência do sistema de
indexação baseado em unitermos (SARMENTO e SOUZA, 2004, p. 76). Dos artigos
analisados, 90% possuem palavras-chaves;

4.6.4 Hipertexto
Um das possibilidades mais interessantes disponibilizadas pela Web é a utilização de
hipertexto. O uso do hipertexto em um artigo científico, poder servir como fonte de
referência, facilitando a leitura do mesmo. Segundo Marcushi (1999 apud DIAS,
2002, p.20) a natureza do hipertexto está associada a diversas características:
- Não-linearidade: está relacionada com a flexibilidade de se percorrerem a diversa
rede navegável de um hipertexto;
- Acessibilidade ilimitada: permite que sejam acessados os mais diversos tipos e
fontes;
- Multissemiose: interconectar, de forma simultânea e integrada, a linguagem verbal
e não-verbal;
- Interatividade: gerar uma reação em tempo real como resposta à ação anterior;
- Virtualidade: é um fenômeno que existe de forma única e exclusiva no espaço
virtual.
Dos periódicos analisados apenas 7% oferecem sistemas hipertextuais. Acredita-se
que o baixo uso desta técnica seja a falta de estrutura das universidades em
equipamentos e qualificação pessoal.

5 CONCLUSÃO
Ao final da pesquisa observou-se uma variedade de localização dos periódicos
eletrônicos, principalmente a falta de padronização na disponibilidade na homepage
das respectivas instituições, dificultando o acesso à informação. Muitas vezes foi
necessário utilizar um mecanismo de busca como: Google, Altavista, etc. para
localizar o periódico desejado, pois através do site da instituição publicadora não foi
possível.

�11

Os resultados obtidos neste trabalho demonstram que há falta de interação entre os
editores das publicações periódicas eletrônicas editadas pelas Universidades
Estaduais do Paraná. Esperamos que seja de grande valia para que os
desenvolvedores das homepage institucionais padronizem as informações de
maneira que o acesso às revistas eletrônicas seja claro e objetivo.
Conclui-se que não há uma política para editoração de periódicos eletrônicos nas
IEES do Paraná. Sugere-se que cada universidade deve criar uma Comissão
Permanente de Publicações Periódicas, onde:
- os bibliotecários devem trabalham em conjunto com os departamentos e editora
para orientar e assessorar os responsáveis pela publicação quanto à normalização;
- as bibliotecas devem criar um link para os periódicos eletrônicos, pois o seu papel
é ser mediadora da informação;
- as IEES também devem criar um link remetendo aos periódicos eletrônicos
- aprovar a criação de novos periódicos e avaliar os já existentes;
- fazer avaliações periódicas dos periódicos publicados nas universidades

Espera-se que este trabalho contribua para outras instituições de ensino que tenham
ou que desejem disponibilizar periódicos eletrônicos.

�12

REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: informação e
documentação: publicação periódica científica impressa. Rio de Janeiro, 2003.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6028: informação e
documentação: resumo - apresentação. Rio de Janeiro, 2003
BOMFÁ, C. R. Z.. Revista cientificas em mídia digital: critérios e procedimentos
para publicação. Florianópolis : Visual Books, 2003.
BIOJONE, M.R. Forma e função dos periódicos científica na comunicação da
ciência. 2001. 107 f. Dissertação (Mestrado em Ciências da Informação e
Documentação)  Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo,
São Paulo, 2001.
CAPES. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Portal de
Periódicos CAPES: Instituições. Disponível em:
&lt;http://www.periodicos.capes.gov.br/portugues/index.jsp&gt;. Acesso em: 20 jul 2006.

CRUZ, A.A.A.C. da et al. Impacto dos periódicos em bibliotecas universitárias. Ci.
Inf., Brasília, DF,v.32, n.2, p.47-53, maio/ago, 2003.

DIAS, G.A. Periódicos eletrônicos: considerações relativas à aceitação deste recurso
pelos usuários. Ci. Inf., Brasília, DF, v.31, n.3, p.18-25, set./dez. 2002.

CUNHA, M. B. de. Construindo o futuro : a biblioteca universitária brasileira em
2010. Ci. Inf., Brasilia, DF, v.29, n.1, p.71-89, jan./abr. 2000.

LINE, M. B. The case for retaining printed LIS Journal. IFLA Journal, v.24, n. 1, p.
15-9, 1998.

MICROSOFT. Aspectos fundamentais da tecnologia: glossário de termos para
pequenas empresas. Disponível em:

�13

&lt;http://www.microsoft.com/brasil/pequenasempresas/issues/tecnology/glossary.mspx
&gt;. Acesso em: 18 jul 2006.

OHIRA, M.L. et al. Periódicos brasileiros especializados em biblioteconomia e ciência
da informação: evolução. Enc. Bibli, Florianópolis, n.10, out., 2000. Disponível
em:&lt;http://www.ced.ufsc.br/bibliotec/encontro/&gt; Acesso em: 03 jun 2006.

SARMENTO e SOUZA, M. F.; VIDOTTI S.A.B.G.; FORESTI, M.C.P.P. Critérios de
qualidade em artigos e periódicos científicos: da mídia impressa à eletrônica.
Transinformação, Campinas, v.16, n.1, p.71-89, jan/abr., 2004.

STUMPF, I.R.C. Revistas universitárias brasileiras: barreiras na sua produção.
Transinformação, Campinas, v.9, n.1, p.45-57, jan/abr., 1997.

�14

ANEXO 1

FORMULÁRIO PARA COLETA DE DADOS
INSTITUIÇÃO:
URL:
TITULO PERIÓDICO:
URL:
Data inicio e último fascículo disponível na Web:
QUESTÕES
HOSPEDAGEM DO PERIÓDICO
Homepage do editor (curso?)
Homepage da Editora da Instituição
Homepage da Biblioteca
HOMEPAGE INSTITUCIONAL
Instituição possui link para periódicos editados?
Biblioteca possui homepage?
Biblioteca possui link para os periódicos publicados
pela IES?
ESTRUTURA DO PERIÓDICO
Possui conselho editorial?
Qual a periodicidade?
Possui normas para publicação?
Possui sumário?
Possui ISSN?
Está indexado em Base de Dados?
Possui sistemas hipertextuais?
Possui mecanismo de busca?
Possuem todos os números publicados disponíveis
em texto integral?
Possui somente o sumário disponível no site?
ESTRUTURA DOS ARTIGOS
Possui título, autor, endereço e local de suas
atividades?
Possuem resumo em dois ou mais idiomas?
Possui as normas gerais para trabalhos científicos?

SIM

NÃO

�</text>
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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    <itemType itemTypeId="8">
      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Periódicos eletrônicos on-line nas Instituiçoes Estaduais de Ensino Superior do Paraná.</text>
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                <text>Jovanovich, Eliane Maria da Silva; Torresan, Carmen</text>
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            <name>Coverage</name>
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                <text>A pesquisa consiste em analisar a localização dos periódicos eletrônicos on-line editados pelas Instituições Estaduais de Ensino Superior do Paraná - IEES através de suas páginas na Web; como estão sendo divulgados dentro das homepage  institucionais e como está sendo trabalhada a questão da acessibilidade para esses periódicos.Ao final da pesquisa observou-se uma variedade de localização dos periódicos  eletrônicos, principalmente a falta de padronização na disponibilidade na homepage  das respectivas instituições, dificultando o acesso à informação. Muitas vezes foi necessário utilizar um mecanismo de busca como: Google, Altavista, etc. para localizar o periódico desejado, pois através do site da instituição publicadora não foi  possível.</text>
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                    <text>PERIÓDICOS ELETRÔNICOS: AVALIAÇÃO DE USO E MEIOS DE ACESSO

Tânia Maria Bueno de Paula*

RESUMO

O periódico científico em formato eletrônico é uma realidade cada vez mais
presente na área acadêmica, por ser uma das formas mais rápidas e
conceituadas de divulgação dos resultados de pesquisa pela comunidade
científica. Este formato é cada vez mais adotado pelas bibliotecas universitárias
por promover o acesso mais rápido à informação. Formar e desenvolver coleções
de periódicos requer estudos criteriosos das reais necessidades de informação da
comunidade atendida. O objetivo deste trabalho é avaliar o uso de periódicos
eletrônicos na biblioteca da FFLCH/USP. O levantamento foi realizado por meio
da coleta de dados em 20% do universo de teses e dissertações defendidas no
ano de 2005. O mapeamento verificou se os periódicos eletrônicos utilizados tem
o acesso vinculado a instituição ou se acesso é livre pela Internet. Com esse
estudo foi possível diagnosticar quais os periódicos mais utilizados na área e ter
dados consistentes para a próxima etapa do processo de desenvolvimento de
coleções, que a avaliação de periódicos.

Palavras-chave: Periódico eletrônico; Biblioteca universitária; avaliação de uso;
análise de citação

INTRODUÇÃO
Atualmente, o usuário da informação tem necessidade de respostas rápidas e
eficientes que se transformam em importantes ferramentas para a tomada de
decisões. Na área científica, na qual as novidades e avanços são divulgados em
*

Especialista em Gerência de Sistemas e Serviços de Informação pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São
Paulo e Bibliotecária da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Email
taniambp@usp.br

1

�artigos impressos e/ou disponibilizados eletronicamente, a informação é de
fundamental importância para o desenvolvimento dos estudos e pesquisas.

O periódico científico em formato eletrônico é uma realidade cada vez mais
presente na área acadêmica, por ser uma das formas mais rápidas e
conceituadas de divulgação dos resultados de pesquisa pela comunidade
científica. Este formato é cada vez mais adotado pelas bibliotecas universitárias
por promover o acesso mais rápido à informação.

Formar e desenvolver coleções de periódicos requer estudos criteriosos das reais
necessidades de informação da comunidade atendida. Este trabalho pretende
verificar se os usuários/pesquisadores da FFLCH/USP compartilham desta visão.

As novas tecnologias alteraram o formato da pesquisa tradicional e admitindo-se
que são um fato consumado tornam-se necessárias pesquisas que avaliem o uso
de periódicos eletrônicos na biblioteca pela comunidade científica/acadêmica.

O PERIÓDICO ELETRÔNICO

As novas tecnologias de informação permitiram a otimização da produção, acesso
e disseminação da informação, mudando o conceito tradicional de informação
bibliográfica baseada em documentos impressos. O acesso, via Internet, a novos
recursos informacionais, como hipertexto, hipermídia, listas de discussão,
conferências virtuais, além da versão eletrônica de documentos impressos, tem
se tornado uma realidade cada vez mais presente no dia-a-dia dos profissionais
da informação.

2

�O surgimento dos periódicos eletrônicos, como parte desse processo, provocou
uma verdadeira revolução na área da informação, envolvendo muitas mudanças
que atingiram autores, editores, bibliotecários e usuários. Barnes, em 1997,
predizia que não só o número de periódicos eletrônicos seria crescente no futuro,
como estariam disponíveis em formatos mais dinâmicos do que o atual,
transformando-se em rica experiência informacional.

Os periódicos eletrônicos, são

considerados uma das formas mais rápidas e

conceituadas de divulgação dos resultados de pesquisas pela comunidade
acadêmica. A expressão periódico eletrônico tem muitos termos correlatos
utilizados para o mesmo conceito: publicação eletrônica, seriados eletrônicos e
periódicos on-line.

Para Marcondes &amp; Gomes (1997), existem três fases distintas no uso das
tecnologias da informação pelas bibliotecas: Na

primeira fase, não há uma

diferenciação entre a informação e o suporte informacional e a biblioteca é
considerada um local para estoque de material bibliográfico. Esta fase vai até a
primeira década do século XX.

Na segunda fase, que se inicia na segunda

metade do século XX, a utilização de tecnologias da informação permite separar
o conceito de informação e suporte e permite também o uso dessa tecnologia
para organizar e racionalizar a imensa massa documental produzida a partir
dessa época. Na terceira fase, que se inicia a partir de 1990, ocorre o crescimento
da Internet e o surgimento das publicações eletrônicas com acesso ao documento
e não apenas à informação.
Em Cruz (2003) encontramos o seguinte:

“se considerarmos que os usuários querem facilidade no
acesso ao documento e que a vantagem do periódico eletrônico é
sua acessibilidade em vários locais e a possibilidade de obter o texto

3

�integral direto em seu computador e se considerarmos também que
de acordo com George Kingsley Zipf, citado por Chrzastowski (1999,
p.317), os usuários tendem ao "princípio do menor esforço", segundo
o qual "cada indivíduo adotará em seu trabalho um curso de ação
que provavelmente envolverá o dispêndio do menor esforço"

Desta forma, pode-se concluir que a lógica seria o pesquisador utilizar mais o
periódico eletrônico do que o impresso.

No entanto, se uma das vantagens é o acesso livre, simultâneo e possibilidades
múltiplas de acessibilidade, a vinculação do acesso à instituição pode restringir a
vantagem do acesso e tornar esse veículo menos atraente para o pesquisador.

Chrzastowski (1999) identifica, em uma pesquisa realizada na Chemical Library of
University of Illinois at Urbana-Champaign, existir preferência pelos recursos
eletrônicos em vez dos impressos, mesmo quando estes últimos são identificados
como fontes mais efetivas e apropriadas. Segundo a autora, as bibliotecas têm
apoiado esta filosofia, que pode ser vista como a afirmação de uma das leis de
Ranganathan "Economizar o tempo do usuário".
Lancaster (1996), dentro desta filosofia, afirma também que a biblioteca deve
satisfazer às necessidades do usuário de modo mais eficiente, pois o tempo deste
tem custo e deve ser aproveitado do modo mais produtivo possível e que isto tem
sido feito por meio da grande tradição que as bibliotecas têm de disponibilizar aos
usuários tecnologias que contribuem para a lei do menor esforço, como a
mudança dos catálogos em fichas para os catálogos on-line pela Web.

É recorrente na literatura que

as vantagens do periódico eletrônico são: a

rapidez na produção e distribuição, a acessibilidade, os recursos multimídia, a
disseminação da informação de forma mais rápida e eficiente.

4

�Essas vantagens são referendadas por uma recente pesquisa realizada na qual
os pesquisadores citam as seguintes vantagens da publicação eletrônica em
relação à publicação impressa convencional:

“ baixo custo de investimento e de produção, redução dos
atrasos na publicação, facilidade de cópia e impressão, aumento
potencial da audiência, baixo custo de acesso, disponibilidade
instantânea e global, eliminação dos custos de reprodução e transporte,
informação mais atualizada e fácil de achar, através de mecanismos de
busca, Indexação eletrônica e integração com outros sites e documentos
da Web, possibilidade de submissão eletrônica de manuscritos, novos
modos de apresentação (áudio, vídeo, interação com o usuário final),
disponibilidade de plataformas de hardware e software e possibilidade de
diálogo interativo com outros autores e editores. Oliveira (2005)”

Bastos cita um relatório publicado pelo Council on Library and Information
Resources intitulado “Use and users of electronic library resources: na overview
and analysis of recent research studies” que analisa mais de 200 publicações que
enfocam o uso dos recursos eletrônicos em bibliotecas, publicados entre 1995 e
2003. Os métodos de pesquisa utilizados foram a observação, entrevistas,
levantamentos e análise de relatórios e questões sobre os formatos específicos
utilizados em pesquisa. O relatório conclui que a comunidade acadêmica de modo
geral usa e gosta de recursos eletrônicos, porém esse uso fica condicionado à
relevância, conveniência e economiza de tempo em sua rotina de trabalho. Indica
que a avaliação pode variar em função das áreas, cujos especialistas apresentam
padrões e preferências diferentes para documentos impressos ou eletrônicos,
porém os impressos ainda são usados e são parte da pesquisa em praticamente
todas

as

áreas

sendo

um

suporte

especialmente na área de humanas.

5

considerado

bastante

importante,

�“A área de Ciências Sociais e Humanidades se diferencia das demais
ciências quanto à obsolescência , interdisciplinaridade, utilização de
monografias e idiomas originais. De acordo com estudos realizados
por HOGEWED-DE HAART (1989), por meio da INTERNATIONAL
FEDERATION FOR DOCUMENTATION (FID), há grande dispersão
de informações nesta área, pois existe uma falta de definição clara
entre as áreas, os conceitos abstratos e idéias tem grande papel na
pesquisa, ao contrário do conteúdo factual e o conhecimento passado
não se invalida com a mesma intensidade do que nas outras“
(ANDRADE, 1992).

Ainda de acordo com Bastos, alguns usuários se ressentem do formato eletrônico
apresentando como empecilho para sua utilização a dificuldade de leitura da tela
para portadores de óculos e a necessidade de modificação de hábitos de leitura
que são importantes para a captação do sentido do texto.

Para Chartier, ler um artigo em um banco de dados eletrônico, sem saber nada da
revista na qual foi publicado, nem dos artigos que o acompanham, e ler o mesmo
artigo no número da revista na qual apareceu, não é a mesma experiência. O
sentido que o leitor constrói, no segundo caso, depende de elementos que não
estão presentes no próprio artigo, mas que dependem do conjunto dos textos
reunidos em um mesmo número e do projeto intelectual e editorial da revista ou
do jornal.

DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES

O desenvolvimento do acervo é um processo sistêmico e sinérgico, e deve haver
nele coordenação entre todas as etapas para que a política seja realmente

6

�eficiente e atinja os objetivos propostos, que são o de manter uma coleção
consistente e com o crescimento equilibrado.

De acordo com LUZ (1989) “para que estes objetivos sejam atingidos, as
atividades

da

Biblioteca

Universitária

devem

ser

planejadas,

avaliadas,

implementadas e gerenciadas de forma a maximizar a uso da informação.”

De acordo com ORR, citado por LANCASTER, 1996, há uma interdependência
entre os recursos dedicados a um serviço, à capacidade do serviço, seu uso, e os
benefícios dele decorrentes

e com isto as técnicas de avaliação se tornam

necessárias para medir mudanças na capacidade e uso, para predizer ou estimar
benefícios e para garantir que a alocação de recursos seja feita da maneira mais
eficaz possível.

LANCASTER, (1996), justifica o fato de que a avaliação é um

elemento essencial da administração bem sucedida de qualquer empreendimento,
baseado na 5ª lei de 1Ranganathan*,. Esta lei proporciona a principal justificativa
para as atividades de avaliação, pois o crescimento saudável implica adaptações
a condições constantemente mutáveis e, adaptações implicam avaliação para
determinar que mudanças precisam ser feitas e qual a melhor maneira de realizálas.

Uma das maneiras de se medir o custo/benefício de um periódico é por meio da
avaliação de uso da coleção; a estatística de acesso eletrônico ao documento
também é muito importante, pois registra como as novas tecnologias estão sendo
incorporadas aos hábitos do pesquisador, que progressivamente optará por este
formato.

“A Biblioteca é um organismo em crescimento” 5ª lei de Ranganathan, 1931

7

�AMBIENTE DA PESQUISA E MATERIAIS UTILIZADOS

O levantamento foi realizado na biblioteca Central da Faculdade de Filosofia,
Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Esse levantamento foi
realizado através da coleta de dados em 20% do universo de teses de doutorado
e dissertações de mestrado defendidas no ano de 2005.

Sendo que esses 20% não foram selecionadas de forma aleatória, mas sim
respeitando esse critério de porcentagem para cada departamento da Faculdade,
tornando o estudo abrangente com relação a área, dados de acordo com tabela
1.

Tabela 1
AREA

TOTAL 2005

20%

HISTÓRIA

54

11

LETRAS

106

21

ANTROPOLOGIA

17

03

POLÍTICA

42

08

FILOSOFIA

34

07

SOCIOLOGIA

29

06

8

�GEOGRAFIA

33

07

LINGUÍSTICA

30

06

TEORIA LITERÁRIA

15

03

TOTAL

360

72

Optou-se por limitar o levantamento ao ano de 2005, pois as novas tecnologias
de informação, atualmente, já são uma realidade no cenário acadêmico e o uso
da Internet está bastante difundido. Além disso, a influência dessas tecnologias
no cenário brasileiro ficou mais evidente especialmente após a criação da
SCIELO em 1997 e do portal de periódicos da CAPES.

OBJETIVO
Avaliar o grau de adesão dos usuários/pesquisadores da Faculdade de Filosofia,
Letras e Ciências Humanas ao periódico eletrônico, por meio do uso comprovado
em citações em teses de doutorado e dissertações de mestrado defendidas na
FFLCH.

METODOLOGIA

A metodologia utilizada neste estudo, para se avaliar o uso do periódico
eletrônico, é a técnica de análise de citações. Esse método de análise de citações
em teses e dissertações foi escolhido para esse levantamento por ser uma forma
de mensurar efetivamente o uso desse recurso eletrônico.

9

�Como objetiva levantar padrões, o uso destes indicadores está direcionado à
adequação de coleções e delineamento de produtos e serviços de bibliotecas e
sistema de informações, em função do perfil obtido.

RESULTADOS

A análise das citações contidas nas 72 teses de doutorado e dissertação de
mestrado, mostrou que 1.814 referências eram de periódicos e deste total 1.741
eram de periódicos impressos e somente 73 de periódicos eletrônicos, conforme
gráfico 1.

Gráfico 1

Periódicos impressos
Periódicos eletrônicos

Das 73 citações de periódicos eletrônicos, 71 citações são de periódicos com
acesso livre pela internet e 02 (dois) com acesso vinculado a instituição, conforme
gráfico 2. 02 (dois) títulos de periódicos foram identificados como exclusivamente
eletrônicos e também com acesso livre.
Das 73 citações de periódicos eletrônicos, 71 citações são de periódicos com
acesso livre pela Internet e 02 (dois) com acesso vinculado a instituição, conforme
demonstrado no gráfico 2, abaixo. 02 (dois) títulos de periódicos foram
identificados como exclusivamente eletrônicos e também com acesso livre.

10

�Gráfico 2

Restrito
Livre

Somente uma tese de doutorado citou pesquisas realizadas no portal da CAPES.
No entanto, a citação foi genérica, sem especificar quais periódicos foram
utilizados, não permitindo desta forma a mensuração dos dados.

Apesar de não ser objeto deste levantamento, foi constatado um número
expressivo de referências de trabalhos localizados em open archives, a sites da
internet, como por exemplo, páginas governamentais e jornais on line como
Folha de São Paulo, Estado de São Paulo etc. , demonstrando que o pesquisador
não só utiliza a internet como fonte de pesquisa, mas que identifica essas
pesquisas nas citações.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este estudo nos mostra que o papel do bibliotecário nesse processo de transição,
é de fundamental importância, pois tem a incumbência de divulgar e treinar os
usuários para melhor uso desses importantes recursos. E com isto colocar na
prática a lei de economia de tempo de Ranganathan e quem sabe assim em

11

�estudos futuros poderemos constatar um uso mais efetivo dos periódicos
científicos eletrônicos.

Nos mostra também que o pesquisador da área de humanas utiliza os recursos
eletrônicos, principalmente os de acesso aberto, pois eles trazem em si todas as
facilidades já citadas nesse estudo. No entanto, o uso de periódicos científicos
não foi representativo o bastante para que considerássemos o uso efetivo e
tornasse esse mecanismo uma ferramenta conceituada de pesquisa.

O uso constatado confirma o estudo realizado por Bastos em que mostra que na
área de humanas a preferência é maior pela publicação impressa do que pela
eletrônica . No entanto, ao considerar que essa nova tecnologia é uma tendência
que veio para ficar, inclusive por todas as vantagens já citadas, deve-se reforçar o
trabalho da biblioteca no sentido de tornar esse uso mais efetivo de forma que
justifique o investimento feito cada vez mais nesse tipo de suporte.

O estudo realizado aqui não está de modo algum esgotado, pois não foram
abordados todos os aspectos desta questão. De qualquer forma, outros estudos
serão necessários para completar esse tema e dar continuidade a essa etapa do
processo de desenvolvimento de coleções, que é a avaliação.

ABSTRACT

The scientific periodical in eletronic format is reality that is more often present on
the academic area, for being one of the quickest and highly respected spreading
ways of research results by the scientifical comunities. This format is more often
embraced by the academic libraries for promoting a quicker access to information.
To form and to develop periodical colections requires discerning studies of the
actual information that is needed by the user’s community. The goal of this paper
12

�is to evaluate the utilization of eletronic periodical on the FFLCH/USP library. The
survey was accomplished through data collecting in 20% of the thesis universe
and defended dissertations of the year of 2005. The mapping checked if the
utilized eletronic periodical has entailed access to the institution or if it has free
access on the internet. With this study it was possible to diagnosticate which are
the most utilized periodical on the area and to have consistent data for the next
stage of the colections development process, that is the evaluation of the
periodicals.

Keywords: Eletronic periodical, university library, use evaluation, citation analysis.

BIBLIOGRAFIA

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Paulo : SIBi, USP, 1995.
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13

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MARCONDES, Carlos H. Tecnologias da informação e impacto na formação do
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Católica de Campinas, v.11, n.3, p.189-193, set./dez.1999

14

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>O periódico científico em formato eletrônico é uma realidade cada vez mais presente na área acadêmica, por ser uma das formas mais rápidas e conceituadas de divulgação dos resultados de pesquisa pela comunidade científica. Este formato é cada vez mais adotado pelas bibliotecas universitárias por promover o acesso mais rápido à informação. Formar e desenvolver coleções de periódicos requer estudos criteriosos das reais necessidades de informação da comunidade atendida. O objetivo deste trabalho é avaliar o uso de periódicos eletrônicos na biblioteca da FFLCH/USP. O levantamento foi realizado por meio da coleta de dados em 20% do universo de teses e dissertações defendidas no ano de 2005. O mapeamento verificou se os periódicos eletrônicos utilizados tem o acesso vinculado a instituição ou se acesso é livre pela Internet. Com esse estudo foi possível diagnosticar quais os periódicos mais utilizados na área e ter dados consistentes para a próxima etapa do processo de desenvolvimento de coleções, que a avaliação de periódicos.</text>
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                    <text>PERSPECTIVAS PRAGMÁTICAS PARA ESTUDO DO USUÁRIO NO
CONTEXTO VIRTUAL
Maria Nélida González de Gomes 1
Luciana de Souza Gracioso 2

Resumo
A mediação eletrônica e virtual de informações expandiu as possibilidades de
acesso a conteúdos e propiciou autonomia ao pesquisador em sua busca
informacional. A amplitude e o dinamismo do espaço on line suscita, entretanto,
que alguns elementos sejam repensados à luz das condições emergentes.
Diante disto problematizamos quem é o usuário da informação disponível
nesse cenário informacional virtual e aberto e questionamos as condições de
desenvolvimento dos estudos de usuário e de recuperação da informação
nesse contexto. Na busca por respostas nos deparamos, na literatura
internacional, com pesquisas sobre o comportamento de busca informacional
(Information seeking) e seguimos os analisando entendendo que tais estudos
possam se configurar como um dos panos de fundo que subsidiariam
Bibliotecas (hoje também digitais, virtuais, livres) em suas pesquisas de
usuário. Ao final indicamos um caminho epistemológico, com bases no
Pragmatismo, como uma via teórica e metodológica para o desenvolvimento de
estudos sobre o comportamento de busca informacional dos usuários junto aos
espaços virtuais abertos e livres de acesso à informação.

Palavras-Chave: Mediação eletrônica da informação. Busca informacional.
Information seeking. Pragmatismo.

1
Pesquisadora Titular PPGCI/IBICT/UFF (Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação. Instituto Brasileiro
de Informação em Ciência e Tecnologia. Universidade Federal Fluminense). E-mail: nelida@ibict.br
2
Doutoranda - PPGCI/IBICT/UFF (Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação. Instituto Brasileiro de
Informação em Ciência e Tecnologia. Universidade Federal Fluminense).
Docente - Departamento de Ciência da Informação da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos)
E-mail: luciana@power.ufscar.br

�1 Mudança de foco: o sujeito como ponto de partida
No espaço virtual, torna-se necessário reconfigurar e redirecionar as
formas de organização da informação tanto por conta da volubilidade
(quantitativa e qualitativa) de seus conteúdos informacionais como pela
imprevisibilidade sobre quem, como, quando, onde e porque tais conteúdos
serão buscados. Como bem ressalta Martzoukou (2005), os estudos anteriores
a esse momento eram feitos de acordo com as estruturas tradicionais dos
sistemas de informação (que por sua vez eram e ainda são organizados
tematicamente e seus potenciais usuários podem ser reconhecidos e
representados). Ousaríamos dizer que, frente à amplitude de alcance
informacional promovido pela virtualidade, seria impraticável qualquer tentativa
de sistematização temática de conteúdos e principalmente de delimitação e
caracterização de seus potenciais usuários. Como menciona Hjorland (2002),
não temos mais como delimitar as diferentes vozes que darão início ao
processo de recuperação da informação. Martzoukou (2005) inclusive
caracteriza que o usuário da Internet precisa ser visto de maneira oposta aos
dos sistemas de informação institucionalizados. Assim, diferencia que no
contexto da rede, não há Information searching e sim Information seeking e
diante disto se torna necessário analisar condições que estão além das ações
estruturais envolvidas na atividade de pesquisa por informação. Ou ainda,
como refere Brooks (2003) muitas vezes usamos a Web com o intuito de
‘recuperar informação’, mas quando estamos envolvidos com a Web, o
processo é de constantes descobertas e não somente de recuperação.
(BROOKS, 2003, p. 1). Por conta disto, muitas frentes de pesquisa têm sido
desenvolvidas com o intuito de delimitar elementos que auxiliem a Ciência da
informação a pontuar o que pode vir a servir como critério de validação em
relação as pesquisas e as práticas informacionais no contexto virtual. Muitas
linhas teóricas e operacionais têm sido seguidas para compreender essas
condições e, na medida do possível, estrutura-las e embuti-las no espaço da
Web ou mesmo no âmbito dos sistemas de informação disponibilizados pela
rede.
Neste cenário, o desenvolvimento de modelos integrados para busca da
informação que consideram o contexto cultural e social do sujeito “buscador”

2

�ganham força. As bases teóricas destes estudos passam então a considerar,
além dos elementos biológicos e antropológicos, os elementos culturais e
sociais para compreensão do sujeito. (BATES, 2002). O que há de comum nos
trabalhos que têm sido desenvolvidos para tratar dessas implicações, é o
pressuposto de que análises comportamentais de busca informacional são as
que devem ser feitas pela Ciência da informação e não somente o estudo do
usuário em si. Pensamos que os aspectos cognitivos do sujeito devem ser
considerados nessas investigações desde que os entendamos como um
“produto” construído socialmente – comunicacionalmente. Tanto como a
necessidade informacional quanto os critérios sobre a sua relevância são
construídos socialmente. [...] information seeking é uma prática social.
(MARTZOUKOU, 2005, p. 12).
Muitos elementos precisam ser repensados por conta disto, inclusive o
próprio posicionamento da Ciência da informação enquanto uma Ciência social
já que suas investigações e suas práticas são estabelecidas em função do
sujeito social – que vive em sociedade. Esse posicionamento, caracterizado por
Capurro (2003) como paradigma social, amplia o foco desta Ciência em relação
ao sujeito e passa a entendê-lo como membro de um mundo de vida. Somado
a isto, temos a configuração do espaço on line sob o qual não nos parece
possível articular estudos de usuário como até então eram concebidos no
domínio dos sistemas de informação institucionalizados.
Como resposta as essas condições genealógicas e tecnológicas nas
quais a Ciência da informação atualmente se insere, pesquisadores têm
procurado

delimitar

comportamento

de

alguns
busca

conceitos,

critérios

informacional,

de

e
um

métodos
modo

sobre

geral,

o

para

posteriormente poderem, a partir destes elementos, repensar a estrutura e a
configuração de sistemas de informação disponibilizados via Web. Assim
evidencia-se o usuário como ponto de partida condicionante para as reflexão e
ações da Ciência da informação.
Martzoukou (2005) nos reafirma que os estudos de Information seeking,
acabam

por

se

desenvolver

desconsiderando

esta

necessidade

de

homogeneidade no que diz respeito ao comportamento comunicacional dos
sujeitos e com isto inconsistências são mais passíveis de ocorrer na

3

�estruturação dos sistemas de informação. Com o intuito de minimizar tais
inconsistências métodos quantitativos e qualitativos são utilizados, tanto para
quantificar as ações do usuário como para qualificar estas ações a partir de
observações sobre o seu comportamento em relação ao mesmo. De acordo
com a autora é necessário considerar de modo holístico tudo o que está
envolvido no processo de busca da informação – fatores físicos, cognitivos e
afetivos. No entanto, os métodos quantitativos e qualitativos utilizados para se
levantar informações sobre o comportamento de busca informacional acabam
por não contemplar extensivamente os aspectos sociais. Por conta disto
Martzouko (2005) afirma ser urgente que pesquisas futuras considerem um
conjunto de redes teóricas que tratem holisticamente de todos esses
elementos.

2 Information seeking: alguns caminhos
Uma perspectiva de estudo valorosa fora iniciada por B. Dervin (1992)
que discute como se configuraria a necessidade informacional do sujeito
(estudos estes reconhecidos como os de Sense-making) a partir de aspectos
antropológicos. Dervin estipula o trinômio situação-lacuna-uso para representar
o processo de busca e localização ou não da informação. Diante das ações do
sujeito nesse processo, Dervin questiona como o individuo interpreta e
transpõe o momento em que se institui a lacuna em sua busca informacional,
quais estratégias ele usa para solucionar a situação quando ficou diante da
lacuna, como interpreta essa situação e como pensa em resolvê-la, quais as
estratégias, táticas, utiliza para isso e como reinicia sua busca. No Brasil esses
pressupostos são seguidos e desenvolvido por Ferreira [s.d], dentre outros.
Essa perspectiva ajuda a reforçar a função do usuário como condicionante a
organização da informação. No entanto, consideramos que diante desta
perspectiva, são analisadas apenas as implicações individuais relativas ao
processo de busca informacional.
A teoria sense-making é um processo humano criativo de
compreensão do mundo em um ponto particular no tempo e
espaço, limitado pela capacidade psicológica e, ainda, dos

4

�acontecimentos presente, passado e futuro de cada individuo
[grifo meu]. (FERREIRA, [s.d], p.20).

O resultado dessa postura é o desenvolvimento de sistemas de
informação “centrado no usuário”. Diante disto enxergamos que estes estudos
comporiam o cenário do campo de investigação sobre Information seeking por
direcionar o foco do sistema para o individuo, mas defendemos que seja
essencial que este indivíduo seja reconhecido como um “produto” socialmente
“construído”. Diante disto pensamos ser necessário que estudos voltados ao
usuário contemplem estudos de comportamento social. Wense (2001) partindo
da análise dos trabalhos de Wilson (1981), Sugar (1995) e Tuominem (1997)
nos mostra que a abordagem centrada no usuário tem duas vertentes sendo
uma a cognitiva (que intenta identificar como os usuários processam a
informação e, a partir das variáveis identificadas, modelos são desenvolvidos
para representar esse processamento) e outra holística (que considera os
aspectos cognitivos, dos afetivos e comportamentais prescindem ser
considerados). (WENSE, 2001). O autor menciona que os estudos sobre a
abordagem centrada no usuário seguem diferentes bases teóricas. Optamos
aqui em dar destaque há alguns dos estudos que pensamos seguir a
perspectiva holística visto que defendemos ser ela a mais adequada – contudo,
a mais complexa talvez.
O trabalho desenvolvido por Orrico (2002) nos dá uma dimensão de
como os aspectos comportamentais relacionados a comunicação humana
podem ser considerados beneficamente para aperfeiçoar o desenvolvimento de
sistemas de informação. A autora, com base em teorias da Filosofia da
linguagem, pondera que seria oportuno que sistemas de informação utilizem
filtros metafóricos para a entrada da solicitação informacional, visto que assim,
usuários de comunidades especializadas, poderão se utilizar de expressões e
conceitos com os significados que lhe foram atribuídos no seu grupo de
interlocução ou ainda na sua comunidade discursiva. O ponto de partida para
recuperação da informação dependeria potencialmente da formulação de
questões do sujeito frente ao sistema de informação. A partir das estratégias e
do comportamento destes sujeitos para formulação de suas perguntas,
sistemas poderiam ser estruturados. Alguns autores já trabalham com esse

5

�pressuposto e a partir da análise do comportamento de busca informacional do
sujeito, conseguiram mapear algumas etapas comuns a todos eles em relação
a busca.
Alguns dos estudos de Ellis (1993, 1997) são pautados em teorias
naturalistas sobre o comportamento humano para a partir disto ter subsídios
para mapear o comportamento de busca informacional. Na sua pesquisa,
delimita algumas características comportamentais comuns aos buscadores
sendo elas: surveying, encadeamento, monitoramento, browsing, distinção,
filtragem, extração, finalização). Kulthan (1996) também desenvolve pesquisas
sob essa perspectiva, no entanto, se fundamenta em teorias educacionais
construtivistas com o intuito de entender os aspectos afetivos que estão
envolvidos na ação de busca informacional, almejando compreender a maneira
como os conhecimentos são produzidos no sujeito através de processos ativos
e complexos de reconstrução sobre os conhecimentos anteriores. A autora
postula que as etapas comportamentais se separam em: início da tarefa,
escolha do tema, exploração do tema, formulação da questão, coleta de
informação, encerramento da tarefa. Este modelo foi utilizado e discutido por
Campello (2005) intentando, através do desenvolvimento de pesquisa empírica,
observar as habilidades, as atitudes e os conhecimentos relacionados as
diversas etapas de busca.
Turnbull (2001) apresenta alguns modelos, etapas de busca de
conhecimento na Web e conceitua formas de pesquisas possíveis (quando
analisadas individualmente). Discute também as buscas coletivas, por grupos
de usuários sobre informações determinadas mencionando formas de controle
a partir de programações computacionais. Isso porque esclarece que seria
possível convergir as necessidades individuais às necessidades coletivas. Por
isso discute e apresenta duas propostas de organização do conhecimento na
Web pautadas em taxonomias e desenvolve também estudos sobre o
comportamento, das operações dos buscadores utilizados na Web. Ressalta,
por exemplo, a validade de se armazenar o histórico das pesquisas
desenvolvidas pelos usuários para diagnosticar a evolução, as relações dos
processos cognitivos desenvolvidos por ele diante dos conhecimentos que

6

�recuperaria. Em certa medida, sugere que os sistemas se utilizem de filtros de
informação colaborativos (cognitivo, social, econômico e também bibliométrico)
para conseguirem oferecer os conteúdos pertinentes a necessidades
individuais.
Järvelin (2003) procura compreender o comportamento do usuário e
suas estratégias de pesquisa, a partir da análise dos procedimentos de
formulação de questões e hipóteses de busca desenvolvidos por este. Mas
antes de delimitar esses procedimentos, o autor apresenta e discute diferentes
modelos conceituais utilizados na busca de informações, alguns pautados, por
exemplo, na Filosofia da Ciência e categorizados a partir das funções das
teorias científicas. Menciona também a validade de se intercalar modelos.
Destaca, a partir do trabalho de Ellis (1993), tipologias de estratégias de busca
convencionalmente utilizadas por usuários, como fez também Orrico (2001).
Mas a conclusão de Järvelin é a de que o detalhamento da interação das
buscas de informação por um indivíduo está vinculada àquela única atividade
de busca, àquele momento e por isso estabelecer tais critérios são relativos.
Outro modelo discutido por Järvelin é o trabalhado por Ingwersen (1996) sendo
que para este, o comportamento de busca é condicionado por elementos de
espaço cognitivo/social/organizacional – o contexto de ação do sujeito. Mas
especificamente, o modelo proposto por Järvelin pauta-se nas condições de
produção de questionamentos e hipóteses de pesquisa pelo usuário para
posteriormente recorrer ao sistema de informação para respondê-las. Assim, a
complexidade da pergunta dependeria do grau de incerteza do sujeito de modo
que em todas as modalidades de busca poderiam ser identificados tipos de
necessidades na pergunta relacionadas ao problema de informação, ao
domínio de informação e a solução de um problema de informação. Essas
tipologias poderiam ser representadas no sistema estabelecendo critérios
orientados por fatos (registros, bases de dados), orientado por problemas
(ações administrativas – documentos oficiais, correspondências) orientado de
maneira geral (literatura especializada, coleções pessoais). A representação
desse universo no sistema daria conta de responder as diferentes categorias
de perguntas formuladas pelos usuários. Mas mesmo apresentando um modelo
e discutindo outros, Järvelin (2003) alerta que o problema de busca de

7

�informação ainda está longe de ser resolvido, pois um modelo, por mais
completo que esteja, não considera as particularidades das pessoas
relacionando-as com suas práticas de trabalho e pesquisa. Além disto, para o
autor, a personalidade individual é determinante no processo de busca e
mesmo que se estabeleçam estruturas que representem um complexo temático
de uso de informações por determinados segmentos de usuários, cada um irá
delimitar sua busca de acordo com as afinidades particulares frente ao
conteúdo recuperado.
Evidentemente muitos trabalhos que têm sido desenvolvidos sobre o
assunto que estamos tratando mereceriam ser mencionados. No entanto
optamos por destacar aqueles que, de certo modo, independente de estarem
pautados em teorias lingüísticas, educacionais ou científicas, consideraram a
necessidade de se reconhecer um plano amplo de ação do sujeito buscador da
informação que pudesse servir de alicerce para o desenvolvimento de sistemas
de informação focados na busca informacional.

3 Perspectivas Pragmáticas para estudo do usuário no contexto virtual
Diante do que até então discutimos, podemos perceber que, por mais
abrangentes e interdisciplinares que sejam as teorias e metodologias seguidas
e desenvolvidas sobre Information seeking, muitos dos estudos ainda acabam
por requerer o reconhecimento e a delimitação de comunidades usuárias de
sistemas de informação. No entanto, reconhecemos que esta delimitação não é
viável em relação aos potenciais usuários das informações disponíveis na Web.
Por conta disto é que continuamos seguindo em busca de teorias que possam
nos ajudar a entender o comportamento de busca informacional dos usuários
independentemente de o reconhecermos. Deste modo vislumbramos que
seriam as teorias do significado da linguagem, que consideram as implicações
sobre as construção dos sentidos da linguagem a partir de seu uso em uma
ação comunicativa social, as que, talvez, dariam conta de expandir nossos
horizontes para que consigamos aproximar nossas convicções ao que de fato
conduz o comportamento de busca informacional.

8

�Presumimos que o arcabouço teórico relevante para subsidiar reflexões
no espaço virtual precisaria contemplar aspectos gerais de entendimento sobre
o uso da linguagem, por crer que esta, tanto é o alicerce de estruturação e
explicitação dos conhecimentos produzidos como é uma das principais vias
pela qual são canalizadas e expressas as necessidades de novos
conhecimentos pelo sujeito. Desse modo, a linguagem precisaria ser
compreendida pela Ciência da informação, não só como um esquema
estruturado de signos e conceitos utilizados logicamente nos processos de
comunicação, mas sim, como um elemento em constante transformação que
propicia e ao mesmo tempo interfere nos construtos dos sentidos humanos. E
seria, a partir de teorias do significado, que acreditamos conseguir estabelecer
um panorama teórico, conceitual e metodológico que possa servir a Ciência da
informação em suas investigações, análises, verificações e avaliações no
espaço virtual.
Como

podemos

verificar

com

os

trabalhos

que

mencionamos

anteriormente, diferentes bases teóricas têm sido seguida pelos pesquisadores
da Ciência da informação para sustentar pressupostos e argumentações sobre
Information seeking, mas defendemos aqui que seriam os princípios do
Pragmatismo, enquanto escola filosófica, os que precisariam ser considerados
nesses estudos. Isto porque é pressuposto do Pragmatismo que a construção
do conhecimento pelo sujeito se dá a partir de suas ações no contexto social
em que vive. Desse modo concordamos com Benoît (2001) que considera que
a busca informacional (Information seeking) é um tipo de interação
comunicativa. E que se constitui como um fenômeno cultural independente das
características pessoais do sujeito buscador. Por conta disto essa busca
precisa ser compreendida sob uma perspectiva que está além das
particularidades individuais. Sendo assim, o Pragmatismo nos mostra que as
questões comportamentais dos sujeitos em sociedade são estabelecidos a
partir do uso da linguagem que este sujeito faz para se comunicar. Confiamos
que se conseguirmos ponderar as implicações que estão envolvidas no
processo de construção de significado, logo, de conhecimento, estabelecidas
com o uso da linguagem, conseguiremos compreender, de certo modo, o
comportamento comunicacional como um todo.

9

�Nas últimas décadas o que se tem defendido como pressuposto teórico
válido para o entendimento da relação da linguagem e do significado resultam
em parte dos estudos sobre o Pragmatismo (escola filosófica iniciada nos EUA
a partir das teorias de W. James, C. Peirce, J. Dewey, C. Morris em meados do
século XIX). O Pragmatismo, em resumo, seria uma linha de estudo filosófico
que defende que são as ações humanas que têm o poder de modificar o
mundo e a própria condição humana e, portanto, são as ações que delimitam o
que seria verdade ou não. Diante disto, essa linha refuta que a realidade pode
ser adequadamente representada somente a partir do intelecto e dos conceitos
humanos. Seria somente na relação do homem com os outros e com seu meio
que o conhecimento adquiriria significado e, seria reconhecido como verdade, o
que resultou de mais útil, amplo e duradouro a partir dessa relação.
Esse entendimento da relação da ação humana enquanto condição para
construção e validação do conhecimento foi pensado principalmente no
domínio da linguagem. Nesse contexto, L. Wittgenstein (1889-1951), filósofo
austríaco, pode ser considerado o autor que mais diretamente demarca e
defende o entendimento pragmático da linguagem, mesmo tendo sido ele
próprio, uns dos pensadores que, em momento anterior, defendera
vigorosamente a concepção lógico-positivista da linguagem. Contudo, é ele
mesmo quem critica esse seu primeiro posicionamento ontológico e passa a
defender que a linguagem é o seu uso. Outros filósofos europeus seguiram e
desenvolveram essa premissa dentre eles J. Austin, J. Searle, P. Grice e nos
dias atuais J. Habermas. Para esses autores a construção dos significados
lingüísticos só seria possível no momento em que a linguagem fosse usada em
situações de comunicação contextualizadas.
A partir disto corroboramos que a relação da linguagem com o mundo é
pragmática e não descritiva. Com isso compreendemos que as implicações
relacionadas à ação de busca informacional do sujeito são instituídas,
formuladas e reformuladas concomitantemente a sua vivência na sociedade. A
imprevisibilidade das possibilidades de busca informacional é decorrente do
agir comunicativo do sujeito em sociedade o que faz com que este, a toda ação
de comunicação, tenha seus procedimentos cognitivos alterados e adaptados,
tenha seus valores e julgamentos repensados e reformulados e estabeleça

10

�sentidos e significados diferenciados de acordo com as necessidades
comunicativas que se constituem. E, a partir desse complexo dinâmico de
construção de sentidos e significados, o espaço de informação on line não tem
conseguido dar conta de representar todos os elementos inerentes a essa
condição humana. Por isso então, possa se reforçar a premissa de que talvez o
caminho para promover melhores resultados de busca e recuperação da
informação no contexto virtual não esteja atrelado a compreender e adaptar as
estruturas do pensamento humano ao espaço on line, nem representar
contextos, domínios e vocabulários utilizados pelos usuários, mesmo porque,
como mencionado, essa totalidade de representações e relações não se daria
de maneira completa. A necessidade estaria, acredita-se, em reconhecer, no
sujeito, o que lhe faz tomar determinadas atitudes em uma ação de
comunicação, o que lhe faz compreender, descrever e discriminar o que lhe é
relevante ou não. A busca desse reconhecimento não objetivaria, como em
alguns estudos, propor adequações aos espaços de informação, mas talvez,
propor adequações as formas de busca de informação pelo próprio sujeito de
maneira que lhe seja retornado aquilo que lhe será válido, minimizando
caminhos para interpretações equivocadas, recuperações de conteúdos
desnecessários e dispersão sobre os sentidos buscados.
Hojrland (2003) é um dos autores que sugere que a Ciência da
informação deve adotar um posicionamento Pragmático sobre a informação,
mesmo que ainda pensando no contexto dos sistemas de informação. O autor
considera que o dinamismo é inerente a atribuição de significados aos
conceitos utilizados em uma busca informacional e, portanto, não pode ser
captado por instrumentos de controle de vocabulário estabelecidos com base
em teorias representacionais da linguagem. Portanto, mesmo que ainda
pensando sob a ótica da organização da informação em sistemas de
informação, seria necessário que as premissas do Pragmatismo fossem
adotadas pela Ciência da informação de modo que os conceitos e os próprios
documentos pudessem ter seus valores estabelecidos a partir das divisões
práticas e sociais em que eles estariam inseridos, de maneira que a
apropriação do uso de palavras para coisas específicas estaria relacionada as
atividades e aos discursos em que este uso de estabelece. O uso da palavra

11

�seria uma espécie de ação acoplada a ações extraverbais e isso faz com que
diferentes significados sejam atribuídos a ela, assim sendo, seria ingênuo
desconsiderar que fatores culturais condicionam a relação das pessoas com a
informação. Na perspectiva pragmática as ferramentas de linguagem seriam
adaptadas culturalmente para suprir (e representar) as necessidades dos
usuários de um sistema de informação. De certa forma Hjorland (2003 pri)
pondera ser necessário um realismo pragmático como base para a organização
do conhecimento embora evidencie que muitos autores discordem sobre essa
possibilidade de associação teórica.
Mas o nosso enfoque não esta no sistema de informação e sim no
espaço virtual de informação e, deste modo, defendemos que somente pela
perspectiva pragmática sobre a busca informacional seria possível validar
teoricamente algumas condições sobre essa ação. Assim sendo, a Ciência da
informação precisaria abranger, em suas investigações, as implicações que
estão envolvidas na ação de busca informacional e que coexistem aos sujeitos,
independentemente de suas características pessoais ou procedências
institucionais. É indispensável visualizar aquele que busca informação como
membro de um mundo de vida. Membro este que interfere e sofre
interferências

desse

mundo

nas

concepções

de

seus

sentidos

e

consequentemente na construção de seu conhecimento. A linguagem por ele
utilizada em uma busca informacional está embutida de sentidos que foram
atribuídos por diferentes elementos externos de seu convívio social. Estes
elementos relacionam-se e intercalam-se com suas diferentes e exclusivas
possibilidades cognitivas e memoriais de construção de significados e são
essas condições sobre a construção dos sentidos no uso da linguagem no
processo de busca informacional as que pretendemos discutir no decorrer da
pesquisa.
Por isso temos que lidar com o conceito de linguagem atribuindo a este
um caráter de movimento e de uso social (sendo que este uso é a condição
para o estabelecimento dos sentidos reais das informações buscadas via
linguagem). Por isso é que seria necessário (caso se insista na de
representação de conteúdos no ambiente on line) compreender a linguagem
em função das atividades sociais nas quais as informações circulam, e isto

12

�prescindiria um entendimento prévio sobre as circunstâncias relacionadas a
construção de significados. Por isto, o caminho a ser seguido para
compreender o uso da linguagem na busca informacional precisaria ser
tangencial (ou até mesmo paralelo) aos caminhos até então estabelecidos na
constituição de linguagens de mediação informacional. Versamos que a
Ciência da informação, atualmente, se posiciona em um “truncamento” no qual
de um lado perpassam novas configurações tecnológicas relacionadas a
virtualização dos processos armazenamento e busca da informação e do outro
perpassam as diferentes perspectivas teóricas e conceituais sobre a
concepção do que seriam os elementos constitutivos do conhecimento:
linguagem, significado e verdade.
Os sentidos, logo, as necessidades informacionais, só se estabelecem
no contexto de ação comunicativa do sujeito.

E é este o desafio que

acreditamos ter que continuar seguindo – o de considerar que as ações de
busca informacional do sujeito, seja em um sistema de informação
institucionalizado ou na Web, são ações pragmáticas. Sendo assim, esse ponto
de vista precisa ser considerado no desenvolvimento de pesquisas e práticas
no cenário informacional atual, principalmente as que se referem a bibliotecas,
cujo acervo, produtos e serviços passaram a ser disponibilizados virtualmente
podendo ser acessado por qualquer um de nós – membros de um mundo de
vida.

13

�PRAGMATISM WHICH IS ONE THEORETICAL AND METHODOLOGICAL
WAY TO THE DEVELOPMENT STUDIES ABOUT THE USER SEARCHING
INFORMATION BEHAVIOR INTO VIRTUAL OPEN SCENARIOS AND OPEN
SOURCE INFORMATION
ABSTRACT
The electronic and virtual mediation of information has expanded the
possibilities access to contents and appropriated autonomy to the researcher in
his informational search. The amplitude and dynamism of the on line world
comes up, however, that some elements are rethink regarding the emergent
conditions. From this point, we question who is using the information available
in this virtual and opened informational scenario and we also question the
development conditions of studies to the user and the recovery the information
in this context. In order to find answers, we face, in international literature,
searches about information seeking behavior and we keep analyzing and
understanding how such searches were used as reference to Libraries (today
also digital, virtual and open) in It’s user researchers. In the end, we point out
one epistemological way, based in the pragmatism, which is one theoretical and
methodological way to the development studies about the user searching
information behavior into virtual open scenarios and open source information.
Key words: User searching information behavior. Information seeking. Internet.
Pragmatism.

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14

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15

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Gomes, Maria Nélida González de; Gracioso, Luciana de Souza</text>
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                <text>A mediação eletrônica e virtual de informações expandiu as possibilidades de acesso a conteúdos e propiciou autonomia ao pesquisador em sua busca informacional. A amplitude e o dinamismo do espaço on line suscita, entretanto, que alguns elementos sejam repensados à luz das condições emergentes. Diante disto problematizamos quem é o usuário da informação disponível nesse cenário informacional virtual e aberto e questionamos as condições de desenvolvimento dos estudos de usuário e de recuperação da informação nesse contexto. Na busca por respostas nos deparamos, na literatura internacional, com pesquisas sobre o comportamento de busca informacional (Information seeking) e seguimos os analisando entendendo que tais estudos possam se configurar como um dos panos de fundo que subsidiariam Bibliotecas (hoje também digitais, virtuais, livres) em suas pesquisas de usuário. Ao final indicamos um caminho epistemológico, com bases no Pragmatismo, como uma via teórica e metodológica para o desenvolvimento de estudos sobre o comportamento de busca informacional dos usuários junto aos espaços virtuais abertos e livres de acesso à informação.</text>
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                    <text>PESQUISA ACADÊMICA:
INSTRUMENTALIZAÇÃO DO USUÁRIO ATRAVÉS DA ORIENTAÇÃO E
TREINAMENTO

Cristina Volz Pereira
Bibliotecária da Companhia Estadual de
Energia Elétrica – Rio grande do Sul.
Av. Joaquim Porto Vilanova, 2001, prédio A,
sala 330, Porto Alegre, RS, Brasil
E-mail: cristinap@ceee.com.br
Ana Vera Finardi Rodrigues
Mestre em Ciência da Informação pela
Pontifícia Universidade Católica de Campinas.
Bibliotecária Setorial da Faculdade de
Veterinária da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul.
Av. Bento Gonçalves, 9090, Porto Alegre, RS,
Brasil
E-mail: anavera@ufrgs.br
Isabel Merlo Crespo
Mestre em Comunicação e Informação pelo
Programa de Pós-Graduação em Comunicação
e Informação da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul. Bibliotecária da Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
Av. Ipiranga, 6681, Porto Alegre, RS, Brasil
E-mail: icrespo@pucrs.br

�RESUMO

Aborda o desenvolvimento de programas voltados para os usuários, adaptados às
suas necessidades, aprimorando suas habilidades e propiciando evolução a partir da
incorporação de uma postura analítica em relação ao uso da informação em sua
pesquisa acadêmica. A orientação ao usuário tem sofrido mudanças devido ao fluxo
contínuo do desenvolvimento da sociedade da informação. As novas tecnologias, a
informação eletrônica, bem como as fontes de informação, têm exigido conhecimento
e aprendizado por parte do profissional bibliotecário, tornando-os aptos a
desenvolver seu trabalho de maneira a atender esta crescente demanda
informacional. Apresenta as modalidades de educação do usuário, executadas de
modo presencial, através do desenvolvimento de programas de treinamento, com
palestras e cursos no ambiente da biblioteca ou à distância, através de tutoriais online,

videoconferência,

entre

outros,

voltados

ao

público

das

bibliotecas

universitárias. Por fim, descreve os instrumentos que podem ser utilizados para
avaliação e constante adequação das atividades de orientação e treinamento do
usuário.

Palavras-chave: Usuário acadêmico; Pesquisa acadêmica; educação e treinamento
de usuários.

1 INTRODUÇÃO

As modificações sofridas na Ciência da Informação, como um todo,
repercutiram também, individualmente, em cada uma das áreas por ela abrangidas.
No que tange à orientação ao usuário, tais mudanças foram sentidas, e ainda se
farão sentir, devido ao fluxo contínuo desse desenvolvimento, de forma profunda,
devido ao tão propalado advento da Internet e todos os recursos a ela inerentes.
Segundo Dudziak, Gabriel e Vilela (2000), as alterações sofridas pela sociedade, em

�seus

diversos

setores,

exigiram

o

estabelecimento

de

novos

parâmetros

profissionais. Há a necessidade de mudanças práticas, na medida em que este
advento traz desafios cada vez maiores em relação ao preparo do profissional da
informação, de maneira a torná-lo apto no atendimento e orientação. Neste aspecto,
o profissional que atua em biblioteca universitária ou especializada, atende um
usuário com perfil investigativo, que busca fontes para o desenvolvimento de
experimentos, informações atuais e subsídios para as suas pesquisas.

Sob o ponto de vista prático, a exigência de um conhecimento cada vez mais
amplo das fontes de informação, bem como saber “tirar proveito” das ferramentas
disponíveis, são fundamentais quando se trabalha diretamente na orientação e
treinamento, pois quem orienta o leigo, necessariamente precisa estar em condições
de educar e sanar dúvidas, conhecendo e tendo segurança na operação das fontes
em questão. Segundo Macedo e Modesto (1999, p. 62),
Ao bibliotecário cabe manter-se continuamente atualizado sobre as
tecnologias que afetam seu ambiente de trabalho. Enquanto
mediador, entre o usuário e a informação, ele tem a responsabilidade
não apenas de fornecer, mas orientar o usuário no uso das
tecnologias que armazenem a informação.

O objetivo da orientação é passar ao usuário informações que o tornem capaz
de utilizar as ferramentas pertinentes em prol da sua pesquisa, com razoável
autonomia. Desta maneira, direciona-se sua educação ao uso de bases de dados e
toda uma gama de ferramentas de localização da informação, elaborando, com
propriedade, as estratégias de busca, passando-lhe a idéia do discernimento
necessário para analisar e categorizar os assuntos de interesse, levando-o, assim, a
resultados na sua pesquisa e à obtenção do documento, seja on-line, imediatamente
após estes resultados, seja através dos demais serviços oferecidos pelos centros de
documentação e bibliotecas. Somado a isto, é exigido do profissional, experiência
para adaptar a orientação ministrada à realidade de sua biblioteca e usuário,
inovando, produzindo e, conseqüentemente, disseminando essas experiências e

�conhecimentos para que novos profissionais os adotem, buscando a excelência do
atendimento em suas respectivas bibliotecas e centros de documentação.

Orientação e treinamento, na era eletrônica, podem, eventualmente, fundir-se.
O treinamento de usuários é uma atribuição do bibliotecário, que se denominava,
anteriormente, “treinamento em recursos bibliográficos” ou, segundo Vives i Gràcia
(2006, p. 70), “instrução bibliográfica” ou “educação documental”. Entretanto, com a
evolução para o meio eletrônico, passou a ser referida como “treinamento em
recursos on-line”, especialmente na busca e recuperação de informação. Este tipo de
treinamento deverá ser voltado para as necessidades dos usuários, visando a sua
capacitação. A indicação de Figueiredo (1996, p. 43) se aplica neste contexto, onde
se torna necessário que o bibliotecário desenvolva e ofereça “[...] programas de
instrução que forneçam suficiente informação para que o usuário possa escolher o
instrumento de pesquisa mais apropriado às suas necessidades”. A autora ainda
ressalta que há “a necessidade de treinamento contínuo, à medida que novas bases
de dados são incorporadas”. (FIGUEIREDO, 1996, p. 43).

Assim, pode-se dizer que, embora a orientação possa ser dada continuamente
e, seguidamente, de maneira menos formal, tanto a orientação quanto o treinamento,
visam a capacitação de usuários na utilização de produtos e serviços de informação
colocados à disposição pela biblioteca. De acordo com Araújo e Dias (2005), é
necessário ao bibliotecário um perfil pró-ativo capaz de antecipar-se às exigências do
seu usuário. Para tanto, pode dispor de tecnologias de educação à distância,
oferecendo treinamentos remotos com a troca de informações em tempo real,
tutoriais e outros, utilizando-se dos muitos recursos eletrônicos disponíveis.

�2 A SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E AS NOVAS TECNOLOGIAS

O desenvolvimento de novas tecnologias, tais como bibliotecas digitais,
catálogos virtuais, entre outros, é um dos fatores responsáveis pela multiplicação das
fontes de informação. O surgimento dessas novas tecnologias vem acompanhado de
um novo contexto na área da informação. O advento da Internet, a informação
eletrônica, a possibilidade do acesso digital fácil e rápido aos documentos, sua
acessibilidade crescente, nas bibliotecas e serviços por elas prestados, atuam como
instrumentos facilitadores quando do registro e difusão da informação.
Contudo, a chegada da comunicação eletrônica da informação do
conhecimento modificou [...] a delimitação de tempo e espaço da
informação. A importância do instrumental da tecnologia da
informação forneceu a infra-estrutura para modificações, sem,
retorno, das relações da informação com seus usuários. (BARRETO,
1998, p. 124).

As modificações tecnológicas, no campo da informação, originam novas
necessidades por parte da sociedade, uma vez que demandam novas aprendizagens
e novos conhecimentos no intuito de acompanhar tal evolução. A partir desta
premissa, Varela (2006, p. 19) faz uma análise a respeito do movimento comumente
conhecido por information literacy (alfabetização digital), que defende a formação de
indivíduos capazes de desenvolverem habilidades na busca de alternativas e
estratégias, e que, “segundo alguns autores, constitui a habilidade de acessar,
avaliar e usar a informação adequada e criatividade na resolução de problemas”.
Sendo assim cabe, também ao bibliotecário, o papel de educador, atuando na
formação

dos

indivíduos,

no

desenvolvimento

de

suas

cognições

e,

conseqüentemente, colaborando na construção do conhecimento.

Simeão (2006, p. 95) aborda a importância de três aspectos que, a despeito
das transformações que os documentos vêm sofrendo em seus formatos, continuam
presentes na construção destes; “a qualidade editorial, a normalização e a
visibilidade ou impacto das informações veiculadas”, atuando como critérios

�prevalentes na “qualidade dos documentos nessa fase de transição”. Afirma, ainda,
como fundamental a manutenção destas prerrogativas nas ferramentas que tornam
viável o acesso eletrônico.

Ao bibliotecário, cabe o empenho no intuito de inteirar-se a respeito das fontes
de informação, conhecendo-as profundamente e desenvolvendo a capacidade de
analisá-las, selecionado aquelas confiáveis, relevantes e consistentes. Cabe-lhe,
ainda, buscar conhecer as necessidades do público a que atende, ocupando uma
função de destaque, na medida em que consegue instrumentalizar o pesquisador,
passando-lhe exatamente o necessário para otimizar suas buscas.

3 EDUCAÇÃO DO USUÁRIO E DESENVOLVIMENTO DE PROGRAMAS

A orientação e treinamento ao usuário, devem basear-se nas necessidades de
cada grupo especifico. Considerando que o público de bibliotecas universitárias e
especializadas, tem características relativamente homogêneas em relação a
interesses e necessidades de informação, abre-se a possibilidade de que seja
desenvolvido, pela equipe de profissionais de referência da biblioteca, um trabalho
direcionado a este público através de um estudo de usuário específico. Vives i Gràcia
(2006), em uma abordagem mais ampla, refere-se à alfabetização digital, que,
segundo seu conceito, é o termo que, presumidamente, inclui capacidade e
discernimento necessários para o manejo da informação. Deve conferir ao usuário a
capacidade de avaliar as fontes e, além de reconhecer a informação de que
necessita, conhecer os caminhos para sua obtenção, de maneira a atingir seu
objetivo final: a produção do conhecimento.

O planejamento e desenvolvimento do trabalho da equipe de referência da
biblioteca, para orientação e treinamento de seus usuários deve ter, como objetivo,
facilitar o acesso à informação e contribuir para a capacitação de pesquisadores
dotados de autonomia, mesmo que relativa, incentivando-os no aprendizado da

�busca da informação e na aquisição de habilidades no manuseio das fontes, gerando
um usuário de perfil investigativo.

3.1 MODALIDADES DE EDUCAÇÃO DO USUÁRIO

As modalidades de educação do usuário são expedientes utilizados, pelos
bibliotecários, na orientação ao manuseio dos instrumentos para uso da biblioteca,
na intenção de fornecer, aos pesquisadores, suportes estáveis e flexíveis para o
desenvolvimento das suas pesquisas, podendo ser ministradas de forma presencial
ou à distância.

3.1.1 Educação presencial

Podem dar-se através de visitas à biblioteca, palestras, cursos; quando são
apresentadas e demonstradas as ferramentas que possam auxiliá-los na busca e
obtenção da informação. Além da exposição verbal, o bibliotecário pode valer-se da
interatividade, em visitas orientadas, solicitando auxílio aos usuários, e permitindolhes manusearem os instrumentos de pesquisa, incentivando o trânsito entre as
estantes, bem como o manuseio dos equipamentos e softwares na busca da
informação. Esta prática, além de orientá-los a respeito da conduta no ambiente
“biblioteca” esclarece a respeito dos problemas originários do livre acesso à Internet,
onde nem sempre a informação é confiável. Além disso, apresentas-lhe as fontes de
informações científicas, idôneas, proporcionando-lhes autoconfiança, enquanto lhes
desperta a curiosidade pela busca do documento, uma vez que começa a desfazerse o “mistério” a respeito dos trâmites que envolvem a pesquisa em catálogos de
bibliotecas, bases científicas, bibliotecas virtuais e outros recursos disponíveis, pois,
segundo Silva e Macedo (2001), os impactos oriundos da rede de computadores não
ficaram restritos às vantagens, causando também problemas com a dificuldade no
seu manuseio.

�Estas demonstrações podem abranger:
-

acesso à Internet – consulta ao catálogo da biblioteca ou centro de
informação; reservas de publicações; atualização de cadastro; acesso às
bases de dados, esclarecendo, através de demonstração, as diferenças
entre bases referenciais e de texto completo; acesso aos catálogos
coletivos para localização de publicações, explicando, inclusive, a
comutação;

-

consulta às obras de referência, impressas ou eletrônicas;

-

consulta a livros, periódicos, multimeios, catálogos de equipamentos,
projetos técnicos, normas, mapas, fotografias e toda a gama de materiais
que possam ser armazenados em bibliotecas e centros de documentação,
incentivando o trânsito entre as estantes e o manuseio do material
disponível em livre acesso;

-

esclarecimentos sobre acervo de acesso restrito.

3.1.2 Educação à distância

Caso a orientação não possa ser dada de forma presencial por fatores como
tempo, distância, disponibilidade de deslocamento, pode ser ministrada valendo-se
dos recursos oferecidos através da Internet e Intranet, tais como: tutoriais on-line,
listas de discussão; vídeo-conferências; e-mails; material didático disponível na Web
(manuais, apresentações em power point, vídeos) entre outros.

Considerando que esta modalidade não conta com a presença física do
profissional, sua elaboração e execução devem primar por características atraentes,
que incentivem seu uso. Se, porventura, não se constituir em um contato em tempo
real, onde as questões são respondidas instantaneamente, como por exemplo, emails e listas de discussão, as respostas devem chegar ao pesquisador, em período
que caracterize o interesse do profissional bibliotecário em sanar as dúvidas
expostas.

�Em se tratando de tutoriais pré-elaborados, deve ser auto-explicativo e
caracterizar-se pelo fácil acesso, interface amigável e design atraente, oferecendo
conteúdos pertinentes, sempre buscando despertar o interesse do usuário.

Simeão (2006, p. 147) coloca que o “[...] processo de interação entre
tecnologia e prática de construção do conhecimento é lento, mas ao mesmo tempo
dinâmico, tendo em vista que reflete a expectativa humana em relação [à] criação de
registros que atendam melhor as necessidades da ciência.” Sendo assim, cabe ao
bibliotecário

o

papel

de

intermediário

no

âmbito

pesquisador-tecnologia-

conhecimento, ao mesmo tempo em que desperta o interesse, incentiva a utilização
e cria, no usuário, o hábito de buscar subsídios ou resolver questões pertinentes às
suas investigações científicas.

4 INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO

Na avaliação, as questões a serem respondidas pelos profissionais antes de
ministrados os treinamentos, visando sua elaboração, são as seguintes:
1. Quais as expectativas do bibliotecário em relação aos usuários quando da
elaboração do treinamento?
2. Como adaptar o treinamento de maneira a obter as respostas do usuário?
3. Qual tipo de treinamento adapta-se melhor à sua instituição, levando-se em
consideração os recursos disponíveis?
4. Como implementá-lo?

Questões a serem respondidas pelos usuários após receberem a orientação e o
treinamento, visando sua avaliação e aperfeiçoamento:

�1. A extensão do treinamento/tutorial foi adequada?
2. Durante o treinamento, sentiu-se à vontade para sanar possíveis dúvidas?
3. Após o treinamento, houve evolução nos resultados obtidos?
4. Após o treinamento, quais dificuldades permaneceram nas buscas?

Respondidas estas questões, o monitoramento dos resultados apresentados
permitirá identificar e erradicar as possíveis falhas, e implementar as alterações
necessárias, visando atingir os objetivos propostos para inferir qualidade no serviço
prestado. Poderá fomentar ações para erradicar serviços deficientes, permitindo o
desenvolvimento de um relacionamento mais forte entre o bibliotecário e seu usuário.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando o momento atual, em que há consenso mundial a respeito da
relação conhecimento-desenvolvimento sócio-econômico, vê-se a importância e a
necessidade da utilização do conhecimento adquirido, para a geração de novos.
Compete aos bibliotecários manterem-se atualizados e instrumentalizados com as
novas fontes de informação para a capacitação do seu usuário. A formação de
pesquisadores e estudiosos está intrinsecamente ligada às fontes de informação, à
comunicação da informação gerada, emergindo, daí, a irrefutável necessidade da
educação e treinamento dos usuários, levando-os até o conhecimento, tornando-os
aptos ao manuseio e familiarizados com os diversos recursos disponíveis no âmbito
da informação e da pesquisa.

Cabe, ainda, ressaltar a importância de contar com uma equipe de referência
capacitada e constantemente dedicada a atuar na política de gestão de recursos
tecnológicos, dando continuidade à manutenção dos sistemas, e buscando a
excelência na qualidade dos serviços prestados.

�REFERÊNCIAS

BARRETO, Aldo de Albuquerque. Mudança estrutural no fluxo do conhecimento: a
comunicação eletrônica. Ciência da Informação, Brasília, v. 27, n. 2, p. 122-127,
maio/ago. 1998.

DUDZIAK, Elisabeth Adriana; GABRIEL, Maria aparecida; VILELLA, Maria Cristina
Olaio. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 11.,
Florianópolis, 2000. Anais... Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina,
2000. 1 CD-ROM.

FIGUEIREDO, Nice Menezes de. Textos avançados em referência &amp; informação.
São Paulo: Polis, 1996. 124 p.

MACEDO, Neusa Dias de; MODESTO, Fernando. Equivalências: do serviço de
referência convencional a novos ambientes de redes digitais em bibliotecas. Revista
Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v. 1, n. 1, p. 55-72,
1999.

SILVA, José Fernando Modesto da; MACEDO, Neusa Dias de. Internet – biblioteca –
comunidade acadêmica: conhecimentos, usos e impactos; pesquisa com três
universidades (UNESP- UNICAMP – USP). In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 12., 2002, Recife. Anais... Recife, 2002.
Disponível em: &lt;http://www.ufpe.br/snbu/&gt;. Acesso em: 2 maio 2006.

SIMEÃO, Elvira. Comunicação extensiva e informação em rede. Brasília:
Universidade de Brasília, 2006. 277 p. (Série Comunicação e Informação Digital, 2).

VARELA, Aida Varela. A explosão informacional e a mediação na construção do
conhecimento. In: MIRANDA, Antonio; SIMEÃO, Elvira (Org.). Alfabetização digital
e acesso ao conhecimento. Brasília: Universidade de Brasília, 2006. p. 15-32.

VIVES I GRÀCIA, Josep. La alfabetización informacional: una alfabetización
pendiente en la era digital. In: MIRANDA, Antonio; SIMEÃO, Elvira (Org.).
Alfabetização digital e acesso ao conhecimento. Brasília: Universidade de
Brasília, 2006. p. 69-77.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Aborda o desenvolvimento de programas voltados para os usuários, adaptados às suas necessidades, aprimorando suas habilidades e propiciando evolução a partir da incorporação de uma postura analítica em relação ao uso da informação em sua pesquisa acadêmica. A orientação ao usuário tem sofrido mudanças devido ao fluxo contínuo do desenvolvimento da sociedade da informação. As novas tecnologias, a informação eletrônica, bem como as fontes de informação, têm exigido conhecimento e aprendizado por parte do profissional bibliotecário, tornando-os aptos a desenvolver seu trabalho de maneira a atender esta crescente demanda informacional. Apresenta as modalidades de educação do usuário, executadas de modo presencial, através do desenvolvimento de programas de treinamento, com palestras e cursos no ambiente da biblioteca ou à distância, através de tutoriais on-line, videoconferência, entre outros, voltados ao público das bibliotecas universitárias. Por fim, descreve os instrumentos que podem ser utilizados para avaliação e constante adequação das atividades de orientação e treinamento do usuário.</text>
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                    <text>PESQUISANDO E COLHENDO O CONHECIMENTO PRODUZIDO: A ÁRVORE DO
CONHECIMENTO DO DEPARTAMENTO DE AGRONOMIA DA UFRPE

Valéria Holanda
Pós-Graduanda em Marketing,
Técnica do Departamento de Agronomia - UFRPE
Recife, Pernambuco - Brasil.
valeriah@ufrpe.br
Conceição Lopes
Mestre em Comunicação pela UFPE
Bibliotecária do Núcleo do Conhecimento
Biblioteca Central - UFRPE,
Recife, Pernambuco - Brasil.
clopes@ufrpe.br
clopes2005@gmail.com

RESUMO

A Biblioteca Central tomou o Departamento de Agronomia da Universidade Federal Rural de
Pernambuco - UFRPE como nicho de uma densa produção à espera de ser socializada no
próprio Departamento e nas demais universidades, tornando a UFRPE visível à sociedade, a
partir da obtenção de respostas às perguntas: Existem
Grupos de Pesquisa no
Departamento de Agronomia? Quem são esses pesquisadores? Qual a interação entre os
mesmos? Como se apresenta esta produção grupal? Os dados foram identificados mediante
comunicação interativa com 40 docentes e 06 técnicos - administrativos, tendo como fonte
de investigação a Plataforma Lattes do CNPq, através da produção indexada no Currículo
Lattes. Os resultados deixaram à mostra, a existência de uma Rede entre os pesquisadores
do Departamento, revelando a interação entre esses produtores do conhecimento para a
formação de grupos de produção. Esse resultado possibilitou à Biblioteca Central a formação
da Árvore do Conhecimento do Departamento, que permitiu a elaboração de gráficos e
figuras que sintetizam e agregam valor a essas informações, a partir de então disponíveis
para uso do próprio Departamento, para o Pesquisador ou, ainda, para a Administração
Superior da UFRPE, visando à tomada de decisão.
Palavras-chave: Biblioteca Universitária; Produção Científica; Agronomia; Grupos de
Produção;

�1 - SEMEANDO EM SOLO FÉRTIL

Informação, tecnologia e comunicação. Diariamente essas palavras são
ouvidas, lidas ou escritas, uma vez que os avanços científicos e tecnológicos
impõem maior agilidade e especialização para seu acompanhamento. Ratificam a
idéia de que o conhecimento produzido deve ser socializado, uma vez que o mesmo
é freqüentemente reconhecido como um dos principais indicadores da realidade e
assume papel de destaque, agregando a si, o uso intensivo da informação.

Nesse sentido, no senso comum o processo de comunicação é visto como
parte integrante da ciência, em virtude da necessidade do pesquisador em divulgar
os resultados das suas pesquisas, para que os dados por ele levantados se
transformem em informação, que por sua vez vai gerar conhecimento.

Um elemento importante para consolidação do conhecimento nas áreas do
saber é a chamada produção científica. A universidade é, portanto, o local por
excelência onde essa produção é gerada, advinda das pesquisas e estudos
desenvolvidos, necessitando tão somente, ser socializada.

Levantar, verificar e avaliar a produção científica de uma área do
conhecimento não é tarefa fácil. A dificuldade de acesso a tudo que é gerado e a
falta de uma cultura que leve em conta a importância da documentação da pesquisa,
constituem os principais entraves para esse resgate.

Nesse contexto, o conhecimento gerado por um pesquisador de qualquer área
tem que ter um compromisso social, ser conhecido e útil para a comunidade
acadêmica e para a sociedade em geral. A universidade atuando como centro de
produção sistematizada do conhecimento, necessita canalizar todo o seu potencial
no sentido de contribuir para o aperfeiçoamento da vida social, levando à opinião

�pública o saber e os progressos, os debates e as discussões que gera. A
universidade, através de programas comunicacionais baseados em sua produção,
exerce seu papel de transformadora da realidade (KUNSCH ; DENKER,1992, p.128).

Conseqüentemente, a universidade que não toma para si essa tarefa e não
promove uma reflexão crítica e contínua sobre o momento histórico em que vive,
sobre a sua comunidade, não está realizando a sua essência.

Nesse ensejo, a publicação científica é um instrumento através do qual a
comunidade científica se apropria, reapropria e ressignifica o conhecimento
produzido. Por outro lado, a sociedade em geral se beneficia do conhecimento
adquirido na pesquisa realizada pelos pesquisadores ou por um grupo de pesquisa.
Em função da publicação, os Pesquisadores ou Grupos de Pesquisa expõem os
resultados do trabalho científico realizado, visando que o mesmo seja socializado,
criticado, debatido e avaliado por seus pares e pela comunidade científica em geral.

A partir desse olhar, identificar e mapear o conhecimento produzido pelo
Departamento de Agronomia da UFRPE, tendo em vista torná-lo público, veio
embasar o foco desta pesquisa que resultou em nosso trabalho final do Curso de
Especialização.

2 - NA SEMEADURA, O PENSAR CIENTÍFICO

Partindo do olhar inicial sobre a realidade da produção científica local,
ainda de certa forma à espera de socialização, o resgate do conhecimento produzido
pelo Departamento de Agronomia reveste-se de suma importância. Pelo menos é
dessa forma que foi considerada a questão.

�Deu-se início então, a pensar o processo de pesquisa como um ciclo, em que
cada fase é sentida, vivida e trabalhada com atividades específicas num movimento
permanente de integração e de sucessivo recomeçar, o conhecimento é uma
construção que se faz a partir de outros conhecimentos os quais exercita a
apreensão, a crítica e a dúvida, (MINAYO, 2000, p. 89). Nessa construção o sujeito
e o objeto interagem reciprocamente e de forma dinâmica.

A produção desses pesquisadores foi tomada sob o olhar de grupos de
trabalho, nos quais sujeitos produzem e transformam. Grupos compostos por
indivíduos que se tornaram pessoas e formam uma teia de relações, encontros e
desencontros que, rápidos ou permanentes, vão se cristalizando em grupos sociais
e, dentre eles, os grupos de trabalho ( LOPES ; PEREIRA, 2002).

É a diversidade de enfoques na literatura a respeito da formação dos grupos
que, nesse contexto, induziu a diferenciar agrupamento e grupo de trabalho. A
experiência tem mostrado que o agrupamento não é uma conduta especifica do
homem. Na realidade, muitas das características do agrupamento humano têm sua
origem no comportamento animal, tal como observado nos agrupamentos das
formigas, de uma colméia de abelhas ou de um grupo de primatas.

Observa-se, no entanto, que nem sempre a simples existência de interesses
ou atividades comuns faz um grupo. Para que um conjunto de pessoas possa ser
chamado de grupo, é preciso que elas estejam em contato, se considerem como
membros do grupo e tenham algo em comum. Foi o que se observou na Agronomia
nesse momento de busca de uma forma de socialização para o conhecimento ali
produzido. Produzir e disseminar resultados representam esse interesse em comum.

No caso da Agronomia, esse grupo profissional e sua identidade coletiva dão
sentido de continuidade aos seus pesquisadores, que adotam papéis, normas e

�valores válidos para todos os componentes do grupo. Esse sentido coletivo, o
reafirma, através de atividades que poderão cristalizá-lo ou transformá-lo.

No Brasil, a pesquisa que produz o conhecimento científico assume a
performance de atividade fundamental na universidade, externada através da política
institucional que determina as linhas de pesquisa e a alocação de recursos internos.
Em grande parte dos casos, observa-se que as pesquisas desenvolvidas resultam do
esforço e preferência individual ou de grupos. Importante observação a ser feita,
relacioná-se a oferta de recursos pelos agentes financiadores, criando ou recriando
temáticas que se sobrepõem muitas vezes, a vontade pessoal e institucional,
(SLEUTJES, 1999, p. 125).

A publicação do trabalho intelectual, na realidade, a busca pela divulgação do
conhecimento produzido pelos pesquisadores, segundo Russo (2001) é uma
tentativa de comunicação, de superação da barreira do tempo e do espaço, para
apresentar a um grupo, muitas vezes, em grande parte desconhecido, informações e
interpretações que, quando divulgadas, passam ao domínio público.

Com relação a essa publicação, Lopes (2004a, p. 4), chama a atenção para as
dificuldades que esses pesquisadores encontram na divulgação desses resultados,
uma vez que nas universidades brasileiras, de modo geral, temos problemas de
gestão da produção científica.

Sendo assim, ao produzir novos conhecimentos, os pesquisadores devem
informar aos seus pares e posteriormente à sociedade como um todo, as suas
descobertas. Essa comunicação, no âmbito da comunidade científica é altamente
relevante e necessária, pois as universidades precisam saber o que sabem e usar
efetivamente esse conhecimento para se tornarem competitivas.

�2 - PESQUISANDO E COLHENDO

Este tópico de análise e discussão dos resultados reúne um conjunto de
dados que teve como pretensão a identificação do conhecimento produzido em três
desdobramentos, um para a Área de Fitossanidade, outro para a Área de Solos e um
terceiro para a Área de Fitotecnia.

Logo a seguir, deu-se início ao acesso à Plataforma Lattes do CNPq que
possibilitou a impressão do Currículo Lattes de 40 docentes, incluindo ativos,
convidados e/ou visitantes. Com relação aos técnicos-administrativos, trabalhou-se
apenas com 06 dos 15 que possuem terceiro grau. Sendo assim, nosso público alvo
totalizou 46 docentes/técnicos-administrativos, nesse estudo denominados de
pesquisadores. Consideramos este número como representativo, corroborando com
a afirmação de Minayo (2000, p. 102) que uma amostragem ideal é aquela capaz de
refletir a totalidade nas suas múltiplas dimensões.

Dessa forma, toda a produção científica relacionada no citado Currículo,
foi mapeada seguindo as etapas preconizadas pelo Método da Bibliometria de
investigação da produção indexada no Currículo Lattes. A análise dos dados
extraídos desses Currículos priorizou os estudos bibliométricos que permitiu
identificar os grupos de produção dos quais cada pesquisador faz parte.

Na análise da produção indexada no Currículo Lattes, verificou-se, sobretudo,
a identificação dos grupos de produção existentes em cada área, deixando à mostra
líderes, empatias e quantitativo da produção intergrupos (MACIAS-CHAPULA, 1998,
p. 132).

�No que diz respeito ao conhecimento produzido, privilegiou a observação dos
grupos de produção existentes no Departamento, mas, especialmente, tornou visível
a Árvore do Conhecimento da Agronomia.

2.1 - O Conhecimento produzido pela Área da Fitossanidade

O estudo envolvendo a área da Fitossanidade contou com a participação de
15 docentes e 01 técnico-administrativo, cujos currículos nos permitiram identificar
elementos quantitativos referentes ao grupo de produção ali existente, a partir dele,
tecemos reflexões e considerações.

Na presente pesquisa, o período estudado abrange toda a produção científica
coletiva desde 1973 ao primeiro semestre de 2005 indexada no Currículo Lattes,
acessado e consultado nos dias 10, 11 e 25 de junho/2005 que permite ao final,
visualizar a produção desse grupo que forma um ramo da Árvore do Conhecimento
da Agronomia.

A leitura dos dados nos leva a considerar que a história desse momento e
desse grupo deve ser levada ao conhecimento de outros assim como a realidade
dessa produção no cotidiano de trabalho, que segundo Lopes e Pereira (2002)
constitui a essência do produzir individual que se transforma no coletivo.

Na Fitossanidade, a existência de grupos, os chamados Grupos de Produção,
trocam idéias e desenvolvem trabalhos conjuntos na busca por um trabalho coletivo,
trocando saberes e somando esforços. Na construção desse conhecimento ficou
bastante visível também que essa área enquanto ramo da Árvore do Conhecimento
da Agronomia possui quatro raízes para as quais converge grande parte do
conhecimento produzido. Esta parceria e a troca de saberes surge, então, como fio
condutor para a semeadura interna, que se encontra em plena atividade.

�2.2 - O Conhecimento produzido pela Área de Solos

No contexto da área de Solos, o desenvolvimento desse estudo focou o
universo de 16 professores. Entretanto, trabalhou-se apenas com 12 desses
docentes, uma vez que, não conseguimos acessar os currículos dos 04 restantes na
Plataforma Lattes nos dias 09 e 10 de junho, 11 e 28 de julho/2005, datas do citado
acesso.

Compôs ainda esse grupo, o conjunto dos 06 técnico-administrativos e, tal
qual os professores, desse total, apenas 03 dispunham de Currículos Lattes. Dessa
forma, foi localizada e recuperada toda a produção de 12 docentes associada à
produção de 03 técnico-administrativos indexada no Lattes até o primeiro semestre
de 2005.

Percebemos que, igualmente a Fitossanidade, há uma teia de relações entre
os pesquisadores desta área, representando assim o Grupo de Produção. Esse
entrelaçado de linhas demonstra também a existência interna de uma troca de
saberes, a fim de alcançarem objetivos pré-estabelecidos nesse outro ramo da
árvore. A leitura dessa teia nos possibilita identificar também quatro raízes que, de
certa forma, aglutinam a produção e a disseminação da produção científica da área.

2.3 - O Conhecimento produzido pela Área de Fitotecnia

O público alvo dessa Área foi composto por 13 professores de um total de 14,
ficando ausente apenas 01 devido a não localização do seu currículo na Plataforma
Lattes. A eles foram associados ainda 02 técnico-administrativos do total de 06
desses profissionais. Deixaram de participar 04 deles, pelo mesmo motivo
encontrado junto aos docentes, ou seja, a não localização do currículo nos dias 09 e
10 de junho e 28 de julho/2005, dedicados ao acesso à referida plataforma.

�A análise da rede revela o Grupo de Produção e, nele, a forma como esses
pesquisadores cooperam entre si, confirmando o pensamento de Pinheiro (2003) de
que a comunicação científica significa não somente a comunicação entre pares, mas
também engloba a informação a qual recorrem para as suas pesquisas e o
conhecimento que produzem por diferentes canais de comunicação e tipos de
documentos. Nesse terceiro ramo da árvore, percebe-se que há três raízes
convergentes.

3 - A Árvore do Conhecimento do Departamento de Agronomia

Tomamos a árvore e não o mapa, como ocorre na maioria dos estudos, como
referência e fonte inspiradora para a representação do conhecimento produzido pelo
Departamento de Agronomia durante o tempo pesquisado. Pois, a fecundação e a
gestação dessa produção científica, metaforicamente ocorreram de modo similar ao
que ocorre com a mangueira (Mangifera indica, L.) que, ao ser plantada, durante
anos vai desabrochando, crescendo lentamente de um diminuto broto a partir da
muda.

Mangueira enquanto símbolo de vida, de natureza de existência. Árvore
grande, de folhas simples que alcança sua plenitude a partir de um crescimento que,
embora exposto ao olhar, é quase sempre invisível aos observadores, que a olham e
não a enxergam, fato que ocorre também em muitos outros olhares na vida cotidiana.

No entanto, durante anos, sua maciça e fibrosa estrutura de raiz está sendo
construída. Vagarosamente, ao longo do tempo, ela se adentra no solo trazendo o
tônico da vida através da absorção das substâncias necessárias à subsistência do
todo. Raiz que se emaranha se bifurca, se contorce. Que muitas vezes fica exposta
na

superfície

entregue

às

vicissitudes

humanas

e

da

própria

natureza.

�Vagarosamente, enquanto cresce, surgem galhos de muitos formatos e espessuras
que se ramificam em todas as direções cobertos de folhas.

Mangueira que se renova periodicamente, cujas folhas têm um ciclo, brotam e
depois de certo tempo caem para a renovação da vida. Folhas que, unidas formam
uma densa e frondosa copa. Ora verde escuro, ora verde pálido, ora em tons
violáceos ou de cobre. Nuances que revelam a renovação das folhas para a chegada
das flores que se transformarão em suculentos e saborosos frutos.

Árvore cuja copa congrega e convivem espécies diferentes representando a
união, o coletivo. Produz sombra àqueles seres que sob ela descansam e fogem do
sol e do calor. Parece um evento único, mas é o resultado inexorável de centenas de
pequenos eventos repetidos que incluíram plantar, regar e cuidar. Todos os dias.

Ao tomar a mangueira, como metáfora, buscamos a essência histórica do ato
de repetir desenvolvido na Agronomia durante a realização dos estudos e pesquisas
que, ao longo do tempo, produziram um conhecimento gerado a partir da pesquisa
que nada mais é do que o ato do aprender a reaprender com prazer.

A mangueira e suas nuances de folhagem, aqui representa o conhecimento
emanado na cor verde escuro na Área da Fitossanidade, na cor verde pálido na Área
de Solos e em tons violáceos ou de cobre na Área da Fitotecnia. Produção científica
que não se fez uma vez ou outra, mas constantemente, revelando o Departamento,
suas raízes, folhas e frutos maduros colhidos nesse estudo e frutos que se
encontram amadurecendo a espera de futuras pesquisas, metaforicamente na Árvore
do Conhecimento.

�4  Algumas considerações finais sobre a socialização dessa produção

Verificar se havia grupos de produção que envolvesse pesquisadores de áreas
diferentes foi a idéia. Essa curiosidade natural surgiu a partir da nossa curiosidade
em verificar se além da produtividade individual havia interações locais e,
conseqüentemente, a existência de grupos em cada área pesquisada isoladamente.
Ao final da pesquisa, constatamos que há, é claro, tal ação coletiva em cada área
separadamente. E, mais, há uma outra ação coletiva composta por pesquisadores
que, apesar de representarem áreas diferentes se coadunam em uma nova ação.

Acerca dessa Produção Intergrupal, vale salientar que esse grupo congrega
pesquisadores que, em parceria, vêm desenvolvendo estudos e pesquisas de
interesse científico para as suas áreas que formam os ramos da Árvore do
Conhecimento, ou seja, o ramo da Fitossanidade, o ramo de Solos e o ramo da
Fitotecnia.

Ao longo do desenvolvimento da pesquisa, percebemos também que nessa
teia de relacionamentos surgem três novas raízes. Dessa feita, as raízes que
apareciam nos grupos de cada área já não se repetem exercendo o papel de
confluência nesse grupo de inter-relação. Apenas uma delas que integrava o grupo e
atuava também como raiz da Fitossanidade vem se associar às novas que surgem
nesse novo contexto. São elas, uma raiz que representa a Fitotecnia e em seu grupo
de origem não detinha esse destaque e, mais outra, que também representa a
Fitossanidade e, em seu grupo de produção aparecia sem esse status.

Observando mais atentamente, percebemos que dessas três raízes, uma
delas, a da Fitotecnia, inter-relacionou-se com apenas um colega da Área da
Fitossanidade e mais vezes com os pares da Área de Solos; Por sua vez, uma das
representantes da Fitossanidade produziu tão somente com os pares da Fitotecnia;
Para finalizar a nossa leitura, a terceira raiz também representando a Fitossanidade,

�manteve afinidade científica tanto com os pares da Área de Solos quanto com os da
Fitotecnia.

Desse ponto de vista, a partir da compreensão da dinâmica da produção
científica, conclui-se que no contexto da Agronomia, ocorrem as seguintes
particularidades:
- basicamente, os mesmos canais de comunicação são utilizados entre esses
pesquisadores, tais como a publicação de artigos em periódicos e a apresentação de
trabalhos em eventos científicos nacionais e internacionais para a socialização do
conhecimento

produzido

e,

conseqüentemente,

para

a

sua

validação

e

reconhecimento entre seus pares;
- fica explícita em cada área a capacidade de interação e cooperação interna, ou
ainda, o extrapolar do seu espaço enquanto área para o compartilhamento de
saberes e, a partir dessas relações, gerar conhecimento e promover novo
aprendizado e inovação;
- como acontece em outras instituições de ensino superior, esses pesquisadores
para publicar os resultados de suas pesquisas defrontam-se, muitas vezes, com
barreiras administrativas e de acesso aos poderes de decisão local, fatores que
dificultam o feedback do investimento aplicado para a geração de tal conhecimento

A partir dessas constatações, observamos que muitas são as barreiras a
serem ultrapassadas quando se fala em socialização do conhecimento, a começar
pela cultura organizacional que, muitas vezes, resiste a mudanças. A idéia dessa
difusão implica resgate, criação e novas formas de abordagem do pesquisador, com

�possibilidade de revisão de alguns fluxos de interação, além de uma política de
agregação de valor.

Por outro lado, o desenvolvimento de um estudo dessa natureza, certamente,
possibilitou resultados significativos. Nele, buscamos o suporte da literatura
especializada e foram feitas reflexões a respeito dos conhecimentos obtidos nessa
realidade concreta, ou seja, o espaço universitário assumiu o papel de um grande e
importante laboratório de pesquisa.

Enfim, os ramos e as raízes resgatados sintetizam informações para a tomada
de decisão. No entanto, fica claro que este é um resultado inacabado em virtude dos
muitos aspectos e particularidades, frutos dessa Árvore do Conhecimento que
continuam a espera de futuras pesquisas.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>A Biblioteca Central tomou o Departamento de Agronomia da Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE como nicho de uma densa produção à espera de ser socializada no próprio Departamento e nas demais universidades, tornando a UFRPE visível à sociedade, a partir da obtenção de respostas às perguntas: Existem Grupos de Pesquisa no Departamento de Agronomia? Quem são esses pesquisadores? Qual a interação entre os mesmos? Como se apresenta esta produção grupal? Os dados foram identificados mediante comunicação interativa com 40 docentes e 06 técnicos - administrativos, tendo como fonte de investigação a Plataforma Lattes do CNPq, através da produção indexada no Currículo Lattes. Os resultados deixaram à mostra, a existência de uma Rede entre os pesquisadores do Departamento, revelando a interação entre esses produtores do conhecimento para a formação de grupos de produção. Esse resultado possibilitou à Biblioteca Central a formação da Árvore do Conhecimento do Departamento, que permitiu a elaboração de gráficos e figuras que sintetizam e agregam valor a essas informações, a partir de então disponíveis para uso do próprio Departamento, para o Pesquisador ou, ainda, para a Administração Superior da UFRPE, visando à tomada de decisão.</text>
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                    <text>PLANEJANDO UM CURSO ON-LINE DE PESQUISA NO PUBMED:
PRIMEIRAS IMPRESSÕES

Alexandra Godoy Rosa∗
Andréia Cristina Feitosa do Carmo∗∗
Isabel Bueno Santos Menezes∗∗∗

Resumo
Nos últimos anos, com o crescimento cada vez maior da Internet, observou-se
o grande potencial da rede como uma ferramenta bastante eficaz no
provimento de informações para eventuais interessados. Várias são as
utilizações da Internet para este fim, e uma das ferramentas mais interessantes
é a Educação à Distância On-line. Este modelo de educação tem sido cada vez
mais usado nas universidades brasileiras, e atualmente os centros de
informação passaram a dedicar um olhar mais acurado a esta modalidade de
ensino. A Biblioteca Central da UNIFESP/EPM está desenvolvendo um curso
de pesquisa à base de dados PubMed, que será oferecido completamente em
meio virtual. O planejamento de um curso on-line passa por diversas etapas,
que vão desde a formação e treinamento da equipe responsável pelo curso até
as estratégias de divulgação do curso, passando pela determinação do tema
do curso conforme demanda verificada, levantamento de materiais, tradução
dos mesmos quando necessário, estruturação do curso propriamente dito,
elaboração do curso e do material didático, escolha de um ambiente virtual e
inserção do curso neste. Pode-se concluir que a elaboração de um curso online é complexa, exigindo etapas que poderiam ser dispensadas num curso
presencial.

∗

Bibliotecária, alexandra.bc@epm.br
Bibliotecária, andreia.bc@epm.br
∗∗∗
Bibliotecária, isabel.bc@epm.br
∗∗

Universidade Federal de São Paulo
Biblioteca Central Prof. Dr. Antonio Rubino de Azevedo
Rua Botucatu, 862
Vila Clementino - São Paulo/SP
04023-062 Brasil

�Introdução

É sabido o quão importante é pesquisar em bases de dados. É através
delas que encontramos informações relevantes para a pesquisa e para a
prática.

As bases de dados são fontes que podem armazenar grandes

quantidades de informação de forma estruturada de modo que possa ser
consultada tão rapidamente quanto possível, por maior que seja a quantidade
de informação armazenada. Um exemplo de base de dados que todas as
pessoas têm à disposição é a lista telefônica. Nesta lista é fácil procurar o
número de telefone, pois as informações são organizadas de forma que
podemos pesquisar um assinante ou instituição pelo nome, endereço ou
telefone. O mesmo raciocínio se aplica à base de dados que aprenderemos, o
PubMed, onde podemos procurar a informação que desejamos pelos nomes
dos autores, pela revista, pelo título do trabalho, etc.

O PubMed é uma base de dados desenvolvida pelo National Center for
Biotechnology Information (NCBI) na National Library of Medicine (NLM)
disponível na web. É uma das diversas bases de dados que fazem parte do
sistema de recuperação Entrez do NCBI. Atualmente o PubMed é composto
por mais de 15 milhões de citações bibliográficas, dentre as quais incluem-se
aproximadamente 13 milhões de registros MEDLINE. É importante mencionar
que a MEDLINE, que é um dos principais componentes dentro do PubMed,
contém citações bibliográficas, e na maioria dos casos, resumos dos autores,
de mais de 4.800 periódicos biomédicos publicados nos Estados Unidos e em
mais de 70 países.

�Figura 1 - Tela inicial da base de dados PubMed

A Biblioteca Central da UNIFESP/EPM sabe da importância do uso
desta base de dados, não só para a realização de um trabalho ou pesquisa
científica, mas também para a verificação e evolução de um determinado
estudo. Pesquisar nesta base de dados dá ao usuário o poder de tornar vivo o
conhecimento, rompendo barreiras físicas.

Tendo isto em vista, a biblioteca tem oferecido regularmente à
comunidade acadêmica um curso de acesso e pesquisa no PubMed. Diante da
impossibilidade de se capacitar um grande número de pessoas, e devido à
grande procura pelo curso, a biblioteca foi obrigada a procurar por novos meios
de atender à comunidade. Uma resposta a este problema foi desenvolver um
curso realizado totalmente à distância, em colaboração com o Laboratório de
Educação à Distância do Departamento de Informática em Saúde da
UNIFESP/EPM.

Educação à Distância

Existem várias definições para educação à distância, mas a idéia geral é
que educação à distância é a modalidade de educação em que as atividades

�de ensino-aprendizagem são desenvolvidas em sua maior parte (ou
exclusivamente) sem que professores e alunos precisem estar presentes no
mesmo local à mesma hora (ABED, 2006; BURGARDT, 2006a).

A existência dos mais diversos recursos e ferramentas tecnológicas faz
com que o mais importante em um curso de formação ou capacitação à
distância seja a simplicidade, pois é necessário levar em conta que ainda há
um grande lapso em relação ao acesso à infra-estrutura mais moderna e
manuseio de ferramentas e softwares de última geração por parte de boa parte
da população brasileira (BURGARDT, 2006b).

O grande impulso da educação à distância ocorreu nos anos 70, quando
foram criadas universidades à distância em países da Europa, Ásia e também
nos Estados Unidos. No Brasil, as primeiras experiências nesta modalidade de
educação datam de por volta do final do século XIX. A institucionalização da
educação à distância no Brasil ocorreu também na década de 70, com a
criação dos Centros de Ensino Supletivo (CES). Com a necessidade de
democratização do acesso ao ensino e o aumento crescente da demanda
educacional, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação incluiu em seu texto um
artigo exclusivamente voltado à educação à distância (UCS, 2006).
A partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação abriu-se uma nova
perspectiva para a EAD, trazendo novas possibilidades no processo de ensino
e de aprendizagem, possibilidades estas que não se limitariam ao espaço da
sala de aula e na presença física de professores e alunos.

A educação à distância utiliza os mais diversos meios de comunicação
(material impresso enviado pelo correio, televisão, rádio, fitas de vídeo, fitas de
áudio) para fazer a ponte entre aluno e professor. Nos últimos anos, com o
aumento das tecnologias de informação e comunicação, e principalmente com
a popularização da Internet, a educação a distância sofreu uma verdadeira
revolução, com a possibilidade da interação em tempo real e de cooperação
entre os envolvidos nos processos de ensino e aprendizagem (UCS, 2006).

�Através destas últimas palavras, cooperação, processos de ensino e
aprendizagem, a Biblioteca Central nota que utilizar os recursos de educação à
distância pode dar a liberdade e a autonomia aos seus usuários, promovendo
assim, a comunicação irrestrita dos mais variados grupos, assumindo uma
postura inovadora e audaz. Construir um ambiente onde a barreira geográfica
não é um impedimento e sim uma aproximação das afinidades distintas e
pertinentes promoverá a troca de comunicação e enriquecimento mútuo de
ambos os lados. A criação de um modelo à distância, com estrutura dinâmica e
interativa, dá ao usuário a possibilidade de comunicar, aprender e disseminar a
informação de forma prática e integradora. Propiciar a dinâmica dos mais
variados grupos é um dos objetivos da Biblioteca Central, e assim participar de
todo o processo, não só como colaboradora ao acesso a informação científica,
mas também como geradora e analisadora desta mesma informação.

O Curso On-line de Pesquisa no PubMed

Foram várias as etapas percorridas até a efetiva criação do Curso Online de Pesquisa no PubMed. Depois de constatada a demanda, necessidade e
interesse, por parte da comunidade UNIFESP/EPM de um curso virtual sobre a
base de dados PubMed, foi formada uma equipe de bibliotecários que se
tornaram encarregados pelo curso. O primeiro passo da equipe foi fazer um
levantamento extensivo de material sobre a base de dados. Dentre estes
materiais foram localizados sites sobre o assunto, tutoriais, apostilas em
espanhol e inglês, e principalmente, a apostila original da National Library of
Medicine (NLM), produtora do PubMed, que serviu de base para o
desenvolvimento do curso.

Após a localização e posterior aquisição do material foi feita a tradução para
o português das apostilas que estavam em inglês. Após a tradução e estudo do
material coletado, foi estruturado o curso virtual, através da determinação de
quais os assuntos que seriam abordados, e em que ordem estes apareceriam.
Embora o PubMed seja uma base de dados com os mais diversos recursos,
muitos deles pouco explorados pelos usuários, resolveu-se que este seria um

�curso mais básico, onde serão ensinadas as funcionalidades mais importantes
do PubMed, separadas em 9 diferentes módulos:

o PubMed – Introdução
o Definindo a Estratégia de Busca
o MeSH
o Marcadores (tags)
o Mapeamento Automático de Termos
o Single Citation Matcher
o Refinando o Resultado da Pesquisa
o Trabalhando o Resultado da Pesquisa
o My NCBI

A partir da determinação destes módulos, foi elaborado o material didático
do curso, onde se procurou transformar a linguagem técnica usada na apostila
em uma linguagem mais dinâmica, agradável e atrativa para o usuário. Esta
etapa foi realizada pela equipe de cursos da Biblioteca Central, em colaboração
com uma pedagoga, do Laboratório de Ensino à Distância, do Departamento
de Informática em Saúde da UNIFESP/EPM. Também junto com o Laboratório
de Ensino à Distância foi decidido que o curso seria estruturado no ambiente
de ensino on-line Moodle.

O Moodle (Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment) é um
ambiente de aprendizagem à distância que foi desenvolvido pelo australiano
Martin Dougiamas em 1999. Possui um conjunto de ferramentas que podem
ser selecionadas pelos organizadores/professores do curso de acordo com os
objetivos pedagógicos. Assim, pode-se criar cursos com fóruns, diários, chats,
questionários, textos wiki, materiais de quaisquer tipos de arquivos, dentre
outras funcionalidades. É utilizado por mais de 10.000 entidades em
aproximadamente 150 países, incluindo universidades, escolas e empresas. É
uma ferramenta bastante completa, que possui ferramentas de comunicação
síncronas e assíncronas, ou seja, a comunicação pode ser em tempo real ou
não (PULINO FILHO, 2004).

�Outro fator considerado foi a duração do curso. Ficou decidido que o curso
terá duração de 7 semanas, incluindo alguns dias de adaptação ao ambiente
virtual, sendo que os módulos serão distribuídos por estas semanas de acordo
com o conteúdo a ser abordado. Conteúdos mais simples terão duração menor,
enquanto alguns pontos mais importantes e complexos terão, evidentemente,
duração maior.

Também foi discutida qual seria a forma que os alunos do curso seriam
avaliados, sendo decidido que a avaliação dos alunos seria realizada através
da realização de exercícios de múltipla escolha e participação no curso. Os
exercícios foram elaborados, testados e revisados. Estes exercícios de múltipla
escolha foram criados, dentro do Moodle, através de uma ferramenta
específica, o Hot Potatoes. O Hot Potatoes é um conjunto de seis ferramentas
desenvolvidas pela equipe da University of Victoria, que possibilitam a
elaboração de vários tipos de exercícios interativos usando páginas web
(HOT..., 2006). Além dos exercícios de múltipla escolha, durante o curso são
propostos outros exercícios, que servirão para melhor fixação do conteúdo.
Estes exercícios serão chamados “quebra-cuca”, e serão relacionados ao
conteúdo do módulo estudado, com grau de dificuldade variado.

Ao mesmo tempo, foram determinados os objetivos de aprendizagem do
curso, que são:

o Realizar pesquisas bibliográficas eficientes, por meio de estratégias bem
elaboradas;
o Identificar os conceitos de uma pesquisa, explorando todos os recursos
disponíveis;
o Determinar termos alternativos desses conceitos;
o Praticar e descobrir que tipo de estratégia é o mais adequado para o
bom desenvolvimento da pesquisa;
o Buscar subsídios que facilitem o processo de acesso à informação
técnico-científica qualificada e confiável.

�Uma vez terminada a estruturação e preparação do curso, foi determinada a
data de lançamento do mesmo, bem como a data de inscrição, início e término
do curso.

Neste ponto também se iniciou a divulgação do curso, através de cartazes
na biblioteca, folhetos distribuídos pela universidade, e chamada no site da
biblioteca e no site da UNIFESP Virtual (figura 2). Também foram enviados emails para listas de discussão e cadastro de usuários interessados. Outro
ponto de divulgação foi a inclusão do curso no site da ABED (Associação
Brasileira de Educação à Distância), consultado por interessados em educação
à distância em todo o Brasil (figura 3).

Figura 2 - Tela de divulgação e inscrições no curso na página da UNIFESP Virtual

�Figura 3 - Divulgação do curso no site da ABED

Uma vez o material pronto, as datas definidas, e a divulgação iniciada foi
criada a identidade visual do curso. O conteúdo, já corrigido e revisado, foi
inserido no ambiente Moodle (figura 4).

Figura 4 - Tela inicial do curso em ambiente Moodle

�Uma das preocupações principais na concepção, realização e inserção
do curso em ambiente web foi a de tornar o curso facilmente acessível para a
maior parte dos usuários, independente do tipo de conexão utilizada. Por isso,
embora o curso tenha uma grande quantidade de imagens, procurou-se não
utilizar recursos e ferramentas que pudessem tornar o carregamento das
páginas lento e a navegação difícil (figura 5).

Figura 5 - Tela de apresentação do Módulo 1

Próximos Passos

O curso terá início efetivo no final de agosto de 2006. No final do curso
será realizada uma avaliação, através de questionário com questões fechadas
e abertas, com os alunos, de itens como o conteúdo do curso, duração e

�também as formas de comunicação utilizadas, equipe técnica e tutoria e
suporte.

Além da avaliação com os alunos, também será realizada uma avaliação
pelos tutores do curso, onde poderão ser discutidos quais os pontos positivos e
negativos do curso, quais ferramentas foram bem aproveitadas pelos alunos e
tutores, quais outras ferramentas poderiam se tornar disponíveis, se os alunos
conseguiram acompanhar o conteúdo do curso, ou se há necessidade de
mudanças.

Após este processo de avaliação a equipe do curso deverá se reunir
para discutir e decidir as mudanças na estrutura do curso que poderão ser
implementadas.

Conclusão

Sabe-se, atualmente, da grande importância das bases de dados na
ciência, pois é nelas que se encontram informações relevantes não só para a
pesquisa, mas também para a prática profissional. Na área de ciências
biomédicas e saúde, a base de dados PubMed é considerada uma das mais
importantes em todo o mundo, e o pleno conhecimento de suas ferramentas e
funcionalidades torna-se vital para qualquer estudante ou profissional desta
área.

A Biblioteca Central da UNIFESP/EPM sabendo da importância do
PubMed, e reconhecendo sua baixa capacidade de atender à demanda por
cursos desta base, decidiu desenvolver um curso realizado pela modalidade de
educação à distância, aproveitando a popularização desta modalidade com o
advento da Internet.

A complexidade da elaboração de um curso on-line exige atenção a
detalhes que muitas vezes passam despercebidos quando se elabora um curso
presencial. Estes detalhes, como a preocupação com a navegação pelo curso,

�devem ser bem trabalhados e discutidos, e serão cruciais para que o curso
obtenha sucesso entre seu público-alvo.

O curso tem sido desenvolvido desde junho de 2005, e a primeira turma
será iniciada no final de agosto de 2006. Os próximos passos serão a avaliação
do primeiro curso, ao término deste, e no futuro, quando o curso estiver
consolidado, um dos objetivos da Biblioteca Central da UNIFESP/EPM será
firmar consórcios com outras instituições no país, compartilhando e trocando
experiências.

�Bibliografia

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA. FAQ/EAD: o que
é educação à distância? Disponível em:
&lt;http://www2.abed.org.br/faq.asp?Faq_ID=8 2006&gt;. Acesso em: 25 jun. 2006.

BURGARDT, L. Introdução à EAD. Disponível em:
&lt;http://www.universia.com.br/materia/imprimir.jsp?id=9055&gt;. Acesso em: 12
jun. 2006a.

BURGARDT, L. Planejamento de um curso à distância. Disponível em:
&lt;http://www.universia.com.br/materia/imprimir.jsp?id=9157&gt;. Acesso em: 12
jun. 2006b.

HOT POTATOES VERSION 6. Developed by Half-Baked Software Inc.
Disponível em: &lt;http://www.halfbakedsoftware.com/hot_pot.php&gt;. Acesso em:
05 jun. 2006.

PULINO FILHO, A. R. Introdução ao Moodle: ambiente de aprendizagem.
Brasília: Universidade de Brasília, 2004. Disponível em:
&lt;http://www.moodle.uneb.br/file.php?file=/1/modulo01-moodle_1_.pdf&gt;. Acesso
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SADI, B. S. C.; REIS, M. G. C. Produtos e serviços de informação disponíveis
em bibliotecas acadêmicas: estudo para apoio aos programas de educação à
distância. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS,
11., Florianópolis, 2000. Anais... Florianópolis: UFSC, 2000.

UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL. A educação à distância no Brasil.
Disponível em: &lt;http://www.ucs.br/ucs/tplEad/ead/principal/eadbrasil&gt;. Acesso
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�WILLIAMS P. The learning Web: the development, implementation and
evaluation of Internet-based undergraduate materials for the teaching of key
skills. Active Learning in Higher Education, v. 3, n. 1, p. 40-53, 2002.

WILLIAMS, P.; NICHOLAS, D.; GUNTER, B. E-learning: what the literature tells
us about distance education: na overview. Aslib Proceedings, v. 57, n. 2, p.
122, 2005.

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Planejando um curso on-line de pesquisa no PUBMED: primeiras impressões.</text>
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                <text>Rosa, Alexandra Godoy; Carmo, Andréia Cristina Feitosa do; Menezes, Isabel Bueno Santos </text>
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                <text>Nos últimos anos, com o crescimento cada vez maior da Internet, observou-se o grande potencial da rede como uma ferramenta bastante eficaz no provimento de informações para eventuais interessados. Várias são as utilizações da Internet para este fim, e uma das ferramentas mais interessantes é a Educação à Distância On-line. Este modelo de educação tem sido cada vez mais usado nas universidades brasileiras, e atualmente os centros de informação passaram a dedicar um olhar mais acurado a esta modalidade de ensino. A Biblioteca Central da UNIFESP/EPM está desenvolvendo um curso de pesquisa à base de dados PubMed, que será oferecido completamente em meio virtual. O planejamento de um curso on-line passa por diversas etapas, que vão desde a formação e treinamento da equipe responsável pelo curso até as estratégias de divulgação do curso, passando pela determinação do tema do curso conforme demanda verificada, levantamento de materiais, tradução dos mesmos quando necessário, estruturação do curso propriamente dito, elaboração do curso e do material didático, escolha de um ambiente virtual e inserção do curso neste. Pode-se concluir que a elaboração de um curso on-line é complexa, exigindo etapas que poderiam ser dispensadas num curso presencial.</text>
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                    <text>POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES PARA OS CURSOS DE
GRADUAÇÃO: A PROPOSTA DO INSTITUTO DE CIÊNCIAS MATEMÁTICAS E
DE COMPUTAÇÃO DA USP
Gláucia Maria Saia Cristianini
Mestre, Diretora da Biblioteca do ICMC/USP
– Instituto de Ciências Matemáticas e de
Computação - Av. do Trabalhador SãoCarlense, 400 – São Carlos
13566-590 - Brasil
glaucia@icmc.usp.br
Juliana de Souza Moraes
Mestre, Supervisora de Seção da Biblioteca
do ICMC/USP - Instituto de Ciências
Matemáticas e de Computação - Av. do
Trabalhador São-Carlense, 400 – São Carlos
13566-590 - Brasil
jumoraes@icmc.usp.br
Resumo: Para participar de forma atuante na produção do conhecimento, a
biblioteca universitária precisa disponibilizar para a sua comunidade acadêmica
um acervo que atenda as necessidades informacionais de seus usuários.
Considerando o valor orçamentário destinado a biblioteca para a compra de
material bibliográfico, foi necessária a definição de uma política que atendesse de
maneira mais justa e efetiva o uso desse recurso. Em um trabalho conjunto com a
Comissão de Biblioteca e Comissão de Graduação, iniciou-se no ano 2000, o
processo de adequação do acervo da biblioteca para os cursos de graduação da
área de Ciências da Computação. A partir da sugestão de docentes, também
avaliadores do MEC para os cursos de graduação em diversas Universidades
Brasileiras, foi inicializado um programa de conscientização junto aos docentes do
departamento para atualização dos programas das disciplinas e em seguida
identificado o núcleo básico de cada disciplina. A biblioteca levantou, no acervo
local, a coleção que atendia este núcleo e elaborou uma planilha para reunir todas
as informações necessárias, como quantidade de exemplares, edições, entre
outros. A partir dos dados gerados e atualizados nessa planilha é que são
encaminhadas as indicações para a aquisição de material bibliográfico. Com a
facilidade de recuperação do material de forma rápida, esse procedimento
possibilitou a realização do primeiro pregão para aquisição de livros não somente
da USP, mas também o primeiro pregão de livros realizado no Estado de São
Paulo. Este trabalhou gerou interesse de um grupo de docentes que estão
envidando esforços, junto com um aluno de iniciação científica, para a criação de
um banco de dados que possibilite o fornecimento e atualização dos dados de
forma mais interativa com a biblioteca e o banco de dados bibliográficos da USP.
Palavras-Chave: Desenvolvimento de coleções. Coleção para graduação.
Aquisição.

�1 Contextualização
Muitas são as técnicas para se identificar a demanda para aquisição de
material bibliográfico em uma biblioteca universitária. Em trabalho recente Oliveira
(2004) enumera propostas que vão desde a consulta direta aos docentes dos
diversos departamentos da universidade, o uso de recursos de tecnologia da
informação até procedimentos sofisticados de inferência.
Klaes (1991) ressalta a importância da coleta e do uso de dados e
estatísticas como parâmetro para a implantação de um sistema de informação
gerencial direcionado para o desenvolvimento de coleções.
Independentemente

do

critério

ou

técnica

escolhida

para

o

desenvolvimento da coleção é primordial considerar o papel da biblioteca na
universidade, que deve atender a necessidade de informações para o ensino,
pesquisa e extensão. A política de aquisição deve prover a comunidade
acadêmica das informações demandadas pelo tripé acima citado.
A política se refere, segundo Figueiredo (1985), ao conjunto de diretrizes e
normas que visa estabelecer ações, delinear estratégias gerais, determinar
instrumentos e delimitar critérios para facilitar a tomada de decisão na
composição e desenvolvimento de coleções em consonância com os objetivos da
instituição e os usuários do sistema.
De acordo com Andrade e Vergueiro (1996) é necessário estipular as
diretrizes de atuação e sistematizar as atividades de aquisição com registro
detalhado de cada passo a ser seguido. As diretrizes devem prever: os
responsáveis; os procedimentos de organização; os principais fornecedores;
informações precisas para obtenção de cada item; identificar a organização da
atividade de compra; criar instrumentos de acompanhamento e controle de
material adquirido.
Todas as ações previstas para uma política mais adequada devem
considerar critérios e atender necessidades. Todo procedimento deve ser

�devidamente justificado, deve constar os responsáveis, passar por um processo
legal de validação e, finalmente, estar devidamente documentado.
A partir de 2002 mais um importante critério passou a fazer parte da
política de aquisição nas bibliotecas universitárias brasileiras, os critérios exigidos
pelo Ministério da Educação – MEC para avaliação das IES – Instituições de
Ensino Superior. Os atuais procedimentos de avaliação estão pautados na LDB Lei de Diretrizes e Bases (BRASIL,1996) que arrola como atribuições da União
“autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e avaliar os cursos das
instituições de educação superior e os estabelecimentos do Sistema Federal de
Ensino Superior”.
Barcelos e Gomes (2004) discorrem sobre a evolução da forma de
avaliação das IES pelo MEC desde 1995, estabelecendo critérios e padrões para
o funcionamento destas. Após 1996 o credenciamento das instituições passou a
ser temporário e, desde então, todos os atos de credenciamento institucional
passaram a fixar o prazo de validade da credencial. A partir do ano de 2002, foi
institucionalizada a visita da Comissão de Avaliadores incumbidos de verificar no
local as condições da Instituição, avaliando os cursos e autorizando ou não a
criação ou continuidade destes.
As mesmas autoras evidenciam o peso da participação da biblioteca (40%
do total) na avaliação final do curso, o que exige que as mesmas disponham de
acervo adequado, tanto qualitativo quanto quantitativamente. E, para isso,
enfatizam também a necessidade de uma política de formação e desenvolvimento
de acervo.

Os indicadores que constituem a análise da biblioteca pelo MEC são: o
espaço físico, o acervo e o serviço. Dentro da categoria “acervo”, o critério de
avaliação para o item livros considera: Insuficiente – quando não atendem aos
programas das disciplinas, não há quantidade suficiente (um volume para mais de
20 alunos matriculados no curso, para cada disciplina) e não são atualizados;
Regular - quando atendem parcialmente aos programas das disciplinas, a

�quantidade é razoável (um volume para 10 até 20 alunos matriculados no curso,
para cada disciplina) e são parcialmente atualizados; Ótimo - quando atendem
aos programas das disciplinas, há quantidade suficiente (um volume para menos
de 10 alunos matriculados no curso, para cada disciplina) e são atualizados
(DIRETORIA, 2002).
Em uma decisão da Comissão da Biblioteca do Instituto de Ciências
Matemáticas e de Computação - ICMC, composta pela direção da biblioteca, um
representante de cada departamento da unidade e um representante discente,
deliberou-se o direcionamento da verba recebida pela biblioteca, por meio do
Departamento Técnico do SIBi – Sistema Integrado de Bibliotecas da USP, para
os cursos de graduação e determinou-se como meta principal a adequação do
acervo ao critério ótimo da avaliação sugerido pelo MEC.
A necessidade de uma política de aquisição, expansão e atualização, que
atenda a proposta pedagógica do curso, também é pontuada pelo MEC
(DIRETORIA, 2002) e considera para tanto os seguintes critérios: Insuficiente –
quando não existe uma política definida de aquisição, expansão e atualização do
acervo; Regular – quando existe uma política de aquisição, expansão e
atualização do acervo, considerando a proposta pedagógica do curso, mas não é
aplicada nem operacionalizada regularmente; Ótima - quando existe documento
com critérios definidos para políticas de aquisição de acervo (livros, periódicos,
multimeios, etc.) e compra realizada nos últimos 3 anos, considerando a proposta
pedagógica do curso e as prioridades para a bibliografia básica e complementar e
dos indicadores para tomada de decisão.
Para um melhor acompanhamento da aquisição e também controle do
orçamento recebido foi necessário a elaboração de um sistema de informações
para gerenciar todos os dados da aquisição.
Um sistema de informação gerencial representa um conjunto de
dados organizados de forma sistemática, que permite ao gerente
da biblioteca universitária obter insumos para subsidiar suas
informações com vistas ao processo decisório (KLAES, 1991,
p.221).

�Considerando os recursos disponíveis, a necessidade de estabelecer
diretrizes para a política de aquisição, de acordo com a exigência do MEC, optouse por identificar o núcleo básico da coleção e garantir o mínimo necessário para
que o curso de graduação em Ciências da Computação do ICMC atingisse o nível
máximo na pontuação do MEC.
2 Método e procedimentos
A Biblioteca do ICMC foi inaugurada em 12 de setembro de 1974, com o
nome de "Prof. Achille Bassi"; atualmente reúne um acervo de mais 34.000
volumes de livros, mais de 800 títulos de periódicos, possui um total superior a
100.000 publicações em Matemática, Estatística, Computação e áreas correlatas.
Atende uma comunidade com mais de 8.000 alunos das quatro unidades
do campus USP de São Carlos, sendo, aproximadamente, 4.000 da graduação,
4.000 de pós-graduação e mais de 400 docentes e pesquisadores.
Os cursos de graduação oferecidos pelo ICMC são: Bacharelado em
Matemática, Licenciatura em Matemática, Bacharelado em Matemática Aplicada e
Computação Científica, Bacharelado em Ciências da Computação e Bacharelado
em Informática, além de um curso interunidades de Engenharia da Computação.
Considerando a evolução da área de Computação, a rapidez com que as
informações se tornam obsoletas, considerando também, como abordado por
Cristianini e Mores (1998), o arsenal de publicações sobre todas as áreas que são
englobadas pela Ciência da Computação e que trazem consigo cada vez mais
novos

assuntos

abordados,

novas

tecnologias

desenvolvidas,

novas

terminologias; conseqüências da abrangência vultuosa desta ciência em
contrapartida à especificidade de suas subáreas e técnicas, é imprescindível um
acompanhamento mais freqüente de programas e disciplinas relacionadas a essa
área do conhecimento.

�A consideração acima é que serviu como principal argumento para a
decisão da seleção dos cursos para dar início à política local de aquisição de
livros e adequação do acervo na área.
Assim, em um trabalho conjunto com a Comissão de Graduação da
unidade, no ano 2000, foram levantadas todas as disciplinas, dos cursos de
graduação, vinculadas ao departamento de Ciências da Computação, reunida a
bibliografia básica de cada disciplina e organizadas em uma planilha, a fim de
identificar

quantidades

existentes,

referências

completas,

duplicidades

e

necessidades de compra. Na época, a orientação sugerida para quantidade de
livros era de um volume para cada grupo de 15 alunos.
Nesta planilha foram incluídos os números de exemplares de cada título,
com suas respectivas edições e anos disponíveis na biblioteca. Como
exemplificado abaixo.
Livros-textos

FARRER, H. Algoritmos estruturados.

Código

Nº

Nº

disciplina

exemplares

disponíveis -

para

necessários

Edição/ano

compra

10

2 – 1.ed./1986

10

SCE-811

3.ed. Rio de Janeiro: LTC, 1999.

exemplares

Indicação

5 – 2.ed./1989

ISBN - 8521611803.

Elaborada esta planilha foi gerada a demanda real de títulos para a
graduação a partir da indicação para a compra dos mesmos. O controle seguia na
planilha até que fosse zerada a indicação de compra.
Com as novas orientações previstas pelo MEC a partir de 2002 a Comissão
de Biblioteca, em conjunto com a chefia do departamento de Ciências da
Computação, solicitou a atualização dos programas de todas as disciplinas para
os cursos de Ciências da Computação, Informática e Engenharia da Computação,
ministrados pelos docentes da unidade, e suas respectivas bibliografias. Essa
política de atualização do programa passou a vigorar de forma regular no
departamento, de modo a ser revista com mais freqüência pelos docentes.

�Foram registrados e identificados novos títulos, novas edições e anos, e,
então, configurada a demanda de acordo com a nova orientação do MEC para a
quantidade de exemplares: um volume para até 10 alunos inscritos no curso, por
disciplina. A partir daí, gerou-se nova planilha com os dados e iniciou-se um
processo para atender a nova previsão de compras.
Importante registrar que na unidade não existe uma política orientada para
a atualização do acervo bibliográfico, ou seja, não há uma previsão orçamentária
destinada à compra de material bibliográfico. O valor obtido para compra de livros
é repassado pelo Departamento Técnico do SIBi que aloca parte de seu
orçamento para atualização do acervo das bibliotecas. Ficou instituído, por
deliberação da Comissão de Biblioteca do ICMC, que o valor recebido pelo SIBi
ficaria destinado a compra de material bibliográfico para a graduação e orientou a
comunidade que procedesse a aquisição de material necessário para pesquisa
com recursos obtidos das reservas técnicas dos projetos financiados para a
instituição.
Assim que a verba do SIBi chega à unidade, o Setor Financeiro,
juntamente com a direção da biblioteca, procede a divisão do valor entre os
departamentos. A fração destinada a cada departamento foi definida pela
Comissão de Biblioteca da unidade e teve como embasamento o número de
alunos atendidos pelas disciplinas dos diversos departamentos.
3 Resultados
A partir da planilha gerada com os dados necessários para a compra, são
retirados os títulos que possuem demanda para a aquisição, gerada uma nova
planilha com as referências e essa planilha segue para cotação junto às livrarias.
Após o recebimento das cotações é elaborada nova planilha com todos os
valores obtidos e respectivas livrarias ou distribuidores. São identificados e
assinalados os menores preços e a partir dessa previsão é levantada a
quantidade possível para a aquisição de cada título, definida a partir da verba
disponível e prioridade para aquisição. Essa prioridade de aquisição é verificada

�em função de edições mais recentes, ainda não atendidas pelo acervo e títulos
novos, incluídos nos programas.
Essa planilha é encaminhada para a Seção de Compras que providencia
os trâmites legais para a licitação e aquisição do material solicitado. No momento
que foi gerada a planilha com dados completos e valores identificados, os
procedimentos para a aquisição foram simplificados e, quando da nova exigência
para a Administração Pública de licitação por pregão (BRASIL, 2002) o processo
ficou mais ágil e propiciou a realização do primeiro pregão, na modalidade, dentro
do Estado de São Paulo, em 13 de agosto de 20041.
Esse processo de controle de aquisição despertou o interesse de um
docente em otimizar os passos de entrada e saída de dados, controle e
cadastramento do material bibliográfico e solicitou apoio de outro pesquisador
que, em conjunto com um aluno de iniciação científica, iniciou os estudos para
automatizar o processo. A proposta tem o acompanhamento dos bibliotecários
responsáveis pela aquisição e prevê a geração automática da demanda, sempre
que necessário, a emissão de relatórios diversos e ainda a exportação da
referência dos livros e dos seus dados de aquisição para o banco de dados
bibliográficos da biblioteca no momento da catalogação.

4 Considerações finais
A realização deste trabalho possibilitou o estabelecimento de uma política
para o desenvolvimento de coleções que atende os cursos de graduação da área
Ciências da Computação do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação.
As diretrizes que permearam essa política garantiram os princípios básicos
do desenvolvimento de coleções apresentados na literatura, foram estabelecidas
ações, delineadas estratégias e delimitados os critérios que facilitam a tomada de
decisão para aquisição de material bibliográfico. O procedimento adotado não só

1

http://www.cadastro.pregao.sp.gov.br/ua024000.nsf/0/DDC51173EDBC42C403256E99006A1390?OpenDoc
ument&amp;view=Pregoes-SecOrg&amp;gh=1

�esteve de acordo com os interesses da instituição e dos usuários como também
contou com a participação dos mesmos para a concretização do processo.
As atividades de aquisição são devidamente documentadas, desde a
seleção até a concretização do pregão e recebimento das obras pela biblioteca.
Existem instrumentos de acompanhamento e controle do material adquirido.
Vale ressaltar que essa política teve uma preocupação bem definida e
muito importante para a instituição que foi o investimento na formação do
profissional, o comprometimento de um recurso orçamentário para alunos de
graduação em uma instituição onde a pesquisa constitui um fator considerável na
comunidade científica, o que demonstra um diferencial na concepção dos valores
para com a comunidade.
A cooperação entre bibliotecários, professores, dirigentes da biblioteca e da
instituição continua evidenciando uma forma de trabalho mais adequado para
uma obtenção de melhores resultados para toda a instituição.
O trabalho conjunto com o Setor de Compras da unidade favoreceu os
procedimentos de aquisição, principalmente no momento que se deu início a
exigência do governo estadual para a nova forma de aquisição prevista pela
Administração Pública, a compra por meio de pregão.
O primeiro pregão realizado na instituição propiciou uma otimização dos
recursos e uma redução de aproximadamente 20% do total previsto a partir das
menores cotações obtidas inicialmente.
Todo o processo possibilitou maior rapidez na identificação da demanda,
assim como melhor adequação de valores às necessidades de compra,
otimizando recursos financeiros e bibliográficos.
A principal contribuição deste trabalho foi a elaboração de um método que
possibilitou todas as vantagens citadas; não há um produto, mas sim diretrizes
claras para uma política efetiva de desenvolvimento de coleção. Existe o projeto
de um sistema para automatizar esse processo, mas de nada valeria se não fosse

�a estrutura propiciada por um trabalho elaborado de forma coerente e centrado
nos objetivos da instituição e da biblioteca.
5 Referências
ANDRADE, D.C.; VERGUEIRO, W. Aquisição de materiais de informação.
Brasília: Briquet de Lemos,1996.
BARCELOS, M.E.A.S.; GOMES, M.L.B.M. Preparando sua biblioteca para a
avaliação do MEC. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS, 13., 2004, Natal - RN. Anais... Natal: UFRN, 2004.
BRASIL, Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e
bases da educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 23 dez. 1996,
p. 27833.
BRASIL, Lei n. 10.520, de 17 de dezembro de 2002. Institui, no âmbito da União,
Estados, Distrito Federal e Municípios, nos termos do artigo 37, inciso XXI, da
Constituição Federal, modalidade de licitação denominada pregão, para aquisição
de bens e serviços comuns, e da outras providências. Diário Oficial da União,
Brasília, DF, 18 de julho de 2002. Seção 1, p.1.
CRISTIANINI, G. M. S.; MORAES, J. S. Bibliotecários e Pesquisadores: a
cooperação vital na sociedade da informação. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Política de desenvolvimento de coleções para os cursos de graduação: a proposta do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP.</text>
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                <text>Para participar de forma atuante na produção do conhecimento, a biblioteca universitária precisa disponibilizar para a sua comunidade acadêmica um acervo que atenda as necessidades informacionais de seus usuários. Considerando o valor orçamentário destinado a biblioteca para a compra de material bibliográfico, foi necessária a definição de uma política que atendesse de maneira mais justa e efetiva o uso desse recurso. Em um trabalho conjunto com a Comissão de Biblioteca e Comissão de Graduação, iniciou-se no ano 2000, o processo de adequação do acervo da biblioteca para os cursos de graduação da área de Ciências da Computação. A partir da sugestão de docentes, também avaliadores do MEC para os cursos de graduação em diversas Universidades Brasileiras, foi inicializado um programa de conscientização junto aos docentes do departamento para atualização dos programas das disciplinas e em seguida identificado o núcleo básico de cada disciplina. A biblioteca levantou, no acervo local, a coleção que atendia este núcleo e elaborou uma planilha para reunir todas as informações necessárias, como quantidade de exemplares, edições, entre outros. A partir dos dados gerados e atualizados nessa planilha é que são encaminhadas as indicações para a aquisição de material bibliográfico. Com a facilidade de recuperação do material de forma rápida, esse procedimento possibilitou a realização do primeiro pregão para aquisição de livros não somente da USP, mas também o primeiro pregão de livros realizado no Estado de São Paulo. Este trabalhou gerou interesse de um grupo de docentes que estão envidando esforços, junto com um aluno de iniciação científica, para a criação de um banco de dados que possibilite o fornecimento e atualização dos dados de forma mais interativa com a biblioteca e o banco de dados bibliográficos da USP.</text>
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                    <text>POLÍTICA DE INDEXAÇÃO EM SISTEMAS DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS:
LEVANTAMENTO DE SUBSÍDIOS PARA O TRATAMENTO TEMÁTICO DO
ACERVO BIBLIOGRÁFICO DA UNESP
Mariângela Spotti Lopes Fujita
Professora Adjunta do Departamento de
Ciência da Informação – UNESP – Marília, SP,
Brasil - fujita@marilia.unesp.br
Maria Carolina Gonçalves
Mestranda do Curso de Pós -Graduação em
Ciência da Informação – UNESP – Marília, SP,
Brasil - mariacarolunesp@yahoo.com.br
Milena Polsinelli Rubi
Doutoranda do Curso de Pós -Graduação em
Ciência da Informação – UNESP – Marília, SP,
Brasil.
Bolsista CAPES - mprubi@ig.com.br

Eixo temático: As Bibliotecas Universitárias e a Produção do Conhecimento
- A preservação do conhecimento e os arquivos digitais
- As redes e virtualidades da pesquisa acadêmica

�RESUMO
A elaboração de uma política de indexação em sistemas de bibliotecas universitárias estabelecerá a
tomada de decisões para otimizar os procedimentos de descrição dos assuntos. A política na Rede de
Bibliotecas da Universidade Estadual Paulista (UNESP) é necessária porque há falta de normalização
dos assuntos descritos no catálogo coletivo ATHENA, pelo fato da UNESP fazer parte da rede de
catalogação BIBLIODATA. Os cabeçalhos de assuntos do catálogo ATHENA deveriam ser alterados
durante a importação dos registros do BIBLIODATA, porém não ocorre esta modificação, pois o
bibliotecário que faz a catalogação não tem a compreensão que faz também a indexação. A pesquisa
tem como objetivo obter coerência e qualidade no momento da recuperação da informação com a
proposição de levantamento de subsídios para a elaboração de uma política de indexação na UNESP.
A metodologia foi composta de duas etapas de coletas: junto à Rede de Bibliotecas da UNESP e o
Sistema de Bibliotecas das Universidades Estaduais Paulistas (CRUESP/BIBLIOTECAS). As
considerações finais são baseadas nas duas coletas de dados para conseguir maior consolidez e
respaldo teórico quanto à importância de se elaborar uma política de indexação em sistemas de
bibliotecas, vista a escassez e desatualização da literatura sobre o assunto.

Palavras-chave: política de indexação; indexação; catálogo ATHENA; sistemas de
bibliotecas universitárias.

1 INTRODUÇÃO

A pesquisa tem como tema a política de indexação, cujo foco é o
levantamento de subsídios para estabelecimento de uma política de indexação do
acervo bibliográfico da Rede de Bibliotecas da Universidade Estadual Paulista
(UNESP).

A elaboração de uma política de indexação faz-se cada vez mais essencial em
sistemas de bibliotecas universitárias, levando em conta que atualmente o
crescimento informacional tem-se desenvolvido de forma geométrica juntamente com
o avanço tecnológico e o surgim ento de usuários mais exigentes nas pesquisas.
Desta forma, a política de indexação possibilitará um diferencial na qualidade da
recuperação das informações, não colocando em risco a consistência do sistema de
informação, fazendo com que não haja incoerências, erros ou omissões na
interpretação do conteúdo e permitindo que o indexador represente de forma eficaz o
documento para um vocabulário controlado, abordando assuntos pertinentes que vão
ao encontro dos interesses dos usuários.

�A Rede de Bibliotecas da Universidade Estadual Paulista (UNESP) atualmente
conta com 30 bibliotecas distribuídas em 23 cidades do estado de São Paulo,
interligadas e cooperantes através do banco de dados bibliográficos ATHENA, o que
permite a consulta aos catálogos de todas as unidades informacionais do sistema.
Uma das características da UNESP é ser multicampus exigindo uma central que
coordene tais bibliotecas. A Coordenadoria Geral de Bibliotecas (CGB) é o órgão que
viabiliza o funcionamento sistêmico e o aprimoramento da Rede de Bibliotecas,
estabelecendo a interface entre a informação e a clientela interna e externa, por meio
de serviços voltados para a administração, organização e disseminação da
informação.

O sistema de bibliotecas universitárias CRUESP/BIBLIOTECAS do es tado de
São Paulo, no qual faz parte a Universidade de São Paulo (USP), Universidade
Estadual de Campinas (UNICAMP) e a Universidade Estadual Paulista (UNESP),
nosso objeto de estudo, conduzem o trabalho de suas bibliotecas a partir de três
dimensões: Rede de Bibliotecas, Sistema Coordenador e as Bibliotecas Locais do
sistema.

As três dimensões existentes no ambiente das bibliotecas são os alicerces
fundamentais para que a formulação da política de indexação seja realizada, pois
antes de sua elaboração precisamos compreender a hierarquia existente na
administração das bibliotecas que envolvem aspectos políticos, econômicos e
sociais. A partir do momento que a administração das bibliotecas de uma
universidade estiver bem esclarecida, os profissionais responsáveis pela elaboração
da política estarão aptos em desenvolvê-la sem encontrar dificuldades e
beneficiando a universidade, as bibliotecas, os bibliotecários, os funcionários e,
sobretudo, os usuários.
Esta pesquisa buscará contribuir e auxiliar de forma literária com a Rede de
Bibliotecas da UNESP para a elaboração de uma política de indexação para o
sistema no todo, ou seja, uma política geral, que estabelecerá parâmetros comuns a

�serem adotados por todas as bibliotecas formadoras do catálogo ATHENA, tornando
o mesmo uniforme e consistente, amparando os indexadores no momento da
representação temática dos documentos. Ou seja, uma política de indexação que
torne o sistema ainda mais eficiente, deixando de lado suas possíveis incoerências
pela falta de padronização nas indexações, justificada pelo grande número de
bibliotecas e pelo variado contingente de bibliotecários distribuídos entre o sistema,
não havendo assim consenso sobre a melhor maneira, ou até mesmo, reflexões
sobre os conceitos e princípios de indexação. Entretanto, cada biblioteca da UNESP
tendo conhecimento das diretrizes a serem seguidas no momento da elaboração de
sua própria política de indexação, a mesma será desenvolvida mediante das
particularidades de cada biblioteca. A política de indexação local deverá contemplar
a área do conhecimento em que e biblioteca está inserida, as linhas de pesquisas
desenvolvidas

nas

Unidades,

a

demanda

dos

usuários

e

as

atividades

administrativas: missão, objetivos, planejamento estratégico e a filosofia da
instituição.
Contribuindo com a literatura, permitir-se-á que tanto instituições vinculadas
quanto aquelas que não tem vínculo com uma Rede de Bibliotecas, percebam e
compreendam como uma política de indexação reflete na representação das
informações, no que tange à eficiência e satisfação, desta forma também colaborará
com futuras pesquisas sobre política de indexação, tendo em vista a escassez e a
desatualização da literatura sobre o assunto.
Pelo fato da UNESP fazer parte da rede cooperante BIBLIODATA da
Fundação Getúlio Vargas (FGV) para a construção de seu catálogo coletivo, a
hipótese desta pesquisa é que a falta de política de indexação para normalização
dos assuntos (adequação dos assuntos à demanda usuária) durante a catalogação
pode acarretar problemas no momento da recuperação da informação pelo usuário.
O problema de nosso estudo é advindo da pesquisa de Passoni (2001), em
que se relatou que os registros captados do BIBLIODATA apresentam falhas no

�cabeçalho de assunto, porque os registros são oriundos de várias instituições
participantes e cada uma tem a sua filosofia de atribuir assuntos aos registros.
Porém, os registros incorporados nas bases locais da Rede deveriam ser
modificados, para não prejudicar a consistência do sistema, não haver ruído ou
silêncio durante a recuperação da informação e para que o catálogo de assunto da
biblioteca corresponda ao perfil da demanda.

É importante salientar que a expressão “indexação” será subtendida como
“catalogação de assuntos”, pois estamos tratando de uma política de indexação no
contexto de tratamento temático em catálogo de biblioteca em que o processo de
indexação é efetuado através dos campos 6XX no formato Marchine Readable
Cataloging 21 (MARC21).
A catalogação de assuntos, ou seja, a indexação, na Rede de Bibliotecas não
é, muitas vezes, realizada por um bibliotecário/indexador, sendo atribuído ao
catalogador à função de representar o conteúdo informacional do documento.

No momento em que é feita a catalogação (descrição bibliográfica), inserida
em uma rede cooperativa, esse processo é simplificado, reduzido a uma simples
operação de “cópia” dos cabeçalhos de assuntos, contemplando dessa forma
somente a questão da “forma” na catalogação, deixando de lado o “conteúdo”. Na
maioria das vezes, durante o processo de catalogação cooperativa, a ausência do
documento e tendo somente as fichas catalográficas originais, cópias destas ou
cópias de páginas de rosto, o bibliotecário copia o registro de outra biblioteca e
incorpora ao seu catálogo sem fazer as modificações necessárias no campo de
assunto do formato MARC21, ou seja, trabalhando a forma do documento, sem ter a
preocupação com o conteúdo.
As conseqüências diretas durante este procedimento refletirão na comunidade
dos usuários, pois o catálogo de assunto não será condizente ao perfil informacional,
comprometendo a recuperação da informação.

�A proposição é o levantamento de subsídios para a elaboração de uma
política de indexação do acervo bibliográfico da UNESP.
Esta pesquisa sobre política de indexação terá como finalidade desenvolver a
ação de “Elaboração de política de indexação de assuntos da Rede de Bibliotecas da
UNESP” da Meta “ A otimização do sistema de recuperação de informações no
Banco Athena ” constante do “Plano Diretor de Gestão dos recursos de informação e
de pessoas em perspectiva sistêmica e acadêmica na Rede de Bibliotecas”.

Por isso, tem como objetivo geral a obtenção de qualidade e coerência na
recuperação da informação pelo banco de dados ATHENA. Os objetivos específicos
deste trabalho são: realizar o diagnóstico da infra-estrutura e recursos humanos da
Rede

de

Bibliotecas,

diagnóstico

do

funcionamento

do

Banco

de

Dados

Bibliográficos da UNESP, descrever os procedimentos de catalogação e indexação
realizados nas bibliotecas da UNESP e identificar os elementos necessários para a
elaboração de uma política de indexação.
2 POLÍTICA DE INDEXAÇÃO

As diretrizes para a realização de uma indexação satisfatória começam com a
implementação de uma política de indexação que contemple todas as etapas e
processos de indexação. Sendo assim, somente depois do estabelecimento de uma
política de indexação efetiva, será possível produzir uma indexação que extraia os
melhores termos condizentes com o conteúdo de um determinado documento,
refletindo na recuperação.
De acordo com Carneiro (1985, p. 220) a política de indexação deve
“estabelecer princípios e critérios que servirão de guia na tomada de decisões para
otimização do serviço, racionalização dos processos e consistência das operações”,

�favorecendo para que o trabalho do indexador seja mais rápido, com qualidade e
coerência.

Rubi (2004) afirma que a política de indexação deve ser considerada uma
decisão administrativa primordial a um sistema de recuperação de informação,
porque a indexação deve estar inserida no contexto administrativo da biblioteca,
sendo valorizada, e abandonando a concepção técnica desse procedimento, pois ela
ocorre na entrada e na saída de informações do sistema, e “somente depois de seu
estabelecim ento é que o sistema em questão poderá definir suas características
principais” (RUBI, 2004, p. 15).

Segundo Guimarães (2000), o estabelecimento de uma política de indexação
contribuirá para que o usuário e o documento deixem de ser sujeito e objeto para se
tornarem dois sujeitos que interagem, uma vez que o usuário estará sempre
recriando o documento e alimentando novamente o sistema.
Fujita (2003, p. 102) considera que a política de indexação deve estar inserida
em dois contextos complementares:
?? Contexto sociocognitivo do indexador: a política de indexação,
as regras e procedimentos do manual de indexação, a linguagem
documentária para representação e mediação da linguagem do
usuário e os interesses de busca dos usuários;
?? Contexto físico de trabalho do indexador: sistema de
informação.

Carneiro (1985, p.222) destaca alguns fatores que são indispensáveis no
planejamento de um sistema de recuperação de informação para constituir uma
política de indexação:
??
a identificação da organização a qual estará vinculado o sistema de
indexação;
??
a identificação da clientela a que se destina o sistema;
??
os recursos humanos, materiais e financeiros.

�Carneiro (1985) define os elementos que devem ser considerados na
elaboração de uma política de indexação:

??
Cobertura de assuntos;
??
Seleção e aquisição dos documentos -fonte;
Processo de indexação:
??
Nível de exaustividade;
??
Nível de especificidade;
??Escolha da linguagem:
??
Capacidade de revocação e precisão do sistema;
??
Estratégia de busca;
??
Tempo de resposta do sistema;
??
Forma de saída;
??
Avaliação do sistema.
Guimarães (2000, p. 55) lembra outros elementos apresentados pelo Fosket
(1973) que complementará aos estudos sobre política de indexação.
a) Capacidade de consulta a esmo (browsing): torna-se
necessário pensar a respeito da interface dos sistemas de busca,
revelando, de maneira fácil e direta, a estrutura temática que os
organiza;
b) Garantia literária (literary warrant): diz respeito a linguagem de
indexação, suas representações de conceitos realmente
utilizados pela comunidade usuária em questão;
c) Formação do indexador: em termos de conhecimento das
áreas de assunto dos documentos, da metodologia de
indexação, das características da linguagem documentárias e de
suas habilidades lingüísticas.

Diante da realidade atual dos sistemas de informação, Guimarães (2000, p.
54-55) reuniu mais dois aspectos constituintes existentes na política de indexação
realizada por Carneiro (1985).

�?? Cobertura de assuntos: aspectos como a conversão retrospectiva de dados e a
compatibilidade de linguagem de indexação entre integrantes de um mesmo
sistema cooperativo;
?? Seleção e aquisição de documentos-fonte: aliar a procedência (especialmente
no que diz respeito a sites), ao custo, à língua etc.
Rubi (2004, p. 115), em sua dissertação de mestrado, sugere “um novo
aspecto a ser incorporado aos elementos descritos por Carneiro (1985) e Fosket
(1973)”, que é consulta ao indexador.

Em seu artigo, Guimarães (2000 p. 58) finaliza sobre a questão da política de
indexação por ser um “elemento-chave para que o SRI possa cumprir sua função
básica – a disponibilização de conteúdos informacionais – em que organizações
gestoras do conhecimento, atuando em consonância com uma política mais ampla”.
Com a indexação sendo norteada por meio de uma política, os documentos
poderão ser disponibilizados com coerência e qualidade nas bibliotecas e sistemas
de recuperação. É importante ressaltar que a política de indexação não beneficiará
somente o serviço de indexação, mas a instituição como um todo. Pois a política a
ser implantada terá que contemplar não só as etapas envolvidas durante a
indexação, mas a missão, os objetivos e a filosofia da instituição para que a
indexação, fase final do tratamento da informação, seja efetuada de forma
padronizada e uniforme a representação temática do documento.
3 METODOLOGIA

A metodologia foi desenvolvida em duas etapas: a revisão de literatura e
análise do diagnóstico que está dividida em dois estudos de caso, representativos de
sistemas de bibliotecas universitárias: Rede de Bibliotecas da UNESP e Sistema de
Bibliotecas das Universidades Estaduais Paulistas (CRUESP/BIBLIOTECAS) -

�Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)
e Universidade Estadual Paulista (UNESP).

Para realização das análises dos diagnósticos, primeiramente, fez -se um
estudo na UNESP para conhecer todo o funcionamento do Banco de Dados
Bibliográficos ATHENA, desde o órgão que gerencia o funcionamento sistêmico de
todas as bibliotecas da UNESP, a base de dados que fornece através de um
convênio registros bibliográficos para formação do banco ATHENA, denominada
Rede BIBLIODATA e a conversão retrospectiva que almejou a formação do banco de
dados de forma mais rápida. Por meio deste diagnóstico de funcionamento,
conseguimos conhecer todo o processo de catalogação e indexação complementado
por duas entrevistas com bibliotecárias do Sistema Coordenador e uma bibliotecária
de atua em uma Biblioteca Local.
Após o estudo do diagnóstico da UNESP, verificamos que as realidades de
trabalho

dos

bibliotecários

CRUESP/BIBLIOTECAS

são

tanto
muito

da

UNESP

semelhantes,

quanto

pois

todos

do

Sistema

trabalham

em

bibliotecas universitárias, a administração das bibliotecas possui três dimensões
(Rede de Bibliotecas, Sistema Coordenador e Bibliotecas Locais), possuem usuários
com perfis semelhantes e utilizam ferramentas similares para o tratamento da
informação nos processos técnicos de catalogação, classificação e indexação.

Portanto,

realizamos

um

diagnóstico

retratando

a

infra-estrutura

e o

funcionamento da CRUESP e através dos relatos de experiências extraídos de um
curso on-line, “Fundamentos Teóricos e Metodológicos de Indexação: aspectos
sociocognitivos e lingüísticos”, realizado na USP no ano de 2005 e ministrado pela
Profª. Dra. Mariângela Spotti Lopes Fujita aos bibliotecários do Sistema de
Bibliotecas das Universidades Estaduais Paulistas (CRUESP/BIBLIOTECAS) e
entrevista com as bibliotecárias da CGB pode-se levantar os subsídios para
elaboração de uma política para sistemas de bibliotecas universitárias.

�4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pesquisa teve como propósito levantar subsídios para o estabelecimento de
uma política de indexação no tratamento do acervo bibliográfico da Rede de
Bibliotecas da Universidade Estadual Paulista (UNESP), com o objetivo de obter
qualidade e coerência na recuperação das informações.

A política de indexação torna-se fundamental em contexto de bibliotecas para
orientar o bibliotecário em cada uma das etapas a serem seguidas no processo de
indexação, permitindo uniformidade e rapidez em suas tarefas e direcionando um
tratamento temático do acervo com padronização e consistência.
Muitos dos dezessetes elementos de política de indexação que existem na
literatura foram contemplados nos dois diagnósticos. Percebe-se que as atividades
relacionadas com a indexação na UNESP utilizam um número razoável de
elementos, mesmo que a maioria das bibliotecárias não tem o conhecimento da
importância sobre política de indexação. A partir dos relatos de experiências
verificou-se que a maioria dos elementos foram destacados nas atividades do curso
on-line.
O resultado de todo o diagnóstico nos evidencia que há

falta de estudos

sobre política de indexação em bibliotecas universitárias. Apresentada a realidade
das bibliotecas nesta pesquisa, que participam de um sistema cooperativo de
catalogação (BIBLIODATA), utilizando normas de catalogação (AACR2), um formato
de intercâmbio bibliográfico (MARC 21), vocabulário controlado, entre outras normas
que existem na Biblioteconomia, observamos que nem a UNESP e nem o sistema
CRUESP/BIBLIOTECAS se preocuparam em elaborar uma política de indexação
para dar ênfase na descrição do assunto.

Entendemos que um dos motivos pelo qual a elaboração da política de
indexação não é uma atividade presente nas bibliotecas é conseqüência do modo

�como a indexação é vista, muitas vezes, somente como um processo técnico que
não necessita de procedimentos sistematizados para identificação de assuntos,
somente de uma leitura rápida para identificar e extrai r os termos para representar o
conteúdo.
Mas, a partir do momento em que as bibliotecas perceberem a importância da
indexação em todo o ciclo documentário, considerando -a como parte da
administração, mudarão de concepção entendendo que a indexação necessita de
parâmetros que guiem os indexadores no momento de tomadas de decisões
minimizando subjetividade e incertezas durante o processo de indexação,
reconhecendo, portanto, a importância em se implantar uma política de indexação.

Os estudos mostram a importância do aperfeiçoamento do processo da
catalogação, no que diz respeito à descrição do assunto, além da descrição da
forma. Quando pensamos em elaborar catálogos on-line para disponibilizar a
informação de maneira mais rápida e com qualidade para os usuários, que envolve
toda a descrição da forma física do documento, esquecemos da importância em se
tratar adequadamente o conteúdo do documento que fará a ponte entre o sistema e
o usuário.
A partir dos relatos de experiências (CRUESP/BIBLIOTECAS) e das
entrevistas (UNESP), observamos que os subsídios para elaborar uma política de
indexação são baseados não somente nos dezessetes elementos que existem na
literatura, mas também em três novos subsídios identificados a partir da prática dos
bibliotecários e que serão importantes para definir melhor uma política. São eles:
?? Consulta ao bibliotecário de referência para saber quais são os termos que
geralmente os usuários utilizam para realizar a buscar;

�?? Formar uma comissão que tenha a participação de bibliotecários do
processamento técnico e de referência, funcionários da biblioteca, docentes
da Unidade e usuários para a realização de uma política de indexação;
?? Desenvolver uma política geral, para a Rede de Bibliotecas em que serão
estabelecidos critérios comuns a serem seguidas por todas as bibliotecas, e uma
política local onde cada biblioteca deverá levar em consideração suas próprias
particularidades, porém seguindo a filosofia do Sistema Coordenador.

POLITICS OF INDEXATION IN SYSTEMS OF LIBRARIES: SURVEY OF
SUBSIDIES FOR THE THEMATIC TREATMENT OF THE BIBLIOGRAPHICAL
QUANTITY OF THE UNESP.

ABSTRACT
The elaboration of one politics of indexing in systems of university libraries will establish the
taking of decisions to optimize the procedures of description of the subjects. The politics in
the Net of Libraries of Universidade Estadual Paulista (UNESP) is necessary because it has
lack of normalization of the described subjects in collective catalogue ATHENA, for the fact of
the UNESP to be part of the net of cataloging BIBLIODATA. Heading of subjects of catalogue
ATHENA would have to be modified during the importation of the registers of the
BIBLIODATA, however this modification does not occur, therefore the librarian who makes
the catalogation does not have the understanding that he also makes the indexation. The
research has as objective to get coherence and quality at the moment of the recovery of the
information with the proposal of survey of subsidies for the elaboration of one politics of
indexation in the UNESP. The methodology was composed of two stages of collections:
together to the Net of Libraries of the UNESP and the System of Libraries of Universidades
Estaduais Paulistas (CRUESP/BIBLIOTECAS). The final consideracion are based on the two
collections of data to obtain greater and theoretical endorsement how much to the importance
of if elaborating one politics of indexation in systems of libraries, sight the scarcity and
denaturalization of literature on the subject.
Keywords: indexing politic, indexing, catalogue ATHENA, university libraries systems.

�REFERÊNCIAS

CARNEIRO, M. V. Diretrizes para uma política de indexação. Revista da Escola de
Biblioteconomia da UFMG, Belo Horizonte, v. 14, n. 2, p. 221-241, set. 1985.
FUJITA, M. S. L. A leitura documentária do indexador: aspectos cognitivos e
lingüísticos influentes na formação do leitor profissional. 2003. 321 f. Tese (LivreDocência em Análise Documentária e Linguagens Documentárias Alfabéticas) –
Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista, Marília, 2003.
GONÇALVES, M. C. POLÍTICA DE INDEXAÇÃO EM SISTEMAS DE
BIBLIOTECAS: levantamento de subsídios para o tratamento temático do
acervo bibliográfico da UNESP. 154 f. 2005. Trabalho de Conclusão de Curso
(Graduação em Biblioteconomia) – Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade
Estadual Paulista, Marília, 2005.

GUIMARÃES, J. A. C. Políticas de análisis y representación de contenido para la
gestión del conocimiento en las organizaciones. Scire, Zaragoza, v. 6, n. 2, p. 48 -58,
jul./dic. 2000.
PASSONI, L. A. Avaliação de linguagem documentária em catálogos
cooperativos online: um estudo de caso para levantamento de indicadores de
avaliação do Banco de Dados Bibliográficos ATHENA. 2001. 67 f. Trabalho de
Conclusão de Curso (Graduação em Biblioteconomia) – Faculdade de Filosofia e
Ciências, Universidade Estadual Paulista, Marília, 2001.
RUBI, M. P. A política de indexação na perspectiva do conhecimento
organizacional. 2004. 135 f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) –
Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista, Marília, 2004.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A elaboração de uma política de indexação em sistemas de bibliotecas universitárias estabelecerá a tomada de decisões para otimizar os procedimentos de descrição dos assuntos. A política na Rede de Bibliotecas da Universidade Estadual Paulista (UNESP) é necessária porque há falta de normalização dos assuntos descritos no catálogo coletivo ATHENA, pelo fato da UNESP fazer parte da rede de catalogação BIBLIODATA. Os cabeçalhos de assuntos do catálogo ATHENA deveriam ser alterados durante a importação dos registros do BIBLIODATA, porém não ocorre esta modificação, pois o bibliotecário que faz a catalogação não tem a compreensão que faz também a indexação. A pesquisa tem como objetivo obter coerência e qualidade no momento da recuperação da informação com a proposição de levantamento de subsídios para a elaboração de uma política de indexação na UNESP. A metodologia foi composta de duas etapas de coletas: junto à Rede de Bibliotecas da UNESP e o Sistema de Bibliotecas das Universidades Estaduais Paulistas (CRUESP/BIBLIOTECAS). As considerações finais são baseadas nas duas coletas de dados para conseguir maior consolidez e respaldo teórico quanto à importância de se elaborar uma política de indexação em sistemas de bibliotecas, vista a escassez e desatualização da literatura sobre o assunto.</text>
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                    <text>POLÍTICA DE TRATAMENTO DE INFORMAÇÕES DA REDE DE BIBLIOTECAS
UNESP NA PERSPECTIVA DO CATALOGADOR: DIAGNÓSTICO COM USO DE
PROTOCOLO VERBAL INDIVIDUAL
Mariângela Spotti Lopes Fujita
Professora Adjunta do Departamento de
Ciência da Informação UNESP Marília, SP,
Brasil - fujita@marilia.unesp.br
Dilnei Fátima Fogolin
Bibliotecária, Coordenadoria Geral de
Bibliotecas da UNESP Marília, SP, Brasil.
dilnei@marília.unesp.br
Maria José Stefani Buttarello
Bibliotecária, Coordenadoria Geral de
Bibliotecas da UNESP Marília, SP, Brasil zeza@marilia.unesp.br
Cássia Adriana de Sant´Ana Gatti
Bibliotecária, Coordenadoria Geral de
Bibliotecas da UNESP Marília, SP, Brasil cgatti@marilia.unesp.br
Milena Polsinelli Rubi
Doutoranda do Curso de Pós-Graduação em
Ciência da Informação UNESP Marília, SP,
Brasil.
Bolsista CAPES - mprubi@ig.com.br
Vera Regina Casari Boccato
Doutoranda do Curso de Pós-Graduação em
Ciência da Informação UNESP Marília, SP,
Brasil - vboccato@yahoo.com.br
Maria Carolina Gonçalves
Mestranda do Curso de Pós-Graduação em
Ciência da Informação UNESP Marília, SP,
Brasil - mariacarolunesp@yahoo.com.br
Eixo temático: As Bibliotecas Universitárias e a Produção do Conhecimento
- A preservação do conhecimento e os arquivos digitais
- As redes e virtualidades da pesquisa acadêmica

�RESUMO
O Programa de Gestão 2005-2008 da Universidade Estadual Paulista tem como meta a otimização do
sistema de recuperação de informações no Banco de dados Bibliográficos Athena da Rede de
Bibliotecas, por meio da elaboração de política de tratamento da informação documentária da Rede, a
ser realizada em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UNESP Marília. A política de tratamento da informação documentária de bibliotecas engloba todos os
procedimentos, materiais, normas e técnicas de tratamento de forma e de conteúdo documentários.
Propõe-se elaborar um diagnóstico composto de três partes: funcionamento e procedimentos do
tratamento de informações na Rede de Bibliotecas na perspectiva da Coordenadoria Geral de
Bibliotecas, na perspectiva do catalogador e a descrição da metodologia de coletas de dados para o
diagnóstico do tratamento de informações nas bibliotecas. Como metodologia, será aplicado o
protocolo verbal individual (PVI), com uma amostra de bibliotecários catalogadores de nove bibliotecas
da Rede, representativas das áreas de Humanas, Exatas e Biológicas. Uma aplicação piloto do PVI foi
realizada com o intuito de familiarizar os pesquisadores com a metodologia e verificar os
procedimentos a serem adotados durante a coleta. Os resultados demonstraram que a metodologia é
aplicável aos objetivos da pesquisa.

Palavras-chave: Política de Tratamento. Informação Documentária. Protocolo Verbal
Individual. Catalogação de Assunto.

1 INTRODUÇÃO
A biblioteca universitária é parte de um sistema de informação acadêmico, no
qual, a geração de conhecimentos é o objeto da vida universitária. A organização da
informação na gestão de bibliotecas universitárias ganha uma nova dimensão pelo
ambiente digital e pela possibilidade de divulgação do conhecimento produzido na
Universidade.
A universidade promove a construção de conhecimento através da pesquisa, e
realiza, por meio dos conteúdos curriculares, o contato do aluno com o conhecimento
já construído. A construção de conhecimentos através da pesquisa é, antes de tudo,
o pensar de forma crítica e com liberdade acadêmica. O conhecimento construído
em pesquisa é difundido e ampliado no ensino (e vice-versa) e socializado na
extensão, contexto em que novamente receberemos subsídios que impliquem
criação de novos conhecimentos. Tudo isso, de forma contínua, em um contexto
dinâmico, onde, naturalmente, convivemos com os elementos que põem em
funcionamento o processo de construção de conhecimentos: a reflexão e a
discussão sobre os saberes teóricos e metodológicos e a motivação para a busca de

�soluções, ainda que parciais e temporárias para problemas existentes em nosso
mundo a cada contribuição da Ciência.
Nessa perspectiva, a Universidade atua como organismo gerador, transmissor
e receptor de conhecimentos e a biblioteca universitária torna-se consciente de sua
função intermediadora realizando os processos documentários e preservando a
informação para sua próxima transformação em conhecimento em uma espiral de
evolução científica e tecnológica.
Além de considerarmos a dinâmica do contexto tecnológico-documentário,
Fujita (2005) chama a atenção para a mudança de paradigmas da informação que,
inegavelmente, credita como um dos mais importantes fatores determinantes para a
existência de inovação quanto à:
FORMA: a diversidade de formatos exige tratamento temático e descritivo
compatíveis com conseqüente modificação de normas, diretrizes, manuais e
metodologias; a co-existência do formato impresso e do formato eletrônico:
evolução semelhante à ocorrida com o documento manuscrito para o documento
impresso, em ritmo acelerado;
ACESSO: evolução tecnológica da comunicação de dados facilitou o acesso
simultâneo de todos a todos os registros;
VALOR: a informação registrada, tratada e disseminada por meio do aparato
tecnológico de comunicações tem um valor mais alto.
A Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho (UNESP) é uma
das maiores e mais importantes universidades brasileiras, com destacada atuação
no ensino, na pesquisa e na extensão de serviços à comunidade. Mantida pelo
governo do Estado de São Paulo, é uma das três universidades públicas, de ensino
gratuito, ao lado da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de
Campinas (UNICAMP). Há uma peculiaridade que a distingue das demais: é a única
universidade presente em praticamente todo o território paulista. Seus campi

�universitários estão instalados em 23 cidades, sendo 21 no Interior; um na Capital do
Estado, São Paulo; e um em São Vicente, o primeiro de uma universidade pública no
Litoral Paulista, com 33 Faculdades e Institutos e 7 Unidades Complementares, 3
Colégios técnicos com 10 cursos.
Inserida neste contexto maior encontra-se a Coordenadoria Geral de
Bibliotecas (CGB), responsável pelo funcionamento sistêmico da Rede de Bibliotecas
da UNESP, com a missão de propiciar uma efetiva interação entre a Rede de
Bibliotecas, o meio acadêmico e Instituições congêneres Nacionais e Internacionais,
através de ações conjuntas, facilitando a comunicação entre os vários segmentos da
Universidade, visando à democratização da informação em benefício da Sociedade.
De uma forma mais ampla, considera-se que a CGB e Rede de Bibliotecas
formam um sistema de informação que agrega valor à informação, aprimorando e
promovendo a política informacional da Universidade, disponibilizando-a aos
usuários no atendimento dos seus interesses e necessidades. Trata-se de uma
instituição com os elementos que formam a cultura organizacional já estabelecidos
em sua estrutura.
De acordo com Fujita (2005) o momento atual vivido pelas bibliotecas exige o
estabelecimento de um Programa de Gestão de Informação e de Pessoas, que
considere a cultura da instituição acadêmica, inserindo-a na Sociedade da
Informação, resultado da Globalização vivida pela humanidade.
Indo ao encontro desta exigência, a CGB elaborou o Programa de Gestão
2005-2008 que tem como meta a otimização do sistema de recuperação de
informações no Banco Athena. Para tanto, necessita colocar em prática as seguintes
ações:
-

Elaboração de política de indexação da Rede de Bibliotecas da UNESP;

-

Avaliação da linguagem documentária utilizada pela Rede de bibliotecas da
UNESP;

�-

Disponibilizar junto à interface de busca do banco Athena a base de autoridades
do Bibliodata.
Nosso estudo insere-se na primeira ação

elaboração de política de

indexação de assuntos da rede de Bibliotecas da UNESP.
Apesar de a literatura trazer somente elementos que dizem respeito
especificamente à política de indexação, consideramos oportuno abranger nosso
estudo para política de tratamento de informação documentária.
Isto se deve ao fato de que na Organização da Informação, o tratamento da
informação comporta dois níveis:
o da forma

análise descritiva ou bibliográfica

o tratamento físico da

informação ligado com o suporte;
o do conteúdo

tratamento temático da informação e destina-se à

representação condensada do assunto intrínseco ou extrínseco tratado em um
determinado documento.
Além disso, consideramos que não se deve desassociar os dois níveis de
tratamento, uma vez que a biblioteca é composta por partes interligadas (inserção de
documentos, classificação, catalogação, indexação etc.) com objetivo comum de
disponibilizar a informação da melhor maneira possível.
Nota-se, portanto, que a indexação e, por conseguinte, sua política, é uma das
partes desses sistemas e, como tal, deve fazer parte também do planejamento global
dos sistemas de informação como um parâmetro de sua administração no contexto
gerencial.
Portanto, nosso objetivo é a elaboração de política de tratamento de
informações da Rede de Bibliotecas UNESP a partir de um diagnóstico composto de
três partes: funcionamento e procedimentos do tratamento de informações na Rede

�de Bibliotecas na perspectiva da Coordenadoria Geral de Bibliotecas, na perspectiva
do catalogador e a descrição da metodologia de coletas de dados para o diagnóstico
do tratamento de informações nas bibliotecas.
2 POLÍTICA DE TRATAMENTO DA INFORMAÇÃO DOCUMENTÁRIA
Uma

política

de

tratamento

da

informação

documentária

pode

ser

caracterizada como um conjunto de procedimentos, materiais, normas e técnicas
orientadas por decisões que refletem a prática e princípios teóricos da cultura
organizacional de um sistema de informação.
Mesmo tratando especificamente de política de indexação, a definição de
Carneiro (1985, p. 221) sobre o tema serve bem aos nossos propósitos, tendo em
vista o contexto universitário em que estamos inseridos:
[...] deve servir como um guia para tomada de decisões, deve levar em conta
os seguintes fatores: características e objetivos da organização,
determinantes do tipo de serviço a ser oferecido; identificação dos usuários,
para atendimento de suas necessidades de informação e recursos humanos,
materiais e financeiros, que delimitam o funcionamento de um sistema de
recuperação de informações.

A política de indexação não deve ser vista como uma lista de procedimentos a
serem seguidos, e sim uma filosofia que reflita os interesses e objetivos da biblioteca.
Isso nos leva a pensar sobre a indexação do ponto de vista gerencial e estratégico
no contexto da biblioteca, uma vez que ela acontece na entrada e na saída de
informações do sistema, confirmando-se como [...] a parte mais importante porque
condiciona

os

resultados

de

uma

estratégia

de

busca,

produzindo

uma

correspondência precisa com o assunto pesquisado em índices (FUJITA, 1999b, p.
9).
A automação da Rede de Bibliotecas permitiu que os catálogos, antes locais e
restritos à determinada comunidade, agora se tornassem disponíveis através da
Internet, atravessando fronteiras físicas e temporais. No nosso ponto de vista, essa

�visibilidade do catálogo faz com que o bibliotecário assuma uma nova
responsabilidade compromissada com construção de catálogos em bibliotecas
universitárias condizentes com a realidade não somente de sua comunidade usuária
local, mas também de uma comunidade usuária potencial virtual, todas cada vez
mais exigentes.
Além disso, é importante afirmar que essa visibilidade do catálogo e a
responsabilidade do bibliotecário permeia todo o processo de catalogação de forma e
assunto, tornando-se necessário uma mudança de postura do bibliotecário
conscientizando-se sobre a importância de adoção de critérios de qualidade para
esse processo que resultará na recuperação da informação, sendo a política de
tratamento da informação documentária, um deles.
Essa política torna-se importante porque visa à gestão da informação
registrada de modo a dar visibilidade na recuperação da informação para a Rede de
Bibliotecas UNESP, além de identificar condutas teóricas e práticas das equipes de
tratamento da informação documentária envolvidas para definir um padrão de cultura
organizacional coerente com a demanda da comunidade acadêmica interna e
externa.
3 METODOLOGIA
Optamos pela metodologia de estudo diagnóstico que será composto de três
partes, sendo que as duas primeiras já estão parcialmente concluídas:
a) funcionamento e procedimentos do tratamento de informações na Rede de
Bibliotecas na perspectiva da Coordenadoria Geral de Bibliotecas:
b) funcionamento e procedimentos do tratamento de informações na Rede de
Bibliotecas na perspectiva do catalogador:
c) descrição da metodologia de coletas de dados para o diagnóstico do tratamento
de informações nas bibliotecas:

�Posteriormente, o Protocolo Verbal Individual (PVI) será utilizado para a
concretização do item sobre coletas de dados a respeito do tratamento de
informações nas bibliotecas.
A metodologia de coleta de dados introspectivos consiste na gravação da
exteriorização verbal de pensamento durante a realização de uma tarefa. . O "Pensar
alto" do sujeito é gravado e transcrito literalmente, produzindo protocolos verbais. O
leitor pode exteriorizar seus processos mentais enquanto a informação processada
está sob o foco de sua atenção. Ele lê e interpreta ao mesmo tempo, exteriorizando
em voz alta tudo o que passa pela sua cabeça durante a leitura.
Fujita, Nardi e Fagundes (2003) consideram que a técnica introspectiva de
Pensar Alto , ou Protocolo Verbal, revela a introspecção do leitor de forma natural,
com vantagens sobre outros tipos de técnicas tais como diários, questionários ou
entrevistas porque é a única que fornece acesso direto ao processo mental de leitura
enquanto está sendo realizado pelo leitor, diferente das outras que revelam apenas a
reflexão após o processo de leitura. Dessa forma, a técnica de Pensar alto é a
única técnica propriamente introspectiva enquanto as outras são de natureza
retrospectiva.
Cabe destacar que, em termos de Brasil, são pioneiros os estudos
coordenados por Fujita quanto à observação do processo de leitura documentária
utilizando a metodologia introspectiva do Protocolo Verbal e obtenção de relato
verbal do processo mental de leitura e análise de textos para fins de indexação.
(FUJITA, 1999a, 2003; FUJITA, NARDI, FAGUNDES, 2003).
As autoras descrevem detalhes dos procedimentos metodológicos e
resultados da análise dos dados obtidos da aplicação de Protocolo Verbal que serão
adotados no desenvolvimento da pesquisa.

�No caso dessa pesquisa, a tarefa a ser observada será a catalogação de livro
realizada por bibliotecário.
O PVI individual engloba três procedimentos:
1- Procedimentos anteriores à coleta de dados
a) Definição do universo da pesquisa: amostra de catalogadores representativa
das três áreas do conhecimento

Humanas, Exatas e Biológicas

respectivamente, Letras, Matemática e Odontologia em nove bibliotecas da
UNESP
b) Seleção do Texto-Base
-

catalogação original

-

importação de um registro com Identidade Total (IT)

-

importação de um Registro Aproveitável (RA)

c) Definição da tarefa
-

fazer catalogação original, catalogação das importações de registros IT e RA.

d) Seleção dos Sujeitos
e) Conversa informal com os sujeitos.
f) Familiarização com a tarefa do Think Aloud ( Pensar Alto).
2

Procedimentos posteriores à coleta de dados
a) Gravação do Pensar Alto durante a leitura do texto-base;
b) Entrevista retrospectiva (optativa).

3

Procedimentos posteriores à coleta de dados
a) Transcrição literal das gravações das falas dos sujeitos (Protocolo verbal
individual)
b) Transcrição dos dados na íntegra com identificação das fontes das falas
individuais (Protocolo verbal em grupo);
c) Leitura detalhada dos dados em busca de fenômenos significativos e
recorrentes para construir categorias de análise;
d) Construção das categorias;

�e) Volta aos dados para retirar trechos da discussão que exemplificassem cada
fenômeno, cada categoria.
Em uma primeira etapa, será solicitado aos catalogadores que façam a
catalogação conforme estão habituados e que externalizem seus pensamento
enquanto estiverem realizando essa tarefa. Dessa maneira, poderemos observar os
procedimentos realizados durante a catalogação e o aspecto cognitivo do
catalogador. A externalização, ou pensar alto dos participantes é gravado, a seguir,
transcrito na íntegra e analisado.
Uma coleta piloto já foi realizada com o objetivo de verificar a aplicabilidade da
metodologia para os objetivos da pesquisa e familiarizar os pesquisadores com a
técnica. Os resultados da análise dos dados transcritos demonstraram que a
metodologia é pertinente e viável à finalidade do nosso estudo.
Em etapa posterior, serão realizadas novas coletas de dados utilizando o PVI
para verificação dos procedimentos de indexação, com a utilização do Modelo de
Leitura Documentária desenvolvido pela Profa. Dra. Mariângela Spotti Lopes Fujita.
Dessa vez, observaremos os procedimentos realizados durante a catalogação
norteados por um manual que guiará a leitura do catalogador e sua opinião a
respeito da aplicabilidade do Modelo de Leitura Documentária.
Os resultados das análises dos estudos diagnósticos e dos dados coletados
permitirão a elaboração e implantação de uma política de tratamento da informação
documentária para a Rede de Bibliotecas da UNESP.
INFORMATION TREATMENT POLICY OF UNESP LIBRARIES NETWORK IN THE
CATALOGUER S PERSPECTIVE: DIAGNOSIS USING THE INDIVIDUAL VERBAL
PROTOCOL

�Abstract
One of the goals of UNESP Management Program 2005-2008 is the optimization of ATHENA
Bibliographic Databank s information retrieval system, by the working up of a documentary
information treatment policy of UNESP Libraries Network, to be carried out with UNESP Post
Graduation Program in Information Science. The libraries documentary information treatment
policy embodies all the procedures, patterns and analysing techniques of documentary form
and content. It is proposed to work up a diagnosis consisted of three parts: functioning and
procedures of UNESP Libraries Network s information treatment in the perspective of the
Libraries General Coordination, in the cataloguer s perspective and the description of data
collecting methodology for the diagnosis. The adopted methodology is the Individual Verbal
Protocol (IVP) applied to a sample of cataloguers from nine libraries representative of
Human, Exact and Biological Sciences. A pilot of the IVP was applied in order to make the
cataloguers/researchers familiar with the methodology and to check the procedures to be
adopted during the data collecting. The results show that this methodology is applicable to
the research s aims.
Key words: documentary information treatment policy; Individual Verbal Protocol; subject
cataloguing.

REFERÊNCIAS
CARNEIRO, M. V. Diretrizes para uma política de indexação. Revista da Escola de
Biblioteconomia da UFMG, Belo Horizonte, v. 14, n. 2, p. 221-241, set. 1985.
FUJITA, M. S. L. Aspectos evolutivos das bibliotecas universitárias em ambiente
digital na perspectiva da Rede de Bibliotecas da UNESP. Informação &amp; Sociedade:
estudos, João Pessoa, v. 15, n. 2, 2005. Disponível em:
&lt;http://www.informacaoesociedade.ufpb.br/pdf/IS1520504.pdf &gt;. Acesso em: 22 mar.
2006.
______. A leitura do indexador: estudo de observação. Perspectivas em Ciência da
Informação, v. 4, n.1, p.101-116, 1999a.
______. Leitura em análise documentária. Marília: UNESP; CNPq, 1999b. Relatório
parcial de pesquisa.
______. A leitura documentária do indexador: aspectos cognitivos e lingüísticos
influentes na formação do leitor profissional. 321f. 2003. Tese (Livre-Docência nas
disciplinas Análise Documentária e Linguagens Documentárias Alfabéticas)
Faculdade de Filosofia e Ciência, UNESP.
______.; NARDI, M.I.A.; FAGUNDES, S.A. Observing documentary reading by verbal
protocol. Information Research, v. 8, n. 4, 2003, paper no. 155. Disponível em:
&lt;http://informationr.net/ir/8-4/paper155.html&gt;. Acesso em: 17 jul. 2006.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Fujita, Mariângela Spotti Lopes et al.</text>
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            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                <text>Salvador (Bahia)</text>
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            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
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            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="60193">
                <text>O Programa de Gestão 2005-2008 da Universidade Estadual Paulista tem como meta a otimização do sistema de recuperação de informações no Banco de dados Bibliográficos Athena da Rede de Bibliotecas, por meio da elaboração de política de tratamento da informação documentária da Rede, a ser realizada em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UNESP - Marília. A política de tratamento da informação documentária de bibliotecas engloba todos os procedimentos, materiais, normas e técnicas de tratamento de forma e de conteúdo documentários. Propõe-se elaborar um diagnóstico composto de três partes: funcionamento e procedimentos do tratamento de informações na Rede de Bibliotecas na perspectiva da Coordenadoria Geral de Bibliotecas, na perspectiva do catalogador e a descrição da metodologia de coletas de dados para o diagnóstico do tratamento de informações nas bibliotecas. Como metodologia, será aplicado o protocolo verbal individual (PVI), com uma amostra de bibliotecários catalogadores de nove bibliotecas da Rede, representativas das áreas de Humanas, Exatas e Biológicas. Uma aplicação piloto do PVI foi realizada com o intuito de familiarizar os pesquisadores com a metodologia e verificar os procedimentos a serem adotados durante a coleta. Os resultados demonstraram que a metodologia é aplicável aos objetivos da pesquisa.</text>
              </elementText>
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            <description>A language of the resource</description>
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                    <text>Políticas para a Análise Documentária de
Imagens Fotográficas Digitalizadas

Deise Maria Antonio
Unesp – Campus Experimental de Tupã – Bibliotecária
Mestranda em Ciência da Informação
Av. Domingos da Costa Lopes, 780
17602-496 – Tupã – SP – Brasil
E-mail: deise@tupa.unesp.br

�RESUMO

A verificação dos elementos e fatores que devem ser considerados na análise
documentária de Imagens Fotográficas é pertinente para o estabelecimento dos
procedimentos padrão. O procedimento define detalhadamente as diretrizes que
implementam a política. A política estabelece-se por meio de um plano contínuo
onde as diretrizes específicas de cada processo para tomada de decisão estão
expressas e colaboram para decisão prévia de questões, evitando repetição de
análises, delegando autoridade sem perder o controle, viabilizando a criação de
outros planos unificando as estruturas. O artigo promove a discussão da
importância de diretrizes para a construção de políticas que implementem
procedimentos estratégicos para análise documentária de imagens fotográficas do
Memorial Fotográfico da FFC, Unesp, Marília.

�Introdução

A origem do nosso estudo está no projeto “A memória acadêmica em imagens
fotográficas: análise de conteúdo e digitalização de fotografias” elaborado pelo
Departamento de Ciência da Informação da FFC, Unesp, em parceria com a
Coordenadoria Geral de Bibliotecas, CGB, “órgão que viabiliza o funcionamento
sistêmico da Rede de Bibliotecas da Unesp, constituída por 30 Bibliotecas,
localizadas em 23 cidades do Estado de São Paulo, para a elaboração e
supervisão das etapas da representação descritiva e digitalização das imagens
fotográficas”. (FUJITA et al, 2004). A proposta do projeto é o resgate da memória
acadêmica da Faculdade de Filosofia e Ciências de Marília por meio das imagens
fotográficas registradas no período de 1959 a 1999, que relatam sua trajetória, a
instalação dos primeiros cursos no prédio, das primeiras defesas públicas de
mestrado e doutorado, e outros eventos de natureza importante e significativa
para a Universidade.
Para tanto, algumas etapas de trabalho já foram realizadas e outras estão em
processo, como: separação das fotografias por assunto dos eventos realizados;
tratamento descritivo; preservação e armazenagem; listagem em ordem alfabética
e assunto; escolha das classes temáticas; escolha das ferramentas para a
representação descritiva; padronização e inserção dos registros bibliográficos em
meio magnético (informação verbal)1.
Entretanto, o projeto do Memorial não conta com um estudo de plano contínuo
onde as diretrizes específicas de cada processo para as tomadas de decisão se
encontra estabelecida. Essas diretrizes, também conhecidas como políticas, são
importantes, pois “colaboram para se decidirem questões previamente, evitando
repetição de análises, e ajudam a dar uma estrutura unificada a outros tipos de

1

Informação obtida por meio de entrevista com a Bibliotecária Dilnei Fátima Fogolin, da
Coordenadoria Geral de Bibliotecas, CGB – Marília, e membro do projeto.

�planos e a delegar autoridade sem perder o controle” (KOONTZ

2

et. al., 1987,

apud ALMEIDA, 2000, p. 6-7).
Sendo assim, a proposição deste artigo é discutir sobre os elementos e fatores
que devemos considerar na análise documentária de imagens fotográficas, no
momento do estabelecimento dos procedimentos padrão. Os procedimentos
padrão, ou “método padrão”, “proporcionam um conjunto detalhado de instruções
para realizar uma seqüência de ações que ocorram com freqüência ou com
regularidade” (STONER; FREEMAN, 1999, p. 168). Esse procedimento define de
forma detalhada as diretrizes para a implementação da política.

A Análise Documentária e a Análise Documentária de Imagens
Como a proposta é a análise documentária de imagens, os elementos e fatores
que influenciam o estabelecimento da política, faremos uma definição rápida de
Análise para melhor compreensão.
A análise documentária pode ser definida como um “conjunto de procedimentos
utilizados para exprimir o conteúdo dos documentos científicos sob forma
destinadas a facilitar a sua localização ou consulta” (GARDIN apud KOBASHI,
1994, p. 15). Para Kobashi (1994) o tratamento documentário é dividido em dois
aspectos: a representação descritiva e a análise documentária. Temos como
produto da representação descritiva as referências bibliográficas, e como produto
da análise documentária o resumo, representando o documento original em forma
textual condensada, e o índice, representando o texto por meio de uma
Linguagem Documentária.
Encontramos, também, algumas definições de análise documentária reunidas no
Glossário de Análise Documentária (2004, p.9-10):
2

KOONTZ, H.; O’DONNELL, C.; WEIHRICH, H. Administração: organização, planejamento e
controle. 14.ed. São Paulo: Pioneira, 1987. 2 v.

�“Operação que consiste em representar o conteúdo de um documento de forma
condensada” (ACCART, RÉTHY, 1990 apud MENEZES, CUNHA, HEEMANN,
2004, p. 9)
“Atividade orientada para a identificação e descrição do conteúdo dos
documentos, de forma distinta do original, com o propósito de facilitar seu
armazenamento, difusão e recuperação da informação em conformidade com as
necessidades dos usuários” (ÂNGULO MARCIAL, 1996 apud MENEZES,
CUNHA, HEEMANN, 2004, p. 9).
No caso em estudo os documentos que consideramos para o processo de análise
documentária são as imagens fotográficas da FFC que resgatam a memória
acadêmica no período de 1959 a 1999. Os documentos textuais possuem uma
vasta literatura que cobrem a análise documentária, tanto no que diz respeito a
resumos quanto à indexação. Mas a descrição das imagens em palavras também
é muito importante, principalmente nesse momento onde a “capacidade de
armazenar, em formato digital, em base de dados, qualquer tipo de imagem, e
especialmente

de

poder

acessar

milhões

delas

na

Rede,

causou

impressionamente ressurgimento do interesse por imagens em geral e, em
particular, por modos de indexá-las” (LANCASTER, 2004, p. 214).
Jörgensen (2001, p. 906) apud Lancaster (2004, p.214) diz que
Encontramo-nos, ao que parece, no ponto crítico de importante
movimento histórico de retorno ao que se poderia chamar o
primado da imagem. Ao longo dos últimos séculos, as palavras
foram à forma privilegiada de comunicação e o meio preferido de
educação. Uma mudança, porém, se verificou nas últimas
décadas, e as imagens vêm reafirmando sua primazia como
mensageiros instantâneos e poderosos.

Vários trabalhos de Conclusão de Curso desenvolvidos por alunos do curso de
Biblioteconomia já foram realizados na implantação do Memorial da FFC.
Alguns autores que se destacam na análise documentária de imagens, como:
Shatford (1984, 1986); Smit (1989); Leung, Hibler, Mwara (1992) e Shatford Layne
(1994). Bem como os estudos do grupo Imatec, dirigido por Pinto Molina (2005),

�sobre análise de imagem e as estratégias digitais estabelecidas para a LC –
Library of Congress (2001).

A Análise da Imagem

Segundo Smit (1989, p. 105) “analisar uma imagem significa, quer queiramos ou
não, ‘traduzir’ certos elementos desta imagem de um código icônico para um
código

verbal”.

Essa

tradução

é

chamada

de

transcodificação,

pois

transformamos um código em outro. Nessa tradução problemas de perda de
precisão, seleção de informação, possibilidade de erro ocorrem, e como lembra
Smit (1989, p. 105) essa transcodificação “leva a discussões bastante
interessantes e riquíssimas do ponto de vista semiológico”.
A análise da imagem fotográfica difere da análise documentária de livros e outros
matérias bibliográficos, pois a imagem possui informações técnicas que precisam
ser consideradas no processo de análise. O documento fotográfico demanda um
tratamento documentário diferente já que possui condições de análise
específicas.
A interpretação do documento fotográfico também difere da interpretação do
documento bibliográfico. Neste realiza-se a análise por meio de termos abstratos,
naquele a análise por termos abstratos limita o seu significado.
Outra questão que deve ser considerada é que a imagem é polissêmica, ou seja,
uma imagem pode ter vários significados e interpretações. Essas interpretações
dependem da perspectiva de quem pondera, analisa a imagem, em muitas
situações são de julgamento de valor que não são justificados pela própria foto.
Smit (1989, p. 108) diz que
a grande dificuldade na análise da imagem consiste nesta
separação entre a denotação (o que a imagem mostra) e a
conotação (o que a sociedade – e o bibliotecário – vêm, ou

�querem ver, na imagem), sabendo ainda que muitas vezes a
legenda ou o contexto já nos desviam, subrepticiamente, para a
conotação.

Uma regra básica é proposta por Smit (1989, p. 109), que a análise de imagens
não precise chegar a uma especificidade grande, mas que mantenha uma
amplitude suficiente para que a qualquer questão a seleção de 30 (trinta) imagens
responda a mesma. Seria entregue ao usuário um grupo de 30 (trinta) imagens, e
este faria a escolha à imagem “boa” por comparação.
O “dilema” para o profissional é encontrar o equilíbrio entre: a análise dos
detalhes importantes de uma imagem (o que descrever) e o descarte dos detalhes
insignificantes (quando parar a descrição). A omissão e o excesso são dois
fatores imprescindíveis para a análise de imagens.
G. Bléry citado por Smit (1989, p. 110) descreve algumas categorias para a
análise de imagens que contribuem para a questão a omissão, pois responde as
questões Quem (seres vivos), Onde (ambiente), Quando (tempo), Onde (espaço),
O Que (ação) e Como (técnica):
•

Questão da técnica da produção da imagem;

•

Localização da imagem no espaço;

•

Localização da imagem no tempo;

•

Quando a imagem focaliza seres vivos;

•

As ações desses seres vivos não podem ser esquecidas mas descritas em
função daquilo que a imagem mostra e não em relação ao ato global no
qual a imagem se insere;

•

Descrição do ambiente no qual o ser vivo se encontra.

Para a questão do excesso o critério que é proposto é do primeiro plano e do
segundo plano. “Descreve-se o 1º plano, citando-se o 2º plano somente quando
este modifica integralmente a leitura do 1º plano.” (SMIT, 1989, p. 112)

�Pinto Molina (2006) sugere uma metodologia para análise de imagem fixa
composta por quatro operações interrelacionadas: visualização/leitura, análise
denotativa, análise conotativa e representação do conteúdo documental.
Mapa de metodologia de análise proposta por Pinto Molina:

FONTE: PINTO MOLINA, M. Imatec: recurso e-learning para el análisis, tratamiento y
representación de documentos imagen, 2006

A visualização ou leitura implica no conhecimento das ações específicas da i)
linguagem icônica, ii) da determinação do conteúdo – particularidades de gênero,
uso, para cada tipo de documento e descrição documental; supõe o conhecimento
dos diferentes gêneros icônicos e suas respectivas práticas - , iii) da
documentação exógena: fase de apoio de buscas documentais sobre o objeto de
análise, interpretando e contextualizando documentalmente quanto ao formato,
composição, enquadramento (ângulo dos planos), personagens, cenografia,
expressão corporal e gestual, iluminação, ações e cor, que refere-se também ao
formato.

�A análise denotativa é embasada pela leitura do que se vê, ou seja, pelas
evidências. Essa leitura é realizada por meio da descrição dos objetos, pessoas,
decoração, paisagens. Tem valores formais que são elementos visuais,
conceituais, relações e procedimentos. Permite reconhecer a estrutura
representativa da imagem transpondo a realidade espaço-temporal representada.
Equivale a um resumo.
A análise conotativa é a relação estabelecida entre um conceito e outro, mas não
são chaves para sua definição. Baseia-se na leitura subjetiva da descrição global
da imagem, na leitura que está sendo interpretada, incorporando o analista suas
próprias apreciações e valores. Possui valores expressivos, comunicativos,
emocionais e estéticos. Na fotografia os elementos de criação de sentido são:
ângulo de visão, distância focal, relação enquadramento/objeto, profundidade de
campo, ponto de vista do apreciador, nitidez, iluminação. Nesta operação a
análise nos remete a estrutura profunda e abstrata do documento, não havendo
análise conotativa para imagens científicas.
Para o conteúdo temático, Pinto Molina (2006) sintetiza explicando que a
metodologia proposta por Lasswell (1978), conhecida por suas perguntas 5 W –
who, why, what, where, when – dão conta de indetificar os principais conteúdos
temáticos do documento imagem.
A operação de representação do conteúdo documental é realizada através da
síntese textual da informação transmitida pela imagem para representar a
mensagem global que suporta e a elaboração dos diferentes produtos
documentais: resumos e índices.
A organização temática das fotos do “Memorial Fotográfico da Faculdade de
Filosofia e Ciências” foi realizada no processo de pré-classificação das fotografias
com o levantamento e a seleção do conteúdo temático permitindo que as
fotografias fossem organizadas por assuntos específicos para otimizar o acesso e
recuperação (FUJITA, 2004, p. 7). Para a análise foram utilizados na elaboração
da grade descritiva de forma e conteúdo das fotos do Memorial elementos
propostos por Smit (1989) e por Pinto Molina (2006).
Inicialmente, 25 classes temáticas foram consideradas, com possibilidade de
alteração do tema, devido a avaliação periódica de todo o processo. O acervo

�possui 2220 fotografias distribuídas em 40 séries, onde são organizadas seguindo
os títulos das classes temáticas, recebendo numeração.
Políticas: Diretrizes Gerais para a Tomada de Decisão
Delineado os elementos e fatores que compõem a análise documentária de
imagens teremos condições de estabelecer um plano contínuo de diretrizes gerais
para a tomada de decisão. Diretrizes, ou políticas, “são orientações para a
tomada de decisão, [...] reflete um objetivo e orienta os gerentes e funcionários
em direção a esses objetivos em situações que requeiram critérios e julgamento”
(HAMPTON, 1992, p. 204).
Para Maximiano (2000, p. 191)
as políticas ou diretrizes têm por finalidade orientar o
comportamento dos indivíduos e grupos a longo prazo,
especialmente em situações repetitivas ou permanentes. As
políticas são decisões prévias e padronizadas, que
delimitam a faixa de ação para o comportamento, dizendo o
que se deve fazer em casos particulares.

Transferindo isso para a realidade os Serviços de Informação, “encontramos
políticas gerais e políticas específicas, relacionadas à suas diversas áreas de
atuação: políticas de formação e desenvolvimento de coleções, políticas de
conservação de acervo [...]” (ALMEIDA, 200, p. 7). Dentro do Serviço de
Informação, que é o nosso caso, as políticas não são criadas como um
instrumento que visa burocratizar ou limitar as ações, mas sim como ferramenta
para implementar estratégias.
As políticas fazem parte do plano operacional do sistema que “dão os detalhes
necessários à incorporação dos planos estratégicos nas operações do dia-a-dia
da organização” (STONER; FREEMAN, 1999, p. 166). Os planos operacionais
pertencem a duas classes gerais: os planos que são programados para serem
dissolvidos após terem alcançado os objetivos específicos e não recorrentes; e os

�planos permanentes que são abordagens padronizadas para resolver situações
que são recorrentes e previsíveis, ou seja, para atividades repetitivas.
OBJETIVOS

Para
atividades que
não se
repetem

Planos
Estratégicos

Planos Operacionais

Planos de Uso
Único
Programa
s

Para
atividades
repetitivas

Planos Permanentes

Políticas
Orçamentos

Projetos

Procedimentos
E Métodos
Padrão
Regras

Fonte: Adaptado de STONER; FREEMAN, 1999, p. 166. Hierarquia dos Planos Organizacionais

Para políticas de análise documentárias de imagens fotográficas o plano
operacional pertencente à classe de planos permanentes é o adequado, pois se
classifica dentre das atividades de caráter repetitivo, que necessitam de
procedimentos de análise e de método padrão que produzirão regras, manuais,
para o profissional dar tratamento adequado ao material.
O tratamento temático e descritivo de fotografias constitui-se de atividade de
análise que apresenta situações recorrentes e previsíveis, portanto um conjunto
de decisões pode guiá-la com eficácia. Os planos permanentes quando

�estabelecidos permitem aos profissionais da área da informação, principalmente
dos profissionais bibliotecários economizarem tempo, pois situações semelhantes
são enfrentadas de modo pré-determinado e coerente. Apresentam-se de duas
formas: os procedimentos e as regras.
A política é a diretriz geral para tomada de decisão que estabelecerá fronteiras
em torno delas, dizendo aos bibliotecários quais decisões devem ser tomadas e
quais não podem, canalizando desse modo, o pensamento dos profissionais da
organização para que sejam coerentes com os objetivos organizacionais
(STONER; FREEMAN, 1999, p. 167).
A implementação das políticas ocorre por meio de diretrizes mais detalhadas que
Stoner e Freeman (1999, p. 168) chamam de “procedimento padrão”, ou “método
padrão” que proporciona um conjunto detalhado de instruções para realizar uma
seqüência de ações que aparecem com freqüência ou com regularidade. Essas
instruções que asseguram uma abordagem uniforme em qualquer situação.
As regras dizem respeito a uma atitude específica que o profissional necessita
tomar ou não em determinada situação e estão expressas nos planos
permanentes mais explícitos, mas não são guias de tomada de decisão ou de
pensamento, mas podem substituí-las. A única escolha deixada por uma regra
para um profissional tomar é a de aplicá-la ou não a um conjunto específico de
circunstâncias.
A análise documentária das fotografias do Memorial possui procedimentos
específicos realizados pelos profissionais responsáveis por sua organização:
1. Processo de Seleção das fotos pertinentes ao acervo;
2. Distribuição das fotos nas classes temáticas pré-estabelecidas;
3. Digitalização das fotos;
4. Elaboração da Grade Descritiva de Forma e Conteúdo;
5. Uso de material de apoio para identificação de pessoas: recortes de jornais
da época;
6. Representação

documentária

recuperação da informação;

por

linguagem

documentária

para

�7. Tratamento descritivo automatizado em planilha específica para fotos;
8. Inserção das fotografias na Biblioteca Digital da UNESP na base Retrat@.
O detalhamento de cada procedimento adotado no Memorial Fotográfico da FFC
permitirá o estabelecimento de políticas para a análise documentária, sendo um
guia de raciocínio que oriente a tomada de decisão e a ação.

Considerações Finais
O projeto “A Memória Acadêmica em imagens fotográficas: análise de conteúdo e
digitalização de fotografias” para a organização do Memorial fotográfico da FFC
ofereceu aos profissionais bibliotecários que estão envolvidos no tratamento do
material a possibilidade da análise temática e descritiva de um documento com
características bem específicas, singulares.
O conjunto de procedimentos padrões adotados pelos profissionais para a análise
documentária de imagens fotográficas do Memorial Fotográfico da FFC, Unesp,
Marília, mostra-se adequado para o tratamento temático e descritivo do material,
porém vemos a necessidade de cada procedimento ser estudado detalhadamente
para a criação de instruções para a realização seqüencial das ações.
Isso possibilitará a implementação de uma política para o tratamento
documentário das fotografias do Memorial que se constituirá em ferramenta
poderosa para a implementação de estratégias para a análise.

REFERÊNCIAS
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Brasília: Briquet de Lemos, 2000.

�COMMITTEE ON AN INFORMATION TECHNOLOGY STRATEGY FOR THE LIBRARY
OF CONGRESS. LC 21: a digital strategy for the library of congress. Washington:
National Academies Press, 2001.
FUJITA, M. S. L. et. al. A memória acadêmica em imagens fotográficas: representação
documentária e digitalização de fotografias. In.: SEMINÁRIO NACIONAL DE
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A verificação dos elementos e fatores que devem ser considerados na análise documentária de Imagens Fotográficas é pertinente para o estabelecimento dos procedimentos padrão. O procedimento define detalhadamente as diretrizes que implementam a política. A política estabelece-se por meio de um plano contínuo onde as diretrizes específicas de cada processo para tomada de decisão estão expressas e colaboram para decisão prévia de questões, evitando repetição de análises, delegando autoridade sem perder o controle, viabilizando a criação de outros planos unificando as estruturas. O artigo promove a discussão da importância de diretrizes para a construção de políticas que implementem procedimentos estratégicos para análise documentária de imagens fotográficas do Memorial Fotográfico da FFC, Unesp, Marília.</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O trabalho foi desenvolvido com o objetivo de dar uma breve descrição da evolução dos meios de digitalização. da descoberta e conscientização desses mecanismos e repercussões provocadas na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Com o emprego das novas tecnologias, onde incluindo as diferentes bases de dados, os open archives, a Internet estamos revolucionando e agilizando a qualidade da transmissão da informação, seu armazenamento, memorização e funcionamento das bibliotecas e dos departamentos, bem como a produção acadêmica, tanto docentes quanto discente. Esta produção compreende: publicações em congressos, relatórios, cursos, e também as monografias, as dissertações de mestrado e teses de doutorado.</text>
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                    <text>PRÁTICAS DE INCLUSÃO DIGITAL: PROFISSIONAIS DA INFORMAÇÃO DO
SERVIÇO DE REFERÊNCIA NA BIBLIOTECA CENTRAL DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DA PARAÍBA

Izabel França de Lima1
Mirian de Albuquerque Aquino2

RESUMO

A pesquisa analisa as práticas de inclusão digital dos profissionais da informação
que atuam no Serviço de Referência da Biblioteca Central da Universidade
Federal Paraíba  BC/UFPB. Na atualidade, as tecnologias da informação e
comunicação (TICs) têm contribuído para delinear um novo perfil do serviço de
referência nas bibliotecas universitárias, o qual vem sendo assinalado pela
presença de novos recursos eletrônicos, gerando inúmeros questionamentos
acerca da importância desse serviço e do desempenho do profissional. A
pesquisa baseia-se em um Estudo de Caso do tipo qualitativo em que se adota a
técnica da história de vida. O instrumento de coleta de dados utilizado na
pesquisa foi a entrevista semi-estruturada e os sujeitos participantes da pesquisa
foram constituídos por cinco (5) profissionais com formação em Biblioteconomia,
que atuam no Seção de Referência da BC/UFPB. Os resultados demonstraram
que as práticas digitais do Serviço de Referência, limitam-se a orientação no uso
do OPAC (On line Public Access Catalogues), embora alguns desses
profissionais terem participado de Curso de Capacitação no uso das TICs.
Concluímos que, as atividades do serviço de referência da BC/UFPB ainda não
estão integradas ao contexto das TICs, vez que as práticas profissionais estão
inadequadamente incluídas no contexto digital.
Palavras-chave: Serviço de referência. Bibliotecas universitárias. Inclusão digital.
Profissionais da informação.

1

Aluna do Curso de Especialização em Gestão de Unidades de Informação da UFPB. E-mail:
belbib@ig.com.br
2
Profª Drª. Do Departamento de Biblioteconomia e Documentação da UFPB. E-mail
miriabu@uol.com.br
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
Endereço: UFPB  Centro de Ciências Sociais Aplicadas, Departamento de Biblioteconomia,
Cidade Universitária, Campus I, João Pessoa, Paraíba - 58052-900

�2

1 INTRODUÇÃO

As sociedades de todo o mundo estão acelerando o processo para se
tornarem sociedade da informação e aderirem aos avanços das TIC´s - TIC´s,
incluindo seus produtos e serviços. Essas tecnologias desempenham inúmeras
tarefas que envolvem o processamento e a transmissão eletrônica de informação.
Nessa perspectiva de os indivíduos se adequarem ao mundo tecnológico, as
unidades de informação assumem um papel relevante que prioriza o domínio de
competências e novas habilidades. Os indivíduos desprovidos de elevada
qualificação para criar e processar a informação e o conhecimento que essa
sociedade valoriza, ficarão excluídos, agravando a desigualdade social.

O Brasil está experimentando a explosão das TIC´s e as mutações no
fazer cotidiano que estão propiciando novas formas de conhecer, pensar e agir
sobre a informação. Entretanto, uma grande parte da população ainda não tem
acesso a esse mundo tecnológico em virtude do elevado custo da aquisição e
manutenção de computadores e falta de uma política de informação mais ampla
constatando-se assim, que a nova cultura digital ainda não é real para todos.
Paradoxalmente, quem não sabe manusear um microcomputador está à margem
da sociedade da informação e do conhecimento, pois a execução da maioria das
atividades cotidianas do mundo contemporâneo exige que recorramos à
informática e meios interativos sofisticados e altamente complexos.

Hoje, a digitalização das atividades profissionais provoca a exclusão digital.
Por isso, fala-se tanto em inclusão digital, aludindo à expansão de conhecimentos
disponibilizados de forma abrangente pelas TICs que permitem aos indivíduos,
em qualquer área de conhecimento, interagirem com o mundo informacional. É
importante que os profissionais que conhecem-pensam-agem informação
(AQUINO, 2004), apropriem-se dessa cultura para melhor desempenhar as suas
atividades profissionais, adequando-se as exigências do novo mundo do trabalho.

�3

Nas bibliotecas universitárias as TIC´s têm colaborado para delinear um
novo contorno do serviço de referência, o qual tem sido marcado pela presença
de recursos eletrônicos altamente complexos, gerando questionamentos acerca
da importância do uso das tecnologias nessa atividade e a necessidade de
qualificação do profissional que nele atua. Nesse contexto, o profissional que
conhece-pensa-age sobre a informação desloca-se do paradigma do acervo para
o paradigma da informação, onde todos devem estar incluídos, usando os meios
digitais. Assim, propomos analisar as práticas de inclusão digital para identificar
se os profissionais da informação estão incluídos digitalmente e se essa inclusão
ajuda a dinamizar os serviços de referência.

Esta pesquisa focaliza os profissionais da informação que atuam na Seção
de Referência da Biblioteca Central da UFPB  BC/UFPB, uma vez que tais
profissionais agem como intermediários entre o usuário e os recursos
informacionais disponíveis. A escolha do fenômeno está ligada ao fato de
fazermos parte do quadro funcional da UFPB e conhecermos o serviço de
referência da BC. Observamos que este serviço limita-se à orientação do OPAC
(On-line Public Access Catalogues), caracterizando que o pleno uso das TICs
ainda não é uma realidade.

Metodologicamente, recorremos ao estudo de caso do tipo qualitativo,
discursivo, em que se adota a história de vida como uma técnica de análise para
identificar as práticas dos profissionais da informação que atuam na Seção de
Referência da Biblioteca Central da Universidade Federal da Paraíba  BC/UFPB.
O referencial teórico e as reflexões deles decorrentes estão apoiados em autores
como Lemos (2000), Castells (1999) e Aquino (2004).

�4

2 SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E DO CONHECIMENTO

Na sociedade do terceiro milênio em que a informação e o conhecimento
são estratégicos para a economia e os negócios, cada vez mais se confirma que
informação é poder. Ao olharmos para tempos idos da história humana,
percebemos que a informação sempre foi restrita aos escolhidos; apenas uma
fração ínfima da população tinha acesso a ela. Como exemplo, recordemos os
guardiões da informação  os monges cristãos - a quem foi atribuída a guarda e a
manutenção da informação na Idade Média. Nessa relação, a Igreja Católica não
permitia o livre acesso às bibliotecas sob a sua guarda, pois o poder pastoral
entendia que o acesso à informação poderia levar a população a descobrir
segredos que ameaçaria os interesses terrenos, como relata Umberto Eco, em O
nome da rosa, o conhecido best-seller.

O advento da sociedade da informação é o fundamento de novas formas
de organização e de produção em escola mundial, redefinindo a inserção dos
países na sociedade informacional e no sistema econômico (TAKAHASHI, 2000,
p, 5). Todas as sociedades são dinamizadas pelas trocas de informações, mas o
que caracteriza essa atual sociedade é o desenvolvimento de redes de
informações, aspecto que levou Castells (1999) chamá-la de sociedade
informacional. Uma sociedade da informação é uma sociedade na qual a
informação é utilizada intensivamente como elemento da vida econômica, social,
cultural e política ( MOORE, 1999, p. 97). Nessa sociedade apenas tem acesso
aos meios tecnológicos os indivíduos que conseguiram sobressair-se nos
negócios

ou

no

mundo

da

produção, enquanto

outros

são

afetados

diferentemente pelo novo paradigma, em função das condições de acesso à
informação e, da base de conhecimentos e, sobretudo, da capacidade de
aprender e inovar (TAKAHASHI, 2000, p.5).

Essa observação é compartilhada por Castells (1999) quando diz que a
sociedade atual é informacional e global porque estando novas condições

�5

históricas, a produtividade é gerada e a concorrência é realizada em uma rede
global de interação e a revolução da tecnologia da informação fornece a base
material indispensável para essa nova economia. Nessa visão, as novas
TIC´sagem sobre

os

domínios da

atividade

humana

e

possibilitam o

estabelecimento de conexões infinitas entre diferentes domínios, assim como
entre os elementos e agentes de tais atividades (CASTELLS, 1999, p. 88).

No fim da década de 90, teve início a criação por diversos países do
advento da sociedade de informação como o fundamento de novas formas de
organização e de produção em escala mundial (TAKAHASHI, 2000). Em nível de
nosso País, foi criado o programa Sociedade da Informação  SOCINFO,
pensado e discutido por cerca de 150 especialistas e pesquisadores. Esse
processo teve inicio em 1996 promovido pelo Conselho Nacional de Ciência e
Tecnologia, cujo lançamento ocorreu em 2000 como o Livro Verde, contendo as
metas de implementação. Tal livro consiste de uma súmula das possíveis
aplicações das TIC´sa sua democratização e universalização do acesso aos
meios digitais. Essa infra-estrutura tem sido materializada com as TICs,
entendida como um poderoso instrumento para rotinização e reorganização do
trabalho intelectual, disponibilizando um fantástico arsenal de ferramentas de
concepção e desenvolvimento de produtos e processos (MIRANDA, 2000).

O

desenvolvimento

dessa

sociedade

da

informação

para

gerar

conhecimento tem como um dos principais indicadores a penetrabilidade das
TICs que irrompem no cotidiano dos indivíduos, dinamizando e transformando a
sociedade como um todo. Sua natureza articula com o nível de operacionalização
do qual se imbui, produzindo recursos, produtos e serviços cada vez mais
complexos e exigindo profissionais com qualificações de alto nível, refletindo um
processo de reestruturação do processo produtivo, novos postos e perfis
profissionais. Nesse novo sistema econômico muda-se as estruturas produtivas e
o modo de produção: os empregos e as atividades profissionais são
transformadas, substituídas e até eliminadas, desafiando os profissionais de

�6

diversos níveis e funções a tirar proveito das possibilidades tecnológicas para
gerar mais e melhores produtos e serviços.

3 INCLUSÃO DIGITAL

Em relação

ao

Brasil,

as

desigualdades

sociais

atingem níveis

assustadores em relação ao restante do mundo, daí entendermos que não somos
os mais pobres do mundo, mas, ao que parece, somos os mais injustos entre nós
mesmos. As causas da exclusão tecnológica se misturam aos fatores culturais e
econômicos (EPSTEIN apud PIOLLI, 2003).

Do nosso ponto de vista, para superar os atrasos e vicissitudes, faz-se
mister fortalecer as políticas públicas de inclusão, pois não podemos deixar que
as novas gerações continuem excluídas digitalmente, porquanto ter acesso à
internet significa estar participando de uma enorme rede de informação e
serviços, evitando-se que uma gama da população brasileira continue à margem
desse processo. Para tanto, deve-se buscar a inclusão digital por meio do acesso
a educação, as TIC´s e a melhoria do poder aquisitivo da população (SILVA
FILHO, 2003). Essa inclusão, segundo Rondelli (2003) a inclusão digital não se dá
apenas com o simples acesso, mas requer a oportunidade de emprego dos
suportes técnicos digitais na vida cotidiana e no trabalho; a necessidade de
políticas públicas para inclusão; e a exploração dos potenciais dos meios digitais.

A Cúpula Mundial da Sociedade da Informação iguala a inclusão digital à
alfabetização digital, advertindo que inclusão digital é a aprendizagem necessária
ao indivíduo para circular e interagir no mundo das mídias digitais como
consumidor e como produtor de seus conteúdos e processos, mas precisa
também de computadores conectados em rede e softwares e suportes técnicos
(RONDELLI, 2003). Complementando essa idéia para Lemos e Costa, 2000, p. 2)
estar incluído digitalmente é um direito dos cidadãos e uma condição básica
para a sua existência no mundo da informação e da comunicação globais,

�7

constituindo uma obrigação para os poderes públicos já que comumente associase inclusão digital como uma forma de inclusão social (LEMOS; COSTA, 2000).

Podemos considerar que a inclusão digital é exatamente a que se refere a
indispensável difusão e popularização do uso das TIC´s pelo conjunto da
sociedade, não somente pela elite dominante (SILVEIRA, 2003). Assim, a
inclusão digital é a denominação dada, genericamente, aos esforços de fazer com
que a maior parte possível das populações das sociedades contemporâneas
cujas estruturas e funcionamento estão sendo alteradas pelas tecnologias de
informática e de comunicação, possam obter os conhecimentos necessários para
utilizar com um mínimo de proficiência os recursos de informática e de
telecomunicações existentes e dispor de acesso físico regular a esses recursos

3.1 TICs E SERVIÇOS DE REFERÊNCIA

As TIC´s favoreceram a expansão das fronteiras do serviço de referência
para além do balcão de atendimentos das bibliotecas e das suas coleções de
referência. Abriram-se novos espaços para a cooperação e o compartilhamento
de recursos. Outra inovação trazida pelas TIC´s foi a instalação do correio
eletrônico como um canal de comunicação da biblioteca com os usuários. O
surgimento das TICs contribuíram para remodelar as estrutura do serviço de
referência tradicional, pautado na biblioteca dotada de recursos impressos: livros,
folhetos, periódicos, mapas etc.

As

TIC´s estão cada vez mais presentes no dia-a-dia das bibliotecas,

visando atender com rapidez e precisão as necessidades de informação dos
usuários, permitindo novos processos de análise, organização, armazenamento,
recuperação e disseminação da informação, favorecendo o armazenamento e a
manipulação simultânea em vários locais, sem limitação de tempo. (LÉVY, 1993
apud SANTOS, 2002, p. 107). Elas são instrumentos de infinitas possibilidades,
que precisam ser explorados na formação do profissional de maneira a gerar

�8

condições

de

uso

estratégico

[...]garantindo

assim

sua

condição

de

competitividade e empregabilidade (SANTOS, 2002, p. 107). Diante disso, as
bibliotecas universitárias estão se equipando com novas tecnologias de
informação e comunicação tais como as comunicações em rede, publicações
eletrônicas, hipermídia, bases de dados on-line, hipertexto, Internet e Rede
Nacional de Pesquisa.

Todas essas inovações tecnológicas exigem que o profissional de
referência

saiba

utilizá-las

no

atendimento

ao

usuário

das

bibliotecas

universitárias, sem esquecer que esse serviço consiste em uma atividade-fim
entre os diversos serviços realizados pela biblioteca, que visa atender às
necessidades informacionais dos usuários, orientado-os para recuperarem a
informação da qual necessitam. Os recursos informacionais têm como objetivo
principal o estabelecimento de condições para a troca de informações dentro e
entre grupos de indivíduos e organizações no contexto de computadores em rede,
visando a otimização dos serviços para um melhor atendimento às necessidades
informacionais apresentadas pelos usuários das bibliotecas universitárias.

É sabido que muitas das práticas do serviço de referência já estão em uso
nas bibliotecas digitais, que já disponibilizam serviços de referência virtual,
educação do usuário à distância, aplicações de agentes inteligentes construindo
perfis de usuários e recuperando informações, arquitetura da informação digital e
planejamento dos serviços e recursos das bibliotecas. Constatamos que as
alternativas para otimizar esse serviço não dependem apenas das novas
tecnologias, mas da administração que estrutura o serviço de referência, do
profissional e da educação do usuário para melhor utilizar os serviços que estão
sendo oferecidos. Enfatizamos o papel do profissional de referência, frente à
aplicação de tecnologias de informação e comunicação no seu serviço,
salientando a importância da educação continuada e a constante atualização em
serviço.

�9

4 PROCEDIMENTOS METODÓLOGICOS

A pesquisa consta de um estudo de caso do tipo qualitativo em que se
adota a técnica da história de vida. Essa opção levou-nos a supor que as histórias
pessoais e profissionais dos sujeitos [...] são processos particulares que fazem
parte de uma prática social e mais geral, igualmente dinâmica, complexa e
contraditória (HOLLIDAY, 1996, p.25). Assim sendo, pensamos a história de
cada profissional da informação das bibliotecas como algo que transporta uma
enorme riqueza acumulada de elementos que representam processos inéditos e
irrepetíveis, daí a necessidade de compreendê-las, extrair suas experiências,
interpretar seu discurso e comunicá-las. É assim que, trabalhamos com os
sujeitos de nossa pesquisa, lendo e relendo a história de vida de cada um,
interpretando e comunicando, porque entendemos que pesquisar é também
apropriar-se da experiência vivida e dar conta dela, compartilhando com os
outros o aprendido (HOLLIDAY, 1996, p.27).

A pesquisa foi realizada no Serviço de Referência da Biblioteca Central da
UFPB, por tratar-se de um ambiente familiar, de fácil acesso e que originalmente
teria a função de agregar os serviços de acesso à informação por meio das TICs.
Os sujeitos desta pesquisa serão os cincos (5) bibliotecários, que atuam nesse
Serviço de Referência. Para a coleta de dados, utilizamos a entrevista constou de
um roteiro semi-estruturado com sete questões abertas, objetivando coletar dados
para atender os objetivos propostos na pesquisa. de forma livre com a pretensão
de propiciar um momento agradável às entrevistas para discorrerem sobre a sua
vida pessoal e profissional. Iniciamos a entrevista solicitando que falassem de si,
estado civil, filhos, residência, sempre deixando-as à vontade para responder as
questões na seqüência que melhor lhe conviesse. Indagamos a respeito das
questões relacionadas à profissão, às condições de suporte tecnológicos, ao
serviço de referência, às atividades desenvolvidas na seção, aos cursos de
informática

realizados

na

instituição,

entre

outras,

intervindo

com

questionamentos apenas quando as suas falas não contemplavam as
informações relevantes para pesquisa.

�10

A interpretação das falas coletadas na entrevista consistiu no resultado de
todo um esforço prévio de organização e reconstrução das experiências para
compreender o sentido das práticas de inclusão, tomando distância delas. Esse
procedimento é fundamental para descobrirmos a lógica que conduz o processo,
quais os fatores que intervêm nele e as relações entre eles (HOLLIDAY, 1996, p.
29). As narrativas da história de vida pessoal dos sujeitos participantes profissionais da informação - foram legendadas da seguinte forma: B1, B2, B3, B4,
B5. É com esse formato que os sujeitos serão nomeados no decorrer desta
pesquisa. Para, enfim, analisar as narrativas de vida de cada um deles. Os dados
foram retirados das entrevistas.
5 PRÁTICAS DE INCLUSÃO DIGITAL DOS PROFISSIONAIS DA SEÇÃO DE
REFERÊNCIAS DA BC/UFPB

Retomando a compreensão de práticas de inclusão digital como as que
dizem respeito ao acesso e uso da informação mediado pelas TICs em unidades
de informação (especificamente), relacionados ao atendimento ao usuário.
Podemos observar em duas falas que se seguem, os posicionamentos das
entrevistadas quando questionadas sobre o acesso ao computador, para nos
referirmos apenas a um dos suportes tecnológicos que caracterizam a inclusão
digital, e se sabiam descrever a configuração de sua máquina.
B1:
Tenho sim computador em casa, mas não me ligo assim muito nessa
parte técnica do computador.
B3:
Tenho computador em casa, mas não entendo da parte técnica do
computador, não conheço a configuração uma vez que não me ligo
muito nessa parte.

Fica evidente que duas entrevistadas  B2 e B5 - não dispõem de
computador em suas residências, enquanto as demais não conhecem a parte de
hardware das máquinas. Para ressaltarmos a importância desse conhecimento
ainda não presente nas falas apresentadas, citamos Souto (2005, p. 46) quando

�11

diz que um dos grandes desafios a serem superados pelos bibliotecários é
quanto ao domínio das TIC´s, geralmente, o acesso a elas é muito restrito.

O outro componente fundamental do processo de inclusão digital configurase no acesso e uso da Internet. Podemos observar, nas falas de B1

e

B4, que

todas receberam capacitação com objetivo de proporcionar o conhecimento
necessário para fazer uso dessa ferramenta, como observamos a seguir:
B1:
Bem, eu ainda não recebi nenhum treinamento pra trabalhar aqui na
referência. O curso de uso de computador que fiz foi quando estava no
SID, quando fiz vários cursos para utilizar as bases de dados.
B4:
Nunca mais fizemos curso aqui na biblioteca, mas quando iniciou o
catalogo no computador todas nós fizemos cursos, mas ultimamente
não, e acho que não tem nada previsto. Eu já fiz mais de um curso de
informática e acho que todo mundo já fez, e se não fez foi porque não
quis, mas como aqui na referência nós não trabalhamos com
computador assim direto, então a gente esquece e estamos precisando
fazer uma atualização.

Todas as entrevistadas fizeram curso de informática básica, curso de
Internet e algumas receberam capacitação para o uso do Portal de Periódicos
CAPES.

Mas

nem

todas

têm

acesso

ao

computador

e

a

Internet.

Consequentemente, não fazem o uso que é esperado de um profissional que atua
numa unidade de informação inserida no espaço acadêmico, como é o caso da
biblioteca universitária.

Percebe-se na fala de a preocupação com atualização desses profissionais
na fala de B5, quando ela diz:
B5:
Penso que em outras bibliotecas o serviço de referência deve ser
melhor, pois aqui é muito simples, é mais um serviço de informação no
uso da biblioteca. Desde que ela foi criada o serviço de referência
continua da mesma forma. Isso é orientação de uso do catalogo no
computador e encontrar o livro no acervo. Por que à medida que as
novidades tecnológicas foram chegavam eram criadas outras sala para
essa tecnologia, foi o caso quando criaram o SID e depois o Portal
Capes.

�12

Chamando a atenção sobre o papel fundamental na orientação dos
usuários a conduzir suas pesquisas seja qual for o suporte disponível na
biblioteca, vejamos o que nos diz Burin e Hoffmann (2005):
Os profissionais de a informação habituados a utilizar modelos
tradicionais de organização bibliográfica, baseada no uso de suportes
informacionais impressos, percebem a necessidade de trabalhar com as
informações em novos formatos, a fim de garantir a satisfação de seus
usuários na busca e recuperação da informação. Existe uma
necessidade básica de treinar o profissional da informação para a
utilização de documentos em meio eletrônico, busca e recuperação da
informação digital e atendimento aos usuários da informação eletrônica,
especialmente no ambiente Web.

Os profissionais que pensam-conhece-age sobre a informação e atuam nos
serviços de referência precisam está cientes de que, independente do suporte, a
informação vai além do documento; este apenas contém dados que só após
serem lidos e interpretados de forma crítica torna-se informação.
6 O USO E A DISSEMINAÇÃO DA INFORMAÇÃO MEDIADA PELAS TICs NA
SEÇÃO DE REFERÊNCIA DA BC/UFPB

Apesar de a Instituição ter proporcionado curso de informática esse
conhecimento não é aplicado no setor, mas as entrevistadas reconhecem a
importância do uso das tecnologias nos serviços da biblioteca e da importância do
bibliotecário conhecer e saber usar as Tic´s. Vejamos as falas de B3 e B4
B3:
Penso que as Tic´s são fundamentais para todas as atividades hoje em
dia.
B4:
A tecnologia ajuda muito o serviço de referência, como também a
biblioteca como um todo.

Percebemos que as entrevistadas, que atuam na Seção de Referência da
BC/UFPB, precisam conhecer e saber usar adequadamente as Tic´s. Na
concepção de Alves e Faqueti (2002) na substituem o profissional da informação,
mas são ferramentas que possibilitam o acesso remoto aos recursos (e-mail, o
chat, os softwares inteligentes) antes disponível apenas aos usuários presenciais,

�13

sendo ferramentas colaborativas que estendem os limites dos serviços
informacionais.

Os serviços de divulgação e disseminação da informação têm um papel
fundamental nas unidades de informação e independente de usar as TICs em
suas atividades profissionais, esses profissionais precisam conhecer e saber usar
o que o mundo do trabalho tem de inovações tecnológicas para sua área que
potencialmente possam dinamizar e agilizar as suas atividades de orientar os
usuários. Podemos constatar essa preocupação nas falas de B1 e B3 a seguir:
B1:
Considero essencial conhecer e saber usar as Tic´s. Sei que existem
muitas bases de dados e outras fontes de informação acessíveis por
meio das tecnologias de informação e comunicação, e considero
essencial o profissional está preparado para o uso desses recursos.
B3:
Penso que precisamos correr atrás de cursos de informática, de
pesquisa na internet, afinal estamos na era da informática e sem essa
mentalidade a gente vai ficar ruim. O mais importante é que o serviço de
referencia da BC precisar ser equipado e o pessoal receba capacitação
para usar mais as tecnologias da informação e possamos melhorar o
serviço oferecido.

Sobre essa questão Souto (2005, p. 47) argumenta o domínio das técnicas
de acesso às bases de dados é uma importante característica de qualquer
profissional da informação., por isso estes devem ser dotados de características
tais como: alta capacidade para reflexão, facilidade para compreensão do assunto
e para comunicação/interação com o usuário no sentido de identificar sai real
necessidade.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

As TICs estão cada vez mais presentes nas bibliotecas e, em especial, nos
serviços de referências das bibliotecas universitárias. No contexto da unidade de
informação estudada, o uso das TIC´s ainda é muito incipiente, principalmente,
pelo desconhecimento dos profissionais que nela atuam. Nessa perspectiva,

�14

procuramos analisar como os profissionais que atuam na seção de referência da
BC/UFPB estão utilizando as TIC´s e como estão incluídos digitalmente,
procurando captar a sua concepção de tecnologias aplicadas ao serviço de
referência no âmbito das bibliotecas universitárias.

Observamos que os profissionais entrevistados entendem o que seja TIC´s
numa concepção ainda limitada, mas demonstra terem conhecimento de sua
existência e importância. Os relatos colhidos na pesquisa possibilitam considerar
que enquanto profissionais da informação, as cinco bibliotecárias que atuam na
Seção de Referência ainda não estão incluídas digitalmente. Apesar de três delas
disporem de computador com acesso a Internet em sua residência e as outras
duas terem a possibilidade de usá-la na instituição, a sua prática cotidiana não
contempla essa prática digital. Por outro lado, a limitada estrutura tecnológica da
seção, mostra a necessidade de se investir em tecnologia, pois é fundamental
para o sucesso de qualquer unidade de informação [...] assim como a capacitação
tecnológica dos profissionais que atuam nessas unidades (SOUTO, 2005, p. 46).

Com base nesta pesquisa, sugerimos que a direção da BC/UFPB, busque
estratégias para oferecer um programa de atualização profissional permanente
não apenas para os profissionais que atuam na Seção de Referência, mas para
todos os profissionais da informação deste Setor. É necessário que a BC/UFPB,
busque equipar a Seção de Referência com as TIC´s de comunicação, o que, no
nosso entendimento, tornaria o serviço de auxilio ao usuário mais dinâmico e
atenderia com mais qualidade as suas atuais necessidades de informação.

REFERÊNCIAS

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serviço de referência, em bibliotecas universitárias, sob o impacto das novas
tecnologias. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS,
12., 2002, Recife. Anais eletrônicos... Recife, UFPE, 2002. 1 CD-ROM.

�15

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informação ao rizoma do conhecimento, desafios da formação na sociedade da
aprendizagem. 2004. 112f. Tese (Professor Titular)  Centro de Ciências Sociais
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INFORMAÇÃO-CBBD, 21., 2005, Curitiba. Anais eletrônicos... Curitiba:
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TAKAHASHI, Tadao. Sociedade da Informação no Brasil: o livro verde. Brasília,
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>A pesquisa analisa as práticas de inclusão digital dos profissionais da informação que atuam no Serviço de Referência da Biblioteca Central da Universidade Federal Paraíba  BC/UFPB. Na atualidade, as tecnologias da informação e comunicação (TICs) têm contribuído para delinear um novo perfil do serviço de referência nas bibliotecas universitárias, o qual vem sendo assinalado pela presença de novos recursos eletrônicos, gerando inúmeros questionamentos acerca da importância desse serviço e do desempenho do profissional. A pesquisa baseia-se em um Estudo de Caso do tipo qualitativo em que se adota a técnica da história de vida. O instrumento de coleta de dados utilizado na pesquisa foi a entrevista semi-estruturada e os sujeitos participantes da pesquisa foram constituídos por cinco (5) profissionais com formação em Biblioteconomia, que atuam no Seção de Referência da BC/UFPB. Os resultados demonstraram que as práticas digitais do Serviço de Referência, limitam-se a orientação no uso do OPAC (On line Public Access Catalogues), embora alguns desses profissionais terem participado de Curso de Capacitação no uso das TICs. Concluímos que, as atividades do serviço de referência da BC/UFPB ainda não estão integradas ao contexto das TICs, vez que as práticas profissionais estão inadequadamente incluídas no contexto digital.</text>
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                    <text>PRÁTICAS DE LEITURA EM CONTEXTO ACADÊMICO
Leilah Santiago Bufrem
Departamento de Ciência e Gestão da Informação, Setor de Ciências Sociais
Aplicadas, UFPR, Av. Prefeito Lothário Meissner, 632, 1º andar, Curitiba, Pr,
e-mail leilah@ufpr.br

Izaura H. Kuwabara
Departamento de Química, Setor de Ciências Exatas, UFPR, Centro Politécnico
s/n, Curitiba, Pr, e-mail izaura@ufpr.br
RESUMO
Analisa e relata projeto de orientação à leitura e à discussão de obras de cunho literário e artístico,
para alunos inscritos no Programa Especial de Treinamento (PET) do Curso de Química. A
atividade, para a qual contribui o Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Paraná, além
de ampliar a capacidade de leitura de obras de cunho científico e de produção literária, em suas
diversas formas e manifestações, enseja a compreensão de textos informacionais, a ampliação do
vocabulário e a prática de análise de textos. Visa desenvolver a expressão crítica dos participantes
e a oportunidade de conhecimento de obras literárias e de seus autores, contextualizando-os e
favorecendo a compreensão dos textos enquanto produtos de trabalho intelectual criterioso.
Relata as discussões sobre as obras lidas ou assistidas e as habilidades de redação de formas
diferenciadas de textos como resenhas e artigos sobre temas gerais e específicos. O projeto,
durante os nove anos de execução, tem sido avaliado positivamente tanto pelos alunos como
pelos orientadores. Os alunos manifestaram-se positivamente impressionados com as atividades
desenvolvidas, não só pelas obras lidas e analisadas, mas também pelas práticas desenvolvidas.
O conhecimento de autores e obras e a extensão do referencial adquirido ampliaram os elementos
comparativos, aprofundando e tornando mais espontâneas as discussões sobre as obras. A
elaboração das resenhas, segundo a avaliação das coordenadoras, especialmente com base na
comparação entre o desempenho nas duas versões do projeto, desenvolveu e ampliou a
habilidade de redação e a expressão crítica dos participantes.

INTRODUÇÃO
Muitas das concepções teóricas sobre leitura e sua prática no contexto
acadêmico decorrem de atividades que se justificam pela possibilidade de
ampliação da capacidade de leitura para além das obras de cunho científico,
buscando-se a produção literária, impressa ou não. A reflexão sobre as práticas
aqui apresentadas tem como justificativa a ampliação de referenciais e
interpretações possíveis em relação aos seus desdobramentos. Esperamos, por
meio dessa comunicação, esclarecer as relações entre o que se expressa como
valor na literatura e as atividades práticas desenvolvidas para que sejam
favorecidas e aperfeiçoadas, especialmente em suas formas de aplicação e
avaliação no cenário privilegiado da biblioteca universitária.

�O ineditismo de desenvolver um projeto de leitura com alunos do Programa
Especial de Treinamento (PET) do Curso de Química motivou-nos a estudos para
definir os modos de compreender e de executar a proposta. O PET é um
programa financiado pela Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento do
Pessoal de Nivel Superior (CAPES), órgão do Ministério da Educação do Brasil,
especialmente voltado para atividades de ensino, pesquisa e extensão, contando
com um grupo de alunos, sob a orientação de um professor Tutor. É desenvolvido
um conjunto amplo de atividades com objetivo de melhoria na formação
acadêmica dos alunos do curso ao qual é vinculado o grupo.
Desde as primeiras reuniões de trabalho, quando surgiu a idéia de
promover a leitura e a discussão de textos previamente escolhidos, fomos
motivadas pelo prazer de realizar uma tarefa ao mesmo tempo prazerosa e
desafiante. A idéia prosperou, resultando em projeto cuja proposta inicial foi
sujeita a crítica e sugestões e consequentemente a mudanças no decorrer do
período que, iniciado em 1997, já está em seu décimo ano de implementação.
Entretanto, permanecem alguns princípios que julgamos significativos para o
desenvolvimento dos trabalhos, assim como foram sendo apresentadas questões
de ordem institucional e operacional que merecem ser destacadas nesse fórum,
especialmente pela fundamental parceria com a biblioteca universitária.
Partimos do pressuposto de que a leitura de obras de fruição, em seus
diversos estilos, escolas, formas e manifestações, enseja a compreensão de
textos informacionais, a ampliação do vocabulário e a prática de análise de textos.
Por sua vez, o desenvolvimento da expressão crítica dos participantes favorece a
compreensão de qualquer tipo de texto, enquanto produto de trabalho intelectual
criterioso, assim como enseja o conhecimento do interlocutor e do valor de sua
obra.
A partir de uma seleção de obras, os alunos recebem orientação para
leitura e análise. Os textos são selecionados com apoio de obras como La
Biblioteca ideal, da Editora Planeta (Madri), O cânone ocidental, de Harold
Bloom, as listas de leituras indicadas para os vestibulares da UFPR e outras que
periodicamente são publicadas na em periódicos de divulgação como obras

�indicadas ou melhores da literatura. Para a seleção realizada com alunos
contamos com o trabalho do Sistema de Bibliotecas no sentido de atender as
demandas e informar sobre as obras que vão sendo incorporadas ao acervo.
Organiza-se, então, o cronograma anual dos trabalhos, do qual constam os títulos
selecionados e acessíveis, prevendo-se possibilidades de troca de títulos ou de
datas, conforme conveniência do grupo.

Nas primeiras reuniões de cada início de ano letivo tem sido realizada a
auto-apresentação do grupo de trabalho e da professora coordenadora, quando
são identificados os principais objetivos do programa, discutidas as atividades e
propostas de leituras assim como das formas alternativas para análise e
interpretação. Os elementos de análise de cada um dos títulos são ou não
previamente identificados, conforme as características da obra. Assim, trabalha-se
com estilos, épocas, cenários, personagens, contexto histórico, sentimentos,
objetos, tipos de narrativa e/ou focos narrativos. São realizadas leituras
individuais de cada uma das obras escolhidas, após o que são procedidas as
análises em pequenos grupos, somente após o que são ampliadas as discussões
em grupos sobre as obras lidas ou assistidas.
Procuramos privilegiar alguns aspectos nesse processo. Um deles é a
relação do texto com o autor, ou seja, destaca-se o discurso do autor, em que
contexto ele se situa, quais as circunstâncias e condições em que escreveu.
Outro aspecto é a relação dos textos com outros textos, o que equivale a
dizer, em que o texto difere ou se aproxima de outros já conhecidos. Essa
experiência tem sido surpreendente, de modo especial porque revela a
capacidade de analogias possíveis entre obras, tanto em relação ao contexto,
quanto aos personagens ou ao estilo dos autores.

Uma terceira possibilidade é a análise da relação do texto com seu
referente, o que o texto diz de si e por fim, a relação do texto com o leitor: ou o
que foi compreendido, considerando-se em relação a esse aspecto a

�multiplicidade de contribuições, de referenciais e possibilidades e gostos
pessoais.

Assim expressa sua preferência uma aluna: “As obras que mais gostei
foram: As vinhas da ira (por relatar com realismo a crise dos Estados Unidos);
Verão no aquário (por retratar o conflito entre mãe e filha); A hora da estrela (pelo
autor descrever sem piedade os seus personagens) e O Diário de um sedutor
(história difícil e incomum).

A redação de resumos e anotações para apresentação preliminar em
pequenos grupos e posteriormente no grande grupo constituiu-se em importante
prática, não somente para exercitar e desenvolver a expressão escrita, mas como
suporte aos alunos para, organizadas as estruturas do pensamento, realizar a
exposição oral de seu trabalho crítico.
Assim revelam sua forma de seleção: “Não tenho obras nem autores
preferidos, quando vou a biblioteca empresto a obra cujo resumo ou o título me
chama a atenção”.

Têm sido realizadas visitas programadas ao Sistema de Bibliotecas da
UFPR, ocasiões propícias ao diálogo com os profissionais e ao contato com obras
de fruição e informação, em seus diversos suportes. São programadas audições
de filmes e práticas de busca. Também se realizam encontros com autores,
organizados pelas professoras coordenadoras, com a participação dos alunos no
preparo de cartazes para divulgação da atividade e na exposição de livros.
Nessas oportunidades ficou evidenciado o grande interesse despertado pelas
obras, especialmente levando-se em conta um dos aspectos privilegiados no
projeto, a relação do texto com o autor, ou seja, a oportunidade de destacar o que
o este quis dizer, em que contexto se situou e as circunstâncias e condições em
que escreveu. Paralelamente às atividades do projeto, têm sido desenvolvidas
orientações e visitas regulares às bibliotecas do Sistema, apresentações de
formas de elaboração dos resumos, resenhas e seminários, assim como indicada
leitura complementar, necessária para subsidiar as discussões e análises das

�obras. Ampliou-se a dimensão dos trabalhos no ano de 2001, quando, além das
obras selecionadas para leitura pelo grupo, foi realizada também a leitura
individual de títulos diversos, selecionados pelos alunos de acordo com suas
preferências pessoais, o que ensejou relatos sobre impressões causadas pela
obra e interpretações apoiadas em leituras anteriores e analogias entre autores,
estilos, épocas e cenários.
Está sempre presente a convicção de que a biblioteca universitária é
elemento essencial para que se vivifique o processo de leitura, não como ato
solitário, que afasta e isola o leitor. Ao contrário, ela permite uma situação
dialógica, ou seja, estabelece alguns tipos de interações como a verificada entre
leitor e autor, ou entre leitor e contexto do discurso, além de desdobrar-se para
outras possibilidades como as relacionadas às repercussões da obra em relação
aos procedimentos críticos do leitor.
Os alunos demonstram essa possibilidade por meio de expressões como:
“Neste ano a obra que mais me impressionou foi Verão no Aquário de Lígia
Fagundes Telles, pois relata bem o que muitos jovens acabam fazendo com suas
vidas sem se dar conta, ou seja, querem chamar a atenção dos pais, amigos com
atitudes infantis, e quando tentam mudar, não o fazem, ao contrário, seguem o
que é mais fácil e conveniente. Muitas vezes reconhecem seus erros somente
quando ocorre algo trágico, como no caso da Raíza, que só viu que precisava
mudar suas atitudes com a morte de André”.
A situação dialógica autor-leitor é ampliada quando se trabalha em grupo,
pois diferentes perspectivas individuais contribuem para o enriquecimento do
processo e é favorecida pelo acolhimento do profissional bibliotecário aos projetos
de construção de conhecimento pela leitura.
O apoio do profissional na biblioteca não poucas vezes é solicitado. Isso se
verifica especialmente quando as leituras provocam uma curiosidade sobre outras
obras do autor, como a indicação de Ratos e homens, de John Steinbeck, após a
leitura de Vinhas da ira, por outros romances policiais como A outra face (Sidney

�Sheldon) e Um estudo em vermelho (Arthur Conan Doyle), após a leitura de
romances de Agatha Christie.
Assim, destacamos, entre outros referenciais, a concepção de Latour ao
considerar que uma biblioteca não pode permanecer isolada, como se ela
acumulasse de modo maníaco, erudito e culto, milhões de signos (2000, p. 37).
Com esse entendimento, faz-se mais clara a percepção de que a biblioteca
universitária é o local por excelência para o diálogo entre autor e leitor. É vai além
desse diálogo, ensejando a superação dessas relações, com a mediação do
texto, patrocinando um tecido mais complexo de relações entre leitores e suas
interpretações. Se estas, por si só, já expressam um referencial denso e subjetivo,
quando se conjugam para formar novo tecido de relações interpessoais, adquirem
novos significados e revelam interpretações diferenciadas.
Essa concordância nos leva ao segundo princípio, ou seja, o de que uma
obra literária deve ser apreciada em relação a uma totalidade que é a vida e o
comportamento do autor, em relação à realidade concreta em que vive ou viveu,
suas circunstâncias e sua história. Mas, embora considerando esses fatores,
deve-se lembrar que a produção escrita expressa apenas uma parcela de um
comportamento que é ao mesmo tempo individual e social. A esse comportamento
agregam-se outras formas de vivenciar, sentir, comunicar e expressar. Ao inventálas e ao ensaiar outros códigos para expressá-las, o inventor (autor) realiza o
grande mistério da existência e os que usufruem seu invento, sua obra, tornam-se
também criadores porque críticos.
Assim, liberam sua forma de expressão: “Com todas essas pessoas que
vão se perdendo pelo caminho vai se perdendo também a esperança da família
Joad, que não encontra nas terras férteis da Califórnia uma maneira de se
reerguer. Ao contrário, o que os sobreviventes vêem é a exploração dos
trabalhadores e a condição subumana em que são obrigados a viver”.

O terceiro princípio que nos orienta é o de que toda a leitura é crítica, ou
seja, falar em leitura crítica entre nós seria redundância. Assim é que o estímulo a
essa postura reveste-se da crença de que a leitura não é simples fruição, um

�mero modo de ocupar-se o tempo livre. Como prática de elaboração, ela revela
situações ou oposições, suscita concordâncias ou conflitos, pelo que o prazer da
leitura não é fácil ou gratuito. Ao contrário, requer esforço e tensão, faz parte de
um mundo de cultura viva, onde o leitor penetra de modo consciente e intencional.
Essa consciência é revelada por uma leitora solicitada a indicar o livro que
mais apreciou. “Foi As meninas, de Ligia Fagundes Telles”, afirmou, “pois
consegui tirar algumas lições deste livro para a minha vida”.

Nosso conceito sobre a prática da leitura não a limita a espaços ou prérequisitos, portanto, eliminaremos a idéia de níveis de leitura ou de referencial
anterior, pois entre nós estarão de modo muito natural o sentir, o comunicar e o
expressar. Assim, as atividades desenvolvidas justificam-se não somente por
ampliarem a capacidade de leitura de textos literários, impressos ou não e, como
conseqüência, de outros de cunho científico, necessários ao acompanhamento
das atividades curriculares. Acreditamos, portanto, que o desenvolvimento da
expressão crítica dos participantes também favorece a percepção dos conteúdos
enquanto produtos de prática intelectual criteriosa, assim como o conhecimento
do outro - autor ou autores - e do valor de seu trabalho.
A esse respeito, um petiano acredita que o programa “contribui muito para
a leitura escrita e interpretação de texto, além de ajudar a melhorar a maneira
como eu devo expressar minha opinião e saber aceitar opiniões diferentes”.
Em seu depoimento, outro participante revela os aspectos privilegiados
pelo programa: “tanto no pessoal quanto no profissional, a leitura contribuiu para
melhorar minha atenção aos fatos, o meu senso crítico e o poder de
argumentação”. Expressam ainda o que mais os impressionou, especificando “a
forma como eu melhorei tanto na leitura como nos resumos, e também, por ver
outros petianos participando e progredindo nos comentários”.
Há quem afirme: “sempre gostei muito de ler quando estava no ensino
médio, porém depois com a correria de cursinho e vestibular comecei a ler

�somente os livros que eram indicados e fui perdendo o gosto por literatura. Com a
leitura orientada comecei a retomar meu gosto [...], mas ainda preciso melhorar. O
interessante é que temos a oportunidade de lermos livros que jamais estaríamos
lendo ainda mais fazendo curso de Química”.
Ou ainda: “passei a freqüentar a biblioteca buscando livros e já fiz carteira
também na Biblioteca Pública”.

Além dessas possibilidades, a comparação dos diversos contextos
analisados amplia o referencial cultural dos participantes, possibilitando
interpretações diversificadas em relação ao espaço e ao tempo. Esse
alargamento do referencial cultural, por sua vez, deve contribuir para a redução
dos preconceitos e estereótipos presentes no imaginário cultural.

Esperamos, portanto, continuar favorecendo no aluno o desenvolvimento
do gosto pela leitura de textos literários em suas diversas formas e
manifestações; proporcionar oportunidade de conhecimento de obras, seus
autores e suas edições, assim como de traduções para outras linguagens como o
cinema, o teatro e a ópera; realizar discussões sobre as obras lidas ou assistidas;
estimular a prática de redação de formas diferenciadas de textos como resenhas,
ensaios e artigos sobre temas gerais e específicos e desenvolver a expressão
crítica dos participantes, favorecendo analogias, comparações e interpretações.
Essa ambição seria pretensiosa não tivéssemos a contribuição dos
profissionais e da estrutura da biblioteca atuando, como atores privilegiados, no
campo da promoção da leitura. Há que se enfatizar, entretanto, a necessidade de
aprimorar essa atuação, especialmente de alçá-la à condição de ação política, a
partir da realidade das práticas educativas, no sentido de planejá-las e
implementá-las.

REFERÊNCIAS
DÍEZ-BORQUE, José María. El libro: de la tradición oral a la cultura impresa.
Barcelona: Montesinos, 1985.

�GOLDMANN, Lucien. Dialética e cultura. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.
LANCASTER, F.W. Indexação e resumos: teoria e prática. Brasília: Briquet de
Lemos/ Livros, 1993.
LATOUR, Bruno. Redes que a razão desconhece: laboratórios, bibliotecas,
coleções. In: BARATIN, Marc; JACOB, Christian. O poder das bibliotecas: a
memória dos livros no Ocidente. Rio de janeiro: Editora UFRJ, 2000.

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                <text>Analisa e relata projeto de orientação à leitura e à discussão de obras de cunho literário e artístico, para alunos inscritos no Programa Especial de Treinamento (PET) do Curso de Química. A atividade, para a qual contribui o Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Paraná, além de ampliar a capacidade de leitura de obras de cunho científico e de produção literária, em suas diversas formas e manifestações, enseja a compreensão de textos informacionais, a ampliação do vocabulário e a prática de análise de textos. Visa desenvolver a expressão crítica dos participantes e a oportunidade de conhecimento de obras literárias e de seus autores, contextualizando-os e favorecendo a compreensão dos textos enquanto produtos de trabalho intelectual criterioso. Relata as discussões sobre as obras lidas ou assistidas e as habilidades de redação de formas diferenciadas de textos como resenhas e artigos sobre temas gerais e específicos. O projeto, durante os nove anos de execução, tem sido avaliado positivamente tanto pelos alunos como pelos orientadores. Os alunos manifestaram-se positivamente impressionados com as atividades desenvolvidas, não só pelas obras lidas e analisadas, mas também pelas práticas desenvolvidas. O conhecimento de autores e obras e a extensão do referencial adquirido ampliaram os elementos comparativos, aprofundando e tornando mais espontâneas as discussões sobre as obras. A elaboração das resenhas, segundo a avaliação das coordenadoras, especialmente com base na comparação entre o desempenho nas duas versões do projeto, desenvolveu e ampliou a habilidade de redação e a expressão crítica dos participantes.</text>
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                    <text>PRESERVAÇÃO DE ARQUIVOS DIGITAIS : DESAFIOS E SOLUÇÕES

JOSÉ ANTONIO RODRIGUES VIANA

UFF - UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
Biblioteca de Administração , Ciências Contábeis e Turismo
R. São Paulo, 30 sala 817
Campus do Valonguinho
24040-110 - Centro - Niterói  RJ- Brasil
e-mail: bac@ndc.uff.br

Analisa a preservação dos suportes dos arquivos digitais e das informações já
nascidas em meio digital ( e-books, periódicos, textos na internet). Apresenta
problemas e soluções já utilizadas. Discorre sobre a necessidade de migração
dos formatos de codificação e mídias devido ao avanço tecnológico.

I. INTRODUÇÃO

É cada vez mais importante a informação por meio digital na nossa sociedade,
devido a popularização da internet, aos custos cada vez menores de
equipamentos e a facilidade para divulgação e armazenamento. Essa revolução
digital está forçando as bibliotecas a repensarem seus objetivos, desenvolverem
novas políticas, técnicas, além de investimento em infraestrutura de informática.
Porém a medida que essas milhões de novas informações são geradas , elas
automaticamente estão correndo risco de desaparecimento. Novos softwares,
formatos, hardware aparecem a cada dia pondo em risco a informação corrente.
Segundo Sant Anna ( 2001) documento digital ou eletrônico é todo registro
gerado ou recebido por uma entidade pública ou priva, no desempenho de suas

�atividades, armazenado e disponibilizado ou não, através de algum sistema de
computação. Há também o documento digitalizado, que é a cópia digital de um
documento original existente em outro suporte. No presente trabalho trataremos
apenas do primeiro tipo.

II. PRESERVAÇÃO DE ARQUIVOS DIGITAIS

 A natureza dos documentos digitais está permitindo ampla produção e
disseminação de informação no mundo atual. É fato que na era da informação
digital se está dando muita ênfase à geração e/ou aquisição de material digital, em
vez de manter a preservação e o acesso a longo prazo aos acervos eletrônicos
existentes. O suporte físico da informação, o papel e a superfície metálica
magnetizada se desintegram ou podem se tornar irrecuperáveis. Existem,
ademais, os efeitos da temperatura, umidade, nível de poluição do ar e das
ameaças biológicas; os danos provocados pelo uso indevido e o uso regular, as
catástrofes naturais e a obsolescência tecnológica. A aplicação de estratégias de
preservação para documentos digitais é uma prioridade, pois sem elas não
existiria nenhuma garantia de acesso, confiabilidade e integridade dos
documentos a longo prazo.  (Arellano, 2004 )
Segundo Verdegem (2004 ) o principal problema relativo a preservação de
arquivos digitais é a obsolescência técnica. Ele levanta a questão sobre o que
fazer com softwares e suportes antigos, que atualmente não podem mais ser
usados. É preciso garantir que esses arquivos possam ser lidos por tecnologias do
futuro.
Wiggins ( 2001 ) afirma que para combater esse problema são necessárias
diversas estratégias :
•

Preservar o software : Requere manter o programa original usado para ver
e editar o conteúdo. Um problema adicional é preservar o sistema
operacional e o hardware necessário.

•

Atualizar ou migrar quando possível.

�•

Emular : Providenciar ferramentas para emular os aplicativos ou sistemas
operacionais.

•

Encapsular : Quando armazenar conteúdo digital é importante não
preservar somente texto, imagens, vídeos, etc. Mas também armazenar a
informação necessária para que esta informação seja acessada no futuro
em qualquer sistema operacional.

Estas estratégias parecem simples na teoria. Uma coisa é copiar o
conteúdo de um disquete para um cd ou se conseguir um software que simule um
sistema operacional antigo, mas não podemos esquecer que são criados
mensalmente em páginas web aproximadamente dez terabytes de informação no
mundo inteiro. Para se entender o tamanho do problema, todos os textos da
biblioteca do congresso norte americano alcançariam 17 terabytes se fossem
digitalizados para sua armazenagem (Wiggins, 2001)
Isto contribui para que as webpages sejam possivelmente o maior desafio
para serem preservadas. Inúmeras páginas nascem e morrem diariamente, das
mais variadas origens : governamentais, ongs, revistas, jornais, empresas. É
imensurável a quantidade de informação que se está simplesmente sendo
eliminada para as gerações futuras.
Edwardes( 2004) estima que 93 por cento de todas as novas informações já
nascem no formato digital . E essas informações tem como característica básica
sua volatibilidade. A vida média de um site na internet é de seis semanas!! O autor
cita que 44 por cento dos sites online em 1998 já estavam fora do ar no ano
seguinte.
Popova-Gosart ( 2004 ) lembra que a dificuldade para se incluir as
coleções digitais dos países em desenvolvimento em uma política de preservação
pode resultar em uma perda cultural para a humanidade. A necessidade de se
preservar a informação digital é fundamental para um futuro estudo dos tempos

�atuais. É que é um dever de cada bibliotecário se exercitar para resgatar para a
preservação os arquivos digitais que estão ameaçados.
Wiggins (2001) analisa as ameaças que os arquivos digitais sofrem, além
da óbvia destruição física, segundo ele este arquivos podem sofrer uma  morte
digital como nos seguintes casos :

•

Quando o novo toma lugar do velho: Toda vez que uma organização tem
uma nova informação para colocar no site é comum publicar o novo
conteúdo e simplesmente apagar o antigo.

•

Reorganização do conteúdo : Nas páginas web é comum reorganizar o
espaço da mesma. Geralmente acontece quando um novo webdesigner
assume a função. Neste processo muita informação simplesmente
desaparece.

•

Morte do patrocinador : Quando a organização mantenedora morre,
geralmente a informação morre com ela. Por exemplo, no dia seguinte da
derrota do candidato a presidência dos Estados Unidos, Al Gore, o seu site
saiu do ar. Impossibilitando os historiadores do futuro a analisar este
período da história americana.

•

Patrocinador perde o interesse: Muitos editores consideram que não vale a
pena manter o arquivos de edições anteriores em suas páginas.

•

Patrocinador teme a história : Em muitos casos, as empresas evitam
manter documentos históricos no site por medo de serem processadas.
Empresas como a Ford e a IBM, foram indiciadas por erros cometidos há
50 anos. Várias organizações estão incentivando a destruição de originais
potencialmente perigosos. O que acarreta a destruição da história da
companhia e o conhecimento incorporado a este processo.

�•

Formato da mídia ultrapassado : Um caso típico foi a transição do disquete
5 1/4" para o novo formato.

•

Formato da informação ultrapassado : Dados estocados em softwares
antigos como WordPerfect ou PC Write, podem ser ilegíveis para novos
softwares. Mesmo conteúdo já feito para a web pode se tornar obsoleto
para softwares que acessam as novas versões de html ou xml.

Abrahans ( 2004 ) afirma que sem uma compreensão completa dos
detalhes internos dos formatos em que os objetos digitais são codificados, a
preservação a longo prazo desses objetos é impraticável. Os formatos necessitam
ser compreendidos no sentido geral, de modo que as ferramentas genéricas e os
serviços possam ser criados. Segundo ele o estabelecimento de um registro
digital global de formato seria o melhor a ser feito para se otimizar o uso de
recursos geralmente escassos destinados a coleção e preservação dos acervos
pelo mundo.
Brown (2003) analisa que diferente do papel, a preservação de documentos
digitais envolve uma combinação de hardware e software. Mas a rápida mudança
tecnológica pode ser um obstáculo para esta preservação. É preciso desenvolver
uma estratégia que permita preservar a informação para gerações futuras ,
independente da tecnologia a ser utilizada. Nesta área duas correntes disputam a
primazia : emulação e migração. A emulação cobre uma variedade de técnicas pra
recriar o antigo ambiente em novos computadores. Os defensores da emulação
afirmam que esta é a única maneira de se recriar de modo fidedigno um arquivo
digital, mas é um processo que envolve uma grande quantidade de profissionais,
além do preço, proibitivo na maior parte dos casos.

�Diagrama de uma emulação (Verdegem, 2004 )

Hoje

1a. Geração

2a. Geração

Hardware 0

Hardware 1

Hardware 2

Software 0

Software
emulando
Hardware 0

Software
emulando
Hardware 1

Dados 0

Os adeptos da migração tem um visão diferente, que é converter os
arquivos para novos formatos, assim que os formatos originais se tornam
obsoletos.É uma técnica mais simples, mas existem problemas relacionados a ela.
Alguma parte da informação pode ser perdida no processo : por exemplo, na
conversão de um documento no formato de wordstar 5.0 para o Word xp pode
ocorrer a perda de algumas formatações. A questão é determinar até quanto se
pode perder sem comprometer a autenticidade do documento.
Rothenberg (1999) afirma que a migração é uma falsa promessa , já que
essa migração só ocorre naturalmente enquanto os originais estejam em uso
contínuo dentro das organizações e são copiados em formatos novos quando
necessitados. Entretanto, quando o original deixa de ser útil dificilmente será
atualizado, já que poucas organizações podem justificar o custo de transferir os
originais sem nenhuma perspectiva de uso a curto prazo. A sucessiva da tradução

�para novos formatos traz o problema de perda da informação, já que cada
tradução pode introduzir perdas novas.

Diagrama de uma migração (Verdegem, 2004)
1a. Geração

Hoje

2a. Geração

Hardware 2

Hardware 0

Hardware 1

Software 0

Software 1

Software 2

Dados 0

Dados 1

Dados 2

Conversão 1Conversão
de formato

Conversão
1

de f

de formato 2

2

1

Jones (2004) afirma que a preservação de arquivos digitais deve ter a
responsabilidade compartilhada. As decisões necessárias para a preservação
devem ser tomadas no momento da criação do documento, o que leva a um
papel primordial dos criadores no processo. O papel dos criadores de publicações
digitais é crucial e ao mesmo tempo difícil para se conseguir esta integração, já
que eles possuem conhecimento profundo da matéria, mas ao mesmo tempo
podem faltar as habilidades de arquivo necessárias. A solução nestes casos
pôde ser uma aliança entre a organização que vai controlar dados digitais, e os
criadores, de modo que aqueles com o conhecimento do material mantivessem o
controle sobre decisões sobre a necessidade do que será preservado e em que
intervalos. Embora a autora do artigo não pretenda que se ache uma solução

�única (o formato digital global ) para a preservação quanto aos formatos , porque
diferentes visões e tipos de material seriam benéficos no desenvolvimento de
estratégias nesta fase de início da discussão.

III. SELECIONANDO MATERIAL PARA A PRESERVAÇÃO

Com a imensa quantidade de informações produzidas diretamente torna-se
primordial a seleção do material a ser preservado. A avaliação deve ser executada
por uma comissão formada por usuários, gestores dos documentos e arquivistas.
Deve ser feita de modo imparcial, objetivo e profissional (Sant Anna, 2001)
Por exemplo, o Arquivo Nacional da Inglaterra trabalha com páginas
governamentais. E desenvolveram a política de seleção baseada em três
perguntas simples : Quais websites devem ser preservados, qual a frequência
para arquiva-los e como tecnicamente permitir a recuperação dos dados. A
instituição classifica os sites em duas categorias: Websites que se relacionam a
eventos específicos, tais como os projetos públicos, que são selecionados de
acordo com políticas existentes - estes têm uma vida finita e são arquivados na
sua conclusão. O Arquvio também busca preservar as informações dos Websites
de atividades e de funções do governo. Para isso selecionaram 50 sites
importantes de todas as atividades principais do governo para serem preservados
integralmente. A freqüência do arquivamento desses sites são flexíveis - durante
um evento tal como a guerra de Iraque, o arquivamento era semanal , mas na
maioria das vezes esse arquivamento é feito a cada dois meses. (Brown, 2003)

IV. CONCLUSÃO

Apesar de todos os esforços feitos ainda estamos no começo da era digital
e provavelmente muita informação importante para as futuras gerações estão
sendo eliminadas neste momento.

�Enquanto o papel, suporte aparentemente frágil, alcança uma durabilidade
de milênios, não podemos afirmar se os bibliotecários do futuro poderão acessar
este CD do SNBU. Existirá daqui a cinquenta anos alguma máquina que poderá
ler o CD? E o formato pdf? Será visto como alguma coisa da pré-história digital?
É preciso pensar seriamente na preservação de arquivos digitais para que o
nosso conhecimento possa ser apreciado pelas gerações futuras.

V. BIBLIOGRAFIA

Abrahans, Stephen L .The role of format in digital preservation. Vine, Bradford,
v.34, n.2, p. 49, 2004.

Arellano, Miguel Angel . Preservação de documentos digitais. Ci. Inf., Brasília, v.
33, n. 2, p. 15-27, maio/ago. 2004.

Brown, Adrian. Preserving the digital heritage: building a digital archive for UK
Government records. Online Information....Proceedings...2003. p. 67.

Edwardes, Eli. Ephemeral to Enduring: The Internet Archive and Its Role in
Preserving Digital Media. Information Technology and Libraries, Chicago, v.23, n.
1, pg. 3- 6 , 2004.

Jones, Maggie. The digital preservation coalition. Vine, Bradford, v.34, n. 2, p. 84,
2004.

Popova-Gosart, Ulia .Library preservation in Russia: hope and despair on the edge
of the technological revolution. Library Management, Bradford, v.25, n. 8/9, p.
343, 2004.

�Rothenberg, Jeff. Ensuring the Longevity of Digital Information. s.l : 1999. 18p.
(Versão extendida do texto Ensuring the Longevity of Digital Documents. Scientific
American , v. 272, n. 1, p. 42-7, 1995)

Sant Anna, Marcelo Leone. Os desafios da preservação de documentos públicos
digitais. Informática Pública, v.3, n.2, p. 123-135, dez. 2001

Verdegem, Remco, Stats, Jacqueline. Practical experiences of the Dutch digital
preservation test-bad. Vine, Bradford, v.34, n. 2, p. 56, 2004.

Wiggins, Richard.Digital preservation: Paradox &amp; promise. Library Journal, New
York, n. 12, p.12-16, spring 2001.

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Analisa a preservação dos suportes dos arquivos digitais e das informações já nascidas em meio digital ( e-books, periódicos, textos na internet). Apresenta problemas e soluções já utilizadas. Discorre sobre a necessidade de migração dos formatos de codificação e mídias devido ao avanço tecnológico.</text>
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                    <text>SNBU 2006

PRESERVAÇÃO DE DESENHOS ORIGINAIS DE ARQUITETURA

ELIANA DE AZEVEDO MARQUES

Diretora Técnica do Serviço de Biblioteca
e Informação da FAUUSP
emarques@usp.br

LISELY SALLES DE CARVALHO PINTO

Bibliotecária Coordenadora do
Setor de Conservação do SBI/FAUUSP
enclis@usp.br

SERVIÇO DE BIBLIOTECA E INFORMAÇÃO DA

FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO DA

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

Rua do Lago, 876 (Butantã)
Cep: O5508-080 São Paulo,SP, Brasil
bibfau@usp.br
www.usp.br/fau/biblio

�A Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo foi
criada pela Lei Estadual no.104, de 21 de junho de 1948.
Funcionou primeiramente na rua Maranhão, 88, no bairro de Higienópolis
no edifício Art Nouveau, conhecido como “Vila Penteado” de autoria do arquiteto
Carlos Ekman (1866-1940).
A "Vila Penteado" foi doada à Universidade de São Paulo pela família
Álvares Penteado no final da década de 1930, com o fim específico de abrigar
uma Faculdade de Arquitetura, onde instalou seu curso de graduação e lá
permaneceu até 1969, quando passou a funcionar na Cidade Universitária. Tratase de um palacete construído no início do século XX para abrigar a família do
conde António Álvares Penteado, poderoso fazendeiro de café empenhado na
industrialização paulista. O próprio edifício era considerado, desde seu projeto,
como uma obra de arte.
A Biblioteca da Faculdade foi criada como parte fundamental do projeto e
programa de ensino da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, tendo
como objetivo o auxílio ao estudo, à pesquisa e extensão universitária.
Neste período a Biblioteca já esboçava sua vocação para incorporar
acervos diferenciados, e na década de 60, foi criado o setor audiovisual,
abrigando diapositivos, fitas sonoras, fotografias, filmes e microfilmes.
Além de subsidiar as pesquisas acadêmicas por meio de levantamentos
bibliográficos, data desta época a elaboração e publicação do Índice de
Arquitetura Brasileira – indexação de periódicos nacionais especializados em
arquitetura – trabalho até hoje único no país.
Como todo o acervo da FAUUSP, o Índice da Arquitetura Brasileira apóia
trabalhos de pesquisa não só da própria Unidade, mas de muitas outras, na USP
e fora dela. Deste acervo constam cerca de 1.200 teses e dissertações
defendidas e mais de 5.000 registros de produção docente da Unidade.

2

�A partir de 1969, com a mudança do curso de arquitetura para o edifício
“Vilanova Artigas”, construído na Cidade Universitária, no Butantã, projeto do
arquiteto e professor João Batista Vilanova Artigas (1915- 1985), a Faculdade
passou a absorver não só as atividades da graduação, mas também uma relação
estreita entre teoria e prática da arquitetura, quando foram ampliadas as já
existentes oficinas gráficas, oficinas de modelos tridimensionais e laboratórios de
fotografia e mais tarde de vídeo.
Em 1974 foi criada a Biblioteca de Pós-Graduação no edifício da “Vila
Penteado”. Formada inicialmente pela compra de livros e periódicos das firmas de
planejamento ASPLAN e SAGMACS, seu acervo no decorrer dos anos foi
acrescido de obras relativas ao curso como trabalhos programados, trabalhos
disciplinares, teses, além da bibliografia básica para as disciplinas oferecidas na
Pós-Graduação.
Em 1985 a Biblioteca passou a ser denominada Serviço de Biblioteca e
Informação, com organograma renovado, englobando a Biblioteca da Graduação
e da Pós-Graduação.
Muitos dos serviços oferecidos desde o seu início foram oficializados com a
criação das seções e serviços.
Hoje, além dos livros e periódicos e dos materiais audiovisuais já citados, a
Biblioteca possui outros materiais especiais como, vídeos, CD-ROM, mapas,
negativos em vidro e projetos de arquitetura.
O tema deste trabalho trata de um destes acervos especiais que é o de
desenhos originais de arquitetura.

Desenhos originais de arquitetura
A partir de 1965, logo após o trágico acidente que vitimou o arquiteto
Carlos Millan e sua família, a Biblioteca recebeu como doação o acervo de seu
escritório, compreendendo croquis, desenhos, peças gráficas e fotografias de
suas obras.

3

�Esta foi a primeira doação de tantas outras que se sucederam. Deu-se
início à formação de um novo acervo, de características novas e específicas.
Em 1970 foi criado na Biblioteca o Setor de Projetos de Arquitetura e a
Biblioteca iniciou um processo de estruturação para a organização, guarda e
disponibilização dos desenhos originais de arquitetura. Para este trabalho foram
desenvolvidos procedimentos semelhantes aos usados para o processamento
técnico dos demais materiais da biblioteca, visando facilitar o acesso ao acervo,
onde cada desenho recebe uma identificação. Hoje em dia a busca ao acervo de
projetos é feita no próprio site da Biblioteca da FAUUSP, no link consulta on line.
Durante o processo de organização deste acervo verificou-se a riqueza
tanto do conteúdo quanto da variedade de suportes destes documentos, das
técnicas dos desenhos originais e das reproduções. Isto levou à necessidade de
um maior conhecimento das técnicas de preservação de papel por parte dos
bibliotecários do SBI-FAUUSP, e este conhecimento posteriormente originou a
idealização de um setor responsável pelos trabalhos de preservação.
Em 1993 nasce então o Setor de Conservação da Biblioteca onde os
funcionários com o conhecimento adquirido sobre preservação, passaram a
assumir a responsabilidade pelo desenvolvimento de projetos, com o auxílio dos
Órgãos de Fomento para Pesquisa (FAPESP, CNPq, VITAE), visando o
tratamento do acervo de desenhos, na sua maioria em papel vegetal.
A Biblioteca desenvolve desde então, trabalhos educacionais junto aos
usuários, voltados ao correto manuseio dos diversos materiais do acervo, assim
como organiza seminários e workshops sobre conservação de desenhos originais
de arquitetura.
Com esse acervo foram elaboradas inúmeras dissertações e teses que
vêm enriquecendo nosso conhecimento sobre a arquitetura brasileira e a cultura
que a produziu.
Até hoje a Faculdade e sua Biblioteca receberam para sua conservação, os
acervos de cerca de quarenta arquitetos, totalizando mais de quatrocentas mil
peças, entre desenhos técnicos, croquis e fotos.

4

�Esta relação de expoentes da arquitetura brasileira (relacionada abaixo em
ordem alfabética) com ênfase na arquitetura do Estado de São Paulo abrange do

final do século XIX aos nossos dias e atesta a importância do papel da biblioteca
universitária como pólo aglutinador de debates e produção do conhecimento.
Coleção Abelardo de Souza 1908 – 1981.
Descrição: Desenhos de arquitetura do período de 1953 a 1978, em papel
vegetal, manteiga, e cópia heliográfica. Projetos de arquitetura para edifícios
residenciais, comerciais, lazer, educação e pesquisa.
Quantidade: 500 projetos.
Origem/Procedência: Família.
Data doação: 1981.
Coleção Abrahão Sanovicz 1934 – 1999.
Descrição: Desenhos de arquitetura em papel manteiga, vegetal e cópia
heliográfica. Projetos de arquitetura para edifícios para educação, lazer,
residenciais, comerciais, públicos, administrativos e pesquisa.
Quantidade: 295 projetos.
Origem/Procedência: Família.
Data da Doação: 2003.
Coleção Carlos Ekman 1866 – 1940.
Descrição: Desenhos de arquitetura do período de 1891 a 1929, em papel
vegetal, manteiga, cartão e aquarela. Projetos de arquitetura para edifícios
residenciais, religiosos e viadutos.
Quantidade: 27 projetos.
Origem/Procedência: Família.
Data doação:1982.
Coleção Carlos Millan 1927 – 1964.
Descrição: Desenhos de arquitetura do período de 1951 a 1963, em papel
vegetal, manteiga e cópia heliográfica. Projetos de arquitetura para edifícios

5

�residenciais, comerciais, industriais, militares, para saúde, religiosos, para
educação e lazer. Mobiliário.
Quantidade: 74 projetos.
Origem/Procedência: Escritório Carlos Millan.
Data doação: 1965.
Coleção Christiano Stockler das Neves 1889 – 1982.
Descrição: Desenhos de arquitetura do período de 1901 a 1964, em papel
vegetal, manteiga, cartão, cambraia de linho e aquarela. Projetos de arquitetura
para edifícios residenciais, comerciais, industriais, públicos, para saúde, para
educação e lazer.
Quantidade: 98 projetos.
Origem/Procedência: Professor Dr. Carlos Lemos.
Data doação: 1985/1986.
Coleção Elisiário Antonio da Cunha Bahiana 1891 – 1980.
Descrição: Desenhos de arquitetura do período de 1936 a 1970, em papel
vegetal, manteiga e cópia heliográfica. Projetos de arquitetura para edifícios
residenciais, comerciais, para educação e lazer.
Quantidade: 69 projetos.
Origem/Procedência: Prof. Dr. Hugo Segawa.
Data da doação:1975/1985.
Coleção Escritório Técnico “Ramos de Azevedo”, Severo e Villares Ltda.
Descrição: Desenhos de arquitetura do período de 1927 a 1946, em papel
vegetal, manteiga e cartão. Projetos de arquitetura para edifícios residenciais,
comerciais, públicos, industriais, para educação, religiosos, para lazer, para saúde
e administrativos.
Quantidade: 119 projetos.
Origem/Procedência: Professor Dr.Carlos Lemos.
Data doação: 1983.

6

�Coleção Escritório Técnico Samuel e Christiano das Neves
Descrição: Desenhos de arquitetura do período de 1891 a 1945, em papel
vegetal, manteiga, canson, cambraia de linho e cópia heliográfica. Projetos de
arquitetura para edifícios residenciais, comerciais, transporte, públicos, religiosos,
para educação e planejamento territorial urbano.
Quantidade: 219 projetos.
Origem/Procedência: Professor Dr. Carlos Lemos.
Data doação: 1985/1986.
Coleção Escritório Técnico de Construções Siciliano e Silva (Heribaldo
Siciliano a Antonio A. Villares da Silva).
Descrição: Desenhos de arquitetura do período de 1923 a 1929, em papel
vegetal e cópia heliográfica. Projetos de arquitetura para edifícios comerciais,
para saúde, religiosos e pontes.
Quantidade: 27 projetos.
Origem/Procedência: Marina Villares da Silva Novaes.
Data doação: 1994.
Coleção Francisco de Paula Ramos de Azevedo 1851 – 1928.
Descrição: Desenhos de arquitetura do período de 1880 a 1928, em papel
cambraia de linho, seda, canson, vegetal, manteiga, cartão e cópia blue print.
Projetos de arquitetura para edifícios residenciais, comerciais, industriais,
públicos, para educação, religiosos, para lazer, de transporte e para saúde.
Túmulos e emblema.
Quantidade: 417 projetos.
Origem/Procedência: Professor Dr. Carlos Lemos.
Data doação: 1983.
Coleção Gian Carlo Palanti 1906 – 1977.

7

�Descrição: Desenhos de arquitetura em papel vegetal e cópia heliográfica.
Projetos de arquitetura para edifícios comerciais, residenciais, administrativos,
públicos, para saúde, educação e lazer
Quantidade: 120 projetos.
Origem/Procedência: Família.
Data da Doação: 1989.
Coleção Gregori Warchavchik 1886 – 1971.
Descrição: Desenhos de arquitetura do período de 1929 a 1960, em papel
vegetal, manteiga e cópia heliográfica. Projetos de arquitetura para edifícios
residenciais, comerciais, públicos,
Origem/Procedência: Família.
Data doação: 1982/1983.
Coleção Hernani do Val Penteado 1901 – 1980.
Descrição: Desenhos de arquitetura do período de 1922 a 1989, em papel
vegetal, manteiga, cartão, papel-tecido e cópia heliográfica. Projetos de
arquitetura para edifícios residenciais, comerciais, públicos, transporte, para
saúde, educação e lazer.
Quantidade: 300 projetos.Mobiliário.
Quantidade: 95 projetos.
Origem/Procedência: Família.
Data doação: 1989.
Coleção Jacques Émile Paul Pilon 1905 – 1962.
Descrição: Desenhos de arquitetura do período de 1940 a 1956, em papel
vegetal, manteiga e cópia heliográfica. Projetos de arquitetura para edifícios
residenciais, comerciais, industriais. Túmulos.
Quantidade: 296 projetos.
Origem/Procedência: Profª. Hilda Castelo Branco.
Data doação: 1988.

8

�Coleção João Batista Vilanova Artigas 1915 – 1985.
Descrição: Desenhos de arquitetura do período de 1937 a 1984, em papel
vegetal, manteiga, cartão, cópia heliográfica e ozalid. Projetos de arquitetura para
edifícios residenciais, administrativos, comerciais, públicos, religiosos, militares,
para transporte, pesquisa, saúde, educação e lazer. Projeto de urbanismo e
mobiliário.
Quantidade: 398 projetos.
Origem/Procedência: Fundação Vilanova Artigas.
Data doação: 1999.
Coleção Joaquim Manoel Guedes Sobrinho 1932 Descrição: Desenhos de arquitetura em papel vegetal e cópia heliográfica.
Projetos de arquitetura para edifícios comerciais, residenciais, administrativos,
públicos, religiosos, para educação e lazer.
Quantidade: 425 projetos.
Origem/Procedência: Autor.
Data da Doação: 1997/2005.
Coleção Oswaldo Arthur Bratke 1907 – 1997.
Descrição: Desenhos de arquitetura do período de 1931 a 1987, em papel
vegetal, manteiga e couché. Projetos de arquitetura para edifícios residenciais,
industriais, públicos, administrativos, para saúde, educação e lazer. Mobiliário.
Quantidade: 64 projetos.
Origem/Procedência: Família.
Data doação: 1998.
Coleção Olavo Franco Caiuby
Descrição: Desenhos de arquitetura do período 1932 a 1940, em papel vegetal,
manteiga e cópia heliográfica. Projetos de arquitetura para edifícios residenciais e
comerciais.
Quantidade: 35 projetos.

9

�Origem/Procedência: Profª. Silvia Ficher.
Data doação: 1985.
Coleção Philipp Lohbauer
Descrição: Desenhos de arquitetura do período de 1940 a 1970, em papel
vegetal, manteiga e cópia heliográfica. Projetos de arquitetura para edifícios
residenciais, comerciais, industriais, públicos, religiosos, para lazer e transporte.
Mobiliário.
Quantidade: 256 projetos.
Origem/Procedência: Família.
Data doação: 1980.
Coleção Rino Levi (1901-1965) e Rino Levi Arquitetos Associados Ltda.
Descrição: Desenhos de arquitetura do período de 1934 a 1995, em papel
vegetal, manteiga e cópia heliográfica. Projetos de arquitetura para edifícios
residenciais, comerciais, administrativos, industriais, públicos, religiosos, para
transporte, educação e lazer. Túmulos.
Quantidade: 424 projetos.
Origem/Procedência: Escritório Rino Levi.
Data doação: 1975/1996.
Coleção Roberto Coelho Cardozo 1923 Descrição: Desenhos de arquitetura em papel vegetal e heliográfica. Projetos de
arquitetura para edifícios residenciais, comerciais, para saúde e paisagismo.
Quantidade: 30 projetos.
Origem /Procedência: Autor.
Data da Doação: 1975.
Coleção Rodrigo Brotero Lefèvre 1938 – 1984.
Descrição: Desenhos de arquitetura em papel vegetal e cópia heliográfica.
Projetos de arquitetura para edifícios residenciais e comerciais.

10

�Quantidade: 250 projetos.
Origem/Procedência: Fundação Vilanova Artigas.
Data da Doação: 2001.
Coleção Roger Zmekhol 1926 – 1976.
Descrição: Cópias de desenhos de arquitetura do período de 1963 a 1975, em
papel heliográfico. Projetos de arquitetura para edifícios residenciais e comerciais.
Quantidade: 123 projetos.
Origem/Procedência: Família.
Data doação: 1980.
Coleção Rosa Grena Kliass e Rosa Grena Kliass Paisagismo, Planejamento
e Projetos Ltda.
Descrição: Desenhos de arquitetura do período de 1960 a 1990, em papel
vegetal e cópia heliográfica. Projetos de arquitetura paisagística, edifícios
residenciais, industriais, comerciais e planejamento urbano.
Quantidade: 163 projetos.
Origem/Procedência: Autora.
Data doação: 1998.
Coleção Samuel das Neves 1863 – 1937.
Descrição: Desenhos de arquitetura do período de 1903 a 1927, em papel
vegetal, velino, manteiga, canson, cambraia de linho e cópia heliográfica. Projetos
de arquitetura para edifícios residenciais, comerciais, públicos, religiosos, para
lazer e transporte.
Quantidade: 124 projetos.
Origem/Procedência: Prof. Dr.Carlos Lemos.
Data doação:1985/1986.
Coleção Victor Dubugras 1868-1933.

11

�Descrição: Desenhos de arquitetura do período de 1896 a 1933, em papel
vegetal, manteiga, cartão, canson e cópia blue print. Projetos de arquitetura para
edifícios residenciais, comerciais, públicos, industriais, para transportes, lazer,
saúde e educação. Túmulos.
Quantidade: 121 projetos.
Origem/Procedência: Elwin Dubugras (neto).
Data doação: 1986.
Coleção Waldemar Cordeiro 1925 – 1973.
Descrição: Desenhos de arquitetura do período 1962 a 1973, em papel vegetal,
manteiga e cartão. Projetos de arquitetura paisagística, para edifícios residenciais
e comerciais.
Quantidade: 118 projetos.
Origem/Procedência: Família.
Data doação: 1980.

Fazem parte ainda do acervo projetos dos arquitetos:
Achilina Bo Bardi; Antonio Jorge Monteiro Filho;Eduardo Corona; Eduardo
Augusto Kneese de Mello; Flávio Império; Jayme C. Fonseca Rodrigues; José
Augusto Belucci; Marcelo Accioly Fragelli; Oscar Niemeyer, Paulo Mendes da
Rocha, Roberto Tibau e Ruy Othake.

Projetos de conservação desenvolvidos com o apoio de órgãos de
financiamento à pesquisa
1986 – “Proposta para duplicação de projetos arquitetônicos da FAUUSP”
1994 – “Projeto para recuperação, conservação e reprodução de negativos
de fotos e diapositivos do acervo do setor áudio visual do SBI/FAUUSP”
1995 – “Diagnóstico geral do acervo de obras raras e projetos”
1996 – “Restauração e Modernização do SBI/FAUUSP Graduação”

12

�1997 – “Diagnóstico do acervo da Coleção Ramos de Azevedo”
1998 – “Conservação Preventiva e digitalização dos projetos originais do
arquiteto João Batista Vilanova Artigas”
2000 – “Restauração e Modernização do SBI/FAUUSP Pós-Graduação”
2001 – “ Higienização e acondicionamento da coleção Ramos de Azevedo”
2003 – “Estágio no NEDCC – Northeast Document Conservation Center,
Andover, EUA”
2004 – “Conservação da coleção Samuel e Christiano das Neves”
2005 – “Desenhos originais de arquitetura: Acervo Flávio Império e
Abrahão Sanovicz”

A manutenção do acervo do SBI, que se tornou no decorrer dos anos o
maior acervo de arquitetura da América Latina, só foi possível graças à política de
preservação continuada. Estão relacionadas a seguir algumas ações que vem
sendo implementadas pela equipe da biblioteca:
1970 – Criação do Setor de Projetos de Arquitetura
1993 – Criação do Setor de Conservação
1994 – Campanha educacional para usuários
1994 – Palestra sobre Preservação de Papel
1996 – Diagnóstico do Acervo
1997 – Workshop sobre Conservação de Desenhos de arquitetura
1998 – Novas Instalações da Biblioteca da Graduação
1999 – Seminário sobre conservação de obras de arquitetura
2000 – Workhop sobre conservação de papel
2002 – Novas instalações da Biblioteca de Pós-Graduação
2006 – Nova instalação da Biblioteca de Graduação
“Sala Flávio Império e Abrahão Sanovicz”

13

�Museu de Arquitetura
Os desenhos de arquitetura mostram como a arquitetura é imaginada,
concebida, observada e transformada através dos tempos.
A coleção de projetos da Biblioteca é diversificada e sua abrangência – de
1880 aos nossos dias – permite um estudo aprofundado da diversidade temática,
das relações entre as idéias, da evolução das tendências e das diversas
aproximações teóricas e práticas das novas formas de arquitetura e urbanismo.
O objetivo primeiro desta coleção é oferecer uma documentação completa
e integrada a fim de fazer avançar a pesquisa interdisciplinar de alto nível.
O conjunto da obra mostra o processo de criação da arquitetura desde os
primeiros croquis, passando pelos desenhos de apresentação até a execução,
dando um apanhado do trabalho de concepção e da representação das
construções.
O acervo demonstra a diversidade do desenho de arquitetura, desde as
plantas e seções cuidadosamente elaboradas, até estudos abstratos sobre e a
forma e o espaço de projetos finalizados a outros imaginados, que nunca foram
construídos, a projetos teóricos os quais alargam as fronteiras do pensamento
arquitetônico e aquarelas delicadas que exploram as harmonias do espaço.
Em conjunto estas obras oferecem uma oportunidade única de examinar
desenhos de arquitetura de uma beleza sem par, ao mesmo tempo que
documentam as mais importantes tendências na história da arquitetura moderna.
Enquanto não é possível prever futuros de desenvolvimento tecnológicos, o
que é previsível, de acordo com os séculos precedentes, é que novas práticas da
coleção raramente virão substituir as anteriores – elas virão antes alargar os
objetivos gerais destas práticas.
Desta forma, as coleções de desenhos de arquitetura como a do
SBI/FAUUSP irão certamente continuar não só a crescer em número, mas a
crescer em complexidade. Essa complexidade crescerá por sua vez, como parte

14

�de uma corrente de informação cada vez mais ampla e acessível ao mundo
inteiro.
Diante deste panorama, é desejo da FAUUSP constituir com o acervo de
desenhos originais de arquitetura, o Museu de Arquitetura Brasileira. O objetivo é
a criação de uma instituição que tenha como missão específica a ampliação e
preservação desta preciosa documentação.
A escala do acervo e suas características apontam na direção da
configuração de uma instituição que, ainda que ligada à sua célula – mãe, o SBI/
FAUUSP, tenha estrutura própria para a conservação e divulgação à altura da
riqueza de sua coleção.
Permitir que os pesquisadores, estudantes e o público em geral tenham
acesso a estes desenhos é permitir que participem de uma trajetória que conduz
da intimidade da criação do desenho até sua finalização como obra, mantendo
viva a história da arquitetura brasileira.

Desenho da coleção do SBI/FAUUSP do arquiteto Carlos Ekman , Vila
Penteado atual Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Pós-Graduação,
localizada na Rua Maranhão, 88.

15

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Durante o processo de organização deste acervo verificou-se a riqueza tanto do conteúdo quanto da variedade de suportes destes documentos, das técnicas dos desenhos originais e das reproduções. Isto levou à necessidade de um maior conhecimento das técnicas de preservação de papel por parte dos bibliotecários do SBI-FAUUSP, e este conhecimento posteriormente originou a idealização de um setor responsável pelos trabalhos de preservação.</text>
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                    <text>PRESERVAÇÃO E CONSERVAÇÃO, O USO DO MARKETING.
Ana Rosa dos Santos
Graduada em Biblioteconomia e Documentação
Bibliotecário/documentalista – Universidade Federal Fluminense
ndcars@uff.br
Anderclébio de Lima Macedo
Graduando em Arquivologia – Universidade Federal Fluminense
anderclebio@yahoo.com.br
Maria Helena Ferreira Xavier da Silva
Graduanda em Biblioteconomia – Universidade Federal Fluminense
mhfxaviersilva@click21.com.br
Biblioteca das Faculdades de Nutrição e Odontologia
Núcleo de Documentação
Universidade Federal Fluminense
Rua São Paulo, 30, 5º andar – Niterói – Rio de Janeiro – Brasil.
EIXO TEMÁTICO: As Bibliotecas Universitárias e a Produção do Conhecimento
SUB-TEMA: A preservação do conhecimento e os arquivos digitais
RESUMO: Traz resultados dos Programas de preservação e conservação de
acervos da Biblioteca das Faculdades de Nutrição e Odontologia da
Universidade Federal Fluminense. Apresenta a produção da Oficina de
Pequenos Reparos, que desenvolveu o trabalho de conservação, e com essa
produção que conseguiu recuperar um bom número de itens, incentivando a
preservação. Destaca o papel estratégico do marketing no Programa de
capacitação do pessoal e dos usuários/clientes, criado como sub-programa de
preservação. Defini marketing social, marketing de relacionamento, e
endomarketing, usados para mudar o comportamento dos nossos
usuários/clientes. Pontua estratégias de marketing adotadas pela Biblioteca.
Conclui que o sucesso dos Programas de Preservação e Conservação de
acervos dessa Biblioteca deve-se ao uso do marketing que está construindo um
novo comportamento dos nossos usuários/clientes internos e externos: o de
preservador. As estratégias de marketing contribuíram para ação coordenada
de preservação e conservação do acervo, e garantiu maior e melhor acesso a
informação, fazendo com que a biblioteca cumpra suas funções: preservação x
acesso.
PALAVRAS-CHAVE: Conservação e preservação de documentos; Marketing
em bibliotecas; Marketing social; Marketing de relacionamento.
FORMA: Pôster

�1 INTRODUÇÃO

Este trabalho traz os resultados da Biblioteca das Faculdades de Nutrição e
Odontologia (BNO), da Universidade Federal Fluminense (UFF) na aplicação do
marketing em seus Programas de preservação e conservação de acervo 1.

Na sociedade em que vivemos onde a informação, ou melhor, o conhecimento é o
capital, a preservação e o acesso aos dados devem ser uma meta. Seguindo a
política de preservação e conservação da International Federation of Library
Associations and Institutions (IFLA) que diz que o acesso e preservação seriam
propostas diametralmente opostas, mas que deveriam ser objetivadas pelos arquivos
e bibliotecas, ou que “A good preservation policy must guarantee access to the
information and minimise document deterioration”, desenvolvemos os Programas de
preservação e conservação de acervo da BNO.

A BNO tem como missão apoiar às atividades de ensino, pesquisa e extensão das
Faculdades de Nutrição e Odontologia, proporcionando o acesso aos recursos
informacionais e dando assessoria técnica, por meio de redes e sistemas, facilitando
1

Nesse trabalho usamos as seguintes definições, de Sá Apud Sarmento, 2003: “PRESERVAÇÃO: é
uma consciência, mentalidade, política (individual ou coletiva, particular ou institucional) com o
objetivo de proteger e salvaguardar o Patrimônio. Resguardar o bem cultural, prevenindo possíveis
malefícios e proporcionando a este condições adequadas de “saúde”. É o controle ambiental,
composto por técnicas preventivas que envolvam o manuseio, acondicionamento, transporte e
exposição... CONSERVAÇÃO: É o conjunto de intervenções diretas, realizadas na própria estrutura
física do bem cultural, com a finalidade de tratamento, impedindo, retardando ou inibindo a ação
nefasta ocasionada pela ausência de uma preservação. É composta por tratamentos curativos,
mecânicos e/ou químicos, tais como: higienização ou desinfestação de insetos ou microorganismos,
seguidos ou não de pequenos reparos... RESTAURAÇÃO: É um tratamento bem mais complexo e
profundo, constituído de intervenções mecânicas e químicas, estruturais e/ou estéticas, com a
finalidade de revitalizar um bem cultural, resgatando seus valores históricos e artísticos. Respeitandose, ao máximo, a integridade e as características históricas, estéticas e formais do bem cultural, deve
ser feito por especialistas.
2

�o acesso à informação, aos usuários/clientes acima citados, bem como a
comunidade universitária, e a comunidade em geral, sem mencionar a comunidade
virtual. A BNO Está subordinada ao Núcleo de Documentação, Sistema de
Bibliotecas e Arquivos (NDC).

Em 2004, após uma reforma e a reabertura da biblioteca, ficou evidenciado o estado
de conservação de nosso acervo, que contava com cerca de trinta mil exemplares,
onde se destacam os livros, que tem um uso mais constante, e por isso estavam em
condições mais precárias; tendo em vista a política dos últimos governos que a muito
não custeiam a aquisição de livros; o estado era lamentável; era preciso alguma
ação: foi desenvolvido então um planejamento 2 que tinha como finalidade implantar
programas de conservação e preservação.

Com essa reforma também foi

implantado o "sistema de livre acesso" 3, o que agravou a condições de nosso acervo,
já que o manuseio passou a ser maior.

A reforma nos deu uma oficina de pequenos reparos, assim precisávamos de
pessoal para começar o trabalho. Foi apresentado então um projeto a Universidade,
que nos garantiu o primeiro bolsista dando inicio ao Programa de conservação. Todo
trabalho foi assistido pelo pessoal do Laboratório de Conservação e Restauração
(LACORD) do NDC.

No Programa de Preservação foi criado um sub-programa de

capacitação do pessoal e dos usuários/clientes, visando conscientização de todos da
necessidade de preservação das coleções. Nesse programa aplicamos estratégias
de marketing visando mudar o comportamento dos nossos usuários/clientes.

2

SANTOS, Ana Rosa dos; MACEDO, Anderclébio de L. Planejamento da preservação e conservação
de acervo: o caso da biblioteca das Faculdades de Nutrição e odontologia da UFF. In: SEMINARIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 13., 2004, Natal, Anais... Natal: [S.n.], 2004.
Disponível no site: &lt;http://www.ndc.uff.br/sobreondctext_tecnicos.asp&gt;.Acesso em: 24 jul. 2006
3

é "aquele que possibilita o ‘folhear’ livros nas estantes de uma biblioteca à procura de informações
adicionais às que contêm os catálogos. Nesse sentido, é que se dá a importância devida à
classificação bibliográfica, pois, para que seja de ‘livre acesso’, é preciso que os livros estejam
dispostos e ordenados nas estantes por assunto." (Naves, 1998).
3

�2 CONSERVANDO E DANDO ACESSO

O programa de conservação tem como objetivo realizar trabalho de conservação, os
chamados “pequenos reparos”, como folhas soltas, e outros pequenos trabalhos de
conservação. Os trabalhos mais complexos são efetuados no LACORD, que possui
toda a estrutura, para tal. Todo o trabalho foi realizado por bolsistas; alunos da
universidade, graduandos em arquivologia e biblioteconomia; orientados pelo
pessoal do LACORD.

Nossa equipe foi treinada, e assim faz a seleção, e a triagem dos itens no balcão de
atendimento, de acordo com o grau de deterioração, sem esquecer o fator demanda
desse material. A questão da demanda é uma das nossas maiores preocupações,
com a realização do trabalho em nossa oficina podemos controlar melhor esse fator,
priorizando os itens com maior demanda.
O Programa teve êxito, conseguimos recuperar mais de 150 (cento e cinqüenta)
itens, dando melhores condições de uso ao nosso acervo, e por sua vez o melhor
acesso à informação. Com os resultados do Programa de Conservação podemos
desenvolver melhor os papéis de uma biblioteca: preservar e disseminar a
informação. Em anexo um gráfico com os tipos de reparos realizados.

3 O USO DO MARKETING

A informação, como já se sabe, é atualmente um diferencial competitivo nesse
mundo globalizado. É a partir do seu acesso que organizações, empresas e
instituições baseiam processos de tomada de decisão. No meio acadêmico a
4

�informação é usada para construção do conhecimento, que pode salvar vidas, criar
novas teorias, gerar produtos, etc. Dada à importância desse tema, como preservar o
acervo, e ao mesmo tempo mantê-lo disponível para os usuários/clientes? Seria a
questão do profissional bibliotecário.
As unidades de informação universitárias são espaços privilegiados para a busca da
informação, por termos, apesar de tudo, condições de proporcionar uma informação
confiável e útil. Assim atendemos um leque muito grande de usuários/clientes, por
esse motivo, convivemos com o problema do manuseio desregrado dos suporte
físico do nosso material bibliográfico, que vem deixando os acervos cada vez mais
danificados. Uma das alternativas que se pode escolher é o uso de ações de
conservação; mas essas só não bastam são necessárias também ações
preservativas, e nelas as estratégias de marketing são fundamentais.
O marketing já foi visto apenas como promoção de serviços e mercadorias junto aos
consumidores, porém hoje em dia essa definição não abrange toda a dimensão
envolvida no processo de marketing, que engloba o conceito de troca e de satisfação
das necessidades dos usuários/clientes de serviços/produtos. Instituições sem fins
lucrativos

como

universidades,

bibliotecas,

hospitais,

sindicatos,

museus,

preocupadas em satisfazer essas necessidades, melhorando assim os serviços
prestados, também estão desenvolvendo atividades de marketing.
Assim começamos a usar em nossa biblioteca o chamado marketing social que tem
o objetivo de "gerar mudança social para melhora da vida" (Kloter, P.; Roberto, E.L.,
1992).

O uso do marketing social visa o desenvolvimento de estratégias de

convencimento social diminuindo assim as ações de legislação repressiva formal.
Kloter e Zaltman em 1971 criaram e definiram a expressão "marketing social" como:
criação, implementação e controle de programas implementados para
influenciar a aceitabilidade das idéias sociais e envolvendo considerações
relativas ao planejamento de produto, preço, comunicação, distribuição e
pesquisa de marketing.
5

�Kloter diz que se deve:
passar do 'marketing das transações', com seu enfoque na venda inicial, para o
'marketing do relaciomento’, com seu enfoque no estabelecimento de uma
relação de apoio com os adotantes escolhidos como alvo com o correr do
tempo(1992, p. 240).

Vavra, 1993, citado por Oliveira, 2003, diz que:
através da literatura verifica-se que a personalização do marketing está sendo
descrita em uma variedade de termos: marketing com banco de dados
(database marketing), marketing individualizado, micromarketing, marketing
personalizado, marketing one to one, marketing de retenção, marketing de
freqüência, marketing de relacionamento, marketing de segmentação,
marketing integrado, marketing interativo, marketing de diálogo, marketing de
currículo e marketing de nichos. Apesar da terminologia, a ênfase é a mesma,
ou seja, a organização reconhece o papel fundamental que cada cliente
individualmente exerce.

Kotler (1994), citado por Silva et al., 2000, faz uma
diferenciação entre o marketing interno e marketing externo. Segundo ele, o
marketing interno deve preceder o externo. Na verdade, não faz sentido
prometer serviço excelente antes de preparar os funcionários da empresa para
fornecê-lo. Define marketing interno como a 'tarefa de contratações acertadas,
treinamento e motivação de funcionários hábeis que desejam atender bem os
clientes.

O endomarketing ou marketing interno é um modelo de gerenciamento que busca
aplicar os conceitos do marketing dentro da organização, ou seja, o foco da
administração está no seu público interno.

Segundo Ottoni (1995, p.1), o marketing em unidades de informação pode ser visto
como:
uma filosofia de gestão administrativa na qual todos os esforços convergem em
promover, com a máxima eficiência possível, a satisfação de quem precisa e de
quem utiliza produtos e serviços de informação. É o ato de intercâmbio de bens
e satisfação de necessidades.

6

�As iniciativas de marketing visam então aumentar a satisfação da comunidade
servida pela biblioteca, sensibilizar os usuários reais e potenciais, manter a imagem
institucional, promover adequação dos serviços oferecidos às demandas existentes,
e aqui, especificamente preservar o material bibliográfico, do uso intenso. Dessa
forma, nossas ações de marketing estão sendo desempenhadas com intuito de
desenvolver nossos programas de conservação e preservação, incentivando ao
usuário/cliente a participar. Para tal contamos com parcos recursos, mas contamos
com apoio da total de nossa equipe, e de muito de nossos usuários clientes, assim
estamos fazendo tudo o que é possível para alcançar nossos objetivos.

3.1 Marketeando
Como já foi dito o endomarketing deve ser o primeiro passo, por isso o pessoal foi
conscientizado de forma a internalizar ações do Sub-programa de Capacitação do
Pessoal e dos Usuários/clientes, parte do Programa de Preservação. Assim as
medidas previstas de controle ambiental, e preventivas que envolvem o manuseio,
acondicionamento, transporte, limpeza, vem sendo desempenhadas por todos.
Na reforma a nossa oficina de pequenos reparos foi implantada praticamente na
entrada da biblioteca; por ter uma estrutura de vidro, permitindo a visão total de todos
os procedimentos de conservação, por si só, se tornou uma estratégia de marketing.

O resultado da produção da oficina de pequenos reparos também vem contribuindo
para a o sucesso do programa de preservação, a visão dos livros recuperados
incentiva a preservação dos mesmos, sendo também uma ação de marketing.

O nosso Programa de conservação de documento busca manter a informação
preservada, não tendo maiores preocupações em manter as características físicas
originais do documento, como é buscado pelo trabalho de restauração; assim como
7

�na maioria das vezes não conseguimos recuperar as capas, essas são substituídas.
Uma das estratégias usadas é a colocação de lembretes na parte traseira dessa
nova capa, com dizeres engraçados, que buscam trazer informações, alertas, e
proibições de forma leve; vide exemplo em anexo.
Com "marketing de relacionamento" buscamos o apoio dos nossos usuários/clientes
usando também a abordagem pessoal.

No balcão freqüentemente quando o

usuário/cliente separar textos para xerox ele pede um clips, ou dobrar as folhas que
serão xerocadas, neste momento é que buscamos conscientizá-lo que essa ação é
prejudicial ao documento. Para isso a participação ativa do pessoal do balcão é
primordial, e como já dissemos, todos foram treinados e incentivados, estando assim
com as ações preservativas internalizadas, graças ao uso do marketing.

Ações pontuais como a acima citada são bastante eficazes, pois o contato pessoal e
individual vem gerando maiores resultados que o uso de cartazes; mas não
dispensamos esse recurso, bem como placas proibitivas, pois esses respaldam a
abordagem pessoal; quando nos dirigimos a um usuário que está cometendo algum
ato que pode prejudicar a integridade de nossos itens, podemos argumentar, apontar
a placa ou cartaz, de forma que ele não tem como dizer que não sabia, que não foi
informado. Assim buscamos manter um trabalho continuo de educação de nossos
usuários;

buscando

principalmente

a

conscientização,

convencimento

e

a

cumplicidade.

Com isso a Biblioteca de Nutrição e Odontologia da UFF, dentro do possível, está
buscando desempenhar as suas atividades, de transmitir informação, se
preocupando também com a preservação da mesma; apesar de como todas as
outras unidades de informação, estar convivendo com a falta de recursos humanos e
financeiros. Pois achamos que é importante a criação de projetos, programas etc.,
que tenham como objetivo a conservação e a preservação dos bens informacionais,
usando a educação do usuário/cliente com um dos meios.
8

�Reis, Carvalho e Motta (2004, p. 1) afirmam que:
... norteados por tais preocupações os profissionais envolvidos nos projetos de
extensão voltados para a área de preservação de acervos, vinculados à Escola
de Ciência da Informação (ECI/UFMG) elegeram como escopos de atuação a
dimensão educativa, a difusão de conhecimentos teóricos relativos ao campo,
bem como a realização de pesquisas voltadas tanto para o âmbito mais geral
quanto para a compreensão da situação institucional, haja vista a necessidade
de se instituir no País, de forma sistemática, políticas que contemplem a
preservação do patrimônio histórico-cultural.

Enquanto políticas governamentais, ações institucionais não se efetivam, devemos
no varejo, buscar alternativas para melhor desempenho de nossas funções,
contando com o apoio de todos temos uma grande oportunidade, dentro desse
grande desafio. O marketing vem se mostrando uma ferramenta bastante eficiente
nesse trabalho.

Continuaremos a aprendendo a usar o marketing a nosso favor,

estratégias novas vão surgindo a cada dia. É preciso começar.

4 CONCLUSÃO

Concluímos que o sucesso dos Programas de Preservação e Conservação de
acervos dessa Biblioteca está sendo alcançado com o uso do marketing em suas
vária formas. As estratégias de endomarketing, marketing social, e marketing de
relacionamento que estão sendo desenvolvidas vêm estabelecendo um novo
comportamento dos nossos usuários/clientes internos e externos: o de preservador.
Destarte, evidenciamos a necessidade da educação dos usuários/clientes,
intentando proteger os bens informacionais, disponibilizados pelas bibliotecas
universitárias públicas do País. E isto só pode ser feito com a participação de todos
9

�os envolvidos, que terão de trabalhar juntos a fim de manter as condições de uso da
informação.
As estratégias de marketing, estabelecidas pela BNO, contribuíram para uma ação
coordenada dos programas preservação e conservação do acervo, e garantiu maior
e melhor acesso a informação, visto que com a colaboração de todos, esses
programas puderam funcionar melhor, fazendo com que a biblioteca cumpra suas
funções: preservação x acesso à informação.

ABSTRACTS: It brings results of the Programs of preservation and conservation
of the collections of the Biblioteca das Faculdades de Nutrição e Odontologia
da Universidade Federal Fluminense. It presents the production of the Program
conservation, and with this production that stimulating the preservation. It
detaches the strategical paper of the marketing in the Program of qualification of
the staff and the users/customers, created as preservation subprogram. I
defined social marketing, marketing of relationship, and endomarketing, used for
dumb the behavior of our users/customers. Appoint strategies of marketing
adopted by the Library. It concludes that the success of the Programs of
Preservation and Conservation of quantities of this Library must it the use of the
marketing that allowed to the establishment of a new behavior of our
users/customers. The marketing strategies had contributed for coordinate
action of preservation and conservation of the collections, and guaranteed better
access the information, making with that the library fulfills its functions:
preservation x access.
KEYWORDS: Library planning; Marketing library; Preservation.

10

�ANEXOS
Lembretes colocada na capa traseira:
Recebi minha 2ª vida...!!!
Por favor, cuide dela:
- Não coloque durex, clips, em mim;
- Não use lápis, canetas, marcadores e etc. em mim;
- Não use sua saliva para me manusear,
- Não guarde papéis dentro de mim;
- Não coma, beba, nem fume junto de mim;
- Não me exponha ao sol, chuva e todas as ações do tempo;
Manuseie-me com carinho e cuidado, esta deve ser minha última vida...!!!
Obrigado...!!!

11

�Ofi de Pequenos Reparos
MédDeVelatura

80
70
60

MédDeReconstrução de
Lombada

50

MédDeRemendos

40
MédDeRemoção de fitas
adesivas

30
20

MédDeXerox

10
0
0

1

MédDeCostura de
cadernos

�BIBLIOGRAFIA

INTERNATIONAL FEDERATION OF LIBRARY ASSOCIATIONS AND INSTITUTIONS (IFLA). IFLA
Core Activity on Preservation and Conservation (PAC). Disponível no site:
&lt;http://www.ifla.org/VI/4/pac.htm&gt;. Acesso em: 16 fev. 2006.
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http://www.ifla.org/VI/6/dswmedia/en/index.htm&gt;. Acesso em: 16 fev. 2006.
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12

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jul. 2006

13

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Santos, Ana Rosa dos; Macedo, Anderclébio de Lima; Silva, Maria Helena Ferreira Xavier da</text>
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                <text>Traz resultados dos Programas de preservação e conservação de acervos da Biblioteca das Faculdades de Nutrição e Odontologia da Universidade Federal Fluminense. Apresenta a produção da Oficina de Pequenos Reparos, que desenvolveu o trabalho de conservação, e com essa produção que conseguiu recuperar um bom número de itens, incentivando a preservação. Destaca o papel estratégico do marketing no Programa de capacitação do pessoal e dos usuários/clientes, criado como sub-programa de preservação. Defini marketing social, marketing de relacionamento, e endomarketing, usados para mudar o comportamento dos nossos usuários/clientes. Pontua estratégias de marketing adotadas pela Biblioteca. Conclui que o sucesso dos Programas de Preservação e Conservação de acervos dessa Biblioteca deve-se ao uso do marketing que está construindo um novo comportamento dos nossos usuários/clientes internos e externos: o de preservador. As estratégias de marketing contribuíram para ação coordenada de preservação e conservação do acervo, e garantiu maior e melhor acesso a informação, fazendo com que a biblioteca cumpra suas funções: preservação x acesso.</text>
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                    <text>PRODUÇÃO CIENTÍFICA DOS CURSOS DE PÓS-GRADUAÇÃO DO
INSTITUTO OSWALDO CRUZ :
PESQUISA QUANTITATIVA DE USO NO ACERVO DA BIBLIOTECA DE
MANGUINHOS

Anna Paula Tavares de Araujo
Bibliotecária, Especialista em Gestão da Informação e Inteligência Competitiva
Fundação Oswaldo Cruz – CICT – Biblioteca de Manguinhos
Av. Brasil, 4365 – Rio de Janeiro – RJ – Brasil – CEP: 21040-900
www.fiocruz.br
atavares@cict.fiocruz.br
Andréia Dutra Fraguas
Graduada em Biblioteconomia
Fundação Oswaldo Cruz – CICT – Biblioteca de Manguinhos
Av. Brasil, 4365 – Rio de Janeiro – RJ – Brasil – CEP: 21040-900
www.fiocruz.br
fandreia@cict.fiocruz.br
Eliane Monteiro de Santana Dias
Graduada em Biblioteconomia
Fundação Oswaldo Cruz – CICT – Biblioteca de Manguinhos
Av. Brasil, 4365 – Rio de Janeiro – RJ – Brasil – CEP: 21040-900
www.fiocruz.br
edias@cict.fiocruz.br

�Produção científica dos cursos de pós-graduação do Instituto Oswaldo
Cruz: pesquisa quantitativa de uso no acervo da Biblioteca de Manguinhos.
Anna Paula Tavares de Araujo1
Andréia Dutra Fraguas2
Eliane Monteiro de Santana Dias3

Resumo: Parte do acervo da Biblioteca de Manguinhos – Fundação Oswaldo
Cruz, uma das maiores da América Latina na área biomédica, é composto pela
produção científica gerada pelo Instituto Oswaldo Cruz em seus cursos de pósgraduação. Com o aumento do número de publicações, conseqüência do sucesso
das pesquisas realizadas no Instituto, constatamos a necessidade de quantificar o
acervo de teses e dissertações bem como analisar o seu uso, já que toda ela é
incorporada ao acervo da Biblioteca de Manguinhos, servindo de apoio a novas
pesquisas e como repositório para preservação do conhecimento. A intenção
também foi apontar outras maneiras de acessar o conteúdo desta produção. Para
quantificar este acervo foi realizada pesquisa na base de dados da Biblioteca de
Manguinhos por tipo de material e para quantificar as consultas, utilizamos os
relatórios e estatísticas do período de 2004 a 2005, verificando o tipo de utilização
que ocorreu nestes anos através do estudo de “uso relativo de acervo”.
Constatamos que mesmo com o aumento da produção científica do Instituto e da
disponibilização on-line só de seus resumos, seu uso na Biblioteca, como texto
completo, continua abaixo da média esperada.
Palavras-chave: Produção do conhecimento. Pós-graduação. Uso relativo de
acervo. Pesquisa acadêmica. Disseminação da informação.

INTRODUÇÃO

Parte do acervo da Biblioteca de Manguinhos – Fundação Oswaldo Cruz
(FIOCRUZ), uma das maiores da América Latina na área biomédica, é composto
pela produção científica (teses e dissertações) gerada pelo Instituto Oswaldo Cruz
(IOC) em seus cursos de pós-graduação.

1

Especialista em Gestão da Informação e Inteligência Competitiva. Fundação Oswaldo Cruz – CICT – Biblioteca de
Manguinhos. atavares@cict.fiocruz.br
2

Graduada em Biblioteconomia. Fundação Oswaldo Cruz – CICT – Biblioteca de Manguinhos. fandreia@cict.fiocruz.br

3

Graduada em Biblioteconomia. Fundação Oswaldo Cruz – CICT – Biblioteca de Manguinhos. edias@cict.fiocruz.br

�A produção científica do Instituto é incorporada ao acervo da Biblioteca de
Manguinhos com a finalidade de apoiar novas pesquisas e como repositório,
preservando assim o conhecimento gerado. Com o aumento do número destas
publicações, conseqüência do sucesso das pesquisas realizadas no Instituto,
constatamos a necessidade de quantificar o acervo de teses e dissertações bem
como analisar o seu uso.

Para quantificar este acervo realizamos uma pesquisa na base de dados da
Biblioteca de Manguinhos por tipo de material, já para quantificar as consultas,
utilizamos os relatórios e dados estatísticos gerados pelo setor de atendimento no
período de 2004 a 2005.

Comparando os resultados dos relatórios e estatísticas com a quantificação do
acervo, através dos cálculos utilizados no estudo de uso relativo (Lancaster,
2004), conseguimos verificar o tipo de utilização que ocorre com este material.

1 INSTITUTO OSWALDO CRUZ

É criado em 1900 com o nome de Instituto Soroterápico Municipal do Rio de
Janeiro para produzir vacina e soro contra a peste bubônica que assolava a
cidade de Santos-SP. Meses depois de sua inauguração é transferido para a
Diretoria de Saúde Pública do Ministério da Justiça e Negócios Interiores e passa
a ser chamado, em 23 de julho de 1900, de Instituto Soroterápico Federal, e em
apenas seis meses Oswaldo Cruz e sua equipe conseguem produzir vacina e o
soro com reconhecimento internacional de sua qualidade.

Mesmo com o sucesso alcançado, Oswaldo Cruz não se conforma de o Instituto
apenas fabricar vacina e soros e em sua primeira publicação revela sua
insatisfação e sua intenção de transformar o Instituto em um centro de
investigação científica original. Com pesquisas sobre a transmissão da malária
acontecendo em países como Itália, Oswaldo Cruz inicia sua pesquisa sobre o

�grupo zoológico ligado a doença no Brasil e inaugura o estudo da entomologia
médica brasileira.

As publicações de Oswaldo Cruz que não lidavam diretamente com o assunto
soros e vacinas, tais como epidemiologia, diagnóstico, microbiologia etc, são
referenciados por ele como sendo “Trabalho do Instituto de Manguinhos”, termo
que ele utiliza mesmo quando o nome do Instituto mudou para Instituto Oswaldo
Cruz.

Estudantes de medicina começam a recorrer ao Instituto em busca de estágios
e/ou orientação para o desenvolvimento de suas teses de graduação. Com isso
outros temas foram incorporados às pesquisas realizadas pelo Instituto como:
hematologia, bacteriologia, imunologia etc. Desta maneira, surgem em número
crescente monografias baseadas em pesquisas originais e não somente
compilações baseadas na literatura corrente, mudando radicalmente o panorama
acadêmico do Rio de Janeiro.
Durante o mesmo período o Instituto produz, além das teses, 120 publicações
originais em periódicos nacionais e em revistas internacionais altamente seletivas.
Após o prêmio recebido em 1907, a grande medalha de ouro do Congresso
Internacional de Higiene e Demografia, em Berlim, cientistas renomados de outros
países manifestaram interesse em participar das pesquisas realizadas em
Manguinhos, colaborando em novos estudos. Este prêmio provocou a aprovação
do Decreto, em dezembro de 1907, que oficializou o projeto que transformava o
Instituto Soroterápico Federal em "Instituto de Patologia Experimental" e em 1908
passou a se chamar oficialmente de Instituto Oswaldo Cruz.

Também em 1908, no Instituto, foi inaugurada a primeira escola brasileira de pósgraduação, o Curso de Aplicação com duração de dois anos nas áreas de
microscopia, microbiologia, imunologia, física e química biológica, e parasitologia
lato sensu.

�Já em 1909 o Instituto Oswaldo Cruz havia assumido as tarefas que hoje
caracterizam a moderna Universidade: ensino, pesquisa e extensão. Pôs em
circulação no mesmo ano as "Memórias do Instituto Oswaldo Cruz", atualmente o
mais antigo periódico biomédico da América Latina, para melhor assegurar a
difusão do conhecimento gerado em seus laboratórios.

1.1 CURSOS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ
O Instituto iniciou sua tradição de ensino em 1908 com o curso de especialização
em nível de pós-graduação “Curso de Aplicação de Manguinhos”, a princípio
destinado a consolidar e difundir a bacteriologia, evoluindo para os atuais
programas de pós-graduação.
Através dos programas de pós-graduação stricto sensu e lato sensu e de
educação profissional, o IOC atua na capacitação de profissionais para o sistema
de saúde e para as áreas de ciência, tecnologia e inovação.
A pós-graduação stricto sensu oferece os cursos de mestrado e doutorado
acadêmicos e de mestrado profissional em quatro grandes programas: Biologia
Celular e Molecular, Biologia Parasitária, Medicina Tropical e Ensino em
Biociências e Saúde, todos com conceito A nas avaliações realizadas pela
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
A pós-graduação lato sensu conta com os cursos de Especialização em
Entomologia, de Atualização e Especialização em Malacologia e de Atualização,
Aperfeiçoamento e Especialização em Ensino de Biociências e Saúde.
Além dos cursos de pós-graduação, o IOC oferece curso para formação de
técnicos de pesquisa, Curso Técnico de Pesquisa em Biologia Parasitária, desde
1981, atualmente com duração de um (01) ano. O curso forma profissionais
técnicos para a pesquisa básica e aplicada na área das ciências biomédicas,
sendo “um dos poucos senão o único curso no país destinado à formação de
técnicos com esse perfil” (ENSINO, 2006).

�Com a reestruturação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e as
alterações dos cursos de nível médio o IOC cria o curso de especialização de
nível técnico em biologia parasitária e biotecnologia também com um (01) ano de
duração destinado a egressos dos cursos técnicos.
O IOC desenvolve outras atividades de ensino em parceria com diferentes
instituições a partir de demandas ou projetos específicos, além dos programas
formais continuados. Um exemplo desta parceria é o curso de atualização de
professores de biologia da rede pública de ensino médio um projeto da Fundação
Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) em parceria com a Fundação Carlos Chagas Filho de
Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) ou o treinamento de
funcionários da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (COMLURB) sobre
vetores, entre outros.

1.2 PRODUÇÃO CIENTÍFICA GERADA PELOS CURSOS

Os cursos de pós-graduação geram artigos de periódicos, relatórios de atividades,
publicações de encontros e cadernos, além das teses e dissertações, que são
obrigatórias para a conclusão dos cursos. Porém somente as teses e dissertações
dos cursos de pós-graduação stricto sensu são enviadas com periodicidade e
regularidade para a Biblioteca de Manguinhos que é responsável pelo seu
depósito legal.

O número de teses e dissertações geradas pelos cursos de pós-graduação vem
aumentado gradativamente com o decorrer dos anos motivado pelo grande
sucesso das pesquisas realizadas no Instituto, chegando em 2002 à produção de
106 trabalhos, entre dissertações e teses, como mostra o gráfico a seguir:

�120
106
100

96

99

104
99

95

90
80
73

71

64

60

Mestrado

65

65

60

40

39

40

32

33

41
32

Doutorado

57

54

Total
41

44

48
42

42

34

20

0
1997

1998

1999

2000

2001

2002

2003

2004

2005

Gráfico 1 – Instituto Oswaldo Cruz – Teses e dissertações defendidas 1997-2005
Fonte: Site do IOC

Os principais problemas de saúde discutidos nos trabalhos apresentados pelos
estudantes do IOC, nos últimos anos, foram:
a) agravos gerados por animais

k) hepatite;

peçonhetos;

l) helmintíases;

b) doença de Chagas

m) histoplasmose;

c) cólera

n) HIV;

d) criptococose;

o) leishmaniose;

e) dengue;

p) malária;

f) doenças diarréicas;

q) meningites e encefalites

g) enteroviroses;

r) parvovirose;

h) esquistossomose;

s) raiva;

i) hanseníase;

t) toxoplasmose.

j) tuberculose;

�2 BIBLIOTECA DE MANGUINHOS
Em 1902, com Oswaldo Cruz na direção do Instituto Soroterápico Federal4, hoje
Fundação Oswaldo Cruz, inicia-se a organização da Biblioteca de Manguinhos
com a chegada dos primeiros livros e revistas para utilização do Instituto.

Com o sucesso alcançado através de suas atividades científicas, a instituição
ganha lugar no cenário internacional. Realiza parcerias com pesquisadores de
outros países aumentando assim o número de publicações, que são
sistematicamente incorporadas ao acervo. Já em 1909 o acervo continha
aproximadamente 3 mil volumes e cerca de 420 títulos de periódicos.

Com o desenvolvimento do acervo na década de 40 o problema de espaço físico
já preocupava e a Biblioteca estende-se para outras salas do prédio que ocupava
(Pavilhão Mourisco) que em 1981 já não comportava mais o acervo transferindo
parte dele para outro prédio dentro do campus da Fiocruz.

Com a criação do Centro de Informação em Ciência em Tecnologia em 1986, a
Biblioteca de Manguinhos começa a fazer parte de sua estrutura, e em 1995 é
inaugurado o prédio em que encontra-se atualmente a Biblioteca.

A Biblioteca de Manguinhos tem como missão o provimento de informações na
área biomédica para o corpo docente, para os pesquisadores e alunos dos cursos
de pós-graduação oferecidos pela instituição e para a comunidade em geral.

2.1 ACERVO

O acervo da Biblioteca de Manguinhos hoje é composto por cerca de 1.000.000
de exemplares, entre eles:
- periódicos científicos da área biomédica;
- monografias (livros científicos, dissertações, teses, anais de congresso etc.);
4

Desde 1908 Instituto Oswaldo Cruz e desde a década de 70 Fundação Oswaldo Cruz.

�- videoteca;
- e obras raras.

As teses e dissertações do IOC são encaminhadas para a Biblioteca de
Manguinhos, que as incorpora ao acervo de Monografias. Este acervo localiza-se
no salão de livros onde também se encontram os vídeos (multimeios). As
monografias e multimeios compõem o mesmo acervo, juntamente com o material
de referência. As obras raras são organizadas e tratadas na biblioteca do
Pavilhão Mourisco. Os periódicos constituem um acervo a parte, com tratamento
e organização individuais, diferenciados das monografias e multimeios.

Em levantamento realizado no início de 2006, quantificamos o acervo de
monografias e multimeios da Biblioteca de Manguinhos em:

13%

11%

Livros
Teses
Vídeos
Referência
10%

66%

Gráfico 2 – Biblioteca de Manguinhos – Acervo de monografia e multimeios 2004-2005
Fonte: As autoras

A quantificação do acervo foi o ponto de partida para analisar o uso das teses e
dissertações do IOC. Para chegar a esses números foi realizada pesquisa a base
de dados da Biblioteca “Acervos Bibliográficos”, usando a ferramenta de ‘busca’,

�com refinamento através dos operadores booleanos ‘and’ e ‘not’ (cada tipo de
material recebe um código, ex.: livros = 01, teses = 02). Assim chegamos com
exatidão ao número total de cada tipo de material que compõe o acervo.

Para analisar o tipo de uso dos materiais foi utilizado o estudo de uso de acervo
denominado ‘uso relativo’, descrito por Lancaster (2004).

3 PESQUISA DE USO RELATIVO DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA DO IOC NA
BIBLIOTECA DE MANGUINHOS

O objetivo de avaliar o tipo de uso das teses e dissertações no acervo da
Biblioteca de Manguinhos é constatar se este material está entre os pontos fortes
ou fracos do acervo. Para isso foram utilizados os dados de circulação, gerados
pelo setor de atendimento no período de 2004 a 2005.

Este tipo de estudo, utilizando os dados de circulação, é feito geralmente por
assunto e não por tipo de material. Porém verificamos que a adaptação, feita por
nós no estudo, atingiu com excelência os objetivos propostos.

Com essa avaliação verificamos se o material é subutilizado ou superutilizado.
Um material é subutilizado quando sua porcentagem de circulação se desvia para
menos de sua porcentagem de quantificação no acervo. Por exemplo, para um
material que corresponda a 12% do acervo é esperado que sua porcentagem de
circulação esteja próxima desse número, com variações de no máximo 2% para
menos, ou seja, sua circulação deve estar entre 10% e 12% do total de
empréstimos.

Já,

para

o

material

ser

considerado

superutilizado,

sua

porcentagem de circulação deverá superar em mais de 2% sua porcentagem de
representação no total do acervo, como no exemplo anterior, se o material
corresponde a 12% do acervo é esperado uma utilização de no máximo 14%.

Para uma visualização mais fácil criamos a Tabela das Cores que indicará a
situação em que a utilização do material se encontra. Comparando a

�porcentagem representativa do material no total do acervo com a porcentagem de
uso do mesmo, a tabela indicará, quais são os graus de utilização desejáveis para
o material.

Tabela 1 - Tabela das cores
Grau de utilização ( - )

Total do Acervo

Grau de utilização ( + )

12%
08%

09%

10%

11%

12%

13%

14%

15%

16%

Total de Circulação
 Subutilização  Zona de perigo  Satisfatório  Normal  Satisfatório  Zona de perigo  Superutilização

Fonte: As autoras

Após quantificar o acervo foi feita uma análise dos dados de circulação no período
de 2004 a 2005 onde obtivemos os seguintes dados:

1%
11%

7%

Livros
Teses
Vídeos
Referência

81%

Gráfico 3 – Biblioteca de Manguinhos – Dados de circulação do acervo – 2004-2005
Fonte: As autoras

�3.1 RESULTADOS

Comparando os dados de quantificação (gráfico 2) e de utilização (gráfico 3) das
teses e dissertações, verificamos a subutilização deste material (tabela 2).

Tabela 2 – Análise de uso de material
Acervo

Circulação

Material

Nº de títulos

% do acervo

Nº de empréstimos

% de circulação

Teses e dissertações

1063

10

1.168

7

Fonte: As autoras

Como pode ser visto na tabela acima, a utilização esperada para o acervo de
teses e dissertações, produzidas pelo IOC existentes na Biblioteca de
Manguinhos deveria estar entre 8% e 12%, porém só alcançou 7% do total da
circulação.

Conforme Lancaster (2004, p. 60) os motivos que podem levar uma classe, no
nosso caso material, à subutilização são:

1) Falta de interesse da comunidade;
2) Mudanças de interesse ao longo do tempo;
3) Seleção de material mal feita;
4) Material excessivamente técnico ou teórico ou
5) Material desatualizado.

O presente trabalho não visa esclarecer o porquê da subutilização das teses e
dissertações, é apenas um sinalizador da situação em que se encontra o acervo
da Biblioteca de Manguinhos ultimamente, visto que este acervo não é analisado
com periodicidade. Esperamos que este primeiro estudo torne-se rotina nas
avaliações dos serviços oferecidos pela Biblioteca, para com isso buscar atender
às necessidades dos usuários com eficiência.

�4 OUTRAS FORMAS DE ACESSO AS TESES E DISSERTAÇÕES

Atualmente as únicas maneiras de acesso ao texto completo das teses e
dissertações são através das consultas diretas à Biblioteca de Manguinhos, onde
o usuário pode fazer o empréstimo do material, ou consulta local ou ainda por
meio da comutação bibliográfica.

Através do banco de dados do próprio IOC (http://ensino.ioc.fiocruz.br) o usuário
tem acesso somente aos resumos onde há, também, a opção de imprimi-los.

Futuramente será implementada a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações
(BDTD) que possibilitará o acesso parcial ou integral (conforme autorização do
autor) aos textos da produção científica do IOC e também do Instituto de
Pesquisa Clínica Evandro Chagas (IPEC).

CONCLUSÃO

Constatamos que mesmo com o aumento da produção científica do Instituto,
aumentando o número de teses e dissertações no acervo, seu uso na Biblioteca,
como texto completo, continua abaixo da média esperada, acarretando uma
subutilização deste material.

Para esclarecer o motivo da subutilização das teses e dissertações sugerimos a
continuidade deste estudo juntamente com os usuários da Biblioteca, pois eles
poderão responder a esta questão com mais precisão, apontando quais dos
motivos, citados anteriormente, contribuem para tal situação.

REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: referências:
elaboração. Rio de Janeiro, ago. 2002.

�______. NBR 10520: informação e documentação: apresentação de citações em
documentos. Rio de Janeiro, jul. 2002.
______. NBR 14724: informações e documentação - trabalhos acadêmicos apresentação.Rio de Janeiro, jul. 2002.
______. NBR 6024: informações e documentação - numeração progressiva das
seções de um documento - apresentação. Rio de Janeiro, maio 2003.
______. NBR 6022: informações e documentação: artigo em publicação periódica
científica impressa: apresentação. Rio de Janeiro, maio 2003.
______. NBR 6028: resumos. Rio de Janeiro, maio 1990.
BORTOLETTO, Maria Élide; SANT'ANNA, Marilene Antunes. A história e o acervo
das obras raras da Biblioteca de Manguinhos. História Ciência Saúde
Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 9, n.1, p.187-203. jan./abr. 2002.
ENSINO no IOC. Disponível em: &lt;http://ensino.ioc.fiocruz.br/ensino/cgi/public/
cgiluaexe/web/templates/htm/user/frameset.htm?user=reader&gt;. Acesso em: 17
maio 2006.
FIOCRUZ: a saúde do ensino. Rio de Janeiro: Ed. Fiocruz, 2004.
INSTITUTO Oswaldo Cruz. Disponível em: &lt;http://www.ioc.fiocruz.br&gt;. Acesso
em: 15 maio 2006.
LANCASTER, F. W. Avaliação de serviços de bibliotecas. Brasília, DF: Briquet
de Lemos, 2004.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>Produção científica dos cursos de pós-graduação do Instituto Oswaldo Cruz: pesquisa quantitativa de uso no acervo da Biblioteca de Manguinhos.</text>
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                <text>Araujo, Anna Paula Tavares de; Fraguas, Andréia Dutra; Dias, Eliane Monteiro de Santana</text>
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                <text>Salvador (Bahia)</text>
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                <text>Parte do acervo da Biblioteca de Manguinhos – Fundação Oswaldo Cruz, uma das maiores da América Latina na área biomédica, é composto pela produção científica gerada pelo Instituto Oswaldo Cruz em seus cursos de pós-graduação. Com o aumento do número de publicações, conseqüência do sucesso das pesquisas realizadas no Instituto, constatamos a necessidade de quantificar o acervo de teses e dissertações bem como analisar o seu uso, já que toda ela é incorporada ao acervo da Biblioteca de Manguinhos, servindo de apoio a novas pesquisas e como repositório para preservação do conhecimento. A intenção também foi apontar outras maneiras de acessar o conteúdo desta produção. Para quantificar este acervo foi realizada pesquisa na base de dados da Biblioteca de Manguinhos por tipo de material e para quantificar as consultas, utilizamos os relatórios e estatísticas do período de 2004 a 2005, verificando o tipo de utilização que ocorreu nestes anos através do estudo de “uso relativo de acervo”. Constatamos que mesmo com o aumento da produção científica do Instituto e da disponibilização on-line só de seus resumos, seu uso na Biblioteca, como texto completo, continua abaixo da média esperada.</text>
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                    <text>Produção científica dos mestres e doutores do programa de
pós-graduação em ciências – fisiopatologia experimental da
FMUSP

Suely Campos Cardoso
Bibliotecária do Serviço de Biblioteca e Documentação da Faculdade de Medicina da Universidade de
São Paulo, mestranda do Programa de Pós-graduação em Ciências – Fisiopatologia Experimental da
FMUSP.
Trabalho apresentado na Disciplina de Pós-graduação Comunicação Científica da ECA/USP.

Av. Dr. Arnaldo, 455 - São Paulo, São Paulo, SP, Brasil
e-mail: suely@biblioteca.fm.usp.br

�RESUMO

Ao divulgar os trabalhos produzidos das pesquisas provenientes das dissertações e teses
os pós-graduandos utilizam a comunicação escrita como o principal veículo de
divulgação, através dos documentos convencionais como os artigos publicados em
periódicos científicos nacionais e internacionais, livros, capítulos de livros e resumos
apresentados em congressos. Neste trabalho verificou-se os artigos que foram
publicados das pesquisas geradas pelas dissertações e teses defendidas no Programa
de Pós-Graduação em Ciências - Fisiopatologia Experimental da FMUSP entre 2001 e
2005.O objetivo é verificar os canais formais e informais utilizados pelos pós-graduandos
para divulgar a produção científica. Métodos. A análise deste levantamento bibliográfico
inicial foi coletado na Secretaria deste Programa, foi recuperado 14 artigos que foram
entregues pelos alunos. O canal de divulgação utilizado foram os periódicos científicos
nacionais e internacionais com fator de impacto relevante, e indexados nas bases de
dados Medline e ISI e também no Lilacs e SciELO. Os trabalhos também foram
divulgados em congressos nacionais e internacionais, sendo os resumos publicados em
anais e/ou periódicos. Alguns alunos disponibilizaram suas teses online no portal SABER
da USP. Este trabalho é o ponto de partida para se fazer a coleta da produção científica
dos alunos inscritos e dos que já concluíram suas pesquisas junto a este programa de
pós-graduação. Concluindo que é de grande importância a publicação dos trabalhos
desenvolvidos junto aos programas de pós-graduação para que as informações possam
ser disseminadas a toda comunidade.

Palavras-chave: Produção Científica; Dissertações e Teses; Publicações.

FORMA: Comunicação oral (

)

Pôster ( X )

EIXO TEMÁTICO: As Bibliotecas Universitárias e a Produção do Conhecimento
Sub-tema: As redes e virtualidades da pesquisa acadêmica

2

�INTRODUÇÃO

Ao divulgar os trabalhos produzidos das pesquisas provenientes das
dissertações e teses os pós-graduandos utilizam a comunicação escrita como o
principal veículo de divulgação que é através dos documentos convencionais como
os artigos publicados em periódicos científicos nacionais e internacionais, livros e
capítulos de livros.
A produção e publicação de trabalhos originais e a comunicação aos seus
pares é o que possibilita aos cientistas dar visibilidade de suas pesquisas
contribuindo para o conhecimento público de suas atividades. Os resultados das
pesquisas na área de ciências da saúde quando publicados em periódicos
científicos indexados possibilita que a informação do que é produzido na Instituição
esteja ao alcance de todos que queiram tomar conhecimento da produção científica
dos pesquisadores envolvidos na mesma (ZIMAN, 1979).
A atividade científica deve materializar-se em trabalhos escritos, validados
e legitimados pela comunidade, constituindo-se em importantes indicadores do
estágio de desenvolvimento e de uma área do saber.
Os canais formais de divulgação das publicações da comunicação científica
das atividades de pesquisa nas instituições de ensino são os periódicos científicos
nacionais e internacionais que estão indexados nas principais bases de dados da
área do conhecimento.
A ciência precisa ser analisada qualquer que seja a área do conhecimento
em relação aos seus produtos. Os textos escritos e publicados em periódicos e/ou
divulgados em congressos são os mais ágeis para a divulgação das pesquisas e
difusão do conhecimento, contribuindo para a formação e atualização dos
profissionais.
A visibilidade da produção científica do pesquisador da área de ciências da
saúde vem da divulgação do conhecimento científico gerado nas instituições de
ensino e de pesquisa. O periódico científico é o canal escolhido para tal,
principalmente os indexados nas bases de dados internacionais como Medline

3

�(National Library of Medicine), ISI – Web of Science – (Institute of Scientific
Information), Embase e, nas nacionais SciELO e Lilacs.
Na área de ciências da saúde, a base de dados mais consultada pelos
pesquisadores é o Medline, que engloba os títulos de periódicos mais relevantes da
área.
De acordo com Poblácion e Noronha (2002) “os cursos de pós-graduação
foram institucionalizados no Brasil, em 1970, com a Lei 5.5.40/68. Com o passar
dos anos, os programas de pós-graduação tornaram-se o maior pólo gerador da
produção científica brasileira.
No Programa de Pós-graduação em Ciências – Fisiopatologia Experimental,
os trabalhos publicados em periódicos indexados nas principais bases de dados da
área da saúde - Medline, Web of Science (ISI), Embase, SciELO e Lilacs – é o que
os pós-graduandos procuram quando estão preparando os artigos com o propósito
de divulgar as pesquisas desenvolvidas neste programa para informar o quanto do
conhecimento científico gerado pelos profissionais inscritos neste programa
contribuem para a Produção Científica da FMUSP.

OBJETIVOS

O objetivo deste estudo é verificar os canais (formais e informais) para
divulgar o conhecimento científico gerado a partir das dissertações e teses
defendidas pelos alunos no programa de pós-graduação em Ciências –
Fisiopatologia Experimental da FMUSP e publicados.
1. Verificar quantos trabalhos foram publicados em relação à pesquisa das
dissertações e teses;
2. Identificar os canais formais e informais de divulgação em que esses
trabalhos foram apresentados e publicados.
3. Verificar se os periódicos estão indexados nas bases de dados: Medline,

4

�Web of Science (ISI), Embase, SciELO e Lilacs.
4. Verificar quantas teses estão disponíveis online no Portal Saber da USP.

MATERIAL E MÉTODO

Local do estudo

O Programa de pós-graduação em Ciências – Fisiopatologia Experimental
da FMUSP, foi criado em 1996, pelo Prof. Dr. Gregório Santiago Montes e Profa.
Dra. Mitzi Brentani, para atender aos profissionais médicos não médicos da área de
ciências da saúde que desenvolvem pesquisas no complexo HC-FMUSP, e que
colaboram nos programas de ensino, pesquisa e prestação de serviços à
comunidade. Os profissionais inscritos no programa de pós-graduação nos níveis
de mestrado e doutorado, desenvolvem as pesquisas dentro das especialidades de
interesse a sua área de trabalho procurando relacionar as pesquisas com a área de
formação desenvolvendo trabalhos para o progresso da ciência e tecnologia.
Este programa vem formando desde 1996 mestres e doutores nãomédicos, tais como fisioterapêutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais,
dentistas, biólogos, biomédicos e outros profissionais ligados a área da saúde.
Está ligado ao Laboratório de Investigação Médica (LIM) do HC-FMUSP, que
consta de 62 laboratórios e desde 20 de abril de 1997 são unidades do Hospital
das Clínicas (Decreto 9720/77) vinculadas aos Departamentos da FMUSP. Os LIMs
são hoje a principal fonte de pesquisa e publicações da Instituição possibilitando o
crescimento significativo da produção científica (TIMO-IARIA, 2005; ELUF NETO et
al., 2005).
De acordo com o que consta no relatório CAPES (2004) o Programa de
Pós-graduação em Ciências – Fisiopatologia Experimental, nível mestrado e
doutorado, estão cadastrados 148 docentes e 48 colaboradores, sendo que os
5

�mesmos participam da produção científica deste programa com 91,9% na autoria e
co-autoria dos trabalhos apresentado e divulgados.
Em 2004, a FMUSP formou 151 mestres nos seus 28 Programas de pósgraduação, destes 50 (33,11%) eram da área de concentração em Fisiopatologia
Experimental e dos 216 doutores que concluíram suas teses eram 33 (15,27%)
deste total, esse elevado número demonstra o quanto esses profissionais
contribuem com suas pesquisas na Instituição (CAPES, 2004).
Desde sua criação em 1996 até 2005, este programa formou 83 mestres e
doutores não só de São Paulo mas de todo o Brasil.

População e instrumento utilizado

A presente pesquisa foi realizada em novembro de 2005 junto a Secretaria
do Programa de Pós-graduação em Ciências – Fisiopatologia Experimental da
FMUSP.
Osados estatísticos foram retirados do relatório CAPES - Avaliação Trienal
2004 e de alguns artigos publicados, os quais foram fornecidos pela Secretaria do
Programa.
Para a continuação deste trabalho será realizado um levantamento
bibliográfico junto aos mestres e doutores do que foi produzido e publicado, a forma
utilizada será através de questionário para identificar os canais formais e informais
em que divulgaram as pesquisas geradas através de suas dissertações e teses.

A divulgação na Unidade e em fontes de referência

As dissertações e teses deste Programa de Pós-graduação são divulgadas
pelo Serviço de Biblioteca e Documentação da FMUSP através do banco de dados

6

�bibliográfico da USP - Dedalus, disponibilizando, assim, o acesso mais amplo para
a comunidade interessada no assunto, bem como sua localização geográfica.
Há uma grande preocupação do Serviço de Biblioteca e Documentação da
FMUSP, em divulgar as dissertações e teses na sua forma original. Atualmente, a
Biblioteca Central oferece o serviço de inclusão das dissertações e teses no portal
SABER da USP e na base de dados da BIREME – LILACS, possibilitando maior
divulgação destas e do conhecimento gerado na Instituição através da Internet.
Além do DEDALUS que permite a recuperação da informação das
dissertações e teses da FMUSP em todas as áreas do conhecimento, exercendo
papel relevante no apoio às atividades de ensino e pesquisa desenvolvidas na USP
(USP, EDALUS, 1998) pode-se recuperar também fazer a recuperação da
informação através do banco de dados do Instituto Brasileiro de Informação em
Ciência e Tecnologia – Catálogo Coletivo Nacional de Publicações Seriadas CCN Teses (IBICT). O "Sistema Teses Brasileiras" tem como objetivo disseminar a
produção científica dos programas de pós-graduação no que se refere às teses e
dissertações produzidas por brasileiros no País e no exterior.
A base de dados UNIBIBLI – CD-ROM, Catálogo Coletivo de Livros, Teses
e Publicações Seriadas, tem como objetivo possibilitar o acesso comum
automatizado dos acervos de livros, teses e periódicos existentes nas bibliotecas
das três universidades estaduais do Estado de São Paulo – USP, UNESP e
UNICAMP.
Através dos produtos do “Institute for Scientific Information” (ISI), que inclui:
Science Citation Index Expanded, Social Sciences Citation Index e Art &amp;
Humanities Citation Index e que tem como objetivo reunir e divulgar as mais
importantes e influentes pesquisas conduzidas ao redor do mundo, pois indexa mais
de 8.000 títulos de periódicos internacionais em ciências, ciências sociais e artes e
humanidades.
Através das publicações do Web of Science (ISI) é possível verificar: 1. o
total de referências citadas no artigo indexado; 2. links dessas referências e
respectivos abstracts em seu artigos-fonte; 3. relevância de um trabalho dentro de

7

�seu campo de pesquisa, uma vez que apresenta o número de vezes em que esse
artigo foi citado nos periódicos cobertos pelo índice; 4. registros relacionados que
tenham em comum, com o artigo pesquisado, uma ou mais referências citadas Web
of Science (USP, 1998).
Através do Web of Science (ISI) é possível aos pesquisadores conhecer o
estado da arte de algum tema ou assunto, pois através dos trabalhos referenciados
é possível chegar a outras publicações de interesse; localizar os pesquisadores que
atuam na mesma área; descobrir quem está citando e quem está sendo citado; criar
uma relação de especialistas na área de interesse; realizar buscas na área dos
trabalhos mais atualizados.
O Journal Citation Report - JCR é uma publicação do ISI, através dele é
possível a avaliação de títulos de periódicos que compõem a base da Web of
Science, e é uma importante ferramenta auxiliar para o pesquisador, quando vai
determinar onde publicar suas pesquisas. Permite verificar o fator de impacto do
periódico, que é a média entre o número de artigos citados publicados nos dois
anos anteriores ao ano corrente e o número total de artigos publicados nesses
mesmos anos.

RESULTADOS

Neste trabalho fez-se o levantamento de 14 artigos que foram publicados em
periódicos científicos indexados em bases de dados significativas da área de
ciências da saúde, que são produtos das pesquisas dos mestres e doutores do
Programa de Pós-graduação em Ciências – Fisiopatologia Experimental da
FMUSP. Estes artigos foram recuperados através da Secretaria do programa,
sendo que um artigo foi publicado em 2001 e 2002, dois em 2003, oito em 2004 e
dois em 2005.

8

�A Tabela 1 mostra os dados relacionados com cada artigo publicado, onde é
possível identificar o periódico, ano de publicação, quantos autores participaram do
trabalho, se o trabalho é de mestre ou doutor, tipo de artigo.
Tabela 1. Relação dos periódicos em que foram publicados os artigos dos mestres e doutores em
ciências – fisiopatologia experimental da FMUSP
Ann

No

Artigo

Artigo

Indexad

F.I./

autore

origina

de

o

2004

s

l

revisão

Periódico

o

MS

DR

2001

Chest

5

x

-

sim

3.118

-

x

2002

Revista de Saúde Pública

6

x

-

sim

-

-

x

Revista Brasileira de Anestesiologia

5

x

-

sim

-

-

x

Radiology

5

x

-

sim

5.076

x

-

RBTI

2

-

x

-

-

Pathology Research Practice

9

x

-

sim

0.681

-

-

European Respiratory Journal

7

x

-

sim

3.096

-

-

Homeopathy

5

x

-

-

-

-

-

Liver Transplantation

7

x

-

sim

3.984

-

-

Autonomic Neuroscience: Basic Clinical

4

X

Experimental Gerontology

5

x

-

sim

2.880

-

x

Revista HCFMUSP

3

-

x

sim

-

-

x

American Journal of Forensic Medicine

5

x

-

sim

0.595

-

x

5

x

-

sim

4.790

-

-

2003

2004

2005

x

-

and Pathology
Kidney International

F.I.: fator de impacto; MS: mestre; DR: doutor

Encontramos oito artigos que foram publicados em periódicos com fator de
impacto relevante da área. Esses artigos foram publicados em periódicos
indexados nas bases de dados internacionais Medline e ISI e os nacionais também
estão indexados no SciELO e Lilacs.
Cinco

trabalhos

foram

apresentados

em

congressos

nacionais

e

internacionais e os resumos foram publicados em anais e/ou periódicos.

9

�DISCUSSÃO

A produção de trabalho científico envolve docentes-pesquisadores, alunos de
pós-graduação, orientadores e orientandos, podendo ser tanto de um só autor como
vários da mesma área ou de áreas conexas. Os artigos gerados e disseminados
resultam no conhecimento dos resultados da pesquisa científica gerada na
Instituição. As dissertações e teses ocupam papel relevante na PC, trazendo
contribuições inovadoras, mas como documentos, estão ao alcance de um número
restrito de pessoas (CARDOSO; VILHENA, 1999).
Em 2001, foi criado na USP o SABER Portal do Conhecimento, onde os pósgraduandos podem inserir suas dissertações e teses online possibilitando o acesso
público ao conhecimento gerado na Unidade, principalmente na área de
Fisiopatologia Experimental, que tem o maior número de dissertações e teses
online no Portal SABER (www.teses.usp.br).
De acordo com dados do Ministério da Ciência e Tecnologia “a produção
científica nacional não se limita aos artigos que foram publicados em periódicos
científicos indexados em bases de dados do ISI, mas parte substancial dos artigos
produzidos no país é publicada em periódicos não indexados nesta base ou
assumem outro formato que não o de artigos.
Cardoso e Vilhena (1999) realizaram um levantamento junto ao mestres (10)
e doutores (28) do Departamento de Radiologia da FMUSP e verificaram que no
período de 1987 a 1998, foram publicados 4 artigos em periódicos nacionais, 4 em
periódicos internacionais, 8 resumos das teses foram publicados em periódicos
nacionais, 4 como capítulos de livros, um pós-graduando é co-autor de livro
publicado nos Estados Unidos. Nesta pesquisa verificou-se que 20% dos mestres e
27% dos doutores publicaram artigos completos.
De acordo com Eluf Neto et al. (2005, p.12) “os LIMs estão envolvidos na
produção de metade de todas as dissertações de mestrado e teses de doutorado
da FMUSP, que por sua vez forma um a cada seis doutores brasileiros na área da
saúde.

10

�Em 2005, Eluf Neto et al. apresentaram no simpósio dos LIMs o desempenho
da produção científica desses laboratórios no período de 1993 a 2004, no qual teve
um aumento significativo no número de trabalhos publicados principalmente em
periódicos indexados nas bases de dados do Institute for Scientific Information
(ISI). Os dados produzidos pelos LIMs neste período estão na Tabela 2. Com a
criação do programa de pós-graduação em ciências – fisiopatologia experimental o
crescimento do números de mestres e doutores veio contribuir também para o
aumento da produção científica destes laboratórios pois os alunos deste programa
desenvolvem suas pesquisas nestes laboratório.

Tabela 2. Produção científica dos Laboratórios de Investigação Médica, 1993-2004 (ELUF NETO, 2005)
Natureza do trabalho

1983

Artigo original publ. rev. 72

1994

1995

1996

1997

1998

1999

2000

2001

2002

2003

2004

115

130

161

162

222

250

271

268

338

361

399

295

358

370

200

301

330

372

407

436

386

454

index. ISI
Artigo original publ. rev. 159
não index. ISI
Resumos

834

1029

1001

1208

1318

1356

1605

1545

1598

1446

2148

1787

Cap. livros

123

126

124

92

106

113

169

145

124

146

152

174

Livros

10

10

20

12

22

13

28

31

28

35

29

24

Trab. Divulgação

15

33

15

107

162

108

162

93

114

81

56

60

total

1213

1608

1648

1950

1970

2113

2544

2457

2539

2482

3132

2898

Hecht et al. (1998) acham que a análise de citações deve ser abolida porque
é uma medida simples quantitativa que não pode “medir” qualidade.
Ao criar indicadores para contar a produção científica é possível saber o que
está sendo produzido em determinada área, área, país ou universidade, esses
indicadores possibilitam fazer análises e não apenas identificar qual pesquisador
publicou, quem produziu mais (MOSTAFA; MAXIMO, 2003).
Devido aos poucos trabalhos que foram identificados junto a Secretaria deste
programa não foi possível num primeiro momento fazer um levantamento mais
exaustivo para identificar todos os artigos produzidos pelos mestres e doutores em
ciências - área de fisiopatologia experimental.

11

�CONCLUSÕES

A produção de artigos desenvolvidos através das dissertações e teses
acadêmicas ainda é pouco significativo, talvez devido as barreiras encontradas
para se publicar em periódicos nas melhores bases de dados, mas mesmo assim
podemos considerar que deste pequeno número de artigos que foram levantados
quase todos foram publicados em periódicos com fator de impacto significativo.
Os canais formais de divulgação das dissertações e teses utilizados foram
os periódicos científicos.
A área de Fisiopatologia Experimental é a que tem mais dissertações e
teses online no Portal SABER.
Concluindo é de grande importância a publicação dos trabalhos
desenvolvidos nos programas de pós-graduação para que as informações possam
ser disseminadas a toda a comunidade acadêmica do conhecimento produzido
pelos alunos de pós-graduação da Instituição.

REFERÊNCIAS

CAPES. Memória da pós-graduação. Sistema de avaliação. Avaliação trienal 2004.
Relatório final da avaliação trienal da pós-graduação. Período avaliado 2001-2003.
Relatório

ano

base

2004.

Disponível

em:

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http://www.mct.gov.br/estat/ascavpp/portugues/6_Producao_Cientifica/notas/nota_ta
b6_1_4.htm. Citado em: 18 nov. 2005.
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TIMO-IARIA, C. Laboratórios de Investigação Médica garantem a excelência da
Faculdade de Medicina da USP. In: 2o Simpósio “Avanços em Pesquisas Médicas
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ZIMAN, J. Conhecimento público. Belo Horizonte: Itatiaia; 1979.

13

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Produção científica dos mestres e doutores do programa de pós-graduação em ciências – fisiopatologia experimental da FMUSP.</text>
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                <text>Ao divulgar os trabalhos produzidos das pesquisas provenientes das dissertações e teses os pós-graduandos utilizam a comunicação escrita como o principal veículo de divulgação, através dos documentos convencionais como os artigos publicados em periódicos científicos nacionais e internacionais, livros, capítulos de livros e resumos apresentados em congressos. Neste trabalho verificou-se os artigos que foram publicados das pesquisas geradas pelas dissertações e teses defendidas no Programa de Pós-Graduação em Ciências - Fisiopatologia Experimental da FMUSP entre 2001 e 2005.O objetivo é verificar os canais formais e informais utilizados pelos pós-graduandos para divulgar a produção científica. Métodos. A análise deste levantamento bibliográfico inicial foi coletado na Secretaria deste Programa, foi recuperado 14 artigos que foram entregues pelos alunos. O canal de divulgação utilizado foram os periódicos científicos nacionais e internacionais com fator de impacto relevante, e indexados nas bases de dados Medline e ISI e também no Lilacs e SciELO. Os trabalhos também foram divulgados em congressos nacionais e internacionais, sendo os resumos publicados em anais e/ou periódicos. Alguns alunos disponibilizaram suas teses online no portal SABER da USP. Este trabalho é o ponto de partida para se fazer a coleta da produção científica dos alunos inscritos e dos que já concluíram suas pesquisas junto a este programa de pós-graduação. Concluindo que é de grande importância a publicação dos trabalhos desenvolvidos junto aos programas de pós-graduação para que as informações possam ser disseminadas a toda comunidade.</text>
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                    <text>XIV Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
IV Simpósio de Diretores de Bibliotecas Universitárias da
América Latina e do Caribe
Salvador, BA, 22 a 27 outubro de 2006

PRODUÇÃO CIENTÍFICA PUBLICADA
EM PERIÓDICOS ELETRÔNICOS:
O CASO DA ESALQ/USP

Salvador – BA
UFBA/SIBi-USP
2006

�PRODUÇÃO CIENTÍFICA PUBLICADA EM PERIÓDICOS ELETRÔNICOS:
O CASO DA ESALQ/USP

Geraldo Pereira Junior∗
Maria de Angela de Toledo Leme∗∗
Maria Cristina Moura Rocha de Andrade∗∗∗
Maria Célia Dias Marcon∗∗∗∗
RESUMO
A produção científica gerada na Universidade deve ser divulgada através das
novas tecnologias da informação e comunicação disponíveis. O periódico
eletrônico, utilizado como meio de difusão virtual, permite um amplo acesso às
pesquisas científicas e requer uma necessidade de mudança de paradigma entre
a comunidade acadêmica. A partir desta abordagem, pretende-se efetuar uma
análise dos periódicos que contêm a produção científica da Escola Superior de
Agricultura “Luiz de Queiroz”- ESALQ, da Universidade de São Paulo - USP,
cadastrada no Banco de Dados Bibliográficos - Dedalus e de sua disponibilização
na rede SIBiNet do Sistema Integrado de Bibliotecas (SIBi/USP). Os resultados
serão apresentados aos docentes , visando ampliar o conhecimento da rede e
nortear o uso dos periódicos eletrônicos para futuras publicações da produção
científica.
Palavras-chave: Produção científica. Periódicos eletrônicos. Dedalus. SIBiNet.
Difusão virtual da informação.
1 Introdução

∗
Bacharel de Biblioteconomia - PUCCAMP – Campinas, SP
MBA-EP/USP(em andamento)
Supervisor de Setor – Produção Bibliográfica
e-mail: gpereira@esalq.usp.br

Bacharel de Biblioteconomia - PUCCAMP – Campinas, SP
Diretora Técnica de Serviço-Tratamento da Informação
e-mail: matleme@esalq.usp.br

∗∗

∗∗ ∗
Bacharel de Biblioteconomia – FBDSC – São Carlos, SP
Supervisora de Seção – Processamento da Informação
e-mail: mcmrandr@esalq.usp.br

∗∗ ∗ ∗
Técnico em Informação e Documentação
Setor de Produção Bibliográfica
e-mail: mcdmarco@esalq.usp.br

Universidade de São Paulo/Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”
Divisão de Biblioteca e Documentação. Av. Pádua Dias, 11, Caixa Postal 9, Piracicaba – SP- Brasil 13418-900

1

�O desempenho da Universidade de São Paulo – USP e de suas Unidades,
como a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”- ESALQ, pode ser
medido, entre outros fatores, pela sua produção científica.
A ESALQ tem, ao longo dos últimos 104 anos, contribuído de forma
decisiva para o avanço tecnológico da agricultura nacional, seja na formação de
recursos humanos, ou na obtenção de resultados de pesquisas, muitos destes,
publicados em periódicos nacionais e internacionais.
Uma preocupação constante, além da produção de trabalhos, é o controle
e a divulgação do conhecimento para toda a comunidade.
Dentro deste contexto, a Divisão de Biblioteca e Documentação – DIBD
tem um papel relevante como Unidade da ESALQ/USP, reunindo um acervo dos
mais importantes na área de ciências agrárias. Também faz parte do Sistema
Integrado de Bibliotecas - SIBi/USP, criado pela Resolução 2226 de 8 de julho de
1981, que disponibiliza a rede de serviços SIBiNET, a qual permite, entre outros
serviços, o acesso eletrônico a periódicos nacionais e internacionais relevantes.
A DIBD tem como principais atividades o gerenciamento da informação
documentária

do

Campus;

a

preservação

do

patrimônio

cultural;

o

armazenamento; a recuperação da informação e o atendimento ao corpo docente,
discente, administrativo e à comunidade em geral.

Fornece serviços e produtos com excelência assegurada pelo seu
Programa de Qualidade implantado em 1999, destacando-se o controle da
produção científica de docentes, isto é, a coleta, o depósito no acervo de todas as
publicações para preservar a memória e garantir o acesso ao suporte físico da
informação,

regulamentado

pela

Resolução

nº

4221

de

17/11/95,

o

processamento e a disponibilização das publicações no acervo local e virtual,
através do cadastramento no Dedalus – Banco de Dados Bibliográficos da USP.

2

�Pretende-se neste trabalho, analisar a produção científica de docentes da
ESALQ/USP, cadastrada no Dedalus, pela DIBD, publicada em periódicos, e seu
acesso eletrônico, via rede de serviços SIBiNet, e apresentar os resultados aos
docentes, visando incentivar futuras publicações da produção científica em
periódicos eletrônicos e promover a difusão virtual do conhecimento.

2 DEDALUS – BANCO DE DADOS BIBLIOGRÁFICOS DA USP
O “Dedalus – Banco de Dados Bibliográficos da USP é o instrumento oficial
da Universidade de São Paulo, e reúne informações sobre os acervos das
bibliotecas do Sistema Integrado de Bibliotecas - SIBi/USP” (Universidade de São
Paulo – USP, 1998)
A implementação do Banco pelo Software Aleph, permite facilmente a
recuperação das informações, via Internet. Outros links foram incorporados, tais
como o Banco Lattes de Currículos, com inserção livre de dados pelos docentes e
acesso ao formato eletrônico de periódicos, disponibilizando desta forma as novas
tecnologias da informação e comunicação existentes.
No Dedalus, os registros estão organizados em 4 Bases, as quais podem
ser consultadas de forma simultânea ou separadamente: 1 Livros e Outros
Materiais; 2 Seriados; 3 Teses USP e 4 Produção USP.
A Base Produção permite o levantamento dos trabalhos de docentes,
pesquisadores e técnicos especializados da USP, identificando os canais de
comunicação mais utilizados para veicular a informação produzida, controlando os
tipos de documentos a serem cadastrados, visando obter controle de qualidade
sobre o que é inserido no Banco.
O Dedalus fornece através desta Base, indicadores de produtividade
acadêmica que são estratégicos para a USP, sendo adotados pela área

3

�administrativa como um dos critérios para distribuição de recursos financeiros
entre as Unidades.
De acordo com a USP (1998), este Banco:
Constitui uma ferramenta essencial para a recuperação da informação
em todas as área do conhecimento, exercendo um papel relevante no
apoio

às

atividades

de

ensino

e

pesquisa

desenvolvidas

na

Universidade.

Figura 1 – Tela de busca do Dedalus

Figura 2 – Tela de busca do Dedalus Base Produção USP

4

�Formato completo do registro - ESALQ

Base

04

Autor

Fonseca, A. F. da

Título

Cation exchange capacity of an oxisol amended with an effluent from
domestic sewage treatment

Tit.Trad.

Capacidade de troca catiônica de um latossolo tratado com efluente de
tratamento de esgoto doméstico

Imprenta

Piracicaba, 2005

Descr Fís p.552-558
Nota

Indexado no SciELO, Visualizado em 19.01.2006

Assunto

MILHO

Assunto

QUÍMICA DO SOLO

Autor Sec Alleoni, Luís Reynaldo Ferracciú; Melfi, Adolpho José; Montes, Célia Regina;
In:

Scientia Agricola Piracicaba, v. 62, n.6, p.552-558, nov./dez., 2005

Tipo Mat

ARTIGO DE PERIODICO

Unid

ESALQ - ESC SUP AGR QUEIROZ

ISSN

0103-9016

Exemplar

SciELO

"Clicar" sobre o botão para acesso ao texto completo

Cur.Lattes "Clicar" sobre o botão para acesso ao Curriculo Lattes de Luis Reynaldo
Ferracciú Alleoni
Cur.Lattes "Clicar" sobre o botão para acesso ao Curriculo Lattes de Adolpho José Melfi
Cur.Lattes "Clicar" sobre o botão para acesso ao Curriculo Lattes de Celia Regina
Montes

Figura 3 – Resultado de busca no Dedalus Base Produção USP

3 REDE DE SERVIÇOS SIBINET
Segundo o Sistema Integrado de Bibliotecas - SIBi (2006):
A rede de serviços do SIBi/USP - SIBiNET, foi implantada a partir
do Banco Dedalus, através de projeto elaborado para modernização do
Sistema, centrado na informatização de acervos e serviços, com apoio
da Reitoria e de outros órgãos da Universidade e recursos financeiros da
FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.

5

�A SIBiNET opera através da rede USP - USPNet interligando as bibliotecas
do Sistema, otimizando custos e ampliando o acesso

bibliográfico para os

usuários.
Dentre seus inúmeros serviços a rede possibilita, através de sua biblioteca
virtual, acesso via Internet a periódicos eletrônicos da CAPES, Kluwer, Springer,
Taylor &amp; Francis, JSTOR, SciELO (Scientific Electronic Library Online) e outros.

Figura 4 – Tela inicial da SIBiNet: http://www.usp.br/sibi

4 PERIÓDICOS ELETRÔNICOS
As novas tecnologias da informação e comunicação disponíveis, como os
“periódicos

eletrônicos”,

mudaram

o

conceito

tradicional

de

informação

bibliográfica baseada em documentos impressos.
“O periódico eletrônico pode ser definido como aquele que possui artigos
com texto integral, disponibilizados via rede e com acesso on-line, podendo existir
ou não em versão impressa ou em qualquer outro tipo de suporte” (Bastos, 2004).

6

�Sua utilização como meio de difusão virtual, via Internet, permite um amplo
acesso às pesquisas científicas facilitando a rápida circulação do conhecimento e
tem se tornado uma realidade cada vez mais presente.
Contudo, requer uma necessidade de mudança de paradigma entre a
comunidade acadêmica com o desenvolvimento de novos hábitos de pesquisa e
leitura como hipertextos e utilização de ferramentas de busca.
Ao mesmo tempo, a política de racionalização de custos de assinaturas
efetivada pelo SIBi/USP, mantendo apenas uma coleção em papel em uma
biblioteca denominada depositária, e disponibilizando o acesso eletrônico para as
demais bibliotecas do Sistema impôs modificação na forma de acesso à
informação.
Segundo Cruz et al. (2003):
A nova realidade, aponta também para o aumento do número de
consórcios e para o fortalecimento da filosofia do “acesso ao invés da
propriedade”, como forma de tornar a informação mais acessível,
promovendo o avanço cultural e científico.

Figura 4 – Portal CAPES - Periódicos eletrônicos

7

�Figura 5 – SciELO - Periódicos eletrônicos

5 METODOLOGIA
Para realizar a análise

proposta neste trabalho foram efetuados

levantamentos, abrangendo um período de 5 anos (2001-2005), para identificar os
títulos de periódicos que publicam artigos de docentes da ESALQ/USP, o número
de artigos publicados, e sua disponibilização no Dedalus e na Rede SIBiNet.

6 RESULTADOS
Podemos considerar que nos últimos 5 anos, 25% da produção científica
gerada na ESALQ/USP, está associada a artigos publicados em periódicos,
cadastrados no Dedalus e existentes no acervo em formato impresso

e/ou

eletrônico, além de livros (2%), capítulos de livros (6%), trabalhos de eventos
(64%), e outros tipos (3%).

8

�10000

7500

5000

2500

0

2001

2002

2003

2004

2005

Livros

61

46

27

44

21

Total Anual
199

Capítulo de Livros

203

155

76

93

61

588

Artigo de Periódicos

448

508

505

451

443

2355

Trabalho de Eventos

1118

1121

1234

1282

1234

5989

Outros
Total geral

78

52

34

63

71

298

1908

1882

1876

1933

1830

9429

Gráfico 1 – Produção científica da ESALQ/USP no período de 2001-2005

O total de periódicos cadastrados no Dedalus, que publicam a produção
científica de docentes da ESALQ/USP foi de 484 títulos, com 2355 artigos.
Destes,

apenas

192

têm

acesso

eletrônico,

via

Rede

SIBiNet,

representando 40% do total de títulos, e com 1.118 artigos, representando 47 %
do total de artigos.
484

% titulos

500
400

292

300

192

Dedalus

40%

Sibinet

200

Não disponível
eletronicamente

100

Sibinet
Não disponível
eletronicamente

60%

0
Títulos

% artigos

2355
2500
2000
1500

1118

1237

Dedalus
Sibinet

1000

Não disponível
eletronicamente

500

47%
53%

Sibinet
Não disponível
eletronicamente

0
Artigos

Gráfico 2 – Números de títulos de periódicos que publicam a produção científica
disponibilizada no Dedalus e SIBiNet no período de 2001 – 2005

9

�Embora predominem, no geral, títulos internacionais (144), os 10 títulos
que apresentam um maior número de artigos publicados e disponibilizados na
rede SIBiNet, são nacionais, e o maior destaque é o título Scientia Agrícola, da
própria Instituição.

Títulos / SIBiNet que mais publicaram a produção científica da
ESALQ/USP no período de 2001-2005

1. Scientia Agricola
2. Neotropical Entomology
3. Revista Brasileira de Zootecnia
4. Pesquisa Agropecuária Brasileira
5. Revista Brasileira de Ciencia do Solo
6. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental
7. Horticultura Brasileira
8. Revista Brasileira de Fruticultura
9. Fitopatologia Brasileira
10. Revista de Economia e Sociologia Rural

Nº de
Artigos
212
79
72
62
51
46
44
34
30
22

Os dados ilustram o uso incipiente que os docentes da ESALQ/USP têm
feito da Rede SIBiNet, como canal de difusão virtual de sua produção científica
pois no período analisado, foram utilizados 0,02% dos periódicos eletrônicos
disponibilizados (10.924).
Estes resultados serão apresentados aos docentes visando ampliar o
conhecimento da rede e nortear o uso dos periódicos eletrônicos para futuras
publicações da produção científica.

7 CONCLUSÃO
Não há dúvidas quanto a importante contribuição que os periódicos
eletrônicos trazem para a divulgação virtual da produção científica dos docentes
da ESALQ/USP,

tais como a rapidez da disseminação on-line, aumento da

visibilidade, aceso simultâneo e interativo entre os pares, via rede, como
Meadows (199, p. 114) salientou: “É claro que o acesso às redes estimula o
10

�trabalho em equipe. A possibilidade de todos terem acesso aos mesmos dados e
interagirem facilmente em sua utilização favorece os esforços coletivos”.
Tão importante quanto o crescimento da produção científica publicada em
artigos de periódicos é o aumento de sua qualidade, garantida pelo uso dos
periódicos

eletrônicos

incluídos

em

portais

integrados

reconhecimento internacional, como CAPES, SciELO,

de

busca

entre outros,

de
que

permitem a recuperação de um conjunto de títulos de forma imediata, acessados
via rede, e submetidos a critérios rigorosos de avaliação, além de ter como
principal indexador o ISI – Institute for Scientific Information.
Deve portanto, ser promovida uma maior integração entre as novas
tecnologias da informação e comunicação disponíveis e os docentes, visando um
melhor atendimento às suas necessidades, dentro do contexto atual.
SCIENTIC PRODUCTION PUBLISHED IN ELETRONICS JOURNAL: THE CASE
OF THE ESALQ/USP
ABSTRACT
The scientific production of the University should be spreaded by the new
information and communication technologies available. The electronic journal used
as virtual diffusion media allows a wide access to scientific research and demands
a need of a new paradigm in the academic community. This approach performs an
analysis of the journals that contain the scientific production of the Escola Superior
de Agricultura “Luiz de Queiroz”- ESALQ from University of São Paulo – USP,
included in the Dedalus – USP Bibliographic Database and available on the
network SIBiNet, from the Integrated Library System (SIBi/USP). The results will
be presented to the professors, aiming to increase their knowledge of the network
and to orientate the use of the electronic journals in the future publications of the
scientific production.
Keywords: Scientific production. Electronic journals. Dedalus. SIBiNet.
Information virtual diffusion.

11

�REFERÊNCIAS

BASTOS, V.N.R.; BASTOS, M.M.S.; NASCIMENTO, C.M.P. do. Periódicos : o
gerenciamento da coleção frente as novas tecnologias. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 13; SIMPÓSIO DE DIRETORES DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS DA AMERICA LATINA E DO CARIBE, 3., 2004, Natal. (Re)
Dimensão de bibliotecas universitárias: da gestão estratégica à inclusão social;
anais... Natal: UFRN, 2004. 1 CD-ROM.
CRUZ, A.A.A.C. da et al. Impacto dos periódicos eletrônicos em bibliotecas
universitárias. Ciência da Informação, Brasília, v.32, n.2, p.47-53, maio/ago.2003.
DIAS, G.A. Periódicos eletrônicos: considerações relativas à aceitação deste recurso
pelos usuários. Ciência da Informação, Brasília, v.31, n.3, p.18-25, set./dez.2002.
MEADOWS, A.J. A comunicação cientifica. Brasília: Briquet de Lemos Livros, 1999.
p.114
SISTEMA INTEGRADO DE BIBLIOTECAS. Sobre a SIBiNet. Disponível em :
http://www.usp.br/sibi. Acesso em: 21 julho 2006.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Sistema Integrado de Bibliotecas. Grupo de Estudos:
Usuários da Informação. Dedalus: banco de dados bibliográficos as USP; manual do
usuário ; versão preliminar. Coordenação de M.I.C. Sampaio. São Paulo, SIBi/USP,
1998. 16 p.

12

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Produção científica publicada em periódicos eletrônicos: o caso da ESALQ/USP.</text>
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                <text>Pereira Junior, Geraldo; Leme, Maria de Angela de Toledo, Andrade, Maria Cristina Moura Rocha de; Marcon, Maria Célia Dias</text>
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                <text>A produção científica gerada na Universidade deve ser divulgada através das novas tecnologias da informação e comunicação disponíveis. O periódico eletrônico, utilizado como meio de difusão virtual, permite um amplo acesso às pesquisas científicas e requer uma necessidade de mudança de paradigma entre a comunidade acadêmica. A partir desta abordagem, pretende-se efetuar uma análise dos periódicos que contêm a produção científica da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”- ESALQ, da Universidade de São Paulo - USP, cadastrada no Banco de Dados Bibliográficos - Dedalus e de sua disponibilização na rede SIBiNet do Sistema Integrado de Bibliotecas (SIBi/USP). Os resultados serão apresentados aos docentes , visando ampliar o conhecimento da rede e nortear o uso dos periódicos eletrônicos para futuras publicações da produção científica.</text>
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                    <text>Produção e difusão do conhecimento científico: o potencial de
contribuição da Biblioteca Universitária na formação de redes
acadêmicas
Asa Fujino1
asfujino@usp.br

Tatiana Hyodo2

tatiana_hyodo@yahoo.com.br

Departamento de Biblioteconomia e Documentação
Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (CBD/ECA/USP)
Av. Prof. Lucio Martins Rodrigues, 443  2º andar
05508-900  São Paulo, SP - Brasil

Resumo
Trata-se de reflexão sobre o potencial de contribuição da Biblioteca Universitária
(BU) na produção e difusão do conhecimento científico. Analisa seu papel no
apoio às atividades de Pesquisa e Pós-Graduação, com foco nas teses e
dissertações. Parte-se do pressuposto que o processo de argüição propicia
geração de conhecimento científico, estimulado pela análise do produto em
avaliação, mas que é externo ao conteúdo apresentado pelo pós-graduando.
Assim, o registro dos membros de uma banca e de suas observações é
importante tanto para análise da sociabilidade entre pesquisadores, quanto como
insumo para novas pesquisas. Uma das principais características da literatura
cinzenta é a forma de produção não-convencional, o que dificulta sua difusão, daí
a importância de canais de registro que atuem efetivamente no sentido de conferir
maior visibilidade a este tipo de produção. Como a BU deve estar em
consonância com a Universidade e estimular a produção das pesquisas e sua
difusão, cabe a ela contribuir para a manutenção do fluxo da comunicação
científica. Conclui apontando situações potenciais de atuação das BUs no
gerenciamento das informações oriundas de pesquisas no âmbito da pósgraduação.

A Biblioteca Universitária e a busca do conhecimento
É fato que na atual sociedade conhecida como sociedade da informação
ou do conhecimento a informação é componente intrínseco a tudo o que a
organização produz e no processo de construção do conhecimento é fundamental
a conversão da informação em conhecimento. A conversão ocorre quando o
indivíduo busca informações com um propósito definido, na tentativa de encontrar
algo que possibilite alterar o seu nível de conhecimento, seleciona e processa a
informação e neste processo muda a capacidade de conferir sentido à experiência
criando significados.

1

Docente do Departamento de Biblioteconomia e Documentação  ECA/USP. Pesquisadora do
NPC/ECA/USP
2
Bibliotecária da UFABC. Integrante da equipe do NPC/ECA/USP.

�Segundo Choo (2003), pesquisas indicam que o comportamento das
pessoas que usam e buscam informações é determinado pela necessidade
proveniente das demandas do trabalho e do ambiente social, pelas lacunas de
conhecimentos do indivíduo e pela sua experiência emocional. Já o uso da
informação é fruto de um processo de escolha: o indivíduo faz a escolha quando
percebe uma relação significativa entre o conteúdo da mensagem e a tarefa ou
problema que necessita solucionar. A relação de significados é percebida e
determinada pelo indivíduo, com base em seu conhecimento e sua rede de
referências, assim como no conteúdo e na forma da mensagem. Isso significa que
a seleção da informação depende da sua relevância para o esclarecimento da
questão.

Kuhlthau (1991) analisando o processo de busca de informações pelo
estudante universitário observa um padrão comum e o divide em seis estágios:
iniciação, seleção, exploração, formulação, coleta e apresentação. Para a autora,
cada estágio caracteriza-se pelo comportamento do usuário em três campos de
experiência: o emocional (sentimentos), o cognitivo (pensamentos) e o físico
(ação). Neste processo a incerteza que impulsiona o processo de busca é
vivenciada de diferentes estados emocionais, aumentando e diminuindo à medida
que o processo caminha. Portanto, os serviços de informação constituem uma
fonte essencial para ajudar os usuários a esclarecer e explorar suas dúvidas no
processo de busca da informação.

Choo (2003, p.403), por sua vez, define a organização do conhecimento
como uma organização capacitada a organizar seus recursos e capacidades,
transformando a informação em compreensão e insights, e disponibilizando esse
conhecimento por meio de iniciativas e ações, de modo a aprender a se adaptar a
seu ambiente mutável. O autor entende que a função primordial da
administração da informação é garantir que as necessidades de informação dos
membros da organização sejam atendidas com uma mistura equilibrada de
produtos e serviços.

�Nesse sentido, Duarte e Silva (2004) consideram a biblioteca universitária
como órgão que promove a aprendizagem, na medida em que proporciona a
informação organizada e a geração de novos conhecimentos e, portanto, pode ser
vista como uma organização inteligente ou organização do conhecimento. No
entanto, para caracterizar-se como tal, devem procurar gerenciar suas dimensões
infra-estrutura, pessoas e tecnologia, na tentativa de captar, armazenar, gerar e
compartilhar conhecimento.

Por outro lado, Fujino (2000) considera a biblioteca universitária como um
Serviço de Informação que atua em instituições de ensino superior, públicas ou
privadas e entende que é neste contexto que se define sua missão e seus
objetivos.

Este contexto, segundo a autora, é definido pela Lei de Diretrizes e Bases
do Ministério da Educação, de 1996, que reforça os objetivos do ensino superior
nos termos da Reforma do Ensino Superior, fixa normas de organização e
funcionamento desse tipo de instituição, e determina que o ensino superior tenha
por objetivo a pesquisa, o desenvolvimento das ciências, letras e artes e a
formação de profissionais de nível universitário, bem como a extensão das
atividades de ensino e resultados de pesquisa à comunidade. Tais objetivos
fundamentam-se em um processo de criação e transferência de conhecimentos
que pode ocorrer de diferentes formas e utilizando diferentes mecanismos, entre
eles, a biblioteca universitária.
Pressupõe-se, portanto, que os objetivos da Biblioteca Universitária devam
estar em consonância com os do meio acadêmico, o que envolve não somente o
apoio ao ensino, mas também à pesquisa e extensão.
No tocante à pesquisa (foco deste trabalho) uma atividade primária é o
acompanhamento da produção de novos conhecimentos que surgem em
decorrência das próprias atividades acadêmicas (Assis, 1981; Bianchin, 2002;
Santana, 1989; Tarapanoff, 1981). Nesse sentido destaca-se a geração de teses

�e dissertações, fruto de projetos de pesquisa desenvolvidos nos programas de
pós-graduação.
Este estudo busca verificar como as bibliotecas universitárias lidam com
essa fonte de informação e, principalmente, como acompanham o fluxo da
pesquisa

em seus

ambientes, seja

como

mediadora

do processo de

aprendizagem, seja como difusora dos conhecimentos gerados para estimular o
compartilhamento entre seus pares.
Parte-se do pressuposto que algumas bibliotecas universitárias têm-se
restringido ao mero papel de depositárias das teses e dissertações, não
estimulando sua difusão. Também não acompanham o processo de produção da
pesquisa na área acadêmica, o que dificulta o registro de outros conhecimentos
gerados através dos canais informais ou pessoais por onde se concretizam outros
módulos do fluxo de informação científica, característica básica dos chamados
colégios invisíveis (Población, 1989). Com isso perdem a oportunidade de
compreenderem melhor o ambiente e suas necessidades e, como decorrência
acabam por não atuarem como organizações do conhecimento, embora tenham
potencial para tanto.
As

funções

básicas

de

uma

biblioteca,

qual

sejam:

a

coleta,

processamento, disseminação só fazem sentido se inseridas dentro dos contextos
específicos nos quais ela atua, pois é este contexto que lhe permite sentir-se
parte

da

organização

trabalhando para e

como

uma

organização

do

conhecimento. Em suma, é o comprometimento com os seus objetivos que a
tornará essencial para a organização do conhecimento humano, participando e
tornando-se um importante elemento no processo da inovação.
O contexto da Pós-Graduação em Ciência da Informação no Brasil
Os programas de pós-graduação em Ciência da Informação no Brasil são
apontados como os responsáveis pela maior parte da pesquisa desenvolvida na
área (Población, 2000; Smit, 2002).

�A pós-graduação strictu-sensu (mestrado e doutorado) em Ciência da
Informação no Brasil existe desde a década de 70 do século passado, sendo o
primeiro curso instalado no IBICT/UFRJ (Oliveira, 1995). Desde então vários
outros programas foram constituídos, e atualmente a área conta com a presença
destes em nove instituições (IBICT/UFF; USP; PUCCAMP; Unb; UFMG; UFPB;
UFBA; UNESP; UFSC). A análise de alguns regimentos* desses programas revela
pontos em comum, no que diz respeito às teses e dissertações.
O primeiro relaciona-se ao próprio projeto de pesquisa. O doutorado, em
relação ao mestrado, deverá trabalhar um tema que apresente ineditismo e
originalidade, além da obrigatoriedade de hipóteses na pesquisa.
Na apresentação à Comissão Examinadora, os programas de pósgraduação determinam tempo para a exposição do trabalho, bem como para a
composição dos membros da banca examinadora. Em geral para o mestrado são
três docentes, com título mínimo de doutor ou equivalente, sendo que, no mínimo
um dos membros deverá ser de outra IES  Instituição de Ensino Superior. No
caso de doutorados, são cinco docentes, também com título mínimo de doutor ou
equivalente, sendo que dois membros deverão ser de outra IES.
No que se refere à argüição cada programa estabelece um tempo para
cada examinador argüir o candidato e um tempo para o candidato responder a
argüição.
É importante registrar, para efeito deste trabalho, que o processo de
argüição, mais do que um procedimento administrativo para cumprimento das
formalidades, é, do ponto de vista acadêmico, um momento de muita reflexão, de
questionamentos e de contribuições feitas pelos membros da banca ao candidato.
No processo de argüição é comum membros da banca apontarem inadequações
metodológicas ou conceituais que podem comprometer o trabalho, de forma a
possibilitar eventuais correções. Também são feitas sugestões sobre aspectos a
serem mais bem explorados ou sobre novos desdobramentos da pesquisa
realizada.

*

Somente dos disponíveis nas páginas Web dos Programas.

�No entanto, embora a pesquisa dos regimentos mostre que a maioria dos
programas prevê que a Comissão pode, mediante parecer fundamentado,
condicionar a aprovação da tese ou dissertação ao cumprimento de determinadas
exigências dos examinadores, entre elas, as correções de texto, há uma
discussão sobre autoria intelectual que às vezes dificulta a adoção desse
procedimento pelos programas de pós.
Os programas que não permitem a correção posterior do documento
apresentado no ato de defesa (dissertação ou tese) entendem que o documento
deve refletir o conteúdo intelectual produzido pelo candidato até o momento da
defesa. Portanto, é este o material de autoria intelectual do candidato, cuja cópia
é encaminhada à biblioteca da IES, para consulta presencial dos usuários ou para
disseminação nos bancos de dados digitais.
Mesmo nos casos dos programas que permitem a correção posterior ao ato
de defesa, normalmente há regras que estabelecem o grau de correção permitido
e as exigências são estabelecidas pelo conjunto de examinadores. Assim, há
observações

ou

sugestões

apresentadas

pelos

examinadores

que

não

necessariamente são adotadas pelos candidatos.
Encerrados os trabalhos, é lavrada uma ata, seguindo moldes fornecidos
pela secretaria de cada programa. Nesse aspecto específico, também é
importante salientar que esta atividade é desenvolvida pela secretaria do setor de
pós-graduação da unidade de ensino e pesquisa, conforme normas previstas em
regimento. Como se trata de material que tem a função comprobatória do ato de
defesa, não tem a preocupação com o conteúdo temático ou de mérito da
argüição limitando-se a reproduzir o ocorrido, do ponto de vista processual, no ato
de defesa.
Por sua vez, o destino desta ata é o arquivo da secretaria do programa de
pós-graduação e não a biblioteca. Isto significa que a ata, mesmo que
descrevesse maiores detalhes sobre a argüição, não seria disponibilizada para os
usuários, uma vez que a sua função não é esta.

�Assim, as observações, discussões, sugestões efetuadas pelos membros
da banca que são incitadas pelo texto do candidato, mas estimuladas pelo colégio
formado pelos membros da banca examinadora, acabam não sendo registradas
e, nesse sentido, apesar de explicitadas verbalmente, não se transformam em
fonte de informação para futuros e potenciais usuários.
O material que vai para a biblioteca é somente a dissertação ou tese, mas
nada que complemente ou altere o conteúdo.
A produção científica e a difusão do conhecimento
A produção científica, decorrente das pesquisas desenvolvidas em
universidades, oferece mais do que apenas indicadores de avaliação institucional.
Os novos conhecimentos gerados nessas pesquisas têm repercussões não
apenas na comunidade científica nacional, mas servem de medida para o avanço
científico do país em relação à comunidade internacional.
Para Wintter (1997 apud Ramalho et al., 2002). a pesquisa científica de
um país está relacionada a atuação dos cursos de pós-graduação quer pelo fazer
científico dos mesmos quer pelo papel na formação de pesquisadores que vão
atuar em outras entidades universitárias ou não.
Nesse sentido, é importante salientar que tanto as dissertações quanto as
teses têm se caracterizado como importante contribuição para o avanço do
conhecimento científico. Na opinião de Carelli (2004), essa produção possibilita a
verticalização do conhecimento, sobretudo pelos temas enfocados, atualidade e
relevância da bibliografia, além do rigor metodológico que orienta tais tipos de
pesquisa. No caso de teses, elas são necessariamente originais no sentido de
novidade, pois é exigência intrínseca à obtenção do título de doutor.
Normalmente, tanto a dissertação de mestrado quanto a tese de doutorado
tratam de uma comunicação de resultado de uma pesquisa e de uma reflexão
sobre um assunto único e bem delimitado. O diferencial é que o estudo foi
necessariamente desenvolvido de acordo com as diretrizes metodológicas,

�técnicas e lógicas que regem o trabalho científico. (Severino, 1983 apud Ramalho
et al., 2002).
Do ponto de vista da comunicação científica, esse tipo de documento, não
se enquadra nos moldes dos documentos convencionais, são considerados como
literatura cinzenta. A expressão é utilizada para os documentos fugitivos, aqueles
que não se vendem nos catálogos de editores, livrarias, bibliotecas, etc.
Entretanto, a literatura cinzenta, da qual também fazem parte as atas de
congresso, boletins, relatórios técnicos, normas, patentes, entre outros,

apesar

de difícil localização, permitem a agilização dos contatos entre investigadores e
fortalecem os elos de comunicação entre os membros dos colégios invisíveis
(Población, 1992).
Esta opinião é compartilhada por outros autores. Noronha (2005)
reconhece que na divulgação do conhecimento em meios formais os periódicos
científicos têm reconhecido valor, pela rapidez e eficiência na comunicação de
resultados. Entretanto, há que se ressaltar também o papel desempenhado por
outros tipos de documentos como no caso das dissertações e teses - produtos
finais dos cursos de pós-graduação.
Assim, Ramalho et al. (2002) entendem que as dissertações ocupam um
papel relevante na produção científica por suas contribuições criativas e
inovadoras e, portanto, devem ser divulgadas, em seus diversos aspectos, para
que se efetive o uso desse tipo de literatura.
Por outro lado, a produção de dissertações e teses em uma determinada
área da ciência permite refletir sobre a evolução da comunidade e a contribuição
que os pesquisadores envolvidos estão oferecendo para o crescimento da
ciência., razão adicional para estimular sua difusão.
Redes Acadêmicas e sociabilidade entre pesquisadores

�Segundo Pisciotta (2006, p.125), a chegada da ciência  das descobertas
da ciência, das soluções científicas para problemas científicos, políticos ou do
quotidiano  se dá pela comunicação científica, que parte de um ponto da rede
social e vai se espalhando por ela.
Spinak (1998) concorda e afirma que a comunicação e a informação são
intrínsecas à prática da ciência. Para o autor, a investigação é estimulada e
sustentada por um fluxo constante de nova informação e quando o ciclo de
informação se completa, surge nova informação. Assim, a interação ocorre de
forma sucessiva gerando um ciclo renovado de criação e descobrimentos.
Población (1989) refletindo sobre a atividade da comunidade científica
observa que a comunicação informal, realizada para depurar as informações
antes de serem consolidadas no original a ser enviado para publicação através
dos canais formais, estabelece uma dinâmica fundamental para o avanço da
ciência. Segundo a autora, a vantagem é que o processo inicial de feedback
admite uma flexibilidade e permite ao pesquisador avaliar o padrão de qualidade
de seus achados através de discussões em reuniões, eventos científicos ou em
outros processos informais tais como correspondência ou contatos pessoais.
Nessa fase, os colegas interessados nos mesmos problemas têm oportunidade
de intercambiar idéias científicas ou técnicas, analisar o estilo de pesquisa, vieses
teóricos e experimentais, permitindo ao pesquisador  na qualidade de produtor
 avaliar seus erros ou sucessos e ampliar a área de conhecimentos ao longo do
processo.
Prosseguindo, a autora observa que a contínua preocupação dos
pesquisadores em se manterem atualizados com os últimos resultados das
pesquisas cria uma atitude de alerta e exige, além de grandes esforços, um
comportamento adequado de pesquisador, caracterizado pelo permanente
contato com seus pares. Dessa forma, fica fortalecida a consistência dos elos de
ligação entre os vários módulos do fluxo de informação que se concretizam
através dos canais informais ou pessoais, ou seja, que não são publicações,
ampliando-se também os chamados colégios invisíveis.

�Nesse sentido, entendemos que as observações, comentários, sugestões,
que têm como origem o processo de reflexão sobre uma dissertação ou tese a ser
argüida, constituem potencial fonte de informação sobre o estado da arte da
ciência naquela área e, permitiria a ampliação dos colégios invisíveis ou, para se
aproximar da terminologia corrente na gestão do conhecimento: o estímulo às
transformações do conhecimento tácito em explícito. Tal recurso poderia
constituir-se em insumo básico a novas pesquisas e assim sucessivamente.
Por outro lado, o registro dos participantes de uma banca também
possibilitaria o estudo de sociabilidade entre pesquisadores de determinada área
e a elaboração de uma rede social. Embora o Currículo Lattes preveja campo
específico para registro dos membros de uma determinada banca, o que se quer
salientar é que da mesma maneira que a ata tem um papel comprobatório do ato
de defesa, o CV Lattes também tem essa função. No caso das Bibliotecas
Universitárias, acredita-se que elas poderiam manter não só a atualização desses
dados, mas promover ações de integração entre o conteúdo apresentado pelo
mestrando / doutorando, as sugestões dos membros da banca e a participação
desses mesmos pesquisadores em bancas de sua instituição.
Conclusões: Sugestões para participação da Biblioteca Universitária no
apoio à Pós-Graduação
Sugere-se, em suma, que as bibliotecas universitárias estejam mais
atentas ao processo de pesquisa que se desenrola na instituição em que está
inserida,

para

melhor

aproveitar

o

potencial informacional

que

ocorre,

principalmente, nas atividades de pós-graduação. O exemplo do que ocorre no
ato de defesa é apenas ilustrativo para apontar um conhecimento que é
verbalizado, explicitado, mas infelizmente nem sempre registrado e, por isso, não
aproveitado como insumo para gerar novos conhecimentos.
Não se trata de replicar o que se faz na secretaria de pós-graduação.
Como observamos anteriormente, as funções da Biblioteca Universitária são as
de mediação entre o sistema documentário e as demais fontes e o usuário. Para
tanto, devem desenvolver atividades que contribuam para a melhoria de seus
serviços e, sobretudo, para o avanço do conhecimento. A divulgação dos últimos

�resultados de pesquisa, com os comentários e observações dos avaliadores
fomentaria discussões informais e a formação de colégios invisíveis que são
essenciais para a atividade acadêmica.
O conceito de Biblioteca Digital que, segundo Cunha (1999) define a
biblioteca como uma unidade de gerenciamento do conhecimento, utilizando-se
de forte aparato tecnológico no desenvolvimento de suas atividades, deve ser
apropriado pelos profissionais da área e transformado em ações efetivas. Tais
ações seriam norteadas pela disposição de conferir maior relevância às
informações disponibilizadas e a contribuírem para o esclarecimento das
questões enfrentadas pelos usuários pesquisadores, pós-graduandos ou não.
Sob este ponto de vista, podemos pensar na possibilidade de
disponibilizarmos não somente a tese ou a dissertação em meio digital (o que já é
realidade em muitas instituições), mas também um arquivo eletrônico de imagem
ou de som, com o registro da defesa, ou somente com o momento da argüição.
Embora a sugestão deva ser objeto de reflexão e de discussão com os programas
de pós-graduação, é importante salientar que alguns esforços já podem ser feitos
nesse sentido.
O registro dos membros da banca examinadora (como já ocorre na
Biblioteca Digital de Teses da USP), ou mesmo a disponibilização de links para o
Currículo Lattes destes, já representa um avanço no oferecimento de produtos e
serviços que propiciem não somente a geração de novas pesquisas, mas que
insiram de fato a biblioteca universitária entre os elos de comunicação das redes
acadêmicas.
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Produção e difusão do conhecimento científico: o potencial de contribuição da Biblioteca Universitária na formação de redes acadêmicas.</text>
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                <text>Trata-se de reflexão sobre o potencial de contribuição da Biblioteca Universitária (BU) na produção e difusão do conhecimento científico. Analisa seu papel no apoio às atividades de Pesquisa e Pós-Graduação, com foco nas teses e dissertações. Parte-se do pressuposto que o processo de argüição propicia geração de conhecimento científico, estimulado pela análise do produto em avaliação, mas que é externo ao conteúdo apresentado pelo pós-graduando. Assim, o registro dos membros de uma banca e de suas observações é importante tanto para análise da sociabilidade entre pesquisadores, quanto como insumo para novas pesquisas. Uma das principais características da literatura cinzenta é a forma de produção não-convencional, o que dificulta sua difusão, daí a importância de canais de registro que atuem efetivamente no sentido de conferir maior visibilidade a este tipo de produção. Como a BU deve estar em consonância com a Universidade e estimular a produção das pesquisas e sua difusão, cabe a ela contribuir para a manutenção do fluxo da comunicação científica. Conclui apontando situações potenciais de atuação das BUs no gerenciamento das informações oriundas de pesquisas no âmbito da pós-graduação.</text>
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            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>2006</text>
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            <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <text>Evento</text>
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            <description>An account of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="60490">
                <text>Neste trabalho analisa-se a atividade científica dos autores brasileiros dentro de fonrtes de informação de economia no período 1988 a 2005, a partir dos registros resgatados no ECONLIT, principal conteúdo em publicações econômicas internacionais. se Há utilizado indicadores bibliométricos para a representação gráfica e um aplicativo para verificar as relações científicas através do pajek. Como resultado a produção teve um substancial crescimento entre os anos de 1999 a 2004 (tanto em artigos de revistas como em livros), (i) as revistas mais buscadas pelos pesquisadores brasileiros na hora de publicar fora Economia Aplicada, Revista Brasileira de Economia, Estudos Econômicos e Revista de Economia Política: (ii) as instituições mais produtovas foram a Universidade de Brasília e o Banco Central do Brasil; (iii) e as instituições que mantiveram a centralidade nas colaborações científicas foram UnB, UFRJ, Banco Central do Brasil, Banco Mundial, IPEA e Universidade Católica de Brasília.</text>
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                    <text>PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO NO CONTEXTO DAS BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS: PROATIVIDADE PARA READEQUAÇÃO FRENTE À
PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO
Ana Cristina Alves da Silva
Aluna do curso de especialização de gestão
de pessoas das Faculdades Alfa. Bibliotecária
Assistente

das

Faculdades

Alfa.

E-mail:

anacris@alfa.br ou anacris_gyn@alfa.br
Edilane Neves
Coordenadora da Biblioteca do Instituto
Aphonsiano de Ensino Superior. E-mails:
edilaneneves@yahoo.com.br ou
edilaneneves@aphonsiano.edu.br

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Bibliotecária na Universidade Estadual de
Goiás. Email: helenirfreire@hotmail.com

Resumo
Devido à infinidade dos conhecimentos que são gerados e acumulados, as
universidades não podem mais ter a pretensão de fornecer uma formação
integral. A universidade não possui exclusividade na posse da produção do
conhecimento, e isto é, atualmente enxergado como resultante da experiência
individual em um contexto histórico e sociocultural, com base epistemológica e
outros determinantes na produção do conhecimento. Em uma economia
globalizada, este novo comportamento pelas Instituições de Ensino Superior,
passa adquirir significado estratégico, sendo necessária a aquisição de
competitividade por meio de formas inovadoras de gestão de talentos e
competências. Dentro do contexto apresentado, estaremos analisando a
importância e “posição” dos Bibliotecários e das Bibliotecas Universitárias no
ensino e aprendizado nas formas e meios diversos, no universo da produção
científica do acadêmico. Questionando, portanto, neste enfoque, se o

�Bibliotecário, como gestor, tem sido realmente reconhecido e valorizado como
participante do processo comum na produção do conhecimento.
Palavras-chave: Gestão do conhecimento; produção científica; produção do
conhecimento atuação profissional; bibliotecários universitários.
Introdução
Com o advento das novas tecnologias da informação e a explosão do
conhecimento,

surgem

questionamentos

a

respeito

da

gestão

do

conhecimento. Sabe-se que as universidades possuem grande participação na
produção desse conhecimento, porém as mesmas não conseguem fornecer
uma formação absoluta para seus alunos. Da mesma forma, que apresentam
dificuldades na gestão do conhecimento.
Dentro deste contexto, as bibliotecas universitárias ocupam um lugar
muito importante na formação dos discentes e na capacitação dos docentes.
Tendo em vista, sua possibilidade de contribuição na produção cientifica.
Oriunda do fornecimento de materiais bibliográficos e eletrônicos para o
fomento de pesquisas.
Porém vale salientar que para cumprir com seus deveres, as bibliotecas
universitárias, precisam de gestores ágeis, criativos, que utilizam da
proatividade como ferramenta de eficiência em suas atividades. Sendo assim, o
bibliotecário terá qualidades para ser participante comum na produção do
conhecimento.
O

presente

consequentemente

aborda
dos

o

valor

bibliotecários,

das
na

bibliotecas
produção

universitárias
do

e

conhecimento.

Enfatizando o perfil que devem possuir esse profissional, bem como reforça a
importância das bibliotecas universitárias que segundo Yankova (2002),”é
considerada o elemento fundamental nos programas educativos e científicos no
desenvolvimento da universidade, ou seja, é o “coração da universidade”.

�2 Conhecimento : aspectos conceituais
O homem faz questionamentos existenciais no seu cotidiano que têm
que interpretar a si e ao mundo em que vivem e atribuir significados aos
mesmos e desta forma se cria representações significativas da realidade, as
quais chamam conhecimento. Dependendo da forma pela qual se chega a
essas representações o “conhecimento” poderá ser classificado em diversos
tipos como, por exemplo, mítico, ordinário, dogmático e científico.
Russ (1994) define conhecimento como: “Ato pelo qual o espírito oi o
pensamento apreendem o objeto ou o tornam presente, esforçando-se para
formar uma representação que exprime perfeitamente este objeto”.
Segundo Platão, conhecer é recordar verdades que já existem em nós teoria que pode ser atestada sempre que nos deixamos guiar pela voz do
inconsciente.

Fonte: Wikipédia,2006
A definição clássica de conhecimento, originada em Platão, diz que ele
consiste de crença verdadeira e justificada. O conhecimento diferencia-se de
mera informação pelo fato de está associado a uma intencionalidade, tanto o
conhecimento como a informação consistem de declarações verdadeiras,
porem o conhecimento deve ser considerado informação com um propósito ou
uma utilidade.

�Crawford afirmou que “o conhecimento é a essência do poder monetário
e devido a isso está aumentando cada vez mais, no mundo inteiro, a busca
pelo controle do conhecimento e pelos meios de comunicação”.
3 Conhecimento e produção científica
No processo de obtenção de conhecimentos científicos devem ser
utilizadas três formas de aquisição de conhecimentos: Intuição + Empirismo +
Racionalismo (experiência).
O conhecimento científico é o que é produzido pela investigação
científica, através de seus métodos. Surge não apenas da necessidade de
encontrar soluções para problemas de ordem prática da vida diária, mas do
desejo de fornecer explicações sistemáticas que possam ser testadas e
criticadas através de provas empíricas.
O conhecimento científico surge não apenas da necessidade de
encontrar soluções para problemas de ordem prática da vida diária, mas do
desejo de fornecer explicações sistemáticas que possam ser testadas e
criticadas através de provas empíricas.
A investigação científica se inicia quando se descobre que os
conhecimentos existentes, seja de senso comum, seja do corpo de
conhecimentos existentes na ciência, são insuficientes para explicar os
problemas surgidos.
Conhecimento científico é um produto resultante da investigação
científica. Surge da necessidade de encontrar soluções para problemas de
ordem prática da vida diária e, do desejo de fornecer explicações sistemáticas
que possam ser testadas e criticadas através de provas empíricas e da
discussão intersubjetiva.
4 Gestão do conhecimento
A gestão do conhecimento tem sido um tema que tem gerado muito
discussão. Há diversos debates sobre a importância do conhecimento no atual
mundo

globalizado.

Afinal,

estamos

diante de

complexidade, no mundo corporativo e

um

cenário de

rara

na sociedade em geral. Fatos

�econômicos

e

sociais,

de

alcance

mundial,

são

responsáveis

pela

reestruturação em diversas áreas, seja nos negócios,na educação ou na área
social. A globalização da economia, é impulsionada pela tecnologia da
informação e pelas comunicações, é uma realidade da qual não se pode fugir.
Dentro desse

contexto o conhecimento, ou melhor, a gestão do

conhecimento se transforma em um precioso recurso estratégico para a vida
das pessoas e das instituições. Desde de os tempos mais remotos o
conhecimento desempenha papel fundamental na história. Sua aquisição e
aplicação sempre representaram estímulo para as conquistas de inúmeras
civilizações. No entanto, apenas "saber muito" sobre alguma coisa não
proporciona, por si só, maior poder de competição para uma organização. É
quando aliado a sua gestão que ele faz diferença. A criação e a implantação de
processos que gerem, armazenem, gerenciem e disseminem o conhecimento
representam o mais novo desafio a ser enfrentado pelas instituições. Termos
como "capital intelectual", "capital humano", "capacidade inovadora", "ativos
intangíveis" ou "inteligência empresarial" já fazem parte do dia-a-dia de muitos
gestores.
O conceito de gestão do conhecimento parte da premissa de que todo o
conhecimento existente na empresa, no cérebro das pessoas, nas veias dos
processos e no coração dos departamentos, pertence também à organização.
Em contrapartida, todos os colaboradores que contribuem para esse sistema
podem usufruir todo o conhecimento presente na organização.
A gestão do conhecimento é própria de cada pessoa, pois a
responsabilidade recai sobre o indivíduo, ou seja, cada um deve criar a sua
programação e foco na gestão do conhecimento, que deve ser focada em
conhecimentos, habilidades e ações.
Gestão do conhecimento é um processo sistemático, articulado e
intencional, apoiado na geração, codificação, disseminação e apropriação de
conhecimentos, com o propósito de atingir a excelência organizacional.
A organização em si não pode criar conhecimento sem as pessoas e por
este motivo cabe a organização apoiar pessoas criativas e prover contextos

�para que essas gerem conhecimentos. Além da geração e/ou aquisição de
conhecimento, é preciso cuidar para que ele seja catalogado, transferido,
assimilado e utilizado. E é por este motivo que vamos ressaltar a importância e
o papel das bibliotecas universitárias.
5 Biblioteca universitária no contexto do processo da produção
cientifica : repensando em perfil.
Segundo Volpato (2003) a estruturação da biblioteca universitária esta
diretamente relacionada sua história e com o seu desenvolvimento no decorrer
dos tempos, e que a biblioteca é um dos principais instrumentos da
universidade de apoio no que se refere à produção do conhecimento cientifico.
Porem as bibliotecas desempenhar seu papel de bom instrumento de apoio às
universidades terá que, esta sempre muito bem organizada, sistematizada,
tecnologicamente atualizada, e ter um grande potencial de informação de todas
as áreas, e somente desta forma que, as bibliotecas ocupam papeis cruciais
dentro do sistema de educação e pesquisa.
As bibliotecas universitárias contam com uma estrutura que as permitem
ocupar um espaço significativo dentro da universidade. Por natureza, deve
possuir materiais bibliográficos, audiovisuais e eletrônicos, em fim, possuir
suporte informacional que atenda as necessidades de informação da
comunidade universitária. A American Library Asociation (ALA), definiu a
biblioteca universitária como aquela estabelecida, mantida e administrada por
uma universidade, para cumprir as necessidades de informação de seus
estudantes e apoiar programas educativos de investigação e outros serviços.
Para Garbelini (2004) “as bibliotecas universitárias são os sistemas de
informação mais representativos de um país quanto à produção da informação
e do conhecimento no contexto da sociedade global e com muitas
possibilidades para uma integração diante dos desafios da globalização”.
Ainda

de

acordo

com

Gaberline

(2004

apud

NOREZO

e

VAUGHAN,2000) “As bibliotecas universitárias, são um fenômeno do século
XXI no que diz respeito à educação superior, enfrenta numerosos desafios, por
passar por constantes mudanças dentro de si mesma e por vivenciar uma

�realidade que oferece todos os recursos tecnológicos. A biblioteca universitária,
por assim dizer, deve possuir material de referência bibliográfico e eletrônico;
um serviço de informação para apoio a pesquisa e ainda favorecer o acesso à
cultura do seu entorno e época.”
Porém, como adverte Cunha (2000) “Para a biblioteca, torna se cada vez
mais difícil prover acesso à totalidade da informação demandada por seus
usuários. Isso se dá principalmente pelo fato da chamada explosão
bibliográfica, por questões de custos e da falta de espaço é praticamente
impossível de adquirir todas publicações que são produzidas”.Como afirma
Cunha (2000 apud HAWKINS, 1994), o crescente custo dos documentos é um
dos óbices, porém talvez o mais importante seja a explosão bibliográfica que
tornou quase impossível adquirir e encontrar espaço físico para atender uma
gama de interesses dos possíveis usuários.
Com o aumento do número de publicações e a importância cada vez
maior dada à informação em nossos dias, as bibliotecas tendem a crescer e a
tornarem-se organizações complexas.
As Instituições de Ensino Superiores (IES), que não enxergam as
bibliotecas como peças de extrema importância dentro do sistema de educação
e pesquisa, acabam gerando uma insatisfação aos seus clientes, na hora que
os mesmos necessitam de um bom suporte para auxilio em suas produções
cientificas. As IES também deixam de ganhar peso na hora de medir forças
com os concorrentes, isto porque as bibliotecas universitárias é um dos setores
dentro que é diretamente responsáveis pelos suprimentos das necessidades
informacionais para comunidade acadêmica em geral e o bom desempenho
nas atividades de ensino e extensão.
“As bibliotecas universitárias são instituições e, como tal, constituídas
por um conjunto de funções responsáveis, que vão desde a localização até a
recuperação. A sua estrutura organizacional está formada por departamentos
denominados de divisões e seções que, em muitos casos, são designados com
outros

nomes.

A

cada

departamento

cabe

a

responsabilidade

pelo

desenvolvimento de algum produto e/ou serviço, formando uma cadeia até a
execução final”. Pinto (1993, p.85).
Estamos diante de um novo mercado de informação, e as bibliotecas
não pode ficar presas a métodos ultrapassados e muito menos se conformar

�com os poucos resultados recebidos diante de tudo que realiza. É preciso
ousar e criar o novo perfil das bibliotecas universitárias para que elas sejam:
um instrumento de modernidade comprometida com a qualidade, renovadas
em seus métodos de trabalho e estejam sintonizadas com a comunidade
universitária. Volpato (2004).
A Biblioteca é uma organização social que há séculos acumula a
produção do conhecimento, porem nestas ultimas décadas estourou seu limite
de crescimento, provocando a saturação de alguns serviços/produtos e com
isto tem forçando-a partir em busca de uma reengenharia em seus processos e
estruturas.
“... seleção que não seleciona; indexação que isola e mutila; organização
de arquivos que tem problemas quanto a sua própria integridade física [e que
se ampliam] e perpetuam no armazenamento; imprecisão e indeterminismo da
análise e perplexidade na disseminação/acesso ao documento...” Araújo (1995,
p. 70).
É fato que a implantação e aplicação de novas tecnologias em unidades
de informações ainda deixam a desejar quanto à funcionalidade e
operacionalidade. Ainda encontramos unidades de informações muito bem
equipadas, porem sem preparo humano, sem pessoas para utilizarem de forma
correta e fazer com que a informação chegue de forma precisa e acelerada até
o usuário final, e o contrario também acontece.
Para Carvalho (2000) “... as bibliotecas devem sair da postura de
armazenadoras de informação para assumir uma postura no processo de
comunicação, o que significa abandonar a filosofia de posse e investir na
filosofia de acesso... e para assumir a posição de provedora de acesso à
informação, as bibliotecas precisam rever seus processos, repensando a
dimensão dos serviços e produtos desenvolvidos, pois o usuário de hoje
diferencia daquele que “apertava parafuso” na era industrial”.
No estudo da história geral às mudanças e transformações no que diz
respeito ao conhecimento e a informação, podemos observar que: era possível
determinar um marco no tempo para os acontecimentos, e que a partir da era
da informática, tornou-se impossível acompanhar com marcos as mudanças e

�transformações que antes era de tempo em tempo e agora é de dia em dia; de
hora em hora; de minuto a minuto e assim por diante.
A velocidade em que as informações são transformadas e transmitidas
acaba afetado a sociedade de forma geral, e desta forma provocando reações
diversa, tanto social como profissional. Atingindo a segurança, o autocontrole e
as perspectivas de uma grande massa popular.
A tecnologia de telecomunicação e teleinformática imprimiu mais
velocidade às mudanças ocorridas desde a década de setenta, e também
promove a globalização e força a mudanças de paradigma em qualquer área
de conhecimento.
Tapscott (1995, p. 7) afirma que “a tecnologia de informação está
também penetrando em todos os demais setores de forma surpreendente (...)
Com mercados e seus protagonistas constantemente mudando, a possibilidade
de que as empresas possam estabelecer vantagem competitiva duradoura não
existe mais”.
Para bibliotecário e os demais profissionais da informação as mudanças
acontece de forma ainda mais complexa, isto pelo fato de que a “informação”
ser objeto de trabalho destes profissionais.
Com tecnologia da informação afeta de forma direta ao profissional
bibliotecário,

causando

diversas

modificações

em

seu

perfil,

rotinas

profissionais, tais como: suportes de informações; processamentos de
informações; disseminação de informação e forma de mediação entre
bibliotecário e o usuário / cliente.
O valor que a sociedade atribui à informação, também é diretamente
proporcional ao seu desenvolvimento, quanto mais desenvolvido um país,
maior é o nível de produção informacional, consequentemente maior é o valor
que a sociedade daquele país outorga à informação. O profissional da
informação precisa estar de acordo com esta realidade e se readequar para
enfrentar as mudanças cada vez maiores. “A grande mudança na área de
biblioteconomia é a mudança do paradigma do acervo para o paradigma da
informação” Valentim (1998).
Segundo Mueller (Apud Valentim, 1998) “o profissional que devemos
ser é vivo e atuante. Como? Através do aprimoramento contínuo e afinado com
a realidade” (1996, p. 271). Esse aspecto dinâmico que o profissional da

�informação deve ter, como propõe Müeller, somente será possível a partir de
uma postura crítica de si mesmo e uma busca constante pela atualização e
adequação às mudanças paradigmáticas.
6 Bibliotecários construindo um novo perfil: utilizando da Proatividade
para readequação frente à produção do conhecimento,
Para o bibliotecário fazer presença no novo mercado proposto pela era
do conhecimento, terá buscar uma nova postura interdisciplinar participando;
contribuindo e até mesmo modificando processos, em relação à produção
cientifica. Devem ser ágeis, dinâmicos e proativos. E ser proativo significa
tomar decisões inteligentes com discernimento e agilidade. De acordo com
Vieira (2005) “Proatividade é ação e não reação. É antever, falar, sinalizar,
orientar, lembrar. Nunca pensar e sim, fazer.”.
A cada dia desenvolve a necessidade de dominar tecnologias de
informação e fazer usos das mesmas como ferramentas básicas de trabalho,
tendo em vista que o processamento, o gerenciamento e a recuperação e a
disseminação da informação, tornam-se mais hábeis e dinâmicos.
Novas mediações da informação entre o profissional da informação e o
usuário devem ser estudadas e implantadas, assim como a dispersão da
informação e seus canais de distribuição devem ser reestruturados. No caso
especial

da mediação da informação, as tecnologias de informação têm

afetado e afetarão a forma e o meio de mediar. A Internet, por exemplo,
transformou

a

forma

e

o

meio

quanto

à

busca

da

informação,

conseqüentemente, modificando também o meio de mediar à informação. O
profissional da informação deve prever as mudanças nos canais de
distribuição de informação e é necessário que ele esteja preparado para
esses novos canais de distribuição da informação. A partir desse ponto de
vista, aprimora-se a forma e o meio de mediar a informação, adequando-se
e desenvolvendo modelos eficazes para atender aos novos cenários. Como
afirma Martins (Apud Valentim, 1998): “O Gerente de informação, deverá ser
um profissional moderno, receptivo e disposto a aplicar seus conhecimentos de
forma crítica e objetiva. Capaz de aplicar as ferramentas pertinentes de cada
processo (informática, marketing, relações públicas, recursos humanos,

�idiomas...); convertendo-se em um profissional multi-disciplinar e interdisciplinar. “
A cada dia mais as organizações precisam de líderes e têm o maior
interesse em ver o desenvolvimento de seus colaboradores. E tal assertiva se
reflete nas bibliotecas universitárias. Dessa forma, os bibliotecários devem
compartilhar com a organização suas pretensões, serem proativos, criativos,
flexíveis, eficientes e ágeis. Como diz a famosa música de Geraldo Vandré:
“Vem vamos embora, que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora, não
espera acontecer”.
7 Conclusão
Diante dos pontos ora discutidos, no decorrer do nosso ficou ainda mais
claro a importância das bibliotecas universitárias e sem dúvida dos
bibliotecários na produção científica, já que atuamos na gestão dessas
unidades de informação.
Conforme analisamos no decorrer do nosso trabalho, com o surgimento
das novas tecnologias de informação e da crescente produção do
conhecimento, se faz necessárias habilidades como a proatividade, por
exemplo.
Os profissionais e as unidades de informação universitárias que
desejarem acompanhar a atual dinâmica da economia globalizada que
vivemos, deverão se adequarem as novas realidades e assim poderão
participar comumente da produção do conhecimento, alcançando assim, valor
e reconhecimento nesse processo.
Abstract
THE INFORMATION PROFESSIONAL IN THE CONTEXT OF UNIVERSITY
LIBRARIES: READEQUATING PROACTIVITY FACE THE PRODUCTION OF
KNOWLEDGE
Due to the speed of knowledge production and accumulation, the universities
can not claim to offer total education. They are no longer the unique places of
knowledge production, which depends more on the individual profile and his/her
historic context – along with social, cultural and epistemological determinants.

�In a globalized economy the academic institutions must develop a strategy of
competence

and

innovative

ways

of

talent

management,

to

gain

competitiveness. This paper tries to discuss the importance and the role
univesity libraries and librarians may have on this matter. How they can help
teaching and learning in both, academic production and also in the multiple
ways and forms of science production, is the quest. The question posted
include, then, if the librarian – as an information manager – has been actually
an important agent in this process. And also, if the professional has been given
the merit he/she deserves.

Key words: Knowledge management; science production; learning production;
professional performance; librarians; university libraries.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Devido à infinidade dos conhecimentos que são gerados e acumulados, as universidades não podem mais ter a pretensão de fornecer uma formação integral. A universidade não possui exclusividade na posse da produção do conhecimento, e isto é, atualmente enxergado como resultante da experiência individual em um contexto histórico e sociocultural, com base epistemológica e outros determinantes na produção do conhecimento. Em uma economia globalizada, este novo comportamento pelas Instituições de Ensino Superior, passa adquirir significado estratégico, sendo necessária a aquisição de competitividade por meio de formas inovadoras de gestão de talentos e competências. Dentro do contexto apresentado, estaremos analisando a importância e “posição” dos Bibliotecários e das Bibliotecas Universitárias no ensino e aprendizado nas formas e meios diversos, no universo da produção científica do acadêmico. Questionando, portanto, neste enfoque, se o Bibliotecário, como gestor, tem sido realmente reconhecido e valorizado como participante do processo comum na produção do conhecimento.</text>
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                    <text>PROGRAMA DE APOIO À ELABORAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS: A
CONTRIBUIÇÃO DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA NA PRODUÇÃO DO
CONHECIMENTO (EXPERIÊNCIA DO CENTRO UNIVERSITÁRIO)

Mírian Queiroz Rocha
mqrocha@unorp.br

UNORP – Centro Universitário do Norte Paulista
Rua Ipiranga, 3460 – Jardim Alto Rio Preto
15020-040 – São José do Rio Preto – SP
Brasil
www.unorp.br
biblio@unorp.br

RESUMO
O Programa de Apoio à Elaboração de Trabalhos Acadêmicos foi implantado no
Centro Universitário do Norte Paulista, sob a responsabilidade da Biblioteca
Central, no intuito de padronizar a produção científica desenvolvida pela
comunidade acadêmica. A preocupação não foi centrada exclusivamente nos
trabalhos de conclusão de curso, mas teve como premissa instaurar uma política
uniforme do trabalho docente na área de Metodologia, distribuída dentre os 26
cursos de graduação e 28 de pós-graduação oferecidos pela instituição de ensino;
e ainda incentivar o aluno a relatar e publicar sua produção científica.
Um grupo de estudos, formado por docentes de Metodologia, coordenado pela
biblioteca, estabeleceu os critérios do programa, obedecendo sistematicamente
um cronograma de atividades, conforme demonstram os itens a seguir: a)
uniformizar conteúdos programáticos de duas disciplinas na área de Metodologia,
obrigatórias nos cursos da Instituição; b) analisar e selecionar bibliografia básica e
complementar a ser adotada; c) optar dentre os tipos de produção científica, as
pertinentes a cada área em estudo; d) elaborar formulários e manuais do
programa, estabelecendo as responsabilidades dos orientandos e orientadores; d)

�instituir a documentação do programa, através de atos legais. Por fim, foi
publicado um livro, manual em formato eletrônico, que norteia as atividades do
programa e disponibiliza aos usuários, os critérios de formatação dos trabalhos,
com base nas normas da ABNT (capítulo que apresenta demanda elevada por
parte de usuários externos).
Sendo assim, o programa pretende dar autonomia aos usuários no que diz
respeito a formatação de trabalhos e oferece atendimento complementar via email, para consultas rápidas e, pessoalmente, através de prévio agendamento,
destinado a orientação presencial com bibliotecários.
Palavras-chave: Trabalhos acadêmicos. Normalização. Biblioteca Universitária e
Produção Acadêmica.

1 INTRODUÇÃO

�Desenvolver um Programa de Apoio à Elaboração de Trabalhos
Acadêmicos é uma prática constante nos últimos anos nas instituições de ensino
superior privado, conseqüência de uma recomendação do Ministério da Educação
(MEC) para a avaliação in loco de instituições que atravessam por processos de
autorização e reconhecimento de cursos, credenciamento e recredencimento
institucional e avaliação das condições de ensino.

Com base nos manuais que vigoraram entre os anos de 2002 a 2005,
disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
Anísio Teixeira (INEP) para conduzir os referidos processos, cada instituição teve
livre arbítrio para implantar um programa que fosse compatível com as
necessidades institucionais. Segundo o manual, para efeito da avaliação, a
biblioteca universitária é responsável em: a) oferecer um programa de
treinamento de usuários que ensine a normalização dos trabalhos monográficos,
incluindo a elaboração da ficha catalográfica; b) disponibilizar o conjunto de
normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para normalização
de documentos; c) apresentar um manual da instituição de ensino superior (IES)
contendo as exigências para a apresentação da produção acadêmica técnica e
científica. A título de ilustração, já que não é objeto do estudo, o peso atribuído
para a implantação de programas dessa natureza é de cinco pontos na avaliação
do MEC para no item “ serviços “ oferecidos pela biblioteca universitária.

Durante esse período, constatou-se que grande parte dos programas
criados pelas instituições de ensino se limitaram a disponibilizar as normas da
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e o manual, mas nem todas
ofereciam programas de treinamento compatíveis com as necessidades de seus
usuários.
Considerando a abordagem acima, outra situação conduziu a biblioteca da
UNORP a criar mecanismos para nortear o usuário na formatação dos trabalhos
acadêmico - a diversidade de professores que atuam nas disciplinas ‘Metodologia
da Pesquisa’ e ‘Metodologia da Pesquisa Aplicada ao Trabalho de Conclusão de

�Curso’ ministradas nos cursos oferecidos pela IES, e consequentemente, a
divergência de opiniões no que diz respeito aos conteúdos e normas adotadas.

A aplicabilidade dessas disciplinas nos diferentes ramos da ciência,
somada a diversidade de conteúdos e a variabilidade de normas sobre
formatação, gerou uma situação de colapso acadêmico.

Diante de um cenário em que docentes utilizavam padrões variados de
formatação, a grosso modo, pode-se dizer que a instituição perdia, em parte, a
sua identidade enquanto responsável pela produção acadêmica de seus alunos e
professores. Com isso, o presente estudo relata a implantação de um programa
de apoio, direcionado inicialmente para conduzir os trabalhos em sala de aula e
padronizar parâmetros internos. Mas, com o tempo, assumiu proporções maiores,
já que foi amplamente divulgado e teve aceitação quase que unânime dentro da
IES. Sem contar com a demanda de usuários externos atendidos pelo programa,
respondendo a chamadas de profissionais de inúmeras instituições de ensino
superior brasileiras.

Sendo assim, o programa pretende dar autonomia aos usuários, padronizar
normas e oferecer orientação presencial ou virtual sobre conteúdos ministrados
na disciplina Metodologia da Pesquisa, sob a responsabilidade de bibliotecários.

2 CENTRO UNIVERSITÁRIO DO NORTE PAULISTA
Instituição de ensino superior privada, localizada em São José do Rio Preto,
região noroeste paulista, criada em 1972, oferece atualmente 26 cursos de
graduação, 28 cursos de pós-graduação, 15 cursos superiores de tecnologia e 1
curso de mestrado, distribuídos entre as Ciências Exatas, Biológicas, Agrárias,
Sociais Aplicadas, Humanas, Lingüística/Letras e da Saúde. Possui, atualmente,
230 professores e 3.500 alunos que usufruem dos serviços e produtos
disponibilizados pela Biblioteca Central.

�Todos os cursos apresentam em sua grade curricular as disciplinas:
•

Metodologia da Pesquisa – ministrada nas séries iniciais, tem por objetivos
melhorar a apresentação dos trabalhos acadêmicos, elevar o nível de
aperfeiçoamento dos estudos, aumentar seu rendimento e despertar o senso
crítico do aluno.

•

Metodologia da Pesquisa Aplicada ao Trabalho de Conclusão de Curso –
ministrada na última série do currículo, direcionada a elaboração de trabalho
monográfico, exigência para a obtenção do grau acadêmico.

3 PROGRAMA DE APOIO e PESQUISA ACADÊMICA
O Programa de Apoio na Elaboração Trabalhos Acadêmicos foi criado em
2003 através de ato institucional. A portaria que regulamenta o programa é
disponibilizada para o usuário em formato eletrônico, através do endereço
www.unorp.br.

Os procedimentos para a elaboração do programa contaram com a
coordenação do bibliotecário e a colaboração dos docentes da área de
Metodologia. Um grupo de estudos foi formado para analisar e discutir a proposta,
a missão e os objetivos do programa de apoio.

De acordo com o levantamento realizado pela biblioteca, os professores
solicitam trabalhos de naturezas variadas no decorrer do curso. Sendo assim, a
biblioteca relaciona os tipos exigidos com maior freqüência e utilizados como
instrumentos de avaliação:
-

pesquisa bibliográfica;

-

pesquisa de campo;

-

relatórios técnicos;

-

projetos de pesquisa;

-

comunicação científica;

-

monografias;

-

artigos científicos.

�Foram considerados também nesse levantamento preliminar, as atividades
acadêmicas que pressupõem o trabalho acadêmico, como é o caso das resenhas,
fichamentos e resumos exigidos como produção de textos.

Para que os alunos possam realizar esses trabalhos devem estar cientes
sobre as características e finalidades de cada tipo.

É fato que o docente condiciona a pesquisa à avaliação, mas temos que
considerar que o aluno deve incutir o hábito da pesquisa na vida acadêmica,
como fonte de aprendizado. Rea e Parker (2002, p. 13) tratam do assunto com
propriedade quando revelam que “as pesquisa têm se tornado um instrumento
amplamente utilizado e reconhecido na maior parte dos países desenvolvidos do
mundo”.

Os

autores

ressaltam

que

“as

pesquisas

têm

amplo

apelo,

particularmente em culturas democráticas, porque são vistas como um reflexo das
atitudes, preferências e opiniões [...]”, e apresentam um panorama da atuação da
pesquisa em diversas áreas do conhecimento:
Os políticos baseiam-se fortemente em pesquisas e levantamentos da
opinião pública para orientar o mapeamento de estratégias das
campanhas [...]. As empresas usam constatações de pesquisas para
formular estratégias de mercado [...]. Programas de televisão e rádio
são avaliados e planejados em grande parte de acordo com os
resultados de pesquisas junto aos espectadores. [...] Bibliotecas fazem
uso de pesquisas para obter informações de seus membros e de sua
clientela em relação a serviços desejados (REA; PARKER, 2002).

Demo (1996, p. 78) é categórico ao afirmar que
se na escola o professor não precisa ser um profissional da pesquisa, já
que é um profissional da educação pela pesquisa, na universidade
pesquisa é profissão. Ou seja, é, ao mesmo tempo, no mesmo
diapasão, princípio científico e educativo. Sem pesquisa não há vida
acadêmica [...].

�Pode-se concluir que, o aluno em vias de obter a formação superior, deve
estar atento as pesquisas que estão sendo foco dos estudos na área escolhida.
De acordo com Rodrigues (2006) os professores devem solicitar os trabalhos e
conduzi-los para que os alunos possam

adquirir

e

produzir

conhecimento

científico;

aprofundar

seus

conhecimentos; entender a interação entre a teoria e a prática; dominar
métodos e técnicas; ser capazes de trabalhar individualmente e em
equipe; adquirir atitude científica; desenvolver o raciocínio lógico,
sistemático, analítico, crítico e reflexivo; aplicar normas técnicas; e
finalmente, como resultado, ser capazes de expor seus trabalhos.

Com base nesses estudos, a biblioteca da UNORP foi responsável em
fornecer subsídios para que os docentes pudessem reestruturar e uniformizar o
programa

das

duas

disciplinas

supra

citadas.

Foram

respeitadas

as

especificidades das áreas e dessa forma, determinados os critérios de avaliação
diferenciados para os cursos da UNORP.

Partir para a análise da bibliografia básica e complementar a ser
institucionalizada para essas disciplinas foi a segunda etapa do programa.
Partindo do pressuposto que cada área apresenta autores significativos e de
reconhecimento

nacional

e

internacional,

a

biblioteca

disponibilizou

um

levantamento bibliográfico específico para cada curso, e um levantamento geral,
para a seleção dos títulos a serem adotados pelos professores, para a aplicação
dos conteúdos de caráter geral e normalização técnica.
Dando seguimento ao planejamento proposto, a biblioteca contribuiu na
elaboração da regulamentação do TCC e formulários de acompanhamento que
estabelecem as responsabilidades dos orientandos e orientadores. Os critérios
dessa fase tiveram como referencial, o manual de avaliação das condições de
ensino para cursos de graduação, elaborado pelo INEP, que recomenda que a
instituição tenha mecanismos de acompanhamento e cumprimento do trabalho de
conclusão de curso, com todas as suas práticas institucionalizadas e implantadas.

�Nesse cenário, a instituição é avaliada pela integração entre os atores
acadêmicos envolvidos.

4 MANUAL ON-LINE
Diante de todos os aspectos definidos em conjunto com os professores, a
última etapa do programa consistiu na elaboração do documento final que
estabeleceu as normas de formatação para os trabalhos acadêmicos – o manual
– que tem por objetivo definir e padronizar a produção acadêmica da UNORP.
-

Quais as normas adotadas (ABNT, ISO, Vancouver, APA)?

-

Como definir o padrão, quando a norma apresenta duas ou mais
possibilidades?

-

Que estrutura deve ser utilizada para apresentação dos trabalhos?

-

Dentre os elementos opcionais que constam em determinadas normas,
quais devem ser inseridos nos trabalhos da UNORP?

Essas foram algumas das dúvidas dos alunos, registradas com freqüência
na biblioteca que impulsionaram o setor a desenvolver um documento único de
orientação. Além disso, o referido documento é resultado da integração entre o
corpo docente da área de Metodologia e a biblioteca, e ainda, corresponde as
necessidades dos usuários dos diferentes cursos oferecidos pela IES.

Antes da implantação do Programa de Apoio à Elaboração de Trabalhos
Acadêmicos era comum o registro de relatos dos alunos na biblioteca, sobre as
opiniões díspares dos professores, para um mesmo assunto. Essa situação
gerava um clima de ansiedade entre os alunos e insegurança diante das
orientações fornecidas pela equipe da biblioteca, constatadas por frases do tipo:
-

“Meu professor de MEP não disse isso!”

-

“Quando elaboramos as referências da monografia, meu professor
exige que o título seja digitado em negrito” (relato dos alunos do curso
de Turismo).

�-

“Quando elaboramos as referências da monografia, meu professor
exige que o título seja digitado em itálico, sem negrito” (relato dos
alunos do curso de Educação Física).

-

“Meu professor de MEP exige o número de páginas e a série da obra
nas referências”. (relato de aluno do 1º ano / curso de Direito).

-

“Meu professor de TCC não permite que sejam inseridas nas
referências, o número das páginas da obra, nem tampouco a série”
(relato de aluno do 5º ano / curso de Direito).

Ou seja, a simples indefinição de padrões repercutia negativamente sob a
competência dos professores e da equipe da biblioteca.

No que diz respeito a aceitação maciça do manual on-line pela comunidade
acadêmica, pode-se dizer que conflitos surgiram, mas em proporção reduzida.
Nesse sentido é importante ressaltar que o trabalho em equipe (biblioteca e corpo
docente) já representa uma posição democrática na escolha dos padrões e
conseqüentemente essa atitude tranqüiliza o processo de aceitação.
Ademais todas as pendências foram resolvidas antes da institucionalização
do Programa de Apoio pela Reitoria da instituição, o que evita transtornos de
qualquer natureza.
Hoje, pode-se dizer que o Manual on-line serve como recurso didático
indispensável de apoio aos professores que atuam na área de Metodologia nos
cursos de graduação e pós-graduação da IES. Os conteúdos disponibilizados
incluem:
-

ficha catalográfica;

-

resumos;

-

referências;

-

citações;

-

trabalhos acadêmicos;

-

artigos científicos;

-

levantamento bibliográfico na área de MEP

�Em formato eletrônico, a interface da obra possibilita a navegação por parte
de usuários que tenham ou não habilidade no manuseio com computadores. A
atualização do manual é condicional a alteração, substituição ou criação de
normas da ABNT.

5 ORIENTAÇÕES PRESENCIAIS E SEMIPRESENCIAIS

Outro fator que garantiu o sucesso do programa foi a disponibilidade da
biblioteca em oferecer orientações presenciais e semipresenciais.

O atendimento presencial é solicitado pelo usuário (professores, alunos e
comunidade

em

geral)

através

de

prévio

agendamento. A

orientação

semipresencial pode ser feita via correio eletrônico, ou atualmente, em fase de
experiência, pelo Internet utilizando o programa Skype.

O usuário é que determina a forma do atendimento, considerando os
recursos disponíveis.

Num primeiro momento, o uso do manual on-line e o serviço de orientações
era registrado sempre por usuários internos. Com o passar do tempo, notou-se a
presença tímida de usuários externos, e atualmente, é elevada a demanda por
parte da comunidade em geral, principalmente por cidades das regiões do
Sudeste e Sul do país, motivo de muita satisfação pela biblioteca da UNORP.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Implantar um Programa de Apoio à Elaboração de Trabalhos Acadêmicos
que atenda as reais necessidades da instituição não é uma tarefa que apresente

�resultados imediatos. Pelo contrário, é um processo de conscientização,
aceitação e responsabilidade acadêmica que leva tempo para alcançar os
objetivos propostos. A implantação depende, em grande parte, da integração
entre os professores e a equipe da biblioteca, As práticas pedagógicas devem ser
previamente esclarecidas para que a biblioteca possa traçar um perfil do trabalho
a ser realizado. Pode-se dizer que a biblioteca da UNORP tem hoje uma
ferramenta ágil, moderna e contribui efetivamente para a produção acadêmica da
instituição.

REFERÊNCIAS

CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino. Metodologia científica. 5. ed. São
Paulo: Pearson Education do Brasil, 2004.
DEMO, Pedro. Educar pela pesquisa. Campinas: Autores Associados, 1996.

REA, Louis M.; PARKER, Richard A. Metodologia da pesquisa: do planejamento à
execução. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002.
RODRIGUES, Auro de Jesus. Metodologia científica. São Paulo: Avercamp, 2006.

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Programa de apoio à elaboração de trabalhos acadêmicos: a contribuição da biblioteca universitária na produção do conhecimento (experiência do Centro Universitário).</text>
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                <text>O Programa de Apoio à Elaboração de Trabalhos Acadêmicos foi implantado no Centro Universitário do Norte Paulista, sob a responsabilidade da Biblioteca Central, no intuito de padronizar a produção científica desenvolvida pela comunidade acadêmica. A preocupação não foi centrada exclusivamente nos trabalhos de conclusão de curso, mas teve como premissa instaurar uma política uniforme do trabalho docente na área de Metodologia, distribuída dentre os 26 cursos de graduação e 28 de pós-graduação oferecidos pela instituição de ensino; e ainda incentivar o aluno a relatar e publicar sua produção científica. Um grupo de estudos, formado por docentes de Metodologia, coordenado pela biblioteca, estabeleceu os critérios do programa, obedecendo sistematicamente um cronograma de atividades, conforme demonstram os itens a seguir: a) uniformizar conteúdos programáticos de duas disciplinas na área de Metodologia, obrigatórias nos cursos da Instituição; b) analisar e selecionar bibliografia básica e complementar a ser adotada; c) optar dentre os tipos de produção científica, as pertinentes a cada área em estudo; d) elaborar formulários e manuais do programa, estabelecendo as responsabilidades dos orientandos e orientadores; d) instituir a documentação do programa, através de atos legais. Por fim, foi publicado um livro, manual em formato eletrônico, que norteia as atividades do programa e disponibiliza aos usuários, os critérios de formatação dos trabalhos, com base nas normas da ABNT (capítulo que apresenta demanda elevada por parte de usuários externos). Sendo assim, o programa pretende dar autonomia aos usuários no que diz respeito a formatação de trabalhos e oferece atendimento complementar via e-mail, para consultas rápidas e, pessoalmente, através de prévio agendamento, destinado a orientação presencial com bibliotecários.</text>
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                    <text>PROGRAMA EDUCATIVO DE CAPACITAÇÃO DA BIBLIOTECA DAS
FACULDADES DE ENFERMAGEM E MEDICINA NOVA ESPERANÇA 
FACENE/FAMENE AOS DOCENTES NO ACESSO AS FONTES DE
INFORMAÇÃO DA BIBLIOTECA VIRTUAL EM SAÚDE (BVS)

Danielle Harlene da Silva Moreno
Especialista em Gestão de Unidades de Informação/
UFPB,
Bacharel
em
Biblioteconomia/UFPB,
Bibliotecária das Faculdades de Enfermagem e
medicina Nova Esperança  Facene/ Famene, Brasil,
danielleharlene@yahoo.com.br
Liliane Braga R. H. de Souza
Especialista em Gestão de Unidades de Informação/
UFPB,
Bacharel
em
Biblioteconomia/UFPB,
Bibliotecária das Faculdades de Enfermagem e
medicina Nova Esperança  Facene/ Famene, Brasil,
lilibraga@click21.com.br
Jordane Reis de Meneses
Especialista em Enfermagem em Cuidados Intensivos/
UFPB, Bacharel em Enfermagem/ UFPB, Professor
das Faculdades de Enfermagem e medicina Nova
Esperança

Facene/
Famene,
jordanereias@gmail.com

RESUMO

Apresenta o Programa Educativo da Biblioteca das Faculdades de Enfermagem e
Medicina Nova Esperança  FACENE/FAMENE que oferece a capacitação aos
docentes para que utilizem, de forma eficiente, as fontes de informação da
Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Demonstra como a biblioteca pode atuar para
capacitar esta categoria de usuários para que eles se tornem autônomos para
fazer as suas buscas nos sistemas de informação automatizados de maneira a
expandir e/ou ampliar as possibilidades de resposta as suas demandas de
informação. Justifica a escolha da BVS como tema para a capacitação dos
docentes. Descreve como a adoção das fontes de informação virtuais, em especial
a BVS, como pode fortalecer a pesquisa científica no âmbito acadêmico.
Palavras-chave: Capacitação. Biblioteca Virtual em Saúde. Fontes de Informação

�1 INTRODUÇÃO

As bibliotecas universitárias, tem assumido um novo perfil de atuação com a
incorporação de novas tecnologias de informação e com a valorização da
informação na atual sociedade da informação e do conhecimento.

A disponibilidade de acesso à informação, por meio das tecnologias de informática
e telecomunicação nas bibliotecas universitárias proporcionou uma mudança,
também, no perfil do usuário. Pois eles passaram a utilizar os novos sistemas
automatizados se tornando mais autônomos em suas buscas, independendo do
auxílio do bibliotecário.

Neste contexto, cabe aos bibliotecários se adequarem a esta nova necessidade
dos usuários, capacitando-os para que eles conheçam todas as possibilidades de
pesquisa e sejam capazes de realizarem suas estratégias de buscas de maneira
eficaz. Desta forma o bibliotecário passa a ter o papel de educador.

Por atender as Faculdades de Enfermagem e Medicina Nova esperança 
FACENE/FAMENE, a biblioteca FACENE/ FAMENE se deparou com esta
necessidade urgente de tornar os seus usuários auto-suficientes na busca da
informação. Para tanto, projetou um curso, integrado ao seu programa educativo,
de capacitação no acesso as fontes de informação da Biblioteca Virtual em Saúde
(BVS), que a principio foi direcionado aos docentes da Instituição.

O curso de capacitação da biblioteca das Faculdades de Enfermagem e Medicina
Nova Esperança  FACENE/FAMENE aos docentes no acesso as fontes de
informação da biblioteca virtual em saúde (BVS) se estruturou da maneira que
veremos a seguir.

�2 CAPACITAÇÃO AOS DOCENTES NO ACESSO AS
INFORMAÇÃO DA BIBLIOTECA VIRTUAL EM SAÚDE (BVS)

FONTES

DE

A característica principal das novas tecnologias de informática e de comunicação
é a interação direta dos usuários com redes de fontes de informação e/ou com
outros usuários, independentemente de restrições de espaço e tempo. Essa
possibilidades pode responder às demandas de informação técnico-científica em
saúde por parte da comunidade de profissionais da saúde e do público em geral.

A descrição de cursos para treinamentos de usuários, necessidade e pertinência
de uso de bases de dados para a recuperação da informação tem sido descritos
pela literatura internacional. Cursos modulados para acesso a base de dados na
área da medicina foram abordados por autores como Mularski e Braddigan (1989
apud CUENCA, 1999), enquanto Pao et al (1989 apud CUENCA, 1993), ao avaliar
o desempenho de alunos no acesso a base de dados, colocam que a maioria das
bibliotecas, principalmente da área de saúde, promovem alguma forma o acesso
aa base de dados e que a realização de treinamento de usuários para este fim é
comum desde a década de 80.

No Brasil, podemos citar como experiência bem sucedida, a biblioteca CIR (Centro
de Informação e Referência em Saúde Pública), da Faculdade de Saúde Pública
da Universidade de São Paulo que em 1992, implantou um programa educativo
para que seu usuário explorasse as diferentes possibilidades e formas de busca
que a rede local dessa faculdade passou a permitir (CUENCA, 1999).

O fortalecimento das pesquisas no âmbito acadêmico requer um programa para
capacitar professores, estudantes e demais usuários de informação, uma vez que
o acesso à informação técnico-científica é essencial para o desenvolvimento
destes trabalhos.

�Desta forma, a biblioteca FACENE/FAMENE, procura adequar seus serviços a
necessidade de busca destes usuários. Trazendo o usuário para o ambiente da
tecnologia da informação, quando promove cursos para a busca informatizada,
pois quanto mais tecnologia é disponibilizada, maior é o compromisso da
biblioteca neste sentido.

Tendo a Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) visualizada como a base distribuída
do conhecimento científico e técnico em saúde registrado, organizado e
armazenado em formato eletrônico nos países da Região, acessível de forma
universal na Internet de modo compatível com as bases internacionais
(BiBLIOTECA..., 2006), esta base de dados se tornou um instrumento essencial
nas pesquisas acadêmicas na área da saúde, merecendo com isso, capacitação
em suas fontes de informação.

3 OBJETIVOS

Sabendo-se da necessidade dos docentes de adotar como solução e/ou expansão
das possibilidades de resposta às suas demandas de informação, para seus
projetos de pesquisa ou orientações para os estudantes das Faculdades de
Enfermagem

e

Medicina

Nova

Esperança

-

FACENE/FAMENE,

foram

estabelecidos os seguintes objetivos:

•

Contribuir para o fortalecimento da capacidade dos professores no acesso
às fontes de informação que respondam de modo eficiente e oportuno às
demandas técnico-científicas.

•

Capacitar os docentes para: utilizar o localizador de informação em saúde;
preencher os formulários de pesquisa da interface meta; realizar pesquisa
livre; utilizar os operadores lógicos de pesquisa; realizar pesquisa
avançada, por assunto, com limites, com limite de idioma, por autor; realizar

�pesquisa por revista; fazer histórico de pesquisas; utilizar comandos e
recursos de navegação; acessar a biblioteca scielo; acessar a biblioteca
cochrane; acessar a outras bases de dados on-line.

4 ESTRUTURA DIDÁTICA

Este curso possui carga horária de 12 horas, a qual emite os certificados aos
participantes. Seu público alvo é composto pelos docentes interessados na área
da saúde, serviços, ensino, pesquisa ou informações em saúde. São oferecidas 20
vagas ao ano. Este curso é ministrado por docentes e bibliotecários da
FACENE/FAMENE.

O conteúdo do curso é composto por aulas expositivas com apresentação geral da
BVS, suas fontes de informação com ênfase no controle da produção científica
brasileira em saúde pública. As aulas práticas são diretamente nos computadores,
explorando os campos, interfaces e procedimentos de busca nas bases de dados
e demais fontes da BVS.

4.1 MÓDULO TEÓRICO

Sessão de apresentação das fontes de informação e demonstração dos recursos
da BVS e BVS - Saúde Pública, incluindo:

Recursos de pesquisa nas bases de dados nacionais e internacionais,
especialmente LILACS e MEDLINE;
Fontes de informação da BVS;
Conceitos de medicina baseada em evidências e recursos de pesquisa na
Biblioteca Cochrane;

�Serviços de acesso a documentos completos através da Biblioteca SciELO
(Biblioteca Eletrônica Online), do Portal de Revistas Científicas e do Serviço
SCAD (Serviço Cooperativo de Acesso a Documentos).

Os alunos são informados também sobre aspectos importantes como: vantagens
de pesquisar em uma Biblioteca Virtual; critérios de seleção para as várias fontes
de informação; acesso à informação com eqüidade, acesso livre e gratuito
(inclusive

texto

completo);

tratamento

da

informação

segundo

padrões

internacionais e indexação por vocabulário controlado (DeCS). São apresentadas
as diversas fontes de informação e sua pertinência para a área da saúde pública;
a utilização das áreas temáticas e enfatizado o uso do Espaço para Gestão,
principalmente para os participantes gestores em serviços de saúde.

4.2 MÓDULO PRÁTICO

Sessão de exercícios de pesquisa nas fontes de informação da BVS e outras
bibliotecas on-line em computadores conectados a Internet (um para cada aluno),
complementando o que será demonstrado e apresentado no módulo teórico do
curso.
5 AVALIAÇÃO

5.1 AVALIAÇÃO DO ALUNO

O aluno é monitorado individualmente quanto à realização dos exercícios
propostos, ou seja, a partir dos resultados de suas buscas nas diversas fontes da
BVS.

�5.2 AVALIAÇÃO DO CURSO

O curso é avaliado quanto à sua pertinência, metodologia, estrutura e carga
horária pela comissão realizadora dos programas educativos das Faculdades
Nova Esperança, cujos bons resultados têm permitido sua manutenção no
Programa desta faculdade. Desta forma, os resultados contribuem para o
aprimoramento de futuros Cursos.

6 CONSIDERAÇÕES

Além da capacitação na busca da informação o docente deve também aprender a
localizar, selecionar e utilizar as fontes mais adequadas para realização de uma
busca pertinente e eficaz. Os cursos devem, portanto, atingir o intuito de capacitar
o aluno a desenvolver busca sobre seu assunto de interesse, selecionar e localizar
a melhor forma de obter sua informação, conhecer as várias formas de acesso ao
documento e mantê-lo constantemente atualizado nessas tecnologias.

Conclui-se que as avaliações positivas dos usuários em relação aos cursos, e os
resultados, refletidos em um usuário que apresenta maior autonomia e
conhecimento na realização das buscas bibliográficas e o aumento da demanda,
inclusive por outras categorias de usuários pelo curso, como por exemplo, os
alunos, são indicativos da sua qualidade e pertinência.

Esta experiência aponta para o surgimento de um novo usuário e de um novo
bibliotecário: o usuário capacitado, com maior autonomia no acesso a informação,
mais exigente quanto aos serviços prestados pela biblioteca,e; do bibliotecário que
assumiu a função de educador, apoiado pela transdisciplinaridade , ocupando o
seu papel na instrução formal.

�A Biblioteca, na figura de coordenadora dos cursos, busca novas formas de
apresentação deste curso para que eles sejam direcionados para outros
segmentos que necessitam deste tipo de informação, profissionais da área de
saúde em geral, como por outro lado deve promover formação de novos
instrutores, contemplar atualização permanente da equipe e, com isso, incentivar a
especialização de seus profissionais.

Diante da diversidade de informação na Bibliotecas Virtuais e do perfil dos
participantes, a customização dos cursos se impõe como uma necessidade. A
Biblioteca acerta quando oferece níveis diferenciados de capacitação, de acordo
com a necessidade de informação de cada segmento da comunidade acadêmicocientífica em que atua.

REFERÊNCIAS

BIREME.

Disponível

em:

&lt;http://saudepublica.bvs.br/P/sobre.php?caminho=sobre_naveg.txt&amp;conteudo=sob
re_page.txt&gt;. Disponível em: 07 jan 2005 .

CUENCA, Ângela Maria Belloni. O usuário final da busca informatizada: avaliação
da capacitação no acesso a bases de dados em biblioteca acadêmica. Ciência da
Informação, v.28, n.3, p. 293-301, set./dez. 1999.

________ et al. Capacitação no uso das bases MEDLINE e LILACS: avaliação de
conteúdo, estrutura e metodologia. Ciência da Informação, v.28, n.3, p. 338-344,
set./dez. 1999.

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Apresenta o Programa Educativo da Biblioteca das Faculdades de Enfermagem e Medicina Nova Esperança  FACENE/FAMENE que oferece a capacitação aos docentes para que utilizem, de forma eficiente, as fontes de informação da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Demonstra como a biblioteca pode atuar para capacitar esta categoria de usuários para que eles se tornem autônomos para fazer as suas buscas nos sistemas de informação automatizados de maneira a expandir e/ou ampliar as possibilidades de resposta as suas demandas de informação. Justifica a escolha da BVS como tema para a capacitação dos docentes. Descreve como a adoção das fontes de informação virtuais, em especial a BVS, como pode fortalecer a pesquisa científica no âmbito acadêmico.</text>
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                    <text>PROJETO AMIGOS DA BIBLIOTECA: UMA FORMA DE CONSCIENTIZAR
USUÁRIOS E REDUZIR O VANDALISMO DO ACERVO
Leandra Perdigão¹
Faculdade São Lucas
Biblioteca Dom João Batista Costa
Rua Alexandre Guimarães, 1927, Areal
Porto Velho – Rondônia – Brasil
www.saolucas.edu.br
leandra@saolucas.edu.br

Resumo

Este trabalho aponta a principal causa do vandalismo praticado na
biblioteca universitária Dom João Batista Costa, da Faculdade São Lucas em
Porto Velho – Rondônia. Mostra um histórico do desenvolvimento regional e
institucional onde à existência de bibliotecas públicas, escolares, municipais e até
universitárias é mínima. Aponta alternativas para criar a cultura de zelo, respeito e
hábito a leitura e propõe uma série de ações para conscientizar a comunidade
acadêmica da relevância da unidade informacional e orientar quanto às normas
de conservação e preservação do acervo para ser mantida a acessibilidade livre.
Utiliza como ferramenta os próprios usuários identificando-os como amigos da
biblioteca, tirando-os do anonimato e fazendo deles instrumento de disseminação
das informações, elos entre biblioteca e comunidade acadêmica, supervisores das
próprias condutas de modo a minimizar o impacto das cobranças e penalidades e
das perdas e danos do acervo.

Palavras-Chave: Biblioteca Universitária. Acervo – Conservação.

_________________________________________________________________
¹ Bacharel em Biblioteconomia pela UNB / DF em 1998, Especialista em
Metodologia do Ensino Superior pela UNIR / RO em 2001.

�Introdução

Os ambientes universitários estão associados à produção e disseminação
do conhecimento, destacando-se a informação como um dos elementos
relevantes neste processo. Para todas as pessoas, ter o acesso à informação é
parte indissociável da educação, do trabalho e do lazer.
Apresentamos as dificuldades de conscientização de usuários de biblioteca
universitária na capital de Rondônia, Porto Velho, diante o comportamento cultural
representativo da falta de hábito na freqüência de utilização dos serviços e acervo
oferecidos em uma unidade informacional.
A Faculdade São Lucas - FSL tem em sua biblioteca um centro de
referência estadual e é necessário dar-lhe melhor visibilidade, otimizando-a
principalmente ao acadêmico institucional.

O objetivo do Projeto Amigos da biblioteca - PAMBI é introduzir na
comunidade acadêmica uma revolução cultural, intimamente ligada à implantação
de uma cultura de mudança com consistência lógica, emocional e ética e o
expurgo de atitudes desrespeitosas, acomodadas e individualistas. A motivação
individual de caráter pessoal ou econômico e a visão de que a biblioteca é a única
fonte para conseguir informação, processo histórico de surgimento do
individualismo que impõe e constitui novos modelos de prática social e hábitos
individuais, são os aspectos que mais pesam nas condutas observadas.

Devido à cultura e o desenvolvimento regional, os usuários que chegam a
Biblioteca Dom João Batista Costa - BDJBC desconhecem os padrões de
comportamento e relevância de um centro de informação. Provenientes de
instituições em que a biblioteca escolar inexistia ou era mero depósito de livros
obsoletos, o respeito aos funcionários, o cuidado no manuseio das obras e até a
forma de se comportar no ambiente oferecido apresentam-se à margem do
convencional.

Objetivamos conscientizar usuários internos e externos sobre conservação
e preservação do acervo bem como respeito às normas de funcionamento e

�utilização da biblioteca ampliando a qualidade da observância à regulamentação e
manuseio dos diversos tipos de materiais disponíveis reduzindo o número de
vandalismo e baixas no patrimônio; Incentivar a freqüência e atrair novos usuários
internos

através

da

divulgação

dos

próprios

acadêmicos;

Reconhecer

publicamente os usuários que estreitaram o vinculo com o setor tornando-os
amigos da biblioteca; e dividir com os amigos da biblioteca o papel de
conscientizar, motivar e notificar as melhorias aos usuários.

A BDJBC, assim como a FSL, tem seis anos existência. Com o
crescimento institucional ocupa hoje o Edifício Sapucaia, porém em sua evolução,
já esteve em outras três instalações físicas. Seu acervo, com mais de 36 mil
volumes, é novo sendo todas as obras adquiridas após 1999. A atualização do
acervo é permanente e crescente obedecendo sempre às instruções do Ministério
da Educação e Cultura - MEC em relação ao quantitativo. A construção do atual
edifício obedece às recomendações biblioteconômicas e de segurança em
relação parte física e mobiliária. A Instituição de Ensino superior - IES vê a
biblioteca como o coração da faculdade e dispensa extremo cuidado para a
excelência dos serviços oferecidos.

Considerada um centro de referencia, tem o reconhecimento da
comunidade em geral, porém, pela ausência do hábito de leitura, desrespeito ao
patrimônio, prática de furto das obras ou parte delas e comportamento
inadequado dos usuários, vem sofrendo as conseqüências destes atos. Aqui
registra-se o interesse não só em modificar a conduta do usuário como atraí-lo
mais ainda para dentro da biblioteca fazendo-o assumir sua real posição.
Desejamos usuários conscientes do valor da informação, dispostos a sugerir e
participar da gestão da unidade informacional, atuantes como parte da biblioteca
cobrando direitos e deveres entre si e da IES.

Contexto Histórico-Regional

Oficializada em 2 de outubro de 1914, Porto Velho foi criada por
desbravadores por volta de 1907, durante a construção da E.F. Madeira- Mamoré.

�Em plena Floresta Amazônica, e inserida na maior bacia hidrográfica do globo,
onde os rios ainda governam a vida dos homens, é a Capital do estado de
Rondônia. Fica a margem direita do rio Madeira, o maior afluente da margem
direita do rio Amazonas. A moderna história de Porto Velho começa com a
descoberta de cassiterita nos velhos seringais no final dos anos 50, e de ouro no
rio Madeira. Com a decisão do governo federal, no final dos anos 70, de abrir
nova fronteira agrícola no então Território Federal de Rondônia, como meio
ocupar e desenvolver essa região segundo os princípios da segurança nacional
vigentes, além de aliviar tensões fundiárias principalmente nos estados do sul, por
meio da transferência de grandes contingentes populacionais para o novo
"Eldorado", Quase 1 milhão de pessoas migrou para Rondônia, e Porto Velho
evoluiu rapidamente, de 90.000 para 300.000 habitantes.

A cidade tornou-se um novo caldeirão cultural, onde se misturam hábitos e
sotaques de todos os quadrantes do país. Esta migração intensa provocou um
explosivo crescimento da cidade, particularmente na década de 80. Hoje a urbe
mostra as feridas decorrentes desse crescimento desordenado. Os bairros
periféricos são pouco mais que um aglomerado de casebres de madeira cobertos
de palha, sem ordenação ou infra-estrutura. Em grande parte resultam de
invasões de terras ainda não ocupadas, por parte de uma população sem teto,
que aqui chegava num ritmo não acompanhado pelas instituições públicas.
Apenas o centro, uma herança dos desbravadores, apresenta características de
urbanização definidas. Os bairros que se interpõe entre o centro e a periferia
mostram bem essa condição. Ruas ainda por asfaltar e sem calçadas, rede de
esgotos inexistente, casebres de madeira ao lado de belas residências. A redução
na taxa de crescimento demográfico da década atual, por outro lado, tem
permitido que rapidamente os moradores e os órgãos públicos implementem
melhorias que já são visíveis. A cidade hoje conta com uma universidade Federal
e algumas faculdades particulares. A rede escolar de ensino fundamental e médio
absorve a população estudantil. Não sem as deficiências que se observa em
todos os setores da educação, em todo o país, se isso pode servir de consolo.

�A Faculdade São Lucas foi credenciada em dezembro de 1999. Localiza-se
no centro de Porto Velho com boas instalações e em sede própria. Iniciou suas
atividades acadêmicas em março de 2000, com os cursos de Turismo e de
Administração. Em 2001, implantou os cursos de Nutrição e Biologia. No primeiro
semestre de 2002 foram implantados os cursos de Fonoaudiologia, Enfermagem
e Biomedicina e em 2003 os cursos de Fisioterapia e Odontologia.

As bibliotecas universitárias buscam prestar serviços para usuários
principais (usuários da instituição) e também usuários secundários (como
indivíduos da comunidade local: escolas públicas e privadas, instituto de
pesquisa, órgãos governamentais, municipais e alunos de outras instituições de
ensino), que usam efetivamente os produtos e serviços da biblioteca além da
estrutura física. Estão diretamente ligadas à qualidade dos cursos de suas
universidades, sejam eles de graduação ou de pós-graduação Seu novo perfil a
apresenta como um instrumento de modernidade comprometida com a qualidade,
renovadas em seus métodos de trabalho e que estejam sintonizadas com a
comunidade universitária.

A BDJBC tem como missão atender aos diversos segmentos da IES em
suas necessidades de documentação e informação nas áreas do conhecimento
específico de sua atuação, tendo como propósito contribuir para a qualidade da
educação, da pesquisa e da extensão.

Está instalada em área de 1600m² dividida entre o acervo, guichês de
atendimento, cabines para estudo individual, processamento técnico, audiovisual,
biblioteca virtual com acesso a internet, processadores de texto e acesso à base
de dados e salão de estudo em grupo e consultas variadas. O acervo composto
de livros, periódicos, dicionários e enciclopédias, mapas, fitas de vídeo e cassete,
slides, disquetes, DVD'S e CD’s-ROM é totalmente informatizado e dotado de
sistema antifurto.

Destaca-se como o espaço privilegiado para a promoção de programas de
capacitação no uso e exploração de recursos informacionais, prática esta que

�exige esforços de cooperação entre bibliotecários, docentes, discentes e
administradores da IES. Sua eficácia se condiciona à integração entre os
segmentos que compõem a universidade para assegurar a toda comunidade
acadêmica o desenvolvimento pleno das habilidades intelectuais, de raciocínio e
análise crítica e de ajudar a construir uma estrutura para aprender a aprender,
transformando os indivíduos em cidadãos informados e preocupados com o
crescimento contínuo durante todas as fases de sua vida pessoal e profissional.

O Serviço de Visita Orientada tem por objetivo mostrar aos seus visitantes
toda a infra-estrutura da Biblioteca, os serviços que ela oferece aos seus usuários
e enfatizar principalmente a questão da conservação e preservação do
patrimônio. A utilização da visita orientada como instrumento de conscientização
do usuário surge da necessidade de encontrar uma forma de recepcionar
adequadamente os usuários de acordo com sua especificidade e esclarecê-lo
sobre a estrutura de uma biblioteca universitária ensinando-o a preservar a
informação como forma de crescimento e desenvolvimento cultural. Nas visitas
agendadas, deve se apresentar um breve histórico sobre preservação e
conservação dos livros e enfatizar o conceito de biblioteca e sua importância para
a sociedade informando ao grupo o horário de funcionamento; os serviços
oferecidos como empréstimo domiciliar de livros, comutação bibliográfica, acesso
a internet e etc.; deter-se especificamente na explicação do empréstimo domiciliar
de obras esclarecendo prazos, tipos de material, classe de usuário e penalidades
pelo não cumprimento de prazos estipulados; situá-los na forma de organização
do acervo por classes; levá-los para conhecer o espaço físico.

Iniciativas de treinamento e instrução de usuários já haviam sido
concretizadas anteriormente na biblioteca, mas sem o estabelecimento de
objetivos específicos, sistematização de conteúdo e planejamento de atividades
que garantissem uma continuidade do programa. Além disto, as atividades ligadas
à capacitação de usuários não foram idealizadas e implementadas dentro de uma
perspectiva mais abrangente e em consonância com outras iniciativas levadas a
cabo simultaneamente, tendo em vista a qualidade dos produtos e serviços
disponibilizados à comunidade.

�O PAMBI trata-se de um grupo que realizará atividades cuja finalidade será
oferecer uma contribuição acadêmica para nossa Biblioteca. As atividades serão
voluntárias, mas não anônimas. A coordenação da Biblioteca e o Núcleo de
Comunicação ficarão à disposição para quaisquer esclarecimentos. Os amigos
ajudarão na fiscalização do uso e cuidado para que atos de vandalismo não
sejam praticados na IES. Será montado um Painel de Reconhecimento aos
Amigos da Biblioteca onde constarão os créditos pela contribuição de cada um.
Inicialmente, serão convidados para conhecer este projeto, os usuários mais
assíduos e a partir destes, outros discentes se juntarão ao grupo.

Metodologia do Projeto

Primeira Fase
Data: 28.11.05 a 30.11.05
Divulgação do projeto aos acadêmicos convidados, a partir da assiduidade na
utilização da Biblioteca, visando à conscientização de toda a comunidade
acadêmica sobre as novidades na biblioteca em 2006.
O Núcleo de Comunicação - NUC notificará a todos os coordenadores sobre a
visita dos amigos da biblioteca nas diversas salas para pequenos orientadores.
A BDJBC apresentará as orientações a serem repassadas nas classes.
Os Amigos da Biblioteca visitarão e conversarão com os alunos adequadamente
trajados com a camisa alusiva ao projeto.

Segunda Fase
Data 30.01.06 a 04.02.06
Campanha educativa sobre horário e as normas de funcionamento da biblioteca.
O NUC elabora artigos e cartazes divulgando a campanha para serem
distribuídos na FSL.
A BDJBC orienta os amigos sobre as informações a serem comunicadas por eles
no plantão na biblioteca.
Os amigos farão plantão de auxilio, orientação e motivação aos freqüentadores
durante toda a semana em todos os turnos.

�Momento Solene: Inauguração do quadro com os Usuários de Destaque, são eles
os dez maiores leitores do segundo semestre de 2005.

Terceira Fase
Data: 17.07.06 a 21.07.06
Recepção dos novos discentes e campanha educativa sobre horário e as normas
de funcionamento da biblioteca.
O NUC elabora folderes e cartazes divulgando a campanha para serem
distribuídos na FSL.
A BDJBC orienta os amigos sobre as informações a serem comunicadas por eles
no plantão na biblioteca.
Os amigos farão plantão de auxilio, orientação e motivação aos freqüentadores
durante toda a semana em todos os turnos.
Momento Solene: Inauguração do quadro com os Usuários de Destaque, são eles
os dez maiores leitores do primeiro semestre de 2006.

Quarta Fase
Data: 24.07.06
Mostrar a comunidade universitária, através de mural específico com fotos e
textos, os prejuízos causados pelo uso inadequado da coleção conscientizando o
usuário da necessidade de preservação do patrimônio público.
O NUC reúne os amigos e informa como devem divulgar o conteúdo exposto no
mural.
A BDJBC retrata o material danificado e em fase de restauração, seleciona textos
pertinentes e monta o mural; visita as coordenações e comunica a estatística de
restauração relacionada ao curso.
Os amigos divulgam o material entre a comunidade acadêmica e informam em
suas salas a estatística de restauração relacionada ao curso solicitando aos
colegas maiores cuidados no manuseio das obras.

Quinta Fase
Data: 31.07.06

�Aquisição de Marcadores de Páginas estilizados da BDJBC criando o hábito no
usuário de usá-lo evitando que se façam dobras nas páginas dos livros; alertando
o usuário da data correta de devolução do material bibliográfico; e divulgando a
Biblioteca.
NUC e BDJBC elaboram, solicitam confecção e disseminam o marcador.
Amigos recebem parte do material e divulgam entre a comunidade acadêmica.

Sexta Fase
Data: 07.08.06
Campanha “ Vamos apagar os erros” de preservação do acervo bibliográfico.
O NUC disponibiliza borrachas e informa aos amigos como devem orientar os
discentes a apagar o maior número de obras rabiscadas, com observações,
palavrões, frases de amor, pensamentos, grifos. etc.
A BDJBC solicita a comunidade usuária da biblioteca à colaboração apagando os
rabiscos dos livros.

Sétima Fase
Data: 11.09.06
Aquisição de sacolas plásticas para o transporte de materiais bibliográficos
emprestados
O NUC confecciona as sacolas e orienta os amigos a divulgar a relevância do
uso.
A BDJBC distribui e orienta os usuários quando do empréstimo.
Os amigos divulgam por todo o campus o porquê do uso das sacolas e instruções
para conservar o material bibliográfico.

Oitava Fase
Data: 23.10.06 ou 30.10.06
Realização da Primeira Feira do Livro em alusão ao dia 29.10 Dia Nacional do
Livro. O evento oportunizará com certo pioneirismo em Rondônia uma exposição
aberta com a participação de editoras e livrarias transformando a Faculdade São
Lucas num verdadeiro canteiro de livros e oficinas de leitura, palestras e
projeções.

�O NUC promove e divulga.
O NUC e a BDJBC fazem a organização geral.
Os Amigos da biblioteca dão apoio operacional.

Abstract

This project aims the main cause of the vandalism practiced at the library of the
university Dom João Batista Costa of the São Lucas College in Porto Velho –
Rondônia. It shows a historical of regional and institucional development where to
the existence of public, pertaining to school, municipal libraries and even colleges
student are minimum. It aims alternatives to create the zeal culture, respect, habit
the reading and it proposes a series of actions to become aware the academic
community of the relevance of the unit of information and to guide with relationship
to the conservation norms and preservation of the heap for the free accessibility to
be maintained. It uses as tool own users identifying them as friends of the library,
removing them anonymity and doing instrument of dissemination of the information
of them, links between library and academic community, supervisors of the own
way conducts to minimize the impacto f teh collections and penalties and of the
losses and damages of the heap.
Keywords : University library. Heap. Conservation.

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Janeiro: 2003.

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seções de um documento escrito – apresentação. Rio de Janeiro: 2003.

�______ NBR 6022: informação e documentação – artigo em publicação periódica
científica impressa– apresentação. Rio de Janeiro: 2003.

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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              <name>Coverage</name>
              <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Projeto Amigos da Biblioteca: uma forma de conscientizar usuários e reduzir o vandalismo do acervo.</text>
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            <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <text>Este trabalho aponta a principal causa do vandalismo praticado na biblioteca universitária Dom João Batista Costa, da Faculdade São Lucas em Porto Velho – Rondônia. Mostra um histórico do desenvolvimento regional e institucional onde à existência de bibliotecas públicas, escolares, municipais e até universitárias é mínima. Aponta alternativas para criar a cultura de zelo, respeito e hábito a leitura e propõe uma série de ações para conscientizar a comunidade acadêmica da relevância da unidade informacional e orientar quanto às normas de conservação e preservação do acervo para ser mantida a acessibilidade livre. Utiliza como ferramenta os próprios usuários identificando-os como amigos da biblioteca, tirando-os do anonimato e fazendo deles instrumento de disseminação das informações, elos entre biblioteca e comunidade acadêmica, supervisores das próprias condutas de modo a minimizar o impacto das cobranças e penalidades e das perdas e danos do acervo.</text>
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                    <text>PROJETO BIBLIOCAPACITAÇÃO: A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA E A
PRODUÇÃO ACADÊMICA
Mírian Queiroz Rocha
mqrocha@unorp.br

UNORP – Centro Universitário do Norte Paulista
Rua Ipiranga, 3460 – Jardim Alto Rio Preto
15020-040 – São José do Rio Preto – SP
Brasil
www.unorp.br
biblio@unorp.br

RESUMO
Informação científica e produção do conhecimento são temas intimamente
ligados às Bibliotecas Universitárias (BUs). As etapas que envolvem a pesquisa
acadêmica exigem das BUs permanente processo de atualização informacional e
tecnológico, capaz de acompanhar tendências e inovações nos campos da
Biblioteconomia, Informática e Comunicação – tríade do universo bibliotecário.
Cabe ressaltar que as competências e habilidades desse profissional também
sofreram transformações significativas, e novos conceitos se inseriram no seu
cotidiano, como Information Literacy. Essa verdadeira revolução tem exigido dos
bibliotecários uma reflexão sobre sua formação profissional, principalmente
àqueles que concluíram o ciclo acadêmico antes da década de 90. Nos últimos
anos pôde-se constatar ligeiro crescimento na oferta de cursos de curta duração,
muitos, resultado da aliança entre órgãos profissionais (Conselhos, Federações,
etc.) e instituições de ensino superior. Não faltam bons exemplos da atuação
dessas iniciativas, o que nos faz reconhecer que são instrumentos fundamentais
para o avanço profissional da classe bibliotecária. Sendo assim, estamos diante
do tema “formação continuada”, direcionada para equipes que atuam em
bibliotecas universitárias, proposta desse estudo. Considerando a diversidade na
oferta de cursos, disponibilidade financeira, localização geográfica e fator tempo,

�algumas instituições já inseriram programas próprios de capacitação. Esse é o
caso da UNORP, que implantou o projeto Bibliocapacitação, visando a formação,
qualificação, valorização e capacitação profissional da equipe que atua na
biblioteca

universitária. As

evidências

detectadas

pelas

deficiências

no

atendimento ao usuário e no processamento técnico, justificam a necessidade da
implantação de projetos dessa natureza, que tem por objetivos: a) estimular e
incentivar a continuidade de estudos; b) contribuir para a inclusão cultural e
digital; c) e consequentemente, melhorar a qualidade no atendimento ao usuário.
A responsabilidade da biblioteca na produção acadêmica institucional depende da
qualificação e formação profissional de sua equipe.
Palavras-chave: Biblioteca universitária. Profissionais da Informação. Capacitação
Profissional. Formação Continuada. Recursos Humanos em Bibliotecas.

�1 INTRODUÇÃO
O processo de formação continuada dos profissionais é uma questão muito
discutida nos últimos anos. Grande parte das áreas do conhecimento humano
apresenta um cenário que exige do profissional um contínuo processo de
capacitação profissional, justificado pela rápida e crescente evolução tecnológica,
científica e informacional. Para os administradores de bibliotecas, reconhecer
esse novo cenário significa, em parte, resignar uma série de conhecimentos
apreendidos, mas também representa abrir novos caminhos. Segundo Maciel e
Mendonça (2000, p. 9), “a busca de novos modelos de flexibilidade organizacional
aponta novos caminhos para aqueles que pretendem se adequar às novas
exigências.” Para os bibliotecários, principalmente os que tiveram formação
acadêmica anterior a década de 90, o desafio de conviver e adequar-se a essas
mudanças exige um novo modelo profissional, com base em novas habilidades e
competências não previstas no ambiente acadêmico de anos atrás. Quem
imaginara que o bibliotecário estaria atualmente sentado frente ao computador
contribuindo na construção de softwares e mantendo relações profissionais
estreitas com o profissional da informática? Ou então, que estaria recuperando
documentos on-line de qualquer parte do mundo, e até mesmo, compartilhando
acervos e atuando em ambientes virtuais.

Segundo Maciel e Mendonça (2000, p. 41) “o processo de administração
de uma biblioteca no contexto mutante e economicamente instável que ora se
atravessa, exige do bibliotecário conhecimentos e habilidades diversas.

E

acrescenta que “é através do constante aprimoramento que ele irá adquirir novos
conhecimentos e valores que permitirão sua atuação do cotidiano da biblioteca,
tornando-o mais autoconfiante em suas ações e decisões.”

Ferreira (1977, p. 33 apud MACIEL; MENDONÇA, 2000, p. 41)
complementa

afirmando

que

“considera

esta

capacidade

de

contínuo

aperfeiçoamento do bibliotecário como um recurso, um componente do sistema –
o equipamento intelectual do bibliotecário -, considerando-o decisivo para o
alcance da eficácia da organização”.

�Apesar de toda evolução e das transformações vivenciadas no mundo da
informação, o cerne da questão está intimamente ligado ao elemento humano,
conforme afirma Milanesi (2002) “o profissional da informação é um agente que
administra as relações entre o que se precisa conhecer e o que se tem para
disseminar”.

Portanto, estruturar o trabalho das equipes dentro da biblioteca e integrálas a missão institucional é garantir o sucesso da biblioteca universitária e,
consequentemente, a produção acadêmica da instituição de ensino superior.
Nesse contexto, o auxiliar da biblioteca representa papel fundamental, pois atua
juntamente com o bibliotecário na busca e recuperação da informação e,
normalmente em número elevado, estabelecem uma relação direta com o usuário,
que exige critérios essenciais para o bom desempenho do setor de atendimento.
Um programa de capacitação profissional é eficaz partindo da premissa
que deve ser planejado dentro das reais necessidades da biblioteca,
considerando os objetivos propostos pela instituição de ensino (IES) e apontando
as diretrizes e procedimentos para atingir as metas, ou seja, o planejamento deve
considerar as especificidades da biblioteca e criar um modelo que seja compatível
com a estrutura organizacional.

Esse é o caso do Centro Universitário do Norte Paulista (UNORP), que
implantou o projeto Bibliocapacitação, visando a formação, qualificação,
valorização e capacitação profissional da equipe de auxiliares da biblioteca
universitária. As evidências detectadas pelas deficiências no atendimento ao
usuário e no processamento técnico, justificam a necessidade da implantação de
projetos dessa natureza, que tem por objetivos: a) estimular e incentivar a
continuidade de estudos; b) contribuir para a inclusão cultural e digital; c) e
consequentemente, melhorar a qualidade no atendimento ao usuário. A
responsabilidade da biblioteca na produção acadêmica institucional depende da
qualificação e formação profissional de sua equipe.

�2 A INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR - UNORP
A UNORP, instituição de ensino superior privada, situada na cidade de
São José do Rio Preto, região noroeste paulista, foi criada em 1972, com um
conjunto inicial de licenciaturas abrangendo os cursos de Letras, Matemática,
Pedagogia e Estudos Sociais. Tornou-se Centro Universitário em 1998, sendo
recredenciado em 2004. Atualmente, oferece 26 cursos de graduação, 28 cursos
de pós-graduação, 15 cursos superiores de tecnologia e 1 curso de mestrado,
distribuídos dentre as áreas descritas a seguir:
•

Ciências Exatas.

•

Ciências Biológicas.

•

Ciências da Saúde.

•

Ciências Agrárias.

•

Ciências Sociais Aplicadas.

•

Ciências Humanas.

•

Lingüística e Letras.
A tabela abaixo apresenta o número atual de usuários cadastrados no

banco de dados da Instituição de Ensino:
Tabela 1. Quantitativo dos usuários cadastrados no banco de dados
institucional.
_________________________________________________________________

Categoria de Usuários

Usuários (nº)

_________________________________________________________________

Corpo docente

230

Corpo discente

3500

Funcionários

183

------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Total

3913

_________________________________________________________________

Fonte: Núcleo de Recursos Humanos/Secretaria. Julho 2006.

Partindo dos dados expostos é possível dimensionar a instituição, áreas de
atuação profissional e quadro de recursos humanos existente.
3 BIBLIOTECA CENTRAL

�A biblioteca universitária ocupa um espaço físico de 2.126 m 2 subdivididos
em 2 pisos e possui um acervo de aproximadamente 87 mil documentos. Possui
cerca de 15.800 usuários cadastrados no sistema informatizado da biblioteca,
excluindo usuários da comunidade externa. A biblioteca ainda disponibiliza postos
de atendimento para a comunidade através de projetos de responsabilidade
social, com o auxílio de bibliotecas itinerantes. Nessa configuração, os serviços
de aquisição e processamento técnico são realizados exclusivamente pela
Biblioteca Central. Somando o público da biblioteca central e o atendido pelas
bibliotecas itinerantes, considera-se a demanda elevada de usuários diariamente.
A equipe de profissionais que atua na biblioteca é composta por:
-

2 bibliotecários;

-

1 técnico em biblioteconomia (formação obtida pelo curso técnico do SENAC);

-

1 auxiliar administrativo;

-

18 auxiliares de biblioteca.

É importante revelar que a cidade São José do Rio Preto se mantém a 450
km afastada da capital e, num raio inferior a 200 km, não existe instituição de
ensino que ofereça o curso de Biblioteconomia. Portanto, a localização geográfica
é considerado o primeiro entrave para a participação constante e permanente da
equipe em programas de capacitação profissional oferecidos e disponibilizados
pelo Brasil. A situação geográfica ainda:
-

dificulta a contratação de estagiários na área, e consequentemente, o
enquadramento do profissional bibliotecário ao término do estágio;

-

distancia os bibliotecários que residem e trabalham na cidade, dos programas
de pós-graduação oferecidos pelas universidades;

-

acarreta a elevação da verba destinada à biblioteca para os gastos com a
participação da equipe em eventos, cursos de extensão e aprimoramento
profissional;

-

obriga a direção da biblioteca a estabelecer critérios que determinam a
participação parcial dos profissionais da equipe em eventos, cursos e demais
programas continuados;

�-

inviabiliza a participação da equipe numa série de eventos, devido a
impossibilidade de constantes e longos períodos de ausência dos funcionários
no ambiente de trabalho.

Sendo assim, o projeto Bibliocapacitação, implantado pela Biblioteca visa
suprir as necessidades reais do setor e busca suprir a lacuna existente,
principalmente para a formação e qualificação profissional de sua equipe, e mais
especificamente do auxiliar de biblioteca.

4 PROJETO BIBLIOCAPACITAÇÃO
A idéia do projeto surgiu em meados de 2004 e teve como cerne dos
estudos, a análise dos resultados obtidos na Avaliação Institucional (autoavaliação), exigida e regulamentada pelo Ministério da Educação. Consiste no
instrumento que permite a análise minuciosa da comunidade acadêmica em
relação a estrutura física, pedagógica e administrativa que lhe é oferecida pela
instituição de ensino superior. Os conceitos atribuídos pelos alunos aos produtos
e serviços da biblioteca fizeram com que o setor passasse por uma
reestruturação, que consequentemente, impulsionou a implantação de um projeto
de capacitação profissional envolvendo os auxiliares de biblioteca da UNORP.

Segundo Silva e Araújo (2003, p. 120) “a formação do auxiliar de biblioteca
tem sido feita em cursos de capacitação e treinamentos dados, principalmente,
pelas associações de profissionais bibliotecários.” E não podemos ignorar que as
instituições de ensino superior normalmente possuem um número elevado de
profissionais auxiliares, sob a supervisão de bibliotecários, que atuam
principalmente no setor de atendimento ao usuário. Os autores revelam que

O auxiliar de biblioteca, devidamente capacitado, é capaz de executar
com desenvoltura as principais tarefas auxiliares de uma biblioteca,
utilizam técnicas e métodos aplicáveis ao tratamento da informação, ter
conhecimentos básicos sobre as ciências da informação, ser capaz de

�diagnosticar uma falha, e suas causas e conhecer o vocabulário
profissional (SILVA; ARAÚJO, 2003).

Partindo de estudo minucioso dos itens abordados e devidamente
pontuados no documento final da auto-avaliação, foi possível detectar as
deficiências da biblioteca, considerando os aspectos positivos e negativos
levantados pelos usuários, bem como as sugestões e críticas. Segundo Leitão
(2005) é lamentável que geralmente os responsáveis pelo atendimento ao usuário
em uma biblioteca sequer têm noção dessas questões indicadoras de
insatisfação. E complementa que por vezes uma busca malsucedida, acarreta
uma situação definitiva, onde o usuário deixa de freqüentar a biblioteca.

Concluída a etapa do diagnóstico preliminar, o próximo passo consistiu em
reestruturar o organograma da biblioteca e o fluxograma das atividades
desenvolvidas. Segundo Beluzzo e Macedo (1993) esse procedimento é essencial
para implantar um sistema de gestão de qualidade em bibliotecas.

Dando seguimento ao escopo do projeto, em seguida foi elaborado o
planejamento das atividades propostas e a elaboração do cronograma de
implantação. Para isso, algumas características importantes foram consideradas e
corroboradas pela teoria de Kanaane e Ortigoso (2001), quando o assunto diz
respeito as estratégias de treinamento e desenvolvimento do potencial humano.
Podemos citar :

•

Individualidade: respeito e adaptação ao potencial, às necessidades
e aos conhecimentos já dominados.

•

Organicidade:

módulos

instrucionais

e

comportamentais

pedagogicamente e andragogicamente elaborados apresentando
seqüência lógica bem concatenada e plenamente associada ao
contexto organizacional mais amplo.
•

Flexibilidade: treinamento montado de acordo com o diagnóstico
realizado em parceria com os envolvidos e suas necessidades, com
vista no alcance das metas.

�•

Praticidade: proximidade com a prática e com realidade vivenciada
por toda a organização. Foco permanente na aprendizagem e na
aplicabilidade prática.

•

Capacidade de motivar-se: atuar como agente ativo de sua
aprendizagem.

•

Proatividade ao lidar com o desafio: transformar dados em
informação,

informação

em

conhecimento

e

finalmente

conhecimento em ação.

•

Ênfase à comunicação: exercitar o feedback, apresentar os
resultados e obter como vantagens a qualidade, a rapidez, a
economia de tempo e a flexibilidade para atender às demandas
apresentadas pelo cenário de mudanças.

Portanto, o projeto Bibliocapacitação pretende qualificar, valorizar, formar,
motivar e incentivar sua equipe a participar de programas de capacitação
profissional, de forma a
•

ampliar conhecimentos;

•

acompanhar tendências e inovações;

•

incrementar o conjunto de atividades que envolvem a função exercida;

•

dinamizar as rotinas de trabalho;

•

motivar a produção acadêmica, resultado de significativas experiências
profissionais.

É importante ressaltar que o projeto está em andamento e conta com a
colaboração do Núcleo de Recursos Humanos da IES. Todos os currículos dos
profissionais envolvidos no projeto Bibliocapacitação foram inseridos na
Plataforma Lattes (CNPq) – bibliotecários, técnicos e auxiliares de biblioteca.

5 ATIVIDADES PLANEJADAS
Frente a esse cenário e em face a alcançar os objetivos propostos, as
atividades oferecidas, organizadas e viabilizadas pela Biblioteca para a formação
continuada de sua equipe são descritas nos tópicos a seguir. Dentre as atividades
citadas, é importante destacar que nem todas foram ministradas. Isso se justifica

�devido ao cumprimento do cronograma, que foi ajustado com as atividades da
instituição de ensino previstas no calendário escolar, no início do ano letivo. Outro
fator de destaque refere-se ao horário das atividades. Esse critério foi
cuidadosamente estudado para que o funcionário pudesse participar das
atividades previstas, sem alteração no seu horário de trabalho (dentro da carga
horária, excluindo os horários de pico no atendimento ao usuário).
5.1 REUNIÕES PROGRAMADAS
Reuniões programadas bimestralmente, onde a equipe realiza estudos
para detectar possíveis falhas e aparar arestas que, por ventura, tenham surgido
em decorrência do novo organograma e fluxograma. Essas reuniões são
positivamente utilizadas como recurso de integração entre a equipe, minimizando
os conflitos trabalhistas.
5.2 CURSOS, WORKSHOPS E CICLO DE PALESTRAS
A biblioteca viabiliza eventos direcionados às necessidades reais das
tarefas exercidas, considerando assuntos relevantes, pontos obscuros e
temáticas inovadoras apresentadas pelo mercado de trabalho. A equipe é
subdividida, respeitando as individualidades já citadas. Preferencialmente, as
atividades são ministradas dentro do ambiente da IES, por profissionais
qualificados ligados a outras instituições, de forma que possa haver um troca de
vivências.
5.3 LEITURAS TÉCNICAS
Programa mensal de leituras técnicas que possam contribuir na formação e
atualização profissional da equipe. Para isso, os bibliotecários são responsáveis
pela sugestão e seleção dos textos, bem como na discussão da temática
abordada. Esse processo contribui para incentivar o hábito da leitura e motivar a
produção científica do funcionário. Espera-se que, com o passar do tempo, o
profissional possa publicar trabalhos significativos voltados para comunidade
bibliotecária.

�5.4 SESSÕES DE FILMES
Parte integrante do programa de capacitação profissional, as sessões
mensais de filmes representam um momento de descontração e aprendizagem.
Realizadas em auditório, oferecem condições confortáveis e se assemelham a
sessões de cinema. Consiste na transmissão de filmes, em formato VHS, que
reproduzem cases, que abordam temas ligados a qualidade no atendimento,
relações interpessoais no trabalho, liderança, motivação, memória, leitura
dinâmica, dentre outros títulos. As sessões, previamente agendadas e divulgadas,
têm duração de 1 hora e o tempo destinado a transmissão do filme varia entre 20
a 30 minutos. Dois mediadores conduzem a discussão pós-sessão: 1 bibliotecário
e 1 profissional da área de recursos humanos designado pelo Núcleo de
Recursos Humanos da IES.

Atividade oferecida não só para os auxiliares de biblioteca, mas extensiva
aos funcionários da IES que atuam no atendimento ao usuário nos diversos
setores. Agrada ao funcionário sair de sua estação de trabalho para o
desenvolvimento de atividades que possam contribuir na sua formação
profissional. A sessão beneficia a integração entre os setores que interagem com
a biblioteca diariamente dentro da organização, mas que na maioria das vezes,
não apresentam a integração necessária para que se estabeleça um atendimento
de qualidade, que beneficie o usuário interno ou externo.
5.5 CURSO AUXILIAR DE BIBLIOTECA
Curso intitulado “Auxiliar de Biblioteca”, desenvolvido em módulos,
ministrados pelos bibliotecários da IES. Abordam conteúdos que expressam a
rotina de todos os setores da biblioteca. A aplicação dos módulos está prevista
para os meses de férias do calendário escolar, época em que o horário de
funcionamento da biblioteca pode ser discretamente alterado em função de menor
demanda de usuários. Os módulos previstos são: aquisição e desenvolvimento de
coleções, processamento técnico, referência (inclui parte especial sobre
recuperação eletrônica da informação), circulação de documentos, normas

�técnicas, periódicos e bases de dados. Estão previstos três módulos
complementares: relações interpessoais, língua portuguesa e informática. O
funcionário terá que cumprir a carga horária estabelecida para o curso e
automaticamente, ao final, recebe um certificado de participação.

Algumas atividades foram inseridas no programa de capacitação
profissional, exercendo função complementar no desempenho das atividades dos
auxiliares de biblioteca. São elas:

•

GINÁSTICA LABORAL

A inclusão de atividades físicas na rotina de trabalho constitui fator
essencial para melhoria das condições de saúde dos funcionários. Sem contar
que, por vezes, essa rotina inclui certo desgaste físico e leva o funcionário a
realizar esforços repetitivos, seja pela rotina diário em computadores ou em
decorrência do manuseio com as obras. O programa de ginástica laboral é
ministrado por profissional qualificado da IES, tem duração de 15 minutos e foi
inserido duas vezes por semana.

•

ATIVIDADES TEMÁTICAS

É importante ressaltar que essa atividade foi sugerida pela própria equipe e
os preparativos que antecedem ao evento são providenciados e confeccionados
pelos próprios funcionários, com base na criatividade coletiva do grupo.

Consiste em selecionar no calendário escolar, datas de significado
acadêmico ou valorizadas pelo público em geral e, a partir dessa escolha, a
equipe atua no setor atendimento de forma temática. São temas ligados a
literatura, a cultura (regional e nacional), as artes em geral, etc. A experiência
pretende atrair a atenção do leitor e procura sempre correlacionar o tema
proposto à literatura disponível no acervo da biblioteca.
O desenvolvimento dessa atividade inclui mudanças no ambiente físico da
biblioteca, como por exemplo:

�-

decoração compatível com a temática abordada;

-

exposições e amostras;

-

atividades artísticas e culturais ligadas ao tema abordado;

-

uso de acessórios sobrepostos no uniforme, de forma a caracterizar a data
comemorada.
Atrair o leitor para um ambiente acolhedor e receptivo é um dos objetivos

propostos por essa atividade. Além disso, espera-se que além de cumprir sua
função pedagógica, a biblioteca universitária possa atuar paralelamente como
órgão disseminador de cultura. A atividade favorece as relações interpessoais: a)
entre a equipe; b) entre funcionários dos demais setores; c) entre a equipe e o
usuário; d) entre a equipe e artistas locais (poetas, escritores, personalidades,
etc.), forma de valorizar a cultura e a arte regional.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O projeto em andamento já apresenta significativas mudanças no
comportamento profissional dos auxiliares da biblioteca da UNORP, mas
instrumentos de avaliação ainda estão em estudo, para mensurar os resultados
obtidos após o programa de capacitação profissional. Antecipadamente, pode-se
dizer que existe hoje um espírito de integração por parte da equipe de trabalho e
observa-se o desenvolvimento das aptidões que envolvem o sentido da liderança.
Outro fator que têm se destacado é a capacidade criativa despertada pela
liberdade de expressão da equipe em treinamento, motivada pela coordenação do
projeto. Pode-se dizer que ainda existe um longo caminho a percorrer, mas os
indícios revelam que a biblioteca está na direção certa para alcançar os objetivos
propostos.

REFERÊNCIAS

BELUZZO, Regina Célia Batista; MACEDO, Neusa Dias de. A gestão da
qualidade em serviços de informação: contribuição para uma base teórica.
Ciência da Informação, Brasília, v. 2, n. 22, p. 124-132, maio/ago. 1993.

�KANAANE, Roberto; ORTIGOSO, Sandra Aparecida Formigari. Manual de
treinamento e desenvolvimento do potencial humano. São Paulo: Atlas, 2001.
LEITÃO, Bárbara Júlia Menezello. Avaliação qualitativa e quantitativa numa
biblioteca universitária: grupos de foco. Niterói: Intertexto; Rio de Janeiro:
Interciência, 2005.
MACIEL, Alba Costa; MENDONÇA, Marília Alvarenga Rocha. Bibliotecas como
organizações. Rio de Janeiro: Interciência ; Niterói: Intertexto, 2000.
MILANESI, Luís. Biblioteca. São Paulo: Ateliê Editorial, 2002.

SILVA, Divina Aparecida da; ARAUJO, Iza Antunes. Auxiliar de biblioteca: técnicas
e práticas para formação profissional. Brasília: Thesaurus, 2003.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Informação científica e produção do conhecimento são temas intimamente ligados às Bibliotecas Universitárias (BUs). As etapas que envolvem a pesquisa acadêmica exigem das BUs permanente processo de atualização informacional e tecnológico, capaz de acompanhar tendências e inovações nos campos da Biblioteconomia, Informática e Comunicação – tríade do universo bibliotecário. Cabe ressaltar que as competências e habilidades desse profissional também sofreram transformações significativas, e novos conceitos se inseriram no seu cotidiano, como Information Literacy. Essa verdadeira revolução tem exigido dos bibliotecários uma reflexão sobre sua formação profissional, principalmente àqueles que concluíram o ciclo acadêmico antes da década de 90. Nos últimos anos pôde-se constatar ligeiro crescimento na oferta de cursos de curta duração, muitos, resultado da aliança entre órgãos profissionais (Conselhos, Federações, etc.) e instituições de ensino superior. Não faltam bons exemplos da atuação dessas iniciativas, o que nos faz reconhecer que são instrumentos fundamentais para o avanço profissional da classe bibliotecária. Sendo assim, estamos diante do tema “formação continuada”, direcionada para equipes que atuam em bibliotecas universitárias, proposta desse estudo. Considerando a diversidade na oferta de cursos, disponibilidade financeira, localização geográfica e fator tempo, algumas instituições já inseriram programas próprios de capacitação. Esse é o caso da UNORP, que implantou o projeto Bibliocapacitação, visando a formação, qualificação, valorização e capacitação profissional da equipe que atua na biblioteca universitária. As evidências detectadas pelas deficiências no atendimento ao usuário e no processamento técnico, justificam a necessidade da implantação de projetos dessa natureza, que tem por objetivos: a) estimular e incentivar a continuidade de estudos; b) contribuir para a inclusão cultural e digital; c) e consequentemente, melhorar a qualidade no atendimento ao usuário. A responsabilidade da biblioteca na produção acadêmica institucional depende da qualificação e formação profissional de sua equipe.</text>
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                    <text>Projeto de Adequação das Instalações e Melhoria
das Condições de Atendimento da Biblioteca da
EA/UFMG
Márcia Meireles de Melo Diniz1
Marco Antônio Lorena Queiroz2
Moema Brandão da Silva3

RESUMO
Levantar e propor melhorias das instalações de atendimento da Biblioteca da
EA/UFMG para a demanda atual e futura, tendo em vista o aumento do número de
usuários e acervo com a implantação de dois novos cursos (graduação e mestrado).
Através de um diagnóstico da situação atual, levantou-se os pontos considerados
mais relevantes para a adaptação da Biblioteca: público, acervo, acessibilidade
(redes), questões ligadas a mobiliários, equipamentos, instalações, horário de
funcionamento, pessoal administrativo, entre outros.
Palavras-chave: bibliotecas - planejamento; bibliotecas universitárias - administração;
bibiotecas - mobiliário e equipamento

ABSTRACT
This paper discuss about improvement of groundwork and attendance conditions
from Archictecture School Library from UFMG, both actually and coming conditions,
because the increasily number of students usuary from 2 news courses (bachelors
and master). Through diagnosis from actually conditions of use, we set up the most
important points to adaptate the library: usuary, heritage, access in networks,
questions linked to pieces of furniture, equipments, installement, times work,
employment, between many others.
Keywords: library  planning; university library  management; library - furniture and
equipment

1

Bibliotecária da EA/UFMG  E-mail: diniz@ufmg.br
Bibliotecário da EA?UFMG  E-mail: maqueiroz@ufmg.br
3
Bibliotecária e Especialista em Gestão Estratégica da Informação, Chefe da Biblioteca da EA/UFMG 
E-mail: smoema@ig.com.br
2

�1

INTRODUÇÃO

A Biblioteca da EA/UFMG tem como objetivo principal atender a comunidade da
Escola de Arquitetura (alunos, professores e funcionários) em consonância com o
objetivo da Escola, visando uma melhoria na qualidade de ensino, pesquisa e
extensão. Atende

também a demandas de outras Unidades da UFMG, como

também a comunidade em geral.
Possui um acervo específico na área de Arquitetura e Urbanismo, considerado
referência no Estado de Minas Gerais e um dos mais importantes acervos do país.
Com vistas à aprovação do novo curso de Graduação - Design que será ministrado
na Escola e mais um curso de Mestrado  Ambiente Construído e Patrimônio
Sustentável, é nosso objetivo melhorar a qualidade de serviços prestados, no
atendimento a demanda atual e futura.
Nos últimos anos tem-se verificado uma demanda crescente de usuários na
Biblioteca, principalmente, usuários externos à UFMG e que será ampliada, ainda
mais

com os novos cursos Em contra-partida, verifica-se a necessidade de uma

adequação da Biblioteca: adequação do acervo (aquisição de novas obras e itens
para o atendimento dos novos cursos, especificamente), adequação física (à medida
que o acervo cresce, satura-se o espaço físico, sendo imprescindível a ampliação da
biblioteca), mobiliário, equipamentos, atendimento, recursos humanos e outros. Em
todas as demandas citadas, serão necessários ajustes visando, principalmente, a
manutenção da qualidade do atendimento já existente.

2

OBJETIVO

Adequação e melhoria das instalações físicas, acervo, equipamentos, mobiliário e
atendimento da Biblioteca da EA/UFMG.

�3

METODOLOGIA

Levantamento de dados com utilização de

questionários, registro fotográficos,

observação e vivência direta do ambiente em estudo.

4

DIAGNÓSTICO DA SITUAÇÃO ATUAL

4.1 Público
A Biblioteca da EA/UFMG atende a todos usuários inscritos no Sistema de
Bibliotecas da UFMG mas especificamente aos alunos, professores e funcionários da
Escola de Arquitetura. Atende também a comunidade externa local e regional por
meio dos Serviços de Consulta Local, Empréstimo entre Bibliotecas e Comutação
Bibliográfica.
- Total de usuários em potencial da Escola de Arquitetura : 483 alunos
- Especialização: 61 alunos
- Mestrado: 39 alunos
- Total de alunos  cursos novos (Graduação e Mestrado)  Projeção de 630 novos
alunos dentro de 5 anos.
- Total de usuários inscritos no Sistema de Bibliotecas da UFMG: cerca de 57.000
- Total de usuários externos à UFMG (todas instituições de ensino público e privadas
cadastradas

para utilização do Serviço de Empréstimo entre Bibliotecas)

e

Instituições participantes do Serviço de Comutação Bibliográfica do Instituto
Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia  IBICT.
Nos últimos anos tem-se verificado uma demanda crescente de usuários externos
que utilizam apenas o espaço físico da Biblioteca para estudo com material próprio
(particular).

Esta demanda é justificada pela

localização central da Escola de

Arquitetura e pelo grande número de instituições de ensino particulares nas

�proximidades. Em questionário aplicado a esse público, ver APÊNDICE, verificouse:
- Usuários  um grande percentual de usuários provêm de Cursos Pré-vestibular e
escolas particulares próximas à Escola de Arquitetura.
- Horários de utilização - o horário de maior movimento é no período da tarde, sendo
os períodos da manhã e noite equivalentes.
- Ambientes utilizados - o ambiente mais utilizado é a Sala de Estudo Individual
seguida do Salão do Acervo, Sala de Periódicos e Salão de Entrada.

4.2 Acervo
A Biblioteca da Arquitetura conta com um acervo de 25.713 exemplares de
monografias, 313 títulos de periódicos impressos onde 49 são correntes; conta
atualmente com 09 (nove) assinaturas de periódicos nacional (impresso), 161
assinaturas (on-line  Portal Capes) sendo que 151 são estrangeiros e 10 nacionais,
2.500 mapas, 2.900 slides, 75 CD-Roms, 6.000 recortes de jornais (hemeroteca).
Fazem parte, também, do acervo as seguintes coleções especiais: Coleção Belo
Horizonte, Memória e Obras raras.
Há algum tempo a Biblioteca da Escola não recebe recursos financeiros
provenientes da Administração Central  Reitoria - para aquisição de livros. O
acervo é atualizado por meio de permuta e doações. Recentemente foi repassado
uma verba pela PROGRAD  Pró-Reitoria de Graduação  para compra de livros
destinados à graduação.
Verifica-se uma demanda por livros atuais, livros adotados nas disciplinas do curso e
não existentes na biblioteca e também ampliação do número de exemplares de obras
existentes.

�Com os novos cursos será necessária a aquisição de obras específicas da área,
prioritariamente as bibliografias básicas de cada curso, destinadas a atender essa
nova demanda.

A previsão orçamentária para o curso de Design é de

aproximadamente R$150.000,00 visando à obtenção de cerca de 350 títulos e 1400
exemplares.
A preservação e conservação do acervo existente, também, são fatores essenciais.
Tanto obras do acervo geral (estão expostas a agentes externos como incidência de
raios solares, ação da poeira e fungos provocado por mofos, infestação de insetos e
desgaste natural devido ao uso constante), como também as obras raras, obras de
edições esgotadas e/ou limitadas (que devem estar bem acondicionadas e com uma
climatização adequada).
4.3 Acessibilidade (Redes)
A Biblioteca da Escola de Arquitetura faz parte do Sistema de Bibliotecas da UFMG e
está tecnicamente subordinada à Biblioteca Universitária .

Essa subordinação faz-

se necessária para a padronização dos serviços oferecidos pelas 28 bibliotecas que
compõem o Sistema. O software de gerenciamento dos serviços adotado pelo
Sistema de Bibliotecas da UFMG é o Pergamum que é desenvolvido .pela divisão de
processamento de dados da PUC/PR.
4.4 Mobiliário/ Equipamentos/ Instalações
O espaço físico atual da Biblioteca está todo ocupado e com os novos cursos, será
ampliado o acervo e número de usuários. Vê-se, portanto,

a necessidade de

ampliação, reforma e readequação do mesmo. Aqui, ressalta-se: troca do carpete da
sala de estudos individual, melhoria da sala de estudos em grupo, ampliação da Sala
de Obras Raras / Memória e melhor acessibilidade ao Setor de Periódicos e Salão de
Estudos Individual.

�O mobiliário, notadamente estantes, cadeiras, mesas, escaninhos, também devem
ter o seu número ampliado e os já existentes precisam de reformas. Somente para o
novo curso de Graduação, dentro do número estimado de títulos e exemplares a
serem adquiridos, será necessário obter novas estantes.
Quanto aos equipamentos, há necessidade de ampliação do número de
computadores, tanto para a consulta dos usuários como para os serviços
administrativos, estes, inclusive, deverão

ser mais modernos e com acessórios

proporcionando a agilização das atividades internas. É premente a aquisição de
computadores além dos periféricos, como por exemplo, leitores de códigos de barras
e scanners.
A câmera atual registra somente a entrada/saída dos usuários. A aquisição de mais
câmeras para cobertura de movimentação dos usuários em todos os ambientes da
biblioteca proporcionará maior segurança patrimonial e pessoal.
4.5 Administração
A Biblioteca da Escola de Arquitetura tem o horário de funcionamento extenso  7:30
às 22:00 horas e aos sábados de 8:00 às 12:00 horas, entretanto, o quadro de
pessoal está muito reduzido, a considerar-se o horário de atendimento, número de
atendimentos e atividades desenvolvidas. Verifica-se um acúmulo de atividades e
sobrecarga de trabalho principalmente quando se encontra com servidor em férias,
licença médica, ou participação/colaboração em outras atividades da Escola e ainda,
redistribuição de servidores para atendimento ao sábado.
A não existência de uma portaria na Biblioteca agrava ainda mais essa situação.
Todo controle de entrada, escaninho e vigilância é realizado pelo funcionário que
atende no Setor de Empréstimo, o que tememos por uma queda na qualidade do
atendimento prestado ao usuário e desgaste do Servidor. Na maioria das bibliotecas
do Sistema, o controle da portaria da biblioteca (entrada e saída de materiais),

�vigilância e distribuição de chaves, são realizadas por porteiros, contínuos ou mesmo
bolsistas da Cruz Vermelha.
Outro problema existente é relacionado ao comportamento de alguns usuários
(conversa em alto tom, uso de celulares, namoros, uso inadequado do mobiliário e
usuários exaltados). Fica a cargo do funcionário do Setor de Empréstimo a vigilância
para manutenção do ambiente adequado a uma Biblioteca. Quando ocorre um
problema de difícil solução, não temos a quem recorrer, principalmente, no horário
noturno uma vez que o setor de Serviços Gerais está fechado. Tentamos sempre
agir com o bom senso, mas, há necessidade de pessoas treinadas para vigiar e
abordar o usuário.
Outra dificuldade pela qual a Biblioteca vem passando nos últimos tempos é a
contratação e a alta rotatividade de bolsistas. Contudo, pode ser mencionado que o
valor da bolsa é pequeno, o que faz com que os bolsistas procurem por outros
estágios.

�5

CONTEXTUALIZAÇÃO DA BIBLIOTECA
SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UFMG

DA

ARQUITETURA

NO

5.1 Acervo

TABELA 1
Classificação das Bibliotecas da UFMG cujo critério é o acervo (quantidade de
exemplares)
CLASSIFICAÇÃO
BIBLIOTECA
1
FAFICH
2
LETRAS
3
DIREITO
4
FAE
5
BIBLIOTECA CENTRAL
6
FACE
7
ENGENHARIA
8
MEDICINA
9
ARQUITETURA
10
Centro Pedagógico
11
MÚSICA
12
VETERINÁRIA
13
IGC
14
MEMÓRIA
15
Educação Física
16
CEDEPLAR
17
COLTEC
18
ECI
19
ICEX
20
FARMÁCIA
21
BELAS ARTES
22
ICB
23
ODONTOLOGIA
24
TEATRO
25
FARIA**
26
NÚCLEO C. AGRÁRIAS
27
RARAS**
28
QUIMICA*
29
FÍSICA*
30
CARRO BIBLIOTECA
31
MUSEU
32
CAMILO**
33
CCB**
34
ARDUINO**
35
Centro de Informação Tecnológica**
36
CURT**
37
Unidades Administrativas**
38
Biblioteca Universitária**
Fonte: DPD-BUUFMG, 2004.
Notas.: * Biblioteca de pós-graduação.
** Coleções da Biblioteca Universitária.

ACERVO
90.819
79.017
50.603
47.774
43.692
41.643
33.043
27.139
25.300
21.058
20.394
19.718
18.169
17.497
16.505
15.505
14.580
13.649
12.990
11.717
11.022
9.085
8.773
8.021
7.725
7.280
5.819
5.354
5.127
4.199
3.721
3.042
2.901
1.215
1.080
1.033
706
92

�A Biblioteca da Escola de Arquitetura da UFMG tem um acervo de 25.980 exemplares de
monografias, além de outros materiais - periódicos, slides, CD-ROM, mapas , plantas etc.
Na classificação referente a exemplares de livros , ficou em 9 (nono) lugar no Sistema de
Bibliotecas da UFMG. Em sua área de atuação é considerada uma Biblioteca de referência.

�5.2 Pessoal
TABELA 2
Distribuição de Pessoal SB/UFMG  2005
BIBLIOTECAS

Bibliotecários

Apoio
TOTAL
Administra UFMG
tivo
1
3
1
2
3
5
1
2
2
4
4
4
7
3
5
4
9
16
24
4
7
1
1
2
5
7
11

Bolsis
tas
FUMP

Bolsistas
Cruz
FUNDEP Vermelha

BU  Diretoria *
2
BU  DPD *
1
1
BU  DFDA *
2
1
BU  CCQC *
1
BU  AUTOMACAO *
2
BU  SSA *
Arquitetura
3
4
Belas Artes
2
3
Biblioteca Central**
5
7
Campus Saúde**
8
5
Ciência da Informação
3
2
Carro Biblioteca *
1
ECI  LPA *
1
Ciências Biológicas
3
2
Ciências
4
7
Econômicas**
CEDEPLAR
1
4
5
1
Ciências Exatas *
1
1
2
1
2
1
3
1
0
Departamento de
Física
2
2
3
Departamento de
Química
CP - Esc. De 1º Grau
3
1
4
2
*
CP  Colégio Técnico
1
1
2
1
1
Direito * **
5
4
9
4
Educação * **
5
5
10
8
1
Educação Física/FTO
2
4
6
4
*
EEF  SIBRADID *
1
1
1
Engenharia/PCA * **
5
09
14
5
Farmácia
3
2
5
1
Filosofia e Ciências
7
5
12
11
Humanas * **
Geociências
3
3
6
5
Letras**
6
1
7
10
5
Museu de História
1
2
3
Natural *
Música *
3
1
4
Núcleo Ciências
2
4
6
1
1
Agrárias
Odontologia *
3
3
6
3
Teatro Universitário *
1
1
1
Veterinária
4
5
09
TOTAL
95
104
194
95
10
Fonte: DPD-BUUFMG, 2005.
Notas: * Dados de 2003.
** Bibliotecas cujo acervo são maiores que os da Arquitetura.

Outros

1

1

4
3
6
1
4
5
11
11
17
39
12
1
16
7
19

0

6
5
5

1
2
1
3
2

7
1

1

14

1
1

TOTAL
GERAL

1

5
3

1

10

1
2
2

1
2

6
17
21
10

1

2

1
4

3

2

2
19
6
26
12
29
3
6
8

1

2

1
31

2
37

12
2
12
374

Comen
tários

�No tocante a pessoal, a Biblioteca da Escola de Arquitetura conta em seu quadro
com um pequeno número de servidores efetivos da UFMG. Totalizam-se em seis
servidores, sendo 3 bibliotecários e 3 servidores no apoio administrativo. Conta com
a colaboração de 4 bolsistas que trabalham 4h (quatro horas) diárias, auxiliando os
funcionários nos seguintes serviços: guarda de materiais bibliográficos, estatísticas e
atendimento ao público.
Pode-se verificar que várias bibliotecas do Sistema de porte menor no que se refere
a tamanho do acervo, TABELA 1, e horário menor, TABELA 3, estão com um quadro
de pessoal mais favorável se comparadas à Biblioteca da Arquitetura.
Mencionamos também que, os servidores da Biblioteca sempre participam de
eventos/atividades da Escola (comissões, eleições, etc.)

�5.3 Horário de funcionamento
TABELA 3
Horário de Funcionamento  SB/UFMG  2004

BIBLIOTECAS

Horário de Atendimento
DIAS UTEIS
SÁBADO

Inicio Término
Inicio Término
Arquitetura*
7:30
22:00
8:00
12:00
Belas Artes
7:30
21:00
Biblioteca Central
7:30
21:00
Campus Saúde
7:00
21:30
8:00
12:00
Carro-Biblioteca da ECI
8:00
17:00
CEDEPLAR
8:00
18:00
Centro de Informações Técnicas
8:00
17:00
Ciência da Informação
7:00
22:30
Ciências Biológicas
8:00
20:00
Ciências Econômicas
7:30
22:00
8:00
12:00
Ciências Exatas
8:30
20:00
CP  Colégio Técnico
7:30
20:30
CP  Esc. de 1º Grau
8:00
21:30
Departamento de Física
8:30
21:00
Departamento de Química
8:00
17:00
Direito*
7:00
22:00
8:00
12:00
Educação**
7:30
21:30
8:30
12:30
Educação Física
7:30
17:00
Engenharia
8:00
21:00
Farmácia
7:30
19:30
Filosofia e Ciências Humanas
8:00
21:30
Geociências
8:00
21:30
Letras
7:30
21:30
Museu de História Natural
8:00
17:00
Música
7:30
21:00
Núcleo Ciências Agrárias*
7:00
22:00
7:00
12:00
Odontologia
7:30
19:30
Teatro Universitário
13:30
21:30
Veterinária
7:30
20:30
Fonte: DPD-BUUFMG, 2005.
Notas: * Bibliotecas com o maior horário de funcionamento.
** Somente abre em alguns sábados.

TOTAL
Horas/
Semanais
92:30
67:30
67:30
87:30
45:00
50:00
45:00
77:30
60:00
76:30
57:30
65:00
67:30
62:30
45:00
95:00
80:00
47:30
65:00
60:00
67:30
67:30
70:00
45:00
67:30
95:00
60:00
40:00
65:00

A TABELA mostra que das 28 bibliotecas (UFMG), apenas 06 funcionam aos
sábados, sendo que 01 (uma), a Biblioteca da FAE, funciona somente em
determinados sábados.

�A Biblioteca da EAUFMG tem o horário de funcionamento extenso, o qual fica mais
evidente quando comparada com outras bibliotecas do Sistema  de 7:30 às 22:00
perfazendo um total de 14 horas e 30 minutos de funcionamento  de segunda a
sexta-feira, além da abertura aos sábados de 8 às 12 horas.

No total geral de horas

semanais a Biblioteca da Arquitetura encontra-se em 2º lugar totalizando 92:30h. As
Bibliotecas  Direito e Núcleo de Ciências Agrárias totalizam-se 95:00h semanais.
No estudo realizado pela Biblioteca da Arquitetura, verificou-se pequena demanda de
usuários após as 20:00 horas, que é justificada pela não existência de curso noturno
na Unidade, e também aos sábados. Registra-se que a demanda pela Biblioteca, aos
sábados, é de usuários externos, que utilizam material próprio.
Isso significa que a Biblioteca, principalmente aos sábados, funciona em função de
usuários externos à Escola de Arquitetura e à UFMG.

Verifica-se, então, que o

funcionamento da Biblioteca após as 20h e a sua abertura aos sábados, acarretam
sérios problemas administrativos. Primeiro, porque há redução da mão-de-obra nos
dias de maior fluxo de usuários, ou seja, os servidores que trabalham aos sábados
têm a carga horária reduzida em um dia da semana e complementação com as horas
trabalhadas no sábado. Segundo, aumento no consumo de energia elétrica, telefone,
água, papel higiênico, papel toalha, sabão, material de limpeza, entre outros
materiais.

Outro motivo de redução de horário em algumas bibliotecas foi em função do
pagamento do adicional noturno. Toda biblioteca com horário de atendimento ao
público até 22:00 horas, internamente, o horário estende-se até 22:30 em função de
desligar máquinas, controle de multas, fechar janelas, etc. A Biblioteca da Arquitetura
vivencia este problema.

�6

PROGNÓSTICOS

Com a chegada dos dois novos cursos, Design e o mestrado, a Biblioteca deverá se
adequar para o atendimento destas novas demandas. O primeiro ponto básico
deverá ser a aquisição de uma bibliografia mínima necessária para atendimento aos
alunos e professores desses cursos.

Concomitante a estes livros que deverão ter

uma certa prioridade no tratamento técnico, têm-se outros que normalmente já são
trabalhados no cotidiano e que já possuem um certo acúmulo.
Será indispensável a imediata aquisição de estantes para o armazenamento deste
novo material que será incorporado ao acervo. Conseqüentemente, será necessário
uma previsão de

espaço para estas obras e para as futuras,

que deverão ser

adquiridas.
Com os novos cursos, virão novos alunos,
atividades e

serviços

prestados

novas demandas,

e aumento das

pela Biblioteca: empréstimos,

orientações,

pesquisas, normalizações, reposição de livros nas estantes, e outros. A tarefa de
atendimento ao público é

muito gratificante mas, por outro lado é desgastante,

podendo desencadear um quadro de

desgaste mental e físico, considerando o

pequeno número de servidores e horas trabalhadas nesse atendimento. O objetivo
maior da Biblioteca da EAUFMG é prioritariamente o atendimento dos nossos
usuários e para fazê-lo com qualidade, é fundamental a satisfação do servidor.
Com a possibilidade de parte da carga horária do curso de Design ser oferecida aos
sábados à tarde, já existe uma proposta para

ampliação do horário de

funcionamento da Biblioteca . Com a atual escassez de pessoal, a ampliação no
horário de atendimento significará que as atividades internas ficarão ainda mais
acumuladas. Para ampliação do horário será necessário um aumento significativo no
quadro de servidores.

�Questão crucial também diz respeito à segurança pessoal. É

temerário o

funcionamento da Biblioteca até às 22 horas (de segunda a sexta-feira) e até às 18
horas no dia de sábado, conforme proposta, considerando que outros setores da
Escola não funcionam no mesmo horário, não existe Porteiro na Biblioteca, além do
pouco movimento na Escola e nas redondezas.
É essencial a adequação da Biblioteca para a abrangência destes novos cursos. Não
apenas aquisição dos novos títulos e exemplares, mas igualmente meios para o seu
processamento e armazenamento. E isto perpassa a aquisição de mais
computadores, mobiliário e principalmente recursos humanos. Somente através da
solução destas questões, a Biblioteca poderá manter a sua excelência no
atendimento sem causar prejuízo aos seus usuários, e também, na sua equipe.

7

PROPOSIÇÕES

7.1 Público
A Biblioteca tem como objetivo principal atender ao público específico a qual se
destina (alunos, professores e funcionários da EA/UFMG), entretanto, atendemos
também,

todo usuário que procura a Biblioteca

e que não está inserido neste

público.
Não há interesse em limitar o acesso à biblioteca mas, com vistas ao aumento de
usuários com os novos cursos que serão implantados na Escola e a

crescente

demanda de uso da Biblioteca pelo público externo, comprovada no estudo
realizado, serão necessárias algumas mudanças para garantir espaço, ambiente e
atendimento adequados a esta nova demanda.

�Proposições:
- apresentar o estudo realizado  Utilização da Biblioteca da EA/UFMG por Usuários
Externos - às instituições de ensino em que há maior demanda de seus usuários
pelos espaços da EA/UFMG e propor parcerias;
- na necessidade de limitar o uso da Biblioteca por usuários externos que utilizam o
espaço para estudo com material próprio, deve-se criar mecanismo de controle do
número de usuários externos permitido por vez na biblioteca.
7.2 Acervo
Diante da escassez de recursos financeiros destinados a compra de livros, verificase grande esforço realizado pelos dirigentes da Biblioteca e da Unidade na
atualização e ampliação do acervo através de doações e permuta, mas não são
suficientes para atendimento a demanda por livros atuais, livros adotados nas
disciplinas do curso e ampliação do número de exemplares de obras existentes.
Além disto, há necessidade da preservação e conservação do material existente e
de grande valor educacional e histórico.
Proposições:
- aquisição de todo material indicado nas bibliografias básicas dos cursos oferecidos
atualmente e futuros;
- aquisição de mais exemplares para títulos muito demandados;
- destinação de percentual para compra de material bibliográfico em todos os
projetos existentes na Escola e ou parcerias;
- destinação de percentual para encadernação e/ou recuperação de obras;

�- climatização da sala de obras raras e memória;
- limpeza adequada do acervo
7.3 Acessibilidade (Redes)
Para o bom desempenho do software adotado pelo Sistema de Bibliotecas da UFMG
 Pergamum - e agilidade na utilização dos portais de pesquisa, será necessário:
- melhoria da rede interna;
- distribuição de mais pontos de rede.
7.4 Mobiliário/ Equipamentos/ Instalações
Será necessário uma adequação do espaço físico, mobiliário e instalações da
Biblioteca da EA/UFMG, a considerar os problemas vivenciados atualmente como
também a previsão de agravamento destes problemas, e antever que a Escola terá
novo curso de graduação e mestrado, e por conseguinte, mais demandas.
Instalações:
- Ampliação do espaço geral da Biblioteca a ter-se em vista o aumento da coleção e
número de usuários;
- Fechamento da sala de estudo em grupo (externa) com divisórias de vidro e
recurso para acústica do ambiente;
- Reforma da sala de estudo individual  redução do espaço destinado ao estudo
individual

e criação de sala para armazenagem das obras raras e outras coleções

especiais; troca do carpete por Paviflex;

�- Acessibilidade para os portadores de necessidades especiais

nos

setores de

Periódicos, Sala de Estudo Individual, mapoteca, banheiros e demais coleções
localizadas nesta área;
- Iluminação  melhorar a iluminação já existente, principalmente entre as estantes.
Sugere-se instalação de foto-sensores onde as luzes se acendem automaticamente
com a presença de pessoas;
- Reforma dos brisers;
- Colocação de grades nas janelas;
- Reforma das esquadrias das janelas.
Mobiliário:
- Reforma dos estofados das cadeiras, mesas, escaninhos e outros mobiliários
existentes;
- Aquisição de novas cadeiras e mesas (quant.: 10 mesas e 40 cadeiras);
- Aquisição de escaninhos (quant.: 50);
- Aquisição de estantes para livros, CDs e fitas (quant.: 10 Estantes dupla face);
- (01) Estante p/ CDS (01) para fitas de vídeo;
- Aquisição de mobiliário para armazenar slides;
- Balcão de empréstimo;

�Equipamentos:
- Aquisição de computadores para usuários e administração (quant.: 4), impressoras
(quant.: 3), scanners de mesa (quant.: 2) e leitores de código de barras( quant.: 5);
- Aquisição de câmeras  3 (três) para o Setor de Periódicos, Salão de Estudo
Individual e acervo);
- Aquisição de aparelho desumidificador de ar.
7.5 Administração
Nos últimos anos, tem-se verificado uma redução drástica no quadro de servidores
na Universidade. Com isto, atualmente enfrentamos uma sobrecarga de trabalho e
acúmulo de atividades a serem desenvolvidas. Com a introdução de novos cursos e
conseqüentemente a ampliação das demandas pelos serviços da Biblioteca, será
necessário:
- contratação de 01 bibliotecário;
- contratação de 02 auxiliares;
- contratação de 02 bolsistas;
- contratação de 03 porteiros para a biblioteca;
- horário de funcionamento do Setor de Serviços Gerais no mesmo horário de
funcionamento da Biblioteca;

�8 CONCLUSÃO
A adequação da Biblioteca (acervo, espaço físico, instalações, recursos humanos,
etc.) para melhor atendimento às demandas atuais e futuras será imprescindível.
Na atual conjuntura econômica,

com

recursos parcos,

será

implementar formas para viabilizar as ações propostas neste estudo.

necessário
Diante da

urgência de alguns itens e a escassez de recursos, será necessária a priorização
para sua efetivação.
Para implementação das ações, a busca de recursos poderá ser realizada por meio
de parcerias com o setor público e privado, destinação de percentual dos projetos
existentes na Escola, percentual dos recursos arrecadados pela Escola e utilização
dos recursos arrecadados pela Biblioteca.
Desta forma, não obstante todas as limitações estruturais e de recursos humanos, há
grandes esforços por parte da Diretoria da Unidade e Administração da Biblioteca,
com apoio de toda a equipe, para que a Biblioteca permaneça como Referência na
área, mantenha um ambiente adequado e agradável para atendimento à comunidade
usuária e trabalhe dentro das normas exigidas pelo MEC, normas da Instituição
UFMG e outras legislações pertinentes.

�REFERÊNCIAS
ALVES, Cecília Malizia; SILVA, Paulo Afonso Lopes da. Caracterização de usuários
e adequação dos serviços de biblioteca: uma abordagem preliminar das bibliotecas
da PUC/RJ. Ciência da Informação, Rio de Janeiro, v.7, n.1, p.13-24. jan.-jun. 1978.
ATIENZA, Cecília andreotti; CARREIRA, Maria

Alice Fernandes. Bibliotecas e

Centros de Documentação: estudos e observações para planejamento e instalação.
CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO, 6.,
1971, Belo Horizonte. Anais... Belo Horizonte: [s.n.], 1971. p.114.
FERREIRA, Glória Isabel Sattamini; OLIVEIRA, Zita Catarina Prates de. Fatores para
o diagnóstico em planejamento bibliotecário. JORNADA SUL-RIO-GRANDENSE DE
BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO, 7., 1982, Porto Alegre. Anais... Porto
Alegre: Assoc. Rio-Grand, 1982. p.350-356.
KIES, Cosete N. Relações públicas para bibliotecas brasileiras: processo, princípios,
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programas, técnicas de planejamento e sugestões. Revista da

Escola de Biblioteconomia da UFMG, Belo Horizonte, v.9, n.1, p.69-98, mar. 1980.
MARON, Rejane Gontow; GALBINSKI, José. Análise das coleções como instrumento
de planejamentos de expansão de bibliotecas. SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS

UNIVERSITÁRIAS,

4.,

1985,

Campinas.

Anais...

Campinas:

UNICAMP, 1985. p.99-114.
OLIVEIRA, Sônia Maria Marques de. Atitudes de planejamento em bibliotecários de
instituições universitárias brasileiras. Transinformação, Campinas, v.7, n.1-3, p.5174, jan.-dez. 1995.

�RABELO, Odília Clark Peres. Planejamento e formulação de objetivos em
bibliotecas. Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG, Belo Horizonte, v.17,
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RABELO, Odília Clark Peres. Planejamento e avaliação em bibliotecas. Revista da
Escola de Biblioteconomia da UFMG, Belo Horizonte, v.17, n.2, p.236-242,

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SILVA, Luiz Antônio Gonçalves. Visão panorâmica do planejamento de sistemas de
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>Projeto de adequação das instalações e melhoria das condições de atendimento da Biblioteca EA/UFMG.</text>
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                <text>Diniz, Márcia Meireles de Melo; Queiros, Marco Antônio Lorena; Silva, Moema Brandão da </text>
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                <text>Levantar e propor melhorias das instalações de atendimento da Biblioteca da EA/UFMG para a demanda atual e futura, tendo em vista o aumento do número de usuários e acervo com a implantação de dois novos cursos (graduação e mestrado). Através de um diagnóstico da situação atual, levantou-se os pontos considerados mais relevantes para a adaptação da Biblioteca: público, acervo, acessibilidade (redes), questões ligadas a mobiliários, equipamentos, instalações, horário de funcionamento, pessoal administrativo, entre outros.</text>
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                    <text>PROJETO DE CATALOGAÇÃO DE MICROFORMAS: EXPERIÊNCIA COM A
COLEÇÃO CICOGNARA NA BIBLIOTECA CENTRAL CESAR LATTES –
SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNICAMP
*Sonia Regina Casselhas Vosgrau - soninha@unicamp.br
*Ana Regina Machado Moreira de Carvalho - anare@unicamp.br
*Erica Cristina de Carvalho Mansur - ericacc@unicamp.br
*Joana D’Arc da Silva Pereira - joanads@unicamp.br
*Tereza Cristina O. Nonato de Carvalho - tereza@unicamp.br
*Maria Lucia Nery Dutra de Castro - maluci@unicamp.br

Resumo
O trabalho propõe uma metodologia de tratamento da informação de um tipo de
material em microforma (microficha), para sistemas automatizados de dados
bibliográficos. A coleção Biblioteca Cicognara, objeto desse estudo, é composta por
um precioso patrimônio de 5.000 livros sobre a História da Arte e Antiguidade, do
século XVI ao XIX e foram reunidos na publicação: Catálogo Ragionato dei Libri
d`arte e d`antichità (1821), pelo conde italiano Francesco Leopoldo Cicognara (17671834). Em vista da importância do acervo e a necessidade de possibilitar o acesso
ao conhecimento, até então inacessível, foi desenvolvido um projeto de catalogação
para inclusão na Base de Dados ACERVUS do Sistema de Bibliotecas da Unicamp.
Concentrou-se o trabalho, na análise sobre o tratamento desse tipo de material em
outros centros de informação e nos materiais de referência da área. A catalogação
de microfichas está sendo desenvolvida seguindo a normas e padrões internacionais,
AACR2 e MARC21, atendendo ao protocolo de comunicação Z39.50. Todos os
campos relevantes das microfichas foram incluídos, visando preservar o maior
número de informações.
Palavras-chave: Microfichas – Catalogação. Base ACERVUS. UNICAMP.
Registros bibliográficos. Formato MARC 21. AACR2. Coleção Biblioteca Cicognara.

Universidade Estadual de Campinas
Sistema de Bibliotecas da Unicamp
Cidade Universitária Prof. Zeferino Vaz
Caixa Postal 6136 – CEP – 13083 –859
Campinas – São Paulo

�Introdução
O Programa Cicognara é uma iniciativa conjunta do Vaticano e da University of
Illinois, nos Estados Unidos. Este programa desenvolve pesquisas a partir de um
acervo de grande importância histórica, a Biblioteca do conde Francesco Leopoldo
Cicognara* (1767-1834), depositada na Biblioteca Apostólica Vaticana. Este acervo
foi reproduzido integralmente em microfichas.
O conjunto de microfichas da Coleção Cicognara foi adquirido pelo Instituto de
Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Estadual de Campinas
(UNICAMP) junto a University of Illinois, com recursos da Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo FAPESP, através do Projeto Temático: Biblioteca
Cicognara - A Constituição da Tradição Clássica.
A Coleção contém um acervo de obras raras relevante de escritos teóricos,
compêndios de história da arte, biografia de artistas, tratados de mitologia, poética,
iconografia e retratística, arquitetura efêmera e teatral, pintura, escultura, desenho,
gravura, ourivesaria, perspectiva, anatomia, numismática, inscrições, periegética,
descrição dos monumentos antigos, bibliografia etc.
O acervo da Biblioteca Cicognara está disponível na Biblioteca Central César Lattes
– Diretoria de Coleções Especiais, responsável pelo manuseio, conservação e
disponibilização das obras.
Além da importância do acervo, vale notar que a Unicamp é a primeira Instituição da
América do Sul a receber este valioso acervo, composto por 4.800 títulos, e que
estão em forma de 40.000 microfichas, contendo cópia integral da biblioteca.

�Histórico
FRANCESCO LEOPOLDO CICOGNARA
Francesco Leopoldo Cicognara foi crítico, historiador da arte, bibliófilo, pintor e um
grande admirador das artes. A biblioteca é um conjunto de livros que Cicognara
acumulou durante a vida e que foi comprado pelo Vaticano, porque o artista estava
falido.
Cicognara nasceu em Ferrara em 1767 e morreu em Veneza em 1834. Aos 21 anos
chegou a Roma, onde morou até 1790. Foi admitido, em seguida, como membro da
Società dell’ Arcádia e dos círculos neoclássicos.
Estabelecido em Veneza em 1808, quando foi nomeado presidente da Accademia di
Belle Arti di Venezia, publicou sua primeira grande obra, Del Bello, na qual retoma
aos princípios da estética iluminista e neoclássica sobre os ideais da educação
estética da humanidade e do conceito de sublime. Mais tarde, entre 1813 e 1818,
Cicognara publicou a obra que posteriormente o tornaria conhecido, a Storia Della
Scultura dal suo Risorgimento in Itália sino al Secolo di Canova (em seis volumes),
na qual o ponto de partida, o retorno da escultura aos modelos antigos em meados
do século 13, eram fornecidos por Nicola Pisano, e o ponto de chegada, por Canova,
considerado como a máxima expressão do clássico nos tempos modernos.
Segundo MARQUES FILHO (2003) , “Francesco Leopoldo Cicognara é hoje um dos
mestres fundadores de um intenso campo de estudos, que é a História da Arte, o
artífice da mais importante e judiciosamente catalogada biblioteca de fontes da
história da arte e da arqueologia clássica jamais reunida até seus dias”.

�Justificativa
§ Divulgar o acervo da coleção Cicognara da Unicamp, utilizando recursos de
recuperação

de

informação

adequada

às

reais

necessidades

dos

pesquisadores da área.

Objetivos
§ Disponibilizar o acervo de microfichas da Coleção Cicognara, tornando a
pesquisa acessível;
§ Propor uma metodologia de tratamento da informação em microfichas, para
inserção de dados na Base ACERVUS da UNICAMP, seguindo padrões
internacionais de catalogação de acordo com o AACR2 (Código de
Catalogação Anglo-Americano segunda edição – revisão de 2002) e Formato
MARC 21, atendendo ao protocolo de comunicação Z39.50.

Diretoria da Área de Tratamento da Informação
Entre as atividades, compete a Diretoria da Área de Tratamento da Informação,
reunir, organizar, armazenar e divulgar o acervo do Sistema de Bibliotecas da
Unicamp, visando otimizar o uso do material bibliográfico necessários aos programas
de ensino, pesquisa e extensão da Universidade.

.

�Metodologia para Tratamento da Informação em Microfichas da Biblioteca
Cicognara
Foi desenvolvida uma metodologia de tratamento da informação, envolvendo a
organização física (arranjo e tombamento), como também, a disseminação e
recuperação da informação, através da catalogação, classificação e indexação deste
material, atendendo aos padrões internacionais de descrição de documentos,
conforme AACR2 (Código de Catalogação Anglo-Americano segunda edição –
revisão de 2002) e Formato MARC 21, de acordo com o protocolo de comunicação
Z39.50
Segundo definição do AACR2, temos:
Microforma - “Termo genérico usado para qualquer meio, transparente ou opaco,
que contém micro-imagens”.
Microfichas - “Película que contem um certo número de micro-imagens em um
arranjo bidimensional”.
Organização das microfichas
As microfichas foram organizadas pela University of Illinois at Urbana-Champaign
(EUA) conforme o arranjo do Conde Leopoldo Cicognara, em ordem numérica de
acordo com os tópicos de assunto, e acondicionadas em envelopes especiais. Na
Biblioteca Central Cesar Lattes - Unicamp, estes envelopes estão em caixas
plásticas numeradas apropriadas para

esse tipo de material, mantidas em sala

climatizada na Diretoria de Coleções Especiais / Obras Raras.

�Procedimentos de Catalogação do acervo da Biblioteca Cicognara
Preenchimento da planilha de microficha
Aqui estão destacados os parágrafos que apresentam dados específicos deste
suporte de material (microformas). Os demais campos da planilha seguem a
padronização já adotada.
Parágrafos a serem preenchidos:
Parágrafo 007

h = Microforma = Microficha

�Tela referente ao preenchimento do parágrafo 007 para Microfichas

Parágrafo 020
Registra-se o ISBN da obra, acrescido de qualificações do item. Quando não há
ISBN, usa-se somente a qualificação, conforme AACR2 (Regra 9.8E.)
020  

 \a (Microficha)

Parágrafo 090 - número de chamada local
Como forma de facilitar a organização e a recuperação do material foi adotada a
seguinte forma de localização:
\a Dados informacionais com: Abreviatura do termo Microficha, número da obra no
catálogo da Coleção Cicognara, número de microfichas de cada título, número da
caixa onde estão os envelopes com as microfichas.
\d Informações sobre a coleção
090  

 \a Mficha1048 (4) Cx12 \d BC-CIGN

�Parágrafo 245
Nesse parágrafo é acrescentada, conforme AACR2 (Regra 1.1C2), a Designação
Geral do Material (DGM), entre colchetes, imediatamente após o título.
245  1  0  \a Catalogo ragionato dei libri d'arte e d'antichita posseduti dal Conte
Cicognara \h [microficha] \c Leopoldo Cicognara. Parágrafo 300
\a Dados informacionais com: quantidade de microfichas referentes à obra
catalogada, seguido do número de fotogramas contidos, aproximadamente, em cada
microficha, entre parenteses.
\b Informação se a obra é ilustrada
\c Descrição das dimensões da microficha
300  

 \a 14 microfichas (ca. 35 fotogr. cada) : \b il.; \c 11x15 cm.

Parágrafo 534
Nesse parágrafo é informada a nota de versão original da obra.
\p Frase introdutória com a citação da obra original
\c Descrição da publicação, distribuição, etc. do original.

534    \p Reprodução de: \c Pisa: Nicolo Capurro, 1821.

�Exemplo de Planilha MARC preenchida com todos os parágrafos com dados de
uma Microficha

�Tela do Item disponibilizada na base ACERVUS

Considerações finais

As bibliotecas encontram-se hoje em uma situação híbrida, pois têm que lidar com
todo os tipos de materiais, abrangendo impressos, multiformas, audiovisuais,
eletrônicos. (incluindo a Internet) e multimídia. Os bibliotecários precisam estar
conscientes de todo o potencial dos formatos e incluí-los nas suas coleções. A
variedade de materiais em diferentes suportes, adquiridos por uma biblioteca, deve
basear-se nas necessidades dos seus usuários, na tipologia das suas atividades e
nas suas responsabilidades específicas. Estes materiais têm características próprias
que requerem práticas de catalogação específicas. O processo de catalogação deve

�ser orientado por normas reconhecidas e partilhadas, visando a conservação e/ou
disponibilização de seus conteúdos, podendo compartilhar recursos informacionais
em âmbito mundial.
O procedimento de catalogação desenvolvido pelo SBU para esse tipo de suporte,
permite uma abordagem eficiente, com uma descrição do conteúdo, detalhada,
permitindo uma ampla abrangência de acesso à informação e às obras da Coleção
Cicognara.

Project of Cataloguing of Microformas: experience with the Cicognara
Collection in the Central Library “Cesar Lattes” - System of Libraries of the
Unicamp
The work considers a methodology of treatment of the information of a type of
material in microform (microfiche), for automatized systems of bibliographical data.
The collection Cicognara Library, object of this study, is composed for a precious
patrimony of 5.000 books on the History of the Art and Antiquity, century XVI to the
XIX and had been congregated in the publication: Catálogo Ragionato dei Libri
d’art e e d’antichità (1821), by conde Italian Francesco Leopoldo Cicognara (17671834). In sight of the importance of the quantity and the necessity to make possible
the access to the knowledge, until then inaccessible, was developed a project of
cataloguing for inclusion in the Database ACERVUS of the System of Libraries of
Unicamp. The work was concentrated in the analysis on the treatment of this type of
material in other centers of information and the materials of reference of the area. The
cataloguing of microfiches is being developed following the internationails norms and
standards, AACR2 and MARC21, taking care with the protocol of Z39.50.
communication. Still they are boarded specific aspects of local records number
All the relevance fields of microfiches had been enclosed, aiming to preserve the
biggest number of information.
Keywords: Microfiches - Cataloguing. Base ACERVUS. UNICAMP. Library records.
Format MARC 21. AACR2.

�Referências bibliográficas
BIBLIOTECA Cicognara. Cicognara Library: Literary Sources in the History of Art and
Kindred Subjects. Urbana, Ill.: Leopoldo Cicognara Program, University of Illinois
Library; [Vatican City]: Vatican Library, 1989-.
CATALOGO regionato dei libri d’arte e d’antichita posseduti dal Conte Cicognara
(Vatican Press, 2001). A critical edition of the 1821 imprint publishe in Pisa is in
press. Co-editor with Philipp P. Fehl and Maria Raina Fehl.
CÓDIGO de Catalogação Anglo-Americano. 2. ed. rev. São Paulo: FEBAB, 2004.
FERREIRA, Margarida M. (comp.) MARC 21: formato condensado para dados
bibliográficos. 2.ed. Marília: Unesp Marília, 2002. v.1 (Publicações Técnicas; n.2)
MARQUES FILHO, L.C. País terá acesso a 500 anos de tradição clássica.
ItaliaOggi,
02
abril
2003.
Disponível
em:
&lt;http://www.italiaoggi.com.br/not04_0603/ital_not20030402h.htm&gt;. Acesso em: 02 de
abril de 2003.

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>Projeto de catalogação de microformas: experiência com a Coleção Cicognara na Biblioteca Central Cesar Lattes - Sistema de Bibliotecas da UNICAMP.</text>
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                <text>O trabalho propõe uma metodologia de tratamento da informação de um tipo de material em microforma (microficha), para sistemas automatizados de dados bibliográficos. A coleção Biblioteca Cicognara, objeto desse estudo, é composta por um precioso patrimônio de 5.000 livros sobre a História da Arte e Antiguidade, do século XVI ao XIX e foram reunidos na publicação: Catálogo Ragionato dei Libri d`arte e d`antichità (1821), pelo conde italiano Francesco Leopoldo Cicognara (1767-1834). Em vista da importância do acervo e a necessidade de possibilitar o acesso ao conhecimento, até então inacessível, foi desenvolvido um projeto de catalogação para inclusão na Base de Dados ACERVUS do Sistema de Bibliotecas da Unicamp. Concentrou-se o trabalho, na análise sobre o tratamento desse tipo de material em outros centros de informação e nos materiais de referência da área. A catalogação de microfichas está sendo desenvolvida seguindo a normas e padrões internacionais, AACR2 e MARC21, atendendo ao protocolo de comunicação Z39.50. Todos os campos relevantes das microfichas foram incluídos, visando preservar o maior número de informações.</text>
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                    <text>PROJETO DE CRIAÇÃO DA REDE DE BIBLIOTECAS EM SAÚDE DE
ANGOLA

Ilma Maria Horsth Noronha, Tecnologista, Especialista em Informação e
Informática em Saúde, FIOCRUZ. Av. Brasil 4.365 Manguinhos, Rio de Janeiro
CEP 21040-9000 Brasil ilma@cict.fiocruz.br
Jeorgina Gentil Rodrigues, Tecnologista, Mestre em Ciência da Informação,
FIOCRUZ. Av. Brasil 4.365 Manguinhos, Rio de Janeiro CEP 21040-9000
Brasil jeorgina@cict.fiocruz.br

�PROJETO DE CRIAÇÃO DA REDE DE BIBLIOTECAS EM SAÚDE DE
ANGOLA
Ilma Maria Horsth Noronha1
Jeorgina Gentil Rodrigues2

RESUMO
O presente projeto nasceu da decisão política e técnica dos dirigentes do
Ministério da Saúde de Angola (MINSA), que aprovou como estratégia de
fortalecimento do seu Sistema de Saúde, o desenvolvimento de uma política de
Recursos Humanos em Saúde, resultando na discussão da criação da Escola
de Saúde Pública de Angola (ENSPA) que apontou a necessidade de fortalecer
as bibliotecas de saúde existentes e estimular o desenvolvimento de outras.
Nesse sentido, foi solicitada a cooperação técnica com o Centro de Informação
Científica e Tecnológica (CICT) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que
propôs o desenvolvimento de uma rede de bibliotecas em saúde, a fim de
propiciar acesso democrático e eqüitativo à informação científica e tecnológica
em saúde, preferencialmente em língua portuguesa, para os profissionais que
atuam na formação, na investigação e nos serviços de saúde, no âmbito do
MINSA. Como primeira etapa do projeto, se faz necessário realizar um
diagnóstico da situação atual e definir o Plano Ação para criação da Rede. Os
principais resultados esperados são: ampliação do acesso à informação em
Saúde em Língua Portuguesa; desenvolvimento da Rede de Bibliotecas em
Saúde de Angola; integração de Angola ao desenvolvimento da Biblioteca
Virtual em Saúde; fortalecimento da produção científica nacional.
Palavras-Chave: Rede de Bibliotecas - Angola; Cooperação Internacional;
Políticas Públicas de Acesso à Informação; Brasil; Angola.

1
2

Especialista em Informação e Informática em Saúde
Mestre em Ciência da Informação

�1 INTRODUÇÃO

Os dirigentes do Ministério da Saúde de Angola (MINSA) decidiram
implementar uma política de formação e capacitação de recursos humanos
como estratégia de fortalecimento do seu Sistema de Saúde. Essa decisão
incluiu o reconhecimento da função estratégica da Informação Científica e
Técnica em saúde, para efetivação dessa política.
Como parte desta política, durante a visita de uma Missão do MINSA a Fiocruz
no ano passado, convocou-se o Centro de Informação Científica e Tecnológica
(CICT), Unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que tem por missão
participar da formulação de políticas, desenvolver estratégias e executar ações
de Informação e comunicação no campo da ciência e tecnologia em saúde.
Um diagnóstico preliminar resultado de visitas a quatro instituições de saúde e
uma Oficina, realizada em Luanda, em dezembro de 2005, da qual participaram
dirigentes e técnicos do MINSA e do CICT/Fiocruz, indicou a necessidade de
fortalecer as bibliotecas de saúde já existentes no País, estimular o
desenvolvimento de outras, em províncias que ainda não dispõem de acervos
e/ou acesso à informação bibliográfica científica e técnica em saúde e integrálas em rede, objeto de que trata esse projeto: a criação da Rede de Bibliotecas
em Saúde de Angola. Esta Rede terá uma forte atividade de intercâmbio e
cooperação técnica com as Bibliotecas da Fiocruz e com outras instituições,
parceiras do CICT, como, por exemplo, a Faculdade de Saúde Pública da
Universidade de São Paulo (USP), o Instituto de Medicina Social da
Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e a Rede BIREME (Centro
Latino-Americano e do Caribe de Informações em Ciências da Saúde).

�2 JUSTIFICATIVA

Nas quatro instituições visitadas em Luanda, em entrevistas realizadas com
seus dirigentes e/ou profissionais que atuam em ambientes denominados
bibliotecas, somente na Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho
Neto encontramos uma biblioteca plenamente estruturada enquanto, com
acesso à Internet por banda larga. Em nenhuma delas há profissionais com
formação adequada, tratamento dos acervos ou infra-estrutura tecnológica
específica. Conseqüentemente, não há nenhum sistema de cooperação entre
elas, nem com outros centros internacionais de informação científica e técnica
em saúde.
Daí a necessidade de desenvolvimento de ações que respondam aos
problemas acima descritos. Dentre os principais já identificados destacamos:
o Necessidade de capacitação de profissionais, de nível técnico e superior,
para tratamento de acervos e gestão de bibliotecas. Não existe em Angola,
nenhum órgão de formação nessa área;
o Necessidade de capacitação de profissionais de Informática, de nível
técnico e superior, para instalação e manutenção da infra-estrutura
tecnológica;
o Necessidade de capacitação dos usuários para acessar as fontes de
informação bibliográficas em saúde;
o Necessidade de elaboração de uma política de desenvolvimento e
atualização de acervos de acordo com as linhas de pesquisa, ensino e
atenção à Saúde no país;
o Necessidade de mapeamento da infra-estrutura tecnológica instalada e/ou
necessária para funcionamento, interligação das bibliotecas entre si e aos
demais centros cooperantes internacionais;
o Necessidade de elaborar diagnóstico, ainda que preliminar, das bibliotecas
das escolas técnicas (ETPS) das províncias.

�3 OBJETIVO GERAL

o Apoiar o desenvolvimento de uma Rede de Bibliotecas em Saúde em
Angola, considerando o contexto sanitário e a cultural local.
Esta Rede deve ser articulada com a Biblioteca Virtual em Saúde, a fim de
proporcionar o acesso democrático e eqüitativo à informação científica e
tecnológica em saúde, preferencialmente em Língua Portuguesa, para os
profissionais que atuam na atenção, na formação e na investigação em saúde,
no âmbito do Sistema de Saúde Angolano.

4 DESENVOLVIMENTO DO PROJETO

Em dezembro de 2005, durante a visita da Missão da Fiocruz em Angola foi
elaborada pelo Grupo de Trabalho Angola-CICT/Fiocruz, a versão preliminar
desse projeto, com a definição das seguintes metas:

META 1

Realização de diagnóstico aprofundado sobre cada uma das
bibliotecas das Escolas Técnicas Provinciais de Saúde (ETPS), da
Biblioteca da Escola Nacional de Saúde Pública da Angola (ENSPA),
da Biblioteca da Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho
Neto e da Biblioteca do Instituto Nacional de Saúde Pública, que irão
compor a Rede de Bibliotecas de Angola;

META 2

Visita técnica às bibliotecas das ETPS das províncias para avaliar as
instalações físicas e condições locais;

META 3

Estudo de viabilidade e definição de etapas a cumprir para que a
Biblioteca da ETPS de Luanda assuma também a função de Centro
Nacional de Pesquisa e Documentação da Formação Profissional em
Saúde;

�META 4

Definição de ações de articulação técnica entre as Unidades da Rede
de Bibliotecas em Saúde de Angola;

META 5

Criação de mecanismos de acesso aos acervos do CICT/Fiocruz
para solicitação de material bibliográfico e áudio-visual;

META 6

Implementação de uma política de desenvolvimento de acervos e
coleções prevendo a obtenção, especialmente por doação e/ou
compra, de obras de referência, de materiais didático-pedagógicos
não convencionais, incluindo vídeos, softwares educativos e outros;

META 7

Capacitação de profissionais de nível médio para atuar nas
bibliotecas e na manutenção da infra-estrutura tecnológica;

META 8

Especialização em Informação Científica e Tecnológica em Saúde (I
C&amp;TS), na sede do CICT/Fiocruz de dois profissionais de nível
superior de Angola para gestão da Rede.

O detalhamento desse projeto contará com o assessoramento técnico de
profissionais do CICT/Fiocruz no que se refere à formação e monitoramento de
políticas e ações de formação de acervos, gestão de bibliotecas, além da
definição

e

instalação

da

infra-estrutura

tecnológica

adequada

ao

funcionamento em rede, acessível aos serviços do CICT/Fiocruz e à Biblioteca
Virtual em Saúde.
Após o Congresso Mundial da ABRASCO, aproveitando a presença de
técnicos e dirigentes do MINSA no Rio de Janeiro, deverá ser realizada uma
Oficina de trabalho envolvendo estes e colegas do CICT/Fiocruz, onde serão
discutidos o planejamento e as estratégias de avanço do projeto de criação da
Rede de Angola e intercâmbio com o CICT/Fiocruz. Serão elaboradas versões
preliminares de instrumentos de diagnóstico e gestão de bibliotecas tais como:
1- Instrumento de coleta de dados atualizados de cada biblioteca considerando:

o Desenvolvimento de coleções;
o Perfil dos profissionais em exercício;
o Perfil dos potenciais usuários;

�o Recursos materiais disponíveis;
o Infra-estrutura e recursos tecnológicos existentes;
o Perfil das instituições onde deverão ser desenvolvidas novas bibliotecas.
2 - Elaboração de normas e rotinas de funcionamento da Rede de Bibliotecas
em Saúde de Angola.

5 OUTROS APOIOS RECEBIDOS

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, Capes, tem
sua atuação voltada para a promoção do desenvolvimento da pós-graduação
nacional e a formação de pessoal de alto nível, no Brasil e no exterior.
Avaliação da Pós-graduação, a partir de sua implantação em 1976, permitiu a
Capes cumprir um papel de fundamental importância para o desenvolvimento
da educação e da pesquisa científica e tecnológica no Brasil.
Atualmente, a Fiocruz possui 14 programas de pós-graduação stricto sensu
que oferecem 12 cursos de mestrado acadêmico, quatro cursos de mestrado
profissional e 12 cursos de doutorado. Esses programas contam hoje com mais
de mil estudantes regulares, tendo sido defendidas mais de 1.000 teses e
dissertações de 2001 a 2004. Esses discentes são oriundos de várias regiões
brasileiras e também do exterior – preponderantemente, da América Latina e
da África de língua portuguesa.
Os programas de pós-graduação da Fiocruz contam com o apoio e avaliação
da Capes. Os cursos de Mestrado e de Doutorado da Fiocruz são credenciados
junto a Capes e, no último triênio de 2005, diversos programas alcançaram
nível de excelência, recebendo conceito 6 (seis), como cursos de inserção
internacional.

�6 INFRA-ESTRUTURA E APOIO TÉCNICO AO PROJETO

6.1 Transferência Tecnológica

A Rede de Bibliotecas de Saúde de Angola será credenciada como parceiro
institucional e terá acesso gratuito aos aplicativos desenvolvidos pelo
CICT/Fiocruz. Haverá plena transferência tecnológica, livre de quaisquer
barreiras que impeçam a livre expressão e circulação de idéias.

6.2 Programa de Capacitação

Com objetivo de capacitar profissionais para atuarem nas Bibliotecas da Rede
de Angola, o CICT/Fiocruz, oferece, no Rio de Janeiro, Brasil:
o Curso de Especialização em Informação Científica e Tecnológica em
Saúde (ICTS) visando capacitar profissionais graduados que atuem nas
diversas atividades ligadas à produção, organização, análise e
disponibilização da informação científica e tecnológica e atividades
correlatas em Saúde. Regime e duração: 420h/aula (1 ano).
o Treinamento em Informática visando capacitar técnicos de nível médio
em informática, tornado o aluno capaz de implementar sistemas e infraestrutura de redes, desenvolver aplicativos bibliográficos e interface
web. Regime e duração: 240h /aula (3 meses).

O CICT/Fiocruz apoiará tecnicamente o Instituto Nacional de Administração
Pública de Luanda (INAP) no desenvolvimento de curso de treinamento de
técnicos de nível médio de bibliotecas em Luanda, Angola:

�o Curso de treinamento de técnicos em Bibliotecas visando a formação de
técnicos de nível médio de bibliotecas em Luanda. Regime e duração:
240h /aula (3 meses).
Objetivos do treinamento:
o Executar procedimentos de auxilio a organização, catalogação, indexação,
classificação, preparo físico/ mecânico dos suportes informacionais;
o Executar

procedimentos

relacionados

à

alimentação

de

sistemas

informatizados de recuperação de informações;
o Executar procedimentos de auxílio à preservação e conservação das
unidades de acervo;
o Recepcionar / atender os usuários;
o Executar rotinas de empréstimo.

6.3 Oficina de Trabalho

O CICT/Fiocruz pretende realizar uma Oficina de Trabalho com os seguintes
objetivos:
1 - Elaboração de uma proposta de “Normas e rotinas de funcionamento da
Rede de Bibliotecas em Saúde de Angola”;
2 - Desenvolvimento de estratégias de apoio e fortalecimento dos periódicos
científicos publicados pela Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho
Neto (Angola).

Participantes da Oficina de Trabalho:
o Técnicos e dirigentes do MINSA,

�o Técnicos da Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto
(Angola),
o Técnicos e dirigentes do CICT.
Bibliotecas que irão compor a Rede de Bibliotecas de Angola:
o Biblioteca da ENSPA – Luanda,
o Biblioteca do Instituto Nacional de Saúde Pública de Angola (INSPA),
o Biblioteca da Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto
(UAN),
o ETPS de Luanda,
o IETPS de Huila, na cidade de Lubango,
o Instituto Médio de Saúde de Moxico.
Em médio prazo:
o ETPS de Cabinda
o ETPS de Malange
o ETPS de Huambo

7 RESULTADOS ESPERADOS

Os principais resultados esperados são:

o Desenvolvimento da Rede de Bibliotecas em Saúde de Angola;
o Ampliação do acesso à informação em Saúde em Língua Portuguesa;
o Integração das Bibliotecas em Saúde de Angola ao CICT/Fiocruz;
o Formação de especialistas em Informação Científica e Tecnológica em
Saúde-C&amp;TS;
o Capacitação de profissionais de nível técnico em Informação e Saúde;

�o Integração de Angola ao esforço brasileiro de desenvolvimento da
Biblioteca Virtual em Saúde;
o Fortalecimento e aumento da visibilidade da produção científica nacional
Angolana;
o Apoio à tomada de decisão em saúde baseada em informações científicas e
tecnológicas atualizadas e abrangentes.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Relatório de Atividades: 2004-2005. Rio de
Janeiro: DIPLAN, 2005. Disponível em: http://www.fiocruz.br/. Acesso em: 4 de
maio de 2006.
FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. CENTRO DE INFORMAÇÃO CIENTÍFICA E
TECNOLÓGICA; MINISTÉRIO DA SAÚDE DE ANGOLA. Projeto de Criação
da Rede de Bibliotecas em Saúde de Angola. Rio de Janeiro, 2005.

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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O presente projeto nasceu da decisão política e técnica dos dirigentes do Ministério da Saúde de Angola (MINSA), que aprovou como estratégia de fortalecimento do seu Sistema de Saúde, o desenvolvimento de uma política de Recursos Humanos em Saúde, resultando na discussão da criação da Escola de Saúde Pública de Angola (ENSPA) que apontou a necessidade de fortalecer as bibliotecas de saúde existentes e estimular o desenvolvimento de outras. Nesse sentido, foi solicitada a cooperação técnica com o Centro de Informação Científica e Tecnológica (CICT) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que propôs o desenvolvimento de uma rede de bibliotecas em saúde, a fim de propiciar acesso democrático e eqüitativo à informação científica e tecnológica em saúde, preferencialmente em língua portuguesa, para os profissionais que atuam na formação, na investigação e nos serviços de saúde, no âmbito do MINSA. Como primeira etapa do projeto, se faz necessário realizar um diagnóstico da situação atual e definir o Plano Ação para criação da Rede. Os principais resultados esperados são: ampliação do acesso à informação em Saúde em Língua Portuguesa; desenvolvimento da Rede de Bibliotecas em Saúde de Angola; integração de Angola ao desenvolvimento da Biblioteca Virtual em Saúde; fortalecimento da produção científica nacional.</text>
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                    <text>Projeto de Resgate da produção científica
do Instituto Oswaldo Cruz

Fábio Lúcio Nascimento Marques
Bibliotecário
Fundação Oswaldo Cruz – CICT – Biblioteca de Manguinhos
Av. Brasil 4365 - CEP: 21040-900 - Brasil - Rio de Janeiro - RJ
e-mail: fmarques@cict.fiocruz.br
http://www.bibmanguinhos.cict.fiocruz.br

Alexandre Medeiros Correia de Sousa
Bibliotecário Mestre em Ciência da Informação
Fundação Oswaldo Cruz – CICT – Biblioteca de Manguinhos
Av. Brasil 4365 - CEP: 21040-900 - Brasil - Rio de Janeiro - RJ
e-mail: fmarques@cict.fiocruz.br
http://www.bibmanguinhos.cict.fiocruz.br

�Projeto de Resgate da produção científica
do Instituto Oswaldo Cruz

Fábio Lucio Nascimento Marques1
Alexandre Medeiros Correia de Sousa2

Resumo: Criada a mais de um século, a Fundação Oswaldo Cruz se tornou ao longo dos
anos o mais importante centro brasileiro em estudo e pesquisa na área biomédica, e
durante todo esse tempo a Biblioteca de Manguinhos acompanhou a sua evolução,
tornando-se uma das maiores bibliotecas da área na América Latina. Um dos
compromissos da Biblioteca de Manguinhos é de, além, de prover e disseminar para o
desenvolvimento científico institucional, tornar-se um dos pólos de salvaguarda da
produção da FIOCRUZ. Este projeto tem como objetivo disseminar de forma organizada e
sistemática toda a produção cientifica e intelectual dos pesquisadores do Instituto
Oswaldo Cruz criando uma base de dados unificada de todos os trabalhos científicos
publicados, batizada de PROMAN (Produção de Manguinhos). Para realização deste
trabalho, todo o material coletado dos pesquisadores é reunido em caixas individuais, é
Identificada a produção do IOC em PROMAN e Não PROMAN, catalogado segundo as
normas da AACR2, formato MARC, e Indexado utilizando-se o DeCS e o TEMAN, com o
intuito de produzir um catálogo cronológico da produção cientifica dos pesquisadores que
poderá ser consultado localmente e no catálogo on line “Acervos Bibliográficos”, visando
fornecer subsídios para novos conhecimentos em pesquisa histórica na área biomédica.
Palavras-chave: História das ciências; Produção de conhecimento; Pesquisa ibliográfica;
Disseminação da informação; Memória cientifica institucional.

INTRODUÇÃO

A Fundação Oswaldo Cruz se tornou ao longo dos anos o mais importante centro
brasileiro em estudo e pesquisa na área biomédica. A Biblioteca de Manguinhos, tornouse uma das maiores bibliotecas da área na América Latina. Um dos compromissos da
Biblioteca de Manguinhos é de, além, de prover e disseminar para o desenvolvimento
científico institucional, tornar-se um dos pólos de salvaguarda da produção da FIOCRUZ
com o objetivo disseminar de forma organizada e sistemática toda a produção cientifica e
intelectual dos pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz criando uma base de dados
unificada de todos os trabalhos científicos publicados, batizada de PROMAN (Produção
de Manguinhos)
1

Bibliotecário. Fundação Oswaldo Cruz – CICT – Biblioteca de Manguinhos.
e-mail: fmarques@cict.fiocruz.br
2
Bibliotecário. Fundação Oswaldo Cruz – CICT – Biblioteca de Manguinhos
e-mail: correia@cict.fiocruz.br

�Com esse princípio surgiu no âmbito técnico da Biblioteca a PROMAN (Produção de
Manguinhos) e tem por objetivo identificar, recolher, organizar e divulgar toda a Produção
Científica dos pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC). A atividade já identificou
cerca de 1000 pesquisadores, recolhendo trabalhos que datam desde o início do século
XX, relatando dentre outros tópicos, descobertas de doenças e organismos até os dias
atuais, com pesquisas de ponta na área de Medicina Experimental. Visando preservar e
disseminar a partir da reunião da produção na Biblioteca de Manguinhos, esta atividade já
foi responsável pelo resgate de material que não se encontrava mais dentro das
dependências da FIOCRUZ e estavam em outras instituições.

A PROMAN já identificou cerca de 1000 pesquisadores, recolhendo trabalhos que datam
desde o início do século XX, relatando dentre outros tópicos, descobertas de doenças e
organismos até os dias atuais, com pesquisas de ponta na área de Medicina
Experimental. Visando preservar e disseminar a partir da reunião da produção na
Biblioteca de Manguinhos, esta atividade já foi responsável pelo resgate de material que
não se encontrava mais dentro das dependências da FIOCRUZ e estavam em outras
instituições.

Realizado de forma simples há muitos anos pela biblioteca – inicialmente anotada em
fichas catalográficas – em 1986 foi criado, para dar suporte documental de qualidade a
essa tarefa, um projeto financiado pela FINEP de criação de um vocabulário controlado
que pudesse abranger de forma satisfatória o trabalho intelectual de indexação de toda a
produção. Surgiu assim o Tesauro de Manguinhos (TEMAN), que é utilizado pelos
bibliotecários neste trabalho. Vale ressaltar que este tesauro hoje se encontra em fase de
ampliação.

Além de prover um trabalho de indexação de autor(es), títulos, ano, Unidade,
Departamento, Laboratório e assunto para tornar a base acessível, a PROMAN procura
também participar de iniciativas de divulgação. Em 1990 a Biblioteca de Manguinhos
lançou a publicação “Lauro Travassos – Bibliografia” com toda a produção deste
pesquisador, organizada em índices de autores, assunto e taxionômicos (organismos
identificados por Travassos). Três anos depois foi lançada a publicação “Amílcar Vianna
Martins – Bibliografia” com a mesma estrutura.

�Ao uma lacuna de publicações devido ao fato do esvaziamento de funcionários, a
PROMAN participou do projeto desenvolvido pelo Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq)
de Bibliotecas Virtuais sobre a vida de grandes pesquisadores brasileiros dentro do portal
Prossiga, lançando em 2000 os sites de Carlos Chagas e Oswaldo Cruz. Recentemente a
PROMAN participou do projeto de resgate e publicação dos trabalhos completos do
pesquisador Adolpho Lutz.

Após passar por uma reestruturação devido à implementação do software ALEPH na
Biblioteca de Manguinhos, a PROMAN adotou a política de trabalho por períodos
históricos. Como o sistema ALEPH permite uma maior agilidade na manutenção e
divulgação dos dados armazenados, a Biblioteca de Manguinhos prevê que a divulgação
da PROMAN será facilitada pela exposição do catálogo on-line – a base de dados
“Acervos Bibliográficos”, acessível através do site da Biblioteca (http://www.fiocruz.br), e
com a possibilidade de impressão de índices e outros produtos que o software pode
oferecer.

A PROMAN é direcionada a pesquisadores, historiadores e demais usuários que queiram
consultar dados de caráter histórico e especializado sobre o escopo da coleção.

Na primeira fase, será trabalhada toda a produção científica realizada nas primeiras 40
décadas do século XX, para que esteja disponível dentro desta base de dados, que
permitirá uma divulgação e administração mais ágil das informações. Vale ressaltar que
será realizado em paralelo a essa atividade, o recolhimento da produção atual do Instituto.

JUSTIFICATIVA

O desafio primordial é unir e disseminar de forma organizada e sistemática toda a
produção científica e intelectual dos pesquisadores, com o intuito de criar uma base de
dados unificada de todo o trabalho desenvolvido pelo IOC, para que desta forma, a
instituição não perca o seu referencial científico e histórico no desenvolvimento dos
campos de atuação.

Esse trabalho vai muito mais além de uma simples reunião de documentos e de
preservação da memória intelectual do Instituto pura e simplesmente. A PROMAN procura
de forma centralizada e organizada fornecer a quem o consulta a oportunidade de

�dissecar e reconstruir intelectualmente a atuação das diversas linhas de pesquisa dentro
do Instituto, ou seja, o pesquisador interno terá subsídios para resgatar o conhecimento
de seus antecessores para dar continuidade a esses trabalhos ou desenvolver novas
linhas baseadas nesses dados, e para o pesquisador externo ter uma visão ampla e
eficiente de toda a produção desenvolvida ao longo destes 106 anos de história.

Vale ressaltar que este projeto contribui e atende a interesses de outras frentes de
trabalho desenvolvidas pela Biblioteca de Manguinhos. Os projetos “Socialização do
acesso da coleção de obras raras e especiais da FIOCRUZ” e “Implantação da Biblioteca
Virtual em Saúde de Doenças Infecciosas e Parasitárias – BVS-DIP” trabalham com
acervos que possuem pontos em comum com o acervo da PROMAN.

O primeiro projeto prevê entre suas realizações a criação do banco de teses raras, que
terá entre um de seus focos o acervo da PROMAN, já que este depositário possui teses
dos pesquisadores do IOC não encontradas em outros acervos. O segundo projeto prevê
o levantamento, dentro da produção do IOC, dos trabalhos em Parasitologia e Doenças
Infecciosas que serão disponibilizados na BVS-DIP segundo metodologia própria.

Por esse motivo, existe a necessidade de estruturar uma equipe de bibliotecários para dar
continuidade ao processo de desenvolvimento da proposta de trabalho da PROMAN, que
se encontra em situação de risco.

OBJETIVOS

1. Identificar, resgatar, organizar, preservar e divulgar a memória científica institucional,
indexando os dados por autor(es), título(s), ano, Unidade, Departamento, Laboratório e
fontes documentais que viabilizará a Produção Científica do Instituto Oswaldo Cruz
através dos tempos, nos mesmos moldes de outras instituições científicas;

2. Manter reunido em um só local toda a produção científica, inclusive localizando e
trazendo para o acervo da PROMAN trabalhos que não se encontram depositados nos
diferentes núcleos documentais da FIOCRUZ.

�3. Possibilitar a criação de um canal de comunicação permanente entre a Biblioteca de
Manguinhos e seus pesquisadores, que estreitará os laços com a biblioteca, facilitando a
vinda de coleções importantes para o acervo.

4. Participar e/ou gerar produtos que tenham como base o acervo reunido na PROMAN,
independente da veiculação que venham a ter (escrita, multimídia, etc.)

5. Permitir o estudo da produção científica e intelectual da ação dos pesquisadores, pois
através de suas publicações, será possível mensurar suas atividades dentro e fora do
Instituto.

6. Disponibilizar todas as informações na base on-line da Biblioteca de Manguinhos
“Acervos Bibliográficos”.

METODOLOGIA

Para o começo dos trabalhos, buscou-se um marco inicial na produção cientifica do IOC.
Tomou-se, portanto, como documento inicial o artigo “Contribuição para o estudo da curva
leucocitaria nas infecções e intoxicações” de autoria de Oswaldo Cruz.

Cada pesquisador efetivo do Instituto, após a identificação e confirmação de seu vinculo e
período de trabalho, é registrado no catálogo de autores e, em seguida, é criada uma
pasta para o recolhimento de seus trabalhos. Elabora-se uma “Lista-Base” de sua
produção realizada no Instituto.

Informações sobre o nascimento e a morte dos cientistas, seus períodos de permanência
no instituto, os cargos que exerceram, as especialidades nas quais aturam, os estágios,
curso e prêmios recebidos formam um grupo de documentos denominado “Informações
Biobibliográficas” para que sejam usados em trabalhos biográficos sobre o pesquisador
ou qualquer outro trabalho afim.

Após o trabalho de levantamento exaustivo, localização e reunião dos documentos,
através do material bibliográfico reunido na FIOCRUZ e de catálogos coletivos de outras
bibliotecas brasileiras, é iniciado o trabalho de análise dos dados visando à inserção das
informações na base. É feito também a pesquisa de autoridade e das relações de co-

�autoria dos cientistas, com membros internos e externos do Instituto, para as devidas
padronizações.

Posteriormente é feita toda a checagem dos dados das fontes dos trabalhos recolhidos,
garantindo informações completas para a correta referência bibliográfica (livros, revistas,
teses, etc.)

Concluída esta primeira etapa, os documentos são tratados, visando o seu planilhamento
para a entrada das informações na base de dados da Biblioteca de Manguinhos “Acervos
Bibliográficos” utilizando o software ALEPH, com o formato MARC.

Além de se registrar os trabalhos por seu(s) autor(es), título(s), fonte, ano, laboratório de
origem do pesquisador, entre outras entradas, é indispensável registrar o quão importante
é a recuperação por assunto, para que a pesquisa tenha uma resposta correta e plena,
com uma revocação capaz de gerar a precisão adequada à comunidade científica. A
utilização do Tesauro de Manguinhos (TEMAN) vem ao encontro desta premissa.

Essa metodologia se aplicará a todo o material datado de 1900 a 1929 – que já se
encontra em sua grande maioria nas dependências da Biblioteca – e para o material da
produção recente que, apesar de não ter o tratamento correto devido à falta de pessoal,
será recolhido para o posterior tratamento.

DESENVOLVIMENTO

Foram levantados 45 pesquisadores no período abordado e identificados 1439 trabalhos
publicados. Vale ressaltar que só entrarão para a base os trabalhos que forem julgados
oriundo de pesquisa realizadas no Instituto, por pesquisadores vinculados diretamente ao
IOC, ou seja, este número de trabalhos sofrerá alteração.

O Gráfico 1 demonstra
cronológico abordado.

a distribuição da produção cientifica pelos anos do período

�Número de trabalhos publicados pelo
Instituto Oswaldo Cruz publicados entre 1900 e 1929

Número de trabalhos publicados

200

160

120

80

40

29

28

27

26

25

24

23

22

21

1920

18

1919

17

16

15

14

13

12

11

09

1910

08

07

06

05

04

03

02

01

1900

0

Trabalhos Publicados

Podemos perceber, pelo gráfico acima, a variação que o ritmo de produção sofreu ao
longo dos anos. Isto demonstra como o trabalho sobre as produções cientificas de
instituições brasileiras pode fornecer importantes informações para as pesquisas sobre o
histórico do desenvolvimento das ciências no Brasil.

Do universo dos trabalhos identificados, já foram recolhidos, catalogado e indexado
cinqüenta e três por cento do total. Temos a expectativa que dentro de mais um ano de
trabalho, todos os trabalhos estejam devidamente tratados.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O trabalho da PROMAN é contínuo e indissolúvel, ou seja, enquanto houver
pesquisadores produzindo no Instituto Oswaldo Cruz, haverá trabalho para a Biblioteca de
Manguinhos. Procurando estabelecer metas de trabalhos, foi adotada a filosofia do
tratamento cronológico.

Pretende-se, dentro dos próximos 24 meses se esgotar todo o trabalho documental no
material datado entre 1900 e 1929.

�No final do prazo, todo esse material estará disponível localmente na Biblioteca de
Manguinhos e no seu catálogo on-line, a base de dados “Acervos Bibliográficos”. A cópia
dos documentos poderá ser solicitada pessoalmente ou através de comutação
bibliográfica, atingindo desta forma todas as instituições de pesquisa brasileiras e
estrangeiras que possuam comutação.

Este trabalho está sendo realizado por um bibliotecário que possui as seguintes funções:

•

Identificação do(s) pesquisador(es) a ser(em) trabalhado(s);

•

Levantamento, recolhimento e checagem de sua produção científica;

•

Preenchimento de planilha própria com a documentação levantada, visando
à inserção de dados no sistema ALEPH;

•

Indexação de assuntos, utilizando o TEMAN;

•

Acondicionamento do material trabalhado.

No decorrer deste trabalho, esperamos apresentar um projeto complementar que realize a
digitalização de todo o material trabalhado e assim atingir um número ainda maior de
usuários.

Estamos certos que na história de glórias que a FIOCRUZ tem nestes 102 anos de vida, a
Biblioteca de Manguinhos tem um papel de destaque. Não é de se espantar os cuidados
que a comunidade científica tem pelo seu acervo e tudo o que ele representa. Oswaldo
Cruz, com extrema sensibilidade, percebeu que a construção de uma biblioteca forte é o
alicerce para o desenvolvimento de toda e qualquer pesquisa.

REFERÊNCIAS

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Oswaldo Cruz: Instituto de Manguinhos. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de
Janeiro, v. 48, p. 1-50, 1950.
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UFRJ, 1994. 2 v.
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Rio de Janeiro: Casa de Oswaldo Cruz, 1990.

�BUSTAMANTE, Emilia Machado de. As bibliotecas especializadas como fontes de
orientação na pesquisa científica. Rio de Janeiro: Instituto Oswaldo Cruz, 1958.
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Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação)– Instituto Brasileiro de Informação em
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GARVEY, William. D. Communication the essence of science. Oxford: Pergamon,
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MEADOWS, Arthur Jack. A comunicação científica. Brasília: Briquet de Lemos, 1999.
MIRANDA, Dely Bezerra de; PEREIRA, Maria de Nazaré Freitas. O periódico científico
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POPPER, Karl. A lógica da pesquisa científica. São Paulo: Editora Cultrix, 1998
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          <name>Dublin Core</name>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Criada a mais de um século, a Fundação Oswaldo Cruz se tornou ao longo dos anos o mais importante centro brasileiro em estudo e pesquisa na área biomédica, e durante todo esse tempo a Biblioteca de Manguinhos acompanhou a sua evolução, tornando-se uma das maiores bibliotecas da área na América Latina. Um dos compromissos da Biblioteca de Manguinhos é de, além, de prover e disseminar para o desenvolvimento científico institucional, tornar-se um dos pólos de salvaguarda da produção da FIOCRUZ. Este projeto tem como objetivo disseminar de forma organizada e sistemática toda a produção cientifica e intelectual dos pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz criando uma base de dados unificada de todos os trabalhos científicos publicados, batizada de PROMAN (Produção de Manguinhos). Para realização deste trabalho, todo o material coletado dos pesquisadores é reunido em caixas individuais, é Identificada a produção do IOC em PROMAN e Não PROMAN, catalogado segundo as normas da AACR2, formato MARC, e Indexado utilizando-se o DeCS e o TEMAN, com o intuito de produzir um catálogo cronológico da produção cientifica dos pesquisadores que poderá ser consultado localmente e no catálogo on line “Acervos Bibliográficos”, visando fornecer subsídios para novos conhecimentos em pesquisa histórica na área biomédica. Palavras-chave: História das ciências; Produção de conhecimento; Pesquisa ibliográfica; Disseminação da informação; Memória cientifica institucional.</text>
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                    <text>PROJETO MEMÓRIA INTELECTUAL DO BIBLIOTECÁRIO MINEIRO
Maria Elisa Americano do Sul Barcelos
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)  Faculdade de Direito
Associação dos Bibliotecários de Minas Gerais (ABMG)
Brasil
measbar@yahoo.com.br
bib@direito.ufmg.br
Resumo
Uma grande quantidade de trabalhos apresentados em eventos da área de
Biblioteconomia e Ciência da Informação, por Bibliotecários que atuam no
Estado de Minas Gerais, encontram-se dispersos, e muitas vezes perdidos.
Verificamos ao longo do tempo que, o Bibliotecário, acostumado a organizar a
memória de instituições e pessoas, até hoje, não se preocupou em organizar
sua memória intelectual. Baseado nesta questão surgiu a idéia de tentar
reunir em uma Biblioteca digital, estes escritos, tendo a Biblioteca
Universitária da UFMG como projeto piloto. Talvez, outros Estados resolvam
fazer o mesmo, e num futuro teremos a Memória Técnica dos Bibliotecários
Brasileiros.

�1 INTRODUÇÃO

Os Bibliotecários estão acostumados a organizar e disseminar a memória
intelectual de pessoas, atividades, e entidades, reunindo as obras de um
determinado escritor, pesquisador ou de uma instituição, mas nunca se
preocuparam em reunir os trabalhos escritos por eles e apresentados em
congressos, seminários, workshops, encontros, jornadas, etc.

Há muitos anos que o Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e
Documentação (CBBD) e o Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
(SNBU), para citar somente os dois maiores eventos da nossa profissão, fora
outros mais novos, mas com grande aceitação, acontecem. Neles os
Bibliotecários apresentam seus trabalhos, e nem sempre eles são publicados
nos anais, acabando por se perderem no tempo. Os eventos locais ou
regionais, na maioria das vezes, não confeccionavam seus anais, por falta de
patrocínio.

Assim, verificamos que os trabalhos estão se perdendo no tempo, e com isso,
a memória do profissional Bibliotecário também acaba por se perder.

Pensando nisso, surgiu o projeto para recuperar todos os trabalhos
apresentados nestes eventos, e montar uma Biblioteca digital de trabalhos de
Bibliotecários que atuam no Estado de Minas Gerais.

Como a UFMG é a instituição com maior número de Bibliotecários no Estado,
tendo grupos de estudos que geram vários documentos, além de promover
seminários internos e externos, a proposta é que este projeto seja iniciado
com a memória intelectual desta instituição, que servirá de modelo para o
projeto mais amplo, que é a Memória Intelectual do Bibliotecário Mineiro.
Este projeto pode servir de modelo para que outras Bibliotecas Universitárias
façam o mesmo, fornecendo um panorama da atuação deste segmento
profissional.

�A opção por elaborarmos a Biblioteca digital com a memória do Bibliotecário
que atua no Estado de Minas Gerais, contendo trabalhos apresentados em
Congressos, Seminários, Encontros e outros eventos similares, deixando de
lado teses e dissertações, foi devida ao fato de já existir uma Biblioteca Digital
para este tipo de material. Ficam de fora as monografias e projetos
apresentados em cursos de especialização, que poderão ser incluídas em
uma outra etapa, pois grande parte deles acabam virando trabalhos, que são
apresentados nos eventos da área.

Para que esse projeto siga em frente, é indispensável contar com a
colaboração das Bibliotecas Universitárias, Cursos de Biblioteconomia,
Bibliotecas Públicas e Órgãos de Classe (Associação, Conselho e Sindicato).

2 OBJETIVO GERAL

Organizar a Memória Intelectual dos Bibliotecários que atuam ou atuaram no
Estado de Minas Gerais.

3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

•

Montar uma Biblioteca digital de trabalhos de Bibliotecários que atuam
ou atuaram no Estado de Minas Gerais.

•

Recuperar o máximo possível de trabalhos dos Bibliotecários que
atuam ou atuaram no Estado de Minas Gerais;

•

Organizar a informação conseguida;

•

Catalogar

e

indexar

as

obras,

de

acordo

com

as

regras

biblioteconômicas;
•

Criar ferramentas de busca, para recuperação da informação contida
na Biblioteca Digital.

�4 JUSTIFICATIVA

Este é um projeto inovador, já que não temos notícias que esta iniciativa já
tenha sido tomada em algum outro lugar no Brasil. O que vemos são
Bibliotecários que atuam na profissão, e que foram reunindo ao longo tempo,
documentos diversos em formatos diversos, que viram uma Biblioteca, mas
sem a preocupação de organizar a memória intelectual do Bibliotecário.
Enfatizamos que estas Bibliotecas, normalmente, são excelentes fontes de
pesquisa, inclusive históricas, mas elas não constituem a memória técnica do
Bibliotecário.

Sabemos da existência de trabalhos que acabam se perdendo, pois
emprestamos para alguém, que empresta para um terceiro, e no final, já não
conseguimos mais localiza-los, e com isso acabamos perdendo também um
pouco da nossa história, que precisa ser resgatada.

Por vezes nos vemos a volta com algum assunto, onde necessitamos traçar a
evolução do mesmo, e a dificuldade em conseguir anais de Congressos mais
antigos é bem grande.

Este projeto poderá ser o início de outro ainda maior. Apoiado pelas
Associações, Conselhos e Sindicatos dos Bibliotecários, outros Estados
poderiam fazer o mesmo, e assim teríamos a Memória Intelectual dos
Bibliotecários brasileiros.

5 ESTRATÉGIAS DE AÇÃO

•

Fazer um levantamento junto aos Bibliotecários da UFMG (incluindo os
que já se aposentaram e os que pediram demissão do cargo), de todos
os trabalhos escritos por eles;

•

Enviar e-mail, principalmente através das listas de discussões, ao
maior número possível de Bibliotecários, para que estes nos enviem ou
o trabalho na íntegra, ou uma referência de onde ele foi publicado;

�•

Divulgar o projeto nos locais onde há maior número de Bibliotecários
trabalhando;

•

Digitar ou digitalizar os trabalhos que não se encontram em meio
eletrônico;

•

Organizar os trabalhos por época, por instituição e pelo evento no qual
eles foram apresentados.

•

Os

trabalhos

deverão

ser

enviados

para

o

e-mail

measbar@yahoo.com.br ou abmg@abmg.org.br , bib@direito.ufmg.br
ou ainda para o endereço da ABMG (Rua Guajajaras 410, sala 608.
Cento  Belo Horizonte, MG Cep 30.180-100)

5.1 Biblioteca Digital, Virtual e Eletrônica

Existe na literatura, referência a quatro tipos de Bibliotecas cuja definição se
assemelham muito: a polimídia, a eletrônica, a digital e a virtual, sendo que os
dois últimos termos são os mais utilizados. Alguns autores não fazem
distinção entre estes, e para outros a diferença é sutil.

A Biblioteca Virtual está mais relacionada com os meios de acesso, que
devem utilizar a tecnologia da internet, para processar e disponibilizar os
recursos informacionais, e ela só existe em meio virtual.

A Biblioteca Digital é aquela que só existe nos diversos meios digitais. Todo
documento impresso deve ser digitalizado para fazer parte desta Biblioteca.
Segundo York,
As bibliotecas digitais são organizações que fornecem os recursos,
incluindo

pessoal especializado

oferecer acesso

para

selecionar,

estruturar,

intelectual, traduzir, distribuir, preservar a

integridade, e garantir a permanência das coleções digitais, de tal
forma que elas estejam disponíveis para uma ou várias
comunidades.

�A Biblioteca Eletrônica, termo menos utilizado, mas que mais se adequa ao
nosso objetivo, implica na utilização das ferramentas dos computadores, para
disponibilizar não só o texto integral, mas também índices de buscas. Essa
Biblioteca pode existir paralelamente a Biblioteca tradicional, ou seja, seu
acervo, mesmo estando em meio eletrônico, pode continuar existindo também
em papel. Sua principal diferença da Biblioteca digital, é que ela disponibiliza
em meios eletrônicos, não só o conteúdo do acervo, mas também os
catálogos e serviços prestados pela Biblioteca.

A Biblioteca Polimídia, segundo Marchiori (1977) seriam instituições que
armazenam informação utilizando uma extensa e variada gama de mídias.

Verificamos que o termo Biblioteca Digital vem sendo constantemente usado
para bibliotecas com características de Biblioteca Eletrônica, já que a grande
maioria das chamadas Biblioteca Digital possuem ferramentas de busca,
características da Biblioteca Eletrônica, e que isto vem se tornando uma
tendência na literatura da área, motivo pelo qual, resolvemos denominar a
Biblioteca a ser criada, de Biblioteca Digital.

5.2 Criação da Biblioteca Digital

O primeiro passo seria a criação de uma Biblioteca Digital. Para isso é
necessário o apoio de uma instituição, que seria encarregada de coletar,
armazenar, organizar e divulgar estes trabalhos. Inicialmente, isto seria feito
pela BU/UFMG, e posteriormente, pela ABMG, que através de sua Diretoria,
tentará conseguir patrocínios para a implantação deste projeto, sendo
também encarregada de selecionar as empresas e pessoal que irão dar vida
à Memória Intelectual do Bibliotecário Mineiro.

Entre os softwares existentes, temos o Greenstone, que pode ser utilizado por
computadores que utilizam os sistemas operacionais Linux, Mac OS, ou
Windows, possui ferramentas de busca e é gratuito, podendo ser encontrado
no seguinte endereço: http://www.greenstone.org/cgi-bin/library.

�O público alvo desta Biblioteca seria os Bibliotecários e pessoas interessadas
no tipo de informação nela contida.

Deverá ser confeccionado um índice de assunto dos documentos nela
contidos, para facilitar a busca e recuperação da informação nela contida.

A escolha deste formato para colecionar os trabalhos, apesar de um custo
inicial mais elevado, no final nos permite economizar com espaço destinado a
consulta dos mesmos e com pessoal para atendimento ao usuário. Além
desta economia, a Biblioteca Digital tem a vantagem de democratizar a
informação e torná-la acessível a uma quantidade maior de pessoas.

Através da Biblioteca Digital, estaremos cumprindo nosso papel de preservar
a memória intelectual do Bibliotecário, e ao mesmo tempo estaremos
garantindo aos interessados, o acesso a informação, independentemente de
onde ele esteja.

5.3 Divulgação

A divulgação é essencial para a efetivação deste projeto, pois é indispensável
que a grande maioria dos Bibliotecários tome conhecimento do mesmo, para
enviarem os trabalhos que possuem.

Essa divulgação deverá ser feita em eventos da área; através de e-mail; com
chamadas no Boletim e no site do CRB-6; no site e comunicados da ABMG e
do Sindicato de Bibliotecários de Minas Gerais; em conversas com outros
Bibliotecários; com chamadas nas correspondências enviadas pelos Órgãos
de Classe; em comunicados emitidos pelas Escolas de Biblioteconomia
localizadas no Estado, pelas Diretorias das Bibliotecas Universitárias e
Bibliotecas Públicas localizadas em Minas Gerais, etc.

�Poderemos solicitar aos órgãos de Classe de outros Estados, que nos auxilie
nesta divulgação, para podermos abranger também os Bibliotecários que
apresentaram trabalhos enquanto trabalhavam em Minas Gerais, e que hoje
residem em outros locais.

5.4 Fase de pesquisa

Esta fase consiste em conseguir anais dos congressos e outras publicações,
para procurar neles os trabalhos publicados pelos Bibliotecários que atuam na
UFMG, e posteriormente, no Estado de Minas Gerais.

Neste momento, também procuraremos saber o nome dos Bibliotecários,
título dos trabalhos e em qual evento eles foram apresentados.

É interessante fazer um levantamento junto à Associação de Bibliotecários de
Minas Gerais (ABMG), Conselho Regional de Biblioteconomia  6a. Região
(CRB-6) e Biblioteca Universitária da Universidade Federal De Minas Gerais
(BU/UFMG), de todos os eventos realizados por estas Instituições, afim de se
obter mais dados para saber quais os trabalhos foram apresentados e quem
os apresentou.

5.5 Alimentação da Biblioteca Digital

É nesta etapa que a visualização do projeto se inicia. À medida que vamos
conseguindo os trabalhos, temos que inseri-los dentro do formato eletrônico
escolhido, e vários destes, que foram escritos e apresentados antes da
popularização do computador, deverão ser digitados ou digitalizados, para
podermos incluí-los na Biblioteca Digital.

È provável que encontremos também trabalhos que, apesar de se
encontrarem em meios eletrônicos, estão em formatos não compatíveis com
os atuais equipamentos, e, dependendo da quantidade em que forem

�encontrados, será necessário a contratação de empresa especializada na
conversão destes documentos.

5.6 Organização dos trabalhos

Esta organização se dará por ano de apresentação, dentro de cada ano elas
estarão ordenadas pela instituição a qual o autor pertencia na época de sua
apresentação, e finalmente, pelo evento em que foi apresentada. Assim, será
possível visualizar ao mesmo tempo, os eventos onde houve maior
participação de Bibliotecários atuantes em nosso Estado, e as Instituições que
mais produziram.

O assunto será recuperado através do índice, a ser elaborado por uma equipe
de bibliotecários, que deverá escolher a ferramenta mais adequada a este tipo
de trabalho (Thesauro, lista de cabeçalho de assuntos, etc.).

5.7 Centralização dos Trabalhos

Para facilitar ao máximo a aquisição destes trabalhos, eles poderão ser
reunidos nas instituições onde houver maior concentração de autores, ou
enviados individualmente para a sede da ABMG, que centralizará todos os
trabalhos, e se encarregará de entregá-los à empresa contratada.

6 PREVISÃO DE DURAÇÃO DO PROJETO

Inicialmente, pensamos em 2 anos, para conseguirmos montar a Biblioteca
Digital, mas este projeto deve ter continuidade, para que novos trabalhos que
forem apresentados, e outros trabalhos que forem encontrados, possam
continuar a alimentar essa base, ampliando seu conteúdo, e proporcionando
uma vasta bibliografia aos interessados em escrever novos trabalhos.

�7 CRONOGRAMA

Mês/ atividade
Divulgação do projeto
Procura dos trabalhos
Escolha do software
Catalog. e indexação dos trabalhos
Entrada de dados
Digitação de trabalhos
Digitalização dos trabalhos
Manutenção

2.
1.mês Mês
x
x
x
x
x
x
x

4o.
3o. mês mês
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x

5.mês em
diante
x
x
x
x
x
x

8 ORÇAMENTO
•

Salários dos Bibliotecários

•

Salários dos auxiliares

•

Encargos sociais do pessoal contratado

•

Aquisição de material de consumo (lápis, caneta, borracha, papel, tinta
para impressora)

•

Aquisição de equipamento

•

Aquisição de software

9 RECURSOS HUMANOS

•

Bibliotecários para organizar o material

•

Programadores

•

Digitadores

•

Auxiliares

10 RECURSOS MATEIRAIS

•

Matérial de escritório (papel, caneta, lápis, borracha, etc.)

•

Computador

�•

Impressora

•

Scaner

•

Fax

•

Estantes

11 CONCLUSÃO

É necessário que todos os Bibliotecários se disponham a colaborar com este
projeto, pois dependemos desta colaboração, para conseguirmos cópias dos
trabalhos que possuem, mesmo que escrito por outro Bibliotecário.

Os Bibliotecários terão neste projeto, a chance de mostrar a sua Instituição e
aos seus pares, toda a produção feita por eles e até montar também, a
Memória Intelectual dos Bibliotecários da Instituição.

Tendo em vista que, para serem aprovados para apresentação nos eventos,
os trabalhos passam antes por uma seleção, será possível mostrar sua
competência profissional, e utilizá-la como ferramenta de negociação para
futuros acordos que beneficiem a Biblioteca e/ou ao Bibliotecário.

Com a Memória Intelectual do Bibliotecário Mineiro, será possível saber os
Bibliotecários que desenvolvem projetos e quem está trabalhando em uma
determinada linha de pesquisa, facilitando o intercâmbio entre nossos
profissionais.

Com este projeto, vai ser possível resgatar grande parte dos trabalhos
intelectuais dos Bibliotecários que atuam ou atuaram em nosso Estado, e
principalmente, o mesmo tendo continuidade, evitaremos que no futuro outros
trabalhos se percam.

Acima de tudo, a Biblioteca Digital irá disponibilizar a informação para um
número bem maior de pessoas, que necessitarão apenas de um computador
conectado a internet, para acessar o trabalho desejado, gerando uma

�economia de tempo e dinheiro, já que não será necessário o deslocamento
até um determinado local para ter acesso ao documento na íntegra.

12 REFERÊNCIAS

BAX, Marcelo. A hora e a vez das bibliotecas digitais. Boletim informativo da
UFMG. Belo Horizonte, ano 27, n.1323. p.2

GREENSTONE digital library software. Disponível em:
&lt;http://www.greenstone.org/cgi-bin/library&gt;. Acesso em 22 de
março de 2006.

MARCHIORI, Patrícia Zeni. Ciberteca ou Biblioteca virtual : uma perspectiva
de recursos de informação. Ciência da Informação, Brasília, v.26, n.2, p. 115124, mai/ago. 1977.

OHIRA, Maria de Lourdes Blatt, PRADO, Noêmia Schoffen.
BIBLIOTECAS virtuais e digitais: análise de artigos de periódicos
brasileiros. Ciência da Informação. Brasília, v. 31, n. 1, p.61-74,
jan./abr., 2002.

YORK, Victoria. A biblioteca digital : recursos e projetos. Disponível em:
&lt;http://www.cgi.br/gt/gtbv/yorkatibict/sld001&gt;. Acesso em 22 de março de
2006.

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Projeto Memória Intelectual do Bibliotecário Mineiro.</text>
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                <text>Barcelos, Maria Elisa Americano do Sul</text>
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                <text>Uma grande quantidade de trabalhos apresentados em eventos da área de Biblioteconomia e Ciência da Informação, por Bibliotecários que atuam no Estado de Minas Gerais, encontram-se dispersos, e muitas vezes perdidos. Verificamos ao longo do tempo que, o Bibliotecário, acostumado a organizar a memória de instituições e pessoas, até hoje, não se preocupou em organizar sua memória intelectual. Baseado nesta questão surgiu a idéia de tentar reunir em uma Biblioteca digital, estes escritos, tendo a Biblioteca Universitária da UFMG como projeto piloto. Talvez, outros Estados resolvam fazer o mesmo, e num futuro teremos a Memória Técnica dos Bibliotecários Brasileiros.</text>
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                    <text>PROJETO PEDAGÓGICO DE CURSO E BIBLIOTECA: UMA RELAÇÃO
INDISPENSÁVEL, PORÉM COMPLEXA*

Teresinha Teterycz* *

RESUMO

Este estudo aborda a existência de uma relação clara e ao mesmo tempo complexa
entre a biblioteca universitária e os projetos pedagógicos de cursos das IES, relação
esta, vinculada a bibliografia indicada nas disciplinas dos cursos. A problemática
deste estudo, é levantar alguns fatores que contribuem para complexidade da
relação biblioteca e projeto pedagógico de curso, vivenciados na experiência como
profissional bibliotecário. As questões que se colocam como ponto de partida deste
trabalho é a definição de projeto pedagógico, suas relações com a biblioteca e os
profissionais envolvidos com este setor. Finalmente faz-se, algumas considerações
para uma relação mais sincronizada entre biblioteca, corpo docente e projeto
pedagógico.
Palavras-chaves: Projeto pedagógico de curso, Biblioteca Universitária, Gestão de
projeto pedagógico, Gestão educacional.

________
* Trabalho apresentado para a Disciplina Planejamento e Gestão de Projetos Pedagógicos no Curso
de Mestrado (PUCPR).
** Bibliotecária da FACEL – Especialista em Gestão da Informação e Inovações Tecnológicas
(FESPR); Gestão de Bibliotecas (UDESC). E-mail: teterycz@yahoo.com.br

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INTRODUÇÃO

Existe uma relação clara e ao mesmo tempo complexa entre a biblioteca
universitária e os projetos pedagógicos das IES, relação esta,

vinculada a

bibliografia indicada nas disciplinas dos cursos.
As Bibliotecas fazem parte do contexto organizacional e pedagógico
das Instituições de Ensino Superior – IES, de modo que, nessas instituições defendese a tese da biblioteca como o “coração” das IES, tese também freqüentemente
defendida pelos membros de Comissões de Avaliação de Cursos do MEC. Elas
participam diretamente no processo de ensino-aprendizagem, já que os bibliotecários
têm entre suas funções – embora a existência de profissionais que discordem - a de
educador. Isso acontece no momento em que ele interage com os alunos no
desenvolvimento das pesquisas acadêmicas e, também na provisão, organização e
disseminação do conhecimento.
A problemática deste estudo, é levantar alguns fatores que
contribuem para complexidade da relação biblioteca e projeto pedagógico de curso,
vivenciados na experiência como profissional bibliotecário.
As questões que se colocam como ponto de partida deste trabalho é a
definição de projeto pedagógico, suas relações com a biblioteca e os profissionais
envolvidos com este setor.

Finalmente faz-se algumas considerações para uma

relação mais sincronizada entre biblioteca, corpo docente e projeto pedagógico.

PROJETO PEDAGÓGICO
Importa explicitar o que se entende por projeto, pedagógico e projeto
pedagógico no quadro da presente reflexão. O futuro não existe como algo pronto,
acabado; ele é construído com o passar do tempo de acordo com o que o indivíduo

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deseja. Portanto, o projeto pode ser conceituado como um futuro pensado, planejado
diante da realidade econômica, política, social e cultural. Em síntese, “O projeto é, a
maneira de superar o contexto existente, criando o novo pela razão, emoção e ação.”
(VALE, 1999, p. 71).
Para conceituar o pedagógico recorremos a Veiga (1995, p. 13), que o define
“como as ações educativas e as características necessárias às escolas de
cumprirem seus propósitos e sua intencionalidade.”
O projeto pedagógico é visto por Vasconcellos (1995, p. 45), “como
sistematização, nunca definida, de um processo de planejamento participativo que se
aperfeiçoa e se concretiza na caminhada, onde define claramente o tipo de ação
educativa que se quer realizar” .
O projeto pedagógico é dinâmico e em permanente processo de construção,
dependendo sempre do momento histórico-social em que a instituição de ensino está
inserida. O processo de construção deve ser realizado de forma coletiva e
participativa tendo como princípios norteadores, a igualdade, liberdade, qualidade,
gestão democrática e valorização do magistério, passando pela reflexão de sete
elementos básicos que são: “as finalidades da escola, a estrutura organizacional, o
currículo, o tempo escolar, o processo de decisão, as relações de trabalho, e
avaliação.” (VEIGA, 1995, p. 31). Ainda segundo a autora,

No contexto escolar existe uma correlação de forças onde se originam os
conflitos, as tensões, as rupturas, propiciando a construção de novas formas
de relação de trabalho, com espaços abertos à reflexão coletiva que
favoreçam o diálogo, a comunicação horizontal entre os diferentes segmentos
envolvidos com o processo educativo. (VEIGA, 1995 p. 31).

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As relações de trabalho na construção do projeto pedagógico devem estar
firmadas nas atitudes de solidariedade, de reciprocidade e de participação coletiva
para a afirmação da identidade institucional que é configurada conforme a interação
das pessoas, processos e sistemas na ação educacional.

É na forma como transcorre o processo educativo e como se organiza a
instituição que se evidenciam os valores priorizados. [Portanto] É preciso
valorizar a importância da elaboração do projeto pedagógico. Não apenas o
documento em si.[...]A produção e consecutivas revisões periódicas são o
melhor instrumento para a construção e a manutenção da identidade da
escola, bem como da apropriação dela por parte de professores e
funcionários. (LARANJA, 2004, p. 241).

Entende-se a partir desta citação que a eficiência e qualidade da gestão
educacional têm como instrumento diretivo o projeto pedagógico; o sucesso deste,
passa pela construção e aceitação do mesmo, pelos atuantes na esfera educacional
e administrativa da instituição.
Para Eyng “ a importância do conjunto de colaboradores institucionais,
entre eles, professores, é fundamental na gestão educacional. A gestão coletiva e
participativa de todas as etapas do projeto tendem a resultado eficiente e eficaz.”
(p.17).

Reforçando a idéia de gestão educacional vale ressaltar o que a autora

acima citada coloca como “um novo conceito de gestão coletiva como atividade
democrática, dialógica e ecológica na implantação e aperfeiçoamento da finalidade
da organização educacional e, como conseqüência, o fortalecimento da identidade
institucional.” (2006, p.17).
Não se pode planejar um projeto pedagógico que tenha eficiente resultado
sem integrá-lo a uma política organizacional mais ampla, envolvendo os
setores/departamentos e os profissionais que interagem na implantação e
desenvolvimento desse projeto. Daí a necessidade da participação no planejamento
e desenvolvimento

dos indivíduos que fazem parte direta ou indiretamente da

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manutenção do projeto. Entende-se aqui como participação, a contribuição com
igualdade de oportunidades, de todos os envolvidos no desenvolvimento e
manutenção dos processos, isto é, auxiliar na construção consensual de um
planejamento de ação, coletivo.
A BIBLIOTECA NO CONTEXTO DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR

A capacidade de comunicação por meio de diversos tipos de documentos
escritos, gráficos e visuais é a característica peculiar do homem. A criação, difusão,
conservação, recuperação e utilização desses documentos são atividades que
desempenham um papel importante na evolução da humanidade. (DENES,
GUITTERREZ, TETERYCZ, 2001)
A visão da biblioteca como mais um lugar para armazenar e preservar os
materiais bibliográficos relevantes para o ensino e a pesquisa, com as exigências
das grandes transformações ocorridas na história da humanidade, passa a ser cada
vez mais, o centro nervoso para a interação entre aqueles que produzem a
informação e o conhecimento de seus usuários dos quais o ensino e a pesquisa
modernos dependem para o progresso da sociedade.
Para Dias Sobrinho (2005, p.80), “é fundamental que os conhecimentos se
transformem em desenvolvimento da sociedade e elevação da vida humana, em
geral, e não se privatizem como bens individuais.”
No que se refere às bibliotecas universitárias, detentoras e disseminadoras
dos

conhecimentos gerados, devem acompanhar a função das instituições de

ensino que é prover suporte para o ensino, pesquisa e extensão, conseqüentemente
para o desenvolvimento social e humano. Portanto, “uma medida de qualidade de
uma instituição de ensino superior é a excelência de sua biblioteca” (MILANESI,
1995, p. 72).

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O desenvolvimento das bibliotecas está ligado diretamente ao projeto
curricular. No entanto, as bibliotecas e seus dirigentes passam despercebidos
quando se trata do desenvolvimento do projeto pedagógico institucional, projeto
pedagógico do curso, etc. Apesar das bibliotecas, muitas vezes,

não estarem em

uma posição privilegiada, no campo do planejamento e desenvolvimento curricular,
na ótica diretiva das IES, elas ocupam um lugar de importante relevância no que
tange à qualidade de ensino pesquisa e extensão. Entretanto, além da falta de visão
por parte dos dirigentes das IES sobre o trabalho das bibliotecas no desenvolvimento
dos projeto pedagógicos, existem também, outros fatores que exercem forte
influência na relação projeto pedagógico e biblioteca. Cabe aqui, explanar alguns
desses fatores:
Formação bibliográfica do projeto curricular:

a existência de cidadãos

conscientes, críticos e participativos na sociedade da qual fazem parte, depende da
formação pela qual eles passam. E grande parte dessa formação está inserida nos
conteúdos curriculares planejados e trabalhados pelas instituições de ensino.
Para Santomé (1998, p. 130),
a ação educacional pretende, além de desenvolver capacidades para a
tomada de decisões, oferecer aos estudantes e ao próprio corpo docente
uma construção reflexiva e crítica da realidade, tomando como ponto de
partida as teorias, conceitos, procedimento, costumes, etc., que existem
nessa comunidade e aos quais se deve facilitar o acesso.

Com base na citação acima chama-se a atenção para a importância na
formação bibliográfica das disciplinas curriculares, e também, para a necessidade de
disponibilização desse conteúdo geralmente oferecido pelas bibliotecas.
As bibliotecas na sua maioria trabalham com políticas de desenvolvimento
de coleções, diretrizes que norteam a formação e atualização do acervo de forma
que atendam satisfatoriamente a demanda das disciplinas ministradas nos cursos da
instituição. Essas diretrizes indicam alguns elementos básicos na formação

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bibliográfica como por exemplo, o número de itens a serem considerados na
aquisição, formas e prazos para solicitações de materiais, entre outros.
Mesmo com as diretrizes fornecidas pela biblioteca e, a disponibilidade da
bibliografia indicada no projeto curricular, no acervo, ser um fator fundamental, é alto
o índice - realidade vivenciada freqüentemente nas IES - de indicações bibliográficas
consideradas inacessíveis para a aquisição. Isso ocorre, devido a falta de informação
por parte dos docentes quanto ao lançamento de novas publicações, falta de acesso
aos meios de divulgação científica, falta de atualização na área de atuação, entre
outros.
Otimização do acervo existente: é fundamental o conhecimento pelo docente do
acervo bibliográfico existente na biblioteca em sua área de atuação para a
otimização do material disponível. Observa-se com bastante freqüência um número
elevado de materiais não utilizados por falta de conhecimento do docente, e ainda
mais, a indicação aos alunos de bibliografia não existente no acervo em detrimento
dos existentes.
Interação professor-biblioteca:

para um bom planejamento e uso do acervo

disponível a interação professor-biblioteca é imprescindível, pois o professor é a
principal fonte de informação para a formação de um acervo de qualidade para o
suporte de cada disciplina. Porém, essa interação é praticamente inexistente.
Bibliografias esgotadas e/ou fora de publicação: o índice de indicação por parte
dos docentes de bibliografias esgotadas ou fora de publicação é elevado. No
processo de aquisição bibliográfica isso significa

experiências frustrantes na

obtenção de resultados. Isso poderia ser sanado se os docentes procurassem
verificar a situação da bibliografia (disponibilidade, novas edições, etc.), antes de
fazerem a solicitação de aquisição.
Divergências em relação a bibliografia: em muitos casos professores assumem
uma disciplina, mas não concordam com a bibliografia indicada no projeto curricular,
e estabelecem uma bibliografia paralela, sem comunicação prévia, prejudicando

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dessa forma o serviço da biblioteca que não está preparada para o atendimento da
demanda. Os alunos procuram pela bibliografia indicada pelo docente em sala de
aula e a biblioteca não dispõe da mesma.
O “Livro-texto”: aspecto bastante evidente nas IES é a visão que muitos docentes
têm da bibliografia da disciplina como “um manual” para o aprendizado. Uma visão
fechada. Não indicando e, não raramente, não aceitando a utilização de outros
autores pelo aluno. Ficando naquela “o professor segue a disciplina com este livro”,
em muitos casos o livro pode ser o mesmo, mas por ter a cor da capa ser diferente,
em muitos casos por ser reimpressão, não é aceito pelo aluno.
Segundo Santomé (1998) “existem escolas de pensamento, orientações
ideológicas, temas conflituosos e polêmicos [...] mas, mediante consulta a diferentes
fontes podemos solucionar muitas dúvidas.” O autor complementa ainda que
“aprendemos a aprender” , algo que as instituições de ensino [e docentes] devem
ensinar de forma prioritária.”
A falta de incentivo por parte das instituições de ensino e dos docentes, faz
com que o aluno deixe de construir uma visão crítica sobre o tema seguindo a linha
na qual o professor acredita, não contribuindo para a exploração do conhecimento
disponível no acervo. O aluno age como reprodutor do conhecimento do professor.
Desenvolvimento de acervos

X custos e otimização: o investimento para a

implantação e manutenção de uma biblioteca universitária é consideravelmente alto,
cujo retorno não é tão visível e rápido conforme o esperado pelas IES. Os dirigentes
das bibliotecas sentem isso quando surgem as avaliações do Ministério da Educação
e Cultura - MEC. Sempre primando pelo desenvolvimento de acervos de qualidade,
sofrem com a pressão para a redução de custos, cortando aqui, adequando lá. Mais
um motivo para repensar a participação da biblioteca mais diretamente no
desenvolvimento dos projetos pedagógicos para a otimização de material já existente
no acervo porém, isso só poderá acontecer se o corpo docente conhecer o acervo.

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Publicações em língua estrangeira: sabe-se que em nosso país há uma parcela
muito grande da população que tem dificuldades com a própria língua. Adquirir
acervos em língua estrangeira, exceto para alguns cursos onde essa língua é
imprescindível, é investimento sem otimização. Observa-se nas bibliotecas um
grande número de obras desse tipo que não são utilizadas, mesmo sendo indicadas
pelos professores.
CONCLUSÃO
Com base na discussão da teorização de planejamento e desenvolvimento
de projetos pedagógicos e dos fatores que contribuem para a complexidade da
relação projeto pedagógico e biblioteca, conclui-se, que é imprescindível que os
vários segmentos que compõem uma instituição de ensino, tenham a clareza de que
a instituição está inserida e

faz parte de um sistema organizacional, onde, a

interação e a compreensão do sistema, seja ele administrativo ou de ensinoaprendizagem, é um fator determinante para um ensino de qualidade e eficiência
administrativa.
Nas instituições formam-se sistemas independentes, isolados e, muitas
vezes, conflituosos. Isso acontece entre disciplinas, setores, cursos, etc. Essa
realidade departamentalizada dificulta a elaboração e manutenção de projetos
pedagógicos eficientes, que, não se compreende a amplitude do projeto pedagógico
como um todo. A solução para amenizar os conflitos é trabalhar o projeto pedagógico
de forma integrada e coletiva. A Biblioteca como subsidiária da informação e do
conhecimento para o ensino, pesquisa e extensão, através de seus profissionais,
deve fazer parte do planejamento, desenvolvimento, manutenção e avaliação dos
projetos pedagógicos nas IES.
Acredita-se que com uma interação mais direta entre biblioteca, corpo
docente e projeto pedagógico, os conflitos existentes nessa relação podem ser
amenizados. É preciso se ter em mente que ter uma bibliografia citada no projeto
pedagógico, contar com esse material no acervo da biblioteca, não é suficiente para

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um ensino de qualidade. É preciso avaliar a utilização e

o aproveitamento no

processo ensino-aprendizagem, conscientizar os administradores das IES a terem
uma visão da biblioteca como parte integrante do processo.
Segundo Burke (2003), em 1639 a Universidade de Lovain declarava que a
biblioteca era desnecessária já que “professores são bibliotecas ambulantes”. Mas
com o passar do tempo, a realidade nos mostra que com a aceleração do
desenvolvimento tecnológico dos sistemas de comunicação e o volumoso
crescimento da produção do conhecimento, a biblioteca continua como referência
para o processo de ensino-aprendizagem.
Amenizar os conflitos na relação biblioteca-projeto pedagógico-corpo
docente é um desafio árduo, porém, possível de discussão.

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REFERÊNCIAS
BURKE, P. Uma história social do conhecimento: de Gutemberg a Diderot. São
Paulo: Jorge Zahar, 2003.
DENES, R.; GUTTIERREZ, S.; TETERYCZ, T. Análise do uso de tecnologia da
informação para desenvolvimento de um sistema de recuperação de
informação para o acervo de periódicos. Curitiba: FESPR, 2001. (TCC
apresentado para a conclusão do Curso de Especialização em Gestão da Informação
e Inovações tecnológicas).
DIAS SOBRINHO, J. Dilemas da educação superior no mundo globalizado:
sociedade do conhecimento ou economia do conhecimento? Porto Alegre: ArtMed,
1998.
EYNG, A M. Projeto pedagógico institucional: a relação dialógica entre planejamento
e avaliação institucionais. In: EYNG, A M.; GISI, M. L. (Orgs.) Política e gestão da
educação superior desafios e perspectivas. Ijuí: Unijui, 2006.
LARANJA, M. Discutindo a gestão de ensino básico. In: Gestão educacional: uma
nova visão. Porto Alegre: Artmed, 2004.
MILANESI, L. O que é biblioteca. 10.ed. São Paulo: Brasiliense, 1995.
SANTOMÉ, J. T. Globalização e interdisciplinaridade: o currículo integrado. Porto
Alegre: Artmed, 2005.
VALE, J. M. F. do. Projeto político-pedagógico como instrumento coletivo de
transformação do contexto escolar. In: Formação do educador e avaliação
educacional: conferências, mesas-redondas. São Paulo: UNESP, 1999.
VASCONCELOS, C. Planejamento: plano de ensino-aprendizagem e projeto
educativo. São Paulo: Libertad, 1995.
VEIGA, I. P. Projeto político-pedagógico da escola. Campinas, SP: Papirus, 1995.

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Este estudo aborda a existência de uma relação clara e ao mesmo tempo complexa entre a biblioteca universitária e os projetos pedagógicos de cursos das IES, relação esta, vinculada a bibliografia indicada nas disciplinas dos cursos. A problemática deste estudo, é levantar alguns fatores que contribuem para complexidade da relação biblioteca e projeto pedagógico de curso, vivenciados na experiência como profissional bibliotecário. As questões que se colocam como ponto de partida deste trabalho é a definição de projeto pedagógico, suas relações com a biblioteca e os profissionais envolvidos com este setor. Finalmente faz-se, algumas considerações para uma relação mais sincronizada entre biblioteca, corpo docente e projeto pedagógico.</text>
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                    <text>UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

PROJETO XIV SNBU 2006
Convention Fiesta Center
22 a 27 de outubro de 2006
Salvador – Bahia – Brasil

“Os leitores são viajantes;
eles circulam sobre as terras de outrem,
caçam, furtivamente, como nômades
através de campos que não escreveram”.
— Michel de Certeau.

Salvador,
março de 2006.

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SUMÁRIO

1. APRESENTAÇÃO DA INSTITUIÇÃO
2. APRESENTAÇÃO DO SNBU
3. IDENTIFICAÇÃO DO PROJETO
4. JUSTIFICATIVA
5. OBJETIVOS
6. COMUNICAÇÃO
7. METODOLOGIA
8. TEMA
9. PROGRAMAÇÃO PARALELA
10. NÚCLEO ORGANIZADOR
11. PROGRAMAÇÃO (PRELIMINAR)
12. PLANILHA ORÇAMENTÁRIA
13. PROPOSTA DE PARTILHA DE PATROCÍNIO
14. DEMONSTRATIVO DA PARTILHA DE PATROCÍNIO
15. ANEXOS

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1. APRESENTAÇÃO DA INSTITUIÇÃO

Uma universidade de todos
A Universidade Federal da Bahia existe oficialmente há 59 anos e fará 60 anos neste ano
de 2006. Mas, é de 1808 que data o núcleo, criado por Dom João VI, do qual originou-se a
Faculdade de Medicina, a mais antiga escola superior do Brasil. Em meados da década de 1940,
o sistema universitário consolidou-se com o prof. Edgard Santos, o primeiro reitor, que dirigiu a
Instituição durante 15 anos. Perto dos anos 1950, a UFBA já respondia pela inovação dos
valores culturais. Graças à determinação de seu reitor, houve uma intensa ebulição no campo
das artes na década seguinte. Tanto que, apesar de localizada numa região periférica em relação
ao Sudeste mais desenvolvido, a Bahia passou a ser considerada como modelo para o restante
do país.
Hoje, o atual reitorado lança-se ao desafio de renovar a UFBA. O que se pretende é uma
universidade moderna e competente na busca da qualidade acadêmica, científica e artística,
tanto quanto no aspecto administrativo, para que desse modo se possa oferecer excelência ao
seu alunado.

Além do mais, a Universidade objetiva manter-se transparente para toda a

sociedade, por reconhecê-la como mantenedora e motivo principal de sua existência. Sociedade
implica solidariedade e valores comuns a todos os indivíduos que a constituem, o que explica o
sentido da palavra comunidade em toda a sua amplitude.
Isso quer dizer repensar a Instituição, ampliando-lhe a idéia de uma universidade de todos
e para todos, o que inclui o incremento da atividade acadêmica na comunidade externa aos seus
limites físicos, fazendo convergir o momento de transformação por que passa o país com uma
universidade dirigida para a sociedade de que é parte inseparável. Ao se colocar à disposição do
desenvolvimento social, a UFBA renova e enriquece o conceito de extensão e consolida o
modelo de universidade fomentadora de cidadania: ciente e ciosa de seu caráter público; aberta
à participação das comunidades a que serve; e, ao mesmo tempo, comprometida com os
princípios da igualdade e justiça social.

..........

�4
O Sistema de Bibliotecas da UFBA tem a Biblioteca Central Reitor Macedo Costa (BC) como
órgão coordenador.

Criada em 1968, a BC tem como finalidade principal contribuir para o

desenvolvimento do ensino, pesquisa e extensão, disseminando informação e conhecimento
tanto para a comunidade da Universidade Federal da Bahia como para o restante da sociedade.
Cabe a este órgão suplementar da UFBA reunir, organizar, manter e divulgar a produção
intelectual da Universidade, coordenar o Sistema de Bibliotecas.

Atualmente, o sistema é

composto de 27 bibliotecas setoriais localizadas nas unidades de ensino e em outros órgãos
suplementares, às quais compete oferecer serviços bibliográficos e de informação como suporte
aos programas acadêmicos e, também, promover atividades de interesse da comunidade extrauniversitária.
O acervo da Biblioteca Central — situada no Campus de Ondina desde agosto de 1983 —
está concentrado na área de Ciências Sociais e Humanas, especialmente no ramo da
Lingüística, Literatura e Comunicação. Recentemente, dentro da política de modernização das
bibliotecas, foram incorporados os acervos dos cursos de Biologia, Dança, Matemática e
Farmácia.
A Biblioteca presta serviços de consulta e empréstimo, de comutação e levantamento
bibliográfico; promove visitas guiadas e orientação a trabalhos científicos; e possibilita o acesso a
catálogos e à base de dados nacional e de outros países, isso não só a alunos e professores
como ao público externo, seja ele local, do restante do país ou mesmo de fora do Brasil.
O Sistema de Bibliotecas da UFBA deu início à reformulação na estrutura, no conceito de
biblioteca universitária e no funcionamento da oferta de serviços de toda a rede, para desse
modo elevar a qualidade do atendimento ao usuário, esperando compensar pela via da
criatividade e da perseverança no fazer, os exíguos recursos materiais e financeiros, fato comum
às instituições federais de ensino superior de todo o país.
Uma das possibilidades vislumbradas é de se pôr em perspectiva, para além dos
segmentos que compõem internamente a Instituição, os interesses da sociedade em geral, que
podem e devem caber no escopo das atividades de extensão.

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2. APRESENTAÇÃO DO SNBU

Histórico
Em sua trajetória, o Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU) tem
acumulado uma extensa relação de nomes de pessoas e instituições que contribuíram para fazêlo o que é hoje: um dos maiores fóruns de debate, de produção do conhecimento e de
transferência de informação na área de biblioteconomia e ciências da informação.

•

I SNBU — A BIBLIOTECA COMO SUPORTE DO ENSINO E DA PESQUISA NO DESENVOLVIMENTO
NACIONAL (Universidade Federal Fluminense, Niterói, 1978).

•

II SNBU — AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA NO BRASIL (CAPES,
Brasília, 1981).

•

III SNBU — MECANISMO DE ADMINISTRAÇÃO DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS (UFRN, Natal,
1983).

•

IV SNBU — BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: USUÁRIOS E SERVIÇOS (UNICAMP, Campinas,
1985).

•

V SNBU — PLANO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS (UFRGS, Porto
Alegre,1987).

•

VI SNBU — AUTOMAÇÃO DE BIBLIOTECAS E SERVIÇOS AOS USUÁRIOS (UFPA, Belém,1989).

•

VII SNBU — PADRÕES NACIONAIS PARA PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO EM BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS (UFRJ, Rio de Janeiro, 1991).

•

VIII SNBU — INTEGRAÇÃO E COMPARTILHAMENTO (UNICAMP, Campinas, 1994).

•

IX SNBU — A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA E A SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO (UFPR e PUCPR, Curitiba, 1996).

•

X SNBU — GesTÃO DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS – ESTRATÉGIAS PARA UM NOVO TEMPO
(UFC–Biblioteca da Universidade Federal do Ceará, UNIFOR–Biblioteca da Universidade
de Fortaleza e ABC–Associação dos Bibliotecários do Ceará, Fortaleza,1998).

•

XI SNBU — A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA DO SÉCULO XXI (BU/UFSC–Biblioteca da
Universidade Federal de Santa Catarina, CIN/UFSC–Departamento de Ciência da

�6
Informação, colaboração da ACAFE–Associação Catarinense das Fundações
Educacionais).
•

XII SNBU — BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS : ESPAÇOS DE (R)EVOLUÇÃO DO CONHECIMENTO
E DA INFORMAÇÃO (Universidade

•

Federal de Pernambuco, Recife, 2002).

XIII SNBU — BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: (RE)DIMENSÃO DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS: DA GESTÃO ESTRATÉGICA À INCLUSÃO SOCIAL (UFRN, Natal, 2004).

•

XIV SNBU — ACESSO LIVRE À INFORMAÇÃO CIENTÍFICA E BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
(UFBA, SALVADOR, 2006).

O XIV SNBU, que acontece em Salvador, terá como foco o tema ACESSO LIVRE

À

INFORMAÇÃO CIENTÍFICA E BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, na expectativa de fomentar o desenvolvimento

das políticas públicas com novas tecnologias, normas de organização técnica, qualificação dos
recursos humanos, política de desenvolvimento de acervos, bibliotecas digitais, open archives, e
outras contribuições.
Conhecido por sua história em prol das bibliotecas universitárias, o Sistema de Bibliotecas
da UFBA — cujo órgão coordenador é a Biblioteca Central Reitor Macedo Costa — responderá
pela presidência e vice-presidência do evento, confiando que os registros nos anais do SNBU
sirvam de renovação às ações governamentais, acadêmicas, técnicas e, principalmente, no
sentido de perceberem a biblioteca como lugar e instrumento de e para a educação.

Promoção:
Universidade Federal da Bahia (UFBA)
Reitor: prof. Naomar Monteiro de Almeida Filho
Operacionalização:
Sistema de Bibliotecas da UFBA
Diretora: Maria das Graças Miranda Ribeiro

�7
Apoio:
UNIFACS-Universidade Salvador, UNEB-Universidade do Estado da Bahia, Faculdade 2 de
Julho, Universidade Petrobrás
Colaboração:
ICI-Instituto de Ciência da Informação (UFBA), CBBU-Comissão Brasileira de Bibliotecas
Universitárias, UEFS-Universidade Estadual de Feira de Santana, UESC-Universidade Estadual
de Santa Cruz

Secretaria executiva do evento:
Visão Feiras e Eventos
Agência de viagens oficial do evento:
Visão Turismo

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3. IDENTIFICAÇÃO DO PROJETO
Durante quase três décadas é realizado, a cada biênio, o Seminário Nacional de
Bibliotecas Universitárias (SNBU), um evento que se consagrou como uma das ações de estudos
e debates mais respeitadas no país, desde a sua criação.
O XIV SNBU será sediado na capital baiana — entre 22 e 27 de outubro de 2006, no
Fiesta Convention Center, de 9 às 21 horas, cidade impregnada de história, cuja paisagem
humana, urbana e geográfica, além do patrimônio arquitetônico e cultural, são sempre
generosos.

O tema da 14a edição, ACESSO

LIVRE À INFORMAÇÃO CIENTÍFICA E

BIBLIOTECAS

UNIVERSITÁRIAS, remete à era do livre acesso ao conhecimento, além do seu intercâmbio em

tempo real com o recurso das tecnologias contemporâneas.
O propósito é transformar a capital baiana em um ponto de convergência dos profissionais
da informação interessados no desenvolvimento tecnológico, nas políticas de inclusão social e
educacional, no âmbito da pesquisa, estudo e ensino de universidades públicas e privadas de
todo o Brasil. No evento, estima-se a presença de cerca de mil e duzentos profissionais, que
atuam direta ou indiretamente na gestão de bibliotecas universitárias, centros de documentação
e espaços de pesquisa, além da previsão de duas mil pessoas circulando na Feira.
No conteúdo programático, uma agenda de conferências, workshops, mesas-redondas,
palestras, painéis, mini-cursos e oficinas tratando do tema ACESSO LIVRE À INFORMAÇÃO CIENTÍFICA E
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, com a participação de nomes representativos da área de

Biblioteconomia, Ciências da Informação, IBICT, CAPES, MEC, IES FINEP, CNPq, Ministério da
Saúde e mais editores, livreiros e empresários.
Em paralelo ao Seminário, será realizada a Feira de Produtos e Serviços (aberta ao
público), com livraria e estandes oferecendo produtos e equipamentos de ponta concernentes à
tecnologia da informação.
Mais detalhes e informações, escrever para o e-mail snbu@ufba.br e/ou visitar
www.snbu2006.ufba.br, site criado para facilitar a navegação do usuário, com a apresentação do
evento, serviço de cadastramento on-line de participantes, geração de banco de dados on-line,
fornecimento de relatórios para impressão, além de possibilitar consultas e status dos
cadastrados.

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4. JUSTIFICATIVA
O XIV Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU) é uma edição cuja
característica principal está na abertura de espaço para a troca de experiências e para o contato
com o que há de mais atual em tecnologia da informação e bibliotecas universitárias, bem como
a interação das informações e conhecimentos com o meio acadêmico e a comunidade. Em
especial, o evento promove a possibilidade de acesso à formação e implementação de rede para
troca de conhecimentos e informações.

5. OBJETIVOS
5.1 Geral
•

Refletir sobre o processo de livre acesso à informação científica, tendo em vista o
compartilhamento e a sua socialização no contexto acadêmico.

5.2 Específicos
•

Promover a discussão e a reflexão acerca do tema principal e de temas paralelos e
correlatos.

•

Promover a discussão de temas atuais pertinentes à área.

•

Facilitar a socialização de tecnologias, conhecimentos, livros e novidades.

6. COMUNICAÇÃO
O evento contará com um assessor de Comunicação Social encarregado de divulgar o
XIV SNBU nos meios de comunicação impressos, eletrônicos e virtuais, além da elaboração de
peças publicitárias e mala-direta.
A logomarca da 14a edição do SNBU será o símbolo do Seminário acrescido de
elementos sugerindo a distribuição e socialização de informações e conhecimentos, além da
ligação com ícones da arte e da cultura baiana.

�10

7. METODOLOGIA
O processo de desenvolvimento do evento dar-se-á conforme as seguintes etapas. No
primeiro dia, o período da manhã será dedicado ao credenciamento dos participantes inscritos e
novos inscritos; à noite, abertura solene do XIV SNBU, com a presença de autoridades nacionais,
estaduais, municipais e estrangeiras; convidados, imprensa, além dos mil e duzentos
participantes inscritos.
As atividades terão início às 9 h, com uma programação incluindo conferências, mesasredondas, painéis, debates, apresentação de trabalhos, sessão de posters e mais a realização da
Feira de Produtos e Serviços montada no espaço do SNBU, valorizando o evento e
intensificando a visitação entre 10 e 21 h.
Todos os dias, haverá programação turística para participantes a acompanhantes.
Com esta metodologia, a Comissão Presidencial procurou valorizar o cunho técnico
científico do evento bem como facilitar o intercâmbio entre expositores e participantes.

8. TEMA
Tema central
•

ACESSO LIVRE À INFORMAÇÃO E BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS

Eixos temáticos e sub-temas:
•

As bibliotecas universitárias e a produção do conhecimento
- A preservação do conhecimento e os arquivos digitais
-

•

As redes e virtualidades da pesquisa acadêmica

As políticas públicas de acesso à informação
- As instituições nacionais e internacionais e a gestão de C&amp;T
- Os open archives e os repositórios institucionais

•

O impacto das tecnologias eletrônicas e sua mediação
- A educação continuada dos profissionais da informação

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9. PROGRAMAÇÃO PARALELA
•

IV Simpósio de Bibliotecas Universitárias da América Latina e do Caribe e dos
Diretores de Bibliotecas Universitárias da América Latina e do Caribe — coordenado
pela Comissão Brasileira de Bibliotecas Universitárias, de acordo com as recomendações
do XIII SNBU.

•

Feira de Informação Tecnológica — proporcionando aos participantes o conhecimento
de novos produtos e serviços que envolvem o mercado de impressos, digitais e virtuais da
informação.

•

Espaço de Serviços — com cyber café, estandes de instituições expondo seus serviços
e produtos ao público em geral.

•

Reuniões Técnicas.

10. NÚCLEO ORGANIZADOR
•

Presidente: Maria das Graças Miranda Ribeiro, diretora do Sistema de Bibliotecas da
UFBA; conselheira da Região I (AL, BA, PE e SE) da Comissão Brasileira de Bibliotecas
Universitárias (CBBU). Telefone 3263-6046; e-mail bcdir@ufba.br

•

Vice-presidente: Maria Cristina Santos, assessora técnica do Sistema de Bibliotecas da
UFBA. Telefone 3263-6051; e-mail snbu@ufba.br

•

Coordenadora do Comitê Técnico-científico: Kátia de Carvalho, diretora do ICI-Instituto de
Ciência da Informação da UFBA; e-mail kátia@ufba.br

•

Coordenadora do Comitê de Infra-estrutura: Gismália M. Mendonça, coordenadora do
Centro Cultural Aldemar Cardoso Linhares da UNIFACS; e-mail gismalia@unifacs.br

•

Coordenador do Comitê de Recepção e Hospedagem: Levi Alã Neves dos Santos, chefe
da Biblioteca da Escola de Nutrição da UFBA; e-mail levis@ufba.br

•

Coordenadora do Comitê de Divulgação: Marivalda A. da Silva, da Faculdade de Filosofia
e Ciências Humanas da UFBA.; e-mail masilva@ufba.br

•

Coordenador do Comitê de Cultura: Marcus V. B. Gonçalves, da Biblioteca Central da
UFBA; e-mail mvbg@ufba.br

•

Coordenadora do Comitê de Secretaria: Maria de Fátima Botelho, da Escola Politécnica
da UFBA; e-mail botelho@ufba.br

�12

•

Representante da Universidade Estadual da Bahia – UNEB: Maria Conceição da Gama
Santos; e-mail cgama@uneb.br

•

Representante da Faculdade 2 de Julho: Roasane Rubim; rosanerubim@f2j.edu.br

•

Representante

da

Universidade

Petrobrás:

Regina

Santos

Silva

Tonini;

rsstonini@petrobras.com.br
•

Representante do Instituto de Ciências da Informação – ICI, coordenadora do Programa
de Pós Graduação do ICI: Nanci Oddone; neoddone@uol.com.br

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11. PROGRAMAÇÃO (PRELIMINAR)

Domingo, 22 de outubro
•

9 às17h – Credenciamento (secretaria executiva do evento, no Fiesta Convention Center)

•

20:00 – Coquetel de Lançamento do XIV Seminário Nacional de Bibliotecas
Universitárias (SNBU 2006)

•

20h30 – Show musical

Segunda-feira, 23 de outubro
•

08:00 – Credenciamento

•

09:00 – Conferência Magna

•

10:15 – Intervalo

•

10:30 – Sessão Plenária – Mesa Redonda: Sociedade do Conhecimento e Ensino
Superior

•

12:00 – Almoço

•

14:00 – Conferência: Acesso Livre e Biblioteca Universitária

•

15:00 – Intervalo

•

15:15 – Sessão Plenária: Repositórios Institucionais e Open Archives: eqüidade no
acesso e nos fluxos da Informação

•

17:00 – Sessão de abertura da Feira de Produtos e Serviços

Terça-feira, 24 de outubro
•

09:00 – Conferência: Tecnologias Eletrônicas: novo espaço de mediação

•

10:00 – Intervalo

•

10:15 – Sessão Plenária: Educação Continuada e Competitividade

•

12:00 – Almoço

�14
•

14:00 – Painel: Prevenção de desastre de acervos culturais: o Protocolo Blue
Shield (Escudo Azul)

•

15:00 -- Apresentação de Trabalhos Livres
Produção Científica: Novas Tendências da Área

•

16:00 – Intervalo

•

16h15 às 18 h – Apresentação de Trabalhos Livres (continuação)

Quarta-feira, 25 de outubro
•

09:00 – Conferência: Biblioteca Universitária e Produção do Conhecimento

•

10:00 – Intervalo

•

10:15 – Sessão Plenária: Preservação do Conhecimento, Arquivos Digitais, Redes
e Virtualidades da Pesquisa Acadêmica

•

12:00 – Almoço

•

14:00 – Painel: Disseminação da Informação: impactos na produção científica

•

15:00

- Apresentação de Trabalhos Livres
Produção Científica: Novas Tendências da Área

•

16:00 – Intervalo

•

16h15 às 18 – Apresentação de Trabalhos Livres (continuação)

Quinta-feira, 26 de outubro
•

09:00 – Conferência: Do Profissional ao Usuário da Informação

•

10:00 – Intervalo

•

10:15 – Sessão Plenária: Usos da Informação: ponto de vista do profissional e do
usuário

•

12:00 – Almoço

•

14:00 – Painel: Acessibilidade em Bibliotecas Universitárias

•

15:00 -- Apresentação de Trabalhos Livres
Produção Científica: Novas Tendências da Área

•

16:00 – Intervalo

�15
•

16h15 às 18 – Apresentação de Trabalhos Livres (continuação)

Sexta-feira, 27 de outubro
•

8 às 18h – Mini-cursos

•

09:00 – Conferência Magna de encerramento: Políticas Públicas de Educação e
Acesso à Informação

•

11:00 – Relatório Geral

•

21:00 – Baile ‘2008 tem Mais’

�16

12. PLANILHA ORÇAMENTÁRIA
É pertinente à solicitação de patrocínio que seja anexada a planilha orçamentária para as
empresas que possuírem alguns dos serviços necessários à organização do evento possam
negociar com a comissão presidencial.

Serviços oferecidos e taxas para o evento
•

Planejamento, organização e operacionalização — Visão Feiras &amp; Eventos.

•

Administração e gerenciamento de pacotes turísticos para participantes e convidados
enquanto — Visão Turismo.

•

Acordos com fornecedores de eventos e turismo com eleição da transportadora oficial do
evento, com intuito de maximizar recursos e minimizar despesas.

•

Dos participantes e das inscrições

Poderão participar do SNBU 2006:
a) Associados às entidades de classe de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da
Informação;
b)

Profissionais, de áreas relacionadas ao âmbito de atuação das bibliotecas universitárias:

c) Estudantes de graduação e pós-graduação de áreas profissionais e de áreas de
conhecimento relacionadas ao âmbito de atuação das Bibliotecas Universitárias;
d) Pessoas físicas e jurídicas interessadas no temário.
As inscrições poderão ser feitas através do formulário eletrônico na home page
www.snbu2006.ufba.br, da remessa de cópia por correio ou fax da ficha de inscrição e do
respectivo depósito bancário ou recibo (Banco do Brasil, agência 3832-6, conta-corrente 360384).
O pagamento das inscrições será de acordo com as seguintes taxas:
- Sócios de entidades de classe de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação:
R$ 290,00 até 30/05/06
R$ 315,00 até 30/07/06
R$ 350,00 até 30/09/06

�17
R$ 395,00 a partir de 01/10/06
- Estudante de graduação e pós-graduação, mediante documento comprobatório:
R$ 160,00 até 30/05/06
R$ 185,00 até 30/07/06
R$ 220,00 até 30/09/06
R$ 265,00 a partir de 01/10/06
- Não associados, discriminados no Art. 9:
R$ 325,00 até 30/05/06
R$ 350,00 até 30/07/06
R$ 385,00 até 30/09/06
R$ 430,00 a partir de 01/10/06
- As Instituições com até 3 participantes pagarão os seguintes valores:
R$ 800,00 até 30/05/06
R$ 900,00 até 30/07/06
R$ 1.000,00 até 30/09/06
R$ 1.100,00 a partir de 01/10/06
- As inscrições realizadas a partir de 23/10/2006 deverão ser efetuadas na Secretaria do evento,
instalada no Fiesta Convention Center.
- Os mini-cursos terão a taxa única de inscrição de R$ 60,00 (sessenta reais) por cada
participante e serão oferecidos, exclusivamente, para os inscritos no SNBU 2006. Não será
devolvido o valor das inscrições em nenhuma hipótese.
A Secretaria Executiva, excepcionalmente, aceitará a transferência de inscrição mediante
o recebimento de comunicação formal indicando o substituto. Serão aceitas inscrições de acordo
com a capacidade das salas.

�18

Especificação dos serviços
•

Turismo: hospedagem, transfer in + out e passagem aérea de palestrantes e convidados/
pacotes turísticos para participantes.

•

Material de participantes

•

Sinalização do evento

•

Suporte

•

Recursos áudio-visuais

•

Equipamentos de secretaria

•

Material gráfico

•

Decoração

•

Recursos humanos

•

Local do evento

•

Alimentos e bebidas

•

Documentação do evento

•

Divulgação

•

Abertura e encerramento

•

Exposição

•

Despesas operacionais

•

Taxas de 5% de ISS da Visão

•

Taxa administrativa da Visão Feiras &amp; Eventos - 15%

•

Taxa de captação de expositores -10%

•

Taxa de captação de patrocinadores - 20%

�19

13. PROPOSTA DE PARTILHA DE PATROCÍNIO
Para a realização do SNBU será adotada a política de partilha de patrocínio em razão da
sua abrangência e dos inúmeros benefícios que dele possam resultar.
Foram criadas seis categorias de adesão para atender a multiplicidade de expectativas de
participação dos patrocinadores.

Patrocínio Diamante (1 cota)
Investimento: R$ 50 mil reais
Benefícios:
o Filme-minuto SNBU;
o Acesso ao banco de dados do evento e mailing SNBU;
o Logomarca em todo material de divulgação (mala direta, folders, crachás e pasta do
evento);
o Inclusão do seu material promocional na pasta do evento;
o Logomarca no book oficial e no banner central do evento;
o Inclusão do banner de sua empresa (2/1,5) na plenária central do evento;
o Citação de sua empresa pelo mestre de cerimônias na abertura e encerramento;
o Estande de 36 m2 ;
o 10 credenciais;
o Vinheta no intervalo do evento;
o Ações promocionais;
o Logomarca no site do evento;
o Acesso ao relatório do evento.

Patrocínio Platina ( 2 cotas)
Investimento: R$ 37 mil reais
Benefícios:
o Acesso ao banco de dados do evento e mailing SNBU;
o Logomarca em todo material de divulgação (mala direta, folders, crachás e pasta do
evento);
o Inclusão do seu material promocional na pasta do evento;
o Logomarca no book oficial e no banner central do evento;
o Inclusão do banner de sua empresa (2/1,5) na plenária central do evento;
o Citação de sua empresa pelo mestre de cerimônias na abertura e encerramento;
o Estande de 27 m²;
o 7 credenciais;
o Ações promocionais no espaço do estande;
o Logo no site do evento;
o Acesso ao relatório do evento.

�20

Patrocínio Ouro (3 cotas)
Investimento: R$ 30 mil reais
Benefícios:
o Acesso ao banco de dados do evento e mailing SNBU;
o Logomarca em todo material de divulgação (mala direta, folders, crachás);
o Logomarca no book oficial;
o Logomarca no banner central do evento;
o Estande de 18 m²;
o 5 credenciais;
o Logomarca no site do evento;
o Ações promocionais no espaço do estande.

Patrocínio Prata Cyber (1cota)
Investimento: R$ 25 mil reais
Benefícios:
o Acesso ao banco de dados do evento e mailing SNBU;
o Logomarca nos seguintes materiais de divulgação: mala direta, folders, cartazes;
o Logomarca no book oficial;
o Estande básico de 9 m²;
o 3 credenciais;
o Logomaraca no site do evento;
o Inclusão do banner de sua empresa (1,5/1,0) no espaço do Cyber;
o Ações promocionais no espaço do estande.

Formulário de adesão
Depois de escolhida a forma de participação conforme os interesses da empresa, o
Formulário de Adesão (anexo) deve ser preenchido em vias devidamente assinadas, com
identificação do responsável e enviado à Visão Feira &amp; Eventos (71) 3319-0811/0818.

�X X

X X X X X X X X X

X X X

X X X X

X X X X X X X X X X X X

Filme-minuto SNBU
Banco de dados do evento
Mailing SNBU
Material de divulgação (mala direta, folders, crachás)
Logomarca na pasta do evento
Inclusão de material promocional na pasta do evento
Logomarca do book oficial
Logomaraca no banner central do evento
banner da empresa (2/1,5) na plenária central do evento
Citação da empresa na abertura e encerramento
Estande de 36 m²
10 credenciais

X X

Estande de 27 m²

X X

7 credenciais
Estande de 18 m²

X X X

5 crede3nciais
Estande de 12 m²
3 credenciais
Vinheta no intervalo do evento
Ações promocionais
Logomarca no site do evento
Relatório do evento
Valor das cotas

21

30.000,00

25.000,00

X X X 37.000,00

X X

X

X X X X 50.000,00

Estande de 9 m²

14. DEMONSTRATIVO DA PARTILHA DE PATROCÍNIO — Tabela de Plano para Patrocínio

Diamante

Platina

Ouro

Prata

Cyber café

TIPO DE PATROCÍNIOS

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15. ANEXOS
15.1 – REGIMENTO DO SNBU
15.2 – PLANTA DA FEIRA DE PRODUTOS E SERVIÇOS
15.3 – PLANTA DO CYBER CAFÉ
15.4 – FORMULÁRIO DE ADESÃO
15.5 – STAND BÁSICO
15.6 – FICHA DE INSCRIÇÃO

�23

15.1 – REGIMENTO DO SNBU

REGIMENTO DO SNBU 2006
CAPÍTULO I
DA ORGANIZAÇÃO E DAS FINALIDADES
Art. 1 - A Universidade Federal da Bahia/UFBA com apoio da Faculdade 2 de Julho,
Universidade Salvador (UNIFACS), Universidade do Estado da Bahia (UNEB), promovem o XIV
Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU), com o Tema: Acesso Livre à
Informação Científica e Bibliotecas Universitárias, que realizar-se-á no período de 22 a 27 de
outubro do ano 2006 no Fiesta Convention Center em Salvador, Bahia, Brasil.
Art. 2 - O evento será operacionalizado pelo Sistema de Bibliotecas (SIBI) da Universidade
Federal da Bahia - UFBA em conjunto com a Faculdade 2 de Julho, Universidade Salvador –
UNIFACS, Universidade do Estado da Bahia – UNEB, com a colaboração da do Instituto de
Ciência da Informação – ICI/UFBA, Comissão Brasileira de Bibliotecas Universitárias – CBBU,
Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS, Universidade Estadual de Santa Cruz UESC.
Art. 3 - O SNBU 2006 terá como formas de dotação orçamentária:
a) Apoio Institucional - recursos oriundos de: órgãos governamentais e instituições vinculadas ao
serviço de ensino e pesquisa universitária como atividade fim, a exemplo das Instituições de
Ensino Superior - IES, as quais financiarão recursos materiais (financeiro) e humano;
b) Financiadores - recursos oriundos de Agências de fomento à Educação e Pesquisa, como
CAPES, CNPQ, FINEP, FAPESB, IBICT, SESU, etc, às quais financiarão recursos materiais, e,
principalmente financeiro;
c) Patrocinadores - recursos oriundos de Empresas Financeiras, Industriais, Comerciais ou de
Serviços, às quais financiarão recursos materiais, principalmente financeiros.

�24
Art. 4 - A organização do SNBU 2006 ficará sob a responsabilidade do Núcleo Organizador,
integrado por seu Presidente e Vice-Presidente, Coordenadores dos Comitês Especializados.
§10 Os Comitês Especializados são constituídos pelas seguintes áreas: Técnico-Científico,
Secretaria, Agência Financeira, Divulgação, Infra-Estrutura, Recepção e Hospedagem e Cultura.
§20 - O Núcleo Organizador reunir-se-á quinzenalmente, no ano de 2005, mensalmente a partir
de 2006 e semanalmente, a partir de julho de 2006 até a realização do evento ou
extraordinariamente, por convocação da Presidente.
§30 O SNBU 2006 reger-se-á por este Regimento aprovado pelo Núcleo Organizador.
Art. 5 - O saldo remanescente ou superávit econômico financeiro do evento reverterá em
benefício da SIBI/UFBA em 80% e os 20% restantes serão distribuídos eqüitativamente com as
bibliotecas das instituições que apoiaram o evento, desde que estas contribuam de forma efetiva
para com o SNBU 2006, ou seja: freqüência às reuniões, empenho na captação de recursos
financeiros, apoio material de expediente/consumo e a logística de todo o evento.
Parágrafo único: Os recursos serão repassados da Agência Financeira para as bibliotecas das
instituições envolvidas, mediante documentação escrita da referida Agência e aprovada pela
presidente.
Art. 6 - O SNBU 2006 tem como finalidades:
a) reunir os profissionais da informação e das demais áreas análogas,
interessados no desenvolvimento tecnológico de produção e geração do
conhecimento, no Brasil e Exterior, a fim de compartilhar saberes e experiências
profissionais e projetar ações para o futuro.
b) debater os eixos temáticos estruturantes e seus sub-temas, tais como:
As bibliotecas universitárias e a produção do conhecimento
-

A preservação do conhecimento e os arquivos digitais

-

As redes e virtualidades da pesquisa acadêmica

�25

As políticas públicas de acesso à informação
-

As instituições nacionais e internacionais e a gestão de C&amp;T

-

Os open archives e os repositórios institucionais

O impacto das tecnologias eletrônicas e sua mediação
- A educação continuada dos profissionais da informação

CAPÍTULO II
DO PROGRAMA CIENTÍFICO
Art. 7 - A programação científica será desenvolvida sob a forma de: simpósio, workshoop,
painéis, mini-cursos, sessões de trabalhos livres, mesas-redondas, sessões de conferências e
sessões de pôsteres.

CAPÍTULO III
DA FEIRA DE PRODUTOS E SERVIÇOS
Art. 8 - Durante o SNBU 2006 será realizada uma feira de produtos e serviços com a finalidade
de apresentar novidades tecnológicas de interesse para as organizações e profissionais da
informação e das demais áreas análogas, interessados no desenvolvimento tecnológico de
produção e geração do conhecimento.

CAPÍTULO IV
DOS PARTICIPANTES E DAS INSCRIÇÕES
Art. 9 - Poderão participar do SNBU 2006 :
e) Associados às entidades de classe de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da
Informação;
f)

Profissionais, de áreas relacionadas ao âmbito de atuação das bibliotecas universitárias:

g) Estudantes de graduação e pós-graduação de áreas profissionais e de áreas de
conhecimento relacionadas ao âmbito de atuação das Bibliotecas Universitárias;
h) Pessoas físicas e jurídicas interessadas no temário.

�26
Art. 10 - Os membros efetivos do Núcleo Organizador estarão isentos do pagamento da taxa de
inscrição. Os membros das demais Comitê terão um desconto de 50% sobre o último valor da
taxa de inscrição.
§ 1º - Em qualquer hipótese será obrigatório o preenchimento da ficha de inscrição;
§ 2º - A isenção de 50%, será atribuída mediante participação efetiva nas atividades dos
Comitês, com freqüência mínima de 70% nas reuniões;
§ 3º - Casos excepcionais serão de responsabilidade do Núcleo Organizador.
Art. 11 - As inscrições poderão ser feitas através do formulário eletrônico disponibilizado na
home page: www.snbu2006.ufba.br , da remessa de cópia por correio ou fax da ficha de inscrição
e do respectivo depósito bancário ou recibo.
Art. 12 – O pagamento das inscrições será de acordo com as seguintes taxas:
§ 1º Sócios de entidades de classe de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação:
R$ 290,00 até 30/05/06
R$ 315,00 até 30/07/06
R$ 350,00 até 30/09/06
R$ 395,00 a partir de 01/10/06
§ 2º Estudante de graduação e pós-graduação, mediante documento comprobatório:
R$ 160,00 até 30/05/06
R$ 185,00 até 30/07/06
R$ 220,00 até 30/09/06
R$ 265,00 a partir de 01/10/06
§ 3º Não associados, discriminados no Art. 9:
R$ 325,00 até 30/05/06
R$ 350,00 até 30/07/06
R$ 385,00 até 30/09/06
R$ 430,00 a partir de 01/10/06

�27

§4º As Instituições com até 03 participantes pagarão os seguintes valores:
R$ 800,00 até 30/05/06
R$ 900,00 até 30/07/06
R$ 1.000,00 até 30/09/06
R$ 1.100,00 a partir de 01/10/06
§5º As inscrições realizadas a partir de 23/10/2006, deverão ser efetuadas na Secretaria do
evento, instalada no Fiesta Convention Center.
§6º Os mini-cursos terão a taxa única de inscrição de R$ 60,00 (sessenta reais) por cada
participante e serão oferecidos, exclusivamente, para os inscritos no SNBU 2006.
Parágrafo Único: Não será devolvido o valor das inscrições em hipótese alguma.
Art. 13 – A Secretaria Executiva, excepcionalmente, aceitará a transferência de inscrição
mediante o recebimento de comunicação formal indicando o substituto.
Parágrafo Único: Serão aceitas inscrições de acordo com a capacidade das salas.
Art. 14 – Os certificados serão fornecidos conforme os seguintes critérios:
a) Aos participantes que comprovem o pagamento da taxa de inscrição prevista e sua
participação no evento;
b) Aos participantes que apresentarem trabalhos científicos, sendo conferido um certificado
por cada trabalho apresentado, com os respectivos nomes dos autores e co-autores;
c) Aos participantes dos mini-cursos que comprovarem o pagamento da taxa de inscrição e
aproveitamento de 70% de freqüência.
Parágrafo Único: Os membros do Núcleo Organizador e dos Comitês Especializados e demais
colaboradores, receberão certificados alusivos ao papel desempenhado.

�28

CAPÍTULO V
DAS COMPETÊNCIAS
Art.15 - Ao Núcleo Organizador, como órgão deliberativo, consultivo e normativo, responsável
pelo planejamento, coordenação, execução e direção geral dos trabalhos, compete:
I - Exercer a coordenação geral;
II - Aprovar a proposta de organização, o projeto, o plano orçamentário, o temário; o regimento
interno e o programa técnico-científico;
III - Constituir os Comitês Especializados: Técnico-Científico, Secretaria, Divulgação, Agência
Financeira, Infra-Estrutura, Recepção e Hospedagem, Cultura, apreciar e aprovar suas propostas
e relatórios;
IV - Promover a viabilização técnico-científico e financeira do SNBU 2006;
V - Promover a execução do programa técnico-científico, assegurando o cumprimento dos
trabalhos;
VI – Convidar os conferencistas através de “Carta Convite”;
VII – Prever e fazer os contatos necessários para garantir a composição das mesas das sessões;
VIII – Destinar o saldo material e financeiro em conformidade com o Art. 5 do Cap.I;
IX - Definir e aprovar o plano orçamentário, a alocação dos recursos durante a organização e
realização do evento e o balanço financeiro;
X - Realizar a prestação de contas aos órgãos patrocinadores, de apoio e financiadores;
XI - Aprovar o relatório final do SNBU2006;
XII - Publicar os ANAIS;
XIII - Cumprir e fazer cumprir as disposições deste regimento.
Art. 16 - À Presidente compete:
I - Convocar e presidir as reuniões do Núcleo Organizador;
II – Exercer o voto de desempate quando houver necessidade de desempate;
III - Elaborar com o Núcleo Organizador e com o Comitê de Secretaria a pauta das reuniões;
IV - Elaborar juntamente com os Comitês Especializados: Técnico-Científico, Secretaria,
Divulgação, Agência Financeira, Infra-Estrutura, Recepção e Hospedagem, Cultura, o projeto do
evento;
V - Assinar, juntamente com a Vice-Presidente, os certificados do evento;

�29
VI - Reunir-se com os Comitês Especializados: Técnico-Científico, Secretaria, Divulgação,
Agência Financeira, Infra-Estrutura, Recepção e Hospedagem e Cultura para despachar
expediente relativo ao Núcleo Organizador;
VII – Definir conferencistas;
VIII – Acompanhar a abertura e movimentação das contas bancárias, juntamente com a Agência
Financeira;
IX – Assinar, juntamente com a Vice-Presidente, a documentação e correspondências relativas
ao Seminário;
X - Cumprir e fazer cumprir as disposições deste regimento.
Art.17 - À Vice-Presidente compete:
I - Substituir e representar a Presidente nos seus impedimentos;
II - Colaborar com a Presidente na organização e andamento do Seminário;
III - Cumprir e fazer cumprir as disposições deste regimento.
Art. 18 - Ao Comitê Técnico-Científico compete:
I – Elaborar plano de trabalho do Comitê encaminhando-o ao Núcleo Organizador;
II - Elaborar plano de orçamento do Comitê encaminhando-o à Agência Financeira;
III - Definir a forma de apresentação das mesas e o programa, submetendo-os ao Núcleo
Organizador;
IV - Elaborar o programa técnico-científico;
V - Participar na elaboração do projeto, e regimento interno;
VI - Definir e convidar os conferencistas através de carta convite e manter todos os contatos
necessários;
VII - Elaborar as normas para funcionamento das sessões de pôsteres e temas livres e, definir
datas para apresentação de trabalhos;
VIII - Apreciar os trabalhos recebidos para temas livres e sessão de pôsteres decidindo sobre a
aceitação dos mesmos;
IX - Elaborar as normas para funcionamento das mesas, sessões de pôsteres, decidindo sobre a
aceitação dos mesmos;
X - Promover a execução do programa, assegurando o cumprimento dos trabalhos e a
composição das mesas;
XI - Elaborar orientações para o funcionamento das mesas, das sessões e dos cursos;

�30
XII - Articular-se com o Comitê de Secretaria para a elaboração de programas, certificados,
atestados de freqüência e outros impressos se necessários aos conferencistas;
XIII - Redigir e assinar expediente relativo ao Comitê Técnico-Científico;
XIV - Prever monitores para seu Comitê;
XV - Encaminhar os resumos e as cópias dos trabalhos selecionados e aceitos para publicação
nos anais;
XVI - Prever e fazer os contatos necessários para garantir a constituição das mesas das sessões;
XVII - Manter-se em contato com os demais Comitês, para providenciar transporte e
hospedagem para os conferencistas;
XVIII - Elaborar as questões para o formulário de avaliação do evento, no que compete ao
Comitê Técnico-Científico.
XIX - Elaborar o relatório final do Comitê para a apreciação do Núcleo Organizador.
Parágrafo Único: As atividades desse Comitê deverão ser realizadas em conjunto com a
empresa gerenciadora do evento.
Art. 19 - Ao Comitê de Secretaria compete:
I – Elaborar plano de trabalho do Comitê encaminhando-o ao Núcleo Organizador;
II - Elaborar plano de orçamento do Comitê encaminhando-o a Agência Financeira;
III - Executar os trabalhos de digitação necessários;
IV - Expedir as correspondências oficiais;
V – Distribuir o material de divulgação;
VI - Arquivar cópias de todos os documentos expedidos e recebidos relativos ao Seminário;
VII - Responsabilizar-se pela elaboração e manutenção da mala direta;
VIII - Providenciar o preenchimento e a entrega dos certificados e de atestados de freqüência;
IX - Providenciar a digitação e reprodução de textos;
X - Preparar as pastas, crachás e distribuir o material aos participantes;
XI - Providenciar a confecção ou compra de todo o material necessário para o funcionamento da
Secretaria;
XII - Prever, orientar e supervisionar monitores para seu Comitê;
XIII - Instalar a Secretaria durante o Seminário;
XIV - Organizar e coordenar o trabalho de Secretaria durante o Seminário;
XV - Efetuar o controle da freqüência dos mini-cursos;
XVI - Elaborar e aplicar instrumentos de avaliação do Seminário.

�31
XVII - Providenciar e entregar certificadoÏ às entidades e empresas;
XVIII - Elaborar o relatório final do Comitê para a apreciação do Núcleo Organizador.
Parágrafo Único: As atividades desse Comitê deverão ser realizadas em conjunto com a
empresa gerenciadora do evento.
Art. 20 - Ao Comitê de Divulgação compete:
I – Elaborar plano de trabalho do Comitê encaminhando-o ao Núcleo Organizador;
II - Elaborar plano de orçamento do Comitê encaminhando-o a Agência Financeira;
III - Redigir e assinar juntamente com a Presidente o expediente relativo ao seu Comitê;
IV - Providenciar a confecção dos cartazes, programas, "folders", informativos e outros impressos
relativos à divulgação do Seminário;
V - Providenciar o "lay-out" para cartazes e impressos em geral e submetê-los a apreciação do
Núcleo Organizador;
VI - Propor ao Núcleo Organizador modelos de cartazes, folders, homepage e outros documentos
de divulgação;
VII - Acompanhar a confecção do material de divulgação;
VIII - Divulgar a programação do seminário em nível local, estadual, nacional e internacional;
IX - Credenciar os fotógrafos para atuação durante o seminário;
X - Providenciar a cobertura da imprensa escrita, falada e televisionada ;
XI - Elaborar avisos, comunicações e outros durante a realização do seminário;
XII - Auxiliar na fixação de material para identificação de rodoviária, aeroporto e hotel;
XIII - Elaborar folders, cartazes faixas e outros materiais específicos para divulgar a feira;
XIV - Encaminhar ao Comitê de Secretaria os folders e cartazes;
XV - Elaborar faixa e outros materiais de divulgação para feira;
XVI - Colocar faixas e outros materiais sobre a feira em local estratégico;
XVII - Convidar entidades e empresas para participar da feira;
XVIII - Elaborar o relatório final do Comitê para a apreciação do Núcleo Organizador.
Art. 21 – À Agência Financeira compete:
I – Elaborar plano de trabalho do Comitê encaminhando-o ao Núcleo Organizador;
II - Apresentar o plano orçamentário, utilizando como base os orçamentos dos Comitês
encaminhando-o ao Núcleo Organizador;
III - Coordenar as atividades financeiras do Seminário;

�32
IV - Abrir e movimentar juntamente com a Presidente a conta bancária do seminário;
V - Efetuar pagamentos e responsabilizar-se pela guarda de documentação comprobatória da
arrecadação e despesas do seminário;
VI - Estabelecer normas para a prestação de contas dos Comitês;
VII - Apresentar ao Núcleo Organizador o balancete mensal do evento;
VIII - Viabilizar o recolhimento das taxas de inscrições;
IX - Redigir e assinar, juntamente com a presidente do evento, o expediente relativo ao Comitê;
X - Participar do plano de arrecadação e aplicação dos recursos;
XI - Captar recursos financeiros e suplementares para subsidiar o seminário;
XII – Aprovar despesas extra-orçamentárias;
XIII – Firmar contrato com prestadores de serviços, patrocinadores e empresas expositoras;
XIV – Contratar empresas seguradoras para o Evento;
XV - Elaborar o relatório final do Comitê para a apreciação do Núcleo Organizador.
Parágrafo Único: As atividades desse Comitê deverão ser realizadas em conjunto com a
empresa gerenciadora do evento.
Art. 22 - Ao Comitê de Infra-Estrutura compete:
I – Elaborar plano de trabalho do Comitê encaminhando-o Núcleo Organizador;
II - Elaborar plano de orçamento do Comitê encaminhando-o à Agência Financeira;
III - Redigir e assinar juntamente com a presidente o expediente relativo ao seu Comitê;
IV - Proceder ao levantamento das opções de hospedagem, transporte para o local do seminário;
V - Providenciar reservas e preparo de local para a realização do seminário;
VI - Fornecer um impresso arrolando as melhores alternativas referentes ao transporte durante o
evento e encaminhar ao Comitê de Secretaria para constar nas pastas;
VII – Prever, orientar e supervisionar monitores para o seu Comitê;
VIII - Definir em concordância com o Comitê Técnico-Científico as salas para realização de
palestras, conferências, discussões, cursos e sessões pôsteres conforme atividade identificada;
IX - Determinar os locais para a instalação do Comitê de Secretaria, Agência Financeira, sala de
reunião Central de Informações, sala de reprografia, locais para o café, refrigerante e água;
X – Preparar um local para apoio de vendas de disquetes, filmes, fitas de vídeo, cartão telefônico;
XI - Prever critérios para identificação do local;
XII - Providenciar transporte para os conferencistas e convidados especiais;
XIII - Providenciar recursos para a composição das mesas;

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XIV - Providenciar local e material para distribuição de equipamento para tradução simultânea e
teleconferência;
XV - Providenciar e supervisionar a limpeza e boa apresentação de todos os locais (sala,
auditório, sanitários) utilizados no seminário;
XVI - Providenciar segurança diurna e noturna do seminário;
XVII - Providenciar local para a instalação da feira;
XVIII - Elaborar e fixar um cronograma para garantir que haja no mínimo duas pessoas do
Comitê durante a feira;
XIX - Providenciar local para instalação de equipamentos;
XX - Providenciar a instalação de cadeiras e mesas;
XXI - Providenciar sinalização dos locais de eventos;
XXII - Fazer planejamento para locação das entidades participantes da feira;
XXIII - Recepcionar as entidades e empresas participantes no local da feira;
XXIV - Permanecer na feira e manter o apoio para segurança das entidades participantes;
XXV – Supervisionar a montagem e o desmonte da feira;
XXVI - Garantir a devolução de todo o material emprestado;
XXVII - Elaborar o relatório final do Comitê para a apreciação do Núcleo Organizador.
Parágrafo Único: As atividades desse Comitê deverão ser realizadas em conjunto com a
empresa gerenciadora do evento.
Art. 23 – Ao Comitê de Recepção compete:
I – Elaborar plano de trabalho do Comitê encaminhando-o ao Núcleo Organizador;
II - Elaborar plano de orçamento do Comitê encaminhando-o à Agência Financeira;
III - Convidar os profissionais para executarem atividades inerentes ao Comitê;
IV - Participar das reuniões do Núcleo Organizador;
V - Redigir, assinar e expedir correspondência relativa ao Comitê;
VI- Organizar o coquetel de abertura;
VII – Relacionar restaurantes, lanchonetes e outros serviços próximos ao local do Seminário,
encaminhando ao Comitê de Divulgação;
VIII - Montar um serviço de atendimento de emergência aos participantes do Seminário;
IX - Assegurar o transporte e atendimento hospitalar em instituição previamente contatada;
X- Garantir o acompanhamento do participante, em casos de emergência;
XI - Executar atividades determinadas pelo Núcleo Organizador.

�34
XII - Elaborar o relatório final do Comitê para a apreciação do Núcleo Organizador.
Parágrafo Único: As atividades desse Comitê deverão ser realizadas em conjunto com a
empresa gerenciadora do evento.
Art. 24 – Ao Comitê de Cultura compete:
I - Propiciar aos participantes atividades sócio-culturais e a oferta de lembranças alusivas à
cidade do Salvador;
II – Solicitar descontos em restaurantes, casas de show para os participantes;
III – Relacionar restaurantes, lanchonetes e outros serviços próximo ao local do evento,
encaminhando-o ao Comitê de Divulgação e Recepção;
IV – Organizar city-tour;
V – Organizar visitas técnicas.

CAPITULO VI
DA DIREÇÃO E ORDEM DOS TRABALHOS
Art. 25 - Os trabalhos do Seminário, desenvolver-se-ão da seguinte forma:
a) Instalação oficial dos cursos;
b) Sessão de abertura;
c) Sessões plenárias para exposição dos sub-temas;
d) Conferências;
e) Sessão de trabalhos livres;
f) Sessões de Pôsteres;
g) Sessões de encerramento.
Art. 26 - As sessões de abertura e de encerramento serão presididas pela Presidente do
Seminário;
Art. 27 – As conferências deverão ser composta por:
a) Coordenador Secretário;
b) Conferencistas;
d) Relator.

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Art. 28 – As palestras e mesas-redondas serão compostas por:
a) Coordenador;
b) Palestrante;
c) Debatedores;
d) Relator.
Parágrafo Único - Os mesários e conferencistas serão escolhidos do Núcleo Organizador.
Art. 29 - Compete ao Coordenador da Mesa:
a) Abrir, presidir e encerrar a sessão;
b) Coordenar os trabalhos.
Art. 30 - Compete ao Relator da Mesa:
a) Registrar o resumo do trabalho da sessão e ocorrências, conforme orientações recebidas.
b) Entregar os resumos ao relator geral do Seminário.
Art. 31 – Compete ao Relator Geral:
a) Elaborar o relatório geral, com base nos resumos dos trabalhos recebidos de cada relator;
b) Proceder à leitura do relatório geral.
Art. 32 - Os trabalhos do Seminário terão início na hora marcada e obedecerão à seguinte
ordem:
a) Abertura;
b) Comunicações;
c) Execução do programa determinado;
d) Encerramento

CAPÍTULO VII
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS E TRANSITÓRIAS
Art. 33 - Para serem admitidos no recinto do Seminário, os participantes deverão usar crachá
fornecido pelo Comitê de Secretaria.

�36
Art. 34 - O Núcleo Organizador do Seminário poderá alterar a ordem do Programa, se
necessário, fazendo as devidas comunicações com antecedência.
Art. 35 - As decisões do Núcleo Organizador serão tomadas pela maioria simples de seus
membros.
Art. 36 - Todos que colaborarem com o Seminário receberão Certificados como Colaboradores.
Art. 37 - Os integrantes do Núcleo Organizador e dos Comitês Especializados, deverão cumprir e
fazer cumprir as disposições deste regimento e participar da elaboração do mesmo.
Art. 38 – Os integrantes do Núcleo Organizador e dos Comitês deverão participar da elaboração
do relatório final.
Art. 39 - O Seminário deverá realizar-se com o mínimo de custos, buscando formas de
financiamento e patrocínio que possibilitem a participação de todos e propicie o melhor saldo
financeiro possível para o mesmo, garantindo-se a qualidade técnico-científica do Seminário.
Art. 40 - O presente Regimento vigorará a partir de sua aprovação pelo Núcleo Organizador.
Art. 41 – Os casos omissos serão resolvidos pelo Núcleo Organizador.

CAPÍTULO VIII
DO RELATÓRIO FINAL
Art. 42 - Cada Comitê fará o seu relatório que será incluído no Relatório Final.
Art. 43 - O Relatório Final será elaborado pelo Núcleo Organizador, no prazo de 30 (trinta dias) e
disponibilizado no site do evento.

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15.2 – PLANTA DA FEIRA DE PRODUTOS E SERVIÇOS

�38

15.3 – PLANTA DO CYBER CAFÉ

�39

15.4 – FORMULÁRIO DE ADESÃO

UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

FORMULARIO DE ADESÃO AO XIV SNBU 2006

LOCAL: FIESTA CONVENTION CENTER
PERÍODO: de 22 a 27 de outubro de 2006
PROMOÇÃO: Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Sistema de Bibliotecas (SIBI)
ORGANIZAÇÃO: Visão Feiras &amp; Eventos
Para participar do XIV Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU 2006), escolha a
sua área ou a modalidade de participação, preencha este formulário e o envie para a Secretaria
Executiva do Evento – Telefax: (71) 3319-0811/0816 ou pelo e-mail: assessoria@visaotur.com.br
DADOS DA EMPRESA (todos os campos deverão ser preenchidos)
Empresa Expositora: ______________________________ E-mail: ____________________
Endereço: _________________________________________________________________
Bairro: _____________________ Cidade: ______________ Estado: ____ CEP: ______-_
CNPJ: __________________________ Inscrição Estadual: _________________________
Responsável: _______________________________________ CPF: __________________
Departamento: _____________________ Tels: ________________________ Fax: ______
FORMA DE PARTICIPAÇÃO
( ) Patrocinador Diamante
( ) Patrocinador Prata (cyber)

( ) Patrocinador Platina

( ) Patrocinador Ouro

�40

A adesão como expositor refere-se ao estande com montagem básica com os seguintes itens:
-

Piso: forração em carpete duraflex cinza grafite direto no piso.
Estrutura: em OCTANORME cor branca.
Divisórias: em painéis formicalizados tipo TS.
Testeira: 1 (uma) testeira de 0.27 x 0.98 m para cada estande.
Identificações: 1 (uma) em letras pretas adesivas para cada estande.
Iluminação: em spots lights na proporção de 01 (um) para cada 3m² de área.
Elétrica: 1 (uma) tomada monofásica de 220 V e 01 (uma) trifásica para cada 9m2

CARACTERIZAÇÃO DO PARTICIPANTE (descrição de produtos e serviços oferecidos):

_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
_____________________________________
MODALIDADE DE PAGAMENTO
( ) À vista
( ) Parcelado. Número de parcelas: ______
PROCEDIMENTO PARA PARCELAMENTO:
50% de entrada na assinatura do contrato e o restante parcelado de acordo com negociação
autorizada.
Valor total da participação: R$ _________(________________________________________)
Entrada: R$ ___________ (_________________________________________)
Valor para parcelamento: R$ ___________ (_______________________________________)
Valor da parcela: R$ ___________ (_________________________________________)
Datas dos vencimentos das parcelas: _________________________________
Adesão ao(s) estande(s) nº: __________

CONDIÇÕES DE PAGAMENTO:
O pagamento deverá ser efetuado à vista ou parcelado conforme a tabela de valores. Em caso
de inflação acumulada, no período de vigência do parcelamento, superior ou igual a 10% (dez
por cento), esse valor será corrigido e repassado para as parcelas restantes, de acordo com
índice oficial em vigor.

�41
TODA E QUALQUER FORMA DE PAGAMENTO SÓ PODERÁ SER FEITA ATRAVÉS DE
BOLETOS BANCÁRIOS OU DIRETO NO NOSSO ESCRITÓRIO.
ATENÇÃO: para que sua participação seja aceita, é imprescindível que o comprovante do
pagamento seja enviado à secretaria executiva do evento em anexo a esta ficha, através do
telefax: (71) 3319-0818/3319-0816, ficando ressalvado ao promotor ou realizador o direito de
aceitar ou não o expositor no evento. Os estandes estarão disponíveis (sujeitos à modificação),
conforme layout em anexo.
Depois de assinado este formulário, qualquer desistência acarretará ao participante multa de
20% do valor total da adesão e perda do que já foi pago. Não aceitamos reservas.

Data: _____ / _____ / _______
Assinatura, CPF e Cargo.
De acordo. Obs: rubricar a página anterior

�42

15.5 – STAND BÁSICO

�43

15.6 – FICHA DE INSCRIÇÃO
UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

FORMULARIO DE INSCRIÇÃO NO XIV SNBU 2006
LOCAL: FIESTA CONVENTION CENTER
PERÍODO: de 22 a 27 de outubro de 2006
PROMOÇÃO: Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Sistema de Bibliotecas (SIBI)
ORGANIZAÇÃO: Visão Feiras &amp; Eventos
Para participar do XIV Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU 2006), preencha
todos os campos deste formulário e o envie para a secretaria executiva do evento – telefax: (71)
3319-0811/0816 ou pelo e-mail: eventos@visaotur.com.br
Nome do participante _________________________________________________________
Identidade (ou passaporte, no caso de ser estrangeiro) _____________________________
órgão expedidor: __________________________ CPF: _____________________________
Tipo de inscrição: (

) estudante

(

) individual

(

) institucional

(

) associados

Endereço residencial: rua ______________________________________________________
nº ________________ bairro _____________________________ cep __________ - ______
cidade ______________________________ estado _______________ país _____________
Contato: telefones residencial ____________________ comercial ____________________

fax ____________________ e-mail ____________________________________________
obs: este formulário de inscrição será validado apenas com a apresentação do
comprovante de depósito/pagamento.

Data: _____ / _____ / _______
___________________________________ ______________________________________
Nome

Assinatura

�</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                    <text>PROPOSTA DE CURSO A DISTÂNCIA DE CAPACITAÇÃO DO
PROFISSIONAL BIBLIOTECÁRIO PARA LEITURA
DOCUMENTÁRIA EFICAZ

Walter Moreira
Faculdades Integradas Teresa D’Ávila – Fatea
Faculdade de Biblioteconomia
Av. Peixoto de Castro, 539
12606-580 – Lorena – SP – Brasil
wmoreira@fatea.br

Cristina Aparecida Lino de Paiva
Faculdades Integradas Teresa D’Ávila – Fatea
Faculdade de Biblioteconomia
Av. Peixoto de Castro, 539
12606-580 – Lorena – SP – Brasil
cristina_lino@uol.com.br

Luciana de Sousa Baptista
Comando Geral de Tecnologia Aeroespacial
Instituto de Aeronáutica e Espaço
Divisão de Materiais
Praça Marechal Eduardo Gomes, 50
12228-904 – São José dos Campos – SP - Brasil
lucianabap@yahoo.com.br

�1 – INTRODUÇÃO
Mais do que a leitura em si mesma, não adjetivada, a leitura proficiente tornou-se
hoje uma espécie de ferramenta interdisciplinar. Em função da crescente massa
documental exige-se leitura eficaz nas mais diversas profissões como condição para
obtenção de sucesso. Outro fator consideravelmente importante neste processo é o
tempo: dispõe-se cada vez mais de menos tempo para cumprir os tais níveis de
leitura necessários à plena compreensão do texto, conhecidos de todos os
interessados pelo assunto.
O bibliotecário, evidentemente, está nesse rol de profissionais dependentes de boa
leitura para o pleno exercício da profissão. Precisa, portanto, investir esforços numa
formação que se prolongue sem interrupções. Como a educação a distância (EAD)
tem se mostrado uma alternativa viável para ações de capacitação, apresenta-se
aqui uma proposta de curso que visa a oferecer a este profissional insumos teóricos
e práticos para a produção eficaz de leitura documentária.
A facilidade de acesso a diversos tipos de textos e a possibilidade de formação de
turmas heterogêneas são algumas das características positivas para o oferecimento
de cursos via internet.
Com o fim de oferecer subsídios teórico-práticos que favoreçam a leitura para fins
documentários, apresenta-se neste trabalho uma proposta de um curso de
capacitação para a leitura documentária com fins de indexação que contemplem
este conhecimento acumulado pelas teorias da leitura.

2 – CONCEPÇÕES DE LEITURA
O aspecto criativo, em contraposição à atitude passiva, regula o pensamento
moderno sobre leitura e tem sido reforçado por alguns teóricos, entre os quais Smith
(1989), para quem a leitura é essencialmente construção, criação estimulada pela
leitura da palavra escrita e Solé (1998) que defende seu ensino a partir de uma
perspectiva construtivista.

2

�Nesta concepção não se permite mais enxergar o leitor como mero receptor de
mensagens, mais sim como sujeito que interage com o texto durante o processo de
leitura. Ao ler um texto, o leitor tem um papel ativo na reconstrução do seu conteúdo,
o que faz com que ele se torne um produtor de sentidos baseado nas suas
experiências prévias (memórias de leitura), seus conhecimentos teóricos, sua visão
de mundo, correntes filosóficas, valores e crenças. Em outros termos, a detecção
consciente do conhecimento acumulado pelo leitor pode ser utilizado de forma próativa para melhorar sua compreensão do texto.
Do ponto de vista de sua funcionalidade pode-se dizer que a leitura é um processo
comunicativo no qual o conhecimento prévio do leitor funde-se ao conhecimento
novo que o autor quer transmitir, construindo assim, um novo texto. Esta relação
compõe-se de um sujeito leitor, que interage com um texto impregnado de sentidos,
escrito por outro sujeito, este autor, também produtor de sentidos.
Na condição de principal ferramenta de acesso aos bens culturais necessários ao
crescimento em nível individual e social, a leitura tem sido estudada profundamente
em diversas áreas do conhecimento. No que diz respeito à aplicação de
pressupostos teóricos à leitura para fins de produção de informação documentária
ainda há carência teórico-metodológica. Embora seja verdade que haja problemas
deste tipo também em outras áreas, preocupa-se aqui com o baixo número de
teóricos dedicados ao assunto no Brasil. Em consulta1 ao Diretório dos Grupos de
Pesquisa no Brasil, mantido pelo CNPq, verificou-se que apenas treze grupos
atendiam à estratégia de busca proposta que teve como termo leitura e como
delimitadores a grande área Ciências Sociais Aplicadas e a área Ciência da
Informação. Numa análise mais cuidadosa, foi possível verificar que apenas dois
desses grupos desenvolvem linha de pesquisa em análise documentária, quais
sejam os grupos Análise Documentária, da Unesp, e o grupo Temma, da USP.
Embora a área possa se valer em muitos casos dos avanços registrados nas demais
disciplinas é preciso pensar sobre alguns aspectos que lhe são particulares.

1

Consulta realizada em 27 jul. 2006

3

�Normalmente classifica-se a leitura, do ponto de vista de sua aplicação, por
exemplo, numa tipologia que compreende o lazer, o estudo e a aquisição de
conhecimentos. A leitura documentária não se insere exatamente em nenhuma das
três categorias.

2.1 – A leitura documentária
Em busca dos fatores intervenientes no processo de leitura para fins documentários
é preciso considerar com Fujita (2003b, p. 69) a subjetividade que o caracteriza e
adotar a perspectiva do interacionismo como proposta metodológica para
compreendê-lo em função de três variáveis: leitor, texto e contexto. O
leitor/indexador é, na sua acepção, a variável mais influente nessa equação porque
condiciona a leitura a sua cognição.
Anteriormente Kato (apud CINTRA, 1989, p. 30), apontou, utilizando outra
terminologia, alguns elementos que integram a leitura, quais sejam: a) qualidade do
texto; b) conhecimento prévio do leitor e c) tipo de estratégias que o texto exige.
Dessas três variáveis, apenas a primeira independe do indexador/leitor.
Todo autor escreve para um público leitor determinado, e usa de todos os meios
possíveis para que o leitor consiga compreendê-lo. O leitor, por sua vez, quer
compreender a informação que o autor quer lhe transmitir e se esforça para isso.
Adler e Van Doren (1990, p. 17) também compreendem o processo dessa forma,
pois entendem que não interessa para o escritor não ser apreendido, nem o leitor
deseja isso, por esta razão suas habilidades convergem para o mesmo fim. Cintra
(1989, p.30-31) enxerga neste quadro um fator complicador: na leitura para fins
documentários, não existe o princípio de cooperação autor/leitor, o qual dá conta de
uma intencionalidade tanto do autor quanto do leitor de estabelecerem um diálogo,
de se fazerem entender. O autor não prevê o documentalista como leitor.
Durante a leitura documentária, o indexador faz uso de uma metodologia (estratégia
de leitura e utilização de esquemas) que subordina a sua leitura aos interesses da
instituição e, sobretudo, aos interesses do usuário. Essa leitura corresponde à fase
inicial do processo de análise documentária e diferencia-se da leitura comum por ter

4

�como finalidade a elaboração de índices de assuntos e de resumos. O leitor
indexador lê/analisa para que outros possam encontrar/ler um determinado
documento. Ao mesmo tempo melhora as condições de produção de sua leitura
profissional acumulando novos conhecimentos, embora não se considere esta
explicitamente como sua finalidade, como apontado acima.

2.2 – A leitura do bibliotecário indexador
Em processos de indexação a leitura documentária é realizada por um indexador
que tanto pode ser um bibliotecário quanto um especialista da área de assunto com
a qual trabalha. Esta proposta tem como foco o bibliotecário indexador.
Enquanto indexador, o bibliotecário é também um leitor com objetivos profissionais
definidos, valendo-se de estratégias de leitura, de modo a facilitar a compreensão do
texto analisado.
Além de suas estratégias próprias, como afirma Fujita (2003a, p. 89), um leitor
profissional possui conhecimento prévio profissional, o qual não deve ser confundido
com conhecimento específico de uma área ou assunto, que o caracterizaria como
um especialista.
Cabe ressaltar a diferença de estratégias utilizadas pelo indexador especialista e
pelo indexador bibliotecário. O primeiro, por atuar na área, pode possuir um
conhecimento profundo da mesma, o que facilita o uso de estratégias cognitivas, já o
indexador bibliotecário utiliza grande quantidade de estratégias metacognitivas, que
envolvem estruturas textuais e esquemas de leitura.
O leitor–indexador praticamente apresenta características distintas do leitor comum,
uma vez que a ele não compete criticar e nem avaliar as informações dos textos,
seus objetivos (idealmente) são: a identificação e a extração de informações.
Lucas (2000) já denunciou a inadeqüabilidade do discurso que caracteriza a leitura
do bibliotecário como neutra e apolítica por seu aspecto de cientificidade. A
interpretação seria considerada neste “modo de produção” um desvio. Entretanto,
ainda cabe perguntar: é possível uma leitura ideologicamente neutra? O que dizer

5

�das características comportamentais do leitor–indexador no momento da leitura para
análise documentária? E dos objetivos e estratégias próprias deste profissional?

2.3 – Existe uma leitura documentária neutra?
Há algumas importantes questões que já foram observadas por outros estudiosos da
leitura para fins documentários e que precisam ainda ser discutidas. A mais
importante delas é, sem dúvida, o fato de que se trata de leitura mediadora, ou seja,
o indexador lê para que outros possam localizar, acessar e ler o documento, não
realiza leitura, portanto, para fins de aquisição de conhecimento em si, ou mesmo
por fruição, mas o faz para fins de representação. Conforme apontado por Kobashi
(1994, p. 110) trata-se de leitura orientada por uma missão bem determinada:
“elaborar produtos que permitam recuperar informação”.
Isso leva o leitor/indexador a comportar-se de modo diferente do chamado leitor
comum. Conforme Hutchins (apud FUJITA, 2003b, p. 80) enquanto o primeiro
procura identificar assuntos familiares para que possa compreender/representar o
texto, o último, ao contrário, visa a encontrar informações novas para ampliar o seu
conhecimento sobre o assunto.
Considera-se eficaz a leitura documentária que busca observar além do assunto de
que trata o documento, as razões pelas quais este documento possa interessar a um
grupo específico e determinado de usuários. Sendo assim, mesmo que se conceda
à leitura documentária o status de neutralidade, a leitura para fins de indexação é
realizada sempre do interior de uma referência institucional, com fins que respondem
aos interesses da instituição (LUCAS, 2000), sempre orientada, como apontado
anteriormente.
Cunha (1989, p. 54) chama de preconceituosa a suposta leitura única e absoluta do
bibliotecário, assim como a existência de palavras-chave e indexadores neutros. O
próprio processo de escolha dos conceitos/termos é ideologizado. Assim também
pensa Lucas (2000, p. 76), para quem a leitura do bibliotecário nunca é neutra, pois
“não há discurso sem sujeito e não há sujeito sem ideologia, sendo o sujeito cultural
e historicamente constituído”.

6

�Exigir do leitor/indexador que este se atenha somente ao conteúdo do próprio texto
equivale a esperar que se estabeleça a mesma relação que era esperada dos
leitores medievais da Sagrada Escritura: a proibição de interpretação, de reescritura
(LUCAS, 2000). Isto posto não se trata aqui de reforçar como necessária ou mesmo
de negar a interferência da subjetividade no processo, mas de reconhecê-la no seu
interior com o fim de adequar a proposta de capacitação à realidade e associar
teorias e práticas concorrentes para esse fim.

3 – ESTRATÉGIAS DE LEITURA
O uso de estratégias de leitura pode efetivamente auxiliar o leitor-indexador no
desempenho de sua atividade. Assim como o leitor comum, este leitor emprega
diferentes modalidades de conhecimento (prévio, tácito e explícito), estratégias
(cognitivas e metacognitivas, de nível perceptual e conceitual e estratégias de
inferência). É preciso identificá-las para que possam ser utilizadas de forma profícua.

3.1 – Conhecimento prévio, tácito e explícito
O conhecimento prévio, em processos de leitura, refere-se à utilização de
informações adquiridas pelo leitor em suas vivências e constitui-se de experiências
pessoais e profissionais. Portanto, o leitor deve construir um processo de
interpretação, munido de sua bagagem cultural possibilitando inferências e o
preenchimento das lacunas deixadas pelo autor. Para Cintra (1989, p. 29) o
conhecimento prévio refere-se “ao estoque de conhecimento armazenado na
memória do leitor, que se configura como uma espécie de ‘quadro de referência’
formado por uma rede multidimensional de unidades conceituais”. É este quadro de
referência que permite ao leitor avaliar/organizar a informação que recebe.
O conhecimento de estruturas e de gêneros textuais pode igualmente facilitar. Na
prática profissional o indexador depara-se com textos em diversos níveis, e para
contornar situações como, por exemplo, a má estrutura textual do texto lido, ele faz
uso desse conhecimento armazenado, o que lhe permite fazer interferências que
facilitem a compreensão de leitura.

7

�A subárea da Organização e Representação da Informação tem se valido muito
fortemente dos estudos da Lingüística Textual como suporte para melhoria dos
processos de leitura documentária. Há várias referências a autores deste domínio
nos trabalhos dos integrantes dos grupos de pesquisa sobre leitura documentária
citados acima.
Em contraposição ao explícito, que é o conhecimento passível de ser transmitido
formal e sistematicamente através da linguagem e de instruções, o conhecimento
tácito é entendido como sendo o conhecimento em que não somos capazes de
formular regras. A idéia de conhecimento tácito não está restrita apenas a
habilidades motoras, técnicas, ou corporais, mas também a elementos cognitivos.
Estes elementos cognitivos do conhecimento tácito referem-se a modelos mentais,
tais como esquemas, paradigmas, perspectivas, crenças e pontos de vistas através
dos quais os indivíduos percebem e definem o seu mundo.
No processo de indexação este conhecimento tácito aparece com o que a linguagem
vulgar chama de macetes, artifícios que o indexador adquiriu com a prática
profissional e, eis o problema, que não constam em nenhum manual de
procedimentos. Já o conhecimento explícito encontra-se disponível nas Linguagens
Documentárias (tesauros, lista de cabeçalhos de assunto, sistemas de classificação)
e também nos manuais de indexação das instituições.
A somatória desses conhecimentos já mencionados constituem fatores importantes
e que influem diretamente na qualidade da indexação.

3.2 – Esquemas/estratégias de leitura
Na busca da compreensão da leitura, o indexador recorre a diversos processos
visando alcançar seus objetivos, dentre os quais as estruturas (esquemas) e
processos (estratégias)..
De acordo com Cintra (1989, p.34):
A escolha das estratégias de leitura além dos esquemas prévios
do leitor depende de outros fatores: a finalidade da leitura, da

8

�experiência do leitor, ou da sua maturidade frente à tarefa de
ler, do tipo de texto lido, da atenção mais concentrada em partes
do texto, do grau de novidade do texto e até mesmo da
motivação de ler.
Retoma-se aqui os tripés autor-texto-contexto (FUJITA, 2003b) e texto-leitorestratégias (KATO apud CINTRA, 1989) com o fim de reforçar o relativo domínio que
o leitor pró-ativo pode ter das variáveis. A única que se lhe escapa a priori,
completamente, é o autor e sua intencionalidade, mas como dito acima, na
intencionalidade do autor não cabe um leitor indexador.
Os esquemas, de modo simplificado, são representações que o indivíduo constrói
para compreender a realidade. O ajuste desses esquemas à leitura se dá a partir de
dois movimentos (estratégias) básicos: ascendente e descendente. No movimento
ascendente (bottom-up), esclarece Kato (1985, p. 40), a leitura se dá na
dependência do contexto escrito, ou seja, o leitor vai extraindo linearmente dos
símbolos impressos o significado, movendo-se das partes para o todo. Já no
movimento top-down (descendente), o leitor se fixa ao seu conhecimento prévio
fazendo generalizações e predições a partir dos esquemas armazenados em sua
memória, movendo-se do todo para as partes e confirmando ou não suas hipóteses
sobre o texto.
É Kato (1985) ainda quem distingue dois tipos de estratégias:
•

cognitivas (comportamentos automáticos e inconscientes) usadas na leitura
fluída sem obstáculos para o leitor. Fazem parte desta estratégia dois
princípios: da canonicidade e da coerência. O primeiro diz respeito à
compreensão ortográfica, sintática e semântica do texto; no segundo o leitor
cria expectativas de coerência global e temática.

•

metacognitivas (supõem comportamentos desautomatizados). O uso de
conhecimento da estrutura textual por parte do leitor faz parte de suas
estratégias metacognitivas e são definidas como sendo aquelas utilizadas

9

�pelo leitor no momento em que o mesmo tem um controle consciente e ativo
de seu comportamento.
As estratégias metacognitivas são, para os propósitos de um curso de capacitação
para leitura documentária, mais importantes que as cognitivas porque podem ser
ensinadas/aprendidas, a experiência pode melhorá-las. Leffa (apud FUJITA, 2003a,
p. 76), reforçando o argumento, apresenta algumas conclusões contundentes sobre
as estratégias metacognitivas:
•

a metacognição desenvolve-se com a idade;

•

a metacognição correlaciona-se com a proficiência em leitura: leitores fluentes
têm mais consciência de seus comportamentos de leitura e possuem maior
flexibilidade para ajustar a leitura a objetivos específicos e

•

o comportamento metacognitivo melhora com a instrução; a eficácia de uma
determinada estratégia depende do objetivo de uma determinada leitura.

Farrow (1991, p. 153) divide as estratégias em perceptual e conceitual. No nível
perceptual são observadas as palavras que apresentam mais letras e palavras não
comuns, além dos efeitos visuais do texto (ilustrações, quadros, palavras em itálico,
etc.) e definições que aparecem no texto. No nível conceitual, o indexador emprega
o conhecimento de estrutura textual para procurar áreas significantes no texto; lê
com atenção os exemplos e faz inferências para ligar proposições. O autor fala
ainda de estratégias de inferência, classificadas, como lógicas (informações obtidas
do próprio texto) e pragmáticas (aquelas relacionadas aos conhecimentos/esquemas
do leitor).
De qualquer modo há que se considerar durante o processo de leitura a identificação
e o uso da estratégia adequada para cada texto. Esta adequabilidade condiciona-se
à qualidade do texto em si, ao conhecimento que o indexador tem do assunto e às
estratégias que pretende conscientemente adotar para sua compreensão com fim de
representação.

10

�4 – EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
O curso que se propõe visa a aproximar teoria e prática relacionadas à leitura para
produção de informação documentária. Entende-se que faltam ambientes de prática
reflexiva. Se fosse possível aprender apenas memorizando seqüências de
informação os periódicos e os livros-texto bastariam, mas, isso já é senso comum,
não se constrói conhecimento dessa forma.
As concepções sobre ensino são agrupadas por Valente (2003, p. 140) em duas
grandes aglutinadoras. Uma refere-se ao ato de “’depositar’ informação no
aprendiz”, a qual se vincula diretamente à memorização e à reprodução e a outra à
construção do conhecimento, na qual é necessário que o aluno processe a
informação, “interagindo com o mundo dos objetos e das pessoas”
Ambas as concepções têm servido à EAD num ou noutro momento, para esta ou
aquela finalidade. No caso da presente proposta, entretanto, que não visa a oferecer
soluções prontas para problemas determinados, a segunda concepção ajusta-se de
forma mais adequada. Não se pretende, mesmo porque seria ingênuo, ensinar (no
sentido usual) ninguém a ler de forma eficaz, mas oferecer um ambiente rico em
interatividade e que favoreça ao aluno/profissional refletir sobre sua própria prática
de leitura para que possa melhorá-la.
Educação a distância é, numa proposição tautológica, apenas uma modalidade de
educação. O que distingue uma educação a distância de uma educação presencial
(a terminologia neste domínio tem sido amplamente discutida) está, nas palavras de
Litwin (2001, p. 13), na “mediatização das relações entre os docentes e os alunos
[...] em espaços e tempos que não compartilham”. Ainda assim é preciso rever a
noção de espaço utilizada por este autor.
Além dos cuidados com o desenho instrucional do curso, exige-se, como condição
de sucesso, estudantes relativamente autônomos, protagonistas de sua própria
aprendizagem. Isso é facilitado pela presença majoritária (no caso do curso em tela,
absoluta), de clientela adulta, possuidora de características distintivas como as
apresentadas por Pretti (2000, p. 18): são autodiretivos, possuem rica experiência e
buscam na aprendizagem uma orientação “mais prática, voltada para necessidades

11

�mais imediatas”. Peters (2001, p. 37) acrescenta ainda que estes estudantes
agregam a vantagem da realização de estudos concomitantemente com o exercício
profissional e o fato de muitos trazerem na bagagem um considerável sucesso na
formação escolar.
Evidentemente não há autonomia que resista a um ambiente virtual desfavorável e
sem a presença segura de um professor-tutor que ofereça condições para que o
estudante a exercite de forma benéfica. O professor tutor deve ter ciência de que na
EAD a espontaneidade que muitas vezes orienta o processo de ensinoaprendizagem presencial é alterada pelo uso de equipamentos e pela distância.
As facilidades promovidas pela internet e o decréscimo de preço dos equipamentos
de informática possibilitou rediscutir os problemas da EAD, mas é necessário
reconhecer suas possibilidade de uso e suas limitações. Willis (2000) organiza as
modalidades de EAD em quatro categorias, as quais vão do uso de instruções via
programas de treinamento ao uso efetivo de hipermídia. Aliás, é isso, a conjunção
de mídias, que torna o computador conectado a internet o instrumento privilegiado
em EAD. É preciso ficar claro, contudo, que o ambiente virtual de aprendizagem não
é uma sala de aula melhorada, não é sua extensão. Trata-se de outro modelo, com
características próprias, com seus próprios problemas e possibilidades de solução.
Outro aspecto importante a considerar é o crescimento da tecnologia informática e o
decréscimo de preço. É preciso considerar também suas limitações: a rápida
mudança tecnológica e a realidade de não ser ainda um equipamento doméstico
como se diz por aí.

5 – PROPOSTA DO CURSO
O curso a distância de capacitação do profissional bibliotecário para uma leitura
eficaz com fins de produção de informação documentária que ora se propõe é
resultado da parceria do Núcleo de Educação a Distância (NEaD) e da Faculdade de
Biblioteconomia, ambos das Faculdades Integradas Teresa D’Ávila (Fatea),
localizadas em Lorena, no Estado de São Paulo.

12

�Utiliza como ambiente virtual de aprendizagem o TelEduc, software desenvolvido
pelo Núcleo de Informática Aplicada à Educação (Nied) da Unicamp que tem como
ponto forte possuir uma arquitetura que favorece a interatividade e a facilidade de
uso por pessoas não especialistas em computação. A ferramenta Atividades, a mais
rica num curso na modalidade EAD, possibilita a aprendizagem por meio da
resolução de problemas, com subsídios de textos e outros materiais. Outro aspecto
digno de nota são as ferramentas que facilitam a promoção de interação entre os
participantes, as ferramentas de comunicação.
O público-alvo para o presente curso é formado por bibliotecários que realizem
indexação em qualquer nível. O curso prevê seis horas como tempo de estudo
semanal. Totaliza 60 horas totalmente a distância e contempla as agendas indicadas
abaixo. A previsão de início é 5 de fevereiro de 2007, com duração de dez semanas,
contemplando as agendas abaixo relacionadas:
•

Agenda 1 (semana 1) – Socialização . Esclarecimentos de dúvidas sobre o
ambiente e sobre o curso.

•

Agenda 2 (semanas 2 e 3) – Organização e representação da informação
documentária. Discussão sobre o estado da arte desta subárea da Ciência da
Informação. Política de indexação.

•

Agenda 3 (semanas 4 e 5) – Leitura documentária. Busca pelas condições da
leitura de uma forma mais ampla e pela especificidade da leitura
documentária.

•

Agenda 4 (semanas 6 e 7) – Estratégias de leitura. Proposta de técnicas
baseadas na normalização e nos modelos propostos por pesquisadores da
área. Em busca de modelos aplicáveis à realidade do bibliotecário indexador.

•

Agenda 5 (semanas 8 e 9) – Atividades mediadas de leitura. Orientação
exclusiva para a prática reflexiva das estratégias propostas.

•

Agenda 6 (uma semana) – Encerramento. Avaliação do curso.

13

�Cada agenda prevê atividades, material de apoio e leituras específicas necessárias
à compreensão dos conceitos tratados e ao cumprimento dos exercícios propostos,
além de outras atividades assíncronas, como fóruns, e síncronas, como bate-papos,
com o fim de explorar as temáticas. Os textos indicados como leitura são divididos
em duas categorias: leituras obrigatórias e leituras opcionais, sempre disponíveis na
internet em periódicos eletrônicos nacionais.

6 – CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este trabalho apresentou uma proposta de curso de capacitação para leitura cujo fim
seja a produção de informações documentárias. A preocupação principal aqui foi
expor as concepções teóricas que fundamentam o curso e delinear seu desenho
instrucional.
Acredita-se que a leitura documentária apresenta níveis de dificuldade específicos e
que um ambiente que promova a troca de informações entre as diferentes técnicas
utilizadas pelos profissionais bibliotecários não formalizadas em manuais de
procedimentos e os suportes teóricos que lhes embasam pode fortalecer a prática
de leitura profissional.
Conforme apontado não se acredita em soluções prontas, não se defende o
engessamento do ato de leitura com soluções que desconsideram os contextos
específicos de cada unidade de informação, de cada comunidade usuária. As
soluções, onde e quando existirem, serão encontradas pelos profissionais
envolvidos na tarefa diuturna de representar a informação.

7 – REFERÊNCIAS
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Guanabara Koogan, 1990.
CINTRA, Anna Maria M.
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IBICT, 1989. p. 29-37.
CUNHA, Isabel M. R. Ferin. Análise Documentária. In: SMIT, Johanna W.
(coord.). Análise documentária: a análise da síntese. 2.ed. Brasília: IBICT, 1989.
p. 40-62.

14

�FARROW, John F. A cognitive process model of document indexing. Journal of
Documentation, v. 47. n. 2, p. 149-166, jun. 1991.
FUJITA, Mariângela S. L. A identificação de conceitos no processo de análise de
assunto para indexação. Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da
Informação, v. 1, n. 1, p. 60-90, jul./dez. 2003b.
Disponível em
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______. A leitura documentária do indexador: aspectos cognitivos e lingüísticos
influentes na formação do leitor profissional. 2003a. 321f. Tese (Doutorado em
Ciência da Informação) - Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual
Paulista, Marília. 2003.
KATO, M. A. O aprendizado da leitura. São Paulo: Martins Fontes, 1985.
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de uma metodologia. 1994. 195f. Tese (Doutorado em Ciências da Comunicação) –
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15

�</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Moreira, Walter; Paiva, Cristina Aparecida Lino de; Baptista, Luciana de Sousa</text>
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                <text>Este trabalho apresenta uma proposta de curso de capacitação para leitura cujo fim seja a produção de informações documentárias. A preocupação principal aqui foi expor as concepções teóricas que fundamentam o curso e delinear seu desenho instrucional. Acredita-se que a leitura documentária apresenta níveis de dificuldade específicos e que um ambiente que promova a troca de informações entre as diferentes técnicas utilizadas pelos profissionais bibliotecários não formalizadas em manuais de procedimentos e os suportes teóricos que lhes embasam pode fortalecer a prática de leitura profissional.</text>
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                    <text>Proposta de implantação da Biblioteca Digital de Trabalhos de
Conclusão de Curso do Departamento de Ciências da Informação
da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)
Edson Jobert de Oliveira Lima
Departamento de Ciências da Informação
Universidade Federal do Espírito Santo
Campus de Goiabeiras, Vitória -- ES
29060 900 – Brasil
edson_jobert@yahoo.com.br
Elias Oliveira
Departamento de Ciências da Informação
Universidade Federal do Espírito Santo
Campus de Goiabeiras, Vitória -- ES
29060 900 - Brasil

elias@inf.ufes.br

RESUMO

O tema Biblioteca Digital é cada vez mais presente em nosso dia a dia. As novas
tecnologias da informação estão mudando o conceito tradicional de biblioteca e com isso
novos paradigmas são criados. A atividade primordial das bibliotecas, juntar pessoas com
informações, entretanto, não tem sido alterada fundamentalmente. Com esse trabalho
detalhamos a proposta de implantação da Biblioteca Digital de Trabalhos de Conclusão
de Curso de Graduação do Departamento de Ciências da Informação da Universidade
Federal do Espírito Santo (UFES), utilizando o Sistema de Submissão de Teses e
Publicações Eletrônicas (TEDE) desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Ciência e
Tecnologia (IBICT). Ao contrário do previsto no manual de instalação do TEDE, e de
certa forma contrariando a filosofia do software livre, a instalação foi realizada em
microcomputador com sistema operacional Microsoft Windows XP, plataforma de
software de

maior penetração

do

mercado

e

presente

em

boa

parte

dos

microcomputadores dos departamentos da UFES. O artigo é um exemplo da
portabilidade do sistema TEDE que adaptou-se perfeitamente ao novo ambiente
operacional sem necessidade de nenhuma adaptação ao código original. Além disso,
fazemos um comparativo de funcionalidades com Sistema NOU-RAU, do Instituto Vale do
Futuro e Centro de Computação da UNICAMP, também software livre distribuído sob
licença GPL.

Palavras-chave: Biblioteca digital. Trabalho de conclusão de curso. TEDE. NOU-RAU.

�1. INTRODUÇÃO

Na última década do séc. XX as bibliotecas digitais trouxeram um impacto significativo no
setor de bibliotecas e informação. Os esforços oficiais brasileiros vêm de forma gradual
desenvolvendo uma base significativa de suporte com o estabelecimento de políticas
públicas adequadas, desenvolvimento local e utilização de softwares Open Source.

A 2a. edição do livro Bibliotecas Digitais: saberes e práticas (IBICT, 2006), relaciona 86
bibliotecas digitais em atividade na Internet. Um levantamento de 2004 do Instituto Ecofuturo
apontava a existência de 14.080 bibliotecas tradicionais em 4.615 municípios brasileiros 945 municípios não dispunham de nenhum tipo de biblioteca. Comparativamente, o número
de bibliotecas digitais é ínfimo, menos de 1%, em relação ao de bibliotecas tradicionais,
porém os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD, 2004),
produzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam um alcance
potencial superior a 21 milhões de usuários – aproximadamente 12% de nossa população –
com um crescimento de acesso a Internet de 11,2% no período 2003-2004, e que continuará
crescendo a taxas semelhantes nos próximos anos.

O objetivo desse trabalho é apresentar a experiência de implantação da Biblioteca Digital de
Trabalhos de Conclusão de Cursos, nos cursos de graduação do Departamento de Ciências
da Informação da Universidade Federal do Espírito Santo utilizando o Sistema de
Publicação Eletrônica de Teses e Dissertações (TEDE), do Instituto Brasileiro de Informação
em Ciência e Tecnologia (IBICT), descrevendo a instalação, configuração do ambiente, suas
funcionalidades, características e módulos integrados ao sistema, em microcomputador com
sistema operacional Microsoft Windows XP, plataforma de maior penetração do mercado e
presente em boa parte dos microcomputadores dos departamentos da UFES. Na segunda
parte do trabalho fazemos um comparativo de funcionalidades com um sistema similar, o
Sistema Online para Arquivamento e Indexação de Documentos (NOU-RAU), da
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), procurando estabelecer parâmetros de
comparação e complementariedade entre as duas ferramentas.

O trabalho está dividido em 7 seções: Introdução, Biblioteca Digital - Conceitos, Instalando
os softwares básicos, Instalação e configuração do TEDE, Demonstrando o NOU-RAU,
Comparando

TEDE

com

o

NOU-RAU

e

Considerações

Finais.

�2. BIBLIOTECA DIGITAL - CONCEITOS

O conceito tradicional de biblioteca é de um local com uma coleção de livros ou outros
documentos, normalmente impressos em papel, dispostos de forma organizada, com
catálogos em sua maioria, no mesmo suporte, para utilização por uma população definida
de usuários. A biblioteca digital é uma evolução natural da biblioteca tradicional que se
transforma com a utilização intensiva de modernas tecnologias da informação.

Rowley (2002, p. 3) aponta em seu livro A Biblioteca Eletrônica que o conceito dessa nova
biblioteca ainda não está consolidado e apresenta o que ela chama de "abundância de
termos": biblioteca sem paredes, biblioteca em rede, biblioteca no microcomputador,
biblioteca lógica, biblioteca virtual, centro nervoso de informações, centro de gerenciamento
de informações e finalmente biblioteca digital. Oppenheim (apud Rowley, 2002, p.4)
conceitua-a como "uma coleção organizada e administrada de informações numa variedade
de meios (texto, imagem fixa, imagem em movimento, som ou suas combinações, porém
todos em formato digital". Como toda biblioteca sua coleção é organização e administrada
para beneficiar uma determinada população de usuários, tanto reais quanto potenciais.

Para Trolley (apud Rowley, 2002, p.3), a definição de biblioteca eletrônica é "a visão comum
que bibliotecários, editores, tecnólogos e pesquisadores têm acerca do acesso a todas as
informações, em qualquer lugar, a qualquer instante". Esse conceito de universalidade de
acesso, segundo Rowley, é comum a vários autores e talvez seja a característica mais
fundamental das bibliotecas digitais

Cunha (1999), também relaciona várias características comuns aos autores na conceituação
de biblioteca digital:
a) acesso remoto pelo usuário, por meio de um computador conectado a
uma rede;
b) utilização simultânea do mesmo documento por duas ou mais pessoas;
c) inclusão de produtos e serviços de uma biblioteca ou centro de
informação;
d) existência de coleções de documentos correntes onde se pode acessar
não somente a referência bibliográfica, mas também seu texto
completo. O percentual de documentos retrospectivos tenderá a
aumentar à medida que novos textos forem sendo digitalizados pelos
diversos projetos em andamento;
e) provisão de acesso em linha a outras fontes externas de informação
(bibliotecas, museus, banco de dados, instituições públicas e privadas);
f) utilização de maneira que a biblioteca local não necessite ser
proprietária do documento solicitado pelo usuário;
g) utilização de diversos suportes de registro da informação tais como

�texto, som, imagem e números;
h) existência de unidade de gerenciamento do conhecimento, que inclui
sistema inteligente ou especialista para ajudar na recuperação de
informação mais relevante.
(CUNHA, 1999, p. 258)

Respondendo à pergunta What is a digital library? Harter afirma que:
O termo biblioteca digital é o mais recente em uma longa série de nomes
para o conceito que surgiu com o desenvolvimento do primeiro computador:
a biblioteca computadorizada que viria a suplementar, adicionar
funcionalidades e até mesmo a substituir a biblioteca tradicional. (HARTER,,
1996, tradução nossa).

Para Alvarenga (2001), as bibliotecas tradicionais, principalmente em países mais
desenvolvidos econômica e tecnologicamente, vinham se aperfeiçoando no uso de
tecnologias de processamento eletrônico de dados, quando passaram a organizar e oferecer
acesso a base de dados referenciais online e ainda com a disseminação dos Online public
access catalogs (OPAC). Para a autora o meio digital se constituiu "[...] no espaço sem
precedentes para o registro e recuperação de documentos textuais, sonoros e
imagéticos[...]". Ainda segundo Alvarenga, com o advento e intensificação da Internet a
biblioteca digital tornou-se realidade definindo-a simplificadamente:
"[...] como um conjunto de objetos digitais construídos a partir do uso de
instrumentos eletrônicos, concebidos com o objetivo de registrar e
comunicar pensamentos, idéias, imagens e sons, disponíveis a um
contingente ilimitado de pessoas dispersas onde quer que a plataforma
www alcance."

Concluímos citando a definição de biblioteca digital expressa por Marcondes, Kuramoto,
Toutain e Sayão (2005, p. 16) no livro Biblioteca digitais: saberes e práticas, obra única em
língua portuguesa e de autores brasileiros, que traça um painel completo sobre o tema,
narrando desde as primeiras iniciativas até o estágio atual de desenvolvimento:
Biblioteca digital têm como base informacional conteúdos em texto completo
em formatos digitais - livros, periódicos, teses, imagens, vídeos e outros -,
que estão armazenados e disponíveis para acesso, segundo processos
padronizados, em servidores próprios ou distribuídos e acessados via rede
de computadores em outras bibliotecas ou redes de bibliotecas da mesma
natureza.

Na próxima seção descrevemos a instalação dos softwares necessários para utilização do
TEDE como sistema gerenciador de bibliotecas digitais.

�3. INSTALANDO OS SOFTWARES BÁSICOS
Os softwares básicos necessários para a implantação previstos no Manual do TEDE v. 2.1
são o servidor web Apache disponível em http://httpd.apache.org/, servidor de banco de
dados MySQL disponível em http://www.mysql.com/ e linguagem server-side PHP,
disponível em http://www.php.net, para criação de páginas dinâmicas. Além desses, para
servir de interface entre o MySQL e o PHP, instalamos o phpMyAdmin, disponível em
http://www.phpmyadmin.net/home_page/index.php, uma ferramenta especializada para
gerenciamento de banco de dados MySQL. Todos são softwares livres e foram instalados
na ordem em que estão citados.

3.1

Instalando o Apache 1.3.34

Iniciamos a instalação padrão com um duplo clique sobre o arquivo apache_1.3.34-win32x86-no_src.exe:
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•

Aceitar a Licença de Uso
Read this first
Server information
Network domain: localdomain
Server name: localhost
Administrator’s e-mail address: endereço de e-mail
Selecione - Run as service for All Users – recommended
Next
Please select a setup type – Complete
Aceite a pasta sugerida para instalação: C:\Arquivos de programas\Apache Group\Apache\ ou
altere cfe. suas necessidades;
Clique Install para iniciar a instalação;

Para testar o sucesso da instalação: abrimos o navegador e na barra de endereços
digitamos http://localhost e confirmamos a visualização da tela de boas vindas do Apache.
Para parar/reiniciar o serviço Apache vamos no Painel de Controle &gt; Ferramentas
Administrativas &gt; Serviços – clique duplo no Apache e em seguida clique no botão Parar;
para reiniciar novo clique duplo e clique no botão Iniciar. Também é possível iniciar, parar e
reiniciar o serviço Apache através da digitação de comandos no Prompt de Comando.
Devemos

alterar

o

arquivo

de

configuração

C:\Arquivos

de

programas\Apache

Group\Apache\conf\httpd.conf, conforme o Manual de Instalação do TEDE item 3.2.1.3:
•
•

Adicione a linha no final do arquivo
AddType application/x-httpd-php .php
Acrescente o index.php
&lt;IfModule mod_dir.c&gt;
DirectoryIndex index.html index.htm index.php

�&lt;/IfModule&gt;

3.2

Instalando o PHP 4.4.2

Uma vez que o PHP será instalado para utilização conjunta com o Apache optamos pela
instalação do pacote compactado em formato ZIP. Os arquivos devem ser descompactados
para o disco rígido do computador, observado-se os seguintes procedimentos:
•
•

•

•
•

extrair os arquivos para a pasta C:\Php;
copiar o arquivo php.ini-recommended para a pasta C:\Windows, renomear para php.ini e
em seguida editá-lo com o Bloco de Notas e alterar a variável doc_root para doc_root =
C:\Arquivos de programas\Apache Group\Apache\htdocs (pasta raíz a partir da qual
serão atendidas as requisições realizadas ao servidor web);
ainda no arquivo php.ini alterar o valor das variáveis:
•
output_buffering = On
•
register_globals = On
•
session.cache_limiter = nocache
•
session.cache_expire = 180
•
session.use_trans_sid = 1
•
upload_max_filesize = 25 (caso queira que os uploads permitam arquivos de até 25
megas, verifique a forma numeral que a versão do php.ini aceita. Ex: 25M; 25000000;
25; ...)
•
post_max_size = 25 (caso queira que os uploads via post permitam arquivos de até
25 megas, verifique a forma numeral que a versão do php.ini aceita. Ex: 25M;
25000000; 25; ...)
•
salve o arquivo e feche o editor de textos.
Copiar o arquivo “php4ts.dll” para a pasta C:\WINDOWS\SYSTEM;
Precisamos ainda configurar o Apache para trabalhar em conjunto com o PHP e para isso
precisamos alterar o arquivo “httpd.conf” na pasta “C:\Arquivos de programas\Apache
Group\Apache\conf” inserindo duas linhas no final do arquivo:
•
AddType application/x-httpd-php .php
•
LoadModule php4_module c:/php/sapi/php4apache.dll
•
Salve o arquivo e feche.
•
Pare o serviço Apache e reinicie conforme descrito no item 2.1.

Vamos criar um arquivo texto no Bloco de Notas com o nome “info.php” na pasta raiz (root)
do

servidor

Apache,

em

nosso

caso

“C:\Arquivos

de

programas\Apache

Group\Apache\htdocs”, com o seguinte conteúdo:
&lt;? phpinfo();?&gt;

Abrimos o arquivo no navegador digitando na barra de endereços "http://localhost/info.php"
e confirmamos a visualização das configurações locais da instalação do PHP. Nossa
instalação foi um sucesso.

3.3

Instalando o MySQL 4.1.18

O pacote selecionado para instalação foi o Windows Essential (x86) que facilita bastante

�todo o processo de instalação, que iniciamos com um duplo clique no arquivo .msi:
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•

3.4

Tela de boas-vindas ao MySQL – Next;
Selecionar o tipo de instalação: Typical;
Clicar no botão Install;
Na tela MySQL.com Sign-Up selecione: Skip Sign-Up e clique no botão Next;
Em seguida vamos configurar o servidor MySQL, selecione: Configure the MySQL Server
now e clique no botão Finish;
Tela de boas vindas ao MySQL Server Instance Configuration Wizard 1.0.8 clique no botão
Next;
Selecione o tipo de configuração: Standard Configuration
Deixe marcado a opção Install as Windows Service e Launch the MySQL Server automatically
e marque a opção Include Bin Directory in Windows PATH;
Desmarcamos a opção Modify Security Settings, e deixamos o usuário root do MySQL sem
senha. Clicamos em Next;
Pressione o botão Execute para iniciar a configuração do servidor;
Observe atentamente a janela com as mensagens do sistema e veja se está tudo AZUL e
clique em FINISH.

Instalando o phpMyAdmin 2.7.0-pl2

Iniciamos extraindo o arquivo .ZIP para a pasta raíz do servidor web, e em seguida
renomeamos a pasta para phpmyadmin. Utilizando o Bloco de Notas criamos um arquivo
novo com o conteúdo abaixo e salvamos como "config.inc.php" no mesmo local onde
foram descompactados os arquivos, "C:\Apache\Apache\htdocs\phpmyadmin".:
&lt;?php
/* Configuração do Host */
$cfg['PmaAbsoluteUri'] = 'http://localhost/phpmyadmin/';
$cfg['Servers'][$i]['auth_type']
= 'config'; // Authentication method (config, http or cookie
based)?
$cfg['Servers'][$i]['user']
= 'root';
// MySQL user
$cfg['Servers'][$i]['password']
= 'password definida para o usuário root na configuração do
MySQL' ; // MySQL password (only needed with 'config' auth_type)
?&gt;

Concluída a instalação dos softwares básicos vamos confirmar se os serviços estão ativos
no computador: clique no botão INICIAR &gt; Executar &gt; digitamos "taskmgr" e confirmamos
na aba Processos os serviços Apache.exe (pode ser mais de um) e Mysqld-nt.exe.
Na próxima seção iremos instalar e configurar o TEDE.

�4. INSTALANDO O SISTEMA DE PUBLICAÇÃO ELETRÔNICA DE TESES
E DISSERTAÇÕES (TEDE)

O manual do TEDE orienta os procedimentos de instalação dos softwares básicos de forma
bastante detalhada. Em nosso caso, utilizando o sistema operacional (SO) Windows XP, à
exceção dos softwares básicos que exigiam versões adequadas para este sistema, o TEDE
é o mesmo utilizado para o SO Linux. Os arquivos foram baixados do site na Internet e são
os seguintes: tedeModularv203-07032006_pt-BR.zip, bancoTEDEv201-16022005.zip, Bdtd
Manual_instalacao_v2-1.doc, MANUAL TEDE MODULAR-1.zip.

O arquivo "tedeModularv203-07032006_pt-BR.zip" deve ser extraído para uma pasta
abaixo da pasta raíz do servidor Apache (C:\Arquivos de programas\Apache
Group\Apache\htdocs), recriando toda a árvore de diretórios necessária.

A partir desse ponto seguimos as orientações do Manual de Instalação do TEDE, itens 5.1 e
5.2, devidamente adaptado para o SO Windows. As pastas "bibliotecas", "tde_arquivos",
"tde_layout1/imagens", "tde_layout2/imagens" e "tde_layout3/imagens", recebem atributo de
leitura&amp;gravação. Com o Bloco de Notas editamos o arquivo "oai.bib" e alteramos as
variáveis a seguir, com os dados da instituição: $repositoryIdentifier, $adminEmail,
$repositoryName, $mtdbr_sigla. O próximo passo seria a alteração dos arquivos
"conexao.inc" e "conexao_fim.inc" na pasta "conexao". Em nosso caso não faremos
nenhuma alteração nesses arquivos que são meros apontadores para os arquivos que
devem ser alterados: conexao.php e conexao_fim.php, e ainda assim não faremos
quaisquer alterações.

Para finalização da instalação falta criar os banco de dados que irão abrigar o sistema
propriamente dito. Vamos utilizar o phpMyAdmin que servirá de interface com o MySQL,
facilitando nosso trabalho. Iniciamos descompactando o arquivo bancoTEDEv20116022005.zip para uma pasta qualquer do disco rígido do computador (C:\Temp). No
navegador, digitamos na barra de endereços http://localhost/phpmyadmin/ e aguardamos a
tela inicial do sistema. A janela principal do phpMyAdmin é dividida em dois frames, à
esquerda um frame menor com quatro ícones e um menu drop-down traz a lista dos bancos
de dados existentes; o frame da direita é subdividido em duas opções - MySQL e
phpMyAdmin, e será a nossa área de trabalho para a criação dos bancos de dados e
importação das respectivas tabelas.

�Na caixa de texto logo abaixo do rótulo "Criar novo Banco de Dados" entramos com o nome
do novo banco de dados - TDE, definimos a "Collation" para "latin1_general_ci" e clicamos
no botão Criar. Confirmamos na tela a criação com sucesso do banco de dados e vamos no
link “Import” para importarmos o arquivo com as instruções para a criação das tabelas. Na
janela "File to import" clicamos no botão "Arquivo" e na pasta onde descompactamos o
arquivo "bancoTEDEv201-16022005.zip" selecionamos o arquivo "TDE.sql", definimos o
conjunto de caracteres do arquivo como "Latin1" e clicamos no botão "Executar". Repetimos
os procedimentos para o banco de dados TDE_SUBMISSAO, definimos a "Collation" para
"latin1_general_ci" e clicamos no botão "Criar". No link "Import" selecionamos o arquivo
"TDE_SUBMISSAO.sql", definimos o conjunto de caracteres para "Latin1" e clicamos no
botão "Executar"

Após esses procedimentos o sistema TEDE está instalado e pronto para ser utilizado. Para
acessar o sistema, no navegador, digitamos na barra de endereços http://localhost/tede/ e
teclamos Enter. No primeiro acesso ao sistema o usuário administrador (login e senha:
admin), deverá configurar a instituição usuária do sistema fornecendo os dados básicos da
mesma tais como nome da IES, sigla, UF, CNPJ e URL, cadastrar a biblioteca digital e as
bibliotecas depositárias, os programas de pós-graduação e os responsáveis para contato
através de e-mail. Criar as contas para os diversos usuários do sistema: pós-graduação,
catalogador e administração. O acesso ao módulo autor é feito através do módulo pósgraduação onde são cadastrados os autores que submeterão seus trabalhos no sistema.

Como nossa implementação é de uma biblioteca digital para trabalhos de conclusão de
curso de graduação, adaptamos no módulo de pós-graduação o cadastramento das áreas
curriculares sugeridas pela Associação Brasileira de Educação em Ciência da Informação
(ABECIN) e que são utilizadas pelo Departamento de Ciências da Informação da UFES.

Concluída a instalação, o Manual de Usuário do TEDE é a principal referência para o
perfeito entendimento de todas as funcionalidades oferecidas pelo sistema, sendo sua
leitura obrigatória.

Na próxima seção iremos apresentar o Sistema Online para Arquivamento e Indexação de
Documentos (NOU-RAU), da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), um sistema
open source de gerenciamento eletrônico de documentos semelhante ao TEDE.

�5. DEMONSTRANDO O SISTEMA ONLINE PARA ARQUIVAMENTO E
INDEXAÇÃO DE DOCUMENTOS (NOU-RAU)
O nome NOU-RAU é um abrasileiramento do termo em inglês know-how, desenvolvido em
conjunto pelo Instituto Vale do Futuro e o Centro de Computação da Unicamp. Suas
possibilidades de aplicação são bastante diversificadas e pode ser utilizado para o
armazenamento de qualquer tipo de documentos digitais. O Sistema de Bibliotecas da
UNICAMP (SBU), implementou no primeiro semestre de 2001 sua BDTD, valendo-se da
criação e implantação do NOU-RAU como seu gerenciador de documentos eletrônicos,
contando em junho de 2006 com um acervo de 14.563 documentos dos quais 7.697 teses. É
um sistema de código aberto distribuído sob licença GPL que utiliza várias ferramentas
também livres e gratuitas para sua implementação: servidor web Apache; banco de dados
PostgreSQL; linguagens PERL e PHP; conversores de texto Antiword, xlhtml, dvi2tty,
pstotext, Xpdf e Recode. O sistema operacional é o GNU/Linux, distribuição DEBIAN.

O sistema está organizado em áreas denominadas "tópicos". Um tópico representa um
assunto específico e agrupa documentos relacionados, possuindo um responsável, que
cuida de seu gerenciamento e efetua a aprovação dos documentos submetidos. Podem ser
organizados hierarquicamente, ou seja, dentro de um tópico podem existir um ou mais subtópicos. Um "documento" corresponde a um arquivo submetido ao sistema, juntamente com
uma série de informações associadas.(título, nome dos autores, e-mail para contato,
palavras-chave, descrição e versão do documento). Um campo para registrar informações
específicas a cada documento é fornecido (ISBN para livros, resolução para imagens, etc).
Adicionalmente o sistema registra automaticamente o tópico a que cada documento
pertence, sua categoria e o seu formato, além do usuário que fez a submissão.

O mecanismo de busca é realizado por uma ferramenta dedicada o ht://Dig,
(http://www.htdig.org). O sistema alimenta essa base de dados com o conteúdo dos
documentos e com a informação associada, de maneira que todos os dados mantidos pelo
sistema podem ser pesquisados, e suporta a indexação do conteúdo de documentos nos
formatos texto ASCII, HTML, RTF, SGML, WML e XML; MS Word, Excel e PowerPoint; PDF
e PostScript; TeX, LaTeX e DVI. O suporte ao sistema é feita através de listas de discussão
no endereço eletrônico http://www.rau-tu.unicamp.br/nou-rau/.

Na próxima sessão fazemos uma análise comparativa entre o TEDE e o NOU-RAU.

�6. COMPARANDO O TEDE COM O NOU-RAU

Os sistemas TEDE e NOU-RAU compartilham semelhanças: são softwares livres, open
source; valem-se de outros softwares livres para serem totalmente implementados;
permitem customização para atender necessidades específicas de cada instituição;
implementam mecanismos de indexação, catalogação e busca; disponibilizam o conteúdo
integral dos documentos; acesso 24 horas, via Internet.

A principal diferença entre eles é a ferramenta de busca. O TEDE implementa uma busca
através de termos descritores, que são definidos pelos usuários CATALOGADOR, PÓSGRADUAÇÃO e AUTOR, de forma colaborativa. Apresenta uma interface para buscas
simples e avançadas, permitindo uso de operadores booleanos para refinamento da
pesquisa. O NOU-RAU implementa uma ferramenta especializada de busca, o HTDIG,
embutida no sistema que necessita que todos os documentos textuais (.HTM, .HTML, .DOC,
.PDF, .PS) submetidos sejam previamente convertidos para modo texto puro (.TXT),
valendo-se de softwares conversores, e então indexados no banco de dados da ferramenta
que realiza buscas em todo o conteúdo dos documentos.

Outra diferença significativa entre os sistemas é que o TEDE, a princípio, é uma ferramenta
especializada para publicação de trabalhos científicos, teses e dissertações e variações tais
como artigos e trabalhos de conclusão de cursos. O NOU-RAU apresenta maior flexibilidade
permitindo sua utilização no gerenciamento não só daqueles documentos, como também de
coleções de imagens (fotografias e vídeos), arquivos de áudio e vídeo e arquivos multimídia.

A documentação dos dois sistemas é bastante diferente. O TEDE apresenta manuais
detalhados, e dispõe de versões para orientação ao usuário, descrição dos módulos do
sistema e de instalação. Na Internet existe um fórum de suporte que além do TEDE oferece
suporte para outros softwares do IBICT, disponível no endereço http://forum.ibict.br. O NOURAU traz dois arquivos com instruções de instalação e atualização do sistema e como
suporte implementa três listas de discussão que estão disponíveis em seu endereço
eletrônico (http://www.rau-tu.unicamp.br/nou-rau/).

O fluxo documental é semelhante em ambos os sistemas. É necessário o cadastramento
prévio do autor para submissão dos trabalhos; o documento deve ser aprovado por um
responsável e novas versões podem ser adicionadas, alteradas e retiradas. Os metadados

�podem ser fornecidos tanto pelo autor quanto pelo responsável pela aprovação do
documento, os dois sistemas são aderentes ao Padrão Brasileiro de Metadados de Teses e
Dissertações (MTD-BR), e disponibilizam por harvesting as atualizações nos acervos para
integração aos projetos BDTD e NDLTD.

De forma geral tanto o TEDE como o NOU-RAU são escolhas adequadas para o
gerenciamento de uma biblioteca digital. Trazem consigo o peso de duas instituições de
respeito, IBICT e UNICAMP, respectivamente. O TEDE leva pequena vantagem em função
da portabilidade aqui demonstrada, visto que funciona tanto em SO Windows quanto Linux,
enquanto o NOU-RAU dispõe de uma ferramenta de busca mais eficiente. A opção por um
ou outro deve levar em consideração as necessidades da instituição, tipologia dos
documentos que serão armazenados e a adequação aos sistemas existentes.

�7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Apresentamos neste trabalho uma proposta de implementação de uma biblioteca digital de
trabalhos de conclusão de curso, baseado na plataforma TEDE-IBICT de gerenciamento de
bibliotecas digitais, valendo-nos do sistema operacional Windows XP da Microsoft. Fizemos
ainda uma comparação com um sistema semelhante o NOU-RAU-UNICAMP, apresentando
as características comuns, vantagens e desvantagens entre um e outro sistema.

A partir do êxito na instalação do TEDE, conforme proposto, passamos a observar as
funcionalidades do NOU-RAU em visitas aos sites das bibliotecas digitais da Unicamp
(http://libdigi.unicamp.br/),

Universidade

Estadual

de

Londrina

(http://www.bibliotecadigital.uel.br/), e site demonstração (http://www.rau-tu.unicamp.br/nourau/demo-pt/), além da literatura disponível sobre o software.

Concluímos que ambos os softwares mostram-se adequados para a implementação de uma
biblioteca digital. A portabilidade, documentação e suporte do TEDE são fatores importantes
que devem ser considerados, bem como a flexibilidade do NOU-RAU no gerenciamento de
documentos digitais não textuais e a ferramenta de busca mais robusta. Caberá à instituição
instaladora observando as características de sua coleção, políticas de aquisição e de
desenvolvimento, optar pela escolha mais adequada às suas necessidades.

Finalizamos dizendo que, qualquer que seja a plataforma escolhida, Windows ou Linux, bem
como o software gerenciador, TEDE ou NOU-RAU, a função primordial da Biblioteca Digital
de Trabalhos de Conclusão de Curso do Departamento de Ciências da Informação da UFES
será proporcionar a divulgação da produção científica dos alunos da graduação, tornando-a
visível e disponível a todos.

�REFERÊNCIAS
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Belo Horizonte. 2003. Disponível em: &lt;
http://www.abecin.org.br/portal/abecin/documentos/repositorio/DocumentosABECIN5.doc&gt;.
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O tema Biblioteca Digital é cada vez mais presente em nosso dia a dia. As novas tecnologias da informação estão mudando o conceito tradicional de biblioteca e com isso novos paradigmas são criados. A atividade primordial das bibliotecas, juntar pessoas com informações, entretanto, não tem sido alterada fundamentalmente. Com esse trabalho detalhamos a proposta de implantação da Biblioteca Digital de Trabalhos de Conclusão de Curso de Graduação do Departamento de Ciências da Informação da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), utilizando o Sistema de Submissão de Teses e Publicações Eletrônicas (TEDE) desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Ciência e Tecnologia (IBICT). Ao contrário do previsto no manual de instalação do TEDE, e de certa forma contrariando a filosofia do software livre, a instalação foi realizada em microcomputador com sistema operacional Microsoft Windows XP, plataforma de microcomputadores dos departamentos da UFES. O artigo é um exemplo da portabilidade do sistema TEDE que adaptou-se perfeitamente ao novo ambiente operacional sem necessidade de nenhuma adaptação ao código original. Além disso, fazemos um comparativo de funcionalidades com Sistema NOU-RAU, do Instituto Vale do Futuro e Centro de Computação da UNICAMP, também software livre distribuído sob licença GPL.</text>
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                    <text>PROPOSTA DE REESTRUTURAÇÃO DO SITE DO SISTEMA DE
BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
Aline Vieira do Nascimento1
Ericson Viana2
Débora Adriano Sampaio3

O acesso livre à informação de qualidade no ciberespaço é uma forma de aperfeiçoar a pesquisa
acadêmica. Tendo por base esta afirmação, será feita uma análise do site do Sistema de
Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará bem como de suas deficiências, apresentará
também sugestões de critérios para a reestruturação da página utilizando-se do PHP Nuke,
sistema de automação de web sites, de conteúdo dinâmico e de código livre, objetivando levar o
conhecimento de forma rápida e eficaz aos usuários.
Palavras-chave: Web site. Bibliotecas Universitárias. Acesso à informação. Arquitetura da
Informação.

Introdução

O uso de tecnologias avançadas já é uma realidade no aprimoramento
das condições de acesso à informação, as bibliotecas universitárias estão
evoluindo e proporcionando este acesso cada vez melhor, quebrando paradigmas
e investindo na qualidade dos seus produtos, visto que é fato a disponibilidade de
acervos eletrônicos nos diversos sites de bibliotecas.
A popularidade da internet aliada às novas tecnologias possibilita a
disseminação dos serviços das bibliotecas de forma rápida e eficaz, e assim
fornecer aos usuários informações institucionais, promocionais, referenciais e de
pesquisa tornou-se uma tarefa não muito complicada, podendo ser realizada por
um preço acessível e em pouco tempo.

1
2

Bacharel em Biblioteconomia, Bibliotecária do Sistema de Bibliotecas da UFC. alinevn@ufc.br

Bacharel em Biblioteconomia, Especialista em Informática, Bibliotecário do Sistema de Bibliotecas da UFC.
ericson@ufc.br
3
Bacharel em Biblioteconomia. deboradriano@yahoo.com.br

�A internet vem proporcionando novos métodos de interação com os
usuários, fóruns, chats, formulários eletrônicos, etc. Essas ferramentas ajudam no
aprimoramento dos serviços e fazem que os profissionais da informação se
empenhem em garantir a boa comunicação entre biblioteca e usuário.
Nos dias de hoje, é indispensável a uma biblioteca universitária o uso
de um web site em que a mesma possa realizar essa interação, visto que a
internet tornou-se necessária e indispensável e é nela que a grande maioria dos
pesquisadores trocam informações estabelecendo uma comunicação eletrônica.
Segundo Bertholino (2000) com a globalização da informação os
grandes usuários da Internet na área de educação são estudantes universitários.
Na verdade, essa afirmativa não é uma realidade somente da área de educação,
mas também podemos constatar que em diversas áreas do conhecimento os
estudantes de graduação e pós-graduação também se enquadram nesta
afirmativa.
Os web sites de bibliotecas universitárias, em sua grande maioria,
divulgam o uso do portal de Periódicos da Capes e outros produtos e serviços
destas bibliotecas.
Os catálogos nos sites das bibliotecas, apesar de serem os principais
serviços procurados, não representam todos os serviços que um site de biblioteca
pode oferecer aos seus usuários. Algumas delas procuram oferecer algo mais nos
seus sites.
O site da biblioteca de Worthington, Estados Unidos da América,
oferece recursos de personalizar a interface dos seus sites e as bibliotecas norteamericanas do Queens e Brooklym possuem páginas em coreano, russo,
hebraico e mandarim.
Conforme menciona Cavaleri (2003), com o advento das novas
tecnologias as bibliotecas estão voltadas mais para a prestação de serviços do

�que a simples entrega de documentos bibliográficos, sendo isso imposto pela
necessidade de responder de maneira eficaz e eficiente às necessidades dos
usuários.
As bibliotecas são fornecedoras de acesso a informações online
através dos seus sites.
Os usuários que há alguns anos utilizavam bibliotecas tradicionais e
empregavam muito do seu tempo procurando um determinado assunto e algumas
vezes não encontravam o que queriam, hoje, com advento das tecnologias na
internet é possível encontrar obras com texto na íntegra rapidamente, sendo isto
considerado uma conquista.
De acordo com Simeão (2006) a tecnologia trouxe o aperfeiçoamento
da infraestrutura informacional. Foram ampliadas, através das ferramentas e
aplicativos a capacidade de armazenagem, de recuperação, classificação,
filtragem e distribuição de dados, bem como o valor agregado à própria
informação e a habilidade de arquivistas e bibliotecários especializados em tratála, tratamento que anteriormente estava alicerçado na organização e tratamento
técnico das informações em suportes impressos. Hoje a informação passa a ser
mediada pelo computador, ficando livre da limitação do tempo e do espaço.

A comunicação científica e o ciberespaço

O conhecimento sobre determinado assunto, objeto ou fenômeno é
obtido segundo uma metodologia científica, é o resultado de pesquisas realizadas
por cientistas de acordo com normas estabelecidas que aumentam a
probabilidade de compreensão da mente humana.
O conjunto das atividades de pesquisa constitui o sistema de
comunicação científica de uma determinada área da ciência. Esse sistema inclui

�todas as formas de comunicação utilizadas pelos cientistas que contribuem para o
conhecimento nessa determinada área. Com o desenvolvimento da tecnologia da
comunicação e das redes, a forma de comunicação disponível vem se
modificando, ampliando e diversificando, tornando-se cada vez mais eficientes,
rápidas e abrangentes, ultrapassando as barreiras geográficas.
Recentemente

com

o

desenvolvimento

das

tecnologias

de

comunicação, especialmente da internet, a questão da explosão documental
tornou-se ainda mais complexa. Novos formatos e canais de comunicação se
tornaram disponíveis expandindo as maneiras de comunicação.
Nesse sentido a internet provocou um grande impacto na área
científica, ao possibilitar essa comunicação, através de sítios de instituições de
pesquisa, fóruns de discurssão e de outros serviços específicos.
Essa autêntica explosão na disponibilidade e acesso às informações
eletrônicas está tendo um profundo impacto nas atividades das bibliotecas e dos
bibliotecários.
Tradicionalmente, as bibliotecas e os seus profissionais desempenham
o papel de intermediários entre os utilizadores e os documentos ou fontes de
informação. Com a evolução da internet, o ciberespaço remove os obstáculos
tecnológicos no acesso à informação, permitindo aos utilizadores finais acessar
diretamente aos documentos eletrônicos, independentemente da sua localização.
Assim, podemos perceber que vivemos num período de rápida e
intensa mudança que irá afetar as instituições onde trabalhamos e a forma como
o fazemos.
Para que essas bibliotecas possam ser utilizadas com eficiência é
necessário que exista uma infra-estrutura que suporte o acesso e a difusão dos
seus serviços, isto é, uma arquitetura informacional bem definida.

�Administração de Conteúdos
Segundo Dahl (2005), administração de conteúdo é um termo usado
para edição de informações das páginas na web feitas por pessoas com ou sem
conhecimento em html.
As ferramentas básicas e necessárias para a criação de um site que
administre conteúdos são os bancos de dados e a uma linguagem de
programação web que permita criação de páginas dinâmicas. O banco de dados é
utilizado na administração de conteúdo, facilitando a exclusão e a inclusão das
informações.
Decidimos usar o banco de dados MySQL por ser gratuito, rápido, fácil
de usar e com grande capacidade de armazenamento.
O MySQL é Open Source, ou seja, é possível modificar o código fonte
do programa para adequá-lo as suas necessidades, no entanto o MySQL usa a
GPL (GNU General Public License) para defenir o que pode e o que não pode ser
feito com o software.
Linguagem PHP é uma linguagem de programação web que permite a
criação de páginas dinâmicas. Existem outras tecnologias que permitem a criação
de páginas (ASP, Perl, JSP, CGI-bin e Allaire Cold-Fusion), porém sugerimos o
uso da linguagem PHP por ser multiplataforma e também por ser usada
amplamente nos softwares livres voltadas para criação e manutenção de páginas
na Internet.
PHP é uma linguagem cujo código é executado no servidor e não no
browser do cliente, também possibilita conectar-se com os bancos de dados
Microsoft SQL, MYSQL, Msql, POSTGRESQL, Sybase, Informix, Solid, Oracle e
outros bancos compatíveis com ODBC.

�PHP-Nuke é um SGC (Sistema de Gerenciamento de Conteúdo) que
permite criar e gerenciar um portal quer seja ele comercial ou institucional. Pode
ser feito download gratuitamente, a única solicitação é que se mantenham as
linhas de copyright no rodapé das páginas.
Algumas características do PHP-Nuke são: administração via menu de
administração; pesquisas (enquetes); foros; estatísticas detalhadas de acesso;
gerenciamento de usuários; gerenciamento de temas para usuários; integração de
usuários através de sistemas de mensagens privadas; envio de notícias
periódicas aos usuários cadastrados (newsletter); gerenciamento de grupos de
usuários; interface amigável; opção de editar ou apagar notícias; opção para
apagar comentários; sistema de moderação; sistema de referências HTML;
customização de blocos em HTML; ferramenta de busca e geração de
backend/headlines (RSS/RDF).
Os desenvolvedores recomendam usar um servidor de páginas (de
preferência o Apache) e um banco de dados para o PHP-Nuke possa funcionar.

Web sites de bibliotecas

Segundo Honson (2000 apud CAVALERI, 2005), existem três gerações
de sites na internet:
- Primeira geração (sites de publicações) - oferece a mesma
informação para todos os usuários. O conteúdo é acessado por meio de
hiperlinks. Este site pode conter milhares de páginas com textos, imagens e sons.
Não há dialogo entre o site e o usuário.
- Segunda geração (sites interativos) - os usuários obtêm respostas
das informações por meio de páginas especificas ou o envio de mensagens

�através de e-mail. Uma grande quantidade de sites de bibliotecas e sites de
comércio eletrônico estão neste nível.
Terceira geração (sites personalizados) - possui páginas para
responder as necessidades especificas dos usuários. Não se limitam apenas a
perguntas e respostas, estes sites antecipam as escolhas dos usuários por
apresentarem sugestões e alternativas.
Os sites de bibliotecas possuem funções classificadas por Amaral e
Guimarães (2002) peculiares a sua estrutura, que reunidas possibilitam uma
excelência na construção dos mesmos. As funções informacional, promocional,
instrucional, referencial, pesquisa e de comunicação, também proporcionam a
qualidade dos serviços e produtos dos web sites.
Os sites de bibliotecas podem ser considerados pontos de acesso a
informações específicas, os mesmos dão suporte as comunidades acadêmica e
científica no ciberespaço, tornando-se necessárias reformas e adaptações
periódicas. Porém, de acordo com observações feitas em alguns sites de
bibliotecas universitárias essas modificações não são observadas e algumas
funções deixam de existir, tornando-os deficientes.
As

informações

na

internet possuem conteúdo dinâmico

que

necessitam de atualizações constantes, porém existem dificuldades para contratar
uma empresa que faça a atualização, visto que exige tempo e dinheiro. Em outros
casos, as instituições possuem funcionários com conhecimento em html dispostos
a fazer as atualizações necessárias, no entanto esta opção nem sempre é
favorável, pois os funcionários que detêm este conhecimento podem se ausentar
ou de alguma forma não mais fazerem parte do quadro da empresa.
Com o estabelecimento de metodologias e ferramentas para o
desenvolvimento de web sites, gestores de bibliotecas podem estabelecer uma
padronização na renovação e atualização dos web sites, como as informações
serão estruturadas, organizadas, disponibilizadas e recuperadas para garantir a

�otimização na pesquisa, direcionando aos profissionais da informação a qualidade
no uso de novas tecnologias via internet.
Ao desenvolver um web site de biblioteca deve-se utilizar ferramentas
que proporcionem aos usuários uma boa navegação na página e principalmente a
disponibilização das informações relevantes que realmente atendam aos
interesses de seus visitantes. Isso é algo que deve ser considerado.
Devemos conhecer melhor os usuários que visitam os sites das
bibliotecas por criar formulários solicitando respostas se tais usuários estão
satisfeitos com os serviços oferecidos nos sites das bibliotecas.
Enquetes também podem auxiliar a conhecer melhor os usuários, por
oferecer a possibilidade de através de perguntas breves obter resultados rápidos,
tornando assim conhecidas as preferências dos usuários sobre certos assuntos.

O site do Sistema de Bibliotecas da UFCe (SiBUFCe)

Criado para disponibilizar inicialmente, de forma dinâmica, o acervo de
livros e os serviços e produtos do Sistema de Bibliotecas da UFCe, o site foi
desenvolvido no ano de 2003 juntamente com a chegada do Software Pergamum.
Atualmente o site disponibiliza aos seus usuários em sua página
principal serviços como:

•

Pesquisa básica
O usuário encontra a Pesquisa de livros, uma busca que pode ser
refinada por Biblioteca e por tipo de material;

•

Pesquisa avançada

�Consiste em um link que remete a uma nova página, onde o usuário faz
a busca pelo tipo de material, biblioteca, ordena pelo título, título mais
pesquisado, inverso por título, tipo e formato da expressão a ser
pesquisada;

•

Renovação de Livros
Este é mais um link que remete a uma nova janela, onde apenas os
usuários da instituição têm acesso ao seu resultado. Nela os usuários
podem fazer renovação de qualquer material que esteja emprestado,
desde que o mesmo não se encontre em atraso;

•

Outras Opções
Outro link que remete a uma consulta ao catálogo. Lá os usuários têm
acesso à pesquisa rápida e booleana, também podem pesquisar por
autoridades, encontrar multimeios, periódicos, saber o material
incorporado ao acervo, dar sugestões para aquisição, fazer comentários
e o acesso ao usuário, neste último os usuários têm a opção de fazer
reservas, renovação, ver débitos, alterar dados pessoais e um histórico
de todo material emprestado;

•

Bibliotecas Setoriais
Aqui estão listados os links que direcionam os usuários aos sites das
Bibliotecas setoriais e seus serviços peculiares;

•

Outros serviços
Neste serão encontrados atalhos para a base de dados SciFinder
Scholar, ao Servidor Proxy que permite aos professores e estudantes
de pós-graduação possam utilizar serviços web restritos ao domínio
ufc.br a partir de qualquer ponto da internet o Portal de Periódicos da
CAPES;

•

Biblioteca Universitária

�Neste link os usuários têm acesso ao histórico do SiBUFCe, das
bibliotecas integrantes, das formas de fazer intercâmbio, publicações
que consistem em um informativo do Sistema, catálogo on-line, links
para outros sites de Universidades e fale conosco, e-mail da Biblioteca
Universitária (BU) onde os usuários podem interagir de forma direta
com ela. Também há um link para acesso ao TEDE (Biblioteca Digital
de Teses e Dissertações).

Análise do web site do SiBUFCe

A comissão de automação do SiBUFCe realizou um estudo da
presença das funções do web site do Sistema, a partir de questionários
respondidos pelo funcionários do próprio Sistema.
De acordo com a descrição da função informacional, onde segundo
Amaral e Guimarães (2002) consiste nas informações sobre a biblioteca
existentes no site, o web site do SiBUFCe não menciona em sua home page o
nome da instituição mantenedora, apenas possui um link que remete ao site da
mesma, e-mails geral e setorial, não possui informações como: telefone geral,
horários de funcionamento, normas e

regulamentos, informações sobre

instalações físicas, estatísticas e relação dos serviços oferecidos.
A função promocional consiste do uso de ferramentas promocionais da
Internet existentes no site, nesta função o site do SiBUFCe deixa de acrescentar
algumas ferramentas tipo janelas pop up, banner da biblioteca, webcasting
animações, hot site.
A função instrucional consiste nas instruções sobre o uso dos recursos
informacionais oferecidos pela biblioteca na forma tradicional e on-line existentes
no site, neste item o web site deixa de informar sobre perguntas mais freqüentes

�(FAQs), tutoriais sobre como usar serviços e produtos, mapa do site e instruções
do uso do site.
A função referencial são links para outras fontes de informação
existentes no site, em relação a esta função o site do SiBUFCe não deixa muito a
desejar, porém precisa acrescentar o que há de mais recente em matéria de
periódicos eletrônicos e materiais de referência.
A função de pesquisa são serviços e produtos oferecidos on-line no site
da biblioteca, esta vem sendo bem desempenhada pelo site, podendo ao longo do
tempo somente fazer as alterações necessárias.
Na função de comunicação são disponibilizados mecanismos para
estabelecer relacionamentos, neste caso o site do Sistema vem observando esta
função assiduamente.
Há ainda a análise de 164 questionários aplicados aos usuários em
geral, nos quais foi observada, dentre outros dados, a freqüência que os mesmos
visitam o site. Foi constatado que 81% utilizam o site para utilizar algum serviço,
38,5% dos usuários visitam o site quinzenalmente, ou seja, quando da renovação
de material bibliográfico, e que 19% quase não acessam ou nunca acessam.
Analisou-se também o que os usuários mais procuram no site e podemos
observar que 80% visitam o site para fazer pesquisa no acervo, os 20% restantes
se dividem em empréstimos e reservas.
No que diz respeito ao que os usuários gostariam que o site tivesse,
30% sugerem a disponibilidade de resumos indicativos de livros e periódicos,
26,5% gostariam que as sugestões de aquisição tivessem além de uma melhor
divulgação, mais atenção por parte da Biblioteca; 11% gostariam de ver o horário
de funcionamento e o regulamento exposto na página principal; 7% diz querer ver
o material incorporado ao acervo divulgado no site, e os 25,5% restantes
gostariam de ter acesso a localização dos livros, a links acadêmicos e aos
periódicos da Biblioteca.

�De acordo com esses dados podemos sugerir na reestruturação do
web site do SiBUFCe os seguinte critérios:
1. a definição de web site;
2. a observação das funções desempenhadas pelos sites das bibliotecas;
3. as informações relevantes a comunidade acadêmico-científica;
4. a observação do uso de novas tecnologias que atualizem o site;
5. o estudo de usuário, bem como suas necessidades relevantes;
6. a utilização de ferramenta de criação de site com administração própria.

Considerações Finais

O desenvolvimento de tecnologias proporciona aos profissionais da
informação meios de tornar a comunicação no ciberespaço eficaz e segura no
que diz respeito à democratização da informação. A partir da análise do site do
Sistema de Bibliotecas da UFCe sugerimos alguns critérios que possibilitem aos
centros de informação desenvolver seus sites com precisão de forma a atender a
demanda de sua comunidade.
A observação dos critérios terá melhor impacto se for aliada:
a) à responsabilidade de cada setor da biblioteca em elaborar e
organizar a manutenção das informações a serem disponibilizadas;
b) ao treinamento de um ou mais bibliotecários que auxiliem no
processo de construção para que os mesmos façam o desenvolvimento e
atualização da página no site;
c) a cursos e padrões que estabeleçam a arquitetura das informações
apresentadas nos sites.

�Com o uso de uma infra-estrutura nos web sites das Bibliotecas
Universitárias, os usuários terão satisfação no uso de serviços e produtos
disponíveis. De um modo geral, concluímos que o uso das funções cabíveis aos
sites reflete na excelência desses serviços.

�BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

ACHOUR,
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do
PHP.
Disponível
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BERTHOLINO, M.L.F.; PINTO, I.T.R.; INOUE, M.T.M. A Web como canal de
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CAVALERI, Piero. Les bibliothèques et les services personnalisés em ligne: de
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2002. 1 CD-ROM

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Acesso em: 15 jun. 2006.
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Ciência da Informação&#13;
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                <text>O acesso livre à informação de qualidade no ciberespaço é uma forma de aperfeiçoar a pesquisa acadêmica. Tendo por base esta afirmação, será feita uma análise do site do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará bem como de suas deficiências, apresentará também sugestões de critérios para a reestruturação da página utilizando-se do PHP Nuke, sistema de automação de web sites, de conteúdo dinâmico e de código livre, objetivando levar o conhecimento de forma rápida e eficaz aos usuários.</text>
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                    <text>Proposta para implantação da Biblioteca Virtual da
Rede Pergamum
Jacqueline Pawlowski Oliveira

Biblioteca Universitária
Universidade Federal de Minas Gerais

Miriam de Lima Soares Doti

Centro Universitário de Belo Horizonte

Carla Cristina Vieira de Oliveira

Centro Universitário de Belo Horizonte

Elma Oliveira

Centro Universitário Newton Paiva

Mauricio Armomino Junior

Colégio Santa Maria

Giuliano da Costa Pereira Ferreira
PUC-RIO

Maurício Antônio Vieira

Biblioteca Universitária
Universidade Federal de Minas Gerais

RESUMO
Tendo em vista a importância das Bibliotecas Virtuais como base de apoio
educacional e de democratização do acesso à informação confiável e de
qualidade, surgiu a demanda da criação da Biblioteca Virtual da Rede Pergamum
(BVRP). O trabalho apresenta proposta para implantação desta biblioteca tendo
como objetivos a integração dos recursos informacionais, o acesso aos materiais
em formato digital, a otimização dos recursos de representação e recuperação da
informação e a disponibilização de um serviço mais amplo de acesso à
informação possibilitando aos usuários explorar os recursos da Biblioteca Virtual
em sua plenitude.

Palavras- chave: Biblioteca virtual; disseminação da informação; recuperação da
informação; Rede Pergamum.

�INTRODUÇÃO
A Rede Pergamum é constituída pelas instituições que adquiriram o Sistema
Pergamum e tem por finalidade a cooperação dos serviços técnicos e o
compartilhamento de recursos de informação, com o objetivo de: disponibilizar o
catálogo do acervo das instituições participantes; desenvolver metodologias e
padrões comuns que possam ser importados e exportados para instituições
nacionais e internacionais que utilizam o padrão MARC; desenvolver produtos e
serviços que contribuam para o desenvolvimento da Rede; negociar, em conjunto
ou não, a aquisição de materiais de informação em qualquer tipo de suporte
físico; promover o desenvolvimento tecnológico dos profissionais integrantes da
Rede.

Com o advento das novas tecnologias, as bibliotecas vêm trabalhando para
proporcionar maior racionalidade nas rotinas diárias de trabalho, agilizar e ampliar
a recuperação de seus acervos e facilitar o compartilhamento de recursos
informacionais com outras instituições.

Como os padrões de ensino atual requerem que as Instituições de Ensino
forneçam subsídios informacionais para seu corpo docente e discente, a
Biblioteca Virtual torna-se uma ferramenta capaz de atender às demandas
informacionais de modo ágil e eficiente, rompendo as fronteiras de espaço e
tempo.

Tendo em vista o interesse das instituições participantes da Rede Pergamum em
oferecer serviço mais amplo de acesso à informação no que se refere a dados
digitais, e, que a grande maioria das instituições participantes da Rede não
possui uma Biblioteca Digital, surgiu, assim, a demanda da criação da Biblioteca
Virtual da Rede Pergamum (BVRP).
No VII Encontro Nacional de Usuários da Rede Pergamum, realizado em
setembro de 2005, na Universidade Federal de Minas Gerais, foi criado o Grupo

2

�de Trabalho da Biblioteca Virtual, que apresentou, durante o encontro, uma
proposta inicial de trabalho para criação desta biblioteca. A partir desta iniciativa,
o Grupo vem trabalhando em busca de informações para subsidiar a equipe do
Pergamum para a criação de uma Biblioteca Virtual, capaz de atender às
expectativas dos usuários das instituições da Rede, bem como propor integração
das bibliotecas digitais já existentes.

Considerando

que

compartilhamento

a
de

estrutura
dados

da

Rede

bibliográficos

Pergamum
dos

acervos

atual
das

permite

o

instituições

participantes, esta proposta visa criar meios para a estruturação da Biblioteca
Virtual da Rede Pergamum, utilizando recursos eletrônicos existentes e a
integração de múltiplas tecnologias que possibilitarão a criação de novos serviços,
desenvolvidos e disponibilizados em ambiente virtual, a fim de atender às
necessidades de informação dos usuários das instituições participantes da Rede
Pergamum.

Acredita-se que a implantação da Biblioteca Virtual da Rede Pergamum - BVRP
trará enormes benefícios para as instituições participantes da Rede. Além de
possibilitar o acesso à informação de maneira precisa, rápida e segura, há a
possibilidade de integração dos recursos informacionais das instituições
pertencentes à Rede Pergamum; a disponibilização do material informacional no
formato digital para a comunidade usuária; a definição de padrões para a
disponibilização dos recursos informacionais no formato digital; a padronização
dos metadados a serem utilizados na Biblioteca Virtual da Rede Pergamum; a
definição de política de regulamentação para participação das instituições na
Biblioteca Virtual e a criação de um repositório único de metadados dos acervos
digitais das instituições participantes da Rede.
AVALIAÇÃO DOS CENÁRIOS PARA A IMPLANTAÇÃO DA BIBLIOTECA
VIRTUAL DA REDE PERGAMUM
A metodologia utilizada, na primeira fase deste trabalho, teve como base um dos
princípios de planejamento estratégico - avaliação dos cenários - a fim de verificar

3

�a situação atual, as probabilidades de mudança e, obter informações necessárias,
que dariam subsídios à equipe do Pergamum para a implantação da Biblioteca
Virtual.

Procurando conhecer a realidade das instituições participantes da Rede, saber o
que já estava sendo utilizado por elas e o que essas instituições desejariam para
Biblioteca Virtual da Rede Pergamum, optou-se em fazer um levantamento
através da aplicação de questionário para se identificar quais instituições já
possuíam bibliotecas digitais, quais sistemas utilizados, tipos de objetos digitais
disponíveis, informações a respeito de direito autoral, entre outros dados.

Nas respostas obtidas no questionário, observou-se que poucas instituições se
beneficiam das vantagens de uma biblioteca digital. Esse ambiente favorece e
estimula a criação de uma Biblioteca Virtual para a Rede Pergamum, biblioteca
essa que sirva de "porta de entrada" dos membros da Rede que não possuem
uma biblioteca digital, além de obter uma padronização destas bibliotecas. A
padronização é importante, pois deverá garantir que qualquer pessoa ou qualquer
máquina possa ter acesso, visualização e leitura do documento requerido.

Constatou-se, também, que todas as 39 instituições foram unânimes com relação
à integração da Biblioteca Virtual da Rede Pergamum com a Biblioteca Digital de
Teses e Dissertações (BDTD) do IBICT. Nas questões relativas às instituições
que possuem uma biblioteca digital, notou-se a diversidade de sistemas das
bibliotecas

e

acredita-se

que

estas

possuem

pouca

ou

nenhuma

interoperabilidade.

Outro ponto importante observado foi a falta de variedade de objetos digitais
disponíveis, pois as bibliotecas se restringem à disponibilização de documentos
textos (PDF e HTML) e imagens (JPG, GIF). Pretende-se com a Biblioteca Virtual
Rede Pergamum suprir essa carência, oferecendo acesso a um leque maior de
objetos digitais, tais como: Áudio Vídeo Interleaved (AVI), Motion Pictures Experts
Group (MPEG), Real Media (RM ou RAM), ShockWave Flash (SWF), Audio Layer
4

�3 (MP3), Musical Instruments Digital Interface (MIDI), Wave (WAV) , além dos
documentos já disponibilizados.
Algumas das sugestões apresentadas pelas instituições para a implantação da
Biblioteca

Virtual

foram:

criar

métodos

de

avaliação

dos

documentos

disponibilizados pela BVRP, criar mecanismos de controle de acesso integral a
certos tipos de documentos (uso de senha), por tempo determinado, verificação
de validade dos links da BVRP, utilizar padrão de metadados Dublin Core, permitir
consulta também

da BVRP,

através

do módulo

de Pesquisa Básica,

primeiramente implantar a biblioteca digital de teses e dissertações, manter a
Rede Pergamum informada de todos os passos do projeto de implantação.
PROPOSTA PARA IMPLANTAÇÃO DA BIBLIOTECA VIRTUAL DA REDE
PERGAMUM
A proposta para implantação da Biblioteca Virtual da Rede Pergamum foi
elaborada com base na análise das informações fornecidas pelas instituições
participantes da Rede Pergamum e também na literatura disponível sobre
bibliotecas eletrônicas, virtuais e digitais. Atkins1 (citado por ROSSETO e
NOGUEIRA, 2002, p.1) considera que

o conceito de biblioteca digital está na analogia comum lugar onde
se encontra um repositório contendo uma coleção organizada de
publicações (que possam ser impressos) e outros artefatos físicos,
combinados com sistemas e serviços que facilitem o acesso físico,
intelectual, e disponível por longo tempo.

Já as bibliotecas eletrônicas2 pressupõem a existência de um acervo físico,
utilizando recursos computacionais de uma forma ampla para armazenamento e
recuperação de registros, construção e disponibilização de índices eletrônicos,
buscam e recuperação de textos completos em outras bibliotecas digitais.

1

ATKINS, Dan. Vision for digital libraries. In: An International research agenda for digital libraries, p.11-14,
outubro1998.
2

Disponível em &lt;http://ccet.ucs.br/dein/nase/dicas_html&gt;. Acesso em: 28 jul. 2006

5

�Para entender o conceito de Biblioteca Virtual buscamos em Marchiori (1997)
onde o "conceito de Biblioteca Virtual está relacionado ao conceito de acesso, por
meio de redes, a recursos de informação disponíveis em sistemas de base
computadorizada, normalmente remotos”. Como o projeto será implementado de
forma que o acervo da Biblioteca Virtual aponte, para as fontes de informação
sem, necessariamente, possuir a propriedade física das mesmas, o nome
Biblioteca Virtual foi escolhido pelo Grupo de Trabalho baseado no conceito de
Biblioteca Virtual.

O modelo sugerido para a BVRP seria o modelo de Harvesting (Colheita), cujo
objetivo é pré-recuperar metadados e prover serviços a partir da cópia local
desses metadados. Para os usuários, os serviços oferecidos podem se basear
apenas em metadados, obtendo assim maior rapidez na obtenção dos dados.

Para concretizar o objetivo da interoperabilidade com outros sistemas, a BVRP
deverá utilizar o protocolo Open Archives Initiative Protocol for Metadata
Harvesting (OAI-PMH). O OAI-PMH é um protocolo que permite aos fornecedores
de informação disponibilizar e expor pela internet os metadados de cada um de
seus recursos. Desta forma, os metadados ficam disponíveis para serem
recolhidos por serviços especializados em indexação de recursos científicos e
passam a construir as bases de dados desse tipo de serviços.

Fonte: http://www.eci.ufmg.br/mba - acesso em 26/07/2006

6

�METADADOS
No desenvolvimento de uma Biblioteca Virtual, a padronização é o processo
essencial para caracterização, preservação dos documentos e interoperabilidade.
Segundo Rosseto &amp; Nogueira (2002, p. 67)

Atualmente há uma grande variedade de formatos de metadados,
dentre eles o Dublin Core Resource Description (DC). O DC é um
formato menos estruturado e mais flexível, que adota a sintaxe do
Resource Description Framework – RDF. Estabelecido pelo
Consórcio W3C, responsável pelo gerenciamento da Internet,
propicia um conjunto de 15 elementos padrão, permitindo a
inclusão de elementos adicionais para atender às particularidades
de cada usuário.

Rosseto &amp; Nogueira (2002) apresenta os 15 elementos do Dublin Core com sua
descrição:
• Título - um título dado ao recurso
• Criador - uma entidade principal responsável pela elaboração do
conteúdo do recurso
• Assunto - assunto referente ao conteúdo do recurso
• Descrição - uma descrição sobre o conteúdo do recurso
• Editor - a instituição responsável pela difusão do recurso
• Contribuinte - uma entidade responsável pela contribuição ao
conteúdo do recurso
• Data - data associada com um evento no ciclo de vida do
recurso
• Tipo - a natureza ou gênero do conteúdo do recurso
• Formato - manifestação física ou digital do recurso
• Identificação - identificação não ambígua do recurso dentro de
um dado contexto
• Fonte - uma referência para um outro recurso o qual o presente
recurso é derivado
• Idioma - idioma do conteúdo intelectual do recurso
• Relação - uma referência a um outro recurso que se relaciona
com o recurso
• Cobertura - a extensão ou cobertura espaço-temporal do
conteúdo do recurso
• Direitos - Informações sobre os direitos do recurso e seu uso

Contudo, o DC deverá ser o esquema de metadados adotado na implementação
da BVRP.

7

�BIBLIOTECA VIRTUAL REDE PERGAMUM INTEGRADA A BDTD
Para a Biblioteca Virtual da Rede Pergamum integrar a BDTD do IBICT ou, até
mesmos BDTDs de maior alcance já existentes, é imprescindível a utilização do
padrão de metadados MTD-BR2 – (Padrão Brasileiro de Metadados de teses de
dissertações).

Baseado na estrutura já existente de utilização do formato MARC para
catalogação, o Grupo de Trabalho apresenta sugestões para a utilização dos
campos MARC no preenchimento dos campos obrigatórios do padrão de
metadados MTD-BR2, que será submetido a avaliação da Comissão de
Catalogação da Rede Pergamum.

DIREITOS AUTORAIS E INTEGRIDADE DA INFORMAÇÃO
Na implementação de uma Biblioteca Virtual, questões como direito autoral e
propriedade intelectual, legitimidade e recuperação da informação devem ser
plenamente discutidas para um bom desenvolvimento do projeto.

Para as questões relacionadas com a propriedade intelectual e direitos de autor, o
Grupo propõe que cada instituição participante da Rede Pergamum seja
responsável pela obtenção da autorização para disponibilizar “seu” acervo digital.
As instituições interessadas em participar da BVRP deverão preencher um
formulário, produzido pela coordenação da Rede Pergamum, no qual serão
apresentadas questões sobre autorização para disponibilização do documento
digital, controle de qualidade dos conteúdos e comprometimento em apresentar
ao usuário informações relevantes.

É importante que as Bibliotecas Virtuais utilizem mecanismos de segurança para
garantir a integridade de sua informação, e estudos também devem ser
continuados com a intenção de suprir carências na recuperação do documento.

8

�INTERFACES DE ACESSO À BIBLIOTECA VIRTUAL
Em bibliotecas virtuais, a interface vai além da disposição e representação dos
elementos na tela. A interface de busca deve prover a máxima apresentação das
opções de pesquisa que ela disponibiliza. Assim como o help para explicar como
deve-se proceder para utilizar determinado mecanismo, ele deve ser dividido em
partes que se localizem próximos ao mecanismos disponibilizados.

Assim, o

usuário não estará consultando o help inteiro, mas diretamente a opção que lhe
interessa.

Todas as interfaces apresentadas nesta proposta são protótipos que deverão ser
aprimorados pela equipe de desenvolvimento do Pergamum.

Para acesso à BVRP, uma das opções que deverão ser oferecidas é a inclusão
de um portal de acesso na página da Rede Pergamum, facilitando, assim, o
acesso para as instituições participantes da Rede.

Um exemplo da interface

desse portal é apresentado abaixo utilizando a estrutura da página hoje existente.

Outra forma de acesso à Biblioteca Virtual seria pela página de consulta ao
catálogo. Assim, os usuários internos e externos poderão realizar consultas ao
acervo digital das instituições participantes da Rede.

9

�Interface de consulta ao catálogo

INTERFACES E OPÇÕES DE BUSCA
Para as interfaces de busca, o primeiro requisito é que elas deverão ser simples e
intuitivas, para que o usuário não tenha dificuldade em pesquisar e obter os
documentos que deseja. A definição das interfaces devem ser amigáveis com
alguns elementos principais como navegabilidade, funcionalidade, suporte e feed
back ao usuário. Deve-se estabelecer que essas interfaces simplesmente tenham
um campo para se digitar as palavras desejadas e um botão para iniciar a
pesquisa. Em contrapartida, o sistema deverá também prover interfaces de busca,
com uma quantidade maior de opções, apresentando ao usuário opções para
especificar o tamanho do conjunto de resultados (ex: máximo 10 resultados),
conteúdo (que campos serão mostrados), seqüência do documento (tais como
alfabética, cronológica etc.), tipos de materiais entre outros.

A BVRP deverá oferecer estratégias de busca como pesquisa por qualquer
palavra-chave descrita nos metadados, truncamento de palavras (para recuperar
todas as terminações possíveis de um determinado radical), pesquisa com
operadores booleanos (and, or e not) para combinar palavras na realização da
busca e pesquisa por assunto, autor, título, busca exata (podendo utilizar “ “), etc.
A pesquisa realizada no conteúdo dos textos completos deverá ser oferecida ao
usuário, porém deve ser elaborada de maneira a obter resultados satisfatórios.

Na interface de consulta ao acervo da Biblioteca Virtual, seriam apresentadas as
seguintes opções de busca:

10

�- Pesquisa Rápida:

pesquisa textual por palavra

- Pesquisa Booleana: pesquisa usando operadores lógicos E, OU, NÃO.
- Pesquisa por Conteúdo: pesquisa por palavra-chave no conteúdo dos
documentos
- Pesquisa Índice de Autor: pesquisa em índice de autor

INTERFACES DE CONSULTA
As interfaces de consulta apresentam opções para selecionar o tipo de obra,
podendo selecionar mais de um tipo; o tipo de mídia como imagem, som, texto,
vídeo, etc. Nas interfaces de pesquisa rápida, booleana e conteúdo é possível
selecionar o tamanho do conjunto de resultados, sendo assim, o usuário poderá
escolher o número máximo de termos que devem retornar.

Interface de Consulta Rápida

A interface de consulta por índice de autor apresentará opções para a relação de
autores por letras, além das opções anteriores.

Interface Pesquisa por Índice de Autor

11

�INTERFACE DE APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS DE CONSULTAS
A interface de apresentação do resultado de pesquisa deverá conter opções para
escolha do formato de exibição (referência ou completo) e opções para escolha
do tipo de ordenação (título, autor, etc.).

Interface de apresentação do resultado de consulta booleana, rápida e conteúdo.

INTERFACE DE APRESENTAÇÃO DOS DADOS DO ACERVO
Na interface de resultado, só os dados mínimos do acervo não possibilitam a
certeza de que o documento listado é relevante ao que o usuário está procurando.
Uma nova página com dados do acervo é apresentada, contendo informações
completas do documento.

Para as interfaces de dados do acervo, é essencial incluir informações sobre tipo
de mídia, formato do objeto digital, a instituição a qual o acervo está vinculado. No
caso de teses e dissertações, é necessário oferecer opções tais como resumo do
documento e Preview, para que o usuário tenha certeza sobre o documento que
deseja recuperar, sem necessidade de ir diretamente para uma recuperação full
text, que dependendo do tamanho do documento poderá levar algum tempo.

12

�Interface de apresentação de Dados do Acervo – Dissertação

BIBLIOTECA VIRTUAL PERSONALIZADA
Os serviços de personalização de uma Biblioteca Virtual aumentam o seu
potencial, fazendo com que as pesquisas se tornem mais rápidas, além de
possibilitar ensinamento cooperativo e construção de conhecimentos por meio de
interações entre comunidades digitais.

A BVRP, utilizando da colaboração dos usuários em relação as suas
necessidades, tem uma perspectiva de crescimento da usabilidade das
informações, oferecendo a sua comunidade os serviços de uma Biblioteca Virtual
personalizável. Esta personalização visa auxiliar o acesso a informações
significativas, fazendo com que o usuário sinta-se livre para seguir sua própria
linha de construção do conhecimento, auxiliando na distribuição, recuperação e
disseminação de informações.

Em primeiro momento seria oferecido aos usuários das instituições participantes
da Rede Pergamum, através de seu login e senha, criar seu ambiente web
personalizado, em que ele possa inserir na sua “estante de livros virtuais” a
referência de um livro ou documento resultante de uma consulta, para posteriores
serviços como impressão, refinamento etc.

13

�No segundo momento, esses serviços poderiam ser oferecidos também aos
usuários externos, onde eles teriam a opção de realizar seu cadastro para
participar da biblioteca personalizada da BVRP.

Neste caso, seria apresentada tela para realizar cadastramento, com informações
básicas, como nome, e-mail, código de acesso e senha.
Para os usuários das instituições participantes da Rede Pergamum, o acesso à
Biblioteca Virtual personalizada seria pela interface de acesso do usuário.

Na interface pessoal da BVRP, seria apresentado ao usuário sua estante virtual,
seus links pessoais, links para base de dados relacionadas e opções para
personalização de interface.

Interface pessoal da BVRP

CONCLUSÃO

Com a implantação da Biblioteca Virtual, através da cooperação entre as
instituições da Rede Pergamum, possibilitar-se à pesquisa, desenvolvimento e
operação de fontes de informação científica tecnológica, que atendam progressiva
e eficientemente às demandas de informação por tomadores de decisões.

14

�A Biblioteca Virtual poderá vencer as barreiras culturais do trabalho de pesquisa e
do seu processo de criação de conhecimento mapeado, auxiliando nos processos
de busca, reunião e preservação da informação, associada a cada item do
conhecimento construído em função das necessidades e peculiaridades de cada
biblioteca. Este conhecimento estará disponível na Biblioteca Virtual Rede
Pergamum, a fim de favorecer o engajamento das bibliotecas (pessoas) na
conversão do conhecimento, na atualização e na busca da inovação.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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15

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Ciência da Informação&#13;
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                <text>Tendo em vista a importância das Bibliotecas Virtuais como base de apoio educacional e de democratização do acesso à informação confiável e de qualidade, surgiu a demanda da criação da Biblioteca Virtual da Rede Pergamum (BVRP). O trabalho apresenta proposta para implantação desta biblioteca tendo como objetivos a integração dos recursos informacionais, o acesso aos materiais em formato digital, a otimização dos recursos de representação e recuperação da informação e a disponibilização de um serviço mais amplo de acesso à informação possibilitando aos usuários explorar os recursos da Biblioteca Virtual em sua plenitude.</text>
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                    <text>QUALIDADE EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS DA ÁREA PÚBLICA: A
CONTRIBUIÇÃO DO GESPÚBLICA
Simone Angélica Del-Ducca Barbêdo
simone@sid.inpe.br
Waldomiro Vergueiro
wdcsverg@usp.br

Resumo: A qualidade é elemento estratégico para o sucesso organizacional.
Especificamente, unidades de informação têm buscado e se beneficiado da
aplicação de ferramentas e sistemas da qualidade para melhoria de atividades
e ampliação de benefícios a seus clientes. Neste contexto, o sistema ISO 9001
e os programas ligados aos Prêmios de Qualidade representam alternativas
para serviços de informação, especialmente bibliotecas universitárias. No
Brasil, algumas unidades de informação universitária já obtiveram certificações
e premiações. No entanto, esses modelos apresentam barreiras para aplicação
na área pública, principalmente devido à complexidade de requisitos e custo
dos resultados, sendo necessária a identificação de modelos mais viáveis para
implementação. O Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização
– GESPÚBLICA - , de fevereiro de 2005, representa alternativa para a
implementação da qualidade dos serviços das bibliotecas universitárias da área
pública, colaborando na formulação de medidas do plano plurianual, na
consolidação de uma administração pública profissional voltada aos interesses
dos clientes e na aplicação de instrumentos e abordagens gerenciais mais
efetivos. Nesse sentido, os processos, a estrutura e a estratégia desenvolvidos
pelos GESPÚBLICA são analisados neste trabalho, discutindo-se sua
aplicação, benefícios, limitações em bibliotecas universitárias da área pública,
bem como sugerindo alguns passos para aplicação e implementação efetivas
do Programa.
Palavras-chave: Sistemas de gestão; Bibliotecas universitárias, Qualidade em
Serviços de Informação; GESPÚBLICA.

Introdução

As organizações passam continuamente por mudanças, visando alcançar
mercados e atender necessidades de clientes cada vez mais informados,
exigentes e diferenciados devido às alterações globais e à melhoria de
produtos e serviços. De acordo com Anjard (1998), algumas formas de
melhoria contínua são necessárias para maior competitividade, devendo as
organizações influenciar na qualidade de seus produtos e serviços. Neste
sentido, a segunda metade do século XX foi marcada pelo desenvolvimento da
qualidade no setor de manufatura, devido ao aumento da competitividade e à

�globalização. Deming, Juran, Feigenbaum, Crosby e Ishikawa desenvolveram
proposições nessa área, provendo nova visão de gestão para as indústrias.

No setor de serviços, a busca pela excelência é similar à da manufatura, pois
atividades e processos têm como fim o atendimento aos clientes. Assim, a
obtenção da qualidade em serviços é um processo contínuo, no qual o cliente é
membro fundamental para o reconhecimento das organizações de serviços nas
comunidades onde estas atuam. As bibliotecas também buscam a excelência
na realização de atividades e produtos oferecidos. Para Vergueiro e Carvalho
(2002), as bibliotecas universitárias, particularmente, também estão sendo
englobadas nessa busca pela qualidade, com maior ou menor sucesso.

De fato, as bibliotecas universitárias necessitam de constante mudança, sendo
desafiadas a inovar sua administração e desenvolvimento, buscando em
teorias, ferramentas e sistemas da qualidade uma alternativa para melhoria na
gestão. Segundo Beluzzo (1995), Kathman e Kathman (2000), Vergueiro
(2000) e Ward (2000) os bibliotecários reconhecem a necessidade de aumentar
seus objetivos e manter a qualidade de produtos e serviços, destacando a
importância dos usuários internos nesta mudança de comportamento e gestão.
Para tanto, é necessário incorporar novas funções àquelas tradicionais,
compatíveis com os novos paradigmas da informação. Desta forma, a
implementação de filosofias da qualidade é veículo fundamental para melhoria
dos serviços das bibliotecas. A gestão da qualidade, por suas características
de adaptabilidade e transformação, é uma alternativa viável para que as
bibliotecas ofereçam resposta apropriada às exigências de um novo tempo
(LONGO e VERGUEIRO, 2003).

Embora a literatura especializada descreva a aplicação de ferramentas e
modelos de gestão voltados à excelência dos serviços oferecidos em
bibliotecas universitárias da área pública (ANDRADE et al, 1998; XAVIER,
2001; AMBONI, 2002), a aplicação de sistemas de gestão é abordada com
menos freqüência. Isso se deve, talvez, à própria estrutura das bibliotecas
pertencentes a órgãos públicos e às dificuldades que estas encontram. Desta
forma, cabe às bibliotecas universitárias a identificação de metodologias que

�permitam a inserção da qualidade em seus modelos de gestão. Uma alternativa
viável nessa direção, desenvolvida pelo Ministério do Planejamento, é o
Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização – GESPÚBLICA,
que incentiva órgãos públicos a implementar sistemas de gestão, participando
de um processo de avaliação com premiações para as melhores práticas
gerenciais voltadas à qualidade dos serviços aos cidadãos.

Partindo do contexto da busca pela excelência em Bibliotecas e do Programa
do

GESPÚBLICA,

este

artigo

analisa

sua

aplicação

em

bibliotecas

universitárias da área pública, identificando benefícios e limitações e sugerindo
passos para sua implementação efetiva.

Sistemas de Gestão da Qualidade

A implementação de sistemas de gestão permite às organizações estar bem
estruturadas e introduzir métodos de trabalho eficientes para a melhoria da
qualidade, atingindo os membros internos e toda a sociedade. A Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 2000) afirma que, para conduzir e
operar com sucesso uma organização é necessário dirigi-la e controlá-la de
maneira transparente e sistemática, o sucesso resultando da implementação e
manutenção de um sistema de gestão concebido para melhorar continuamente
o desempenho, levando em consideração, ao mesmo tempo, as necessidades
de todas as partes interessadas, além de elevar a satisfação do cliente.

Os modelos ISO 9000 e Gestão da Qualidade Total (TQM) são sistemas de
gestão da qualidade para organizações de manufatura e serviços no mundo.
Segundo Wiele et al (1997), a ISO 9000 está concentrada na série de padrões
de sistemas de gestão da qualidade, enquanto o TQM é mais amplo, por estar
baseado nos princípios da gestão da qualidade total. Além desses sistemas,
destacam-se também os Prêmios da Qualidade como o Prêmio Deming
(Japão), Prêmio Malcolm Baldridge (EUA), Prêmio Europeu, Prêmio Nacional
da Qualidade (Brasil), entre outros.

�Tanto os modelos como os prêmios da qualidade são aplicáveis na indústria de
manufatura e de serviços. Atualmente, muitas organizações de serviços
procuram implementar sistemas de gestão como uma alternativa efetiva para
melhoria dos serviços e satisfação do cliente. Essa preocupação se intensificou
a partir da importância econômica deste setor na sociedade pós-industrial.
Independentemente do modelo ou prêmio de excelência escolhido, a aplicação
efetiva em organizações de serviços deve ser baseada em motivos concretos
de implementação. No entanto, os benefícios obtidos, tanto internos quanto
externos, são aparentes.

As organizações prestadoras de serviços de informação também estão
inseridas neste contexto, sendo motivadas a buscar melhorias em seu
ambiente, encontrando também limitações e benefícios. Neste sentido, a
aplicação de um sistema de gestão da qualidade em bibliotecas contribui para
sua melhor organização interna; definição clara e documentada das atividades
e responsabilidades; melhor fortalecimento da competência e qualidade do
trabalho; melhor imagem da biblioteca, motivação e valorização dos recursos
humanos envolvidos e maior dedicação e desenvolvimento de atividades,
atendendo as necessidades de seus usuários.

Segundo Silva (2000), como um subsistema da organização maior, as
bibliotecas estão entre as unidades responsáveis pelo apoio direto à missão
básica da universidade, devido à sua capacidade de contribuir na produção de
resultados essenciais para a instituição. Como espaços de inter-relacionamento
da comunidade acadêmica em todos os seus níveis, as bibliotecas
estabelecem relações que vão do apoio ao ensino à disseminação da produção
científica local, incluindo as relações de dependência administrativa e
financeira. A autora afirma que é possível identificar a percepção de qualidade
dos diversos grupos envolvidos, pois este conceito tem uma conotação
valorativa, empregada cotidianamente em suas atividades.

Na literatura, encontra-se o interesse por bibliotecas na adoção de sistemas de
gestão e ferramentas da qualidade, para garantir maior confiabilidade nos
serviços e produtos oferecidos e melhor desempenho interno, destacando-se

�os trabalhos de Barbêdo (2004), Walter (2005) e Valls (2006). Outras iniciativas
brasileiras são os trabalhos de Belluzzo e Macedo (1993), Andrade (1998),
Valls (1998a e 1998b), Vanti (1999), Vergueiro e Carvalho (2001), Amboni
(2002), Barbêdo e Turrioni (2003), Rebello (2004) e Sampaio et al (2004) que
apresentam a aplicação de ferramentas e modelos de gestão voltados à
melhoria dos serviços de unidades de informação.

Segundo Valls e Vergueiro (2006), na literatura, os serviços de informação
participam de iniciativas relacionadas à gestão da qualidade, tanto pela
influência das instituições mantenedoras como por iniciativa dos próprios
profissionais da informação. Independentemente da razão que leva um serviço
de informação a buscar, na gestão da qualidade, parâmetros para melhorar
suas atividades e evoluir as práticas gerenciais implantadas, destaca-se a
progressiva preocupação demonstrada em inúmeras pesquisas realizadas, nos
relatos de experiência e nos estudos teóricos e acadêmicos.

A partir deste contexto, segundo Silva (2000), nota-se a preocupação de
unidades de informação subordinadas a órgãos públicos na busca pela
excelência de seus serviços. A autora afirma que a qualidade já se consolidou
em função do aumento do nível de exigência dos cidadãos, da necessidade de
aumento de efetividade e eficácia nos serviços públicos decorrente da
escassez de recursos e mudança no papel do Estado. A redefinição do modelo
de administração pública de burocrática para gerencial faz com que a adoção
de programas de qualidade seja estimulada e fortalecida.

Bibliotecas de universidades públicas encontram barreiras na implementação
de gestão da qualidade. Vergueiro (1996), embora originalmente se referindo à
situação das bibliotecas públicas, destaca algumas delas:
•
•
•

Pouca consciência da força de trabalho das bibliotecas sobre a necessidade de
melhorar a qualidade;
A falta de padrões e guias apropriados para as realidades específicas de
bibliotecas da América Latina;
Dificuldade na obtenção de suporte contínuo do governo e seus
representantes, uma vez que organização política dos países da América
Latina torna difícil o planejamento a longo prazo;

�•

O custo de implementação da qualidade.

Confirmando as barreiras identificadas por Vergueiro (1996), Barbêdo e
Turrioni (2003) ainda identificam alguns outros fatores que dificultam ou
impedem essa implementação:

-

Apoio dos órgãos gerenciadores do sistema público e institucional;
Atualização contínua e Treinamento;
Auto-valorização do bibliotecário;
Burocracia;
Falta de apoio administrativo; de envolvimento do pessoal, de investimento
financeiro e de recursos humanos qualificados;
Melhor compreensão das técnicas de gestão e definição do processo;
Mudanças de hábito e atitudes dos profissionais e funcionários;
Pouco conhecimento de sistemas de gestão da qualidade.

Algumas das limitações apontadas pelos autores mencionados podem ser
minimizadas por meio de conscientização e aspiração pela melhoria dos
processos e serviços oferecidos. Esta prática desenvolve-se por uma mudança
de comportamento e visão da instituição pela liderança, sendo esta
responsável pela motivação e comprometimento dos funcionários. Outras
limitações podem ser suprimidas pela aplicação de ferramentas e/ou iniciativas
que busquem a qualidade por meio da satisfação e relacionamento com os
usuários, da melhoria dos processos e de reestruturação física e de pessoal.

No Brasil, o governo federal preocupou com o incentivo à qualidade das
empresas dos setores públicos e privados, instituindo Prêmios de Qualidade
(VERGUEIRO e CARVALHO, 2002). Devido ao custo de obtenção dos prêmios
ser baixo quando comparado com o da ISO, as bibliotecas universitárias
brasileiras podem priorizar sua obtenção, devendo, para tanto, conhecer as
particularidades de cada um e buscar adaptar-se às suas exigências.

GESPÚBLICA

Desde 1990, o governo federal busca melhorar as atividades de gestão e de
atendimento da sociedade por meio de programas da qualidade para o setor
público. O primeiro programa, em 1990, denominava-se Sub-Programa da
Qualidade e Produtividade na Administração Pública, enfatizando a gestão de

�processos. Em 1996, foi criado um novo programa, orientado para gestão e
resultados,

denominado

Programa

da

Qualidade

e

Participação

na

Administração Pública – QPAP. Em 2000 surgiu o Programa de Qualidade no
Serviço Público – PQSP voltado para qualidade no atendimento do cidadão.
Para o Ministério do Planejamento, Organização e Gestão (2006b), os
programas não representam rupturas, mas incrementos à concepção inicial de
1990. Partindo desse contexto, em 2005 o Governo Federal lançou o
GESPÚBLICA – Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização,
direcionado para gestão por resultados orientada para o cidadão. O Programa
busca contribuir para a melhoria dos serviços públicos aos cidadãos e
competitividade do País, formulando e implementando medidas integradas em
agenda de transformações da gestão, necessárias à promoção de resultados
do plano plurianual, à consolidação da administração pública profissional
voltada ao interesse do cidadão e à aplicação de instrumentos e abordagens
gerenciais (MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORGANIZAÇÃO E GESTÃO,
2006a). A política do GESPÚBLICA possui três fundamentos principais:
a) É essencialmente pública: a gestão de órgãos e entidades públicas deve ser
excelente, podendo e devendo ser comparada com padrões internacionais de
qualidade em gestão, mas não deixando de ser pública.
b) É focada em resultados: entendendo-se por resultados para o setor público o
atendimento total ou parcial das demandas da sociedade, traduzidas pelos
governos em políticas públicas.
c) É federativa: não está limitado a um objeto específico a ser gerenciado
(saúde, educação, previdência, saneamento, fiscalização, etc), aplicando-se a
toda a administração pública em todos os poderes e esferas do governo.

Além do Programa, o governo também desenvolveu o Prêmio Nacional de
Gestão Pública para organizações que se destacam em desempenho na
aplicação do GESPÚBLICA e na qualidade no processo de gestão. O
reconhecimento por meio desse prêmio significa destacar organizações que
evidenciaram melhoria gerencial em inovação, redução de custos, qualidade
dos serviços e satisfação do cidadão (MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO,
ORGANIZAÇÃO E GESTÃO, 2006a).

�O sistema gerencial instituído pelo governo é representado por meio de um
Modelo de Excelência em Gestão Pública, constituído de 7 elementos
(critérios) relacionados, que orientam o Programa de excelência (Figura 1):

Figura - Representação gráfica do Modelo de Excelência em Gestão Pública.
Fonte: (Ministério do Planejamento, Organização e Gestão, 2006b).

O primeiro bloco - Liderança, Estratégias e Planos e Cidadãos e Sociedade -,
formam o que o Governo denomina de planejamento; o segundo – Pessoas e
Processos – representa a execução do planejamento; o terceiro – Resultados –
representa o controle, servindo para acompanhar o atendimento à satisfação
dos destinatários, dos serviços e da ação do Estado, orçamento e finanças,
gestão de pessoas e de fornecedores e parcerias institucionais; o desempenho
de serviços/produtos e de processos organizacionais; o quarto bloco –
Informação e Conhecimento – representa a “inteligência da organização”, onde
são processados os dados e fatos da organização e aqueles do ambiente
externo que influenciam seu desempenho.

Após a aplicação do modelo, a organização passa pelo processo de avaliação
continuada da gestão, que consiste em mobilizar e capacitar os órgãos e
entidades públicas para a implementação de ciclos de avaliação dos seus
sistemas de gestão, que ocorre por avaliação externa ou auto-avaliação
(MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORGANIZAÇÃO E GESTÃO, 2006b). A
auto-avaliação é o primeiro estágio, consistindo na comparação do sistema de

�gestão realizado com o sistema referenciado pelo GESPÚBLICA. Em seguida,
a organização se inscreve no processo de avaliação externa, considerando as
premiações que pode conquistar.

A partir do Modelo de Excelência, o Programa é constituído de três
instrumentos de avaliação da gestão pública - 250, 500 e 1000 pontos -, que
sugerem uma melhoria contínua do sistema. Para cada instrumento de
avaliação é identificada uma lista de práticas e métodos a serem avaliados por
7 critérios: Liderança, Estratégias e Planos, Cidadãos e Sociedade, Informação
e Conhecimento, Pessoas, Processos e Resultados. Os requisitos de cada
Critério de avaliação não são prescritivos em termos de métodos, técnicas e
ferramentas, cabendo a cada organização definir em seu plano de melhoria da
gestão, o que fazer para responder às oportunidades de progressos
identificadas durante a avaliação (MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO,
ORGANIZAÇÃO E GESTÃO, 2006b). No entanto, os critérios estabelecem o
que esperar de uma gestão pública com excelência em gestão.

A estratégia para elaboração dos itens dos critérios foi a de adaptação de
conceitos e linguagem, mantendo o alinhamento às características essenciais
que definem universalmente a excelência em gestão e, conseqüentemente,
preservando a comparabilidade com organizações de outros setores.
(MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORGANIZAÇÃO E GESTÃO, 2006c). Um
dos pontos fortes do GESPÚBLICA está em proporcionar, aos servidores que
farão parte da auto-avaliação, uma visão sistêmica da organização, tendo em
vista seu conhecimento sobre a instituição e suas próprias competências.

Na primeira avaliação do sistema de gestão (250 pontos), o Programa
descreve algumas práticas a serem desenvolvidas pela organização. De um
certo ponto de vista, estas referem-se a questões a serem re-analisadas pelos
órgãos públicos quanto a suas práticas gerenciais. Nota-se que, na avaliação
de 250 pontos, o Programa deseja o cumprimento de comportamentos, valores
e práticas ideais e comuns a qualquer organização prestadora de serviços
públicos, com identificação das seguintes práticas:

�Critérios
Caracterização
1 – Liderança (25 pontos) Exercício
da
liderança,
valores
e
diretrizes;
reconhecimento na e pela instituição e mecanismos de
comunicação internos
2 – Estratégias e Planos Processo de formulação e execução de estratégia global,
(25 pontos)
levando em conta as demandas da sociedade, do governo
e informações internas; monitoração e correção de planos
de ação e execução
3 – Cidadão e Sociedade Relação institucional com grupos de usuários; nível de
(25 pontos)
comunicação, reconhecimento e padrão de atendimento
dos serviços oferecidos
4
–
Informação
e Processos de tomada de decisão; nível de transparência e
Conhecimento
(25 compartilhamento com os membros da organização neste
pontos)
processo
5 – Pessoas (25 pontos) Mecanismos de identificação, estimulo e reconhecimento
da capacitação e do potencial humano; adequação do
ambiente físico para o desempenho das atividades
individuais
6 – Processos (25 Coleta, análise, avaliação e melhoria das atividades e
pontos)
produtos oferecidos e/ou realizados a partir das
necessidades dos usuários; requisitos para aquisição de
bens e serviços; gestão orçamentária
7 – Resultados (100 Resultados das práticas relativas a cidadãos e sociedade,
pontos)
orçamento e finanças, pessoas, suprimentos e processos
Quadro 1 – Caracterização dos critérios utilizados no Gespublica (250 pontos)

Na avaliação de 500 pontos, o Programa detalha as práticas da organização. A
partir de cada critério, faz-se uma subdivisão e se avalia “como” cada atividade
é realizada. Antes de avaliar os critérios, deve-se realizar uma descrição
detalhada da organização. Neste estágio, o diagnóstico das práticas de gestão
é feito nos fatores adequação (grau de atendimento aos requisitos);
exemplaridade (grau de proatividade, de inovação ou de refinamento ou
inovação das práticas de gestão); disseminação (grau de implementação das
práticas de gestão, horizontal e verticalmente, as áreas, processos,
serviços/produtos e/ou resultados apresentados) e continuidade (grau de
utilização das práticas de gestão de maneira periódica e ininterrupta).

A avaliação dos 6 critérios possui pontuação de 45 pontos para cada um,
sendo os mesmos subdivididos em itens, descrevendo os métodos e processos
que a organização desenvolve. No critério 7 (resultados), são avaliados a
relevância, o desempenho e as tendências de cada item do critério. O mesmo
sistema de avaliação é apresentado na pontuação 1000, em que os métodos
aplicados são avaliados, sendo diferenciados da avaliação 500 pontos pelas
práticas e melhorias realizadas durante o processo de melhoria contínua.

�GESPÚBLICA em Bibliotecas Universitárias da Área Pública

É viável a aplicação do primeiro instrumento de avaliação do GESPÚBLICA
(250 pontos) em bibliotecas universitárias, pois as práticas avaliadas referemse a comportamento, visão, comprometimento e relacionamento dos usuários
internos e externos. No entanto, mudar os paradigmas de um serviço de
informação não é tarefa fácil, pois implica em mudança de crenças, valores e
atitudes que permearam a organização por várias décadas (LONGO e
VERGUEIRO, 2003). O papel da liderança é primordial para a aplicação efetiva
do GESPÚBLICA, pois seus critérios exigem do profissional visão sistêmica da
instituição, conhecimento e postura em relação aos usuários, à coleção, ao
espaço, aos funcionários e à direção da universidade, além do domínio
tecnológico, da interação com tendências, parcerias e convênios. É importante
ressaltar, neste contexto, a relação positiva entre o líder e sua equipe, visto que
a comunicação e o relacionamento da liderança com seus funcionários pode
ser um ponto positivo ou negativo na busca pela excelência.

Segundo Valls e Vergueiro (2006), além da modernização das práticas
gerenciais, os profissionais devem rever sua postura, pois, na prestação de
serviços, os fornecedores passam de protagonistas a coadjuvantes, sem
perder sua função e importância. Cabe, portanto, aos dirigentes dos serviços,
analisar sua equipe para identificar necessidades de treinamento e educação
formal, além do desenvolvimento das habilidades e competências necessárias
para o atendimento direto ao cliente, contribuindo para elevar sua satisfação.

Outro fator na aplicação efetiva do Programa de Gestão é o conhecimento das
necessidades de usuários internos e externos e dos objetivos da universidade,
para que a biblioteca possa realizar suas práticas em conformidade com a
missão institucional e com as características e desejos dos usuários. Para
tanto, ela deve adotar uma postura positiva de relação e interação com os
usuários, suas necessidades e limitações. A aplicação de ferramentas e
metodologias de coleta de dados e de relacionamento pode ser uma alternativa
inteligente, pois a biblioteca começa a se preparar para a Avaliação do

�instrumento 500 pontos, que solicita os métodos realizados na melhoria de
suas práticas. Encontram-se na literatura várias ferramentas e modelos de
relação aplicados com sucesso em bibliotecas, como:
•
•
•
•
•
•

Benchmarking (GRANDI e FERRARI,2005; LEÓN SANTOS, 1997; VELDORF,
1999).
Gestão de Relacionamento com o Cliente (GRANADOS MOLINA, 2001),
Desenvolvimento da Função Qualidade – QFD (BARBÊDO et al, 2003; KWAISANG, 2001; ROWLEY, 2002).
SERVQUAL (IGAMI, SAMPAIO e VERGUEIRO, 2005; SAMPAIO et al, 2004;
REBELLO, 2004; SANTOS et al, 2003; VERGUEIRO, 2003)
LibQUAL+ (LibQUAL+, 2006)
5 s (FERREIRA, 2002; VANTI, 1999).

Além da aplicação de métodos e ferramentas, é necessário à biblioteca ter uma
definição clara de sua missão e de seus objetivos. A partir dessas definições, a
biblioteca deve identificar uma sistemática de coleta de dados que forneça
indicadores com informações estratégicas para realização de suas práticas.

Conclusões e Considerações

De uma maneira geral, pode-se afirmar que os maiores benefícios
proporcionados por um Programa de Gestão em bibliotecas universitárias são
traduzidos em melhor postura e relação da liderança com seus subordinados;
mudança de comportamento e comprometimento dos recursos humanos;
melhoria dos processos; satisfação dos usuários; obtenção de visão
diferenciada e valorizada da biblioteca como uma unidade gerenciadora de
informação; comprometimento da coordenação/direção com a excelência,
fornecendo subsídios para melhoria contínua e redução do retrabalho.

O GESPUBLICA apresenta vantagens para aplicação em bibliotecas
universitárias da área pública, destacando-se custo de aplicação, simplicidade
e praticidade, capacidade de congregar a equipe da biblioteca na busca de um
objetivo comum e potencial para modificar o ambiente institucional, tornando-se
um catalisador para mudanças de postura e comportamento para a excelência
em serviços. No entanto, o sucesso ou o fracasso na aplicação desse
Programa está intimamente ligado à existência efetiva de um desejo coletivo de
mudança organizacional. Se este não existir, e não houver compartilhamento

�no anseio para mudar e atingir níveis mais altos de excelência, a
implementação da qualidade na biblioteca universitária será ainda mais
acidentada, com poucas garantias de sucesso. Neste sentido, é importante a
compreensão de que o GESPUBLICA envolve mais do que a obtenção de um
prêmio e poder se jactar de tê-lo feito, representando uma opção por uma nova
cultura organizacional que tem na qualidade dos serviços seu elemento
norteador. Nos casos em que esta percepção ainda não está bem disseminada
na equipe, a liderança deve dedicar-se à tarefa de criar condições para que o
entendimento dos benefícios do processo se dissemine pela equipe, antes de
se comprometer com o processo de premiação. Mais que tudo, é necessária
uma liderança comprometida e constituída de características como carisma,
estimulação intelectual, motivação e considerações individuais de cada
funcionário para instituir um relacionamento positivo com sua equipe,
fortalecendo o desempenho organizacional e garantindo condições para
mudança de posturas e comportamentos.

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                <text>A qualidade é elemento estratégico para o sucesso organizacional. Especificamente, unidades de informação têm buscado e se beneficiado da aplicação de ferramentas e sistemas da qualidade para melhoria de atividades e ampliação de benefícios a seus clientes. Neste contexto, o sistema ISO 9001 e os programas ligados aos Prêmios de Qualidade representam alternativas para serviços de informação, especialmente bibliotecas universitárias. No Brasil, algumas unidades de informação universitária já obtiveram certificações e premiações. No entanto, esses modelos apresentam barreiras para aplicação na área pública, principalmente devido à complexidade de requisitos e custo dos resultados, sendo necessária a identificação de modelos mais viáveis para implementação. O Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização – GESPÚBLICA - , de fevereiro de 2005, representa alternativa para a implementação da qualidade dos serviços das bibliotecas universitárias da área pública, colaborando na formulação de medidas do plano plurianual, na consolidação de uma administração pública profissional voltada aos interesses dos clientes e na aplicação de  instrumentos e abordagens gerenciais mais efetivos. Nesse sentido, os processos, a estrutura e a estratégia desenvolvidos pelos GESPÚBLICA são analisados neste trabalho, discutindo-se sua aplicação, benefícios, limitações em bibliotecas universitárias da área pública, bem como sugerindo alguns passos para aplicação e implementação efetivas do Programa.</text>
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                    <text>EIXO TEMÁTICO: As Bibliotecas Universitárias e a Produção do Conhecimento
RE-ARQUITETURA E INFORMAÇÃO 24 HORAS NO IPA METODISTA
Samile Andréa de Souza Vanz
Bibliotecária, doutoranda no PPGCOM/UFRGS, professora assistente do Departamento de
Ciências da Informação da FABICO/UFRGS, samilevanz@terra.com.br .
Carlos André Soares Fraga
Arquiteto e Urbanista, mestrando no PROPAR/UFRGS, arqfraga@yahoo.com.br .
Marialva Machado Weber
Bibliotecária Geral da Biblioteca Central do Centro Universitário Metodista IPA,
marialva.machado@ipametodista.edu.br .
RESUMO
As bibliotecas universitárias vêm passando por mudanças há algumas décadas para
acompanhar as alterações causadas pelas tecnologias disponíveis na sociedade atual. O
ambiente físico da biblioteca é alvo de muitas destas mudanças, já que a informação,
contida nas coleções de livros e periódicos, vem sendo transferida para acervos digitais,
diminuindo a demanda por espaço físico e pelo contato bibliotecário-usuário, provocando
alterações nos hábitos e cultura da comunidade universitária. Neste contexto foi inaugurada
em Porto Alegre a Biblioteca Central do IPA Metodista. O prédio, erguido no início do
século passado, foi reformado para atender 24 horas durante todo o ano. Apresentam-se
aqui considerações acerca de layout, mobiliário, sinalização, iluminação, temperatura e
preservação do acervo, e como isso foi pensado ao longo da reforma de um edifício
destinado a funcionar ininterruptamente. Relata-se também o processo de adequação dos
funcionários e do usuário ao horário integral da Biblioteca Central.
PALAVRAS CHAVE: Biblioteca Universitária. Arquitetura. Layout. Horário de
funcionamento. Centro Universitário Metodista IPA.
1 INTRODUÇÃO
A informação permeia a sociedade atual em todos os seus contextos e vem
circulando por redes a cabo e wireless, que invadem os espaços públicos e privados de uma
maneira rápida e intensa. As bibliotecas, para não perder espaço, estão buscando a
participação nestas redes através de um processo de informatização que visa proporcionar
ao leitor o acesso ilimitado ao acervo e aos serviços via Internet, de qualquer lugar e a
qualquer hora. A informação impressa em papel, em documentos como livros, revistas e
jornais, encontra-se em processo de digitalização e em alguns casos, em acervos já

�totalmente digitais, transformando volumosas coleções em arquivos armazenados no
computador.
Entretanto, algumas instituições, preocupadas em receber a comunidade usuária e
manter o acervo em papel e as coleções históricas, vêm projetando e reformando prédios
com valor simbólico para suas bibliotecas. Assim aconteceu com o Centro Universitário
Metodista IPA, mais conhecido por IPA (Instituto Porto Alegrense), localizado em Porto
Alegre, RS. O antigo prédio do internato da instituição passou por uma reforma e foi
inaugurada, em 26 de agosto de 2005, a Biblioteca Central Guilherme Mylius,

que

funciona 24 horas.
A reforma da Biblioteca Central contou com a colaboração de uma equipe formada
por diversos profissionais. O projeto arquitetônico e a coordenação dos demais projetos foi
elaborado por dois escritórios de arquitetura1, que também acompanharam a obra do início
ao fim. A redistribuição do acervo, bem como a criação e implementação da sinalização da
biblioteca foram feitos por profissionais especializados em Arquitetura, Publicidade e
Propaganda2 e Biblioteconomia3. A equipe de profissionais da biblioteca participou
ativamente nas decisões, principalmente aquelas referentes ao acervo e fluxo de trabalho
específicos ao setor. O resultado é um projeto que expressa a identidade cultural do
campus universitário IPA, pois retrata as idéias e criatividade de um grupo
multidisciplinar.
O objetivo deste trabalho é relatar o trabalho desenvolvido pela equipe no projeto
da Biblioteca Central e as rotinas em uma biblioteca com funcionamento 24 horas.
2 BIBLIOTECA CENTRAL GUILHERME MYLIUS: HISTÓRICO E CONTEXTO
ATUAL
O Centro Universitário Metodista IPA inicia sua trajetória em 1923 como Porto
Alegre College, fundado por missionários americanos vindos da Igreja Metodista
1

Zimbres Arquitetura e Cesar Dorfman Arquitetos Associados (arquitetos Cesar Dorfman, Carlos Fraga,
Andreoni Prudencio e Rodrigo Barbieri).
2
Biccateca Estantes &amp; Complementos e R4 Design.
3
Biccateca Estantes &amp; Complementos e bibliotecária Samile Andréa de Souza Vanz.

�Episcopal do Sul dos Estados Unidos (hoje, Igreja Metodista Unida), com a missão de
educar meninos que seriam os futuros líderes da sociedade riograndense. A história registra
o primeiro funcionamento da instituição em um sobrado no centro da cidade de Porto
Alegre, sendo, mais tarde, em 1924, transferido para os altos do morro milenar, hoje, bairro
Rio Branco, terreno escolhido pelo Bispo americano John Moore, que veio ao Brasil em
busca de um local para a instalação efetiva do Colégio. Depois de alguma procura, o Bispo
encontrou um terreno rodeado de matas, no alto do morro, longe das margens do Rio
Guaíba. Encantado, comprou a antiga fazenda dos Mariante, onde se localiza a instituição
(OLIVEIRA, 2005). No local, havia uma pedreira de onde foram retiradas as pedras de
granito que edificaram as construções e caracterizam a arquitetura dos prédios que foram
construídos: o prédio principal de aulas, réplica da Southern Methodist University (situada
no Texas, EUA), e o antigo internato, que abriga, atualmente, a Biblioteca Central.
A Biblioteca, que sempre esteve presente no IPA, teve seu acervo organizado pela
bibliotecária Sara Silveira Fernandes, que utilizou a Classificação Decimal de Dewey
(CDD) para classificar os assuntos e a Tabela Cutter para os autores. O acervo, naquela
época, ainda era fechado. A partir de 1958 a Biblioteca recebeu o nome de Biblioteca
Guilherme Mylius, em homenagem ao “Seu Willy”, ex-aluno que dedicou sua vida a
história da Instituição Ipaense (AZEVEDO; GUTIERREZ, 1959).
A educação superior iniciou na instituição em 1971, com a aula inaugural da ESEF
(Escola Superior de Educação Física). Em 2002 as grandes Instituições educacionais
metodistas no Rio Grande do Sul começaram, integradas, a formação da Rede Metodista
de Educação IPA, constituindo-se parte importante do complexo de colégios, faculdades,
centro universitário e universidades que pertencem à Igreja Metodista no Brasil.

O

Instituto Porto Alegrense (IPA) fazendo parte deste complexo, instala o Planejamento
Estratégico do Centro Universitário, que prevê a inauguração de um prédio para a
Biblioteca (INTERNATIONAL ASSOCIATION OF METHODIST, 2001).
O Centro Universitário Metodista IPA oferece à comunidade 32 cursos de
graduação e um curso de mestrado, além do Colégio Americano, que atende alunos de
ensino fundamental e médio, educação infantil e EJA. A instituição recebe, em sistema de
internato, alunos de diversos países que mantém intercâmbio internacional, entre eles

�Moçambique, Angola, Timor Leste e Haiti. O aumento no número de cursos e alunos
resultou na necessidade de criação de um novo espaço para a Biblioteca, que até então
funcionava no antigo refeitório do Campus Central. Assim, o antigo prédio do internato foi
reformado e em 26 de agosto de 2006 foi inaugurada a primeira biblioteca aberta 24 horas
do país, nos sete dias da semana.
A Biblioteca Central do IPA atende em torno de 8000 usuários, entre professores,
funcionários e alunos da instituição. A comunidade residente em Porto Alegre também
pode se inscrever como usuária da Biblioteca. O acervo é composto por cerca de 65000
documentos, entre livros, periódicos, monografias, teses e dissertações, fitas VHS, DVDs e
CDs, todo ele informatizado através do software Informa, que possibilita, entre outros
serviços, a renovação e reserva via WEB. Os documentos são classificados de acordo com
a CDD e, diferentemente do início, hoje utiliza-se a Tabela PHA para a notação de autor. O
quadro funcional mantém-se estável e conta com três bibliotecárias e 22 auxiliares de
biblioteca, além dos alunos dos cursos de Biblioteconomia da Fundação Universidade
Federal de Rio Grande (FURG) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS),
que são recebidos para estágio curricular.
O perfil do usuário da Biblioteca Central demonstra que a maioria são alunos que
estudam a noite e trabalham durante o dia. Este foi um dos motivos que impulsionou a
idéia da Biblioteca Central 24 horas, para oferecer ao aluno e a comunidade a opção de um
espaço aberto em tempo integral, com terminais de Internet, acervo e serviços à disposição.
A operação ininterrupta evita confusões de horários, principalmente nas férias, quando
grande parte das bibliotecas reduz o horário de atendimento ao público. Com espírito de
vanguarda e com a preocupação de proporcionar um horário de funcionamento flexível que
atenda as necessidades do seu usuário, o IPA criou sua Biblioteca Central 24 horas.
A Online Computer Library Center, instituição renomada conhecida por OCLC,
realizou, em 2005, uma pesquisa nas bibliotecas da Austrália, Canadá, Índia, Singapura,
Reino Unido e EUA. Um dos resultados revela que o usuário demanda horários ampliados
nas bibliotecas, preferencialmente o funcionamento 24 horas todos os dias da semana.

�(ONLINE COMPUTER LIBRARY CENTER, 2005). O atendimento em horário integral
já acontece em algumas universidades européias, como a University of Bath4.
Abrir uma biblioteca ininterruptamente gera custos para a instituição. Porém, para o
usuário, significa a possibilidade de usufruir de um espaço em tempo integral. Diversas
pesquisas realizadas em bibliotecas universitárias americanas, inglesas e australianas
revelam que o amplo horário de funcionamento de uma biblioteca está entre as quatro
prioridades dos usuários (CURRY, 2003). O acesso eletrônico 24 horas proporcionado
pelas bibliotecas digitais criou expectativas no usuário, de acordo com Curry (2003). Para
o autor, os alunos das bibliotecas universitárias possuem um estilo de vida definido como
24/7 lifestyle, onde o número 24 significa as 24 horas do dia e o número 7 indica os sete
dias da semana.
Entre as vantagens do funcionamento 24 horas está a possibilidade para o usuário
freqüentar a biblioteca no horário que mais lhe convém, inclusive após a aula no período
noturno para aqueles alunos que trabalham durante o dia. Durante a madrugada a
Biblioteca Central apresenta-se como um ambiente calmo e silencioso, propício para a
leitura e concentração. Entretanto, abrir uma biblioteca com horário de funcionamento
amplo pressupõe algumas questões importantes que devem ser pensadas: segurança,
serviços oferecidos e funcionários para trabalhar no período noturno, relação entre os
recursos financeiros para manter o funcionamento integral e uso efetivo da biblioteca
nestes horários.
Os recursos necessários para manutenção de uma biblioteca com horário integral
devem ser pensados em aspectos globais, que vão desde a contratação de auxiliares para o
período da noite, até vigias para manutenção da segurança, iluminação do prédio e
funcionamento de aparelhos de ar condicionado para manutenção da temperatura. Curry
(2003) relata o caso de uma biblioteca universitária japonesa que funciona 24 horas,
porém, à noite, o acesso é feito mediante a apresentação de um cartão de identificação do
usuário, dispensando a presença dos funcionários da biblioteca. O caso, segundo o autor, é
de grande sucesso: os usuários não entram com comida dentro da biblioteca e nenhum

4

Maiores informações disponíveis em http://www.bath.ac.uk/library

�documento desapareceu. No Brasil, entretanto, as práticas culturais são muito diferentes e
este tipo de acesso poderia destruir uma biblioteca.
Na Biblioteca Central do IPA, o funcionamento durante o turno da noite trouxe a
necessidade de contratação de funcionários. Logo da inauguração da Biblioteca os
auxiliares trabalharam em sistema de rodízio, se revezando entre o turno da noite e dia. A
experiência não obteve sucesso, e passou-se, desde então, a contratar funcionários para
trabalhar de 2ª a 6ª feira e, em menor número, de 4ª feira a domingo, em regime de 30, 36 e
40hs.
As rotinas de trabalho incluem o turno da noite, quando são feitas a higiene e
limpeza do acervo e da Biblioteca. Além destes serviços, os funcionários da noite auxiliam
o Setor de Processamento Técnico. Durante o dia, os bibliotecários processam os
documentos no sistema e a noite, os auxiliares colam etiquetas, fitilhos antifurto, carimbam
e guardam os documentos nas estantes, além de conferir e registrar novos documentos. O
fluxo de trabalho é considerado excelente, visto que o movimento de usuários durante a
madrugada é menor, possibilitando, além do processamento técnico, a guarda, organização
e conferência dos documentos nas estantes. A instituição tem como política a contratação
de funcionários experientes, permitindo, desta maneira, que o trabalho seja realizado a
noite mesmo que os bibliotecários não trabalhem neste turno.
Durante o dia e início da noite, quando há a maior circulação de usuários, os
auxiliares atuam nos andares onde se concentra o acervo, procurando não interferir nos
estudos dos usuários, mas fazendo-se presente e atentos para cumprir o regulamento da
Biblioteca. A segurança e ordem também é mantida pela ronda dos vigias do campus, e a
noite, a portaria faz o controle de entrada e saída de usuários. A Biblioteca Central possui
um rádio para comunicação imediata com a portaria e a segurança do campus, garantindo
assim, o clima de tranqüilidade mesmo durante a madrugada.
As estatísticas da Biblioteca Central são um instrumento único para avaliação do
funcionamento e das rotinas de trabalho. São registradas todas as aquisições, doações,
permutas, entradas/saídas de usuários nos três turnos, e para o turno da noite, turno que

�recebe uma análise especial, são registrados dados do usuário como nome completo,
idade, nacionalidade, curso, motivo da visita e contato.
Os dados estatísticos deste primeiro ano mostraram que em torno de 1000 usuários
entre alunos e comunidade em geral, freqüentaram a biblioteca no horário entre 23:00 e
06:00 horas. A idade destes freqüentadores variou entre 18 a 50 anos, e todos eles
permaneceram na Biblioteca Central neste horário com o propósito de estudar. Os
freqüentadores, além dos alunos da Instituição e os alunos estrangeiros (que perfizeram
grande parte, já que estudam em sistema de internato e estão alojados dentro do campus),
também incluíram a comunidade e alunos de outras Instituições que aproveitam o espaço
aberto durante a madrugada para se reunir em grupos de estudo e trabalho.
3 PROJETO DE REQUALIFICAÇÃO: DE INTERNATO A BIBLIOTECA 24 HORAS
A reciclagem do antigo internato do IPA visando sua transformação na Biblioteca
Central está inserida num contexto maior que a antecedeu – a elaboração do Plano Diretor
para os campi IPA e Americano, em 2003. Este plano estabeleceu diretrizes para a futura
expansão física dos campi que deveria acompanhar e sustentar o crescimento estratégico da
instituição. Neste plano, foram reconhecidos dois valores existentes e recomendada sua
preservação na futura expansão: o patrimônio construído histórico e o patrimônio vegetal.
O prédio faz parte do patrimônio histórico e está inserido no segundo grupo, o
patrimônio vegetal. Na época da elaboração do referido plano, estava em curso uma
reforma do edifício para outros fins, que previa sua ampliação em altura, com acréscimo de
pavimentos sobre os existentes e que tentaria mimetizar a arquitetura original. Na realidade
acabaria por desfigurá-la. A Direção da Instituição compreendeu o fato e acolheu o projeto
de transformá-lo na Biblioteca Central do campus, com uma reforma que trataria, além das
adaptações necessárias a nova função, da preservação e restauração das características
essenciais dessa arquitetura (NOVO..., 2006).
O dimensionamento da Biblioteca foi inicialmente pensado para ocupação gradual
sucessiva de diferentes porções do edifício a partir de 2004, acompanhando o crescimento
do número de alunos previsto. Adotou-se como critério principal para este

�dimensionamento a meta inicial de dez volumes por aluno, com as proporções
correspondentes de área de acervo, área de estudo, número de assentos (correspondente a
10% do número de alunos) e áreas de serviços técnicos e administrativos. O estudo
resultante indicou que o prédio do antigo internato reciclado como Biblioteca Central
atenderia às necessidades da instituição até 2007 (conforme expectativas de crescimento da
época), quando deveriam ser constituídas bibliotecas setoriais. Devido a demandas
gerenciais, a Biblioteca Central foi inaugurada somente em 2005, e as previsões de
ocupação foram modificadas.
As decisões de projeto estiveram sempre balizadas pela viabilização orçamentária e
pelas pré-existências consideradas relevantes. Desta maneira, o projeto arquitetônico
elaborado, além dos condicionantes já mencionados, levou em consideração o
aproveitamento possível das estruturas já construídas da reforma então interrompida, como
forma de economia dos recursos já utilizados pela Instituição. Como regra, adotou-se,
também, a busca de uma clara diferenciação entre a arquitetura original e as novas
inserções, com o objetivo didático de promover seu reconhecimento por parte do público,
sem prejuízo da necessária harmonia entre elas. Essa é uma corrente em se tratando de rearquitetura, que tem referencias desde Lucio Costa, seguindo recomendações na Carta de
Restauro Italiana (COMAS, 2002).
A principal proposta do projeto foi a inclusão de um mezanino sobre o último
pavimento, objetivando ampliar a área disponível, e o conjunto de circulação vertical. A
elevação do telhado necessária para esse acréscimo, aumentando a altura interna, foi feita
de forma a marcar a intervenção e, ao mesmo tempo, manter a referência da volumetria
original. Assim, o telhado aparece “descolado” do edifício por uma fita de janelas
guarnecidas por beirados salientes. Estas janelas fornecem a iluminação natural para o
mezanino, propiciam uma integração com a paisagem verde do entorno e terão
participação no sistema de climatização natural previsto, conforme a Ilustração 1:

�Ilustração 1 – Manual de ventilação natural
Com a construção do mezanino, a edificação comporta atualmente quatro
pavimentos. Por questões de segurança do acervo, o acesso de público foi restrito a um
único ponto. O acervo foi distribuído nos três primeiros pavimentos, ficando a maior parte
no terceiro, que dispõe de mais área. Estações de consulta ao catálogo e estações de
atendimento acompanham as áreas de acervo nos diversos andares. Os ambientes de estudo
acontecem em todos os pavimentos compreendendo tanto estudo individual quanto estudo
em grupo, sendo o mezanino destinado exclusivamente para esta atividade. O setor
administrativo e de serviços técnicos foi localizado numa ala do segundo pavimento, com
possibilidade de acesso exclusivo. Um bloco de serviços foi anexado ao edifício,
comportando sanitários, reservatórios, hidrantes e maquinaria de condicionamento de ar.
O ambiente interno foi concebido procurando qualificá-lo como espaço de
permanência agradável nas 24 horas do dia, incentivando também dessa forma sua procura
pela comunidade. As decisões neste sentido vão desde a definição dos materiais de
revestimento, desenho e escolha de mobiliário, ao aproveitamento da possível integração
visual com o patrimônio vegetal do entorno do prédio. As grandes intervenções mezanino, bloco de circulação vertical e telhado, são marcadas pela combinação das
estruturas de aço pintadas de preto e dos revestimentos em madeira. O uso da madeira

�estende-se para revestimento de estantes, portas, balcões de atendimento e mesas de estudo
e trabalho, garantindo uma unidade de linguagem animada pela presença de algumas cores
quentes (amarelo em algumas paredes, vermelho em esquadrias, mobiliário e setores de
piso) em pontos determinados. Cabe referir ainda a criação do ambiente de estar –
denominado lounge – conveniente para uma leitura mais descompromissada. Ao redor dos
sofás que compõem este ambiente são localizadas algumas estantes baixas para divulgação
de novas aquisições e jornais diários, conforme mostra a Ilustração 2:

Ilustração 2 – Lounge, Balcão de Referência e Mezanino
A acessibilidade a portadores de necessidades especiais foi resolvida com a
inclusão de rampa no acesso principal, sanitários adaptados no pavimento de ingresso e
elevador conectando todos os níveis. O balcão principal de atendimento, no formato de um
ponto de interrogação, apresenta alturas diferenciadas para atendimento tanto de pessoa em
pé quanto em cadeira de rodas:

�Ilustração 3 – Balcão de atendimento em alturas diferenciadas
A questão da acessibilidade também foi considerada enquanto orientação do
público em geral dentro do edifício e na busca das informações. Neste sentido, foi
desenvolvido um projeto específico de sinalização, abrangendo desde identificação de
setores e coleções dentro da biblioteca, placas de orientação espacial, de restrições de uso
ou de acesso. O sistema de sinalização utilizou-se de placas aéreas, totens e placas nas
paredes. Para a sinalização das estantes foram criadas placas imantadas para as laterais das
mesmas, permitindo a inserção/retirada das placas menores contendo indicação dos
assuntos e número de classificação, também imantadas. As placas imantadas pequenas
também foram utilizadas nos bibliocantos sinalizadores, coladas no sentido vertical.
O edifício da Biblioteca Central tem localização privilegiada no campus, próximo à
área de alimentação e da grande circulação dos alunos. O acesso para usuários é feito a pé,
porém, o acesso para automóveis e caminhões é feito sempre que necessário. A saída da
Biblioteca Central em direção à portaria da instituição é feita por alguns metros em meio
ao espaço verde, e já na rua, são diversas as possibilidades de transporte coletivo. Um
espaço adequado, na opinião de Galbinski e Miranda (1993, p.18):
Do ponto de vista estritamente acadêmico, o prédio da
biblioteca deveria gozar das melhores condições de

�isolamento acústico, mantendo-se relativamente distante das
zonas mais ruidosas do campus universitário. Mas, ao mesmo
tempo, deveria situar-se em área privilegiada quanto ao fluxo
de pedestres, para facilitar o acesso. Esta última condição a
localizaria em grande proximidade do centro de vivência ou
do restaurante central, em flagrante violação à condição de
isolamento, acima referida. Uma solução seria implanta a
biblioteca à margem destes locais de grande densidade
demográfica. Um estratégia, portanto, de proximidade
conveniente, de controle da poluição sonora e da preservação
da biblioteca.
Quanto à climatização, sabe-se que o controle de temperatura e umidade é fator
essencial para a conservação do acervo (OGDEN, 2001). Assim, o bloco de serviços
anexo, de localização centralizada em relação às demais áreas do edifício, foi projetado
para gerar e distribuir o ar condicionado por todos os setores da biblioteca. Entretanto,
tendo em vista a não aquisição imediata da aparelhagem, um sistema de ventilação natural
foi projetado. Este sistema inclui a proteção térmica da cobertura e do forro, a criação de
ventilação permanente entre os dois, a tiragem do ar quente do interior da biblioteca por
dispositivos controláveis na cobertura e a possibilidade de abertura das janelas em dois
níveis diferenciados.
Em relação à segurança, além das medidas usuais de proteção do acervo contra
furto, como o uso de sistema antifurto eletromagnético na circulação dos volumes, algumas
outras providências têm reflexo na arquitetura, como a já citada restrição do acesso de
público a um só ponto. Os posicionamentos de guarda-volumes e atendimento numa
disposição seqüencial lógica ao controle complementam a medida. O funcionamento do
sistema de ventilação natural é outro fator que demandou cuidados relativos à segurança do
acervo. Assim, todas as janelas com abertura acessível ao público são protegidas
externamente por um envoltório feito de chapa de alumínio expandida, de maneira a
manter, também, a qualidade de ventilação, iluminação e permeabilidade visual.
O sistema de iluminação artificial proposto para a Biblioteca Central do IPA foi
pensado em termos de economia de energia. Como alternativa e em oposição à manutenção
de um nível de iluminância adequado à leitura em toda a área da biblioteca, independente
da presença de público e que geraria um desperdício de energia, foi proposto um sistema
misto, que mantém um nível mínimo de iluminância geral, complementado por luminárias

�locais nos pontos de leitura, conforme Ilustração abaixo, controláveis pelo próprio usuário.
O sistema é adequado a demanda do usuário: em horários de pico, as luminárias ficam
todas acessas, enquanto ao longo da madrugada somente aquelas em uso, além, é claro, das
luminárias mais altas.

Ilustração 4 – Mezanino, com detalhe para iluminação individual
Para facilitar acesso dos usuários a informações em meio digital, acompanhando a
inevitável tendência de crescimento desta mídia, o projeto da Biblioteca Central previu,
inicialmente, uma rede lógica disponibilizada ao longo de todas as bancadas de estudo,
para conexão de laptop. O gerenciamento da rede pela administração da biblioteca
definiria as possibilidades de acesso (Internet, acervos digitais, etc.). Mudanças de
diretrizes por parte da Instituição modificaram as definições iniciais, optando pela
disponibilização futura de acesso do tipo wireless, restringindo o número de conexões
disponibilizadas num primeiro momento. Além da rede proposta, o Setor de Multimeios
oferece terminais de acesso a acervos digitais e Internet.

�4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diversos fatores são elencados quando se dá a construção de um prédio de
biblioteca universitária. A escolha do local deve ser feita com base em uma análise
detalhada. Segundo Galbinski e Miranda (1993), alguns fatores devem ser levados em
consideração, como o acesso de veículos e de pedestres; existência de área para
estacionamento de veículos; características físicas do solo e cobertura vegetal; umidade do
solo e declividade para escoamento natural de águas pluviais e de esgotamento;
disponibilidade de infra-estrutura de serviços públicos; fontes de poluição sonora, de
fumaças e odores; disponibilidade de espaço para futuro crescimento; acessibilidade.
A Biblioteca Central do Centro Universitário Metodista IPA ocupa um prédio já
existente, desta forma, diversos fatores mencionados pelos autores acima já estavam
estabelecidos. A escolha do edifício do antigo internato para abrigar a Biblioteca tem a ver
com a questão acessibilidade. O espaço ocupado pela Biblioteca é central dentro do
campus, considerado hierarquicamente o mais importante pelo caráter histórico dos
edifícios que o compõem, configurando também um dos principais acesso. O prédio faz
parte da memória da instituição, com grande valor sentimental para a comunidade porto
alegrense. A reforma proposta procurou preservar as características que permitem
vivenciar esta memória e ao mesmo tempo, buscou requalificar o antigo espaço para
adequá-lo a nova função, refletindo a atualidade do uso 24 horas de uma forma
arquitetônica contemporânea. Este conceito está de acordo com as últimas teorizações
sobre re-arquiteturas: "[. . .] a atuação no contexto histórico só terá algum significado na
medida em que possa dialogar com o presente, e o projeto será mais ou menos eficaz
enquanto capaz, na sua concepção, de responder a contemporaneidade implícita a toda
intervenção arquitetônica." (FROTA, 2001, p.221).
O edifício reformado dispõe de cerca de 2.000m² bem distribuídos para todos os
setores da Biblioteca Central: leitura, acervo, salas de estudo em grupo e individual,
processamento técnico, direção, circulação, referência e lounge. Os espaços atendem as
necessidades da Biblioteca nas suas 24 horas de funcionamento. O projeto de
funcionamento 24 horas teve, inclusive, uma repercussão positiva entre os usuários da
Biblioteca Central e a comunidade, e hoje está sendo elencado como ponto turístico da

�cidade de Porto Alegre pela Associação Brasileira de Bacharéis em Turismo do Rio
Grande do Sul (ABBTUR RS).
REFERÊNCIAS
AZEVEDO, Fernando; GUTIERREZ, Washington. Dedicatória. Colunas, Porto Alegre, v.
15, 1959.
COMAS, Carlos Eduardo Dias. Precisões Brasileiras – sobre um estado passado da
arquitetura e urbanismo modernos a partir dos projetos e obras de Lucio Costa,
Oscar Niemeyer, MMM Roberto, Afonso Reidy, Jorge Moreira &amp; CIA, 1936-45.
2002. Tese (Doutorado em Arquitetura) - Universidade de Paris 8, Paris, 2002.
CURRY, Ann. Opening Hours: the contest between diminishing resources and a 24/7
world. The Journal of Academic Librarianship, v. 29, n.6, p.375-385, Nov. 2003.
Disponível em: &lt; http://portal.isiknowledge.com &gt;. Acesso em 18 jul. 2006.
FROTA, José Artur D'Aló. Re-arquiteturas. Cadernos de Arquitetura Ritter dos Reis,
Porto Alegre, v.3, p. 219-226.
GALBINSKI, José; MIRANDA, Antonio L. C. de. Planejamento físico de bibliotecas
universitárias. Brasília: Probib, 1993. 176p.
INTERNATIONAL ASSOCIATION OF METHODIST. 2001 Directory: related schools,
colleges, and universities. Nashville, 2001. 265 p.
ONLINE COMPUTER LIBRARY CENTER. Perceptions of libraries and information
resources. Dublin, 2005. [400]p. Disponível em:
&lt; http://www.oclc.org/reports/2005perceptions.htm &gt;. Acesso em: 02 jul. 2006.
OLIVEIRA, Adriana Rivoire Menelli de. Centro Universitário Metodista Ipa: a
mudança e a transformação na trajetória de uma instituição de educação superior. Projeto
de tese de doutorado. Porto alegre, 2005. 125 f.
OGDEN, Sherelyn (ed.). Meio Ambiente. 2.ed. Rio de Janeiro: Projeto Conservação
Preventiva em Bibliotecas e Arquivos. 2001. 49p. Disponível em: &lt; http://www.cpba.net &gt;.
Acesso em: 16 set. 2004.
NOVO programa ocupa construção do século passado. Projeto Design, São Paulo, v.311,
p.42-47, jan. 2006. Disponível em &lt; http://www.arcoweb.com.br &gt; . Acesso em: 20 fev.
2006.

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                <text>As bibliotecas universitárias vêm passando por mudanças há algumas décadas para acompanhar as alterações causadas pelas tecnologias disponíveis na sociedade atual. O ambiente físico da biblioteca é alvo de muitas destas mudanças, já que a informação, contida nas coleções de livros e periódicos, vem sendo transferida para acervos digitais, diminuindo a demanda por espaço físico e pelo contato bibliotecário-usuário, provocando alterações nos hábitos e cultura da comunidade universitária. Neste contexto foi inaugurada em Porto Alegre a Biblioteca Central do IPA Metodista. O prédio, erguido no início do século passado, foi reformado para atender 24 horas durante todo o ano. Apresentam-se aqui considerações acerca de layout, mobiliário, sinalização, iluminação, temperatura e preservação do acervo, e como isso foi pensado ao longo da reforma de um edifício destinado a funcionar ininterruptamente. Relata-se também o processo de adequação dos funcionários e do usuário ao horário integral da Biblioteca Central.</text>
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                    <text>REALIDADE AUMENTADA: interface computacional de geração de ambientes
virtuais de aprendizagem para portadores de necessidades especiais
(surdos e mudos)
Wilson Bittencourt Vicentini 1
Suely de Brito Clemente Soares 2
Priscila Carreira Bittencourt Vicentini 3
Clélia Junko Kinzu Dimario 4
Elenise Maria de Araújo 5
Casimiro Paschoal da Silva 6
Resumo: O desenvolvimento de aplicações em realidade virtual é uma das grandes
vertentes da computação, pois simula ambientes reais que possibilitam interação e
imersão parcial ou total dos usuários. Desenvolveu-se uma aplicação no campo
educacional/informacional utilizando a realidade aumentada como interface
computacional que compõe um ambiente real com objetos virtuais. As tecnologias
emergentes possibilitam a geração em um ambiente real, em tempo real, de informações,
imagens e objetos virtuais, sinalizando um impacto diferenciado na comunicação, pela
visualização das idéias no tratamento da informação. Essa interface abre um leque para
a Ciência da Informação, pois o usuário portador de necessidades especiais terá acesso
a “livros virtuais”. O desenvolvimento de ambientes virtuais para esses usuários utiliza
materiais disponíveis nas bibliotecas e/ou laboratórios de informática. Ao profissional da
informação cabe o papel de mediador entre usuários especiais e esses novos recursos, o
que demanda capacitação contínua nas tecnologias emergentes. A educação, ao utilizar
sistemas multimídia, ajuda no processo de aprendizado de surdos e mudos, já que o
processo de memorização/assimilação é mais eficaz quando estimula diversos sentidos
humanos. Os ambientes virtuais, ao sugerirem novas formas de expressão em contextos
educativos e informacionais, favorecem e estimulam os usuários especiais a
compreenderem um novo mundo.
Palavras-chave: Tecnologia de Interface. Realidade Aumentada. Capacitação de
Bibliotecários. Portadores de Necessidades Especiais (surdos e mudos).

1

Mestre em Física Computacional - Instituto de Física de São Carlos – USP Docente – Ciência da Computação - PUC

Minas – campus Poços de Caldas – MG (wilsonbv@pucpcaldas.br)
2

Mestre em Educação, Ciência e Tecnologia - Faculdade de Educação – UNICAMP Cibertecária – Biblioteca Digital -

UNESP – Rio Claro – SP (suelycbs@rc.unesp.br)
3

Especialista - Tecnologias em Informação – UNESP – Marília-SP; Bibliotecária Seção Técnica de Referência,

Atendimento ao Usuário e Documentação - Instituto de Química – UNESP – Araraquara – SP (priscila@iq.unesp.br)
4

Especialista - Tecnologias em Informação – UNESP – Marília-SP Bibliotecária Seção de Aquisição e Tratamento da

Informação Instituto de Química de São Carlos – USP Discente – MBA - UNICEP - São Carlos – SP (clelia@iqsc.usp.br)
5

Especialista - Tecnologias em Informação – UNESP – Marília-SP Bibliotecária Seção de Atendimento ao Usuário Escola

de Engenharia de São Carlos – USP – SP (elenisea@sc.usp.br)
6

Sociólogo e Técnico de Redes Seção Técnica de Informática Escola de Engenharia de São Carlos – USP – SP

(casimiro@sc.usp.br)

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1 Introdução
O desenvolvimento tecnológico que a indústria do livro vem sofrendo desde
Gutenberg (século XV) é um dos elementos primordiais no aprimoramento da
comunicação social e científica.

No começo do século XXI o surgimento dos livros eletrônicos, também
denominados e-books, i-books, livro digital, hipertexto, começam a se propagar e
suas características definidas segundo os seguintes critérios: coleção de páginas
com imagens e textos informacionais, possíveis de serem lidos apenas numa tela
de computador.

A produção dos livros passou a ser aprimorada e agilizada, utilizando as
novas tecnologias e recursos informacionais para a transformação crescente do
suporte físico impresso para o digital. Silva (2002, p.2) divide a evolução do livro
eletrônico em fases:
a primeira, quando a tecnologia do hipertexto passou a ter larga difusão e
emprego na elaboração de textos produzidos na e para a Internet. A segunda
fase, quando do surgimento dos devices, aí sim, uma alusão clara e indiscutível ao
livro impresso, e por isso mesmo, vencendo barreiras que o hipertexto não
conseguiu transpor (ex.: a portabilidade), pois ainda não conseguiu se
desvencilhar da matéria (PC) apesar de produzido em bits.

Além de problemas conceituais e de nomenclatura, o avanço no mercado
editorial do livro eletrônico, sugere aos usuários e profissionais da informação
uma nova forma de tratamento, recuperação, armazenamento e disseminação do
conhecimento distribuído nesse suporte.

Outro fator de relevância é o acesso gratuito e irrestrito desse material para
todos os interessados. Porém diante da desigualdade socioeconômica e
tecnológica que enfrentamos no Brasil, as configurações de uma Biblioteca, ou
sistema de informação, devem prever minimamente os recursos exigidos para
manutenção do acesso a Internet com velocidade e capacidade desejada,

2

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provedores eficientes para o armazenamento de toda essa informação além de
um sistema de telecomunicação eficaz.

A idéia de simular a realidade, imitá-la ou transformá-la sempre causou
enorme fascínio no ser humano. Desde o início da utilização de artefatos para a
produção de efeitos especiais no cenário cinematográfico, o homem busca trazer
para seu domínio (mesmo que somente de forma imaginária) ou pelo menos
possuir a sensação de ter contato com ambientes, situações e objetos
inconcebíveis no campo visual real, sejam por causa do tamanho (planetas,
átomos), por incapacidade física (superfície solar, ambientes com temperaturas
ingratas) ou simplesmente por inexistência (equipamentos e objetos imaginários).

Com o surgimento dos computadores, a criação desses mesmos ambientes,
situações e objetos irreais tornou-se uma tarefa menos árdua. A infinidade de
possibilidades e de áreas de aplicação, juntamente com o instinto questionador
natural do ser humano pelo novo, pelo diferente desenvolveu o que hoje é uma
das vertentes mais pesquisadas no campo de estudo da computação gráfica, a
realidade virtual.

Segundo Morie (1994), a realidade virtual pode ser considerada como a
junção de três idéias básicas: imersão, interação e envolvimento. Isoladamente,
essas idéias não são exclusivas de realidade virtual, mas aqui elas coexistem. A
idéia de imersão está relacionada com o fato de sentir-se dentro de um
determinado ambiente. Este ambiente pode ser visualizado através de
dispositivos próprios, como capacete (head mounted display – HMD), óculos
esterescópico (stereo glasses) ou ainda as chamadas CAVEs (cavernas cúbicas).
Além disso, para aumentar a sensação de imersão, efeitos sonoros são inseridos
no mesmo ambiente, em sintonia com as imagens produzidas.

A idéia de interação, por sua vez, está ligada à capacidade do ambiente
virtual de se adaptar e de se modificar conforme as ações que o usuário realiza
nele – característica marcante dos jogos de computador. Já a idéia de
envolvimento diz respeito ao grau de motivação do usuário para com o ambiente

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virtual e a atividade ou situação por ele produzida. O usuário pode comportar-se
de forma passiva (ler um livro) ou ativa (participar de um jogo). O ambiente virtual,
que poderá ser em forma de livro, por exemplo, provê a interação conforme o
perfil do usuário.

A realidade virtual trouxe uma gama de oportunidades não somente na área
do entretenimento, mas também nas pesquisas industriais, na educação formal e
continuada e treinamento. Com o avanço das pesquisas em realidade virtual,
novas situações foram criadas. Os ambientes não são mais totalmente virtuais.
Passam a coexistir, em um mesmo ambiente, imagens reais e virtuais. Esta
possibilidade tem sido conhecida como realidade aumentada.

Para definir melhor realidade aumentada é necessário levar-se em
consideração três fatores: a combinação do real com o virtual ou vice-versa; a
interação em tempo real e o posicionamento tridimensional dos objetos reais e
virtuais. Esse novo conceito também pode ser utilizado de forma conjunta, por
diversos usuários – realidade aumentada colaborativa. Atualmente, existem
alguns problemas tecnológicos que precisam ser resolvidos, como rastreamento
de objetos reais, posicionamento e calibração das sobreposições no ambiente
tridimensional misturado e interação. De forma geral, as soluções que utilizam
realidade aumentada ainda são muito específicas, o que exige delimitação bem
definida para as aplicações, obstáculos para desenvolvimento de aplicações de
uso geral.

Dentro da realidade aumentada, duas subdivisões são claras: virtualidade
aumentada e realidade aumentada. A inserção de objetos reais em um ambiente
virtual, define-se virtualidade aumentada. A conjugação de objetos virtuais em um
ambiente real caracteriza a realidade aumentada.
2 A Realidade Aumentada e os usuários PNEA

A educação e a tecnologia sempre andaram de mãos dadas. Uma sociedade
é considerada bem desenvolvida culturalmente quando, de forma geral, os jovens

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indivíduos da mesma encontram-se bem instruídos a respeito dos meios técnicos
disponíveis naquela geração. Os processos educacionais sempre acompanham e
são transformados pelas inovações tecnológicas, desde a simples invenção da
energia elétrica até às vídeo-conferências, em substituição às tradicionais aulas
presenciais.

Depois de algumas décadas submetidas à formalidade das salas de aula,
com a figura referencial de um professor como detentor do conhecimento, a
educação, a partir da década de 50, começou a sofrer profundas mudanças, com
o avanço quase ininterrupto da tecnologia e da comunicação. Um dos primeiros
equipamentos utilizados foi o retro-projetor (sistema de reflexão que amplia a
imagem através da utilização de espelhos iluminados). A televisão, em conjunto
com o videocassete veio logo após, exibindo aulas, documentários e reportagens.

A chegada dos computadores provocou uma revolução ainda não terminada
no ambiente educacional. Inicialmente, o uso dessa ferramenta era limitado à
disponibilização de material em CD-ROM e disquetes para alunos e, em alguns
casos, à substituição do retro-projetor nas salas de aula. Com a difusão da
Internet, o conceito de educação à distância, encabeçado apenas por aulas
exibidas em determinados canais de televisão, ganhou um reforço considerável.
Desde o simples envio de material e trabalho até o curso de uma graduação
completa, a utilização da rede para fins acadêmicos, mais do que supérfluo, tratase de uma necessidade, devido à dimensão continental de nosso país. O próximo
passo desse avanço é a chegada da realidade virtual, onde a simulação da fusão
de partículas, fenômenos físicos e biológicos, entre outras coisas podem ser
concebidas, sem grandes dificuldades, através da utilização de óculos 3D.

Analisando-se, dessa forma, as aplicações de realidade virtual na educação,
percebe-se um grande potencial do computador como ferramenta de ensinoaprendizagem baseada em

modelos construtivistas. A relação da realidade

virtual e seus múltiplos aspectos (como a realidade aumentada) com o
construtivismo, sustenta-se na noção de imersão, em experiências realizadas

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em 1ª pessoa. Estas experiências possibilitam a construção do conhecimento
e, neste aspecto, a realidade virtual pode ser singular.

As vantagens dessa tecnologia para a educação são significativas e a
utilização desse ambiente à distância permite desenvolver o conhecimento para
felicidade dos educadores.

A geração, em tempo real, de informações, imagens e objetos virtuais em
um ambiente real sinaliza um impacto na forma de comunicar-se, formalizar e
visualizar idéias, interagir e tratar informações. A área de educação também tende
a aumentar o potencial de aprendizado com a realidade aumentada, pois o
processo de memorização e assimilação é comprovadamente mais eficaz quando
o mesmo estimula diversos sentidos humanos. Além disso, a realidade
aumentada pode ser um elemento colaborador no processo de aprendizado de
portadores de necessidades especiais (surdos e mudos - PNEA’s). Nesse
contexto, a realidade

aumentada

proporciona

uma

maneira

diferente

de

aprendizado com o apoio do computador (PAPERT, 1994; VALENTE, 2001).
Ela permite a

fácil

reproduzindo os

visualização e manipulação

dados

complexos

sob

a

forma

do objeto de
de

objetos

estudos,
e

textos

tridimensionais, aumentando a capacidade de percepção do estudante, que
passa a ser estimulado pela possibilidade de interação com a interface.
Como exemplo: o livro virtual "Sólidos Geométricos com Realidade Aumentada e
ARToolKit"

torna

possível visualizar

tridimensionalmente

os

sólidos

nele

descritos com ajuda de um dispositivo de vídeo (webcam), conforme Figura 1.

Figura 1: Livro virtual “Sólidos Geométricos com Realidade Aumentada”
Fonte: WRA’2004.Disponível em:&lt;http://www.unimep.br/facen/msi/wra2004/AnaisWRA2004.PDF&gt;

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3 Realidade aumentada e o profissional da informação

Inseridos neste novo contexto, o profissional da informação enfrenta um
novo desafio, ou seja, dominar conceitos e técnicas necessárias para dinamizar o
acesso aos usuários especiais.

Segundo Faqueti (2004) o bibliotecário necessita estar presente na tomada
de decisões e no estabelecimento das políticas de acesso, pois é a pessoa que
está em contato direto com o usuário, portador de necessidades especiais, tendo
uma maior percepção de suas necessidades. As bibliotecas tornam-se um
diferencial positivo no processo de aprendizagem. Ao bibliotecário são
necessárias habilidades e competências dinâmicas em promover e administrar
espaços para interação dos leitores com o mundo da leitura.

Outro fator preocupante que detectamos, é o uso inadequado dos textos
disponíveis na Internet (rede ou repositórios), ou seja, a apropriação indevida de
citações e idéias dos autores e a cópia ilegal de textos completos. Conscientizar
os usuários sobre a legalidade e ética no uso desse material disponível on-line e
em livros eletrônicos é na verdade, uma tentativa de recuperar o princípio ético da
pesquisa e da ciência.

A presença dos PNEA’s nas bibliotecas, serviços de informação e/ou
laboratórios de informática, não deve estar relacionada apenas aos cuidados
quanto às barreiras físicas, (falta de rampas e elevadores em prédios), ausência
de banheiros públicos adaptados, mas, sobretudo às situações relacionadas às
barreiras no mundo digital. Para reduzir estas barreiras no mundo digital, é
preciso desenvolver sistemas de informação flexíveis o suficiente para acomodar
as diferentes necessidades de um usuário, independente de idade ou tipo de
necessidade especial.

Além de todas essas inquietações, as facilidades do acesso ao suporte
eletrônico, têm sugerido também um outro questionamento: como ocorre a

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inclusão digital no processo de educação especial, ou seja, na formação de
pessoas com necessidades especiais -PNEs)?

Enquanto profissionais da informação, devemos refletir sobre a situação de
adaptação e participação no processo de ensino-aprendizagem, de pessoas
portadoras de algum tipo de deficiência física, especificamente a Auditiva (PNEA),
que utilizem os materiais disponíveis nas bibliotecas, centros de informação e
laboratórios de informática.

4 Aspectos relevantes com relação ao construcionismo

Construcionismo, termo utilizado por Papert (1994), é um processo
educativo que ocorre de forma a garantir ao aluno a construção de um novo
conhecimento. Papert destaca a importância das relações sociais e do
engajamento da criança de forma a garantir o envolvimento nas situações novas
considerando as vividas anteriormente. Valente (2001) considera que no
construcionismo a criança constrói alguma coisa através do fazer, motivada pelo
envolvimento afetivo.

Para Schulünzen (2000) o ambiente construcionista deve ser favorável ao
interesse da criança, deve ser um ambiente contextualizado e significativo. O
problema

deve emergir da necessidade dos usuários, que devem decidir

resolvê-lo com o auxílio do computador. Nesta abordagem, o profissional deve ter
preparo para utilizar a tecnologia e aproveitar os recursos que as ferramentas
podem oferecer de forma a garantir flexibilidade intelectual, capacidade de criar,
inovar

e

principalmente,

enfrentar

o

desconhecido

para

promover

o

desenvolvimento.

A possibilidade de interação entre imagens reais e virtuais que ocorre
através da realidade aumentada pode oferecer ao usuário maiores informações
sensitivas, facilitando a associação e a reflexão sobre a situação. Os sistemas de
realidade aumentada permitem que o usuário decida sobre os ambientes,
compondo cenas de imagens tridimensionais geradas por computador misturadas

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com imagens

reais, aumentando as informações do cenário e oferecendo

condições para a

imersão no ambiente criado. “A principal característica

destes ambientes é que as informações do mundo real são utilizadas para criar
um cenário adicionado com elementos sintéticos gerados por computador”
(DAINESE, 2003).
Segundo Valente (2001), o computador é uma ferramenta que deve ser
explorada para oferecer condições ao aluno desenvolver-se em um ambiente
que favoreça a construção do conhecimento voltado para o “aprender para
a vida”. Para Masetto (1998) , os ambientes educativos devem oferecer
condições que possibilitem a criação, devem ser espaços agradáveis, a
aula

deve

permitir aplicações práticas e a relação do conhecimento com

experiências apoiadas e realidade do aluno. Papert (1994) não questiona o valor
da instrução, mas enfatiza que o importante é que as crianças descubram por si
novos conhecimentos e, para ocorrerem essas descobertas, é importante a
relação do novo com a experiência anterior. No construcionismo, a aprendizagem
ocorre quando a criança está engajada e utiliza, de forma consciente,
estratégias de resolução de problemas para a construção significativa. A idéia
central é que o conhecimento não é transmitido, cada indivíduo tem que
reconstruir o conhecimento através de experiências individuais e coletivas.
5 Realidade aumentada e sua utilização no ensino-aprendizagem da criança
com necessidades especiais

Ao navegar por um mundo virtual, o usuário pode ter sua interação
restrita à livre escolha de trajetória, ou plena, tocando em objetos e disparando
ações.

A interação do mundo real com o virtual usando imagens reais capturadas
com uma câmera ou outros dispositivos de visão, é

denominada

realidade

aumentada, como já discutido anteriormente. Ela permite a inserção de objetos
virtuais no mundo real (Realidade Aumentada) ou a captura de objetos reais e
seu transporte para o mundo virtual (Virtualidade Aumentada). Para os dois

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�10

casos,

são

utilizadas

técnicas

de

rastreamento, interação, visão

computacional, processamento de imagens e realidade virtual.

Dessa forma, o ambiente de realidade aumentada planejado poderá ser
desenvolvido utilizando o software Artoolkit (2006), disponível gratuitamente na
Internet (http://www.hitl.washington.edu/artoolkit). Para sua utilização é necessário
cadastrar, através de uma câmera de vídeo (webcam) algumas imagens de
marcadores e associar, a cada um, um objeto virtual.

Assim, quando se coloca a imagem de um marcador na frente da webcam,
o aplicativo faz o rastreamento (“leitura”) desta imagem e sobre esta se
sobrepõe o objeto virtual associado a ela anteriormente. Para esta associação
é necessário que o aplicativo capte a imagem por completo.

Trabalhos correlatos que usaram realidade virtual foram fundamentais para a
compreensão do mecanismo de comunicação entre os objetos modelados
graficamente e o usuário.

É muito freqüente a criança surda-muda não ter comando sobre a linguagem
oral. Assim, a formulação de perguntas verbais, por parte de profissionais, não
é adequada, pois freqüentemente as crianças não entendem. Portanto, não
podem

demonstrar

reflexivas.

Deve-se,

conteúdos
então,

identificando como realizam

aprendidos

ou

elaborações associativas e

proceder

observando

os

operações

complexas

que

comportamentos,
necessitam

de

conteúdos abstratos, e verificar como ocorrem os processos cognitivos sem a
representação da linguagem oral.

Três características podem ser consideradas relevantes em ambientes de
realidade aumentada:
1) é um ambiente virtual gerado sinteticamente por computador, que exige
alto grau de realismo;
2) é interativo;
3) o usuário é imerso no ambiente.

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A diferença básica entre sistemas de realidade virtual e aumentada está no
grau de imersividade. Em sistemas de realidade virtual, o senso de imersão está
sobre o controle do sistema, em contraste ao de realidade aumentada, o mundo
real é aumentado e o usuário passa ser um elemento participativo, em que
imagens virtuais são misturadas com reais para criarem um “senso de visão”
aumentada.

A interface deve ser adequada considerando as necessidades do usuário.
Desta forma, para a criança surda-muda é necessário oferecer ambientes
com recursos visuais que garantam e superem as suas necessidades. Todas
as informações devem ser planejadas para que a criança consiga executar as
atividades de forma motivadora. Os reforçadores utilizados devem garantir
que

a

criança

tenha interesse e, principalmente, retenha as informações e

realize associação e reflexão sobre as atividades.

Como exemplo, baseado nos estudos de sólidos geométricos; algumas
figuras pertencentes

a

esse grupo

foram construídas

com

VRML

e

associadas a marcadores impressos no livro. Além disso, foi criada uma
placa de controle. A aplicação funciona da seguinte maneira: ao colocar o
livro em frente a câmera e posicioná-lo de maneira que o marcador e o
quadrado do

lado

que contém as inscrições: “Coloque

aqui a

placa

de

controle”, fiquem visíveis no campo de captura da webcam, aparecerá o
objeto virtual associado ao marcador. Ao colocar a placa de controle no
local especificado, imediatamente o objeto virtual do marcador mudará. O
marcador pode disparar três vezes a mudança do objeto: o primeiro objeto
é aramado, o segundo é sólido e o terceiro é sólido e tem movimentos de
rotação.

Todos

os objetos

que

aparecem

devem

ser

cadastrados

e

associados a uma placa. Para construir essa aplicação, uma parte do código
fonte do ARToolKit foi modificado, permitindo o controle dinâmico dos objetos.

11

�12

6 Considerações finais

Nesse sentido, as ferramentas utilizadas para construção da realidade
aumentada podem auxiliar o acesso dos PNEA’s no uso das novas tecnologias
disponíveis nas bibliotecas, centros de documentação e laboratórios de
informática. Porém para tanto, as bibliotecas devem re-adaptarem os serviços
prestados e instalações físicas para melhor atender essa demanda.

A capacitação dos profissionais envolvidos nessa nova realidade virtual deve
ser repensada assim como a definição de políticas institucionais que analisem
detalhadamente os efeitos e funções que o livro eletrônico e os softwares para
ambientes

de

realidade

aumentada

representam

no

processo

ensino-

aprendizagem.

Segundo Pupo e Vicentini (1998) as novas tecnologias como as bibliotecas
virtuais são facilitadores que permitem aos portadores de necessidades especiais
“executar pesquisas, elaborar trabalhos, ser úteis enquanto cidadãos, participar
do desenvolvimento científico e tecnológico, contribuir, enfim. O portador de
deficiência integrado não requer privilégios, mas sim, direitos”.

Ressaltamos aqui, que os profissionais da informação, devem além de
redefinir

suas

funções

básicas

no

atendimento

ao

usuário,

prever

administrativamente estratégias para o gerenciamento desse suporte da
informação e preparar-se para um novo desafio: assumir o papel de incentivador
e mediador da leitura em um novo formato.

Enfatizamos que os profissionais da informação e os educadores deveriam
trabalhar junto com os pesquisadores do campo da realidade aumentada para
compreenderem melhor a utilização das aplicações computacionais no ambiente
de aprendizagem, principalmente aos portadores de necessidades especiais.

Nesse contexto, o profissional da informação, de posse de todo suporte
tecnológico e das ferramentas, contribuirá com a inclusão social e digital dos

12

�13

usuários portadores de necessidades especiais – PNEA’s, possibilitando assim a
socialização do conhecimento e conseqüentemente o seu desenvolvimento
enquanto cidadão.

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14

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O desenvolvimento de aplicações em realidade virtual é uma das grandes vertentes da computação, pois simula ambientes reais que possibilitam interação e imersão parcial ou total dos usuários. Desenvolveu-se uma aplicação no campo educacional/informacional utilizando a realidade aumentada como interface computacional que compõe um ambiente real com objetos virtuais. As tecnologias emergentes possibilitam a geração em um ambiente real, em tempo real, de informações, imagens e objetos virtuais, sinalizando um impacto diferenciado na comunicação, pela visualização das idéias no tratamento da informação. Essa interface abre um leque para a Ciência da Informação, pois o usuário portador de necessidades especiais terá acesso a “livros virtuais”. O desenvolvimento de ambientes virtuais para esses usuários utiliza materiais disponíveis nas bibliotecas e/ou laboratórios de informática. Ao profissional da informação cabe o papel de mediador entre usuários especiais e esses novos recursos, o que demanda capacitação contínua nas tecnologias emergentes. A educação, ao utilizar sistemas multimídia, ajuda no processo de aprendizado de surdos e mudos, já que o processo de memorização/assimilação é mais eficaz quando estimula diversos sentidos humanos. Os ambientes virtuais, ao sugerirem novas formas de expressão em contextos educativos e informacionais, favorecem e estimulam os usuários especiais a compreenderem um novo mundo.</text>
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                    <text>REDE DE APOIO À EDUCAÇÃO MÉDICA (RAEM): A EXPERIÊNCIA DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA

Adriana Aparecida de Oliveira
Bibliotecária, Universidade Federal de Juiz
de Fora, adriana.oliveira@ufjf.edu.br
Alair Alves Martins
Bibliotecária, Universidade Federal de Juiz
de Fora, alair.alves@ufjf.edu.br
Maria Helena Sleutjes
Bibliotecária, Coordenadora Centro de
Difusão do Conhecimento, Universidade
Federal de Juiz de Fora
mhsleutjes@terra.com.br
Vânia Pinheiro de Sousa
Bibliotecária, Universidade Federal de Juiz
de Fora, vânia.sousa@ufjf.edu.br
Vanilda Cardoso de Alvarenga
Bibliotecária, Universidade Federal de Juiz
de Fora, vanilda.alvarenga@ufjf.edu.br
Vera Lima de Siqueira
Bibliotecária, Universidade Federal de Juiz
de Fora, vera.siqueira@ufjf.edu.br

RESUMO

A RAEM (Rede de Apoio à Educação Médica) é uma iniciativa da Associação
Brasileira de Educação Médica (ABEM) em parceria com as escolas médicas e a
BIREME. Fundada em 1962, sua atuação vem se dando, entre outras, na forma
de elaboração e desenvolvimento de projetos, promoção de encontros e
congressos, além de publicações do Boletim Informativo, da Revista Brasileira de
Educação Médica e da Série de Documentos. A Equipe local é formada por dois
docentes, um discente e a equipe técnica da Biblioteca Universitária, com a
responsabilidade de fomentar a produção científica em educação em ciências da
saúde na Instituição. A ABEM / RAEM pretende criar um banco de referências
completo e atualizado sobre a produção do conhecimento em educação médica

�no Brasil, podendo contar também com referências internacionais. A equipe local
cumpre atribuições previamente definidas e utiliza critérios pré-determinadados
para seleção da literatura científica. Têm sido ações da equipe local: divulgação
da rede através de disponibilização do link da RAEM e BVS  EDUC no site da
Biblioteca Universitária, na confecção de folders, banners, reuniões em conselhos
de graduação e pós-graduação. Participou também, com stand da RAEM, na II
Mostra UFJF, realizada de 3 a 9 de julho de 2006, divulgando a rede.

Palavras-chave: Rede de Apoio à Educação Médica  RAEM. Educação médica.
Biblioteca Virtual.
ABSTRACTS

RAEM is a network for the medical education and one of the activity of the
Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM) connected of the Brazilian
Medical School and BIREME. RAEM is founded at 1962, for to develop plans,
meetings, congress and to publish the Information Bulletin, the Revista Brasileira
de Educação Medica and the documents series. The local group is composed by
two professors, one student and the librarians of the Universidade Federal de Juiz
de Fora. The librarians are the responsibility to promote the scientific production
on Medical Education at the university. The RAEM/ABEM pretend one
international up to date bank of information in Medical Education science. The
local group make activitics choise of the scientific literature and to become known
the activitics of the RAEM by several resources. This network was make public in
the II Mostra da UFJF, 3 a 9 july 2006.

Keywords: Medical Education Support Network - RAEM. Medical education.
Virtual library.

�1 ANTECEDENTES DA RAEM

A RAEM (Rede de Apoio à Educação Médica) é uma iniciativa da Associação
Brasileira de Educação Médica (ABEM) em parceria com as escolas médicas e a
BIREME.

A Associação Brasileira de Educação Médica foi fundada em 1962. Atua
elaborando e desenvolvendo projetos, promovendo encontros e congressos, além
de publicações do Boletim Informativo, da Revista Brasileira de Educação Médica
e da Série de Documentos. Participa também ativamente das discussões sobre
educação médica em encontros nacionais e internacionais. Integra, desde 1991, a
Comissão Interinstitucional Nacional de Avaliação do Ensino Médico (CINAEM),
da qual participam onze instituições representativas da medicina brasileira.

1.1 EQUIPE LOCAL

A equipe local da RAEM da UFJF, constituída em 2004, é formada por dois
docentes, um discente e a equipe técnica da Biblioteca Universitária, com a
responsabilidade de fomentar a produção científica em educação em ciências da
saúde na Instituição. Vem trabalhando na divulgação da RAEM/BVS-Educ; na
coleta do material institucional a ser indexado; na seleção dos artigos da área de
educação em saúde, nas publicações periódicas institucionais Revista APS e HU
Revista, na indexação dos artigos selecionados na base de dados EDUC, no
levantamento da terminologia utilizada e nas ausências de termos no DECS 
Descritores em Ciências da Saúde.

�2 JUSTIFICATIVA

As novas tecnologias de informação e comunicação (TIC), em países extensos
como o Brasil, têm facilitado a realização de eventos (reuniões, encontros,
jornadas, simpósios, congressos) que viabilizam as discussões temáticas da
educação médica e das demais ciências da saúde como currículos, métodos de
ensino-aprendizagem, avaliação, entre outros.

A ABEM / RAEM pretende criar um banco de referências completo e atualizado
sobre a produção do conhecimento em educação médica no Brasil, podendo
contar também com referências internacionais. A biblioteca virtual estará
disponível a todos os usuários da RAEM e será ampliada através da busca ativa
de referências pelas equipes locais do projeto.

Neste sentido, a ABEM propõe a criação de uma ampla rede de articulação
interinstitucional para dinamizar os debates em torno da educação médica,
aproximando seus diversos participantes: docentes, pesquisadores, discentes, e
instituições de saúde.

As bibliotecas brasileiras, em especial as médicas, têm como proposta apoiar a
pesquisa, a transformação, a disseminação do perfil da educação médica,
tornando-se assim, provedoras de conhecimentos apresentados nos mais
variados suportes.

O uso das TICs facilita o intercâmbio, a disponibilização e o acesso às fontes de
informação, assim como serve de referências para pesquisadores e estudiosos
em suas consultas e assessorias.

�3 A RAEM NA UFJF

A UFJF possui uma equipe local da RAEM, que é composta por dois
discentes, um docente e pela equipe técnica da Biblioteca Central, que vem
trabalhando na:

•

Divulgação da RAEM/BVS-Educ;

•

Coleta e indexação de material convencional (teses, artigos, projetos de
pesquisas, etc) e não

convencional

(experiências pedagógicas e

interinstitucionais, projetos de extensão, etc) ligados à educação em saúde,
produzidos na UFJF;
•

Seleção dos artigos e teses na área de educação em saúde, das
publicações periódicas institucionais Revista APS e HU Revista e
indexação dos mesmos na base de dados EDUC;

•

Divulgação dos eventos ligados à Educação em Saúde.

3.1 O QUE PRETENDE A RAEM/ UFJF

Disseminar estratégias e informações em educação nas áreas das ciências
da saúde para docentes, discentes e pesquisadores;
Integrar os educadores das áreas da saúde na UFJF, permitindo a troca de
experiências pedagógicas e interdisciplinares;
Constituir-se em um centro de referência em educação em saúde,
permitindo uma busca rápida e consistente na rede;
Disponibilizar um espaço para a divulgação de toda a produção em
educação em saúde construída dentro da UFJF.

3.2 ATRIBUIÇÕES DA EQUIPE LOCAL

- Identificar pesquisadores e grupos de pesquisa em educação médica da
Instituição à qual se vincula, assim como atualizar o cadastro de pesquisadores e

�grupos de pesquisa da RAEM, de acordo com procedimentos definidos pela
ABEM;
- Identificar a literatura científica da área de educação médica, publicada ou não,
produzida na Instituição de acordo com os critérios de seleção previamente
definidos;
- Identificar projetos de pesquisa em andamento em educação médica da
Instituição, assim como atualizar o cadastro de pesquisas da RAEM, de acordo
com procedimentos definidos pela ABEM;
- Identificar propostas institucionais de discussão sobre o desenvolvimento da
educação médica, em aspectos conceituais e operacionais, à luz das novas
diretrizes curriculares para o ensino médico;
- Produzir relatórios do processo de coleta de dados, identificando e
compartilhando com o grupo coordenador as facilidades e dificuldades
encontradas.

�4 CRITÉRIOS PARA SELEÇÃO DA LITERATURA CIENTÍFICA

A seleção deve ser feita através do assunto de documentos científicos,
produzidos pela Instituição (publicados pela Instituição e/ou de autoria da
comunidade acadêmica da Instituição). Pode ser um documento impresso ou
eletrônico, artigo de revista, livro, capítulo de livro, tese (mestrado, doutorado e
livre docência), documento governamental, trabalho apresentado em congresso/
seminário/reunião e outros documentos não convencionais.

Os chamados documentos não convencionais são aqueles que aparecem de
maneira informal, em número reduzido de exemplares e não seguem os canais
formais de publicação e distribuição. Não há limitação quanto à cobertura
temporal, podendo ser selecionados documentos produzidos em qualquer ano.

A literatura científica deverá ser selecionada de acordo com sua relevância para o
aprimoramento da Educação Médica.

�5 AÇÕES DA EQUIPE LOCAL

Atualmente a equipe local RAEM / UFJF está trabalhando na divulgação da rede
através de disponibilização do link da RAEM e BVS  EDUC no site da Biblioteca
Universitária, na confecção de folders, banners, reuniões em conselhos de
graduação e pós-graduação. Participou também, com stand da RAEM, na II
Mostra UFJF, realizada de 3 a 9 de julho de 2006, divulgando a rede.

5.1 COMO DIVULGAR SEU TRABALHO NA RAEM / UFJF

Você pode enviar o seu trabalho (convencional ou não convencional) por
duas maneiras:
- Por e-mail: raem.cdc@ufjf.edu.br
- Entregar em CD ou em disquete na Secretaria da Faculdade de Medicina.

�ANEXO A  Link da RAEM e BVS-Educ no site da Biblioteca universitária

�ANEXO B  Banner no stand da RAEM

�ANEXO C  II Mostra UFJF

�6 REFERÊNCIAS
ARAÚJO, LD. et al. O desenvolvimento da Rede de Apoio à Educação Médica
(RAEM) facilitada pelos bibliotecários que atuam na área de Educação em
Ciências da Saúde. Disponível em:
&lt; http://www.icml9.org/program/track8/activity.php?lang=pt&amp;id=12&gt;. Acesso em:
15 jul. 2006.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO MÉDICA  ABEM. Disponível em:
&lt;http://www.abem-educmed.org.br&gt;. Acesso em: 15 jul. 2006.

MUNIZ, FB; TIBIRIÇA, SHC; EZEQUIEL, OS; SLEUTJES, MH; OLIVEIRA, AA. O
desenvolvimento da Rede de Apoio à Educação Médica (RAEM) na Universidade
Federal de Juiz de Fora. In: CONGRESSO MINEIRO DE EDUCAÇÃO MÉDICA,
1., 2006, Juiz de Fora, MG. Preprint... [Belo Horizonte]: ABEM/MG, 2006.

REDE DE APOIO À EDUCAÇÃO MÉDICA  RAEM. Disponível em:
http://www.abem-educmed.org.br/raem/index.htm. Acesso em: 15 jul. 2006.

SUGESTÃO DE RESUMO

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Ciência da Informação&#13;
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Rede de Apoio à Educação Médica (RAEM): a experiência da Universidade Federal de Juiz de Fora.</text>
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                <text>A RAEM (Rede de Apoio à Educação Médica) é uma iniciativa da Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM) em parceria com as escolas médicas e a BIREME. Fundada em 1962, sua atuação vem se dando, entre outras, na forma de elaboração e desenvolvimento de projetos, promoção de encontros e congressos, além de publicações do Boletim Informativo, da Revista Brasileira de Educação Médica e da Série de Documentos. A Equipe local é formada por dois docentes, um discente e a equipe técnica da Biblioteca Universitária, com a responsabilidade de fomentar a produção científica em educação em ciências da saúde na Instituição. A ABEM / RAEM pretende criar um banco de referências completo e atualizado sobre a produção do conhecimento em educação médica no Brasil, podendo contar também com referências internacionais. A equipe local cumpre atribuições previamente definidas e utiliza critérios pré-determinadados para seleção da literatura científica. Têm sido ações da equipe local: divulgação da rede através de disponibilização do link da RAEM e BVS EDUC no site da Biblioteca Universitária, na confecção de folders, banners, reuniões em conselhos de graduação e pós-graduação. Participou também, com stand da RAEM, na II Mostra UFJF, realizada de 3 a 9 de julho de 2006, divulgando a rede.</text>
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                    <text>REFERÊNCIA E VIRTUALIDADE
Clarice Muhlethaler de Souza
CRB-7 – 1450
csouza952@terra.com.br
Resumo
O conceito de virtualidade. Circunstâncias da referência bibliográfica em
bibliotecas universitárias. Panorama da evolução dos meios de comunicação.
Busca e recuperação da informação e o impacto das tecnologias eletrônicas e
digitais. Aspectos críticos da busca e recuperação da informação na Web e o
papel do bibliotecário de referência. Características da referência virtual. Etapas
do planejamento de serviços de referência virtual.
Palavras-chave: Referência Virtual; Planejamento de serviços de referência;
Busca e recuperação da informação; Serviços de referência em bibliotecas
universitárias; Tecnologias da informação.

1. Considerações preliminares
Nos tempos atuais o conceito de virtualidade vem sendo apropriado para
inúmeras finalidades sempre descrevendo formais sociais de comunicação nas
quais as pessoas envolvidas - emissor e receptor - não estão face-a-face como
acontece na maioria dos relacionamentos sociais. Há um movimento de
virtualização que afeta não só a informação e a comunicação, mas também o
corpo humano, as transações econômicas, os movimentos coletivos e o exercício
da inteligência.
A literatura especializada tem registrado inúmeras formas sociais, tais
como corporações virtuais, organizações virtuais, comunidades virtuais, aulas
virtuais, assim como práticas, tais como, comutação eletrônica e teleconferências.
É chamado de mundo virtual, vulgarmente, o ambiente apoiado na telemática.
Freqüentemente as redes de computadores são citadas como infra-estrutura
dessas novas formas sociais, entretanto outras tecnologias da comunicação, tais
como, o correio, o telefone e o fax, ainda são muito utilizadas para comunicação

�entre pessoas e grupos. A comunicação é cada vez mais objeto de estudos que
visam analisar não só os avanços tecnológicos, o ponto de vista da flexibilidade e
rapidez que oferecem, mas também procuram examinar as perdas que essas
novas formas de comunicação podem provocar.
2. O que é virtual?
A palavra virtual vem do latim virtualis, derivado de virtus, que significa
força, potência. A filosofia escolástica considera virtual tudo aquilo que existência
em potência e não em ato. A árvore está virtualmente presente na semente. O ser
humano está virtualmente presente no óvulo fecundado. No dicionário
encontramos o significado da palavra virtual, como “algo que existe como
faculdade, porém sem efeito atual. Suscetível de acontecer; potencial”
(FERREIRA, 1993)
Segundo os pressupostos da semiótica, área do conhecimento que estuda
o relacionamento dos fenômenos do universo, as representações em nossa
mente são causadas por fenômenos externos. “O signo é algo que está no lugar
de outra coisa, representando algo para alguém.” (PEIRCE, 1977, p. 46). Um
quadro de paisagem estaria no lugar da paisagem real, por exemplo.
representaria a paisagem, seria um signo icônico dela. Segundo um dos mais
conhecidos autores a tratar do tema, o francês Pierre Lévy:
"o virtual não se opõe ao real, mas sim ao atual. Contrariamente ao
possível, estático e já constituído, o virtual é como o complexo
problemático, o nó de tendências ou de forças que acompanha uma
situação, um acontecimento, um objeto ou uma entidade qualquer, e que
chama um processo de resolução: a atualização."
“O real assemelha-se ao possível; em troca, o atual em nada se
assemelha ao virtual: responde-lhe”
(LÉVY, 1996, p.16)
Na tentativa de explicar melhor o que é "virtual", Pierre Lévy descreve a
situação de uma empresa com departamentos longe da matriz.

�"A virtualização pode ser definida como o movimento inverso da
atualização. Consiste em uma passagem do atual ao virtual, em uma
'elevação à potência' da entidade considerada. A virtualização não é
uma desrealização (a transformação de uma realidade num conjunto de
possíveis), mas uma mutação de identidade, um deslocamento do
centro de gravidade ontológico do objeto considerado: em vez de se
definir principalmente por sua atualidade ('uma solução'), a entidade
passa a encontrar sua consistência essencial num corpo problemático"
(LÉVY, 1996, p.17).
A especulação filosófica de Pierre Lévy pressupõe a "virtualização"
aplicada, praticamente, a todos os aspectos da vida humana:
"Três processos de virtualização fizeram emergir a espécie humana: o
desenvolvimento das linguagens, a multiplicação das técnicas e a
complexificação das instituições" (LÉVY, 1996, p. 70).
3. Circunstâncias da referência bibliográfica em bibliotecas universitárias
Na área da Biblioteconomia e da Documentação, o conceito de virtual vem
sendo usado toda vez que se deseja ressaltar a utilização de infra-estrutura
tecnológica de base eletrônica e rede de computadores e ainda há muita
confusão entre os conceitos de biblioteca informatizada, biblioteca digital e
biblioteca virtual. A aplicação do conceito de virtual ao universo metodológico dos
serviços de referência em bibliotecas exige uma reflexão mais aprofundada.
Se uma entidade virtual carrega e produz suas virtualidades, uma biblioteca
virtual reconstitui o conceito de biblioteca. Sendo assim, virtualizar uma biblioteca
consiste em descobrir um aspecto de sua ação e fazer mutar a biblioteca em
direção a esse aspecto e em redefinir sua atualidade em resposta a questões
bem específicas. Dessa forma, tornar virtual os serviços de referência em uma
biblioteca universitária não significa apenas aplicar infra-estrutura tecnológica de
base eletrônica e rede de computadores. Na realidade, será necessário fazer

�mutar a biblioteca na direção de suas especificidades na prestação de serviços de
referência mediados pela temática.
4. O que não é virtual?
O ser humano percebe o que está presente no ambiente por meio dos seus
cinco sentidos:
•

Visão. A luz nos permite ver o que há em torno de nós.

•

Audição. O ar nos permite perceber as vibrações emitidas pelo que há em torno

de nós.
•

Olfato, gustação, tato nos permitem captar através de sensores nervosos do

corpo humano as informações desencadeadas por odores, sabores e texturas
referentes a tudo aquilo que está em torno de nós.
Uma interação "ao vivo" é mediada pela luz e pelo ar. Nas interações por
computador, estes dois meios são traduzidos mais algumas vezes: a luz e o som
são transformados em impulsos elétricos, depois digitalizados, transformados em
orientações magnéticas (nos disco de computador), em energia elétrica (nos
circuitos eletrônicos), em luz (nas fibras ópticas), em ondas eletromagnéticas, etc,
e decodificados novamente na outra ponta da comunicação. O que aconteceu, na
verdade, foi traduzir algumas vezes a informação, mediar mais algumas vezes
uma mediação que já existia. Toda interação é mediada, não importa sua
natureza. Isto acontece com pessoas ou com qualquer outra coisa no universo.
Não existe, a rigor, diferença entre uma interação ao vivo e uma interação por
computador, a não ser na forma de maior resolução e qualidade da mediação.
Uma interação ao vivo tem maior resolução, maior quantidade de informações
que uma mediação por computador. Mas também é mediada. Sendo ambas
interações mediadas e tendo ambas a mesma natureza, como todas as
mediações, não faz sentido diferenciá-las, a não ser pelo nome da mídia:
interações ao vivo, interações online. Não é virtual o que “está presente”, e pode
ser situado precisamente. O que é virtual foi “desterritorializado”.

�5. Aspectos críticos da busca e recuperação da informação na Web e o
papel do bibliotecário de referência.
Desde suas origens mais remotas o texto é um objeto virtual, abstrato e
independente de um suporte especifico. Ao interpretá-lo o leitor realiza
atualizações ao texto através da leitura. Ler é começar a “desler” ou “desligar o
texto”. Escutar, olhar e ler equivale a construir. O texto serve de suporte para a
atualização de nosso espaço mental pessoal ou coletivo. Entenda-se a leitura
como forma de interpretação de todas as formas de texto, além do alfabético:
ideogramas,

diagramas,

mapas,

esquemas,

simulações,

mensagens

iconográficas e fílmicas. Entenda-se texto no seu sentido mais geral: discurso
elabora ou propósito deliberado. Sendo assim, o texto contemporâneo busca
substituir o texto vivo que é a comunicação oral. Há, entretanto, critérios a serem
considerados, tais como: pertinência, rapidez, eficiência.
A digitalização de documentos é uma forma de potencialização e a exibição
é uma realização. O virtual só eclode a partir da leitura e interpretação dos
documentos. Portanto a digitalização só interessa como forma de compactação e
facilitação do acesso a outras maneiras de ler e compreender proporcionadas
pela interatividade. Se partirmos do pressuposto de que a virtualização é uma
característica humana que pode ser aplicada a qualquer área da vida, podemos
aplicá-la ao exercício profissional em benefício da qualidade da mediação com
nosso sujeito interlocutor.
Sendo assim, podemos dizer que a virtualização não é algo novo na
Biblioteconomia. Há muito tempo tem havido por parte dos bibliotecários a
intenção de aprimorar o processo de comunicação com os usuários da biblioteca
e serviços de informação, através de mecanismos “virtuais” que buscam
reproduzir a interação ao vivo e garantir qualidade à mediação. Sob esta
perspectiva a biblioteca tradicional está repleta de mecanismos virtuais de
referência e mediação, dentre os quais o catálogo e todas as suas derivações e
formas é o melhor exemplo.

�As tecnologias devem ser consideradas acima de tudo como mecanismos
de potencialização da informação. Um texto linear clássico, mesmo digitalizado,
não será lido como hipertexto, mas poderá ser atualizado pela leitura e
interpretação de seu conteúdo. A hipertextualização dos documentos pode ser
definida como uma tendência a convergência das funções da leitura e da escrita.
A partir do hipertexto a leitura tornou-se um ato de escrita.
Os computadores são ferramentas de agilização e potencialização e os
seres humanos são perceptivos e intuitivos. Juntos esses dois elementos são
imbatíveis como sistemas de informação. Um experiente bibliotecário de
referência pode resolver com eficiência uma questão de referência e chegar ao nó
da questão rapidamente e com maior eficácia do que qualquer outro mecanismo
de busca.
Ademais, o bibliotecário de referência é a melhor alternativa para conduzir
o treinamento de usuários no uso das tecnologias da informação disponíveis na
biblioteca, de tal modo que o usuário possa explorar ele próprio explorar
livremente os recursos de informação disponíveis na Web.
O bibliotecário de referência é capaz de memorizar preferências de
usuários e conectá-los aos documentos de seus interesses de forma mais
precisa. Por outro lado, a interação social da comunicação pessoa-a-pessoa tem
se mostrado mais eficaz e confiável do que qualquer outro sistema de informação.
O bibliotecário de referência, apoiado pelas tecnologias da informação e da
comunicação disponíveis, pode mais facilmente e com maior rapidez manter os
usuários atualizados sobre o que há disponível em uma determinada área do
conhecimento na coleção da biblioteca e também em outras instituições.
E ainda, os bibliotecários podem assumir com autoridade a defesa do
acesso aberto e livre a informação.

�6. Características da referência virtual
Os termos "referência virtual", "referência digital", "serviços de
informação em Internet", "referência permanente" e "referência em
tempo real" são intercambiáveis para descrever os serviços de
referência que utilizam tecnologia digital de uma ou de outra forma…
(Virtual Reference Canadá)
O advento de novas tecnologias da informação e comunicação
permitiu aos bibliotecários redefinir o âmbito dos serviços de referência e explorar
livremente todas as suas possibilidades. Independente de questões relativas à
gestão de mudanças, tais como: o impacto de novas formas de trabalho sobre a
equipe; o serviço e os usuários ou o planejamento estratégico para o
desenvolvimento da equipe, dos recursos tecnológicos e informacionais, devemos
considerar que:
"...a natureza única da referência digital provoca novas questões e
desafios. A necessidade de pautas e normas é cada vez mais
importante à medida que os serviços de referência digital seguem
evoluindo em todo o mundo..." (Vera Fullerton, 2002)
No planejamento de serviços de referência virtual devem ser consideradas
as necessidades dos administradores do serviço e dos operadores responsáveis
pela execução dos procedimentos práticos de cooperação.
7. Etapas do planejamento de serviços de referência virtual.
Considerando que o ambiente online está de modo singular adaptado ao
trabalho cooperativo e compartilhado, em 2004, a IFLA publicou um conjunto de
recomendações para o estabelecimento de serviços de referência digital com o
objetivo de promover melhores práticas de referência digital em âmbito
internacional independente do tipo de serviço público que se deseja prestar
(IFLANET, 2004).

�1º. Passo: Definir um grupo básico de usuários
Antes de iniciar o funcionamento de um serviço de referência virtual deve ser
identificado o usuário ao qual o serviço está dirigido, considerando que o simples
fato do serviço estar apoiado em uma rede eletrônica possibilitará a ampliação do
grupo inicial.
2º. Passo: Examinar as políticas institucionais existentes
O administrador do serviço deverá analisar os procedimentos e políticas
institucionais existentes de modo a identificar as prováveis mudanças que serão
provocadas pela introdução de tecnologias no ambiente. Talvez sejam
necessárias adaptações físicas, metodológicas e políticas no ambiente do serviço.
3º. Passo: Políticas de Referência
a)

Definir os objetivos para o novo serviço;

b)

Elaborar normas de funcionamento em consonância com os objetivos do

serviço e a missão da instituição;
c)

Estabelecer uma equipe supervisora, responsável por desenvolver melhores

práticas, definir a conduta aceitável e as normas de funcionamento;
d)

Estabelecer a periodicidade com que estas políticas serão revistas, como se

dará esse procedimento e quais serão seus responsáveis;
e)

Assegurar regras de respeito aos direitos autorais e demais restrições legais

aplicáveis;
f)

Definir e delimitar a clientela primária;

g)

Estabelecer o tipo de informação que se pretende oferecer: dados de

conteúdo ou referências.
4o. Passo: Planejamento
A oferta de serviços deve estar de acordo com as necessidades dos
usuários aos quais pretende servir e os recursos financeiros disponíveis na
instituição.

�a) Identificar as opções de serviço possíveis e estabelecer prioridades;
b) Definir os serviços que pretende oferecer de imediato e aqueles que pretende
oferecer a médio e longo prazo;
c) Avaliar os serviços e programas informatizados disponíveis;
d) Determinar os serviços e programas informatizados necessários;
e) Identificar fontes de financiamento;
f) Identificar outras instituições locais ou regionais que poderiam estar
interessadas em fomentar um serviço cooperativo;
g) Coletar informações em uma amostra da clientela;
h) Elaborar um plano de ação e assegurar o apoio institucional
8. Considerações finais
O termo "virtual" é definido, imprecisamente ou impropriamente, e não
explica a natureza dos fenômenos em que vem sendo aplicado, devendo ser
evitado o uso do seu significado como oposto a real, porque todas as interações
existentes no universo são reais, inclusive a imaginação. Da mesma forma, deve
ser evitado o uso de seu significado como de simulação ou de interações por
redes de computadores, porque leva à confusão com o uso histórico do termo. As
expressões: ambiente online ou realidade simulada são bem mais explicativas
que a expressão ambiente virtual.
É necessário fazer mutar a biblioteca na direção de suas especificidades
na prestação de serviços de referência mediados pela temática.
Não deve haver diferença entre a interação ao vivo e a interação por
computador, na prestação de serviços de referência e informação. Os serviços de
informação

on

line

devem

ser

fortemente

caracterizados

pela

“desterritorialização” dos recursos, permitindo ir além da coleção da biblioteca
priorizando a satisfação do usuário que está sendo atendido.
As tecnologias devem ser consideradas acima de tudo como mecanismos
de potencialização da prestação de serviços de referência e informação.

�9. Referências bibliográficas
1. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Minidicionário da língua
portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.
2. FULLERTON, Vera. Proyecto de Normas de Referencia Digital de FIAB,
12/2002. http://www.ifla.org/VII/s36/pubs/drsp.htm
3. IFLANET. Reference Work Section. Recomendaciones para el servicio de
referencia Digital. http://www.ifla.org/VII/s36/pubs/drg03-s.htm
4. LÉVY, Pierre. O que é o virtual? São Paulo: Ed. 34, 1996.
5. PEIRCE, Charles Sanders. Semiótica. S. Paulo: Editora Perspectiva, 1977.
6. SHUMAN, Bruce A. Issues for libraries and information science in the
Internet age. Englewood, CO: Libraries Unlimited, 2001. 228p.
7. SKAGESTAD, Peter. Peirce, Virtuality, and Semiotic. Página HTML em:
&lt;http://www.bu.edu/wcp/Papers/Cogn/CognSkag.htm&gt;. Acesso em: 19 jan.
2005
8. Virtual Reference Canadá:
http://www.collectionscanada.ca/vrc-rvc/s34-150-e.html
9. Working Group on the Revision of IFLA's Public Library Guidelines
http://www.ifla.org/VII/s8/proj/gpl.htm

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Documentação&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O conceito de virtualidade. Circunstâncias da referência bibliográfica em bibliotecas universitárias. Panorama da evolução dos meios de comunicação. Busca e recuperação da informação e o impacto das tecnologias eletrônicas e digitais. Aspectos críticos da busca e recuperação da informação na Web e o papel do bibliotecário de referência. Características da referência virtual. Etapas do planejamento de serviços de referência virtual.</text>
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                    <text>REFLEXÕES SOBRE O RESGUARDO DA MEMÓRIA CIENTÍFICA DO INPE
Marciana Leite Ribeiro
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Avenida dos Astronautas, 1758 –
Jardim da Granja - São José dos Campos – SP
marciana@sid.inpe.br
Resumo: A Ciência e a Tecnologia (C&amp;T) são bases fundamentais para o
desenvolvimento da sociedade. Como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
(INPE) tem um volume significativo de trabalhos publicados em função do processo
histórico da Ciência Espacial no País, o trabalho objetiva destacar a importância do
agrupamento dessa produção em um repositório, não apenas para preservar a
memória cientifica mas, sobretudo, para disseminar esse conhecimento entre outras
comunidades, o que significa uma continuidade de acesso para a geração futura.
Palavras-chave: Produção científica. Repositório do conhecimento. Biblioteca digital
1 INTRODUÇÃO
Este trabalho enfoca a memória científica e sua preservação pela instituição como
incremento à quantidade e qualidade de conteúdo nacional em C&amp;T. Assim, tratarse-á aqui os aspectos da memória científica do INPE.
A memória é algo que se distingue do presente, mas, ao mesmo tempo, o compõe; é
soma das características de testemunho dos feitos humanos que, quando
conhecemos, ligamos àqueles que viveram antes de nós e aí construímos uma idéia
de permanência, independente de limites geográficos. Preservar é mais do que
guardar; é cuidar, é atribuir valor, é tornar acessível à sociedade um mundo de
conhecimento e informação, de forma que ela possa usufruir desses benefícios.
A preservação das memórias nas instituições do País ainda é incipiente devido à
falta de vontade política. Investe-se para gerar conhecimento e não se reconhece a
necessidade de resguardar esse conhecimento, questão não resolvida com o passar
do tempo. É fundamental a sensibilização da comunidade de pesquisadores em
relação ao estabelecimento de políticas para a preservação. O desafio mais
importante é conscientizá-la da necessidade de não só guardar os documentos
através de padrões, mas, também entender porque foram gerados e sua importância
para futuras pesquisas. Vivencia-se, nas instituições, a enorme dificuldade em
localizar documentos por motivo de perda dos mesmos, dispersão dos acervos e, em

�conseqüência, a perda do conhecimento. Para Martins (1992) “quando os
documentos existem e são localizados, carecem de organização que facilite o
acesso”. As instituições têm a tradição de destruir o que é velho, sem uso. Políticas
de preservação são importantes para que não se tenha a sensação de estar
começando hoje. Há experiências que não se pode destruir.
Só recentemente as instituições de fomento vêm dando um especial apoio à
preservação da memória científica e tecnológica geradas por pesquisadores e
tecnologistas. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(CNPq) tem criado mecanismos para tratar a questão com o lançamento de editais
para financiar projetos ligados à memória científica. Neste momento tomam vulto as
iniciativas de movimentos de resgate da memória, da valorização dos vários modos
de registro e do direito ao acesso à informação como atributo fundamental na
instituição sociedade.
O resgate, organização e disseminação da produção científica vêm suscitando
grande interesse e preocupação, não somente do autor como também daqueles que
buscam preservar a memória científica, seja em nível institucional ou nacional e dos
profissionais da informação no desenvolvimento de projetos voltados a preservar o
conhecimento científico e tecnológico gerados nas instituições em suas várias formas
e expressões, contribuindo para a consciência da relevância da trajetória das
instituições públicas e privadas.
Os produtores do conhecimento com suas pesquisas geram itens que formam os
chamados repositórios institucionais conforme Café et al. (2003).que, aliados à
presença das tecnologias de ponta, garantem a preservação e ampliação das formas
de acesso à informação permitindo dispor o conhecimento para todos.
2 A PRODUÇÃO INTELECTUAL GERADA NA INSTITUIÇÃO
Em uma instituição como o INPE, cuja produtividade deriva da utilização da
informação e do conhecimento, este pode ser entendido como a união da
experiência que as pessoas têm e usam para realizar o trabalho, tornando o estoque
de conhecimento elemento fundamental na medida em que aumenta a produção

2

�sobre a ciência e tecnologia e passa a ser percebido como componente de
fortalecimento da capacidade do País na área da Ciência e Tecnologia.
A união da experiência das pessoas, como da Instituição do INPE, possibilita o
fortalecimento da capacidade do País na área da C&amp;T. Martins (1992) destaca os
diversos tipos de documentos que são produzidos associados às atividades numa
organização de pesquisa que gera conhecimento. Diretamente da atividade de
pesquisa

ressaltam-se:

livros,

artigos

de

periódicos,

publicações

originais,

apresentações em eventos, capítulos de livros, relatórios, patentes, programas de
computador, técnicas e processos e elaboração de novos instrumentos científicos.
Os instrumentos científicos, que são elementos fundamentais para a construção do
conhecimento, muitas vezes são abandonados como sucatas, deixando a futura
geração de pesquisadores no desconhecimento das técnicas mais antigas usadas.
Portanto, eles devem ser preservados naquilo que foram e que não foram utilizados,
como fonte da história da ciência (TOLMASQUIM, 2005).
Nos resultados finais da pesquisa, o autor destaca como exemplo: projetos,
rascunhos, esboços, anotações, modelos, esquemas; elaboração de diferentes
versões; solicitações de recursos; realização de medidas; coleta de dados, testes
etc. Os rascunhos e as anotações feitas ao longo das experiências, , muitas vezes
são descartados sem nenhuma preocupação de preservação e registro. Em alguns
casos, os registros produzidos são conservados em maior ou menor proporção; em
outros, eles são destruídos quase que imediatamente após sua produção como
trabalhos que, em diferentes fases da elaboração, são abandonados pelo
pesquisador, por diversos motivos.
A preservação dos registros depende da importância que o próprio pesquisador
atribui a cada tipo de atividade e do documento gerado. (MARTINS 1992). Conclui-se
que apenas 20% do conhecimento da instituição são explicitados, os outros 80% são
de conhecimento tácito. As instituições costumam preocupar-se apenas com a
conservação da documentação formalizada, perdendo-se assim parte do material
que poderia ser de interesse para a pesquisa. O problema seria a organização,
tratamento e divulgação da produção. Há também que se considerar o espaço para a
3

�guarda, bem como a capacitação de equipes para trabalharem sensibilizadas com a
gama de informações produzidas pelas instituições.
Para Martins (1992), selecionar o que deve ser preservado não é tarefa fácil; sabe-se
que não há diretrizes universais e sim juízos de valor. A seleção e descarte devem
ser cautelosos para que não levem à perda de documento importante do patrimônio
nacional científico e tecnológico .Para isso, faz-se necessário estabelecer diretrizes
para a preservação do material. Neste sentido, chama-se a atenção para a
necessidade de um mapeamento da produção, sistematização, criação de
ferramentas e formação de pessoal especializado para trabalhar na preservação e
difusão de acervos.
Portanto, a preservação e a guarda do acervo científico do INPE e do acervo sobre a
atuação do Instituto em seus 45 anos de vida, é de grande valor e importância para a
pesquisa, como contribuição para construir seu futuro e a trajetória da Ciência
Espacial no País. O grande diferencial do Instituto é o conhecimento acumulado ao
longo de sua história. O INPE é hoje considerado um dos mais renomados Institutos
de Pesquisa do País: Segundo Câmara (2005), o País tem no INPE uma de suas
referências no setor público. O instituto tem duas características singulares: a
valorização da excelência e a capacidade de mobilização.
Para Câmara, o INPE tem três missões distribuídas em suas diversas áreas:
produção

de

conhecimento

científico

através

de

atividades

de

pesquisa;

materialização através de artigos científicos na literatura indexada e teses; geração
de resultados e produtos para uso pela sociedade e desenvolvimento de tecnologia
industrial na área espacial. A excelência do INPE é significativa nesses assuntos.
O INPE conta com equipes especializadas nas áreas de atuação do Instituto,
transformando a informação em conhecimento e tendo nisso o seu principal negócio.
Os portadores do conhecimento na Instituição usam sua experiência para
desenvolver um processo, um produto, que contenha ao menos parte daquilo que
sabem. Isto é construído a partir do que um dia foi o conhecimento individual das
pessoas (conjunto de informações, experiências e insights que não estão registrados

4

�em lugar algum, residindo apenas na memória natural). O processo não registrado
ou não devidamente documentado só existe na cabeça daquele que o executa,
tornando-se difícil às outras pessoas o acesso aos conhecimentos tácito e explícito
que são gerados em cada atividade.
Os detentores do saber no INPE precisam dividir seus conhecimentos tácitos, pois,
parte da documentação científica ainda encontra-se numa zona cinza: os
conhecimentos estão nas salas dos pesquisadores, nas gavetas ou dispersos e
prestes a se perderem pela falta de uma maior conscientização. O importante é
encontrar um caminho para suas memórias e criar uma estratégia para a maior
conscientização da organização.
Pelo caráter de difícil gerenciamento do conhecimento tácito, torna-se difícil
apropriar-se do conhecimento científico. Ele tem características específicas: é
organizado em torno de estruturas formais e abstratas, desenvolvidas nas unidades
ou por meio de pesquisas, onde pesquisadores possuem grande autonomia na
seleção de seu conteúdo e dos métodos usados para obtê-lo e transformá-lo em
conhecimento explícito. A quem pertence? Ao pesquisador que o detém ou à
organização que investiu em sua formação e treinamento? (RODRIGUES, 2001).
O conhecimento acumulado no INPE tem sido disponibilizado para as comunidades
nacional e internacional na forma de apoio tecnológico na área espacial e na
disseminação da informação científica. e, através de indicadores, o Instituto
consegue analisar o desenvolvimento e o crescimento de sua produção científica e
elaborar planos e ações baseados em dados numéricos qualitativos.
Segundo a FAPESP (2005), o INPE apresenta o maior número de publicações
indexadas no Science Citation Index Expanded (SCIE) do Estado de São Paulo. A
partir de 2003 houve expressivo crescimento das publicações indexadas no SCIE
que passaram de 207 para 315 em 2004, representando um percentual de 167%,
superando as expectativas e, em 2005, Dados atuais mostram que o número de
publicações em livros, periódicos, capítulos de livros, eventos, relatórios, teses e

5

�dissertações do INPE, produzidos pelos 754 pesquisadores e técnicos do Instituto,
cresceu de 740 em 2003 para 1.559 em 2004.
Preservar a memória sempre foi uma grande preocupação desta Instituição desde a
década de 60, com a criação de um sistema de controle de trabalhos publicados
pelos pesquisadores. O acervo da Memória teve início e se consolidou ao longo dos
anos, graças à conscientização da equipe de bibliotecárias do Instituto. O INPE,
através do Serviço de Informação e Documentação (SID), é o depositário de todo o
acervo bibliográfico e outros meios de informação, e gerencia a informação no
âmbito do conhecimento do Instituto para apoiar as atividades de ensino, pesquisa e
desenvolvimento tecnológico. O SID tem procurado estabelecer uma política editorial
para registrar a Memória Científica e divulgar os resultados dos trabalhos do INPE. O
Instituto leva em conta quatro décadas de experiência na busca da preservação de
sua memória.
A partir dessa consciência histórica, foi possível fazer uma avaliação do que pode ser
aproveitado do passado, do que o presente tem mostrado de proveitoso ou
problemático, e daí propor algo que seja melhor e duradouro. Em 1990 o INPE
começou a implementação da base de dados referencial sobre a produção do
Instituto. Essa foi iniciada nas áreas de Sensoriamento Remoto e Processamento de
Imagens, com recursos de infra-estrutura do próprio Instituto. O software adotado foi
o MICRO-ISIS com a metodologia LILACS/ISIS. Em 1998, através da FAPESP, foi
adquirida uma servidora - SUN Enterprise 250 - usada como repositório principal
para as obras intelectuais produzidas pelo Instituto. O software URLibService serviu
na montagem e manutenção de uma biblioteca digital com acervos distribuídos.
A presença da Biblioteca do Instituto no processo de resgate, guarda, preservação e
difusão dos itens de conhecimento gerados, recebidos e acumulados ao longo de
sua trajetória é muito importante como primeira garantia de dar significado ao
presente. Consciente da suma importância da preservação da memória científica do
Instituto, depara-se com a preocupação de como e o que deve ser preservado. O
volume de documentos gerados na instituição cresce exponencialmente; não é
possível preservar tudo o que é produzido.
6

�3 A PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA CIENTÍFICA DO INPE
Todo trabalho intelectual produzido e publicado dentro do instituto, bem como aquele
publicado fora, deve ser registrado, armazenado e disseminado. Aqueles publicados
pelo INPE passam por uma revisão de conteúdo e forma, por exemplo, as teses e
dissertações; neste caso, quando de sua submissão ao SID, o trabalho já foi objeto
de uma avaliação por uma banca examinadora, quanto ao seu conteúdo. Sua
formatação então é revisada por uma equipe qualificada do SID para auxiliar alunos,
orientadores e pesquisadores, para sanar dúvidas e para verificação da sua
conformidade com as normas de editoração definidas pelo Instituto.
Esse Serviço visa atribuir às publicações do Instituto identidade adequada. Procura
adequar normas à flexibilização exigida pela variedade das publicações; acompanhar
a evolução de novos recursos tecnológicos na editoração, incluindo o uso do estilo
tdiinpe.cls em ambiente LATeX e da macro tdiinpe.dot para o Word, para preservar a
memória intelectual e garantir a divulgação dos resultados dos trabalhos gerados
pelo Instituto. Deve-se observar que o valor de um trabalho científico reside mais na
originalidade de suas idéias e/ou a qualidade de seus dados e referências do que na
sua aparência ,mas, o mecanismo de edição deve levar à geração de um produto
com a melhor aparência possível, oferecendo a leitura em um formato o mais
agradável possível.
Para Packer (2005), as novas tecnologias de informação estão transformando a
maneira como os pesquisadores disseminam os resultados de suas pesquisas. Com
a Internet, as limitações para o acesso universal ao conhecimento científico estariam,
a princípio, superadas tecnologicamente; o tempo entre a submissão do trabalho e a
disponibilidade para acesso dos usuários é minimizada; os trabalhos publicados são
acessados independentemente do lugar em que se está e a qualquer hora.
A Biblioteca Digital do INPE é o acervo institucional que reúne toda a produção
intelectual, direcionada para duas grandes produções: a primeira, as publicações
científicas e técnicas produzidas pelo Instituto e a segunda, os marcos históricos da
Ciência Espacial no País, ambas advindas das atividades ligadas ao Instituto desde

7

�a criação da Comissão Nacional de Atividades Espaciais (CNAE), em 1961. A partir
de 1995, esse acervo entrou em outra fase com o começo de uma biblioteca digital
(BANON, 2006).
Pelo impacto já alcançado como espaço digital e repositório institucional do
conhecimento e forma de organização de trabalho cooperativo no domínio da
informação e Ciência Espacial, essa Biblioteca Digital representa por um lado o
capital humano e, por outro, o resultado da sua ação registrado, preservado,
armazenado e explicitado, visto que ela funciona como um instrumento de memória
divulgada à comunidade. Constitui hoje uma das importantes possibilidades de
visibilidade e usos sociais do patrimônio cultural da Ciência Espacial, colaborando
para aumentar o estoque de conteúdo nacional em C&amp;T. A Biblioteca Digital é,
portanto, parte integral da evolução da vida do Instituto, da reprodução da
informação e do conhecimento que sustenta o desenvolvimento das pesquisas,
principalmente o domínio científico e técnico do INPE.
Para a montagem e disponibilização dos acervos eletrônicos, o INPE utiliza o
software URLibService. Esse software permite, em particular, a disponibilização de
texto completo através do protocolo http e garante a persistência de links entre
documentos depositados em acervos distintos. As características do URLibService
apresentadas fizeram dele uma plataforma adequada para receber a Memória
Intelectual do Instituto (BANON et al., 2004). O trabalho consolida-se na
disponibilização da Biblioteca Digital do INPE à comunidade nacional e internacional,
provendo mais um mecanismo de difusão da informação. O URLibService é um
software para gerenciamento de uma biblioteca digital com acervos distribuídos, isto
é, hospedados por vários computadores. Nela, cada repositório contém um único
documento.
Um dos destaques do URLibservice é oferecer uma solução interessante para o
problema dos vínculos de citações. Qualquer que seja o local físico onde se encontra
um documento no acervo da Biblioteca Digital, seu acesso é persistente. Outro fator
está no sistema de revisão on line e edição automática para anais de eventos, que
vem sendo utilizado com sucesso nos últimos anos e oferece a opção de criar
8

�relatórios e tabelas. Destaca-se a versatilidade e multifuncionalidade do software em
diversas atuações, confirmando seu papel de gerenciador do conhecimento técnicocientífico, visto que utilizado como ferramenta de apoio para o mapeamento
estratégico do conhecimento. Segundo Banon (2006) a Biblioteca Digital da Memória
oferece serviços para:
Submissão de trabalhos: todo trabalho intelectual produzido dentro da instituição
deve ser registrado, armazenado, publicado e disseminado na Biblioteca Digital da
Memória do INPE, seguindo três acordos de submissão, dependendo do estágio e
local de publicação do documento. Nos trabalhos produzidos pelo INPE e publicados
fora do INPE, o acordo de submissão consiste apenas na definição do nível de
disseminação do trabalho, qual seja: sem restrição, com restrição ao INPE ou sem
permissão de acesso. Para que documentos tenham sido ou sejam submetidos fora
do INPE, o acordo de submissão estipula que, para qualquer versão do seu trabalho,
os autores não estão cedendo seus direitos patrimoniais ao INPE. Esses direitos
poderão, no futuro, ser livremente cedidos a qualquer editora. Nos trabalhos a serem
publicados pelo INPE, o acordo de submissão estipula que o produtor está ciente de
que, ao fazê-lo, transfere o documento original para o administrador da Biblioteca
Digital e que o mesmo não será submetido a outro acervo.
Entrada de dados: dependendo do acordo de submissão, a entrega dos dados pode
tomar formas diferentes. A maioria é feita através de formulários on-line
personalizados, em função do tipo do trabalho a ser submetido. Os objetos de
informação entregues são compostos exclusivamente de objetos digitais nos
formatos: .pdf, .djvu, .doc, .tex, .djvu, .html, .txt, .jpg, .ppt, .prn, .ps, .zip. Na entrega, a
informação de representação desses objetos consiste apenas na presença do tipo de
formato no nome dos arquivos submetidos. Todos os objetos de informação
entregues contemplam a informação de conteúdo, informação descritiva e,
eventualmente, informação de descrição de preservação (IPD). O pacote de
submissão de informação (PSI) compõe-se de duas partes: a primeira contém
informação descritiva (geralmente informação de natureza bibliográfica mais palavras
chaves acrescidas do resumo) e a IPD (referência aos programas aplicativos

9

�geradores da informação de conteúdo), a segunda parte contém a própria
informação de conteúdo.
Série: na submissão de artigos em eventos organizados pelo Instituto, os mesmos
podem ser reunidos em uma série de arquivamento de informação correspondente
ao conceito de Anais, o que acontece no momento da criação do sumário e do índice
por autor.
Armazenamento: é feito exclusivamente na forma de arquivos de dados no sistema
de arquivo disponível no disco rígido dos computadores que hospedem o acervo da
biblioteca. O sistema de arquivo é organizado de forma que cada PAI ocupe dois ou
mais diretórios. Um diretório é dedicado à informação de conteúdo e os demais à
informação descritiva. Essa organização segue o padrão de Repositórios Uniformes
para uma Biblioteca Digital (URLib).
Disseminação: pode ser livre ou com restrições de acesso e de busca. Todos os
PAIs são periodicamente copiados em fitas, localizadas em um prédio distinto do
prédio que hospeda o acervo digital on-line.
Acesso: o sistema de busca da Biblioteca Digital encontra-se disponível na Internet
no endereço: http://iris.sid.inpe.br:1905. A recuperação dos PDI é feita a partir de
expressão de busca composta por palavras-chave, cuja ocorrência é procurada
dentro da IPD e da IDP. A expressão de busca pode, alternativamente, consistir de
expressão booleana e/ou ainda conter o nome dos campos onde as ocorrências de
palavras devem ser procuradas
Segurança: no acesso aos PDI, em primeiro lugar, esses pacotes podem ou não
estar visíveis para o sistema de busca, com exceção do administrador da biblioteca.
Assim, grande parte dos pacotes relativos ao software de gerenciamento e
manutenção da Biblioteca Digital (URLibService) está visível apenas para o
administrador. Caso o pacote seja classificado na categoria de divulgação reservada,
ele também não estará visível para o sistema de busca. Em segundo lugar, o acesso
à informação de conteúdo pode ou não ser restrito a determinados IPs ou a
determinadas pessoas devidamente registradas, por meio de login/senha.
Apoio ao usuário: além do sistema de busca on-line, o usuário final pode consultar
na página da Memória a lista das últimas aquisições, atualizadas automaticamente
10

�todos os dias, no primeiro clique do dia. No caso de artigos em eventos organizados
pelo INPE, o usuário final pode também navegar dentro dos anais on-line por meio
de sumários e índices por autor e ainda receber apoio da equipe do SID, responsável
pelo uso da Biblioteca Digital, via mensagem eletrônica, telefone ou visita. Os
usuários finais dessa biblioteca são os pesquisadores, alunos de pós-graduação
deste Instituto e comunidade científica envolvida com a Ciência Espacial e da
Atmosfera, Mecânica Espacial e Controle, Meteorologia e Sensoriamento Remoto,
além de áreas correlatas.
Mídias e formatos: dependendo do PDI, sua informação de conteúdo pode ser
acessada via protocolo http, em mais de um formato. Assim, no caso de teses e
dissertações, o acesso pode ser feito nos formatos .html, .jpg. .pdf e .djvu. Quanto à
informação descritiva, esta pode ser acessada em vários formatos: tabela HTML,
BibTeX, Refer, XML, xrefer, oai_dc e mtd-br no caso de teses e dissertações. O
acesso também pode ser feito via protocolo de coleta de metadados da Open
Archives Initiative (OAI-PMH). O fato de a Biblioteca Digital utilizar linguagens e
formatos padronizados faz com que a mesma se torne capaz de evoluir e de se
incorporar de acordo com as necessidades e objetos futuros.
Respeito aos direitos autorais: de maneira a respeitar os direitos autorais e não
duplicar as entradas; somente os detentores dos direitos autorais (ou pessoas
autorizadas) devem criar os repositórios. Em outras palavras, os possíveis
administradores locais são: o primeiro autor dos trabalhos (se os direitos autorais não
foram transferidos a um editor; caso contrário, só com a permissão do editor); o
editor dos trabalhos (uma vez que os direitos autorais foram transferidos a ele pelo(s)
seu(s) autor(es)); alguém com a permissão dos detentores dos direitos autorais. Um
documento é considerado original se ele está no acervo local do detentor dos direitos
autorais.
Acervo de e-Print: merece destaque dentro das suas modalidades pois é um
instrumento de mediação entre as instituições científicas e os usuários, consistindo
no repositório institucional onde o próprio pesquisador inclui, de forma eletrônica, sua
idéia ou trabalho antes mesmo de ser publicado em qualquer mídia, a partir do INPE
ou fora do INPE, já consagrado como modelo alternativo de comunicação, ampliando
11

�o horizonte de troca de dados, informações e conhecimentos. De acordo com Banon
et al. (2004), o serviço de submissão on-line, armazenamento e disponibilização de
e-Prints para os pesquisadores é uma iniciativa para resgatar a memória de outras
obras produzidas pela Instituição, bem como os acervos particulares dos
pesquisadores acoplados ao acervo do Instituto.
Gerenciamento do indicador da produção técnico-científica: para cada área do
Instituto, facilitando a divulgação e distribuição desse conhecimento, instrumento de
apoio ao planejamento estratégico, informações de interesse do Instituto tratadas e
armazenadas de forma a fornecerem subsídio para ações institucionais e
governamentais. A sistematização do banco de dados da Biblioteca favorece as
condições de gerenciamento desses indicadores para o INPE. Dada a importância da
produção científica como indicador, o nível do conhecimento científico gerado é alto
e com boa qualidade, visto que muitas das publicações estão em periódicos
internacionais, compiladas pela base de dados SCI; é possível conferir, nas tabelas
disponíveis na Biblioteca Digital, os indicadores do período de 2002 a 2005
(http://iris.sid.inpe.br:1905).
Estatística: para cada documento depositado na URLib, o URLibService mantém
uma estatística de acesso ao mesmo. A própria página da Memória (que é um
documento dentro da URLib) tem sua estatística de acesso. Mais precisamente, esse
guarda o registro do número de acessos por dia de cada documento. Apresenta-se
como um histograma (gráfico de barras) mostrando o número médio de visitas (ou
acessos) ao documento ao longo de 10 períodos consecutivos e de mesma duração,
cobrindo todo o intervalo de tempo entre o primeiro dia do depósito do documento
até o dia de acesso à estatística. O perfil é muito importante para acompanhar as
tendências de sucesso e insucesso de um documento. Em um período longo (vários
anos) pode-se verificar se o interesse em um certo documento se mantém ou não.
Por intermédio do número médio de acessos por dia calculado sobre todo o período
de disponibilização do documento, as estatísticas servem também de base para
comparar o sucesso relativo entre documentos.
Edições e download: o URLibService é distribuído livremente para as instituições
públicas. Outro aspecto distinto do URLibService é o fato dele ser multiplataforma,
12

�podendo ser instalado nos seguintes sistemas operacionais: Windows, SunOS e
Linux.
Atualmente o acervo da Memória comporta 17.078 registros, sendo que 5.054 deles
contêm o texto completo de forma digital. A Biblioteca Digital disponibilizou, até hoje,
410 teses e dissertações para a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD)
do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) que reúne e
disponibiliza toda a produção de teses e dissertações do País.
A Biblioteca Digital está preparada para receber o acervo documental sobre o INPE
como a inclusão do registro de novos tipos de documentos: os artigos de imprensa
que constituem a hemeroteca, com mais de 20.000 artigos, o que permite avaliar o
percurso histórico e construir a história e continuidade da trajetória da Ciência
Espacial no Brasil, materiais gráficos e objetos tridimensionais, além da inclusão de
novos campos para documentos existentes, visto que esta já possui uma relação de
campos definidos os quais podem ser utilizados a partir do estudo de padronização
dos metadados.
Pela Biblioteca Digital, o INPE promove o acesso livre ao conhecimento científico
tornando público o resultado de pesquisas, promovendo acesso à informação, fruto
de conhecimento adquiridos e compartilhados. O bom desempenho da Biblioteca
Digital integrado como ferramenta de gestão do conhecimento garante que unidades
fisicamente distantes contribuam para o funcionamento como um todo.
O URLibService é similar aos serviços oferecidos por universidades brasileiras e o
consenso é reconhecer a sua facilidade de uso. Permitindo o intercâmbio com outros
softwares e, atualmente já está sendo elaborado um projeto para reformulação do
site da Memória do INPE.
4 CONCLUSÃO
Para que tudo isso possa funcionar, é indispensável a colaboração dos
pesquisadores, há resistência a isso. Mas as maiores dificuldades dos pesquisadores
podem ser vencidas para que dediquem um tempo de seu trabalho, sem sobrecarga,
para depositar uma cópia de todos os seus trabalhos publicados num repositório

13

�institucional. A comunidade deve ser motivada através da disponibilidade de
mecanismos informatizados para facilitar esse trabalho. Devem ser criados
procedimentos obrigatórios que, incorporados, passem a ser uma sistemática.
Espera-se que este Instituto tenha seu processo de criação do conhecimento
auxiliando nos processos de aquisição, busca e armazenamento de informações
associadas a cada item-de-conhecimento, construído em função de necessidades e
peculiaridades próprias da instituição, disponível numa base do conhecimento, bem
como o engajamento das pessoas na conversão do conhecimento, na manutenção
desta base, na atualização e na busca de inovações que melhorem continuamente.
Pretende-se reduzir a perda do conhecimento organizacional.
Nessa caminhada a missão é ainda mais importante na preservação da memória do
Instituto nas suas várias formas e expressões de conhecimento ao longo de sua
trajetória para compreensão da memória das Ciências Espaciais na Instituição
sociedade e difusão do patrimônio documental existente no seu acervo, produzido
pelo capital intelectual do Instituto. O maior desafio para a instituição é a captação do
conhecimento tácito, já que aí reside o conhecimento com maior valor estratégico,
com o propósito de armazenar, preservar a memória para o futuro deste Instituto,
cuja produtividade final será sempre a utilização da informação e o reúso do
conhecimento para a geração de novos conhecimentos.
Abstract: Science &amp; Technology (S&amp;T) are fundamental bases for the development of
the society. Considering that INPE has a significant amount of published papers, due
to the historical process of Space Science in Brazil, the present work aims at focusing
the importance of gathering this

information in a proper repository, not only to

preserve its scientific memory, but overall to dissiminate this knowledge among other
communities, allowing continuous accessibility to future generations.
Key words: Scientific production. Repository of knowledge. Digital library

14

�REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BANON, G. J. F. Biblioteca digital da memória tecnico-científica do INPE. São José
dos Campos: INPE, 2006. Disponível em: &lt;http://ePrint.sid.inpe.br:80/rep/dpi.inpe.br/banon-pc2@1905/2005/12.07.19.19&gt;. Acesso em: 14 mar. 2006.
BANON, G.J.F.; RIBEIRO, M.L.; BANON, L.G. Preservação digital da memória
técnico-científica do INPE. In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE
BIBLIOTECAS DIGITAIS, 2., 2004, Campinas. Anais eletrônicos... Disponível
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CÂMARA, G. Um instituto, três missões, dez compromissos: construir juntos o
futuro do INPE. São José dos Campos: INPE, jul. 2005.
CAFÉ et al. Repositórios institucionais: nova estratégia para publicação científica na
rede. In: ENDOCOM, 13., 2003. Anais... Disponível em:
&lt;http://www.intercon.otg.br/papers/2003/endocom-CAFÉ.pdf&gt;. Acesso em 20 fev.
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Indicadores de ciência, tecnologia e inovação em São Paulo 2004. São Paulo:
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04 julho 2005.
MARTINS, R.A. O sistema de arquivos da universidade e a memória científica. In:
Seminário Nacional de Arquivos Universitários, 1., 1992, Campinas. p. 27- 48.
PACKER, A.L. A construção coletiva da biblioteca virtual em saúde. Interface –
Comuic. Saúde. Educ., v.9, n. 17, p.249-272, 2005.
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descontrução do conhecimento sem cliente. In: FLEURY, A. et al. Gestão
estratégica do conhecimento. São Paulo: Atlas, 2001. p.86-117.
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Memória do INPE São José dos Campo, 2005. Disponível em:
&lt;http://iris.sid.inpe.br:1905/col/sid.inpe.br/banon/2001/04.03.15.36.19/doc/mirror.cgi:
II Sarau na Biblioteca&gt;. Acesso em: 12 janeiro 2006.

15

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>A Ciência e a Tecnologia (C&amp;T) são bases fundamentais para o desenvolvimento da sociedade. Como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) tem um volume significativo de trabalhos publicados em função do processo histórico da Ciência Espacial no País, o trabalho objetiva destacar a importância do agrupamento dessa produção em um repositório, não apenas para preservar a memória cientifica mas, sobretudo, para disseminar esse conhecimento entre outras comunidades, o que significa uma continuidade de acesso para a geração futura.</text>
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                    <text>RELATO DA EXPERIÊNCIA SOBRE A CRIAÇÃO DO PORTAL DO SERVIÇO
DE INFORMAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO DO INSTITUTO NACIONAL DE
PESQUISAS ESPACIAIS

Lise Christine Banon *

Silvia Castro Marcelino **1
RESUMO

O presente trabalho relata a experiência sobre a criação do portal para o Serviço
de Informação e Documentação (SID), cujo site original foi desenvolvido em 1998.
Após o estudo de interfaces de bibliotecas nacionais e internacionais, trazemos
aqui uma proposta original para a Biblioteca do INPE com uma nova disposição e
acesso às informações, no intuito de transformar o site do SID em um portal de
fácil comunicação e interatividade, que constitua em uma importante ferramenta
para a disseminação do conhecimento. A Internet oferece um ambiente promissor
na área da comunicação, diminui as distâncias e diversifica as possibilidades de
serviços oferecidos. Neste contexto é essencial que tenhamos novas propostas
de interfaces para bibliotecas, que acompanhem os avanços tecnológicos,
tornando acessível ao usuário este novo universo de produtos e serviços. A
virtualidade traz para a pesquisa acadêmica novos métodos de acesso à
informação, proporcionada por intermédio da interface Web, que deve ser
planejada detalhadamente para que diferentes categorias de usuários possam
usufruir igualmente das informações disponíveis. O embasamento em conceitos
de semiótica na informática, área em crescimento que trata da interface como um
meio de comunicação visual, é um aliado para o desenvolvimento de projetos
Web.
Palavras-chave: biblioteca; interface Web; Internet; acesso à informação; semiótica.

INTRODUÇÃO

O presente trabalho descreve o desenvolvimento de um projeto para a criação de
um portal para o Serviço de Informação e Documentação (SID) do Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), oferecendo uma nova proposta de
interface de acesso em substituição ao site original desenvolvido em 1998.

* Analista de sistemas, INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais , lise@dpi.inpe.br
** Bibliotecária, INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, silvia@sid.inpe.br

Av. dos Astronautas, 1758 – Jardim da Granja – 12227-010 – São José dos Campos - SP

�Conforme demonstra o estudo conduzido por Dias (2001), por ser um conceito
muito recente, encontramos atualmente na literatura definições variadas para a
palavra “portal”. Neste trabalho nos referimos a esta terminologia, no sentido de
oferecer um sistema de informação, cuja prioridade seja atender às expectativas
funcionais dos usuários. Para Reynolds e Koulopoulos (1999) o portal deve ser
um sistema de informação centrado no usuário, integrando e divulgando
conhecimentos, não se restringindo apenas a uma ferramenta de acesso às
informações.

Para implementar um portal é fundamental que o projeto leve em consideração a
interação dos usuários com a interface do sistema. Sua capacidade de facilitar o
acesso dos usuários às informações institucionais está intrinsecamente
relacionada à usabilidade de sua interface Web. (DIAS 2001)

A usabilidade é um requisito para avaliação da qualidade de um sistema, definido
pela norma ISO 9241-11 Guidelines on Usability como "a capacidade de um
produto ser usado por usuários específicos para atingir objetivos específicos com
eficácia, eficiência e satisfação em um contexto específico de uso".

Segundo Nielsen (1993) a usabilidade de um sistema tradicionalmente está
associada a cinco atributos (usability attributes): Facilidade de aprender
(Learnability), Facilidade de lembrar (Memorability), Eficiência (Efficiency), Erros
(Errors) e Satisfação (Satisfaction).
•

Capacidade de Aprendizagem: o sistema deve ser fácil de aprender de forma
que um usuário consiga explorá-lo rapidamente para realização das suas tarefas.
Um indicativo de que o sistema realmente possui este atributo é quando usuários
inexperientes conseguem atingir um certo grau de proficiência em um curto
período de tempo.

•

Eficiência: o uso do sistema deve ser eficiente, permitindo que o usuário atinja
um alto grau de produtividade na realização de suas tarefas;

•

Facilidade de Memorização: após um certo período sem utilizá-lo, o usuário
ocasional é capaz de retornar e realizar suas tarefas sem a necessidade de
aprender novamente como interagir com o sistema.

�•

Baixa taxa de erros: nos sistemas que possuem este atributo os usuários
cometem poucos erros ao usá-lo e, quando cometem, sua correção é simples,
podendo realizar suas tarefas sem maiores transtornos.

•

Satisfação: o sistema deve ser agradável de usar de forma que os usuários se
sintam subjetivamente satisfeitos ao utilizá-lo.

O autor ainda propôs um método, Análise Heurística, para identificar os prováveis
problemas na interface de um software que não atende aos princípios de
usabilidade. Neste método, Nielsen (1994) definiu as 10 heurísticas básicas de
usabilidade:
•

visibilidade do estado do sistema: o programa deve manter o usuário informado
sobre o que está acontecendo, através de realimentação apropriada;

•

concordância entre o sistema e o mundo real: a linguagem adotada no
programa deve ser a do usuário, empregando palavras, frases, conceitos e
convenções familiares ao mesmo;

•

controle do usuário e liberdade: usuários com freqüência escolhem funções por
engano e devem poder desistir delas com facilidade. O sistema deve suportar as
funções desfazer /refazer;

•

consistência e padrões: os usuários não devem precisar descobrir se diferentes
palavras, situações ou ações significam a mesma coisa. Deve-se seguir as
convenções da plataforma em uso;

•

prevenção de erros: melhor do que boas mensagens de erro é um projeto
cuidadoso que previna a ocorrência de erros;

•

reconhecimento ao invés de lembrança: objetos, ações e opções devem estar
visíveis. O usuário não deve precisar lembrar informações de partes anteriores do
diálogo. Instruções sobre uso do sistema devem estar visíveis ou serem
facilmente acessíveis quando necessárias;

•

flexibilidade e eficiência de uso: refere-se à variedade de formas com que o
usuário e o sistema trocam informações. Este atributo diz respeito à capacidade
do sistema em se adaptar ao contexto e às necessidades e preferências do
usuário;

•

estética e design minimalista: diálogos não devem conter informações
irrelevantes ou raramente necessárias. Cada unidade extra de informação no
diálogo compete com as unidades de informação relevantes, diminuindo sua
visibilidade relativa;

�•

ajudar usuários a reconhecer, diagnosticar e recuperar erros: mensagens de
erros devem ser expressas em linguagem direta (sem códigos), indicando
precisamente o problema e construtivamente sugerir uma solução;

•

ajuda e documentação: apesar de ser melhor que o sistema possa ser usado
sem documentação, pode ser necessário fornecer ajuda e documentação. Tais
informações devem ser facilmente pesquisáveis, focadas na tarefa do usuário,
listar passos concretos a serem executados e não ser muito ampla.

Existem portanto, atributos essenciais para que um sistema tenha usabilidade,
mas para se atingir esta meta é necessário um planejamento e uma organização
prévia das informações, afim de transpô-las em uma interface na qual diferentes
categorias de usuários possam usufruir igualmente das informações disponíveis.

A Arquitetura da Informação atua neste sentido, sendo composta por quatro
elementos básicos, segundo estudo orientado por Rosenfeld e Morville (1998):
•

sistemas de organização: maneiras como o conteúdo do site pode ser estruturado
e agrupado;

•

sistemas de rotulagem: definição dos rótulos, ou seja, textos e ícones que serão o
ponto de acesso do sistema de navegação;

•

sistemas de navegação: barras de navegação e mapas do site permitem ao
usuário mover-se entre as partes do conteúdo ou navegar fora dele;

•

sistemas de busca: auxiliam o usuário a formular consultas que podem resultar
em documentos relevantes.

Segundo Vidotti (2004), para definir a arquitetura da informação determina-se
primeiramente públicos e objetivos, e a forma de atingi-los com eficácia e
eficiência. Por meio de desenhos, tenta-se traçar, pensando como um usuário, os
possíveis caminhos que podem ser utilizados, identificando o que pode ser
interessante e o porquê, tendo sempre uma percepção sensível às suas
necessidades.

A ciência que estuda estes possíveis caminhos é a Engenharia da Semiótica.
Quando um usuário visualiza um objeto na tela, ocorre a sua interpretação
pessoal sobre qual seria o significado deste objeto. A partir deste momento o

�usuário cria um modelo mental, ou seja, uma representação, que substituirá o
objeto original (signo). Portanto, a tomada de decisão sobre clicar ou não em um
determinado “objeto na tela” está relacionado a este processo denominado
semiose. A cada acesso feito a partir da interface Web, o modelo mental criado
pelo usuário vai se tornando mais completo ou mais contraditório.

O sistema de navegação na Web é um autêntico processo de semiose. (van
AMSTEL 2004)

A virtualidade trouxe para a pesquisa, novos métodos de acesso à informação e
aumentou o número de serviços oferecidos pelos sites de bibliotecas
institucionais. Segundo Cardoso (1999) as interfaces de Bibliotecas Digitais
devem ser repensadas e reestruturadas de forma a auxiliarem efetivamente seus
usuários na obtenção de informações.

Este projeto adotou conceitos de semiótica e estruturou as informações com uma
abordagem centrada no usuário. O resultado obtido foi uma interface diferenciada
dos padrões atuais de Bibliotecas Institucionais. Neste sentido, o projeto visa
contribuir com uma nova proposta de interface para o acesso às informações em
Bibliotecas Institucionais.

Desenvolvimento

A equipe responsável pelo desenvolvimento do projeto foi composta por um
analista e um bibliotecário. As etapas do projeto foram orientadas de acordo com
os tópicos propostos por Ferreira (2004) para a gestão de conteúdo em projetos
de Bibliotecas Digitais, definindo-se como etapas principais do projeto a
identificação dos seguintes tópicos: Contexto (natureza da empresa, tipo de
negócio e serviço oferecido aos seus clientes); Público alvo (cliente interno e
externo); Verificação dos serviços existentes e sua usabilidade.

�As etapas do projeto foram intercaladas por várias reuniões que contaram com a
presença fundamental de toda equipe do SID e de um profissional da imprensa.
As contribuições e sugestões destes profissionais foram essenciais para o
desenvolvimento do projeto.

Atualmente a equipe do SID é composta por oito bibliotecários, um analista de
sistemas, duas revisoras, uma psicóloga e cinco estagiários. As contribuições e
sugestões destes profissionais foram essenciais para o desenvolvimento do
projeto.

Em abril de 2006, iniciou-se a primeira etapa do projeto, na qual elaborou-se uma
pesquisa sobre trinta e quatro sites nacionais e internacionais. Esta fase contou
com a colaboração de um estagiário da área de ciência da computação, um
bibliotecário e um analista de sistemas. Durante a pesquisa pode-se observar
uma dificuldade de acesso às informações em grande parte das interfaces de
bibliotecas digitais pesquisadas, até mesmo por profissionais da área de
informação.

Na segunda etapa do projeto elaborou-se uma pesquisa para o levantamento
completo abrangendo: perfis dos usuários do site do SID e os serviços requeridos;
informações institucionais sobre o SID; serviços/produtos oferecidos pelo SID;
serviços/produtos oferecidos externamente, relacionados ao SID e de interesse
dos usuários. Para este levantamento, o projeto contou com a colaboração de
vários estagiários e funcionários do SID.

O resultado do levantamento foi a seleção de uma grande variedade de serviços,
produtos e informações institucionais que deveriam ser disponibilizadas.

Na terceira etapa avaliou-se a padronização da interface. A Internet trouxe uma
explosão informacional e multiplicou as possibilidades de serviços oferecidos,
uma realidade também para o SID, que desde 1998 passou a informatizar os seus
processos e implementar uma grande variedade de serviços de acesso à
informação via Internet.

�Neste período foi possível observar um fato interessante: enquanto o site do SID
permaneceu estagnado, serviços Web do seu âmbito de atuação e de grande
relevância para comunidade: como a biblioteca digital do INPE e o sistema de
gerenciamento que viabiliza a pesquisa on-line ao acervo físico, evoluíram
tecnologicamente, com interfaces próprias e independentes.

Segundo Dias (2003), para garantir a consistência de portais/sites é necessário
padronizar interfaces, utilizando o mesmo layout gráfico, terminologias, conjunto
de cores e fontes. Portanto, adotar uma padronização significa oferecer um
projeto com maior consistência, que segundo o autor é um dos princípios da
usabilidade. Nesta fase do projeto definiu-se como meta reverter o processo
observado no decorrer dos anos adotando uma padronização.

O site original do SID é uma interface institucional, acessada a partir de uma área
de destaque da página principal do INPE, que recentemente sofreu um amplo
processo de reformulação. Sendo assim, optou-se por seguir o mesmo estilo
adotado para esta nova versão, no intuito de contribuir para a unidade e
identidade corporativa da instituição.

Na quarta etapa iniciou-se

a

modelagem

da

Interface Web.

Para

o

desenvolvimento de interfaces Web é necessário esgotar todos os recursos
disponíveis para reduzir os caminhos percorridos pelo usuário até chegar à
informação.

Neste contexto, temos a estratégia do portal raso, que adota uma única página de
acesso, contendo todos os links de interesse claramente expostos no menu,
conduzindo o usuário diretamente para o conteúdo de interesse. O problema
desta estrutura é quando o número de links expostos no menu ultrapassa o limite
tolerável pelo usuário (van AMSTEL 2004).

Um recurso para reduzir o número de links no menu principal é a criação de submenus. No entanto, este recurso deve obedecer a uma taxonomia/classificação.

�A semiótica introduz conceitos fundamentais para se obter uma taxonomia
estruturada das informações. A partir da classificação hierárquica dos itens, podese identificar aqueles que poderão ser transferidos do menu principal para o submenu, tornando-se visualmente ocultos para o usuário ao acessar a página
principal do site, mas ainda assim, acessíveis em sua lógica de acesso.

Esta é uma das fases mais complexas e demoradas do projeto: definir rótulos e
hierarquias. Se por exemplo, a nomenclatura de acesso para um rótulo textual for
inconsistente, ou for incorporado em uma categoria que não faz sentido para o
usuário, a informação simplesmente não será encontrada.

O problema é que na taxonomia, uma nomenclatura inadequada pode deixar o
usuário confuso o suficiente para questionar toda sua ordem interna. Em seu
estudo embasado em conceitos de semiótica, van Amstel 2004, comprova esta
afirmação ao descrever detalhadamente a reação de um usuário ao tentar
encontrar um serviço on-line de biblioteca a partir da interface de uma instituição,
que no caso utilizou “Portal da Informação” como nomenclatura de acesso para o
serviço. Apesar de ser um termo usual para os profissionais da área da
informação, o teste demonstra claramente que o usuário não interpreta esta
nomenclatura como “sinônimo de acesso” ao serviço procurado. No exemplo
muito bem colocado pelo autor, a primeira reação do usuário foi procurar o serviço
dentro de “ensino” por pressupor “aprendizado” e seqüencialmente “pesquisa”. Ao
perceber que a classificação das informações no site não utilizava a mesma
lógica de acesso, o usuário passa por uma exaustiva fase de “tentativa e erro” e
após inúmeros cliques, não consegue encontrar o serviço.

E o autor complementa: A estrutura de navegação de um site é sua espinha
dorsal. Se não for consistente e usável pelo usuário tanto quanto ele espera que
seja, o site terá falhado no seu intento. Num primeiro momento, o usuário observa
em linhas gerais um menu de navegação, num segundo ele percebe o
posicionamento das opções do menu e, num terceiro, ele estabelece uma
hipótese de como usá-lo.

�Marcondes (2001) especifica que a representação do usuário ao interpretar o
“objeto” deve situar-se entre dois extremos para economizar energia e assim
realizar o seu papel: ser suficientemente rica sob o aspecto cognitivo e ao mesmo
tempo, sintética no sentido de economizar a energia do usuário de uma maneira
significativa.

Atualmente, projetos de portais e sites são implementados, sem que seja dada a
devida importância para esta fase de desenvolvimento. Durante a fase de
definição dos rótulos textuais, deve-se evitar nomenclaturas de acesso técnicas,
não-habituais,

com

definições

recentes,

genéricas

ou

classificadas

hierarquicamente em categorias inconsistentes na visão do usuário, para não
comprometer o acesso às informações.

Segundo Guzzo (2004) “Interfaces inteligentes partem da premissa que os
sistemas devem adaptar-se as pessoas, e não o contrário, sendo uma forma de
melhorar o aproveitamento de bibliotecas digitais e efetivando satisfatoriamente
seu uso”.

Para detectar este tipo de inconsistência é necessária uma análise constante do
projeto por usuários eventuais com diferentes perfis e a formação de uma equipe
multidisciplinar durante a elaboração desta fase do projeto.

Segundo Vicentini (2000), independente de qual estrutura será utilizada, é
fundamental manter uma organização hierárquica da informação disponibilizada,
que permita ao usuário do SITE manter-se nele o maior tempo possível.

Estudos recentes alertam sobre a necessidade de implementação de novos
projetos de Bibliotecas Digitais cuja arquitetura da informação possua uma
abordagem centrada no usuário. (CAMARGO, VIDOTTI, CAMARGO, 2004;
GUZZO 2004).

�Estes trabalhos sugerem a utilização de agentes em serviços de Disseminação
Seletiva da Informação (DSI), onde a seleção dos dados é proveniente do interrelacionamento entre as fontes de informação que compõem a biblioteca digital e
o repositório de perfis de usuários resultando em interfaces customizadas. Ou
seja, será exibida uma determinada interface para a biblioteca digital, dependendo
dos dados preenchidos previamente pelo usuário ao se cadastrar no site. Neste
caso o site poderia exibir um determinado sistema de navegação, com opções de
serviços baseadas no perfil do usuário.

No entanto, esta dinâmica de acesso às informações precisa ser muito bem
planejada, para não restringir o acesso e impedir a divulgação de outros serviços
que também poderiam ser de interesse do usuário. Neste caso é o sistema que
determina a interface que será exibida a partir do cadastro enviado pelo usuário.

Nesta proposta sugerimos um modelo simples de ser implementado, mas que
permite a exibição de um sistema de navegação customizável pelo usuário, sem
necessidade de um cadastramento prévio. O sistema de navegação foi
classificado baseando-se nos perfis dos usuários. A estrutura de menu dinâmico
permite que o usuário escolha em qual categoria pretende acessar as
informações. Após interagir com o menu, caso o usuário opte por personalizá-lo,
como por exemplo, fechando a categoria de outros perfis de usuários que não são
do seu interesse, a opção de personalização estará continuamente disponível na
interface.

Atualmente o SID atende diferentes tipos de usuários, os quais classificamos em
quatro categorias de acordo com a permissão de acesso e os serviços utilizados
atualmente a partir do site. As categorias são as seguintes: usuário, bibliotecário e
administrador.

A categoria “Usuário” é ampla, abrangendo serviços do acervo digital, do acervo
físico, das bases externas e sobre o SID. Como as pesquisas sobre o SID não
são tão solicitadas como as demais, optou-se por classificá-las no menu como

�uma categoria separada, denominada “Sobre o SID” para significar rapidamente
aos usuários que se trata de uma área destinada às informações institucionais

A figura abaixo mostra o quadro esquemático com os tipos de usuários / serviços
utilizados a partir do site.

Como mostra o esquema, o “Administrador” possui apenas uma nomenclatura de
acesso: ”Área Restrita”, que permite acesso aos serviços de seu interesse. Como
não seria viável criar uma área para o administrador contendo apenas um tópico,
optou-se por transferir este item para a área do Bibliotecário, que após o
administrador, seria hierarquicamente a categoria com mais privilégio para o
gerenciamento de serviços on-line.

�A figura abaixo mostra a interface da fase atual do projeto.

Conclusão

Para a apresentação deste projeto foi realizada uma revisão de literatura, com
estudo dos conceitos sobre usabilidade, arquitetura da informação e semiótica.
Também foi realizado um estudo detalhado sobre o SID e seus diferentes perfis
de usuários.

Neste projeto a taxonomia foi elaborada baseando-se no perfil dos usuários,
visando aumentar a sua interação em relação ao sistema. O resultado do projeto
foi uma interface original, de fácil implementação, com um sistema de menu
dinâmico e customizável pelo usuário (sem a necessidade de um cadastramento
prévio).

A nova estrutura também garantiu a divulgação dos serviços oferecidos pelo SID
para os outros perfis de usuários, podendo ser consultada a qualquer momento
sem a necessidade de um recadastramento.

�O projeto pretende ser um portal comunicativo, interativo e dinâmico. Neste
sentido, a participação dos usuários é essencial desde a etapa de construção do
site. A continuidade desta interação com o usuário está prevista através de
avaliações constantes.

Estão sendo pesquisados para uma próxima fase deste trabalho, alguns métodos
para avaliação da usabilidade da interface proposta através de uma amostra de
usuários. Entre eles estão sendo estudados o protocolo think-aloud e outros
métodos de pesquisa através de filmagens. Também pretende-se avaliar a
interface a partir de programas de avaliação de qualidade de bibliotecas digitais,
como DigiQual, uma pesquisa online para usuários de bibliotecas digitais.
(KYRILLIDOU, GIERSCH 2005)

Paralelamente está prevista a implantação de um sistema de notícias e uma
enquête via Internet. A avaliação do portal do SID pelos seus usuários será tema
de um estudo mais amplo, uma dissertação de mestrado.

Retomando a questão da usabilidade em sites de informação, discutida por vários
autores, pretende-se que o portal do SID ofereça um acesso eficiente e adequado
aos usuários. Este é um desafio para as atuais bibliotecas que dispõem de uma
quantidade imensa de serviços e produtos, mas enfrentam dificuldades para a sua
disponibilização através dos sites.

Esperamos que o resultado deste trabalho possa contribuir no sentido de
incentivar o surgimento de novas propostas e estudos para a melhoria do acesso
às informações disponibilizadas pelas bibliotecas institucionais.

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                <text>O presente trabalho relata a experiência sobre a criação do portal para o Serviço de Informação e Documentação (SID), cujo site original foi desenvolvido em 1998. Após o estudo de interfaces de bibliotecas nacionais e internacionais, trazemos aqui uma proposta original para a Biblioteca do INPE com uma nova disposição e acesso às informações, no intuito de transformar o site do SID em um portal de fácil comunicação e interatividade, que constitua em uma importante ferramenta para a disseminação do conhecimento. A Internet oferece um ambiente promissor na área da comunicação, diminui as distâncias e diversifica as possibilidades deserviços oferecidos. Neste contexto é essencial que tenhamos novas propostas de interfaces para bibliotecas, que acompanhem os avanços tecnológicos, tornando acessível ao usuário este novo universo de produtos e serviços. A virtualidade traz para a pesquisa acadêmica novos métodos de acesso à informação, proporcionada por intermédio da interface Web, que deve ser planejada detalhadamente para que diferentes categorias de usuários possam usufruir igualmente das informações disponíveis. O embasamento em conceitos de semiótica na informática, área em crescimento que trata da interface como um meio de comunicação visual, é um aliado para o desenvolvimento de projetos Web.</text>
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                    <text>REPOSITÓRIOS INSTITUCIONAIS BASEADOS EM DSPACE E EPRINTS E
SUA VIABILIDADE NAS INSTITUIÇÕES ACADÊMICO-CIENTÍFICAS
Cassandra Lúcia de Maya Viana,
IBICT – SAS Q. 5 Lt. 6 Bl. H - Brasil
cassandra@ibict.br
Miguel Angel Márdero Arellano
IBICT – SAS Q. 5 Lt. 6 Bl. H - Brasil
miguel@ibict.br

RESUMO
Os repositórios institucionais representam uma inovação na gestão de documentos
eletrônicos dentro das instituições de ensino superior (IES). A eficiência no uso desses
repositórios requer a definição e a aplicação de políticas institucionais que viabilizem o
seu pleno funcionamento. Foram compiladas as políticas presentes na literatura, no
diretório internacional ROAR, bem como aquelas baseadas na experiência dos autores,
no IBICT. O trabalho apresenta algumas diretrizes para a elaboração dessas políticas
nas IES.

Palavras-chave: Repositórios institucionais, DSpace, Eprints, Políticas institucionais.

INTRODUÇÃO
Na área de inovação tecnológica para o gerenciamento de conteúdos
digitais, os repositórios institucionais (RI) estão sendo considerados uma forma
eficaz de preservação da produção intelectual dos especialistas de uma ou várias
instituições.

Construídos

governamentais,

no

garantem

contexto
a

das

visibilidade

universidades
das

coleções

e

instituições

digitais

pela

potencialização do acesso à informação e pela criação de indicadores da
qualidade da produção científica nas organizações, mostrando a relevância de
suas atividades e o valor da instituição.

DESENVOLVIMENTO
1. Os open archives e os repositórios digitais

�

��

�Com

o

surgimento

da

Iniciativa

dos

Arquivos

Abertos�

�www.openarchives.org), inicialmente conhecida como UPS (Universal Preprint
Service), na última década do século XX, diminuíram as dificuldades que os
autores enfrentavam para disponibilizar o resultado das suas pesquisas
internacionalmente, aumentando a sua visibilidade e a estimativa de impacto na
comunidade, o qual é medido pelo grau de usabilidade alcançado (HARNAD,
1999).

Através dos padrões de interoperabilidade do modelo OAI: metadados
(Dublin Core), protocolo de harvesting (o OAI-PMH), dentre outros, os autores e
os editores interessados em disponibilizar suas publicações abertamente podem
ter seus trabalhos compartilhados com outras instituições. Esta é uma das formas
utilizadas pelas universidades para apoiar a divulgação dos resultados de
pesquisas científicas, criando mecanismos para legitimar e estimular a
publicação dos trabalhos produzidos (LYNCH, 2003).

2. Definições
Um repositório digital é uma forma de armazenamento de objetos digitais
que tem a capacidade de manter e gerenciar material por longos períodos de
tempo e prover o acesso apropriado.

Os repositórios digitais dividem-se em: temáticos e institucionais. Os
repositórios temáticos cobrem uma determinada área do conhecimento. Já os
repositórios institucionais (RI) são sistemas de informação que armazenam,
preservam, divulgam e dão acesso à produção intelectual de instituições e
comunidades científicas, em formato digital e podem ser acessados por diversos
provedores de serviços nacionais e internacionais.

“Segundo meu ponto de vista, um repositório institucional acadêmico é um
conjunto de serviços que a universidade oferece para os membros da sua
comunidade, para o gerenciamento e disseminação do material digital criado pela

�

��

�instituição e pelos seus membros. É essencialmente o compromisso de uma
instituição de cuidar do material digital, incluindo a preservação a longo prazo,
quando apropriada, a organização, acesso e distribuição.” (LYNCH, 2003)

Para Harnad (2003), os repositórios institucionais servem para: o autoarquivamento da produção científica institucional; o gerenciamento da coleção
digital institucional; prover material para o Ensino à Distância; viabilizar a
publicação eletrônica; e preservar o conteúdo digital Institucional.

Para Pinfield, Gardner e Macoll (2002), a principal meta dos repositórios
institucionais é envolver os pesquisadores e usuários. A participação destes
agentes é fundamental para a manutenção do repositório. Eles precisam tanto
contribuir com conteúdo para o RI, como também usá-lo para consultas e acesso
à literatura técnico-científica de outras instituições.

3. As ferramentas para repositórios institucionais
A implementação do RI pode se realizada de uma forma simples: uma
estrutura hierarquizada, acesso via web e metadados coletados através do
protocolo OAI-PMH, permitindo assim que os usuários, ao usarem qualquer
mecanismo de busca da Iniciativa dos Arquivos Abertos, possam encontrar e
recuperar o conteúdo do repositório.

Os sistemas existentes aplicam-se à ampla maioria dos contextos
institucionais, permitindo uma variedade de funcionalidades e recursos para
gestão de documentos eletrônicos.

Alguns desses softwares foram analisados pelo Open Society Institute
(2004),
a
saber:
CDSWare
(http://cdsware.cern.ch);
EPrints
(http://software.eprints.org/);
Fedora
(http://www.fedora.info);
Archimède
(http://archimede.bibl.ulaval.ca/); ARNO
(http://www.uba.uva.nl/arno); iTor
(http://www.i-tor.org/en/toon);
MyCoRe
(http://www.mycore.de);
Bepress
(http://www.bepress.com).

�

��

�Os softwares mais utilizados, atualmente, são o Eprints e o DSpace.

3.1 O EPrints
O EPrints (http://www.eprints.org), desenvolvido pela University of
Southampton, inicialmente destinado à divulgação e publicação da produção
científica de determinada área de conhecimentos, tem se mostrado apropriado
também para a construção de repositórios institucionais. É uma ferramenta
aberta, relativamente fácil de instalar e adaptável às necessidades de qualquer
instituição de ensino e pesquisa.

Os repositórios baseados no EPrints permitem o depósito de pré-prints
(trabalhos ainda não publicados), pós-prints (já publicados), outros tipos de
publicações, comentários e versões, bem como de outros tipos de documentos.

3.2 O DSpace
O DSpace é um software livre desenvolvido pelo Massachusetts Institute
of Technology (MIT) Libraries e pelos Laboratórios Hewlett-Packard para criação
de repositórios institucionais e multidisciplinares para bibliotecas, arquivos e
centros de pesquisa.

Sua estrutura provê um modelo de informação organizacional baseado em
“comunidades” e coleções, o qual pode ser configurado de modo a refletir todo o
conjunto de unidades administrativas de uma instituição. Permite a configuração
do processo editorial nos moldes dos periódicos tradicionais, incluindo a
possibilidade de revisão pelos pares. Suporta os mais variados tipos de formatos
de arquivos digitais, incluindo textos, som e imagem.

3.3 Considerações gerenciais
Tanto o Eprints como o DSpace são apropriados para a criação de
repositórios institucionais e ambos estão configurados de modo a permitir sua

�

��

�interoperabilidade com outros sistemas de publicação e armazenamento de
documentos eletrônicos. Porém, algumas questões devem ser levadas em conta
durante o processo de planejamento e projeto de um RI, a saber: a) as
funcionalidades referentes às tarefas de alimentação requerem aperfeiçoamento;
b) o eficiente desempenho de seus componentes, segundo os requisitos de um
repositório institucional, demanda o estabelecimento de políticas específicas; c) o
interesse na adoção de soluções alternativas que impliquem no acréscimo de
funções, customizações ou na alteração da configuração padrão destes
softwares deve ser precedido de ampla discussão sobre a sua relação custobenefício, tanto nos aspectos técnológicos, quanto no que se refere à alocação
de recursos humanos especializados em programação com códigos Java e Perl;
d) a proposta de adoção de qualquer um destes softwares requer uma estimativa
prévia dos custos envolvidos e um prognóstico dos gastos prováveis a serem
realizados anualmente por parte da universidade e da biblioteca; e e) a tomada
de decisão quanto à melhor arquitetura para o desenvolvimento do repositório
institucional deve levar em conta ainda, a amplitude organizacional, isto é, o porte
da instituição (quantidade de órgãos que compõem a sua estrutura hierárquica).

4. A experiência do IBICT com os repositórios digitais
Desde 2003, no IBICT foram realizados estudos sobre ferramentas para
repositórios institucionais (CAFÉ et al, 2003). Concretamente, as pesquisas
foram iniciadas através da avaliação das ferramentas mais adequadas para essa
finalidade. Algumas das ferramentas analisadas foram: Archimede da Layal
University Library Software, o CDSware do CERN, o FEDORA da Universidades
de Virginia e Cornell e o DSpace do MIT.
4.1 O Diálogo Científico
O Eprints (versões 2.2.1 e 2.3.7), software de código livre que favorece a
comunicação entre pesquisadores, foi traduzido e customizado pelo Instituto
Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia e denominado “Diálogo
Científico”. Destinado à Ciência da Informação, o software vem sendo
compartilhado com instituições de ensino e pesquisa no país. A

�

��

�4.2 O DSpace RIDI
A primeira implementação do DSpace em língua portuguesa, em
novembro de 2002, foi realizada pela Universidade do Minho, em Portugal, e
resultou na criação do seu repositório institucional (RODRIGUES et al, 2004), o
RepositoriUM. A partir de então o IBICT iniciou atividades de experimentação
com este software. Em 2004 a Biblioteca do Supremo Tribunal de Justiça teve
assessoramento do IBICT para a criação do repositório institucional BDJur,
(BASEVI, 2004). Além disto, o IBICT estabeleceu uma parceria com a
Universidade de São Paulo (USP) que resultou na criação do Reposcom –
Repositórios Institucionais em Ciências da Comunicação (FERREIRA, S.;
SOUTO, P, 2005).

Dentro do IBICT o RI surgiu com o projeto piloto denominado RIDI
(Repositório Institucional Digital do IBICT) visando recuperar a documentação de
todas as atividades de pesquisa, publicando os conteúdos que se encontravam
dispersos em vários departamentos.

4.3 O DSpace IBICT - nova versão
O IBICT está trabalhando em uma nova versão do DSpace totalmente em
português (Brasil) e baseada na versão mais atual deste software. O produto
encontra-se em fase final incluindo sua revisão e a criação do “pacote” que será
repassado a outras instituições.

5. A implementação de repositórios institucionais nas IES
Segundo Crow (2002), os repositórios digitais são uma resposta a dois
assuntos estratégicos das IES: a) prover um sistema que expande o acesso à
resultados de pesquisa, garantir o controle da produção acadêmica, aumentar a
competição e reduzir o monopólio dos periódicos, minorar custos e destacar a
relevância da própria instituição e das bibliotecas; e b) servir como indicadores
potenciais da qualidade da universidade e demonstrar a relevância científica,

�

��

�social e econômica das atividades de pesquisa, para aumentar sua visibilidade,
status e valor público.

Porém, já há algum tempo Pinfield (2002, p. 3) afirmava que os
verdadeiros desafios na implementação de repositórios institucionais são as
questões culturais e organizacionais.
Uma das dificuldades existentes é conseguir levar os autores ao autoarquivamento sistemático de sua produção intelectual. Uma alternativa é que os
responsáveis pelo repositório ou os bibliotecários depositem os itens em nome
dos autores, ao menos no início do desenvolvimento do repositório. Também
pode haver a necessidade de formatação ou de conversão de arquivos de modo
a poder carregá-los para o servidor do repositório. A mesma alternativa é
sugerida como solução. Em ambos os casos, as bibliotecas, por estarem mais
bem preparadas para prover a normalização na preparação dos documentos
digitais, podem facilitar o trabalho dos autores de contribuírem com suas
pesquisas para os repositórios institucionais (PINFIELD; GARDNER; MACOLL,
2002).

Um repositório institucional nunca é uma iniciativa isolada. O RI permite
que as bibliotecas possam trabalhar de um modo interdisciplinar enquanto os
canais formais e informais de comunicação continuam a evoluir. Assim também
ele muda o papel passivo das bibliotecas, de apenas receptoras de material
publicado para agentes ativos na determinação do gerenciamento do conteúdo
relevante próprio (NIXON, 2002).

6. As políticas institucionais identificadas
Realizou-se a compilação de políticas institucionais referentes à
implementação de repositórios institucionais a partir de 3 fontes: a) da literatura
científica sobre os open archives; b) do diretório internacional (ROAR); e c) da
própria experiência dos autores.

�

�

�As políticas identificadas foram submetidas a processos de racionalização
analítico-sintéticos, considerando fatores como: áreas institucionais de atuação,
propriedades em comum, possíveis interrelações e padrões que permitissem a
inferência de diretrizes básicas para a elaboração políticas institucionais válidas
para nortear a implementação de RI em IES.

6.1 Políticas relacionadas a direitos de autor
Um dos fatores mais importantes a serem considerados em uma política
de depósito/submissão de documentos eletrônicos são os direitos autorais. No
que diz respeito aos repositórios, apesar de tratar-se de serviços de acesso livre,
todos os trabalhos depositados continuam sendo propriedade intelectual dos
seus respectivos autores. Cabe a estes a responsabilidade de decidir o que deve
ou não ser depositado e que documentos podem ou não ser consultados na
íntegra.

Nas instituições em geral, a maior parte dos documentos e publicações
técnico-científicas é resultado das atividades de seus recursos humanos e, por
isto, pode ser auto-arquivada e disponibilizada no Repositório. O acesso aberto,
sem restrições de copyright é viável pelos seguintes motivos: a) os autores são
os que detêm os direitos intelectuais das suas teses e dissertações, da maioria
dos trabalhos apresentados em eventos (a menos que tenham transferido todos
os direitos explicitamente), dos relatórios técnicos, working papers, etc.; b) a
maioria significativa dos periódicos científicos (aproximadamente 92%) permite
algum tipo de auto-arquivamento dos pré-prints (versões de trabalhos anteriores
à avaliação pelos pares e aceite para publicação) e/ou de pós-prints (versão final,
depois de ter sido avaliada pelos pares aprovada para publicação) dos artigos
que eles publicam; e c) mesmo em dubious situations ou quando autores
assinaram alguma forma de transferência de copyrights restrito, a consulta
àqueles que detêm os direitos pode resultar na autorização (ou no mínimo na não
proibição) do auto-arquivamento no RI.

�

�

�A disponibilização de documentos em acesso aberto pode constituir uma
infração apenas nos casos de licença concedida a terceiros (editores, etc.) pelo
autor(s) instituição, ou por conter assuntos confidenciais ou que sejam
destinados a comercialização (livros, etc.). Neste caso, apenas a sua referência
(seus respectivos metadados) será disponibilizada no repositório.

6.2 Políticas de depósito/submissão de documentos
Todo o corpo técnico-científico e administrativo-gerencial de todas as
unidades organizacionais da instituição, autores ou co-autores de trabalhos e
relatórios produzidos no exercício de suas funções dentro ou para a instituição,
estão aptos a realizar o auto-arquivamento desses documentos no RI.
Entretanto podem existir políticas específicas para determinados tipos
documentais, com sua conseqüente priorização ou restrição, tais como: teses e
dissertações; documentos classificados com grau de sigilo (ultra-secretos,
secretos, confidenciais, reservados) etc.
Cada departamento, instituto etc., bem como coordenações de projetos,
programas e serviços, deverão estabelecer e adotar as políticas mais
apropriadas para cada tipo de trabalho produzido. Além disso, deve haver algum
documento oficial da instituição, tal como um Termo de Entendimento
(UNIVERSIDADE DO MINHO, 200-) ou repasse, que contenha as regras e
responsabilidades a serem assumidas pelos responsáveis pelo RI como requisito
para o seu depósito no repositório.

6. 3 Políticas relacionadas ao acesso à informação
É possível desenvolver novos serviços de disseminação de informações a
partir do repositório, que permitem ampliar e agilizar a utilização de seu
conteúdo. Também, devem ser adotados padrões e tecnologias que viabilizem a
interoperabilidade do repositório com outros provedores de dados e de serviços.

�

�

�Além disso, é necessária a definição dos níveis e perfis de permissões de acesso
para o gerenciamento de Comunidades, Coleções e Itens.

Podem ser adotados dois tipos básicos de acesso: a) o acesso livre ao
conteúdo do RI, para o público em geral, excetuando-se o caso dos documentos
considerados confidenciais, que já deverão ter sido estabelecidas previamente
durante o desenvolvimento de poíticas de depósito de conteúdos no repositório; e
b) o acesso restrito, no caso daqueles que não são disponibilizados
integralmente, ou que só

podem ser consultados e/ou descarregados pelo

pessoal da instituição ou de um projeto ou programa específico

6. 4 Políticas para engajamento de pesquisadores / autores
É necessário definir estratégias para divulgação, intercâmbio de
documentos e troca de experiências com a comunidade científica internacional
através da infra-estrutura tecnológica que suporta o repositório. Também deve
ser considerada a possibilidade de se promover eventos, reuniões, contatos etc.
visando: a promoção e divulgação do repositório para toda a instituição e
também para a sociedade como um todo; e a demonstração dos benefícios e
vantagens do acesso aberto e do auto-arquivamento sistemático. O objetivo é
promover a conscientização da relevância e vantagens da publicação e
divulgação de sua produção intelectual internamente (garantia da autoria;
diminuição da ocorrência de re-trabalho; possibilidade de queimar etapas;
processo de aprendizagem organizacional etc.) e externamente (reconhecimento
internacional; valorização pela comunidade científica etc.).

Os responsáveis pelo projeto do RI podem estudar, juntamente com a alta
administração da instituição, a viabilidade de se conferir algum tipo de vantagem
pecuniária para os autores mais produtivos e/ou os mais citados em função de
seu auto-arquivamento no repositório.

6. 5 Políticas para editores e revisores do RI

�

� �

�Definição dos papéis de administradores, depositantes, revisores (de
metadados etc.), editores (avaliadores de conteúdo) e outros que se fizerem
necessários. Pode-se distribuir, mediante acordo mútuo, as responsabilidades do
repositório

aos

técnicos/pesquisadores

(revisão

pelos

pares

etc.);

aos

bibliotecários (revisão de metadados etc.) e a outros funcionários, sempre
levando em conta sua formação e as competências de cada categoria.

6. 6 Políticas para preservação digital
Definição dos tipos de documentos que devem ser preservados; e
definição dos requisitos tecnológicos (software, metadados, protocolo de coleta
de metadados etc.) mais apropriados para a preservação digital. Deve-se
promover a conscientização, em toda a instituição, quanto à importância da
preservação da memória institucional; estratégias de sensibilização da alta
gerência, bem como de conscientização de todos quanto à importância da
preservação a longo prazo.

6. 7 Políticas para envolvimento dos stakeholders
Definição de plano de marketing e/ou estratégias de comunicação e
promoção para o repositório; e definição de estratégias para dirimir dúvidas e
contornar dificuldades relativas a: questões de direito de autor, hábitos e valores
dos pesquisadores, barreiras tecnológicas. Pode ser necessário apresentar o
projeto para comitês e grupos de pesquisadores, incluindo recomendações para
sua efetivação de modo a obter o comprometimento de todos os agentes
institucionais (professores, alunos, corpo técnico-gerencial etc.).

6. 8 Políticas para os Centros e Departamentos
Estes devem ter autonomia para definir seus níveis de permissão e papéis
conforme as características da área de conhecimento; definir estratégias para
que se comprometam com a política de auto-arquivamento da instituição; manter
contato para obtenção dos dados necessários à criação da sua comunidade; o
órgão de mais alta hierarquia (reitoria etc.) pode atribuir financiamento adicional

�

���

�aos centros e departamentos que atingiram determinado número ou tipo de
documentos depositados em um determinado período;

6.9 Políticas de atuação dos responsáveis pelo RI
Avaliar e adotar os padrões tecnológicos mais adequados no que se refere
a: metadados, protocolo de comunicação e harvesting, formatos de arquivos etc;
estabelecer as normas gerais para publicação de originais no RI; integrar o RI a
outras iniciativas nacionais de registro e divulgação da produção técnicocientífica nacional, visando ampliar a projeção da literatura nacional para o
exterior, bem como aumenter os recursos para acesso às informações
disponíveis no ambiente externo à instituição; responsabilizar-se pelos níveis de
acesso (livre ou restrito) aos conteúdos do RI conforme lhe tiver sido outorgado
em Termo de Entendimento ou outro; avaliar e adotar as políticas mais
adequadas quanto à avaliação de conteúdo, revisão de metadados e demais
fluxos relacionados ao depósito/submissão de conteúdos para o repositório;
estabelecer as normas para publicação de originais no RI.

6. 10 Políticas implementadas em âmbito internacional
O diretório internacional de repositórios Registry of Open Access
Repositories

(ROAR)

(http://archives.eprints.org/)

monitora

e

descreve

os

repositórios que são nele cadastrados. Os repositórios do Brasil, ali registrados,
perfazem um total de 13, todos desenvolvidos com ferramentas que obedecem ao
padrão dos open archives. Apesar disto, ainda não se pode considerar esses
sistemas, como autênticos exemplos de RI, em função do que foi apresentado
em item anterior, pelos autores, na literatura nacional e internacional. Um dos
motivos é que seus conteúdos não representam toda a produção de suas
respectivas instituições. Além disto, elas não possuem políticas formais
estabelecidas nem mesmo para o depósito e o acesso ao seu conteúdo.

Isto

pode

ser

verificado

através

do

ROARMAP

(http://www.eprints.org/openaccess/policysignup/), que apresenta links e gráficos

�

���

�demonstrando o processo de desenvolvimento da adoção de políticas
institucionais, em nível internacional. Ali se verifica que, de todos os países
cadastrados, apenas Austrália, França, Alemanha, Índia, Noruega, Portugal,
Suécia, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos (total de 10) informaram ter
adotado políticas formais para seus repositórios. Quanto ao Brasil, nenhuma
instituição registrou qualquer política, até o momento.

Em todos os casos registrados, incluindo o da “CERN: European
Organization for Nuclear Research”, observa-se a unanimidade no tipo de
políticas adotadas, as quais se relacionam apenas a auto-arquivamento. Além
disto, a CERN, juntamente com outros 5 países informou ter adotado essas
políticas em caráter obrigatório. Para cada um destes repositórios, os gráficos
representativos da quantidade de depósitos efetuados demonstram que houve
um crescimento significativo e praticamente duplicado desta atividade, em todas
as instituições.

CONCLUSÃO
A escolha da tecnologia para implementação de um RI deve ser coerente
e compatível com políticas previamente definidas. As tecnologias dos open
archives fornecem variadas opções e representam apenas meios para a
concretização dos objetivos das IES.

As políticas avaliadas apontam para o desenvolvimento de um referencial
teórico baseado em três grandes diretrizes, para as IES, na implantação de seus
RI. A primeira diretriz refere-se aos fatores de possível impacto no sucesso
deste empreendimento, a saber: a) auto-arquivamento e seus procedimentos; b)
questões de direitos autorais; c) fluxos de tarefas e especificações relacionados
ao depósito/submissão de documentos para o repositório; d) limitações,
vantagens e potencialidades do RI para acesso a informações; e) papel e
comprometimento dos autores/depositantes; f) atuação e fluxo de tarefas de
editores e revisores de conteúdo e metadados; g) relevância da preservação

�

���

�digital; h) necessidade de envolvimento dos stakeholders de toda a instituição; h)
responsabilidades de cada unidade organizacional dentro da IES (Instituto,
Departamento etc); i) atuação dos membros da equipe responsável pela
implantação do RI; e j) papel e atribuições dos profissionais de informação
durante todo o processo. A segunda refere-se à necessidade de envolver os
bibliotecários no processo de definição e aplicação das políticas mais
adequadas às características e requisitos de cada IES. E a terceira refere-se à
atuação desses profissionais de informação desde o processo de planejamento,
projeto e implantação do RI. Ess atuação abrange três áreas a) a integração do
fluxos de trabalho do RI com os serviços oferecidos aos usuários e seu
monitoramento; b) o levantamento das normas e padrões de sistemas de
informação, reconhecidos internacionalmente, que sejam aplicáveis e úteis à
implementação do RI; e c) o conhecimento e experiência quanto às fontes de
informação e às características bibliográficas das publicações seriada durante o
processo de definição de conteúdos e tipos documentais a serem aceitos pelo
repositório

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�

���

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                <elementText elementTextId="51381">
                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
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                <text>Repositórios institucionais baseados em DSPACE e Eprints e sua viabilidade nas Instituições Acadêmico-científicas.</text>
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            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
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            <description>An account of the resource</description>
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                <text>Os repositórios institucionais representam uma inovação na gestão de documentos eletrônicos dentro das instituições de ensino superior (IES). A eficiência no uso desses repositórios requer a definição e a aplicação de políticas institucionais que viabilizem o seu pleno funcionamento. Foram compiladas as políticas presentes na literatura, no diretório internacional ROAR, bem como aquelas baseadas na experiência dos autores, no IBICT. O trabalho apresenta algumas diretrizes para a elaboração dessas políticas nas IES.</text>
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                    <text>RESGATE DA MEMÓRIA CIENTÍFICA
REGISTRADA EM PERIÓDICOS DOS SÉCULOS XVIII, XIX E XX

Eliana Coutinho
coutinho@cict.fiocruz.br

Fundação Oswaldo Cruz
Biblioteca de Manguinhos
Av. Brasil 4365 – Manguinhos
21040-900 Rio de Janeiro – RJ – Brasil
bibmang@cict.fiocruz.br

�RESGATE DA MEMÓRIA CIENTÍFICA REGISTRADA EM PERIÓDICOS DOS
SÉCULOS XVIII, XIX E XX

Eliana Coutinho
Bibliotecária, Mestre em Ciência da Informação
Biblioteca e Manguinhos, Fundação Oswaldo Cruz
coutinho@cict.fiocruz.br

RESUMO
Os periódicos científicos surgiram no século XVII com o desenvolvimento das
academias científicas, passando a desempenhar importante papel na
comunicação científica, pois o registro público do conhecimento do pesquisador
promove seu prestígio e a integração entre os pares, além de ser a memória da
ciência. Ao longo de cem anos a Biblioteca de Manguinhos acumulou um grande
e valioso acervo de periódicos científicos, constituído de um elevado número de
títulos, sendo que algumas coleções remontam ao século XVIII. São publicações
representativas das ciências biológica, principalmente botânica, zoologia,
farmacologia, genética e ciências da saúde. Porém, nem todo este acervo
encontra-se disponível no catálogo online da Biblioteca. Calcula-se que cerca de
2.300 títulos permaneçam nas estantes sem possibilidade de recuperação
eletrônica, e, portanto, sem cumprir sua função primordial de divulgação de
informações, não só do ponto de vista científico, mas também no aspecto
histórico. Este trabalho tem como objetivo tornar possível o acesso às coleções
de periódicos científicos retrospectivos da Biblioteca de Manguinhos através de
recursos de informática, de modo a resgatar a memória científica mundial
representada nos artigos divulgados regularmente ao longo dos séculos XVIII, XIX
e XX.
Palavras-chave: Inventário de periódicos. Cooperação técnica. Redes de
cooperação.

1 INTRODUÇÃO
A Biblioteca de Manguinhos da Fundação Oswaldo Cruz foi fundada em
1900, juntamente com a criação do Instituto Soroterápico Federal, pois nesta
ocasião foram adquiridas as primeiras publicações que seriam o embrião do
acervo, todas impressas na Europa e algumas delas obras raras oriundas de
séculos anteriores. As revistas científicas também faziam parte desta coleção e
traziam para o País as descobertas científicas mais recentes. Em 1903 o material
bibliográfico passou a ocupar uma sala no recém inaugurado Pavilhão Mourisco,

2

�e na década de 1960, com o crescimento do acervo, principalmente dos
periódicos, a Biblioteca chegou a ocupar todo o terceiro andar. Mais tarde as
coleções de periódicos se expandiram tanto que foram transferidas para outro
prédio, até a inauguração do prédio próprio da Biblioteca de Manguinhos em
1995. No Pavilhão Mourisco permaneceram as coleções de periódicos anteriores
a 1930, compondo um acervo de cerca de 604 títulos nacionais e estrangeiros,
alguns deles encontrados somente na Biblioteca.

Ao longo de cem anos a Biblioteca acumulou um grande e valioso acervo
cientifico, calculado atualmente em mais de um milhão e meio de exemplares.
Este acervo vem atendendo a várias gerações de pesquisadores internos e
externos de forma muito constante e os periódicos são a maior parte deste
acervo, constituído de um elevado número de títulos de periódicos científicos,
algumas

coleções

que

remontam

ao

século

XVIII.

São

publicações

representativas das ciências biológicas, principalmente nas áreas da botânica,
zoologia, farmacologia, genética e das ciências da saúde, com ênfase nas áreas
da medicina, da farmácia e da saúde coletiva.

Porém, nem todo este acervo encontra-se disponível no catálogo online da
Biblioteca. Calcula-se que cerca de 2.300 títulos permaneçam nas estantes sem
possibilidade de recuperação eletrônica, pois quando da informatização da
Biblioteca, no fim da década de 1980, utilizando-se o software Micro-Isis, foram
inseridos na base de dados apenas as coleções dos periódicos correntes,
deixando-se para trás as coleções retrospectivas. Devido ao seu grande volume,
exigia-se a formação de equipe especial para incorporação de uma quantidade
muito grande de dados.

Como o número de títulos de periódicos correntes

também era bastante considerável, a rotina de inserção dos dados referentes aos
novos fascículos que chegavam regularmente absorvia completamente a equipe
do processamento técnico.

Em meados da década de 1990, com a aquisição do software israelense
Aleph, a base de dados que continha as coleções de periódicos correntes foi

3

�convertida para o novo sistema, passando a ser acessível através da internet,
mas as coleções retrospectivas continuaram sem visibilidade.

A partir de 1999 foram feitos vários trabalhos de levantamento dessas
coleções, mas até hoje ainda existem muitos títulos nas estantes sem registro no
catálogo online da Biblioteca, e, portanto, sem cumprir sua função primordial de
divulgação de informações, não só do ponto de vista científico, mas também no
aspecto histórico.

2

JUSTIFICATIVA
Os periódicos científicos surgiram no século XVII com o desenvolvimento

das academias científicas e como evolução do canal de comunicação usado até
então entre cientistas, que eram as cartas e as atas de reuniões. Sua finalidade
era a discussão dos resultados e a divulgação das investigações científicas e
tecnológicas. Passaram a desempenhar importante papel na comunicação
científica, pois o registro público do conhecimento do pesquisador promove seu
prestígio e a integração entre os pares, além de ser a memória da ciência.

O periódico é um veículo dinâmico de informação, levando rapidamente o
conhecimento técnico, científico ou cultural divulgado nos seus artigos à
comunidade interessada e tornando-se indispensável para a atualização e o
desenvolvimento das várias áreas. Por esta característica de dinamismo,
divulgando a última palavra no momento sobre os vários assuntos, o periódico
acaba sendo um registro dos acontecimentos do seu tempo, deixando
transparecer os contextos histórico, social e econômico e possibilitando pesquisas
históricas que mostram o desenvolvimento do conhecimento no Brasil e no mundo
ao longo dos tempos.

Numa biblioteca antiga, como a de Manguinhos, o estudo dos periódicos
de seu acervo não visa apenas um resultado de cunho bibliográfico, mas também
nos leva a curiosas descobertas do ponto de vista histórico.

4

�Este projeto, no entanto, não tem como pretensão evidenciar tais
descobertas, mas poderá contribuir muito para o estudo da memória científica
mundial nos séculos XVIII, XIX e XX, resgatando informações e permitindo o
acesso ao valioso acervo de periódicos retrospectivo existente na Biblioteca de
Manguinhos, através dos recursos modernos da informática.

Esse acervo atualmente está localizado em dois espaços distintos: as
coleções de 1930 em diante estão no prédio da Biblioteca, inaugurado em 1995 e
as anteriores, na Seção de Obras Raras, no Pavilhão Mourisco, antiga sede da
Biblioteca desde os primeiros anos do século XX.

No período de 2004 a 2006 foi efetuado um grande trabalho de
levantamento das coleções existentes nos Armazéns A e B do prédio da
Biblioteca que estavam ausentes da base de dados, com objetivo de disponibilizálas, não só no catálogo online da Biblioteca como também nos catálogos coletivos
das redes de cooperação do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e
Tecnologia (IBICT) e do Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em
Ciências da Saúde (BIREME).

Como resultado daquele trabalho, foram identificados 2.425 títulos
existentes nas estantes, mas sem informação no catálogo online. Destes títulos,
porém, só foi possível levantar as coleções de 1.706 deles, com 158.703
fascículos descritos, correspondentes às letras de A e Q. Foram ainda inseridos
no período 1.281 novos registros bibliográficos e 73.004 novos itens. Resta,
porém, cerca de 719 títulos das letras de R a Z, cujas coleções deverão ser
levantadas. Note-se que estes dados referem-se apenas aos Armazéns do prédio
da Biblioteca. Com relação ao acervo de periódicos raros existentes na Seção de
Obras Raras, parte dele foi objeto de outros levantamentos, mas ainda restam
muitas coleções sem registro e serem identificadas e planilhadas. Com relação a
estas coleções, é necessário ainda identificar as coleções que ainda não foram
trabalhadas.

3 OBJETIVOS

5

�3.1 OBJETIVO GERAL
Tornar possível o acesso às coleções de periódicos científicos retrospectivos da
Biblioteca de Manguinhos através de recursos de informática, de modo a resgatar
a memória científica mundial representada nos artigos divulgados regularmente
ao longo dos séculos XVIII, XIX e XX.

3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
3.2.1 Disponilizar no catálogo online da Biblioteca de Manguinhos registros
bibliográficos correspondentes a todos os títulos de periódicos existentes
no seu acervo com os respectivos itens que compõem as coleções;
3.2.2 Otimizar o acesso físico a toda a coleção de periódicos da Biblioteca de
Manguinhos;
3.2.3 Contribuir com as pesquisas na área de memória das ciências facilitando o
acesso a fontes históricas importantes;
3.2.4 Atualizar o catálogo coletivo do Instituto Brasileiro de Informação em
Ciência e Tecnologia (IBICT) e o Portal de revistas científicas do Centro
Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde
(BIREME) no que se refere às coleções de periódicos retrospectivos da
Biblioteca de Manguinhos.

4

METODOLOGIA

O trabalho será executado em duas etapas:
Na primeira etapa serão executadas as seguintes tarefas nos Armazéns do
prédio da Biblioteca de Manguinhos:

1. Como base na lista de títulos identificados como existentes nos Armazéns do
prédio da Biblioteca sem registro no catálogo online, será efetuado o
levantamento das coleções dos títulos de periódicos das letras R a Z,
descrevendo em planilha os dados dos fascículos com compõem as coleções;
2. Encaminhamento dos fascículos em mau estado para o serviço de
conservação do acervo;

6

�3. Verificação da organização alfabética dos títulos, efetuando o remanejamento
se necessário;
4. Envio das planilhas referentes aos títulos levantados para a equipe do Serviço
de Processamento Técnico, visando a inserção de novos registros
bibliográficos e dos itens que compõem as coleções no catálogo online da
Biblioteca.

Na segunda etapa serão executadas as seguintes tarefas na Seção de
Obras Raras, no Pavilhão Mourisco:
1. Geração de listagem alfabética de títulos de periódicos raros já inseridos no
catálogo online da Biblioteca;
2. Com base nessa listagem, identificação dos títulos de periódicos raros
existentes na Seção de Obras Raras sem registro bibliográfico no catálogo
online, relacionando-os em lista à parte;
3. Verificação da organização alfabética dos títulos, efetuando o remanejamento
se necessário;
5. Encaminhamento à equipe do Serviço de Processamento Técnico da relação
de títulos identificados nas estantes para pesquisa no Catálogo Coletivo
Nacional (CCN) do IBICT;
6. Recebimento das cópias impressas do registro das coleções no CCN para
auxiliar no levantamento das coleções;
7. Levantamento dos fascículos que compõem as coleções identificadas,
registrando os dados em planilhas próprias;
8. Encaminhamento dos fascículos em mau estado para o serviço de
conservação do acervo;
9. Envio das planilhas referentes aos títulos levantados para a equipe do
Processamento Técnico, visando a inserção de novos registros bibliográficos
e dos itens que compõem as coleções no catálogo online da Biblioteca.

À equipe do Serviço de Processamento Técnico caberá o seguinte trabalho
em paralelo:
1. Efetuar as pesquisas no CCN dos títulos identificados como inexistentes do
catálogo online da Biblioteca;

7

�2. Inserir no catálogo online os novos registros bibliográficos referentes aos
títulos levantados e itens que compõem as coleções;
3. Encaminhamento dos dados sobre as coleções ao catálogo coletivo do
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) e ao Portal
de revistas científicas do Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação
em Ciências da Saúde (BIREME) para atualização das informações sobre o
acervo de periódicos da Biblioteca de Manguinhos.

5

RESULTADOS ESPERADOS

A partir do trabalho desenvolvido no projeto, é esperado que o catálogo online da
Biblioteca de Manguinhos seja atualizado e reflita a real situação do acervo de
periódicos e que este acervo seja devidamente visualizado no Catálogo Coletivo
Nacional do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) e
no Portal de revistas científicas do Centro Latino Americano e do Caribe de
Informação em Ciências da Saúde (BIREME).

6

PERSPECTIVAS DO PROJETO

O levantamento do grande número de coleções retrospectivas existentes na
Biblioteca de Manguinhos e sua disponilização em fontes secundárias de
informação interna e externas poderá resultar em dois produtos distintos, que
são:

-

Proposta de metodologia para levantamento de coleções de periódicos em
grandes acervos, que poderá auxiliar os profissionais da área na execução
deste trabalho em outras bibliotecas;

-

Geração do catálogo de periódicos raros e especiais, divulgando
especificamente o acervo acumulado em cem anos de história da
Biblioteca e até então sem a devida visibilidade.

8

�7

REFERÊNCIAS

BORTOLETTO, Maria Élide; SANT'ANNA, Marilene Antunes. A história e o acervo
das obras raras da Biblioteca de Manguinhos. História, ciência, saúde :
Manguinhos, Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz, v. 9, n.1, p.187-203.
jan./abr. 2002.
BUSTAMANTE, Emilia Machado de. As bibliotecas especializadas como
fontes de orientação na pesquisa científica. Rio de Janeiro: Instituto Oswaldo
Cruz, 1958. 18 p. Reimpresso do Boletim Informativo do IBBD, v. 3, n. 516,
set./dez. 1957.
CAMPELLO, B.S; CAMPOS, C.M. Fontes de informação especializadas :
características e utilização. 2. ed. Belo Horizonte: UFMG, 1993. 160p.
FREIRE, E. A; MARINHO, S. M. O. X. O uso da tecnologia da informação na
Biblioteca de Manguinhos : relato de experiência. In: CONGRESSO BRASILEIRO
DE BIBLIOTECA E DOCUMENTAÇÃO, 21., 2004, Curitiba. Anais... Curitiba:
FEBAB, 2005.
RODRIGUES, J. G.; MARINHO, S M O X. A construção de uma ciência na
Fundação Oswaldo Cruz : o periódico científico. Rio de Janeiro, [2004]. 19 p.
Digitado.
RODRIGUES, J. G.; MOTA, A. O.; PAULA, M. O. Socialização do acesso à
coleção de periódicos científicos raros da FIOCRUZ. In: CONGRESSO
INTERNACIONAL DE BIBLIOTECONOMIA, 1., 2003, Rio de Janeiro. Anais... Rio
de Janeiro, 2003.
SOUZA, Denise H. Farias de. Publicações periódicas : processos técnicos,
circulação e disseminação seletiva da informação. Belém: Ed. Universitária UFPA,
1992. .229p.

9

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                    <text>RESTRUTURAÇÃO DAS INFORMAÇÕES DO LINK BIBLIOTECA NA
HOMEPAGE DA FACENE/FAMENE
Liliane Braga R. H. de Souza
Especialista em Gestão de Unidades de Informação/
UFPB,
Bacharel
em
Biblioteconomia/UFPB,
Bibliotecária das Faculdades de Enfermagem e
medicina Nova Esperança  Facene/ Famene, Brasil,
lilibraga@click21.com.br

Danielle Harlene da Silva Moreno
Especialista em Gestão de Unidades de Informação/
UFPB,
Bacharel
em
Biblioteconomia/UFPB,
Bibliotecária das Faculdades de Enfermagem e
medicina Nova Esperança  Facene/ Famene, Brasil,
danielleharlene@yahoo.com.br

Janaína Nascimento de Araújo
Especialista em Gestão de Unidades de Informação/
UFPB,
Bacharel
em
Biblioteconomia/UFPB,
Bibliotecária das Faculdades de Enfermagem e
medicina Nova Esperança  Facene/ Famene, Brasil,
janabiblio@click21.com.br

RESUMO

Apresenta o projeto de reestruturação do link biblioteca na homepage da
Faculdade de Enfermagem e Medicina Nova Esperança  FACENE/FAMENE.
Mostra o diagnóstico realizado para obtenção da situação atual, com a
problemática e as análises necessárias. Aborda a importância de se ajustar aos
padrões modernos e aprimorar as condições de acesso a informação com o uso
de tecnologias avançadas de maneira a explorar toda a potencialidade do site.
Trata a intenção de se utilizar o ciberespaço como um canal para oferecer
produtos e serviços, fornecer informações institucionais, estabelecer comunicação
com o seu usuário, ser um portal para outras fontes de informação de interesse.
Palavras-chave: Tecnologia da informação. Biblioteca  homepage

�1 INTRODUÇÃO
A história das Faculdades Nova Esperança confunde-se com a história de uma
família que resolveu investir na formação profissional na área da saúde, na cidade
de João Pessoa. Primeiro foi inaugurada a Escola de Enfermagem Nova
Esperança, com o curso de auxiliar e técnico de enfermagem e, mesmo antes de
concluir a primeira turma destes cursos, foi criado o projeto para implantação da
FACENE.

No dia 18 de novembro de 2000, o MEC dá parecer favorável à implantação da
Faculdade de Enfermagem Nova Esperança  FACENE, com conceito A. Já em
2001, após a autorização para funcionamento e realizado o vestibular, em 01 de
novembro de 2001 aconteceu a primeira aula inaugural iniciando as atividades
acadêmicas da nova faculdade.

Mais uma vez, antes de formar a primeira turma do curso de enfermagem é criado
um novo curso, originando a Faculdade de Medicina Nova Esperança  FAMENE,
em 09 de julho de 2004.

Nasce no Estado da Paraíba uma Faculdade com a missão de contribuir para o
desenvolvimento da saúde e da qualidade de vida das pessoas, fortalecendo e
ampliando o fluxo de informações em ciências da saúde, levando seus alunos ao
sucesso na vida profissional, pessoal e social, adotando uma postura pedagógica
interdisciplinar, que reflita sua abordagem holística do conhecimento, a
manutenção de currículos atualizados, oportunidades de educação continuada,
disponibilizando equipamentos avançados e oferecendo um sistema completo de
apoio ao estudante, para possibilitar e expandir sua empregabilidade.

É neste contexto que se insere a formação e estruturação da Biblioteca
FACENE/FAMENE, como órgão central de suporte aos planos e programas
acadêmicos da Instituição, de estímulo ao ensino, à extensão e a pesquisa
bibliográfica, científica e tecnológica.

�Não mais dependendo das instalações físicas da biblioteca as informações estão
ultrapassando as paredes, ou seja a mesma está se ajustando aos padrões
modernos, aprimorando as condições de acesso a informação. Para tanto as
bibliotecas universitárias estão utilizando os recursos da Internet para alcançarem
seus objetivos, utilizando ciberespaço, como um canal para oferecer serviços e
produtos, haver comunicação com o seu público, fornecer informações dentre
outros. Tornando-se indispensável as informações colocadas via WEB, pois a
finalidade é possibilitar a visibilidade dos produtos e serviços oferecidos.

2 DESCORTINANDO SOBRE HOMEPAGE

Homepage é um local onde qualquer pessoa ou organização pode publicar
informações. Uma empresa, por exemplo, pode publicar uma brochura, um
relatório anual, um manual de suporte técnico, ou ainda mostrar ao mundo, os
produtos e serviços que a ela oferece. A mesma é a página de entrada ou de
abertura de um site, escrita em linguagem HTML. Contém uma apresentação
geral, um menu e hiperlinks para as principais seções de seu conteúdo.

Tipos de Homepage com domínio, tem em evidência o nome do dono da página
ou do espaço na web, isto é, quando um site possui endereço semelhante a
www.facene.com.br, possui domínio próprio (no caso, o proprietário deste site é a
Facene).A Homepage sem domínio, tem o nome do seu dono em segundo plano,
isto é, www.facene.com.br/empresa.

Significando a mesma coisa Homepage ou Site, sendo o conjunto de informações,
fotos, animações, etc...que representam você e sua empresa na Internet.Quanto a
Home, também é utilizada para designar a página de entrada de uma Homepage.

As Homepages possuem então uma ampla forma de utilização. Vejam algumas:
coloca no mundo virtual do seu serviço e/ou empresa; divulga seus produtos, com

�fotografias de alta resolução; poderá até mesmo fazer vendas pela grande "rede";
disponibilizar informações pessoais e comerciais.

O desenvolvimento de uma aplicação web não envolve simplesmente a estética.
Os fatores principais de um projeto de criação envolvem formato, design,
tecnologia aplicada, necessidades da empresa, seu foco de negócio e
principalmente quem é o seu público alvo.
A função do design não se limita a embelezar ou tematizar uma página, mas sim
estruturá-la tanto em seu formato como em seu conteúdo. Sites sofisticados e
atraentes devem ser equilibrados com simplicidade, tornando fácil a sua utilização
e navegação, oferecendo os meios para a sua empresa mostrar e divulgar seus
produtos, serviços e informação em geral, maximizando as potencialidades para
conquistar mercado e clientes, realizar vendas e desenvolver negócios através da
Internet. Identificar qual a combinação mais adequada à ser empregada é
fundamental para o sucesso do seu negócio na Internet.

A Internet oferece hoje dezenas de serviços aos seus usuários. O mais
comentado e talvez o de maior importância é então uma ligação Internet-usuário
que permite a utilização de outros serviços existentes na rede, acesso a banco de
dados e ainda a transferência de dados entre usuários e empresas.

As vantagens de um web site como uma ferramenta de marketing são a
possibilidade de medir as interações dos clientes com o site e a capacidade de
personalizar as comunicações com base nos interesses dos visitantes. O
desenvolvimento de um site é o processo de lançar, conceber, manter e expandir
o seu site.

Para tanto a Internet é hoje uma fortíssima ferramenta de propaganda, marketing
e venda de produtos e serviços. A cada ano, os números de usuários e de
negócios concluídos através da rede quebram novos recordes. Além disso, a
Internet é uma mídia que garante interatividade entre o cliente e a empresa,

�através do próprio site e do e-mail. O desenvolvimento de um site profissional
para sua empresa na atualidade é portanto crucial. Se a sua empresa não esta
ainda na Internet, certamente está desperdiçando um fantástico veículo de
pesquisa, comunicação e disseminação das informações disponíveis no
ambiente.

2.1 CRIAÇÃO DA HOMEPAGE DA FACENE

Em 2003, a Faculdade lançou sua homepage na Internet, com o endereço
www.facene.com.br, com um link reservado para biblioteca. Em 2005 esta página
foi reestruturada pela terceira vez, alterações estas, que permanece até o
presente momento.

Sabendo-se da importância de se ajustar aos padrões modernos e aprimorar as
condições de acesso a informação com o uso de tecnologias avançadas, é que
diagnosticou-se as condições atuais em que encontra-se o link Biblioteca na
homepage da FACENE/FAMENE .

A busca em utilizar o ciberespaço como um canal para oferecer produtos e
serviços, fornecer informações institucionais, estabelecer comunicação com o seu
usuário, ser um portal para outras fontes de informação de interesse orientou-nos
a elaborarmos um projeto de reestruturação das informações do link biblioteca na
homepage da FACENE/FAMENE que seguisse esta direção. Pois, segundo
Amaral (2002), em estudos realizados em 141 sites de Bibliotecas universitárias
brasileiras, detectou-se que a potencialidade dos sites não é suficientemente
explorada por elas.

Duas situações serão apresentadas nas páginas seguintes: a situação atual, onde
será apresentado a problemática e as análises necessárias e, a situação
desejada, ou seja, como seria com a restauração concluída.

�3 SITUAÇÃO ATUAL
WWW.FACENE.COM.BR

DO

LINK

BIBLIOTECA

NA

HOMEPAGE

O link Biblioteca encontra-se dividido em duas telas: apresentação e instalações.
Na tela apresentação encontra-se um texto curto, que apesar de trazer algumas
informações úteis, como horário de funcionamento, é sucinto demais, para
esclarecer sobre a gama de possibilidades que a biblioteca pode oferecer.

A diversidade de informações colocadas a disposição via web, poderia ser
utilizada como uma ferramenta disseminadora da informação, desta maneira
poderia ter sido mais explorada quanto a função informacional.

Sobre a interatividade com usuário é inexistente, não adquirindo com isto
visibilidade para Biblioteca, pois a interatividade, tanto, quanto, informações que
disponibilizam são instrumentos de promoção para incentivar o uso de produtos e
serviços oferecidos por ela.

Observa-se ao final da página a seguinte observação: Em breve estaremos
disponibilizando a consulta On-line de nosso acervo que indica que esta
interatividade possa ser iniciada em um futuro próximo, no entanto, antes de
oferecer este acesso seria necessário que a página apresentasse formas de
envolver mais este usuário. Para que tudo que foi dito seja visualizado, segue-se
a página em seu formato atual.

�Fonte: Site da FACENE/FAMENE

Na tela instalações outro texto curto com as mesmas características da anterior
se apresenta. Pode ser observado um erro de digitação onde lê-se: Bierene,
deveria-se ler Bireme, uma conceituada base de dados na área de saúde,
conhecido por todos os profissionais desta área, tal descuido compromete o
princípio da confiabilidade por parte do usuário perante as informações fornecidas
pelo site.

A variedade de fotos fornecidas possibilita uma ampla visualização de todos os
ambientes da Biblioteca, porém, seria mais bem aproveitada se fosse
acompanhada de uma legenda indicando o que estava sendo mostrado em cada
uma delas ( ver imagem 2).

�Fonte: Site da FACENE/FAMENE

4 SITUAÇÃO DESEJADA: RESTAURAÇÃO CONCLUÍDA

Com o intuito de atingir um dos objetivos gerais da Biblioteca FACENE/FAMENE
de oferecer serviços de documentação e informação para apoio aos programas
de graduação, pós-graduação, pesquisa e extensão de forma eficaz procurou-se
desenvolver um link na homepage da FACENE/FAMENE com excelência,
apresentando

todas

as

funções

necessárias

e

acrescentando

recursos

tecnológicos de acesso e obtenção da informação instantaneamente.

A subdivisão do link seria feita em três telas: a primeira tela de apresentação, a
segunda tela com os serviços oferecidos e a terceira com fotos de todas as
instalações físicas.

�4.1 PRIMEIRA TELA: INFORMAÇÕES FORNECIDAS

Ao reestruturarmos o link, a primeira mudança ocorreria nas informações
fornecidas, que poderiam, realmente, cumprir o papel de esclarecer aos
interessados sobre vários aspectos da Biblioteca. Tais informações seriam
colocadas na página apresentação da seguinte maneira:

BIBLIOTECA FACENE / FAMENE
A Biblioteca FACENE / FAMENE encontra-se preparada para oferecer aos seus usuários o
suporte necessário às atividades de estudo, pesquisa e extensão. Para isso, além de um ambiente
confortável, são oferecidos vários produtos e serviços.
HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO
Segunda a sexta-feira: das 7:30 às 21:30h
Sábado: das 8: 00 às 12:00h

INSTALAÇÕES FÍSICAS
Cabines para estudo em grupo e individual;
Laboratório de informática;
Sala do acervo;
Sala de multimeios (com TV, DVD e vídeo cassete), periódicos e livros apenas para consulta;
Guarda-volumes.
CADASTRO
Para se cadastrar na Biblioteca é necessário que o interessado seja aluno, professor ou
funcionário da Instituição, preencha um formulário com seus dados pessoais e entregue uma foto
3x4, recente.
PRODUTOS
Compreende todos os materiais informacionais que compõe a Biblioteca. São livros, obras de
referências, multimeios (fitas de VHS, CD-rooms, dvds, mapas, slides), periódicos (revistas,
jornais, revistas científicas), trabalhos científicos (monografias, teses e dissertações), panfletos
educativos e folders.
SERVIÇOS
► INFORMAÇÕES E ORIENTAÇÕES AOS USUÁRIOS
Os funcionários da Biblioteca estão aptos a prestar informações referentes a todos os serviços e
produtos fornecidos por ela. É oferecida a orientação para normalização de trabalhos acadêmicos
com base na ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e a AACR2 (Código de
Catalogação Anglo-Americano).

�►EMPRÉSTIMO DOMICILIAR
Consiste no empréstimo de materiais aos usuários da Biblioteca por período preestabelecido. Dos
livros, permite-se a quota de 4( quatro), pelo período de 5 (cinco) dias. Dos multimeios, permite-se
a quota de 3 (três), pelo período de 2 (dois) dias. A não devolução do material sob empréstimo no
prazo estabelecido acarretará em multa de R$ 1,00 por dia de cada objeto em atraso.

►RESERVA
Caso o livro desejado esteja emprestado pode ser feito a reserva, garantindo ao usuário a sua
preferência de empréstimo.

►RENOVAÇÃO
Se o livro não estiver na reserva pode ser renovado o seu empréstimo do mesmo.
LABORATÓRIO DE INFORMÁTICA
Equipado com terminais de computadores para acesso à Internet em banda larga, a bases de
dados e para digitação de trabalhos acadêmicos. O tempo de cada usuário, por máquina, é de 1
hora, podendo ser prorrogado de acordo com a disponibilidade.

BASE DE DADOS
Além do acesso às bases de dados na área de saúde, como a Bireme, Lilacs, Cochrane e Scielo,
é feita a comunicação com as bases de dados COMUT para a obtenção de cópias de material
bibliográfico.

ACESSO AO SISTEMA DA BIBLIOTECA
Através do terminal de consulta Syslibrary, é possível pesquisar o acervo da Biblioteca, facilitando
a recuperação da informação pelos usuários.
EQUIPE DE FUNCIONÁRIOS A SUA DISPOSIÇÃO
Liliane Braga R. H. de Souza (Coordenadora da Biblioteca);
Janaína Nascimento de Araújo (Bibliotecária);
Laura Alyne Cavalcante de Oliveira (Auxiliar de Biblioteca);
Geane Ferreira da Silva (Auxiliar de Biblioteca);
Itamar Gomes de Luma (Suporte Técnico).
E-MAIL
biblioteca@facene.com.br

�4.2 SEGUNDA TELA: SERVIÇOS

A segunda tela agruparia os vários serviços oferecidos on line aos usuários como:
Consulta ao Acervo, Reserva de Livros, Acesso ao Regulamento.

4.2.1 Consulta ao acervo
Este serviço permite ao usuário consultar todos os materiais informacionais que
compõe a Biblioteca. A busca pelos livros, periódicos, multimeios e o banco de
monografias, teses e dissertações de interesse seria feito de acordo com tais
possibilidades:
►Livro  Autor
_ Título
_ Assunto
►Periódico _ Autor
_ Título
_ Assunto
►Multimeios _Tipo

●vhs
●dvd
●slide
●cd-room
●mapa
●outros

_ Título
_ Assunto
►Banco de teses, monografias, dissertações _ Tipo ● teses
● monografias
● dissertações
_ Autor

�_ Título
_ Assunto
Em todos os casos seria fornecido o total de exemplares disponíveis na
Biblioteca.
4.2.2 Reserva de Livros

O usuário poderia reservar até quatro livros de seu interesse em uma tela similar
a que se apresenta:

Digite o nome do Livro
____________________
□RESERVAR

□CANCELAR

Caso a opção tenha sido reservar apareceria a seguinte mensagem:

Reserva concluída com sucesso!
Reserva válida para os próximos 5 dias.

4.2.3 Acesso ao Regulamento da Biblioteca

Ao acessar o Regulamento da Biblioteca o usuário terá acesso às normas que
regem todo o funcionamento da Biblioteca, seus direitos e deveres na íntegra.

4.3 TERCEIRA TELA: INSTALAÇÕES FÍSICAS

Esta tela seria constituída de fotos de todas os ambientes da Biblioteca: acervo,
cabines para estudo em grupo e individual, laboratório de informática, sala do
acervo, sala de multimeios, periódicos e livros apenas para consulta, guarda-

�volumes. Cada foto acompanharia uma legenda informando o que estava sendo
visualizado.

4.4 LINKS

O link Biblioteca, além de informar e oferecer serviços ele pode fornecer outras
fontes de informações, como por exemplo, alguns sites úteis a pesquisa na área
de saúde. No lado esquerdo de ambas as telas estariam dispostos links, que,
automaticamente remetem para o site desejado.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Através

de

uma

análise

crítica

do

link

Biblioteca

na

homepage

da

FACENE/FAMENE foi possível levantar os pontos positivos e negativos
encontrados, aliados as necessidades percebidas através do relacionamento com
o usuário no dia-a-dia, podemos constatar os aspectos que deveriam estar
inclusos na parte referente a Biblioteca.

Nossa análise contemplou os aspectos informacionais desta página, cabendo por
tanto, a um profissional da informática a verificação do aspecto tecnológico, para
que desta maneira, consigamos um canal otimizado ao prestar informações,
serviços, interação, comunicação com o usuário.

Ressaltamos, também, que o feedback daqueles que utilizam a homepage tornase necessário para futuras modificações e adaptações.
REFERÊNCIA
AMARAL, S. A.; GUIMARÃES, T.P. Sites de bibliotecas universitárias
brasileiras: estudos das funções desempenhadas. In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 12, Recife, 2002. Anais...
Reccife:UFPE, 2002. CD-ROM

�DÚVIDAS. Disponível em: http://www.abili.com.br/html/duvidas.html. Acesso em:
20 maio /2006.
A FUNDAÇÃO da Criança e do Adolescentes do Pará... Disponível em: &lt;
http://www.funcap.pa.gov.br/oque.html&gt;. Acesso em: 14 maio 2006.
WEB desing: criação da web sites e portais. Disponível
http://www.emarket.ppg.br/web_design.asp&gt;. Acesso em: 10 jun. 2006.
HOMEPAGE
do
projeto
Websteer.
Disponível
&lt;http://www.cin.ufpe.br/~java/websteer/docs/Welcome_portugues.html&gt;.
em: 10 jun. 2006.

em:&lt;
em:
Acesso

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>Apresenta o projeto de reestruturação do link biblioteca na homepage da Faculdade de Enfermagem e Medicina Nova Esperança  FACENE/FAMENE. Mostra o diagnóstico realizado para obtenção da situação atual, com a problemática e as análises necessárias. Aborda a importância de se ajustar aos padrões modernos e aprimorar as condições de acesso a informação com o uso de tecnologias avançadas de maneira a explorar toda a potencialidade do site. Trata a intenção de se utilizar o ciberespaço como um canal para oferecer produtos e serviços, fornecer informações institucionais, estabelecer comunicação com o seu usuário, ser um portal para outras fontes de informação de interesse.</text>
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SEGURANÇA DA INFORMAÇÃO ELETRÔNICA NA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS:
diagnóstico de uso das tecnologias eletrônicas entre os bibliotecários do
Sistema de Bibliotecas

Iris da Silva Vieira*
RESUMO
No mundo atual, o domínio das tecnologias eletrônicas tornou-se obrigação dos
profissionais que lidam com a informação. A pesquisa foca a segurança da
informação entre os bibliotecários do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal
de Minas Gerais (UFMG). O problema central foi identificar se os bibliotecários da
UFMG agem de maneira correta quanto ao uso da Internet, e-mails e informações
estratégicas da Instituição. Aborda os aspectos de segurança tais como a
autenticidade, confidencialidade, integridade e disponibilidade. Disserta acerca da
implantação da política de segurança da informação e as medidas de segurança.
Finaliza com uma reflexão sobre a importância do bibliotecário na disseminação do
uso correto e seguro das tecnologias eletrônicas.

Palavras-chave: tecnologias eletrônicas; segurança da informação; profissionais da
informação; Universidade Federal de Minas Gerais

*

Bibliotecária-chefe da Escola de Educ. Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional
Universidade Federal de Minas Gerais
Especialista em Gestão Estratégica da Informação
Universidade Federal de Minas Gerais
E-mail: iris.silva@gmail.com
Av. Antônio Carlos, 6627 - Pampulha - Belo Horizonte - MG - Brasil. CEP 31270-901

�2

1 INTRODUÇÃO
Diagnosticar a segurança da informação entre os bibliotecários da Universidade
Federal de Minas Gerais (UFMG) é o objetivo desse trabalho. Assim, o ponto central
dessa pesquisa é verificar se os colaboradores agem de maneira correta quanto ao
uso da Internet, e-mails e informação estratégica da Instituição.
Crê-se que ações voltadas para diminuir falhas de segurança da informação são
eficientes como por exemplo, treinamentos e valorização dos colaboradores.
Acredita-se que o maior índice de falta de segurança se encontra nas estações de
trabalho, através de infecções por vírus e pela falta de uma política de segurança
definida. (FREITAS, 2003. p.7)
Foi aplicado um questionário com 17 questões para os bibliotecários do sistema. O
questionário foi encaminhado por e-mail.

2 INFORMAÇÃO, TECNOLOGIAS E SEGURANÇA
2.1 O valor da informação
A informação é o novo bem do mundo atual e, ter informação no momento certo,
precisa e concisa, é um grande diferencial. Devido a essa importância da informação
a proteção dos ativos intangíveis se torna crucial.
Os ativos evoluíram e deixaram de ser a terra e os bens de produção para
serem bens intangíveis como marcas, processos, bancos de dados e
tecnologias. Assim, o direito também evoluiu para atender a essa nova
demanda, passando a ser pragmático, dinâmico, comunitário, autoregulamentado e, acima de tudo, em tempo real. Neste cenário, o
pensamento estratégico-legal é essencial, mais que leis e normas. Essa
quebra de paradigma que estamos enfrentando exige repensar o direito
para atender questões como uso de e-mail, privacidade, segurança de
informação, spam, crackers, vírus, comércio eletrônico, contratos
eletrônicos, produção de conteúdo digital, direito autoral digital, empresas
virtuais, inclusão digital, governo eletrônico, promoção on-line e muitas

�3

outras que não conseguem ser resolvidas apenas aplicando a lei vigente,
pois há uma defasagem entre o real e o estabelecido. (PECK, 2004).

Se os funcionários de uma instituição/empresa não são treinados e/ou motivados a
praticar a segurança da informação, dificilmente haverá um resultado satisfatório.
Os dirigentes das instituições são classificados como interessados, ou melhor, são
os principais incentivadores na manutenção correta das informações. O apoio da alta
gestão à política é necessário. Em termos gerais, a preocupação com a segurança
só acontece quando o impacto causado apresenta danos às vezes “irreparáveis” ou
“irreversíveis”.
As pessoas não sabem como analisar o risco, visto que a maior parte delas, ao lidar
com informações dentro de uma organização, não sabe o que têm nas mãos, ou
seja, não possui conhecimento suficiente sobre a criticidade da informação.
Definir a segurança da informação é complexo, devido à grande quantidade
de fatores que intervêm. Um conceito mais aproximado define segurança
como o grupo de recursos (metodologias, documentos, programas e
dispositivos físicos) direcionados para que os recursos de computação
disponíveis dentro de um determinado ambiente, tenham seu acesso e
autorização de uso limitados. (FUMEGA, 2004 p. 10)

As organizações que não buscarem uma cultura interna, de processos e humanos,
de proteção para com sua informação sensível e estratégica estarão correndo sérios
riscos. A política de segurança da informação de uma organização deve contemplar
aspectos técnicos, organizacionais e principalmente, humanos.
Para Uemura (2005),
“É imperativo que a estrutura organizacional tenha requisitos mínimos,
como políticas de Segurança da Informação, Planos de Contingência, cópia
segura de dados, possibilidade totalmente confiável na necessidade de
recuperação de dados, gerenciamentos de segurança nas redes e internet,
projeto de segurança lógica e de segurança física”.

Segundo Freitas (2003), há diversos tipos de ameaças à segurança da informação.

�4

Vírus
Os vírus são programas altamente sofisticados, desenvolvidos em linguagens
específicas de programação para infectar e alterar sistemas. As contaminações
ocorrem, geralmente, quando há falhas no antivírus do computador ou pelo próprio
usuário, ao executar um anexo de e-mail.

Hoaxes
São boatos espalhados por mensagens de correio eletrônico. O ideal é certificar-se
da veracidade de tais informações antes de se tomar qualquer decisão.

Cavalos de Tróia
São programas de natureza maligna, embutidos dentro de outro programa
executável, aparentemente inocente como jogos, proteções de tela, etc. O Cavalo de
Tróia pode ser enviado escondido em uma mensagem na Internet ou em mídias
(disquetes, cds, etc.).
Backdoors
São portas que ficam abertas no computador e permitem a invasão do mesmo. Eles
são abertos devido a falhas no projeto dos programas. Os programas que mais
apresentam essas falhas são os que usam a Internet (browsers, e-mails, etc.)
Hackers
Conhecedores profundos dos sistemas operacionais, sistemas de rede e linguagens
de programação. Em geral, quando invadem um sistema, não danificam e não
roubam dados.

Crackers
Destroem e/ou roubam dados, podendo inclusive travar um sistema, como um
provedor.

Lamers

�5

Não passam de usuários comuns. Procuram ameaçar as pessoas. Utilizam
programas prontos. Objetivam o roubo de senhas de acesso à Internet, para navegar
de graça.

2.2 O fator humano
De fato, uma PSI também promove uma integração às políticas institucionais
relativas à segurança em geral, às metas de negócios da organização e ao plano
estratégico de informática. (DIAS, 2000).
Segurança tem a ver com pessoas e processos, antes de ter a ver com tecnologia.
Conseqüentemente, de nada valerão os milhões investidos em Tecnologia da
Informação (TI) se o fator humano for deixado em segundo plano. Quanto melhor
preparados os funcionários de uma organização, mais segura ela será.
O sucesso no ataque de engenharia social ocorre geralmente quando os
alvos são as pessoas ingênuas ou aquelas que simplesmente
desconhecem as melhores práticas de segurança. Mas afinal, o que é
engenharia social? De acordo com a cartilha de segurança do CERT.br
(Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no
Brasil), a engenharia social é "um método de ataque onde alguém faz uso
da persuasão, muitas vezes abusando da ingenuidade ou confiança do
usuário, para obter informações que podem ser utilizadas para ter acesso
não autorizado a computadores ou informações". (Ferreira, 2005)

3 SEGURANÇA DA INFORMAÇÃO
A fim de se alcançar um nível satisfatório de segurança é necessário conhecer a
informação. De acordo com Fumega (2004), existem quatro aspectos da informação
que precisam ser protegidos:
a garantia de que os usuários são realmente quem afirmam ser
(autenticidade);
a certeza de que a informação não foi lida ou copiada sem autorização
(confidencialidade);
a certeza de que a informação não foi apagada ou modificada indevidamente
(integridade);

�6

a garantia de que a informação estará sempre disponível e em tempo hábil
(disponibilidade).

4 POLÍTICA DE SEGURANÇA DA INFORMAÇÃO
A Política de Segurança da Informação (PSI) de uma organização deve ser bem
planejada a fim de que proteja informações que tenham criticidade (que não sejam
públicas).
A utilização de controles de segurança para garantir o adequado acesso a
programas, arquivos de dados, aplicações e redes deve ser
cuidadosamente tratada pelos gestores de todas as áreas da organização
e, principalmente, pela alta administração em função das leis em vigor
impostas por órgãos regulatórios e políticas internas (Ferreira,
2005)..................................................

No documento da PSI deverão estar definidas todas as regras de controle de acesso
em vigor, treinamento, conscientização e os procedimentos para a classificação das
informações. Na classificação das informações define-se o quais são informações de
acesso público, de uso interno, confidenciais.............................................................

4.1 Implementação
É necessário acreditar e apoiar uma Política de Segurança da Informação (PSI).
Informação é um ativo que, como qualquer outro, importante para os
negócios, tem um valor para a organização e conseqüentemente necessita
ser adequadamente protegida. A segurança da informação protege a
informação de diversos tipos de ameaças para garantir a continuidade dos
negócios, minimizar os danos aos negócios e maximizar o retorno dos
investimentos e as oportunidades de negócios. (ABNT, 2001).

4.2 Medidas de Segurança
O usuário deve estar ciente de suas responsabilidades, procurando resguardar as
informações da organização, bem como zelar pelo fiel cumprimento do seu dever.

�7

A implantação das medidas de segurança deve ser feita em fases, procurando
mostrar ao usuário que sua participação é importante, e que não se trata de uma
ação imposta, que procura punir, e sim oferecer ferramentas computacionais que
propiciem a maximização dos resultados de suas atividades.
Como vimos, uma política de segurança da informação com medidas eficazes que
sejam seguidas por todos os envolvidos da instituição é o caminho certo para a
efetiva segurança da informação.

5 METODOLOGIA
Elaborou-se um questionário composto de 17 questões que foi enviado para o e-mail
dos 101 bibliotecários da UFMG. O instrumento de coleta de dados é o makesurvey
(http://makesurvey.net). Porém, apenas 70 pessoas responderam, totalizando um
retorno de 69%.

6 RESULTADOS
Os resultados revelam dados curiosos e antagônicos. A seguir, a análise dos
resultados.
Tabela 1. Qual é o nível do seu conhecimento de informática?
conhecimento mediano

( 48% )

bom conhecimento
conhecimento elevado
baixo conhecimento

( 42% )
( 7% )
( 4% )

Fonte: Dados da pesquisa retirados do questionário aplicado

O conhecimento mediano e o bom conhecimento em informática somam 90% das
respostas. Aparentemente verifica-se que os respondentes desempenham bem as
tarefas no computador, não tendo dificuldades maiores de uso no dia-a-dia.

�8

Tabela 2. Qual é o seu nível educacional?
nível superior

( 39% )

especialização

( 32% )

mestrado

( 1% )

doutorado

( 1% )

Fonte: Dados da pesquisa retirados do questionário aplicado

O nível educacional dos respondentes é alto: 39% possuem nível superior e o
número de pessoas com especialização é significativa. Portanto, o público alvo do
diagnóstico é bem instruído. O alto grau de conhecimento em informática pode estar
relacionado a este fator.

Tabela 3. Qual é o seu grau de preocupação com segurança da informação?
muita preocupação

( 65% )

extrema preocupação

( 24% )

pouca preocupação

( 11% )

nenhuma preocupação

( 1% )

Fonte: Dados da pesquisa retirados do questionário aplicado

89% possuem muita ou extrema preocupação com relação à segurança da
informação. Apenas uma pessoa não possui nenhuma preocupação com a
segurança da informação. A preocupação com este item também pode estar
associada ao nível educacional dos respondentes, já que quanto maior o
esclarecimento, maior a noção de perigo.

Tabela 4. Você possui endereço de e-mail que não seja o da UFMG (ex: Yahoo, Gmail,
Hotmail, etc.)?
sim
não

( 65% )
( 35% )

Fonte: Dados da pesquisa retirados do questionário aplicado

�9

65% dos respondentes possuem e-mail que não o institucional. E um dado curioso já
que no mundo informatizado, o fato de 35% das pessoas não terem e-mails pessoais
soa estranho.

Tabela 5. Sua máquina já foi infectada por vírus alguma vez no último ano?
sim

( 80% )

não
não sei

( 18% )
( 2% )

Fonte: Dados da pesquisa retirados do questionário aplicado

Apesar de 89% das pessoas terem muita ou extrema preocupação com a segurança
da informação, 80% das máquinas já foram infectadas por vírus no último ano. É um
dado alarmante.

Tabela 6. Se a resposta foi sim na questão anterior, que tipo de dano o vírus causou?
lentidão na máquina

( 66% )

perda de dados
lentidão na rede
perda do controle da máquina ou de algum
periférico (impressora, p. ex.)
outro (favor especificar)

( 25% )
( 20% )
( 15% )
( 8% )

não sei

( 5% )

roubo de dados pessoais

( 4% )

NA

( 17% )

Fonte: Dados da pesquisa retirados do questionário aplicado

O principal dano que os vírus causaram nas máquinas infectadas foi a lentidão, seja
nas máquinas ou na rede. Os resultados mostram que 84% das respostas
enquadram-se nessas categorias. Perda de dados e perda do controle da máquina
ou de algum periférico tiveram valores parecidos (25% e 15%).

Tabela 7. Quanto tempo foi gasto na recuperação destes danos?

�10

não sei / não se aplica

( 38% )

quatro horas ou mais

( 35% )

de duas a quatro horas

( 10% )

de uma a duas horas

( 10% )

menos de uma hora

( 7% )

Fonte: Dados da pesquisa retirados do questionário aplicado

Quase 40% das pessoas não sabiam o tempo gasto na recuperação dos danos
causados e, das que sabiam, 35% responderam que a recuperação não foi rápida,
durando quatro horas ou mais. O que se conclui é que a maioria dos danos são
complexos e trabalhosos de se recuperar.

Tabela 8. Quando você recebe um e-mail cujo remetente desconhece, o que você faz?
apago imediatamente sem abrir
leio seu conteúdo para identificar o
remetente
outro (especificar)

( 72% )
( 20% )
( 8% )

Fonte: Dados da pesquisa retirados do questionário aplicado

72% das pessoas nem sequer lêem a mensagem de um desconhecido, deletando-a
imediatamente. 20% procuram identificar o remetente pelo conteúdo da mensagem
e, portanto, abrem a mensagem.

Tabela 9. Quando você recebe um e-mail com anexo, cujo remetente desconhece, o que
você faz?
não abro os anexos em qualquer hipótese
abro os anexos apenas se o remetente for
uma pessoa conhecida
abro os anexos dependendo do tipo de
arquivo (.doc, .exe, etc.)
outro (especificar)
abro os anexos sem identificar o remetente

( 64% )
( 21% )
( 10% )
( 4% )
( 1% )

Fonte: Dados da pesquisa retirados do questionário aplicado

�11

Na questão anterior, 72% das pessoas nem sequer lêem a mensagem de um
desconhecido, deletando-a imediatamente. Nesta questão, onde se pergunta o que
fazer quando se recebe um e-mail com anexo de um remetente desconhecido,
apenas 64% das pessoas não abrem anexos em hipótese alguma. E intrigante, pois
o que se espera é que no mínimo, 72% das pessoas respondessem o mesmo da
questão anterior.

Tabela 10. Com que freqüência você efetua backup dos seus dados importantes?
nunca

( 37% )

pelo menos uma vez por semana

( 22% )

pelo menos uma vez por ano

( 21% )

pelo menos uma vez por mês

( 21% )

Fonte: Dados da pesquisa retirados do questionário aplicado

A maioria dos respondentes nunca fizeram backup dos dados mais importantes. As
respostas ficaram bem distribuídas nos outros itens (semana (22%), mês (21%) e
ano (21%)). As respostas são contraditórias se comparadas à questão onde se
detecta que a maioria das pessoas possuem muita ou extrema preocupação com a
segurança da informação. Se isso fosse realmente verdade, as pessoas não
deixariam de fazer backup dos dados mais importantes.

Tabela 11. Existe programa antivírus instalado em seu computador?
sim

( 97% )

não

( 2% )

não sei

( 1% )

Fonte: Dados da pesquisa retirados do questionário aplicado

Quase a totalidade dos respondentes (97%) possuem antivírus instalado no
computador.

Tabela 12. Se a resposta foi sim na questão anterior, qual é a periodicidade de atualização

�12

do anti-vírus de sua máquina?
pelo menos uma vez por semana

( 51% )

pelo menos uma vez por mês

( 21% )

pelo menos uma vez por ano

( 14% )

não sei
nunca

( 10% )
( 1% )

NA

( 4% )

Fonte: Dados da pesquisa retirados do questionário aplicado

Metade das pessoas atualizam o antivírus pelo menos uma vez por semana. 21%
atualizam pelo menos uma vez por mês e 14% pelo menos uma vez por ano. A
atualização do antivírus é freqüente e mesmo assim, 80% das máquinas já foram
infectadas por vírus no último ano.

Tabela 13. Você possui computador com acesso à internet em casa?
sim

( 67% )

não
possuo computador sem acesso à
internet

( 26% )
( 7% )

Fonte: Dados da pesquisa retirados do questionário aplicado

74% dos respondentes possuem computador em casa, sendo que 67% possuem,
também, acesso à Internet em seu domicílio.

Tabela 14. Se sua resposta foi sim na questão anterior, qual é a periodicidade de atualização
do anti-vírus do seu computador de casa?
pelo menos uma vez por semana
pelo menos uma vez por mês
pelo menos uma vez por ano
não sei
nunca
NA

( 37% )
( 16% )
( 10% )
( 6% )
( 2% )
40 ( 29% )

Fonte: Dados da pesquisa retirados do questionário aplicado

�13

A atualização do antivírus diminui quando se trata do computador doméstico: 37%
atualizam pelo menos uma vez por semana. Percebe-se que as pessoas se
preocupam mais com a atualização do computador que utilizam para o trabalho na
instituição.

Tabela 15. Você já teve treinamento sobre segurança da informação e/ou redes na
instituição?
não

( 96% )

sim. (especificar)

( 4% )

NA

( 1% )

Fonte: Dados da pesquisa retirados do questionário aplicado

96% dos respondentes nunca tiveram treinamento sobre segurança da informação
na instituição. Pode-se considerar 100% pois na opção “outros” o que foi listado não
condiz com treinamento sobre segurança da informação (curso de informática,
inclusão digital).

Tabela 16. Você utiliza senhas diferentes para cada serviço? (bancos, e-mails, sistemas,
etc.)
sim
não

( 90% )
( 10% )

Fonte: Dados da pesquisa retirados do questionário aplicado

A maioria das pessoas não utiliza a mesma senha para serviços diferenciados.

Tabela 17. Com que freqüência você altera a(s) senha(s)?
depende da senha
nunca
pelo menos uma vez por mês
pelo menos uma vez por ano

( 63% )
( 20% )
( 11% )
( 6% )

�14

Fonte: Dados da pesquisa retirados do questionário aplicado

63% das pessoas alteram as senhas com mais freqüência dependendo do tipo de
serviço. Uma parcela considerável (20%) nunca altera as senhas.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados mostram aspectos antagônicos: as pessoas são bem instruídas,
possuem cuidados com relação a e-mails e anexos e mesmo assim, 77% das
máquinas já foram infectadas no último ano; quase 90% das pessoas se preocupam
muito e em muitos casos, extremamente, com a segurança da informação, mas 37%
deles nunca fizeram backup na máquina.
O trabalho evidenciou uma cultura do discurso pomposo e das práticas vazias, ou
seja, fala-se da importância da segurança da informação, mas não há treinamentos
na instituição para tal e nem mesmo uma política de segurança da informação.
Partindo do próprio usuário, talvez pela inexistência de uma PSI, há muitas atitudes
que desrespeitam o uso adequado dos recursos computacionais.
O papel do profissional bibliotecário na disseminação do uso correto das tecnologias
da informação é muito importante. Um dos trabalhos em que ele pode atuar é na
elaboração de cartilhas educativas juntamente com o setor de computação da
universidade. Mas para isso, o próprio bibliotecário tem que dar o exemplo.

REFERÊNCIAS
ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO/IEC 17799 Tecnologia
da informação – código de prática para a gestão da segurança da informação.
Brasil. 2001.
Centro de Computação da UFMG. Desenvolvido pó Dathaweb, 2000. Apresenta
aplicativos
e
sistemas
e
vários
serviços.
Disponível
em:
&lt;http://www.cecom.ufmg.br/si_informativo_1278.shtml#1.&gt;. Acesso em 12 fev. 2006.

�15

DIAS, Cláudia. Segurança e auditoria da tecnologia da informação. Rio de
Janeiro, Axcel Books, 2000.
FERREIRA, Fernando Nicolau Freitas. O elo mais fraco da segurança: o fator
humano.
In:
Módulo
Security
Magazine.
Disponível
em:
http://www.modulo.com.br/index.jsp&gt;. Acesso em 21 jan. 2006.
FREITAS, Riany Alves de. Segurança de redes de computadores: o caso da
empresa de informática e informação do município de Belo Horizonte. 2003. 41 f.
Monografia (Especialização em Gestão Estratégica da Informação) - Escola de
Ciência da Informação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.
FUMEGA, Leandro de Castro. Segurança da informação nas organizações. 2004.
91 f. Monografia (Especialização em Gestão Estratégica da Informação) – Escola de
Ciência da Informação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.
PECK, Patrícia. O seguro para a proteção de ativos intangíveis. In: Módulo
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UEMURA, Cláudio Norikazu. Segurança da informação. Fatos Abep. Jan. 2005.
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Universidade Federal de Minas Gerais. Desenvolvido por Dathaweb, 2000.
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS. Pró-Reitoria de Planejamento e
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http://www.ufmg.br/proplan. Acesso em 30 de nov. 2005.
VIEIRA, Lucas Santos. Política de segurança da informação. Belo Horizonte,
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Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>No mundo atual, o domínio das tecnologias eletrônicas tornou-se obrigação dos profissionais que lidam com a informação. A pesquisa foca a segurança da informação entre os bibliotecários do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O problema central foi identificar se os bibliotecários da UFMG agem de maneira correta quanto ao uso da Internet, e-mails e informações estratégicas da Instituição. Aborda os aspectos de segurança tais como a autenticidade,  confidencialidade, integridade e disponibilidade. Disserta acerca da implantação da política de segurança da informação e as medidas de segurança. Finaliza com uma reflexão sobre a importância do bibliotecário na disseminação do uso correto e seguro das tecnologias eletrônicas.</text>
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                    <text>SERVIÇO DE REFERÊNCIA E O USO DAS TECNOLOGIAS DA
INFORMAÇÃO
Lucia Ferreira Littiere*
Teresinha Teterycz**
RESUMO
Para oferecer um Serviço de Referência de qualidade, as bibliotecas devem ter
em mente que o usuário precisa obter segurança na sua necessidade de
informação. As bibliotecas têm delegado às tecnologias de recuperação de
informação o serviço que é o seu objetivo maior, a satisfação da necessidade de
informação de seus usuários. Os desafios enfrentados pelo usuário, na busca pela
informação, são provenientes das lacunas da tecnologia de recuperação da
informação, da ausência de profissionais qualificados, da falta de conhecimento do
usuário das fontes de informação, das linguagens documentárias e do processo
de busca. Este artigo apresenta uma visão sucinta das contradições entre teorias
do Serviço de Referência, tecnologia de recuperação da informação e a prática
vivenciada nas bibliotecas e unidades de informação.
Palavras-chave: Serviço de Referência – Atendimento ao Usuário – Sistemas de
Recuperação de Informação
ABSTRACT
To offer a Reference Service of quality, it’s necessary for the libraries to have in
mind that the user must have confidence when he is getting information. The
libraries have delegated to the technologies of recovery information the service that
is their biggest objective, the satisfaction of the necessity of information of its
users. The faced challenges, for the user in the search for information, are
proceeding from the gaps of the recovery technology of information, absence of
qualified professionals, documentary lack of knowledge of the user of the
information sources, languages and process of search. This article presents a brief
vision of the contradictions between theories of the Reference Service, technology
of recovery of information and the practical which is lived deeply in the libraries and
units of information.
Key-words: Reference Service – Costumer Service – Recovery Systems of
Information
_______
*Lucia Ferreira Littiere. Bibliotecária PUCPR. Professora Curso de Biblioteconomia e
Documentação PUCPR. Graduada em Biblioteconomia e Documentação, (UFPR), Especialista em Gestão da
Informação e Inovações Tecnológicas, FESP-PR e Gestão de Bibliotecas (UDESC). Mestranda do Mestrado
em Educação (PUCPR). Telefone: (41) 3271-2489 E-mail: lucia.littiere@pucpr.br
**Teresinha Teterizc. Bibliotecária FACEL. Graduada em Biblioteconomia e Documentação,
(UFPR), Especialista em Gestão da Informação e Inovações Tecnológicas, FESP-PR e Gestão de Bibliotecas
(UDESC). Mestranda do Mestrado em Educação (PUCPR). Telefone:
42 3324-1115 E-mail:
teterycz@yahoo.com.br; biblitoeca@facel.com.br .

�2

INTRODUÇÃO
A intensa e contínua evolução do desenvolvimento dos sistemas
tecnológicos, sociais, econômicos e a

globalização, provocam inovações

constantes dos processos que norteiam as organizações, exigindo que as normas
atuais de administração organizacional ou individual, sejam continuamente
melhoradas.
A capacidade de comunicação por meio de diversos tipos de
documentos, escritos ou gráficos, é característica peculiar do homem. A criação,
difusão, conservação, recuperação e utilização desses documentos são atividades
que

desempenham um papel importante na evolução da

humanidade.

Conseqüentemente as bibliotecas e Centro de Documentação detentores do
conhecimento

produzido,

tem

como

principal

missão

a

organização

e

disseminação desse conhecimento. Fazendo-se valer das tecnologias que
auxiliam o armazenamento e a recuperação das informações em seus variados
suportes (DENES; GUTTIERREZ, TETERYCZ, 2001, p.104).
Dentro das tendências atuais em que constantes mudanças sociais e
competições econômicas forçam as organizações e a sociedade como um todo a
rápidas adaptações a informação é um bem econômico que exerce seu poder na
sociedade como fator de diferenciação e força propulsora de desenvolvimento e
inovação, sendo assim, um recurso estratégico usado pelas organizações e
também pelos profissionais como vantagem competitiva.
Neste contexto de competitividade acirrada seja entre organizações ou
entre indivíduos, são necessárias respostas rápidas e eficientes para a tomada de
decisão. O diferencial competitivo está na capacidade de antecipar oportunidades
e ameaças, bem como na apropriação e utilização do conhecimento.
A proposta deste artigo é abordar de forma sucinta a importância e a
responsabilidade do Serviço de Referência, mais especificamente da capacitação
do profissional que atua no atendimento a usuários, tendo como base teórica a
literatura sobre tecnologia e sistemas da informação e as necessidades dos

�3

usuários e como base prática, uma pesquisa informal com profissionais
bibliotecários e suas experiências em bibliotecas em que atuam.
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS E UNIDADE DE INFORMAÇÃO
As bibliotecas são por sua excelência, símbolos da cultura e do
conhecimento. Inicialmente restritas às elites tiveram e têm um papel fundamental
na preservação da história humana. Com o advento de novas tecnologias, no
início a invenção da imprensa evoluindo para bases de dados, a internet, e-books,
com a secularização do conhecimento e o surgimento da Sociedade da
Informação, os acervos se multiplicam não mais comportando somente livros, mas
periódicos eletrônicos, CD-ROM, DVDs, bases de dados, que tem valor na troca
de experiências científicas, tecnológicas, profissionais e pessoais, fazendo com
que as bibliotecas deixassem de ser meros depósitos de livros e atuassem
dinamicamente para a divulgação do saber (DENES;GUTTIERREZ; TETERYZ,
2001, p.12).
No

caso

da

biblioteca

universitária,

detentoras

de

grandes

conhecimentos, elas devem acompanhar a função das instituições de ensino
superior, que é prover suporte para alunos, professores e pesquisadores, para
atingir os objetivos no ensino, pesquisa e extensão. Portanto, é imprescindível o
uso e a adequação de novas tecnologias na organização, armazenamento,
disseminação da informação, com qualidade e rapidez, afinal em um mundo
globalizado e competitivo tempo é dinheiro ou no caso de uma instituição de
ensino, é conhecimento a ser gerado e aplicado.
Para atender de forma eficiente e eficaz às necessidades de seus
usuários, além do uso das facilidades oferecidas pelas tecnologias da informação
para gerenciamento e recuperação da informação, é imprescindível a capacitação
de profissionais do Serviço de Referência para lidar com o excesso de
informações e suportes disponíveis.

�4

TECNOLOGIAS E SISTEMAS DE RECUPERAÇÃO DE INFORMAÇÕES
Entre as características do cenário atual de crescente competitividade
entre organizações e entre competências profissionais, está a velocidade das
mudanças econômicas, sociais, políticas e tecnológicas, que induzem a sociedade
a novas adaptações e a adoção de novos paradigmas e processos baseados na
valorização da informação e infra-estrutura como a Tecnologia da Informação para
o suporte de seu funcionamento.
Neste contexto, cresce o papel desempenhado pelas Tecnologias da
Informação, nos processos das bibliotecas e organizações como um todo.
Segundo O’BRIEN (2003), os Sistemas de Gerenciamento de Informações
tornaram-se uma das principais áreas funcionais na administração de empresas,
pois desempenham um papel vital nas operações administrativas e no processo
estratégico das organizações. Ele classifica os sistemas em operacionais
(necessários para processar dados gerados

e utilizados nas operações

empresariais) e gerenciais (sistemas que tem como propósito fornecer
informações para a tomada de decisão).
O

gerenciamento

da

informação,

aquisição,

armazenamento,

tratamento e utilização adequada fornecem a estrutura para o suporte ao
desenvolvimento e a competitividade de uma organização. A tecnologia exerce
papel fundamental tanto no armazenamento, comunicação e compartilhamento,
como na integração dos responsáveis pelo processo decisório, pois oferece
ferramentas e recursos que viabilizam as atividades do sistema de informação.
Porém segundo Chiavenatto (2000), problemas como o excesso de
disponibilidade de informação, defasagem das informações e sistemas de
gerenciamento de informações inadequados, trazem uma série de dificuldades
aos administradores na obtenção de informações apropriadas para a tomada de
decisão. Existe ainda, a diversidade de canais de comunicação que obtém,
interpretam e fornecem as informações de formas diferenciadas, pois envolvem
pessoas, culturas, ambientes e situações diversas.

�5

Os investimentos em tecnologias de Informação, têm prendido a
atenção das organizações, que acreditam muitas vezes que os sistemas de
informação baseados nas inovações tecnológicos são esforço suficiente para
alcançar um bom desempenho em suas áreas de atuação
As bibliotecas universitárias atuam como educadoras e geralmente o
profissional do Serviço de Referência são, procedimentos de pesquisa e as
necessidades específicas de cada usuário. Por isso, eles devem utilizar-se de
mecanismos que acompanham as necessidades de seus usuários pelas
mudanças exigidas da sociedade do conhecimento, quebrando a visão que se tem
da biblioteca como armazenadora da informação é quem tem o contato direto com
os usuários, sendo mediador entre informaç, isto é, não se limitar na organização
e sim criar mecanismos que visem a ampliação de seu papel como mediadores ao
acesso às informações.
NECESSIDADES E USO DE INFORMAÇÃO
As pessoas buscam informações para basicamente dar sentido às
mudanças do ambiente externo, gerar novos conhecimentos e para tomada de
decisões. Quando o indivíduo depara-se com um problema cujo conhecimento
não é satisfatório para resolvê-lo, então ele terá motivação para procurar uma
biblioteca e iniciar o processo de busca da informação dando início ao conhecido
“processo de referência”.
O primeiro passo importante pode ser um estudo de usuário,
considerando fatores relevantes como: sexo, idade, curso entre outros. Após a
identificação traça-se perfil de necessidades e se obtém resultados como:
usuários da área humana preferem livros como fonte de informação, da área
médica usam mais periódicos, alunos de mestrado e doutorado detêm-se mais em
base de dados etc. Esses estudos não podem ser usados como indicadores de
comportamento na busca de informação.
Para Taylor, (1968) ao fazer uma pergunta de referência, o usuário não
pede de fato o que necessita por ainda não ter consciência do que precisa e por

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crer que o sistema de informação exije que ele explicite sua necessidade em uma
linguagem apropriada do sistema. Taylor identificou quatro níveis de necessidade
de informação:
* visceral: vazio do conhecimento, insatisfação
* consciente: afirmações vagas, narrativa ambígua
* formalizado: capaz de uma descrição racional de necessidade
* adaptado: reformulações para ser processado pelo sistema.
De acordo com modelos conceituais de Wilson, (1981) as necessidades
de informações podem ser definidas como psicológica, afetiva ou cognitiva.
Ambas se relacionam com três questões básicas: a psicológica diz respeito a
personalidade do indivíduo; a afetiva com os papéis que ele desempenha na
sociedade e a cognitiva com os inúmeros contextos ambientais que influenciam os
diferentes papéis sociais que ele exerce.
As necessidades cognitivas estão ligadas a reações emocionais de
maneira que não são apenas pensadas, mas sentidas. A emoção tem papel
importante durante a busca e o processamento da informação. O mapa mental de
uma pessoa (experiências de vida) irá propiciar ao deparar-se com uma nova
informação o grau de interesse, se ela é mais ou menos importantes ou
confirmatórias,

canalizando

atenção,

esclarecendo

dúvidas

e

incertezas,

mostrando gostos e aversões, motivando ou desmotivando. Durante a busca da
informação as bases de experiências anteriores podem ser ruins ou favoráveis,
daí a importância de uma boa formação desde os primeiros anos na escola, onde
bibliotecários escolares precisam instruir

os alunos sobre formas corretas de

pesquisas e uso das bibliotecas desde o início no ensino fundamental.
Porém, para DERVIN e NILAN (1986), embora as pessoas tenham suas
próprias experiências, subjetivas e únicas, existe também similaridade entre
situações encontradas pelos diferentes indivíduos. Portanto, a necessidade de
informação não é um conceito subjetivo e relativo que existe somente na mente de
um indivíduo ao contrário representa um conceito intersubjetivo com significados,

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valores, objetivos, etc. passíveis de serem compartilhados. Um conceito que
permite a identificação e generalização de padrões de comportamento de busca e
uso da informação sob a ótica do usuário.
O BIBLIOTECÁRIO DE REFERÊNCIA
Para Tom Peters, o sucesso da gestão da informação está 5%
relacionado à tecnologia e 95% a psicologia (fatores psicológicos e humanos),
porém em nossa sociedade dá-se ênfase a tecnologia. Vendedores de hardware,
comunicações e software apregoam que a tecnologia resolverá nossos problemas
de informação e as bibliotecas adquirem ou desenvolvem monstruosos programas
de gerenciamento da informação que inegavelmente contribuem para o bom
procedimento e desenvolvimento da instituição mas muitas vezes, o usuário quer
ir além de um simples clicar na consulta de uma base de dados, e precisa de uma
entrevista com um profissional qualificado, pois como já vimos, muitas vezes, ele
sequer sabe exatamente o que deseja.
O bibliotecário de referência deve estar voltado ao usuário e não ao
sistema de informação, provocando assim uma postura ativa estimulando o
gerenciamento da busca e do uso da informação, gerando assim um novo
conhecimento.
Para CHOO, citado por COSTA, (2004), satisfazer uma necessidade
de informação vai além de encontrar informações que respondam a questões
expressas nas perguntas ou tópicos descritos pelo indivíduo.
DESAFIOS PARA OS USUÁRIOS DE SISTEMAS DE INFORMAÇÃO
Os usuários de sistemas de informação buscam cada vez mais
eficiência, simplicidade e personalização da informação devido às exigências
profissionais e competitivas. Diante deste cenário, os usuários enfrentam o desafio
ao se deparar com o excesso de informação e as tecnologias que muitas vezes
não correspondem as suas necessidades.
As tecnologias de informação são sem dúvida, um fator importante para

�8

a recuperação da informação. No entanto, o objetivo estará sempre centrado na
interação direta entre o usuário e o sistema.
Como sabemos, a informação contém ambigüidades e relações
conceituais, isto é, um termo pode representar vários conceitos dependendo do
contexto em que está inserido. De acordo com Alen Kent, citado por OLIVEIRA
(1998, p.1).
o problema de planejar um sistema de recuperação da informação seria
um problema trivial se: a) todo o acontecimento que incidisse sobre a
consciência da qualquer ser humano provocasse o mesmo fluxo de
observações; b) se cada observador utilizasse palavras idênticas,
formando as mesmas configurações, para descrever cada um desses
acontecimentos, e c) se cada pessoa interessada em aprender algo sobre
o acontecimento fizesse perguntas usando a mesma terminologia.

Segundo modelo cognitivo de informação proposto por Nicholas J.
Belkin citado por GIRARDI (2002, p.3), toda interação entre pessoas e entre
usuários de sistemas é mediada pelo estado de conhecimento que cada uma das
partes tem sobre si mesma e sobre a outra. Uma necessidade de informação
surge de uma anomalia reconhecida no estado de conhecimento do usuário e que,
em geral, este é incapaz de especificar em forma precisa o que necessita para
resolvê-la. De acordo com GIRARDI (2002, p.10) para os usuários o desafio é
dispor de técnicas e ferramentas para a busca e filtragem de informações que
permitam um acesso seletivo e personalizado da informação. Os mecanismos de
recuperação da informação nem sempre atendem suas necessidades. “Para que a
resposta seja efetiva, o usuário deve ser capaz de especificar todos os aspectos
relevantes da necessidade de informação em uma forma equivalente de como a
informação está representada no sistema”, (p.2).
Para CARDOSO (p. 2), “o processo de especificação da consulta
geralmente é uma tarefa difícil. Há freqüentemente uma distância semântica entre
a real necessidade do usuário e o que ele expressa na consulta formulada. Essa
distância é gerada pelo limitado conhecimento do usuário sobre o universo de
pesquisa e pelo formalismo da linguagem de consulta”

�9

Para GROCAN, (1995) “tão importante quanto o componente
bibliográfico do Serviço de Referência é o elemento humano, sua natureza de
intrínseca reciprocidade”. Por melhores que sejam os sistemas de recuperação de
informação, a interação humana com o usuário não poderá ser deixada de lado,
pois como sabemos muitas vezes o usuário não tem sequer uma vaga noção da
informação que irá sanar sua necessidade.
METODOLOGIA
O critério para o referido estudo e escolha do universo aqui pesquisado
foi o conhecimento e a experiência em bibliotecas. Além da pesquisa bibliográfica
enfatizando conceitos de bibliotecas, tecnologia e sistemas de informação,
necessidades e uso de informação, serviço de referência, o presente estudo teve
também, uma pesquisa com bibliotecários sobre a prática do serviço de referência
nas instituições em que atuam.
O recurso utilizado para o procedimento da coleta de informações foi o
e-mail e foram abordados itens como: 1) Instituição; 2) Bibliotecário; 3) Números
de usuários; 4) Quantidade de bibliotecários para o Serviço de Referência; 5) (Se
o número de profissionais é suficiente); 6) Se auxiliares e/ou estagiários atuam no
Serviço de Referência. Qual sua opinião na atuação desses profissionais no
Serviço de Referência?
Para o referido estudo utilizou-se os itens quatro a seis, sendo que os
itens de um a três foram coletados para a contextualização das instituições
pesquisadas.
Na demonstração dos resultados obtidos para a identificação dos
sujeitos da pesquisa optou-se pela atribuição (Bibliotecário 01, bibliotecário 2, ....).
Nas questões mensuráveis quantitativamente, optou-se pela demonstração dos
resultados através de gráficos. Dessas questões apenas uma é acompanhada de
comentários devido a diversidade dos dados obtidos.

�10

RESULTADO DA PESQUISA
Os resultados obtidos dos itens mensuráveis quantitativamente estão
demonstrados no gráfico abaixo.
Quantidade de bibliotecários para o serviço de referência
não possuem profissional
qualificado para SR

5,26% 5,26%

21,05%

possuem somente um
bibliotecário para os serviços
técnico-administrativos e SR
possuem um bibliotecário para SR

36,84%
31,59%

possuem dois bibliotecário para
SR
possuem quatro bibliotecário para
SR

Como podemos observar no gráfico acima, o índice de bibliotecas que
não possuem bibliotecários para o serviço de referência é de 21,05%, bastante
alto, se juntarmos a ele os 31,57% dos casos em que existe apenas um
bibliotecário para a realização de todas as atividades técnico-administrativas e o
serviço de referência. Sendo que essas bibliotecas possuem entre 500 a 2.000
usuários e, 600 a 2.300 respectivamente. Conforme a pesquisa 38,84% das
bibliotecas possuem apenas um profissional qualificado para o serviço de
referência e o número de usuários é de 500 a 4.000. Em 5,26% dos casos existem
dois profissionais e 5, 26%, possuem em média quatro profissionais qualificados
para o serviço. O número de usuários nessas bibliotecas é de aproximadamente
10.000 a 12.000.
Quanto ao item que aborda a opinião dos bibliotecários sobre a atuação
de auxiliares e/ou estagiários no Serviço de Referência, está transcrita a seguir a
opinião daqueles que responderam essa questão.

�11

Mesmo sendo treinados acredito que os auxiliares no atendimento direto que é
localizar determinado título na estante, mas para fazer uma pesquisa em que se
faz necessário interpretar o que o usuário deseja, além de saber sobre fontes e
técnicas de buscas é preciso um amplo domínio do conhecimento em geral.
(BIBLIOTECÁRIO 01).
Por mais que um auxiliar se esforce não consegue prestar um serviço completo,
pois desconhece as técnicas de pesquisa e fontes de informação de todas as
áreas do conhecimento. É indispensável que o profissional que trabalha com
atendimento tenha um bom conhecimento cultural e interdisciplinar o

que

raramente acontece com os auxiliares que atuam como profissionais de
referência. (BIBLIOTECÁRIO 02).
Não os temos na biblioteca, mas acredito que este serviço, de excelência,
prestado pela biblioteca, deva ser oferecido pelo bibliotecário. Porém na
falta deste profissional, outros poderão ser capacitados para dar apoio.”
(BIBLIOTECÁRIO 03).
A atuação dos funcionários no serviço de referência depende muito do perfil da
pessoa e do treinamento recebido. Os bibliotecários geralmente, por terem mais
experiência e conhecimento técnico, têm melhores condições para atenderem com
sucesso à demanda, trazendo respostas precisas ou oferecendo alternativas de
busca para necessidades não supridas no local. Os auxiliares e estagiários
costumam responder melhor às perguntas objetivas dos usuários, auxiliar em
pesquisas de ensino fundamental ou na localização de material nas estantes. O
treinamento dado a eles é fundamental para o sucesso do serviço de referência,
pois devem saber orientar também o usuário caso não consigam resolver algum
problema.” (BIBLIOTECÁRIO 04).
Satisfatório. (Bibliotecário 05)
Os

profissionais

atendimento.

Este

do
é

SR
o

devem

setor

que

obrigatoriamente
define

a

imagem

ter

perfil

da

Unidade

para
de

�12

Informação.

As

ações

do

profissional

de

referência

determinarão

o

sucesso ou o fracasso do trabalho de toda a equipe. (BIBLIOTECÁRIO 06).
Acho que na medida do possível, este serviço deveria ser feito por pessoas
capacitadas da área de biblioteconomia, mesmo que fossem estagiários, desde
que devidamente treinados com as variadas fontes de informação e formas de
acesso ao mesmo. Pois geralmente nas bibliotecas tem um ou dois bibliotecários,
então a única forma de suprir esta demanda seria a contratação de estagiários da
área.
Acredito que os profissionais que lidam com SR devem ter domínio de outros
idiomas para facilitar o acesso aos materiais, devem conhecer profundamente
obras de referencia e bases de dados de acordo com as áreas que a biblioteca
atende, além de ter domínio de banco de dados, fontes de referencia em geral
para poder ajudar na pesquisa dos usuários de acordo com as necessidades
informacionais deles. Além de saber investigar e questionar o assunto que eles
procuram, pois as vezes é necessário ter uma conversa bem detalhada com o
usuário para saber o que realmente ele procura na biblioteca, para poder atender
a necessidade dele, e não simplesmente lhe entregar um monte de materiais para
o usuário consultar, e as vezes ele sai insatisfeito da biblioteca sem ter achado o
que realmente procurava. (BIBLIOTECÁRIO 07).
Não consegue atender todas as necessidades do setor. (Bibliotecário 08)
Acho que só funciona com a supervisão de um bibliotecário de referência. No
nosso

caso, estamos

envolvidas

com

a parte

administrativa

e

com

a

informatização da biblioteca, o que acaba deixando a atendimento sem assistência
do profissional.”( BIBLIOTECÁRIO 09).
Sim, pois o auxílio nas estantes e para consulta no banco de dados do acervo da
biblioteca, serviços esses mais procurados, são perfeitamente atendidos por
estagiários e auxiliares depois de um treinamento. (BIBLIOTECÁRIO 10)
Penso que se forem bem preparados/treinados não há problemas, mas

�13

certamente a presença de um profissional bibliotecário é fundamental.
(BIBLIOTECÁRIO 11).
Auxiliam bastante, entretanto, sem o auxílio de um bibliotecário, muitas vezes, não
conseguem resolver os problemas e pesquisas. (BIBLIOTECÁRIO 12).
Para a procura de material nas estantes e enciclopédias, mas temos sempre 2
bibliotecários em cada horário. Acho que os auxiliares devem auxiliar( como o
nome já diz), mas os bibliotecários devem estar na linha de frente. Não adianta
termos profissionais somente no processamento técnico, seleção e aquisição.Os
bibliotecários devem estar principalmente no serviço de referência, que acredito
ser o setor mais importante da Biblioteca. (BIBLIOTECÁRIO 13).
Atuam insatisfatoriamente. (Bibliotecário 14)
CONCLUSÃO
Conforme

postulado

socioeconômicas, requer

anteriormente,

as

transformações

profissionais com maior qualificação, capaz de

operacionalizar seu conhecimento técnico de modo integrado às suas aptidões
multifuncionais e suas vivências socioculturais.
As bibliotecas têm adotado várias tecnologias

com o propósito de

melhorar seu desempenho, entre elas a tecnologia e sistemas de informação que
tem entre seus objetivos

integrar e agregar valor aos processos, ajudar no

gerenciamento. O Sistema de Recuperação de Informação é um dispositivo que
se interpõe entre o usuário e a informação. De acordo com SAVIANI (1998, p.92)
ao adotar o uso das tecnologias “não podemos esquecer do ingrediente básico - o
ser humano. Os sistemas não são só papéis, informática, hardware, software. Os
sistemas são compostos de pessoas. E pessoas são seres humanos que devem
ser respeitados e ouvidos e não avaliados como simples usuários...”
A pretensão deste estudo é mostrar sucintamente as contradições entre
teoria e prática do Serviço de Referência. Se compararmos com a realidade das
bibliotecas em que atuamos e pesquisamos, a teoria do Serviço de Referência em

�14

muitos casos parece “irreal”.
Há pouco mais de duas décadas as previsões eram que o profissional
do Serviço de Referência, intermediário / mediador entre a informação e o usuário,
poderia ser dispensado, já que com as facilidades oferecidas pelas inovações
tecnológicas, os próprios usuários se encarregariam de buscar as informações
desejadas. Com o passar do tempo, os usuários pouco mudaram seu padrão de
comportamento, a grande maioria continua a delegar suas pesquisas a
profissionais que tenham competência para identificar, selecionar e localizar o
material que melhor atenda as necessidades do usuário, em sistemas cada vez
mais complexos.
Pode-se concluir que a utilização das novas tecnologias da recuperação
da informação como instrumento fim no Serviço Referência possuem aspectos
contraditórios quando as bibliotecas colocam nesses sistemas a responsabilidade
total da busca de informação.
No meio eletrônico é grande a complexidade das habilidades de busca
e recuperação da informação que requer conhecimentos dos diferentes estilos
cognitivos e de aprendizagem individual. O treinamento dos usuários para o uso
dos sistemas de recuperação de informação, não deve ser considerado suficiente.
Para se fazer uma pesquisa eficaz, é necessário conhecimento de diversas áreas,
além das técnicas de pesquisa nas diversas fontes de informações que só os
profissionais capacitados possuem. No entanto, como pode-se observar através
da pesquisa, na prática as bibliotecas delegam o seu principal objetivo que é a
satisfação das necessidades de informação de seus usuários às tecnologias de
busca e recuperação da informação e a profissionais não qualificados para o
referido serviço. Esquecem que para os usuários não importa o livro ou o
periódico, mas a informação que vai sanar sua necessidade.
Não importa que tipo de biblioteca (seja ela tradicional ou virtual), o tipo
de suporte da informação, a função básica de dialogar com o usuário em torno de
uma consulta para melhor defini-la, continua sendo imprescindível.

�15

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CARDOSO, Olinda Nogueira Paes. Recuperação de informação. Disponível em:
http//www.comp.ufla.br/infocomp/artigos/a2v1/olinda.pdf . Acesso em: 15/09/2004.
CHIAVENATTO, Myrza Vasques. A gestão da informação e o processo decisório
na administração municipal de Belo Horizonte. Revista Informática Pública, v.2,
n.2. dez.2000, p. 57-73
COSTA, Marília Damiani. Citação em sala de aula. 11/09/2004
DENES, Rozane; GUTTERREZ, Silvana; TETERYCZ, Teresinha. Análise do uso
de tecnologia da informação para desenvolvimento de um sistema de
recuperação de informação para o acervo de periódicos. Curitiba: FESPPR,
2001. (TCC apresentado para a conclusão do curso de especialização em Gestão
da informação e inovações tecnológicas).
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GROCAN, Denis. A prática do serviço de referencia. Brasília: Biquet de Lemos,
1995.
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bibliotecária
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documentalista.
Disponível
em:
http://www.elysio.com.br/site/artigo3.htm Acesso em: 16/09/2004
SAVIANI, José Roberto. O analista de negócios e da informação. 4.ed. São
Paulo: Atlas, 1998.
UNESCO. Política de mudança e desenvolvimento no ensino superior. Rio de
Janeiro: Garamond, 1999.

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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>Para oferecer um Serviço de Referência de qualidade, as bibliotecas devem ter em mente que o usuário precisa obter segurança na sua necessidade de informação. As bibliotecas têm delegado às tecnologias de recuperação de informação o serviço que é o seu objetivo maior, a satisfação da necessidade de informação de seus usuários. Os desafios enfrentados pelo usuário, na busca pela informação, são provenientes das lacunas da tecnologia de recuperação da informação, da ausência de profissionais qualificados, da falta de conhecimento do usuário das fontes de informação, das linguagens documentárias e do processo de busca. Este artigo apresenta uma visão sucinta das contradições entre teorias do Serviço de Referência, tecnologia de recuperação da informação e a prática vivenciada nas bibliotecas e unidades de informação.</text>
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                    <text>1

SERVIÇO DE REFERÊNCIA VIRTUAL: O USO DO CORREIO ELETRÔNICO
Laura Patricia da Silva∗
Bartira Dyacui de Souza Lima*

RESUMO
Cada vez mais as bibliotecas oferecem serviços de referência virtual por meio do
correio eletrônico, busca-se com essa pesquisa analisar o serviço de referência
virtual das bibliotecas universitárias brasileiras, destacando-se o correio
eletrônico, por ser o meio mais fácil de comunicação entre o usuário remoto e o
bibliotecário. Apresentam-se as vantagens e desvantagem dessa forma de
comunicação. Aborda a importância das redes colaborativas de referência digital,
com a intenção de diminuir custos e melhorar a qualidade na prestação do
serviço. Informa-se que essa pesquisa ainda não foi concluída, estando em fase
de elaboração dos questionários e envio às bibliotecas universitárias brasileiras.
PALAVRAS-CHAVE: Serviço de Referência Virtual; Bibliotecas Universitárias;
Usuários Remotos; Correio Eletrônico; Redes Colaborativas.

1 INTRODUÇÃO
O serviço que facilita o acesso à informação e que especialmente ajuda o
usuário a encontrar a informação solicitada é o serviço de referência. O tradicional
serviço de referência está cada vez mais complexo, fazendo com que o
bibliotecário passe cada vez mais tempo a ampliar os serviços a serem oferecidos
na página Web de suas instituições.
Segundo Souto et al. (2005):
Pensando em colaborar com o processo de comunicação cientifica e
facilitar a localização e o acesso aos documentos, a partir da Internet,
muitas unidades de informação passaram a oferecer acesso remoto à
informação. E, ainda, investiram no desenvolvimento de atividades da
referência neste novo ambiente – o virtual.
Bibliotecárias, Universidade Católica de Brasília. Correspondência: Biblioteca Central,
Universidade Católica de Brasília – UCB, EPCT QS 07, Lote 1, 71966-700, Taguatinga – DF –
Brasil. Telefone: (55+61) 356-9020. E-mails: lauras@ucb.br/ bartira@ucb.br.

∗

�2

Algumas Bibliotecas Universitárias criaram links em seus sites para que o
usuário faça suas perguntas, mas esta pode não ser a forma mais eficiente para
atendê-lo. Diante disto às indagações abaixo nortearam a presente pesquisa:
1. As

Bibliotecas

Universitárias

Brasileiras

disponibilizam

alguma

modalidade de serviço de referência virtual aos usuários?
2. Se disponibilizarem, fazem uso do correio eletrônico? De que forma?

2 REFERENCIAL TEÓRICO

Segundo Marcondes, Mendonça e Carvalho (2005, p. 5):
O serviço de referência é uma das atividades da biblioteca que vem
utilizando as facilidades oferecidas pela tecnologia, principalmente com o
desenvolvimento da Internet e das inúmeras ferramentas que ela
oferece, favorecendo, [...], a recuperação da informação. Os serviços de
referência digital podem ser considerados como uma evolução dos
serviços bibliotecários via Internet. E são, cada vez mais, praticados
pelas bibliotecas, [...]

Enquanto as bibliotecas e outras instituições de informação estão mais
preocupadas em disponibilizar o catálogo de seu acervo via Internet, o
profissional deve se preparar para responder às necessidades do usuário
utilizando novas formas de contato, como por exemplo, teleconferêcias, e-mails e
chats. (PAIXÃO, 2004).
As bibliotecas começam a se transformar: nota-se uma preocupação
crescente em atender o usuário com o máximo de rapidez e eficiência,
uma maior preocupação com o acesso à informação em detrimento da
posse do documento, minimizamdo-se as limitações de tempo e espaço
na busca da informação. As coleções e os serviços foram
complementados com novos formatos e novas versões, tudo isso,
certamente, facilitado pela utilização das novas tecnologias.
(MARCONDES; MENDONÇA; CARVALHO, 2005, p. 3).

Acompanhando as mudanças que surgiu com as novas tecnologias o setor
de referência passou por uma grande transformação, criando o Serviço de
Referência Virtual.
Segundo Paixão (2004, p. 2): “[...] os autores tendem a definir referência
virtual, digital, on-line ou eletrônica, como o serviço que possibilita ao usuário

�3

submeter questões utilizando a Internet e receber respostas através da mesma
ferramenta”.
“Os termos “referência virtual”, “referência digital”, “serviço de informação
pela Internet” e “referência em tempo real” são usados aleatoriamente para
descrever serviços de referência que utilizam tecnologia digital”.

(VIRTUAL...,

2005).
Segundo Rodrigues (apud FERREIRA, 2004), referência digital diz respeito
a uma rede de conhecimentos técnicos, intermediação e recursos colocados à
disposição de alguém que procura informação em linha, o autor defende a
existência de quatro princípios que fundamentam os serviços de referência nesse
novo mundo:
1. Os serviços de referência são, na sua essência um processo de
comunicação humana e no domínio digital, o humano será ainda mais
essencial na referência;
2. Os serviços de referência digital permitirão o intercâmbio de perguntas
e respostas independentemente da localização;
3. O trabalho de referência ocorre em múltiplos cenários, e cada um deles
tem diferentes necessidades. Esses cenários são baseados no contexto
da transação de referência;
4. Os serviços de referência digital transformam as transações de
referência da simples indicação de recursos informativos existentes
(como livros ou páginas Web) num autêntico processo de criação de
conteúdos (authoring).
Os tipos de referência virtual são: a) referência virtual assíncrona: que são
as consultas por correio eletrônico e por meio de formulários na Web, pela qual os
usuários enviam uma consulta e o bibliotecário reponde depois; b) referência
virtual síncrona: seções de chat, videoconferência e telefone, pela qual o usuário
e bibliotecário se comunicam em tempo real.
Atualmente os serviços mais comuns de referência virtual são o chat e o email, sendo que o e-mail é mais popular.

�4

Márdero Arellano (2001, p. 8), afirma que: “Os serviços de referência virtual
estão se tornando realidade e são parte ativa na evolução dos serviços das
Bibliotecas na Internet”.
Usuário Remoto

“O usuário remoto é definido como todo acesso eletrônico individual aos
recursos da biblioteca de um site externo caracterizado pela distância física ou
vínculo acadêmico”. (COOPER, 1998 apud OLIVEIRA; BERTHOLINO, 2000, p.1).
Segundo Garcez e Rados (2002): usuários remotos são pesquisadores e
profissionais liberais que podem ter ou não vínculo com a instituição provedora; o
contato pode ser virtualmente, por correio eletrônico, telefone e fax.
O processo de acesso à informação, para o usuário remoto, inicia-se
com uma pergunta ao gerenciador da informação por meio de acesso às
bases de dados, como biblioteca híbrida (digital e local), isto é, fontes
internas e/ou catálogos Opac local (telnet/web) e Copac, recursos
remotos da Web e canais informais, que podem estar disponibilizados no
home site das bibliotecas acadêmicas; escolhe a (s) base (s) e efetua a
pesquisa; obtém a informação, se estiver disponibilizada, e/ou solicita a
informação; se a informação não for relevante, reinicia a pesquisa [...].
(GARCEZ; RADOS, 2002, p. 48).

O usuário remoto já existia bem antes do advento do correio eletrônico: o
uso do telefone, do fax, do correio comprova isso; hoje o que alterou foi o grande
crescimento dos usuários que acessam este serviço. O foco então da biblioteca
especialmente do serviço de referência tende a mudar, pois se devem considerar
outras questões nos serviços oferecidos a este novo perfil de usuário: como a
educação no acesso aos novos recursos on-line, cooperação, rapidez no
atendimento, aprendizado de nova tecnologia e a eficiência das coleções.
(OLIVEIRA; BERTHOLINO, 2000).
Serviço de Referência via Correio Eletrônico (E-mail)
Com o crescimento das redes eletrônicas dentro das organizações, o
uso do correio eletrônico (electronic mail ou e-mail) passou a ser um dos
serviços mais comuns; com a Internet, ele se transformou no serviço
mais utilizado. Assim, a biblioteca passou a contar com mais um canal
de comunicação junto a seus usuários, que passaram a ter a

�5

possibilidade de enviar perguntas e/ou solicitações as mais diversas.
Porém, para que essa nova modalidade de comunicação funcione bem,
é vital que a mesma seja integrada às rotinas normais, devendo ser dada
responsabilidade a um bibliotecário para verificar as mensagens,
direcionar os pedidos e enviar as respostas. (CUNHA, 1999, p. 264).

A utilização de e-mails como ferramenta de comunicação com os usuários
começou na década de 80 nas bibliotecas americanas, ao mesmo tempo em que
as bibliotecas colocavam seus catálogos na Internet; este serviço era voltado para
a comunidade dos campi das universidades, sendo utilizado para pedidos de
informação sobre a biblioteca e pedido de fotocópias. O uso dos e-mails tornou-se
mais forte no inicio da década de 90, isso fez com que as bibliotecas investissem
mais em pessoal, e em tecnologia mais avançadas.
Segundo Garnsey e Powell (2000), uma vantagem notável do serviço de
referência por meio de correio eletrônico é a possibilidade de manter um registro
completo e fiel das perguntas e respostas dadas ao usuário.
“A referência via e-mail é um serviço em que os usuários pedem
informação aos bibliotecários por meio de correio eletrônico.” (BUCK, 2003,
tradução nossa).
Botts e Bauerschidt (2003), cometam que o serviço de referência via e-mail
é usado atualmente por uma grande variedade de usuários, que podem fazer
suas perguntas a qualquer hora do dia e da noite, sempre que uma necessidade
de informação ocorrer.
Para Bushallow-Wilbur, DeVinney e Whitcomb (1996), as perguntas feitas à
referência por e-mail são mais exatas do que feitas pelo telefone, porque a
quantidade de erros na transcrição diminui. E, no geral, as perguntas feitas à
referência por e-mail tendem a indicar mais clareza nas necessidades de
informações, pois o tempo requerido para escrever incentiva uma formulação
melhor das idéias. No Brasil, as Bibliotecas geralmente utilizam este serviço de
forma mais intensa por meio do correio eletrônico. Isto se deve ao fato deste
serviço ser mais barato e, muitas vezes, pelo bibliotecário não ter conhecimento a
respeito de outras formas de atendimento.

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Existem, no exterior, centenas de serviços de consulta que recebem
grande

volume

de

questões

por

dia,

por

exemplo,

Ask

Jeeves

(http://www.ask.com) e WebHelp (http://www.webhelp.com) e que são operados
por empresas atendendo à demanda de clientes e seguindo os interesses
financeiros de seus investidores. Por outro lado, estão os serviços de referência
digital “AskA” não comerciais financiados por centros de pesquisa e usados por
estudantes, pais, educadores e outros para conectar-se com profissionais
experientes da área da biblioteconomia e serem guiados às melhores fontes de
informação e especialistas de todas as áreas do conhecimento. (COFFMAN, 2000
apud MÁRDERO ARELLANO, 2001, p. 7).
Moyo (2004) aponta as seguintes vantagens que o serviço virtual de
referência oferece:
a) O serviço é facilmente acessível onde quer que haja um acesso a
Internet;
b) Potencialidade para alcançar usuários remotos e locais da biblioteca;
c) Serviço distribuído;
d) Aumenta a acessibilidade dos bibliotecários aos usuários da biblioteca;
e) Fornece um ponto de auxílio as necessidades dos usuários;
f) É conveniente para aqueles usuários que não podem de outra maneira
vir à biblioteca (por exemplo mobilidade danificada, invalidez, etc.);
g) Expande o espaço de serviços da biblioteca ao estender horas de
serviço (serviço 24/7);
h) Fornece uma opção adicional de uma comunicação para usuários da
biblioteca;
i) Fornece uma oportunidade de introduzir no mercado a biblioteca às
comunidades virtuais; e
j) Os usuários encontram-se com expectativas (os usuários da biblioteca
esperam que a biblioteca ofereçam os serviços em linha de competidor
que são similar/comparável àqueles na operação bancária, shopping,
investimentos, entretenimento, uma mensagem, e assim por diante).

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Vieira (2004) aponta algumas desvantagens na utilização do correio
eletrônico:
a) Impessoalidade na consulta;
b) Perda de privacidade;
c) Aumento de consulta na referência digital, acima da capacidade
prevista;
d) Maior tempo gasto na entrevista de referência por ser escrita;
e) Possibilidade de erro de linguagem e de digitação;
f) Dificuldade no entendimento da pergunta e negociação com o usuário.
Jesudason (2000) alerta que a referência por e-mail requer uma maior
necessidade da habilidade de comunicação escrita de forma clara e concisa por
parte dos bibliotecários.
“Nesse sentido, consideramos que o e-mail constitui-se em uma ferramenta
passível de colaborar em muito com as atividades da referência virtual”. (SOUTO
et al., 2004).
Segundo Paixão (2004):
Uma das grandes criticas em relação ao uso de e-mail
uma interação mais próxima com os usuários,
impossível a entrevista de referência e a avaliação
usuário, já que este raramente envia mensagens de
biblioteca.

é a dificuldade de
tornando quase
da satisfação do
feed-back para a

Rede Colaborativa de Referência Digital
Diversas bibliotecas fazem parte de uma rede colaborativa de referência,
esta iniciativa foi com a intenção de diminuir custos e melhorar a qualidade dos
serviços de referência virtual.
Segundo Garcez e Rados (2002, p. 48):
Bibliotecas [...] também são usuárias e prestam atendimento,
simultaneamente, tanto a seus usuários locais, off campus e remotos,
bem como às bibliotecas que participam de sistemas de rede. O
processo de acesso à informação para as bibliotecas participantes e
cooperantes: as bibliotecas participantes utilizam e disseminam os

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serviços prestados pelas bibliotecas provedoras das redes e as
cooperantes alimentam essas bases. Estas últimas gozam de vantagens
competitivas em relação à primeira, como treinamentos, pagamento
reduzido pelos serviços oferecidos pela provedora, entre outras. O
processo das bibliotecas cooperantes e participantes inicia-se com uma
pergunta ao bibliotecário local. Este utiliza todos os recursos locais,
regionais, eletrônicos e impressos, bem como disponibiliza os bens ou
serviços solicitados, enviando a informação por fax, e-mail e correio, de
acordo com a demanda informacional [...]

A Library of Congress - LC, desenvolveu juntamente com a Online
Computer Library Center - OCLC, e com 16 bibliotecas participantes uma parceria
colaborativa chamada de “Collaborative Digital Reference Service” - CDRS
(Serviço Colaborativo de Referência Digital).
O programa piloto que começou em 1998, hoje tornou-se uma das maiores
redes colaborativa do mundo: o QuestionPoint. A rede cooperativa global de
referência começou a ser utilizada em junho de 2002 com cerca de 100
bibliotecas participante do consórcio, seis meses depois o número de bibliotecas
do consórcio já havia triplicado. O seu objetivo principal é combinar a importância
das coleções locais de cada biblioteca, assim como a experiência de seus
funcionários com a diversidade e disponibilidade de outras bibliotecas e
bibliotecários no mundo, prestando serviço aos usuários 24 horas por dia, 7 dias
por semana.
3 METODOLOGIA

A pesquisa será de caráter exploratório, e se dividirá em duas partes. A
primeira será o envio de um questionário às Bibliotecas Universitárias Brasileiras
que oferecem os serviços de referência por meio do correio eletrônico, seguido de
entrevista para esclarecer partes obscuras oriundas das respostas dos
questionários. A segunda fase consistirá na analise desses dados.
Os dados serão coletados junto as Instituições de Ensino Superior (IES) do
Brasil, com um enfoque voltado só para universidades, que atinge um total de 164
entidades segundo dados do INEP (2005).

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4 EXPECTATIVAS EM RELAÇÃO AOS RESULTADOS DA PESQUISA
Espera-se que, ao final da pesquisa, sejam obtidos respostas para
seguintes indagações:
1. Há quanto tempo a biblioteca oferece o serviço;
2. Horário de solicitação por parte do usuário;
3. Número médio de perguntas ao mês;
4. Perfil do profissional de atendimento;
5. Tempo dispensado no atendimento pelo profissional;
6. Tempo médio de resposta;
7. Tipos de perguntas mais freqüentes;
8. Tipos de usuários que utilizam o serviço.
Essa pesquisa consistira em identificar o uso do correio eletrônico no
serviço de referência virtual das Bibliotecas Universitárias Brasileiras e propor
recomendações para o aprimoramento desses serviços de referência oferecidos
via Internet.

REFERÊNCIAS
BOOTS, C.; BAUERSCHMIDT, R. Reference issues exploration: electronic mail
reference service. Disponível em:
&lt;http://wwwunm.edu/~rebs/emailref/paper.html&gt;. Acesso em: 15 out. 2003.
BUCK, C. A brief introduction to e-mail reference services. In: ______. Electronic
mail reference services. 1999. Disponível em:
&lt;http://www.slais.ubc.ca/courses/libr500/fall1999/www_presentations/C_buck/defa
ult.htm&gt;. Acesso em: 27 out. 2003.
BUSHALLOW-WILBUR, L.; DeVINNEY, G.; WHITCOMB, F. Electronic mail
reference service: a study. RQ, v. 35, n. 3, p. 359-71, Spring 1996.
CUNHA, Murilo Bastos da. Desafios na construção de uma biblioteca digital. Ci.
Inf., v. 28, n. 3, p. 257-268, set./dez. 1999.

�10

FERREIRA, M. I. G. M. High Tech/High Touch: serviço de referência e Mediação
humana. Disponível em: &lt;http://sapp.telepac.pt/apbad/congresso8/com29.pdf&gt;.
Acesso em: 10 ago. 2004.
GARCEZ, E. M. S.; RADOS, G. J. V. Biblioteca híbrida: um novo enfoque no
suporte à educação a distância. Ci. Inf., v. 31, n. 2, p. 44-51, maio/ago. 2002.
GARNSEY, B. A.; POWELL, R. R. Electronic mail reference services in the. public
library. Reference &amp; User Services Quarterly, v. 39, n. 3, p. 245-254, 2000.
INEP. Educação Superior, Cursos e Instituições. Disponível em:
&lt;http://www.educacaosuperior.inep.gov.br/funcional/lista_ies.asp&gt;. Acesso em: 15
maio 2005.
JESUDASON, M. Outreach to student-athletes through e-mail reference service.
Reference Services Review, v. 28, n. 3, p. 262-268, 2000.
MARCONDES, C. H.; MENDONÇA, M. A. R.; CARVALHO, S. M. H. Serviços via
web em bibliotecas universitárias brasileiras. In: CINFORM ENCONTRO
NACINAL DE CIENCIA DA INFROMACAO, 6., 2005, Salvador. Anais
eletrônicos... Disponível em:
&lt;http://www.cinform.ufba.br/vi_anais/docs/CarlosMarcondesMariliaMendoncaSuza
naCarvalho.pdf&gt;. Acesso em: 20 maio 2006.
MARDERO ARELLANO, M. A. Serviços de referência virtual. Ci. Inf., v. 30, n. 2,
p. 7-15, maio/ago. 2001.
MOYO, L. M. Electronic libraries and the emergence of new service paradigms.
The Electronic Library, v. 22, n.3, p. 220-230, 2004.
OLIVEIRA, N. M.; BERTHOLINO, M. L. F. Usuários remotos e serviços de
referência (SR(s)) disponíveis nas home pages das bibliotecas universitárias. In:
SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 11., 2000,
Florianópolis. Anais eletrônicos... Disponível em:
&lt;snbu.bvs.br/snbu2000/docs/pt/doc/t013.doc&gt;. Acesso em: 15 jan. 2005.
PAIXÃO, C. S. Referência digital: um relato da experiência na Divisão Hispânica
da Library of Congress. In: SIMPOSIO INTERNACIONAL DE BIBLIOTECAS
DIGITAIS, 2., 2004, Campinas. Anais eletrônicos... Disponível em:
&lt;http://libdigi.unicamp.br/document/?code=8289&gt;. Acesso em: 5 nov. 2004.
SOUTO, L. F. et al. Referência virtual: e-mail como ferramenta de interação com
usuários remotos de bibliotecas digitais. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 13., 2004, Natal. Anais... Natal: Associação de
Profissionais de Bibliotecários do Estado do RN, 2004. 1 CD-Rom.

�11

VIEIRA, S. B. Novas tecnologias de referência digital experiência norteamericana. Brasília, 2004. [slide].
VIRTUAL Reference Canadá. Disponível em:
&lt;http://www.collectionscanada.ca/vrc-rvc/s34-150-e.html&gt;. Acesso em: 11 mar.
2005.

�1

SERVIÇO DE REFERÊNCIA VIRTUAL: O USO DO CORREIO ELETRÔNICO
Laura Patricia da Silva∗
Bartira Dyacui de Souza Lima*

RESUMO
Cada vez mais as bibliotecas oferecem serviços de referência virtual por meio do
correio eletrônico, busca-se com essa pesquisa analisar o serviço de referência
virtual das bibliotecas universitárias brasileiras, destacando-se o correio
eletrônico, por ser o meio mais fácil de comunicação entre o usuário remoto e o
bibliotecário. Apresentam-se as vantagens e desvantagem dessa forma de
comunicação. Aborda a importância das redes colaborativas de referência digital,
com a intenção de diminuir custos e melhorar a qualidade na prestação do
serviço. Informa-se que essa pesquisa ainda não foi concluída, estando em fase
de elaboração dos questionários e envio às bibliotecas universitárias brasileiras.
PALAVRAS-CHAVE: Serviço de Referência Virtual; Bibliotecas Universitárias;
Usuários Remotos; Correio Eletrônico; Redes Colaborativas.

1 INTRODUÇÃO
O serviço que facilita o acesso à informação e que especialmente ajuda o
usuário a encontrar a informação solicitada é o serviço de referência. O tradicional
serviço de referência está cada vez mais complexo, fazendo com que o
bibliotecário passe cada vez mais tempo a ampliar os serviços a serem oferecidos
na página Web de suas instituições.
Segundo Souto et al. (2005):
Pensando em colaborar com o processo de comunicação cientifica e
facilitar a localização e o acesso aos documentos, a partir da Internet,
muitas unidades de informação passaram a oferecer acesso remoto à
informação. E, ainda, investiram no desenvolvimento de atividades da
referência neste novo ambiente – o virtual.
Bibliotecárias, Universidade Católica de Brasília. Correspondência: Biblioteca Central,
Universidade Católica de Brasília – UCB, EPCT QS 07, Lote 1, 71966-700, Taguatinga – DF –
Brasil. Telefone: (55+61) 356-9020. E-mails: lauras@ucb.br/ bartira@ucb.br.

∗

�2

Algumas Bibliotecas Universitárias criaram links em seus sites para que o
usuário faça suas perguntas, mas esta pode não ser a forma mais eficiente para
atendê-lo. Diante disto às indagações abaixo nortearam a presente pesquisa:
1. As

Bibliotecas

Universitárias

Brasileiras

disponibilizam

alguma

modalidade de serviço de referência virtual aos usuários?
2. Se disponibilizarem, fazem uso do correio eletrônico? De que forma?

2 REFERENCIAL TEÓRICO

Segundo Marcondes, Mendonça e Carvalho (2005, p. 5):
O serviço de referência é uma das atividades da biblioteca que vem
utilizando as facilidades oferecidas pela tecnologia, principalmente com o
desenvolvimento da Internet e das inúmeras ferramentas que ela
oferece, favorecendo, [...], a recuperação da informação. Os serviços de
referência digital podem ser considerados como uma evolução dos
serviços bibliotecários via Internet. E são, cada vez mais, praticados
pelas bibliotecas, [...]

Enquanto as bibliotecas e outras instituições de informação estão mais
preocupadas em disponibilizar o catálogo de seu acervo via Internet, o
profissional deve se preparar para responder às necessidades do usuário
utilizando novas formas de contato, como por exemplo, teleconferêcias, e-mails e
chats. (PAIXÃO, 2004).
As bibliotecas começam a se transformar: nota-se uma preocupação
crescente em atender o usuário com o máximo de rapidez e eficiência,
uma maior preocupação com o acesso à informação em detrimento da
posse do documento, minimizamdo-se as limitações de tempo e espaço
na busca da informação. As coleções e os serviços foram
complementados com novos formatos e novas versões, tudo isso,
certamente, facilitado pela utilização das novas tecnologias.
(MARCONDES; MENDONÇA; CARVALHO, 2005, p. 3).

Acompanhando as mudanças que surgiu com as novas tecnologias o setor
de referência passou por uma grande transformação, criando o Serviço de
Referência Virtual.
Segundo Paixão (2004, p. 2): “[...] os autores tendem a definir referência
virtual, digital, on-line ou eletrônica, como o serviço que possibilita ao usuário

�3

submeter questões utilizando a Internet e receber respostas através da mesma
ferramenta”.
“Os termos “referência virtual”, “referência digital”, “serviço de informação
pela Internet” e “referência em tempo real” são usados aleatoriamente para
descrever serviços de referência que utilizam tecnologia digital”.

(VIRTUAL...,

2005).
Segundo Rodrigues (apud FERREIRA, 2004), referência digital diz respeito
a uma rede de conhecimentos técnicos, intermediação e recursos colocados à
disposição de alguém que procura informação em linha, o autor defende a
existência de quatro princípios que fundamentam os serviços de referência nesse
novo mundo:
1. Os serviços de referência são, na sua essência um processo de
comunicação humana e no domínio digital, o humano será ainda mais
essencial na referência;
2. Os serviços de referência digital permitirão o intercâmbio de perguntas
e respostas independentemente da localização;
3. O trabalho de referência ocorre em múltiplos cenários, e cada um deles
tem diferentes necessidades. Esses cenários são baseados no contexto
da transação de referência;
4. Os serviços de referência digital transformam as transações de
referência da simples indicação de recursos informativos existentes
(como livros ou páginas Web) num autêntico processo de criação de
conteúdos (authoring).
Os tipos de referência virtual são: a) referência virtual assíncrona: que são
as consultas por correio eletrônico e por meio de formulários na Web, pela qual os
usuários enviam uma consulta e o bibliotecário reponde depois; b) referência
virtual síncrona: seções de chat, videoconferência e telefone, pela qual o usuário
e bibliotecário se comunicam em tempo real.
Atualmente os serviços mais comuns de referência virtual são o chat e o email, sendo que o e-mail é mais popular.

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Márdero Arellano (2001, p. 8), afirma que: “Os serviços de referência virtual
estão se tornando realidade e são parte ativa na evolução dos serviços das
Bibliotecas na Internet”.
Usuário Remoto

“O usuário remoto é definido como todo acesso eletrônico individual aos
recursos da biblioteca de um site externo caracterizado pela distância física ou
vínculo acadêmico”. (COOPER, 1998 apud OLIVEIRA; BERTHOLINO, 2000, p.1).
Segundo Garcez e Rados (2002): usuários remotos são pesquisadores e
profissionais liberais que podem ter ou não vínculo com a instituição provedora; o
contato pode ser virtualmente, por correio eletrônico, telefone e fax.
O processo de acesso à informação, para o usuário remoto, inicia-se
com uma pergunta ao gerenciador da informação por meio de acesso às
bases de dados, como biblioteca híbrida (digital e local), isto é, fontes
internas e/ou catálogos Opac local (telnet/web) e Copac, recursos
remotos da Web e canais informais, que podem estar disponibilizados no
home site das bibliotecas acadêmicas; escolhe a (s) base (s) e efetua a
pesquisa; obtém a informação, se estiver disponibilizada, e/ou solicita a
informação; se a informação não for relevante, reinicia a pesquisa [...].
(GARCEZ; RADOS, 2002, p. 48).

O usuário remoto já existia bem antes do advento do correio eletrônico: o
uso do telefone, do fax, do correio comprova isso; hoje o que alterou foi o grande
crescimento dos usuários que acessam este serviço. O foco então da biblioteca
especialmente do serviço de referência tende a mudar, pois se devem considerar
outras questões nos serviços oferecidos a este novo perfil de usuário: como a
educação no acesso aos novos recursos on-line, cooperação, rapidez no
atendimento, aprendizado de nova tecnologia e a eficiência das coleções.
(OLIVEIRA; BERTHOLINO, 2000).
Serviço de Referência via Correio Eletrônico (E-mail)
Com o crescimento das redes eletrônicas dentro das organizações, o
uso do correio eletrônico (electronic mail ou e-mail) passou a ser um dos
serviços mais comuns; com a Internet, ele se transformou no serviço
mais utilizado. Assim, a biblioteca passou a contar com mais um canal
de comunicação junto a seus usuários, que passaram a ter a

�5

possibilidade de enviar perguntas e/ou solicitações as mais diversas.
Porém, para que essa nova modalidade de comunicação funcione bem,
é vital que a mesma seja integrada às rotinas normais, devendo ser dada
responsabilidade a um bibliotecário para verificar as mensagens,
direcionar os pedidos e enviar as respostas. (CUNHA, 1999, p. 264).

A utilização de e-mails como ferramenta de comunicação com os usuários
começou na década de 80 nas bibliotecas americanas, ao mesmo tempo em que
as bibliotecas colocavam seus catálogos na Internet; este serviço era voltado para
a comunidade dos campi das universidades, sendo utilizado para pedidos de
informação sobre a biblioteca e pedido de fotocópias. O uso dos e-mails tornou-se
mais forte no inicio da década de 90, isso fez com que as bibliotecas investissem
mais em pessoal, e em tecnologia mais avançadas.
Segundo Garnsey e Powell (2000), uma vantagem notável do serviço de
referência por meio de correio eletrônico é a possibilidade de manter um registro
completo e fiel das perguntas e respostas dadas ao usuário.
“A referência via e-mail é um serviço em que os usuários pedem
informação aos bibliotecários por meio de correio eletrônico.” (BUCK, 2003,
tradução nossa).
Botts e Bauerschidt (2003), cometam que o serviço de referência via e-mail
é usado atualmente por uma grande variedade de usuários, que podem fazer
suas perguntas a qualquer hora do dia e da noite, sempre que uma necessidade
de informação ocorrer.
Para Bushallow-Wilbur, DeVinney e Whitcomb (1996), as perguntas feitas à
referência por e-mail são mais exatas do que feitas pelo telefone, porque a
quantidade de erros na transcrição diminui. E, no geral, as perguntas feitas à
referência por e-mail tendem a indicar mais clareza nas necessidades de
informações, pois o tempo requerido para escrever incentiva uma formulação
melhor das idéias. No Brasil, as Bibliotecas geralmente utilizam este serviço de
forma mais intensa por meio do correio eletrônico. Isto se deve ao fato deste
serviço ser mais barato e, muitas vezes, pelo bibliotecário não ter conhecimento a
respeito de outras formas de atendimento.

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Existem, no exterior, centenas de serviços de consulta que recebem
grande

volume

de

questões

por

dia,

por

exemplo,

Ask

Jeeves

(http://www.ask.com) e WebHelp (http://www.webhelp.com) e que são operados
por empresas atendendo à demanda de clientes e seguindo os interesses
financeiros de seus investidores. Por outro lado, estão os serviços de referência
digital “AskA” não comerciais financiados por centros de pesquisa e usados por
estudantes, pais, educadores e outros para conectar-se com profissionais
experientes da área da biblioteconomia e serem guiados às melhores fontes de
informação e especialistas de todas as áreas do conhecimento. (COFFMAN, 2000
apud MÁRDERO ARELLANO, 2001, p. 7).
Moyo (2004) aponta as seguintes vantagens que o serviço virtual de
referência oferece:
a) O serviço é facilmente acessível onde quer que haja um acesso a
Internet;
b) Potencialidade para alcançar usuários remotos e locais da biblioteca;
c) Serviço distribuído;
d) Aumenta a acessibilidade dos bibliotecários aos usuários da biblioteca;
e) Fornece um ponto de auxílio as necessidades dos usuários;
f) É conveniente para aqueles usuários que não podem de outra maneira
vir à biblioteca (por exemplo mobilidade danificada, invalidez, etc.);
g) Expande o espaço de serviços da biblioteca ao estender horas de
serviço (serviço 24/7);
h) Fornece uma opção adicional de uma comunicação para usuários da
biblioteca;
i) Fornece uma oportunidade de introduzir no mercado a biblioteca às
comunidades virtuais; e
j) Os usuários encontram-se com expectativas (os usuários da biblioteca
esperam que a biblioteca ofereçam os serviços em linha de competidor
que são similar/comparável àqueles na operação bancária, shopping,
investimentos, entretenimento, uma mensagem, e assim por diante).

�7

Vieira (2004) aponta algumas desvantagens na utilização do correio
eletrônico:
a) Impessoalidade na consulta;
b) Perda de privacidade;
c) Aumento de consulta na referência digital, acima da capacidade
prevista;
d) Maior tempo gasto na entrevista de referência por ser escrita;
e) Possibilidade de erro de linguagem e de digitação;
f) Dificuldade no entendimento da pergunta e negociação com o usuário.
Jesudason (2000) alerta que a referência por e-mail requer uma maior
necessidade da habilidade de comunicação escrita de forma clara e concisa por
parte dos bibliotecários.
“Nesse sentido, consideramos que o e-mail constitui-se em uma ferramenta
passível de colaborar em muito com as atividades da referência virtual”. (SOUTO
et al., 2004).
Segundo Paixão (2004):
Uma das grandes criticas em relação ao uso de e-mail
uma interação mais próxima com os usuários,
impossível a entrevista de referência e a avaliação
usuário, já que este raramente envia mensagens de
biblioteca.

é a dificuldade de
tornando quase
da satisfação do
feed-back para a

Rede Colaborativa de Referência Digital
Diversas bibliotecas fazem parte de uma rede colaborativa de referência,
esta iniciativa foi com a intenção de diminuir custos e melhorar a qualidade dos
serviços de referência virtual.
Segundo Garcez e Rados (2002, p. 48):
Bibliotecas [...] também são usuárias e prestam atendimento,
simultaneamente, tanto a seus usuários locais, off campus e remotos,
bem como às bibliotecas que participam de sistemas de rede. O
processo de acesso à informação para as bibliotecas participantes e
cooperantes: as bibliotecas participantes utilizam e disseminam os

�8

serviços prestados pelas bibliotecas provedoras das redes e as
cooperantes alimentam essas bases. Estas últimas gozam de vantagens
competitivas em relação à primeira, como treinamentos, pagamento
reduzido pelos serviços oferecidos pela provedora, entre outras. O
processo das bibliotecas cooperantes e participantes inicia-se com uma
pergunta ao bibliotecário local. Este utiliza todos os recursos locais,
regionais, eletrônicos e impressos, bem como disponibiliza os bens ou
serviços solicitados, enviando a informação por fax, e-mail e correio, de
acordo com a demanda informacional [...]

A Library of Congress - LC, desenvolveu juntamente com a Online
Computer Library Center - OCLC, e com 16 bibliotecas participantes uma parceria
colaborativa chamada de “Collaborative Digital Reference Service” - CDRS
(Serviço Colaborativo de Referência Digital).
O programa piloto que começou em 1998, hoje tornou-se uma das maiores
redes colaborativa do mundo: o QuestionPoint. A rede cooperativa global de
referência começou a ser utilizada em junho de 2002 com cerca de 100
bibliotecas participante do consórcio, seis meses depois o número de bibliotecas
do consórcio já havia triplicado. O seu objetivo principal é combinar a importância
das coleções locais de cada biblioteca, assim como a experiência de seus
funcionários com a diversidade e disponibilidade de outras bibliotecas e
bibliotecários no mundo, prestando serviço aos usuários 24 horas por dia, 7 dias
por semana.
3 METODOLOGIA

A pesquisa será de caráter exploratório, e se dividirá em duas partes. A
primeira será o envio de um questionário às Bibliotecas Universitárias Brasileiras
que oferecem os serviços de referência por meio do correio eletrônico, seguido de
entrevista para esclarecer partes obscuras oriundas das respostas dos
questionários. A segunda fase consistirá na analise desses dados.
Os dados serão coletados junto as Instituições de Ensino Superior (IES) do
Brasil, com um enfoque voltado só para universidades, que atinge um total de 164
entidades segundo dados do INEP (2005).

�9

4 EXPECTATIVAS EM RELAÇÃO AOS RESULTADOS DA PESQUISA
Espera-se que, ao final da pesquisa, sejam obtidos respostas para
seguintes indagações:
1. Há quanto tempo a biblioteca oferece o serviço;
2. Horário de solicitação por parte do usuário;
3. Número médio de perguntas ao mês;
4. Perfil do profissional de atendimento;
5. Tempo dispensado no atendimento pelo profissional;
6. Tempo médio de resposta;
7. Tipos de perguntas mais freqüentes;
8. Tipos de usuários que utilizam o serviço.
Essa pesquisa consistira em identificar o uso do correio eletrônico no
serviço de referência virtual das Bibliotecas Universitárias Brasileiras e propor
recomendações para o aprimoramento desses serviços de referência oferecidos
via Internet.

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reference service. Disponível em:
&lt;http://wwwunm.edu/~rebs/emailref/paper.html&gt;. Acesso em: 15 out. 2003.
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&lt;http://www.slais.ubc.ca/courses/libr500/fall1999/www_presentations/C_buck/defa
ult.htm&gt;. Acesso em: 27 out. 2003.
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reference service: a study. RQ, v. 35, n. 3, p. 359-71, Spring 1996.
CUNHA, Murilo Bastos da. Desafios na construção de uma biblioteca digital. Ci.
Inf., v. 28, n. 3, p. 257-268, set./dez. 1999.

�10

FERREIRA, M. I. G. M. High Tech/High Touch: serviço de referência e Mediação
humana. Disponível em: &lt;http://sapp.telepac.pt/apbad/congresso8/com29.pdf&gt;.
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GARCEZ, E. M. S.; RADOS, G. J. V. Biblioteca híbrida: um novo enfoque no
suporte à educação a distância. Ci. Inf., v. 31, n. 2, p. 44-51, maio/ago. 2002.
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&lt;http://www.educacaosuperior.inep.gov.br/funcional/lista_ies.asp&gt;. Acesso em: 15
maio 2005.
JESUDASON, M. Outreach to student-athletes through e-mail reference service.
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NACINAL DE CIENCIA DA INFROMACAO, 6., 2005, Salvador. Anais
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&lt;http://www.cinform.ufba.br/vi_anais/docs/CarlosMarcondesMariliaMendoncaSuza
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MARDERO ARELLANO, M. A. Serviços de referência virtual. Ci. Inf., v. 30, n. 2,
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OLIVEIRA, N. M.; BERTHOLINO, M. L. F. Usuários remotos e serviços de
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SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 11., 2000,
Florianópolis. Anais eletrônicos... Disponível em:
&lt;snbu.bvs.br/snbu2000/docs/pt/doc/t013.doc&gt;. Acesso em: 15 jan. 2005.
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da Library of Congress. In: SIMPOSIO INTERNACIONAL DE BIBLIOTECAS
DIGITAIS, 2., 2004, Campinas. Anais eletrônicos... Disponível em:
&lt;http://libdigi.unicamp.br/document/?code=8289&gt;. Acesso em: 5 nov. 2004.
SOUTO, L. F. et al. Referência virtual: e-mail como ferramenta de interação com
usuários remotos de bibliotecas digitais. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 13., 2004, Natal. Anais... Natal: Associação de
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�11

VIEIRA, S. B. Novas tecnologias de referência digital experiência norteamericana. Brasília, 2004. [slide].
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&lt;http://www.collectionscanada.ca/vrc-rvc/s34-150-e.html&gt;. Acesso em: 11 mar.
2005.

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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            <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <text>Cada vez mais as bibliotecas oferecem serviços de referência virtual por meio docorreio eletrônico, busca-se com essa pesquisa analisar o serviço de referência virtual das bibliotecas universitárias brasileiras, destacando-se o correio eletrônico, por ser o meio mais fácil de comunicação entre o usuário remoto e o bibliotecário. Apresentam-se as vantagens e desvantagem dessa forma de comunicação. Aborda a importância das redes colaborativas de referência digital, com a intenção de diminuir custos e melhorar a qualidade na prestação do serviço. Informa-se que essa pesquisa ainda não foi concluída, estando em fase de elaboração dos questionários e envio às bibliotecas universitárias brasileiras.</text>
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                    <text>SERVIÇOS DE REFERÊNCIA E SUAS PRÁTICAS

Lucia Maria Sebastiana Verônica Costa Ramos
Bibliotecária da Faculdade de Odontologia da USP.
Av. Prof. Lineu Prestes, 2227 – 05508-000 – São Paulo
– Brasil
ferpau@usp.br
Glauci Elaine Damasio Fidelis
Bibliotecária da Faculdade de Odontologia da USP.
Av. Prof. Lineu Prestes, 2227 – 05508-000 – São Paulo
– Brasil
glauci@usp.br
Vânia Martins Bueno de Oliveira Funaro
Bibliotecária da Faculdade de Odontologia da USP.
Professora da Faculdade de Biblioteconomia e Ciência
da Informação/FESPSP. Doutoranda do PPGCI da
ECA/USP e membro do NPC.
Av. Prof. Lineu Prestes, 2227 – 05508-000 – São Paulo
– Brasil
vaniamar@usp.br

EIXO TEMÁTICO: O impacto das tecnologias eletrônicas e sua mediação

�RESUMO
O Serviço de Informação Documentária e Circulação (SIDC) do Serviço de
Documentação Odontológica (SDO) analisa as mudanças e postura dos
bibliotecários frente às novas linhas de atuação do Serviço de Referência e
Informação, diante da disponibilização dos Periódicos Eletrônicos, espaço
disponíveis tanto por acesso livre (SciELO, Unifesp, FreeMedical Journals, etc)
como por acesso regulamentado (Sibinet, Capes, Hin HINARI etc) e o uso cada
vez mais intenso das tecnologias de informação e comunicação. Isto é, uma
série de mudanças na educação, no desenvolvimento social, no âmbito
profissional e sobre o comportamento do próprio usuário, ações estas
denominadas de impactos sociais. Verifica em quais etapas e processos podem
utilizar as tecnologias da informação e comunicação como ferramentas
necessárias para um serviço de referência efetivo. Apresenta seus conceitos,
planos, propósitos e aproximações com outros setores da biblioteca, visando
otimizar as formas de atuação direcionadas as necessidades informais colocada
pelos usuários.
Palavras-chave: Serviço de referência; Periódicos eletrônicos; Treinamento de
usuário; Serviço de acesso ao documento; Tecnologia de informação e
comunicação.

1 INTRODUÇÃO

A biblioteca universitária inserida dentro do contexto acadêmico é
responsável pela criação e fornecimento de serviços e produtos de informação
para seus usuários. Neste cenário de disponibilização de informação o Serviço de
Referência tem papel fundamental na distribuição e consumo da informação. Visto
que conecta o homem com o mundo através de práticas bem definidas e se apóia
em um processo de transformação orientado por uma racionalidade técnica que
lhe é específica, representa atividades relacionadas à reunião, seleção,
codificação, classificação e armazenamento da informação. Todas estas
atividades orientam-se para a organização e controle do depósito de informação
para o uso imediato ou futuro. Este repositório de informação representa um
estoque potencial de conhecimento e é imprescindível para que este se realize no
âmbito da transferência da informação.
Por meio da informação que adquirimos conhecimento sendo estes dois
termos intercambiáveis. Portanto a forma como as universidades têm armazenado
e organizado as informações é fator primordial para a recuperação das mesmas.

�Não basta apenas ser capaz de armazenar informação fora do cérebro, ela
deve ser armazenada de modo organizado para que se possa voltar a utilizá-la.
O Serviço de Referência de um Centro de Documentação e Informação da
suporte aos seus utilizadores na pesquisa e localização de informação e
documentação bem como orientação na utilização dos recursos de informação
disponíveis.

2 SERVIÇO DE REFERÊNCIA

A primeira alusão ao serviço de referência ocorreu na 1ª conferência da
ALA, em 1876 quando Samuel Sweet Green mencionou o auxílio aos leitores em
relação ao uso da coleção, além da função educativa da biblioteca e a
emancipação do profissional da informação inserido nos novos padrões do
conhecimento (FIGUEIREDO, 1992).
1850-1900 (Início)
1900-1950 (Surgimento de bibliotecas especializadas)
1950-2000 (Revolução com o surgimento de meios eletrônicos).
O primeiro manual escrito sobre o serviço de referência foi escrito por
James I. Wyer em 1930, onde afirmava que não era possível organizar os livros
de forma tão mecânica, tão perfeita que dispensasse o auxílio individual para sua
utilização.
No Brasil em 1910 a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro inaugurou o
serviço de referência, porém a seção de referência só foi organizada 34 anos
depois (1944), mas só passaram a ser estruturados efetivamente como tal a partir
da década de 60. Antes disso a assistência ao leitor era prestada informalmente.

�De acordo com Grogan (1995) ainda persistem alguns equívocos no
serviço de referência e cabe ao bibliotecário identificá-lo e fazer o possível para
evitá-los. Restringir o serviço de referência meramente ao conteúdo de obras de
referência consiste numa limitação do mesmo modo que dizer que as bibliotecas
foram feitas somente para emprestar livros.
O Serviço de Referência e Informação do SDO tem como função primordial
atender de maneira precípua as necessidades de seus usuários ao acesso à
informação e ao documento.
O bibliotecário tem papel fundamental nesse processo de transição, uma
vez que cabe a ele racionalizar, divulgar e treinar os usuários para melhor uso
desses importantes recursos.

Diante da evolução do serviço de referência por motivo da introdução de
novas tecnologias, tendo em vista como eram desenvolvidos os trabalhos de
referência no passado, pode-se inferir que os profissionais precisam se adaptar e
buscar, através de renovações dos seus conhecimentos, crescer e evoluir em
suas técnicas de atendimento.

Com a implantação das bibliotecas na Web o Serviço de Referência é uma
das atividades que mais tem se modificado, surgindo o Serviço de Referência
Virtual que precisa ser tão eficiente quanto o Serviço de Referência Tradicional.

O Serviço de Referência, aqui entendido como um serviço de informação, é
um campo de atividades bibliotecárias bastante abrangente. Conceituá-lo tornouse complexo, já que o mesmo está relacionado direta ou indiretamente com todas

�as outras atividades desenvolvidas na biblioteca, tendo em vista que todas elas
são de aspecto de busca de informação.

3 PRÁTICAS DE SERVIÇOS NA ERA ELETRÔNICA

Os bibliotecários que atuam no serviço de referência vêm, ao longo dos
anos, adaptando-se às mudanças rápidas que ocorrem em relação às tecnologias
da informação.
A postura de cada bibliotecário tem como base a área de atuação. A área
de ciências biológicas é uma das que mais possuem inovações, pela própria
necessidade,

principalmente

a

área

da

saúde,

onde

se

inclui

aqui,

especificamente a saúde bucal.
Nesta área, as atualizações por parte dos profissionais (cirurgiões
dentistas) têm que ser constante. A variedade de bases de dados disponíveis são
muitas e há a necessidade de um critério de escolha na hora de utilizá-las.
Muitas instituições disponibilizam bases de dados de acesso livre, onde
qualquer usuário, sem necessidade de senha, pode acessá-las gratuitamente.
Como exemplo tem-se a base de dados SciELO (Scientific Electronic Library
Online – www.scielo.br), Unifesp (Universidade federal de São Paulo –
www.unifesp.br),

FreemedicalJournals

(www.freemedicaljournals.com),

entre

outros.
Outras bases de dados que são de uso regulamentado, ou seja, o usuário
para acessá-las necessita estar presencialmente na instituição onde as mesmas
são disponibilizadas. Entre elas destacam-se a base de dados SCOPUS e
EMBASE, entre muitas outras, que são disponibilizadas para os usuários de
estiverem acessando um computador com IP da Universidade de São Paulo
(USP).
A prática do Serviço de Referência, além de todos aqueles serviços e
produtos convencionais, mas as habilidades dos bibliotecários que atuam neste

�serviço, há aquele específico e extremamente importante que é o treinamento em
bases de dados.
Vários estudos foram feitos sobre a busca da informação na web, como
mostram as pesquisas elaboradas por Griffiths e Brophy (2005), Tenopir (2003) e
Yi (2005), entre outros.Tenopir (2003) menciona que os bibliotecários precisam
orientar os usuários nas técnicas de pesquisa na web, principalmente quando
esta busca for muito específica. A autora diz que estas orientações podem estar
disponíveis online (tutorial) ou uma instrução pessoal, ou seja, com o usuário
presente na biblioteca.
As bibliotecas universitárias deixaram de ser um espaço físico para se
tornar um ciberespaço, onde ambos são orientados pelos bibliotecários, afinal, as
bibliotecas são partes integrantes da educação superior (YI, 2005).
A autora complementa que os bibliotecários de referência devem analisar a
necessidade do usuário (como já se faz há muito tempo), para verificar a forma
mais fácil e flexível para a orientação no uso das bases de dados ou nas
pesquisas na web. Há usuários que não iriam até a biblioteca apenas para ter
uma orientação ou treinamento presencial para a utilização de bases de dados,
por isso a necessidade de se disponibilizar estas orientações nas duas formas
mencionadas anteriormente.
Ao elaborar uma pesquisa sobre o comportamento de estudantes, em
relação à busca de informação na web (mais precisamente ferramentas de busca)
e bases de dados específicas, Griffths e Brophy (2005), obtiveram como resultado
que as ferramentas de busca tiveram um índice muito maior dos que as bases de
dados. Mostra que 45% dos estudantes usam o Google como a primeira opção de
busca de informação. Pela percepção dos estudantes, acham que esta
ferramenta é de uso mais fácil e obtiveram sucesso na busca.
Parte desta pesquisa revelou que é necessário investir em mais pesquisas,
pois consideram que os resultados foram significantes para o desenvolvimento de
serviços para treinamento online de usuários.
Tem-se percebido que os usuários, especificamente os da Faculdade de
odontologia da USP, assim como as demais áreas, buscam informações em
ferramentas de busca, ao invés de bases de dados específicas.

�Esta percepção se faz, principalmente, quando surgem perguntas sobre
onde obter determinada informação ou documento, resultantes de buscas que
foram elaboradas por eles em casa ou até mesmo na biblioteca.
Com uma infinidade de informações dispersas na web, é necessário que se
conduza o usuário para bases de dados que estejam diretamente voltadas às
suas necessidades de informação.
As bases de dados catalográficas têm, geralmente na graduação, um papel
fundamental para a busca e recuperação da informação.
Estas e outras bases devem ser divulgadas de maneira clara para os
usuários. Os mesmos devem se familiarizar com o conjunto de informações online
que as bibliotecas disponibilizam e “aprender” a navegar em cada uma delas com
eficiência e precisão.
Observa-se que os usuários, em geral os mais jovens, que têm bastante
familiaridade em usar o Orkut (rede de relacionamento virtual), serviços de e-mail
(correio eletrônico), comunicação (icq, msn, chats, fóruns...), downloud de
arquivos (programas, músicas, vídeos...), jogos em rede e entretenimento em
geral, etc. Na hora de buscar uma informação precisa para a elaboração de
trabalho acadêmico, a dificuldade aparece, principalmente no vocabulário que
dever utilizado na elaboração da estratégia de busca e o uso dos operadores
boleanos (AND, OR e NOT).
A orientação do bibliotecário de referência continua sendo um papel
importantíssimo, visto que a dificuldade maior que os usuários apresentam é, na
realidade, a escolha correta da base de dados, seja ela catalográfica ou
bibliográfica.
É importante que as técnicas, tanto de busca pela informação, como pela
recuperação do documento que contém esta informação sejam disseminadas e
“ensinadas” aos usuários.
Outro ponto importantíssimo na recuperação da informação é em relação
aos documentos de texto completo, com ênfase nos periódicos, por serem a
tipologia documental mais atualizada do mercado editorial.
O Centro de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES),
disponibiliza 10377 periódicos de texto completo para as instituições estaduais e

�federais e para as privadas que assinam a base, além de tese, dissertações e
livros. Este acesso é regulamentado, como já explicado anteriormente.
A própria USP, pela home page do SIBINET (www.usp.br/sibi) também
disponibiliza periódicos de texto completo, de acesso regulamentado.
Uma facilidade para quem navega nas home pages, são as informações
visíveis que as mesmas apresentam. A home page do Serviço de Documentação
Odontológica (SDO) da FOUSP, viabiliza a utilização de textos completos, em sua
forma de acesso livre ou regulamentado, cabe ao usuário verificar a necessidade
da utilização de cada uma delas.

��A prática da orientação é uma atividade constante no dia-a-dia do
bibliotecário de referência. Cabe a ele estar sempre atualizado e oferecer
estratégias de marketing e divulgação a respeito dos produtos e serviços que a
biblioteca oferece aos usuários, tanto para os usuários presenciais como para os
remotos.

4 SERVIÇO DE ACESSO AO DOCUMENTO

Um dos principais indicadores do desenvolvimento da sociedade da
informação é a penetrabilidade das tecnologias de informação na vida diária das
pessoas e no funcionamento e transformação da sociedade como um todo.

A

Internet e outras tecnologias de comunicação abrem uma série de possibilidades
para a efetivação desses indicadores viabilizando o acesso à

informação e

documentos.
O Serviço de Acesso aos documentos está inserido no contexto das
bibliotecas nacionais e internacionais e compreende:
→ Circulação
→ Consulta no local
→

Comutação

bibliográfica

/

Envio

de

documentos

(COMUT/IBICT

e

SCAD/BIREME)
→ Empréstimo entre bibliotecas
→ Serviço referencial a outras fontes
→ Fornecimento de cópias

5 COMUNICAÇÃO DO USUÁRIO E O PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO

A pressão competitiva global e a busca cada vez maior por informação têm
forçado as universidades a encontrar novos caminhos para melhor atender as
necessidades de seus usuários. Visto que as informações são instrumentos

�indispensáveis a um gerenciamento eficiente e, as transformações tecnológicas
sempre trazem mudanças nas atividades e nas atitudes dos bibliotecários,
principalmente quando o assunto é inclusão no mundo digital.

Assim

à

medida que a rotina gerencial ganha espaço frente às atividades que agregam
valor na produção de bens e serviços, a obtenção e o processamento de
informações tornam-se imprescindíveis. Todavia, quando pensamos num
profissional que possui uma ligação direta com os usuários, percebemos que ele
pode exercer um papel de intermédio entre os novos procedimentos de pesquisas
e as necessidades específicas de cada indivíduo.
Neste novo modelo de processamento da informação podemos observar
que nos dias de hoje até os funcionários de nível médio passaram a ter
atribuições de gerir a informação, versado no enfoque sistêmico de acesso e de
troca de informações, que vai de encontro com as necessidades do uso de
tecnologias atualizadas e das expectativas dos usuários.
Estamos presenciando uma revolução da informação. Para Stewart (1998) nesta
nova era da informação as fontes fundamentais de riqueza são o conhecimento e
a comunicação, e não os recursos naturais ou o trabalho físico.
Frente ao exposto a informação deve ser ordenada, estruturada ou contida
de alguma forma senão permanecerá amorfa e inutilizável. Para Lê Coadic usar a
informação é trabalhar com a matéria informação para obter um efeito que
satisfaça a uma necessidade de informação.
O Serviço de Referência e Informação como produto de informação de um
sistema de informação deve ser pensado em termos dos usos dados a
informação w dos efeitos resultantes desses usos nas atividades dos usuários. O
que demonstra que necessidades e usos são interdependentes e influenciam
reciprocamente de uma maneira complexa que determinará o comportamento do
usuário e suas práticas.
O usuário independente da categoria (graduação, especialização, pósgraduação e docente) chega ao sistema de informação com uma necessidade de
informação não muito específica compete à unidade de informação atender a sua
solicitação. É preciso portanto conhecer as circunstâncias que levam um usuário
a iniciar um processo de busca de informação. Para tanto é necessário criar um

�modelo organizacional objetivando alavancar a informação/conhecimento. (Figura
1) baseada no modelo de Heijst (1996).

Interação

Sistema de
informação

Usuário

Comunicação

falada

Proc. Inf.

Desen. Inf.

impressa

Combinação
da informação

Resultado

Triagem

Seleção/Uso

em rede

Difusão da Informação

Figura 1 – Modelo organizacional de informação (baseado em Heijst, 1996).
Este modelo é importante para evidenciar as interações e conexões existentes
entre o usuário, a comunicação e a compilação no processo da informação
organizacional.

As novas tecnologias da informação da mesma forma que a invenção da
escrita por volta de 3000ª.C. e da imprensa por Gutemberg, no século XV, são
tecnologias da inteligência, no sentido de se constituírem em novas ferramentas
cognitivas (LEVY, 1993).
Na medida, que viabilizam novas possibilidades cognitivas possibilitam um
salto qualitativo em nossas possibilidades de raciocínio e apreensão de
conhecimento.
Atualmente não se pode falar em gestão da informação e do conhecimento
sem falar em tecnologias. Neste contexto o Serviço de Referência e Informação
tem papel primordial através da interação e compartilhamento entre as pessoas
na execução das atividades e o fluxo da informação.

�6 FATORES QUE INTERFEREM NO SERVIÇO DE REFERÊNCIA E
INFORMAÇÃO

Um dos problemas na transição do modelo em papel para o modelo digital
seria o de manter a integridade da informação em um ambiente de rede, já que ao
contrário dos materiais impressos que possuem caráter físico, os textos
publicados eletronicamente principalmente os publicados na Internet possuem um
caráter fluido. Outro fator a se destacar, apesar das facilidades de acesso serem
apontadas extensivamente como uma das principais vantagens da publicação
eletrônica, é a existência de problemas característicos, como a queda de energia,
as falhas de sistema, queda de transmissão de dados, existência de vírus e o
congestionamento da rede.
É preciso criar mecanismo que se integrem aos avanços da tecnologia,
evitando que esses fatores continuem a prejudicar a qualidade dos serviços tanto
no aspecto humano como em rede.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A medida que avançamos na chamada era da informação e do
conhecimento novas mudanças surgem nas bibliotecas, nos bibliotecários e em
suas atividades, acarretando uma melhoria na oferta de produtos e serviços de
informação. Dessa forma, para estarmos conectados com essa realidade é
preciso adaptarmos ao novo perfil de necessidades informacionais do usuário.
Para tanto, destacamos a importância da aplicação da tecnologia nas bibliotecas
e no Serviço de Referência e Informação, gerando-o no espaço virtual,
oferecendo um atendimento personalizado e uma recuperação da informação
especializada para cada elemento humano.
Portanto antes de se planejar e implementar serviços, produtos e sistemas
de informação é fundamental que se conscientize o usuário de que para que tais
ferramentas atendam às suas necessidades informacionais, cabe a ele explicitálas.

�A biblioteca universitária é de suma importância na educação da
comunidade porque é na diferença cultural das pessoas que naturalmente o
conhecimento será disseminado, tanto em ambientes de rede como em
ambientes presenciais onde existe a relação de troca de informação.

REFERENCE SERVICES AND ITS PRACTICES
ABSTRACT
Documentary and Circulation Information Service (DCIS) of Odontological
Documentation Service (ODS) analyzes the changes and position of the librarians
front of the new lines of performance of the Information Reference Service, ahead
of the disponibilization of the Periodic available Electronic, space in such a way for
free access (SciELO, Unifesp, FreeMedical Journals, etc) as for regulated access
(Sibinet, Capes, Hin HINARI etc) and the use each more intense time of the
information technologies and communication. That is, a series of changes in the
education, the social development, the professional scope and on the behavior of
the proper user, action these calling of social impacts. It verifies in which stages
and processes can use the technologies of the information and communication as
necessary tools for an effective reference service. It presents its concepts, plans,
intentions and approaches with other sectors of the library, aiming at to optimize
the forms of performance directed the informal necessities placed by the users.
Key Words: Reference service, Eletronic periodics, User training, Document
acess service, Information and communication techonology.

�REFERÊNCIAS

FIGUEIREDO, N.N. Evolução e avaliação do serviço de referência. In: _______.
As origens dos serviços de informação em bibliotecas. São Paulo: Polis, 1992.
cap.1, p.11-16

GRIFFITHS, J.; BROPHY, P. Student search behavior and the web: use academic
resources and google. Library Trends, v. 53, n. 4, p. 539-553, Spring 2005.

GROGAN, D. Disciplina e teoria. In:_______. A prática do serviço de referência.
Brasília: Briquet de Lemos, 1995. p.182-184.
HEIJST, Gertjan van. Organizing corporate memories. Proceedings 10th Banff
Workshop on Knowledge Acquisition for Knowledge-Base Systems. Canada,
1996.

LEVY, Pierre. As tecnologias de inteligência: o futuro do pensamento na era da
informática. Rio de Janeiro: Ed. 34; 1993. 208p.
STEWART, Thomas. Capital intelectual: a nova vantagem competitiva das
empresas. Rio de Janeiro: Campus, 1998.
TENOPIR, C. Are online librarians teachers? Library Journal, v. 128, n. 6, p. 36,
Apr. 2003.

YI, H. Library instruction goes online: an inevitable trend. Library Review, v. 54, n.
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O Serviço de Informação Documentária e Circulação (SIDC) do Serviço de Documentação Odontológica (SDO) analisa as mudanças e postura dos bibliotecários frente às novas linhas de atuação do Serviço de Referência e Informação, diante da disponibilização dos Periódicos Eletrônicos, espaço disponíveis tanto por acesso livre (SciELO, Unifesp, FreeMedical Journals, etc.) como por acesso regulamentado (Sibinet, Capes, Hin HINARI etc) e o uso cada vez mais intenso das tecnologias de informação e comunicação. Isto é, uma série de mudanças na educação, no desenvolvimento social, no âmbito profissional e sobre o comportamento do próprio usuário, ações estas denominadas de impactos sociais. Verifica em quais etapas e processos podem utilizar as tecnologias da informação e comunicação como ferramentas necessárias para um serviço de referência efetivo. Apresenta seus conceitos, planos, propósitos e aproximações com outros setores da biblioteca, visando otimizar as formas de atuação direcionadas as necessidades informais colocada pelos usuários.</text>
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                    <text>EIXO TEMÁTICO: Os Open Archives e os repositórios institucionais

Sistema de acesso à informação baseado em Open Archives: a
experiência do Holmes
Nanci Oddone
Prof. Dra. em Ciência da Informação,
ICI/UFBA, neoddone@ufba.br
Ricardo Sodré Andrade
Graduando em Arquivologia e bolsista de
iniciação científica (PIBIC/CNPq), ICI/UFBA.
ricardo@feudo.org

Resumo
O Holmes (http://www.holmes.feudo.org) é um recurso eletrônico de acesso à informação
idealizado e executado no âmbito do Grupo de Estudos em Políticas de Documentação e
Informação – GEDINFO. Sua concepção resultou de discussões que visavam encontrar meios de
superar uma das maiores dificuldades dos usuários do Portal de Periódicos da CAPES: a
inexistência de busca por assunto. O projeto inicial tinha como meta criar uma ferramenta que
facilitasse a indexação e a recuperação dos artigos publicados nos vários periódicos nacionais de
Arquivologia, Biblioteconomia e áreas correlatas. Em pouco tempo, contudo, verificou-se que seria
possível agregar outras fontes dessas áreas e oferecer um mecanismo confiável de integração e
consolidação da documentação científica produzida em Ciência da Informação. Aproveitando a
infra-estrutura do protocolo OAI-PMH que já existia em periódicos nacionais e estrangeiros,
desenvolveu-se o aplicativo com o software livre PKP OAI Harvester. No momento, o Holmes
reúne 26 provedores de dados, que se dividem entre anais de eventos, repositórios textuais e revistas
científicas. Mais de 13 mil documentos já foram indexados e o número tende a aumentar, a partir da
inclusão de novos provedores e da regularidade na alimentação dos atuais provedores.
Recentemente, após solicitação, o Holmes foi indexado pelo Unesco Libraries Portal.
Palavras-chave: open archives; sistema de recuperação da informação; documentação científica;
metadados
Introdução
A explosão na produção do conhecimento científico a partir da segunda metade do século
passado acarretou na identificação e reconhecimento da importância dos aspectos referentes à
disseminação e acesso da informação gerada.
Publicar de forma a alcançar o maior número de interessados e obter/dispor de informações
da maior relevância possível e em quantidade satisfatória são objetivos dos pesquisadores de todas
as áreas, enquanto produtores de conhecimento, assim como objeto de estudo dos profissionais da
ciência e tecnologia da informação, enquanto gestores de informação e do conhecimento.
A alta disponibilidade de informações no atual contexto globalizado (onde as tecnologias
da informação e comunicação transformaram e aproximaram também o meio acadêmico) aliada à
necessidade de apropriação para produção de mais conhecimento fez com que novas soluções

�fossem discutidas, no intuito de contribuir com o aperfeiçoamento do fluxo de conhecimento da
comunidade acadêmica.
O conceito de open archives surge, neste cenário, pela necessidade do desenvolvimento e
promoção de padrões de interoperabilidade, isto é, operação colaborativa de diversos atores
diferentes em um mesmo contexto, em vistas à facilitação e disseminação de conteúdos científicos.
A Open Archives Iniciative denomina o grupo que mantêm o protocolo OAI-PMH, uma “linguagem
de comunicação”, ou protocolo, que torna possível a interoperabilidade entre sistemas, como os que
serão descritos ao longo do texto.
A infra-estrutura OAI envolve os produtores de trabalhos acadêmicos (pesquisadores),
provedores de dados OAI (repositórios, periódicos, etc.), provedores de serviços OAI e usuários,
todos utilizando o OAI-PMH como protocolo para a interoperação. Os pesquisadores são os
produtores de informação, estes publicam seus trabalhos nos provedores de dados, que por sua vez
armazenam e preservam as informações utilizando a arquitetura OAI, os provedores de serviço são
aplicativos que traduzem as potencialidades da arquitetura OAI em sistemas funcionais de busca e
recuperação de informação para os usuários.
No Brasil, o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), têm
fomentado o uso de sistemas compatíveis com o protocolo OAI-PMH, como o Sistema Eletrônico
de Editoração de Revistas (SEER), a versão traduzida do Open Journal System, do Public
Knowledge Project (OJS – PKP).1 Márdero Arellano, Santos e Fonseca expõem algumas
características do SEER:
Esta ferramenta contempla ações primordiais à automação das atividades de editoração
de periódicos científicos, permitindo completa autonomia na tomada de decisões sobre
o fluxo editorial, a publicação e o acesso por parte do editor; ele define as etapas do
processo editorial, de acordo com a política definida pela revista, mas dispondo de
assistência e registro on-line em todas as fases do sistema de gerenciamento. Na etapa
de submissão, o sistema disponibiliza um espaço para comunicação com o editor e
permite também o acompanhamento da avaliação e editoração do trabalho. (Márdero
Arellano et al., 2005)
Também podemos citar o Open Conference System, o sistema utilizado pela Comissão
Científica deste XIV Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias, que auxilia na gestão de
eventos científicos, facilitando a criação dos anais de evento e disponibilizando-os através de um
sistema compatível com o protocolo OAI-PMH e o DSpace, que permite a criação de repositórios
institucionais, como as denominadas Bibliotecas Digitais.
Holmes – o “detetive da Ciência da Informação”
Os provedores de serviços OAI são sistemas que disponibilizam funcionalidades utilizando
o potencial do protocolo OAI-PMH, como a busca em diversos provedores de dados OAI
1 Mais informações acerca desses programas podem ser encontradas em &lt;http://www.pkp.ubc.ca/&gt;.

�simultaneamente. Um exemplo é o Holmes - o “detetive digital” da Ciência da Informação
(disponível na internet desde 10/04/2006), primeiro provedor de serviços OAI na área de CI no
Brasil. Ao dia de escrever esse trabalho, o Holmes permitia uma busca integrada em 26 (vinte e
seis) repositórios ou periódicos de CI aderentes ao OAI-PMH.
Um dos mais conhecidos repositórios compatíveis com a OAI em CI disponível, em
quantidade de registros, é o E-LIS – E-prints in Library and Information Science
(http://eprints.rclis.org) – que possui cerca de 4.160 trabalhos em sua base de dados. No entanto, o
Holmes, enquanto ferramenta que possibilita acesso a textos acadêmicos (não é um repositório),
consegue dispor à busca aproximadamente 13.500 (treze mil e quinhentos) trabalhos em CI, o que
demonstra sua funcionalidade e utilidade, pois evita a necessidade de se percorrer e efetuar buscas
isoladas nos sistemas de cada um dos provedores de dados (repositórios, periódicos etc.)
cadastrados em seu sistema, atentando para o fato de que boa parte dos trabalhos apresentados na
busca passou pelo processo de avaliação pelos pares (peer-review).
É importante salientar que o Holmes registra os números acima declarados com cerca de
um mês de existência. O software no qual o Holmes é baseado, o PKP OAI Harvester,2 facilita a
inclusão de novos provedores de dados para o processo de coleta dos metadados através da interface
de gerenciamento do sistema. O processo de coleta (harvesting) dos metadados do provedor de
dados incluído no sistema é o primeiro passo para a formação da base do Holmes, que armazena os
metadados de todos os provedores de dados (mas não os conteúdos acadêmicos) e possibilitam o
funcionamento deste sistema.
O levantamento bibliográfico se torna uma tarefa menos complicada, pois, em um mesmo
ambiente, diversos veículos de informação científica são consultados.
A quantidade de artigos em CI da base do Holmes aumenta em dois casos, com a adição de
novos provedores de dados no sistema ou quando esses repositórios disponibilizam mais trabalhos.
O Holmes possui uma atualização semanal, o que significa que os trabalhos acadêmicos novos em
provedores de dados que já integram o Holmes são localizados e seus metadados coletados.
Após solicitação, o Holmes foi incluído no Unesco Libraries Portal.
Próxima versão do Holmes
Em meados do ano 2006, o projeto PKP anunciou a versão 2 do PKP OAI Harvester, o
software no qual o Holmes está baseado.
Essa versão deverá proporcionar as seguintes características e funcionalidades ao Holmes:

2 Disponível gratuitamente em &lt;http://pkp.sfu.ca/pkp-harvester/&gt;.

�1. Coletar metadados OAI registrados em diversas formas, como Dublin Core não-qualificado,
extensões Dublin Core do Open Journal Systems e Open Conference Systems, MODS e
MARCXML;
2. Interface de busca que permitem pesquisas simples e avançadas, consultando múltiplos
campos;
3. Coleta seletiva de metadados em repositórios multidisciplinares;
4. Capacidade de extensão de suas capacidades por meio de plugins
Esperamos migrar o Holmes de versão tão logo quanto possível.
Considerações finais
O Holmes é uma demonstração do potencial que a adoção padrões de metadados, sendo
uma das vantagens a interoperabilidade apresentada pela arquitetura OAI.
Atividades de pesquisa, como o levantamento de referências, se torna mais eficiente diante
da disponibilidade de acesso crescente ao conhecimento científico.
No Brasil, o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) fomenta o
uso de sistemas Open Archives por meio da tradução de sistemas compatíveis com OAI-PMH,
treinamento de recursos humanos e outras atividades relacionadas, com isso, é possível garantir que
a adoção da plataforma OAI seja um investimento seguro para as instituições brasileiras, incluindo
as bibliotecas universitárias que desejam publicar conteúdos em meio digital.
Referências
Márdero Arellano, Miguel Angel; Regina dos Santos; Ramón da Fonseca.. SEER: Disseminação de
um sistema eletrônico para editoração de revistas científicas no Brasil. In: Arquivística.net, vol 1, n
2, 2005. Disponível em &lt;http://www.arquivistica.net/ojs/viewarticle.php?id=33&amp;layout=abstract&gt;.
Acesso em 06 de maio de 2006.
PUBLIC KNOWLEDGE PROJECT. Open Archives Harvester. Disponível em
&lt;http://pkp.sfu.ca/?q=harvester&gt;. Acesso em: 18 ago. 2006.

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                    <text>SISTEMA DE AUTOMAÇÃO SYSLIBRARY: AVALIAÇÃO DA QUALIDADE
DOS SERVIÇOS DE EMPRÉSTIMO/ DEVOLUÇÃO NA ÓTICA DO CLIENTE
INTERNO

Liliane Braga R. H. de Souza
Especialista em Gestão de Unidades de Informação/
UFPB,
Bacharel
em
Biblioteconomia/UFPB,
Bibliotecária das Faculdades de Enfermagem e
medicina Nova Esperança  Facene/ Famene, Brasil,
lilibraga@click21.com.br

Danielle Harlene da Silva Moreno
Especialista em Gestão de Unidades de Informação/
UFPB,
Bacharel
em
Biblioteconomia/UFPB,
Bibliotecária das Faculdades de Enfermagem e
medicina Nova Esperança  Facene/ Famene, Brasil,
danielleharlene@yahoo.com.br

RESUMO

Avalia a qualidade dos serviços de empréstimo/devolução do Sistema de
Automação Syslibrary na ótica do cliente interno da Biblioteca FACENE/FAMENE.
Apresenta o sistema informatizado de gerenciamento de bibliotecas Syslibrary,
projetado e implementado por técnicos da faculdade em banco de dados da
Microsoft Acess e os seus módulos de processamento técnico, recuperação e
localização de documentos, relatórios e controles de serviços. A metodologia
utilizada para avaliação foram os indicadores de qualidade do Modelo
SERVQUAL nas dimensões: tangibilidade, confiabilidade, usabilidade, sendo
utilizado como instrumento de coleta de dados o questionário, para posterior
análise quantitativa e qualitativa.

Palavras-chave: Sistema de gerenciamento de bibliotecas. Qualidades dos
serviços  avaliação

1 APRESENTAÇÃO

A Biblioteca da Faculdade de Enfermagem e Medicina Nova Esperança 
FACENE/FAMENE tem a finalidade de dar suporte as atividades acadêmicas, de
pesquisa e de extensão, para tanto, encontra-se equipada com instalaçãoes

�físicas, serviços e produtos para atender as necessidades dos cursos de
Enfermagem e Medicina desta Instituição.

A Biblioteca é automatizada pelo Sistema informatizado de gerenciamento de
bibliotecas Syslibrary, projetado e implementado por técnicos da faculdade no
ano de 2002 em banco de dados da Microsoft Acess. Contempla os módulos de
processamento técnico, recuperação e localização de documentos, relatórios e
controles de serviços. Os módulos processados são principalmente, de
recuperação, de empréstimos / devolução e reserva.

Por ser um software produzido pela própria faculdade traz algumas vantagens,
como ter sido projetado levando-se em consideração as especificidades da
biblioteca a que serve, recebendo, periodicamente, alterações para sua melhoria
e constante manutenção.

No entanto, para ter um sistema sempre adequado às necessidades requer um
trabalho de constante avaliação, tanto por parte do técnico em processamento de
dados, como das bibliotecárias e até dos auxiliares que lidam diariamente com
este sistema.

Tendo em vista esta constante avaliação, como bibliotecárias buscamos avaliar
os serviços de empréstimo / devolução do Sistema de Automação Syslibrary na
ótica do cliente interno da Biblioteca FACENE/ FAMENE.
2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

As bibliotecas precisam constantemente reexaminar a qualidade dos seus
produtos e serviços adequando suas ofertas às expectativas da comunidade
(SAMPAIO et al, 2004).

�Desta maneira, a avaliação da qualidade de serviços e produtos de informação
deve se dar através da identificação e aplicação de indicadores de qualidade ou
padrões de qualidade, que permitam avaliar de forma contínua estes serviços.

Assim sendo, o modelo SERVQUAL propõe uma avaliação numérica de
qualidade, destacando os pontos fortes e fracos da prestação dos serviços
oferecidos. È composto por um conjunto de dimensões de qualidade dos serviços,
que são: tangibilidade, confiabilidade, receptividade, garantia e empatia. As
dimensões definidas no modelo SERVQUAL foram detalhadas por Cook, Heath &amp;
Thompson (2000 apud SAMPAIO et al, 2004):

Tangibilidade  são elementos físicos;
Confiabilidade  habilidade em prestar o serviço com confiança e precisão;
Receptividade  disposição para ajudar o usuário;
Garantia  habilidade em transmitir segurança;
Empatia  atenção individualizada prestados ao cliente.

De acordo com Zeithalm, Parasuraman e Berry (1992) o modelo SERVQUAL há
três instantes distintos e seqüenciais:

1. O cliente é perguntado sobre uma determinada atividade, serviços/produtos;
2. A seguir o cliente é perguntado como está o desempenho da atividade,
serviços/produtos;
3. É feita a comparação entre o ideal e o real.

Este modelo permite avaliar a qualidade dos serviços localizando as áreas
consideradas

fracas

podendo

ser

corrigidas,

servindo

como

vantagem

competitiva. Para avaliar a qualidade dos serviços de empréstimo / devolução do
Sistema de Automação Syslibrary na ótica do cliente interno da Biblioteca
FACENE/FAMENE nos pautamos nos indicadores de qualidade do Modelo
SERVQUAL (SAMPAIO et al, 2004) nas seguintes dimensões:

�Tangibilidade: facilidade e aparência física das instalações, equipamentos,
pessoal e material de comunicação.
Confiabilidade / Credibilidade: habilidade de prestar o serviço prometido
com confiança e precisão.
Usabilidade: facilidade com o que um programa ou equipamento pode ser
usado.

2.1 OBJETO DA PESQUISA

Para a avaliação dos serviços de empréstimo / devolução do Sistema Syslibrary,
foi necessário aplicarmos um questionário a fim de adquirir informações sobre o
serviço de empréstimo / devolução do sistema de automação Syslibrary da
Biblioteca das Faculdades Nova Esperança.

O levantamento realizado diante do questionário nos permitiu avaliar o serviço na
ótica dos funcionários, sendo este o nosso objeto de pesquisa, para tanto
utilizamos os seguintes indicadores: usabilidade, tangibilidade e confiabilidade.

2.2 UNIVERSO DA PESQUISA

O universo da pesquisa compreendeu os 04 (quatro) funcionários da biblioteca
que utilizam diariamente o sistema, buscando identificar, os indicadores já
elencados no objeto de pesquisa referente ao Syslibrary.

2.3 COLETA DOS DADOS

Para avaliar as necessidades e dificuldades referentes ao sistema Syslibrary,
utilizou-se como instrumento pára a coleta dos dados o questionário semiestruturado, que segundo Gil (1999) é uma técnica de investigação composta por
um número de questões, tendo por objetivo o conhecimento de opiniões,
expectativas e situações vivenciadas.

�No questionário (Apêndice A) abordamos: duas perguntas enfocando o indicador
Tangibilidade, a respeito do desempenho dos computadores ao acessar o
Syslibrary e se permite o empréstimo / devolução com rapidez; duas perguntas
enfocando o indicador Usabilidade, para descobrir se existem dificuldades ao
utilizar o sistema e a sua capacidade de fornecer informações; e o indicador
Confiabilidade com uma pergunta para saber se o serviço de empréstimo /
devolução é feito de maneira confiável.

Desta maneira, através da opinião do cliente interno, este instrumento de
pesquisa nos permitiu reexaminar a qualidade do serviço e propor sugestões para
adequá-los à expectativa dos clientes.

3 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS COLETADOS

Para apresentação dos dados, tivemos como subsídios as respostas coletadas
nos questionários. Que serão dispostos abaixo em gráfico com as suas
respectivas perguntas e respostas, com os percentuais e interpretações e
análises correspondentes.

A primeira e a terceira questão abordaram o indicador de Tangibilidade e
questionaram a respeito de dois aspectos: o desempenho dos computadores ao
acessar o Syslibrary e a rapidez ao fazer o empréstimo/ devolução. Desta
maneira, apresentamos o gráfico 1:

�12,50%

50%
37,50%

Ótimo

Bom

Regular

Fonte: Dados coletados através do questionário

De acordo com análise do gráfico 1 fica perceptível que a respeito do indicador de
tangibilidade o sistema é considerado regular em sua maioria de acordo com o
percentual de 50%, seguida do percentual de 37,50% do nível bom e 12,50% do
nível ótimo.

O indicador de tangibilidade inclui a evidência física do serviço, como também a
qualidade de serviço é por natureza um conceito subjetivo, o que significa que o
entendimento de como os consumidores pensa sobre qualidade de serviço é
essencial para uma administração efetiva (CONSOLI; MARTINELLI, 2006). Neste
contexto, com relação a este indicador os equipamentos necessitam de reparos
para que haja um melhor desempenho das atividades, e assim alcance um ótimo
desempenho.

A segunda e quinta questão aborda o indicador de Usabilidade e também
questiona a respeito de dois aspectos: a dificuldade em utilizar o Syslibrary no
serviço de empréstimo/devolução e a capacidade de fornecer respostas
solicitadas a respeito de empréstimo/devolução. Assim, apresentamos o gráfico 2:

�50%

50%

Ótimo

Bom

Fonte: Dados coletados através do questionário

Ao analisarmos o gráfico 2 observa-se que o indicador de Usabilidade atingiu o
percentual de 50%

para o nível

ótimo e 50% para o nível bom ficando

equiparado, assim avaliamos que quanto a este indicador o sistema atende de
maneira

satisfatória

todas

as

necessidades

dos

funcionários

do

empréstimo/devolução.

Com relação à quarta questão que trata sobre o indicador de Confiabilidade
questionamos o seguinte aspecto: se o empréstimo / devolução são realizados de
maneira confiáveis, verifique o gráfico 3, abaixo:

50%

50%

Bom

Regular

Fonte: Dados coletados através do questionário

�Com base no gráfico 3 percebemos, que o indicador de confiabilidade obteve um
percentual de 50% bom e 50% regular, o que podemos perceber que as
informações nem sempre são muitos confiáveis.

Este indicador envolve consistência de desempenho e segurança, isto significa
que a empresa desempenha o serviço certo da primeira vez e que honra as
promessas de desempenho (CONSOLI; MARTINELLI, 2006).

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Acreditamos que o primeiro passo para a melhoria do sistema, seria a troca do
banco de dados utilizado, o Access, para o banco de dados Postgre, que oferece
muito mais suporte para armazenar e processar os dados do sistema.

Desta forma, o sistema não falharia mais em aspectos como: do indicador
Tangibilidade, desempenho, pois funcionaria de maneira mais rápida e eficaz, já
que se constata que o defeito não ocorre no que se refere aos equipamentos, e
sim no banco de dados do software; do indicador Confiabilidade, um banco de
dados com maior capacidade de armazenamento ofereceria mais segurança ao
sistema.

Este estudo revelou que apesar do sistema servir as necessidades da Biblioteca e
ser de fácil utilização, já que os clientes internos conseguem utilizá-lo sem
maiores dificuldades, inclusive ao buscar resposta para as informações solicitadas
para o empréstimo/ devolução, ainda é necessário ser feito um estudo mais
abrangente, já que este vislumbrou apenas o serviço de empréstimo / devolução,
para identificar todos os pontos fortes e fracos do sistema e aperfeiçoá-lo cada
vez mais.

REFERÊNCIAS

�CONSOLI, Matheus Alberto; MARTINELLI, Dante Pinheiro. Avaliação da
qualidade de serviços: um caso. Adm. Geral. Disponível em: &lt;&gt;. Acesso em: 28
jul.2006.
GIL, A. C. Métodos e técnicas social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999.

SAMPAIO, M. I. C. et al. PAQ Programas de Avaliação da Qualidade de produtos
e serviços de informação: uma experiências no SIBI/USP. Ciência da
Informação, v. 3, n. 1, p.142-148, jan./abr., 2004.

APÊNDICE A  QUESTIONÁRIO APLICADO AOS CLIENTES INTERNOS DA
BIBLIOTECA FACENE/FAMENE

1) Qual o desempenho dos computadores ao acessar o Sistema de Automação 
Syslibrary?
Ótimo

Bom

Regular

2)
Você encontra dificuldades ao utilizar o Syslibrary no serviço de devolução
/ empréstimo?
Não

Às vezes

Sim

Se a sua resposta for às vezes ou sim. Porque?
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_______________

3) O Syslibrary permite você fazer um empréstimo / devolução com rapidez?
Não

Às vezes

Sim

4) O serviço de empréstimo / devolução é feito de maneira confiável?
Não

Às vezes

Sim

�5) O Syslibrary é capaz de lhe fornecer as respostas que são solicitadas a
respeito do empréstimo / devolução de que maneira?
Ótimo

Bom

Regular

�</text>
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Ciência da Informação&#13;
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                    <text>SISTEMA DE GESTÃO NA BIBLIOTECA DO IFSC/USP

Maria Helena Di Francisco
Bibliotecária
Instituto de Física de São Carlos-USP
Av. Trabalhador São Carlense, 400 Cep: 13566-590 São Carlos SP Brasil
mhelena@if.sc.usp.br
Ana Mara Marques da Cunha Prado
Bibliotecária
Instituto de Física de São Carlos-USP
Av. Trabalhador São Carlense, 400 Cep: 13566-590 São Carlos SP Brasil
anamara@if.sc.usp.br
Resumo:
A implantação do Sistema de Gestão na Biblioteca do IFSC/USP baseado nos princípios
da Qualidade, teve início no segundo semestre de 2004, e faz parte de um projeto do
Sistema Integrado de Bibliotecas - SIBI/USP que coordena a implantação do Sistema em
14 das Bibliotecas da USP. As Políticas Básicas, bem como a Missão, Visão e Valores da
Biblioteca foram definidos e as técnicas 5S, Procedimentos Operacionais, Mapeamento
de Processos, Planejamento Estratégico, PDCA e Sistema de Informação já foram
implantados no decorrer dos últimos 18 meses. Com a implementação do Sistema de
Informação no primeiro semestre de 2006, já está sendo possível obter alguns
indicadores de desempenho, que permitirão acompanhar se as metas estabelecidas
estão sendo cumpridas, como por exemplo o prazo de atendimento de até 03 dias para o
fornecimento da Comutação Bibliográfica. O Sistema de gestão esta favorecendo melhor
estruturação e padronização nos procedimentos de rotinas, agregando assim mais
qualidade aos serviços já prestados pela Biblioteca.

Palavras-Chave: Sistema de gestão; Programa de Qualidade

1 Introdução
Considerado como um centro de excelência da USP, o Instituto de Física de
São Carlos  IFSC tem se destacado no cenário nacional como uma das melhores
instituições públicas, pela qualidade do ensino ministrado e principalmente pelos
projetos de pesquisas que vem desenvolvendo. O Instituto mantém intensa
colaboração nacional e internacional em três grandes linhas de pesquisa. São três
físicas que coexistem e se superpõem: uma básica, outra dirigida ao estudo de
materiais e a terceira voltada para o estudo de sistemas biológicos. É neste
contexto de excelência de ensino e pesquisa, e consciente da importância da
1

�informação na sociedade atual que o Serviço de Biblioteca e Informação do IFSC
esta inserido.
Reconhecida pela excelência de acervo e pela prestação de serviços aos
seus usuários, a Biblioteca sempre esteve atenta às novas ferramentas da
tecnologia da informação, criando e adaptando novos produtos e serviços para
atender seus usuários, que passam a ser mais exigentes e apressados em obter
informações pontuais e relevantes que atendam suas necessidades.
Com isso, a busca da melhoria da qualidade, tão comum no ambiente
empresarial, passa a ser prioridade da Biblioteca buscando assim a gestão de
seus serviços com foco no usuário.
2 Sistema de Gestão Adotado
A Universidade de São Paulo vem buscando desenvolver programa de
qualidade em suas Unidades de ensino e pesquisa desde 1995, quando o
Governo do Estado de São Paulo instituiu o decreto 40536, criando o Programa de
Qualidade e Produtividade no Serviço Público, visando a melhoria contínua dos
serviços prestados aos cidadãos.
Nesse sentido, a Biblioteca da Escola Superior de Agricultura "Luiz de
Queiroz"  ESALQ, iniciou em 1998 a implantação do seu sistema de gestão,
utilizando o sistema Dia cedido graciosamente pela Diagrama Consultoria em
Qualidade Ltda. e responsável pela implantação do programa, baseado no
Gerenciamento da Qualidade Total, que busca atender aos interesses dos
consumidores da Organização.
Em função dos resultados que vêm sendo obtidos na Biblioteca da ESALQ,
e em consonância com a política da Universidade, através do apoio da Comissão
para Gestão da Qualidade e Produtividade na USP, o SIBI iniciou no segundo
semestre de 2004 a coordenação da implantação do sistema Dia em quinze
bibliotecas que manifestaram interesse na época, entre elas, o Serviço de
Biblioteca e Informação do IFSC.

2

�3 Implantação do Sistema
Para que o sistema de gestão tivesse êxito em sua implantação, era
necessário o envolvimento e comprometimento de toda a equipe.
Com esse compromisso assumido e com o apoio da direção do IFSC foi
definido que a diretora da Biblioteca do IFSC juntamente com outra bibliotecária
seriam as coordenadoras da implantação do sistema na biblioteca, assim como
participariam e receberiam os treinamentos oferecidos pela Diagrama e
coordenados pelo SIBI , multiplicando para os demais membros da equipe.
Inicialmente o treinamento

focou os conceitos de linguagens utilizadas,

com o objetivo de propiciar à equipe envolvida maior embasamento e domínio
sobre gestão pela qualidade total e suas ferramentas.
A implantação de fato iniciou-se com a definição das UGBs  Unidades
Gerenciais Básicas, que diferem da estrutura organizacional pois são unidades
menores relativas a atividades especificas. Possem autonomia para realizar o
gerenciamento de rotina, possuindo objetivos, metas e procedimentos muito
claros.

Figura I  Unidades Gerenciais Básicas

3

�A primeira técnica implantada foi a do 5S, seguida do mapeamento de
processos, procedimentos operacionais, administração visível, marketing interno,
PDCAs, Workshops, planejamento estratégico com definição de políticas e seus
desdobramentos, PDCA e por último o sistema de informação. Para cada técnica
foi definido um gerente, responsável pela sua implementação e acompanhamento,
destacando a participação de todos os membros da equipe em todas discussões
ocorridas dentro de cada técnica, como também na elaboração de toda a
documentação gerada.
5S
Instrumento que não assegura a qualidade da organização, e sim cria
condições necessárias à implantação de projetos de melhoria continua,
promovendo a alteração do comportamento das pessoas, pois trata da:
Seiri  Organização  a arte de colocar fora coisas sem uso
Seiton  Limpeza  a arte de cada coisa no seu lugar para pronto uso
Seiso  Limpeza  a arte de tirar o pó
Seiketsu  Padronização - a arte de manter o estado de limpeza
Shitsuke  Disciplina  a arte de fazer coisas certas naturalmente
A implantação dessa técnica se deu de uma forma bastante tranqüila na
Biblioteca, pois já existia uma cultura de O&amp;M  organização e métodos. Foi
significativa nas áreas de trabalho, pois as pessoas passaram a trabalhar mais
organizadamente e a conservar melhor seus espaços.
Folhas de verificação foram implantadas para acompanhamento da técnica
e equipes de verificadores e auditores foram definidas.

4

�Figura II  Folha de Verificação

5

�Mapeamento de Processos
Essa técnica objetiva o rastreamento dos processos desenvolvidos em uma
UGB, identificando quem são seus fornecedores, quais são os seus insumos,
quais são os seus produtos e quem são os seus clientes.

Figura III  Mapeamento de Processo

Padronização da Rotina
Para cada produto identificado no mapeamento de processo foi elaborado o
Procedimento Operacional formulário onde é descrita, passo a passo, a
realização da tarefa, indicando o que faz, porque faz e como faz. Uma análise
de risco é feita através da Análise do Modo e Efeito da Falha  FMEA para
identificar o risco quanto à ocorrência, severidade e possibilidade de detecção, e
ações preditiva são definidas para que o risco seja eliminado quando ocasionado
por ações internas de procedimentos.
6

�A padronização de rotinas é o gerenciamento do dia a dia que a
equipe realiza, e tem por objetivo assegurar que os procedimentos
realizados sejam registrados e documentados , servindo inclusive
para treinamento de novos integrantes da equipe. (SCHIAVUZZO,
2005a)

Figura IV  Procedimento Operacional

Definição de Política Básica
Após discussões sobre a política básica, conclui-se que, respeitando as
especificidades de cada área, ela deveria ser comum a todas as bibliotecas do
sistema e foram então definidos pelo SIBI / USP a missão, os valores e a visão
abaixo:

7

�Missão: Promover o acesso e incentivar o uso e a geração da informação,
contribuindo para a qualidade do ensino, pesquisa e extensão, na área de física e
áreas afins, com a utilização eficaz dos recursos públicos.
Visão: Ser um modelo brasileiro de excelência na gestão e disseminação da
informação, até 2010.
Valores: Manter o compromisso com a democratização do acesso à
informação de forma equitativa, respeitando a ética e os valores humanos.
Planejamento Estratégico

O planejamento estratégico em uma organização pública deve
orientar-se por uma busca de sustentabilidade institucional, ou
seja, de continuada valorização social de bens e serviços que ele
produza. (CASTRO, 2005)

Com essa visão, a Biblioteca buscou elaborar seu planejamento estratégico
pautando-se nas necessidades dos consumidores da organização, identificados
como usuários, acionistas, funcionários e sociedade, alinhadas com a missão,
visão e valores. O desdobramento das políticas resultou em ações que deverão
ser executadas durante o ano e que certamente agregam mais valor aos bens e
serviços prestados pela Biblioteca.
A realização do planejamento estratégico se dá a partir da análise, pelas
equipes da UGBs, do SWOT (pontos fortes, pontos fracos, oportunidades e
ameaças). Também são consideradas as reclamações e/ou sugestões dos
usuários, novas tecnologias, novas políticas governamentais e o benckmarking.
O Shake Down significa: chacoalhar para baixo, ou seja, checar o que não
aconteceu no ano em curso, com base no que foi planejado, verificar suas
verdadeiras causas para o ano seguinte, visando não permitir a repetição dos

8

�mesmos erros (SCHIAVUZZO, 2005b), também é analisado para a elaboração do
SWOT.
O Gráfico de Pareto1 é utilizado para se definir quais são as ações /
políticas que deverão ser priorizadas na definição de planejamento estratégico.
PDCA
Para cada política desdobrada a partir do planejamento estratégico é
elaborado um PDCA cujo objetivo é definir rumos para Unidades Gerenciais
Básicas  UGBs, com a fixação de objetivos, metas e métodos, visando a
concentração de esforços de toda a equipe em pontos que agreguem real valor
para a organização (grandes benefícios) (SCHIAVUZZO, 2005c) sendo:
P = Planejamento onde se define os objetivos, meta e métodos
D = Desenvolvimento onde acontece o treinamento e a execução
C = Checagem onde avalia-se o cumprimento dos objetivos e meta
A = Ação corretiva onde definem-se quais ações deverão ser criadas para
que os objetivos e a meta possam ser cumpridas
O PDCA é elaborado pelos membros da equipe que estarão envolvidos
com aquela política, e também são eles que definem os objetivos, métodos e
meta.
É definida uma data para a prestação de contas a ser feita pela equipe em
um Workshop.
Durante o Workshop, que tem duração máxima de 15 minutos, a(s) pessoa
(s) responsável (is) pelas ações descritas no PDCA, expões seus resultados e
neste momento a gerência e/ou diretoria valida ou não as ações executadas.

1

Gráfico de barras que ordena as frequências das ocorrências, da maior para a menor, permitindo a
priorização dos problemas. Mostra ainda a curva de percentagens acumuladas. Sua maior utilidade é a de
permitir uma fácil visualização e identificação das causas ou problemas mais importantes, possibilitando a
concentração de esforços sobre os mesmos.

9

�Figura IV  Modelo de PDCA

Sistema de Informação  SI

Um sistema de informação gerencial para bibliotecas tem por
objetivo fornecer fatos e dados à alta administração para que esta
possa tomar suas decisões, despida da intuição ou da emoção,
buscando sempre o máximo de eficácia dos processos.
(FACCO, 2006)

Geralmente as Bibliotecas possuem alguns levantamentos estatísticos que
subsidiam a elaboração de relatórios onde se pode visualizar o crescimento, ou
não, da freqüência do atendimento ao usuário, do processamento de material,
entre outros. Isso normalmente é feito de uma forma sem muito padrão e com
estrutura diferente de uma atividade para outra.

10

�No caso da Biblioteca do IFSC, a situação não era muito diferente, e a
criação de um sistema de informação possibilitou:
Definição de padrão nas planilhas para levantamento de dados;
Definição das atividades a serem mensuradas;
Definição de indicadores de desempenho para determinadas atividades;
Visibilidade do sistema a todos os membros da equipe a partir de qualquer
equipamento da Biblioteca;
Acompanhamento do cumprimento de

metas visando avaliação da

necessidade de reforço junto a equipe;
Disciplina dos membros da equipe na atualização das planilhas, e
Disciplina da equipe em atingir as metas propostas.
O sistema de informação, desenvolvido em excell, hoje é composto por 26
planilhas, para as diferentes atividades, o que totaliza
consideramos

as

planilhas

mensais,

anuais

e

329 planilhas quando
os

gráficos

gerados

automaticamente a partir dos dados inseridos nas planilhas.
Além das taxas de crescimento positivas ou negativas de cada serviço, o
sistema de informação permite, através da definição de alguns indicadores, que se
tenha uma avaliação de seu desempenho. Esse sistema certamente agregou
muito valor à gestão da Biblioteca, tornando-se uma ferramenta muito importante
inclusive para justificar necessidades da Biblioteca relacionadas a pessoal,
recursos de equipamentos, etc.

11

�Figura V - Sistema de Informação

Figura VI  Gráfico - Sistema de Informação

4 Resultados
A implantação do Sistema de Gestão, no estágio em que ele se encontra
hoje, tem possibilitado:
Comprometimento e envolvimento de toda a equipe na elaboração e
aplicação nas diferentes técnicas apresentadas;

12

�Equipe mais disciplinada quanto à organização no desenvolvimento
das rotinas diárias;
Processos melhor estruturados e documentados;
Obtenção de índices de desempenho das diferentes atividades da
Biblioteca;
Monitoramento de todo o sistema, favorecendo a gestão da
biblioteca, e
Mais valor agregado à prestação de serviços aos usuários.
5 Conclusão
A implantação do Sistema de Gestão apresentada só foi possível porque
teve a contribuição de cada membro da equipe, respeitando naturalmente a
limitação de cada um.
A interação ocorrida em função dos repasses das metodologias recebidas
no treinamento certamente foi benéfica a todos, apesar de, em muitos momentos,
o processo ter exigido maior dedicação, gerando um certo stress coletivo, mas que
foram superados por todos quando avaliamos os resultados obtidos nestes dois
anos.
Algumas técnicas ainda serão repassadas e agregadas ao Sistema, como
também a sua consolidação no segundo semestre de 2006, mas já podemos
afirmar através de dados numéricos e estatísticos, que hoje a Biblioteca do IFSC,
tem qualidade na sua prestação de serviços e qualidade na execução de seus
procedimentos, revertendo em benefício aos usuários, validando assim nossa
missão e principalmente nossos valores.
Referências
CASTRO, Antônio Maria Gomes de; LIMA, Suzana Maria Valle; BORGESANDRADE, Jairo Eduardo. Metodologia de planejamento estratégico das
unidades do MCT. Brasília: Ministério da Ciência e da Tecnologia, Centro de
Gestão de Estudos Estratégicos, 2005. 110 p.

13

�FACCO, Antonio Carlos Fabretti; SAAD, Márcia Regina Migliorato; SCHIAVUZZO,
Pedro Luiz. Inovações no sistema de informação da biblioteca da DIBD /
ESALQ / USP: resultado da busca da melhoria continuada. Disponível em:
&lt;http://vega.sibi.usp.br/gestao/sdg/documentacao/sdg_sistema_de_informacao_0
1.pdf&gt;. Acesso em: 17 jul. 2006.
REBELLO, Maria Alice de França Rangel. Implantação do programa 5S para a
conquista de um ambiente de qualidade na biblioteca do Hospital Universitário da
Universidade de São Paulo. Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da
Informação, v. 3, n. 1, p. 165-182, jul./dez. 2005.
SAAD, Márcia Regina Migliorato; SANTOS, Sandra Helena Marchizeli Gregório
dos; LEME, Maria Ângela de Toledo. Modelo de gestão da divisão de biblioteca e
documentação : DIBD. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS, 12., 2002, Recife. Biblioteca Universitária: espaços de
(r)evolução do conhecimento e da informação. Disponível em:
&lt;http://www.sibi.ufrj.br/snbu/snbu2002/oralpdf/81.a.pdf&gt;. Acesso em: 17 jul. 2006.
SAAD, Márcia Regina Migliorato; SANTOS, Sandra Helena Marchizeli Gregório
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da biblioteca. Diagrama em Revista: Campinas, v. 1, n. 1, p. 44-46, jan. 2004.
SANTOS, Luciano Costa; FACHIN, Gleisy Regina Bóries; VARVAKIS, Gregorio.
Gerenciando processos de serviços em bibliotecas. Ciência da Informação,
Brasília, v. 32, n. 2, maio/ago. 2003. Disponível em:
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SCHIAVUZZO, Pedro Luis. SDG - Planejamento estratégico. Piracicaba:
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SCHIAVUZZO, Pedro Luis. SDG  Metodologia PDCA. Piracicaba: Diagrama
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&lt;http://www.veja.sibi.usp.br/gestao/sdg/documentação.php&gt;. Acesso em 31
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WALTER, Maria Tereza. Implantação da Norma ISO 9001: 2000 na Biblioteca
Ministro Victor Nunes Leal do Supremo Tribunal Federal. Ciência da Informação,
Brasília, v. 34, n. 1, jan./abr. 2005. Disponível em:

14

�&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S010019652005000100012&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt&gt;. Acesso em: 17 jul. 2006.

15

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>A implantação do Sistema de Gestão na Biblioteca do IFSC/USP baseado nos princípios da Qualidade, teve início no segundo semestre de 2004, e faz parte de um projeto do Sistema Integrado de Bibliotecas - SIBI/USP que coordena a implantação do Sistema em 14 das Bibliotecas da USP. As Políticas Básicas, bem como a Missão, Visão e Valores da Biblioteca foram definidos e as técnicas 5S, Procedimentos Operacionais, Mapeamento de Processos, Planejamento Estratégico, PDCA e Sistema de Informação já foram implantados no decorrer dos últimos 18 meses. Com a implementação do Sistema de Informação no primeiro semestre de 2006, já está sendo possível obter alguns indicadores de desempenho, que permitirão acompanhar se as metas estabelecidas estão sendo cumpridas, como por exemplo o prazo de atendimento de até 03 dias para o fornecimento da Comutação Bibliográfica. O Sistema de gestão esta favorecendo melhor estruturação e padronização nos procedimentos de rotinas, agregando assim mais qualidade aos serviços já prestados pela Biblioteca.</text>
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                    <text>1

SISTEMA INFORMATIZADO EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO: O PROCESSO
DE IMPLANTAÇÃO NO SENAI-SC

Elaine Rosangela de Oliveira Lucas1
lani@udesc.br
Luiza da Silva Kleinubing2
luizask@sc.senai.br
Nicole Amboni de Souza3
nicole@ctcmat.senai.br
RESUMO
O presente artigo relata o processo de informatização da Rede de Unidades de
Informação do SENAI/SC, com avaliação final do processo desenvolvida por meio
de pesquisa quantitativa desenvolvida nas 18 Unidades de Informação que
participaram do processo de informatização. Seu resultado permite uma avaliação
do referido processo enfatizando a importância da capacitação do bibliotecário e os
benefícios trazidos para a instituição após a implantação do novo software.
Palavras-chave: Implantação de software. Informatização de bibliotecas.
Pergamum. SENAI-SC.

INTRODUÇÃO
Na nova era informacional, é preciso estar apto a trabalhar com as
tecnologias. Os profissionais da informação, em especial os bibliotecários, já não
podem mais ignorar a presença e a convivência com novas tecnologias de
informação (sejam softwares e ou aplicativos relacionados a disponibilização de
informações na Internet), pois elas visam facilitar os processos proporcionando
melhoria a qualidade dos serviços/produtos.
Neste contexto, muitas bibliotecas vêm investindo em sistemas de informação
para aprimorar seus serviços. Entretanto, adquirir e implantar um sistema
automatizado de bibliotecas não é sinônimo de qualidade nos serviços e de sucesso
1

Mestre em Eng. de Produção pela UFSC, Professora do Depto de Biblioteconomia e Documentação da FAED/UDESC. Rua Saldanha
Marinho, 193, Centro – Florianópolis – SC. Brasil.
2
Formanda em Biblioteconomia pela UDESC, Auxiliar de Documentação do SENAI-SC/Direção Regional. Rod. Admar Gonzaga, 2765,
Bairro Itacorubi, Florianópolis – SC. Brasil.
3
Bacharel em Biblioteconomia – Gestão da Informação, Bibliotecária do SENAI-SC/Criciúma. Rua General Lauro Sodré, 300 Bairro
comerciário, Criciúma- SC Brasil

�2

alcançado. É necessário um planejamento de todas as etapas desenvolvidas no
processo

de

implantação,

de

avaliação e

acompanhamento

de

sistemas

automatizados. Os sistemas de gerenciamento de bibliotecas devem proporcionar
melhorias principalmente relacionadas ao gerenciamento das atividades referentes
aos processos de aquisição, catalogação, controle de circulação (empréstimo e
consulta) proporcionando informações certas para tomada de decisões.
Para Romani e Borszcz (2006) a expansão de empresas voltadas ao
desenvolvimento

de

produtos

relacionados

à

tecnologia

da

informação

(principalmente equipamentos e softwares), oferecendo diversos aplicativos para
Unidades de Informação exige dos profissionais que atuam nessa área um certo
trabalho na escolha de sistemas automatizados. A implantação dos sistemas de
informação precisa ser planejada de modo eficaz, a fim de proporcionar serviços
úteis, principalmente para instituições de ensino que possuem grande capilaridade e
precisam estar atentas as mudanças tecnológicas para oferecer serviços com
qualidade.
O SENAI é uma instituição de ensino profissional. O Departamento Regional
do SENAI/SC comemorou cinqüenta e dois anos de existência em janeiro de 2006.
A data do 50º aniversário do SENAI/SC é marcada pela capacidade de empreender
e inovar. A instituição chega ao seu cinqüentenário com a formação de 50 mil alunos
por ano, dos quais 15 mil realizam cursos de longa duração nos níveis básico,
técnico e tecnológico.
O SENAI/SC estruturou-se em 08 regiões distintas com 32 Unidades,
caracterizadas pelos setores industriais mais evidentes da região. Atua em duas
grandes áreas (ramo de atuação): Educação e Serviços Técnicos e Tecnológicos.
Atualmente, a força de trabalho é composta por 2091 colaboradores e 274
estagiários.
Neste âmbito, esta pesquisa foi desenvolvida na Rede de Unidades de
Informação do SENAI/SC e retrata a experiência de implantação de um sistema
informatizado de bibliotecas. Foram aplicados questionários as Bibliotecárias do
SENAI/SC com a finalidade de levantar dados do processo de implantação e
verificar a satisfação destes profissionais que utilizam o Sistema Pergamum como
recurso de gerenciamento de suas bibliotecas.

�3

1 INFORMATIZAÇÃO DE UNIDADES DE INFORMAÇÃO

A evolução da tecnologia da informação tem atingido a área da Ciência da
Informação. Conseqüentemente as bibliotecas vêm evoluindo tecnologicamente para
atender a demanda de usuários que é cada vez mais exigente, ou seja, eles
esperam que os serviços prestados pelas bibliotecas sejam refinados e com grande
valor agregado à informação.
Os profissionais da informação são fundamentais para fazer o elo entre os
usuários e novo paradigma informacional .
No Brasil as bibliotecas começaram a ser efetivamente automatizadas na
década de 90, já em outros lugares do mundo a informatização se iniciou muito
antes. Muitas bibliotecas começaram a pensar sobre automatização por volta de
1970. (EKPENYONG, 1997).
Para Burin, Lucas e Hoffmann (2004) “A finalidade da informatização é
agilizar e aumentar a eficiência e a precisão na recuperação da informação”.
As unidades de informação têm investido em softwares para automatizar os
serviços/produtos prestados aos clientes/usuários. Entretanto, o processo de
implantação de um sistema automatizado em uma biblioteca deve seguir uma
metodologia para que realmente agregue valor aos serviços/produtos prestados pela
Instituição. Conforme Silva e Favaretto (2005, p. 107):
Qualquer processo de migração entre sistemas e a biblioteca deve
ser o mais suave possível para todos os envolvidos – equipe
responsável, staff da biblioteca e usuários. Para que isso ocorra,
deve haver um planejamento com toda a equipe, ou seja, fornecedor
do novo software e os responsáveis por essa tarefa dentro da
biblioteca. (...) migrações de sucesso mantêm os dados
(bibliográficos e administrativos), as funcionalidades e o fluxo de
trabalho (a biblioteca não pode deixar de disponibilizar seus serviços
durante a conversão) do sistema anterior, até que sejam
incorporadas as características e capacidades do novo sistema ao
servidor de produção que atende à biblioteca.

Segundo Silva e Favaretto (2005, p. 107) a obtenção de sucesso na escolha
do software apropriado depende, em grande parte, da instituição. É fundamental a
compreensão do conceito moderno de gestão da informação e fazer uma leitura real
da instituição como um todo, para apresentar um sistema que atenda aos itens
obrigatórios, imprescindíveis e desejáveis aos gestores.

�4

Na pesquisa de Campregher; Oliveira; Thiry (2001, p. 30) o processo de
avaliação de softwares deve ser composto por uma comissão de bibliotecários e
analistas, levando-se em consideração um conjunto de requisitos baseados nas
necessidades da instituição.
Outro fator importante a ser levado em consideração na implantação de um
sistema informatizado de biblioteca é a capacitação da equipe. È necessário ajustar
um programa de treinamento em aplicações de computador para a equipe de
funcionários envolvida com o trabalho da automatização. Cabe ressaltar que não
adianta somente contar com um programa inicial de capacitação, a instituição deve
realizar capacitações regularmente para aprimorar a qualidade dos seus
serviços/produtos. O treinamento contínuo é necessário se manter lado a lado com
as tecnologias. (CHANDRAKAR, 2003).
Neste âmbito, percebe-se que o processo de implantação de um sistema
informatizado de bibliotecas não é simples, mas pode trazer inúmeros benefícios
tanto para os profissionais da informação, quanto para os usuários da biblioteca,
desde que seja bem planejado.

2 A REDE DE UNIDADES DE INFORMAÇÃO DO SENAI/SC

Nos últimos 52 anos o SENAI/SC sempre esteve preocupado em disseminar
o conhecimento tanto para os alunos como para a comunidade em geral. Para isso,
implantou em 1995, a Rede de Unidades de Informação do SENAI/SC constituída
por um Centro de Documentação e 2 Núcleos de Informação Tecnológica.
Conforme Romani e Borszcz (2006):
[...] as redes de informação são consideradas um conjunto de
unidades informacionais, que agrupam pessoas e/ou organismos
com as mesmas finalidades, onde a troca de informações é feita de
maneira organizada e regular, por meio de padronização e
compartilhamento de tarefas e recursos. As redes assumem um
papel importante, onde o principal objetivo é fundamentado na
promoção, geração, adequação, transferência e disseminação das
mesmas. Elas permitem a articulação de procedimentos e
informações que vão ao encontro da satisfação das necessidades
de seus clientes.

Em 1996, com orçamento próprio para realizar suas atividades, a Rede
começou a ser ampliada, possuindo 05 Salas de Leitura, 04 Bibliotecas e 03

�5

Núcleos de Informação, ampliando conseqüentemente o número de profissionais da
área. Em 2006, a Rede conta com 18 Bibliotecas e 13 Salas de Leitura vinculadas a
estas bibliotecas.
A Rede de Unidades de Informação armazena em suas bibliotecas, acervo
diversificado em vários tipos de suporte (livros, apostilas, relatórios, catálogos,
plantas, desenhos, projetos, slides, fotografias, vídeos, CD’s, DVD’s, entre outros).
Desde o período de implantação da Rede, o crescimento do acervo é em média de
40% ao ano, o que comprova a importância dada pela Instituição em atender a
demanda existente. Atualmente a Rede de Unidades de Informação do SENAI/SC
conta com um acervo de mais de 120.000 exemplares, catalogados de acordo com
técnicas Biblioteconômicas. Utiliza classificação CDU – Classificação Decimal
Universal; a catalogação é feita utilizando-se a AACR – Anglo American
Catalogation Rules.
No que se refere ao compartilhamento do conhecimento, em 2005, a Rede de
Unidades de Informação contabilizou mais de 90.000 mil empréstimos. Neste
contexto, a Rede investe em recursos tecnológicos para agregar valor nos
serviços/produtos prestados aos usuários. Em 2004 foi iniciada a implantação do
Sistema de Bibliotecas – Pergamum que funciona de forma integrada, pois é
operacionalizado em rede, minimizando o trabalho de catalogação e integrando os
serviços/produtos prestados pela Instituição.

3 IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA PERGAMUM NA REDE DE UNIDADES DE
INFORMAÇÃO DO SENAI/SC
O SENAI/SC passou por diversas experiências e tentativas eficazes de
informatização de suas Unidades de Informação. Entre elas podemos citar a
implantação da Base SINF (1994) – desenvolvida pelo Departamento Nacional com
software Microisis. Trava-se de uma base de dados referencial, seus campos foram
estruturados tendo por base padrões relacionados principalmente a NBR 6023.
Atendia as necessidades da época cujo objetivo maior era o controle de seu acervo,
não proporcionando recursos relacionados às atividades de empréstimos e
aquisição e consulta on-line. Exigia dos bibliotecários conhecimentos em MicroIsis.
Em 1997 a mesma base foi migrada para plataforma do Lotus Notes, já
possibilitando a realização de empréstimo automatizado mas não proporcionando

�6

um trabalho em Rede. Cada Unidade fazia sua catalogação e exigia suporte
constante do pessoal de informática (o bibliotecário não possuía conhecimentos de
Lotus Notes).
A partir de 2000 o SENAI/SC passou a oferecer cursos de nível superior
próprios, o que a levou a passar pela avaliação de comissões do MEC. A Biblioteca
faz parte desse processo de avaliação, surgindo assim à necessidade de um novo
software que contemplasse melhorias nos processos desenvolvidos pelas Unidades
de Informação (aquisição, catalogação, empréstimo e principalmente disponibilidade
das informações on-line).
Houve tentativa de desenvolver um sistema próprio, mas depois de vários
estudos e até mesmo a experiência com a base SINF. Em 2003, foi tomada decisão
pela compra de um sistema pronto (já disponível no mercado).
Com a decisão de implantar outro sistema, foi necessário realizar uma
avaliação dos softwares existentes no mercado para verificar qual atendia as
necessidades e expectativas da Instituição. Foi realizado um levantamento e
analisado 5 sistemas. Todos os softwares foram avaliados por uma equipe técnica
das áreas de Tecnologia da Informação, Gestão Estratégica, Educação e
Bibliotecários do SENAI/SC.
Dentre os requisitos e características exigidas pela Instituição para a escolha do
novo software destacam-se:
- Possuir modelo de processamento na arquitetura cliente/servidor e Web;
- Ser compatível com ambiente multi-usuário e multi-empresa, permitindo a
realização de tarefas concorrentes;
- Possuir interface gráfica de entrada e saída de dados padrão Windows;
- Ter compatibilidade com o sistema operacional NT 4.0 (ou superior), Server/
Workstation;
- Ser uma aplicação com todos os módulos integrados, não sendo considerado
como integração o processo de exportação e importação de dados;
- Possibilitar a exportação e importação de dados de outros sistemas para qualquer
informação existente no sistema, através da definição de layouts especiais,
mantendo a integridade dos mesmos;
- Fornecer solução de atualização prática e simples para o usuário da versão do
aplicativo;

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- Prover o controle efetivo do uso dos sistemas (software e SGBD), oferecendo total
segurança contra violação dos dados ou acessos indevidos às informações, através
do uso de senhas que efetuem restrições por níveis de acesso (módulos, telas,
filiais) e por função (inclusão, alteração, exclusão, consulta) através de usuários ou
grupos;
- Disponibilizar controle de login efetuado pelo sistema, possibilitando o
rastreamento das transações de inclusão, alteração e exclusão da base, com
identificação do usuário e da data / hora de operação;
- Apresentar todas as telas e relatórios no ambiente do usuário em português;
- Possuir gerador de relatórios permitindo criação e modificação de relatórios
padrão;
- Possibilitar o envio de e-mails quando da realização de tarefas de comunicação
entre as áreas ou com fornecedores e clientes;
- Permitir integração da movimentação financeira do software de biblioteca com a
solução ERP do SENAI/SC automaticamente;
- Possuir base centralizadora no SENAI/SC – Direção Regional contendo todas as
publicações das unidades no Estado para consulta via web;
- Alta capacidade de armazenamento;
- Utilização de senhas criptografadas;
- Controle e avaliação do inventário do acervo através de código de barras;
- Formato MARC 21 dos registros bibliográficos para exportação e importação e dos
registros internos;
- Importação de dados de centros de catalogação cooperativa on-line via formato
ISO-2709;
- Manutenção controle de autoridades (nomes, assuntos, títulos);
- Incorporação de textos digitalizados;
- Controle de usuários e de materiais para fins de definição automática de prazos e
condições de empréstimo e uso;
- Consulta e pesquisa, Reserva e renovação on-line via web;
- Acesso multi-usuário;

Após um período de avaliações e visitas a Instituições que utilizavam os
sistemas que estavam sendo avaliados, a equipe técnica do SENAI/SC decidiu

�8

utilizar o Sistema Pergamum, pois atendia o maior numero de exigências e
necessidades da Instituição.
Para ser implantado o Sistema Pergamum foi necessária a adequação da
infra-estrutura tecnológica para atender os requisitos do software como Banco Sql
Server/Sybase e Banco Oracle, por exemplo.
O Sistema Pergamum possui 8 módulos disponíveis: aquisição, catalogação,
usuários, circulação de materiais, parâmetros, consulta, relatórios e diversos. Destes
somente o módulo “aquisição” não foi implantado desde o inicio no SENAI/SC.
O software adquirido permitia a migração dos dados da base SINF para a
atual e isso exigia uma revisão de todos os dados migrados. A instituição optou por
fazer a re-catalogação, de todos os dados relacionados ao acervo, já que a base de
dados (SINF) não estava estruturada de acordo com os padrões internacionais de
catalogação (formato MARC 21). Este formato permite a cooperação de dados entre
bibliotecas o que agilizou o processo de catalogação.
Foi necessário ampliar temporariamente o quadro de profissionais, com o
objetivo de auxiliar o processo de tratamento técnico dos materiais, foram
contratados 5 bibliotecários e 3 estagiários para as Bibliotecas. A equipe de
auxiliares deveriam possuir capacidade de pesquisar materiais na Rede Pergamum,
Biblioteca Nacional ou Library of Congress para o processo de catalogação
(cooperação); preparar fisicamente o material (carimbo/etiquetas); manter o acervo
organizado; atender usuários e controlar empréstimos.
Para que os profissionais aprimorassem seus conhecimentos e agregassem
valor aos serviços/produtos prestados aos usuários, foram realizadas as seguintes
capacitações: formato MARC 21 e utilização do sistema Pergamum (empréstimo,
consulta e atualização, aquisição, relatórios, parâmetros do sistema).
A parametrização do Sistema foi feita pela PUC/PR juntamente com as
Bibliotecárias do SENAI/SC. Percebeu-se que para um bom resultado e satisfação
por parte dos profissionais e clientes/usuários da biblioteca é necessário que o
sistema esteja bem parametrizado de acordo com as necessidades da Instituição.
Como o sistema é interligado e todas as bibliotecas do Estado trabalham em rede,
as decisões de parametrização foram realizadas em reuniões onde todas as
bibliotecárias estavam presentes.

�9

Além da infra-estrutura tecnológica e pessoal qualificado, para auxiliar no
processo foi necessário desenvolver a infra-estrutura física e adquirir alguns
materiais de consumo específicos para a organização do acervo.
Após esse processo de identificação das necessidades, instalação e ajuste do
software as bibliotecárias do SENAI/SC tiveram um prazo para catalogar no
Pergamum todo o acervo existente. Esse processo de catalogação aconteceu no
ano de 2004.
O último módulo a ser implantado e utilizado pelo SENAI/SC foi o de
Aquisição. Foi montado um grupo tarefa na Direção Regional do SENAI/SC
juntamente com profissionais da PUC/PR e do software ERP, utilizado para cadastro
dos alunos. Após inúmeras reuniões e estudos foi estruturada uma metodologia de
trabalho para integrar os dois sistemas. Após esse processo de definição e
validação dos dados foi realizada uma capacitação com as Bibliotecárias do
SENAI/SC somente sobre o módulo Aquisição.

5 PESQUISA REALIZADA
A metodologia adotada é o estudo de caso. A pesquisa apresentou natureza
qualitativa e quantitativa, pois se preocupou com o processo e também com os
resultados e produtos. A caracterização do estudo apresentou aspecto exploratório
quanto aos objetivos, pois visou descobrir informações e diagnosticar o problema de
maneira mais precisa. Quanto aos procedimentos técnicos a pesquisa apresentou
aspectos bibliográficos, documentais e de estudo de caso. Os atores envolvidos na
pesquisa foram os 18 Bibliotecários da Rede de Unidades de Informação do
SENAI/SC. As técnicas de coleta de dados utilizadas foram: observação,
questionário e análise documental.

6 ANÁLISE DOS RESULTADOS

O estudo de caso na Rede de Unidades de Informação do SENAI/SC possuiu
como objetivo levantar dados e verificar a satisfação dos profissionais bibliotecários.
A pesquisa foi realizada com as Bibliotecas onde foram aplicados 18 questionários.
Foram obtidos 16 questionários respondidos, o que representa 88,9% do total. Os

�10

dois questionários que não foram respondidos se deu pelo fato de uma bibliotecária
estar de licença maternidade e outra por ter saído da Instituição no período de
aplicação do questionário.
As questões do questionário foram desenvolvidas com a finalidade de
levantar dados do processo de implantação e verificar a satisfação dos profissionais
que utilizam o Sistema Pergamum como recurso de gerenciamento de suas
bibliotecas.
Inicialmente procurou-se identificar a experiência dos profissionais de
informação da Instituição quanto ao conhecimento do Sistema Pergamum antes da
implantação do mesmo no SENAI/SC. Constatou-se que 50% das bibliotecárias não
haviam trabalhado com este software antes da implantação, portanto 50% haviam
trabalhado com a ferramenta. Com estes dados percebe-se que a equipe de
profissionais envolvidos estava dividida quanto ao conhecimento do Sistema,
entretanto exigiu-se uma capacitação dos mesmos para a implantação do software
na Rede de Unidades do SENAI/SC., visando um trabalho qualificado.
Quanto às capacitações recebidas, 87% das bibliotecárias consideraram
suficientes para desenvolver o trabalho com qualidade, já 13% assinalam que as
mesmas foram insuficientes e 75% não obtiveram capacitações além das que o
SENAI proporcionou sendo que 19% responderam que buscaram outras
capacitações e 6% não responderam. Entre as capacitações sugeridas, está a
necessidade de capacitações conjuntas com as bibliotecárias e os responsáveis
pela aquisição de materiais bibliográficos, visto que o processo de aquisição no
SENAI/SC funciona de forma integrada entre estes profissionais e os softwares que
os mesmos utilizam.
O planejamento da implantação do Sistema Pergamum na Rede de Unidades
de Informação do SENAI/SC foi considerado ótimo por 6% dos profissionais, bom
por 49%, 13% regular, 19% satisfatório, 13% não responderam. Logo, este resultado
nos permite concluir que houve um bom planejamento de implantação do software.
Dentre as dificuldades encontradas neste processo de implantação o formato
MARC 21 foi o que obteve maior grau com 37% das respostas, 31% assinalaram
como dificuldade a migração/conversão dos dados, 13% assinalaram como
dificuldade o trabalho em rede (compartilhado), 6% a informática e 13% não tiveram
dificuldades .

�11

No resultado da pesquisa feita a fim de levantar quais as finalidades das
buscas informacionais dos clientes/usuários, teve-se 56% são para trabalhos
acadêmicos, 34% para preparar aulas, 7% para atualização bibliográfica e 3% para
concursos. Dentre os itens mais utilizados do sistema pelos seus clientes/usuários
36% está a renovação, 33% a pesquisa básica, 27% a reserva, 2% a pesquisa
booleana, 2% a pesquisa por índice e não foram assinalados como itens mais
utilizados as opções: pesquisa por multimeios, novas aquisições e sugestões.
Quanto à interface do sistema, 94% responderam ser de fácil acesso a
ferramenta de busca para o usuário e 6% não consideraram de fácil acesso.
A informatização trouxe total benefício aos usuários das bibliotecas para 94%
dos profissionais, 6% consideraram parciais e nenhum dos questionados considerou
que não houve benefícios.
Dentre os benefícios observados com a implantação do sistema, a agilidade
destacou-se com 29%, seguida pelo compartilhamento das informações e controle
do acervo com 25%, a cooperação dos dados aparece com 17%, a compilação dos
dados com 2%, manutenção dos dados com 2% e o item desenvolvimento da
coleção não foi considerado benefício com a implantação.
Como maior ponto fraco apontou-se a lentidão do sistema com 37%, seguida
pela falta de suporte técnico com 27%, a falta de recursos tecnológicos 25%, com
8% aparece o excesso de funções do sistema, por fim a compilação dos dados 3%
e, por fim a interface do sistema que não foi considerado um ponto fraco. Para 94%
dos entrevistados a informatização trouxe parcial economia de tempo na execução
das atividades e liberou parcialmente funcionários da biblioteca de trabalhos
rotineiros e burocráticos e 6% consideraram que não houve economia de tempo na
execução das atividades e não houve liberação dos funcionários da biblioteca de
trabalhos rotineiros e burocráticos.
O sistema atende e acompanha o que os outros softwares do mercado
oferecem quanto á tecnologia e as funcionalidades, 81% responderam que atende
plenamente, 13% supera as expectativas, 6% atende parcialmente e 0% não atende.
Quanto às necessidades da Instituição em relação ao processo de seleção e
aquisição de materiais bibliográficos por doação, permuta e compra para 56%
atende parcialmente, 38% atende plenamente, 6% supera as expectativas e 0% não
atende. Em relação ao processamento técnico dos documentos, registro das

�12

informações bibliográficas, segundo padrões internacionais para 88% atende
plenamente, 6% atende parcialmente e 6% não responderam.
O módulo de catalogação é definido de fácil utilização para 62% das
bibliotecárias, 25% considera médio e 13% difícil de utilizar. O módulo de circulação
de materiais atende parcialmente para 41%, plenamente para 33% , 13% supera as
expectativas e 13% consideram que não atende as necessidades da Instituição.
As

funções

relativas

do

Sistema

ao

processo

de

divulgação

da

informação/disseminação seletiva da informação atende parcialmente para 43%,
plenamente para 31%, supera as expectativas para 13% e não atende para 13% .
Quanto ao processo gerencial, acompanhamento e avaliação das atividades
da Biblioteca do ponto de vista gerencial foi apontado para 69% que atende
parcialmente, 25% plenamente, 6% supera as expectativas e 0% não atende.

CONCLUSÃO

Este trabalho foi realizado com o objetivo de auxiliar os profissionais da
informação na implantação de um sistema de gerenciamento de bibliotecas. Visto
que os mesmos encontram-se hoje consolidados como ferramenta essencial no
suporte a serviços/produtos eficazes para os clientes/usuários, gestão de acervos, e,
em geral, administração dos serviços/produtos prestados por bibliotecas e outras
instituições que provêem acesso a coleções de documentos. O foco desses
sistemas está na manutenção, desenvolvimento e controle do acervo. Suportam
seleção, encomenda, aquisição, catalogação, confecção de etiquetas e controle de
circulação do acervo da biblioteca. (ROWLEY, J., 2002).
Com a descrição do processo de implantação do Sistema Pergamum na Rede
de Unidades de Informação e a aplicação dos questionários para as Bibliotecárias
do SENAI/SC foi possível levantar dados e verificar a satisfação dos profissionais
que utilizam o Sistema Pergamum como recurso de gerenciamento de suas
bibliotecas.
Constatou-se que pela opinião da maioria dos profissionais bibliotecários que
as capacitações recebidas pelo SENAI/SC foram suficientes para desenvolver o
trabalho com qualidade. O que retrata um cenário positivo no processo de
planejamento e implantação do Software Pergamum no SENAI/SC.

�13

Os resultados obtidos no que se referem à informatização com o Sistema
Pergamum, trouxeram benefícios para os clientes/usuários das bibliotecas também
são positivos, pois demonstra que 94% dos profissionais consideram que houve total
benefício e apenas 6% consideram que houve parcial benefício. Com isso, verificase que a informatização trouxe benefícios tanto para os profissionais que utilizam o
sistema como instrumento de trabalho quanto para os clientes/usuários que utilizam
o mesmo para recuperação da informação.
Os resultados obtidos com base na resposta das bibliotecárias demonstram
que a informatização pelo Sistema Pergamum trouxe benefícios tanto para os
usuários como para os bibliotecários. De acordo com profissionais 94%
consideraram que houve total benefício e apenas 6% consideraram que houve
apenas benefício parcial.
Em virtude dos fatos mencionados somos levados a crer que, a implantação
dos sistemas de informação precisa ser planejada de modo a oferecer
serviços/produtos que atendam a demanda de seus clientes/usuários, ou seja, com
grande valor agregado.
Em vista do exposto, acredita-se que este estudo possa contribuir com os
profissionais da área com as contribuições proporcionadas no que se refere ao
planejamento para a implantação de um software em bibliotecas.

REFERÊNCIAS
BURIN, Camila Koerich; LUCAS, Elaine Rosangela de Oliveira; HOFFMANN, Sandra
Gorete. Informatizar por quê?: a experiência das bibliotecas informatizadas na
Região Sul. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 13.,
17-21 out. 2004, Natal. Anais... Natal: UFRN, 2004. Disponível em:
&lt;http://www.bczm.ufrn.br/snbu2004/segundas/trab_livre_oral.html&gt;. Acesso em: 09
abr. 2006.

CAMPREGHER, Eliane; OLIVEIRA, Grazielle de; THIRY, Marcello. ELISA:
informatização do Sistema Integrado de Bibliotecas da UNIVALI - SIBIUN. Revista
ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina. Florianópolis, v. 1, n. 6, p.28-40, 2001.
Disponível em: &lt;http://www.acbsc.org.br/revista/ojs/viewarticle.php?id=57&gt;. Acesso
em: 09 abr. 2006.
EKPENYONG, G.D. Automating a large library in Nigeria: the strory so far. New
Library World, v.98, n.3, p. 106-110. 1997. Disponível em:

�14

&lt;http://www.emeraldinsight.com/Insight/ViewContentServlet?Filename=Published/E
meraldFullTextArticle/Articles/0720980303.html&gt;. Acesso em: 14 maio 2006.
ROMANI, Claudia; BORSZCZ, Iraci (Orgs.). Unidades de Informação: conceitos e
competências. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2006.
ROWLEY, Jennifer. A biblioteca eletrônica. 2. ed. Brasília: Briquet de Lemos, 2002.

SILVA, Fabiano Couto Corrêa da; FAVARETTO, Betanea. Uso de softwares para o
gerenciamento de bibliotecas: um estudo de caso da migração do sistema Aleph
para o sistema Pergamum na Universidade de Santa Cruz do Sul. Ciência da
Informação. Brasília, v. 34, n. 2, p.105-111, maio/ago. 2005. Disponível em:
&lt;http://www.ibict.br/cionline/include/getdoc.php?id=1377&amp;public=true&gt;. Acesso em:
09 abr. 2006.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O presente artigo relata o processo de informatização da Rede de Unidades de Informação do SENAI/SC, com avaliação final do processo desenvolvida por meio de pesquisa quantitativa desenvolvida nas 18 Unidades de Informação que participaram do processo de informatização. Seu resultado permite uma avaliação do referido processo enfatizando a importância da capacitação do bibliotecário e os benefícios trazidos para a instituição após a implantação do novo software.</text>
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                    <text>SOFTWARE LIVRE PARA BIBLIOTECAS, SUA IMPORTÂNCIA E
UTILIZAÇÃO: O CASO GNUTECA

Edilson Damasio**
Carlos Eduardo Navarro Ribeiro**

RESUMO: Este artigo apresenta a importância da utilização de softwares para
bibliotecas, tendo como o “software livre”, suas vantagens. Através da utilização
do Gnuteca-Sistema de Gestão de Acervo, Empréstimos e Colaboração para
Bibliotecas, que foi desenvolvido pelo Centro Univ. Univates e está sendo
utilizado no Brasil e em vários países. Utiliza a metodologia GNU e foi
desenvolvido para utilizar os padrões MARC21 e importação de dados do
Microisis. Apresenta os tipos de softwares, a importância dos softwares sem
custos, qual a definição de software livre. Tem como resultados de pesquisa
bibliográfica a utilização do Gnuteca, suas vantagens para as bibliotecas e sua
interoperabilidade com outros softwares, seus principais módulos e sua interface
na Internet. Demonstrou-se que é um software viável às bibliotecas que não
queiram ter custos com licenças de softwares.
Palavras-chave: Softwares para bibliotecas; Bibliotecas – informatização;
Software livre

INTRODUÇÃO
Nos últimos anos tem-se observado o desenvolvimento muito rápido
das tecnologias da informação e juntamente o desenvolvimento de softwares.
Nesse meio, as bibliotecas e os profissionais que gerenciam informação tem-se
*

Bibliotecário, Mestre em Biblioteconomia e Ciência da Informação. Universidade Estadual de
Maringá-UEM – Biblioteca Central. Av. Colombo, 5790 – BCE – Maringá – PR – Brasil. Centro de
Ensino Superior do Paraná – CESPAR – Biblioteca Central. home-page:
http://geocities.yahoo.com.br/edilson_damasio e-mail: edamasio@uem.br
**
Graduando em Administração em Análise de Sistemas. Auxiliar de Biblioteca. Centro de Ensino
Superior do Paraná – CESPAR – Biblioteca Central. e-mail: carlos@faculdadesmaringa.br

�voltado por uma grande quantidade de informações para organizar e também com
uma grande quantidade de tecnologia da informação e também de softwares.
Decidir quais tecnologias utilizar, quais a decisões para gerenciamento
de informação não é uma decisão rápida como o seu desenvolvimento. Tem-se
uma grande quantidade de opções, mas, todas as opções de softwares ou
tecnologia da informação dependem principalmente de planejamento. O
planejamento depende principalmente de recursos, tantos físicos, como de
recursos humanos e financeiros.
Planejar qual software será necessário para uma biblioteca é um
desafio aos bibliotecários, pois, decidir entre uma grande quantidade de opções,
qual será a mais importante, tendo como critérios principais: o usuário da
informação, os recursos de tecnologia da informação na instituição, os recursos
financeiros, os humanos e o suporte de informática necessário. Nestes critérios
apresentados, já envolve uma grande quantidade de tempo em planejamento e de
preferência que siga o planejamento da instituição em que a biblioteca está
inserida.
Conhecer os tipos de softwares disponíveis no mercado é uma tarefa
simples, pois, catálogos de empresas com softwares proprietários são recebidos
constantemente pelas instituições. Decidir por qual adquirir já é considerado uma
tarefa dos bibliotecários e equipe de planejamento, que gerenciam e administram
as bibliotecas, esse é o seu papel.
A ALA- American Library Association, indica entre outros as decisões
em desenvolvimento de sistemas informatizados para bibliotecas, um quesito
importante e disseminado na literatura, considerando que os bibliotecários tem a
responsabilidade de aplicar a “eqüidade para o acesso à informação”, tanto para
os seus usuários como para a comunidade (ANCTIL, 2005).
Decidir qual software adquirir é uma responsabilidade difícil a todos os
profissionais. Desta forma, é necessário ver o que o mercado tem a lhe oferecer e
seus recursos disponíveis.
Existe a filosofia dos softwares livres sendo utilizada e disseminada
atualmente, seriam softwares sem custos para aquisição, com desenvolvimento
cooperativo e com os “códigos abertos”, ou seja, passíveis de adaptações e
mudanças.

�No presente artigo discute-se a utilização de softwares, quais os tipos
de softwares, quais são utilizados em Bibliotecas, qual a importância do “software
livre”, e apresenta como estudo o software GNUTECA – Sistema de Gestão de
Acervos, Empréstimos e Colaboração para Bibliotecas. Sua importância e sua
utilização.

SOFTWARES
A cada dia cresce constantemente a necessidade de se ter um
computador e a influência que os computadores têm sobre nossas atividades. O
computador tem seu funcionamento auxiliado pelos programas que os conduzem
em suas operações, esses programas, são denominados softwares. Um Software
é composto por instruções lógicas em linguagem de programação, ou seja, são
algoritmos; “uma seqüência finita de instruções cujo objetivo é solucionar um
problema lógico ou matemático” (MICROSOFT, p.124); escritos em forma a ser
entendida e executada como instruções pelo computador, podendo assim
futuramente realizar os mais diversos tipos de tarefas.
De acordo com Sawaya (1999, p. 436) software é “Suporte lógico,
suporte de programação, um conjunto de programas, métodos e procedimentos,
regras e documentação relacionados com o funcionamento e manejo de um
sistema de dados”.

Tipos de Software
No inicio da era da informática, por volta dos anos 50, a principal meta
dos produtores de tecnologia de computadores, era desenvolver técnicas e
aperfeiçoamento de hardware, para a minimização de gastos e custos com
armazenagem e organização de dados, além é claro da diminuição do tempo de
processamento. Nessa época, o software era composto apenas de instruções
lógicas para auxiliar o hardware na diminuição do tempo no processamento de
cálculos.

�Foi a partir dos anos 80 que se iniciou uma série de modificações nesse
cenário. O avanço tecnológico do momento passou a auxiliar ainda mais e o
software passou a ser mais bem desenvolvido, porém os desenvolvedores
começaram a notar o mau aproveitamento dessa melhoria. Assim sendo, a
solução encontrada para esse mal que se iniciava era finalmente o Software
(MEYER; BABER; PFAFFENBERGER, 2000).
A preocupação naquele momento, voltava-se ao desenvolvimento e
organização da produção de programas, que até então era básica e primaria, não
deixando de lado a evolução da máquina, que continuava e continua até nossos
dias em constante evolução.
Hoje, os dois segmentos, tanto o de hardware e quanto o de software,
continuam em constantes mudanças e desenvolvimentos. Os dois segmentos
possuem amplo planejamento de produção e detecta-se a evolução continua e
paralela, ou seja, hardware evolui para acompanhar o software e vice e versa.
Vários tipos de softwares foram surgindo, Freeware, Shareware,
Software Fechado, Livre, entre outros. Abaixo segue breve explicação sobre
alguns deles:
Freeware: Programas que geralmente são distribuídos gratuitamente,
alguns exigem cadastro paras disponibilização, seu código fonte não é disponível,
isso caracteriza o software a não ser livre.
Shareware: De acordo com Microsoft Press (1998, p. 371) os
sharewares possuem distribuição em caráter experimental e são protegidos por
direitos autorais. Depois do período de experimento, normalmente o usuário deve
adquirir licença para dar continuidade a utilização.
Software Fechado: São softwares que possuem seu código fonte
fechado e são de propriedade privada geralmente através do Copyright. Esses
softwares podem ser distribuídos gratuitamente, com autorização de quem
mantém o Copyright.

�Software Livre: É o software que pode ser utilizado, copiado, distribuído,
aperfeiçoado, ou seja, modificado, por qualquer pessoa, mesmo não sendo
proprietária. A seguir estudaremos mais precisamente um software livre.

Software Livre

Atualmente está ocorrendo uma crescente e rigorosa evolução no
mundo dos softwares. Diariamente os desenvolvedores, ou seja, programadores,
buscam inovações e técnicas para acompanhar os melhoramentos na tecnologia
de hardwares e periféricos. Perante essa realidade, surge o propósito da
utilização de tecnologia alternativa, assim sendo torna-se claro que o mundo,
caminha para a órbita dos softwares livres, em busca de disponibilidade para
adaptação legal e acima de tudo menores preços.
Um programador, desenvolvedor e ou construtor de softwares, utiliza
como ferramenta básica para o desenvolvimento e aperfeiçoamento de seus
produtos o código fonte de um sistema. Um software livre é aquele que possui
seu código fonte aberto a qualquer usuário, que queira ou necessite de
modificações e adaptações, seja para uso doméstico, institucional ou empresarial.
Os programas com código fechado, são licenciados através do
copyright. Por outro lado, o copyleft licencia os softwares com código fonte aberto:
O copyleft é o nome, um trocadilho com copyright,
designado às licenças de propriedade intelectual (nome
genérico que abrange os direitos autorais, de software a de
marcas) que permitem a qualquer pessoa usar,
comercializar, copiar, ter acesso a todas a s informações e
modificá-las, contanto que na versão modificada, pelo
menos na parte em que o original foi utilizado, também
permita essas mesmas liberdades (PEREIRA, 2004).

As primeiras idéias sobre desenvolvimento de software livre, foram
criadas por Richard Stallman, fim da década de 70. Foi Stallman que deu inicio a
Fundação de Software Livre (Free Software Fundation). De acordo com

�MICROSOFT (1998, p.371) criada para eliminar restrições sobre os direitos de
uso, distribuição, copia e modificação de programas para computador, possuindo
código fonte aberto. A Free Software Fundation mantém e distribui softwares do
tipo GNU (FREE SOFTWARE FUNDADION, 2005).

GNU
O Gnu, teve o inicio de sua filosofia, por volta de 1984 e tinha como
objetivo principal, desenvolver um sistema operacional completo, porém livre na
tentativa de ser compatível ao UNIX1. De acordo com Sawaya (1999, p. 203)
“GNU, acrônimo para “GNU´s not Unix” (“Gnu não é Unix”). Projeto cujo objetivo
é fornecer, gratuitamente, software compatível Unix.”
Os GNU/Linux são sistemas operacionais livres, compatíveis com o
Unix. Eles são mantidos por programadores do mundo todo, interligados pela
Internet, com objetivo de sempre criar melhorias.
O GNU/Linux, proporciona ao usuário estabilidade no funcionamento do
computador além de manter baixo custo e ótimo desempenho em redes de
computadores.

SOFTWARES PARA BIBLIOTECAS

Os softwares para Bibliotecas tiveram seu início através da inserção da
informática na sociedade, acompanhando sempre seu desenvolvimento e suas
novas tecnologias da informatização, sempre foram bases de dados com módulos
de serviços voltados às Bibliotecas. Primeiramente com softwares que emitiam
listagens em forma de referências, ou fichas catalográficas, como o D-BASE, para
serem utilizadas nos catálogos de fichas das bibliotecas. Iniciaram também nas
Bibliotecas de grande porte, que nesta década de 70 utilizavam os computadores
Mainframe da IBM.

�Os softwares desenvolvidos para aplicações em computadores
de grande porte, se, por um lado, possuíam grande capacidade
de armazenamento de dados, por outro, não permitiam a
alimentação em tempo real e exigiam infra-estrutura
computacional com equipes altamente especializadas, ambientes
totalmente apropriados, colocando as bibliotecas, os
bibliotecários e os usuários totalmente dependentes da tecnologia
com pouca agilidade na prestação de serviços. A informação
sucumbe-se à tecnologia (CÔRTE et al., 1999, p. 242)

Após a utilização das tecnologias dos PCs (Personal Computers) e o
desenvolvimento das Tecnologias da Informação, estes modelos de softwares
foram sendo atualizados e desenvolvidos para uma parcela do mercado que não
tinham acesso a computadores de grande porte. Acompanhando sempre o
desenvolvimento da Tecnologia da Informação e o desenvolvimento dos Sistemas
Operacionais.
A modernização das bibliotecas está diretamente ligada à
automação de rotinas e serviços, com o intuito de implantar uma
infra-estrutura de comunicação para agilizar e ampliar o acesso à
informação pelo usuário, tornando-se necessário haver uma
ampla visão da tecnologia da informação e sua aplicação nas
organizações (CÔRTE et al., 1999, p. 242)

Com o este desenvolvimento surgiu no final da década de 80 o
MicroIsis – CDS-ISIS, software desenvolvido pela Unesco e que hoje é um dos
softwares mais popularizados para Bibliotecas, no Brasil e no mundo, devido a
sua licença Freeware, não necessário o pagamento de licenças.
Neste contexto surgiram as empresas de desenvolvimento de
softwares, com destaque para a Microsoft Co. Empresa que utilizou as definições
de softwares com janelas interativas e popularizou a utilização de PCs ( citação)
Os softwares para Bibliotecas, surgiram foram surgindo através de
diversas implementações e desenvolvimentos, através da criação de softwares
com os recursos de Tecnologia da Informação existentes nas Instituições de
ensino e empresas. Nesta época foram desenvolvidos inúmeros softwares,
utilizando os requisitos mínimos de informações sobre catalogação, a organização
de cabeçalhos de assuntos e a padronização automática de índices, tendo como

�padrão principal de formatação dos dados, o formato MARC, desenvolvido e
disseminado pela U. S. Library of Congress - Biblioteca do Senado Americano.
As Bibliotecas começaram a implementar bases de dados também nos
formatos padronizados e utilizados para a catalogação, conforme os padrões
adotados internacionalmente, como o ISBD e AACR2, este último utilizado no
Brasil. Tendo seus dados organizados para estes padrões e o formato de
importação de dados MARC as bases de dados começaram a se interligar e a ter
um padrão mínimo para a área biblioteconômica.
Dentre os softwares mais utilizados, destaca-se o CDS-ISIS, modelo de
softwares para o gerenciamento de documentação através de bases de dados de
fácil programação, sendo acessível e programável por profissionais bibliotecários
e da área de informática. Foi implementado e distribuído pela UNESCO ao mundo
todo. Teve sua primeira versão na década de 80 distribuída na América Latina.
A mediados de la década de los 80 hace su arribo a
Latinoamérica el software Microisis de la Unesco. Sus
posibilidades de ser usado en microcomputadora, de obtener
copias sin costo y de ser relativamente sencillo de usar ´favoreció
el desarrollo de los sistemas nacionales de información, permitió
que tanto miles de unidades de información y de usuarios, como
programas de otros organismos internacionales, se beneficiaran
con la automatización de los servicios de información y que a su
vez se lograra una estandarización [...]´ (MICROISIS 1, 1995 apud
FERIA; ROJAS BARAJAS, 1996).

O Microisis tem a principal função de organização de dados sobre os
materiais catalogados e distribuí-los em bases de dados. Sendo utilizada para
vários processos de trabalho em Bibliotecas, desde a catalogação até a
organização dos serviços de compra, doação e permuta. Sento uma base de
dados configurável, possibilitando diversas utilizações, desde que seja de
organização de dados e informações.
O Microisis (CDS-ISIS) na versão DOS teve primeiramente sua
utilização e até o momento a distribuição em forma de Freeware, com os códigos
fechados. Software sem custos para a utilização de sua licença, sendo necessária
1

Microisis. En Infolac: boletín trimestral del Programa Regional para el Fortalecimiento
de la Cooperación entre Redes y Sistemas Nacionales de Información para América Latina y
El Caribe. v. 8, n. 2, p. 35-37, abr./jun. 1995.

�somente um cadastro de usuários. Desta forma democratizou a distribuição para
que as Bibliotecas e demais usuários do mundo, tenham acesso a um software de
interface de fácil utilização e programação e principalmente que possibilitasse
comportar grande quantidade de dados das bibliotecas.
Uma de suas facilidades é a programação e implementação de
relatórios documentais em diversos formatos, programável pelos próprios
usuários ou suporte de informática.
Como característica principal do Microisis é sua função de base de
dados central, tendo opções para a inserção de dados multiusuário, através de
sua implementação em Rede e opção para consultas a catálogos nas bibliotecas,
através do desenvolvimento de módulos de catálogo.
Diversos softwares com licenças para compra, softwares fechados,
foram também implementados para fundir com os dados cadastrados no
Microisis. Estes softwares vêem a complementar com módulos de serviços que
não possui implementação. Eles utilizam uma interface para a utilização dos
dados para outras funções, como catálogos, circulação, relatórios estatísticos, e
finalmente ao catálogo via Internet. Utilizam um sistema que faz a ligação entre a
base de dados e os outros módulos, hoje denominado ISISDLL, desenvolvido em
conjunto BIREME – Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em
Ciências da Saúde e UNESCO, para sua versão em DOS ou Windows. “[...] o
ISIS_DLL é uma Interface de Aplicação Aplicada, para o desenvolvimento de
softwares utilizando a tecnologia CDS/ISIS. A DLL (Dynamic Link Library) é
independente da linguagem de programação usada, utilizado para hospedar o
aplicativo” (UNESCO, 2005, tradução dos autores).
Desta forma, outros sistemas podem e são desenvolvidos e
conseguirão ler os dados denominados “bibliotecas” de outros sistemas, ou seja,
por outras formas de programação gráfica, como: Windows escrita em Visual
Basic, Delhi, C, C++, Pascal.

�Com o ISISDLL a versão em Windows, denominada WINISIS, facilitou
muito o desenvolvimento de módulos, que faltavam no Microisis, através de
programação em outras linguagens.
Neste quesito a Bireme, organismo internacional, desenvolveu diversos
produtos para a implementação de novos módulos ao Microsis e a distribuição de
licenças de outros programas, que possibilitam melhorias na sua utilização, dentre
eles destacam-se:

SeCS - Sistema que permite o registro e acompanhamento de
coleções de publicações seriadas.
EMP - Sistema para gerenciamento de serviços de empréstimos
de bibliotecas.
WWWISIS - é o servidor de Internet para bases de dados Isis.
Opera via CGI (Commmon Gateway Interface) do Hypertext
Transport Protocol (HTTP) e, a partir da versão 4.0, conhecida
também como WXIS, utiliza uma linguagem de script baseada em
XML2, o IsisScript (BIREME, 2005).

Mesmo com estes desenvolvimento de softwares Freeware e módulos
por empresas particulares para aquisição, também foram desenvolvidos diversos
outros

softwares

comerciais.

Com

as

mesmas

funções

e

nível

de

desenvolvimento em forma de competição de mercado, sendo melhorados
constantemente. No mercado internacional e nacional existem softwares e
sistemas para Bibliotecas, alguns com implementações e módulos além das
expectativas das bibliotecas e profissionais bibliotecários, e também além dos
recursos financeiros da maioria das bibliotecas do mundo, desta forma
substituindo o Microisis e outros softwares Freeware, com implementações
necessárias também às bibliotecas.
Existe também a possibilidade das instituições ou empresas adquirirem
estes softwares e também existem as opções de adquirir as licenças Freeware
também como o Microisis, com suas vantagens e desvantagens, tanto
operacionais e principalmente financeiras.

�SOFTWARE LIVRE PARA BIBLIOTECAS

No

contexto

de

softwares,

através

de

tendência

nacional

e

internacional, existem também softwares livres. O diferencial está em que são
isentos de custo financeiros para a aquisição das licenças e principalmente com a
facilidade de programação, adaptações e melhorias, através de programação em
suas devidas linguagens. Os códigos fontes dos softwares livres são liberados
para outros desenvolverem ou realizar modificações e adaptações.
Os Princípios de Keystone, Clarke2 (2000 apud ANCTIL; BEHESHTI,
2005) indica a importância do bibliotecário estipular qual software deva utilizar,
através do princípio da eqüidade de acesso à informação.
[...] um comitê de administradores de biblioteca traçou junto a
Association of Research Libraries e OCLC3, para determinar a
direção futura da biblioteconomia, declaram que “Bibliotecas
criarão interoperabilidade nos sistemas que eles desenvolvem e
criam softwares de código aberto para o acesso, disseminação,
e administração de informação.” Embora considerando idealista o
estado presente de negócios, a mensagem indica claramente
aquele bibliotecário que código aberto não são mutuamente
exclusivas ao ponto de recomendar que os bibliotecários
assumem uma responsabilidade proativa em usar a tecnologia
para resolver problemas de ajustes diversos da biblioteca [...]

No Brasil foi desenvolvido o software GNUTECA – Sistema de Gestão
de Acervo, Empréstimo e Colaboração para Bibliotecas, primeiramente instalado
e desenvolvido na UNIVATES, conforme abaixo:
O Gnuteca é um sistema para automação de todos os processos
de uma biblioteca, independente do tamanho de seu acervo ou
da quantidade de usuários. O sistema foi criado de acordo com
critérios definidos avalidados por um grupo de bibliotecários e foi
desenvolvido tendo como base de testes uma biblioteca real, a do
Centro Universitário Univates, onde está em operação desde
fevereiro de 2002.O Gnuteca é um software livre, o que
significa que o mesmo pode ser copiado, distribuído e
modificado livremente. O software é aderente a padrões
conhecidos e utilizados por muitas bibliotecas, como o ISIS
(Unesco) e o MARC21 (LOC - Library Of Congress). Por ter sido
desenvolvido dentro de um ambiente CDS/ISIS, o Gnuteca prevê
2

3

CLARKE, Kevin S. Open software and the library community. 2000. Thesis (Master's)-School
of Information and Library Science, University of North Carolina, 2000.

�a fácil migração de acervos deste tipo, além de vários outros
(GNUTECA, 2005).

O Gnuteca também é distribuído em forma de cooperativa, tendo como
princípio de todo software livre, a cooperação para o seu desenvolvimento entre
os seus usuários. Quando desenvolve-se novos módulos, pode-se implementá-los
em novas versões do software, no momento está na versão 1.5.
A principal questão do não custo às Instituições, Bibliotecas ou usuários
é o que possibilita a implantação e uso dos softwares livres.
A escolha pelo desenvolvimento de um sistema complexo em
software livre é viável quando comparada à aquisição de um
produto proprietário equivalente, mesmo quando apenas uma
instituição arca com este custo. Quanto maior o número de
instituições envolvidas na produção de sistemas que possam ser
compartilhados, menor o custo total de desenvolvimento e
suporte, e maior a velocidade de produção (com mais pessoas
envolvidas) (SALVI et al., 2005).

O Gnuteca, que tem o protocolo GNU Linux ou Windows, desta forma
podendo ser utilizado em sistemas operacionais mais utilizados no mundo
(GNUTECA, 2005).

Salvi et al. (2005) esclarece:
É um sistema abrangente e genérico que pode moldar-se a
diferentes realidades de diferentes usuários, permitindo também
a criação de uma infra- estrutura de colaboração entre
bibliotecários e demais funcionários das bibliotecas, evitando a
repetição desnecessária de trabalho: uma vez feita a catalogação
de um título em uma biblioteca, estes dados catalográficos
podem ser "importados" para o sistema de outra biblioteca que
adquira o mesmo título.

Na área de biblioteconomia, os principais vantagens são:
-

custo zero na aquisição de licenças;

-

catalogação em formato MARC21;

-

gerenciamento do processo de circulação;

-

várias opções de busca ao catálogo local ou on-line;

-

várias opções de serviços aos usuários;

-

renovações de empréstimos via Internet;

�-

reserva de obras via Internet;

-

catalogação multiusuário;

-

possibilidade de integração de Sistemas de Bibliotecas, ou Campus
e Bibliotecas Setoriais e Central (Sistema Integrado de Bibliotecas);

-

catalogação cooperativa através da troca de dados catalogados;

-

opções de migração dos dados do Microisis, dados no formato
ISO2709;

De acordo com Weisheimer (2004) o Gnuteca tem os seguintes
módulos e suas funções principais:
Módulo de pesquisa:
-

pesquisa simples; pesquisa multicampo; percorrer índices
o pesquisa simples com a opção de Bibliotecas e campos
(todos, autor, título, entre outros)
o pesquisa multicampo com a opção de Bibliotecas e 2 caixas
de texto para consulta, com opções multicampo e utilização
de operadores booleanos.

Módulo administração:
-

acessos e permissões a membros da equipe da Biblioteca.

-

inserir e administrar:
o unidades da biblioteca; grupos de usuários; estados dos
exemplares; situação da reserva; políticas dos grupos;
feriados; gêneros de materiais; direitos dos grupos de
usuários; multas; empréstimos; reservas; usuários; entre
outros.

Modulo de Empréstimos:
-

empréstimos por nome; pendentes; alterar por tombo; listas
atrasados; listar multas; histórico.

Modulo de Reservas
-

Não atendidos; atendidos; por tombo; atualização.

�Módulo de Usuários
-

vínculos; pessoas.

Módulo de importação de arquivos no formato ISO2709, denominado
ImportaIso. Desenvolvido para migrar dados do CDS-ISIS ao Gnuteca.

Estes seriam algumas das funcionalidades do Gnuteca e sua versão
está disponível para download, livremente em sua página na Internet
http://www.gnuteca.org.br .

CONCLUSÃO

Softwares para Bibliotecas devem ser utilizados na era atual como um
complemento dos serviços bibliotecários, e principalmente por todas as
Bibliotecas que tenham recursos em Tecnologia da Informação. A opção de como
adquirir e onde adquirir, fica a critério de cada Biblioteca e seus recursos
disponíveis, tantos físicos, técnicos e principalmente financeiros.
A filosofia de softwares livres, sem custos para as Bibliotecas foi
instituída pela Unesco com o desenvolvimento e disseminação do Microisis. Neste
segmento muitas instituições organizaram e ainda organizam seus acervos
informacionais com estes softwares. Seu principal motivo é de ser totalmente
adaptável, no quesito relatórios e principalmente acessível sem custos.
Atualmente a filosofia dos softwares livres está mundialmente já
inserida em nosso mundo, sendo elogiado e criticado por pensadores,
pesquisadores e críticos. Sendo também discutido na política de aquisição de
softwares pelos órgãos públicos, principalmente das esferas federal e estaduais e
também instituições que não queiram adquirir licenças de softwares proprietários.
Os softwares livres são uma opção para instituições ou pessoas físicas
que não queiram ter custos na aquisição destes, não somente softwares para

�bibliotecas. mas também sistemas operacionais como o Linux e diversos softwres
como o OpenOffice, com os recursos de editores de texto, planilhas de cálculos e
outros.
Existem diversos softwares livres para bibliotecas sendo utilizados,
desenvolvidos e disseminados no mundo todo. O software Gnuteca tem a
importância de seu um software desenvolvido de forma cooperativa, sendo que já
teve várias versões desenvolvidas e constantemente atualizadas e já sendo
utilizado por várias instituições no Brasil e no mundo. E sua interoperabilidade
com outros softwares é também uma de suas vantagens, pois, com o código
aberto, fica aberto para adaptações a outros softwares institucionais também
livres. Desta forma, leva às instituições a terem um software sem custos para a
Biblioteca, e principalmente poder instalar outros softwares que se interagem com
ele, como, sistemas operacionais, sistemas financeiros, controles acadêmicos,
softwares de gerenciamento de bases de dados, geração de relatórios, entre
outros.
Outra vantagem do Gnuteca, que utiliza o padrão MARC21 para a
inserção dos dados no sistema e que foi desenvolvido com a assessoria de
bibliotecários também. Sendo um software de Biblioteca com recursos de
configuração, catalogação, administração, pesquisas e serviços aos usuários,
com interface de interatividade fácil pelos usuários, bibliotecários, demais
auxiliares e técnicos de bibliotecas e suporte de informática. Tendo sua interface
de consulta e serviços disponível em ambiente Web na Internet. Desta forma
sendo também um software que não tem fronteiras ou dificuldades de
comunicação entre usuários e biblioteca, ou bibliotecas com outras bibliotecas.
Como outra facilidade do Gnuteca, foi o seu desenvolvimento ser
dirigido a importar dados do Microisis, tendo um módulo para a importação de
arquivos ISO2709, padrão utilizado pelo Microisis e outros softwares de
documentação.
Desta forma o Gnuteca vem a apresentar à comunidade bibliotecária
principalmente a importância de utilização de softwares livres. Sendo atualmente

�uma opção às instituições, bibliotecas ou bibliotecários que queiram organizar
acervos informacionais ou queiram realizar mudança de sistemas em suas
Bibliotecas.

FREE SOFTWARE FOR LIBRARIES, ITS IMPORTANCE And USE: THE
GNUTECA CASE
ABSTRACT:
This article presents the importance of the use of softwares for libraries, having as
"free software", its advantages. Through the use of “Gnuteca-Sistema de Gestão
de Acervo, Empréstimos e Colaboração para Bibliotecas”, that was developed by
the Center Univ. Univates and is being used in Brazil and some countries. It uses
methodology GNU and it was developed to use standards MARC21 and
importation of data of the Microisis.

It presents the types of softwares, the

importance of softwares without costs, which the definition of free software. It has
as resulted of bibliographical research the use of the Gnuteca, its advantages for
the libraries and its interoperability with others softwares, its main modules and its
interface in the InterNet. Demonstrated that it is a viable software to the libraries
that do not want to have costs with licenses of softwares.
Keywords: Softwares for libraries; Libraries - computerization; Free software

�1

Sistema operacional considerado poderoso, multiusuário e multitarefa, produzido por Ken Thompson e
Dennis Ritchie no Bell Laboratóries.
2
Extensive Markup Language. Linguagem de Internet com o texto marcado, possibilitando sua organização
e recuperação dos dados.

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Software livre para bibliotecas, sua importância e utilização: o caso GNUTECA.</text>
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                <text>Damasio, Edilson; Ribeiro, Carlos Eduardo Navarro</text>
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            <name>Date</name>
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                <text>Este artigo apresenta a importância da utilização de softwares para bibliotecas, tendo como o “software livre”, suas vantagens. Através da utilização do Gnuteca-Sistema de Gestão de Acervo, Empréstimos e Colaboração para Bibliotecas, que foi desenvolvido pelo Centro Univ. Univates e está sendo utilizado no Brasil e em vários países. Utiliza a metodologia GNU e foi desenvolvido para utilizar os padrões MARC21 e importação de dados do Microisis. Apresenta os tipos de softwares, a importância dos softwares sem custos, qual a definição de software livre. Tem como resultados de pesquisa bibliográfica a utilização do Gnuteca, suas vantagens para as bibliotecas e sua interoperabilidade com outros softwares, seus principais módulos e sua interface na Internet. Demonstrou-se que é um software viável às bibliotecas que não queiram ter custos com licenças de softwares.</text>
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            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
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                    <text>SOFTWARES LIVRES PARA GESTÃO DA INFORMAÇÃO EM BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS
Cenidalva Miranda de Sousa Teixeira
Departamento de Biblioteconomia
Universidade Federal do Maranhão
Campus do Bacanga - São Luís - 65001-100 - MA - Brasil
ceni@ufma.br
Raimunda Ramos Marinho
Departamento de Biblioteconomia
Universidade Federal do Maranhão
Campus do Bacanga - São Luís - 65001-100 - MA - Brasil
dbibrai@ufma.br
Roosewelt Lins Silva
Laboratório de Sistemas Inteligentes
Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Eletricidade
Universidade Federal do Maranhão
Campus do Bacanga - São Luís - 65001-100 - MA - Brasil
roosewelt@dee.ufma.br

Resumo

Discute a adoção de softwares livres para gestão da informação em bibliotecas
universitárias. Expõe alguns pressupostos referentes à automação de bibliotecas
propondo uma solução baseada no uso de Sistemas de Gerenciamento de
Conteúdo, Sistemas para Gerenciamento de Bibliotecas e Ferramentas para
Implementação de Bibliotecas Digitais e Repositórios Institucionais. Estas três
áreas da tecnologia da informação permitem criar uma cadeia de transferência
gratuita e livre de informação. Através da revisão de literatura realizou-se um
estudo exploratório e documental em sites oficiais de projetos e um estudo sobre
alguns dos aplicativos baseados em código aberto para informatização de
bibliotecas, destacando tecnologias e recursos. É relevante a discussão sobre o
impacto do software livre na esfera bibliotecária, pois permite criar uma plataforma
para desenvolvimento e fornecimento de aplicações avançadas para a
Biblioteconomia.
Palavras-chave: Software Livre. Automação. Bibliotecas Universitárias.

1 INTRODUÇÃO

O alto custo de um projeto de informatização tem sido uma das
maiores problemáticas para a implementação de um ambiente automatizado em
bibliotecas universitárias. Esse impasse somado com a dependência tecnológica

�contribui para o hiato tecnológico e social, gerando a segregação social e em
contrapartida a exclusão digital.
Nesta perspectiva a biblioteca como organismo responsável pela
democratização do acesso ao conhecimento e a informação, deve incluir em sua
agenda, ações de livre acesso à informação, e de inclusão social. Preocupados
com o modelo prático de implementação de ambientes informatizados, e
aplicações de sistemas voltados para o funcionamento de bibliotecas e
recuperação da informação, apresenta-se considerações a despeito da
experiência e aplicabilidade de softwares livres em diferentes sistemas
operacionais não-proprietários.
O percurso procedimental para fundamentação do discurso da
proposta, foi a pesquisa documental, e vestígio experimental, com a instalação,
configuração e manipulação de sistemas de gerenciamento de acervo e
administração de bibliotecas, gerenciamento de conteúdo na web, implementação
de repositório e bibliotecas digitais.

2 SOFTWARES LIVRES

As principais discussões em torno do uso das tecnologias livres têm
sido a respeito da importância social destas em políticas de inclusão digital, pois
os altos custos e a dependência tecnológica com softwares proprietários criam
barreiras para a socialização e aperfeiçoamento do uso das tecnologias de
informação e comunicação, deixando-as como privilégios de poucos. Pinheiro
(2003, p.286) aponta para esse fator:
O Estado, como ente fomentador do desenvolvimento tecnológico e da
democratização do acesso às novas tecnologias para a sociedade, não
pode se furtar a sua responsabilidade de priorizar a utilização de
programas abertos, os “free softwares/open source”. E se as pequenas,
médias e grandes empresas multinacionais já estão adotando programas
abertos, evitando assim o pagamento de centenas de milhões de dólares

�em licenciamento de programas, por que o Estado, com uma infinidade
de causas sociais carentes de recursos, continuar comprando, e caro, os
programas de mercado?

Portanto, muitos projetos de inclusão digital estão ligados ao uso de
softwares livres e padrões abertos devido ao não-pagamento de royalties e
liberdade de uso e distribuição, proporcionando assim, maior autonomia
tecnológica e econômica. Telecentros, documentação com acesso público,
comunidades de discussão, cursos de capacitação, desenvolvimento de
softwares, eventos e ferramentas de criação de conteúdos são alguns exemplos
concretos de estratégias de inclusão digital.
Diferentemente de software gratuito, o software livre, ou Open Source inclui
em sua gênese a liberdade de uso e acesso, em todos os seus aspectos, desde o
código, distribuição, licenciamento, sem limitação de raça, espaço geográfico, e
construção colaborativa.
3 SOFTWARES LIVRES EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
Chudnov (2004) diz que as bibliotecas geralmente estão sujeitas ao que
o mercado conservador quer que elas consumam em matéria de software, e
destaca benefícios que os softwares livres trazem para as bibliotecas. Neste
sentido, existem soluções abertas para inúmeras necessidades de grande
sucesso, na área de desenvolvimento web é um exemplo, nesta temos
ferramentas para portais de conteúdo, blog's, webmail, fóruns, listas de
discussões e outros tipos de recurso na internet. Muitas dessas ferramentas são
úteis para Biblioteconomia, na medida em que servem para gerencia da
informação na web. Contudo o ponto mais crítico da informática aplicada à
Biblioteconomia são as soluções para gerenciamento de acervo, catálogos online,
controle de usuários e outras rotinas pertinentes às Unidades de Informação.
Será listado alguns sistemas pertinentes à Biblioteconomia e Ciência da
Informação,

ferramentas

gerenciamento de acervo.

para

bibliotecas

digitais,

portais

de

conteúdo,

�O principal repositório de softwares livres, o Projeto Source Forge,
considerado um dos maiores espaços onde hospeda projetos de softwares e
documentação.

O Source Forge apresenta uma lista especializada em

ferramentas e padrões utilizados em bibliotecas e pode ser acesso em:
http://wwwsearch.sourceforge.net/bib/openbib.html. Outra iniciativa que merece
ser destacada é Open Source System for Libraries, (http://www.oss4lib.org/),
sendo um projeto para cultivar a força do desenvolvimento de tecnologias open
source em bibliotecas, ofererecendo insumos necessário para automação em
unidades de informação. Este projetos são fundamentais pois disponibilizam
documentação, softwares para download, grupos de discussão onde problemas
técnicos podem ser compartilhados e outros recursos relevantes para o
desenvolvimento de sistemas abertos. Dentre alguns sistemas está disponível
soluções para gerenciamento de bibliotecas, catálogos coletivos, conversores de
formatos bibliográficos, aplicativos para criação de documentação e muitos
outros.
Neste tópico apresentam-se breves descrições da experiência de
instalação e uso de algumas das ferramentas citadas em divergentes
computadores, sendo utilizado um servidor Open BSD, um Linux Slackware e a
distribuição nacional Kurumin Linux.

3.1 Ferramentas para Bibliotecas Digitais e Repositórios Institucionais

As ferramentas para criação de bibliotecas digitais e repositórios
institucionais é outro exemplo de tecnologia de extrema relevância para a
Biblioteconomia e atualmente esse segmento e sistema apresenta uma vasta lista
de

opções.

Muitas

dessas

ferramentas

são

open

source,

geralmente

desenvolvidas por universidades e são disponibilizada gratuitamente sendo
alternativa para que qualquer biblioteca implemente seu acervo digital. Com o
advento dessas tecnologias criou-se a Open Archives Initiative, organização que
desenvolve e promove interoperabilidade de padrões para facilitar a eficiente
disseminação de conteúdos. Esta criou um protocolo que consiste em um padrão

�para interoperabilidade entre documentos, denominado de Protocol for Metadata
Harvesting - OAI-PMH (OAI, 2004).
O OAI-PMH é um protocolo que permite aos fornecedores de informação
disponibilizar e expor pela Internet os metadados de cada um dos seus
recursos. Desta forma os metadados ficam disponíveis para serem
recolhidos por serviços especializados em indexação de recursos
científicos e passam a constituir as bases de dados desse tipo de
serviços (RODRIGUES et al, 2004).

Muitas instituições são adeptas da filosofia arquivos abertos, e faz uso
de uma arquitetura de bibliotecas digitais e/ou repositório de arquivos eletrônicos
com

base

em

softwares

livres.

www.openarchives.org/tools/tools.html,

No

próprio

existe

uma

site
lista

da
de

OAI

em

ferramentas

necessárias para implementação de periódicos eletrônicos, sistemas de
referências, repositório de objetos digitais e bibliotecas digitais. Dentre as
ferramentas existentes será citado somente quatro: Dspace, Fedora, ARC source
e GNU eprint. A escolha destes deu-se pelo fato de serem ferramentas robustas,
desenvolvidas por universidades de excelência, já utilizadas por algumas
instituições e podem ser instaladas em diferentes plataformas.
O DSpace é um projeto das bibliotecas do Massachusetts Institute of
Technology (MIT) para recolher, preservar, gerir e disseminar a produção
intelectual dos seus investigadores. É todo escrito em JAVA e é o resultado de um
esforço conjunto de investigação e desenvolvimento do MIT e da Hewlett-Packard
(HP). O sistema foi disponibilizado publicamente em Novembro de 2002 de
acordo com os termos da BSD open source license. Está atualmente em
funcionamento no MIT e em diversas outras universidades dos Estados Unidos e
da Europa (RODRIGUES, et al, 2004).
Uma ferramenta que merece um destaque especial é o Flexible
Extensible Digital Object Repository Architeture - Fedora (www.fedora.info), foi
desenvolvida pela Universidade de Virginia e Universidade de Cornell, está sob
licença Mozilla. É um sistema open source para gerenciamento de objetos digitais

�e pode ser utilizado para criação de repositórios, arquitetura de bibliotecas
digitais, sistema de gerenciamento de conteúdo, preservação de arquivos digitais
(GRIZZLE; WAYLAND; WILPER. 2004). É totalmente desenvolvido com
tecnologia Java e XML e utiliza acesso via webservices com o padrão WSDL,
proporcionando assim maior interoperabilidade em arquitetura distribuída. Foi
especialmente desenvolvido para manipulação de conteúdos multimídias:
gráficos, fotografias, arquivos de áudio e vídeo, sendo uma das ferramentas mais
poderosas e versáteis do segmento de softwares livres para repositório de
arquivos na web. A figura 5.1 apresenta a arquitetura do servidor Fedora.
O A Cross Archive Search Service - ARC é um sistema baseado na
web escrito em Java (sevlets e JSP) e utiliza banco de dados relacional para
armazenar os dados, foi desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa de Bibliotecas
Digitais da Universidade de Old Dominion.
Arc, é um dos primeiros serviços de busca baseados no protocolo de
OAI. Arc colhe o metadados de diversos arquivos compilados de OAI,
normaliza-os, e armazena-os em um serviço de busca baseado em uma
base de dados relacional (MYSQL ou Oracle). No presente, temos um
milhão de registros de metadados de 80 provedores de dados em vários
domínios. Arc está agora disponível para o download em
http://oaiarc.sourceforge.net/. Ele está liberado sob a licença aberta da
fonte do NCSA. (ARC, 2005).

O GNUeprints serve para disponibilização de documentos eletrônicos
na web, muito utilizado pra criação de periódicos online, com recursos de citação
e metadados. A base Library and Information Science (http://eprints.rclis.org/),
utiliza o software para gerenciar seus arquivos de acesso público.
Como foi explicitado, este segmento de softwares livres para
bibliotecas digitais encontra-se bastante maduro, existem muitos outros sistemas
disponíveis, as ferramentas citadas são as mais robustas, e cada qual com sua
especificidade, desta forma, hoje em dia qualquer instituição pode ter a sua
coleção eletrônica, sem muitos gastos e perda de tempo em desenvolvimento.
3.2 Sistemas de Gerenciamento de Conteúdo

�Com o crescimento da web e o aumento do fluxo de informação e
criou-se vários mecanismos para gerencia da informação na grande rede, desta
forma os as Ferramentas de CMS (Content Management System – Sistema da
Gerenciamento de Conteúdo) para criação de portais ganham espaço aos sites
estáticos, limitados a HTML. Segundo AppliedTheory apud Moratelli; Valdameri
(2004), gerenciamento do conteúdo é o controle–administração, gerenciamento
do fluxo, acesso ao conteúdo e segurança das informações de uma organização
(sejam elas textos, imagens, gráficos, áudio ou vídeo).
Esses sistemas permitem gerenciamento de workflow, blogs, portais de
notícias, fórum, livros de visitas, dentre outros recursos. Algumas soluções
baseadas em softwares livres:
- Mambo open source (www.mamboserver.com)
- Xaraya (www.xaraya.com)
- PHPNuke (www.phpnuke.org)
- Drupal (www.drupal.org)
- Plone (http://plone.org/)
- Xoops (www.xoops.org)
- Brushtail (http://home.aanet.com.au/brushtail/features.php)
Algumas soluções de Sistemas de Gerenciamento de Conteúdo podem
ser encontradas em (http://www.opensourcecms.com/). Neste segmento destacase Brushtail, por ser um sistema específico para gerenciamento de conteúdo em
intranets de bibliotecas e o Xaraya, por seguir padrões de interoperabilidade e
muitos recursos oferecidos.
O Brushtail é uma ferramenta considerada simples e bastante
funcional, roda em plataformas windows e linux/unix, é escrito em PHP e banco
de dados MySQL e apresenta fantásticos recursos para uma intranet de uma
biblioteca. O sistema tem licença GPL e oferece opções para criação de manuais
de usuário, informações sobre circulação, calendário de eventos, controle de
equipamentos (computadores, impressoras), divulgação de novas aquisições e
muitos outros recursos fundamentais para bibliotecas. Esta aplicação é uma ótima

�solução para funcionários, bibliotecários e estagiários interagirem no espaço da
biblioteca, sem contar que para sistemas integrados de bibliotecas, onde existe
central e setoriais, permite a intercomunicação no ambiente organizacional
através da internet ou intranet.
Um ponto negativo a ser atribuído ao Brushtail é o fato de não haver
um módulo de internacionalização, está somente disponível no idioma inglês, em
contrapartida qualquer usuário pode desenvolver essa função e contribuir para o
aperfeiçoamento do sistema. Na figura 3.1 apresenta a página inicial do sistema
rodando em um Open BSD.

Figura 3.1: Tela Principal do Brushtail instalado em um S.O Open BSD

O Xaraya também está sob licença GPL, é um framework
multiplataforma escrito em PHP e utiliza tanto o banco de dados MySQL quanto
Postgresql. Esta solução não foi criada especialmente para bibliotecas e sim para
portais de conteúdos, pois apresenta módulos como enquetes, fóruns, notícias,
artigos e outros tipos de conteúdos.

�Contrário ao Brushtail, o Xaraya é extensivo, pois possui módulo para
tradução, agregador de conteúdo RSS e está todo de acordo com a W3C
(www.w3c.org). Um recurso interessante no Xaraya é o agente de busca, que
possui

diversos pontos

de

acesso

para

recuperação das informações

armazenadas na base de dados, por isso o sistema tem uma opção de
hierarquização de categorias para melhor indexar conteúdos. A seguir na figura
3.2 é demonstrada a página do sistema de busca.

Figura 3.2: Sistema de Busca do Xaraya

O Xaraya também pode ser utilizado para usuários de uma biblioteca
publicarem conteúdos na web, seja através do módulo de blog ou inserção de
artigos, fotos, fórum de discussão, divulgação dos serviços e novas aquisições,
enquetes, ou portais de notícias.
3.3 Sistemas de Gerenciamento de Bibliotecas
Para automatizar as rotinas é necessário implementar um sistema de
gerenciamento de bibliotecas:

�Os sistemas de gerenciamento de bibliotecas são sistemas de bases de
dados com uma finalidade específica, projetados para controlar as
atividades essenciais de uma biblioteca. Geralmente, funcionam em
computadores de grande porte, destinados a centro de informações
maiores, permitindo uma padronização, integração, compatibilidade e
intercâmbio de um grande volume de informações. (LIMA, 1999, p. 311)

Existem alguns sistemas de gerenciamento de acervos para
bibliotecas, como: Openbiblio, PMB, PhpMyLibrary, Gnuteca, sendo estes
totalmente gratuitos e com o código fonte aberto, o que permite ao gerente do
sistema adaptá-lo de acordo com a necessidade da instituição. Qualquer pessoa
pode contribuir para melhorar esses sistemas, Muitas instituições usuárias do
sistema GNUteca, por exemplo, fazem considerações extremamente positivas
quanto a sua qualidade e performance. Além de ser uma solução customizável
oferece ainda todas as características desejáveis de um sistema de automação,
como interface web, e em rede local.
O Gnuteca é um sistema para automação de todos os processos de uma
biblioteca, independente do tamanho de seu acervo ou da quantidade de
usuários. O sistema foi criado de acordo com critérios definidos a
validados por um grupo de bibliotecários e foi desenvolvido tendo como
base de testes uma biblioteca real, a do Centro Universitário Univates,
onde está em operação desde fevereiro de 2002 (GNUTECA, 2004).

Esses softwares têm as mesmas funcionalidades dos softwares
existentes no mercado comercial para automação de bibliotecas que custam algo
em torno de R$ 3 a 40 mil reais, dependendo do pacote. Desta forma, fica
evidente o quanto é extremamente caro implantar um sistema de automação em
bibliotecas, sem contar com os gastos com sistemas operacionais, no caso o MS
Windows NT, 2000 e 2003 server que são específicos para soluções em
arquitetura de redes.
Para se ter uma idéia do gasto, um Projeto financiado pelo FUST em
2001, para informatização do sistema de bibliotecas do estado do Ceará a
apresentou consideráveis gastos. O projeto gastou nas 130 bibliotecas R$
5.581.981.60 e mais R$ 478.717,82 em 07 bibliotecas no orçamento
(SOCIEDADE, 2001).

�O projeto visava implantar estrutura de informática que possibilitasse a
comunicação com as demais bibliotecas integrante do sistema em 137
municípios, bem como o acesso à internet. Só com aquisição do sistema
operacional Windows 2000 server seriam gastos 298.755, 00, e com pacotes de
escritório Office 2000 seriam gastos 972.461,00. O custo poderia ser zero com
adoção do sistema operacional GNU/Linux ou BSD para os servidores e da suíte
de escritório Open Office. E parte desse recurso poderia ser investido em projetos
de leitura, aquisição de novos livros, estruturação física etc.
Atualmente, o governo está financiando projetos preferencialmente
baseados em softwares livres, muitos ministérios já migraram para software livre e
obtiveram consideráveis economias. Inclusive, o governo através do Instituto de
Tecnologia da Informação e Governo Eletrônico tem disseminado a cartilha
amarela, documento que apresenta diretrizes para migração para software livre.
Mas pouco se tem na literatura especializada no Brasil sobre a aplicação dessas
tecnologias nas bibliotecas.
Para as bibliotecas que têm orçamentos reduzidos, um projeto de
informatização desse nível é complicado, já que as licenças anuais têm valores
exorbitantes e com o software livre os custos serão reduzidos significativamente,
possibilitando desta forma, as verbas para aquisição de materiais bibliográficos,
programas de incentivo a leitura etc. A criação de ambientes de acesso público e
gratuito nas bibliotecas é uma saída para a democratização do acesso a grande
rede mundial de computadores e quando se trata de redes, o Linux apresenta
enormes vantagens para montagem de ambientes de redes, por ser uma
plataforma estável, de baixo custo, segura e pode ser administrada remotamente.
Sistemas como Gnuteca, PMP, Open Biblio atendem as demandas
bibliotecárias para gerenciamento de bibliotecas, pois oferece controle de usuário,
impressão de etiquetas, gerência de multas, circulação e empréstimo, criação de
tesauros etc.
O PHP My Bibli - PMB é um sistema de gerenciamento de bibliotecas
baseado na web, o administrador e/ou o usuário tem total controle sobre o mesmo

�de forma remota, desenvolvida de acordo os protocolos Z39.50 e possui ainda o
recurso de criação de um tesauros para controlar o vocabulário e facilitar o
processo indexatório dos documentos. Pode-se catalogar livros, periódicos e todo
tipo de materiais multimídias através da interface HTML, inserindo notas, dados
descritivos e temáticos, assim como todo o processo de circulação: empréstimo,
reserva, relatórios etc. A figura 3.3 demonstra a tela de catalogação de um
documento no PMB.

Figura 3.3 tela de catalogação de um documento no PMB

O Open Biblio é outra solução baseada na web. Oferece vários
recursos fundamentais para gestão de acervos e controle de usuários e esta é de
fácil administração, instalação e configuração. Está sob licença GPL e foi escrito
em PHP e utiliza MySQL com base de dados relacional, oferece opções para
edição de tipos de materiais, geração de etiquetas, carteira de usuário da
biblioteca, dentre outros.
A catalogação é feita de acordo com o padrão bibliográfico Marc
através de formulários dinâmicos. Após a autenticação do usuário no sistema,

�para inserir um novo item no acervo é só clicar no menu “Catálogo” e escolher a
opção “Nova Bibliografia”.

Figura 3.4: Catalogação de um livro no Open Biblio.

O Gnuteca utiliza banco de dados Postgresql e módulo de acesso a
web escrito em PHP, é parte integrante do framework Miolo de aplicações web
desenvolvido pela Incubadora de softwares livres Solis. O Gnuteca é utilizado no
sistema de Bibliotecas da UNICRUZ, assim como outras instituições, o seu
catálogo pode ser consultado livremente na internet. Existe o módulo servidor e o
módulo cliente, no qual este último é destinado às atividades de circulação
(empréstimo, renovação, controle de multas), pode

4 CONCLUSÃO
É relevante a discussão sobre o impacto do software livre na esfera
bibliotecária, pois permite criar uma plataforma para desenvolvimento e
fornecimento de aplicações avançadas para a Biblioteconomia, tanto nos
aspectos de automação das rotinas administrativas, implementação de bibliotecas
digitais, repositório insitucionais e ferramentas de gerenciamento de conteúdo na

�web. Estas três áreas da tecnologia da informação permitem criar uma cadeia de
transferência gratuita e livre de informação.
O modelo proposto pretende estreitar as dificuldades de informatização
estabelecida pela supremacia da economia de mercado sobre a inteligência
coletiva, mas não existem políticas capazes de socializar essa liberdade de
transferência e compartilhamento do conhecimento, eixo central da filosofia open
source. Portanto, o uso dessas tecnologias tanto no ambiente acadêmico quanto
comercial causará impactos significativos na sociedade, embora muitas soluções
ainda necessitam ser aperfeiçoadas, como o sistemas de gerenciamento de
bibliotecas que ainda estão um pouco distante das necessidades organizacionais
das bibliotecas, mas é nesse contexto que os software livres se desenvolvem,
com a colaboração de toda a comunidade de usuários e desenvolvedores.

REFERÊNCIAS
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Libraries. v .21 n 1. p. 1-11. março 2002.
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&lt;www.oss4lib.org/readings/oss4lib-getting-started.php&gt;. Acesso em: 15 de dez de
2004.
GNUTECA. O que é GNUteca. Disponível em : &lt;http://www.gnuteca.org.br&gt;.
Acesso em 02 de jun. 2004.
GRIZZLE, Ronda; WAYLAND, Ross; WILPER, Chris. Introduction to Fedora
and Its Applications. Disponível
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                <text>Discute a adoção de softwares livres para gestão da informação em bibliotecas universitárias. Expõe alguns pressupostos referentes à automação de bibliotecas propondo uma solução baseada no uso de Sistemas de Gerenciamento de Conteúdo, Sistemas para Gerenciamento de Bibliotecas e Ferramentas para Implementação de Bibliotecas Digitais e Repositórios Institucionais. Estas três áreas da tecnologia da informação permitem criar uma cadeia de transferência gratuita e livre de informação. Através da revisão de literatura realizou-se um estudo exploratório e documental em sites oficiais de projetos e um estudo sobre alguns dos aplicativos baseados em código aberto para informatização de bibliotecas, destacando tecnologias e recursos. É relevante a discussão sobre o impacto do software livre na esfera bibliotecária, pois permite criar uma plataforma para desenvolvimento e fornecimento de aplicações avançadas para a Biblioteconomia.</text>
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                    <text>SUPLEMENTO LITERÁRIO DE MINAS GERAIS:
indexação, restauração, digitalização e microfilmagem do acervo de 1966 a 2006.
O desafio de colocar 40 anos on-line.
Júnia Lessa França 1
Rosângela Costa Bernardino 2
RESUMO
O Suplemento Literário de Minas Gerais, criado em 1966 pela Imprensa Oficial, foi
publicado até 1992, semanalmente, como encarte do jornal oficial do Estado, o
“Minas Gerais”. Em 1993 teve sua publicação interrompida, retornando em 1994, já
independente do “Minas Gerais”, com periodicidade mensal e sob a responsabilidade
da Secretaria de Estado da Cultura. Os primeiros redatores da publicação foram os
escritores mineiros Murilo Rubião, Laís Corrêa de Araújo e Ayres da Mata Machado
Filho. Com 1300 fascículos editados em quatro décadas, o Suplemento publicou uma
série de artigos inéditos dos mais renomados escritores brasileiros e estrangeiros e é
considerado hoje o Suplemento literário de vida mais longa que se tem
conhecimento. A versão on-line é resultante de um Projeto desenvolvido pela
Biblioteca da Faculdade de Letras da UFMG, desde 1997, que indexou cerca de
30.000 matérias, com o objetivo de maximizar a utilização da publicação, facilitar a
pesquisa e, sobretudo, garantir a preservação do acervo. Foi criado um software
específico que permite a pesquisa por autoria, título, número do volume ou fascículo,
ano, assunto, gênero literário, série, edições especiais, tradutores, organizadores e
ilustradores; bem como a leitura e impressão da matéria na íntegra, via Internet,
acessando o site: www.letras.ufmg.br/websuplit .

Palavras-chave: Suplemento Literário de Minas Gerais – 40 anos; Digitalização de acervo;
Preservação de acervo.

1

Bibliotecária da Faculdade de Letras da UFMG, Caixa Postal, 905 – 31270 -901-Belo Horizonte – MG,
Brasil. E-mail: juniabib@letras.ufmg.br

2

Bibliotecária da Faculdade de Letras da UFMG, Caixa Postal, 905 – 31270 -901-Belo Horizonte – MG,
Brasil. E-mail: rcosta@ufmg.br

�1 INTRODUÇÃO
O Suplemento Literário de Minas Gerais foi criado em 1966 sob a responsabilidade
da Imprensa Oficial e publicado, semanalmente, acompanhando o jornal oficial do
Estado, o Minas Gerais, até 1992.

Em 1993 teve sua publicação interrompida, retornando em 1994, já independente do
Minas Gerais, com periodicidade mensal, sob a responsabilidade da Secretaria de
Estado da Cultura, intitulado “Suplemento”, iniciando nova numeração.

A necessidade de restaurar esse acervo e torná-lo conhecido, foi detectada pela
Biblioteca da Faculdade de Letras da UFMG desde 1997, quando o Suplemento
completava 30 anos de publicação. Foi então que se apresentou o desafio de
desenvolver um Projeto com o objetivo de preservar o jornal, já bastante danificado
pelo excesso de manuseio, sem contudo, privar o usuário da utilização da coleção
que reúne material de grande importância para a literatura. Com o "Projeto
Suplemento Literário - 30 anos", a Biblioteca da FALE/UFMG assumiu o desafio e o
compromisso de indexar, digitalizar, microfilmar, manter atualizado e disponível
on-line todo o acervo do "Suplemento".
Em setembro de 2006, o Suplemento comemora 40 anos de publicação e o projeto
encontra-se na sua terceira etapa, atualizando a base de dados, a microfilmagem e a
digitalização.

2 METODOLOGIA
O Projeto Suplemento Literário foi desenvolvido em três etapas, definidas em função
da disponibilidade de recursos.

Para a primeira etapa, com recursos obtidos por

intermédio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura e com o apoio da PRODEMGE –
Companhia de Processamento de Dados de Minas Gerais, foi possível indexar o
acervo de 1966 a 1998 e publicar uma base de dados referencial em CD-ROM.
Posteriormente, numa segunda etapa, fez-se necessário adaptar o projeto original
para, além de atualizar a base de dados incluindo o período de 1999 a setembro de

�2004,

incluir

a

restauração,

microfilmagem

e

digitalização

do

acervo,

compatibilizando-o com a base de dados, para que fosse disponibilizado via Internet.
Essa etapa foi realizada com o apoio da Faculdade de Letras da UFMG e da
FAPEMIG, dentro do Programa “Uso da Tecnologia Digital no Resgate da Identidade
Histórico-Cultural de Minas Gerais”. Atualmente, na 3ª etapa do trabalho, está sendo
feita a primeira atualização integral, ou seja, inclusão da indexação, microfilmagem e
digitalização dos dois últimos anos (2005-2006).

3 PRIMEIRA ETAPA : indexação do acervo de 1966 a 1998
A indexação das matérias publicadas entre 1966 e 1998, que deu origem à primeira
base de dados, foi iniciada após um estudo feito na Biblioteca da FALE/UFMG para
se ter conhecimento prévio da estrutura do periódico, do tipo de material e coletar
dados para a criação de uma planilha, com os campos adequados para formar essa
base. Foram separados, aleatoriamente, vários fascículos da coleção, das quatro
décadas, para que fossem observados:
Autoria: forma de entrada de nomes. Nessa pesquisa foram encontradas
formas abreviadas, formas por extenso, autoria múltipla, pseudônimos,
artigos não assinados, entradas ilegíveis, impressões incorretas e outros.
Foram identificados também a menção de tradutores, organizadores,
ilustradores e adaptadores.
Título das matérias: forma da grafia. Com relação à titulação a maior parte
dos artigos não apresentou grandes problemas que pudessem dificultar a
indexação. No entanto, havia algumas matérias sem título, títulos com
caracteres desconhecidos ou de alfabetos pouco acessíveis e títulos iniciados
por numerais;
Numeração de fascículos, volumes e datas: esses dados mereceram uma
atenção especial por parte dos indexadores, pois havia muitos erros de
impressão. Muitas vezes, a numeração da capa diferia da numeração das
páginas internas dos fascículos; alguns fascículos foram publicados
acumuladamente e houve alguns casos de fascículos publicados sem
numeração.

Naquele

momento,

tomou-se

conhecimento

também

da

�existência dos “fascículos especiais”, que eram dedicados a um tema único,
normalmente comemorativo.
Séries: Desde o início de sua publicação, o Suplemento trazia matérias em
série. Diante dessa observação, passou-se a acompanhar essas matérias
para se ter idéia de sua periodicidade e saber se se tratava, realmente, de
uma série ou se seria uma coluna, o que é mais comum nos jornais.
Estudamos os vários casos encontrados e concluímos que havia os dois, as
séries e as colunas.
Tipo de matéria publicada: nesse item, consideramos importante identificar a
natureza das matérias publicadas pelo periódico. Pretendíamos saber se
havia um tipo predominante, se a publicação tinha uma padronização quanto
à posição em que os diversos tipos de matérias eram apresentadas, se havia
uma consistência, nos diversos fascículos, na estrutura de organização.
Enfim, precisávamos conhecer o conteúdo do Suplemento.
Assunto: visando a pesquisa futura, fez-se necessário saber os assuntos
cobertos pelo periódico.
Após esse período de estudo, foi possível criar uma planilha para a indexação
manual, inicialmente. Também foram definidas as normas que norteariam o trabalho.
Ficou acertado que a orientação básica para a indexação seria a NBR-6023 da
ABNT para o registro de autoria, título da matéria, título do periódico, local, número
do volume e do fascículo, mês e ano de publicação. Essa decisão foi tomada já
prevendo a “forma de saída” dos dados nas pesquisas futuras, antevendo que o
usuário utilizaria o resultado da pesquisa para compor bibliografias. Assim, já
indexaríamos os dados essenciais normalizados, na seqüência correta, de acordo
com a norma de referências bibliográficas da ABNT. No entanto, já conhecendo
melhor a estrutura e conteúdo do Suplemento, decidiu-se enriquecer a indexação
com outros dados que possibilitariam mais pontos de acesso à busca, como:
tradutores, organizadores, ilustradores, gênero literário, série, notas explicativas e
assuntos das matérias.

�3.1 Criação do Software
Depois de um longo período, indexando manualmente as matérias, e já com as
rotinas de indexação e pesquisa de autoridade/assunto totalmente assimiladas pelos
indexadores, foi possível repassar, com clareza, ao Analista de Sistemas 3 as
informações e as peculiaridades do periódico, para que fosse possível programar o
software e a planilha eletrônica (FIG.1). Esse software deveria apresentar recursos
que possibilitassem a recuperação das informações contidas em todos os campos da
planilha.

3.1.1 ProSupLit e WebSupLit
O software ProSupLit foi desenvolvido para gerenciar a base de dados criada a
partir da indexação do Suplemento. Esse software permite a manutenção do
conteúdo das informações e sua consulta através de diversos pontos de acesso,
como: autor, título, assunto, gênero literário e outros.
Foi desenvolvido em Delphi no ambiente Windows e funcionava nos computadores
da Biblioteca da Faculdade de Letras da UFMG.

Para garantir a preservação do acervo físico e disseminação da consulta dos
exemplares do Suplemento, foi criado, posteriormente, na segunda etapa do projeto,
o WebSupLit. Trata-se de uma versão do ProSupLit, mas desenvolvido em Asp,
Html, JavaScript e VbScript para ambiente WEB. Às funcionalidades já existentes no
ProSupLit, foi acrescentada a possibilidade de visualização dos exemplares do
Suplemento digitalizados, diretamente na estação de trabalho do usuário.

3

Antônio Carlos Cortez. E-mail: ccortez2003@hotmail.com

�FIGURA 1 – Planilha eletrônica para indexação

3.2 Indexando os dados essenciais
Para se ter uma padronização nas entradas de autores, foi necessário construir um
catálogo de autoridade. Foram definidos, previamente, as fontes de pesquisa, na
seguinte ordem: Catálogo de autoridade da FGV, da Biblioteca Nacional e,
posteriormente, da Rede Pergamum. Esse catálogo incluiu todas as entradas
remissivas necessárias e a fonte de pesquisa. Algumas decisões com relação à
autoria foram tomadas:
a) O(s) autor(es) seriam registrados conforme NBR-6023: sobrenome em caixa
alta, seguido do prenome, obedecendo a pontuação definida na norma;
b) Matérias não assinadas teriam sua entrada pelo título, sendo a primeira
palavra digitada em letras maiúsculas;
c) Organizadores, tradutores e ilustradores deveriam ser registrados em campos
separados do autor principal;
d) Matérias publicadas sob pseudônimo tiveram a entrada por esse nome fictício,
seguida do nome verdadeiro do autor, entre colchetes, quando conhecido.

�Os títulos das matérias foram registrados conforme constavam no original. Os
artigos definidos e indefinidos, em qualquer idioma, foram deslocados para o final da
frase, para facilitar a alfabetação automática. Os erros gráficos ou de outra natureza
encontrados nos títulos foram indicados com a expressão latina (sic) que significa
“estava assim mesmo”, no original. Os títulos iniciados por número, inclusive data,
foram escritos por extenso, seguidos do número ou data. As matérias sem título
tiveram o campo preenchido com essa informação, “sem título”.
O título do periódico foi normalizado pelo Catálogo Coletivo Nacional - CCN como:
Minas Gerais. Suplemento Literário. Esse dado, acrescido do local de publicação,
ficou em default no resultado da pesquisa.
A numeração dos fascículos e volumes foi registrada sem maiores problemas.
Nos casos em que os números foram impressos incorretamente, mas detectados e
confirmados pelos indexadores, foram corrigidos na indexação e o erro informado no
campo de notas. Os fascículos acumulados foram indexados conforme a NBR-6023
e os não numerados ficaram com o campo em branco, e a informação de que se
tratava de fascículo não numerado foi registrada no campo de notas.
Datas, mês/ano, foram registradas: mês abreviado e ano com quatro dígitos (FIG.2).

FIGURA 2 – Planilha preenchida com os dados essenciais

�3.3 indexando os dados complementares
A riqueza de informações contidas no Suplemento possibilitou a indexação de uma
série de informações complementares, além daquelas que a norma permite sejam
colocadas nas referências bibliográficas (FIG.3). A variedade de tipos de matérias
publicadas possibilitou identificar o gênero literário que gerou a criação do campo
“gênero”, onde encontramos: contos, ensaios, poesias, entrevistas e outros. As
séries foram registradas nos moldes da catalogação, sendo o título registrado por
extenso, seguido do número da matéria na série. O campo fascículo foi criado
exclusivamente para o registro dos fascículos especiais que são publicados
eventualmente, normalmente sobre um tema único, relativo a datas comemorativas
ou sobre a vida e obra de um determinado autor ou assunto. O registro se deu da
seguinte forma: “Dedicado a

Carlos Drummond de Andrade” ou “Dedicado ao

Cinema brasileiro”, por exemplo. O campo de notas foi destinado ao registro de
dados enriquecedores, informações complementares, registro de incorreções
relativas a qualquer outro campo da planilha, de forma livre e esclarecedora. No
campo assunto, foram registrados os cabeçalhos de assunto do artigo, bem como
as entradas de autoridades secundárias, usando-se as mesmas listas de autoridade
utilizadas para a entrada do autor principal.

FIGURA 3 – Planilha preenchida com informações complementares

�3.4 A base de dados referencial
A partir do momento em que a indexação passou a ser feita nas planilhas
eletrônicas, ficou mais fácil manter a padronização das entradas, detectar e
corrigir

erros,

enfim,

manter

a

consistência

que

esse

tipo

de

trabalho

exige. Finalizada a indexação do acervo de 1966 a 1998, a base de dados já
continha cerca de 20.000 matérias. Esse material foi publicado em CD-ROM, em
fevereiro de 2000.

FIGURA 4 – Base de dados referencial, publicada em CD-ROM

4 SEGUNDA ETAPA: indexação do acervo de 1999/2004, microfilmagem e
digitalização
O desenvolvimento do Projeto em sua segunda etapa iniciou-se em outubro de 2003,
tendo sido realizado integralmente em 11 meses, conforme as etapas a seguir:
4.1 Indexação das matérias publicadas no período de 1999/2004;
a) Preenchimento de planilha;
b) Pesquisa de autoridade e de cabeçalhos de assunto;
c) Conferência visual;
d) Correções.

�4.2 Adaptação do Software ProSupLit, criado na 1ª etapa, para permitir a
compatiblilização dos dados com as imagens a serem digitalizadas
a) Fornecimento de informações necessárias ao trabalho de digitalização;
b) Testes com as imagens digitalizadas;
c) Verificação do conteúdo final da digitalização;
d) Implantação do Software alterado nos computadores da Biblioteca/FALE.
4.3 Preparação do acervo para restauração
a) Diagnóstico: avaliação da situação dos fascículos e determinação dos cuidados a
serem tomados com relação ao acervo no todo (ficha técnica);
b) Desmonte dos fascículos: os volumes que estavam encadernados foram
desencadernados,separando-se os fascículos, descosturando e desmontando
página a página. Nesse momento foram feitas as fichas de desmonte;
c) Conferência página a página para uma primeira avaliação de legibilidade, erros
de impressão e necessidade de substituição da página ou fascículo;
d)

Higienização;

e)

Numeração seqüencial por grupo de documentos;

f)

Inserção

de

sinaléticas

de

identificação

documentos:
documentos em perfeito estado,
documentos necessitando de restauração,
documentos a serem substituídos.

e

separação

por

grupos

de

�g) Divisão dos documentos a serem restaurados em dois grupos, definindo o volume
de atividades de cada bibliotecária (FIG.5).

FIGURA 5 – Estado do acervo antigo

4.4 Restauração do acervo
A restauração do acervo foi realizada na Oficina de Preservação de Acervo da Biblioteca
da Faculdade de Letras da UFMG, conforme as etapas descritas a seguir:
a) Aquisição dos equipamentos destinados a recuperação do acervo: mesa de
sucção, borracha elétrica e espátula térmica;
b) Extração de clipes, grampos, fitas adesivas e outros;
c) Eliminação de marcações a lápis;
d) Recuperação das páginas danificadas através de enxerto, velatura e remendo;
e) Substituição das páginas muito danificadas que, mesmo após o restauro,
comprometeriam a qualidade da microfilmagem e digitalização;
4.5 Microfilmagem e Digitalização do acervo
A microfilmagem e digitalização foi executada por uma empresa especializada de
Belo Horizonte, - Gerinfor – Gerência de Informação Ltda – contratada para executar

�o trabalho assim especificado. O acervo foi dividido em 10 lotes, separados por
ordem cronológica, de forma a controlar a remessa para a empresa.
a) Etapas da microfilmagem:
•

Microfilmagem planetária 35mm x 100 pés;

•

Indexação em até 3 níveis por Suplemento, para os documentos a
serem trabalhados;

•

Processamento dos filmes originais;

•

Revisão e duplicação dos filmes;

•

Controle de qualidade;

•

Duplicação do filme original em uma cópia diazo.

b) Etapas da digitalização dos microfilmes:
•

Digitalização das imagens a partir de microfilmes 35mm x 100 pés;

•

Controle de qualidade, incluindo fornecimento de relatório identificando
as imagens com legibilidade comprometida;

•

Indexação das imagens em até 3 níveis por Suplemento;

•

Gravação das imagens na mídia (CD’s);

•

Controle de qualidade final.

4.6 Compatibilização da Base de Dados com as imagens digitalizadas
Apesar de ter sido um processo automático, foi necessário verificar uma série de
indexações que fugiam à regra geral, pelas especificidades de alguns fascículos. O
Suplemento publicou uma série de fascículos especiais, com informações impressas
nas capas, contra-capas, etc. Nesse momento, foi necessário também desenvolver
alguns recursos para sanar alguns erros do próprio jornal, como: paginações
incorretas, numeração de fascículos e volumes repetida ou incorreta, fascículos não
numerados, fascículos acumulados etc.
4.7 Avaliação da consistência dos dados indexados/imagens;
a) Geração de relatórios para conferência visual: foi necessário a geração de
vários relatórios por campo de indexação, de forma a identificar possíveis erros;
b) Correções das inconsistências.

�4.8 Testes e aperfeiçoamentos dos recursos do Software
Vários testes foram realizados inicialmente pela equipe e, posteriormente, com
alguns usuários da Biblioteca.

4.9 Viabilização do acesso via Internet
Conversão da Base de Dados do programa local para um Banco de Dados para
WEB (FIG.6).

FIGURA 6 – Início da pesquisa, por autor

�FIGURA 7 – Resultado de pesquisa, por autor

FIGURA 8 – Imagem do primeiro item do resultado da pesquisa

�4.10 Encadernação manual do acervo, que envolveu:
a) Montagem dos cadernos conferindo, novamente, página a página;
b)

Costura tipo “espinha de peixe”;

c)

Preparação das folhas de guarda;

d)

Reforço do dorso;

e)

Preparo da capa dura e gravação da lombada.

4.11 Divulgação
O Projeto foi amplamente divulgado em jornais de grande circulação no Estado de
Minas Gerais e em jornais de Cultura da TV Minas e TV UFMG.
4.12 Lançamento público
O lançamento foi realizado em cerimônia na Secretaria de Estado da Cultura, em
16/12/2004, com apresentação do trabalho e demonstração de pesquisas on-line aos
presentes. Na oportunidade, foi apresentado um painel ilustrando todas as etapas do
Projeto e feita a doação dos microfilmes originais ao Secretário de Cultura, e uma
coleção de CD’s à Superintendência do Suplemento.
4.13 Transferência do acervo encadernado para a Coleção de Obras Raras da
Biblioteca da Faculdade de Letras da UFMG.

5 TERCEIRA ETAPA: indexação do acervo de setembro/2004 a dezembro/2006
Depois de um ano do lançamento do acervo on-line e de uma infinidade de pesquisas realizadas, a Biblioteca da FALE/UFMG já acumulava subsídios suficientes para
fazer a avaliação do trabalho e, aproveitando a data prevista para atualização bienal
dos dados, efetuar também as correções necessárias. O feedback dos usuários foi
fundamental para o planejamento das ações dessa 3ª. etapa que, coincidentemente,
será finalizada próximo à data em que o Suplemento comemora 40 anos. Essa etapa
envolverá: a) atualização da base de dados, com a indexação, digitalização e microfilmagem do acervo de setembro/2004 a dezembro de 2006; b) correções relativas a
digitação e indexação de imagens; c) enriquecimento e adaptações dos cabeçalhos
de assunto, detectados com a prática da pesquisa, que possibilitou observar

e

confirmar as diferentes formas como a informação é buscada na Base de Dados.

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                <text>O Suplemento Literário de Minas Gerais, criado em 1966 pela Imprensa Oficial, foi publicado até 1992, semanalmente, como encarte do jornal oficial do Estado, o “Minas Gerais”. Em 1993 teve sua publicação interrompida, retornando em 1994, já independente do “Minas Gerais”, com periodicidade mensal e sob a responsabilidade da Secretaria de Estado da Cultura. Os primeiros redatores da publicação foram os escritores mineiros Murilo Rubião, Laís Corrêa de Araújo e Ayres da Mata Machado Filho. Com 1300 fascículos editados em quatro décadas, o Suplemento publicou uma série de artigos inéditos dos mais renomados escritores brasileiros e estrangeiros e é considerado hoje o Suplemento literário de vida mais longa que se tem conhecimento. A versão on-line é resultante de um Projeto desenvolvido pela Biblioteca da Faculdade de Letras da UFMG, desde 1997, que indexou cerca de 30.000 matérias, com o objetivo de maximizar a utilização da publicação, facilitar a pesquisa e, sobretudo, garantir a preservação do acervo. Foi criado um software específico que permite a pesquisa por autoria, título, número do volume ou fascículo, ano, assunto, gênero literário, série, edições especiais, tradutores, organizadores e ilustradores; bem como a leitura e impressão da matéria na íntegra, via Internet, acessando o site: www.letras.ufmg.br/websuplit.</text>
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                    <text>1

Ao Comitê Técnico-científico do XIV SNBU (Seminário Nacional de Bibliotecas
Universitárias).
- TÍTULO: TABELA DE CLASSIFICAÇÃO DE ASSUNTOS NA ÁREA DE ARTE

- AUTORIA: Rosina Bahia Alice Carvalho dos Santos. Bibliotecária-Chefe
- INSTITUIÇÃO: Biblioteca Margarida Costa Pinto (especializada em Arte),
pertencente à Fundação Museu Carlos Costa Pinto
- ENDEREÇO: Av. Sete de Setembro, nº 2490  Vitória. 40.080-001 Salvador 
Bahia  Brasil
- E-mail: mccp@museucostapinto.com.br
- EIXO TEMÁTICO: Bibliotecas Especiais (Arte)

FORMA: Comunicação oral
Palavras-chave: Classificação; Arte; Biblioteca especializada; Museu

TABELA DE CLASSIFICAÇÃO DE ASSUNTOS NA ÁREA DE ARTE
A Tabela de Classificação de Assuntos na Área de Arte foi criada para
atender às necessidades de se classificar e arquivar o acervo de livros e folhetos
da Biblioteca Margarida Costa Pinto (BMCP), especializada em Arte, mais
especificamente Artes Decorativas, Museus, Museologia, Bahia, Folclore e
Artistas Plásticos, pertencente ao Museu Carlos Costa Pinto, que passou a
denominar-se

Biblioteca

Margarida Costa Pinto, em 1993, como justa

homenagem à instituidora do Museu.
Seu acervo é constituído de dois segmentos distintos: o primeiro, formado
pela antiga coleção bibliográfica do Casal Carlos e Margarida Costa Pinto e o
segundo, pela coleção atualizada, especializada em Arte, que é o acervo alvo que
se pretende atingir com a tabela ora apresentada.
Desse

segundo

acervo,

fazem

parte:

livros,

folhetos,

periódicos,

fotografias, postais, discos, CDs, CD-Roms, slides, fitas de vídeo, DVDs,

�2

recortes de jornais e revistas e catálogos de exposições de artistas, para os quais
foram utilizados, desde a implantação da Biblioteca, em 1974, sistemas próprios
para o seu tratamento técnico, bem como outros especialmente criados, visando
o processamento técnico dos diversos suportes de informação, como é o caso
de: a) indexação de catálogos de exposições de artistas: sistema desdobrado,
publicado em 1992; b) indexação de recortes de jornais e c) indexação de
materiais especiais: slides, fotografias, postais, discos, CDs, CD-Roms, DVDs
e fitas de vídeo.
O seu acervo de livros e folhetos, por ser muito especializado, não estava,
satisfatoriamente, contemplado pelas tabelas de classificação de assuntos já
existentes, que não permitiam o afunilamento, ou especificidade de busca dos
assuntos detalhados e minuciosos do acervo, como numa tabela própria, criada
para tal fim; além disso, seria inevitável a dispersão dos assuntos e,
consequentemente

dos

documentos,

já

previamente

arranjados

num

encadeamento seqüencial lógico de interdependência dos seus temas, de acordo
quer com a sua correlação, quer com o interesse dos usuários, já habituados com
o mesmo.

Assim, surgiu a idéia da criação de uma tabela de classificação
personalizada, que cobrisse todos os assuntos do seu acervo, com previsão para
novas inserções, sem alterar a ordem lógica seqüencial na qual os documentos
estavam arranjados, trazendo, ainda, como vantagens iniciais, a possibilidade de
se poder usar a nomenclatura técnica já utilizada pelo Setor de Documentação do
Museu Carlos Costa Pinto e a da sua Biblioteca (vocabulário controlado), além da
universalização da linguagem numérica.

Apesar da responsabilidade e da dimensão do desafio, significou a
concretização de uma antiga aspiração  a criação de uma tabela própria,
especializada em Arte. Por se reconhecer o alto gabarito e a competência dos
organismos internacionais e comissões que se ocupam com a elaboração das
tabelas de classificação, esta Tabela da Área de Arte, despretensiosamente,

�3

apresenta-se como uma simples ferramenta de trabalho para as Bibliotecas de
Arte.
Em meados de março de 1995, após renovadas tentativas de utilização da
Classificação Decimal Universal (CDU), decidiu-se pela retomada do projeto
inicial da elaboração de uma tabela de classificação específica para o acervo em
questão, concretizando-se a realização de um instrumento técnico de trabalho
biblioteconômico.
Tornou-se, assim, uma tabela personalizada de classificação, que serve
como subsídio, ou instrumento técnico de trabalho, podendo ser adotada por
Centros de Documentação e Bibliotecas que possuam acervos semelhantes e/ou
correlatos.

Complementando a tabela principal, foram criados elementos básicos para
o seu uso: a) duas tabelas auxiliares - uma de adicionais e outra para divisão de
forma  e b) um índice alfabético de assuntos, que os remete para os números
específicos no corpo da tabela, facilitando o seu manuseio, contando com o
auxílio de remissivas. São utilizadas, ainda, as tabelas auxiliares da CDU para:
área geográfica, período, povos e língua.

A notação das tabelas auxiliares (adicionais e de forma) é colocada após o
número de classificação, com seus respectivos símbolos: na de adicionais, o
número é precedido de hífen; na de forma, usa-se o parêntesis. Para a aplicação
das outras tabelas auxiliares citadas, são utilizadas as indicações da CDU,
seguindo-se, também, o seu uso e a sua notação. Assim como na CDU, também
é usada a relação entre dois e até três assuntos, com o recurso dos dois pontos.

Como vantagens, destacam-se: a) Auxiliar no endereçamento, ou seja,
número de chamada, que orienta o arquivamento e a localização do documento
no

momento

da

sua

busca.

b)

Identificadora

de

termos

específicos,

estabelecendo, conseqüentemente, um vocabulário controlado, bem como na
orientação

da

seqüência

e

interdependência

dos

assuntos,

no

seu

�4

encadeamento, facilitando a pesquisa; c) Permite o afunilamento dos assuntos,
facilitando uma classificação mais exata; d) Evita a dispersão dos assuntos, e
documentos, previamente arranjados; e) Facilidade de uso, pela universalização
da linguagem numérica; f) Farta utilização de notas explicativas e remissivas.
Na BMCP, para a recuperação da informação, propriamente dita, são
utilizados descritores, a partir do seu vocabulário controlado específico, articulado
com o vocabulário da tabela. Assim, pôde-se, com facilidade, modernizar e
agilizar a recuperação das informações num acervo que teve o seu arranjo
estruturado nos moldes tradicionais, com a vantagem da não dispersão dos seus
assuntos e temas correlatos, o que é muito útil para os pesquisadores e usuários
de um modo geral.
Do sumário da tabela, além da APRESENTAÇÃO, constam os itens: 1.
PRELIMINARES; 2. INTRODUÇÃO; 3. PLANO DA OBRA; 4. TABELAS
AUXILIARES; 4.1 TABELA AUXILIAR DE FORMA; 4.2 TABELA AUXILIAR DE
ADICIONAIS; 5. TABELA DE CLASSIFICAÇÃO e 6. ÍNDICE.
Não é uma classificação estanque; alguns tópicos já foram previstos e
novos assuntos poderão ser acrescentados à atual estrutura, nas classes vagas.
Algumas condições prévias favoreceram a sua elaboração: 1) conhecimento do
acervo; 2) estudo da disciplina Historiada Arte no Curso de Biblioteconomia; 3)
participação nos cursos de Arte promovidos pelo Museu Carlos Costa Pinto; 4)
análise dos documentos para atribuição de descritores; 5) interesse da
bibliotecária pela disciplina Classificação; 6) leitura de temas específicos, ligados
aos assuntos dos documentos analisados.

A avaliação da tabela é contínua, gerada pelo seu uso no dia a dia,
proporcionando aferição da satisfação na classificação afunilada dos assuntos e
a realização de correções e ajustes necessários.
As remissivas e notas explicativas são bastante utilizadas, quer no corpo
da tabela propriamente dita, quer no índice alfabético, facilitando o seu manuseio.

�5

É uma tabela numérica, de base decimal, possuindo 10 classes de 000 a
900, com suas respectivas subdivisões, muitas delas indo até à formação de
números com nove dígitos. Exemplificam-se, abaixo, as classes principais, com
suas primeiras divisões, para que se possa ter uma visão da abrangência geral
dos assuntos que formam a tabela
PLANO DA OBRA
000  Obras de referência. Museus. Museologia
001  Dicionários
002  Enciclopédias
003  Catálogos. Guias
004  Livros. Documentos
005  Sítios arqueológicos. Arqueologia
006  Museus do mundo
007  Museologia. Ciência dos museus. Organismos
008  Antropologia
009  Vaga
100  Arte em geral
110  História da arte
120  Arte em locais específicos
130  Iconografia
140 a 190 Vagas
200  Ciências auxiliares
210  Genealogia
220  Heráldica
230  Esfragística
240  Meio circulante
250  Numismática
260 a 290  Vagas
300  Artes plásticas
310  Belas artes
320  Pintura
330  Desenho
340  Artes gráficas
350  Caricatura

�6

360  Design. Desenho industrial
370  Artesanato. Arte popular
380 Escultura
390  Arquitetura
400  Artes decorativas
410  Cerâmica
420  Metais
430  Mobiliário
440  Vidro. Cristal
450  Marfim
460  Têxteis. Arte têxtil. Fibras têxteis
470  Indumentária. Traje
480  Diversos
490  Vaga
500  Religião
510  Cristianismo. Religião católica
520  Devoção. Fé popular. Religiosidade popular
530  Festas religiosas
540  Manifestações da arte sacra
550  Artistas sacros
560  Preservação dos bens culturais sacros
570  Igrejas cristãs
580  Religiões não-cristãs. Religiões orientais. Seitas.
590  Religiões africanas. Cultos afro-brasileiros
600  Outras manifestações artísticas
610  Música
620  Teatro
630  Dança
640  Literatura
650  Cinema
660  Meios de comunicação
670  Fotografia. Retratos
680  Folclore
690  Esporte
700  Geografia
710  Geografia física

�7

720  Geografia humana
730  Geografia econômica
740  Flora e fauna
750  Geografia de locais específicos
760  Cartografia
770  Astrologia. Astronomia
780  Estatística
790  Vaga
800  História. Patrimônio histórico e cultural. Turismo. Bahia antiga
810  História universal
820  História de Portugal
830  História do Brasil
840  História da Bahia. Bahia antiga
850  Patrimônio histórico e cultural
860  Turismo
870 a 890 Vagas
900  Salvador
910  História de Salvador. Aspectos históricos
920  Povoamento de Salvador
930  Salvador e a República
940  A política em Salvador
950  Comemorações históricas especiais de Salvador
960  História de atividades específicas em Salvador
970  Imagens e panorama de Salvador.
980 e 990 Vagas

Em se tratando de uma tabela específica, é natural que algumas classes,
de mais relevância, tivessem maior detalhamento que outras, como e o caso das
abaixo indicadas que, por sua vez, têm as suas próprias subdivisões:
007  Museologia. Ciência dos Museus. Organismos
110  História da Arte
250  Numismática
330  Desenho
340 - Artes gráficas
370  Artesanato. Arte popular
380  Escultura

�8

390  Arquitetura
400  Artes decorativas
510  Cristianismo. Religião católica
520  Religião. Fé popular. Religiosidade popular
530  Festas religiosas
540 - Manifestações da Arte sacra
590 - Religiões africanas. Cultos afro-brasileiros
610 - Música
620 - Teatro
630  Dança
640  Literatura
650  Cinema
680  Folclore
810  História universal
820  História de Portugal
830  História do Brasil
840  História da Bahia. Bahia Antiga
900 - Salvador

Para que se tenha uma idéia mais aproximada da disposição do corpo da
tabela, exemplifica-se, aqui, uma de suas páginas, contendo detalhamento das
classes:
110.122.1  Gallé.
Ver também 444.2.
110.122.2  Lalique.
Ver também 421.213.2 e 444.4.
110.122.3  Tiffany.
Ver também 444.1.
110.122.4  Richards.
Ver também 444.5.
110.123  Art Déco.
110.124  Arte Moderna.
110.124.1  Fauvismo.
110.124.2  Cubismo.
110.124.3  Expressionismo.
110.124.4  Dadaísmo.

�9

110.124.5  Surrealismo.
110.124.6  Construtivismo.
110.124.7  Bauhaus.
110.124.8  Arte Abstrata.
110.124.81  Abstracionismo geométrico.
Arte Concreta.
110.124.82  Abstracionismo lírico.
110.124.9  Arte Figurativa.
110.125 - Arte Pós-Moderna. Arte Contemporânea.
110.125.0  Tachismo.
110.125.1  Pop-art.
110.125.2  Happening.
110.125.3  Op-art.
110.125.4  Minimal Art.
110.125.5  Arte Conceitual.
110.125.6  Arte Tecnológica. Arte por Computador.
Arte Multimídia. Videoarte. Arte Intermídia.
Arte Eletrônica.
110.125.7  Arte Cibernética.
110.125.8  Hiperrealismo.
110.125.9  Objetos.
N  Ver também 314.124.
110.125.10  Arte Cinética.
110.125.11  Performance.
110.125.12  Instalação.
N - Ver também 314.125.
110.2  História da Arte em locais específicos.
N  Seguir a tabela geográfica. Arte em determinados locais,
com a conotação de História da Arte.
110.20  História da Arte em Portugal.
110.21  História da Arte nas Américas.
N - Utilizar a tabela geográfica.
110.21.1  Pré-história. Arqueologia.
N  Ver também 110.111.1.
110.21.11  Arte rupestre.
N  Ver também 110.111.11.

�10

110.21.2  Arte pré-Colombiana. Arte pré-hispânica.
110.21.21  Arte indígena americana.

O ÍNDICE ALFABÉTICO, que é o item 6 do Sumário, localiza-se no final da
tabela, apresentado em duas colunas, remetendo cada assunto para o seu
número específico no corpo da tabela. Apenas para ilustrar, segue, abaixo
transcrita, a primeira página do índice, que corresponde ao início da letra A:
A
Abertura dos portos (história)  832.31 /
844.13.311.1

Adivinhações  686.1.4
Administração

Abolição da escravatura  835.53

dicionário (s) de  012.1

Absolutismo  814.62

de museus  078.22

Abstracionismo  110.124.81

Aeroportos  732.33

Academismo (estilo artístico) 

Afresco  324.23

110.116.8

Água-forte (gravura)  341.511.21

Acervos

Água-tinta (gravura)  341.511.22

formação de  072
limpeza de  078.61
Acessórios
do traje  475
outros  475.9

Alemão
dicionários de  011.1
Alfaiates
revolta dos (história)  844.13.2
Amazônia (região)  754.31.21.1

Acidentes geográficos - 711

Âmbula  421.214.1.13

Ação cultural dos museus  073.3

Américo Vespúcio  840.21

Açúcar

Anéis (jóias)  421.214.2.1

cana-de-  831.41 / 844.12.111

Animação cultural nos museus  078.30

ciclo do  831.41 / 844.12.1

Anjos  545.13

crise de 1873 do  844.23.1

Anti-cultura  071

na economia da Bahia colonial 

Anti-lusitanismo

844.12.111
na economia brasileira  831.41.1
engenhos de  831.431.111 /
844.12.111.1
fabrico do  844.12.111.11
grandeza e decadência do 
831.41.2
Adam (estilo artístico)  110.116.1

na Bahia  844.21
no Brasil  833.33
Antigüidade (história da arte)  110.111
clássica (história)  812.2
Antigüidades (objetos de arte)  402
comercialização de  406
Antiquários  100.47 / 406.3
Antônio Conselheiro  844.33.1

�11

Antropologia  008

ensino da - 398

Apóstolos  545.12.13

escritórios de  398.1

Aquarela  324.63 / 331.5

estilos da - 392

Aquisição de peças de museus  078.26

de exterior  395

Armaduras  427.41

de igrejas  393.211

Armaria  427

de interiores  394

em prata  422.34
Armas  427

em locais específicos  391
luso-brasileira  391.4.31.0

de arremesso  427.5

materiais da  397

brancas  427.3

militar  393.1

fabricação artística de  427.1

de museus, bibliotecas e arquivos 

de fogo  427.2
primitivas  427.6

079/392.312.2
plantas de  390.051

Arqueologia  005

em Portugal  391.12

Arquidiocese de São Salvador da Bahia

preservação da  078.8 / 390.061

 513.411.111

projetos de  390.05

Arquitetos - 399

religiosa  393.21 / 543

Arquitetura  390

residencial  393.311

na Bahia  391.4.311
no Brasil  391.4.31
civil  393.3
dicionários de  012.3

restauração da  078.532

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Ciência da Informação&#13;
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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Tabela de Classificação de Assuntos na área de arte.</text>
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                <text>Santos, Rosina Bahia Alice Carvalho dos</text>
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                <text>Salvador (Bahia)</text>
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            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="61390">
                <text>Proposta de da criação de uma tabela de classificação personalizada, que cobrisse todos os assuntos do seu acervo, com previsão para novas inserções, sem alterar a ordem lógica seqüencial na qual os documentos estavam arranjados, trazendo, ainda, como vantagens iniciais, a possibilidade de se poder usar a nomenclatura técnica já utilizada pelo Setor de Documentação do Museu Carlos Costa Pinto e a da sua Biblioteca (vocabulário controlado), além da universalização da linguagem numérica.</text>
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                    <text>TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO NAS BIBLIOTECAS DAS INSTITUIÇÕES
PRIVADAS DE ENSINO SUPERIOR EM BELÉM, PARÁ

Adélia de Moraes Pinto, Especialista. Sem vínculo, Belém-Pará  Tv. Timbó 1348 Apt
1101-B CEP: 66085-654. adelia1966@yahoo.com.br.

Rosemarie Almeida Costa, Mestre, Professora e Bibliotecária do Instituto de Estudos
Superiores da Amazônia, Belém-Pará. Av. Governador José Malcher, 1128 CEP: 66055-260.
rosemarie@ sib.iesam-pa.edu.br.

RESUMO

O uso das Tecnologias de Informações (TIs) nas universidades, faculdades e nos
centros de educação do país levou ao surgimento de uma questão que versa sobre
como as bibliotecas das instituições privadas de ensino superior no município Belém
estão vivenciando esta realidade. Assim, desenvolveu-se um estudo que fornecesse
indicativos sobre como essas ferramentas podem contribuir para essas unidades de
informação, sobre que TI são mais utilizadas, e que verificasse as competências e as
habilidades demandadas para o profissional bibliotecário quanto ao uso dessas
ferramentas. O estudo foi realizado através de levantamento bibliográfico somado à
aplicação de questionários junto às bibliotecas dessas instituições privadas de
ensino, de maio a agosto de 2005. Embora a literatura aponte para o uso
disseminado das TIs, esta realidade ainda está em conformação nas bibliotecas
pesquisadas. Concluiu-se que nas bibliotecas das instituições privadas de ensino
superior, em Belém, as TIs precisam estar presentes em todos os processos
informacionais, ou seja, da aquisição a disseminação da informação, aperfeiçoando o
processo de trabalho, a aprendizagem informacional, e possibilitando uma mudança
estrutural e funcional não só na biblioteca, mas, em especial, na instituição como um
todo.

Palavras-chave: Tecnologias de informação; Bibliotecas universitárias; Belém.

�INTRODUÇÃO
O processo de mudança que as instituições estão vivenciando em virtude
do uso das Tecnologias de Informação (TIs), vem afetando todas as áreas da
sociedade e a biblioteca, enquanto instituições, é também afetada, já que utiliza
técnicas e processos automatizados, no tratamento, armazenamento, registro,
disseminação e recuperação da informação.

A TI pode ser conceituada como todo recurso tecnológico destinado na
coleta, manipulação, armazenamento e no processamento de dados e/ou
informações. É o uso de recursos computacionais para o desenvolvimento de
sistemas de informação. Para Crestana (2002), na medida em que as inovações são
introduzidas, tornam-se necessárias novas competências e atitudes, além do preparo
profissional para atuar no nível e âmbito requeridos pelos usuários especializados,
que vão além das técnicas biblioteconômicas.

O uso de computadores nas bibliotecas possibilitou que várias operações
internas sofressem essa automatização, tornando os serviços oferecidos e atividades
desenvolvidas mais

acessíveis aos usuários,

beneficiando

e facilitando

o

fornecimento da informação e geração de conhecimento. Nesta condição e no
modelo de mudança, a universidade assume um papel importante para o
desenvolvimento de conhecimentos e idéias, bem como na divulgação de informação
e inovação.

Segundo Marchiori (1996), a importância de uma biblioteca não se
resume ao acervo interno, mas à sua capacidade de prover acesso para além das
possibilidades dos documentos bibliográficos e de sua coleção limitada. Esse relato
corrobora com o que diz Stair e Reynolds (2002), quando afirmam que o uso
apropriado das TIs podem garantir o sucesso nos negócios, o que pode ser

2

�transferido para o contexto das bibliotecas no que se refere à qualidade de seus
serviços informacionais.

DA GENESIS DA BIBLIOTECA À TECNOLOGIA WWW

No decorrer dos tempos o homem realizou inúmeras descobertas e criou
diversas invenções que modificaram sua história e da sociedade como um todo,
entre elas podemos citar a descoberta e uso do fogo, a invenção da roda e da
lâmpada e destacamos aqui a escrita como uma dessas descobertas ou invenção.

Várias formas de registro do conhecimento existiram desde os primórdios
da humanidade, que vão da linguagem oral ao desenho até chegar na escrita.
Martins (2001, p. 59), assim se refere a respeito deste assunto:
O homem já empregou e continua empregando na escrita, materiais dos três
reinos da natureza, do reino mineral foram utilizados a pedra, o mármore, a
argila, os metais, do reino vegetal citamos a madeira, folhas de palmeiras ou
de oliveiras, panos, papiros, o pergaminho material que teve maior destaque
entre o retirado do reino animal [...] em geral todos os produtos do reino
vegetal serviram ou servem para a escrita, mas o mais celebre de todos que
tem uma importância impar é o papiro.

Com a chegada dos computadores, um novo componente vai ser
agregado ao ambiente das bibliotecas  o eletrônico, estabelecendo uma nova
ordem no ato de registrar e preservar o conhecimento. Essa nova forma de organizar
e estruturar todo esse saber agora gravado em outros tipos de materiais, exigiu o
refletir, o repensar e obrigou o acompanhamento e evolução das bibliotecas.

Conforme comenta COSTA (2004, p. 57),
com as tecnologias da automação, que surgem por volta da década de 50, já
no século XX, as bibliotecas começam a automatizar seus acervos e criar

3

�suas bases de dados. A informação agora é processada em um novo
formato  o formato eletrônico  e o acesso a ela é realizado por vários
instrumentos ligados à tecnologia do computador. [...] As bibliotecas que até
então acompanharam a evolução dos suportes de informação, inventando
técnicas e procedimentos de organização e controle, têm a frente um novo
desafio: a informação em bits.

A tecnologia www, mais especificamente a técnica do hipertexto, provoca
uma mudança nos procedimentos bibliotecários de uma forma tão intensa, chamada
por muitos autores de revolução, pelo caráter consubstancial de inovação
envolvido. Para que possamos contextualizar melhor o crescimento das bibliotecas
vinculadas a este tipo de instituição, no item a seguir faremos algumas
considerações a respeito da oferta de ensino superior privado no Brasil e em
específico na cidade de Belém, capital do Estado do Pará.

Ensino superior no Brasil e em Belém
Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Educacionais Anísio
Teixeira (INEP, 2003, p. 6), existia em outubro de 2003 um total de 1.859 IES em
funcionamento no solo nacional, distribuídas da seguinte maneira: 163 instituições
classificadas como Universidades representando apenas 8,8% do conjunto de IES,
81 Centros Universitários correspondendo a 4,3% do total, 1.403 Faculdades
Isoladas o que corresponde a maior fatia do mercado, representando 75,5% do total
das IES, os 93 Centros Tecnológicos participando com 5% do conjunto nacional e
119 Faculdades Integradas, defendendo 6,4% do geral das IES. Deste total1.652, ou
seja, 88,9% são privadas, sendo o sistema de educação superior brasileiro
considerado pelo World Education Indicators entre os mais privatizados do mundo.

Quanto ao cenário do Ensino Superior Privado em Belém, segundo
Camargo (2001, p. 41), em 1999, dos 25.934 ingressantes nos curso de graduação,
13.422 ingressou nestas instituições. Conforme essa mesma pesquisa estes acessos

4

�se deram pela expansão do ensino superior privado, fator esse que vem ocorrendo
desde os meados da década de 80.

A partir de 2000 e com a criação e autorização de novas faculdades,
houve um crescimento bastante significativo no número de IES em Belém
alcançando, hoje, segundo dados do MEC, um total de 13 IES privadas autorizadas
e/ou reconhecidas1. Com a criação das IES e objetivando sua autorização e
reconhecimento as instituições de ensino superior devem ser dotadas de bibliotecas,
como recomenda a lei n. 10.861/2004, a qual trata do Sistema Nacional de Avaliação
da Educação Superior (SINAES) (BARCELOS; GOMES, 2004).

Independente do que prevê a legislação, as universidades e/ou
faculdades contemporâneas dispõem de bibliotecas com recursos informacionais
diferenciados, pois ela já nasce em uma IES com a finalidade de contribuir
decisivamente no ensino, na pesquisa e na extensão. Dessa maneira, as TIs são
recursos a serem utilizados em prol da otimização dos serviços oferecidos pelas
bibliotecas das IES, de uma forma que possam atender as expectativas de seus
usuários.

TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E PROFISSIONAIS DA INFORMAÇÃO
Os benefícios na prestação dos serviços oferecidos pelas bibliotecas das
IES através do uso de novas tecnologias de informação possibilitaram mudanças
tanto para as bibliotecas como para os profissionais.

Nessa linha diretriz, Cianconi (1999, p. 103) tece o seguinte comentário:
1

Dados recuperados no período da pesquisa sobre as instituições de ensino superior privado no
município de Belém

5

�muda o local físico de armazenamento, muda muitas vezes o formato de
armazenamento, muda a forma de acesso, muda a relação com o usuário,
muda o modelo de gerenciamento da informação, mas permanecem muitos
princípios, técnicas, necessidades de normalização, de representação e de
apresentação da informação. Princípios e técnicas esses que necessitam de
permanente avaliação e ajuste, de acordo com a dinâmica das tecnologias
da informação.

Na esteira dessa análise, as bibliotecas universitárias são criadas com o
objetivo principal de contribuir para o aperfeiçoamento efetivo das atividades
acadêmicas cobrindo as necessidades de informação de sua comunidade
educacional ao apoiar seus programas de investigação educacional e demais
serviços.

Como afirma Sene e Seffner (2003, p. 184).
a biblioteca universitária tem suas funções voltadas para a instituição na qual
esta inserida, pois, consideradas como um dos alicerces vitais da vida
acadêmica, as bibliotecas universitárias têm por função essencial subsidiar,
através da disponibilização de recursos informacionais diversificados, as
atividades de ensino, de pesquisa e de extensão desenvolvidas nas
universidades.

Nesta conjuntura mundial, onde o processo de globalização dos
mercados, a competitividade e as transformações nas organizações ocorrem de
forma acelerada, é necessária a atualização dos profissionais da informação e uma
maior interação destes com as inovações científicas e tecnológicas.

Santos (2004, p. 1) assim se refere ao tema:
Com o processo de globalização dos mercados a competitividade entre
organizações tornou-se uma das máximas no mundo dos negócios. As
bibliotecas, de modo especial aquelas localizadas nas IES, precisam estar
atentas a essas mudanças para não deixarem seus usuários sem
informações e não ficarem desatualizados, tanto em termos de acervo, como
de tecnologias de acesso a informação.

6

�Essa afirmação comprova que a globalização faz pressão para que as
instituições,

mais

especificamente

as

bibliotecas,

busquem competitividade,

adaptando-se as novas exigências de seus usuários, introduzindo em seus
processos organizacionais as inovações tecnológicas para um atendimento eficiente
e de acordo com as exigências do usuário/cliente, produzindo assim benfeitoria para
a execução das estratégias organizacionais.

Além disso, vale aqui destacar a relevante contribuição de organismos
como o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT)2, o qual
atua com um de seus programas o Programa de Informação para Gestão de Ciência,
Tecnologia e Inovação (Prossiga), no âmbito do qual são desenvolvidas e
disponibilizadas técnicas para auxiliar a evolução nas áreas de ciência da informação
no país.

No Brasil, diversos são os recursos utilizados pelas bibliotecas para
disponibilização de serviços de gerenciamento da informação com base nas mais
recentes tecnologias da informação, passando estas ferramentas a constituir
elementos que facilitam e envolvem novas práticas profissionais.

O processo de interação da TI e do profissional da informação tem o poder
de produzir rapidez no acesso e transferência de informação em escala mundial, o
que nos possibilitou buscar entender como este processo de uso de tecnologias está
ocorrendo nas bibliotecas das IES privadas em Belém, sabendo-se que, nos dias
atuais, é difícil conceber uma biblioteca sem subsídio de processo automatizado. A

2

Para um melhor entendimento dos serviços visite as home page: http://www.ibict.br/
http://www.prossiga.br

e

7

�busca do aporte prático foi o caminho que percorremos, abordando as instituições de
ensino superior privado de Belém do Pará, com o intuito de verificar esse processo.

METODOLOGIA
Para atingir os objetivos do trabalho optou-se por uma pesquisa de
campo, do tipo exploratória de natureza descritiva, com estudo realizado através de
levantamento bibliográfico somado à aplicação de questionários junto às bibliotecas
dessas instituições privadas de ensino, de maio a agosto de 2005.

Para a aplicação do questionário utilizou-se o meio eletrônico como um
facilitador da pesquisa das 13 Instituições de Ensino Superior privadas o qual foram
encaminhados os questionários aos gestores de 12 bibliotecas das instituições
reconhecidas e/ou autorizadas que desenvolvem atividades no ramo de ensino
superior privado exceto na instituição em que a autora da pesquisa atua como
gestora.

BIBLIOTECAS DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR PRIVADO DE BELÉM
E AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO
Para efeito de contextualização em linhas gerais faremos um breve
histórico sobre as primeiras bibliotecas universitárias que surgiram em Belém. A
primeira foi a Biblioteca Central da Universidade Federal do Pará, fundada em 19 de
dezembro de 1962, a segunda biblioteca está vinculada à rede privada de ensino,
que é a Biblioteca Central da Universidade da Amazônia, criada em 1974. As
bibliotecas da rede governamental, em nível federal ou estadual, em Belém, são:
Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Pará (SIBI / UFPA), Biblioteca da

8

�Universidade do Estado do Pará (UEPA) e Biblioteca da Universidade Federal Rural
da Amazônia (UFRA).

Apresentação, análise e interpretação dos dados

Do total de 12 questionários enviados, 10 foram respondidos, que é
referente a 83% do total, um dos questionários foi devolvido sem respostas e em um
a coleta de dados foi realizada in loco. Os dados coletados foram contabilizados e
reunidos em valores percentuais, o que passamos a descrever em seguida.

Em relação ao tempo de atuação das IES em Belém, percebe-se que as
mesmas são relativamente novas. Em 10% do total o tempo de atuação das
instituições é de menos de um ano, entre 3 a 4 anos de atuação o percentual foi de
40%, de 5 a 9 anos de atividade o percentual é de 20% e somente 10% refere-se às
que estão neste mercado atuando entre 10 a 15 anos, inclusive, são estas que estão
há mais tempo na área de educação superior privada.

Com relação aos recursos tecnológicos oferecidas pelas bibliotecas em
Belém, pode-se verificar os seguintes percentuais indicados nos Gráficos 1 e 2.
80

Terminal de consulta ao
acervo
Terminal de consulta a
internet
Terminal de empréstimo e
devolução
e-mail

70
60
50
40
30
20

Telefone

10
0
Utiliza

Não Inform Não utiliza

GRÁFICO 1 - Recursos tecnológicos oferecidos pelas bibliotecas das IES privadas de Belém

9

�70%

Fax

60%
50%

Scanner

40%

Gravadora de CD

30%

Outros (aparelho de Tv, Vídeo
cassete, DVD, Data Show
Bases de dados

20%
10%
0%
Utiliza

Não Inform

Não utiliza

GRÁFICO 2 - Recursos tecnológicos oferecidos pelas bibliotecas das IES privadas de Belém

No gráfico 1 verifica-se que 70% das unidades de informação
disponibilizam terminais de consultas ao acervo, 80% contam com terminais de
pesquisa à internet, 70% oferecem terminais em seu serviço de empréstimo e
devolução e 70% utilizam e-mail em suas atividades e 60% possuem telefone.

No gráfico 2 os dados fornecidos nos mostra que somente 40% das
bibliotecas têm aparelho de fax, apenas 20% têm em seu ambiente de trabalho
scanner, 30% possuem gravadora de CD, 20% delas contam para apoio de suas
atividades / serviços com aparelho de TV, vídeo cassete, data show e DVD, 20%
oferecem bases de dados para recuperação de bibliografia full text, melhor
explicando, pesquisa e visualização de documentos tanto local como por meio da
rede de computadores.

No item que se refere aos serviços e produtos, mais utilizados na área
técnica - administrativa pelas bibliotecas, podemos notar que no processo
administrativo os serviços que tem um destaque com o uso de algum tipo de
tecnologia (softwares) estão concentrados na seleção e aquisição de obras para o
setor.

10

�O item que indica em quais materiais é realizado o registro bibliográfico,
processamento técnico com o uso da tecnologia será demonstrado no Gráfico 3:
80%

Livro s
P erió dic o s

60%

F o lhe to s
T ra ba lho s a ca dêm ico s

40%

M í dia s

20%

M apa s
Fo to s

0%

GRÁFICO 3 - Serviços oferecidos na área de Processamento técnico

Observa-se que os serviços de catalogação, classificação e indexação dos
livros e periódicos desenvolvidos com o uso da TI, são realizados por 80% das
bibliotecas, enquanto que os mesmos serviços feitos nos folhetos e trabalhos
acadêmicos só são realizados em 60% dos centros de documentação que
avaliamos; 50% dessas unidades informacionais fazem processamento técnico de
mídias e a preparação dos mapas corresponde a 20% e as fotos ficam com 10%.

O Gráfico 4 indica quais os serviços oferecidos na área de disseminação
da informação.
60%
50%

Intercâmbio on-line
Comutação

40%

Consulta on-line

30%

Consulta virtual

20%

Renovação on-line

10%

Reserva on-line

0%

Home page

GRÁFICO 4 - Serviços oferecidos na área de disseminação de informação

Nele verificou-se que uma parcela de 60% das unidades informacionais
disponibilizam em sua home page a consulta virtual ao acervo, 50% delas dispõem
de site da biblioteca ou do sistema de biblioteca, comutação e consulta on-line, 20%

11

�utilizam intercâmbio on-line e 10% delas possuem renovação e reserva on-line de
obras disponibilizadas para empréstimos.
100%

Boletim eletrônico

80%

Revista eletrônica

60%

Regulamento eletrônico da
biblioteca
Guia de normalização

40%
20%

Não possuem
0%

GRÁFICO 5 - Produtos

No Gráfico 5 percebe-se que 80%, das bibliotecas não disponibilizam o
uso de boletim eletrônico, revista eletrônica, regulamento eletrônico da biblioteca e
guia de normalização.
60%

Adquirido

40%

Desenvolvido na própria
instituição
Processo de troca

20%

Não informado
0%

GRÁFICO 6 - Forma de aquisição de sistema de informação

O Gráfico 6 indica que os sistemas informatizados de gerenciamento das
atividades ocorre em 50% das bibliotecas, as quais se utilizam de softwares
desenvolvidos por empresas terceirizadas.
30%
25%
20%
15%
10%
5%

Nenhum
Pouco
Bastante
Muito
Grande
Não informado

0%

GRÁFICO 7 - Impacto atribuído ao uso de Tecnologia de Informação

12

�O gráfico 7 comprova a dificuldade que essas instituições têm em fazer
uso dessas ferramentas. As que responderam pouco ou nenhum impacto,
geralmente são as que oferecem, também, poucos serviços informatizados e quase
nenhum produto baseado no uso das TIs.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os dados levantados e analisados mostram que as iniciativas das
bibliotecas, no sentido da utilização de novidades quanto as TI ou mesmo de
algumas já existentes, ainda são pequenas. Podemos aqui inferir que falta
investimento e um maior interesse das instituições nas melhorias que exigem as
bibliotecas universitárias nas IES.

Nas bibliotecas onde a administração superior percebe o quanto a imagem
da instituição tem a ganhar com novos investimentos e aplicações de recursos no
setor que dá suporte aos estudos acadêmicos, nota-se a entrada de recursos não só
informacionais como também humanos para um melhor desenvolvimento e
desempenho das atividades e serviços de suas unidades.

Na realidade, o desempenho, o desenvolvimento, a ampliação, a
diversificação de atividades/serviços utilizando as TIs certamente só ocorrerão se as
bibliotecas estiverem acompanhadas do amparo institucional. Isso exigirá não
apenas a competência do profissional bibliotecário, mas também um esforço
conjunto de outras áreas como a de comunicação e a de informática, na categoria do
desenvolvimento e análise de sistemas.

13

�A pesquisa realizada demonstra, porém, que várias são as bibliotecas em
Belém que buscam a utilização e o aperfeiçoamento da TI. Isso ocorre em razão de
que o uso não só das TIs, mas de todos os demais recursos que as bibliotecas
dispõem, devem ser bem direcionados aos seus usuários, permitindo que instituição
e biblioteca possam propiciar condições adequadas e favoráveis ao seu
funcionamento efetivo, a fim de criar e consolidar um ambiente favorável a atender
as expectativas dos usuários.
Por fim, é relevante destacar que as bibliotecas das IES privadas em
Belém precisam de medidas administrativas, educacionais e científicas que possam
ser implementadas, servindo como guia de sua própria mudança tecnológica.

REFERÊNCIAS
BARCELOS, Maria Elisa Americano do Sul; GOMES, Maria Lúcia Barcelos Martins.
Preparando sua biblioteca para avaliação do MEC. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 13., 2004; SIMPÓSIO DE DIRETORES DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS DA AMÉRICA LÁTINA E DO CARIBE, 3., Natal.
Anais... Natal: UFRN; BCZM, 2004. 1 CD-ROM.
INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO
TEIXEIRA (Brasil). Diretoria de Estatísticas e Avaliação da Educação Superior.
Censo da educação superior: resumo técnico 2003. Disponível em:
&lt;http://www.inep.gov.br/download/superior/censo/2004/resumo_tecnico_050105.pdf&gt;
. Acesso em: 19 ago. 2005.
______. Secretaria de Educação Superior. Autorização, reconhecimento e renovação
de reconhecimento. Disponível em: &lt;http://portal.mec.gov.br/
sesu/index.php?option=content&amp;task=view&amp;id=494&amp;Itemid=293&gt;. Acesso em: 24 jun.
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                <text>O uso das Tecnologias de Informações (TIs) nas universidades, faculdades e nos centros de educação do país levou ao surgimento de uma questão que versa sobre como as bibliotecas das instituições privadas de ensino superior no município Belém estão vivenciando esta realidade. Assim, desenvolveu-se um estudo que fornecesse indicativos sobre como essas ferramentas podem contribuir para essas unidades de informação, sobre que TI são mais utilizadas, e que verificasse as competências e as habilidades demandadas para o profissional bibliotecário quanto ao uso dessas ferramentas. O estudo foi realizado através de levantamento bibliográfico somado à aplicação de questionários junto às bibliotecas dessas instituições privadas de ensino, de maio a agosto de 2005. Embora a literatura aponte para o uso disseminado das TIs, esta realidade ainda está em conformação nas bibliotecas pesquisadas. Concluiu-se que nas bibliotecas das instituições privadas de ensino superior, em Belém, as TIs precisam estar presentes em todos os processos informacionais, ou seja, da aquisição a disseminação da informação, aperfeiçoando o processo de trabalho, a aprendizagem informacional, e possibilitando uma mudança estrutural e funcional não só na biblioteca, mas, em especial, na instituição como um todo.</text>
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                    <text>TECNOLOGIAS COMO FACILITADORAS AO USO DE CONHECIMENTO NA
BIBLIOTECA DO UNIPÊ
Marcos Paulo Farias Rodrigues1
Emeide Nóbrega Duarte²
UFPB / CCSA / DBD  Campus I - Cidade Universitária, João Pessoa, PB

RESUMO
Apresenta resultado de pesquisa na área de tecnologia da informação, consoante
as recomendações dos enfoques teóricos que abordam as organizações da era do
conhecimento. Considera a biblioteca universitária uma organização que reúne
informações e conhecimentos, disponibilizados por meio de tecnologias que
possibilitam acesso, uso e geração de novos conhecimentos. Para se caracterizar
como tal, enfatiza-se que essas organizações devem gerenciar a dimensão
tecnologia, na tentativa de captar, armazenar, gerar e compartilhar o
conhecimento, democratizando-o. Objetiva-se analisar a adoção de tecnologias de
informação que facilitam o uso do conhecimento na Biblioteca do Centro
Universitário de João Pessoa (UNIPE). Metodologicamente, a pesquisa é
delineada como estudo de campo, de nível exploratório-descritivo, de natureza
qualitativa. Adota-se como sujeitos, os bibliotecários responsáveis pelos setores,
profissionais considerados detentores do conhecimento tácito organizacional. A
coleta de dados se deu por observação não participante, cujas anotações foram
validadas pelos informantes. Os resultados indicam que a biblioteca adota
ferramentas tecnológicas como internet, o uso de redes e workflow para promover
a comunicação. Evidencia-se a necessidade de maior (re)conhecimento das
ferramentas indicadas para sua adoção no ambiente estudado. Diante da
viabilidade de uso das ferramentas mapeadas apresenta-se um modelo acessível,
considerando os recursos da instituição como um sistema integrado.
Palavras-chave: Biblioteca Universitária. Tecnologia da Informação.

INTRODUÇÃO

Ao aplicar o modelo de organização do conhecimento apresentado por Angeloni
(2002) que propõe a adoção de três dimensões: Infra-estrutura, Pessoas e
Tecnologia e as variáveis que compõem cada uma das dimensões no
desempenho dos serviços da Biblioteca Central da UFPB e Biblioteca Central do
1

Bacharel em Biblioteconomia / UFPB e Ex-Bolsista CNPQ/UFPB  mpfdrodrigues@hotmail.com
² Dr.ª em Administração pela UFPB, Professora do Departamento de Biblioteconomia e
Documentação/UFPB  emeide@hotmail.com

�Centro Universitário de Ensino da Paraíba - UNIPÊ, os resultados referentes a
dimensão tecnologia foram surpreendentes. As organizações estudadas usam
algumas tecnologias (Redes e GED), mas não têm conhecimento que as aplicam.
A dimensão Tecnologia, foco desse estudo, segundo Angeloni (2002) funciona
como suporte para a criação, disseminação e armazenamento do conhecimento,
sendo constituída das seguintes tecnologias básicas: Redes (Intranet, Extranet e
Internet), Data Warehousing, Groupware, Workflow, GED/EED.

Os profissionais atuantes na organização como sujeitos da pesquisa, informaram
que entre as ferramentas tecnológicas adotadas, destacam-se o uso de redes,
propiciadas pela internet e intranet no sentido de facilitar a comunicação. Tendo
em vista que outras ferramentas como GED/EED, data warehouse, groupware e
workflow, não foram citadas pelos sujeitos como aplicação no ambiente da
organização, embora tenha-se constatado in loco o uso de algumas delas,
surgem então as questões: quais ferramentas tecnológicas estão realmente sendo
adotadas na Biblioteca do UNIPÊ, no desempenho das atividades? E quais as
ferramentas que poderão ser adotadas para facilitar a socialização de
conhecimento?

Com o surgimento da questão e o interesse de desenvolver a pesquisa mais
aprofundada, optamos em escolher como campo de estágio para conclusão do
Curso

de

Biblioteconomia,

a

Biblioteca

do

UNIPÊ,

o

que

possibilitou

concomitantemente o desenvolvimento da pesquisa. Além dos motivos de ordem
científica e institucional que justificam a escolha pelo tema, pessoalmente
interessa-nos conhecer as práticas do uso de tecnologias que podem propiciar a
socialização do conhecimento no ambiente dessa unidade de informação.

Considerando a problematização exposta, assim como os motivos que
desencadearam este estudo, definimos como objetivo, analisar a adoção de

�tecnologias de informação que facilitam o uso de conhecimento na biblioteca do
UNIPÊ.

TECNOLOGIAS QUE PROMOVEM O CONHECIMENTO NAS ORGANIZAÇÕES

Se fôssemos resgatar a evolução da humanidade desde a pré-história, certamente
encontraríamos nesse percurso a presença de um elemento que, para alguns, é
motivo de fascinação, e, para outros, de rejeição, de fobia. Estamos nos referindo
à tecnologia, sem entrar no mérito da expressão mais adequada para defini-la. O
que importa salientar é que a tecnologia não está isolada das questões sociais e
culturais que permeiam o mundo atual.

Para Angeloni (2000) a Tecnologia da Informação ou simplesmente TI é definida
como recursos de hardware e software que apóiam a tomada de decisão e o
gerenciamento de informações e conhecimentos, considerando os indivíduos que
participam desses processos. Ratificado por Rezende (2000 apud BEAL, 2005), a
TI está fundamentada nos componentes hardware e seus dispositivos e
periféricos, software e seus recursos, sistemas de telecomunicações e gestão de
dados e informações.

Surgiram novos conceitos com o avanço da tecnologia, em relação à Ciência da
Informação (CI), termos como inteligência ou imaginação artificial, monitoramento
tecnológico,

ciberespaço,

realidade

virtual,

hipertexto,

hiperfilme,

portais

eletrônicos, infometria, webmetria, bibliotecas digitais e acesso em linha,
(BUFREM, 2004). Cada nome citado refere-se a um avanço tecnológico,
ampliando o vocabulário da TI.

As TIs contribuíram fundamentalmente para a alavancagem dos processos de
conversão do conhecimento, como socialização, externalização, combinação e
internalização

(ANGELONI,

2002).

Conseqüentemente

softwares

foram

desenvolvidos para suprir e acelerar as rotinas de trabalho nas organizações,

�buscando resultados ou respostas que antes demoravam horas ou dias para obtêlas. Segundo Costa e Gouvinhas (2005), o mapeamento dos processos é um
alicerce para todo e qualquer trabalho de gestão do conhecimento, pois a empresa
precisa conhecer como ela mesma funciona, ou seja, como são realizadas suas
operações, seus negócios e suas atividades.
A aplicação de TI tem sido feita com o intuito de facilitar a manipulação e uso das
informações e do conhecimento nas organizações, possibilitando o cruzamento de
dados e informações relevantes para a tomada de decisões. Assim, aquelas tidas
como ferramentas importantes no processo de gestão do conhecimento, devem
ser reconhecidas e implantadas nas organizações do conhecimento.
Dada a recente ascensão do uso do conhecimento nas organizações, pesquisas
têm surgido, cujos resultados apontam modelos alternativos para a construção de
uma organização do conhecimento. Angeloni (2002) define as organizações do
conhecimento como aquelas voltadas para a criação, o armazenamento e
compartilhamento do conhecimento, por meio de um processo catalisador cíclico a
partir de três dimensões.
No Modelo proposto pela autora, a primeira dimensão em formato de átomo está
relacionada à Infra-estrutura Organizacional, referindo-se à construção de um
ambiente favorável ao objetivo da organização do conhecimento. A segunda
Dimensão refere-se às Pessoas que, nas organizações do conhecimento, são
profissionais qualificados, como afirmam Sveiby (1998), Stewart (1998) e
Davenport e Prusak (1998), estando relacionada a características necessárias às
atividades do conhecimento. A terceira dimensão diz respeito à Tecnologia,
funcionando como um suporte para a criação, disseminação e armazenamento do
conhecimento. O foco de análise desta pesquisa é constituída das seguintes
tecnologias básicas:

�Tecnologia

Redes

Data
Warehouse

Workflow

GED /EED

Groupware

Figura 1  Dimensão Tecnologia do modelo de organização da era do conhecimento
Fonte: Angeloni (2002)

Estas ferramentas são sugeridas não só por Angeloni (2002) mas outros
autores que complementam a abordagem aos quais recorremos para subsidiar
este estudo, procurando seguir a Figura 1, em forma de átomo e suas variáveis,
com conceitos, fundamentos, vantagens de uso e outras informações pertinentes
conforme segue:
a) Redes de Computador - as redes criam uma infra-estrutura potencial para o
intercâmbio de informações e conhecimentos, possibilitando, segundo Pereira
(2002), conectar dois ou mais sistemas, permitindo compartilhar conhecimentos à
distância, alterar as práticas de comunicação e a maneira de como a informação e
o conhecimento fluem dentro da organização, níveis de qualidade e prestação de
serviços superiores. Em decorrência ao livre fluxo de informações, aumentam a
interação e o aprendizado das pessoas, contribuindo para novos conhecimentos,
favorecendo a criação de mercados virtuais de conhecimento, por meio das
ferramentas intranet, Internet, extranet e demais tecnologias de redes.
- Intranet - entre as vantagens que a Intranet oferece destacam-se: possibilita
maior aproveitamento da inteligência da organização, pois permite aos usuários
criar, acessar e distribuir informações facilmente; contribui com as novas
tecnologias possibilitando a externalização do conhecimento tornando explícito, o
conhecimento tácito. (LIMA; SICSÚ; CABRAL, 2004).
- Internet - vem servindo como base para diversos programas e ambientes que
propiciam a captação, o armazenamento e principalmente a difusão dos

�conhecimentos, impondo novas formas de organização que incluem desde os
relacionamentos mais próximos com fornecedores e clientes até a integração
virtual da empresa com outras entidades.
- Extranet - redes que conectam alguns dos recursos Intranet de uma empresa
com outras organizações e indivíduos. (PEREIRA, 2002). Dentre as vantagens
destacamos a agilização da transmissão de dados, descentralização de
atividades, transferência de competências, organização a combinação de
conhecimento, passando segurança aos envolvidos que formam a rede.
b) Data Warehouse - um grande armazém de dados onde estão os dados dos
mais diversos sistemas que podem ser interligados e requisitados pelos usuários
da organização de forma flexível, contendo um conjunto de programas que
extraem dados do ambiente ou dados operacionais da empresa, formado por uma
grande quantidade de dados que mantêm os sistemas atualizados. (CADDAH
NETO, 2005).

c) Workflow - significa fluxo de trabalho, conhecida genericamente como uma
tecnologia para trabalho em grupo, é uma ferramenta que possibilita um trabalho
integrado, cooperativo e ativo. (DUARTE; SZOSTAK, 2000). Considerando que os
sistemas de Workflow são projetados para automatizar processos, nesse sentido,
podem e devem ser aplicados como ativo diferencial na conversão do
conhecimento tácito em explícito, proporcionando automação de processos e
facilitando o fluxo de trabalho.
d) Groupware - nome dado ao uso das tecnologias de informação como suporte
ao trabalho em grupo, tais como reuniões e trabalhos de equipes a distância
(TORRES, 1995 apud PEREIRA, 2002). A utilização de sistemas de Workflow e
Groupware possibilita a redução considerável do uso de papel, por meio do
gerenciamento de documentos eletrônicos, ou mesmo de processos usualmente
manuais realizados de forma eletrônica. Ao Identificar os processos da
organização, os mesmos podem ser estruturados passando a serem realizados

�por meio eletrônico através de aplicações integradas aos sistemas legados que
agilizam e facilitam o processo. (LIMA; SICSÚ; CABRAL, 2004).
e) GED/EED - significa gestão eletrônica de documentos ou edição eletrônica dos
documentos que reagrupam informações, facilitando seu arquivamento, acesso,
consulta e difusão, tanto em nível interno como externo. As tecnologias de GED
estão sólidas, isso devido à evolução nos hardware e software, facilitando assim a
aplicação da GED em qualquer organização (ANDRADE, 2005). A GED promove
a automação do ciclo de vida dos documentos, provendo um repositório comum, o
qual possibilita capturar, armazenar e indexar documentos de qualquer
formato/suporte físico (texto, imagens, páginas html, documentos escaneados,
formatos multimídia).

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

A escolha do ambiente onde se realizou a pesquisa, a caracteriza quanto ao
delineamento, como estudo de campo, que corresponde à coleta direta de
informação no local que acontecem os fenômenos. Quanto à natureza caracterizase como pesquisa de abordagem qualitativa. Objetivou descrever as variáveis que
identificaram as práticas de uso do conhecimento da Biblioteca em estudo,
conforme

as

dimensões

do

Modelo

de

Organização

do

Conhecimento

apresentado por Angeloni (2002), especificamente referente à dimensão
tecnologia, caracterizando a pesquisa como descritiva. Pesquisa descritiva
segundo Gil (1999, p. 44) ... salientam-se aquelas que têm por objetivo estudar as
características de um grupo [...] ou fenômeno ou o estabelecimento de relações
entre variáveis.
Sujeitos de pesquisa e Instrumento de coleta de dados
Definiram-se como sujeitos, os bibliotecários responsáveis pelos setores, que
apresentaram os serviços e foram responsáveis pela assistência ao estagiário

�durante todas as fases do estágio supervisionado, devidamente apresentados pela
dirigente da biblioteca, por ocasião da visita aos setores.
Foi adotada a técnica da observação simples ou observação não-participante.
Segundo GIL (1999) por observação simples entende-se aquela em que o
pesquisador, permanecendo alheio à comunidade, grupo ou situação que
pretende estudar, observa de maneira espontânea os fatos que aí ocorrem. Para
certificar

a

credibilidade

das

observações

solicitamos

aos

profissionais

responsáveis por cada setor analisado que conferissem os dados anotados em
diário de campo, para validá-los.
Definição da análise dos dados
Na análise qualitativa foram feitas citações diretas das frases que constataram
indicadores que caracterizam as práticas de GC, identificadas com a aplicação da
observação. Os dados coletados foram apresentados em forma de quadros,
registrando-se as categorias e seus respectivos indicadores.

APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS

Para possibilitar o levantamento dos dados por ocasião das visitas aos setores
previstos no estágio supervisionado, elaboramos um quadro contendo as variáveis
necessárias para atender aos objetivos da pesquisa, além das práticas realizadas
em cumprimento ao programa do estágio seguindo a estrutura organizacional da
Biblioteca.

Registramos as anotações em conformidade com os setores existentes em real
funcionamento, identificando uma estrutura informal paralela. Os mesmos
procedimentos foram feitos nos devidos setores da organização: Setor de
Aquisição, Setor Técnico; Setor de Periódicos e Produção Científica; Setor de
Referência; Setor de Empréstimo; Setor de Consulta / Pesquisa Local / Videoteca;
Núcleo de Estudo do Docente e Discente.

�Comparando a proposta de uso de ferramentas tecnológicas apresentadas por
Angeloni (2002) e os resultados de pesquisa que precederam e originaram a
pesquisa em pauta, em que esta Biblioteca fazia uso apenas de ferramentas para
colocar a organização em rede, as observações realizadas foram surpreendentes
e apresentaram uma realidade na qual outras ferramentas são adotadas mas não
foram informadas na primeira aproximação. Ao condensar os dados coletados,
setor por setor, durante a realização do estágio supervisionado e com a validação
dos profissionais responsáveis por cada um deles, foi possível visualizar o
seguinte panorama:

Proposta

do

modelo Ferramentas

mapeado  variáveis

adotadas Ferramentas sugeridas

por setor e serviços

por setor e serviços

Redes  Internet

SIM

SIM

Workflow

SIM

SIM

Data warehouse*

NÃO

SIM

Groupware

NÃO

SIM

GED/EED

NÃO

SIM

Quadro 1 - Uso de ferramentas tecnológicas e sugestões para sua adoção na Biblioteca
Universitária
* Dependendo das condições financeiras da instituição.

Comparando o modelo de Angeloni (2002) Organização da era do Conhecimento
apresentado na forma da Figura 1 com a Figura 2 que mostra nas partes
destacadas em vermelho escuro, o que já está sendo utilizado na organização, e,
sem preenchimento, o que ainda não foi implantado, obtivemos o seguinte
resultado.

�Tecnologia

Redes - Inte rnet

Workflow (Automação)

Figura 2  Tecnologia da Informação usada na Biblioteca do UNIPÊ
Fonte: Pesquisa direta, 2005

Observando os resultados quanto as ferramentas de Tecnologia da Informação
adotadas pela Biblioteca, nos conduzem às considerações finais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em conformidade com os objetivos propostos na pesquisa, ao analisar a adoção
de tecnologias de informação que facilitam o uso do conhecimento na Biblioteca
do UNIPÊ foi possível identificar o fluxo dos serviços que são realizados com uso
ou sem uso de tecnologias. Mapeando as tecnologias propostas no modelo
trabalhando, cabe-nos propor a adoção das ferramentas no desempenho das
atividades.

Comparando a proposta original, que é formada pelas ferramentas, a saber,
Redes, Data Warehouse, Workflow, Groupware e GED, a biblioteca adota a
intranet, no referente às redes, e a ferramenta workflow. Tendo em vista estes
resultados apresentamos um modelo  em forma de CD ROM  mais acessível,
que reflete a realidade ambiental do campo de estudo em sintonia com os
recursos humanos, físicos, financeiros e tecnológicos da instituição mantenedora.

�Redes

Tec
n
Banco de Dados

Fluxo de
Trabalho

olo

gi a

Trabalho em
Grupo

Gerenciamento
Eletrônico de Documentos

Figura 3  Proposta para adoção de ferramentas tecnológicas
Fonte Pesquisa direta, 2005

Propomos a possibilidade de aplicação em bibliotecas universitárias rumo as
organização da era do conhecimento, as seguintes ferramentas tecnológicas:
Redes - sua implantação pode favorecer trabalhos como o marketing, o serviço de
referência virtual, empréstimo, devolução, recuperação e disseminação seletiva da
informação, criação de biblioteca virtual, disponibilização de informação eletrônica,
informações gerenciais sobre a biblioteca, correio-eletrônico, serviço de alerta,
grupo de notícias ou discussões, acesso a bases de dados online, cooperação
entre bibliotecas e redes de bibliotecas. A Intranet como rede interna de
comunicação entre os setores da biblioteca possibilita os seguintes benefícios:
permite a visão sistêmica, uma vez que na Intranet está refletida a estrutura da
biblioteca, facilita a identificação de pessoas e sua alocação. A ferramenta
Extranet,

vai

permitir

biblioteca/fornecedor,

o

compartilhamento

biblioteca/cliente,

de

informações

biblioteca/biblioteca,

formando

entre
um

sistema.
Fluxo de trabalho  sua adoção vai facilitar a rotina; processo de aquisição de
documentos e processos técnicos e permiti a reunião dos fluxos passando a
constituir o manual de serviços. Os setores como Empréstimo e Referência,
precisam de um melhor treinamento nas áreas envolvidas e a implantação nos
setores que ainda não automatizaram o fluxo de trabalho, o que seria de grande

�importância para o controle e o acesso às informações quando solicitadas para
consulta.

Trabalho em Grupo  importante para aquisição de novas informações, facilita o
trabalho em grupo entre bibliotecas e/ou bibliotecários cooperantes que queiram
formar um sistema de compartilhamento em rede. Sugerimos algumas
ferramentas para o trabalho em grupo: o MIRC para o colaborador da própria
instituição e sua comunicação interna; a ferramenta Messenger para adquirir e
melhorar a comunicação externa entre gestores, colaboradores e fornecedores da
área e procurar grupos já existentes na área de biblioteconomia, administração e
tecnologia da informação. Seria também um meio de reduzir custos com ligações
e comunicação entre fornecedores, colaboradores e companheiros da área de
biblioteconomia e administração interna.
Banco de Dados  ao ser adotado na organização permite traçar o perfil dos
usuários, fazer atendimento personalizado aos clientes; auxiliar na tomada de
decisão no processo de desenvolvimento das coleções, ajudar na decisão em
priorizar o processo técnico, permitir identificar os horários de mais freqüência aos
serviços possibilitando remanejamento de pessoal (rodízio). Pode ser adotado no
setor de Periódicos e Produção Científica. O Banco de Dados pode satisfazer às
necessidades dos usuários e proporcionar agilidades na transmissão da
informação, desempenhando o trabalho de fornecer a informação certa para o
usuário certo.

Gerenciamento Eletrônico de Documentos (GED)  pode ser usada na
produção científica da Universidade a exemplo da organização de documentos
(artigos, teses, dissertações, relatórios técnicos), e sua preservação facilitaria
assim o manuseio e aquisição. Outra função é promover a perenidade de coleções
de obras raras. No setor de Periódicos e Produção Científica facilitaria a consulta,
no setor de multimídia seria de grande necessidade para o compartilhamento de
documentos entre os usuários e instituições. No setor Técnico e no setor de

�Aquisição traria maior controle e segurança na conservação e disseminação dos
dados produzidos.

Com base na fundamentação teórica levantada neste trabalho, e nas observações
realizadas durante a pesquisa, podemos destacar uma série de observações:

- a organização estudada é uma verdadeira base para adquirir informações e
aprimorar a aprendizagem, não só para os cursos oferecidos na própria instituição
como Administração e Ciência da Computação, mas também para outros cursos
oferecidos nas outras instituições de ensino.

- o surgimento de parcerias entre os cursos seria de grande avanço para a
organização.

- o curso de Ciência da Computação poderia aprimorar e ajudar o sistema de
tecnologia da informação da Biblioteca, assim como o de Administração,
assessorar na gestão.

Com a colaboração das áreas mencionadas, a Biblioteca poderia avançar na
implantação de Tecnologia da Informação.

Enfim, evidencia-se a necessidade de maior (re)conhecimento das ferramentas
indicadas para sua adoção no ambiente estudado, tendo a análise demonstrado
que o uso das tecnologias propostas é possível na realidade da Biblioteca Central
do Instituto Paraibano de Educação, para criação, disseminação e uso do
conhecimento organizacional.

�TECHNOLOGIES THE FACILITATES TO THE USE OF KNOWLEDGE IN THE
LIBRARY OF THE UNIPÊ
ABSTRACT

This study presents results of a research about the information technology area,
according to the recommendations of the theoretical approaches that deal with the
organizations of the knlowledge time. It considers the university library as an
organization that gathers informations and knowledge which should be available by
technologies that can enable the access, as well as the usage and generation of
new kinds of knowledge. In order to be characterized as such it is emphasized that
those organizations must manage the dimension technology attempting to collect,
store, generate and share the knowledge, causing to democratize it. It has as
objective to analyze the adoption of information technologies that can facilitate the
use of the knowledge in the Library of the University Center in João Pessoa
(UNIPE). Methodologically, the research is directed as a field study of an
exploratory and descriptive kind and qualitative approach. The subjects that were
adopted were the librarians in charge of the areas that presented the services
during the supervised probation period, professionals who are considered the keypersons in the library considered as possessors of the implicit and organizational
know-how. The instrument used to collect data constituted the non participant
observation, were validated by the informers. The results indicate that the library
studied adopts the technological tools like internet, caracterizing the use of
networks and workflow to promote the communication . It evidenced the necessity
of a major knowledge of the tools which were indicated for its utilization in the
environment studied. Facing the viability of the use of tools which were mapped we
show a more accessible proposal, considering the resources of the institution as an
integrated system.
Key-words: University Library. Information Technology
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Apresenta resultado de pesquisa na área de tecnologia da informação, consoante as recomendações dos enfoques teóricos que abordam as organizações da era do conhecimento. Considera a biblioteca universitária uma organização que reúne informações e conhecimentos, disponibilizados por meio de tecnologias que possibilitam acesso, uso e geração de novos conhecimentos. Para se caracterizar como tal, enfatiza-se que essas organizações devem gerenciar a dimensão tecnologia, na tentativa de captar, armazenar, gerar e compartilhar o conhecimento, democratizando-o. Objetiva-se analisar a adoção de tecnologias de informação que facilitam o uso do conhecimento na Biblioteca do Centro Universitário de João Pessoa (UNIPE). Metodologicamente, a pesquisa é delineada como estudo de campo, de nível exploratório-descritivo, de natureza qualitativa. Adota-se como sujeitos, os bibliotecários responsáveis pelos setores, profissionais considerados detentores do conhecimento tácito organizacional. A coleta de dados se deu por observação não participante, cujas anotações foram validadas pelos informantes. Os resultados indicam que a biblioteca adota ferramentas tecnológicas como internet, o uso de redes e workflow para promover a comunicação. Evidencia-se a necessidade de maior (re)conhecimento das ferramentas indicadas para sua adoção no ambiente estudado. Diante da viabilidade de uso das ferramentas mapeadas apresenta-se um modelo acessível, considerando os recursos da instituição como um sistema integrado.</text>
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                    <text>TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO E O
OFERECIMENTO DE SERVIÇOS NAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS DE
INSTITUIÇÕES FEDERAIS DE ENSINO SUPERIOR

Angélica Conceição Dias Miranda  angelicam@furg.br - FURG Rio Grande/RS  Brasil
Fernando Antonio Forcellini  forcellini@deps.ufsc.br - UFSC Florianópolis/SC  Brasil
Gregório Jean Varvakis Rados - grego@deps.ufsc.br  UFSC Florianópolis/SC  Brasil
Rogério Cid Bastos - rogerio@inf.ufsc.br - UFSC Florianópolis/SC  Brasil

Resumo: O presente trabalho tem como tema as Tecnologias de Informação e
Comunicação e a avaliação de serviços nas Bibliotecas Universitárias (Bus) de
Instituições Federais de Ensino Superior. Trata-se de uma reflexão de como
esse crescimento tem possibilitado às bibliotecas universitárias trabalhar em
rede de computadores e assim acompanhar o ritmo da evolução e da
administração das suas tarefas e rotinas. Expõe como o oferecimento de
produtos online permite que o usuário/cliente possa se beneficiar, facilitando o
acesso e o uso da informação e, conseqüentemente mostrando que com o
passar dos anos a biblioteca universitária agregou valor ao seu significado, no
atual cenário competitivo que se apresenta.
Palavras Chave: Tecnologias de Informação e Comunicação; Biblioteca
Universitária; serviços

1 INTRODUÇÃO

No

contexto

de

bibliotecas

universitárias

(BUs)

brasileiras

as

Tecnologias de Informação e comunicação (TICs) contribuíram de forma
significativa para a melhoria de produtos e serviços. Possibilitaram também,
uma nova abordagem da postura dos profissionais bibliotecários no sentido de
promover a informação no seu meio. Este trabalho trata-se de uma reflexão,
com base na literatura, do quanto as TICs mudaram essa relação
informação/usuário/bibliotecário.

Apresenta um item sobre as TICs, as

Bibliotecas Universitárias, comenta sobre o acesso.

2 BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS (Bus)

Tradicionalmente as Bibliotecas universitárias são conhecidas como
"Bibliotecas de Instituições de Ensino Superior (IES), quer sejam de instituições

�privadas, estaduais ou federais, destinadas a suprir as necessidades
informacionais da comunidade acadêmica, no desempenho de suas atividades
de ensino, pesquisa e extensão" (CARVALHO,1981, p. 1). Essa visão limitada
ao aspecto técnico e aos usuários, pode ter conseqüências sérias,
principalmente, porque, numa visão sistêmica para (HERSEY; BLANCHARD,
1986), esses dois aspectos estão diretamente relacionados aos aspectos
sociais e humanos.

Tarapanoff (1996), afirma que a sociedade dos homens foi definida
como uma sociedade organizacional e que a partir desta premissa a biblioteca
universitária é uma organização, diz que a sua característica primordial é o fato
de não possuir autononomia, visto existir em função da Universidade. Percebese que existir para dar suporte as atividades não é somente o que a BU
precisa. É necessário estar envolvida no desenvolvimento institucional. O papel
de provedora de infra-estrutura bibliográfica e informacional pode levá-la a ser
um organismo inanimado, sem iniciativa.

A função de provedora/participante no sentido de realizar atividades que
demonstrem dinamismo pode auxiliar na captação de recursos para investir no
seu crescimento e também despertar sua comunidade a participar do seu
crescimento e atualização não sendo apenas uma unidade subordinada em
seu contexto, mas atuando nos mais diversos sentidos.

Estefano (1996) menciona:
[...] as Bibliotecas Universitárias são empresas e, como
tal, constituída por um conjunto de funções responsáveis,
que vão desde a localização, organização até a
recuperação da informação para os usuários que dela
necessitam. A sua estrutura organizacional está formada
por departamentos denominados de divisões e seções. A
cada departamento cabe a responsabilidade pelo
desenvolvimento de algum produto e/ou serviço,
formando uma cadeia até a sua execução final.

As bibliotecas universitárias sempre estiveram em destaque no contexto,
seja pela posição que ocupam, por estar num espaço que lhes propicie atuar
entre pesquisa, ensino e extensão, seja pela necessidade de atualização que

�demonstra por estar nesse meio. E durante as décadas passadas as mesmas
procuravam atualizar-se para oferecer melhores serviços à sua comunidade.

Na literatura de 1970 encontrou-se textos referentes à bibliotecas na
visão sistêmica, caracterizada como um organismo contido num outro maior
(universidade), interagindo ininterruptamente de forma a tanto sofrer influências
do seu meio, quanto influenciá-lo diretamente.

Lemos (2002) diz que toda a atividade da Universidade está intimamente
relacionada com as suas funções de ensino, pesquisa e extensão que só
podem ser desenvolvidas apoiadas em uma base BU competente e
organizada.
Para Taylor (apud FERREIRA 1979) a biblioteca universitária do futuro
resiste ao uso da palavra biblioteca por conter conotações que podem dificultar
sua adaptabilidade e permanência. Segundo o autor ela ocupa-se em estudar
uma "instituição social" que permita utilizar forma eficaz, dados, informação,
conhecimento, formas artísticas entre outros sendo ainda suporte ao lazer,
pesquisa e decisões.

No ambiente organizacional da biblioteca, necessita-se identificar quem
são os clientes internos e externos dos serviços disponibilizados. Isto se reflete
na gestão estratégica (planejamento), tática (possibilitar a sintonia no
gerenciamento das circunstâncias) e a operacional que envolve desde os
recursos humanos (pessoas), os recursos materiais (livros, assinaturas de
periódicos, teses) e as tecnologias da informação (aculturação no processo de
incorporação de computadores, intranet, internet, etc. , no ambiente). Saber
diagnosticar, analisar,escolher e gerenciar quais as atividades prioritárias numa
biblioteca requer a utilização de métodos e técnicas mais adequadas para
satisfazer o cliente final. Ao avaliar esse contexto pode-se desenvolver ações
concretas e apropriadas, focalizando a melhoria contínua de produtos.

�Para BRASIL (1997, p. 178) ao falar em bibliotecas, convém lembrar
que:
[...] são as entidades mais apropriadas para a
promoção da disseminação do acesso à Internet,
especialmente aos usuários sem condições de
estabelecer suas próprias conexões. Embora este
papel seja mais facilmente aceitável e visível no caso
das bibliotecas de instituições de ensino e bibliotecas
públicas.

Estas podem desempenhar o papel de facilitar a entrada no mundo
virtual aos que até então estão excluídos.

A afirmação de Mobrice (1991), que o desempenho da Universidade
para o cumprimento das suas funções, demanda bibliotecas bem organizadas
pois a evolução da ciência se faz por um processo cumulativo, que novas
experiências e conhecimentos são somados àqueles existentes, mostra que
passada mais de uma década, continua real. Conforme as necessidades de
implementações, cada vez maiores de métodos de avaliação das IES, elas
passam a ser um ponto chave nessa caminhada.

Mesmo com o passar dos anos acima das mudanças e sofrendo pela
dificuldade de se manter atualizada em meio a explosão documental na
sociedade, as bibliotecas demandam um espaço geográfico e cultural precioso
que proporciona à sua comunidade o acesso ao novo, tanto quanto ao
histórico. Além dessas avalanches surgem exigências novas a cada dia, elas
oferecem o suporte para a instituição, quanto mais específicos os requisitos
para o funcionamento dos cursos de graduação mais são as solicitações
realizadas para elas estarem dentro de padrões educacionais para se buscar a
qualidade no processo de aprendizagem.

�Reitoria

Pró Reitorias

Departamentos

Biblioteca

Comissões de Curso Outras Unidades Comunidade externa

Figura 1
Fonte: os autores

A figura acima procura retratar a função da biblioteca no seu meio como
provedora de insumos às mais diferentes unidades dentro da instituição. Ela
fornece dados à Reitoria quando da elaboração de metas

e/ou outras

situações, o mesmo para as pró reitorias, aos cursos quando da avaliação,
precisa apresentar suas tarefas e rotinas. Quando as instituições

são

departamentalizadas, ou não, envolvem-se com diversos projetos, com outras
unidades analisa a parte de aquisições indo da seleção do acervo até
aquisição de bens materiais. Presta serviços as comunidades interna
(servidores, docentes e discentes) bem como a externa, dando atendimento à
pesquisa bibliográfica. Atualmente, algumas Bus disponibilizam também o
acesso a rede mundial de computadores à comunidade externa. Cita-se o caso
da Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Santa Catarina.
Integrada ao seu meio, os usuários externos tem microcomputadores
exclusivos para acessar e-mails e outros serviços da rede. Estas afirmações
demonstram o envolvimento das Bus no seu meio. O tempo de depósito de
livros passou. Cabe afirmar que elas são organismos atuantes.

A importância da biblioteca consiste na atualização, na organização do
acervo para facilitar sua recuperação, acesso e uso. Se for acervo digital,
residente ou online aumenta a preocupação com o aparato tecnológico, além
de tê-lo, há a preocupação em mantê-lo, moderno, dinâmico e atualizado, para
não se tornar sucata e conseqüentemente ferro velho sem condições de uso,

�se envolver impressos, acesso e o uso do acervo, o pensar no espaço físico e
meios adequados de funcionamento para não se perder diante das condições
climáticas.

Fachin (2002) lembra que a evolução da sociedade baseia-se no acesso
e uso da informação, no pensar para construir o novo, o re-pensar, o inovar,
para que seja possível ampliar o conhecimento de cada indivíduo. Desta forma,
destaca-se que a BU representa um centro de informações. Sua função é a de
ser atuante, de representar uma ponte com o passado, influenciando o
presente e preparando o futuro. Precisa estar ao alcance, indo além de
disponibilizar o que ainda não é procurado, mas, que seguidamente o será.

3.1 O oferecimento de produtos
A partir de um panorama rotineiro, no qual a preocupação centraliza-se
em realizar pesquisas, empréstimos domiciliares, ofertar espaço para leitura no
próprio ambiente, comutação bibliográfica e acesso à base de dados, além de
outros serviços. O gestor da biblioteca depara-se com um universo mais
dinâmico, no qual existe competitividade, pautada na qualidade, esta passa a
ser o fator preponderante no processo de avaliação e os profissionais são os
responsáveis pela necessidade da implementação das inovações e também de
adequar o ritmo das competências, habilidades e atribuições da equipe para
satisfazer as demandas da comunidade.

A evolução dos suportes das fontes de informação do acervo, percebida
na década de 1980 mostra que a biblioteca tornou-se mais do que um simples
depósito de livros, periódicos, fitas cassete e vídeos. Na década de 1990,
passou a incorporar a informação digital residente em disquetes, CD-ROM,
micromputadores, informação em rede de computadores, bases de dados,
periódicos on-line e páginas da web. Já no século 21, houve uma mudança
significativa no oferecimentos de serviços, os usuários passaram a ter algumas
facilidades, não precisando sair das suas salas e tendo o conteúdo das

�bibliotecas vinte quatro horas por dia disponível. Indo do acesso ao texto
completo a renovação/reserva de documentos na Biblioteca física.
Estas mídias surgidas e incorporadas no cotidiano provocaram
mudanças na gestão da informação. A figura abaixo ilustra algumas mudanças
ocorridas.

1980

1990

2000

Disquetes

CD-ROM (Bases de dados)

Portal da
completos)

Fitas K7

Periódicos online

Fitas VHs

Informação em rede

Microcomputadores
Empréstimo domiciliar
Pesquisa/renovação/reserva
no local
Leitura na sede

Páginas web
Empréstimo domiciliar
Pesquisa/renovação/reserva
no local
Leitura na sede

Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações - BDTD
Acesso aos mais diversos
bancos de dados
Comut Online
Empréstimo domiciliar
Pesquisa/renovação/reserva
de livros via web
Leitura na sede

Capes

(textos

Figura 2 Serviços oferecidos
Fonte: os autores

Com o avanço da ciência e tecnologia novos conceitos surgiram, outros
foram reformulados, e organizações adotaram nova postura para manter sua
clientela respaldando-se na qualidade. As bibliotecas sob o ponto de vista que
são organismos cooperantes em seu meio, não fogem a realidade.

De acordo com Davenport (2003, p. 30):
As pessoas buscam conhecimento porquê esperam
que ele as ajude a ter sucesso em seu trabalho. O
conhecimento é o remédio mais procurado para a
incerteza. Todos nós procuramos pessoas dotadas de
conhecimento quando precisamos solucionar um
problema.

Dentro da visão acima proposta, podemos dizer que procuramos não
somente pessoas mas também meios de resolver problemas. Um dos
caminhos que se pode apontar são as bibliotecas. Nos momentos de dúvida,
de carência de conhecimento, primeiramente buscamos material informativo.
Em livros, periódicos ou outros meios. Hoje, a Internet possibilita meios para
tal. O acesso a informação em qualquer tempo/momento, é o diferencial. Assim
como o acesso a portais é 24h, onde temos a certeza de encontrar parte, ou

�totalidade do que procuramos lá, já existem bibliotecas físicas preocupadas
com esse ponto, a Biblioteca do IPA/POA, é uma delas. Disponibiliza seus
serviços 24h por dia, em geral, sete dias por semana. Assim, afirmamos que
procuramos informação para torná-la conhecimento e resolver nossos
problemas.

3 TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TICs)
Ao considerar as mudanças no ambiente organizacional oriunda das
TICs, centradas no uso intensivo da rede de computadores, torna-se
indispensável acompanhar o ritmo dessa evolução, da adaptação e da
administração dos diferentes processos e/ou de suas etapas nas bibliotecas,
no sentido de ofertar produtos e serviços com qualidade para satisfazer as
demandas da comunidade.
Para Bertholino, Pinto e Inoue (2000) a utilização dos recursos
multimídia na produção de dados disponíveis em formatos eletrônicos vem
crescendo de forma exponencial, devido ao menor custo e a maior
versatilidade na geração e disseminação do formato eletrônico quando
comparado ao formato tradicional em papel.
Usar as TICs

consiste, entre outros, em expor a página (site) da

biblioteca para a comunidade universitária e mostrar os recursos disponíveis,
no formato papel, para que possa ser localizado e utilizado ou então, no
ambiente online, promovendo a integração e a interação do compartilhamento
de informações através de diferentes mídias. Pode-se ainda dizer, que esta é
uma necessidade dos pesquisadores, professores e estudantes, pois, lhes
permitem além de um intercâmbio constante, facilitar a busca, o acesso e o uso
da informação nas diversas áreas do conhecimento.
A assimilação das TICs nas organizações, requer o enfoque da gestão
estratégica, da tática e da operacional envolvendo recursos humanos,
educacionais, culturais, financeiros e informacionais. Este cenário interfere na
tomada de decisão quanto aos equipamentos necessários, suas aplicações e
uso para satisfazer a necessidade do cliente, ou seja, o usuário da biblioteca.

�Utilizar-se da informática para qualificação dos serviços de uma
organização tornou-se preponderante nos dias atuais. Não é possível pensar
em dado, informação e conhecimento e posterior aprendizado sem pensar nas
ferramentas que facilitam sua busca e identificação.
O conhecimento e as competências são hoje aspectos prioritários para o
desenvolvimento de uma instituição, podendo por vezes comprometer seu
desempenho se forem mal gerenciados. Diferentemente da era industrial, a
realidade de hoje, dentro de uma economia globalizada, obriga a reinvenção
dos negócios, ou seja, inovação de produtos e serviços.
A evolução das tecnologias de informação e comunicação trouxeram
mudanças significativas tanto no tratamento quanto na disseminação da
informação. Seu uso proporciona cada vez mais a facilidade da disseminação
das informações, tornando possível integrar usuários da rede e novas fontes,
possibilitando, assim, a geração de novos conhecimentos.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

As bibliotecas universitárias, dentro da sua realidade, procuram
atualizar-se com o uso intensivo do que a rede proporciona mas, infelizmente
ainda tem como principal barreira a falta de incentivos. Institucional ou
governamental, nos deparamos com obstáculos financeiros que as impedem
de progredir tecnologicamente. Algumas,

ainda, tem a feliz vantagem de

serem favorecidas pelos seus pares. Que as compreendem e valorizam, mas, a
grande maioria não conta com esta realidade. E, muitas vezes parte da
administração sequer conhece o caminho, a realidade ou as dificuldades das
bibliotecas, correndo o risco terrível de tomarem decisões para e pela
biblioteca, não convidando os profissionais a discutirem sua realidade. Por
outro lado deparamo-nos com os profissionais que tentam se fazer ouvir,
discutindo a necessidade de investir em sistemas fortes e com futuro,
solicitando a inclusão para aquisição de bancos de dados online, ou, mesmo
aquisição em papel, mas que compreendem que a Biblioteca Universitária é
mais do que se apresenta, por atender ao publico interno e externo, reitera-se o

�dizer de BRASIL (1997) quanto salienta que elas são as mais apropriadas para
promover o acesso a informação e assim diminuir as barreiras da inclusão
digital, cada vez mais visíveis no nosso dia a dia.

REFERÊNCIAS
BERTHOLINO, M .L.F.; PINTO, I.T.R.; INOUE, M.T.M. A Web como canal de
divulgação de serviços e produtos de bibliotecas universitárias: análise do
conteúdode home pages. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS,11, 2000, Florianópolis. Anais... Florianópolis : UFSC, 2000.
BRASIL. Comitê Gestor da Internet. Grupo de Trabalho sobre Bibliotecas
Virtuais. Orientações estratégias para a implementação de bibliotecas virtuais
no Brasil. R. Ciência da Informação, Brasília, v. 26, n. 2, p. 177-179,
maio/ago. 1997.
CARVALHO, M. C. R. Estabelecimento de padrões para bibliotecas
universitárias. Fortaleza : UFC, 1981. 71p.
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como as organizações gerenciam o seu capital intelectual. Rio de Janeiro:
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FACHIN, Gleisy Regina Bóries. Modelo de avaliação para periódicos
científicos on-line: proposta de indicadores bibliográficos e telemáticos. 2002.
206 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) - Programa de Pós
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HERSEY, P.; BLANCHARD, K. H. Psicologia por administradores. São
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LEMOS, Luiz Augusto. Avaliacao da percepcao do cliente interno : servicos
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(Mestrado em Engenharia de Produção) - Programa de Pós-Graduação em
Engenharia de Produção, Universidade Federal de Santa Catarina,
Florianópolis, 2002.

�FERREIRA, L. S. Bibliotecas universitárias brasileiras. São Paulo:
Pioneira/INL/MEC, 1979.
MOBRICE, I. A. S. Necessidades e uso das fontes de informação por
docentes da Universidade do Vale do Itajaí. 1991. 208 fl. Dissertação
(Mestrado em Biblioteconomia) - Pontifícia Universidade Católica de Campinas,
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Biblioteca universitária e contexto acadêmico. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 9, 1996, Curitiba. Anais... Curitiba : UFPR :
PUC, 1996. doc. 4.3 [disquetes].

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O presente trabalho tem como tema as Tecnologias de Informação e Comunicação e a avaliação de serviços nas Bibliotecas Universitárias (Bus) de Instituições Federais de Ensino Superior. Trata-se de uma reflexão de como esse crescimento tem possibilitado às bibliotecas universitárias trabalhar em rede de computadores e assim acompanhar o ritmo da evolução e da administração das suas tarefas e rotinas. Expõe como o oferecimento de produtos online permite que o usuário/cliente possa se beneficiar, facilitando o acesso e o uso da informação e, conseqüentemente mostrando que com o passar dos anos a biblioteca universitária agregou valor ao seu significado, no atual cenário competitivo que se apresenta.</text>
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                    <text>TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO FACILITANDO O ACESSO AO
MUNDO DA INFORMAÇÃO
Luciano Lazzaris Fernandes –UFSC - Florianópolis/SC – Brasil- luciano@cds.ufsc.br
Angélica C. Dias Miranda -UFSC – Florianópolis/SC – Brasil.angelicam@brturbo.com.br
Gregório Jean Varvakis Rados – UFSC -Florianópolis/SC – Brasil-grego@deps.ufsc.br
Rogério Cid Bastos -UFSC Florianópolis/SC – Brasil- rogerio@inf.ufsc.br
João Bosco da Mota Alves - UFSC Florianópolis/SC – Brasil- - jbosco@inf.ufsc.br

Resumo:
As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s) têm promovido mudanças
significativas no processo ensino-aprendizagem. Este artigo tem como objetivo
trazer algumas reflexões sobre o uso da tecnologia na educação como
instrumento que possibilita oportunidades eqüitativas aos estudantes, enfatizando
a necessidade dos educadores acreditarem e promoverem mudanças no sentido
de dissipar barreiras em prol da construção de uma educação inclusiva, que
contemple a diversidade humana. O processo de desenvolvimento das TIC’s vem
se aprimorando com as necessidades do ser humano, surge assim a tecnologia
assistiva. Esta permite o aumento da autonomia e independência do educando
que apresenta deficiência, possibilitando maior informação, mobilidade e
comunicação, seja no simples toque de um equipamento no qual ele está,
virtualmente, se conectando com o mundo ou na convivência com seus colegas,
no mesmo espaço físico da sala de aula ou numa biblioteca. Os grandes avanços
na área da tecnologia trouxeram muitas esperanças para as pessoas com
deficiência, facilitando a acessibilidade ao mundo da informação, reconhecendo
os diferentes estilos de aprendizagem e possibilitando a educandos e educadores
compreenderem a riqueza da diversidade.
Palavras-chave: Tecnologias de Informação de e Comunicação; Tecnologias
Assistivas; Ensino-aprendizagem.

Introdução:

As novas Tecnologias de Informação e
Comunicação (TIC) vêm causando um impacto
significativo no processo de ensino-aprendizagem,
abrindo-lhe perspectivas novas de acesso ao
conhecimento universal e possibilitando uma
interessante maneira de produzir conhecimentos
em rede digital de comunicação. Essas tendências
expandiram o espaço da sala de aula para muito
além de suas paredes físicas, levando professores
e alunos a mergulhar em novos conhecimentos
bem mais diversificados e atualizados.
(PROINESP/SEE/MEC)

�Pensar sobre a usabilidade das Tecnologias da Informação e da
Comunicação (TIC’s) a serviço da educação, numa visão voltada para a inclusão
das pessoas com deficiência, é uma necessidade urgente de todos os
profissionais que estão envolvidas no processo ensino-aprendizagem.Criar
propostas pedagógicas que incorporem as potencialidades e contemple e
reconheça a diversidade dos educandos é um desafio da educação inclusiva.
Os avanços das TIC’s trouxeram grandes benefícios à educação. Os
recursos dessas tecnologias utilizados nos laboratórios são sem dúvida,
instrumentos pedagógicos que estão à disposição dos educadores e, permitem
oferecer aos seus alunos uma aproximação do novo, do real e do virtual. Deixar
de usá-las ou usá-las inadequadamente é estar desconectado com a realidade do
século XXI.
Estes avanços tecnológicos possibilitaram as pessoas com deficiência
poderem participar mais ativamente, das dinâmicas pedagógicas desenvolvidas
no ambiente escolar, permitindo sua participação no grupo ou na sua autoaprendizagem.
No Brasil a Portaria n 3.284, de 7/11/2003, que dispõe sobre “requisitos de
acessibilidade de pessoas portadoras de deficiência, para instruir processos de
autorização e de reconhecimento de cursos, e de credenciamento de instituições”
já vem regularizando as adaptações estruturais e tecnológicas que uma instituição
deverá sofrer para garantir o acesso das pessoas com deficiência.
Este trabalho apresenta algumas contribuições sobre o que seja TIC’s,
educação e pessoa com deficiência, bem como identifica as contribuições das
Tecnologias Assistivas (TA’s) para a educação e a inclusão dessas pessoas no
sistema educacional.
Tecnologias de Informação e Comunicação
A tecnologia segundo Sasso, (2001), é um dos principais agentes de
transformação das sociedades atuais sob suas diferentes formas, com seus mais
variados usos, e todas as implicações que elas têm sobre nosso cotidiano e

�nossas atividades. O ser humano a todo o instante busca meios para facilitar,
organizar, aprimorar e produzir seus meios de produção com mais qualidade,
rapidez e eficiência. Esta constante busca da superação tem provocado em
algumas sociedades avanços e problemas de ordens educacionais, relacionais,
estruturais e de desenvolvimento.
Liguori (1997) aponta que no âmbito do ensino, as incorporações das TIC’s
trouxeram conseqüências tanto no âmbito da prática docente, tanto no processo
de aprendizagem dos discentes.
As tecnologias são complexas, apóia-se em conhecimentos práticos,
teóricos, expressa e desenvolve os valores culturais capacitando as pessoas a
realizarem atividades que elas talvez não pudessem realizar de outra maneira.
A UNESCO – United Nations Education Social and Cultural (UNESCO,
1985) define tecnologia como: “(...) processos de saber e criativos que podem
ajudar as pessoas a utilizar instrumentos, recursos e sistemas para resolver
problemas e aumentar o controle sobre o ambiente natural e produzido no
empenho para melhorar a condição humana”.
Esta referência dá uma visão sobre a ótica positiva da tecnologia. Muitas
vezes não a buscamos, ou temos medo de utilizá-la, ou a usamos indevidamente,
ou ainda usamos para tirar proveito em detrimento dos prejuízos ao meio
ambiente e a nós mesmos. Para tanto, entendemos que as pessoas que se
beneficiam desta tecnologia, deverão estar bem conscientes e preparadas para a
sua utilização, pois tanto poderão utilizá-la positiva como negativamente.
As TIC’s são norteadas por alguns princípios, tais como descrito por
Kneller, (1980) e Nietsche et al (1999), ela apóia-se em conhecimentos práticos e
teóricos; expressa e desenvolve os valores culturais existentes, tem modificado os
valores e o estilo de vida das sociedades; não é autônoma está subordinada a
decisões governamentais; gera produções que levam o homem a repensar a sua
própria condição humana, e estabelecem desafios políticos, econômicos, sociais
e éticos para a humanidade.

�Historicamente a revolução da informação passou por vários períodos.
Segundo Drucker (1998) esses períodos poderiam ser caracterizados por:
primeiramente pela invenção da escrita, a cerca de 5.000 anos; a segunda
revolução veio com a invenção do livro escrito; com a invenção da prensa de
Gutenberg, na metade do século XV, veio a terceira revolução da informação.
Com a possibilidade das cópias das informações começavam assim a
disseminação e massificação do conhecimento. O quarto período veio com a
invenção do computador, este já na metade do século XX. O autor nos leva a
reflexões sobre os avanços causados por este último período, originando as
TIC’s, ou seja, as tecnologias da informação e comunicação. Nesta nova
tecnologia as pessoas começaram a ter acesso as mais variadas informações,
com mais rapidez e comodidade.
Onde fica a educação com estes avanços tecnológicos? Quartiero (1999),
afirma que estamos passando por um momento histórico, onde para alguns
educadores o velho (antiga metodologia) ainda assume o seu papel e o novo (as
novas tecnologias) ainda está demorando a aparecer. Este pensamento é uma
conseqüência deste novo período descrito por Drucker (1998), ou seja,
automação da sociedade. A transformação aconteceu e está acontecendo tão
rapidamente que muitas vezes não conseguimos acompanhá-la.
Educação e Tecnologia
Como é possível uma mudança tão radical na educação, se não fomos
preparados para este momento? Se algumas escolas ainda estão tão distantes
destas novas tecnologias? O que muda no processo ensino-aprendizagem com
ela?
Há que haver uma mudança, uma nova compreensão do processo
educacional. Nesse sentido concordamos com Moran (2000, p. 137) quando
define que educar “É ajudar os alunos na construção da sua identidade, do seu
caminho pessoal e profissional - do seu projeto de vida, no desenvolvimento das
habilidades de compreensão, emoção e comunicação que lhes permitam

�encontrar seus espaços pessoais, sociais e profissionais e tornar-se cidadãos
realizados e produtivos”.
O processo ensino-aprendizagem deve ser significativo, ativo, participativo,
dinâmico, dialógico e construtivo, e que professor e aluno devem assumir uma
nova atitude, que muitas vezes é um desafio.
O aluno conforme Masetto (2000), assume o papel de aprendiz ativo e
participante, de sujeito de ações que o levam a aprender e a mudar seu
comportamento, aprende a colaborar com o grupo, a ver o professor como um
parceiro, e seus colegas como colaboradores para seu crescimento, conferindo
um sentido a co-responsabilidade no processo de aprendizagem.
O professor tem o papel de mediador, facilitador, incentivador nos diversos
ambientes de aprendizagem, exige que ele trabalhe com técnicas que incentivem
a participação dos alunos, a interação entre eles, a pesquisa, o debate, o diálogo,
que promovam a produção do conhecimento, que motivem o desenvolvimento de
atitudes e valores como ética, respeito, solidariedade, criticidade, sensibilidade às
necessidades da comunidade na qual irá atuar como profissional.
Moran (2000, p.137) comenta que “na sociedade da informação todos
estamos reaprendendo a conhecer, a comunicar-nos, a ensinar e a aprender; a
integrar o humano e o tecnológico; a integrar o individual, o grupal e o social”.
Os recursos tecnológicos ligados à informação e a comunicação provocam
nos professores a necessidade de apropriarem-se deste novo conhecimento e
assim possibilitar, desenvolver um novo processo pedagógico em sala de aula.
Como desenvolver as competências pedagógicas dos professores frente à
tecnologia? Neste novo processo os professores passam por grandes desafios,
tais como: deverão tornar as informações significativas diante das múltiplas
informações oferecidas, caberá ao professor escolher as verdadeiras e as mais
importantes; proporcionar um ambiente onde todos possam vivenciar, ser ativo
em seus experimentos, integrando-o em um novo contexto, dando-lhe significado;
incorporar a integração das dicotomias reflexão/ação, experiência/conceituação,

�teoria/prática como sendo elementos fundamentais para a aquisição a
aprendizagem; estimular os questionamentos do grupo, pois aprendemos melhor
quando interagimos com os outros e com o mundo, quando interiorizamos e
equilibramos o sensorial, o racional, o emocional, o ético, o pessoal e o social.
Compreendemos e celebramos a diversidade individual e de outras pessoas.
E nesta nova era tecnológica como os educandos encaram o processo
educativo?
O advento da informática aumentou a velocidade com que as informações
são transmitidas, este processo multimídico está incorporando nos alunos uma
necessidade em ter os resultados de seus experimentos e de suas pesquisas com
respostas imediatas, que muitas vezes interfere na construção do conhecimento
de modo seqüencial e progressivo.
O conhecimento exige segundo Moran (2000), respostas rápidas,
sintéticas, o que pode trazer conseqüências para a capacidade de compreender
temas mais abstratos. Este conhecimento por sua vez leva a uma independência,
muitas vezes não necessitando da presença do professor. Clicar no mouse e ter
informações em formato de textos, imagens, vídeos sobre os mais variados
assuntos, com uma velocidade assustadora. Este conhecimento multimídico
permitiu uma aprendizagem menos rígida, com conexões mais abertas.
As vias de comunicação on line (internet) permitem uma diversidade na
aprendizagem dos alunos. Os diálogos estão ocorrendo simultaneamente com
qualquer parte do mundo. Esta comunicação oportuniza aos educando uma
interação e uma troca de experiência com várias pessoas contribuindo
significativamente para o processo educacional. Entretanto, conforme Masetto
(2000), o educador atua como mediador do processo de aprendizagem, ao qual
poderá incentivar a reflexão quanto à quantidade e à qualidade de informações
que se dispõe. Ele poderá construir o conhecimento junto com o aluno dando um
significado pessoal ás informações adquiridas, ou reorganizando um conteúdo
produzindo em um novo conhecimento.

�Este avanço tecnológico está à disposição em algumas escolas,
possibilitando oferecer uma educação com mais oportunidades, podendo servir
também como um instrumento que vem colaborar no desenvolvimento
educacional das pessoas com deficiência.
Educação Inclusiva
A Constituição Federal (BRASIL,1988) garante preferencialmente às
pessoas portadoras de deficiência atendimento educacional na rede regular de
ensino, assim como prevê na Lei de Diretrizes Básicas da Educação-LDB,
(BRASIL,1996).
A Declaração de Salamanca/Espanha em 1994, com apoio da UNESCO foi
o primeiro documento internacional que abordou extensivamente o conceito de
inclusão. Esta Declaração em um trecho preconizava o princípio da inclusão que
consistia no “reconhecimento da necessidade de se caminhar rumo à ‘escola para
todos’, um lugar que inclua todos os alunos, apóie a aprendizagem e responda as
necessidades individuais”. Complementa: “o princípio fundamental da escola
inclusiva consiste em que as pessoas devem aprender juntas, onde quer que isto
seja possível, não importam quais as dificuldades ou diferenças elas possam
ter(...)”.
“No passado a sociedade desenvolveu quase sempre os obstáculos à
integração das pessoas deficientes. Receios, medos, superstições, frustrações,
exclusão, etc. preenchem lamentavelmente vários exemplos históricos que vão de
Esparta até a Idade Média” (FONSECA,1995, p.217). Será que isto só ocorria
naquela época? E hoje, qual a nossa reação frente as pessoas com deficiência?
O que entendemos por inclusão? O conceito de inclusão pode ser
entendido como “O processo pelo qual a sociedade se adapta para poder incluir,
em seus sistemas sociais e gerais, pessoas com necessidades especiais e,
simultaneamente, estas se preparam para assumir seus papeis na sociedade”
(SASSAKI,1997, p.41).

�Segundo Werneck (apud PUPO et all., s/d,p.3) define: “uma sociedade
inclusiva é aquela capaz de contemplar, sempre, todas as condições humanas,
encontrando meios para em cada cidadão, do mais privilegiado ao mais
comprometido, exerça o direito de contribuir com seu melhor talento para o bem
comum”.
A educação de pessoas com deficiência no sistema regular de ensino
estava pautada no princípio da educação integrada, o aluno tinha que se adaptar
ao meio. Já na educação inclusiva o meio tem que se adaptar aos alunos. Para
Mantoan (1998) a educação inclusiva é mais radical, completa e sistemática do
que a educação integrada.
Correa (1999) aponta que as TIC’s são atualmente uns exemplos
dominantes, assistindo-se com grande expectativa a aplicação das suas
potencialidades na educação de crianças com necessidades educacionais
especiais. Correa não restringe o uso destas tecnologias apenas aos alunos com
deficiência, mas sim a todos que encontram dificuldades de adquirirem o
conhecimento com os métodos tradicionais.
O uso das Tecnologias Assistivas para o acesso a informação digital
As escolas que se dispõem a serem inclusivas têm que adotar novos
mecanismos pedagógicos, utilizar todas as tecnologias disponíveis para poder
atender a heterogeneidade dos alunos. As Tecnologias Assistivas (TA’s), também
denominadas de Adaptativas, surge como uma ferramenta para auxiliar as
atividades do dia-a-dia, possibilitando maior autonomia e acesso às tecnologias
de informação e comunicação a todos os educandos.
Tecnologias Assistivas é um termo novo utilizado para identificar todos o
arsenais de recursos e serviços que contribuem para ampliar habilidades
funcionais de pessoas com deficiência e conseqüentemente promover uma vida
independente e inclusiva.
As TA’s podem ser entendidas como “dispositivos que correspondem a
qualquer

item,

peça

de

equipamento

ou

produto,

seja

ele

adquirido

�comercialmente ou não, modificado ou construído, que são utilizados para
aumentar, manter ou aperfeiçoar capacidades funcionais de indivíduos com
deficiência física” (DATI, 2002 apud MIRANDA, 2002, p.41).
As tecnologias são consideradas assistivas “quando usada para auxiliar no
desempenho funcional de atividades, reduzindo incapacidades para a realização
de atividades de vida diária e da vida prática, nos diversos domínios do cotidiano”
(PUPO et all, s/d, p.4)
Estas tecnologias têm como objetivo proporcionar à pessoa com deficiência
maior independência, qualidade de vida e inclusão social, através da ampliação
de sua comunicação, mobilidade, controle de seu ambiente, habilidades de seu
aprendizado, trabalho e integração com a família, amigos e sociedade.
As TA’s podem variar de uma simples bengala a um complexo sistema
computadorizado. Estão incluídos brinquedos e roupas adaptadas, computadores,
softwares e hardwares especiais, que contemplam questões de acessibilidade,
dispositivos para adequação da postura sentada, recursos parar mobilidade
manual e elétrica. São projetados equipamentos de comunicação alternativa,
chaves e acionadores especiais, aparelhos de escrita assistida, auxílios visuais,
materiais protéticos e milhares de outros itens confeccionados ou disponíveis
comercialmente.
Uma das grandes contribuições das TA’s para as pessoas com deficiência
estão no acesso às TIC’s.
As pessoas com deficiência estão podendo ter acesso às informações da
Web com mais independência. Os deficientes visuais até pouco tempo usavam os
recursos de livros e textos em braile, textos gravados em fitas cassetes, muitas
vezes gravados por voluntários, lupas, livros com fontes aumentadas, entre outros
recursos para poderem ter acesso ao conhecimento e as informações. Através
dos recursos da tecnologia digital, eles puderam ter acesso ao maior número de
informações bem como também de se comunicar com qualquer internauta,
através das páginas da Web.

�As informações disponíveis na Web oferecem muito mais contribuições,
apesar delas serem altamente visuais, para as pessoas com deficiência visuais ou
cegas, do que os documentos impressos. Com os recursos disponíveis do
computador, as pessoas com deficiência visual poderão dependendo de sua
necessidade, aumentar o tamanho da fonte, ter a conversão dos textos em
linguagem falada (sintetizador de voz), participar de grupos de discussões, ou
mesmo bater um papo ou pedir informação on line.
Segundo Koon (apud Gonçalves, 2001) dentro da área da ciência da
computação, as TA’s podem ser dividida em cinco grupos distintos: As
tecnologias

alternativas/aumentativas;

tecnologias

de

acesso;

tecnologias

alternativo/aumentativas para a comunicação; tecnologias de mobilidade;
tecnologias de controle ambiente.
Nas tecnologias alternativas/aumentativas, de acesso à informação:
destinado as pessoas com deficiências visuais e auditivas. Estas tecnologias
contam com sistemas de reconhecimento de voz, multimídia, aplicações de
computação móvel e conectividade.
As tecnologias de acesso, estas tecnologias permitem aos usuários com
deficiência a possibilidade de interação com o computador. Um exemplo destas
tecnologias é o sistema DOSVOX, desenvolvido pelo Núcleo de Computação
Eletrônica da UFRJ. Este sistema permite auxiliar as pessoas com deficiência
visual usarem o computador. Basicamente todas as tarefas utilizadas são faladas,
através de um sintetizador de voz.
Um outro exemplo é o sistema Jaws (www.lerparaver.com/jaws) para
Windows é um outro recurso de tecnologia assistiva. Ele é um leitor de telas para
as pessoas cegas ou com baixa visão. Com este sistema o usuário deficiente
visual pode ter acesso a vários softwares através do uso das teclas de atalho.
As tecnologias alternativos aumentativas para a comunicação são
destinadas às pessoas que têm dificuldades em estabelecer uma comunicação
verbal (alguns paralisados cerebrais e deficientes auditivos severos). Neste

�sistema a comunicação verbal é possível graças a um recurso de apoio a esta
comunicação.
Segundo Nielsen (2000) o padrão da Web Accessibilit Initiative – WAI(Iniciativa de Acessibilidade na Web), auxilia os programadores a disponibilizarem
suas informações na Web. Segundo o padrão WAI há uma necessidade em se
planejar uma exposição em estágios de acessibilidade que permita a navegação
nos sites pelas pessoas com deficiência, permitindo a acessibilidade aos pontos
mais importantes.
Apesar das páginas textuais da internet já serem possíveis de serem
acessadas pelas pessoas com deficiência visual, as páginas longas ainda é um
problema, pois esses usuários são obrigados a lerem todo o texto para retirarem
as informações que precisam. Há uma sugestão de estruturar as páginas em
capítulos, através de marcações adequadas de HTML.
Um ponto que as TA’s também contribuem na decodificação das
informações digitais para as pessoas com deficiência visual foram na transmissão
verbal de algumas imagens/figuras projetadas na página da Web. A pessoa
deficiente visual que está acessando determinado assunto tem o direito de saber
o que está sendo apresentado na página. Esta informação é fundamental para
que ela possa projetar mentalmente a imagem que está sendo apresentada. Este
processo faz parte da aquisição do conhecimento.
A cada instante percebermos que os sites estão sendo cada vez mais
atraentes.

Imagens,

sons

são

fundamentais

para

a

apresentação

das

informações. Uma boa tecnologia de informação e comunicação tem que priorizar
o acesso de todos os documentos a serem transmitidos ao maior números
possíveis de espectadores/usuários. Assim com as pessoas com deficiência
visual estão tendo a possibilidade de ter acesso às informações da Web, as
pessoas com deficiências auditivas ou surdas também têm o mesmo direito.
Neste caso ficam evidenciados os sites que apresentam muita sonorização, ou os
vídeos clipes, dificultando a comunicação a esses usuários. Recomenda-se o uso
de legendas para facilitar a comunicação.

�Pessoas com deficiências motoras podem apresentar dificuldades de se
beneficiarem das tecnologias da informação e comunicação, pois muitos
equipamentos não foram projetados para atender esta demanda. Está faltando
uma compreensão sobre o que seja design universal. Um equipamento que está
permitindo pessoas com comprometimentos físicos severos manipularem o
computador é o “Adaptador de cabeça”. Este equipamento permite ao usuário
através de um simples movimento de cabeça se interar com o mouse, e assim
poder navegar nas páginas da Web.
As TA’s têm contribuído para quebrar as barreiras que dificultam o acesso
as TIC’s, “O desenvolvimento das TIC’s e as iniciativas de acessibilidade, bem
como a avaliação da usabilidade em sites web e sistemas interativos, contribuem
consideravelmente, para que diminua as barreiras referentes às limitações que
um portador de deficiência visual possui, ao ter acesso ao ensino por meio destas
tecnologias” (MIRANDA 2002, p.148).
No Brasil a população de pessoas com deficiência chegam a uma
estimativa de 24 milhões. No último censo escolar de 2005, dados da SEE/MEC,
640.317 pessoas com deficiência estavam matriculadas nas redes regular de
ensino e na educação especial. Desse número 262.243 são pessoas que estão
freqüentando o ensino regular ou escolas inclusivas. Esses dados nos dão uma
visão da necessidade da implantação de tecnologias assistivas nestes ambientes
educacionais, principalmente para auxiliar na aprendizagem desses educandos
bem como para facilitar o processo didático pedagógico a ser oferecido pelos
educadores.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Estas novas tecnologias estão a serviço da educação, possibilitando o
envolvimento mais ativo dos alunos que apresentam deficiência. Infelizmente
estes equipamentos ainda são restritos nas nossas escolas. Os motivos são pelo
alto custo, carência de produtos no mercado, falta de conhecimento dos usuários
a respeito das tecnologias disponíveis, entre outras. O acesso às TIC’s são

�fundamentais para o desenvolvimento social e econômico, além de proporcionar
um enriquecimento pessoal e acadêmico. Todos têm o direito deste acesso.
No Brasil, a deficiência é ainda vista como um problema do indivíduo, ele
tem que se adaptar a sociedade. Existem inúmeras barreiras, físicas e atitudinais
que

limitam a

inclusão

das

pessoas com deficiência.

Evidencia-se

a

desinformação sobre os direitos das pessoas com necessidades especiais. Leis
são criadas, mas apesar de tudo identificamos que a sociedade exclui aqueles
que ela não considera como iguais.
As pessoas com deficiência lutam pela oportunidade de estar inserida no
processo

educacional.

Nós

educadores temos

a

responsabilidade e

o

compromisso de somarmos as suas lutas e reivindicações no sentido de
oferecermos uma educação inclusiva com qualidade aberta à diversidade
humana, somada aos avanços tecnológicos, podemos vislumbrar um mundo
melhor na conquista da prática da cidadania e inclusão social.
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promulgada em 5 de outubro de 1988. Brasília: Senado Federal, Centro
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Fernandes, Luciano Lazzaris; Miranda, Angélica C. Dias; Rados, Gregório Jean Varvakis: Bastos, Rogerio Cid; Alves, João Bosco da Mota</text>
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                <text>As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s) têm promovido mudanças significativas no processo ensino-aprendizagem. Este artigo tem como objetivo trazer algumas reflexões sobre o uso da tecnologia na educação como instrumento que possibilita oportunidades eqüitativas aos estudantes, enfatizando a necessidade dos educadores acreditarem e promoverem mudanças no sentido de dissipar barreiras em prol da construção de uma educação inclusiva, que contemple a diversidade humana. O processo de desenvolvimento das TIC’s vem se aprimorando com as necessidades do ser humano, surge assim a tecnologia assistiva. Esta permite o aumento da autonomia e independência do educando que apresenta deficiência, possibilitando maior informação, mobilidade e comunicação, seja no simples toque de um equipamento no qual ele está, virtualmente, se conectando com o mundo ou na convivência com seus colegas, no mesmo espaço físico da sala de aula ou numa biblioteca. Os grandes avanços na área da tecnologia trouxeram muitas esperanças para as pessoas com deficiência, facilitando a acessibilidade ao mundo da informação, reconhecendo os diferentes estilos de aprendizagem e possibilitando a educandos e educadores compreenderem a riqueza da diversidade.</text>
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                    <text>TERMINOLOGIA EM CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO: REVISÃO DA ÁREA
IMPLEMENTADA NO VOCABULÁRIO CONTROLADO DO SIBI/USP
Juliana de Souza Moraes
Mestre, Supervisora de Seção da Biblioteca do
ICMC/USP - Instituto de Ciências Matemáticas
e de Computação - Av. Trabalhador SãoCarlense, 400 – São Carlos - SP
13566-590 - Brasil
jumoraes@icmc.usp.br
Gláucia Maria Saia Cristianini
Mestre, Diretora da Biblioteca do ICMC/USP –
Instituto de Ciências Matemáticas e de
Computação - Av. Trabalhador São-Carlense,
400 – São Carlos - SP
13566-590 - Brasil
glaucia@icmc.usp.br
Resumo: A terminologia, enquanto conjunto de termos específicos de uma disciplina
particular, é um instrumento essencial na organização e representação da
informação, seja em ambiente real ou virtual. Além disso, é matéria-prima obrigatória
na elaboração de ferramentas que auxiliam a representação documentária, as
chamadas linguagens documentárias. O dinamismo característico do processo de
desenvolvimento da ciência e tecnologia também é impresso às terminologias,
fazendo com que a atualização seja um dos grandes problemas das linguagens
documentárias. Neste sentido, no contínuo processo de revisão do Vocabulário
Controlado da USP - VUSP, a terminologia da área de Ciência da Computação foi
revisada, com o objetivo de aproximá-la ao máximo do estado da arte da área e de
fornecer ao sistema de informação e ao usuário a representação precisa do volume
de informação disponível. A revisão da área contou com um trabalho conjunto entre
bibliotecários e docentes do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação –
ICMC. O método proposto e empregado para a revisão da área dividiu a Ciência da
Computação em dez subáreas, para cada subárea um especialista foi escolhido para
trabalhar na revisão, e o chefe do Departamento de Ciência da Computação atuou
como revisor geral de cada subárea. A terminologia então constante do VUSP foi
checada com fontes de informação especializadas, os termos faltantes foram
inseridos, outros em desuso foram excluídos e alguns mudaram de denominação e
de relacionamentos. A proposta do ICMC foi avaliada pelo grupo gestor do VUSP e,
após correções e sugestões, foi aprovada. O trabalho de revisão levou dois anos
para ser concluído e em abril de 2006 a nova terminologia foi implementada no
VUSP.
Palavras-chave: Vocabulários controlados. Linguagens documentárias.

�1 Terminologia e a Ciência da Informação
A terminologia é uma área do conhecimento que dá suporte a diversas outras
áreas ligadas ao estudo dos conceitos e às línguas de especialidade, tanto no seu
enfoque concreto, ou seja, enquanto conjunto de termos específicos de uma
disciplina

particular

(DICIONÁRIO,

2001),

como

no

seu

enfoque

teórico-

metodológico, contribuindo com métodos e princípios que regem a construção e
administração dessas línguas especializadas (LARA, 2004b).
Para Suonuuti (2001, p.12, apud MOREIRA e OLIVEIRA, 2005)
o trabalho de terminologia é um campo interdisciplinar de trabalho
para ordenar e transferir conhecimento. Seu elemento básico é o
conceito. Todo trabalho terminológico deve ser baseado em uma
análise e estruturação de conceitos e das relações entre eles.

Considerando que a Ciência da Informação (CI) está pautada na transferência
da informação, como etapa imprescindível na manutenção do ciclo de produção do
conhecimento, considerando também o Modelo de Comunicação Especializada de
Cabré (1993), onde a comunicação entre especialistas ocorre por meio de um
sistema de significação que inclui a linguagem natural e a terminologia da área, a
linguagem é considerada uma das responsáveis direta pelo acesso à informação,
pela transferência do conhecimento, e, conseqüentemente, pelo cumprimento do
objetivo da CI.
Assim, a intersecção entre a Terminologia e a CI está presente em duas áreas
distintas, porém, inter-relacionadas, interdependentes, recorrentes e vinculadas à
linguagem: a representação e a recuperação da informação.
Na representação da informação, a Terminologia aparece como matéria-prima
das linguagens documentárias e também como método na elaboração e
sustentabilidade da estrutura das mesmas. Já no momento da recuperação da
informação, a Terminologia está presente no contato direto dos profissionais da
informação com o usuário e na consulta em diferentes fontes de informação; em
ambos os momentos o objetivo é sanar a necessidade informacional do usuário e,
para que isso ocorra, é fundamental que profissional e usuário falem a mesma
língua.

�A ênfase na Terminologia, como parte essencial no contexto da transferência
da informação, independe do ambiente; assim como a Terminologia é e foi essencial
nos ambientes informacionais tradicionais, como as bibliotecas, ela permanece com
igual ou maior importância nos ambientes digitais e virtuais, como diretiva na
organização da informação, visando aumentar a facilidade e a agilizar a sua
recuperação.
2 Representação da informação e linguagens documentárias
Sistemas de informação são os espaços reservados para armazenamento,
tratamento, divulgação, disseminação e acesso à informação, seja ela de qualquer
natureza, tema, formato e em qualquer mídia. Complementando, Lima (1998, p.8) diz
que “o sistema de Informação tem por função coletar, tratar e disseminar a
informação produzida pela sociedade na qual está inserido, garantindo assim, o
acesso à cultura por parte de seus membros e possibilitando a sua continuidade”.
Mas, dependendo do contexto, sistemas de informação compreendem o
sistema manual ou automático responsável pela gestão do volume de informação ali
contido.
Historicamente, os sistemas de informação sempre lidaram com as
representações das informações originais, que por sua vez estavam armazenadas
fisicamente em um local, externo ao sistema; assim, pode-se dizer que o sistema de
informação armazenava metainformações, ou seja, informações sobre uma
informação, com o objetivo de organizá-la e recuperá-la. Atualmente esse cenário
permanece, mas ao sistema de informação foi somada mais uma funcionalidade: o
armazenamento da informação original, na íntegra, cujo exemplo concreto são as
bibliotecas digitais. Nesse sentido, as bibliotecas digitais são sistemas de informação
que, além de armazenarem as representações da informação, armazenam também a
informação na íntegra em versão digital.
Neste trabalho a questão está na representação da informação e nas suas
ferramentas, considerando quaisquer tipos de sistemas de informação, desde os
mais triviais até os mais avançados, em termos de volume e tipo de informação
armazenada e no grau de tecnologia envolvida.

�Representação é um termo rico em significados, utilizado em várias áreas do
conhecimento com sentidos idênticos, semelhantes ou completamente distintos,
como nas áreas de Filosofia, Psicologia, Jurídica, Política, Teatro, Cinema,
Matemática, para citar alguns exemplos.
No contexto da CI, e, portanto, da representação da informação, seu sentido
está atrelado a um sentido mais amplo: “idéia ou imagem que concebemos do mundo
ou de alguma coisa” (DICIONÁRIO, 2001), somado a outro sentido, específico da
Filosofia: “operação pela qual a mente tem presente em si mesma a imagem, a idéia
ou o conceito que correspondem a um objeto que se encontra fora da consciência”
(DICIONÁRIO, 2001). Assim, a representação da informação, é a noção que se tem
de um objeto informacional, seja do conteúdo ou das suas características,
armazenada num sistema de informação com o principal objetivo de recuperá-lo de
maneira rápida e precisa.
Para Kobashi (1996, p.5-27 apud DODEBEI, 2002) a representação da
informação é “o conceito mediador entre emissor e receptor, objetivado pelos
processos e produtos da condensação de informação”; para Gonzalez (1993) é “a
construção do significado de um objeto para um fim específico”, no caso, o de
recuperação.
Em outras palavras, a representação da informação é a atividade de
estabelecer para o objeto informacional representado quais serão seus pontos de
acesso para sua recuperação num sistema de informação. Objetos bem
representados, em consonância com as necessidades da sua comunidade usuária e
com uso de representação coerente e atualizada com a área do conhecimento em
questão, serão facilmente identificados e rapidamente recuperados; daí sua
importância para o sucesso de um sistema de informação.
A representação da informação, além das técnicas e métodos préestabelecidos e consolidados, pode fazer uso de instrumentos auxiliares. Como a
representação da informação pode ser de vários tipos, cada tipo de representação
conta com instrumentos auxiliares específicos. Neste sentido, as representações
descritivas dos objetos informacionais contam com códigos e normas de descrição, e
as representações temáticas contam com as linguagens documentárias, essas, por

�sua vez, com tipologia própria, com estruturas e conteúdos também específicos, visto
que a representação temática ainda pode ser subdividida em numérica e alfabética.
O principal objetivo das linguagens documentárias é fazer a ponte entre o
objeto informacional e o usuário, por meio da linguagem como produto da
representação. As linguagens documentárias podem fazer uso direto da palavra,
como a ‘ponte’ propriamente dita, ou podem fazer uso indireto da palavra, quando
utilizam números que traduzem conceitos.
Currás (1995) define qualquer linguagem documentária como “uma linguagem
controlada, normalizada, usada com fins classificatórios, onde a linguagem natural é
transladada para uma linguagem terminológica”. No contexto deste trabalho, torna-se
importante detalhar a definição acima.
A linguagem controlada e normalizada refere-se ao controle das inúmeras
variações semânticas e sintáticas que a língua natural possibilita, como a sinonímia e
a homografia, as regras de plural e singular, os tipos de traduções, entre outras, e,
ainda, a designação de um único termo como portador de um único conceito,
estabelecendo palavras preferidas e não-preferidas para a representação da
informação (neste momento, as palavras são consideradas como termos preferidos e
termos não-preferidos). A expressão ‘usada para fins classificatórios’ significa que
tais linguagens têm função e êxito apenas em ambientes de informação, com o único
objetivo de organizar e recuperar a informação; são linguagens criadas e, por isso,
consideradas artificiais, não tendo aplicabilidade em outros ambientes e situações. E,
por fim, ‘a linguagem natural é transladada para uma linguagem terminológica’, está
relacionado ao controle da linguagem no sistema de informação, como também
menciona o funcionamento da troca da linguagem, uma das etapas da representação
da informação.
Muito se tem discutido sobre a necessidade de controle na representação
temática da informação. Há quem não a defenda para os dias atuais, levando em
consideração o vertiginoso aumento dos repositórios digitais de texto integral e da
liberdade oferecida pela internet na disponibilização da informação. Entretanto,
justamente pelos mesmos motivos, há quem defenda o controle de vocabulário como
única saída para uma recuperação eficiente, que ofereça poucos e bons resultados,
que tenha baixa revocação com alta precisão. A esse respeito Garshol (2004)

�comenta que o propósito do vocabulário controlado é evitar que os autores escolham
termos sem sentido, termos muito genéricos ou muito específicos, para prevenir
ortografias diferentes e opção por diferentes formas do mesmo termo. O mesmo
autor ainda comenta que, o uso de vocabulários sem controle foi abandonado
recentemente,

em

favor

ao

controle

de

vocabulário

pelas

razões

acima

apresentadas. Lara (2004a, p.91) também reforça essa posição afirmando que “as
linguagens documentárias têm sua importância aumentada contemporaneamente,
quando se deseja contar com mecanismos que desempenham o papel de filtros para
a recuperação, dado o grande volume de informações recuperadas na Internet”.
Assumido o uso das linguagens documentárias como instrumento auxiliar
imprescindível no processo de representação da informação, a questão passa a ser a
manutenção de tais instrumentos.
Formados, basicamente, por um vocabulário de termos específicos de uma
área do conhecimento e de relações entre eles, a atualização dessa terminologia é a
parte da manutenção mais complexa e demorada, por isso, é considerada, muitas
vezes, como a grande desvantagem das linguagens documentárias. A respeito das
relações existentes nas linguagens documentárias, Lara (2000) afirma que:
esse instrumento só poderá ser considerado uma linguagem
propriamente quando tiver características estruturais que a permitam
funcionar como tal; essas estruturas compreendem relações de
natureza lógica, ontológica, associativa e de equivalência entre os
termos.

O trabalho de revisão e manutenção dessas linguagens demanda tempo,
estudos e profissionais especializados; quando uma nova versão está finalizada, é
certo que outra revisão deve ser iniciada, considerando que neste intervalo a área do
conhecimento abordada já evoluiu e sua terminologia também, conseqüentemente.
3 Vocabulário controlado da USP1
O Vocabulário Controlado da USP – VUSP é a atualização e expansão da
antiga Lista de Assuntos da USP, utilizada de 1985 a meados de 2000 pelas
bibliotecas pertencentes ao Sistema Integrado de Bibliotecas da USP – SIBi –
1

VOCABULÁRIO controlado USP: base de dados em língua portuguesa para indexação e
recuperação da informação. São Paulo: USP/SIBi, 2001. ISBN 85-7314-018-6.

�Sistema Integrado de Bibliotecas. Como parte do projeto de modernização do SIBi,
foi identificada a necessidade de aprimoramento do banco de dados bibliográficos da
universidade – o Dedalus, e nesse contexto, a transformação da então Lista de
Assuntos, utilizada para a representação temática dos dados ali contidos, foi
entendida como parte essencial desse aprimoramento.
Para o desenvolvimento do VUSP, uma parceria foi feita entre SIBi e a Escola
de Comunicação e Artes – ECA, especificamente com o curso de Biblioteconomia e
Documentação, onde os docentes integrantes da linha de pesquisa em Análise
Documentária e Terminologia ofereceram o aporte metodológico ao projeto.
Quarenta bibliotecários do Sistema, representantes das várias áreas do
conhecimento, participaram efetivamente da construção do vocabulário, assim como
muitos docentes das diversas unidades da USP, tanto para a estruturação dos
sistemas conceituais como para a adequação terminológica das áreas.
De maneira sucinta, o método de construção do VUSP contou com as
seguintes etapas: organização das bibliotecas da USP em nove sub-grupos;
elaboração da estrutura temática de cada área e compatibilização das estruturas por
sub-grupos; inclusão dos blocos de assuntos, gerados em ordem hierárquica, na
estrutura temática unificada; estabelecimento de relações lógico-semânticas entre os
termos; definição dos termos ambíguos e compatibilização das estruturas temáticas
dos sub-grupos com as áreas complementares.
O VUSP é apresentado em lista sistemática ou hierárquica e também em lista
alfabética, onde ambas têm complementação opcional de tabela de qualificadores,
geográfica e de gênero e forma.
Tendo em vista a necessidade da sua constante manutenção, o VUSP,
inicialmente tido como um dos projetos para a modernização do SIBi, passa a ser
considerado um processo do

Sistema, com equipe permanente e trabalhos

contínuos.
Atualmente o VUSP está disponível na SIBiNet2, de uso exclusivo dos
bibliotecários do Sistema, e, ainda, na versão em CD-ROM. Essa última, destinada a
2

http://www.usp.br/sibi

�bibliotecários e interessados em geral, o que constitui alternativa moderna e
atualizada para a representação temática de quaisquer tipos de sistemas de
informação e de acervos pessoais.
4 Revisão da Terminologia em Ciência da Computação
O processo metodológico pode ser compreendido por meio das etapas a
seguir: subdivisão da área de Ciência da Computação em subáreas; escolha de um
especialista para cada subárea para colaborar na revisão dos termos; procedimentos
da análise dos termos; escolha das fontes de informação para checagem; anotações
da checagem; elaboração da proposta final; supervisão do grupo gestor do VUSP;
alterações e aprovação.
Inicialmente a área de Ciência da Computação foi dividida em subáreas,
levando em consideração os grupos de pesquisa existentes no ICMC. Foram eles:
Estatística e Probabilidade; Arquitetura e Organização de Computadores; Sistemas
Distribuídos; Engenharia de Software; Banco de Dados; Multimídia e Hipermídia;
Inteligência Artificial; Teoria da Computação; Computação Gráfica; Otimização
Matemática e Análise Numérica. Outros enfoques da área, tais como Linguagens de
programação, Estrutura de dados e algoritmos, Metodologias computacionais e a
ênfase social, artística, administrativa, dentre outras, da Ciência da Computação,
foram trabalhados em paralelo, não caracterizando outras novas subáreas.
Embora as subáreas Estatística e Probabilidade, Otimização Matemática e
Análise Numérica pertencessem ao Departamento de Ciência da Computação na
época da revisão do VUSP (atualmente compõem um novo departamento) e à
mesma estrutura hierárquica na tabela de classificação utilizada pelo ICMC, produto
de um trabalho conjunto de revisão e atualização da área de Ciência da Computação
(CRISTIANINI; MORAES, 1998), foi entendido que tais subáreas, em essência, não
fazem parte da grande área de Ciência da Computação. Esse entendimento foi
ratificado pelo grupo gestor do VUSP. Assim sendo, essas subáreas não foram
revisadas nesse momento, e terão um momento próprio para revisão, incluindo
proposta de nova estrutura de classes, não subordinadas à Ciência da Computação.
Ao final, oito subáreas foram delineadas para a revisão, além dos enfoques citados
acima.

�A escolha do especialista para cada subárea não seguiu nenhuma condição e
ou critério previamente estabelecido. Após convite feito a todos os integrantes das
subáreas, essas indicaram o ‘especialista representante’, conforme critérios próprios.
O chefe do departamento de Ciência da Computação também foi convidado a
participar do processo e atuou como revisor geral.
A análise de cada subárea ocorreu a partir da tabela de classificação utilizada
no ICMC; sua estrutura de classes e sua terminologia foram checadas no VUSP, na
tentativa de serem identificadas. Dessa maneira, os conceitos do sistema
classificatório da área estariam também representados no vocabulário controlado, o
que garantiria a consonância entre a organização física dos objetos informacionais e
a representação do seu conteúdo. Além da tabela de classificação como ponto de
partida para a checagem com o VUSP, os especialistas fizeram acréscimos dos
termos inexistentes também nessa tabela e considerados de uso e importância para
eles. Observe-se que a última revisão e atualização da referida tabela foi realizada
em 1997. Esses termos propostos pelos especialistas também foram checados no
VUSP. Esse procedimento metodológico, de coleta de termos a partir do usuário da
informação, é reconhecidamente como uma das maneiras de compilação e validação
da terminologia para a elaboração de linguagens documentárias, e é denominado
“garantia do uso comum, endosso do usuário ou consenso” (LANCASTER, 1987).
Os termos não encontrados sejam da tabela para o VUSP, sejam os novos
propostos pelos pesquisadores para o VUSP, foram reunidos para posterior
conferência em fontes de informação especializadas da área. A essa conferência dáse o nome de garantia literária, ou seja, significa que o sistema de informação está
utilizando a linguagem contida nos materiais informacionais que nele são
introduzidos e que são de uso de sua comunidade usuária (FOSKETT, 1973). “Um
termo se justifica apenas se ocorre dentro da literatura recente de um determinado
assunto, e com algum grau de freqüência”, assim explica Lancaster (1987) o princípio
da garantia literária.
Ainda sobre a metodologia para compilação e validação da terminologia,
Battaglia (1999) afirma que a validação dos termos levantados da terminologia
representa a parte mais importante e de maior trabalho no estudo para a construção

�e ou atualização da linguagem documentária. Tal importância e dificuldade se devem
à comprovação do uso dos termos na literatura técnico-científica da área estudada e
do uso comum, em outras palavras, a garantia literária e a garantia do uso comum ou
consenso, respectivamente.
Retomando, com a relação dos termos não presentes no VUSP em mãos,
partiu-se para a checagem com fontes especializadas da área. A escolha por
determinadas fontes levou em consideração alguns fatores, tais como: instituição de
suporte, área de cobertura, língua de apresentação e possibilidade de tradução, tipo
de acesso, periodicidade das revisões e atualizações. As fontes checadas foram:
•

Canadian

Thesaurus

of

Construction

Science

and

Technology3:

vocabulário controlado da área de tecnologia e ciência da construção abrange
também a área de ciências exatas e tecnologia. Desenvolvido pelo Grupo de
Pesquisa em Industrialização (GRIF), da Universidade de Montreal, Canadá.
•

Computer Reviews Classification4: sistema para classificação de papers na
área de Ciência da Computação. Desenvolvida pela Association for Computing
Machinery.

•

Mathematical

Subject

Classification5:

sistema

para

classificação

e

indexação das áreas de Matemática, Estatística, Probabilidade, Ciência da
Computação e áreas afins. Desenvolvida pela American Mathematical Society.
•

NASA Thesaurus6: vocabulário controlado geral, contendo os termos
autorizados pela NASA para a indexação e recuperação dos seus
documentos. Desenvolvido e mantido pelo NASA Scientific Technical
Information Program.

•

Tesauro de Redes de Ordenadores7: vocabulário controlado para a área de
arquitetura e desenho de redes, comunicação de dados, protocolos de
comunicação e sistemas distribuídos. Desenvolvido e mantido pelo Grupo de

http://irc.nrc-cnrc.gc.ca/thesaurus/welcome.html
http://www.acm.uiuc.edu/signet/JHSI/cr.html
5
http://www.ams.org/msc/index.html#browse
6
http://www.sti.nasa.gov/thesfrm1.htm
7
http://www.um.es/gtiweb/fjmm/tesauro/index.html

3

4

�Tecnologías de la Información, da Universidad de Murcia, Espanha.

•

UNESCO Thesaurus8: vocabulário controlado desenvolvido pela University of
London Computer Centre – ULCC, com permissão da UNESCO. Inclui as
seguintes áreas do conhecimento: Educação, Ciências, Cultura, Ciências
Sociais e Ciências Humanas, Informação e Comunicação, Políticas,
Legislação e Economia.
Durante a checagem de cada termo, as seguintes anotações foram feitas:

escopo do termo, data de criação/inserção na fonte, termos relacionados e traduções
existentes. Para os termos em língua estrangeira, os especialistas de cada subárea
ficaram responsáveis pela tradução e ou pesquisa sobre o termo traduzido já
consolidado.
Finalizada a checagem, uma nova estrutura de classes foi elaborada a partir
das relações existentes entre os termos, alternando-os também com os termos já
existentes no VUSP. Após, foram inseridas as relações de sinonímia identificadas e
os qualificadores necessários para os termos homógrafos. Concomitantemente, foi
definida a forma singular ou plural para alguns termos, elaborada uma relação de
termos em desuso, cujo encaminhamento dado foi a sugestão para a retirada deles
do VUSP e, ainda, elaborada uma relação dos termos já presentes no VUSP, que se
mantiveram após a revisão, porém, passaram a pertencer a outra classe ou
subclasse, isto é, mudaram de posição na estrutura de classes.
Terminada a confecção da nova proposta para a área de Ciência da
Computação no VUSP, uma cópia foi enviada ao grupo gestor do VUSP, que
supervisionou o processo, para análise e aprovação. Alguns pontos foram levantados
e, a pedido do grupo gestor, novos estudos e revisões foram feitos para alguns
termos. Os principais pontos levantados diziam respeito a termos cuja área de
origem estava incerta, termos traduzidos, termos preferidos, necessidade de
qualificadores e necessidade de vários termos sinônimos. As correções foram
realizadas e submetidas novamente ao grupo gestor que aprovou algumas e outras
não. A proposta final foi elaborada levando em consideração as decisões do grupo
gestor e, posteriormente, aprovada.
8

http://www.ulcc.ac.uk/unesco

�Fazendo uma breve cronologia da revisão da terminologia em Ciência da
Computação, o trabalho foi iniciado em março de 2004. Nessa época, a área de
Computação do VUSP contava com onze subclasses perfazendo, aproximadamente,
um total de 323 termos preferidos, além dos demais termos que compunham as
relações do vocabulário. O trabalho de revisão e levantamento de novos termos junto
aos especialistas transcorreu durante um ano; no início de 2005 as checagens foram
iniciadas, levando seis meses para realização dessa etapa. A elaboração da
proposta final foi concluída em um prazo de dois meses, meados de setembro de
2005, e, então, submetida ao grupo gestor. A fase de avaliações e alterações levou
os quatro meses seguintes, entrando em 2006. A proposta final apresenta 33
subclasses, com, aproximadamente 470 termos preferidos. O trabalho de revisão
durou dois anos e o novo vocabulário para a área de Ciência da Computação foi
implementado no VUSP em abril de 2006.
5 Considerações finais
A elaboração de linguagens documentárias é um trabalho exaustivo,
especializado

e

longo;

a

manutenção

dessas

linguagens,

além

dessas

características, ainda deve ser um processo contínuo. Entretanto, são muitas as
contribuições desses instrumentos para a área de representação da informação, tais
como a coerência e a atualização do produto da representação e a conseqüente
eficácia na recuperação da informação, culminando no cumprimento da missão dos
sistemas de informação e da Ciência da Informação.
Este trabalho, em particular, pretendeu contribuir para a representação da
área de Ciência da Computação e, concomitantemente, para as áreas relacionadas,
e, ainda, ampliar o VUSP nessa área específica, contribuindo para sua credibilidade já consolidada - como importante instrumento auxiliar no processo de representação
e recuperação da informação no cenário das bibliotecas brasileiras.
Em tempo, torna-se oportuno citar a necessidade de conscientização sobre a
importância das revisões dos repertórios terminológicos para a manutenção das
linguagens documentárias, como única garantia de instrumentos úteis e efetivos. E
ainda, o entendimento desse trabalho como parte da atuação do profissional da
Ciência da Informação e o maior engajamento desse profissional em iniciativas dessa

�natureza. Toda contribuição é bem-vinda e necessária, tendo em vista o dinamismo
das áreas do conhecimento e de suas terminologias.
6 Referências
BATTAGLIA, M.G.B. Tesauro de Química em Língua Portuguesa. Tesquímica.
Ciência
da
Informação,
v.
28,
n.2,
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Coverage</name>
              <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                  <text>Salvador (Bahia)</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <name>Title</name>
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              <elementText elementTextId="61501">
                <text>Terminologia em ciência da computação: revisão da área implementada no vocabulário controlado do SIBI/USP.</text>
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            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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              <elementText elementTextId="61502">
                <text>Moraes, Juliana de Souza; Cristianini, Gláucia Maria Saia</text>
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          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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              <elementText elementTextId="61503">
                <text>Salvador (Bahia)</text>
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            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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              <elementText elementTextId="61504">
                <text>UFBA</text>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="61505">
                <text>2006</text>
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          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <text>Evento</text>
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            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="61508">
                <text>A terminologia, enquanto conjunto de termos específicos de uma disciplina particular, é um instrumento essencial na organização e representação da informação, seja em ambiente real ou virtual. Além disso, é matéria-prima obrigatória na elaboração de ferramentas que auxiliam a representação documentária, as chamadas linguagens documentárias. O dinamismo característico do processo de desenvolvimento da ciência e tecnologia também é impresso às terminologias, fazendo com que a atualização seja um dos grandes problemas das linguagens documentárias. Neste sentido, no contínuo processo de revisão do Vocabulário Controlado da USP - VUSP, a terminologia da área de Ciência da Computação foi revisada, com o objetivo de aproximá-la ao máximo do estado da arte da área e de fornecer ao sistema de informação e ao usuário a representação precisa do volume de informação disponível. A revisão da área contou com um trabalho conjunto entre bibliotecários e docentes do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação – ICMC. O método proposto e empregado para a revisão da área dividiu a Ciência da Computação em dez subáreas, para cada subárea um especialista foi escolhido para trabalhar na revisão, e o chefe do Departamento de Ciência da Computação atuou como revisor geral de cada subárea. A terminologia então constante do VUSP foi checada com fontes de informação especializadas, os termos faltantes foram inseridos, outros em desuso foram excluídos e alguns mudaram de denominação e de relacionamentos. A proposta do ICMC foi avaliada pelo grupo gestor do VUSP e, após correções e sugestões, foi aprovada. O trabalho de revisão levou dois anos para ser concluído e em abril de 2006 a nova terminologia foi implementada no VUSP.</text>
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            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
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                    <text>TREINAMENTO CONTÍNUO DAS EQUIPES DE LINHA DE FRENTE DA
BIBLIOTECA DE MANGUINHOS: UMA PROPOSTA METODOLÓGICA

Sandra Maria Osório Xavier Marinho - Bibliotecária - smarinho@cict.fiocruz.br
Telma Maria de Oliveira – Bibliotecária - tmaria@cict.fiocruz.br

Fundação Oswaldo Cruz ( FIOCRUZ)
Centro de Informação Científica e Tecnológica (CICT)
Biblioteca de Manguinhos
Av. Brasil, 4365 – Pavilhão Haity Moussatché - Manguinhos – RJ – Cep. 21045-900
Tel.: (21) 3865-3218 - Informações: bibmang@cict.fiocruz.br
http://www.bibmanguinhos.cict.fiocruz.br

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TREINAMENTO CONTÍNUO DAS EQUIPES DE LINHA DE FRENTE
DA BIBLIOTECA DE MANGUINHOS: UMA PROPOSTA METODOLÓGICA

Sandra Maria Osório Xavier Marinho, CRB-7/ 5131*
Telma Maria de Oliveira, CRB-7/5313 **

RESUMO: Trata da importância do treinamento contínuo no ambiente de trabalho da
Biblioteca de Manguinhos da Fundação Oswaldo Cruz. Observa-se as questões
relativas à melhoria da qualidade dos serviços, mediante o desenvolvimento da
capacidade da linha de frente da biblioteca na utilização das novas ferramentas
tecnológicas. Na biblioteca, como em qualquer organização, não basta investir em
tecnologia e em equipamentos de última geração, é necessário capacitar suas
equipes no uso efetivo dessas novas ferramentas, visando o crescimento
organizacional assim como a qualidade dos serviços prestados ao usuário.
Apresenta uma proposta metodológica para a elaboração de um programa de
treinamento contínuo para as equipes de linha de frente da biblioteca, de forma a
contribuir para o desenvolvimento de um trabalho cooperativo.

PALAVRAS-CHAVE
Educação continuada. Programa de treinamento. Serviços ao usuário. Capacitação
de equipes bibliotecárias.

_______________________
* Bibliotecária do Processamento Técnico de Periódicos da Biblioteca de Manguinhos – CICT/FIOCRUZ .
Especialista em Gestão Estratégica e Qualidade – E-mail: smarinho@cict.fiocruz.br
**Bibliotecária do Processamento Técnico de Periódicos da Biblioteca de Manguinhos – CICT/FIOCRUZ – Email:
tmaria@cict.fiocruz.br

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INTRODUÇÃO

A Biblioteca de Manguinhos iniciou-se em 1900, quando foi criado o Instituto
Soroterápico Federal. Em 1913, a Biblioteca ocupou parte do 3º pavimento do
Pavilhão Mourisco, onde hoje se encontra a Seção de Obras Raras A. Overmeer.
Em 1981, devido à expansão do acervo, a coleção de periódicos e as obras de
referência foram transferidas para uma das alas do Instituto Nacional de Controle de
Qualidade em Saúde (INCQS). Em 2 de agosto de 1995 foram inauguradas as novas
instalações da Biblioteca e atualmente ela é um Departamento do Centro de
Informação Científica e Tecnológica (CICT) da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ).

A Biblioteca tem como missão prover de informações na área biomédica o
corpo de docentes, os pesquisadores e alunos de Pós-Graduação da Instituição e da
comunidade em geral. Tem como objetivo principal criar condições necessárias para
o funcionamento sistêmico da Biblioteca, a fim de oferecer suporte ao
desenvolvimento do ensino e da pesquisa no âmbito da FIOCRUZ.

Possui uma vasta coleção de periódicos nacionais e estrangeiros, sendo
materiais de grande consulta. Alguns títulos da coleção são obras raras, datadas
desde o século XVIII. A administração e a organização dos periódicos dentro da
biblioteca têm um papel relevante na organização, em função da sua complexidade.
Por isso, o Setor de Processamento Técnico de Periódicos é responsável pelas
atividades de controle, aquisição, catalogação e registro dos periódicos recebidos
através de compra, doação e permuta, facilitando o acesso e a localização do acervo
de periódicos para que a informação possa ser recuperada pelo usuário de forma
rápida através dos recursos tecnológicos e informacionais disponíveis na Biblioteca.

Por ser o periódico um material complexo e em função das constantes
mudanças das versões do software usado para gerenciamento de base de dados da
Biblioteca, constatou-se a necessidade de um treinamento contínuo para as equipes

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que trabalham diretamente com o acervo das revistas e que utilizam a base de
dados.

A partir dessa constatação foi elaborado este trabalho, visando contribuir com
a disseminação da informação para os funcionários no âmbito da Biblioteca e com
isto buscar a melhoria na qualidade dos serviços prestados.

1 A IMPORTÂNCIA DA CAPACITAÇÃO NO USO EFETIVO DE NOVAS
FERRAMENTAS

As organizações, nas últimas décadas, tornaram-se exigentes no que se
refere à qualificação na contratação do seu quadro de pessoal. Isto ocorre em face
de um mercado de trabalho competitivo e da crescente exigência dos consumidores.

Toda organização que presta um serviço pode ter maior ou menor eficiência,
dependendo da qualidade por ela desenvolvida. Atualmente, a busca da qualidade é
prioridade para uma instituição manter-se funcionando, seja pela consciência ética
do cumprimento de sua função, seja pela globalização e competitividade do mundo
em que vivemos.

Nas unidades de informação isto não é diferente, a requisição de profissionais
com maiores domínios nas tecnologias de informação e comunicação é uma
constante. Porém, não se para por aí, é necessário um acompanhamento das novas
tecnologias e demandas dos usuários que querem informação exclusiva e relevante
de acordo com sua necessidade. Quanto aos profissionais auxiliares, é preciso uma
capacitação especializada, para que estes possam acompanhar os demais
profissionais e o ritmo de uma sociedade mais acelerada e exigente.

Os investimentos de uma organização não devem passar, somente, pela
tecnologia e equipamentos de última geração, mas também e principalmente, pela

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qualificação

de

seus

recursos

humanos,

para

que

se

tenha

qualidade,

desenvolvimento e crescimento organizacional.

Taylor e Wilson (apud BELLUZO E MACEDO, 1993) fazem uma analogia
entre serviços oferecidos em unidades de informação e os serviços de venda a
varejo em uma loja, em que qualidade é reconhecida pelo cliente em termos de
facilidade de locomoção, sinalização clara, estoque atualizado e de fácil acesso e,
muito importante, de pessoal capacitado para o atendimento.

A excelência no atendimento está pautada na qualificação e educação
contínua, sem isto, alerta McGee e Prusak (1994) poderá haver um distanciamento
entre as exigências organizacionais e as práticas adotadas. A capacitação é vital
para qualquer funcionamento de uma organização. O benefício obtido pela aplicação
de educação ou treinamento contínuos pode ser traduzido em ações relevantes para
a organização em termos de padrões de qualidade obtidos através do desempenho
dos processos e das atividades desenvolvidas.

Na maioria das unidades de informação a questão de uma educação
continuada, sendo ela individual ou coletiva, é quase sempre de maneira iniciante, ou
seja, é feita para atender a uma necessidade emergencial ou particular. Não
havendo uma preocupação maior com as diretrizes e a missão da instituição.

Nas bibliotecas, o enfrentamento dessas questões está na realização de
cursos ou treinamentos junto aos trabalhadores que atendem os usuários.

2 TREINAMENTO CONTÍNUO

Muitas vezes os funcionários das bibliotecas são tidos como “guardadores” de
livros. Na verdade vai muito além disto, eles atendem o público, orientam pesquisas,
zelam pelo acervo e procuram superar uma série de dificuldades para que se faça o
melhor uso possível do acervo. Mesmo aqueles que não possuem muitos

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conhecimentos da área biblioteconômica, conseguem desenvolver bem o trabalho,
porque possuem formação básica suficiente para realizarem tudo que a função
exige. No entanto, percebe-se a importância de um mínimo de capacitação e
atualização, pois sem ela a primeira conseqüência é a sub-utilização do acervo, o
que pode resultar no mau emprego de recursos.

Nesse contexto, o treinamento deve ser uma constante preocupação da
organização, no caso a Biblioteca, com a realização de treinamentos voltados
diretamente ao foco da situação ocorrida, ou seja, não implementar “pacotes
fechados” que não são adequados à realidade e que no final, não irá atingir as
pessoas envolvidas. Implica em mudanças de atitudes e de comportamentos.
Portanto, não deve ser objeto de palestras periódicas ou isoladas, mas sim de um
contínuo e dinâmico processo de interação e acompanhamento. É fundamental que
seja adequado ao público ao qual se destina.

Conclui-se, portanto, que o treinamento provoca resultados bilaterais e
somente será válido quando a instituição e seus empregados puderem, ao longo do
tempo, se beneficiarem mutuamente desses resultados. Por isto, é recomendável
que a Biblioteca de Manguinhos em face da pluralidade de funcionários e diversidade
de acervos, implemente um programa de treinamento que se dedique a transmitir
conhecimentos com vistas a suprir deficiências, estimular e desenvolver habilidades
e potencialidades, objetivando um crescimento profissional e cultural do indivíduo
assim como da organização, no que tange à obtenção e manutenção de mão-deobra mais qualificada e preparada para assimilar e superar desafios.

3 A LINHA DE FRENTE DA BIBLIOTECA DE MANGUINHOS

Com o constante desenvolvimento do ensino e das várias pesquisas que são
realizadas na FIOCRUZ, a Biblioteca está sempre procurando aprimorar os seus
recursos tecnológicos e informacionais de forma que possa atender a contento os
seus pesquisadores. Existe por parte da Instituição um alto investimento de recursos

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financeiros para a aquisição de material bibliográfico, equipamentos e recursos
humanos. Isso, porque mesmo com o advento da Internet, em que milhares de
informações estão disponíveis para os usuários em seus diversos endereços
eletrônicos, a biblioteca ainda continua sendo o principal centro disseminador da
coleção de periódicos, através das informações contidas em periódicos em papel,
CD-ROM ou eletrônicos obtidos por assinatura. Através da biblioteca os usuários
têm acesso aos milhares de artigos científicos ou especializados que são escritos e
publicados diariamente nas diferentes revistas que fazem parte do seu acervo.

A equipe de atendimento da Biblioteca contribui na busca de informações para
as pesquisas bibliográficas dos profissionais e pesquisadores na produção de seus
trabalhos científicos. Entretanto, para que a Biblioteca possa desenvolver e oferecer
os seus produtos e serviços com qualidade, além de equipamentos, mobiliários
adequados para uso, recursos financeiros e materiais, são necessárias equipes
treinadas e qualificadas.

Porém, apesar de todos os investimentos aplicados na Biblioteca, constatouse que no decorrer da realização das buscas bibliográficas diárias, havia muitas
dúvidas por parte de alguns integrantes das equipes que trabalham com o
atendimento ao usuário.

Apesar dos esforços do Processamento Técnico em

disponibilizar na base de dados os materiais bibliográficos, com as suas informações
mais relevantes, muitas vezes estes registros ou parte das informações registradas
não eram recuperadas. Para o setor do Processamento Técnico esta constatação
não era esperada, pois sua equipe sempre trabalhou de forma minuciosa para que
todos pudessem acessar os registros bibliográficos sem maiores dificuldades.

Atualmente a equipe de atendimento da Biblioteca de Manguinhos é
constituída por dois grupos: 08 (oito) bibliotecários (servidores, estagiários, bolsistas
e terceirizados) e 12 (doze) técnicos de nível médio (servidores e terceirizados). No
total são 20 profissionais, sendo 07 (sete) portadores de deficiência auditiva. Os
profissionais estão distribuídos pelas seguintes seções:

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a) Seção de periódicos: 02;
b) Seção de Livros e de Referência: 02;
c) COMUT/ Bases de dados: 06;
d) Reprografia: 04;
e) Armazéns A e B: 05;
f) Recepção: 01.

Após contatos com alguns desses funcionários sobre as dificuldades
apresentadas, percebeu-se que o problema ocorria não por causa do software em si.
A maioria das dúvidas era basicamente de interpretação dos dados bibliográficos dos
periódicos e dos itens da coleção inseridos na base, e também por causa das várias
versões do software implantadas no decorrer dos anos, nas quais nem todos tiveram
a facilidade de treinamento, principalmente os funcionários terceirizados da
Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (FENEIS), que são
portadores de deficiência auditiva e que nem sempre tiveram a oportunidade de
participar dos treinamentos. Outra dúvida surgida era o arranjo nas estantes dos
armazéns, principalmente em relação às publicações que variam de títulos.

Outra dificuldade refere-se ao fato de que o acervo de periódicos é muito rico
e antigo, com publicações em vários idiomas (inglês, francês, espanhol, alemão,
italiano e também russo, holandês, chinês, japonês), muitos originados dos séculos
XVIII, XIX e XX. Alguns deles, ao longo dos anos, foram variando de título. Esta
particularidade do acervo mostra a necessidade de um conhecimento específico por
parte da equipe da linha de frente.

Viu-se, então, a necessidade de capacitação e reciclagem dessa equipe por
parte do Processamento Técnico. A primeira experiência realizou-se de forma
incipiente em 2003, sob o título de “Orientação à pesquisa bibliográfica de periódicos
na Base de Dados”. Em 2005, houve outro treinamento denominado “Treinamento
da Base Acervos online”. Ambos foram bem recebidos e muitas dúvidas foram
esclarecidas. Porém, nem todos os funcionários e, principalmente, os deficientes

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auditivos participaram. Nestes mini-cursos, por inexperiência em treinamentos, não
houve uma preocupação imediata com a pluralidade da equipe do atendimento.
Mesmo assim, o resultado foi positivo e além de esclarecer sobre o uso efetivo da
base de dados, houve sugestões para a melhoria da base, que foram aceitas e
efetivadas.

Como em qualquer organização, as equipes são mutáveis e no decorrer do
tempo alguns funcionários saíram e houve mudanças de versões do software
utilizado. Como o uso da informação é um recurso estratégico na Instituição, fica
claro que a Biblioteca deve promover atualização no que concerne ao atendimento
das necessidades informacionais dos seus usuários, pois o trabalho de atendimento
é contínuo.

Essas mudanças de cenários apresentam a necessidade de uma educação
continuada de forma permanente.

A partir da constatação desses fatos, é sugerida uma maior inserção das
equipes de apoio nos treinamentos, de forma que a Biblioteca possa continuar a ser
um centro de excelência no atendimento ao usuário.

4 PROGRAMA CONTÍNUO DE TREINAMENTO

A necessidade de capacitação e reciclagem de forma periódica para a equipe
de trabalho e em função da constante rotatividade dos funcionários, sugere a criação
de treinamentos contínuos por parte do Serviço de Processamento Técnico com o
objetivo de uma melhor utilização dos recursos tecnológicos instalados na Biblioteca.

Porém, antes de propor a elaboração do Programa Contínuo de Treinamento,
é necessário fazer um diagnóstico, que, segundo Maciel (2000), permite a visão da
realidade do foco e a localização dos problemas, possibilitando a tomada de
decisões e o direcionamento do trabalho. Esta é a melhor forma de avaliar as reais

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necessidades do grupo, que, conforme mencionado anteriormente, é composto por
profissionais diversos, incluindo os portadores de deficiência auditiva. O diagnóstico
será baseado nas seguintes ações:
a) estabelecer o perfil do grupo a ser treinado;
b) determinar os objetivos do treinamento;
c) identificar os componentes do grupo com maior grau de dificuldade durante as
pesquisas bibliográficas

realizadas através do software utilizado pela

Biblioteca;
d) verificar se os dados bibliográficos contidos no registro bibliográfico são de
fácil entendimento;
e) verificar o grau de conhecimento das equipes dos campos básicos do registro
bibliográfico;
f) levantar as dúvidas mais freqüentes.

Após análise do diagnóstico implementa-se a proposta do Programa com suas
principais diretrizes:
a) adequar o treinamento às necessidades informacionais da equipe;
b) definir a metodologia e o material de apoio a ser utilizado durante o
treinamento, de forma que atenda aos diferentes grupos profissionais;
c) solicitar a participação de um tradutor da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS)
para que todos os portadores de deficiência, possam efetivamente participar
do curso;
d) estabelecer periodicidade dos treinamentos;
e) avaliar e acompanhar os resultados pós-treinamentos;
f) rever e atualizar a metodologia e o material didático utilizados nos
treinamentos;
g) rever e atualizar periodicamente as diretrizes do programa.

Nota-se que o treinamento é um estímulo e deve estar vinculado a uma meta.
Esta meta deve justificar a ação de treinamento e este deve incentivar a conquista do
resultado esperado. Todo treinamento deve incentivar a adoção de uma nova atitude,

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uma nova habilidade ou um novo conhecimento a ser aplicado no trabalho,
agregando-lhe algum valor.

5 CONCLUSÃO

A educação é um processo que não termina e é sempre o melhor
investimento. O objetivo do treinamento é fazer com que o profissional atualize-se
dentro das suas funções, potencializando a motivação e o interesse pelo trabalho.

A constante atualização do funcionário, em seu local de trabalho, promove sua
transformação, gerando comportamentos e atitudes positivas em consonância com
as metas e diretrizes da organização.

A implantação do “Programa Contínuo de Treinamento” permite maior
qualificação dos profissionais, e em decorrência, melhor utilização do acervo e uso
das ferramentas tecnológicas informacionais.

Ressalta-se que esse programa reforça a comunicação entre o trabalho
executado pelo Setor de Processamento Técnico de Periódicos e pelo Setor de
Atendimento ao Usuário, promovendo benefícios e agregando valor para ambos os
serviços. Com base neste feedback, além de re-avaliar as necessidades e
prioridades desses setores, o programa gerará mudanças e fornecerá subsídios que
podem ser incorporados a um futuro planejamento organizacional.

O processo de treinamento, seja para bibliotecários ou auxiliares, faz com que
o potencial de cada um seja valorizado, fortalece as competências, as habilidades e
qualidades de cada indivíduo promovendo o relacionamento com os usuários
externos e internos da unidade de informação.
Mediante o relato das experiências vivenciadas, espera-se que este trabalho
possa contribuir para a melhoria da qualidade dos serviços executados, colaborar na

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capacitação profissional das equipes, no apoio ao desenvolvimento cientifico, do
ensino e da pesquisa, enfim, no cumprimento da missão da Biblioteca.

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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informação: contribuição para uma base teórica. Ciência da informação. Rio de
Janeiro, v.22, n.2, p.124-132, maio/ago. 1993.
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v. 9, n.1, p. 187-203, jan./abr. 2002.
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FRIEDMANN, LM. Histórico da Biblioteca de Manguinhos. Rio de Janeiro,
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MACIEL, A. C. Planejamento de bibliotecas : o diagnóstico. 2.ed. Niterói : EDUFF,
1997. 96 p.
MACIEL, A. C. ; MENDONÇA, M. A. R. Bibliotecas como organizações. Rio de
Janeiro : Interciência, 2000. 96 p.
MARINHO, S.M.O.X. et al. Atendimento ao cliente. 2003. Trabalho apresentado
como requisito parcial para aprovação na Disciplina Fundamentos da Qualidade,
Curso de PG “Lato sensu” Gestão Estratégica e Qualidade, Universidade Cândido
Mendes, 2003.
MARINHO, S.M.O.X. Orientação à pesquisa bibliográfica de periódicos na base
de dados. Rio de Janeiro, 2003. Relatório.
______. Avaliação da representatividade em fontes secundárias de informação:
[redes de cooperação]: o caso da Biblioteca de Manguinhos. 2004, 38 f. Trabalho
de Conclusão de Curso (Especialização) – Gestão Estratégica e Qualidade,
Universidade Cândido Mendes, 2004.
Mc GEE, J. ; PRUSSAK, L. Gerenciamento estratégico da informação. 4. ed. Rio
de Janeiro : Campus, 1994. 24 p. (Série Gerenciamento da Informação).
OLIVEIRA, T. M. ; MARINHO, S. M. O. X. Treinamento da base Acervos online.
Rio de Janeiro, 2005. Relatório.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Trata da importância do treinamento contínuo no ambiente de trabalho da Biblioteca de Manguinhos da Fundação Oswaldo Cruz. Observa-se as questões relativas à melhoria da qualidade dos serviços, mediante o desenvolvimento da capacidade da linha de frente da biblioteca na utilização das novas ferramentas tecnológicas. Na biblioteca, como em qualquer organização, não basta investir em tecnologia e em equipamentos de última geração, é necessário capacitar suas equipes no uso efetivo dessas novas ferramentas, visando o crescimento organizacional assim como a qualidade dos serviços prestados ao usuário. Apresenta uma proposta metodológica para a elaboração de um programa de treinamento contínuo para as equipes de linha de frente da biblioteca, de forma a contribuir para o desenvolvimento de um trabalho cooperativo.</text>
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                    <text>UM AGENTE DE CONVERSAÇÃO PARA O SERVIÇO DE
REFERÊNCIA DIGITAL
Gustavo Henrique do Nascimento Neto*
Guilherme Ataíde Dias**

RESUMO

O Serviço de referência digital apresenta novas formas de mediar à interação com o
usuário. Os softwares de mensagens instantâneas são um importante meio tecnológico para
isso, pois possibilitam uma comunicação síncrona, aumentando as chances de sucesso do
processo de referência. Porém, não é possível manter bibliotecários de referência
disponíveis durante o mesmo tempo que o serviço de referência digital. Este trabalho
propõe a construção de um chatbot, robô de conversação para atuar no serviço de
referência digital para a Biblioteca da Procuradoria Regional do Trabalho da 13ª Região.
Foi realizado um estudo exploratório a fim de definir aspectos como interface e
personalidade, e identificar quais os tipos de consulta e as etapas do serviço de referência
que o chatbot poderá atender satisfatoriamente.
Palavras-Chave: Serviço de Referência Digital. Chatbots. Tecnologia da informação.

1 INTRODUÇÃO

O serviço de referência é, em curta definição, um processo baseado em perguntaresposta. Porém, por envolver, sempre, uma questão de informação, é um processo
complexo. Envolve, de um lado, o usuário que lança a questão, e, de outro, a unidade de
informação que irá respondê-la. Intermediando o processo, está o bibliotecário de
referência. É ele o responsável por tornar a questão do usuário inteligível ao ambiente da
unidade de informação. Por isso, a negociação da questão é tão importante, pois é nesta
etapa que, de acordo com Grogan (1995) "o usuário irá negociar sua questão com o
interlocutor, para que se chegue a um acordo sobre a forma mais inteligível de apresentála. Uma questão mal formulada poderá acarretar o malogro do processo de referência.”

*Especialista em Gestão em Unidades de Informação/UFPB, Bibliotecário da Procuradoria Regional do Trabalho 13ª
Região – Av. Desembargador Souto Maior, 244 – Centro – João Pessoa - Paraíba – Brasil – CEP:58013-190.
(gustavohenn@gmail.com)
** Doutor em Ciências da Comunicação /Ciência da Informação/USP – Professor adjunto do Departamento de
Biblioteconomia e Documentação/UFPB - Centro de Ciências Sociais Aplicadas - Campus I - Cidade Universitária - S/N
João
Pessoa
Paraíba
Brasil
Cep:
58.059-900.
(guilhermeataide@gmail.com)

�Em um ambiente web, uma biblioteca digital ou mesmo um periódico eletrônico, o
usuário não conta com esse tipo de serviço de mediação. Ele é obrigado a confrontar sua
questão diretamente contra o acervo digital. E isso acarreta o malogro lembrado por
Grogan(1995).
Para solucionar isso, criou-se, nos EUA e Reino Unido, ainda na década de 90, um
serviço de referência digital por chat, com bibliotecários atendendo usuários em tempo
real. Logo surgiram ressalvas, da ordem de recursos humanos: um bibliotecário atende de
forma adequada uma quantidade pequena de usuários; um ambiente web fica online 24 por
dia, 7 dias semanas, poucas bibliotecas podem contar com uma equipe de bibliotecários
trabalhando pelo mesmo período.
Isso levou Bankhead(2002) a vislumbrar três possibilidades para o futuro desse
serviço:

O primeiro buscando tornar a interação entre usuário, bibliotecário e o meio,
mais real, com um atendimento pessoa-a-pessoa, individualizado, através da
internet, com uso de vídeo. O segundo é a possibilidade de fazer a interação de
referência totalmente artificial, com uso de ambiente virtuais 3D, por exemplo,
que forneçam ao usuário conteúdos textuais, visuais e auditivos. A terceira tem
um grande potencial: o uso de algum tipo de agente autônomo ou inteligência
artificial para prover o serviço de referência ou auxiliar os humanos com alguma
das repetitivas tarefas do serviço de referência.

Esta terceira possibilidade foi analisada por Zick (2001), que identificou algumas
semelhanças entre bibliotecários - agentes humanos -, e agentes autônomos – softwares -,
na prática do serviço de referência digital:

Tanto agentes humanos quanto softwares começam a atingir um objetivo ou
resolver um problema construindo a representação situacional de um problema.
Agentes softwares criam essa representação usando o conhecimento de técnicas
de representação como a lógica do ordenamento primário e a do predicado.
Agentes são guiados para seus objetivos: eles procuram resolver um problema
específico, satisfazer uma necessidade específica. O contexto é de fundamental
importância para os dois agentes; objetivos e recompensas dependem da
situação.
[...] O trabalho dos agentes, tanto humanos quanto softwares é de natureza
interativa. Ao checar resultados, há muitas perguntas e respostas. Os agentes
mecanizados usam inteligência artificial para atingir a otimização dos seus
objetivos. Bibliotecários alcançam a otimização através do empenho para obter
resultados relevantes rapidamente e com o melhor custo-benefício. Os dois
agentes trabalham em mundos incertos. Seus ambientes são dinâmicos e os
próprios agentes afetam o estado da informação.

�Valauskas (apud ZICK, 2000) mostra como os agentes inteligentes podem
acrescentar ao trabalho do profissional bibliotecário:

Agentes inteligentes podem atuar como catalisadores para elevar o papel dos
bibliotecários como a aurora do próximo século, anunciando um renascimento na
ciência da informação e biblioteconomia. Bibliotecários já estão representando
novos papéis como fornecedores de conteúdos, estrategistas de pesquisas,
catalogadores digitais e mecânicos da informação. Esses papéis vão se ampliar, e
novas oportunidades vão surgir, com o desenvolvimento dos verdadeiros
“agentes inteligentes” que se constroem através da experiência de bibliotecários e
profissionais da informação.

Para tanto, é preciso que os próprios bibliotecários e cientistas da informação
desenvolvam agentes para atuarem de forma conjunta na diversidade de serviços de
informação que podem oferecer.

1.1 METODOLOGIA

Metodologia é o conjunto de métodos empregados para a realização de qualquer
atividade. Para Gonsalves (2001), a questão metodológica é ampla e indica um processo de
construção. Portanto, uma metodologia de pesquisa deverá prever os passos que a pesquisa
deverá seguir para atingir os objetivos a que se propõe.
Este estudo, intitulado " Um agente de conversação para o serviço de referência
digital" pretende explorar a criação de um chatterbot(robô de conversação) no serviço de
referência online da biblioteca da Procuradoria Regional da 13ª Região.
Tem-se, portanto, três pontos(variáveis) a serem pesquisados, sendo dois em seu
estado da arte: Chatterbots e Serviço de referência online, e o outro um caso a ser estudado
a partir das variáveis anteriores: gestão de unidades de informação utilizando chatbots no
serviço de referência.
Dentre os diversos tipos de pesquisa que podem ser adotados para este estudo, a
pesquisa exploratória utilizando o método bibliográfico é o que melhor se adequa aos
objetivos pretendidos. A pesquisa exploratória visa proporcionar ao pesquisador uma
maior familiaridade com o problema em estudo. Este esforço tem como meta tornar um
problema complexo mais explícito ou mesmo construir hipóteses mais adequadas. Para
Malhotra (2001), o objetivo principal é possibilitar a compreensão do problema enfrentado

�pelo pesquisador. Logo, por ser um estudo primário, sem antecendentes conhecidos no
Brasil, este tipo de pesquisa faz-se de alta relevância para que se possa criar alicerces
futuros para este assunto - uso de chatbots no serviço de referência - no país.
A pesquisa exploratória pode utilizar-se de vários métodos: levantamentos
bibliográficos, levantamentos de experiência, estudos de casos selecionados e observação
informal (a olho nu ou mecânica). Por se tratar de assunto de ampla discussão em outros
países, em especial Estados Unidos, ainda que no Brasil já haja um número razoável de
textos sobre chatbots aplicados a outros de tipos de serviço, torna-se imprescindível uma
pesquisa exploratória bibliográfica, que busque os principais textos na literatura corrente,
nacional e internacional, e neles identificar os usos dessa ferramenta - chatbot - em
serviços de informação, bem como também conhecer o estado atual do serviço de
referência, identificando novos tipos, novas funções, para que possam ser confrontados
com os resultados obtidos na pesquisa sobre chatbots. Aí constituindo-se a primeira parte
da pesquisa.
Portanto, a primeira parte da pesquisa exploratória bibliográfica irá identificar:
•

A gênese e a evolução dos chatbots;

•

A gênese e a evolução do Serviço de referência;

•

As aplicações dos chatbots do seu surgimento até o momento;

•

Os diversos tipos de Serviço de referência atuais.
A segunda parte será a discussão de um estudo de caso, no intuito de aplicar as

utilidades de um chatbot no serviço de referência à gestão da biblioteca da PRT da 13ª
Região, e encontrar vantagens e desvantagens na sua utilização.
Para tal, será necessário definir:
•

O contexto em que se encontra a Procuradoria Regional do Trabalho da 13ª Região;

•

O papel da unidade de informação(biblioteca) na PRT 13;

•

O estágio atual do serviço de referência na biblioteca da PRT 13;

•

Os tipos de consulta que o chatbot de referência poderá atender;

•

As etapas do serviço de referência que o chatbot de referência deverá atender;

�•

A personalidade que o chatbot terá que desenvolver;

•

Quais atividades do serviço de referência da biblioteca da PRT 13 caberão e poderão
ser atendidas pelo chatbot;

•

A interface do chatbot de referência.

2 O TRADICIONAL SERVIÇO DE REFERÊNCIA

O Serviço de Referência (SR) deve ser estudado como o responsável por
transformar o bibliotecário guardador de livros no bibliotecário como é conhecido
modernamente. Um profissional da informação, mais preocupado com seu conteúdo que
com seu suporte. Este momento aconteceu quando o usuário da biblioteca perguntou ao
bibliotecário não onde está o livro?, o que desqualifica, em parte, a recuperação da
informação como virtude da biblioteconomia, uma vez que um almoxarife também é
responsável por saber o onde de seus materiais, e para isso utiliza-se de instrumentos
primordiais da biblioteconomia, como catálogos e índices. Mas não é isso, apenas, o
serviço de referência. Não foi com esta pergunta que se iniciou a referência, que originou a
mediação da informação. Foram perguntas como, este livro é mesmo bom? Este autor
ainda é vivo? Este livro está atualizado? Este livro é melhor do que aquele outro? Quem
foi que já leu este livro?
São perguntas que os bibliotecários de referência podem responder com segurança
em uma unidade de informação. Como também podem ter que responder, com a mesma
presteza, perguntas factuais como “a que horas fecha a biblioteca?” ou “onde fica a saída
de emergência?” Podem respondê-las não por que deram-lhe um diploma para isso. E sim
por que a experiência e a vivência na biblioteca lhes permitiram um contato eqüitativo com
pessoas e com livros. Com pessoas em busca de livros, e livros à procura de pessoas.
A biblioteconomia moderna, baseada na informação, no conteúdo, e em seus
usuários, serve-se do serviço de referência para funcionar. E este, por seu turno, utiliza-se
do conhecimento dos instrumentos da biblioteconomia para ser de excelência. Uma mútua
alimentação, da qual se favorece o usuário.
O SR pode ser considerado uma atividade nova na biblioteconomia. Seu início, de

�acordo com Grogan (1995), situa-se em meados do século XIX e está intimamente ligado à
industrialização, ao aumento da alfabetização e à criação das bibliotecas de acesso público,
em especial no Reino Unido e nos Estados Unidos.
Ainda segundo Grogan(1995), o primeiro trabalho publicado sobre SR data de
1876. Um texto de Samuel Swett Green, lido durante a Centennial Conference of
Librarians, na Filadélfia. O título: A conveniência de promover um relacionamento
pessoal entre bibliotecários e leitores em bibliotecas populares.
O SR é a atividade responsável por identificar necessidades de informação dos
usuários e buscar soluções para atendê-las. O SR identifica essas necessidades a partir de
métodos como observação e entrevista com o usuário, a serem detalhados mais adiante, e
busca encontrar a solução para elas nos recursos da biblioteca, inclusive humanos.
O SR é, em suma, um processo de pergunta-resposta, problema-solução, sempre em
volta de uma questão de informação ou, melhor ainda, uma questão de referência.

2.2 SERVIÇO DE REFERÊNCIA ONLINE

As tecnologias ajudam bastante o serviço de referência, que é baseado em perguntaresposta, embora, como visto acima, nem sempre seja simples assim. É, em muitos casos,
um processo demorado, que consome tempo entre a pergunta recebida pelo serviço(a
questão inicial) e a resposta oferecida por ele(a solução). Entretanto, também como está no
capítulo anterior, essa questão inicial pode ser uma consulta de fácil resolução, como
acontece de ser uma consulta de caráter administrativo(a biblioteca fecha para almoço?)
Pensando em atender melhor o público, inclusive para essas questões, o SR passou
a contar com as tecnologias de comunicação possíveis, sendo o telefone uma das primeiras.
Depois, vieram os computadores e a internet. E foi preciso dar nome aos novos serviços,
ou melhor, denominar as novas formas de oferecer o serviço de referência.
Três nomes são muito utilizados para esse novo serviço: referência digital,
referência eletrônica e referência virtual. As suas definições são muito parecidas entre si.

�Para Lanke (apud FERREIRA, 2002) “Referência Digital diz respeito a uma rede
de conhecimentos técnicos, intermediação e recursos colocados à disposição de alguém
que procura informação num ambiente em linha.” Já Sears (2002) coloca a referência
digital como “serviço de pergunta-resposta baseado em internet, que conecta usuários e
especialistas”. Saunders (2001) diz algo parecido: “mecanismo pelo qual as pessoas podem
enviar perguntas e obter respostas através de e-mail, chat ou formulários web”.

2.2.1 Referência por Chat

A referência digital por meio de chat consiste em fazer um atendimento ao cliente
por meio de conversação em tempo real, à distância. Pode vir acompanhado por vídeo e/ou
áudio, que aumentam a interatividade. Isso favorece a negociação da questão, pois é
preciso algumas trocas de informação para se chegar ao cerne da questão do usuário, e
quanto mais formas de expressão possíveis (auditiva e visual) melhor para o processo.
De acordo com Arellano (2001), esses serviços surgiram nos EUA na década de
1980, ao mesmo tempo que as bibliotecas colocavam seus catálogos na internet. Eram
perguntas enviadas por e-mail, antecedente à WWW. Com o que concorda Bankhead
(2002), ao afirmar que a “referência digital antecede a internet”. Já no final dos anos
noventa, os Ask a librarian expandiram-se e passaram a ganhar destaque nos websites das
bibliotecas. Como diz o REPORTE (1999) da Universidade da California, Irvine, em 1998
“aproximadamente 100 bibliotecas já tinham o incluído entre seus serviços, e as estatísticas
de acesso não paravam de crescer”. Quem responde essas perguntas é o bibliotecário de
referência, e, já em 2001 (ARELLANO, 2001), algumas bibliotecas passaram a oferecer o
serviço 24 horas por dia. Para Bakker (2002), são três as formas de oferecer o serviço de
referência digital por chat: 1 – com softwares populares, como o MSN; 2 – Com uma sala
de chat; 3 – Com um software direcionado à instituição, como o LivePerson.

3 CHATBOTS: máquinas podem falar

Um dos grandes sonhos do imaginário coletivo humano é, sem dúvida, criar um ser
à sua imagem e semelhança, porém, não-humano. A literatura registra isso desde tempos

�remotos, e o Frankstein, de Mary Sheley, publicado pela primeira vez em 1818 é, se não o
mais antigo, o mais conhecido personagem.
Ainda está-se distante da criação um monstro que ganhe vida através da energia
captada por meios de fios ligados a uma pipa no céu, à procura de raios. No entanto, muitas
outras evoluções tecnológicas possibilitam máquinas simular certas características e
sentidos humanos. Máquinas podem falar, andar, dançar, brigar, pular, voar. Não fazem
isso com a mesma desenvoltura de um homem, e sim de forma limitada, direcionada a
algum objetivo pré-definido. Então, é possível programar um computador para dar bom
dia, boa tarde ou boa noite assim que um cliente entra em seu estabelecimento. Porém,
fazer mais do que isso, já não é tão simples. Certo?
Errado. Desde a década de 60 do século XX, desenvolve-se chatbots(do inglês
CHATTER=tagarelar + ROBOT=ROBÔ), que são robôs de conversação - ou ainda agentes
de conversação (LEONHARDT, 2005) - que buscam simular um diálogo com humanos e,
também, com outros robôs, em linguagem natural.
Para serem considerados agentes, Franklin (apud LEONHARDT, 2005) definiu
algumas características, a saber:

Autonomia: um agente autônomo deve ter controle sobre suas ações. Um agente
pode ser autônomo em relação a outros agentes ou a um ambiente;
Pró-atividade: capacidade de tomar a iniciativa para atingir seus objetivos, não se
limitando apenas a estímulos do ambiente;
Reatividade: capacidade de reação a estímulos e mudanças dentro do ambiente
no qual encontra-se inserido;
Continuidade Temporal: possibilidade de permanecer continuamente ativo;
Capacidade Social: a sociabilidade implica na comunicação de um agente com
outros agentes ou com humanos. A capacidade de comunicação pode levar a uma
necessidade de cooperação e negociação entre agentes, que, por sua vez, são
características que devem estar presentes em agentes quando necessário;
Capacidade de Adaptação: possibilidade de alterar o comportamento baseado na
sua experiência. Este processo também é conhecido como aprendizagem;
Mobilidade: capacidade do agente de se mover dentro de um ambiente;
Flexibilidade: habilidade de escolher dinamicamente uma ação ou sequência de
ações em resposta a um estado do ambiente no qual se encontra.

Leonhardt(2005) explica que apesar da definição dessas características, os agentes
não precisam apresentar todas elas. No entanto, ela observa, ainda citando Franklin, que
autonomia, reatividade e continuidade temporal são fundamentais para uma caracterização
adequada de agentes.

�3.1 O TESTE DE TURING

Foi em 1950 que o matemático britânico Alan Turing propôs o jogo da imitação
para responder a questão “Can machines think?”. Para tanto, diante da dificuldade de
definir o que é máquina e o que é pensar, decidiu aplicar o jogo da imitação para responder
aquela questão. Esse jogo, bastante parecido com uma brincadeira infantil, conhecida em
certas regiões como detetive, consiste em reunir 3 pessoas, onde A será uma mulher, B será
um homem e C será um interrogador. O investigador fica numa sala separada dos outros
dois. O objetivo do investigador C é descobrir qual de A e B é o homem e qual a mulher.
Toda a comunicação será escrita(claro que sem ser manuscrita). Então o investigador
poderá fazer perguntas do tipo “Qual o tamanho dos seus cabelos?”, que qualquer criança
sabe não ser a melhor escolha, por ser uma resposta de fácil mentira. E a mulher poderá
dizer “Não acredite nele, eu sou a verdadeira mulher”, mas isso o homem poderá fazer da
mesma forma. Uma boa pergunta, e disto qualquer criança sabe, é aquela que toca no
emocional de um homem ou de uma mulher, e que, provavelmente, dificultaria uma
mentira convincente, algo como “O que você faria se fosse traído pelo amor da sua vida?.
Turing (1950) então diz:

O que acontecerá quando uma máquina ocupar o lugar de A nesse jogo? O
investigador irá errar tão frequentemente como quando este jogo é disputado
entre um homem e uma mulher? Essas questões substituem a original, ´podem
as máquinas pensar?.

Em 1991, foi criado o prêmio Loebner, para avaliar o desempenho dos chatbots
durante o teste de Turing. É um prêmio anual e serve de termômetro para as pesquisas da
área. Os chatbots tentam iludir os jurados, dando respostas da forma mais humana possível.
Mauldin (apud LEONHARDT, 2005) afirma que para dar essa ilusão de
inteligência e fluência, suficiente para enganar um examinador por algum tempo, fazem
uso de diversas estratégias, entre elas: Manter a iniciativa através do constante
questionamento;
•

Incluir partes da pergunta do usuário na formação da resposta;

�•

Mudar o nível de conversação através de perguntas que aprofundem o diálogo, como,
por exemplo: "Porque você me perguntou isto?";

•

Permanecer maior tempo possível no mesmo tópico, questionando o interlocutor
quando o mesmo surpreendentemente mudar o assunto;

•

Começar um novo tópico quando a conversa se tornar muito repetitiva;

•

Fazer comentários controversos e humorísticos sobre algum assunto que seja foco da
conversação.
Isso somente acontecerá se o computador possuir as seguintes capacidades:

Processamento de linguagem natural: para habilitá-lo a se comunicar com
sucesso em inglês(ou qualquer outra linguagem humana);
Representação do conhecimento: para armazenar informação adquirida antes ou
durante o diálogo;
Raciocínio automatizado: para usar a informação armazenada para responder
perguntas e puxar conclusões novas;
Aprendizagem automática: para se adaptar às novas circunstâncias e detectar e
extrapolar padrões.
(RUSSEL; NOVIG, 1995)

4.2 PROPOSTAS PARA CONSTRUÇÃO

4.2.1 Interface

Interface, de acordo com Catalan Vega (2000), “é o que o usuário vê do sistema”. É
ela que tem a responsabilidade de tornar o software usável pelo usuário, transformando
aquela imensa combinação de dígitos binários em algo amigável. Ou seja, ainda segundo
Catalan Vega (2000), a interface é uma metáfora, pois pretende oferecer ao usuário um
esquema conceitual familiar. Um rosto, um desenho, ou mesmo uma caixa de entrada de
texto, a mais utilizada interface para chatbots.
A proposta é que a interface seja o desenho de uma personagem, a ser denominada
no próximo tópico. Para atender ao meio, a personagem deverá estar vestida com cores
sóbrias(de preferência cinza ou preta), e de terno, sendo apresentada do busto acima. A
inclusão de óculos também acrescentará um toque de intelectualidade, pois esta
personagem será, aos olhos leigos, uma bibliotecária. Dessa forma, terá sido extraída de

�um meio físico coerente - a biblioteca -, e espera-se conseguir o tom emocional adequado
tanto à Procuradoria Regional do Trabalho da 13ª Região, quanto à Biblioteca. E, por isso,
não deverá ser confundida com outro tipo de personagem de qualquer outra instituição.
Para motivar o usuário a se comunicar, deverá ter uma postura facial aberta,
acessível, com um sorriso simples e olhos bem abertos, como forma de mostrar atenção.
Expressões carrancudas não são indicadas de forma nenhuma.

4.2.2 Personalidade

Todo ser humano é dotado de personalidade. São características individuais de
comportamento diante dos fatos e acontecimentos, que o tornam único. Ao se pensar em
construir um chatbot para interagir com seres seres humanos, é preciso, antes, criar uma
personalidade para este chatbot, para que o embate entre sua personalidade e a dos usuários
torne os diálogos verossímeis.
A personalidade, incluindo atitudes e emoções, é considerada o elemento básico
para a criação de “ ilusão de vida” perante o usuário Reilly; Bates (apud MOURA, 2003).
À medida que os agentes se tornam mais capazes de simular essa ilusão, as ligações sociais
formadas entre agentes e humanos tendem a se tornar mais fortes (ELLIOT; BRZEZINSK
apud MOURA, 2003). Esta ligação social forte é fator determinante do sucesso de
qualquer aplicação de chatbot. É a partir dela que o chatbot poderá influenciar e adquirir
aprendizado de um usuário.
Então, considerando esses cinco fatores, pode-se definir a seguinte personalidade
para o chatbot de serviço de referência da Biblioteca da PRT 13.
Extroversão ou Introversão: É preferível um chatbot, para um ambiente jurídico,
introvertido. Aqui entende-se introvertido no sentido de seriedade, de economia de
palavras. O atendimento no serviço de referência deve ser profissional. Focar-se na questão
de referência a ser respondida. Uma personalidade introvertida irá evitar prolongar-se em
conversas sobre o funcionamento de chatbots, por exemplo, comum na maioria dos robôs
de conversação.

�Socialmente Agradável: Esta característica será responsável pela construção de um
chatbot que faça saudações sempre que iniciar um processo de referência(Como vai você?
Ou Bem vindo, em que posso ajudar?) e se despeça cordialmente(Até logo! Ou Volte
sempre!). Também irá obedecer as já citadas Leis da Robótica adaptadas aos chatbots, na
introdução deste capítulo.
Responsabilidade e Honestidade: Será responsável por dois pontos: fornecer apenas
respostas corretas e atualizadas; e ir até o fim do processo de referência, ainda que tenha
que indicar uma outra biblioteca ou unidade de informação para responder corretamente ao
usuário.
Estabilidade emocional: É o outro ponto que irá observar as citadas Leis da Robótica
adaptadas aos chatbots. Pois o chatbot, por exemplo, não deverá responder uma ofensa de
um usuário com outra ofensa. Isso orientará os desenvolvedores a buscarem respostas que
possam ajudar o usuário a expressar melhor sua questão e, por outro lado, identificar se o
usuário está querendo realmente alguma informação ou apenas irritar o chatbot.
Abertura Intelectual: O chatbot da Biblioteca da PRT 13 deve ter essa característica
aguçada, pois ao buscar mais informações sobre os gostos e desejos do usuário, poderá
captar melhor a necessidade da questão de referência.
Para propor os tipos de consulta que o Chatbot deverá atender, será preciso
identificar

quais

consultas

ele

poderá

responder

do

serviço

de

referência

tradicional(Grogan, 1995) e do serviço de referência digital (LANKES; MCCLURE,
2002).
Do serviço de referência tradicional:
•

Consultas de caráter administrativo e de orientação espacial: é um dos três tipos de
consulta que já ocorrem na Biblioteca da PRT 13ª Região. Para atender de forma
satisfatória esse tipo de consulta, o Chatbot deverá ter os logs de seus diálogos
constantemente analisados, a fim de que se possa acrescentar novas respostas às
consultas novas.

•

Consultas sobre autor/título: é possível colocar todo um acervo em uma base de
conhecimentos em AIML, é verdade. Porém, acontecendo isso, o livro novo teria

�que, além de ser catalogado na base de dados da biblioteca, também deveria ser
catalogado na base do Chatbot. O que é inviável. A proposta é que o Chatbot possua
uma base de conhecimentos com os livros e autores mais procurados(no máximo 20)
e, além disso, indique o endereço eletrônico da base de dados da Biblioteca,
colocando-se à disposição para quaisquer dúvidas e auxiliando a busca.
•

Consultas residuais: esse tipo de questão poderá ser aproveitada para testar a
capacidade de diálogo do Chatbot. Sempre que o usuário levantar uma questão
incoerente, o Chatbot poderá desenvolver uma entrevista de referência, para, quem
sabe, encontrar algum tipo de resposta.

•

Questões irrespondíveis: Terá a mesma função das consultas residuais. Porém, aqui,
o Chatbot será testado a convencer o usuário de que a pergunta é irrespondível.
Do serviço de referência digital:

•

Instrucional: O Chatbot poderá servir de tutor quanto ao uso correto para melhor
aproveitamento de sistemas de buscas na internet e na base de dados da Biblioteca.
Poderá também auxiliar quanto às buscas em outras bases de dados de interesse
jurídico, como as bases de jurisprudência dos Tribunais do Trabalho e na pesquisa
em publicações oficiais, como a Imprensa Nacional.

•

Ready-reference(referência pronta): É o tipo de consulta mais comum em meio
digital. O Chatbot deverá ter sua base de conhecimentos sempre atualizada, e os
logs(registros de acesso deverão ser sem analisados em busca de novas questões. O
Chatbot também poderá indicar a consulta em sites de referência na internet, como a
Wikipédia, e auxiliar a busca.

•

Questões técnicas: Sempre surgirão, pois o ambiente da internet gera muitas dúvidas,
mesmo que sejam de simples solução. E não basta apenas o Chatbot indicar uma base
ou uma outra página, ele deve estar habilitado a responder às possíveis dúvidas de
uso da tecnologia.

5 CONCLUSÕES E TRABALHOS FUTUROS

Desenvolver um serviço de referência digital por meio de chatbot, para a Biblioteca
da Procuradoria Regional do Trabalho da 13ª Região, é viável. Este estudo mostrou que os

�chatbots já obtém bons resultados quando aplicados à assistência ao usuário em ambientes
de compras on-line e educação à distância, sempre solucionando as dúvidas mais usuais.
Alguns aspectos foram explorados para se conhecer o estado atual do serviço de referência
digital e dos chatbots.
Quanto à tecnologia a ser empregada na construção do chatbot, estudou-se os tipos
de chatbots existentes e qual o software que melhor corresponde às expectativas do serviço
de referência digital, baseado em pergunta-resposta.
A melhor opção observada foi o software ALICE e a linguagem de marcação
AIML. Pois trabalham com casamento de padrões de entrada e saída(pergunta-resposta) e
estão sob licença GNU.
O uso da AIML favorecerá especialmente as consultas de referência-pronta(readyreference), que são as mais comuns no serviço de referência digital.
Já para a entrevista de referência será fundamental observar as recomendações da
IFLA para a referência por chat.
A construção de um chatbot de alta performance dependerá de trabalhos paralelos
para seu desenvolvimento tanto de tecnologia como de conteúdo. Pode-se apontar dois
trabalhos interessantes nesses sentidos.
O primeiro diz respeito ao desenvolvimento de uma ontologia que sedimente a base
de conhecimentos do Chatbot de forma estruturada, que facilite a recuperação da
informação sem ruídos que causem desentendimento para o usuário.
O segundo é a integração do Chatbot com outros softwares agentes para criar mais
opções de uso do serviço de referência ao usuário.
Espera-se que esse estudo exploratório sirva para comprovar a necessidade de um
serviço de referência digital mais arrojado, voltado mais para o usuário que para o
bibliotecário.
Os chatbots são apenas robôs, e servirão muito aos bibliotecários que souberem
tirar-lhes proveito de suas qualidades.

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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Nascimento Neto, Gustavo Henrique do; Dias, Guilherme Ataíde</text>
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                <text>O Serviço de referência digital apresenta novas formas de mediar à interação com o usuário. Os softwares de mensagens instantâneas são um importante meio tecnológico para isso, pois possibilitam uma comunicação síncrona, aumentando as chances de sucesso do processo de referência. Porém, não é possível manter bibliotecários de referência disponíveis durante o mesmo tempo que o serviço de referência digital. Este trabalho propõe a construção de um chatbot, robô de conversação para atuar no serviço de referência digital para a Biblioteca da Procuradoria Regional do Trabalho da 13a Região. Foi realizado um estudo exploratório a fim de definir aspectos como interface e personalidade, e identificar quais os tipos de consulta e as etapas do serviço de referência que o chatbot poderá atender satisfatoriamente.</text>
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                    <text>UM ENCONTRO DE ENCANTOS ENTRE OS PROFISSIONAIS DA INFORMAÇÃO.

Maria Aparecida Pardini
Serviço Técnico de Biblioteca e Documentação
Instituto de Biociências – UNESP – Rio Claro – SP
Av. 24-A n. 1515, Bela Vista – Caixa Postal 199
CEP 13506-900 – Rio Claro – SP - Brasil
e-mail: mpardini@rc.unesp.br
Maria Irani Coito
Serviço Técnico de Biblioteca e Documentação
Faculdade de Ciências Farmacêuticas
UNESP/ Araraquara – São Paulo / Brasil
Rodovia Araraquara/Jaú – Km 1
CEP. 14801-902 – Araraquara – SP - Brasil
irani@fcfar.unesp.br

Eixo temático: O Impacto das Tecnologias Eletrônicas e sua Mediação
Sub-tema : A educação continuada dos profissionais da informação.

Resumo:
Mostra a riqueza de conteúdos que o profissional da informação pode explorar e
quantas possibilidades de melhorias ela pode alcançar através do seu potencial.
Leva o profissional a momentos mágicos através de atividade interativa, momento de
relaxamento e conscientização da importância da administração participativa, para
melhorar o ambiente de trabalho. Resgata a importância da capacidade, coragem e
criatividade na vida dos profissionais que desejam melhorar a sua qualidade de vida
e enfrentar com competência o crescente desafio que o mundo informacional nos
apresenta a cada dia.
Palavras-chave : Sucesso
interpessoal; Profissionalismo.

profissional;

Capacidade

verbal;

Comunicação

Estar presente na vida das pessoas, sem invadi-las!
Pensando em compartilhar bons momentos, podemos, de forma geral,
transmitir um pouco do que vivemos durante o curso de aperfeiçoamento
“brincaprende” onde a cada encontro, nos víamos em determinada etapa da infância
resgatando a lembrança tão boa e merecida de ser revivida e vivenciada, até para

�entendermos e sabermos a lidar com as reações das crianças, que são muitas
vezes, a nossa maior força.. Muitos momentos gostosos não precisariam ter deixado
de acontecer, se tivéssemos nos permitido ou se tivessem nos dado a possibilidades
de explorar um pouco do nosso lado criança nas diferentes fases da vida. Logo no
primeiro encontro, onde vivíamos “se brincadeira tem hora, que tal agora”,
trabalhamos com bexigas, resgatando um pouco da pureza que só encontramos na
infância.

Com a missão que “o brincar de João bobo” nos passou e assim por diante,
no decorrer dos 15 encontros de encantos, onde um grupo de 30 pessoas (sendo o
mais diversificado possível): desde professores, seja da pré-escola até a faculdade,
ecólogos, músicos, psicólogos, pedagogos, 1 (um) bibliotecário e 1 técnico em
biblioteconomia, percebemos o quanto somos inacabados, almejando sempre algo
mais. Dizem que o ser humano vive e luta para se completar. Assim como nas
relações familiares, sociais e de trabalho, criamos vínculos que nos completam como
se fossem abraços que nos unem! Somos tão carentes ludicamente e nem nos
damos conta disso!

A diferença é que quando somos crianças, não nos importa que nos vejam e
mostramos que queremos ser vistos, mesmo se estamos enfrentamos o período de
troca de dentes. Você já se imaginou, adulto, sem dente, sorrindo para alguém?
Incomoda, não é? Intimida até! A criança não, ela é ela, é autêntica, canta, dança,
sorri, quer externar-se. Nós, adultos, ao sermos verdadeiros, muitas vezes somos
taxados de ridículos, sabemos que dizem que queremos nos aparecer e isso nos
inibe ou traz revolta, o que não é bom para nenhum dos lados. Quem não consegue
ser, também não consegue permitir, nem respeitar que o outro seja. Quando não nos
esbarramos em nossos próprios limites, alguém nos barra!

A educação não é um processo de adaptação do indivíduo à
sociedade. Adaptar é acomodar e não transformar. O homem
deve integrar-se e não se acomodar. Adaptado ele não se
transforma, inibe-se. O processo de educação que estimula o
velho à transformação é aquele que desenvolve o ímpeto
ontológico de criar. (GRÜNEWALD, 2004, p. 33)

�Feliz aquele que brinca e brinca por aqueles que não conseguem brincar nem
brindar a sua própria felicidade!

“Não basta dar passos que devem, um dia, conduzir ao objetivo: cada passo em si mesmo,
deve ser um objetivo, ao mesmo tempo em que nos levas adiante”. Goethe

Pensando em tudo isso, com as idéias respaldadas em convicções, seguem
alguns acrósticos construídos de palavras fortes, como: coração, coragem e
criatividade, as quais assimilamos e memorizamos, no decorrer da vida e desejamos
ardentemente que faça parte da convicção dos nossos colegas bibliotecários:

Construa um futuro melhor.
Ordene suas idéias.
Realize os seus sonhos.
Amadureça com serenidade.
Tenha fascinaCão pela vida e atinja a
TransformaçÂo com serenidade,
AmOr, respeito e humildade.
Confie, colabore, compartilhe!
Organize-se para agir com originalidade.
Reconheça suas falhas e reorganize-se.
Aprenda com os erros ou fracassos e tenha
Grandiosidade na alma,
Encantamento pela profissão,
Motivação e emoção!
Comunicação clara e franca.
Respeito a si e aos outros.
Iniciativa no trabalho.
Amor pelo que faz.
Transparência nos objetivos.
Integração com a equipe.
Valorização das idéias.
Intuição e insight devem ser considerados.
Determinação em atingir as metas.
Atuar com persistência,
Dedicação, descontração, dignidade e
Encorajamento para enfrentar os desafios.

�Para confirmar o quanto tudo o que vem do coração é gratificante,
fortalecedor e construtivo, mencionamos abaixo um trecho escrito recentemente por
um famoso cronista brasileiro quando observava pela televisão, durante a
reportagem da copa do mundo, os comentários e observações entre Fátima
Bernardes e William Bonner:
UM OLHAR DE TERNURA
Sabem qual foi o lance mais bonito da Copa?Qual? Já sei, aquele gol
do Argentino de fora da área...Nada disso: tem sido o olhar de ternura
do William Bonner para a mulher nas despedidas do Jornal Nacional.
Levo logo uma vaia. Ninguém me compreendeu. Até de piegas me
chamaram, em gozação. [...] Calo-me, então, a ponto de os demais
depois até repararem. [...] Já sei o que os incomodou: a palavra
ternura. O mundo anda precisado de ternura e as pessoas têm medo
de demonstrar sentimentos. Mas isso é uma bobagem.Ternura
ninguém manifesta sem sentir. É necessário que venha de dentro.É o
mais leal dos sentimentos. Ternura não se manifesta: sente-se.Um
marido distante quilômetros e um tempão longe da mulher que ama,
vê-la na madrugada e no frio a trabalhar com afinco, mesmo sendo
discreto e polido como o Bonner, [...] "Vê lá se vai pegar uma gripe.
Amanhã venha mais agasalhada." D'outra feita,havia uma festa dos
brasileiros entrando pela madrugada no Hotel e ela encerrava a sua
reportagem do lado de fora. Discreto como sempre, ele quase
perguntou: "Você vai à festa?(Ou vai dormir, deve ter pensado e
calou?) "Nada de festa, ouviu Madame?" Também esta frase não
pronunciou.
Mas
sentiu
o
ciuminho
e
o
transmitiu
subjetivamente.Posso pensar que nós cronistas vemos coisas que os
demais não percebem e até desdenham e por vezes eu sei que
vivemos nos demais as emoções que estão a pulular dentro de nós.
Pode ser.Há tanta artificialidade na televisão que aquilo poderia ser
combinado. E concluo: poderia ser, porém não é! O rapaz não é ator.
Quando a casa deles foi invadida por bandidos, todos ameaçados, ele
foi valente defensor da família. Arriscou a vida. Do lado de lá
(Alemanha) a Fátima é ainda mais encabulada, e parece uma menina
a disfarçar ao receber uma cantada. Mesmo do marido.Ora, conclui o
velho cronista: receber diante de 60 ou 70 milhões de brasileiros uma
declaração de amor através do olhar terno e saudoso do marido é a
glória para qualquer uma.Sinal de merecimento. Fico com a minha
conclusão: os meus amigos de boteco deram-me um fora errado.
Piegas uma ova: poeta.Salve o olhar de ternura de um homem por
sua mulher, a saudade verdadeira e o cuidado com ela. É sinal de
esperança, de amor e de vida. (ARTUR DA TÁVOLA)

Vale a pena sentir que a felicidade mora no nosso peito e que o
pensamento nos leva a lugares mágicos, encantadores, nos fazem voar e ao mesmo
tempo cair na realidade. Assim como dissemos da brincadeira do João bobo, o fato
dele ir de um lado para o outro, não significa que ele não sabe pra onde ir e sim, que

�ele pode ir, porque os pés permanecem fixos no chão, ponto central de sua
determinação. Vamos pensar em uma música, que nos levam, a pensar na
felicidade. Ela foi gravada originalmente em 1947, e posteriormente cantada por
Caetano Veloso em 1974:

Felicidade foi embora
E a saudade do meu peito inda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque eu sei que a falsidade não vigora
A minha casa fica lá detrás do mundo
Onde eu vou em um segundo
Quando começo a cantar
O pensamento parece uma coisa à toa
Mas como é que a gente voa
Quando começa a pensar
(Lupicínio Rodrigues – Felicidade)

Os bibliotecários podem explorar uma riqueza de informações.
Olhem a quantidade de bases de dados que estão disponíveis para todos que
fazem parte de uma universidade, sejam, docentes, alunos, bibliotecários, enfim,
pesquisadores. São muitas as informações que nos chegam, sejam científicas ou
não. Precisamos administrar isso, trabalhamos em Rede, o que nos proporciona a
troca rápida de informações.

A boa interação nos traz crescimento pessoal e

profissional!
Trabalhamos com profissionais capacitados, mas também com futuros
profissionais com a cabeça cheia de idéias, dúvidas, necessidades e curiosidades
científicas. São eles os futuros profissionais talvez de uma grande empresa. O que
distingue um usuário do outro são seus próprios interesses em aprimoramento,
descoberta e crescimento pessoal e profissional. É importante falarmos de maneira
fácil de entender. Sem interação entre usuário e bibliotecário não há firmeza na
comunicação.
Precisamos ser autênticos, transmitir a informação com tranqüilidade e
segurança, mesmo que tenhamos de dizer que vamos aprender juntos, mais essa
etapa. Não saber, não é vergonhoso, o pior de tudo isso é descobrir que não sabe e

�continuar agindo como se soubesse, sem correr atrás de procurar aprender. Quando
conhecemos os limites, as limitações, as necessidades e os interesses dos usuários,
podemos crescer juntos e alcançarmos os resultados, inclusive, superando as
expectativas.
Através de atividade interativa podemos chegar a lugares mágicos.
Que bom seria se conseguíssemos estar em sintonia com o conhecimento e
fazer do nosso trabalho um ato de dedicação e crescimento mútuo.

Precisamos

saber o momento de recuar e o momento de avançar. O momento de aprender e o
momento de ensinar.
Conseguimos criar laços de confiabilidade quando mostramos estar dispostos
a caminhar até chegarmos aos lugares necessários. A administração participativa
melhora o nosso ambiente de trabalho e as nossas relações com o meio no qual
atuamos.
Sabemos que o sucesso profissional depende também da nossa capacidade
verbal.

Na comunicação interpessoal deve haver profissionalismo e respeito.

Podemos agir com sutileza, de forma bela, serena e habilidosa. Isso não quer dizer
que não temos firmeza nas atitudes ou gostamos de atitudes melosas. Apenas pode
haver delicadeza nas interações, sem deixarmos de transmitir a mensagem
necessária.
Uma ostra que não foi ferida não produz pérolas
Na leitura (A OSTRA, 2005), podemos sentir a importância de tirarmos
proveito dos momentos difíceis, extraindo aprendizado nas dificuldades e não nos
melindrando tanto com pequenas coisas, que podem nos servir de amadurecimento
e até de alicerce para uma caminhada mais fortalecida e estruturada, quando se
fizer necessário o enfrentamento de desafios.
Pérolas são produtos da dor; resultados da entrada de uma substância
estranha ou indesejável no interior da ostra, como um parasita ou grão
de areia. Na parte interna da concha é encontrada uma substância

�lustrosa chamada nácar. Quando um grão de areia a penetra, as células
do nácar começam a trabalhar e cobrem o grão de areia com camadas
e mais camadas, para proteger o corpo indefeso da ostra. Como
resultado, uma linda pérola vai se formando. Uma ostra que não foi
ferida, de modo algum produz pérolas, pois a pérola é uma ferida
cicatrizada. O mesmo pode acontecer conosco. Você já se sentiu ferido
pelas palavras rudes de alguém? Então, produza uma pérola! Cubra
suas mágoas com várias camadas de AMOR. Infelizmente, são poucas
as pessoas que se interessam por esse tipo de movimento. A maioria
aprende apenas a cultivar ressentimentos, mágoas, deixando as feridas
abertas e alimentando-as com vários tipos de sentimentos pequenos e,
portanto, não permitindo que cicatrizem. Assim, na prática, o que vemos
são muitas "Ostras Vazias", não porque não tenham sido feridas, mas
porque não souberam perdoar, compreender e transformar a dor em
amor. “Um sorriso, um olhar, um gesto, na maioria das vezes, vale mais
do que mil palavras”. (A OSTRA E A PÉROLA)

Vale lembrar que “Não basta dar passos que devem, um dia, conduzir ao
objetivo: cada passo em si mesmo, deve ser um objetivo, ao mesmo tempo em que
nos leva adiante”. Goethe
Partindo do propósito principal que é falar de encontro de encantos, julgamos
valer a pena recuperar dedicatórias aos bibliotecários e apresentá-las:
Mãos dadas
Não serei o bibliotecário de um mundo caduco.
Também não me deixarei encantar pela biblioteconomia do futuro.
Estou no balcão de referência e contemplo os leitores da biblioteca,
seus estudos alimentam a minha esperança.
Mas considero, perplexo, o enorme universo dos livros.
Deste mundo tão grande somos apenas parte.
A tarefa é comum, trabalharemos de mãos dadas.
Não serei o escravo de um código obsoleto e de um sistema
ultrapassado.
Não direi que a biblioteca é um hospital de almas e o livro um amigo
silencioso que não falha.
O leitor é meu objetivo.
O leitor adulto, o leitor juvenil, o leitor infantil o aluno e o professor, o
neoalfabetizado e o pesquisador científico.
Para cada leitor existe um livro e para cada livro encontrei seu leitor.
Carlos Drummond de Andrade

�Em continuidade aos encantos, oferecemos, recuperadas de arquivos da
época da faculdade, a :
Oração do bibliotecário
Senhor, tu me deste o dom da paciência e,mais do que ela, o de
ouvidor;
De silenciar e de achar justificativas para cada “típico” usuário da
informação que busca o meu auxílio.
Eu sou o elo entre a informação e a necessidade do usuário.
Eu sou o seletor dos documentos.
Eu sou o intérprete dos desejos alheios.
Faze, Senhor, que eu me policie diante da vontade de interferência na
necessidade de outrem.
Eu sou o leitor telegráfico e assíduo de tudo a que tenho acesso.
Faze, Senhor, com que eu saiba discernir entre o necessário e o
desnecessário, a fim de atender às pessoas.
Eu sou o protagonista de cenas isoladas e pesquisas exaustivas.
Faze, Senhor, com que eu possa ser assistido pelas pessoas certas.
Senhor, permite que eu me mantenha fiel ao compromisso de
informar, indistintamente, a todos que procuram por uma informação.
Permite que eu não vacile diante dos trabalhos exaustivos.
Que eu não esmoreça diante das críticas.
Que eu não duvide da capacidade de servir aos amantes da
informação.
Permite que eu seja criativa a cada novo sol, e, quando dele me
afastar, seja porque me aproximei de ti para sempre.
Amém!

Que sejamos:
“Homens soltos para rir e abraçar, para amar e receber amor; e não
para guerrear e ignorar o amor; homens que sintam vontade de
observar o planeta azul de lá de cima, de dentro de um foguete, só para
certificar-se de que realmente não há linha territoriais dividindo-o.
(RIBEIRO, 2002, p.17)

Se a revolução começa do eu, vamos então tornar os nossos usuários mais
plenos, despertos e humanos.

Gaiarsa apud Delmanto (1997, p. 98) diz que o nosso corpo é como o
mais completo instrumento musical [...] Na sua música podem ser
encontrados todos os elementos da criação: ritmo; sonoridades ou
timbres; procedimentos expressivos; melodias; harmonias e formas;
[...] órgão é o coração, pulmão, intestino, fígado. Órgão é também
teclado musical. O que é tocar? É tocar, é sentir o outro, exercer o
tato, mas também é tocar o teclado – fazer música! Nosso corpo é o
maior parque de diversões e o maior instrumento musical do universo.
[...] comenta que a sensibilidade da pele pode ser explorada sem

�nunca se esgotar e que desta infinidade de prazeres possíveis
as pessoas não usam nem 1%.

Quando vamos a uma apresentação de orquestra, ficamos encantados com a
precisão de movimentos, com as vozes doces, suaves, aconchegantes e com o
sincronismos dos componentes. Isso é exemplo de equipe. Uma verdadeira sintonia!
Quanta concentração, treino e dedicação para chegar à apresentação harmoniosa,
sincronizada, encantadora, capaz de silenciar multidões. E naquele silêncio, ficamos
inundados de uma paz de espírito de forma bela e serena, e então, ouvimos e
falamos internamente (ficamos sozinhos com nós mesmos) buscando no mais íntimo
do nosso ser, momentos inesquecíveis. Ou melhor, ficamos em sintonia conosco.
Dizem que o “silencio, às vezes, é calar, sempre é escutar”. Graças a Deus temos a
bênção do ouvir e do falar!
Precisamos às vezes é escutar o que realmente alguns momentos nos dizem.
Somos humanos, reclamamos por tão pouco, exploramos tão pouco o nosso
potencial. Talvez nos falte o treino sobre a importância do sincronismo. Se nos
colocarmos em uma roda, onde juntos cantássemos a cantiga “escravo de jó” tendo
por objetivo a harmonia nos movimentos, com o propósito de acertarmos os passos
e nos propuséssemos a só sairmos da roda a hora em que todos alcançássemos o
sincronismo dos movimentos, sentiríamos a importância de estarmos unidos na
tarefa a cumprir. Tente fazer esse exercício e confira o resultado!
Com enorme desejo em falar do amor, carinho e dedicação que devem ter os
bibliotecários pela biblioteca em que atuam, buscamos, na Internet os termos:
encanto ou ternura por bibliotecas e encontramos apenas encantamento por livros.
Trata-se de um relato de uma animadora da biblioteca da escola onde atua e fala:
“Biblioteca da ternura e do meu encantamento! Contigo me fiz madura, deixando
passar o tempo. Se há coisa que não lamento, foi viver essa aventura!” Não dá para
saber se a autora é bibliotecária, mas vale a pena transcrever alunos trechos que
mostram a paixão e o encantamento dela pela sua atuação:
[...] transformou-se a pouco e pouco num lugar diferente onde o livro e
sua animação reinavam [...] A leitura não tem que se impor e tem que

�se gostar e estar disponível para ela [...] Assim se criarão condições
de espaço, de tempo, de liberdade de escolha, de envolvimento, de
paz, de beleza, de ritmo, de empatia, para que aconteça sem
sobressaltos. Não se trata de uma fórmula mágica: é o resultado de
trabalho diário, que quanto mais se desenvolve, mais se afirma e
consolida e ama [...] se uma palavra vale milhares de imagens e tem
música, ritmo, sentido, cor, força... é à volta dela, e com ela à volta,
que temos de dançar. (SOARES, 2006)

Constata-se demonstração de muito carinho e ternura pelos freqüentadores,
que ficou entendido ser recíproco entre a “animadora da biblioteca”

e os

participantes das atividades e dos projetos desenvolvidos na escola.
Mas temos também a questão da competência em informação, tendo seu
objetivo focado na percepção da informação. Os interesses fundamentados no
processo inteligente de decisão:

•

Interagem com docentes, discentes e colegas da profissão.

•

Conseguem definir critérios.

•

Planejam estratégias de buscas.

•

Montam esquemas e organizam-se.

•

Constroem novos conceitos.

•

Identificam novas informações e novas fontes.

•

Tem coragem para vencer barreiras e superar desafios.

•

Valorização do ser humano.

A nós bibliotecários, cabe também a colocação de Dudziak (2001, p. 53)
É preciso que se estabeleçam amplas redes de comunicação e
informação profissionais, para que se fomente o diálogo, as
trocas, visando dinamizar as ações e as reações, instaurando
um clima permanente de mudança e aprendizado. (itálico do
autor).

�Informação
Biblioteca como suporte
Bibliotecário intermediário
Conhecimento
Bibliotecário mediador
Biblioteca espaço/aprendizado
Aprendizado
Bibliotecário
agente educacional

Biblioteca
aprendente

Dudziak (2003) diz que:
Como agente educacional, o bibliotecário poderá iniciar os
processos culturais de transformação da educação e da
comunidade educacional e social. A biblioteca enquanto
instituição multicultural, pluralista e aprendente é a base desta
transformação. O bibliotecário deve direcionar seu trabalho para
a mediação de aprendizado, que é definida a partir de quatro
conceitos:
– intencionalidade (que ocorre quando o bibliotecário educador direciona a interação
e o aprendizado);
– reciprocidade (quando o bibliotecário está envolvido em um processo de
aprendizado, ambos aprendem);
– significado (quando a experiência é significativa para ambos);
– transcendência (quando a experiência vai além da situação de aprendizagem, é
extrapolada para a vida do aprendiz)
Os desafios são grandes, e o aprendizado é longo, mas possível. Repensar o
papel do bibliotecário e repensar a biblioteca enquanto organização são caminhos
acertados que conduzirão à expansão da transformação da educação e da
implementação de programas educacionais voltados para a competência em
informação.

�Finalizando, fazemos uso das palavras de Ângelus Silesius “Temos dois
olhos. Com um contemplamos as coisas do tempo, efêmeras, que desaparecem.
Com o outro contemplamos as coisas da alma, eternas, que permanecem”.
Que sejamos a lembrança que permanece!
Referências

DUDZIAK, E. A. Information literacy: princípios, filosofia e prática Ci. Inf., Brasília, v.
32, n.1, jan./abr. 2003.
______. A Information Literacy e o papel educacional das bibliotecas. 2001. 187
f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Comunicação) – Escola de
Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2001.
GRÜNEWALD, V.; BAYER, J. (Org.). NETI aos 20 anos: contando histórias da
gerontologia. Santa Catarina: NETI, 2004. p.33.

RIBEIRO, J. Um manifesto de prazer. In: ______ Ouvidos dourados: a arte ouvir as
histórias (...para depois contá-las...). 4. ed. São Paulo: Ave-Maria, 2002. cap. 2, p.
17.

SOARES, M. L. Bom dia biblioteca. Disponível em:
&lt;http://www.proformar.org/revista/edicao_8/biblioteca.pdf&gt;. Acesso em 03 jan. 2006.
A OSTRA e a Pérola. Disponível em:
&lt;http://www.pensamentopositivo.com.br/metaforas/ostraperola.html&gt; Acesso em: 18
nov. 2005.
TÁVOLA, A. Olhar de ternura. Disponível em:
http://www.gargantadaserpente.com/veneno/artur_tavola/66.shtml. Acesso em: 22
jul. 2006.

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Mostra a riqueza de conteúdos que o profissional da informação pode explorar e quantas possibilidades de melhorias ela pode alcançar através do seu potencial. Leva o profissional a momentos mágicos através de atividade interativa, momento de relaxamento e conscientização da importância da administração participativa, para melhorar o ambiente de trabalho. Resgata a importância da capacidade, coragem e criatividade na vida dos profissionais que desejam melhorar a sua qualidade de vida e enfrentar com competência o crescente desafio que o mundo informacional nos apresenta a cada dia.</text>
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                    <text>UMA BRINQUEDOTECA UNIVERSITÁRIA NO ESPAÇO EDUCACIONAL1
Gildenir Carolino Santos
Bibliotecário, Doutorando em Educação,
Universidade Estadual de Campinas –
Faculdade de Educação, Brasil gilbfe@unicamp.br
Ana Maria Falcão de Aragão Sadalla
Professora, Doutora em Educação,
Universidade Estadual de Campinas –
Faculdade de Educação, Brasil anaragao@terra.com.br
Orly Zucatto Mantovani de Assis
Professora, Doutora em Educação,
Universidade Estadual de Campinas –
Faculdade de Educação, Brasil pgunicamp@sigmanet.com.br
Roberta Rocha Borges
Pedagoga, Doutoranda em Educação,
Universidade Estadual de Campinas –
Faculdade de Educação, Brasil,
rochaborges@sigmanet.com.br

Resumo
Pretende-se com este artigo, apresentar uma proposta de implantação de uma
brinquedoteca universitária dentro na Biblioteca Prof. Joel Martins da Faculdade de
Educação da UNICAMP em parceria com o Laboratório de Psicologia Genética, também
da Faculdade de Educação da UNICAMP. Esta pareceria está sendo implementada, visto
que o Laboratório possui um acervo pedagógico, que servirá como referencial para os
trabalhos científicos a serem desenvolvidos por alunos de graduação e pós-graduação
com interesses comuns na área de desenvolvimento humano e educação infantil, onde o
espaço físico da biblioteca garantirá todo este conforto na realização das pesquisas. Tal
trabalho será fundamentado em estudos baseados na psicologia e epistemologia
genética de Jean Piaget, como conceitos teóricos, e a praticidade de organização e
técnicas na área da Biblioteconômica e Ciência da Informação. Concomitantemente, a
brinquedoteca manterá um setor de avaliação do desenvolvimento cognitivo, com
atendimento à crianças com dificuldades de aprendizagem e intervenção pedagógica
com orientação à pais e educadores, denominado SAIP – Serviço de Avaliação e
Intervenção Psicopedagógica, como um serviço de extensão universitária, justificando
assim, a trilogia que faz parte da universidade: ensino, pesquisa e extensão.
Palavras-chave: Brinquedoteca universitária; Produção do conhecimento; Bibliotecas
universitárias; Serviço de extensão universitária.

1

Este trabalho teve apoio da AFPU – Agência de Formação Profissional da UNICAMP.

1

�1 INTRODUÇÃO
Atualmente, tem-se falado muito sobre a importância dos jogos e
brinquedos, reconhecidos como meios que favorecem as crianças um ambiente
agradável, motivador, planejado e enriquecido, estimulando na criança, a
curiosidade, a observação, a intuição, a atividade, contribuindo para o seu
desenvolvimento. Esse interesse e valorização do brincar na educação não são
recentes; a sua importância foi demonstrada já na educação greco-romana, com
Aristóteles (384-322 a.C.) e Platão (427-248 a.C.). (FURTADO; OLIVEIRA, 2005).

Para a psicologia genética, o jogo pode ser um meio muito valioso para a
estimulação dos mecanismos, construção e desenvolvimento da inteligência, bem
como pode tornar mais prazerosas atividades como a leitura, escrita e
matemática. (PIAGET, 1974; KAMII; DAVRIES, 1991).

Os jogos são, na ótica de Piaget (1971), meios que contribuem para o
desenvolvimento da criança e o enriquecem, pois é através da atividade lúdica
que a criança assimila ou interpreta a realidade. Em seus estudos, ele propõe que
“a escola possibilite um instrumental à criança para que, por meio de jogos, ela
assimile as realidades intelectuais, a fim de que estas mesmas realidades não
permaneçam exteriores à sua inteligência” (BRENELLI2, 1996, p.21 apud
FURTADO; OLIVEIRA, 2005, p.46).

Sendo assim, o Laboratório de Psicologia Genética (LPG), responsável
pelos serviços de pesquisa e extensão no campo da epistemologia e psicologia
genética na Faculdade de Educação da UNICAMP (FE/UNICAMP), vem investido
cada vez mais nas atividades de apoio a comunidade universitária e periférica
com o intuito de solucionar problemas do desenvolvimento psico-motor das
crianças, para tanto, necessita expandir o espaço físico da atual brinquedoteca,
única no campus, para uma possível organização e controle técnico do acervo
educativo/pedagógico existente.

2

BRENELLI, R. O jogo como espaço para pensar. Campinas: Papirus, 1996.

2

�Nessa perspectiva, a coordenação do LPG encaminhou um pedido à
Coordenação

da

Comissão

da

Biblioteca

e

sugeriu

que

este

acervo

educativo/pedagógico fosse controlado e organizado para a comunidade pela
Biblioteca Prof. Joel Martins da Faculdade de Educação da UNICAMP (BFE), que
aceitou a proposta de implementação da brinquedoteca como mais uma novidade
e enriquecimento para o acervo da biblioteca da Faculdade de Educação.
2 SOBRE A BIBLIOTECA PROF. JOEL MARTINS3
A Biblioteca “Prof. Joel Martins” (BFE) vem desenvolvendo as suas
atividades desde 1972, em paralelo ao ano de fundação da própria Faculdade de
Educação (FE), e tem como objetivo oferecer informações técnico-científicas
como suporte aos programas de pesquisa, ensino e extensão desenvolvidos ou
apoiados pela FE e permitir o acesso, pela comunidade acadêmica e científica, a
toda informação armazenada e gerada na Unidade, bem como na Universidade
Estadual de Campinas (UNICAMP), promovendo dessa forma o intercâmbio de
informações, experiências e documentos.

A BFE faz parte do Sistema de Bibliotecas da UNICAMP (SBU), formado
por 22 bibliotecas. A BFE, além da responsabilidade pela política de informação,
desenvolve atividades de processamento técnico relacionadas à aquisição, ao
registro, à catalogação e à indexação de material bibliográfico, estabelecendo
critérios e padrões para a organização de seu acervo.

A comunidade usuária, formada de professores, alunos e funcionários da
FE, reúne em torno de aproximadamente 3.200 usuários cadastrados no sistema
de circulação, considerados usuários potenciais, além do atendimento a usuários
de outras unidades internas, universidades e centros de pesquisa, que não
contabilizam o número anteriormente citado.

O investimento e a expansão da BFE se devem exclusivamente aos
esforços da Direção da Faculdade e da Reitoria da Universidade, bem como da
3

Informações baseadas no manual de serviços: SANTOS, G.C. Manual de serviços da
Biblioteca Prof. Joel Martins. Campinas: FE/UNICAMP, 2006. 35f.

3

�elaboração de projetos com agências de fomento, o que possibilitou o
crescimento e o avanço da nossa biblioteca, desde 1999 até o período atual.

A BFE conta com um acervo especializado de livros de Educação e áreas
afins; títulos de periódicos nacionais e estrangeiros, oriundos de compra, doação
e permuta (formando um acervo de títulos correntes e não correntes); bases de
dados em CD-ROM das diversas áreas, sendo as mais consultadas a base ERIC4
(que hoje encontra-se também disponível gratuitamente pela Internet), Ageline
(destinada a literatura em Gerontologia) e ANPEd5 (documentos, artigos e
informações de dissertações e teses dos pós-graduandos em Educação no
Brasil); teses microfilmadas; dissertações e teses impressas.

Além do seu acervo convencional, a BFE adquiriu em 2000, a coleção do
intelectual Prof. Maurício Tragtenberg, ex-professor da Faculdade, dada a
importância que este acervo representa aos pesquisadores e professores da
Faculdade de Educação e da Universidade. A coleção (denominada de “FE-MT”),
totalizando 10.000 volumes. Destes 10.000 volumes, 8.500 são livros, e 1.500 são
folhetos, periódicos e teses. A coleção foi higienizada, patrimoniada e catalogada.
A coleção está disponibilizada ao público desde janeiro de 2003, apenas para
consulta, pois se trata de uma Coleção Especial. É importante salientar também,
que a coleção é mais consultada por alunos de pós-graduação.

Em relação ao acervo de dissertações e teses, a BFE disponibilizada
desde março de 2002, na Biblioteca Digital da UNICAMP (BDU), instrumento que
contempla documentos digitais produzidos na Universidade, como periódicos,
hemeroteca e trabalhos apresentados em eventos pelos pesquisadores e
bibliotecários do SBU, cujo foco principal é a produção intelectual de dissertações
e teses em formato digital, contemplando as áreas do conhecimento: Ciências
Humanas, Ciências Exatas, Ciências Tecnológicas e Ciências Biológicas, onde a
área da Educação é a mais acessada entre todas, possibilitando assim, um

4
5

ERIC – Educational Resources Information Center – (Estados Unidos).
ANPEd – Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Rio de Janeiro).

4

�acesso até o momento de 470.203 downloads para a área de Humanas e de
305.334 para a área da Educação, correspondendo a 43%6 dos downloads.

A BFE edita também uma publicação digital, denominada ETD – Educação
Temática Digital, com reconhecimento na área acadêmica, além de gerenciar uma
base de dados (Edubase) de indexação de artigos nacionais na área de
Educação e afins, tornando-se referência nacional entre os programas de pósgraduação em Educação que encaminham suas publicações para serem
indexadas na base citada.
3 SOBRE O LABORATÓRIO DE PSICOLOGIA GENÉTICA
O Laboratório de Psicologia Genética (LPG)7 da FE/UNICAMP, fundado em
1982 pela professora Profa. Dra. Orly Zucatto Mantovani de Assis, com o objetivo
de realizar estudos baseados na psicologia e epistemologia genética de Jean
Piaget, vem, desde sua criação proporcionando aos professores e alunos da FE a
oportunidade de realizarem pesquisas nessa área com vistas a contribuir para a
melhoria do ensino.

Cumprindo seu compromisso de manter suas atividades acadêmicas
articuladas às necessidades da comunidade e procurando estender os seus
serviços à população de Campinas e região, o LPG dentre os vários serviços que
oferece, tem priorizado a capacitação de professores e alunos para avaliar
processos

de

aprendizagem

e

desenvolvimento

do

ser

humano.

Concomitantemente mantém um setor de avaliação do desenvolvimento cognitivo,
com atendimento a crianças com dificuldades de aprendizagem e intervenção
pedagógica com orientação a pais e educadores. Tal avaliação, realizada por
meio da aplicação de provas psicopedagógicas, permite diagnosticar o estágio de
evolução de determinados conceitos, utilizando o método clínico crítico, elaborado
por Piaget.

6

Fonte: Biblioteca Digital da UNICAMP. Disponível em: &lt;http://libdigi.unicamp.br/zeus/stats.php&gt;.
Acesso em: 28 jul. 2006.
7
Site do Laboratório de Psicologia Genética: http://www.fe.unicamp.br/lpg/

5

�Consciente

da

relevância

da

atividade

psicopedagógica

para

o

desenvolvimento global de crianças e jovens, esse trabalho apresentar dados
empíricos sobre as atividades desenvolvidas pelo serviço de diagnóstico e
intervenção pedagógica atualmente desenvolvido pela equipe do LPG, sob as
coordenação da Profa. Dra. Orly Zucatto Mantovani de Assis.

O serviço estrutura-se diante das seguintes etapas:
•

Entrevista inicial com os pais com o objetivo de investigar a trajetória
familiar e escolar da criança;

•

Avaliação diagnóstica da criança através do método clínico crítico,
frente aos diferentes aspectos do desenvolvimento infantil: afetivo,
cognitivo e social;

•

Relatório da avaliação realizada e devolutiva aos pais e/ou profissionais
que fizeram o encaminhamento;

•

Caso haja indicação para acompanhamento pedagógico, agendamento
semanal de para intervenção;

•

Utilização de jogos e procedimentos de solicitação do desenvolvimento
infantil, de acordo com a perspectiva de Assis (1976).

•

Relatórios de acompanhamento do desenvolvimento dos participantes
da intervenção.

Como objetivos gerais, o LPG têm os seguintes:
• proporcionar aos alunos e professores da FE a oportunidade de
realizarem pesquisas no campo da psicologia genética piagetiana;
• formar pesquisadores em psicologia genética;
• promover eventos científicos com vistas à divulgação dos
conhecimentos produzidos;
• organizar publicações;
• contribuir para a melhoria do ensino de psicologia educacional. (LPG)8

4 PSICOLOGIA E ESPISTEMOLOGIA GENÉTICA DE JEAN PIAGET
Toda prática necessita de um quadro teórico para guiar o olhar do
investigador, fundamentar suas hipóteses e explicar seus dados. No caso

8

Laboratório de Psicologia Genética. Disponível em: &lt;http://www.fe.unicamp.br/lpg/&gt;. Acesso em:
28 jul. 2006.

6

�particular deste trabalho, o referencial orientador encontra-se apoiado na
epistemologia genética de Jean Piaget.

Ao longo de sua obra, Piaget sempre demonstrou grande preocupação
em investigar os aspectos formadores do conhecimento, objetivando: por um lado,
conhecer como ocorre a construção gradual e progressiva dos instrumentos
intelectuais, com que o sujeito interpreta a realidade; e por outro, como evoluem
as explicações da criança graças ao exercício dos instrumentos mentais de que
dispõem nos distintos momentos da evolução. Essa dupla preocupação o levou a
estudar a gênese do pensamento físico, lógico e social com o objetivo de analisar
não apenas os aspectos mais gerais e comuns do desenvolvimento intelectual,
mas a especificidade de cada um desses campos (SILVESTRE et al., 1995).

Durante muitos anos de pesquisa, Piaget e seus colaboradores,
centrando o seu objeto de estudo na forma de conhecer, construíram uma teoria
ampla e original do desenvolvimento intelectual, que apresenta dados de grande
alcance na explicação dos fenômenos do desenvolvimento humano.
Conforme Chiarottino (1988, p.3), a palavra conhecimento assume, na
teoria piagetiana, uma nova significação:
[...] “conhecer” tem sentido claro: organizar, estruturar e explicar, porém, a
partir do vivido (do experiênciado) [...] Conhecer não é somente explicar; e
não é somente viver: conhecer é algo que se dá a partir da vivência (ou
seja, da ação sobre o objeto do conhecimento) para que este objeto seja
imerso em um sistema de relações.

Portanto, o foco central da obra de Piaget (1974) refere-se ao sujeito
epistêmico9 e não ao sujeito psicológico10. Interessava-lhe estudar a característica
comum a todos os seres humanos, independente do lugar e do tempo, o que,
justamente, torna sua teoria tão relevante e original.

9

Trata-se, segundo Piaget (1974), do sujeito do conhecimento, um sujeito universal, que não
corresponde a ninguém em particular, embora sintetize as possibilidades de cada uma das
pessoas em particular e de todas ao mesmo tempo.
10
Caracteriza o sujeito particular, um indivíduo concreto (PIAGET, 1974).

7

�Ao revelar características universais, possíveis a todo ser humano,
Piaget possibilita que suas descobertas sirvam de base para diferentes trabalhos,
desenvolvidos nos mais diversos contextos, permitindo uma melhor compreensão
dos processos segundo os quais o ser humano organiza, estrutura e explica o
mundo em que vive.

Dada a vastidão e complexidade da obra piagetiana, pretende-se, neste
artigo, enfocar alguns aspectos da sua formulação teórica, considerados
essenciais para a contextualização deste trabalho. São eles: a epistemologia
genética, o desenvolvimento intelectual, os fatores do desenvolvimento, e o
método clínico. Especial destaque será dado à apresentação da construção do
conhecimento.
5 SAIP – SERVIÇO DE AVALIAÇÃO E INTERNAÇÃO PEDAGÓGICA:
EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA

O Serviço de Avaliação e Intervenção Pedagógica – SAIP conta com uma
equipe composta por profissionais que integram o LPG sob a coordenação da
Profa. Dra. Orly Zucatto Mantovani de Assis.

As crianças que fazem parte

atualmente do SAIP do LPG/FE/UNICAMP são crianças de escolas públicas e
particulares da cidade de Campinas-SP e região.

Os objetivos do SAIP são os seguintes:
 avaliar o desenvolvimento do período, pré-operatório, operatório
concreto e formal das crianças por meio das provas piagetianas;
 realizar intervenções pedagógicas com as crianças que apresentam
atraso no desenvolvimento cognitivo. (LPG)11

O SAIP conta como responsáveis pela avaliação três alunas formadas em
Pedagogia, mestrado e doutorado em Educação e pelo atendimento pedagógico
por duas alunas do curso de graduação em Pedagogia da Faculdade, que atuam
como estagiárias também na organização do material.
11

Laboratório de Psicologia Genética. Disponível em: &lt;http://www.fe.unicamp.br/lpg/&gt;. Acesso em:
28 jul. 2006.

8

�A avaliação diagnóstica acontece, quando o LPG recebe crianças de
escolas particulares e públicas com queixa de dificuldades de aprendizagem que
são atendidas pelo Serviço de Avaliação e Intervenção Pedagógica (SAIP).
Inicialmente é realizada uma entrevista com os pais com o objetivo de investigar a
trajetória familiar e escolar da criança.

Após a coleta de dados da entrevista inicial desenvolve-se a avaliação
diagnóstica da criança através do método clínico crítico proposto por Jean Piaget,
frente aos diferentes aspectos do desenvolvimento infantil: afetivo, cognitivo e
social.
Realiza-se também uma sondagem da construção do sistema escrito com
o objetivo de verificar em qual etapa de aquisição a criança está, de acordo com
os fundamentos construtivistas propostos pelos estudos de Emília Ferreiro:
escritas pré-silábicas, escritas silábico-alfabéticas e escrita alfabética.

A sondagem da noção dos conceitos matemáticos possui o objetivo de
verificar o raciocínio lógico-matemático da criança.

Para avaliar o desenvolvimento da função simbólica e a representação do
real pede-se um desenho à criança e proporcionam-se situações onde a mesma
tenha oportunidade de jogar simbolicamente.

Finalizando o processo de avaliação faz-se o relatório da avaliação
realizada e devolutiva aos pais e/ou profissionais que fizeram o encaminhamento.
Caso haja indicação para acompanhamento pedagógico há o agendamento
semanal para intervenção.

O processo de intervenção do SAIP é desenvolvido através de
procedimentos de solicitação do desenvolvimento infantil, de acordo com a
perspectiva de Assis (1976). A intervenção pedagógica tem por objetivo contribuir
para que a criança construa estruturas mentais importantes para a sua fase de
desenvolvimento, criando situações e oportunidades em que as mesmas possam
dirigir suas próprias ações, propiciando assim a ação da criança sobre o objeto de

9

�conhecimento, estabelecendo relações com objetivos variados e em situações
desafiadoras.

A intervenção pedagógica acontece individualmente ou em duplas, uma
vez por semana, com 50 minutos de duração para cada sessão, favorecendo
desta maneira a interação entre os pares.

Ao final de cada sessão são realizados relatórios de acompanhamento do
desenvolvimento

dos

participantes

da

intervenção

possibilitando

assim

acompanhar o progresso da criança além de fornecer dados para as próximas
intervenções.

Neste sentido, o local mais adequado com novo espaço físico, é a
biblioteca onde abrigará a brinquedoteca, deixando a criança mais à vontade para
participar da avaliação diagnóstica.

6 INFRA-ESTRUTURA EXISTENTE

Hoje, o LPG conta com uma infra-estrutura básica para dar suporte aos
serviços por ele desenvolvido.

Existem em seu espaço físico (LPG), materiais bibliográficos não
catalogados e a própria brinquedoteca que está apenas organizada por uma
listagem do que se possui nela, além de armários e estantes apropriados para o
armazenamento dos materiais.

Com a mudança dos materiais existentes no LPG para a BFE, o espaço
será remodelado e implementado para adequar o mobiliário que pretende-se
adquirir com próprios recursos do LPG, possibilitando assim uma organização e
administração garantida de todos os bens móveis e bibliográficos disponíveis não
somente para os pesquisadores do LPG, mas também para toda a Faculdade que
utiliza dos materiais para o desenvolvimento de suas aulas práticas.

10

�Pretende-se adquirir para remodelar o novo espaço da brinquedoteca:


mesas e cadeiras pequenas apropriadas ao tamanho das crianças;



tapetes e almofadas coloridos para conforto do ambiente;



televisão, vídeo e DVD para possibilitar o conforto da criança em
assistir durante a espera de sua entrevista, filmes e desenhos
pedagógicos;



quadros e vasos para decorar o ambiente e possibilitar uma
visualização suave e apropriada para a criança.

Existe ainda, a possibilidade da participação dos pais em colaborar na
confecção de mobiliário, caso necessite, uma vez que se atende crianças da rede
pública e particular e sempre tem algum pai voluntário, com profissão de
carpinteiro, marceneiro, etc, disposto ajudar no que diz respeito à infra-estrutura
da brinquedoteca.

7 BRINQUEDOTECA UNIVERSITÁRIA E SEU DESENVOLVIMENTO

Segundo Santos, S. (2002) a brinquedoteca é uma nova instituição que
nasceu no século XX para garantir à criança um espaço destinado a facilitar o ato
de brincar. É neste espaço que se caracteriza por possuir um conjunto de
brinquedos, jogos, brincadeiras e leitura, oferecendo uma ambiente agradável,
alegre e colorido, onde mais importante que os brinquedos é a ludicidade que
estes proporcionam.

No

Brasil

especificamente,

o

surgimento

do

brinquedo

educativo/pedagógico se deu na década de 70, e a ênfase a ele atribuída como
veículo de desenvolvimento ocasionou, a partir do final daquela mesma década,
uma priorização dos jogos no contexto educacional, que refletiu também no
contexto familiar e social. (FURTADO; OLIVEIRA, 2005).

11

�De acordo com Santos, S. (2002, p.8):
Em 1981, foi criada a primeira Brinquedoteca brasileira, na Escola
Indianópolis, em São Paulo, com objetivos diferenciados das Toy Libraries
e com características e filosofia voltadas às necessidades da criança
brasileira, priorizando o ato de brincar, mantendo o setor de empréstimos,
atendendo diretamente a criança e dando incentivo a um movimento de
expansão da idéia a outras pessoas e instituições.
Em 1984, foi criada a Associação Brasileira de Brinquedoteca, o que fez
crescer o movimento no Brasil. Inúmeros eventos foram realizados,
começando a surgir Brinquedotecas em diferentes estados brasileiros.
Desde então a Associação Brasileira tem-se mantido atuante na
divulgação, no incentivo e na orientação a pessoas e instituições. Hoje
existem aproximadamente [mais de] 180 Brinquedotecas, de vários tipos e
funções, funcionando no Brasil e levando às crianças a alegria e a magia
do brincar. (grifo nosso).

Com essa estatística de existências de vários tipos de Brinquedotecas no
Brasil, ente elas podemos encontrar as mais comuns, tais como: de escolas; de
bairro; de hospitais; circulantes; temporárias; rodízio e as de universidade.

Esta última objeto de estudo deste artigo, são montadas por profissionais
de educação, com a finalidade principal de pesquisa e formação de recursos
humanos. (SANTOS, S. 2002).

8 METODOLOGIA UTILIZADA NA ORGANIZAÇÃO DO ACERVO

A metodologia da organização do acervo pedagógico obedecerá a uma
padronização internacionalmente adotada pelas bibliotecas públicas, onde as
gravuras e a numeração são apresentadas de forma lúdica e memorável. A
classificação adotada para o estudo deste método será a classificação da Biblio
Visual, que apresenta uma tabela com uma numeração de 100 a 900 com
subdivisões numéricas, agregadas às imagens e figuras do assunto que permite
que a criança localize o material catalogado sem nenhum problema técnico,
semelhante à Classificação Decimal de Dewey12 (CDD), pelas formas de assuntos
tratados, agregando a CDD como base das classificações. (SANTOS, G. 2002,
2006).
12

A CDD é um dos principais sistemas de classificação bibliográfica. Ela divide o campo do saber
humano em dez áreas, subdivididas, por sua vez, em dez subáreas que se subdividem
sucessivamente. Estas subdivisões são indicadas por números arábicos dentro das várias
seções. (Severino, 2000).

12

�Evidentemente que todo o processo de aprendizagem e recuperação dos
materiais será acompanhado e instruído pelo bibliotecário, tendo como auxiliares
as estagiárias de pedagogia.

O Biblio Visual (BV) é uma marca patenteada, criada por este
classificador, e segundo o seu criador é:
[...] o primeiro método de classificação projetado que vem de encontro às
necessidades das crianças. É baseado no sistema de classificação
decimal de Dewey, mas em uso com a língua dos retratos, em formatos e
cores diferentes. Este sistema original ajuda a criança a compreender
como a biblioteca é organizada e como encontrar ao seu redor por uma
maneira mais fácil. Com Biblio Visual, a biblioteca torna-se uma local
confortável, familiar e um lugar tranqüilizador onde as crianças precisam
descobrir o mundo emocionante dos livros.13 (BIBLIO VISUAL, 2001).

8.1 Acervo educativo/pedagógico
O acervo educativo/pedagógico do LPG é constituído de brinquedos
confeccionados em madeira, jogos lúdicos em papel e plástico, tábuas
pedagógicas com números ordinais, protótipo de brinquedos, quebra-cabeças,
jogos eletrônicos, sendo a maioria construída manualmente, de acordo com as
normas e padrões de brinquedos. Existem também coleções de livros didáticos e
infantis pré-catalogados pela equipe do LPG, de forma rústica que complementam
o acervo de brinquedos.
8.2 Instrumentos: tabela de classificação bibliográfica e catalogação
A constituição da Tabela de Classificação Bibliográfica (TCB) da
brinquedoteca foi baseada e inspirada na CDD, e formatação e dinâmica da Biblio
Visual, por se tratar de um material voltado para crianças, cujo funcionamento já
foi citado anteriormente, será realmente revolucionário para a implantação e
organização de acervos escolares e didáticos. (SANTOS, G. 2002, 2006).

A TCB, composta pelas orientações biblioteconômicas, terá a sua
composição dividida em quatro áreas distintas, mas com a mesma funcionalidade:

13

�“Cor”, “Classificação”, “Assunto” e “Símbolo”, ilustrada, conforme poderemos
observar na Tabela 2.

Tabela 2 - Tabela de classificação bibliográfica14
TABELA DE CLASSIFICAÇÃO BIBLIOGRÁFICA
CORES

CLASSIFICAÇAO

ASSUNTO

Violeta

000

Azul petróleo

100

Marrom

200

Rosa

300

Azul Piscina

400

Terra

500

Ciências
Puras

Verde grama

600

Ciências
Aplicadas

Vermelho

700

Artes e
Recreação

Amarelo

Azul forte

SÍMBOLO

Conhecimentos
Gerais

Filosofia
Psicologia
Religião...

Ciências
Humanas
Línguas

Literatura

800

História e
Geografia

900

Elaboração: Gildenir Carolino Santos, 2002-2006.

A catalogação ou registro dos brinquedos e outros materiais da
brinquedoteca é muito importante principalmente para o bom andamento das
tarefas do dia-a-dia. Se isto não for feito será fácil perder o controle sobre o
acervo, ou seja, todo o conjunto de brinquedos e materiais da brinquedoteca.

Assim sendo, uma vez que a equipe tenha escolhido a classificação
adequada dos brinquedos, de acordo com a TCB, chega à hora de classifica-los.
Adotará-se um sistema de automação para controle catalográfico dos brinquedos.

13

Este texto foi traduzido do original em inglês, encontrado na Internet através do endereço:
www.bibliovisual.com
14
Adaptada da CDD e Biblio Visual

14

�Para cada brinquedo faz-se uma ficha sendo que as informações nelas contidas
poderão variar de acordo com a estrutura da brinquedoteca. (AFLALO, 1992).
Os itens a serem catalogados, ou descritivamente registrados de cada
brinquedo, são os seguintes:


código do brinquedo;



nome;



ano de fabricação;



fabricante. Local;



tipo (categoria segundo o sistema de classificação – TCB);



descrição

(componente,

material,

número

de

peças,

tipo

de

mecanismo);doador;


preço (se o brinquedo for comprado);



local da compra;



faixa etária sugerida;



conteúdo temático;



localização na brinquedoteca (prateleira, estante, canto onde se
encontra);



acondicionamento (anotações sobre a maneira como o brinquedo está
sendo armazenado na brinquedoteca, se na embalagem original ou
outra, isto para facilitar a sua localização);



adaptações (anotações sobre as peças ou regras que foram
substituídas, adaptadas ou simplificadas);



disponibilidade de empréstimo;



reparos (datas de entrada e saída da oficina de reparos);



data de entrada no acervo;



data e razão de saída do acervo;



observações;



análise sobre o uso ou função (pedagógica, psicopedagógica,
psicomotora, ludo-terapêutica...).

Além dos dados catalográficos citados, será colocada uma foto digital para
que se possa ter uma referência visual mais precisa do brinquedo.

15

�9 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com a implementação da Brinquedoteca do LPG na Biblioteca da
Faculdade de Educação da UNICAMP será possível obter conhecimento do que
existe no contexto do ensino lúdico-pedagógico para o trabalho dos profissionais
da Psicologia, da Pedagogia, ou até mesmo de outros profissionais, que poderão
utilizar-se do acervo tanto para a sala de aula, como nas consultas com o serviço
do SAIP coordenado pela equipe do LPG.

Caberá a BFE, controlar, organizar, automatizar, emprestar este acervo em
virtude da grande demanda, que provavelmente acontecerá após a implantação
da Brinquedoteca da Educação no campus da Universidade.

O controle do empréstimo deverá ocorrer através de um sistema de
automação local, visto que os demais materiais bibliográficos da BFE são
patrimoniados e catalogados de acordo com as normas e padrões do AACR215 no
sistema integrado de funções bibliográficas: Virtua, que não contempla no
momento a catalogação deste tipo de material, mas será possível futuramente.

Outro fator importante é que a implantação da Brinquedoteca na BFE
proporcionará a criança o hábito da leitura, onde teremos a extensão conjunta
com a Brinquedoteca, atividades lúdicas como a hora do conto, que segundo
Barcellos e Neves (1995, p.19), a importância da Hora do Conto:
Amplia os horizontes da leitura, tornando a criança consciente da
existência de infinidade de livros de diversos temas, gêneros e estilos,
capazes de satisfazer suas necessidades individuais e seus gostos, além
de permitir a seleção de obras que mais se ajustem ao seu grau de
maturidade psíquica e intelectual.

Barcellos e Neves (1995, p.85) ainda comentam que:
A Universidade, no cumprimento de sua missão de geradora e
multiplicadora de conhecimento teórico-prático, também no que se refere à
produção da leitura, tem assumido importante liderança no
desenvolvimento de laboratórios de ensino e extensão, bem como no
fomento a pesquisa, voltados à Hora do conto.

16

�Assim, a criança desenvolve o seu imaginário sobre os contos e isto
possibilita o seu desenvolvimento, contribuindo para sua avaliação, através do
processo de assistência pelo SAIP.

O SAIP neste sentido demonstra que é um serviço de extensão
universitária que possibilitará ajudar as crianças da comunidade tendo como
campo de pesquisa a BFE, que além de dispor dos seus serviços e produtos,
também se ocupará de gerenciar de forma profissional uma Brinquedoteca
universitária.

REFERÊNCIAS

AFLALO, C. Dicas para criar e manter uma brinquedoteca. In: FRIEDMANN, A. et
al. O direito de brincar: a brinquedoteca. São Paulo: Scritta; ABRINQ, 1992.
p.182-215
ASSIS, O.Z.M. A solicitação do meio e a construção das estruturas de
inteligência. 1976. 169f. Tese (Doutorado) – Faculdade de Educação,
Universidade Estadual de Campinas, Campinas. 1976.
BARCELLOS, G.M.F.; NEVES, I.C.B. Hora do conto: da fantasia ao prazer de
ler – subsídios a sua realização em bibliotecas públicas e escolares. Porto
Alegre: Sagra, 1995.
BRENELLI, R. O jogo como espaço para pensar. Campinas: Papirus, 1996.
CHIAROTTINO, Z.R. Psicologia e epistemologia genética de Jean Piaget.
São Paulo: EPU, 1988.
FURTADO, V.Q.; OLIVEIRA, G.C. O uso do jogo como estratégia de
aprendizagem. In: ENCONTRO NACIONAL DE PROFESSORES DO PROEPRE,
22., 2002, Águas de Lindóia. Anais do... Campinas: FE/UNICAMP; R.Vieira,
2005. p.44-53.
KAMII, C.; DEVRIES, R. Conhecimento físico na educação pré-escolar:
implicações da teoria de Piaget. Porto Alegre: Artes Medicas, 1991. (Biblioteca
Artes Médicas).
PIAGET, J. Estruturalismo. Rio de Janeiro: Difel, 1974.

15

AACR² - Anglo-American Cataloguing Rules (Código de Catalogação Anglo-Americano).

17

�SANTOS, G.C. Estudo da interlocução entre biblioteca-escola-tecnologia
baseada na Internet: um estudo de caso na Escola Estadual Físico Sérgio
Pereira Porto – UNICAMP. 2002. 181f. Dissertação (Mestrado em Educação,
Ciência e Tecnologia) – Faculdade de Educação, Universidade Estadual de
Campinas, Campinas. 2002.
SANTOS, G.C.; AMARAL, S.F. Rede do conhecimento digital: metodologia
para construção de rede de bibliotecas escolares digitais. In: INTEGRAR, 2.,
2006, São Paulo. Anais do... São Paulo: FEBAB, 2006. (no prelo).
SANTOS, S.M.P. Brinquedoteca: sucata vira brinquedo. Porto Alegre: ArtMed,
2002.
SILVESTRE, N. et al. Psicología evolutiva: adolescencia, edad adulta y vejez.
Madrid: CEAC, 1995.

18

�</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                <text>Salvador (Bahia)</text>
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            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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                <text>UFBA</text>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>2006</text>
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                <text>Pretende-se com este artigo, apresentar uma proposta de implantação de uma brinquedoteca universitária dentro na Biblioteca Prof. Joel Martins da Faculdade de Educação da UNICAMP em parceria com o Laboratório de Psicologia Genética, também da Faculdade de Educação da UNICAMP. Esta pareceria está sendo implementada, visto que o Laboratório possui um acervo pedagógico, que servirá como referencial para os trabalhos científicos a serem desenvolvidos por alunos de graduação e pós-graduação com interesses comuns na área de desenvolvimento humano e educação infantil, onde o espaço físico da biblioteca garantirá todo este conforto na realização das pesquisas. Tal trabalho será fundamentado em estudos baseados na psicologia e epistemologia genética de Jean Piaget, como conceitos teóricos, e a praticidade de organização e técnicas na área da Biblioteconômica e Ciência da Informação. Concomitantemente, a brinquedoteca manterá um setor de avaliação do desenvolvimento cognitivo, com atendimento à crianças com dificuldades de aprendizagem e intervenção pedagógica com orientação à pais e educadores,  denominado SAIP – Serviço de Avaliação e Intervenção Psicopedagógica, como um serviço de extensão universitária, justificando assim, a trilogia que faz parte da universidade: ensino, pesquisa e extensão.</text>
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UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL: (RE)PENSANDO A BIBLIOTECA
UNIVERSITÁRIA PARA O NOVO USUÁRIO
Ana Maria Mattos*

RESUMO

Em 2005 o Ministério da Educação (MEC), através da Secretaria de
Educação a Distância (SEED), criou o projeto Universidade Aberta do Brasil
(UAB). O curso-piloto do projeto UAB é o de graduação em Administração na
modalidade educação a distância (EAD), com duração de quatro anos. Na Região
Sul, a Escola de Administração (EA) da Universidade Federal do Rio Grande do
Sul (UFRGS) participa do projeto-piloto. A SEED orienta a instituição a oferecer,
sempre que possível, biblioteca. Os alunos do curso de Administração na
modalidade EAD da EA/UFRGS devem incrementar, e muito, o número de
usuários da Biblioteca Setorial da Escola de Administração que serão atendidos
fora do campus (estão previstas 500 vagas). A Biblioteca deve preparar-se para
atender à demanda desses alunos/usuários, que é diferenciada, da dos usuários
atuais. Como preparar a estrutura física, os recursos humanos e a política de
serviços para atender adequadamente às necessidades informacionais desse
público? Este ensaio procura reunir alternativas para preparar a Biblioteca diante
dessa nova realidade, visando não só manter, ou aumentar, o padrão de
qualidade do serviço prestado, como também oferecer o suporte adequado ao
ensino, à pesquisa e à extensão dentro das peculiaridades informacionais da
EAD.
Palavras-chave: Instituição de ensino superior. Educação a distância.
Biblioteca universitária.

*

Bibliotecária Especialista em Gestão Universitária pelo PPGA/UFRGS. Atuou na Biblioteca
Central da UFRGS entre 1991 e 2004 como Bibliotecária Chefe do Núcleo de Aquisição de
Material Bibliográfico. Atualmente desempenha suas atividades na Biblioteca Setorial da Escola
de Administração da UFRGS. Rua Washington Luiz, 855 – térreo. Porto Alegre – RS – Brasil.
Fone: 0 xx 51 3316 3842. http://www.ea.ufrgs.br/home.asp. e-mail: ammattos@ea.ufrgs.br.

�2

1 A CRIAÇÃO DA UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL

Em 2005 o Ministério da Educação (MEC), através da Secretaria de
Educação a Distância (SEED), criou o projeto Universidade Aberta do Brasil
(UAB), que representa a convergência de esforços dos participantes do Fórum
das Empresas Estatais pela Educação rumo à criação das bases da primeira
experiência no gênero no país. “Inspirada em iniciativas semelhantes de outras
partes do mundo – como Reino Unido e Portugal -, a UAB pretende levar a
educação de nível superior ao maior número possível de municípios brasileiros,
[...]” (AVANCINI, 2006, p. 46). O projeto visa à seleção de pólos municipais de
apoio presencial a cursos superiores de instituições federais na modalidade de
educação a distância (EAD):

[...] para a articulação e integração de um sistema nacional de educação
superior a distância, em caráter experimental, visando sistematizar as
ações, programas, projetos, atividades pertencentes as políticas públicas
voltadas para a ampliação e interiorização da oferta do ensino superior
gratuito e de qualidade no Brasil (UNIVERSIDADE ABERTA DO
BRASIL, 2005).

O curso-piloto da UAB deve ser o de graduação em Administração,
resultado de uma parceria entre o MEC, SEED, Banco do Brasil e instituições
federais e estaduais de ensino superior. O curso deve ter duração de quatro anos,
sendo os três primeiros estruturados em base comum, e um ano destinado a
diferentes ênfases.

Em cada unidade da federação, as universidades definirão os locais dos
pólos regionais e sua infra-estrutura para atendimento aos estudantes
para os momentos presenciais. O estudante será acompanhado por um
processo de tutoria que permitirá o monitoramento direto do
desempenho e do fluxo de atividades, facilitando a interatividade e
identificação
de
possíveis
dificuldades
de
aprendizagem
(UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL, 2005).

O Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância
(ABRAEAD) divulga que o número de alunos que freqüentam cursos a distância
no Brasil cresceu, no ano passado, 62%, atingindo 1,2 milhão de alunos. A
Região Sul foi a que apresentou maior crescimento, subindo de 14.930 alunos,

�3

em 2004, para 109.163, em 2005, registrando 631,2% de acréscimo
(MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA. EPROINFO, 2006).

A SEED publicou em 2003 os Referenciais de qualidade para cursos a
distância. Entre os dez itens básicos para orientar as instituições na preparação
de seus programas de graduação a distância destaca-se a infra-estrutura de
apoio e, dentro dela, a biblioteca. A UAB prevê estruturas para a execução
descentralizada de algumas das funções didático-administrativas, entre elas o
pólo de apoio presencial:

[...] Será o local onde o estudante terá acesso local a biblioteca,
laboratório de informática (por exemplo, para acessar os módulos de
curso disponíveis na Internet), ter atendimento de tutores, assistir aulas,
realizar práticas de laboratórios, dentre outros. Em síntese, o pólo é o
“braço operacional” da instituição de ensino superior na cidade do
estudante ou mais próxima dele (UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL,
2005, grifo nosso).

O fato de um curso ser a distância não exime a instituição de dispor de
centros de documentação e informação. A instituição deverá oferecer, sempre
que possível, biblioteca (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. SECRETARIA DE
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA, 2003).

Percebe-se, assim, a importância da biblioteca nesse processo; tanto na
implantação do curso quanto na sua avaliação.

2 A ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO DA UFRGS

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) apóia por meio da
Secretaria de Educação a Distância, os projetos de ensino a distância que tem
por objetivo fomentar, apoiar e institucionalizar as ações de EAD na UFRGS. As
metas para 2006, entre outras, são implantar 11 cursos de graduação a distância
(RAMOS, 2006, p. 25).

A UFRGS participa, na Região Sul do país, através da Escola de

�4

Administração (EA) do projeto UAB com o curso-piloto de graduação em
Administração.

O edital do processo seletivo foi divulgado em 2 de junho de 2006. Nele
estão previstas 500 vagas sendo 70% destinadas a funcionários do Banco do
Brasil S/A e 30% destinadas à comunidade em geral, distribuídas entre 10
municípios gaúchos (ver Quadro 1). No ato da inscrição o candidato deve optar
por um dos municípios pólo. “Estão previstas até 20% das atividades na
modalidade presencial, de caráter obrigatório, que ocorrerão nos respectivos
pólos à noite ou finais de semana” (UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO
GRANDE DO SUL, 2006).
Pólo/Demanda

Vagas

Local de funcionamento

Bagé - Demanda Interna*

35

Município Pólo

Bagé - Demanda Social**

15

Município Pólo

Caxias do Sul - Demanda Interna*

35

Município Pólo

Caxias do Sul - Demanda Social**

15

Município Pólo

Ijuí - Demanda Interna*

35

Município Pólo

Ijuí - Demanda Social**

15

Município Pólo

Lajeado - Demanda Interna*

35

Município Pólo

Lajeado - Demanda Social**

15

Município Pólo

Osório - Demanda Interna*

35

Município Pólo

Osório - Demanda Social**

15

Município Pólo

Passo Fundo - Demanda Interna*

35

Município Pólo

Passo Fundo - Demanda Social**

15

Município Pólo

Pelotas - Demanda Interna*

35

Município Pólo

Pelotas - Demanda Social**

15

Município Pólo

Porto Alegre - Demanda Interna*

35

Município Pólo

Porto Alegre - Demanda Social**

15

Município Pólo

Santa Maria - Demanda Interna*

35

Município Pólo

Santa Maria - Demanda Social**

15

Município Pólo

São Leopoldo - Demanda Interna*

35

Município Pólo

São Leopoldo - Demanda Social**

15

Município Pólo

TOTAL

500

Quadro 1 – Distribuição das vagas do curso de Administração a distância da UFRGS por município
Fonte: Adaptado de Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2006).
Nota: * Vagas destinadas exclusivamente a funcionários do Banco do Brasil S/A.
** Vagas destinadas à comunidade em geral.

O funcionamento do curso prevê que

�5

As atividades dos alunos serão desenvolvidas a distância e
presencialmente. As atividades presenciais obrigatórias serão
desenvolvidas por professores da UFRGS e por tutores a distância, com
o suporte de tutores presenciais. As atividades a distância serão
atendidas por professores e por tutores a distância, em ambiente virtual
através da Internet. Em cada pólo estarão disponíveis: um laboratório de
informática, uma biblioteca, um espaço para atividades coletivas, e
espaços para o atendimento presencial (UNIVERSIDADE FEDERAL DO
RIO GRANDE DO SUL, 2006, grifo nosso).

Com o cenário estabelecido, a Biblioteca Setorial da EA deve preparar-se
para atender às necessidades informacionais dos usuários, do curso.

As tecnologias de informação e comunicação, aliadas à proliferação das
mídias interativas, têm colocado recursos como o computador, a Internet,
a serviço da educação. A tendência atual é aliar tecnologia e educação
e, em virtude desta nova realidade, torna-se cada vez mais necessária a
implementação de uma nova cultura docente e discente nas instituições
educacionais do país. A educação a distância acarreta numa revolução
tão intensa nos paradigmas educacionais que revoluciona até o ensino
presencial e, apresenta uma oportunidade impar para que instituição e
os professores repensem sua prática educativa (PALMEIRA; TENÓRIO;
LOPES, [2005], p. 22)

3 A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA E A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Os cursos de ensino a distância exigem que se repensem os papéis e
funções da biblioteca. Com a evolução das Tecnologias de Informação e
Comunicação (TIC), aparentemente os usuários têm mais independência para
utilizar as fontes de informação disponíveis em rede e, teoricamente, seriam
dispensados da presença física na biblioteca e dispensariam o apoio do
bibliotecário. Porém, paradoxalmente, o que se tem percebido é uma crescente
demanda dos serviços prestados pelos bibliotecários. Os usuários, presenciais,
ou não, têm recorrido à mediação do profissional para obter a informação
pretendida (MUELLER, 2000).

A biblioteca da EA já atende usuários remotos. São considerados usuários
remotos “[...] pesquisadores e profissionais liberais que podem ter ou não
vinculação com a instituição provedora; o contato pode ser virtualmente, por

�6

correio eletrônico, telefone e fax” (GARCEZ, 2002). Trata-se de usuários
eventuais

que

por

meio

do

site

da

biblioteca

(http://biblioteca.ea.ufrgs.br/index.asp) encontram o e-mail, fazem o contato e têm
suas demandas informacionais atendidas.

Na EA já se promovem alguns cursos de extensão e especialização no
formato de ensino a distância. A biblioteca atende (ver Figura 1), com a infraestrutura atual, alguns usuários off campus, que são “[...] professores, alunos e
pesquisadores que se encontram distantes geograficamente das bibliotecas, mas
estão inseridos nos programas de ensino, pesquisa e extensão das instituições
educacionais, que também podem ou não ser intermediados pelos gerenciadores
da informação” (GARCEZ, 2002).

Figura 1 – Fluxograma do processo de atendimento - usuário off campus
Fonte: Garcez (2002).

�7

Os usuários da biblioteca da EA são, no entanto, na sua maioria, do tipo
presencial, “são pesquisadores, alunos e professores das instituições de ensino,
que podem ser intermediados ou não pelos gerenciadores da informação na
busca por informação e que estão geograficamente próximos à sede física da
biblioteca” (GARCEZ, 2002).

Com a implementação do curso de Administração a distância na
EA/UFRGS a biblioteca prevê um aumento substancial de usuários off campus.

Com o advento da educação a distância mediada pelo computador
estamos experienciando um novo método de ensino, onde as pessoas
tem a oportunidade de superar barreiras de tempo e espaço na
construção do conhecimento. Neste novo contexto, novas habilidades
são exigidas dos bibliotecários. Cabe ao bibliotecário a responsabilidade
de disseminar informações, portanto, ele deve estar alerta às
possibilidades de interação. Cada vez mais o profissional da informação
estará envolvido em cursos de EAD, principalmente aqueles vinculados
às instituições de ensino superior. Por isso deve ficar atento, refletindo
sobre quais serviços e produtos podem ser desenvolvidos para esses
novos usuários, que a cada dia se somam aos usuários dos
cursos/disciplinas presenciais e podem/devem ter o mesmo tratamento e
atendimento (DI DOMENICO, 2002, p. 16-17).

Dessa forma, a biblioteca, deve estar preparada para atender a tal
demanda, uma vez que esse novo usuário exige um atendimento diferenciado dos
usuários atuais. Qual o papel da biblioteca nesta modalidade de ensino? Como
preparar a estrutura física, os recursos humanos e a política de serviços para
atender adequadamente às necessidades informacionais desse público?

Portanto é imprescindível planejar o suporte adequado ao ensino dentro
das peculiaridades informacionais da EAD para o novo curso. Este ensaio procura
reunir alternativas para preparar a Biblioteca diante desta nova realidade, visando
não só manter, mas aumentar o padrão de qualidade do serviço prestado aos
usuários atuais e potencias.

Entre os objetivos para o aprimoramento dos serviços de referência aos
usuários off campus destacam-se:

�8

a) definir suas necessidades informacionais;

b) localizar materiais informacionais específicos;

c) desenvolver estratégias de busca para suas pesquisas;

d) facilitar o empréstimo entre bibliotecas – promover acordos ou
consórcios entre bibliotecas (bibliotecas de apoio) utilizando formulários
eletrônicos ou pedidos por e-mail;

e) identificar bibliotecas e outros recursos materiais próximos à área
geográfica do usuário; e

f)

promover

sua

instrução

em

tecnologia

da

informação

e

telecomunicações.

Lange e Válio (2002) alertam que:

O curso de EAD via www, ao ser planejado, desenvolvido e avaliado por
uma equipe interdisciplinar, precisaria incluir em seu grupo o
bibliotecário/profissional da informação, por causa da complexidade do
próprio processo de organizar e de disponibilizar a informação, instrução
e ensino no contexto educativo. Pela complexidade educacional, aliada à
complexidade do domínio atualizado das informações e a busca do
aprimoramento do material disponibilizado, é que se faz necessário uma
equipe interdisciplinar, na qual, reforça-se, o bibliotecário/profissional da
informação é pessoa indispensável. As atitudes dos receptores/alunos
registradas na lista de discussão contribui para adequar e determinar
ações mais eficazes por parte da equipe de EAD, formada por:
professores da área de conhecimento, bibliotecários, analistas de
sistemas, pedagogos. Interdisciplinar por natureza para construir e
organizar as informações como: referências bibliográficas, links, textos
de autoria, biblioteca virtual e bases de dados.

Formas consagradas de atendimento ao usuário devem ganhar nova
roupagem. A utilização das TIC no atendimento da biblioteca passa, de uma
possibilidade, para uma necessidade, um instrumental imprescindível na maneira
de atender o usuário off campus:
Atualmente, o acesso à informação eletrônica é o ponto alto das TICs

�9

aplicadas às consultas a bases de dados e bibliotecas, pois, com a
tecnologia das redes eletrônicas, torna-se possível o surgimento de
novos documentos e produtos e, por conseqüência, a criação de novos
serviços, como a orientação aos usuários na utilização de seus recursos,
o desenvolvimento de home pages, o agendamento e o atendimento de
novos serviços on-line, como a comutação, o empréstimo entre
bibliotecas, a disseminação da informação e o catálogo (PALMEIRA;
TENÓRIO; LOPES, [2005], p. 6)

3.1 ESTRUTURA FÍSICA

A instituição é responsável pelo acesso físico e eletrônico aos materiais da
biblioteca para os programas de aprendizagem a distância de maneira
equivalente àqueles fornecidos aos programas de aprendizagem presencial. Os
custos, os serviços e os métodos para a provisão dos materiais para todos os
cursos devem ser uniformes.

A instituição deve fornecer equipamentos suficientes em tamanho, número,
espaço e acessibilidade para alcançar todos os estudantes e os objetivos dos
programas de EAD. É necessário disponibilizar computadores modernos com
seus respectivos periféricos em quantidade suficiente para atender à demanda,
compatíveis com a função a que se destinam. Implantar linhas de telefone e fax
destinadas exclusivamente ao “atendimento de referência virtual” pode tornar o
serviço mais acessível.

Deve-se

procurar

conhecer

a

infra-estrutura

do

sistema

de

telecomunicações do país e também os padrões mínimos exigidos para o acesso
à rede de computadores. Sem uma rede eficiente de comunicação, o ensino a
distância não terá êxito. Conhecer seus limites e potencialidades facilitará, por
exemplo, o treinamento on-line em horário, com menos congestionamento.

Muitos dos materiais didáticos produzidos pelos professores, deverão ser
colocados na Internet. Torna-se necessário providenciar equipamentos para a
digitalização destes acervos, respeitando sempre os direitos autorais, para
disponibilizá-los para a consulta na Internet.

�10

3.2 RECURSOS HUMANOS

A biblioteca deve dispor de recursos humanos – bibliotecários e demais
funcionários – em quantidade suficiente e com qualificação adequada. Com
responsabilidades

definidas,

os

profissionais

devem

atuar

em

posições

apropriadas para alcançar os objetivos de aprendizagem a distância. A instituição
deve, ainda, proporcionar treinamento e qualificação aos funcionários, de acordo
com suas atribuições, visando ao correto atendimento do usuário não-presencial.

Caberá ao bibliotecário na gerência da biblioteca, utilizar técnicas
modernas para planejar, executar, coordenar e avaliar os recursos e os serviços
da biblioteca que se destinam ao público envolvido na educação a distância. A
capacitação deste profissional deverá contemplar atualizações, por exemplo, em
informática e marketing entre outras disciplinas. Torna-se imprescindível a
realização de estudos dos usuários off campus, objetivando aprimorar o
planejamento e a avaliação permanentemente dos serviços bibliotecários
oferecidos a eles.

[...] estudos de usuários a distância ainda são muito reduzidos no Brasil
e existem muitas questões que merecem respostas, pois esses
conhecimentos mais estreitos com os usuários irão auxiliar os
gerenciadores de informações a melhor atender às necessidades deste
novo nicho de mercado (GARCEZ; RADOZ, 2002, p. 23).

A integração das atividades desempenhadas pelas pessoas envolvidas no
programa de educação a distância na biblioteca com os responsáveis pelo
suporte técnico de computação da instituição. A integração destas atividades
deve ter por objetivo a promoção de serviços de suporte em tecnologia da
informação (software, hardware, redes e ambiente Internet) para otimizar o
processo de ensino e pesquisa aos usuários distantes. A capacitação de todos os
trabalhadores da biblioteca para o uso adequado das tecnologias de informação e
comunicação facilitará a execução de suas tarefas e otimizará o atendimento
dispensado aos usuários off campus.

A promoção da interação entre os bibliotecários e os professores

�11

instrutores do curso a distância, proporcionará uma adequação dos serviços
oferecidos pela biblioteca e os recursos informacionais oferecidos nos conteúdos
das disciplinas ministradas. A antecipação das necessidades informacionais dos
usuários off campus será proporcional ao nível de integração destes profissionais.

3.3 RECURSOS INFORMACIONAIS

De acordo com Garcez (2002):

A biblioteca híbrida é designada para agregar diferentes tecnologias,
diferentes fontes, refletindo o estado que hoje não é completamente
digital, nem completamente impresso, utilizando tecnologias disponíveis
para unir, em uma só biblioteca, o melhor dos dois mundos (o impresso e
o digital).

Como demonstra a Figura 2, a biblioteca da EA atua como uma biblioteca
híbrida. Sua atual estrutura de recursos de busca, acesso e uso da informação
atendem satisfatoriamente as demandas informacionais de seu público.

Figura 2 – Integração de bens e serviços prestados em bibliotecas híbridas
Fonte: Garcez (2002).

De acordo com as diretrizes elaboradas pela Association of College and
Research Libraries (ACRL), no documento Guidelines for Distance Learning
Library Services, os serviços da biblioteca oferecidos à comunidade de

�12

aprendizagem a distância devem ser projetados para que os usuários encontrem
eficazmente suas necessidades informacionais. Portanto a biblioteca deve
promover em larga escala:

a) serviços de referência;

b) serviços bibliográficos e informacionais baseados em computador;

c) acessos confiáveis, rápidos e seguros às redes da instituição e outras,
inclusive à Internet;

d) serviços de orientação;

e) programa de instrução ao usuário destinado a habilitá-lo a usar com
independência recursos informacionais;

f) auxílio com equipamentos e mídia não-impressa;

g) acordos para empréstimos entre bibliotecas respeitando a lei de
copyright;

h) serviço de entrega rápida de documentos tais como transmissão
eletrônica e malotes;

i) acesso a serviços de reserva de materiais;

g) horários adequados de prestação de serviços, tendo em vista maximizar
oportunidades de acesso; e

h) promoção de serviços bibliotecários para a comunidade dos cursos a
distância (ASSOCIATION OF COLLEGE AND RESEARCH LIBRARIES,
2004).

�13

Para atender às diretrizes da ACRL, algumas providências tornam-se
necessárias:

a) organizar o material proveniente das aulas ministradas (texto, imagem,
som, vídeo, etc.) no catálogo on-line da biblioteca, facilitando, assim, sua
localização e acesso em uma biblioteca digital (BLATTMANN; BELLI,
2000);

b) proporcionar um consórcio entre as bibliotecas que atendem aos cursos
de graduação em Administração na UAB para otimizar recursos e
concentrar esforços. Trabalhar em cooperação com as bibliotecas destas
instituições trará mudanças nos critérios de seleção, aquisição e
disponibilidade do acervo bibliográfico;

c) criar ou revitalizar serviços de “referência a distância” por meio de
telefone, fax, e-mail e formulário próprio disponível na Internet. O possível
sistema de atendimento via Internet deve ser compartilhado por todos os
bibliotecários, dentro de um sistema em que o status da questão de
referência possa ser modificado conforme esteja sendo trabalhado. O
sistema aberto para todos os bibliotecários trará oportunidades de
aprendizagem e monitoramento do serviço de referência, garantindo a sua
eficiência (BLATTMANN; DUTRA, 1999).

d) determinar as necessidades de informação do público-alvo (alunos,
professores e equipe de EAD);

e) analisar as limitações dos serviços prestados;

f) desenvolver guias de orientações dos serviços disponíveis;

g) planejar as orientações bibliotecárias e providenciar serviços de
informação para todos os atores do cenário de EAD;

�14

h) autorizar o acesso on-line aos bancos de dados, periódicos eletrônicos e
catálogos disponíveis;

i) providenciar a entrega de documentos e artigos aos usuários distantes,
reforçando, por exemplo, a comutação bibliográfica;

j) criar um canal de comunicação específico com os usuários (alunos,
professores e equipes de EAD) via boletins, listas de discussão, alertas
eletrônicos, informes, etc; e

l) preparar um programa de orientação e treinamento no uso dos recursos
informacionais disponíveis, que pode ser em vídeo, em slides, ou em
programa interativo de computador.

Facilitar o acesso à informação aos usuários off campus é um desafio a ser
enfrentado pela Biblioteca Setorial da EA/UFRGS. Algumas alterações nos
serviços bibliotecários podem tornar este desafio mais ameno. Deve-se estar
atento para ouvir, dos diferentes tipos de usuários, quais as sua necessidades
informacionais, buscando atendê-las da forma mais rápida e eficaz possível.
Espera-se que as sugestões aqui reunidas colaborem na estruturação das
mudanças que deverão ocorrer com a implantação do curso de graduação em
Administração por EAD.

�15

REFERÊNCIAS

ASSOCIATION OF COLLEGE AND RESEARCH LIBRARIES. Guidelines for
distance learning library services. 2004. Disponível em:
http://www.ala.org/ala/acrl/acrlstandards/guidelinesdistancelearning.htm. Acesso
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                <text>Em 2005 o Ministério da Educação (MEC), através da Secretaria de Educação a Distância (SEED), criou o projeto Universidade Aberta do Brasil (UAB). O curso-piloto do projeto UAB é o de graduação em Administração na modalidade educação a distância (EAD), com duração de quatro anos. Na Região Sul, a Escola de Administração (EA) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) participa do projeto-piloto. A SEED orienta a instituição a oferecer, sempre que possível, biblioteca. Os alunos do curso de Administração na modalidade EAD da EA/UFRGS devem incrementar, e muito, o número de usuários da Biblioteca Setorial da Escola de Administração que serão atendidos fora do campus (estão previstas 500 vagas). A Biblioteca deve preparar-se para atender à demanda desses alunos/usuários, que é diferenciada, da dos usuários atuais. Como preparar a estrutura física, os recursos humanos e a política de serviços para atender adequadamente às necessidades informacionais desse público? Este ensaio procura reunir alternativas para preparar a Biblioteca diante dessa nova realidade, visando não só manter, ou aumentar, o padrão de qualidade do serviço prestado, como também oferecer o suporte adequado ao ensino, à pesquisa e à extensão dentro das peculiaridades informacionais da EAD. </text>
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USABILIDADE DA INTRANET COMO INSTRUMENTO DE COMUNICAÇÃO INTERNA:
O CASO DA BIBLIOTECA CENTRAL DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA

Clarimar Almeida Valle
Universidade de Brasília. Biblioteca Central
clarimar@unb.br
Brasil
Maria José Moreira Serra da Silva
Universidade de Brasília. Biblioteca Central
direção@bce.unb.br
Brasil

�2
RESUMO: Este trabalho estuda a intranet da Biblioteca Central (BCE) da Universidade de
Brasília (UnB). O objetivo foi verificar se a intranet da BCE possui os requisitos de
usabilidade para servir como instrumento de comunicação interna entre a administração
da Biblioteca e seus servidores enquanto clientes da BCE. Para contextualizar o ambiente
da pesquisa foi realizado resgate histórico sobre a criação da Internet e da intranet da
Biblioteca Central, recorrendo-se à técnica de análise documental. Buscou-se caracterizar
o perfil do servidor usuário, sua relação com as tecnologias e o uso de computador; e o
uso da intranet, identificando-se as dificuldades encontradas em relação ao uso da
intranet na BCE. A pesquisa foi limitada aos servidores da Biblioteca Central da
Universidade de Brasília, visando a coleta de dados por meio de questionário buscando
verificar a satisfação de uso, a navegabilidade, o conteúdo e o visual gráfico do website
da página de intranet na URL http://www.bce.unb.br.
PALAVRAS-CHAVE: Bibliotecas universitárias. Comunicação interna. Usabilidade.
Intranet.
INTRODUÇÃO
Esta pesquisa partiu de uma indagação constante da direção da Biblioteca
Central (BCE) da Universidade de Brasília (UnB) sobre o uso da intranet pelos
servidores. A intenção é verificar se a página na intranet está atendendo ao objetivo
proposto, se atende aos interesses dos servidores enquanto clientes internos da BCE e
se possui os requisitos de usabilidade para servir como instrumento de comunicação
interna.
Para este estudo, foi realizado levantamento na literatura sobre a usabilidade
e critérios de avaliação de intranet, descrição do ambiente de pesquisa por meio de
coleta de dados em documentos internos e observação direta do site da intranet e
pesquisa por meio de questionário aos servidores vinculados a BCE/UnB, buscando
verificar a satisfação de uso, a navegabilidade, o conteúdo e o visual gráfico do website
da página de intranet na URL http://www.bce.unb.br.
REFERENCIAL TEÓRICO
Diversos estudos mostram que a intranet é uma solução valiosa para as
organizações (HOMMERDING; VERGUEIRO, 2004; BREMMER; IASI; SERVATI, 1998) e a
biblioteca, com o seu papel de disseminadora da informação, encontrou nesta nova
tecnologia um serviço de grande importância para desenvolvimento e divulgação dos
trabalhos desenvolvidos entre os seus servidores.

�3
De acordo com Cândido e Araújo (2003), as características do atual ambiente
de gestão trazem a necessidade das organizações serem cada vez mais adaptáveis,
flexíveis e ágeis. É necessário que suas estruturas e processos sejam permanentemente
reavaliados, reestruturados e revitalizados. As tecnologias de informação, como os
sistemas para acesso, buscam tratamento, utilização e disseminação de informações,
funcionam como um mecanismo de suporte para implementação de novos modelos e
abordagens de gestão.
Para Hommerding e Vergueiro (2004) é evidente que o profissional da
Informação não é o único elemento adequado para definir a publicação e o
compartilhamento

de

documentos,

mas

o

profissional

pode

assumir

esta

responsabilidade.
Comunicação interna
Segundo Chiavenato (1994a, p.122), “comunicação é o processo de
transmissão de uma informação de uma pessoa para a outra sendo, então, compartilhada
por ambas”. Para Santos (2003, p.2), comunicação é o “processo social básico de
interação entre partes, onde o pensamento é transmitido por qualquer canal, o fluxo de
informação é permanente e intercambiável em diversas situações sociais e a informação
é compreendida por quem a recebe”.
Segundo Robbins (1999), a comunicação serve a quatro grandes funções
dentro de um grupo ou organização: controle, motivação, expressão emocional e
informação. A comunicação interna é um sistema de informação paralela que circula por
uma organização, não substituta do fluxo da comunicação funcional. Deve ser planejada
com objetivos definidos para viabilizar toda a interação possível entre a organização e
seus empregados, usando instrumentos da comunicação institucional e até da
comunicação mercadológica. Tem como objetivo difundir informações de interesse público
sobre as filosofias, políticas e práticas da organização, colaborar na construção de uma
imagem e identidade corporativa e enfatizar a missão, visão e os valores e objetivos de
uma organização (KUNSCH, 199?).
Diante do exposto, entende-se que a comunicação interna é um sistema de
informação funcional, que circula por uma organização para propagar informações de

�4
interesse dos servidores sobre as políticas e as praticas institucionais, e é necessária
para seu desenvolvimento.
Satisfação no trabalho e comunicação Interna
Segundo Oliveira (2004), felicidade no trabalho era a carteira assinada,
estabilidade, especialização no que se fazia. No Século XXI, as variáveis para a
satisfação no trabalho aumentaram passando desde reconhecimento profissional,
desenvolvimento e crescimento no trabalho à qualidade de vida e ao ambiente de
trabalho.
Chiavenato (1994b; 1999) refere-se à melhoria da qualidade na organização
por meio da elevação do clima organizacional e da satisfação no trabalho. A comunicação
interna é, sem dúvida, um dos mecanismos para a melhoria do clima organizacional.
É crescente a preocupação em manter o servidor informado sobre tudo que
acontece na organização, fazendo com que os veículos de comunicação interna ocupem
maior espaço (SANCHES, 1996). Mesmo levando-se em consideração os gastos com a
comunicação interna, os resultados demonstram servidores satisfeitos, sentindo-se peças
fundamentais em todos os processos da empresa e, em conseqüência, a melhoria no
atendimento ao cliente externo (SANCHES, 1996).
Intranet como veículo de comunicação interna
Com o desenvolvimento das novas tecnologias da informação, o uso da
intranet como propulsora da disseminação da informação no ambiente interno de uma
instituição faz parte de uma estratégia mais abrangente, que é a implementação da
gestão do conhecimento como ferramenta para “identificar, analisar e administrar, de
forma estratégica e sistêmica, o ativo intelectual da empresa e seus processos
associados” (CÂNDIDO; ARAÚJO, 2003, p. 39). Isto tornará a organização preparada
para “criar, desenvolver e implementar tecnologias e sistemas de informação que apóiem
a comunicação empresarial e a troca de idéias e experiências que incentivem as
pessoas a se unirem, a participar, a tomar parte em grupos e a se renovarem em redes
informais”(CÂNDIDO; ARAÚJO, 2003, p. 40).
Segundo Rowley (2002), as aplicações da intranet dependem do objetivo para
qual ela foi desenvolvida podendo ser unidirecionais e interativas. Nas intranets

�5
unidirecionais, os arquivos são solicitados ao servidor onde estão armazenados e
recebidos no microcomputador, vistos com o auxílio do navegador de rede. Nas
interativas,

oferecem

maiores

oportunidades

de

comunicação

bidirecional

na

organização.
Em uma biblioteca, as intranets unidirecionais podem ser aplicadas em guias
de viagens, mapas, boletins, calendários de eventos, manuais de diretrizes, sistemas de
qualidades, boletins de alerta, fornecimento de periódicos eletrônicos, listas de assuntos
de recursos na Internet, horários de funcionamento, material de suporte ao desempenho
de atividades de informação. Nas interativas, as aplicações incluem o correio eletrônico,
treinamento e aprendizado informatizado, videoconferências, sistema de reserva,
relatórios e levantamentos, quadro de avisos, suporte técnico, renovação de
empréstimos, acesso ao catálogo da biblioteca (ROWLEY, 2002).
Percebe-se que a aplicabilidade da intranet é variada e quase ilimitada,
portanto, conhecer o que é uma intranet e quais as suas possibilidades de uso, contribui
para à gestão do conhecimento nas organizações. A intranet e a Internet são espaços
informacionais diferentes com objetivos diferenciados, voltados para público também
diferenciado.
A intranet pode ser entendida como uma rede interna, restrita aos servidores,
que possui informações institucionais e que possibilita a comunicação interna. Como
explica Nielsen (2000), a diferença mais óbvia entre a Internet e a intranet é que os
usuários da intranet são os servidores, ao passo que os da Internet são seus clientes. Os
usuários internos usam a intranet para as informações necessárias à sua vida
profissional, enquanto os usuários externos consultam o site de uma instituição para
obter as informações relacionadas ao seu negócio ou sua empresa.
A eficiência funcional é melhorada por meio da comunicação e a intranet pode
ser a infra-estrutura dinâmica para essa comunicação, “se tiver um design que facilite a
obtenção das informações quando necessário”, tornando “facilmente disponíveis as
decisões executivas, as visões e as discussões estratégicas” (NIELSEN, 2000, p. 277).
Segundo Amaral (1994, p.229) “tornar percebível todo o potencial da
informação eletrônica, como um recurso necessário, tanto no ambiente de pesquisa como
no ambiente de negócios pode ser considerado um desafio para os profissionais

�6
interessados em marketing”. A intranet pode e deve ser vista como um instrumento de
comunicação utilizado na adoção do endomarketing ou marketing interno em uma
instituição. A intranet, hoje uma realidade em muitas empresas, é uma prova do
crescimento da preocupação com a comunicação interna e o endomarketing.
Usabilidade da intranet
O propósito de se avaliar programas de computadores buscando usabilidade é
oferecer o serviço de forma que os usuários alcancem seus objetivos e satisfaçam suas
necessidades em um contexto particular de uso (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
NORMAS TÉCNICAS, 2002). Segundo a NBR 9241-11, norma da Associação Brasileira
de Normas Técnica - ABNT (2002, p.3) baseada na ISO 9241, usabilidade é a “medida na
qual um produto pode ser usado por usuários específicos para alcançar objetivos
específicos com eficácia, eficiência e satisfação em um contexto específico de uso”.
Segundo Nielsen (2000), todos os métodos de engenharia de usabilidade
padrão utilizados para a Internet podem ser aplicados a projetos de intranet. Para Nielsen
(2000), esses métodos de engenharia de usabilidade são ainda mais relevantes para a
intranet, considerando-se o fato de que qualquer melhoria em termos de usabilidade
contribui diretamente nos resultados da empresa.
A NBR 9241-11 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2002)
prescreve que para medir usabilidade é necessário identificar os objetivos e decompor as
medidas de usabilidade (eficácia, eficiência e satisfação) e os componentes do contexto
de uso (usuário, tarefa, equipamentos, ambiente) em sub-componentes com atributos
mensuráveis e verificáveis.
A descrição dos objetivos pretendidos, dos componentes do contexto de uso,
dos valores de eficácia, eficiência e satisfação são informações necessárias para se medir
a usabilidade. Conhecimento, habilidade, experiência, educação, treinamento são
características relevantes para a descrição dos usuários, bem como as atividades
executadas, a freqüência de uso, o ambiente físico e o ambiente técnico. Características
relevantes dos equipamentos, tanto de hardware como de software devem ser levadas
em consideração, assim como as características das tarefas a serem executadas para
alcançar o objetivo (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2002).

�7
Sobre o design, Nielsen (2000) acredita que o estilo visual da Internet deve ser
diferenciado do da intranet para que os servidores distingam mais facilmente quando
estão acessando as informações internas ou externas, preservando a confidencialidade
das informações internas.
METODOLOGIA
Para os objetivos deste trabalho, foi realizada uma pesquisa exploratória a
partir de um estudo de caso que teve por base o estudo da usabilidade da intranet da
Biblioteca Central da Universidade de Brasília como ferramenta de comunicação interna. A
pesquisa foi limitada aos servidores da Biblioteca Central da Universidade de Brasília com
aplicação de questionário. Para contextualizar o ambiente da pesquisa foi realizado
resgate histórico sobre a criação da Internet e da intranet da Biblioteca Central,
recorrendo-se à técnica de análise documental. Os dados foram coletados em
documentos internos da Biblioteca, disponibilizados pelo Núcleo de Informática e
Tecnologia (NIT).
A INTRANET DA BIBLIOTECA CENTRAL DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
No ano de 2005, implantou-se na BCE a intranet, desenvolvida em softwares
livres, como meio de comunicação interna entre a direção e os servidores e os servidores
entre si. Subdividida em módulos, permite a inclusão pelos próprios servidores de
notícias, eventos sociais e classificados, bem como as comunicações administrativas,
estas restritas às chefias.
A idéia principal era colocar o quadro de avisos, existente na entrada dos
funcionários, em um ambiente virtual, ou seja, oferecer os serviços que o quadro oferecia,
mas de maneira mais ágil com novos recursos e de fácil acesso aos servidores-usuários,
permitindo o acesso remoto. O servidor, desde que previamente cadastrado, pode
acessar a intranet, com login e senha, a partir de sua casa, e saber o dia e horário em que
está escalado para o plantão, por exemplo.
Para acesso à intranet da BCE existem quatro categorias ou perfis de usuários
com permissões de uso distintas. O perfil de usuário permite acesso às informações da
intranet, para leitura. O catalogador tem permissão para inclusão de informação nos
módulos da intranet. O perfil de moderador tem como função validar as informações que

�8
estejam na área de validação, inserir e alterar informações já existentes, e verificar as
estatísticas do site da BCE. O perfil de administrador tem como função administrar a
Internet e a intranet. Além de possuir as permissões dos perfis anteriores, é o
administrador que inclui ou exclui usuários da intranet ou muda o servidor de categoria. O
administrador possui permissão inclusive para inserir, excluir e alterar o conteúdo
existente na intranet e Internet.
ANÁLISE DOS RESULTADOS
O universo pesquisado é constituído de 183 servidores, sendo 13,7%
bibliotecários; 6,16% de técnicos não bibliotecários, mas com cargos de nível superior;
41,1% de assistentes administrativos de nível médio; 31,51% de bolsistas, estagiários
com escolaridade em nível de graduação e nível médio; e, 7,53% de auxiliares
operacional.
Quanto à escolaridade, foi observado que a Biblioteca conta com um quadro
funcional de bom nível educacional. Constatou-se que uma parcela significativa de
servidores de nível médio possui graduação e especialização. A estes servidores,
agregam-se, os técnicos de nível superior, bibliotecários e não bibliotecários, que
possuem mestrado e doutorado.
A maioria dos servidores da BCE possui familiaridade com a tecnologia
fazendo uso do computador diaria e freqüentemente. Uma pequena parcela dos
servidores utiliza o computador ocasionalmente, e uma minoria nunca o utiliza. Percebeuse que os servidores têm facilidade de acesso à tecnologia, pois têm o hábito do uso do
computador em casa e no trabalho. E, no caso dos servidores estudantes, o acesso é
realizado, também, em suas instituições de ensino.
Entretanto, observou-se que um universo pequeno de servidores acessa a
intranet diariamente ou acessa 3 a 5 vezes por semana, enquanto uma grande
porcentagem nunca acessa.
A maioria dos servidores não participou do treinamento para o acesso e uso da
intranet, o que pode ter conexão com a baixa freqüência de uso. Alguns comentários dos
servidores sugerem a falta de treinamento, como “não posso opinar, pois não conheço a
intranet” ou, “... acho também que para conseguir melhores índices de acessibilidade na

�9
intranet na BCE é preciso cativar os usuários, isto é, esclarecer melhor esta importante
ferramenta de trabalho”.
Ao serem indagados sobre qual a importância da intranet como ferramentas de
comunicação interna e de trabalho, os servidores consideraram que, como ferramenta de
comunicação interna, a intranet é muito importante e, como ferramenta de trabalho, ela é
importante.
Quanto à questão se o uso da Intranet gera satisfação no trabalho, a maioria
dos servidores concorda parcialmente ou concorda plenamente com a afirmativa. Uma
parcela significativa dos servidores questionados respondeu que não concorda nem
discorda. Quanto ao item “o uso da Intranet aumenta a eficiência no desempenho das
atividades” o valor maior foi de 23,3% para o concordo parcialmente e o menor, 9,6% para
nem concordo nem discordo.
Pelo alto índice de servidores que não responderam às questões sobre a
importância do uso da Intranet como ferramenta de comunicação interna e a importância
do uso da intranet como ferramenta de trabalho fica caracterizado que estes servidores
não despertaram para os benefícios que esta ferramenta pode gerar no dia-a-dia.
Com relação às informações que os servidores acessam na intranet verifica-se
que o índice de acesso é baixo, provavelmente pela desatualização das informações,
como citado por alguns respondentes.
Do universo pesquisado, 49,32% não responderam à questão “Qual o grau de
familiaridade que você tem com a intranet”. Por outro lado, os dados demonstram que não
há problemas de navegação, já que 24,66% têm facilidade de navegar, contra 13% que
enfrentam dificuldades ou sempre enfrentam dificuldades. Com relação aos problemas
que costumam enfrentar na utilização da intranet os servidores apresentaram algumas
dificuldades. Os maiores problemas que apareceram foi em relação à senha e ao
atendimento do Núcleo de Informática e Tecnologia da BCE.
Dos aspectos relacionados com a estrutura da página da intranet e seu leiaute,
infere-se que, de uma forma geral, a análise foi positiva. O resultado apresentado mostra
que é fácil entender sua estrutura e localizar as informações na intranet. Segundo a
maioria dos servidores não há poluição visual e as cores estão adequadas, combinam

�10
entre si e as informações são confiáveis. A avaliação negativa encontra-se na freqüência
da atualização que não está satisfatória tendo, este quesito, sido indicado por 24,7% dos
servidores.
Na questão sobre “Os serviços oferecidos pela intranet atendem à sua
expectativa”, 22,6% do universo pesquisado responderam que sim, que atende às suas
expectativas, 21,2% responderam que não atende às expectativas e 55,5% não
responderam a esta questão, comprovando o alto índice de questões não respondidas,
inferindo-se a falta de treinamento e divulgação da intranet.
Analisando a questão 20 “O que você sugere para melhoria da página da
intranet da BCE”, verifica-se que os itens mais sugeridos foram atualização, com 45,16%
e treinamento, com 29,03% do total dos respondentes desta questão.
CONCLUSÃO
A comunicação interna é um ponto estratégico para a instituição por ser
fundamental para os resultados do negócio, por ser fator humanizador das relações de
trabalho e por consolidar a identidade da organização junto aos seus públicos. Se a
comunicação for ágil e clara evitar-se-á o ruído e atingirá com eficiência os objetivos da
instituição.
A intranet tem como principal objetivo a disseminação rápida e eficiente de
informações entre os usuários de uma instituição. Como valor agregado, a intranet
economiza tempo nos processos organizacionais reduzindo consideravelmente a
duplicação de esforços e disponibilizando a informação uma única vez, em benefício de
todos, conseqüentemente melhora a eficiência da organização.
Outro fator agregador no uso da intranet é que a informação passa a ser
generalizada; muitos passarão a ser detentores da informação em lugar de poucos. Outro
ponto que pode ser ressaltado é que, com a disponibilização da informação via intranet, o
uso do papel tende a diminuir.
Uma hipótese levantada quanto ao baixo uso da intranet na Biblioteca Central
foi a resistência à mudança na estratégia de disseminação da informação entre os
servidores. Embora o correio eletrônico esteja sendo amplamente utilizado, o fato de se
utilizar mais um recurso pode ter gerado resistência.

�11
Tendo em vista os resultados alcançados na pesquisa, conclui-se que a
intranet da BCE possui os requisitos de usabilidade. Sua estrutura é agradável e sua
navegabilidade não apresenta grandes dificuldades, atendendo ao requisito de eficiência.
A intranet não atende à medida de satisfação, pois não estando atualizada não permite ao
usuário atingir o resultado esperado.
As dificuldades em relação ao uso da intranet foram identificadas e, dos
problemas relacionados, o índice maior foi em relação às senhas. Quanto à atualização
do site da intranet os servidores consideram que não é realizada regularmente.
Foi identificado o perfil dos usuários-servidores da BCE. Faixa etária, sexo e
nível de escolaridade dos servidores não parecem influenciar o uso ou desuso da rede
interna. O acesso a computadores não é impedimento já que a maioria dos servidores
pesquisados possui computador em casa e a Biblioteca oferece este instrumento de
trabalho em todos os setores para cumprimento das atividades. Quanto à atualização, os
servidores consideram que o site da intranet não é atualizado regularmente.
Um dos problemas levantados foi em relação à capacitação do servidor no uso
da intranet, embora, quando foi implantada, tenha havido divulgação, treinamento, e
distribuição de senhas. Há uma necessidade de capacitação contínua para abarcar as
mudanças periódicas de servidores contratados. E inclusão na rede interna de manuais e
rotinas de trabalho, bem como maior divulgação da intranet e de seus benefícios.
A maioria dos servidores da BCE não está utilizando a intranet, pois não possui
conhecimento desta ferramenta. Outros deixaram de acessar por considerar que a rede
interna não estava sendo atualizada. Mas os índices de 28,8% e 22,6% dos respondentes
demonstram que os servidores avaliam como uma ferramenta muito importante e
importante, respectivamente, para comunicação interna ou como ferramenta de trabalho.
O desenvolvimento do presente estudo de caso levou-nos à constatação de
que os servidores têm um papel importante no sucesso ou insucesso de uma
organização. A capacidade de aceitar a mudança se configura como uma condição sine
qua non para o êxito dos projetos. Se não houver sinergia entre os diversos setores, entre
a administração e o servidor, somente treinamento e divulgação não resolvem o
problema.

�12
Para que a intranet seja uma ferramenta eficaz de trabalho e de comunicação
interna, é necessário contar com todos os segmentos institucionais. Desde o perfil de
administrador ao perfil de usuário, todos são responsáveis pelo crescimento e utilização.
Cada Serviço, Divisão ou Setor pode ter sua página na intranet mantendo a
organização informada sobre sua missão, seus objetivos e suas atividades. É possível,
também, ter uma página privativa com as informações necessárias ao andamento dos
trabalhos e avaliações dos servidores.
No gerenciamento da intranet outros profissionais que não sejam bibliotecários
podem vir a ser o elemento definidor da publicação e do compartilhamento de
documentos pela intranet, porém o bibliotecário, pela sua formação acadêmica e
profissional e por sua experiência de disseminador da informação tem papel fundamental
no gerenciamento da intranet. Recomenda-se o estabelecimento de políticas internas
quanto à publicação de informações, e quanto à definição do papel de cada perfil dos
usuários.
As políticas internas de publicação deverão estar definidas, de acordo com os
módulos existentes para publicação e as permissões para cada um deles. É
recomendável a definição de quem é o responsável pela publicação em cada módulo e
manutenção da notícia atualizada.
Da mesma forma que a Internet, a intranet é uma ferramenta de comunicação.
Em uma organização, a intranet pode não somente ser aplicada à comunicação interna
como no treinamento e/ou aprendizagem à distância dos servidores em relação às
atividades executadas. Tutoriais para o desenvolvimento dos trabalhos e manuais de
serviço devem estar disponíveis para que todos possam acessar, tomar conhecimento e
dirimir dúvidas.Treinar os servidores no uso da intranet torna-se um aspecto de
fundamental importância para transformar e manter o ambiente seguro e eficaz.
A intranet da BCE, efetivamente implementada, apresenta uma série de
vantagens institucionais em sua utilização, entre elas um maior dinamismo no processo
de comunicação interna.
Outros benefícios que podem ser observados como a economia (de tempo e de
papel, por exemplo), a diversidade de informação, a clareza da informação, eliminando-se

�13
os ruídos que distorcem as informações e a consolidação da cultura informativa no
ambiente organizacional, colaboram para uma comunicação ágil e precisa. Entretanto, os
benefícios que poderiam ser visíveis na atualidade são reduzidos significativamente em
razão da baixa adesão, por parte dos servidores, à utilização desta ferramenta
tecnológica.
Esta pesquisa contribuiu para despertar o interesse dos servidores para o uso
da intranet. Após a aplicação do questionário, algumas ações já foram implementadas
como a atualização do módulo de plantão para o mês de agosto de 2006 e o
planejamento do treinamento para todos os servidores no uso da intranet. Na página
principal, as notícias sobre a BCE foram atualizadas.
Por último, não se pode deixar de mencionar que cabe ao servidor a iniciativa
de acessar a intranet, portanto é necessário atraí-lo com informações de interesse,
atualizadas e que aumentem a satisfação e a eficiência no trabalho.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>Valle, Clarimar Almeida; Silva, Maria José Moreira Serra da</text>
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            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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                <text>Salvador (Bahia)</text>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>2006</text>
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                <text>Este trabalho estuda a intranet da Biblioteca Central (BCE) da Universidade de Brasília (UnB). O objetivo foi verificar se a intranet da BCE possui os requisitos de usabilidade para servir como instrumento de comunicação interna entre a administração da Biblioteca e seus servidores enquanto clientes da BCE. Para contextualizar o ambiente da pesquisa foi realizado resgate histórico sobre a criação da Internet e da intranet da Biblioteca Central, recorrendo-se à técnica de análise documental. Buscou-se caracterizar o perfil do servidor usuário, sua relação com as tecnologias e o uso de computador; e o uso da intranet, identificando-se as dificuldades encontradas em relação ao uso da intranet na BCE. A pesquisa foi limitada aos servidores da Biblioteca Central da Universidade de Brasília, visando a coleta de dados por meio de questionário buscando verificar a satisfação de uso, a navegabilidade, o conteúdo e o visual gráfico do website da página de intranet na URL http://www.bce.unb.br.</text>
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                    <text>USABILIDADE DE SOFTWARES: um estudo com bibliotecas universitárias
do nordeste brasileiro
ELIANE BEZERRA PAIVA
Mestre em Ciência da Informação,
Professora do Departamento de
Biblioteconomia e Documentação do
CCSA/UFPB. paivaeb@gmail.com
FRANCISCA ARRUDA RAMALHO
Doutora em Ciência da Informação,
Professora do Departamento de
Biblioteconomia e Documentação do
CCSA/UFPB. arfrancisca@hotmail.com
RESUMO
O uso de bibliotecas em ambiente digital perpassa por questões relativas à
interação homem-máquina. Assim, a usabilidade consiste em propriedades de
interface de um sistema, no que se refere à sua adequação aos usuários.
Realizou-se, então, uma pesquisa, de caráter exploratório, que objetiva investigar
a existência de estudos sobre a usabilidade de softwares utilizados em bibliotecas
universitárias federais do nordeste brasileiro. A metodologia compreende uma
pesquisa bibliográfica e eletrônica sobre usabilidade de softwares em bibliotecas
universitárias e uma pesquisa de campo. O instrumento de coleta de dados foi o
questionário, aplicado, via Internet, às bibliotecas envolvidas no estudo. A análise
dos dados realizou-se numa abordagem quantitativa e qualitativa, com base na
Análise de Conteúdo, de Bardin. Os resultados obtidos demonstram a utilização
de uma diversidade de softwares como Pergamum, Ortodocs, Aleph etc. e
apontam para a ausência de estudos sobre a usabilidade desses softwares nas
bibliotecas pesquisadas. Embora os bibliotecários estejam envolvidos na escolha
dos softwares utilizados, infere-se que há desconhecimento, por parte desses
profissionais, sobre questões relacionadas à usabilidade de softwares. Conclui-se
que, os estudos de usabilidade revelam as preocupações da biblioteca
universitária com os seus usuários e contribuem para otimizar sua mediação no
ambiente do ciberespaço.
Palavras-chave: Usabilidade; Biblioteca universitária; Uso de softwares; Usuário
da informação.

1 INTRODUÇÃO
Desde a formulação das Leis da Biblioteconomia, por Ranganathan, ao
expressarem que os livros são para uso, percebe-se a necessidade da
preocupação com o usuário de bibliotecas e/ou unidades de informação. Os
estudos de usuários têm procurado decifrar quem são os usuários de tais

�2

sistemas, como os utilizam e buscam informação e quais as suas necessidades
informacionais. Entende-se que as bibliotecas e/ou unidades de informação
devem priorizar os desejos/ necessidades de informação de seus usuários, pois
os usuários constituem a sua razão de ser. Assim, a preocupação com os
usuários e as suas relações com os sistemas, quando da busca das informações
desejadas, deve ser uma constante, para que os sistemas de informação possam
cumprir os objetivos pretendidos.

A partir do desenvolvimento das Tecnologias da Informação e da Comunicação
(TICs) as bibliotecas e/ou unidades de informação não ficaram imunes às novas
tendências a passaram a atuar, também, em ambiente digital. Nessa nova
configuração, o uso dos recursos informacionais pelos usuários, perpassa por
questões relativas à interação homem-máquina.

Inicialmente, houve preocupação em adaptar o ser humano à máquina.
Posteriormente, o barateamento dos custos dos equipamentos concorreu para
uma mudança de enfoque e os custos de desenvolvimento de novos softwares
alcançaram uma maior relevância, especialmente no que se refere à questão da
interatividade dos sistemas (RIBEIRO JÚNIOR, 2004).

Em tal contexto, a interação homem-computador tornou-se uma tendência visível
na indústria de software, que passou a dedicar uma maior atenção ao assunto e a
criar interfaces mais “amigáveis” aos usuários.

A usabilidade consiste em propriedades de interface de um sistema, no que se
refere à sua adequação ao usuário. Este texto trata-se de um relato de pesquisa
sobre usabilidade de softwares utilizados em bibliotecas centrais de universidades
federais do nordeste do Brasil. A referida pesquisa objetiva analisar questões
referentes à usabilidade de softwares utilizados em bibliotecas universitárias do
nordeste do Brasil.
2 SOFTWARES, USABIBLIDADE E ESTUDOS DE USUÁRIOS: um encontro
necessário na biblioteca universitária

�3

As mudanças advindas com a emergência da sociedade da informação
provocaram alterações substantivas nos hábitos de uso da informação. As
unidades de informação recebem interferência diária, em seus processos de
trabalho, concorrendo para tornar imprescindível a adequação de suas estruturas
organizacionais e prestação de serviços ao novo contexto da sociedade.
Especificamente no processo de informatização das unidades de informação, os
avanços tecnológicos aliados às exigências dos usuários, direcionam para a
seleção de softwares com características que permitam a integração usuário
máquina.

Software, que na língua portuguesa pode ser traduzido por programa de
computador, consiste numa seqüência de instruções codificadas em uma
linguagem de programação qualquer e que para ser executado, precisa estar
armazenado na memória de um computador (SALVETTI; BARBOSA, 1998).

O espaço digital, criado pelas Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs),
possibilita o atendimento a distintas formas de interação das pessoas com a
informação, tanto as preferências dos usuários quanto as suas limitações. No
processo de construção do conhecimento, os indivíduos interagem entre si,
conforme a sua cultura. Assim, torna-se necessário que o ambiente de interação,
a interface, favoreça a comunicação dos significados e sentidos (GOMES, 2000).

A usabilidade relaciona-se com a facilidade ou dificuldade do usuário
compreender e utilizar um mecanismo, como um equipamento de controle remoto,
uma máquina fotográfica, ou os sistemas informatizados. O termo usabilidade, em
inglês “usability”, surgiu no início da década de 80, na Ciência Cognitiva,
especificamente nas áreas de Psicologia e Ergonomia, em substituição ao termo
“userfriendly” (amigável), em virtude deste último ser considerado um termo vago
e subjetivo. Nos últimos anos, a partir da difusão da Internet, que se tornou parte
essencial do cotidiano da vida moderna, o termo usabilidade alcançou destaque
nas pesquisas, especialmente no que se refere à satisfação no contexto de uso.
Inicialmente, os engenheiros de softwares enalteciam a eficiência dos programas

�4

e, atualmente, percebe-se uma grande preocupação com uma melhor interação
com o usuário, especialmente com a interface homem/computador. A interface “é
a parte do sistema com a qual o usuário entra em contato por meio do plano
físico, perceptivo e cognitivo” (DIAS, 2005, p. 46).

A usabilidade pode ser entendida como o grau de facilidade de uso de um produto
para um usuário que desconhece o mesmo (TORRES; MANZZONI, 2004).
Conforme a International Organization for Standardization (ISO), em sua norma
ISO 9241, usabilidade é: “a efetividade, eficiência e satisfação com que um
conjunto específico de usuários pode realizar um conjunto específico de tarefas
em um ambiente particular” (RIBEIRO JÚNIOR, 2004).

Nielsen (1993 apud DIAS, 2005) descreve cinco propriedades de usabilidade: a)
facilidade de aprendizado; b) eficiência de uso; c) facilidade de memorização; d)
baixa taxa de erros; e) satisfação subjetiva. A facilidade de aprendizado é a
propriedade em que o sistema deve ser o mais simples possível para possibilitar
que o usuário conheça o sistema e desenvolva suas atividades. A eficiência de
uso refere-se que o sistema deve ser hábil o suficiente para permitir a interação
com o usuário para que esse possa atingir altos níveis de produtividade no
desenvolvimento de suas atividades. Facilidade de memorização refere-se à
aptidão do usuário de regressar ao sistema e realizar suas tarefas embora tenha
estado afastado do sistema durante determinado tempo. Baixa taxa de erros – o
sistema deve ter poucos erros e possibilitar o usuário realizar suas tarefas sem
grandes problemas. A satisfação subjetiva – refere-se ao usuário considerar
agradável a interação com o sistema e satisfeito com o mesmo.

Conforme Figueiredo (1999), os estudos de usuários objetivam entender as
necessidades, preferências e opiniões dos usuários a respeito dos serviços que a
eles são oferecidos ou podem vir a ser oferecidos. Entende-se, então, que os
estudos de usabilidade convergem para estudos de usuários, pois ambos têm a
preocupação com uma melhor interação do usuário com o sistema e, sobretudo,
com a satisfação do usuário.

�5

Na atualidade, quando a maior parte das bibliotecas está automatizada e
disponibiliza serviços via Web, os estudos de usabilidade podem se constituir num
forte aliado, ou numa nova configuração, dos estudos de usuários. Se na
biblioteca tradicional os estudos de usuários estão voltados para o uso dos
catálogos, dos serviços ao usuário, das fontes impressas, dentre outros, na
biblioteca automatizada os estudos devem ser realizados aonde se dá a interação
do usuário com a biblioteca, ou seja, na interface usuário-computador.

3 A PESQUISA

A pesquisa, de cunho exploratório, focaliza a usabilidade de softwares nas
bibliotecas centrais das universidades federais do Brasil e o universo da pesquisa
compreende 11 bibliotecas universitárias localizadas no nordeste do país e
pertencentes às seguintes universidades: UFPB, UFCG, UFPE, UFRPE, UFRN,
UFBA, UFC, UFAL, UFMA, UFSE e UFPI. A metodologia compreende uma
pesquisa bibliográfica e eletrônica sobre usabilidade de softwares, automação de
bibliotecas universitárias e estudos de usuários. Inclui, também, uma pesquisa de
campo.

O instrumento de coleta de dados foi o questionário, aplicado, via Internet, às
direções das bibliotecas envolvidas no estudo. O questionário é composto de
questões abertas, referentes a estudos de usabilidade dos softwares disponíveis
nas bibliotecas.

A coleta de dados realizou-se no período de maio a julho de 2006, obtendo-se
63,6% de resposta, que correspondeu à amostra. A análise dos dados, com base
na Análise de Conteúdo, de Bardin, realizou-se numa abordagem quantitativa e
qualitativa, visando obter-se uma melhor compreensão do fenômeno estudado
(GOLDENBERG, 2004). A pré-análise constou da codificação dos questionários
respondidos e da tabulação dos dados, utilizando-se inferências percentuais e
estatísticas básicas. Com o objetivo de garantir o anonimato dos respondentes,
adotaram-se os códigos B1, B2, B3, B4, B5, B6 e B7 para os questionários

�6

respondidos, que totalizaram sete. A partir das respostas dos informantes,
criaram-se categorias de análise que foram comparadas com a literatura da área.

4 USABIBLIDADE DE SOFTWARES EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
NORDESTINAS

Visando alcançar os objetivos pretendidos na pesquisa, optou-se por conhecer os
tipos

de

softwares

disponibilizados

para

os

usuários

pelas

bibliotecas

pesquisadas. Os resultados obtidos demonstram a disponibilização de vários
softwares. Os pesquisados informaram que disponibilizam os seguintes:
Pergamum (57,1%), Ortodocs (14,3%) e Aleph (14,3%). Apenas uma biblioteca
(14,3%) informou que anteriormente utilizava o Ortodocs, mas no período da
coleta de dados da pesquisa estava em fase de implantação de um novo
software. Mais da metade das bibliotecas disponibilizam o software Pergmum
(57,1%).

O Pergamum é um sistema automatizado de controle de bibliotecas e contempla
as principais funções de uma unidade de informação: cadastro de material, de
usuários, controle de empréstimo e consultas. Dias

(1998)

reconhece

a

necessidade de pesquisar a satisfação dos usuários quanto aos aplicativos
existentes para se realizar a pesquisa no sistema Pergamum.

O Ortodocs é fruto da tecnologia brasileira de microinformática e das suas
virtudes destaca-se a facilidade de agilizar a catalogação, pois ele permite a
importação de registros bibliográficos de qualquer formato e converte-os em
formato MARC (LIMA, 1998).
O software Automated Library Expandable Program (Aleph) é um software
desenhado, especificamente, para o gerenciamento de bibliotecas e centros de
documentação e informação bibliográfica. É um sistema amigável e totalmente
integrado, ou seja, à exceção do módulo para empréstimo entre bibliotecas, todos
os módulos possuem o mesmo banco de dados.

�7

A literatura da área demonstra a existência de uma grande variedade de
softwares disponíveis no mercado para a automação de bibliotecas, o que
concorre para dificultar a escolha desses softwares.

Em estudo realizado sobre o processo de avaliação e seleção de softwares, Corte
et al (1999) apresentam alguns aspectos relevantes a serem considerados na
avaliação de softwares e, dentre eles, sugerem que “o software escolhido esteja
pronto, testado, atendendo o nível de satisfação exigido pelos usuários” (CÔRTE
et al, 1999, p.255)

No que se refere ao tempo que os softwares estão sendo disponibilizados para os
usuários, os pesquisados informaram: o software está disponível há 10 anos
(14,3%), disponível há 8 anos (14,3%), disponível há 4 anos (28,6%) e disponível
há 1 ano (14,3%). No momento de aplicação do questionário os softwares não
estavam disponíveis aos usuários em 28,5% das bibliotecas, do que se infere
tratar-se de problemas técnicos, embora isso não tenha sido apontado pelos
informantes da pesquisa.

Sobre o tempo de disponibilização dos softwares para os usuários das bibliotecas
envolvidas no estudo, esse varia de 1 a 10 anos.Há bibliotecas que disponibilizam
o software há 10 anos (14,3%), há 8 anos(14,3%), há 4 anos(28,6%) e há 1 ano
(14,3%). Algumas bibliotecas informaram que os softwares utilizados não estavam
disponíveis no período da coleta de dados (28,5%). Dentre os softwares
apontados pelos informantes, os disponibilizados há mais tempo são: o Ortodocs
há 10 anos e o Aleph, há 8 anos. A disponibilização do Pergamum é mais recente,
e varia de 1 a 4 anos nas bibliotecas pesquisadas.
Ao questionar-se sobre a realização de algum estudo sobre a usabilidade dos
softwares nas bibliotecas, quase a totalidade delas (85,7%) informou que não
realizaram esse tipo de estudo. Apenas uma biblioteca não respondeu à questão
(14,3%). Os estudos sobre a usabilidade de software ainda são raros na literatura
nacional. Entende-se que os estudos de usabilidade podem contribuir para
verificar o desempenho (eficácia e eficiência) da interação usuário-computador e
obter indícios do nível de satisfação do usuário (DIAS, 2003).

�8

A respeito de como se dá o envolvimento do bibliotecário, na escolha dos
softwares disponibilizados aos usuários, os informantes apontaram diversas
posturas. Em algumas instituições o bibliotecário tem participação ativa e ele
mesmo escolhe o software e a universidade compra aquele de menor preço (B3).
O preço nem sempre é um indicador da qualidade do produto, daí entender-se
que o preço é um critério pouco consistente para a aquisição de um software. A
maioria dos informantes apontou que o bibliotecário busca no mercado e na
literatura da área informações sobre os softwares que melhor atendem às
necessidades da biblioteca (B1, B5, B6, B7). Alguns informantes relataram que a
escolha desses softwares se dá em parceria com profissionais da área de
informática e através de reuniões com seus pares (B4, B5, B6). Nas avaliações
dos softwares são consideradas experiências de uso desses softwares em outras
bibliotecas, estudos realizados sobre diversos tipos disponíveis no mercado e,
também, a diversidade de serviços oferecidos pela biblioteca. Um informante
mencionou que realizou visitas a bibliotecas em São Paulo e Rio de Janeiro para
conhecer softwares (B4). Outro informante relatou que a escolha do software se
deu em função do mesmo adotar um formato MARC, com linguagem de padrão
internacional (B4). Apenas um informante relatou preocupação com a escolha de
um software que atendesse às necessidades dos usuários (B6). Nenhum dos
informantes apontou a participação do usuário na escolha do software, nem se
referiu a questões de usabilidade de softwares.

Em geral, a postura adotada pelos bibliotecários para a escolha do(s) software(s)
tem sido a seguinte: após a escolha do(s) software(s), em parceria com
profissionais da área de informática, o bibliotecário encaminha o seu parecer à
direção da instituição para que seja efetuada a compra do software. Vale
mencionar que o usuário, em geral, está ausente nessa tomada de decisão. Shaw
e Culkim (1987, apud CAFÉ; SANTOS; MACEDO, 2001) ressaltam o foco no
usuário final para a escolha do software de bibliotecas.

A última pergunta do questionário da pesquisa indaga sobre como o bibliotecário
avalia/analisa as questões da usabilidade do software utilizado na biblioteca. Das

�9

respostas apresentadas, um informante considera boa a usabilidade do software
utilizado (B6), mas não justificou a sua resposta. Alguns informantes consideram
que o bibliotecário é capaz de avaliar o software, como nos seguintes
depoimentos:
“O bibliotecário analisa o software e vê se ele corresponde à
necessidade de informação do usuário” (B2).
“A maioria dos recursos oferecidos pelo software da biblioteca
são usados com freqüência e satisfatoriamente pelos
bibliotecários de processos técnicos” (B1).

Conforme a norma ISO9241-11 Guidance on Usability (1998, apud DIAS, 2003, p.
26-27) a usabilidade é “a capacidade de um produto ser usado por usuários
específicos para atingir objetivos específicos com eficácia, eficiência e satisfação
em um contexto específico de uso”. Portanto o usuário, ele próprio deve ser o
sujeito dessa avaliação.

Apenas um informante refere-se à usabilidade, destacando vantagens do Aleph
para operacionalização e abrangência para o usuário (B4). É interessante realçar
que, em resposta anterior, os informantes relataram que as bibliotecas não
realizaram nenhum estudo sobre a usabilidade de software. Infere-se que os
bibliotecários ainda estão pouco familiarizados com as questões de usabilidade e
parecem desconhecer o significado do termo como no seguinte depoimento: “O
uso do software Pergamum nunca foi objeto de estudo. Apenas é analisado o
Acesso ao Sistema Pergamum” (B3). Ainda em resposta à questão, um
informante considera que o bibliotecário avalia/analisa as questões de usabilidade
através de estudo de usuário e relatórios do programa: “Será através de estudo
de usuário e pelos relatórios estatísticos oferecidos pelo software” (B5).

A usabilidade envolve um conjunto de atributos da interface de um programa de
computador que se relaciona ao esforço necessário ao seu uso e abrange o
julgamento do usuário sobre o programa.

Define-se um problema de usabilidade de um sistema interativo como qualquer
característica, observada em determinada situação, que retarde, prejudique ou

�10

inviabilize a realização de uma tarefa, o que concorre para aborrecer, constranger
ou traumatizar o usuário (DIAS, 2003). Os problemas de usabilidade, em geral,
são classificados como uma barreira, um obstáculo, ou um ruído na interação
usuário-sistema.

Os resultados da pesquisa apontam para a ausência de estudos sobre a
usabilidade de softwares nas bibliotecas universitárias nordestinas. Embora os
bibliotecários estejam envolvidos na escolha dos softwares utilizados, infere-se
que há desconhecimento, por parte desses profissionais, sobre questões
relacionadas à usabilidade de softwares.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A escolha de software para biblioteca é uma tarefa complexa que exige do
profissional da informação diálogo com analistas de sistemas, pois, no mercado
de softwares é grande a oferta de produtos. A participação do usuário nessa
escolha é fundamental, pois ele é a razão de ser dos sistemas de informação e
não pode ficar ausente nesse momento. O estudo realizado registra a ausência
da participação dos usuários na escolha do software disponível na biblioteca.
Atenção deve ser dada a essa questão, em se tratando da aquisição de softwares
de uso dos usuários.
Entende-se que os estudos de usabilidade caminham na mesma direção dos
estudos de usuários das abordagens alternativas, especialmente dos estudos
cognitivos. Os estudos de usabilidade, assim como os estudos cognitivos,
contemplam aspectos da cognição e estão focados na percepção do usuário:
motivações, habilidades intelectuais, limitações físicas e mentais, atitude em
relação à tecnologia, experiência com o sistema, computadores, interfaces
gráficas, experiência profissional e específica para a realização de tarefas. Os
problemas de usabilidade são considerados barreiras ao uso dos sistemas, como,
nos estudos de usuários, as barreiras se interpõem ao uso dos sistemas de
informação.

Também, as metodologias dos estudos de usabilidade se

�11

assemelham àquelas empregadas nos estudos de usuários: questionários,
entrevistas, grupos focais. Além disso, os estudos de usabilidade se destinam a
medir a satisfação dos usuários.

Os estudos de usabilidade são complementares aos estudos de usuários, para
que se consiga avaliar o comportamento de busca dos usuários e a satisfação
desses com o desempenho dos sistemas de informação.

Por fim, os estudos de usabilidade devem se inserir nas preocupações da
biblioteca universitária com os seus usuários, uma vez que contribuem para
otimizar sua mediação no ambiente do ciberespaço.

Está na hora das bibliotecas universitárias iniciarem estudos de usabilidade dos
softwares disponíveis como forma de verificar se os mesmos são usáveis. Os
critérios estabelecidos por Nielsen, bem como os da ISO, podem proporcionar
modelos adequados desses estudos na biblioteca universitária, a fim de que
contribuam para que os usuários alcancem suas metas de interação com os
sistemas. A usabilidade de uma interface exige atenção sobre dois pontos
principais: o produto e o processo. O produto, que se constitui na interface com o
usuário, o conteúdo disponível, as questões ergonômicas e os elementos que
compõem a programação da interface. O processo é aquele através do qual o
produto é desenvolvido e compreende o ciclo de vida, métodos, técnicas e
ferramentas empregadas no desenvolvimento da interface com o usuário.

A medida de usabilidade “satisfação”, embora esteja relacionada a fatores
altamente subjetivos, é um indicador para que a biblioteca conheça se os usuários
estão satisfeitos com a interface disponibilizada pelo programa.

SOFTWARES USABILITY: a study with university libraries in the northeast of
Brazil
ABSTRACT

�12

The use of library in a digit environment a related to some questions concerning
the Man-machine relationship. Thus the usability consists of some interface
properties of a system, when referring to the users´ adequacy. It was developed,
then, an exploratory research to investigate the existence of some studies about
the software usability in Public universities libraries in the Northeast of Brazil. The
methodology comprehends a bibliographic and electronic research of the given
topic followed by a field research. The data collection tool was a questionnaire
applied, to the libraries involved, via Internet. The data analysis was done through
a quantitative and qualitative approach based on Bardin Content Analysis. The
obtained results show the use of a diversity of software such as Pergamun,
Ortodocs, Aleph etc., which point out to the lack of studies about the usability of
such software in the given libraries. Although the librarians are involved in the
choice of the software used, it can be inferred that there is a lack of knowledge
about some aspects concerning software usability. It is concluded that the studies
of usability reveal that the university libraries care about their users and try to
optimize their mediation in the cyberspace.
Keywords: Usability; university library; software use; information user.

REFERÊNCIAS

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digitais: usabilidade e comportamento de busca por informação na Biblioteca
Digital da PUC-Minas. Ciência da Informação, Brasília, DF, v. 34, n.1, p.95 - 103,
jan./abr. 2005.
CAFÉ, Lígia; SANTOS, Christophe dos; MACEDO, Flávia. Proposta de um
método para escolha de software de automação de bibliotecas. Ciência da
Informação, Brasília, DF, v. 30, n.2, p.70 - 79, jmaio/ago. 2001.
CÔRTE, Adelaide Ramos et al. Automação de bibliotecas e centros de
documentação: o processo de seleção e avaliação de softwares. Ciência da
Informação, Brasília, DF, v. 28, n.3, p.241- 256, set./dez. 1999 .
DIAS, Cláudia. Usabilidade na web: criando portais mais acessíveis. Rio de
Janeiro: Alta Books, 2003. 296p.
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usabilidade: uma experiência com educação a distância no SENAC-AL. 2005.
124f. Dissertação (Mestrado) Programa de Pós-Graduação em Educação.
Universidade Federal da Paraíba.

�13

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>O uso de bibliotecas em ambiente digital perpassa por questões relativas à interação homem-máquina. Assim, a usabilidade consiste em propriedades de interface de um sistema, no que se refere à sua adequação aos usuários. Realizou-se, então, uma pesquisa, de caráter exploratório, que objetiva investigar a existência de estudos sobre a usabilidade de softwares utilizados em bibliotecas universitárias federais do nordeste brasileiro. A metodologia compreende uma pesquisa bibliográfica e eletrônica sobre usabilidade de softwares em bibliotecas universitárias e uma pesquisa de campo. O instrumento de coleta de dados foi o questionário, aplicado, via Internet, às bibliotecas envolvidas no estudo. A análise dos dados realizou-se numa abordagem quantitativa e qualitativa, com base na Análise de Conteúdo, de Bardin. Os resultados obtidos demonstram a utilização de uma diversidade de softwares como Pergamum, Ortodocs, Aleph etc. e apontam para a ausência de estudos sobre a usabilidade desses bibliotecas pesquisadas. Embora os bibliotecários estejam envolvidos na escolha dos softwares utilizados, infere-se que há desconhecimento, por parte desses profissionais, sobre questões relacionadas à usabilidade de softwares. Conclui-se que, os estudos de usabilidade revelam as preocupações da biblioteca universitária com os seus usuários e contribuem para otimizar sua mediação no ambiente do ciberespaço.</text>
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                    <text>USABILIDADE NO CONTEXTO DE GESTORES, DESENVOLVEDORES E
USUÁRIOS DO WEBSITE DA BIBLIOTECA CENTRAL DA UNIVERSIDADE DE
BRASÍLIA
Autor: José Antonio Machado do Nascimento
UnB – Universidade de Brasília
Campus Universitário Darcy Ribeiro, Departamento de Ciência da
Informação e Documentação – Brasília –DF, Brasil
cid@unb.br
Presidência da República – Biblioteca
Anexo I, 1º andar, Palácio do Planalto
CEP: 71.150-9000
biblioteca@planalto.gov.br
1 Introdução
Os avanços tecnológicos no acesso eletrônico à informação têm provocado
mudanças nas bibliotecas universitárias, implicando na adoção de novos
parâmetros de qualidade na prestação de serviços. Nesse contexto, a usabilidade
redefiniu

a

relação

biblioteca-usuário,

através

de

métodos,

normas

e

recomendações específicas que possibilitam a análise de aspectos ergonômicos e
cognitivos da interação humano-computador.
Embora haja críticas relativas à confiabilidade da sua aplicação, a
usabilidade tem propiciado a integração de requisitos como interatividade,
hipertexto e multimídia à criação de páginas mais dinâmicas em termos de
linearidade e navegabilidade. Para atingir essa integração, torna-se necessário
aliar à usabilidade a experiência de gestores e desenvolvedores em projetos web,
que por sua vez, devem congregar a experiência do usuário em todas as etapas
do planejamento de um website. Da concepção de um protótipo à sua validação e
manutenção, é a percepção do usuário que possibilita aos gestores e
desenvolvedores produzirem sistemas eficazes para que bibliotecas continuem a

�desempenhar suas funções com precisão, de forma mais contextualizada e
personalizada.
2. A relação gestores e desenvolvedores x usuários no planejamento de
websites
Como os estudos de usabilidade envolvem compromisso com a qualidade,
possibilitando tornar mais efetiva a satisfação do usuário, é relevante analisarmos
os fatores que levam gestores e desenvolvedores a desconsiderarem o ponto de
vista dos usuários durante o planejamento de websites de bibliotecas
universitárias.
A preferência pelas bibliotecas universitárias por estudos de uso apenas
quantitativos

contribuem

para

a

falta

de

informação

dos

gestores

e

desenvolvedores sobre os pontos de vista dos usuários. Segundo Ramos et al.
(1999, p.159), em trabalho sobre o comportamento do usuário na busca de
informação automatizada em linha e em cd-rom, os estudos de usuários
realizados em bibliotecas universitárias “avaliam somente o lado quantitativo da
informação recebida, relegando a um segundo plano o lado qualitativo, que diz
respeito ao uso que foi feito da informação recebida”. Com apenas dados
quantitativos, torna-se difícil para gestores e desenvolvedores planejar websites
que possam suprir, satisfatoriamente, a demanda por informação da forma como
os usuários desejam.
Gestores e desenvolvedores também tendem a ignorar o ponto de vista de
usuários, porque desenvolver aplicações para bibliotecas universitárias, que lidam
com grande volume de conteúdo informacional, é uma tarefa complexa. Além
disso, outros fatores como a necessidade de requisitos especiais relacionados a
padrões de documentação e desempenho dos serviços de informação de
bibliotecas contribuem para que a grande preocupação do projetista seja a

�implantação desses requisitos, sobrando pouco tempo para que usuários sejam
selecionados para a avaliação das soluções a serem implementadas.
Outro fator que os leva a desconsiderarem o ponto de vista dos usuários é
a visão que esses profissionais possuem das tecnologias de informação como
parceiras dos usuários no desenvolvimento de suas atividades, ao utilizarem
websites de bibliotecas. Myers (1993), em trabalho sobre as dificuldades de se
projetar e implantar interfaces homem-máquina, observou que isto ocorre porque
gestores e desenvolvedores não se imaginam efetivamente na condição de
usuários comuns. Desta forma, nem sempre conhecendo as especificidades dos
serviços bibliotecários, optam por soluções disponíveis no mercado, ou
desenvolvem soluções de difícil acesso, que geram desperdício de tempo na
realização de tarefas pelos usuários e aumentam a necessidade de treinamento
por parte da equipe do sistema.
Cooper (1999) salienta que gestores e desenvolvedores ao ignorarem a
usabilidade acabam por subverter o desenvolvimento de um produto fácil de usar,
pela simples razão que os seus objetivos e os objetivos dos usuários são
consideravelmente diferentes. Enquanto gestores e desenvolvedores querem um
processo de construção e manutenção de um website fácil e tranqüilo, os usuários
querem que o sistema seja eficaz. Além disso, os gestores, ao liderarem projetos
tecnológicos,

acabam

conseguindo

o

design

de

um

website

de

seus

desenvolvedores e, como a preocupação com a usabilidade, geralmente ocorre no
ciclo final do design, poucas modificações são realizadas em função do alto custo
para alterar partes significativas do sistema (MORAES &amp; MONT`ALVAO, 2000).
A preocupação tardia com a usabilidade de websites de bibliotecas
universitárias torna-se mais complexa quando aliada à falta de investimento em
equipes multidisciplinares. Soma-se a este fato, a rápida difusão da Internet para
as mais diversas finalidades, haja vista o número expressivo de 30.000 novos
websites que nascem na Internet brasileira por mês (CALDAS, 2002). Isto acaba

�por influenciar a própria usabilidade da rede, gerando dificuldades de navegação,
acionamentos inadvertidos, acesso a telas que não interessam ao usuário,
desorientação e conseqüente subaproveitamento dos recursos de informação
disponíveis.
3. Avaliações de usabilidade em websites de bibliotecas universitárias
A usabilidade tem garantido às bibliotecas universitárias desenvolverem e
aprimorarem interfaces em consonância com a demanda informacional na web.
Como o acesso a fontes de informação se tornou corriqueiro, essas instituições
encontram-se conscientizadas da necessidade de reformulação constante de
leiaute, conteúdo e navegação dos seus websites, fato comprovado pelas
inúmeras experiências, relatos e estudos de caso que são encontradas na
literatura sobre o tema.
A oferta de inúmeros conteúdos transformou o website da Roger Williams
University num verdadeiro gigante, levando os desenvolvedores da instituição a
desenvolver uma ordem hipertextual mais sólida para as suas páginas, que foram
agrupadas em três classes: fontes de informação, serviços e pesquisa. A iniciativa,
apesar da intenção em simplificar o uso, tornou-se ineficaz, confundindo usuários
que se perdiam entre o excesso dos menus pop-up que dificultavam o caminho
até a informação desejada. “A interface falhou porque designers não conheciam o
perfil dos usuários mais freqüentes” (MCMULLEN, 2001, p. 7). Tomada pela
frustração, a Diretoria da Biblioteca da Roger Williams University resolveu adotar a
metodologia do design centrado no usuário para finalmente obter o resultado
desejado. A principio, realizou-se uma pesquisa de satisfação com os estudantes
da universidade, que além dos problemas já conhecidos, revelou a poluição visual
das páginas e a inadequação da terminologia dos links. De posse destes
resultados, bibliotecários utilizaram heurísticas para determinar o que era
realmente essencial e concluíram que o acúmulo organizacional deveria ser
reduzido. Lançado em 2001, o novo website da biblioteca provou que um dos

�maiores desafios das avaliações de usabilidade reside em compreender como
usuários interpretam categorias de conteúdo.
A City University of New York (CUNY) é um complexo educacional
composto de 150 mil estudantes e sua base de dados CUNY PLUS + utilizada
para diversos fins acadêmicos. Com o intuito de melhorar a sua usabilidade, os
pesquisadores Alexei Oulanov e Edmund F.Y. Pajarillo utilizaram o Software
Usability Measurement Inventory (SUMI) para determinar o que deveria ser
aprimorado. Entre outras conclusões, o estudo verificou que a CUNY PLUS + é
eficaz em relação à capacidade de aprendizado que propicia e as atualizações
deveriam privilegiar o constante reexame do serviço de referencia virtual à luz dos
valores da Ciência da Informação para alcançar o uso ponderado e racional das
suas potencialidades. Os autores também verificaram que os resultados gerados
pelo SUMI “parecem plausíveis para prover a pesquisadores, avaliadores,
designers e gestores a usabilidade de sistemas em uso” (OULANOV &amp;
PAJARILLO, 2001, p. 90). Entretanto, ressaltaram que os dados obtidos com este
método devem ser analisados tanto sob a ótica quantitativa quanto qualitativa.
Peng et al. (2003) utilizaram critérios heurísticos para comparar o portal e o
OPAC da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura. Os autores
descobriram que usuários preferem utilizar o portal pela possibilidade de acessar
diversos serviços ininterruptamente, funcionalidade que OPACS não permitem. “O
continuo sucesso e aceitação do portal reside na percepção e atitudes dos
usuários acerca do sistema em sua habilidade de distribuir esses serviços através
de uma interface dinâmica” (PENG et al., 2003, p. 55).
Brower (2004) avaliou as estruturas de navegação de 41 websites de
bibliotecas universitárias americanas da área de Ciências da Saúde, de acordo
com parâmetros definidos em uma lista de verificação, como: tecnologia, leiaute,
links e métricas de navegação. Para aplicá-los, as páginas foram copiadas para
um servidor local, através da ferramenta Teleport Proversion 2001, que conservou

�os formatos HTML e a linearidade dos objetos de interação. Constatou-se que
links para base de dados são comumente disponibilizados pelo nome ou ordem
alfabética em detrimento do assunto, normas de utilização e mapas do site, mais
freqüentemente encontrados no interior das páginas e alguns serviços ofertados
isoladamente, levando a crer que pela interdisciplinariedade das Ciências
Médicas, bibliotecários são levados a organizar a informação desta maneira
(BROWER, 2004, p. 418). Como o estudo foi realizado originalmente em 2001, foi
necessário rever alguns resultados para a sua publicação, em 2004. Neste
momento, observou-se um aumento considerável no numero de links que os
websites de bibliotecas disponibilizavam e o uso exacerbado de menus pop-up e
imagens. Entretanto, as recomendações elaboradas à época da pesquisa
continuam válidas para garantir a usabilidade de websites de bibliotecas
universitárias da área de saúde, haja vista os elementos navegacionais
obrigatórios identificados pelo autor e a disposição de bases de dados
bibliográficas por titulo, e-books, periódicos on-line entre outros.
A ausência de terminologias adequadas à área médica e as disposições
confusas de elementos de interação levaram a comissão de reestruturação do
website da Biblioteca de Ciências da Saúde e Serviços Sociais da Universidade de
Maryland a desenvolver três protótipos, que foram avaliados por bibliotecários,
estudantes e professores por meio de análise da tarefa e pesquisa de satisfação.
O protótipo escolhido revelou que menus de salto são adequados à organização
dos links e os dados coletados identificaram que uma estrutura lógica de
navegação só pode ser conseguida com o reconhecimento das necessidades do
campus universitário, mesmo que “pesquisas de satisfação retornem baixas taxas
de resposta dos participantes envolvidos” (FULLER &amp; HINEGARDNER, 2001, p.
337). Em suma, princípios de web design quando associados ao modelo mental
dos

usuários

produzem

melhorias

efetivas

em

websites de

bibliotecas

universitárias.
Em recente número da OCLC Systems and Services, renomadas
instituições norte-americanas publicaram suas experiências na reformulação dos

�seus websites, como a Biblioteca do Georgia Institute of Technology (KING &amp;
JANIK, 2005), a Biblioteca da University of Califórnia, Los Angeles (UCLA)
(TURNBOW et al., 2005), a Biblioteca de Artes, Arquitetura e Engenharia

da

Universidade de Michigan (TOLLIVER et al., 2005), a Biblioteca da Carnegie
Melon (GEORGE, 2005) e a Biblioteca da Universidade do extremo norte de
Illinois (VANDECREEK, 2005).
Nesses estudos, verificou-se uma grande evolução da usabilidade em
bibliotecas universitárias, pois se antes eram realizadas avaliações para apenas
uma reformulação, as experiências demonstraram que existe consenso que à
medida que são disponibilizados novos serviços e conteúdos, a sua usabilidade
também deve ser testada. Além disso, a relevância das bibliotecas universitárias
nos Estados Unidos neste segmento reflete o interesse de designers e
bibliotecários norte-americanos dessas bibliotecas em testarem e adaptarem
métodos e técnicas de avaliação para alcançarem a satisfação da comunidade
acadêmica, pois nenhuma modificação é realizada sem o devido reconhecimento
das necessidades dos usuários.
Essa preocupação com os usuários pôde ser verificada na literatura
brasileira nos trabalhos de Bohmerwahld (2005), que analisou o comportamento
do usuário na busca da informação na Biblioteca Digital da PUC Minas, e em
Kafure (2004), que estudou a usabilidade da imagem na recuperação da
informação no catálogo público de acesso em linha em três bibliotecas
universitárias. Essas duas iniciativas demonstram que a observação do usuário
durante a análise da tarefa e o reconhecimento do seu modelo mental tem
propiciado resultados satisfatórios, pois “quanto mais se observa o usuário, melhor
será a capacidade de o profissional prever problemas de usabilidade e,
conseqüentemente,

desenvolver

(BOHMERWAHLD, 2005, p.99).

sistemas

fáceis

de

serem

usados”

�Em contrapartida, também se encontram trabalhos de usabilidade na área
de bibliotecas universitárias brasileiras que utilizam a análise de funções e
heurísticas, como o estudo realizado por Prado et al. (2005), que apresentou um
panorama dos websites das bibliotecas universitárias do estado de Santa
Catarina. A diferença deste estudo para o de Kafure (2004) e Bohmerwahld (2005)
está na ausência da participação dos usuários, ficando a cargo de especialistas
verificar a eficácia das interfaces. Entretanto, mesmo sem a utilização de
metodologias de design centrado no usuário, o trabalho referenciou a importância
da usabilidade em todas as fases de planejamento de um website.
As pesquisas em relação à acessibilidade também se encontram em
estágio avançado no Brasil, conforme demonstram os estudos de Mazonni et al
(2001) e Pupo &amp; Vicentini (2002). No entanto, os autores afirmam que as
iniciativas neste sentido ainda são tímidas, haja vista o grande número de
websites de bibliotecas universitárias brasileiras que são inacessíveis a pessoas
com deficiência, não atendendo a recomendações internacionais elaboradas pelo
W3C.
Outro ponto observado foi a presença de comissões de reestruturação na
reformulação de websites, que possibilitam uma visão interdisciplinar do produto
avaliado, já que são formadas por profissionais que atuam em diversas áreas de
uma biblioteca. Constatou-se, no entanto, que nas experiências norte-americanas
as comissões são permanentes, ao contrário das pesquisas brasileiras, que são
iniciativas de estudantes de mestrado e doutorado, realizadas com o devido
consentimento dos gestores das bibliotecas.
4. Procedimentos metodológicos
Na seleção dos métodos e técnicas, partiu-se da premissa que, para obter
resultados satisfatórios em avaliações de usabilidade, deveriam ser combinados
métodos objetivos e subjetivos, que possibilitassem a obtenção de dados
quantitativos e qualitativos.

�Para analisar o contexto de uso do website através de análise documental,
foram consultados documentos internos sobre a BCE da UnB. Nesta fase, foram
coletados dados sobre a história da instituição, sua missão, suas diretrizes e o
planejamento do seu website.
Em seguida, foi realizada a observação do website da Biblioteca Central,
com ficha de observação preenchida pelo pesquisador, que registrou as
especificações técnicas, os produtos e serviços oferecidos, os requisitos de
segurança para navegação e estratégias de segurança utilizadas no website.
Logo

após,

foram

realizadas

entrevistas

com

os

gestores

e

desenvolvedores sobre o processo de desenvolvimento do website da Biblioteca
Central da Universidade de Brasília, seus usuários, produtos e serviços,
dificuldades gerenciais, desenvolvimento e gerenciamento de conteúdo e
usabilidade. Durante a realização das entrevistas, foi aplicada a técnica de
verbalização estimulada, que permitiu estimular o entrevistado a expressar suas
opiniões através de perguntas diretas.
Na avaliação ergonômica com especialistas, a lista de verificação ficou
composta por 109 questões. Participaram desta etapa da avaliação ergonômica
dois especialistas em engenharia de usabilidade, conforme sugerido por Dias
(2001, p. 224). O objetivo desta avaliação foi verificar a conformidade das
interfaces do website da Biblioteca Central e seus objetos de interação com os
itens dispostos na lista de verificação.
Para identificar o modelo mental dos usuários relativo à arvore semântica
do website foi realizado ensaio de interação para verificar a organização e o
agrupamento da informação no website da Biblioteca Central da Universidade de
Brasília.

�Como esta pesquisa avaliou um sistema em uso, escolheu-se para o
primeiro ensaio de interacão a técnica card sorting, que permite verificar o
conjunto das categorias nas quais as informações do website são armazenadas.
Optou-se por um método híbrido das técnicas de card sorting aberta e fechada,
posto que os usuários receberam os cartões previamente marcados, mas com a
possibilidade de criar outros ou corrigir os cartões existentes. A aplicação da
técnica obedeceu a seguinte seqüência de ações: mapeamento de conteúdo,
criação dos cartões para a aplicação da técnica, teste de validação dos cartões e
respectivas nomenclaturas, recrutamento e seleção dos usuários, treinamento dos
usuários e análise quantitativa e qualitativa.
Durante a aplicação do card sorting, a técnica de verbalização simultânea
foi empregada para que os usuários expressassem suas opiniões a respeito do
ensaio e dos problemas relativos aos agrupamentos de informações do website.
O segundo ensaio de interação teve como objetivo identificar os erros
cometidos pelos usuários durante a realização de uma ação no website. A técnica
escolhida para este propósito foi a análise da tarefa. Para a análise da tarefa,
foram selecionados 21 participantes, uma vez que o número de vinte participantes
é o mínimo recomendado por Dias (2001, p. 224).
Durante a dinâmica, os participantes realizaram as tarefas em um
computador com configuração compatível às especificidades da técnica. Esta
medida de precaução foi tomada com o intuito de diminuir ao máximo as
possibilidades de interferências que poderiam prejudicar a avaliação. Para
maximizar a obtenção dos resultados, foi utilizada técnica de verbalização
simultânea e sistema de monitoramento para registros em áudio, vídeo e software
de captura de telas Screen Movie Studio para análise das tarefas realizadas.
5 Conclusão

�Verificou-se que na concepção e planejamento do website da BCE,
gestores e desenvolvedores desconsideram a participação do usuário, inclusive
durante a reestruturação do sistema, não porque têm dificuldade em se imaginar
na condição de usuários comuns, mas devido ao desconhecimento dos benefícios
que a usabilidade pode trazer, assim como dificuldades gerenciais e tecnológicas
que enfrentam, exceção feita aos especialistas que participaram da avaliação
ergonômica que não foram entrevistados.
Atestou-se no website da BCE que a tímida participação do usuário, apenas
respondendo questionários, é justificada pelos gestores e desenvolvedores como
conseqüência da restrição de custos que descartaram por completo a
possibilidade da utilização de estudos ergonômicos durante a reformulação do
website.

Esta

restrição

foi minimizada

pela

atuação

da

Comissão

de

Reestruturação interdisciplinar, que direcionou as funcionalidades do website às
necessidades dos usuários, apesar do caráter estritamente técnico voltado para o
desempenho tecnológico do sistema.
Nesta pesquisa, constatou-se que os gestores e desenvolvedores do
website da BCE devem fazer da usabilidade uma aliada que os auxiliem a
conceber conteúdos, leiautes e estruturas de navegação com recursos adequados
à demanda informacional, o que lhes permitirá desenvolver serviços para um
campus universitário composto de perfis tão díspares.
Para alcançar a excelência do website da BCE, gestores e desenvolvedores
também devem se conscientizar da importância do design participativo, que
permite o conhecimento antecipado de problemas, que podem ser eliminados
antes de se tornarem insolúveis.
Neste contexto, a aplicação dos métodos e técnicas escolhidos se mostrou
bastante efetiva, pois revelaram pontos que certamente só poderiam ser
identificados através da contratação de consultorias de usabilidade.

�Notou-se também que os procedimentos metodológicos adotados foram
satisfatórios porque todos possibilitaram um estudo abrangente do website da
BCE. Como foram escolhidos em consonância com os objetivos específicos,
peculiaridades do sistema foram observadas em todas as etapas, o que permitiu
agregar valores ao diagnóstico da usabilidade.
A participação de especialistas, gestores, desenvolvedores e usuários foi
essencial para garantir uma visão diferenciada de cada aspecto e, particularmente
o card sorting e a análise da tarefa se mostraram profícuos, já que são técnicas de
baixo custo que identificam pontos a serem modificados, que não podem ser
revelados de outra maneira. Entretanto, mesmo permitindo conceber o modelo
mental dos usuários e verificar os problemas mais constantes, a reestruturação do
website só pode ser realizada quando os resultados obtidos com estas técnicas
forem

confrontados

com

aqueles

obtidos

em

etapas

anteriores,

que

complementam os resultados no contexto da realidade em que o website se
insere.
Nesta pesquisa, também se constatou a eficácia das heurísticas, guia de
recomendações e lista de verificação para avaliar as interfaces de websites. No
entanto, essa eficácia diz respeito somente aos objetos de interação, já que não
revelam impressões pessoais dos usuários, que foram demonstradas no card
sorting e na análise da tarefa.
Concluiu-se ao analisar todos os dados obtidos que a atual estrutura
disponibilizada não propicia aos usuários realizarem tarefas em tempo hábil, haja
vista o excesso e duplicidade de links, a não relação da biblioteca virtual com o
website e o equívoco de alguns mecanismos de busca. Desta forma, a
reformulação deve privilegiar a criação de hipertextos e leiautes fluidos, que
possibilitarão modificações constantes sem necessariamente alterar a linearidade
da navegação.

�Diferentemente dos resultados de estudos de usabilidade realizados por
empresas especializadas, esta pesquisa partiu da definição do problema,
buscando estudar a usabilidade do website da BCE na ótica de gestores,
desenvolvedores

e

usuários.

A

perspectiva

do

estudo

contemporâneo,

contemplando aspectos e visões distintas desses três segmentos envolvidos foi
inovadora e demonstrou que não seria possível detalhar em minúcias todos os
pontos do website da BCE, se os métodos e técnicas aplicados não tivessem sido
estudados em profundidade.
Portanto, outras pesquisas poderão ser desenvolvidas futuramente para
responder aos seguintes questionamentos: Se a literatura afirma que as interfaces
geradas somente sob o ponto de vista de gestores e desenvolvedores são
estritamente tecnológicas, como os usuários continuam a utilizá-las, haja vista o
crescente número de acessos que websites recebem? Como a web continua a ser
tão utilizada quando se sabe que a maioria dos websites não avaliam suas
interfaces de acordo com a usabilidade?
6. Referências
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digitais: usabilidade e comportamento de busca por informação na Biblioteca
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O trabalho permitiu verificar  que na concepção e planejamento do website da BCE, gestores e desenvolvedores desconsideram a participação do usuário, inclusive durante a reestruturação do sistema, não porque têm dificuldade em se imaginar na condição de usuários comuns, mas devido ao desconhecimento dos benefícios que a usabilidade pode trazer, assim como dificuldades gerenciais e tecnológicas que enfrentam, exceção feita aos especialistas que participaram da avaliação ergonômica que não foram entrevistados. </text>
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                    <text>USO DE LISTAS DE DISCUSSÃO COMO MEIO PARA A RESOLUÇÃO DE
QUESTÕES DE REFERÊNCIA EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS:
UM ESTUDO A PARTIR DO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNICAMP1
Leonardo Fernandes Souto
Doutorando em Ciência da Informação – ECA/USP
Mestre em Biblioteconomia e Ciência da Informação –
PUC/ Campinas
Bibliotecário de Referência – UNICAMP/Biblioteca Central
Brasil
lfsouto@unicamp.br
Gildenir Carolino Santos
Doutorando e Mestre da área de Educação, Ciência e
Tecnologia - Faculdade de Educação/UNICAMP
Bibliotecário Diretor da Biblioteca da FE/UNICAMP
Brasil
gilbfe@unicamp.br

Resumo
A popularização das tecnologias de informação e comunicação (TIC’s) tem continuamente atingido
diferentes camadas sociais e classes profissionais. Assim, o uso de ferramentas como e-mail,
softwares de mensagens instantâneas (MSN, Skype), blogs e listas de discussão inseriu-se no
cotidiano de muitos indivíduos. Neste contexto, os avanços dos estudos relacionados às TIC’s
têm se mostrado cada vez mais intrigantes, a ponto de despertar, nesse momento,
especificamente, a seguinte questão: “estão os bibliotecários utilizando as listas de discussão
externas a sua instituição como meio para a resolução de questões de referência em bibliotecas
universitárias?”. Em busca de respostas a referida pergunta enviou-se um formulário via lista de
discussão institucional do Sistema de Bibliotecas da UNICAMP (biblioteca-l@unicamp.br) aos
bibliotecários de referência e demais bibliotecários que trabalham com atendimento ao público.
Identificou-se, a partir da realidade de uma única instituição, no caso a UNICAMP, alguns insights
que podem colaborar para com a compreensão do objetivo proposto. Tendo-se claras as
limitações quanto ao universo da pesquisa acredita-se que a mesma levantou dados
(vantagens/problemas e grau de participação nas listas de discussão) que se relacionados com
estudos futuros, em outras instituições, poderão ajudar a compreender a questão proposta em
nível nacional.
Palavras-chave
Listas de discussão – Bibliotecas Universitárias; Serviço de Referência; Tecnologias da
Informação e Comunicação

1

UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas.

�INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, os recursos oferecidos pelo constante desenvolvimento
das tecnologias de informação e comunicação têm tido um considerável impacto
nas atividades prestadas pelos serviços de referência no cotidiano de distintas
unidades de informação.
Destacam-se, sobretudo, os recursos que permitem a interação com os
usuários através da Internet: e-mail, lista de discussão, blogs e softwares de
mensagens instantâneas (Messenger, Skype). Discussões a respeito destes
recursos estão se tornando cada vez mais comuns. Neste sentido, no XIII
Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias, Souto (2004) apresentou uma
análise do uso do e-mail para atendimento das questões de referências.
Os mesmo recursos, já citados, também podem ser usados para facilitar a
interação entre os profissionais da informação, quando do desenvolvimento de
suas atividades. Desta forma, dando continuidade ao estudo do uso de
ferramentas de interação no contexto das atividades de referência, apresenta-se
um estudo voltado para o uso de listas de discussão.
Por serem recentes, as trocas de mensagens em listas de discussão
ainda não fazem parte da rotina diária da grande maioria das pessoas.
Entretanto, em função da velocidade com que se expande a rede
mundial telemática, existem hoje milhares de grupos de discussão via email espalhados pelo mundo e não é difícil vislumbrar a importância de
estudos relacionados aos mecanismos de seu funcionamento, em
diferentes áreas do conhecimento. (ESTRAZULAS, 1999).

Assim, este estudo, de caráter exploratório, fez uso de um questionário
para coleta de dados, com o objetivo principal de identificar se os bibliotecários
que prestam atividades de atendimento ao público2, no Sistema de Bibliotecas da
UNICAMP (SBU), fazem uso das listas de discussão como meio para resolver
questões de referência.

2

Escolheu-se a expressão atividades de atendimento ao público porque nem todas as bibliotecas
do SBU têm uma Seção de Referência. Contudo, mesmo naquelas bibliotecas onde não existe
tal seção sempre há algum bibliotecário que presta atendimento ao público – nestas bibliotecas
deu-se opção de seus próprios diretores responderem ao questionário, uma vez que eles têm
uma visão geral de como são realizadas as atividades de referência em suas bibliotecas.

2

�COMPREENDENDO AS LISTAS DE DISCUSSÃO
As listas de discussão “são um serviço da Internet baseado no e-mail, que
utiliza a tecnologia do envio e recebimento de mensagens por correio eletrônico,
com o objetivo de proporcionar a troca de informação entre várias pessoas de
forma otimizada” (BÖHMERWALD; CENDON, 2003, p. 41).

De forma complementar ao ponto de vista de Böhmerwald e Cendon (2003,
p. 41), Mardero Arellano, Mesquita e Nascimento (2005, p. 3) entendem que o
objetivo das listas de discussão “é conseguir a participação de várias pessoas em
discussões sobre temas de interesse de uma comunidade científica e o
compartilhamento de informações”.

O processo de troca de mensagens em uma lista de discussão realiza-se
de forma assíncrona no qual os indivíduos não se comunicam em tempo real.
Inicialmente, os indivíduos se cadastram nas listas de discussão. A partir daí
podem enviar mensagens3 ou apenas recebê-las – depende de seu interesse –
uma vez que todos os membros recebem uma cópia das mensagens enviadas à
lista. A resposta pode ser bem elaborada, revista e enviada por qualquer membro.

Em algumas listas há a figura do moderador. O moderador funciona como
um agente controlador da qualidade da lista. O moderador tem poder para impedir
que uma mensagem postada por um membro não seja enviada aos demais. Esse
veto ocorre quando as mensagens enviadas estão fora do escopo temático da
lista, ou não mantém os padrões de cordialidade4, respeito e ética norteadores
das trocas entre os indivíduos em uma lista de discussão. Contudo, o moderador
não deve fazer uso de seu “poder” para impedir a veiculação de mensagens por
simplesmente não concordar ideologicamente com os mesmos valores e opiniões.

3

4

As mensagens enviadas podem ser originais (novas) ou comentários/resposta de alguma
mensagem enviada previamente por outro membro da lista.
Netiquetas.

3

�Dependendo do foco dado, as listas de discussão podem ser vistas como
ferramentas que permitem a interação entre indivíduos ou como fontes de
informação - favorecendo a construção de um ambiente cooperativo5.

Quanto à interação, Estrazulas (1999) destaca a importância da
participação em uma lista de discussão ser uma ação voluntária e espontânea.
Para ela, as formas como os indivíduos ingressam em uma determinada lista
interfere nas relações que irão se estabelecer.
[...] Enquanto o caráter da livre adesão é indicador de concordância
espontânea à participação, o ingresso obrigado, ou fortemente sugerido,
pode ser fonte de constrangimentos ou resistências às trocas durante
os processos comunicativos ulteriores. O que está em jogo, num
primeiro momento, é a valoração atribuída a essa modalidade de troca
virtual. Numa análise sócio-cognitiva, pode-se dizer que o ingresso
obrigado por forças coercitivas implica uma insatisfação que, por sua
natureza, não gera obrigações e, por conseqüência, não assegura a
execução de valores virtuais positivos no futuro. Assim, num momento
seguinte qualquer, a avaliação inicial negativa poderá ser responsável
pela não incorporação dos valores em curso, traduzindo-se pela não
efetividade das trocas ou espaçada participação no fórum de
discussões. Ainda que a valoração inicial relacionada à participação na
lista seja positiva, a adesão por imposição externa poderá gerar
constrangimentos àqueles que, desconhecendo a tecnologia, sentem-se
pouco à
vontade para fazer perguntas ou tomar iniciativas.
(ESTRAZULAS, 1999).

O processo de troca em listas de discussão, não chega a ter a participação
ativa de todos os membros. Mardero Arellano, Mesquita e Nascimento (2005, p.
4) a partir das conclusões das teses de Feliu (2000), Rodriguez Recio (2002) e
Terra (1998) destacam que “[...] um dos aspectos que dinamiza o funcionamento
das listas é a participação de uma minoria ativa”6.

Mostafa e Terra (2000) corroboram com Mardero Arellano, Mesquita e
Nascimento (2005) ao dizerem que “nas listas pode-se optar por ser um ouvinte,
um participante silencioso” e “as listas de discussão, por serem um tipo de escrita
oralizada ou uma oralidade escrita funcionam mais como quadro de avisos do que
5

Entende-se a cooperação a partir de Piaget (1973) em que a ação de cooperar é vista como
operar em comum, isto é, o ajustamento por meio de novas operações de correspondência,
reciprocidade ou complementaridade.
6
“São [poucas as] pessoas que colaboram com informação atualizada, bibliografias, respostas a
dúvidas e questionários on-line.” (MARDERO ARELLANO; MESQUITA; NASCIMETO, 2005, p.
4).

4

�propriamente discussão de temas” – o que demonstra a pouca participação dos
membros.

Quanto à visão das listas de discussão como fonte de informação,
Böhmerwald e Cendon (2003) desenvolveram um estudo bastante detalhado
identificando as vantagens das listas de discussão como fonte de informação
pessoal e profissional.

MÉTODO
Elaborou-se um questionário abordando questões relacionadas à revisão
de literatura, de modo a identificar se a prática confirma a teoria relacionada ao
uso das fontes de informação. Inicialmente, fez-se um pré-teste com um
pesquisador da área de Biblioteconomia e Ciência da Informação externo à
UNICAMP, para validar o instrumento de coleta de dados.

Posteriormente, enviou-se o questionário constituído de 8 questões
fechadas (com opção outros/outras), através da lista de discussão institucional do
Sistema de Bibliotecas da UNICAMP, direcionado aos bibliotecários que prestam
atividades de atendimento ao público.

Esperou-se a resposta do questionário por aproximadamente 30 dias.
Passado este período enviou-se um comunicado por meio da lista de discussão
institucional, alertando que algumas bibliotecas ainda não tinham respondido ao
questionário e fornecendo um novo prazo para quem quisesse colaborar com o
estudo enviar o questionário respondido.

Das 25 bibliotecas que integram o SBU, bibliotecários representando 19
delas enviaram os questionários respondidos, e ainda contou-se com a
colaboração de uma bibliotecária de uma biblioteca a qual o projeto de sua
integração ao sistema encontra-se em estudo. A partir daí, os dados foram
analisados como se segue.

5

�ANÁLISE E RESULTADOS

Apenas seis bibliotecas do SBU não responderam ao questionário, sendo
que foram obtidos 25 questionários - uma vez que em determinadas bibliotecas
mais de um bibliotecário que desenvolve atividades de atendimento ao público
colaboraram com a pesquisa - conforme pode ser verificado no quadro a seguir:

Quadro1 – Respostas dos questionários por bibliotecas e áreas
Conhecimentos
Gerais

B1
1

B2
2

Biomédicas

Artes e Humanidades

B3 B4 B5 B6 B77 B8 B9 B10 B11 B12 B13 B14 B15 B16 B17 B18
1 1 2 1
1
1
1
1
1
2
3
1
Exatas

Tecnológicas

B19 B20 B21 B22 B23 B24 B25 B26
1
1
1
1
1
1
-

Dos 25 bibliotecários, 15 não estão cadastrados em alguma lista de
discussão. As áreas que menos utilizam

são as de Artes e Humanidades e

Tecnológicas, sendo a área de Biomédicas a que mais utiliza.
7
6
5
4

SIM

3

NÃO

2
1
0
COG

BIO

HUM

EXA

TEC

Gráfico1 – Representação a partir da área de conhecimento do uso de listas de
discussão por bibliotecários do SBU

7

Esta biblioteca encontra-se em estudo para ser integrada ao SBU, porém, a bibliotecária
colaborou com a pesquisa.

6

�As listas de discussão mais usadas são Bib-Virtual (bib_virtual@ibict.br) e
Bibamigos (bibamigos-subscribe@yahoogrupos.com.br)8.

Apesar de ter prevalecido o não uso das listas de discussão, 22
bibliotecários consideram que as listas de discussão podem ajudar no/na
desenvolvimento/execução de suas atividades. Tal relação indica que, de forma
geral, por mais que não façam uso, não ignoram o potencial das listas de
discussão.

Dos 10 bibliotecários que estão cadastrados em listas de discussão,
apenas três as utilizam como meio para conseguir ajuda e somente quatro
participam das discussões, geralmente, enviando mensagens de 1 a 5 vezes por
mês.

A maioria dos bibliotecários não confia plenamente nas respostas
recebidas por meio da lista de discussão, tendo como referência principal para
determinar a confiabilidade a relação entre o tipo da questão e quem a responde.

Quanto à compreensão do que são as listas de discussão, 11 bibliotecários
as entendem como um canal de comunicação e 12 como um canal de
comunicação e fonte de informação. Destacam-se dois comentários feitos por
dois bibliotecários:

“[...] acho que as listas de discussão são apenas uma troca de informações online”.

“Eu vejo essa possibilidade de interação como se me mirasse num olho d’água
(reflexo em movimento), as listas registram esses movimentos que na sua grande
maioria se perderia em nossos pensamentos”.
8

Os bibliotecários destacaram outras listas que utilizam identificando-as na opção “outras”:
Exlibris (exlibris@library.berkeley.edu), COMUT on-line (listserv@ibict.br), Bibliovagas
(bibliovagas@grupos.com.br), BCI_UFSCar (bci-ufscar@yahoogroups.com); Normas de
Documentação (normasd@yahoogrupos.com.br), Profissionais de Ciência da Informação
(profissional.cinformacao@grupos.com.br) e ANCIB (ancib@yahoogrupos.com.br).

7

�Em relação às vantagens do uso das listas de discussão, todas as opções
foram identificadas como relevantes, apesar de que cada bibliotecário,
obviamente, tenha destacado aquelas que lhe são mais notáveis. As vantagens
identificadas no questionário foram:
•

ficar atualizado em relação às novidades e acontecimentos da área;

•

contar

com

apoio

colaborativo

de

profissionais

distantes

geograficamente;
•

ter contato com profissionais experientes;

•

poder solicitar ajuda quando o acervo e recursos próprios da instituição
não são suficientes para atender a determinada demanda;

•

ter um espaço para manifestação de idéias e pensamento.

Além das vantagens indicadas no questionário, os bibliotecários ainda
apresentaram duas outras: meio para a localização de pessoas e endereços de
instituições e identificação de informações sobre outras instituições.

Quanto aos principais problemas de uma lista de discussão, propostos no
questionário, todos foram considerados relevantes, sendo eles:
•

excesso de recebimento de e-mails e/ou notificações;

•

discussão de temas, a partir de visões pessoais, sem embasamento
científico;

•

demora nas respostas das questões e pedidos de ajuda enviados;

•

falta de respeito, por parte dos participantes, quando possuem visões
discordantes a respeito de algum tema ou situação discutidos;

•

uso da lista para pedidos de ajuda/discussão de temas divergentes do
objetivo principal da lista de discussão.

Percebeu-se

um

maior

destaque,

por

parte

dos

bibliotecários

respondentes, aos dois primeiros problemas. Outros dois foram identificados, na
opção “outros”: autopromoção e falta de ética profissional.

8

�CONSIDERAÇÕES FINAIS

Apesar dos bibliotecários que participaram do estudo fazerem uso de uma
lista de discussão institucional, considerável maioria não utiliza as listas de
discussão da área (externas à instituição) como meio para resolver questões de
referência.

Esse é um fato preocupante uma vez que as listas de discussão podem
representar um excelente instrumento (canal) para resolução de questões de
referência que não são resolvidas a partir dos recursos informacionais existentes
na instituição.

As listas de discussão podem ser úteis, por exemplo, quando em
determinados casos, é possível solicitar ajuda, por meio delas, para atender
determinada questão e/ou receber indicação de um recurso informacional que
poderá ser a fonte para encontrar a resposta desejada. Em outros casos, por
meio da lista de discussão é possível obter a própria resposta desejada,
constituindo-se na própria fonte de informação.

Como identificado na análise e resultados, os bibliotecários reconheceram
problemas e vantagens quanto ao uso das listas de discussão. Obviamente, como
no caso do uso de qualquer outro recurso, existem dificuldades quando do uso
das listas de discussão. Porém é importante destacar as vantagens e dedicar uma
maior atenção quanto à compreensão dos reais benefícios que diretamente o uso
das listas de discussão pode trazer para o cotidiano dos profissionais que
trabalham com o atendimento de questões de referência, e indiretamente, para os
usuários.

Diante do caráter exploratório deste estudo, devido ao universo da
pesquisa ter se limitado a uma única instituição, aconselha-se o desenvolvimento
de novos estudos em diferentes instituições.

9

�REFERÊNCIAS
BÖHMERWALD, P.; CENDÓN, B. V. Vantagens das listas de discussão como
fonte de informação pessoal e profissional.Enc. Bibli: R. Eletr. Bibliotecon. Ci.
Inf., Florianópolis, n. 16, 2. sem. 2003. Disponível em:
&lt;http://www.encontros-bibli.ufsc.br/Edicao_16/Cendon_vantagens.pdf&gt;. Acesso
em: 26 jul. 2006.
ESTRÁZULAS, M. Interação e cooperação em listas de discussão. Disponível
em: &lt;http://www.nied.unicamp.br/oea/mat/interac_listas_monica_lec.pdf&gt;. Acesso
em: 25 jul. 2006.
FELIU, V. Estudio sobre las Listas de distribución: Edulist, Edutec y
Psicoeduc. 2000. Tesis (Doctoral) - Universidad de Ciencias de la Educación de la
Universidad Rovira i Virgili, Barcelona, 2000. Disponível em: &lt;http://www.rediris.
es/cvu/publ/edulist/tesilist.htm&gt;. Acesso em: 14 maio 2005.
MÁRDERO ARELLANO, M. A.; MESQUITA, C.; NASCIMENTO, L. A. R. Perfil de
usuários de lista de discussão da área de Ciência da Informação. In.:
ENCONTRO DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 6., 2005, Salvador. Anais
eletrônicos... Disponível em: &lt;http://dici.ibict.br/archive/00000264/
01/Perfil_VI_CINFORM.pdf&gt;. Acesso em: 26 jul. 2006.
MOSTAFA, S. P.; TERRA, M. Das cartas iluministas às listas de discussão.
DataGramaZero: Revista de Ciência da Informação, v. 1, n. 3, artigo 02, jun.
2000.
PIAGET, J. Estudos sociológicos. Rio de Janeiro: Forense, 1973.
RODRIGUEZ RECIO, F. J. Análisis de la lista de correo electrónico
Radiología. 2003. Tesis Doctoral - Universidad de Málaga. Departamento de
Radiologia y Medicina Física, Oftalmología e Otorrinolaringologia, 2003.
Disponível em: &lt;http://www.rediris.es/cvu/publ/TESIS-Listas.PDF&gt;.
Acesso em: 15 maio 2005.
SOUTO, L.F. Referência virtual: e-mail como ferramenta de interação com
usuários remotos de bibliotecas digitais. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 13., Natal, 2004. Anais... Natal: UFRN, 2004.
1 CD.
TERRA, M.C. A comunicação informal dos profissionais da informação: lista
de discussão. 1998. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) - Pontifícia
Universidade Católica de Campinas, Campinas,1998.

10

�Anexo 1
Pesquisa - Uso de listas de discussão em serviços de referência

1)

Você assina alguma lista de discussão, não institucional, das áreas de
Biblioteconomia e Ciência da Informação?

( ) Não

( ) Sim. Em caso afirmativo identifique quais:

( ) Bibamigos
( ) Bib_virtual

( ) Bibliotecários

( ) Ref-Digital

( ) Rede CI

( ) Outras. Quais? __________________________________________________

2)

Você acredita que participar de alguma lista de discussão pode ajudar
no/na desenvolvimento/execução das atividades do serviço de referência?
( ) Não

( ) Sim

3) Quais as principais vantagens de ser assinante de uma lista de discussão?
Assinale todas as opções que você considerar importantes.
(
(
(
(

) Ficar atualizado em relação às novidades e acontecimentos da área
) Contar com apoio colaborativo de profissionais distantes geograficamente
) Ter contato com profissionais experientes
) Poder solicitar ajuda quando o acervo e recursos próprios de sua instituição
não são suficientes para atender a determinada demanda
( ) Ter um espaço para manifestação de suas idéias e pensamento
( ) Outras. Quais? __________________________________________________

4) Quais os principais problemas de uma lista de discussão? Assinale todas as
opções que você considerar importantes.
(
(
(
(

) Excesso de recebimento de e-mails e/ou notificações
) Discussão de temas, a partir de visões pessoais, sem embasamento científico
) Demora nas respostas das questões e pedidos de ajuda por você enviados
) Falta de respeito, por parte dos participantes, quando possuem visões
discordantes a respeito de algum tema ou situação discutidos
( ) Uso da lista para pedidos de ajuda/discussão de temas divergentes do
objetivo principal da lista de discussão
( ) Outros. Quais? __________________________________________________

11

�5) Você envia solicitação de ajuda para a lista?
( ) Não ( ) Sim. Com que freqüência?

Quantas vezes?

( ) Diária
( ) Quinzenal
( ) Semestral

( ) Semanal
( ) Mensal
( ) Anual

( ) 1 a 5 vezes ( ) 6 a 10 vezes
( ) acima de 10 vezes
( ) Outras. Quantas? __________

Que tipo de solicitação? Assinale todas as opções que você considerar
importantes.
(
(
(
(
(

) Localização de documentos
) Solicitação de documentos
) Identificação de vagas de trabalho
) Complementação de referências de documentos
) Outra. Qual? ___________________________________________________

6) Você envia comentários sobre algum tema em discussão nas listas?
( ) Não ( ) Sim. Com que freqüência?

Quantas vezes?

( ) Diária
( ) Quinzenal
( ) Semestral

( ) Semanal
( ) Mensal
( ) Anual

( ) 1 a 5 vezes ( ) 6 a 10 vezes
( ) acima de 10 vezes
( ) Outras. Quantas? __________

7) Caso utilize as listas de discussão, você confia plenamente nas informações
obtidas?
( ) Não
( ) Sim
( ) Depende do tipo da questão
( ) Depende de quem responde
( ) Depende do tipo da questão e de quem responde
( ) Não utilizo

8) O que você considera que as listas de discussão são?
( ) Uma fonte de informação ( ) Um canal de comunicação
( ) Uma fonte de informação e um canal de comunicação
( ) Outro. Qual? ___________________________________________________
Dados opcionais
Nome: _____________________________
E-mail: ____________________________
Área de atuação: ____________________
12

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Uso de listas de discussão como meio para resolução de questões de referência em bibliotecas universitárias: um estudo a partir do Sistema de Bibliotecas da UNICAMP.</text>
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                <text>A popularização das tecnologias de informação e comunicação (TIC’s) tem continuamente atingido diferentes camadas sociais e classes profissionais. Assim, o uso de ferramentas como e-mail, softwares de mensagens instantâneas (MSN, Skype), blogs e listas de discussão inseriu-se no cotidiano de muitos indivíduos. Neste contexto, os avanços dos estudos relacionados às TIC’s têm se mostrado cada vez mais intrigantes, a ponto de despertar, nesse momento, especificamente, a seguinte questão: “estão os bibliotecários utilizando as listas de discussão externas a sua instituição como meio para a resolução de questões de referência em bibliotecas universitárias?”. Em busca de respostas a referida pergunta enviou-se um formulário via lista de discussão institucional do Sistema de Bibliotecas da UNICAMP (biblioteca-l@unicamp.br) aos bibliotecários de referência e demais bibliotecários que trabalham com atendimento ao público. Identificou-se, a partir da realidade de uma única instituição, no caso a UNICAMP, alguns insights que podem colaborar para com a compreensão do objetivo proposto. Tendo-se claras as limitações quanto ao universo da pesquisa acredita-se que a mesma levantou dados (vantagens/problemas e grau de participação nas listas de discussão) que se relacionados com estudos futuros, em outras instituições, poderão ajudar a compreender a questão proposta em nível nacional.</text>
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                    <text>UTILIZAÇÃO DO SISTEMA SEER: SISTEMA ELETRÔNICO DE EDITORAÇÃO
DE REVISTAS: O CASO DA REVISTA MARINGÁ MANAGEMENT
Edilson Damasio*

RESUMO
O presente artigo visa a apresentar o processo de implantação da Revista
eletrônica Maringá Management, através da utilização do SEER Sistema
Eletrônico de Editoração de Revistas, distribuído pelo IBICT- Instituto Brasileiro de
Informação em Ciência e Tecnologia às instituições que queiram publicar revistas
on-line e acompanhar e gerenciar todo o processo de Editoração. Tem uma
revisão acadêmica sobre Open Archives Initiatives em revistas on-line e sua
importância, o processo de planejamento e implantação do sistema
institucionalmente pela sua importância, e a importância em capacitar os
membros da comissão editorial. A utilização do SEER possibilitou que a Revista
recém lançada, tivesse uma excelente aceitação pelos leitores, comprovada
através de estatísticas de acesso. Publicar uma revista on-line não
necessariamente é deixar uma página na Internet, requer que a mesma utilize
sistemas, onde os metadados possam ser compartilhados e também utilizados
para o intercâmbio de informações. Utilizando este sistema que é um Software
Livre, muitas instituições poderão resolver a grande questão de como publicar e
disponibilizar suas publicações na Internet. O Sistema utiliza o protocolo Harvest,
de Open Archives Initiatives - OAI, sendo utilizado no Brasil por aproximadamente
10 conceituadas Universidades e outras que ainda estão implantando-o, no
mundo tem aproximadamente 246 revistas on-line utilizando o sistema. Todas as
publicações que utilizam o sistema terão seus dados compartilhados em um
indexador único o PKP-Public Knowledge Project da British Columbia University
no Canadá. Possibilitando que a publicação possa também ser recuperada
internacionalmente. Concluiu-se que o sistema SEER foi considerado além das
expectativas, através da disponibilização, acompanhamento pelo autor e
avaliadores de todo o processo editorial, possibilidade de acompanhamento da
publicação por todos os membros envolvidos na publicação, possibilidade de
divulgação via e-mail e uma grande quantidades de serviços de editoração
totalmente automatizados.
Palavras-chave: Sistema Eletrônico de Publicação de Revistas SEER. OJS –
Open Journal Systems. Publicações periódicas. Editoração científica –
Automatização.

*

*

Bibliotecário da Universidade Estadual de Maringá-UEM e Faculdade Maringá, mestre em
Biblioteconomia e Ciências da Informação. Editor da Revista Maringá Management: Revista de
Ciências Empresariais. e-mail: edamasio@uem.br

�INTRODUÇÃO
A comunicação científica está caracterizada pela disseminação e pelo
acesso às publicações e conteúdos textuais. Publicar um periódico foi uma das
melhores maneiras de se ter acesso a estes conteúdos de forma rápida, não
necessitando de todo o processo editorial de um livro ou monografia.
Disseminar em meio eletrônico a informação técnico científica
produzida é uma tendência deste os anos 70, onde pode-se ter acesso as
referências e resumos de diversas publicações e depois procura-las nos acervos
das Bibliotecas e conseguir o artigo ou texto.
Inicialmente começou pelas bases de dados referenciais, pelas revistas
em meio eletrônicos, disquetes e cd-rom e atualmente na versão on-line,
utilizando os recursos de comunicação facilitados pela Internet.
Publicações periódicas em papel no mundo todo estão planejando ou
migrando também para a versão eletrônica, pelos principais motivos da
disseminação do conteúdo de seus artigos.
Disponibilizar os artigos na Internet requer que seus dados sejam
organizados para que possam ser recuperados por vários mecanismos de busca,
não simplesmente deixar uma página Web com o conteúdo dos artigos e sim
organizados através de Metadados, dados organizados e recuperáveis por outros
sistemas e indexadores.
Nesse artigo estaremos discutindo sobre o protocolo de dados OAI –
Open Archives Initiatives de disponibilização e colheita de dados por outros
sistemas, que hoje é um dos protocolos para a disseminação da informação
científica internacional, principalmente da informação que será disponibilizada em
com acesso livre Open Access.
Utilizar o sistema disponibilizado pelo IBICT no Brasil, denominado
SEER – Sistema Eletrônico de Editoração que utiliza este protocolo para a
publicação de revistas científicas vem a ser uma ótima opção para os Editores e

�publicações que queiram no Brasil simplesmente automatizar todo o processo
editorial e principalmente indexá-las em um indexador internacional.
Apresentaremos

o

caso

da

implantação

da

revista

Maringá

Management: Revista de Ciências Empresariais que foi planejada para ter as
versões impressa e on-line, e com projeto de ter alcance regional a nacional. Será
definidos o foco da revista, as principais facilidades da utilização do SEER e o
processo de importância da utilização deste sistema, visto pelo Editor e
estatísticas geradas pelo sistema da revista.
Concluiu-se que a utilização do SEER está além das expectativas da
publicação, principalmente pela automatização de todo o processo editorial e
principalmente ter uma publicação com os dados organizados e indexados no
indexador PKP – Public Knowledge Project. E a dinâmica e facilidade para os
membros da comissão editorial, autores, avaliadores, editores no processo de
publicação científica.

PERIÓDICOS ELETRÔNICOS
Nesse século estamos vivendo novas mudanças no ambiente de
pesquisa técnica e científica. Com o advento da Internet, como meio de
comunicação, várias fronteiras foram desmembradas e informações cada vez
mais foram disseminadas a todos, muitas vezes até as barreiras físicas e até do
tempo nas publicações científicas, e a grande necessidade troca e disseminação
da informação de informação científica.
Nesse quesito o Brasil e América - Latina tiveram um grande salto na
produção científica, novos programas de Pós-Graduação foram criados, novas
pesquisas estão sendo desenvolvidas todos os dias, nunca tantos pesquisadores
brasileiros tiveram seus currículos disseminados, em torno de 542.000 no diretório
Lattes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq (LATTES, 2005).
Acompanhando tanto desenvolvimento os periódicos eletrônicos estão
cada vez mais adaptados a esta demanda, ou necessidades de disseminar a

�informação, tendo a principal função de ser um complemento às publicações em
papel.
Publicar em periódicos sempre foi a melhor maneira de disseminar e de
provar que a pesquisa foi realizada, pois, a publicação põe em prova aquelas
novidades científicas, críticas ou técnicas desenvolvidas, pois, terão avaliação
pelos representantes científicos do mundo todo.
Os periódicos eletrônicos surgiram e seguiram com o desenvolvimento
da informática e principalmente com a popularização dos PC´s (Personal
Computers), onde várias entidades ou pessoas poderiam ter acesso em forma
eletrônica das publicações que também estavam em papel. Primeiramente em
formato de disquetes 4 ¼`` e depois em disquetes 3 ½``, cd-rom e on-line, esta
última versão sendo a mais utilizada, através das facilidades de acesso via rede
Internet.
Uma das grandes vantagens dos periódicos eletrônicos on-line e o
acesso via Internet de qualquer ponto do mundo. Os assinantes podem ter acesso
ao conteúdo total ou parcial, dependendo da modalidade de aquisição da
assinatura e do controle de acesso. Os controles de acesso de periódicos on-line
mais comuns são: através do reconhecimento dos IP´s (Internet Protocols) dos
computadores que estão precisando acessá-los e por código de usuário e senha.
Existem diversos tipos de controle de acesso a periódicos on-line e
também

existem

diversos

periódicos

on-line

que

são

disponibilizados

gratuitamente na Rede Internet. Esses documentos são denominados de
publicações com Open Access (acesso aberto ou livre), ou seja, acesso gratuito e
sem controle ao seu conteúdo disponibilizado.
Outra principal vantagem dos periódicos eletrônicos é o acesso ao
conteúdo de vários anos de publicação (coleção retrospectiva), de catálogos e
índices e principalmente a opção de buscadores e ferramentas de pesquisa com
operadores booleanos1. Estas últimas com várias opções e limites para as buscas
simples ou avançadas, denominadas multicampos e principalmente ao conteúdo
textual dos documentos.

�Outra vantagem é a possibilidade de buscas retrospectivas em um
mesmo periódico ou em vários ao mesmo tempo, através de busca integrada,
desde que os periódicos utilizem dados padronizados, estes denominados
Metadados2.
Neste quesito existem diversos protocolos de organização de
metadados. Nesse artigo discutiremos o procotolo OAI (Open Archives Initiatives).

PERIÓDICOS COM ACESSO LIVRE – OPEN ACCESS
Existem diversas publicações que desejam que seus artigos sejam
acessados livremente pela Internet, por diversos motivos. Mas o principal é a
disseminação do conhecimento técnico e científico aos interessados e
pesquisadores.
Algumas publicações têm assinantes na versão em papel e também
disponibilizam a versão on-line gratuitamente, pois, tem o princípio de “eqüidade
da informação”, disseminá-la organizada e gratuitamente aos interessados.
Os periódicos Open Access tem como missão principal de seu conselho
editorial,

a

união

da

equipe

de

publicação,

editores,

bibliotecários,

normalizadores, editores de texto e demais para seguirem seu objetivo principal
de disseminação gratuito do conteúdo textual.
De acordo com Chesler (2004, p. 292) existem várias discussões sobre
os principais motivos dos Open Access.
Librarians and publishers alike are attempiting to fully grasp the
implications of different business models on various issues,
including costs, peer review, funding mechanisms, value, and
archives. While there is general agreement about the importance
of broadening access to scientific literature, the is disagreement
on how this is best achieved in a financially responsible fashion3.

Diante dessa grande quantidade de motivos do Open Access fica
caracterizada a importância de se conhecer o seu objetivo como disseminador da
informação técnico e científica, e principalmente seu compromisso com a

�disseminação, entre cientistas e pesquisadores em um tempo menor possível e
principalmente sem custos.
Os Open Access estão sendo considerados um fenômeno emergente
no amplo campo científico e também motivo de questionamentos, principalmente
sobre os seus custos, quem irá assumir. Chesler (2004, p. 292) afirma “Not all
funding bodies or governments have provided funds for publication. There have
been some recent positive developmentos from an OA perspective”.
SQW Limited4 (2004 apud CHESLER, 2004, p. 294) afirma que:
Electronic journals are generally slightly cheaper than paper
journals but the relative cost of paper and electronic journals
varies according to the type of journal and its circulation. A
cautious, and conservative, approach is to assume that the total
cost of paper and electronic articles of a giver quality are broadly
the same. For author-pays journals, most cost elements remain
the same as for subscription journals. No subscription of licensing
costs are incurred but there is a small addition to fixed costs to
cover the administration of the charging system to authors5.

Nesse quesito fica claro o ponto principal da diferença com os custos da
publicação em papel e a importância como recurso de disseminação da
informação.

OPEN ARCHIVES INICIATIVES - OAI
O OAI (Open Archives Iniciatives) é um protocolo para a migração e
transmissão dos Metadados das publicações periódicos e demais de forma
organizada em campos.

PROTOCOLO HARVEST OPEN ARCHIVES INITIATIVES - OAIMH
O protocolo Open Archives Initiative Metadata Harvesting (OAIMH) está
sendo utilizado como um dos principais formatos para as publicações com
Metadados organizados. Utilizando marcadores em XML6 (eXtensible Markup
Language) os documentos terão possibilidades de sem organizados em diversas

�bases de dados bibliográficas e interface de pesquisa compatível com os
principais buscadores on-line.

SISTEMA ELETRÔNICO DE EDITORAÇÃO DE REVISTAS – SEER
O Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas – SEER foi
disponibilizado pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia –
IBICT, às instituições ou publicações periódicas que desejam utilizar ou
transformar a publicação em eletrônica e disponibilizá-la on-line.
O sistema foi traduzido para o português pelo IBICT do Open Journals
Systems – OJS, desenvolvido pela University of British Columbia – Canadá, e
está sendo utilizado para a implementação de diversos periódicos em formato
eletrônico. Foi disseminado em 2004 inicialmente pela revista Ciência da
Informação do IBICT e lançada no fórum CIBEREDUC na Unicamp (SOARES et
al., 2004)
O SEER é uma cópia traduzida do Open Journal Systems-OJS,
software livre desenvolvido pela British Columbia University – Canadá.
O OJS como é conhecido está sendo utilizado por diversas publicações
periódicas no mundo todo, mas que sejam publicações com acesso público de
preferência, conforme a própria definição do software.
Processado previamente em um método quase completamente
manual e publicado no papel, as publicações cientificas
melhoraram os processos publicando e fazendo disponíveis suas
edições na Internet. Certamente, as novas tecnologias de
informação
criaram
os
meios
necessários
para
o
desenvolvimento
crescente
dos
periódicos
eletrônicos
(FONSECA et al., 2005, tradução do autor7).

Foi traduzido e implementado pela equipe de desenvolvimento de
tecnologia da Informação do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e
Tencologia-IBICT, para que as instituições ou empresas que necessitem de um
software para o gerenciamento de todo o processo editorial de suas publicações
periódicas (IBICT, 2005a).

�O Public Knowledge Project-PKP é o indexador em que as publicações
que utilizam o OJS ou o SEER podem se indexar, o Open Journals Systems é
designado como:
OJS ajuda em cada estágio do processo publicação, das
submissões completamente à publicação completa on-line e a
indexação. Com seus sistemas de gerência, seu índice é
finamente destinado a pesquisa, e no contexto que fornece para
a pesquisa, OJS procura melhorar a qualidade acadêmica e
qualidade pública da pesquisa consultada. OJS é software
aberto da fonte feito livremente disponível aos periódicos do
mundo todo com o propósito de fazer o acesso aberto uma opção
viável para mais periódicos, como o acesso aberto pode
aumentar a disponibilização para leitura de um periódico e bem a
sua contribuição ao bom público em uma escala global (PUBLIC
KNOWLEDGE PROJECT, 2005, tradução do autor) 8

O SEER utiliza o protocolo de dados OAI e que são os dados utilizados
para a indexação em diversos indexadores, sendo um dos principais o PKP,
também implantado pela British Columbia University (PUBLIC KNOWLEDGE
PROJECT, 2005).

No PKP estão os dados organizados das revistas que utilizam o
sistema OJS / SEER.
Segundo Ramón Fonseca (2005) um dos desenvolvedores do SEER
pelo IBICT, o que o SEER pode fazer.
-

automatizar e distribuir o processo editorial

-

Otimizar a comunicação dentro do processo
editorial

-

Manter registro organizado da equipe envolvida

-

Publicação distribuída

-

Acesso à pesquisa de qualidade

-

Visibilidade e acessibilidade mundial

-

Aumento da colaboração internacional

-

... entre outros

As principais vantagens entre inúmeras são as seguintes, acordo com a
página de administração do SEER: (IBICT, 2005b).

�No Processo Editorial:
-

Submissões: Designar editores, avaliadores e aceitar ou
rejeitar submissões; edição de texto, ler prova e organizar o
layout de submissões; visualizar arquivo de submissões.

-

Publicações:

Agendar

submissões

editadas

para

publicação; organizar o Sumário para edições futuras;
publicar edição; visualizar e editar edições passadas.
No Gerenciamento da Revista:
-

Configurações: Instalar, configurar, atualizar e modificar
opções da revista.

-

Seções: Criar e manter as seções da revista.

-

E-mails: Editar os emails padrão utilizados na gerência do
sistema.

-

Estatísticas: Visualizar as estatísticas de avaliação e
publicação da revista.

No Gerenciamento de Pessoal:
-

Editores: Identificar editores, suas informações para
contato e designá-los a Seções.

-

Comitê Editorial: Identificar editores/avaliadores e suas
informações para contato.

-

Avaliadores:

Identificar

pares

avaliadores

e

suas

informações para contato.
-

Editores de textos: Identificar Editores de Texto e suas
informações para contato.

-

Leitores de provas: Identificar Leitores de Prova e suas
informações para contato.

�Autores: Visualizar e contatar autores cadastrados na

-

revista.
Leitores: Visualizar e contatar leitores cadastrados para

-

aviso por e-mail.
Usuários: Visualizar e contatar usuários cadastrados para

-

aviso por e-mail.
No processo de recuperação da informação pelo sistema, tem as
opções de busca simples, com opção de escolha dos campos e a opção de busca
avançada com diversos campos, operadores booleanos e limites. Os resumos
recuperados, remetem para o texto completo, que podem ser em formato TXT,
HTML ou PDF. Neste resumo estão diversos opções com relação aos artigos,
como opções para remeter os Medatados para softwares de gerenciamento de
referências como: EndNote®, Reference Manager®9 e outros, opções de verificar
quem citam os artigos, busca em outros buscadores na Internet entre outras.
Enfim o sistema SEER automatiza grande parte do processo editorial,
menos alguns serviços de diagramação e design gráfico que necessitam de
softwares específicos e que é responsabilidade do editor de texto. E também
disponibiliza a recuperação dos artigos em uma ferramenta de busca excelente
que pode ser utilizada nos formatos simples, avançado e busca simultânea no
indexador PKP.

MARINGÁ MANAGEMENT: REVISTA DE CIÊNCIAS EMPRESARIAIS
Esta publicação que se destina a disseminar artigos da grande área
de Ciências Sociais Aplicadas, tem conselho de avaliadores e avaliação por
pares. Os artigos são enviados ao Editor que após avaliação com a coordenação
Editorial destina os artigos aos avaliadores, professores Mestres da Faculdade
Maringá e outros convidados e após os consultores ad hoc, professores doutores
de outras Instituições.

�Foi idealizada e planejada para ter alcance Regional a Nacional.
Sendo o seu foco os programas de pós-graduação brasileiros que tem cursos em
Ciências Sociais Aplicadas. Dentre os planos da publicação está presente a
qualidade científica e editorial da publicação, para que se conseguisse ser
indexada e ser uma publicação voltada para artigos e textos da área empresarial.
Foco e escopo
Publicação de caráter regional e nacional visando ser um veículo de disseminação
da informação técnico científica em Ciências Empresariais, a organização e sua
gestão, englobando a grande área de Ciências Sociais Aplicadas.
Processo de avaliação pelos pares
as contribuições serão avaliadas por 01 membros da comissão editorial e 01
avaliador. Um professor designada como membro e outro consultor ad hoc com
título de Doutor e pertencente a outras Instituições.
Periodicidade
A Revista Maringá Management: Revista de Ciências Empresariais (ISSN: 18076467) tem periodicidade ANUAL na versão impressa e SEMENTRAL na OnLine.
Publicado um fascículo em 2004 e será publicado 02 fascículos para 2005.
Sobre a Revista
A Revista Maringá Management: Revista de Ciências Empresariais, criada em
abril de 2004, é órgão oficial de divulgação científica do Departamento de
Administração da Faculdade Maringá, com periodicidade anual na versão
impressa e periodicidade semestral na versão On-line. Tem a missão de divulgar
o conhecimento técnico científico na grande área de Ciências Sociais Aplicadas.

Quadro 1 – Sobre a Revista Maringá Management.
Fonte: Maringá Management (2005).
Vinculada ao Departamento de Administração do Centro de Ensino
Superior do Paraná – CESPAR, mantenedora da Faculdade Maringá, instituição
com conceituados cursos de graduação e pós-graduação nessa área.
Foi planejada como projeto de extensão, onde estaria aberta a
diversas instituições e autores que queiram publicar artigos e textos científicos e
que

os

mesmos

sejam

disseminados

em

grande

parte

do

Brasil

e

Internacionalmente. Utilizando das afirmações de Soares et al. (2004, p. 105) de
que “Após a mudança do gerenciamento da revista pelo SEER, houve um grande
aceite por parte dos profissionais envolvidos, e uma grande melhoria na infraestrutura, tornando a revista mais dinâmica e autônoma”.

�Teve seu primeiro fascículos on-line publicado em dezembro de 2004,
já utilizando o Sistema SEER, sendo lançado em abril de 2005 sua versão
impressa, com tiragem de 1.500 exemplares.
Como avaliação da utilização do Sistema SEER, o Editor e a Direção
da Instituição tiveram as seguintes conclusões:
- Os dados estatísticos gerados pelo sistema SEER, sobre o número
de acessos aos artigos e editorial da revista, com numeração bem expressante,
aproximadamente 600 acessos a cada artigo, que foi publicado em dezembro
2004;
- Com a utilização do sistema o Editor Gerente da publicação avaliou
como excelente, principalmente sobre a facilidade nos procedimentos de
gerenciamento,

administração,

submissões

e

contatos

com

avaliadores,

consultores, leitores, autores e demais membros da equipe editorial;
- Como quesito para a utilização do sistema, o principal foi a
disponibilidade em Software Livre e que é uma opção sem restrições para as
instituições quem desejam informatizar seus procedimentos editoriais e indexar
suas publicações com Metadados já padronizados internacionalmente.
Com a utilização do SEER o projeto da revista Maringá Management
teve comprovada aceitação à nível Institucional, à nível regional com artigos dos
Estados do Paraná e São Paulo e a nível nacional e internacional, através da
utilização do indexador PKP.

CONCLUSÃO
Implantar publicações periódicas eletrônicas e automatizar o processo
editorial de uma publicação em papel para on-line tende a ser uma tendência
internacional e o rumo de diversos periódicos.
Atualmente com a implantação de sistemas e publicações em meio
eletrônico continua sendo uma tendência a aumentar muito, pois, todos precisam

�disponibilizar senão o conteúdo, mas as informações mais importantes dos textos
científicos. Com a Internet ficou mais fácil disponibilizá-las internacionalmente.
Nesse processo de disseminação não se consiste simplesmente em
publicar o conteúdo textual em um endereço da Web, ou criar um sistema com
buscadores individuais de uma determinada publicação. O processo deve ser
planejado

visando

principalmente

facilitar

os

acessos

aos

usuários

e

pesquisadores. Sendo que um dos principais motivos seria o processo de
indexação automatizada dos Metadados dessa publicação.
Para que isso aconteça deve ser utilizado sistemas ou páginas Web
com Metadados padronizados e com marcações em XML. Um dos principais
atualmente utilizado é o protocolo OAI – Open Archives Initiatives, utilizado para a
disponibilização dos Metadados e interoperalizá-los com diversos sistemas e é
principalmente utilizado para periódicos e teses de acesso público.
Dados organizados e padronizados são passíveis de serem melhor
recuperados pelos robôs de busca, como Yahoo, Google, Alta-Vista e outros..
Utilizar o sistema SEER disponibilizado pelo IBICT é uma tendência
nacional, pois, em um ano de disponibilização já tem aproximadamente 42
publicações nacionais de acesso livre e o indexador PKP com 246 que as revistas
que utilizam podem se cadastrar automaticamente (IBICT, 2005c).
Concluiu-se que a utilização do Sistema SEER e seus recursos foram
considerados com grande importância e além das expectativas do projeto do
periódico Maringá Management, através da disponibilização, acompanhamento
pelos autores e avaliadores de todo o processo editorial, serviços de buscas
simples e avançada, possibilidade de divulgação dos artigos através de e-mails
padronizados pelo sistema e através do indexador PKP.
O diferencial do SEER está na grande quantidade de serviços do
processo de editoração de publicações técnico científicas, sendo totalmente
automatizadas, aumentando a velocidade de todo o processo editorial e tornando
o periódico mais dinâmico e acessível.

�USE OF ELETRONIC SYSTEM FOR JOURNAL PUBLISHING (SEER): THE
CASE of MARINGÁ MANAGEMENT JOURNAL

ABSTRACT
The present article aims at to present the process of implantation of the electronic
Journal Maringá Management, through the use of the SEER Electronic System for
Journal Publishing, distributed for the IBICT- Brazilian Institute of Information in
Science and Technology to the institutions that want to publish reviewed on-line
and to all follow and to manage the process of Publishing. Has an academic
revision on Open Archives Initiatives in journals and its importance, the process
institutional of planning and implantation of the system for its importance, and the
importance in capacitation to the members of the publishing commission. The use
of the SEER made possible that the Journal just implanted, had an excellent
acceptance for the readers, proven through access statisticians. To publish a
journal on-line not necessarily is to leave a page in the Internet, requires that the
same one uses systems, where the metadata can be shared and also used for the
interchange of information. Using this system that is a Free Software, many
institutions will be able to decide the great question of as to publish and to this
publications in the Internet. The System uses the Harvest protocol, of Open
Archives Initiatives - OAI, being used in Brazil for approximately 10 appraised
University and others that still are implanting it, in the world has 246 journals
approximately on-line using the system. All the publications that use the system
will have its data shared in an only index the PKP-Public Knowledge Project of the
British Columbia University in Canada. Making possible that the publication can
also be recouped internationally. It was concluded that system SEER was
considered beyond the expectations, through the dissemination, accompaniment
for the author and appraisers of all the publishing process, possibility of
accompaniment of the publication for all the involved members in the publication,
spreading possibility saw email and great amounts of services of publishing total
automatized.
Keywords: Electronic System for Journal Publishing; SEER; OJS – Open Journal
Systems; Periodicals; Electronic Publishing.
1

“Um operador cuja finalidade é trabalhar com valores booleanos. Os quatro operadores mais
comuns usados na programação são: AND (E), conjunção lógica; OR (OU), inclusão lógica; XOR
(OU exclusivo); e NOT (NÃO), negação lógica” (MICROSOFT PRESS, 1998, p. 176).
2
“Dados referentes a dados. Por exemplo, o título, o assunto, o autor e o tamanho de um arquivo
constituem metadados referentes ao arquivo” (MICROSOFT PRESS, 1998, p. 501).
3
Os bibliotecários e os Editores igualmente se atentaram para agarrar inteiramente as implicações
de modelos diferentes do negócio em várias edições, incluindo custos, revisão por pares,
mecanismos de financiamento, valor, e arquivos. Quando houver um acordo geral sobre a
importância de ampliar o acesso à literatura científica, é o desacordo em como este é melhor
arquivado em uma forma financeira responsável (tradução nossa).
4
SQW Limited. Costs and business models in scientific research publishing: a report
commissioned by the wellcome trust. 2 Apr. 2004.
5
Periódicos eletrônicos são geralmente mais baratos do que os de papel, mas o custo relativo dos
de papel e eletrônicos varia de acordo com o tipo de e de sua circulação. Uma cautelosa e uma
conservadora aproximação devem supor que o custo total dos artigos de papel e eletrônicos de

�uma qualidade do é amplamente o mesmo. Por autores pagantes, a maioria de elementos de
custo remanesce os mesmos que para periódicos assinados. Nenhuma assinatura de custos
licenciando é incorrida, mas há uma pequena adição aos custos fixos para cobrir a administração
do sistema que carregará os autores (tradução nossa).
6
XML.- Extensible Markup Language. Um documento XML é bem formatado quando segue
algumas regras básicas. Tais regras são mais simples do que para documentos HTML e permitem
que os dados sejam lidos e expostos sem nenhuma descrição externa ou conhecimento do
sentido dos dados XML. “Permite que os programadores e projetistas da Web Criem Tags
(campos) personalizadas que proporcionem maior flexibilidade na organização e apresentação
das informações do que é possível obter com o antigo sistema de codificação de documentos
HTML” (MICROSOFT PRESS, 1998, p. 778).
7
Previously processed in an almost completely manual method and published in paper, cientific
publications have improved the publishing processes and making available their issues on the
Internet. Certainly, new information technologies have created the necessary means for the
growing development of electronic scientific journals
8
OJS assists with every stage of the refereed publishing process, from submissions through to
online publication and indexing. Through its management systems, its finely grained indexing of
research, and the context it provides for research, OJS seeks to improve both the scholarly and
public quality of referred research. OJS is open source software made freely available to journals
worldwide for the purpose of making open access publishing a viable option for more journals, as
open access can increase a journal's readership as well as its contribution to the public good on a
global scale.
9
Softwares utilizados para gerenciamento de referências, funcionam como um banco de dados
pessoal, onde o pesquisador terá guardado todas as referências consultadas e organiza-las por
tópicos ou assuntos. Trabalham com interoperabilidade com o Microsoft Word na elaboração de
referências e normalização de artigos científicos de acordo com as normas utilizadas
internacionalmente ou normas específicas de revistas internacionais. Também tem
interoperabilidade com as principais bases de dados bibliográficas referências na migração dos
Metadados para seu banco de dados particular. (o autor).

REFERÊNCIAS
CHESLER, Adam. Open Access: a review of an emerging phenomenon. Serials
Review, v. 30, no. 4, p. 292-297, 2004.
FONSECA, Ramón M. S. da. Automação do processo de gerenciamento e
publicação de revistas científicas. Disponível em: &lt;
http://www.ibict.br/secao.php?cat=SEER/Apresentações &gt;. Acesso em: 20 mar.
2005. Arquivo em PPT.
FONSECA, Ramón M. S. da; MEINERT, Carlos Roberto; CAFÉ, Lígia;
ARELLANO, Miguel Ángel Márdero. Electronic system for journal publishing
(SEER). In: ELPUB COFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE PUBLICAÇÕES
ELETRÔNICAS, 8., 2004, Brasília. Disponível em:&lt;
http://portal.cid.unb.br/elpub/br/ppt/25-GT6-Ramon-Fonseca.pdf &gt;. Acesso em: 30
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IBICT. Lista de 246 revista que usam o Open Journal Systems. Disponível em:
&lt; http://www.ibict.br/secao.php?cat=SEER/Revistas%20no%20PKP &gt;. Acesso
em: 30 maio 2005 c.
IBICT. SEER: versão demonstrativa. Disponível em: &lt;
http://www.ibict.br/secao.php?cat=SEER/SEER%20-%20Demo &gt;. Acesso em: 20.

�abr. 2005 b.
IBICT. Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas. Disponível em: &lt;
http://www.ibict.br/secao.php?cat=SEER &gt;. Acesso em: 20 mar. 2005 a.
MARINGÁ MANAGEMENT: Revista de Ciências Empresariais. Disponível em: &lt;
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PUBLIC KNOWLEDGE PROJECT. Open Journal Systems (Owerview).
Disponível em: &lt; http://www.pkp.ubc.ca/ojs/ &gt;. Acesso em: 20. mar. 2005.
SOARES, Suely de Brito Clemente; AMARAL, Sérgio F. do; ARELLANO, Miguel
Angel Márdero; SANTOS, Gildenir C. I Workshop virtualCibereduc – SEER:
periódicos eletrônicos: editoração e acesso. ETD – Educação Temática Digital,
Campinas, v. 6, n. 1, p. 100-116, dez. 2004. Relato de experiência.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O presente artigo visa a apresentar o processo de implantação da Revista eletrônica Maringá Management, através da utilização do SEER Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas, distribuído pelo IBICT- Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia às instituições que queiram publicar revistas on-line e acompanhar e gerenciar todo o processo de Editoração. Tem uma revisão acadêmica sobre Open Archives Initiatives em revistas on-line e sua importância, o processo de planejamento e implantação do sistema institucionalmente pela sua importância, e a importância em capacitar os membros da comissão editorial. A utilização do SEER possibilitou que a Revista recém lançada, tivesse uma excelente aceitação pelos leitores, comprovada através de estatísticas de acesso. Publicar uma revista on-line não necessariamente é deixar uma página na Internet, requer que a mesma utilize sistemas, onde os metadados possam ser compartilhados e também utilizados para o intercâmbio de informações. Utilizando este sistema que é um Software Livre, muitas instituições poderão resolver a grande questão de como publicar e disponibilizar suas publicações na Internet. O Sistema utiliza o protocolo Harvest, de Open Archives Initiatives - OAI, sendo utilizado no Brasil por aproximadamente 10 conceituadas Universidades e outras que ainda estão implantando-o, no mundo tem aproximadamente 246 revistas on-line utilizando o sistema. Todas as publicações que utilizam o sistema terão seus dados compartilhados em um indexador único o PKP-Public Knowledge Project da British Columbia University  no Canadá. Possibilitando que a publicação possa também ser recuperada internacionalmente. Concluiu-se que o sistema SEER foi considerado além das expectativas, através da disponibilização, acompanhamento pelo autor e avaliadores de todo o processo editorial, possibilidade de acompanhamento da publicação por todos os membros envolvidos na publicação, possibilidade de divulgação via e-mail e uma grande quantidades de serviços de editoração totalmente automatizados.</text>
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                    <text>VOCABULÁRIO CONTROLADO USP: ANÁLISE DA ESTRUTURA TEMÁTICA
DE NOVOS ASSUNTOS
Flávia Helena Cassin - cassinp@sc.usp.br
Lucia Semensato Zanetti - zanettil@sc.usp.br
Neuza Terezinha Mossin Celere - cele@sc.usp.br
Valéria de Oliveira - valeria@sc.usp.br
Biblioteca da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo
Av. do Trabalhador São-carlense, 400
CEP 13566-590 – São Carlos, SP - Brasil

Resumo:
Com a implantação dos novos cursos na Escola de Engenharia de São Carlos
(EESC/USP), como Engenharia Aeronáutica, Ambiental, Mecatrônica, de
Computação e Elétrica - ênfase em Sistemas de Energia e Automação detectouse que algumas destas áreas não estão contempladas com seus descritores no
Vocabulário Controlado do Sistema Integrado de Bibliotecas da USP (SIBi/USP).
Além

destas

especialidades,

a

crescente

especificidade

das

áreas

de

conhecimento obriga a constante revisão e análise da estrutura temática relativa
aos termos a serem utilizados no processo de análise documentária. O produto
deste trabalho de revisão e pesquisa terminológica e sistemática relativa aos
descritores, ainda não contemplados no vocabulário controlado, tem por base o
levantamento dos termos representativos nas respectivas grades curriculares,
consulta a docentes especialistas no assunto, enciclopédias, dicionários gerais e
especializados, obras da coleção básica, tesauros e sistema de classificação
decimal (CDD). A atualização do Vocabulário Controlado, versão aperfeiçoada da
linguagem utilizada no Dedalus - Banco de Dados Bibliográficos da USP, visa
garantir a qualidade e o sucesso no acesso eletrônico.

Palavras-chave: estrutura temática, vocabulário controlado, acesso eletrônico à
informação, acesso eletrônico ao documento.

�2

1. Introdução
A Biblioteca da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da Universidade de
São Paulo (USP) foi fundada em 1953 para atender à comunidade usuária das
áreas de Engenharia e Arquitetura. No decorrer dos anos teve sua estrutura subdividida nas áreas de: Hidráulica e Saneamento, Mecânica, Materiais, Elétrica,
Geotecnia, Transportes, Estruturas, Produção, Bioengenharia e Arquitetura e
Urbanismo.
Recentemente, foram criados cinco novos cursos de graduação na Escola de
Engenharia: 1) curso de Aeronáutica, implementado em 2002, teve início em 1973
a partir da formação de um grupo de trabalho envolvido no projeto e construção
de uma aeronave leve para instrução básica; 2) curso de Engenharia de
Computação, é uma parceria entre a Escola de Engenharia de São Carlos e o
Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação de São Carlos, ambos da
Universidade de São Paulo, sob a responsabilidade dos Departamentos de
Engenharia Elétrica da EESC e Ciência de Computação e Estatística do ICMC; 3)
curso de Engenharia Mecatrônica, que representa a consolidação e evolução da
ênfase nesta matéria oferecida desde a década de 1960 a graduandos de outros
cursos da EESC; 4) curso de graduação com habilitação em Engenharia Elétrica
e ênfase em Sistemas de Energia e Automação e 5) curso de Engenharia
Ambiental que, criado em 2003, estabeleceu uma nova etapa na evolução
institucional do Departamento de Hidráulica e Saneamento.
Associada à criacao dos cursos, houve também a incorporação da Biblioteca
“Prof. Samuel Murgel Branco”, localizada no Centro de Recursos Hídricos e
Ecologia Aplicada (CRHEA), no perímetro da cidade de Itirapina, São Paulo, e
vinculada ao Departamento de Hidráulica e Saneamento da EESC ao Serviço de
Biblioteca

da

EESC/USP

(SVBIBL/EESC/USP).

Desta

forma

o

SVBIBL/EESC/USP ficou responsável pelo processamento técnico do acervo, que
permanece alocado nas dependências do CRHEA. Em decorrência ao volume de
aquisições relacionadas ao curso de Engenharia Ambiental e mais a incorporação
do acervo da Biblioteca-ramal, observou-se uma grande quantidade de materiais
bibliográficos do mesmo assunto exigindo a priorização da análise da estrutura
temática nesta área contemplada de maneira insuficiente no Vocabulário
Controlado do Sistema Integrado de Bibliotecas da USP (SIBi/USP).

�3

Com essa observação, apresenta-se neste trabalho um modelo teórico e
metodológico para a construção de uma estrutura temática.

1.1 Definição do Curso de Engenharia Ambiental para a EESC/USP
A formação específica do curso divide-se em três áreas: recursos energéticos,
gestão ambiental e tecnologia ambiental. Em todas as áreas pretende-se conciliar
a vocação produtiva da engenharia com a ética ambiental.
Os temas indicados a seguir fundamentam as disciplinas oferecidas anualmente e
conferem ao curso a unidade necessária: caracterização ambiental (meios físicos,
biológicos, antrópicos); caracterização das atividades existentes e propostas;
estudos de impactos ambientais; ações mitigadoras de impactos ambientais;
monitoramento e gestão ambiental.
A Engenharia Ambiental é essencialmente ativa no que tange harmonizar a
produção com a manutenção do meio ambiente. Ela tem a seu favor o mesmo
princípio da medicina preventiva, ou seja, “é mais fácil e econômico prevenir do
que remediar”.

1.2 A estrutura temática no contexto da EESC
A Seção de Tratamento da Informação do SVBIBL/EESC/USP, responsável por
tratar a informação, como o próprio nome já diz, independente do seu suporte
físico, preocupa-se com uma das etapas mais importantes dentro do
processamento técnico que é a indexação. Esta etapa deve ser criteriosa e
decisiva, pois através de uma boa indexação o usuário tem acesso ao documento
que ele necessita. Para se obter uma indexação adequada é necessário uma
estrutura temática bem elaborada, analisada e definida. Segundo Lara (2004, p.
233) “a linguagem documentária é um instrumento por meio da qual se realiza a
mediação entre sistemas ou conjuntos informacionais e usuários. Ou, sob outra
perspectiva é um instrumento que exerce a função de ponte entre ao menos duas
linguagens: a linguagem do sistema e a linguagem do usuário”.
O Vocabulário Controlado (SIBIX650) é uma linguagem utilizada em um dos
maiores Banco de Dados Bibliográficos do país o DEDALUS, pertencente à USP
e implementado pelo Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São

�4

Paulo (SIBi/USP). Abrange as áreas do conhecimento inerentes às atividades de
ensino, pesquisa e extensão. É constituído de aproximadamente 24.560 termos e
atende todas as Bibliotecas da USP, que caracterizam-se pela descentralização e
especialização de seus acervos. As estruturas temáticas de cada área foram
elaboradas a partir dos descritores nos catálogos locais das bibliotecas e da
consulta aos diversos tipos de fontes de referência, além de linhas de pesquisa,
estruturas curriculares e especialistas de cada área do conhecimento da
Universidade.
Através de consulta ao Vocabulário Controlado SIBi/USP, detectou-se que a
estrutura temática existente é insuficiente para o processamento do material da
área de Engenharia Ambiental (ANEXO). Como exemplo, a Ecologia, segundo
docente especialista é uma sub-área da Engenharia Ambiental e encontra-se
inserida como sub-área da Biologia.
Como decorrência, apresenta-se a proposta de criação e revisão da estrutura
temática, visto a abrangência multidisciplinar do curso de Engenharia Ambiental,
gerando novas terminologias, vindo ao encontro da política de análise e
incorporação do SIBIX650.
Segundo Lima (2004 p.119) “a representação documentária que procura refletir o
conteúdo e a organização de um texto deve necessariamente prever como o
usuário buscará essa mensagem; para isso deve procurar um referencial externo,
como as terminologias das áreas de especialidade, além de se reportar ao
sistema de significação que lhe dá origem a linguagem documentária”.
Com a reavaliação, criação e apreciação de novas terminologias para o
Vocabulário Controlado SIBi/USP, pretende-se, a médio prazo, atender as
necessidades de recuperação da informação oriundas da área da Engenharia
Ambiental, contribuindo para agilização na qualidade e satisfação no atendimento
não só pelos usuários da Universidade, mas também por pesquisadores das mais
diversas instituições nacionais e internacionais, uma vez que o DEDALUS está
disponível na Internet.

�5

2. Metodologia
Para criação e revisão da estrutura temática da área de Engenharia Ambiental, a
Biblioteca da EESC utilizou como base o SIBIX650, uma vez que os termos lá
contidos já passaram pela análise do Grupo de Gerenciamento do Vocabulário
Controlado SIBi/USP. Todo o trabalho foi pautado na utilização de fontes de
referência como: dicionários, glossários, código de classificação “CDD”, tesauros
da área, programa de disciplinas e docentes especialistas, o que possibilitou a
elaboração das estruturas temáticas referente a Engenharia Ambiental.

2.1 Modelo teórico e metodológico para a criação da estrutura temática
Conforme (ANEXO), o curso de Engenharia Ambiental, não possui estrutura
temática, para tanto foram definidas as etapas:
-

levantamento dos assuntos internos da Biblioteca da EESC;

-

levantamento dos assuntos, através da grade curricular;

-

consulta aos assuntos, através do material de apoio (thesaurus,
CDD, material bibliográfico, etc.);

-

comparação e estruturação dos assuntos de acordo com sua
respectiva área;

-

reunião com os docentes especialistas;

-

triagem SIBIX, para evitar duplicidade de termos e qualificadores;

-

elaboração de proposta de nova estrutura temática;

-

submissão ao Grupo de Gestão do Vocabulário Controlado USP
para análise e aprovação.

3. Resultados
Calijuri (2006) afirma que Hidráulica e Saneamento e Engenharia Ambiental
tiveram origens diferentes: a Hidráulica e Saneamento nasceu das ciências
básicas e a Engenharia Ambiental foi criada a partir da necessidade de garantir a
sustentabilidade ambiental. Com a Revolução industrial, começou-se a perceber
os impactos ambientais decorrentes das atividades antrópicas. Com o capitalismo
no último século (século XX) acentuou-se o problema e a partir da década de 60
os chefes de Estado começaram a se preocupar com o futuro do planeta.

�6

Realizou-se a Reunião de Estocolmo e mais recentemente a Rio/92, promovendo
a conscientização da população, necessária para o desenvolvimento de
tecnologias que visem a recuperação ambiental, mitigação de impactos e gestão
para garantir a sustentabilidade. (informação verbal) 1
A partir do entendimento da importância dessa nova realidade, optou-se por
excluir o termo Engenharia Ambiental, hierarquicamente subordinado a Hidráulica
e Saneamento e colocá-lo na mesma hierarquia das demais Engenharias. A
grande maioria dos termos encontrados em Ecologia contempla somente a área
de Biologia, mas a Biologia geral estuda os reinos: vegetal, mineral e animal;
enquanto a Ecologia estuda a interferência desses reinos no ambiente. Portanto
criou-se uma estrutura temática separada com alguns termos iguais aos da área
de Biologia.
A nova proposta de estrutura temática apresentada a seguir, deve ainda ser
submetida

para

ser analisada, consolidada e validada pelo Grupo de

Manutenção do Vocabulário Controlado do SIBi/USP:
CE620 ENGENHARIA
CE621 ENGENHARIA CIVIL
CE622 ENGENHARIA DE AERONAVES
CE623 ENGENHARIA DE MINAS
CE624 ENGENHARIA DE PRODUÇÃO
CE625 ENGENHARIA ELÉTRICA
CE626 ENGENHARIA MECÂNICA
CE627 ENGENHARIA METALÚRGICA
CE628 ENGENHARIA NAVAL E OCEÂNICA
CE629 ENGENHARIA QUÍMICA

1

Informação verbal fornecida pela Professora Doutora Maria do Carmo Calijuri, do
Departamento de Hidráulica e Saneamento da EESC-USP.

�7

CE630 ENGENHARIA AMBIENTAL
CE630.1 ECOLOGIA APLICADA
CE630.1.1 DEGRADAÇÃO AMBIENTAL
CE630.1.2 DESASTRE ECOLÓGICO
CE630.1.3 ECOLOGIA DA POLUIÇÃO
CE630.1.3.1 POLUIÇÃO
CE630.1.3.2 POLUIÇÃO AMBIENTAL
CE630.1.3.3 POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA
CE630.1.3.4 POLUIÇÃO DA ÁGUA
CE630.1.3.5 POLUIÇÃO DIFUSA
CE630.1.3.6 POLUIÇÃO DO MAR
CE630.1.3.7 POLUIÇÃO DE LAGOS
CE630.1.3.8 POLUIÇÃO DE RIOS
CE630.1.3.9 POLUIÇÃO DO SOLO
CE630.1.3.10 POLUIÇÃO DOS ESTUÁRIOS
CE630.1.3.11 POLUIÇÃO DOS PÂNTANOS
CE630.1.3.12 POLUIÇÃO E MEDIDAS DE PROTEÇÃO
CE630.1.3.13 POLUIÇÃO ELETROMAGNÉTICA
CE630.1.3.14 POLUIÇÃO INDUSTRIAL
CE630.1.3.15 POLUIÇÃO NUCLEAR
CE630.1.3.16 POLUIÇÃO POR ÁGUAS RESIDUÁRIAS
CE630.1.3.17 POLUIÇÃO RADIOATIVA
CE630.1.3.18 POLUIÇÃO SONORA
CE630.1.3.19 POLUIÇÃO VISUAL
CE630.1.3.20 ECOTOXICOLOGIA
CE630.1.4 ECOLOGIA MICROBIANA
CE630.1.4.1 MICROBIOLOGIA AMBIENTAL
CE630.1.4.1.1 MICROBIOLOGIA DA ÁGUA
CE630.1.4.1.2 MICROBIOLOGIA DO SOLO
CE630.1.4.1.3 MICROBIOLOGIA DO AR
CE630.1.4.2 MICROBIOLOGIA APLICADA
CE630.1.4.3 ECOLOGIA MOLECULAR
CE630.1.4.3.1 ÁCIDOS NUCLEICOS
CE630.1.4.4 ECOLOGIA PARASITÁRIA
CE630.1.5 ECOSSITEMAS
CE630.1.5.1 ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS
CE630.1.5.2 ECOSSISTEMAS AMBIENTAIS

�8

CE630.1.5.3 ECOSSISTEMAS INDUSTRIAIS
CE630.1.5.4 ECOSSITEMAS DE INTERFACES
CE630.1.5.5 EQUILÍBRIO ECOLÓGICO
CE630.1.5.6 BACIA HIDROGRÁFICA
CE630.1.5.7 MICROBACIA HIDROGRÁFICA
CE630.1.6 MONITORAMENTO AMBIENTAL
CE630.1.6.1 MONITORAMENTO BIOLÓGICO
CE630.1.7 MEIO AMBIENTE
CE630.1.7.1 PLANEJAMENTO AMBIENTAL
CE630.1.7.1.1 ADEQUAÇÃO EM EMPRESAS
CE630.1.7.1.2 ADEQUAÇÃO DE ÁREAS URBANAS
CE630.1.7.2 CULTURA, AMBIENTE, DESENVOLVIMENTO
CE630.1.7.3 ENERGIA E SOCIEDADE
CE630.1.8 RECURSOS NATURAIS
CE630.1.8.1 RECURSOS ENERGÉTICOS
CE630.1.8.1.1 SISTEMAS DE GERAÇÃO DE ENERGIA
CE630.1.8.2 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO E
CONSERVAÇÃO AMBIENTAL
CE630.1.9 ECOLOGIA AQUÁTICA
CE630.1.9.1 ECOLOGIA MARINHA
CE630.1.9.2 ECOLOGIA DE ÁGUA DOCE
CE630.1.9.3 ECOLOGIA DE ÁGUAS DE INTERFACES
CE630.1.10 ECOLOGIA DA PAISAGEM
CE630.1.10.1 ECOLOGIA DE CAMPO
CE630.1.10.2 ECOLOGIA DE CERRADO
CE630.1.10.3 ECOLOGIA DE PASTAGENS
CE630.1.10.4 ECOLOGIA DE PRADOS
CE630.1.10.5 ECOLOGIA FLORESTAL
CE630.1.11 IMPACTOS AMBIENTAIS
CE630.1.11.1 AÇÕES MITIGADORAS DE IMPACTOS
CE630.1.11.2 EFEITOS AMBIENTAIS NO USO DA ENERGIA
CE630.1.121GESTÃO AMBIENTAL
CE630.1.12.1 INSTRUMENTOS DE POLÍTICA AMBIENTAL
CE630.1.12.1.1 LICENCIAMENTO AMBIENTAL
CE630.1.12.1.2 LEGISLAÇÃO AMBIENTAL
CE630.1.13 RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS
CE630.1.14 MANEJO AMBIENTAL

�9

CE630.1.15 PRODUÇÃO PRIMÁRIA
CE630.1.15.1 ALGAS
CE630.1.15.2 CIANOBACTÉRIAS
CE630.1.15.3 FITOPLÂNCTON
CE630.1.16 PRODUÇÃO SECUNDÁRIA
CE630.1.16.1 ZOOPLANCTON
CE630.1.17 ECOLOGIA HUMANA
CE630.1.17.1 HABITAT RURAL
CE630.1.17.2 HABITAT URBANO

Considerações finais
Pode-se considerar que foi alcançado o objetivo principal deste trabalho, que foi a
criação de uma estrutura temática na área de Engenharia Ambiental, a ser
submetido ao Grupo de Gestão do Vocabulário Controlado SIBi/USP, para
análise, consolidação e validação dos termos propostos.
A continuidade deste trabalho será a aplicação do modelo teórico e metodológico
alternativo apresentado nas terminologias relacionadas aos assuntos dos cursos
implantados na EESC, bem como servir de parâmetro para as demais áreas do
conhecimento nas Bibliotecas.
Dessa forma é possível garantir a especificidade e atualidade necessária para a
devida recuperação da informação.

Referências
BARROS, L.A. Curso básico de terminologia. São Paulo : EDUSP, 2004. 285 p.
GLOSSÁRIO de ecologia. 2. ed. rev. São Paulo : Academia de Ciências do
Estado de São Paulo, 1997. 352 p.
DEWEY, M. Dewey decimal classification and relative index. 22. ed. Dublin, OH:
OCLC, 2003. 4 v.
LARA, M.L.G. Linguagem documentária e terminologia. Transinformação,
Campinas, v.16, n.3, p.231-240, set/dez., 2004.

�10

LIMA, V. M.A.de. Da classificação do conhecimento científico aos sistemas de
recuperação da informação: enunciação de codificação e enunciação da
informação do comentário. 2004. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) –
Escola de Comunicação e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004.
148 p.
LIMA, V.M.A. de et al. Vocabulário USP: um instrumento para integração dos
processos de representação e recuperação da informação em bibliotecas
universitárias. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS,
10., 1998. Fortaleza. Anais eletrônicos... Fortaleza: TECTREINA. 1998.
1 CD-ROM.
THESAURUS of scientific, technical, and engineering terms. Cambridge:
Hemisphere Publishing, 1998. 841 p.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Escola de Engenharia de São Carlos (São
Carlos, SP). Catálogo de graduação 2006. São Carlos: EESC/USP, 2006. 208 p.
UNIVERSIDA DE SÃO PAULO. Sistema Integrado de Bibliotecas (São Paulo,
SP). Vocabulário controlado USP. São Paulo: SIBi/USP, 2001. 1 CD-ROM.

Agradecimento:
Agradecimento especial à Professora Doutora Maria do Carmo Calijuri do
Departamento de Hidráulica e Saneamento SHS-USP.

�11

ANEXO – Vocabulário Controlado SIBi/USP
Engenharia Ambiental: ordem hierárquica dos termos
CE621 - ENGENHARIA CIVIL
CE621.3 - ENGENHARIA HIDRÁULICA E SANITÁRIA **
CE621.3.3 - ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL
CE621.3.3.7 - ENGENHARIA AMBIENTAL &lt;==

Biologia: ordem hierárquica dos termos
CB210 - BIOLOGIA
CB210.15 - ECOLOGIA &lt;==
CB210.15.1 - ACLIMATAÇÃO
CB210.15.2 - AUTOECOLOGIA
CB210.15.3 - BIOCLIMATOLOGIA
CB210.15.4 - BIOGEOQUÍMICA
CB210.15.5 - COLÔNIAS (BIOLOGIA)
CB210.15.6 - CONSERVAÇÃO BIOLÓGICA
CB210.15.7 - DEGRADAÇÃO AMBIENTAL
CB210.15.8 - DESASTRE ECOLÓGICO
CB210.15.9 - ECOFISIOLOGIA
CB210.15.10 - ECOLOGIA APLICADA
CB210.15.11 - ECOLOGIA AQUÁTICA
CB210.15.12 - ECOLOGIA DA POLUIÇÃO
CB210.15.13 - ECOLOGIA DE ARBUSTOS
CB210.15.14 - ECOLOGIA DE CAMPO
CB210.15.15 - ECOLOGIA DE CERCAS-VIVAS
CB210.15.16 - ECOLOGIA DE CERRADO
CB210.15.17 - ECOLOGIA DE FOGO
CB210.15.18 - ECOLOGIA DE FUNGOS
CB210.15.19 - ECOLOGIA DE INTERAÇÕES
CB210.15.20 - ECOLOGIA DE LHANOS
CB210.15.21 - ECOLOGIA DA PAISAGEM
CB210.15.22 - ECOLOGIA DE PASTAGENS
CB210.15.23 - ECOLOGIA DE PRADOS
CB210.15.24 - ECOLOGIA DE RELVAS

�12

CB210.15.25 - ECOLOGIA DE VETORES
CB210.15.26 - ECOLOGIA DOS MICROORGANISMOS
CB210.15.27 - ECOLOGIA ENERGÉTICA
CB210.15.28 - ECOLOGIA EVOLUTIVA
CB210.15.29 - ECOLOGIA FLORESTAL
CB210.15.30 - ECOLOGIA HUMANA
CB210.15.31 - ECOLOGIA MICROBIANA
CB210.15.32 - ECOLOGIA MOLECULAR
CB210.15.33 - ECOLOGIA PARASITÁRIA
CB210.15.34 - EQUILÍBRIO ECOLÓGICO
CB210.15.35 - ECOSSISTEMAS
CB210.15.36 - MEIO AMBIENTE
CB210.15.40 - IMPACTOS AMBIENTAIS
CB210.15.41 - MANEJO AMBIENTAL
CB210.15.42 - MONITORAMENTO BIOLÓGICO
CB210.15.43 - PRODUÇÃO SECUNDÁRIA
CB210.15.44 - RADIOECOLOGIA
CB210.15.45 - RECURSOS NATURAIS
CB210.15.46 - QUÍMICA ECOLÓGICA
CB210.15.47 – SINECOLOGIA
CB210.15.48 - TOXICOLOGIA AMBIENTAL
CB210.15.49 - BIOSFERA
CB210.15.50 - FENOLOGIA
CB210.15.51 - ECOLOGIA AGRÍCOLA

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          <name>Dublin Core</name>
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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Com a implantação dos novos cursos na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC/USP), como Engenharia Aeronáutica, Ambiental, Mecatrônica, de Computação e Elétrica - ênfase em Sistemas de Energia e Automação detectou-se que algumas destas áreas não estão contempladas com seus descritores no Vocabulário Controlado do Sistema Integrado de Bibliotecas da USP (SIBi/USP). Além destas especialidades, a crescente especificidade das áreas de conhecimento obriga a constante revisão e análise da estrutura temática relativa aos termos a serem utilizados no processo de análise documentária. O produto deste trabalho de revisão e pesquisa terminológica e sistemática relativa aos descritores, ainda não contemplados no vocabulário controlado, tem por base o levantamento dos termos representativos nas respectivas grades curriculares, consulta a docentes especialistas no assunto, enciclopédias, dicionários gerais e especializados, obras da coleção básica, tesauros e sistema de classificação decimal (CDD). A atualização do Vocabulário Controlado, versão aperfeiçoada da linguagem utilizada no Dedalus - Banco de Dados Bibliográficos da USP, visa garantir a qualidade e o sucesso no acesso eletrônico.</text>
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                    <text>WIKIS E O BIBLIOTECÁRIO DE REFERÊNCIA:
novos ambientes de aprendizagem
Marouva Fallgatter Faqueti
Mestre em Engenharia de Produção e Sistemas,
Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC,
Bibliotecária da Biblioteca Universitária,
Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC
marouva@bu.ufsc.br
Maria Bernardete Martins Alves
Mestre em Engenharia de Produção e Sistemas,
Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC,
Bibliotecária da Biblioteca Universitária,
Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC
berna@bu.ufsc.br

RESUMO
A produção de conhecimento de forma colaborativa utilizando-se
do espaço web destaca-se no cenário internacional, alavancada pelo surgimento
de softwares que facilitam esse processo de co-criação. Para o bibliotecário de
referência, o cenário favorece para o aprofundamento da vivência do novo papel
de mediador já vislumbrado. Nessa função o profissional assume uma postura
pró-ativa, cria situações que estimulam o gerenciamento da busca e de uso de
informação e gera conhecimento. Um elenco de ferramentas colaborativas já
fazem parte do ambiente das bibliotecas digitais dentre elas destacam-se: o email, o chat, os softwares inteligentes, a videoconferência, e a mais recente, a
ferramenta wiki, poderosa ferramenta colaborativa que amplia significativamente
os limites dos serviços de referência e o papel do bibliotecário, como mediador
desse serviço, especialmente em ambientes educacionais. Nesse sentido, o artigo
apresenta um estudo sobre as potencialidades do uso do wiki como ferramenta
para dinamizar processos de aprendizagem e sua interação com a biblioteca,
delineando algumas ações relacionadas com o bibliotecário de referência.
Palavras-chave: Serviço de referência. Bibliotecário de referência. Wiki.
Ferramentas colaborativas. Biblioteca digital.

1 INTRODUÇÃO

As possibilidades de novas interconexões entre pessoas tem provocado

o

fortalecimento de relações diferenciadas. Nos ambientes organizacionais, produzir

�conhecimento de forma coletiva através da constituição de redes interativas é um
desafio que se apresenta neste final de século XX e início de século XXI.
O ciberespaço é o ambiente real e concreto que viabiliza o desenvolvimento de
relações virtualizadas, isto é, aproxima pessoas que outrora, se quer poderiam
reconhecer a existência uma das outras.
As terminologias utilizadas para representar essas ligações são diversas, dentre
as quais pode-se citar: comunidades pessoais, redes digitais, comunidades
virtuais, comunidades de pratica, dentre outras.
Desconsiderando as particularidades e aprofundamentos teóricos sobre a
abrangência conceitual de cada termo, na horizontalidade, se referem ao
movimento interrelacional entre indivíduos com interesses comuns para atingir
alguns objetivos.
Colaboração é a palavra mestra que orienta as relações que se estabelecem.
Construir coletivamente implica em mudanças de valores entre o público e o
privado, entre o individual e o grupal. O foco na autoria única tende a ficar difuso e
o produto final gerado a partir do construto coletivo representa a composição de
olhares e leituras distintos formando uma terceira pessoa  o nosso.
Costa (2005) destaca que, no relacionamento colaborativo, é igualmente
importante o fortalecimento de sentimentos como a confiança:
Um dos aspectos essenciais para a consolidação de comunidades
pessoais ou redes sociais é, sem dúvida, o sentimento de
confiança mútua que precisa existir em maior ou menor escala
entre as pessoas. A construção dessa confiança está diretamente
relacionada com a capacidade que cada um teria de entrar em
relação com os outros, de perceber o outro e incluí-lo em seu
universo de referência. Esse tipo de inclusão ou integração diz
respeito à atitude tão simples e por vezes tão esquecida que é
justamente a de reconhecer, no outro, suas habilidades,
competências, conhecimentos, hábitos... Quanto mais um
indivíduo interage com outros, mais ele está apto a reconhecer
comportamentos, intenções e valores que compõem seu meio.

O desenvolvimento de softwares de fonte aberta são exemplos que potencializam
a produção

e o uso do conhecimento de forma colaborativa. O maior sítio

mundial que hospeda iniciativas nesta área e fortalece a Comunidade de Acesso

�Aberto é o SourceForge1. No Brasil destacam-se o CódigoLivre2 e o projeto
Colaborar3. (PARREIRAS et al, 2005)
O software livre de destaque na atualidade que viabiliza a interação e construção
coletiva de conteúdos via web é a ferramenta wiki. Seu nome, de origem
havaiana, significa super rápido Uma das maiores experiências de utilização wiki
é a Wikipédia, criada em 2001 na Flórida (Estados Unidos) e que hoje já está
traduzida para cerca de 80 idiomas.
Licenciada sob Creative Commons4, patente que permite aos usuários editar e
alterar verbetes, essa enciclopédia on-line, tem acesso livre para consulta e
contribuição colaborativa na construção dos verbetes, por qualquer usuário
cadastrado ou não.. O controle de qualidade é realizado por colaboradores que
filtram metodicamente o que entra na página. Segundo Wales (2006) este
controle é meritocrático, isto é, a ação de alguns colaboradores são mais
confiáveis e ativas e portanto tendem a obter maior destaque e mérito.
Funções de leitor, autor e editor estão presentes no mesmo instante e o que
parecia uma utopia torna-se real no mundo virtual. Lawrence Lessig (2006),
idealizador do Creative Commons

afirma que a tecnologia atual está

possibilitando a construção de um modelo de sociedade read-write, isto é, as
pessoas recebem, criam e compartilham informações e conhecimentos, em
contraposição ao modelo anterior read-only onde as pessoas assumem uma
postura somente de receptoras.
Estudiosos nos meios educacional e bibliotecário já apontavam a importância das
pessoas serem apenas consumidores de informação, mas que ampliassem o uso
de suas capacidades no sentido de serem também produtores. Demo (1997, p.24)

1

http://sourceforge.net/index.php

2

http:///codigolivre.org.br

3

http://colaborar.softwarelivre.gov.br

4

Conjunto de ferramentas legais que podem ser usadas por quem deseja dar um ou outro uso mais livre para
suas obras

�afirma que é fundamental aprender a produzir, a partir da informação para que se
[...] passe da posição de informado à de informante, informativo, informador.
Nesse cenário, o artigo se propõe a apresentar noções básicas sobre o wiki, suas
possibilidades de aplicação nos ambientes educacionais e mais especificamente
na bibliotecas. Para finalizar relata o estudo que está sendo desenvolvido para
implantação de um Wiki numa biblioteca educacional.

2 TECNOLOGIA WIKI

Wiki é um software livre, gerenciador de conteúdos, que fornece aos seus
usuários um ambiente simples e ágil para edição e publicação colaborativa de
hiperdocumentos.

Por

intermédio

dele, pessoas

ou

grupos

virtuais

de

colaboradores podem registrar e atualizar informações de forma rápida e fácil,
podem fazer acréscimos ou eliminações, mesmo que tenham sido editadas por
outros indivíduos. Todas essas operações ficam registradas no sistema, podendose consultar o histórico da movimentação executada, bem como, recuperar
versões textuais anteriores.
Cunningham (2005), lançou as bases do Wiki no ano de 1995 cujos princípios:
a) Aberto  qualquer leitor pode ter acesso a página, podendo alterar seu
conteúdo quando considerar que esteja incompleto ou mal organizado,
bem como, editar uma nova página;
b) Incremental - as páginas podem apresentar links para outras páginas
do próprio wiki, inclusive para páginas que não foram escritas ainda;
c) Orgânico  a organização estrutural do site e dos textos estão abertos
à edição e à evolução.
d) Universal - os mecanismos da edição e de organização são os mesmos,
de modo que todo o escritor seja automaticamente um organizador e
um editor;
e) Preciso  cada página possui um título editável num campo específico;

�f) Tolerante  o comportamento interpretativo é preferido às mensagens
de erro.
g) Observável - as atividades desenvolvidas no site podem ser observadas
e revisadas por todos;
h) Convergência - a duplicação de páginas similares não é desejável e
podem ser redirecionadas ou removidas.
Outros princípios, não previstos inicialmente, estão se consolidando ao longo do
seu uso. São eles:
a) Confiança  esta é a coisa a mais importante em um wiki. Confiar nos
colaboradores, bem como, no

processo de evolução continuo dos

conteúdos.
b) Divertimento  entende-se que a melhor participação e envolvimento das
pessoas ocorre quando a interação é feita de forma mais espontânea e
prazerosa do que por obrigação;
c) compartilhamento  concretiza-se como um espaço de troca de
informações, conhecimentos, experiências e idéias.
Algumas características básicas da ferramenta wiki devem ser destacadas:
a) Software livre de fácil instalação e compatível com as plataformas linux
e Windows;
b) Permite discussão assíncrona;
c) Permite importação e exportação de textos e imagens facilitando a
criação automática de hipertexto e hiperlinks;
d) Não existe qualquer mecanismo de revisão preliminar à publicação,
portanto a responsabilidade pela qualidade das contribuições é de cada
participante autorizado;
e) A autorização para contribuir no sistema pode ser programada pelo
grupo gestor, podendo ser ampla e irrestrita ou possuir algumas restrições
como por exemplo, estar cadastrado.
Com a crescente expansão do uso do wiki, foram desenvolvidas inúmeras
ferramentas similares tais como: MediaWiki, TWiki, TikiWiki, cujas particularidades
e valores agregados as tornam singulares para grupos distintos.

�A seleção da ferramenta mais adequada aos propósitos a serem alcançados é da
responsabilidade da pessoa ou equipe organizadora que gerenciará o processo
de implantação e uso do wiki. Configurações técnicas devem ser observadas
posto que, dependendo do tipo de valores agregados em cada wiki, o nível de
exigência dos equipamentos e equipe técnica de suporte é diferenciado.

3 WIKI NA EDUCAÇÃO

O wiki tem sido considerado como um rico potencial pedagógico a ser utilizado
em ambientes de educação presencial e principalmente na educação à distância.
Todavia resultados apresentados na literatura indicam que o processo de inclusão
desta ferramenta encontra-se em estágio exploratório.
Schwartz e outros (2004), pontuam sobre a importância de se escolher
adequadamente entre as diversas ferramentas wikis disponíveis no mercado e
indicam alguns critérios que podem contribuir no processo de uso em ambientes
educacionais:
a) Custos;
b) Nível de complexidade do sistema;
c) Parâmetros disponíveis de controle;
d) Clareza;
e) Estrutura administrativa básica;
f) Características agregadas.
Raman, Ryan e Olfaman (2005) apresentaram um estudo de caso onde foi
avaliado a pertinência do uso do wiki como suporte para o desenvolvimento de
atividades colaborativas no processo de ensino e aprendizagem num determinado
ambiente acadêmico. Os resultados indicaram que o sistema é viável e que o
sucesso de sua utilização pode depender dos seguintes fatores: familiaridade
com a tecnologia wiki; clareza de planejamento e implementação do uso do wiki,
tamanho apropriado da turma e motivação dos estudantes para engajamento no
processo de aprendizagem.

�Salamunes e Bastos Filho afirmam que

o wiki pode ser utilizado para o

desenvolvimento de atividades coletivas tais como:
a) planejamentos de ensino;
b) processos de ensino/aprendizagem colaborativos;
c) avaliação de ações e processos em diferentes níveis.
Na visão desses autores o uso do wiki se adapta em propostas pedagógicas
construtivistas, pois corrobora com a formação de sujeitos pró-ativos, autônomos,
críticos e participativos.
O uso do wiki em ambientes virtuais de aprendizagem é descrito no modelo de
Pedrosa et al (2005) os autores descrevem as suas potencialidades:
O Wiki constitui uma excelente ferramenta para discussões
temáticas,
reflexões,
sínteses
e
construção
de
conhecimento/aprendizagem. No modelo que se apresenta
sugere-se que haja um wiki para todo o curso onde podem ser
aprofundadas as diversas temáticas, através da participação de
todos, quer através da interacção nos projectos quer através das
discussões temáticas. O responsável pelo mapa de conceitos
integra-o na estrutura wiki. Os grupos são responsáveis por gerir o
seu espaço no wiki livremente. As regras deverão ser definidas
nas primeiras sessões síncronas.

As palavras de Wagner (2005) explicitam que

wikis são particularmente

importantes quando usadas como ferramenta para a gestão do conhecimento
porque elas atuam em todos os estágios do conhecimento, da criação ao uso,
corroboram com a idéias de aplicação do Wiki num ambiente de aprendizagem
construtivista.
Outro exemplo de uso do Wiki é o projeto CLASSE que tem como objetivo a
classificação de softwares educacionais livres adequados aos Parâmetros
Curriculares Nacionais e outros aspectos técnico-pedagógicos relevantes. Este
projeto foi desenvolvido por GeNESS, uma incubadora de empresas de software
criada no âmbito do Departamento de Informática e Estatística da Universidade
Federal de Santa Catarina e pode ser acessado no seguinte endereço:
http://classe.geness.ufsc.br/index.php/CLASSE.

�Os alunos do curso de Engenharia Elétrica da Escola politécnica da Universidade
de São Paulo, através do seu órgão de representação, criaram um wiki onde
disponibilizam atas, documentos, e especialmente trabalhos acadêmicos para
serem desenvolvidos de forma conjunta. Seu endereço de acesso é:
http://cee.poli.usp.br/wiki/index.php/P%C3%A1gina_principal.
Essas são algumas aplicações realizadas em ambientes educacionais, dentre
tantas disponíveis na web no qual percebe-se que as pessoas estão criativamente
fazendo do wiki uma ferramenta para ampliar a interatividade, publicar conteúdos,
servir como repositório de informações, resolver problemas de forma coletiva, em
fim, construir e disseminar conhecimentos produzidos localmente de forma global.

4 WIKI E O BIBLIOTECÁRIO DE REFERÊNCIA

Um elenco de ferramentas colaborativas já faz parte do ambiente das bibliotecas
digitais/virtuais dentre elas destacam-se: o e-mail, o chat, os softwares
inteligentes, a videoconferência, os blogs, as listas de discussão e a mais recente,
a ferramenta wiki, poderosa ferramenta colaborativa que amplia significativamente
os limites dos serviços de referência e o papel do bibliotecário, como mediador
desse serviço.
Nesse contexto, o serviço de referência está se tornando cada vez mais um
serviço de referência digital e a adesão do bibliotecário às novas tecnologias não
é apenas uma opção, mas o caminho necessário para satisfazer as demandas do
usuário cujas tecnologias já se incorporaram definitivamente a sua rotina na
busca e uso da informação. Se antes as tecnologias ampliaram as possibilidades
de busca e uso da informação, agora elas podem também alterar de forma
significativa a construção do conhecimento que, tanto individual quanto em grupo
e pode ser facilitado com o uso de uma ferramenta como o Wiki.
Dentre as várias aplicações wiki nos serviços de referência, a gestão do
conhecimento tem grande destaque na literatura sobre o assunto. Richardson
(apud GANDHI, 2005), aponta a necessidade da construção de sistemas de

�gestão de conhecimento coletivo do estoque de informação e conhecimento que
os bibliotecários de referência têm a respeito das fontes, dos recursos
informacionais e dos serviços e do processo de referência. O autor afirma que, a
despeito desse conhecimento, os bibliotecários sabem onde e como encontrar a
informação em apenas 50% das vezes em que as questões são colocadas pelos
usuários. Estes dados são o resultado de uma pesquisa realizada nos Estados
Unidos, Canadá, Alemanha e Nova Zelândia.
Além dessa aplicação, outras formas de aplicação dos wikis podem ser utilizadas
tanto na disponibilização de serviços e recursos aos usuários quanto nas várias
atividades do dia a dia do bibliotecário de referência.
Além dessa aplicação, outras formas de aplicação dos wikis podem ser utilizadas
tanto na disponibilização de serviços e recursos aos usuários quanto nas várias
atividades do dia a dia do bibliotecário de referência.
Para os usuários:
a) Os FAQs,(Frequently Asks Questions)  Perguntas mais freqüentes;
b) na capacitação e treinamentos dos usuários;
c) na orientação das Pesquisas em bases de dados, desde a definição
dos termos de busca, passando pelas estratégias de busca até a
avaliação dos resultados da pesquisa e da seleção do que é
relevante, tudo isto pode ser feito tendo o wiki como ambiente de
interativo e o bibliotecário como mediador do processo;
d) na orientação e normalização de trabalhos acadêmicos,
e) na mediação da construção colaborativa do conhecimento, tanto
individual quanto em grupos de pesquisa, etc;
f) Na mediação de projetos de pesquisas institucional, o bibliotecário
de referência pode interagir com o grupo, principalmente nas fases
de busca, seleção e avaliação da informação.

�Para os bibliotecários na execução de tarefas de rotinas como:
a) A construção de manuais e tutoriais por um grupo de bibliotecários
de uma instituição ou de várias instituições,
b) nos cursos de atualização profissional,
c) na preparação de relatórios técnicos,
d) na construção de repositórios/memória institucionais,
e) na preparação e execução de projetos Institucionais,
f) na atualização de conteúdos das home-pages das bibliotecas,
g) nos blogs,
h) na preparação de listas de aquisição de livros ou outro material
bibliográfico, etc.

5

A BIBLIOTECA NO PROJETO PARA IMPLANTAÇÃO DE UM WIKI NO

COLÉGIO AGRÍCOLA DE CAMBORIÚ

O conhecimento sobre as inúmeras possibilidades de utilização da ferramenta
wiki em ambientes educacionais desencadeou um processo motivacional intenso
entre um grupo de pessoas no Colégio Agrícola de Camboriú: professores, alunos
do curso de informática, técnicos administrativos da área de recursos humanos e
da biblioteca.
Em encontros informais, começou-se a vislumbrar que o wiki poderia ser o
instrumento de viabilização de um repositório público de conhecimentos
produzidos pelos alunos e que até o momento a biblioteca não havia encontrado
uma solução adequada para o gerenciamento destes conteúdos produzidos
localmente.

�No âmbito da vivência processual da pesquisa escolar tal como descrita por
Faqueti

(2002),

ou

interdisciplinariedade

em
pode-se

outras
inferir

produções
que

a

textuais

possibilidade

envolvendo
de

a

construção

hipertextual de forma colaborativa, contribuiria para a melhoria da qualidade da
orientação e acompanhamento dos professores e bibliotecários no processo de
reconstrução contínua dessas produções.
Na área administrativa, pode-se perceber que o envolvimento dos servidores no
uso do wiki poderia servir como polo de discussão, publicação e disseminação de
informações e construção de conhecimento advindas a partir dos estudos
realizados em processos de capacitação.
Diante desses potenciais, tornou-se proeminente a realização de um projeto piloto
visando conferir a viabilidade do uso da ferramenta. Sendo assim, seu objetivo
geral

ficou assim delineado: Facilitar o desenvolvimento de processos de

aprendizagem nas áreas de ensino, pesquisa, extensão e administração do CAC,
através da disponibilização de um ambiente virtual de aprendizagem colaborativa
que permita a criação comunidades on-line,

disseminação de informações,

construção compartilhada de conhecimentos e sua conseqüente publicação.
Inicialmente efetuou-se um levantamento dos softwares livres disponíveis e uma
avaliação prévia de seus recursos potenciais. Definiu-se que a ferramenta mais
adequada no momento para respaldar anseios locais seria o TikiWiki5, devido ao
seu uso já consagrado internacionalmente, comprovando sua estabilidade e a
disponibilização de outras ferramentas agregadas que poderão se tornar
importantes aos objetivos do projeto tais como: blogs, notícias, foruns, FAQs, etc
que poderão ser liberadas a medida em que se fizerem necessárias.
Para melhor entender o alcance da ferramenta pode-se afirmar, conforme
informações disponíveis na Wikipédia, que o TikiWiki (2006) é um sistema de
gerenciamento de conteúdo, hospedado no SourceForge.net (maior site de
desenvolvimento de softwares de código aberto do mundo) que oferece:
a) ferramentas para criar e gerenciar conteúdos (wiki, notícias, blogs,...),
5

Disponível em: http://tikiwiki.org

�b) ferramentas para organizar conteúdos (categorização de conteúdos,
sistema de busca, calendário...)
c) ferramentas de comunicação (chat, e-mail intrawiki, comunicação com
outros tikiwikis...);
d) ferramentas administrativas (configurações gerais...).

Para Pedro Puente e Reyes Gomez (2006) o tikiWiki, no universo educacional, é
uma potente ferramenta que permite:
a) ampliar a comunidade educativa para além das fronteiras físicas da
escola
podendo envolver pais e familiares, outras escolas e universidades;
b) estimular a aprendizagem reflexiva dos alunos;
c) avaliar as contribuições pessoais dos alunos em atividades individuais e
principalmente colaborativas;
d) facilitar o aumento da eficiência do trabalho e aprendizagem
colaborativa em grupos.
No Colégio Agrícola de Camboriú, atualmente o projeto encontra-se em fase
inicial de implantação. Com o auxílio de um aluno estagiário da área de
informática, foi realizado o download do software TikiWiki, com instalação das
configurações básicas para sua disponibilização.
A biblioteca é a base central de implantação do sistema, posto que oferece
acesso a todos os segmentos da comunidade do CAC (professores, alunos e
técnicos administrativos), em período integral (7h 30min às 22h) e se propôs a
contribuir na coordenação do gerenciamento do sistema, juntamente com a
equipe de usuários interessados.
O

papel

do

bibliotecário

de

referência

nesse

contexto

é

trabalhar

colaborativamente como mediador no processo de uso deste ambiente virtual de
aprendizagem estando capacitado para atuar em diferentes níveis de mediação:

�a) Organização, acesso da informação - Contribuir na organização
estrutural das informações a serem disponibilizadas no sistema,
categorizando-as, visando facilitar a recuperação das mesmas;
b) Seleção

das

informações



contribuir

no

gerenciamento

das

informações disponibilizadas, no que tange a sua temporalidade e
pertinência. Por ser um instrumento de colaboração livre, é necessário
que haja um acompanhamento contínuo sobre as informações

que

estarão sendo liberadas;
c) Orientação/treinamento quanto ao uso do wiki  contribuir na
construção de tutoriais sobre as formas de utilização da ferramenta;
d) Orientação no uso das informações  contribuir no processo de
aprendizagem do uso da informação, no que se refere a construção de
textos utilizando citação e referência;
e) Padronização  para facilitar o acesso à informação e clareza dos
conteúdos a serem disponibilizados é importante que o grupo de
usuários do wiki estabeleça alguns critérios de publicação básicos e o
bibliotecário é a pessoa indicada para participar da organização deste
processo;
f) Divulgação  o tikiWiki, com suas diferentes ferramentas tais como
foruns, blogs, wiki, notícias, pode ser usada pelo bibliotecário como
instrumento de comunicação de novas aquisições e eventos, de
promoção da leitura e interação entre leitores para troca de idéias e
opiniões, dentre outras ações que a criatividade do profissional
alcançar.
Durante todo o processo de implantação do projeto será feito avaliação de forma
contínua e ao final do primeiro ano será realizado uma avaliação formal com os
utilizadores do sistema visando verificar a aplicabilidade do software livre
enquanto gerenciador de conteúdos, construção de projetos colaborativos,
comunicação e disseminação de informações.
Acredita-se

que

a

implantação

deste

sistema

no

CAC

viabilizará

o

desenvolvimento de projetos educativos dos diferentes segmentos da escola,

�contribuirá para o desenvolvimento e fortalecimento da inclusão digital e
especialmente o fortalecimento da cultura colaborativa de construção coletiva.

CONCLUSÃO

Uma espécie de revolução interativa está sendo desencadeada no universo
virtual, um modelo de interatividade baseado na comunidade, na colaboração
muitos-muitos, na co-criação.
Pode-se perceber que o uso do wiki em ambientes educacionais tem potencial
para dinamizar processos de ensino e aprendizagem estimulando a criatividade,
criticidade e favorecendo o uso da informação para produção de conteúdos de
forma colaborativa em detrimento ao modelo tradicional sempre questionado onde
alunos fazem de conta que produzem, mas de fato apenas transferem
informação e entregam ao professor dentro de uma formatação diferenciada.
Para o bibliotecário, um novo campo de atuação se descortina. Neste espaço,
será instigado uma postura pró-ativa para

além de organizador, ou seja, se

inserindo como produtor e educador. A interação colaborativa entre bibliotecários
e entre bibliotecários e usuários (professores, técnicos, alunos e comunidade)
poderá ser o grande suporte para o desenvolvimento pessoal deste perfil, onde
cada participante contribui para o crescimento de todos.
Embora a tecnologia forneça claramente um número de vantagens potenciais, há
muitas circunstâncias que podem conspirar para a limitação de sua utilidade. O
Modelo de produção colaborativa exige um comportamento diferenciado, baseado
em crenças e valores coerentes.
REFERENCIAS
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comunidades pessoais, inteligência coletiva. Interface (Botucatu), v.9, n.17,
p.235-248, mar./ago. 2005.
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http://c2.com/cgi/wiki?WikiDesignPrinciples. Acesso em: 02 jul 2006.

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http://pt.wikipedia.org/wiki/TikiWiki. Acesso em: 10 jun 2006.
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Informática. Disponível em:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u20270.shtml. Acesso em: 22 jul 2006.
Entrevista concedida a Sérgio Vinícius.

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                  <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Faqueti, Marouva Fallgatter; Alves, Maria Bernardete Martins</text>
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                <text>A produção de conhecimento de forma colaborativa utilizando-se do espaço web destaca-se no cenário internacional, alavancada pelo surgimento de softwares que facilitam esse processo de co-criação. Para o bibliotecário de referência, o cenário favorece para o aprofundamento da vivência do novo papel de mediador já vislumbrado. Nessa função o profissional assume uma postura pró-ativa, cria situações que estimulam o gerenciamento da busca e de uso de informação e gera conhecimento. Um elenco de ferramentas colaborativas já fazem parte do ambiente das bibliotecas digitais dentre elas destacam-se: o e-mail, o chat, os softwares inteligentes, a videoconferência, e a mais recente, a ferramenta wiki, poderosa ferramenta colaborativa que amplia significativamente os limites dos serviços de referência e o papel do bibliotecário, como mediador desse serviço, especialmente em ambientes educacionais. Nesse sentido, o artigo apresenta um estudo sobre as potencialidades do uso do wiki como ferramenta para dinamizar processos de aprendizagem e sua interação com a biblioteca, delineando algumas ações relacionadas com o bibliotecário de referência.</text>
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